Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,763)
- Primeira Turma Ordinária (16,221)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,176)
- Primeira Turma Ordinária (16,104)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (14,451)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,381)
- Segunda Turma Ordinária d (12,367)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,422)
- Quarta Câmara (84,834)
- Terceira Câmara (67,389)
- Segunda Câmara (55,826)
- Primeira Câmara (20,245)
- 3ª SEÇÃO (16,176)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,132)
- Segunda Seção de Julgamen (114,469)
- Primeira Seção de Julgame (76,587)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,889)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,487)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,925)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,921)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,515)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,849)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10380.027491/99-94
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1991, 1995, 1996, 1997
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO DE TERCEIROS. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser convertidos em declaração de compensação, desde o seu protocolo, caso sejam observadas todas as demais condições estabelecidas na Lei nº 9.430/96 e legislação correlata. Nesse sentido, os pedidos de compensação no qual se utiliza crédito para extinguir débitos de terceiros, pendentes de análise pela Receita Federal, protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria por meio da MP nº 66/2002 e das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação, razão pela qual não recai sobre o Fisco a homologação tácita.
Numero da decisão: 9101-003.727
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luis Flávio Neto, Gerson Macedo Guerra e Demetrius Nichele Macei, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa. Entretanto, findo o prazo regimental, a Conselheira não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º do art. 63 do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF).
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo Relator e Presidente em Exercício.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1991, 1995, 1996, 1997 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO DE TERCEIROS. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser convertidos em declaração de compensação, desde o seu protocolo, caso sejam observadas todas as demais condições estabelecidas na Lei nº 9.430/96 e legislação correlata. Nesse sentido, os pedidos de compensação no qual se utiliza crédito para extinguir débitos de terceiros, pendentes de análise pela Receita Federal, protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria por meio da MP nº 66/2002 e das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação, razão pela qual não recai sobre o Fisco a homologação tácita.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10380.027491/99-94
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5906382
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9101-003.727
nome_arquivo_s : Decisao_103800274919994.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 103800274919994_5906382.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luis Flávio Neto, Gerson Macedo Guerra e Demetrius Nichele Macei, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa. Entretanto, findo o prazo regimental, a Conselheira não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º do art. 63 do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF). (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator e Presidente em Exercício. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
id : 7437592
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870406447104
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2057; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10380.027491/9994 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101003.727 – 1ª Turma Sessão de 09 de agosto de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente RIGESA DO NORDESTE INDUSTRIA DE EMBALAGENS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1991, 1995, 1996, 1997 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO DE TERCEIROS. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser convertidos em declaração de compensação, desde o seu protocolo, caso sejam observadas todas as demais condições estabelecidas na Lei nº 9.430/96 e legislação correlata. Nesse sentido, os pedidos de compensação no qual se utiliza crédito para extinguir débitos de terceiros, pendentes de análise pela Receita Federal, protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria por meio da MP nº 66/2002 e das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação, razão pela qual não recai sobre o Fisco a homologação tácita. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luis Flávio Neto, Gerson Macedo Guerra e Demetrius Nichele Macei, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa. Entretanto, findo o prazo regimental, a Conselheira não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º do art. 63 do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF). (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo – Relator e Presidente em Exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 02 74 91 /9 9- 94 Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10380.027491/9994 Acórdão n.º 9101003.727 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto ao que foi decidido sobre a homologação tácita da compensação controlada nestes autos. A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 1301002.004, de 03/05/2016, por meio do qual a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF decidiu, entre outras questões, pela impossibilidade de ocorrência de homologação tácita para pedido de compensação de créditos próprios com débitos de terceiros. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1991, 1995, 1996, 1997 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO DE TERCEIRO. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. Nos termos da legislação que disciplinava a matéria, tratandose de PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIRO, a competência para analisar o pleito é da Delegacia da Receita Federal da jurisdição do contribuinte titular do CRÉDITO. No caso, a via do Pedido de Compensação entregue à Delegacia da Receita Federal da jurisdição do contribuinte titular do débito tem caráter exclusivo de comunicado, isto é, representa mero instrumento de controle. DÉBITOS DECLARADOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPROCEDÊNCIA. Nos termos da legislação tributária aplicável à matéria, tratandose de débitos declarados e confessados por meio de DCTF, cuja extinção é pretendida por meio de compensação tributária, descabe falar em lançamento de ofício como medida indispensável à cobrança dos valores correspondentes, no caso em que o encontro de contas requerido não foi homologado. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. À evidência, o prazo estampado no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, não obstante representar termo fatal para constituição de créditos tributários nos casos por ele alcançados, não se aplica aos pedidos de compensação, que, no caso de pessoa jurídica, dependem de provocação do interessado. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10380.027491/9994 Acórdão n.º 9101003.727 CSRFT1 Fl. 4 3 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITOS DE TERCEIRO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Ao dispor que o sujeito passivo que apurar crédito, passível de restituição ou ressarcimento, pode utilizálo na compensação de débitos próprios, o caput do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 10.637, de 2002, excluiu do regramento estatuído, bem como do que foi introduzido pelas normas que lhe foram supervenientes, a compensação com créditos de terceiros, eis que quem apura o crédito não é outro senão aquele que detém a titularidade do direito. Inadmissível, no caso, a interpretação das disposições dos parágrafos 4º e 5º do artigo em referência dissociada do estabelecido pelo seu caput. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIRO. DIREITO CREDITÓRIO. TITULAR DO DÉBITO. CONTESTAÇÃO. LEGITIMIDADE. AUSÊNCIA. Tratandose de PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIRO, a competência para analisar o pleito é da Delegacia da Receita Federal da jurisdição do contribuinte titular do CRÉDITO, inexistindo, no caso, legitimidade do titular do débito para contestar a decisão que não reconheceu o direito creditório. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO REGULAR. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. Nos termos da súmula nº 360 do Superior Tribunal de Justiça, "o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamentos por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (SÚMULA CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. No recurso especial, a contribuinte afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos, relativamente à matéria acima mencionada. Para o processamento do recurso, ela desenvolve os argumentos descritos abaixo: o presente processo administrativo trata de pedido de compensação de débitos próprios com crédito de terceiros, créditos estes cedidos pela empresa SID MICROELETRÔNICA S/A; a autoridade administrativa ao apreciar o pedido de restituição formulado pela empresa SID MICROELETRÔNICA S/A houve por bem indeferilo e, consequentemente, indeferiu o pedido de compensação apresentado pela Recorrente; Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10380.027491/9994 Acórdão n.º 9101003.727 CSRFT1 Fl. 5 4 a Recorrente não concordando com a aludida decisão apresentou a competente manifestação de inconformidade, a qual foi rejeitada sob o fundamento de que os pedidos de compensação de créditos de terceiros não foram convertidos em declaração de compensação nos termos do § 4º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/02. A Recorrente, mais uma vez não concordando com a aludido entendimento, apresentou recurso objetivando a reforma da decisão; a 1ª Turma, da 3ª Câmara da Primeira Seção desse E. Tribunal ao apreciar as razões que lhe foram apresentadas pelo Recorrente entendeu que os pedidos de compensação de créditos de terceiro não foram convertidos em declaração de compensação; DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. no tocante à conversão do pedido de compensação de créditos de terceiro em declaração de compensação, a decisão recorrida fundamentouse no sentido de que as disposições constantes nos parágrafos 4º e 5º da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/02, não se aplicam aos pedidos de compensação com créditos de terceiros, eis que tais regramentos exigem a identidade da titularidade dos débitos e créditos, portanto, não há que se falar em homologação tácita; inegavelmente, as decisões administrativas têm se pautado por registrar a divergência quanto à conversão dos pedidos de compensação em declaração de compensação, bem como ao reconhecimento da homologação tácita; neste sentido, temse a decisão proferida pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos autos do Processo Administrativo no 10768.018661/9969 (doc. 01), a qual foi assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2000 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO REALIZADA DURANTE A VIGÊNCIA DA INSTRUÇÃO NORMATIVA 21/97. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. POSSIBILIDADE. Os pedidos de compensação de débitos com crédito de terceiros albergados pelo artigo 15 da IN 21/97 devem ser considerados válidos, inexistindo, portanto, restrição à incidência do §5º, do artigo 74, da Lei 9430/96, que prevê o prazo de 5 (cinco) anos para a homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso. do voto condutor, já registrando a divergência com a decisão recorrida, tem se o seguinte entendimento: [...]; Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10380.027491/9994 Acórdão n.º 9101003.727 CSRFT1 Fl. 6 5 é de se reconhecer, portanto, que o Acórdão acima colacionado diverge totalmente do lavrado na decisão ora recorrida, eis que expressamente reconhece que as alterações introduzidas no artigo 74 da Lei nº 9.730/96 se aplicam aos pedidos de compensação com créditos de terceiros pendentes de apreciação, eis que convertidos em declaração de compensação e, consequentemente, reconhece a extinção dos débitos em decorrência da homologação tácita; a divergência também se verifica da simples análise da ementa da decisão proferida nos autos do Processo nº 10380.029082/9996, da ora Recorrente, referente a outro pedido de compensação com os mesmos créditos cedidos pela empresa SID MICROELETRÔNICA S/A: Assunto: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. LEI Nº 10.833/2003. PEDIDOS ANTERIORES. De acordo com o § 4º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação conferida pela Lei nº 10.833/2003, os pedidos de compensação então pendentes de apreciação pela autoridade administrativa são considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, sujeitandose, inclusive, à homologação tácita de que trata o parágrafo 5º do citado art. 74. Se, portanto, à época da entrada em vigor da Lei nº 10.833/2003, o pedido de compensação apresentado pela contribuinte encontravase pendente de julgamento, a ele se aplica o prazo de cinco anos para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, conforme expressa determinação legal. cumpre ressaltar a fundamentação adotada: [...]; isto posto, demonstrado o cabimento do Recurso Especial fundamentado na divergência existente entre o fundamento da decisão exarada no presente processo administrativo e o utilizado na decisão transcrita acima, cuja íntegra ora acostase aos autos; DA CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO E DA HOMOLOGAÇÃO TÁTICA. conforme devidamente comprovado nos autos, tratase de pedido de compensação de crédito com débito de terceiro devidamente apresentado em 09/09/1999, cuja ciência da não homologação se deu em 11/12/2007; a questão central do presente recurso especial restringese à aplicação do disposto nos parágrafos §§ 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 ao presente caso. Eis que uma vez admitida a sua aplicação, ou seja, uma vez reconhecida a conversão do aludido pedido de compensação em declaração de compensação, os débitos encontramse extintos em decorrência do decurso do prazo de cinco anos para a homologação das compensações; o fundamento adotado na decisão recorrido deuse no sentido de que tais disposições não se aplicam aos pedidos de compensação de débitos com créditos de terceiros em decorrência do disposto no caput do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, que exige a identidade da titularidade dos créditos e débitos; Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10380.027491/9994 Acórdão n.