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Numero do processo: 13657.000456/2009-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO. MONTANTE DOS RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Acolhem-se os embargos de declaração para sanar a contradição no acórdão embargado quanto ao valor dos rendimentos recebidos acumuladamente excluídos do lançamento fiscal.
Numero da decisão: 2401-005.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para sanar o vício apontado no acórdão embargado mediante a retificação do montante referente aos rendimentos recebidos acumuladamente, excluídos do lançamento fiscal, equivalente a R$ 237.448,46.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO. MONTANTE DOS RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Acolhem-se os embargos de declaração para sanar a contradição no acórdão embargado quanto ao valor dos rendimentos recebidos acumuladamente excluídos do lançamento fiscal.
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CONTRADIÇÃO. MONTANTE DOS RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Acolhemse os embargos de declaração para sanar a contradição no acórdão embargado quanto ao valor dos rendimentos recebidos acumuladamente excluídos do lançamento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para sanar o vício apontado no acórdão embargado mediante a retificação do montante referente aos rendimentos recebidos acumuladamente, excluídos do lançamento fiscal, equivalente a R$ 237.448,46. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 7. 00 04 56 /2 00 9- 43 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 13657.000456/200943 Acórdão n.º 2401005.741 S2C4T1 Fl. 155 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. Relatório Cuidase de embargos de declaração opostos pelo contribuinte, conforme fls. 136/141, contra o Acórdão nº 2801003.492, de 14/04/2014, proferido pela 1ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual está juntado às fls. 80/87. Alega o embargante que o acórdão ao cancelar o lançamento fiscal pela falta de aplicação do regime de competência no cálculo do imposto de renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente incorreu em omissão e contradição em relação aos valores efetivamente abrangidos pela notificação de lançamento. A ciência do acórdão embargado pelo contribuinte deuse no dia 27/04/2016, que interpôs os embargos de declaração em 28/04/2016, segundo a data da postagem aposta no envelope da remessa do recurso por via postal (fls. 130/134 e 142/145). Tendo em conta que os embargos foram opostos contra decisão de Turma extinta, assim como o relator originário não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a sua admissibilidade foi analisada pelo Presidente da 2ª Seção. Os aclaratórios foram admitidos por despacho do Presidente da 2ª Seção de Julgamento, determinando a sua inclusão em pauta de julgamento, após novo sorteio de relatoria, com vistas ao saneamento dos vícios apontados pelo contribuinte (fls. 149/152). É o relatório. Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Uma vez preenchidos os requisitos de admissibilidade dos embargos de declaração, passo à avaliação de mérito (art. 65, § 1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015). Pois bem. Na origem, o lançamento fiscal decorreu da constatação de omissão de rendimentos tributáveis, no valor total de R$ 245.392,43, assim distribuídos (fls. 16/17): Fl. 155DF CARF MF Processo nº 13657.000456/200943 Acórdão n.º 2401005.741 S2C4T1 Fl. 156 3 1. Banco do Brasil SA, na quantia de R$ 237.448,46, com imposto retido de R$ 7.123,45; e 2. Instituto Nacional do Seguro Social, no montante de R$ 7.943,97. A matéria devolvida a julgamento em segunda instância restringiuse à parcela relativa aos rendimentos recebidos acumuladamente, na importância de R$ 237.448,46. Confirase trecho do acórdão embargado (fls. 83): (...) Conforme se verifica nos autos, o litígio se refere apenas ao lançamento relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente, em razão da ação da ação revisional de benefício previdenciário. (...) Com efeito, não se instaurou o litígio com relação à omissão de rendimentos provenientes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), no montante de R$ 7.943,97, conforme destacou a decisão de primeira instância (fls. 52/56). Além de deixar de impugnar expressamente a omissão de rendimentos recebidos do INSS, também não houve contestação específica da matéria no recurso voluntário, em que apenas se verifica o inconformismo do contribuinte com a autuação fiscal, sem contudo estar acompanhado de qualquer argumento para levar à improcedência dessa omissão de rendimentos (fls. 02/04 e 63/69). Quanto ao mérito do recurso voluntário, o acórdão embargado decidiu pelo cancelamento do lançamento fiscal referente à parcela de rendimentos recebidos acumuladamente, em razão do equívoco no critério utilizado pela fiscalização para a apuração do imposto de renda. Contudo, ao referirse ao valor dos rendimentos acumulados, a decisão combatida cometeu um ato falho ao indicar para exclusão o montante de R$ 7.943,97, em vez de R$ 237.448,46. Logo, a fim de extirpar o vício do julgado embargado, a conclusão do voto condutor, de lavra do conselheiro Carlos César Quadros Pierre, é alterada para a seguinte redação: "Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso, para cancelar o lançamento referente à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, no montante de R$ 237.448,46." Em consequência, cabe também a alteração do resultado do julgamento, mantendo a harmonia com o restante do acórdão: Fl. 156DF CARF MF Processo nº 13657.000456/200943 Acórdão n.º 2401005.741 S2C4T1 Fl. 157 4 "Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar o lançamento referente aos rendimentos recebidos acumuladamente, no montante de R$ 237.448,46, nos termos do voto do Relator." Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO dos embargos e, no mérito, ACOLHO os aclaratórios, com efeitos infringentes, para sanar o vício apontado no Acórdão nº 2801 003.492, de 14/04/2014, mediante a retificação do montante dos rendimentos recebidos acumuladamente excluídos do lançamento fiscal, que equivale a R$ 237.448,46. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 157DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.910200/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 30/05/2007
SALDO NEGATIVO DE CSLL. DCOMP. NÃO COMPROVAÇÃO.
Constatado que não houve a comprovação da existência de saldo negativo de CSLL para fins de compensar débitos da Contribuinte, de se considerar não homologada a compensação pleiteada no Per/Dcomp.
Numero da decisão: 1401-002.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 30/05/2007 SALDO NEGATIVO DE CSLL. DCOMP. NÃO COMPROVAÇÃO. Constatado que não houve a comprovação da existência de saldo negativo de CSLL para fins de compensar débitos da Contribuinte, de se considerar não homologada a compensação pleiteada no Per/Dcomp. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 91 02 00 /2 00 9- 11 Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10855.910200/200911 Acórdão n.º 1401002.788 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário ao Acórdão 1439.117 proferido pela Sexta Turma da DRJ/RPO em que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, ocasião em que não reconheceu o alegado direito creditório. A seguir, transcrevo os termos e fundamentos da decisão recorrida: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) [...], por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos (IRPJ código de receita: 2362) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLL – código de receita: 2484). Por intermédio do despacho decisório[...], não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada, [...} interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade [...], na qual alega, em síntese, que: "(...) 2 A requerente recolheu durante o ano de 2006 a Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido, na forma de estimado com recolhimentos mensais, no valor de R$ 298.702,32 (duzentos e noventa e oito reais, setecentos e dois reais e trinta e dois centavos), conforme demonstrada na ficha 17, linha 52 Calculo da Contribuição Social, da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica. 3 Ao encerrar o seu balanço, no final do ano optou pela Apuração pelo Lucro Real, levantando balanço onde apurou o valor devido de R$ 199.292,45 (cento e noventa e nove mil, duzentos e noventa e dois reais e quarenta e cinco centavos), conforme ficha 17 , linha 42 (Calculo da Contribuição Social), da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. 4 Conseqüentemente houve um recolhimento a maior no valor de R$ 99.409,87 (noventa e nove mil, quatrocentos e nove reais e oitenta e sete centavos), conforme ficha 17, linha 54 da DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10855.910200/200911 Acórdão n.º 1401002.788 S1C4T1 Fl. 4 3 5 Conforme a DECLARAÇÃO PER/DCOMP, de n . 24025.17684.300507.1.3.049891, transmitida em 30/05/2007, a mesma fez a devida compensação do valor de RS 23.930,69 (vinte e três mil, novecentos e trinta reais e sessenta e nove centavos). 6 Esse valor referese ao DARF, pago a mais em 31/07/2007 no valor de R$23.041,30 (vinte e três mil, quarenta e um reais e trinta centavos), devidamente corrigido e informado na respectiva PER/DCOMP. Sem mais para o momento e nos colocando a disposição para qualquer outro esclarecimentos ou informações. Diante do exposto é que vem requerer de V.Sria, para que seja mantido o seu credito para a devida compensação solicitada em PER/DCOMP". É o relatório VOTO A manifestação de inconformidade interposta atende aos pressupostos de admissibilidade. Assim sendo, dela conheço. O Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada nos autos, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP[...]. Com efeito, no que diz respeito ao crédito de CSLL (código: 2484), relativo ao mês de dezembro de 2006, no valor de R$ 23.041,30, observo que o mesmo foi utilizado integralmente para pagamento de um débito de CSLL (código: 2484), do próprio mês de dezembro de 2006, no valor de R$ 23.041,30, assim declarado na DCTF de dezembro de 2006 e apresentada pela declarante, conforme cópia de tela de sistema de controle anexada aos autos. Contudo, a recorrente vem, em sua defesa, alegar que a natureza do crédito em questão é de saldo negativo de CSLL, e não pagamento indevido ou a maior de CSLL. Dessa forma, cabe perquirir, à luz do disposto na legislação de regência, se a declaração de compensação ora em exame encontrase devidamente instruída, especialmente no que concerne à comprovação de liquidez e certeza do crédito pleiteado. Nesse sentido, o Código Tributário Nacional (CTN), em seu artigo 170, dispõe: “a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10855.910200/200911 Acórdão n.º 1401002.788 S1C4T1 Fl. 5 4 tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda”. A respeito do tema, cumpre transcrever o disposto no Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aplicável também à CSLL, mais exatamente os artigos 221 a 232, verbis: [...] Assim, somente o saldo negativo de CSLL a pagar, calculado ao final do período de apuração, é que se mostra passível de restituição e/ou compensação posterior, nos termos da legislação vigente. No entanto, a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, no caso, está na dependência da efetiva demonstração, pela requerente, do saldo negativo de CSLL apurado no final de cada período, uma vez que os valores recolhidos a título de estimativa são considerados pela lei como antecipações da contribuição social devido. Diante dessas considerações, esta Turma de Julgamento tem reiteradamente consignado que em tema de restituição e compensação de saldo negativo de IRPJ e de CSLL com outros tributos, ou com o próprio, cabe o atendimento de quatro premissas: 1ª) a constatação dos pagamentos ou das retenções; 2ª) a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções; 3ª) a apuração do indébito, fruto do confronto acima delineado e, 4ª) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em autocompensações. Portanto, não basta à interessada alegar o pagamento a maior ou indevido do tributo, mas também deve trazer, por ocasião do presente contencioso, provas, lastreadas em lançamentos contábeis, que identifiquem, inequivocamente, a base de cálculo da CSLL, o saldo negativo de CSLL apurado e, por conseguinte, os registros contábeis relativos às compensações da CSLL devida nos períodos subseqüentes à apuração do indigitado saldo negativo de CSLL. [...] Neste contexto, a contribuinte deveria trazer provas, lastreadas em lançamentos contábeis, dentre estas, destacamse: os registros contábeis de conta no ativo da CSLL a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, os Livros Diário, Razão e Lalur, etc., tudo de forma a ratificar o indébito pleiteado além da comprovação da contabilização com lastro em documentação hábil, das retenções na fonte e o oferecimento à tributação das receitas que deram origem a tais retenções. Diante dessas premissas, forçoso concluir que a pretensão da Recorrente não logra êxito, vez que a informação prestada na Declaração de Imposto de Renda (DIPJ), por si só, não dá lastro à pretensão repetitória, pois dito documento prova a declaração, Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10855.910200/200911 Acórdão n.º 1401002.788 S1C4T1 Fl. 6 5 não o fato. Noutras palavras: a certeza e liquidez de crédito da contribuinte, a título de saldo negativo de CSLL, não se exterioriza em razão do quantum do tributo declarado como devido no ano calendário, mas sim em relação ao quantum mostrado pela contabilidade. Consoante noção cediça, a escrituração contábil e fiscal mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: [...] No caso presente, a recorrente, com o recurso a esta instância julgadora, nada apresentou, além de cópias do DARF relativo ao mês de dezembro de 2006 e da própria DIPJ/2007, ficha 17. Ora, tal qual o pagamento de tributos e contribuições, que necessita, para convalidar o recolhimento efetuado, de uma série de atos do sujeito passivo, como manter escrituração contábil, baseada em documentos hábeis e idôneos, e a partir desta documentação determinar o tributo devido e recolher o correspondente valor, a restituição também almeja, para materializar o indébito, atividade semelhante. Por tais razões, a contribuinte, quando apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, provar um crédito tributário a seu favor para ter o direito de extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário seja o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. A propósito do tema, cumpre destacar o informativo de jurisprudência do STJ de nº 320, de 14 a 18 de maio de 2007, que trouxe o seguinte julgado: RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PROVA. RECOLHIMENTOS. A recorrente aduz que a eventual restituição, se cabível, haveria de ser respaldada em prova documental, acostada na inicial, dos valores efetivamente pagos com as devidas comprovações de recolhimento, e ante tal incerteza não pode ser a União condenada à restituição dos valores postulados (pela via da compensação), sob pena de infração ao princípio do enriquecimento sem causa. Isso posto, a Turma deu provimento ao recurso ao argumento de que o pressuposto fático do direito de compensar é a existência do indébito. Sem prova desse pressuposto, a sentença teria caráter apenas normativo, condicionada à futura comprovação de um fato. REsp 924.550SC, Rel. Min.Teori Albino Zavascki, julgado em 15/5/2007. (gn) Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10855.910200/200911 Acórdão n.º 1401002.788 S1C4T1 Fl. 7 6 Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Diante do exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. Cientificada da decisão do referido acórdão, a Contribuinte interpõe Recurso Voluntário, onde após um breve relato do indeferimento ao seu direito alegado, entende que a documentação acostada é suficiente ao seu pleito. A documentação a que se refere seria a ficha 17 da DIPJ (CSLL) do ano de 2006, DARF, Balanço Patrimonial e Per/Dcomp, além das "Fichas de cálculo da CSLL por estimativa referente a todos os meses de 2006 (JAN a DEZ)." É o relatório. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10855.910200/200911 Acórdão n.º 1401002.788 S1C4T1 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.780, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10855.903033/2009 52, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.780): Preenchidos os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário apresentado, dele conheço. Conforme relatoriado, a Recorrente informou como crédito no Perd/Dcomp um valor pago a título de estimativa mensal de CSLL, e posteriormente, por ocasião do indeferimento de seu pleito, alegou que a natureza do crédito em questão seria de saldo negativo de CSLL. A Recorrente, quando recebeu o Despacho Decisório, apresentou sua Manifestação de Inconformidade onde limitouse a afirmar que detinha saldo negativo de CSLL suficiente para a compensação pleiteada, apresentando o balanço e demonstração de resultado. A Decisão de piso não homologou a compensação pleiteada porque entendeu que os documentos trazidos pela Interessada não eram hábeis à comprovação da existência real de saldo negativo de CSLL de 2005. Neste sentido, a DRJ indicou o caminho que a Interessada deveria percorrer, era quase que como dissesse para apresentar tais documentos à segunda instância: Neste contexto, a contribuinte deveria trazer provas, lastreadas em lançamentos contábeis, dentre estas, destacamse: os registros contábeis de conta no ativo da CSLL a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, os Livros Diário, Razão e Lalur, etc., tudo de forma a ratificar o indébito pleiteado além da comprovação da contabilização com lastro em documentação hábil, das retenções na fonte e o oferecimento à tributação das receitas que deram origem a tais retenções. Entretanto, somente consta nos autos uma DCTF e relativa ao pagamento da CSLL citada no Per/dcomp, acostada Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10855.910200/200911 Acórdão n.º 1401002.788 S1C4T1 Fl. 9 8 pela Unidade de Origem, sendo que as demais, se é que existem, a Contribuinte não se pronunciou a respeito. Em fase recursal, a Recorrente trouxe, conforme relatoriado, a ficha 17 da DIPJ (CSLL) do ano de 2005, DARF, Balanço Patrimonial e Per/Dcomp, além das "Fichas de cálculo da CSLL por estimativa referente a todos os meses de 2005 (JAN a DEZ)," documentos estes que não tem o condão de validar um eventual saldo negativo de CSLL. Apesar das oportunidades, a Recorrente não as aproveitou, e, portanto, não sendo trazida aos autos a documentação mencionada pela DRJ, que pudesse permitir a este colegiado aferir que, efetivamente, o contribuinte apresenta saldo negativo de CSLL no anocalendário 2005, só me resta concordar com o decidido pela DRJ. E nem se trata aqui de se buscar a verdade material, uma vez que este princípio não é absoluto, ou seja, a Recorrente nada apresentou que fosse diretamente vinculado ao que consta em determinadas fichas da DIPJ, de forma que nem se poderia aventar a busca pela verdade material, pois tal princípio tem estreita ligação com o que foi impugnado, e, no caso, entendo que a Recorrente nada de novo trouxe aos autos que permitisse a este Relator o mínimo necessário a um exame de averiguação do alegado saldo negativo de CSLL. Na apreciação da questão, o acórdão recorrido mostrou se correto em suas conclusões e encontrase adequadamente fundamentado. Portanto, nego provimento ao Recurso Voluntário, não reconhecendo o alegado direito creditório. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 58DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.906952/2009-66
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO.
