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Numero do processo: 12898.000181/2010-86
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 09/03/2010
CONEXÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. INOCORRÊNCIA. SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO DO AUTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESNECESSIDADE. REINCIDÊNCIA GENÉRICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO DA MAJORANTE. MULTA NO MÍNIMO LEGAL.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-002.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, para reconhecer que a reincidência deve ser excluída da autuação e o crédito fixado no mínimo legal.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 09/03/2010 CONEXÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. INOCORRÊNCIA. SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO DO AUTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESNECESSIDADE. REINCIDÊNCIA GENÉRICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO DA MAJORANTE. MULTA NO MÍNIMO LEGAL. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, para reconhecer que a reincidência deve ser excluída da autuação e o crédito fixado no mínimo legal. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 09/03/2010 CONEXÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. INOCORRÊNCIA. SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO DO AUTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESNECESSIDADE. REINCIDÊNCIA GENÉRICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO DA MAJORANTE. MULTA NO MÍNIMO LEGAL. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, para reconhecer que a reincidência deve ser excluída da autuação e o crédito fixado no mínimo legal. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 01 81 /2 01 0- 86 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12898.000181/201086 Acórdão n.º 2803002.343 S2TE03 Fl. 133 2 Relatório O presente Auto de Infração, DEBCAD 37.236.7143, objetiva o lançamento da Obrigação Acessória, deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração – AI, de fls. 01. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 15/03/2010, conforme AR, de fls. 57. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões, acostada, as fls. 28 a 31, recebida, em 08/04/2010, estando acompanhada dos documentos, de fls. 32 a 53. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 58 a 61. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1233.554 12ª Turma da DRJ/RJI, em 30/09/2010, fls. 62 a 65, no qual a impugnação foi considerada improcedente. O AR juntado, de fls. 130, não permite dizer quando o contribuinte tomou conhecimento deste decisório. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição e razões recursais, as fls. 73 a 75, recebida, em 06/10/2011, acompanhado dos documentos, de fls. 76 a 92, as teses recursais sumariadas estão a seguir expostas. Preliminarmente. · que o recurso é tempestivo; Mérito. · que a empresa impugnou os fatos geradores da obrigação principal Autos de Infrações Nº’s 37.236.7119; 37.236.7100 e 37.236.7127, inexistindo fato gerador inexiste a obrigação acessória, cita o artigo 225, II, do RPS; · A recorrente requer e pede: a) sobrestamento deste AI até julgamento da obrigação principal; b) declaração de improcedência deste AI. O órgão preparador reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 96. Os autos foram remetidos ao CARF, fls. 96. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12898.000181/201086 Acórdão n.º 2803002.343 S2TE03 Fl. 134 3 É o Relatório. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12898.000181/201086 Acórdão n.º 2803002.343 S2TE03 Fl. 135 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado Preliminar. A tempestividade foi reconhecida e o recurso está sendo “processado”. Mérito. No que tange a conexão e a relação de acessoriedade entre obrigação principal – tributo e o dever instrumental – obrigação acessória – discordo das opiniões da recorrente e da DRJ, pois em matéria tributária tal relação não têm o mesmo alcance que na seara civil, pois o dever instrumental pode subsistir em certos casos, ainda, que não haja a obrigação principal, artigo 175, parágrafo único, da Lei 5.172/66. Entretanto, isso é irrelevante para o deslinde deste caso. A recorrente foi autuada por deixar de lançar em títulos próprios de sua contabilidade de forma discriminada, todos os fatos geradores de contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, como descrito no REFISC, item 2.1, fls. 06. Os lançamentos que não foram realizados em títulos próprios estão descritos no item a seguir citado do Relatório de Multa Aplicada. 1 A empresa foi autuada por ter feito lançamento de valor pago a empresa Companhia Brasileira de Soluções e Serviços, CNPJ 04.740.876/000125, na conta 4.2.3.02.0004 Plano de saúde e lançamento de rescisão de Antônio Geraldo na conta 5.1.3.02.0002 Vale Refeição/Despesas com Alimentação, conforme demonstrado nas planilhas do ANEXO XIX. (grifos do original). Desta forma, fica evidente que, ainda, que a empresa nada devesse de contribuição previdenciária em relação a seus trabalhadores e que a obrigação principal lançada na mesma ação fiscal sucumbisse o auto de infração em testilha subsistiria, pois a obrigação de lançar em títulos próprios da contabilidade não deixa de existir, uma vez que há trabalhadores e estes são segurados e que seus haveres são base de cálculo da contribuição previdenciária. Portanto, o pedido de sobrestamento de julgamento deste em razão do auto de obrigação principal é impertinente, bem como não há razão para declarar a improcedência do lançamento. Todavia, não há como sustentar a aplicação da reincidência genérica como consta do Relatório da Multa Aplicada, fls. 13. No item 3 deste relatório o agente fiscal diz, o que a seguir se transcreve: Fl. 135DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12898.000181/201086 Acórdão n.º 2803002.343 S2TE03 Fl. 136 5 3. Considerando a existência de circunstância agravante, prevista no art. 290, inc. V, do Regulamento da Previdência Social – RPS, e tratandose de uma reincidência genérica, prevista no art. 292, inc. IV, do referido Regulamento, a multa no valor de R$ 14.107,77 (Quatorze mi, cento e sete reais e setenta e sete centavos), atualizado conforme o estabelecido no inc. V, do art. 8º, da Portaria Interministerial MPS/MF nº 350, de 30 de dezembro de 2009, publicada no DOU de 31/12/2009, foi elevada em duas vezes perfazendo o total de R$ 28.215,54 (Vinte e oito mil, duzentos e quinze reais e cinquenta e quatro centavos), conforme cópia do CCREDEXT, em anexo. (destaques do original). Apesar do que dito pelo agente lançador este não trouxe aos presentes autos a comprovação da existência da infração anterior, data de seu cometimento; data da sua aplicação, a data do julgamento, a data do resultado do julgamento ou do pagamento do AI, ou seja, data da consolidação do evento. A falta dos elementos citados não permitem que se configure a reincidência, observese a legislação sobre o tema: Art. 290. Constituem circunstâncias agravantes da infração, das quais dependerá a gradação da multa, ter o infrator: V incorrido em reincidência. Parágrafo único. Caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) Assim sendo, não prospera a configuração da reincidência e a majoração da multa em duas vezes, devendo esta ser excluída e a multa fixada no mínimo legal. Posto isto, nego o pedido de sobrestamento deste, até porque a obrigação principal está sendo julgada em conjunto, apesar de desnecessário como explicitado. Entretanto, reconheço que a reincidência foi aplicada de forma indevida, devendo ser excluída. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12898.000181/201086 Acórdão n.º 2803002.343 S2TE03 Fl. 137 6 CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso, para no mérito darlhe provimento parcial para reconhecer que a reincidência deve ser excluída da autuação e o crédito fixado no mínimo legal. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10380.900930/2008-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002
Ementa:
É conditio sine qua non a existência de um pagamento indevido ou a maior que o devido para que o contribuinte faça jus à repetição do indébito, a qual só pode ocorrer dentro do prazo decadencial previsto na legislação. Caso contrário, estaríamos diante de um enriquecimento sem causa de uma das partes. Não ocorrendo tais condições, não há direito a crédito. Por sua vez, sem crédito, a compensação fica prejudicada, pela falta do principal pressuposto legal, qual seja: a reciprocidade de credor e devedor entre as pessoas envolvidas.
Numero da decisão: 3402-002.096
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para homologar a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido, nos termos do relatório de diligência
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Winderley Morais Pereira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Leonardo Mussi da Silva(Suplente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 Ementa: É conditio sine qua non a existência de um pagamento indevido ou a maior que o devido para que o contribuinte faça jus à repetição do indébito, a qual só pode ocorrer dentro do prazo decadencial previsto na legislação. Caso contrário, estaríamos diante de um enriquecimento sem causa de uma das partes. Não ocorrendo tais condições, não há direito a crédito. Por sua vez, sem crédito, a compensação fica prejudicada, pela falta do principal pressuposto legal, qual seja: a reciprocidade de credor e devedor entre as pessoas envolvidas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para homologar a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido, nos termos do relatório de diligência (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Winderley Morais Pereira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Leonardo Mussi da Silva(Suplente).
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Caso contrário, estaríamos diante de um enriquecimento sem causa de uma das partes. Não ocorrendo tais condições, não há direito a crédito. Por sua vez, sem crédito, a compensação fica prejudicada, pela falta do principal pressuposto legal, qual seja: a reciprocidade de credor e devedor entre as pessoas envolvidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para homologar a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido, nos termos do relatório de diligência (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Winderley Morais Pereira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Leonardo Mussi da Silva(Suplente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 09 30 /2 00 8- 57 Fl. 529DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.900930/200857 Acórdão n.º 3402002.096 S3C4T2 Fl. 205 2 Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos, colaciono o relatório da Resolução nº 3402000300, de 01/09/2011, verbis: Tratase de pedido de ressarcimento cumulado com declaração de compensação. O credito usado na compensação é oriundo de pagamento a maior do PIS, efetuado em 14/11/2002. O Despacho decisório considerou que o recolhimento informado na DCOMP foi totalmente utilizado para quitar os débitos informados na DCTF, não havendo credito a ser usado na compensação. O pedido foi indeferido e as compensações não foram homologadas. Cientificada a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando: o crédito apurado em seu favor decorreu de correção nos cálculos de apuração do PIS, entretanto não foi efetivada a retificação através do envio de DCTF retificadora, bem como de DIPJ retificadora. detectada a falha, foi apresentada somente a retificação da DIPJ. A DCTF não foi apresentada em virtude de o contribuinte ter recebido Termo de Intimação para prestar esclarecimentos acerca de divergências apresentadas entre DIPJ e DCTF relativo à COFINS. em dezembro de 2006 apresentou as justificativas para o Termo de Intimação e solicitou orientação sobre a necessidade de retificação das DCTF já que estava sob procedimento fiscal. A orientação até hoje não foi recebida. anexa os PER/DCOMP e planilhas de atualização do alegado crédito. considera que com a retificação da DCTF, estará regularizada a pendência. Para tanto procedeu a retificação da DCTF de 2002 em 04 de junho de 2008. Requer o acatamento da retificação da DCTF, como também que os PER/DCOMP sejam acolhidos e que a cobrança dos débitos constantes das notificações sejam anuladas. A autoridade julgadora a quo indeferiu a solicitação. A contribuinte apresenta recurso voluntário alegando as mesmas razões da inicial, acrescendo: • o crédito apurado em favor da recorrente decorreu de correção nos cálculos de apuração do PIS, Fl. 530DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.900930/200857 Acórdão n.º 3402002.096 S3C4T2 Fl. 206 3 • a retificação das DCTF foi realizada em virtude da revisão de DIPJ realizada no âmbito do processo 10.380.001058/2007 81(anexo I) que culminou com a lavratura de Auto de Infração da COFINS . Neste processo o nobre auditor fiscal utilizou como base para autuação os valores constantes da DIPJ como podemos observar as folhas 08 deste processo nota de rodapé "Fonte : coluna (A e B) Linha 20 e 21 da ficha 20a — DIPJ"(anexo II). • Se o auditor utilizou a DIPJ para realizar a autuação é porque verificou junto a escrituração contábil que os valores estavam corretos e portanto válidos(vide anexo III), razão pela qual a contribuinte também poderia utilizarse destas mesmas informações para lastrear seu pedido de restituição já que a base de cálculo da COFINS é a mesma do PIS. • O que este contribuinte fez foi apenas adequar a base de cálculo utilizada pelo auditor autuante no processo 10380.001058/200781 COFINS, à base de cálculo do PIS objeto da presente defesa, razão pela qual restaram evidenciados o pagamento à maior que foi objeto do presente crédito ora utilizado. • Os r. julgadores afirmam ter verificado que a recorrente apresentou DIPJ antes de cientificado da decisão denegatória de seu pedido, no entanto, a DIPJ, tratase de mecanismo meramente informativo de informações econômico fiscais, sem portanto, ter força de confissão. A Declaração que faria provas ao direito credit6rio seria a DCTF, por força do art. 5° do Decretolei nº 2.124/84, c/c o parágrafo 1º do artigo 90 da Instrução Normativa SRF no. 482, de 21 de dezembro de 2004, que lhe atribuem a condição de instrumento de confissão de divida e constituição definitiva de credito tributário. • Discorre sobre a ilegalidade da norma que criou a DCTF e deu a esta o caráter de confissão de divida. A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF converteu o julgamento em diligência para que o órgão de origem tomasse as seguintes providências: 1) Intimar a contribuinte para que ela apresente copias de seus livros fiscais demonstrando as corretas bases de calculo do PIS devido; 2) Intimar a contribuinte para que ela efetivamente demonstre através de planilha demonstrativa pormenorizada, embasadas em documentos contábeis fiscais, a correta base de calculo da contribuição devida, os valores recolhidos por meio de DARF e os valores que entende indevidos, bem como quais os valores já utilizados em outras compensações (com a devida comprovação); e Fl. 531DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.900930/200857 Acórdão n.º 3402002.096 S3C4T2 Fl. 207 4 3) Verificar diante das informações e documentos apresentados pela contribuinte a existência do alegado direito creditório, inclusive com elaboração de demonstrativos de calculo e relatório final de diligencia, anexando os documentos que se fizerem necessários para o deslinde da questão. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza intimou o sujeito passivo para apresentar os documentos necessários para a feitura da diligência proposta. Passado o prazo de 20 dias, o contribuinte mantevese inerte. A Autoridade Preparadora fez a análise solicitada pelo Colegiado do Carf com base nos registros documentais que possuía. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Conforme relatado, a lide posta nos autos diz respeito a pedido de restituição cumulado com declarações de compensação. Este Colegiado baixou o processo em diligência para análise de questões imprescindíveis para o julgamento da controversa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza/CE realizou o trabalho de campo, ao final produziu um relatório fiscal, o qual o recorrente teve ciência para contestar e manifestou concordância com os dados apurados pelo Fisco. Com base nas apurações feitas pela Delegacia de Origem constato: a) Que o recorrente pleiteou um crédito financeiro referente ao recolhimento do PIS efetuado em 14/11/2002 no valor de R$ 50.719,70 e foi apurado um crédito a seu favor no valor de R$ 50.719,44; b) Que no processo nº 10380.900899/200854 o recorrente utilizou o valor acima para compensar créditos tributários do IRRF referente à novembro de 2003 no valor de R$ 13.242,12; c) Que no processo nº 10380.900930/200857 o recorrente pleiteia a compensação deste mesmo crédito com débitos do IRRF referente à janeiro de 2004, no valor de R$ 45.167,87; d) Que no processo nº 10380.901786/200876 o recorrente pleiteia a compensação deste mesmo crédito com débitos Fl. 532DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.900930/200857 Acórdão n.º 3402002.096 S3C4T2 Fl. 208 5 do IRRF referente à fevereiro de 2004, no valor de R$ 4.640,97; e) Que a soma dos valores compensados resulta em R$ 63.050,96, e o valor apurado foi de R$ 50,719,44.. É de meridiana obviedade que o recorrente não tinha valores a restituir suficientes para contemplar toda a compensação pretendida. Diante desta quadro, convém tecer resumidas linhas sobre os institutos da restituição e da compensação. Nos casos de pagamento indevido ou a maior, fatos que justificam uma eventual repetição do indébito, a idéia de restituir é para que ocorra um reequilíbrio patrimonial. O direito de repetir o que foi pago emerge do fato de não existir débito correspondente ao pagamento. Portanto, a restituição é a devolução de um bem que foi transladado de um sujeito a outro equivocadamente. Deve ficar entre dois parâmetros, não podendo ultrapassar o enriquecimento efetivo recebido pelo agente em detrimento do devedor, tampouco ultrapassar o empobrecimento do outro agente, isto é, o montante em que o patrimônio sofreu diminuição. O ordenamento jurídico estabelece a obrigação de restituir a “todo aquele que recebeu o que lhe não era devido”, e essa obrigação se extingue com a restituição do indevido ou com a decadência do direito. A restituição do indevido pode ser feita por meio da compensação, que é uma forma indireta de extinção da obrigação, feita por uma via oblíqua. Doutrinariamente, a compensação é dividida em duas categorias: a legal e a convencional. A adotada pelo direito tributário é a legal, ou seja, presentes os pressupostos legais, ela se opera independentemente da vontade dos interessados. O conteúdo semântico do termo compensação, adotado pelo Código Tributário Nacional, tem os mesmos contornos do conceito consolidado no direito civil. Não se pode olvidar que os termos e conceitos jurídicos consolidados no direito privado não podem ser modificados pela lei tributária, conforme reza o art. 110 do CTN. É pressuposto da compensação que os sujeitos possuam uma condição recíproca de credor e devedor. Existe uma contraposição de direitos e obrigações que, colocados na balança e equilibrados, se extinguem. Tal extinção assemelhase ao pagamento, contudo um pagamento indireto pela exclusão de um débito em face do direito a um crédito. Nesta linha, podese inferir que compensar significa fazer um acerto no equilíbrio entre os débitos e os créditos que duas pessoas têm, ao mesmo tempo. Portanto, temos como pressupostos de admissibilidade da compensação legal a reciprocidade dos créditos (obrigações), a liquidez das dívidas, a exigibilidade atual das prestações e a homogeneidade das prestações (fungibilidade dos débitos). Após essa breve explanação, fica evidente que é conditio sine qua non a existência de um pagamento indevido ou a maior que o devido para que o contribuinte faça jus à repetição do indébito, a qual só pode ocorrer dentro do prazo decadencial previsto na legislação. Caso contrário, estaríamos diante de um enriquecimento sem causa de uma das partes. Não ocorrendo tais condições, não há direito a crédito. Por sua vez, sem crédito, a compensação fica prejudicada, pela falta do principal pressuposto legal, qual seja: a reciprocidade de credor e devedor entre as pessoas envolvidas. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.900930/200857 Acórdão n.º 3402002.096 S3C4T2 Fl. 209 6 No direito tributário nacional, a compensação está prevista na espécie denominada de “compensação legal”, e assim sendo constitui um direito subjetivo que pode ser exercitado por quem se encontre em situação hábil a pleiteála exigindo que sua obrigação tributária seja extinta em procedimento de compensação, conquanto que sejam preenchidos os seguintes requisitos legais: · Especificidade, isto é, a existência de lei autorizativa específica; · A estipulação de condições e garantias na lei autorizativa específica; · Reciprocidade, ou seja, o sujeito passivo deve ser portador de créditos próprios oponíveis a outros créditos da Fazenda Pública; · Liquidez, que se caracteriza pelos créditos devidamente quantificados e expressos em unidades monetárias; · Certeza, diz respeito a sua constituição fundada na existência de uma relação jurídico tributária completamente definida; · Exigibilidade irrestrita relativamente aos créditos vencidos e também vincendos de compensação. Cumpre observar que o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no art. 170 da Lei nº 5.172, de 26 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), que diz: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento.” É oportuno tecer algumas linhas acerca da história da compensação tributária. O Código Tributário Nacional arrolou a compensação como uma das modalidades de extinção do crédito tributário, cometendo à lei ordinária a tarefa de disciplinarlhe as condições e garantias (art. 170 do CTN). Essa previsão encampa uma conotação de norma delineadora de simples perspectiva de direito, notadamente por ser dirigida à autoridade administrativa. Com o escopo de fulminar qualquer conjectura voltada à atribuição de letra morta ao instituto da compensação em matéria tributária, em nível federal, houve a devida instrumentalização desse instituto jurídico, de modo que a Lei nº 8.383/91, por força do seu art. 66, passou a autorizar a autocompensação de indébitos tributários no âmbito do lançamento por homologação. Assim, para que o contribuinte pudesse se valer do direito subjetivo à autocompensação de indébito tributário, nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383/91, com Fl. 534DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.900930/200857 Acórdão n.º 3402002.096 S3C4T2 Fl. 210 7 alterações introduzidas pelo art. 39 da Lei nº 9.250/95, bastava, simplesmente, que o mesmo tivesse efetuado pagamento indevido ou maior de tributos e que a compensação se realizasse com débitos vincendos de tributos da mesma espécie e destinação constitucional. Todavia, essa autocompensação deveria ficar demonstrada na contabilidade do sujeito passivo, tendo em vista o poderdever do fisco de fiscalizar e verificar a regularidade da compensação, ou, sendo o caso, diante da apuração de eventuais irregularidades, cabendo lhe notificar as diferenças e/ou excessos praticados. Desta forma, provase que ocorreu a autocompensação com a apresentação da respectiva escrituração nos livros fiscais. Com o advento da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, artigos 73 e 74, a Administração Tributária passou a admitir a compensação de créditos do sujeito passivo, perante a SRF, decorrentes de restituição ou ressarcimento, com seus débitos tributários relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da mesma Secretaria, vencidos ou vincendos, ainda que não fossem da mesma espécie e nem tivessem a mesma destinação constitucional. “Art. 73. Para efeito do disposto no art. 7º do Decretolei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo ou da contribuição a que se referir; II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição. Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração.” Regulamentando os artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, foi baixado o Decreto nº 2.138, de 29/01/1997, dispondo sobre a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo, decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, a ser efetuada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil: “Art. 1°. É admitida a compensação de créditos do sujeito passivo perante a Secretaria da Receita Federal, decorrentes de restituição ou ressarcimento, com seus débitos tributários relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da mesma Secretaria, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. Parágrafo único. A compensação será efetuada pela Secretaria da Receita Federal, a requerimento do contribuinte ou de ofício, mediante procedimento interno, observado o disposto neste Decreto. (...) Fl. 535DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.900930/200857 Acórdão n.º 3402002.096 S3C4T2 Fl. 211 8 Art. 7º. O Secretário da Receita Federal baixará as normas necessárias à execução deste Decreto.” A Secretaria da Receita Federal do Brasil normatizou os procedimentos de compensação mediante edição da IN/SRF nº 21, de 10/03/1997, alterada pela IN/SRF nº 73, de 15/09/1997. Sempre que o contribuinte fosse detentor de um crédito perante SRFB podia utilizálo na liquidação ou amortização de débito do mesmo tributo ou de outro tributo. Assim, a compensação poderia ser feita: · Independentemente de requerimento, se relativo a tributo ou contribuição da mesma espécie e se o crédito fosse anterior ao débito (IN SRF nº 21, art. 14); · Mediante requerimento do contribuinte: se relativo a tributo ou contribuição de espécie diferente (IN SRF nº 21, art 12). Neste caso, a compensação de débitos vincendos poderia ser efetuada desde que não existissem débitos vencidos, ainda que parcelados (IN SRF nº 21, art.12, § 3°); quando o débito fosse anterior ao crédito (IN SRF nº 21, art.14, §7°); quando o débito for de outro contribuinte (IN SRF nº 21, art.15); quando o débito for decorrente de lançamento de ofício (IN SRF nº 21, art. 16); · Em procedimento de ofício (IN SRF nº 21, art. 6º). A partir de 01/10/2002, com a publicação da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, implementaramse novas regras para a compensação: “Art. 49. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º. A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º. A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 3º. Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação: Fl. 536DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.900930/200857 Acórdão n.º 3402002.096 S3C4T2 Fl. 212 9 I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. § 4º. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5º. A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo.” Com essa alteração, a compensação passa a ser declarada pelo próprio contribuinte, por meio da entrega da “Declaração de Compensação” (eletrônica, pelo PER/DCOMP, a partir de 14/05/2003), na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. A compensação realizada nesses moldes extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, em 01/10/2002, foram transformados em declaração de compensação, desde o seu protocolo, e os débitos a ela vinculados passaram para a condição de extintos sob condição resolutória. De se observar que o Parecer PGFN/CAT nº 1.499, de 28/09/2005, em análise sobre diversos aspectos inerentes ao instituto da compensação, assim se manifestou sobre essas questões: “143. Ante todo o exposto, chegase às seguintes conclusões: (....) c.1) os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, se observadas todas as demais condições estabelecidas na Lei nº 9.430/96 e legislação correlata; c.2) assim, os pedidos administrativos de compensação, fundados em créditos de terceiro, pendentes de análise pela RF, protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria (Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03), não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação. Ou seja, não se aplicam a conversão do “pedido de compensação” em “declaração de compensação” (com a extinção automática do crédito tributário), e nem mesmo, por conseqüência, o prazo previsto no § 5º, do art. 74, da lei nº 9.430/96 para homologação da compensação (cinco anos); c.3) aplicase o entendimento retro, também, aos pedidos de compensação, pendentes de apreciação, quando fundados em créditos que se refiram a “créditoprêmio” instituído pelo art. 1º Fl. 537DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.900930/200857 Acórdão n.º 3402002.096 S3C4T2 Fl. 213 10 do DecretoLei nº 491, de 05 de março de 1969; ou que se refiram a títulos públicos; ou sejam decorrentes de decisão judicial não transitada em julgado; ou que não se refiram a tributos ou contribuições administrados pela RF; (...) Retornando aos autos, diante dos fundamentos jurídicos e legais postos nos autos, dou provimento parcial ao recurso voluntário para homologar a compensação declarada até o limite do crédito financeiro reconhecido, nos termos do relatório de diligência. É como voto. Sala das Sessões, em 23/07/2013 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 538DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10880.937281/2008-17
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/08/2003
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-002.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
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(sucessora por incorporação de Preference Serviços de Administração de Condomínio e Hotelaria Ltda.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/08/2003 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/08/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 72 81 /2 00 8- 17 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ALEXANDRE KERN 2 (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório PREFERENCE SERVIÇOS DE ADMINISTRAÇÃO DE CONDOMÍNIO E HOTELARIA LTDA. transmitiu, em 29/06/2004, o Pedido de Restituição/Declaração de Compensação PER/DComp nº 17988.93183.290604.1.3.048322, fls. 06 a 10, pretendendo extinguir débitos, no valor total de R$ 12.847,10, pela via de sua compensação com créditos decorrentes de recolhimento indevido de PIS (código de receita: 8109, período de apuração: 31/07/2003), efetuado em 15/08/2003, no valor total de R$ 11.352,04. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo (DERAT/SPO), por meio do Despacho Decisório Eletrônico nº 791217785, fls. 01, indeferiu o pleito repetitório porque, a partir do DARF indicado, foram localizados pagamentos parcialmente utilizados para a quitação de débitos do Contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para a quitação da compensação dos débitos informados, resultando na homologação parcial da compensação declarada. Sobreveio reclamação, fls. 11, por meio da qual o interessado afirmou que apurou e declarou o pagamento em sua DCTF e que seu crédito é suficiente para amparar a compensação efetuada. Requereu a revisão do Despacho Decisório com o reconhecimento de seu crédito. Instruiu a peça de reclamação com cópias da tela da DCTF, do DARF da alteração do contrato social e de documentos pessoais da sócia. A 13ª Turma da DRJ/SP1 julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente por falta de prova do direito creditório. O Acórdão nº 1635.758, de 20 de janeiro de 2012, fls. 38 a 43, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Data do fato gerador: 15/05/2001 Ementa: DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos cabais de prova quanto aos motivos determinantes das alterações nos débitos confessados originalmente por intermédio da DCTF, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.937281/200817 Acórdão n.º 3403002.245 S3C4T3 Fl. 61 3 DESPACHO DECISÓRIO. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos cabais de prova não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 13ª Turma da DRJ/SP1. O arrazoado de fls. 47 a 55, após síntese dos fatos relacionados com a lide, invoca o princípio da verdade material e argumenta que “a dita falta de "prova" do crédito não serve como fundamento ao indeferimento do mesmo, uma vez que não foi oportunizada à Recorrente a indicação desta famigerada "prova" e nem mesmo foilhe indicado o que se entende por "prova", uma vez que tudo o que servira de prova do crédito buscado foi informado pela Contribuinte.” Entende que a autoridade julgadora de 1ª instância deveria ter diligenciado à DRF responsável para que esta analisasse o crédito. Cita e transcreve jurisprudência que entende amparar sua argumentação. Requer diligência. Conclui, requerendo o recebimento e acolhimento do recurso para que seja declarada a nulidade da cobrança dos débitos residuais constantes do PER/DComp nº 17988.93183.290604.1.3.048322, a partir de seu despacho decisório, de modo que a DRF de Florianópolis analise os fundamentos do pleito à luz do princípio da verdade material e de toda a documentação e informações probatórias existentes, quer sejam anexadas ao processo ou constantes da base de dados de obrigações acessórias da RFB, a fim de que seja reconhecido o direito creditório da Recorrente em sua integralidade e por fim homologadas as compensações realizadas. Alternativa e sucessivamente, requer a inclusão dos débitos, para quais houve o indeferimento da compensação, no parcelamento previsto na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 47 a 55 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJSP113ª Turma nº 1635.758, de 20 de janeiro de 2012. Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, como no presente processo, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, como no caso que ora se apresenta, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que regia, à época da transmissão do PER/DComp, os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § Iº A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.937281/200817 Acórdão n.º 3403002.245 S3C4T3 Fl. 62 5 [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito. Sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio – de natureza estritamente processual, e não material destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/DComp comprova um recolhimento, de outro, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento seja Fl. 64DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ALEXANDRE KERN 6 indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. À exceção de algumas notas fiscais de venda, que nada provam quanto a comporem ou não a base de cálculo da contribuição por fazeremse desacompanhadas da escrituração contábilfiscal, nada mais há. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reportome à Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. De acordo com o seu art. 36, que regulamenta o sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) Fl. 65DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.937281/200817 Acórdão n.º 3403002.245 S3C4T3 Fl. 63 7 PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) À falta da prova do erro, capaz de afastar o atributo de irretratabilidade da confissão de dívida, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. Deixo de conhecer o pedido de inclusão em programa de parcelamento do débito que emergiu inadimplido em razão da não homologação de sua compensação por falta de competência legal para apreciação de pleitos da espécie. Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 23 de maio de 2013 Alexandre Kern Fl. 66DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 13706.001925/2003-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
COMPENSAÇÃO DECLARADA. HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO.