º 9101003.727 CSRFT1 Fl. 7 6 ora Julgadores, da simples análise da legislação de regência verificase que o entendimento adotado pela decisão recorrido não encontra guarida em nosso ordenamento jurídico; conforme devidamente exposto nas decisões acima transcritas, a compensação de créditos com débitos de terceiros era perfeitamente admitida quando da apresentação do pedido objeto do presente processo administrativo. Dessa forma, as alterações instituídas posteriormente somente ensejaram a vedação da aludida compensação, contudo, não tiveram o condão de afastar os efeitos jurídicos decorrentes dos referidos pedidos, tão pouco excluíram à aplicação do disposto nos §§ 4º e 5º, aos pedidos pendentes de apreciação, muito pelo contrário tais disposições objetivaram, justamente, preservar os aludidos procedimentos. Tanto isso é certo que a própria Instrução Normativa SRF 41/00 preservou tal entendimento; e mais, da simples análise das disposições da Lei nº 9.430/96 verificase que não há nenhuma exceção para a aplicação das disposições previstas nos §§ 4º e 5º, como quer dar a entender a autoridade administrativa; resta claro, assim, que o presente pedido foi convertido em declaração de compensação, portanto, decorridos mais de cinco anos da data de seu protocolo sem que tenha havido decisão, deuse a homologação tácita e consequentemente a extinção dos presentes débitos; isto posto, espera a Recorrente, o conhecimento e total provimento do presente Recurso Especial, para reconhecer a homologação tácita da compensação declarada pela Recorrente. Quando do exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte, a Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 15/08/2016, deu seguimento ao recurso, fundamentando essa decisão na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] No que diz respeito a este tema, a conversão do pedido de compensação em DCOMP, a recorrente apresenta dois acórdãos paradigmas n. 9101001.852 (da 1ª turma da CSRF, de 28/01/2014) e n. 110200.649 (da 2ª Turma, da 1ª Câmara, da 1ª Seção, de 16/12/2012). Anexou o inteiro teor dos paradigmas (efls. 205225). O primeiro paradigma encontrase assim ementado: [...] Enquanto o acórdão recorrido não aceita a conversão dos pedidos de compensação em DCOMP e, por conseguinte afasta a possibilidade de homologação tácita em 05 anos, o paradigma entende que não há óbice para que estes pedidos sejam considerados Declaração de Compensação. Neste sentido, considero que a Recorrente indicou a legislação tributária e logrou êxito em demonstrar a divergência de interpretação no que diz respeito à conversão dos pedidos de compensação em declaração de compensação (DCOMP), quando se trata de compensação com débitos de terceiros. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10380.027491/9994 Acórdão n.º 9101003.727 CSRFT1 Fl. 8 7 Apresenta ainda um segundo paradigma, que ratifica a razão da divergência. Restando configurada a divergência a partir do primeiro paradigma apresentado, despiciendo adentrar nos fundamentos do segundo. Diante do exposto, com fundamento no art. 67, do anexo II do RICARF, proponho que seja DADO SEGUIMENTO ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Em 18/08/2016, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que admitiu o recurso especial da contribuinte, e em 26/08/2016 o referido órgão apresentou tempestivamente suas contrarrazões, com os seguintes argumentos: DAS RAZÕES PARA A MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO o recorrente defende a ocorrência da homologação tácita do seu pedido de compensação com crédito de terceiro, sob o argumento de que o pedido de compensação pendente de apreciação pela autoridade administrativa na data em que passou a vigorar a novel legislação disciplinadora da matéria será considerado declaração de compensação, desde o momento de seu protocolo na repartição fiscal, se apresentado de acordo com a Lei nº 9.430/96 e legislação correlata. Assim, como a IN SRF nº 21/1997, legislação correlata, em seu art. 15 permitia a compensação com débitos de terceiro, clara seria a possibilidade de homologação tácita destas operações; entretanto, tal entendimento não pode prevalecer, uma vez que não representa a melhor exegese sobre o tema. Os pedidos de compensação de créditos com débitos de terceiro não podem ser convertidos em declaração de compensação, não havendo, assim, que se falar em homologação tácita do pedido pelo transcurso do prazo de cinco anos; o caput e o § 1º do artigo 74 da Lei nº. 9.430/1996 assim dispõem: [...]; da leitura do artigo acima citado temse claro que, com o advento da Lei nº 10.637/2002, somente as compensações de débitos próprios poderiam ser convertidas em Declarações de Compensação, não havendo que se falar, pois, em conversão do pedido de compensação de créditos com débitos de terceiro em Declaração de Compensação; o § 1º é expresso ao determinar que somente a compensação de que trata o caput poderá ser efetuada mediante a entrega de declaração pelo sujeito passivo; ora, dessa forma, quanto ao caso em questão, se não houve a conversão do pedido de compensação com débitos de terceiro em DCOMP, este pedido não pode ser homologado tacitamente pelo decurso de prazo de cinco anos; com relação à questão da homologação tácita, há que se esclarecer que o que se homologa são os pedidos de compensação transformados em Declaração de Compensação e não o pedido de compensação; quanto ao tema, é imperioso colacionar o entendimento firmado no parecer PGFN/CDA/CAT Nº 1499/2005, o qual não merece qualquer retoque: [...]; assim, temse claro que nas hipóteses dos pedidos de compensação de créditos com débitos de terceiros, como é o caso ora em discussão nos autos, não há que se Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10380.027491/9994 Acórdão n.º 9101003.727 CSRFT1 Fl. 9 8 falar em homologação tácita da compensação, uma vez que aqueles não foram convertidos em Declaração de Compensação, não se submetendo, assim, ao prazo de cinco anos para exame do pedido a partir da data do protocolo; nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa apenas seriam convertidos em declarações de compensação, em observância ao princípio da legalidade, se atendidos os próprios requisitos do caput do citado artigo, dentre eles, tratarse o pedido de compensação de débitos próprios e não de terceiros como no caso, pressuposto esse que, conforme alinhavado alhures, não foi cumprido; a respeito do princípio da legalidade, a Constituição Federal (CF) estabelece no art. 5º, II, que “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. É a consagração genérica do primado da lei, o qual é basilar no Estado Democrático de Direito; a par dessa previsão genérica do referido princípio, em relação à Administração Pública, a CF contém específica previsão no art. 37, caput, segundo o qual a “administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência”; significa dizer que a Administração Pública, da qual a Secretaria da Receita Federal (SRF) faz parte (hoje Receita Federal do Brasil – RFB), tem o dever de atuar para a consecução do interesse público, porém tal atuação deve se dar de acordo com o que determina a lei, expressão essa entendida hodiernamente como vinculação à lei em sentido estrito e aos postulados de direito (princípios, regras, etc.); sendo assim, nos termos de seu art. 170, o Código Tributário Nacional previu a compensação como forma de extinção do crédito tributário. Todavia, em atendimento ao princípio da legalidade acima mencionado, determinou que a extinção do crédito tributário por essa modalidade depende de lei autorizadora, que estabeleceria as condições e as garantias em que poderia ocorrer a compensação ou atribuiria à autoridade administrativa o estabelecimento dessas condições e garantias; a fim de normatizar a forma pela qual seria concebida a compensação no âmbito tributário, foram editadas leis, dentre as quais se destaca a de nº 9.430/96, que postula requisitos indispensáveis ao deferimento do pleito; a realização da compensação fora das estritas hipóteses legais, que regem essa modalidade de extinção do crédito tributário, não pode ser admitida; de fato, tanto o CTN (art. 170) quanto a Lei nº 9.430/96 (artigos 73 e 74), e demais atos normativos aplicáveis à matéria, estipularam normas condicionantes da compensação não só com a finalidade de verificar se os créditos de que um contribuinte se diz titular são líquidos e certos e aptos a liquidar os respectivos débitos, mas também com o desejável objetivo de controlar os créditos tributários extintos por compensação, impedindo, assim, a dispensa dos referidos créditos tributários fora dos casos previstos no CTN (art. 141); por essas razões é que todas as normas e argumentos acima expostos levam à conclusão de que o instituto da compensação tem, no Direito Tributário, tratamento diverso Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10380.027491/9994 Acórdão n.º 9101003.727 CSRFT1 Fl. 10 9 do que lhe é dado pelo Direito Privado, mais especificamente o Direito Civil, mormente em face do princípio da legalidade. Nesse ponto, é importante transcrever parte do Parecer PGFN/CDA/CAT Nº 1.499/2005, que corrobora o que vem sendo exaustivamente defendido nesta peça: [...]; cabe ressaltar que, em nosso ordenamento jurídico, não há compensação de crédito de um contribuinte (devedor) com débitos de outro (terceiro), somente com débitos do Estado (credor), nos termos do disposto no art. 170 do CTN e do art. 368 do Código Civil Brasileiro, senão vejamos: [...]; analisandose os dispositivos acima citados, temse claro que, para que se ultime a compensação pretendida pelo sujeito passivo, há de existir identidade de partes entre credor e devedor, nos exatos termos do entendimento firmado pelo I. doutrinador Leandro Paulsen (Direito Tributário, Livraria do Advogado, 10ª edição): [...]; assim, a despeito do que dispunha o art. 15 da IN/SRF nº 21/97, temse que a compensação com crédito de terceiro não encontra amparo legal, uma vez que a lei exige a identidade de partes entre credor e devedor; frisese que a IN SRF nº 21/97 é uma norma complementar infralegal, não podendo inovar para criar direitos que a própria lei não previu. As instruções normativas não podem inovar a ordem jurídica, devendo servir apenas para detalhar o conteúdo da Lei, sem nunca ultrapassála. Imperioso trazer à baila, neste sentido, o entendimento do respeitado jurista Luciano Amaro (Direito Tributário Brasileiro, 13ª edição, Saraiva) assim descrito: [...]; desta forma, havendo um confronto entre o disposto na Instrução Normativa SRF nº 21/97 e o que dispõe o art. 170 do CTN e §1º e caput do art. 74 da Lei nº 9.430/96, há de prevalecer o disposto nas leis, por carecer a IN editada contra legem de fundamento de validade, sob pena de assim procedendo ferir a hierarquia das normas e em última instância, o Estado Democrático de Direito; todavia, compulsando a íntegra do multicitado Parecer PGFN/CDA/CAT Nº 1.499, de 28/09/2005, depreendese que a Instrução Normativa nº 21, de 10 de março de 1997, não possuía fundamento legal de validade a autorizar a compensação com débitos de terceiros. Registrase a parte do citado Parecer que define claramente este ponto: [...]; nesse diapasão, o Parecer PGFN/CDA/CAT Nº 1.499, de 28/09/2005, ao identificar que a Instrução Normativa nº 21, de 10 de março de 1997, não possuía fundamento legal de validade, apresentou em sua conclusão o item b, in fine, o qual deixa claro que, em razão da estrita legalidade que os procedimentos de compensação tributária devem observar, uma norma regulamentar sobre encontro de contas nunca poderá ser contrária à norma hierarquicamente superior que autorizou o procedimento; deverá sempre observar os seus limites; concluise que, em atenção ao princípio da legalidade, a compensação com crédito de terceiro não encontra amparo legal, uma vez que a lei exige a identidade de partes entre credor e devedor. Nesse diapasão, a IN SRF nº 21/97 é uma norma complementar infralegal, não podendo inovar para criar direitos que a própria lei não previu; diante do contexto normativo delineado sobre a matéria, sob o enfoque da legalidade, conforme já registrado anteriormente, o § 4º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, que Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10380.027491/9994 Acórdão n.º 9101003.727 CSRFT1 Fl. 11 10 converteu os pedidos de compensação então pendentes de apreciação em declarações de compensação, deve ser interpretado em consonância com as disposições do caput e do § 1º do mesmo dispositivo legal, que estabelecem que as declarações de compensação são instrumento hábil para a formalização de compensação de débitos próprios, mas não de débitos de terceiros, impedindo, assim, que os pedidos relativos a débitos de terceiro sejam convertidos em declarações de compensação; consequentemente, nas hipóteses dos pedidos de compensação de créditos com débitos de terceiros, como é o caso ora em discussão nos autos, não há que se falar em homologação tácita da compensação, uma vez que aqueles não foram convertidos em Declaração de Compensação, não se submetendo ao prazo de cinco anos para exame do pedido a partir da data do protocolo; ante todo o exposto, pugna a União (Fazenda Nacional) para que seja negado provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte, mantendose o acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10380.027491/9994 Acórdão n.º 9101003.727 CSRFT1 Fl. 12 11 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo trata de Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros no valor de R$ 9.278,48, apresentado em 06/10/1999 (fl. 01). A Delegacia de origem indeferiu o pedido porque a detentora do crédito, segundo relato da Fiscalização, não atendeu à intimação para apresentar os documentos que comprovariam o direito creditório pleiteado, impossibilitando a apreciação do mérito. Essa negativa partiu do entendimento de que nas hipóteses de compensação com créditos de terceiros, os pedidos de compensação não teriam sido convertidos em declarações de compensação, motivo pelo qual inexistiria a homologação tácita prevista na legislação que rege a matéria. A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 11/12/2007. Na sequência, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza, apreciando as razões trazidas pela contribuinte em sede de manifestação de inconformidade, também decidiu pela improcedência do pedido, rejeitando igualmente a aplicação da regra de homologação tácita. E a decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido) seguiu essa mesma linha de interpretação. A controvérsia que chega a essa fase de recurso especial diz respeito justamente a essa questão, ou seja, se é ou não aplicável a regra de homologação tácita (Lei 9.430/1996, art. 74, §5º) para Pedidos de Compensação em que estão envolvidos créditos e débitos de pessoas distintas (compensação de crédito com débito de terceiros). Sobre a possibilidade, ou não, de conversão de Pedido de Compensação em Declaração de Compensação, quando estão envolvidos créditos e débitos de pessoas distintas, a Câmara Superior de Recursos Fiscais manifestou recentemente o seguinte entendimento: Acórdão nº 9101002.540 Sessão de 20 de janeiro de 2017 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE TERCEIROS. INAPLICABILIDADE. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10380.027491/9994 Acórdão n.º 9101003.727 CSRFT1 Fl. 13 12 Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser convertidos em declaração de compensação, desde o seu protocolo, caso sejam observadas todas as demais condições estabelecidas na Lei nº 9.430/96 e legislação correlata. Nesse sentido, os pedidos de compensação no qual se utiliza crédito para extinguir débitos de terceiros, pendentes de análise pela Receita Federal, protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria por meio da MP nº 66, de 2002 e das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação, razão pela qual não recai sobre o Fisco a homologação tácita. [...] Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator designado Apesar da bem fundamentada exposição da ilustre Relatora, peço vênia para divergir no mérito. Debatese se poderia se falar em homologação tácita de pedido de compensação de crédito com débitos de terceiros. Isso porque os pedidos de compensação teriam sido convertidos em declarações de compensação. E, para as declarações de compensação, o Fisco passou a ter um prazo definido em lei para a sua apreciação, sob pena da homologação tácita. A princípio, vale verificar a amplitude das alterações no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, promovidas pela MP nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002. A redação do artigo foi alterada no seguinte sentido: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) §4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. §5º A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo.(NR) (grifei) Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10380.027491/9994 Acórdão n.º 9101003.727 CSRFT1 Fl. 14 13 Observase que a nova redação do artigo vedou as compensações de débito de terceiros. Por outro lado, dispôs no §4º que os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa seriam considerados declaração de compensação, para os efeitos previstos no artigo. Restou consolidada dúvida, ou seja, seriam todos os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela Receita Federal convertidos em declaração de compensação e regidos de acordo com as disposições do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, ou apenas os pedidos de compensação referentes à compensação de débitos e créditos próprios de um mesmo contribuinte, conforme predica o caput do dispositivo legal? A relevância do questionamento aplicase quando vai se analisar se ocorreu a homologação tácita. Isso porque a Lei nº 10.833, de 2003, alterou a redação do §5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 74. (...) §5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Assim, para os pedidos de compensação convertidos em declaração de compensação, aplicase o disposto mencionado no §5º do art. 74, enquanto que, os outros pedidos não convertidos em declaração de compensação não se submeteriam à homologação tácita. Sobre a situação, manifestouse a Procuradoria da Fazenda Nacional no Parecer PGFN/CAT nº 1499, de 2005: c.1) os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, se observadas todas as demais condições estabelecidas na Lei nº 9.430/96 e legislação correlata; c.2) assim, os pedidos de compensação, fundados em créditos de terceiro, pendentes de análise pela RFB, protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria (Leis nº 10.637/02 e 10.833/03), não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação. Ou seja, não se aplicam a conversão do “pedido de compensação” em “declaração de compensação” (com a extinção automática do crédito tributário), e nem mesmo, por consequência, o prazo previsto no § 5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96 para homologação da compensação (cinco anos); Posteriormente, as IN RFB nº 900, de 2008, e 1.300, de 2012, expressamente dispuseram, por meio do parágrafo único dos artigos 86 e 97, respectivamente, que não foram convertidos em Declaração de Compensação os pedidos de compensação pendentes de apreciação em 1º de outubro de 2002 (data em que entrou em vigor a MP nº 66, de 2002) que têm por objeto créditos de terceiros, "créditoprêmio" instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 1969, título público, crédito decorrente de decisão Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10380.027491/9994 Acórdão n.º 9101003.727 CSRFT1 Fl. 15 14 judicial não transitada em julgado e crédito que não se refira a tributos administrados pela RFB. Não se pode olvidar, contudo, que a matéria não encontra jurisprudência pacificada no Conselho de Contribuintes e do CARF. Podem ser encontradas decisões no sentido de que o pedido de compensação com créditos de terceiros estaria amparado pela redação do art. 74 dada pela MP nº 66, de 2002. Por outro lado, encontramse várias decisões que corroboram a tese de que apenas os pedidos de compensação referentes à compensação de débitos e créditos próprios de um mesmo contribuinte foram transformados em declarações de compensação. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. AUSÊNCIA DE CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. À luz do art. 74, caput e §§ 4º e 5º, da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 10.637/2002, os pedidos de compensação de créditos de terceiros não se convertem em Declaração de Compensação e nem se submetem ao regime da homologação tácita, pois tais permissivos legais somente abrangem os pedidos de compensação de débitos e créditos próprios. (Acórdão nº 2102002336, sessão de 17 de outubro de 2012, relatora Conselheira Núbia Matos Moura) PRELIMINAR DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE TERCEIROS.DESCABIMENTO. Não se equiparando os pedidos de compensação com débitos de terceiros a Declarações de Compensação, não se lhes aplica o prazo para homologação tácita da compensação declarada pelo sujeito passivo. (Acórdão nº 1803001.511, sessão de 02 de outubro de 2012, relatora Conselheira Selene Ferreira de Moraes) COMPENSAÇÃO – PEDIDOS PENDENTES DE APRECIAÇÃO: Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pelas autoridades administrativa serão considerados declaração de compensação desde o seu protocolo, quando se refiram a créditos e débitos próprios, não se aplicando no caso de débitos de terceiros que tem tratamento específico. (Art. 74 da Lei 9.430/96 com a redação dada pela Lei 10.637/2002c/c IN SRF 21/97 art. 15 §1º). (Acórdão nº 140200335, sessão de 14 de dezembro de 2010, relator Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira) Entendo que a redação dada ao caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, pela MP nº 66, de 2002, deve nortear a interpretação de todos os dispositivos a ele relacionados, dentre os quais o §4º que trata da conversão dos pedidos de compensação em declarações de compensação, em consonância com as melhores práticas da hermenêutica. Nesse contexto, apenas os pedidos de compensação referentes a crédito do sujeito passivo para compensar débitos próprios, conforme delimita o caput do art. 74 do mencionado dispositivo legal, encontramse aptos a se converterem em declarações de compensação. Quanto aos demais pedidos, não se aplicam as alterações implementadas pela MP nº 66, de 2002, e Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, dentre as quais, a que dispõe sobre o prazo do Fisco para a homologação da compensação de cinco anos contado da entrega da declaração. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10380.027491/9994 Acórdão n.º 9101003.727 CSRFT1 Fl. 16 15 Portanto, não há que se falar em homologação tácita. Diante de todo o exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. Adotando os mesmos fundamentos acima transcritos, concluo que a regra de homologação tácita não deve ser aplicada ao Pedido de Compensação contido nestes autos, por configurar compensação de crédito próprio com débito de terceiro. Com efeito, os Pedidos de Compensação abrangendo créditos e débitos de pessoas distintas realmente não foram convertidos em Declaração de Compensação. Correto, portanto, o posicionamento adotado pelo acórdão recorrido. Desse modo, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da contribuinte. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 265DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.015159/99-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 1997
Ementa:
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO.
Pagamento de contribuição previdenciária diretamente ao INSS não gera direito creditório na sistemática do Simples.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 1302-000.684
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: IRINEU BIANCHI
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201108
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 1997 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Pagamento de contribuição previdenciária diretamente ao INSS não gera direito creditório na sistemática do Simples. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 10880.015159/99-09
conteudo_id_s : 6058917
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1302-000.684
nome_arquivo_s : 130200684_108800151599909_201108.pdf
nome_relator_s : IRINEU BIANCHI
nome_arquivo_pdf_s : 108800151599909_6058917.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
id : 7428331
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:26:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870412738560
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1472; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 195 1 194 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.015159/9909 Recurso nº 154.494 Voluntário Acórdão nº 130200.684 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 4 de agosto de 2011 Matéria SIMPLES Recorrente KF CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1997 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Pagamento de contribuição previdenciária diretamente ao INSS não gera direito creditório na sistemática do Simples. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. “documento assinado digitalmente” IRINEU BIANCHI Relator. “documento assinado digitalmente” Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Irineu Bianchi (vicepresidente), Daniel Salgueiro da Silva, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Wilson Fernandes Guimarães. Relatório Fl. 202DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por I RINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10880.015159/9909 Acórdão n.º 130200.684 S1C3T2 Fl. 196 2 KF CONSTRUÇÕES E SERVIÇCOS LTDA., devidamente qualificada nos autos, inconformada com a decisão de primeira instância, que lhe foi desfavorável, recorre a este Colegiado visando à reforma da mesma. Tratam os autos de pedido de restituição (fls. 01), no valor de R$ 61.971,90, a título de contribuição previdenciária, pagos a maior. Através do Despacho Decisório de fls. 48/49 e pleito restou indeferido ante a não comprovação de recolhimentos indevidos ou a maior a título de INSSPatronal. Cientificada do aludido despacho, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 53/56), dizendo em síntese que devem prevalecer os dispositivos da Lei n° 9.317/96 tendo em vista que era a legislação regente na época dos fatos. Disse que optou pela sistemática do Simples em 31/03/1997 com efeitos a partir 01/01/1997 e pagou os tributos pela referida sistemática. A partir de 1998, em virtude de seu desenquadramento do Simples, pagou os tributos pela sistemática normal. Aditou que no período de opção pelo Simples efetuou os recolhimentos dos tributos de forma unificada inclusive a contribuição previdencidria do empregador na forma dos arts.5° e 23 da Lei n°9.317/96. Que no período de 1998, o INSS passou a exigir que as contribuições previdenciárias, referentes ao período que esteve enquadrado no Simples (01/01/1997 a 31/12/1997), fossem recolhidas novamente por se tratar de empresa de construção civil. Em vista disto, solicitou parcelamento junto ao INSS sendo liquidado integralmente e, portanto, houve recolhimento em duplicidade (contribuição previdenciária do empregador). Juntou documentos e pediu o deferimento do pedido inicial. A Sétima Turma de Julgamento da DRJ/SPOI indeferiu a solicitação nos termos do Acórdão nº 8.759 (fls. 174/188), assim ementado: IRPJ . RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. Constitui indébito tributário os pagamentos efetuados a maior cujo crédito poderá ser objeto de restituição. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO . O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou a maior do que o devido. A motivação para o indeferimento do pedido, sinteticamente, está em que não houve pagamento a maior ou em duplicidade pela sistemática do Simples. Segundo a decisão recorrida, os documentos que embasam o pedido referemse a uma confissão de dívida junto ao INSS sendo que eventual pagamento a maior ou em duplicidade só poderia ser endereçado àquele órgão. Cientificada da decisão (fls. 190), a interessada interpôs o recurso voluntário de fls. 191 e segs., tornando a suscitar os argumentos trazidos com a Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 203DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por I RINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10880.015159/9909 Acórdão n.º 130200.684 S1C3T2 Fl. 197 3 Voto Conselheiro IRINEU BIANCHI Fl. 204DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por I RINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10880.015159/9909 Acórdão n.º 130200.684 S1C3T2 Fl. 198 4 O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Como se infere do relatório, a contribuinte pretende a restituição de valores, que no seu entender, foram pagos em duplicidade e referem à contribuição patronal. Não encontro reparos na decisão recorrida. Com efeito, no ano em que foram realizados os pagamentos de que tratam os autos, a recorrente estava submetida ao regime simplificado de tributação. Contudo, por exigência do INSS, a recorrente recolheu a contribuição patronal daquele período mediante confissão de dívida. O indeferimento do pedido pode ser sintetizado pela reprodução do item 21 da decisão recorrida, in verbis: 21. 0 pagamento do parcelamento junto ao INSS não possui reflexos no presente uma vez que não houve recolhimento a maior ou em duplicidade pela sistemática do Simples. A documentação apresentada pela interessada (fls.63/171) faz menção à confissão de sua divida junto ao INSS, assim sendo, eventual pagamento em duplicidade deverá ser objeto de pedido de restituição no órgão arrecadador em que se efetuou os recolhimentos em duplicidade (no caso o INSS). Efetivamente, na medida em que a recorrente efetuou recolhimentos sob a sistemática simplificada, à primeira vista não estava sujeita ao recolhimento para o INSS, como relatado. O fato de o INSS não aceitar a sua condição tributária submetida ao SIMPLES por se tratar de empresa do ramo da construção civil, não a obrigava, automaticamente, aos recolhimentos aqui discutidos, sem a anterior e sua regular exclusão daquele sistema. Contudo, conforme bem assentado na decisão recorrida, se houve pagamento em duplicidade ou indevido, com certeza este o foi em relação ao INSS e não à Fazenda Nacional. DIANTE DO EXPOSTO, conheço do recurso e voto no sentido de NEGAR LHE PROVIMENTO. Sala das Sessões, em IRINEU BIANCHI Relator “documento assinado digitalmente” Fl. 205DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por I RINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10880.015159/9909 Acórdão n.º 130200.684 S1C3T2 Fl. 199 5 Fl. 206DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por I RINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.900188/2010-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. INCOMPETÊNCIA MATERIAL. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
CREDITO DO IMPOSTO. AQUISIÇÕES DESONERADAS (ISENTAS, NÃO TRIBUTADAS OU ALÍQUOTA ZERO). IMPOSSIBILIDADE.
Não se admite, por ausência de previsão legal, O aproveitamento de créditos de IPI na aquisição de insumos desonerados (isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero), uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior.