A norma que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal não traz previsão da possibilidade de a intimação dar-se na pessoa dos advogados do recorrente, tampouco o Regulamento do Carf apresenta regramento nesse sentido.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. DILIGÊNCIA.
Ainda que jungido ao principio da verdade material, se o contribuinte nega-se a produzir provas e trazer documentos aptos a infirmar ou ao menos gerar dúvida quanto aos fatos confessados com a apresentação de DCTF e Per/Dcomp, não cabe ao julgador franquear-lhe, por meio de diligência, tal oportunidade, sob pena de malferir, não somente o processo administrativo como também os princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo serem afastados os pedidos que não apresentam este desígnio.
DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE.
É ônus do contribuinte demonstrar os fatos que alega; em assim não procedendo, resta impossibilitada a infirmação da acusação de insuficiência de saldo para quitar integral ou parcialmente o débito confessado em Perd/Comp, cujo crédito consta declarado nos sistemas informatizados da RFB.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INSUFICIENTE. DESPACHO DECISÓRIO E COLEGIADO A QUO. TERMOS. RATIFICAÇÃO.
A alegação de que o saldo credor referenciado em Per/Dcomp seria suficiente para acobertar os débitos confessados não se sustenta nos elementos de prova apresentados nas peças de defesa, o que impõe a ratificação dos termos da decisão exarada pela repartição fiscal de origem e corroborada pelo colegiado a quo.
Numero da decisão: 3001-000.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência do conselheiro Renato Vieira de Avila e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. A norma que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal não traz previsão da possibilidade de a intimação dar-se na pessoa dos advogados do recorrente, tampouco o Regulamento do Carf apresenta regramento nesse sentido. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. DILIGÊNCIA. Ainda que jungido ao principio da verdade material, se o contribuinte nega-se a produzir provas e trazer documentos aptos a infirmar ou ao menos gerar dúvida quanto aos fatos confessados com a apresentação de DCTF e Per/Dcomp, não cabe ao julgador franquear-lhe, por meio de diligência, tal oportunidade, sob pena de malferir, não somente o processo administrativo como também os princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo serem afastados os pedidos que não apresentam este desígnio. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. É ônus do contribuinte demonstrar os fatos que alega; em assim não procedendo, resta impossibilitada a infirmação da acusação de insuficiência de saldo para quitar integral ou parcialmente o débito confessado em Perd/Comp, cujo crédito consta declarado nos sistemas informatizados da RFB. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INSUFICIENTE. DESPACHO DECISÓRIO E COLEGIADO A QUO. TERMOS. RATIFICAÇÃO. A alegação de que o saldo credor referenciado em Per/Dcomp seria suficiente para acobertar os débitos confessados não se sustenta nos elementos de prova apresentados nas peças de defesa, o que impõe a ratificação dos termos da decisão exarada pela repartição fiscal de origem e corroborada pelo colegiado a quo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. A norma que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal não traz previsão da possibilidade de a intimação darse na pessoa dos advogados do recorrente, tampouco o Regulamento do Carf apresenta regramento nesse sentido. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. DILIGÊNCIA. Ainda que jungido ao principio da verdade material, se o contribuinte negase a produzir provas e trazer documentos aptos a infirmar ou ao menos gerar dúvida quanto aos fatos confessados com a apresentação de DCTF e Per/Dcomp, não cabe ao julgador franquearlhe, por meio de diligência, tal oportunidade, sob pena de malferir, não somente o processo administrativo como também os princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo serem afastados os pedidos que não apresentam este desígnio. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. É ônus do contribuinte demonstrar os fatos que alega; em assim não procedendo, resta impossibilitada a infirmação da acusação de insuficiência de saldo para quitar integral ou parcialmente o débito confessado em Perd/Comp, cujo crédito consta declarado nos sistemas informatizados da RFB. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 69 52 /2 00 9- 66 Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10830.906952/200966 Acórdão n.º 3001000.463 S3C0T1 Fl. 195 2 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INSUFICIENTE. DESPACHO DECISÓRIO E COLEGIADO A QUO. TERMOS. RATIFICAÇÃO. A alegação de que o saldo credor referenciado em Per/Dcomp seria suficiente para acobertar os débitos confessados não se sustenta nos elementos de prova apresentados nas peças de defesa, o que impõe a ratificação dos termos da decisão exarada pela repartição fiscal de origem e corroborada pelo colegiado a quo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência do conselheiro Renato Vieira de Avila e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 0538.911, da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP DRJ/CPS que, na sessão de julgamento realizada em 13.09.2012 (efls. 95 a 102), julgou improcedente a manifestação de inconformidade e, por conseguinte, não reconheceu o direito creditório indicado no Pedido Eletrônico de Restituição/Declaração de Compensação PER/DComp em questão. Da síntese dos fatos Adotase, como de costume neste colegiado extraordinário, para o acompanhamento inicial dos fatos, matérias, pedidos e trâmite dos autos, o relatório encartado no acórdão recorrido, que segue transcrito: Relatório Tratase de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: (...) Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, o seguinte: Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.906952/200966 Acórdão n.º 3001000.463 S3C0T1 Fl. 196 3 A Recorrente utilizouse do crédito em questão, devidamente atualizado pela Taxa Selic, como permite a legislação federal, para compensar com inúmeros débitos. A planilha e os demais documentos anexo dão conta do valor original do crédito, de suas atualizações pela Taxa Selic e suas correspondentes atualizações para compensação, em momentos distintos, sendo que a mera análise das informações constantes nas DCOMPs, com os acréscimos legais ao crédito da Taxa Selic, dão conta de que o mesmo crédito é suficiente/disponível para a integral quitação/compensação do débito declarado na DCOMP 28818.60453.181104.1.3.042639. Isso indica que a r. decisão de não homologação sobreveio sem que a D. fiscalização checasse a integralidade das DCOMPs vinculadas ao aludido crédito, devidamente atualizado pela Taxa Selic, acabando por tão somente indeferilos (não homologandoos) devido a incongruências de seu sistema. (...) Dessa forma, deve buscar a D. Administração a verdade real, não podendo deixar de homologar a declaração de compensação da Recorrente em razão de incongruências formais no sistema ou por não realizar os batimentos/cálculos acerca da atualização de crédito pela Taxa Selic, pois, como se prova com os documentos anexos, a Recorrente tem o direito à compensação e o crédito é sim suficientes para a quitação integral tanto dos débitos declarados na aludida DCOMP como em todas as demais, nos termos que demonstra a planilha ora juntada, e inclusive, isto já deveria ter sido verificado pelo próprio sistema da Receita Federal as declarações e recolhimentos feitos pela Recorrente; dever da D. Administração. (...) Assim, requer a Recorrente, fazendo uso do Diploma acima, seja reconsiderada a r. decisão recorrida para que seja reconhecido como suficiente o crédito, devidamente atualizado, apurado pela Recorrente e por conseguinte homologada a respectiva DCOMPs por ela apresentada, com baixa dos respectivos processos de débitos correlatos. (...) Com o protocolo desta e até sua final decisão, nos termos do inciso I do § 3º do art. 48 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005, a exigibilidade dos débitos objeto do presente pedido de compensação deverá ser suspensa, nos termos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional, (...) (...) Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.906952/200966 Acórdão n.º 3001000.463 S3C0T1 Fl. 197 4 Da ementa do acórdão recorrido A 8ª Turma da DRJ/CPS, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o já citado acórdão, cuja ementa colacionase: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Consideramse confissão de dívida os débitos declarados em DCTF e em DCOMP. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar por meio de provas robustas que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do recurso voluntário Irresignado ainda com o desfecho de seu pleito e, mais especificamente, com a decisão contida no acórdão vergastado, o recorrente interpôs recurso voluntário (efls. 107 a 116), para, em suma, reprisar os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Com vista a demonstrar a identidade das alegações suscitadas em ambas as peças de defesa, evidencio os argumentos ora apresentados, que: 1 o crédito em questão, decorrente de pagamento a maior que o devido, referente ao PIS da competência de JUL/2003, foi utilizado para efetuar diversas Per/Dcomp, cuja planilha elaborada informa haver saldo suficiente para a compensação dos débitos nelas indicado, tanto que com relação ao Per/Dcomp em apreço, referido quadro aponta o crédito original de R$ 26,65, resultado obtido da subtração do crédito original com os débitos compensados no Per/Dcomp enviadas anteriormente, evidenciando a legalidade da origem do crédito utilizado para a compensação e a existência de saldo suficiente para a quitação dos débitos apontados em cada Per/Dcomp; 2 seu único lapso foi ter deixado de relacionar todos os Per/Dcomp enviadas, conforme descritas na referida planilha, o que poderia ter dado ensejo a não homologação da presente declaração de compensação; 3 no caso concreto não foi observado o princípio da verdade material, uma vez que o fisco não confirmou as demais compensações realizadas pelo contribuinte, bem como a origem de seus créditos; Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10830.906952/200966 Acórdão n.º 3001000.463 S3C0T1 Fl. 198 5 4 da análise da documentação trazida na manifestação de inconformidade e reapresentada neste recurso voluntário as compensações efetuadas deveriam ter sido homologadas; 5 ainda em respeito ao princípio da verdade material, deveria o fisco ter aprofundado na análise dos apontamentos realizados no intuito de constatar a veracidade das informações e fundamentações trazidas aos autos pelo contribuinte, porém, de forma ilegal e abusiva, em desrespeito aos princípios que regem o PAF, não foi o que ocorreu, pois o acórdão recorrido aduziu "que o Contribuinte não logra comprovar por meio de provas robustas que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido", eivandoo de nulidade. Diante do exposto, requer seja reconhecido como suficiente o crédito apresentado para a quitação dos débitos indicados no Per/Dcomp em questão, homologandose a compensação realizada, ou alternativamente que o processo seja baixado em diligência, para que a autoridade fiscal confira as demais compensações realizadas e a origem do respectivo crédito, e que as futuras intimações sejam efetuadas em nome do contribuinte e também de seus patronos, em seu endereço profissional, sob pena de nulidade. Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao Carf em 11.01.2013 (efl. 193), que, na forma regimental, foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro a relatoria do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Observo a competência deste Colegiado para apreciar o presente feito, na forma do artigo 23B do Anexo II da Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, com redação da Portaria MF 329 de 2017. Da tempestividade O recurso voluntário foi juntado em 07.11.2012, conforme depreendese do carimbo aposto na sua "folha de rosto", depois da ciência ocorrida em 16.10.2012, conforme observase do Aviso de Recebimento "AR" (efl. 105), portanto é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dele conheço. Preâmbulo I Sem embargo, antes tratarse dos temas aos quais o litígio se restringe, importa registrar que é demandada a ciência dos patronos do contribuinte. Todavia, para fins de esclarecimento, os incisos I a III do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 estabelece que as intimações no decorrer do contencioso administrativotributário federal serão realizadas Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10830.906952/200966 Acórdão n.º 3001000.463 S3C0T1 Fl. 199 6 pessoalmente ao sujeito passivo, não a seu advogado, inexistindo tampouco permissivo para tanto no Regimento Interno deste Carf Ricarf, aprovado pela Portaria MF 343 de 09.06.2015. Preâmbulo II Depreendese do elogiável voto condutor do acórdão recorrido que os Per/Dcomp's indicados na planilha apresentada pelo contribuinte comprometiam na sua totalidade o valor do Darf em que eles se basearam para efetuar a compensação, e que, igualmente após as homologações ocorridas continuou a inexistir saldo disponível para o aproveitamento em compensação do valor pleiteado na Dcomp objeto de análise neste processo. Portanto, tão somente depois da efetiva desconstituição total ou parcial da dívida confessada, pela supressão ou diminuição dos débitos informados no documento de confissão, haveria, ao menos em tese, a possibilidade de a Administração deferir eventual pedido de restituição ou homologar compensação, sujeitandose o contribuinte, todavia, à legislação de regência e aos critérios temporais, atinentes à retificação do documento de confissão DCTF, que forem aplicáveis, aliada à efetiva demonstração da existência do crédito pleiteado, visto ser indispensável que a origem do crédito seja comprovada por documentação hábil que dê suporte aos valores declarados. Portanto, a questão é que, como a origem do crédito está jungida à necessidade da evidenciação das circunstâncias acima delineadas, cabia ao recorrente, desde a sua manifestação de inconformidade, trazer os documentos necessários à demonstração da liquidez e certeza do crédito cuja compensação de se postulava. Essa, digase, é a dicção do caput do artigo 170 do CTN, quando franqueia aos entes federados a realização compensação. De outra forma, os pressupostos, pois, do direito crédito a ser utilizado pelo sujeito passivo da obrigação tributária é a sua liquidez e certeza, pressupostos estes que antecedem o próprio pedido de compensação. Por isso, e não por outra razão, compete ao contribuinte demonstrar tais liquidez e certeza; é ônus do sujeito passivo e não da Administração Tributária. Neste passo, competia ao contribuinte, desde a sua manifestação de inconformidade, trazer as provas que emprestariam ao crédito postulado a liquidez e certeza. Desta feita, não podese, aqui, sob o pálio da verdade material suplantar as regras procedimentais aplicáveis ao processo administrativo e permitir, ao arrepio do princípio da isonomia, fazernos substituir à autoridade fiscal ou ao próprio colegiado recorrido, para refazer todo o trabalho que deveria ter sido concretizado e trazido ao feito pelo sujeito passivo, pretensamente, detentor do crédito. Esclareço, não encontro óbices para considerar as informações prestadas após o início da ação fiscal; mas não tenho como verificar a correção das ditas informações se o próprio contribuinte não traz ao processo provas e documentos que demonstrem que tais dados são verdadeiros, limitandose a apresentar uma mera planilha informativa. Se é fato que o processo administrativo admite uma flexibilização no procedimento de instrução, e, portanto, se pauta pelo tão aventado princípio da verdade material, não se pode olvidar que determinadas amarras não podem ser sobrepujadas; o primado da verdade material pode nortear o julgador de sorte a garantir que ele aprecie provas Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10830.906952/200966 Acórdão n.º 3001000.463 S3C0T1 Fl. 200 7 não contempladas pela instância a quo, mas que tenham sido produzidas no momento oportuno, e, na espécie, tais provas não foram, reprisese, produzidas, sequer na fase recursal antecedente. Como o contribuinte abstevese de produzir, ainda de minimamente, as provas necessárias à demonstração da liquidez e certeza de seu direito creditório, não nos cabe, agora, franquearlhe, por meio de diligência, tal oportunidade, pena de malferir, não o decreto que rege o processo administrativo fiscal federal, como também o princípio da isonomia. Preâmbulo III Os artigos 18 e 29 do Decreto 70.235 de 1972 revelam que a realização de diligências deve ser determinada pela autoridade julgadora apenas quando esta entender necessárias e imprescindíveis à formação da sua convicção, verbis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Portanto, a diligência não pode ser utilizada como um meio para suprir a deficiência das provas carreadas pelo sujeito passivo aos autos. Mérito A legislação que permite a compensação de créditos tributários exige a liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo. Assim, na hipótese de apresentação de Per/DComp por parte do sujeito passivo é ônus deste a demonstração de tais requisitos em relação ao seu direito creditório. No caso da análise eletrônica e automática como a que gerou o despacho decisório que não homologou a compensação, a liquidez e certeza é aferida pela administração tributária, via de regra, pelo mero cruzamento das informações disponíveis em seu banco de dados, fornecidas seja pelo próprio sujeito passivo seja por terceiros. Incumbe, então, ao sujeito passivo a responsabilidade para que as informações por ele fornecidas à administração tributária sejam compatíveis com o direito creditório invocado. Nos presentes autos, o recorrente apresentou o PER/DComp compensando suposto direito creditório proveniente de pagamento indevido ou a maior, mas as informações confessadas por ele própria em sua DCTF demonstravam a inexistência do alegado direito. Por esta razão, a compensação não foi homologada pelo despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil que o jurisdiciona. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10830.906952/200966 Acórdão n.º 3001000.463 S3C0T1 Fl. 201 8 Com a apresentação da manifestação de inconformidade, e instauração do contencioso administrativo, a análise da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado passa a outro patamar de aferição, sendo ônus do sujeito passivo comprovála cabalmente, por meio da adequada instrução documental. O recorrente, como relatado, quando da apresentação da manifestação de inconformidade, limitouse a apresentar uma planilha e as cópias de diversas PER/DComp, além de cópia do comprovante de arrecadação Darf dos valores pagos e que suportariam o crédito compensado. Os parcos elementos de prova juntados pelo sujeito passivo, de fato, como já atestado no voto condutor do acórdão recorrido, não demonstram de modo algum que o novo valor de débito é não aquele que foi inclusive confessado na DCTF apresentada. Reprisando, não procede, também, a alegação trazida no recurso voluntário de que, em caso de dúvidas acerca da liquidez e certeza, o julgador se encontrava obrigado a determinar a realização de diligências. Ressalvo, apenas para demonstrar a ausência de zelo do sujeito passivo na busca de comprovar o direito creditório que invoca, que a simples reapresentação dos mesmos elementos de prova apresentados na manifestação de inconformidade nada trariam de prova inconteste do referido crédito. É que os elementos em questão se limitam, como já dito, a uma mera planilha e às cópias de diversas Per/Dcomp. Digase, tais elementos sequer são um começo de prova em favor do direito creditório do sujeito passivo; estando, portanto, longe de conferir a liquidez e certeza necessária, o que confere absoluta razão ao voto condutor do acórdão recorrido quanto este expressamente afirma que o contribuinte deveria, pra tal finalidade, apresentar sua escrituração contábil e os documentos que lhe dão sustentação, uma vez que é significativa a disparidade entre os valores confessados em DCTF e aqueles posteriormente indicados no Per/Dcomp e questão. Assim, temse a mesma situação em que se encontrou a DRJ recorrida, ou seja, parcos elementos de prova, sendo que a realização de diligência para a complementação documental não significaria mero esclarecimento de dúvida para a formação do convencimento do julgador, mas o suprimento da ineficiência da instrução probatória realizada pelo sujeito passivo, posto que os elementos apresentados em nada esclarecem qual foi o erro que motivou o suposto pagamento a maior. Quais foram os valores alterados? Não se sabe. Onde estão as provas hábeis a comprovar o indébito? O recorrente não as apresentou. Concluise, portanto, que o sujeito passivo não provou a liquidez e certeza do crédito utilizado no PER/Dcomp de que tratam os presentes autos, deixando, transcorrer a oportunidade de produzir provas que sustentassem suas alegações, na medida em que, tanto no processo administrativo fiscal como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado. Vejase o que dispõe o artigo 36 da Lei 9.784 de 29.01.1099, verbis: Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10830.906952/200966 Acórdão n.º 3001000.463 S3C0T1 Fl. 202 9 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Em igual sentido são os termos do artigo 333 do CPC (Lei 5.869 de 11.01.1973, reproduzido no artigo 373 da Lei 13.105 de 16.03.2015 Novo CPC), verbis: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Da conclusão Isto posto, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, para manter por seus exatos termos a decisão recorrida que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação realizada no Per/Dcomp em questão. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Relator Fl. 202DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.720595/2011-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os mandatários, prepostos e empregados, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.
