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Numero do processo: 10768.907249/2006-23
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1002-000.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a autoridade administrativa da unidade de origem realize as providências constantes no voto da resolução.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a autoridade administrativa da unidade de origem realize as providências constantes no voto da resolução. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. RELATÓRIO Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 259/269) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 224/236), proferida em sessão de 13 de maio de 2010, consubstanciada no Acórdão n.º 1230.486, da 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ I (DRJ/RJ1), que, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 68 .9 07 24 9/ 20 06 -2 3 Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10768.907249/200623 Resolução nº 1002000.016 S1C0T2 Fl. 292 2 por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 41/55), apresentada através do Processo n.º 10768.001650/200810, que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 14/02/2008 (efl. 10), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 1465214949.130803.1.3.040061, transmitido em 13/08/2003, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o crédito, negando a restituição, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL AnoCalendário: 2003 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o interessado fazêlo em outro momento processual. As alegações desacompanhadas de provas não produzem efeitos. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PEDIDO DE CANCELAMENTO. É incabível, em sede de Manifestação de Inconformidade, pedido de cancelamento de Perdcomp, que deve ser veiculado através do programa gerador deste documento, e antes da ciência de intimação relativa à compensação declarada. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO. INDEFERIMENTO. Não elidido o fato de que o darf foi alocado a débito confessado, mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Incidem juros de mora e multa de mora sobre o débito objeto de compensação não homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Despacho Decisório informa que o crédito pleiteado, a título de restituição, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, inexiste, razão pela qual não se homologou a declaração. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, foi localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de outro débito próprio do contribuinte, de modo a não mais haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi extinto, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 31/03/2003 6012 R$ 34.254,53 30/06/2003 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10768.907249/200623 Resolução nº 1002000.016 S1C0T2 Fl. 293 3 3969968588 R$ 34.254,53 DB: cód 6012 PA 31/03/2003 R$ 34.254,53 Valor Total R$ 34.254,53 Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Tratase da seguinte declaração de compensação — Dcomp eletrônica: Quadro 1 Declaração de Compensação eletrônica A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária no Rio de Janeiro (Derat/RJ) proferiu o Despacho Decisório n.º 745553649, em 14.02.2008 (fls. 8) [efl. 10], verbis: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Base legal: arts. 165 e 170 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), e art. 74 da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Em Manifestação de Inconformidade, às fls. 28/41 [efls. 41/55], o interessado diz que: a) no primeiro trimestre de 2003, apurou CSLL a pagar, no valor de R$ 80.342,95, e, em face das antecipações efetuadas, acumulou crédito de R$ 40.125,14, assim: Quadro 2 — Forma de quitação da CSLL1.º trimestre, de acordo com o interessado (fls. 30) [efl. 44] b) por equívoco, requereu a compensação dos valores dos darfs acima, assim: Quadro 3 — Compensações com darfs já utilizados, de acordo com o interessado (fls. 31) [efl. 45] Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10768.907249/200623 Resolução nº 1002000.016 S1C0T2 Fl. 294 4 c) uma vez que os valores dos darfs acima já haviam sido utilizados, "no sistema eletrônico da Receita Federal passou a constar pedido de compensação de crédito inexistente, o que, por sua vez, gerou o não reconhecimento do pedido de compensação"; d) considerando que, ainda assim, restou um valor pago a maior, de R$ 40.125,14, este foi utilizado na quitação de parte do débito da CSLL apurada no segundo trimestre/2003: R$ 169.532,78: R$ 128.101,08, quitado com darf; e R$ 41.431,70, com compensação, assim: Quadro 4 — Forma de quitação da CSLL2.º trimestre, de acordo com o interessado (fls. 33) [efl. 47] e) era credor de apenas R$ 40.125,12, mas por erro, compensou a quantia de R$ 41.431,70, sendo que o valor compensado a maior, R$ 1.306,58 (41.431,70 40.125,12 = 1.306,58), do qual o tornouse credor, é oriundo dos juros recolhidos nos darfs de 30.05.2003 e 30.06.2003: R$ 318,55 e R$ 988,01, respectivamente. Conclui que, "ao contrário do acima exposto, o Fisco entendeu, equivocadamente, que a impugnante utilizouse do mesmo pagamento constante nos DARFs para quitação de débito, e, posteriormente, os reutilizou como crédito para compensação (PERDCOMP), desconsiderando o crédito de fato existente". Requer "o recebimento e provimento da presente manifestação de inconformidade, mediante o cancelamento da PERDCOMP n.º 14652.24949.130803.1.3.040061", "bem como a extinção da multa e juros aplicados no Despacho Decisório". Protesta pela "posterior juntada de documentos e pela realização de todos os meios de prova admitidos em direito", e requer seja "suspensa a exigibilidade do crédito tributário". Com a manifestação de inconformidade, vieram os documentos de fls. 42/82 [efls. 56/107]. Nesta Turma, foram juntadas as consultas de fls. 98/188 [efls. 126/216]. A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose o não reconhecimento do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: O interessado pede a suspensão da exigibilidade do débito. Pede, ainda, sejalhe deferida a produção de provas. Na forma da legislação de regência (§ 11 do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996), a apresentação da Manifestação de Inconformidade dentro do prazo da lei, como foi o caso, suspende a exigibilidade do débito objeto da compensação. Tanto é assim que o Despacho Decisório, no campo "Ciência e Intimação", explicita que os débitos indevidamente compensados só Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10768.907249/200623 Resolução nº 1002000.016 S1C0T2 Fl. 295 5 serão inscritos em Dívida Ativa da União, para cobrança executiva, em caso de falta de pagamento ou falta de apresentação de manifestação de inconformidade (fls. 8) [efl. 10]. Quanto à produção de provas, temse que, nos termos do já citado art. 74, § 11, da Lei n.º 9.430, de 1996, a Manifestação de Inconformidade contra o indeferimento de pedido de restituição, de ressarcimento e de compensação se rege pelo Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que rege o processo administrativo fiscal (PAF). E, a teor do art. 16 do dito Decreto, é ônus do interessado juntar à Impugnação/Manifestação de Inconformidade os documentos de sua própria lavra, sob sua guarda e conservação, com os quais pretende fazer prova dos fatos alegados, sob pena de preclusão, (...). Sendo assim, o pedido de produção de provas deve ser indeferido. O interessado pede o cancelamento da Dcomp. De plano, cabe ressaltar que o art. 170 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN, determina que, na compensação tributária, o direito creditório alegado deve, necessariamente, preencher dois requisitos: o da liquidez, concernente ao aspecto do montante do crédito, e o da certeza, que diz respeito à prova incontestável do direito alegado: (...). Desde a Medida Provisória n.º 66, de 29 de agosto de 2002, que alterou o art. 74 da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que, atendidos os dois sobreditos requisitos, a pessoa que pretende compensar débitos tributários com créditos tributários de que se afirma detentor, deve declarar tal pretensão a esta Secretaria: (...). O legislador foi inequívoco: a compensação é efetuada mediante a entrega de Declaração de Compensação Dcomp, na qual cabe ao declarante prestar as informações do crédito de que, comprovadamente, declara ser titular, e, também, as informações do débito que, lastreado em documentos e registros contábeis idôneos, apurou. Igual sorte cabe à retificação e ao cancelamento da Dcomp, como se verá. O § 14 do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, conferiu competência a esta Secretaria para disciplinar as regras da compensação tributária. Assim, a Instrução Normativa RFB n.º 900, de 30 de dezembro de 2008, determina que o pedido de cancelamento da Dcomp deve ser veiculado através do programa Perdcomp, e só será deferido se este se encontrar pendente de decisão administrativa, verbis: DA DESISTÊNCIA DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO, DE PEDIDO DE REEMBOLSO E DE COMPENSAÇÃO Art. 82. A desistência do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário em meio papel, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento, o pedido de reembolso ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. (...) Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10768.907249/200623 Resolução nº 1002000.016 S1C0T2 Fl. 296 6 Art. 95. Considerase pendente de decisão administrativa, para fins do disposto nos arts. 77, 82 e 86, a Declaração de Compensação, o pedido de restituição ou o pedido de ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da DRF, Derat, Deinf, IRFClasse Especial ou ALF competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. A norma que inviabiliza o cancelamento do Perdcomp após ato administrativo de decisão ou de intimação é de suma importância para administrados e administradores, conquanto dota de organização e segurança jurídica as relações Fisco X contribuinte, no que tange ao complexo instituto da compensação tributária. No histórico às fls. 99 [efl. 127] não consta que o interessado tenha veiculado, através do PGD (Programa Gerador de Documentos), um Perdcomp contendo solicitação de cancelamento desta Dcomp. Também não há pendência de decisão administrativa, conquanto já emitido o Despacho Decisório, em julgamento neste processo. Sendo assim, não atendidos os requisitos estabelecidos pelo legislador executivo para o cancelamento de Perdcomp, o pedido do interessado deve ser indeferido. Ainda assim, não é demais observar o que se segue. a) alegações relativas ao crédito O crédito informado na Dcomp (item 1) é o darf de R$ 34.254,53, emitido para quitação da CSLL do 1.º trimestre de 2003, com vencimento em 30.06.2003 (3.ª cota). Todavia, segundo a consultaSief (fls. 106) [efl. 134], o dito darf permanece alocado ao débito para o qual foi, expressamente, emitido. Aliás, tal alocação foi o que deu causa à não homologação da compensação pleiteada. A sobredita alocação corresponde exatamente ao valor total confessado na DCTF original, de 14.05.2003, na qual o interessado declarou que a CSLL do primeiro trimestre de 2003 somava R$ 96.388,75 (fls. 130) [efl. 158]. A mencionada alocação corresponde, também, ao somatório dos darfs, no texto dos quais, foram feitas vinculações ao sobredito débito, senão vejamos: Quadro 5 — Darfs — CSLL (código 6012) apurada no 1.º trimestre de 2003 Após a transmissão da Dcomp (em 13.08.2003), e após os pagamentos acima, é que o interessado, em 16.10.2003 (fls. 130) [efl. 158], entregou DCTF Retificadora, na qual não só reduziu o sobredito débito de CSLL, para R$ 80.342,95, como, também, vinculou tal valor a 3 (três) Dcomps (fls. 132) [efl. 160]: Quadro 6 — DCTF Retificadora (CSLL do 1.º trimestre/2003) Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10768.907249/200623 Resolução nº 1002000.016 S1C0T2 Fl. 297 7 As sobreditas Dcomps (quadro 6) têm o seguinte conteúdo: Quadro 7 — Dcomps informadas em DCTF Retificadora A primeira Dcomp (fls. 107/109) [efls. 135/137] do quadro acima é aquela a que o Despacho Decisório ora em julgamento se refere (fls. 8) [efl. 10]. A segunda, não foi homologada em face de inexistência de crédito (fls. 110/111) [efls. 138/139]. Apenas a terceira consta com anotação de análise automática e com crédito integral disponível (fls. 112) [efl. 140]. Do cotejo entre os quadros 5 e 6, resulta, entre outros, que o interessado, após a alocação dos pagamentos, alterou o valor do débito informado em DCTF, bem como, a vinculação que antes havia sido informada nos sobreditos pagamentos. O pagamento efetuado extingue o crédito tributário. A posterior apresentação de DCTF retificadora não produz, por si só, o efeito de reduzir o crédito tributário confessado, e/ou de alterarlhe a forma de extinção. Ademais, ainda que a legislação de regência não dispusesse que o único veículo de retificação do Perdcomp é um outro Perdcomp, as retificações veiculadas seriam indeferidas, porque desacompanhadas das provas documentais correspondentes (art. 16 do PAF). Tal indeferimento está, ainda, conforme a Lei Complementar (CTN), segundo a qual a retificação de declaração, por iniciativa do próprio declarante, que tenha por objeto a redução ou a exclusão de tributos, como é o caso, só é possível mediante a comprovação do erro alegado: Art. 147, § 1.º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou excluir tributo, só é possível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Temse, então, que o crédito alegado foi haurido de DCTF retificadora. Tal, no entanto, não modifica o fato de que, na data da transmissão da Dcomp, o interessado não era detentor de direito Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10768.907249/200623 Resolução nº 1002000.016 S1C0T2 Fl. 298 8 líquido e certo, condição sem a qual não há que se falar em direito creditório. O interessado confessou em DCTF que apurou débito de CSLL. E foi ao débito assim confessado que o darf que indicou na Dcomp está alocado, de sorte que não poderia ter sido utilizado para a quitação de outros débitos. Ante a isso, não colhe dúvida de que não havia, à época da Dcomp em tela, pagamento, indevido ou a maior, a justificar o direito creditório alegado. b) alegações relativas ao débito O débito informado na Dcomp é a CSLL do 2.º trimestre de 2003, trimestre em que o interessado entregou três DCTFs (fls. 135) [e fl. 163]: em 15.03.2003, a de n.º 61504921 (original); em 13.08.2004, a retificadora n.º 41891429, e, em 31.08.2004, a retificadora n.º 61836319. Em ambas, o débito de CSLL a pagar consta como R$ 187.683,14 (fls. 135/139) [efls. 163/167]. Na DCTF do terceiro trimestre (n.