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Numero do processo: 15586.001638/2010-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Para a devida síntese do processo, transcrevo o relatório de diligência de lavra da exconselheira Edeli Pereira Bessa, complementandoa ao final. Vejamos: ADM DO BRASIL, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 1° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro/RJI que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 86 .0 01 63 8/ 20 10 -8 1 Fl. 25651DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.652 2 lançamento formalizado em 10/01/2011, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 175.840.067,86. Esta Relatora requereu e lhe foi deferida a distribuição deste processo em razão de sua conexão com o processo administrativo n° 15586.001637/200901, no qual foi veiculada exigência semelhante, mas pertinente ao anocalendário 2004. Aquele procedimento fiscal foi motivado por demanda externa requisitória do Ministério Público Federal, em razão de a autuada figurar como uma das empresas que, no período de 2003 a 2004, efetuaram remessas ao exterior em pagamento de margem de garantia em Bolsa de Mercadorias no Exterior (hedge), de valores muito relevantes e aparentemente incompatíveis com os volumes de suas operações comerciais, mesmo para empresas de seu porte. Tais informações também foram encaminhadas ao Presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras — COAF, em cumprimento ao disposto no artigo 2°, § 6° da Lei Complementar 105, de 11.1.2001, e no artigo 11 do Decreto 2.799, de 08.10.1998, tendo em conta que elas poderiam configurar, em tese, indícios de cometimento de crime tipificado na Lei 9.613, de 3.3.1998. Já nestes autos, não há referência a qualquer representação externa. Todavia, o procedimento fiscal também se baseou na verificação de remessas de divisas ao exterior em pagamento a cobertura de margens de contratos futuros de soja e seus derivados, solicitada pela Bolsa de Mercadorias de Chicago em virtude das operações de hedge de comodities agrícolas, nos anoscalendário de 2005 a 2007. Por meio de intimações lavradas entre 07/06/2010 e 12/08/2010, a autoridade lançadora exigiu a apresentação dos mesmos elementos requeridos no procedimento fiscal anterior, com vistas à comprovação da efetiva aplicação dos recursos remetidos ao exterior para cobertura das margens dos contratos futuros de commodities, mediante transferência dos recursos da ADM em nome da ADM do Brasil para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago. Especialmente na resposta apresentada em 27/08/2010, a contribuinte insistiu que os elementos apresentados provavam os fatos questionados, ressaltando que as obrigações relativas às posições financeiras da intimada com relação aos seus contratos de hedge são cobertas pela Archer Daniels Midland Company (ADM Company), principal empresa do grupo ADM no mundo, conforme entre elas convencionado, promovendose a contabilização dos montantes a pagar ou a receber (dependendo se houve perda ou ganho em suas operações de hedge, respectivamente)com base em extratos mensais de transações de hedge, e liquidando estas operações conforme o melhor gerenciamento de caixa do grupo. Disse, ainda, que os contratos de liquidação futura são as ordens eletrônicas contidas nos extratos já apresentados, e que a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago não emite extrato de suas operações, incumbindo esta responsabilidade à ADM Investor Services. A autoridade lançadora conciliou os registros contábeis com os contratos de câmbio apresentados pela contribuinte, identificando divergências que, questionadas, foram esclarecidas pela fiscalizada (fls. 1524/1635). Também verificou o resultado de operações de hedge realizadas no Brasil, junto à Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), analisando resumo das aplicações, extratos da corretora e documentos de transferências de recursos (fls. 1636/1741) e concluindo que estas operações resultaram em receitas contabilizadas em 2006 e 2007. Quanto às operações de hedge no exterior, observou que o resultado positivo apurado em 2005 foi regulamente contabilizado como receita. Já em 2006 e 2007 constatou que houve despesas nos montantes de R$ 53.778.588,62 e R$ 299.337.808,53, vinculadas a remessas por contrato de câmbio e a pagamentos mediante conta corrente mantida no exterior (de acordo com a Lei n° 11.371/2006), acerca das quais se manifestou de forma semelhante ao que apontado no procedimento fiscal anterior: Fl. 25652DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.653 3 · A ADM do Brasil enviou recursos para o exterior e transferência do próprio exterior, para a ADM Investor Services (empresa de investimentos do grupo ADM), para que esta realizasse o pagamento das coberturas de margens de hedge solicitadas pela BM&F Chicago. Considerando que a empresa remetente dos recursos (ADM do Brasil), a empresa Matriz nos EUA (ADM Company) e a empresa recebedora e aplicadora dos recursos (ADM Investor Services) são todas do grupo ADM, somado ao fato da não existência de contratos comerciais sobre adiantamento de margens de garantia entre estas empresas, nos remete a facilidade para manipulação de operações, relatórios e contabilidade das mesmas; · O contribuinte criou em sua escrituração a conta 128116501 ADM DECATUR EXEC FUTUROS, que utiliza como uma conta corrente entre a ADM do Brasil e a ADM Company (ADM DECATUR), para acompanhamento do saldo devedor/credor da ADM do Brasil com a ADM Company, visto que a ADM Company adianta recursos para pagamento de margens de garantia para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago (fls. 679/708). O contribuinte informou em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 55/2010 que "com base nos extratos mensais de transações de hedge, a intimada contabiliza os montantes a pagar ou a receber (dependendo se houve perda ou ganho em suas operações de hedge, respectivamente), fazendo a liquidação financeira das operações conforme o melhor gerenciamento de caixa do grupo" (fls. 83/127 e 1519/1520); · O contribuinte entregou uma enorme gama de documentos com o objetivo de comprovar a aplicação dos recursos em operações de hedge dos contratos futuros de soja e derivados (Contratos de Câmbio, Relatório por contas dos fechamentos dos contratos de câmbio com as respectivas perdas/ganhos, Livro Razão Conta ADM DECATUR EXEC FUTUROS Contabilidade dos adiantamentos das margens pela ADM Company e remessas de recursos, Posição dos Contratos de Originação de Grãos, Posição de Contratos de Processamento Cálculo de Exposições, Relatórios informando que a ADM Investor Services é membro de compensação da Bolsa de Valores de Chicago) porém nenhum destes documentos comprova a efetiva aplicação dos recursos transferidos ao exterior pela ADM do Brasil na operação de Hedge alegada pelo contribuinte, isto é, nenhum deles apresenta a transferência de recursos da ADM Investor Services, em nome da ADM do Brasil, para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago; Detalhando os valores contabilizados pela fiscalizada, a autoridade lançadora conclui que a ADM do Brasil escritura em seus livros as operações de hedge de contratos futuros como Custo de Mercadorias Vendidas (vide Livro Razão conta "423130 Ajuste Hedge Contr. Fut. Fech." fls. 1594/1622) e a variação cambial, os juros e as comissões como despesas (entendemos como despesas acessórias as operações de Hedge). Estes custos e despesas serão glosados pois não houve sua efetiva comprovação, isto é, a comprovação das transferências de recursos da ADM do Brasil, ADM Investor Services ou ADM Holding para a BM&FChicago. A autoridade lançadora também fez ponderações específicas quanto à determinação dos valores lançados: Fl. 25653DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.654 4 4.INFRAÇÕES APURADAS OMISSÃO DE RECEITAS 4.1 GLOSA DE CUSTOS Verificamos na contabilidade eletrônica da empresa que os valores informados como pagamentos de margens de garantia de contratos futuros de Hedge fechados foram contabilizados na conta "423130 Ajuste Hedge Contratos Futuros Fechados", levada como Custo da Mercadoria Vendida no encerramento do exercício. Considerando a falta de comprovação da transferência de recursos em nome da ADM do Brasil para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago, estes custos serão glosados e será refeita a apuração do resultado do exercício. O valor apurado como Custo de Mercadoria Vendida, relativo ao Hedge informado, é de R$ 55.151.492,46 (...) para o ano de 2006 e R$ 294.716.460,55 (...) A glosa de custos tem sua fundamentação legal nos artigos 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 289, 290, inciso I, 292, 299, 300 e 396 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). 5. FORMA DE TRIBUTAÇÃO, ALÍQUOTAS E BASE DE CALCULO. No caso em questão, o contribuinte submetese às regas de apuração do IRPJ e da CSL pelas regras do LUCRO REAL conforme sua declaração de IRPJ (fls. 1742/1798). Conforme verificado no Demonstrativo do Resultado e Ajustes do Lucro Líquido (DRE, DIPJ e LALUR— fls. 26/82 e 1742/1798), verificamos que após as receitas e custos escriturados pelo contribuinte, o mesmo obteve Lucro Real ao final do exercício, Lucro este que após as glosas efetuadas pela fiscalização mencionadas no decorrer do relatório, será recalculado conforme abaixo demonstrado: Demonstração do Resultado – AnoCalendário 2006 Fl. 25654DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.655 5 Demonstração do Resultado – Ano – Calendário 2007 Obs: (1). Glosa dos custos das mercadorias e despesas acessórias relativos aos contratos de hedge fechados no exterior, no valor de R$ 55.151.492,45 para o ano de 2006 e R$ 294.716.460,55 para o ano de 2007; (2). As despesas de variação cambial não alteram as adições/exclusões, pois já foram realizadas quando do fechamento dos contratos de hedge; Cientificada do lançamento em 10/01/2011, a contribuinte apresentou impugnação estruturada sob os seguintes tópicos: · CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES SOBRE A IMPUGNANTE · NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM DECORRÊNCIA DA OBRIGATORIEDADE DE O D. AGENTE FISCAL CONSIDERAR AS ANTECIPAÇÕES DE IRPJ E CSLL REALIZADAS NO DECORRER DO ANOCALENDÁRIO · NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR CONTA DA INSUBSISTÊNCIA DA AUTUAÇÃO FISCAL — FALTA DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL DO MÉRITO: · 1 DAS OPERAÇÕES DE HEDGE REALIZADAS PELA INTERESSADA: 1.1 DA REALIZAÇÃO DAS OPERAÇÕES DE HEDGE E DA PROVA IMPOSSÍVEL EXIGIDA · 2 DA DEDUÇÃO DE DESPESAS USUAIS E NECESSÁRIAS — A CORRETA INTERPRETAÇÃO DO ARTIGO 396 DO RIR · 3 DA FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS Fl. 25655DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.656 6 PARA A DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS COM JUROS E COMISSÕES, BEM COMO DAS VARIAÇÕES CAMBIAIS INCORRIDAS PELA INTERESSADA— NECESSIDADE, NORMALIDADE E USUALIDADE · 4 DA ILEGALIDADE DA INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO: A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: · A arguição de nulidade do lançamento não deve prosperar, porque não se vislumbra, no presente caso, qualquer óbice que determine a precariedade dos lançamentos realizados pelo Fisco, uma vez que foram realizados nos moldes estabelecidos pelo Código Tributário Nacional, não se configurando qualquer violação ao que o mencionado diploma legal dispõe e, tampouco, ao artigo 59 do Decreto n° 70.235/1972. Os Autos de Infração foram lavrados por autoridade administrativa plenamente vinculada, respeitando os devidos procedimentos fiscais, previstos na legislação, e com a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, além do que a descrição dos fatos e as provas juntadas ao processo permitem esclarecer a causa das autuações, bem como toda a sistemática aplicável à constituição dos créditos tributários e, por sua vez, a argumentação desenvolvida pela interessada na peça impugnatória permite concluir que o motivo das autuações foi compreendido, tanto que contestado. · A juntada de provas, pela qual a impugnante protestou, deve ser feita por ocasião da impugnação, inexistindo razão para realização de diligência, ante a verificação de que constam nos autos todos os elementos para a formulação da livre convicção do julgador. · No mérito, embora reconhecendo que a interessada entregou uma enorme gama de documentos com o objetivo de comprovar a aplicação dos recursos em operações de hedge dos contratos futuros de soja e derivados, observou que as glosas foram promovidas porque entendeu a fiscalização que nenhum deles comprovou a efetiva aplicação dos recursos transferidos ao exterior pela ADM do Brasil na operação de hedge alegada, para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago. E, tratandose de matéria de prova, invocou o disposto nos art. 251, parágrafo único, 264 e 396, todos do RIR/99, no sentido de que os resultados líquidos de operações de cobertura em Bolsa no Exterior realizados diretamente pela empresa brasileira devem ser comprova das por documentação hábil e idônea (incluindo a demonstração de que foram realizadas pela empresa brasileira). · Declarou impertinentes as alegações relativas à dedutibilidade dos referidos custos tendo em vista a necessidade, usualidade e normalidade dos mesmos bem como das alegações relativas à dedutibilidade das perdas auferidas em operações de hedge realizadas no exterior, ainda que não fossem consideradas operações realizadas em Bolsa. · Centrandose na lide propriamente dita, asseverou que a interessada não logrou comprovar, nem durante o procedimento de fiscalização, nem na impugnação, momento propício para contraditar, com documentos hábeis e idôneos, a transferência de recursos da ADM Investor Services, em nome da Fl. 25656DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.657 7 ADM do Brasil, para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago, e declarou válida a glosa promovida. · Contestou documentos citados na impugnação por emitidos por empresa do grupo ADM ou por não individualizar e discriminar as operações. Disse, também, que ps contratos de Câmbio atestam a remessa de numerário para a ADM Co./ADM Investor Services Inc. · Desmereceu a afirmação de que "não é possível fazer a demonstração dos pagamentos feitos pela impugnante a Bolsa de Chicago", pois, em se tratando de custos, que têm o condão de reduzir o lucro líquido do exercício e, consequentemente, o crédito tributário devido, é seu o ônus de provar a sua existência. Citou doutrina neste sentido. · Quanto à afirmação de que as operações estariam devidamente registradas na contabilidade, salientou que a credibilidade dos assentamentos contábeis não se operacionaliza pelo simples fato de têlos apenas na conformidade da técnica, mas, também, se funda nos Princípios e Convenções que norteiam a Ciência Contábil, especialmente os da Continuidade, Oportunidade, Competência e da Consistência, o que exige disponibilização da documentação hábil, idônea que resguarda a escrituração. Citou jurisprudência administrativa neste sentido. · Com referência aos valores relativos à variação cambial, juros e comissões, atribuilhes a mesma consequência das demais glosas, porque tidas como acessórias, declarando desnecessário analisar os demais requisitos de dedutibilidade das despesas, quais sejam, necessidade, usualidade ou normalidade. Acrescentou que na ausência de documentos e livros fiscais, apenas a tabela de fl. 1949/1951 não se prestaria a atestar que houve adições relativas a despesas de juros, comissões ou variação cambial, e destacou que a variação cambial, na verdade, reduziu os valores lançados. · Quanto à apuração dos tributos lançados, tendo em conta o que informado pela contribuinte em DIPJ, e o demonstrativo apresentado pela Fiscalização, assevera que foi efetuado recalculo do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL relativos aos anoscalendário de 2006 e 2007, sendo considerados como valores tributáveis somente as infrações apuradas. Acrescentou que não houve erro no cálculo do limite do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL utilizados, pois segundo informações do Sistema SAPLI/RFB (Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais — fl. 3064/3066) e do Sistema SACSYRFB (Demonstrativo da Base de Cálculo Negativa da CSLL — fl. 3072), os saldos existentes em 2005 foram integralmente utilizados em períodos subsequentes. · Ainda, observou que não foi considerada a dedução do valor de R$ 240.000,00 quando do cálculo do adicional de 10%, pois esse somente pode ser utilizado uma única vez. E, relativamente às antecipações de IRPJ e CSLL declaradas nas DIPJ 2006/2007 e 2007/2008, constatou que seus valores foram utilizados para quitar o valor de IRPJ devido declarado, e o saldo negativo apurado foi objeto de diversas DCOMP, conforme Relatório do Sistema PER/DCOMP/S1EF/RFB (fls. 3075/3076); o mesmo ocorrendo com as Fl. 25657DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.658 8 antecipações de CSLL (fls. 3077/3078). · Por fim, declarou válida a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. Cientificada da decisão de primeira instância em 23/01/2012 (fl. 3153), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 17/02/2012 (fls. 3204/3269), acompanhado dos documentos de fis. (3270/3422), no qual reprisa os argumentos apresentados na impugnação. Antes, porém, descreve o papel da recorrente em seu ramo de atividade, destacando que o grupo do qual faz parte (Archer Daniels Midland, com sede nos EUA) ser um dos maiores dedicados à comercialização de produtos agrícolas, atuando desde 1923 e contando com mais de 28.000 colaboradores em 60 países. A subsidiária no Brasil, por sua vez, é responsável pela comercialização de mais de 7,7 milhões de toneladas de soja em grãos por ano, tanto no mercado nacional, quanto no exterior. Inicialmente observa que em suas atividades com commodities pratica operações de compra, hedge e venda, sendo que o hedge é necessário como proteção das transações nas quais o preço que será pago ao produtor é definido no momento de aquisição, bem como nos acordos de venda que podem sofrer oscilações até a data da entrega física ou embarque da mercadoria. Acrescenta que o imenso volume de commodities regularmente negociado pelo Grupo ADM lhe impõe a necessidade de operar junto à Bolsa de Mercadorias e Futuros de Chicago, de modo que as operações de hedge por ela contratadas submetemse ao art. 396 do RIR/99. Reitera a arguição de nulidade do lançamento porque (a) na apuração da base tributável, não se procedeu à dedução dos recolhimentos efetuados pela Recorrente a título de antecipação nos anoscalendário de 2006 e 2007, em conformidade com Solução de Consulta Interna n° 23/06; (b) o I. Agente Fiscal não efetuou a recomposição das apurações do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL; e (c) foram cometidos diversos outros equívocos pelo D. Agente Fiscal na apuração dos tributos supostamente devidos. Argui a nulidade do lançamento em razão da desconsideração das antecipações realizadas nos anoscalendário 2006 e 2007, destaca que a constituição da obrigação tributária somente pode ser feita em estrita conformidade com o que está disposto em lei, e esta prescreve que as antecipações devem ser deduzidas ao final do período de apuração correspondente, para fins de determinação do tributo devido. Afirma que há erro de direito, ou erro no critério jurídico utilizado, pois a autoridade lançadora deixou de observar o que determina a lei para fins de apuração do quantum debeatur de IRPJ e CSLL na sistemática do lucro real anual. Demonstra que, admitindo as antecipações, o IRPJ em 2006 seria negativo e o valor apurado em 2007 seria reduzido a R$ 2.645.777,67. Não reproduz esta demonstração para a CSLL, mas especifica a forma de quitação das estimativas de ambos os tributos, apontadas para aqueles anoscalendário, e conclui que o lançamento carece de elemento essencial, qual seja, seu motivo. Opõese à cogitação de que as deduções e antecipações de IRPJ e CSLL tiveram por efeito a formação de saldos negativos que foram utilizados pela Recorrente em Declarações de Compensação, ressaltando ser dever da Fiscalização apurar corretamente os tributos devidos e invocando o entendimento firmado na Solução de Consulta Interna COSIT n°23/2006. Defende que naquele ato determinouse, para toda e qualquer constituição de oficio de IRP. I e CSLL, a dedução das retenções na fonte ou antecipações referentes às receitas compreendidas na apuração, entendimento também refletido no Ato Declaratório Normativo COSIT n° 58/94 e em Fl. 25658DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.659 9 acórdãos administrativos que cita. Assevera que os saldos negativos de IRPJ e CSLL somente são passíveis de restituição e compensação quando constituem legítimos pagamentos a maior do tributo, de modo que uma revisão fiscal da apuração não autoriza que se fale em pagamento a maior de tributo. Ora, a formalização posterior de Declaração de Compensação pela Recorrente em nada altera o dever de ofício do D. Agente Fiscal de efetividade, apurar o IRPJ e a CSLL devidos ao final do período, considerando as antecipações regularmente quitadas nos anos calendários de 2006 e 2007. Alerta que a manutenção da autuação fiscal, com redução, apenas, do montante exigido por meio da dedução de estimativas, consiste alteração no critério jurídico do lançamento, e é vedado pelo art. 146 do CTN. Por fim, no que tange à nulidade decorrente da falta de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, aduz que o lançamento exige prévio levantamento e o exame completo de toda a documentação relativa à apuração do IRPJ e da CSLL, ao passo que a autoridade lançadora optou por proceder ao lançamento com base tão somente nos valores dos custos e despesas por eles glosados, sem apurar efetivamente o lucro real e a base de cálculo da CSLL. Claro está nos autos de infração que os valores exigidos a título de IRPJ correspondem exatamente à aplicação do percentual de 25% (15% mais adicional de 10%) sobre os custos e despesas glosados, desconsiderando as antecipações e a possibilidade de maior compensação de prejuízos fiscais. Observa que relativamente à CSLL, sequer houve detalhamento da apuração, mas, de toda sorte, haveria possibilidade de compensação de bases de cálculo negativas de períodos anteriores, bem como suas antecipações deveriam ter sido consideradas. Discorda da argumentação da autoridade julgadora de ia instância quanto à indisponibilidade das antecipações, já utilizadas em compensação, reafirmando o dever da autoridade fiscal de recalcular todo o lucro real e toda a base de cálculo da CSLL da Recorrente. Da mesma forma reportase à impossibilidade de compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas aventada na decisão recorrida. Questiona o procedimento adotado pela DRJ, que lastreou suas conclusões com base na utilização dos saldos de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL constantes dos sistemas SAPLI e LACS da RFB em detrimento dos valores constantes na Parte B do LALUR e nas DIPJ dos anoscalendário 2006 e 2007. Defende a prevalência dos valores informados em seu LALUR, até porque não houve procedimento por parte da Autoridade Fiscal visando à retificação de tais saldos. Cita jurisprudência administrativa favorável ao seu entendimento. Ressalta, por fim, que não pode esse Egrégio Conselho, tampouco a autoridade lançadora, realizar o cálculo correto dos tributos lavrados, a pretexto de corrigir o lançamento fiscal. Caso assim proceda, estará realizando a atividade de lançamento, o que é vedado pela legislação vigente. Cita jurisprudência administrativa neste sentido e conclui pedindo que seja declarada a nulidade dos autos de infração. Questiona a afirmação da autoridade julgadora de 1ª instância de que constitui ônus da interessada a instrução de sua impugnação com todos os documentos que entenda necessários à prova pretendida, para ver afastada a preclusão de seu direito de apresentar documentos após a impugnação, invocando o princípio da verdade material, e afirmando a ocorrência de cerceamento ao direito de defesa caso seja negado este direito, com consequente declaração de nulidade da decisão, como inclusive firmado em decisão recente da Câmara Superior de Recursos Fiscais nos autos do processo administrativo n°10814.017735/9677. No mérito, desde o início de sua defesa questiona a exigência de extrato emitido pela Bolsa de Chicago acerca de operações de hedge ali efetuada em nome da Recorrente, pois referido documento não existe e não pode ser obtido dada a sistemática de Fl. 25659DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.660 10 funcionamento daquela instituição. Destaca a apresentação de farta e robusta documentação plenamente hábil a comprovar que suas operações de hedge foram contratadas em bolsa no exterior, por ela assim resumidos: · Extratos das operações de hedge efetuadas,pela Recorrente, que contém todas as informações das operações efetuadas (fls. 404/1508); · Razão contábil da conta ADM DECATUR EXEC FUTUROS mantida pela Recorrente, que atesta as movimentações das operações de hedge efetuadas (fls. 83/127); · Contratos de câmbio comprobatórios das remessas e recebimentos relativos às operações de hedge da Recorrente (fls. 128/403, fls. 1627 a 1629 e fls. 1630 a 1632). Ademais, como a autoridade fiscal reconheceu que "os relatórios apresentam cálculos corretos dos valores das margens dos contratos futuros das operações de Hedge alegadas pelo contribuinte", claro está que o lançamento somente foi lavrado em razão da inaceitável exigência de apresentação do já mencionado extrato emitido pela Bolsa de Chicago. Assevera que as operações de hedge representam verdadeiro imperativo às atividades desenvolvidas pela Recorrente, representando despesas absolutamente usuais e necessárias à consecução de seus objetivos sociais. Mais à frente, acrescenta que as bolsas de mercadorias no Brasil não são capazes de absorver e conferir liquidez às transações realizadas pelo Grupo ADM, dado o volume das atividades comerciais — e por consequência, de operações de hedge — realizadas pela Recorrente. Transcreve artigo publicado na Revista Economia e Agronegócio atestando que a reduzida liquidez da bolsa brasileira não apenas impede a absorção de um volume grande de operações, mas envolve até mesmo o risco de os agentes locais não serem capazes de fechar suas posições. Ilustra que realizou cerca de 116.000 e 130.000 contratos de hedge em 2006 e 2007, respectivamente, volume bastante superior àquele negociado na BM&F no período. Daí a imperatividade da realização das operações de hedge junto à Bolsa de Chicago, e a submissão da recorrente às normas regulatórias desta entidade e das autoridades competentes dos Estados Unidos da América. Descreve o fluxo operacional de suas atividades, consistentes em realizar negócios de compra com entrega física futura de soja com os produtores rurais ou exportadores ao redor do mundo e fechar contratos de venda dessa natureza com seus clientes locais ou internacionais, de forma que as operações de hedge destinam se a reduzir os riscos das flutuações dos preços de soja entre a data da compra e/ou venda da soja e o seu recebimento e/ou entrega física. Especifica que: 120. Para efetuar as operações de hedge acima mencionadas, as subsidiárias do Grupo ADM localizadas em mais de 60 países ao redor do mundo inserem os dados de suas respectivas operações comerciais em um único sistema de computador, o qual é administrado pela ADM Trading Company ("ADM Trading"). Ao inserir os dados no referido sistema, as subsidiárias do Grupo ADM submetem à ADM Trading as correspondentes ordens de hedge ("Ordem"), que nada mais são do que as posições contrárias àquelas contratadas fisicamente com os produtores rurais ou clientes das empresas do Grupo ADM. 121. Cada Ordem configura um contrato, o que implica a obrigação de compra ou venda do tipo e quantidade de mercadoria estabelecidos na Ordem, na data de entrega ali prevista, conforme precificação de mercado listada na Fl. 25660DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.661 11 Bolsa de Chicago18. [18 Como já salientado, o pareamento dos preços estabelecidos nas Ordens colocadas pela Recorrente com os preços praticados na Bolsa de Chicago foi expressamente confirmado pela própria D. Autoridade Fiscal e é matéria incontroversa nos presentes autos] 122. Na colocação da Ordem, são informados o número da conta de controle da subsidiária, o tipo e quantidade de mercadoria a ser coberta pelo hedge, o tipo de operação (compra ou venda) e a data de opção da mercadoria na Bolsa de Chicago. 123.As Ordens são inseridas no sistema administrado pela ADM Trading, que centraliza e consolida as Ordens de todas as subsidiárias e, na sequência, transfere essas exposições a ADM Financeira, entidade financeira que executa tais Ordens junto à Bolsa de Chicago. [...] 125.A centralização das Ordens de todas as subsidiárias por meio do sistema da ADM Trading, decorre, dentre outros fatores, da necessidade de melhor cumprir as regras da CFTC e também do Grupo CME, controlador da Bolsa de Chicago. 126.Essas regras são aplicáveis a qualquer entidade que busque realizar operações de hedge na Bolsa de Chicago, e devem ser especialmente observadas pelas empresas do porte do Grupo ADM, que operam volume imenso de transações e possuem inúmeras subsidiárias que precisam, ao mesmo tempo, ter acesso a Bolsa de Chicago. 169. A fim de comprovar o quanto ora afirmado, a Recorrente anexa ao presente recurso documento firmado pelos Srs. Scott E. Early e Kathryn M. Trkla, exdiretor jurídico e exvicepresidente da Bolsa de Chicago, respectivamente (doc. 04). Cita, também, parecer solicitado ao Professor Steve Thel, experiente especialista norteamericano que, como AdvogadoConsultor, integrou o escritório do Consultor Jurídico Geral da Securities and Exchange Comission "SEC", órgão americano correspondente à Comissão de Valores Mobiliários "CVM" brasileira (doc. 05). Ali são abordadas as regras emitidas pela CFTC e a necessidade de que suas operações fossem formatadas nos termos em que aqui relatados, de modo a demonstrar que configuraria infração um mesmo grupo de empresas efetuar pedidos para comprar e vender substancialmente a mesma quantidade de um valor mobiliário ou commodity em substancialmente o mesmo tempo e preço ("wash sales"). Daí a atuação da ADM Trading, confrontando e depurando todas as Ordens colocadas pelas subsidiárias do Grupo ADM ao redor do mundo, de modo que a posição consolidada do Grupo seja contratada junto à Bolsa de Chicago. Passando à exposição do fluxo de pagamentos de suas atividades, a recorrente inicialmente destaca que a ADM Financeira é um membro de compensação qualificado da Bolsa de Chicago e está sujeita a diversas normas de regulação e controle, dentre as quais aquelas emitidas pela CFTC, o que por si só desqualifica a incomprovada suspeita lançada contr a ADM Financeira nos presentes autos em razão da vinculação ao Grupo ADM. Observa que a ADM Financeira não se responsabiliza apenas pela intermediação, mas pela efetiva liquidação financeira das operações conduzidas por todos os seus clientes junto às bolsas, e aponta declaração à fi. 1521/1522 que confirma a atuação da ADM Financeira como membro da Câmara de Compensação da Chicago Mercantile Exchange (CME). Frisa, ainda, na referida declaração, o fato de a Bolsa de Chicago não emitir extratos diretamente ao Grupo ADM, reportandose à exigência fiscal de prova de realização das operações diretamente em bolsas no exterior, e ao requisito expresso na decisão recorrida Fl. 25661DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.662 12 de comprovante em nome da ADM do Brasil. Entende evidenciado, assim, que a falta de apresentação de tal documento, portanto, não decorre de um descuido, desídia ou falha por parte da Recorrente em conservar seus documentos em ordem, já que se trata de documento inexistente. Acrescenta que a liquidação das operações intermediadas pela ADM Financeira é feita mediante pagamentos centralizados e consolidados à Bolsa de Chicago, inexistindo pagamentos realizados para aquela Bolsa em nome do comitente, já que as clearing houses realizam as compensações multilaterais das posições que intermediam. Menciona que também no Brasil esta sistemática é adotada em algumas operações, de modo que a depender do objeto negociado, o documento exigido da Recorrente no caso presente não poderia ser obtido ainda que as operações de hedge tivessem sido contratadas no Brasil. Descreve o fluxo de pagamentos nos seguintes termos: (i) Diariamente, a ADM Financeira realiza dois grupos de pagamentos das margens contratadas naquele dia, um grupo se refere às transações do Grupo ADM e outro relativo às operações de seus demais clientes. (ii) A entrega dos recursos para o pagamento efetuado pela ADM Financeira à Bolsa de Chicago é realizado pela ADM Co., gerenciadora de caixa do Grupo ADM. (iii) A ADM Co., por seu turno, é ressarcida dos pagamentos à ADM Financeira pelas subsidiárias do Grupo ADM, dentre elas a Recorrente. (iv)Vale notar que os hedges executados podem gerar ganhos ou perdas às subsidiárias do Grupo ADM, razão pela qual a ADM Co. pode receber ou realizar pagamentos em relação a cada urna das subsidiárias do Grupo ADM, dentre elas a Recorrente. Relaciona os documentos acostados aos autos (fis. 404/1508, 83/127, 128/403, 1627/1629, 1630/1632, 1511/1512, 1513/1515), descrevendo seu conteúdo e concluindo, diante deste contexto, que os documentos apresentados pela Recorrente ao longo do processo de fiscalização que atestam as remessas efetuadas à ADM Co. a título de ressarcimento das margens cobertas por tal entidade para a ADM Financeira (fls. 128/403, fls. 1627 a 1629 e fls. 1630 a 1632) são prova suficiente da realização das operações de hedge junto à Bolsa de Chicago. E aduz: 167.Adicionalmente, muito embora não seja possível fazer a demonstração dos pagamentos feitos pela Recorrente diretamente a Bolsa de Chicago em razão da regulação vigente nos Estados Unidos, é possível que se realize o confronto dos resultados auferidos pela Recorrente com as suas operações de hedge e se verifique que estes oscilam conforme as variações dos preços das mercadorias "hedgeadas" na Bolsa de Chicago. Este, fato, ressaltese, foi expressamente reconhecido pelo D. Agente FiscaL 168.Ora, quer parecer à Recorrente que se trata de prova mais do que suficiente quanto à realização dessas operações em bolsa, o que as tornam dedutíveis tanto para fins de apuração do PRPJ, quanto para fins de apuração da CSLL. Aborda a correta interpretação do artigo 396 do RIR, defendendo sua observância no presente caso na medida em que as operações foram realizadas em bolsa e sempre estiveram sob o controle do órgão regulador norteamericano. Em seu entendimento, o que importa é que o eventual resultado negativo da operação de hedge seja fruto de assunção efetiva do risco das operações de bolsa e que tal resultado negativo esteja sujeito ao controle do órgão regulador estrangeiro. Defende que a operação de hedge no exterior alcançada pelo artigo 396 do RIR deve ser visualizada sob os prismas do conteúdo e do modo de execução, afirmando incontroverso o conteúdo das Ordens realizadas pela recorrente, centrandose a discussão no modo de execução Fl. 25662DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.663 13 dessas Ordens, sem atentar que este se sujeita às regras estrangeiras. Na medida em que a ADM Financeira visualiza todas as Ordens da Recorrente destinadas a serem executadas na Bolsa de Chicago e as identifica como verdadeiras Ordens de compra ou de venda com a finalidade de hedge, fica evidente tratarse de atuação direta em bolsa para fins de aplicação do artigo 396 do RIR. O termo "diretamente", presente na lei, deve ser interpretado segundo as regras do ordenamento jurídico dos EUA, da Bolsa de Chicago e o princípio da legalidade, afastandose o sentido mais literal e formal deste termo. E o termo "bolsa" deve ser concebido como ambiente e sistemas organizados e regulados em que se realizam operações de mercado, e não apenas "pessoa jurídica Bolsa". Ainda, porque representativos de despesas usuais e necessárias, defende a dedutibilidade dos resultados de operações de cobertura. Desde que se trate de operações de hedge vinculadas a operações reais e efetivas de revenda de soja e que sigam rigorosamente os parâmetros de mercado, como no caso presente, tais despesas deverão ser consideradas operacionais e dedutíveis independentemente de qualquer discussão sobre o modo de execução das operações. Reportase a doutrina esclarecendo que o hedge nada mais é que a aquisição de contratos em posição inversa aos contratos já firmados pela sociedade, e acrescenta que num contexto em que os preços dos produtos que comercializa oscilam ao sabor do mercado, deixar de realizar operações de hedge certamente evidenciaria que a Recorrente é mal gerida ou possui grande atividade especulativa. Citando as causas de variação de preços no mercado que atua, conclui que o hedge é usual e necessário às atividades da Recorrente. Constrói exemplo numérico para aclarar tais afirmações e complementa: 194. Dentro desse mecanismo, mesmo que o preço de mercado da soja suba quando da data de sua colheita e revenda, o valor que a Recorrente receber a mais do seu cliente no mercado externo será remetido ao exterior por força do hedge. De outro lado, caso o valor de mercado caia e, por consequência, o cliente externo da soja física pague menos à Recorrente, o hedge propiciará um resultado positivo equivalente ao valor pactuado no contrato e o valor de mercado para essa época. Traça a hipótese de incidência do IRPJ a partir da Constituição Federal para concluir que em decorrência da premissa basilar e irredutível de que apenas podem ser submetidos ao IRPJ (e também CSLL) os acréscimos patrimoniais efetivos, os resultados das operações de hedge contratadas pela Recorrente não podem ser avaliados isoladamente das operações comerciais que pretendem cobrir e, destarte, tributados da forma efetuada pelo D. Agente Fiscal. Apresenta mais exemplos numéricos dos resultados que seriam auferidos em caso de valor de mercado superior ou inferior ao preço de compra contratado, para concluir que impedir a dedutibilidade das perdas auferidas nas operações de hedge significaria tributar os ganhos realizados nas operações comerciais da recorrente sem considerar os custos incorridos para a sua consecução, isto é, aqueles decorrentes das operações de hedge. Reportase a jurisprudência administrativa contrária a este tipo de entendimento, em situações semelhantes como no caso de despesas de juros incorridos em empréstimos repassados a outras empresas do mesmo grupo econômico. Discorda da interpretação que, a partir do disposto no art. 396 do RIR/99, considera indedutíveis os pagamentos das operações de cobertura não realizadas em bolsas, pois tal implicaria reconhecer que aquela norma visa a locupletar o fisco de forma injustificada, na medida em que seriam tributadas as receitas de venda das mercadorias, mas não seria aceito um importante custo incorrido para que essas mesmas receitas fossem auferidas. Questiona, também, a glosa de juros, comissões e variações cambiais com base Fl. 25663DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.664 14 na "acessoriedade" das despesas. Caberia à Fiscalização averiguar sua efetiva ocorrência, bem como a necessidade, usualidade e normalidade dos gastos, para demonstrar que eles não atenderiam ao art. 299 do RIR/99. Ressalta, ainda, que as operações e margens de cobertura foram verificadas e atestadas pela própria Fiscalização, de modo que restrições contidas no art. 396 do RIR/99 se limitam às perdas com hedge, não havendo motivo para glosa das demais despesas. E acrescenta que as variações cambiais observam regime de caixa para sua dedutibilidade, não avaliado pela Fiscalização, restando patente a superficialidade da investigação. Afirma que promoveu adições, neste sentido, em 2007, no valor de R$ 19.511.352,94. Finaliza defendendo a ilegalidade da incidência de juros sobre a multa de oficio, pois, os juros prestamse a indenizar o prejuízo do credor com a privação do capital, ao passo que a multa é pena pecuniária pelo inadimplemento de obrigação. Em seu entendimento, os juros não podem incidir sobre a multa, já que esta penalidade não retrata obrigação principal, mas sim encargo que se agrega ao valor da dívida, como forma de punir o contribuinte. Argumenta que a aplicação de tal percentual, de forma ilimitada, sobre o principal e sobre a multa, acarreta verdadeira afronta ao princípio do nãoconfisco, bem como viola o direito de propriedade, já que faz incidir juros exorbitante sobre o imposto devido e, ainda, sobre a multa aplicada. Cita jurisprudência neste sentido, e invoca posicionamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais no processo administrativo n° 10680.002472/200723. Ao final, requer, ainda, seja determinada a conversão do julgamento em diligência, na hipótese de este procedimento ser tido como necessário para o esclarecimento de qualquer dúvida acerca dos documentos juntados ao presente processo administrativo, bem como protesta pela produção de todas as provas em Direito admitidas, bem como pela oportuna sustentação oral de suas razões de defesa. Ainda, os procuradores da Recorrente declaram ser autênticas as cópias simples anexas ao presente Recurso Voluntário, nos termos do artigo 365, IV do Código de Processo Civil. Em 28/02/2012 os autos do presente processo foram encaminhados ao CARF, e em 12/06/2012 distribuídos a esta Relatora, em razão de sua conexão com o processo administrativo n° 15586.001637/200901 07. 