Numero da decisão: 3401-005.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. INCOMPETÊNCIA MATERIAL. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CREDITO DO IMPOSTO. AQUISIÇÕES DESONERADAS (ISENTAS, NÃO TRIBUTADAS OU ALÍQUOTA ZERO). IMPOSSIBILIDADE. Não se admite, por ausência de previsão legal, O aproveitamento de créditos de IPI na aquisição de insumos desonerados (isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero), uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10120.900188/2010-65
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5919737
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-005.343
nome_arquivo_s : Decisao_10120900188201065.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
nome_arquivo_pdf_s : 10120900188201065_5919737.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7480937
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:29:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870415884288
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1460; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 1.406 1 1.405 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.900188/201065 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.343 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2018 Matéria IPI Recorrente INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BEBIDAS IMPERIAL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. INCOMPETÊNCIA MATERIAL. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CREDITO DO IMPOSTO. AQUISIÇÕES DESONERADAS (ISENTAS, NÃO TRIBUTADAS OU ALÍQUOTA ZERO). IMPOSSIBILIDADE. Não se admite, por ausência de previsão legal, O aproveitamento de créditos de IPI na aquisição de insumos desonerados (isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero), uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 01 88 /2 01 0- 65 Fl. 1407DF CARF MF Processo nº 10120.900188/201065 Acórdão n.º 3401005.343 S3C4T1 Fl. 1.407 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório 1. Tratase do despacho decisório, situado às fls. 1131, proferido com base no relatório fiscal situado às fls. 1.128 a 1.130, que concluiu pelo não reconhecimento do direito creditório vindicado no PER n° 21l63.88917.23022006.l.1.011615, por meio do qual a contribuinte pleiteou o ressarcimento do IPI relativo ao 4° trimestre de 2005, no montante de RS 3.828.839,43, decorrente de saldo credor apurado na forma do art. 11 da Lei n° 9.779/1999 e, logo, pela não homologação das compensações a ele vinculadas, abaixo discriminadas, uma vez que, da verificação relativa ao período, foi constatada irregularidade atinente à apropriação indevida de créditos do imposto referente à aquisição de insumos isentos, nãotributados ou alíquota zero, registrados no RAIPI e utilizados parte para compensar o IPI devido nas saídas tributadas do estabelecimento e parte mediante transmissão de PER DCOMP. 2. A contribuinte, intimada em 18/08/2010 em conformidade documento situado à fl. 1138, apresentou, em 14/09/2010, manifestação de inconformidade, na qual argumentou, em síntese, que: (i) a aplicação do princípio da nãocumulatividade, que no seu entendimento lhe garante o direito ao crédito do IPI nas aquisições desoneradas (isentas, não tributadas e alíquota zero), uma vez que o princípio não comporta nenhum tipo de restrição; (ii) quanto à compensação, está amparada por direito inequívoco que lhe autoriza a imediata e a integral compensação dos créditos de IPI com o próprio IPI ou outro tributo de competência da Fl. 1408DF CARF MF Processo nº 10120.900188/201065 Acórdão n.º 3401005.343 S3C4T1 Fl. 1.408 3 União Federal; (iii) o direito à correção monetária plena dos valores dos créditos presumidos de IPI, para a integral recomposição da moeda aviltada pelos efeitos danosos da inflação, cabendo a sua correção desde a ocorrência dos créditos (sic) até a data da efetiva compensação, nos mesmos moldes utilizados pela Receita Federal do Brasil para atualizar os tributos pagos em atraso, em cumprimento ao princípio da isonomia; (iv) a ilegalidade e inconstitucionalidade da multa e juros incidentes sobre os débitos decorrentes da nãohomologação das compensações, sob o argumento de confisco; (v) os créditos pleiteados no PER n° 21l63.88917.23022006.l.1.011615, bem como a sua correção monetária têm amparo no entendimento jurisprudencial da época do Pedido de Ressarcimento/Aproveitamento e, acima de tudo, no vigente princípio constitucional da nãocumulatividade e no inalterado entendimento da doutrina jurídica. 3. Em 21/01/2011 a 03ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) proferiu o Acórdão DRJ nº 0933.267, situado às fls. 1312 a 1319, de relatoria da AuditoraFiscal Ana Zulmira Chaves Souza, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente manifestação de inconformidade, indeferindo o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/ 10/2005 a 3 1/ 12/2005 I CREDITO DO IMPOSTO. AQUISIÇÕES DESONERADAS (ISENTAS, NÃO TRIBUTADAS OU ALÍQUOTA ZERO). Nos termos da própria Constituição Federal de 1988, a não cumulatividade é exercida pelo aproveitamento do montante cobrado na operação anterior, ou seja, do imposto incidente e pago sobre insumos adquiridos, O que não ocorre quando tais insumos são desonerados do tributo. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, O aproveitamento de créditos do imposto alusivos a insumos desonerados (isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero), uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. II RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL. SALDO DEVEDOR. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A apuração de saldos devedores do IPI em reconstituição da escrita fiscal, decorrente da glosa de créditos indevidamente escriturados, impossibilita O reconhecimento do direito creditório originalmente apurado pela contribuinte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 COMPENSAÇÃO DIREITO CREDITÓRIO INDEFERIDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A permissão para a compensação de débitos tributários somente se da com créditos líquidos e certos, conforme art. 170 do CTN. Uma vez indeferido O direito creditório indicado cabe a não homologação das compensações sob exame. Fl. 1409DF CARF MF Processo nº 10120.900188/201065 Acórdão n.º 3401005.343 S3C4T1 Fl. 1.409 4 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 I JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. As normas e determinações previstas na legislação tributária presumemse revestidas do caráter de legalidade, contando com validade e eficácia. Não cabe à esfera administrativa questioná las ou negarlhes aplicação, mas, tãosomente velar pelo seu fiel cumprimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido 4. A contribuinte foi intimada via postal em 08/02/2011, em conformidade com o aviso de recebimento situado à fl. 1.346 e, em 04/03/2011, em conformidade com protocolo mecânico de recebimento da peça aposto pela unidade local, interpôs recurso voluntário, situado às fls. 1.347 a 1.367, no qual reiterou as razões de sua manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento, com a seguinte ressalva. 6. Quanto às alegações de inconstitucionalidade de leis, tratase de matéria que não pode ser apreciada no âmbito do processo administrativo fiscal, conforme dispõe o Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pela Lei nº 11.941/2009: Decreto nº 70.235/1972 Art. 26. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 1410DF CARF MF Processo nº 10120.900188/201065 Acórdão n.º 3401005.343 S3C4T1 Fl. 1.410 5 7. Tal entendimento, ademais, encontrase consolidado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme súmula aprovada pela Portaria nº 52, de 21 de dezembro de 2010: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 8. Assim, não conheço do recurso voluntário interposto neste particular. 9. Quanto ao mérito, na parte conhecida, denotase a partir da análise da documentação apresentada, que a autoridade fiscal verificou que o ressarcimento pleiteado pela empresa é decorrente do saldo credor do IPI acumulado no 4° trimestre de 2005, gerado, após dedução dos débitos do 2° e 3° decêndios de novembro, e dos l°, 2° e 3° decêndios, de dezembro de 2005, pela Nota Fiscal de N° 933376, de I8/I I/2005, no valor de R$ 4.426.324,86, emitida pela própria empresa com base em notas fiscais de aquisição sem IPI destacado, referente ao que o contribuinte chamou de “crédito presumido” obtido na aquisição de produtos isentos, não tributados, de alíquota zero e produtos intermediários, e à correção monetária destes mesmos créditos presumidos, conforme listagem apresentada pela empresa ora recorrente, na qual constam todas as notas fiscais utilizadas para apuração de tal “crédito presumido”, e os valores da correção monetária de tais créditos. 10. A decisão pode ser estribada no entendimento do relatório de lavra da autoridade fiscal que concluiu pelo não reconhecimento do direito creditório vindicado no PER n° 21l63.88917.23022006.l.1.011615, que corretamente aponta para a irregularidade da apropriação indevida de créditos do imposto referente à aquisição de insumos isentos, não tributados ou alíquota zero nos seguintes termos: Há que esclarecer que os créditos e os débitos de IPI, referentes ao trimestre em tela, constam das cópias do Livro Registro de Apuração do IPI, anexada ao presente e que o valor total pleiteado pela empresa, a título de ressarcimento de créditos do IPI, referente ao 4º trimestre de 2005, foi estornado no Livro Registro de Apuração do IPI no 1º Decêndio de Janeiro/2006. Apesar de intimado, o contribuinte não apresentou qualquer documento judicial que amparasse os procedimentos por ele adotado, em relação ao aproveitamento de créditos de IPI sem destaque nas notas fiscais de compras de insumos NT, alíquota zero ou isento, CONTRARIANDO o princípio da não cumulatividade, previsto no inciso II do §3° do artigo 153 da Constituição Federal, do regulamento do IPI (Decreto Federal n° 4.544/2002), como pode ser observado nos termos dos artigos I64 e ss. c/c art. 368 e ss. e os termos da decisão do STF no RE 353.657 desfavorável ao creditamento de IPI de insumos não tributados ou alíquota zero. (...) o Livro de Apuração de IPI, no período correspondente ao 2° decêndio do mês 11/2005, a empresa se creditou do valor da Fl. 1411DF CARF MF Processo nº 10120.900188/201065 Acórdão n.º 3401005.343 S3C4T1 Fl. 1.411 6 NF N° 933376, correspondente a R$ 4.426.324,86, e passou a compensar os saldos de IPI DEVIDOS, entre o período correspondente da emissão da NF até 3° decêndio do mês de 12/2005 compensações estas que, indevidas, já foram objeto de lançamento de ofício em ação fiscal anterior, conforme auto de infração e demonstrativos que anexamos ao presente , quando então encerrou as compensações com a apresentação da PER/DCOMP solicitando o ressarcimento do saldo restante de R$ 3.828.839,43. Assim, entre o 2° decêndio do mês de novembro de 2005, em que ele se creditou do valor do IPI destacado da NF n° 933376, de R$ 4.426.324,86, ao 3° decêndio do mês de dezembro de 2005, foram compensados os valores dos IPI devidos no período, procedendose, no primeiro decêndio de janeiro de 2006, ao estorno do saldo restante. Na PER/DCOMP a empresa declarou créditos passíveis de ressarcimento no valor de R$ 5.364.204,72, tendo limitado o valor do seu pedido de ressarcimento em R$ 3.828.839,43. Deste modo, considerando o constatado, com referência ao pedido de ressarcimento de IPI relativo aos insumos que originaram Saldo Credor na apuração do IPI referente ao 4° trimestre de 2005, efetuamos a glosa no SCC de todo o crédito de IPI passível de ressarcimento, no valor de R$ 4.426.324,86 (quatro milhões quatrocentos e vinte e seis mil, trezentos e vinte e quatro reais e oitenta e seis centavos), relativamente ao segundo decêndio do mês de novembro de 2005, indeferindo todo o ressarci to pleiteado na PER/DCOMP de n° 21 1638891 7.230206.l.l .0l1615" (seleção e grifos nossos). 11. Neste sentido, ademais, a decisão recorrida, cujo trecho pertinente à matéria em apreço abaixo se transcreve: "(...) da glosa dos créditos resultou, após a reconstituição da escrita fiscal do imposto, a apuração de saldos devedores no período fiscalizado e a consequente lavratura de auto de infração, formalizado por intermédio do processo n° 10120015237/200848 (auto de infração) (...). Nos termos da própria Constituição Federal de 1988, a nãocumulatividade é exercida pelo aproveitamento do montante cobrado na operação anterior, ou seja, do imposto incidente e pago sobre insumos adquiridos, o que não ocorre quando .tais insumos são desonerados do tributo. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, o aproveitamento de créditos do imposto alusivos a insumos desonerados (isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero), uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. Fl. 1412DF CARF MF Processo nº 10120.900188/201065 Acórdão n.º 3401005.343 S3C4T1 Fl. 1.412 7 A impossibilidade de creditamento do IPI nas hipóteses de desoneração na entrada do insumo, constitui, até a presente data, o entendimento unânime desta Terceira Turma de Julgamento. Convalidase, assim, as glosas efetuadas pela fiscalização e a reconstituição da escrita fiscal. Com isso, o saldo credor originalmente apurado pela contribuinte, neste trimestre, se converteu em saldo devedor, na forma da Reconstituição da Escrita Fiscal de fls. 1279/1280, anexada nesta data ao presente processo. Desta forma, nao há qualquer direito creditório a ser reconhecido neste julgamento, relativamente ao trimestre 4°/2005. Conseqüentemente, resta ser ratificada a nãohomologação da(s) compensação(ões) declarada(s) vinculada(s) ao crédito em comento. Quanto à exigência de acréscimos moratórios sobre os débitos que resultaram em aberto em face da não homologação das DCOMPS apresentadas, que o contribuinte alega ser ilegal e inconstitucional cumpre esclarecer, de imediato, que a analise de processos fiscais no âmbito administrativo obedece de forma irrestrita aos atos legais que comandam as disciplinas em discussão. (...) Por todo o exposto, voto pelo INDEFERIMENTO da solicitação contida na manifestação de' inconformidade, para RATIFICAR O INDEFERIMENTO do ressarcimento pleiteado por intermédio do PER n° HOMOLOGAÇÃO 21163.88917.230206.1.1.011615 e a NÃO das compensações declaradas a ele vinculadas, discriminadas no início do Relatório integrante do presente voto. 12. Neste sentido, não há de se admitir, por ausência de previsão legal, aproveitamento de créditos de IPI na aquisição de insumos desonerados (isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero), uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. 13. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 1413DF CARF MF Processo nº 10120.900188/201065 Acórdão n.º 3401005.343 S3C4T1 Fl. 1.413 8 Fl. 1414DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.000607/2010-58
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO.
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda.
