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Numero do processo: 11080.901400/2013-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010
DECISÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO SUBMETIDO À APRECIAÇÃO DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. VEDAÇÃO EXPRESSA DE RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMP CUJO CRÉDITO JÁ FORA OBJETO DE DECISÃO ADMINISTRATIVA.
O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Apreciado o pedido pela autoridade administrativa e cientificado o interessado, o litígio administrativo está circunscrito ao direito creditório apontado no PER/DCOMP transmitido eletronicamente, não havendo previsão legal para sua alteração na manifestação de inconformidade.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito.
Numero da decisão: 3401-005.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
(assinado digitalmente)
TIAGO GUERRA MACHADO - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares e Cássio Schappo.
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 DECISÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO SUBMETIDO À APRECIAÇÃO DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. VEDAÇÃO EXPRESSA DE RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMP CUJO CRÉDITO JÁ FORA OBJETO DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Apreciado o pedido pela autoridade administrativa e cientificado o interessado, o litígio administrativo está circunscrito ao direito creditório apontado no PER/DCOMP transmitido eletronicamente, não havendo previsão legal para sua alteração na manifestação de inconformidade. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN - Presidente. (assinado digitalmente) TIAGO GUERRA MACHADO - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares e Cássio Schappo.
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IMPOSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO SUBMETIDO À APRECIAÇÃO DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. VEDAÇÃO EXPRESSA DE RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMP CUJO CRÉDITO JÁ FORA OBJETO DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Apreciado o pedido pela autoridade administrativa e cientificado o interessado, o litígio administrativo está circunscrito ao direito creditório apontado no PER/DCOMP transmitido eletronicamente, não havendo previsão legal para sua alteração na manifestação de inconformidade. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 14 00 /2 01 3- 31 Fl. 271DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) TIAGO GUERRA MACHADO Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares e Cássio Schappo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da 2ª Turma, da DRJ/RPO, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, sobre o Despacho Decisório que não reconheceu o direto creditório da Recorrente referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI relativo ao período de janeiro a março de 2010. Do Despacho Decisório e da Manifestação de Inconformidade Naquela ocasião, foi proferido despacho decisório eletrônico, mediante a análise e confronto das declarações enviadas pela contribuinte, concluindo pela homologação parcial das compensações declaradas, em razão de insuficiência do direito creditório Em sua Manifestação de Inconformidade, a contribuinte arguiu que teria havido erro formal na demonstração do direito creditório na respectivo DCOMP não homologada, contudo, alega que, em razão de mudanças em seu sistema contábilfiscal (também conhecido como “ERP”), estava impossibilitada de demonstrar a origem do direito creditório no montante alegado. Nessa peça, pede ainda que seja possibilitada a retificação do respectivo erro formal de modo a saneálos e permitir a demonstração do crédito pretendido. Não apresentou qualquer documentação comprobatória de suas alegações. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acórdão, exarado pela DRJ/RPO, através do qual foi mantida a homologação apenas parcial do direito creditório, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 DECISÃO ADMINISTRATIVA. DELIMITAÇÃO DO LITÍGIO ADMINISTRATIVO. ALTERAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO SUBMETIDO À APRECIAÇÃO DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 11080.901400/201331 Acórdão n.º 3401005.230 S3C4T1 Fl. 272 3 O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. A compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração de compensação na qual constará informação relativa ao crédito utilizado e ao respectivo débito compensado. Apreciado o pedido pela autoridade administrativa e cientificado o interessado, o litígio administrativo está circunscrito ao direito creditório apontado no PER/DCOMP transmitido eletronicamente, não havendo previsão legal para sua alteração na manifestação de inconformidade. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário Irresignado, o Contribuinte apresentou o Recurso Voluntário, vindo apenas a repetir os argumentos apresentados na impugnação, sem apresentar quaisquer elementos de prova. É o relatório. Voto Conselheiro TIAGO GUERRA MACHADO Da Admissibilidade O Recursos é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade constantes na legislação; de modo que admito seu conhecimento. Do Mérito A Recorrente insiste na tese de que teria havido erro material no preenchimento da PER/DCOMP, e, mais uma vez, solicita que sejam apreciados novos elementos de prova sem nunca os trazer ao conhecimento desse Relator e desse colegiado. Fl. 273DF CARF MF 4 Nessa linha, vem sendo adotado o entendimento nessa turma – por mim também endossado – que o ônus probatório no processo administrativo decorrente de pedido de ressarcimento ou de declaração de compensação é transferido para o contribuinte pleiteante do direito creditório. Diante disso, não havendo controvérsia instaurada e comprovada pela Recorrente, não há como reconhecer o crédito declarado na respectiva DCOMP. Quanto ao pleito relacionado à retificação da DCOMP para correção do suposto erro formal e posterior “reanálise” pela RFB, é forçoso dizer que há vedação expressa para a retificação de declaração de compensação que já tenha sido objeto de despacho homologatório, nos termos da Instrução Normativa RFB 900/2008, em seu artigo 77, uma vez que a Lei Federal 9.430/1996, no seu artigo 74, parágrafo 14, delegou à Receita Federal do Brasil a tarefa de regulamentar o rito das compensações e ressarcimento de tributos por ela administrados. Vejamos: Art. 77. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 78 e 79 no que se refere à Declaração de Compensação. Por todo o exposto, conheço do Recurso, porém negolhe provimento. (assinado digitalmente) TIAGO GUERRA MACHADO Relator Fl. 274DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.001820/2009-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA
217.
De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'."
SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES.
Enquadram-se como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ - Recursos Repetitivos.
Numero da decisão: 1301-003.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217. De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES. Enquadram-se como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ - Recursos Repetitivos.
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PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217. De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES. Enquadramse como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ Recursos Repetitivos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 18 20 /2 00 9- 79 Fl. 256DF CARF MF Processo nº 13888.001820/200979 Acórdão n.º 1301003.265 S1C3T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas, em razão da insuficiência de crédito para quitação dos débitos informados no PER/DCOMP. O presente processo decorre de pedido de compensação, cujo crédito tem origem em pagamento a maior de IRPJ, com base no lucro presumido calculados inicialmente a 32%, sendo alterada, posteriormente, para 8%, nos termos do arts. 15, III, e 20, da Lei 9.249/95. O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem não reconheceu o valor do crédito pretendido e não homologou as compensações declaradas. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirmou que suas atividades são desenvolvidas em unidade própria e são voltadas para a realização de exames radiográficos, ultrassonográficos, mamográficos, biópsias, punções e densiometria óssea para apoio a diagnósticos médicos. E que tais atividades fazem jus ao tratamento tributário diferenciado, na apuração do IRPJ e da CSLL, na modalidade de lucro presumido, mediante a aplicação do percentual de 8%, na forma da lei acima citada. O Acórdão recorrido afastou preliminar de nulidade da decisão proferida, e no mérito, afastou precedentes jurisprudenciais, e entendeu que a interessada, sendo sociedade civil de prestação de serviços de diagnóstico por imagem, não configura o conceito de "serviços hospitalares" para fazer jus ao benefício concedido pela norma. Baseou seu entendimento na Solução de Consulta 319/2011 SRF/8ª Região Fiscal e outras normas internas. Acrescenta, ainda, que somente a partir da vigência da Lei 11.727/2008 é que ela poderia ter direito à redução, mas não a fatos anteriores. Além disso, argumentou que para o ano calendário em questão, a interessada não apresentou nenhum elemento capaz de comprovar que prestava serviços hospitalares e que suas atividades se inseriam no conceito de atividade hospitalar definida nos normativos legais. No Recurso Voluntário apresentado a recorrente defende que não foi realizada pela autoridade fiscal nenhuma diligência para aferir se cumpria requisitos do Ministério da Saúde; bem como traz à tona que a matéria já se encontra pacificada nos tribunais superiores, nos termos do Resp 1.116.399/BA, que já dispensou a necessidade de Fl. 257DF CARF MF Processo nº 13888.001820/200979 Acórdão n.º 1301003.265 S1C3T1 Fl. 4 3 verificação de existência de estrutura organizada para atendimento. Que a recorrente possui atividades voltadas para a prestação de serviços de diagnósticos por imagens, obtidas das mais diversas formas de energia, como Raio X, Ultrassom, Tomografia e outros, sendo atividade ligada diretamente à promoção da saúde, que demanda maquinário específico e ambiente hospitalar ou assemelhado. Desnecessária também, qualquer comprovação de estrutura nos termos da Lei 11.727/08, requerendo a homologação das compensações realizadas. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.264, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.001817/2009 55, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.264): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A recorrente apresentou PerdComps, onde se utilizou de créditos decorrentes de IRPJ pagos a maior, em razão da alteração do percentual de 32% para 8% sobre a receita bruta, em razão da sua atividade. Alega a recorrente que presta serviços de diagnósticos por imagens, como Raio X, ultrassom, tomografia e outros, atividades essas ligadas diretamente à promoção da saúde, que demandam maquinário específico e ambiente hospitalar ou assemelhado. E que sobre a matéria não pende mais discussão diante do Resp 1.116.399/BA, que foi decidido sob o rito dos recursos repetitivos. Tanto o despacho decisório quanto o acórdão recorrido entenderam que a atividade prestada pela recorrente não era de serviço hospitalar, já que não prestada num ambiente hospitalar e diante disso, não faria jus à redução do percentual. A lei 9.249/95, em seu artigo 15, III trata da questão: Lei 9.249, de 26/12/1995, artigo (art.) 15, § 1º, inciso III, alínea “a”: “Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n.º 8.981, de Fl. 258DF CARF MF Processo nº 13888.001820/200979 Acórdão n.º 1301003.265 S1C3T1 Fl. 5 4 20 de janeiro de 1995. § 1.º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III – trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares;” Lei 11.727, de 23/06/2008, arts. 29 e 41, VI: Segue abaixo a Ementa do citado julgado do STJ: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se Fl. 259DF CARF MF Processo nº 13888.001820/200979 Acórdão n.º 1301003.265 S1C3T1 Fl. 6 5 mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. Matéria, conforme acima, acerca do se trata como serviços hospitalares: são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta. A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no artº 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1ºde janeiro de 2009, segundo a qual o percentual reduzido será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Anvisa. E como verificamos, por se tratar de fatos relativos a período anterior, inaplicável aqui. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 13888.001820/200979 Acórdão n.º 1301003.265 S1C3T1 Fl. 7 6 Desta feita, considerando que em momento algum o recorrente foi intimado para comprovar o efetivo crédito, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise efetivamente a existência do crédito pleiteado, oportunizando ao recorrente a possibilidade de apresentação de documentos, superandose a discussão acerca da possibilidade de redução do percentual, já que decidido sob a sistemática de Recursos Repetitivos do STJ, e ao qual o CARF se submete, de acordo com o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF Portaria MF 343/2015." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 261DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.724924/2012-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
EMBARGOS. OBSCURIDADE. LAPSOS MANIFESTOS.
Verificada obscuridade por presença de matéria estranha à lide na fundamentação do acórdão, cabe sua retificação via embargos, bem como a de eventuais lapsos manifestos constantes no julgado.