Comprovado que os Srs. Hélio Eugênio Sacchi e Raul Fernandes Marinheiro não mais figuravam no quadro societário da empresa autuada no período autuado, deve ser afastada a responsabilidade solidária a eles atribuídas.
Numero da decisão: 1301-003.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em: (i) não conhecer do recurso do coobrigado Eder Luis Lopes por sua intempestividade; (ii) excluir do polo passivo da obrigação tributária os coobrigados Raul Fernandes Marinheiro e Hélio Eugênio Sacchi, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os mandatários, prepostos e empregados, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Comprovado que os Srs. Hélio Eugênio Sacchi e Raul Fernandes Marinheiro não mais figuravam no quadro societário da empresa autuada no período autuado, deve ser afastada a responsabilidade solidária a eles atribuídas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em: (i) não conhecer do recurso do coobrigado Eder Luis Lopes por sua intempestividade; (ii) excluir do polo passivo da obrigação tributária os coobrigados Raul Fernandes Marinheiro e Hélio Eugênio Sacchi, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 05 95 /2 01 1- 17 Fl. 1500DF CARF MF Processo nº 10283.720595/201117 Acórdão n.º 1301003.217 S1C3T1 Fl. 1.501 2 José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Os Srs. Eder Luis Lopes, Raul Fernandes Marinheiro e Hélio Eugênio Sacchi, qualificados nestes autos, inconformados com o Acórdão n° 0125.416, de 10/08/2012, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA, recorrem a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado, no que tange à questão da responsabilidade tributária. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Trata o presente processo de Auto de Infração referente a Imposto de Renda Pessoa Jurídica R$ 3.217.027,21; PIS R$ 1.017.103,39; COFINS R$ 4.629.179,69; Contribuição Social R$ 1.511.219,69. Anos calendários 2006 e 2007. A fiscalização efetuou o lançamento dos tributos descritos acima, nos seguintes termos, conforme descrição constante deste processo: apurou o lucro tributável pela sistemática do “Lucro Arbitrado”, conforme textos excertos das folhas 50 a 77 do volume I do presente processo, e o PIS e o COFINS na sistemática da “não cumulatividade”; “...Como o contribuinte, apesar de reiteradas intimações, não apresentou os livros e documentos solicitados pelo fisco, nos valemos, então, das informações fornecidas pela SEFAZ/AM para intimálo em 17/09/2010 (Edital n° 108/2010), a prestar os esclarecimentos relativos aos seguintes fatos, vinculados ao período fiscalizado e devidamente discriminados no Termo de Solicitação de Esclarecimentos, lavrado em 02/09/2010: 1. A falta de apresentação à Receita Federal do Brasil das DIPJ referentes aos anoscalendário de 2006 e 2007, e a constatação de que a empresa fiscalizada auferiu, nesses mesmos anos, receita proveniente das vendas de produção do estabelecimento, conforme declarado à SEFAZ/AM, através dos respectivos Demonstrativos de Apuração Mensal (DAM). Seguem anexos, os Demonstrativos "VENDAS DECLARADAS NO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO MENSAL DAM À SEFAZ/AM", referentes ao período janeiro de 2006 a dezembro Fl. 1501DF CARF MF Processo nº 10283.720595/201117 Acórdão n.º 1301003.217 S1C3T1 Fl. 1.502 3 de 2007, os quais são partes integrantes e inseparáveis deste Termo. Nesse mesmo Termo, informamos que, até então, o contribuinte não apresentara os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. E acrescentamos que a não apresentação desses elementos implicaria na determinação do IRPJ com base nos critérios do lucro arbitrado, conforme art. 530 do RIR/99…” 3. REGIME DE TRIBUTAÇÃO DO IRPJ E A RECEITA BRUTA CONHECIDA Em consulta ao banco de dados da RFB verificamos, com relação ao ano calendário de 2006, que: • o contribuinte não entregou DIPJ, nem efetuou pagamentos de IRPJ e CSLL. A última DIPJ apresentada é referente ao ano calendário de 2005; • entregou DCTF mas não declarou débitos de IRPJ e CSLL, declarou apenas débitos do PIS e da COFINS; • entregou DACON de acordo com o regime da não cumulatividade para o PIS e a COFINS. E com relação ao ano calendário de 2007 verificamos que: • o contribuinte não entregou DIPJ, DACON nem DCTF; • não efetuou pagamento dos tributos (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS). Portanto, a omissão do contribuinte quanto ao pagamento do IRPJ, significa que ele não optou pelo regime do lucro presumido, em vista do que dispõe a Lei n° 9.430/96, cujo art. 26, § 1º , determina que a opção pelo lucro presumido deva ser exercida com o pagamento do imposto. Transcrevemos: [...] Pela mesma razão (omissão de pagamento do IRPJ), deduzimos também que o contribuinte não recorreu ao regime de lucro arbitrado nos anos sob fiscalização, conforme preceitua a Lei n° 8.981/95, em seu art. 47, § 1º: [...] Sem exercer opção pelo lucro presumido, e sem adotar o regime do lucro arbitrado, concluímos que o contribuinte permaneceu, por exclusão, obrigatoriamente submetido à regra geral de tributação, configurada pela apuração do lucro real trimestral, de acordo com o caput do art. 1º, da Lei n° 9.430/96, reproduzido abaixo: […] Como conseqüência desse regime de apuração do IRPJ (lucro real), o contribuinte ficou obrigado a manter escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. No entanto, tendo em vista que o contribuinte no decorrer do procedimento de fiscalização não apresentou qualquer documento ou livro solicitado, incorreu na situação prevista no art. 530, III, do RIR/99, conforme transcrição abaixo: Fl. 1502DF CARF MF Processo nº 10283.720595/201117 Acórdão n.º 1301003.217 S1C3T1 Fl. 1.503 4 [...] Dessa forma, adotamos neste ato de lançamento o regime do lucro arbitrado trimestral. Tomamos como receita bruta conhecida os valores das receitas mensais declarados no DACON, para o ano calendário de 2006. E para o ano calendário de 2007, adotamos como receita bruta conhecida os valores das vendas mensais extraídos das informações prestadas pelo contribuinte à Secretaria de Estado da Fazenda do Amazonas (SEFAZ/AM), nos Demonstrativos de Apuração Mensal do ICMS (DAM)...” No tocante ao PIS e à COFINS, a indicação do regime da “não cumulatividade está expressa no texto abaixo, à fl. 63 do volume I: “...Para o ano calendário de 2006, o contribuinte entregou DACON demonstrando a apuração dos valores do PIS e da COFINS de acordo com o regime da não cumulatividade, o que está em conformidade com o regime de apuração do IRPJ pelo lucro real trimestral. Na DCTF correspondente ao mesmo ano foram declarados débitos relacionados às duas contribuições. As diferenças apuradas na ação fiscal foram formalizadas neste ato de lançamento seguindo o regime da não cumulatividade. Com relação ao ano calendário de 2007, o contribuinte não entregou DACON nem DCTF, mas, em decorrência do regime de apuração do lucro real trimestral aplicável ao IRPJ nesse período, seguimos também o regime da não cumulatividade para o cálculo dos valores do PIS e da COFINS...” apurou multa de ofício em sua forma qualificada, no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento) ”, conforme textos excertos das folhas 66 e 67 do volume I do presente processo: “...E as condutas do contribuinte HÉLIOS DA AMAZÔNIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MATERIAIS DE ESCRITÓRIO LTDA., às quais já nos referimos, subsumemse integralmente ao teor do ilícito fiscal denominado "sonegação", conforme podemos constatar no retrospecto sobre os ilícitos cometidos, feitos a seguir: a) Não entregou a DIPJ referente ao ano de 2006, sonegando informações sobre o IRPJ e CSLL; b) Em 2006 entregou DCTF com declarações inexatas de débitos em relação ao PIS e à COFINS, e nada declarou sobre os débitos do IRPJ e CSLL; c) Em 2007 o contribuinte informou à SEFAZ/AM o valor de R$ 20.976.895,72 como receita de vendas, mas, para a RFB, omitiu completamente a receita ao não entregar DIPJ, sonegando informações sobre o IRPJ e CSLL; Fl. 1503DF CARF MF Processo nº 10283.720595/201117 Acórdão n.º 1301003.217 S1C3T1 Fl. 1.504 5 d) No mesmo ano de 2007 não entregou DACON, omitindo informações tributárias relativas ao PIS e à COFINS; e) Ainda no ano de 2007 não entregou DCTF, omitindo declaração dos débitos tributários relativos ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; f) A dissolução irregular da sociedade, comprovada pela inexistência de atividades e de representantes no domicílio da sociedade empresarial, e a consequente falta de apresentação dos livros e documentos solicitados no decorrer da fiscalização; g) A total falta de pagamento de tributos referentes ao ano de 2007, em decorrência dos ilícitos de sonegação. Todas essas infrações estão diretamente vinculados com a intenção de impedir ou retardar que a autoridade fazendária tomasse conhecimento da ocorrência do fato gerador das obrigações tributárias principais. Então, como consequência, o conjunto de ilícitos praticados pelo contribuinte, teve como resultado a supressão ou redução do pagamento de tributos federais...” apurou a sujeição passiva além do contribuinte, nos moldes dos arts.135 e 137 do CTN, nas pessoas dos sócios administradores, diretores, mandatários, prepostos e representantes, conforme textos excertos das folhas 68/69, e folhas 73/76, do volume I do presente processo: A impugnação deste Auto de Infração foi apresentada pelos sujeitos passivos: HÉLIO EUGENIO SACCHI, CPF 004.729.05872; OLAVO SACCHI (Espólio), CPF/MF n°. 008.305.69804; RAUL FERNANDES MARINHEIRO,CPF 007.939.57834, e EDER LUIS LOPES, CPF 076.300.64837. O sujeito passivo HÉLIO EUGÊNIO SACCHI foi representado por NERINGA SACCHI, brasileira, portadora da cédula de identidade n.1.482.5624, inscrita no CPF/MF sob o n. 039.1141.21831, que atua como inventariante de Hélio Eugênio Sacchi, e alegou em sua defesa que: que o autuado em questão, Hélio Eugênio Sacchi, faleceu em 12/11/2010, conforme atesta a certidão de óbito, ou seja, seria insubsistente a lavratura ocorrida em 27/06/2011, sete meses após o falecimento do suposto responsável; a autoridade administrativa incidiu em falha ao não identificar corretamente o sujeito passivo, que jamais seria o de cujus e a massa falida ou o espólio; o Auto de Infração formaliza a responsabilização tributária do autuado pelos débitos da empresa HELIOS DA AMAZONIA IND. E COM. DE MATERIAIS DE ESCRITORIOS LTDA, entretanto a falência de tal empresa foi decretada em 07/06/2011 nos autos do processo n. 022812528.2008.804.0001, em trâmite Fl. 1504DF CARF MF Processo nº 10283.720595/201117 Acórdão n.º 1301003.217 S1C3T1 Fl. 1.505 6 perante a 19ª Vara Cível da Comarca de Manaus/AM; assim, a futura e eventual cobrança judicial imporia habilitação como forma de garantir a satisfação do crédito; O sujeito passivo OLAVO SACCHI (Espólio), CPF/MF n°. 008.305.69804, foi representado por Roberto Soares Sacchi, brasileiro, divorciado, engenheiro civil, portador da cédula de identidade RG n°. 6.554.287SSP/ SP e inscrito no C P F / M F sob n°. 006.983.24803, alegando em síntese que: O Requerente foi notificado no dia 13/07/2011, tendo o prazo de 30 (trinta) dias para se manifestar quanto ao conteúdo do assunto em objeto, ou seja, o dia 12/08/2011; Conforme "Instrumento Particular de Alteração do Contrato Social da Sociedade por Quotas de Responsabilidade Limitada Hélios da Amazônia Indústria e Comércio de Materiais de Escritório Ltda.", de 31/03/1997, devidamente registrado perante a Junta Comercial do Estado do Amazonas sob n°. 17781.6, em 19/09/1997, OLAVO SACCHI teria se retirado do quadro de sócios em 31/03/1997; Olavo Sacchi não poderia ser responsabilizado por infrações fiscais que teriam ocorrido nos anos calendário de 2006 e 2007, como pretende a Fiscalização, posto que retirouse da Sociedade muitos anos antes, em 31/03/1997, a partir de quando deixou de manter qualquer relacionamento comercial, profissional ou de qualquer outro tipo com a empresa autuada; Conforme Certidão de Óbito expedida em 22/07/2011 pelo 13°. Cartório de Registro Civil do Butantã, São Paulo, SP, OLAVO SACCHI faleceu em 21/09/1999; RAUL FERNANDES MARINHEIRO, CPF 007.939.57834 alegou: que encaminhou dossiê, via Sedex, com os esclarecimentos que julgou “necessários e suficientes” para excluir seu nome de qualquer tipo de responsabilidade junto à empresa "Hélios da Amazônia", principalmente, aos atos e fatos ocorridos após a minha renúncia em 31/03/1999”; as diversas empresas vinculadas ao nome "HELIOS", foram sempre criadas e administradas (gestão) pelo "clã Sacchi" e os respectivos diretores nas diversas áreas eram nomeados, na maioria das vezes empregados regidos pela CLT; “ No ano de 2003, entrou com um Processo Trabalhista contra a "Hélios Carbex" no Fórum de Barueri São Paulo e desde então não tem nenhum relacionamento com a "Família Sacchi" e as respectivas empresas”; sua renúncia ocorrera em 31/03/1999; Sujeito passivo EDER LUIS LOPES CPF 076.300.64837 alegou que: Fl. 1505DF CARF MF Processo nº 10283.720595/201117 Acórdão n.º 1301003.217 S1C3T1 Fl. 1.506 7 é admissível pelas Delegacias de Julgamento os recursos que versem sobre a Responsabilidade Tributária; é nulo o termo de responsabilidade tributária por inexistência de motivação; nulidade pela não emissão de Mandado de Procedimento Fiscal específico; não possuía poderes de decisão para assegurar pagamentos tributários; A empresa “PRESTO” deve ser a responsável pelos créditos tributários em virtude de ser a sucessora da HÉLIOS DA AMAZÔNIA; inexistência de sonegação fiscal que não deve ser confundida com inadimplência, assim como a mera “não apresentação” da Declaração Fiscal” não ter força de presunção da existência de sonegação; é necessária a comprovação, pela fiscalização, da conduta ilícita. A 1ª Turma da DRJ em Belém/PA analisou as impugnações apresentadas pelos sujeitos passivos e prolatou o Acórdão nº 0125.416, de 10/08/2012 (fls. 852/865), com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os mandatários, prepostos e empregados, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A parte dispositiva foi redigida como segue: Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação DOS SUJEITOS PASSIVOS HÉLIO EUGENIO SACCHI, CPF 004.729.05872; RAUL FERNANDES MARINHEIRO, CPF 007.939.57834, e EDER LUIS LOPES, CPF 076.300.64837, mantendo o crédito tributário exigido e mantendoos na sujeição passiva do mesmo crédito tributário. Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar a impugnação procedente DO SUJEITO PASSIVO OLAVO SACCHI (Espólio), CPF/MF n°. 008.305.69804, excluindoo da sujeição passiva do crédito tributário exigido. Fl. 1506DF CARF MF Processo nº 10283.720595/201117 Acórdão n.º 1301003.217 S1C3T1 Fl. 1.507 8 Não houve recurso de ofício. A pessoa jurídica Hélios da Amazônia Indústria e Comércio de Materiais de Escritório Ltda tomou ciência do acórdão de primeira instância mediante o Edital de fl. 873 (afixado em 10/01/2013, ciência em 25/01/2013), após ter falhado a tentativa de ciência por via postal (fls. 871/872). Não encontro nos autos recurso voluntário da pessoa jurídica. O sujeito passivo solidário Sr. Eder Luis Lopes tomou ciência do acórdão de primeira instância em 22/03/2013 (sextafeira), conforme AR à fl. 889. O recurso voluntário se encontra às fls. 1259/1292, e o carimbo de recepção de fl. 1259 registra a data de 25/04/2013 (quintafeira) como protocolo do recurso. O sujeito passivo solidário Sr. Raul Fernandes Marinheiro tomou ciência do acórdão de primeira instância em 26/03/2013, conforme AR à fl. 893. Às fls. 897/1031 encontro recurso apresentado pela Sra. Rosely Fernandes Marinheiro, que se identifica como filha do Sr. Raul Fernandes Marinheiro. O espólio do sujeito passivo solidário Sr. Hélio Eugênio Sacchi tomou ciência do acórdão de primeira instância em 25/03/2013, conforme AR à fl. 891. Em 22/04/2013 foi apresentado o recurso voluntário de fls. 1032/1046. Em uma primeira apreciação, este colegiado, embora em outra composição, conhecendo apenas do recurso apresentado pelo espólio do Sr. Hélio, resolveu converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem adotasse as providências especificadas na Resolução 1301000.407, de 11 de Abril de 2017, com intuito de coletar informações necessárias ao julgamento do recurso voluntário interposto. Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal em São Paulo, São Paulo, carreou ao processo os documentos de fls. 1351/1470. Cientificados do resultado da diligência realizada, não houve manifestação por parte dos sujeitos passivos. É o Relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator A admissibilidade dos recursos apresentados serão alvo de nova apreciação. O Contribuinte Hélios da Amazônia Indústria e Comércio de Materiais de Escritório Ltda já não havia apresentado impugnação e também não apresentou recurso voluntário. O sujeito passivo solidário Sr. Eder Luis Lopes tomou ciência do acórdão de primeira instância em 22/03/2013 (sextafeira), conforme AR à fl. 889, e apresentou recurso voluntário em 25/04/2013, sendo portanto intempestivo. Dele não conheço. Fl. 1507DF CARF MF Processo nº 10283.720595/201117 Acórdão n.