Sistemas: Acordãos
Busca:
mostrar execução da query
7467131 #
Numero do processo: 13657.000456/2009-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO. MONTANTE DOS RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Acolhem-se os embargos de declaração para sanar a contradição no acórdão embargado quanto ao valor dos rendimentos recebidos acumuladamente excluídos do lançamento fiscal.
Numero da decisão: 2401-005.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para sanar o vício apontado no acórdão embargado mediante a retificação do montante referente aos rendimentos recebidos acumuladamente, excluídos do lançamento fiscal, equivalente a R$ 237.448,46. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201809

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO. MONTANTE DOS RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Acolhem-se os embargos de declaração para sanar a contradição no acórdão embargado quanto ao valor dos rendimentos recebidos acumuladamente excluídos do lançamento fiscal.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 13657.000456/2009-43

anomes_publicacao_s : 201810

conteudo_id_s : 5916157

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 2401-005.741

nome_arquivo_s : Decisao_13657000456200943.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : CLEBERSON ALEX FRIESS

nome_arquivo_pdf_s : 13657000456200943_5916157.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para sanar o vício apontado no acórdão embargado mediante a retificação do montante referente aos rendimentos recebidos acumuladamente, excluídos do lançamento fiscal, equivalente a R$ 237.448,46. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.

dt_sessao_tdt : Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018

id : 7467131

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:29:03 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050873173639168

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1286; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T1  Fl. 154          1 153  S2­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13657.000456/2009­43  Recurso nº               Embargos  Acórdão nº  2401­005.741  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de setembro de 2018  Matéria  IRPF ­ CONTRADIÇÃO ­ RENDIMENTOS RECEBIDOS  ACUMULADAMENTE  Embargante  MILTON DA COSTA  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2005  EMBARGOS  DECLARATÓRIOS.  CONTRADIÇÃO.  MONTANTE  DOS  RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.  Acolhem­se os embargos de declaração para sanar a contradição no acórdão  embargado  quanto  ao  valor  dos  rendimentos  recebidos  acumuladamente  excluídos do lançamento fiscal.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  acolher  os  embargos,  com  efeitos  infringentes,  para  sanar  o  vício  apontado  no  acórdão  embargado  mediante  a  retificação  do  montante  referente  aos  rendimentos  recebidos  acumuladamente,  excluídos do lançamento fiscal, equivalente a R$ 237.448,46.    (assinado digitalmente)  Miriam Denise Xavier ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Cleberson Alex Friess ­ Relator       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 7. 00 04 56 /2 00 9- 43 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 13657.000456/2009­43  Acórdão n.º 2401­005.741  S2­C4T1  Fl. 155          2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier,  Cleberson  Alex  Friess,  Luciana  Matos  Pereira  Barbosa,  Rayd  Santana  Ferreira,  Francisco  Ricardo  Gouveia  Coutinho,  Andréa  Viana  Arrais  Egypto,  José  Luís  Hentsch  Benjamin  Pinheiro e Matheus Soares Leite.    Relatório  Cuida­se  de  embargos  de  declaração  opostos  pelo  contribuinte,  conforme  fls.  136/141, contra o Acórdão nº 2801­003.492, de 14/04/2014, proferido pela 1ª Turma Especial  da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual está  juntado às fls. 80/87.  Alega o embargante que o acórdão ao cancelar o lançamento fiscal pela falta de  aplicação  do  regime  de  competência  no  cálculo  do  imposto  de  renda  incidente  sobre  os  rendimentos  recebidos  acumuladamente  incorreu  em  omissão  e  contradição  em  relação  aos  valores efetivamente abrangidos pela notificação de lançamento.  A  ciência  do  acórdão  embargado  pelo  contribuinte  deu­se  no  dia  27/04/2016,  que interpôs os embargos de declaração em 28/04/2016, segundo a data da postagem aposta no  envelope da remessa do recurso por via postal (fls. 130/134 e 142/145).  Tendo  em  conta  que  os  embargos  foram  opostos  contra  decisão  de  Turma  extinta,  assim  como  o  relator  originário  não  mais  integra  o  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais, a sua admissibilidade foi analisada pelo Presidente da 2ª Seção.   Os  aclaratórios  foram  admitidos  por  despacho  do  Presidente  da  2ª  Seção  de  Julgamento,  determinando  a  sua  inclusão  em  pauta  de  julgamento,  após  novo  sorteio  de  relatoria, com vistas ao saneamento dos vícios apontados pelo contribuinte (fls. 149/152).  É o relatório.    Voto             Conselheiro Cleberson Alex Friess ­ Relator  Uma  vez  preenchidos  os  requisitos  de  admissibilidade  dos  embargos  de  declaração, passo à avaliação de mérito  (art. 65, § 1º, do Anexo  II do Regimento  Interno do  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de  9 de junho de 2015).   Pois bem. Na origem, o  lançamento fiscal decorreu da constatação de omissão  de rendimentos tributáveis, no valor total de R$ 245.392,43, assim distribuídos (fls. 16/17):  Fl. 155DF CARF MF Processo nº 13657.000456/2009­43  Acórdão n.º 2401­005.741  S2­C4T1  Fl. 156          3 1.  Banco  do  Brasil  SA,  na  quantia  de  R$  237.448,46,  com  imposto retido de R$ 7.123,45; e  2.  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social,  no  montante  de  R$  7.943,97.  A matéria devolvida a  julgamento em segunda instância restringiu­se à parcela  relativa  aos  rendimentos  recebidos  acumuladamente,  na  importância  de  R$  237.448,46.  Confira­se trecho do acórdão embargado (fls. 83):  (...)  Conforme  se  verifica  nos  autos,  o  litígio  se  refere  apenas  ao  lançamento  relativo  aos  rendimentos  recebidos  acumuladamente,  em  razão  da  ação  da  ação  revisional  de  benefício previdenciário.  (...)  Com  efeito,  não  se  instaurou  o  litígio  com  relação  à  omissão  de  rendimentos  provenientes  do  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social  (INSS),  no  montante  de  R$  7.943,97,  conforme destacou a decisão de primeira instância (fls. 52/56).   Além de deixar de impugnar expressamente a omissão de rendimentos recebidos  do INSS, também não houve contestação específica da matéria no recurso voluntário, em que  apenas se verifica o inconformismo do contribuinte com a autuação fiscal, sem contudo estar  acompanhado  de  qualquer  argumento  para  levar  à  improcedência  dessa  omissão  de  rendimentos (fls. 02/04 e 63/69).  Quanto  ao  mérito  do  recurso  voluntário,  o  acórdão  embargado  decidiu  pelo  cancelamento  do  lançamento  fiscal  referente  à  parcela  de  rendimentos  recebidos  acumuladamente, em razão do equívoco no critério utilizado pela fiscalização para a apuração  do imposto de renda.  Contudo,  ao  referir­se  ao  valor  dos  rendimentos  acumulados,  a  decisão  combatida cometeu um ato falho ao indicar para exclusão o montante de R$ 7.943,97, em vez  de R$ 237.448,46.  Logo,  a  fim  de  extirpar  o  vício  do  julgado  embargado,  a  conclusão  do  voto­ condutor,  de  lavra  do  conselheiro  Carlos  César  Quadros  Pierre,  é  alterada  para  a  seguinte  redação:  "Ante  tudo  acima  exposto  e  o  que  mais  constam  nos  autos,  voto  por  dar  provimento  ao  recurso,  para  cancelar  o  lançamento  referente  à  omissão  de  rendimentos  recebidos  acumuladamente, no montante de R$ 237.448,46."  Em  consequência,  cabe  também  a  alteração  do  resultado  do  julgamento,  mantendo a harmonia com o restante do acórdão:  Fl. 156DF CARF MF Processo nº 13657.000456/2009­43  Acórdão n.º 2401­005.741  S2­C4T1  Fl. 157          4 "Acordam  os membros  do Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento  ao  recurso  para  cancelar  o  lançamento  referente  aos  rendimentos  recebidos  acumuladamente,  no montante de R$ 237.448,46, nos  termos  do voto do Relator."  Conclusão  Ante  o  exposto,  CONHEÇO  dos  embargos  e,  no  mérito,  ACOLHO  os  aclaratórios,  com  efeitos  infringentes,  para  sanar  o  vício  apontado  no  Acórdão  nº  2801­ 003.492,  de  14/04/2014,  mediante  a  retificação  do  montante  dos  rendimentos  recebidos  acumuladamente excluídos do lançamento fiscal, que equivale a R$ 237.448,46.  É como voto.    (assinado digitalmente)  Cleberson Alex Friess                              Fl. 157DF CARF MF

score : 1.0
7438679 #
Numero do processo: 10855.910200/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 30/05/2007 SALDO NEGATIVO DE CSLL. DCOMP. NÃO COMPROVAÇÃO. Constatado que não houve a comprovação da existência de saldo negativo de CSLL para fins de compensar débitos da Contribuinte, de se considerar não homologada a compensação pleiteada no Per/Dcomp.
Numero da decisão: 1401-002.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201807

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 30/05/2007 SALDO NEGATIVO DE CSLL. DCOMP. NÃO COMPROVAÇÃO. Constatado que não houve a comprovação da existência de saldo negativo de CSLL para fins de compensar débitos da Contribuinte, de se considerar não homologada a compensação pleiteada no Per/Dcomp.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 10855.910200/2009-11

anomes_publicacao_s : 201809

conteudo_id_s : 5911667

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 1401-002.788

nome_arquivo_s : Decisao_10855910200200911.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES

nome_arquivo_pdf_s : 10855910200200911_5911667.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.

dt_sessao_tdt : Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018

id : 7438679

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:37 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050873206145024

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1355; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T1  Fl. 2          1 1  S1­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10855.910200/2009­11  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  1401­002.788  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  26 de julho de 2018  Matéria  PER/DCOMP PAGAMENTO A MAIOR  Recorrente  PLACIDO'S TRANSPORTES RODOVIÁRIO LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Data do fato gerador: 30/05/2007  SALDO NEGATIVO DE CSLL. DCOMP. NÃO COMPROVAÇÃO.  Constatado que não houve a comprovação da existência de saldo negativo de  CSLL para fins de compensar débitos da Contribuinte, de se considerar não  homologada a compensação pleiteada no Per/Dcomp.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário.   (assinado digitalmente)  Luiz Augusto de Souza Gonçalves ­ Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Luiz  Augusto  de  Souza  Gonçalves  (Presidente),  Livia  de  Carli  Germano  (Vice­Presidente),  Luiz  Rodrigo  de  Oliveira  Barbosa,  Abel  Nunes  de  Oliveira  Neto,  Cláudio  de  Andrade  Camerano  (Relator),  Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 91 02 00 /2 00 9- 11 Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10855.910200/2009­11  Acórdão n.º 1401­002.788  S1­C4T1  Fl. 3          2     Relatório  Trata  o  presente  processo  de  Recurso  Voluntário  ao  Acórdão  14­39.117  proferido  pela  Sexta  Turma  da  DRJ/RPO  em  que  julgou  improcedente  a  Manifestação  de  Inconformidade  apresentada  pela  Contribuinte,  ocasião  em  que  não  reconheceu  o  alegado  direito creditório.  A seguir, transcrevo os termos e fundamentos da decisão recorrida:  Trata­se de Manifestação de Inconformidade interposta em face  do Despacho Decisório, em que  foi apreciada a Declaração de  Compensação  (PER/DCOMP)  [...],  por  intermédio  da  qual  a  contribuinte  pretende  compensar  débitos  (IRPJ  ­  código  de  receita:  2362)  de  sua  responsabilidade  com  crédito  decorrente  de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLL – código de  receita: 2484).  Por  intermédio  do  despacho decisório[...],  não  foi  reconhecido  qualquer  direito  creditório  a  favor  da  contribuinte  e,  por  conseguinte,  não­homologada  a  compensação  declarada  no  presente  processo,  ao  fundamento  de  que  o  pagamento  informado  como  origem  do  crédito  foi  integralmente  utilizado  para quitação de débitos da contribuinte,  “não restando crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados  no  PER/DCOMP”.  Irresignada,  [...}  interpôs  a  contribuinte  manifestação  de  inconformidade [...], na qual alega, em síntese, que:  "(...)  2­  A  requerente  recolheu  durante  o  ano  de  2006  a  Contribuição  Social  Sobre  o  Lucro  Liquido,  na  forma  de  estimado com recolhimentos mensais, no valor de R$ 298.702,32  (duzentos e noventa e oito reais, setecentos e dois reais e trinta e  dois  centavos),  conforme  demonstrada  na  ficha  17,  linha  52  Calculo  da  Contribuição  Social,  da Declaração  de  Imposto  de  Renda Pessoa Jurídica.  3­  Ao  encerrar  o  seu  balanço,  no  final  do  ano  optou  pela  Apuração  pelo  Lucro Real,  levantando  balanço  onde  apurou  o  valor  devido  de  R$  199.292,45  (cento  e  noventa  e  nove  mil,  duzentos  e  noventa  e  dois  reais  e  quarenta  e  cinco  centavos),  conforme  ficha 17  ,  linha 42  (Calculo da Contribuição Social),  da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica.  4­ Conseqüentemente  houve  um  recolhimento  a maior  no  valor  de R$ 99.409,87 (noventa e nove mil, quatrocentos e nove reais e  oitenta  e  sete  centavos),  conforme  ficha  17,  linha  54  da  DECLARAÇÃO  DE  IMPOSTO  DE  RENDA  PESSOA  JURÍDICA.  Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10855.910200/2009­11  Acórdão n.º 1401­002.788  S1­C4T1  Fl. 4          3 5­  Conforme  a  DECLARAÇÃO  PER/DCOMP,  de  n  .  24025.17684.300507.1.3.04­9891,  transmitida em 30/05/2007, a  mesma  fez  a  devida  compensação  do  valor  de  RS  23.930,69  (vinte  e  três  mil,  novecentos  e  trinta  reais  e  sessenta  e  nove  centavos).  6­ Esse valor refere­se ao DARF, pago a mais em 31/07/2007 no  valor  de  R$23.041,30  (vinte  e  três  mil,  quarenta  e  um  reais  e  trinta  centavos),  devidamente  corrigido  e  informado  na  respectiva PER/DCOMP.  Sem mais  para  o momento  e  nos  colocando  a  disposição  para  qualquer outro esclarecimentos ou informações.  Diante do exposto é que vem requerer de V.Sria, para que seja  mantido o seu credito para a devida compensação solicitada em  PER/DCOMP".  É o relatório  VOTO  A  manifestação  de  inconformidade  interposta  atende  aos  pressupostos de admissibilidade. Assim sendo, dela conheço.  O  Despacho  Decisório  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil em Sorocaba não reconheceu qualquer direito creditório  a  favor  da  contribuinte  e,  por  conseguinte,  não  homologou  a  compensação  declarada  nos  autos,  ao  fundamento  de  que  o  pagamento informado como origem do crédito foi integralmente  utilizado para quitação de débitos da  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  do  débito  informado  na  PER/DCOMP[...].  Com  efeito,  no  que  diz  respeito  ao  crédito  de  CSLL  (código:  2484),  relativo  ao  mês  de  dezembro  de  2006,  no  valor  de  R$  23.041,30, observo que o mesmo foi utilizado integralmente para  pagamento  de  um  débito  de  CSLL  (código:  2484),  do  próprio  mês  de  dezembro  de  2006,  no  valor  de  R$  23.041,30,  assim  declarado  na  DCTF  de  dezembro  de  2006  e  apresentada  pela  declarante,  conforme  cópia  de  tela  de  sistema  de  controle  anexada aos autos.  Contudo, a recorrente vem, em sua defesa, alegar que a natureza  do  crédito  em  questão  é  de  saldo  negativo  de  CSLL,  e  não  pagamento indevido ou a maior de CSLL.  Dessa forma, cabe perquirir, à  luz do disposto na legislação de  regência,  se  a  declaração  de  compensação  ora  em  exame  encontra­se  devidamente  instruída,  especialmente  no  que  concerne  à  comprovação  de  liquidez  e  certeza  do  crédito  pleiteado.  Nesse  sentido,  o  Código  Tributário  Nacional  (CTN),  em  seu  artigo 170, dispõe: “a lei pode, nas condições e sob as garantias  que  estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos  Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10855.910200/2009­11  Acórdão n.º 1401­002.788  S1­C4T1  Fl. 5          4 tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos,  do sujeito passivo contra a Fazenda”.  A  respeito  do  tema,  cumpre  transcrever  o  disposto  no  Regulamento do Imposto de Renda ­ RIR/99, aplicável também à  CSLL, mais exatamente os artigos 221 a 232, verbis:  [...]  Assim, somente o saldo negativo de CSLL a pagar, calculado ao  final  do  período  de  apuração,  é  que  se  mostra  passível  de  restituição  e/ou  compensação  posterior,  nos  termos  da  legislação vigente.  No  entanto,  a  apuração  da  liquidez  e  certeza  do  crédito  pleiteado,  no  caso,  está  na  dependência  da  efetiva  demonstração,  pela  requerente,  do  saldo  negativo  de  CSLL  apurado  no  final  de  cada  período,  uma  vez  que  os  valores  recolhidos a título de estimativa são considerados pela lei como  antecipações da contribuição social devido.  Diante  dessas  considerações,  esta  Turma  de  Julgamento  tem  reiteradamente  consignado  que  em  tema  de  restituição  e  compensação de saldo negativo de IRPJ e de CSLL com outros  tributos,  ou  com  o  próprio,  cabe  o  atendimento  de  quatro  premissas:  1ª)  a  constatação  dos  pagamentos  ou  das  retenções;  2ª)  a  oferta  à  tributação  das  receitas  que  ensejaram as  retenções; 3ª) a apuração do  indébito,  fruto  do  confronto  acima  delineado  e,  4ª)  a  observância  do  eventual  indébito  não  ter  sido  liquidado  em  autocompensações.  Portanto, não basta à interessada alegar o pagamento a maior  ou indevido do tributo, mas também deve trazer, por ocasião do  presente  contencioso,  provas,  lastreadas  em  lançamentos  contábeis, que identifiquem, inequivocamente, a base de cálculo  da CSLL, o saldo negativo de CSLL apurado e, por conseguinte,  os  registros  contábeis  relativos  às  compensações  da  CSLL  devida  nos  períodos  subseqüentes  à  apuração  do  indigitado  saldo negativo de CSLL.  [...]  Neste contexto, a contribuinte deveria  trazer provas,  lastreadas  em  lançamentos  contábeis,  dentre  estas,  destacam­se:  os  registros  contábeis  de  conta  no  ativo  da  CSLL  a  recuperar,  a  expressão  deste  direito  em  balanços  ou  balancetes,  os  Livros  Diário, Razão e Lalur, etc., tudo de forma a ratificar o indébito  pleiteado além da comprovação da contabilização com lastro em  documentação hábil, das  retenções na  fonte e o oferecimento à  tributação das receitas que deram origem a tais retenções.  Diante  dessas  premissas,  forçoso  concluir  que  a  pretensão  da  Recorrente  não  logra  êxito,  vez  que  a  informação  prestada  na  Declaração de Imposto de Renda (DIPJ), por si só, não dá lastro  à pretensão repetitória, pois dito documento prova a declaração,  Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10855.910200/2009­11  Acórdão n.º 1401­002.788  S1­C4T1  Fl. 6          5 não o fato. Noutras palavras: a certeza e liquidez de crédito da  contribuinte,  a  título  de  saldo  negativo  de  CSLL,  não  se  exterioriza  em  razão  do  quantum  do  tributo  declarado  como  devido  no  ano  calendário,  mas  sim  em  relação  ao  quantum  mostrado pela contabilidade.  Consoante  noção  cediça,  a  escrituração  contábil  e  fiscal  mantida  com  observância  das  disposições  legais  faz  prova  a  favor do contribuinte dos  fatos nela  registrados e comprovados  por  documentos  hábeis,  segundo  sua  natureza,  ou  assim  definidos  em preceitos  legais,  conforme dispõe o artigo 923 do  RIR/1999:  [...]  No caso presente,  a  recorrente,  com o  recurso a esta  instância  julgadora,  nada  apresentou,  além  de  cópias  do DARF  relativo  ao mês de dezembro de 2006 e da própria DIPJ/2007, ficha 17.    Ora,  tal qual o pagamento de tributos e contribuições, que  necessita, para convalidar o recolhimento efetuado, de uma série  de  atos  do  sujeito  passivo,  como manter  escrituração  contábil,  baseada  em  documentos  hábeis  e  idôneos,  e  a  partir  desta  documentação  determinar  o  tributo  devido  e  recolher  o  correspondente  valor,  a  restituição  também  almeja,  para  materializar o indébito, atividade semelhante.  Por  tais  razões,  a  contribuinte,  quando  apresenta  uma  Declaração de Compensação, deve, necessariamente, provar um  crédito tributário a seu favor para ter o direito de extinguir um  débito  tributário  constituído  em  seu  nome,  de  forma  que  o  reconhecimento do indébito tributário seja o fundamento fático e  jurídico de qualquer declaração de compensação.  A  propósito  do  tema,  cumpre  destacar  o  informativo  de  jurisprudência do STJ de nº 320, de 14 a 18 de maio de 2007,  que trouxe o seguinte julgado:  RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PROVA. RECOLHIMENTOS.  A recorrente aduz que a eventual restituição, se cabível, haveria  de ser respaldada em prova documental, acostada na inicial, dos  valores  efetivamente  pagos  com  as  devidas  comprovações  de  recolhimento,  e  ante  tal  incerteza  não  pode  ser  a  União  condenada  à  restituição  dos  valores  postulados  (pela  via  da  compensação),  sob  pena  de  infração  ao  princípio  do  enriquecimento sem causa.  Isso posto, a Turma deu provimento ao recurso ao argumento de  que o pressuposto fático do direito de compensar é a existência  do  indébito.  Sem  prova  desse  pressuposto,  a  sentença  teria  caráter apenas  normativo,  condicionada à  futura  comprovação  de um fato. REsp 924.550­SC, Rel. Min.Teori Albino Zavascki,  julgado em 15/5/2007. (gn)  Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10855.910200/2009­11  Acórdão n.º 1401­002.788  S1­C4T1  Fl. 7          6 Nesse  sentido,  na  declaração  de  compensação  apresentada,  o  indébito  não  contém  os  atributos  necessários  de  liquidez  e  certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela  autoridade  administrativa  de  crédito  junto  à  Fazenda  Pública,  sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto,  contrário,  portanto,  ao  disposto  no  artigo  170  do  Código  Tributário Nacional (CTN).  Diante do exposto, VOTO pela  improcedência da manifestação  de inconformidade.  Cientificada da decisão do referido acórdão, a Contribuinte interpõe Recurso  Voluntário, onde após um breve relato do indeferimento ao seu direito alegado, entende que a  documentação acostada é suficiente ao seu pleito.  A documentação a que se refere seria a ficha 17 da DIPJ (CSLL) do ano de  2006, DARF, Balanço  Patrimonial  e  Per/Dcomp,  além  das  "Fichas  de  cálculo  da CSLL  por  estimativa referente a todos os meses de 2006 (JAN a DEZ)."   É o relatório.  Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10855.910200/2009­11  Acórdão n.º 1401­002.788  S1­C4T1  Fl. 8          7     Voto             Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº  1401­002.780,  de  26/07/2018,  proferido  no  julgamento  do Processo nº  10855.903033/2009­ 52, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401­002.780):  Preenchidos os requisitos de admissibilidade do Recurso  Voluntário apresentado, dele conheço.  Conforme  relatoriado,  a  Recorrente  informou  como  crédito  no  Perd/Dcomp  um  valor  pago  a  título  de  estimativa  mensal de CSLL, e posteriormente, por ocasião do indeferimento  de seu pleito, alegou que a natureza do crédito em questão seria  de saldo negativo de CSLL.  A  Recorrente,  quando  recebeu  o  Despacho  Decisório,  apresentou sua Manifestação de Inconformidade onde limitou­se  a afirmar que detinha saldo negativo de CSLL suficiente para a  compensação pleiteada, apresentando o balanço e demonstração  de resultado.  A  Decisão  de  piso  não  homologou  a  compensação  pleiteada  porque  entendeu  que  os  documentos  trazidos  pela  Interessada não eram hábeis à comprovação da existência real  de saldo negativo de CSLL de 2005.  Neste  sentido,  a  DRJ  indicou  o  caminho  que  a  Interessada deveria percorrer, era quase que como dissesse para  apresentar tais documentos à segunda instância:  Neste  contexto,  a  contribuinte  deveria  trazer  provas,  lastreadas  em  lançamentos  contábeis,  dentre  estas,  destacam­se: os registros contábeis de conta no ativo da  CSLL a recuperar, a expressão deste direito em balanços  ou balancetes, os Livros Diário, Razão e Lalur, etc., tudo  de  forma  a  ratificar  o  indébito  pleiteado  além  da  comprovação  da  contabilização  com  lastro  em  documentação  hábil,  das  retenções  na  fonte  e  o  oferecimento à tributação das receitas que deram origem  a tais retenções.  Entretanto,  somente  consta  nos  autos  uma  DCTF  e  relativa ao pagamento da CSLL citada no Per/dcomp, acostada  Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10855.910200/2009­11  Acórdão n.º 1401­002.788  S1­C4T1  Fl. 9          8 pela Unidade de Origem, sendo que as demais, se é que existem,  a Contribuinte não se pronunciou a respeito.  Em  fase  recursal,  a  Recorrente  trouxe,  conforme  relatoriado, a ficha 17 da DIPJ (CSLL) do ano de 2005, DARF,  Balanço Patrimonial e Per/Dcomp, além das "Fichas de cálculo  da CSLL por estimativa referente a todos os meses de 2005 (JAN  a DEZ)," documentos estes que não tem o condão de validar um  eventual saldo negativo de CSLL.   Apesar  das  oportunidades,  a  Recorrente  não  as  aproveitou,  e,  portanto,  não  sendo  trazida  aos  autos  a  documentação  mencionada  pela  DRJ,  que  pudesse  permitir  a  este colegiado aferir que, efetivamente, o contribuinte apresenta  saldo  negativo  de  CSLL  no  ano­calendário  2005,  só  me  resta  concordar com o decidido pela DRJ.  E nem se trata aqui de se buscar a verdade material, uma  vez que este princípio não é absoluto, ou seja, a Recorrente nada  apresentou  que  fosse  diretamente  vinculado  ao  que  consta  em  determinadas  fichas  da  DIPJ,  de  forma  que  nem  se  poderia  aventar  a  busca  pela  verdade  material,  pois  tal  princípio  tem  estreita  ligação  com  o  que  foi  impugnado,  e,  no  caso,  entendo  que a Recorrente nada de novo trouxe aos autos que permitisse a  este Relator o mínimo necessário a um exame de averiguação do  alegado saldo negativo de CSLL.  Na apreciação da questão, o acórdão recorrido mostrou­ se  correto  em  suas  conclusões  e  encontra­se  adequadamente  fundamentado.  Portanto,  nego  provimento  ao  Recurso  Voluntário, não reconhecendo o alegado direito creditório.  É como voto.   Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista  nos  §§  1º,  2º  e 3º  do  art.  47,  do Anexo  II,  do RICARF,  voto  por  negar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito.  (assinado digitalmente)  Luiz Augusto de Souza Gonçalves                                Fl. 58DF CARF MF

score : 1.0
7414107 #
Numero do processo: 10830.906952/2009-66
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. A norma que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal não traz previsão da possibilidade de a intimação dar-se na pessoa dos advogados do recorrente, tampouco o Regulamento do Carf apresenta regramento nesse sentido. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. DILIGÊNCIA. Ainda que jungido ao principio da verdade material, se o contribuinte nega-se a produzir provas e trazer documentos aptos a infirmar ou ao menos gerar dúvida quanto aos fatos confessados com a apresentação de DCTF e Per/Dcomp, não cabe ao julgador franquear-lhe, por meio de diligência, tal oportunidade, sob pena de malferir, não somente o processo administrativo como também os princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo serem afastados os pedidos que não apresentam este desígnio. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. É ônus do contribuinte demonstrar os fatos que alega; em assim não procedendo, resta impossibilitada a infirmação da acusação de insuficiência de saldo para quitar integral ou parcialmente o débito confessado em Perd/Comp, cujo crédito consta declarado nos sistemas informatizados da RFB. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INSUFICIENTE. DESPACHO DECISÓRIO E COLEGIADO A QUO. TERMOS. RATIFICAÇÃO. A alegação de que o saldo credor referenciado em Per/Dcomp seria suficiente para acobertar os débitos confessados não se sustenta nos elementos de prova apresentados nas peças de defesa, o que impõe a ratificação dos termos da decisão exarada pela repartição fiscal de origem e corroborada pelo colegiado a quo.
Numero da decisão: 3001-000.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência do conselheiro Renato Vieira de Avila e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201808

ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. A norma que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal não traz previsão da possibilidade de a intimação dar-se na pessoa dos advogados do recorrente, tampouco o Regulamento do Carf apresenta regramento nesse sentido. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. DILIGÊNCIA. Ainda que jungido ao principio da verdade material, se o contribuinte nega-se a produzir provas e trazer documentos aptos a infirmar ou ao menos gerar dúvida quanto aos fatos confessados com a apresentação de DCTF e Per/Dcomp, não cabe ao julgador franquear-lhe, por meio de diligência, tal oportunidade, sob pena de malferir, não somente o processo administrativo como também os princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo serem afastados os pedidos que não apresentam este desígnio. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. É ônus do contribuinte demonstrar os fatos que alega; em assim não procedendo, resta impossibilitada a infirmação da acusação de insuficiência de saldo para quitar integral ou parcialmente o débito confessado em Perd/Comp, cujo crédito consta declarado nos sistemas informatizados da RFB. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INSUFICIENTE. DESPACHO DECISÓRIO E COLEGIADO A QUO. TERMOS. RATIFICAÇÃO. A alegação de que o saldo credor referenciado em Per/Dcomp seria suficiente para acobertar os débitos confessados não se sustenta nos elementos de prova apresentados nas peças de defesa, o que impõe a ratificação dos termos da decisão exarada pela repartição fiscal de origem e corroborada pelo colegiado a quo.

turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 10830.906952/2009-66

anomes_publicacao_s : 201809

conteudo_id_s : 5900129

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 3001-000.463

nome_arquivo_s : Decisao_10830906952200966.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : ORLANDO RUTIGLIANI BERRI

nome_arquivo_pdf_s : 10830906952200966_5900129.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência do conselheiro Renato Vieira de Avila e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.

dt_sessao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018

id : 7414107

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:26:08 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050873218727936

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1973; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C0T1  Fl. 194          1 193  S3­C0T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10830.906952/2009­66  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3001­000.463  –  Turma Extraordinária / 1ª Turma   Sessão de  14 de agosto de 2018  Matéria  PER/DCOMP ­ ELETRÔNICO ­ PIS/PASEP  Recorrente  MECALUX DO BRASIL SISTEMAS DE ARMAZENAGEM LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003  INTIMAÇÃO  PESSOAL  DE  PATRONOS  DO  CONTRIBUINTE.  DESCABIMENTO.  A  norma  que  regula  o  Processo  Administrativo  Fiscal  Federal  não  traz  previsão da possibilidade de a intimação dar­se na pessoa dos advogados do  recorrente,  tampouco  o  Regulamento  do  Carf  apresenta  regramento  nesse  sentido.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  VERDADE  MATERIAL.  PROVA. LIMITES. DILIGÊNCIA.  Ainda que jungido ao principio da verdade material, se o contribuinte nega­se  a  produzir  provas  e  trazer  documentos  aptos  a  infirmar  ou  ao menos  gerar  dúvida  quanto  aos  fatos  confessados  com  a  apresentação  de  DCTF  e  Per/Dcomp, não  cabe  ao  julgador  franquear­lhe,  por meio de diligência,  tal  oportunidade,  sob  pena  de malferir,  não  somente o  processo  administrativo  como também os princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido  processo legal.  PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.  Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou  praticável ao desenvolvimento da  lide, devendo  serem afastados os pedidos  que não apresentam este desígnio.  DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE.  É  ônus  do  contribuinte  demonstrar  os  fatos  que  alega;  em  assim  não  procedendo,  resta  impossibilitada a  infirmação da acusação de  insuficiência  de  saldo  para  quitar  integral  ou  parcialmente  o  débito  confessado  em  Perd/Comp,  cujo  crédito  consta  declarado  nos  sistemas  informatizados  da  RFB.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 69 52 /2 00 9- 66 Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10830.906952/2009­66  Acórdão n.º 3001­000.463  S3­C0T1  Fl. 195          2 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INSUFICIENTE. DESPACHO DECISÓRIO  E COLEGIADO A QUO. TERMOS. RATIFICAÇÃO.  A alegação de que o saldo credor referenciado em Per/Dcomp seria suficiente  para acobertar os débitos confessados não se sustenta nos elementos de prova  apresentados  nas  peças  de defesa,  o  que  impõe  a  ratificação  dos  termos  da  decisão exarada pela repartição fiscal de origem e corroborada pelo colegiado  a quo.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  rejeitar  a  proposta de diligência do conselheiro Renato Vieira de Avila e, no mérito, por unanimidade de  votos, em negar provimento ao recurso voluntário.    (assinado digitalmente)  Orlando Rutigliani Berri ­ Presidente e Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Orlando  Rutigliani  Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.  Relatório  Cuida­se de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 05­38.911, da 8ª  Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP ­DRJ/CPS­  que, na sessão de julgamento realizada em 13.09.2012 (e­fls. 95 a 102), julgou improcedente a  manifestação  de  inconformidade  e,  por  conseguinte,  não  reconheceu  o  direito  creditório  indicado no Pedido Eletrônico de Restituição/Declaração de Compensação ­PER/DComp­ em  questão.  Da síntese dos fatos  Adota­se,  como  de  costume  neste  colegiado  extraordinário,  para  o  acompanhamento inicial dos fatos, matérias, pedidos e trâmite dos autos, o relatório encartado  no acórdão recorrido, que segue transcrito:  Relatório  Trata­se de Despacho Decisório que não homologou Declaração  de Compensação eletrônica.  Na fundamentação do ato, consta:  (...)  Cientificada,  a  interessada  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade alegando, em síntese, o seguinte:  Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.906952/2009­66  Acórdão n.º 3001­000.463  S3­C0T1  Fl. 196          3 A  Recorrente  utilizou­se  do  crédito  em  questão,  devidamente  atualizado  pela  Taxa  Selic,  como  permite  a  legislação federal, para compensar com inúmeros débitos.  A  planilha  e  os  demais  documentos  anexo  dão  conta  do  valor  original do crédito, de suas atualizações pela Taxa Selic e suas  correspondentes atualizações para  compensação,  em momentos  distintos, sendo que a mera análise das  informações constantes  nas  DCOMPs,  com  os  acréscimos  legais  ao  crédito  da  Taxa  Selic, dão conta de que o mesmo crédito é  suficiente/disponível  para  a  integral  quitação/compensação  do  débito  declarado  na  DCOMP 28818.60453.181104.1.3.042639.  Isso  indica  que  a  r.  decisão  de  não  homologação  sobreveio  sem  que  a  D.  fiscalização  checasse  a  integralidade das DCOMPs vinculadas ao aludido crédito,  devidamente atualizado pela Taxa Selic, acabando por tão  somente  indeferi­los  (não  homologando­os)  devido  a  incongruências de seu sistema.  (...)  Dessa  forma, deve buscar a D. Administração a  verdade  real,  não  podendo deixar de  homologar  a  declaração de  compensação da Recorrente  em razão  de  incongruências  formais  no  sistema  ou  por  não  realizar  os  batimentos/cálculos acerca da atualização de crédito pela  Taxa  Selic,  pois,  como  se  prova  com  os  documentos  anexos,  a  Recorrente  tem  o  direito  à  compensação  e  o  crédito é sim suficientes para a quitação integral tanto dos  débitos declarados na aludida DCOMP como em todas as  demais, nos termos que demonstra a planilha ora juntada,  e inclusive, isto já deveria ter sido verificado pelo próprio  sistema  da  Receita  Federal  as  declarações  e  recolhimentos  feitos  pela  Recorrente;  dever  da  D.  Administração.  (...)  Assim,  requer  a  Recorrente,  fazendo  uso  do  Diploma  acima, seja reconsiderada a r. decisão recorrida para que  seja  reconhecido  como  suficiente  o  crédito,  devidamente  atualizado,  apurado  pela  Recorrente  e  por  conseguinte  homologada  a  respectiva DCOMPs  por  ela  apresentada,  com baixa dos respectivos processos de débitos correlatos.  (...)  Com  o  protocolo  desta  e  até  sua  final  decisão,  nos  termos  do  inciso  I  do  §  3º  do  art.  48  da  Instrução  Normativa  SRF  nº  600/2005, a exigibilidade dos débitos objeto do presente pedido  de compensação deverá ser suspensa, nos termos do inciso III do  art. 151 do Código Tributário Nacional, (...)  (...)  Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.906952/2009­66  Acórdão n.º 3001­000.463  S3­C0T1  Fl. 197          4 Da ementa do acórdão recorrido   A  8ª  Turma  da  DRJ/CPS,  ao  julgar  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade, exarou o já citado acórdão, cuja ementa colaciona­se:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003  DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA.  Consideram­se  confissão  de  dívida  os  débitos  declarados  em  DCTF e em DCOMP.  Considerando  que  o DARF  indicado  no  PER/DCOMP  (Pedido  de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação)  como  origem  do  crédito  foi  utilizado  para  quitar  débito  confessado  em  DCTF  (Declaração  de  Débitos  e  Créditos  Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar  por meio de provas robustas que a verdade material é outra, não  há que se falar em pagamento indevido.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Do recurso voluntário  Irresignado ainda com o desfecho de seu pleito e, mais especificamente, com  a decisão contida no acórdão vergastado, o recorrente interpôs recurso voluntário (e­fls. 107 a  116), para, em suma, reprisar os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade.  Com vista a demonstrar a  identidade das alegações  suscitadas em ambas as  peças de defesa, evidencio os argumentos ora apresentados, que:  1­  o  crédito  em  questão,  decorrente  de  pagamento  a  maior  que  o  devido,  referente ao PIS da competência de JUL/2003, foi utilizado para efetuar diversas Per/Dcomp,  cuja planilha elaborada informa haver saldo suficiente para a compensação dos débitos nelas  indicado,  tanto  que  com  relação  ao  Per/Dcomp  em  apreço,  referido  quadro  aponta  o  crédito  original  de  R$  26,65,  resultado  obtido  da  subtração  do  crédito  original  com  os  débitos  compensados no Per/Dcomp enviadas anteriormente, evidenciando a legalidade da origem do  crédito  utilizado  para  a  compensação  e  a  existência  de  saldo  suficiente  para  a  quitação  dos  débitos apontados em cada Per/Dcomp;  2­ seu único lapso foi ter deixado de relacionar todos os Per/Dcomp enviadas,  conforme descritas na referida planilha, o que poderia  ter dado ensejo a não homologação da  presente declaração de compensação;  3­ no caso concreto não foi observado o princípio da verdade material, uma  vez  que  o  fisco  não  confirmou  as  demais  compensações  realizadas  pelo  contribuinte,  bem  como a origem de seus créditos;  Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10830.906952/2009­66  Acórdão n.º 3001­000.463  S3­C0T1  Fl. 198          5 4­ da análise da documentação trazida na manifestação de inconformidade e  reapresentada  neste  recurso  voluntário  as  compensações  efetuadas  deveriam  ter  sido  homologadas;  5­  ainda  em  respeito  ao  princípio  da  verdade  material,  deveria  o  fisco  ter  aprofundado na análise dos apontamentos realizados no  intuito de constatar a veracidade das  informações e  fundamentações  trazidas aos autos pelo contribuinte, porém, de forma ilegal e  abusiva, em desrespeito aos princípios que regem o PAF, não foi o que ocorreu, pois o acórdão  recorrido aduziu "que o Contribuinte não logra comprovar por meio de provas robustas que a  verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido", eivando­o de nulidade.  Diante  do  exposto,  requer  seja  reconhecido  como  suficiente  o  crédito  apresentado para a quitação dos débitos indicados no Per/Dcomp em questão, homologando­se  a compensação realizada, ou alternativamente que o processo seja baixado em diligência, para  que  a  autoridade  fiscal  confira  as  demais  compensações  realizadas  e  a origem do  respectivo  crédito,  e  que  as  futuras  intimações  sejam  efetuadas  em  nome  do  contribuinte  e  também de  seus patronos, em seu endereço profissional, sob pena de nulidade.  Do encaminhamento  Em razão disso, os autos ascenderam ao Carf em 11.01.2013 (e­fl. 193), que,  na  forma  regimental,  foi  distribuído  e  sorteado  para  manifestação  deste  colegiado  extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro a relatoria do processo.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator  Da competência para julgamento do feito  Observo  a  competência  deste  Colegiado  para  apreciar  o  presente  feito,  na  forma do artigo 23­B do Anexo II da Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprova o Regimento  Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ­Carf­, com redação da Portaria MF  329 de 2017.  Da tempestividade  O recurso voluntário  foi  juntado em 07.11.2012, conforme depreende­se do  carimbo aposto na sua "folha de rosto", depois da ciência ocorrida em 16.10.2012, conforme  observa­se do Aviso de Recebimento "AR" (e­fl. 105), portanto é tempestivo e reúne os demais  requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dele conheço.  Preâmbulo I  Sem  embargo,  antes  tratar­se  dos  temas  aos  quais  o  litígio  se  restringe,  importa registrar que é demandada a ciência dos patronos do contribuinte. Todavia, para fins de  esclarecimento, os incisos I a III do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 estabelece que  as  intimações  no  decorrer  do  contencioso  administrativo­tributário  federal  serão  realizadas  Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10830.906952/2009­66  Acórdão n.º 3001­000.463  S3­C0T1  Fl. 199          6 pessoalmente  ao  sujeito  passivo,  não  a  seu  advogado,  inexistindo  tampouco permissivo  para  tanto no Regimento Interno deste Carf ­Ricarf­, aprovado pela Portaria MF 343 de 09.06.2015.  Preâmbulo II  Depreende­se  do  elogiável  voto  condutor  do  acórdão  recorrido  que  os  Per/Dcomp's  indicados  na  planilha  apresentada  pelo  contribuinte  comprometiam  na  sua  totalidade  o  valor  do  Darf  em  que  eles  se  basearam  para  efetuar  a  compensação,  e  que,  igualmente  após  as  homologações  ocorridas  continuou  a  inexistir  saldo  disponível  para  o  aproveitamento  em  compensação  do  valor  pleiteado  na  Dcomp  objeto  de  análise  neste  processo.  Portanto,  tão  somente  depois  da  efetiva  desconstituição  total  ou  parcial  da  dívida  confessada,  pela  supressão  ou  diminuição  dos  débitos  informados  no  documento  de  confissão,  haveria,  ao  menos  em  tese,  a  possibilidade  de  a  Administração  deferir  eventual  pedido  de  restituição  ou  homologar  compensação,  sujeitando­se  o  contribuinte,  todavia,  à  legislação  de  regência  e  aos  critérios  temporais,  atinentes  à  retificação  do  documento  de  confissão ­DCTF­, que forem aplicáveis, aliada à efetiva demonstração da existência do crédito  pleiteado, visto ser indispensável que a origem do crédito seja comprovada por documentação  hábil que dê suporte aos valores declarados.  Portanto,  a  questão  é  que,  como  a  origem  do  crédito  está  jungida  à  necessidade da evidenciação das circunstâncias acima delineadas, cabia ao recorrente, desde a  sua  manifestação  de  inconformidade,  trazer  os  documentos  necessários  à  demonstração  da  liquidez e certeza do crédito cuja compensação de  se postulava. Essa, diga­se, é a dicção do  caput do artigo 170 do CTN, quando franqueia aos entes federados a realização compensação.  De outra forma, os pressupostos, pois, do direito crédito a ser utilizado pelo  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária  é  a  sua  liquidez  e  certeza,  pressupostos  estes  que  antecedem  o  próprio  pedido  de  compensação.  Por  isso,  e  não  por  outra  razão,  compete  ao  contribuinte  demonstrar  tais  liquidez  e  certeza;  é  ônus  do  sujeito  passivo  e  não  da  Administração Tributária.  Neste  passo,  competia  ao  contribuinte,  desde  a  sua  manifestação  de  inconformidade, trazer as provas que emprestariam ao crédito postulado a liquidez e certeza.  Desta  feita, não pode­se, aqui,  sob o pálio da verdade material  suplantar as  regras procedimentais aplicáveis ao processo administrativo e permitir, ao arrepio do princípio  da  isonomia,  fazer­nos  substituir  à  autoridade  fiscal  ou  ao  próprio  colegiado  recorrido,  para  refazer todo o trabalho que deveria ter sido concretizado e trazido ao feito pelo sujeito passivo,  pretensamente, detentor do crédito.  Esclareço, não encontro óbices para considerar as informações prestadas após  o  início  da  ação  fiscal; mas  não  tenho  como verificar  a  correção  das  ditas  informações  se  o  próprio contribuinte não traz ao processo provas e documentos que demonstrem que tais dados  são verdadeiros, limitando­se a apresentar uma mera planilha informativa.  Se  é  fato  que  o  processo  administrativo  admite  uma  flexibilização  no  procedimento  de  instrução,  e,  portanto,  se  pauta  pelo  tão  aventado  princípio  da  verdade  material,  não  se  pode  olvidar  que  determinadas  amarras  não  podem  ser  sobrepujadas;  o  primado da verdade material pode nortear o julgador de sorte a garantir que ele aprecie provas  Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10830.906952/2009­66  Acórdão n.º 3001­000.463  S3­C0T1  Fl. 200          7 não  contempladas  pela  instância  a  quo,  mas  que  tenham  sido  produzidas  no  momento  oportuno, e, na espécie,  tais provas não foram, reprise­se, produzidas, sequer na fase recursal  antecedente.  Como  o  contribuinte  absteve­se  de  produzir,  ainda  de  minimamente,  as  provas necessárias à demonstração da liquidez e certeza de seu direito creditório, não nos cabe,  agora, franquear­lhe, por meio de diligência, tal oportunidade, pena de malferir, não o decreto  que rege o processo administrativo fiscal federal, como também o princípio da isonomia.  Preâmbulo III  Os artigos 18 e 29 do Decreto 70.235 de 1972 revelam que a  realização de  diligências  deve  ser  determinada  pela  autoridade  julgadora  apenas  quando  esta  entender  necessárias e imprescindíveis à formação da sua convicção, verbis:  Art.  18.  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  determinará,  de  ofício  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis,  observando  o  disposto  no  art.  28,  in  fine.  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)  Art.  29.  Na  apreciação  da  prova,  a  autoridade  julgadora  formará  livremente  sua  convicção,  podendo  determinar  as  diligências que entender necessárias.  Portanto,  a  diligência  não  pode  ser  utilizada  como  um meio  para  suprir  a  deficiência das provas carreadas pelo sujeito passivo aos autos.  Mérito  A  legislação  que  permite  a  compensação  de  créditos  tributários  exige  a  liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo.  Assim,  na  hipótese  de  apresentação  de  Per/DComp  por  parte  do  sujeito  passivo é ônus deste a demonstração de tais requisitos em relação ao seu direito creditório.  No  caso  da  análise  eletrônica  e  automática  como  a  que  gerou  o  despacho  decisório que não homologou a compensação, a liquidez e certeza é aferida pela administração  tributária, via de  regra,  pelo mero  cruzamento das  informações disponíveis em seu banco de  dados, fornecidas seja pelo próprio sujeito passivo seja por terceiros.  Incumbe,  então,  ao  sujeito  passivo  a  responsabilidade  para  que  as  informações  por  ele  fornecidas  à  administração  tributária  sejam  compatíveis  com  o  direito  creditório invocado.  Nos  presentes  autos,  o  recorrente  apresentou  o  PER/DComp  compensando  suposto direito creditório proveniente de pagamento indevido ou a maior, mas as informações  confessadas por ele própria em sua DCTF demonstravam a inexistência do alegado direito.  Por esta razão, a compensação não foi homologada pelo despacho decisório  proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil que o jurisdiciona.  Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10830.906952/2009­66  Acórdão n.º 3001­000.463  S3­C0T1  Fl. 201          8 Com  a  apresentação  da  manifestação  de  inconformidade,  e  instauração  do  contencioso administrativo, a análise da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado passa  a outro patamar de aferição, sendo ônus do sujeito passivo comprová­la cabalmente, por meio  da adequada instrução documental.  O  recorrente,  como  relatado,  quando  da  apresentação  da  manifestação  de  inconformidade,  limitou­se  a  apresentar  uma  planilha  e  as  cópias  de  diversas  PER/DComp,  além de cópia do comprovante de arrecadação  ­Darf­ dos valores pagos  e que suportariam o  crédito compensado.  Os parcos elementos de prova juntados pelo sujeito passivo, de fato, como já  atestado no voto condutor do acórdão recorrido, não demonstram de modo algum que o novo  valor de débito é não aquele que foi inclusive confessado na DCTF apresentada.  Reprisando, não procede,  também,  a  alegação  trazida no  recurso voluntário  de que, em caso de dúvidas acerca da liquidez e certeza, o julgador se encontrava obrigado a  determinar a realização de diligências.  Ressalvo,  apenas  para  demonstrar  a  ausência  de  zelo  do  sujeito  passivo  na  busca de comprovar o direito creditório que invoca, que a simples reapresentação dos mesmos  elementos  de  prova  apresentados  na manifestação  de  inconformidade  nada  trariam  de  prova  inconteste do referido crédito.  É que os elementos em questão se limitam, como já dito, a uma mera planilha  e às cópias de diversas Per/Dcomp.  Diga­se, tais elementos sequer são um começo de prova em favor do direito  creditório  do  sujeito  passivo;  estando,  portanto,  longe  de  conferir  a  liquidez  e  certeza  necessária,  o  que  confere  absoluta  razão  ao  voto  condutor  do  acórdão  recorrido  quanto  este  expressamente afirma que o contribuinte deveria, pra tal finalidade, apresentar sua escrituração  contábil e os documentos que lhe dão sustentação, uma vez que é significativa a disparidade  entre os  valores  confessados  em DCTF  e  aqueles  posteriormente  indicados  no Per/Dcomp  e  questão.  Assim,  tem­se  a mesma  situação  em que  se  encontrou  a DRJ  recorrida,  ou  seja, parcos elementos de prova, sendo que a realização de diligência para a complementação  documental não significaria mero esclarecimento de dúvida para a formação do convencimento  do  julgador, mas  o  suprimento  da  ineficiência  da  instrução  probatória  realizada  pelo  sujeito  passivo, posto que os elementos apresentados em nada esclarecem qual foi o erro que motivou  o suposto pagamento a maior. Quais  foram os valores alterados? Não se sabe. Onde estão as  provas hábeis a comprovar o indébito? O recorrente não as apresentou.  Conclui­se, portanto, que o sujeito passivo não provou a liquidez e certeza do  crédito  utilizado  no  PER/Dcomp  de  que  tratam  os  presentes  autos,  deixando,  transcorrer  a  oportunidade de produzir provas que sustentassem suas alegações, na medida em que, tanto no  processo administrativo fiscal como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que  afirma é do interessado.  Veja­se o que dispõe o artigo 36 da Lei 9.784 de 29.01.1099, verbis:  Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10830.906952/2009­66  Acórdão n.º 3001­000.463  S3­C0T1  Fl. 202          9 Art.  36.  Cabe  ao  interessado  a  prova  dos  fatos  que  tenha  alegado,  sem prejuízo  do  dever  atribuído  ao  órgão  competente  para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.  Em  igual  sentido  são  os  termos  do  artigo  333  do  CPC  (Lei  5.869  de  11.01.1973, reproduzido no artigo 373 da Lei 13.105 de 16.03.2015 ­Novo CPC), verbis:  Art. 333. O ônus da prova incumbe:  I ­ ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;  II ­ ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo  ou extintivo do direito do autor.  Da conclusão  Isto posto, voto por negar provimento ao  recurso voluntário  interposto pelo  sujeito  passivo,  para  manter  por  seus  exatos  termos  a  decisão  recorrida  que  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade,  não  reconheceu  o  direito  creditório  e  não  homologou a compensação realizada no Per/Dcomp em questão.    (assinado digitalmente)  Orlando Rutigliani Berri­ Relator                                Fl. 202DF CARF MF

score : 1.0
7414052 #
Numero do processo: 10283.720595/2011-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os mandatários, prepostos e empregados, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Comprovado que os Srs. Hélio Eugênio Sacchi e Raul Fernandes Marinheiro não mais figuravam no quadro societário da empresa autuada no período autuado, deve ser afastada a responsabilidade solidária a eles atribuídas.
Numero da decisão: 1301-003.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em: (i) não conhecer do recurso do coobrigado Eder Luis Lopes por sua intempestividade; (ii) excluir do polo passivo da obrigação tributária os coobrigados Raul Fernandes Marinheiro e Hélio Eugênio Sacchi, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201807