Numero da decisão: 2202-004.771
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para que se procedam as modificações no Acórdão nº 2803-004.167 propostas na conclusão do voto do relator, rerratificando-se o julgado quanto aos demais aspectos.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia e Dilson Jatahy Fonseca Neto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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PLR. Embargante GERMED FARMACEUTICA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 EMBARGOS. OBSCURIDADE. LAPSOS MANIFESTOS. Verificada obscuridade por presença de matéria estranha à lide na fundamentação do acórdão, cabe sua retificação via embargos, bem como a de eventuais lapsos manifestos constantes no julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para que se procedam as modificações no Acórdão nº 2803004.167 propostas na conclusão do voto do relator, rerratificandose o julgado quanto aos demais aspectos. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia e Dilson Jatahy Fonseca Neto. Relatório A 3ª Turma Especial da 2ª Seção exarou o Acórdão nº 2803004.167 (efls. 478/500), dando parcial provimento ao recurso voluntário, conforme ementa a seguir transcrita: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 49 24 /2 01 2- 28 Fl. 577DF CARF MF 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/08/2009 NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Tendo a fiscalização e a DRJ utilizados a mesma fundamentação para a autuação não há de se falar em inovação no critério jurídico da autuação apto a configurar uma nulidade. Ademais, o acórdão prolatado apresentou e contrapôs todos os pontos suscitados pela recorrente. SALÁRIO INDIRETO. ABONO ÚNICO. ACORDO EM CONVENÇÃO COLETIVA. Não ha incidência de contribuição social previdenciária sobre as importâncias recebidas a titulo de abonos expressamente desvinculados do salário. PLR. VALORES FIXOS. AUSÊNCIA DE REGRAS CLARAS E ESPECÍFICAS. INCIDÊNCIA. Não existindo regras claras e específicas, nem método para aferição da produtividade, sendo a PLR paga a todos os funcionários e em valores fixos, desrespeitase os preceitos instituídos pela Lei n. 10.101/2000. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35A, da Lei 8.212/91. MULTA POR ENTREGA DE GFIP COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU COM OMISSÃO. LEI 13.097/2015. APLICAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A Lei 13.097/2015 deve ser aplicada ao caso contrato, cominando a anistia ali prevista como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória, nos termos do art. 156, IV, do CTN. O contribuinte interpôs embargos de declaração (efls. 507/538) alegando nos itens de '2' a '5' de seu arrazoado a existência de omissões, contradições, obscuridade e lapsos manifestos no acórdão em comento. Foram acolhidas em 30/10/2017, por meio de Despacho de Admissibilidade (efls. 568/576), somente as arguições de obscuridade quanto à inexistência de nulidade no acórdão da DRJ, e os lapsos manifestos denotados. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator Fl. 578DF CARF MF Processo nº 10830.724924/201228 Acórdão n.º 2202004.771 S2C2T2 Fl. 570 3 Dado que o contribuinte foi cientificado do acórdão de recurso voluntário em 14/10/2015 (efl. 505), constatase a tempestividade dos embargos, nos termos do RICARF, Anexo II, art. 65, § 1º, haja vista terem sido apresentados em 19/10/2015 (efl. 507). Como relatado, os embargos do sujeito passivo foram parcialmente admitidos, para apreciação de duas alegações pelo Colegiado, narradas pelo já referido Despacho de Admissibilidade, em descrição que passa, com a devida vênia, a integrar a presente fundamentação (efls. 573/574): (g) Da obscuridade quanto a inexistência de nulidade no Acórdão da DRJ Neste ponto, o embargante alega que, constou no acórdão que a DRJ não teria inovado o critério jurídico da autuação fiscal em questão também quanto a exigência de contribuições previdenciárias sobre Indenização prevista em Convenção Coletiva. Cita o trecho do acórdão : "Em que pese o excelente arrazoado trazido pela recorrente, não consigo vislumbrar as nulidades suscitadas em preliminares pela contribuinte. Ora, analisando a razão de decidir da DRJ, não encontro a inovação do critério jurídico da autuação fiscal levantada pela recorrente. (...) Destarte, por perfunctória análise do quanto colacionado alhures, tanto a fiscalização, quanto a decisão da DRJ, entendera, que a verba relativa a Indenização Convenção Coletiva, independente de ter a DRJ nomeadoa de "gratificação ajustada", não possuía previsão legal, razão pela qual deveria integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias." Observa que, não consiste objeto dos autos de infração, a exigência de contribuições previdenciárias sobre indenizações previstas em CCT e nem a Embargante defende referida nulidade em seu recurso voluntário. Salienta que, pode ter havido confusão do colegiado com o julgado realizado na mesma sessão, Processo n.º 10830.724923/201283, referente ao mesmo contribuinte, onde decidiuse pela não incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas. Requer que, seja esclarecido que não foi alegada nulidade da decisão da DRJ em razão de ter inovado critério jurídico que teria fundamentado a constituição de contribuições previdenciárias sobre indenização prevista em Convenção Coletiva pela Autoridade Fiscal, uma vez que esta exigência não é objeto do presente processo administrativo. (h) Dos lapsos manifestos Além das omissões e contradições expostas, o embargante também apresenta os seguintes lapsos manifestos, que devem ser sanados : (i) constou na ementa do acórdão embargado que o Recurso Voluntário da Embargante foi julgado em sessão de 11 de março de 2013, contudo, a sessão se deu em 11 de março de 2015; Fl. 579DF CARF MF 4 (ii) constou também na ementa do acórdão embargado que "a Lei 13.097/2015 deve ser aplicada ao caso contrato. Contudo, não há dúvidas de que houve um erro de digitação na ementa, devendose ler "concreto", onde está escrito "contrato"; e (iii) constou no acórdão embargado que "deve ser mantida a tributação das contribuições provisórias incidentes sobre a distribuição dos lucros e resultados para os empregados da recorrente" quando é certo que o Sr. Relator queria se referir a "contribuições previdenciárias". Pois bem, à toda vista, no que se refere à obscuridade quanto à nulidade do acórdão da DRJ, temse que houve confusão com o acórdão n.º 2803.004.166 Processo n.º 10830.724923/201228, proferido na mesma sessão e referente ao mesmo contribuinte, inclusive estando este processo apenso àquele. No citado processo, parte do litígio versava acerca da incidência de contribuições previdenciárias sobre a rubrica "Indenização Convenção Coletiva", do que não trata a lide veiculada nos presentes autos. Assim sendo, deve ser reconhecido por este Colegiado que não é aventado no recurso voluntário a ocorrência de nulidade da decisão por indevida inovação do critério jurídico relativo a constituição de contribuições previdenciárias sobre indenização prevista em Convenção Coletiva, pois tal exigência é estranha a este processo. Nessa esteira, necessário retirar da fundamentação da decisão os trechos que se referem a tal gravame. De outra parte, também cabe admitir, por oportuno, sejam realizadas as correções devido a lapsos manifestos constantes no acórdão, mencionados pela embargante. Conclusão Portanto, voto por acolher os Embargos de Declaração para fins de que se proceda as seguintes modificações no Acórdão nº 2803004.167, rerratificandose o julgado quanto aos demais aspectos: Sejam retirados do tópico da fundamentação denominado "Da Inexistência de Nulidades" os seguintes três parágrafos: Ora, averiguando o quanto trazido pela fiscalização em seu relatório fiscal, extraise que a autuação assentou que "os pagamentos efetuados a segurados sob o título de 'Indenização de Convenção Coletiva' sem a necessária previsão legal de desvinculação salarial, são os fatos geradores das contribuições previdenciárias da empresa, do segurados empregados e das contribuições destinadas a outras entidades e fundos (Terceiros)." Por sua vez, a DRJ ao decidir a questão apontou que "a Indenização Convenção Coletiva é um valor pago pela empresa ao empregado de mais idade e desligado sem justa causa, com características de gratificação ajustada e com objetivo de auxiliálo na recolocação no mercado de trabalho. Nesse contexto qualquer verba denominada ou não como indenizatória, paga na rescisão de contrato de trabalho e sem previsão legal de exclusão, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias." Destarte, por perfunctória análise do quanto colacionado alhures, tanto a fiscalização, quanto a decisão da DRJ, entendera, que a verba relativa a Indenização Convenção Coletiva, independente de ter a DRJ nomeado a de "gratificação Fl. 580DF CARF MF Processo nº 10830.724924/201228 Acórdão n.º 2202004.771 S2C2T2 Fl. 571 5 ajustada", não possuía previsão legal, razão pela qual deveria integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias. No cabeçalho do acórdão, que passe a constar como data da sessão ao invés do dia "11 de março de 2013" o dia "11 de março de 2015"; Na ementa do acórdão, que o trecho "A Lei 13.097/2015 deve ser aplicada ao caso contrato" seja substituído por "A Lei 13.097/2015 deve ser aplicada ao caso concreto"; E, no tópico da fundamentação intitulado "Participação nos Lucros ou Resultados", no parágrafo onde está escrito "deve ser mantida a tributação das contribuições provisórias" que conste a redação "deve ser mantida a tributação das contribuições previdenciárias". É o voto. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 581DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.900822/2008-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DUPLICIDADE. CANCELAMENTO DA PER/DCOMP.
Crédito e débito informados em PER/DCOMP são inexistentes. Compensação processada via DCTF e aceita pelos Sistemas da Secretaria da Receita Federal. Débito exigido no Despacho Decisório deve ser cancelado.
Numero da decisão: 3401-005.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, diante da perda de objeto da compensação, em virtude do pagamento anteriormente informado em DCTF.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DUPLICIDADE. CANCELAMENTO DA PER/DCOMP. Crédito e débito informados em PER/DCOMP são inexistentes. Compensação processada via DCTF e aceita pelos Sistemas da Secretaria da Receita Federal. Débito exigido no Despacho Decisório deve ser cancelado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, diante da perda de objeto da compensação, em virtude do pagamento anteriormente informado em DCTF. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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DUPLICIDADE. CANCELAMENTO DA PER/DCOMP. Crédito e débito informados em PER/DCOMP são inexistentes. Compensação processada via DCTF e aceita pelos Sistemas da Secretaria da Receita Federal. Débito exigido no Despacho Decisório deve ser cancelado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, diante da perda de objeto da compensação, em virtude do pagamento anteriormente informado em DCTF. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 08 22 /2 00 8- 16 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10825.900822/200816 Acórdão n.º 3401005.335 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de Declaração de Compensação nº 29098.56517.180804.1.3.045312, transmitido na data de 18/08/2004, indicando um crédito de COFINS no valor de R$ 9.707,37 como sendo parte do valor do DARF referente ao período 09/2002, com data de arrecadação 15/10/2002, no valor de R$ 11.816,94; o débito, também, de COFINS, referese ao mês 10/2002 no valor de R$ 5.594,01; 11/2002 no valor de R$ 1.375,87 e 12/2002 no valor de R$ 2.737,49 cuja soma corresponde o mesmo valor do crédito, ou seja, R$ 9.707,37. As efls.25 dos autos consta o “Relatório de Verificação de Pendências do PER/DCOMP” com 4 avisos: A DRF de Bauru/SP em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório (efls.7), pela não homologação da compensação declarada, por não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados na PER/DCOMP. Porém, demonstra que o valor do DARF foi utilizado para os pagamentos que discrimina: Ao final, intima a contribuinte a realizar o pagamento dos débitos indevidamente compensados: Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10825.900822/200816 Acórdão n.º 3401005.335 S3C4T1 Fl. 4 3 Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta do fisco, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.12), solicitando o cancelamento da cobrança de que foi intimado via Despacho Decisório, pelas razões a seguir expostas: (a) que após ter realizado conferências contábeis verificou que o débito do COFINS para o período de apuração 09/2002 era de R$ 2.109,57 e não no valor de R$ 11.816,94 conforme anteriormente declarado e pago, restando assim um saldo credor no montante de R$ 9.707,37; b) que os débitos de COFINS apurados nos meses subsequentes foram compensados mediante simples demonstração na DCTF, conforme detalhado na declarações apresentadas nos autos; (c) que em auditoria interna da empresa foi apontado o fato de ter sido realizadas compensações sem a devida formalização via PER/DCOMP, o que veio a ser feito na data de 18/08/2004, porém, causando duplicidade de informações; (d) que a RFB acatou as compensações dos débitos supramencionados sem a formalização de processo, resultando a PER/DCOMP em duplicidade de informações tanto do crédito que não mais existia quanto do débito; (e) por fim menciona que não houve lesão ao erário e tão pouco pode ser exigido da Requerente o pagamento de débitos já compensados. Encaminhado os autos à 4ª Turma da DRJ/RPO, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade e fundamenta que “Demonstrada nos autos a inexistência do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento”; que não há correção a ser feita no despacho decisório; que a interessada visa tão somente o cancelamento da PER/DCOMP de nº 29098.56517.180804.1.3.045312 e o cancelamento dos débitos apontados no respectivo despacho, cuja apreciação, a teor do art. 233 do Regimento Interno da Receita Federal, não confere competência à DRJ. O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (e fls.59) contra a decisão de primeiro grau, solicitando sua reforma com o consequente cancelamento dos débitos apontados no Despacho Decisório, por total inexistência dos mesmos conforme ficou demonstrado. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme detalhadamente relatado, ficou evidente que a PER/DCOMP apresentada é totalmente ineficaz, estéril e desnecessária, pois frente aos fatos levantados não há crédito disponível, como também, os débitos arrolados são inexistentes. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10825.900822/200816 Acórdão n.º 3401005.335 S3C4T1 Fl. 5 4 No Despacho Decisório ficou claramente demonstrado que o crédito correspondente ao DARF no valor de R$ 11.816,94 foi integralmente utilizado para quitação de débitos dos seguintes períodos de apuração: Contribuição (código) Período de Apuração Valor Original 2172 30/09/2002 2.109,57 2172 31/10/2002 5.594,01 2172 30/11/2002 1.375,87 2172 31/12/2002 2.737,49 Total 11.816,94 Coincidentemente os débitos quitados com o valor do DARF mencionado são os mesmos que foram declarados no pedido de compensação (PER/DCOMP nº 29098.56517.180804.1.3.045312). Portanto, o crédito deixou de existir, corretamente demonstrado, só que o débito não, continua sendo objeto de cobrança conforme espelhado às fls.9 dos autos: A Recorrente desde o início vem explicando que os débitos de COFINS dos meses de outubro, novembro e parte de dezembro de 2002 foram extintos por compensação via DCTF. Observase que essa compensação foi aceita pelos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, tanto que o próprio fiscal fez essa relação de utilização do crédito no Despacho Decisório. O Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e da Declaração de Compensação (PER/DCOMP) foi implantado pela IN SRF nº 320 de 11 de abril de 2003 e a Recorrente a utilizou somente em 18 de agosto de 2004, quando o débito e o crédito já não mais existiam. A forma como adotada pela Contribuinte em sua DCTF era prática comum de demonstrar a quitação de débitos com créditos por pagamento a maior que o devido via DARF. Se o débito já estava extinto e ficou comprovado nos autos, está demonstrado que a declaração de compensação não se prestava para o fim pretendido. O fato do surgimento da PER/DCOMP não torna válida a exigência tributária nos termos como estabelecido pelo Despacho Decisório e isso leva ao surgimento de um enriquecimento sem causa pelo Estado. O Código Civil – Lei nº 10.406/2002 trata do caso em seu art. 884, que determina que quem, sem justo motivo, enriquecer gerando danos ou perdas a outra pessoa, será obrigado a restituir o que foi indevidamente obtido. Se reconhecidamente inexistente o débito que fora declarado em PER/DCOMP, o transformaria em justo motivo para efetivação da cobrança? Ainda é tempo de se corrigir e por fim a esse episódio sem que gere dano ou perda a alguém, atendose aos princípios da razoabilidade e da moralidade administrativa. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10825.900822/200816 Acórdão n.º 3401005.335 S3C4T1 Fl. 6 5 Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 115DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.012499/2007-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2002
IRPJ. CSLL. IRRF. NULIDADE DE LANÇAMENTO.
Não se configura cerceamento ao direito de defesa quando o contribuinte, entendendo o conteúdo e alcance da acusação que lhe é dirigida, defende-se de forma eficaz.
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA. DECADÊNCIA.
Tratando-se da hipótese de incidência prevista no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, a eventual constituição de crédito tributário dela decorrente será, sempre, efetivada por meio de lançamento de ofício, nos exatos termos do inciso I do art. 149 do Código Tributário Nacional CTN, regendo-se a caducidade do direito de exercício de tal ato (lançamento) pelo disposto no art. 173 do mesmo diploma (CTN).
IRPJ. CSLL. APURAÇÃO DE RESULTADOS. INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA E CONSTRUÇÃO DE EDIFÍCIOS.
