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Numero do processo: 10314.720711/2011-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2010
RECURSO REPETITIVO. INAPLICAÇÃO.
Inaplicável o art. 62-A do RICARF para decisão do STJ que trata de exigência de CND no bojo de despacho aduaneiro de regime especial de drawback, porquanto o caso dos autos trata de exigência de CND nas importações beneficiadas com o regime automotivo.
CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS FEDERAIS. BENEFÍCIO FISCAL DA LEI Nº 10.182/2001. REGIME AUTOMOTIVO. CANAL VERDE. EXIGIBILIDADE.
A concessão ou reconhecimento do benefício fiscal previsto na Lei nº 10.182/2001 fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, de sua regularidade fiscal. A Secretaria da Receita Federal do Brasil poderá exigir a comprovação, pelo contribuinte, de sua regularidade fiscal, durante o procedimento de Revisão Aduaneira, para as declarações de importação parametrizadas para o canal verde de conferência aduaneira.
CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS FEDERAIS. BENEFÍCIO FISCAL DA LEI Nº 10.182/2001. REGIME AUTOMOTIVO. CANAL VERMELHO E AMARELO. INEXIGIBILIDADE.
A concessão ou reconhecimento do benefício fiscal previsto na Lei nº 10.182/2001 fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, de sua regularidade fiscal. A verificação da regularidade fiscal do sujeito passivo cabe à autoridade fiscal (Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil) responsável pelo procedimento de conferência aduaneira, para as declarações de importação parametrizadas para os canais amarelo e vermelho.
CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS FEDERAIS. SUSPENSÃO DO IPI. ART. 5º DA LEI Nº 9.826/99. INEXIGIBILIDADE.
A suspensão do IPI de que trata o artigo 5º da Lei nº 9.826/99 refere-se à condição relativa ao fato gerador da obrigação tributária e destinação, de natureza objetiva. Não se trata de uma faculdade do contribuinte, mas de um mandamento normativo, não sendo cabível a exigência de prova da regularidade fiscal do importador.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3101-001.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, rejeitar a preliminar de aplicação do art. 62-A do Regimento Interno do Carf, e manter a exigência de Imposto de Importação (II) para as Declarações de Importação sujeitas ao Canal Verde de Conferência Aduaneira. Vencidos os Conselheiros Leonardo Mussi da Silva, Adriana Oliveira e Ribeiro e Luiz Roberto Domingo; e por maioria, dar provimento ao recurso voluntário para excluir da autuação a exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e de II para as Declarações de Importação sujeitas aos demais canais de Conferência Aduaneira. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. Designado o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral o advogado Giordano Bruno Vieira de Barros, OAB/DF nº 23.433, representante do sujeito passivo
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Luiz Roberto Domingo - Relator.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Leonardo Mussi da Silva, Rodrigo Mineiro Fernandes, Adriana Oliveira e Ribeiro, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2010 RECURSO REPETITIVO. INAPLICAÇÃO. Inaplicável o art. 62A do RICARF para decisão do STJ que trata de exigência de CND no bojo de despacho aduaneiro de regime especial de drawback, porquanto o caso dos autos trata de exigência de CND nas importações beneficiadas com o regime automotivo. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS FEDERAIS. BENEFÍCIO FISCAL DA LEI Nº 10.182/2001. REGIME AUTOMOTIVO. CANAL VERDE. EXIGIBILIDADE. A concessão ou reconhecimento do benefício fiscal previsto na Lei nº 10.182/2001 fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, de sua regularidade fiscal. A Secretaria da Receita Federal do Brasil poderá exigir a comprovação, pelo contribuinte, de sua regularidade fiscal, durante o procedimento de Revisão Aduaneira, para as declarações de importação parametrizadas para o canal verde de conferência aduaneira. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS FEDERAIS. BENEFÍCIO FISCAL DA LEI Nº 10.182/2001. REGIME AUTOMOTIVO. CANAL VERMELHO E AMARELO. INEXIGIBILIDADE. A concessão ou reconhecimento do benefício fiscal previsto na Lei nº 10.182/2001 fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, de sua regularidade fiscal. A verificação da regularidade fiscal do sujeito passivo cabe à autoridade fiscal (AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil) responsável pelo procedimento de conferência aduaneira, para as declarações de importação parametrizadas para os canais amarelo e vermelho. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS FEDERAIS. SUSPENSÃO DO IPI. ART. 5º DA LEI Nº 9.826/99. INEXIGIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 07 11 /2 01 1- 85 Fl. 4273DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, As sinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 2 A suspensão do IPI de que trata o artigo 5º da Lei nº 9.826/99 referese à condição relativa ao fato gerador da obrigação tributária e destinação, de natureza objetiva. Não se trata de uma faculdade do contribuinte, mas de um mandamento normativo, não sendo cabível a exigência de prova da regularidade fiscal do importador. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, rejeitar a preliminar de aplicação do art. 62A do Regimento Interno do Carf, e manter a exigência de Imposto de Importação (II) para as Declarações de Importação sujeitas ao Canal Verde de Conferência Aduaneira. Vencidos os Conselheiros Leonardo Mussi da Silva, Adriana Oliveira e Ribeiro e Luiz Roberto Domingo; e por maioria, dar provimento ao recurso voluntário para excluir da autuação a exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e de II para as Declarações de Importação sujeitas aos demais canais de Conferência Aduaneira. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. Designado o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral o advogado Giordano Bruno Vieira de Barros, OAB/DF nº 23.433, representante do sujeito passivo Henrique Pinheiro Torres Presidente. Luiz Roberto Domingo Relator. Rodrigo Mineiro Fernandes Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Leonardo Mussi da Silva, Rodrigo Mineiro Fernandes, Adriana Oliveira e Ribeiro, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da DRJ que manteve a exigência de tributos incidentes sobre a importação de bens amparados pelo regime automotivo tendo em vista que a fiscalização, em revisão aduaneira, entendeu que a não apresentação dos instrumentos denominados “certidão negativa de débitos” no momento do registro da DI configura inadimplemento de condição necessária à fruição do benefício fiscal. Por bem sintetizar os fatos do processo, adoto o relatório da decisão Recorrida, abaixo transcrita: A fiscalização na empresa KEIPER teve como objetivo verificar a regularidade da fruição dos benefícios do Regime Automotivo no período compreendido entre outubro de 2006 e dezembro de 2010, citando que a redação das Fl. 4274DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, As sinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 10314.720711/201185 Acórdão n.º 3101001.373 S3C1T1 Fl. 4 3 Leis nº 8.212/91 e 8.036/90 não deixa dúvida de que os instrumentos necessários para comprovar a regularidade fiscal imposta pela Lei nº 9.069/95, quando da importação com benefício fiscal, são a Certidão Negativa de Débito Previdenciária (CND) e o Certificado de Regularidade do FGTS. Tais benefícios utilizados foram: REDUÇÃO de 40% do Imposto de Importação (II), com base no artigo 136 do Decreto nº 4.543/02 combinado com a Lei nº 10.182/01 e o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 1/06, parágrafo II; SUSPENSÃO do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), de acordo com o artigo 246, parágrafo I, inciso I, do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543/02) e o artigo 9º da Instrução Normativa SRF 296/03 combinado com o artigo 5º da Lei nº 9.826/99, com redação dada pelo artigo 4º da Lei nº 10.485/02. A fiscalização fez uma pesquisa no banco de dados da Previdência e da Caixa Econômica Federal para saber se a KEIPER possuía as certidões supracitadas, obtendo a lista das certidões emitidas pelo INSS no período fiscalizado, verificando que a empresa não possuía certidão negativa entre os dias 10/01/2008 a 20/01/2008, 06/06/2009 a 17/06/2009 e 23/11/2010 a 29/11/2010. Em relação ao Certificado de regularidade do FGTS, não havia certidão negativa nos períodos de 09/09/2006 a 10/09/2006, 11/10/2006 a 17/10/2006, 17/11/2006 a 02/12/2006, 02/01/2007 a 03/01/2007, 03/02/2007 a 04/02/2007, 07/03/2007 a 25/03/2007, 27/05/2007 a 14/06/2007, 15/07/2007 a 16/08/2007, 07/12/2007 a 29/01/2008, 29/02/2008 a 09/03/2008, 09/04/2008 a 08/05/2008, 08/06/2008 a 19/06/2008, 15/08/2008 a 26/08/2008, 26/10/2008, 26/11/2008 a 06/01/2009, 08/03/2009 a 16/03/2009, 16/04/2009 a 04/05/2009, 04/06/2009 a 16/06/2009, 17/07/2009 a 22/07/2009, 22/08/2009 a 13/09/2009, 14/10/2009 a 15/10/2009, 15/11/2009, 15/01/2010 a 09/02/2010, 12/03/2010 a 18/03/2010, 19/05/2010 a 26/05/2010, 26/06/2010 a 27/06/2010, 27/08/2010 a 09/09/2010, 10/10/2010 a 13/10/2010 e 11/12/2010 a 13/12/2010. A conclusão fiscal é que foram registradas diversas declarações de importação com redução de II e suspensão de IPI em períodos em que a KEIPER não estava coberta por certidões negativas, o que configura utilização indevida do benefício fiscal, ressaltando que foi dada oportunidade à KEIPER para que apresentasse as certidões negativas dos períodos em questão, mas a empresa não o fez. A fiscalização entendeu pela revogação dos benefícios fiscais obtidos quando do registro/desembaraço das declarações de importação registradas no período sem cobertura por certidões negativas, lançando os tributos renunciados, acrescidos de juros e multa de mora, totalizando o valor de (...). As infrações decorrentes dos fatos apurados foram a não comprovação da quitação de contribuições previdenciárias e da regularidade fiscal junto ao FGTS, utilizando indevidamente a redução do imposto sobre a importação II e a suspensão do IPI, com falta/insuficiência de recolhimento de Pis e Cofins: uma vez que a base de cálculo desses tributos é formada pelo ICMS e este, por sua vez, tem sua base de cálculo formada pelo II e pelo IPI, afetando, indiretamente, o recolhimento de PIS e da COFINS, inclusive em casos em que há redução ou suspensão utilizadas indevidamente. A interessada apresentou impugnação alegando, em síntese, que: Fl. 4275DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, As sinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 4 Cumpriu a lei 10182/2001 para fruição do benefício, comprovando sua regularidade fiscal no momento da concessão da habilitação no SISCOMEX, não havendo determinação legal quanto à necessidade de apresentação de certidão de regularidade fiscal para cada despacho efetivado na vigência do benefício. o art. 60 da lei 9069/95 não fixa o momento da comprovação da regularidade fiscal. Inexistem débitos para que se possa lavrar o presente auto de infração. a quantidade de dias em que a impugnante não possuía certidão do INSS ou do FGTS é insignificante, tendo havido afronta aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. ainda que não detivesse os meios de prova necessários para demonstrar sua situação fiscal e previdenciária, não possuía pendência cadastral. quando foi fiscalizada, apresentou todos os documentos que comprovam a quitação dos débitos. não teve atendidos seus pedidos de prorrogação de prazos. presunções não podem dar ensejo a obrigações tributárias. houve excesso em matéria tributária, violando o princípio da segurança jurídica. requer a insubsistência da ação fiscal. Os membros da Turma da DRJ acordaram, por maioria, em julgar improcedente a impugnação, conforme os fundamentos consubstanciados na ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2010 REGIME AUTOMOTIVO. Para obtenção do benefício fiscal, além do cumprimento de requisitos específicos, deve haver a regularidade fiscal no momento em que se pleiteia a isenção dos tributos incidentes sobre a importação, ou seja, no despacho aduaneiro. Impugnação Improcedente O voto vencido declarado trouxe à baila questão acerca do ônus da prova da irregularidade fiscal, salientando que a legislação previdenciária e a legislação do FGTS são anteriores à Lei nº 9.069/95, norma específica em relação a incentivos e benefícios fiscais administrados pela Receita Federal, e que trouxe, em seu art. 60, a obrigação de comprovação de quitação e não a apresentação do instrumento “certidão negativa”. Fundamenta seu entendimento, inclusive, no aspecto teleológico da norma, indicando que o objetivo último do art. 60 da Lei nº 9.069/1995 é evitar que uma empresa com débitos tributários possa se beneficiar de um incentivo fiscal e que o Fisco não pode aplicar presunção de irregularidade fiscal para negar o benefício. Inconformada com a decisão de primeiro grau, a Recorrente apresentou recurso voluntário trazendo aos autos ampla comprovação da apuração e quitação de débitos previdenciários, de FGTS e tributos e contribuições federais. Fl. 4276DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, As sinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 10314.720711/201185 Acórdão n.º 3101001.373 S3C1T1 Fl. 5 5 É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Conheço do Recurso por atender aos requisitos de admissibilidade. Preliminarmente é importante ressaltar que a fiscalização cinge a exigência apenas e tão somente na não apresentação do “papel” denominado certidão negativa de débitos no momento do desembaraço aduaneiro. Nenhum débito foi apontado e nenhuma irregularidade fiscal foi apontada, o que demonstra a arbitrariedade e ilegalidade da exigência. Apenas essa constatação já seria bastante e suficiente para declarar a insubsistência desse teratológico auto de infração. Tratase de um de serviço à segurança jurídica e ao Erário, uma vez que quer desconsiderar benefício fiscal garantido em lei sob o argumento de irregularidade fiscal sem apontar um único débito fiscal. Como lucidamente consignou o Ilustre julgador de primeira instância Paulo Baz Agra, a Lei nº 9.069 “é do ano de 1995, posterior portanto às leis do FGTS (Lei nº 8.036/1990) e do INSS (Lei nº 8.212/1991) e é específica em relação a incentivos e benefícios fiscais administrados pela Receita Federal. Além disso, em nenhum momento tal norma coloca a apresentação do documento “certidão negativa” como condição para fruição de incentivos fiscais. O que a norma afirma é que a empresa deve estar quite com suas obrigações fiscais, e isso pode ocorrer independente da existência ou não da certidão.” e “Não podemos nunca perder de vista o aspecto teleológico da norma. O objetivo último do art. 60 da Lei nº 9.069/1995 é evitar que uma empresa com débitos tributários possa se beneficiar de um incentivo fiscal. Se a fiscalização nega à empresa o aproveitamento do benefício fiscal, aplica uma presunção de que a mesma não estaria regular no momento das importações.” Não bastasse as questões atinentes à especialidade da norma contida na Lei nº 9.069/1995 e a ausência de vinculação da norma mais recente às norma anteriores, trazidas pelo voto vencido, importante ressaltar outros elementos e valores jurídicos que conduzem a apreciação do mérito em direção oposta à contida no lançamento. Inobstante, passo a analisar a descrição dos fatos e as normas que fundamentaram a exigência tributária. Cabe ressaltar que apesar de a fiscalização ter mencionado diversas normas no “enquadramento legal” de cada um dos lançamentos, estas não representam à exaustão o fundamento do lançamento, uma vez que a fiscalização constrói a exigência a partir da interpretação da exigência específica de regularidade fiscal da norma que criou o regime automotivo – Lei nº 10.182/2001, da Lei nº 9.069/1995, cujo art. 60 impõe a comprovação de quitação de tributos na concessão ou reconhecimento de incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, para definir que a apresentação da CND prevista na Lei nº 8.212/1991 e do Certificado de Regularidade do FGTS, previsto no art. 27 da Lei nº 8.036/1990, são instrumentos necessários e imprescindíveis ao gozo da Fl. 4277DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, As sinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 6 redução do II, suspensão do IPI e, por via de conseqüências, isenção do Pis Importação e Cofins Importação. Primeiramente, é de se ressaltar que o bem jurídico protegido – a não concessão de benefícios fiscais àquele que está em dívida com o Erário; a res publica – não foi em nunhum momento atingido pela ausência de apresentação dos papéis intitulados Certidão Negativa de DébitoCND e Certificado de Regularidade do FGTS exigidos pela fiscalização. Noto que há uma exigência formal sem qualquer correlação à materialidade fática de eventual inadimplência. Do que é possóvel verificar do conjunto probatório dos autos, diferentemente das alegações de inadimplemento formal trazidas pelo Fisco, o contribuinte comprovou que, apesar da ausência dos instrumento exigidos, não está inadimplente nem com o FGTS nem com a previdência social. Ora, o art. 37 da Lei nº 9.784/991, também socorre o contribuinte neste feito, uma vez que, a alegada regularidade fiscal, em relação ao FGTS e Previdência Social, seria plenamente comprovada pela expedição, pela repartição de origem, de ofício ao FGTS e de simples verificação nos registros da própria Receita Federal para os débito previdenciários. Portanto, pretendese excluir um benefício fiscal por conta da não apresentação de um “papel” que ateste regularidade com FGTS e Previdência, sem que haja o apontamento de um único débito que comprove a irregularidade fiscal. Em verdade, tratase de uma interpretação dedutiva que parte da norma específica para as normas genéricas da previdência, do FGTS e de benefícios fiscais. O que se verifica é que se está diante de uma antinomina aparente, pela qual a obrigação determinada por uma norma tem escopo menor que as obrigações determinadas por outras normas, ou seja, em face de um dato fato verificase a incidência de diversas normas jurídicas ao mesmo tempo, mas que comportam conflitos entre si. Explico: diante da habilitação no regime automotivo que exige que a postulante seja “de reconhecida idoneidade fiscal, assim considerada a empresa que preencha os requisitos exigidos para o fornecimento de certidão negativa ou de certidão positiva, com efeitos de negativa, de débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF”(Lei nº 10.182, de 12 de fevereiro de 2001, art. 6º, inciso I, e “Instrução Normativa SRF nº 254, de 11 de dezembro de 2002” art. 5º, inciso I, poderia o Fisco fazer incidir, após a habilitação, outras normas jurídicas com escopo mais abrangente na exigência de certificações que não aquelas previstas na norma relativa ao Regime Automotivo? Norberto Bobbio ensina que o ordenamento jurídico é composto de um conjunto harmônico de normas e que, a princípio, não seria possível a antinomia de normas, ou estas seriam um “defeito” do sistema: Devido à tendência de cada ordenamento jurídico se constituir em sistema, a presença de antinomias em sentido próprio é um defeito que o intérprete tende a eliminar. Como antinomia significa o encontro de duas proposições incompatíveis, que não podem ser ambas verdadeiras, e, com referência a um sistema normativo, o encontro de duas normas que não podem ser ambas aplicadas, a eliminação do inconveniente não poderá constituir em outra coisa senão na eliminação de uma das duas normas (no caso de normas contrárias, também na eliminação das duas). 1 Lei nº 9784/1999: Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 4278DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, As sinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 10314.720711/201185 Acórdão n.º 3101001.373 S3C1T1 Fl. 6 7 Mas qual das duas normas deve ser eliminada? Aqui está o problema mais grave das antinomias. O que dissemos no item 3 referese às regras para estabelecer quando nos encontramos frente a uma antinomia. Mas, uma coisa é descobrir a antinomia, outra, resolvêla. As regras vistas até agora nos servem para saber que duas normas são incompatíveis, mas nada nos dizem sobre qual das duas deva ser conservada ou eliminada. É necessário passar da determinação das antinomias à solução das antinomias. No curso de sua secular obra de interpretação das leis, a jurisprudência e laborou algumas regras para a solução das antinomias, que são comumente aceitas. Por outro lado, é necessário acrescentar logo que essas regras não servem para resolver todos os casos possíveis de antinomia. Daqui deriva a necessidade de introduzir uma nova distinção no âmbito das antinomias próprias, isto é, a distinção entre as antinomias solúveis e as antinomias insolúveis. As razões pelas quais nem todas as antinomias são solúveis são duas: 1) há casos de antinomias nos quais não se pode aplicar nenhuma das regras pensadas para a solução das antinomias; 2 ) há casos em que se podem aplicar ao mesmo tempo duas ou mais regras em conflito entre si. Chamamos as antinomias solúveis de aparentes; chamamos as insolúveis de reais. Diremos , portanto, que as antinomias reais são aquelas em que o intérprete é abandonado a si mesmo ou pela falta de um critério ou por conflito entre os critérios dados: a elas dedicaremos os dois parágrafos seguintes. As regras fundamentais para a solução das antinomias são três: a) o critério cronológico; b) o critério hierárquico; c) o critério da especialidade. (Bobbio, Norberto.UnB, 1995, p. 91/92) De plano, percebese que a demanda exsurge do aparente conflito de normas sendo que a defendida pelo contribuinte, está limitada ao escopo da regularidade fiscal na habilitação (Lei nº 10182/ ) ou, no máximo, no âmbito do que prevê o art. 60 da Lei nº 9.069/1995, enquanto a fiscalização pretende aplicar as normas que ampliam a comprovação de regularidade fiscal à apresentação de CND previdenciária e da Certificação de Regularidade do FGTS. Não tenho dúvida que há uma antinomia solúvel, da forma que explicou Bobbio, passível de solução pelos critéiros da cronomogia e especialidade. Como se sabe a Lei nº 10.182, foi publicada em 14 de fevereiro de 2001, entrando em vigor na data da sua publicação. Fl. 4279DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, As sinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 8 Portanto, o legislador, ciente das prescrições legais definidas na Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com as alteações trazidas pela Lei nº 9,032, de 28 de abril de 1995, e na Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, ao redigir o art. 6º da Lei nº 10.182/2001, decidiu, para os benefícios do Regime Automotivo, reduzir o escopo das exigências de: “apresentação” de CND e Certificado de Regularidade do FGTS, para: “comprovação de regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais”, a qual pode ser feita por qualquer meio. Ainda que não se limite a obrigação de comprovação de regularidade fiscal à habilitação no regime automotivo, ampliandoa para o momento do desembaraço aduaneiro, é certo que a Lei nº 9.069, publicada em 30 de junho de 1995, também atende ao critério cronológico para que se afaste a aplicação das normas precedentes de 1991 e 1990. Explica Bobbio que “O critério cronológico, chamado também de lex posterior, é aquele com base no qual, entre duas normas incompatíveis, prevalece a norma posterior: lex posterior derogat priori. Esse critério não necessita de comentário particular. Existe uma regra geral no Direito em que a vontade posterior revoga a precedente, e que de dois atos de vontade da mesma pessoa vale o último no tempo. Imaginese a Lei como expressão da vontade do legislador e não haverá dificuldade em justificar a regra. A regra contrária obstaria o progresso jurídico, a adaptação gradual do Direito às exigências sociais. Pensemos, por absurdo, nas conseqüências que derivariam da regra que prescrevesse aterse à norma precedente. Além disso, presumese que o legislador não queira fazer coisa inútil e sem finalidade: se devesse prevalecer a norma precedente, a lei sucessiva seria um ato inútil e sem finalidade.” É com base nesse supedâneo que a norma mais recente prevalece sobre as mais antigas, não havendo base jurídica para o Fisco formular exigência mais abrangente que a definida na lei de regência. Nesse ponto, inclusive – lei de regência – é que se insere a segunda regra de solução de antinomias, ou seja, a norma especial prevalece ante a norma geral. Ao se compulsar as normas em conflito, percebese que a Lei nº 8.212/1991 é especial no trato do cuteio da previdência social, mas geral na exigência de regularidade fiscal para concessão de benefícios fiscais. O mesmo se pode dizer da Lei nº 8.036/1990, especial em relação ao FGTS, mas geral na exigência da regularidade com o fundo para concessão de benefícios fiscais. A Lei nº 9.069/1995, apesar de ementada como “dispõe sobre o Plano Real, o Sistema Monetário Nacional, estabelece as regras e condições de emissão do REAL e os critérios para conversão das obrigações para o REAL, e dá outras providências”, contempla, nas outras providências o art. 60, que impõe a condição de comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, para concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. É norma genérica em relação a todos os benefícios fiscais. A Lei nº 10.182/2001, apresentação como norma especial que regula os critérios, requisitos e condições para obtenção do benefício fiscal do regime automotivo, a saber: “Restaura a vigência da Lei no 8.989, de 24 de fevereiro de 1995, que dispõe sobre a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na aquisição de automóveis destinados ao transporte autônomo de passageiros e ao uso de portadores de deficiência física, reduz o imposto de importação para os produtos que especifica, e dá outras providências”. Fl. 4280DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, As sinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 10314.720711/201185 Acórdão n.