º 11786452, entregue em 14.11.2003, e a única relativa a tal trimestre, segundo as fls. 163) [efl. 191], o interessado confessa (fls. 140) [efl. 168] que o sobredito débito de CSLL foi dividido em três cotas (cujo somatório, desde já se observa, é inferior ao confessado), assim: Quadro 8 — Confissão em DCTF — CSLL do 2.º Trimestre de 2003 A primeira cota no quadro acima é aquela à qual esta Dcomp se refere, e que o interessado confessou, em DCTF, ter sido extinta assim (fls. 140) [efl. 168]: Quadro 9 — DCTF do 3.º Trim2003, com informação do débito de CSLL do 2.º Trim2003 De fato, a primeira parte do débito acima consta extinta por darf de igual valor, arrecadado em 31.07.2003 e já devidamente alocado (consultaSief, às fls. 178) [efl. 206]. Quanto à segunda parte (R$ 41.431,70), nas fichas da DCTF lêse que foi objeto de duas compensações (fls. 140/144) [efls. 168/172]: Quadro 10 — Vinculação declarada em DCTF Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10768.907249/200623 Resolução nº 1002000.016 S1C0T2 Fl. 299 9 O primeiro valor do quadro acima — R$ 34.254,33 — é a Dcomp em julgamento neste processo, e da qual, como se viu, o interessado pediu o cancelamento; o segundo — R$ 7.177,17 — é a compensação capeada pelo processo 10768.907263/200627, que, conforme consultaSief, às fls. 187/188 [efls. 215/216], não foi homologada, por inexistência de crédito. Para ver prosperar o seu pedido de cancelamento do Perdcomp, o interessado elaborou o quadro abaixo, no qual o débito de CSLL do 2.º trimestre aparece com outro valor (R$ 169.532,78), e com outra forma de quitação (3 darfs e de 2 compensações), senão vejamos: Quadro 11 (elaborado pelo interessado, às fls. 33) [efl. 47] Tal, contudo, não pode ser oposto aos valores confessados em DCTF, porque não há previsão legal para que a Manifestação de Inconformidade promova, por si só, retificação em DCTF. Temse, assim, que, ainda que a legislação de regência contemplasse a hipótese de cancelamento de Dcomp por via de Manifestação de Inconformidade, o débito confessado na Dcomp em tela não poderia ser cancelado, por falta de provas do erro ou equívoco alegados. c) juros e multa de mora O interessado pede a extinção dos "juros de mora e da multa de mora aplicados ao Despacho Decisório". Na forma da legislação de regência são devidos juros e multa de mora ante ao adimplemento de obrigação tributária após o respectivo vencimento. Com efeito, no que se refere aos juros de mora, o Código Tributário Nacional dispõe: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, sela qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Relativamente à multa de mora, a Lei n.º 9.430, de 1996, determina: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 10 de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10768.907249/200623 Resolução nº 1002000.016 S1C0T2 Fl. 300 10 § 1.º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2.º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3.º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3.º do art. 5.º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (...) Com efeito, não homologada a compensação, o débito que fora declarado se sujeita às normas jurídicas que dispõem sobre os acréscimos legais, e, não há diploma legal contendo previsão de dispensa de acréscimos legais para tais casos. Sendo assim, rejeitase, por falta de previsão legal, o pedido de dispensa de juros e multa de mora. Conclusão Isso posto, o despacho decisório de fls. 8 [efl. 10] deve ser mantido. No recurso voluntário, o contribuinte reitera os argumentos suscitados na manifestação de inconformidade, defendendo, em síntese, que: Possui crédito líquido e certo passível de compensação em função de ter apresentado DCTF retificadora, reduzindo consideravelmente o débito de CSLL apurado no 1º trimestre de 2003 na DCTF original, constatando, assim, saldo credor passível de compensação; A DCTF retificadora foi apresentada na data de 13/06/2004, portanto, antes do despacho decisório proferido em 14/02/2008; Na época em que o despacho decisório foi proferido, não havia discordância entre a DCTF do 1º trimestre de 2003 e a DIPJ relativa ao ano calendário de 2003; O crédito apurado a partir da DCTF retificadora não foi utilizado integralmente, sendo, portanto, passível de compensação. Nesse contexto, os autos foram encaminhados ao Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Consta a anexação dos presentes autos ao Processo n.º 10768.001650/200810, no qual se veiculou a manifestação de inconformidade. Posteriormente, houve a distribuição para este relator. Após a publicação da pauta de julgamentos, apresentouse memoriais distribuídos para o Colegiado. É o que importa relatar. VOTO Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10768.907249/200623 Resolução nº 1002000.016 S1C0T2 Fl. 301 11 O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 11/06/2010, efls. 238, uma sextafeira, iniciandose, pois, o prazo recursal, na segundafeira, 14/06/2010, e protocolo realizado em 13/07/2010, efl. 259), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Resolução Trata o presente caso de pedido de restituição de quantias recolhidas a maior ou indevidamente a título de tributo (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte indica débito ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Pois bem. No caso em comento, após análise do PER/DCOMP, a Administração Tributária não reconheceu a certeza e liquidez do crédito vindicado pelo contribuinte. Segundo a autoridade responsável pela edição do despacho decisório impugnado pelo contribuinte, "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". A DRJ, ao analisar o caso, manteve a tese da inexistência da certeza e liquidez do crédito sustentando que o só fato do contribuinte ter diligenciado no sentido de retificar a Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10768.907249/200623 Resolução nº 1002000.016 S1C0T2 Fl. 302 12 DCTF do 1.º Trimestre de 2003, com isso reduzindo o saldo devedor do tributo originalmente confessado na DCTF de origem, apurando um crédito passível de compensação apenas por ocasião da retificação, não induziria à certeza e liquidez do crédito requerido, haja vista que a retificação da DCTF foi posterior a transmissão do PER/DCOMP. Segundo a DRJ, a DCTF de origem confessou débitos que foram extintos pela alocação do DARF indicado no PER/DCOMP e, com isso, se estava extinto o crédito tributário, a posterior apresentação de DCTF retificadora, com redução de valores, não produziria, por si só, o efeito de reduzir o crédito tributário confessado, e/ou de alterarlhe a forma de extinção, para fins de gerar crédito a ser haurido da retificadora da DCTF. Acrescenta que a DCTF retificadora precisava estar acompanhada de outros documentos comprobatórios, de forma que o contribuinte, através de sua escrita contábil, efetivamente comprovasse o erro ocorrido na DCTF originalmente transmitida. Consigna que, na data da transmissão da Dcomp, o interessado não era detentor de direito líquido e certo, condição sem a qual não há que se falar em direito creditório. A despeito de tais argumentos, com a devida vênia, verifico que o contribuinte foi diligente na retificação da DCTF, especialmente por fazêlo antes de ser proferido o despacho decisório, aliás muito tempo antes. Em que pese, de fato, têlo feito somente após a transmissão do PER/DCOMP objeto deste processo, o fez menos de 6 (seis) meses após a transmissão da DCTF original, ou seja, promoveu a retificação em 16/10/2003, dentro, inclusive, do mesmo anocalendário da DCTF originalmente transmitida. Ademais disso, a DIPJ relativa ao anocalendário 2003, entregue pelo contribuinte na data de 29/06/2004 (efls. 174/179), apresenta o mesmo saldo de CSLL a pagar no 1.º Trimestre de 2003 (R$ 80.342,95), de igual modo a DCTF retificadora apresentada pelo contribuinte em 16/10/2003. Como o despacho decisório só foi proferido em 14/02/2008, isso é, praticamente 4 (quatro) anos após a retificação, a Administração Tributária, em tese, teria tido tempo suficiente para auditar a escrita contábil do contribuinte e, em busca do princípio da verdade material, apurar eventual existência de crédito passível de compensação. A DRJ poderia ter determinado diligências, haja vista que a retificação ocorrera muito tempo anos do despacho decisório ser proferido. Vejase, a decisão da DRJ, ao apreciar o caso, analisouo à luz do débito confessado na DCTF originalmente transmitida pelo contribuinte, a qual havia sido retificada. Entendo que o contribuinte, ao transmitir a DCTF retificadora, substituiu o dado fático anteriormente relatado para a autoridade fiscal, através de nova linguagem jurídica competente, apresentando, a partir dali, um novo fato jurídico, o qual deveria ter sido averiguado mais profundamente, principalmente quando a DIPJ 2004 (anocalendário 2003) apresentada está alinhada com o mesmo fato jurídico relatado a partir da DCTF retificadora. Se a retificação foi anterior ao despacho decisório não deveria ter sido negado uma análise mais detalhada do crédito vindicado, inclusive com determinação de diligências. Penso não ser razoável simplesmente negar a certeza e liquidez, pelo só fato da DCTF retificadora ser posterior ao PER/DCOMP, quando a retificação se deu anos antes de ser proferido o despacho decisório. No ensejo, é pertinente afirmar que entendo existir dever jurídico, por parte da Administração Tributária, de restituir pagamentos indevidos ou a maior, sob pena de locupletamento sem causa, sendo dever próprio decorrente da moralidade administrativa. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10768.907249/200623 Resolução nº 1002000.016 S1C0T2 Fl. 303 13 Certamente, não há óbices para que a legislação estabeleça restrições à compensação, no escopo de proteger a Administração Tributária de práticas fraudulentas. Mas, é fundamental distinguir tais restrições, ao nosso sentir, de cunho instrumental, com àquelas que afetam a própria essência do direito à compensação. As restrições instrumentais, concernentes à comprovação da existência do crédito e à sua quantificação, se razoáveis, são permitidas. Não, porém, as restrições que afetam a própria essência do direito creditório do contribuinte. Nesse sentido, existindo divergência quanto a certeza do crédito, com forte indício neste âmbito, tendo o sujeito passivo adotado medidas instrumentais razoáveis para perseguir o seu alegado direito creditório, inexistindo elementos para se vislumbrar eventual fraude ou extemporaneidade nas medidas adotadas, acredito que, em homenagem ao princípio da verdade material, associado a moralidade administrativa aflorada no direito de compensação do contribuinte quando há pagamento indevido ou a maior, resta justificada a realização de diligências para que se possa, de forma definitiva, sanear as dúvidas que pairam sobre as informações declaradas pelo sujeito passivo no cumprimento das obrigações instrumentais. Sendo assim, para melhor formação de convicção quanto ao mérito, entendo pela conversão do julgamento em diligência, com respaldo no princípio da verdade real, para análise da confirmação, ou não, do direito creditório do contribuinte. Filiome, ainda, as razões de decidir das Resoluções ns.º 1802000.139 e 1301000.299, com encaminhamento neste mesmo sentido. De fato, compreendo como necessário o esclarecimento por parte da unidade de origem, a fim de melhor deliberar o processo. Dispositivo Ante o exposto, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, resolvo converter o julgamento em diligência para que a autoridade administrativa da unidade de origem realize as seguintes providências: (a) juntar cópia completa da DIPJ 2004, ano calendário 2003; (b) juntar cópia completa da DCTF original, de 14/05/2003, relativa ao período de apuração do 1.º Trimestre/2003; (c) juntar cópia completa da DCTF retificadora, de 16/10/2003, relativa ao período de apuração do 1.º Trimestre/2003, bem como a retificadora de 13/08/2004, e outras eventuais; (d) juntar cópia completa da DCTF original, relativa ao período de apuração do 2.º Trimestre/2003; (e) juntar cópia completa das DCTF's retificadoras, relativas ao período de apuração do 2.º Trimestre/2003; (f) juntar cópia completa da DCTF original, relativa ao período de apuração do 3.º Trimestre/2003; (g) juntar cópia completa das DCTF's retificadoras, relativas ao período de apuração do 3.º Trimestre/2003; (h) intimar a contribuinte para fornecer e juntar aos autos cópia dos balancetes de suspensão/redução do anocalendário 2003 de que trata o art. 35 da Lei n.º 8.981/95, registrados no LALUR e transcritos no Livro Diário; (i) intimar a contribuinte para apresentar à fiscalização sua escrituração contábil, mormente os Livro Razão, Diário e Lalur do anocalendário 2003, para comprovação do seu alegado direito creditório; (j) confirmar as informações constantes das declarações retificadoras do anocalendário 2003, a fim de confirmar, ou não, o direito crédito; (k) ajustar, de ofício, eventuais declarações, se for o caso. A autoridade fiscal designada para o cumprimento das diligências solicitadas deverá analisar os novos elementos apresentados e elaborar Relatório Fiscal completo, circunstanciado e conclusivo do resultado da diligência acerca da existência, ou não, do alegado direito creditório pleiteado e se está disponível para utilização para compensação com Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10768.907249/200623 Resolução nº 1002000.016 S1C0T2 Fl. 304 14 os débitos informados nos autos, do qual deve ser cientificado o sujeito passivo para que, no prazo de 30 (trinta) dias, querendo, se manifeste a respeito, apresentando contrarrazões, observado o disposto no parágrafo único do art. 35 do Decreto n.º 7.574, de 2011. Após, retornem os autos para julgamento. É como Voto. (Assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 304DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910738/2008-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/08/1999
DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE
Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-004.109