º 1301003.217 S1C3T1 Fl. 1.508 9 O recurso voluntário do Sr. Raul Fernandes Marinheiro foi apresentado pela Sra. Rosely Fernandes Marinheiro, que se identifica como filha do responsável tributário Sr. Raul Fernandes Marinheiro. Não identifico nos autos qualquer documento que outorgue poderes de representação à peticionante. Porém, ao invés de intimar o contribuinte para suprir a deficiência de representação, da análise dos documentos e informações trazidos em diligência (fls. 1351/1470), verifico que o aludido senhor retirouse da sociedade antes da data dos fatos geradores. Assim, conheço do recurso e passo a analisar seus fundamentos. O recurso voluntário apresentado pelo espólio do Sr. Hélio Eugênio Sacchi é tempestivo e atende aos demais requisitos processuais. Dele conheço, e passo a apreciar seus fundamentos. Da Análise dos Recursos Voluntários Registrese, inicialmente, que os recorrentes aduzem suas razões com o escopo de afastar tão somente suas imputações ao pólo passivo da obrigação jurídicotributária ora discutida. Em momento algum apresentam qualquer questionamento ao auto de infração, em si. É sob esse prisma que serão apreciados os recursos apresentados pelo Sr. Raul Fernandes Marinheiro e pelo espólio do Sr. Hélio Eugênio Sacchi. Quanto ao recurso apresentado pelo espólio do Sr. Hélio, em preliminar, a referida recorrente requer sejam juntados aos autos os documentos de fls. 1159/1255, nos termos do art. 16, § 4º, alíneas “a” e “c” do Decreto nº 70.235/1972 e com base no princípio da verdade material. Alega que a apresentação dos documentos dependeria de terceiros e que, considerando que o domicílio fiscal do recorrente é na capital de São Paulo, a obtenção teria sido dificultada. Estes documentos são cópias do Contrato de Constituição da pessoa jurídica Hélios da Amazônia Indústria de Materiais de Escritório Ltda., CNPJ 34.503.615/000152, e diversas alterações posteriores, sendo eles admitidos por decisão proferida através da Resolução nº 1301000.407, da lavra do I. Conselheiro Waldir Veiga Rocha (fls. 1336 a 1347) sendo inclusive objeto da diligência. No mérito, alega a defesa a ilegitimidade passiva do Sr. Hélio Eugênio Sacchi, sustentando que esse senhor não poderia ser responsabilizado por fatos geradores tributários ocorridos nos anoscalendário 2006 e 2007, pois não mais fazia parte do quadro societário da pessoa jurídica, vez que sua retirada teria ocorrido em 23/09/2005, na 14ª Alteração Contratual, registrada na JUCEA em 30/09/2005. Em face dessas alegações, e diante do quanto consta do documento denominado Motivação do Ato de Lançamento, às fls. 73/74, onde o Fisco declina os motivos pelos quais atribuiu responsabilidade tributária, entre outros, ao Sr. Hélio, o julgamento foi convertido em diligência, para solicitar da JUCEA manifestação expressa sobre o registro (ou não) naquele órgão de cada uma das alterações contratuais mencionadas em defesa e, caso tenham sido registradas, em que data isso teria ocorrido: Atendendo ao quanto solicitado, a JUCEA carreou aos autos os documentos de fls. 1352 a 1470, trazendo não só a informação de que as mencionadas alterações contratuais foram arquivadas na junta, como informou os números atribuídos a cada documentos arquivado, além da data dos respectivos registros no órgão. Compulsando estes documentos, encontro às fls. 1427 a 1452, prova cabal de que o Sr. Hélio retirouse da sociedade antes dos Fl. 1508DF CARF MF Processo nº 10283.720595/201117 Acórdão n.º 1301003.217 S1C3T1 Fl. 1.509 10 fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2006 e 2007, o que afasta sua responsabilidade pelo crédito tributário aqui em discussão. De fato, nos termos da 14ª Alteração do Contato Social da empresa autuada, efetivada em 23 de setembro de 2005 e registrada na JUCEA sob o nº 285.091 em 30 de setembro de 2005, o Sr. Hélio e a empresa HELIOS EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, retiraram se da empresa autuada. Em decorrência, a autuada passou ter como quotista única e exclusivamente a empresa BEATH PARTICIPAÇÕES LTDA. Acrescentese que antes dos fatos geradores aqui tratados, a empresa BEATH PARTICIPAÇÕES LTDA, promoveu a 15ª Alteração Contratual da empresa autuada, com a cessão de quotas e admissão do sócio Arnaldo Bisoni, sendo tal alteração registrada em 29 de novembro de 2005 na JUCEA sob o nº 287.187, ou seja, antes dos fatos geradores que ocorreram nos anoscalendário de 2006 e 2007. Assim, deve ser afastada a responsabilidade solidária do Sr. Hélio Eugênio Sacchi pelos débitos discutidos nesses autos, vez que restou evidenciado que este senhor, desde 23 de setembro de 2005, não mais figurava no quadro societário da empresa autuada. Com referência ao recurso apresentado pelo Sr. Raul Fernandes, embora haja defeito em sua representação, como dito antes, ao invés de intimar o contribuinte para suprilo, da análise dos documentos e informações trazidos em diligência (fls. 1351/1470), verifico que o aludido senhor também retirouse da sociedade antes da data dos fatos geradores. Com efeito, de acordo com aqueles documentos, o Sr. Raul Fernandes Marinheiro não mais figurava nos quadros sociais nos anoscalendário de 2006 e 2007. Assim, também deve ser afastada a responsabilidade solidária do Sr. Raul Fernandes Marinheiro pelos débitos discutidos nesses autos, vez que restou evidenciado que este senhor não mais figurava no quadro societário da empresa autuada, à época dos fatos geradores do crédito tributário perseguido. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de (i) não conhecer do recurso do coobrigado Eder Luis Lopes por sua intempestividade; (ii) dar provimento aos recursos, para excluir do polo passivo da obrigação tributária os coobrigados Raul Fernandes Marinheiro e Hélio Eugênio Sacchi. . (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 1509DF CARF MF Processo nº 10283.720595/201117 Acórdão n.º 1301003.217 S1C3T1 Fl. 1.510 11 Fl. 1510DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13886.000690/00-77
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/1993 a 30/06/2000
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. INSUFICIÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Quando o recurso especial de divergência se refere a matéria que não afeta a denegação do direito material pleiteado, não há razão de pedir no recurso especial que justifique seu conhecimento. No caso, foi negado provimento ao Recurso Voluntário por dois motivos autônomos e suficientes, contudo a recorrente somente se insurge contra um deles.
Numero da decisão: 9303-007.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/1993 a 30/06/2000 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. INSUFICIÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Quando o recurso especial de divergência se refere a matéria que não afeta a denegação do direito material pleiteado, não há razão de pedir no recurso especial que justifique seu conhecimento. No caso, foi negado provimento ao Recurso Voluntário por dois motivos autônomos e suficientes, contudo a recorrente somente se insurge contra um deles.
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INSUFICIÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Quando o recurso especial de divergência se refere a matéria que não afeta a denegação do direito material pleiteado, não há razão de pedir no recurso especial que justifique seu conhecimento. No caso, foi negado provimento ao Recurso Voluntário por dois motivos autônomos e suficientes, contudo a recorrente somente se insurge contra um deles. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 6. 00 06 90 /0 0- 77 Fl. 679DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição, protocolizado em 14/11/2000, à efl. 02, pelo qual a contribuinte pretende reaver valores pagos a maior de Cofins, no período de 08/1993 a 06/2000, decorrentes de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. A SASIT da DRF em Limeira, no despacho decisório de efls. 287 a 291, em 25/06/2001, indeferiu o pedido de restituição, afirmando que a receita bruta (faturamento) engloba todas as receitas de venda e o ICMS, por integrar o preço de venda das mercadorias, faz parte dela.. Irresignada, em 1º/08/2001, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, às efls. 301 a 310. Já a 5ª Turma da DRJ/RPO, apreciou a manifestação em 04/03/2005, e, no acórdão nº 7.404, às efls. 520 a 527, indeferiu a solicitação de restituição, afirmando a decadência do direito de pleitear as restituições em prazo superior a cinco anos e a reafirmaddo que o ICMS faz parte da base de cálculo da Cofins. Ainda inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, às efls. 530 a 564, em 10/06/2005. No recurso, em síntese, reafirma a legitimidade de afastar o ICMS da base de cálculo da Cofins e a inocorrência de prescrição do pedido de restituição em se tratando de lançamento por homologação. A 1ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes apreciou o recurso na sessão de 04/09/2008, resultando no acórdão de nº 20181.399, às efls. 573 a 578, o qual teve as seguintes ementas: COFINS. RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. O prazo decadencial previsto no art. 168 do CTN extinguese em 5 (cinco). anos, contados a partir da data de efetivação do recolhimento indevido, tal como reconhecido pelos PGFN/CAT nºs. 678/99 e.1.538/99. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS CONTRA A FAZENDA • EXTINTOS PELA DECADÊNCIA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Assim como não se confundem o direito à repetição do indébito tributário (arts. 165 a 168 do CTN) com as formas de sua execução, que se pode dar mediante compensação (arts. 170 e 170A do CTN; 66 da Lei ri 8.383/91; e 74 da Lei n 9.430/96), não se confundem os prazos para pleitear o direito à repetição do indébito (art. 168 do CTN) com os prazos para a homologação de compensação ou para a ulterior verificação de sua regularidade (arts,.156; inciso II, parágrafo único, do CTN; e 74, § 5, da Lei nº 9.430/96 com redação dada pela Lei 10.833, de 29/12/2003, DOU de 30/12/2003). Ao pressupor a existência de créditos. líquidos .e certos,vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda. Pública .(art. 170 do CTN), a lei somente desautoriza a homologação de compensação em pedidos que tenham por objeto créditos: contra a Fazenda, cujo direito à restituição ou ao ressarcimento já se ache extinto pela decadência (art. 168 do CTN). Fl. 680DF CARF MF Processo nº 13886.000690/0077 Acórdão n.º 9303007.428 CSRFT3 Fl. 2.853 3 BASE DE .CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÕES. PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE DA ISONOMIA. A parcela relativa ao ICMS incluise nas bases de cálculo da Cofins e do PIS. Precedentes do STJ. As autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador, com apoio em critérios impessoais, racionais e objetivos, não quis contemplar com a vantagem. Entendimento diverso, que reconhecesse aos magistrados e administradores essa anômala função jurídica equivaleria, em última análise, a convertêlos em inadmissíveis legisladores positivos, condição institucional esta que lhes é recusada pela própria Constituição Federal. O acórdão foi assim lavrado: ACORDAM os Membros .da . PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Alexandre Gomes, que dava provimento parcial para afastar a decadência em razão da tese dos 5. mais 5. Recurso especial da contribuinte A contribuinte foi intimada (efl. 582) para ciência do acórdão 20181.399, em 09/02/2009 (efl. 584), e interpôs recurso especial de divergência às efls. 588 a 605, em 20/02/2009. Arrimou seu recurso nos acórdãos paradigmas de números: 30134.144 e 30133.008, que consagram o entendimento de ser o prazo prescricional para pleito da restituição de tributos sujeitos à lançamento por homologação de cinco anos contados da data da homologação do lançamento, que sendo tácita, só ocorre cinco anos após a ocorrência do fato gerador, sendo irrelevante para o cômputo do prazo a causa do indébito. Assim, evidenciariase a divergência com o disposto na ementa do acórdão recorrido ao afirmar que o prazo decadencial previsto no art. 168 do CTN extinguese em cinco. anos, contados a partir da data de efetivação do recolhimento indevido. No despacho de efls. 667 a 669, o Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 14/05/2015, com base no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, apesar de ter apenas analisado a divergência com base no acórdão deu seguimento ao recurso especial do sujeito passivo. Cientificada do despacho em 25/06/2015 (efl. 670), a Procuradoria da Fazenda Nacional informou que não apresentaria contrarrazões (efl. 671). A recorrente, por sua vez, teve ciência do mesmo despacho e da posição da Procuradoria da Fazenda Nacional em 08/09/2015. É o relatório. Fl. 681DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo. Conhecimento Em que pese a matéria relativa à prescrição do direito de peticionar a restituição só ter sido levantada no acórdão da DRJ, mas não no despacho da DRF que negou o pedido, o enfrentamento desta questão pela contribuinte, em sede de recurso voluntário, acabou fazendo com que houvesse seu prequestionamento no acórdão recorrido. Assim, quando o recurso especial de divergência da contribuinte trouxe paradigmas para essa matéria, seu recurso cumpriu os demais requisitos regimentais e entendo que por isso o Presidente da 3ª Câmara a ele deu seguimento. Apesar de bem caracterizada a divergência quanto ao prazo, os fundamentos para negativa de provimento ao RV foram dois, cada um suficiente para fundamentar a decisão, de per si: a extinção do prazo para repetição de indébito; a inexistência do indébito, pelo fato de a inclusão do ICMS na Base de Cálculo da Cofins estar de acordo com a lei. Portanto, para que o recurso especial aproveitasse ao recorrente, deveriam ter sido trazidas divergências quanto a ambas as matérias. Contudo, a única matéria em testilha no recurso especial é a prescrição e, ainda que se reconhecesse a sua inexistência, pela adoção da tese dos "cinco mais cinco", o direito material que deu causa à denegação do pedido de restituição continuaria inexistente; a razão original da denegação do pleito: a impossibilidade de afastar o ICMS da base de cálculo, continuaria presente. Com efeito, ainda que fosse afastado o óbice da extinção do prazo para repetição do indébito, a decisão recorrida não seria alterada, por ter sido também reconhecida a inexistência do indébito, pelo fato de a inclusão do ICMS na Base de Cálculo da Cofins estar de acordo com a lei. Dessa forma, é despiciendo o recurso especial de divergência interposto, por falta de razão de pedir, pois tornouse apenas um iter processual vazio de significado material neste processo. Por essa razão, voto para que não se conheça do recurso especial de divergência da contribuinte. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso especial de divergência da contribuinte. (assinado digitalmente) Fl. 682DF CARF MF Processo nº 13886.000690/0077 Acórdão n.º 9303007.428 CSRFT3 Fl. 2.854 5 Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 683DF CARF MF
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Numero do processo: 10611.001191/2005-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 03/03/2005 a 20/06/2007
CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. A obstrução à defesa, motivadora de nulidade do ato administrativo de referência, deve apresentar-se comprovada no processo.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso e na parte conhecida negar provimento.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. A obstrução à defesa, motivadora de nulidade do ato administrativo de referência, deve apresentarse comprovada no processo. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso e na parte conhecida negar provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 00 11 91 /2 00 5- 13 Fl. 560DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração relativo ao Imposto sobre Produtos Industrializados de R$ 776.828,00, e juros de mora de R$ 143.324,76, perfazendo o total de R$ 920.152,76, exigidos na importação de aeronave feita através da DI nº 04/01731000, de 26/02/2004 e desembaraçada em 15/03/2004 sob o regime de admissão temporária. O Crédito está com a exigibilidade SUSPENSA, nos termos do art. 151, inciso V do Código Tributário Nacional (CTN), por força da ANTECIPAÇÃO DE TUTELA concedida em 12/02/2004 na Ação Ordinária n° 2004.61.0036438 (PAJ n° 10880.000786/200492), ajuizada na 18ª Vara Cível da Justiça Federal, 1ª Subseção da Seção Judiciária de São Paulo. Conforme descrição dos fatos, tratase da Aeronave King Air, Modelo C90A(B), S/N LJ1693, prefixo N6193J, ano de fabricação 2003, equipada, importada sob o regime aduaneiro de Admissão Temporária, concedido no processo 10611.000163/200490. A aeronave estaria classificada na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) no código 8802.30.21, sobre a qual incide o Imposto de Importação (II) com alíquota zero e o Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) com alíquota de 10% (Dez por Cento), conforme Decreto nº 4.542/02, de 26/12/2002, que aprovou a Tabela de Incidência do IPI (TIPI). Ainda na descrição dos fatos a fiscalização esclarece: Conforme art. 79 da Lei 9430/96, “os bens admitidos temporariamente no país, para utilização econômica, ficam sujeitos aos pagamentos dos impostos incidentes na importação, proporcionalmente ao tempo de sua permanência em território nacional, nos termos e condições estabelecidos em regulamento“. Fl. 561DF CARF MF Processo nº 10611.001191/200513 Acórdão n.º 3301005.217 S3C3T1 Fl. 3 3 A regulamentação da Lei 9.430/96 encontrase no Decreto 4.543/2002 (Regulamento AduaneiroRA), de 26/12/2002, especialmente nos artigos 306 a 334, bem como na Instrução Normativa (IN) SRF n° 285/93, de 14/01/2003 e na IN SRF n° 162/98, que estabelece o tempo de vida útil e a depreciação dos produtos para efeito de cálculo dos impostos proporcionais. A IN SRF n° 285/03, ao versar sobre o pagamento dos impostos, esclarece em seu art.13, que: Art. 13 O II e o IPI devidos no caso de admissão temporária com pagamento proporcional, de acordo com o disposto no § 4° do art. 6°, serão pagos pelo importador por ocasião do registro da respectiva Declaração de Importação (DI), mediante débito automático em conta, nos termos do art. 11 da IN SRF n° 206/02, de 25/09/2002. No caso em questão, o bem permanecerá no país por 10 (dez) anos, ou seja, 120 (cento e vinte) meses, conforme duração do contrato de Leasing e autorização concedida pela Alfândega do Aeroporto Internacional Tancredo Neves. Tendo em vista o período de permanência do bem no país, incidirá sobre o mesmo, a alíquota integral, ou seja, de 10% (dez por cento). Como complemento do enquadramento legal consta no campo específico do auto de infração os artigos 2°, 15, 16, 17, 21, 24, 30, 34, 122, 123, 125, 127, 130, 131, 138, 200, 201, 202, 465, 466, 467, 469, 470, 471, 472, 473, 474, 476, 478 e 488, todos do Decreto n° 4.544/02 (RIPI/2002). Da impugnação Cientificada em 01/08/2005 a interessada apresentou em 18/08/2005 a impugnação de fls. 55101 onde confirma o fato relatado, mas não o reconhece como gerador de tributação de IPI, por inconstitucionalidade na aplicação da lei para o caso, e aponta, ainda, falhas de motivação no lançamento. Assim o exame resumese a matéria de direito. Transcrevo a estrutura e as partes da impugnação que sintetizam suas alegações: I OS FATOS [já relatados] II O DIREITO II.1 AS PRELIMINARES II.1.1 A INEXISTÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA E MOTIVAÇÃO 6. O AI Impugnado merece ser cancelado, por não existir fundamentação jurídica para garantir a constituição do crédito tributário. Fl. 562DF CARF MF 4 7. Como se constata no seu enquadramento legal, a autoridade autuante apenas citou dispositivos do RIPI/2002, sem, no entanto, individualizar os incisos, parágrafos e alíneas dos artigos mencionados aos quais se enquadra a situação fática da Impetrante. [...] 13. Da falta de especificação sem a indicação de estar sendo aplicado o caput, parágrafos ou incisos do artigo do RIPI resulta a inadequação da fundamentação legal utilizado no Auto de Infração, pois deveria ter demonstrado com clareza o dispositivo legal aplicável a situação especifica tratada nesses Autos. 14. A fundamentação jurídica adequada é condição imprescindível para a validade dos Autos de Infração, pois por serem uma espécie de ato administrativo, devem ser praticados sob uma base legal especificadamente considerada, como exige o Principio da Legalidade previsto no artigo 37, caput, da Constituição Federal de 1988. 15. Nesse mesmo dispositivo, também está prevista outra regra que acarreta a nulidade insanável do Auto de Infração, tal seja: o Princípio da Publicidade, pois os administradores devem realizar os seus atos de forma de forma clara e precisa, para que os administrados compreendam a fundamentação legal utilizada, sob pena de restar inexistente a publicidade do ato, ou seja, o seu conhecimento. [...] 20. Um dos elementos necessários para validade do Auto de Infração, como espécie de ato administrativo, é a motivação pela descrição exata e precisa dos motivos de fato e de direito que lhe serviram de fundamento cuja falta desses motivos resultará a prática de ato administrativo imotivado e, conseqüentemente, sem motivação acarretando a sua nulidade insanável. 21. No caso da autuação impugnada os motivos de direito não existem, pois a fiscalização não demonstrou juridicamente de forma adequada, precisa e clara o dispositivo legal que fundamenta o lançamento do IPI. [...] II.1.2 O CERCEAMENTO DE DEFESA 23. A falta de precisão e clareza na identificação do dispositivo legal em que se fundamenta a autuação fiscal, também acarreta a nulidade do Auto de Infração impugnado por resultar disso cerceamento do direito de defesa. 24. Uma das condições do ato administrativo que seja expedido de forma precisa e clara quanto aos seus fundamentos jurídicos, sendo vedado a emissão de atos que não possuam esse atributo por ser de responsabilidade e ônus exclusivo da administração. [...] Fl. 563DF CARF MF Processo nº 10611.001191/200513 Acórdão n.º 3301005.217 S3C3T1 Fl. 4 5 II.2 O MÉRITO II.2.1 O CONTRATO DE ARRENDAMENTO 28. A Impugnante importou a aeronave arrendada no exterior, conforme comprovam os documentos anexados na autuação fiscal. 29. Como pode ser constatado na análise do anexo instrumento contratual, a aeronave recebida pela Impugnante permanecerá temporariamente no Brasil, por: i) se manter na propriedade do exportador; ii) não existir opção de sua compra ao final do contrato de arrendamento; iii) e ser obrigada a devolvêla no encerramento do arrendamento. 30. Por se constituir de uma importação nãodefinitiva, em razão da devolução futura ao exportador, o produto arrendado pela Impugnante estará sujeito à cobrança dos impostos incidentes na importação sob o Regime de Admissão Temporária instituído pelo artigo 79 da Lei n° 9.430/96, com a seguinte redação: “Art. 79. Os bens admitidos temporariamente no País, para utilização econômica, ficam sujeitos ao pagamento dos impostos incidentes na importação proporcionalmente ao tempo de sua permanência em território nacional, nos termos e condições estabelecidas em regulamento". 31. Devendo ser ressaltado que neste dispositivo legal e na sua regulamentação dada pelo Decreto n° 4.543/2002, somente está estipulado que os bens importados de forma nãodefinitiva sujeitarseão ao pagamento dos impostos federais exigidos na importação, proporcionalmente ao seu tempo de permanência no território nacional, sem serem definidos quais os tributos devidos pelo importador. 32. Na ocasião do registro da DI, por determinação do artigo 13, caput da IN SRF n° 285/2003, a lmpugnante deveria ter recolhido o IPI proporcional à permanência da aeronave no território nacional, nos seguintes termos: "Art. 13. O II e o IPI devidos no caso de admissão temporária com pagamento proporcional, de acordo com o disposto no § 42 do art. 62, serão pagos pelo importador por ocasião do registro da respectiva DI, mediante débito automático em conta, nos termos do art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 206, de 25 de setembro de 2002" 33. Como restará demonstrado, a exigibilidade do IPI nessa importação é flagrantemente inconstitucional e ilegal, resultando a nulidade do Auto de Infração por constituir crédito tributário inexistente. Fl. 564DF CARF MF 6 II.2.2 A INEXISTÊNCIA DE LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR ART. 146 DA CF/88 E ARTS. 46 E 47 DO CTN 34. A Impugnante não deve suportar a exigibilidade do IPI no desembaraço aduaneiro de produto arrendado, por não existir legislação complementar prevendo o desembaraço aduaneiro de produto arrendado como fato gerador do imposto, assim como o valor das parcelas do arrendamento (contraprestação do arrendatário) como sua base de cálculo. [...] 46. Com base nisto, não sendo o valor das parcelas do arrendamento (contraprestação do arrendatário) quantia que integra a base de cálculo do IPI no desembaraço aduaneiro nos termos do CTN, não existe lei complementar definindo tal montante como base de cálculo a ser admitida na cobrança do imposto no desembaraço aduaneiro, impedindo a exigibilidade do tributo na importação de produto arrendado por representar exigência flagrantemente inconstitucional por ofensa ao artigo 146, inciso II, alínea "a" da CF/88. [...] II.2.3 O PRODUTO IMPORTADO DEVE SER "MERCADORIA" EXISTENTE APENAS NA COMPRA E VENDA FALTA DE LEI E RIPI 69. A exigência fiscal também é inconstitucional e ilegal, por apenas ser possível a incidência do IPI quando o produto importado possuir a natureza de mercadoria, inexistente para produto arrendado, pois apenas seria mercadoria caso fosse objeto de contrato de compra e venda. [...] II.2.4 A INCIDÊNCIA DO ISS LEI COMPLEMENTAR N° 116/2003 88. As regras que exigem da impugnante o pagamento do imposto no arrendamento da aeronave importada também são inconstitucionais, por contrariarem a Lei Complementar n° 116/03, que prevê expressamente no item n° 15.09 da Lista de Serviços Tributados pelo ISS o arrendamento como hipótese de incidência do imposto municipal, nos seguintes termos: "Lista de serviços anexa à Lei Complementar n° 116, de 31 de julho de 2003. 15.09 — Arrendamento mercantil (leasing) de quaisquer bens, inclusive cessão de direitos e obrigações, substituição de garantia, alteração, cancelamento e registro de contrato e demais serviços relacionados ao arrendamento mercantil (leasing)". [...] II.2.5 O GATT Fl. 565DF CARF MF Processo nº 10611.001191/200513 Acórdão n.º 3301005.217 S3C3T1 Fl. 5 7 90. A inconstitucionalidade e ilegalidade da exigibilidade do IPI na importação de produto arrendado também existem por ofender o artigo III do GATT e artigo 98 do CTN. [...] 93. Não existe exigibilidade do IPI no arrendamento realizado internamente no Brasil, por ser apenas exigido o ISS e estar prevista apenas a exigibilidade do imposto federal na importação, não podendo ser admitido a cobrança do IPI não exigido internamente no arrendamento, por ofender a similaridade de tributos exigida pelo artigo III do GATT. [...] II.2.6 O ARTIGO 35, INCISO III DO RIPI 96. A cobrança não pode ser implementada, por afrontar o artigo 35, inciso III do Regulamento do IPI, que estabelece: "Art. 35. Considerase ocorrido o fato gerador: II I na saída da repartição que promoveu o desembaraço aduaneiro, quanto aos produtos que, por ordem do importador, forem remetidos diretamente a terceiros;" (g.n.). 97. Sem que exista esta saída motivada em ordem do importador e ser o produto destinado a terceiro, não considerarseá ocorrido o fato gerador do IPI, impedindo a exigibilidade do tributo. [...] II.2.7 O PRINCÍPIO DA SELETIVIDADE E FORNECEDOR INDUSTRIAL 104. A cobrança do IPI no desembaraço aduaneiro de produto arrendado pelo importador também é inconstitucional por afrontar o Principio da Seletividade previsto no artigo 153, §3 °, inciso I da CF/88. [...] II.2.8 O PRINCÍPIO DA ISONOMIA 114. A inconstitucionalidade da legislação que prevê a tributação também tem origem na afronta ao Principio da Isonomia Tributária previsto no inciso II, do artigo 150 da Constituição Federal de 1988, porque a situação fiscal da impugnante é equivalente a de outras empresas nacionais que não sofrem a cobrança do IPI no arrendamento ou locação de aeronaves realizadas internamente no Brasil. [...] II.2.9 AS INCONSTITUCIONALIDADES DA TIPI Fl. 566DF CARF MF 8 118. Mesmo se não existissem as irregularidades acima apontadas, ainda persistiria a impossibilidade da cobrança, pela flagrante inconstitucionalidade da Tabela de Incidência do IPI que fundamenta a exigibilidade do imposto a alíquota de 10% para a Impugnante e as de 5% e zero quando os adquirentes forem táxisaéreos e concessionárias de transporte aéreo, respectivamente. [...] III O PEDIDO 121. Por tudo o que foi exposto, vem a Impugnante, muito respeitosamente à presença desse órgão administrativo, requerer que seja declarada a improcedência do Auto de Infração lavrado pela ALF/Aeroporto Internacional Tancredo Neves objeto do processo administrativo no 10611.001191/200513 com o consequente cancelamento do crédito tributário nele constituído. Do retorno de Diligência Em virtude de a matéria impugnada ter sido submetida a apreciação judicial, o julgamento foi convertido em diligência através da resolução de fls. 104109, no sentido da unidade de origem anexar cópia do inteiro teor da petição inicial e outros documentos que esclareçam qual a matéria sob exame no processo judicial em referência, inclusive decisões posteriores à tutela antecipada. Foram então anexados os seguintes documentos: 1. cópia do PAJ 10880.000786/200492 que acompanha a tramitação da ação ordinária 2004.61.00.0036438 (fls. 111 451); 2. ciência à impugnante do pedido de diligência e para aditamento à impugnação (fl. 452457); 3. despacho de encaminhamento a esta DRJ, depois de transcorrido o prazo concedido à impugnante. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento conheceu em parte a impugnação e negou provimento a parte conhecida. A decisão da DRJ foi assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 03/03/2005 a 20/06/2007 FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INSUFICIÊNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Inexiste prejuízo ao julgamento do mérito se comprovado nos autos que a indicação incompleta da fundamentação legal não prejudicou o amplo direito de defesa do impugnante nem influiu na solução do litígio. Fl. 567DF CARF MF Processo nº 10611.001191/200513 Acórdão n.º 3301005.217 S3C3T1 Fl. 6 9 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA PARCIAL ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. OCORRÊNCIA. A propositura de ação judicial pelo contribuinte contra a Fazenda, por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa na renúncia às instâncias administrativas, tornando definitiva nesta esfera a discussão da matéria sub judice. O processo administrativo terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão a contribuinte interpôs recurso voluntário, alegando que mesmo existindo ação judicial discutindo a matéria que deu origem ao lançamento, a matéria submetida ao poder judiciário deve ser objeto de julgamento pelos tribunais administrativos, no restante do recurso, repisa alegações apresentadas na impugnação, alegando cerceamento do direito de defesa pela ausência do enfrentamento de todas as alegações da impugnação e ofensa a princípios constitucionais. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. A teor do relatado, a matéria referente a exigência do IPI sobre a importação da aeronave é matéria submetida a apreciação do Poder Judiciário, por meio da ação ordinária 2004.61.0036438 na 18ª Vara Civil da Justiça Federal, 1ª Subseção da Seção Judiciária de São Paulo. O código Tributário Nacional exclui da apreciação dos tribunais administrativos, a matéria objeto de ação judicial, em obediência ao principio da unidade de jurisdição, prevalente no País, em que decisões judiciais são soberanas e afastam a possibilidade de apreciação da mesma matéria pela via administrativa. Portanto, no caso em tela, tratandose da mesma matéria. A propositura de ação judicial afasta a apreciação pelos ritos do Processo Administrativo Fiscal. Tal entendimento foi objeto da Súmula nº 1 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009. Súmula CARF nº 1 Fl. 568DF CARF MF 10 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Portanto, quanto a matéria submetida ao poder judiciário não pode ser conhecida por este colegiado, em razão da concomitância. Quanto a alegação de cerceamento de direito de defesa e ofensa a princípios constitucionais, por atenderem os requisitos de admissibilidade, merecem ser conhecidas. A Recorrente alega cerceamento do direito de defesa, sob o arrimo que o não conhecimento da impugnação ofenderia o princípio da ampla defesa. Nesta matéria não assiste razão ao Recurso. O não conhecimento do impugnação quanto ao mérito da exigência que está submetida ao poder judiciário atende os preceitos do processo administrativo, evitando que existam decisões divergentes na esfera administrativa e judicial. Considerando a soberania das decisões do Poder Judiciário, a matéria que esta sendo discutida judicialmente não pode ser objeto de apreciação dentro do Processo Administrativo. Quanto à alegação que o lançamento estaria ferindo princípios constitucionais. Também aqui não pode prosperar as alegações do recurso. Os princípios constitucionais atingiriam o legislador. Ainda que pudesse restar alguma dúvida sobre a legalidade sob o viés constitucional do lançamento tributário, mesmo assim, este colegiado não poderia apreciar a matéria, diante da emissão da súmula nº 2 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009, que veda o pronunciamento sobre constitucionalidade de lei tributária. “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária” Diante do exposto, voto no sentido de conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 569DF CARF MF Processo nº 10611.001191/200513 Acórdão n.º 3301005.217 S3C3T1 Fl. 7 11 Fl. 570DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.002532/2009-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO.