3426). Em 06/12/2012 a recorrente apresentou a esta Relatora petição protocolizada no CARF naquela data, requerendo ajuntada dos seguintes estudos e pareceres jurídicos: · Análise das operações de Hedge efetuadas pela Requerente no exterior à luz do art. 396 do RIR/99, expressa em parecer do Professor Marco Aurélio Greco; · Estudo dos vícios materiais que acarretam a nulidade dos autos de infração, proferido pelo Professor Eurico Marcos Diniz de Santi; · Interpretação do art. 17 da Lei n°9.430/96 em razão da forma de operação das Bolsas, em parecer do Professor Arj, Oswaldo Mattos Filho. · Relatório de Comprovação do Hedge em Operações Futuros Realizadas pela Companhia nos AnosBase de 2006 e 2007 e Relatório de Verificação das Operações de Futuros (Hedge) Realizadas pela Companhia nos AnosBase de 2006 e 2007, ambos emitidos pela empresa de auditoria KPMG; · Relatório de Auditoria Independente das Operações de Futuro e Opções de Commodities Realizadas pela Companhia, emitido pela empresa de auditoria Ernst & Young, acerca das controvérsias objeto de lançamento nestes autos. O relatório da Ernst & Young, acompanhado de diversos demonstrativos (todos em língua estrangeira), o relatório da KPMG e os pareceres antes mencionados acompanharam a referida petição. Por ocasião de sua apresentação, a recorrente mencionou a existência de Fl. 25664DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.665 15 documentos que lhes dariam suporte, os quais seriam apresentados no CARF. Consulta ao E processo evidenciou que a referida petição e os documentos que a instruíram ainda não haviam sido digitalizados até janeiro/2013, bem como que não havia registro da apresentação de outros elementos. Em 12/09/2012, a Assessoria Técnica e Jurídica do CARF (ASTRO respondera a Oficio da Procuradoria da República no Espírito Santo, informando que solicitaria prioridade na tramitação do processo administrativo n°15586.001637/200901, conexo a este. Em 28/11/2012 o mesmo órgão requereu cópias do auto de infração e das decisões já proferidas naqueles autos, as quais foram fornecidas pela Presidência desta 10 Seção em 11/12/2012, acompanhadas da informação de que o processo administrativo n° 15586.001637/200901 seria incluído em pauta na sessão seguinte, em fevereiro de 2013. O litígio não foi apreciado na reunião de julgamento de fevereiro/2013 em razão de pedido de adiamento apresentado pela recorrente. Ao final de fevereiro/2013, foram digitalizados dois conjuntos de documentos anexos a estes autos, um com 34 (trinta e quatro) volumes e outro com 13 (treze) volumes, cuja juntada definitiva ainda não foi promovida no E processo em razão de o processo encontrarse pautado para julgamento. O conjunto de documentos composto de 13 (treze) volumes está intitulado Laudo KPMG — Relatório de verificação das operações de futuros (hedge) realizadas pela Companhia nos anosbase de 2006 a 2007. Reportamse a anexos numerados de I a 28, os quais guardam relação com o relatório de mesmo título, apresentado a esta Relatora em 06/12/2012. O conjunto de documentos composto de 34 (trinta e quatro) volumes está intitulado Laudo KPMG — Relatório de comprovação do hedge em operações de futuros realizadas pela Companhia nos anobase de 2006 e 2007 e reúne anexos entre os números 1 e 38, evidenciando tratarse dos documentos de suporte do relatório de mesmo título, apresentado a esta Relatora também em 06/12/2012. Os documentos apresentados ao final de fevereiro/2013 foram anexados às fls. 3482/14778. Além deles, foram juntados aos autos digitalizados a tradução juramentada do Parecer elaborado por Ernst & Young (fls. 18777/18970), bem como os relatórios e o parecer apresentados a esta Conselheira em 06/12/2012 (fls. 14781/18577), além dos pareceres emitidos pelos Professores Eurico Marcos Diniz de Santi, Ary Oswaldo Matos Filho e Marco Aurélio Greco (fls. 18595/18703). Na sessão de julgamento de 10 de julho de 2013, este Colegiado decidiu: I) por voto de qualidade, REJEITAR as arguições de nulidade do lançamento por falta de compensação de prejuízos fiscais anteriores e de dedução de antecipações do próprio período, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento de glosa de juros, comissões e variações cambiais; 3) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade da decisão recorrida; 4) por maioria de votos, CONVERTER EM DILIGÊNCIA o julgamento, divergindo os Conselheiros Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva, que davam provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Esta Conselheira expôs suas razões para rejeitar as preliminares deduzidas na defesa e, para concluir pela necessidade de diligência, invocou à abordagem consignada no voto condutor da Resolução n° 1101000.078, na medida em que a discussão, nestes autos, possui os mesmos contornos daquela travada nos autos do processo administrativo n° 15586.001637/200901, e a recorrente reportouse, por ocasião da petição apresentada a esta Relatora em 06/12/2012, aos mesmos pareceres juntados aos autos do processo administrativo n° 15586.001637/200901, bem como indicou a elaboração de relatórios por KPMG Tax Advisors Ltda e Emst & Young LLP, Fl. 25665DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.666 16 com vistas à comprovação das operações de hedge contabilizadas nos anoscalendário 2006 e 2007, aqui questionadas. No voto condutor daquela Resolução, esta Conselheira expôs suas razões para rejeitar as preliminares deduzidas na defesa; observou que o art. 396 do RIR/99 admite a dedução de perdas em operações de cobertura (hedge), desde que realizadas diretamente em bolsas do exterior; demonstrou que o procedimento fiscal permitiu à contribuinte provar que assim procedeu, mas as discrepâncias constatadas nos elementos apresentados, somados a outros indícios, ensejou a glosa das perdas escrituradas; admitiu que a interposição de outras empresas do grupo ADM para realização de operações junto à Bolsa de Chicago não as desnaturaria como promovidas diretamente em bolsa; cogitou da prova das operações de hedge mediante demonstração de sua contrafação com membro credenciado da Bolsa de Chicago; evidenciou que os elementos apresentados à Fiscalização não asseguravam que os recursos remetidos ao exterior destinaramse às operações de hedge, porque consolidadas diversas operações, a demandar seu exame individualizado, além de sua vinculação à contratação de cobertura efetiva em bolsa no exterior e correspondente pagamento; e discorreu sobre o conteúdo das provas juntadas depois do recurso voluntário, destinadas a demonstrar o fluxo operacional e financeiro das atividades questionadas pela Fiscalização, ressaltando que referências à ADM Trading como hedge center somente surgiram em impugnação. Considerando tais circunstâncias, esta Conselheira concluiu que as provas apresentadas pela recorrente demonstravam seu empenho em reunir elementos para convencer este órgão julgador da legitimidade de seus registros contábeis. Observou que ideal seria que dossiês diários fossem mantidos para demonstração da equivalência entre os registros contábeis e as operações da empresa junto ao mencionado Sistema VAX. Mas os elementos trazidos pela recorrente são evidências fortes de que estes registros existiam e obedeciam a um fluxo operacional sujeito a conciliações periódicas, de modo a assegurar a cobertura de suas operações físicas com commodities. Apenas que, a precariedade da guarda documental destas demonstrações não permitiu que a empresa as apresentasse à Fiscalização e convencesse a autoridade lançadora da regularidade de seus registros contábeis. Em consequência, já seria necessária a conversão do julgamento em diligência para confirmação do conteúdo dos relatórios apresentados pela defesa. Todavia, a demonstração da atuação da ADM Trading como hedge center suscitou dúvidas acerca da dedutibilidade de perdas em razão de operações de hedge que não teriam sido contratadas em Bolsa, em razão de impedimentos legais, razão pela qual o julgamento foi convertido em diligência para que a autoridade lançadora: · Sob a premissa inicial de que todas as operações contabilizadas como sendo de hedge seriam necessárias e dedutíveis: 1) analise os elementos trazidos pela recorrente como evidências de que os registros junto ao mencionado Sistema VAX existiam e obedeciam a um fluxo operacional sujeito a conciliações periódicas, de modo a assegurar a cobertura de suas operações físicas com commodities; 2) informe a validade dos critérios de auditoria adotados pelas empresas contratadas, e por consequência a admissibilidade de seus relatórios para demonstração da regularidade dos valores contabilizados pela contribuinte, ou apure esta regularidade por outros meios que entender e justificar suficientes; 3) aponte divergências que deste exame resultem, identificando as perdas que restarem sem comprovação, e quantificando sua repercussão no crédito tributário lançado; Fl. 25666DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.667 17 · Sob a premissa final de que somente as operações de hedge realizadas em bolsa ensejam perdas dedutíveis, promova as verificações acima requeridas, mas identifique as perdas correspondentes a operações de hedge efetivamente contratadas junto à Bolsa de Chicago, sem antes terem sido compensadas com posições opostas apresentadas no mesmo período por outra empresa do Grupo ADM. Esta Conselheira ainda acrescentou ao voto condutor da Resolução n° 1101000.078 que: Além disso, importa observar que, para indeferir a compensação de prejuízos e bases negativas pleiteada em impugnação, a autoridade julgadora de 1" instância assim anotou: Quanto à alegação de que teria havido erro no cálculo do limite do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL utilizados, ou seja, não teriam sido compensados os valores a que teria direito (30% da base tributável), esclareçase que: · consta no Sistema SAPLI/RFB (Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais — fl. 3.064/3.066) que o prejuízo fiscal no valor de R$ 5.515.198,35 existente em 2005 foi totalmente utilizado no anocalendário de 2006 (em que pese somente possuir R$ 5.515.198,35, a interessada utilizou R$ 34.344.813,68). Portanto, não há prejuízo a ser compensado no Auto de Infração de IRPJ relativo ao anocalendário de 2006 nem valor a ser utilizado no AI relativo ao anocalendário de 2007 (o prejuízo fiscal do período já foi considerado). · consta no Sistema SACS/RFB (Demonstrativo da Base de Cálculo Negativa da CSLL — fl. 3.072) que o saldo de base de cálculo negativa no valor de R$ 38.753.786,46 existente em 2005 foi utilizado em 2006 (R$ 34.180.769,68) e em 2008 (em que pese só possuir R$ 4.573.016,78, a interessada utilizou R$ 240.100.335,79). Portanto, não remanesceu base de cálculo negativa de CSLL a ser compensada no Auto de Infração de CSLL relativo ao anocalendário de 2006 nem valor a ser utilizado no AI relativo ao anocalendário de 2007 (a base negativa do período já foi considerada). A recorrente questiona estas conclusões, e defende a prevalência dos valores constantes na Parte B do LALUR e nas DIPJ dos anoscalendário 2006 e 2007, asseverando que não houve procedimento por parte da Autoridade Fiscal visando à retificação de tais saldos. Assim, na hipótese de, após a diligência, subsistir base tributável nos períodos fiscalizados, necessário será saber se os prejuízos e bases negativas disponíveis no LALUR da contribuinte correspondem, de fato, às apurações por ela declaradas em períodos anteriores, e se estas não foram alteradas em razão de procedimentos fiscais passados. Além disso, será necessário aferir se tais prejuízos e bases negativas permanecem disponíveis à época da conclusão da diligência para a compensação requerida pela contribuinte. Por estas razões, o presente voto é no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência, para que a autoridade lançadora, além das verificações nos moldes daquelas determinadas no processo administrativo n°15586.001637/200901, confirme a existência de prejuízos fiscais e bases negativas acumulados antes dos períodos fiscalizados, bem como a sua disponibilidade, ao final da diligência, para sua Fl. 25667DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.668 18 utilização nestes autos. Ao final dos trabalhos a contribuinte deverá ser cientificada de relatório circunstanciado da diligência fiscal, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação, antes da devolução dos autos a este Conselho. A autoridade fiscal encarregada da diligência exigiu a apresentação de memórias de cálculos das perdas em operações de hedge promovidas pela recorrente, bem como demonstração das operações efetivamente contratadas junto à Bolsa de Chicago, e aquelas compensadas com posições opostas de outras empresas do grupo ADM (fl. 19059/19060). Inicialmente apenas o primeiro demonstrativo foi entregue, seguindose pedido de explicação detalhada da memória de cálculo apresentada, bem como das demais a serem fornecidas após prorrogação de prazo concedida à intimada (fls. 19061/19093). A contribuinte prestou os esclarecimentos requeridos (fls. 19096/19223) e assim consolidou os valores das perdas resultantes de operações efetivamente contratadas junto à Bolsa de Chicago (item 2 da intimação) e compensadas com posições opostas de outras empresas do grupo (item 3 da intimação): A autoridade fiscal exigiu o detalhamento mensal das perdas (fls. 19224/19225) eem resposta a contribuinte apresentou os esclarecimentos de fls. 19228/19246. As fls. 19247/24318 constam os documentos apresentados no curso da diligência. Novos esclarecimentos foram exigidos em razão de divergências constatadas entre os elementos apresentados pela contribuinte (fls. 24319/24321), sendo prestadas as informações de fls. 24322/24327. A diligência foi concluída com a lavratura do termo de fls. 24334/24347, no qual a autoridade fiscal apresenta constatações acerca das informações apresentadas pela contribuinte, elaborando quadros demonstrativos das discrepâncias entre os valores declarados como Ganhos/Perdas (Hedge) com soja e seus derivados comercializados pela ADM do Brasil em comparação com os Ganhos/Perdas (Hedge) de soja e seus derivados comercializados pela ADM Company, bem como das discrepâncias entre os valores informados como aplicados em hedge na BM&F Chicago em comparação com as valores totais das perdas com Hedge da ADM do Brasil, e ao final apresentando as seguintes respostas aos quesitos consignados na Resolução: O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais solicitou as seguintes informações: I) analise os elementos trazidos pela recorrente como evidências de que os registros junto ao mencionado Sistema VAX existiam e obedeciam a um fluxo operacional sujeito a conciliações periódicas, de modo a assegurar a cobertura de suas operações com commodities; 2) informe a validade dos critérios de auditoria adotados pelas empresas contratadas, e por consequência a admissibilidade de seus relatórios para demonstração da regularidade dos valores contabilizados pelo contribuinte, ou apure esta regularidade por outros meios que entender e justificar suficientes; e 3) aponte divergências que deste exame resultem, identificando as perdas que restarem sem comprovação, e qualificando Fl. 25668DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.669 19 sua repercussão no crédito tributário lançado; · Em resposta à solicitação do CARF, informamos: 1. Ficou constatado, em tese, que a empresa ADM Trading utilizavase do sistema VAX que obedecia a um fluxo operacional sujeito a conciliações periódica, realizando compensações com posições opostas, de modo a calcular e assegurar a cobertura de suas operações físicas com commodities; 2.Quanto à validade dos critérios das auditorias adotados pelas empresas contratadas, e por consequência, a admissibilidade de seus relatórios para demonstração da regularidade dos valores contabilizados pelo contribuinte, esta fiscalização informa que é inviável e temerário emitir um parecer, visto que só seria possível formar convicção diante de uma auditoria independente, isto é, não contratada e paga pelo contribuinte. 3.Considerando as informações prestadas pelo contribuinte, apresentamos abaixo as divergências apuradas, identificando as perdas que restaram sem comprovação, e suas respectivas repercussões no crédito tributário lançado: RECALCULO DAS INFRAÇÕES APURADAS CONFORME VALORES INFORMADOS PELO CONTRIBUINTE Apresentamos abaixo os valores informados pelo contribuinte dos valores aplicados em hedge na BM&F Chicago, após compensadas as posições opostas pelo sistema VAX. Informamos ainda as demais despesas acessórias (variação cambial, juros e comissões) retirados dos processos de auto de infração n° 15586.001637/200901 e 15586.001638/201081: RECOMPOSIÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES DE RESULTADOS [...] Cientificada, a contribuinte não se manifestou nestes autos, apesar de nos autos do processo administrativo conexo n° 15586.001637/200901 ter consignado o que assim relatado na Resolução n° 1101001.152: Cientificada, a contribuinte manifestouse às fls. 18031/18043, reiterando as justificativas antes apresentadas, observando que atendeu prontamente a todas as solicitações que lhe foram dirigidas durante a diligência, participando inclusive de diversas reuniões presenciais e por conferência telefônica para apresentar explicações sobre os documentos e sanar dúvidas do agente fiscal, e apresentando milhares de páginas de documentos contendo todos os detalhes das operações de hedge contratadas no exterior. Aduziu que a reintimação fiscal lavrada no curso da diligência decorreu de falha no processamento das respostas tempestivamente apresentadas, e Fl. 25669DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.670 20 disse que os trabalhos realizados pelo agente fiscal em nada contradizem o que vinha sendo sustentado pela Recorrente, atestando desde a colocação das Ordens no Sistema VAX, suas conciliações periódicas e compensações com posições opostas do Grupo ADM, até a efetiva transferência das Ordens para a Bolsa de Chicago. Discordou das comparações feitas pela Fiscalização entre os ganhos/perdas da Recorrente e os ganhos/perdas da ADM Company, pois não existe padrão numérico esperado para as comparações selecionadas, dado que suas atividades são influenciadas por inúmeras variáveis que citou e demonstrou por meio de exemplos práticos. Na seqüência, reportandose às respostas aos quesitos da diligência, firmou o entendimento de que as conclusões fiscais confirmaram o que vem sendo sustentado pela Recorrente nos presentes autos, de modo que os argumentos de defesa não são abalados nem mesmo pelas suposições lançadas pela Fiscalização quanto ao fato de os auditores independentes terem sido contratados pela Recorrente, mormente tendo em conta que todas as informações por eles utilizadas foram apresentadas à Fiscalização, sem que qualquer vício tenha sido apontado, seja nas premissas adotadas, nos procedimentos realizados ou nas conclusões alcançadas. Abordou as normas que regem as atividades de auditoria independente para reafirmar desarrazoadas as suspeitas lançadas pelo agente fiscal, e concluiu: 36.Portanto, diante das robustas provas apresentadas pela Recorrente nos presentes autos, seja pelos laudos elaborados pelos auditores independentes, seja pelos inúmeros documentos que os sustentam, jamais poderia o agente fiscal pretender desqualificálos sob a simples alegação de que os auditores foram contratados pela Recorrente. Restando abalados quaisquer dos elementos que sustentam o Auto de Infração por provas carreadas aos autos pelo contribuinte, incumbe ao Fisco efetivamente comprovar as suas alegações, por meio da adequada contestação técnica, até mesmo porque a diligência seria o momento adequado para tanto. 37.Dessa forma, na medida em que (i) as Ordens colocadas pela Recorrente foram reconhecidas pela própria autoridade fiscal como relativas a operações de hedge que atenderam aos parâmetros da Bolsa de Chicago já desde o Termo de Verificação fiscal e que (ii), conforme atestado pelo Termo de Encerramento de Diligência, se demonstrou que as operações foram realizadas em ambiente de bolsa por meio do Sistema VAX e sempre estiveram sob o controle do órgão regulador norteamericano, sendo parte consolidada com Ordens contrárias de outras empresas do Grupo ADM e parte contratada junto à Bolsa de Chicago, o atendimento da regra do artigo 396 do RIR é patente. 38.Conforme já exposto nos presentes autos, sob a perspectiva do Fisco brasileiro, o que importa é que o eventual resultado negativo da operação de hedge seja fruto da assunção efetiva do risco das operações de bolsa e que tal resultado negativo esteja sujeito ao controle do órgão regulador estrangeiro, de maneira que o Fisco Brasileiro tenha o conforto de que os valores reconhecidos pela empresa brasileira não foram artificialmente inflados por meio de negociações entre particulares no exterior. Isto é, a exigência do art. 396 do RIR visa a evitar que prejuízos fictícios sejam deduzidos pelas empresas brasileiras da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Essa exigência, no entanto, não pode ser vista de maneira dissociada das regras que delineiam a materialidade do IRPJ e da CSLL, nem pode a autoridade fiscal extrapolar o conteúdo das normas que regulam a incidência desses tributos. Ainda, reportandose ao Parecer do Professor Marco Aurélio Greco, disse que o conteúdo das Ordens realizadas pela Recorrente para compra ou venda da commodity é incontroverso nestes autos, centrandose a discordância no modo de execução Fl. 25670DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.671 21 dessas Ordens, sujeita às regras estrangeiras. Discorreu sobre tais regras, citando o parecer do Professor Ary Oswaldo Mattos Filho, e finalizou defendendo que as Ordens colocadas junto à ADM Trading, repassadas à ADM Financeira e então colocadas junto à Bolsa de Chicago certamente atendem a todos conceitos que extraiu da legislação brasileira, razão pela qual entendeu improcedente a exigência. No voto condutor da Resolução n° 1101000.153 observouse que o segundo ponto da diligência anterior não havia sido atendido, conforme assim exposto: Antes de adentrar ao reexame das preliminares e à apreciação do mérito, observase que, caso se conclua pela indedutibilidade, ainda que em parte, das perdas resultantes de operações de hedge, não será possível finalizar a apreciação das demais matérias autuadas. Isto porque, na realização da diligência requerida por este Colegiado, a autoridade fiscal entendeu inviável e temerário confirmar a validade dos critérios das auditorias contratadas, mas intimou a contribuinte a demonstrar os valores mensais das perdas correspondentes às operações de hedge contratadas junto à Bolsa de Chicago e compensadas com as posições opostas de outras empresas do grupo ADM, e a contribuinte assim detalhou esta apuração: Para segregar as perdas relativas às operações de hedge que foram consolidadas pela ADM Trading das perdas relativas àquelas que foram executadas junto à Bolsa de Chicago conforme determinado pelos Termos de Diligência Fiscal, a ADM do Brasil partiu do banco de dados que consolida todos os Relatórios R3838101 e que engloba todas as transações das contas da ADM do Brasil e realizou o seu confronto com todas as transações da ADM Trading executarIRs junto à Bolsa de Chicago ("Extrato 5032"). Dessa forma, considerando a sistemática de liquidação das operações descrita acima, a parti desse confronto concluise que as perdas decorrentes de transações de um mesmo produto, mês de Entrega e preço em determinado dia, constantes de ambos os documentos (Relatório R3838101 e Extrato 5032) foram negociadas junto à Bolsa de Chicago. A partir das perdas totais nas operações de compra e venda da ADM Brasil, identificouse o volume de contratos e o valor das compras e das vendas pelos preços destes contratos para identificação das perdas das operações da ADM do Brasil na Bolsa de Chicago. A partir destes critérios, a contribuinte informou que, em 2006, as perdas de hedge da ADM do Brasil representaram R$ 97.980.871,00, sendo que as perdas das operações de hedge realizadas em bolsa totalizaram R$ 35.700.691,00, e as perdas das operações de hedge compensadas o montante de R$ 62.280.180,00. Já em 2007, as perdas de hedge da ADM do Brasil representaram R$ 346.885.003,00, sendo que as perdas das operações de hedge realizadas em bolsa totalizaram R$ 160.554.919,00, e as perdas das operações de hedge compensadas o montante de R$ 186.330.084,00. A autoridade fiscal encarregada da diligência admitiu que, em tese, a empresa ADM Trading utilizavase do sistema VAX que obedecia a um fluxo operacional sujeito a conciliações periódicas, realizando compensações com posições opostas, de modo a calcular e assegurar a cobertura de suas operações fisicas com commodities, mas afirmou impossível auditá lo, visto que os valores aplicados em hedge na BM&F Chicago são realizados pelo Grupo ADM, não sendo separados por empresas. Consignou, ainda, que a contribuinte não apresentou os valores e documentos relativos às transferências financeiras para a BM&F Chicago referentes a aplicações em hedge, o que impossibilitou a elaboração de comparativos em relação ao valor informado pelo contribuinte como aplicado na BM&F Chicago pela ADM do Brasil. De outro lado, elaborou tais comparativos confrontando ganhos/perdas com soja e seus derivados Fl. 25671DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.672 22 registrados por ADM do Brasil e ADM Company, apurando que os resultados desta corresponderiam a 65% dos resultados daquela. Comparou também as perdas totais da recorrente com as perdas resultantes de hedge junto à Bolsa de Chicago, observando que estas representam 25,8% daquelas. E reportouse à divergência já constatada, por esta Conselheira, nos relatórios das auditorias, que poderia ser justificada pela consolidação que não reporta à ADM Investor Services as operações contrárias praticadas pelo Grupo (fl. 7357). A abordagem assim desenvolvida no Termo de Encerramento de Diligência não expressa qualquer objeção à dedutibilidade das parcelas de R$ 35.700.691,00 e R$ 160.554.919,00, indicadas pela contribuinte como correspondente a perdas em operações de hedge junto à Bolsa de Chicago nos anos calendário 2006 e 2007, respectivamente. Ao contrário, a autoridade fiscal encerra a exigência recompondo a apuração do lucro tributável excluindo aquela parcela das glosas aqui promovidas. Assim, é razoável concluir que as discrepâncias acima mencionadas apenas se prestaram a reforçar que parte das perdas contabilizadas pela contribuinte, de fato, não foram contratadas junto a bolsa no exterior, assim como que os registros da contribuinte seriam confiáveis para se admitir a dedução das parcelas antes indicadas, ainda que sem a apresentação dos documentos de transferências financeiras para a Bolsa de Chicago, visto que a ausência destes somente teria impedido a Fiscalização de elaborar comparativos semelhantes aos anteriormente citados. Mas, retomando o voto condutor da Resolução que determinou a conversão do julgamento em diligência, vêse que a autoridade fiscal dela encarregada nada disse acerca dos questionamentos específicos ali formulados quanto à compensação de prejuízos fiscais e bases negativas, a seguir reproduzidos: Além disso, importa observar que, para indeferir a compensação de prejuízos e bases negativas pleiteada em impugnação, a autoridade julgadora de 1a instância assim anotou: Quanto à alegação de que teria havido erro no cálculo do limite do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL utilizados, ou seja, não teriam sido compensados os valores a que teria direito (30% da base tributável), esclareça se que: consta no Sistema SAPLI/RFB (Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais — fl. 3.064/3.066) que o prejuízo fiscal no valor de R$ 5.515.198,35 existente em 2005 foi totalmente utilizado no anocalendário de 2006 (em que pese somente possuir R$ 5.515.198,35, a interessada utilizou R$ 34.344.813,68). Portanto, não há prejuízo a ser compensado no Auto de Infração de IRPJ relativo ao anocalendário de 2006 nem valor a ser utilizado no AI relativo ao anocalendário de 2007 (o prejuízo fiscal do período já foi considerado). consta no Sistema SACS/RFB (Demonstrativo da Base de Cálculo Negativa da CSLL — fl. 3.072) que o saldo de base de cálculo negativa no valor de R$ 38.753.786,46 existente em 2005 foi utilizado em 2006 (R$ 34.180.769,68) e em 2008 (em que pese só possuir R$ 4.573.016,78, a interessada utilizou R$ 240.100.335,79). Portanto, não remanesceu base de cálculo negativa de CSLL a ser compensada no Auto de Infração de CSLL relativo ao anocalendário de 2006 nem valor a ser utilizado no AI relativo ao anocalendário de 2007 (a base negativa do período já foi considerada). A recorrente questiona estas conclusões, e defenda a prevalência dos valores constantes na Parte B do LALUR e nas DIPJ dos anoscalendário 2006 e 2007, asseverando que não houve procedimento por parte da Autoridade Fiscal visando à retificação de tais saldos. Assim, na hipótese de, após a diligência, Fl. 25672DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.673 23 subsistir base tributável nos períodos fiscalizados, necessário será saber se os prejuízos e bases negativas disponíveis no LALUR da contribuinte correspondem, de fato, às apurações por ela declaradas em períodos anteriores, e se estas não foram alteradas em razão de procedimentos fiscais passados. Além disso, será necessário aferir se tais prejuízos e bases negativas permanecem disponíveis à época da conclusão da diligência para a compensação requerida pela contribuinte. Por estas razões, o presente voto é no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência, para que a autoridade lançadora, além das verificações nos moldes daquelas determinadas no processo administrativo n° 15586.001637/200901, confirme a existência de prejuízos fiscais e bases negativas acumulados antes dos períodos fiscalizados, bem como a sua disponibilidade, ao final da diligência, para sua utilização nestes autos. Assim, os autos devem retornar à origem para que a autoridade fiscal se manifeste acerca destes aspectos e, ao final dos trabalhos, cientifique a contribuinte de relatório circunstanciado da diligência fiscal, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação, antes da devolução dos autos a este Conselho. Manifestandose às fls. 24375/24382, a autoridade fiscal encarregada da diligência relatou os esclarecimentos prestados acerca da segregação das perdas, reiterou as discrepâncias verificadas nas análises comparativas e destacou as divergências originalmente apontadas na Resolução n° 1101000.077, bem como a falta de apresentação dos valores e documentos relativos às transferências financeiras para a BM&F Chicago, referentes a aplicações em hedge, e concluiu que: As auditorias realizadas pelas empresas contratadas (Ernest Young e KPMG) ficam no mínimo comprometidas na sua essência, pois seu cliente era o próprio contribuinte. Considerando a impossibilidade de auditoria no Sistema VAX, que realiza as compensações de ganhos e perdas de hedge das diversas empresas do grupo ADM, por auditoria independente ou pela própria Secretaria da Receita Federal, e visto que os valores aplicados em hedge na BM&F Chicago são realizados pelo Gruo ADM, não sendo separados por empresas, entendemos não ser possível dar um parecer conclusivo sobre os valores informados pelo contribuinte. Diante do exposto, no entendimento desta fiscalização, não restam devidamente comprovados documentalmente os valores informados pelo contribuinte como aplicações de hedge realizados pela ADM do Brasil na BM&F Chicago. Reproduzindo as respostas aos quesitos formulados na primeira diligência, a autoridade fiscal esclareceu que, em seu entendimento, não restam comprovadas as aplicações em hedge informados pelo contribuinte, mas apresentou os cálculos da Recomposição das Demonstrações de Resultado levandose em consideração as informações prestadas pelo contribuinte, porém não aceitas por esta fiscalização, com o objetivo único de proporcionar novo cálculo para um eventual julgamento do CA RF a Mor do contribuinte. Ao final, apresentou os seguintes