Numero da decisão: 9303-007.327
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de crédito sobre gastos com (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas e tratores (v) medicamentos e fertilizantes, mantendo a decisão recorrida quanto às despesas com empilhadeiras, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento parcial em menor extensão, para restabelecer a glosa apenas com relação aos medicamentos e fertilizantes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11020.000607/2010-58
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5915427
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-007.327
nome_arquivo_s : Decisao_11020000607201058.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : VANESSA MARINI CECCONELLO
nome_arquivo_pdf_s : 11020000607201058_5915427.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de crédito sobre gastos com (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas e tratores (v) medicamentos e fertilizantes, mantendo a decisão recorrida quanto às despesas com empilhadeiras, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento parcial em menor extensão, para restabelecer a glosa apenas com relação aos medicamentos e fertilizantes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
id : 7465602
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:28:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870435807232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1923; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11020.000607/201058 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303007.327 – 3ª Turma Sessão de 15 de agosto de 2018 Matéria COFINS. PERDCOMP Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RASIP AGRO PASTORIL S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de crédito sobre gastos com (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas e tratores (v) medicamentos e fertilizantes, mantendo a decisão recorrida quanto às despesas com empilhadeiras, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento parcial em menor extensão, para restabelecer a glosa apenas com relação aos medicamentos e fertilizantes. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 06 07 /2 01 0- 58 Fl. 394DF CARF MF Processo nº 11020.000607/201058 Acórdão n.º 9303007.327 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 357 a 373), com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 3402001.677 (fls. 506 a 543) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 15 de fevereiro de 2012, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: COFINS – NÃOCUMULATIVIDADE – RESSARCIMENTO – CONCEITO DE INSUMO – LEIS Nº 10.637/02 E Nº 10.684/03. O princípio da não cumulatividade da COFINS visa neutralizar a cumulação das múltiplas incidências da referida contribuição nas diversas etapas da cadeia produtiva até o consumo final do bem ou serviço, de modo a desonerar os custos de produção destes últimos. A expressão “insumos e despesas de produção incorridos e pagos”, obviamente não se restringe somente aos insumos utilizados no processo de industrialização, tal como definidos nas legislações de regência do IPI e do ICMS, mas abrange também os insumos utilizados na produção de serviços, designando cada um dos elementos necessários ao processo produtivo de bens e serviços, imprescindíveis à existência, funcionamento, aprimoramento ou à manutenção destes últimos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, deuse provimento parcial para reconhecer o creditamento de óleo combustível, de peças gastas no processo produtivo e material de embalagem. Vencidos os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva que davam também o direito a compensação do crédito referente à aquisições de cooperativas. O Colegiado a quo entendeu por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito e autorizar o ressarcimento quanto aos seguintes itens, Fl. 395DF CARF MF Processo nº 11020.000607/201058 Acórdão n.º 9303007.327 CSRFT3 Fl. 4 3 conforme descrito no dispositivo do acórdão recorrido: “[...] aquisições de glp e lubrificantes, despesas com manutenção e aquisição, peças, bens destinados ao imobilizado (tais como máquinas, equipamentos, materiais de limpeza e higienização, manutenção de laboratório, ordenhadeira, medicamentos, cantoneiras usadas nas embalagens nas caixas de papelão, peças e serviços de manutenção de máquinas, tratores e pulverizadores, retroescavadeiras), despesas com materiais de embalagem considerados com o materiais de transporte (tais como cantoneiras utilizadas para evitar o amassamento das caixas de papelão pelas amarras durante o transporte; pallets e seus acessórios, pregos, etiquetas, utilizados para o empilhamento de caixas para o armazenamento e transporte; fitas e amarras, utilizadas para amarrar as caixas de papelão sobre os pallets)”. Não resignada em parte com a decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 357 a 373) alegando divergência jurisprudencial quanto ao conceito de insumos para fins de utilização de créditos das contribuições para o PIS e a COFINS na sistemática da nãocumulatividade, insurgindose quanto a todos os itens admitidos como insumos pelo acórdão recorrido: “[...] aquisições de glp e lubrificantes, despesas com manutenção e aquisição, peças, bens destinados ao imobilizado (tais como máquinas, equipamentos, materiais de limpeza e higienização, manutenção de laboratório, ordenhadeira, medicamentos, cantoneiras usadas nas embalagens nas caixas de papelão, peças e serviços de manutenção de máquinas, tratores e pulverizadores, retroescavadeiras), despesas com materiais de embalagem considerados com o materiais de transporte (tais como cantoneiras utilizadas para evitar o amassamento das caixas de papelão pelas amarras durante o transporte; pallets e seus acessórios, pregos, etiquetas, utilizados para o empilhamento de caixas para o armazenamento e transporte; fitas e amarras, utilizadas para amarrar as caixas de papelão sobre os pallets)”. Visando à comprovação do dissenso interpretativo, indicou como paradigma o Acórdão n.º 20312.448, segundo o qual apenas podem ser considerados insumos para fins de cálculo do crédito do PIS nãocumulativo aqueles elencados no art. 3º da Lei nº 10.637/2002 combinado com o art. 66 da IN SRF nº 464/2004, adotando a tese da definição de “insumos” prevista na legislação do IPI. Foi considerado como suficiente à comprovação do dissenso, no exame de admissibilidade, o Acórdão n.º 20312.448 que, diversamente da decisão recorrida, adota como conceito de “insumo” a tese trazida na legislação do IPI. A Recorrente aduz, em síntese, que os insumos aptos a serem considerados como créditos de PIS/Pasep e COFINS no regime nãocumulativo foram tratados de foram taxativa no art. 3º das Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente. Portanto, para efeitos de crédito do tributo, incluemse no conceito de insumo, além de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, os itens que sejam incorporados ao bem produzido, e os bens que, mesmo não se integrando à mercadoria, sejam consumidos e/ou alterados no processo de industrialização em função da ação exercida diretamente sobre o produto, com exceção daqueles compreendidos no ativo permanente. Segundo a Fazenda Nacional, tais requisitos não são atendidos pelos itens admitidos como insumos pelo acórdão recorrido, merecendo o mesmo ser reformado. Nos termos do despacho s/nº, de 03 de agosto de 2015 (fls. 385 a 386), foi dado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, por ter sido entendida como comprovada a divergência jurisprudencial, com base no Acórdão paradigma n.º 20312.448, quanto ao conceito de insumo para utilização dos créditos na apuração do PIS e da COFINS na sistemática da nãocumulatividade. Fl. 396DF CARF MF Processo nº 11020.000607/201058 Acórdão n.º 9303007.327 CSRFT3 Fl. 5 4 Cientificada a Contribuinte (fls. 389 a 392), não foram apresentadas contrarrazões. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito Do Direito ao Crédito de PIS e COFINS nãocumulativos – Conceito de insumos No mérito, adentrase à análise do direito ao crédito de PIS e COFINS não cumulativos decorrentes de: “[...] aquisições de glp e lubrificantes, despesas com manutenção e aquisição, peças, bens destinados ao imobilizado (tais como máquinas, equipamentos, materiais de limpeza e higienização, manutenção de laboratório, ordenhadeira, medicamentos, cantoneiras usadas nas embalagens nas caixas de papelão, peças e serviços de manutenção de máquinas, tratores e pulverizadores, retroescavadeiras), despesas com materiais de embalagem considerados com o materiais de transporte (tais como cantoneiras utilizadas para evitar o amassamento das caixas de papelão pelas amarras durante o transporte; pallets e seus acessórios, pregos, etiquetas, utilizados para o empilhamento de caixas para o armazenamento e transporte; fitas e amarras, utilizadas para amarrar as caixas de papelão sobre os pallets)”. De início, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. Fl. 397DF CARF MF Processo nº 11020.000607/201058 Acórdão n.º 9303007.327 CSRFT3 Fl. 6 5 A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotar se o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 398DF CARF MF Processo nº 11020.000607/201058 Acórdão n.º 9303007.327 CSRFT3 Fl. 7 6 demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Fl. 399DF CARF MF Processo nº 11020.000607/201058 Acórdão n.º 9303007.327 CSRFT3 Fl. 8 7 Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E Fl. 400DF CARF MF Processo nº 11020.000607/201058 Acórdão n.º 9303007.327 CSRFT3 Fl. 9 8 ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 11020.000607/201058 Acórdão n.º 9303007.327 CSRFT3 Fl. 10 9 (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifou se) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime nãocumulativo. Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda". No caso dos autos, conforme já afirmado, a Contribuinte RASIP AGROPASTORIL S/A é pessoa jurídica que desenvolve a atividade econômica principal do cultivo de maçãs. No seu Estatuto Social (fl. 213), art. 3º, como objeto social são listadas as seguintes atividades: "(a) a produção agrícola e pastoril, a fruticultura e apicultura; (b) a criação de rebanhos de diversas espécies; (c) a indústria, o comércio, a importação e a exportação de produtos alimentícios, de produtos da agricultura, da fruticultura e da pecuária, inclusive derivados do leite; (d) a elaboração e execução de projetos e atividades de fruticultura, florestamento e reflorestamento; (e) a produção e comercialização de produtos agrícolas, sementes e mudas; e (f) a prestação de serviços inerentes a essas atividades." Importa ter em perspectiva referida atividade econômica desenvolvida pela Recorrida, pois ao se adotar o critério da pertinência, relevância e essencialidade para a definição do conceito de insumos, tais parâmetros devem ser analisados frente ao processo produtivo do Sujeito Passivo em referência. A Fazenda Nacional, por meio de recurso especial, confronta o acórdão do recurso voluntário no que tange à possibilidade de tomada de créditos de PIS e COFINS não cumulativos pela Contribuinte decorrentes dos seguintes itens, divididos em dois grupos: (1) despesas com empilhadeiras; despesas com embalagem de transporte (material de embalagem); Fl. 402DF CARF MF Processo nº 11020.000607/201058 Acórdão n.º 9303007.327 CSRFT3 Fl. 11 10 despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; e (2) despesas com combustíveis e lubrificantes. Na perspectiva do conceito de insumos segundo o critério da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo, entendese não assistir razão à Recorrente quanto ao pedido de restabelecimento das glosas, pois as despesas em testilha têm relação direta com a atividade econômica principal da empresa contribuinte – o cultivo de maçãs. Para elucidar a assertiva, passase à análise individual dos bens e serviços: (a) despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção): no Relatório de Verificação Fiscal (fl.96), após visitas da Fiscalização à sede da empresa, foi consignado que as empilhadeiras são utilizadas para diversos fins: “descarregamento da fruta vinda dos pomares, carregamento/descarregamento da fruta nas câmaras frias, movimentação pelo packing (local onde a maçã é selecionada, limpada e embalada), bem como no carregamento das caixas de maçãs na saída dos produtos do estabelecimento”. Entendeu a Autoridade Fiscal que, ante a falta de segregação dos custos, despesas e respectivos créditos vinculados às empilhadeiras pela Contribuinte, não haveria direito ao crédito, por inexistência de previsão legal, já que as mesmas seriam utilizadas para “mero transporte da fruta dentro do processo produtivo (não há transformação ou ação direta sobre a maçã)” e, ainda, “após a finalização do processo produtivo, em suma, no início da operação de venda – carregamento da fruta na saída do estabelecimento (expedição)”. O entendimento da Fiscalização – que também é defendido pela Fazenda Nacional – é pautado pelo critério do conceito de insumos da legislação do IPI, exigindo o contato, desgaste, modificação do bem ou serviço no processo produtivo, bem como que o mesmo entre em contato com a mercadoria a ser produzida. No entanto, à luz da posição intermediária para definição do conceito de insumos, a utilização das empilhadeiras para o transporte das frutas nos pomares e para o seu carregamento na saída do estabelecimento, denota pertinência, relevância e essencialidade, com o processo produtivo do cultivo de maçãs. As empilhadeiras foram utilizadas pela Contribuinte na produção, ainda que de forma indireta, e se mostram indispensáveis à consecução do seu objeto social de produção e venda das maçãs. Além disso, não se pode imaginar que não conte a empresa com o auxílio de máquinas para o transporte do seu produto, em grandes quantidades, ao longo da produção e na saída para a venda, pois hipótese contrária inviabilizaria o próprio cultivo e escoamento da produção. Portanto, deve ser mantido o reconhecimento do direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos com relação às despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção). (b) despesas com embalagem de transporte (material de embalagem): consta, também do Relatório de Verificação Fiscal (fls. 99 a 100), como bens incluídos pela Contribuinte como insumos: (i) cantoneiras – utilizadas Fl. 403DF CARF MF Processo nº 11020.000607/201058 Acórdão n.