O termo final do prazo previsto no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 para a
autoridade competente se pronunciar sobre declaração de compensação é a
data da ciência do despacho decisório que analisou e decidiu a legitimidade
da compensação declarada.
CRÉDITO BÁSICO. RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE.
Por força do que dispõe o art. 11 da Lei nº 9.779/99, são passíveis de
ressarcimento unicamente os créditos básicos do IPI decorrentes de
aquisições de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem
aplicados na industrialização. Para os demais créditos admitidos na legislação
do imposto o referido dispositivo legal não autoriza o ressarcimento.
CRÉDITO BÁSICO. PROVA. NOTA FISCAL QUE ACOMPANHOU OS PRODUTOS. APRESENTAÇÃO.
Nos termos da legislação do IPI, os produtos entram no estabelecimento
industrial acompanhado da primeira via da nota fiscal, que serve para efetuar
o registro do fato nos livros contábeis e fiscais do contribuinte, devendo este
manter em boa forma o documentário fiscal para apresentação aos agentes do
Fisco. A prova da entrada do produto e da legitimidade do crédito do IPI faz-se
à luz da via da nota fiscal que o acompanhou. Demais vias não se prestam
a este fim.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.552
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO DECLARADA. HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO. O termo final do prazo previsto no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 para a autoridade competente se pronunciar sobre declaração de compensação é a data da ciência do despacho decisório que analisou e decidiu a legitimidade da compensação declarada. CRÉDITO BÁSICO. RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE. Por força do que dispõe o art. 11 da Lei nº 9.779/99, são passíveis de ressarcimento unicamente os créditos básicos do IPI decorrentes de aquisições de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem aplicados na industrialização. Para os demais créditos admitidos na legislação do imposto o referido dispositivo legal não autoriza o ressarcimento. CRÉDITO BÁSICO. PROVA. NOTA FISCAL QUE ACOMPANHOU OS PRODUTOS. APRESENTAÇÃO. Nos termos da legislação do IPI, os produtos entram no estabelecimento industrial acompanhado da primeira via da nota fiscal, que serve para efetuar o registro do fato nos livros contábeis e fiscais do contribuinte, devendo este manter em boa forma o documentário fiscal para apresentação aos agentes do Fisco. A prova da entrada do produto e da legitimidade do crédito do IPI faz-se à luz da via da nota fiscal que o acompanhou. Demais vias não se prestam a este fim. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2100; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 353 1 352 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13706.001925/200323 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 330201.552 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2012 Matéria IPI RESSARCIMENTO CRÉDITO BÁSICO Recorrente GLAXOSMITHKLINE BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO DECLARADA. HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO. O termo final do prazo previsto no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 para a autoridade competente se pronunciar sobre declaração de compensação é a data da ciência do despacho decisório que analisou e decidiu a legitimidade da compensação declarada. CRÉDITO BÁSICO. RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE. Por força do que dispõe o art. 11 da Lei nº 9.779/99, são passíveis de ressarcimento unicamente os créditos básicos do IPI decorrentes de aquisições de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem aplicados na industrialização. Para os demais créditos admitidos na legislação do imposto o referido dispositivo legal não autoriza o ressarcimento. CRÉDITO BÁSICO. PROVA. NOTA FISCAL QUE ACOMPANHOU OS PRODUTOS. APRESENTAÇÃO. Nos termos da legislação do IPI, os produtos entram no estabelecimento industrial acompanhado da primeira via da nota fiscal, que serve para efetuar o registro do fato nos livros contábeis e fiscais do contribuinte, devendo este manter em boa forma o documentário fiscal para apresentação aos agentes do Fisco. A prova da entrada do produto e da legitimidade do crédito do IPI faz se à luz da via da nota fiscal que o acompanhou. Demais vias não se prestam a este fim. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, José Evande Carvalho Araújo, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório No dia 01/08/2003 a empresa GLAXOSMITHKLINE BRASIL LTDA., já qualificada nos autos, ingressou com pedido de ressarcimento de créditos básicos de IPI, previsto no art. 11 da Lei no 9.779/99 e na IN SRF no 210/2002, relativo ao 3º trimestre de 2000. A DERAT RJ indeferiu o pleito da recorrente alegando: 1 que não são passíveis de ressarcimento os seguintes créditos (não são os créditos referidos no art. 11 da lei nº 9.779/99): 1.1 créditos referentes à aquisição no mercado interno ou importado de produtos destinados à revenda/comercialização; 1.2 créditos de produtos recebidos em transferência de filial ou de terceiros, notadamente os produtos “COREGA” e creme dental; 1.3 créditos por devolução de produtos; 1.4 créditos de outras entradas (p.ex. industrialização por encomenda com retorno de produtos acabados) 2 não foi apresentado à Fiscalização as primeiras vias das notas fiscais de aquisição de MP, PI e ME com destaque de crédito básico de IPI. Os créditos escriturados devem ser comprovados com a primeira via da nota fiscal de aquisição/entrada do insumo; 3 destaque a maior do IPI nas notas fiscais transferência de produtos acabados, emitidas por filial da recorrente A empresa interessada tomou ciência desta decisão e, não se conformando, ingressou com manifestação de conformidade, cujas razões estão sintetizadas no relatório da decisão recorrida. Juntou as primeiras vias de algumas notas fiscais. A 3a Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora MG deferiu parcialmente o pleito da recorrente, para reconhecer o crédito de MP. PI e ME cujas primeiras Fl. 354DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13706.001925/200323 Acórdão n.º 330201.552 S3C3T2 Fl. 354 3 vias das notas fiscais foram apresentadas, nos termos do Acórdão no 0921.761, de 27/11/2008, cuja ementa abaixo se transcreve. CRÉDITO DO IPI. LEGITIMIDADE. A primeira via da nota fiscal conformase no documento imprescindível para conferir certeza e liquidez (legitimidade) a créditos do IPI aproveitados na escrita fiscal da interessada. Além disso, especificamente para as operações de importação, também é fundamental para a legitimidade acima a comprovação do pagamento do IPI no desembaraço aduaneiro de importação. Isso considerado, para os créditos do IPI anteriormente glosados pelo Fisco cuja legitimidade não restar demonstrada na manifestação de inconformidade, não há como admitir que possam participar da apuração do saldo credor acumulado ao final do trimestrecalendário, passível de ressarcimento nos termos do art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, e da IN SRF n° 33, de 1999. Outrossim, não há como reconhecer o direito creditório do IPI a estabelecimento destinatário de nota fiscal de transferência cujos produtos ali descritos se revelam como acabados e cujo CFOP da operação é 522, indicando que tais produtos foram adquiridos ou recebidos de terceiro. ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. CRÉDITO PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO. Para o estabelecimento industrial interessado, apenas são passíveis de ressarcimento os créditos do IPI decorrentes de aquisições de insumos compreendidos na conceituação de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem estabelecida pelo Parecer Normativo CST n° 65, de 1979. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. A atividade administrativa de julgamento deve ser pautada segundo os ditames da legislação tributária, porquanto esta, uma vez publicada, integra o ordenamento jurídico revestida da presunção tanto de constitucionalidade quanto de legalidade. A empresa interessada tomou ciência da decisão de primeira instância em 23/02/2011, fl. 396 (eletrônica), e interpôs recurso voluntário em 22/03/2011, no qual alega que: 1 considerando que a parcela do tributo compensado somente deixou de ser homologada em 23/02/2011, quando a Recorrente recebeu a intimação da decisão negativa da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, impõese o reconhecimento da existência de homologação tácita na hipótese em comento, restando inviável a pretensão de cobrança do montante não homologado. 2 a recorrente suportou o IPI quando da entrada de produtos e a Lei n° 9.779/99 não previu um benefício fiscal, mas apenas reforçou a nãocumulatividade do IPI, Fl. 355DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 razão pela qual não encontra respaldo jurídico a distinção entre operações envolvendo produtos acabados e as de aquisição de insumos, como concluiu a r. decisão ora recorrida. 3 ao contrário do que pretendeu fazer crer a r. decisão recorrida, não há que se cogitar da possibilidade de o contribuinte realizar duas escriturações do IPI, uma referente à aquisição de insumos e outra referente aos demais casos de incidência do IPI; 4 discorre sobre a nãocumulatividade do IPI e a sistemática de apuração do imposto para concluir que a “recusa do ressarcimento ou restituição acarreta um crédito meramente formal, em nítida violação ao princípio da nãocumulatividade do IPI”. 5 é possível o creditamento de produtos industrializados e a lei não diferencia o ressarcimento quanto à característica do produto entrado no estabelecimento, “mas sim evidenciar que, mesmo em se tratando de produto cuja saída não fosse tributada, o creditamento do IPI seria possível” e por isto mesmo “a lei não exige a manutenção de escritas fiscais diferenciadas para (i) insumos e (ii) demais bens ou produtos que, embora não sejam conceituados como tal, sofrem a incidência do IPI”, A escrita fiscal da ora Recorrente é única para todas as aquisições, não sendo segregada a entrada de insumos da entrada de outros bens. 6 não há dispositivo legal que obrigue a apresentação da primeira via da nota fiscal “para que se possa ter deferido o pleito de ressarcimento de saldocredor de IPI”, sendo, por esta razão, inadmissível a glosa efetuada. Concluiu a recorrente que: (i) a lei não condiciona o ressarcimento à apresentação da primeira via da nota fiscal: (ii) o conjunto dos documentos apresentados pela ora Recorrente demonstra, inequivocamente, a legitimidade do crédito; (iii) todas as notas fiscais apresentadas seja a primeira, segunda, terceira ou quarta vias estão carimbadas com o número do processo de ressarcimento no qual foram juntadas, de modo que não há qualquer risco de duplicidade na utilização do crédito. 7 embora a apuração do imposto seja autônoma em cada estabelecimento, o direito do crédito é do contribuinte, de modo que, também sob esse aspecto, a r. decisão recorrida não merece prosperar ao afirmar que algumas notas foram emitidas pela filial, quando é a matriz a requerente do ressarcimento. Demonstrado que aquela não se aproveitava do crédito, não há razão para indeferir o pedido sob esse aspecto. Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o Relatório do essencial. Voto Fl. 356DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13706.001925/200323 Acórdão n.º 330201.552 S3C3T2 Fl. 355 5 Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais e, por isto mesmo, dele conheço. A empresa recorrente está pleiteando o ressarcimento de créditos básicos do IPI, previsto no art. 11 da Lei nº 9.779/99, abaixo reproduzido, relativo ao terceiro trimestre de 2000. Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda. (grifei). Em seu recurso a empresa alega, preliminarmente, que ocorreu a homologação tácita da compensação declarada porque a mesma somente deixou de ser homologada em 23/02/2011, quando recebeu a intimação da decisão recorrida (DRJ). Enganase a recorrente porque a decisão que não homologou a compensação declarada foi tomada pela Derat/RJ, que tem competência para apreciar e decidir sobre o pleito da recorrente, que assim concluiu, conforme Despacho Decisório de fls. 121/133 (eletrônica). Dessa forma, restando comprovada a inexistência do crédito, INDEFIRO o Pedido de Ressarcimento de fl. 30 e, por conseqüência, DEIXO DE HOMOLOGAR a DCOMP ELETRÔNICA de n° 39409.51361.130204.1.3.014365 de fls. 96 a 99 do presente processo, bem como quaisquer outras DCOMP que se lastreiem no mencionado pleito de Ressarcimento. (grifo do original). Da decisão de não homologar a compensação declarada a recorrente tomou ciência no dia 16/05/2006. A DCOMP foi transmitida no dia 11/12/2003 e, portanto, a Autoridade Fazendária decidiu sobre a compensação declarada antes dos 5 (cinco) anos a que se refere o § 5º, do art. 74 da Lei nº 9.430/96, não havendo que se falar em homologação tácita. Quanto às disposições do art. 11 da Lei nº 9.779/99, acima transcrito, não merece acolhida os argumentos da recorrente de que a referida lei não previu um benefício fiscal e que veio para reforçar a nãocumulatividade do IPI e permitir o ressarcimento do crédito apurado na conta gráfica do imposto, independente da origem do crédito ou da natureza dos produtos. A simples leitura deste dispositivo, deixa claro que os créditos passiveis de ressarcimento são os decorrentes de “aquisição de matériaprima, produto intermediário e Fl. 357DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 6 material de embalagem, aplicados na industrialização”. Os demais créditos admitidos, como bem disse a decisão recorrida, somente podem ser utilizados na conta gráfica do IPI. Também aqui merece esclarecer que os créditos (legítimos) decorrentes de transferências foram aproveitados pela decisão recorrida, na conta gráfica, antes de apurar o crédito reconhecido a ressarcir. Também é importante dizer que a decisão recorrida não sugeriu a possibilidade de o contribuinte realizar duas escriturações de créditos. A decisão recorrida simplesmente mantém o entendimento da autoridade da RFB de que não é possível o ressarcimento de créditos de IPI que, embora admitidos, não decorrem da aquisição de MP, PI e ME. Pelo CFOP de cada entrada é possível identificar a origem de cada crédito legitimamente escriturado. Quanto a necessidade de apresentação das primeiras vias das notas fiscais de entrada de insumos e produtos acabados com direito a crédito de imposto, devidamente escriturado nos livros fiscais, não procede os argumentos da recorrente. A obrigação de manter a documentação que respalda a escrituração, por evidente, não decorre da Lei nº 9.779/99, mas do próprio RIPI/98 (art. 290), como bem assinalou a decisão recorrida. Portanto, o fato da Lei nº 9.779/99, que instituiu o ressarcimento em rela, não prevê a apresentação das primeira vias das notas fiscais não significa que basta o contribuinte escriturar os créditos pleiteados, e apresentar cópia dos livros, para o crédito ser reconhecido. Da mesma forma, também não há previsão legal para a obrigar a Fazenda Nacional aceitar, como prova do crédito escriturado e em substituição à primeira via da nota fiscal, outras vias de notas fiscais. A recorrente está obrigada a escriturar os créditos quando os produtos entram no seu estabelecimentos e os mesmos entram acompanhados da primeira via da competente nota fiscal. Este, pois, é o documento que respalda e legitima o crédito pleiteado (arts. 320 e 321 do RIPI/98). Por fim, é o estabelecimento que industrializa quem tem direito ao ressarcimento previsto no art. 11 da Lei nº 9.779/99 e não o estabelecimento que recebe os produtos industrializados, como equivocadamente entende a recorrente. Os créditos admitidos destes produtos não são passíveis de ressarcimento, como acima ficou provado. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13706.001925/200323 Acórdão n.º 330201.552 S3C3T2 Fl. 356 7 Fl. 359DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 18088.000421/2008-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
Ementa: PRELIMINAR. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Durante os procedimentos de fiscalização, caso a autoridade fiscal encontre provas ou um conjunto de indícios convergentes que seja hábil a desconstituir a presunção legal da veracidade da escrituração contábil, reunindo os elementos caracterizadores da infração, caberá ao contribuinte comprovar a impossibilidade de aquele lançamento prosperar.
PRODUÇÃO DE SUCO DE LARANJA. ATIVIDADE RURAL.AGROINDÚSTRIA.DEPRECIAÇÃO INTEGRAL.
A produção de suco de laranja por agroindústria, por não observar os requisitos previstos no art. 2º da Lei n° 8.023/1990, não pode ser qualificada como atividade rural, de modo que não é cabível o gozo do benefício da depreciação integral previsto no art. 6o da Medida Provisória n° 2.159- 70/2001
ATIVIDADE RURAL. DESCARACTERIZAÇÃO.
A aplicação de equipamentos e utensílios que contrastam com aqueles usualmente empregados nas atividades rurais descaracteriza a atividade de transformação de produtos decorrentes da atividade rural, para efeitos do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, devendo o registro dos rendimentos correspondentes constar como receitas da atividade geral.
DESPESAS COM AERONAVES. GLOSA.
As despesas da pessoa jurídica passíveis de dedução na apuração do lucro tributável são aquelas previstas em lei como sendo essenciais para o funcionamento da empresa e o atendimento de seu objeto social a utilização de aeronaves privadas, quando voltadas para o desenvolvimento de atividades diretamente relacionadas ao objeto da empresa, permite que os seus custos
sejam deduzidos da base de formação do imposto de renda. No entanto, havendo comprovação de que as aeronaves eram utilizadas para fins privados, as despesas correspondentes são passíveis de glosa, principalmente pela ausência de segregação dos custos relacionados à utilização das aeronaves em benefício da empresa daqueles relacionados à utilização para fins estranhos ao objeto social.
Numero da decisão: 1401-000.702
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da
PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, (I) por unanimidade, em rejeitar as preliminares e no mérito, (II) pelo voto de qualidade, negar provimento em relação à glosa das despesas de depreciação acelerada, vencidos o Relator, o Conselheiro Maurício Pereira Faro que davam integral provimento, e a Conselheira Karem Jureidini Dias que acompanhava pelas conclusões dando provimento parcial por entender que foi descumprida a condição de as matérias primas serem exclusivas do produtor, o que ensejaria a proporcionalização; e (III) por maioria de votos, negar provimento em relação à glosa de despesas de aeronaves, vencida a conselheira Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 Ementa: PRELIMINAR. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Durante os procedimentos de fiscalização, caso a autoridade fiscal encontre provas ou um conjunto de indícios convergentes que seja hábil a desconstituir a presunção legal da veracidade da escrituração contábil, reunindo os elementos caracterizadores da infração, caberá ao contribuinte comprovar a impossibilidade de aquele lançamento prosperar. PRODUÇÃO DE SUCO DE LARANJA. ATIVIDADE RURAL.AGROINDÚSTRIA.DEPRECIAÇÃO INTEGRAL. A produção de suco de laranja por agroindústria, por não observar os requisitos previstos no art. 2º da Lei n° 8.023/1990, não pode ser qualificada como atividade rural, de modo que não é cabível o gozo do benefício da depreciação integral previsto no art. 6o da Medida Provisória n° 2.159- 70/2001 ATIVIDADE RURAL. DESCARACTERIZAÇÃO. A aplicação de equipamentos e utensílios que contrastam com aqueles usualmente empregados nas atividades rurais descaracteriza a atividade de transformação de produtos decorrentes da atividade rural, para efeitos do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, devendo o registro dos rendimentos correspondentes constar como receitas da atividade geral. DESPESAS COM AERONAVES. GLOSA. As despesas da pessoa jurídica passíveis de dedução na apuração do lucro tributável são aquelas previstas em lei como sendo essenciais para o funcionamento da empresa e o atendimento de seu objeto social a utilização de aeronaves privadas, quando voltadas para o desenvolvimento de atividades diretamente relacionadas ao objeto da empresa, permite que os seus custos sejam deduzidos da base de formação do imposto de renda. No entanto, havendo comprovação de que as aeronaves eram utilizadas para fins privados, as despesas correspondentes são passíveis de glosa, principalmente pela ausência de segregação dos custos relacionados à utilização das aeronaves em benefício da empresa daqueles relacionados à utilização para fins estranhos ao objeto social.
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, (I) por unanimidade, em rejeitar as preliminares e no mérito, (II) pelo voto de qualidade, negar provimento em relação à glosa das despesas de depreciação acelerada, vencidos o Relator, o Conselheiro Maurício Pereira Faro que davam integral provimento, e a Conselheira Karem Jureidini Dias que acompanhava pelas conclusões dando provimento parcial por entender que foi descumprida a condição de as matérias primas serem exclusivas do produtor, o que ensejaria a proporcionalização; e (III) por maioria de votos, negar provimento em relação à glosa de despesas de aeronaves, vencida a conselheira Karem Jureidini Dias.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 59; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2195; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1‐C4T1 Fl. 2.722 1 2.721 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18088.000421/200849 Recurso nº 899.444 Voluntário Acórdão nº 1401000.702 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de janeiro de 2012 Matéria Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Recorrente SUCOCÍTRICO CUTRALE LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 Ementa: PRELIMINAR. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Durante os procedimentos de fiscalização, caso a autoridade fiscal encontre provas ou um conjunto de indícios convergentes que seja hábil a desconstituir a presunção legal da veracidade da escrituração contábil, reunindo os elementos caracterizadores da infração, caberá ao contribuinte comprovar a impossibilidade de aquele lançamento prosperar. PRODUÇÃO DE SUCO DE LARANJA. ATIVIDADE RURAL.AGROINDÚSTRIA.DEPRECIAÇÃO INTEGRAL. A produção de suco de laranja por agroindústria, por não observar os requisitos previstos no art. 2o da Lei n° 8.023/1990, não pode ser qualificada como atividade rural, de modo que não é cabível o gozo do benefício da depreciação integral previsto no art. 6o da Medida Provisória n° 2.159 70/2001 ATIVIDADE RURAL. DESCARACTERIZAÇÃO. A aplicação de equipamentos e utensílios que contrastam com aqueles usualmente empregados nas atividades rurais descaracteriza a atividade de transformação de produtos decorrentes da atividade rural, para efeitos do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, devendo o registro dos rendimentos correspondentes constar como receitas da atividade geral. DESPESAS COM AERONAVES. GLOSA. Fl. 2735DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.723 2 As despesas da pessoa jurídica passíveis de dedução na apuração do lucro tributável são aquelas previstas em lei como sendo essenciais para o funcionamento da empresa e o atendimento de seu objeto social. a utilização de aeronaves privadas, quando voltadas para o desenvolvimento de atividades diretamente relacionadas ao objeto da empresa, permite que os seus custos sejam deduzidos da base de formação do imposto de renda. No entanto, havendo comprovação de que as aeronaves eram utilizadas para fins privados, as despesas correspondentes são passíveis de glosa, principalmente pela ausência de segregação dos custos relacionados à utilização das aeronaves em benefício da empresa daqueles relacionados à utilização para fins estranhos ao objeto social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, (I) por unanimidade, em rejeitar as preliminares e no mérito, (II) pelo voto de qualidade, negar provimento em relação à glosa das despesas de depreciação acelerada, vencidos o Relator, o Conselheiro Maurício Pereira Faro que davam integral provimento, e a Conselheira Karem Jureidini Dias que acompanhava pelas conclusões dando provimento parcial por entender que foi descumprida a condição de as matériasprimas serem exclusivas do produtor, o que ensejaria a proporcionalização; e (III) por maioria de votos, negar provimento em relação à glosa de despesas de aeronaves, vencida a conselheira Karem Jureidini Dias. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (Assinado digitalmente) Alexandre Antônio Alkmim Teixeira Relator (Assinado digitalmente) Antônio Bezerra Netto – Redator Designado Participaram do julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos e Karem Jureidini Dias. Fl. 2736DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.724 3 Relatório Trata o presente feito de auto de infração de IRPJ e CSLL lavrado em desfavor da Contribuinte Recorrente, fundados em glosa de depreciação e despesas. Como bem resumido nas razões de recurso, são dois os pontos questionados pela Fiscalização, a saber: (i) A atividade principal desenvolvida pela Recorrente não a legitima ao aproveitamento da depreciação acelerada incentivada, porquanto não se enquadra no conceito de atividade rural, considerando, ainda, a interpretação literal da legislação tributária que versa sobre benefícios fiscais; e (ii) As despesas com aeronaves da Recorrente não podem ser deduzidas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por conta destas não serem consideradas operacionais ou necessárias à manutenção da respectiva fonte produtora. No que toca à depreciação acelerada incentivada, o Termo de Verificação Fiscal fundouse nas seguintes razões, in litteris: 2 DA ATIVIDADE RURAL NA PRODUÇÃO DE SUCO DE LARANJA A partir das informações constantes da. DIPJ do anocalendário 2003 e seguintes verificase que a fiscalizada considera desempenhar atividades conceituadas como rurais. O conceito fiscal do desempenho de referida atividade tem seu desenho normatizado pela Lei no 8.023/90, com as alterações impostas pela lei n° 9.430/96, assim disciplinado: Art. 2º Considerase atividade rural: I a agricultura; II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; V a transformação de produtos agrícolas ou pecuários, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação. Fl. 2737DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.725 4 Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica a mera intermediação de animais e de produtos agrícolas. Referida lei incentiva as atividades do setor primário da economia, de molde a permitir a fixação do homem ao campo na produção de alimentos. Da leitura do estatuto social da auditada encontrase como objeto social a "indústria, comércio, importação e exportação de produtos e sucos hortifrutícolas em geral, seus derivados, sub produtos e resíduos; a agricultura; a pecuária; a prestação de serviços correlatos as suas atividades, a exploração imobiliária e a atividade de operador portuário" (fl. 2132). A partir dos livros contábeis da auditada constatase que a fiscalizada dedicase quase com exclusividade à venda de suco de laranja em escala industrial, preponderantemente exportandoo. Digase que se cuida da líder mundial na produção de suco de laranja concentrado. Exerce a chamada atividade agroindustrial, em que predomina a produção na visão industrial, própria do segundo setor da economia. Do que foi apurado no processo produtivo da fábrica, a produção de laranja e própria do setor primário, enquanto a seqüência e finalização do processo pertencem ao setor secundário. Em verdade a produção de laranja é tão somente uma das etapas para a obtenção do suco de laranja e derivados. Cabe então verificar a compatibilidade destas atividades operacionais com a tributação na forma da atividade rural. 