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/08/1999 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/08/1999 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 07 38 /2 00 8- 38 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.910738/200838 Acórdão n.º 3201004.109 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório FARGON ENGENHARIA E INDÚSTRIA LTDA. apresentou Declaração de Compensação (DCOMP) relativa a pagamento a maior da contribuição (Cofins/PIS), declaração essa que restou não homologada pela repartição de origem. Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a anulação do despacho decisório, ou sua reforma, bem como a realização de diligência para se comprovar o direito creditório, alegando que recolhera aos cofres públicos valores superiores aos efetivamente devidos, pois desconsiderara os termos do art. 3º, inciso III, § 2º da Lei nº 9.718/1998. Arguiu, também, que o Fisco concluíra pela inexistência do crédito sem ao menos solicitar qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do valor compensado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 16 031.899, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, em razão da não comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, afastandose o pedido de realização de diligência por falta de apresentação de qualquer documento indicativo do direito alegado. Cientificado da decisão da DRJ, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário de forma hábil e tempestiva, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacandose os seguintes argumentos: (i) a Delegacia de Julgamento invocou a ausência da prova de liquidez e certeza dos créditos para rejeitar a manifestação de inconformidade, sendo que, se tivesse ocorrido a intimação para se demonstrar o crédito, o Fisco teria tido acesso às planilhas de apuração e poderia ter verificado a regularidade do encontro de contas efetuado; (ii) enquanto não for realizada a efetiva mensuração dos créditos utilizados é precipitada qualquer consideração a respeito da existência ou não de créditos passíveis de compensação; (iii) se a autoridade responsável pelo exame da declaração de compensação tivesse cumprido o dever de fiscalizar a existência do crédito declarado e não simplesmente glosado mecanicamente o encontro de contas teria verificado que o Requerente é legitimo credor da União Federal; e (iv) não se permitiu a produção de provas necessárias e, com base nessa decisão, julgouse pela improcedência por falta de provas. É o relatório. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.910738/200838 Acórdão n.º 3201004.109 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201004.096, de 25/07/2018, proferido no julgamento do processo 10880.910725/200869, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.096): No caso em apreço há a imperiosa necessidade de se comprovar a existência do direito creditório de modo inconteste, o que, pela análise dos elementos probatórios não ocorreu. Da decisão recorrida temse: "No caso em apreço, o Contribuinte declarou em débito de COFINS e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que não foi localizado o pagamento indicado no PER/DCOMP como origem do crédito. De fato, tal constatação decorre da não localização do DARF indicado pelo Contribuinte no PER/DCOMP nos sistemas da Secretaria da Receita Federal. Observase que antes do Despacho Decisório, de 12/08/2008, o Contribuinte foi informado da não localização do DARF e intimado, em 15/12/2006 conforme A.R., às fls. 07, a verificar e conferir os dados da ficha DARF informados no PER/DCOMP com os dados do DARF original, bem como a sanar as irregularidades apontadas, tendolhe sido informado na mesma oportunidade que a consequência da falta de saneamento no prazo poderia acarretar o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP em análise. Portanto, ao contrário do alega a Manifestante, foi lhe dado a oportunidade para comprovar ou não a existência e suficiência do crédito compensado. No entanto, antes da ciência do despacho decisório, o interessado conservouse silente e inerte no tocante à integralidade das informações declaradas perante a RFB, as quais acabaram servindo de parâmetro para a continuidade da análise da matéria e respaldando a referida decisão administrativa. Pelo exposto, resta devidamente demonstrado que não procede o argumento da requerente de que recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos por não ter considerado os termos do § 2º, do inciso III, do artigo 3º, da lei 9.718/98, quando apurou a base de Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.910738/200838 Acórdão n.º 3201004.109 S3C2T1 Fl. 5 4 cálculo das contribuições do PIS/COFINS, para o período de apuração constante neste PER/DCOMP, pois o contribuinte não conseguiu comprovar a existência do alegado indébito neste período, ou seja, o DARF supra mencionado que poderia demonstrar que de fato teria ocorrido "o pagamento indevido ou a maior" gerandolhe crédito, não foi localizado, e a empresa quando intimada a sanar tal irregularidade não se manifestou, e consequentemente, a compensação declarada não foi homologada. Cabe observar ainda que, mesmo se o referido DARF tivesse sido localizado, o art. 170 do CTN fixa como pressuposto para que possa ser feito o encontro de contas com a Fazenda Nacional: que os créditos estejam revestidos de liquidez e certeza comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação, a ocorrência do fato gerador do tributo, a base de cálculo e a alíquota aplicável, para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário. No entanto, a interessada não trouxe aos autos documentos que pudessem vir a comprovar a apuração incorreta nas bases de cálculo do COFINS, para o período em que alega o direito creditório, motivo pelo qual não se operaria, mesmo nesta hipótese, a liquidez e certeza desses pretensos créditos." Temse, então, que a decisão recorrida julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório em face de a recorrente, não ter comprovado a existência e liquidez do crédito apontado, mesmo tendo sido oportunizada a produção de prova. Não logrou êxito a recorrente em desconstituir o fundamento decisório através de prova apta para tanto. Mesmo em sede recursal não trouxe a recorrente qualquer elemento de prova válido a confirmar suas alegações. Devese levar em consideração que a necessidade de liquidez e certeza dos créditos é condição imperiosa, para que se proceda a compensação de valores. Não é devida a autorização de compensação quando os créditos estão pendentes de certeza e liquidez. Nos processos administrativos que tratam de restituição/compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do sujeito passivo a demonstração da efetiva existência do indébito. Nesses casos, quando a DRF nega o pedido de compensação/restituição/ressarcimento que aponta para a inexistência ou insuficiência de crédito, cabe ao manifestante, caso queira contestar a decisão a ele desfavorável, cumprir o ônus que a legislação lhe atribui, trazendo ao contraditório os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. Documentos comprobatórios são os que possibilitam aferir, de forma inequívoca, a origem e a quantificação do crédito, visto que, sem tal comprovação, o pedido de repetição fica prejudicado. Humberto Teodoro Júnior sobre a prova ensine que: "Não há um dever de provar, nem à parte contrária assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.910738/200838 Acórdão n.º 3201004.109 S3C2T1 Fl. 6 5 dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” (Humberto Teodoro Junior, in Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387) A própria recorrente confessa que não trouxe elementos probatórios aos autos para confirmar sua pretensão, tanto que, solicita a realização de diligências. Ocorre que, conforme já referido, sequer indícios do seu direito foram colacionados ao processo administrativo, razão pela qual não há como se converter o julgamento em diligência. Sobre a necessidade de se provar o direito creditório em pedidos de restituição ou compensação, é uníssona a jurisprudência deste Colegiado, conforme precedentes a seguir elencados: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 20/06/2006 COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado." (Processo 10930.903684/201206; Acórdão 3402003.651; Relator Conselheiro Antônio Carlos Atulim; Sessão de 13/12/2016) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/01/2008 CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72." (Processo 10865.905444/201269; Acórdão 3201002.880; Relator Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima; sessão de 27/06/2017) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/06/2011 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.910738/200838 Acórdão n.º 3201004.109 S3C2T1 Fl. 7 6 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.Recurvo Voluntário Negado." (Processo 10805.900727/201318; Acórdão 3201003.103; Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira; sessão de 30/08/2017) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Correta decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de outro débito está integral e validamente alocado para a quitação de outro débito." (Processo nº 11080.930940/201160; Acórdão 3201003.499; Relator Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade; Sessão de 01/03/2018) Ademais, a Recorrente, em casos análogos, teve seus recursos julgados improcedentes conforme decisões a seguir transcritas: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis." (Processo Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.910738/200838 Acórdão n.º 3201004.109 S3C2T1 Fl. 8 7 nº 10880.950624/200821; Acórdão 3803003.786; Relator Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira; sessão de 29/11/2012) "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis." (Processo nº 10880.950622/200831; Acórdão 3803003.785; Relator Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira; sessão de 29/11/2012) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.723059/2013-21
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2013
TERMO DE INDEFERIMENTO DA OPÇÃO AO SIMPLES NACIONAL. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS COM A FAZENDA PÚBLICA FEDERAL COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA.
A empresa que possui débitos perante a Fazenda Pública Federal e não comprova que sua exigibilidade está suspensa, não pode ingressar no Simples Nacional.
Numero da decisão: 1001-000.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2013 TERMO DE INDEFERIMENTO DA OPÇÃO AO SIMPLES NACIONAL. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS COM A FAZENDA PÚBLICA FEDERAL COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. A empresa que possui débitos perante a Fazenda Pública Federal e não comprova que sua exigibilidade está suspensa, não pode ingressar no Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 30 59 /2 01 3- 21 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 18470.723059/201321 Acórdão n.º 1001000.715 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 46 a 48) interposto contra o Acórdão nº 0130.770, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (fls. 37 a 40), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2013 Ementa Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Tratase de manifestação de inconformidade ao Termo de Indeferimento (pedido em 22/01/2013 e registro em 13/03/2013, fl. 03) da Opção pelo Simples Nacional – Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP) –, de que trata o artigo 12 da Lei Complementar nº 123/2006. 2. O motivo do indeferimento foi existência de atividade vedada (74901/99) e débito previdenciário cuja exigibilidade não estava suspensa (competência 03/2012, R$ 385,64): 3. O contribuinte alega em sua manifestação de inconformidade (fls. 04/05) que : a) Teria efetuado uma alteração no CNPJ modificando o CNAE da empresa para 71197/03; b) Teria pago o débito em 28/01/2013, contudo a pessoa que efetuou o pagamento, por equívoco, teria digitado no campo 04 da GPS a competencia 13/2012, fato que já teria sido corrigido pela empresa. 4. As cópias anexadas (fls. 06/09) não permitiam aferir com precisão as alegações do contribuinte. Desta forma solicitose diligência (fl. 28), na forma dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235 de 1972, através da repartição de origem, para Fl. 55DF CARF MF Processo nº 18470.723059/201321 Acórdão n.º 1001000.715 S1C0T1 Fl. 4 3 que anexasse documentos extraídos dos sistemas da SRFB (ou cedidos pelo contribuinte) que permitissem aferir: a) Se foi efetuada (e em que data) uma alteração no CNPJ modificando o CNAE da empresa para atividade permitida; b) Se o contribuinte pagou (até 31/01/2013) o débito previdenciário (competência 03/2012, R$ 385,64)." Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou o recurso sob análise com base na mesmas alegações já aventadas em primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, e por concordar com seu teor, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) 6. Cabe verificar o que dispõe o artigo 17 da Lei nº 123/2006, inciso V e XI, e o art. 7o, § 1ºA, da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007: “Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa”;(destaquei). (...) 7. A opção pelo Simples Nacional está regulamentada pela Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (...) Fl. 56DF CARF MF Processo nº 18470.723059/201321 Acórdão n.º 1001000.715 S1C0T1 Fl. 5 4 § 1ºA Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) 8. Em atendimento ao Despacho da DRJ/BEL, às fls. 28, a Unidade informou (fl. 36): “3. Em atendimento ao Despacho 176 – 2ª Turma da DRJ/BEL, às fls. 28, informamos que o contribuinte efetuou alteração contratual em 18/12/2012, modificando o CNAE da empresa para 71.19703 – Serviços de Desenho Técnico Relacionados À Arquitetura e Engenhara, não impeditivo ao Simples Nacional, de acordo com a Primeira Alteração Contratual registro RCPJ 201212101258113, às fls. 14 a 17 e Consulta ao Histórico Das Alterações Cadastrais, às fls. 32; 4. Com relação ao débito de natureza previdenciária na RFB, listado no Termo de Indeferimento, eferente à competência 03/2012, informamos que ocorreu uma alteração de guia previdenciária, em 30/11/2013, de acordo com a Consulta Detalhes Da GPS, às fls. 31, permanecendo um saldo a pagar no valor de R$ 34,11, de acordo com a Consulta Valores A Recolher – Valores Recolhidos e Relatório Complementar De Situação Fiscal, às fls. 30 e 33 a 35;” 9. Logo, como o contribuinte não diligenciou de forma a regularizar todas as pendências (visto que restou um saldo de R$ 34,11) no prazo legal, devese indeferir a manifestação de inconformidade. (...)" Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 57DF CARF MF Processo nº 18470.723059/201321 Acórdão n.º 1001000.715 S1C0T1 Fl. 6 5 Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.721025/2011-83
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa SELIC.
Numero da decisão: 9101-003.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luis Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento.
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008, 2009 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa SELIC.