º 3101001.373 S3C1T1 Fl. 7 9 Estabelecendo, especifica e especialmente, para o regime automotivo as condições de regularidade fiscal, perante, apenas os tributos administrados pela Receita Federal. Diante do critéiro da especialidade não há como dizer que as normas de institutos jurídicos especiais de outros regimes ou de regimes gerais prevaleçam sobre normas especiais aplicáveis ao caso concreto. Inobstante, é certo que o auto de infração traz em seu bojo o entendimento de que a “redação das Leis nº 8.212/91 e 8.036/90 não deixa dúvida de que os instrumentos necessários para comprovar a regularidade fiscal imposta pela Lei nº 9.069/95, quando da importação com benefício fiscal, são a Certidão Negativa de Débito Previdenciária (CND) e o Certificado de Regularidade do FGTS”. Portanto, restringindo a análise apenas no fundamento utilizado pelo lançamento, é fundamental verificar os requisitos intrínsecos às leis citadas para atendimento do art. 60 da Lei n° 9,069/95. Inicialmente, cumpre ressaltar que o FGTS não é uma contribuição social nem tributo segundo interpretação dada pelo Supremo Tribunal Federal no RE 100249: Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. Sua natureza jurídica. Constituição, art. 165, XIII. Lei n. 5.107, de 13.9.1966. As contribuições para o FGTS não se caracterizam como crédito tributário ou contribuições a tributo equiparáveis. Sua sede esta no art. 165, XIII, da constituição. Assegurase ao trabalhador estabilidade, ou fundo de garantia equivalente. Dessa garantia, de índole social, promana, assim, a exigibilidade pelo trabalhador do pagamento do FGTS, quando despedido, na forma prevista em lei. Cuidase de um direito do trabalhador. Dálhe o Estado garantia desse pagamento. A contribuição pelo empregador, no caso, deflui do fato de ser ele o sujeito passivo da obrigação, de natureza trabalhista e social, que encontra, na regra constitucional aludida, sua fonte. A atuação do estado, ou de órgão da administração pública, em prol do recolhimento da contribuição do FGTS, não implica tornalo titular do direito a contribuição, mas, apenas, decorre do cumprimento, pelo poder público, de obrigação de fiscalizar e tutelar a garantia assegurada ao empregado optante pelo FGTS. Não exige o estado, quando aciona o empregador, valores a serem recolhidos ao Erário, como receita pública. Não há, daí, contribuição de natureza fiscal ou parafiscal. os depósitos do FGTS pressupõem vinculo jurídico, com disciplina no direito do trabalho. Não se aplica as contribuições do FGTS o disposto nos arts. 173 e 174, do CTN. Recurso extraordinário conhecido, por ofensa ao art. 165, XIII, da Constituição, e provido, para afastar a prescrição quinquenal da ação. (RE 100249, Relator(a): Min. OSCAR CORREA, Relator(a) p/ Acórdão: Min. NÉRI DA SILVEIRA, Tribunal Pleno, julgado em Fl. 4281DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, As sinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 10 02/12/1987, DJ 01071988 PP16903 EMENT VOL0150809 PP 01903) Destituída de sua natureza tributária, o FGTS, de cunho trabalhista social, não tem o condão de compor a classe das obrigações contidas no art. 60 da Lei n° 9.069, pois não se trata de tributo ou contribuição federal. Outra questão que socorre a Recorrente é o julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo, REsp 1041237/SP, do entendimento de que quando há exigência de comprovação de certidão na habilitação, não pode a administração exigir a certidão no gozo do benefício. PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. REGIME DE DRAWBACK. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO (CND). INEXIGIBILIDADE. ARTIGO 60, DA LEI 9.069/95. 1. Drawback é a operação pela qual a matériaprima ingressa em território nacional com isenção ou suspensão de impostos, para ser reexportada após sofrer beneficiamento. 2. O artigo 60, da Lei nº 9.069/95, dispõe que: "a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais". 3. Destarte, ressoa ilícita a exigência de nova certidão negativa de débito no momento do desembaraço aduaneiro da respectiva importação, se a comprovação de quitação de tributos federais já fora apresentada quando da concessão do benefício inerente às operações pelo regime de drawback (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 839.116/BA, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 21.08.2008, DJe 01.10.2008; REsp 859.119/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 20.05.2008; e REsp 385.634/BA, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 21.02.2006, DJ 29.03.2006). 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1041237/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/10/2009, DJe 19/11/2009) Ora, definido pelo STJ o conteúdo e o alcance da norma prevista pelo art. 60 da Lei n° 9.069/95, deve este Conselho seguir o entendimento pacificado como forma de diminuir as demandas mantidas pelo Estado inutilmente. Assim, prevê o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Fl. 4282DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, As sinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 10314.720711/201185 Acórdão n.º 3101001.373 S3C1T1 Fl. 8 11 Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Portanto, considerando que o STJ já definiu que é “ilícita a exigência de nova certidão negativa de débito no momento do desembaraço aduaneiro da respectiva importação, se a comprovação de quitação de tributos federais já fora apresentada quando da concessão do benefício”, em situação idêntica a dos autos, não cabe ao CARF contraporse a tal entendimento sob pena de afrontar o regimento interno, que conferiu essa competência ao julgador administrativo, no ato de revisão dos atos da administração tributária. Mas não são apenas essas razões que protegem o direito da recorrente. No âmbito do próprio CARF já se encontra SUMULADO, em caso que guarda verossimilhança, o entendimento de que o contribuinte pode comprovar seu adimplemento do curso do processo administrativo: Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Ora, como se sabe regularidade fiscal não deve ser confundido com o “papel” que demonstra tal situação, ou seja, não se confunde com a chamada Certidão Negativa de Débitos. Tratase de uma situação que pode ser comprovada a qualquer tempo pelo contribuinte e, portanto, é “estado” que pode ser demonstrado pela parte ou verificado pela própria administração. Inclusive, a perda do direito ao benefício fiscal depende da prova do inadimplemento; da prova da irregularidade; a prova de que as eventuais declarações não correspondem à realidade. De outro lado, a exclusão da Recorrente do regime automotivo pela simples não apresentação do papel que comprova a adimplência das obrigações fiscais federais, apesar de ter comprovado que recolheu todos os tributos devidos, não atende aos requisitos da razoabilidade, pois se quer substituir o requisito material de “regularidade fiscais” pelo requisito formal “apresentação de certidão” o que implica em impedir a obtenção do benefício no caso de, apesar de não ter qualquer irregularidade fiscal, não obter no prazo do vencimento da CND vincenda, uma nova CND. Ora, é fato público e notório que a Receita Federal do Brasil, em especial em Delegacias de grandes cidades, a dificuldade e a morosidade na obtenção de certidões negativas por grandes empresas, de modo que não se pode negar a realidade que há lapsos temporais entre o vencimento de uma certidão negativa e o vigência de uma nova certidão. E essa realidade não era diferente no âmbito do Instituto Nacional da Seguridade Social, quando tinha a atribuição de fiscalização, arrecadação e controle do custeio da previdência social, antes da Lei 11.941/2009. Desta forma, por quaisquer perspectivas que se analise a lide posta a julgamento, não vejo como conferir legalidade ou justiça a exclusão da recorrente do regime automotivo, apenas por não apresentar um “papel” que ateste o que a Recorrente comprovou nos autos. Caso fique vencido nos argumentos autônomos acima, cabe ressaltar que nos caso em que o despacho aduaneiro das importações realizadas se deram pelo canal vermelho e Fl. 4283DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, As sinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 12 amarelo, nos quais a Fiscalização teve acesso e oportunidade de conferir a documentação exigida para obtenção do desembaraço aduaneiro com os benefícios do regime automotivo, na forma da IN SRF 680/2006, entendo que houve homologação expressa dos requisitos legais, não podendo a administração alterar seu entendimento, salvo os casos previstos no art. 149 do CTN, em especial os incisos VII ou IX, mas ambos dependeriam de comprovação naio ralizada nos autos. Por fim, entendo que os canais amarelo e vermelho, no âmbito do despacho aduaneiro, se efetivam com o desembaraço aduaneiro por meio de ato administrativo que fixa critérios jurídicos os quais não poderiam ser alterados nos termos do art. 146 do CTN, ou seja, a autoridade responsável por analisar os documentos no momento do despacho aduaneiro entendeu que as certidões do FTGS e INSS não eram necessárias à obtenção do benefício, não poderia, posteriormente, a própria administração realizar nova exigência alterando o critério jurídico adotado no desembaraço. Diante desses argumentos, é que entendo que, cada um deles isoladamente, é bastante e suficiente para afastar as exigências perpetradas pelos autos de infração, motivo pelo qual DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Luiz Roberto Domingo Relator Voto Vencedor Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Redator Designado. Divergimos do I. relator quanto à exigência de Certidão Negativa de Débito (CND) do contribuinte beneficiado pela Lei nº 10.182/2001, como prova de quitação de tributos e contribuições federais, conforme exigido pelas Leis nº 9.069/95, nº 8.212/91 e nº 8.036/90. Entretanto, fazemos uma ressalva quanto à exigência, em procedimento de fiscalização aduaneira de zona secundária, dentro do instituto da revisão aduaneira, da CND para as declarações de importação desembaraçadas nos canais vermelho e amarelo de conferência aduaneira, em prestígio à autoridade competente (AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil) que efetuou a análise das declarações de importação parametrizadas para os referidos canais, que analisou ao menos documentalmente a operação de importação, inclusive a prova de regularidade supostamente feita ou julgada desnecessária por aquela autoridade. Entendemos que o desembaraço dos produtos importados representa tão somente a conclusão da conferência aduaneira, consoante o art. 51 do Decretolei nº 37/66, sendo que a conclusão do despacho aduaneiro ocorre apenas com a revisão aduaneira, nos termos de seu art. 54, verbis: DecretoLei nº 37/1966 [...] Seção II Conclusão do Despacho Art.54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste DecretoLei. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) No caso das declarações de importação parametrizadas para o canal verde, nenhuma conferência é efetuada, nenhuma análise da regularidade fiscal da beneficiária é feita. Fl. 4284DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, As sinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 10314.720711/201185 Acórdão n.º 3101001.373 S3C1T1 Fl. 9 13 Nessas operações de importações, o desembaraço significa apenas a entrega das mercadorias ao importador, que deve aguardar cinco anos, contados do registro da DI, para ter seu lançamento homologado. Durante esse período a operação de importação fica sujeita à revisão aduaneira, na qual poderão ser exigidos todos os documentos indispensáveis para comprovar a efetividade da operação e sua adequação à legislação em vigor à época da ocorrência do fato gerador, inclusive a prova de regularidade fiscal do beneficiário, como é o caso em análise, conforme exigido pelas Leis nº 9.069/95, nº 8.212/91 e nº 8.036/90. Entretanto, situação diversa ocorre nas importações parametrizadas para os canais amarelo e vermelho de conferência aduaneira, nos quais há presunção de conferência de documentos. Nesse caso, a comprovação da regularidade fiscal do beneficiário foi analisada pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pelo procedimento, que era a autoridade máxima para efetuar tal análise. Nos casos em questão, não me parece que tenha ficado provada a irregularidade da empresa por ocasião dos desembaraços, que presumidamente tiveram sua regularidade fiscal exigida e comprovada, tendo em vista que ao menos a conferência documental foi realizada. Não significa que as operações de importação não possam ser revistas, desde que observado o prazo decadencial, mas transferem o ônus da prova à fiscalização. Não foi o que ocorreu no presente caso, para as declarações de importação desembaraçadas nos canais vermelho e amarelo. Como presumidamente a análise da regularidade fiscal foi efetuada pela autoridade competente na conferência aduaneira, o procedimento revisional deveria apresentar provas de que essa análise não foi efetuada e que o beneficiário não apresentava situação fiscal regular. Não se trata de considerar a impossibilidade de revisão aduaneira para as declarações de importação parametrizadas para os canais amarelo e vermelho, cujos desembaraços aduaneiros, em nosso entendimento, não configuram a homologação expressa do lançamento do imposto de importação, afastando a aplicação do artigo 146 do CTN, que trata de impossibilidade de modificação de critério jurídico adotado pela autoridade administrativa no exercício do lançamento. No caso em analise, a revisão aduaneira é possível, mas o ônus da prova cabe à fiscalização, visto que na etapa anterior do despacho aduaneiro (conferência da mercadoria) presumidamente a prova de regularidade fiscal foi verificada. Também divergimos do I. relator quanto à aplicação do art. 62A do RICARF para decisão do STJ, em sede de recurso repetitivo, REsp 1041237/SP, que trata de exigência de CND no bojo de despacho aduaneiro de regime especial de drawback, porquanto o caso dos autos trata de exigência de CND nas importações beneficiadas com o regime automotivo. Concordamos com o I. relator quanto a não exigência de CND pela União para os benefícios da Lei nº 9.826/99. A suspensão do IPI prevista na legislação tributária são medidas de caráter excepcional instituídas pelo legislador a fim de preservar eventuais créditos tributários ainda não constituídos em face de situações especiais, até a consolidação do fato econômico final, situação esta que ensejará a exigência do tributo ou a aplicação de isenção ou outro benefício fiscal. Na suspensão do IPI, o crédito tributário não é constituído, ficando sujeito à implementação de uma condição à qual foi subordinada pelo legislador. Não se trata da suspensão prevista no artigo 151 do Código Tributário Nacional, que visa suspender a exigibilidade do crédito tributário já constituído através de lançamento regularmente efetuado. A caracterização da suspensão do IPI depende da verificação do fato econômico final: pode ser apenas uma postergação do recolhimento do tributo com ganhos Fl. 4285DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, As sinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 14 apenas financeiros ou pode se tornar um verdadeiro benefício fiscal quando a fase subsequente não esteja sujeito à tributação (isenção ou alíquota zero) ou mesmo sujeita a uma alíquota inferior à prevista para a fase anterior, logicamente em situações similares em que não ocorreu a suspensão. Portanto, a suspensão pode caracterizarse como um benefício fiscal, desde que a tributação futura seja inferior à tributação presente (sem a suspensão) ou caracterizarse como uma mera técnica arrecadatória, como o diferimento e a substituição tributária. Nesse caso o tributo não recolhido no primeiro momento será recolhido no segundo momento, não configurando em economia fiscal. O STJ no Recurso Especial nº 419.744–PR, no Recurso Especial nº 415.921–PR, e no Recurso Especial nº 491.304–PR, referiuse à suspensão do IPI de que trata o art. 5º da Lei nº 9.826/99, como “benefício da suspensão do IPI”, sem, entretanto, entrar no mérito sobre a natureza jurídica do instituto da suspensão. O artigo 5º da Lei nº 9.826/99 trata tanto da saída em operação interna com suspensão quanto da importação de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados. A condição legal prevista na norma é a destinação do produto, inclusive importado, no emprego, pelo estabelecimento industrial adquirente, na produção de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes ou peças dos produtos autopropulsados; ou na montagem dos produtos autopropulsados. A aplicação da suspensão do IPI é obrigatória para aqueles casos referidos na norma. Não se trata de uma faculdade do contribuinte, mas de um mandamento: [...] serão desembaraçados com suspensão do IPI quando importados diretamente por estabelecimento industrial (§ 1º do Art. 5º da Lei nº 9.826/99 – grifo nosso). Na suspensão do IPI de que trata o artigo 5º da Lei nº 9.826/99, literalmente a norma determinou sua condição, qual seja, a destinação do item importado para a produção de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes ou peças dos produtos autopropulsados, ou na montagem dos produtos autopropulsados. Claramente a norma está referindo a condição relativa ao fato gerador da obrigação tributária e destinação, de natureza objetiva. Não é o caso de condições pessoais de seu destinatário, ao menos diretamente. Sendo a suspensão do IPI uma técnica fiscal, ou sendo a suspensão do IPI um benefício ou incentivo fiscal, mas concedido em caráter objetivo, não nos parece adequada a exigência de prova da regularidade fiscal do importador. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário para manter a exigência de Imposto de Importação para as Declarações de Importação sujeitas ao Canal Verde de Conferência Aduaneira; e por dar provimento ao recurso voluntário para excluir da autuação a exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados e para excluir da autuação a exigência de Imposto de Importação para as Declarações de Importação sujeitas aos demais canais de Conferência Aduaneira. Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 4286DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, As sinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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Numero do processo: 10880.913138/2009-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO NÃO QUITADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Um dos pressupostos essenciais à denúncia espontânea é a quitação do débito, sem a qual não há como caracterizar o instituto em evidência.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-003.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO NÃO QUITADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Um dos pressupostos essenciais à denúncia espontânea é a quitação do débito, sem a qual não há como caracterizar o instituto em evidência. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 31 38 /2 00 9- 11 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 6a Turma da DRJ São Paulo I (fls. 92/96 do processo eletrônico), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada contra o não reconhecimento do direito creditório pleiteado mediante declaração de compensação, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2001 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA Incumbe ao sujeito passivo, na forma da legislação em vigor, demonstrar por meio de documentação contábil idônea a existência do direito creditório informado em declaração de compensação. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA Não havendo provas da existência do crédito utilizado, devese negar homologação à compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Conforme relatado, o contribuinte formalizou declaração de compensação que, todavia, não foi homologada em virtude de o pagamento apontado como origem do crédito já haver sido integralmente utilizado para fins de quitação de débitos da interessada. Inconformado, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade onde alegou, em síntese: a) que a interposição do recurso em apreço suspende a exigibilidade do crédito tributário a que alude o despacho decisório, consoante dispõe o art. 151, inciso III, do CTN; b) que a RFB entendeu não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP porque não reconheceu o crédito declarado pela empresa em DCTF retificadora; Fl. 126DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10880.913138/200911 Acórdão n.º 3802003.370 S3TE02 Fl. 126 3 c) que não protocolou o PER/DCOMP na data de vencimento do tributo porque ainda não haviam sido disponibilizados o programa e as respectivas instruções de preenchimento, o que só viria a ocorrer mais tarde, com a edição da IN SRF n° 320, de 11/04/2003; d) além disso, não havia à época determinação legal para enviar o PER/DCOMP na referida data de vencimento, o que, em face dos princípios da proporcionalidade e da moralidade, aos quais se subordina a Administração Pública, afasta a possibilidade de exigir da empresa multa e juros; e) em suma, não tendo havido nenhuma lesão aos cofres federais, a eventual exigência de multa e juros de mora por mero erro formal acarretaria o enriquecimento ilícito da Fazenda Pública; f) a revelarse insuficiente a argumentação acima, resta assinalar que houve extinção do crédito tributário via compensação sem nenhum conhecimento ou ação do Fisco Federal, o que configura denúncia espontânea, situação que, nos termos do artigo 138 do CTN, exime a requerente da multa moratória, consoante atestam a jurisprudência e a doutrina referenciadas. A decisão de primeira instância, como já mencionado, indeferiu a manifestação de inconformidade, em síntese, com base na inexistência, nos autos, de qualquer documentação capaz de atestar a liquidez e a certeza do crédito tributário alegado. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 17/06/2011 (fls. 98). Inconformada, a mesma apresentou, em 19/07/2011, o recurso voluntário de fls. 99/119, onde reitera os argumentos aduzidos na primeira instância, requerendo, ao final, seja dado provimento ao seu recurso com a conseqüente homologação da compensação vislumbrada, bem como a exclusão de qualquer incidência tributária adicional decorrente da compensação realizada. É o relatório. Voto O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Conforme relatado, vêse que a contenda envolve aduzido direito creditório com base no qual o sujeito passivo formalizou declaração de compensação que, todavia, não foi homologada em virtude de o pagamento apontado como origem do crédito já haver sido integralmente utilizado para fins de quitação de débitos da interessada. Nos autos não está comprovada, minimamente, a existência do crédito reclamado. Conforme consignado na decisão de primeira instância, a recorrente não apresentou nenhuma documentação necessária à comprovação do reclamado direito, situação que se repete na presente instância recursal. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 A compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante compensação. Para tanto, não é suficiente a simples apresentação de DCTF retificadora, a menos que a mesma esteja lastreada por documentação idônea comprobatória do erro, o que não foi minimamente observado nos autos. A não comprovação da certeza e da liquidez dos reclamados créditos não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Com relação à pleiteada suspensão do crédito tributário objeto deste processo, ressaltese que tal está previsto no § 11 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, segundo o qual “a manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação”. Por sua vez, o inciso III do artigo 151 do CTN estabelece que suspendem a exigibilidade do crédito tributário, dentre outros, “as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo”. Consequentemente, muito embora, uma vez inadmitida a compensação pleiteada pela recorrente, seja legítima a cobrança dos créditos tributários que esta intentava extinguir por compensação, a exigência permanece suspensa até o fim da presente demanda administrativa, por força do inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional. No que diz respeito às alegações formalizadas pela interessada sobre a vigência das instruções normativas que tratavam da matéria e inerente aos acréscimos legais sobre os débitos em aberto, apresento, abaixo, as razões pelas quais entendo que também no que diz respeito aos aludidos argumentos não merecem ser acolhidas as alegações do sujeito passivo. Com a edição da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002 (publicada no DOU de 30/08/2002), posteriormente convertida na Lei nº 10.637, de 31/12/2002, o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 30/12/2002, ganhou nova redação segundo a qual as formas de compensação anteriormente existentes foram substituídas pela autocompensação declarada, efetuada mediante a entrega de Declaração de Compensação – DCOMP, onde deverão constar as informações sobre os créditos utilizados e os respectivo débitos compensados, com efeito extintivo do crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Essa nova forma de compensação passou a viger a partir de 1º/10/2002, conforme disposto no artigo 63, inciso I, da Medida Provisória nº 66/2002. A fim de disciplinar a nova sistemática inaugurada pela aludida Medida Provisória, a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 210, de 30/09/2002 (DOU de 1º/10/2002), a qual, em relação às datas a serem consideradas na compensação, estabeleceu o seguinte no que é relevante para a presente contenda: Art. 28. A compensação deverá ser efetuada considerandose as seguintes datas: Fl. 128DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10880.913138/200911 Acórdão n.º 3802003.370 S3TE02 Fl. 127 5 I do pagamento indevido ou a maior que o devido, no caso de restituição, ressalvadas as hipóteses seguintes; II do ingresso do pedido de ressarcimento, quando destinado à compensação com débito vencido; III do vencimento do débito, quando o pedido de ressarcimento houver ocorrido antes dessa data; [...] (grifo nosso) A redação do aludido artigo 28 da IN SRF nº 210/2002 foi alterada posteriormente pela IN SRF nº 323, de 24/04/2003, vigente a partir de 28/05/2003. Segundo a nova redação, “na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios [...] e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação”. Esta determinação ainda continua em vigor, nos termos do art. 431 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20/11/2012. Portanto, para fins de quitação de débito tributário em aberto sem a incidência dos encargos legais (juros de mora e multa de mora), a declaração de compensação deve ser apresentada até a data do vencimento do referido débito. Com efeito, vencido o débito e não quitado o mesmo incidem os correspondentes encargos previstos na lei. A partir de então o crédito tributário passa a ser constituído pelo principal acrescido de juros de mora e de multa de mora, não tendo a declaração de compensação apresentada posteriormente o caráter de desconstituir parcialmente aludido crédito pela exclusão dos encargos. Ademais, merece ser ressaltado que não existia nenhuma impossibilidade normativa ou técnica que viesse impedir a suplicante de apresentar o pedido de compensação. De fato, conforme ressaltado pela instância recorrida, muito embora e IN SRF nº 320/2003, que introduziu o procedimento eletrônico de declaração – versão 1.0 do PER/DCOMP – só tenha entrado em vigor em 14/05/2003, isso não justifica a inação do sujeito passivo, já que a matéria era regulada completamente pela IN SRF nº 210/2002, que previa a entrega da declaração em formulário de papel. Por fim, no que concerne à reclamada caracterização de denúncia espontânea, tal argumentação não pode ser acatada principalmente pelo fato de inexistir pressuposto essencial para a caracterização do instituto em tela, qual seja, o pagamento do tributo, como se depreende do disposto no artigo 138 do CTN, abaixo transcrito: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos 1 Art. 43 . Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 83 e 84 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo administrado pela RFB será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. § 2º Havendo acréscimo de juros sobre o crédito, a compensação será efetuada com a utilização do crédito e dos juros compensatórios na mesma proporção. § 3º Aplicamse à compensação da multa de ofício as reduções de que trata o art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, salvo os casos excepcionados em legislação específica. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (grifo nosso) Diante do não pagamento do tributo ou de sua quitação via compensação legítima, desnecessário tecer maiores comentários à respeito do assunto. Da conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 130DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 16175.000261/2005-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2001
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR N105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações
Numero da decisão: 2202-002.648
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos Rafael Pandolfo, Fabio Brun Goldschmidt e Pedro Anan Junior que acolhem a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro Antonio Lopo Martinez. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez (Presidente Substituto e Redator Designado).