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os mandatários, prepostos e empregados, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Comprovado que os Srs. Hélio Eugênio Sacchi e Raul Fernandes Marinheiro não mais figuravam no quadro societário da empresa autuada no período autuado, deve ser afastada a responsabilidade solidária a eles atribuídas.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 10283.720595/2011-17

anomes_publicacao_s : 201809

conteudo_id_s : 5900074

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 1301-003.217

nome_arquivo_s : Decisao_10283720595201117.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA

nome_arquivo_pdf_s : 10283720595201117_5900074.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em: (i) não conhecer do recurso do coobrigado Eder Luis Lopes por sua intempestividade; (ii) excluir do polo passivo da obrigação tributária os coobrigados Raul Fernandes Marinheiro e Hélio Eugênio Sacchi, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.

dt_sessao_tdt : Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018

id : 7414052

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:26:04 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050873238650880

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1608; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T1  Fl. 1.500          1 1.499  S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10283.720595/2011­17  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1301­003.217  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de julho de 2018  Matéria  RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA  Recorrente  HELIOS DA AMAZÔNIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MATERIAIS DE  ESCRITÓRIO LTDA e OUTROS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2006, 2007  RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.   São  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  a obrigações  tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração  de lei, contrato social ou estatutos, os mandatários, prepostos e empregados,  os  diretores,  gerentes  ou  representantes  de  pessoas  jurídicas  de  direito  privado.  Comprovado que os Srs. Hélio Eugênio Sacchi e Raul Fernandes Marinheiro  não  mais  figuravam  no  quadro  societário  da  empresa  autuada  no  período  autuado, deve ser afastada a responsabilidade solidária a eles atribuídas.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos  em:  (i)  não  conhecer do recurso do coobrigado Eder Luis Lopes por sua intempestividade; (ii) excluir do  polo  passivo  da  obrigação  tributária  os  coobrigados  Raul  Fernandes  Marinheiro  e  Hélio  Eugênio Sacchi, nos termos do voto do relator.    (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto ­ Presidente    (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 05 95 /2 01 1- 17 Fl. 1500DF CARF MF Processo nº 10283.720595/2011­17  Acórdão n.º 1301­003.217  S1­C3T1  Fl. 1.501          2 José Eduardo Dornelas Souza ­ Relator  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Fernando  Brasil  de  Oliveira  Pinto,  Roberto  Silva  Junior,  José  Eduardo  Dornelas  Souza,  Nelso  Kichel,  Amélia  Wakako  Morishita  Yamamoto  e  Carlos  Augusto  Daniel  Neto.  Ausência  justificada  da  Conselheira Bianca Felícia Rothschild.    Relatório  Os Srs. Eder Luis Lopes, Raul Fernandes Marinheiro e Hélio Eugênio Sacchi,  qualificados  nestes  autos,  inconformados  com  o Acórdão  n°  0125.416,  de 10/08/2012,  da 1ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Belém/PA,  recorrem  a  este  Colegiado,  objetivando  a  reforma  do  referido  julgado,  no  que  tange  à  questão  da  responsabilidade tributária.  Por bem descrever o ocorrido, valho­me do  relatório  elaborado por ocasião  do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito:  Trata  o  presente  processo  de  Auto  de  Infração  referente  a  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica  R$  3.217.027,21;  PIS  R$  1.017.103,39; COFINS R$ 4.629.179,69; Contribuição Social R$  1.511.219,69. Anos calendários 2006 e 2007.  A  fiscalização  efetuou  o  lançamento  dos  tributos  descritos  acima, nos seguintes termos, conforme descrição constante deste  processo:  ­  apurou  o  lucro  tributável  pela  sistemática  do  “Lucro  Arbitrado”,  conforme  textos  excertos  das  folhas  50  a  77  do  volume  I  do  presente  processo,  e  o  PIS  e  o  COFINS  na  sistemática da “não cumulatividade”;  “...Como  o  contribuinte,  apesar  de  reiteradas  intimações,  não  apresentou  os  livros  e  documentos  solicitados  pelo  fisco,  nos  valemos,  então,  das  informações  fornecidas  pela  SEFAZ/AM  para intimá­lo em 17/09/2010 (Edital n° 108/2010), a prestar os  esclarecimentos  relativos  aos  seguintes  fatos,  vinculados  ao  período  fiscalizado  e  devidamente  discriminados  no  Termo  de  Solicitação de Esclarecimentos, lavrado em 02/09/2010:  1. A falta de apresentação à Receita Federal do Brasil das DIPJ  referentes aos anos­calendário de 2006 e 2007, e a constatação  de  que  a  empresa  fiscalizada  auferiu,  nesses  mesmos  anos,  receita proveniente das vendas de produção do estabelecimento,  conforme  declarado  à  SEFAZ/AM,  através  dos  respectivos  Demonstrativos de Apuração Mensal (DAM).  Seguem  anexos,  os  Demonstrativos  "VENDAS  DECLARADAS  NO  DEMONSTRATIVO  DE  APURAÇÃO  MENSAL  DAM  À  SEFAZ/AM", referentes ao período janeiro de 2006 a dezembro  Fl. 1501DF CARF MF Processo nº 10283.720595/2011­17  Acórdão n.º 1301­003.217  S1­C3T1  Fl. 1.502          3 de  2007,  os  quais  são  partes  integrantes  e  inseparáveis  deste  Termo.  Nesse mesmo Termo,  informamos que, até então, o contribuinte  não  apresentara  os  livros  e  documentos  da  escrituração  comercial  e  fiscal.  E  acrescentamos  que  a  não  apresentação  desses elementos implicaria na determinação do IRPJ com base  nos critérios do lucro arbitrado, conforme art. 530 do RIR/99…”  3. REGIME DE TRIBUTAÇÃO DO IRPJ E A RECEITA BRUTA  CONHECIDA  Em  consulta  ao  banco  de  dados  da  RFB  verificamos,  com  relação  ao  ano  calendário  de  2006,  que:  •  o  contribuinte  não  entregou  DIPJ,  nem  efetuou  pagamentos  de  IRPJ  e  CSLL.  A  última DIPJ apresentada é referente ao ano calendário de 2005;  •  entregou  DCTF  mas  não  declarou  débitos  de  IRPJ  e  CSLL,  declarou  apenas  débitos  do  PIS  e  da  COFINS;  •  entregou  DACON de acordo com o regime da não cumulatividade para o  PIS e a COFINS.  E com relação ao ano calendário de 2007 verificamos que: • o  contribuinte  não  entregou  DIPJ,  DACON  nem  DCTF;  •  não  efetuou pagamento dos tributos (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS).  Portanto,  a  omissão  do  contribuinte  quanto  ao  pagamento  do  IRPJ,  significa  que  ele  não  optou  pelo  regime  do  lucro  presumido,  em vista do que dispõe a Lei n° 9.430/96,  cujo art.  26, § 1º , determina que a opção pelo lucro presumido deva ser  exercida com o pagamento do imposto. Transcrevemos:  [...]  Pela mesma razão (omissão de pagamento do IRPJ), deduzimos  também  que  o  contribuinte  não  recorreu  ao  regime  de  lucro  arbitrado nos anos sob fiscalização, conforme preceitua a Lei n°  8.981/95, em seu art. 47, § 1º:  [...]  Sem exercer opção pelo lucro presumido, e sem adotar o regime  do  lucro arbitrado, concluímos que o  contribuinte permaneceu,  por  exclusão,  obrigatoriamente  submetido  à  regra  geral  de  tributação, configurada pela apuração do  lucro real  trimestral,  de  acordo  com  o  caput  do  art.  1º,  da  Lei  n°  9.430/96,  reproduzido abaixo:  […]  Como  conseqüência  desse  regime  de  apuração  do  IRPJ  (lucro  real),  o  contribuinte  ficou  obrigado  a  manter  escrituração  na  forma das leis comerciais e fiscais.  No  entanto,  tendo  em  vista  que  o  contribuinte  no  decorrer  do  procedimento  de  fiscalização  não  apresentou  qualquer  documento ou  livro solicitado,  incorreu na situação prevista no  art. 530, III, do RIR/99, conforme transcrição abaixo:  Fl. 1502DF CARF MF Processo nº 10283.720595/2011­17  Acórdão n.º 1301­003.217  S1­C3T1  Fl. 1.503          4 [...]  Dessa  forma,  adotamos  neste  ato  de  lançamento  o  regime  do  lucro arbitrado trimestral.  Tomamos como receita bruta conhecida os valores das receitas  mensais declarados no DACON, para o ano calendário de 2006.  E para o ano calendário de 2007, adotamos como receita bruta  conhecida  os  valores  das  vendas  mensais  extraídos  das  informações prestadas pelo contribuinte à Secretaria de Estado  da Fazenda do Amazonas (SEFAZ/AM), nos Demonstrativos de  Apuração Mensal do ICMS (DAM)...”  No tocante ao PIS e à COFINS, a indicação do regime da “não  cumulatividade está expressa no texto abaixo, à fl. 63 do volume  I:  “...Para  o  ano  calendário  de  2006,  o  contribuinte  entregou  DACON  demonstrando  a  apuração  dos  valores  do  PIS  e  da  COFINS de acordo com o regime da não cumulatividade, o que  está em conformidade com o regime de apuração do IRPJ pelo  lucro  real  trimestral. Na DCTF  correspondente  ao mesmo  ano  foram declarados débitos relacionados às duas contribuições. As  diferenças apuradas na ação fiscal foram formalizadas neste ato  de lançamento seguindo o regime da não cumulatividade.  Com  relação  ao  ano  calendário  de  2007,  o  contribuinte  não  entregou DACON nem DCTF, mas, em decorrência do regime de  apuração  do  lucro  real  trimestral  aplicável  ao  IRPJ  nesse  período, seguimos também o regime da não cumulatividade para  o cálculo dos valores do PIS e da COFINS...”  ­ apurou multa de ofício em sua forma qualificada, no percentual  de  150%  (cento  e  cinqüenta  por  cento)  ”,  conforme  textos  excertos das folhas 66 e 67 do volume I do presente processo:  “...E  as  condutas  do  contribuinte  HÉLIOS  DA  AMAZÔNIA  INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MATERIAIS DE ESCRITÓRIO  LTDA., às quais já nos referimos, subsumem­se integralmente ao  teor  do  ilícito  fiscal  denominado  "sonegação",  conforme  podemos  constatar  no  retrospecto  sobre  os  ilícitos  cometidos,  feitos a seguir:  a)  Não  entregou  a DIPJ  referente  ao  ano  de  2006,  sonegando  informações sobre o IRPJ e CSLL;  b) Em 2006 entregou DCTF com declarações inexatas de débitos  em  relação  ao  PIS  e  à  COFINS,  e  nada  declarou  sobre  os  débitos do IRPJ e CSLL;  c) Em 2007 o contribuinte informou à SEFAZ/AM o valor de R$  20.976.895,72 como receita de vendas, mas, para a RFB, omitiu  completamente  a  receita  ao  não  entregar  DIPJ,  sonegando  informações sobre o IRPJ e CSLL;  Fl. 1503DF CARF MF Processo nº 10283.720595/2011­17  Acórdão n.º 1301­003.217  S1­C3T1  Fl. 1.504          5 d)  No  mesmo  ano  de  2007  não  entregou  DACON,  omitindo  informações tributárias relativas ao PIS e à COFINS;  e)  Ainda  no  ano  de  2007  não  entregou  DCTF,  omitindo  declaração dos débitos tributários relativos ao IRPJ, CSLL, PIS  e COFINS;  f)  A  dissolução  irregular  da  sociedade,  comprovada  pela  inexistência  de  atividades  e  de  representantes  no  domicílio  da  sociedade  empresarial,  e  a  consequente  falta  de  apresentação  dos livros e documentos solicitados no decorrer da fiscalização;  g) A  total  falta  de  pagamento  de  tributos  referentes  ao  ano  de  2007, em decorrência dos ilícitos de sonegação.  Todas  essas  infrações  estão  diretamente  vinculados  com  a  intenção  de  impedir  ou  retardar  que  a  autoridade  fazendária  tomasse  conhecimento  da  ocorrência  do  fato  gerador  das  obrigações  tributárias  principais. Então,  como  consequência,  o  conjunto  de  ilícitos  praticados  pelo  contribuinte,  teve  como  resultado  a  supressão  ou  redução  do  pagamento  de  tributos  federais...”  ­ apurou a sujeição passiva além do contribuinte, nos moldes dos  arts.135 e 137 do CTN, nas pessoas dos sócios administradores,  diretores,  mandatários,  prepostos  e  representantes,  conforme  textos excertos das folhas 68/69, e folhas 73/76, do volume I do  presente processo:  A  impugnação  deste  Auto  de  Infração  foi  apresentada  pelos  sujeitos passivos:  HÉLIO  EUGENIO  SACCHI,  CPF  004.729.05872;  OLAVO  SACCHI  (Espólio),  CPF/MF  n°.  008.305.69804;  RAUL  FERNANDES  MARINHEIRO,CPF  007.939.57834,  e  EDER  LUIS LOPES, CPF 076.300.64837.  O  sujeito  passivo HÉLIO EUGÊNIO  SACCHI  foi  representado  por  NERINGA  SACCHI,  brasileira,  portadora  da  cédula  de  identidade  n.1.482.5624,  inscrita  no  CPF/MF  sob  o  n.  039.1141.21831, que atua como inventariante de Hélio Eugênio  Sacchi, e alegou em sua defesa que:  ­  que o autuado em questão, Hélio Eugênio Sacchi,  faleceu em  12/11/2010,  conforme atesta a  certidão de óbito,  ou  seja,  seria  insubsistente  a  lavratura  ocorrida  em  27/06/2011,  sete  meses  após o falecimento do suposto responsável;  ­ a autoridade administrativa incidiu em falha ao não identificar  corretamente o  sujeito passivo, que  jamais seria o de cujus e a  massa falida ou o espólio;  ­ o Auto de Infração formaliza a responsabilização tributária do  autuado  pelos  débitos  da  empresa  HELIOS  DA  AMAZONIA  IND.  E  COM.  DE  MATERIAIS  DE  ESCRITORIOS  LTDA,  entretanto a falência de tal empresa foi decretada em 07/06/2011  nos autos do processo n. 022812528.2008.804.0001, em trâmite  Fl. 1504DF CARF MF Processo nº 10283.720595/2011­17  Acórdão n.º 1301­003.217  S1­C3T1  Fl. 1.505          6 perante a 19ª Vara Cível da Comarca de Manaus/AM; assim, a  futura  e  eventual  cobrança  judicial  imporia  habilitação  como  forma de garantir a satisfação do crédito;  O  sujeito  passivo  OLAVO  SACCHI  (Espólio),  CPF/MF  n°.  008.305.69804,  foi  representado  por  Roberto  Soares  Sacchi,  brasileiro,  divorciado,  engenheiro  civil,  portador  da  cédula  de  identidade RG n°. 6.554.287SSP/ SP e inscrito no C P F / M F  sob n°. 006.983.24803, alegando em síntese que:  ­ O Requerente  foi notificado no dia 13/07/2011,  tendo o prazo  de  30  (trinta)  dias  para  se  manifestar  quanto  ao  conteúdo  do  assunto em objeto, ou seja, o dia 12/08/2011;  ­  Conforme  "Instrumento  Particular  de  Alteração  do  Contrato  Social  da  Sociedade  por Quotas  de Responsabilidade  Limitada  Hélios  da  Amazônia  Indústria  e  Comércio  de  Materiais  de  Escritório  Ltda.",  de  31/03/1997,  devidamente  registrado  perante  a  Junta  Comercial  do  Estado  do  Amazonas  sob  n°.  17781.6,  em 19/09/1997, OLAVO SACCHI  teria  se  retirado  do  quadro de sócios em 31/03/1997;  ­ Olavo  Sacchi  não  poderia  ser  responsabilizado  por  infrações  fiscais que teriam ocorrido nos anos calendário de 2006 e 2007,  como pretende a Fiscalização, posto que retirou­se da Sociedade  muitos anos antes, em 31/03/1997, a partir de quando deixou de  manter  qualquer  relacionamento  comercial,  profissional  ou  de  qualquer outro tipo com a empresa autuada;  ­ Conforme Certidão de Óbito expedida em 22/07/2011 pelo 13°.  Cartório de Registro Civil  do Butantã,  São Paulo,  SP, OLAVO  SACCHI faleceu em 21/09/1999;  RAUL  FERNANDES  MARINHEIRO,  CPF  007.939.57834  alegou:  ­ que encaminhou dossiê, via Sedex, com os esclarecimentos que  julgou  “necessários  e  suficientes”  para  excluir  seu  nome  de  qualquer  tipo  de  responsabilidade  junto  à  empresa  "Hélios  da  Amazônia",  principalmente,  aos  atos  e  fatos  ocorridos  após  a  minha renúncia em 31/03/1999”;  ­  as  diversas  empresas  vinculadas  ao  nome  "HELIOS",  foram  sempre criadas e administradas (gestão) pelo "clã Sacchi" e os  respectivos  diretores  nas  diversas  áreas  eram  nomeados,  na  maioria das vezes empregados regidos pela CLT;  “ No ano de 2003, entrou com um Processo Trabalhista contra a  "Hélios Carbex" no Fórum de Barueri São Paulo e desde então  não  tem  nenhum  relacionamento  com  a  "Família  Sacchi"  e  as  respectivas empresas”;  ­ sua renúncia ocorrera em 31/03/1999;  Sujeito passivo EDER LUIS LOPES CPF 076.300.64837 alegou  que:  Fl. 1505DF CARF MF Processo nº 10283.720595/2011­17  Acórdão n.º 1301­003.217  S1­C3T1  Fl. 1.506          7 ­  é admissível  pelas Delegacias de Julgamento os  recursos que  versem sobre a Responsabilidade Tributária;  ­ é nulo o termo de responsabilidade tributária por inexistência  de motivação;  ­  nulidade  pela  não  emissão  de  Mandado  de  Procedimento  Fiscal específico;  ­  não  possuía  poderes  de  decisão  para  assegurar  pagamentos  tributários;  ­  A  empresa  “PRESTO”  deve  ser  a  responsável  pelos  créditos  tributários  em  virtude  de  ser  a  sucessora  da  HÉLIOS  DA  AMAZÔNIA;  ­  inexistência de  sonegação  fiscal que não deve  ser confundida  com inadimplência, assim como a mera “não apresentação” da  Declaração Fiscal” não ter força de presunção da existência de  sonegação;  ­  é  necessária  a  comprovação,  pela  fiscalização,  da  conduta  ilícita.  A  1ª  Turma  da  DRJ  em  Belém/PA  analisou  as  impugnações  apresentadas  pelos sujeitos passivos e prolatou o Acórdão nº 0125.416, de 10/08/2012 (fls. 852/865), com a  seguinte ementa:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA IRPJ  Ano­calendário: 2006, 2007  RESPONSABILIDADE  TRIBUTÁRIA.  São  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações  tributárias  resultantes  de  atos  praticados  com  excesso  de  poderes  ou  infração  de  lei,  contrato  social  ou  estatutos,  os  mandatários, prepostos e empregados, os diretores, gerentes ou  representantes de pessoas jurídicas de direito privado.  A parte dispositiva foi redigida como segue:  Acordam  os  membros  da  1ª  Turma  de  Julgamento,  por  unanimidade de votos,  julgar  improcedente a  impugnação DOS  SUJEITOS  PASSIVOS  HÉLIO  EUGENIO  SACCHI,  CPF  004.729.05872;  RAUL  FERNANDES  MARINHEIRO,  CPF  007.939.57834,  e  EDER  LUIS  LOPES,  CPF  076.300.64837,  mantendo o crédito tributário exigido e mantendo­os na sujeição  passiva do mesmo crédito tributário.  Acordam  os  membros  da  1ª  Turma  de  Julgamento,  por  unanimidade  de  votos,  julgar  a  impugnação  procedente  DO  SUJEITO  PASSIVO  OLAVO  SACCHI  (Espólio),  CPF/MF  n°.  008.305.69804,  excluindo­o  da  sujeição  passiva  do  crédito  tributário exigido.  Fl. 1506DF CARF MF Processo nº 10283.720595/2011­17  Acórdão n.º 1301­003.217  S1­C3T1  Fl. 1.507          8 Não houve recurso de ofício.  A pessoa jurídica Hélios da Amazônia Indústria e Comércio de Materiais  de Escritório Ltda  tomou ciência do  acórdão de primeira  instância mediante o Edital  de  fl.  873  (afixado em 10/01/2013, ciência em 25/01/2013), após  ter  falhado a  tentativa de ciência  por via postal (fls. 871/872). Não encontro nos autos recurso voluntário da pessoa jurídica.  O sujeito passivo solidário Sr. Eder Luis Lopes tomou ciência do acórdão de  primeira instância em 22/03/2013 (sexta­feira), conforme AR à fl. 889. O recurso voluntário se  encontra às fls. 1259/1292, e o carimbo de recepção de fl. 1259 registra a data de 25/04/2013  (quinta­feira) como protocolo do recurso.  O sujeito passivo solidário Sr. Raul Fernandes Marinheiro  tomou ciência  do  acórdão  de  primeira  instância  em  26/03/2013,  conforme AR  à  fl.  893.  Às  fls.  897/1031  encontro  recurso apresentado pela Sra. Rosely Fernandes Marinheiro, que se  identifica como  filha do Sr. Raul Fernandes Marinheiro.   O  espólio  do  sujeito  passivo  solidário  Sr.  Hélio  Eugênio  Sacchi  tomou  ciência  do  acórdão  de  primeira  instância  em  25/03/2013,  conforme  AR  à  fl.  891.  Em  22/04/2013 foi apresentado o recurso voluntário de fls. 1032/1046.   Em uma primeira apreciação, este colegiado, embora em outra composição,  conhecendo  apenas  do  recurso  apresentado  pelo  espólio  do  Sr.  Hélio,  resolveu  converter  o  julgamento  em  diligência,  para  que  a  Unidade  de  Origem  adotasse  as  providências  especificadas  na  Resolução  1301­000.407,  de  11  de  Abril  de  2017,  com  intuito  de  coletar  informações necessárias ao julgamento do recurso voluntário interposto.  Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal em São Paulo, São Paulo,  carreou ao processo os documentos de fls. 1351/1470.  Cientificados  do  resultado  da  diligência  realizada,  não  houve manifestação  por parte dos sujeitos passivos.  É o Relatório.  Voto             Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator  A admissibilidade dos recursos apresentados serão alvo de nova apreciação.   O Contribuinte Hélios da Amazônia  Indústria  e Comércio de Materiais  de Escritório Ltda  já  não  havia  apresentado  impugnação  e  também não  apresentou  recurso  voluntário.  O sujeito passivo solidário Sr. Eder Luis Lopes tomou ciência do acórdão de  primeira  instância  em 22/03/2013  (sexta­feira),  conforme AR à  fl.  889,  e  apresentou  recurso  voluntário em 25/04/2013, sendo portanto intempestivo. Dele não conheço.  Fl. 1507DF CARF MF Processo nº 10283.720595/2011­17  Acórdão n.º 1301­003.217  S1­C3T1  Fl. 1.508          9 O  recurso  voluntário  do  Sr.  Raul  Fernandes Marinheiro  foi  apresentado  pela Sra. Rosely Fernandes Marinheiro, que se identifica como filha do responsável tributário  Sr.  Raul  Fernandes Marinheiro. Não  identifico  nos  autos  qualquer  documento  que  outorgue  poderes de representação à peticionante. Porém, ao invés de intimar o contribuinte para suprir a  deficiência de representação, da análise dos documentos e informações trazidos em diligência  (fls. 1351/1470), verifico que o aludido senhor retirou­se da sociedade antes da data dos fatos  geradores. Assim, conheço do recurso e passo a analisar seus fundamentos.  O recurso voluntário apresentado pelo espólio do Sr. Hélio Eugênio Sacchi é  tempestivo e atende aos demais requisitos processuais. Dele conheço, e passo a apreciar seus  fundamentos.  Da Análise dos Recursos Voluntários  Registre­se,  inicialmente,  que  os  recorrentes  aduzem  suas  razões  com  o  escopo de afastar tão somente suas imputações ao pólo passivo da obrigação jurídico­tributária  ora discutida. Em momento algum apresentam qualquer questionamento  ao auto de  infração,  em  si.  É  sob  esse  prisma  que  serão  apreciados  os  recursos  apresentados  pelo  Sr.  Raul  Fernandes Marinheiro e pelo espólio do Sr. Hélio Eugênio Sacchi.  Quanto  ao  recurso  apresentado pelo  espólio do Sr. Hélio,  em preliminar,  a  referida  recorrente  requer  sejam  juntados  aos  autos  os  documentos  de  fls.  1159/1255,  nos  termos do art. 16, § 4º, alíneas “a” e “c” do Decreto nº 70.235/1972 e com base no princípio da  verdade  material.  Alega  que  a  apresentação  dos  documentos  dependeria  de  terceiros  e  que,  considerando que o domicílio fiscal do recorrente é na capital de São Paulo, a obtenção teria  sido dificultada.   Estes documentos são cópias do Contrato de Constituição da pessoa jurídica  Hélios da Amazônia  Indústria de Materiais de Escritório Ltda., CNPJ 34.503.615/0001­52,  e  diversas  alterações  posteriores,  sendo  eles  admitidos  por  decisão  proferida  através  da  Resolução nº 1301­000.407, da lavra do I. Conselheiro Waldir Veiga Rocha (fls. 1336 a 1347)  sendo inclusive objeto da diligência.  No  mérito,  alega  a  defesa  a  ilegitimidade  passiva  do  Sr.  Hélio  Eugênio  Sacchi,  sustentando  que  esse  senhor  não  poderia  ser  responsabilizado  por  fatos  geradores  tributários  ocorridos  nos  anos­calendário  2006  e  2007,  pois  não mais  fazia  parte  do  quadro  societário  da  pessoa  jurídica,  vez  que  sua  retirada  teria  ocorrido  em  23/09/2005,  na  14ª  Alteração Contratual, registrada na JUCEA em 30/09/2005.  Em  face  dessas  alegações,  e  diante  do  quanto  consta  do  documento  denominado Motivação do Ato de Lançamento, às fls. 73/74, onde o Fisco declina os motivos  pelos  quais  atribuiu  responsabilidade  tributária,  entre  outros,  ao  Sr.  Hélio,  o  julgamento  foi  convertido em diligência, para solicitar da JUCEA manifestação expressa sobre o registro (ou  não)  naquele  órgão  de  cada  uma  das  alterações  contratuais  mencionadas  em  defesa  e,  caso  tenham sido registradas, em que data isso teria ocorrido:  Atendendo ao quanto solicitado, a JUCEA carreou aos autos os documentos  de fls. 1352 a 1470, trazendo não só a informação de que as mencionadas alterações contratuais  foram  arquivadas  na  junta,  como  informou  os  números  atribuídos  a  cada  documentos  arquivado,  além da data dos  respectivos  registros no órgão. Compulsando estes documentos,  encontro às fls. 1427 a 1452, prova cabal de que o Sr. Hélio retirou­se da sociedade antes dos  Fl. 1508DF CARF MF Processo nº 10283.720595/2011­17  Acórdão n.º 1301­003.217  S1­C3T1  Fl. 1.509          10 fatos geradores ocorridos nos anos­calendário 2006 e 2007, o que afasta sua responsabilidade  pelo crédito tributário aqui em discussão.  De fato, nos termos da 14ª Alteração do Contato Social da empresa autuada,  efetivada  em  23  de  setembro  de  2005  e  registrada  na  JUCEA  sob  o  nº  285.091  em  30  de  setembro  de  2005,  o  Sr.  Hélio  e  a  empresa  HELIOS  EMPREENDIMENTOS  E  PARTICIPAÇÕES  LTDA,  retiraram­  se  da  empresa  autuada.  Em  decorrência,  a  autuada  passou  ter  como  quotista  única  e  exclusivamente  a  empresa  BEATH  PARTICIPAÇÕES  LTDA.  Acrescente­se que antes dos fatos geradores aqui tratados, a empresa BEATH  PARTICIPAÇÕES LTDA, promoveu a 15ª Alteração Contratual da empresa autuada, com a  cessão de quotas e admissão do sócio Arnaldo Bisoni, sendo tal alteração registrada em 29 de  novembro  de  2005  na  JUCEA  sob  o  nº  287.187,  ou  seja,  antes  dos  fatos  geradores  que  ocorreram nos anos­calendário de 2006 e 2007.  Assim,  deve  ser  afastada  a  responsabilidade  solidária  do Sr. Hélio Eugênio  Sacchi pelos débitos discutidos nesses autos, vez que restou evidenciado que este senhor, desde  23 de setembro de 2005, não mais figurava no quadro societário da empresa autuada.  Com  referência  ao  recurso  apresentado  pelo  Sr. Raul  Fernandes,  embora  haja  defeito  em  sua  representação,  como  dito  antes,  ao  invés  de  intimar  o  contribuinte  para  supri­lo,  da  análise  dos  documentos  e  informações  trazidos  em  diligência  (fls.  1351/1470),  verifico  que  o  aludido  senhor  também  retirou­se  da  sociedade  antes  da  data  dos  fatos  geradores.  Com  efeito,  de  acordo  com  aqueles  documentos,  o  Sr.  Raul  Fernandes  Marinheiro não mais figurava nos quadros sociais nos anos­calendário de 2006 e 2007.  Assim,  também  deve  ser  afastada  a  responsabilidade  solidária  do  Sr.  Raul  Fernandes Marinheiro  pelos  débitos  discutidos  nesses  autos,  vez  que  restou  evidenciado  que  este  senhor  não  mais  figurava  no  quadro  societário  da  empresa  autuada,  à  época  dos  fatos  geradores do crédito tributário perseguido.  Conclusão  Pelo exposto, voto no sentido de (i) não conhecer do recurso do coobrigado  Eder Luis Lopes por  sua  intempestividade;  (ii)  dar provimento  aos  recursos,  para  excluir  do  polo  passivo  da  obrigação  tributária  os  coobrigados  Raul  Fernandes  Marinheiro  e  Hélio  Eugênio Sacchi.  .  (assinado digitalmente)  José Eduardo Dornelas Souza                Fl. 1509DF CARF MF Processo nº 10283.720595/2011­17  Acórdão n.º 1301­003.217  S1­C3T1  Fl. 1.510          11                 Fl. 1510DF CARF MF