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LEGALIDADE. As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luis Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 10 25 /2 01 1- 83 Fl. 3430DF CARF MF Processo nº 10920.721025/201183 Acórdão n.º 9101003.714 CSRFT1 Fl. 3.431 2 Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto em face do acórdão nº 1201001.248 da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, que negou provimento a Recurso Voluntário, quanto à incidência dos juros de mora à taxa Selic sobre a multa proporcional exigida de ofício. O contribuinte opôs Embargos de Declaração, que foram acolhidos para sanar omissão, embora sem efeitos infringentes. Ciência da decisão dos Embargos de Declaração no dia 23/03/2017, à efl. 3.252. Recurso Especial interposto no dia 07/04/2014, à efl. 3.254. Nessa oportunidade, alega divergência em relação aos acórdãos nº 10196607 e 10323566. Quanto ao mérito, expõe o seguinte: a) só há previsão legal para cobrança dos juros de mora sobre tributos, sem incluir a multa; b) a Receita Federal do Brasil já esclareceu, publicamente, que os juros de mora só incidem sobre os tributos; c) o Superior Tribunal de Justiça também já manifestou que não cabe a cobrança de juros de mora sobre a multra. Alfim, pleiteia o recebimento do apelo e seu provimento. Despacho de encaminhamento à PGFN no dia 27/092017, à efl. 3.419. Contrarrazões apresentadas no dia 02/10/2017, à efl. 3.429. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. O presente Recurso Especial é tempestivo, além de reunir os demais pressupostos de recorribilidade. Adotando as razões do Despacho de Admissibilidade, dele conheço. O ponto crucial da dúvida está na redação do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Fl. 3431DF CARF MF Processo nº 10920.721025/201183 Acórdão n.º 9101003.714 CSRFT1 Fl. 3.432 3 §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Mais especificamente, objetivase descortinar se, nos débitos a que se refere o § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, estão incluídos o tributo suprimido ao Erário e a multa proporcional aplicada mediante lançamento de ofício, ou somente o valor do tributo suprimido. De início, devese aludir à disposição normativa de onde emana a vedação à incidência de juros de mora sobre a multa de mora, conforme prevê o parágrafo único do artigo 16 do Decretolei nº 2.323/1987, com a redação dada pelo artigo 6º do Decretolei nº 2.331/1987, verbis: “Art. 6º. Os arts. 15 e 16 do Decretolei nº 2.323, de 26 de fevereiro de 1987, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 15. Os débitos para com a Fazenda Nacional, de natureza tributária, para com o Fundo de Investimento Social (Finsocial) e para com o Fundo de Participação PISPasep, não pagos no vencimento, serão acrescidos de multa de mora. Parágrafo único. A multa de mora será de vinte por cento sobre o valor monetariamente atualizado do tributo ou contribuição, sendo reduzida a dez por cento se o pagamento for efetuado até o último dia útil do terceiro mês subseqüente àquele em que tiver ocorrido o vencimento do débito. Art. 16. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, para com o Fundo de Participação PISPasep, assim como aqueles decorrentes de empréstimo compulsórios, serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do mês seguinte ao do vencimento, à razão de um por cento ao mês calendário ou fração e calculados sobre o valor monetariamente atualizado na forma deste decretolei. Parágrafo único. Os juros de mora não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo anterior." Percebase que o Decretolei nº 2.323/1987, ao ressalvar a multa de mora, não vedou a incidência dos juros de mora sobre a multa proporcional aplicada mediante lançamento de ofício. Por outro lado, o § 3º do artigo 950 do Decreto nº 3000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99) estabelece que a multa de mora não deve ser aplicada se o tributo suprimido ao Erário já tiver servido de base de cálculo para a multa proporcional decorrente de lançamento de ofício, verbis: “Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 1º). § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 2º). Fl. 3432DF CARF MF Processo nº 10920.721025/201183 Acórdão n.º 9101003.714 CSRFT1 Fl. 3.433 4 § 3º A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício.” (grifei) Assim, a expressão “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”, constante do caput do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, deve ser interpretada no sentido de compreender, para fins de incidência dos precitados juros moratórios, a diferença do tributo não recolhida até a data de seu vencimento, em razão de sua equivocada determinação, e a consequente multa aplicada mediante lançamento de ofício. Para tal empreitada exegética, é preciso considerar os artigos 113, § 1º; 139 e 161, caput e § 1º, do Código Tributário Nacional (CTN), verbis: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente.” “Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês.” A teor dos artigos suprarreferidos: a) o crédito tributário é uma decorrência da obrigação tributária principal (CTN, artigo 139); b) essa obrigação tem por objeto o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária imposta como consequência do descumprimento do dever legal de entregar ao Estadocredor, no prazo legal, o valor integral do tributo, apurado em consonância com as normas legais (CTN, § 1º do artigo 113); c) o crédito não integralmente pago no vencimento, de que trata o caput do artigo 161 do CTN, não se resume ao valor do tributo suprimido ao Erário, porquanto a infração consistente na supressão do tributo é fato gerador da multa proporcional a ser aplicada mediante lançamento de ofício. Portanto, o § 3º do artigo 161 do CTN abarca o valor do tributo suprimido e a multa a ser aplicada de ofício, em decorrência da supressão do tributo. Em apoio à interpretação aqui defendida, trazse à colação o REsp nº 1.129.990PR, publicado no Dje no dia 14/09/2009, relator Ministro Castro Meira: “Da sistemática instituída pelo art. 113, caput e parágrafos, do Código Tributário NacionalCTN, extraise que o objetivo do legislador foi estabelecer um regime único de cobrança para as exações e as penalidades pecuniárias, as quais caracterizam e definem a obrigação tributária principal, de cunho essencialmente patrimonialista, que dá origem ao crédito tributário e suas conhecidas prerrogativas, Fl. 3433DF CARF MF Processo nº 10920.721025/201183 Acórdão n.º 9101003.714 CSRFT1 Fl. 3.434 5 como, a título de exemplo, cobrança por meio de execução distinta fundada em Certidão de Dívida AtivaCDA. A expressão "crédito tributário" é mais ampla do que o conceito de tributo, pois abrange também as penalidades decorrentes do descumprimento das obrigações acessórias. Em sede doutrinária, ensina o Desembargador Federal Luiz Alberto Gurgel de Faria que, "havendo descumprimento da obrigação acessória, ela se converte em principal relativamente à penalidade pecuniária (§ 3º), o que significa dizer que a sanção imposta ao inadimplente é uma multa, que, como tal, constitui uma obrigação principal, sendo exigida e cobrada através dos mesmos mecanismos aplicados aos tributos " (Código Tributário Nacional Comentado: Doutrina e Jurisprudência, Artigo por Artigo. Coord.: Vladimir Passos de Freitas. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2ª ed., 2004, p. 546) De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. (grifei) Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Rematando, confirase a lição de Bruno Fajerstajn, encampada por Leandro Paulsen (Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 9ª ed., 2007, p. 1.027 1.028): "A partir da redação do dispositivo, fica evidente que os tributos não podem corresponder à aplicação de sanção pela prática de ato ilícito, diferentemente da penalidade, a qual, em sua essência, representa uma sanção decorrente do descumprimento de uma obrigação. A despeito das diferenças existentes entre os dois institutos, ambos são prestações pecuniárias devidas ao Estado. E no caso em estudo, as penalidades decorrem justamente do descumprimento de obrigação de recolher tributos. Diante disso, ainda que inconfundíveis, o tributo e a penalidade dele decorrente são figuras intimamente relacionadas. Ciente disso, o Código Tributário Nacional, ao definir o crédito tributário e a respectiva obrigação, incluiu nesses conceitos tanto os tributos como as penalidades. (grifei) Com efeito, o art. 139 do Código Tributário Nacional define crédito tributário nos seguintes termos: 'Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta'. Já a obrigação principal é definida no art. 113 e no parágrafo 1º. Vejase: 'Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. Fl. 3434DF CARF MF Processo nº 10920.721025/201183 Acórdão n.º 9101003.714 CSRFT1 Fl. 3.435 6 § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente'. Como se vê, o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis. No entanto, essa equiparação, muito útil para fins de arrecadação e administração fiscal, não identifica a natureza jurídica dos institutos. (...) (grifei) O Código Tributário Nacional tratou da incidência de juros de mora em seu art. 161. Confirase: 'Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito' A redação deste dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre 'crédito' não integralmente recolhido no vencimento. Ao se referir ao crédito, evidentemente, o dispositivo está tratando do crédito tributário. E conforme demonstrado no item anterior, o crédito tributário decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente. (grifos no original) Sendo assim, considerando o disposto no caput do art. 161 acima transcrito, é possível concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre as multas" (Exigência de Juros de Mora sobre as Multas de Ofício no Âmbito da Secretaria da Receita Federal. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 132, p. 29, setembro de 2006). (grifos no original) Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial.”(grifos no original) Essa é a diretriz a ser seguida, para se descortinar o alcance do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, fundamento legal da multa aplicada no caso concreto. Do preceito acima invocado, destacase a incidência de juros de mora sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Facilmente se infere que as multas ora comentadas só nascem porque há tributo devido a ser exigido de ofício. Não houvesse tributo sonegado, não haveria multa proporcional a ser lançada de ofício. Essa deve ser a linha de raciocínio para o desvendamento do que se pode entender no âmbito da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições.” Pelas razões acima referidas, as multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa SELIC. Fl. 3435DF CARF MF Processo nº 10920.721025/201183 Acórdão n.º 9101003.714 CSRFT1 Fl. 3.436 7 Alfim, salientase que a Câmara Superior já decidiu segundo a linha exegética aqui anunciada: “JUROS DE MORA — MULTA DE OFICIO — OBRIGAÇÃO PRINCIPAL— A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic”. (Acórdão CSRF/0400.651, de 18/09/2007, processo nº 16327.002231/200285, Relator Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) “JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.” (Acórdão nº 910100.539, de 11/03/2010, processo nº 16327.002243/9971, Relator Conselheiro Valmir Sandri, Redatora Designada Conselheira. Viviane Vidal Wagner) À luz dos argumentos expostos, impõese reconhecer a legalidade da incidência dos juros de mora, calculado com base na taxa SELIC, sobre a multa aplicada. CONCLUSÃO: devese conhecer do Recurso Especial do contribuinte para, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 3436DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000372/2004-25
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001
NORMAS. REGIMENTOS. RECURSO ESPECIAL. PARADIGMA. SITUAÇÃO FÁTICA DISTINTA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do recurso especial de divergência quando a situação fática do acórdão paradigma não é similar á do aresto recorrido. Em concreto, o paradigma analisava a incidência de contribuição sobre receitas financeiras de instituição bancária e o acórdão a quo sobre receitas financeiras de empresa de fomento mercantil.
Numero da decisão: 9303-007.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 NORMAS. REGIMENTOS. RECURSO ESPECIAL. PARADIGMA. SITUAÇÃO FÁTICA DISTINTA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso especial de divergência quando a situação fática do acórdão paradigma não é similar á do aresto recorrido. Em concreto, o paradigma analisava a incidência de contribuição sobre receitas financeiras de instituição bancária e o acórdão a quo sobre receitas financeiras de empresa de fomento mercantil.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 NORMAS. REGIMENTOS. RECURSO ESPECIAL. PARADIGMA. SITUAÇÃO FÁTICA DISTINTA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso especial de divergência quando a situação fática do acórdão paradigma não é similar á do aresto recorrido. Em concreto, o paradigma analisava a incidência de contribuição sobre receitas financeiras de instituição bancária e o acórdão a quo sobre receitas financeiras de empresa de fomento mercantil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 03 72 /2 00 4- 25 Fl. 1000DF CARF MF 2 Relatório Tratase de processo originado do auto de infração de efls. 011 a 022, cientificado à contribuinte em 26/03/2004 (efl. 30). No auto de infração é realizada a exigência de créditos tributários de Cofins, por falta ou insuficiência de recolhimento ou pagamento da Cofins, referentes aos períodos de apuração de 01/01/1999 a 31/12/2001. O valor do crédito apurado, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, montaram à R$ 46.291,26, à data do lançamento, 15/03/2004. Na descrição dos fatos, relatada em Termo de Verificação à efl. 28, constatouse em trabalho de revisão interna que a contribuinte informou em suas DIPJ/2000, 2001 e 2002 apenas receitas de serviços e outras operacionais. Cotejandose os valores oferecidos à tributação do PIS e da COFINS nas referidas DIPJ, verificouse que o contribuinte ofereceu à tributação apenas as receitas decorrentes de prestação de serviços, omitindo à tributação as demais receitas operacionais. A contribuinte apresentou impugnação às efls. 31 a 56, em 26/04/2004. A 8ª Turma da DRJ/SPOI, no acórdão nº 1614.308, prolatado em 07/08/2007, às efls. 96 a 104, considerou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, mantendo integralmente o crédito tributário exigido. Em 16/10/2008, o Chefe da DICAT/DERAT/SPO, retificou de ofício o lançamento, cancelando o lançamento dos créditos tributários para os fatos geradores anteriores a março de 1999, alcançados pela decadência, com base no art. 150 do CTN, haja vista a existência de pagamentos, e os critérios da Súmula Vinculante nº 8 do STF que orientou o Parecer PGFN/CAT nº 1.617/2008. Intimada do acórdão da DRJ em 19/11/2008 (efl. 117), a contribuinte interpôs recurso voluntário, em 19/12/2008, às efls. 121 a 140. Argumentou, em síntese: tratarse de infração apurada apenas em relação a receitas financeiras, alegando ser inconstitucional a exigência da Cofins para além do faturamento; afirmou ser possível o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei na instancia administrativa; e contestou a legalidade dos juros exigidos com base na taxa Selic. Após análise do recurso voluntário, a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em 12/08/2011, por unanimidade, concluiu por converter o julgamento em diligência, na Resolução nº 330200.163, às efls. 179 a 183. A diligência decorreu da inexistência nos autos de qualquer evidência de que as "outras receitas" não oferecidas à tributação fossem receitas financeiras. Nem a contribuinte nem a fiscalização discriminaram a origem dessas receitas, sendo extremamente provável que entre elas se encontrassem incluídas receitas financeiras. Em cumprimento à resolução, foi realizada diligência e apurado que as "outras receitas operacionais" tinham a natureza de receitas financeiras (juros relativos a títulos de crédito) e recuperação de custos (reembolso de valores oriundos do resgate de títulos, e.g. IOF). O resultado da diligência foi apresentado em Relatório Fiscal de efls. 921 a 924, datado de 13/03/2013 que concluiu nos seguintes termos: Portanto, para o ano de 1999 constatamos que as alegações do sujeito passivo são parcialmente corretas. Assiste razão quanto ao cálculo das contribuições para o PIS e são insubsistentes em relação à COFINS, conforme o material apresentado em resposta ao nosso termo de início. Fl. 1001DF CARF MF Processo nº 16327.000372/200425 Acórdão n.