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior, Marcio De Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite, Fabio Brun Goldschmidt
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR N105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos Rafael Pandolfo, Fabio Brun Goldschmidt e Pedro Anan Junior que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 17 5. 00 02 61 /2 00 5- 81 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 acolhem a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro Antonio Lopo Martinez. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez (Presidente Substituto e Redator Designado). (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior– Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior, Marcio De Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite, Fabio Brun Goldschmidt Fl. 168DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16175.000261/200581 Acórdão n.º 2202002.648 S2C2T2 Fl. 295 3 Relatório O recorrente contesta o auto de infração do imposto de renda apurado com base em depósitos bancários de origem não comprovada, efetuados em 2000, que resultou em imposto de R$ 255.915,94, mais multa de 75% e juros de mora, que elevam a exigência para R$ 652.611,23. Que teve como fundamento o artigo 42 da Lei 9.430, de 1996, tendo em vista que o contribuinte não apresentou os extratos bancários ou Requisição de Movimentações Financeiras – RMF. Devidamente cientificado do lançamento, o Recorrente apresenta, em síntese, os seguintes argumentos: 1) São inconstitucionais as normas que autorizam a Receita Federal a obter informações bancárias sem ordem judicial. 2) A Lei Complementar 105/2001, que autoriza a quebra do sigilo bancário pela Receita Federal, e a Lei 10.174/2001, que alterou a Lei 9.311/1996 que vedava a utilização dos dados da CPMF para constituição de crédito tributário, não poderiam ser aplicadas retroativamente para atingir fatos ocorridos em 2000, anteriormente a sua publicação. 3) Os depósitos bancários não podem servir de base para a presunção legal de rendimentos omitidos, pois seriam simples indícios que precisariam ser corroborados por outras evidências patrimoniais e de consumo para indicaram a ocorrência do fato gerador do tributo. Cita jurisprudência e súmula 182 do TFR. 4) Os depósitos em questão, realizados em 2000, decorrem de aplicações financeiras de anos anteriores, para as quais apresenta extratos (fls. 115/120). 5) Já havia decaído o direito de a Fazenda efetuar o lançamento, especialmente quando os depósitos se originaram de aplicações efetuadas em 1995, 1996 e 1999, época em que ocorrera efetivamente a disponibilidade jurídica de renda. A Delegacia de Receita Federal de Julgamento de Salvador, DRJ/SDR ao analisar a impugnação, decidiu por unanimidade de votos e manter o lançamento através do acórdão DRJ/SDR 1516.996 de 18 de setembro de 2008, consubstanciado na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. As normas que autorizam a comunicação à Receita Federal de informações bancárias e a sua utilização para fins de lançamento do crédito, referindose à produção de provas e aos poderes de investigação, aplicamse retroativamente todos os casos ainda não julgados. Lançamento Procedente . Devidamente cientificado dessa decisão, o contribuinte apresente tempestivamente recurso voluntário onde reitera os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16175.000261/200581 Acórdão n.º 2202002.648 S2C2T2 Fl. 296 5 Voto Vencido Conselheiro Pedro Anan Junior O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade portanto deve ser conhecido. Antes de adentrarmos ao mérito devemos analisar as preliminares suscitadas pelo Recorrente. Gostaria de destacar que o recorrente não recorreu da parte do lançamento referente a atividade rural. Nulidade Violação Sigilo Bancário A primeira preliminar a ser analisada diz respeito ao nulidade parcial do lançamento tendo em vista que a autoridade fiscalizadora, teria fundamentado o auto no artigo 42 da Lei 9.430, de 1996, onde teria ocorrido omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Por sua vez o Recorrente alega que tais informações só poderiam ser obtidas através de decisão judicial, desta forma teria ocorrido quebra no seu sigilo bancário de forma inadequada. O crédito tributário debatido no presente recurso tem como fundamento o art. 42, da Lei nº 9.430/95. Para chegar à comprovação da materialidade do tributo — depósitos bancários sem origem identificada — o Fisco utilizouse de Requisição de Informações de Informação Financeira — RMF (fls. 47, 50, 52, 54, 56, 58, 60, 62, 64, 68 e 70 do eprocesso), instrumento administrativo que teria como objetivo dar eficácia ao disposto na Lei Complementar nº 105/01, na Lei nº 9.311/96 e no Decreto nº 3.724/01. Ocorre que o PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, decidiu dar INTERPRETAÇÃO CONFORME A CONSTITUIÇÃO a esses atos normativos, de modo a considerar imprescindível a requisição ao Poder Judiciário de permissão para violar o sigilo de dados do contribuinte. O julgamento recebeu a seguinte ementa: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS Fl. 171DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. (RE 389808, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 15/12/2010, DJe086 DIVULG 09052011 PUBLIC 10052011 EMENT VOL0251801 PP00218 RTJ VOL00220 PP00540) A supracitada decisão teve como objetivo tanto conciliar a necessidade do Fisco de ter acesso a dados sigilosos para conseguir atingir seu desiderato, quanto preservar o sigilo de dados dos contribuintes e a inafastabilidade da jurisdição em matérias sensíveis à violação de direitos, garantias explicitadas nos incisos XII e XXXV, do art. 5º, da CF: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XII é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; XXXV a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito; O Supremo Tribunal Federal, portanto, ao enfrentar o tema ora apreciado, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, nem mesmo a inconstitucionalidade sem redução de texto. Simplesmente, analisando o ordenamento tributário brasileiro, adotou interpretação conforme a Constituição, fixando aos enunciados infraconstitucionais analisados um conteúdo deôntico compatível com a Carta Maior. Transcrevese, abaixo, trecho extraído do voto do Relator (acompanhado pela maioria dos demais Ministros), que explicita a técnica de julgamento aplicada: Assentando que preceitos legais atinentes ao sigilo de dados bancários hão de merecer, sempre e sempre, interpretação, por mais que se potencialize o objetivo, harmônica com a Carta da República, provejo o recurso interposto para conceder a segurança. Defiro a ordem para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto aos dados bancários do recorrente. COM ISSO, CONFIRO À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA – LEI Nº 9.311/96, LEI COMPLEMENTAR Nº 105/01 E DECRETO Nº 3.724/01 — INTERPRETAÇÃO CONFORME À CARTA FEDERAL, TENDO COMO CONFLITANTE COM ESTA A QUE IMPLIQUE AFASTAMENTO DO SIGILO BANCÁRIO DO CIDADÃO, DA PESSOA NATURAL OU DA JURÍDICA, SEM ORDEM EMANADA DO JUDICIÁRIO. (Destaque nosso, STF. RE 389.808/PR. Rel. Min. Marco Aurélio. Julg. em 15/12/10). Fl. 172DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16175.000261/200581 Acórdão n.º 2202002.648 S2C2T2 Fl. 297 7 A respeito do tema, deve ser repisado o conteúdo da cláusula de reserva de plenário, inserida no art. 97 do Texto Constitucional, abaixo transcrita: Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. A decisão proferida no âmbito do Recurso Extraordinário 389.808, embora tenha sido por maioria simples (5X4), foi dotada de quorum insuficiente à declaração de inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, que é de seis votos (maioria absoluta), conforme preceito constitucional acima reproduzido. Isso prova, matematicamente, que o desfecho do tema conferido pelo STF não implicou no reconhecimento de inconstitucionalidade dos enunciados infraconstitucionais analisados. Na realidade, conforme expresso no julgamento, o precedente referido realizou interpretação conforme a Constituição, técnica que, embora atue no mesmo plano significativo de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, dela se diferencia por não afastar significados, mas compelir a aplicação de uma interpretação específica, que torna o dispositivo analisado compatível com a Constituição. A sutileza é relevante. Basta verificar que, na interpretação conforme a Constituição, não se declara a inconstitucionalidade de qualquer enunciado ou significado a ele atribuído. A interpretação conforme a Constituição, portanto, não se confunde com a declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, como bem aponta o Professor e Ministro Gilmar Ferreira Mendes: Ainda que não se possa negar semelhança dessas categorias e a proximidade do resultado prático da sua utilização, é certo que, enquanto na interpretação conforme à Constituição se tem, dogmaticamente, a declaração de que uma lei é constitucional com a interpretação que lhe é conferida pelo órgão judicial, constatase, na declaração de nulidade sem redução de texto, a expressa exclusão, por inconstitucionalidade, de determinadas hipóteses de aplicação (Anwendungsfalle) do programa normativo sem que se produza alteração expressa do texto legal (MENDES, Gilmar Ferreira, Jurisdição constitucional: o controle abstrato de normas no Brasil e na Alemanha. 5 ed. – São Paulo: 2005, pp. 354355). Desse modo, concluise que: a) não existe dispositivo regimental que impeça o julgamento do tema pelo CARF, a partir da revogação realizada pela Portaria nº 545/13; b) o STF, ao enfrentar o tema em sede de jurisdição difusa, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer enunciado, aplicando a interpretação conforme a Constituição (que dispensou, inclusive, a cláusula de reserva de Plenário exigida pelo art. 97 da CF/88); c) não incide o óbice inserido no art. 26 – A do Decreto 70.235/72, pois o deslinde do feito dispensa qualquer reconhecimento de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, conforme desfecho conferido ao tema pelo STF, ao analisar o RE nº 389.808. Pelo Fl. 173DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 mesmo motivo, não se cogita de aplicação da Súmula nº 2 do CARF e do art. 62 – A do Regimento Interno do CARF; d) segundo a interpretação conforme a Constituição realizada pelo STF (RE nº 389.808), a requisição de informações financeiras é valida e seus dispositivos normativos, contidos na Lei Complementar nº 105/01, Lei 9.311/96 e Decreto 3724/01 vigentes, desde que ocorra a prévia autorização do Poder Judiciário. Reforçando uma diretiva óbvia e inerente ao devido processo legal, o art. 30, da Lei nº 9.784/99, determina que são inadmissíveis, no processo administrativo, as provas obtidas por meios ilícitos. O dispositivo busca retirar os incentivos para que os agentes públicos desviemse dos procedimentos regulares, através da inutilização de seu trabalho quando realizado de forma que contrarie o direito. A ilicitude da prova, no caso, é corolário lógico da incompatibilidade da sua obtenção com os ditames fixados pelo STF, em interpretação conforme a Constituição. A constituição válida do crédito tributário exige prova da materialidade revelada através de procedimento válido perante o ordenamento jurídico pátrio. Malgrado essa hipótese, não há obrigação tributária pela ausência de prova que, validamente, ratifique o conceito de fato previsto na hipótese normativa tributária. Ressalto a importância do tema em questão, dentro de um estado democrático de direito. A regra positivada em nosso ordenamento tem origem na doutrina e jurisprudência americanas (exclusionary rules, caso Elkins v. United States), que consolidaram o entendimento segundo o qual o Estado, enquanto defensor dos direitos fundamentais, terá como Pírrica toda vitória obtida com base na violação desses Direitos, pois, com o pretexto de vencer uma batalha contra um ilícito isolado, leva à bancarrota o próprio Estado Democrático de Direito que almeja proteger1. Ocorre que não só as provas obtidas ilicitamente são vedadas, como também aquelas que delas se derivam. A doutrina do “fruit of the poisonous tree”, ou simplesmente “fruit doctrine” – “fruto da árvore envenenada”, aplicada primeiramente na jurisprudência americana (caso Silverthine Lumber Co. v. United States), estabelece que as provas obtidas por meios ilícitos contaminam aquelas delas decorrentes. Assim, tanto as conclusões decorrentes dos dados bancários obtidos através da quebra ilegal do sigilo, quanto os outros elementos probatórios que deles originamse, são fruto da prova que restou contaminada pela ausência de requisição prévia ao poder judiciário para quebra do sigilo bancário. Como visto, a finalidade do art. 30, da Lei nº 9.784/99 é coibir os abusos estatais através da inutilização dos efeitos dos atos ilícitos cometidos por seus agentes. Dessa forma, qualquer prova que tenha sido produzida à margem do critério definido pelo STF revelase estéril ao nascimento válido da obrigação tributária. Na hipótese, somente foi possível a constituição do crédito tributário com base no art. 42 da Lei nº 9.430/95, através das provas obtidas junto às instituições financeiras por meio de quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial ou do titular da conta bancária. Ou seja, se a fiscalização não houvesse expedido a RMF, não teria concluído pela omissão de rendimentos, e não teria lavrado o auto de infração sob esse argumento. 1 COSTA ANDRADE, Manuel da. Sobre as proibições de prova em processo penal. Coimbra: Coimbra Editora, 1992. p. 73. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16175.000261/200581 Acórdão n.º 2202002.648 S2C2T2 Fl. 298 9 Sendo assim, entendo que as seguintes infrações devem ser excluídas, pois carecem de materialidade obtida no seio de um devido processo legal (conforme entendimento adotado pelo STF): Diante do exposto acolho a preliminar de nulidade parcial suscitada pelo Recorrente. Mérito OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – PRESUNÇÃO. Parte do auto de infração elaborado pela autoridade lançadora teve como base o artigo 42, caput e §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” Nos termos da referida norma legal presumese omissão de rendimentos sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. No presente caso foi comprovado através de documentação e provas que a Contribuinte é titular das contas bancária, sendo que o lançamento foi efetuado a partir da presunção relativa de omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários de origem não demonstrada, nos termos artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Não houve demonstração por parte da Contribuinte através de provas hábeis, a origem dos valores depositados na sua conta bancária, sendo que o mesmo foi intimado para demonstrar que os valores depositados em sua conta bancária não representam rendimentos omitidos. Desta forma verificase que os depósitos bancários que formaram a base de cálculo do auto de infração são valores que foram movimentados e não foram oferecidos a tributação, não havendo nenhuma evidência de que alguma dessas importâncias foram declaradas pela Contribuinte ou têm natureza isenta, uma vez que a Contribuinte nada trouxe para esclarecer e comprovar a origem dos referidos depósitos. Podemos concluir que o Contribuinte não conseguiu demonstrar que não houve omissão de rendimentos, pois não apresentou nenhum documento ou prova que comprovariam que os depósitos efetuados em sua conta bancária possuíam origem isenta ou já submetida à tributação. Simplesmente alega que os valores objeto do auto de infração não são de sua titularidade. Desta forma, é devida a presente tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Diante do exposto conheço do recurso e no mérito nego provimento ao recurso apresentado pelo Recorrente. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 176DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16175.000261/200581 Acórdão n.º 2202002.648 S2C2T2 Fl. 299 11 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Redator designado Este voto direcionase exclusivamente a preliminar de prova ilícita por quebra do sigilo bancário, ponto na qual divirjo do Conselheiro Relator. Inobstante o bem fundamentado voto do Relator, entendo que ao apreciar a questão da licitude da prova estamos essencialmente enfrentando uma questão preliminar. O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às Fl. 177DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, Fl. 178DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16175.000261/200581 Acórdão n.º 2202002.648 S2C2T2 Fl. 300 13 devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova por quebra do sigilo bancário. (Assinado Digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Redator Designado Fl. 179DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10480.722203/2009-03
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
Multa De Ofício. Descabimento. Natureza Confiscatória. Inconstitucionalidade
Não pode órgão integrante do Poder Executivo deixar de aplicar penalidade prevista em lei em vigor, cuja inconstitucionalidade não foi reconhecida pelo STF.
(Súmula nº 02 do CARF)
As despesas pré-operacionais são amortizáveis, por beneficiarem mais de um período, no caso de instalações, à razão de 10% ao ano, iniciando-se a contagem quando do início das operações. A dedutibilidade do valor total em um só ano enseja a autuação para que a diferença do excedente seja adicionado ao lucro líquido do período.
Despesas Indedutíveis. Ação Condenatória. Litigância de Má-fé. Danos Morais.
Os valores pagos a terceiros em virtude de ação condenatória cível somente serão considerados despesas operacionais dedutíveis se usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa, ou se necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora.
Lucro Real. Princípio da Competência.
O princípio da competência consiste no fato de que as receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado da empresa no período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento.
Despesas Incorridas. Conceito.
A ocorrência de fato relativo a uma despesa ou custo obriga a contabilização do mesmo, independentemente do seu efetivo pagamento.