A apuração de resultados nas empresas que se dedicam a incorporação imobiliária ou construção de edifícios deve ser efetuada por ocasião da vendas das unidades imobiliárias construídas ou a construir.
IRPJ. CSLL. APURAÇÃO DE RESULTADOS.
Os pagamentos efetuados e contabilizados nas contas de sociedades em conta de participação para incorporação imobiliária ou construção de edifícios em condomínio ou em conta de Ativo Permanente representativo de obras em andamento, não interfere na Conta de Resultados de Pessoas Jurídicas e não comporta a autuação de glosa de custos ou despesas operacionais, em face da
legislação tributária que estabelece sistemática especifica de apuração de resultados apenas quando da venda das unidades imobiliárias.
Numero da decisão: 1302-000.618
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos não reconhecer a decadência, vencidos o relator e o conselheiro Eduardo de Andrade e, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, em DAR PROVIMENTO ao recurso.
Nome do relator: IRINEU BIANCHI
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2002 IRPJ. CSLL. IRRF. NULIDADE DE LANÇAMENTO. Não se configura cerceamento ao direito de defesa quando o contribuinte, entendendo o conteúdo e alcance da acusação que lhe é dirigida, defende-se de forma eficaz. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA. DECADÊNCIA. Tratando-se da hipótese de incidência prevista no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, a eventual constituição de crédito tributário dela decorrente será, sempre, efetivada por meio de lançamento de ofício, nos exatos termos do inciso I do art. 149 do Código Tributário Nacional CTN, regendo-se a caducidade do direito de exercício de tal ato (lançamento) pelo disposto no art. 173 do mesmo diploma (CTN). IRPJ. CSLL. APURAÇÃO DE RESULTADOS. INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA E CONSTRUÇÃO DE EDIFÍCIOS. A apuração de resultados nas empresas que se dedicam a incorporação imobiliária ou construção de edifícios deve ser efetuada por ocasião da vendas das unidades imobiliárias construídas ou a construir. IRPJ. CSLL. APURAÇÃO DE RESULTADOS. Os pagamentos efetuados e contabilizados nas contas de sociedades em conta de participação para incorporação imobiliária ou construção de edifícios em condomínio ou em conta de Ativo Permanente representativo de obras em andamento, não interfere na Conta de Resultados de Pessoas Jurídicas e não comporta a autuação de glosa de custos ou despesas operacionais, em face da legislação tributária que estabelece sistemática especifica de apuração de resultados apenas quando da venda das unidades imobiliárias.
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CSLL. IRRF. NULIDADE DE LANÇAMENTO. Não se configura cerceamento ao direito de defesa quando o contribuinte, entendendo o conteúdo e alcance da acusação que lhe é dirigida, defendese de forma eficaz. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA. DECADÊNCIA. Tratandose da hipótese de incidência prevista no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, a eventual constituição de crédito tributário dela decorrente será, sempre, efetivada por meio de lançamento de ofício, nos exatos termos do inciso I do art. 149 do Código Tributário Nacional CTN, regendose a caducidade do direito de exercício de tal ato (lançamento) pelo disposto no art. 173 do mesmo diploma (CTN). IRPJ. CSLL. APURAÇÃO DE RESULTADOS. INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA E CONSTRUÇÃO DE EDIFÍCIOS. A apuração de resultados nas empresas que se dedicam a incorporação imobiliária ou construção de edifícios deve ser efetuada por ocasião da vendas das unidades imobiliárias construídas ou a construir. IRPJ. CSLL. APURAÇÃO DE RESULTADOS. Os pagamentos efetuados e contabilizados nas contas de sociedades em conta de participação para incorporação imobiliária ou construção de edifícios em condomínio ou em conta de Ativo Permanente representativo de obras em andamento, não interfere na Conta de Resultados de Pessoas Jurídicas e não comporta a autuação de glosa de custos ou despesas operacionais, em face da legislação tributária que estabelece sistemática especifica de apuração de resultados apenas quando da venda das unidades imobiliárias. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/0 8/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assin ado digitalmente em 30/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.012499/200756 Acórdão n.º 130200.618 S1C3T2 Fl. 1.680 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos não reconhecer a decadência, vencidos o relator e o conselheiro Eduardo de Andrade e, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, em DAR PROVIMENTO ao recurso. MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. “documento assinado digitalmente” IRINEU BIANCHI Relator. “documento assinado digitalmente” Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Wilson Fernandes Guimarães e Irineu Bianchi. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/0 8/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assin ado digitalmente em 30/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.012499/200756 Acórdão n.º 130200.618 S1C3T2 Fl. 1.681 3 Relatório SIPAR – SOCIEDADE DE INCORPORAÇÕES E PARTICIPAÇÕES S/A, empresa inscrita no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas sob n° 91.325.365/000141, inconformada com a decisão de 1° grau proferida pela 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS), apresenta recurso voluntário a este Colegiado objetivando a reforma da mesma. A exigência inicial contida nos autos de infração (fls. 704/719), consistia de seguintes tributos e contribuições: TRIBUTOS IMP/CONTRIB. JUROS MULTAS TOTAIS IRPJ 31.145,16 23.012,39 23.358,85 77.516,40 IRRF 61.426,69 54.157,51 46.069,92 161.654,12 CSLL 11.212,24 8.284,43 8.409,17 27.905,84 TOTAIS 103.784,09 85.454,33 77.837,94 267.076,36 O relatório da ação fiscal explicita que foram cometidas as seguintes irregularidades pelo sujeito passivo: ITEM IRREGULARIDADES COMETIDAS PAGAMENTO – R$ 01 Falta de apresentação de documentos comprobatórios da operação ou causa 41.917,51 02 Documentação apresentada insuficiente ou não hábil para a comprovação da operação ou causa 72.160,84 03 Documentação apresentada comprova a operação, mas as despesas são indedutiveis 10.502,33 TOTAL 124.580,68 Nos casos de pagamentos sem a apresentação de documentos comprobatórios ou de documentação insuficiente ou inábil para a comprovação da operação ou causa, a fiscalização entendeu que seriam pagamentos sem causa e sujeitos a incidência exclusiva na fonte do Imposto sobre a Renda na Fonte, com a alíquota de 35%, na forma do artigo 61, da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Na decisão de fls. 1551 a 1557, a autoridade julgadora de 1º grau examinou os argumentos expendidos pelo sujeito passivo na impugnação apresentada, (fls. 1511/1538), bem como as provas documentais acostadas aos autos e, principalmente, o argumento de que a fiscalização indagou apenas os pagamentos efetuados sem cogitar quanto à dedutibilidade das despesas para a determinação do lucro real, conforme estabelecido na legislação tributaria federal. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/0 8/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assin ado digitalmente em 30/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.012499/200756 Acórdão n.º 130200.618 S1C3T2 Fl. 1.682 4 A decisão de 1º grau foi proferida com fundamento nas seguintes premissas: a) o ônus da comprovação da operação ou a causa do pagamento, bem como o preenchimento das condições de dedutibilidade dos correspondentes custos ou despesas é do contribuinte, na forma do artigo 16, inciso III, § 4º, do Decreto nº 70.235/72; b) quanto à dedutibilidade das despesas, além da comprovação da efetiva ocorrência do dispêndio, também deve ser demonstrada que a despesa correspondente é necessária para a manutenção da atividade da empresa e da fonte produtora, tal como descrito no artigo 299, do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99; e, c) nos casos de pagamento sem causa em virtude de documentação insuficiente ou não hábil para a comprovação da operação ou causa, estão sujeitos a incidência exclusivamente na fonte de imposto de renda na fonte, com base no artigo 61, da Lei nº 8.981, de 1995. Com base nas premissas estabelecidas, a autoridade julgadora de 1º grau examinou cada um dos pagamentos bem como os argumentos expendidos pelo sujeito passivo cujo conteúdo pode ser sintetizado no demonstrativo abaixo: CHEQUE VALORR$ MANTIDO PROVIDO FUNDAMENTO DA DECISÃO 310802 2.250,00 2.250,00 0 Por se tratar de brindes – art. 13, VII, da Lei 9.249/95 310860 2.650,00 2.650,00 0 Despesas de caráter pessoal de outro período 310945 2.400,00 0 2.400,00 NF de locação de escavadeira hidráulica 310970 311086 312388 3.007,69 1.131,92 3.211,63 3.007,69 1.131,92 3.211,63 0 0 0 NF 61, 63, 64 e 65 emitida por uma pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ está inativa desde o ano de 2000 311048 1.153,00 1.153,00 0 Não apresentou sequer a Nota Fiscal e a empresa dita fornecedora foi declarada inapta em 1997 311083 1.555,30 1.555,30 0 Despesas de terceiros para CEF. Mantido o fato gerador de IRPJ e CSLL e excluída para imposto na fonte 311165 312046 14.000,00 30.000,00 14.000,00 30.000,00 0 0 Contabilizado e pago como adiantamento para diretor da empresa Luiz Della Pasqua 311181 1.000,00 1.000,00 0 Pagamento não comprovada – mantida a glosa 311298 4.925,00 0 4.925,00 Pagamento a DW Assessoria – despesa dedutível 311476 311976 312640 6.000,00 5.000,00 7.000,00 6.000,00 5.000,00 7.000,00 0 0 0 Pagamento a título de assessoramento, adiantamento futuro e adiantamento para acerto futuro a título de assessoria a ser prestada para Flávio Lúcio Skaf, pai do sócio Flávio Filho. 311654 2.637,83 0 2.637,83 NF 34 da Jordani Engenharia Ltda. – dedutível 311679 2.442,00 2.442,00 0 Despesas não comprovadas 312102 1.200,00 0 1.200,00 Despesas de instalação de estande de vendas 312146 4.783,60 0 4.783,60 Despesas comprovadas – serviços de portaria 312690 2.500,00 0 2.500,00 Despesa legítima relativa a modificação de projeto 313454 1.000,00 1.000,00 0 Os pagamentos não conferem com os dispêndios 313539 314434 315500 315917 2.000,00 2.000,00 1.000,00 1.440,04 0 0 0 0 2.000,00 2.000,00 1.000,00 1.440,04 Despesas dedutíveis e relacionadas com plantões de vendas de casas e apartamentos decorados e despesas com motoboy Fl. 4DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/0 8/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assin ado digitalmente em 30/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.012499/200756 Acórdão n.º 130200.618 S1C3T2 Fl. 1.683 5 615985 1.096,52 0 1.096,52 314317 3.000,00 0 3.000,00 Pagamento comprovado – confissão de dívida 314517 1.598,00 0 1.598,00 Pagamento justificado e aceito 314674 1.000,00 1.000,00 0 Gastos de fim de semana em Gramado inaceitável 315416 1.500,00 1.500,00 0 Despesas não comprovadas 315538 1.268,65 1.268,65 0 Comprovação insuficiente para dedutibilidade 315558 1.000,00 85,00 915,00 Comprovação parcial despesa de manutenção 316224 317507 344,75 344,75 344,75 344,75 0 0 Pagamento de imposto de terceiro. Não dedutível. 317827 317939 1.540,00 3.800,00 322,52 63,91 1.217,48 3.736,09 Comprovação parcial – custas processuais 318823 1.800,00 1.800,00 0 Despesas de supermercado em Porto Alegre. Inaceitável. TOTAIS 124.580,68 88.131,12 36.449,56 Após a decisão de 1º grau, o crédito tributário em litígio ficou reduzido conforme o demonstrativo abaixo: TRIBUTOS IMP/CONTRIB. JUROS MULTAS TOTAIS IRPJ 22.032,14 23.909,39 11.566,88 57.508,41 IRRF 44.781,03 55.495,86 23.509,99 123.786,88 CSLL 7.931,81 8.607,63 4.164,20 20.703,64 TOTAIS 74.744,98 88.012,88 39.241,07 201.998,93 No recurso voluntário (fls. 1581/1619), a recorrente levanta a preliminar de decadência do direito de constituir crédito tributário de Imposto sobre a Renda na Fonte, do período anterior a 22 de novembro de 2002, vez que o Auto de Infração foi lavrado no dia 22 de novembro de 2007, em conformidade com o precedente estabelecido no Acórdão nº 106 16.737, de 23 de janeiro de 2008, cuja ementa, foi transcrita nos autos. Além desta preliminar, a recorrente levanta a preliminar de nulidade do lançamento tendo em vista que a fiscalização glosou pagamentos em vez despesas para fins de apuração das bases de cálculo de IRPJ e CSLL, sem averiguar se a contrapartida destes lançamentos contábeis (pagamentos) se deu em contas de resultados. Esclarece a recorrente que nos casos em que determinadas despesas são efetuadas e imediatamente pagas haverá a concomitância temporal entre o pagamento e a ocorrência da despesa. Entretanto, nos casos em que muitos desembolsos são canalizados para a aquisição de bens que serão, num primeiro plano, incorporados a contas patrimoniais, a pretensão fiscal de pautar as glosas pelos pagamentos, sem ao menos analisar a contrapartida destes lançamentos, é ignorar o mais elementar principio contábil (receita – despesa = lucro). Diante destes esclarecimentos, a recorrente insiste que os pagamentos glosados, tendo como contrapartida as contas patrimoniais, fornecedores e adiantamentos, não Fl. 5DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/0 8/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assin ado digitalmente em 30/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.012499/200756 Acórdão n.