º 9303007.360 CSRFT3 Fl. 1001 3 Para os anos calendário subsequentes, 2000 e 2001, o sujeito passivo não alegou quaisquer diferenças em relação a base de cálculo dos autos de infração. No que diz respeito à natureza das receitas que serviram de base de cálculo aos autos de infração. constatamos a veracidade das alegações feitas pelo contribuinte. Estas foram oriundas de receitas financeiras e de recuperação de custos. conforme os relatórios apresentados. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em 29/01/2013, resultando no acórdão nº 3302002.415, às efls. 930 a 935, que tem a seguinte ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o CARF aplicar esta decisão para afastar a exigência da Cofins sobre as receitas que não representam venda de mercadoria ou de serviço. Recurso Voluntário Provido. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. O voto condutor afirma que a unidade preparadora, ao realizar a diligência confirmou serem as receitas objeto da autuação receitas financeiras e de recuperação de custos e que os valores de Cofins recolhidos para o ano de 1999 o foram efetuados com alíquotas corretas, correspondendo ao valor do faturamento indicado na DIPJ. Embargos da Fazenda Intimada para ciência do acórdão em 20/06/2014, a Procuradoria da Fazenda Nacional manejou embargos de declaração em 15/07/2014, às efls. 938 a 940. O então Presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, no despacho nº 3302116, às efls. 942 e 943, em 26/11/2014, negou seguimento ao embargo, por não encontrar omissão, contradição ou obscuridade no acórdão. Recurso especial da Fazenda Intimada do despacho nº 3302116, em 08/12/2014 (efl. 944), a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência em 12/12/2014 (efls. 945 a 961), no qual aponta interpretação divergente entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma nº 3801001.087. A decisão recorrida diante de situação fática semelhante, entendeu que as receitas oriundas das operações bancárias (receitas operacionais) compõem o faturamento porque estão relacionadas ao exercício do objeto social dessas instituições, nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98, concluindo pelo não reconhecimento do direito creditório pleiteado pelo contribuinte, uma vez que as receitas operacionais de instituições Fl. 1002DF CARF MF 4 financeiras são, para fins tributários, consideradas como prestação de serviços e estão sujeitas a incidência do PIS e da Cofins. O acórdão a quo, por sua vez, excluiu as receitas financeiras, da base de cálculo da contribuição apurada pela Fiscalização. Ao final, requer o conhecimento e provimento do recurso especial, para que se reforme o aresto recorrido. O Presidente da 3ª Câmara de Terceira Seção de Julgamento do CARF apreciou o recurso especial de divergência do Procurador em 15/04/2016, no despacho de efls. 963 a 965, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, dandolhe seguimento. Contrarrazões da contribuinte A contribuinte foi cientificada do acórdão nº 3302002.415, recurso especial de divergência da Fazenda e do despacho que o admitiu, em 29/07/2016 (efl. 970), e apresentou contrarrazões em 12/08/2016, às efls. 972 a 988. Requer que não se conheça do recurso especial de divergência do Procurador, por entender: (i) não haver similitude fática entre o aresto recorrido e o paradigma; (ii) haver necessidade de reexame probatório, o que é impróprio em sede de recurso especial; e (iii) não haver cotejo analítico entre a decisão divergente e a decisão recorrida. Quanto ao mérito, não faz manifestação. (i) se caracterizaria pela singela razão que o sujeito passivo do acórdão paradigma ser um banco, instituição financeira por definição, enquanto a contribuinte é uma empresa de fomento mercantil (factoring), prestadora de serviços como até mesmo seria reconhecido pela Receita Federal no Parecer COSIT nº 05/2014 ao definir a receita bruta dessa atividade. (ii) o aresto recorrido excluiu as receitas da empresa com base em relatório de diligência o que importou reconhecêlas como receitas financeiras, afastadas, ao fim e ao cabo, pela declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/1998, e alterar a natureza dessa receitas em sede de recurso especial exigiria revisitar as provas com rediscussão de matéria fática; e (iii) não houve demonstração analítica entre pontos divergentes dos acórdãos paradigma e recorrido, com desatendimento ao § 8º do art. 67 do RICARF, apenas análise dos votos dos Ministros do STF quando da apreciação da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998. Pelas razões apresentadas, requer que não se conheça do recurso especial de divergência da Fazenda e, caso conhecido, pugna pelo seu desprovimento, para manutenção do acórdão recorrido. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso é tempestivo. Conhecimento Fl. 1003DF CARF MF Processo nº 16327.000372/200425 Acórdão n.º 9303007.360 CSRFT3 Fl. 1002 5 Quanto ao conhecimento, penso que bem andou a contribuinte em suas contrarrazões, mormente pela conjugação dos argumentos (i) e (ii) por ela esgrimidos. Primeiramente, há que se ter por incontestes as receitas sobre as quais a fiscalização fez incidir a Cofins, no seu próprio dizer, ao final da diligência, oriundas de recuperação de custos e receitas financeiras. Além disso, não há qualquer prova quanto a contribuinte atuar ou não em atividade de instituição financeira, exorbitando da atividade de fomento mercantil (factoring.). Ao final, a discussão se centrava no fato de, em se tratando de receitas financeiras, esses ingressos comporem ou não as receitas operacionais da contribuinte. Compondo, sobre ele incidiriam a Cofins, caso contrário, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 afastaria tal incidência. Assim, para caracterização de divergência jurisprudencial no caso, seria necessário que a recorrente apontasse a título de acórdão paradigma uma decisão que: (a) analisasse a atividade de uma empresa de factoring e (b) concluísse que receitas financeiras relativas a juros relacionados títulos de crédito) e recuperação de custos decorrentes do reembolso de valores oriundos do resgate de títulos (e.g. IOF), seriam decorrentes de sua prestação de serviço, compondo o faturamento. Entretanto, não foi isso o que ocorreu. O paradigma aborda a compensação de créditos de Cofins de um banco, com base em decisão judicial em Mandado de Segurança MS transitado em julgado, que objetivara a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998. O voto vencedor do paradigma considera o resultado do MS, mas, por se tratar de instituição financeira, classifica a receita financeira como operacional, sem violação à hipótese de incidência da contribuição, bastando o caput dos artigos 2º e 3º para tanto. Nada pode garantir que o colegiado que proferiu a decisão paradigmática, ao se deparar com o contexto fático objeto do presente processo, iria decidir de maneira diversa daquela do acórdão recorrido. A situação fática é distinta, a começar pela atividade do sujeito passivo no acórdão paradigma, inegavelmente, uma instituição financeira, banco. Nesse caso, receitas financeiras fariam parte do conceito de receita operacional e não ficariam afastadas da incidência da Cofins, ainda que se considere inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998. Não há como ver paralelo com a questão do aresto recorrido, no qual não se estabeleceu qualquer discussão nesse sentido, pois, neste processo, a atividade da contribuinte não foi sequer levada em consideração para a presente discussão, pois até o acórdão recorrido todas as receitas lançadas foram tidas como tributáveis. Haveria necessidade de que o paradigma se estabelecesse sobre a mesma atividade de fomento mercantil (factoring) para que houvesse a admissão da divergência. Dessa forma, em razão da falta de similitude fática entre o acórdão recorrido e o paradigma, entendo não ser possível estabelecer a divergência jurisprudencial alegada e, com a devida vênia do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção, voto por não conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional . CONCLUSÃO Fl. 1004DF CARF MF 6 Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso especial de divergência da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1005DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13875.720210/2012-12
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
RECURSO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPETÊNCIA.
Não cabe ao CARF se pronunciar sobre direito creditório fora dos limites da lide.
Numero da decisão: 2002-000.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 RECURSO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPETÊNCIA. Não cabe ao CARF se pronunciar sobre direito creditório fora dos limites da lide.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPETÊNCIA. Recorrente OLIVIA MARIA DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 RECURSO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPETÊNCIA. Não cabe ao CARF se pronunciar sobre direito creditório fora dos limites da lide. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 5. 72 02 10 /2 01 2- 12 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13875.720210/201212 Acórdão n.º 2002000.279 S2C0T2 Fl. 76 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 14/18), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2008. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar de R$863,31 para saldo de imposto a pagar de R$3.999,25. A notificação consigna omissões de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes do trabalho (R$796,08) e de ação da Justiça Federal (R$25.001,09, tendo sido compensado IRRF de R$1.610,62). Impugnação Cientificada à contribuinte em 26/10/2012, a NL foi objeto de impugnação, em 23/11/2012, à fl. 2/7 dos autos, na qual a contribuinte contesta parcialmente a exigência. Ela nega que tenha auferido rendimentos em decorrência de ação judicial. Posteriormente, em 14/12/2012, a contribuinte volta a se manifestar (fls.24/28), informando que, do valor informado pelo Banco do Brasil em DIRF, ela teria recebido o montante de R$13.365,13, conforme atestaria documentação anexada a sua defesa. A impugnação foi apreciada na 4ª Turma da DRJ/POA que, por unanimidade, julgou a impugnação procedente em parte por (fls. 32/35) em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS AUFERIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Deve ser mantido o lançamento decorrente da omissão de rendimentos na Declaração de ajuste Anual, verificada a partir das informações prestadas pelo contribuinte e das informações constantes nos sistemas da Receita Federal do Brasil. Posteriormente, após encaminhamento da Unidade da RFB responsável pela execução do julgado (fl.42), a DRJ proferiu nova decisão, para retificar a anteriormente proferida, tendo sido assim ementada (fls. 46/50): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13875.720210/201212 Acórdão n.º 2002000.279 S2C0T2 Fl. 77 3 RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO INEXATIDÃO MATERIAL Deve ser retificado o Acórdão, quando constatada inexatidão material por lapso manifesto. OMISSÃO DE RENDIMENTOS AUFERIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Deve ser cancelado o lançamento decorrente da omissão de rendimentos na Declaração de ajuste Anual, quando comprovado erro na informação do CNPJ da fonte pagadora. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Consolidase administrativamente o crédito tributário relativo à matéria não impugnada. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 13/3/2018 (fl. 71), a contribuinte, em 3/4/2018 (fl. 55), apresentou recurso voluntário, às fls. 55/68, no qual alega, em apertado resumo, que a nova decisão proferida ignorou os valores já recolhidos por ela e apontados no despacho de saneamento à fl.42 dos autos, de R$381,37 e de R$1.125,75, pago em 16/2/2009 (fl.57). Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13875.720210/201212 Acórdão n.º 2002000.279 S2C0T2 Fl. 78 4 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo, entretanto é de se analisar se cabe sua apreciação por este Colegiado. Da leitura da manifestação às fls. 55/56, constatase que a contribuinte reclama valores a restituir decorrentes da decisão exarada: o saldo de imposto a restituir de R$381,37, apurado com o processamento dos novos valores de rendimentos e de IRRF apontados na decisão da DRJ, e o valor de R$1.125,75, apurado e recolhido por ela por ocasião da apresentação de Declaração de Ajuste retificadora, conforme demonstrado à fl.42. Esse pedido ultrapassa os limites da controvérsia fixada pela notificação fiscal e impugnação, circunscrita à exigência de imposto suplementar. A análise desse direito creditório compete à Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição do domicílio tributário da recorrente, a quem deve ser direcionado. Conclusão Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso apresentado. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.724314/2011-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/08/2006
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON.
A entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória correspondente.
BASE DE CÁLCULO DA MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. COFINS DEVIDA NO MÊS.
A base de cálculo da multa por atraso na entrega do Dacon é o montante da Cofins, entendendo-se como o total da Cofins devida no mês.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.860
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10980.724292/2011-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/08/2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória correspondente. BASE DE CÁLCULO DA MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. COFINS DEVIDA NO MÊS. A base de cálculo da multa por atraso na entrega do Dacon é o montante da Cofins, entendendo-se como o total da Cofins devida no mês. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10980.724292/2011-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede.