2.1 Da incompatibilidade entre a produção do suco de laranja e a transformação permitida na atividade rural Compulsada a base legal da atividade rural seria de se esperar que a atividade desempenhada fosse a produção agrícola ou a transformação de produtos decorrentes da atividade rural. A empresa dedicase, quanto à agricultura, à venda de gado e laranja. Mas o que prepondera é a atividade de transformação em que produz suco de laranja. No primeiro caso, as vendas de produtos diretamente derivados da terra são receitas da atividade rural, jungindose com perfeição ao conceito legal de atividade modelado no inciso I, do artigo retro citado, e em conformidade ao exposto em resposta da fiscalizada ao Termo de Intimação Fiscal lavrado em 21/02/2008. Ocorre que nesta segunda possibilidade, a da transformação da produção agrícola, exige a lei outras condições, a saber: a) que não sejam alteradas a composição e as características do produto in natura; b) sejam utilizados equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais; c) a transformação seja efetivada pelo próprio agricultor ou criador; d) que seja utilizada matériaprima exclusivamente produzida na área rural. Fl. 2738DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.726 5 Os conceitos e contornos modelados pela norma evitam que a atividade de transformação ultrapasse o escopo protetivo legislado para os rurícolas. Referida lei tributa os resultados da atividade rural. Assim, se por um lado permite que a transformação seja feita pelos produtores, de outro limita a atividade dos transformadores. Ou seja, do que se lê, fácil constatar que os benefícios tributários afetos aos produtores no desempenho de atividade rural não são elásticos como interpreta a fiscalizada. De inicio a limitação imposta atinge a fiscalizada, eis que na produção de suco de laranja há nítida alteração das características do produto in natura, eis que no processo industrial do suco é retirada água, deixandoo em sua forma concentrada. Consta inclusive da Instrução Normativa n° 257/2002, art. 2°, VIII, alínea c, item 3, que a atividade permitida como rural é a de produção de sucos de frutas acondicionados em embalagem de apresentação. No caso sob análise é claro que o suco fabricado em nada se aproxima ao formato legal permitido. Portanto, para ter seus resultados tributados como atividade rural, a fábrica não poderia produzir o suco de laranja concentrado, mas tão somente vendêlo em embalagem de apresentação, desde que mantidas as características e composição do suco natural. No presente, o suco concentrado produzido não mantém a característica, nem a composição do suco natural. Nos balanços contábeis dos custos da produção resta clara a utilização de produtos químicos para fabricar o suco concentrado como a adição de enzimas, de molde a alterar a composição c as características do suco. E, quando o legislador impede que o produto in natura perca suas características e composição, tornou imprópria a transformação do suco de laranja na forma como industrializada, pois neste caso há transformação de aroma, sabor, cor, densidade etc, muito diferentes do suco natural. De outra parte, quanto à exigência de que sejam utilizados equipamentos e utensílios usualmente empregados na atividade rural, evidente é que em nada se assemelham as sucessivas extratoras e caldeiras encontradas no processo produtivo da fábrica para produzir o suco industrializado com a forma artesanal usada na atividade do produtor rural de suco de laranja. A se considerar similares ambos processos, desnaturada resta a atividade rural incentivada. Também dos balancetes contábeis aferese a alta complexidade e grandiosidade do maquinário utilizado no processo industrial, quando identificadas as contas de custos de produção sob a rubrica “manutenção de equipamento”. Claro está que não é usual que seja encontrado na atividade rural um parque industrial como o produtor de suco de laranja, quanto mais quando este parque abastece a produção em escala mundial. Fl. 2739DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.727 6 Ainda na descaracterização de que a fábrica execute atividade rural, a diferença do processo desta com a do produtor rural é também quantitativa. Tratase de processo industrial o verificado nas fabricas com a produção como a deste caso, eis que a quantidade produzida de milhões de litros de suco de laranja requerem manejo industrial. Não pode, nem foi pensado na lei tributária, um tratamento em bases iguais do produtor rural com o industrial que se utilize de insumos agrícolas. Suas dimensões os desigualam, inclusive no que tange a capacidade contributiva. Nestes termos dispõe o art. 3°, inciso I, da IN n° 257/02, ao vedar expressamente a inclusão na atividade rural das atividades de industrialização, como as implementadas pela auditada. Permitese, na mesma legislação, a transformação de produtos zootécnicos, tal como a produção de sucos de frutas ( art. 2", inciso VIII, alínea c, item 3 ), mas apenas quando acondicionados em embalagem de apresentação. No caso sob exame, as vendas de suco são feitas através de tambores centenas de litros ou de cilindros de capacidade de dezenas de milhares de litros aos atacadistas predominantemente estrangeiros. Destaquese que a venda em território nacional ocorre apenas para a CocaCola por força de contrato em que se estipulou que os refrigerantes a base de laranja feitos em escala mundial têm seu suco fornecido pela fiscalizada. As vendas nacionais limitamse a este contrato. Ainda determina a lei que o produtor utilizese somente de matériaprima produzida na área rural de sua exploração (inciso V do art. 2° da Lei 8.023/90). Continuando a conceituação de referida atividade, observase que impedido está o produtor rural de adquirir produtos de terceiros para que os transforme . Evitase com mais esta restrição que haja comercialização da produção de produtores rurais e possível concentração na produção rural. A forma como está, a lei inviabiliza tratamento favorecido a quem repasse o que não produz, nos termos do parágrafo único do art. 2° da Lei 8.023/90. No caso em tela, a auditada não industrializa apenas o que planta. Também compra laranja de terceiros, uma vez que sua atividade lucrativa é a preponderante venda de suco de laranja concentrado, independendo se tenha que adquirilos de fornecedores ou parceiros. Caracterizado está que a atividade principal da fiscalizada e a fabricação de suco de laranja, sendo o plantio de laranja atividade acessória. A última, mas não menos importante condição da atividade rural é a que condiciona ao transformador a venda do produto final em embalagem de apresentação. Neste caso, resta claro que vincula ao produtor rural o desempenho de atividade mercantil Fl. 2740DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.728 7 de venda da produção em escala varejista. Não é o que acontece na fiscalizada, pois que a produção do suco é expedida em tanques refrigerados com capacidade para toneladas de suco, ou em tonéis contendo o suco concentrado em centenas de litros, os quais não são destinados diretamente ao consumidor em embalagem de apresentação, conforme legislado. Ao ano a fiscalizada exporta acima de 500 milhões de litros de suco de laranja, cabendolhe, segundo informações veiculadas na imprensa, o domínio do mercado mundial com cerca de 30% da produção de suco. 2.2 — Da impossibilidade de adequação da agricultura como atividademeio no conceito legal da atividade rural Do que até agora esclarecido, os dois caminhos possíveis de interpretação das atividades da fábrica de suco como sendo atividade rural estão equivocados. Quer naquele em que se adéqua ao art. 2°, inciso I, da Lei n° 8.023/90, como agricultor a cultivar laranja, ou ao considerar que executa as atividades de transformação previstas no art. 2°, inciso V, da mesma lei, acima analisado. Naturalmente que ao produzir com seu maquinário e sua capacidade e escala industriais, obtém alta rentabilidade do solo, propiciando ao seu negócio de venda de suco de laranja a maior lucratividade possível. Assim sendo, a decisão entre produzir ou não laranja não perpassa pela natureza do objeto social, antes esta considera a rentabilidade da fabricação do suco de laranja. Afinal desde seu inicio, a empresa fabricou suco de laranja como atividade principal. Instada a justificar a conceituação como atividade rural através de Termo de Intimação Fiscal, aduziu que explora a atividade rural como atividade meio com o cultivo da laranja. E que possui receitas da atividade rural com a venda de laranjas in natura. Asseverou ainda que é agroindústria, para a qual estaria previsto o beneficio fiscal. Traz para tanto o conceito esculpido no ordenamento jurídico previdenciário, qual seja, o art. 201A do Decreto n° 3.048/99, in verbis: Art. 201A. A contribuição devida pela agroindústria, definida como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição as previstas no inciso I do art. 201 e art. 202, é de: (Artigo acrescentado pelo Decreto n°4.032, de 26111/2001) Como evidencia a própria definição legal supra, a agroindústria é quem industrializa produção própria ou de terceiros, e sofre tributação previdenciária diferenciada. Neste sentido, a Fl. 2741DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.729 8 definição legal atinge a fiscalizada somente em seus efeitos previdenciários. Ressaltese que a legislação do imposto de renda e da contribuição social não utilizam esta conceituação em nenhum diploma legal. Mormente na conceituação da atividade rural, que dista da definição de agroindústria por conter limites outros, definidos pela Lei n° 8.023/90, inclusive antagonizando com a tributação das contribuições previdenciárias pela agroindústria ao permitir a industrialização de produção adquirida de terceiros. A agroindústria envolve setor bem mais amplo, não se limitando à atividade agrícola ou pecuária, tampouco a atividade rural. Tal ramo vai desde a indústria que produz o equipamento e implementos agrícolas, os fertilizantes, o beneficiamento e seleção de sementes e mudas, o programa de plantio, o financiamento da atividade, a colheita, o armazenamento, a distribuição, até o atendimento aos consumidores. Não é demais destacar que a tributação destes tributos tem como fato gerador a renda, diferindo acentuadamente da tributação da contribuição previdenciária, que se dá sobre o faturamento. Logo, aplicar o conceito de agroindústria A atividade rural seria tratar tributos de conceitos distintos de forma similar, o que nos leva a erro crasso de aplicação da legislação tributária. Inexiste o conceito de agroindústria no trato do imposto de renda. A legislação fiscal limitouse a conceituar a atividade rural de forma restrita. Também descabe trazer de leis de direito privado o conceito de atividade rural, mormente quando bem definida na lei do imposto de renda o que se considera na sua tributação a atividade rural. Não é demais citar o art. 109 do Código Tributário Nacional, que determina que o conteúdo de conceitos de direito privado não devem ser usados para a definição dos efeitos tributários, pois a lei tributária será apta a determinar o alcance tributário. Que não seja utilizado o conceito de agroindústria na atividade rural, e verificados todos os itens constantes na lei que limitam a tributação sob as regras da atividade rural, não há outra conclusão: é descabível tratar uma fábrica de suco pertencente aos prósperos negócios da agroindústria como os produtores rurais albergados pelos benefícios fiscais da atividade rural. Impossível destacar artificialmente a atividade de produção da laranja da sua etapa no amplo processo produtivo do suco, e considerar a fiscalizada como um todo pertencente A atividade rural. Óbvio por tudo quanto exposto que as receitas da venda de laranja são da atividade rural, mas não menos evidente que não se pode aceitar as receitas da venda de suco de laranja como sendo da atividade rural. Ou, mais absurdo ainda, considerar que quanto à atividade rural basta que seus custos sejam Fl. 2742DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.730 9 próprios da atividade rural, sem que as receitas decorrentes do processamento industrial desta laranja também estejam conceituadas como pertencentes a atividade rural. Em assim agindo, tratarseia de mecanismo híbrido de atividade rural sem permissão legal, pois na Lei n° 8.023/90, que cuida da tributação do resultado da atividade rural, o vocábulo "resultado" vem significar a diferença entre receitas e despesas da mesma natureza, ou seja, ambas da atividade rural. Reza o art. 40, da Lei n° 8.023, que "considerase resultado da atividade rural a diferença entre os valores das receitas e das despesas pagas no anobase". Ilegal a interpretação de exploração da atividade rural contra legem. Com efeito, basta a leitura do art. 1°, da Lei n° 8.023/90, para entender que a tributação da atividade rural no que toca ao imposto de renda e contribuição social ocorre sobre os resultados, senão vejamos: Art. 1º Os resultados provenientes da atividade rural estarão sujeitos ao Imposto de Renda de conformidade com o disposto nesta lei. Por força desta forma de tributação sobre resultado é que se conclui que o resultado da atividade rural da fiscalizada abrange tão somente a parcela de receitas da atividade rural em comparação ao total das receitas. E cediço que a tributação do imposto sobre a renda advém do resultado, o que significa dizer que da composição da atividade rural (receitas rurais custos rurais) é que se apura a base de cálculo da atividade rural. E mais. A partir deste resultado contábil é que são feitos os ajustes de exclusão ou adição, chegandose ao lucro real da atividade rural. Para arrematar, admite a lei a transformação, mas desde que o produtor ou criador mantenham esta qualidade intrínseca de rurícola. Ao contrário do fato apurado, em que o industrial servese da atividade como produtor rural para dela extrair benefícios fiscais em atividades outras não rurais. A fábrica dedicase a produzir em escala industrial suco de laranja a partir da laranja comprada ou cultivada seu insumo industrial, não o reverso admitido pela legislação, quando o produtor da laranja a transformaria para dar vazão à sua produção rural, mantidas as condições antes detalhadas. Desde o inicio a fábrica de sucos foi criada para produzir tal qual qualquer empresa industrial. Importante destacar que a menor parte da produção advém da sua lavoura própria. Também merece destaque esclarecer que a fiscalizada resolveu cindir as atividades rurais no ano calendário 2002, constituindo a empresa CBL Agrícola Ltda para atuar no ramo da produção de laranja, fornecida com exclusividade à Cutrale. Sendo assim, por força de planejamento tributário, eis que há diferenças de tributação entre a legislação Fl. 2743DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.731 10 dos tributos imposto de renda e contribuições previdenciárias, tomou a decisão da divisão de atividades rurais e industriais. Em seguida, em julho de 2003, resolveu novamente unir as atividades agrícolas com as industriais. Percebese que quando as atividades eram divididas em empresas distintas, inocorria o efeito da depreciação incentivada na Cutrale, pois a CBL efetivamente possuía atividade rural vez que vendia sua produção de laranja. E, naquela situação, a CBL sofreria consecutivos prejuízos fiscais rurais. Com a incorporação de ambas, na forma como efetuado pela fiscalizada, passouse a compensar erroneamente estes prejuízos fiscais da atividade rural com os lucros das demais atividades. Em síntese, a atividade rural envolve os custos e as receitas na produção rural. A indústria, simplesmente por produzir parte da laranja utilizada como insumo no processo industrial, não pode se aproveitar dos benefícios da atividade rural para a produção do suco. A previsão legal é da tributação do resultado como um todo da atividade rural, não quando as receitas de venda envolvem produtos não considerados da atividade rural. Destarte, há que ser rateada a receita da atividade rural venda de laranja in natura das demais receitas industriais, a fim de que o beneficio da atividade rural seja aplicado apenas a parcela do resultado rural. Da forma como feita, o beneficio da atividade rural está abrangendo o total das receitas da auditada, sem discriminar o que seja receita da atividade rural do que sejam as demais receitas, e assim, os benefícios fiscais do cultivo da laranja não aplicada na atividade de venda de laranja devem ser desconstituídos. Referida forma de consideração está disposta no art. 8° da IN n° 257/02, em que resta estabelecido o rateio das receitas quando coexistirem atividades rurais e não rurais. No mesmo disciplinamento também se considera que o resultado da atividade rural envolve tão somente as unidades rurais da auditada. Portanto, entende o fisco acertadamente que sofrem duas formas de tributação distintas os rendimentos da atividade rural das demais atividades, segregandoos. 2.3 DO BENEFÍCIO DA DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA O tratamento acima considerado da fábrica como pertencente à atividade rural ainda não teve esclarecido seus efeitos fiscais. Da análise das declarações de imposto de renda verificase que a empresa utilizouse do beneficio da depreciação incentivada disposta no art. 314 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). Reza a norma ser possível que os bens do ativo permanente imobilizado utilizados na atividade rural sejam depreciados integralmente no próprio ano de aquisição. Para tanto pode ser feita uma exclusão na apuração do lucro real no valor do bem quando imobilizado, com as posteriores adições Fl. 2744DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.732 11 nos anos subseqüentes a medida que a quota de depreciação for sendo incorrida. Por meio do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) constatase que assim foi feito pela fábrica. Considerando que a conceituação da fiscalizada como exercente de atividade rural em sua totalidade está errada, os efeitos fiscais na apuração do lucro real devem ser desfeitos. Assim, cabe a auditoria desfazer os efeitos fiscais dos ajustes na determinação do imposto de renda, a começar pelas glosas nas exclusões incorretas, terminando pela desconstituição das adições que também foram incorretas. Nos anoscalendário 2003 a 2007 constam no LALUR como exclusões os valores das aquisições destinadas ao cultivo da laranja ocorridas no período. Nesta rubrica de exclusões aparece o maquinário adquirido para o trato da laranja, o maquinário adquirido para o transporte da laranja, os custos incorridos na formação da lavoura sob a rubrica "plantas cítricas formadas", tais como mãodeobra dos trabalhadores rurais, encargos previdenciários e trabalhistas, assim como os custos das prestadoras de serviços. Cabe esclarecer que a lei tributária permite que as pessoas jurídicas possam depreciar integralmente os bens do ativo permanente, e que a fiscalizada está utilizandose deste beneficio não apenas para o maquinário, mas também para a exclusão dos custos da laranja. E bom que se explique que a rubrica planta cítrica formada cuida do plantio das mudas de laranja plantadas em cada ciclo de dezesseis anos de produção. Neste ciclo da árvore são recolhidos os frutos. Logo, neste processo produtivo os custos de formação da lavoura de laranja estão sendo ativados, para depois serem depreciados. De se dizer que deveria ter a empresa segregado os resultados fiscais da atividade rural dos demais resultados, conforme determina a legislação infralegal já citada. Afinal são dois resultados com tributação distinta, eis que ao resultado da atividade rural são concedidos benefícios como os ora citados. Ao não fazêlo, deliberadamente tratou a produção de laranja como sendo exclusiva da atividade rural, no entanto referida atividade serve tanto para as receitas da atividade rural tal como a venda de laranja in natura, como para as receitas de atividade não rural, por exemplo a produção de suco de laranja e derivados. A distorção provocada por referida consideração acentuase na apuração dos resultados fiscais, pois neste caso a atividade rural sistematicamente gera prejuízos, os quais são compensados pelas demais atividades. Porém, em verdade inexiste a distorção, já que caberia o rateio dos custos da produção de laranja proporcionalmente As receitas das atividades rurais e não rurais. Em assim contabilizado, de acordo com o art. 8° da IN n° Fl. 2745DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.733 12 257/02, a exclusão efetuada não resultaria no desequilíbrio entre as atividades, já que somente poderia ser feita proporcionalmente na parcela da atividade efetivamente rural, seguindo os contornos da lei n° 8.023/90, qual seja, a venda de laranja in natura. O erro na apuração do lucro real ocorreu da falta de segregação das duas atividades, que, por via de conseqüência, resultaria em exclusão da parcela de receitas da atividade rural. Da forma como feita, a exclusão envolveu tanto as atividades rurais quanto as não conceituadas como rural. Em que pese que acima de 99% da produção é de atividades não rurais, a distorção provocou significativo erro na apuração do lucro real, eis que a exclusão foi indevida na sua quase totalidade, sendo admitida apenas na parcela da atividade rural. Ainda no estudo do delineamento produzido pela normativa, cabe destacar que o art. 14 regulou os procedimentos de apuração do lucro real. Repete os conceitos da lei ordinária, como seria de se esperar, limitando o beneficio fiscal aos bens do ativo imobilizado que sejam utilizados na atividade rural. Pois bem. Também cabe interpretação o § 6° do mesmo dispositivo, quando estabelece que não fará jus ao beneficio de que trata aquele artigo a pessoa jurídica rural que direcionar a utilização do bem exclusivamente para outras atividades estranhas à atividade rural própria. Está claro que vincula novamente a utilização do bem com a atividade rural, mas vai além, pois quando inadmite o beneficio a quem aplicálo com exclusividade a atividade não rural, contrario sensu está permitindo a concomitância da aplicação do bem em duas atividades, rural e não rural. Com efeito, ao admitir esta aplicação comum, nada mais faz do que permitir a segregação da utilização dos bens do ativo imobilizado, na forma como já determinado no art. 8°, em que os custos e as despesas comuns das duas atividades devem ser rateadas em função das receitas das atividades. Assim, como no caso da fiscalizada, a exclusão correta seria apenas da parcela aplicada na atividade rural, o restante não pode ser excluído porque se trata de aplicação em atividade não rural (industrial). No caso presente sabese que a produção de laranjas é direcionada em sua quase integralidade para atividade não rural, e que o beneficio fiscal não se ajusta a produção do suco de laranja e derivados. Outra conclusão não há que a limitação da exclusão do lucro real à parcela da atividade rural, calculada na forma do rateio proporcional a percentagem que a receita liquida da atividade rural representa em relação à receita liquida total. Descabida a exclusão integral, haja vista que as receitas dividemse em rural e não rural (industrial). Esclareçase que esta forma de rateio de receitas está disciplinada no art. 8°, § 1º Fl. 2746DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.734 13 2.3.1 DA CONTABILIZAÇÃO E APURAÇÃO DO CUSTO REFERENTE AO CULTIVO DA LARANJA A empresa cultiva a laranja em terras próprias, mediante arrendamento de terras de terceiros e também com a compra direta de produtores rurais. Para tanto, realiza, mensalmente, investimentos diversos com o preparo do solo, plantio e manutenção da lavoura que são registrados na sua escrituração contábil conforme passa a ser descrito. 2.3.1.1. Mudas em Formação Classificadas pelo contribuinte no Ativo Circulante conta n° 11760006 (fl.), contém todos os gastos para a formação das mudas de laranja (até o período imediatamente anterior a formação da árvore). Os principais custos são: fertilizantes, fungicidas, herbicidas, inseticidas, corretivos de solo, combustíveis, mãodeobra, arrendamento de equipamentos, preparo do solo, produtos químicos, etc. O contribuinte contabiliza separadamente os custos apropriados no estoque em formação. Esta conta do ativo circulante será transferida para a conta do ativo imobilizado Cultura Permanente em Formação, após a formação das mudas e no inicio do plantio. 2.3.1.2 Cultura Permanente em Formação Esta conta está classificada no ativo permanente conta n° 14010018, contendo os gastos a partir do plantio das mudas de laranja. Serão então imobilizados os dispêndios na formação da árvore que produzirá os frutos. Neste ponto, a árvore ainda não iniciou seu ciclo produtivo, pois, depois de plantada a muda, a produção iniciará em três anos. Nesta fase são apropriados os dispêndios das árvores. 2.3.1.3 Plantas Cítricas Formadas Após a imobilização dos custos da cultura permanente em formação, e iniciado o ciclo produtivo da planta, são transferidos para esta conta do ativo permanente conta n° 14010008, os valores já imobilizados da cultura em formação. Neste passo, a cultura já está formada, rendendo os frutos dos pomares formados. Quanto aos efeitos fiscais, a partir desta conta é que o ativa imobilizado sofre os efeitos da depreciação, valendose a fiscalizada dos benefícios fiscais da atividade rural. 2.3.2 DO BENEFÍCIO FISCAL RELATIVO A DEPRECIAÇÃO INTEGRAL DA CONTA LAVOURA CÍTRICA FORMADA Fl. 2747DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.735 14 Conforme já descrevemos, o contribuinte contabiliza em conta do Ativo Permanente Imobilizado (plantas cítricas formadas) os custos apropriados para a formação da lavoura cítrica, amortizando contabilmente os custos desta conta na taxa de 6,25%, ao ano, mediante lançamentos de depreciação acelerada incentivada. O contribuinte entende que por ser uma pessoa jurídica que explora atividade rural (nos termos do art. 58, inciso VI, do Decreto n° 3.000/99 — RIR199), teria direito ao beneficio fiscal previsto nos artigos 307, II, e 314 do RIR199, podendo depreciar integralmente, no próprio período de apuração, todos os custos incorridos com a formação da lavoura cítrica, registrados na conta Plantas Cítricas Formadas. De fato, o contribuinte está utilizando o beneficio da depreciação acelerada incentivada e está depreciando, integralmente, no próprio período de apuração, todos os custos incorridos com a formação da lavoura canavieira(SIC), registrados na conta Planta Cítrica Formada. Em contrapartida, o custo excluído é adicionado nos próximos 192 (cento e noventa e dois) meses, ou seja, nos próximos 16 anos, nos ajustes do Lucro liquido do período, no LALUR — fls. 2030/2125. 2.4 DA INTERPRETAÇÃO LITERAL DOS BENEFÍCIOS FISCAIS Por tudo quanto apontado, claro está que a legislação tributária confere tratamento privilegiado aos produtores rurais. Conquanto não esteja correta a adequação das atividades produtivas principais da fábrica com as próprias dos produtores rurais, o fato comprovado documentalmente e informado é de que a empresa agroindustrial não exerce atividade rural quando vende a produção industrial. Pois bem. Há duas considerações relevantes a serem dispostas. A primeira atine a interpretação da legislação tributária aos benefícios fiscais. O modelo legal desenhado para a atividade rural define contornos bem precisos. A lei delimita com clareza os destinatários do beneficio fiscal. Nesta definição inclui de um lado os produtores rurais. Ainda prevê como beneficiários os produtores rurais que transformam sua produção, mas neste caso com as limitações impostas e já retro analisadas. Nesse diapasão, percebese que a atividade rural de transformação da produção rural sofreu limitação interpretativa legal. Juntese a esta norma a veiculada no Código Tributário Nacional, art. 111l, que dispõe caber a interpretação literal da legislação tributária aos benefícios fiscais, concluise haver dupla blindagem aos transformadores de produtos rurais caso queiram ser contemplados. Fl. 2748DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.736 15 Quando reza o CTN este dispositivo visa à manutenção do principio da igualdade tributária, vez que ao estabelecer vantagens tributárias a determinado contribuinte não permite seu elastério, de molde a não desvirtuar a tributação para um universo maior dos que os atingidos pela benesse. Considera o legislador que, ao conferir benefícios, a lei é precisa e enxuta, determinando ao legislador que caso queira ser benevolente com outros contribuintes não atingidos diretamente pela norma, o faça com nova lei. Desta forma deve ser entendida a conceituação da atividade rural. Como beneficio fiscal, sua tributação favorecida está restringida h. interpretação literal pelo CTN, bem como limitada pela própria conceituação da atividade de transformação do produtor rural. O resultado da reincidente restrição é que atividades como as agroindustriais desenvolvidas para a produção em escala industrial das fábricas de suco de laranja não estão beneficiadas em sua tributação. Seria mesmo admitir um absurdo que a pujante indústria de sucos pudesse ser igualada tributariamente aos produtores rurais em interpretação ampliativa, quando o conceito legal vem em dupla mão oposta. Desarrazoado pensar que o maior industrializador mundial do suco de laranja utilize as mesmas vestes tributárias dos rurícolas. E neste sentido, seria equivocado interpretar que a previsão trazida no art. 59 da Lei n° 9.430/96, exclusiva para o cultivo de florestas destinadas ao corte, conceituando como atividade rural este cultivo se destinado à venda para comercialização, consumo ou industrialização, ampliou o conceito de atividade rural para a industrialização. O que houve foi tão somente a permissão de que, às empresas dedicadas ao florestamento e reflorestamento, fosse dado tratamento da atividade rural, isto vindo a interpretar o tratamento fiscal até então objeto de lançamentos fiscais. Digase que os efeitos atingem exclusivamente a compensação de prejuízos, visto que para estas atividades inexiste depreciação das florestas, mas exaustão. E para a exaustão não há o beneficio fiscal. Portanto, quando o legislador ordinário incluiu entre as atividades rurais o cultivo de florestas, apenas interpretou que os reflorestadores quando vendessem sua produção para a industrialização, ao transformarem as árvores em toras menores, ainda assim mantivessemse como beneficiários da atividade rural, ampliando os limites do Parecer Normativo CST n° 30/80. Descabido considerar pelo tudo quanto exposto, que ampliou o conceito de atividade rural, nos moldes já exaustivamente delimitados em lei, ainda mais para outros. Já no que toca às despesas com aeronaves, o Termo de Verificação Fiscal assim se posiciona, in verbis: Fl. 2749DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.737 16 3 DAS DESPESAS COM AERONAVES No correr dos trabalhos de auditoria, verificouse que entre os bens do ativo imobilizado constam aeronaves representativas de significativa parcela de ativo imobilizado. Lavrouse então Termo de Intimação Fiscal com o fito de verificar os reflexos fiscais de referida imobilização. Em resposta a auditada argumentou possuir diversos estabelecimentos espalhados pelo Brasil, como também transacionar com diversos clientes espalhados em todos os continentes do planeta, justificando assim a dedutibilidade das despesas. 3.1 Das condições para a dedutibilidade dos bens do ativo imobilizado Compulsandose a legislação fiscal, com fulcro no art. 299 do Regulamento do Imposto de Renda ( RIR/99 ), temse que: Art.299 São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora (Lei n2 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei n2 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas silo as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei n2 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também as gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. A Lei n° 9.249/95 veio acrescentar ainda mais uma condição restritiva ao contido no instrumento legal acima, determinando quais os gastos estão intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços, conforme art. 13, incisos II e III: "Art. 13 Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei n°4.506, de 30 de novembro de 1964: (...) II das contraprestações de arrendamento mercantil e do aluguel de bens móveis ou imóveis, exceto quando relacionados intrinsecamente com a produção ou comercialização dos bens e serviços; III de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer Fl. 2750DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.738 17 outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços; (...) (grifouse) Consoante bem ressalta o Parecer Normativo CST n° 32, de 13/08/81, a qualificação dos dispêndios da pessoa jurídica, como despesas dedutíveis na determinação do lucro real, está subordinada a normas especificas da legislação do imposto de renda, que fixam conceito próprio, como visto acima, de despesas operacionais e estabelecem condições objetivas norteadoras da dedutibilidade. Tal qual na pessoa física em que há limites legais de valores de dedução de várias despesas, tais como despesas com dependentes e de instrução, também para a pessoa jurídica o conceito legal de despesa dedutível sofre limitações. Não deixam de ser despesas, apenas que não são dedutíveis quando infrinjam a lei fiscal. Vale dizer que a legislação fiscal tratou as despesas operacionais elencadas anteriormente como indedutíveis, excepcionando este caráter tão somente nos casos da intrínseca vinculação à produção ou comercialização. Segundo o conceito legal transcrito ( art. 299 do RIR199 ), o gasto é necessário quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos. Por outro lado, despesa normal é aquela que se verifica comumente no tipo de operação ou transação efetuada e que, na realização do negócio, se apresenta de forma usual, costumeira ou ordinária. O requisito de usualidade deve ser interpretado na acepção de habitual na espécie de negócio. Em reforço à lei vieram as disposições constantes do art. 25 da Instrução Normativa SRF no 11/96, que representam o entendimento firmado pela Administração Tributária sobre quais os bens são considerados intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços, em regulamentação ao contido no citado art. 13, II e III, da Lei n° 9.249/95: "Art. 25. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro é vedada a dedução: I das contraprestações de arrendamento mercantil e do aluguel de bens móveis ou imóveis, exceto quando relacionados intrinsecamente com a produção ou comercialização dos bens e serviços; II de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se Fl. 2751DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.739 18 intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços. Parágrafo único. Consideramse intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização: a) Os bens móveis e imóveis utilizados no desempenho das atividades de contabilidade ; b) Os bens imóveis utilizados como estabelecimento da administração; c) os bens móveis utilizados nas atividades operacionais, instalados em estabelecimento da empresa; d) os veículos do tipo caminhão, caminhoneta de cabine simples ou utilitário, utilizados no transporte de mercadorias e produtos adquiridos para revenda, de matériaprima, produtos intermediários e de embalagem aplicados na produção; e) os veículos do tipo caminhão, caminhoneta de cabine simples ou utilitário, as bicicletas e motocicletas utilizados pelos cobradores, compradores e vendedores nas atividades de cobrança, compra e venda; f) os veículos do tipo caminhão, caminhoneta de cabine simples ou utilitário, as bicicletas e motocicletas utilizados nas entregas de mercadorias e produtos vendidos; g) os veículos de transporte coletivo de empregados; h) os bens móveis e imóveis utilizados em pesquisa e desenvolvimento de produtos ou processos; i) os bens móveis e imóveis próprios, locados pela pessoa jurídica que tenha a locação como objeto de sua atividade; j) os bens móveis e imóveis objeto de arrendamento mercantil nos termos da Lei n° 6.099, de 1974, pela pessoa jurídica arrendadora; l) os veículos utilizados na prestação de serviços de vigilância móvel, pela pessoa jurídica que tenha por objeto essa espécie de atividade." (grifouse) Da leitura dos itens acima relacionados com veículos evidencia se que ha restrição na sua aplicação. Resta claro que a normativa impede a dedutibilidade como despesa operacional dos bens com possibilidade de utilização particular, tal como um veiculo ou aeronave. No rol restrito dos bens admitidos somente são encontrados aqueles de aplicação coletiva, próprios ao conceito de produção, impedindo que uma aeronave de aplicação limitada aos sócios figure entre aqueles intrínsecos as atividades da fiscalizada. Fl. 2752DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.740 19 Segundo o Dicionário Aurélio, o adjetivo intrínseco significa o que está dentro de uma coisa ou pessoa e lhe é próprio, interior, intimo; o que lhe é inerente, peculiar. Logo, essa é a acepção que deve ser dada ao advérbio intrinsecamente referido no texto legal. Nem se diga que o rol trazido pela normativa não é exaustivo. Conforme evidenciado pelo desenho normativo da dedutibilidade das despesas, já esclarecido, a lei considera exceção os gastos com bens do ativo imobilizado serem dedutíveis. Ao delimitar expressamente a relação de quais bens seriam intrinsecamente relacionados com a produção, considera que o restante dos bens não está vinculado com produção ou comercialização. Assim, elencou apenas os bens que geram excepcionalmente despesas dedutíveis. Sobre o conceito de despesas necessárias e as modificações introduzidas pela Lei n° 9.249/95, assim se posiciona José do Nascimento Dias, in Comentários ao Novo Regulamento do Imposto de Renda, Editora Forense, 2001, pág. 224: "O critério fundamental para definir uma despesa como "necessária" é a sua conexão com a atividade desenvolvida pela empresa, com a fonte de lucros da empresa. Uma despesa será tida como necessária na medida em que contribua para a produção do lucro da empresa. A Lei n° 9.249/95 reforça essa exegese ao se referir, em seu art. 13, II e III, a despesa relacionada intrinsecamente com a produção ou comercialização dos bens ou serviços. As despesas não necessárias, estranhas à produção de resultados pela empresa são denominadas liberalidades. Na conceituação do Vocabulário Jurídico de De plácido e Silva: "As despesas necessárias se justificam por se terem mostrado indispensáveis, para que se cumprisse uma finalidade ou um objetivo, que era imposto pelas contingências. Assim, em qualquer aspecto, necessário vem por em evidencia o que tem que ser feito, o que não pode deixar de ser, e tem que ser feito pelo modo indicado". (..)"(grifouse) Em sendo assim, a limitação legal à dedutibilidade, por ser de aplicação restrita, deve ser cabal e expressa para que comprove a sua indispensabilidade nas atividades da empresa. Não se trata de despesa sob a qual pairem dúvidas interpretativas a permitida como dedutível. A vinculação direta entre o dispêndio e sua necessidade não pode deixar margem a dúvidas nos contornos legais acima esclarecidos. 3.2 Da utilização das aeronaves pela empresa, seus sócios e familiares Fl. 2753DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.741 20 Para efeito de análise cabe um detalhamento das aeronaves em posse da fiscalizada. A empresa possuía uma aeronave Dassault Falcon Jet, modelo 900EX ( prefixo PTXSC ), adquirida diretamente da fábrica por R$ 65.161.634,27 em abril de 2000. Referida aeronave tratase de um jato de três turbinas com autonomia de vôo de cerca de nove horas, que lhe dá capacidade intercontinental. Também adquiriu direto da fábrica uma aeronave King Air, modelo 350 ( prefixo PPJSC ), no valor de R$ 13.033.517,71 em março de 2001. Posteriormente, em março de 2006, alienou o jato intercontinental para adquirir um leasing de nova aeronave de mesmo modelo 900EX ( prefixo PRCCC ) pelo valor de dez parcelas que totalizam o montante de US 39.843.535,80 dólares americanos. Recentemente também foi adquirido o leasing de um helicóptero. Com o escopo de auditar a forma de utilização das aeronaves, foi instada a fiscalizada a fornecer os mapas de controle de destino das aeronaves, bem como a identificação dos passageiros, para alguns meses dos anos sob fiscalização. Apresentadas a informações de vôo juntamente com diário de bordo das aeronaves, por força dos destinos e usuários das aeronaves, fezse por bem solicitar as informações para todo o período fiscalizado. De posse desta documentação, assim como dos lançamentos contábeis de gastos com combustíveis e lubrificantes, intimouse a empresa a esclarecer em detalhes os reembolsos de gastos com as aeronaves. Em resposta a fiscalizada esclareceu que os lançamentos contábeis sob o histórico "Reembolso de despesas de JLC" tratam de abatimento das despesas, portanto tem natureza credora, de gastos pessoais com a aeronave falcon 900, e que correspondem a 5% da quantia despendida no centro de custos. O mesmo procedimento contábil ocorre com as despesas com a outra aeronave ( King Air 350), mas neste caso o histórico descreve como "Reembolso de despesas de JCJ" correspondendo ao reembolso dos gastos de José Cutrale Junior. Os reembolsos são feitos na conta de gastos com combustíveis e lubrificantes, sendo iniciados a partir de junho de 2003. Também deve ser destacado que no mês de dezembro de 2006 o percentual é inferior aos 5%. Na resposta apresentada resta claro que o sócio admitiu o uso pessoal da aeronave, uma vez que reembolsa a empresa. Em verdade o sócio é titular de várias fazendas fornecedoras de laranjas para a fiscalizada, e abate os reembolsos dos valores a receber da fiscalizada. Ocorre que a forma de rateio das despesas do sócio e família em contrapartida às despesas da empresa é desestruturada. Estabeleceuse um percentual fixo de 5% como correspondendo a cota de uso pessoal das aeronaves, no entanto inexiste qualquer controle acerca das rotas efetivamente particulares. Reembolsase sem se perquirir sobre a Fl. 2754DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.742 21 motivação das viagens. Em resumo, o fato é que o sócio Jose Luis Cutrale e seus filhos, os diretores José Henrique Cutrale e Jose Luis Cutrale Junior, não controlam seus destinos na utilização das aeronaves, tão somente embarcam conforme suas vontades e conveniências, bem como de seus familiares. Neste ponto, em virtude de vários destinos turísticos e dos acompanhantes do sócio e seus familiares, traçouse planilha contendo desvios a demonstrar a liberalidade com que estão pautadas as rotas aéreas. Os itinerários foram extraídos dos mapas de informações de vôo fornecidos pela auditada e compulsados de forma detalhada. (segue planilha com detalhamento de vôos realizados, em que constam pessoas da família Cutrale, dentre eles diretores da Recorrente, mas também familiares e terceiros, em viagens para destinos turísticos e/ou locais onde existe empresas do grupo Cutrale, no Brasil e no exterior) A despeito do reembolso de 5 % das despesas, verificase da extensa listagem acima que o percentual de proveito pessoal ultrapassa estes valores. Também por se considerar pessoal o transporte dos diretores entre seus locais de trabalho, uma vez que nas datas e formas com que são feitos mais se adéqua ao interesse do transportado do que propriamente da empresa. Visualizase com clareza que as aeronaves são usadas em beneficio do sócio e familiares, quer seja levando seus componentes em viagens de passeio no pais e exterior (Angra dos Reis, Ubatuba, Comandatuba, Alpes suíços, Alpes austríacos, Caribe, estações de esqui entre outras ), ou então para usufruto, em rápido e confortável meio de transporte dos familiares. Constatouse que a esposa Rosana Falcioni Cutrale por muitas vezes vai e volta de São Paulo de avião, assim como para os EUA ou entre cidades americanas, a despeito de não possuir qualquer vínculo empregatício com a empresa. Assim também ocorre com Graziela Cutrale, filha de José Luis Cutrale, para quem as aeronaves deslocamse ate Ribeirão Preto, onde é domiciliada, levandoa ou trazendoa juntamente com os filhos para os mais variados lugares acima identificados, por razões que transcendem os interesses da fiscalizada, vez que estas não figuram no quadro societário época das viagens, nem desempenham qualquer atividade remunerada pela Cutrale, segundo informações coletadas das declarações de imposto de renda de ambas. Consoante pode ser acima caracterizado, além da consideração acerca da utilização particular das aeronaves, há outra ordem de razão ainda a causar os dispêndios: as aeronaves servem de meio de transporte pessoal dos sócios e familiares. Basta identificar que a aeronave King Air é usufruída com intensidade nos finais de semana ou vésperas pelos diretores da empresa para seus deslocamentos entre Araraquara e São Paulo como se Fl. 2755DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.743 22 utiliza um automóvel. Neste caso, fazse do avião um meio de transporte entre a residência e o local de trabalho, em claro desvio dos propósitos admitidos na legislação tributária, afinal foge do desígnio de qualquer sociedade comercial patrocinar os deslocamentos de seus sócios. Nestes mesmos casos a sociedade estaria a serviço dos sócios, hipótese contrária As práticas empresariais aceitas. O exemplo é similar ao da aquisição pela empresa de automóvel de luxo pelo sócio a fim de deslocálo. Ainda destacamse as constantes viagens para Angra dos Reis dos diretores e familiares para passagem de feriados e finais de semana. Nestes deslocamentos caracterizado está que um bem da empresa fica a serviço de seus sócios. O mesmo desvio de finalidade ocorre no uso do Falcon, pois na maior parte das vezes as informações indicam o deslocamento do proprietário José Luis Cutrale. Pelos roteiros verificados nos mapas de deslocamento da aeronave e relação dos passageiros, concluise cristalinamente que o uso é tanto pessoal quanto profissional. Comparados todos os roteiros, constatase que é baixa a freqüência com que a aeronave é compartilhada com os demais funcionários da fiscalizada. Via de regra quem dela usufrui é o sócio majoritário. Ainda que se queira justificar, o que se tem é a relação intrínseca entre as razões empresariais e pessoais, aliás mais estas do que aquelas. No caso, não de trata de relação intrínseca entre aeronaves e produção/ comercialização, mas entre razões mercantis e particulares. Neste ponto, os documentos demonstram que os sócios, diretores e familiares, por deterem o controle da empresa aproveitam as aeronaves como se suas fossem, sem que prestem qualquer satisfação ou sejam controlados pela sociedade empresarial que administram. 3.3 —Da impossibilidade da dedução das despesas com aeronaves Pelo que até aqui estudado da legislação fiscal das despesas com os bens do ativo imobilizado, está claro que a regra é a indedutibilidade destas. E mais. Que a dedutibilidade, por se tratar de exceção, somente ocorre quando expressamente prevista pela norma infra legal. Deste entendimento, a considerar a exclusiva hipótese de que a empresa utilizasse as aeronaves apenas em suas atividades mercantis, concluise que as aeronaves de que tratam os presentes autos deveriam ser consideradas como intrinsecamente relacionadas com a produção ou comercialização das mercadorias na atividade do sujeito passivo, uma vez que em nada acrescentam na geração de receitas. Não se têm noticias de que a indústria citrícola autuada emprega aviões nessa atividade de venda de seus produtos. Fl. 2756DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.744 23 Ainda nesta mesma linha de raciocínio, e, em que pese a tentativa, nem o sujeito passivo comprova que a aeronave é empregada nesse sentido. Em verdade, sua argumentação aponta na direção de que a utilização do veiculo é indispensável na administração dos negócios, hipótese que também restou a margem de comprovação, ante a insuficiência da prova apresentada. A vocação exportadora da fiscalizada vem de décadas, e para administrar seus negócios jamais necessitou das aeronaves do porte das empregadas no período fiscalizado. Mas que assim o fosse, descabidos os efeitos fiscais pretendidos no caso de uso dos bens para administração dos negócios. A se considerar a aeronave como um automóvel apto a deslocar os diretores de maneira rápida e eficaz entre suas residências e local de trabalho, incabíveis as despesas na apuração do lucro real, pois assim estariam sendo utilizados para a administração da empresa, mas para uso pessoal dos administradores. É bem verdade que houve reembolso de pequena parcela das despesas, mas ainda assim os valores não possuem qualquer respaldo legal, eis que a legislação tributária inadmite a utilização híbrida do mesmo bem entre a empresa e seus sócios e familiares, mormente no caso sob análise em que inexiste segregação. As informações de vôo compulsadas nos levam à conclusão de que os serviços prestados pelas aeronaves mais se adaptam A. comodidade do sócio e seus dois filhos diretores, do que propriamente aos fins da empresa. A freqüência, os destinos, as datas e a relação de passageiros indicam que prevalece o interesse estranho aos da fiscalizada, comuns apenas em alguns casos de administração da empresa. Aduziu a fiscalizada que por se tratar de empresa com clientes na Europa e Estados Unidos, justificada está a despesa com aeronaves. No entanto, o que foi apurado é que os constantes deslocamentos ocorrem para Orlando, Atlanta e Nova York. Nos primeiros dois destinos o que se tem são as fábricas de suco da empresa Cutrale North America Inc, controlada em sua integralidade pela fiscalizada. Portanto, as despesas não são da fiscalizada, mas sim da empresa sediada nos Estados Unidos. Ao deslocarse com constância para aqueles destinos está tratando da administração da empresa americana, com as conseqüências fiscais das despesas devendo ser apropriadas para aquela empresa. Que se diga que se trata de controlada estando assim justificada a despesa, o principio da entidade as separa, determinando que cada qual das empresas custeie suas despesas. Despropositado imaginar que caberia à fiscalizada bancar as despesas das controladas com aeronaves. Da mesma forma para os deslocamentos para a Europa em que a fiscalizada controla integralmente a empresa Cutrale Europe Holding, e para onde o sócio José Luis Cutrale e sua esposa viajam com freqüência. Ao querer justificar as despesas com os deslocamentos para o continente europeu, avaliase que com as Fl. 2757DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.745 24 viagens para a Europa administra aquela empresa européia. A conclusão é idêntica a já alinhada acima, ou seja, descabida a despesa porque deve ser apropriada à controlada. Se assim não se considerar, também descabida por corresponder à administração da fiscalizada, motivo já repisado como indedutível. Podese ainda comparar os valores da rubrica aeronaves com outros itens do mesmo imobilizado. Evidenciase desta ponderação, que completamente desproporcional o quanto colocado no ativo em aeronaves, pois seu total é a metade do total imobilizado em maquinismos e equipamentos de todo parque fabril. De maneira alguma se considera intrínseco o dispêndio nestes ativos se comparados ao consumido pela aeronave. Neste ponto, concluise que as despesas decorrentes da imobilização da aeronave, quais sejam, despesas de depreciação, seguros, serviços de manutenção, impostos, não são necessárias, nem usuais às atividades da fiscalizada. Não se vinculam h produção e comercialização como requer a lei. Ainda mais quando sopesado que nos últimos cinco anos a fiscalizada gastou cerca de oitenta e seis milhões de reais nas aeronaves, quantia desarrazoada se comparada aos demais gastos administrativos. A empresa tem natureza familiar, sendo administrada pelo sócio quase exclusivo José Luis Cutrale, sucessor único de seu genitor José Cutrale Junior. Desta característica deflui que a aquisição das aeronaves, na forma como aproveitadas, poderia ter sido feita pelo sócio com a distribuição de lucros isenta de tributação. Porém assim agindo não haveria os benefícios de redução dos resultados fiscais da empresa, com a conseqüente diminuição de pagamento de tributos sobre a renda. Ao adquirir as aeronaves os sócios em nada abateriam os custos na manutenção destes bens. O interesse pessoal preponderou na aquisição das aeronaves Falcon 900 EX e nas demais, pois possibilita o deslocamento pessoal de forma rápida e luxuosa dos sócios e familiares entre os mais variados destinos. A compra tratase de mera liberalidade, perpetrada pelo sócio José Luis Cutrale, em seu próprio favor. Ainda mais se for considerado que este sócio detem a quase totalidade da participação societária da fiscalizada (99,99 %). Com efeito, quando a empresa deliberou a compra das aeronaves quem o fez foram os usufrutuários da confortável utilização das mesmas. Desta forma, os interesses entre os sócios da fiscalizada comunicamse com seus interesses pessoais, em uma zona cinzenta claramente rechaçada pela legislação do imposto de renda e contribuição social. A confusão patrimonial entre empresa e sócio resta clara, sem que o reembolso de forma descomprometida da realidade possa sanar o vicio incorrigível do desvio de finalidade. Tais despesas existem, mas não podem Fl. 2758DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.746 25 afetar negativamente o lucro real da auditada por se tratarem de mera liberalidade da empresa em beneficio dos sócios, devendo ser glosadas. Neste ponto, confundiramse os interesses pessoais com os societários, em desvantagem do imposto de renda apurado. Também o Conselho de Contribuintes firmou a mesma posição reiteradamente, com as restrições impostas pela Lei If 9.249/95: " IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ EX 1998 BASE DE CALCULO DESPESAS DEDUTIBILIDADE AERONAVE BEM NÃO INTRINSECAMENTE RELACIONADO COM A PRODUÇÃO OU COMERCIALIZAÇÃO A partir da vigência da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995 (art. 13), são vedadas as dedutibilidades, na determinação do lucro real, das contraprestações de arrendamento mercantil e do aluguel de bens móveis ou imóveis, não intrinsecamente relacionadas com a produção ou comercialização dos bens ou serviços, e das correspondentes despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO CSLL Exercício 1998 BASE DE CALCULO DESPESAS DEDUTIBILIDADE — AERONAVE BEM NÃO INTRINSECAMENTE RELACIONADO COM A PRODUÇÃO OU COMERCIALIZAÇÃO A regra acima mencionada se estende para a determinação da base de cálculo da CSLL, por expressa disposição legal. " (1° CC, Acórdão n° 10514.962, processo n° 10830.0107910/200251, em 24/02/2005) “DEPRECIAÇÃO DEDUTIBILIDADE AERONAVES BEM NÃO INTRINSECAMENTE RELACIONADO COM A COMERCIALIZAÇÃO A partir da vigência da Lei n°9.249, de 26 de dezembro de 1995 (art. 13), para efeitos de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido, são vedadas as dedutibilidades de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, não intrinsecamente relacionadas a produção ou comercialização dos bens ou serviços. DEPRECIAÇÃO ACELERADA Bens móveis poderão ser aceleradamente depreciados, até o limite de seu custo de aquisição, desde que comprovadamente, sejam submetidos ao desgaste pela utilização diária igual ou superior a dois ou três turnos de oito horas (RIR/94, art. 255). 0 encargo da depreciação acelerada deve compor escrituração comercial da pessoa jurídica. POSTERGAÇO NO PAGAMENTO DE TRIBUTOS Caracterizase postergação no pagamento de tributos, o efetivo pagamento espontâneo do tributo em período base posterior. JUROS DE MORA APLICABILIDADE DA TAXA SELIC Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos a partir de abril de 1995, incidem os juros de mora Fl. 2759DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.747 26 equivalentes A taxa SELIC para títulos federais. INCONSTITUCIONALIDADE A apreciação da constitucionalidade ou não de lei regularmente emanada do Poder Legislativo é de competência exclusiva do Poder Judiciário, pelo principio da independência dos Poderes da República, preconizado na nossa Carta Magna. DECORRÊNCIA – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO Tratandose de lançamento reflexivo, a decisão proferida no matriz é aplicável, no que couber, ao decorrente, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula.” (Ac. 1° CC n° 10513857, processo n° 10935.002816/200170, em 21/08/2002) “ARRENDAMENTO MERCANTIL. VEÍCULOS DE LUXO Anos: 1995 a 1997 A partir do advento da Lei nº 9.249/95, somente são dedutíveis do lucro tributável, as contraprestações de arrendamento mercantil de veículos, quando comprovada sua relação intrínseca com a produção e comercialização dos bens e/ou serviços da empresa." [Ac. 1º CC nº 10806305, em 09/11/00] (grifouse) Em apertada síntese no tocante às despesas com as aeronaves, as duas ordens de razão que justificam a glosa apontam: a uma, que as despesas somente seriam admitidas se intrinsecamente relacionadas às atividades de produção ou comercialização da empresa, não para administração como justificado pela fiscalizada; por outra, que inadmissível o reembolso linear das despesas das aeronaves pelo sócio de molde a sanar a incorreção da confusão patrimonial existente no uso das aeronaves para fins pessoais e empresariais. Mormente quando não há segregação dos motivos que ensejam as viagens, nem dos gastos individualizados das viagens. Inconformada, a Recorrente apresentou impugnação contra o auto de infração, julgada integralmente improcedente pela Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ. Data do fato gerador: 31/12/2003, 31/12/2004, 31/12/2005, 31/12/2006, 31/12/2007, 31/01/2008. PRODUÇÃO DE SUCO DE LARANJA ATIVIDADE RURAL AGROINDOSTRIA DEPRECIAÇÃO INTEGRAL DESPESAS COM AERONAVES – INDEDUTIBILIDADE. A produção de suco de laranja por agroindústria, por não observar os requisitos previstos no 'art. 2° da Lei n° 8.023/1990, não pode ser qualificada como atividade rural, de modo que não é cabível o gozo do beneficio da depreciação integral previsto no art. 6° da Medida Provisória n° 2.15970/2001. As despesas com aeronaves, quando não relacionadas intrinsecamente com a Fl. 2760DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.748 27 produção ou comercialização dos bens ou serviços não são dedutíveis. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO – CSLL. Data do fato gerador: 31/12/2003, 31/12/2004, 31/12/2005, 31/12/2006, 31/12/2007. AUTO REFLEXO. Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Contra essa decisão, foi apresentado recurso voluntário para apreciação e julgamento perante este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em que a Recorrente repisa as razões de impugnação, fundadas nos seguintes argumentos: Preliminares 1) nulidade do auto de infração, posto que fundado em presunção sem amparo na lei, uma vez que a Autoridade Fiscal teria desconsiderado as documentações fartamente apresentadas pela Recorrente, tanto no que toca à exploração de atividade rural, quanto no que toca à utilização das aeronaves para deslocamento de pessoal não relacionado às atividades da empresa; 2) nulidade do auto de infração, pois a Fiscalização inverteu o ônus da prova, posto que atribuiu à Recorrente o ônus de comprovar os fatos constitutivos do direito que seria da Fazenda Pública, mediante a apresentação de inúmeras planilhas e documentos, quando, no seu entendimento, caberia à Fiscalização realizar tal tipo de investigação; 3) que o direito tributário segue o princípio da legalidade, que não admite a tributação de fatos não previstos na lei, assim como não admite a tributação de fatos presumidos sem que haja a previsão expressa autorizativa da aplicação da presunção legal; Mérito Quanto às Glosas na Depreciação: 4) as atividades de agroindústrias estão incluídos no sistema nacional de políticas agrícolas conforme art. 187 da Constituição da República, assim como nos termos da lei nº 8.171/91; 5) que a atividade desenvolvida pela Recorrente caracterizase como atividade rural, por atender o disposto no inciso V do art. 2º da lei nº 8.023/90, que diz que Fl. 2761DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.749 28 considerase atividade rural “a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação” 6) que uma interpretação da evolução da legislação aplicável à matéria favorece a tese da Recorrente, uma vez que a redação original do referido inciso V do art. 2º da lei nº 8.023 expressamente vedava a aplicação do regime quando a transformação do produto configurasse “procedimento industrial feita pelo próprio agricultor ou criador”; restrição esta que foi expressamente retirada pela lei nº 9.250/95; 7) que o dispositivo legal supra invocado expressamente inclui a extração do suco de laranja como produto da “transformação de produtos decorrentes da atividade rural” não considerados como sujeitos ao conceito de industrialização para fins de aproveitamento do benefício fiscal; 8) que o produto final produzido e comercializado pela Recorrente é sempre o suco de laranja, sendo que, pelo fato de o mesmo ter assumido a forma concentrada, não deixou de ser o mesmo elemento original. Nos seus dizeres, “o suco de laranja nunca deixou de ser suco de laranja”; 9) que possui quatro formas de produção do produto final, quais sejam: “(i) o suco de laranja integral (obtido pela extração do suco, sem nenhum processo de transformação); (ii) o 'concentrado' (obtido pelo processo de retirada da água); (iii) o 'preservado' (adição de conservante químico); e (iv) o 'pulp wash' (adição de enzimas)”; e que, em nenhuma delas, existe alteração da natureza final do produto, qual seja, continuam sendo “suco de laranja”; 10) trouxe à baila parecer técnico da ITAL – Instituto de Tecnologia de Alimentos, renomado laboratório que atesta, com relação aos seus produtos finais, que os mesmos não deixaram de ser “suco de laranja”, ainda que submetidas a processos químicos com adição de enzimas e outros substratos, como benzoato, que visam apenas a conservação do produto; 11) que nos termos do art. 6º da Medida Provisória nº 2.159/2001, reedição 70, os bens do ativo imobilizado “adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural, para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano da aquisição”. Sob essa ótica, a Recorrente preenche os requisitos para se utilizar da depreciação antecipada, o que impede a glosa realizada pelo auto de infração; 12) não pode ser aplicado o disposto no art. 111 do CTN, que veda a interpretação mais alargada da legislação nos casos de isenção, suspensão ou exclusão do crédito tributário; por não se tratar, na hipótese, de nenhum desses institutos jurídicos, mas sim de mera antecipação de efeitos financeiros da depreciação; Quanto ao Uso das Aeronaves: Fl. 2762DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.750 29 13) que as aeronaves são utilizadas ara atividades operacionais da Recorrente; 14) que a lista apresentada pela IN º 11/96 é meramente exemplificativa e o fato de não contemplar aeronaves não impede, por si só, a dedutibilidade das despesas com as mesmas; 15) que não se poderia inverter o ônus da prova para demandar ao Recorrente a comprovação de que o uso das aeronaves referese ao objeto social da empresa, posto que referido ônus caberia à Autoridade Fiscal; 16) que os vôos realizados com as aeronaves da Recorrente foram utilizados “(i) ou para filiais do Recorrente no Brasil ou (ii) para visitas a clientes e fornecedores no Brasil ou Exterior; ou (iii) para demais finalidades relacionadas à operação do Recorrente”. 