º 130200.618 S1C3T2 Fl. 1.684 6 têm qualquer relevância na apuração das bases de cálculo de IRPJ e da CSLL e, ainda, argüi aspectos temporais relacionadas com a contabilização num períodobase e pagamentos em outros períodos de apuração. Sustenta que no caso de pagamento efetuado com o cheque nº 310802 (fls. 711), de R$ 2.250,00, correspondente a aquisição de 150 conjuntos de faca e garfo, no valor unitário de R$ 15,00, que eram distribuídos para potenciais clientes que visitavam os imóveis para venda, estas despesas foram realizadas no anocalendário anterior (2001), e que somente o pagamento foi efetuado no período imputado (2002) e, portanto, ainda que fosse discutível a sua dedução como despesas operacionais, o período de apuração seria inconsistente com os fatos apurados (contabilização a débito da conta de resultados e a crédito da conta Fornecedores, no anocalendário de 2001, e quando do pagamento, foi debitada a conta Fornecedores e creditada a conta Caixa/Banco, no anocalendário de 2002). No mérito, a recorrente expõe que a autoridade fiscal não tratou a questão com o devido detalhamento que o caso exige, incorrendo, sob o aspecto contábil e fiscal, em diversas irregularidades que foram sintetizadas nos seguintes termos: (a) ao glosar o valor dos cheques emitidos (valor dos pagamentos) mesmo que estes, individualmente, se referissem a diversas despesas, confundiu pagamentos com despesas, o que sob o aspecto contábil é irregular e sob aspecto fiscal é equivocado. (b) confundiu despesas desnecessárias à atividade da empresa com pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados, o que redundou em quantificação equivocada do IRRF; (c) não fez distinção entre despesas dedutíveis para o IRPJ com despesas dedutíveis para a CSLL, o que resultou na indevida elevação do lançamento desta contribuição; (d) tratou os lançamentos contábeis representativos de pagamentos como indedutíveis ante o IRPJ e a CSLL, mesmo quando estes correspondam a adiantamentos, cujas contrapartidas encontramse registradas em contas patrimoniais; (e) em suma, o Fisco efetuou glosas de pagamentos sem ao menos analisar a contrapartida contábil destes pagamentos, os quais, na maioria das vezes, eram acolhidas por contas patrimoniais em vista do ramo de atividade exercido pela recorrente (incorporações imobiliárias) e por orientação das normas contábeis pertinentes. Justifica a sua pretensão nos precedentes e na jurisprudência administrativa consubstanciadas nos seguintes acórdãos: 10708.308, de 20/10/2005, 10193.759, de 19/03/2002, 10708.297, de 19/10/2006 e 10422.169, de 24/01/2007. Em seguida, apresenta argumentos relacionados com cada um dos pagamentos objetos de autuação, esclarecendo que todos os pagamentos estão relacionados com obras em andamento e relacionados com a atividade operacional da empresa. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/0 8/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assin ado digitalmente em 30/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.012499/200756 Acórdão n.º 130200.618 S1C3T2 Fl. 1.685 7 A recorrente junta ao recurso voluntário, 19 anexos (cópias de documentos) para subsidiar os esclarecimentos expendidos no mesmo. É o Relatório. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/0 8/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assin ado digitalmente em 30/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.012499/200756 Acórdão n.º 130200.618 S1C3T2 Fl. 1.686 8 Voto Vencido Conselheiro IRINEU BIANCHI O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A recorrente apresentou duas questões preliminares: a decadência parcial do direito de constituir crédito tributário relacionados com os pagamentos efetuados nos períodos anteriores a 22 de novembro de 2002, vez que os autos de infração foram lavrados em 22 de novembro de 2007, por decurso do prazo de cinco anos contados da data da ocorrência dos respectivos fatos geradores e, ainda, a preliminar de nulidade do lançamento tendo em vista que a fiscalização examinou apenas os pagamentos efetuados, sem averiguar a efetiva ocorrência dos respectivos fatos geradores que é a apuração de resultados: lucro real para incidência de IRPJ e lucro líquido para a incidência de CSLL. PRELIMINAR DE NULIDADE DE LANÇAMENTO Conforme o disposto no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, a nulidade alcança os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso dos autos, os autos de infração foram lavrados por servidores com competência legal e os despachos e decisões foram proferidos por autoridade competente. Não se vislumbra nestes autos a existência de atos, termos, despachos ou decisões que tenham sido prolatados com preterição do direito de ampla defesa e o fato de o recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo ter sido pautado para o julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nesta data, constitui uma evidência do exercício do direito de defesa e conseqüentemente da inocorrência de qualquer cerceamento do direito de defesa. Assim, rejeito a preliminar de nulidade vez que os fatos mencionados pelo sujeito passivo não estão contaminados pelo vício de nulidade face ao contido no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 e, porque os feitos estão sendo objeto do julgamento, não se caracterizando cerceamento do direito de defesa. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Conforme consta dos autos, o sujeito passivo foi cientificado da exigência contida nos autos de infração no dia 22 de novembro de 2007 e inexistindo nestes autos qualquer imputação de dolo, fraude ou simulação e, em se tratando de um lançamento por homologação, a autoridade fiscal dispõe do prazo de cinco (5) anos da data da ocorrência do fato gerador para a constituição dos respectivos créditos tributários. No anocalendário de 2002 (DIPJ/2003, fls. 545/592), a recorrente apurou resultados que ensejaram o recolhimento de tributos e contribuições Fl. 8DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/0 8/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assin ado digitalmente em 30/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.012499/200756 Acórdão n.º 130200.618 S1C3T2 Fl. 1.687 9 (IRPJ/CSLL/COFINS/PIS) e, portanto, não paira qualquer margem a dúvida que os tributos e contribuições objetos do lançamento contido nestes autos estão sujeitos a lançamento por homologação. Traduzindo os claros dispositivos do Código Tributário Nacional sobre a matéria, não é difícil afirmar que esta modalidade de lançamento ocorre nos casos em que compete ao sujeito passivo determinar a matéria tributável, a base de cálculo e, se for o caso, promover o pagamento do tributo, sem qualquer exame prévio da autoridade tributária. No lançamento por homologação, toda a atividade da autoridade tributária ocorrerá a posteriori, cabendo ao próprio sujeito passivo determinar a base de cálculo e proceder ao pagamento do tributo observando as determinações da legislação tributária. Nesse diapasão, resta à autoridade tributária competente agir de duas formas: a) concordar, de forma expressa ou tácita, com os procedimentos adotados pelo sujeito passivo; b) recusar a homologação, seja por inexistência ou insuficiência do pagamento, procedendo ao lançamento de oficio. No caso do imposto de renda na fonte previsto no art. 61 da Lei n°. 8.981/95, cuja tributação é exclusiva, que é a hipótese dos autos, não há qualquer prévia atividade da autoridade tributária da qual dependa o posterior pagamento ou não do imposto pelo sujeito passivo. Logo, tratase de tributação definitiva, cujo fato gerador ocorre na data do pagamento e, em se tratando de lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial é de 05 (cinco) anos contados da data da ocorrência do fato gerador consoante face ao disposto no artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional. Assim decidiu a Quarta Turma da CSRF no recurso nº 106138454: TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA – DECADÊNCIA – Sendo a tributação de fonte, incidente sobre pagamentos sem causa ou operação não comprovada, definitiva, exclusiva, não compensável e cuja apuração e recolhimento independem de prévio exame da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação (art. 150, §4º do CTN), devendo o prazo decadencia ser contado do fato gerador. Assim, acolho a preliminar de decadência do direito de constituir crédito tributário relativamente ao IRPJ e CSLL com fatos geradores (trimestrais) anteriores a 1º de outubro de 2002 e do IRRF com fatos geradores (mensais) anteriores a 1º de novembro de 2002. 03 MÉRITO No mérito, a recorrente apresentou argumentos substanciais e provas documentais que foram examinados com precisão e cautela para verificar a ocorrência dos respectivos fatos geradores dos tributos e contribuições e relativamente as parcelas objetos de litígio comportam as analises contidas no quadro a seguir, sendo que os pagamentos e/ou Fl. 9DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/0 8/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assin ado digitalmente em 30/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.012499/200756 Acórdão n.º 130200.618 S1C3T2 Fl. 1.688 10 despesas operacionais não dedutíveis para a determinação do lucro real, lucro líquido ou pagamento sem causa, de períodos não decadentes serão examinados com maior profundidade, nos parágrafos seguintes. CHEQUE LITIGIOR$ ARGUMENTO APRESENTADO PELO SUJEITO PASSIVO DECISÃO 310802 2.250,00 Despesa contabilizada em 2001 Decadente 310860 2.650,00 Pagamento a SCP Florida Village Residente – 15/02/2002 Decadente 310970 311086 312388 3.007,69 1.131,92 3.211,63 Pagamento a fornecedores em 08/01/2002, 14/01/2002 e 19/04/2002 Decadente 311048 1.153,00 Contabilizado como custo da obra/043, em 16/01/2002 decadente 311083 1.555,30 Destinado ao adquirente do imóvel – CEF, em 15/01/2002 decadente 311165 312046 14.000,00 30.000,00 Adiantamentos que posteriormente converteuse em custos, em 01/02/2002 e 28/03/2002 decadente 311181 1.000,00 Prestação de serviços na incorporação imobiliária – OBRA 201 em 23/01/2002 decadente 311476 311976 312640 6.000,00 5.000,00 7.000,00 Adiantamentos pagos a Flávio Lúcio Skaf por serviços de assessoramento em 15/02/2002, 25/03/2002 e 20/05/2002 decadente 311679 2.422,00 Reembolso de despesas para João Luiz dos Santos em 04/02/2002 decadente 313454 1.000,00 Pagamento contabilizado como custo da obra da California Vila Residence em 02/07/2002 Decadente 314674 1.000,00 Adiantamento para pagamento de custo de OBRA/021 (R$ 300,00) e OBRA/ 200 (R$ 700,00), conforme Anexo XIII (fls. 1652 e 653) – 04/10/2002 Provimento 315416 1.500,00 Contabilizado no Ativo Permanente e sem implicação na conta de resultados Provimento 315538 1.268,65 Contabilizado no Ativo Circulante sem repercussão da conta de resultados Provimento 315558 85,00 Adiantamento para pagamento de custo da OBRA/200 – não foi escriturado para apuração de resultados Provimento 316224 317507 344,75 344,75 ISSQN pago e debitado na conta de prestadora de serviço – contabilizado na conta patrimonial, sem implicação na conta de resultados. Provimento 317827 317939 322,52 63,91 Diferença que não foi aceita na decisão de 1º grau. As parcelas foram contabilizadas na conta de OBRA/098 e não influiu na conta de resultados Provimento 318823 1.800,00 Escriturado a débito de conta patrimonial OBRA/101 SCP California Village Residence e sem influencia na conta de resultados Provimento TOTAIS 88.111,12 Vencido quanto à decadência para os pagamentos referenciados no quadro acima na coluna “decisão”, no mérito, ditas glosas não merecem prosperar, senão vejamos: CHEQUE LITIGIOR$ FUNDAMENTAÇÃO DECISÃO 310802 2.250,00 Despesa contabilizada em 2001. Em pagamento da nota fiscal nº 003179, da Metalúrgica Rejope (fls. 1.623) e contabilizada na Obra101 Provimenjto 310860 2.650,00 Despesa contabilizada em 2001. Em pagamento a SCP Florida Village Residente – em 15/02/2002, fls. 1.625. Provimento 310970 311086 312388 3.007,69 1.131,92 3.211,63 Pagamento a fornecedores em 08/01/2002, 14/01/2002 e 19/04/2002. Contabilizadas como custos da Obra/101 – fls. 1.627 Provimento 311048 1.153,00 Contabilizado como custo da obra/ 201, em 16/01/2002. fls. 1.629 e 1.631 Provimento 311083 1.555,30 Destinado ao adquirente do imóvel – CEF, em 15/01/2002. Contabilizado à conta da Obra/101 – fls. 1.634. Provimento 311165 312046 14.000,00 30.000,00 Adiantamentos que posteriormente converteuse em custos, em 01/02/2002 e 28/03/2002. Obra/101. Contabilização às fls. 1.636 e segs. Provimento 311181 1.000,00 Prestação de serviços na incorporação imobiliária – OBRA 201 em 23/01/2002. Fls. 1.642 Provimento 311476 311976 312640 6.000,00 5.000,00 7.000,00 Adiantamentos pagos a Flávio Lúcio Skaf por serviços de assessoramento em 15/02/2002, 25/03/2002 e 20/05/2002. Obra/101, fls. 1.645 Provimento 311679 2.422,00 Reembolso de despesas para João Luiz dos Santos em 04/02/2002. Obra//098 e Obra/101. Fls. 1.647 e 1.648. Provimento 313454 1.000,00 Pagamento contabilizado como custo da obra da California Vila Residence em 02/07/2002. Contabilização às fls. 1.650 Provimento Fl. 10DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/0 8/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assin ado digitalmente em 30/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.012499/200756 Acórdão n.º 130200.618 S1C3T2 Fl. 1.689 11 Com relação aos demais fatos geradores não abrangidos pela preliminar de decadência, das provas carreadas aos autos ficou evidenciado que: CHEQUE Nº 315416, DE 03/12/2002 – R$ 1.500,00 – A recorrente esclarece que o cheque foi emitido nominalmente ao funcionário da empresa Marcos Borges Nunes que foi encarregado de depositar na conta do advogado Cláudio Cabral Barbedo como adiantamento para pagamento de custas processuais e acrescenta que o valor foi registrado na contabilidade em conta de Ativo Circulante e permaneceu contabilizado até o fechamento do balanço em 31/12/2002. Efetivamente, conforme cópia da Ficha Razão nº 09, incluída no Anexo XIV, o referido dispêndio foi contabilizado na conta do Ativo Circulante e, portanto, não teve qualquer implicação na Conta de Resultados. Desta forma, a parcela objeto de glosa não tendo sido computado na determinação do lucro real e lucro líquido, não tem cabimento a sua glosa como despesas indedutíveis e nem tampouco há que se cogitar de pagamento sem causa posto que o valor contabilizado consta do Balanço Patrimonial do final do anocalendário. CHEQUE Nº 314674, – R$ 1.000,00 – A recorrente esclarece que este cheque serviu para pagamento de despesas do escritório em Porto Alegre (R$ 300,00) e para custeio de obras da SCP FLORIDA VILLAGE RESIDENCE (R$ 700,00) e como prova de suas alegações indicam os registros contábeis, conforme cópia de Fichas Razão (Anexo XIII). Entretanto, na fase impugnativa, a recorrente havia informado que o cheque fora emitido a titulo de suprimento de caixa para o empregado Marcos Nunes para pagamento de refeições, almoços e jantares com as equipes de vendas, corretores, funcionários e prestadores de serviços, gerentes de bancos e viagens para avaliação de imóveis, no montante de R$ 564,07, e que todas as despesas estariam relacionadas com a atividade fim da empresa. A diferença referiase as custo de compra de materiais de pintura, combustíveis e serviços de cópias relacionadas com a incorporação da ALVORADA FLORIDA VILLAGE RESIDENCE. Embora os esclarecimentos prestados na impugnação e no recurso voluntário sejam desencontrados, coincidem num ponto no que concerne a suprimento de caixa para empregado para o custeio de pequenas despesas relacionadas com os empreendimentos imobiliários em andamento. Além disso, o fato de os referidos pagamentos terem sido contabilizados como custo da OBRA/021 (R$ 300,00) e OBRA/200 (R$ 700,00), não comporta lançamento a título de despesas indevidas ou pagamentos indevidos posto que nos casos de incorporação imobiliária, a legislação tributária impõe sistemática especifica para a apuração de resultados por ocasião das vendas das unidades imobiliárias, a vista ou a prazo. Desta forma, entendo que o sujeito passivo tem razão porquanto a escrituração contábil não produziu qualquer efeito para a determinação do lucro real ou do lucro líquido para a incidência de IRPJ ou CSLL e muito menos pagamento sem causa, porque, poderia ter um tratamento de adiantamento. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/0 8/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assin ado digitalmente em 30/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.012499/200756 Acórdão n.º 130200.618 S1C3T2 Fl. 1.690 12 CHEQUE Nº 315538, DE 11/12/2002 – R$ 1.268,65 – A recorrente esclareceu que o cheque foi emitido a favor de Marcos Borges Nunes (fls. 1247/1248) para saque de depósito na conta de Carlos Paulo Vial (fls. 1248 a 1249), para pagamento de obrigações pactuadas no “Termo de Confissão de Divida com Pagamento Através de Fornecimento de Materiais de Construção” no qual coube a recorrente o pagamento de um saldo de dívida que o Sr. Carlos Paulo Vial possuía junto à Caixa Econômica Federal. O fato narrado foi contabilizado em conta do Ativo Circulante e que conforme Ficha Razão, foi liquidado por encontro de contas, apenas no dia 30 de novembro 2003. Os esclarecimentos prestados pelo sujeito passivo estão coerentes porquanto, às fls. 1659, a cópia da Ficha Razão indica a contabilização na Conta Patrimonial “Créditos Diversos – Carlos Paulo Vial” com a contrapartida OBRA/043 e, portanto, o pagamento objeto de imputação fiscal não teve qualquer influência na Conta de Resultados, motivo porque não poderia ser objeto de lançamento para exigência de IRPJ, CSLL e IRRF. CHEQUE Nº 315558, DE 04/10/2002 – A recorrente esclarece que este cheque serviu para o suprimento de caixa em favor do empregado Marcos Borges Nunes, no valor de R$ 1.000,00 e que na decisão de 1º grau foi aceita a comprovação de R$ 915,00. Na fase impugnativa, o sujeito passivo já esclarecia que todo o suprimento é baixado mediante prestação de contas e que no caso do cheque em exame, foi constatada uma diferença de R$ 83,98 e que no julgamento de 1º grau foi computado como de R$ 85,00. Em que pese os argumentos expendidos pelas partes, constato que se o suprimento de caixa foi contabilizado como custo da OBRA/200 – SCP FLORIDA VILLAGE RESIDENCE, e tendo em vista que na incorporação imobiliária, a forma de apuração de resultados segue uma sistemática específica, não vejo qualquer interferência desta diferença de R$ 85,00, na apuração de resultados da recorrente. CHEQUES Nº 316224 E 317507, DE R$ 344,75 e R$ 344,75 – A recorrente esclarece que estas duas parcelas correspondem ao Imposto sobre Serviços – ISSQN devidos pela contratada LAAR – Consultoria e Gerenciamento de Obras que à época prestava serviços ao sujeito passivo. A recorrente efetuou o pagamento deste ISSQN para a contratada, certamente retido na ocasião do pagamento dos honorários, mas que este pagamento foi regularmente contabilizado a débito de conta patrimonial “CONTAS A PAGAR – LAAR – Consultoria e Gerenciamento de Obras”, inexistindo, portanto, qualquer repercussão na Conta de Resultados. Efetivamente, as cópias da Ficha Razão acostadas aos autos, fls. 1664/1665, atestam a contabilização e demonstra que os referidos pagamentos não foram levados a determinação do lucro real e nem do lucro líquido para a apuração de IRPJ e CSLL. CHEQUES Nº 317827 E 317939 – R$ 322,52 E R$ 63,91 – A recorrente contesta a manutenção de tributação destas duas diferenças dos pagamentos efetuados com os cheques R$ 1.540,00 e 3.800,00, por entender que aqueles dispêndios iniciais não integraram a Conta de Resultados e desta forma, a diferença mantida, também, não tem qualquer repercussão na mesma conta. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/0 8/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assin ado digitalmente em 30/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.012499/200756 Acórdão n.º 130200.618 S1C3T2 Fl. 1.691 13 A recorrente tem razão. Os dois cheques de R$ 1.540,00 e R$ 3.800,00 foram contabilizados a débito da conta OBRA/098 – EDIFICIO AMBASSADOR (fls. 1667) e desta forma, nem os pagamentos iniciais e nem as diferenças posteriores mantidas não teve qualquer interferência na Conta de Resultados do sujeito passivo. Em se tratando de valores alocados para as respectivas obras em andamento, os resultados tributáveis só podem ser apurados quando da venda, a vista ou a prazo, das unidades imobiliárias construídas. CHEQUE Nº 318823, DE 13/08/2003 – R$ 1.800,00 – Esclareceu a recorrente que este cheque foi emitido nominal ao empregado Marcelo Oliveira Brito para depósito na conta bancária do advogado da empresa Dr. Daciano Accorci Peruffo para reembolso de despesas relacionadas com a OBRA/101 – SCP CALIFORNIA VILLAGE RESIDENCE. A cópia da Ficha Razão, às fls. 1670, atesta o registro contábil na mencionada conta patrimonial e demonstra que não teve qualquer influência na Conta de Resultados – lucro real, lucro líquido ou pagamento sem causa. 04 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO – ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS Os pagamentos objetos de autuação foram escriturados em contas patrimoniais – Ativo Permanente ou obras em andamento e especificamente em Sociedades em Conta de Participação. A legislação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (RIR/99) dispõe: Art. 148 – As sociedades em conta de participação são equiparadas às pessoas jurídicas (Decretolei nº 2.303, de 21 de novembro de 1986, art. 7º, e Decretolei nº 2.308, de 19 de dezembro de 1986, art. 3º). Art. 149 – Na apuração dos resultados dessas sociedades, assim como na tributação dos lucros apurados e dos distribuídos, serão observadas as normas aplicáveis às pessoas jurídicas em geral e o disposto no art. 254, II (Decretolei nº 2.303, de 1986, art. 7º, parágrafo único).” Como se vê, a movimentação financeira de transferência de valores para uma Sociedade em Conta de Participação não tem qualquer relação com a Conta de Resultados do sujeito passivo e mesmo que não fosse o caso da mencionada sociedade, a legislação do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica estabelece em seu Capítulo VI – DISPOSIÇÕES ESPECIAIS SOBRE ATIVIDADES E PESSOAS JURÍDICAS – Seção X – Compra e Venda, Loteamento, Incorporação e Construção de Imóveis, o seguinte: Art. 410 – O contribuinte que comprar imóvel para venda ou promover empreendimento de desmembramento ou loteamento de terrenos, incorporação imobiliária ou construção de prédio destinado à venda, deverá, para efeito de determinar o lucro real, manter, com observância das normas seguintes, registro permanente de estoque para determinar o custo dos imóveis vendidos. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/0 8/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assin ado digitalmente em 30/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.012499/200756 Acórdão n.º 130200.618 S1C3T2 Fl. 1.692 14 Art. 411 – O lucro bruto na venda de cada unidade será apurado e reconhecido quando contratada a venda, ainda que mediante instrumento de promessa, ou quando implementada a condição suspensiva a que estiver sujeita a venda (Decretolei nº 1598, de 1977, art. 27, § 1º).” Verificase, pois, que existe dispositivo expresso na legislação para a apuração de resultados das atividades relacionadas com a incorporação imobiliária e construção de prédios e, portanto, a sociedade em conta de participação para cada empreendimento imobiliário pode ser equiparado a um registro permanente de estoque para a determinação do custo da unidade imobiliária. De qualquer forma, como sociedade em conta de participação ou como registro permanente de estoque, o resultado só pode ser apurado quando da venda da unidade imobiliária. Desta forma, a tributação pretendida nestes autos, pela glosa de pagamentos, custos ou despesas operacionais não tem amparo na legislação tributária vigente. De todo o exposto e tudo o mais que consta dos autos: a) rejeito a preliminar de nulidade de lançamento; b) acolho a preliminar de decadência de IRPJ e CSLL quanto aos fatos geradores ocorridos antes do dia 1º de outubro de 2002 e do IRRF relativamente aos fatos geradores ocorridos antes de 1º de novembro de 2002; e c) no mérito, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 30 de junho de 2011. IRINEU BIANCHI Relator “documento assinado digitalmente” Fl. 14DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/0 8/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assin ado digitalmente em 30/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.012499/200756 Acórdão n.º 130200.618 S1C3T2 Fl. 1.693 15 Voto Vencedor Conselheiro WILSON FERNANDES GUIMARÃES, Redator Designado Respeitados os valiosos argumentos expendidos pelo Ilustre Conselheiro Relator, a Turma Julgadora, por maioria, divergiu em relação à ocorrência de caducidade do direito de lançar o imposto de renda na fonte incidente sobre os fatos geradores ocorridos antes de 1º de novembro de 2002, por entender que, no caso, não poderia ser aplicada a norma estampada no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Entendeu o Colegiado que, tratandose da hipótese de incidência prevista no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, descabe falar em lançamento por homologação, eis que a situação ali presente decorre, sempre, de apuração promovida pela autoridade administrativa competente, sendo a eventual constituição de crédito tributário dela decorrente efetivada por meio de lançamento de ofício, nos exatos termos do inciso I do art. 149 do Código Tributário Nacional. Diante de tais circunstâncias, sendo inaplicável a disposição contida no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional acerca do prazo para homologação, a caducidade do direito regese pelo disposto no art. 173 do mesmo diploma legal. Assim, considerando que o termo inicial de decadência, por força do disposto no inciso I do referido art. 173, foi 1º de janeiro de 2003, a constituição do crédito tributário poderia ter sido efetuada até 31 de dezembro de 2007, não havendo, pois, que se falar em caducidade do direito. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 15DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/0 8/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assin ado digitalmente em 30/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 12571.000022/2010-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.717
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000201/2010-00, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000201/201000, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP de créditos de COFINS mercado interno e exportação, apurados no regime de incidência nãocumulativa, com base no art. 3º, §1º da Lei nº 10.833/2003. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 25 71 .0 00 02 2/ 20 10 -6 4 Fl. 471DF CARF MF Processo nº 12571.000022/201064 Resolução nº 3301000.717 S3C3T1 Fl. 472 2 Cabe ressaltar a existência dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, que tratam dos Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins, respectivamente, lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das referidas contribuições dos anos de 2003 a 2007. Além da glosa dos créditos, foi verificado que, em diversos períodos de apuração, ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo Contribuinte, motivo pelo qual lhe restou saldo devedor da contribuição a pagar, sendo, então, lavrados os dois Autos de Infração citados. No âmbito dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, proferiuse as Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, respectivamente. Nestas resoluções decidiuse por converter os julgamentos em diligências para fins de juntada de processos vinculados, processos esses, inclusive o presente, em que se estão sendo analisados os créditos de PIS/Pasep e Cofins (PER/DCOMPs) e que deram ensejo aos autos de infração constantes dos processos referidos. No cumprimento da Resolução nº 3301000.521 assim constou do Despacho de Encaminhamento: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Devolvamse os presentes autos ao Conselheiro Valcir Gassen, para prosseguimento, informando que os processos 12571.000006/2010 71, 12571.000007/201016, 12571.000008/201061, 12571.000009/201013, 12571.000010/201030, 12571.000011/201084, 12571.000012/201029, 12571.000013/201073, 12571.000014/201018, 12571.000015/201062, 12571.000016/201015, 12571.000017/201051, 12571.000018/201004, 12571.000019/201041, 12571.000020/201075, 12571.000021/201010, 12571.000022/201064, 12571.000023/201017, 13931.000367/200820, 13931.000936/200837, 13931.000938/200826, 13931.000941/200840, 13931.000943/200839, 13931.000944/200883, 13931.000945/200828, e 13931.000947/200817, que tratam da análise de créditos de Cofins (PER/DECOMPs) e que deram ensejo ao auto de que trata este processo foram distribuídos ao referido Conselheiro, em cumprimento à determinação constante da Resolução 3301000.521, de 28/9/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Quando da análise dos autos para julgamento dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, distribuídos a este relator, constatouse que os dois processos referemse a autos de infração, o primeiro no que tange a contribuição ao PIS e o segundo diz respeito a Cofins, e que existiam outros processos vinculados a estes e que tratam de pedidos de restituição e de compensação (PER/DCOMP) de PIS e Cofins Exportação apurados no regime de incidência nãocumulativa. Fl. 472DF CARF MF Processo nº 12571.000022/201064 Resolução nº 3301000.717 S3C3T1 Fl. 473 3 Em pesquisa realizada no eprocesso verificouse que esses processos vinculados aos autos de infração encontravamse distribuídos em fases distintas. Por intermédio das Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, proferidas nos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, os processos vinculados foram reunidos e distribuídos a este Conselheiro prevento. Assim entendo que foram atendidas as Resoluções nº 3301000.520 e 3301 000.521. Verificando os processos de PER/Dcomps, constatase que o Auto de Infração alcança todos os períodos de apuração dos PER/Dcomps vinculados, sendo que a solução do litígio no processo do lançamento alcança os processos de ressarcimento/compensação vinculados. Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que o presente processo seja encaminhado à repartição de origem, onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão definitiva no processo nº 12571.000201/201000, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, neste processo. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 473DF CARF MF
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Numero do processo: 14751.000191/2010-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2006
IPI. FALTA DE LANÇAMENTO. MULTA.