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Recorrente BRASCERAS S.A. INDUSTRIA E COMERCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/08/2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória correspondente. BASE DE CÁLCULO DA MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. COFINS DEVIDA NO MÊS. A base de cálculo da multa por atraso na entrega do Dacon é o montante da Cofins, entendendose como o total da Cofins devida no mês. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10980.724292/201106, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 43 14 /2 01 1- 20 Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10980.724314/201120 Acórdão n.º 3302005.860 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de exigência decorrente de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, tendo como fundamento legal o art. 7° da Lei n° 10.246, de 24 de abril de 2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada da exigência fiscal, a interessada interpôs impugnação, alegando improcedência do lançamento, uma vez que o auto de infração não trouxe descrição clara e precisa do fato que ensejou a autuação, sem oferecer meios suficientes para se defender da infração. Diz que o demonstrativo do crédito tributário é extremamente simplista, de modo que não analisa os créditos apurados e transcritos no Dacon do período. Ressalta, que a fiscalização restringiuse a calcular a multa sobre o total dos débitos da Cofins (Item 15 da Ficha 25B), sem verificar a existência dos créditos declarados na Ficha 25B na Linha 18. Desse modo, entende que para o cálculo da multa deveria ser utilizado o valor da Cofins a Pagar Faturamento (Linha 27) e não o valor da Cofins Devida no mês (Linha 15), pois, houve no período a dedução da contribuição retida na fonte por pessoa jurídica de direito privado, não diminuída da base de cálculo do lançamento. A 3a Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Curitiba/PR, por unanimidade de votos, considerou PROCEDENTE o presente lançamento, mantendo a exigência, nos termos do Acórdão nº 06039.981. Entendeu a Turma que: ü Os elementos necessários à constituição do crédito tributário encontramse devidamente demonstrados, sendo prescindível quaisquer outros esclarecimentos que, porventura, a contribuinte pudesse precisar para oferecer uma impugnação consistente; ü Percebese que o valor da base de cálculo da multa nada mais é do que a composição de importâncias informadas pela interessada em seu Dacon. E isso, digase, foi bem entendida pela contribuinte, já que em sua impugnação demonstrou claramente a sua discordância em relação ao seu entendimento para se chegar à base de cálculo em contrapartida ao valor obtido pela autoridade lançadora. ü A irresignação da interessada consiste no fato de o lançamento considerar como base de cálculo da multa (“Montante da Cofins”) o valor da Cofins Devida e não o da Cofins a Pagar; ü Na verdade, a interessada entende que da base de cálculo considerada como “Montante da Cofins” deveria ainda ser excluída a importância retida na fonte por Pessoas Jurídicas de Direito Privado; ü No entanto, a retenção na fonte no caso de pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado é Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10980.724314/201120 Acórdão n.º 3302005.860 S3C3T2 Fl. 4 3 considerada como antecipação do valor devido, já que podem ser deduzidos das contribuições devidas de mesma espécie, conforme disciplina a Instrução Normativa SRF n ° 459, de 18 de outubro de 2004, em seu art. 7°. Ora, uma vez apurado o montante da contribuição devida, esta poderá ser diminuída pela dedução dos valores dessa mesma contribuição que foram retidos na fonte, no próprio mês ou em meses posteriores, para efeito de recolhimento. Isso porque a referida retenção caracterizase como um pagamento antecipado e, assim sendo, o valor que serviu de base para a retenção constitui uma receita que compõe a base de cálculo para apurar o valor da contribuição devida. Mas, frisese, o valor da contribuição devida sempre será a mesma, quer a interessada utilize ou não a retenção sofrida no período. Cientificada do Acórdão de Impugnação, a empresa BRASCERAS ingressou com Recurso Voluntário. Foi alegado que: ü A Requerente é empresa, constituída sob. a forma de sociedade anônima Fechada, e, nessa condição, é contribuinte de diversos, tributos, inclusive da COFINS, que é regularmente recolhido aos cofres públicos nos prazos e formas previstos em lei; ü A requerente apurou devidamente a COFINS, o que resultou em valor a recolher; ü O referido valor foi devidamente recolhido aos cofres públicos no prazo legal; ü A despeito disso, a empresa apresentou com atraso, porém espontaneamente a DACON referente ao período de apuração; ü Como visto, o presente processo discute especificamente a multa sobre o atraso na, entrega da DACON, portanto é importante destacar que a Requerente, apresentou o referido documento para Receita, o. qual foi devidamente preenchido respeitando todos os requisitos e condições legais exigidos; ü O fato é que o preenchimento da DACON, que é o Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais, consiste na apuração dos débitos e créditos resultando no valor a recolher ou o crédito disponível para o mês subsequente; ü Ocorre que na referida DACON, a Requerente para a contribuição da COFINS apurou o total de débitos conforme item 15 da Ficha 25 B, e também apurou o total de créditos, conforme item 18 da Ficha 25 B, resultando, assim em valor da COFINS a pagar, conforme item 27 da Ficha 25 B; Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10980.724314/201120 Acórdão n.º 3302005.860 S3C3T2 Fl. 5 4 ü O Auto de Infração, apontou como enquadramento legal o artigo 7° da Lei 10.246, de 24 de abril de 2002, com redação dada pelo artigo 19 da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004; ü Ocorre que esses dispositivos não foram devidamente interpretados pela, fiscalização, pois o inciso III do artigo 7° acima mencionado deixa claro que aplicação da multa deve ser feita em relação ao montante da COFINS, e não sobre o valor dos débitos apurados; ü Assim, além de o Auto de Infração mostrarse insuficiente na descrição dos fatos, está confuso na sua própria fundamentação, uma vez que os dispositivos mencionados não foram analisados pela. D. Fiscalização e, tampouco, aplicados corretamente ensejando uma multa com valores excessivos conforme demonstrado em quadro apresentado no Recurso Voluntário; ü Não há dúvidas de que em nenhum momento, o legislador estipulou outra alternativa que não seja a aplicação da multa por atraso a ser calculada em relação a montante da contribuição da COFINS; ü Portanto, qualquer que seja a leitura que se faça, o que se percebe é que houve um equívoco no cálculo da multa aplicada no Auto de Infração, onde a D. Fiscalização desconsiderou o dispositivo legal e calculou a multa sobre o valor total dos débitos do mês, sem ao menos, considerar os créditos devidamente declarados; ü Invoca os princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade; ü Como se mota, nesta hipótese, o atraso na entrega da DACON, ainda que caracterize um ilícito, à legislação fiscal que estipula o prazo para entrega da declaração, não trará maiores prejuízos para a Fazenda, já que não representará atraso no recolhimento do tributo, e, tampouco, qualquer tentativa de fraude em prejuízo da arrecadação; ü As multas pelo descumprimento de obrigação acessória, por sancionarem deveres instrumentais sem correspondência, econômica delimitável, devem ser fixadas sempre em valor fixo, e não tomar por base o valor do tributo declarado; ü No caso das multas por descumprimento de obrigação acessória, tal medida não é razoável, posto que a medida que se pretende coibir com a sanção não é a falta de recolhimento, mas sim a falta ou o atraso na prestação de informações; ü Neste contexto temos que à luz do princípio da proporcionalidade, a seguinte. conclusão ainda que o percentual da multa prevista na legislação possa ser considerado, à primeira vista, tolerável, o fato é que a multa pelo atraso na entrega da DACON, calculada com base no valor total do tributo apurado informado na declaração e não pelo tributo devido, viola o princípio da proporcionalidade e do não confisco. A CONCLUSÃO E O PEDIDO Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10980.724314/201120 Acórdão n.º 3302005.860 S3C3T2 Fl. 6 5 Dessa forma, requerse. o conhecimento e provimento integral do presente Recurso Voluntário, e assevera ainda que: 1. os documentos apresentados pela Requerente demonstram que o montante da COFINS recolhido correspondem exatamente aos valores declarados no DACON; 2. o cálculo da multa feita pela Fiscalização foi feita de forma equivocada, pois tomou como base de cálculo o valor total dos débitos da COFINS', ao invés de utilizar o montante da COFINS recolhido; Caso entenda V.Sa. pela aplicação da multa que a mesma seja, calculada pelo montante da COFINS recolhida , requer ainda, que sejam mantidas: a) manutenção da aplicação da redução da multa em 50% (cinquenta por cento) em virtude da entrega espontânea do demonstrativo; b) a redução de 50% para pagamento à vista, ou 40% para os pedidos de parcelamento formalizados no neste mesmo prazo. É o relatório. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10980.724314/201120 Acórdão n.º 3302005.860 S3C3T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.848, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.724292/201106, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.848): "Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 08 de maio de 2013, via Aviso de Recebimento, às folhas 55 do processo digital. O recurso voluntário foi apresentado em 06 de junho de 2013, sendo portanto tempestivo. Da controvérsia. O Recurso Voluntário apresenta as seguintes questões: A inobservância pela fiscalização do inciso III, do artigo 7° da Lei 10.246, de 24 de Abril de 2002, com redação dada pelo artigo 19 da Lei n° 11.051, de 29 de Dezembro de 2004; A aplicação dos os princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade; O atraso na entrega da DACON não representou falta de recolhimento de tributo, na medida em que todos os tributos informados na declaração foram pagos dentro do vencimento. Do mérito. A inobservância pela fiscalização do inciso III, do artigo 7° da Lei 10.246/2002. O artigo em questão assim dispõe: Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10980.724314/201120 Acórdão n.º 3302005.860 S3C3T2 Fl. 8 7 ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. A transmissão do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais pela interessada ocorreu em 25/10/2007, quando o prazo final de entrega era Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10980.724314/201120 Acórdão n.º 3302005.860 S3C3T2 Fl. 9 8 05/10/2007, o que acarretou a infração imposta pelo presente auto de infração, com fulcro no § 1o do artigo 7° da Lei 10.246/2002. O valor exigido é de R$ 2.796,87 e decorre de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon. Desse valor assim obtido, como ali consta, existe a redução de 50%, em virtude da entrega espontânea da declaração, mas sempre respeitando o valor mínimo que deverá ser exigido (de R$ 200,00 ou de R$ 500,00 conforme o caso), bem como a data de vencimento. A Ficha 25B do Dacon, relativamente à apuração da Cofins do regime não cumulativo e cumulativo traz as seguintes informações quanto às linhas especificadas no lançamento: Tal qual apontado no Acórdão de Impugnação, o valor da base de cálculo da multa exigida no presente auto de infração é a composição de importâncias informadas pela interessada em seu Dacon. A Recorrente entende que da base de cálculo considerada como “Montante da Cofins” deveria ainda ser excluída a importância retida na fonte por Pessoas Jurídicas de Direito Privado (Linha 18 da Ficha 25B). A Lei n° 10.833, de 2003, estabelece: Art. 30 . Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mãode obra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos a retenção na fonte da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10980.724314/201120 Acórdão n.º 3302005.860 S3C3T2 Fl. 10 9 No entanto, o valor da contribuição devida sempre será a mesma, quer a interessada utilize ou não a retenção sofrida no período. Isso porque a retenção na fonte, no caso de pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado, é considerada como antecipação do valor devido, conforme disciplina a Instrução Normativa SRF n ° 459, de 18 de outubro de 2004, em seu art. 7°: TRATAMENTO DOS VALORES RETIDOS Art. 7º Os valores retidos na forma do art. 2º serão considerados como antecipação do que for devido pelo contribuinte que sofreu a retenção, em relação às respectivas contribuições. § 1º Os valores retidos na forma desta Instrução Normativa poderão ser deduzidos, pelo contribuinte, das contribuições devidas de mesma espécie, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. § 2º O valor a ser deduzido, correspondente a cada espécie de contribuição, será determinado pelo próprio contribuinte mediante a aplicação, sobre o valor bruto do documento fiscal, das alíquotas respectivas às retenções efetuadas. Uma vez apurado o montante da contribuição devida, esta poderá ser diminuída pela dedução dos valores dessa mesma contribuição que foram retidos na fonte, no próprio mês ou em meses posteriores, para efeito de recolhimento. Isso porque a referida retenção caracterizase como um pagamento antecipado e, assim sendo, o valor que serviu de base para a retenção constitui uma receita que compõe a base de cálculo para apurar o valor da contribuição devida. O atraso na entrega da DACON não representou falta de recolhimento de tributo. Como visto, a infração em comento tem por fulcro o artigo 7° da Lei 10.246/2002, a pouco reproduzido. A conduta infracional tipificada não faz qualquer referência quanto à falta de recolhimento de tributo para a sua consecução. Logo, o recolhimento dos tributos não pode ser tomado como excludente de penalidade. Das penalidades. Da arguição de confisco e desrespeito aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Tendo em vista que a vedação ao confisco tem seio em norma constitucional, na alegação da defesa de que a exação é confiscatória, implícita está a arguição de inconstitucionalidade da própria norma legal que prevê a penalidade, para afastar sua a aplicação no caso concreto. Entretanto, em face do modelo adotado em nosso sistema jurídico, a autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre inconstitucionalidade de normas legais, cabendo apenas executálas, não podendo negar aplicação à lei, sob argumento de que há conflito com a Constituição Federal. Com efeito, o órgão administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza, uma vez que exercício do controle da constitucionalidade, regulado pela própria Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10980.724314/201120 Acórdão n.º 3302005.860 S3C3T2 Fl. 11 10 Constituição Federal, é reservado ao Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa, conforme prevê a Lei Maior no Capítulo III do Título IV. A presunção é que o Legislativo, antes de aprovar a lei tenha examinado eventual conflito com a Constituição Federal e chegado à conclusão de não haver tal contrariedade. Essa presunção somente sucumbe ante o pronunciamento judicial. Inadmissível é pretender que a autoridade administrativa descumpra a lei. Até aí não vai o seu poder, tendo em vista o alcance limitado do julgamento nessa esfera, que não pode se desviar dos estritos ditames legais, sendo vedado imiscuirse na competência do Poder Judiciário para examinar a constitucionalidade de normas. No mais, agasalhase o entendimento de que vem a ser essa uma limitação imposta pelo Legislador constituinte ao Legislador infraconstitucional (ordinário), portanto, não se pode dizer que o princípio esteja direcionado à Administração Tributária. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 186DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720346/2012-06
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-005.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 03 46 /2 01 2- 06 Fl. 258DF CARF MF Processo nº 19515.720346/201206 Acórdão n.º 9202005.025 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 259DF CARF MF Processo nº 19515.720346/201206 Acórdão n.º 9202005.025 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 19515.720346/201206 Acórdão n.º 9202005.025 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 261DF CARF MF Processo nº 19515.720346/201206 Acórdão n.º 9202005.025 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 19515.720346/201206 Acórdão n.º 9202005.025 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 263DF CARF MF Processo nº 19515.720346/201206 Acórdão n.º 9202005.025 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 19515.720346/201206 Acórdão n.º 9202005.025 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 265DF CARF MF Processo nº 19515.720346/201206 Acórdão n.º 9202005.025 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 19515.720346/201206 Acórdão n.º 9202005.025 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 267DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12719.002808/2008-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 02 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.900
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Antonio Carlos Atulim - Presidente