º 9303007.327 CSRFT3 Fl. 12 11 para evitar o amassamento das caixas de papelão pelas amarras durante o transporte do produto; (ii) pallets e seus acessórios – pregos e etiquetas – utilizados para o empilhamento das caixas para armazenamento e transporte e (iii) fitas/amarras – utilizadas para “amarrar” as caixas de papelão sobre os pallets. Não foram aceitos como créditos os materiais de embalagem de transporte indicados pela Contribuinte, pois não classificáveis dentro das hipóteses do art. 3º das Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003, seja como insumo (inciso II) ou como despesas de fretes na operação de venda (inciso IX). Com fulcro na legislação de IPI, considerou a Fiscalização que o materiais de embalagem indicados pela Contribuinte não atenderiam aos requisitos para serem considerados como embalagem para acondicionamento de transporte. Também neste tópico deve ser mantida a decisão recorrida. A embalagem de transporte faz parte do custo de venda do produtor das frutas, pois se destinam à conservação e proteção do produto durante o transporte, garantindo a integridade das frutas durante o transporte até o estabelecimento de venda. Os materiais de embalagem podem ser considerados como insumos sempre que a operação de venda incluir o transporte da mercadoria, nos termos do art. 3º, inciso II da Lei n.º 10.637/2002. Além disso, o inciso IX da referida norma prevê expressamente que dão direito ao crédito de PIS nãocumulativo os serviços de armazenagem de mercadoria e frete, desde que suportados pelo vendedor. Nessa esteira, mantémse o reconhecimento do direito ao crédito com relação aos materiais de embalagem para transporte das mercadorias. (c) despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores que comprovadamente tiveram contato direto com o produto e foram essenciais ao processo de produção: com relação às despesas com peças, partes e serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores, entendeu a Autoridade Fiscal pelo não enquadramento como insumos, pois tais bens e serviços não sofrem qualquer alteração, como consumo, desgaste, dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, pela ação diretamente exercida no serviço que está sendo prestado e no bem ou produto que está sendo fabricado. Além disso, acrescentou que algumas aquisições deveriam ter sido destinadas ao ativo imobilizado, por aumentarem o prazo de vida útil dos bens em mais de um ano. O Colegiado a quo, ao apreciar a matéria sob a ótica do critério mais elástico que a legislação do IPI e considerando a necessidade de aplicação direta no processo produtivo, reconheceu como insumos as despesas com os serviços (excluídas as partes e peças) de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores, mas tão somente com relação àqueles que comprovadamente tiveram contato direto com o produto e foram essenciais ao processo de produção. Portanto, caberá à Contribuinte quando da execução do acórdão demonstrar a existência da vinculação. Igualmente sob o critério da posição intermediária (“essencialidade”) há de ser considerados como insumos os serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores, porque tais equipamentos são imprescindíveis à atividade Fl. 404DF CARF MF Processo nº 11020.000607/201058 Acórdão n.º 9303007.327 CSRFT3 Fl. 13 12 de fruticultura desempenhada pela Contribuinte. A produção da Contribuinte apresenta elevado grau de mecanização e emprego de tecnologia, por isso os serviços em questão são essenciais ao processo produtivo. No entanto, em razão da impossibilidade da reforma da decisão no sentido que prejudique a parte Recorrente, há de ser mantido o reconhecimento do crédito nos termos da decisão recorrida – somente quando diretamente aplicável no processo produtivo. (d) despesas com combustíveis e lubrificantes desde que efetivamente comprovada pela Contribuinte a participação no processo produtivo e segregada do lançamento contabilizado como “estoque de combustíveis e lubrificantes – ativo imobilizado”: Consoante Relatório Fiscal, em diligência efetuada junto à empresa, foi constatado o uso de grande parte dos combustíveis em lubrificantes em tratores, os quais, por sua vez, são utilizados nos pomares em produção e naqueles ainda não produtivos (“pomares novos”). Para os pomares ainda não produtivos, na contabilidade da empresa há lançamentos a débito cujas contrapartidas encontramse nas contas de estoque de combustíveis e lubrificantes. Concluiu a Fiscalização existir parcela do estoque de combustíveis que não é efetivamente utilizada como insumo, pois acaba sendo destinada ao ativo imobilizado. O acórdão recorrido, ao reconhecer o direito ao crédito sobre os combustíveis e lubrificantes, entendeu que somente os gastos com combustíveis e lubrificantes que efetivamente incidiram no processo produtivo darão direito ao crédito pleiteado pela Contribuinte. Fez, ainda, ressalva quanto aos valores dos combustíveis destinados ao ativo imobilizado, não podendo a empresa creditarse dos mesmos. Mantémse o entendimento da possibilidade de creditamento das despesas com combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo da empresa, pois, ainda que por razões distintas das consignadas no acórdão vergastado, têm relação de pertinência, relevância e essencialidade com a produção da Contribuinte, independentemente da sua aplicação direta ou indireta no mesmo. Assim, negase provimento ao recurso da Fazenda Nacional também neste ponto, devendo ser observada a delimitação do acórdão recorrido no sentido de ser, com relação às despesas com combustíveis e lubrificantes, “efetivamente comprovada pela Contribuinte a participação no processo produtivo e segregada do lançamento contabilizado como “estoque de combustíveis e lubrificante”. (e) Conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes: No que tange às despesas com conservação e sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras (colares com responder), entendese pela manutenção do direito ao creditamento de PIS/Pasep na sistemática nãocumulativa, por se considerar como essenciais à atividade da Recorrida, que, além da produção e comercialização de frutas, atua na atividade da pecuária, com a criação de rebanhos de diversas espécies; a indústria, o comércio, a importação e a exportação de produtos alimentícios, de produtos da agricultura, da fruticultura e da pecuária, inclusive derivados do leite. Fl. 405DF CARF MF Processo nº 11020.000607/201058 Acórdão n.º 9303007.327 CSRFT3 Fl. 14 13 Neste tópico, portanto, assiste razão em parte à Fazenda Nacional apenas para restabelecer a glosa dos créditos decorrentes das despesas com aquisição de medicamentos e fertilizantes, pois sujeitos à alíquota zero na operação anterior, conforme consta no Relatório de Verificação Fiscal e esse direito creditório não foi reconhecido pelo acórdão recorrido, não tendo sido objeto de recurso pela Contribuinte nesta parte. Dispositivo Diante do exposto, conhecido o recurso especial da Fazenda Nacional, no mérito, dáse provimento parcial tão somente para restabelecer a glosa com relação aos medicamentos e fertilizantes. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 406DF CARF MF Processo nº 11020.000607/201058 Acórdão n.º 9303007.327 CSRFT3 Fl. 15 14 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, redator designado Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões, quanto ao direito de se aproveitar créditos sobre despesas que não integram o custo do produto industrializado. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS e da Cofins no regime da nãocumulatividade previsto nas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Como visto, a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso da Fazenda Nacional, como bem relatado, referese ao aproveitamento de créditos assim separados: 1) Despesas com empilhadeiras 2) combustíveis e lubrificantes; 3) Bens diversos; 4) Materiais utilizados para embalagens de transporte; 5) Serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; e 6) Conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes Porém, como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da necessidade e da essencialidade, adotado pelo voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º das Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que trata das possibilidades de creditamento do PIS e da Cofins: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 407DF CARF MF Processo nº 11020.000607/201058 Acórdão n.º 9303007.327 CSRFT3 Fl. 16 15 III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (...). 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: Fl. 408DF CARF MF Processo nº 11020.000607/201058 Acórdão n.º 9303007.327 CSRFT3 Fl. 17 16 I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...). Ora, segundo estes dispositivos legais, somente geram créditos das contribuições os custos com bens e serviços utilizados como insumos na fabricação dos bens destinados a venda. Note que os dispositivos legais descrevem de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não necessitariam ter sido elaborados desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não haveria necessidade de ter descido a tantos detalhes. No presente caso, é incontroverso que as referidas despesas são necessárias para a atividade econômica do contribuinte. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que os gastos com aqueles bens e serviços estão vinculados às atividades econômicas do contribuinte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda e na prestação de serviços. Portanto, considerando esse conceito de que os insumos devem ser utilizados diretamente na fabricação do produto destinado a venda, passemos à análise de cada item objeto do recurso especial. 1) Despesas com empilhadeiras (combustíveis e peças de manutenção) Nesse ponto só vou justificar as razões porque acompanhei a relatora pela possibilidade de tal creditamento. Verificase pelo relatório fiscal que essas empilhadeiras são usadas dentro do processo fabril de beneficiamento das maças, produto final do contribuinte. Ou seja, os combustíveis e as peças de manutenção, não ativáveis, são consumidas diretamente no processamento das maças, que são efetivamente os produtos destinados à venda. 2) Combustíveis e lubrificantes Na análise do direito ao crédito efetuada pela autoridade fiscal, foi negado o crédito nas aquisições de combustíveis não utilizados diretamente no processo produtivo. De acordo com a fiscalização a maior parte dos créditos pleiteados eram referentes a combustíveis e lubrificantes utilizados em tratores agrícolas. Em seu recurso voluntário, o contribuinte sustenta que o processo produtivo de maçãs é amplo e iniciase desde o cultivo da terra. Ou seja, um retorno ao conceito de essencialidade, não em relação à sua atividade produtiva direta, mas em relação à sua atividade econômica como um todo. Inclusive, como esclarecido no relatório da fiscalização, boa parte desses combustíveis eram levados ao ativo imobilizado pela própria empresa, em razão da vida útil dos pomares. Fl. 409DF CARF MF Processo nº 11020.000607/201058 Acórdão n.º 9303007.327 CSRFT3 Fl. 18 17 Porém, como já frizado, as leis da não cumultatividade não trazem essa ampliação toda como pretende o contribuinte e como entende a ilustre relatora do presente voto. Como abordo no item seguinte, não há possibilidade legal do aproveitamento de créditos de insumos de insumos. 3) Bens Diversos A ilustre relatora negou provimento em relação a esses itens pela sua essencialidade ao processo produtivo em sentido lato. Por sua vez o acórdão recorrido, aparentemente seguiu na mesma trilha, mas não justificou item a item como fez a relatora. Somente expôs um conceito lato de insumos e acatou uma série de créditos. Não concordo com essa assertiva e não vejo que são insumos, da forma como genericamente descritos, utilizados no processo industrial do produto destinado a venda. O fato, por si só, de que eles sejam relevantes à atividade econômica do contribuinte não leva necessariamente à conclusão de que sejam insumos dentro da acepção legal já descrita linhas acima. Ressaltese que há que ser comprovado que as despesas com limpeza e higienização não se referem à fase pré industrial. Em que momento foram aplicadas essas despesas. Manutenção de laboratório, também é um termo muito genérico para ser acatado como despesas aplicadas no processo industrial. Importante relembrar que a legislação não prevê possibilidade de creditamento de insumos de insumos e esse colegiado tem tido o entendimento de que não é possível o creditamento de insumos utilizados na fase agrícola, ou préindustrial. 4) Materiais utilizados para embalagens de transporte Conforme acórdão recorrido, tratam se dos seguintes itens: "tais como cantoneiras utilizadas para evitar o amassamento das caixas de papelão pelas amarras durante o transporte; pallets e seus acessórios, pregos, etiquetas, utilizados para o empilhamento de caixas para o armazenamento e transporte; fitas e amarras, utilizadas para amarrar as caixas de papelão sobre os pallets". Observe que são todos itens utilizados após o encerramento do processo produtivo. São utilizados para acondicionamento de transporte da produção. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. Penso inclusive, que em maior ou menor grau, a depender do produto final, esta é a finalidade mesmo da embalagem de transporte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Portanto após o encerramento do processo produtivo não é possível tal creditamento, a não ser nas hipóteses expressamente previstas na legislação, a exemplo do aproveitamento do crédito do frete na operação de venda (situação excepcionada expressamente pela Lei) ou alguém seria capaz de dizer que o frete na operação de venda, suportado pelo contribuinte, não é um item essencial à sua atividade econômica. Se bastasse isso não seria necessária a excepcionadade constante da Lei. 5) Serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores. Pela característica dos bens, evidente que sua utilização é feita na etapa pré industrial. Na manutenção das lavouras que faz parte da etapa agrícola, em relação aos quais nego provimento pelas mesmas razões do item 3, supra analisado. Fl. 410DF CARF MF Processo nº 11020.000607/201058 Acórdão n.º 9303007.327 CSRFT3 Fl. 19 18 6) Conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes Em relação aos itens medicamentos e fertilizantes manifesto minha concordância com o voto da ilustre relatora que neste ponto proveu o recurso especial da Fazenda Nacional. Em relação aos demais confirmo o entendimento do colegiado de que sobre tais itens não há previsão legal para autorizar o creditamento, por fugirem do conceito legal de insumos estabelecido pela legislação de regência. Como dito nos itens 3 e 5 anteriores, tratam se de despesas relevantes para atividade econômica do contribuinte, porém aplicadas nas fases antecendentes ao processo produtivo propriamente dito. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para reestabelecer as glosas de crédito em relação aos seguintes itens: (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores e (v) conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 411DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.932436/2013-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO PLEITEADO.