quadros de recomposição do lucro tributável: Demonstração do Resultado Ano – Calendário 2006 Fl. 25673DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.674 24 Cientificada em 19/06/2015, a contribuinte apresentou petição observando que não fora cientificada da Resolução n° 1101000.153, e posteriormente, em 21/07/2015, manifestou sua inconformidade com o resultado da diligência, observando inicialmente que o objeto da Resolução n° 1101000.153 foi apenas exigir resposta aos quesitos acerca dos quais a autoridade fiscal silenciara na diligência anterior, sendo certo que a contribuinte sequer foi intimada acerca destes quesitos específicos, a evidenciar a superficialidade dos trabalhos. Prosseguindo, a contribuinte afirma que os trabalhos realizados reforçam de forma cabal a regularidade dos procedimentos por ela adotados, e, depois do resumo dos fatos sob análise, das conclusões da primeira diligência, e de sua manifestação acerca daquele resultado, abordou o resultado da segunda diligência, inicialmente destacando que o escopo da diligência estampado na Resolução n° 1101000.152 não refletiria as discussões do Colegiado pois parte dos Conselheiros entendera pelo prosseguimento do julgamento diante do flagrante esvaziamento da diligência em razão da superficialidade dos trabalhos fiscais. Na sequência, destaca que a autoridade fiscal encarregada da diligência deixou de proceder às análises relativas a juros e variação cambial para os anos de 2006 e 2007, diferentemente do que fez em relação ao ano de 2004, apresentando quadro no qual evidencia que despesas acessórias também foram integradas aos resultados glosados. Aponta, também, que na recomposição do anocalendário 2006, a autoridade fiscal encarregada da diligência suprimiu os prejuízos compensados admitidos no cálculo original. Finaliza asseverando que os esclarecimentos almejados pelo Colegiado original não foram atendidos de forma satisfatória, destacando seu empenho em esclarecer os fatos e requerendo a determinação de perícia no caso presente com o objetivo de que os esclarecimentos inicialmente almejados por este colegiado com a realização da diligência sejam efetivamente apresentados por profissional com independência e a qualificação necessárias. Invocando o art. 16, §4° do Decreto n° 70.235/72 e o princípio da verdade material, indica perito e formula quesitos para o desenvolvimento de tais trabalhos. Os autos retornaram a este Conselho em 23/07/2015, mas frente à alegação da contribuinte de que não fora cientificada da Resolução n° 1101000.153, bem como diante da constatação de que não haviam sido respondidos os quesitos indicados na referida Resolução, distintos daqueles consignados na Resolução n° 1101000.152, promoveuse sua devolução à origem para tais providências (fl. 24524). Em 06/10/2015 a contribuinte foi cientificada da Resolução n° 1101000.153 e, na sequência, apresentou petição ratificando a manifestação antes apresentada, além de observar que o Agente Fiscal ainda não atendeu as solicitações específicas ao presente caso constantes da Resolução em referência, cujas determinações foram reiteradas pelo Despacho Fl. 25674DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.675 25 de fl. 24.524 (fl. 24543/24615). Novo despacho foi lavrado para retorno dos autos à DRF/Vitória para atendimento às solicitações específicas consignadas na Resolução n° 1101 000.153, distintas daquelas já adotadas em razão da Resolução n°1101000.152 (fl. 24621). A autoridade fiscal encarregada da diligência juntou aos autos extratos do Sistema de Acompanhamento de Prejuízos e Lucro Inflacionário SAPLI (fls. 24625/24626), da DIPJ 2005/2004 (fls. 24627/24833) e demonstrações financeiras da contribuinte (fls. 24834/24836). Na sequência, com referência aos questionamentos deduzidos acerca do descompasso alegado pela contribuinte entre os prejuízos e bases negativas acumulados no SAPLI e no LALUR, expressou as seguintes análises: Verificouse, em consulta ao sistema SAPLI/RFB que o saldo de Prejuízos Fiscais no final do anocalendário 2003 era de R$ 106.822.505,15 e o Saldo Negativo de Contribuição Social de R$ 139.409.027,90. Em contrapartida, no Balanço Patrimonial e no Balancete Contábil de dezembro de 2003, consta prejuízos acumulados de R$ 55.752.250,00. Este valor que deverá ser utilizado para compensação de prejuízo de 2004. Verificou no LALUR do anocalendário 2005 que houve Lucro Real no Valor de R$ 119.813.335,82, portanto não há prejuízos a ser compensado no ano calendário de 2006. Na diligência encerrada em 10/06/2015 (fls. 24.375/24.382), foi apurado pela fiscalização os Demonstrativos dos Resultados de Exercício dos anos de 2004 (auto de infração processo 15586.001637/200901), 2006 e 2007 (auto de infração processo 15586.001638/201081), dos quais apresentamos os valores apurados pela fiscalização, inclusive com o aproveitamento dos prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da contribuição social. Verificase que todo saldo de prejuízos fiscais e saldo negativo de contribuição social foi totalmente absorvido durante o anocalendário 2004, não havendo que se falar em compensação de prejuízos e saldo negativo nos anoscalendário de 2006 e 2007. Abaixo apresentamos a tabela recompondo o Lucro Real após a compensação dos prejuízos e saldos negativos: [...] Cientificada do Termo de Encerramento da Diligência Fiscal em 21/03/2015 (fl. 24848), a contribuinte manifestouse às fls. 24853/24869, afirmando arbitrária a conclusão fiscal de limitar os prejuízos compensados ao saldo acumulado em seu balanço patrimonial e classificando de superficial o trabalho fiscal ao desconsiderar as conclusões apresentadas pela própria Fiscalização na 1ª diligência realizada. Defende ser mandatório que a autoridade fiscal observasse a apuração feita anteriormente, na qual as glosas haviam sido reduzidas; reitera que as análises relativas a juros e variação cambial não foram procedidas para os períodos de 2006 e 2007; e afirma ser de conhecimento basilar que os valores de Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa de CSLL, para fins de compensação das bases tributáveis de IRPJ e CSLL, encontramse registrados na parte B do LALUR/LACS, não havendo como se admitir a utilização de um valor indicado no Balanço Patrimonial e/ou no Balancete. Na sequência, a contribuinte apresenta a evolução de seus prejuízos e bases negativas desde o anocalendário 1999, apontando dispor dos saldos de R$ 238.334.436,88 e R$ 240.100.335,79, a título, respectivamente, de prejuízos fiscais e bases negativas a compensar em 2007. Discorda da limitação das compensações ao que informado no SAPLI e defende a necessidade de nova diligência para que sejam esclarecidas as divergências, observando que o SAPLI pode estar afetado por processos administrativos que ainda não transitaram em julgado (relacionados em nota à fl. 24864). Finaliza pleiteando o cancelamento do lançamento por vício material, Fl. 25675DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.676 26 sobretudo diante das inúmeras tentativas da D. Fiscalização de aperfeiçoar o lançamento, nulo desde o princípio, pelos vícios expostos no processo, mais uma vez enfatizados. Destaca a iliquidez e incerteza do lançamento, mormente frente ao recálculo dos valores devidos promovidos em diligência, e cita jurisprudência em favor do cancelamento das exigências em tais circunstâncias. Acrescenta, ainda, que não se presta a diligência para, indiretamente, reabrir a ação fiscal, aperfeiçoar o lançamento já efetuado de forma equivocada, ou mesmo para efetuar novo lançamento, tal como está sendo realizado no caso concreto, reproduzindo excerto de julgado deste Conselho e invocando o art. 146 do CTN. Entende que há desigualdade no tratamento atribuído ao Fisco, ao qual foram conferidas inúmeras oportunidades para reanalisar o feito, e à Requerente, cujas alegações, em caso de dúvida, direcionariam ao desprovimento do Recurso voluntário em análise. Relativamente ao seu voto, a ExConselheira Edeli Pereira Bessa, em preliminar, rejeitou todas as arguições de nulidade do lançamento feitas pela Recorrente. Adentrando o mérito, a Conselheira construiu sua argumentação através das intimações feitas pelo Fisco e nas respostas e documentos apresentados pela Recorrente, alcançando, as seguintes conclusões: (i) as operações são consideradas como realizadas diretamente em Bolsa, ainda que feitas por um terceiro em nome ou por ordem do interessado, e (ii) a inexistência de documento que comprove a transferência de recursos em nome da autuada, para Bolsa de Mercadorias e Futuros de Chicago, não pode representar obstáculo à dedução pretendida. Ainda, expressou que a prova necessária para desconstituição da exigência seria a demonstração segura de que as perdas contabilizadas decorrem de operações de hedge. Prova essa que, até então, não havia sido apresentada. Desta feita, após apresentação de petições posteriores ao Recurso Voluntário, vislumbrouse o que se entenderia por apto a demonstrar o substrato necessário, que à partir de então ensejou um maior aprofundamento da julgadora. Vejamos: A recorrente aborda a manifestação da autoridade julgadora de 1' instância acerca de seu protesto pela juntada de novos documentos que possam comprovar as alegações formuladas em sua defesa, mas não aponta sua nulidade, apenas alertando que a eventual desconsideração de provas juntadas depois da impugnação poderia caracterizar cerceamento do direito de defesa e eventual nulidade da decisão a ser proferida por este Conselho. A recorrente argúi a nulidade do lançamento porquê: (a) na apuração da base tributável, não se procedeu à dedução dos recolhimentos efetuados pela Recorrente a título de antecipação nos anoscalendário de 2006 e 2007, em conformidade com Solução de Consulta Interna n° 23/06; (b) o I. Agente Fiscal não efetuou a recomposição das apurações do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL; e (c) foram cometidos diversos outros equívocos pelo D. Agente Fiscal na apuração dos tributos supostamente devidos. A nulidade dos atos administrativos de lançamento é regida pelo Decreto n° 70.235/72 que, em seu art. 59, inciso I, prevê a hipótese de lavratura por pessoa incompetente, e em seu art. 10 traça os requisitos essenciais para a formalização do auto de infração. Tais dispositivos legais alinhamse ao art. 142 do CTN que também estabelece a formalização do lançamento por autoridade administrativa competente e exige, para sua validade, a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo. Diante deste contexto, inexiste nulidade quando a autoridade lançadora deixa de deduzir, da base tributável, prejuízos e bases negativas acumulados em períodos Fl. 25676DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.677 27 anteriores, na medida em que esta compensação é uma faculdade do sujeito passivo, nos termos do que dispõe a Lei n° 9.065/95: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei n°8.981, de 1995. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. (negrejouse) Inadmissível impor ao Fisco a averiguação de prejuízos e bases negativas acumulados em períodos anteriores com vistas a promover, de oficio, a redução do lucro real ou da base de cálculo da CSLL apurados em razão das infrações constatadas, vinculando tais parcelas a uma exigência ainda passível de discussão no âmbito administrativo e impedindo o sujeito passivo de dispor destes valores para redução das bases tributáveis que reconhece devidas. Da mesma forma, não é possível assim proceder, consumindo saldos de prejuízos e bases negativas em lançamento e caracterizando, como nova infração, a utilização futura destes saldos, em momento no qual o sujeito passivo desconhecia os questionamentos que a Administração Tributária poderia produzir em relação a sua apuração original. É certo, como diz o Professor Eurico Marcos Diniz de Santi no parecer fornecido à autuada, que a regra de compensação dos prejuízos fiscais integra o conjunto de regras denominado "regra de apuração". Todavia, nos termos em que estabelecida na lei antes transcrita, esta compensação é um direito conferido ao sujeito passivo, que assim necessariamente integra a apuração por ele promovida, em observância ao art. 150 do CTN. A revisão deste procedimento pelo Fisco não impõe à autoridade lançadora o dever de integrar a vontade do sujeito passivo e promover compensação superior àquela por ele definida, eventualmente desconstituindo a livre decisão deste interessado de fazer uso daqueles saldos em outro período de apuração. Como direito do sujeito passivo, esta compensação pode ser invocada em seus recursos administrativos, e desde que provada a disponibilidade, naquele momento, de saldos de prejuízos fiscais e bases negativas passíveis de utilização. Desta forma, tal argumentação passa a ter contornos de mérito, e não se mostra suficiente para ensejar a declaração de nulidade do lançamento. Também não há falar em nulidade quando a autoridade lançadora deixa de considerar, na determinação do tributo a ser exigido, recolhimentos ou antecipações promovidas pelo sujeito passivo. Embora seja discutível a natureza da dedução das antecipações invocadas pela contribuinte, assim como o procedimento a ser adotado em face do sujeito passivo que já se valeu de eventual saldo negativo daí resultante para compensação de outros débitos, não é possível afirmar, como pretende a recorrente, que a desconsideração Fl. 25677DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.678 28 destes aspectos represente a ausência de elemento essencial ao lançamento tributário. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, nos termos do art. 142 do CTN, estão presentes quando a autoridade lançadora identifica a infração e recompõe a base tributável, determinando o tributo devido e promovendo o lançamento da parcela superior àquela inicialmente calculada pelo sujeito passivo. As deduções de recolhimentos e antecipações, a partir deste ponto, representam a extinção do crédito tributário, e a existência de parcela que surte tal efeito em relação ao valor exigido reveste a natureza de fato extintivo do direito do Fisco, que deve ser alegado pelo sujeito passivo em seus recursos administrativos, desencadeando a discussão acerca de sua admissibilidade para redução do valor lançado. Ressaltese que, no presente caso, a autoridade lançadora observou a opção da contribuinte pela apuração anual do lucro real, e por conseqüência da base de cálculo da CSLL, reconstituindo esta apuração para determinar o efeito da infração constatada, consoante determina o art. 24 da Lei n° 9.249/95. Logo, não há erro de direito na apuração do crédito tributário, podendo existir, apenas, erro de fato, se provada a existência de antecipações ou recolhimento que deveriam ter reduzido os tributos devidos para fins de exigência. Quanto à alegada burla ao prazo decadencial para confirmação de elementos determinantes do crédito tributário, ou alteração do critério jurídico do lançamento mediante admissibilidade daquelas deduções, tratamse, também, de aspectos materiais a serem considerados no momento da apreciação da prova destas antecipações e recolhimentos pelo sujeito passivo, e não em âmbito preliminar de validade do lançamento. De fato, estando as antecipações e recolhimentos declarados, caberá ao julgador decidir se esta prova é suficiente ou se outros questionamentos podem ser feitos acerca dos fatos extintivos do crédito tributário alegados pelo autuado. Aliás, é oportuno registrar que está em pauta nesta sessão de julgamento, para apreciação do Colegiado, o litígio instaurado em razão da não homologação das compensações vinculadas ao saldo negativo de CSLL apurado no ano calendário 2007, objeto do processo administrativo n° 10783.720011/201326, no qual o crédito não foi reconhecido pela autoridade fiscal em razão da revisão da base de cálculo da CSLL promovida por meio deste lançamento, decisão esta parcialmente revertida pela autoridade julgadora de 1ª instância em razão da não utilização das antecipações de CSLL na determinação dos valores aqui lançados. Acrescentese, ainda, que, uma vez instaurada a fase litigiosa do procedimento fiscal, cabe à autoridade julgadora analisar a procedência ou não do lançamento fiscal, mediante apreciação das alegações de defesa apresentadas pelos interessados, inclusive quanto à exatidão dos cálculos da exigência fiscal, cujo exame constitui matéria de mérito. A mudança do critério jurídico, nos termos do art. 146 do CTN, somente ocorreria quando a autoridade julgadora, ao analisar um lançamento completo e acabado, refaz sua materialidade e sua fundamentação. Eventual correção dos cálculos da exigência não acarreta qualquer alteração do critério jurídico, se mantida a motivação da glosa originalmente promovida e a forma de apuração (lucro real anual) adotada pela autoridade lançadora. Não fosse assim, e os julgamentos administrativos sempre resultariam em procedência ou improcedência do lançamento, e nunca em procedência parcial. Por tais razões, o presente voto é no sentido de REJEITAR as argüições de nulidade do lançamento. Adentrando ao mérito, vêse que a discussão, nestes autos, possui, em sua maior parte, os mesmos contornos daquela travada nos autos do processo administrativo n° 15586.001637/200901. Ali, tendo em conta a interpretação atribuída ao art. 396 do RIR/99; os esclarecimentos trazidos, apenas em defesa, acerca da atuação da ADM Trading na Fl. 25678DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.679 29 contrafação das operações de hedge que ensejaram as perdas glosadas; e os elementos reunidos em auditorias contratadas pela recorrente, acerca de seu fluxo operacional e financeiro direcionado à contratação e liquidação daquelas operações, concluiuse pela necessidade de conversão do julgamento em diligência, cujos resultados não foram satisfatórios e ensejaram novas diligências pelos motivos assim consolidados na Resolução n" 1302000.416: Adentrando ao mérito, vêse que a discussão, nestes autos, prendese à qualidade da prova que deve ser produzida pelo sujeito passivo para fins de dedução de perdas na forma do caput do art. 396 do RIR/99: Art. 396. Serão computados na determinação do lucro real os resultados líquidos, positivos ou negativos, obtidos em operações de cobertura (hedge) realizadas em mercados de liquidação futura, diretamente pela empresa brasileira, em bolsas no exterior (Lei n°9.430, de 1996, art. 17). § 1° O disposto neste artigo aplicase, também, às operações de cobertura de riscos realizadas em outros mercados de futuros, no exterior, além de bolsas, desde que admitidas pelo Conselho Monetário Nacional e que sejam observadas as normas e condições por ele estabelecidas (Lei n°8.383, de 1991, art. 63). § 2° No caso de operações que não se caracterizem como de cobertura, para efeito de apuração do lucro real, os lucros obtidos serão computados e os prejuízos não serão dedutíveis A partir do exame dos documentos e dos esclarecimentos apresentados pela contribuinte em razão do termo inicial de fiscalização, a autoridade lançadora reconheceu que os relatórios apresentam cálculos corretos dos valores das margens dos contatos futuros das operações de Hedge alegadas pelo contribuinte, mas ressalvou que os referidos documentos não comprovam a efetiva aplicação dos recursos remetidos ao exterior para cobertura das margens dos contratos futuros de commodities, ou seja, não demonstram a transferência dos recursos da ADM em nome da ADM do Brasil para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago. Em conseqüência, por meio das intimações lavradas de 05/07/2009 a 25/08/2009, a Fiscalização buscou prova de que a contribuinte havia, de fato, realizado operações de hedge junto à Bolsa de Chicago, mediante demonstração do fluxo financeiro necessário para tanto em favor daquela entidade. Questionou, dentre outros aspectos, a existência de contrato de adiantamento financeiro para pagamento das margens de garantia, ante a alegação de que ADM Company, sediada nos EUA, promovera tais pagamentos. Ao final, os esclarecimentos prestados pela contribuinte não foram suficientes para o convencimento do fiscal autuante que, em razão: 1) da possibilidade aventada pelo Banco Central do Brasil de que as operações da autuada poderiam configurar, em tese, indícios de cometimento de crime tipificado na Lei 9.613/98; 2) do volume de remessas em favor de outras empresas do grupo (ADM Company e ADM Investor Services), 3) da inexistência de contratos entre as empresas, e 4) do registro das operações apenas em conta corrente contábil, concluiu que não havia prova da efetiva aplicação dos recursos transferidos ao exterior pela ADM do Brasil na operação de Hedge alegada pelo contribuinte, isto é, nenhum deles apresenta a transferência de recursos da ADM Investor Services, em nome da ADM do Brasil, para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago. A contribuinte apresentara relatório dos pagamentos efetuados pela ADM Investor Services para a Bolsa de Chicago e seus respectivos comprovantes de transferência de recursos, mas o fiscal autuante não conseguiu determinar a que empresas se refeririam estas transferências. Ainda, a partir do volume de operações da ADM Investor Services dos depósitos de margens que teriam sido feitos pela ADM Company e pela ADM Brasil, a autoridade lançadora também vislumbrou indícios de que boa parte dos valores remetidos ao exterior pela ADM Brasil não teriam sido aplicados para cobertura de margens de garantia de hedge. Fl. 25679DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.680 30 Diante deste contexto, releva inicialmente refutar a afirmação da recorrente de que a Fiscalização pautou suas requisições em providências impossíveis, de modo a justificar o lançamento na inexistência de comprovantes de pagamento, em nome da ADM do Brasil, para a Bolsa de Chicago. A Fiscalização permitiu à contribuinte demonstrar o fluxo financeiro de recursos em favor da Bolsa de Chicago, de modo a evidenciar que, mesmo com a atuação de intermediários, havia pagamentos à Bolsa de Chicago correspondentes às perdas contabilizadas. Todavia, os elementos apresentados revelaram discrepâncias significativas, que somadas a outros indícios, justificaram a glosa promovida. Logo, a prova necessária para desconstituição o da exigência consiste na demonstração segura de que as perdas contabilizadas decorrem de operações de hedge junto à Bolsa de Chicago, o que se faz, na ausência de documento emitido por parte daquela entidade, mediante a demonstração do fluxo financeiro correspondente em seu favor. Feita esta ressalva, passase à apreciação dos demais argumentos da recorrente. Nos termos do art. 396 do RIR/99, o lucro real somente pode ser afetado por perdas decorrentes de operações de cobertura (hedge) realizadas em mercados de liquidação futura se a empresa brasileira promover estas operações diretamente em bolsas no exterior. A recorrente se empenha em demonstrar que as operações de hedge foram realizadas na Bolsa de Mercadorias e Futuros de Chicago, mediante um complexo fluxo de operações que envolvia também outra empresa do grupo (ADM Trading), em razão das restrições da legislação estrangeira aplicável à ADM Investor Services e às que com ela operam, ao final liquidando financeiramente as operações de hedge com a intervenção da holding do grupo, ADM Company. Primeiramente cumpre definir se o art. 396 do RIR/99, ao exigir que a empresa brasileira realize as operações de hedge diretamente em bolsas no exterior, pretende firmar a indedutibilidade das perdas em operações nas quais atuam intermediários, como os aqui apontados pela contribuinte: ADM Trading, ADM Investor Services ou Financeira e ADM Company. Em caso positivo, a glosa das perdas deveria ser mantida, pois a própria autuada reconhece que não realizou, e nem poderia realizar, tais operações diretamente na Bolsa de Chicago. Todavia, esta não parece ser a melhor interpretação da norma. Ao exigir a realização das operações diretamente em bolsas no exterior, a lei fixa que a cobertura seja dada por uma bolsa no exterior, com a efetividade e a transparência que estas instituições conferem às operações nelas realizadas, em razão da regulação a que se sujeitam. A necessidade, usualidade e normalidade de despesas desta espécie seriam demonstradas pela prática mais segura e impessoal de garantia contra oscilações de preços: a cobertura mediante a realização da operação inversa à contratada pela empresa com seus clientes ou fornecedores, em Bolsa de Mercadorias e Futuros. Assim, compartilhase aqui da interpretação exteriorizada no parecer concedido à recorrente pelo Professor Marco Aurélio Greco, nos seguintes temos: Da perspectiva brasileira, a razão fundamental dessa previsão é a mesma que embasa a quase totalidade das regras que disciplinam o funcionamento das bolsas em geral: pretendese impedir a manipulação de resultados. No caso tributário, buscase bloquear a geração de prejuízos fictícios redutores da base de cálculo de imposto sobre a renda e da contribuição social sobre o lucro. O motivo do preceito é o de assegurar que o eventual resultado negativo seja fruto da assunção efetiva do risco inerente às operações no mercado de bolsa, pois, nesse ambiente, o resultado se apresenta confiável em função da minuciosa e rigorosa regulação a que as operações estão sujeitas. Ou seja, a lei assegura ser dedutível o prejuízo que resultar de operação cercada de confiabilidade e submetida à regulação rigorosa, inerentes ao funcionamento da bolsa e não o prejuízo fruto de mera negociação entre particulares fora desse manto de Fl. 25680DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.681 31 controle. A contratação destas operações de cobertura em Bolsa, por sua vez, devem ser realizadas segundo as normas da instituição, de modo que, se para tanto for necessária a intervenção de um corretor, a operação ainda assim será realizada diretamente em Bolsa, porque feita por um terceiro em nome ou por ordem do interessado. A recorrente demonstra que a Bolsa de Chicago somente admite operações por membros credenciados, mas estabelece controles da origem das demandas feitas a estes operadores, de modo a assegurar a estabilidade do mercado. Extraise do parecer concedido pelo Professor Steven Scott Thel apresentado em língua estrangeira e vertido em língua portuguesa por tradutor juramentado , os seguintes esclarecimentos: Nos Estados Unidos, os mercados de futuros de commodity são negociados nos mercados de câmbio organizados como a CBOT [Bolsa de Mercadorias e Futuros de Chicago] que devem registrarse na CFTC federal [Comissão de Negociação de Mercadorias Futuras, órgão fiscalizador federal dos Estados Unidos] como mercados de contrato designados. Comerciantes que efetuam operações para clientes nos mercados geralmente devem registrar se como operadores da bolsa. A negociação de mercados e futuros de commodity é intensamente regulada sob um estatuto federal dos Estados Unidos, a Commodity Exchance Act [Lei sobre o Mercado de Commodities]. Conforme a Suprema Corte dos Estados Unidos declarou em uma de suas decisões mais importantes no campo, "a Comrnodity Exchance Act foi adequadamente caracterizada como 'uma estrutura reguladora inclusive para supervisionar os mercados de futuros voláteis e complexos de negócios futuros privados"[¹ Merrill Lynch, Pierce, Fenner & Smith v. Curran, 456 EUA 353, 35556 (1982) (citação omitida, citação H.R. Rep. N° 93.975, at 1 (1974)) ]. As bolsas de futuros de commodities são intensamente reguladas e são exigidas a supervisionar seus mercados, executar suas próprias regras e prevenir a manipulação. Semelhantemente, a Commodity Excchange Act e regulamentos de implementação exigem que os negociantes de comissão de mercados futuros, como a ADM IS [ADM Investor Services], registremse na CFTC pela Associação Nacional de Mercados de Futuros. Os corretores comissionados de mercados futuros devem realizar e manter registros extensos com respeito às suas próprias transações e posições bem como as de seus clientes. Eles devem produzir relatórios periódicos de situação financeira. Eles são responsáveis por informar todas as posições relatáveis de seus clientes. Eles devem segregar os fundos e propriedade do cliente, e seus controles de fundos e propriedade de cliente são intensamente regulados. Eles estão sujeitos a vários regulamentos que visam proteger os clientes e os mercados, incluindo regras que lhes exigem dar prioridade a pedidos de cliente. A ADM [ArcherDanielsMidland Compant] e a ADM Trading também estão sujeitas a regulamentação das bolsas e da CFTC. A ADM, como a ADM IS, é membro da CBOT e outras bolsas, e está adequadamente sujeita a extensa regulamentação. Conforme indicado acima, as regulamentações de mercado governam todos os aspectos das atividades do mercado de seus membros. A ADM Trading é membro de bolsa para propósitos de execução das regras da CBOT como afiliada de membros ADM e ADM IS e pode ser disciplinada diretamente pela bolsa. Na nota de rodapé n° 2, acima indicada, o Professor Steven Scott Thel remete a consulta à CBOT Regra 400 e complementa: O Conselho adotou Fl. 25681DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.682 32 Regras, e periodicamente adota emendas e complementos a tais Regras, para promover um mercado livre e aberto na Bolsa, manter a administração apropriada dos negócios e fornecer proteção para o público em seus procedimentos com a Bolsa e seus Membros. O Conselho criou comitês para os quais delegou responsabilidade pela investigação, audiência e imposição de multas para violações de Regulamentos de Mercado. O Conselho também delegou responsabilidade para a investigação e imposição de multas para violações de Regulamentos de Mercado para a Equipe de Bolsa conforme estabelecido nos Regulamentos. A delegação de tal responsabilidade e autoridade de nenhuma maneira limitará a autoridade do Conselho com respeito a todas as violações de Regulamento. Para propósitos do Capítulo 4, o termo "Membro" significará: 1) membros e membros de compensação da Bolsa; incluindo membros aposentados com privilégios de acesso ao pregão e indivíduos e entidades descritas na Regra 106; 2) pessoas associadas ("PAs") e afiliadas de membros de compensação e empresas membros da Bolsa; 3) corretores de introdução garantidos de membros de compensação e empresas membros de Bolsa e seus PÁS; 4) titulares de licença de mercado/negociação e qualquer pessoa ou entidade que recebeu privilégios de negociação cruzados; 5) funcionários, representantes autorizados, contratados, e agentes de quaisquer das pessoas ou entidades anteriores, com respeito a atividades relacionadas à Bolsa de tais indivíduos; 6) empresas regulares; 7) indivíduos e entidades que concordaram via assinatura escrita ou eletrônica em obedecer aos Regulamentos da Bolsa; 8) membros de CME e outros indivíduos com acesso aos pregões combinados CBOT e CME. Considerase que os membros sabem, consentem e estão ligados por todos os Regulamentos de Mercado. Os exmembros estarão sujeitos à jurisdição contínua da Bolsa, incluindo, entre outros, a aplicação da Regra 432.L., com respeito a qualquer conduta que aconteceu enquanto membro. Prosseguindo, complementa o Professor Steven Scott Thel: Além do regulamento como membros de mercado, o grupo de empresas ADM está sujeito a extensivos requisitos de manutenção de registros e relatório sob as regras da CFTC como participantes significativos no mercado. Pessoas que controlam certo nível de posições de mercados de futuros (uma posição relatável) em uma bolsa devem manter livros e registros apropriados demonstrando todos os detalhes relativos às posições e transações de commodity nas bolsas. Os titulares de posições relatáveis também devem manter registros demonstrando todos os detalhes de suas participações em mercados externos e também com relação a "todas as posições e transações no mercado à vista, seus produtos e subprodutos e todas as atividades comerciais que o comerciante faz uso do hedge"3[3 Consulte I7C.F.R. §18.05]. Todos esses registros devem ser disponibilizados à CFTC mediante seu pedido. Além de informar mensalmente as posições de mercado à vista, a ADM deve informar a CFTC sobre os tipos de mercados futuros em que negocia, os tipos de negócios envolvidos e as identidades de suas afiliadas que são ativas nos mercados de futuros. Além disso, diariamente a ADM IS apresenta à CFTC relatórios de grande comerciante e as negociações que mostram todas as posições nas Fl. 25682DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.683 33 contas operacionais da ADM sobre liminares especificados que são realizados na ADM IS. A ADM também é registrada na Chicago Mercantile Exchange (doravante denominada "CME") para urna isenção de limites de posição de hedge. Para assegurar e manter aquela isenção, a ADM deve demonstrar que suas posições e atividade são apropriadas às suas necessidades de administração de risco, devem cumprir regulamentações de mercado e iniciar e liquidar posições de uma maneira ordeira. O nível de escrutínio aumenta significativamente quando um mês de opção particular muda para o período de entrega, e a CFTC e a bolsa insistem que a expiração de contrato esteja em ordem, e que a realização ou recebimento da entrega estejam de acordo com as economias de mercado sólidas. Estas informações estão alinhadas àquelas prestadas pela contribuinte durante o procedimento fiscal, em especial no documento de fls. 866/868, embora ali não se destaque a possibilidade de os órgãos federais norteamericanos fiscalizarem e exigirem declarações da ADM Company. De toda sorte, o fato é que para operar junto à Bolsa de Chicago, a ADM Investor Services se registrou na Comissão de Negociação de Mercadorias Futuras — CFTC, órgão fiscalizador federal dos Estados Unidos, submetendose a controle de suas transações e de seus clientes mediante relatórios periódicos. Seus clientes, especialmente o grupo do qual faz parte a autuada, controlador de um volume significativo de posições de mercados de futuro, também se sujeitam a fiscalização e controle dos órgãos federais e da Bolsa, devendo manter registros específicos e prestar informações àquelas entidades. De outro lado, embora tais entidades possam exigir das empresas do grupo ADM as informações que se fizerem necessárias para assegurar a regularidade de suas operações, declaração do Presidente da CME Group, vertida em língua portuguesa por tradutor juramentado, e apresentada à Fiscalização (fl. 1010), nega a existência do fluxo inverso de informações, qual seja, a demonstração, pela Bolsa de Chicago, das operações realizadas pelo grupo ADM: Com base em sua solicitação, confirmamos que a ADM Investor Services, Inc. (ADMIS) é um membro da compensação da Camara de Compensação da Chicago Mercantile Exchange (CME) e tem sido um membro da compensação de boa reputação desde 1968 até o ano atual. Esclarecemos também que a CME não oferece extratos ou quaisquer outros documentos informativos diretamente aos titulares das contas de ADMIS em relação a quaisquer transações registradas por esses titulares. Esses extratos são de responsabilidade da ADMIS conforme seu papel como um membro da compensação da CME. Acrescentamos ainda que a CME não recebe nem realiza pagamentos diretamente de/para os titulares das contas para transações registradas pelo ADMIS em seus nomes ou para suas contas. Em tais circunstâncias, a validade dos fatos narrados somente poderia ser questionada mediante demonstração de vícios, não sendo possível presumir a máfé da contribuinte em simular prova em seu favor. Assim, o fato de inexistir documento que comprove a transferência de recursos em nome da autuada, para Bolsa de Mercadorias e Futuros de Chicago, não pode representar obstáculo à dedução pretendida. É admissível a prova mediante demonstração da contratação das operações de cobertura com membro credenciado da Bolsa de Chicago. É importante acrescentar, neste ponto, que em memoriais complementares apresentados pela recorrente após a exposição do presente voto na reunião de julgamento de março/2013, a recorrente anota que parece contraditório que a Conselheira Relatora, num Fl. 25683DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.684 34 primeiro momento, manifeste a concordância com os procedimentos adotados pela Recorrente para a realização das operações na Bolsa de Chicago, e, num segundo momento faça as exigências que serão a seguir expostas. Assim, releva frisar que a argumentação até aqui exposta enseja a conclusão, apenas, de que: 1) as operações são consideradas como realizadas diretamente em Bolsa, ainda que feitas por um terceiro em nome ou por ordem do interessado, e 2) a inexistência de documento que comprove a transferência de recursos em nome da autuada, para Bolsa de Mercadorias e Futuros de Chicago, não pode representar obstáculo à dedução pretendida. Ou seja, somente estão afastados os óbices formais que poderiam dispensar a comprovação das operações realizadas, e ensejar a manutenção da exigência. Prosseguese, assim, na abordagem da prova necessária para a