Numero da decisão: 1801-002.000
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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PROVA. ÔNUS. É ônus do contribuinte fazer prova da realização de despesas com benfeitorias em imóveis de terceiros, mediante a apresentação de documentos hábies, tais como Notas Fiscais de Comércio e de Prestação de Serviços, a fim de comprovar o efetivo custo e ser devida e correta a amortização. DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO. DESPESAS PRÉ OPERACIONAIS. COEFICIENTE. PRAZO. As despesas préoperacionais são amortizáveis, por beneficiarem mais de um período, no caso de instalações, à razão de 10% ao ano, iniciandose a contagem quando do início das operações. A dedutibilidade do valor total em um só ano enseja a autuação para que a diferença do excedente seja adicionado ao lucro líquido do período. DESPESAS INDEDUTÍVEIS. AÇÃO CONDENATÓRIA. LITIGÂNCIA DE MÁFÉ. DANOS MORAIS. Os valores pagos a terceiros em virtude de ação condenatória cível somente serão considerados despesas operacionais dedutíveis se usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa, ou se necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. LUCRO REAL. PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA. O princípio da competência consiste no fato de que as receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado da empresa no período em que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 22 03 /2 00 9- 03 Fl. 983DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. DESPESAS INCORRIDAS. CONCEITO. A ocorrência de fato relativo a uma despesa ou custo obriga a contabilização do mesmo, independentemente do seu efetivo pagamento. 1 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar a autuação reflexa de CSLL. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PERÍCIA. INDEFERIMENTO. NULIDADE DA DECISÃO. Motivado o indeferimento do pedido de perícia pela turma julgadora a quo, não há que se invocar o cerceamento de defesa. A turma julgadora é livre para forma sua convicção quanto à necessidade ou não da realização de provas para dirimir o litígio administrativo fiscal, podendo indeferir o pedido formulado pelo contribuinte (art. 18, caput, PAF) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE Não pode órgão integrante do Poder Executivo deixar de aplicar penalidade prevista em lei em vigor, cuja inconstitucionalidade não foi reconhecida pelo STF. (Súmula nº 02 do CARF) 1 http://www.normaslegais.com.br/cont/contabil090606.htm Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Fl. 984DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10480.722203/200903 Acórdão n.º 1801002.000 S1TE01 Fl. 3 3 Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1133.856/11 exarado pela Terceira Turma de Julgamento da DRJ em Recife/PE, fls. 778 a 785, que decidiu julgar procedentes em parte os lançamentos tributários consubstanciados nos Autos de Infração lavrados para as exigências de IRPJ e CSLL, relativos ao anocalendário de 2005. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “[...] De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 605 a 614), o lançamento decorreu de: a) dedução de despesas não comprovadas — o que motivou a sua glosa; b) adição não computada na apuração do lucro real; e c) falta de recolhimento de estimativas mensais do imposto e da contribuição — o que deu ensejo ao lançamento de multa isolada. Apresentouse impugnação, às fls. 883 a 1.003, contrapondose, · a glosa de despesas teria sido indevida, o que restaria evidenciado de uma análise mais minuciosa dos registros contábeis, o que não teria sido feito na autuação. Os gastos com benfeitorias em imóvel de terceiro estariam comprovados ante a existência de cheques relativos aos concernentes pagamentos, ante os registros contábeis e "pela existência física da edificação" (fl. 623); · não teria havido falta de adição ao lucro líquido, para efeito do cálculo do lucro real, valor de R$ 773.993,70, relativo a acordo de demanda judicial, porquanto "o fato gerador que definiu a existência dessa despesa" teria ocorrido "na sentença do juiz", em 2005, pelo que seus efeitos não poderiam retroagir; · a exigência de multa isolada, por falta de pagamento de estimativas, seria indevida após o período de apuração, bem assim quando o somatório das estimativas supera o tributo apurado no final do período. As estimativas não teriam sido recolhidas à conta de terem sido levantados balancetes mensais "demonstrando haver prejuízos". [...] VOTO Da glosa de despesas. Consoante termo de verificação fiscal, à conta de não terem sido comprovados gastos com benfeitorias em imóveis de terceiros, no valor de R$ 1.562.183,01, supostamente efetuados nos anos de 2002 e 2003; de a base utilizada para apurar encargos de amortização decorrentes de gastos préoperacionais não corresponder à registrada na contabilidade, tampouco à apurada por meio do detalhamento de gastos apresentados pelo contribuinte; e de não terem sido comprovadas despesas pré operacionais (administrativas, vide fl. 152), supostamente realizadas no ano de 2003, Fl. 985DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 no montante de R$ 753.701,26, glosaramse os respectivos encargos de amortização, no anocalendário de 2005, nos montantes de R$ 196.472,70 (= 625.450,56 428.977,86, vide quadro da fl. 608) e de R$ 252.785,57 (vide quadro da fl. 609). De acordo com a defesa, a comprovação dos gastos restaria evidenciada ante a existência da construção em terreno arrendado — apresentouse contrato de arrendamento , no dizer de suas palavras: "é sabido que a referida edificação / construção não brotou do solo e, portanto, teve todo um montante de gasto composto de compra de materiais de construção e contratação de serviços de terceiros desde a elaboração do projeto, passando pela terraplenagem, fundações e construção de terminal portuário para armazenagem de cargas". Demais, teria havido erro na análise da conta de "adiantamentos de despesas a apropriar" (gastos com serviços contratados) e da conta "valores a classificar". Na primeira (R$ 560.505,28), teriam sido registrados adiantamentos a fornecedores, que, posteriormente, prestariam conta por meio da emissão da respectiva nota fiscal de serviços; os pagamentos estariam comprovados "conforme demonstrado e informado na própria relação feita pelo fiscal onde estão relacionados os cheques". Na segunda (R$ 1.001.677,73), o valor teria sido transferido da conta 221.010.02 03670 da Mercotex do Brasil S.A. — que, à época, "sócia majoritária", financiado a construção das instalações da Suata , que teria sido impropriamente debitada com gastos relativos à Suata: "ao se verificar o erro, foi feita a transferência (razão anexo) para a conta valores a classificar que posteriormente recebeu o nome de serviços contratados". A comprovação estaria "na própria contabilidade nos valores lançados a débito da conta Mercotex onde estão discriminados registro por registro, informando o número do cheque e o valor que deu origem a esse montante e, dessa forma, por ser muitos valores encontrase a disposição do senhor auditor para, através de sua amostragem solicitar os documentos necessários as suas análises". Não é possível concordar com as razões da defesa. Antes de mais nada, não houve contraposição a não comprovação das despesas préoperacionais (administrativas), no montante de R$ 753.701,26, ou à base que se adotou para apurar os encargos de amortização, de sorte que persiste a glosa dos respectivos encargos de depreciação. Quanto aos encargos relativos aos gastos com benfeitorias em imóveis de terceiros, as explicações apresentadas efetivamente não consubstanciam documentos hábeis e idôneos a comprovar a sua existência. Para serem dedutíveis, as despesas, além de necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora1, devem ser comprovadas por meio de documentação hábil e idônea. Isso é o que se depreende da leitura dos arts. 276 e 923 do RIR, de 1999, verbis: [...] As contraposições que se apresentaram, como se vê, não inculcam a existência de documentos hábeis e idôneos comprobatórios dos referidos gastos (o que, por conseqüência, infirma a respectiva amortização): a existência física de edificação no terreno arrendado, os cheques relacionados na intimação, tampouco as notas fiscais relacionadas à fl. 623 (não há relacionálas com os gastos), e a insólita alegação de que os "valores a classificar", no montante de R$ 1.001.677,73, teriam advindo da contabilidade da Mercotex, que mantinha registro contábil dos concernentes gastos, com efeito, não atendem ao requisito — importa notar, a defesa não apresentou nenhuma dessas explicações no curso da ação fiscal. Da falta de "adição" ao lucro líquido, para efeito de cálculo do lucro real. Fl. 986DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10480.722203/200903 Acórdão n.º 1801002.000 S1TE01 Fl. 4 5 Consoante termo de encerramento, fora deduzida indevidamente como despesa, no anocalendário de 2005, a totalidade do valor pago à empresa Constranscol Ltda (R$ 816.000,00), decorrente de sentença judicial, pois que parte da dívida tratase de benfeitorias realizadas em imóvel de terceiro no ano de 2001 (construção de Terminal Retroportuário em Suape), quando a interessada encontravase em fase préoperacional, motivo por que deveriam ter sido ativados e deduzidos em 10 anos (prazo do contrato de arrendamento), particularidade reconhecida na autuação quanto ao anocalendário de 2005 — consideraramse as parcelas dedutíveis da dívida (vide tabelas das fls. 610 e 611). Segundo a defesa, "a premissa básica" era que essa dívida não existiria e, portanto, não poderia ser registrada como despesa préoperacional, "já que sua liquidez seria duvidosa". Dado que "o regime que reza o registro contábil e fiscal é o da competência, ou seja, a despesa deve ser registrada quando incorreu", e o "fato gerador que definiu a existência dessa despesa ocorreu na sentença do juiz em 2005 e, dessa forma, ela passou a existir nesse ano", seus efeitos não poderiam retroagir para 2001. O argumento não se sustenta. Como ressaltado no termo de verificação fiscal, resta evidente que parte da importância paga em virtude da sentença judicial decorreu de benfeitorias realizadas em imóvel de terceiro, em 2001, quando a empresa encontravase em fase préoperacional, o que implica em ativação De sorte que, malgrado o pagamento ter ocorrido em 2005, não há falar que o fato gerador da despesa ocorreu nesse ano — a sentença judicial, ao determinar o pagamento, reconheceu, de fato, que houve a prestação do serviço em 2001. [...] O certo é que não poderia ter sido deduzido, na íntegra, no ano de 2005, os valores pagos em virtude da decisão judicial. Mesmo por que parte do que foi pago, de antemão, é indedutível (danos morais e litigância de má fé, vide tabela da fl. 610), o que não se questionou. [...]” No que respeita à autuação das multas isoladas pela ausência de recolhimentos das estimativas mensais de IRPJ e CSLL, os lançamentos tributários foram reconhecidos como insubsistentes no acórdão de primeiro grau, em virtude da empresa ter levantado balanços de suspensão mensais nos quais apurou prejuízos em todos os meses de 2005. A empresa interpôs tempestivamente2 o Recurso de efls. 794 a 819, reiterando os termos da defesa exordial, em síntese, que não está prescrito o seu direito à restituição do indébito tributário. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. 2 AR – 02/05/12, efls. 788; Recurso – 30/05/12, efls. 794 Fl. 987DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. I) Da Preliminar – Nulidade do Acórdão Recorrido Preliminarmente, esclareçase à recorrente que a decisão de primeira instância não padece de qualquer vício que possa lhe imputar a nulidade aventada, sobretudo por cerceamento de defesa. Consoante dispõe o art. 420 do CPC aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal: Parágrafo único. 0 juiz indeferirá a perícia quando: I – a prova do fato não depender do conhecimento especial de técnico; II for desnecessária em vista de outras provas produzidas. Por outro giro, a empresa deixou de atender aos requisitos necessários A análise do pedido de perícia, previstos no Decreto if 70.235 de 6 de março de 1972, in verbis: Art.16. A impugnação mencionará: (.) IV as diligencias, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.” E dispõe sobre o indeferimento do pedido de provas o artigo 18, caput, do Decreto nº 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal – PAF: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993). (grifos não pertencem ao original) A despeito dos contribuintes terem o direito processual potestativo de solicitar perícias ou realização de diligências, estas podem, diante das circunstâncias de cada caso, serem consideradas desnecessárias para formar a convicção do julgador, sem que isto signifique ofensa ou prejudique a sua defesa. É o caso. Na Impugnação ao feito fiscal, a recorrente requer genericamente a produção de diligências em “livros e documentos fiscais” mas não especifica quais as verificações que pretende sejam realizadas. A referida Impugnação cita registros contábeis que já foram anexados em cópias pela própria impugnante. Fl. 988DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10480.722203/200903 Acórdão n.º 1801002.000 S1TE01 Fl. 5 7 Toda a escrituração contábil é ‘espelho’ das atividades comerciais e negociais da pessoa jurídica e deve estar comprovada em documentação hábil e idônea, consoante esclarecido no acórdão guerreado. Os procedimentos de perícias ou realização de diligências são custosos à Fazenda Nacional. A perícia não se aplica ao caso em concreto. E a realização de diligência – para que se verifique o documento correspondente ao registro contábil – deve, como foi, ser indeferida pois tratase de prova que a recorrente deveria possuir e passível de juntada aos autos, o que até o presente momento não foi, fazendo supor que não existe para ilidir a tributação imposta. Ressalto ainda, que o ônus probatório neste caso é da empresa autuada, visto que foi devidamente intimada no procedimento fiscal a apresentar a documentação sobre a qual embasa a escrituração contábil e que comprovaria os valores glosados, mas não o fez. Oportuno salientar que a própria empresa, no curso da fiscalização, negouse a apresentar a documentação solicitada pelo fiscal autuante, sob o pretexto que não estava obrigada a apresentar documentos de operações havidas há mais de cinco anos, embora tratava se de despesas de amortização a serem diferidas em dez anos em percentual incidente sobre os gastos préoperacionais. Tampouco o fez com a apresentação da impugnação ou com o recurso ora apreciado, insistindo em atribuir à mera escrituração contábil valor probatório que não possui. Daí que a verdade material já foi perquirida, desde a ação fiscal, e consiste em não existir documentos que justifiquem os valores escriturados contabilmente, objetos de glosa. Destarte, não se verifica a necessidade de diligência não especificada pela recorrente a ser realizada. A decisão de primeira instância não padece de qualquer vício que possa lhe imputar a nulidade aventada, sobretudo por cerceamento de defesa. II) Do Mérito II.a) Da Glosa de Despesas de Amortização e Benfeitorias em Imóveis de Terceiros A recorrente não apresenta os documentos correspondentes aos valores despendidos que invoca ao seu favor. Para modificar, ou cancelar, a presente autuação, a recorrente deveria apresentar documentação comprobatória convincente, sendo desarrazoado pretender que os registros contábeis, sem apresentar a documentação correlata às operações escrituradas, sejam suficiente e hábeis para comprovar os dispêndios incorridos. Apresentar a contabilidade sem documentação das operações realizadas é totalmente improfícuo. No exame da preliminar acima, discorreuse sobre o assunto, reprisandose que a própria empresa, no curso da fiscalização, negouse a apresentar a documentação solicitada pelo fiscal autuante, sob o pretexto que não estava obrigada a apresentar documentos de operações havidas há mais de cinco anos, cujos efeitos foram diferidos no futuro – efls. 158. Descabida a argumentação de que cabe à fiscalização produzir a prova e juntála aos autos no caso de glosa de despesas, utilizadas como dedução do Lucro Real. Ora, o ônus é da empresa que escritura as despesas, comprovar as suas ocorrências, para o fim de diminuir o cálculo dos tributos devidos. Fl. 989DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 A obviedade da edificação construída em terreno alheio não é elemento capaz de traduzir o valor dos dispêndios realizados, mas a documentação hábil para isto consiste em contratos devidamente acompanhados de Notas Fiscais de Prestação de Serviços e/ou compra de materiais etc Por conseguinte, sem as provas hábeis (que lastreiam a contabilidade apresentada) correto o procedimento fiscal de glosar despesas redutoras do Lucro Real não comprovadas relativamente a valores incorridos e datas. Nada a reparar neste tópico nos lançamentos tributários, afastandose as contestações apresentadas pela recorrente. II.b) Falta de Adição ao Lucro Líquido – Ação Judicial Condenatória A recorrente deduziu o valor de R$ 816.000,00 no anocalendário de 2005, em virtude de sentença condenatória sofrida, pelo não pagamento de serviços prestados no ano de 2001 (autora da ação: Constranscol Ltda). Tais serviços foram prestados para a construção de um terminal retroportuário quando a recorrente estava em fase préoperacional. A fiscalização considerando a discriminação do referido valor condenatório e a natureza dos serviços prestados, tributou as parcelas consideradas como custos indedutíveis, adicionandoas ao lucro líquido do período da seguinte forma: “(...) Instrumento Particular de Transação Extintivo de Litígio Judicial (DOC ANEXO). A seguir indicase a composição da referida dívida: Discriminação Valor da Dívida (R$) Valor Liquidação (proporcional) Dedutibilidade na Apuração do Lucro Real 1) Danos Materiais 1 .a) Serv. Prest. construção do Terminal) 1 .b) Juros de Mora 1 .c) Atualização Monetária 326.661,11 154.237,20 102.920,62 69.503,29 282.383,55 133.330,99 88.970,16 60.082,41 Dedutível 10 anos Dedutível 10 anos Dedutível 10 anos Dedutível 10 anos 2) Danos Morais 326.661,11 282.383,55 Indedutível 3) Multa por Litigância de MáFé 130.664,44 112.953,42 Indedutível 4) Honorários Advocatícios 156.797,33 135.544,10 Dedutível 10 anos 5) Despesas Processuais 280,33 242,33 Dedutível 10 anos 6) Perito 2.883,94 2.493,03 Dedutível 10 anos Total 943.948,27 816.000,00 Parcela Dedutível em 10 anos (1 + 4 + 5 + 6) 420.663,02 Parcela Indedutível (2 + 3) 395.336,97 Conclui: “Logo, não restam dúvidas de que uma parte da importância paga em 2005 (R$ 420.663,02) foi em decorrência dos serviços realizados em 2001, na construção de um Terminal Retroportuário em Suape, quando a empresa encontravase em fase préoperacional. Tratamse, portanto, de gastos realizados em imóvel de terceiro (na fase préoperacional da empresa) os quais devem ser ativados, visto que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício fiscal, não devendo, pois, onerar apenas o resultado fiscal de 2005.” Fl. 990DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10480.722203/200903 Acórdão n.º 1801002.000 S1TE01 Fl. 6 9 A recorrente, por sua vez, alega que não pode retroagir os gastos a 2001, conforme raciocínio fiscal, pois só sofreu o dispêndio do valor determinado em sentença, efetivamente, em 2005. Não assiste razão à recorrente. Correto o procedimento fiscal em ativar os custos com a construção da edificação, submetêlos às regras de amortização pelo prazo de dez anos e aplicar o regime de competência, e não o de caixa, ou seja, os gastos em questão, apesar de não pagos, referemse a serviços prestados em 2001. A recorrente estava obrigada a contabilizar as despesas incorridas de forma simultânea à prestação dos serviços, ainda que não pagasse os valores cobrados pelos serviços. Princípio da Competência Considerações O princípio da competência consiste no fato de que as receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado da empresa no período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. 3 O Princípio da Competência determina que os efeitos das transações e outros eventos sejam reconhecidos nos períodos a que se referem, independentemente do recebimento ou pagamento. Isto pressupõe a simultaneidade da confrontação de receitas e de despesas correlatas (artigo 9º e parágrafo único da Resolução CFC 750, de 29/12/93). (...) O Decreto 3.000/99 (RIR/99) estabelece vários critérios contábeis, exigindo, para fins de tributação, a observância do período de competência, para fins de apuração do lucro real (artigo 247 e seus parágrafos e artigo 274). 4 Despesas incorridas, ao contrário do que a recorrente supõe: Como despesas incorridas, entendemse as relacionadas a uma contraprestação de serviços ou obrigação contratual e que, embora caracterizadas e quantificadas no períodobase, nele não tenham sido pagas, por isso figurando o valor respectivo no passivo da entidade. Segundo o princípio da competência, as receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. Portanto, a ocorrência de fato relativo a uma despesa ou custo obriga a contabilização do mesmo, independentemente do seu efetivo pagamento. 5 A respeito da amortização, dispõe o Regulamento do Imposto de Renda vigente (Decreto nº 3.000/99 – RIR/99): Art. 325. Poderão ser amortizados: [...] 3 http://www.iob.com.br/noticiadb.asp?area=contabil¬icia=22369 4 http://www.portaldecontabilidade.com.br/tematicas/provisao.htm 5 http://www.normaslegais.com.br/cont/contabil090606.htm Fl. 991DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 II os custos, encargos ou despesas, registrados no ativo diferido, que contribuirão para a formação do resultado de mais de um período de apuração, tais como: a) as despesas de organização préoperacionais ou pré industriais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 3º, alínea "a"); [...] § 1º A amortização terá início (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 3º): I no caso da alínea "a" do inciso II, a partir do início das operações; (grifos não pertencem ao original) A respeito da taxa a ser utilizada: Instrução Normativa SRF nº 162/98 alterada pela IN SRF nº 130/99 para inclusão de outros bens. 6 Anexo II Demais Bens Bens Prazo de vida útil (anos) Taxa anual de depreciação Instalações 10 10 % Mais correto, ainda, a discriminação dos valores condenatórios realizada pelo autor da ação fiscal e a adição ao lucro líquido da recorrente das verbas indedutíveis por recebidas a título de danos morais e multa por litigância de máfé. Dispõe o RIR/99: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Art. 300. Aplicamse aos custos e despesas operacionais as disposições sobre dedutibilidade de rendimentos pagos a terceiros (Lei nº 4.506, de 1964, art. 45, § 2º). 6 http://www.fisconet.com.br/user/agenda/divisao_4_tabelas_praticas/contabilidade_01_depreciacao_bens_ativo_i mobolizado.htm Fl. 992DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10480.722203/200903 Acórdão n.º 1801002.000 S1TE01 Fl. 7 11 Pelo exposto, as contestações aos lançamentos tributários não procedem e nada a reparar na ação fiscal. No que respeita às considerações da recorrente quanto à multa de oficio aplicada no percentual de 75%, na forma regular, as argüições de inconstitucionalidade das normas tributárias em vigência, por possuir caráter confiscatório e pretensamente ofender princípios constitucionais, é defeso a este colegiado administrativo de julgamento se pronunciar sobre o assunto, sendo mansa e pacífica a jurisprudência firmada neste sentido, conforme se depreende da Súmula n. 02 editada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Destarte, tratandose de matérias sumuladas por este órgão, fica vedado a esta turma divergir do enunciado, nos termos do artigo 72, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09): Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Por derradeiro, o patrono da recorrente requer que as intimações, notificações e outros atos decorrentes do julgamento desta lide sejam encaminhados para a sua ciência, sob pena de nulidade. Este pleito não encontra respaldo no Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF), nem no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria do MF nº 256/09, não sendo passível de acolhida. No mais, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente. Por todo o exposto, voto, em preliminar, em afastar a nulidade suscitada pela recorrente, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 993DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 Fl. 994DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10580.720737/2009-69
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RRA EM VIRTUDE DE LEI ESTADUAL. APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE.
Quando os rendimentos recebidos acumuladamente decorrem de lei ordinária estadual, e não de decisão judicial, inaplicável o entendimento do STJ consubstanciado no julgamento do REsp nº 1.118.429, sob o rito do art. 543-C do CPC.
ILEGITIMIDADE DA UNIÃO. ART. 157, I, DA CF/88. IMPROCEDÊNCIA.
O art. 157, I da CF/88 trata de tema de direito financeiro, não afetando a competência exclusiva da União para legislar sobre o imposto de renda, inclusive quanto às respectivas hipóteses de isenção.
PARCELAS DECORRENTES DE DIFERENÇAS NA CONVERSÃO EM URV. MAGISTRADOS. BAHIA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. PRECEDENTES STJ.
O pagamento extemporâneo de diferenças advindas da conversão em URV a magistrados do Estado da Bahia não confere a essas parcelas natureza indenizatória. Precedentes reiterados, nesse sentido, do STJ.
JUROS DE MORA. ISENÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Não estando contemplados os juros moratórios com o benefício de isenção, incide o imposto de renda sobre verbas recebidas a esse título.
VIOLAÇÃO PRINCÍPIO DA ISONOMIA. SÚMULA CARF Nº 2.
A Resolução nº 245 do STF é pertinente ao abono variável concedido aos membros da magistratura federal, regrando situação sem identidade com a motivadora da irresignação do contribuinte.
Carece o colegiado de competência para apreciar alegação de violação ao princípio constitucional da isonomia, conforme Súmula CARF nº 2.
MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. ERRO ESCUSÁVEL INDUZIDO PELA. FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73.