Diego Diniz Ribeiro - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Antonio Carlos Atulim - Presidente Diego Diniz Ribeiro - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrida UNIÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Antonio Carlos Atulim Presidente Diego Diniz Ribeiro Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de Auto de Infração no valor de R$ 12.387.556,65 lavrado para a exigência de Imposto de Importação, juros de mora e multa agravada (150%), bem como multa do controle administrativo incidente sobre a diferença entre o preço de importação declarado e o efetivamente praticado (art. 88, parágrafo único da MP n. 2.15835/011). Segundo a acusação 1 "Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: (...) Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 27 19 .0 02 80 8/ 20 08 -8 0 Fl. 3379DF CARF MF Processo nº 12719.002808/200880 Resolução nº 3402000.900 S3C4T2 Fl. 3 2 fiscal o contribuinte teria importado mercadorias para o período em cobro (09/2003 a 01/2005) com valor subfaturado, o que implicou a apuração e cobrança do tributo e consectários legais sobre esta diferença, bem como a sobredita multa de controle administrativo. 2. Para melhor ilustrar a acusação em análise, convém desde já destacar alguns trechos do relatório fiscal (fls. 47/49), in verbis: (...). (...). exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis." Fl. 3380DF CARF MF Processo nº 12719.002808/200880 Resolução nº 3402000.900 S3C4T2 Fl. 4 3 3. Devidamente intimado da autuação, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1.002 1.027 (vol.06 do eprocesso), oportunidade em quem em síntese, alegou: 4. Uma vez processada, referida impugnação foi julgada parcialmente procedente pela DRJFlorianópolis (Acórdão n. 0716.428 fls. 2.274/2.288), conforme se observa da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 08/09/2003 a 18/01/2005 BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. Fl. 3381DF CARF MF Processo nº 12719.002808/200880 Resolução nº 3402000.900 S3C4T2 Fl. 5 4 Constatado que os preços das mercadorias consignados nas declarações de importação e correspondentes faturas não correspondem à realidade das transações e são inferiores aos preços efetivamente praticados fica caracterizado o sub faturamento. Portanto, exigíveis os tributos aduaneiros devidos. Alterada a base de cálculo do II, por mudança no valor aduaneiro tornase exigível a diferença do II, resultante desse ato. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Cabível a multa de ofício agravada, de 150% sobre o II apurado. Constatada a fraude na importação é aplicável a multa agravada de lançamento de ofício do II. MULTA ADMINISTRATIVA. Constatada diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado nas importações é correta a exigência da multa administrativa. DECADÊNCIA. TRIBUTOS E INFRAÇÕES. Os tributos têm a contagem do prazo decadencial de acordo com a regra geral estabelecida pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, ou seja, iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. A fraude constatada afasta a homologação tácita. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, a contar da data da infração, conforme estabelece o artigo 139 do DecretoLei n° 37/66. REVISÃO ADUANEIRA. A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contado da data do registro da declaração de importação correspondente. Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. Lançamento Procedente em Parte. 5. Em suma, a DRJ reconheceu a decadência de parte do crédito em cobro, o que implicou a sua exoneração parcial nos seguintes termos: 6. Diante do valor exonerado, foi interposto o recurso de ofício em relação a tal parcela. No que tange ao importe mantido, o contribuinte externou a sua irresignação por Fl. 3382DF CARF MF Processo nº 12719.002808/200880 Resolução nº 3402000.900 S3C4T2 Fl. 6 5 intermédio do recurso voluntário de fls. 2.296/2.326, oportunidade em que repisou as questões desenvolvidas em impugnação. A União, por seu turno, apresentou contrarrazões as fls. 2.330/2.360. 7. Pautado para julgamento, a então turma julgadora, por intermédio da resolução n. 310100.115 (fls. 2.362/2.368), da lavra do Conselheiro Corintho Oliveira Machado, afastou as preliminares aventadas pelo Recorrente, bem como determinou que a fiscalização tomasse as seguintes providências: (...). i) faça quadro comparativo com importações de bens idênticos ou similares, nas mesmas ou similares quantidades e na mesma época das importações ora em discussão, colocando em epígrafe as colunas que mostram os valores aduaneiros; ii) trazer informações detalhadas dos processos que envolvem a exportadora e a importadora (recorrente) na comarca de Itajaí, tais como petições iniciais, decisões prolatadas, e demais provimentos que possam subsidiar essa lide; iii) solicite a instituição abalizada, perícia grafotécnica nas faturas comerciais que instruíram os despachos aduaneiros ora em questão, para verificar se são originais as assinaturas apostas, ou se são cópias de outras assinaturas; e nas faturas comerciais apresentadas pela exportadora, para verificar se foram emitidas em 2003, 2004 e 2005, ou se foram emitidas em período mais recente; iv) elaborar Informação Fiscal conclusiva sobre a imputação, levando em consideração as informações colhidas nos itens anteriores. (...). 8. Em resposta a tais indagações, a unidade preparadora produziu o relatório fiscal de fls. 2.948/2.956, com as seguintes considerações: (...). Diante dos dados acima transcritos constatese que os preços declarados por J. RUETTE estiveram sempre abaixo da média dos preços unitários por par de luvas praticados nas demais importações brasileiras de mercadorias classificadas no subitem da NCM 4015.1900 provenientes da Malásia. O preço declarado pela J. RUETTE foi sempre inferior a 65% do preço médio das demais importações. A comparação levando em conta o valor da mercadoria dividida pelo peso líquido também aponta para a prática de preços abaixo da média (em torno de 70% do preço médio, aproximadamente, de modo geral). (...). 9. Não obstante a tal consideração, em resposta a intimações elaboradas durante a fase de diligência, o contribuinte apresentou cópias das principais peças da ação judicial (autos n. 033.06.0158452, com trâmite pela 3a. V. Cível da Comarca de Itajaí/SC) em que litiga, na qualidade de Réu e também de Reconvinte, com a empresa APL (fls. 2.370/). Fl. 3383DF CARF MF Processo nº 12719.002808/200880 Resolução nº 3402000.900 S3C4T2 Fl. 7 6 10. Tratase de uma ação de cobrança proposta pela empresa APL em face da recorrente em que reclama um valor inadimplido de importações na ordem de aproximadamente U$ 3.000.000,00. Há nesta demanda, inclusive, um incidente de falsidade documental promovido pela recorrente, o qual tem por fito questionar exatamente a falsidade das faturas apresentadas pela empresa APL à RFB no auto de infração aqui questionado. Ressaltese, ainda, que referida ação foi objeto de um acordo judicial, conforme se observa do teor da decisão abaixo transcrita: Cuidase de Ação de Cobrança aforada por APL Products DNBHD em face de J. Ruette Comercial Importação e Exportação Ltda., na qual as partes celebraram a composição anexada aos autos. Levandose em conta que seus termos atendem aos interesses das partes, o acordo deve ser homologado. Isto posto, homologo por sentença, para que em direito surta os jurídicos e legais efeitos o acordo firmado entre as partes e, em consequência, DECLARO EXTINTA com fundamento no art. 269, III, do Código de Processo Civil, a presente ação registrada sob o nº. 001584523.2006.8.24.0033, ajuizada por APL Products DNBHD contra J. Ruette Comercial Importação e Exportação Ltda. Eventuais custas finais pela requerida. Ademais, cancelo a audiência aprazada. P.R.I. (...). 11. Importante também registrar que a informação quanto à ecisão homologatória do aludido acordo não consta dos autos, tendo sido obtida por este Relator por intermédio de consulta processual perante o sítio eletrônico do Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Todavia, não foi possível acessar o teor do referido acordo. 12. Feitos esses esclarecimentos e retomando o iter do presente processo fiscal, o contribuinte foi intimado a se manifestar a respeito da diligência realizada, o que fez por intermédio da petição de fls. 2.985/3.007. 13. Não obstante, após a manifestação do contribuinte, este trouxe aos autos um fato novo, devidamente comprovado pelo documento de fls. 3.008/3.124. Segundo o contribuinte, a empresa APL, i.e., a empresa exportadora dos bens indicados nas DI's aqui fiscalizadas2 e que forneceu à RFB as faturas que pautaram a presente autuação, entrou em processo de liquidação na Malásia, o que suscitou a Recorrente solicitar junto aos liquidantes judiciais indicados pela Corte Superior daquele país as informações quanto às operações efetivamente ocorridas entre a APL e a Recorrente. 14. Foram este os documentos novos colacionados pela Recorrente, acompanhados da sua tradução juramentada e que, por seu turno, foram objeto de perícia realizada a mando da Recorrente e que redundou no Parecer Técnico Documentoscópico de fls. 2 Declarações de Importações n° 03/0763427 7 , 03/07808801, 03/08767807, 03/08892202, 03/09574050, 03/09839496, 03/10042520, 03/10533974, 03/10816658, 04/00049338, 04/00091636, 04/00181392, 04/01380119, 04/03336117, 04/04071729, 04/04861100, 04/05631523, 04/07104237, 04/07219387, 04/07412780, 04/07679698, 04/08396410, 04/08398862, 04/08457370, 04/08457400, 04/08533468, 04/09887336, 04/10121341, 04/11392594, 04/11710065, 04/11715903, 04/11896401 e 05/00595547. Fl. 3384DF CARF MF Processo nº 12719.002808/200880 Resolução nº 3402000.900 S3C4T2 Fl. 8 7 3.132/3.146. Referido parecer, contrapondo as faturas apresentadas pela APL para a RFB com aquelas obtidas junto ao liquidante na Malásia, assim concluiu: 15. Diante deste novo fato, esta turma julgadora, na sua anterior composição, acompanhou o voto da então Relatora do caso, Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, para novamente baixar o processo em diligência (Resolução n. 3402000.790 fls. 3.327/3.329) para que fossem tomadas as seguintes providências: (...).já que a acusação fiscal recaiu sobre a falsidade das notas fiscais apresentadas pela Recorrente emitidas pela APL Malásia e a diligência realizada não foi absolutamente conclusiva pela falsidade, por falta de pressupostos a conferir assinaturas apostas em faturas, proponho a conversão do julgamento do Recurso Voluntário em diligência para que a DRF de origem do processo, examine os documentos juntados pela Recorrente em fls. 2.811 a 2.867, 2.868 a 2.924 e 2.933 a 2.946 dos autos e emita relatório de análise conclusivo sobre os mesmos documentos em obediência ao princípio do contraditório e em busca da verdade material que ao final há de ser encontrada no julgamento desse litígio. Fl. 3385DF CARF MF Processo nº 12719.002808/200880 Resolução nº 3402000.900 S3C4T2 Fl. 9 8 (...). 16. A fl. 3.336foi acostado o relatório fiscal elaborado pela unidade preparadora que laconicamente concluiu: (...). Após analisar os documentos conforme solicitado, não teria nada a acrescentar ou modificar no que já foi exposto no Relatório de Procedimento Fiscal anexo a este (fls. 36 a 49). Apenas gostaria de ressaltar daquele relatório que todas as faturas comerciais que embasaram o trabalho foram enviadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil por representante da empresa APL Products SDN BHD, conforme consta em fls. 458 a 464. Era o que tinha a informar (...). 17. É o relatório. Resolução 18. Conforme se observa dos autos, no que tange ao mérito da presente demanda, a questão central a ser resolvida gravita em torno de uma questão de ordem probatória, i.e., apurar se as faturas comerciais apresentadas pela exportadora à RFB e que deram fundamento à autuação em apreço são ou não fidedignas, o que permitirá responder se de fato houve ou não subfaturamento para as DI's fiscalizadas. 19. Dentre todos os documentos acostados nos autos, incluindo aqueles que foram aqui apresentados como resultado das diligências perpetradas, pareceme que seria essencial para o deslinde da presente quaestio o resultado do incidente de falsidade documental instaurado nos autos n. 033.06.0158452, com trâmite pela 3a. V. Cível da Comarca de Itajaí/SC. Acontece que, para a surpresa deste Relator, referido processo foi objeto de acordo entre os litigantes, acordo este homologado judicialmente. 20. Não obstante, referida informação do sobredito acordo foi obtido por este Relator mediante pesquisa no sítio eletrônico do TJ/SC, já que não há qualquer informação a respeito de tal fato nos autos. Acontece que, embora tenha conseguido referida informação, não tive acesso ao teor do acordo homologado, o qual, por seu turno, a depender do seu teor, pode ser elucidativo acerca da controvérsia que gravita em torno da idoneidade ou não das faturas fiscais apresentadas pela exportadora e que subsidiam a presente autuação. 21. Neste diapasão, embora me sinta pessoalmente constrangido3 em determinar que um mesmo processo seja baixado em diligência pela terceira vez, entendo que esta é a melhor solução neste momento para a construção de uma decisão justa e que seja capaz de exaurir faticamente a presente demanda. 22. Assim, resolvo determinar a baixa do processo para a que a unidade preparadora intime o recorrente a apresentar cópia do teor do aludido acordo no prazo de 30 3 O que, em certa medida, é aliviado pelo fato de estar, pela primeira vez, relatando o presente caso e, consequentemente, tomando contato com os fatos aqui debatidos com maior profundidade neste instante. Fl. 3386DF CARF MF Processo nº 12719.002808/200880 Resolução nº 3402000.900 S3C4T2 Fl. 10 9 (trinta) dias, bem como de cópia integral do incidente de falsidade referido na aludida ação judicial. Sublinhese que não basta a apresentação da simples decisão homologatória do acordo, também devendo ser juntada cópia da petição de acordo acostada no citado processo judicial e que fora objeto de homologação. 23. É a resolução. Diego Diniz Ribeiro Relator. Fl. 3387DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.724277/2013-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
ENTIDADE BENEFICENTE. REQUERIMENTO DE RENOVAÇÃO DE CERTIFICAÇÃO EFETUADO VIA POSTAL. DATA POSTAGEM.
Para fins de aferir a tempestividade do pedido de renovação de certificação de entidade beneficente, caso encaminhado por via postal, o protocolo deverá considerar a data da postagem.
ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS A CARGO DA EMPRESA. REQUISITOS. NÃO CUMPRIMENTO.
Somente ficavam isentas das contribuições de que tratam dos arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212/91 as entidades que cumpriam os requisitos estabelecidos na legislação de regência, tais como não possuir débitos perante a RFB e cumprir as obrigações acessórias, e, para o período sob a vigência do art. 55 da Lei nº 8.212/91, ser reconhecida como sendo de utilidade pública.
MULTA DE OFÍCIO. DECORRÊNCIA DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
A aplicação da multa de ofício, constatado o não pagamento ou pagamento parcial do tributo devido, é decorrência da legislação tributária, devendo ser efetuado o correspondente lançamento pelo autuante, a teor do art. 142 do CTN.
PEDIDO DE JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS E DE PERÍCIA. DESCABIMENTO.
Rejeita-se pedido genérico de juntada posterior de provas e perícia, mormente em etapa processual inapropriada do rito processual administrativo e desacompanhado de fundamentação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 ENTIDADE BENEFICENTE. REQUERIMENTO DE RENOVAÇÃO DE CERTIFICAÇÃO EFETUADO VIA POSTAL. DATA POSTAGEM. Para fins de aferir a tempestividade do pedido de renovação de certificação de entidade beneficente, caso encaminhado por via postal, o protocolo deverá considerar a data da postagem. ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS A CARGO DA EMPRESA. REQUISITOS. NÃO CUMPRIMENTO. Somente ficavam isentas das contribuições de que tratam dos arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212/91 as entidades que cumpriam os requisitos estabelecidos na legislação de regência, tais como não possuir débitos perante a RFB e cumprir as obrigações acessórias, e, para o período sob a vigência do art. 55 da Lei nº 8.212/91, ser reconhecida como sendo de utilidade pública. MULTA DE OFÍCIO. DECORRÊNCIA DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. A aplicação da multa de ofício, constatado o não pagamento ou pagamento parcial do tributo devido, é decorrência da legislação tributária, devendo ser efetuado o correspondente lançamento pelo autuante, a teor do art. 142 do CTN. PEDIDO DE JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS E DE PERÍCIA. DESCABIMENTO. Rejeita-se pedido genérico de juntada posterior de provas e perícia, mormente em etapa processual inapropriada do rito processual administrativo e desacompanhado de fundamentação. Recurso Voluntário Negado.