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda.
Numero da decisão: 9303-007.321
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de crédito sobre gastos com (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas e tratores, mantendo a decisão recorrida quanto às despesas com empilhadeiras (GLP e manutenção), vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONCEITO DE INSUMO. DIREITO DE CRÉDITO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RASIP ALIMENTOS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de crédito sobre gastos com (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas e tratores, mantendo a decisão recorrida quanto às despesas com empilhadeiras (GLP e manutenção), vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 25 32 /2 00 9- 14 Fl. 513DF CARF MF Processo nº 11020.002532/200914 Acórdão n.º 9303007.321 CSRFT3 Fl. 3 2 Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL, com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 380302.986, proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, em 23 e maio de 2012, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 INSUMOS. ALCANCE DO TERMO. São insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços que viabilizam ou que são pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, que neles possam ser diretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço dela resultantes. CREDITAMENTO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE. Somente os gastos expendidos com combustível que efetivamente foi consumido no processo produtivo darão direito ao creditamento da contribuição. CREDITAMENTO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. CUSTO DE VENDA DA EMPRESA. POSSIBILIDADE. Se o serviço de transporte das mercadorias faz parte da operação de venda, tendo seus custos suportados pelo produtor, as embalagens de transporte serão necessárias para a preservação da integridade dos bens durante o transporte, e geram direito a crédito. CREDITAMENTO. PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO LEGAL. Fl. 514DF CARF MF Processo nº 11020.002532/200914 Acórdão n.º 9303007.321 CSRFT3 Fl. 4 3 O crédito presumido instituído pela Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para dedução dos débitos apurados na sistemática da não cumulatividade aplicável na apuração das contribuições sociais, não sendo passível de utilização em procedimentos de compensação ou ressarcimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 ART. 62A DO RICARF. REPRODUÇÃO PELOS CONSELHEIROS QUANDO DO JULGAMENTO DE RECURSOS NO ÂMBITO DO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. [...] O Colegiado a quo entendeu por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito e autorizar o ressarcimento tão somente quanto aos seguintes itens: (a) despesas com empilhadeiras (custos de aquisição de GLP e manutenção de empilhadeiras); (b) despesas com aquisições de combustíveis e lubrificantes desde que efetivamente comprovada pela Contribuinte sua participação no processo produtivo e feita a segregação do lançamento de combustível/lubrificante que foi contabilizado no ativo imobilizado da empresa (conta contábil 11701009); (c) despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores quanto às máquinas que comprovadamente foram essenciais ao processo de produção; e (d) despesas com embalagem de transporte (material de transporte). Não resignada em parte com a decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto ao conceito de insumos para fins de utilização de créditos das contribuições para o PIS e a COFINS na sistemática da não cumulatividade. Insurgiuse especificamente quanto aos seguintes itens: (1) despesas com empilhadeiras; despesas com embalagem de transporte (material de embalagem); despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; e (2) despesas com combustíveis e lubrificantes. Visando à comprovação do dissenso interpretativo indicou, dentre outros, o Acórdão n.º 20312.448, segundo o qual apenas podem ser considerados insumos para fins de cálculo do crédito do PIS nãocumulativo aqueles elencados no art. 3º da Lei nº 10.637/2002 combinado com o art. 66 da IN SRF nº 464/2004, adotando a tese da definição de “insumos” prevista na legislação do IPI. A Recorrente aduz, em síntese, que os insumos aptos a serem considerados como créditos de PIS/Pasep e COFINS no regime nãocumulativo foram tratados de foram taxativa no art. 3º das Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente. Portanto, para efeitos de crédito do tributo, incluemse no conceito de insumo, além de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, os itens que sejam incorporados ao bem produzido, e os bens que, mesmo não se integrando à mercadoria, sejam consumidos e/ou alterados no processo de industrialização em função da ação exercida diretamente sobre o produto, com exceção daqueles compreendidos no ativo permanente. Segundo a Fazenda Fl. 515DF CARF MF Processo nº 11020.002532/200914 Acórdão n.º 9303007.321 CSRFT3 Fl. 5 4 Nacional, tais requisitos não são atendidos pelos itens admitidos como insumos pelo acórdão recorrido, merecendo o mesmo ser reformado. Nos termos do despacho de exame de admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, foi dado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, por ter sido entendida como comprovada a divergência jurisprudencial, com base no Acórdão paradigma n.º 20312.448. Cientificada a Contribuinte, não foram apresentadas contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.318, de 15/08/2018, proferido no julgamento do processo 11020.002522/200971, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.318): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito Do Direito ao Crédito de PIS e COFINS nãocumulativos – Conceito de insumos No mérito, adentrase à análise do direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos decorrentes de: (1) despesas com empilhadeiras; despesas com embalagem de transporte (material de embalagem); despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; e (2) despesas com combustíveis e lubrificantes. De início, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de Fl. 516DF CARF MF Processo nº 11020.002532/200914 Acórdão n.º 9303007.321 CSRFT3 Fl. 6 5 créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 517DF CARF MF Processo nº 11020.002532/200914 Acórdão n.º 9303007.321 CSRFT3 Fl. 7 6 Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. Fl. 518DF CARF MF Processo nº 11020.002532/200914 Acórdão n.º 9303007.321 CSRFT3 Fl. 8 7 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Fl. 519DF CARF MF Processo nº 11020.002532/200914 Acórdão n.º 9303007.321 CSRFT3 Fl. 9 8 Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime nãocumulativo. Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. No caso dos autos, conforme já afirmado, a Contribuinte RASIP AGROPASTORIL S/A é pessoa jurídica que desenvolve a atividade econômica principal do cultivo de maçãs. No seu Estatuto Social (fl. 213), art. 3º, como objeto social são listadas as seguintes atividades: "(a) a produção agrícola e pastoril, a fruticultura e apicultura; (b) a criação de rebanhos de diversas espécies; (c) a indústria, o comércio, a importação e a exportação de produtos alimentícios, de produtos da agricultura, da fruticultura e da pecuária, inclusive derivados do leite; (d) a elaboração e execução de projetos e atividades de fruticultura, florestamento e reflorestamento; (e) a produção e comercialização de produtos agrícolas, sementes e mudas; e (f) a prestação de serviços inerentes a essas atividades." Fl. 520DF CARF MF Processo nº 11020.002532/200914 Acórdão n.º 9303007.321 CSRFT3 Fl. 10 9 Importa ter em perspectiva referida atividade econômica desenvolvida pela Recorrida, pois ao se adotar o critério da pertinência, relevância e essencialidade para a definição do conceito de insumos, tais parâmetros devem ser analisados frente ao processo produtivo do Sujeito Passivo em referência. A Fazenda Nacional, por meio de recurso especial, confronta o acórdão do recurso voluntário no que tange à possibilidade de tomada de créditos de PIS e COFINS não cumulativos pela Contribuinte decorrentes dos seguintes itens, divididos em dois grupos: (1) despesas com empilhadeiras; despesas com embalagem de transporte (material de embalagem); despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; e (2) despesas com combustíveis e lubrificantes. Na perspectiva do conceito de insumos segundo o critério da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo, entendese não assistir razão à Recorrente quanto ao pedido de restabelecimento das glosas, pois as despesas em testilha têm relação direta com a atividade econômica principal da empresa contribuinte – o cultivo de maçãs. Para elucidar a assertiva, passase à análise individual dos bens e serviços: (a) despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção): no Relatório de Verificação Fiscal (fl.96), após visitas da Fiscalização à sede da empresa, foi consignado que as empilhadeiras são utilizadas para diversos fins: “descarregamento da fruta vinda dos pomares, carregamento/descarregamento da fruta nas câmaras frias, movimentação pelo packing (local onde a maçã é selecionada, limpada e embalada), bem como no carregamento das caixas de maçãs na saída dos produtos do estabelecimento”. Entendeu a Autoridade Fiscal que, ante a falta de segregação dos custos, despesas e respectivos créditos vinculados às empilhadeiras pela Contribuinte, não haveria direito ao crédito, por inexistência de previsão legal, já que as mesmas seriam utilizadas para “mero transporte da fruta dentro do processo produtivo (não há transformação ou ação direta sobre a maçã)” e, ainda, “após a finalização do processo produtivo, em suma, no início da operação de venda – carregamento da fruta na saída do estabelecimento (expedição)”. O entendimento da Fiscalização – que também é defendido pela Fazenda Nacional – é pautado pelo critério do conceito de insumos da legislação do IPI, exigindo o contato, desgaste, modificação do bem ou serviço no processo produtivo, bem como que o mesmo entre em contato com a mercadoria a ser produzida. No entanto, à luz da posição intermediária para definição do conceito de insumos, a utilização das empilhadeiras para o transporte das frutas nos pomares e para o seu carregamento na saída do estabelecimento, denota pertinência, relevância e essencialidade, com o processo produtivo do cultivo de maçãs. As empilhadeiras foram utilizadas pela Contribuinte na produção, ainda que de forma indireta, e se mostram indispensáveis à consecução do seu objeto social de produção e venda das maçãs. Além disso, não se pode imaginar que não conte a empresa com o auxílio de máquinas para o transporte do seu produto, em grandes quantidades, ao longo da produção e na saída para a venda, pois hipótese contrária inviabilizaria o próprio cultivo e escoamento da produção. Portanto, deve ser mantido o reconhecimento do direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos com relação às despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção). " Fl. 521DF CARF MF Processo nº 11020.002532/200914 Acórdão n.º 9303007.321 CSRFT3 Fl. 11 10 (...)3 "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões, quanto ao direito de se aproveitar créditos sobre despesas que não integram o custo do produto industrializado. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS e da Cofins no regime da nãocumulatividade previsto nas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Como visto, a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso da Fazenda Nacional, como bem relatado, referese ao aproveitamento de créditos assim separados: 1) Despesas com empilhadeiras 2) combustíveis e lubrificantes; 3) Bens diversos; 4) Materiais utilizados para embalagens de transporte; e 5) Serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores. Porém, como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da necessidade e da essencialidade, adotado pelo voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º das Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que trata das possibilidades de creditamento do PIS e da Cofins: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; 3 Não se transcreveu, do voto da relatora do processo paradigma, a parte que analisou o direito de crédito de insumos cujos entendimentos foram vencidos na votação, e que, portanto, não se aplicam à solução do presente litígio. Contudo, a íntegra do voto consta do Acórdão 9303007.318. Fl. 522DF CARF MF Processo nº 11020.002532/200914 Acórdão n.º 9303007.321 CSRFT3 Fl. 12 11 V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (...). 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...). Ora, segundo estes dispositivos legais, somente geram créditos das contribuições os custos com bens e serviços utilizados como insumos na fabricação dos bens destinados a venda. Note que os dispositivos legais descrevem de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não Fl. 523DF CARF MF Processo nº 11020.002532/200914 Acórdão n.º 9303007.321 CSRFT3 Fl. 13 12 necessitariam ter sido elaborados desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não haveria necessidade de ter descido a tantos detalhes. No presente caso, é incontroverso que as referidas despesas são necessárias para a atividade econômica do contribuinte. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que os gastos com aqueles bens e serviços estão vinculados às atividades econômicas do contribuinte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda e na prestação de serviços. Portanto, considerando esse conceito de que os insumos devem ser utilizados diretamente na fabricação do produto destinado a venda, passemos à análise de cada item objeto do recurso especial. 1) Despesas com empilhadeiras (combustíveis e peças de manutenção) Nesse ponto só vou justificar as razões porque acompanhei a relatora pela possibilidade de tal creditamento. Verificase pelo relatório fiscal que essas empilhadeiras são usadas dentro do processo fabril de beneficiamento das maças, produto final do contribuinte. Ou seja, os combustíveis e as peças de manutenção, não ativáveis, são consumidas diretamente no processamento das maças, que são efetivamente os produtos destinados à venda. 2) Combustíveis e lubrificantes Na análise do direito ao crédito efetuada pela autoridade fiscal, foi negado o crédito nas aquisições de combustíveis não utilizados diretamente no processo produtivo. De acordo com a fiscalização a maior parte dos créditos pleiteados eram referentes a combustíveis e lubrificantes utilizados em tratores agrícolas. Em seu recurso voluntário, o contribuinte sustenta que o processo produtivo de maçãs é amplo e iniciase desde o cultivo da terra. Ou seja, um retorno ao conceito de essencialidade, não em relação à sua atividade produtiva direta, mas em relação à sua atividade econômica como um todo. Inclusive, como esclarecido no relatório da fiscalização, boa parte desses combustíveis eram levados ao ativo imobilizado pela própria empresa, em razão da vida útil dos pomares. Porém, como já frizado, as leis da não cumultatividade não trazem essa ampliação toda como pretende o contribuinte e como entende a ilustre relatora do presente voto. Como abordo no item seguinte, não há possibilidade legal do aproveitamento de créditos de insumos de insumos. 3) Materiais utilizados para embalagens de transporte Tomo da transcrição de trecho do voto da decisão recorrida, sobre que elementos está se discutindo tal creditamento. Constam na glosa itens como Cantoneiras – utilizadas para evitar o amassamento das caixas de papelão pelas amarras durante o transporte do produto; Pallets e seus acessórios – pregos e etiquetas – utilizados para o empilhamento de caixas para armazenamento e transporte; Fitas/Amarras – usadas para amarrar as caixas de papelão sobre os pallets. Observe que são todos itens utilizados após o encerramento do processo produtivo. São utilizados para acondicionamento de transporte da produção. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. Penso inclusive, Fl. 524DF CARF MF Processo nº 11020.002532/200914 Acórdão n.º 9303007.321 CSRFT3 Fl. 14 13 que em maior ou menor grau, a depender do produto final, esta é a finalidade mesmo da embalagem de transporte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Portanto após o encerramento do processo produtivo não é possível tal creditamento, a não ser nas hipóteses expressamente previstas na legislação, a exemplo do aproveitamento do crédito do frete na operação de venda (situação excepcionada expressamente pela Lei) ou alguém seria capaz de dizer que o frete na operação de venda, suportado pelo contribuinte, não é um item essencial à sua atividade econômica. Se bastasse isso não seria necessária a excepcionadade constante da Lei. 4) Serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores. Pela característica dos bens, evidente que sua utilização é feita na etapa pré industrial. Na manutenção das lavouras que faz parte da etapa agrícola. Importante relembrar que a legislação não prevê possibilidade de creditamento de insumos de insumos e esse colegiado tem tido o entendimento de que não é possível o creditamento de insumos utilizados na fase agrícola, ou préindustrial. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para reestabelecer as glosas de crédito em relação aos seguintes itens: (i) combustíveis e lubrificantes (ii) embalagem de transporte, e (iii) serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial para restabelecer as glosas de crédito em relação aos seguintes itens: (i) combustíveis e lubrificantes (ii) embalagem de transporte, e (iii) serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 525DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900379/2008-07