Não cabe a aplicação da multa de ofício de 75% na hipótese de erro escusável, decorrente das informações equivocadas disponibilizadas pela fonte pagadora. Aplicação da Súmula CARF nº 73.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2802-002.955
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para tão somente excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Quando os rendimentos recebidos acumuladamente decorrem de lei ordinária estadual, e não de decisão judicial, inaplicável o entendimento do STJ consubstanciado no julgamento do REsp nº 1.118.429, sob o rito do art. 543 C do CPC. ILEGITIMIDADE DA UNIÃO. ART. 157, I, DA CF/88. IMPROCEDÊNCIA. O art. 157, I da CF/88 trata de tema de direito financeiro, não afetando a competência exclusiva da União para legislar sobre o imposto de renda, inclusive quanto às respectivas hipóteses de isenção. PARCELAS DECORRENTES DE DIFERENÇAS NA CONVERSÃO EM URV. MAGISTRADOS. BAHIA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. PRECEDENTES STJ. O pagamento extemporâneo de diferenças advindas da conversão em URV a magistrados do Estado da Bahia não confere a essas parcelas natureza indenizatória. Precedentes reiterados, nesse sentido, do STJ. JUROS DE MORA. ISENÇÃO. INEXISTÊNCIA. Não estando contemplados os juros moratórios com o benefício de isenção, incide o imposto de renda sobre verbas recebidas a esse título. VIOLAÇÃO PRINCÍPIO DA ISONOMIA. SÚMULA CARF Nº 2. A Resolução nº 245 do STF é pertinente ao abono variável concedido aos membros da magistratura federal, regrando situação sem identidade com a motivadora da irresignação do contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 07 37 /2 00 9- 69 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Carece o colegiado de competência para apreciar alegação de violação ao princípio constitucional da isonomia, conforme Súmula CARF nº 2. MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. ERRO ESCUSÁVEL INDUZIDO PELA. FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73. Não cabe a aplicação da multa de ofício de 75% na hipótese de erro escusável, decorrente das informações equivocadas disponibilizadas pela fonte pagadora. Aplicação da Súmula CARF nº 73. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para tão somente excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA) – DRJ/SDR, que julgou procedente Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) exigindo crédito tributário no valor total de R$ 160.826,66, relativo aos anoscalendário 2004, 2005 e 2006. Por bem resumir os fatos, peço vênia para reproduzir o relatório do acórdão recorrido: Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Fl. 141DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720737/200969 Acórdão n.º 2802002.955 S2TE02 Fl. 141 3 Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; e) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV; h) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o Fl. 142DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB. Foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que, em razão de jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visassem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, deveriam ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global. Após esclarecer que a diligência fiscal ficou prejudicada com a edição do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.331/2010, de 26 de outubro de 2010, que concluiu pela suspensão das medidas propostas pelo Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009 até que a questão seja apreciada pelo Supremo Tribunal Federal, a instância recorrida proferiu acórdão assim ementado: DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 4/5/2011, repisando os argumentos aduzidos quando da impugnação, alegando, ainda: a nulidade do auto de infração, dado que o cálculo do imposto de renda deveria ser sido feito com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias da percepção dos rendimentos, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça; a não incidência do imposto sobre os juros moratórios, dada a sua natureza indenizatória; violação ao princípio constitucional da isonomia, pois como não houve tributação das indenizações paga aos magistrados federais sobre verbas pagas a título de URV, tampouco poderiam os membros da magistratura estadual sofrer o gravame. O processo foi sobrestado nos termos da Resolução nº 2201000777, exarada pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF em sessão de julgamento realizada no dia 15/8/2012 (fls. 135/138). Foi decidido então que o caso versava sobre matéria acerca da qual havia repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, a saber, rendimentos recebidos acumuladamente por pessoa física e constitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, aplicandose, por conseguinte, os §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF (RICARF). Com a revogação desses parágrafos pela Portaria Ministério da Fazenda nº 545, de 18 de novembro de 2013, sem respaldo quedou o sobrestamento do feito, que foi redistribuído em 15/5/2014 a este Conselheiro para apreciação, o que passo a realizar. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720737/200969 Acórdão n.º 2802002.955 S2TE02 Fl. 142 5 É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Nulidade. A contribuinte defende a nulidade do lançamento, por ter este apurado de forma inadequada a base de cálculo do imposto, a qual, a seu ver, deveria ter sido feita com suporte nas tabelas e alíquotas próprias da percepção dos rendimentos, citando, nesse sentido, acórdãos do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O exame dos precedentes desse sodalício a respeito da matéria revela que a jurisprudência que restou consolidada sob o procedimento do art. 543C do CPC no julgamento, pela Primeira Seção, do REsp nº 1.118.429/SP (Relator Min. Herman Benjamin, DJe de 14/5/2010), se refere, de maneira uníssona, a rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de decisão judicial. Trago, a título de ilustração, ementa do REsp nº 852.333/RS, julgado em 18/3/2008, que assim explicita: TRIBUTÁRIO. FORMA DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE SOBRE OS RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM VIRTUDE DE DECISÃO JUDICIAL. 1. Este Superior Tribunal de Justiça consolidou a jurisprudência no sentido de que, no cálculo do Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de decisão judicial, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos. 2. Recurso especial desprovido. (STJ, REsp nº 852333/RS, 2ª Turma, Relator Ministro Carlos Fernando Mathias, p.DJe 4/4/2008) (grifei) No caso concreto, a percepção dos rendimentos sujeitos à autuação teve como fonte direta, não decisão do poder judicante, mas sim a Lei Ordinária Estadual nº 8.730, de 8 de setembro de 2003, mais precisamente o seu artigo 4º: Art. 4º As diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias nos. 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal, serão apuradas, mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de julho de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Resta assim inadequada a referência à precitada jurisprudência, e escorreito nesse aspecto o lançamento pautado no art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Da ilegitimidade da União. Sem razão a contribuinte. A União detém competência exclusiva para legislar sobre o imposto de renda, inclusive no que tange à amplitude de incidência e hipóteses de isenção do tributo, por força do art. 153, III da Constituição Federal de 1988 (CF), c/c os arts. 7º, caput e 6º, parágrafo único, do Código Tributário Nacional (CTN). O art. 157, I da CF, invocado pela autuada para defender a tese da ilegitimidade da União no caso em análise, traduz disposição que trata de matéria diversa, a repartição das receitas tributárias, na sua essência, tema afeto ao direito financeiro. A rigor, apenas limitada faceta da capacidade tributária ativa da União foi delegada ao ente político diverso, qual seja, a atribuição de arrecadar o imposto por meio de retenção na fonte sobre as remunerações pagas aos seus servidores. Não havendo sido retido o tributo pelo ente federativo ao qual competia tal feito, seja por que razão, exsurge de plano a competência da União para exigir o imposto da pessoa física que auferiu os rendimentos, caso esta não os tenha recolhido em conformidade com a legislação. Calha lembrar, nessa senda, o teor da Súmula CARF nº 12: Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Da natureza das parcelas recebidas a título de URV. Acolho o entendimento de que a recomposição de diferenças remuneratórias, decorrentes da conversão de índices acontecida quando do advento do Plano Real, não adquire feição indenizatória pelo mero transcurso de tempo para o seu adimplemento. Pelo contrário, sendo as parcelas oriundas de erro na conversão de índices utilizados para o cálculo de reajustes salariais, seu pagamento, ainda que a destempo, é fato gerador do imposto de renda, adequandose a situação ao previsto no inciso I do art. 43 do CTN. Vicejam precedentes nesse sentido, aliás, no âmbito do STJ, dos quais trago a seguinte ilustração: TRIBUTÁRIO. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. SERVIDOR PÚBLICO. PARCELAS RECEBIDAS ADMINISTRATIVAMENTE COM ATRASO. ÍNDICE DE 11,98%, URV. VERBA REMUNERATÓRIA . INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA E DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RESOLUÇÃO 245 STF. INAPLICABILIDADE. 1. A jurisprudência do STJ é pacífica no sentido de que os valores recebidos pelos servidores públicos, oriundos de pagamento de diferença da URV, não têm natureza indenizatória, mas sim salarial, pois incorporamse ao seu patrimônio, constituindose, assim, em fato gerador da incidência do Imposto de Renda, nos moldes do art. 43 do CTN. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720737/200969 Acórdão n.º 2802002.955 S2TE02 Fl. 143 7 2. A Resolução Administrativa 245 do Supremo Tribunal Federal é inaplicável ao caso. A mencionada norma faz referência ao abono variável concedido aos magistrados pela Lei 9.655/1998, e não à parcela correspondente aos 11,98% em favor dos servidores públicos estaduais. 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no RMS nº 27.614/RS, 2ª Turma do STJ, Rel. Ministro Herman Benjamin, DJe 13/3/2009). Vale observar, por fim, que o art. 5º da Lei Estadual nº 8.730/03, ao gizar que “são de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 4º desta Lei, a saber, as diferenças decorrentes de conversão de remuneração para URV”, veiculou prescrição que em nada interfere na incidência do imposto de renda sobre tais verbas. Como bem regra o § 4º da Lei nº 7.713/88, a tributação independe da denominação dos rendimentos, bastando que o benefício para o contribuinte se consubstancie em acréscimo patrimonial. Dos Juros de Mora A nãoincidência do imposto de renda sobre os juros de mora legais foi matéria decidida pela 1ª Seção do STJ, em sede de recursos repetitivos no REsp nº 1.227.133, porém tãosomente para os casos em que a verba principal possui natureza trabalhista, o que restou esclarecido no julgamento dos respectivos embargos: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL NA EMENTA DO ACÓRDÃO EMBARGADO. Havendo erro material na ementa do acórdão embargado, devese acolher os declaratórios nessa parte, para que aquela melhor reflita o entendimento prevalente, bem como o objeto específico do recurso especial, passando a ter a seguinte redação : "RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido." Embargos de declaração acolhidos parcialmente. (REsp nº 1.227.133/RS, 1ª Seção do STJ, Relator Ministro Cesar Asfor Rocha, DJe 2/2/2011 Para as demais situações, convém frisar, não houve apreciação do tema sob o prisma do rito do art. 543C do CPC. A 1ª Seção do STJ, no entanto, aprofundou o tratamento do assunto no posterior julgamento do REsp nº 1.089.720/RS, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques (DJe de 28/11/2012), conforme exegese acerca da qual, ainda que não Fl. 146DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 submetida ao rito dos recursos repetitivas, cabe fazer a devida referência por representar o posicionamento consolidado desse Superior Tribunal sobre a questão. Segundo esse entendimento, a regra geral é a incidência do imposto de renda sobre os juros de mora, com esteio no art. 16, caput e parágrafo único da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, havendo somente duas exceções: exceção 1 os juros de mora, no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (perda de emprego), gozam de isenção de imposto de renda, ainda que a verba principal não seja isenta (tese já pacificada no REsp nº 1.227.133, acima referido); exceção 2 – os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou não tributável são correspondentemente isentos do imposto de renda, em conformidade com a regra de que o acessório segue o principal. Exsurge de plano a inadequação da caso concreto às duas exceções ao norte referidas, ensejando, assim, a tributação dos juros de mora percebidos pela contribuinte. Não bastasse tais considerações, notese que, mesmo se admitindo, consoante a jurisprudência prevalecente, que os juros moratórios têm natureza indenizatória, não constituem eles, na situação em comento, em ressarcimento de qualquer espécie de dano emergente ocorrido, ou na recomposição de um status quo dantes detido. A realidade que se faz conhecer, ao cabo, é que da percepção dos juros em tela resulta efetivo acréscimo patrimonial em favor da contribuinte, incidindo sobre aquele, à míngua de benefício isentivo, o imposto de renda, com esteio no art. 43 do Código Tributário Nacional, nos §§ 1º e 4º do art. 3º da Lei nº 7.713/88, e no inciso XIV do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99): Art.55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, §2º, inciso IV, e 70, §3º, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Da violação ao princípio constitucional da isonomia. No que se refere às alegações de quebra do princípio da isonomia, vale transcrever a seguinte passagem do acórdão de nº 2802002.778 desta Turma Especial, de 19 de Março de 2014, o qual passa, com a devida vênia, a integrar a presente fundamentação: (...) para o caso concreto é relevante citar que tratase de pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu a Lei Ordinária Estadual n° 8730, a qual o Recorrente tenta equivaler à verba paga aos magistrados federais e estendida aos Procuradores da República. Sendo certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto de Resolução administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional curvouse ao entendimento do STF, este manifestado em expediente administrativo interna corporis, e passou a tratar essa verba como isenta. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720737/200969 Acórdão n.º 2802002.955 S2TE02 Fl. 144 9 Destaco que a verba objeto da Resolução STF nº 245/2005 foi o abono previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002. Este abono alcançou unicamente a Magistratura Federal, cuja Lei que o criou estabelece que: “Art. 6º Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1º de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Ao passo que os arts. 4º e 5º da Lei Ordinária Estadual n° 8730, dispõe: “Art. 4º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias de nº 613 e 614, julgadas procedentes pelo supremo Tribunal Federal, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei.” Com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei ordinária do Estado da Bahia ora examinada. A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Já a verba percebida pelo Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporaneamente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição da natureza do rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Ademais, merece ser observado que a alegação de violação ao princípio constitucional da isonomia – art. 150, II, da CF é matéria acerca da qual carece competência a este colegiado para apreciar, nos termos da Súmula CARF nº 2, c/c o art. 72 do RICARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Da Multa de Ofício No que se refere à incidência da multa de ofício, considero plausível a alegação da autuada de que incorreu em erro escusável ao classificar os rendimentos em questão como isentos e não tributáveis, dado o teor das informações que lhe foram Fl. 148DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 disponibilizadas pela fonte pagadora. Nesse toada, afasto o gravame aplicando o entendimento constante na Súmula CARF nº 73, c/c o art. 72 do RICARF: Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Ressaltese, por oportuno, que a exclusão da multa de ofício não implica na exigência substitutiva da multa de mora, eis que ambas possuem o caráter de penalidade, e neste voto se reconhece que o contribuinte agiu de boa fé, não podendo lhe ser imputado nenhum ilícito que merece tal imposição, na exata medida em que não se reconhece no crédito tributário natureza de pena. Ante o exposto, voto pela rejeição das preliminares suscitadas, e, no mérito, no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, excluindo do lançamento contestado a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), sem o restabelecimento da multa de mora. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 149DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10675.721241/2011-78
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§ 1º e 2º, do Regimento do CARF.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§ 1º e 2º, do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 6ª Turma da DRJ/JFA (Fls. 268), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: O contribuinte acima identificado insurgiuse contra o lançamento consubstanciado no Auto de Infração de folhas 02 a 10, relativo aos anocalendário 2006 e 2007, da qual tomou ciência em 15/04/2011, que apurou crédito tributário total de R$ 278.294,95. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .7 21 24 1/ 20 11 -7 8 Fl. 433DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10675.721241/201178 Resolução nº 2801000.227 S2TE01 Fl. 434 2 Motivou o lançamento a constatação de omissão de rendimentos tributáveis caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, com a seguinte descrição dos fatos: 1. foi lavrado em 06/09/2010 o Termo de Início de Ação Fiscal intimando o fiscalizado a apresentar os extratos bancários de contas correntes, de poupança, de investimentos e aplicação financeiras que deram origem à movimentação financeira nos anoscalendário 2006 e 2007; 2. diante da conduta omissa do contribuinte em apresentar os extratos bancários, foi emitida a Requisição de Informações sobre a Movimentação Financeira diretamente às instituições financeiras para obtenção dos documentos; 3. de posse dos extratos bancários, foi lavrado o Termo de Intimação 01, solicitando comprovação da origem dos recursos creditados em conta; 4. não houve resposta do contribuinte, mas tão somente pedido de prorrogação de prazo formulado em 18 de fevereiro de 2011; 5. restou portanto caracterizada a omissão de rendimentos, nos termos da presunção legal contida no artigo 42 da Lei 9.430/96: no ano calendário 2006, valor de R$ 258.521,48, e no anocalendário 2007, no valor de R$ 270.481,93. Inconformado, o interessado apresentou impugnação em 17/05/2011, alegando, em síntese, que: 1. o contribuinte foi devidamente notificado, porém deveriam ter sido considerados como dependentes sua esposa e seu filho, o que não foi feito pela fiscalização; 2. a fiscalização quebrou o sigilo bancário do contribuinte sem autorização judicial e nem mesmo apresentou os extratos das contas; 3. foi invocado o artigo 900 do Decreto 3000/99 da prescrição, que também não foi observada pela fiscalização, já que a lavratura do referido auto de infração ocorreu em 12/04/2006; 4. o crédito tributário gerado de R$ 278.294,95 não tem razoabilidade, pois é maior do que os supostos rendimentos do contribuinte de R$ 258.521,48 e R$ 270.481,93, nos anoscalendário 2006 e 2007; 5. seus rendimentos são provenientes do exercício da atividade como profissional liberal, prestação de serviços em massoterapia, empréstimos bancários e recebimentos de comissões na prestação de serviços; 6. para a prestação de serviços são necessários gastos com equipamentos, aluguel, funcionários, água, luz e telefone, o que comprova por meio de cópias de recibos e declarações de pagamento; 7. as datas dos recibos de pagamento comprovam o equívoco nos períodos de apuração declarados na DCTF, pois determinam a data do pagamento efetuado pelo impugnante aos beneficiários e, por Fl. 434DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10675.721241/201178 Resolução nº 2801000.227 S2TE01 Fl. 435 3 conseguinte, a semana que deve ser considerada como período de apuração; 8. com base na quebra de sigilo bancário, foi lavrado o auto de infração, fundamentado na legislação do imposto de renda vigente na data da autuação, mas deixando de forma omissa a especificação dos artigos de lei e a legislação vigente na data da ocorrência do fato gerado, com relação ao imposto de renda; 9. com relação à multa de ofício, esta foi aplicada de acordo com a legislação vigente na data da lavratura do auto de infração, pois a retroatividade à data do fato gerador seria prejudicial à devedora; 10. o auto de infração deve conter os motivos de fato e de direito, expressamente, de acordo com o Decreto 70.235/72, o que não ocorreu, pois não houve menção alguma aos motivos de direito; 11. a lavratura deve indicar a legislação do imposto de renda vigente na data do fato gerador e não a legislação vigente na época da lavratura. Por fim, protesta por provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidas, notadamente testemunhal, documental e pericial, além de depoimento pessoas das partes, sem prejuízo dos demais meios, ainda que não expressos. Para instruir o pleito, apresentou os documentos de folhas 252 a 263 Passo adiante, a 6ª Turma da DRJ/JFA entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS E OBRIGATÓRIOS. Estando presentes os requisitos formais e obrigatórios na lavratura do auto de infração afastase a nulidade invocada pelo sujeito passivo. SIGILO BANCÁRIO. Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados, não constitui quebra do sigilo bancário. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. O lançamento do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, nos casos em que o contribuinte encaminha a Declaração de Ajuste Anual, tem a natureza jurídica de lançamento por homologação , tendo como termo inicial para a contagem do prazo decadencial a data da ocorrência do fato gerador. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, Fl. 435DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10675.721241/201178 Resolução nº 2801000.227 S2TE01 Fl. 436 4 regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. OPÇÃO PELO MODELO SIMPLIFICADO DE DECLARAÇÃO. A opção pelo modelo simplificado de declaração impede a dedução de dependentes, sendo todas as deduções substituídas pelo desconto simplificado. PEDIDO DE JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS. Não tendo o contribuinte cumprido a incumbência de carrear aos autos, tanto na fase de autuação, quanto na fase impugnatória, documentos que tivessem o condão de elidir a tributação em questão, embora tivesse ampla oportunidade de fazelo, descabe o protesto genérico, no desfecho da peça impugnatória, pela juntada de novos documentos e provas por todos os meios de direito admitidas. Cientificado em 20/07/2011 (Fls. 291), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 19/08/2011 (fls. 293 a 296), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. De início, verifico que o lançamento objeto do presente processo versa sobre depósitos bancários de origem não comprovada. Compulsando os autos (docs de páginas 39 a 52), também observo que a fiscalização, com base no art. 6° da Lei Complementar 105/2001, requisitou de instituições bancárias os extratos bancários do contribuinte. Cabe salientar que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 6° da Lei Complementar 105/2001, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, em decisão assim ementada, in verbis: RE 601314 RG/SP Relator: Min. RICARDO LEWANDOWSKI Julgamento: 22/10/2009 Publicação: DJe218 DIVULG 19112009 PUBLIC 20112009 EMENT VOL 0238307 pp – 01422 Partes: ADV.: PROCURADOR GERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.: FAZENDA NACIONAL ADV.: RICARDO LACAZ MARTINS E OUTRO RECTE.: MARCIO HOLCMAN EMENTA Fl. 436DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10675.721241/201178 Resolução nº 2801000.227 S2TE01 Fl. 437 5 CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, §1º, do CPC, verifica se que as questões concernentes ao artigo 6° da Lei Complementar 105/2001, não podem ser apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal, conforme disposto no art. 62 A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ante o acima exposto, VOTO por SOBRESTAR o julgamento do presente recurso voluntário, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 437DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 06/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 19515.003652/2007-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO OCORRÊNCIA.
Na hipótese de contribuição sujeita ao chamado "lançamento por homologação" em que não se verifica o pagamento antecipado, aplica-se o art. 173, I, do Código Tributário Nacional - CTN, para contagem do prazo decadencial, ou seja, cinco anos contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido formalizado.
Numero da decisão: 3101-001.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luiz Roberto Domingo (Relator), Valdete Aparecida Marinheiro e Leonardo Mussi da Silva, que apresentará declaração de voto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Corintho Oliveira Machado
Henrique Pinheiro Torres Presidente
Luiz Roberto Domingo - Relator
Corintho Oliveira Machado - Redator Designado
Participaram do julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Mineiro Fernandes (Suplente), Leonardo Mussi da Silva, Luiz Roberto Domingo (Relator) e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Recorrida DRJ/SÃO PAULOSP ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO OCORRÊNCIA. Na hipótese de contribuição sujeita ao chamado "lançamento por homologação" em que não se verifica o pagamento antecipado, aplicase o art. 173, I, do Código Tributário Nacional CTN, para contagem do prazo decadencial, ou seja, cinco anos contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido formalizado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luiz Roberto Domingo (Relator), Valdete Aparecida Marinheiro e Leonardo Mussi da Silva, que apresentará declaração de voto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Corintho Oliveira Machado Henrique Pinheiro Torres – Presidente Luiz Roberto Domingo Relator Corintho Oliveira Machado Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 36 52 /2 00 7- 17 Fl. 295DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 19515.003652/200717 Acórdão n.º 3101001.267 S3C1T1 Fl. 297 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Mineiro Fernandes (Suplente), Leonardo Mussi da Silva, Luiz Roberto Domingo (Relator) e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). Relatório Trata de Auto de Infração lavrado para constituição de crédito de PIS e COFINS referente ao período de janeiro a dezembro de 2002, em razão da ausência de declaração e recolhimento das contribuições devidas, cuja apuração do montante devido se deu pelas informações contidas na DIPJ da Recorrente. Intimada a Recorrente apresenta impugnação, que foi deferida parcialmente apenas para afastar a contribuição devida pelo alargamento da base de cálculo instituído pelo §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, declarado inconstitucional pelo STF, conforme ementa a seguir: ASSUNTO : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 NULIDADE.DESCABIMENTO. E incabível de ser pronunciada a nulidade de Auto de Infração lavrado por autoridade competente, tendo em conta o art. 59 do Decreto 70.235/72. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO OCORRÊNCIA. Na hipótese de contribuição sujeita ao chamado "lançamento por homologação", é de se aplicar, não sendo verificado o pagamento antecipado, o art. 173, I, do Código Tributário Nacional CTN, pelo qual fica embasada a constituição de crédito tributário dentro do prazo de cinco anos contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido formalizado. FALTA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP A falta de recolhimento do PIS/PASEP, apurada no exame dos livros e documentos fiscais do contribuinte em cotejo com os dados declarados na DIPJ, quando devidamente comprovada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS.AFASTAMENTO.LEI N.° 9.718/98. Revelada a inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei n.° 9.718/98, considerase indevida a incidência do PIS/Pasep sobre receitas que a autoridade lançadora classifica Fl. 296DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 19515.003652/200717 Acórdão n.º 3101001.267 S3C1T1 Fl. 298 3 em grupo distinto daquele relativo à prestação de serviços e vendas de mercadorias. ASSUNTO : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 NULIDADE.DESCABIMENTO. É incabível de ser pronunciada a nulidade de Auto de Infração lavrado por autoridade competente, tendo em conta o art. 59 do Decreto 70.235/72. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO OCORRÊNCIA. Na hipótese de contribuição sujeita ao chamado "lançamento por homologação", é de se aplicar, não sendo verificado o pagamento antecipado, o art. 173, I, do Código Tributário Nacional CTN, pelo qual fica embasada a constituição de crédito tributário dentro do prazo de cinco anos contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido formalizado. FALTA DE RECOLHIMENTO DA COFINS. A falta de recolhimento do COFINS, apurada no exame dos livros e documentos fiscais do contribuinte em cotejo com os dados declarados em DIPJ, quando devidamente comprovado em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. AFASTAMENTO.LEI N.° 9.718/98. Revelada a inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei n.° 9.718/98, considerase indevida a incidência da COFINS sobre receitas que a autoridade lançadora classifica em grupo distinto daquele relativo à prestação de serviços e vendas de mercadorias. MULTA DE OFÍCIO Será aplicada em procedimento de OFÍCIO a multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição apurada, de acordo com a legislação de regência. A multa de OFÍCIO constitui instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL E SELIC. Os juros de mora destinamse a indenizar a Fazenda Nacional em decorrência da impontualidade do sujeito passivo no Fl. 297DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 19515.003652/200717 Acórdão n.º 3101001.267 S3C1T1 Fl. 299 4 adimplemento da obrigação tributária, reportandose o, lançamento à legislação aplicável no período compreendido entre o seu vencimento original e o efetivo pagamento do débito. A partir de 01/04/1995, por expressa disposição legal, a teor do disposto no art. 13 da Lei n° 9. 065/95, e legislação superveniente os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário requerendo a reforma do Acórdão proferido pela DRJ sob o fundamento, em síntese, de que: i) nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial computarseá de acordo com as disposições do §4º do artigo 150 do CTN; ii) inaplicabilidade da Taxa SELIC como juros moratórios; e, iii) não incidência dos juros moratórios no curso do processo administrativo tributário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Conheço do Recurso Voluntário por tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade. Preliminarmente, não há qualquer nulidade no lançamento objeto da insurgência da Recorrente, uma vez que atendidos os pressupostos legais e formais da constituição do crédito tributário, bem como a oportunidade de a Recorrente ter se pronunciado sobre as divergências apresentadas nas declarações e os motivos pelos quais levaram a administração a formular a exigência. Inobstante, conforme se constata do relatório, a questão principal posta pela Recorrente referese a forma de contagem do prazo decadencial para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, se o prazo contase da data do fato gerador – 150, §4º do CTN – ou do primeiro dia do exercício seguinte 173, I do CTN. Antes de adentrar ao mérito, ressalto que, nos termos 62A do Regimento Interno do CARF1, cabe aos Conselheiros do CARF reproduzir as decisões proferidas pelo 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 19515.003652/200717 Acórdão n.º 3101001.267 S3C1T1 Fl. 300 5 Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Repercussão Geral ou Recurso Repetitivo, respectivamente. Tal apontamento se torna relevante no caso em questão, uma vez que o Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Repetitivo, já se posicionou sobre a contagem do prazo decadencial quando do julgamento do RESP nº 973.733, conforme ementa transcrita no seguinte sentido: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal Fl. 299DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 19515.003652/200717 Acórdão n.º 3101001.267 S3C1T1 Fl. 301 6 (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Pela leitura do v. julgado, tem se que, o prazo decadencial iniciará no primeiro dia do exercício seguinte em duas situações: i) nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação (lançamento de ofício); ou, ii) quando a lei prevê o pagamento antecipado, mas este não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do Contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. A contrário sensu, tal entendimento nos leva à conclusão de que, nos casos de lançamento por homologação, será aplicado o prazo do artigo 150, §4º do CTN quando o Contribuinte efetuar o pagamento do tributo, mesmo que a menor, ou quando este for declarado previamente. Ou seja, o prazo decadencial para os casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação terá como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador quando se constatar que houve o pagamento do débito, mesmo que parcial; ou, quando houver declaração prévia à Receita Federal por parte do Contribuinte. Definidos os termos do entendimento exaurido pelo STJ em sede de recurso repetitivo, a aplicabilidade do prazo decadencial será aplicada no presente caso a partir de tais pressupostos. No presente caso, conforme se constata dos documentos apresentados e do relatório do Termo de Verificação Fiscal, a autuação foi realizada para constituir crédito de PIS e COFINS decorrente da “falta de recolhimento e de declaração da contribuição”. Em que pese os valores terem sido informados em DIPJ, não houve constituição do crédito tributário por meio de DCTF, instrumento hábil para tanto, muito menos recolhimento parcialmente pela Recorrente. Subsumese a situação fática do caso à ausência de pagamento, mas não à ausência de declaração, uma vez que a DIPJ informou ao Fisco a ocorrência do fato gerador. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 19515.003652/200717 Acórdão n.º 3101001.267 S3C1T1 Fl. 302 7 É evidente que ao indicar a declaração como fato relevante para início do lapso decadencial o STJ não estava a referirse à informação prestada em DCTF, haja vista que se isso tivesse ocorrido a considerar a natureza de confissão de dívida que essa declaração comporta o prazo que teria iniciado com a apresentação da DCTF seria o da prescrição e não da decadência (na forma do art. 5º do DecretoLei n° 2.124/1984). De modo que, o lapso temporal da decadência nos termos do art. 150 do CTN, deve ser considerado seja em relação ao pagamento, seja em relação à declaração, que por óbvio, não tenha o condão de constituir o crédito tributário pela confissão. Assim sendo, tratando de contribuições referentes aos períodos de janeiro a dezembro de 2002, o temo inicial do prazo decadencial iniciouse na data do fato gerador de cada um dos períodos de apuração, devendo ser consideradas decaídas as contribuições cujos fatos geradores ocorreram antes de 07/12/2002, em face da apresentação da DIPJ informando o débito sem caráter de confissão de dívida. Quanto à não incidência dos juros moratórios calculados com base na Taxa Selic, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF já consolidou seu entendimento no sentido de ser aplicável, conforme Súmula nº 4 do CARF: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por fim, sustenta a Recorrente que não deve incidir juros moratório durante o processo administrativo, uma vez que o crédito está com exigibilidade suspensa por conta do inciso III do artigo 151 do CTN, bem como pelo transcurso dos prazo legais para encerramento do processo administrativo, sob o fundamento de que a Recorrente não pode arcar com os encargos decorrente da demora do julgamento dos procedimentos administrativos fiscais, não há fundamento legal ou jurídico para tanto, mas a fluência de tais juros podem ser cessados mediante o depósito administrativo do valor demandado. Diante do exposto, ACOLHO a Preliminar de decadência, para DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Luiz Roberto Domingo Fl. 301DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 19515.003652/200717 Acórdão n.º 3101001.267 S3C1T1 Fl. 303 8 Voto Vencedor Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Redator Designado Sem embargo das razões ofertadas pela recorrente e das brilhantes considerações tecidas pelo I. Conselheiro Relator, o Colegiado, pelo voto de qualidade, firmou entendimento de que o prazo de decadência, no caso vertente, deve ser contado pela forma preconizada no art. 173, I, do CTN, e não pelo art. 150, § 4º. Tal decisão ocorreu porque, ao contrário do que entendia o eminente relator, a situação fática in casu envolvia ausência de pagamento e de declaração, uma vez que a DIPJ é meramente informativa e não tem natureza de confissão de dívida. Vale referir que a Câmara Superior de Recursos Fiscais tem reiteradamente decidido dessa maneira, justamente interpretando a jurisprudência do STJ. Assim é que a interpretação prestigiada pelo Colegiado do recurso repetitivo do STJ, bem como a obrigação de sua aplicação pelo RICARF, não se amoldou aos cânones estipulados no voto vencido. Nesse diapasão, voto pelo DESPROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 23 de outubro de 2012. (assinado digitalmente) CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 302DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10283.903411/2009-20
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao recorrente o ônus da prova de liquidez e certeza do crédito pleiteado, mormente diante da inconsistência entre as informações por ele prestadas à Administração Tributária.