17) que as eventuais viagens realizadas nas aeronaves com destinos turísticos realizados pelos sócios da Recorrente não passam de 5%, fator este utilizado para fins de reembolso à empresa pelo uso pessoal dos aviões; 18) que, com relação às viagens realizadas para Orlando e Atlanta, nos Estados Unidos da América e para a Europa, onde a Recorrente possui subsidiárias integrais, não podem, como pretendeu a fiscalização, serem imputadas como custos das empresas estrangeiras; 19) que o montante das despesas incorridas e comprovadas como sendo dedutíveis (fls. 2.224 a 2.279) já são suficientes para comprovar a quase totalidade das despesas glosadas pela fiscalização a este título; 20) que nem mesmo para as viagens nitidamente tidas como relacionadas aos interesses da empresa foi admitida a dedução dos custos; Com estes fundamentos, pede, a Recorrente, o provimento do presente recurso e o cancelamento da autuação fiscal. É este o relatório. Fl. 2763DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.751 30 Voto Vencido Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Relator: O recurso é tempestivo e, atendidos os demais requisitos da lei, dele conheço. Preliminares: Sustenta a Recorrente, em preliminar, a nulidade do auto de infração pelo fato de este ser embasado em presunção sem amparo na lei, uma vez que a Autoridade Fiscal teria desconsiderado as documentações fartamente apresentadas pela Recorrente, tanto no que toca à exploração de atividade rural, quanto no que toca à utilização das aeronaves para deslocamento de pessoal não relacionado às atividades da empresa. Também alega nulidade do auto de infração por entender que o Fisco inverteu o ônus da prova, atribuindo à Recorrente o ônus de comprovar os fatos constitutivos do direito que seria da própria Autoridade Fiscal. Por fim, argumenta que o direito tributário segue o princípio da legalidade, que não admite a tributação de fatos não previstos na lei, assim como não admite a tributação de fatos presumidos sem que haja a previsão expressa autorizativa da aplicação da presunção legal. Em relação à primeira nulidade suscitada, entendo que não merece acolhida. Não se trata de aplicação de presunção, pela Autoridade Fiscal, sem amparo em lei. A Autoridade Lançadora apenas realizou a sua interpretação da lei e a aplicou sobre os fatos apurados nos autos, contrariando as expectativas da Recorrente quanto ao resultado dos trabalhos fiscais. Entretanto, não se pode afirmar que houve tributação por presunção. As glosas e as suas conseqüências decorrem da interpretação dos dispositivos legais feita pela fiscalização, atrelada ao conjunto probatório a que ela teve acesso (fatos e documentos), que a permitiu concluir que a atividade principal do contribuinte não poderia ser enquadrada como atividade rural. É dizer: a Autoridade Fiscal fez a sua interpretação sobre o conceito de atividade rural disposto em lei e confrontou com a atividade exercida pelo contribuinte, de acordo com as provas apresentadas. Desse modo, em relação ao beneficio fiscal da depreciação incentivada dos bens do ativo permanente, a Autoridade Fiscal concluiu que a Recorrente não poderia usufruí lo, já que a sua atividade principal (a produção de suco de laranja em escala industrial), não poderia ser qualificada como atividade rural. Fundamentou a sua conclusão na interpretação do art. 6° da Medida Provisória n° 2.15970/2001 e do art. 2° da Lei n° 8.023/1990, com as Fl. 2764DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.752 31 alterações introduzidas pela Lei n° 9.250/1995, bem corno nos documentos constantes da escrituração contábil e fiscal. Da mesma forma, entendeu que são indedutíveis as despesas com aeronaves. A Autoridade Fiscal, interpretando o art. 13 da Lei n° 9.249/1995 combinado com o art. 25 da Instrução Normativa SRF n° 11/1996, concluiu que as aeronaves não são bens intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização de suco de laranja. Além disso, verificou em documentos acostados aos autos que, em algumas ocasiões, as aeronaves foram utilizadas para fins particulares dos sócios, administradores e dos familiares destes, desvinculando o seu uso em viagens destinadas à produção ou comercialização de suco de laranja. Está claro que não é o caso de tributação por presunção, mas apenas de interpretação das normas e aplicação sobre fatos provados por documentos, sem utilizar qualquer regra de experiência. Ora, se a Recorrente não concorda com a interpretação e vinculações realizadas pela Autoridade Fiscal, isso será analisado quando da apreciação do mérito do presente recurso. Contudo, o fato de o Fisco ter realizado uma interpretação dissonante daquela esperada pela contribuinte não significa que houve tributação por presunção. Quanto à nulidade relativa à inversão do ônus da prova, é sabido que o CPC adotou a teoria estática do ônus da prova (teoria clássica), segundo a qual o encargo probatório é previamente definido, cabendo ao autor o ônus de provar os fatos constitutivos do seu direito e ao réu provar os fatos impeditivos, modificativos e extintivos do direito deduzido. Entretanto, essa regra estática de distribuição do encargo probatório tem mostradose ultrapassada. Atualmente, a teoria mais acertada sobre o assunto é a “teoria da distribuição dinâmica do ônus da prova”, segundo a qual, no caso concreto, a prova incumbe a quem tem melhores condições de produzila, eis que a distribuição rígida do ônus da prova pode resultar em julgamentos injustos, desfavoráveis à parte que não se desincumbiu do seu encargo probatório, mesmo tendo a outra parte condições de produzir as provas necessárias para o desfecho da demanda. Sobre essa evolução na teorias das provas, o r. jurista Fredie Didier Jr., no Curso de Direito Processual Civil (6ª edição, volume 2, p.95/97) esclarece que: “[...]nem sempre o autor e o réu têm condições de atender a esse ônus probatório que lhes foi rigidamente atribuído – em muitos casos, por exemplo, vêemse diante de prova diabólica. E, não havendo provas suficientes nos autos para evidenciar os fatos, o juiz terminará por proferir decisão desfavorável àquele que não se desincumbiu do seu encargo de provar (regra de julgamento). É por isso que se diz que essa distribuição rígida do ônus de prova atrofia nosso sistema, e sua aplicação inflexível pode conduzir a julgamentos injustos. ‘Não se nega a validade da teoria clássica como regra geral, mas não se pode é admitir tal regra como inflexível e em condições de solucionar todos os casos práticos que a vida apresenta’.” Didier sintetiza a distribuição dinâmica do ônus da prova em quatro elementos principais: (i) o encargo probatório não deve ser repartido prévia e abstratamente, e sim caso a caso; (ii) sua distribuição deve ser dinâmica e não estática e inflexível; (iii) é Fl. 2765DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.753 32 irrelevante, nessa subdivisão, a posição assumida pela parte na causa (se autor ou réu); (iv) é irrelevante o interesse em provar o fato ou a natureza deste, isto é, se é constitutivo, modificativo, impeditivo ou extintivo. O que importa é quem tem mais possibilidades de fazer a prova. Embora a teoria da distribuição dinâmica do ônus da prova não seja expressamente reconhecida pelo CPC, a doutrina tem admitido a sua aplicação com respaldo nos princípios da igualdade, art. 5º, caput da CR/88 c/c art. 125, I, do CPC, princípio da lealdade, boa fé e veracidade (arts. 14, 16, 17, 18 e 125, inciso III do CPC), princípio do devido processo legal, bem como o princípio da solidariedade para com o órgão julgador. Este último princípio é o mais relevante para a aplicação dessa nova teoria ao direito tributário, em função da busca incessante pela verdade material. Entretanto, é de extrema importância ressaltar que de acordo com o art. 9º, §1º, do DecretoLei nº 1.598/77, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Há, portanto, uma presunção legal da veracidade da escrituração contábil do contribuinte, quando, logicamente, fundamentada nas normas e princípios contábeis. No intuito de desconstituir a presunção de veracidade da escrituração contábil do contribuinte, nos termos do §2º do mesmo art. 9º do Decreto Lei nº 1.598/77, cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância das disposições legais. Portanto, para se abandonar os registros constantes dos livros fiscais há a necessidade de demonstrar fundamentos relevantes, apurados pela autoridade fiscal durante os procedimentos de fiscalização. Essa necessidade decorre, inclusive, do intuito de garantir o exercício do amplo direito de defesa e do devido processo legal, sob pena de nulidade da acusação. Caso, durante os procedimentos de fiscalização, a autoridade fiscal encontre provas ou um conjunto de indícios convergentes que seja hábil a desconstituir a presunção legal da veracidade da escrituração contábil, reunindo os elementos caracterizadores da infração, caberá ao contribuinte comprovar a impossibilidade de aquele lançamento prosperar. Neste instante entra em cena a teoria da distribuição dinâmica do ônus da prova. Cabe sim à autoridade fazendária o ônus da prova da constituição do crédito tributário, todavia o contribuinte é o detentor dos dados e informações acerca do fato gerador do tributo. Assim, é ônus do contribuinte proceder a devida escrituração dos livros fiscais sempre alicerçados em documentos idôneos e hábeis, que, quando requisitados, deverão ser disponibilizados à fiscalização. Caso o contribuinte não cumpra suas obrigações legais, a legislação autoriza o agente fiscal proceder o lançamento por meio do arbitramento, sempre limitado aos elementos não estranhos à movimentação empresarial do contribuinte. Fl. 2766DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.754 33 Portanto, os contribuintes têm o dever de colaborar na condução dos trabalhos fiscais, inclusive produzindo todas as provas necessárias para comprovação dos fatos ali envolvidos (vez que é ele o detentor de toda informação acerca dos fatos geradores), sob o risco de sofrer o lançamento por arbitramento dos tributos envolvidos. Da mesma forma os contribuintes devem proceder durante toda a discussão administrativa, elaborando todas as provas que estiverem ao seu alcance para comprovar os fatos e operações envolvidas e a defesa de seus interesses. Não é tolerável o contribuinte impor o ônus da prova à autoridade fiscal que lhe seja impraticável. O ônus da prova deve ser distribuído de forma justa, não se admitindo, também, o lançamento duvidoso. No presente caso, a autoridade fiscal rejeitou a veracidade da escrituração fiscal da contribuinte com base em provas e fundamentos que culminaram no presente lançamento tributário. A título exemplificativo, a autoridade fiscal juntou um conjunto probatório acerca da utilização dos aviões por membros familiares e para destinos turísticos, o que fundamentou a glosa das despesas com a utilização das referidas aeronaves. Não pode, portanto, a Recorrente querer impor à autoridade fiscal o ônus de comprovar que as referidas viagens foram realizadas com outro escopo, uma vez que – apesar de o ônus da prova constitutiva do crédito tributário ser do fisco – a autoridade fiscal estaria impossibilitada de o fazer. Conseqüentemente, a autoridade fiscal levantou indícios de que aquela despesa não estava relacionada à atividade da Recorrente, transferindo, nesse momento, o ônus da prova para o contribuinte. Desse modo, não merece acolhida a preliminar de nulidade do auto de infração sustentada pela Recorrente, haja vista que não se trata de inversão do ônus da prova por parte da fiscalização. Apenas foi exigido da Recorrente que ela produzisse as provas que estavam a seu alcance, na defesa de seus interesses, contribuindo na busca pela verdade material. Por fim, quanto à última nulidade arguída pela Recorrente em seu recurso voluntário, verificase que ela sustenta o seguinte: “as Instruções Normativas, Pareceres Normativos e Atos Declaratórios, largamente utilizados pela fiscalização para fundamentar suas conclusões, devem ser levados em consideração com uma boa carga de relatividade. Isto porque, são apenas normas complementares em matéria tributária, conforme determina o art. 100, inciso I, do Código Tributário Nacional. (...) Assim, é preliminar deste recurso que as conclusões da fiscalização fundadas exclusivamente em normas complementares e que afrontem ou extrapolem o conteúdo legal, devem ser rechaçadas de modo a prevalecer o disposto em lei.” Entretanto, mesmo atento às observações da Recorrente, entendo que essa preliminar também não merece acolhida. Pelos fundamentos já expostos acima, não há que se falar em tributação de fatos não previstos na lei ou tributação de fatos presumidos sem que haja a previsão expressa autorizativa da aplicação da presunção legal. A Autoridade Fiscal realizou a sua interpretação Fl. 2767DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.755 34 dos dispositivos legais envolvidos, valendose, inclusive, de orientações de instrução normativa para corroborar o seu entendimento. Não houve presunção, como dito anteriormente. Ademais, como bem salientado pela DRJ, deve ser ressaltado que a Autoridade Administrativa não dispõe de competência para apreciar inconstitucionalidade e/ou invalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional. Cabe a ela simplesmente interpretar à lei, relacionála com as provas realizadas e aplicála a cada caso concreto. Assim, embora compreenda os argumentos da Recorrente, penso que a interpretação dos referidos atos normativos foi realizada com relatividade, considerando as disposições legais existentes sobre a matéria envolvida. Desse modo, entendo que não houve ofensa ao princípio da legalidade e, muito menos, houve tributação por meio de fatos presumidos ou não previstos em lei. Feitas essas considerações, deixo de acolher as preliminares suscitadas pela Agravada e passo a analisar o mérito da demanda. Mérito: Custos com Aeronaves Da investigação fiscal realizada pela Autoridade Autuante, restou constatado que as aeronaves pertencentes à Recorrente eram utilizadas em viagens não relacionadas ao objetivo da empresa, por vezes com passageiros que não compõem o seu corpo societário ou diretivo, com destinos claramente turísticos, ou para atender demandas pessoais dos membros da família Cutrale ou a eles relacionados. Desta feita, promoveuse a glosa integral dos custos com aeronaves, nos termos do atuo de infração. Argumenta, todavia, a Recorrente, que os custos relacionados a viagens comprovadamente realizadas em negócios da empresa são suficientes para respaldar os valores deduzidos a título de despesas, pelo que a glosa se mostra insubsistente. Em sua defesa, a Recorrente apresentou a planilha de fls. 2.224 à 2.279, onde relaciona as viagens feitas em aeronaves da Recorrente em visitas a filiais, sucursais ou clientes, assim como a planilha de fls. 2.296 a 2.301, em que relaciona a diferença entre os custos comprovados nessas viagens e os valores glosados pela Autoridade Fiscal. Por fim, ressalta que 5% (cinco por cento) dos custos incorridos com despesas de aeronaves são atribuídos ao uso pessoal das aeronaves, dissociadas do objeto social, não tendo, portanto, sido deduzidos como custo na composição do lucro tributável. Sem razão o contribuinte. As despesas da pessoa jurídica passíveis de dedução na apuração do lucro tributável são aquelas previstas em lei como sendo essenciais para o funcionamento da empresa e o atendimento de seu objeto social. Tratase das chamadas despesas operacionais, assim conceituada pelo art. 299 do RIR/99, in litteris: Fl. 2768DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.756 35 Art.299 São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei n2 4.506, de 1964, art. 47). § 1º. São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei n2 4.506, de 1964, art. 47, § 12). § 2º. As despesas operacionais admitidas silo as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei n2 4.506, de 1964, art. 47, § 22). Particularmente entendo que a utilização de aeronaves privadas, quando voltadas para o desenvolvimento de atividades diretamente relacionadas ao objeto da empresa, permite que os seus custos sejam deduzidos da base de formação do imposto de renda. No entanto, no caso dos autos, houve comprovação, pela Autoridade Fiscal, de que as aeronaves eram utilizadas para fins privados – sem prejuízo de sua utilização para os fins da empresa. Caberia, assim, à Recorrente, comprovar que fez a segregação dos custos atinentes a tal despesa, como forma de permitir que os custos relacionados à utilização das aeronaves em benefício da empresa fossem separados dos custos relacionados à utilização das aeronaves. Mas não foi isso que fez a Recorrente. Como forma de apuração dos custos de utilização das aeronaves, entre aquilo que seria dedutível e aquilo que seria não dedutível, a Recorrente aplicou um percentual fixo de 5% das despesas incorridas como sendo indedutíveis, pelo uso particular das aeronaves pelos sócios da empresa, permitindose a dedução do restante dos custos incorridos. Permissa venia, o que fez a Recorrente foi criar uma presunção de indedutibilidade dos custos da aeronave, sem que houvesse qualquer respaldo legal para esse procedimento. Lado reverso, reclamando de que teria havido inversão do ônus da prova, a Recorrente apresentou as planilhas de fls. 2.224 à 2.279. Novamente sem razão a Recorrente. A uma, por que cabe ao contribuinte comprovar a regularidade de sua escrita fiscal, principalmente quando da apuração do imposto de renda pelo lucro real. Nesse caso, o contribuinte deve manter a guarda de sua documentação e realizar a sua escrituração refletindo os dados constantes dessa documentação. E, na hipótese de fiscalização, cabe ao contribuinte provar que escriturou corretamente seus livros fiscais. A duas, por que as planilhas de fls. 2.224 a 2.279 não fazem a segregação dos custos incorridos pela Recorrente, e cuja dedutibilidade se pretende. De fato, com base nos Fl. 2769DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.757 36 diários de vôo das aeronaves, a Recorrente demonstra que as mesmas também eram utilizadas em viagens a serviço e em favor da empresa. No entanto, não existe uma correlação entre custos incorridos x utilização das aeronaves em benefício da empresa, de forma a permitir a dedutibilidade dos custos da apuração do imposto de renda. A três, por não sido feita a discriminação dos objetos das viagens realizadas, de forma a comprovar que as mesmas de fato objetivavam atender à finalidade empresarial. Isso porque o simples fato de a Recorrente possuir filiais, clientes ou subsidiárias no destino das aeronaves não é suficiente para dizer que a viagem fora realizada em benefício da empresa, mormente quando o destino comporta questões de cunho negocial e de natureza turística. Dentro desse contexto, seria necessário que se fizesse uma correlação de custo pela utilização da aeronave no caso concreto, de forma a poder afirmar qual o custo de cada vôo para dizer que os custos incorridos nas viagens particulares dos sócios e diretores da empresa superasse os 5% (cinco por cento), o que, salvo melhor juízo, não foi feito. Diante do exposto, entendo deva ser negado provimento ao recurso neste particular. VOTO VENCIDO: Depreciação Acelerada. Atividade Rural. Segundo explica Sérgio de Iudicibus (Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações , Atlas, São Paulo, 2008. P. 221), “com exceção de terrenos e de alguns outros itens, os elementos que integram o Ativo Imobilizado têm um período limitado de vida útil econômica. Dessa forma, o custo de tais ativos deve ser alocado aos exercícios financeiros beneficiados por seu uso no decorrer da vida econômica”. Segundo o art. 183 da lei de sociedades anônimas, referida dedução deve ser realizada, basicamente, de três formas: Art. 183 (...) § 2o A diminuição do valor dos elementos dos ativos imobilizado e intangível será registrada periodicamente nas contas de: a) depreciação, quando corresponder à perda do valor dos direitos que têm por objeto bens físicos sujeitos a desgaste ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou obsolescência; b) amortização, quando corresponder à perda do valor do capital aplicado na aquisição de direitos da propriedade industrial ou comercial e quaisquer outros com existência ou exercício de duração limitada, ou cujo objeto sejam bens de utilização por prazo legal ou contratualmente limitado; c) exaustão, quando corresponder à perda do valor, decorrente da sua exploração, de direitos cujo objeto sejam recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração Fl. 2770DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.758 37 Assim é que, no decorrer da vida útil do bem integralizado ao ativo da empresa, admitese a dedução dos valores relativos à depreciação do mesmo, de acordo com a sua utilização. No entanto, para determinadas atividades, como forma de incentivo ao setor produtivo, a lei permite que os valores relativos à depreciação seja feita de forma antecipada; e não conforme forem sendo identificados pela perda da vida útil do bem. É o caso dos bens registrados no ativo imobilizado de empresas voltadas ao desenvolvimento da atividade rural. Nos termos do art. 6º da medida provisória nº 2.15970/2001, a empresa que imobilizar no seu ativo bens destinados ao desenvolvimento da atividade rural poderá utilizar se da depreciação antecipada e integral do bem para fins de composição do lucro tributável. Leiase o dispositivo em questão, in verbis: Art. 6o Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural, para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano da aquisição. São, pois, requisitos para a depreciação acelerada: 1) que o bem, adquirido pela empresa, tenha sido integrado ao seu ativo imobilizado; 2) que a atividade desenvolvida pela pessoa jurídica seja considerada como “atividade rural”; 3) e que os bens imobilizados no ativo estejam relacionados ao desenvolvimento de referida atividade rural. A questão posta em debate no julgamento do presente recurso é saber se a Recorrente tem, ou não, direito à depreciação acelerada prevista no art. 6º da medida provisória nº 2.15970/2001. Conforme amplamente relatado, a Recorrente desenvolve atividade de agro indústria, atuando desde o plantio de produtos agrícolas que, após o seu processamento na forma de “suco de laranja” em quatro modalidades, é comercializado e majoritariamente destinado à exportação. Antes, assim, de se chegar à análise do mérito do presente feito, é necessário tecer algumas considerações acerca da legislação e da interpretação a ser dada à mesma. Atividade Rural x Atividade Industrial: Transformação do Produto O conceito de atividade rural, no ordenamento jurídico brasileiro, foi dado pela lei nº 8.023/90, que na sua redação original dispunha o seguinte: Art. 2º Considerase atividade rural: I a agricultura; Fl. 2771DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.759 38 II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; V a transformação de produtos agrícolas ou pecuários, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura e não configure procedimento industrial feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada. Com relação aos quatro primeiros incisos do art. 2º supra descrito, não existem dúvidas com relação à sua caracterização como atividade rural, posto que diretamente ligados ao plantio, cultivo e criação de culturas vegetais e animais. O inciso V, no entanto, trata da transformação de referidos produtos feita pelo próprio produtor rural, com o objetivo de destinar o produto final à venda. A princípio, referida transformação não seria considerada atividade rural, posto que não se refere diretamente à cultivo ou extração de culturas vegetais e animais, mas sim a transformação do produto obtido de referidas culturas. Tratase, assim, de uma concessão autorizada pela lei, que permitiu a transformação das mercadorias, mas manteve a sua característica de atividade rural. Vedou, no entanto, a legislação, que essa transformação assumisse um estágio próprio de industrialização, caracterizando como atividade rural. Vejase que, segundo o parágrafo único do art. 3º da lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, considerase industrialização, em regra, “qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto”. Ainda, segundo se extrai do sítio da Receita Federal do Brasil na internet, in litteris: ”Produto industrializado é o resultante de qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, sendo irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados, tais como: a) transformação operação exercida sobre a matériaprima ou produto intermediário, que resulta na obtenção de espécie nova; b) beneficiamento – operação que modifica, aperfeiçoa ou, de qualquer forma, altera o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto; Fl. 2772DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.760 39 c) montagem – operação que consiste na reunião de produtos, peças ou partes e da qual resulta novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal; d) acondicionamento ou reacondicionamento – operação que altera a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria; e) renovação ou recondicionamento – operação exercida sobre produto usado ou parte remanescente do produto deteriorado ou inutilizado, que renova ou restaura o produto para utilização. Impende notar que, se não existisse a previsão do inciso V do art. 2º da lei nº 8.023/90, qualquer transformação promovida nos produtos objeto das atividade previstas nos incisos I a IV do mesmo artigo configuraria, em tese, atividade industrial. É dizer, o inciso V do art. 2º da lei nº 8.023/90, desqualifica os produtos que se enquadram naquelas características, como sendo produtos industrializados, para qualificados como produtos decorrente de atividade rural. Todavia, a redação original do inciso V do art. 2º da lei nº 8.023/90, ao qualificar o conceito de atividade rural, é coerente ao dizer que considerase atividade rural a transformação dos produtos agrícolas ou pecuários desde que (i), não seja alterada a composição e as características do produto in natura; (ii) não se caracterize o procedimento industrial; (iii) seja tal transformação feita pelo próprio agricultor ou criador; (iv) que sejam utilizados apenas equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, e (v) utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada. No entanto, com o avanço da tecnologia e, principalmente, com a aplicação de novas técnicas de produção e acondicionamento de produtos, a legislação excluiu a vedação expressa que havia quanto ao “procedimento industrial”, alterando a redação do dispositivo nos termos em que fixado pela lei nº 9.250/95. Com o advento da lei nº 9.250/95, o indigitado inciso V passou a ter a seguinte redação, in verbis: V a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação. A mudança legislativa por certo teve um objetivo e não pode, numa análise sistemática, ser tida por inócua. Fl. 2773DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.761 40 Por outro lado, a simples literalidade do dispositivo legal não permite a definição de um conceito objetivo daquilo que é aceito, ou não, como transformação de produto caracterizado como atividade rural. O inciso V do art. 2º da lei nº 8.023/90, após a lei nº 9.250/95, admite, como atividade rural, a transformação do produto produzido ou cultivado pelo produtor rural desde que (i), não seja alterada a composição e as características do produto in natura; (ii) seja tal transformação feita pelo próprio agricultor ou criador; (iii) sejam utilizados apenas equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, (iv) utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada. No entanto, dá como exemplo de transformação admitida como atividade rural “a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação”. Vejamos os pontos de contradição da leitura literal do dispositivo: 1º) o suco de laranja é um subproduto da laranja, pelo que existe alteração da característica original do produto, qual seja, a fruta extraída diretamente da natureza. De fato, a atividade extrativa da natureza prevista no inciso III do art. 2º da lei nº 8.023 aplicada, por exemplo, ao mel e ao leite, que são coletados como produto final diretamente da natureza, não se aplica ao “suco de laranja”. Este decorre de um processo de transformação do fruto original, aceito, pela norma, como exceção à manutenção das características do produto in natura. Neste sentido, a extração do suco da fruta, por si só, não se caracteriza como atividade industrial. 2º) a pausterização é um processo de conservação do produto, aplicado com o objetivo de estender a durabilidade do mesmo, permitindo, no tempo, maior validade para seu consumo. Neste particular, o procedimento de pausterização não se faz com “equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais”. Neste sentido, a aplicação de processos de conservação, por si só, não se caracteriza como atividade industrial; 3º) por fim, o acondicionamento do produto em embalagem de apresentação integra o conceito de industrialização nos termos em que posto pela lei nº 4.502/64; mas também integra o conceito de atividade rural nos termos do inciso V da lei nº 8.023/90. Contrario sensu, o acondicionamento em embalagem de transporte não é característico da atividade rural, mas também não é característico da atividade industrial. Vejamos cada um dos requisitos aplicado ao caso dos autos. Transformação da Laranja. Suco de Laranja Concentrado. No caso dos autos, a autuação fiscal considerou que o suco de laranja produzido pela Recorrente não se enquadrava no conceito legal previsto no inciso V do art. 2º da lei nº 8.023/90, uma vez que o produto final produzido é o suco concentrado, voltado para exportação. Segundo o termo de verificação fiscal, in verbis: Fl. 2774DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.762 41 De início a limitação imposta atinge a fiscalizada, eis que na produção de suco de laranja há nítida alteração das características do produto in natura, eis que no processo industrial do suco é retirada água, deixandoo em sua forma concentrada. Consta inclusive da Instrução Normativa n° 257/2002, art. 2°, VIII, alínea c, item 3, que a atividade permitida como rural é a de produção de sucos de frutas acondicionados em embalagem de apresentação. No caso sob análise é claro que o suco fabricado em nada se aproxima ao formato legal permitido. Portanto, para ter seus resultados tributados como atividade rural, a fábrica não poderia produzir o suco de laranja concentrado, mas tão somente vendêlo em embalagem de apresentação, desde que mantidas as características e composição do suco natural. No presente, o suco concentrado produzido não mantém a característica, nem a composição do suco natural. Nos balanços contábeis os custos da produção resta clara a utilização de produtos químicos para fabricar o suco concentrado como a adição de enzimas, de molde a alterar a composição e as características do suco. E, quando o legislador impede que o produto in natura perca suas características e composição, tornou imprópria a transformação do suco de laranja na forma como industrializada, pois neste caso há transformação de aroma, sabor, cor, densidade etc., muito diferentes do suco natural. Vejo referidas afirmações com reserva. Primeiro, porque o produto in natura é a fruta laranja, e não o seu suco. A extração do suco, no caso, já é um primeiro passo de transformação do produto em seu formato natural, expressamente tomado como exceção à própria conceituação de transformação das características do produto in natura. Em segundo lugar, porque as concepções tomadas pela ilustre Autoridade Fiscal levou em consideração o senso comum na classificação do “suco” enquanto produto natural e enquanto produto artificial. No entanto, referida caracterização consta de lei, que deve necessariamente ser chamada a explicar a conceituação do produto final produzido pela Recorrente. Segundo se extrai da lei nº 8.918/94: Art. 5º Suco ou sumo é bebida não fermentada, não concentrada e não diluída, obtida da fruta madura e sã, ou parte do vegetal de origem, por processamento tecnológico adequado, submetida a tratamento que assegure a sua apresentação e conservação até o momento do consumo. § 1º O suco não poderá conter substâncias estranhas à fruta ou parte do vegetal de sua origem, excetuadas as previstas na legislação específica. Fl. 2775DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.763 42 § 2º No rótulo da embalagem ou vasilhame do suco será mencionado o nome da fruta, ou parte do vegetal, de sua origem. § 3º O suco que for parcialmente desidratado deverá mencionar no rótulo o percentual de sua concentração, devendo ser denominado suco concentrado. § 4º Ao suco poderá ser adicionado açúcar na quantidade máxima de dez por cento em peso, devendo constar no rótulo a declaração suco adoçado. § 5º É proibida a adição, em sucos, de aromas e corantes artificiais. Art. 6º A bebida conterá, obrigatoriamente, a matériaprima natural responsável pelas suas características organolépticas, obedecendo aos padrões de identidade e qualidade previstos em regulamento próprio. § 1º As bebidas que não atenderem ao disposto no caput deste artigo serão denominadas artificiais e deverão observar as disposições regulamentares desta lei. § 2º As bebidas que apresentarem características organolépticas próprias de matériaprima natural de sua origem, ou cujo nome ou marca se lhe assemelhe, conterão, obrigatoriamente, esta matériaprima nas quantidades a serem estabelecidas na regulamentação desta lei. A matéria é regulamentada pelo Decreto nº 6.871/09, que classifica os sucos da seguinte forma: Art. 18. Suco ou sumo é a bebida não fermentada, não concentrada, ressalvados os casos a seguir especificados, e não diluída, destinada ao consumo, obtida da fruta madura e sã, ou parte do vegetal de origem, por processamento tecnológico adequado, submetida a tratamento que assegure a sua apresentação e conservação até o momento do consumo. § 1o O suco não poderá conter substâncias estranhas à fruta ou parte do vegetal de sua origem, excetuadas as previstas na legislação específica. § 2o É proibida a adição, em sucos, de aromas e corantes artificiais. § 3o O suco poderá ser adicionado de açúcares na quantidade máxima fixada para cada tipo de suco, observado o percentual máximo de dez por cento em peso, calculado em gramas de açúcar por cem gramas de suco, tendo sua denominação acrescida pela designação adoçado. § 4o O suco poderá ser adicionado de dióxido de carbono, podendo ser parcialmente desidratado ou concentrado. Fl. 2776DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.764 43 § 5o Quando adicionado de dióxido de carbono, o suco será denominado “suco de ...”, acrescido do nome da fruta ou vegetal, gaseificado. § 6o O suco poderá ser parcialmente desidratado ou concentrado. § 7o O suco que for parcialmente desidratado deverá ser denominado de suco concentrado. § 8o Os sucos concentrado e desidratado, quando reconstituídos, deverão conservar os teores de sólidos solúveis originais do suco integral, ou o teor de sólidos solúveis mínimo estabelecido nos respectivos padrões de identidade e qualidade para cada tipo de suco. § 9o O suco desidratado é o suco no estado sólido, obtido pela desidratação do suco integral, devendo ser denominado “suco desidratado de ...”, acrescido do nome da fruta ou vegetal. § 10. A designação integral será privativa do suco sem adição de açúcares e na sua concentração natural, sendo vedado o uso de tal designação para o suco reconstituído. § 11. Suco misto é o suco obtido pela mistura de frutas, combinação de fruta e vegetal, combinação das partes comestíveis de vegetais ou mistura de suco de fruta e vegetal, sendo a denominação constituída da expressão suco misto, seguida da relação de frutas ou vegetais utilizados, em ordem decrescente das quantidades presentes na mistura. § 12. Suco reconstituído é o suco obtido pela diluição de suco concentrado ou desidratado, até a concentração original do suco integral ou ao teor mínimo de sólidos solúveis estabelecido nos respectivos padrões de identidade e qualidade para cada tipo de suco integral, sendo obrigatório constar na sua rotulagem a origem do suco utilizado para sua elaboração, se concentrado ou desidratado, sendo opcional o uso da expressão