A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do IPI na Nota Fiscal, sujeita o contribuinte á multa de ofício de 75% do valor do imposto que deixou de ser lançado.
Numero da decisão: 3401-005.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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FALTA DE LANÇAMENTO. MULTA. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do IPI na Nota Fiscal, sujeita o contribuinte á multa de ofício de 75% do valor do imposto que deixou de ser lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Tratase de auto de infração relativo a multa sobre IPI não lançado, no valor de R$ 39.607,58, ocorrendo a glosa de créditos básicos indevidos, por o contribuinte ter se utilizado de créditos que não se incluem nos conceitos de créditos passiveis de ressarcimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 01 91 /2 01 0- 10 Fl. 632DF CARF MF Processo nº 14751.000191/201010 Acórdão n.º 3401005.150 S3C4T1 Fl. 633 2 As notas fiscais emitidas pela contribuinte foram de serviços e não constava a classificação fiscal das mercadorias, sendo então intimado a discriminar a classificação adotada para fins de apuração de IPI, com as respectivas alíquotas. Atendendo a intimação, informou a existência anterior de Extarifário e que a obra de papel descrita na nota fiscal 4278 encontrase agora na NCM 4909.00.00, e as demais notas fiscais referemse a obras de papel ou de cartão NCM 4911.99.00, sendo obras impressas com dizeres ou ilustrações que não tem caráter acessório relativamente à sua utilização original, e constituem obras consagradas na publicidade e propaganda ou ao uso ou consumo pelo próprio destinatário nelas identificado. Após a reconstituição da escrita fiscal, a fiscalização constatou que não houve apuração de saldo devedor para os períodos abrangidos pela presente auditoria e foi tão somente efetuado o lançamento da multa pelo IPI não lançado com cobertura de crédito, art. 80, I da Lei nº 4.502/64. A empresa apresentou impugnação que foi julgada improcedente pela DRJ Belém, acórdão nº 0126.612, de 02/07/2013, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/01/2005 a 31/03/2006 IPI. FALTA DE LANÇAMENTO NA NOTA FISCAL. MULTA. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do IPI na respectiva nota fiscal, sujeita o contribuinte à multa de ofício de setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado. Regularmente intimada a empresa apresentou recurso voluntário nos seguintes termos: as notas fiscais são todas de serviço e que não possui campo para apontamento do IPI, sendo o formato da nota fiscal estipulado pelo município; a fiscalização reclassificou os produtos e a TIPI, vigente a partir de 01/03/1989 previa alíquota zero para artigos e obras impressos, assim como para os papéis com dizeres impressos e formulários contínuos classificados em diversos códigos do capítulo 48; as regras de interpretação da NCM para artigos personalizados de papelaria sob encomenda é aplicada a diversos Extarifário vinculados à alíquota zero de IPI; segundo súmula STJ 156 “a prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS”; que a multa é desproporcional e confiscatória. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. Fl. 633DF CARF MF Processo nº 14751.000191/201010 Acórdão n.º 3401005.150 S3C4T1 Fl. 634 3 O recurso voluntário é tempestivo e preenche as condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Conforme consta do relatório e demais peças processuais o contribuinte emitiu Nota Fiscal de Saída (notas fiscais de serviços) para amparar o fornecimento de serviços relativos a impressão de artigos de papelaria sob encomenda, personalizados para clientes específicos e uso interno, entendendo ser contribuinte do ISS, classificando as mercadorias e utilizando Extarifário de IPI. A fiscalização entendeu ser a empresa contribuinte de IPI, e que houve equívoco na indicação da alíquota aplicável, por isso reconstituiu a escrita fiscal. Como constatou que não houve apuração de saldo devedor para os períodos abrangidos pela presente auditoria, efetuou o lançamento da multa pelo IPI não lançado com cobertura de crédito, art. 80, I da Lei nº 4502/64. A ação fiscal foi iniciada para analisar Per/Dcomp dos anos de 2005 e 2006, visando ao exame dos pedidos de ressarcimento dos créditos básicos de IPI. Após solicitação da fiscalização, o contribuinte identificou as classificações fiscais dos produtos impressos/produzidos utilizando alíquota zero para todos, apesar de constar alíquota diferente na TIPI. O contribuinte classificou seus produtos nas NCM 4909.00.00 e 4911.99.00, justificando ter utilizado a Nota 12 do capítulo 48 e a Nota 5 do capítulo 49 da TIPI. E no TVP, fl. 522 foi relatado que: Fl. 634DF CARF MF Processo nº 14751.000191/201010 Acórdão n.º 3401005.150 S3C4T1 Fl. 635 4 Como se pode verificar a análise da classificação fiscal foi efetuada inicialmente apenas com base no argumento apresentado pelo contribuinte, ou seja, o texto das notas, sem analisar as regras de classificação de mercadorias do SH. Entretanto, mais adiante, fls. 531 e sgs, no TVF a fiscalização demonstra como chegou a NCM correta com a aplicação das regras do SH, analisando produto a produto. O contribuinte não contesta a metodologia utilizada para validar a classificação das mercadorias, nem apresenta argumentos pela aplicação das regras do SH, apenas enfatiza a adequabilidade das notas 12 do capítulo 48 e a 5 do capítulo 49 da TIPI. O contribuinte utiliza duas posições para enquadramento de seus produtos, 4909 e 4911, justificandose com a aplicação das notas: Nota 12 do capítulo 48 e a Nota 5 do capítulo 49 da TIPI. A fiscalização demonstra que as notas não são aplicáveis aos produtos, e faz a análise de cada produto, demonstrando porque considera que não cabe a utilização das notas e os casos que considera que é aplicável. Não merece reparo o procedimento adotado pela fiscalização e as conclusões a que chegou. Superando o problema da classificação das mercadorias, vemos que o cerne da controvérsia esta na alíquota que foi utilizada, que não condiz com a estipulada pela TIPI e também quando ao fato gerador do IPI, já que o contribuinte utiliza as notas da TIPI para justificar a não incidência do IPI. Ora, a alíquota aplicável deve ser sempre a indicada pela TIPI à época dos fatos. O contribuinte alega a existência de Extarifário de IPI, mas não indicou ou demonstrou a vigência e validade do mesmo. A fiscalização também não encontrou essa informação em pesquisa no sistema de Consulta a legislação do Siscomex. Esse sistema administrado pela RFB possui todo o histórico das alíquotas vigentes dos tributos federais, e é de uso interno da instituição, mas pode ser consultado pelo sítio da RFB na internet. Fl. 635DF CARF MF Processo nº 14751.000191/201010 Acórdão n.º 3401005.150 S3C4T1 Fl. 636 5 A fiscalização apresenta então quadro onde apresenta as classificações fiscais dos produtos e a alíquota que deve ser aplicada: Fl. 636DF CARF MF Processo nº 14751.000191/201010 Acórdão n.º 3401005.150 S3C4T1 Fl. 637 6 O fato gerador do IPI é a saída do produto do estabelecimento industrial, conforme art. 2º da Lei nº 4.502/64 “constitui fato gerador do imposto: ... II – quanto aos de produção nacional, a saída do respectivo estabelecimento produtor”. O TVF informa o Parecer Normativo CST nº 127/1971 que estabelece que constituindo a impressão operação de industrialização, referindose ao processo gráfico de impressão, tributamse os impressos em geral, salvo se se tratar de impressão por encomenda direta do usuário ou consumidor, efetuada na residência do confeccionador ou preparador ou em oficina que forneça, preponderantemente, trabalho profissional, como determinado no inciso V do art. 52 c/c art. 72 do RIPI/2002. E nas fls. 525 e sgs, a fiscalização discorre sobre o assunto concluindo que estabelecimento não pode ser enquadrado como excluído da "industrialização", por possuir atributos superiores aos definidos pela legislação do IPI: Para as empresas gráficas, estaria afastada a realização de operação de industrialização, como afirmado também, no Ato Declaratório (Normativo) COSIT n° 18/2000, se estivesse plenamente configurada situação prevista nos art: 5°, V, c/c art, 70, II, do Decreto n° 4.544, de 2002 (RIPI12002), que indicam: "Art. 5° Não se considera industrialização: ... V o preparo de produto, por encomenda direta do consumidor ou usuário, na residência do preparador ou em oficina, desde que, em qualquer caso, seja preponderante o trabalho profissional; Art. 7º Para os efeitos do art. 5°: ... II nos casos dos seus incisos IV e V: a) oficina é o estabelecimento que empregar, no máximo, cinco operários e, caso utilize força motriz, no dispuser de potência superior a cinco quilowatts; e b) trabalho preponderante é o que contribuir no preparo do produto, para formação de seu valor, a titulo de mãodeobra, no mínimo com sessenta por cento." No presente caso, para esta empresa, fica evidenciado que o estabelecimento possui atributos em desacordo com as definições firmadas para este artigo no RIPI/2002, constatados por esta fiscalização em diligência ao parque fabril da mesma, portanto, não se enquadrando no mesmo. Isso denota, sem dúvida, que o porte da empresa supera consideravelmente o porte dos estabelecimentos que pretendeu o legislador excluir da cobrança do IPI nos citados artigos pequenas oficinas com trabalho manualizado com apoio de máquinas e ferramentas empregadas de pequena potência. Fl. 637DF CARF MF Processo nº 14751.000191/201010 Acórdão n.º 3401005.150 S3C4T1 Fl. 638 7 Logo, resta caracterizado que o presente estabelecimento não pode – ser enquadrado como excluído da "industrialização", por possuir atributos superiores aos definidos pela legislação do IPI, se porventura o fundamento fosse esse e, por outro lado, o destino ao uso ou consumo não configuraria tal classificação alegada. Demonstrado então ficou que o contribuinte enquadrase na situação prevista em lei para a incidência do IPI, e que o processo que realiza é considerado industrialização. A súmula do STJ 156 “a prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS” apresentada pela recorrente para justificar a não incidência do IPI, conforme já esclarecido aplicase aos casos em que se tratar de impressão por encomenda direta do usuário ou consumidor, efetuada na residência do confeccionador ou preparador ou em oficina que forneça, preponderantemente, trabalho profissional, como determinado no inciso V do art. 52 c/c art. 72 do RIPI/2002. A fiscalização efetuou a reconstituição da escrita fiscal, fls. 164 a 169 do auto de infração, o que não foi contestado pelo contribuinte. A contestação limitouse a insurgirse contra a alíquota considerada pela fiscalização e a suposta existência de Extarifário para os produtos e também para o fato de a recorrente alegar que não se enquadra como contribuinte do IPI mas sim do ISS, por isso a emissão de Notas Fiscais de Serviços para todas as operações. Entretanto, conforme já concluído, o contribuinte enquadrase no campo da incidência do IPI, por isso está sujeito ao cumprimento da legislação específica. Correta foi a aplicação da multa já que apesar de a recorrente afirmar em sua defesa que não existe campo apropriado na Nota Fiscal de Serviços para informar o destaque do IPI, a informação poderia ter sido fornecida se ela tivesse apresentado a documentação correta, ou seja a Nota Fiscal de saída de produtos, conforme disposto no RIPI: Art. 382. O documentário fiscal obedecerá aos modelos anexos a este Regulamento, bem como àqueles aprovados ou que vierem a ser aprovados pelo Ministro de Estado da Fazenda, em atos administrativos ou em convênio com as unidades federadas (Lei nº 4.502, de 1964, arts. 48 e 56, § 1º, e DecretoLei no 400, de 1968, art. 17). ... Art. 392. Os estabelecimentos emitirão os seguintes documentos, conforme a natureza de suas atividades: I Nota Fiscal, modelos 1 ou 1A; ... E também: Art. 413. A nota fiscal, nos quadros e campos próprios, observada a disposição gráfica dos modelos 1 ou 1A, conterá: ... Fl. 638DF CARF MF Processo nº 14751.000191/201010 Acórdão n.º 3401005.150 S3C4T1 Fl. 639 8 IV no quadro “Dados do Produto”: ... b) a descrição dos produtos, compreendendo: nome, marca, tipo, modelo, série, espécie, qualidade e demais elementos que permitam sua perfeita identificação; c) a classificação fiscal dos produtos por Posição, Subposição, item e subitem da TIPI (oito dígitos); ... j) a alíquota do IPI; e l) o valor do IPI, sendo permitido um único cálculo do imposto pelo valor total, se os produtos forem de um mesmo código de classificação fiscal; ... E conforme esclarecido no acórdão recorrido: Notese, ainda, que nos termos do art. 6º, caput e § 13, do Convênio S/Nº, de 15/12/1970, que cria o Sistema Nacional Integrado de Informações EconômicoFiscais (Convênio SINIEF/1970), os contribuintes do IPI e/ou do ICMS emitirão, dentre outros documentos, conforme as operações que realizarem, Nota Fiscal, modelos 1 ou 1A, e Nota Fiscal de Venda a Consumidor, modelo 2, sendo que os dados relativos ao ISS serão inseridos, quando for o caso, entre os quadros “DADOS DO PRODUTO” e “CÁLCULO DO IMPOSTO”, conforme legislação municipal. Logo, sem prejuízo de que o sujeito passivo emitisse os documentos fiscais necessários ao atendimento tanto da legislação federal quanto da municipal (afastando o descumprimento de qualquer uma delas), também poderia cumprilas conforme facultado pelo Convênio SINIEF. Logo, não há como se eximir da aplicação da multa do art. 80 da Lei nº 4.502/64 com a redação da Lei nº 9.430/96: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. Também não merece prosperar a alegação de que a multa seria de valor exorbitante e confiscatória. Questionar o teor da lei foge à competência desse tribunal administrativo, a quem cabe somente aplicála pela aplicação da Súmula CARF: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 639DF CARF MF Processo nº 14751.000191/201010 Acórdão n.º 3401005.150 S3C4T1 Fl. 640 9 Pelo exposto voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por lhe negar provimento, mantendo a multa aplicada. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora Fl. 640DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002492/2005-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
DESPESAS GLOSADAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE. CANCELAMENTO DA AUTUAÇÃO.