score : 1.0
7472214 #
Numero do processo: 13886.000690/00-77
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/1993 a 30/06/2000 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. INSUFICIÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Quando o recurso especial de divergência se refere a matéria que não afeta a denegação do direito material pleiteado, não há razão de pedir no recurso especial que justifique seu conhecimento. No caso, foi negado provimento ao Recurso Voluntário por dois motivos autônomos e suficientes, contudo a recorrente somente se insurge contra um deles.
Numero da decisão: 9303-007.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201809

camara_s : 3ª SEÇÃO

ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/1993 a 30/06/2000 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. INSUFICIÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Quando o recurso especial de divergência se refere a matéria que não afeta a denegação do direito material pleiteado, não há razão de pedir no recurso especial que justifique seu conhecimento. No caso, foi negado provimento ao Recurso Voluntário por dois motivos autônomos e suficientes, contudo a recorrente somente se insurge contra um deles.

turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS

dt_publicacao_tdt : Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 13886.000690/00-77

anomes_publicacao_s : 201810

conteudo_id_s : 5917914

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 9303-007.428

nome_arquivo_s : Decisao_138860006900077.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS

nome_arquivo_pdf_s : 138860006900077_5917914.pdf

secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).

dt_sessao_tdt : Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018

id : 7472214

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:29:17 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050873244942336

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1619; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T3  Fl. 2.852          1 2.851  CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  13886.000690/00­77  Recurso nº               Especial do Contribuinte  Acórdão nº  9303­007.428  –  3ª Turma   Sessão de  19 de setembro de 2018  Matéria  63.657.4407 ­ COFINS ­ PRESCRIÇÃO ­ Prazo para restituição/compensação  de indébito: tese dos 5 + 5  Recorrente  SUPERMERCADOS CAVICCHIOLLI LTDA   Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/08/1993 a 30/06/2000  RECURSO  ESPECIAL  DE  DIVERGÊNCIA.  INSUFICIÊNCIA.  NÃO  CONHECIMENTO.  Quando o recurso especial de divergência se refere a matéria que não afeta a  denegação  do  direito  material  pleiteado,  não  há  razão  de  pedir  no  recurso  especial que justifique seu conhecimento. No caso, foi negado provimento ao  Recurso  Voluntário  por  dois  motivos  autônomos  e  suficientes,  contudo  a  recorrente somente se insurge contra um deles.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do Recurso Especial.  (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em exercício.   (assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos  ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Andrada  Márcio  Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge  Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da  Costa Pôssas (Presidente em exercício).     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 6. 00 06 90 /0 0- 77 Fl. 679DF CARF MF     2 Relatório  Trata  o  presente  processo  de  pedido  de  restituição,  protocolizado  em  14/11/2000,  à  e­fl.  02,  pelo  qual  a  contribuinte  pretende  reaver  valores  pagos  a  maior  de  Cofins, no período de 08/1993 a 06/2000, decorrentes de exclusão do ICMS da base de cálculo  da contribuição.   A SASIT da DRF em Limeira, no despacho decisório de e­fls. 287 a 291, em  25/06/2001,  indeferiu  o  pedido  de  restituição,  afirmando  que  a  receita  bruta  (faturamento)  engloba todas as receitas de venda e o ICMS, por integrar o preço de venda das mercadorias,  faz parte dela..   Irresignada,  em  1º/08/2001,  a  contribuinte  apresentou  manifestação  de  inconformidade, às e­fls. 301 a 310. Já a 5ª Turma da DRJ/RPO, apreciou a manifestação em  04/03/2005, e, no acórdão nº 7.404, às e­fls. 520 a 527,  indeferiu a solicitação de restituição,  afirmando a decadência do direito de pleitear as restituições em prazo superior a cinco anos e a  reafirmaddo que o ICMS faz parte da base de cálculo da Cofins.   Ainda inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, às e­fls. 530  a 564, em 10/06/2005. No recurso, em síntese,  reafirma a legitimidade de afastar o  ICMS da  base  de  cálculo  da  Cofins  e  a  inocorrência  de  prescrição  do  pedido  de  restituição  em  se  tratando de lançamento por homologação.  A 1ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes  apreciou o  recurso  na  sessão de 04/09/2008, resultando no acórdão de nº 201­81.399, às e­fls. 573 a 578, o qual teve  as seguintes ementas:  COFINS. RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL.  O prazo decadencial previsto no art. 168 do CTN extingue­se em  5  (cinco).  anos,  contados  a  partir  da  data  de  efetivação  do  recolhimento  indevido,  tal  como  reconhecido  pelos PGFN/CAT  nºs. 678/99 e.1.538/99.  COMPENSAÇÃO.  CRÉDITOS  CONTRA  A  FAZENDA  •  EXTINTOS  PELA  DECADÊNCIA.  COMPENSAÇÃO  INDEVIDA.  Assim como não se confundem o direito à repetição do indébito  tributário  (arts.  165  a  168  do  CTN)  com  as  formas  de  sua  execução,  que  se  pode  dar mediante  compensação  (arts.  170  e  170­A do CTN; 66 da Lei ri 8.383/91; e 74 da Lei n 9.430/96),  não se confundem os prazos para pleitear o direito à  repetição  do  indébito  (art.  168  do  CTN)  com  os  prazos  para  a  homologação de compensação ou para a ulterior verificação de  sua regularidade (arts,.156; inciso II, parágrafo único, do CTN;  e 74, § 5, da Lei nº 9.430/96 com redação dada pela Lei 10.833,  de 29/12/2003, DOU de ­30/12/2003). Ao pressupor a existência  de  créditos.  líquidos  .e  certos,vencidos  ou  vincendos  do  sujeito  passivo  contra  a  Fazenda.  Pública  .(art.  170  do  CTN),  a  lei  somente  desautoriza  a  homologação  de  compensação  em  pedidos que tenham por objeto créditos: contra a Fazenda, cujo  direito à restituição ou ao ressarcimento já se ache extinto pela  decadência (art. 168 do CTN).  Fl. 680DF CARF MF Processo nº 13886.000690/00­77  Acórdão n.º 9303­007.428  CSRF­T3  Fl. 2.853          3  BASE DE  .CÁLCULO.  ICMS. EXCLUSÕES. PRINCÍPIOS DA  LEGALIDADE DA ISONOMIA.  A  parcela  relativa  ao  ICMS  inclui­se  nas  bases  de  cálculo  da  Cofins  e  do  PIS.  Precedentes  do  STJ.  As  autoridades  administrativas  e  tribunais  ­  que  não  dispõem  de  função  legislativa ­ não podem conceder, ainda que sob fundamento de  isonomia  benefícios  de  exclusão  da  base  de  cálculo  do  crédito  tributário em favor daqueles a quem o legislador, com apoio em  critérios impessoais, racionais e objetivos, não quis contemplar  com  a  vantagem.  Entendimento  diverso,  que  reconhecesse  aos  magistrados  e  administradores  essa  anômala  função  jurídica  equivaleria,  em última análise,  a  convertê­los  em  inadmissíveis  legisladores  positivos,  condição  institucional  esta  que  lhes  é  recusada pela própria Constituição Federal.  O acórdão foi assim lavrado:  ACORDAM  os  Membros  .da  .  PRIMEIRA  CÂMARA  do  SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de  votos,  em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro  Alexandre Gomes,  que  dava  provimento  parcial  para  afastar  a  decadência em razão da tese dos 5. mais 5.  Recurso especial da contribuinte  A contribuinte  foi  intimada  (e­fl.  582) para  ciência do  acórdão 201­81.399,  em 09/02/2009 (e­fl. 584), e  interpôs recurso especial de divergência às e­fls. 588 a 605, em  20/02/2009.  Arrimou  seu  recurso  nos  acórdãos  paradigmas  de  números:  301­34.144  e  301­33.008,  que  consagram  o  entendimento  de  ser  o  prazo  prescricional  para  pleito  da  restituição de tributos sujeitos à lançamento por homologação de cinco anos contados da data  da homologação do  lançamento, que sendo  tácita, só ocorre cinco anos após a ocorrência do  fato  gerador,  sendo  irrelevante  para  o  cômputo  do  prazo  a  causa  do  indébito.  Assim,  evidenciaria­se a divergência com o disposto na ementa do acórdão recorrido ao afirmar que o  prazo decadencial previsto no art. 168 do CTN extingue­se em cinco. anos, contados a partir da  data de efetivação do recolhimento indevido.  No  despacho  de  e­fls.  667  a  669,  o  Presidente  da  3ª  Câmara  da  Terceira  Seção de Julgamento, em 14/05/2015, com base no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno  do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ­ RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de  22/06/2009, apesar de ter apenas analisado a divergência com base no acórdão deu seguimento  ao recurso especial do sujeito passivo.  Cientificada  do  despacho  em  25/06/2015  (e­fl.  670),  a  Procuradoria  da  Fazenda Nacional informou que não apresentaria contrarrazões (e­fl. 671).   A recorrente, por sua vez,  teve ciência do mesmo despacho e da posição da  Procuradoria da Fazenda Nacional em 08/09/2015.  É o relatório.  Fl. 681DF CARF MF     4 Voto             Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Relator  O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo.  Conhecimento   Em  que  pese  a  matéria  relativa  à  prescrição  do  direito  de  peticionar  a  restituição só ter sido levantada no acórdão da DRJ, mas não no despacho da DRF que negou o  pedido, o enfrentamento desta questão pela contribuinte, em sede de recurso voluntário, acabou  fazendo  com  que  houvesse  seu  prequestionamento  no  acórdão  recorrido.  Assim,  quando  o  recurso  especial  de  divergência  da  contribuinte  trouxe  paradigmas  para  essa  matéria,  seu  recurso  cumpriu  os  demais  requisitos  regimentais  e  entendo  que  por  isso  o  Presidente  da  3ª  Câmara a ele deu seguimento.  Apesar de bem caracterizada a divergência quanto ao prazo, os fundamentos  para negativa de provimento ao RV foram dois, cada um suficiente para fundamentar a decisão,  de per si:  ­ a extinção do prazo para repetição de indébito;  ­  a  inexistência  do  indébito,  pelo  fato  de  a  inclusão  do  ICMS  na  Base  de  Cálculo da Cofins estar de acordo com a lei.  Portanto, para que o recurso especial aproveitasse ao recorrente, deveriam ter  sido trazidas divergências quanto a ambas as matérias.   Contudo,  a  única matéria  em  testilha  no  recurso  especial  é  a  prescrição  e,  ainda que  se  reconhecesse a  sua  inexistência,  pela  adoção da  tese dos  "cinco mais  cinco",  o  direito material que deu causa à denegação do pedido de restituição continuaria inexistente; a  razão original da denegação do pleito: a impossibilidade de afastar o ICMS da base de cálculo,  continuaria presente.   Com  efeito,  ainda  que  fosse  afastado  o  óbice  da  extinção  do  prazo  para  repetição  do  indébito,  a  decisão  recorrida  não  seria  alterada,  por  ter  sido  ­  também  ­  reconhecida a inexistência do indébito, pelo fato de a inclusão do ICMS na Base de Cálculo da  Cofins estar de acordo com a lei.  Dessa forma, é despiciendo o recurso especial de divergência interposto, por  falta de razão de pedir, pois tornou­se apenas um iter processual vazio de significado material  neste processo.   Por  essa  razão,  voto  para  que  não  se  conheça  do  recurso  especial  de  divergência da contribuinte.  CONCLUSÃO  Pelo  exposto,  voto  por  não  conhecer  do  recurso  especial  de  divergência  da  contribuinte.    (assinado digitalmente)  Fl. 682DF CARF MF Processo nº 13886.000690/00­77  Acórdão n.º 9303­007.428  CSRF­T3  Fl. 2.854          5 Luiz Eduardo de Oliveira Santos                                     Fl. 683DF CARF MF

score : 1.0
7483914 #
Numero do processo: 10611.001191/2005-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 03/03/2005 a 20/06/2007 CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. A obstrução à defesa, motivadora de nulidade do ato administrativo de referência, deve apresentar-se comprovada no processo. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso e na parte conhecida negar provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201809

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 03/03/2005 a 20/06/2007 CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. A obstrução à defesa, motivadora de nulidade do ato administrativo de referência, deve apresentar-se comprovada no processo. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Recurso Voluntário Negado

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 10611.001191/2005-13

anomes_publicacao_s : 201810

conteudo_id_s : 5921400

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 3301-005.217

nome_arquivo_s : Decisao_10611001191200513.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA

nome_arquivo_pdf_s : 10611001191200513_5921400.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso e na parte conhecida negar provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.

dt_sessao_tdt : Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018

id : 7483914

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:30:07 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050873251233792