dedutibilidade dos valores aqui glosados. Neste sentido, a fiscalizada, em atendimento ao termo de início de fiscalização, apresentou instruções de pagamento da/para a Archer Daniels Midland Company ou da/para a ADM Investor Services, baseadas em extratos das operações de hedge. Contudo, o exame dos elementos apresentados pela contribuinte conduz à mesma conclusão da autoridade lançadora: não é possível assegurar que os recursos remetidos ao exterior destinaram se efetivamente à cobertura das margens dos contratos futuros de hedge. De fato, as remessas ao exterior (contratos de câmbio às fls. 18/89 e swifts às fls. 831/856) são decompostas nos demonstrativos de fls. 812/822, que apontam a origem dos ganhos/perdas liquidados nas datas das remessas. Estes ganhos/perdas, por sua vez, são detalhados por contas representativas de diferentes produtos (fls. 99/678) e resultam em um valor líquido de ganho ou perda por conta (fls. 91/97), registrado contabilmente sob histórico CLOSED ou FUTUROS CLOSED na conta contábil ADM DECATUR EXEC FUTUROS (conta n° 128116 501), representativa das obrigações da contribuinte com sua controladora ADM Company (fis. 679/708). A soma mensal destes ganhos/perdas, embora com algumas variações, aparentam ser aquelas posteriormente remetidas ao exterior. A título de exemplo, é possível traçar o percurso do que seria a perda com o produto soja controlado na conta 6370, relativamente ao mês' de janeiro/2004. O relatório de fls. 99/126 detalha as operações que resultariam em perda de US$ 6.407.150,00, equivalente a R$ 18.642.787,44, contabilizado na conta ADM DECATUR EXEC FUTUROS (n° 128116501) à fl. 680, e integrado ao demonstrativo de fl. 91 para apuração da perda líquida total, em janeiro/2004, de R$ 37.478.526,70 (US$ 12.743.897,00). Esta perda líquida de janeiro/2004 está apresentada no demonstrativo de fl. 814, por seu valor original e atualizado de R$ 40.077.007,29, como integrante da remessa de R$ 304.313.183,09, promovida em 28/05/2004. Tal remessa, equivalente a US$ 96.767.103,50 está apontada no contrato de câmbio às fls. 30/33 e no swift de fls. 845/846. Como se vê, a conexão das remessas ao exterior com a perda originalmente apurada é feita mediante demonstrativos que consolidam diversas operações, a exigir a verificação de todas estas para se confirmar a conexão alegada. Demais disso, a apuração da perda é feita por meio do relatório de operações sujeitas a variação de preço, a exigir, também, a confirmação de todas estas operações para admissibilidade da perda alegaria, e de que corresponderia a operação de cobertura, e não operação exposta. Por fim, nenhum destes elementos evidenciam que a operação de cobertura foi realizada em bolsa, e apenas indicam que a ADM Company poderia ter sido ressarcida pelas operações de cobertura que ensejariam tais perdas. Os demais documentos apresentados em conjunto com os acima referidos (posição dos contratos de originação de grãos às fls. 709/713 e posição de contratos de processamento às fls. 714/811) não auxiliam na sua compreensão, na medida em que, além de redigidos em língua estrangeira, apenas refletem consolidações de quantidades possivelmente negociadas, ao passo que os demais relatórios dão ênfase às variações de preço, em especial os demonstrativos de fls. 98/678, sem trazer totalização das quantidades que estariam associadas a Fl. 25684DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.685 35 estas variações. No mais, a contribuinte não logrou apresentar qualquer outro documento, durante o procedimento fiscal, que pudesse afastar estas dúvidas. Em resposta às demais intimações da Fiscalização, sempre no sentido de que fosse comprovado o pagamento das alegadas perdas em operações de hedge junto à Bolsa de Chicago, a contribuinte concentrouse em demonstrar a forma de operação da referida Bolsa. Assim procedeu, inclusive, na resposta à intimação de 25/08/2009, quando buscou exemplificar as operações da ADM Investor Services, na medida em que não distinguiu operações próprias, mas sim transações globais daquela empresa que incluem contas da ADM Brasil. Também globais foram as informações juntadas às fls. 1025/1483, que se reportam a Pagamentos efetuados pela ADM Investor Services, Inc. para Bolsa de Chicago (Chicago Mercantile Exchange) relativos às operações do Grupo ADM no ano de 2004, mas somente demonstram o que possivelmente seriam as transferências bancárias em favor da Bolsa de Chicago, sem qualquer esclarecimento acerca da composição dos pagamentos. Ainda, ao apresentar planilhas suporte (doc. 5) para o cálculo dos juros e da variação cambial da conta contábil 128116501 (fls. 857/861), a contribuinte informou valores devidos em razão de operações de futuros fechadas nos meses de 2004 incompatíveis com a transcrição dos extratos CBOT (hedge) de fls. 91/97, que dariam suporte às perdas contabilizadas, como antes demonstrado. Em janeiro/2004, por exemplo, o que parece ser a dívida da empresa brasileira em razão das operações do mês, tem seu valor acrescido por possíveis perdas no valor, aparentemente em dólares americanos, de 6.336.747,00, ao passo que a perda líquida contabilizada naquele mês foi de R$ 37.478.526,69, equivalente a US$ 12.743.897,00 (ao dólar de R$ 2,9409, informado naquele mesmo demonstrativo), conforme fl. 91. Recordese que, como também demonstrado, a perda líquida de R$ 37.478.526,69 integra o valor remetido ao exterior em 28/05/2004. Ressaltese, ainda, que não se trata de exigir a realização de remessas internacionais diárias para a cobertura das margens à ADM Financeira, mas sim que as remessas se refiram a pagamentos que a ADM Company efetivamente teria de realizar em nome da ADM Brasil, em favor da ADM Investor Services, por conta da cobertura de margens em operações de hedge contratadas junto à Bolsa de Chicago. Irrelevante, desta forma, se o confronto dos resultados auferidos pela Recorrente com as suas operações de hedge permite verificar que estes oscilam exatamente conforme as variações dos preços das mercadorias "hedgeadas" na Bolsa de Chicago, como diz a recorrente, reportandose a reconhecimento expresso neste sentido pela Fiscalização. É indispensável a comprovação documental de que a operação de hedge foi efetivamente realizada em Bolsa, como também exigiu a Fiscalização, sem a qual subsiste a dúvida de qual mecanismo foi utilizado pela empresa voluntariamente ou por restrição de legislação estrangeira, para evitar prejuízos com a variação do preço das commodities com as quais opera. Somente com a apresentação das petições após o recurso voluntário a contribuinte agregou elementos que se prestaram a demonstrar, efetivamente, o fluxo operacional e financeiro das atividades questionadas pela Fiscalização. Antes, porém, cabe observar que apenas na impugnação a contribuinte passou a mencionar a atuação da ADM Trading em seu fluxo operacional, assim esclarecendo: · De forma geral, as subsidiárias do Grupo ADM no mundo fecham negócios de compra com entrega física futura de soja com os produtores rurais ou exportadores ao redor do mundo, bem como contratos de venda dessa natureza com seus clientes locais ou internacionais. A fim de reduzir os riscos das flutuações dos preços de mercado recorrem, necessariamente, às operações de hedge. Dessa forma, submetem as ordens (compras e vendas de mercadorias em mercado futuro) de hedge, concornitantemente à realização de suas operações comerciais de compra e exportação de soja, em sistema de Fl. 25685DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.686 36 computador, o qual é administrado pela ADM Trading Company ("ADM Trading"), subsidiária da ADM CO. ("Ordem"). Na colocação da Ordem, são informados o número da conta de controle da subsidiária, o tipo e quantidade de mercadoria a ser coberta pelo hedge, o tipo de operação (compra ou venda) e a data de opção da mercadoria na Bolsa de Chicago. · Cada Ordem configura um contrato, o que implica a obrigação de compra/venda do tipo e quantidade de mercadoria estabelecidos na Ordem, na data de entrega ali prevista, avaliada conforme precificação de mercado listada na Bolsa de Chicago; e · As Ordens são inseridas no sistema administrado pela ADM Trading, o qual as consolida e as submete para a ADM Financeira, entidade financeira do Grupo ADM, a qual executa tais Ordens junto à Bolsa de Chicago. Até então, a contribuinte limitarase a dizer que a ADM Investor Services (Financeira) concentrava as operações de cobertura para o Grupo ADM, e que a liquidação financeira destas operações era centralizada pela ADM Company (vide fluxogravam à fl. 1605). Havia referências à ADM Trading nas remessas feitas pela autuada, bem como esta denominação figurava no cabeçalho de alguns relatórios, mas nada constou nos autos acerca de sua atuação como mediadora das necessidades do Grupo ADM antes da contratação das operações de cobertura pela ADM Investor Services. Aliás, a respeito do fato de a ADM Company nem sempre figurar nos contratos de câmbio relativos às remessas questionadas pela Fiscalização, disse a recorrente, em suas defesas, que a contacorrente indicada nos contratos de câmbio é sempre da ADM Company, o que desmerece até mesmo as referências à ADM Trading naqueles documentos. Diz a recorrente que a atuação da ADM Trading decorre da necessidade de melhor cumprir as regras do Grupo CME, controlador da Bolsa de Chicago e do órgão regulador norteamericano (i.e., the Commodity Futures Trading Cornmission ("CFTC"), aplicáveis a empresas do porte do Grupo ADM, que operam volume imenso de transações e possuem inúmeras subsidiárias que precisam, ao mesmo tempo, ter acesso a Bolsa de Chicago. Reportase a carta preparada pelos Srs. Scott E. Early e Kathryn M. Trkla, exdiretor jurídico e exvicepresidente da Bolsa de Chicago, respectivamente (doc. 03), mas referido documento está redigido em língua estrangeira e desacompanhado de tradução juramentada, ou mesmo livre (fls. 2858/2860). De toda sorte, a matéria é também tratada no parecer do Professor Steven Scott Thel, aqui já mencionado, do qual extraise: Um propósito primário do regulamento de mercado de negociação de futuros nos Estados Unidos, talvez o propósito primário, é prevenir a manipulação pelos participantes do mercado. Para esta finalidade, as leis proíbem várias práticas de negociação. Uma destas é a transação fictícia. A Commodity Exchange Act toma ilícito "para qualquer pessoa participar de urna transação que... for, do caráter de, ou geralmente for conhecida do comércio como uma 'transação fictícia."4/4 Consulte a Commodity Exchange Act § 4c (a) (2), 7 U.S.C. §6 c (a) (2) (...)] A Lei de Mercados de Capitais e Commodities dos Estados Unidos há muito tempo proibiu transações fictícias, em que uma pessoa ou grupo efetua pedidos para comprar e vender substancialmente a mesma quantidade de um valor mobiliário ou commodity em substancialmente o mesmo tempo e preço.5 /5 Consulte também a Lei de Mercado de Capitais §9(a) (1), 15 U.S.0 §78i (a) (1) Fl. 25686DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.687 37 ]. As transações fictícias são proibidas por várias razões. Na medida em que o comerciante não assumir risco econômico — desde que as negociações sejam compensadas — as transações fictícias são consideradas inerentemente enganosas e os preços nos quais acontecem são considerados falsos. Transações fictícias também criam urna impressão enganosa de volume de negócio que pode, por sua vez, mudar preços de mercado. A hostilidade reguladora para transações fictícias foi resumida durante os debates sobre a promultação da Commodity Exchange Act: "Todos que estiverem familiarizados com os mercados sabem exatamente co que é uma 'transação fictícia'. É uma pura, rião adulterada fraude."6 /80 Cong. Rec. 790506 (26 de maio de 1936) declaração do Senador Smith]. A Commodity Exchange Act não define o termo "transação fictícia". Falando em termos gerais, uma transação fictícia é a execução de uma compra e venda que se compensam. Um tratado principal explica: "O termo transação fictícia não está definido na [Commodity Exchange] Act ou nos Regulamentos..., mas geralmente tem sido interpretado como a compra e venda do mesmo contrato de futuros de commodity para o mesmo contratante sob o qual ambos os lados da negociação 'se desgastam' e, em efeito prático, o contratante não ganha propriedade de qualquer novo contrato."' /7 2Phillip McBride Johnson & Tomas Lee Hazen, Regulamento de Derivativas §3.10 [8] em 775 (2004); consulte também Charles R.P. Pouncy, The Scienter Requirement and Wash Trading in Commodity Futures, the Knowledge Lost in Knowing, 16 Cardozo L. Rev. 1625, 1625 (1995) ("negociação fictícia, que é proibida pela seção 4c da Commodity Exchange Act. . .. consiste na compra e venda simultânea do mesmo número de contratos de futuros no mesmo preço ou preço semelhante. '). Como caso criminal freqüenWmente citado explica, "As decisões administrativas fornecem uma definição consistente para o termo 'transação fictícia' [As acusações na denúncia] indicam que os mesmos indivíduos compraram e venderam os mesmos contratos de futuros nas mesmas quantidades pelo mesmo preço. Isso é tradicionalmente o tipo de conduta associado ao termo 'transação fictícia."816' Estados Unidos v. Siegel, 472 F. Supp. 440, 443 (N.D. 111. 1979), consulte também Wilson v. CFTC, 322 F.3d 555, 559 (8° Cir. 2003) (..)] Um comerciante que efetua compensação de compra e venda de um determinado contrato futuro de commodity pode argumentar que suas negociações não constituem urna transação fictícia porque ele não negociou com intenção inadequada. Enquanto os tribunais e administradores considerarem que aquela intenção inadequada é um elemento de delito, não fica claro qual a intenção é requerida. A confusão sobre o requisito intenção pode surgir porque em ações contra corretores agindo para clientes, não fica sempre claro quanto os corretores sabiam dos planos de seus clientes.9 [9 Consulte, por exemplo, Wilson v. CFTC, 322 F.d 555 (8° Cir. 2003) ]. Em casos contra um cliente, a CFTC sustentou que a questão é se o cliente, quando negociou, planejou as negociações correspondentes para eliminar o risco de preço. 10 [10 In re San Diego Gas x Elec. Co., [Atual] Comm. Fut. L. Rep. (CCH) 31.549, 2010 WL 1638992 (CFTC 22 de abril de 2010) ]. Sob esse padrão, negociações simétricas podem ser suficientes apenas para estabelecer ilegalidade." ["Consulte Elliott v. CFTC, 202 F.3d 926 (7° Cir. 2000) ...]. Em todo caso, fica claro que as transações fictícias são ilícitas mesmo se não forem realizadas com intenção de manipulação e mesmo se forem para propósitos legítimos.12 /12 Consulte In re San Diego Gas x Elec. Co., [Atual] Comm. Fut. L. Rep. (CCH) 31.549, 2010 WL 1638992 Fl. 25687DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.688 38 (CFTC 22 de abril de 2010); consulte também In re Elliott, [1997199 Pasta de Transferência] Comm. Fut. L. Rep. 27.243 (CFTC 3 de fevereiro de 1998) ...] Daí a conclusão do referido parecerista, no sentido de que, se a ADM e suas subsidiárias efetuassem todas as suas compras e vendas de futuros de commodity diretamente com bolsas de mercadorias (em vez de primeiro consolidar internamente as negociações) elas enfrentariam um risco significativo de violar a proibição de transações fictícias, de modo que restalhe claro que o mecanismo que a ADM e suas afiliadas utilizam para consolidar suas negociações foi projetado exatamente para evitar esta possibilidade. Acrescenta que, mesmo se a ADM e suas afiliadas estivessem dispostas a arriscar a violação da proibição de transação fictícia, arriscariam violar os limites de posição se inserissem todas as suas operações diretamente na bolsa. Como já antes dito, o Grupo ADM deteria a referida isenção de limites, mas, no entender do Professor Steven Scott Thell, como esta isenção é concedida pela CFTC com base na boafé, se o grupo elevasse exponencialmente suas posições, levantaria a questão se essas posições seriam consideradas de boa fé com a finalidade de determinar limites de posição, e exceder os limites de especulação é uma violação séria. Citando caso semelhante já apreciado pelos Tribunais, o parecerista conclui que o caso demonstra que a ADM e suas afiliadas não podem evitar as proscrições da Commodity Exchange Act discutindo que são entidades separadas. Inferese, de todo o exposto, que operações de cobertura exigidas em razão de contratações da ADM no Brasil não poderiam ser promovidas na Bolsa de Chicago caso outra empresa do Grupo ADM necessitasse de cobertura para contratação oposta por ela realizada em outro país. Assim, a empresa brasileira definiria sua exposição e ordenaria a contratação da operação de cobertura, apurando os posteriores ganhos ou perdas em razão desta solicitação. Mas a ADM Trading, atuando como o que se denominou hedge center, faria o cruzamento destas contratações antes de definir quais coberturas poderiam ser promovidas junto à Bolsa de Chicago, possivelmente deixando de realizar aquelas compensadas com exposições opostas, apresentadas por outra empresa do Grupo. Surge, assim, um segundo aspecto a ser apreciado acerca do alcance do art. 396 do RIR/99: a dedutibilidade de perdas em razão de operações de hedge que seriam necessárias, mas não são contratadas em Bolsa, em razão de impedimentos legais. O tema foi submetido à apreciação do Professor Marco Aurélio Greco, cujo parecer destinouse a responder, dentre outras, às seguintes questões: 1) Em sua opinião, a utilização do hedge center pelo Grupo ADM, a fim de evitar a prática de wash sales, conforme determinado pela legislação norteamericana, deve ser observada na aplicação da norma contida no artigo 17 da Lei n° 9.430/96? 2) Poderia o aplicador da norma contida no aludido artigo 17, condicionar a dedutibilidade de um custo/despesa à prática, pela ADM do Brasil, de ato tido por ilícito pela legislação norteamericana (wash sales)? 3) Em sua opinião, utilização de um hedge center pela ADM do Brasil, visando a evitar a prática de wash sales, violaria a regra do artigo 17 da Lei n° 9.430/96? Nesse sentido, podese afirmar que a utilização de hedge center está abrangida pela expressa "bolsa no exterior" utilizada pelo legislador no aludido dispositivo legal? 4) Nesse cenário, é correto afirmar que as operações efetuadas pela ADM do Brasil foram diretamente em bolsa no exterior? O Professor Marco Aurélio Greco inicialmente aborda, em seu parecer, o problema representado pelo fato de uma pessoa, numa mesma operação, comparecer em Bolsa como comprador e vendedor, assim observando: Neste caso, desde reunidos outros elementos, pode configurarse aquilo que, no jargão do mercado, é conhecido como operação "Zé com Zé", pois a mesma pessoa estará nas duas pontas da operação e isto pode ser o instrumento para Fl. 25688DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.689 39 o cometimento de uma infração, por interferir na formação de preços, volumes, demanda, etc. Nas palavras de ILENE PATRÍCIA DE NORONHA, dentre os principais tipos de irregularidades que podem vir a ser cometidos no mercado bursátil brasileiro, incluemse as "operações conhecidas pela denominação Zé com Zé" da qual essa Autora dá um exemplo: "Para induzir os participantes do mercado à compra, a empresa "B" começa a COMPRAR E VENDER, em Bolsa, PARA SI MESMA, as ações de emissão da companhia "A", operações essas conhecidas como "Zé com Zé", de forma a dar a falsa aparência de que o papel era bastante negociado e que tinha preço atrativo. Portanto, criação de condições de demanda, oferta e preço, porque tudo era falso."14 114 No seu texto, "Poder de polícia da CVM", disponível em http:/lwww.cjfjus.brirevistaiseriecadernos/VOL158.htm, acessado em 13.10.2011. Grifei, realcei e coloquei em maiúsculas] E prossegue acentuando o caráter de "meio hábil" de que elas podem se revestir: "As operações "Zé com Zé" configuram criação de condições artificiais de demanda, oferta e preço, pois nelas tudo é falso, fictício, tratandose de operações simuladas, que geram o MEIO PARA manipular o mercado induzindo seus participantes a comprar ações. E não se pode deixar de lembrar que todo o conjunto consiste numa fraude."" /45 Op. loc. cit., grifei, realcei e coloquei em maiúsculas] [...] Destacando que comprar e vender para si mesmo determinado valor mobiliário é um meio hábil para manipular o mercado, o Professor Marco Aurélio Greco define, a partir do item 5 de seu parecer, o que significa realizar "diretamente" a operação em Bolsa, asseverando que o requisito expresso no art. 396 do RIR/99 consiste na emissão pela empresa brasileira de uma ordem de venda ou de compra a ser executada NA bolsa no exterior, ordem esta que se submeterá à disciplina normativa estrangeira que regula o funcionamento da bolsa em questão, pois é ela que irá determinar o meio e o modo de executar essa ordem de compra ou de venda, assim como é a disciplina da bolsa que imporá restrições e limites à sua execução. A partir daí, sob o pressuposto de que a ADM Services visualiza todas as ordens da Consulente destinadas a serem executadas na Bolsa de Chicago, conclui o professor que se estaria diante de atuação direta em bolsa. Recordando, porém, que as operações "Zé com Zé" (ou wash sale) são interpretadas como meios hábeis para manipular o mercado, e que o simples fato de uma pessoa jurídica pertencente a um Grupo que possui outras empresas em que também emitem ordens a serem executadas na mesma bolsa, já é, em si mesmo, o meio hábil para a prática de uma infração punível, assevera que consolidar as ordens de todas as integrantes do Grupo é uma exigência que resulta da proibição mencionada e das circunstâncias de ser um Grupo. Deste modo: ... tão logo emitida a ordem pela Consulente, ela já se encontra alcançada pela legislação que regula o funcionamento da bolsa e deve seguir seus ditames. Portanto, daí por diante, a compra ou a venda estará sendo realizada no âmbito e segundo as regras pertinentes àquela bolsa. Defende que a finalidade e a função da norma brasileira é assegurar o adequado tratamento tributário às operações realizadas pelas empresas brasileiras resultantes da sua inserção numa economia globalizada, não se podendo olvidar que a lei estrangeira impõe realizar uma compensação de Fl. 25689DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.690 40 ordens das diversas empresas no âmbito do grupo para que a ordem final seja o saldo dessa prévia confrontação. Acrescenta que ainda que se enxergue apenas o resultado consolidado, mesmo assim a ordem emitida pela Consulente dele faz parte, de modo que, se em determinado momento não existir qualquer outra ordem de empresa do Grupo, esta será a ordem executada na Bolsa. Nas palavras do Professor Marco Aurélio Greco: Sublinhese que o "saldo" apurado no âmbito do hedging center do Grupo que consolida as ordens é fruto de cada uma das ordens individuais emitidas, portanto comunga da sua natureza. Diante disso, minha conclusão é que, neste caso, a subsidiária brasileira está realizando operações diretamente na bolsa no exterior, pois emitiu ordens para serem nela executadas e o fato de a legislação de regência impor este modo de executar a ordem para assegurar a plena legalidade da sua conduta não lhe retira o caráter de determinar uma operação a ser realizada na bolsa. Sua interpretação, portanto, é no sentido de que a lei brasileira não poderia condicionar a dedutibilidade à prática de uma operação ilícita em outro País, de modo que a utilização de um hedge center não representa violação ao art. 17 da Lei n° 9.430/96 (matriz legal do caput do art. 396 do RIR/99), mas sim sua exata aplicação ao enxergar o seu uso como necessário para a realização de operações em bolsa. Inicialmente cumpre observar que, mesmo admitindose esta argumentação, necessária seria a comprovação de que as ordens foram, de fato, enviadas à ADM Trading, a qual, depois de realizar as compensações impostas pela legislação estrangeira, solicitou à ADM Investor Services a operação de hedge correspondente ao saldo líquido. E isto porque, como antes destacado, não há evidências de que a atuação intermediária da ADM Trading tenha sido reportada à Fiscalização, mas somente alegada em defesa administrativa. Ademais, embora não seja exigível, da contribuinte, um extrato de suas aplicações emitido pela Bolsa de Chicago, houve falhas por parte da recorrente no cumprimento de seu dever de conservar em ordem, documentos e papéis que se refiram a atos e operações que modifiquem ou possam vir a modificar a sua situação patrimonial. De fato, seus registros contábeis deveriam estar suportados por controles internos diários de suas posições e de suas ordens enviadas à ADM Trading, bem como de sua confrontação permanente com as variações de mercado a que se sujeitavam suas operações de hedge, não bastando, para tanto, a existência de sistemas informatizados que agregassem estes dados. Neste sentido, não só durante o procedimento fiscal, como também em sua primeira manifestação complementar ao recurso voluntário (petição de 16/03/2012), a contribuinte buscou demonstrar a compatibilidade de seus registros contábeis com os preços praticados nas operações de hedge no exterior, mediante a apresentação de estudos realizados por KPMG Advisors Lida, no que foi denominado I" fase dos serviços previstos. Este exame, embora necessário e relevante, exigiria complementação acerca da confirmação de que as operações foram efetivamente realizadas, aspecto não abordado nos primeiros elementos apresentados, já digital izados e integrados aos autos como Anexos 1 a 30 daquela petição. De fato, nesta 1" fase dos serviços, inicialmente a contratada atestou que a contribuinte utilizou corretamente suas contas contábeis para registro de operações de derivativos financeiros, conforme sistemática por ela descrita no documento de fls. 3782/3784 (Anexo 8), gerando contrapartidas em resultado de R$ 884.814.749,14, diferindo em R$ 982.351,31 do valor lançado em conta de resultado apurado pela Fiscalização (R$ 885.797.100,45). Para tanto, a contratada se valeu da acusação _fiscal (Anexo 1, fl. 3379/3408) e do balancete de verificação de 2004 (Anexo 2, fl. 3409/3506), confrontando seus resultados com os registros em lotes contábeis de lançamentos (Anexos 3 e 4, fls. 3507/3669), registros na conta 128116501 (Anexo 5 e 6, fls. 3670/3682), e registros dos Livros Diário e Razão de 2003 e 2004 (Anexo 7, fls. Fl. 25690DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.691 41 3683/3781). Na sequência, tendo em conta documentos semelhantes aos de fls. 96/678, aqui denominados extratos disponibilizados emitidos pela Archer Daniels Midland Company (Anexo 9, fls. 3785/4211), e a informação de que as contas de hedge na bolsa de mercadoria e futuro (trading accounts) numeradas 6302, 6311, 6312, 6313,6321, 6331, 6341, 6361, e 6370, foram aquelas utilizadas pela ADM do Brasil Ltda durante o ano calendário de 2004 (Anexo 10, fl. 4212), a contratada fez a conciliação das informações do "Anexo 9" com os resultados mensais contabilizados consolidados no "Anexo 6" (fls. 3681/3682), demonstrandoa no "Anexo 11" (71. 4213/4217), o qual também reuniu a conciliação dos resultados mensais obtidos em operações com opções, aferidos a partir do "Anexo 12" (Yis. 4218/4330), na medida em que estes resultados tiveram como contrapartida a mesma conta de resultado (423130 "Ajuste P. Hedge Contr. Fut. Enc."). As conversões de dólares para reais foram demonstradas no "Anexo 13" (71. 4331/4332) e as taxas utilizadas no "Anexo 14" (fls. 4333/4345). O resultado de operações com futuros foi de R$ 891.111.833,32, que reduzido pelos ganhos com opções de R$ 4.462.247,99, totalizou R$ 886.649.585,33, apresentando variação de R$ 1.834.836,19 (0,21%) em relação aos valores contabilizados. A tributação do ganho das operações com opções foi demonstrada no "Anexo 30" (lis. 7059/7301). A partir daí a contratada demonstrou a compatibilidade das informações do "Anexo 9" — origem da contabilização de perdas aqui questionadas — com as oscilações de preço da Bolsa de Chicago, assim atestando: A partir dos extratos disponibilizados pela Companhia (anexo 9) [fls. 3785/4211] e das informações constantes do sítio eletrônico da Bloomberg (anexo 15) [7is. 4346/6590], confrontamos os preços (price) de cada posição de compra e venda de todas as operações de futuro de soja, óleo de soja e farelo de soja, realizadas pela ADM do Brasil no período compreendido entre 1° de janeiro a 31 de dezembro de 2004, com os preços das operações de futuros das referidas commodities praticados na Bolsa de Mercadorias e Futuros de Chicago (CBOT), para o mesmo período. Para a conversão dos valores dos extratos em dólar para reais, nos valemos das taxas de conversão de dólar para real demonstradas nos controles extra contábil (anexo 13) (fl. 4331/4332]. Essas operações, expurgados os contratos de boardcrush e rollover, corresponderam à negociação de 914.484 contratos (de um total de 983.836 contratos 92,95%) e resultaram em uma perda da ordem de R$ 835.804.754,20 (de um total de R$ 891.111.833,32 93,79°/0). [Anexo 16, à fl. 6591, demonstra a correlação mensal entre o resultado total e a quantidade de contratos] Do confronto efetuado, constatamos que os preços praticados em 633.416 contratos de futuros (64,38% do total de contratos), que corresponderam a uma perda de R$ 708.316.097,73 (79,49% do total da perda), estavam entre o mínimo e o máximo dos preços dos contratos negociados na CBOT naquela mesma data em que firmados os contratos de futuros e em relação ao mesmo tipo de operação, conforme informações do sítio da Bloornberg. Entendase como o mesmo tipo de operação aquele em que o produto (soja, óleo de soja e farelo de soja) e o termo/vencimento são iguais. Para os 281.068 contratos de futuros restantes (28,57% do total de contratos), que corresponderam a urna perda de R$ 127.488.656,47 (14,31% do total da perda), verificamos que os preços praticados pela ADM do Brasil, muito embora não estivessem entre o preço mínimo e o máximo dos contratos Fl. 25691DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.692 42 negociados na CBOT, foram em grande parte satisfatoriamente esclarecidos e justificados pela Companhia. [Os esclarecimentos evidenciariam que as operações foram praticadas antes do início do pregão da bolsa, adotavam parâmetros de dias próximos ou vinculados a contratação prévia, foram estornados, ou apresentavam outras particularidades. Documentos acerca destas ocorrências integram os Anexos 17 a 22, fls. 6590/6643] . A contratada esclarece nos anexos 26 a 28 (fi. 7052/7056) as características das operações de "rolagem" (rollover) — decorrente de alteração nas datas de entrega física ou de esmagamento —, e no "Anexo 29" (71. 7058) das operações de "board crush" — decorrente da venda interna da divisão Originação (grãos) para a divisão Esmagamento, com uma nova data de entrega de óleo ou farelo. Nos "Anexo 25" e "Anexo 25.1" (fls. 6975/6978) demonstra que apenas 36,71% dos contratos atrelados às operações de rolagem o valor dos spreads apresentouse dentro dos limites esperados. No "Anexo 28" (fl. 7057) apresenta o resultado da análise das operações de "board crush", observando que o preço praticado em uma das oposições não estava dentro dos limites esperados. Com estes elementos, a contribuinte apenas evidencia o método adotado para contabilização das operações de hedge, mas ainda não demonstra a efetividade das operações. Em especial, não estabelece correlação entre os extratos disponibilizados emitidos pela Archer Daniels Midland Company (Anexo 9, fls. 3785/4211), e as operações de hedge realizadas junto à Bolsa de Chicago. Somente na petição apresentada em 06/12/2012 (fis. 12484/12597) a recorrente traz elementos que poderiam dar suporte às suas alegações acerca do fluxo operacional das operações de hedge aqui questionadas. Menciona que as empresas do Grupo ADM inserem os dados de suas respectivas operações comerciais em um único sistema de computador denominado Sistema VAX, o qual é administrado pela ADM Trading Compay ("ADM Trading"), submetendo a esta as correspondentes ordens de hedge, que nada mais são do que as posições contrárias àquelas contratadas fisicamente com os produtos rurais ou clientes das empresas do Grupo ADM. Diz que cada ordem de hedge configura um contrato, o que implica a obrigação de compra ou venda do tipo e quantidade de mercadoria estabelecidos nessa ordem, na data de entrega ali prevista, conforme precificação de mercado listada na Bolsa de Chicago. E neste sentido apresenta relatório do fluxo operacional no Brasil, elaborado por KPMG Tax Advisors Ltda (Relatório da comprovação do hedge em operações de futuros realizadas pela companhia no anobase de 2004,11s. 7365/12285), bem como relatório do fluxo operacional no exterior, elaborado por Ernst & Young LLP (Relatório de auditoria independente das operações de futuro e opções de commodities realizadas pela companhia, fls. 12288/12481), este último juntado apenas em língua estrangeira, mas com tradução juramentada já produzida, e apresentada por cópia a esta Relatora depois da apresentação deste voto na reunião de julgamento de março/2013. O relatório elaborado por KPMG Tax Advisors Ltda busca evidenciar a operacionalização do hedge localmente, bem como a demonstrar que as operações de futuros realizadas pela Companhia, no anocalendário de 2004, tiveram por finalidade proteger suas operações de compra e venda de soja em grão, óleo e farelo de soja contra as oscilações de preço dessas commodities (objetivo de hedge), de modo a estabelecer a correspondência inversa entre os saldos mensais no mercado fisico (estoque + compras — vendas) e os saldos Fl. 25692DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.693 43 mensais no mercado futuro (compras — vendas) das referidas commodities em quantidade, no decorrer do anocalendário de 2004. Quanto à operacionalização do hedge, a contratada descreve a atuação dos setores da companhia responsáveis pela compra e venda das mercadorias, bem como pelo seu processamento, os quais demandam o setor comercial para realização de operações inversas no mercado de futuro a fim de proteger suas posições, no mercado físico, contra as oscilações de preço (hedge). As ordens de hedge são inseridas no sistema VAX de propriedade da Archer Daniels Midland Company, responsável pelo registro e controle das operações de futuros da companhia, o qual é usado no Brasil, meramente, para inserção das ordens de hedge à ADM Trading. Há confrontos diários entre a posição líquida em aberto no mercado físico e no mercado futuro, e diferenças são ajustadas mediante novas ordens de hedge, ou suscitam operações de "rolagem" ou de "board cruch" (semanal). Ao final do mês, há nova conciliação das posições existentes no mercado fisico e futuro, podendo ser verificadas diferenças especialmente em razão de ocorrências ligadas ao estoque fisico, ou de ordens não efetivadas em função de encerramento do expediente ou fechamento do pregão. O demonstrativo abaixo exemplifica as análises feitas pela KPMG acerca da operacionalização da compra da soja em grão até a realização do hedge. Outros fluxogramas foram produzidos para as operações de venda de soja em grão, realocação da soja em grão da Divisão de Originação para a Divisão de Processamento, compra de farelo e óleo de soja, venda de farelo e óleo de soja. Fl. 25693DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.694 44 Para demonstrar que as operações de futuros realizadas pela Companhia, no ano calendário de 2004, tiveram por finalidade proteger suas operações de compra e venda de soja em grão, óleo e farelo de soja contra as oscilações de preço dessas commodities (objetivo de hedge), a contratada apurou o saldo líquido de compras/Vendas em aberto ao final de cada mês a partir de planilhas e de controles de estoque, e testou por amostragem estas informações. De outro lado, extraiu do sistema VAX a informação dos saldos líquidos ao final de cada mês, confrontandoos com o saldo fisico convertido em lotes negociáveis, apurando divergências, mas constatando que na Fl. 25694DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.695 45 maior parte dos meses a posição no mercado futuro era oposta à posição no mercado físico. Ao final, considerando as justificativas apresentadas pela contribuinte, apresentou gráficos por commodity para evidenciar que as posições no mercado futuro tendem a seguir inversamente as posições no mercado físico. Reproduzse, a título de exemplo, o gráfico referente às operações com soja em grão: Ao final, a contratada reproduz conciliação semelhante à antes feita entre o "Anexo 9" (extratos disponibilizados emitidos pela Archer Daniels Midland Company, fls. 3785/4211) e os resultados mensais contabilizados consolidados no "Anexo 6" (fls. 3681/3682), mas agora reportandose a informações do Sistema VAX, do qual possivelmente originamse os extratos antes juntados no "Anexo 9". O relatório elaborado por KPMG Tax Advisors Ltda faz referência a outros Anexos, numerados de 1 a 33 e organizados em 17 (dezessete) volumes. Quanto ao relatório elaborado por Ernst & Young LLP, aduz a recorrente em sua petição de 06/12/2012 que as planilhas que o seguem resultam de aprofundada auditoria do Fl. 25695DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.696 46 fluxo operacional no exterior das suas operações de hedge, especificamente para atestar, numericamente (contratos e valores), o referido fluxo. Esclarece que os demonstrativos que acompanham a petição apresentam a reconciliação da consolidação dos contratos de hedge do Grupo ADM, a transferência destas informações da ADM Trading para a ADM Financeira e a sua liquidação junto à Bolsa de Chicago. O exame dos referidos demonstrativos coincide com algumas informações aqui já expostas, a título de exemplo, relativamente ao registro de perda em janeiro/2004 com o produto soja controlado na conta 6370. Segundo o relatório de fls. 99/126, estas operações teriam resultado em perda de US$ 6.407.150,00, a qual integraria a perda liquida total, em janeiro/2004, de R$ 37.478.526,70 (US$ 12.743.897,00), conforme demonstrativo de fl. 91 e relatório das remessas ao exterior à fl. 814. Estes mesmos valores foram demonstrados pela Ernst & Young LLP em planilhas que detalham as operações da conta 6370 e sua consolidação com as demais contas utilizadas pela empresa brasileira, formuladas a partir de registros da ADM Trading (Schedule campos em verde e lilás). Segundo esclarecimentos contidos na tradução juramentada do relatório elaborado por Ernst & Young LLP (apresentado a esta Relatora após a exposição deste voto na reunião de julgamento de março/2013), referido demonstrativo, ali denominado Anexo III — Reconciliação das Demonstrações da ADMIS, das Demonstrações de Negociação da ADM e dos Resultados de Hedge da ADM do Brasil no Razão Geral dos exercícios findos em 31 de dezembro de 2004, 2006 e 2007, apresenta em sua primeira parte a origem das informações financeiras presentes nas contas de Nível D, expondo os resultados realizados em contratos finalizados. Todavia, há divergências quando comparadas estas informações com os registros da ADM Investor Services, os quais apontam a perda de US$ 14.312.725, em razão de operações fechadas em janeiro/2004 (Schedule BI, campos em amarelo). Neste mesmo sentido, a planilha que consolida mensalmente as perdas em razão das contas operadas pela empresa brasileira, totaliza em US$ 14.320.470,50 este valor para janeiro/2004, o qual é integrado por perda de US$ 5.187.464,00 decorrente da conta 6370 (Schedule II). Esta última planilha (Schedule II) — nomeada Anexo II — Resumo dos valores de Liquidação Líquidos no Encerramento do Mês por Conta de Nível D dos exercícios findos em 31 de dezembro de 2004, 2006 e 2007, na tradução juramentada antes referida — também evidencia que as perdas realizadas em janeiro/2004, quando somadas às perdas não realizadas da empresa brasileira no valor de US$ 153.834.408,50, totalizam US$ 168.154.879,00, que confrontados com ganhos decorrentes de contas "D" não operadas pela empresa brasileira, no montante de US$ 255.214.015,85, resultam no ganho acumulado de US$ 87.059.136,85, até janeiro/2004. Este valor é conciliado com o resultado apurado nas contas "A" em janeiro/2004 (US$ 87.071.544,58) na planilha denominada Schedule I (nomeada Anexo 1— Reconciliação dos Valores de Liquidação Líquidos no Encerramento do Mês entre as Contas de Nível D e Nível A dos exercícios findos em 31 de dezembro de 2004, 2006 e 2007). Como se vê, os Anexos I e II fazem referência a valores de liquidação líquidos, ao passo que o Anexo III trata de resultados realizados em contratos finalizados. Assim, eventualmente a diferença entre as perdas US$ 6.407.150,00 e US$ 5.187.464,00, relativamente ao produto soja, na conta 6370, em janeiro/2004 pode se esclarecida pela consolidação que não reporta à ADM Investor Services as operações contrárias praticadas pelo Grupo. Este aspecto, porém, precisa ser melhor investigado. Para além disso, convém notar que a recorrente reporta se a análises da empresa contratada acerca do fluxo operacional após a consolidação de operações pela ADM Trading, acerca das quais não havia evidências nos demonstrativos juntados à petição de 06/12/2012. Especialmente diz a recorrente: 26. Pois bem, após a consolidação dos contratos de hedge do Grupo ADM, inclusive da Requerente, a ADM Trading transfere à ADM Financeira todas as exposições em Fl. 25696DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.697 47 aberto, não consolidadas nesse procedimento. As exposições em aberto dão surgimento às contas de liquidação "A" ("Contas de Nivel A"): n° 5000, n° 5031, n° 5032, n° 5033, n° 5034, n° 5035, e n° 5036. As "Contas de Nivel A" agrupam todas as exposições em aberto e as Bolsas de Valores de liquidação. Assim, no caso concreto, pela natureza das operações fisicas realizadas pela Requerente (compra e venda de soja, farelo de soja e óleo de soja), as exportações não consolidadas foram liquidadas através da Conta de Nível A n° 5032 (conta correspondente às operações realizadas na Bolsa de Chicago). 