Comprovada a efetividade da prestação de serviços contratados, os valores pagos são dedutíveis, devendo o lançamento ser exonerado.
Numero da decisão: 1302-003.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Lucia Miceli - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: MARIA LUCIA MICELI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 DESPESAS GLOSADAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE. CANCELAMENTO DA AUTUAÇÃO. Comprovada a efetividade da prestação de serviços contratados, os valores pagos são dedutíveis, devendo o lançamento ser exonerado.
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE. CANCELAMENTO DA AUTUAÇÃO. Comprovada a efetividade da prestação de serviços contratados, os valores pagos são dedutíveis, devendo o lançamento ser exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lucia Miceli Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 24 92 /2 00 5- 19 Fl. 979DF CARF MF 2 Trata o processo de auto de infração para cobrança de IRPJ no valor de R$ 286.300,00, e da CSLL no valor de R$ 111.708,00, relativos ao anocalendário de 2001, todos acrescidos de multa de ofício no percentual de 75% e de juros de mora. O lançamento decorre de glosa de despesas em razão da falta de comprovação da efetividade dos serviços prestados. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, a recorrente foi intimada a comprovar a efetividade dos serviços prestados pela empresa Jocaza Publicidade Ltda, tendo em vista contrato celebrado em 03/01/2000. O objeto do contrato seria a prestação de serviços de consultoria e assessoria, na qual ficou estabelecido na cláusula 4° que a empresa JOCAZA receberia o valor de R$ 11.000,00 como honorário mensal e que o mesmo seria corrigido, mensalmente, pela variação do dólar americano. Houve um aditamento ao referido instrumento em 26/04/2000 elevando o honorário mensal para R$ 30.740,00. Entretanto, desde o mês de janeiro/2001, a prestadora de serviços recebeu honorário superior ao pactuado. Intimada a comprovar a efetividade dos serviços prestados, a recorrente declarou não possuir os documentos solicitados que comprovassem o serviço executado pela empresa Jocaza referente as notas fiscais já mencionadas. Em sessão de 19 de setembro de 2008, a 4ª Turma da DRJ/SPOI São Paulo, julgou improcedente a impugnação por meio do Acórdão nº 1618.646, fls. 918/922, do qual transcrevo a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 GLOSA DE DESPESA COM CONSULTORIA E ASSESSORIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA • PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS CONTRATADOS. INDEDUTIBILIDADE. É imprescindível, para a dedução da despesa, a prova da efetiva realização dos serviços contratados de consultoria e assessoria, para que se possa examinar se a despesa atende aos requisitos de necessidade, normalidade e usualidade. AUTO REFLEXO. CSLL. O voto referente ao IRPJ aplicase ao seu reflexo. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 30/01/2009, de acordo com AR acostados aos autos às fls. 924. Em 20/02/2009 a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 928/938, com as seguintes alegações: esclarece que tem como objeto social a prestação de serviços de concepção, criação, produção e distribuição de anúncios e campanhas de propaganda, serviços de propaganda e publicidade em geral, execução de atividades ou trabalho de relações públicas para utilização em propaganda, o que demanda despesas incorridas que fogem do padrão de normalidade, necessidade, usualidade e efetividade comumente definidas para o setor industrial, comercial e de prestação de serviços em geral. Fl. 980DF CARF MF Processo nº 19515.002492/200519 Acórdão n.º 1302003.008 S1C3T2 Fl. 980 3 não procede a alegação da decisão de primeira instância de que não teria ocorrido a comprovação ou efetividade das despesas, fundamentada apenas em presunções, por vezes afirmando que houve o serviço e por outras que não, embora o contrato deixasse claro que se tratava de serviços de consultoria e assessoria para desenvolvimento e expansão dos negócios relativos à propaganda e publicidade. a expansão de negócios de publicidade pode se dar de diferentes formas, como encontros, reuniões, contatos, telefonemas, festas; entrega de prêmios e não necessariamente consubstanciados em relatórios ou planilhas de custos, como exigiu a Fiscalização. devese levar em conta as características do setor de propaganda e publicidade, restando patente a dedutibilidade das despesas. embora tenham sido apresentadas as Notas Fiscais emitidas pela empresa Jocaza , assim como cópia dos DARFs, referentes ao IR/Fonte e, embora o julgador tenha dito "que não foi questionada a efetividade dos pagamentos e tampouco foi afirmado que nenhum tipo de serviço foi prestado", ainda assim a documentação apresentada não foi considerada. traz jurisprudência administrativa aceitando Notas Fiscais, faturas, duplicatas e recibos como comprovação das despesas. quanto à efetividade, é inegável a prestação dos serviços da Jocaza, como faz prova os trabalhos juntados na impugnação, com a respectiva tradução e diversos emails trocados entre a ora Recorrente e José Cazarin, representante da Jocaza, que .comprovam reuniões, contatos e prospecção e novos, sendo ônus do Fisco apresentar prova da desnecessidade dos serviços prestados, o que não ocorreu. a decisão de primeira instância manteve o lançamento baseada em presunção, sendo incompatível com os princípios da legalidade estrita e o da tipicidade tributária. finaliza requerendo que seja dado provimento ao recurso voluntário e cancelado o lançamento. É o relatório. Voto Conselheira Maria Lucia Miceli Relatora A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 30/01/2009, e o recurso voluntário foi apresentado em 20/02/2009. Assim, como foram atendidos os demais requisitos de admissibilidade, dele eu conheço. Fl. 981DF CARF MF 4 O cerne da questão é a comprovação da efetividade da prestação de serviços, contratados por meio de instrumento particular firmado em 03/01/2000 com a empresa Jocaza Publicidade LTDA, fls. 373/377, cujo objeto está definido na cláusula 1: Cláusula 1ª A CONTRATADA, através de seus sócios empregados e prepostos,obrigase a prestar à CONTRATANTE serviços de consultoria e assessoria nas áreas de propaganda e publicidade, tendo por finalidade expandir o mercado de atuação da CONTRATANTE, com o incremento de seus negócios e respectiva redução de custos operacionais. Consta na quinta cláusula, que "A CONTRATADA fornecerá à CONTRATANTE, periodicamente e conforme solicitação desta, relatórios demonstrando a situação dos projetos e tarefas em desenvolvimento e os resultados dos serviços realizados." Estes relatórios foram requisitados pela fiscalização durante a ação fiscal, mas a recorrente informou que não os possuía, ensejando o presente auto de infração pela falta de comprovação da efetividade da prestação de serviços. Destaco que a documentação solicitada pela fiscalização decorre de exigência expressa no contrato firmado pela própria recorrente, como forma de comprovar o cumprimento do acordado por parte da contratada, a empresa Jocaza Publicidade LTDA. Em sua defesa, a recorrente aduz que a documentação apresentada na impugnação seria suficiente para comprovar a efetividade da prestação dos serviços. Alega que o tipo de serviço realizado foge do padrão comumente verificado no setor industrial, comercial e de prestação de serviços em geral. Abaixo, discrimino os documentos apresentados: => Notas Fiscais emitidas pela Jocaza Publicidade LTDA, contendo a seguinte descrição: Serviços de consultoria e assessoria de propaganda e publicidade conforme contrato assinado em 03/01/2000, com exceção do último, acostado às fls. 390, emitido em 08/01/2002, no valor de R$ 677.000,00, que se refere a "pagamento devido em razão de rescisão imotivada do contrato de prestação de serviços celebrado em 03/01/2000, conforme previsto na cláusula 15ª". (fls. 699/711) => DARF de pagamento do IRRF, efetuados pela contratada Jocaza Publicidade LTDA, código 8045 (fls. 712/720) => documento utilizado para palestra no qual consta as atividades da recorrente, cenário econômico, soluções e perspectiva, em inglês e português, elaborada pela contratada Jocaza Publicidade LTDA, em agosto de 2001. (fls. 721/763) => documento utilizado para palestra sobre a situação no Brasil do mercado de propaganda, identificando as maiores agências, qual a situação da recorrente, elaborada pela contratada Jocaza Publicidade LTDA, em julho de 2001.(fls.764/ => o contrato social da empresa Jocaza Publicidade LTDA, cujos sócios são José Eduardo Cazarin Silva e Mariangela Nicolellis. => email trocados entre José Eduardo Cazarin e funcionários da recorrente, principalmente com o Diretor Financeiro, Paulo Santos, tratando de assuntos tais como redução de custos operacionais (redução do gasto de energia), contratação de funcionário, contratos de Fl. 982DF CARF MF Processo nº 19515.002492/200519 Acórdão n.º 1302003.008 S1C3T2 Fl. 981 5 clientes (Concorrência BB, Concorrência Energia Elétrica Paulista, Renault/Nissan), etc, ocorridos em 2001. Da análise dos documentos acostados aos autos, é possível verificar que a contratada Jocaza LTDA fez um estudo sobre a recorrente, sua posição no mercado comparando com demais agência de propaganda e publicidade, sua situação econômica, seu relacionamento com os clientes principais (Unilever, Nestle, J&J, Renault Nissan, Banco do Brasil, etc), propôs ainda estratégias para reposicionamento e crescimento com novos negócios, avaliou suas finanças dentro do cenário econômico. Nos email trocados há sugestões de redução de custos operacionais, bem como é possível verificar que a contratada participou na contratação de novos colaboradores e na concorrência para obter novos clientes. Neste contexto, em que pese a recorrente não ter apresentado os relatórios previstos na cláusula 5ª, concluo, pelo conjunto probatório acostado aos autos, que houve a efetividade da prestação dos serviços contratados de consultoria e assessoria nas áreas de propaganda e publicidade, com a finalidade de expandir o mercado de atuação da recorrente, com o incremento de seus negócios e respectiva redução de custos operacionais. Por todo acima exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria Lucia Miceli Relatora Fl. 983DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.723278/2016-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2402-000.688
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique nos sistemas da RFB, bem como na 3ª Vara do Trabalho de Sorocaba/SP, a ocorrência de recolhimento de IRRF, no valor de R$ 55.423,97, consignado no laudo contábil homologado pelo juízo da 3ª Vara do Trabalho de Sorocaba/SP e referente à reclamatória trabalhista nº 0022400-91.2004.5.15.0109.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. Ausente, justificadamente, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
Relatório
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique nos sistemas da RFB, bem como na 3ª Vara do Trabalho de Sorocaba/SP, a ocorrência de recolhimento de IRRF, no valor de R$ 55.423,97, consignado no laudo contábil homologado pelo juízo da 3ª Vara do Trabalho de Sorocaba/SP e referente à reclamatória trabalhista nº 002240091.2004.5.15.0109. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em exercício (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. Ausente, justificadamente, o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efl. 90) em face do Acórdão n. 1061.471 8ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) DRJ/POA (efls. 79/83), que julgou improcedente a impugnação de efls. 04/05 e manteve o crédito tributário consignado no lançamento constituído em 11/08/2018 (efl. 49) mediante a Notificação de Lançamento IRPF n. 2015/790806850639535 Exercício 2015 no valor RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 55 .7 23 27 8/ 20 16 -2 7 Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10855.723278/201627 Resolução nº 2402000.688 S2C4T2 Fl. 3 2 total de R$ 6.200,38 sendo R$ 4.511,01 de imposto (Cód. Receita 0211); R$ 902,20 de multa de mora não passível de redução; e R$ 787,17 de juros de mora calculados até 31/08/2016 (e fls. 39/48), com fulcro em compensação indevida de imposto de renda na fonte sobre rendimentos recebidos acumuladamente tributação exclusiva. Irresignado com o lançamento, o sujeito passivo apresentou a impugnação de e fls. 04/05, julgada improcedente pela DRJ/POA, nos termos do Acórdão n. 1061.471 (efls. 79/83), de cujo teor tomou ciência em 27/02/2018 (efl. 111), havendo interposto recurso voluntário na data de 12/03/2018. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário (efl. 90) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto, dele CONHEÇO. O cerne da presente lide concentrase em compensação indevida de imposto de renda retido na fonte (IRRF), relacionado à reclamatória trabalhista n. 0022400 91.2004.5.15.0109, vez que não comprovado o IRRF de R$ 55.590,63 declarado pelo Recorrente na DIRPF/2015 ND 08/65.705.027 (efls. 28/36). Muito bem. De plano, é oportuno resgatar a decisão recorrida quando esclarece a retificação do Acórdão n. 1057.901 (efls. 55/58), que não conheceu da impugnação de efls. 04/05, nos seguintes termos: Em sessão realizada no dia 15 de fevereiro de 2017, conforme acórdão 1057.901 (fls. 55/58), os membros desta Turma de Julgamento votaram, por unanimidade, pelo não conhecimento da impugnação, por entender que houve renúncia à instância administrativa devido à propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto. Após o julgamento, o Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Sorocaba, no DESPACHO/ DRF SOROCABA/SEORT (fls. 75/77), alertou que a ação judicial n° 002240091.2004.5.15.0109 é uma ação trabalhista, tendo como réu o Banco Santander e cujo objeto em discussão não é o imposto de renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente. Que a decisão e agravo juntados pelo contribuinte tratam da execução da ação trabalhista, onde está sendo tratado o montante a ser pago ao autor e que envolve o valor de imposto de renda a ser retido. Superada a concomitância de instâncias (administrativa/judicial), a instância de piso decidiu pela improcedência da impugnação (efls. 04/05) por insuficiência de provas, conforme segue: Assim, não tendo sido apresentada pelo contribuinte prova inequívoca da existência do direito creditório, não é possível darlhe razão. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10855.723278/201627 Resolução nº 2402000.688 S2C4T2 Fl. 4 3 Ressaltese ainda que em pesquisa realizada nos registros da RFB (sistema SIEF WEB) não foi encontrado o recolhimento do IRRF de R$ 55.590,63 no CPF do contribuinte e verificase que não foi apresentada DIRF pela fonte pagadora. Mantémse o lançamento fiscal por insuficiência de provas. Todavia, considerandose que, em sede de recurso voluntário, o Recorrente acosta aos autos cópia de requerimento dirigido ao juízo da 3ª. Vara do Trabalho de Sorocaba/SP para que seja efetuado o recolhimento do IRRF vinculado à reclamatória trabalhista n. 002240091.2004.5.15.0109 (efls. 91/93), e, considerandose ainda os documentos de efls. 21/26, resta evidenciado o esforço do Recorrente em comprovar a retenção de imposto de renda na fonte no valor de R$ 55.590,63 declarado na DIRPF/2015 ND 08/65.705.027 (efls. 28/36). Constituise forte indício favorável ao Recorrente, que caracteriza fumus boni iuris, a homologação de laudo contábil, pelo Dr. Walter Gonçalves Juiz Titular de Vara do Trabalho (efl. 98) , no qual é fixado o valor de imposto de renda retido na fonte (IRRF) no valor de R$ 55.423,97 em face do valor devido ao reclamante, ora Recorrente, na reclamatória trabalhista n. 002240091.2004.5.15.0109, ressaltandose, por relevante, que a referida retenção apresentase em ordem de valor muito próxima ao IRRF declarado pelo Recorrente (R$ 55.590,63). Nessa perspectiva, em face da situação fática em tela, no qual resta evidenciado que a não comprovação do IRRF glosado foge à governança do Recorrente, com o agravante da homologação do laudo contábil que informa IRRF em valor aproximados àquele declarado pelo Recorrente na sua declaração de ajuste anual, enxergo, no caso concreto, hipótese de mitigação da preclusão prevista nos arts. 15 e 16, III, do Decreto n. 70.235/1972, em homenagem, inclusive, ao princípio da verdade material, intrínseco ao direito tributário, devendose, por consequência, promoverse as devidas diligências nos sistemas da RFB, bem assim junto à 3ª. Vara do Trabalho de Sorocaba/SP, com o fito de se verificar a ocorrência de recolhimento da retenção em tela, inclusive o respectivo anocalendário da retenção. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fl. 90) e CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA à Unidade de Origem, para verificar nos sistemas da RFB, bem assim junto à 3ª. Vara do Trabalho de Sorocaba/SP, a ocorrência de recolhimento de IRRF no valor de R$ 55.423,97 consignado no laudo contábil homologado pelo juízo da 3ª. Vara do Trabalho de Sorocaba/SP referente à reclamatória trabalhista n. 002240091.2004.5.15.0109 observandose que, após a diligência ora solicitada, deverá a Unidade de Origem consolidar Informação Fiscal em face das verificações realizadas, cientificando o Recorrente do seu teor e concedendo prazo de 30 (trinta) dias, a contar da ciência, para que, querendo, apresente contrarrazões. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.906240/2012-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38.