reconstituído. § 13. Suco tropical é a bebida não fermentada obtida pela dissolução, em água potável ou em suco clarificado de fruta tropical, da polpa de fruta polposa de origem tropical, por meio de processo tecnológico adequado, devendo ter cor, aroma e sabor característicos da fruta, submetido a tratamento que assegure a sua apresentação e conservação até o momento do consumo. § 14. Suco tropical misto é a bebida obtida pela dissolução, em água potável ou em suco clarificado de fruta tropical, da mistura de polpas de frutas polposas de origem tropical, por meio de processo tecnológico adequado, não fermentada, devendo ter cor, aroma e sabor característicos das frutas, submetido a tratamento que assegure a sua apresentação e conservação até o momento do consumo. Fl. 2777DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.765 44 § 15. Os teores de polpas de frutas utilizados na elaboração do suco tropical deverão ser superiores aos estabelecidos para o néctar das respectivas frutas. § 16. O suco tropical, quando adicionado de açúcar, deverá ser denominado suco tropical, acrescido do nome da fruta e da designação adoçado, podendo ser declarado no rótulo a expressão suco pronto para beber, pronto para o consumo ou expressões semelhantes. § 17. Suco tropical de caju, suco tropical de maracujá e suco tropical de abacaxi deverão ser obtidos sem dissolução em água, podendo também serem denominados apenas de suco. § 18. Quando adicionado de dióxido de carbono, o suco tropical será denominado “suco tropical de ...”, acrescido do nome da fruta ou vegetal, gaseificado. Dessa forma, verificase que o suco concentrado é tratado, pela lei nº 8.918/94, assim como pelo decreto nº 6.871/09, como suco de fruta, contraposto ao suco artificial. Vejase que o §1º do art. 6º da lei nº 8.918/94 conceitua suco artificial remetendo à regulamentação legal. E o decreto nº 6.871/09 diz que “O suco poderá ser adicionado de dióxido de carbono, podendo ser parcialmente desidratado ou concentrado” (§6º do art. 18), sendo que “o suco que for parcialmente desidratado deverá ser denominado de suco concentrado” (§7º do art. 18) desde que “quando reconstituídos, deverão conservar os teores de sólidos solúveis originais do suco integral, ou o teor de sólidos solúveis mínimo estabelecido nos respectivos padrões de identidade e qualidade para cada tipo de suco” (§8º do art. 18 da lei nº 8.918/09. Assim, o simples fato de o produto passar pelo processo de concentração não retira a sua natureza de suco de frutas, segundo a conceituação legal aplicável ao produto. . Por outro lado, aponta a autoridade fiscal que existe adição de enzimas e outras químicas no suco produzido pela Recorrente, o que também excluiria a sua caracterização enquanto suco natural. Todavia, a lei nº 8.918/94, assim como o decreto nº 6.871/09 autoriza a inclusão de substâncias estranhas ao produto sem que o mesmo seja descaracterizado enquanto “suco”. No caso dos sucos, a legislação admite que sejam adicionados ao produto natural os conservantes dióxido de enxofre, ácido benzóico e seus sais e ácido ascórbico e seus sais. Paralelamente, admitese o uso da pausterização como forma de conservação do produto. Assim, a adição desses componentes não descaracteriza o produto final e não desclassifica o produto enquanto “suco”. Neste ponto, cumpre verificar que a conceituação legal não difere da conceituação técnica dos produtos produzidos pela Recorrente. Segundo esclarecido pela Recorrente, esta produz quatro produtos finais, a saber: “(i) o suco de laranja 'integral' (obtido pela extração do suco, sem nenhum processo de transformação); (ii) o 'concentrado' (obtido pelo processo de retirada da água); (iii) o 'preservado' (adição de conservante químico); e (iv) o 'pulp wash' (adição de enzimas)”. Fl. 2778DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.766 45 Referidos produtos foram analisados pelo ITAL – Instituto de Tecnologia de Alimentos, entidade pertencente à estrutura da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, com notório reconhecimento técnico na análise de alimentos em nível nacional e internacional. Segundo referida entidade, em análise dos produtos produzidos pela Recorrente, constatouse o seguinte: 1. O que consiste a adição de enzimas no processo de produção de suco de laranja? E quando é necessário? Enzimas são substâncias protéicas, normalmente encontradas em frutas, carnes e alimentos em geral, que atuam como catalisadores de reações químicas. Um catalisador é uma substância que acelera uma reação bioquímica, até tornála instantânea ou quase instantânea, ao diminuir a energia de ativação. Como catalisadores, as enzimas aural)! em z pequena quantidade e se recuperam indefinidamente. Não levam a cabo reações que sejam energeticamente desfavoráveis, não modificam o sentido dos equilíbrios químicos, mas aceleram sua realização. Ou seja, enzimas são substâncias que aceleram a velocidade somente de reações que aconteceriam naturalmente. Por essas características catalíticas, enzimas são adequadas para aplicações industriais, incluindo o setor de alimentos. A enzima é utilizada na indústria de suco de laranja, para acelerar a reação de destruição da pectina, presente em altas concentrações no suco "pulp wash"; essas altas concentrações são indesejáveis por promoverem um aumento da viscosidade do produto, chegando mesmo a provocar a geleificação do suco na operação de concentração. 1.1. A adição de enzimas no suco de laranja altera as suas características? A adição de enzimas, COMO descrito acima, altera a viscosidade do produto, permitindo sua concentração; sem essa adição, o processo de concentração seria inviável. Este suco concentrado, quando reconstituído, irá resultar num produto pronto para consumo, sem alterações de suas características. 1.2. Qual o percentual da receita de produção de suco de laranja, no período autuado, que está relacionado com a adição de enzimas? Conforme informações geradas e fornecidas pela empresa, o percentual de suco relacionado com a adição de enzimas Fl. 2779DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.767 46 (ou "pulp wash') no período entre 2003 e 2007, foi de 0,4% conforme demonstrativo apresentado ao final deste Parecer. 2. Qual a finalidade da adição dos produtos químicos no suco de laranja? (Benzoato) Benzoato (de sódio e/ou de potássio), é uma substância química largamente utilizada na indústria de alimentos, como conservador químico, que atua como bacteriostático, não permitindo o desenvolvimento de microrganismos deteriorantes ein produtos ácidos, como sucos, néctares, refrigerantes. Sua adição ao suco de laranja concentrado não é necessária, pois a conservação do produto ocorrerá pela redução de atividade de água resultante da concentração, aliada ao resfriamento. No entanto, alguns clientes solicitam sua adição, por terem dificuldade na manutenção do produto em condições ideais de resfriamento; dessa forma, o benzoato é adicionado apenas como medida de segurança, atendendo a pedidos específicos de clientes. 2.1. Há alteração das características do suco de laranja em função da adição dos produtos químicos? A adição de benzoato é realizada em baixas concentrações, e levando em conta que o produto para ser ingerido é diluído até 6 vezes, as concentrações de benzoato resultantes no produto pronto para consumo é praticamente imperceptível pela grande maioria dos consumidores. 2.2. Qual percentual da receita da venda de suco de laranja, no período autuado, que está relacionado com a adição de produtos químicos? Conforme informações geradas c fornecidas pela empresa, o percentual de suco relacionado com a adição de produtos químicos (benzoato) no período entre 2003 e 2007, foi de 1,5% conforme demonstrativo apresentado ao final deste Parecer. 3. Qual o percentual da receita da venda de suco de laranja, no período autuado, que se refere a suco concentrado e qual percentual se refere a suco não concentrado? Conforme informações geradas e fornecidas pela empresa, o percentual de suco concentrado no período entre 2003 e 2007, foi de 65,5%, enquanto o percentual de suco não Fl. 2780DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.768 47 concentrado (ou integral) foi de 32,7%, conforme demonstrativo apresentado a seguir. Assim, mesmo após o processo de concentração, ou mesmo após a adição de enzimas e ou de benzoato, seja pela conceituação legal, seja pela composição técnica, o suco de laranja produzido pela Recorrente continuou sendo suco de laranja – e não suco artificial. Ainda, aponta, a Autoridade Fiscal, que a quantidade de suco produzida pelo Recorrente caracterizaria a sua produção enquanto industrial, o que encontraria óbice no enquadramento de atividade rural nos termos em que disposto pela Instrução Normativa nº 257/02. De fato, a instrução normativa nº 257/02 expressamente veda a aplicação do conceito de atividade rural aos produtos industrializados. No entanto, a própria instrução normativa permitiu que houvesse a segregação das receitas e despesas, de forma a permitir que os bens registrados no ativo e relacionados ao desenvolvimento da atividade tida como rural, seja possível a depreciação acelerada. Pensar o contrário é tornar ilegal a própria instrução normativa. Como repisado acima, a vedação do desenvolvimento de atividade industrial foi expressamente expurgada da lei, não podendo a instrução normativa, no ensejo de regulamentar a lei, proibir aquilo que a lei não proibiu. Pior, não poderia a instrução normativa proibir aquilo que a lei expressamente deixou de proibir. Dessa forma, não é a escala de produção, ou seja, o volume da produção, que irá descaracterizar a atividade enquanto rural ou industrial. Friso esse entendimento: a evolução legislativa expressamente expurgou a vedação de escala industrial como elemento descaracterizador da atividade rural, pelo que não importa se o produtor vende um litro ou um milhão de litros de suco da fruta. Utilização de Equipamentos Não Usuais no Meio Rural O inciso V da lei nº 8.023, com a alteração promovida pela lei nº 9.250/95, expressamente excepcionalizou a produção do suco de laranja, quando tomouo como exemplo acerca daquilo que se enquadra como atividade rural, dos demais requisitos postos pela própria norma legal. Isso porque, em qualquer nível, a utilização de máquina extratora do suco de laranja não pode ser considerada como “equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais”. O mesmo se diz com relação à aplicação das técnicas de conservação, como a pausterização, tomada como exemplo pelo indigitado inciso V. Dessa forma, ainda que, conforme expresso no termo de verificação fiscal, uma vez que não foram identificados, no processo produtivo da Recorrente, a utilização de equipamentos alheios à produção do suco de laranja, e que a produção deste produto foi expressamente caracterizada pela lei como atividade rural, não vejo outra solução senão aplicar a lei – por mais que, a olhos leigos, não se veja a existência, em tonéis de milhares de litros, a existência de uma atividade rural própria do senso comum. Fl. 2781DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.769 48 Esse entendimento já foi objeto de deliberação em precedente desse Conselho, a saber: EQUIPAMENTOS USUALMENTE EMPREGADOS NA ATIVIDADE EQUIPAMENTOS DE ALTA TECNOLOGIA A lei prevê como condicio juris para a caracterização da atividade como rural, a transformação de produtos, como os da exploração de avicultura, feita pelo próprio criador, sem que haja alteração da composição e das características do produto in natura, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada. Não caracteriza emprego de equipamentos inusuais, o fato de se usarem equipamentos de alta tecnologia, que implicam ganho de produção em escala. A utilização de equipamentos de elevada tecnologia, pelo criador de aves, na atividade de transformação, sem que haja alteração na composição e nas características do produto in natura, não tem o condão de desvirtuar o pressuposto legal para configuração de atividade rural. Tal exegese se extrai da interpretação finalística e funcional do preceito, bem como de interpretação históricoevolutiva (Acórdão nº 10709548) Acondicionamento em Embalagem de Apresentação Por fim, identifico que o inciso V do art. 2º da lei nº 8.023/90 exige, para que seja considerada atividade rural, que o produto final seja acondicionado em embalagem de apresentação. O conceito de embalagem de apresentação vigente à época era dado pelo decreto nº 4.544/02, revogado pelo decreto nº 7.212/10, que dispõem, igualmente, o seguinte: Art. 6º Quando a incidência do imposto estiver condicionada à forma de embalagem do produto, entenderseá: I como acondicionamento para transporte, o que se destinar precipuamente a tal fim; e II como acondicionamento de apresentação, o que não estiver compreendido no inciso I. No entanto, o art. 3º da lei nº 4.502, por força de seu parágrafo único, toma o acondicionamento para transporte como exceção à atividade industrial, pelo que apenas o acondicionamento em embalagem d apresentação está apto a caracterizar a atividade industrial. Vejase o dispositivo, in litteris: Art . 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Parágrafo único. Para os efeitos dêste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da Fl. 2782DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.770 49 natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: I o conserto de máquinas, aparelhos e objetos pertencentes a terceiros; II o acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto; Assim, nos termos do art. 3º da lei nº 4.502, o acondicionamento de apresentação é tomado como atividade industrial. Contrario sensu, o inciso V do art. 2º da lei nº 8.023/90 tomou o acondicionamento de apresentação como prérequisito para descaracterização da atividade como industrial e caracterização da atividade rural. Analisando os fatos relativos ao presente feito, identifico que os produtos produzidos pelo Recorrente não são por ela acondicionados em embalagem de apresentação, mas sim em embalagem de transporte. Neste particular, a atividade desenvolvida não caracterizaria a atividade rural (inciso V do art. 2º da lei nº 8.032), como também não caracterizaria a atividade industrial (art. 3º da lei nº 4.502). Da contraposição desses dois dispositivos legais, identifico que ambos são normas especiais, tratando especificamente dos conceitos de atividade rural e de atividade industrial, pelo que o princípio da especialidade não pode ser invocado para dirimir a controvérsia. Por outro lado, o princípio da cronologia não pode ser invocado, pois não houve derrogação, sequer parcial, de uma norma pela outra. Diante disso, aplicandose uma análise lógica da lei, vejo duas possibilidade para leitura coerente da controvérsia, sendo que ambas caminham para o mesmo resultado, a saber: 1º) analisado sob a ótica do processo produtivo, o acondicionamento em embalagem de transporte é um estágio anterior ao da embalagem de apresentação. Isso porque a embalagem de apresentação mostra a etapa final de acesso do produto ao consumidor final, e a embalagem de transporte uma etapa anterior, pelo que a primeiro incluiria a segunda; 2º) como o acondicionamento do produto transformado em embalagem de acondicionamento é tomado como elemento característico para ambas as classificações, tanto de atividade rural como de atividade industrial e a embalagem de transporte não é elemento caracterizador nem da atividade rural, nem da atividade industrial, o elemento, por si só, não pode ser tomado como marco definidor de nenhuma das duas atividades. Em qualquer das duas hipóteses, o acondicionamento da mercadoria em embalagem de transporte permite a caracterização da atividade como sendo rural ou como sendo industrial. Isso porque não é lógico supor que o acondicionamento em embalagem de transporte (inciso V do art. 2º da Lei nº 8.023) exclui a atividade como rural, quando a lei nº 4.502 exclui, também, essa atividade, como própria da atividade industrial. Fl. 2783DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.771 50 Diante disso, como o acondicionamento em embalagem de transporte não caracteriza a atividade industrial, não pode ser elemento descaracterizador, por si só, da atividade rural. Conceito de Agroindústria. Tributação do Resultado da Atividade Rural Entendeu, o Auto de infração, que não existe, para fins de apuração do imposto de renda, o conceito de agroindústria, outrora previsto na legislação previdenciária, pelo que a atividade desenvolvida pela empresa ou é caracterizada como rural ou é caracterizada como industrial. Noutro norte, entendeu que não seria possível segregar aquilo que de rural existe na atividade da Recorrente, daquilo que considerou industrial, tendo em vista que a lei nº 8.023/90 trata do resultado da empresa, o que engloba todo o seu processo produtivo, sendo inviável promoverse a referida segregação. Leiase o termo de verificação fiscal, in verbis: Em assim agindo, tratarseia de mecanismo híbrido de atividade rural sem permissão legal, pois na Lei n° 8.023/90, que cuida da tributação do resultado da atividade rural, o vocábulo "resultado" vem significar a diferença entre receitas e despesas da mesma natureza, ou seja, ambas da atividade rural. Reza o art. 40, da Lei n° 8.023, que "considerase resultado da atividade rural a diferença entre os valores das receitas e das despesas pagas no anobase". Ilegal a interpretação de exploração da atividade rural contra legem. Com efeito, basta a leitura do art. 1°, da Lei n° 8.023/90, para entender que a tributação da atividade rural no que toca ao imposto de renda e contribuição social ocorre sobre os resultados, senão vejamos: Art. 1º Os resultados provenientes da atividade rural estarão sujeitos ao Imposto de Renda de conformidade com o disposto nesta lei. Por força desta forma de tributação sobre resultado é que se conclui que o resultado da atividade rural da fiscalizada abrange tão somente a parcela de receitas da atividade rural em comparação ao total das receitas. E cediço que a tributação do imposto sobre a renda advém do resultado, o que significa dizer que da composição da atividade rural ( receitas rurais — custos rurais) é que se apura a base de cálculo da atividade rural. E mais. A partir deste resultado contábil é que são feitos os ajustes de exclusão ou adição, chegandose ao lucro real da atividade rural. Para arrematar, admite a lei a transformação, mas desde que o produtor ou criador mantenham esta qualidade intrínseca de rurícola. Ao contrário do fato apurado, em que o industrial servese da atividade como produtor rural para dela extrair benefícios fiscais em atividades outras não rurais. A fábrica dedicase a produzir em escala industrial suco de laranja a Fl. 2784DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.772 51 partir da laranja comprada ou cultivada — seu insumo industrial, não o reverso admitido pela legislação, quando o produtor da laranja a transformaria para dar vazão A sua produção rural, mantidas as condições antes detalhadas. Desde o inicio a fábrica de sucos foi criada para produzir tal qual qualquer empresa industrial. Não entendo dessa forma. A uma, por que a lei não fala que a atividade rural é desenvolvida exclusivamente pelo rurícola. Se fosse dessa forma, não estaríamos tratando de tributação de sociedades empresárias, pessoas jurídicas que atuam no campo de forma empresarial, mas sim de pessoas físicas. Supor que a atividade rural está sendo desenvolvida por meio de uma pessoa jurídica já exclui, de imediato, a pequena propriedade rural, ou aquela propriedade de subsistência, em que um agricultor, em pequena escala e com sua família, ara o campo, planta, colhe e vende o produto; ou aplica a ele uma técnica rudimentar de transformação. Daí é que o conceito de atividade rural dado pelo art. 2º da lei nº 8.023/90 não se confunde com a previsão de tributação que dela decorre. O mesmo se observa com a legislação que caracteriza a atividade industrial. Estes elementos de caracterização são pressupostos para a aplicação da respectiva legislação tributária. A duas, porque o art. 2º da lei nº 8.023/90 expressamente prevê a produção de suco de laranja como atividade rural, valendo repisar que a escala de produção é desimportante para a caracterização da atividade como rural ou industrial. Entendo que até mesmo o fato de parte da laranja utilizada no processo produtivo ter origem de aquisição de terceiros não descaracteriza a sua condição de atividade rural, posto que a produção do produto final, o suco da fruta, exemplificado, foi expressamente excepcionalizado na lei de regência. A três, por não entender ser aplicável a interpretação literal constante do Código Tributário Nacional pois não se está tratando, na hipótese, de concessão de benefício fiscal, mas sim da caracterização de uma atividade como rural. Aplicarse à interpretação literal do conceito de transformação constante da lei nº 8.023/90, além de levar uma leitura contraditória, como supra demonstrado, também exigiria, como efeito reflexo, a aplicação literal do conceito de atividade industrial constante da lei nº 4.502, levando uma contradição sistêmica inviável e não aceita no ordenamento jurídico. A quatro, pelo benefício da depreciação incentivada estar prevista na medida provisória nº 2.15970/2001, e não na lei nº 8.023/90. E, na medida provisória em questão, não se fala em resultado da atividade, mas do seu exercício, pelo que pouco importa, neste norte, qual é a receita auferida pelo produto rural. Com essas considerações, entendo que a atividade desenvolvida pela Recorrente, numa acepção legal, pode ser enquadrada nos seguintes termos: 1) quanto ao plantio, produção e coleta dos frutos da laranja – atividade rural, nos termos do inciso I do art. 2º da lei nº 8.023/90; 2) quanto a transformação da laranja em suco – atividade rural, nos termos em que expressamente caracteriza o inciso V do art. 2º da lei nº 8.023/90. Fl. 2785DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.773 52 Com isso, em termos legais, a atividade da Recorrente, no meu sentir, é rural, e como tal deve ser tratada. A Ativação de Bens Voltados a Atividade Rural Conforme já dito anteriormente, o art. 6º da medida provisória nº 2.159 70/2001, diz o seguinte, in verbis: Art. 6o Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural, para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano da aquisição. São, pois, requisitos para a depreciação acelerada: 1) que o bem, adquirido pela empresa, tenha sido integrado ao seu ativo imobilizado; 2) que a atividade desenvolvida pela pessoa jurídica seja considerada como “atividade rural”; 3) e que os bens imobilizados no ativo estejam relacionados ao desenvolvimento de referida atividade rural. Do termo de verificação fiscal, extraise quer os bens cuja depreciação antecipada foram glosados são os seguintes: 2.3.1 — DA CONTABILIZAÇÃO E APURAÇÃO DO CUSTO REFERENTE AO CULTIVO DA LARANJA A empresa cultiva a laranja em terras próprias, mediante arrendamento de terras de terceiros e também com a compra direta de produtores rurais. Para tanto, realiza, mensalmente, investimentos diversos com o preparo do solo, plantio e manutenção da lavoura que são registrados na sua escrituração contábil conforme passa a ser descrito. 2.3.1.1.— Mudas em Formação Classificadas pelo contribuinte no Ativo Circulante — conta n° 11760006 (fl. ), contém todos os gastos para a formação das mudas de laranja (até o período imediatamente anterior a formação da Arvore). Os principais custos são: fertilizantes, fungicidas, herbicidas, inseticidas, corretivos de solo, combustíveis, mãodeobra, arrendamento de equipamentos, preparo do solo, produtos químicos, etc. 0 contribuinte contabiliza separadamente os custos apropriados no estoque em formação. Esta conta do ativo circulante será Fl. 2786DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.774 53 transferida para a conta do ativo imobilizado Cultura Permanente em Formação, após a formação das mudas e no inicio do plantio. 2.3.1.2— Cultura Permanente em Formação Esta conta está classificada no ativo permanente — conta n° 14010018, contendo os gastos a partir do plantio das mudas de laranja. Serão então imobilizados os dispêndios na formação da árvore que produzirá os frutos. Neste ponto, a Arvore ainda não iniciou seu ciclo produtivo, pois, depois de plantada a muda, a produção iniciará em três anos. Nesta fase são apropriados os dispêndios das Arvores. 2.3.1.3— Plantas Cítricas Formadas Após a imobilização dos custos da cultura permanente em formação, e iniciado o ciclo produtivo da planta, são transferidos para esta conta do ativo permanente conta n° 14010008, os valores já imobilizados da cultura em formação. Neste passo, a cultura já está formada, rendendo os frutos dos pomares formados. Quanto aos efeitos fiscais, a partir desta conta é que o ativa imobilizado sofre os efeitos da depreciação, valendose a fiscalizada dos beneficios fiscais da atividade rural. Discutese, assim, no presente feito, se “mudas em formação”, “cultura permanente em formação” e “plantas cítricas formadas”, registradas no ativo da Recorrente, referemse, ou não, à atividade rural. Em caso de resposta positiva, estão preenchidos os requisitos da fruição do benefício; e, em caso de resposta negativa, afastase o benefício da depreciação antecipada e aplicase, a estes bens do ativo, a caracterização de atividade industrial. Permissa venia, não vejo como considerar “mudas em formação”, “cultura permanente em formação” e “plantas cítricas formadas” como sendo bens aplicados ao desenvolvimento de atividade industrial, assim como não consigo enxergar, nas atividades em que estes bens estão aplicados, a dita conceituação de atividade industrial constante da lei nº 4.502. Ainda que não se concorde com o posicionamento supra adotado, de que a transformação da laranja em suco seja atividade rural; ainda assim, não há como considerar que a aplicação dos bens supra descritos no ativo da empresa não seja considerada como voltadas ao desenvolvimento de atividade rural. Sendo mais objetivo: o plantio de mudas de laranjeiras, as laranjeiras em formação e as árvores de laranja já formadas, não são próprias da atividade industrial. Dizer o contrário é ir contra a lei e contra o bom senso. Fl. 2787DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.775 54 Esses bens constantes do ativo da Recorrente são, sem sombra de dúvidas aplicados ao desenvolvimento da atividade rural prevista no inciso I do art. 2º da lei nº 8.023/90, qual seja, atividade agrícola. Lado reverso, referidas árvores não são atividade industrial – para se dizer o óbvio. Diante do exposto, dou provimento ao recurso neste particular, para cancelar a glosa da depreciação antecipada realizada pela Recorrente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 2788DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.776 55 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Redatordesignado. A minha discordância limitase apenas à controvérsia envolvendo o direito à depreciação acelerada prevista no art. 6º da medida provisória nº 2.15970/2001, sob o argumento de que a contribuinte exerce atividade rural nos moldes previstos na Lei. A Recorrente desenvolve atividade de agroindústria, atuando desde o plantio de produtos agrícolas que, após o seu processamento na forma de “suco de laranja” em quatro modalidades, é comercializado e majoritariamente destinado à exportação. A Recorrente apoia sua argumentação no fato de que a produção de suco de laranja é atividade expressamente prevista no art. 2°, V, da Lei n° 8.023/1990. Alega ainda que esse dispositivo teve a redação dada pela Lei n° 9.250/1995, que excluiu a expressão "não configure procedimento industrial" e incluiu o suco de laranja no rol exemplificativo listado na norma. Estas alterações, segundo, alega, demonstrariam a intenção do legislação dar à produção de suco de laranja. ainda que com recurso a procedimentos industriais, o tratamento tributário aplicável à atividade rural. Entendo que a exploração de “suco de laranja” nos moldes praticados pela Recorrente não se configura como atividade rural, a teor do art. 2º, VI da Lei 8.023/90, onde uma empresa exportadora do porte dela, fazendo uso intensivo de maquinário moderno em praticamente todas as etapas do processo, afastase desse modelo, pois utiliza extratoras e caldeiras de grande porte. A esse respeito o fiscal autuante foi bastante enfático: A partir dos livros contábeis da auditada constatase que a fiscalizada dedicase quase com exclusividade à venda de suco de laranja em escala industrial, preponderantemente exportandoo. Digase que se cuida da líder mundial na produção de suco de laranja concentrado. Exerce a chamada atividade agroindustrial, em que predomina a produção na visão industrial, própria do segundo setor da economia. Do que foi apurado no processo produtivo da fábrica, a produção de laranja é própria do setor primário, enquanto a seqüência e finalização do processo pertencem ao setor secundário. Em verdade a produção de laranja é tão somente uma das etapas para a obtenção do suco de laranja e derivados. Cabe então verificar a compatibilidade destas atividades operacionais com a tributação na forma da atividade rural O art. 6º da medida provisória nº 2.15970/2001, possui o seguinte teor: Art. 6º Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade Fl. 2789DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.777 56 rural, para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano da aquisição. Donde se deduz os seguintes requisitos para a depreciação acelerada: 1) que o bem, adquirido pela empresa, tenha sido integrado ao seu ativo imobilizado; 2) que a atividade desenvolvida pela pessoa jurídica seja considerada como “atividade rural”; 3) e que os bens imobilizados no ativo estejam relacionados ao desenvolvimento de referida atividade rural. O ponto da discussão está no atendimento da segunda condição acima, que por sua vez exige o atendimento de outras condições, senão vejamos. Em primeiro lugar, cabe esclarecer que o fiscal autuante está correto em afirmar que não existe atividade agroindustrial para efeito dessa legislação. Ou a atividade é caracterizada como rural, de acordo com as condições abaixo, ou por exclusão é industrial. O direito cria sua própria realidade. A definição legal de atividade rural é estipulativa. Podemos até ousar em dizer que seja uma ficção legal, fugindo inclusive um pouco do conceito forjado pelo senso comum do que seja uma atividade rural, o que ensejou ao meu ver uma boa parte da minha divergência em relação ao voto do relator. Nesse mesmo passo, a decisão de piso soube precisar com percuciência um outro aspecto dessa questão, com a qual concordo inteiramente: O art. 6o da Medida Provisória n° 2.15970/2001, ao referirse a "pessoa jurídica que explore a atividade rural", não exige apenas que haja produção agrícola. E necessário que as receitas sejam provenientes da produção agrícola. Caso a empresa tenha atividade verticalizada, na qual a produção agrícola própria seja industrializada e as receitas sejam provenientes da venda de produtos industrializados, evidentemente não há que se falar em aplicação do benefício fiscal referido. Assim, a simples produção de laranja não basta para que o contribuinte faça juz ao gozo do benefício fiscal. E necessário que as receitas sejam provenientes da venda de laranja ou de suco de laranja in natura, observados os requisitos previstos no art. 2o da Lei n° 8.023/1990. No caso de que trata o presente processo administrativo, com exceção das receitas residuais provenientes da venda de laranja e de gado. quase a totalidade das receitas do contribuinte são percebidas em razão da venda de suco de laranja, suco este que não se ajusta ao conceito de atividade rural previsto no art. 2o da Lei n° 8.023/1990. Portanto, o benefício fiscal não se aplica à situação aqui versada. Na transformação da produção agrícola, estipula a Lei as seguintes condições, a saber: a) que não sejam alteradas a composição e as características do produto in natura; b) sejam