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/07/2000
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Numero da decisão: 9303-007.060
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/07/2000 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida INDÚSTRIA CERÂMICA FRAGNANI LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/07/2000 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 79 /2 00 8- 07 Fl. 574DF CARF MF Processo nº 10865.900379/200807 Acórdão n.º 9303007.060 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão n° 3401001.952, que, na parte de interesse ao presente julgamento, possui a seguinte ementa: (...) BASE DE CÁLCULO. SAÍDAS DE PRODUTOS EM BONIFICAÇÃO NÃO DEPENDENTES DA IMPLEMENTAÇÃO DE QUALQUER CONDIÇÃO. EXCLUSÃO PERMITIDA. PAGAMENTO A MAIOR CONFIRMADO PARCIALMENTE. Equiparamse aos “descontos concedidos incondicionalmente” a que alude a exclusão legal permitida da base de cálculo das contribuições devidas ao PIS/Pasep e à Cofins as “bonificações” perfeitamente identificadas com as notas fiscais de venda a que se referiram, ainda que não tenham constado desta, mas, sim, em outro documento fiscal apartado. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente recurso. Aduz divergência de interpretação da legislação tributária referente à conceituação de desconto incondicional. Para comprovar a divergência apresentou o acórdão nº 20403.303. Mediante despacho de exame de admissibilidade o Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF deu seguimento ao recurso. Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pelo não conhecimento do especial interposto. Alternativamente, caso o Colegiado entenda pelo conhecimento do recurso, requer lhe seja negado provimento. No essencial é o Relatório. Fl. 575DF CARF MF Processo nº 10865.900379/200807 Acórdão n.º 9303007.060 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.055, de 10/07/2018, proferido no julgamento do processo 10865.900236/200897, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.055): "O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamado de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos, não tendo espaço para questões fáticas, que já ficaram devidamente julgadas no Recurso Voluntário. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame do caso em espécie. In caso, tratase de processo que retorna de julgamento em face da conclusão da diligência deliberada pelo Colegiado a quo por meio da Resolução nº 340100.083,de 27/10/2010. Após a conclusão de diligência, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP indeferiu os termos da Manifestação de Inconformidade por entender que: “As bonificações concedidas em mercadorias configuram descontos incondicionais, podendo ser excluídas da receita bruta para efeito de apuração da Fl. 576DF CARF MF Processo nº 10865.900379/200807 Acórdão n.º 9303007.060 CSRFT3 Fl. 5 4 base de cálculo da Cofins, apenas quando constarem da Nota Fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento”. Com efeito, a 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária da 3º Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, por entender que as bonificações para serem excluídas da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, há de serem caracterizadas como descontos incondicionais concedidos, assim definidos na INSRF n° 51, de 1978, devendo atender duas condições: constar em nota fiscal de venda dos bens, e não depender de evento posterior à emissão desse documento. A partir do resultado de diligência empreendida por requisição do Colegiado recursal, constatou que, não obstante as bonificações não tenham constado do corpo das notas fiscais de venda, uma parte delas teve a sua emissão na mesma data, ao mesmo cliente, com numeração seqüencial imediata, envolveu o mesmo transportador e as mesmas placas dos veículos transportadores. Sob essas condições, concluiu que a operação não dependia de evento posterior à emissão da nota fiscal de venda, concluindo que as mercadorias recebidas em bonificação configuravam descontos incondicionais concedidos”, considerando ainda irrelevante, porquanto não fundada em lei, o preenchimento da condição de que constem da própria nota fiscal de venda e não de um documento em separado desta. Por sua vez, a Fazenda Nacional aduz divergência à respeito da conceituação de desconto incondicional. Visando comprovar o dissenso aponta como paradigma, o Acórdão nº 204.03.303, que possui a seguinte ementa, transcrita na parte de interesse: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2003. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES RECEBIDAS. DESCARACTERIZAÇÃO. Somente se configura o recebimento de bonificação em mercadorias, cujo valor não é computado como receita para fins de apuração da base de cálculo do PIS e da Cofins na forma definida na Lei n 9.718/98, quando constem discriminadas na própria nota fiscal de venda das mercadorias sobre a qual se concedeu a bonificação. Mercadorias recebidas gratuitamente, em nota fiscal própria, configuram doações, cuja contrapartida é obrigatoriamente registrada a conta de receita e tributada pelas contribuições na vigência daquela Lei. Recurso Voluntário Negado Relatório Em Termo de Verificação Fiscal de fls. 09 e 10 dos autos, a autoridade fiscal esclarece a divergência ocorrida entre os meses de fevereiro de 1999 e dezembro de 2000: "não inclusão das demais receitas auferidas" e não inclusão da totalidade das mercadorias recebidas em bonificação. No termo não há qualquer esclarecimento acerca das divergências verificadas nos demais meses, limitandose a autoridade a afirmar que os créditos utilizáveis pelo Fl. 577DF CARF MF Processo nº 10865.900379/200807 Acórdão n.º 9303007.060 CSRFT3 Fl. 6 5 contribuinte na sistemática nãocumulativa já estavam considerados no lançamento.A ele se seguem planilhas demonstrativas da composição da base de cálculo adotada pela fiscalização, mês a mês, desde fevereiro de 1999. Delas, percebese que as contas adicionadas são as mesmas, seja na sistemática cumulativa, seja na nãocumulativa. A DRJ em Ribeirão Preto/SP houve por bem determinar a realização de diligência na qual a autoridade fiscal promovesse a juntada de cópias dos livros contábeis (razão e diário) que demonstrassem a contabilização das operações com mercadorias recebidas em bonificação e destinadas à revenda, "... ou seja, (das contas) de "Mercadorias Bonificadas e Mercadorias para revenda, bem como das respectivas contas de encerramento (contas para as quais foram transferidos os saldos daquelas)...verificando, na oportunidade, se os valores contabilizados são iguais aos tributados". Não houve determinação expressa para novos procedimentos, nem mesmo para ciência da interessada. Em suma, procurou demonstrar que as bonificações aqui tributadas não atenderiam às exigências constantes nos diverSos atos da SRF sobre o assunto (inclusive a publicação "perguntas e respostas citada pela impugnante em sua peça de defesa) para que possam ser excluídas da base de cálculo do PIS e da Cofins, qual seja a de figurarem nas notas fiscais de vendas, quais descontos incondicionais, como redutores do preço cobrado. No caso em discussão, seriam mercadorias recebidas por meio de notas fiscais próprias com a inserção do código fiscal de operações 5.99. Em que pese o exame de admissibilidade ter reconhecido o dissenso, pelo confronto entre as razões de decidir do acórdão recorrido e o excerto do voto condutor do paradigma, não se comprova divergência. A decisão recorrida deu provimento ao Recurso Voluntário, com base em perguntas e respostas da Receita Federal do Brasil (RFB) reconhecendo a existência de pagamento a maior no recolhimento da Contribuição, advindo da inclusão na base de cálculo do valor das mercadorias recebidas em bonificação. Já o acórdão paradigma apontado pela Fazenda Nacional, o qual foi objeto de Embargos de Declaração, acolhido com efeito infringente ( acórdão nº 220200.124) tendo o Colegiado excluído o valor das bonificações da base de cálculo das contribuições por entender que á luz da inconstitucionalidade declarada pelo STF ao disposto pelo parágrafo 1º do artigo 3º da lei nº 9718, em que essa cobrança, não caberia tributação do PIS e da COFINS. Como se vê, o paradigma apresentado, não demonstra nenhuma divergência, a tese encampada pela Fazenda Nacional, demonstra entendimento favorável a Contribuinte, pois prestam à demonstrar dissenso favorável, considerando a tributação do PIS/COFINS sobre bonificações concedidas, independente de seu enquadramento em "desconto incondicional". No acórdão recorrido, foi conferido a Contribuinte o direito de excluir as bonificações em que estivesse caracterizado o desconto incondicional, ou seja, mesmo não sendo as bonificações objeto da mesma nota fiscal, nas quais, em diligência, restou comprovada a emissão conjuntamente á nora fiscal de venda, estaria reconhecido o direito de excluir o montante correspondente ás bonificações de cálculo das contribuições. O paradigma, por meio dos Embargos de Declaração entendeu que a Contribuinte tinha o direito de excluir toda e qualquer receita "bonificação", visto que esta não Fl. 578DF CARF MF Processo nº 10865.900379/200807 Acórdão n.º 9303007.060 CSRFT3 Fl. 7 6 se enquadra no conceito de faturamento ( base de cálculo constitucionalmente eleita para o PIS e COFINS) conforme entendimento do STF. Deste modo, as dessemelhanças fáticas e normativas impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial. Em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. Neste sentido, reportome ao Acórdão no CSRF/010.956: “Caracterizase a divergência de julgados, e justificase o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterálo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1o vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado.” Dispositivo Ex positis, em razão das dessemelhanças fáticas e normativas que impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução de divergência jurisprudencial, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Fazenda Nacional." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional não foi conhecido. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 579DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13952.720030/2011-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2006
DACON. ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49.
Recurso Voluntário Improcedente
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-005.533
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2006 DACON. ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49. Recurso Voluntário Improcedente Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
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ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49. Recurso Voluntário Improcedente Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 95 2. 72 00 30 /2 01 1- 90 Fl. 41DF CARF MF Processo nº 13952.720030/201190 Acórdão n.º 3402005.533 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração para exigência de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON). Cientificada do lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação, alegando que apresentou a DACON de forma espontânea, o que excluiria a penalidade nos termos do artigo 138 do CTN. Por meio do acórdão nº 06038.743, o Colegiado a quo julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando a alegação de sua impugnação pela exclusão da penalidade nos termos do artigo 138 do CTN (denúncia espontânea). O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.503, de 26 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10840.002032/201091, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.503): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese à aplicação da denúncia espontânea, prevista no artigo 138 do CTN, em caso de entrega intempestiva de obrigação acessória (DACON), mas antes de qualquer ato de ofício da autoridade fiscal. Tratase de aplicação direta da Súmula CARF nº 49: Fl. 42DF CARF MF Processo nº 13952.720030/201190 Acórdão n.º 3402005.533 S3C4T2 Fl. 4 3 “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.” As Súmulas do CARF são de observância obrigatória pelos membros do colegiado, conforme disposto no artigo 72 do RICARF. Recentemente, por meio da Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, foi atribuído a determinadas súmulas do CARF, dentre as quais se encontra a Súmula 49, efeito vinculante em relação à administração tributária federal. Dessa forma, a matéria se encontra pacificada em sentido contrário àquele defendido pela recorrente, não restando qualquer análise a ser feita neste julgamento. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo, pela aplicação da Súmula CARF 49. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 43DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14751.001443/2008-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004
NULIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA. NÃO OCORRÊNCIA
O indeferimento do pedido de perícia não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção.
ILEGITIMIDADE PASSIVA. INSUBSISTÊNCIA
Não procede a alegação de ilegitimidade pois o crédito tributário foi lançado contra o ente federativo e não contra o titular da respectiva Secretaria.
ALEGAÇÕES GERAIS NÃO COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS.
Poderia o sujeito passivo demonstrar, por meio de alegações consistentes, lastreadas em provas documentais apresentadas diretamente, ou demandadas dos órgãos da própria administração direta do governo, a comprovação dos pagamentos realizados, o que não foi feito no presente caso.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL COM REPERCUSSÃO GERAL. RICARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO.
O Plenário do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade de votos, declarou, em recurso com repercussão geral, a inconstitucionalidade do inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.21291, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (RE nº 595838/SP, Pleno, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 23 de abril de 2014).
2. O § 2º do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543-B e 543-C do CPC revogado, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do Código processual vigente, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
3. Diante da inconstitucionalidade da norma legal que estabeleceu o fato gerador das contribuições lançadas, deve ser dado provimento ao recurso, para excluir os valores exigidos no lançamento.