27. Portanto, o Relatório da EY reconciliou e atestou o procedimento de consolidação, realizado dentro dos parâmetros da Bolsa de Chicago, bem como da transferência das posições em aberto da ADM Trading para a ADM Financeira, e a sua liquidação, junto à Bolsa de Chicago, mediante o respectivo fluxo de caixa entre a ADM Financeira e a Bolsa de Chicago. Esta última demonstração acerca do fluxo de caixa entre a ADM Investor Services e a Bolsa de Chicago aparenta corresponder à planilha denominada Schedule IV (nomeada Anexo IV — Reconciliação entre a Variação no Patrimônio Líquido Total e o Caixa Pago nas Transações Cambiais nos exercícios findos em 31 de dezembro de 2004, 2006 e 2007, na tradução juramentada antes referida), apresentada com as informações do fluxo nos dias de dezembro de 2004. No mais, aparentemente não foram juntados, à petição de 06/12/2012 os demonstrativos que evidenciaram as exposições efetivamente levadas à Bolsa de Chicago. Por fim, na tradução juramentada antes mencionada, há referência, também, ao Anexo V — Resumo dos Valores de Liquidação Líquidos do Encerramento do Mês da Conta de Nível A, o qual apontaria, em 31 de dezembro de 2004, 2006 e 2007 que o valor de liquidação líquido da conta de Nível A no mês findo está de acordo com o Valor de Mercado da Conta total, conforme indicado no Anexo I. Antes da sessão da qual resultou a primeira conversão do julgamento em diligência, a interessada apresentou memoriais elaborados em 27/02/2013 que aparentemente abordam referido fluxo. A partir de exemplos referentes à conta de nível D n° 6321, a contribuinte busca demonstrar a consolidação das operações advindas desta sua planta operacional (Fábrica de Campo Grande/MS) em outubro/2004, das quais resultam as exposições que ensejam o registro contábil das operações de hedge, agrupadas em conta de nível A na ADM Trading. Para tanto, junta exemplo das seguintes demonstrações: 1) relatório de operações inseridas no Sistema referente à Conta de Nível D n° 6321, relativo ao período de outubro de 2004; 2) relatório emitido pela ADM Trading para o período de outubro de 2004, que refletiria as mesmas operações; 3) relatório emitido pela ADM Financeira com agrupamento dos contratos colocados no Sistema; 4) planilhas da ADM Financeira nas quais constariam os montantes liquidados a partir da conciliação de todas as Contas de Nível D, bem como os montantes liquidados a partir da conciliação de todas as Contas de Nível A; 5) relatório da ADM Financeira que indicaria as exposições não consolidadas agrupadas por meio da Conta de Nível A n° 5032, a serem colocadas na Bolsa de Chicago. Todavia, são elementos correspondentes a apenas uma espécie de registro de um dos meses autuados. Em recente exame dos autos, não foi localizada a solicitação, pela contribuinte, de juntada deste memorial aos autos. Registrese, por oportuno, que o parecer elaborado pelo Professor Ar), Oswaldo Manos Filho, apresentado com a petição de 06/12/2012 (fls. 12600/12645), ao fazer menção à atuação da ADM Investor Services como membro de compensação, parece cogitar que referida instituição promoveria a compensação, também, para com terceiros clientes sem qualquer vínculo com a ADM IS, talvez considerando que haja liquidações externas ao pregão da CBOT, promovidas pela ADM Investor Services, entre ordens de hedge do Grupo ADM com ordens de hedge de terceiros. Todavia, não há alegação da contribuinte, nem qualquer outra evidência nos elementos por ela apresentados, naquele sentido. Assim, supõese que as posições liquidas, após a Fl. 25697DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.698 48 consolidação feita pela ADM Trading, são comunicadas à ADM Investor Services que necessariamente as apresenta à Bolsa de Chicago, sendo este o fluxo que a recorrente pretende provar por meio dos elementos apresentados. De toda sorte, as alegações da recorrente foram suficientes para demonstrar seu empenho em reunir elementos para convencer esta Relatora da legitimidade de seus registros contábeis. Ideal seria que dossiês diários fossem mantidos para demonstração da equivalência entre os registros contábeis e as operações da empresa junto ao mencionado Sistema VAX. Mas os elementos trazidos pela recorrente são evidências fortes de que estes registros existiam e obedeciam a um fluxo operacional sujeito a conciliações periódicas, de modo a assegurar a cobertura de suas operações físicas com commodities. Apenas que, a precariedade da guarda documental destas demonstrações não permitiu que a empresa as apresentasse à Fiscalização e convencesse a autoridade lançadora da regularidade de seus registros contábeis. Este cenário evidenciou ser justificável a conversão do julgamento em diligência para que a autoridade lançadora confirmasse a validade dos critérios de auditoria adotados pelas empresas contratadas, e por conseqüência a admissibilidade de seus relatórios para demonstração da regularidade dos valores contabilizados pela contribuinte, apontando divergências que deste exame resultassem e quantificando sua repercussão no crédito tributário lançado. Antes, porém, observouse que a alegada compensação de ordens das diversas empresas no âmbito do grupo poderia ser interpretada, também, como evidência da desnecessidade da operação de hedge, na medida em que a cobertura é dada por outra operação comercial do próprio grupo. O exemplo construído no parecer exarado pelo Professor Marco Aurélio Greco deixava transparecer este aspecto: Realmente, se, por hipótese, a ADM do Brasil vender soja para o Japão e der uma ordem de compra31 [ ³¹ Ordem inversa à operação física emitida com a finalidade de cobertura (hedge). ] a ser executada na Bolsa de Chicago, a ADM do Japão que está importando soja, poderá estar, ao mesmo tempo, emitindo uma ordem de venda a ser executada na mesma Bolsa. Se o objetivo das normas estrangeiras é assegurar uma livre e verdadeira formação de preço junto ao mercado comprador e vendedor de contratos futuros, e esta condição é necessária para tornar dedutíveis as perdas de hedge na forma do art. 17 da Lei n° 9.430/96 (matriz legal do caput do art. 396 do RIR/99), como diz o Professor Ary Oswaldo Mattos Filho em seu parecer, a vedação à prática de operações opostas e simultâneas por um mesmo grupo empresarial pode ser perfeitamente interpretada como restrição a uma prática desnecessária, que pode prejudicar a livre e verdadeira formação de preços. A prática descrita pela recorrente, em verdade, afirma a existência de uma operação de cobertura junto à Bolsa de Chicago que não foi formalizada, e assim enseja o reconhecimento contábil de um resultado decorrente de uma operação que efetivamente não existiu. Assim, não basta reputar como método aceitável para admissibilidade de perdas em hedge aquele que demonstre em tempo real a formação de preço, e que permita que as compras e vendas sejam liquidadas por valores praticados livremente pelo mercado secundário, como dito pelo Professor Ary Oswaldo Mattos Filho em seu parecer. É necessário que a cobertura resulte de uma operação realizada em bolsa para que tenha efetividade, não bastando que ela adote os parâmetros daquele mercado regulado. Vejase, ainda, que a prática da recorrente permite a remessa de valores a título de pagamento de margens que não eram devidas à Bolsa de Chicago, mas sim a outra empresa do Grupo ADM. Este aspecto, inclusive, poderia justificar as disparidades apontadas pela Fiscalização, acerca da representatividade dos depósitos totais de margens remetidos ao exterior pela autuada, quando comparado com seu faturamento (24,73N, que destoa do percentual de 1,25%, inferido a partir dos depósitos de margens promovidos pela ADM Investor Services em favor de todo o Grupo ADM, considerando o faturamento global deste. É certo que a recorrente Fl. 25698DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.699 49 contesta as premissas destas inferências, especialmente o período ao qual se refere faturamento global do Grupo e a utilização do dólar médio para conversões. Contudo, no mais, os depósitos de margem promovidos pela ADM Investor Services em 2004, e a informação de que 80% de suas operações corresponderiam a terceiros estranhos ao Grupo ADM, são informações apresentadas pela contribuinte à Fiscalização. Ademais, são apenas inferências, que somente ganham relevo ante os demais fatos não esclarecidos adequadamente pela contribuinte. Irrelevante, assim, se a bolsa de mercadorias brasileira não tem capacidade para acolher os negócios da recorrente, estando ela obrigada a recorrer à Bolsa de Chicago e submeterse às suas regras. O fato de as leis estrangeiras visualizarem as empresas do Grupo ADM como um ente único, e impedirlhes de requerer cobertura para operações simultâneas e opostas, autoriza a interpretação de que a hedge é desnecessária e, por consequência, sua perda, indedutível nos termos do art. 396, caput, do RIR/99. Observese que, ao contrário do que diz a recorrente em memorial complementar formulado após a apresentação deste voto na reunião de julgamento de março/2013, não se trata, aqui, de questionar a natureza de proteção das operações de hedge, mas sim de apurar como esta proteção se efetivou dentro do grupo empresarial, e se houve a necessidade, e consequente efetivação de hedge em Bolsa. Há evidências de proteção contra oscilações de preços mediante contratação de operações físicas opostas por outras empresas do grupo, as quais não podem ser interpretadas como operações de hedge em bolsa. Recordese, ainda, que nada neste sentido teria sido arguido durante a Fiscalização, na medida em que a contribuinte, ao longo do procedimento fiscal, asseverou que as perdas deduzidas decorreriam de operações de hedge contratadas em Bolsa, e não logrou provar este fato. Ademais, não apontou em seus esclarecimentos a atuação da ADM Trading, de modo a suscitar dúvida na Fiscalização acerca deste outro aspecto subsidiário, mas que passa a ser determinante para aferição da dedutibilidade a partir do momento em que se busca trazer aos autos a prova das operações realizadas. Assim, tais aspectos não representam a abertura de uma nova discussão, mas sim considerações acerca da prova necessária para dedutibilidade dos valores contabilizados. A recorrente também invoca, subsidiariamente, a aplicação do §1° do art. 396 do RIR/99 ou do art. 71 da Lei n° 9.430/96, com vistas a legitimar perdas decorrentes de operações de hedge realizadas fora de Bolsa. O § 1° do art. 396 do RIR/99 reflete o cenário legal anterior à alteração introduzida pelo art. 17 da Lei n° 9.430/96, base legal do caput daquele artigo regimental. O referido §1° tem fundamento no art. 63 da Lei n°8.383/91 que, reportandose ao art. 6° do Decretolei n° 2.397/87, assim dispunham até o final de 2004 (art. 24 da Lei n° 11.033/2004 revogou o art 63 da Lei n°8.383/91 a partir de 01/01/2005): Decretolei n° 2.397, de 1987: Art. 6° Serão computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica os resultados líquidos obtidos em operações de cobertura realizadas nos mercados de futuros, em bolsas no exterior, iniciadas a partir de 1° de janeiro de 1988. 1° No caso de operações que não se caracterizem como de cobertura, para efeito de apuração do lucro real os lucros obtidos serão computados e os prejuízos não serão dedutíveis. 2° O Poder Executivo expedirá instruções para a apuração do resultado líquido, sobre a movimentação de divisas relacionadas com essas operações, e outras que se fizerem necessárias à execução do disposto neste artigo. Lei n°8.383, de 1991 Art. 63. O tratamento tributário previsto no art. 6° do DecretoLei n° 2.397, de 21 de dezembro de 1987, aplicase, também, às operações de cobertura de Fl. 25699DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.700 50 riscos realizadas em outros mercados de futuros, no exterior, além de bolsas, desde que admitidas pelo Conselho Monetário Nacional e desde que sejam observadas as normas e condições por ele estabelecidas. Segundo a recorrente, a Resolução CMN n° 2.012/93 autorizaria a dedução de perdas desde que se trate de operações de hedge vinculadas a operações reais e efetivas de revenda de soja e que sigam rigorosamente os parâmetros de mercado. Referida Resolução, revogada a partir de 19/09/2005 pela Resolução CMN n°3.312/2005, assim dispunha: Art. 10. Permitir que as entidades do setor privado realizem, no exterior, com Instituições financeiras ou em bolsas, operações destinadas a proteção ("hedge") contra o risco de variações de taxas de juros, de paridades entre moedas e de preços de mercadorias, no mercado internacional. Parágrafo 1°. As operações de que se trata pautarseão pelos parâmetros vigentes no mercado internacional, podendo o Banco Central do Brasil, a seu exclusivo critério, exigir compensação cambial suficiente para elidir os efeitos das operações que se mostrarem dissonantes do objetivo previsto ou celebradas fora daqueles parâmetros, sem prejuízo da aplicação das sanções porventura cabíveis. Parágrafo 2°. As operações que se vinculem a direitos e obrigações registradas, ou sujeitas a registro, no Banco Central do Brasil/Departamento De Capitais Estrangeiros (FIRCE) estarão igualmente sujeitas a registro, o qual poderá ser efetuado após a respectiva contratação. [...] Art. 3°. Observado o disposto no art. 10, parágrafo 1°, desta resolução, fica reduzido em 100% (cem por cento) o valor do imposto de renda que incida sobre remessas ao exterior, desde que, comprovadamente, se caracterizem como necessárias, usuais e normais, inclusive quanto ao seu valor, à realização da cobertura de riscos de variações, no mercado internacional, de taxas de juros, de paridades entre moedas e de preços de mercadorias, e/ou delas decorram, obedecida a regulamentação pertinente. Art. 4°. Fica delegada competência ao Banco Central do Brasil para adotar as medidas e baixar as normas necessárias à execução do disposto nesta resolução. Art. 5°. Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação. Art. 6°. Ficam revogadas as resoluções ri% 272, de 17.12.73, 1.203, de 30.10.86, e 1.921, de 30.04.92. (negrejouse) Como se vê, as operações de hedge cogitadas na Resolução CMN n° 2.012/93 seriam aquelas realizadas junto a instituições financeiras, circunstância aqui não verificada. Imprópria, assim, a alegação da recorrente. Quanto ao art. 71 da Lei n° 9.430/96, há que se ter em conta sua redação na forma da Lei n° 10.833/2003: Art.71. Sem prejuízo do disposto no art. 74 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, os ganhos auferidos por qualquer beneficiário, inclusive pessoa jurídica isenta, nas demais operações realizadas em mercados de liquidação futura, fora de bolsa, serão tributados de acordo com as normas aplicáveis aos ganhos líquidos auferidos em operações de natureza semelhante realizadas em bolsa. §1° Não se aplica aos ganhos auferidos nas operações de que trata este artigo o disposto no §1° do art. 81 da Lei n°8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 2º Somente será admitido o reconhecimento de perdas nas operações registradas nos termos da legislação vigente. (Redação dada pela Lei n° 10.833, Fl. 25700DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.701 51 de 2003) (negrejouse) Assim, não bastasse a oposição que a recorrente se antecipa a questionar de que o referido dispositivo legal (art. 71), ao assegurar a dedutibilidade das perdas auferidas nas operações realizadas em mercado de liquidação futura fora de Bolsa, não teria explicitado que tal regra também seria aplicável às operações realizadas no exterior , bem como o fato de o referido dispositivo legal apenas se prestar a equivaler a tributação de ganhos auferidos dentro ou fora da bolsa, vêse que, de toda sorte, somente seriam dedutíveis perdas nas operações registradas nos termos da legislação vigente, quais sejam, operações em bolsa ou em instituições financeiras como antes exposto. Foram estas as razões expostas na Resolução n° 1101000.077 para concluir pela conversão do julgamento em diligência para que a autoridade lançadora: · Sob a premissa inicial de que todas as operações contabilizadas como sendo de hedge seriam necessárias e dedutíveis: 1) analise os elementos trazidos pela recorrente como evidências de que os registros junto ao mencionado Sistema VAX existiam e obedeciam a um fluxo operacional sujeito a conciliações periódicas, de modo a assegurar a cobertura de suas operações físicas com commodities; 2) informe a validade dos critérios de auditoria adotados pelas empresas contratadas, e por conseqüência a admissibilidade de seus relatórios para demonstração da regularidade dos valores contabilizados pela contribuinte, ou apure esta regularidade por outros meios que entender e justificar suficientes; 3) aponte divergências que deste exame resultem, identificando as perdas que restarem sem comprovação, e quantificando sua repercussão no crédito tributário lançado; · Sob a premissa final de que somente as operações de hedge realizadas em bolsa ensejam perdas dedutíveis, promova as verificações acima requeridas, mas identifique as perdas correspondentes a operações de hedge efetivamente contratadas junto à Bolsa de Chicago, sem antes terem sido compensadas com posições opostas apresentadas no mesmo período por outra empresa do Grupo ADM. A partir do primeiro resultado apresentado para a diligência assim requerida esta Relatora entendeu que a autoridade lançadora havia concordado com parte da dedução dos valores glosados. Porém, formulados outros questionamentos acerca das glosas acessórias por meio da Resolução n° 1101000.152, o auditor responsável afirmou discordar integralmente dos valores deduzidos. Tais esclarecimentos, em conjunto, evidenciam que a autoridade fiscal encarregada da diligência não logrou êxito em alcançar a origem dos valores glosados, apesar de a contribuinte ter respondido às intimações que lhe foram dirigidas no curso da diligência. Observase que na execução inicial da diligência, a autoridade fiscal exigiu memórias de cálculo das perdas compensadas e efetivamente contratadas junto à Bolsa de Chicago, bem como posterior explicação detalhada da forma de apuração dos valores apontados nos demonstrativos, além de relatórios mensais das perdas, inicialmente fazendo referência aos relatórios de auditoria apresentados antes da conversão do julgamento em diligência, e depois exigindo que as demonstrativos tomassem como base os registros no Sistema VAX. A resposta de fls. 12915/12916 foi acompanhada de documentos juntados às fls. 13176/17998 e, examinandoos, o auditor responsável questionou as divergências constatadas entre as memórias de cálculo iniciais e os demonstrativos posteriormente apresentados, Fl. 25701DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.702 52 destacando estas ocorrências no Termo de Encerramento de Diligência, no qual também: 1) apontou a falta de apresentação dos valores e documentos relativos às transferências financeiras para a BM&F Chicago; 2) questionou a imparcialidade das auditorias contratadas; 3) afirmou a impossibilidade de auditoria no Sistema VAX por auditoria independente ou pela Receita Federal; 4) destacou que os valores aplicados em hedge na BM&F Chicago são realizados pelo Grupo ADM, não sendo separados por empresas, a inviabilizar um parecer conclusivo sobre os valores informados pelo contribuinte. Concluiu, assim, que não restavam comprovados documentalmente os valores informados pela contribuinte. Contudo, tais obstáculos não são suficientes para imputar à contribuinte a incapacidade de provar a origem dos valores glosados. Inicialmente com referência à falta de apresentação dos valores e documentos relativos às transferências financeiras para a BM&F Chicago, observase que tal exigência constou, de fato, na intimação de fl. 12904 e na reintimação de fl. 12906, nas quais a autoridade acrescentou, ao final do item referente ao valores mensais das perdas correspondentes às operações de hedge efetivamente contratadas junto à Bolsa de Chicago, a necessidade de apresentação dos respectivos documentos de transferência financeira para a Bolsa de Chicago. Ocorre que, depois de pedir prorrogação de prazo, a contribuinte respondeu à intimação mencionando que o fazia em atendimento às solicitações complementares ao Termo de Reintimação Fiscal em referência, formuladas verbalmente em reunião realizada em 08/04/2014. Na sequência, a intimação de fls. 17999 somente pede esclarecimentos acerca das diferenças identificadas nos demonstrativos apresentados durante a diligência, e nada menciona sobre os documentos de transferência que não teriam sido entregues. Por sua vez, na manifestação de inconformidade apresentada contra o segundo relatório de diligência, a contribuinte consignou que: 41. Neste tópico específico convém esclarecer que à época da diligência (em atendimento à Resolução n° 1101000.077), o agente fiscal solicitou documentos que comprovassem a transferência de recursos à Bolsa de Chicago: foram solicitados os comprovantes dos pagamentos de margem efetuados junto a Bolsa de Chicago. [...] 43.Nesse processo, os comprovantes dos pagamentos de margens foram apresentados aos agentes fiscais por ocasião do processo fiscalizatório do ano de 2004. Ou seja, os comprovantes solicitados em atendimento à Resolução n° 1101000.077 já constam dos autos do Processo n° 15586.001637/200901. Portanto, em momento alguma a Requerente deixou de atender o agente fiscal. 44.Ainda, com relação ao processo n° 15586.001638/201081, referente aos anos de 2006 e 2007, não abarcado pela Resolução n° 1101000.077 (e tampouco pela Resolução n° 1101000.152), cumpre esclarecer que os comprovantes de pagamento de margem não foram solicitados por ocasião do processo fiscalizatório e, portanto, não constam dos respectivos autos. 45.O agente fiscal somente solicitou tais documentos no decorrer da primeira diligência (i.e. decorrente, da Resolução n° 1101000.077). 46.Ocorre que a apresentação de tais documentos demandaria um tempo significativo da Requerente: (i) em função do enorme volume de documentos; e (ii) em função da logística, já que tais documentos são mantidos nos EUA. Esse fato foi levado ao conhecimento do agente fiscal, o qual optou por não renovar a solicitação pela apresentação de tais comprovantes. 47.Portanto, evidente que a Requerente não mediu esforços no atendimento das solicitações dos agentes fiscais, seja no processo fiscalizatório, seja nas Fl. 25702DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.703 53 diligências. De fato, na intimação de fls. 823/824 (efls. 431/432) a autoridade lançadora exigiu documentação comprobatória das coberturas das margens dos contratos futuros solicitadas pela Bolsa de Chicago (depósitos ou transferências bancárias, contratos, etc.) relativo ao anocalendário de 2004 (ADMEUA) e, em resposta (fls. 827/829, efls. 435/437), a contribuinte informou apresentar cópias dos comprovantes de transferência bancária (denominados "swifts" conforme linguagem bancaria) — (doc. 3), os quais comprovam a transferência dos recursos financeiros baseados nas posições contratuais da Intimada, resultantes das ordens eletrônicas inseridas em sistema de compras e vendas de posições contratuais de lotespadrão as quais estão devidamente demonstradas nos extratos, mensais de transações do ano de 2004 já entregue a V. Sas. por ocasião do atendimento ao Termo de Início de Diligência n° 251/2009. Os mencionados "swifis", por sua vez, estão capeados como "doc. 3" às fls. 830/857 (efls. 438/464). Quanto ao fato de os valores aplicados em hedge na BM&F Chicago serem realizados pelo Grupo ADM, não sendo separados por empresas, observase na resposta apresentada às fls. 12776/12780 que a segregação foi promovida mediante o critério assim descrito pela contribuinte: Em observância da legislação regulatória dos Estados Unidos da América, o Grupo ADM consolida todas as operações de hedge das suas subsidiárias ao redor do mundo. Essa consolidação é realizada pela ADM Trading, que transfere à ADM Financeira (corretora de valores) as operações de hedge que não foram contrapostas com operações do Grupo ADM, para que sejam executadas junto à Bolsa de Chicago. Para segregar as perdas relativas às operações de hedge que foram consolidadas pela ADM Trading das perdas relativas àquelas que foram executadas junto à Bolsa de Chicago, conforme determinado pelos Termos de Diligência Fiscal, a ADM do Brasil partiu do banco de dados que consolida todos os Relatórios R3838101 e que engloba todas as transações das contas da ADM do Brasil e realizou o seu confronto com todas as transações da ADM Trading executadas junto à Bolsa de Chicago ("Extrato 50321)2. Dessa forma, considerando a sistemática de liquidação das operações descrita acima, a partir desse confronto concluise que as perdas decorrentes de transações de mesmo produto, Mês de Entrega e preço em determinado dia, constantes de ambos os documentos (Relatório R383810 e Extrato 5032) foram negociadas junto à Bolsa de Chicago. Referido critério não foi confrontado pela Fiscalização e, do ponto de vista lógico, apresentase razoável, pois para negarlhe validade seria necessário, por exemplo, demonstrar que dentre as posições compensadas, aquela que remanesceu dependente de cobertura não corresponderia à posição posta pela empresa brasileira, mas sim a outra posição idêntica apresentada por empresa do grupo situada em outro país, que da aplicação do critério adotado resultou compensada com outra posição oposta. Ainda, quanto à confiabilidade dos relatórios produzidos nas auditorias contratadas pela contribuinte, cabe destacar que na Resolução n° 1101000.077 requereuse informação acerca da validade dos critérios de auditoria adotados pelas empresas contratadas, e por consequência a admissibilidade de seus relatórios para demonstração da regularidade dos valores contabilizados pela contribuinte ou, então, a apuração desta regularidade por outros meios que entender e justificar suficientes, especialmente porque está evidente o volume significativo de operações realizadas pela contribuinte e os múltiplos registros contábeis decorrentes da cobertura rotineiramente praticada, sujeita a variações periódicas. Assim, se a autoridade fiscal não vislumbra nos trabalhos realizados pelas auditorias contratadas nada que possa ser aproveitado Fl. 25703DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.704 54 para otimizar a confirmação das operações alegadas, cumprelhe exigir da contribuinte os relatórios individualizados das operações junto ao sistema VAX para confronto com as perdas e ganhos contabilizados no período autuado, bem como para identificação das operações que foram compensadas e das que receberam cobertura em Bolsa, ensejando variações que integraram os valores pagos à Bolsa. Acrescentese que a autoridade fiscal afirma a impossibilidade de auditoria do Sistema VAX mas, como observa a contribuinte à fl. 18188, não dá qualquer explicação minimamente razoável acerca da natureza dessa impossibilidade, permitindose vislumbrar a possibilidade de relatórios serem gerados sob declaração de sua veracidade pelo sujeito passivo, além da vinculação de seus registros às contratações de compra e venda futura que a contribuinte certamente documentou em suas relações com terceiros, viabilizando conferências, ainda que por amostragem, dos registros eletrônicos das posições opostas objeto de hedge. Recordese, ainda, que o Decreto n°8.506, de 2015, permite a troca de informações entre Brasil e Estados Unidos da América, de forma que a intervenção de entidades situadas naquele Estado estrangeiro não pode ser óbice às investigações. Por fim, a autoridade fiscal também produziu análises comparativas entre os valores totais apresentados nos demonstrativos elaborados pela contribuinte no curso da diligência fiscal, as quais poderiam, apenas, resultar no desprezo, pela autoridade fiscal, das consolidações promovidas pela contribuinte, sem dispensarlhe da análise dos relatórios de operações e da produção de suas próprias consolidações. Desnecessário, assim, abordar os questionamentos formulados pela contribuinte para demonstrar que não existe padrão numérico esperado para as comparações selecionadas em razão das inúmeras variáveis que influenciam suas atividades. Observese, ainda, que no voto condutor da Resolução n° 1101000.152 foram exigidos esclarecimentos acerca da repercussão atribuída pela autoridade fiscal à glosa de variações monetárias, juros e comissões. E, em sua segunda manifestação, a autoridade fiscal recompôs os cálculos para proporcionalizar o valor destes acessórios à comprovação do principal alegada pela contribuinte. Frente a tais circunstâncias, importa esclarecer que tal cálculo proporcional somente poderia ser admitido se devidamente justificada a impossibilidade de se estabelecer a correlação direta entre os acessórios glosados e as perdas que eventualmente venham a ser comprovadas. Esclareçase, também, que o requerimento de perícia apresentado na manifestação de fls. 18180/18241 não merece deferimento, na medida em que a interessada não apresentou quesitos que demandem conhecimento técnico distinto daquele detido pela autoridade fiscal. As análises propostas têm em conta o fluxo operacional do qual resultou os registros no sistema VAX para cobertura das operações fisicas com commodities, bem como a apuração das perdas decorrentes de operações de hedge efetivamente contratadas junto à Bolsa de Chicago, bem como das correspondentes despesas com variações cambiais e juros. De outro lado, nada impede a contribuinte de requerer aos peritos indicados a produção de laudos técnicos acerca dos quesitos abaixo colocados para apuração pela autoridade fiscal, ou mesmo constituílos como seus representantes legais para se manifestarem durante a continuidade da diligência. Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de novamente CONVERTER o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal competente apure a regularidade dos valores contabilizados, ainda que por amostragem devidamente justificada, mediante: 1) identificação das operações que demandaram cobertura no período fiscalizado; 2) avaliação do fluxo operacional para concretização das operações de hedge em Bolsa de modo a confirmar se as perdas registradas guardam correspondência com a variação de preços ali verificadas; 3) seleção, dentre as perdas vinculadas às operações de hedge demandadas pela contribuinte, das que resultam de operações de hedge efetivamente levadas à Bolsa, identificadas a partir dos relatórios que detalham as transferências financeiras devidas e pagas à instituição com a qual foram contratadas as operações de hedge; 4) quantificação do valor das perdas decorrentes do total de Fl. 25704DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.705 55 operações de hedge ordenadas pela contribuinte e do valor das perdas vinculadas a operações efetivamente levadas à Bolsa; e 5) definição da repercussão desta classificação de perdas nos registros acessórios de variação cambial, comissões e juros. Ao final dos trabalhos a autoridade fiscal deve produzir relatório circunstanciado, descrevendo suas análises e conclusões daí resultantes, dele cientificando a interessada, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa. Idênticas providências se fazem necessárias em relação às exigências aqui formalizadas, correspondentes aos anoscalendário 2006 e 2007, mas destacandose, especificamente em relação aos registros acessórios de variação cambial, comissões e juros, a da América, de forma que a alegação da contribuinte, em sua manifestação diante da diligência promovida, que não foram procedidas às análises relativas a juros e variação cambial para os anos de 2006 e 2007, diferentemente do que fez em relação ao ano de 2004, apesar de tais despesas acessórias terem sido integradas aos resultados glosados. De fato, na segunda diligência requerida nestes autos, frente a ausência de especificação, nos valores glosados, das parcelas correspondentes às despesas acessórias em referência, não foram aqui reproduzidos os questionamentos acerca dos critérios adotados pela autoridade fiscal encarregada da diligência para determinação dos valores que poderiam ser admitidos em caso de comprovação das perdas com hedge. Assim, frente à demonstração à fl. 24861 das parcelas de variação cambial, juros, comissão e corretagem que também integrariam os valores glosados em 2006 e 2007, necessário se faz afirmar, também aqui, necessidade de que, a partir da identificação da natureza das perdas contabilizadas pela contribuinte, seja demonstrada a repercussão desta classificação nos registros acessórios referidos, caso efetivamente incluídos nos valores glosados de 2006 e 2007. Ainda, com referência aos questionamentos anteriores acerca dos saldos de prejuízos fiscais e bases negativas detidos pela contribuinte, cumpre reiterar as verificações antes solicitadas, na medida em que os prejuízos acumulados em balanço patrimonial não se prestam como limitadores do direito à compensação. Nos termos do art. 262, inciso III, os registros de controle de prejuízos fiscais a compensar são mantidos no LALUR, e têm por referência o resultado contábil ajustado pelas determinações específicas da legislação de regência do IRPJ e da CSLL, devendo refletir, inclusive, os efeitos de lançamentos tributários que alterem a apuração originalmente informada pelo sujeito passivo em DIPJ. Assim, para cumprir a requisição veiculada na diligência anterior se os prejuízos e bases negativas disponíveis no LALUR da contribuinte correspondem, de fato, às apurações por ela declaradas em períodos anteriores, e se estas não foram alteradas em razão de procedimentos fiscais passados cabe à autoridade fiscal confrontar os registros do Sistema de Acompanhamento de Prejuízos e Lucro Inflacionário SAPLI com as DIPJ apresentadas pelo sujeito passivo, avaliar os efeitos de eventuais declarações retificadoras, bem como identificar se houve alterações decorrentes de lançamentos tributários, informando a data de formalização destes e traçando em demonstrativos a evolução, a cada período de apuração, dos prejuízos e bases negativas, comparando as informações do sujeito passivo e aquelas extraídas dos sistemas de controle da RFB. Tal análise deve ser promovida desde o primeiro período de apuração no qual a contribuinte indica ter apurado prejuízo fiscal ou base negativa integrante do saldo que entende dispor para compensação. Ao final, foi proposta nova diligência (resolução n.º 1302000.428, fls. 24.993 e segs dos autos) para que autoridade fiscal esclarecesse os seguintes pontos, litteris: a) Apure a regularidade dos valores contabilizados, ainda que por amostragem devidamente justificada, mediante: 1) identificação das operações que demandaram cobertura no período fiscalizado; 2) avaliação do fluxo operacional para concretização das operações de hedge em Bolsa de modo a confirmar se as Fl. 25705DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.706 56 perdas registradas guardam correspondência com a variação de preços ali verificadas; 3) seleção, dentre as perdas vinculadas às operações de hedge demandadas pela contribuinte, das que resultam de operações de hedge efetivamente levadas à Bolsa, identificadas a partir dos relatórios que detalham as transferências financeiras devidas e pagas à instituição com a qual foram contratadas as operações de hedge; 4) quantificação do valor das perdas decorrentes do total de operações de hedge ordenadas pela contribuinte e do valor das perdas vinculadas a operações efetivamente levadas à Bolsa; e 5) definição da repercussão desta classificação de perdas nos registros acessórios de variação cambial, comissões e juros; b) Verifique se os prejuízos e bases negativas disponíveis no LALUR da contribuinte correspondem, de fato, às apurações por ela declaradas em períodos anteriores, e se estas não foram alteradas em razão de procedimentos fiscais passados, mediante: 1) identificação dos prejuízos fiscais e bases negativas integrantes do saldo que a contribuinte entende dispor para compensação, de modo a determinar o período de apuração inicial das análises; 2) confronto entre os registros do SAPLI e as DIPJ apresentadas pelo sujeito passivo, com avaliação dos efeitos de eventuais declarações retificadoras; 3) identificação de eventuais alterações dos prejuízos fiscais ou bases negativas em razão de lançamentos tributários, informando a data de formalização destes e o seu estágio atual, caso contestado; e 4) demonstração da evolução, a cada período de apuração, dos prejuízos e bases negativas, comparando as informações do sujeito passivo e aquelas extraídas dos sistemas de controle da RFB. Após proposta a diligência, a autoridade fiscal devolveu o Termo de Diligência Fiscal com as seguintes análises sobre os tópicos propostos: Respostas ao Item “a” (fls. 25251 e segs) 1) Identificação das operações que demandaram cobertura no período fiscalizado Não é possível realizar a identificação das operações da ADM do Brasil que demandam a cobertura de hedge, pois a sistemática de consolidação das operações de hedge do “nível D” (operações diárias), para o “nível A” (consolidação mensal), se dá através de operações internas no Sistema VAX, onde o mesmo consolida as operações de hedge inseridas pelas subsidiárias do Grupo ADM (inclusive Brasil), as quais são segregadas/direcionadas em contas de nível centralizador da ADM Trading (contas mensais de nível D). 2) Avaliação do fluxo operacional para concretização das operações de hedge em Bolsa a confirmar se as perdas registradas guardam correspondência com a variação de preços ali verificadas A fiscalização considera inviável afirmar se as perdas registradas guardam correspondência com a variação de preços ali verificada. Tal avaliação somente será possível através da contratação de um perito/auditoria independente a ser realizada nas conciliações realizadas Fl. 25706DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.707 57 pelo sistema VAX (ADM Investor Services), pois caso contrário não há como realizar auditoria de todo fluxo operacional, desde as perdas/ganhos pela ADM Brasil até a aplicação de hedge pela ADM Investor na Bolsa de Chicago. Conforme descrito no item anterior, a sistemática de consolidação das operações de hedge do "nível D" (operações diárias), para o "nível A" (consolidação mensal), se dá através de operações internas no Sistema VAX, onde o mesmo consolida as operações de hedge inseridas pelas subsidiárias do Grupo ADM (inclusive Brasil), as quais são segregadas/direcionadas em contas de nível centralizador da ADM Trading (contas mensais de nível D), isto é, uma caixa preta onde entram dados/informações de todas as subsidiárias da ADM pelo mundo, inviabilizando a análise da correspondência de preços praticados pela ADM Brasil e as operações na Bolsa de Chicago. 3) Seleção, dentre as perdas vinculadas às operações de hedge demandadas pela contribuinte, das que resultam de operações de hedge efetivamente levadas à Bolsa, identificadas a partir dos relatórios que detalham as transferências financeiras devidas e pagas à instituição com a qual foram contratadas as operações de hedge A seleção solicitada pelo CARF não é viável, pois conforme fluxo apresentada no item anterior, no momento em que as ordens são conciliadas através de operações internas no Sistema VAX, com informações das subsidiárias do Grupo ADM (inclusive Brasil), esta sequência de informações se perde, não havendo possibilidade de seguir as operações da ADM do Brasil. 4) Quantificação do valor das perdas decorrentes do total de operações de hedge ordenadas pela contribuinte e do valor das perdas vinculadas a operações efetivamente levadas à Bolsa Na diligência encerrada em 10/06/2015 (fls. 18.100/18.107), já havia sido apurado pela fiscalização os Demonstrativos dos Resultados de Exercício dos anos de 2004 (auto de infração – processo 15586.001637/200901), 2006 e 2007 (auto de infração – processo 15586.001638/201081), dos quais apresentamos os valores apurados pela fiscalização, inclusive com o aproveitamento dos prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da contribuição social. Em seguida, apresentou as Demonstrações dos resultados de 2004,2006 e 2007. Respostas ao Item “b” (fls.25346 e segs) 1) Identificação dos prejuízos fiscais e bases negativas integrantes do saldo que a contribuinte entende dispor para compensação, de modo a determinar o período de apuração inicial das análises: Fl. 25707DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.708 58 Em consulta à parte B do LALUR, anocalendário 2003, apresentado em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 5 (28/09/2016), verificamos o seguinte histórico de prejuízos acumulados: Em consulta ao Sistema SAPLI, verificamos que o contribuinte sofreu fiscalizações externas, às quais alteraram os prejuízos fiscais dos anoscalendário 2000, 2001 e 2002. Abaixo apresentamos as alterações dos prejuízos fiscais e bases negativas relativas às fiscalizações externas: Diante do já exposto, o início das análises será no anocalendário de 1999. 2) Confronto entre os registros do SAPLI e as DIPJ apresentadas pelo sujeito passivo, com avaliação dos efeitos de eventuais declarações retificadoras; Segue o comparativo entre as DIPJ apresentadas e os registros do sistema SAPLI. Obs: Houve apenas uma declaração retificadora, referente ao ano calendário de 2001, porém a mesma não alterou o Lucro Real do Exercício. Fl. 25708DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.709 59 3) Identificação de eventuais alterações de prejuízos fiscais ou bases negativas em razão de lançamentos tributários, informando a data de formalização destes e o seu estágio atual, caso contestado; 4) Demonstração da evolução, a cada período de apuração, dos prejuízos e bases negativas, comparando as informações do sujeito passivo e aquelas extraídas dos sistemas de controle da RFB Divergências Lucro/Prejuízo no Ano: Divergências Saldos Acumulados Das constatações presentes no Termo acima descrito a Recorrente manifestou se conforme as conclusões expostas à seguir em relação ao item “a”: Fl. 25709DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.710 60 a. O Sr. Auditor Fiscal reconhece o cabimento do fluxo operacional da colocação de operações de hedge na Bolsa; b. O Sr. Auditor Fiscal não considerou o trabalho realizado pela KPMG, o qual levantou minunciosamente relação de operações físicas realizadas pela Requerente nos anos de 2004, 2006 e 2007; c. O Sr. Auditor Fiscal considerou ser impossível a análise do fluxo das operações de hedge. Desconsiderou todos os documentos juntados aos autos, inclusive relatório da EY. Tampouco apresentou elementos, argumentos ou documentos (estes acessíveis, inclusive, por meio do Decreto n°8.506 de 2015, que permite a troca de informações entre o Brasil e os Estados Unidos da América) que justifiquem a sua decisão; d. Dada a natureza operacional das despesas com perdas de hedge, não havendo possibilidade de seguir as operações da ADM do Brasil, as ordens enviadas ao Sistema VAX devem ser consideradas enviadas diretamente em bolsa no exterior, pois ao colocar as ordens no sistema VAX a Requerente insereas em sistema regulado e fiscalizado pela Bolsa. e. As conclusões do Sr. Auditor Fiscal são, no mínimo, contraditórias quanto aos montardes glosados (por vez há o reconhecimento de acesso direto em Bolsa, por vez todas as perdas são glosadas). Outrossim, os trabalhos mostramse incompletos, se considerada a falta de análise da movimentação dos saldos de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL; f. Em que pese o Sr. Auditor Fiscal ter emitido Termo de Diligencia relativo ao Processo Administrativo n° 15586.001638/201081, o mesmo não se pronunciou adequadamente acerca dos questionamentos específicos a tal processo administrativo: restringiu as análises à utilização de método inconsistente (proporcionalização), sem base na vasta documentação juntada ao longo do processo; e g. Pelo todo exposto, resta evidente que esta C. Turma não tem medido esforços para o esclarecimento dos fatos que envolvem o presente caso. Na busca pela verdade material, esta C. Turma determinou três vezes a conversão de julgamento em diligencia, em outras palavras, concedeuse ao Sr. Auditor Fiscal três oportunidades para fundamentar materialmente o seu lançamento. Por três vezes o Sr. Auditor Fiscal se declarou inapto a apresentar qualquer contestação aos argumentos apresentados pela Requerente ao longo dos processos. Quanto ao Termo Diligência, 2ª parte, a recorrente assim se pronunciou (fls.25353 e segs.): 16. A Requerente entende que a modificação do prejuízo fiscal acumulado, relativo ao anocalendário de 2003, da forma como pretendeu o Sr. Agente Fiscal quando da comparação entre o LALUR e a DIPJ com o SAPLI não Fl. 25710DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.711 61 merece prosperar, pelos motivos que se passa a expor. 17. Primeiramente, cabe salientar que, conforme se nota do quadro constante do Termo de Verificação Fiscal relativo ao Auto de Infração lavrado para o anocalendário de 2004, a fiscalização considerou o valor de R$ 49.958.734,30 a título de compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL. Do mesmo modo, em relação ao anocalendário de 2006, o Termo de Verificação Fiscal considerou o valor de R$ 34.344.813,68 a título de compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL. 18. No entanto, quando da elaboração do Termo de Encerramento de Diligência, datado de 04.06.2014 (primeira diligência determinada pelo CARF), o Sr. Agente Fiscal alterou o valor da compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL para R$ 106.822.505,15 em relação ao anocalendário de 2004 e para zero em relação ao anocalendário de 2006. Ora, notase que, desde então, o Sr. Agente Fiscal mostrase desatento quanto à recomposição do prejuízo fiscal e da base negativa da Requerente. De todo modo, esta modificação no valor da compensação foi mantida pelo Sr. Agente Fiscal quando da elaboração dos Termos de Encerramento de Diligência, datados de 10.06.2015 (segunda diligência determinada pelo CARF) e de 19.06.2016 (terceira diligência determinada pelo CARF). 19. Apenas quando da emissão do Termo de Encerramento de Diligência 2a Parte, ora combatido, é que o Sr. Agente Fiscal apresentou a memória de cálculo e a abertura do SAPLI com relação à diferença entre valor do prejuízo fiscal acumulado, relativo ao anocalendário de 2003, por ele apurado (R$ 106.822.505,15), e aquele apurado pela Requerente (R$ 283.541.712,85). 20. De acordo com o referido Termo, tal diferença pautase exclusivamente nas informações constantes dos registros eletrônicos do SAPLI, sem realizar qualquer análise aprofundada acerca da exatidão ou não dos registros. 21. Nesse sentido, com a devida vênia, a divergência de valores com base no simples cruzamento de informações efetuado por sistemas eletrônicos, sem qualquer aprofundamento da investigação sobre a origem das supostas divergências, contraria os Princípios da verdade material e da legalidade, que, frise – se, são pilares da administração Pública. 22. Conforme se demonstrará a seguir, não houve qualquer procedimento prévio a fim de verificar se os dados indicados no SAPLI indicam a realidade dos fatos. 23. Vale ressaltar que a realização de lançamento tributário pautado exclusivamente em informações constantes do SAPLI, sem a devida investigação sobre a correção dessas informações, é amplamente condenada no âmbito do CARF, conforme se verifica dos julgados abaixo: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ano calendário: 2000 REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. ATIVIDADE RURAL. DIPJ. SAPLI. INCERTEZA NA APURAÇÃO. Ante a incerteza gerada no lançamento, por falta de prova e de adequada demonstração, pelo fisco, de que os sistemas internos da Receita Federal refletiam adequadamente a natureza e os valores dos prejuízos fiscais declarados pelo contribuinte ao longo do tempo, devese cancelar o lançamento que tinha por objeto a glosa de compensação de prejuízos por suposta insuficiência de saldo de prejuízos passíveis de Fl. 25711DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.712 62 compensação." (CARF, Acórdão n°1201001258, de 19.01.2016 g.n) "PREJUIZO FISCAL ERRO COMPROVADO NO SAPLI o lançamento tributário baseado unicamente no SANT que se provou errado, insubsiste. O SAPLI acusou lucro no ano de 1989, porém, o valor era de prejuízo, comprovado pela coesão das demonstrações financeiras publicadas, DIRPJ do ano de 1989 e LALUR." (CARF, Acórdão n° 180300.105, de 28.07.2009 g.n) 24. Portanto, para que o Fisco possa desconsiderar o saldo de prejuízo fiscal e base negativa da Requerente, deveria ter comprovado, por meios seguros e irrefutáveis, a incorreção destes, como preceituam os Princípios da verdade material, da motivação e da legalidade. 25. De todo modo, para que não haja dúvidas acerca da correição do controle de prejuízo fiscal e base negativa da CSLL, a Requerente passa a contrapor as divergências apontadas pelo Sr. Agente Fiscal, haja vista que a modificação do saldo de prejuízo fiscal e de base negativa pretendida com base nos processos administrativos apontados pelo SAPLI não procede. 26. Para maior clareza, confirase, abaixo, breve resumo dos processos administrativos e o apontamento do motivo pela não procedência das divergências apontadas pelo Sr. Agente Fiscal. B.1) Do Processo Administrativo n° 15578000.355/200716 — Trânsito em Julgado 27. De acordo com o Termo de Encerramento de Diligência — 2 Parte, o processo administrativo n° 15578000.355/200716, cujo número constante do Termo está equivocado, uma vez que este indica que o número do processo é 14578000.355/200716 sendo que o número correto é 1578 000.355/200716, está pendente de julgamento de Recurso Especial. No entanto, como se verá a seguir, este processo já foi encerrado com acórdão do CARF favorável à Requerente, sendo que não houve interposição de Recurso Especial contra esta decisão pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ("PGFN"). Confirase anexas, suas principais peças (Doc. 01). 28. Em suma, tratase de Auto de Infração lavrado para a cobrança de IRPJ e CSLL em relação ao anocalendário de 2002, sob a alegação de que a Requerente teria recebido investimento direto ao invés de empréstimo da pessoa jurídica não residente denominada ADM Investments Ltd., uma vez que o principal não teria sido restituído. Assim, a fiscalização entendeu que a Requerente não estaria sujeita a variações cambiais passivas e glosou a despesa financeira de variação cambial passiva do anocalendário de 2002. 29. No entanto, em sede de defesa administrativa, a Requerente comprovou que, na realidade, tratavase de empréstimo e não de investimento direto e que, muito embora tenha havido a prorrogação do prazo de vencimento do empréstimo, posteriormente, houve a liquidação deste em dinheiro pela Requerente. 30. Em 27.08.2014, o CARF deu provimento integral ao Recurso Voluntário da Requerente, no sentido de que houve a comprovação da natureza do mútuo celebrado, inclusive com a comprovação do posterior pagamento do valor avençado, devendo ser reconhecida a variação cambial passiva para fins de IRPJ e CSLL. A PGFN não apresentou Recurso Especial contra esta Fl. 25712DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.713 63 decisão, sendo o crédito tributário integralmente extinto, conforme consta do extrato de encerramento do processo anexo (Doc. 02). 31. Desse modo, a informação constante do Termo de Encerramento de Diligência de que este processo estaria aguardando julgamento de Recurso Especial está equivocada, restando comprovado o encerramento deste processo. Portanto, a modificação de prejuízo fiscal e base negativa reativa ao ano calendário de 2002 constante do SAPLI e apontada pelo Sr. Agente Fiscal não procede. B.2) Do Processo Administrativo n° 15578000.096/200723 Pendente de Decisão Final 32. De acordo com o Termo de Encerramento de Diligência — 2ª Parte, o processo administrativo n° 15578000.096/200723 consta como pendente de julgamento de Recurso Especial. 33. Tratase de processo administrativo decorrente de pedidos de compensação ("DCOMP") com crédito de saldo negativo de 1RPJ e base negativa de CSLL, relativo aos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003. 34. O pedido de compensação foi parcialmente homologado com base no Parecer SEORT n° 1.401, de 09.11.2007. De acordo com o despacho decisório, parte do crédito foi reconhecido, no valor de R$ 81.793.814,47, referente ao saldo negativo de 1RPJ apurado nos anoscalendário de 2002 e 2003. No entanto, tal crédito não era suficiente para a compensação dos débitos, de modo que o saldo devedor foi objeto de cobrança. 35. A maior parte do crédito de saldo negativo não homologado é decorrente da apropriação da variação cambial passiva, relativa ao contrato de mútuo firmado com lnvestments Ltd., haja vista que foi considerado como investimento direto pela fiscalização, do mesmo modo como o empréstimo havia sido desconsiderado pela fiscalização no processo administrativo nº 15578000.355/200716, acima mencionado. 36. Em 26.08.2014, o CARF julgou o Recurso Voluntário da Requerente parcialmente procedente, reconhecendo a dedutibilidade da despesa de variação cambial passiva e indeferindo apenas uma divergência de imposto de renda retido na fonte relativa ao anocalendário de 2002 e a não aplicação de multa de mora em relação ao crédito de CSLL de março de 2004. 37. A PGFN interpôs Recurso Especial contra essa decisão, em 16.06.2015, o qual foi admitido pelo CARF, em 30.09.2016, e atualmente está pendente de julgamento. Confirase anexas, as principais peças desse processo administrativo e o seu andamento atualizado (Doc. 03). 38. Muito embora o Sr. Agente Fiscal pretenda modificar o saldo de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL da Requerente com base neste processo ainda pendente de julgamento, tal modificação não merece prosperar. Isso porque os efeitos das eventuais reduções do prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL oriundas desse processo administrativo estão condicionados à decisão definitiva proferida nos respectivos autos. Isso significa que, apenas com decisão final nesse processo administrativo, será possível verificar se a utilização dos prejuízos fiscais e bases negativas procede ou não. Fl. 25713DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.714 64 39. Ora, é inegável que, caso a defesa apresentada pela Requerente seja julgada improcedente, o efeito será a redução do prejuízo fiscal e da base negativa dos períodos correspondentes, o que, de fato, poderá impactar na apuração de 2003. Por outro lado, caso a defesa seja julgada procedente — como, frisese, já ocorreu de forma parcial em sede de Recurso Voluntário neste processo, e de forma integral no processo n° 15578000.355/200716, que tratava da mesma discussão, o efeito será a não afetação do prejuízo fiscal e da base negativa do período correlato e, por consequência, não haverá qualquer alteração do saldo de prejuízo fiscal e base negativa utilizado no ano calendário de 2003. 40. Nesse sentido, estabelecem os artigos 116, II, e 117, I, do CTN, que, na hipótese de ato jurídico sujeito à verificação de uma condição suspensiva, o fato gerador ocorre apenas com o implemento da referida condição. Confirase: (...) 41. De fato, anteriormente ao implemento da condição — in casu, o trânsito em julgado do processo administrativo que enseja a reapuração dos saldos de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL , não há que se falar em mudança do saldo destes. 42. Seguindo essa mesma linha de raciocínio, o CARF, por diversas vezes, já teve a oportunidade de decidir pela inexistência de obrigação tributária enquanto a condição suspensiva ainda não tiver sido implementada. Confira se: "IRPJ. GANHO DE CAPITAL. FATO GERADOR. CONDIÇÕES SUSPENSIVAS VERIFICADAS. Verificada a existência de condições suspensivas no contrato, a antecipação dos valores pela promitente compradora é apenas uma expectativa de direito. A incorporação desse direito ao patrimônio da pessoa jurídica está condicionado à implementação das condições suspensivas. Corno a condição suspensiva pactuada impede que o negócio jurídico produza seus efeitos (enquanto não ocorrido o evento a que sua eficácia ficou subordinado), não há que se falar em obrigação tributária decorrente e muito menos em postergação no recolhimento dos tributos. Equívoco na apuração do ganho de capital por parte da fiscalização, ensejando o cancelamento do Auto de Infração. CSLL E LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase ao lançamento de CSLL a mesma sorte do IRPJ acima exposto." (Acórdão CARF n°1401001.115, de 11.02.2014 g.n) "FATO ECONÔMICO QUE AFASTOU BENEFÍCIO TRIBUTÁRIO SOBRE OPERAÇÃO DE EMPRÉSTIMO EXTERNO INCIDÊNCIA DE IRRF SOBRE FUTURAS REMESSAS PARA O EXTERIOR PRAZO DECADENCIAL TRIBUTÁRIO CONTADO A PARTIR DA DATA DO FATO ECONÔMICO IMPOSSIBILIDADE PRAZO DECADENCIAL CONTADO A PARTIR DE CADA FATO GERADOR (...) Nessa linha, o Código Tributário Nacional, quando regula os atos ou negócios jurídicos com condição suspensiva, determina que a tributação incidirá quando do implemento da condição. Assim, independentemente de quando foi perpetrado o ato ou negócio jurídico condicional, a tributação atingirá os futuros efeitos quando da implementação da condição suspensiva, iniciando, Fl. 25714DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.715 65 aqui, a contagem do prazo decadencial." (Acórdão CARF n° 340100092, de 01.06.2009 — g.n) "NEGÓCIO JURÍDICO. CONDIÇÃO SUSPENSIVA. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. Em conformidade com o Código Tributário Nacional, os atos ou negócios jurídicos condicionais reputamse perfeitos e acabados, sendo suspensiva a condição, desde o momento de seu implemento." (Acórdão CARF n° 1301002.000, de 03.05.2016 g . n) 43. Ou seja, aplicandose tal entendimento ao caso concreto, é possível concluir que não há que se falar em mudança no saldo de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL enquanto a decisão do processo administrativo n° 15578000096/200723 não for proferida de forma definitiva e desfavorável à Requerente. Desse modo, a recomposição do prejuízo fiscal e da base negativa da CSLL para o anocalendário de 2001 não merece prosperar. B.3) Do Processo Administrativo n° 13811000.080/200190 44. De acordo com o Termo de Encerramento de Diligência — 2a Parte, o processo administrativo n° 13811000.080/200190 se encontra em fase de cobrança na PGFN. No entanto, como se verá a seguir, esta informação, mais uma vez, não procede. 45. Tratase de processo administrativo decorrente de pedido de compensação com crédito de imposto de renda retido na fonte a maior sobre juros de capital próprio, bem como de saldo negativo de IRPJ, relativos ao ano calendário 2000. 46. Durante a fiscalização, verificouse que o saldo negativo era decorrente do reconhecimento de despesa financeira de variação cambial passiva relativa ao contrato de empréstimo firmado com a ADM Investments Ltd. 47. O pedido de compensação não foi homologado com base no Parecer SEORT n° 1.399, de 06.11.2007. Além disso, houve a glosa de variações cambiais passivas, alterando o valor do saldo negativo e apurando IRPJ a pagar, em relação ao anocalendário 2000. Confirase anexas, as principais peças desse processo administrativo (Doc. 04). 48. Após isso, a PGFN inscreveu o débito em dívida ativa, sob as seguintes inscrições de n° 72 2 09 00014305, 72 6 09 00036146 e 72 7 09 00009154. A Requerente discutiu o débito no âmbito judicial, nos autos da execução fiscal n°2009.50.01.0117683, a qual teve trânsito em julgado em 29.10.2014 e baixa por pagamento em 30, 10.2014, haja vista que a Requerente incluiu os débitos discutidos no parcelamento do "Refis da crise", em 2013, conforme comprovantes de pagamento e extrato do processo anexos (Doc. 05). 49. Desse modo, este processo não se encontra em fase de cobrança na PGFN como demonstra o SAPLI, haja vista que já houve o pagamento do crédito tributário e já foi dada baixa no seu pagamento. Tendo em vista o desfecho desfavorável à Requerente apenas quando do trânsito em julgado em 2014, não havia que se falar em alteração do saldo acumulado do ano Fl. 25715DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.716 66 calendário de 2003 antes disso, pelos mesmos motivos expostos no tópico B.2 acima. (...) 51. Desse modo, até o final de 2014, era possível confirmar que, entre os anos de 1999 a 2003, a Requerente apurou prejuízos que ocasionaram a formação do Saldo de Prejuízo Fiscal de R$ 283.541.712 e da Base Negativa da CSLL de R$ 283.634.187 ao final do anocalendário de 2003. Apenas ao final de 2014, após o trânsito em julgado da execução fiscal que discutia o crédito tributário relativo ao processo administrativo n° 13811 000.080/200190, é que se pôde recompor o Saldo de Prejuízo Fiscal para R$ 276.548.108,37 e da Base Negativa da CSLL para R$ 276.640.582 em relação ao anocalendário de 2003. 52. Ou seja, resta cabalmente comprovado que as informações constantes do SAPLI estão equivocadas e que a Requerente possui o Saldo de Prejuízo Fiscal no valor de R$ 276.548.108,00 e bem como a Base Negativa da CSLL no valor de R$ 276.640.582, no anocalendário de 2003, e não no valor de Saldo de Prejuízo Fiscal de R$ 106.822.505,15, conforme pretende o Sr. Agente Fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. Como já relatado, a exConselheira Edeli Pereira Bessa, à época designada para relatoria do presente processo, fixou dois pontos os quais, partindo da análise dos fatos e documentos acostados aos autos, não se pode contestar, estes são: (i) as operações são consideradas como realizadas diretamente em Bolsa, ainda que feitas por terceiros em nome ou por ordem do interessado; e (ii) a inexistência de documento que comprove a transferência de recursos em nome da autuada, para Bolsa de Mercadorias e Futuros de Chicago, não pode representar obstáculo à dedução pretendida. De igual forma, compartilho do entendimento da ex Relatora do processo em que, para adentrarse o mérito objetivando alcançar um satisfatório juízo acerca do tema em questão é necessário que se aprofunde sobre correção dos valores contabilizados, ainda que por amostragem devidamente justificada, sendo os itens anteriormente propostos extremamente elucidativos sobre as informações almejadas. No entanto, a autoridade fiscal não logrou êxito em obter as informações solicitadas, informando apenas que já haviam sido esclarecidos os questionamentos, inclusive os últimos, acerca da viabilidade de algumas auditorias, dos cálculos solicitados e o entendimento desta fiscalização, razão porque nada mais teriam a acrescentar. Não obstante, afirmaram que, agora, caberia a este Conselho, decidir sobre a manutenção (ou não) do auto de infração lançado. Fl. 25716DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.717 67 Assim, cabe ressaltar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, visa a excelência no julgamento dos litígios tributários, estando sujeito – dado seu caráter administrativo – ao princípio da verdade material e devendo ajustar sua decisão aos fatos materialmente verdadeiros, sob pena de o julgamento constituirse verdadeiro ato viciado. Ora, se, no lançamento em análise, para decidirse quanto à procedência da glosa de custos e despesas acessórias deles decorrentes, o julgador entende necessário certificarse sobre a regularidade dos valores contabilizados, ainda que por amostragem devidamente justificada, querse com isso garantir que o ato administrativo final (lançamento) alcance o objetivo cardeal de efetivar os comandos legais nos seus precisos e estritos termos, além de assegurar que o quanto relatado na autuação reflita a realidade material dos fatos ocorridos. Logo, por reclamar o exato enquadramento dos quadrantes da Lei com a realidade dos fatos, uma vez constatados pontos de incerteza nesta última, deverá o julgador fixar os pontos obscuros, incumbindo à autoridade julgadora a obrigação de esclarecêlos, não devendo medir esforços para tanto. Destarte, com relação ao resultado da diligência relativa à identificação das operações que demandaram cobertura no período fiscalizado percebeuse que, apesar da menção ao fluxo operacional da colocação das ordens de hedge no ambiente da bolsa, a autoridade fiscal não fez a imersão necessária sobre os termos constantes dos laudos realizados pela KPMG que levantou a relação de operações físicas realizadas pela recorrente em 2004, 2006 e 2007; além dos contratos de compra e venda de soja em grão, farelo e óleo de soja e controles de estoques das filiais da Requerente, razão pela qual constituise documento essencial para o esclarecimento da questão em debate. Também, ao avaliar o fluxo operacional para concretização das operações de hedge em Bolsa para confirmar se as perdas registradas guardam correspondência com a variação de preços ali verificadas, a fiscalização considerou inviável afirmar se as perdas registradas guardam correspondência com a variação de preços ali verificada, chegando a declarar que o “Sistema VAX”, que realiza a consolidação das operações de hedge, seria uma "caixa preta" onde entram dados e informações de todas as subsidiárias da ADM pelo mundo de modo que inviabiliza a análise da correspondência de preços praticados pela ADM Brasil e as operações na Bolsa de Chicago. Neste quesito, igualmente ao primeiro quesito aqui apontado, o Sr. Auditor Fiscal não apresentou elementos que pudessem sustentar a glosa que motivou o lançamento, ao contrário, declarouse inapto a analisar os documentos apresentados pela Requerente, bem como não se pronunciou sobre o relatório elaborado pela EY, empresa de auditoria que analisou o fluxo operacional da Requerente demonstrando, aliás, ser possível a análise do “Sistema VAX”, ao contrário do que entendeu a autoridade preparadora. Por fim, a autoridade fiscal promoveu alterações no saldo de prejuízo fiscal/base negativa em razão de lançamentos tributários constantes dos processos administrativos n.ºs 15578000.355/200716, 15578000.096/200723 e 13811000.080/200190, aparentemente, de forma indevida, haja vista que em um deles já ocorreu o trânsito em julgado favorável ao contribuinte, outro está aguardando o seu trânsito em julgado no CARF e o último só veio transitar em julgado no anocalendário de 2014, sendo somente neste instante possível promover a devida alteração no prejuízo fiscal/base negativa. Fl. 25717DF CARF MF Processo nº 15586.001638/201081 Resolução nº 1302000.627 S1C3T2 Fl. 25.718 68 Em conclusão, é possível verificar que restam pontos obscuros que foram previamente fixados, porém, ainda não esclarecidos. Portanto, como neste julgamento não se entende adequado tomar decisões que invistam contra o direito de liberdade e direito de propriedade dos contribuintes à partir de premissas que se apresentam obscuras, mas que podem ser esclarecidas, o presente voto é no sentido de, novamente, CONVERTER o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal competente, através da análise de todos os laudos e documentos acostados a estes autos, bem como da determinação da produção de quaisquer outras provas que julgar oportunas, inclusive podendo intimar o contribuinte para esclarecimentos adicionais acerca dos laudos acostados aos autos e/ou solicitar ao contribuinte documentos que entender necessário, afim de se apurar a regularidade dos valores contabilizados, ainda que por amostragem devidamente justificada, mediante: 1) Identificação das operações que demandaram cobertura no período fiscalizado; 2) Avaliação do fluxo operacional para concretização das operações de hedge em Bolsa a confirmar se as perdas registradas guardam correspondência com a variação de preços ali verificadas; 3) Seleção, dentre as perdas vinculadas às operações de hedge demandadas pela contribuinte, das que resultam de operações de hedge efetivamente levadas à Bolsa, identificadas a partir dos relatórios que detalham as transferências financeiras devidas e pagas à instituição com a qual foram contratadas as operações de hedge; 4) Quantificação do valor das perdas decorrentes do total de operações de hedge ordenadas pela contribuinte e do valor das perdas vinculadas a operações efetivamente levadas à Bolsa; 5) Definição da repercussão desta classificação de perdas nos registros acessórios de variação cambial, comissões e juros. 6) Verificar a atual situação dos processos administrativos n.ºs 15578 000.355/200716, 15578000.096/200723 e 13811000.080/200190 e seu impacto no prejuízo fiscal acumulado/base negativa da CSLL acumulada nos anoscalendário de 1999 a 2003, fazendo, caso necessário, os devidos ajustes no SAPLI. Ao final dos trabalhos a autoridade fiscal deve produzir relatório circunstanciado, descrevendo suas análises e conclusões daí resultantes, dele cientificando a interessada, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 25718DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13027.000189/2005-05
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
OPÇÃO. INDUSTRIALIZAÇÃO. VINHOS.