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REQUERIMENTO DE RENOVAÇÃO DE CERTIFICAÇÃO EFETUADO VIA POSTAL. DATA POSTAGEM. Para fins de aferir a tempestividade do pedido de renovação de certificação de entidade beneficente, caso encaminhado por via postal, o protocolo deverá considerar a data da postagem. ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS A CARGO DA EMPRESA. REQUISITOS. NÃO CUMPRIMENTO. Somente ficavam isentas das contribuições de que tratam dos arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212/91 as entidades que cumpriam os requisitos estabelecidos na legislação de regência, tais como não possuir débitos perante a RFB e cumprir as obrigações acessórias, e, para o período sob a vigência do art. 55 da Lei nº 8.212/91, ser reconhecida como sendo de utilidade pública. MULTA DE OFÍCIO. DECORRÊNCIA DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. A aplicação da multa de ofício, constatado o não pagamento ou pagamento parcial do tributo devido, é decorrência da legislação tributária, devendo ser efetuado o correspondente lançamento pelo autuante, a teor do art. 142 do CTN. PEDIDO DE JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS E DE PERÍCIA. DESCABIMENTO. Rejeitase pedido genérico de juntada posterior de provas e perícia, mormente em etapa processual inapropriada do rito processual administrativo e desacompanhado de fundamentação. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 42 77 /2 01 3- 15 Fl. 16061DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 16062DF CARF MF Processo nº 10166.724277/201315 Acórdão n.º 2402005.584 S2C4T2 Fl. 108 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) DRJ/SPO , que julgou procedente auto de infração DEBCAD nº 51.013.9680, referente a contribuições destinadas à Seguridade Social, previstas no artigo 22, incisos I, II e III da Lei n.º 8.212/91, correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais, não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e não recolhidas, relativas a competências de 01/2009 a 13/2010 (Relatório Fiscal às fls. 1227/1263). De plano, necessário explicar que compunham este processo também os AI DEBCAD n.º 51.013.9698 (referente a contribuições destinadas a terceiros) e nº 51.013.9671 (obrigação acessória de envio de arquivo digital). As respectivas impugnações foram consideradas intempestivas, sendo desmembrado o processo para que aqueles débitos fossem encaminhados para cobrança administrativa. Somente obteve conhecimento a impugnação relativa ao DEBCAD nº 51.013.9680, por força da ação ordinária nº 8995219.2014.4.01.3400, ajuizada na 1ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal (fls. 15873/15888). Em decorrência, apenas os argumentos atinentes a essa autuação, e contidas no recurso voluntário, serão objeto de exame no presente julgamento. O lançamento das contribuições previdenciárias amparouse no não reconhecimento da condição de isenta/imune da contribuinte, dadas as razões a seguir sumarizadas: a) ausência de Certificados de Utilidade Pública Estadual/Distrital/Municipal; b) ausência de CND para os anos de 2009 e 2010, tendo sido este obtido apenas em 10/10/2012; c) dívidas tributárias para o período de 2009 e 2010; d) formalização intempestiva dos pedidos de renovação dos Certificados para garantia da isenção; e) envio de GFIP’s com dados errados, se enquadrando como isenta; f) não inclusão de todos os segurados existentes em Folha de Pagamento Digital fornecida e nas suas GFIP’s; e, g) não envio das GFIP’s referentes às obras executadas CEI 33.360.01575/72 e 50.008.43853/73. A despeito da impugnação (fls. 8870/8905), a exigência foi parcialmente mantida pela instância recorrida (fls. 15932/15982), sendo a reforma realizada com vistas, tão somente, a eliminar duplicidade constatada na constituição do crédito relativo ao levantamento OB (obras). A contribuinte interpôs recurso voluntário em 14/4/2015, aduzindo, em apertada síntese, que: requereu tempestivamente a renovação do CEAS junto ao Ministério competente, pois postou o pedido em 30/12/2009, antes da data limite de validade do certificado anterior, 30/12/2009, observando assim o art. 38 da Lei nº 12.101/09; Fl. 16063DF CARF MF 4 o CEAS tem caráter meramente declaratório, retroagindo seus efeitos à data do protocolo, de acordo com entendimento do Parecer PGFNCRJ nº 2.1322011; a Lei nº 12.101/09 teria revogado a exigência de que a entidade possua título de utilidade pública federal, e, de todo modo, que a recorrente é portadora do título de utilidade pública federal e municipal na cidade de Montes Claros/MG, onde tem filiais e até pouco tempo sediava a matriz; quanto à exigência de CND, esclarece que aderiu ao parcelamento da Lei nº 11.941/09 em 2009, e que apresentou as certidões exigidas pela Lei nº 12.101/09; agiu corretamente quanto a entrega das GFIP's como isenta, não havendo omissão de dados quanto a obras e segurados, sendo que quanto a estes últimos, houve apenas erros; é regular a sua contabilidade, daí incabível o arbitramento do lucro; é inexigível a multa de ofício, dada a improcedência da autuação; protesta, ao final, pela produção de prova pericial e documental, demandando, outrossim, o cancelamento do desmembramento do feito no que se refere às demais autuações. Anotese que na peça recursal também foram ventiladas alegações relativas à autuação por descumprimento de obrigação acessória, as quais não se adequam ao litígio focado. É o relatório. Fl. 16064DF CARF MF Processo nº 10166.724277/201315 Acórdão n.º 2402005.584 S2C4T2 Fl. 109 5 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Inicialmente, cabe de plano rejeitar o pedido de cancelamento do desmembramento referente ao autos de infração DEBCAD n.º 51.013.9698 e nº 51.013.9671, visto que as respectivas impugnações foram consideradas intempestivas, impondose, por força da legislação de regência art. 21, § 1º do Decreto nº 70.235/72, a continuidade de sua cobrança administrativa. Pois bem, é incontroverso possuir a entidade CEAS válido até 31/12/2009, cingindose a polêmica, nesse ponto, à tempestividade do pedido de renovação veiculado no processo 23123.001789/201013. A fiscalização, em entendimento corroborado pela decisão contestada, entendeu intempestivo tal pedido, por ter sido protocolizado somente em 6/1/2010, quando já estava expirado o prazo de validade do certificado anterior. Ora, conforme o § 2º do art. 24 da Lei nº 12.101/09, a certificação da entidade permanece válida até a data da decisão sobre o requerimento de renovação tempestivamente requerido, sendo que conforme Parecer PGFN /CRJ nº 2.132/2011, o CEAS possui efeito extunc, retroagindo à data do protocolo do pedido. Por sua vez, o art. 38 daquela lei firmou que: Art. 38. As entidades certificadas até o dia imediatamente anterior ao da publicação desta Lei poderão requerer a renovação do certificado até a data de sua validade. A contribuinte encaminhou seu pedido de renovação por via postal em 30/12/2009, e, de acordo com o § 5º do art. 4º do Decreto nº 7.237/10, para pedidos da espécie a data de protocolo deveria considerar a data da postagem. Por seu turno, a DRJ/SPO aduz que tal dispositivo ainda não estava vigente à época dos eventos, a eles não se aplicando. Com razão a recorrente. Há muito a jurisprudência administrativa atinente ao processo fiscal federal vem admitindo a data de postagem como sendo hábil a aferir a tempestividade das petições formuladas pelos contribuintes, sendo que a própria administração tributária assim o reconhece desde a edição do ADN Cosit nº 19/97, no qual foi assim declarado: Fl. 16065DF CARF MF 6 (...) a) será considerada como data da entrega, no exame da tempestividade do pedido, a data da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, devendo ser igualmente indicados neste último, nessa hipótese, o destinatário da remessa e o número de protocolo referente ao processo, caso existente; (...) Tal entendimento foi, aliás, incorporado no Decreto nº 7.574/2011, que regulamentou o procedimento administrativo fiscal, em seu art. 56, § 5º: Art.56.A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no70.235, de 1972, arts. 14e15). (...) §5o Na hipótese de remessa da impugnação por via postal, será considerada como data de sua apresentação a da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, o qual deverá trazer a indicação do destinatário da remessa e o número do protocolo do processo correspondente. E, como mencionado, o Decreto nº 7.237/10, que regulamentava, a Lei nº 12.101/10, também restou por veicular norma do gênero, dada a proporcionalidade e adequação de tal compreensão. Destarte, frente ao princípio da vedação do comportamento contraditório, bem como ao dever de coerência que deve reger a atividade administrativa, merece ser reconhecida a tempestividade do pedido de renovação de CEAS postado em 30/12/2009, e, consequentemente, que tal feito não se consubstancia empecilho para a isenção/imunidade alegada. Noutro giro, e compulsando os autos, verificase que a contribuinte não possui título de utilidade pública federal e título de utilidade pública estadual ou municipal. Afirma ela, aliás, que é detentora de tal título, porém o documento aludido não foi acostado ao processo, não havendo, assim, prova de sua efetiva existência. E, de fato, a partir da vigência da Lei nº 12.101/09, bem como sob a égide da MP nº 446/08, títulos do gênero não eram necessários para o reconhecimento da isenção de contribuições previdenciárias. Entretanto, para os fatos geradores acontecidos sob a vigência da Lei nº 8.212/91 (12/2/2009 a 29/11/2009), eles eram imprescindíveis, como espelha o inciso I do art. 55 dessa lei: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente:(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) Fl. 16066DF CARF MF Processo nº 10166.724277/201315 Acórdão n.º 2402005.584 S2C4T2 Fl. 110 7 I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; (...) Nesse contexto, ainda que tal disposição tenha sido revogada pela Lei nº 12.101/09, à época tais ditames requeriam serem observados, por trataremse de requisitos materiais para obtenção do benefício, o que não ocorreu na espécie. Assim, para o período em comento, a constatação de que a recorrente não era detentora dos precitados títulos é supedâneo suficiente para a manutenção dos créditos tributários relativos aos fatos geradores de contribuições previdenciárias então ocorridos. A fiscalização apurou também que a entidade ficou sem CND (certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil) válida no curso dos dois anos calendário fiscalizados, 2009 e 2010, requisito legal para o reconhecimento da isenção, consoante previsto no inciso VI do art. 28 da MP 446/08, no § 6º do art. 55 da Lei 8.212/91 e no inciso III do art. 29 da Lei 12.101/09. No tocante às alegações da recorrente sobre o tema, tenhoas por bem abordadas pela decisão objurgada, motivo pelo qual adoto, com a devida vênia, o seguinte trecho da correspondente argumentação como razão decisória: Registrese, ainda, que foi verificada, pela fiscalização, a existência de débitos da entidade em relação às contribuições sociais, no período de 12/02/2009 a 29/11/2009, em que estava em vigor o artigo 55 da Lei n.º 8.212/91, tendo sido feita, no Relatório Fiscal, referência a diversos anexos, que demonstram referida situação. Com relação à inclusão de alguns débitos no parcelamento da Lei n.º 11.941/2009, citada pela entidade, em sua defesa, é de se mencionar: · I) que, de acordo com as cópias dos recibos juntadas, por ela, às fls. 9.066 a 9.069, os pedidos de parcelamento foram recebidos apenas em 18/11/2009; · II) que, nas cópias dos recibos juntadas, por ela, às fls. 9.070 a 9.075, consta a informação de que ela teria concluído, no âmbito da RFB, a consolidação do parcelamento de dívidas não parceladas anteriormente – art. 1º da Lei n.º 11.941/2009 – débitos previdenciários – conforme informações prestadas em 30/06/2011, estando aí discriminados, como débitos selecionados para a consolidação, somente os DEBCAD’s 36.629.2838, 36.768.0793, 36.768.0807, 36.971.0592 e 39.632.4371; · III) que, nas cópias dos recibos juntadas, por ela, às fls. 9.076 a 9.081, consta a informação de que ela teria concluído, no âmbito da PGFN, a consolidação do parcelamento de dívidas não parceladas anteriormente – art. 1º da Lei n.º 11.941/2009 – débitos previdenciários – conforme informações prestadas em 30/06/2011, estando aí discriminado, como débito selecionado para a consolidação, somente o DEBCAD 36.474.1856; · IV) que a entidade possuía, à época dos fatos geradores, outros débitos relativos a contribuições sociais em seu nome, inclusive declarados em GFIP, conforme se pode verificar nos anexos citados no Relatório Fiscal. Fl. 16067DF CARF MF 8 Em suma, também por esse prisma, não há como reconhecer a condição de isenta para a entidade, nesse caso para todo o período fiscalizado. Quanto às informações da GFIP, o descumprimento das obrigações acessórias de informar as contribuições previdenciárias devidas é decorrente, em sua maior proporção, do fato de a contribuinte entender estar enquadrada como isenta, o que se verificou, como acima exposto, insubsistente. E, de outra parte, sem embargo de haver sido reconhecido no julgamento de primeiro grau que as GFIPs relativas às obras identificadas pelas matrículas CEI nº 33.360.01575/72 e 50.008.43853/73 tinham sido efetivamente entregues, temse que a contribuinte efetivamente admitiu no recurso que não incluiu todos os segurados existentes em folha de pagamento e nas suas GFIPs. E, conforme bem observado pela instância a quo: A impugnante afirma, ainda, que, tendo em vista o referido erro, procederia à retificação das GFIP’s e ao recolhimento das diferenças apuradas, o que seria anexado aos autos oportunamente, mas cabe observar que, até o presente momento, não foi juntado aos autos, por ela, qualquer comprovante de recolhimento relativo aos valores lançados pela fiscalização. E, no que tange ao pedido de relevação da multa constante no Auto de Infração n.° 51.013.9671, temse que deveria ter sido realizado em petição referente a este AI, merecendo registro, aqui, que o artigo 291, parágrafo 1º do Regulamento da Previdência Social (RPS), que previa a relevação da multa – mediante pedido e correção da falta, sendo o infrator primário e não tendo ocorrido nenhuma circunstância agravante – foi revogado pelo Decreto n.º 6.727, de 12/01/2009. No que tange à exigência da multa de ofício, merece ser explicado que ela decorre da legislação de regência, a saber, art. 35A da Lei nº 8.212/91 c/c o inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não sendo facultado à autoridade lançadora afastála por ser seu lançamento atividade administrativa vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142 do CTN. Constatado o não cumprimento das obrigações tributárias pela recorrente, face ao não recolhimento ou recolhimento a menor das contribuições previdenciárias devidas, impõese a correspondente constituição do crédito tributário pelo Fisco, acompanhado da multa de ofício proporcional à razão de 75%. Também não prosperam as aduções da autuada vertidas no item V.I.1 do recurso voluntário, no sentido de que sua contabilidade é regular e não é imprestável à determinação do lucro real, sendo incabível o arbitramento. Tratandose de lançamento relativo às contribuições previdenciárias, exsurge evidente que tal arrazoado foi colacionado por engano, provavelmente extraído de peça recursal atinente ao imposto de renda de pessoa jurídica. Despiciendo, daí, tecer maiores considerações sobre seu conteúdo. Como remate, há que se refutar o pleito genérico voltado ao protesto por produção de todas as provas admitidas em direito, juntada posterior de documentos, notadamente pericial e documental, por estar sendo formulado sem qualquer fundamentação consistente e em etapa descabida do rito processual, não observando o disposto no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Fl. 16068DF CARF MF Processo nº 10166.724277/201315 Acórdão n.º 2402005.584 S2C4T2 Fl. 111 9 Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e negar lhe provimento. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 16069DF CARF MF
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