Na ausência de Declaração Retificadora que constitua o crédito pleiteado, não vejo como reconhecê-lo
Numero da decisão: 1401-002.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009 IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO PLEITEADO. Na ausência de Declaração Retificadora que constitua o crédito pleiteado, não vejo como reconhecê-lo
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.932436/2013-88
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5914803
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.844
nome_arquivo_s : Decisao_10880932436201388.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 10880932436201388_5914803.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
id : 7461806
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:28:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870444195840
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1418; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 11 SS11CC44TT11 MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO DDAA FFAAZZEENNDDAA CCOONNSSEELLHHOO AADDMMIINNIISSTTRRAATTIIVVOO DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS PPRRIIMMEEIIRRAA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO PPrroocceessssoo nnºº 10880.932436/201388 RReeccuurrssoo nnºº 1 Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 1401002.844 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária SSeessssããoo ddee 16 de agosto de 2018 MMaattéérriiaa CSLL RReeccoorrrreennttee HNS AMÉRICAS COMUNICAÇÕES LTDA RReeccoorrrriiddaa FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO PLEITEADO. Na ausência de Declaração Retificadora que constitua o crédito pleiteado, não vejo como reconhecêlo Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 24 36 /2 01 3- 88 Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10880.932436/201388 Acórdão n.º 1401002.844 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão da DRJ/REC que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por considerar não comprovado que a informação quanto ao montante da estimativa na DIPJ e na DCTF está incorreta, e, em conseqüência, concluir pela inexistência de pagamento indevido ou a maior, já que o valor recolhido correspondia integralmente à débito confessado pelo contribuinte. A interessada apresentou Declaração de Compensação (Dcomp), por intermédio da qual o contribuinte efetuou compensação de débito de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) referente a maio de 2011 com suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), cujo valor na data de transmissão informado era de R$ 37.701,19. Este crédito decorreu de Darf no valor de 37.701,19, no código de receita 2484, referente ao período de apuração abril de 2009. Consoante declarado, foi utilizada na compensação a parcela do crédito de R$ 21.309,26, restando um saldo do crédito original de R$ 16.391,93. Como resultado da análise efetuada foi proferido o despacho decisório que decidiu por não reconhecer o direito creditório pleiteado e, por conseguinte, não homologar a compensação declarada. Segundo a fundamentação da decisão, o valor recolhido via Darf foi integralmente utilizado para a quitação de débito confessado. Mesmo após a Manifestação de Inconformidade, restou mantido integralmente o Despacho Decisório. Inconformada, interpôs Recurso Voluntário repisando o argumento quanto a erro de fato no preenchimento de sua DIPJ, pois teria adicionado indevidamente montante relativo a ajuste do RTT na determinação da base de cálculo do tributo, como conseqüência do preenchimento equivocado da linha de custos da ficha 07 A (Demonstração do Resultado – Critérios em 31.12.2007 – PJ em Geral), com valor diferente do informado na Ficha 06 A (Demonstração do Resultado – PJ em Geral). Afirma que, retificado o erro, não haveria estimativa a pagar, sendo seu direito a utilização do montante recolhido a este título como crédito em compensação. Anexa balancetes, LALUR 2009, memória de cálculo IRPJ e relação de DECOMPs. É o relatório do essencial. Tabela do plano Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10880.932436/201388 Acórdão n.º 1401002.844 S1C4T1 Fl. 4 3 1401002.840, de 16/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.932430/2013 19, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.840): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. Conforme já esclarecido pela decisão de piso, perfeitamente possível aferir a opção pelo RTT alegada pela Recorrente em sua DIPJ/2009 como pode ser visto na Ficha 01 abaixo copiada parcialmente (informação repetida na DIPJ/2010 à fl. 54). Contudo, para reconhecimento do crédito pretendido, segundo a DRJ, era necessária a prova de que a informação constante na DIPJ e na DCTF, estaria incorreta em função do alegado erro de fato em seu preenchimento, o que não havia sido feito pela Recorrente até aquele momento. Isto porque, conforme acórdão recorrido, uma vez feita a opção pelo RTT, caberia ao contribuinte ter trazido cópia de seu Lalur a fim de comprovar que o ajuste ao lucro líquido na determinação da base de cálculo do tributo não existiu de fato. Todavia, como prova do alegado erro de preenchimento da DIPJ, carreou aos autos apenas o demonstrativo de resultado (apuração do lucro líquido) à fl. 79 e o balanço patrimonial à fl. 80. Conforme tratado anteriormente, o ajuste porventura existente não é registrado em tais demonstrativos, razão pela qual esses não possuem qualquer valor probatório. Ainda que se entendesse demonstrado que não houve apuração de ajuste pelo contribuinte, o que se coloca apenas em tese, há que se considerar que a ocorrência do pagamento indevido ou a maior restaria não comprovada. Isto porque a revisão de ofício do erro de preenchimento da DIPJ ensejaria apenas a alteração da base de cálculo do tributo devido e, por conseguinte, do seu montante devido no ajuste anual. A partir dessas informações não é possível aferir com certeza absoluta que não houve tributo a pagar apurado por estimativa no transcorrer do anocalendário, pois a Ficha 11 da declaração não permite verificar a composição da base de cálculo estimada e, portanto, aferir se o alegado erro formal de preenchimento cometido nas fichas anuais também ocorreu nas fichas de apuração mensal. Segundo a DRJ: "Para a comprovação de que de fato não foi apurada qualquer estimativa a pagar durante o ano, a manifestação de inconformidade deveria estar instruída com cópias do balancete de suspensão/redução e do Razão (nas contas de interesse, relativas à estimativa mensal). Se tal medida tivesse sido adotada pelo contribuinte e restasse demonstrada a inexistência de estimativa apurada, seria devida a revisão de ofício da DIPJ e da DCTF em função do erro fato no preenchimento, em respeito ao princípio da verdade material. Todavia, tais documentos imprescindíveis à solução da lide não constam dos autos". Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10880.932436/201388 Acórdão n.º 1401002.844 S1C4T1 Fl. 5 4 Admito que a Recorrente trouxe alguns desses documentos anexados ao seu Recurso Voluntário, contudo tais documentos confirmar a correção do Acórdão DRJ, mas mesmo que assim não fosse, entendo que para o reconhecimento do crédito era necessário um passo além, por parte dela, que confessa que embora venha sustentando a existência de erro no preenchimento da DIPJ e, por consequencia, na Decomp, em nenhum momento tomou a iniciativa de retificálas, requerendo que tal providência seja implementada por este colegiado caso reconheça a possibilidade da compensação pleiteada. Neste momento entendo pela impossibilidade de reconhecimento do crédito pleiteado pela Recorrente, sem que tenha havido no mínimo a retificação por parte dela dos erros materiais existentes em suas declarações, não vejo a possibilidade de promover tal retificação de ofício, uma vez que tal providência é exclusiva do contribuinte. Destacase que não há saldo negativo a ser compensado. Já houve casos em que reconheci inclusive a possibilidade de retificação de declaração por parte do contribuinte em momento posterior inclusive ao Despacho Decisório, como por exemplo no Acórdão n. 1401002.702, contudo, na ausência de Declaração Retificadora que constitua o crédito pleiteado, não vejo como reconhecêlo. Por estas razões, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 441DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.002385/2010-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2005, 2006
OMISSÃO DE RECEITAS. VENDAS REALIZADAS VIA PLATAFORMA NA INTERNET.
Consideram-se receitas da pessoa jurídica as vendas realizadas via internet, cujos valores foram sistematicamente depositados nas contas correntes do sócio que era quem realizava as negociações, sempre tendo sua alcunha atrelada ao nome da empresa. `
BASE DE CÁLCULO. SIMPLES. RECEITA OMITIDA.
A base de cálculo do Simples é a receita bruta, assim compreendida como o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações cm conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, sendo-lhe vedado proceder a qualquer outra exclusão em virtude da alíquota incidente ou de tratamento tributário diferenciado.
INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO
A insuficiência de recolhimento de tributos apurada em procedimento fiscal enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais.
REAJUSTAMENTO DA BASE DE CÁLCULO RELATIVA AO ANO-CALENDARIO DE 2005.
Tratando-se de lançamento efetivado na pessoa jurídica, relativamente ao ano calendário de 2005, impõe-se desprezar as omissões relativas aos meses de janeiro a abril daquele ano, posto que a pessoa jurídica só foi formalmente constituída em maio de 2005.
NULIDADE. DESCABIMENTO.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
Numero da decisão: 1302-002.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2005, 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. VENDAS REALIZADAS VIA PLATAFORMA NA INTERNET. Consideram-se receitas da pessoa jurídica as vendas realizadas via internet, cujos valores foram sistematicamente depositados nas contas correntes do sócio que era quem realizava as negociações, sempre tendo sua alcunha atrelada ao nome da empresa. ` BASE DE CÁLCULO. SIMPLES. RECEITA OMITIDA. A base de cálculo do Simples é a receita bruta, assim compreendida como o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações cm conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, sendo-lhe vedado proceder a qualquer outra exclusão em virtude da alíquota incidente ou de tratamento tributário diferenciado. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO A insuficiência de recolhimento de tributos apurada em procedimento fiscal enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. REAJUSTAMENTO DA BASE DE CÁLCULO RELATIVA AO ANO-CALENDARIO DE 2005. Tratando-se de lançamento efetivado na pessoa jurídica, relativamente ao ano calendário de 2005, impõe-se desprezar as omissões relativas aos meses de janeiro a abril daquele ano, posto que a pessoa jurídica só foi formalmente constituída em maio de 2005. NULIDADE. DESCABIMENTO. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10950.002385/2010-44
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5900839
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-002.923
nome_arquivo_s : Decisao_10950002385201044.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
nome_arquivo_pdf_s : 10950002385201044_5900839.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7419606
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:26:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870457827328
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1901; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 912 1 911 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.002385/201044 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302002.923 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de julho de 2018 Matéria Simples Recorrente YEPS! EQUIPAMENTOS DE INFORMÁTICA LTDA. ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2005, 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. VENDAS REALIZADAS VIA PLATAFORMA NA INTERNET. Consideramse receitas da pessoa jurídica as vendas realizadas via internet, cujos valores foram sistematicamente depositados nas contas correntes do sócio que era quem realizava as negociações, sempre tendo sua alcunha atrelada ao nome da empresa. ` BASE DE CÁLCULO. SIMPLES. RECEITA OMITIDA. A base de cálculo do Simples é a receita bruta, assim compreendida como o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações cm conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, sendolhe vedado proceder a qualquer outra exclusão em virtude da alíquota incidente ou de tratamento tributário diferenciado. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO A insuficiência de recolhimento de tributos apurada em procedimento fiscal enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. REAJUSTAMENTO DA BASE DE CÁLCULO RELATIVA AO ANO CALENDARIO DE 2005. Tratandose de lançamento efetivado na pessoa jurídica, relativamente ao ano calendário de 2005, impõese desprezar as omissões relativas aos meses de janeiro a abril daquele ano, posto que a pessoa jurídica só foi formalmente constituída em maio de 2005. NULIDADE. DESCABIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 23 85 /2 01 0- 44 Fl. 912DF CARF MF Processo nº 10950.002385/201044 Acórdão n.º 1302002.923 S1C3T2 Fl. 913 2 Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Para a devida síntese do processo em exame, transcrevo o relatório da DRJ/CTA: “Em decorrência de ação fiscal levada a efeito em face do contribuinte já identificado, em 18/05/2010, foi lavrado o auto de infração de fls. 700789, para exigir: a) R$ 13.160,08 a título de Imposto de Renda Pessoa JurídicaSimples (fl.729), R$ 10.680,41 a título de Contribuição ao Programa de Integração SocialSimples (fl.742), R$ 18.937,43 a título de Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoSimples (fl.755), R$ 47.832,39 a título de Contribuição para Financiamento da Seguridade SocialSimples (fl.768) e, R$ 107.632,31 título de Contribuição para Seguridade SocialINSSSimples (fl.781). 2. O enquadramento legal das exigências ficou assim estabelecido: a) para o IRPJ, o art. 24 da Lei n° 9.249, de 1995; § 2° do art. 2°, alínea “a” do § 1° do art. 3°, art. 5°, § 1° do art. 7° e art. 18 da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e, art. 3° da Lei n° 9.732, de 11 de dezembro de 1998; art. 186, 188 e, 199 do RIR/99; b) para o PIS, o art. 3°, “b” da Lei Complementar n° 07, de 07 de julho de 1970, combinado com o art. 1°, parágrafo único da Lei Complementar n° 17, de 12 de dezembro de 1973, art. 2°, inciso I, art. 3° e 9° da Medida Fl. 913DF CARF MF Processo nº 10950.002385/201044 Acórdão n.º 1302002.923 S1C3T2 Fl. 914 3 Provisória n° 1.249, de 1995 e suas reedições, o § 2° do art. 2°, alínea “b” do § 1° do art. 3°, art. 5”, § 1° do art. 7° e art. 18 da Lei n“ 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e art. 3“ da Lei n“ 9.732, de 1998; c) para a Contribuição Social, o art. 1° da Lei n" 7.689, de 15 de dezembro de 1988; o § 2° do art. 2°, alínea “c” do § 1° do an. 3°, art. 5°, § 1° do art. 7° e art. 18 da Lei n“ 9.317, de 05 de dezembro de 1.996 “c” art. 3” da Lei n° 9.732, de 1998; d) para a Cofins, o art. 1” da Lei Complementar n*` 70, de 1991; o § 2ºdo art. 2°, alínea “d” do § 1° do art. 3°, art. 5°, § 1° do art. 7° c art. 18 da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e art. 3“ da Lei n" 9.732, de 1998 e; e) para a Contribuição ao lNSS, o § 2° do art. 2°, alínea “l” do § 1” do art. 3°, art. 5", § 1° do art. 7° e art. 18 da Lei n” 9.317, de 05 de dezembro de 1996, combinado com o art. 42 da Lei n“ 9.430, de 1996 e art. 3" da Lei n” 9.732, de 1998. 3. A multa de ofício é de 75% e está amparada no art. 44, inciso 1 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, combinado com o art. 19 da Lei n“ 9.3 17, de 1996. 4. As infrações imputadas ao contribuinte são: omissão de receitas caracterizada movimentação bancária não escriturada conforme extratos bancários apresentados, os quais se encontram no Anexo I (02 volumes) juntamente com os documentos que comprovam as negociações, os quais se encontram no Anexo II, composto por 31 volumes e a consequente insuficiência de recolhimentos em face da mudança da faixa de tributação. 5. A ciência dos autos de infração ocorreu em 25/05/2010, por via postal, conforme AR de fl. 793. 