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1755; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 2          1 1  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10611.001191/2005­13  Recurso nº       Voluntário  Acórdão nº  3301­005.217  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  26 de setembro de 2018  Matéria  IPI  Recorrente  TINTO HOLDING LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 03/03/2005 a 20/06/2007  CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1  DO CARF.  Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o mesmo  objeto  do  processo  administrativo,  sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo,  de matéria distinta da constante do processo judicial.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA.  AUSÊNCIA  DE  COMPROVAÇÃO.  Não  há  que  se  cogitar  em  nulidade  do  lançamento  de  ofício  quando,  no  decorrer  da  fase  litigiosa  do  procedimento  administrativo  é  dada  ao  contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla  defesa. A obstrução à defesa, motivadora de nulidade do ato administrativo  de referência, deve apresentar­se comprovada no processo.  INCONSTITUCIONALIDADE  DE  NORMAS  TRIBUTÁRIAS.  INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.  Este  Colegiado  é  incompetente  para  apreciar  questões  que  versem  sobre  constitucionalidade das leis tributárias.   Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em  parte o recurso e na parte conhecida negar provimento.        AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 00 11 91 /2 00 5- 13 Fl. 560DF CARF MF     2 (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira ­ Presidente e Relator.    Participaram  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros:  Winderley  Morais  Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa  Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão  Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira  Duro e Valcir Gassen.    Relatório    Por  bem  descrever  os  fatos  adoto,  com  as  devidas  adições,  o  relatório  da  primeira instância que passo a transcrever.    Contra  a  empresa  qualificada  em  epígrafe  foi  lavrado  auto  de  infração relativo ao Imposto sobre Produtos Industrializados de  R$ 776.828,00, e juros de mora de R$ 143.324,76, perfazendo o  total de R$ 920.152,76, exigidos na importação de aeronave feita  através da DI nº 04/0173100­0, de 26/02/2004 e desembaraçada  em 15/03/2004 sob o regime de admissão temporária.  O Crédito  está  com a  exigibilidade  SUSPENSA, nos  termos do  art.  151,  inciso  V  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN),  por  força  da  ANTECIPAÇÃO  DE  TUTELA  concedida  em  12/02/2004  na  Ação  Ordinária  n°  2004.61.003643­8  (PAJ  n°  10880.000786/2004­92),  ajuizada na  18ª Vara Cível da  Justiça  Federal, 1ª Subseção da Seção Judiciária de São Paulo.  Conforme  descrição  dos  fatos,  trata­se  da  Aeronave  King  Air,  Modelo  C90A(B),  S/N  LJ­1693,  prefixo  N6193J,  ano  de  fabricação  2003,  equipada,  importada  sob  o  regime  aduaneiro  de  Admissão  Temporária,  concedido  no  processo  10611.000163/2004­90.  A  aeronave  estaria  classificada  na  Nomenclatura  Comum  do  Mercosul  (NCM)  no  código  8802.30.21,  sobre  a  qual  incide  o  Imposto de Importação (II) com alíquota zero e o Imposto Sobre  Produtos  Industrializados  (IPI)  com  alíquota  de  10%  (Dez  por  Cento),  conforme  Decreto  nº  4.542/02,  de  26/12/2002,  que  aprovou a Tabela de Incidência do IPI (TIPI).  Ainda na descrição dos fatos a fiscalização esclarece:  Conforme  art.  79  da  Lei  9430/96,  “os  bens  admitidos  temporariamente  no  país,  para  utilização  econômica,  ficam  sujeitos aos pagamentos dos impostos incidentes na importação,  proporcionalmente  ao  tempo  de  sua  permanência  em  território  nacional,  nos  termos  e  condições  estabelecidos  em  regulamento“.  Fl. 561DF CARF MF Processo nº 10611.001191/2005­13  Acórdão n.º 3301­005.217  S3­C3T1  Fl. 3          3 A  regulamentação  da  Lei  9.430/96  encontra­se  no  Decreto  4.543/2002  (Regulamento  Aduaneiro­RA),  de  26/12/2002,  especialmente  nos  artigos  306  a  334,  bem  como  na  Instrução  Normativa  (IN) SRF n° 285/93, de 14/01/2003 e na  IN SRF n°  162/98, que estabelece o tempo de vida útil e a depreciação dos  produtos para efeito de cálculo dos impostos proporcionais.  A IN SRF n° 285/03, ao versar sobre o pagamento dos impostos,  esclarece em seu art.13, que:  Art. 13  ­ O II e o  IPI devidos no caso de admissão  temporária  com pagamento proporcional, de acordo com o disposto no § 4°  do art. 6°, serão pagos pelo importador por ocasião do registro  da  respectiva Declaração de  Importação  (DI), mediante  débito  automático  em  conta,  nos  termos  do  art.  11  da  IN  SRF  n°  206/02, de 25/09/2002.  No  caso  em questão,  o  bem  permanecerá  no  país  por  10  (dez)  anos,  ou  seja,  120  (cento  e  vinte) meses,  conforme duração do  contrato de Leasing e autorização concedida pela Alfândega do  Aeroporto Internacional Tancredo Neves.  Tendo  em  vista  o  período  de  permanência  do  bem  no  país,  incidirá sobre o mesmo, a alíquota integral, ou seja, de 10% (dez  por cento).  Como  complemento  do  enquadramento  legal  consta  no  campo  específico do auto de infração os artigos 2°, 15, 16, 17, 21, 24,  30,  34, 122,  123,  125,  127,  130,  131,  138,  200,  201,  202,  465,  466, 467, 469, 470, 471, 472, 473, 474, 476, 478 e 488, todos do  Decreto n° 4.544/02 (RIPI/2002).  Da impugnação  Cientificada  em  01/08/2005  a  interessada  apresentou  em  18/08/2005  a  impugnação  de  fls.  55­101  onde  confirma  o  fato  relatado, mas  não  o  reconhece  como  gerador  de  tributação  de  IPI, por inconstitucionalidade na aplicação da lei para o caso, e  aponta,  ainda,  falhas  de  motivação  no  lançamento.  Assim  o  exame resume­se a matéria de direito.  Transcrevo a estrutura e as partes da impugnação que sintetizam  suas alegações:  I ­ OS FATOS [já relatados]  II ­ O DIREITO  II.1 ­ AS PRELIMINARES  II.1.1  ­ A  INEXISTÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA  E MOTIVAÇÃO  6.  O  AI  Impugnado  merece  ser  cancelado,  por  não  existir  fundamentação  jurídica para garantir a constituição do crédito  tributário.  Fl. 562DF CARF MF     4 7. Como se constata no seu enquadramento legal, a autoridade  autuante  apenas  citou  dispositivos  do  RIPI/2002,  sem,  no  entanto,  individualizar  os  incisos,  parágrafos  e  alíneas  dos  artigos mencionados aos quais se enquadra a situação fática da  Impetrante.  [...]  13.  Da  falta  de  especificação  sem  a  indicação  de  estar  sendo  aplicado  o  caput,  parágrafos  ou  incisos  do  artigo  do  RIPI  resulta a inadequação da fundamentação legal utilizado no Auto  de  Infração,  pois  deveria  ter  demonstrado  com  clareza  o  dispositivo  legal  aplicável  a  situação  especifica  tratada  nesses  Autos.  14.  A  fundamentação  jurídica  adequada  é  condição  imprescindível para a validade dos Autos de Infração, pois por  serem uma espécie de ato administrativo, devem ser praticados  sob uma base  legal especificadamente considerada, como exige  o  Principio  da  Legalidade  previsto  no  artigo  37,  caput,  da  Constituição Federal de 1988.  15. Nesse mesmo dispositivo,  também está prevista outra regra  que acarreta a nulidade insanável do Auto de Infração, tal seja:  o  Princípio  da  Publicidade,  pois  os  administradores  devem  realizar os seus atos de forma de forma clara e precisa, para que  os administrados compreendam a fundamentação legal utilizada,  sob  pena de  restar  inexistente  a  publicidade  do  ato,  ou  seja,  o  seu conhecimento.  [...]  20.  Um  dos  elementos  necessários  para  validade  do  Auto  de  Infração, como espécie de ato administrativo, é a motivação pela  descrição exata e precisa dos motivos de fato e de direito que lhe  serviram  de  fundamento  cuja  falta  desses  motivos  resultará  a  prática  de  ato  administrativo  imotivado  e,  conseqüentemente,  sem motivação acarretando a sua nulidade insanável.  21. No caso da autuação  impugnada os motivos de direito não  existem,  pois  a  fiscalização  não  demonstrou  juridicamente  de  forma  adequada,  precisa  e  clara  o  dispositivo  legal  que  fundamenta o lançamento do IPI.  [...]  II.1.2 ­ O CERCEAMENTO DE DEFESA  23. A falta de precisão e clareza na identificação do dispositivo  legal em que se fundamenta a autuação fiscal, também acarreta  a  nulidade  do  Auto  de  Infração  impugnado  por  resultar  disso  cerceamento do direito de defesa.  24. Uma das condições do ato administrativo que seja expedido  de forma precisa e clara quanto aos seus fundamentos jurídicos,  sendo vedado a emissão de atos que não possuam esse atributo  por ser de responsabilidade e ônus exclusivo da administração.  [...]  Fl. 563DF CARF MF Processo nº 10611.001191/2005­13  Acórdão n.º 3301­005.217  S3­C3T1  Fl. 4          5 II.2 ­ O MÉRITO  II.2.1­ O CONTRATO DE ARRENDAMENTO  28.  A  Impugnante  importou  a  aeronave  arrendada  no  exterior,  conforme  comprovam  os  documentos  anexados  na  autuação  fiscal.  29. Como pode ser constatado na análise do anexo instrumento  contratual,  a  aeronave  recebida  pela  Impugnante  permanecerá  temporariamente no Brasil, por:  i) se manter na propriedade do exportador;  ii)  não  existir  opção  de  sua  compra  ao  final  do  contrato  de  arrendamento;  iii)  e  ser  obrigada  a  devolvê­la  no  encerramento  do  arrendamento.  30. Por se constituir de uma importação não­definitiva, em razão  da  devolução  futura  ao  exportador,  o  produto  arrendado  pela  Impugnante estará sujeito à cobrança dos impostos incidentes na  importação  sob  o  Regime  de  Admissão  Temporária  instituído  pelo artigo 79 da Lei n° 9.430/96, com a seguinte redação:  “Art.  79.  Os  bens  admitidos  temporariamente  no  País,  para  utilização econômica, ficam sujeitos ao pagamento dos impostos  incidentes  na  importação  proporcionalmente  ao  tempo  de  sua  permanência  em  território  nacional,  nos  termos  e  condições  estabelecidas em regulamento".  31. Devendo ser ressaltado que neste dispositivo legal e na sua  regulamentação dada pelo Decreto n° 4.543/2002, somente está  estipulado  que  os  bens  importados  de  forma  não­definitiva  sujeitar­se­ão  ao  pagamento  dos  impostos  federais  exigidos  na  importação, proporcionalmente ao seu tempo de permanência no  território  nacional,  sem  serem  definidos  quais  os  tributos  devidos pelo importador.  32. Na  ocasião  do  registro  da DI,  por  determinação  do  artigo  13,  caput  da  IN  SRF  n°  285/2003,  a  lmpugnante  deveria  ter  recolhido  o  IPI  proporcional  à  permanência  da  aeronave  no  território nacional, nos seguintes termos:  "Art. 13. O  II e o  IPI devidos no caso de admissão  temporária  com pagamento proporcional, de acordo com o disposto no § 42  do art. 62, serão pagos pelo importador por ocasião do registro  da  respectiva  DI,  mediante  débito  automático  em  conta,  nos  termos do art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 206, de 25 de  setembro de 2002"  33.  Como  restará  demonstrado,  a  exigibilidade  do  IPI  nessa  importação  é  flagrantemente  inconstitucional  e  ilegal,  resultando a nulidade do Auto de Infração por constituir crédito  tributário inexistente.  Fl. 564DF CARF MF     6 II.2.2 ­ A INEXISTÊNCIA DE LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR  ­ ART. 146 DA CF/88 E ARTS. 46 E 47 DO CTN  34.  A  Impugnante  não  deve  suportar  a  exigibilidade  do  IPI  no  desembaraço  aduaneiro  de  produto  arrendado,  por  não  existir  legislação complementar prevendo o desembaraço aduaneiro de  produto arrendado como fato gerador do imposto, assim como o  valor  das  parcelas  do  arrendamento  (contraprestação  do  arrendatário) como sua base de cálculo.  [...]  46.  Com  base  nisto,  não  sendo  o  valor  das  parcelas  do  arrendamento  (contraprestação  do  arrendatário)  quantia  que  integra a base de cálculo do IPI no desembaraço aduaneiro nos  termos  do  CTN,  não  existe  lei  complementar  definindo  tal  montante como base de cálculo a  ser admitida na cobrança do  imposto  no  desembaraço  aduaneiro,  impedindo  a  exigibilidade  do tributo na importação de produto arrendado por representar  exigência  flagrantemente  inconstitucional  por  ofensa  ao  artigo  146, inciso II, alínea "a" da CF/88.  [...]  II.2.3  ­  O  PRODUTO  IMPORTADO  DEVE  SER  "MERCADORIA"  ­EXISTENTE  APENAS  NA  COMPRA  E  VENDA ­ FALTA DE LEI E RIPI  69.  A  exigência  fiscal  também  é  inconstitucional  e  ilegal,  por  apenas  ser  possível  a  incidência  do  IPI  quando  o  produto  importado  possuir  a  natureza  de  mercadoria,  inexistente  para  produto  arrendado,  pois  apenas  seria  mercadoria  caso  fosse  objeto de contrato de compra e venda.  [...]  II.2.4  ­  A  INCIDÊNCIA  DO  ISS  ­  LEI  COMPLEMENTAR  N°  116/2003  88.  As  regras  que  exigem  da  impugnante  o  pagamento  do  imposto  no  arrendamento  da  aeronave  importada  também  são  inconstitucionais,  por  contrariarem  a  Lei  Complementar  n°  116/03,  que  prevê  expressamente  no  item  n°  15.09  da  Lista  de  Serviços Tributados pelo ISS o arrendamento como hipótese de  incidência do imposto municipal, nos seguintes termos:  "Lista de  serviços anexa à Lei Complementar n° 116, de 31 de  julho de 2003.  15.09 —  Arrendamento  mercantil  (leasing)  de  quaisquer  bens,  inclusive  cessão  de  direitos  e  obrigações,  substituição  de  garantia,  alteração,  cancelamento  e  registro  de  contrato  e  demais  serviços  relacionados  ao  arrendamento  mercantil  (leasing)".  [...]  II.2.5 ­ O GATT  Fl. 565DF CARF MF Processo nº 10611.001191/2005­13  Acórdão n.º 3301­005.217  S3­C3T1  Fl. 5          7 90. A inconstitucionalidade e ilegalidade da exigibilidade do IPI  na  importação  de  produto  arrendado  também  existem  por  ofender o artigo III do GATT e artigo 98 do CTN.  [...]  93. Não  existe  exigibilidade  do  IPI  no  arrendamento  realizado  internamente  no  Brasil,  por  ser  apenas  exigido  o  ISS  e  estar  prevista  apenas  a  exigibilidade  do  imposto  federal  na  importação,  não  podendo  ser  admitido  a  cobrança  do  IPI  não  exigido  internamente  no  arrendamento,  por  ofender  a  similaridade de tributos exigida pelo artigo III do GATT.  [...]  II.2.6 ­ O ARTIGO 35, INCISO III DO RIPI  96.  A  cobrança  não  pode  ser  implementada,  por  afrontar  o  artigo 35, inciso III do Regulamento do IPI, que estabelece:  "Art. 35. Considera­se ocorrido o fato gerador:  II  I­  na  saída  da  repartição  que  promoveu  o  desembaraço  aduaneiro, quanto aos produtos que, por ordem do  importador,  forem remetidos diretamente a terceiros;" (g.n.).  97. Sem que exista esta saída motivada em ordem do importador  e  ser  o  produto  destinado  a  terceiro,  não  considerar­se­á  ocorrido  o  fato  gerador  do  IPI,  impedindo  a  exigibilidade  do  tributo.  [...]  II.2.7  ­  O  PRINCÍPIO DA  SELETIVIDADE  E  FORNECEDOR  INDUSTRIAL  104. A  cobrança do  IPI no desembaraço aduaneiro de produto  arrendado  pelo  importador  também  é  inconstitucional  por  afrontar o Principio da Seletividade previsto no artigo 153, §3 °,  inciso I da CF/88.  [...]  II.2.8 ­ O PRINCÍPIO DA ISONOMIA  114.  A  inconstitucionalidade  da  legislação  que  prevê  a  tributação  também  tem  origem  na  afronta  ao  Principio  da  Isonomia  Tributária  previsto  no  inciso  II,  do  artigo  150  da  Constituição  Federal  de  1988,  porque  a  situação  fiscal  da  impugnante  é  equivalente  a  de  outras  empresas  nacionais  que  não  sofrem a  cobrança do  IPI no arrendamento ou  locação de  aeronaves realizadas internamente no Brasil.  [...]  II.2.9 ­ AS INCONSTITUCIONALIDADES DA TIPI  Fl. 566DF CARF MF     8 118.  Mesmo  se  não  existissem  as  irregularidades  acima  apontadas, ainda persistiria a impossibilidade da cobrança, pela  flagrante  inconstitucionalidade  da  Tabela  de  Incidência  do  IPI  que  fundamenta  a  exigibilidade  do  imposto  a  alíquota  de  10%  para  a  Impugnante  e  as  de  5%  e  zero  quando  os  adquirentes  forem  táxis­aéreos  e  concessionárias  de  transporte  aéreo,  respectivamente.  [...]  III ­ O PEDIDO  121.  Por  tudo  o  que  foi  exposto,  vem  a  Impugnante,  muito  respeitosamente à presença desse órgão administrativo, requerer  que seja declarada a improcedência do Auto de Infração lavrado  pela  ALF/Aeroporto  Internacional  Tancredo  Neves  objeto  do  processo  administrativo  no  10611.001191/2005­13  com  o  consequente cancelamento do crédito tributário nele constituído.  Do retorno de Diligência  Em  virtude  de  a  matéria  impugnada  ter  sido  submetida  a  apreciação  judicial,  o  julgamento  foi  convertido  em  diligência  através da resolução de  fls. 104­109, no sentido da unidade de  origem anexar  cópia do  inteiro  teor da petição  inicial  e outros  documentos  que  esclareçam  qual  a  matéria  sob  exame  no  processo judicial em referência, inclusive decisões posteriores à  tutela antecipada.  Foram então anexados os seguintes documentos:  1.  cópia  do  PAJ  10880.000786/2004­92  que  acompanha  a  tramitação  da  ação  ordinária  2004.61.00.003643­8  (fls.  111­ 451);  2.  ciência  à  impugnante  do  pedido  de  diligência  e  para  aditamento à impugnação (fl. 452­457);  3.  despacho  de  encaminhamento  a  esta  DRJ,  depois  de  transcorrido o prazo concedido à impugnante.    A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento conheceu em parte a  impugnação e negou provimento a parte conhecida. A decisão da DRJ foi assim ementada:     ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 03/03/2005 a 20/06/2007  FUNDAMENTAÇÃO  LEGAL.  INSUFICIÊNCIA.  CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.  Inexiste  prejuízo  ao  julgamento  do  mérito  se  comprovado  nos  autos  que  a  indicação  incompleta  da  fundamentação  legal  não  prejudicou o amplo direito de defesa do impugnante nem influiu  na solução do litígio.  Fl. 567DF CARF MF Processo nº 10611.001191/2005­13  Acórdão n.º 3301­005.217  S3­C3T1  Fl. 6          9 AÇÃO  JUDICIAL.  RENÚNCIA  PARCIAL  ÀS  INSTÂNCIAS  ADMINISTRATIVAS. OCORRÊNCIA.  A  propositura  de  ação  judicial  pelo  contribuinte  contra  a  Fazenda,  ­  por  qualquer  modalidade  processual  ­  antes  ou  posteriormente  à  autuação,  com  o  mesmo  objeto,  importa  na  renúncia às instâncias administrativas, tornando definitiva nesta  esfera  a  discussão  da  matéria  sub  judice.  O  processo  administrativo terá prosseguimento normal no que se relaciona à  matéria diferenciada.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido    Cientificada da decisão  a  contribuinte  interpôs  recurso voluntário,  alegando  que  mesmo  existindo  ação  judicial  discutindo  a  matéria  que  deu  origem  ao  lançamento,  a  matéria  submetida  ao  poder  judiciário  deve  ser  objeto  de  julgamento  pelos  tribunais  administrativos,  no  restante  do  recurso,  repisa  alegações  apresentadas  na  impugnação,  alegando  cerceamento  do  direito  de  defesa  pela  ausência  do  enfrentamento  de  todas  as  alegações da impugnação e ofensa a princípios constitucionais.    É o Relatório.  Voto             Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator.    A teor do relatado, a matéria referente a exigência do IPI sobre a importação  da aeronave é matéria submetida a apreciação do Poder Judiciário, por meio da ação ordinária  2004.61.003643­8 na 18ª Vara Civil da Justiça Federal, 1ª Subseção da Seção Judiciária de São  Paulo.   O  código  Tributário  Nacional  exclui  da  apreciação  dos  tribunais  administrativos, a matéria objeto de ação  judicial,  em obediência ao principio da unidade de  jurisdição,  prevalente  no  País,  em  que  decisões  judiciais  são  soberanas  e  afastam  a  possibilidade de apreciação da mesma matéria pela via administrativa.   Portanto,  no  caso  em  tela,  tratando­se da mesma matéria. A propositura  de  ação  judicial  afasta  a  apreciação  pelos  ritos  do  Processo  Administrativo  Fiscal.  Tal  entendimento foi objeto da Súmula nº 1 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009.    Súmula CARF nº 1  Fl. 568DF CARF MF     10  Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial  por  qualquer  modalidade  processual,  antes  ou  depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o  mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas  a  apreciação,  pelo  órgão  de  julgamento  administrativo,  de  matéria distinta da constante do processo judicial.    Portanto,  quanto  a  matéria  submetida  ao  poder  judiciário  não  pode  ser  conhecida por este colegiado, em razão da concomitância. Quanto a alegação de cerceamento  de  direito  de  defesa  e  ofensa  a  princípios  constitucionais,  por  atenderem  os  requisitos  de  admissibilidade, merecem ser conhecidas.   A Recorrente alega cerceamento do direito de defesa, sob o arrimo que o não  conhecimento da impugnação ofenderia o princípio da ampla defesa. Nesta matéria não assiste  razão ao Recurso. O não conhecimento do impugnação quanto ao mérito da exigência que está  submetida  ao  poder  judiciário  atende  os  preceitos  do  processo  administrativo,  evitando  que  existam decisões divergentes na esfera administrativa e judicial. Considerando a soberania das  decisões  do Poder  Judiciário,  a matéria  que  esta  sendo discutida  judicialmente  não  pode  ser  objeto de apreciação dentro do Processo Administrativo.  Quanto  à  alegação  que  o  lançamento  estaria  ferindo  princípios  constitucionais.  Também  aqui  não  pode  prosperar  as  alegações  do  recurso.  Os  princípios  constitucionais  atingiriam  o  legislador.  Ainda  que  pudesse  restar  alguma  dúvida  sobre  a  legalidade sob o viés constitucional do lançamento tributário, mesmo assim, este colegiado não  poderia apreciar a matéria, diante da emissão da súmula nº 2 do CARF, publicada no DOU de  22/12/2009, que veda o pronunciamento sobre constitucionalidade de lei tributária.    “Súmula CARF nº 2   O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  constitucionalidade de lei tributária”    Diante do exposto, voto no sentido de conhecer em parte o recurso voluntário  e na parte conhecida negar provimento.     (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira                           Fl. 569DF CARF MF Processo nº 10611.001191/2005­13  Acórdão n.º 3301­005.217  S3­C3T1  Fl. 7          11     Fl. 570DF CARF MF

score : 1.0
7484680 #
Numero do processo: 11020.002532/2009-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda.
Numero da decisão: 9303-007.321
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de crédito sobre gastos com (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas e tratores, mantendo a decisão recorrida quanto às despesas com empilhadeiras (GLP e manutenção), vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201808

camara_s : 3ª SEÇÃO

ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda.

turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS

dt_publicacao_tdt : Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 11020.002532/2009-14

anomes_publicacao_s : 201810

conteudo_id_s : 5921432

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 9303-007.321

nome_arquivo_s : Decisao_11020002532200914.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS

nome_arquivo_pdf_s : 11020002532200914_5921432.pdf

secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de crédito sobre gastos com (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas e tratores, mantendo a decisão recorrida quanto às despesas com empilhadeiras (GLP e manutenção), vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).

dt_sessao_tdt : Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018

id : 7484680

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:30:08 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050873269059584