Numero da decisão: 1801-001.983
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana de Barros Fernandes, Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques e Fernando Daniel de Moura Fonseca.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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SALDO NEGATIVO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao recorrente o ônus da prova de liquidez e certeza do crédito pleiteado, mormente diante da inconsistência entre as informações por ele prestadas à Administração Tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana de Barros Fernandes, Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques e Fernando Daniel de Moura Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 34 11 /2 00 9- 20 Fl. 525DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório MASA DA AMAZÔNIA LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ/Belém (PA), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O recorrente, sob a denominação de MULTIBRAS DA AMAZÔNIA S/A, apresentou à Receita Federal do Brasil a declaração de compensação de nº 27787.63132.2 50504.1.3.034746, a qual não foi homologada por aquele órgão, nos termos do despacho decisório de fl. 8: Analisadas as informações prestadas no documento acima Identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição social devida e a apuração do saldo negativo, verificouse: Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 69.266,68; Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 69.266,68; CSLL devida: R$ 0,00; Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (CSLL devida) Valor do saldo negativo disponível: R$ 0,00 Ciente dessa decisão em 30/04/2009 (fl. 14), o interessado apresentou, em 01/06/2009, a manifestação de inconformidade de fls. 16/20, considerada tempestiva pela unidade preparadora (fl. 211). Em sua peça de defesa, alega, em síntese: 1) O Despacho Decisório não merece prosperar, visto que os valores exigidos são absolutamente improcedentes; 2) A ora peticionária, no anocalendário 2000, calculou a CSLL com base em balancetes de suspensão ou redução, apurando em alguns meses saldo de CSLL a pagar, conforme DIPJ 2001; 3) No encerramento do período (31/12/2000), a peticionária apurou um valor negativo de R$ 256.211,25 de CSLL devida e a CSLL mensal paga por estimativa remontava a quantia de R$ 69.266,68, o qual se tornou pagamento indevido, tendo direito de restituílo ou compensálo; 4) As estimativas apuradas foram compensadas nos autos do processo administrativo 10283.007044/200346 (apresenta planilha com os valores das estimativas compensadas); 5) As compensações das estimativas de CSLL no anocalendário 2000 podem ser vistas, igualmente, nas DCTFs dos 1º, 2º e 3º trimestres/2000 (informa os nºs de recibo das DCTFs); 6) As compensações efetuadas pela ora peticionária merecem ser homologadas; Fl. 526DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10283.903411/200920 Acórdão n.º 1801001.983 S1TE01 Fl. 526 3 7) A legislação tributária prevê o direito à restituição do valor pago a maior ou indevidamente (transcreve o art.165, I do CTN); 8) A compensação efetuada foi legítima e observou estritamente os termos da legislação em vigor, a Lei 9.430/96 e inclusive a INSRF210/2002 (transcreve parte do art.74 da Lei 9.430/96); 9) Negarlhe o direito à compensação ou impedir a restituição de pagamento indevidamente efetuado constituiria apropriação indébita por parte do Fisco Federal; 10) Requer seja conhecida e provida a manifestação de inconformidade, a nulidade do Despacho Decisório e homologação das compensações. A DRJ Belém (PA) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por meio do Acórdão nº 0123.312, de 21 de outubro de 2011 (fls. 480/485), ementando assim a sua decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2000 SALDO NEGATIVO CSLL. ESTIMATIVAS COMPENSADAS SEM PROCESSO. OBRIGATORIEDADE DE DCOMP. COMPENSAÇÕES INEXISTENTES. Estando o direito creditório pleiteado amparado em estimativas compensadas espontaneamente, sem processo e constatado que tais compensações foram efetuadas ao desamparo de DCOMP quando esta era obrigatória, as compensações resultam inexistentes, retirandose o alicerce do crédito requerido. A decisão fundamentase em um quadro de fatos, explanados no seguinte excerto (fl. 484): No caso em tela, as compensações foram informadas em DCTF às fls.54/55, 59/61 e 65/67, notandose em todas elas referência ao processo administrativo 10283.007044/200346, como se existisse declaração de compensação naqueles autos. Para fins de comprovação, juntamos cópia do processo referenciado (fls.218/479) e constatamos que o único débito compensado no mesmo é o referente a CSLL, junho/2003, R$ 322.912,78 (fl.219), informação ratificada pelo próprio contribuinte à fl.284 onde apresenta planilha citando referido débito na coluna “COMPENSAÇÃO PER/DCOMP 2004”. Além disso, confirmou também que as estimativas de CSLL dos meses janeiro a abril e junho a setembro/2000 foram compensadas espontaneamente (sem processo, na escrita, com informação em DCTF). Além de tudo que já foi dito, é importante observar que dos autos do processo administrativo 10283.007044/200346 concluímos que o contribuinte se utilizou na declaração de compensação (fl.219), no demonstrativo do crédito (fl.220) e no pedido de restituição (fl.283) de todo o crédito de saldo negativo CSLL anocalendário 1997 (vide fl.254 – R$ 197.534,02). Fl. 527DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Resumidamente, temos a seguinte situação nesses autos: 1. O contribuinte afirma que fez a compensação das estimativas CSLL dos meses janeiro a abril e junho a setembro/2000 espontaneamente na escrita, sem processo. Todavia, tal procedimento somente foi informado nas DCTF`s retificadoras dos 1º, 2º e 3º trimestres/2000, todas apresentadas em 09/12/2004 eis que o contribuinte não apresentou provas de que compensou os tributos supracitados no vencimento; 2. À época em que as compensações foram efetivamente efetuadas (09/12/2004), a norma que previa a compensação sem processo (IN SRF 21/97) já estava revogada pela IN SRF 210/2002, sendo certo que a partir de 01/10/2002 todas as compensações, inclusive envolvendo tributos da mesma espécie, deveriam ser efetuadas mediante a entrega de declaração de compensação; 3. Nas DCTF`s retificadoras o contribuinte indica nos débitos de estimativa CSLL a vinculação das compensações ao processo administrativo 10283.007044/200346. Porém, analisamos o processo citado (fls.218/479) e constatamos que o único débito aí compensado é CSLL, junho/2003, R$ 322.912,78 (fl.219). Concluindo, as compensações espontâneas efetuadas pelo contribuinte em 09/12/2004 são inexistentes uma vez que, à época, havia a obrigatoriedade de apresentação de declaração de compensação. Inexistindo as compensações, perece a pretensão de reconhecimento de direito creditório referente a saldo negativo CSLL anocalendário 2000, toda ela amparada nas compensações sem processo. Cientificado dessa decisão em 18/11/2011, por meio de remessa postal (fl. 489), o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário (fls. 490/503), em 14/12/2011, em que afirma, resumidamente: 1. Está em análise a compensação de débitos de CSLL próprios do recorrente, apurados no ano calendário 2003 (junho, julho e outubro), com crédito dessa mesma contribuição, apurado no ano calendário 2000, por meio da DCOMP n° 27787.63132.250504.1.3.034746, nos moldes da legislação vigente à época, inclusive a Instrução Normativa nº 210/2002. 2. O saldo negativo de CSLL verificado no ano calendário 2000 deveuse à apuração de base de cálculo negativa de CSLL, no valor de R$ 256.211,25, e à existência de antecipações, em estimativas mensais, no valor de R$ 69.266,68. 3. As referidas estimativas foram quitadas por meio de compensação (e não por efetivo desembolso de caixa) com crédito de saldo negativo apurado em 1997. Essas compensações estão em análise no processo administrativo n° 10283.007044/200346. 4. Não se pode confundir a compensação efetuada na DCOMP em análise com as compensações efetuadas para quitar as estimativas de CSLL em 2000, utilizando o saldo negativo de 1997. 5. Aquelas compensações, realizadas no referido processo n° 10283.007044/200346, por meio do protocolo de declaração de compensação em papel, cumpriram as determinações legais. Fl. 528DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10283.903411/200920 Acórdão n.º 1801001.983 S1TE01 Fl. 527 5 6. A decisão recorrida utiliza como fundamento de decidir uma análise do direito creditório discutido em outro processo administrativo, circunstância que deveria levar à suspensão da análise do presente processo para aguardar o proferimento de decisão definitiva naquele outro processo. 7. Cabe à autoridade fiscal averiguar a verdade dos fatos, buscando sempre a prevalência do direito realmente existente, independentemente de eventuais faltas de atendimento às formalidades procedimentais, razão pela qual se sugere a realização de diligência fiscal ou perícia contábil que demonstre a suficiência do direito de crédito. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. O contribuinte apresentou Dcomp, em 25/05/2004, pela qual extinguiu débitos de estimativa de CSLL dos meses junho, julho e agosto de 2003, apontando indébito oriundo de saldo negativo de CSLL referente ao ano 2000 (fl. 7). Conforme demonstrado na referida Dcomp (fls. 3/5), o saldo negativo teria sido gerado pela existência de oito antecipações de CSLL, quitadas por pagamento. Os pagamentos não foram localizados pelo Sistema de Controle de Compensações e a compensação foi não homologada (fl. 8). Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte afirma que as referidas estimativas foram quitadas por compensação, apontando o processo nº 10283.007044/200346 como sede de tais compensações (fl. 18), inovando na demonstração do crédito pleiteado. A autoridade julgadora de primeira instância fez juntar os autos do referido processo (fls. 218/479). Aquele processo trata de declaração de compensação, em papel, apresentada em 26/12/2003, em que é pretendida a extinção de débito vencido em 31/07/2003, com período de apuração 30/06/2003, no valor de R$ 322.912,78. Para isso, é apontado crédito de saldo negativo de CSLL referente a 1997, no valor de R$ 197.934,02 (fls. 219/220). É relevante destacar que essa declaração não indica qual é o tributo que se pretende extinguir, indicando apenas o seu período de apuração, o seu vencimento e o seu valor. Devido a esse lapso e ao fato de a DCTF do contribuinte, referente ao 2º trimestre de 2003 (o período do débito), não indicar qualquer crédito tributário vinculado ao referido processo, o contribuinte foi intimado, em 24/11/2004, para indicar qual o débito que pretende extinguir na compensação (fl. 274). Como consequência dessa intimação, em 09/12/2004, retificou as DCTFs dos três primeiros trimestres de 2000, para indicar a quitação de débitos de estimativas de CSLL com o referido processo, divergindo da compensação Fl. 529DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 original, que pleiteava a extinção de débito com período de apuração em junho de 2003. Na mesma oportunidade, apresenta nova Dcomp (retificadora), de 17/08/2004, em que pretende usar o mesmo saldo negativo de 1997 (objeto do referido processo nº 10283.007044/200346) para quitar a estimativa de CSLL de junho de 2003. Ao final e em resumo, conforme a planilha apresentada pelo próprio contribuinte (fl. 342), ele afirma ter crédito de saldo negativo de CSLL referente a 1997, no valor de 197.534,02, e quer utilizar parte desse crédito para quitar várias estimativas de CSLL referente a 2000 (processo nº 10283.007044/200346), totalizando R$ 69.266,67, e parte para quitar a estimativa de CSLL de junho de 2003, no valor de R$ 346.357,50 (Dcomp nº 37051.13786.170804.1.7.033121). A quitação das referidas estimativas de CSLL de 2000 teriam gerado um saldo negativo naquele ano e este saldo negativo seria o crédito da Dcomp em tela. Traçado esse quadro, verificase que o primeiro óbice para a homologação da compensação em tela é o fato de o contribuinte ter inovado, na manifestação de inconformidade, em relação à origem de seu crédito. Declarou inicialmente que o saldo negativo de 2000 era oriundo de pagamentos de estimativas para depois afirmar que era oriundo de compensações de estimativas. Penso ser possível superar essa inovação, em homenagem ao princípio da verdade material, e prosseguir na análise. O próximo óbice é o fato de as referidas compensações terem sido não homologadas. Decisão que foi confirmada em julgamento de primeira instância e na câmara baixa do Carf. Embora ainda não haja uma decisão administrativa final, pois foi ingressado um recurso especial (fl. 435), entendo que o crédito pleiteado (saldo negativo de CSLL de 2000) não atende aos requisitos de liquidez e certeza exigidos no artigo 170 do Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Ainda que esse obstáculo fosse superado, ainda há outro mais difícil de ser removido. O contribuinte, quando alterou a demonstração de seu crédito, afirmou que as compensações das estimativas de CSLL de 2000 foram realizadas em sua contabilidade. Ao fazer tal afirmação, o contribuinte atraiu para si o ônus da prova, por força da norma processual contida no artigo 333 do Código de Processo Civil Pátrio: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Contudo, o contribuinte não apresenta qualquer elemento que demonstre a realização das referidas compensações em sua contabilidade. Pelo contrário, há evidência de que essas compensações não ocorreram, uma vez que o indébito apontado, o saldo negativo de CSLL de 1997, foi totalmente utilizado pelo contribuinte na declaração de compensação apresentada em 26/12/2003 (fl. 219), tendo esse pedido sido alterado apenas no ano seguinte, por ocasião de apresentação de DCTFs retificadoras. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10283.903411/200920 Acórdão n.º 1801001.983 S1TE01 Fl. 528 7 Portanto, seja porque o crédito apontado pelo contribuinte carece de liquidez e certeza, seja porque o contribuinte não comprovou a origem do crédito alegado, entendo que a compensação em análise deve ser não homologada. Em tempo, a carência de prova, de iniciativa obrigatória do contribuinte, no presente processo é razão suficiente para sustentar a decisão de não homologação, independentemente do incerto futuro do processo nº 10283.007044/200346, razão pela qual se indefere o pedido de sustação do julgamento, bem como o pedido de perícia/diligência. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 531DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11060.722117/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.570
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por FABIO PINTO HERTER.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Suplente Convocado).