utilizados equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades Fl. 2790DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.778 57 rurais; c) a transformação seja efetivada pelo próprio agricultor ou criador; d) que seja utilizada matériaprima exclusivamente produzida na área rural. Como se demonstrará adiante não foram atendidas de forma integral a condição “b” e parcialmente a condição “c”. Em relação ao não atendimento integral da condição “c”, que por si só já seria suficiente para fulminar o direito da Recorrente, verificase pelas prova dos autos, e isso é incontroverso, que além da produção própria de laranja, utiliza também, na produção de suco, matériaprima produzida por terceiros. Esse fato, inclusive, ensejou a divergência parcial da Conselheira Karen em relação ao voto do relator, dando provimento parcial no limite da proporcionalização desse acontecimento. Porém, em minha interpretação, o que se apresenta como relevante para fulminar de vez o direito da Recorrente é o descumprimento da condição “b” acima referida. Passo a desenvolvêla. O ponto relevante para a caracterização da atividade rural não é meramente o fato de que o processamento da matériaprima originária da atividade rural, tenha como resultado final os produtos na condição de in natura (condição “a”). Nesse ponto, acompanho as considerações do relator. Dessa forma, além da condição básica de que seja feita pelo próprio agricultor ou criador (condição “c”), como visto já não atendida, a questão fundamental aqui em relevo diz respeito também aos meios e não aos fins (condição “b”). É uma questão de limitação do método, sim, e não meramente do produto final que precisa também ser in natura. Enfim, a questão relevante diz respeito a saber se o uso de equipamentos industriais seriam ou não compatíveis com as ferramentas empregadas nas propriedades rurais. Digo relevante, pois a distinção “com equipamentos e utensílios usualm1ente empregados nas atividades rurais” ligada não ao fim (a manutenção do produto no estado ainda in natura, sem alteração de sua composição ou característica), mas ao meio de se atingir esse fim, privilegiando obviamente a que os benefícios decorrentes do exercício dessa atividade sejam dados ao agricultor ou criador que promovam, eles próprios, a transformação de seus produtos agrícolas com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais. E nada disso aconteceu. A Recorrente, por exemplo, alega equivocadamente uma contradição na última redação dada à Lei nº 8.023/90 ao manter a obrigatoriedade de utilização de “equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais” e ao mesmo tempo, por exemplo, permitir a pasteurização e acondicionamento do leite, que poderiam denotar a utilização de equipamentos não usualmente empregados nas atividades rurais. Esse é o ponto principal que passo a enfrentar e motivo de discordância do voto do relator. A contradição é apenas aparente, pois não é questão de tudo ou nada no que se refere à mecanização, tanto é que foi retirada a expressão “não configure procedimento industrial”, mas uma questão de grau (mecanização) que o intérprete tem que apreender quando está diante do caso concreto. O que a lei quis exemplificar e para isso acrescentou para tanto um rol de atividades indo da mais complexa (pasteurização e embalagem do leite) para as mais simples (embalagem do mel e do suco de laranja), foi apenas que a transformação de produtos agrícolas/pecuários pode ocorrer, desde que em grau diminuto (sem alteração na composição), realizada a partir da matériaprima produzida na própria área rural explorada, pelo próprio agricultor/criador, e com utilização de equipamentos e utensílios compatíveis com o grau limitado de transformação, assim delineado. Fl. 2791DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.779 58 Se apregoa que a expressão “equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais” é uma expressão vaga, cujo conceito não é fechado e que isso denotaria o uso de um conceito funcional visando a abertura para o futuro, para o progresso, para a mecanização e automatização em larga escala. Ora, qual o conceito que é totalmente fechado? Depois da reviravolta lingüísticopragmática no início do século XX, se percebeu que nenhum conceito é totalmente fechado. Ele sempre vai ter uma região de penumbra. Mas, existem regiões que claramente estão dentro do seu âmbito conceitual e outras que claramente estão fora. O que não se pode é dizer que tudo estaria fora de um conceito, afinal tem que se respeitar um mínimo semântico trazido em seu bojo, expresso no texto da Lei. Dessa forma, improcede o argumento daqueles que apregoam que equipamentos inusuais nada tem a ver com equipamentos de alta tecnologia, que implicariam ganho de produção em escala, afinal afirmam “o desenvolvimento tecnológico em matéria agrícola e mesmo pastoril ou pecuária temse dado a uma velocidade significativa”. Digo isso e repito, porque senão a expressão em referência seria oca e vazia. Teria que se dar a ela um mínimo de conteúdo semântico, mas os opositores não se dão ao trabalho de fornecer esse mínimo, se contentando em fazer da expressão letra morta. Ora, não se nega que a alta tecnologia e a eficiência na atividade rural não sejam louváveis, mas não podemos nos esquecer de que estamos diante de uma definição de atividade rural para fins de obtenção de benefícios fiscais e, sendo assim, não é desarrazoado que o legislador queira dar tais benefícios apenas àqueles menos aquinhoados para suportar à incerteza e vulnerabilidade da atividade rural. Nessa linha de entendimento, claro está que a recorrente não se enquadraria nessa situação de gozo, uma vez que a empresa autuada desenvolve atividades tipicamente industriais, que por sua própria natureza (grau de transformação da matériaprima, grau de divisão do trabalho, investimentos em maquinário) revelamse incompatíveis com o conceito de “atividade rural” previsto no art. 2º da Lei n.º 8.023, de 1990, onde a utilização de equipamentos sofisticados com emprego maciço de capital, denotaria uma autosuficiência da empresa tornando dispensado qualquer usufruto de benefício fiscal. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 2792DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 1401000.702 S1‐C4T1 Fl. 2.780 59 Fl. 2793DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA , Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 11686.000086/2008-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3302-000.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencida a Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Relatora. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
EDITADO EM: 15/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencida a Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Relatora. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. EDITADO EM: 15/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 86 .0 00 08 6/ 20 08 -9 1 Fl. 348DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000086/200891 Resolução nº 3302000.326 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase, na origem, de Pedidos de Ressarcimento de COFINS não cumulativo, em função da apuração de créditos da referida contribuição referentes ao período de 01/01/2007 a 31/12/2007 em decorrência da utilização de créditos vinculados às receitas de exportação. A contribuinte é pessoa jurídica de direito privado, do ramo da indústria, comércio, importação e exportação de carnes, aves, ovos, peixes, frutas, cereais, legumes, gorduras e condimentos em geral, conforme estatuto social anexo. Com base na verificação e análise dos trabalhos fiscais executados, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil efetuou a seguinte descrição das irregularidades fiscais por ele constatadas: I.1 o contribuinte não ofereceu à tributação as receitas decorrentes dos incentivos fiscais "PRODEPE", crédito presumido de ICMS concedido pelo Decreto (Estadual PE) n° 23.504, de 27 de agosto de 2001, e "PROARROZ", crédito fiscal de ICMS concedido pelo Decreto (Estadual MT) n° 4.366, de 21 de maio de 2002. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS é o valor do faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, independentemente das atividades por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas, admitidas as exclusões e deduções expressamente previstas em lei. Integram o faturamento os valores contabilizados como incentivos fiscais "PRODEPE" e "PROARROZ", inexistindo previsão legal para que sejam excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. I.2 O contribuinte incluiu indevidamente na apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS fretes sobre transferências e fretes sobre devoluções. O valor do frete contratado de pessoa jurídica domiciliada no país para a realização de simples transferências de mercadorias dos estabelecimentos industriais aos estabelecimentos distribuidores e filiais não integra a operação de venda a ser realizada posteriormente, não podendo ser utilizado na apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Da mesma forma, o valor do frete sobre devoluções não integra a base de cálculo de apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Dará direito ao crédito o frete contratado para entrega de mercadorias diretamente aos clientes, na venda do produto, quando o ônus for suportado pelo vendedor, conforme arts. 3o , inciso IX, e 15 da Lei n° 10.833/2003. I.3 A interessada foi intimada a apresentar declaração dos fornecedores pessoa jurídica de que as vendas de arroz com casca, do período compreendido entre 4 de abril de 2006 e 31 de dezembro de 2007, foram efetuadas com tributação de PIS/Pasep e da COFINS e não com suspensão da contribuição. As pessoas jurídicas que exercem atividades conforme o art. 3º , incisos I e III, e § 1º , incisos I a III, da IN SRF 660/2006, atendem aos requisitos exigidos para aplicação da suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS em relação às vendas de arroz com casca (código 1006.10 da Fl. 349DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000086/200891 Resolução nº 3302000.326 S3C3T2 Fl. 4 3 NCM) para adquirentes pessoa jurídica agroindustrial tributada pelo lucro real, destinadas à produção de arroz de códigos 1006.20, 1006.30 e 1006.40 da NCM, de acordo com os arts. 4º , incisos I a III, e 6º , inciso I, da IN SRF 660/2006. O contribuinte satisfaz as condições de adquirente da aplicação da suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A interessada não apresentou a declaração dos fornecedores, não demonstrando desta forma que em relação às compras de arroz com casca tem direito a integralidade dos créditos de PIS/Pasep e da COFINS. Assim, as compras de arroz com casca do contribuinte dos fornecedores pessoa jurídica foram consideradas como tendo sido efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, sendo admitido apenas o crédito resumido de atividades agroindustriais referente a estas compras. I I . C O N C L U S à O Em função dos fatos anteriormente descritos e das irregularidades fiscais constatadas, após efetuados os ajustes necessários e outras correções obrigatórias demonstrados em planilhas anexas, que obedeceram ao disposto na legislação da Cofins não cumulativo, concluo que os direitos creditórios da fiscalizada, relativamente aos créditos da Contribuição para a Cofins devem ser reconhecidos apenas de forma parcial. (...) Em consequência, o Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre reconheceu parcialmente o direito creditório em favor da requerente, relativo ao pedido de ressarcimento de COFINS NãoCumulativo Receita de exportação, referente aos 1º ao 4ªº trimestres de 2007. A contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, alegando, preliminarmente, a nulidade da decisão pela ofensa à constituição federal e aos princípios do processo administrativo fiscal – PAF, em face de ausência de fundamentação expressa, e no mérito: · Discorda sobre a inclusão dos créditos de ICMS, oriundos de programas de benefícios fiscais ("PRODEPE" e "PROARROZ"), na base de cálculo do PIS e da COFINS como receita, na medida em que as leis instituidoras desses benefícios objetivariam o fomento da competitividade e sustentabilidade das empresas situadas nos estados do MT e PE. Entende que tais valores não poderiam ser considerados como receita da empresa, pois não representariam um ingresso de novo valor ao seu patrimônio, sendo apenas abatidos de seus débitos de ICMS, de forma a reduzir o saldo devedor de imposto estadual devido. · Considera igualmente legítimos os créditos apurados sobre as despesas de fretes de transferências entre os estabelecimentos da própria pessoa jurídica e devoluções, com o fundamento de que tais despesas lançadas seriam desdobramentos das despesas dos fretes incorridos nas operações de venda. Discorre sobre sua necessidade de possuir centros de distribuição para possibilitar o atendimento das diferentes regiões do país, bem como para as exportações de suas mercadorias. Entende que tais fretes deveriam também ser enquadrados como custo ou despesas da empresa, sujeitos à apuração dos respectivos créditos das contribuições. Cita e transcreve jurisprudência do STF, além de doutrina e legislação tributária para amparar seus argumentos no sentido de que a glosa destas despesas afrontaria aos princípios constitucionais da nãocumulatividade, da isonomia e do nãoconfisco. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000086/200891 Resolução nº 3302000.326 S3C3T2 Fl. 5 4 · Justifica o cálculo de créditos sobre a integralidade das compras de insumos adquiridos com a suspensão da contribuição, com o argumento de que não cumpriria com os requisitos já consagrados pela Lei n° 10.925/2004 para o cálculo do crédito presumido e normatizados pela Instrução Normativa SRF n° 660/2006, portanto não estaria sujeita a observar a suspensão da exigibilidade das contribuições, conforme entendeu a fiscalização. Considera que teria a faculdade de escolher, ou não, a suspensão da exigibilidade, cita e transcreve Solução de Consulta para embasar seu entendimento. Informa que nas Notas Fiscais de aquisição emitidas por seus fornecedores não existiria a expressão "Venda efetuada com suspensão da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", requisito formal exigido pelo Art.2º, §2º da IN 660/06. Acrescenta que seus fornecedores também não lhe pediram declaração de que apuraria seu IRPJ pelo Lucro Real, em face da ausência destas solicitações, inferiu que não teria sido utilizada a suspensão da exigibilidade nas correspondentes operações de compra e venda. Contesta a intimação recebida para que apresentasse declarações de seus fornecedores informando se as vendas haviam ocorrido com ou sem a suspensão, pois entende que não lhe caberia exigir tal informação de seus parceiros comerciais. Aponta que inclusive adquiriria arroz em casca de pessoas jurídicas revendedoras do produto, não cerealistas, portanto fora dos requisitos previstos na IN 660/06. · pede a realização de perícia para o esclarecimento de quesitos que define como necessários para demonstrar a origem e a composição dos créditos em litígio. Relativamente à questão da inclusão, como receita, na base de cálculo do PIS e da COFINS, de valores referentes a créditos de ICMS, concedidos por programas estaduais de benefícios fiscais ('"PRODEPE" e "PROARROZ") a contribuinte impetrou Mandado de Segurança n.° 2008.71.00.0323140 junto à Justiça Federal Tributária de Porto AlegreRS, que teve liminar favorável em 27 de fevereiro de 2009 (publicado em 04/03/2009). Mas, a sentença proferida em 1ª instância de 27/07/2009 denegou a segurança. E, em decorrência de apelações e embargos interpostos pelas partes, a Sentença judicial de 1ª instância foi reformada pelo o TRF4 para conceder a segurança pleiteada, determinando a incidência de correção monetária, pela taxa SELIC, pelo fato de que a demora no ressarcimento dos créditos presumidos se deu por óbice indevido do Fisco. A contribuinte foi cientificada do cumprimento da sentença do Mandado de Segurança 2008.71.00.0323140, por meio da INTIMAÇÃO DRF/SEORT/COMP/REST 2.180/2010. Portanto, tal questão não faz mais parte do litígio. Em julgamento da manifestação de inconformidade, a DRJ/POA, acordou, por unanimidade de votos, por desconhecer da manifestação de inconformidade na parte que contesta a inclusão de créditos de ICMS oriundos de incentivos fiscais estaduais na base de cálculo das contribuições, tendo em vista a identidade de objeto com questões levadas ao crivo do Poder Judiciário. E, nas matérias controversas restantes, também por unanimidade de votos, acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento em julgar improcedente a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório em litígio, nos termos do relatório e voto que integram aquele julgado, consoante a ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 Fl. 351DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000086/200891 Resolução nº 3302000.326 S3C3T2 Fl. 6 5 Ementa: NULIDADES . CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as irregularidades que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões1 preliminares como também razões" de mérito, descabe a proposição : de cerceamento do direito de defesa. CRÉDITOS DE ICMS CONCEDIDOS POR INCENTIVO S FISCAIS. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação/despacho decisório, com o mesmo objeto, importa a renúncia às , instâncias administrativas, ou..desistência de eventual recurso interposto." FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Não.existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar da Cofins e do PÍS nãocumulativos sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa. SUSPENSÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. Comprovado o preenchimento de todos os requisitos para a suspensão da contribuição para o PIS e para a Cofins, inexiste a possibilidade de cálculo de créditos com base nos disposto nos art. 3o da Lei n° 10.637/2002 e da Lei n° 10.833/20Ü3, respectivamente, pelo adquirente dos insumos, havendo previsão legal apenas de crédito presumido, nos termos.do disposto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004. . Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A contribuinte, irresignada, apresenta o seu Recurso Voluntário, por meio do qual contesta o referido Acórdão, que, segundo alega, não merece prosperar o entendimento firmado, pelas razões de recurso que expõe, reprisando, em sua maioria, os argumentos da impugnação, segundo os títulos e subtítulos postos a seguir: I DOS FATOS E DA DECISÃO RECORRIDA II DA PRELIMINAR II. I. 1 DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO EM FACE DA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO MOTIVACIONAL; II. I. 1.1 DA OFENSA AO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA CERCEAMENTO DE DEFESA II. I. 1. 2 DA ILEGALIDADE II. II DA PERDA DO OBJETO PARA DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA SOBRE O CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. EM FACE DA PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL III DO DIREITO Fl. 352DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000086/200891 Resolução nº 3302000.326 S3C3T2 Fl. 7 6 III. I DO CONCEITO DE INSUMO PARA O PIS E A COFINS, NÃO CUMULATIVOS III. II DO FRETE DE TRANSFERÊNCIA III. II. 1 DA NÃOCUMULATIVIDADE III. III DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA III. III. 1 DO HISTÓRICO LEGISLATIVO REFERENTE AO CRÉDITO NA AQUISIÇÃO PE ARROZ EM CASCA III. III. 2 DA NÃO ADEQUAÇÃO AOS REQUISITOS DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N° 660/06 III. III. 3 DA ALTERAÇÃO LEGISLATIVA PELA INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB N° 977/09 III. III. 4 EQUÍVOCOS REFERENTES À GLOSA DO CRÉDITO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA III. III. 5 EQUÍVOCO REFERENTE À GLOSA DOS CRÉDITOS DECORRENTES DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA DE PESSOAS JURÍDICAS REVENDEDORAS III. III. 6 DA PERÍCIA IV DO PEDIDO Formula o seu pedido nos seguintes termos: “Diante do exposto, a ora Recorrente requer que seja recebido e acolhido o presente Recurso Voluntário para determinar a reforma do r. acórdão recorrido, para o fim de que seja reconhecida a nulidade do despacho decisório combatido. Sucessivamente, caso não seja este o entendimento, requer que o presente recurso seja acolhido por Vossas Senhorias para determinar a reforma do r.acórdão recorrido, para o fim do deferimento total do crédito pleiteado, haja vista a total comprovação da sua legitimidade”. Na forma regimental, o processo foi distribuído para a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó relatar. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Redator Designado. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000086/200891 Resolução nº 3302000.326 S3C3T2 Fl. 8 7 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Como relatado, trata o presente processo de pedido de ressarcimento de Cofins. Uma das questões suscitadas pela Recorrente diz respeito à possibilidade de escriturar crédito normal de PIS e da Cofins na aquisição de arroz com casca, especialmente quando na nota fiscal de aquisição não consta que a produto saiu do estabelecimento vendedor com suspensão das contribuições, conforme autoriza o art. 9º da Lei nº 10.925/04. A DRF considerou que todas as aquisições de arroz em casca saíram do estabelecimento vendedor com suspensão das contribuições para o PIS e Cofins e, por isto, não geram direito ao crédito básico e sim a crédito presumido. Disse a autoridade Fiscal: A interessada foi intimada a apresentar declaração dos fornecedores pessoa jurídica de que as vendas de arroz com casca, do período compreendido entre 4 de abril de 2006 e 31 de dezembro de 2007, foram efetuadas com tributação de PIS/Pasep e da COFINS e não com suspensão da contribuição. As pessoas jurídicas que exercem atividades conforme o art. 3º , incisos I e III, e § 1º , incisos I a III, da IN SRF 660/2006, atendem aos requisitos exigidos para aplicação da suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS em relação às vendas de arroz com casca (código 1006.10 da NCM) para adquirentes pessoa jurídica agroindustrial tributada pelo lucro real, destinadas à produção de arroz de códigos 1006.20, 1006.30 e 1006.40 da NCM, de acordo com os arts. 4º , incisos I a III, e 6o , inciso I, da IN SRF 660/2006. O contribuinte satisfaz as condições de adquirente da aplicação da suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A interessada não apresentou a declaração dos fornecedores, não demonstrando desta forma que em relação às compras de arroz com casca tem direito a integralidade dos créditos de PIS/Pasep e da COFINS. Assim, as compras de arroz com casca do contribuinte dos fornecedores pessoa jurídica foram consideradas como tendo sido efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, sendo admitido apenas o crédito presumido de atividades agroindustriais referente a estas compras Por sua vez, a empresa Recorrente afirma, no Recurso Voluntário, que nas notas fiscais de compra de arroz em casca, emitidas no período em questão, não contém a informação de que as vendas foram efetuadas com suspensão da contribuições e, também, que adquire arroz em casca de Pessoas Jurídicas revendedoras, que não atendem aos requisitos normativos para efetuar venda com suspensão do PIS e da Cofins. Junta notas fiscais de aquisição de arroz em casca junto às empresas PURO GRÃO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ARROZ E SOJA LTDA e SLC COMERCIAL DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS LTDA, . Para a realização da venda de arroz em casca com suspensão do PIS e da Cofins, a pessoa jurídica (autorizada) vendedora deveria solicitar (e o adquirente fornecer) a declaração prevista no inciso I, do § 1º, do art. 4º da IN SRF nº 660/2006. Além da referida declaração, a pessoa jurídica vendedora deveria consignar na nota fiscal que a venda estava sendo realizada com a suspensão do PIS e da Cofins (§ 2º, do art.2º, da IN SRF nº 660/2006). Em caso semelhante, este Colegiado entendeu que é necessário a comprovação de que a operação atendia às condições legais para dar saída com suspensão do PIS e da Fl. 354DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000086/200891 Resolução nº 3302000.326 S3C3T2 Fl. 9 8 Cofins., conforme Acórdão nº 330201.982, de 28/02/2013, proferido nos autos do Processo nº 11686.000013/200980. Na oportunidade, o Colegiado entendeu que, não havendo o Fisco logrado provar que a mercadoria saiu com suspensão do PIS e da Cofins, tem o contribuinte adquirente o direito de escriturar o crédito normal e não o crédito presumido, cabendo à Administração avaliar a necessidade e oportunidade de efetuar o lançamento da exação que deixou de ser recolhida pelo fornecedor da Recorrente, se for o caso. Portanto, ao contrário do entendimento da Fiscalização, naquele julgado o Colegiado entendeu que a suspensão somente se opera se forem cumpridos os requisitos formais fixados pela Receita Federal do Brasil, conforme lhe autoriza o art. 9º, in fine, da Lei nº 10.925/04. Diante destes fatos, há necessidade de a Fiscalização efetuar um levantamento, junto aos fornecedores da Recorrente, com o objetivo de identificar quem efetivamente cumpriu os requisitos exigidos pela IN nº 660/06 nas vendas de arroz em casca para a Recorrente, ou seja, possui a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e consignou na nota fiscal que a mercadoria saiu com suspensão do PIS e da Cofins. Há, portanto, nos autos incerteza quanto ao cumprimento das obrigações acessórias para a saída do arroz em casca com suspensão do PIS e da Cofins pelos fornecedores da Recorrente, nos termos determinados pela IN SRF nº 660/06. Isto posto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem para as seguintes providências: 1 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente, cujos fornecedores detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter, no mínimo, número da nota fiscal, data e valor da operação e nome e CNPJ do fornecedor. 1.1 Juntar cópia da declaração entregue pela SLC Alimentos S/A a cada fornecedor e, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 2 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente cujos fornecedores detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e NÃO consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter, no mínimo, número da nota fiscal, data e valor da operação e nome e CNPJ do fornecedor. 2.1 Juntar cópia da declaração entregue pela SLC Alimentos S/A a cada fornecedor e, por amostragem, cópias de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 3 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente cujos fornecedores NÃO detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter, no mínimo, número da nota fiscal, data e valor da operação e nome e CNPJ do fornecedor. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000086/200891 Resolução nº 3302000.326 S3C3T2 Fl. 10 9 3.1 Juntar, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 4 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente cujos fornecedores NÃO detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e NÃO consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter, no mínimo, número da nota fiscal, data e valor da operação e nome e CNPJ do fornecedor. 4.1 Juntar, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 5 No relatório de conclusão da Diligência deve constar um resumo do valor das compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente em cada uma das situações descritas nos itens anteriores; 6 Opinar sobre a procedência (ou não) do direito ao crédito normal em cada uma das situações descritas nos itens 1 a 4; 7 Prestar as informações e os esclarecimentos que julgar importante para o deslinde da questão, inclusive situações não contempladas nos itens 1 a 4; 8 dar ciência à Recorrente desta Resolução e do resultado da diligência, abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº 7.574/11. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Fl. 356DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.011256/2007-94
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO OFERTADO FORA DO PRAZO. NÃO CONHECIMENTO.
Tendo sido o Recorrente intimado em julho de 2010, e interposto recurso voluntário sem preliminar de tempestividade em novembro do mesmo ano, é de se negar conhecimento ao mesmo.
Recurso a que se nega conhecmiento.
Numero da decisão: 2802-001.510
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 17/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente), German Alejandro San Martín Fernández , Lucia Reiko Sakae, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO OFERTADO FORA DO PRAZO. NÃO CONHECIMENTO. Tendo sido o Recorrente intimado em julho de 2010, e interposto recurso voluntário sem preliminar de tempestividade em novembro do mesmo ano, é de se negar conhecimento ao mesmo. Recurso a que se nega conhecmiento.
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RECURSO OFERTADO FORA DO PRAZO. NÃO CONHECIMENTO. Tendo sido o Recorrente intimado em julho de 2010, e interposto recurso voluntário sem preliminar de tempestividade em novembro do mesmo ano, é de se negar conhecimento ao mesmo. Recurso a que se nega conhecmiento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 17/07/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 12 56 /2 00 7- 94 Fl. 46DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente), German Alejandro San Martín Fernández , Lucia Reiko Sakae, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte (fl. 03), o qual apurou supostas irregularidades (fl. 05) em virtude da revisão da declaração de rendimentos – DIRPF, do exercício 2002, anocalendário 2001, por omissão de rendimentos do trabalho recebidos de pessoa jurídica e por dedução indevida de imposto de renda retido na fonte declarado a maior. Resta consignado no auto de infração, a título de fundamentação que o contribuinte, intimado, não logrou apresentar laudo médico oficial que comprovasse moléstia isentiva nem comprovou a data de início de sua aposentadoria. O Contribuinte foi cientificado (fl.23). Inconformado, apresentou tempestivamente a impugnação de fl. 01, juntando cópias de documentos inclusive laudo médico, alegando que o mesmo dá fundamento à isenção nos termos da lei. Em julgamento, a 4ª Turma da DRJ/CTA, em sessão realizada no dia 16/03/2010, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, por meio do Acórdão n.º 06 25.810, por falta de comprovação de tratarse os rendimentos pagos pelo Banespa de rendimentos provenientes de inatividade, ou seja, aposentadoria, admitindo contudo ser o mesmo comprovadamente portador de moléstia isentiva, no anocalendário em questão, nos termos do laudo de fl.10. Cientificado da supramencionada decisão, conforme fl. 32, o contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário a fl. 33, atacando a decisão exarada pela DRJ, juntando novos documentos e afirmando que os rendimentos recebidos não do Banespa, mas de Banesprev – Fundo Banespa de Seguridade Social consistem em complementação de aposentadoria, requerendo que a Receita verificasse a DIRF encaminhada pela Banesprev, para vim de comprovar tal fato. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Em sede preliminar, o recurso não deve ser conhecido. Isto porque, conforme se depreende do AR de fls. 32, o Recorrente foi intimado em 9 de julho de 2010, e somente veio a manifestar sua irresignação no dia 11 de novembro de mesmo ano (fls. 33), fora do trintídio legal para tanto. Destaco que não há preliminar de tempestividade. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10980.011256/200794 Acórdão n.º 2802001.510 S2TE02 Fl. 47 3 Isto posto, voto por negar conhecimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Fl. 48DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10640.002854/2006-42
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO PELO CONTRIBUINTE. LIMITE DE COGNIÇÃO NA INSTÂNCIA ESPECIAL.