Não é permitida a permanência no Simples a empresa que exerce a atividade de industrialização, por conta própria ou por encomendar dos produtos' classificados nos Capítulos 22 e 24 da Tabela de Incidência do IPI - TIPI,
Numero da decisão: 1001-000.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 OPÇÃO. INDUSTRIALIZAÇÃO. VINHOS. Não é permitida a permanência no Simples a empresa que exerce a atividade de industrialização, por conta própria ou por encomendar dos produtos' classificados nos Capítulos 22 e 24 da Tabela de Incidência do IPI TIPI, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de DRF/SAO n° 453.010, de 07/08/2003, com efeitos a partir de 01/03/2002, (efl. 19), através do qual o contribuinte referenciado foi excluído do SIMPLES AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 02 7. 00 01 89 /2 00 5- 05 Fl. 126DF CARF MF 2 FEDERAL em razão de constatação de situação incluída nas hipóteses de vedação à opção pela sistemática tributária em questão, por força do artigo 9°, inciso XIX, da Lei 9.317/96. Transcrevo a seguir o Relatório (efl. 107) da decisão de primeira instância que bem descreve o litígio: A empresa foi excluída do Sistema Integrado de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte z SIMPLES conforme Ato Declaratório Executivo DRF/SAO n° 453.010, de 07/08/2003, com efeitos a partir de 01/03/2002, por exercer atividade econômica vedada: Pessoa jurídica industrializa bebida classificada no capitulo 22 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), código CNAE 15920/00. Em 23/09/2003 a interessada apresenta SRS Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples n° 1010402/000014 (fls. 62 e 63). Para fins de análise da SRS foi determinada a realização de diligência no estabelecimento da interessada a fim de determinar qual a atividade efetivamente exercida pela contribuinte, quando foram incluídos nos autos os documentos de folhas 75 a 94. Após foi lavrado o Termo de Encerramento de Diligência Fiscal (fls. 95 e 96). Após a realização da diligência foi concluída a análise da SRS, quando a solicitação da interessada foi indeferida. A contribuinte tomou ciência dessa decisão em 25/05/2005, conforme Aviso de Recebimento AR à folha 99. Apresentou sua manifestação de inconformidade, em 24/06/2005 (fls. 01 e 02), instruída com cópias c/ou originais de documentos de folhas 64 a 74. Os argumentos da manifestante são em síntese, os seguintes: argumenta que apenas comercializa vinhos; diz que adquire o produto já industrializado, acrescentando que o vinho é industrializado pelo Sr. Olinto Batistella, produtor rural, o que estaria comprovado pela cópias das notas fiscais que apresenta; informa que em 10/09/2003 alterou o seu contrato social por não exercer atividade industrial; diz que a comercialização de açúcar e comprovada pelas notas fiscais de compra c venda que enumera; diz que o açúcar não e' utilizado para a fabricação do vinho; diz que seu faturamento é pequeno e que sua exclusão do Simples tornará inviável a continuidade de suas atividades; Requer a sua permanência como optante pelo Simples. A decisão de primeira instância (efls. 106/109) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que vinho está classificado no capítulo 2202.10.00 da TIPI, sendo, portanto, improcedente o alegado pela defesa, pois o objeto social da empresa Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13027.000189/200505 Acórdão n.º 1001000.740 S1C0T1 Fl. 127 3 desde a sua abertura é a industrialização da bebida citada, sendo, portanto, hipótese impeditiva para se manter incluída no Simples. Adiantou que diligência comprovou a industrialização de vinho e a compra e venda de açúcar. Cientificada da decisão de primeira instância em 20/10/2003 (efl. 113) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 13/11/2003 (efl. 113), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade. Adiciona ainda: A Receita Federal do Brasil aceitou o pedido de enquadramento da empresa no Simples no momento em que esta providenciou sua inscrição no CNPJ em fevereiro de 2002. Após 18 meses, em agosto de 2003 a Receita Federal, através do ato declaratório atacado, excluiu o requerente do SIMPLES e pretende retroagir esta exclusão à 01.03.2002. Não há como aceitar esta instabilidade na relação fisco contribuinte. A Receita possui sistema informatizado de controle de seus contribuintes e poderia impedir o enquadramento da empresa no SIMPLES no momento em que esta o solicitou. Se aceitou o pedido de enquadramento, entendemos não poderia revogar o ato com efeito retroativo. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo. Dele conheço. Conforme já destacado pela decisão de primeira instância a recorrente incide na hipótese de vedação à opção pela sistemática tributária em questão, por força do artigo 9°, inciso XIX, da Lei 9.317/96.". Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIX que exerça a atividade de industrialização, por conta própria ou por encomenda, dos produtos classificados nos Capítulos 22 e 24 da Tabela de Incidência do IPI TIPI, sujeitos ao regime de tributação de que trata a Lei no 7.798, de 10 de julho de 1989, mantidas, até 31 de dezembro de 2000, as opções já exercidas. A Recorrente alega que apenas comercializa vinhos; diz que adquire o produto já industrializado. Mas seu contrato social vigente na data da exclusão (efl. 90) incluía a industrialização de vinho (fato comprovado por diligência nas instalações da empresa): III. A sociedade terá por objeto social, as atividades de indústria e comércio de vinhos, vinagres, sucos, grappa e produtos coloniais; comércio por atacado e a varejo de frutas, verduras e hortaliças. Já os efeitos da exclusão foram fixados a partir de 1° de janeiro de 2002 conforme o disposto no art. 15, II, da Lei 9.317/96: Fl. 128DF CARF MF 4 Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: I a partir do anocalendário subseqüente, na hipótese de que trata o inciso I do art. 13; II a partir do mês subseqüente ao em que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XVIII do art. 9°; Atentese que o dever de ofício (art. 142 do CTN e art. 13 da Lei 9.317/96) obriga que a autoridade tributária reveja eventual adesão tributária ao sistema simplificado, não se caracterizando direito adquirido à adesão irregular. Ressaltese que alegações de excesso inconstitucional do legislador ordinário deve ser levado a apreciação do Poder Judiciário, a quem cabe a verificação da compatibilidade da norma jurídica com os preceitos constitucionais. Estes argumentos são inoponíveis na esfera administrativa. Nesse sentido o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 129DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.901017/2008-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Numero da decisão: 3402-005.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag 1.420.880/PE.
(assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1801; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.901017/200817 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402005.419 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de julho de 2018 Matéria Compensação PIS/Cofins Recorrente SHERWINWILLIAMS DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag 1.420.880/PE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 10 17 /2 00 8- 17 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10882.901017/200817 Acórdão n.º 3402005.419 S3C4T2 Fl. 3 2 (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10882.901017/200817 Acórdão n.º 3402005.419 S3C4T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito com pretenso crédito com origem em pagamento indevido de contribuição social. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação face a inexistência de crédito disponível para compensação. Cientificada do despacho, a contribuinte manifestou sua irresignação arguindo em síntese que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Argumenta que as vendas à Zona Franca de Manaus (ZFM) no período em tela estavam imunes à incidência do PIS e da Cofins e, portanto, o pagamento teria sido feito a maior. Iniciando essa linha de argumentação, assevera que o art. 4° do DecretoLei (DL) n° 288, de 1967, equiparou, para todos os efeitos fiscais, as vendas realizadas a Zona Franca de Manaus a uma operação de exportação. Tal disposição, a seu ver, possui envergadura de norma de caráter complementar, e nesse nível de hierarquia teria sido incorporado ao ordenamento jurídico pela recepção que lhe deu a Constituição Federal de 1988, pelo artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Defende que o mesmo tratamento dado às exportações, aplicável às vendas realizadas à Zona Franca de Manaus, seria também extensível às vendas efetuadas para destinatários sediados nos municípios integrantes das Areas de Livre Comércio. Ao fim, requer o recebimento da presente manifestação de inconformidade com o seu regular efeito suspensivo da exigibilidade do crédito. Pleiteia ainda o reconhecimento do direito credit6rio referente aos recolhimentos indevidos ou a maior a titulo de PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus e a consequente a homologação da compensação.” Por meio do acórdão nº 0529.851, a DRJ não acolheu as razões de defesa da manifestante, mantendo a não homologação da compensação. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, acrescentando que não foi intimado pela fiscalização, em nenhum momento, a apresentar comprovantes da origem dos seus créditos e que, no despacho eletrônico proferido, também não foi apresentado nenhum argumento para que os créditos pleiteados fossem indeferidos. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10882.901017/200817 Acórdão n.º 3402005.419 S3C4T2 Fl. 5 4 Argumenta ainda que trouxe aos autos planilha comprovando que os créditos indicados no pedido de compensação são originados de pagamento indevido ao a maior, uma vez que efetuou vendas destinadas à Zona Franca de Manaus. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.398, de 24 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10882.900443/200833, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.398): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese sobre direito creditório não reconhecido pela constatação de utilização integral do pagamento na quitação de débitos do contribuinte. Também se discute, a partir das alegações trazidas na Manifestação de Inconformidade, o direito ao crédito do PIS e da COFINS nas operações com empresas situadas na Zona Franca de Manaus, que poderia lastrear o pleito inicial da interessada. Ainda que o Despacho Decisório nada tenha se manifestado acerca de qualquer documento probatório, o sujeito passivo, além de contestar a vinculação do pagamento, também argumentou quanto às razões pela qual entendia que parte do recolhimento seria indevido, por se referir a vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Segundo seu entendimento, tais vendas estariam imunes à incidência das contribuições, resultando em saldo recolhido à maior. A 3ª Turma da DRJ em Campinas não acolheu as razões de defesa do sujeito passivo, entendendo que o pretendido pagamento indevido teria origem no período de apuração 01/09/2002 a 30/09/2002, em relação ao qual a isenção em comento alcançaria apenas as receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do artigo 14 da MP n°2.15835, de 2001. Segundo a turma julgadora, os autos não trazem comprovação suportada por documentação Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10882.901017/200817 Acórdão n.º 3402005.419 S3C4T2 Fl. 6 5 contábilfiscal da inclusão das receitas decorrentes das mencionadas operações isentas na base que serviu para o cálculo do pagamento formador do apontado indébito, não se podendo reconhecer o pretendido direito de crédito aproveitado na compensação. Preliminarmente, a recorrente alega nulidade do processo administrativo em razão da ausência de diligências na documentação que comprovaria o indébito tributário. Não assiste razão à recorrente. Conforme disposto no artigo 29 do PAF, as diligências são determinadas pela autoridade julgadora, na apreciação da prova, caso entenda necessárias, o que não é o caso. A recorrente não apresentou qualquer documento comprobatório do crédito pleiteado, nem na fase de impugnação, nem nesta fase recursal, em descumprimento do artigo 15 do PAF que determina a instrução dos documentos comprobatórios juntamente com a impugnação. Apenas uma planilha intitulada “VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS E AREAS DE LIVRE COMÉRCIO UNIDADE SUMARÉ SETEMBRO DE 2002” (fls.43) foi apresentada, sem nenhum documento comprobatório. A prova deve ser feita nos autos, não fora dele, e no momento oportuno. Destacase que o indeferimento do direito creditório foi motivado pela utilização do(s) pagamento(s) na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Nenhuma prova contrária à tal constatação fiscal foi apresentada. Portanto, não resta configurada qualquer nulidade quanto à ausência de diligência. Em consequência, rejeitase o pedido de diligência. A recorrente alega cerceamento de seu direito de defesa, por entender que a decisão de primeira instância teria inovado o lançamento inicial. Segundo seu entendimento, o Despacho Decisório eletrônico não mencionou qualquer documento (físico ou eletrônico) que embasasse a glosa da compensação, limitandose apenas a mencionar que o crédito não existiria, imputando penalidade a Recorrente, sem qualquer análise da materialidade do crédito compensado. Também neste ponto não assiste razão à recorrente. Nenhuma inovação foi trazida aos autos pelo julgador de primeiro grau na apreciação da matéria, que apenas trouxe os fundamentos necessários para rechaçar as alegações do sujeito passivo trazidas na Manifestação de Inconformidade. Tratase do pleno exercício do contraditório, que exige a plena fundamentação das decisões na apreciação de todos os pontos Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10882.901017/200817 Acórdão n.º 3402005.419 S3C4T2 Fl. 7 6 levantados pela defesa do contribuinte. A motivação do indeferimento do direito creditório continua sendo a inexistência de crédito. Dessa forma, também não está configurado qualquer cerceamento do direito de defesa da recorrente, visto que a questão foi por ela trazida e por ela novamente repisada em sua peça recursal. No mérito, a recorrente alega o direito ao crédito do PIS e da COFINS nas operações com empresas situadas na Zona Franca de Manaus. O tema foi objeto de julgamento repetitivo na 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em processos cujo interessado foi a própria recorrente. Dessa forma, adoto no presente voto os fundamentos do Acórdão nº 9303003.934, de 07 de junho de 2016, da lavra do i. Conselheiro Júlio César Alves Ramos, a seguir reproduzido: “Fui incumbido de apontar as razões que levaram o colegiado, por voto de qualidade, a negar provimento ao recurso do contribuinte, sob o entendimento de que, até a redução a zero da alíquota da contribuição efetuada em julho de 2004, não havia qualquer dispositivo legal que concedesse isenção de COFINS às vendas para aquela área. O argumento inicial em sentido contrário buscaa na própria norma que criou a Zona Franca de Manaus. Segundo tal entendimento, o art. 4º do Decretolei 288, ao afirmar que as remessas para aquela região equiparavamse a exportação para o exterior, deveria ser estendido à COFINS, embora, cediço, ela somente tenha sido posteriormente criada. E isso porque tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10882.901017/200817 Acórdão n.º 3402005.419 S3C4T2 Fl. 8 7 fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Pretendem alguns que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiu se um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10882.901017/200817 Acórdão n.º 3402005.419 S3C4T2 Fl. 9 8 criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser tachada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10882.901017/200817 Acórdão n.º 3402005.419 S3C4T2 Fl. 10 9 nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em julho de 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. É que, nos termos constitucionais, a concessão de isenção requer lei específica1 , de modo que, ou se aceita que seja ela o decretolei ou ela não existe. Não se pode inferir que haja uma lei simplesmente porque um parágrafo em artigo de lei posterior a "exclua". Em outras palavras, há apenas dois caminhos interpretativos. O primeiro: se considera que o decretolei 288 fez uma equiparação genérica das vendas àquela região a exportação e, portanto, qualquer ato posterior que concedesse benefício Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10882.901017/200817 Acórdão n.º 3402005.419 S3C4T2 Fl. 11 10 (isenção ou outro) a operações de exportação se aplicava imediatamente e automaticamente às vendas para lá. Nesse caso, a isenção concedida pela Lei Complementar 85 a elas se estende, mesmo não tendo ela sido expressamente referida no dispositivo. Essa interpretação contraria, a meu ver, o art. 150, § 6º da Constituição. Ou, como entendo eu, considerase que não havia dispositivo que concedesse isenção ou qualquer outra forma de desoneração àquelas vendas até a redução a zero de sua alíquota, promovida em 2004. Não contemplo um terceiro caminho. Com tais considerações, negouse provimento ao recurso do contribuinte.” Também não prospera qualquer argumento que aponte a obrigatoriedade do acatamento do entendimento do STF, exceto nos casos de repercussão geral reconhecida, conforme determina o RICARF, o que não é o caso. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 157DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.006231/2005-76
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2002
MULTA POR ATRASO.DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
Numero da decisão: 1003-000.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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Numero do processo: 10880.932437/2013-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO PLEITEADO.
Na ausência de Declaração Retificadora que constitua o crédito pleiteado, não vejo como reconhecê-lo
Numero da decisão: 1401-002.845
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO PLEITEADO. Na ausência de Declaração Retificadora que constitua o crédito pleiteado, não vejo como reconhecê-lo
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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Na ausência de Declaração Retificadora que constitua o crédito pleiteado, não vejo como reconhecêlo Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 24 37 /2 01 3- 22 Fl. 432DF CARF MF Processo nº 10880.932437/201322 Acórdão n.º 1401002.845 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão da DRJ/REC que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por considerar não comprovado que a informação quanto ao montante da estimativa na DIPJ e na DCTF está incorreta, e, em conseqüência, concluir pela inexistência de pagamento indevido ou a maior, já que o valor recolhido correspondia integralmente à débito confessado pelo contribuinte. A interessada apresentou Declaração de Compensação (Dcomp), por intermédio da qual o contribuinte efetuou compensação de débito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) referente a maio de 2011 com suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), cujo valor na data de transmissão informado era de R$ 123.183,61. Este crédito decorreu de Darf no valor de 147.607,89, no código de receita 2362, referente ao período de apuração abril de 2009. Consoante declarado, foi utilizada na compensação a parcela do crédito de R$ 43.489,77, restando um saldo do crédito original de R$ 79.693,84. Como resultado da análise efetuada foi proferido o despacho decisório que decidiu por não reconhecer o direito creditório pleiteado e, por conseguinte, não homologar a compensação declarada. Segundo a fundamentação da decisão, o valor recolhido via Darf foi integralmente utilizado para a quitação de débito confessado. Mesmo após a Manifestação de Inconformidade, restou mantido integralmente o Despacho Decisório. Inconformada, interpôs Recurso Voluntário repisando o argumento quanto a erro de fato no preenchimento de sua DIPJ, pois teria adicionado indevidamente montante relativo a ajuste do RTT na determinação da base de cálculo do tributo, como conseqüência do preenchimento equivocado da linha de custos da ficha 07 A (Demonstração do Resultado – Critérios em 31.12.2007 – PJ em Geral), com valor diferente do informado na Ficha 06 A (Demonstração do Resultado – PJ em Geral). Afirma que, retificado o erro, não haveria estimativa a pagar, sendo seu direito a utilização do montante recolhido a este título como crédito em compensação. Anexa balancetes, LALUR 2009, memória de cálculo IRPJ e relação de DECOMPs. É o relatório do essencial. Tabela do plano Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº Fl. 433DF CARF MF Processo nº 10880.932437/201322 Acórdão n.º 1401002.845 S1C4T1 Fl. 4 3 1401002.840, de 16/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.932430/2013 19, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.840): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. Conforme já esclarecido pela decisão de piso, perfeitamente possível aferir a opção pelo RTT alegada pela Recorrente em sua DIPJ/2009 como pode ser visto na Ficha 01 abaixo copiada parcialmente (informação repetida na DIPJ/2010 à fl. 54). Contudo, para reconhecimento do crédito pretendido, segundo a DRJ, era necessária a prova de que a informação constante na DIPJ e na DCTF, estaria incorreta em função do alegado erro de fato em seu preenchimento, o que não havia sido feito pela Recorrente até aquele momento. Isto porque, conforme acórdão recorrido, uma vez feita a opção pelo RTT, caberia ao contribuinte ter trazido cópia de seu Lalur a fim de comprovar que o ajuste ao lucro líquido na determinação da base de cálculo do tributo não existiu de fato. Todavia, como prova do alegado erro de preenchimento da DIPJ, carreou aos autos apenas o demonstrativo de resultado (apuração do lucro líquido) à fl. 79 e o balanço patrimonial à fl. 80. Conforme tratado anteriormente, o ajuste porventura existente não é registrado em tais demonstrativos, razão pela qual esses não possuem qualquer valor probatório. Ainda que se entendesse demonstrado que não houve apuração de ajuste pelo contribuinte, o que se coloca apenas em tese, há que se considerar que a ocorrência do pagamento indevido ou a maior restaria não comprovada. Isto porque a revisão de ofício do erro de preenchimento da DIPJ ensejaria apenas a alteração da base de cálculo do tributo devido e, por conseguinte, do seu montante devido no ajuste anual. A partir dessas informações não é possível aferir com certeza absoluta que não houve tributo a pagar apurado por estimativa no transcorrer do anocalendário, pois a Ficha 11 da declaração não permite verificar a composição da base de cálculo estimada e, portanto, aferir se o alegado erro formal de preenchimento cometido nas fichas anuais também ocorreu nas fichas de apuração mensal. Segundo a DRJ: "Para a comprovação de que de fato não foi apurada qualquer estimativa a pagar durante o ano, a manifestação de inconformidade deveria estar instruída com cópias do balancete de suspensão/redução e do Razão (nas contas de interesse, relativas à estimativa mensal). Se tal medida tivesse sido adotada pelo contribuinte e restasse demonstrada a inexistência de estimativa apurada, seria devida a revisão de ofício da DIPJ e da DCTF em função do erro fato no preenchimento, em respeito ao princípio da verdade material. Todavia, tais documentos imprescindíveis à solução da lide não constam dos autos". Fl. 434DF CARF MF Processo nº 10880.932437/201322 Acórdão n.º 1401002.845 S1C4T1 Fl. 5 4 Admito que a Recorrente trouxe alguns desses documentos anexados ao seu Recurso Voluntário, contudo tais documentos confirmar a correção do Acórdão DRJ, mas mesmo que assim não fosse, entendo que para o reconhecimento do crédito era necessário um passo além, por parte dela, que confessa que embora venha sustentando a existência de erro no preenchimento da DIPJ e, por consequencia, na Decomp, em nenhum momento tomou a iniciativa de retificálas, requerendo que tal providência seja implementada por este colegiado caso reconheça a possibilidade da compensação pleiteada. Neste momento entendo pela impossibilidade de reconhecimento do crédito pleiteado pela Recorrente, sem que tenha havido no mínimo a retificação por parte dela dos erros materiais existentes em suas declarações, não vejo a possibilidade de promover tal retificação de ofício, uma vez que tal providência é exclusiva do contribuinte. Destacase que não há saldo negativo a ser compensado. Já houve casos em que reconheci inclusive a possibilidade de retificação de declaração por parte do contribuinte em momento posterior inclusive ao Despacho Decisório, como por exemplo no Acórdão n. 1401002.702, contudo, na ausência de Declaração Retificadora que constitua o crédito pleiteado, não vejo como reconhecêlo. Por estas razões, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 435DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.919491/2012-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.931
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.919481/2012-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.919481/2012-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.919481/201212, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Winderley Morais Pereira Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório por suposto pagamento indevido ou a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da insuficiência de crédito, a compensação foi HOMOLOGADA PARCIALMENTE. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 19 49 1/ 20 12 -5 8 Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10680.919491/201258 Resolução nº 3301000.931 S3C3T1 Fl. 3 2 Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que a constituição do crédito tributário é feita pela apresentação da DCTF e que não existe vedação à retificação da declaração. Discorre sobre o direito à retificação da DCTF sempre que os valores apurados não tenham sido encaminhados à PGFN para inscrição em Dívida Ativa e não houver alteração da periodicidade da declaração anteriormente apresentada. Em relação aos fatos, informa que foi realizado pagamento em relação ao período de apuração em análise e que o despacho decisório determinou o não reconhecimento do direito creditório da Manifestante em virtude de suposta utilização dos pagamentos encontrados para o Darf. Defende que ao débito apurado para o mesmo período de apuração do Darf não foi vinculado nenhum crédito, assim o pagamento efetuado mediante Darf está totalmente disponível. Pede a reforma do despacho decisório com a homologação integral da compensação e o cancelamento da cobrança dos débitos remanescentes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário em que, basicamente, repete os argumentos contidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10680.919491/201258 Resolução nº 3301000.931 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.925, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.919481/201212, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.925): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de homologação parcial de compensação de créditos da COFINS com débitos tributários federais. A DRF de origem alegou que não havia crédito suficiente. Do Despacho Decisório (fl. 73) e PER/DCOMP auditada (fls. 66 a 71) e das cópias anexadas às peças de defesa de DCTF (retificadora), DACON (original e retificadora) e guia de pagamento (fls. 2 a 64 e 88 a 136), extraio o seguinte: 1) Em setembro de 2007, foi pago o montante de R$ 225.172,22 (fl. 51), a título de COFINS do período de apuração (PA) agosto de 2007. O valor devido foi declarado no DACON original (fls. 129). Não há cópia da respectiva DCTF. 2) Em 26/03/11, foi transmitida a DCTF retificadora do mês de agosto de 2007, por meio da qual alterou o valor da COFINS devida, que passou a R$ 172.020,11 (fl. 55). o DACON também foi retificado (fl. 137). Na DCTF retificadora o débito de R$ 172.020,11 figura como se estivesse em aberto, isto é, sem crédito (pagamento ou compensação) vinculado. Em seu recurso, informou que adotou tal procedimento, pois desejava incluir o débito de R$ 172.020,11 em parcelamento. 3) Em 26/03/11, foi entregue o PER/DCOMP auditado (fls. 66 a 71), utilizando a totalidade dos R$ 225.172,02 para liquidar outros débitos tributários federais. 4) O Despacho Decisório (fl. 73) confirma o pagamento de R$ 225.172,22 e o novo valor devido da COFINS de agosto de 2007 de 172.020,11. Contudo, ao contrário do que consta na cópia da DCTF retificadora (fl. 55), vincula parte do pagamento de R$ 225.172,22 ao débito de R$ 172.020,11. Em síntese, as questões que este colegiado são as seguintes: a) Pode o contribuinte retificar a DCTF para, concomitantemente, reduzir o valor devido e desvinculálo do pagamento originariamente efetuado? b) Teria a RFB poderes para, a despeito do que foi consignado pelo contribuinte na DCTF retificadora, vincular o pagamento de R$ 225.172,22 ao débito de R$ 172.020,11? Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10680.919491/201258 Resolução nº 3301000.931 S3C3T1 Fl. 5 4 Ao meu ver, a resposta à primeira pergunta é sim. É possível retificar, para alterar a vinculação de créditos. Senão vejamos (IN RFB n° 1.110/10 em vigor na data da retificação da DCTF): "Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. (. . .)" Por outro lado, à segunda, entendo que é não. Quando muito, identificado um crédito derivado de tributo pago a maior, poderia o Fisco realizar uma compensação de ofício. Contudo, o contribuinte teria de ser previamente consultado e, inclusive, dela poderia discordar (art. 49 da IN RFB 900/08, em vigor na data do Despacho Decisório). Contudo, não há notícia nos autos de que houve compensação de ofício. Estaria pronto para votar pelo provimento do recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório de R$ 225.172,02, caso não tivesse identificado duas informações contraditórias: no Despacho Decisório (fl. 73), consta que os R$ 225.172,02 teriam sido vinculados ao débito de R$ 172.020,11, enquanto que na cópia da DCTF retificadora, anexa à manifestação de inconformidade (fl. 55), não consta vinculação alguma. Assim sendo, proponho que o julgamento seja convertido em diligência, para que a unidade de origem verifique na DCTF "ativa" de agosto de 2007 se o crédito de R$ 225.172,02 foi ou não vinculado ao débito de R$ 172.020,11. Deve ser elaborado relatório conclusivo e aberto prazo de trinta dias para manifestação das partes. Findo este prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. É como voto." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência a fim de que a Unidade de Origem verifique na DCTF "ativa" do respectivo período de apuração se o crédito informado no PER/DCOMP foi ou não vinculado ao débito constante no Despacho Decisório. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10680.919491/201258 Resolução nº 3301000.931 S3C3T1 Fl. 6 5 Deve ser elaborado relatório conclusivo e aberto prazo de trinta dias para manifestação das partes. Findo este prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 143DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.903728/2012-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
CRÉDITOS DE COFINS. FALTA DE COMPROVAÇÃO
É do contribuinte o ônus de comprovar a legitimidade do crédito que alega deter. Dada a ausência de provas, o direito ao crédito deve ser negado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.960