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1926; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T3  Fl. 2          1 1  CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  11020.002532/2009­14  Recurso nº               Especial do Procurador  Acórdão nº  9303­007.321  –  3ª Turma   Sessão de  15 de agosto de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO.  DIREITO DE CRÉDITO.  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  RASIP ALIMENTOS LTDA    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008  NÃO  CUMULATIVIDADE  DAS  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS.  AQUISIÇÃO  DE  INSUMOS.  BENS  E  SERVIÇOS.  DIREITO  AO  CREDITAMENTO.  A  legislação  das  Contribuições  Sociais  não  cumulativas  ­  PIS/COFINS  ­  informa de maneira  exaustiva  todas  as possibilidades de  aproveitamento de  créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e  serviços  que  não  sejam  utilizados  diretamente  no  processo  de  produção  do  produto destinado a venda.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar­lhe provimento parcial, para  restabelecer  a  glosa  de  crédito  sobre  gastos  com  (i)  bens  diversos,  (ii)  combustíveis  e  lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas e tratores,  mantendo  a  decisão  recorrida  quanto  às  despesas  com  empilhadeiras  (GLP  e  manutenção),  vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito  e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento.   (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em exercício e Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Andrada  Márcio  Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 25 32 /2 00 9- 14 Fl. 513DF CARF MF Processo nº 11020.002532/2009­14  Acórdão n.º 9303­007.321  CSRF­T3  Fl. 3          2 Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da  Costa Pôssas (Presidente em Exercício).   Relatório  Trata­se  de  recurso  especial  de  divergência  interposto  pela  FAZENDA  NACIONAL, com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67, do Anexo II do Regimento Interno do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  –  RICARF,  aprovado  pela  Portaria  MF  nº  256/2009,  buscando  a  reforma  do  Acórdão  nº  3803­02.986,  proferido  pela  3ª  Turma  Especial  da  Terceira  Seção  de  Julgamento,  em  23  e  maio  de  2012,  no  sentido  de  dar  provimento parcial ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado:  ASSUNTO:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  Cofins  Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008  INSUMOS. ALCANCE DO TERMO.   São insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II,  da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços que viabilizam ou que  são pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, que neles  possam  ser  diretamente  empregados  e  cuja  subtração  importa  na  impossibilidade  da  prestação  do  serviço  ou  da  produção,  isto  é,  cuja  subtração obsta a atividade da empresa, ou  implica em substancial perda  de qualidade do produto ou serviço dela resultantes.  CREDITAMENTO.  COMBUSTÍVEIS  E  LUBRIFICANTES  UTILIZADOS  NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE.   Somente  os  gastos  expendidos  com  combustível  que  efetivamente  foi  consumido  no  processo  produtivo  darão  direito  ao  creditamento  da  contribuição.  CREDITAMENTO.  EMBALAGEM  DE  TRANSPORTE.  CUSTO  DE  VENDA DA EMPRESA. POSSIBILIDADE.  Se o serviço de transporte das mercadorias faz parte da operação de venda,  tendo seus custos  suportados pelo produtor, as  embalagens de  transporte  serão  necessárias  para  a  preservação da  integridade  dos  bens  durante  o  transporte, e geram direito a crédito.   CREDITAMENTO.  PRODUTOS  SUJEITOS  À  ALÍQUOTA  ZERO.  IMPOSSIBILIDADE.   Não dará direito  a  crédito  o  valor da  aquisição  de bens  ou  serviços  não  sujeitos ao pagamento da contribuição,  inclusive no caso de isenção, esse  último  quando  revendidos  ou  utilizados  como  insumo  em  produtos  ou  serviços  sujeitos  à  alíquota  zero,  isentos  ou  não  alcançados  pela  contribuição.   CRÉDITO  PRESUMIDO.  AGROINDÚSTRIA.  RESSARCIMENTO.  INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO LEGAL.   Fl. 514DF CARF MF Processo nº 11020.002532/2009­14  Acórdão n.º 9303­007.321  CSRF­T3  Fl. 4          3 O crédito presumido  instituído pela Lei nº 10.925/2004  somente pode  ser  utilizado  para  dedução  dos  débitos  apurados  na  sistemática  da  não  cumulatividade aplicável na apuração das contribuições sociais, não sendo  passível de utilização em procedimentos de compensação ou ressarcimento.   ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008  ART.  62­A  DO  RICARF.  REPRODUÇÃO  PELOS  CONSELHEIROS  QUANDO DO JULGAMENTO DE RECURSOS NO ÂMBITO DO CARF.   As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional,  na sistemática prevista pelos artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11  de  janeiro  de  1973,  Código  de  Processo Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.   [...]  O Colegiado a quo entendeu por dar provimento parcial ao recurso voluntário  para  reconhecer  o  direito  ao  crédito  e  autorizar  o  ressarcimento  tão  somente  quanto  aos  seguintes itens: (a) despesas com empilhadeiras (custos de aquisição de GLP e manutenção  de  empilhadeiras);  (b)  despesas  com  aquisições  de  combustíveis  e  lubrificantes  desde  que  efetivamente comprovada pela Contribuinte sua participação no processo produtivo e feita a  segregação  do  lançamento  de  combustível/lubrificante  que  foi  contabilizado  no  ativo  imobilizado  da  empresa  (conta  contábil  11701009);  (c)  despesas  com  serviços  de  manutenção  de máquinas,  tratores,  retroescavadeiras  e  pulverizadores  quanto  às máquinas  que  comprovadamente  foram  essenciais  ao  processo  de  produção;  e  (d)  despesas  com  embalagem de transporte (material de transporte).   Não resignada em parte com a decisão, a Fazenda Nacional  interpôs recurso  especial  alegando  divergência  jurisprudencial  quanto  ao  conceito  de  insumos  para  fins  de  utilização  de  créditos  das  contribuições  para  o  PIS  e  a  COFINS  na  sistemática  da  não­ cumulatividade.  Insurgiu­se  especificamente  quanto  aos  seguintes  itens:  (1)  despesas  com  empilhadeiras;  despesas  com  embalagem  de  transporte  (material  de  embalagem);  despesas  com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; e (2)  despesas com combustíveis e lubrificantes.   Visando  à  comprovação  do  dissenso  interpretativo  indicou,  dentre  outros,  o  Acórdão n.º 203­12.448, segundo o qual apenas podem ser considerados  insumos para  fins  de  cálculo  do  crédito  do  PIS  não­cumulativo  aqueles  elencados  no  art.  3º  da  Lei  nº  10.637/2002 combinado com o art. 66 da IN SRF nº 464/2004, adotando a tese da definição  de “insumos” prevista na legislação do IPI.  A Recorrente  aduz,  em  síntese,  que  os  insumos  aptos  a  serem  considerados  como créditos de PIS/Pasep e COFINS no regime não­cumulativo foram tratados de foram  taxativa no art. 3º das Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003,  respectivamente. Portanto, para  efeitos  de  crédito  do  tributo,  incluem­se  no  conceito  de  insumo,  além  de matérias­primas,  produtos  intermediários e material de embalagem, os  itens que sejam incorporados ao bem  produzido,  e os bens que, mesmo não  se  integrando à mercadoria,  sejam consumidos  e/ou  alterados  no  processo  de  industrialização  em  função  da  ação  exercida  diretamente  sobre  o  produto,  com  exceção  daqueles  compreendidos  no  ativo  permanente.  Segundo  a  Fazenda  Fl. 515DF CARF MF Processo nº 11020.002532/2009­14  Acórdão n.º 9303­007.321  CSRF­T3  Fl. 5          4 Nacional, tais requisitos não são atendidos pelos itens admitidos como insumos pelo acórdão  recorrido, merecendo o mesmo ser reformado.   Nos  termos  do  despacho  de  exame  de  admissibilidade  do  Presidente  da  3ª  Câmara  da  3ª  Seção  do  CARF,  foi  dado  seguimento  ao  recurso  especial  da  Fazenda  Nacional, por ter sido entendida como comprovada a divergência jurisprudencial, com base  no Acórdão paradigma n.º 203­12.448.   Cientificada a Contribuinte, não foram apresentadas contrarrazões.   É o Relatório.     Voto             Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 9303­007.318, de  15/08/2018, proferido no julgamento do processo 11020.002522/2009­71, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  os  entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303­007.318):  "Admissibilidade  O  recurso  especial  de  divergência  interposto  pela  Fazenda  Nacional  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade  constantes  no  art.  67  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais  ­ RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de  junho  de  2015  (anteriormente  Portaria  MF  n.º  256/2009),  devendo,  portanto,  ter  prosseguimento.   Mérito  ­  Do Direito  ao  Crédito  de  PIS  e  COFINS  não­cumulativos  –  Conceito  de  insumos  No mérito, adentra­se à análise do direito ao crédito de PIS e COFINS não­cumulativos  decorrentes  de:  (1)  despesas  com  empilhadeiras;  despesas  com  embalagem  de  transporte  (material  de  embalagem);  despesas  com  serviços  de  manutenção  de  máquinas,  tratores,  retroescavadeiras e pulverizadores; e (2) despesas com combustíveis e lubrificantes.  De  início,  explicita­se  o  conceito  de  insumos  adotado  no  presente  voto,  para  posteriormente adentrar­se à análise dos itens individualmente.   A  sistemática  da  não­cumulatividade  para  as  contribuições  do  PIS  e  da COFINS  foi  instituída,  respectivamente,  pela  Medida  Provisória  nº  66/2002,  convertida  na  Lei  nº  10.637/2002  (PIS)  e  pela Medida Provisória  nº  135/2003,  convertida  na Lei  nº  10.833/2003  (COFINS).  Em  ambos  os  diplomas  legais,  o  art.  3º,  inciso  II,  autoriza­se  a  apropriação  de  Fl. 516DF CARF MF Processo nº 11020.002532/2009­14  Acórdão n.º 9303­007.321  CSRF­T3  Fl. 6          5 créditos  calculados  em  relação  a  bens  e  serviços  utilizados  como  insumos  na  fabricação  de  produtos destinados à venda.1   O princípio da não­cumulatividade das  contribuições  sociais  foi  também estabelecido  no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003,  consignando­se  a  definição  por  lei  dos  setores  de  atividade  econômica  para  os  quais  as  contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2  A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da  sistemática da não­cumulatividade do PIS e da COFINS.   Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa  nº  358/2003)  (art.  66)  e  404/04  (art.  8º),  a  Secretaria  da  Receita  Federal  trouxe  a  sua  interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de  insumos  adotada  pelos  mencionados  atos  normativos  é  excessivamente  restritiva,  assemelhando­se  ao  conceito  de  insumos  utilizado  para  utilização  dos  créditos  do  IPI  –  Imposto  sobre Produtos  Industrializados,  estabelecido  no  art.  226  do Decreto  nº  7.212/2010  (RIPI).   As  Instruções  Normativas  nºs  247/2002  e  404/2004,  ao  admitirem  o  creditamento  apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e  comercialização  de bens  ou  prestação  de  serviços,  aproximando­se  da  legislação  do  IPI  que  traz  critério  demasiadamente  restritivo,  extrapolaram  as  disposições  da  legislação  hierarquicamente  superior  no  ordenamento  jurídico,  a  saber,  as  Leis  nºs  10.637/2002  e  10.833/2003,  e  contrariaram  frontalmente  a  finalidade  da  sistemática  da  não­cumulatividade  das  contribuições  do  PIS  e  da  COFINS.  Patente,  portanto,  a  ilegalidade  dos  referidos  atos  normativos.  Nessa  senda,  entende­se  igualmente  impróprio  para  conceituar  insumos  adotar­se  o  parâmetro  estabelecido  na  legislação  do  IRPJ  ­  Imposto  de  Renda  da  Pessoa  Jurídica,  pois  demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299  do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poder­se­ia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da  pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou  da prestação de serviços como um todo.                                                               1 Lei  nº  10.637/2002  (PIS). Art.  3º  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2º  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar  créditos calculados em relação a: [...] II ­ bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na  produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto  em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante  ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e  87.04 da TIPI; [...].     Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar  créditos calculados em relação a: [...]II ­ bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na  produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto  em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante  ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e  87.04 da Tipi; [...]   2   Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma  direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do  Distrito Federal  e dos Municípios,  e das  seguintes contribuições  sociais:  I  ­ do empregador, da empresa e da  entidade  a  ela  equiparada  na  forma  da  lei,  incidentes  sobre:  [...]  b)  a  receita  ou  o  faturamento;  [...]  IV  ­  do  importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores  de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput,  serão não­cumulativas. (grifou­se)      Fl. 517DF CARF MF Processo nº 11020.002532/2009­14  Acórdão n.º 9303­007.321  CSRF­T3  Fl. 7          6 Em  Declaração  de  Voto  apresentada  nos  autos  do  processo  administrativo  nº  13053.000211/2006­72,  em  sede  de  julgamento  de  recurso  especial  pelo  Colegiado  da  3ª  Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou:  [...]  permaneço  não  compartilhando  do  entendimento  pela  possibilidade  de  utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos"  pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento  que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas.    Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira  o  conceito  de  "insumos"  ao  equipará­lo  ao  conceito  contábil  de  "custos  e  despesas  operacionais"  que  abarca  todos  os  custos  e  despesas  que  contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o  que distorceria a  interpretação da  legislação ao ponto de  torná­la  inócua e  de  resultar  em  indesejável  esvaziamento  da  função  social  dos  tributos,  passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente.    As  Despesas  Operacionais  são  aquelas  necessárias  não  apenas  para  produzir  os  bens,  mas  também  para  vender  os  produtos,  administrar  a  empresa  e  financiar  as  operações.  Enfim,  são  todas  as  despesas  que  contribuem  para  a  manutenção  da  atividade  operacional  da  empresa.  Não  que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao  critério da essencialidade.  [...]  Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração  da  lei  prevista no art.  108,  II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito  Tributário.  Na  exposição  de  motivos  da  Medida  Provisória  n.  66/2002,  in  verbis,  afirma­se  que  “O  modelo  ora  proposto  traduz  demanda  pela  modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o  equilíbrio  das  contas  públicas,  na  estrita  observância  da  Lei  de  Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a  manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em  virtude da cobrança do PIS/Pasep.”  Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser  o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também  não  pode  atingir  o  alargamento  proposto  pela  utilização  de  conceitos  diversos contidos na legislação do IR.   Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem  do IRPJ, necessário estabelecer­se o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos.   Diante  do  entendimento  consolidado  deste  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais ­ CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de  insumos para efeitos do art. 3º,  inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º,  inciso II da Lei  10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério  traduz  uma  posição  "intermediária"  construída  pelo  CARF,  na  qual,  para  definir  insumos,  busca­se  a  relação  existente  entre  o  bem  ou  serviço,  utilizado  como  insumo  e  a  atividade  realizada pelo Contribuinte.   Conceito mais  elaborado  de  insumo,  construído  a  partir  da  jurisprudência  do  próprio  CARF  e  norteador  dos  julgamentos  dos  processos,  no  referido  órgão,  foi  consignado  no  Acórdão nº 9303­003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014:  [...]   Portanto,  "insumo"  para  fins  de  creditamento  do  PIS  e  da  COFINS  não  cumulativos,  partindo  de  uma  interpretação  histórica,  sistemática  e  teleológica  das  próprias  normas  instituidoras  de  tais  tributos  (Lei  no.  Fl. 518DF CARF MF Processo nº 11020.002532/2009­14  Acórdão n.º 9303­007.321  CSRF­T3  Fl. 8          7 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou  encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção  ou  fabricação  de  bem ou  produto  que  seja  destinado  à  venda,  e  que  tenha  relação  e  vínculo  com  as  receitas  tributadas  (critério  relacional),  dependendo,  para  sua  identificação,  das  especificidades  de  cada  processo  produtivo.   Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode  ser  caracterizado  como  insumo  para  fins  de  creditamento  do  PIS  e  da  COFINS,  impende  analisar  se  há:  pertinência  ao  processo  produtivo  (aquisição  do  bem  ou  serviço  especificamente para utilização na prestação do  serviço ou na produção, ou, ao menos,  para  torná­lo  viável);  essencialidade  ao  processo  produtivo  (produção  ou  prestação  de  serviço  depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de  produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o  bem produzido).   Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado  insumo  gerador  de  crédito  de  PIS  e  COFINS,  imprescindível  a  sua  essencialidade  ao  processo  produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova.   Não  é  diferente  a  posição  predominante  no  Superior  Tribunal  de  Justiça,  o  qual  reconhece,  para  a  definição  do  conceito  de  insumo,  critério  amplo/próprio  em  função  da  receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo  ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro  Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317­MG, sintetizado na ementa:  PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART.  535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC.  INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E  COFINS  NÃO­CUMULATIVAS.  CREDITAMENTO.  CONCEITO  DE  INSUMOS.  ART.  3º,  II,  DA  LEI  N.  10.637/2002  E  ART.  3º,  II,  DA  LEI  N.  10.833/2003.  ILEGALIDADE  DAS  INSTRUÇÕES  NORMATIVAS  SRF  N.  247/2002 E 404/2004.  1.  Não  viola  o  art.  535,  do  CPC,  o  acórdão  que  decide  de  forma  suficientemente  fundamentada a  lide, muito  embora não  faça  considerações  sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes.  2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a  embargos  de  declaração  interpostos  notadamente  com  o  propósito  de  prequestionamento.  Súmula  n.  98/STJ:  "Embargos  de  declaração  manifestados  com  notório  propósito  de  prequestionamento  não  têm  caráter  protelatório".  3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n.  247/2002 ­ Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003)  e  o  art.  8º,  §4º,  I,  "a"  e "b",  da  Instrução Normativa SRF n.  404/2004  ­  Cofins,  que  restringiram  indevidamente  o  conceito  de  "insumos"  previsto  no  art.  3º,  II,  das  Leis  n.  10.637/2002  e  n.  10.833/2003,  respectivamente,  para efeitos de creditamento na sistemática de não­cumulatividade das ditas  contribuições.  4.  Conforme  interpretação  teleológica  e  sistemática  do  ordenamento  jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II,  da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica  com  a  conceituação  adotada  na  legislação  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados ­ IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo,  não  corresponde  exatamente  aos  conceitos  de  "Custos  e  Despesas  Fl. 519DF CARF MF Processo nº 11020.002532/2009­14  Acórdão n.º 9303­007.321  CSRF­T3  Fl. 9          8 Operacionais" utilizados na  legislação do Imposto de Renda ­ IR, por que  demasiadamente elastecidos.  5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º,  II, da Lei n. 10.833/2003,  todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou  que  viabilizam  o  processo  produtivo  e  a  prestação  de  serviços,  que  neles  possam  ser  direta  ou  indiretamente  empregados  e  cuja  subtração  importa  na  impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção,  isto é,  cuja  subtração  obsta  a  atividade  da  empresa,  ou  implica  em  substancial  perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes.  6.  Hipótese  em  que  a  recorrente  é  empresa  fabricante  de  gêneros  alimentícios  sujeita,  portanto,  a  rígidas  normas  de  higiene  e  limpeza.  No  ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações  se  não  atendidas  implicam  na  própria  impossibilidade  da  produção  e  em  substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial  e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os  efeitos  desinfetantes,  haveria  a  proliferação  de  microorganismos  na  maquinaria  e  no  ambiente  produtivo  que  agiriam  sobre  os  alimentos,  tornando­os  impróprios  para  o  consumo.  Assim,  impõe­se  considerar  a  abrangência  do  termo  "insumo"  para  contemplar,  no  creditamento,  os  materiais  de  limpeza  e  desinfecção,  bem  como  os  serviços  de  dedetização  quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros  alimentícios.  7. Recurso especial provido.   (REsp  1246317/MG,  Rel.  Ministro  MAURO  CAMPBELL  MARQUES,  SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifou­se)  Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da  Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de  serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e  cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do  serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica.  Ainda, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela  sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 ­ PR, no sentido  de  reconhecer  a  ilegalidade  das  Instruções  Normativas  SRF  nºs  247/2002  e  404/2004  e  aplicação  de  critério  da  essencialidade  ou  relevância  para  o  processo  produtivo  na  conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime não­cumulativo.   Até  a presente data da  sessão de  julgamento desse processo não houve o  trânsito  em  julgado  do  acórdão  do  recurso  especial  nº  1.221.170­PR  pela  sistemática  dos  recursos  repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda  Nacional.  Faz­se  a  ressalva  do  entendimento  desta Conselheira,  que  não  é  o  da maioria  do  Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria  MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão.  No  caso  dos  autos,  conforme  já  afirmado,  a  Contribuinte  RASIP  AGROPASTORIL  S/A é pessoa jurídica que desenvolve a atividade econômica principal do cultivo de maçãs. No  seu Estatuto Social  (fl. 213),  art. 3º,  como objeto  social  são  listadas as  seguintes atividades:  "(a) a produção agrícola e pastoril, a fruticultura e apicultura; (b) a criação de rebanhos de  diversas  espécies;  (c)  a  indústria,  o  comércio,  a  importação  e  a  exportação  de  produtos  alimentícios, de produtos da agricultura, da fruticultura e da pecuária, inclusive derivados do  leite;  (d)  a  elaboração  e  execução  de  projetos  e  atividades  de  fruticultura,  florestamento  e  reflorestamento; (e) a produção e comercialização de produtos agrícolas, sementes e mudas;  e (f) a prestação de serviços inerentes a essas atividades."   Fl. 520DF CARF MF Processo nº 11020.002532/2009­14  Acórdão n.º 9303­007.321  CSRF­T3  Fl. 10          9 Importa ter em perspectiva referida atividade econômica desenvolvida pela Recorrida,  pois  ao  se  adotar  o  critério  da  pertinência,  relevância  e  essencialidade  para  a  definição  do  conceito  de  insumos,  tais  parâmetros  devem  ser  analisados  frente  ao  processo  produtivo  do  Sujeito Passivo em referência.   A  Fazenda  Nacional,  por  meio  de  recurso  especial,  confronta  o  acórdão  do  recurso  voluntário  no  que  tange  à  possibilidade  de  tomada  de  créditos  de  PIS  e  COFINS  não­ cumulativos pela Contribuinte decorrentes dos seguintes  itens, divididos em dois grupos:  (1)  despesas  com  empilhadeiras;  despesas  com  embalagem  de  transporte  (material  de  embalagem); despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e  pulverizadores; e (2) despesas com combustíveis e lubrificantes.  Na perspectiva do conceito de insumos segundo o critério da pertinência, relevância e  essencialidade  ao  processo  produtivo,  entende­se  não  assistir  razão  à  Recorrente  quanto  ao  pedido de restabelecimento das glosas, pois as despesas em testilha têm relação direta com a  atividade econômica principal da empresa contribuinte – o cultivo de maçãs. Para elucidar a  assertiva, passa­se à análise individual dos bens e serviços:  (a)  despesas  com  empilhadeiras  (aquisição  de  GLP  e  manutenção):  no  Relatório  de  Verificação  Fiscal  (fl.96),  após  visitas  da  Fiscalização  à  sede  da  empresa,  foi  consignado que as empilhadeiras são utilizadas para diversos fins: “descarregamento da fruta  vinda dos pomares, carregamento/descarregamento da fruta nas câmaras frias, movimentação  pelo  packing  (local  onde  a  maçã  é  selecionada,  limpada  e  embalada),  bem  como  no  carregamento das  caixas de maçãs na  saída dos produtos do  estabelecimento”. Entendeu a  Autoridade Fiscal que, ante a  falta de segregação dos custos, despesas e respectivos créditos  vinculados às empilhadeiras pela Contribuinte, não haveria direito ao crédito, por inexistência  de previsão legal, já que as mesmas seriam utilizadas para “mero transporte da fruta dentro do  processo produtivo (não há transformação ou ação direta sobre a maçã)” e, ainda, “após a  finalização do processo produtivo, em suma, no início da operação de venda – carregamento  da fruta na saída do estabelecimento (expedição)”.   O entendimento da Fiscalização – que também é defendido pela Fazenda Nacional – é  pautado  pelo  critério  do  conceito  de  insumos  da  legislação  do  IPI,  exigindo  o  contato,  desgaste, modificação do bem ou serviço no processo produtivo, bem como que o mesmo entre  em contato com a mercadoria a ser produzida.  No  entanto,  à  luz  da  posição  intermediária  para  definição  do  conceito  de  insumos,  a  utilização  das  empilhadeiras  para  o  transporte  das  frutas  nos  pomares  e  para  o  seu  carregamento  na  saída  do  estabelecimento,  denota  pertinência,  relevância  e  essencialidade,  com  o  processo  produtivo  do  cultivo  de  maçãs.  As  empilhadeiras  foram  utilizadas  pela  Contribuinte  na  produção,  ainda  que  de  forma  indireta,  e  se  mostram  indispensáveis  à  consecução  do  seu  objeto  social  de  produção  e  venda  das maçãs. Além  disso,  não  se  pode  imaginar que não conte a empresa com o auxílio de máquinas para o transporte do seu produto,  em grandes quantidades, ao longo da produção e na saída para a venda, pois hipótese contrária  inviabilizaria o próprio cultivo e escoamento da produção.   Portanto, deve ser mantido o  reconhecimento do direito ao crédito de PIS e COFINS  não­cumulativos  com  relação  às  despesas  com  empilhadeiras  (aquisição  de  GLP  e  manutenção). "   Fl. 521DF CARF MF Processo nº 11020.002532/2009­14  Acórdão n.º 9303­007.321  CSRF­T3  Fl. 11          10 (...)3  "Com  todo  respeito  ao  voto  da  ilustre  relatora, mas  discordo  de  suas  conclusões,  quanto ao direito de se aproveitar créditos sobre despesas que não integram o custo do produto  industrializado.  A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS  e  da  Cofins  no  regime  da  não­cumulatividade  previsto  nas  Leis  nº  10.637,  de  2002,  e  nº  10.833, de 2003. Como visto, a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do  CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial  para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante  tentadora do ponto de vista  lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na  legislação  que trata do assunto.  Confesso que  já compartilhei em parte deste entendimento,  adotando uma posição  intermediária  quanto  ao  conceito  de  insumos.  Porém,  refleti  melhor,  e  hoje  entendo  que  a  legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços  considerados  como  insumos  para  fins  de  creditamento,  ou  seja,  fora  daqueles  itens  expressamente  admitidos  pela  lei,  não  há  possibilidade  de  aceitá­los  dentro  do  conceito  de  insumo.  O objeto de discussão no recurso da Fazenda Nacional, como bem relatado, refere­se  ao  aproveitamento  de  créditos  assim  separados:  1)  Despesas  com  empilhadeiras  2)  combustíveis  e  lubrificantes;  3)  Bens  diversos;  4) Materiais  utilizados  para  embalagens  de  transporte;  e  5)  Serviços  de  manutenção  de  máquinas,  tratores,  retroescavadeiras  e  pulverizadores.  Porém, como  já dito,  adoto um conceito de  insumos bem mais  restritivo do que o  conceito da necessidade e da essencialidade, adotado pelo voto vencido.  Nesse  sentido,  importante  transcrever  o  art.  3º  das  Lei  nº  10.637/2002  e  10.833/2003, que trata das possibilidades de creditamento do PIS e da Cofins:  Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá  descontar créditos calculados em relação a:   (...)  II ­ bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e  na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda,  inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento  de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido  pelo  fabricante ou  importador,  ao concessionário, pela  intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados  nas  posições  87.03  e  87.04  da  Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)  III ­ energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor,  consumidas  nos  estabelecimentos  da  pessoa  jurídica;  (Redação  dada  pela Lei nº 11.488, de 2007)  IV  ­  aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos,  pagos  a  pessoa  jurídica, utilizados nas atividades da empresa;                                                              3  Não  se  transcreveu,  do  voto  da  relatora  do  processo  paradigma,  a  parte  que  analisou  o  direito  de  crédito  de  insumos cujos entendimentos foram vencidos na votação, e que, portanto, não se aplicam à solução do presente  litígio. Contudo, a íntegra do voto consta do Acórdão 9303­007.318.  Fl. 522DF CARF MF Processo nº 11020.002532/2009­14  Acórdão n.º 9303­007.321  CSRF­T3  Fl. 12          11 V  ­  valor  das  contraprestações  de  operações  de  arrendamento  mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado  de Pagamento de  Impostos  e Contribuições  das Microempresas  e das  Empresas  de  Pequeno  Porte  ­  SIMPLES;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  10.865, de 2004)   VI  ­  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado,  adquiridos  ou  fabricados  para  locação  a  terceiros,  ou  para  utilização  na  produção  de  bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)  VII  ­  edificações  e  benfeitorias  em  imóveis  próprios  ou  de  terceiros,  utilizados nas atividades da empresa;  VIII  ­  bens  recebidos  em  devolução  cuja  receita  de  venda  tenha  integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme  o disposto nesta Lei;  IX  ­  armazenagem  de mercadoria  e  frete  na  operação  de  venda,  nos  casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor.  X  ­ vale­transporte,  vale­refeição ou vale­alimentação,  fardamento ou  uniforme  fornecidos  aos  empregados  por  pessoa  jurídica  que  explore  as  atividades  de  prestação  de  serviços  de  limpeza,  conservação  e  manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009)  XI ­ bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização  na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços.  (...).  2o  Não  dará  direito  a  crédito  o  valor:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  10.865, de 2004)  I ­ de mão­de­obra paga a pessoa física; e (Redação dada pela Lei nº  10.865, de 2004)  II  ­  da  aquisição  de  bens  ou  serviços  não  sujeitos  ao  pagamento  da  contribuição,  inclusive  no  caso  de  isenção,  esse  último  quando  revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos  à  alíquota  0  (zero),  isentos  ou  não  alcançados  pela  contribuição.  (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)  § 3o O direito ao crédito aplica­se, exclusivamente, em relação:  I  ­  aos  bens  e  serviços  adquiridos  de  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País;  II  ­  aos  custos  e  despesas  incorridos,  pagos  ou  creditados  a  pessoa  jurídica domiciliada no País;  III ­ aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a  partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei.  (...).  Ora, segundo estes dispositivos legais, somente geram créditos das contribuições os  custos  com  bens  e  serviços  utilizados  como  insumos  na  fabricação  dos  bens  destinados  a  venda. Note que os dispositivos legais descrevem de forma exaustiva todas as possibilidades  de  creditamento.  Fosse  para  atingir  todos  os  gastos  essenciais  à  obtenção  da  receita,  não  Fl. 523DF CARF MF Processo nº 11020.002532/2009­14  Acórdão n.º 9303­007.321  CSRF­T3  Fl. 13          12 necessitariam ter sido elaborados desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não haveria  necessidade de ter descido a tantos detalhes.  No presente caso, é  incontroverso que as referidas despesas são necessárias para a  atividade econômica do contribuinte.   Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que os gastos com aqueles bens  e  serviços  estão  vinculados  às  atividades  econômicas  do  contribuinte.  Mas  o  legislador  restringiu  a  possibilidade  de  creditamento  do  PIS  e  da  Cofins  aos  insumos  utilizados  na  produção ou  fabricação  de bens  ou  produtos destinados  à  venda  e  na  prestação  de  serviços.  Portanto, considerando esse conceito de que os insumos devem ser utilizados diretamente na  fabricação do produto destinado a venda, passemos à análise de cada item objeto do recurso  especial.   1) Despesas com empilhadeiras (combustíveis e peças de manutenção)  Nesse  ponto  só  vou  justificar  as  razões  porque  acompanhei  a  relatora  pela  possibilidade de tal creditamento. Verifica­se pelo relatório fiscal que essas empilhadeiras são  usadas dentro do processo fabril de beneficiamento das maças, produto final do contribuinte.  Ou seja, os combustíveis e as peças de manutenção, não ativáveis, são consumidas diretamente  no processamento das maças, que são efetivamente os produtos destinados à venda.  2) Combustíveis e lubrificantes  Na análise do direito ao crédito efetuada pela autoridade fiscal, foi negado o crédito  nas aquisições de combustíveis não utilizados diretamente no processo produtivo. De acordo  com  a  fiscalização  a  maior  parte  dos  créditos  pleiteados  eram  referentes  a  combustíveis  e  lubrificantes utilizados em tratores agrícolas.   Em  seu  recurso  voluntário,  o  contribuinte  sustenta  que  o  processo  produtivo  de  maçãs  é  amplo  e  inicia­se  desde  o  cultivo  da  terra.  Ou  seja,  um  retorno  ao  conceito  de  essencialidade, não em relação à sua atividade produtiva direta, mas em relação à sua atividade  econômica como um todo. Inclusive, como esclarecido no relatório da fiscalização, boa parte  desses combustíveis eram levados ao ativo imobilizado pela própria empresa, em razão da vida  útil dos pomares.  Porém, como já frizado, as  leis da não cumultatividade não trazem essa ampliação  toda como pretende o contribuinte e como entende a ilustre relatora do presente voto. Como  abordo no item seguinte, não há possibilidade legal do aproveitamento de créditos de insumos  de insumos.  3) Materiais utilizados para embalagens de transporte  Tomo da  transcrição  de  trecho  do  voto  da  decisão  recorrida,  sobre  que  elementos  está se discutindo tal creditamento.  Constam na glosa itens como Cantoneiras – utilizadas para evitar o amassamento das  caixas de papelão pelas amarras durante o transporte do produto; Pallets e seus acessórios –  pregos  e  etiquetas  –  utilizados  para  o  empilhamento  de  caixas  para  armazenamento  e  transporte; Fitas/Amarras – usadas para amarrar as caixas de papelão sobre os pallets.  Observe que são todos itens utilizados após o encerramento do processo produtivo.  São utilizados para acondicionamento de transporte da produção. Não discordo da conclusão  do  acórdão  recorrido  de  que  o  uso  da  embalagem  é  essencial  para  a  preservação  das  características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. Penso inclusive,  Fl. 524DF CARF MF Processo nº 11020.002532/2009­14  Acórdão n.º 9303­007.321  CSRF­T3  Fl. 14          13 que  em  maior  ou  menor  grau,  a  depender  do  produto  final,  esta  é  a  finalidade  mesmo  da  embalagem de transporte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e  da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à  venda. Portanto após o encerramento do processo produtivo não é possível tal creditamento, a  não ser nas hipóteses expressamente previstas na legislação, a exemplo do aproveitamento do  crédito  do  frete  na  operação  de  venda  (situação  excepcionada  expressamente pela Lei)  ­  ou  alguém seria capaz de dizer que o frete na operação de venda, suportado pelo contribuinte, não  é  um  item  essencial  à  sua  atividade  econômica.  Se  bastasse  isso  não  seria  necessária  a  excepcionadade constante da Lei.  4)  Serviços  de  manutenção  de  máquinas,  tratores,  retroescavadeiras  e  pulverizadores.   Pela  característica  dos  bens,  evidente  que  sua  utilização  é  feita  na  etapa  pré  industrial. Na manutenção das lavouras que faz parte da etapa agrícola.  Importante  relembrar  que  a  legislação  não  prevê  possibilidade  de  creditamento  de  insumos  de  insumos  e  esse  colegiado  tem  tido  o  entendimento  de  que  não  é  possível  o  creditamento de insumos utilizados na fase agrícola, ou pré­industrial.   Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso especial da Fazenda  Nacional,  para  reestabelecer  as  glosas  de  crédito  em  relação  aos  seguintes  itens:  (i)  combustíveis e  lubrificantes  (ii)  embalagem de  transporte,  e  (iii)  serviços de manutenção de  máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  o  recurso  especial  da  Fazenda  Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deu­lhe provimento parcial para restabelecer  as  glosas  de  crédito  em  relação  aos  seguintes  itens:  (i)  combustíveis  e  lubrificantes  (ii)  embalagem  de  transporte,  e  (iii)  serviços  de  manutenção  de  máquinas,  tratores,  retroescavadeiras e pulverizadores.   (assinado digitalmente)   Rodrigo da Costa Pôssas                                Fl. 525DF CARF MF

score : 1.0
7440792 #
Numero do processo: 10865.900379/2008-07
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/07/2000 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Numero da decisão: 9303-007.060
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201807

camara_s : 3ª SEÇÃO

ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/07/2000 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.

turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS

dt_publicacao_tdt : Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 10865.900379/2008-07

anomes_publicacao_s : 201810

conteudo_id_s : 5911962

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 9303-007.060

nome_arquivo_s : Decisao_10865900379200807.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS

nome_arquivo_pdf_s : 10865900379200807_5911962.pdf

secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).

dt_sessao_tdt : Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018

id : 7440792

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:51 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050873275351040

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1862; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T3  Fl. 2          1 1  CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  10865.900379/2008­07  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  9303­007.060  –  3ª Turma   Sessão de  10 de julho de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES.  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Recorrida  INDÚSTRIA CERÂMICA FRAGNANI LTDA    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Data do fato gerador: 15/07/2000  RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.   A  admissibilidade  do  recurso  especial  de  divergência  está  condicionada  à  demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos  extintos Conselhos  de  Contribuintes,  julgando  matéria  similar,  tenha  interpretado  a  mesma  legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.  Conseqüentemente,  não  há que  se  falar divergência  jurisprudencial,  quando  estão  em  confronto  situações  diversas,  que  atraem  incidências  específicas,  cada qual regida por legislação própria.  Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram  divergência  com  relação  a  um  dos  fundamentos  assentados  no  acórdão  recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do  decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de  interpretação.      Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do Recurso Especial.  (assinado digitalmente)   Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em Exercício e Relator   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:Andrada  Márcio  Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge  Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo  da  Costa Pôssas (Presidente em Exercício).     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 79 /2 00 8- 07 Fl. 574DF CARF MF Processo nº 10865.900379/2008­07  Acórdão n.º 9303­007.060  CSRF­T3  Fl. 3          2     Relatório  Trata­se de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do  art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais –  RI­CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão n°  3401­001.952, que, na parte de interesse ao presente julgamento, possui a seguinte ementa:  (...)  BASE  DE  CÁLCULO.  SAÍDAS  DE  PRODUTOS  EM  BONIFICAÇÃO NÃO DEPENDENTES DA IMPLEMENTAÇÃO  DE  QUALQUER  CONDIÇÃO.  EXCLUSÃO  PERMITIDA.  PAGAMENTO A MAIOR CONFIRMADO PARCIALMENTE.   Equiparam­se aos “descontos concedidos incondicionalmente” a  que  alude  a  exclusão  legal  permitida  da  base  de  cálculo  das  contribuições devidas ao PIS/Pasep e à Cofins as “bonificações”  perfeitamente identificadas com as notas fiscais de venda a que  se referiram, ainda que não tenham constado desta, mas, sim, em  outro documento fiscal apartado.   Não  conformada  com  tal  decisão,  a  Fazenda  Nacional  interpõe  o  presente  recurso. Aduz divergência de interpretação da legislação tributária referente à conceituação de  desconto incondicional. Para comprovar a divergência apresentou o acórdão nº 204­03.303.  Mediante despacho de exame de admissibilidade o Presidente da 4ª Câmara  da 3ª Seção do CARF deu seguimento ao recurso.   Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões pugnando  pelo  não  conhecimento  do  especial  interposto.  Alternativamente,  caso  o  Colegiado  entenda  pelo conhecimento do recurso, requer lhe seja negado provimento.  No essencial é o Relatório.      Fl. 575DF CARF MF Processo nº 10865.900379/2008­07  Acórdão n.º 9303­007.060  CSRF­T3  Fl. 4          3     Voto             Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 9303­007.055, de  10/07/2018, proferido no julgamento do processo 10865.900236/2008­97, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303­007.055):  "O  Recurso  foi  apresentado  com  observância  do  prazo  previsto,  restando  contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade,  prerrogativa,  em  última  análise,  da  composição  plenária  da  Turma  da  Câmara  Superior  de  Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não  estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos.  Primeiramente,  se  faz  necessário  relembrar  e  reiterar  que  a  interposição  de  Recurso  Especial  junto  à  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  ao  contrário  do  Recurso  Voluntário,  é  de  cognição  restrita,  limitada  à  demonstração  de  divergência  jurisprudencial,  além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67  do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015.  Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamado de Recurso Especial de  Divergência  e  tem  como  objetivo  a  uniformização  de  eventual  dissídio  jurisprudencial,  verificado entre as diversas Turmas do CARF.  Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior  de  Recursos  Fiscais  não  constitui  uma  Terceira  Instância,  mas  sim  a  Instância  Especial,  responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da  segurança  jurídica  dos  conflitos,  não  tendo  espaço  para  questões  fáticas,  que  já  ficaram  devidamente julgadas no Recurso Voluntário.   Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame do caso em espécie.   In caso, trata­se de processo que retorna de julgamento em face da conclusão  da  diligência  deliberada  pelo  Colegiado  a  quo  por  meio  da  Resolução  nº  340100.083,de  27/10/2010.  Após a conclusão de diligência, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Ribeirão  Preto  SP  indeferiu  os  termos  da  Manifestação  de  Inconformidade  por  entender  que:  “As  bonificações  concedidas  em mercadorias  configuram  descontos incondicionais, podendo ser excluídas da receita bruta para efeito de apuração da  Fl. 576DF CARF MF Processo nº 10865.900379/2008­07  Acórdão n.º 9303­007.060  CSRF­T3  Fl. 5          4 base de cálculo da Cofins, apenas quando constarem da Nota Fiscal de venda dos bens e não  dependerem de evento posterior à emissão desse documento”.  Com efeito, a 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária da 3º Seção de Julgamento do  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário,  por entender que as bonificações para serem excluídas da base de cálculo do PIS/Pasep e da  Cofins, há de serem caracterizadas como descontos incondicionais concedidos, assim definidos  na IN­SRF n° 51, de 1978, devendo atender duas condições: constar em nota fiscal de venda  dos bens, e não depender de evento posterior à emissão desse documento. A partir do resultado  de diligência empreendida por requisição do Colegiado recursal, constatou que, não obstante as  bonificações não tenham constado do corpo das notas fiscais de venda, uma parte delas teve a  sua emissão na mesma data, ao mesmo cliente, com numeração seqüencial imediata, envolveu  o mesmo transportador e as mesmas placas dos veículos transportadores. Sob essas condições,  concluiu que a operação não dependia de evento posterior à emissão da nota fiscal de venda,  concluindo  que  as  mercadorias  recebidas  em  bonificação  configuravam  descontos  incondicionais concedidos”, considerando ainda  irrelevante, porquanto não fundada em lei, o  preenchimento  da  condição  de  que  constem  da  própria  nota  fiscal  de  venda  e  não  de  um  documento em separado desta.  Por sua vez, a Fazenda Nacional aduz divergência à respeito da conceituação  de desconto incondicional.   Visando  comprovar  o  dissenso  aponta  como  paradigma,  o  Acórdão  nº  204.03.303, que possui a seguinte ementa, transcrita na parte de interesse:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2003.   BASE  DE  CÁLCULO.  BONIFICAÇÕES  RECEBIDAS.  DESCARACTERIZAÇÃO.  Somente  se  configura  o  recebimento  de  bonificação  em  mercadorias,  cujo  valor  não  é  computado  como  receita  para  fins  de  apuração  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  Cofins  na  forma  definida  na  Lei  n  9.718/98,  quando  constem  discriminadas  na  própria  nota  fiscal de venda das mercadorias sobre a qual se concedeu a bonificação. Mercadorias recebidas  gratuitamente,  em  nota  fiscal  própria,  configuram  doações,  cuja  contrapartida  é  obrigatoriamente  registrada  a  conta  de  receita  e  tributada  pelas  contribuições  na  vigência  daquela Lei.  Recurso Voluntário Negado  Relatório  Em Termo de Verificação Fiscal de fls. 09 e 10 dos autos, a autoridade fiscal  esclarece a divergência ocorrida entre os meses de fevereiro de 1999 e dezembro de 2000: "não  inclusão das demais receitas auferidas" e não inclusão da totalidade das mercadorias recebidas  em bonificação.  No termo não há qualquer esclarecimento acerca das divergências verificadas  nos  demais  meses,  limitando­se  a  autoridade  a  afirmar  que  os  créditos  utilizáveis  pelo  Fl. 577DF CARF MF Processo nº 10865.900379/2008­07  Acórdão n.º 9303­007.060  CSRF­T3  Fl. 6          5 contribuinte  na  sistemática  não­cumulativa  já  estavam  considerados  no  lançamento.A  ele  se  seguem planilhas demonstrativas da composição da base de cálculo adotada pela fiscalização,  mês  a  mês,  desde  fevereiro  de  1999.  Delas,  percebe­se  que  as  contas  adicionadas  são  as  mesmas, seja na sistemática cumulativa, seja na não­cumulativa.  A  DRJ  em  Ribeirão  Preto/SP  houve  por  bem  determinar  a  realização  de  diligência  na  qual  a  autoridade  fiscal  promovesse  a  juntada  de  cópias  dos  livros  contábeis  (razão  e  diário)  que  demonstrassem  a  contabilização  das  operações  com  mercadorias  recebidas  em  bonificação  e  destinadas  à  revenda,  "...  ou  seja,  (das  contas)  de  "Mercadorias Bonificadas e Mercadorias para revenda, bem como das respectivas contas  de  encerramento  (contas  para  as  quais  foram  transferidos  os  saldos  daquelas)...verificando,  na  oportunidade,  se  os  valores  contabilizados  são  iguais  aos  tributados". Não houve determinação  expressa para novos procedimentos,  nem mesmo  para ciência da interessada.  Em  suma,  procurou  demonstrar  que  as  bonificações  aqui  tributadas  não  atenderiam  às  exigências  constantes  nos  diverSos  atos  da  SRF  sobre  o  assunto  (inclusive  a  publicação "perguntas  e  respostas  citada pela  impugnante  em  sua peça de defesa) para  que possam ser excluídas da base de cálculo do PIS e da Cofins, qual seja a de figurarem  nas  notas  fiscais  de  vendas,  quais  descontos  incondicionais,  como  redutores  do  preço  cobrado. No caso em discussão, seriam mercadorias recebidas por meio de notas fiscais  próprias com a inserção do código fiscal de operações 5.99.  Em  que  pese  o  exame  de  admissibilidade  ter  reconhecido  o  dissenso,  pelo  confronto  entre  as  razões  de  decidir  do  acórdão  recorrido  e  o  excerto  do  voto  condutor  do  paradigma, não se comprova divergência.   A  decisão  recorrida  deu  provimento  ao  Recurso  Voluntário,  com  base  em  perguntas  e  respostas  da  Receita  Federal  do  Brasil  (RFB)  reconhecendo  a  existência  de  pagamento a maior no recolhimento da Contribuição, advindo da inclusão na base de cálculo  do valor das mercadorias recebidas em bonificação.  Já o acórdão paradigma apontado pela Fazenda Nacional, o qual foi objeto de  Embargos de Declaração, acolhido com efeito  infringente  ( acórdão nº 2202­00.124) tendo o  Colegiado excluído o valor das bonificações da base de cálculo das contribuições por entender  que á luz da inconstitucionalidade declarada pelo STF ao disposto pelo parágrafo 1º do artigo  3º da lei nº 9718, em que essa cobrança, não caberia tributação do PIS e da COFINS.    Como se vê, o paradigma apresentado, não demonstra nenhuma divergência,  a  tese  encampada  pela Fazenda Nacional,  demonstra  entendimento  favorável  a Contribuinte,  pois prestam à demonstrar dissenso favorável, considerando a tributação do PIS/COFINS sobre  bonificações concedidas, independente de seu enquadramento em "desconto incondicional".   No  acórdão  recorrido,  foi  conferido  a  Contribuinte  o  direito  de  excluir  as  bonificações  em  que  estivesse  caracterizado  o  desconto  incondicional,  ou  seja,  mesmo  não  sendo  as  bonificações  objeto  da  mesma  nota  fiscal,  nas  quais,  em  diligência,  restou  comprovada a emissão conjuntamente á nora fiscal de venda, estaria reconhecido o direito de  excluir o montante correspondente ás bonificações de cálculo das contribuições.   O  paradigma,  por  meio  dos  Embargos  de  Declaração  entendeu  que  a  Contribuinte tinha o direito de excluir toda e qualquer receita "bonificação", visto que esta não  Fl. 578DF CARF MF Processo nº 10865.900379/2008­07  Acórdão n.º 9303­007.060  CSRF­T3  Fl. 7          6 se enquadra no conceito de faturamento ( base de cálculo constitucionalmente eleita para o PIS  e COFINS) conforme entendimento do STF.   Deste  modo,  as  dessemelhanças  fáticas  e  normativas  impedem  o  estabelecimento de base de comparação para  fins de dedução da divergência  jurisprudencial.  Em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se  estabelecer  comparação  e  deduzir  divergência.  Neste  sentido,  reporto­me  ao  Acórdão  no  CSRF/01­0.956:   “Caracteriza­se  a  divergência  de  julgados,  e  justifica­se  o  apelo  extremo,  quando  o  recorrente  apresenta  as  circunstâncias  que  assemelhem  ou  identifiquem  os  casos  confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de  admissibilidade do  recurso,  é  “tudo que modifica um  fato  em seu  conceito  sem  lhe  alterar  a  essência” ou que se “agrega a um fato sem alterá­lo substancialmente” (Magalhães Noronha, in  Direito  Penal,  Saraiva,  1o  vol.,  1973,  p.  248),  não  se  toma  conhecimento  de  recurso  de  divergência,  quando  no  núcleo,  a  base,  o  centro  nevrálgico  da  questão,  dos  acórdãos  paradigmas,  são  díspares.  Não  se  pode  ter  como  acórdão  paradigma  enunciado  geral,  que  somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do  acórdão inquinado.”  Dispositivo  Ex positis, em razão das dessemelhanças fáticas e normativas que impedem o  estabelecimento de base de comparação para  fins de dedução de divergência  jurisprudencial,  não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Fazenda Nacional."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  o  recurso  especial  da  Fazenda  Nacional não foi conhecido.   (assinado digitalmente)   Rodrigo da Costa Pôssas                                Fl. 579DF CARF MF

score : 1.0
7430214 #
Numero do processo: 13952.720030/2011-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2006 DACON. ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49. Recurso Voluntário Improcedente Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-005.533
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201807

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2006 DACON. ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49. Recurso Voluntário Improcedente Crédito Tributário Mantido

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 13952.720030/2011-90

anomes_publicacao_s : 201809

conteudo_id_s : 5904581

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 3402-005.533

nome_arquivo_s : Decisao_13952720030201190.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA

nome_arquivo_pdf_s : 13952720030201190_5904581.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).

dt_sessao_tdt : Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018

id : 7430214

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:26:53 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050873277448192

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1254; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 2          1 1  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13952.720030/2011­90  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  3402­005.533  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  26 de julho de 2018  Matéria  Multa DACON  Recorrente  MINIELLO, BARBADO E CIA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2006  DACON.  ENTREGA  INTEMPESTIVA.  MULTA.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE  A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança  a  penalidade  decorrente  do  atraso  na  entrega  de  declaração.  Aplicação  da  Súmula CARF 49.  Recurso Voluntário Improcedente  Crédito Tributário Mantido      Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário.  Waldir Navarro Bezerra ­ Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Maria  Aparecida  Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz,  Rodrigo  Mineiro  Fernandes,  Maysa  de  Sá  Pittondo  Deligne,  Rodolfo  Tsuboi  (Suplente  Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 95 2. 72 00 30 /2 01 1- 90 Fl. 41DF CARF MF Processo nº 13952.720030/2011­90  Acórdão n.º 3402­005.533  S3­C4T2  Fl. 3          2     Relatório  Trata  o  presente  processo  de  auto  de  infração  para  exigência  de multa  por  atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON).  Cientificada  do  lançamento,  o  sujeito  passivo  apresentou  impugnação,  alegando  que  apresentou  a  DACON  de  forma  espontânea,  o  que  excluiria  a  penalidade  nos  termos do artigo 138 do CTN.  Por meio do acórdão nº 06­038.743, o Colegiado a quo julgou improcedente  a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido.   Regularmente  cientificado,  o  contribuinte  tempestivamente  apresentou  seu  Recurso Voluntário, repisando a alegação de sua impugnação pela exclusão da penalidade nos  termos do artigo 138 do CTN (denúncia espontânea).   O  processo  foi  encaminhado  a  este  Conselho  para  julgamento  e  posteriormente distribuído a este Relator.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo  art.  47,  §§ 1º  e 2º,  do  anexo  II  do RICARF,  aprovado pela Portaria MF  343,  de  09  de  junho  de  2015.  Portanto,  ao  presente  litígio  aplica­se  o  decidido  no Acórdão  3402­005.503,  de  26  de  julho  de  2018,  proferido  no  julgamento  do  processo  10840.002032/2010­91, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402­005.503):  "O Recurso Voluntário é  tempestivo e atende aos demais  requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido.   A  questão  trazida  a  este  colegiado  cinge­se  à  aplicação  da denúncia espontânea, prevista no artigo 138 do CTN, em caso  de entrega  intempestiva de obrigação acessória (DACON), mas  antes de qualquer ato de ofício da autoridade fiscal.  Trata­se de aplicação direta da Súmula CARF nº 49:  Fl. 42DF CARF MF Processo nº 13952.720030/2011­90  Acórdão n.º 3402­005.533  S3­C4T2  Fl. 4          3 “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário  Nacional)  não  alcança  a  penalidade  decorrente  do  atraso na entrega de declaração.”   As  Súmulas  do  CARF  são  de  observância  obrigatória  pelos membros do colegiado, conforme disposto no artigo 72 do  RICARF.  Recentemente,  por  meio  da  Portaria  MF  nº  277,  de  07/06/2018,  foi  atribuído  a  determinadas  súmulas  do  CARF,  dentre  as  quais  se  encontra  a  Súmula  49,  efeito  vinculante  em  relação à administração tributária federal.  Dessa forma, a matéria se encontra pacificada em sentido  contrário  àquele  defendido  pela  recorrente,  não  restando  qualquer análise a ser feita neste julgamento.  Ante  o  exposto,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário  do  sujeito  passivo,  pela  aplicação  da  Súmula  CARF 49.  É como voto."  Importa  registrar  que  nos  autos  ora  em  apreço,  a  situação  fática  e  jurídica  encontra correspondência com a verificada no paradigma, de  tal  sorte que o entendimento  lá  esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  anexo  II  do  RICARF,  o  colegiado  negou  provimento ao recurso voluntário.  (assinado com certificado digital)  Waldir Navarro Bezerra                              Fl. 43DF CARF MF

score : 1.0
7425798 #
Numero do processo: 14751.001443/2008-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004 NULIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA. NÃO OCORRÊNCIA O indeferimento do pedido de perícia não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INSUBSISTÊNCIA Não procede a alegação de ilegitimidade pois o crédito tributário foi lançado contra o ente federativo e não contra o titular da respectiva Secretaria. ALEGAÇÕES GERAIS NÃO COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. Poderia o sujeito passivo demonstrar, por meio de alegações consistentes, lastreadas em provas documentais apresentadas diretamente, ou demandadas dos órgãos da própria administração direta do governo, a comprovação dos pagamentos realizados, o que não foi feito no presente caso. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL COM REPERCUSSÃO GERAL. RICARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade de votos, declarou, em recurso com repercussão geral, a inconstitucionalidade do inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.21291, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (RE nº 595838/SP, Pleno, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 23 de abril de 2014). 2. O § 2º do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543-B e 543-C do CPC revogado, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do Código processual vigente, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 3. Diante da inconstitucionalidade da norma legal que estabeleceu o fato gerador das contribuições lançadas, deve ser dado provimento ao recurso, para excluir os valores exigidos no lançamento.
Numero da decisão: 2401-005.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento o levantamento COP. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201808

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004 NULIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA. NÃO OCORRÊNCIA O indeferimento do pedido de perícia não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INSUBSISTÊNCIA Não procede a alegação de ilegitimidade pois o crédito tributário foi lançado contra o ente federativo e não contra o titular da respectiva Secretaria. ALEGAÇÕES GERAIS NÃO COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. Poderia o sujeito passivo demonstrar, por meio de alegações consistentes, lastreadas em provas documentais apresentadas diretamente, ou demandadas dos órgãos da própria administração direta do governo, a comprovação dos pagamentos realizados, o que não foi feito no presente caso. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL COM REPERCUSSÃO GERAL. RICARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade de votos, declarou, em recurso com repercussão geral, a inconstitucionalidade do inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.21291, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (RE nº 595838/SP, Pleno, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 23 de abril de 2014). 2. O § 2º do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543-B e 543-C do CPC revogado, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do Código processual vigente, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 3. Diante da inconstitucionalidade da norma legal que estabeleceu o fato gerador das contribuições lançadas, deve ser dado provimento ao recurso, para excluir os valores exigidos no lançamento.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 14751.001443/2008-03

anomes_publicacao_s : 201809

conteudo_id_s : 5902669

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 2401-005.670

nome_arquivo_s : Decisao_14751001443200803.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO

nome_arquivo_pdf_s : 14751001443200803_5902669.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento o levantamento COP. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.

dt_sessao_tdt : Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018

id : 7425798

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:26:34 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050873279545344