É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999.
COMPENSAÇÃO.
Ultrapassa-se o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação.
Numero da decisão: 1301-003.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso do contribuinte para ultrapassar o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual, oportunizando, ainda, ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos ou esclarecimentos que entender necessários.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999. COMPENSAÇÃO. Ultrapassa-se o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação.
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JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999. COMPENSAÇÃO. Ultrapassase o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso do contribuinte para ultrapassar o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual, oportunizando, ainda, ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos ou esclarecimentos que entender necessários. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 62 40 /2 01 2- 99 Fl. 337DF CARF MF Processo nº 13819.906240/201299 Acórdão n.º 1301003.311 S1C3T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão proferido pela 4ª Turma da DRJ/REC, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada, entendeu, por unanimidade de votos, considerá la improcedente, não reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação declarada. Tratase de Dcomp que visou a compensar crédito decorrente de pagamento indevido/maior de IRPJ, no período especificado. Referida compensação não foi homologada, via Despacho Decisório eletrônico, à razão de que, dadas as características do Darf discriminado naquela Dcomp, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação do débito nela declarado. Na manifestação de inconformidade, é aduzido, em síntese, que constituiu e pagou PIS e COFINS que não eram devidos, com amparo em legislação que reduziu a zero as alíquotas do PIS e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da execução de industrialização por encomenda de produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal; quando percebeu o erro, já havia pago as contribuições, surgindose crédito de pagamento indevido/a maior; e, que aproveitou o crédito em Dcomp, porém olvidou a retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Naquela oportunidade, a r.turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade apresentada, ratificando a decisão recorrida, vez que o contribuinte não trouxe aos autos argumentos para defender a existência do crédito pleiteado. Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, acompanhado de documentos, pugnando pelo provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o relatório. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 13819.906240/201299 Acórdão n.º 1301003.311 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.306, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13819.906236/2012 21, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.306): "O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais de admissibilidade, portanto, dele conheço. Da Juntada de Novos Documentos em sede de Recurso Voluntário Preliminarmente, deve ser submetida à deliberação deste colegiado a possibilidade de juntada de novos documentos, e que eles sejam admitidos como provas no processo. Esses documentos foram juntados quando da apresentação do recurso voluntário. Em relação a esse ponto, é importante destacar a disposição contida no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que trata da apresentação da prova documental na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Em que pese existir entendimento pela não admissão destes documentos com fulcro no dispositivo citado, penso que não se deve cercear o direito de defesa do contribuinte, impedindoo de apresentar provas em sua defesa, sob pena de ferir o princípio da verdade material, princípio da formalidade moderada, entre outros, e por isso, deve estes princípios prevalecerem sobre a aplicação do dispositivo contido no 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, pois podem revestirse de elementos suficientes para a confirmação, pelo menos em parte, do direito creditório pleiteado. Semelhante raciocínio chegou o CSRF, no julgamento do Acórdão nº 9101002.781, que ocorreu na sessão de 06 de abril de 2017, onde foi reconhecida a possibilidade de juntada de documentos posterior à apresentação de impugnação administrativa, em observância a estes princípios e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999: Fl. 339DF CARF MF Processo nº 13819.906240/201299 Acórdão n.º 1301003.311 S1C3T1 Fl. 5 4 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/199 (G.N) Por entender pertinente, colaciono trechos extraídos do voto vencedor deste mesmo acórdão, exarado pela I. Conselheira Cristiane Silva Costa, cujos argumentos evidenciam o atual posicionamento da CSRF sobre a matéria: Com a devida vênia ao Ilustre Relator, divirjo da interpretação conferida ao artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972. Como mencionado pelo Ilustre Relator, prescreve o artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) A interpretação isolada do artigo 16 e seu §4º poderia implicar na interpretação bastante rigorosa da impossibilidade de juntada de documentos depois da apresentação de impugnação administrativa, ressalvadas as hipóteses dos incisos do §4º, acima colacionado (impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos). No entanto, não me parece seja o caso de adotar interpretação tão rigorosa. A Lei nº 9.784/1999 trata dos processos administrativos no âmbito da Administração Pública Federal, explicitando a necessidade de observância aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade proporcionalidade, ampla defesa e contraditório: Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade,proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: A mesma Lei acrescenta que os processos administrativos devem atender aos critérios dos quais se destacam: Fl. 340DF CARF MF Processo nº 13819.906240/201299 Acórdão n.º 1301003.311 S1C3T1 Fl. 6 5 Art. 2º: (...) Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio. Os processos administrativos, portanto, devem atender a formalidade moderada, com a adequação entre meios e fins, assegurandose aos contribuintes a produção de provas e, principalmente, resguardandose o cumprimento à estrita legalidade, para que só sejam mantidos lançamentos tributários que efetivamente atendam à exigência legal. Especificamente sobre a possibilidade de juntada de provas, o artigo 38, da Lei nº 9.784/1999 prescreve que: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Ao tratar do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/1972, são as pertinentes considerações de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López: Ao se levar às últimas consequências, as regras atualmente vigentes para o Decreto nº 70.235/72, estarseia mitigando a aplicação de um dos princípios mais caros ao processo administrativo que é o da verdade material. (...) Assim, revela destacar que a depender da situação é possível flexibilizar a norma, desde que evidentemente, a prova apresentada seja inconteste e nesse sentido Fl. 341DF CARF MF Processo nº 13819.906240/201299 Acórdão n.º 1301003.311 S1C3T1 Fl. 7 6 independa da análise de uma instância inferior, eis que a preclusão ligase ao princípio do impulso processual. (...) Na prática, quer nos parecer que, o direito à parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da justiça. (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª edição, Dialética, 2010, fls. 305 e 306.) Diante de tais razões, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte, determinando a baixa dos autos para que a Turma a quo aprecie os documentos apresentados pelo contribuinte. Assim, embora o artigo 16, §4ª, do Decreto nº 70.235/72, estabeleça regra atribuindo o efeito de preclusão a respeito de prova documental, enfatizando que a prova documental seja apresentada juntamente com a impugnação do contribuinte, isso não impede, segundo meu juízo, com base em outros princípios contemplados no processo administrativo fiscal, em especial princípio da verdade material e formalidade moderada, além da própria disposição contida no artigo 38, da Lei nº 9.784/1999, que o julgador conheça e analise novos documentos apresentados após a defesa inaugural, sobretudo quando se prestam a corroborar com tese aventada em sede de primeira instância e contemplada pelo Acórdão recorrido. Dessa forma, os documentos apresentados pelo recorrente em sede de recurso devem ser admitidos e apreciados. Da Análise do Recurso Voluntário Inferese dos autos que a discussão se reporta a direito creditório proveniente de suposto recolhimento indevido ou a maior de IRPJ, efetuado no anocalendário de 2010, via DARF, apresentado através de Dcomp. Em suas razões de recurso, discorre o contribuinte que não se trata de crédito oriundo de pagamento indevido de PIS e COFINS e sim de recolhimento indevido ou a maior de IRPJ, tal como declarado em sua Dcomp. Pontua que promoveu o pagamento do PIS e da COFINS pelo regime cumulativo, antes de realizar a opção pelo lucro real quando do pagamento do imposto de renda e da contribuição social, situação essa que lhe causou dúvida sobre o acerto de sua opção. Em face disso, apresentou Consulta Administrativa ao órgão competente, solucionada, nos termos a seguir transcritos: a) a entrega espontânea da DCTF onde informa que o regime de apuração é pelo lucro presumido, combinado com as informações referentes às contribuições ao Fl. 342DF CARF MF Processo nº 13819.906240/201299 Acórdão n.º 1301003.311 S1C3T1 Fl. 8 7 Pis/Pasep e a Cofins bem como seus respectivos pagamentos pelo regime cumulativo, também informados na Dacon, constituem opção pelo lucro presumido sendo tal opção definitiva para todo o ano calendário. b) Eventuais diferenças dos tributos e contribuições recolhidos no regime de lucro real, caso sejam estes (IRPJ, CSLL, Pis/Pasep e Cofins) inferiores aos valores apurados pelo lucro presumido, poderão ser recolhidas até o trigésimo dia seguinte ao da ciência da Solução de Consulta, sem aplicação de multa e de juros de mora, de acordo com art. 14 da Instrução Normativa RFB nº 740, de 02 de maio de 2007. Ou seja, entendeu a RFB, através de Solução de Consulta (documento se encontra nos autos e apresentado juntamente com o recurso voluntário) que o contribuinte fez a opção pelo lucro presumido, quando da entrega da DCTF e quando realizou os pagamentos das contribuições ao PIS e a COFINS pelo regime cumulativo, sendo esta opção definitiva para todo o anocalendário, dizendo ainda que eventuais diferenças deveriam ser recolhidas até o trigésimo dia seguinte ao da ciência da referida Solução de Consulta, sem aplicação de multa e de juros de mora, nos termos da legislação vigente. Porém, de acordo com o contribuinte, não havia pagamento a menor e sim, pagamento a maior por ter efetuado o recolhimento erroneamente na forma de tributação pelo lucro real quando deveria ter sido apurado na forma presumida, o que lhe daria o direito de pleitear a compensação desse montante. Apresentada a Dcomp, a mesma foi indeferida, sob a alegação de que o recolhimento encontravase inteiramente alocado, não havendo saldo para compensação. O motivo para que o cotejo de dados não tenha resultado em favor do contribuinte, pelo que se vê, é que não houve a retificação dos valores informados como devidos ao fisco na declaração do imposto de renda do período. Como se sabe, descabe a retificação da declaração de rendimentos apresentada para tributação com base do lucro real, para substituíla por declaração optando pelo lucro presumido. Nada podendo apresentar a declaração retificadora porque o sistema eletrônico da Secretaria da Receita Federal não permite, devese, ao meu ver, ultrapassar esse obstáculo, permitindo ao contribuinte provar a existência do alegado direito creditório, através de documentos hábeis e idôneos, para análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Ante o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso do contribuinte, para ultrapassar o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda em razão do que decidido na Solução de Consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação, retomandose, a partir daí, o rito Fl. 343DF CARF MF Processo nº 13819.906240/201299 Acórdão n.º 1301003.311 S1C3T1 Fl. 9 8 processual habitual, oportunizando, ainda, ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos ou esclarecimentos que entender necessários." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar parcial provimento ao recurso do contribuinte para ultrapassar o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual, oportunizando, ainda, ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos ou esclarecimentos que entender necessários, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 344DF CARF MF
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