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10280.903720/2012-25, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITOS DE COFINS. FALTA DE COMPROVAÇÃO É do contribuinte o ônus de comprovar a legitimidade do crédito que alega deter. Dada a ausência de provas, o direito ao crédito deve ser negado. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10280.903720/2012-25, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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FALTA DE COMPROVAÇÃO É do contribuinte o ônus de comprovar a legitimidade do crédito que alega deter. Dada a ausência de provas, o direito ao crédito deve ser negado. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10280.903720/201225, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 37 28 /2 01 2- 91 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10280.903728/201291 Acórdão n.º 3301004.960 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos de COFINS não cumulativa/o. Intimada a transmitir os arquivos previstos na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22/10/2001, em conformidade com o ADE Cofis nº 15/2001, alterado pelo ADE Cofins nº 25/2010, compreendendo as operações efetuadas no trimestre de apuração acima indicado, a empresa não atendeu. Através de Despacho Decisório, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém/PA indeferiu totalmente o pedido de ressarcimento, nos seguintes termos: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a existência do crédito indicado, pois o contribuinte, mesmo intimado, não apresentou Arquivos Digitais previstos na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22/10/2001, em estrita conformidade com o ADE Cofis 15/01, compreendendo as operações efetuadas no período de apuração acima indicado.” Inconformada com a decisão, a empresa interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que: a) O Auditor Fiscal, em momento algum, afirma não existir o crédito pleiteado pela contribuinte, mas apenas limitouse a indeferir o pedido de restituição, sustentando que a contribuinte não entregou seus arquivos digitais, documentos indispensáveis para apuração do referido crédito. b) Em 03/10/2011 foi encaminhado ofício SEORT/DRF/BEL n. 7.162/2011 intimando a apresentar por meio magnético, cópia das notas fiscais de entrada que originaram os direitos creditórios de PIS e COFINS nos anos de 2005 a 2010 e planilha em Excel com os direitos creditórios apurados mensalmente no período de 2005 a 2010. c) Impossibilitada de apresentar tais documentos de forma digital, a contribuinte procurou o Auditor Fiscal responsável à época, (...), que informou que deveria entregar as notas fiscais em cópias físicas, bastando acompanhálas de um CD com arquivo em Excel informando todas as notas entregues. Não trouxe provas. d) Diante disso, a intimação realizada por meio do ofício SEORT/DRF/BEL/n° 7.162/2011 foi integralmente cumprida, conforme pode ser observado por meio dos documentos ora anexados. e) Importante ressaltar que, o próprio Auditor Fiscal, (...) determinou em despacho de próprio punho que a empresa não tinha a necessidade de apresentar os documentos referentes a 2005 e 2006." Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10280.903728/201291 Acórdão n.º 3301004.960 S3C3T1 Fl. 4 3 A DRJ em Belém (PA) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 01029.128. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repetiu os argumentos contidos na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.952, de 27 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10280.903720/201225, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.952): "O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. A recorrente protocolizou Pedido de Ressarcimento (PER) de créditos da COFINS do 4° trimestre de 2005. O PER foi indeferido (fl. 13), pois não atendeu à intimação (fls. 11/12) para apresentar os correspondentes arquivos previstos na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22/10/2001, em conformidade com o ADE Cofis nº 15/2001, alterado pelo ADE Cofins nº 25/2010. Em ambas as peças de defesa, alegou que a DRF não afirmou que não existia o crédito, limitandose a negar o pedido, em razão da não apresentação de arquivos digitais. Adicionalmente, informou que compareceu à DRF, para comunicar que não tinha condições de apresentar tais documentos. Na ocasião, foi solicitado, alternativamente, que entregasse cópias das notas fiscais e CD, com arquivo em Excel, informando as notas fiscais entregues. É ônus do contribuinte comprovar o direito que alega deter (art. 373 do Código Processo Civil). E, como nos autos, não há qualquer documento que possa comprovar a existência e legitimidade dos créditos da COFINS pleiteados, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto." Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10280.903728/201291 Acórdão n.º 3301004.960 S3C3T1 Fl. 5 4 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 59DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.002150/2001-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.418
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Reproduzo relatório de Acórdão de Manifestação de Inconformidade: Trata o presente processo do pedido de ressarcimento/compensação de fls.123/124, no valor de R$400.000,00. Segundo discriminado no pedido de fl. 123 que retificou o formulário de fl. 03, o crédito utilizado na compensação é de crédito presumido do IPI com amparo na Lei nº 9.363, de 1996 e Portaria MF nº 38, de 1997, relativamente ao 2º trimestre de 2001. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 20 .0 02 15 0/ 20 01 -8 8 Fl. 1375DF CARF MF Processo nº 10320.002150/200188 Resolução nº 3201001.418 S3C2T1 Fl. 3 2 Processo Protocolo Crédito Presumido utilizado na compensação (2° Trim/2001) 10320.001325/200130 27/07/2001 800.000,00 10320.002150/200188 27/11/2001 400.000,00 Total: 1.200.000,00 Inicialmente, o Pedido de Ressarcimento foi formulado em nome do estabelecimento filial, detentor do CNPJ nº 42.105.890/000901, localizado no Município de São Luís, Maranhão, enquanto a matriz localizavase no estado do Rio de Janeiro. Por essa razão, diversos entendimentos sobre a competência para análise do pleito do contribuinte foram então expressos, determinando o fato a expedição de 3 (três) despachos decisórios, 3 (três) acórdãos, ultimados pelo Acórdão nº 28.666, às fls. 608/625, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, MGDRJ/ JFA/MG, em de 19/03/2010. Nesse contexto, seguiram se os encaminhamentos abaixo relatados. De início, a DRF/São Luis entendeu ser incompetente para a verificação da legitimidade dos créditos, em razão da obrigatoriedade de apuração centralizada do crédito presumido (fls. 31/34), remetendo o processo para a Derat/Rio de Janeiro. Por sua vez, a Diort/Derat/RJO indeferiu a solicitação sem exame do mérito (fls. 37/44), ao constatar que o pedido não fora apresentado por período trimestral, conforme legislação de regência, e também pelo fato de a empresa não ter juntado aos autos as cópias do Livro de Registro de Apuração do IPI relativas ao período de apuração do crédito e ao período do estorno do montante solicitado em ressarcimento. A partir desse ponto várias decisões foram proferidas, anulandose as decisões anteriores, sempre com ciência e manifestação do contribuinte. Nesse ínterim, a contribuinte retificou o pedido de ressarcimento (fl. 123), retificação essa que foi deferida pela DIORT/Derat/Rio de Janeiro por intermédio do Despacho Decisório de fls. 160/167, em razão do que, a partir de então, este processo deve ser tratado como pedido de compensação de débitos da matriz utilizando crédito presumido apurado pela matriz. No mesmo Despacho Decisório, embora a retificação tenha sido acatada, o direito creditório foi denegado e, conseqüentemente, a compensação não foi homologada. Contra esse último Despacho Decisório, a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 173/183. Solicitou, preliminarmente, a nulidade desse despacho, sob o fundamento de decurso do prazo para homologação expressa da compensação. No mérito, defendeu seu direito ao crédito presumido, não se conformando em ver seu pleito denegado em virtude dos erros formais cometidos no preenchimento dos pedidos. Com as manifestações do contribuinte, o processo foi remetido à DRJ/JFA/MG, para julgamento. Fl. 1376DF CARF MF Processo nº 10320.002150/200188 Resolução nº 3201001.418 S3C2T1 Fl. 4 3 Diante da retificação do pedido, o processo foi baixado em diligência com o objetivo de apurar o crédito presumido de forma centralizada, nos termos do Despacho de Diligência de fls. 226/227. Em resposta, a fiscalização elaborou a informação fiscal de fls. 369/370, mas não apurou qualquer montante do benefício. Alegou que a Billiton Metais não poderia ser beneficiária do crédito presumido por não se enquadrar no conceito de empresa produtora e exportadora (art. 1º da Lei 9.363, de 1996), dado que a industrialização dos produtos exportados ocorreu no âmbito do Consórcio Alumar e não em estabelecimento da Billiton. Aduziu, citando representação fiscal elaborada pela DRF/Poços de Caldas/MG, que o empreendimento Alumar não poderia, segundo a legislação de regência, ser constituído sob a forma de consórcio, tratandose, em verdade, de uma sociedade de fato. Ao tomar ciência da informação fiscal, o contribuinte apresentou a manifestação de fls. 383/398. Em resumo, a Manifestante apresentou as seguintes alegações: i. que “o Consórcio Alumar tem por objeto um empreendimento determinado”; ii. “que o Consórcio Alumar reveste a natureza de consórcio operacional que, após a conclusão da construção do parque industrial, tem como objetivo o desenvolvimento coordenado e conjunto de uma atividade industrial de transformação de recursos minerais”; iii. que o Consórcio Alumar também atende ao requisito legal de prazo de duração determinado; iv. que a Billiton, como integrante do Consórcio Alumar, faz jus crédito presumido, pois produz e exporta mercadorias nacionais e, para isso, adquire, no mercado interno, MP, PI e ME. Retornaram os autos a esta DRJ. Sob o entendimento de que, no caso da Billiton, não haveria motivos para não enquadrála como empresa produtora e exportadora, segundo fundamentos expostos no Despacho de Diligência de fls. 438/442, o processo foi novamente encaminhado à Defic/Rio de Janeiro para que a fiscalização procedesse à apuração do crédito presumido. Em atendimento à segunda solicitação, o auditor fiscal verificou os documentos e informações apresentadas pela contribuinte e apurou o valor do crédito presumido, segundo demonstrativo de fl. 573. Entretanto, resultou apurado montante inferior ao pleiteado em virtude, principalmente, de o auditor ter excluído as aquisições de energia elétrica e de combustíveis da base de cálculo do benefício. Devidamente cientificada da apuração elaborada pelo auditor fiscal, a contribuinte apresentou a manifestação de fls. 582/589. Desta feita, insurgiuse contra a exclusão da energia elétrica na apuração do benefício. Alegou que o alumínio é produzido mediante o processo de eletrólise, no qual a energia elétrica é consumida em ação direta sobre o produto em fabricação, incluído nesse a solicitação de perícia técnica. Encerrado o preparo do processo, os autos retornaram a DRJ/JFA/MG para apreciação. Foi então emitido o já mencionado Acórdão nº 0928.666, em 19/03/2010, às fls. 608/625. Por maioria de votos, o crédito presumido foi indeferido e a compensação não homologada. A Fl. 1377DF CARF MF Processo nº 10320.002150/200188 Resolução nº 3201001.418 S3C2T1 Fl. 5 4 relatora do voto naquele acórdão foi vencida. Foi emitido voto vencedor, tendo como redatora a presente relatora, que entendeu que a manifestante não preenchia os requisitos para a fruição do benefício, em face da descaracterização do consórcio do qual era participante. Cientificada do acórdão, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, às fls. 631/649, tendo este resultado na emissão do Acórdão nº 380100.894, de 01/09/2011, às fls. 356/3721. Por maioria de votos decidiu o colegiado: “reconhecer a legitimidade da Recorrente para pleitear o ressarcimento e as compensações, retornando o processo à DRJ para apreciar as demais questões de mérito”. O contribuinte foi cientificado do Acórdão proferido no CARF. Os autos retornaram à DRJ/JFA/MG para novo julgamento. A DRJ/Juiz de Fora/MG – 3ª Turma, por meio do Acórdão 0944.594, de 17/06/2013, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade e reconheceu parcialmente o direito créditório. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 LEGITIMIDADE DE CRÉDITOS DE IPI. ENERGIA ELÉTRICA. A energia elétrica consumida na eletrólise não satisfaz às condições do PN CST 65/79, não devendo compor a base de cálculo do crédito presumido. Isso porque, nos termos do já mencionado parecer, para que um insumo seja enquadrado como produto intermediário é necessário que seu consumo decorra de “um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida”. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 1) CONSUMO DE CRÉDITOS ANTERIORMENTE AO PEDIDO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO. Ainda que reconhecido em parte o direito creditório do contribuinte sobre o crédito requerido para o trimestre, petições deferidas, formuladas nos processos 10320.001933/0056 e 10320.002036/0079, resultam no indeferimento do montante de direito creditório ora pleiteado, pois naqueles processos o crédito ora reconhecido foi totalmente consumido. 2) COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. RETIFICAÇÃO. Admitida a retificação da declaração de compensação, o prazo para homologação é contado a partir da data da entrega da declaração retificadora. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 Ementa: PERÍCIA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS. INDEFERIMENTO. Fl. 1378DF CARF MF Processo nº 10320.002150/200188 Resolução nº 3201001.418 S3C2T1 Fl. 6 5 A solicitação de perícia requer além da exposição motivos que a justifique, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito. Ausentes tais requisitos, é de se inferir a perícia requerida ((Decreto nº 70.235, de 1972, art. 16, inc. IV, com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, art. 1º). Impugnação Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte A empresa então apresentou Recurso Voluntário, onde pede: o reconhecimento do direito ao crédito presumido relativo a energia elétrica, em função de sua utilização como insumo na eletrólise para fabricação do alumínio; colaciona precedente da CSRF – Câmara Superior de Recursos Fiscais nesse sentido; afirma a possibilidade de aferir a energia elétrica consumida no processo de eletrólise na produção de alumínio; a validação de seu saldo credor de crédito presumido no segundo trimestre de 2001, independentemente do resultado do processo 10320.001220/200695; solicita diligência para comprovação das alegações, em caso de dúvida. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator. A súmula Carf 19 estabelece que a energia elétrica não compõe o crédito presumido de IPI sob a metodologia prevista na Lei 9.363/96: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Todavia, no caso da produção de alumínio, a energia elétrica também funciona como insumo direto, porque um dos processos industriais é a eletrólise da alumina (Al2O3). Nesse caso, não se trata de energia para funcionamento de equipamento ou iluminação, mas de processo físicoquímico em que a eletricidade participa como elemento intrínseco e essencial, em contato físico com a matériaprima. No mesmo sentido o Acórdão CSRF/2001.292, e o Acórdão 3403002.960, dentre outros. A recorrente trouxe, no Recurso Voluntário, diversas faturas de energia elétrica, as quais alega que distinguem a energia utilizada no processo de eletrólise da alumina. Em vista da apresentação de prova exigida pela decisão recorrida, dentro da dialética processual – art. 16, §4º, “b” que possivelmente pode lastrear direito de crédito presumido, entendo que o julgamento deva ser convertido em julgamento, a fim de que o Fisco se manifeste sobre a prova referida, em especial, sobre a alegada possibilidade de que haja comprovação da energia elétrica utilizada apenas no processo físico de eletrólise da alumina, Fl. 1379DF CARF MF Processo nº 10320.002150/200188 Resolução nº 3201001.418 S3C2T1 Fl. 7 6 em separado de outros processos industriais, tais como aquecimento, iluminação, funcionamento de máquinas, etc, procedendo às verificações que entender cabíveis. Após, deve a recorrente ser instada a manifestarse, se o desejar, com o retorno do processo ao Carf para continuidade do julgamento . (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 1380DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.002592/2004-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1999
IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTOS NECESSÁRIOS AO DESEMBARAÇO ADUANEIRO. ENTREGA A CONSUMO. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. MULTA. POSSIBILIDADE.
Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente art. 83, inc. I, da Lei nº 4502/64. Para fatos geradores anteriores à vigência da Lei nº 10.637/2002 não é possível a aplicação da multa prevista no art. 23, § 3º, do DecretoLei nº 1455/76 c/c art. 105, inc. VI do Decreto-Lei nº 37/66.
PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO.
O Mandado de Procedimento Fiscal assinado pelo gestor da Unidade preparadora, trata-se de um instrumento de controle da administração. No presente caso, o gestor apenas assinou o MPF, não participou do julgamento do lançamento, o auto de infração contêm a correta descrição dos fatos e o devido enquadramento legal das infrações cometidas, estão revestidos da suficiente motivação para a sua eficácia.
Numero da decisão: 9303-007.468
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTOS NECESSÁRIOS AO DESEMBARAÇO ADUANEIRO. ENTREGA A CONSUMO. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. MULTA. POSSIBILIDADE. Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente art. 83, inc. I, da Lei nº 4502/64. Para fatos geradores anteriores à vigência da Lei nº 10.637/2002 não é possível a aplicação da multa prevista no art. 23, § 3º, do DecretoLei nº 1455/76 c/c art. 105, inc. VI do DecretoLei nº 37/66. PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO. O Mandado de Procedimento Fiscal assinado pelo gestor da Unidade preparadora, tratase de um instrumento de controle da administração. No presente caso, o gestor apenas assinou o MPF, não participou do julgamento do lançamento, o auto de infração contêm a correta descrição dos fatos e o devido enquadramento legal das infrações cometidas, estão revestidos da suficiente motivação para a sua eficácia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 25 92 /2 00 4- 61 Fl. 2085DF CARF MF Processo nº 10283.002592/200461 Acórdão n.º 9303007.468 CSRFT3 Fl. 2.086 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência, tempestivo, interposto pelo sujeito passivo ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 3202000.675, de 19/03/2013, que possui a seguinte ementa, transcrita a seguir, nas partes que interessa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1999 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. JULGADOR ASSINOU O MPF COMO INSPETOR DA ALFÂNDEGA. INEXISTÊNCIA Não há que se falar em nulidade do julgamento de primeira instância quando a autoridade julgadora apenas assinou o MPF autorizando a fiscalização da empresa, sem ter participado da autuação nem dos atos praticados pela fiscalização tendentes à verificação da regularidade fiscal procedida pelo sujeito passivo NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO DE PARECER JURÍDICO JUNTADO APÓS APRESENTADA A IMPUGNAÇÃO. No processo administrativo fiscal, a apreciação de qualquer documento juntado após apresentada a impugnação só é autorizada quando preenchida pelo menos uma das condições impostas no §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau Fl. 2086DF CARF MF Processo nº 10283.002592/200461 Acórdão n.º 9303007.468 CSRFT3 Fl. 2.087 3 de recurso de matéria não suscitada na instância a quo ou de alegações genéricas que não apontem expressamente a matéria contestada. (...) FRAUDE NA IMPORTAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR. Constatado que a importação foi instruída com documentação falsa, no caso, fatura comercial, é de se considerar que houve importação irregular e fraudulenta, cabendo, por conseguinte, a aplicação da multa regulamentar prevista para esta infração, correspondente ao valor comercial da mercadoria importada, capitulada no inciso I do art. 83 da Lei nº. 4.502/64. Preliminares de nulidade rejeitadas. No mérito, recurso voluntário conhecido em parte; na parte conhecida, recurso parcialmente provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário; na parte conhecida, em rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância, e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. (...) A Fazenda Nacional, por seu Procurador, manifestouse pela não interposição de recurso especial de divergência (fl. 1.568). A Contribuinte foi cientificada do Acórdão do Recurso Voluntário em 04/06/2015 (fl. 1.793), e não apresentou qualquer manifestação. O Sujeito Passivo Solidário foi cientificado do Acórdão do Recurso Voluntário em 07/05/2015 (fl. 1.780) do qual interpôs recurso especial de divergência, em 21/05/2015 (fl.1.798). A divergência foi suscitada pelo sujeito passivo quanto às seguintes matérias: 1 Aplicação da penalidade prevista no art. 83, inciso I da Lei nº 4.502/64, que entende incorreta em razão da existência do registro de declaração de importação; 2 Direito à suscitar novos argumentos e jurisprudência em relação à matéria prequestionada; 3 Nulidade da decisão da DRJ em razão de impedimento de autoridade julgadora em razão de sua participação no julgamento e da expedição do Mandado de Procedimento Fiscal e por falta de apreciação de parecer jurídico. Para comprovar o dissenso quanto à primeira matéria, foram colacionados como paradigmas no recurso, os Acórdãos nºs 30238.072 (fls. 1.852/1.883) e 3401002.685 (fls. 1.884/1.890), com cópias de inteiro teor extraída do sítio do CARF, quanto à segunda matéria, foi colacionado como paradigma no recurso, o Acórdão nº 1402001.214 (fls. 1.891/1.931), referente à terceira matéria, foram colacionados como paradigmas no recurso, dentre outros, os Acórdãos nºs 310100.361 (fls. 1.932/1.941) e 302 39.260 (fls. 1.942/1.977). Em seguida, o Presidente da 3ª Seção do CARF, deu seguimento ao recurso, em relação as seguintes matérias: (i) aplicação da penalidade prevista no art. 83, inciso I da Lei nº 4.502/64 (art. 463, I RIP/98) e (ii) nulidade da decisão da DRJ em razão de impedimento da autoridade julgadora, nos termos do despacho de admissibilidade, ás fls. 2029/2035. Fl. 2087DF CARF MF Processo nº 10283.002592/200461 Acórdão n.º 9303007.468 CSRFT3 Fl. 2.088 4 Houve reexame de admissibilidade, o Presidente do CARF decidiu em manter na integra o despacho do presidente da seção, que deu seguimento parcial ao recurso interposto. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. No essencial é o Relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. Com efeito, quanto a validade da aplicação de multa correspondente ao valor comercial da mercadoria colocada a consumo, art. 83, I da lei 4502/64, adoto como fundamento em minhas razões de decidir o voto condutor do acórdão nº 9303004.236, de 13 de setembro de 2016, de relatoria do Ilustre Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, versando sobre a mesma matéria, que passa a fazer parte integrante deste voto. Vejamos: "Aplicação da multa de ofício Como bem relatado, tratase de auto de infração lavrado para se exigir a multa perpetrada às importações realizadas durante o ano de 2000, em decorrência da acusação de que o sujeito passivo entregou a consumo ou consumiu produtos de procedência estrangeira importados de forma fraudulenta, por violação ao art. 83, inciso I, da Lei 4.502/64, e ao art. 1º, do DecretoLei 400/68, regulamentado pelo art. 463, inciso I, do Decreto 2.637/98. O voto da relatora entendeu por dar provimento ao recurso especial, fundamentando seu entendimento com base no voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza proferido no acórdão nº 3202001.340, o qual transcreve em seu voto. Por sua vez, o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza utilizou o voto da ilustre Conselheira Irene Souza da Trindade Torres no Acórdão nº 3202000.586. Ocorre que nesse citado Acórdão, da Conselheira Irene, o fato gerador da infração deuse em 2004 e no presente processo estamos falando de fato gerador ocorrido em 2000. Tal informação faz uma grande diferença e, inequivocamente, as conclusões constantes do voto da Conselheira Irene não são aplicáveis às infrações Fl. 2088DF CARF MF Processo nº 10283.002592/200461 Acórdão n.º 9303007.468 CSRFT3 Fl. 2.089 5 apuradas no anocalendário de 2000. Tanto é verdade, que o próprio Conselheiro Charles, reconhecendo o equívoco, votou agora contra o seu próprio entendimento exarado no citado acórdão. A Conselheira Irene, no Acórdão nº 3202000.586, concluiu que na data do fato gerador, 2004, apesar de ainda estar vigente o art. 83, inc. I, da Lei nº 4.502/64, existia uma penalidade mais específica prevista no § 3º do art. 23 do DecretoLei nº 1455/76 com sua redação dada pela Lei nº 10.637/2002. Abaixo transcrições do referido voto em que fica claro esse entendimento: Assim, diante do arcabouço legal que trata a matéria, acima disto, fica cristalina a tipificação da situação fática importação de mercadorias com falsificação de documentos (fatura comercial) necessários ao seu desembaraço como dano ao Erário e a procedência da aplicação de pena de perdimento e de sua conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, em razão de sua não localização. Deste modo, irretocável o entendimento esposado pela DRJ quando afirma: Vejase que, nos casos configuradores de dano ao Erário, o suporte fático sobre o qual incide a multa prevista no citado § 3° do art. 23 do DL n.° 1.455, de 1976, é precisamente o mesmo que foi aventado pela autoridade autuante para a aplicação da multa prevista no inciso I do art. 83 da Lei n.° 4.502, de 1964, qual seja, a entrega para consumo (implicando a não localização) do produto estrangeiro importado fraudulentamente. Todavia, além de a penalidade prevista nos termos do § 3° do art. 23 do DL n.° 1.455, de 1976, ter sido instituída por norma legal mais recente, fato é que decorre de situações de fraude ou irregularidades cuja definição é mais específica, ao passo que a disposição contida no inciso I do art. 83 da Lei n.° 4.502, de 1964, referese de forma genérica à hipótese de importação irregular ou fraudulenta do produto estrangeiro. (destaquei) Adequandose, portanto, os fatos à norma, temse que as infrações apuradas pela Fiscalização guardam identidade com a hipótese de dano ao Erário previsto no art. 23, IV, do DecretoLei nº 1.455/76 c/c o art. 105, VI, do Decretolei nº 37/66. No caso, temse aplicável a pena de perdimento da mercadoria, convertida em multa, conforme previsto nestes mesmos diplomas legais, não sendo aplicável a penalidade prevista no art. 83, inciso I, da Lei nº 4.502/64, por constituirse o dano ao Erário na tipificação adequada para o caso em questão. (...) Porém, no presente processo estamos lidando com fato gerador da infração de 2000, quando não havia uma penalidade mais específica para as situações em causa. Fl. 2089DF CARF MF Processo nº 10283.002592/200461 Acórdão n.º 9303007.468 CSRFT3 Fl. 2.090 6 A única infração prevista era a do art. 83, inc. I da Lei nº 4.502/64, a qual se amolda perfeitamente aos fatos relatados. Veja a sua redação: Art. 83. Incorrem em multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal, respectivamente: I – Os que entregarem ao consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido desacompanhado da nota de importação ou da nota fiscal, conforme o caso; Agora, transcrevese a acusação fiscal retirada do auto de infração, fl. 8386, a qual demonstra a prática da infração cuja tipicidade, no meu entendimento, se encaixa no art. 83, I, da Lei nº 4.502/64: As autuadas, TCE Comércio e Serviços em Tecnologia e Informática Ltda (denominada a seguir como "TCE") e SDW Serviços Empresarias Ltda (referida aqui como "SDW) consumiram e entregaram a consumo produtos de procedência estrangeira importados fraudulentamente. Diversas infrações cambiais e fiscais, além de crimes, foram cometidas pelas empresas auditadas, razão da lavratura deste Auto de Infração com fundamento, principalmente, no art. 83, inciso I, da Lei n°4.502/64, no art. 1º , alteração 2ª, do DecretoLei n°400/68regulamentado pelo art.463, inciso I, do Decreto n° 2.637/98 (RIPI/98), in verbis: (...) Por isso, ficam os autuados sujeitos ao pagamento de multa regulamentar de RS 94.734.141,08 (noventa e quatro milhões, setecentos e trinta e quatro mil, cento e quarenta e um reais e oito centavos), equivalentes ao valor da mercadoria constante do demonstrativo anexo, às fls.628/640. Neste caso, a fraude consistiu, principalmente, na falsificação/adulteração de invoices e na constituição fraudulenta das autuadas. As infrações constatadas e provadas nesta peça são referentes às operações internacionais de comércio exterior ocorridas em 2000. (...) Além do mais todas as jurisprudências colacionadas no voto da relatora referemse a fatos geradores ocorridos após a vigência da Lei nº 10.637/2002. Nesse sentido, apenas para ilustrar, colaciono abaixo duas ementas em que houve a manutenção da multa prevista no art. 83, inc. I da Lei nº 4502/64 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Fl. 2090DF CARF MF Processo nº 10283.002592/200461 Acórdão n.º 9303007.468 CSRFT3 Fl. 2.091 7 Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003 MERCADORIA IMPORTADA IRREGULAR OU FRAUDULENTAMENTE. ENTREGA A CONSUMO. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente. Recurso Especial do Procurador Provido.(Acórdão CSRF nº 9303003818, de 27/04/2016, relatoria do Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Processo nº 13971.000404/200408). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2004, 2005 MULTA Lei 4.502/1964, artigo 83, inciso I. Deve ser mantida a multa correspondente ao valor comercial da mercadoria quem entrega a consumo mercadorias (1) importadas irregularmente, por ausência de prova da regular importação, e (2) que tenham entrado no estabelecimento desacompanhadas de nota fiscal, caracterizada a infração pelo emprego de notas falsas. Recurso Improvido. .(Acórdão nº 3301002119, de 26/11/2013, relatoria do Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Processo nº 10830.720952/200890). Por fim, não tem razão a relatora ao defender a retroatividade da Lei 10.637/2002 com base no § 1º do art. 144 do CTN. Veja o que dispõe referido dispositivo: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. (Destaquei) Óbvio que o dispositivo legal está referindose a retroatividade da Lei quando determina novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ou seja, está tratando de direito processual e não de direito material. As infrações tributárias e suas correspondentes penalidades é assunto correspondente a direito material não se aplicando a retroatividade pretendida. Abaixo o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, a respeito do alcance do § 1º do art. 144 do CTN: Fl. 2091DF CARF MF Processo nº 10283.002592/200461 Acórdão n.º 9303007.468 CSRFT3 Fl. 2.092 8 TRIBUTÁRIO – NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL – APLICAÇÃO INTERTEMPORAL – UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES OBTIDAS A PARTIR DA ARRECADAÇÃO DA CPMF PARA A CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO REFERENTE A OUTROS TRIBUTOS – RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º DO CTN. 1. O artigo 144, § 1º, do CTN prevê que as normas tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao contrário daquelas de natureza material que somente alcançariam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. 2. Não existe direito adquirido de impedir a fiscalização de negócios que ensejam fatos geradores de tributos, máxime porque, enquanto não existe o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal. Agravo regimental improvido. (STJ AgRg no REsp: 1011596 SP 2007/02877312, Relator: Ministro HUMBERTO MARTINS, Data de Julgamento: 17/04/2008, T2 SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 05/05/2008) (Destaquei) Por fim, deixo de enfrentar a ocorrência ou não da fraude na emissão das invoices, pois essa matéria, por equívoco da relatora, não foi levada à discussão e ao debate da turma julgadora. Como foram julgados dois processos da mesma pessoa jurídica na mesma sessão de julgamento, esqueceuse de destacar as matérias diferenciadas entre eles e o debate restringiuse à possibilidade ou não da aplicação da multa, que é o objeto desse voto vencedor". Quanto a nulidade por ter a autoridade julgadora participado do lançamento. Não é verdade. Ela somente assinou o Mandado de Procedimento Fiscal, como gestor da Unidade, ademais o procedimento realizado tratase de um instrumento de controle da administração, mas de fato não participou do lançamento. As nulidades no processo administrativo fiscal são aquelas constantes do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Os requisitos para lavratura do auto de infração, por sua vez, se encontram no art 10 do Decreto nº 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; Fl. 2092DF CARF MF Processo nº 10283.002592/200461 Acórdão n.º 9303007.468 CSRFT3 Fl. 2.093 9 II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Os itens III descrição do fato e IV disposição legal infringida e a penalidade aplicável, colacionados acima, formam a motivação do lançamento a partir da qual surge a obrigação tributária em concreto, possibilitando identificar os sujeitos e quantificar o crédito tributário. Na lição de Paulo de Barros Carvalho1: "Motivo ou pressuposto é a realização do "evento", do qual tem notícia o agente da Administração Não é ainda o "fato jurídico tributário" que vai surgir na forma de um enunciado lingüístico, integrado no conteúdo do ato. É aquele acontecimento do inundo que feriu a sensibilidade de um sujeito de direito e está a espera da linguagem própria que lhe dê foros de objetividade." Há que se diferenciar ainda o motivo do ato administrativo da motivação, que integra a "formalização" do ato. Nos dizeres de Fabiana Del Padre Tomé2, motivo é requisito extrínseco ou pressuposto do ato administrativo, ao passo que a motivação é requisito intrínseco ou elemento do referido ato: "Enquanto o motivo é pressuposto fático do ato, representado pela "ocorrência da vida real que _satisfaz a todos os critérios identificadores tipificados na hipótese tributária", a motivação compõe o próprio ato administrativo, consistindo na descrição do motivo do ato, situada no antecedente da norma individual e concreta. Tratandose de ato de lançamento, o motivo é o evento tributário, ao passo que a motivação constitui o .fato jurídico correspondente O mesmo se verifica no ato de aplicação de penalidade: o motivo é o evento ilícito, sendo o fato da ilicitude introduzido no universo jurídico pela motivação." Sendo assim, entendo que não se configura nos autos as hipóteses que possam conduzir o auto de infração a sua nulidade, principalmente, quando o procedimento fiscal foi realizado com observância aos ditames dos arts. 142 e 149 do Código Tributário Nacional CTN e dos arts. 9 e 10 do PAF. Dispositivo Ex positis, nego provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto. 1 CARVALHO, Paulo de Barros Direito tributário liguagem e método 2 ed. São Paulo, Noeses, 2008, p. 432. 2 TOMÉ, Fabiana Del Padre. Prova no direito tributário 2 ed São Paulo: Noeses, 2008, p. 289293 Fl. 2093DF CARF MF Processo nº 10283.002592/200461 Acórdão n.º 9303007.468 CSRFT3 Fl. 2.094 10 (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 2094DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.727104/2014-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 71 04 /2 01 4- 03 Fl. 3190DF CARF MF Processo nº 10380.727104/201403 Acórdão n.º 2402006.348 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Fl. 3191DF CARF MF Processo nº 10380.727104/201403 Acórdão n.º 2402006.348 S2C4T2 Fl. 4 3 Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 3192DF CARF MF Processo nº 10380.727104/201403 Acórdão n.º 2402006.348 S2C4T2 Fl. 5 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 3193DF CARF MF
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