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2119; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T1  Fl. 2          1 1  S2­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  14751.001443/2008­03  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2401­005.670  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  7 de agosto de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  ESTADO DA PARAÍBA ­ SECRETARIA DE SAÚDE  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004  NULIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA. NÃO OCORRÊNCIA  O indeferimento do pedido de perícia não tem o condão de macular a decisão  exarada em primeira instância em face do livre convencimento da autoridade  julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção.  ILEGITIMIDADE PASSIVA. INSUBSISTÊNCIA  Não procede a alegação de ilegitimidade pois o crédito tributário foi lançado  contra o ente federativo e não contra o titular da respectiva Secretaria.  ALEGAÇÕES GERAIS NÃO COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO DAS  OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS.  Poderia  o  sujeito  passivo  demonstrar,  por  meio  de  alegações  consistentes,  lastreadas em provas documentais apresentadas diretamente, ou demandadas  dos órgãos da própria  administração direta do governo,  a comprovação  dos  pagamentos realizados, o que não foi feito no presente caso.   CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SERVIÇOS PRESTADOS POR  COOPERADOS  POR  INTERMÉDIO  DE  COOPERATIVAS  DE  TRABALHO.  INCONSTITUCIONALIDADE  DECLARADA  PELO  SUPREMO  TRIBUNAL  FEDERAL  COM  REPERCUSSÃO  GERAL.  RICARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO.  O  Plenário  do  Supremo  Tribunal  Federal,  por  unanimidade  de  votos,  declarou, em recurso com repercussão geral, a inconstitucionalidade do inciso  IV, do art. 22, da Lei nº 8.21291, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99  (RE nº 595838/SP, Pleno, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 23 de abril de  2014).  2.  O  §  2º  do  art.  62  do  RICARF  estabelece  que  as  decisões  de  mérito  proferidas  pelo  STF  e  pelo  STJ  na  sistemática  dos  arts.  543­B  e  543­C  do  CPC  revogado,  ou  dos  arts.  1.036  a  1.041  do  Código  processual  vigente,     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 14 43 /2 00 8- 03 Fl. 1462DF CARF MF     2 deverão  ser  reproduzidas pelos  conselheiros no  julgamento dos  recursos no  âmbito do CARF.  3.  Diante  da  inconstitucionalidade  da  norma  legal  que  estabeleceu  o  fato  gerador  das  contribuições  lançadas,  deve  ser  dado  provimento  ao  recurso,  para excluir os valores exigidos no lançamento.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  as  preliminares  e,  no  mérito,  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  para  excluir  do  lançamento o levantamento COP.     (Assinado digitalmente)  Miriam Denise Xavier ­ Presidente.     (Assinado digitalmente)  Andréa Viana Arrais Egypto ­ Relatora.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess,  Andréa  Viana Arrais  Egypto,  Francisco  Ricardo  Gouveia  Coutinho,  Rayd  Santana  Ferreira,  Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Thiago Duca Amoni  (Suplente Convocado), Matheus  Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.    Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 7ª Turma da  Delegacia  da Receita  Federal  do Brasil  de  Julgamento  no Recife  ­ PE  (DRJ/REC),  que,  por  unanimidade  de  votos,  julgou  improcedente  a  impugnação,  mantendo  o  crédito  tributário  exigido, conforme ementa do Acórdão nº 11­27.503 (fls. 1414/1422):  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004  OBRIGAÇÃO  TRIBUTÁRIA:  PRINCIPAL  E  ACESSÓRIA.  NATUREZAS DISTINTAS.  O  crédito  em  tela  tem  por  objeto  as  contribuições  sociais  inadimplidas  pelo  sujeito  passivo,  tendo  assim,  no  direito  tributário,  natureza  obrigacional  principal,  distinta,  portanto,  daquela  decorrente  do  dever  instrumental  de  prestar  informações h Seguridade Social por meio de GFIP, esta última  de caráter acessório.  Fl. 1463DF CARF MF Processo nº 14751.001443/2008­03  Acórdão n.º 2401­005.670  S2­C4T1  Fl. 3          3 PLANEJAMENTO FISCAL. ATIVIDADE DISCRICIONÁRIA.  Está na órbita do poder discricionário da Administração Pública  Federal  o  planejamento  fiscal,  a  ser  entabulado  pela  Receita  Federal  do  Brasil,  decidindo,  neste  contexto,  as  empresas  que  serão objeto de fiscalização, de acordo com o interesse público,  a conveniência e a oportunidade.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  O  presente  processo  trata  de  crédito  constituído  em  desfavor  da  SECRETARIA  DE  SAÚDE  DO  ESTADO  DA  PARAÍBA,  por  meio  do  Auto  de  Infração  DEBCAD  Nº  37.190.267­3  (fls.  03/97),  consolidados  em  15/09/2008,  no  montante  de  R$  17.671.587,92,  relativo  ao  período  de  01/2004  a  12/2004,  concernente  às  Contribuições  Previdenciárias  Patronais  incidentes  sobre  as  remunerações  pagas  a  segurados  contribuintes  individuais, que prestaram serviços à Secretaria de Saúde diretamente (levantamento ECI, fls.  09/13)  ou  por  intermédio  de  cooperativa  (levantamento  COP,  fls.  09),  consoante  notas  de  empenho, elencadas no Relatório de Lançamento (fls. 19/81) e nas Planilhas de fls. 125/211.  De acordo com o Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 113/117):  1.  O órgão não apresentou à fiscalização os documentos e  informações  necessários  à  comprovação  do  regular  cumprimento  das  obrigações  previdenciárias  principais  e  acessórias,  resultando  na  lavratura  dos  Autos  de  Infração  DEBCAD  nº  37.165.173­5  e  DEBCAD  nº  37.165.172­7  e no  lançamento das  contribuições previdenciárias  sob  sua responsabilidade, por arbitramento, apuradas por aferição indireta,  com base em nota de empenho, em conformidade com o artigo 33, §§  20 e 30 da Lei no. 8.212/91 c/c os artigos 232 e 233 do Decreto no.  3.048/99;  2.  As  notas  de  empenho  foram  obtidas  pela  fiscalização,  em  meio  digital, junto ao Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE/PB);  3.  Foram lançados nos campos próprios do Discriminativo Analítico do  Debito  –  DAD  (fls.  09/13),  por  levantamento,  os  Salários  de  Contribuição  (SC),  as  contribuições  previdenciárias  apuradas,  por  rubricas,  respectivas  alíquotas  aplicadas  e  os  créditos  considerados  dedutíveis;  4.  Foram  consideradas  no  lançamento  e  deduzidas  das  contribuições  apuradas, as contribuições previdenciárias confessadas em documento  constitutivo de crédito previdenciário (GFIP ­ Guia de Recolhimento  do FGTS e Informações à Previdência Social), independentemente de  haver ou não recolhimento correspondente, relacionadas no Relatório  de  Documentos  Apresentados  –  RDA  (fl.  83),  as  quais  foram  apropriadas  por  rubricas,  conforme  demonstrado  no  Relatório  de  Apropriação de Documentos Apresentados – RADA (fls. 85/89);  Fl. 1464DF CARF MF     4 5.  As  pessoas  físicas  de  interesse  da  administração  previdenciária  em  razão de seu vinculo com o sujeito passivo,  representantes  legais ou  não, com  indicação de  sua qualificação e período de  atuação,  foram  listadas no Relatório de Representantes Legais – REPLEG (fl. 95) e  na Relação de Vínculos – VINCULOS (fl. 97).  Em  18/09/2008  o  Contribuinte  tomou  ciência  pessoal  do Auto  de  Infração  lavrado (fl. 03) e, em 17/10/2008, tempestivamente, apresentou sua Impugnação de fls. 225 a  243, onde afirma que a fiscalização não considerou a totalidade das GFIP e GPS na confecção  do  lançamento,  colacionadas  às  fls.  346/1476,  e  informa  que  as  unidades  hospitalares  pertencentes à  rede estadual promovem a confecção das citadas guias e  também recolhem as  contribuições sociais a seu encargo.  Por  fim,  requer,  dentre  outras  coisas,  perícia,  para  exame  integral  da  documentação  relativa  aos  arquivos  de  remessa  das  correspondentes  GFIP,  por  entender  imprescindível para o deslinde da controvérsia.  Assim, a 7ª Turma da DRJ/REC converteu o julgamento em Diligência (fls.  1384/1386) para que a fiscalização efetuasse os seguintes esclarecimentos:  1.  A origem dos valores considerados, para fins de dedução, contidos no  Relatório de Documentos Apresentados — RDA;  2.  Os valores das GPS,  em cada  competência,  que  foram  considerados  na confecção do presente processo;  3.  Se  as  GPS,  colacionadas  pela  defesa,  foram  consideradas  no  lançamento,  justificando,  em  caso  negativo,  as  razões  de  sua  não  inclusão;  4.  Se o credito em apreço envolve as unidades hospitalares citadas pela  defendente nos documentos acostados à sua impugnação;  5.  Se  as  GFIP,  trazidas  na  impugnação,  têm  alguma  ligação  com  o  presente  processo.  Em  havendo,  demonstrar,  por  competência  envolvida, como foram as mesmas  consideradas no  lançamento. Em  não havendo, assinalar os respectivos motivos.  Em resposta à solicitação de Diligência, a autoridade lançadora se manifestou  às fls. 1388/1392), onde esclareceu que os fatos geradores objeto do processo em apreço foram  declarados  parte  em GFIP da Secretaria de Saúde  e de  suas  unidades  hospitalares,  parte  nas  GFIP  da  Secretaria  de  Administração,  porém  no  CNPJ  do  Governo  do  Estado  da  Paraíba.  Elaborou planilha  (fls. 1394 e seguintes) contendo as Guias da Previdência Social  existentes  em favor da Secretaria da Saúde do Estado da Paraíba e suas unidades hospitalares, salientando  a inexistência de saldo a deduzir do presente processo.  O  Contribuinte  tomou  ciência  do  resultado  da  diligência,  mas  não  se  pronunciou dentro do prazo legal.  Diante disso, o processo foi encaminhado à DRJ/REC para julgamento, onde  a  7ª  Turma  concluiu  pela  rejeição  integral  das  argumentações  da  impugnação  e,  em  consequência, votou pela procedência do lançamento.  Fl. 1465DF CARF MF Processo nº 14751.001443/2008­03  Acórdão n.º 2401­005.670  S2­C4T1  Fl. 4          5 Em 20/11/2009 o Contribuinte tomou ciência do Acórdão (AR ­ fl. 1454) e,  em  18/12/2009,  inconformado  com  a  decisão  tomada  interpôs  o  Recurso  Voluntário  de  fls.  1428 a 1452.  No  RV  faz  um  breve  resumo  dos  fatos  (fls.  1430/1432)  e  segue  argumentando:  1.  Preliminarmente, sobre a nulidade absoluta do feito, consequência do  indeferimento  de  produção  de  prova  pericial,  indispensável  ao  esclarecimento da controvérsia, que configura cerceamento do direito  de defesa (fls. 1432/1434);  2.  No Mérito sobre:  a.  A  insubsistência  da  autuação  devido  à  ilegitimidade  da  Autoridade  autuada  por  ausência  de  competência  para  representar  extrajudicialmente  o  Estado  da  Paraíba  (fls.  1434/1438);  b.  A  improcedência  da  autuação  devido  estar  comprovado  nos  autos  o  cumprimento  da  obrigação  previdenciária  principal  pelo sujeito passivo (fls. 1438/1450).  Conclui o RV requerendo a decretação da nulidade absoluta do feito, ante a  configuração do cerceamento do direito de defesa. Alternativamente, caso não seja acolhida a  preliminar,  o  provimento  integral  do  recurso  apresentado  a  fim  de  julgar  improcedente  o  lançamento indevidamente realizado.  É o relatório    Voto             Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto ­ Relatora  Juízo de admissibilidade  O  recurso  voluntário  foi  apresentado  dentro  do  prazo  legal  e  atende  aos  requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento.  Preliminares  Nulidade da decisão de primeira instância – Pedido de perícia  Pleiteia a Recorrente a nulidade da decisão de primeira instância em virtude  do  indeferimento  na  realização  de  perícia,  por  entender  indispensável  aos  destrame  da  controvérsia.  Fl. 1466DF CARF MF     6 Cumpre, nesse ponto, destacar que a perícia tem por finalidade a elucidação  de  questões  técnicas  ou  fáticas  que  suscitem  dúvidas  ao  julgador,  o  qual  cabe  avaliar  a  necessidade da produção da prova técnica que exige conhecimento especial.   No presente caso, em face da documentação apresentada pelo contribuinte, a  DRJ  determinou  a  realização  de  diligência  e  o Auditor  Fiscal  esclareceu  os  fatos  suscitados  (fls. 1388/1392).  Intimado para se manifestar acerca do resultado da diligência, o Recorrente  quedou­se inerte (fl. 1412).  Após  os  esclarecimentos  oferecidos,  o  julgador  de  primeira  instância  entendeu  que  os  elementos  contidos  no  processo  administrativo  eram  suficientes  para  a  formação de sua convicção e que a análise do presente caso prescindiria da realização de prova  pericial.  Consoante  dispõe  o  Decreto  70.235/1972  que  estabelece  as  regras  do  processo  administrativo  fiscal,  na  apreciação  da  prova,  a  autoridade  julgadora  formará  livremente a sua convicção:  Art.  29.  Na  apreciação  da  prova,  a  autoridade  julgadora  formará  livremente  sua  convicção,  podendo  determinar  as  diligências que entender necessárias.  Portanto,  diferente  do  que  foi  suscitado  pela  Recorrente,  entendo  que  o  indeferimento do seu pleito quanto ao pedido de perícia não tem o condão de macular a decisão  exarada  em  primeira  instância  em  face  do  livre  convencimento  da  autoridade  julgadora  na  apreciação da prova formadora de sua convicção.  Ademais,  foi  determinada  a  realização  de  diligência  e  oferecidos  os  esclarecimentos  que  se  fizeram  necessários. Diante  disso,  a  fiscalização  apresentou  relatório  conclusivo o que foi analisado no julgamento de primeira instância.  O  procedimento  fiscalizatório  foi  efetuado  dentro  dos  preceitos  normativos  atinentes  à  matéria,  o  contribuinte  foi  devidamente  intimado  para  apresentar  as  razões  de  defesa  e  a  juntada  de  provas  que  entendesse  importantes  para  fundamentar  suas  alegações.  Restou, portanto, plenamente assegurado o contraditório e a ampla defesa.  Assim, rejeito a preliminar suscitada pela parte.  Ilegitimidade passiva  Segundo  o  Recorrente  o  lançamento  foi  realizado  na  pessoa  do  titular  da  Secretaria de Estado. Alega ilegitimidade passiva.  Não procede a argumentação aduzida. O crédito tributário foi lançado contra  o  ente  federativo  e  não  contra  o  titular  da  respectiva  Secretaria,  razão  porque  não  merece  guarida a ilegitimidade suscitada.  Mérito  Levantamento ECI (fls. 09/13)  Em razões recursais o sujeito passivo pleiteia a improcedência da autuação e  disserta  acerca  do  cumprimento  da  obrigação  acessória.  Traz  alegações  gerais  sobre  o  recolhimento  e  repasse  das  contribuições  previdenciárias  exigidas  e  afirma  que  ocorreu  o  cumprimento da obrigação principal pelo sujeito passivo.  Fl. 1467DF CARF MF Processo nº 14751.001443/2008­03  Acórdão n.º 2401­005.670  S2­C4T1  Fl. 5          7 Pois bem.  O  lançamento  trata da  exigência de  contribuições previdenciárias patronais,  incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados, não amparados por regime  próprio  da  Previdência  Social,  que  prestaram  serviços  à  Secretaria  da  Saúde  do  Estado  da  Paraíba, nas competências 02/2004 a 12/2004, sendo as bases de cálculo obtidas das folhas de  pagamento.  Em atendimento a diligência proposta pela DRJ, o Auditor Fiscal apresentou  os  esclarecimentos  às  fls.  1388/1392,  em  que  assevera  que  as  contribuições  previdenciárias  correspondentes  aos  fatos  geradores  vinculados  à  Secretaria  da  Saúde  do  Estado  da  Paraíba  foram  recolhidas  de  duas  formas:  (i)  com  relação  às  remunerações  pagas  ou  creditadas  aos  segurados  contribuintes  individuais,  declarados  nas GFIP's  da Secretaria  da Saúde e  de  suas  unidades hospitalares,  foram  recolhidas parcialmente nos próprios CNPJ's  (08.778.268/0001­ 60, 08.778.268/0002­41, 08.778.268/0003­22), por meio de GPS; (ii) as correspondentes a uma  parte  dos  fatos  geradores  relativos  às  remunerações  pagas  ou  creditadas  aos  segurados  empregados,  servidores  comissionados  e  prestadores  de  serviços  não  amparados  por  RPPS,  confessadas nas GFIP's do Governo do Estado da Paraíba, foram recolhidas no próprio CNP do  Estado (08.761.124/0001­00), por meio da retenção nas cotas do FPE no valor correspondente  ao declarado como devido nas respectivas GFIP's; (iii) os recolhimentos mensais efetivamente  realizados nos CNPJ´s da Secretaria da Saúde e  suas unidades hospitalares,  são  inferiores  as  correspondentes  contribuições  confessadas  nas  respectivas  GFIP's,  relacionadas  no  RDA  do  lançamento.  Consoante  se  verifica  dos  esclarecimentos  realizados  e  dos  documentos  adunados  aos  autos,  as  informações  e  os  recolhimentos  das  contribuições  devidas  foram  efetuadas, parte em uma secretaria de governo, parte em outra. Além do que, em uma mesma  GFIP  constam  fatos  geradores  de  diferentes  Secretarias,  o  que  dificulta,  sobremaneira,  o  controle da fiscalização, recaindo para o sujeito passivo o ônus probatório do adimplemento da  obrigação tributária.  Poderia  o  sujeito  passivo  demonstrar,  por  meio  de  alegações  consistentes,  lastreadas  em  provas  documentais  apresentadas  diretamente,  ou  demandadas  dos  órgãos  da  própria administração direta do governo, a comprovação dos pagamentos realizados, o que não  foi feito no presente caso.   No que tange às GPS e ao termo de amortização de dívida adunado aos autos,  transcrevo a seguir excerto do voto proferido pela Delegacia de Julgamento, o qual peço vênia  para acrescentar às razões de decidir:  Por  sua  vez,  as  GPS  colacionadas  ao  feito  pela  impugnante  acham­se  especificadas  na  planilha  de  fls.  6951698.  Foram  incluídas nas deduções entabuladas no presente processo e no AI  37.190.264­9,  lavrados  na  mesma  ação  fiscal,  consoante  relatório de apropriação de documentos apresentados ,— RADA,  as  fls.  42/44.  Não  há,  assim,  saldo  a  deduzir  do  presente  processo.  De igual sorte, não há como acolher o termo de amortização de  divida  fiscal,  firmado com o  INSS, colacionado as  fls. 148/156,  porque o mesmo não diz respeito ao período lançado no presente  processo.  Fl. 1468DF CARF MF     8 Quanto ao pleito do impugnante de se promover fiscalização na  Secretaria  de  Administração  do  Estado,  que  diz  ser  essencial  para apuração adequada do crédito  em  tela,  é mister  ressaltar  que  a  escolha  do  órgão  a  ser  fiscalizado  está  dentro  de  uma  política de planejamento fiscal, atividade discricionária, a cargo  da Administração Pública Federal.  Não há, em conseqüência, qualquer óbice em se promover, por  questões  de  conveniência  e  oportunidade,  a  inspeção,  em  um  mesmo ente federativo, de uma dada secretaria em detrimento de  outra.  De  qualquer  sorte,  a  impugnante  poderia,  como  integrante  do  Governo  Estadual,  demandar  junto  à  citada  Secretaria  de  Administração  ou  outro  órgão  do  Executivo  estadual,  eventual  documentação comprobatória de sua adimplência em relação ao  crédito em discussão e trazê­la aos autos, não havendo expressa  necessidade  de  se  entabular  fiscalização  em  órgão  distinto  do  demandado.  Não restou assim, demonstrada a real necessidade de se efetivar  fiscalização em outra secretaria, que não a inspecionada, motivo  pelo qual se rejeita seu pleito na matéria e refuta­se prescindível  a  perícia  requestada,  mesmo  porque  não  foram  elaborados  quesitos,  nem  apontado  perito,  considerando­se,  em  consequência,  como  não  formulado  o  mencionado  pedido,  consoante regramento plasmado no § 1 0, do art. 16, do Decreto  n.° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n.° 8.748/93.  Em face das razões expendidas e tendo em vista que o sujeito passivo não se  desincumbiu de comprovar os fatos que sustenta como fundamentos à sua pretensão, mantenho  a exigência fiscal contida no levantamento ECI (fls. 09/13).  Levantamento COP (fls. 09)  O  lançamento  objeto  do  levantamento  COP  tem  como  fato  gerador  a  prestação  de  serviços  por  cooperados  por  intermédio  de  cooperativas  de  trabalho,  conforme  disposto no inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99,  assim redigido:  Art.  22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:  IV­ quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura  de  prestação  de  serviços,  relativamente  a  serviços  que  lhe  são  prestados  por  cooperados  por  intermédio  de  cooperativas  de  trabalho.  (Incluído  pela  Lei  nº  9.876,  de  1999).  (Execução  suspensa pela Resolução nº 10, de 2016).  Ocorre  que  o  Plenário  do  Supremo  Tribunal  Federal,  por  unanimidade  de  votos,  declarou,  em  recurso  com  repercussão  geral,  a  inconstitucionalidade  do  referido  dispositivo legal, conforme se destaca da ementa da decisão proferida no RE nº 595838/SP:  EMENTA  Recurso  extraordinário.  Tributário.  Contribuição  Previdenciária. Artigo 22,  inciso  IV, da Lei nº 8.212/91, com a  redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas  tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por  meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto  Fl. 1469DF CARF MF Processo nº 14751.001443/2008­03  Acórdão n.º 2401­005.670  S2­C4T1  Fl. 6          9 da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem.  Nova  fonte de  custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O  fato gerador  que  origina  a  obrigação  de  recolher  a  contribuição  previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91,  na  redação  da  Lei  9.876/99,  não  se  origina  nas  remunerações  pagas  ou  creditadas  ao  cooperado,  mas  na  relação  contratual  estabelecida  entre  a  pessoa  jurídica  da  cooperativa  e  a  do  contratante  de  seus  serviços.  2.  A  empresa  tomadora  dos  serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A  empresa  ou  entidade  a  ela  equiparada  é  o  próprio  sujeito  passivo  da  relação  tributária,  logo,  típico  “contribuinte”  da  contribuição.  3.  Os  pagamentos  efetuados  por  terceiros  às  cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus  cooperados,  não  se  confundem  com  os  valores  efetivamente  pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22,  IV da Lei nº  8.212/91,  com  a  redação  da  Lei  nº  9.876/99,  ao  instituir  contribuição  previdenciária  incidente  sobre  o  valor  bruto  da  nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a,  da  Constituição,  descaracterizando  a  contribuição  hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos  cooperados,  tributando  o  faturamento  da  cooperativa,  com  evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a  qual  somente  poderia  ser  instituída  por  lei  complementar,  com  base no art. 195, § 4º  ­  com a remissão  feita ao art. 154, I, da  Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a  inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91,  com  a  redação  dada  pela  Lei  nº  9.876/99.  (RE  595838,  Relator(a):  Min.  DIAS  TOFFOLI,  Tribunal  Pleno,  julgado  em  23/04/2014,  ACÓRDÃO  ELETRÔNICO  REPERCUSSÃO  GERAL  ­ MÉRITO DJe­196 DIVULG 07­10­2014 PUBLIC 08­ 10­2014)   Destaque­se  ainda  que  por  ocasião  do  julgamento  dos  Embargos  de  Declaração no Recurso Extraordinário nº 595838/SP,  foi negado o pedido de modulação dos  efeitos da decisão, conforme se vê na ementa abaixo citada:  EMENTA  Embargos  de  declaração  no  recurso  extraordinário.  Tributário. Pedido de modulação de efeitos da decisão com que  se  declarou  a  inconstitucionalidade  do  inciso  IV  do  art.  22  da  Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99.  Declaração  de  inconstitucionalidade.  Ausência  de  excepcionalidade.  Lei  aplicável  em  razão  de  efeito  repristinatório.  Infraconstitucional.  1.  A modulação  dos  efeitos  da declaração de inconstitucionalidade é medida extrema, a qual  somente se justifica se estiver indicado e comprovado gravíssimo  risco irreversível à ordem social. As razões recursais não contêm  indicação  concreta,  nem  específica,  desse  risco.  2. Modular  os  efeitos no caso dos autos importaria em negar ao contribuinte o  próprio  direito  de  repetir  o  indébito  de  valores  que  eventualmente  tenham  sido  recolhidos.  3.  A  segurança  jurídica  está  na  proclamação  do  resultado  dos  julgamentos  tal  como  formalizada, dando­se primazia à Constituição Federal. 4. É de  índole infraconstitucional a controvérsia a respeito da legislação  aplicável  resultante  do  efeito  repristinatório  da  declaração  de  Fl. 1470DF CARF MF     10 inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91,  com  a  redação  dada  pela  Lei  nº  9.876/99.  5.  Embargos  de  declaração  rejeitados.(RE  595838  ED,  Relator(a):  Min.  DIAS  TOFFOLI, Tribunal Pleno,  julgado em 18/12/2014, ACÓRDÃO  ELETRÔNICO  DJ­e­036  DIVULG  24022015  PUBLIC  25022015).  No âmbito do legislativo, foi editada a Resolução Senado Federal nº 10/2016,  para "suspender" a execução do dispositivo inconstitucional.  O § 2º do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas  pelo STF e pelo STJ na  sistemática dos  arts.  543­B e 543­C do CPC  revogado, ou dos  arts.  1.036 a 1.041 do Código vigente deverão ser  reproduzidas pelos conselheiros no  julgamento  dos recursos no âmbito do CARF.  Dessa  forma, deve  ser  aplicado o  art.  62,  § 2º,  do RICARF,  aprovado pela  Portaria MF n° 343/2015, que estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo  STJ  na  sistemática  dos  arts.  543­B  e  543­C  do  antigo  CPC,  ou  dos  arts.  1.036  a  1.041  do  Código  Processual  vigente  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos no âmbito do CARF.  Assim, diante da inconstitucionalidade da norma legal que estabeleceu o fato  gerador  das  contribuições  lançadas,  deve  ser  dado  provimento  ao  Recurso  Voluntário,  para  cancelar o lançamento efetuado através do levantamento COP.  Conclusão  Ante  o  exposto,  CONHEÇO  do  recurso  voluntário,  nego  as  preliminares  apontadas e, no mérito, DOU­LHE PARCIAL PROVIMENTO para excluir do  lançamento o  levantamento COP.   (Assinado digitalmente)  Andréa Viana Arrais Egypto.                              Fl. 1471DF CARF MF

score : 1.0