O recurso especial é destinado à eliminação de divergências na aplicação da legislação tributária entre colegiados, em casos semelhantes. No caso, não está comprovada divergência quanto a critérios jurídicos de dedutibilidade de despesas, que pacificamente devem ser comprovadas, mas apenas é referida valoração diferente de provas apresentadas em situações diversas.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-002.691
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
EDITADO EM: 20/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO PELO CONTRIBUINTE. LIMITE DE COGNIÇÃO NA INSTÂNCIA ESPECIAL. O recurso especial é destinado à eliminação de divergências na aplicação da legislação tributária entre colegiados, em casos semelhantes. No caso, não está comprovada divergência quanto a critérios jurídicos de dedutibilidade de despesas, que pacificamente devem ser comprovadas, mas apenas é referida valoração diferente de provas apresentadas em situações diversas. Recurso especial não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator EDITADO EM: 20/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1490; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 225 1 224 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10640.002854/200642 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202002.691 – 2ª Turma Sessão de 10 de junho de 2013 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ANARITA ALVES GAMA DE ARAGÃO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO PELO CONTRIBUINTE. LIMITE DE COGNIÇÃO NA INSTÂNCIA ESPECIAL. O recurso especial é destinado à eliminação de divergências na aplicação da legislação tributária entre colegiados, em casos semelhantes. No caso, não está comprovada divergência quanto a critérios jurídicos de dedutibilidade de despesas, que pacificamente devem ser comprovadas, mas apenas é referida valoração diferente de provas apresentadas em situações diversas. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 28 54 /2 00 6- 42 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS Processo nº 10640.002854/200642 Acórdão n.º 9202002.691 CSRFT2 Fl. 226 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 20/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório O Acórdão nº 220200.985, da 2a Turma Ordinária da 2a Câmara da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 180 a 183), julgado na sessão plenária de 08 de fevereiro de 2011, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, para restabelecer deduções de despesas médicas. Transcrevese a ementa do julgado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003 Ementa: IRPF DESPESAS MÉDICAS DEDUÇÃO GLOSA Cabe ao sujeito passivo a comprovação, com documentação idônea, da efetividade da despesa médica utilizada como dedução na declaração de ajuste anual. A falta da comprovação permite o lançamento de ofício do imposto que deixou de ser pago. Cientificada do acórdão em 17/05/2011 (fl. 183v), a Fazenda Nacional apresentou, no mesmo dia, recurso especial de divergência (fls. 186 a 205v), para questionar o restabelecimento da dedução de despesas médicas comprovadas apenas com a apresentação de recibos e declarações dos profissionais de saúde. Para comprovar a divergência jurisprudencial, apresentou os seguintes paradigmas, transcritos na parte de interesse à discussão: Acórdão no 210200.262: Fl. 2DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS Processo nº 10640.002854/200642 Acórdão n.º 9202002.691 CSRFT2 Fl. 227 3 IRPF. DESPESAS MÉDICOODONTOLÓGICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto. Acórdão no 210200.409: DESPESAS MÉDICAS NEGATIVA DA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO E DEDUÇÃO DE RECIBO EMITIDO POR PROFISSIONAL METALÚRGICO RECIBOS EMITIDOS EM DIA DE DOMINGO INCOMPATIBILIDADE ENTRE O MONTANTE DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS E O MONTANTE DAS DESPESAS MÉDICAS INTIMAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO PARA COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO NÃO COMPROVAÇÃO MANUTENÇÃO DA GLOSA A fiscalização pode e deve intimar o contribuinte a comprovar o efetivo pagamento e prestação do serviço de despesas médicas vultosas, notadamente quando há dedução de despesas de profissional da área não médica, de profissional que nega a prestação do serviço, de profissional que emite recibos em dia de domingo, bem como quando o montante das despesas médicas representa parcela expressiva dos rendimentos tributáveis. Não comprovado o efetivo pagamento, devese glosar a despesa respectiva. O recurso foi admitido pelo despacho de fls. 206 a 211. Cientificado do acórdão e do recurso especial da Fazenda Nacional em 21/11/2011 (fl. 216), o contribuinte apresentou, em 5/12/2011, contrarrazões ao especial da Fazenda (fls. 217 a 223), onde afirma que ficou demonstrado com clareza nos autos que teve renda suficiente para realizar as despesas médicas informadas na declaração, devidamente comprovadas por documentos fiscais e recibos e, ainda, declarações dos profissionais demonstrando a necessidade dos tratamentos e os períodos em que eles foram realizados. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS Processo nº 10640.002854/200642 Acórdão n.º 9202002.691 CSRFT2 Fl. 228 4 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A discussão cingese aos requisitos necessários à dedução de despesas médicas. Entendo que as despesas médicas dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda restringemse aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e se limitam a serviços comprovadamente realizados, bem como a pagamentos especificados e comprovados. Nesse sentido, é oportuno, conferir o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, que traz essas condições para dedução desse tipo de despesa: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Complementando a necessidade dessa comprovação, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, em seu art. 73, dispõe que (a) as deduções estão sujeitas à comprovação e (b) deduções exageradas poderão ser glosadas inclusive sem audiência do contribuinte, conforme a seguir reproduzido: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS Processo nº 10640.002854/200642 Acórdão n.º 9202002.691 CSRFT2 Fl. 229 5 Art.73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Por certo, a legislação, em regra, estabelece a apresentação de recibos como forma de comprovação das despesas médicas, a teor do que dispõe o art. 80, § 1º, III, do RIR/1999, mas não restringe a ação fiscal apenas a esse exame. Em uma visão sistêmica da legislação tributária, verificase, inclusive, que a indicação do cheque nominativo, apesar de conter muito menos informação que o recibo, é também eleito como meio de prova, evidenciando a força probante da efetiva comprovação do pagamento. Portanto, em vista do exposto, podemos concluir que a dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, sim, condicionada ao preenchimento de alguns requisitos legais: (a) efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente, e (b) que o pagamento tenha se realizado pelo próprio contribuinte. Assim, havendo qualquer dúvida em um desses requisitos, é direito e dever da Fiscalização exigir provas adicionais da efetividade do serviço, do beneficiário deste e do pagamento efetuado. E é dever do contribuinte apresentar comprovação ou justificação idônea, sob pena de ter suas deduções não admitidas pela autoridade fiscal. Foi exatamente esse o entendimento adotado no acórdão recorrido, como demonstra o trecho abaixo transcrito (fls. 182 e verso): Nesse passo, conforme prevê a legislação de regência, a aceitação das despesas médicas estaria condicionada à apresentação de elementos de prova adicionais, que confirmassem a efetividade dos serviços ou dos pagamentos. Tal procedimento encontra amparo no próprio Regulamento do Imposto de Renda, em seus artigo 80, § 1º, inciso III, que deve ser interpretado em conjunto com o artigo 73, do mesmo diploma: (...) Recibos, por si só, não autoriza a dedução de despesas, principalmente quando sobre o Recorrente pesa à analise de utilização de documentos inidôneos. Por conseguinte, a inversão legal do ônus da prova, do fisco para o contribuinte, transfere para o Recorrente o ônus de comprovação e justificação das deduções, e, não o fazendo, deve assumir as conseqüências legais, ou seja, o não cabimento das deduções, por falta de comprovação e justificação. Também importa dizer que o ônus de provar implica trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto ao fato questionado. Não cabe ao fisco, neste caso, obter provas da inidoneidade do recibo, mas sim, o Recorrente apresentar elementos que dirimam qualquer dúvida que paire a esse respeito sobre o documento. Não se presta, por exemplo, a comprovar a efetividade de pagamento, não se restringindo na seara de argumentações. Logo, a dedução de despesas médicas, está, assim, condicionada a comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS Processo nº 10640.002854/200642 Acórdão n.º 9202002.691 CSRFT2 Fl. 230 6 A discordância da recorrente não é propriamente com esse raciocínio, mas com a análise das provas feitas pela decisão guerreada. Isso porque o relator do voto entendeu que os recibos apresentados, bem como as declarações dos profissionais atestando que os serviços ocorreram, no caso, seriam suficientes para comprovar a efetividade da prestação dos serviços questionados. Para a recorrente, as peculiaridades do processo demonstrariam que essas provas não seriam suficientes para comprovar as deduções. Ora, a discussão não se trava quanto ao critério de dedutibilidade (ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, convergem sobre a necessidade de comprovação da despesa), a diferença se restringe à qualificação da prova dessa comprovação no caso concreto. A discussão das provas, nos termos propostos no apelo, consistiria em ressuscitar, de forma transversa, o recurso especial da Fazenda por contrariedade à evidência da prova, anteriormente previsto no art. 7o, inciso I, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, mas extinto com a publicação do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 6DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13603.723376/2010-29
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS DE INTERESSE DO FISCO. OBRIGATORIEDADE.
O descumprimento de obrigação tributária acessória constitui fato gerador do auto de infração, convertendo-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária aplicada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-002.518
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Fábio Pallaretti Calcini.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS DE INTERESSE DO FISCO. OBRIGATORIEDADE. O descumprimento de obrigação tributária acessória constitui fato gerador do auto de infração, convertendo-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária aplicada. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Fábio Pallaretti Calcini.
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS DE INTERESSE DO FISCO. OBRIGATORIEDADE. O descumprimento de obrigação tributária acessória constitui fato gerador do auto de infração, convertendose em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária aplicada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 33 76 /2 01 0- 29 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 1/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13603.723376/201029 Acórdão n.º 2803002.518 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Fábio Pallaretti Calcini. Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, em razão da infringência ao disposto no inciso III do art. 32 da lei nº 8.212/91, combinado com o inciso III do art. 225 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, por ter a empresa deixado de apresentar à fiscalização a relação de veículos e imóveis integrantes do ativo imobilizado; recibos/faturas/notas fiscais de serviços com cessão de mão de obra e demonstrativo mensal previsto no inciso III do art. 161 da IN MPS/SRP nº 03/2005, conforme descrito às fls. 02 e no Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 15 a 16). O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 27 de outubro de 2011 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. Constitui infração à legislação, deixar a empresa de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil, todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E/OU INCONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Tratase de Auto de Infração lavrado em função do suposto inadimplemento das obrigações acessórias relativas às contribuições sociais devidas ao INSS, pertinentes à prestação de todas as informações cadastrais, financeira e contábeis de interesse da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 1/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13603.723376/201029 Acórdão n.º 2803002.518 S2TE03 Fl. 4 3 Conforme se verifica do Auto de Infração, a Autuada teria deixado de apresentar à RFB, a relação de bens integrantes do seu ativo imobilizado, recibos, notas fiscais e faturas de serviços com cessão de mão de obra, além de demonstrativos mensais, do período de janeiro/2006 ao décimo terceiro salário de 2007. Notificada da lavratura do auto de infração, a ora Recorrente apresentou impugnação, na qual aduziu a ilegalidade da conduta perpetrada pela Fazenda Nacional, ao fazer retroagir, mediante ato administrativo, os efeitos da exclusão da Empresa do regime jurídico benéfico do qual fazia parte. Ademais, levantouse que as multas nos percentuais do lançamento são excessivas e ofendem o direito de propriedade, pois resultam numa forma de tributação com efeito de confisco, onerando ilegalmente o patrimônio da Autuada, em franca violação ao art. 150, inciso IV, da Constituição Federal. São ilegais os supostos créditos nascidos do inexistente inadimplemento das contribuições previdenciárias, posteriormente lançadas em razão dessa retroação da norma tributária prejudicial ao contribuinte. É ilegal a exigência do pagamento de diferenças de tributos. A multa tem natureza confiscatória. Por todo o exposto, alegado e provado, resta cristalina a total improcedência da autuação fiscal, diante do distanciamento da exigência com os princípios que informa sua imposição, pelo que requer a reforma da r. Decisão ora recorrida, com o consequente cancelamento das exigências consubstanciadas no Processo Administrativo nº 13603.723376/201029, sendo reconhecida a total procedência das razões de mérito aqui aduzidas, pela ilegalidade do lançamento e, por conseguinte, do Auto de Infração lavrado, por se tratar de um imperativo de Justiça! Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 1/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13603.723376/201029 Acórdão n.º 2803002.518 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O lançamento foi realizado em razão da infringência ao disposto no inciso III do art. 32 da lei nº 8.212/91, combinado com o inciso III do art. 225 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, por ter a empresa deixado de apresentar à fiscalização a relação de veículos e imóveis integrantes do ativo imobilizado; recibos/faturas/notas fiscais de serviços com cessão de mão de obra e demonstrativo mensal previsto no inciso III do art. 161 da IN MPS/SRP nº 03/2005. A empresa foi intimada, mediante instrumento formal próprio, a apresentar uma série de documentos, muito bem especificados e individualizados. Contudo, quedouse inerte, deixando escoar o prazo assinalado para o cumprimento da prestação exigida, sem que esta fosse adimplida. A falta cometida pelo contribuinte está descrita às fls. 02 e também no Relatório Fiscal do Auto de Infração de fls. 15 a 16. Com efeito, as alegações contidas no recurso manejado pelo contribuinte não merecem prosperar, tendo em vista que o procedimento fiscalizatório levado a efeito pela autoridade administrativa se baseou no comando inserto no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Ademais, não se pode perder de vista que o assunto ora em debate diz respeito à obrigação tributária descumprida. Neste ponto, prevalecerá os comandos do art. 113 do CTN, in verbis: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou Fl. 85DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 1/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13603.723376/201029 Acórdão n.º 2803002.518 S2TE03 Fl. 6 5 penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem como objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária. Da simples leitura dos dois artigos do CTN acima descritos, resta amplamente evidenciado que o trabalho realizado pela autoridade administrativa, por ocasião do lançamento realizado em desfavor do contribuinte, encontrase totalmente em consonância com o ordenamento jurídico Pátrio, não havendo, in casu, qualquer mácula capaz de alterar a realidade fática. O descumprimento de obrigação acessória, portanto, constitui fato gerador do auto de infração, convertendose em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária aplicada. Em situação como essa, o contribuinte não pode alegar desconhecimento da legislação. Ele é, portanto, o único responsável pela infração cometida. De outra parte, não se pode perder de vista que a responsabilidade pela infração é objetiva, independe da culpa ou da intenção do agente para que surja a imposição do auto de infração. Conforme disposto no art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, a não ser que haja disposição em contrário. Deve ficar claro, portanto, que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. A aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória constante da Lei n.º 8.212/91, está dentro dos pressupostos legais e constitucionais, não foi inquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, estando totalmente válida e devendo ser obedecida pela via administrativa. A autuação objeto do presente recurso, foi executada de acordo com os preceitos legais e o Auto de Infração lavrado, contém todos os elementos essenciais à sua validade, descritos no art. 10 do Decreto n.º 70.235, de 06/03/1972, devendo ser mantido na sua integralidade, já que a recorrente não comprovou a correção da falta. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 1/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13603.723376/201029 Acórdão n.º 2803002.518 S2TE03 Fl. 7 6 Destarte, não vislumbro no recurso aviado pelo contribuinte qualquer possibilidade de alterar o lançamento, bem como a correta decisão proferida pelos julgadores da primeira instância administrativa. Mantenho, pois, o lançamento em sua forma originária. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 1/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 13116.902001/2009-81
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005
RECURSO VOLUNTÁRIO. REQUISITOS PROCESSUAIS DE VALIDADE. NÃO PREENCHIMENTO. INÉPCIA. NÃO CONHECIMENTO.
É inepta a defesa que não preenche os requisitos processuais objetivos de validade, não formulando a causa de pedir e/ou os fundamentos jurídicos do pedido, não se podendo dela conhecer.
Numero da decisão: 3803-004.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por inépcia. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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REQUISITOS PROCESSUAIS DE VALIDADE. NÃO PREENCHIMENTO. INÉPCIA. NÃO CONHECIMENTO. É inepta a defesa que não preenche os requisitos processuais objetivos de validade, não formulando a causa de pedir e/ou os fundamentos jurídicos do pedido, não se podendo dela conhecer. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por inépcia. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado que negava provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 20 01 /2 00 9- 81 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/06/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação DComp nº 22611.93339.140808.1.3.047121, fls. 26 a 30, em que utilizou como crédito originado de pagamento de Cofins cumulativa relativa ao período de apuração novembro de 2005, no valor de R$ 2.284,07. Por meio do Despacho Decisório eletrônico de fl. 25, a DRF/Anápolis não homologou a compensação por ter identificado que o pagamento correspondente ao DARF indicado na DComp encontravase integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 2 a 6, a Interessada alegou, em síntese: a) ter sido indevida a ciência do Despacho Decisório por edital, que, por pouco não obstruiu o seu direito de defesa; b) nunca obteve êxito a aproveitamento de créditos pagos além do devido, pois, por várias vezes, os Per/Dcomp apresentados foram objeto de despachos decisórios, que não lhe contemplava o mérito. Assim, procurou “o órgão que representa tal classe, a OCB/GO, e a manifestação, do departamento jurídico daquela organização, foi favorável à questão do aproveitamento de crédito, salientando que houve, casos de Entidades de mesma natureza, por haver casos de entidades de mesma natureza, em Goiás, que já havia usufruído de tal direito”; c) após averiguação do Edital, elencou todos Per/Dcomp, lá citados, em que alguns despachos decisórios descreviam que os créditos compensados não eram suficientes para cobrir os requeridos nas DComps, por isso fez análise comparativa e verificou que tal fato é equivocado, pois como demonstrado na tabela abaixo, há sim, suficiência do crédito almejado; d) não conseguiu visualizar, o ‘por quê da ‘rejeição’ dos Per/DComps, se esses manifestam créditos acerca dos impostos pagos. Solicitou, caso possível, maior clareza nos resultados da decisão. Em anexo, fez constar copias dos DARFs pagos e tabela de comparação e, ainda, uma tabela extraída do sistema CAC (sic) da Receita, que mostra todos os processos relativos aos atos decisórios deste assunto, alguns contendo letra "D", já impugnados. Em julgamento da lide a DRJ/Brasília consignou que a premissa básica para a homologação da compensação é a existência de crédito líquido e certo. No caso, o crédito utilizado discriminado no Per/DComp foi integralmente utilizado para liquidar o débito da referida contribuição apurada em novembro de 2005, confessado na DCTF do 4º trimestre de 2005, conforme informações constantes dos sistemas de controles de pagamentos desta RFB. Sendo a DCTF instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva de crédito tributário, conforme reza a legislação tributária de regência, a situação jurídica relativa ao pagamento vinculado ao débito confessado em DCTF já se consolidara merecendo, assim, a proteção do princípio da segurança jurídica e da confiança. Assentou que o argumento utilizado para provar a existência do crédito de que o órgão representante da classe manifestarase favorável ao aproveitamento do crédito porque entidades de mesma natureza, em Goiás, já haviam usufruído de tal direito, assim como o demonstrativo, por si sós, não são provas suficientes para comprovar a liquidez e certeza do Fl. 52DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/06/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13116.902001/200981 Acórdão n.º 3803004.212 S3TE03 Fl. 52 3 crédito reclamado. Essa possibilidade – complementou somente existiria caso a contribuinte tivesse retificado suas declarações (DCTF e DIPJ), mediante a comprovação do erro em que se fundasse, antes de notificação do ato fiscal ou qualquer procedimento administrativo, ou ter trazido aos autos sua escrituração contábil e fiscal mantida com observância às disposições legais, acompanhada dos por documentos hábeis, conforme previsto no art. 923 do RIR/99. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DCOMP Compensação Pagamentos indevidos de Cofins. Nos termo da legislação tributária de regência, a compensação de crédito tributário somente poderá ser autorizada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, contra a Fazenda Nacional. Com a contribuinte não comprovou nos autos o crédito compensado, não há como homologar a declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da decisão em 10 de abril de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário, fls. 51/56, em 10 de maio de 2012, em que defende que o seu direito ao crédito utilizado na DComp é decorrente da isenção a que faz jus. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo Sousa Relator O recurso é tempestivo, porém não atende a requisitos processuais para sua admissibilidade, como se verá. Na manifestação de inconformidade a Defendente centrase em questões que não tem relevo para o mérito pertinente ao crédito com que extinguiu o débito por meio da DComp sob análise (v.g., por casualidade tomara ciência do despacho decisório, visto ter sido intimada por edital, e desconhecimento do porquê dos indeferimentos de inúmeras DComps transmitidas), figurando no item “2”, rigorosamente, o único ponto da defesa em que tangencia a questão do direito, sem, contudo, adentrála. Vejase o texto: 2. A INTIMADA, em questão vem a partir do período em que fez o aproveitamento dos créditos, pagos além do devido, nunca obteve êxito disto, pois, por várias vezes, as PER/DCOMP's apresentadas foram objeto de despachos decisórios, que não contemplava o mérito, mas que, cujo crédito, a ela é de direito. Desta forma, a diretoria da Fl. 53DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/06/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 ENTIDADE, foi procurar o órgão que representa tal classe, a OCBGO, e a manifestação, do departamento jurídico daquela Organização, foi favorável à questão do aproveitamento de crédito, salientando que houve, casos de Entidades de mesma natureza, em Goiás, que já havia usufruído de tal direito.[grifo aqui] Com essa configuração da peça de defesa, à decisão de primeira instância deixou de ser apresentado o mérito, consubstanciado (i) na identificação de que direito a Defendente estaria reivindicando para sustentar a existência de indébito e subsistência do crédito de que se servira na DComp, (ii) na indicação da norma legal que ampararia tal direito; (iii) na demonstração da base de cálculo da contribuição efetivamente devida e conseqüentes exclusões. Por conseguinte, o Colegiado a quo não teve diante de si razões de direito e os correspectivos elementos de prova contrapostos ao fundamento do despacho decisório para enfrentar, restando apenas corroborar tal ato administrativo e destacar os critérios que, em circunstância como a presente, deveriam ser observados pela Defesa para comprovar a certeza e liquidez do crédito sub judice. Pelo que, não há erro ou ilegalidade que possa ser atribuída à decisão da instância de piso para que se requeira a sua reforma. No recurso voluntário, complementando a manifestação de inconformidade, a Recorrente aponta para o seu direito à isenção da Cofins relativamente aos atos cooperativos. Ainda assim, indica a existência desse direito de forma genérica, a estar amparado pelo art. 71 da Lei nº 5.764/71, na Lei nº 9.718/98 e na Lei nº 10.865/2004, assim mesmo. Não identifica quais seriam os seus atos cooperativos, a quanto monta a base de cálculo pertinente a essas operações, de sorte a pretender a repetição e utilização referente ao mês de novembro de 2005 da importância de R$ 2.284,07, dos R$ 63.947,96 pagos, nem traz ao processo a comprovação das exclusões pretendidas, mediante escrita contábil/fiscal, sendo inservível para o propósito a Demonstração anexada. Ante a falta de causa de pedir próxima e remota na peça de defesa apresentada na primeira instância seja por a descrição dos fatos inviabilizar que a DRJ/Brasília pudesse chegar a alguma conclusão (a almejada pela Interessada ou não, no tocante ao mérito pretendido), seja por falta de fundamento jurídico , ante a inovação trazida na segunda instância e ante a persistente omissão dos elementos quantitativos que delineiem os contornos do direito pleiteado, e respectiva prova (esta, até passível de acolhimento acaso coligida), configuram a inépcia da petição encartada na manifestação de inconformidade, bem assim no recurso voluntário. Leciona Arruda Alvim (2012, p. 503) que: A petição inicial a que faltar o pedido ou a causa de pedir (arts. 295, parágrafo único,Ii), na qual os fatos narrados não conduzem, logicamente, à conclusão querida (arts. 295, parágrafo único, II), que não retratar a pretensão amparada pelo Direito positivo (art. 295, parágrafo único, III), ou que contiver pedidos incompatíveis entre si (art. 295, parágrafo único, IV), por exemplo, será uma petição inépta, destituída de validade jurídica. Em termos processuais a manifestação de inconformidade, no processo administrativo Tributário, equiparase à petição inicial preconizada no Código de Processo Fl. 54DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/06/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13116.902001/200981 Acórdão n.º 3803004.212 S3TE03 Fl. 53 5 Civil, à parte a diferença de esta somente vir a constituir a lide após a citação válida, ao passo em que aquela já o faz, atendidos os requisitos processuais para tal. Noutro giro, o art. 16, III, do Decreto nº 70.235/721 reza que “a impugnação mencionará ... os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir”. Gizese, por fim, por apreço ao esclarecimento, que o direito positivo que ajustase a sua pretensão de ver os atos cooperativos isentos da Cofins não está nos ditames legais invocados, não sendo sequer por meio desse instituto tributário – a isenção – que as cooperativas recebem tratamento legal diferenciado das pessoas jurídicas de direito privado em geral, mas sua desoneração tributária dáse por meio de exclusão da base de cálculo de determinadas operações, segundo as disposições da MP nº 2.158/2001, complementadas pela Lei 10.676, de 22 de maio de 2003, regulamentadas, ao tempo dos fatos geradores em foco, pela IN SRF nº 247/2002, com alterações pela IN SRF nº 358/20032, desonerações que não contemplam a espécie de cooperativa a que pertence a Recorrente. 1 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/93). 2 Art. 33. As sociedades cooperativas, para efeito de apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita bruta o valor: I repassado ao associado, decorrente da comercialização, no mercado interno, de produtos por eles entregue à cooperativa, observado o disposto no § 1 º ; II das receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III das receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V das receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos; e VI das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971. §1º Para fins do disposto no inciso I do caput : I na comercialização de produtos agropecuários realizada a prazo, a cooperativa poderá excluir da receita bruta mensal o valor correspondente ao repasse a ser efetuado ao associado; e II os adiantamentos efetuados aos associados, relativos à produção entregue, somente poderão ser excluídos quando da comercialização dos referidos produtos. § 2º As exclusões previstas nos incisos II a IV do caput : I ocorrerão no mês da emissão da nota fiscal correspondente a venda de bens e mercadorias e/ou prestação de serviços pela cooperativa; e II terão as operações que as originaram contabilizadas destacadamente, sujeitas à comprovação mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor, da espécie e quantidade dos bens, mercadorias ou serviços vendidos. § 3º Para os fins do disposto no inciso II do caput , a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculadas diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. § 4º O disposto no inciso VI do caput aplicase aos fatos geradores ocorridos a partir de 1 º de novembro de 1999, observado que as sobras líquidas, apuradas após a destinação para constituição dos Fundos a que se refere, somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas. § 5 o A sociedade cooperativa que fizer uso de qualquer das exclusões previstas neste artigo contribuirá, cumulativamente, para o PIS/Pasep sobre a folha de salários. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/06/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso. Sala das sessões, 23 de maio de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa § 6 º A entrega de produção à cooperativa, para fins de beneficiamento, armazenamento, industrialização ou comercialização, não configura receita do associado. § 7º As sociedades cooperativas de produção agropecuária poderão excluir da base de cálculo, os valores: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) I de que tratam os incisos I a VI do caput; Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) II dos custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando de sua comercialização. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) § 8º As sociedades cooperativas de eletrificação rural poderão excluir da base de cálculo, os valores: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) I das sobras e dos fundos de que trata o inciso VI do caput; ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) II dos custos dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados. ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) § 9º Considerase custo agregado ao produto agropecuário os dispêndios pagos ou incorridos com matériaprima, mãodeobra, encargos sociais, locação, manutenção, depreciação e demais bens aplicados na produção, beneficiamento ou acondicionamento e os decorrentes de operações de parcerias e integração entre a cooperativa e o associado, bem assim os de comercialização ou armazenamento do produto entregue pelo cooperado. ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) § 10. Os custos dos serviços prestados pela cooperativa de eletrificação rural abrangem os gastos de geração, transmissão, manutenção e distribuição de energia elétrica, quando repassados aos associados. ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) § 11. A exclusão permitida às demais sociedades cooperativas limitase aos valores destinados à formação dos fundos previstos no inciso VI do caput. ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) § 12. O disposto nos §§ 7º, 8º e 11 aplicase a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de novembro de 1999. ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) Fl. 56DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/06/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13116.902001/200981 Acórdão n.º 3803004.212 S3TE03 Fl. 54 7 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/06/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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