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por FABIO PINTO HERTER. RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Suplente Convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1325; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11060.722117/201111 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2202000.570 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 18 de fevereiro de 2014 Assunto IRRF Recorrente FABIO PINTO HERTER Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por FABIO PINTO HERTER. RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Suplente Convocado). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 60 .7 22 11 7/ 20 11 -1 1 Fl. 11044DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11060.722117/201111 Resolução nº 2202000.570 S2C2T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração referente a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física dos anoscalendário 2006 a 2008, no qual foi apurado o crédito tributário de R$ 1.415.177,96, nele compreendido imposto, multa de ofício e juros de mora, em decorrência da apuração de omissão de rendimentos da atividade rural e glosa de despesas da atividade rural, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal. Com relação à infração de omissão de rendimentos da atividade rural foi aplicada a multa qualificada de 150%. Tempestivamente, o interessado apresenta a impugnação da exigência. Suas alegações estão, em síntese, a seguir descritas. Improcedência da glosa das despesas Através da juntada das cópias dos documentos que compõem o ANEXO 1, comprova parcialmente os custos/despesas que foram declarados, mas que, por falha nos controles burocráticos, não foram escriturados (R$371.195,53). Está revisando o enorme volume de documentos que estava em poder das autuantes e lhe foi devolvido há poucos dias. Por tais motivos, e apoiado nos princípios da verdade real e do direito à ampla defesa, protesta pela juntada posterior de outras provas. A nãoescrituração de tais dispêndios no livro Caixa, não autoriza a autoridade lançadora desconhecêlos e/ou deixar de computálos (deduzilos) na apuração da base tributável da atividade rural. Inexistência de omissão de receita da atividade rural Inexistência da omissão de receita apurada à vista de “divergências de receitas” e da “falta de emissão de notas fiscais de venda” Em síntese, esta parcela da autuação está assentada em dois fatos distintos. 1. Na alegada existência de 'Divergências de receitas nos anos calendário de 2006 a 2008", detectadas mediante o confronto entre os somatórios anuais das Notas Fiscais de Produtor e das receitas reconhecidas nos livros Caixa (apurados a maior pelas Agentes Fiscais), e os montantes registrados nos livros Caixa (escriturados a menor pela parceria), divergências estas que são demonstradas na planilha '''Receita apuradas AC 2006 a 2008. 2. Na alegada "Falta de emissão de notas fiscais de venda e registro no livro Caixa”, no anocalendário de 2008, do montante de R$ 406.153,18, relacionado ao recebimento de valores referentes a anteriores entregas (depósitos) de soja às cooperativas "Agropan" e "Cotrisul". Fl. 11045DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11060.722117/201111 Resolução nº 2202000.570 S2C2T2 Fl. 4 3 Divergência de receitas A insubsistência do raciocínio desenvolvido, ou seja, dos critérios de confrontação adotados pela fiscalização, é demonstrada nos subitens seguintes, cujos argumentos são instruídos pelos documentos que compõem o ANEXO 2 e SUB ANEXOS. Foi adotado um critério de confrontação errôneo na apuração das divergências de receitas. Isto porque a conferência não deve ser feita entre os montantes apurados pela fiscalização e os escriturados pelo contribuinte. Deve ser feita entre os montantes apurados pela fiscalização, e os montantes declarados pelo contribuinte. A infundada conclusão de que determinadas receitas reconhecidas em livro caixa representam outras espécies de receitas tributáveis Conforme relatório da fiscalização foram tributadas como outras espécies de rendimentos tributáveis as denominadas Receitas escrituradas em livro caixa a cujos documentos a fiscalização não teve acesso. Tal procedimento não pode prosperar pois: 1. A fiscalização teve acesso a todos os registros e documentos solicitados. 2. Representa uma mera ilação das autuantes, observado que a não entrega de um número mínimo de Notas Fiscais de Produtor restou coberto pelos montantes declarados a maior que os escriturados. 3. o procedimento que se impunha na quantificação do valor tributável, seria o de promover o arbitramento do seu valor médio de acordo com os critérios fixados na legislação e o princípio do devido processo legal. A falta de análise dos rendimentos declarados em anos anteriores O volume e a natureza dos fatos e documentos auditados impunha às autuantes a leitura de uma averiguação cronologicamente mais ampla, não isolada por período. Principalmente no sentido de averiguar se determinadas operações foram objeto de tributação em anos anteriores aos considerados. Na planilha que compõe o SUBANEXO 2.1 é demonstrada a tributação antecipada de diversas operações, assim resumidas cronologicamente. Os valores de R$ 105.542,00 (ano 2006), R$ 720.000,00 (ano 2007) e R$480.000 (ano 2008) estão embutidos no montante declarado, em operações efetuadas com a empresa "PanFácil”, desautorizando as autuantes consignar tais quantias com sinal negativo na planilha por elas confeccionada, nem sua tributação no ano posterior, pelas notas de simples remessa. Fl. 11046DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11060.722117/201111 Resolução nº 2202000.570 S2C2T2 Fl. 5 4 Em face do elevado volume de documentos, não concluiu a revisão das operações, motivo pelo qual, sendo o caso, protesta pela juntada posterior. A falta de análise dos rendimentos declarados em anos posteriores O volume e a natureza dos fatos e documentos auditados impunha às autuantes a feitura de uma averiguação cronologicamente mais ampla, não isolada por período. Principalmente no sentido de averiguar se determinadas operações foram objeto de tributação em anos posteriores aos considerados Na tributação postergada, segundo determina o PNCST n° 02/96, descabe o lançamento de imposto (no caso, IRPF), mas apenas da multa e dos juros de mora referentes ao tempo da postergação. Na planilha que compõe o SUBANEXO 2.2, é demonstrada a tributação postergada de diversas operações, assim resumida cronologicamente. 1. Anocalendário de 2006: Em trabalho de levantamento. 2. Anocalendário de 2007:Na planilha anexa estão discriminados os valores que foram objeto de tributação na declaração do ano calendário 2008 (montante de R$ 73.350,00). 3. Anocalendário de 2008: Na planilha anexa estão discriminados os valores que foram objeto de tributação na declaração do ano calendário 2009 (montante de R$ 654.749,29). O cômputo de notas fiscais não correspondentes a vendas Foram computadas notas fiscais que não se referem a operações de venda. Estão arroladas no SUBANEXO 2.3 desta impugnação. Observação: no anocalendário de 2008 perfazem o montante de R$ 120.210,58, observado que nos demais anos não houve tempo suficiente para concluir o levantamento. O cômputo de receitas de vendas tributadas em duplicidade No universo das notas fiscais discriminadas na planilha, existem notas fiscais cujos valores foram tributados em duplicidade. Estão arroladas no SUBANEXO 2.4. Observação: no anocalendário de 2008 perfaz o montante de R$ 190.199,59, sendo que a quantia de R$ 52.350,00 já havia sido tributada no ano de 2007, e a quantia de R$ 137.849,59 duplamente no AC 2008. No tocante aos demais anos (2006 e 2007), por envolver a análise de mais de dez mil documentos, não houve tempo suficiente para concluir o levantamento. O cômputo de notas fiscais cujas vendas foram devolvidas ou canceladas Estão arroladas no SUBANEXO 2.5 O cômputo de notas fiscais cujas vendas foram devolvidas. Fl. 11047DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11060.722117/201111 Resolução nº 2202000.570 S2C2T2 Fl. 6 5 Estão arroladas no SUBANEXO 2.6 A inconsistente elevação da receita tributável As autuantes elevaram a receita tributável sob alegação de que parte das mesmas foi lançada pelo valor líquido, devendo ser considerado o valor bruto das notas fiscais. A diferença é referente a despesas de royalties pagos pelo uso de sementes transgênicas e FUNRURAL. Se não pode ser considerado como redutor da receita bruta, deve ser considerada despesa de venda. As provas da efetividade do desembolso de tais verbas constam no SUBANEXO 2.7 desta impugnação. Observação: Diante do elevado número de dados a serem examinados, protesta pela juntada posterior de provas complementares aos anexos 2.1 a 2.7. A intributabilidade da receita correspondente à falta de emissão de notas fiscais de venda No relatório de fiscalização estão identificados alguns valores que no entender da fiscalização referemse a operações de venda de produtos às cooperativas Agropan e Cotrisul, no anocalendário 2008, sem a correspondente emissão de notas fiscais de venda. O valor lançado (R$406.153,18) está incluso no valor declarado e pago a maior que o escriturado. A improcedência da parcela do lançamento referente aos “Adiantamentos para entregas futuras” A inexistência de omissão de rendimentos nas operações pactuadas com a empresa Herter Cereais Premissas que se extrai do relatório da fiscalização: 1. Independentemente da designação, os contratos para entrega futura consumam o fenômeno da venda física antecipada de produtos. Mesmo apesar de prever o pagamento em moeda corrente, dita conclusão se extrai do texto dos diferentes tipos de contratos, inclusive porque constituem o penhor agrícola. 2. Nas planilhas que integram o "Relatório de Fiscalização" constam os comprovantes de quitação apresentados que não foram objeto de aceitação com a indicação dos motivos. Em termos gerais, foram aceitos apenas recibos de quitação acompanhados dos comprovantes das efetivas transferências (financeiras) coincidentes em data e valor com os dados consignados no registro contábil de baixa das CPR na empresa. A comprovação do valor baixado no registro contábil, quando apresentada em comprovantes fracionados, só foi considerada quando a soma dos comprovantes totalizava o valor contabilizado e a data coincidia com a dala do registro contábil. 3. A alegação da liquidação das CPR em dinheiro deveria ser acompanhada de provas inequívocas da efetiva entrega dos numerários Fl. 11048DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11060.722117/201111 Resolução nº 2202000.570 S2C2T2 Fl. 7 6 à empresa, que registrou a baixa no ativo e não refutou a ocorrência das liquidações. 4. De acordo com o teor da CPR, uma vez constatada a quitação contábil dos contratos e não se comprovando o efetivo pagamento em moeda nacional, concluise que a quitação teria havido através da entrega do produto neles (contratos) especificado, entendimento este que é corroborado pelo fato de que parte das CPR foi incluída e baixada no controle de estoques de grãos que a parceria mantinha na empresa. 5. As entregas de produtos para quitação devem vir amparadas por notas fiscais de produtor de venda, o que não ocorreu, observado que o artigo 61, § 2°, do RIR/99 prevê que a receita relativa aos adiantamentos para entrega futura deve ser computada na data da efetiva entrega do produto. Tais premissas carecem de base factual e jurídica. Ausência do Teste da Realidade Quando, à opção dos agropecuaristas, os recursos tomados via 'CPR' são quitados em numerário ou pela via bancária (direta ou indiretamente), as Cédulas de Produto Rural (CPRS) configuram as usualmente denominadas "CPRs Financeiras". As autuantes decidiram, erroneamente, adotar uma postura desconectada da realidade, ou seja, alheia aos fatos, tal como aconteceram. Foi interpretado literalmente os contratos de CPRS (e afins), e, partindo daí, concluírem no sentido de que, sempre, as contratações de CPR se resolvem mediante a entrega física do produto, ou mediante pagamentos em valores e datas coincidentes com as previsões contratuais. A quitação das CPRS pode ocorrer, ou não, mediante a entrega de grãos. Uma eventual carência de prova documental da quitação financeira, não autoriza a adoção da presunção pessoal de omissão de receita. A deficiente ou comprovação parcial dos pagamentos não têm o condão de transmutar ou uma coisa por outra (um não pagamento numa venda física. As quitações fracionadas, feitas pelos parceiros em favor da empresa "Herler Cereais Ltda", nada mais representou senão a ocorrência de desembolsos de acordo com as disponibilidades, ou conveniências gerenciais. Não foi efetuada uma avaliação da capacidade física de produção das áreas de terras agricultáveis da parceria. Apresenta o anexo 3. A equivocada premissa de que os adiantamentos recebidos na contratação das CPRS equivalem a operações de venda de produtos Como o próprio nome diz, os mesmos representam meros adiantamentos de recursos financeiros, concedidos à vista da promessa de uma venda futura de produto agrícola. Fl. 11049DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11060.722117/201111 Resolução nº 2202000.570 S2C2T2 Fl. 8 7 Tanto é assim, que nos respectivos contratos (CPRs) existe cláusula prevendo que o inadimplemento do pactuado (entrega do produto), implica, alternativamente, na liquidação financeira do negócio. Tais 'adiantamentos' têm a natureza de operação financeira. A equivocada premissa de que as liquidações contábeis dos adiantamentos materializaram operações de entrega de grãos Diverge de tal entendimento porque: 1. configura uma simples ilação, que, no máximo, pode representar um começo de prova, inábil para embasar qualquer exação; 2. não tem lastro documental, não faz referência às notas fiscais pertinentes a tais operações; 3. não condiz com a realidade dos fatos; 4. inobserva que (tais liquidações) vinculamse aos adiantamentos anteriormente recebidos, de caráter (natureza) exclusivamente financeiro(a); 5. não atenta que as CPRs e eventuais descumprimentos do que nelas é pactuado, solucionamse com as regras que as disciplinam. A equivocada premissa de que a liquidação contábil dos adiantamentos financeiros caracterizou vendas de produtos sem nota fiscal Examinando os assentamentos contábeis acostados aos autos únicos aos quais as Autuantes se reportam e fizeram uso para promover o lançamento verificase que neles constam a prática de dois tipos de operações. As denominadas compras diretas, cujos quantitativos estão consignados nos 'extratos de estoques', referidos pelos Agentes Fiscais.São as que, envolveram a entrega (tradição) de grãos. Já os demais registros processados sob título de 'contrato CPR' e 'Liquidação CPR' vinculamse à pactuação (contratação) das CPRs e dos respectivos adiantamentos de recursos financeiros. Por sua natureza financeira, estas operações não são passíveis de notação nos 'extratos de estoque'. A revisão/reconstituição das operações referentes aos contratos CPR Protesta pela juntada dos elementos probatórios em momento posterior, os quais irão compor o Anexo 4. A inexistência de omissão de rendimentos nas operações pactuadas com a empresa Bunge Alimentos A fiscalização não verificou se os valores imputados como omitidos referentes a unidade Tupanciretã II foram oferecidos à tributação em ano anterior ou posterior, ou simplesmente em datas diferentes do pagamento das quantidades anteriormente depositadas. Protesta pela apresentação posterior de documentos. Fl. 11050DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11060.722117/201111 Resolução nº 2202000.570 S2C2T2 Fl. 9 8 A inaplicabilidade da multa qualificada de 150% O descabimento da aplicação da multa de 150% referentes à divergências de receitas e a falta de emissão de notas fiscais de venda A apuração das "Divergências de receitas" ocorreu baseada em mera presunção pessoal apoiada em raciocínio aritmético desenvolvido pelas autuantes à vista dos elementos escriturais/documentais que lhes foram disponibilizados. A omissão de receita por "Falta de emissão de notas fiscais” foi lançada à vista das notas fiscais de produtor emitidas para fins de depósito. Portanto, o procedimento das autuantes está igualmente baseado nos registros e documentos que lhes foram disponibilizados. Conjugados, tais elementos atestam a inocorrência da intenção de suprimir ou reduzir tributo, mas apenas deficiências no controle burocrático, fatos culposos este que não tipificam a prática de crime tributário. O lançamento embasado nas alegadas "Divergências de receita" e "Falta de emissão de Nota Fiscal incidiu sobre fatos que foram objeto de escrituração e/ou emissão de notas fiscais de produtor. Assim, resta evidente a inexistência do fenômeno sonegação. O descabimento da aplicação da multa de 150% referentes à divergências de receitas e a falta de emissão de notas fiscais de venda A omissão de receitas decorrente da não emissão de notas fiscais das vendas no cumprimento a contratos de adiantamento resulta de uma presunção pessoal das autuantes. Diante da constatação de que alguns contratos de CPR anteriormente pactuados mediante a concessão de adiantamentos de recursos financeiros foram liquidados sem a indicação das notas fiscais que lhes dariam ensejo, as autuantes presumiram que houve a entrega de produtos sem emissão de notas fiscais. A DRJ julga a impugnação improcedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006, 2007, 2008 JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. Não tendo o impugnante trazido qualquer documentação adicional que pudesse justificar as alegações apresentadas na impugnação, fica prejudicado o protesto de juntada posterior de provas. ATIVIDADE RURAL. DESPESAS DE CUSTEIO E INVESTIMENTOS.As despesas que se autoriza excluir das receitas para apuração do resultado tributável da atividade rural, além de necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, devem estar devidamente escrituradas em Livro Caixa e comprovadas por meio de documentação hábil e idônea. Fl. 11051DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11060.722117/201111 Resolução nº 2202000.570 S2C2T2 Fl. 10 9 ATIVIDADE RURAL. OMISSÃO DE RECEITAS. Tributamse os rendimentos provenientes da atividade rural omitidos na declaração de rendimentos. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A multa de ofício no percentual de 150% somente deve ser aplicada quando restar comprovada a intenção dolosa do contribuinte de reduzir indevidamente sua base de cálculo, a fim de se eximir do imposto devido. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A DRJ voto por julgar procedente em parte a impugnação a) mantendo o imposto no anocalendário 2006 no valor de R$122.135,55, acrescido da multa de 75% e dos juros. b) mantendo o imposto no anocalendário 2007 no valor de R$89.683,09, acrescido da multa de 75% e dos juros. c) cancelando o imposto apurado no anocalendário 2008. Intimado do acórdão proferido pela DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário, onde reitera argumentos da impugnação. que a motivação do ato fiscal consiste, explicitamente, na existência de despesas escrituradas que não foi comprovada: que a primeira instância inovou e apontou motivo diferente para fundamentar a decisão.necessários, efetivos, normais e usuais não está prevista no artigo 60 e 62 do RIR/99 como causa impeditiva de dedutibilidade. Fl. 11052DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11060.722117/201111 Resolução nº 2202000.570 S2C2T2 Fl. 11 10 que o direito substancial ao aproveitamento dos custos, despesas para efeito de apuração da base tributável da atividade rural, sobrepõese, no caso, a falha de natureza acessória materializada na falta de escrituração dos mesmos. É o relatório. Fl. 11053DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11060.722117/201111 Resolução nº 2202000.570 S2C2T2 Fl. 12 11 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso voluntário está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Tratase de autuação do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF sobre: (a) omissão de rendimentos da atividade rural; e (b) glosa de despesas de custeio e de investimentos da mesma atividade, não comprovadas. A decisão recorrida cancelou a autuação do ano de 2008 ao admitir haver considerado dupla omissão de receita, causada, segundo consta, por culpa da autuada na dupla escrituração das receitas no livro caixa. Reduziu a decisão recorrida a exigência dos anos de 2006 e 2007, por admitir equivoco na apuração dos resultados. Assim como cancelou a multa qualificada de 150%, reduzindoa 75%. Essas foram às exclusões do lançamento, realizadas pela decisão recorrida a respeito das quais não cabe recurso de ofício. No mérito, vemos que agora Recurso Voluntário traz diversos documentos para tentar comprovar os fatos alegados, quais sejam a inexistência das receitas que teriam sido omitidas e a admissão de despesas da atividade desenvolvida. Observase que as alegações do recurso envolvem matéria de fato, cuja prova diz o Recorrente demonstrar e comprovação com os documentos juntados nesta fase recursal. Notase também que o Recorrente se insurge não só contra a autuação dos anos calendários de 2006 e 2007, mantidos em parte, mas também do ano de 2008, que foram canceladas e não remanesce qualquer exigência desse período. Assim, qualquer exame na comprovação dos fatos alegados pelo Recorrente, deve levar em consideração apenas os exercícios com as exigências mantidas de 2006 e 2007. Conversão dos autos em diligencia Os documentos juntados com o recurso exigem exame pericial, não requerida e não produzida pelo interessado para procurar desconstituir a autuação; autuação com a presunção da legalidade e o contribuinte na alegação com novos documentos. Não seria caso de conversão em diligencia, o julgador não é nenhum perito da matéria de fato. Contudo, diante dos diversos documentos juntados com as razões de recurso, procurando comprovar as despesas e receitas declaradas da parte mantida, é necessário, em Fl. 11054DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11060.722117/201111 Resolução nº 2202000.570 S2C2T2 Fl. 13 12 caráter excepcional, converter os autos em diligencia para que a digna a autoridade fiscal confronte as informações e os documentos juntados sobre na tentativa de comprovar ser indevida a autuação. Acrescentese por pertinente, que o recorrente apontou em sua impugnação que apresentou anexos 1 , 2 e subanexos, entretanto os mesmos não constam nesse processo. Presumese que os mesmo estejam nos autos do processo no. 11060.722107/201185 de Pedro Luiz Herter, tal como argumenta o recorrente na impugnação. É necessário de a fiscalização relatar cada situação, os motivos de admitir ou não a comprovação trazida, refazendo os cálculos, se for o caso, em relação a parte mantida. Necessário a fiscalização (a) trazer demonstrativo, com relatório das diligencias realizadas em cada ano calendário, a base de cálculo e o imposto apurado com as receitas e despesas admitidas pela fiscalização (b) trazer ainda o calculo da autuação mantida com base no arbitramento de 20% da receita bruta considerada pela autuação, sem a efetiva despesa (Leis n°s 8.023, de 1990 e 9.250, de 1995, reproduzido pelo arts. 60, 66 e 71, do RIR/99). Esta necessidade decorre da posição de algumas turmas de julgamento deste Conselho admitirem a base de calculo presumida de 20%, na desconsideração das despesas, quando isto for mais vantajoso. Ante o exposto, pelo meu voto, converto os autos em diligencia para que a digna autoridade fiscal aprecie os documentos juntados pelo Recorrente, traga relatório circunstanciado das diligencias e realize outras se necessárias para esclarecer a matéria de fato controvertida nos autos. Pedese ainda (a) cálculo da autuação com base nas receitas e despesas que possam ser admitidas, diante os documentos juntados e (b) cálculo do tributo com a base de calculo presumida de 20% das receitas (na hipótese da desconsideração das despesas), para aferir a situação mais vantajosa caso não se admitam as despesas pretendidas pelo autuado. Cabe ao autuado o pleno dever de colaboração com fiscalização para esclarecer a matéria de fato em relação aos documentos juntados. A fiscalização deve relatar se houver qualquer dificuldade ou embaraço na realização das diligências. Concluída a diligencia, dêse ciência ao autuado pelo prazo de 15 dias para manifestação, querendo. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 11055DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10283.720851/2010-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE.
As autoridade julgadoras, no Processo Administrativo Fiscal Federal, encontram-se atreladas aos critérios de legalidade, devendo, sempre que necessário, reconhecer a ilegalidade de atos normativos infralegais que, na aplicação específica, demonstram estar em dissonância com os respectivos comandos normativos.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL60. IN SRF 243/2002.
As disposições do artigo 12 da IN SRF 243/2002, especificamente no que diz respeito aos critérios de aplicação do método PRL60, encontravam-se, até a edição da MP 562/2012 (convertida na Lei 12.715/2012), em descompasso com as determinações legais, somente se evidenciando a harmonia do sistema a partir da inovação legislativa proporcionada pelos novos dispositivos.
Por força dessa conclusão, reconhecendo-se a ilegalidade da composição do método de controle dos preços de transferência referenciado pelo mencionado dispositivo, não se pode admitir a imposição de sua observância pela contribuinte, ao menos no que se refere ao período anterior à alteração legislativa mencionada.
Numero da decisão: 1301-001.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, 1) Por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. 2) Por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente convocado).
(Assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado), Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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ILEGALIDADE. As autoridade julgadoras, no Processo Administrativo Fiscal Federal, encontramse atreladas aos critérios de legalidade, devendo, sempre que necessário, reconhecer a ilegalidade de atos normativos infralegais que, na aplicação específica, demonstram estar em dissonância com os respectivos comandos normativos. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL60. IN SRF 243/2002. As disposições do artigo 12 da IN SRF 243/2002, especificamente no que diz respeito aos critérios de aplicação do método PRL60, encontravamse, até a edição da MP 562/2012 (convertida na Lei 12.715/2012), em descompasso com as determinações legais, somente se evidenciando a harmonia do sistema a partir da inovação legislativa proporcionada pelos novos dispositivos. Por força dessa conclusão, reconhecendose a ilegalidade da composição do método de controle dos preços de transferência referenciado pelo mencionado dispositivo, não se pode admitir a imposição de sua observância pela contribuinte, ao menos no que se refere ao período anterior à alteração legislativa mencionada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, 1) Por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. 2) Por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente convocado). (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 08 51 /2 01 0- 87 Fl. 779DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 2 VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado), Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 780DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10283.720851/201087 Acórdão n.º 1301001.275 S1C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tomando como base o relatório apresentado pela r. decisão de primeira instância, destaco: Versa o presente processo sobre o(s) Auto(s) de Infração de fls. 0221, relativo(s)ao Imposto de Renda Pessoa Jurídiica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, anoscalendário 2006, com crédito total apurado no valor de R$ 270.189.423,24, incluindo o principal (IRPJ e CSLL), a multa de ofício e os juros de mora, atualizados até 30/11/2010. O(a) contribuinte tomou ciência do(s) lançamento(s) em 07/12/10 (fls. 03 e 13). De acordo com a descrição dos fatos do(s) Auto(s) de Infração, o contribuinte incorreu na(s) seguinte(s) infração(ões): Falta de adição da parcela dos custos de bens adquiridos no exterior, de pessoa vinculada, que excede o preço parâmetro de transferência. Assevera a Autoridade Lançadora que a Interessada utilizou o método de cálculo Preço de Revenda Menos Lucro de 60% (PRL60) no ajuste do preço de transferência, sem adotar os parâmetros de cálculo definidos pelo art. 18 da Lei n° 9.430/96 e IN SRF 243/2002. Razão por que os ajustes calculados pela fiscalização, com base nas informações fornecidas em arquivos magnéticos pelo próprio sujeito passivo, foram superiores aos apurados por este, resultando no lançamento. O(a) contribuinte apresentou sua(s) impugnação(ões) ao(s) lançamento(s) em 05/01/2011 (fls. 429461), na(s) qual(is) alegou em síntese que: Da ilegalidade da IN SRF 24312006 1. A Lei n° 9.959/2000 permitiu a aplicação do método PRL para bens importado aplicados à produção, utilizando uma margem de lucro de 60%, calculada sobre o preço de revenda, diminuído das deduções previstas na Lei n° 9.430/96 e do valor agregado no país; 2. As IN SRF 113/2000 e 32/2001 determinavam que o método PRL deveria ser calculado com base no preço de venda do bem produzido, e que este valor deveria ser tomado em seu valor absoluto. Com base neste valor, seriam feitas as deduções previstas em lei e diretamente calculada a margem de lucro. Finalmente a margem de lucro seria diretamente diminuída do preço líquido de venda para apuração do preço parâmetro, sem qualquer adicional; 3. IN SRF 243/2002 modificou a estrutura do PRL 60 ao introduzir no cálculo elementos que não estavam previstos na Lei n° 9.430/96 (incisos II, III, IV e V do § 11 do art 12 da IN SRF 243/2002), tornadoo mais oneroso ao contribuinte; 4. A alteração promovida pela IN SRF 243/2002 afeta diretamente a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, sendo, portanto, ilegal, nos termos do art. 97 do CTN, por extrapolar sua competência, que é de norma meramente regular e interpretativa; 5. A ilegalidade acima apontada ficou clara pela exposição de motivos da MP n° 478/2009, que tentou, entre outras coisas, alterar o art. 18 da Lei n° 9.430/96; Do cálculo CPL Fl. 781DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 4 6. Em relação ao insumo EAZ6348QE127UEVZ (PDP, ModuleVGA), utilizado na fabricação do produto código EAZ42PC1RVAWZ (televisor de plasma com tela de 42 pol), utilizou a metodologia de cálculo do CPL, conforme memória de cálculo e CD fornecido à fiscalização. Contudo, tal fato foi, sem justificativa, desconsiderado pela fiscalização para aplicação indiscriminada do método de cálculo do PRL. O que torna ilegal o ajuste empreendido pela fiscalização; 7. Ainda que tivesse indicado, na DIPJ, o método PRL com relação a determinado insumo, e posteriormente apresentasse a fiscalização outra metodologia de cálculo, prevaleceria o método que representasse menor ajuste, independentemente do momento de apresentação das informações; 8. A Lein° 9.430/96 não estabelece preclusão temporal para escolha do método de cálculo do preço de transferência; Da multa e dos juros 9. A multa de 75% é abusiva, extorsiva, expropriatória e confiscatória, na forma do art. 150, IV, da CF, na medida que não houve fraude, sonegação, dolo ou máfé por parte da recorrente, ultrapassando os limites da razoabilidade e proporcionalidade; 10. A jurisprudência tem reconhecido a inaplicabilidade da taxa SELIC aos créditos tributários, por inconstitucionalidade, uma vez que aquela taxa não foi criada por lei para fins tributários: Nesse sentido o REsp 215881/PR e o REsp 450422/PR; 11. A cobrança dos juros de mora sobre a multa aplicada é ilegal, eis que a Lei n° 9.250/95, que instituiu a taxa SELIC como parâmetro de correção de débitos tributários, somente é aplicável ao valor principal, ou seja, aos tributos e contribuições, e que o artigo 43 da Lei n° 9.430/96 somente autorizou a aplicação dos juros de mora sobre a multa quando esta é lançada isoladamente. Nesse sentido o Acórdão n° 10195.469, de 24/0412006; Da juntada de novos documentos e pedido de diligência 12. Por fim, protesta pela juntada posterior de novos documentos e realização de diligência. Com base nesses fundamentos, entendeu a douta DRJBelém (PA) pela procedência parcial da impugnação, destacando na ementa de seu acórdão as seguintes e específicas conclusões: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 Ementa: INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. As autoridades julgadoras de 1a instancia não possuem competência para apreciar a ilegalidade da Instrução Normativa expedida por autoridade hierárquica superior. INSTRUÇÃO NORMATIVA. OBSERVÂNCIA. As Instruções Normativas gozam de presunção de legalidade e são de observância obrigatória pelos servidores subordinados à autoridade que expediu o ato normativo. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. DESCONSIDERAÇÃO DO MÉTODO DE CÁLCULO. MOTIVAÇÃO. É improcedente o procedimento de desconsideração do método de cálculo do preço parâmetro de transferência, que não está devidamente motivado. Fl. 782DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10283.720851/201087 Acórdão n.º 1301001.275 S1C3T1 Fl. 4 5 MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. É inaplicável o conceito de confisco e de ofensa à capacidade contributiva em relação à aplicação da multa de ofício, que não se reveste do caráter de tributo. DECISÔES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, com efeito inter partes, não podem ser aplicadas a outros casos. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, apresentase regular a incidência dos juros de mora sobre os valores da multa de oficio não pagos, a partir de seu vencimento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário M antido em Parte Em decorrência da exoneração tributária promovida pela r. decisão de origem e, decorrência da anulação parcial do procedimento da fiscalização no que tange à desconsideração dos ajustes promovidos pela contribuinte em relação ao insumo indicado como sendo EAZ6348Q E127UGVZ, no valor de R$ 70.149.441,92, foi então determinada a análise do julgado por este CARF, em decorrência da interposição do competente recurso de ofício. Regularmente intimada a contribuinte no dia 02/06/2011, foi por ela interposto o seu competente Recurso Voluntário, protocolado no dia 01/07/2011, pretendendo a reforma da decisão prolatada e, em conseqüência, a anulação integral do lançamento efetivado, redargüindo, agora, todos os argumentos antes apresentados em sua impugnação, com destaques então às considerações trazidas pela r. decisão de primeira instância. Em oposição aos argumentos aduzidos pela recorrente, sustentando a validade dos argumentos da fiscalização e, por conseqüência, a necessidade de manutenção dos termos da r. decisão recorrida, comparece ainda a douta PGFN apresentando as suas CONTRA RAZÕES de Recurso Voluntário. Esse é o relatório. Fl. 783DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 6 Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER – Relator. Sendo regular o recurso de ofício e tempestivo o recurso voluntário, conheço de ambos os recursos interpostos nestes autos. Do Recurso de Ofício A primeira consideração a ser tratada nos presentes autos, diz respeito à parcela da exoneração tributária promovida pela r. decisão de primeira instância, que, pelo se verifica, referese, especificamente, à anulação do procedimento adotado pela fiscalização, especificamente no que diz respeito à desconsideração dos cálculos e demonstrativos apresentados pela contribuinte em relação à aplicação do método CPL sobre o insumo identificado como sendo o EAZ6348Q E127UGVZ. Após a demonstração de um leve equívoco na identificação do insumo nas razões de ambas as partes, demonstra o ilustre Sr. Relator da decisão de origem que o produto ÉAZ6348QE127UGVZ é exatamente o mesmo daquele indicado como sendo o EAZ6348Q E127UEVZ, tratandose, no caso, de mero erro de grafia promovido pela contribuinte ou pelos agentes fiscais. Em seguida a essas considerações, destaca a r. decisão de origem que a fiscalização, pelo que se verifica, simplesmente desconsiderou as informações prestadas pela contribuinte, destacando, em suas razões, a invalidade do procedimento sob os seguintes e específicos fundamentos: No caso concreto, o sujeito passivo indicou a metodologia de cálculo do preço parâmetro do insumo EAZ6348Q E127UGVZ, bem como apresento a respectiva memória de cálculo. A fiscalização, por sua vez, desconsiderou tal cálculo, porém ao expressou sua falta de convicção no cálculo apresentado pelo sujeito passivo. É o que se depreende pela leitura dos fatos narrados no Auto de Infração (fls. 0409). Logo, na ausência de indicação do pressuposto que levou a fiscalização a desconsiderar o preço parâmetro CPL do insumo EAZ6348Q E127UGVZ, o ajuste do preço de transferência relativo ao mesmo insumo, no valor de R$ 70.149.441,92, deve ser considerado improcedente ante a ilegalidade do procedimento. Pelo que se verifica, após rápidas incursões nos registros e nos documentos contidos nos autos, mostrase perfeitamente sindicável o equívoco na identificação do insumo apontado, sobretudo pela verificação da identidade quantitativa a eles relativa, não se podendo assim, de forma alguma, admitir a desconsideração promovida pelos agentes da fiscalização, da forma como aqui então especificamente apontada. Diante dessas razões, entendo, no caso, completamente inatacáveis as conclusões atingidas pela douta DRJ de primeira instância em relação à exoneração efetivada, devendo assim ser então aqui devidamente mantida por este Conselho. Em face dessas considerações, encaminho o meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, mantendo, assim, a exoneração da forma como efetivada. Fl. 784DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10283.720851/201087 Acórdão n.º 1301001.275 S1C3T1 Fl. 5 7 Do Recurso Voluntário A discussão travada nos autos, conforme já aqui antes demonstrado, referese ao debate em torno à discussão da validade do lançamento fiscal, efetivado em face da discordância entre a contribuinte e os agentes fazendários, a respeito da adequada e válida aplicação dos métodos de apuração dos conhecidos “Preços de Transferência”, de que tratam as disposições da IN 243/2002. A matéria, como se sabe, é tema de relevantes debates neste Conselho, envolvendo, em seu cenário, exatamente a discussão em torno da legalidade das disposições contidas na referida IN 243/2002, em face das disposições contidas na Lei 9.430/96, que, em suas disposições originárias, assim, á época, apresentavase: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. § 1º As médias aritméticas dos preços de que tratam os incisos I e II e o custo médio de produção de que trata o inciso III serão calculados considerando os preços praticados e os custos incorridos durante todo o período de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que se referirem os custos, despesas ou encargos. § 2º Para efeito do disposto no inciso I, somente serão consideradas as operações de compra e venda praticadas entre compradores e vendedores não vinculados. § 3º Para efeito do disposto no inciso II, somente serão considerados os preços praticados pela empresa com compradores não vinculados. § 4º Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 5º Se os valores apurados segundo os métodos mencionados neste artigo forem superiores ao de aquisição, constante dos respectivos documentos, a dedutibilidade fica limitada ao montante deste último. § 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. § 7º A parcela dos custos que exceder ao valor determinado de conformidade com este artigo deverá ser adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real. Fl. 785DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 8 § 8º A dedutibilidade dos encargos de depreciação ou amortização dos bens e direitos fica limitada, em cada período de apuração, ao montante calculado com base no preço determinado na forma deste artigo. § 9º O disposto neste artigo não se aplica aos casos de royalties e assistência técnica, científica, administrativa ou assemelhada, os quais permanecem subordinados às condições de dedutibilidade constantes da legislação vigente. (grifos e destaques nossos) Essas disposições, conforme apontado, eram as disposições originárias contidas na referida norma à época da ocorrência dos fatos tratados nos presentes autos, já tendo sido efetivada a pretensão de sua alteração (conforme apontado pela recorrente) a partir da inserção, em nosso sistema jurídico, das disposições da MP 478/2009 (não convertida), e, mais recentemente, da MP 563/2012, esta convertida na recente Lei 12.715/2012, de 17 de Setembro de 2012, que, promovendo relevantes alterações no sistema, será aqui ainda analisada. Nada obstante, cumpre destacar, a princípio, que, conforme destacado, a discussão fundamental havida nos autos referese à discussão a respeito da legalidade das disposições contidas na IN 243/2002, tendo em vista o apontamento efetivado pela recorrente de que este diploma regulamentar não teria observado, em suas disposições, as determinações contidas na respectiva legislação de regência, estando assim eivada de ilegalidade, nos termos apontados. Diante dessas considerações, destaquemos as expressas disposições da referida IN 243/2002, especificamente no que aqui especificamente nos interessa: Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. § 1º Os preços de revenda, a serem considerados, serão os praticados pela própria empresa importadora, em operações de venda a varejo e no atacado, com compradores, pessoas físicas ou jurídicas, que não sejam a ela vinculados. § 2º Os preços médios de aquisição e revenda serão ponderados em função das quantidades negociadas. § 3º Na determinação da média ponderada dos preços, serão computados os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração. § 4º Para efeito desse método, a média aritmética ponderada do preço será determinada computandose as operações de revenda praticadas desde a data da aquisição até a data do encerramento do período de apuração. § 5º Se as operações consideradas para determinação do preço médio contiverem vendas à vista e a prazo, os preços relativos a estas últimas deverão ser escoimados dos juros neles incluídos, calculados à taxa praticada pela própria empresa, quando comprovada a sua aplicação em todas as vendas a prazo, durante o prazo concedido para o pagamento. § 6º Na hipótese do § 5º, não sendo comprovada a aplicação consistente de uma taxa, o ajuste será efetuado com base na taxa: I referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), para títulos federais, proporcionalizada para o intervalo, quando comprador e vendedor forem domiciliados no Brasil; II Libor, para depósitos em dólares americanos pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizada para o intervalo, quando uma das partes for domiciliada no exterior. § 7º Para efeito deste artigo, serão considerados como: Fl. 786DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10283.720851/201087 Acórdão n.º 1301001.275 S1C3T1 Fl. 6 9 I incondicionais, os descontos concedidos que não dependam de eventos futuros, ou seja, os que forem concedidos no ato de cada revenda e constar da respectiva nota fiscal; II impostos, contribuições e outros encargos cobrados pelo Poder Público, incidentes sobre vendas, aqueles integrantes do preço, tais como ICMS, ISS, PIS/Pasep e Cofins; III comissões e corretagens, os valores pagos e os que constituírem obrigação a pagar, a esse título, relativamente às vendas dos bens, serviços ou direitos objeto de análise. § 8º A margem de lucro a que se refere a alínea "a" do inciso IV do caput será aplicada sobre o preço de revenda, constante da nota fiscal, excluídos, exclusivamente, os descontos incondicionais concedidos. § 9º O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado nas hipóteses em que, no País, não haja agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do §10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. Diante dessas circunstâncias, passemos então à análise das circunstâncias apontadas: Da (in)validade das disposições da IN 243/2002 Em relação a esse primeiro ponto de destaque, cumpre ressaltar que, de acordo com as disposições da r. decisão de origem, a matéria sequer fora especificamente analisada, tendo em vista apenas, e tão somente, o apontamento de que tratandose, na essência, de discussão a respeito da validade (legalidade) do ato normativo regulamentar, descaberia às Delegacias Regionais de Julgamento qualquer manifestação a seu respeito, tendo em vista a falta de competência para tanto. A discussão a respeito da legitimidade da avaliação da legalidade dos atos normativos infralegais pelos órgãos de julgamento, de fato, é tema hoje pacífico na doutrina e jurisprudência pátria, sendo aí relevante o destaque que se faz em relação á diferença entre às Delegacias da Receita Federal, responsáveis pela fiscalização e pelo lançamento de tributos contra os contribuintes, e os atos próprios das chamadas Delegacias Regionais de Julgamento – Fl. 787DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 10 DRJ, cuja competência, a teor do que estabelecido nas disposições do Decreto 70.235/72, é, exatamente, a de controle de legalidade dos atos administrativos. Nessa linha, afasto, desde já, o apontamento contido na r. decisão de origem a respeito da impossibilidade de apreciação da legalidade das Instruções Normativas pelos órgãos administrativos julgados, sobretudo após a instauração da fase contenciosa do Processo Administrativo Fiscal, sendo este, de fato, o momento propício e adequado para a devida e regular avaliação da legalidade do referido ato normativo. A limitação existente quanto à atuação dos órgãos julgadores, de fato, é relativa á constitucionalidade dos atos da administração e da própria legislação, inexistindo, entretanto, qualquer óbice à prática do controle de legalidade, como forma de garantir, inclusive, a garantia de observância aos princípios da legalidade, moralidade, eficiência e economicidade, próprios que são da específica atuação administrativa brasileira. Feitas essas considerações, importante agora analisar a discussão havida nos autos, e, neste ponto, a especifica discussão em torno da (i)legalidade das disposições da referida IN 243/2002, que, segundo aponta a contribuinte, teria transbordado da competência que lhe fora conferida pela Lei de regência, não podendo, assim, ser aqui efetivamente aplicada. Nessa linha, cumpre destacar que, conforme apontado, a discussão em relação a esse específico tema nos autos cingese à verificação de que, nas disposições da referida IN 243/2002, teriam sido incluídos conceitos completamente inexistentes nas referidas disposições legais de regência, carecendolhes, assim, conforme apontado pela recorrente, o necessário amparo de legalidade. Vejamos. A primeira questão destacada pela contribuinte, seria decorrente da verificação de que, de acordo com as disposições então contidas na Lei 9.430/96, a apuração da margem de lucro de 60%, por ela determinada, deveria levar em conta, especificamente, o valor da participação do bem importado sobre o preço líquido de venda, e não sobre o preço líquido da venda total, sendo essa, especificamente, a divergência verificada entre as disposições da Lei de regência e aquelas apontadas pela referida IN 243/2002. Para a adequada análise, comparemos aqui a específica redação dos dispositivos apontados: Lei 9.430/96: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) (...) IN 243/2002 Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: Fl. 788DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10283.720851/201087 Acórdão n.º 1301001.275 S1C3T1 Fl. 7 11 I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. (...) § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do §10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. A discussão em torno do confronto entre as referidas disposições, vale destacar, decorre do fato de que da leitura de cada uma delas extraemse diferentes conclusões matemáticas, fazendo nascer, assim, o imbróglio da adequada fórmula a ser aplicada nas operações praticadas pela contribuinte. Independentemente de toda a discussão relativa à adequação ou não do texto das normas apontadas, é relevante destacar que, a rigor, os métodos apontados são apresentados como instrumentos para a metrificação dos valores aplicados em decorrência de operações havidas entre partes relacionadas, especificamente como forma de garantir a impossibilidade da distribuição disfarçada de resultados, o que, insistase, é o cerne fundamental das normas relativas ao controle dos chamados “preços de transferência”. Nessa linha, é relevante o destaque de que, conceitualmente, o percentual da margem de lucro considerada (60%) deva incidir, especificamente, sobre o montante representativo do bem inicialmente importado na ulterior comercialização do bem produzido, não podendo, de forma alguma, ser aplicado sobre o total da venda posteriormente realizada, sob pena de causar conseqüências completamente exdrúxulas, conforme reiteramente exemplificado pelos estudiosos da matéria (ex.; o parafuso na produção do avião...). De fato, adequada interpretação das disposições originariamente contidas na lei 9.430/96 levam á necessária conclusão de que a apontada margem de lucro deve incidir, apenas e tão somente, sobre o montante econômico representativo do bem importado, sendo, por isso, necessárias as deduções e exclusões apontadas. Fl. 789DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 12 Assim, a discussão apontada desbota, então, na construção das seguintes formulações matemáticas: 1) PP = PLV – 60%(PLVVAB) 2) PP = PLV – 60%(PLV) VAB A primeira hipótese, insta destacar, é a hipótese construída pela aplicação direta das disposições contidas na Lei 9.430/96, nos termos antes previstos nas disposições da IN 32/2001, ao passo que a segunda, conforme se verifica, seria aquela construída a partir da aplicação das disposições da IN 243/2002, que, substituindo a primeira, passou, a partir de então, a pretender disciplinar a atuação dos contribuintes e dos agentes da fiscalização, inaugurando, assim, um atormentado período de debates a respeito de sua validade. Da forma como destacado, de fato, a distinção que se faz entre as duas hipóteses apresentadas é verificada pelo fato de que enquanto na primeira a margem de lucro a ser aplicada (60%) incidiria pelo valor líquido da transação (Preço líquido de venda, menos, o valor agregado no país), na segunda, aquela margem seria aplicada sobre o total do preço líquido de venda, sendo apenas posteriormente subtraído o valor agregado no Brasil. A discussão apontada era de tão grave relevância que, conforme antes aqui inclusive destacado, passouse a buscar a alteração das disposições da respectiva legislação de regência, com vistas a compatibilizar as suas disposições com aquelas constantes na referida IN 243/2002, o que, conforme se verifica, fora atualmente verificado, tendo em vista as disposições inseridas no mencionado art. 18 da Lei 9.430/96 pela MP 563/2012, agora recentemente convertida na Lei 12.715/2012. Eis as novéis disposições da Lei 9.430/96: "Art. 18. ....................................................................... I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética ponderada dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda empreendidas pela própria interessada ou por terceiros, em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética ponderada dos preços de venda, no País, dos bens, direitos ou serviços importados, em condições de pagamento semelhantes e calculados conforme a metodologia a seguir: a) preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem, direito ou serviço produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; b) percentual de participação dos bens, direitos ou serviços importados no custo total do bem, direito ou serviço vendido: a relação percentual entre o custo médio ponderado do bem, direito ou serviço importado e o custo total médio ponderado do bem, direito ou serviço vendido, calculado em conformidade com a planilha de custos da empresa; c) participação dos bens, direitos ou serviços importados no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido: aplicação do percentual de participação do bem, direito ou serviço importado no custo total, apurada conforme a alínea b, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com a alínea a; d) margem de lucro: a aplicação dos percentuais previstos no § 12, conforme setor econômico da pessoa jurídica sujeita ao controle de preços de transferência, sobre a participação do bem, direito ou serviço importado no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido, calculado de acordo com a alínea c; e 1. (revogado); 2. (revogado); Fl. 790DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10283.720851/201087 Acórdão n.º 1301001.275 S1C3T1 Fl. 8 13 e) preço parâmetro: a diferença entre o valor da participação do bem, direito ou serviço importado no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido, calculado conforme a alínea c; e a "margem de lucro", calculada de acordo com a alínea d; e III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: definido como o custo médio ponderado de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, acrescido dos impostos e taxas cobrados na exportação no país onde tiverem sido originariamente produzidos, e de margem de lucro de 20% (vinte por cento), calculada sobre o custo apurado. § 1o As médias aritméticas ponderadas dos preços de que tratam os incisos I e II do caput e o custo médio ponderado de produção de que trata o inciso III do caput serão calculados considerandose os preços praticados e os custos incorridos durante todo o período de apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda a que se referirem os custos, despesas ou encargos. ............................................................................................. § 6o Não integram o custo, para efeito do cálculo disposto na alínea b do inciso II do caput, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, desde que tenham sido contratados com pessoas: I não vinculadas; e II que não sejam residentes ou domiciliadas em países ou dependências de tributação favorecida, ou que não estejam amparados por regimes fiscais privilegiados. § 6oA. Não integram o custo, para efeito do cálculo disposto na alínea b do inciso II do caput, os tributos incidentes na importação e os gastos no desembaraço aduaneiro. ............................................................................................. § 10. Relativamente ao método previsto no inciso I do caput, as operações utilizadas para fins de cálculo devem: I representar, ao menos, 5% (cinco por cento) do valor das operações de importação sujeitas ao controle de preços de transferência, empreendidas pela pessoa jurídica, no período de apuração, quanto ao tipo de bem, direito ou serviço importado, na hipótese em que os dados utilizados para fins de cálculo digam respeito às suas próprias operações; e II corresponder a preços independentes realizados no mesmo anocalendário das respectivas operações de importações sujeitas ao controle de preços de transferência. § 11. Na hipótese do inciso II do § 10, não havendo preço independente no anocalendário da importação, poderá ser utilizado preço independente relativo à operação efetuada no ano calendário imediatamente anterior ao da importação, ajustado pela variação cambial do período. § 12. As margens a que se refere a alínea d do inciso II do caput serão aplicadas de acordo com o setor da atividade econômica da pessoa jurídica brasileira sujeita aos controles de preços de transferência e incidirão, independentemente de submissão a processo produtivo ou não no Brasil, nos seguintes percentuais: I 40% (quarenta por cento), para os setores de: a) produtos farmoquímicos e farmacêuticos; b) produtos do fumo; c) equipamentos e instrumentos ópticos, fotográficos e cinematográficos; d) máquinas, aparelhos e equipamentos para uso odontomédicohospitalar; e) extração de petróleo e gás natural; e f) produtos derivados do petróleo; II 30% (trinta por cento) para os setores de: a) produtos químicos; b) vidros e de produtos do vidro; c) celulose, papel e produtos de papel; e d) metalurgia; e III 20% (vinte por cento) para os demais setores. § 13. Na hipótese em que a pessoa jurídica desenvolva atividades enquadradas em mais de um inciso do § 12, deverá ser adotada para fins de cálculo do PRL a margem correspondente ao setor da atividade para o qual o bem importado tenha sido destinado, observado o disposto no § 14. Fl. 791DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 14 § 14. Na hipótese de um mesmo bem importado ser revendido e aplicado na produção de um ou mais produtos, ou na hipótese de o bem importado ser submetido a diferentes processos produtivos no Brasil, o preço parâmetro final será a média ponderada dos valores encontrados mediante a aplicação do método PRL, de acordo com suas respectivas destinações. § 15. No caso de ser utilizado o método PRL, o preço parâmetro deverá ser apurado considerandose os preços de venda no período em que os produtos forem baixados dos estoques para resultado. § 16. Na hipótese de importação de commodities sujeitas à cotação em bolsas de mercadorias e futuros internacionalmente reconhecidas, deverá ser utilizado o Método do Preço sob Cotação na Importação PCI definido no art. 18A. § 17. Na hipótese do inciso I do § 10, não havendo operações que representem 5% (cinco por cento) do valor das importações sujeitas ao controle de preços de transferência no período de apuração, o percentual poderá ser complementado com as importações efetuadas no anocalendário imediatamente anterior, ajustado pela variação cambial do período." (NR) Ora, pela alteração legislativa apontada, verificase, agora sim, a consonância entre os critérios presentes na respectiva norma legal de regência e aquelas aplicadas pela Instrução Normativa apontada, o que, inegavelmente, anteriormente não se verificava. Diante dessas considerações, adotando, no caso, o preceito hermenêutico máximo de que “a lei não possui palavras inúteis”, a inclusão atual das disposições apontadas, inexistentes à época da efetivação do lançamento aqui discutido, simplesmente confirma a previsão de que, de fato, inexistia fundamento legal para as disposições da referida IN 243/2002, estando, por isso, desde antes, fadada de ilegalidade a conduta praticada pela fiscalização na presente vertente. Com base nesses fundamentos, entendo, neste particular, pela completa e total invalidade/ilegalidade das disposições contidas na IN 243/2002 – especificamente em relação às disposições contidas em seu art. 12 , relativamente ao período anterior às alterações efetivadas pela MP 563/2012 (convertida na Lei 12.715/2012), não se podendo, assim, de forma alguma, admitir como válida a sua aplicação pela fiscalização nos presentes autos, e, por conseguinte, concluindo pela adequada regularidade dos procedimentos adotados pela contribuinte, quando da efetiva aplicação do método PRL60, nos termos por ela então especificamente sustentado. Por essas razões, encaminho o meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto, reconhecendo, no caso, a ilegalidade das disposições contidas na IN 243/2002, especificamente no período anterior à vigência da Lei 12.715/2012 (MP 563/2012), e, por essa razão, reconhecer a total insubsistência do lançamento efetivado. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 792DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES
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