Numero da decisão: 2401-005.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento o levantamento COP.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004 NULIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA. NÃO OCORRÊNCIA O indeferimento do pedido de perícia não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INSUBSISTÊNCIA Não procede a alegação de ilegitimidade pois o crédito tributário foi lançado contra o ente federativo e não contra o titular da respectiva Secretaria. ALEGAÇÕES GERAIS NÃO COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. Poderia o sujeito passivo demonstrar, por meio de alegações consistentes, lastreadas em provas documentais apresentadas diretamente, ou demandadas dos órgãos da própria administração direta do governo, a comprovação dos pagamentos realizados, o que não foi feito no presente caso. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL COM REPERCUSSÃO GERAL. RICARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade de votos, declarou, em recurso com repercussão geral, a inconstitucionalidade do inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.21291, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (RE nº 595838/SP, Pleno, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 23 de abril de 2014). 2. O § 2º do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543-B e 543-C do CPC revogado, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do Código processual vigente, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 3. Diante da inconstitucionalidade da norma legal que estabeleceu o fato gerador das contribuições lançadas, deve ser dado provimento ao recurso, para excluir os valores exigidos no lançamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento o levantamento COP. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
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PEDIDO DE PERÍCIA. NÃO OCORRÊNCIA O indeferimento do pedido de perícia não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INSUBSISTÊNCIA Não procede a alegação de ilegitimidade pois o crédito tributário foi lançado contra o ente federativo e não contra o titular da respectiva Secretaria. ALEGAÇÕES GERAIS NÃO COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. Poderia o sujeito passivo demonstrar, por meio de alegações consistentes, lastreadas em provas documentais apresentadas diretamente, ou demandadas dos órgãos da própria administração direta do governo, a comprovação dos pagamentos realizados, o que não foi feito no presente caso. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL COM REPERCUSSÃO GERAL. RICARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade de votos, declarou, em recurso com repercussão geral, a inconstitucionalidade do inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.21291, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (RE nº 595838/SP, Pleno, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 23 de abril de 2014). 2. O § 2º do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC revogado, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do Código processual vigente, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 14 43 /2 00 8- 03 Fl. 1462DF CARF MF 2 deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 3. Diante da inconstitucionalidade da norma legal que estabeleceu o fato gerador das contribuições lançadas, deve ser dado provimento ao recurso, para excluir os valores exigidos no lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento o levantamento COP. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife PE (DRJ/REC), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa do Acórdão nº 1127.503 (fls. 1414/1422): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA: PRINCIPAL E ACESSÓRIA. NATUREZAS DISTINTAS. O crédito em tela tem por objeto as contribuições sociais inadimplidas pelo sujeito passivo, tendo assim, no direito tributário, natureza obrigacional principal, distinta, portanto, daquela decorrente do dever instrumental de prestar informações h Seguridade Social por meio de GFIP, esta última de caráter acessório. Fl. 1463DF CARF MF Processo nº 14751.001443/200803 Acórdão n.º 2401005.670 S2C4T1 Fl. 3 3 PLANEJAMENTO FISCAL. ATIVIDADE DISCRICIONÁRIA. Está na órbita do poder discricionário da Administração Pública Federal o planejamento fiscal, a ser entabulado pela Receita Federal do Brasil, decidindo, neste contexto, as empresas que serão objeto de fiscalização, de acordo com o interesse público, a conveniência e a oportunidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata de crédito constituído em desfavor da SECRETARIA DE SAÚDE DO ESTADO DA PARAÍBA, por meio do Auto de Infração DEBCAD Nº 37.190.2673 (fls. 03/97), consolidados em 15/09/2008, no montante de R$ 17.671.587,92, relativo ao período de 01/2004 a 12/2004, concernente às Contribuições Previdenciárias Patronais incidentes sobre as remunerações pagas a segurados contribuintes individuais, que prestaram serviços à Secretaria de Saúde diretamente (levantamento ECI, fls. 09/13) ou por intermédio de cooperativa (levantamento COP, fls. 09), consoante notas de empenho, elencadas no Relatório de Lançamento (fls. 19/81) e nas Planilhas de fls. 125/211. De acordo com o Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 113/117): 1. O órgão não apresentou à fiscalização os documentos e informações necessários à comprovação do regular cumprimento das obrigações previdenciárias principais e acessórias, resultando na lavratura dos Autos de Infração DEBCAD nº 37.165.1735 e DEBCAD nº 37.165.1727 e no lançamento das contribuições previdenciárias sob sua responsabilidade, por arbitramento, apuradas por aferição indireta, com base em nota de empenho, em conformidade com o artigo 33, §§ 20 e 30 da Lei no. 8.212/91 c/c os artigos 232 e 233 do Decreto no. 3.048/99; 2. As notas de empenho foram obtidas pela fiscalização, em meio digital, junto ao Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE/PB); 3. Foram lançados nos campos próprios do Discriminativo Analítico do Debito – DAD (fls. 09/13), por levantamento, os Salários de Contribuição (SC), as contribuições previdenciárias apuradas, por rubricas, respectivas alíquotas aplicadas e os créditos considerados dedutíveis; 4. Foram consideradas no lançamento e deduzidas das contribuições apuradas, as contribuições previdenciárias confessadas em documento constitutivo de crédito previdenciário (GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social), independentemente de haver ou não recolhimento correspondente, relacionadas no Relatório de Documentos Apresentados – RDA (fl. 83), as quais foram apropriadas por rubricas, conforme demonstrado no Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA (fls. 85/89); Fl. 1464DF CARF MF 4 5. As pessoas físicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vinculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, com indicação de sua qualificação e período de atuação, foram listadas no Relatório de Representantes Legais – REPLEG (fl. 95) e na Relação de Vínculos – VINCULOS (fl. 97). Em 18/09/2008 o Contribuinte tomou ciência pessoal do Auto de Infração lavrado (fl. 03) e, em 17/10/2008, tempestivamente, apresentou sua Impugnação de fls. 225 a 243, onde afirma que a fiscalização não considerou a totalidade das GFIP e GPS na confecção do lançamento, colacionadas às fls. 346/1476, e informa que as unidades hospitalares pertencentes à rede estadual promovem a confecção das citadas guias e também recolhem as contribuições sociais a seu encargo. Por fim, requer, dentre outras coisas, perícia, para exame integral da documentação relativa aos arquivos de remessa das correspondentes GFIP, por entender imprescindível para o deslinde da controvérsia. Assim, a 7ª Turma da DRJ/REC converteu o julgamento em Diligência (fls. 1384/1386) para que a fiscalização efetuasse os seguintes esclarecimentos: 1. A origem dos valores considerados, para fins de dedução, contidos no Relatório de Documentos Apresentados — RDA; 2. Os valores das GPS, em cada competência, que foram considerados na confecção do presente processo; 3. Se as GPS, colacionadas pela defesa, foram consideradas no lançamento, justificando, em caso negativo, as razões de sua não inclusão; 4. Se o credito em apreço envolve as unidades hospitalares citadas pela defendente nos documentos acostados à sua impugnação; 5. Se as GFIP, trazidas na impugnação, têm alguma ligação com o presente processo. Em havendo, demonstrar, por competência envolvida, como foram as mesmas consideradas no lançamento. Em não havendo, assinalar os respectivos motivos. Em resposta à solicitação de Diligência, a autoridade lançadora se manifestou às fls. 1388/1392), onde esclareceu que os fatos geradores objeto do processo em apreço foram declarados parte em GFIP da Secretaria de Saúde e de suas unidades hospitalares, parte nas GFIP da Secretaria de Administração, porém no CNPJ do Governo do Estado da Paraíba. Elaborou planilha (fls. 1394 e seguintes) contendo as Guias da Previdência Social existentes em favor da Secretaria da Saúde do Estado da Paraíba e suas unidades hospitalares, salientando a inexistência de saldo a deduzir do presente processo. O Contribuinte tomou ciência do resultado da diligência, mas não se pronunciou dentro do prazo legal. Diante disso, o processo foi encaminhado à DRJ/REC para julgamento, onde a 7ª Turma concluiu pela rejeição integral das argumentações da impugnação e, em consequência, votou pela procedência do lançamento. Fl. 1465DF CARF MF Processo nº 14751.001443/200803 Acórdão n.º 2401005.670 S2C4T1 Fl. 4 5 Em 20/11/2009 o Contribuinte tomou ciência do Acórdão (AR fl. 1454) e, em 18/12/2009, inconformado com a decisão tomada interpôs o Recurso Voluntário de fls. 1428 a 1452. No RV faz um breve resumo dos fatos (fls. 1430/1432) e segue argumentando: 1. Preliminarmente, sobre a nulidade absoluta do feito, consequência do indeferimento de produção de prova pericial, indispensável ao esclarecimento da controvérsia, que configura cerceamento do direito de defesa (fls. 1432/1434); 2. No Mérito sobre: a. A insubsistência da autuação devido à ilegitimidade da Autoridade autuada por ausência de competência para representar extrajudicialmente o Estado da Paraíba (fls. 1434/1438); b. A improcedência da autuação devido estar comprovado nos autos o cumprimento da obrigação previdenciária principal pelo sujeito passivo (fls. 1438/1450). Conclui o RV requerendo a decretação da nulidade absoluta do feito, ante a configuração do cerceamento do direito de defesa. Alternativamente, caso não seja acolhida a preliminar, o provimento integral do recurso apresentado a fim de julgar improcedente o lançamento indevidamente realizado. É o relatório Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminares Nulidade da decisão de primeira instância – Pedido de perícia Pleiteia a Recorrente a nulidade da decisão de primeira instância em virtude do indeferimento na realização de perícia, por entender indispensável aos destrame da controvérsia. Fl. 1466DF CARF MF 6 Cumpre, nesse ponto, destacar que a perícia tem por finalidade a elucidação de questões técnicas ou fáticas que suscitem dúvidas ao julgador, o qual cabe avaliar a necessidade da produção da prova técnica que exige conhecimento especial. No presente caso, em face da documentação apresentada pelo contribuinte, a DRJ determinou a realização de diligência e o Auditor Fiscal esclareceu os fatos suscitados (fls. 1388/1392). Intimado para se manifestar acerca do resultado da diligência, o Recorrente quedouse inerte (fl. 1412). Após os esclarecimentos oferecidos, o julgador de primeira instância entendeu que os elementos contidos no processo administrativo eram suficientes para a formação de sua convicção e que a análise do presente caso prescindiria da realização de prova pericial. Consoante dispõe o Decreto 70.235/1972 que estabelece as regras do processo administrativo fiscal, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente a sua convicção: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Portanto, diferente do que foi suscitado pela Recorrente, entendo que o indeferimento do seu pleito quanto ao pedido de perícia não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção. Ademais, foi determinada a realização de diligência e oferecidos os esclarecimentos que se fizeram necessários. Diante disso, a fiscalização apresentou relatório conclusivo o que foi analisado no julgamento de primeira instância. O procedimento fiscalizatório foi efetuado dentro dos preceitos normativos atinentes à matéria, o contribuinte foi devidamente intimado para apresentar as razões de defesa e a juntada de provas que entendesse importantes para fundamentar suas alegações. Restou, portanto, plenamente assegurado o contraditório e a ampla defesa. Assim, rejeito a preliminar suscitada pela parte. Ilegitimidade passiva Segundo o Recorrente o lançamento foi realizado na pessoa do titular da Secretaria de Estado. Alega ilegitimidade passiva. Não procede a argumentação aduzida. O crédito tributário foi lançado contra o ente federativo e não contra o titular da respectiva Secretaria, razão porque não merece guarida a ilegitimidade suscitada. Mérito Levantamento ECI (fls. 09/13) Em razões recursais o sujeito passivo pleiteia a improcedência da autuação e disserta acerca do cumprimento da obrigação acessória. Traz alegações gerais sobre o recolhimento e repasse das contribuições previdenciárias exigidas e afirma que ocorreu o cumprimento da obrigação principal pelo sujeito passivo. Fl. 1467DF CARF MF Processo nº 14751.001443/200803 Acórdão n.º 2401005.670 S2C4T1 Fl. 5 7 Pois bem. O lançamento trata da exigência de contribuições previdenciárias patronais, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados, não amparados por regime próprio da Previdência Social, que prestaram serviços à Secretaria da Saúde do Estado da Paraíba, nas competências 02/2004 a 12/2004, sendo as bases de cálculo obtidas das folhas de pagamento. Em atendimento a diligência proposta pela DRJ, o Auditor Fiscal apresentou os esclarecimentos às fls. 1388/1392, em que assevera que as contribuições previdenciárias correspondentes aos fatos geradores vinculados à Secretaria da Saúde do Estado da Paraíba foram recolhidas de duas formas: (i) com relação às remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais, declarados nas GFIP's da Secretaria da Saúde e de suas unidades hospitalares, foram recolhidas parcialmente nos próprios CNPJ's (08.778.268/0001 60, 08.778.268/000241, 08.778.268/000322), por meio de GPS; (ii) as correspondentes a uma parte dos fatos geradores relativos às remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, servidores comissionados e prestadores de serviços não amparados por RPPS, confessadas nas GFIP's do Governo do Estado da Paraíba, foram recolhidas no próprio CNP do Estado (08.761.124/000100), por meio da retenção nas cotas do FPE no valor correspondente ao declarado como devido nas respectivas GFIP's; (iii) os recolhimentos mensais efetivamente realizados nos CNPJ´s da Secretaria da Saúde e suas unidades hospitalares, são inferiores as correspondentes contribuições confessadas nas respectivas GFIP's, relacionadas no RDA do lançamento. Consoante se verifica dos esclarecimentos realizados e dos documentos adunados aos autos, as informações e os recolhimentos das contribuições devidas foram efetuadas, parte em uma secretaria de governo, parte em outra. Além do que, em uma mesma GFIP constam fatos geradores de diferentes Secretarias, o que dificulta, sobremaneira, o controle da fiscalização, recaindo para o sujeito passivo o ônus probatório do adimplemento da obrigação tributária. Poderia o sujeito passivo demonstrar, por meio de alegações consistentes, lastreadas em provas documentais apresentadas diretamente, ou demandadas dos órgãos da própria administração direta do governo, a comprovação dos pagamentos realizados, o que não foi feito no presente caso. No que tange às GPS e ao termo de amortização de dívida adunado aos autos, transcrevo a seguir excerto do voto proferido pela Delegacia de Julgamento, o qual peço vênia para acrescentar às razões de decidir: Por sua vez, as GPS colacionadas ao feito pela impugnante achamse especificadas na planilha de fls. 6951698. Foram incluídas nas deduções entabuladas no presente processo e no AI 37.190.2649, lavrados na mesma ação fiscal, consoante relatório de apropriação de documentos apresentados ,— RADA, as fls. 42/44. Não há, assim, saldo a deduzir do presente processo. De igual sorte, não há como acolher o termo de amortização de divida fiscal, firmado com o INSS, colacionado as fls. 148/156, porque o mesmo não diz respeito ao período lançado no presente processo. Fl. 1468DF CARF MF 8 Quanto ao pleito do impugnante de se promover fiscalização na Secretaria de Administração do Estado, que diz ser essencial para apuração adequada do crédito em tela, é mister ressaltar que a escolha do órgão a ser fiscalizado está dentro de uma política de planejamento fiscal, atividade discricionária, a cargo da Administração Pública Federal. Não há, em conseqüência, qualquer óbice em se promover, por questões de conveniência e oportunidade, a inspeção, em um mesmo ente federativo, de uma dada secretaria em detrimento de outra. De qualquer sorte, a impugnante poderia, como integrante do Governo Estadual, demandar junto à citada Secretaria de Administração ou outro órgão do Executivo estadual, eventual documentação comprobatória de sua adimplência em relação ao crédito em discussão e trazêla aos autos, não havendo expressa necessidade de se entabular fiscalização em órgão distinto do demandado. Não restou assim, demonstrada a real necessidade de se efetivar fiscalização em outra secretaria, que não a inspecionada, motivo pelo qual se rejeita seu pleito na matéria e refutase prescindível a perícia requestada, mesmo porque não foram elaborados quesitos, nem apontado perito, considerandose, em consequência, como não formulado o mencionado pedido, consoante regramento plasmado no § 1 0, do art. 16, do Decreto n.° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n.° 8.748/93. Em face das razões expendidas e tendo em vista que o sujeito passivo não se desincumbiu de comprovar os fatos que sustenta como fundamentos à sua pretensão, mantenho a exigência fiscal contida no levantamento ECI (fls. 09/13). Levantamento COP (fls. 09) O lançamento objeto do levantamento COP tem como fato gerador a prestação de serviços por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, conforme disposto no inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, assim redigido: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (Execução suspensa pela Resolução nº 10, de 2016). Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade de votos, declarou, em recurso com repercussão geral, a inconstitucionalidade do referido dispositivo legal, conforme se destaca da ementa da decisão proferida no RE nº 595838/SP: EMENTA Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto Fl. 1469DF CARF MF Processo nº 14751.001443/200803 Acórdão n.º 2401005.670 S2C4T1 Fl. 6 9 da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. (RE 595838, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 23/04/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe196 DIVULG 07102014 PUBLIC 08 102014) Destaquese ainda que por ocasião do julgamento dos Embargos de Declaração no Recurso Extraordinário nº 595838/SP, foi negado o pedido de modulação dos efeitos da decisão, conforme se vê na ementa abaixo citada: EMENTA Embargos de declaração no recurso extraordinário. Tributário. Pedido de modulação de efeitos da decisão com que se declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Declaração de inconstitucionalidade. Ausência de excepcionalidade. Lei aplicável em razão de efeito repristinatório. Infraconstitucional. 1. A modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade é medida extrema, a qual somente se justifica se estiver indicado e comprovado gravíssimo risco irreversível à ordem social. As razões recursais não contêm indicação concreta, nem específica, desse risco. 2. Modular os efeitos no caso dos autos importaria em negar ao contribuinte o próprio direito de repetir o indébito de valores que eventualmente tenham sido recolhidos. 3. A segurança jurídica está na proclamação do resultado dos julgamentos tal como formalizada, dandose primazia à Constituição Federal. 4. É de índole infraconstitucional a controvérsia a respeito da legislação aplicável resultante do efeito repristinatório da declaração de Fl. 1470DF CARF MF 10 inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. 5. Embargos de declaração rejeitados.(RE 595838 ED, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 18/12/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe036 DIVULG 24022015 PUBLIC 25022015). No âmbito do legislativo, foi editada a Resolução Senado Federal nº 10/2016, para "suspender" a execução do dispositivo inconstitucional. O § 2º do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC revogado, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do Código vigente deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, deve ser aplicado o art. 62, § 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, que estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C do antigo CPC, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do Código Processual vigente deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, diante da inconstitucionalidade da norma legal que estabeleceu o fato gerador das contribuições lançadas, deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário, para cancelar o lançamento efetuado através do levantamento COP. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, nego as preliminares apontadas e, no mérito, DOULHE PARCIAL PROVIMENTO para excluir do lançamento o levantamento COP. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 1471DF CARF MF
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