6. Na impugnação de fls. 795802, protocolada em 18/06/2010, o sujeito passivo alega que o presente procedimento aproveitou o contexto fático delineado no MPF nº 09201002008013747, que tramitou em Florianópolis, quando foi solicitado que Eduardo Stecca esclarecesse sobre os depósitos havidos nas contas correntes bancárias de sua titularidade os quais teriam por origem comissões, na forma estipulada pelos artigos 693 a 709 do Código Civil; que por meio dos documentos que junta as fls. 806807, explicou que: “se propunha ao serviço nãocomercial de pesquisa de preço e consequente aquisição de mercadorias do interesse de terceiros, escusandose da venda direta e própria de quaisquer produtos”; que explicou, ainda “que a remuneração pelos serviços nãocomerciais sob sua (Eduardo Stecca) responsabilidade oscilavam ao máximo de 5% (cinco por cento) sobre o quantum depositado na conta corrente bancária”. 7. Afirma que não obstante os esclarecimentos prestados, a autoridade fiscal intuiu que os depósitos bancários havidos nas contas correntes de titularidade de Eduardo Stecca pertenciam a empresa YEPS Equipamentos de Informática Ltda.; que o fisco adotou essa Conclusão em 10/03/2010, quando ponderou que “de acordo com os documentos apresentados e pelo que consta do IPL nº 332/07, foi constatado que os depósitos bancários pertence a empresa YEPS Equipamentos de Informática Ltda.; e, na mesma ocasião, por meio do mesmo termo de reintimação, impôs a pessoa jurídica a Fl. 914DF CARF MF Processo nº 10950.002385/201044 Acórdão n.º 1302002.923 S1C3T2 Fl. 915 4 obrigação de apresentar os Livros Caixa, para análise do eventual registro dos depósitos bancários; que esclareceu que o movimento bancário “se encontra à margem dos livros contábeis obrigatórios da empresa YEPS Equipamentos de Informática Ltda”, posto que a movimentação bancária atribuída à empresa YEPS Equipamentos de Informática é fruto da dedução/indução havida no âmbito do processo administrativo e não pela efetivação do negócio. 8. Sustenta que a autoridade fiscal ignorou seus argumentos. Estabelece que a controvérsia a ser analisada envolve a titularidade dos depósitos bancários e, especialmente, a base de cálculo dos tributos que seriam passíveis de incidência. 9. Sob o título “a titularidade dos depósitos bancários” argumenta que eles se inserem na exclusiva responsabilidade de Eduardo Stecca pois inexiste prova ou indício de que pertençam a impugnante; que a autoridade fiscal estendeu a responsabilidade tributária, em face da correlação entre os negócios e os depósitos bancários; que a correlação entre as “datas das negociações e valores”, não podem levar à conclusão de que os valores depositados nas contas correntes de Eduardo Stecca são de responsabilidade da impugnante; que tal conclusão viola o disposto no inciso I do artigo 108 do Código Tributário Nacional; que a conclusão dos agentes fiscais desconsidera o negócio civil da comissão levada a efeito por Eduardo Stecca, em afronta ao disposto no artigo 110 do CTN; que a desconsideração do negócio jurídico, consoante expressa dicção do parágrafo único do artigo 116 do CTN, dependeria da observação dos “procedimentos estabelecidos em lei ordinária”; que tal inobservância dos procedimentos específicos impede que se atribua a impugnante a titularidade dos depósitos; que evidenciada a irregularidade da desconsideração do negócio da comissão, pugna pela nulidade dos autos de infração. 10. Contesta que a base de cálculo dos tributos diverge do montante equivalente à soma dos depósitos; que é incontroverso que os depósitos bancários se efetivaram para Eduardo Stecca, mediante remuneração, para que adquirisse de outrem produto do interesse de terceiro; que a remuneração auferida se limita a 5% do refletido nos depósitos bancários, especialmente porque na qualidade de comissário se obriga na aquisição e consequente pagamento do produto de interesse do comitente; que deve ser aplicado ao caso o disposto no artigo 148 do CTN; que ao invés da desconsideração do negócio civil da comissão, incumbia aos agentes fiscais, no máximo, o arbitramento do valor do ato jurídico in specie para definição da base de cálculo do tributo de responsabilidade de Eduardo Stecca; que a fiscalização entendeu que os depósitos bancários equivaleriam à receita bruta da impugnante e efetuaram a tributação dos valores nas regras do Simples; mais urna vez pede a nulidade da autuação. 11. Propõe que caso persista a imposição da titularidade a impugnante, que ainda assim, haveria a necessidade de se adequar os cálculos, posto que o contexto fático explicitado nos autos, afasta dos depósitos bancários a característica de receita bruta, atraindo a incidência do artigo 148 do CTN, uma vez que comprovado que a receita se limita a 5% do valor depositado, devendo a exigência ser refeita ante a nova realidade. 12. Ao final, requer: i) seja declarada a nulidade da exigência posto ter sido desconsiderado o negócio civil da comissão, ato jurídico de exclusiva responsabilidade de Eduardo Stecca; ii) seja reconhecida a nulidade da autuação porquanto Fl. 915DF CARF MF Processo nº 10950.002385/201044 Acórdão n.º 1302002.923 S1C3T2 Fl. 916 5 desconsiderada a aplicação do disposto no artigo 148 do CTN à hipótese sob análise e; iii) caso ultrapassados os itens anteriores, que seja ordenada a retificação dos autos para que se aplique o previsto no artigo 148 do CTN e que seja considerado como receita bruta 5% dos depósitos bancários bem como; iv) que sejam considerados como prova os documentos que constam dos anexos I e II. Juntou os documentos de fls 806 821”. Após análise das razões do contribuinte, a 2ª Turma de Julgamento da DRJ/CTA decidiu pelo afastamento da preliminar de nulidade e, no mérito, considerou a impugnação procedente em parte, excluindo da base de cálculo do lançamento original os valores relativos aos meses de janeiro a abril de 2005, tendo em vista que a pessoa jurídica autuada só restou formalmente constituída em 31/05/2005, data do registro do Contrato Social. O Acórdão nº 0627.496 restou ementado da seguinte forma: “Assunto: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTO E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Anocalendário: 2005, 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. VENDAS REALIZADAS VIA PLATAFORMA NA INTERNET. Consideramse receitas da pessoa jurídica as vendas realizadas via internet, cujos valores foram sistematicamente depositados nas contas correntes do sócio que era quem realizava as negociações, sempre tendo sua alcunha atrelada ao nome da empresa. BASE DE CÁLCULO. SIMPLES. RECEITA OMITIDA. A base de cálculo do Simples é a receita bruta, assim compreendida como o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações cm conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, sendolhe vedado proceder a qualquer outra exclusão em virtude da alíquota incidente ou de tratamento tributário diferenciado. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO A insuficiência de recolhimento de tributos apurada em procedimento fiscal enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. REAJUSTAMENTO DA BASE DE CÁLCULO RELATIVA AO ANO CALENDARIO DE 2005. . Tratandose de lançamento efetivado na pessoa jurídica, relativamente ao anocalendário de 2005, impõese desprezar as omissões relativas aos meses de janeiro a Fl. 916DF CARF MF Processo nº 10950.002385/201044 Acórdão n.º 1302002.923 S1C3T2 Fl. 917 6 abril daquele ano, posto que a pessoa jurídica só foi formalmente constituída em maio de 2005. Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006 NULIDADE. DESCABIMENTO. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Inconformado com a decisão retro, a autuada interpôs Recurso Voluntário pugnando pela declaração de nulidade ou retificação da base de cálculo da autuação, consubstanciada nas mesmas razões expostas em sua peça impugnatória, em síntese: a. que a correlação entre as datas das negociações e valores depositados na conta do sócio Eduardo Stecca não se revela bastante para concluirse que o depositado era de responsabilidade da empresa contribuinte YEPS – Equipamentos de Informática Ltda; que tal conclusão viola o disposto no inciso I do art. 108 e seu § 1º, do CTN, porque aproveita analogia para imposição de tributo inexigível da pessoa física; que o negócio civil de comissão e os depósitos a ele condizentes são de responsabilidade única do sócio Eduardo Stecca; b. que a remuneração auferida pelo sócio Eduardo Stecca se limitava a 5% (cinco por cento) do quantum da negociação, sendo equivocada a conclusão do Fisco de que os depósitos equivaleriam à receita bruta da contribuinte autuada. Sendo assim, o lançamento deveria ser arbitrado pela autoridade fiscal conforme disposição do art. 148 do CTN, o que importaria na nulidade deste; ou caso assim não fosse compreendido, que a base de cálculo fosse reduzida ao percentual de 5% (cinco por cento) dos depósitos mensais havidos na conta bancária do sócio Eduardo Stecca. Não houve recurso de ofício quanto à parcela exonerada haja vista não ultrapassar o limite de alçada. É o relatório. Voto Fl. 917DF CARF MF Processo nº 10950.002385/201044 Acórdão n.º 1302002.923 S1C3T2 Fl. 918 7 Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. Presentes os requisitos de admissibilidade recursal, tomo conhecimento do presente Recurso Voluntário. Como visto, a recorrente afirma que o nexo estabelecido pela Fiscalização para concluir que os depósitos feitos na conta do sócio Eduardo Stecca correspondiam ao pagamento dos negócios firmados pela contribuinte YEPS – Equipamentos de Informática Ltda., ou seja, a coincidência entre as datas das negociações e valores depositados não seria causa suficiente para transferir a responsabilidade tributária para a pessoa jurídica, devendo esta recair somente sobre a pessoa física. Entretanto, no curso do inquérito policial que apurou irregularidades no procedimento da empresa autuada, o outro sócio desta empresa, Sr. José Roberto Pelissari Júnior, declarou à Polícia Federal que os pagamentos das mercadorias vendidas através da plataforma MERCADO LIVRE eram depositados nas contas de Eduardo Stecca. Este sócio, de seu turno, declarou não ter pago os tributos pelas mercadorias que comercializava no MERCADO LIVRE. Vejamos o excerto da decisão recorrida onde constam as referidas declarações (fl. 9 do Acórdão nº 0627.496): Portanto, ainda que se cogitasse quanto à insuficiência da correlação entre as datas das negociações e valores depositados na conta do sócio Eduardo Stecca, verificase não ser este o único indício de que estes valores depositados eram de responsabilidade da empresa YEPS – Equipamentos de Informática Ltda. Assim, a declaração do sócio José Roberto Pelissari Júnior (de que os valores do pagamento das mercadorias vendidas pelo MERCADO LIVRE) somada à coincidência entre as datas das negociações e os valores depositados na conta do sócio Eduardo Stecca, a meu ver, conferem sustentação necessária à conclusão alcançada pelo Fisco. Em decorrência disso, transferiuse ao contribuinte o ônus de comprovar que os depósitos feitos na conta da pessoa física não diriam respeito aos negócios firmados pela pessoa jurídica; no entanto, deste ônus o contribuinte não se desincumbiu. Fl. 918DF CARF MF Processo nº 10950.002385/201044 Acórdão n.º 1302002.923 S1C3T2 Fl. 919 8 Adiante, não merecem provimento as alegações constantes no Recurso Voluntário quanto à suposta violação ao disposto nos arts. 108, I, e § 1º, do CTN, pois a Fiscalização não se utilizou de analogia para cobrar tributos inexigíveis de pessoa física, tendo em vista que a fiscalização é direcionada à pessoa jurídica. No mesmo sentido, não há razão para a redução da base de cálculo tributável para 5% do montante dos depósitos, pois não se está tributando a prestação de serviços que o sócio diz ter prestado, mas sim as operações de venda de mercadorias. Outrossim, não se constata a existência de previsão legal a estabelecer uma base de cálculo diferente da receita bruta da venda de mercadorias para as empresas submetidas ao regime de tributação do Simples. Destarte, por não carecer de reparos, adoto as razões de decidir do Acórdão 0627.496, nos termos do parágrafo 3, do art. 57 do RICARF a seguir transcritas: Fl. 919DF CARF MF Processo nº 10950.002385/201044 Acórdão n.º 1302002.923 S1C3T2 Fl. 920 9 Fl. 920DF CARF MF Processo nº 10950.002385/201044 Acórdão n.º 1302002.923 S1C3T2 Fl. 921 10 Fl. 921DF CARF MF Processo nº 10950.002385/201044 Acórdão n.º 1302002.923 S1C3T2 Fl. 922 11 Fl. 922DF CARF MF Processo nº 10950.002385/201044 Acórdão n.º 1302002.923 S1C3T2 Fl. 923 12 Fl. 923DF CARF MF Processo nº 10950.002385/201044 Acórdão n.º 1302002.923 S1C3T2 Fl. 924 13 Fl. 924DF CARF MF Processo nº 10950.002385/201044 Acórdão n.º 1302002.923 S1C3T2 Fl. 925 14 Fl. 925DF CARF MF Processo nº 10950.002385/201044 Acórdão n.º 1302002.923 S1C3T2 Fl. 926 15 Fl. 926DF CARF MF Processo nº 10950.002385/201044 Acórdão n.º 1302002.923 S1C3T2 Fl. 927 16 Fl. 927DF CARF MF Processo nº 10950.002385/201044 Acórdão n.º 1302002.923 S1C3T2 Fl. 928 17 Fl. 928DF CARF MF Processo nº 10950.002385/201044 Acórdão n.º 1302002.923 S1C3T2 Fl. 929 18 Fl. 929DF CARF MF Processo nº 10950.002385/201044 Acórdão n.º 1302002.923 S1C3T2 Fl. 930 19 Conclusão Isto posto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 930DF CARF MF Processo nº 10950.002385/201044 Acórdão n.º 1302002.923 S1C3T2 Fl. 931 20 Fl. 931DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14112.000080/2005-63
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004
RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO E CERTO.
Somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do Sujeito Passivo contra a Fazenda Nacional, conforme art. 170 do Código Tributário Nacional.
CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004 RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. Somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do Sujeito Passivo contra a Fazenda Nacional, conforme art. 170 do Código Tributário Nacional. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 14112.000080/2005-63
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5906297
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3002-000.354
nome_arquivo_s : Decisao_14112000080200563.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
nome_arquivo_pdf_s : 14112000080200563_5906297.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
id : 7437507
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870500818944
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1239; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 1.438 1 1.437 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14112.000080/200563 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.354 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 15 de agosto de 2018 Matéria RESSARCIMENTO DE IPI. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente RIMOLI E CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004 RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. Somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do Sujeito Passivo contra a Fazenda Nacional, conforme art. 170 do Código Tributário Nacional. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 11 2. 00 00 80 /2 00 5- 63 Fl. 1438DF CARF MF Processo nº 14112.000080/200563 Acórdão n.º 3002000.354 S3C0T2 Fl. 1.439 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Adoto o relatório do Acórdão recorrido por bem retratar as vicissitudes do presente processo: "Trata o presente processo dos Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento n's. 21868.09075.131004.1.1.019268 e 20007.72753.070105.1.1.013116, nos valores de R$147.908,74 e R$ 111.000,53, respectivamente, relativo a saldo credor do IPI apurado no 3° e 4° trimestres de 2004 (fl. 02, deste, e fl. 02 do processo 14112.000079/200539, em apenso). Foram transmitidas as DCOMPs relacionadas As fls. 449, vinculadas aos PERs tratados neste processo. A verificação da legitimidade dos créditos foi efetuada mediante procedimento fiscal. As constatações da auditora encontramse relatadas na Informação Fiscal de fls. 415/421, podendo ser assim resumidas: a) o estabelecimento fiscalizado industrializa formulários contínuos classificados nos códigos 4911.9900 (alíquota 0%) e 4820.4000 (alíquota 15%), segundo verificação, por amostragem, das notas fiscais de vendas; b) as mercadorias relacionadas As fls. 418/419 (papel cortado da marca Chamex Office) são adquiridas de terceiros para comercialização (revenda), não existindo direito a crédito do IPI em suas aquisições (não são utilizadas no processo produtivo), o que implicou a glosa dos valores do imposto indevidamente creditados, discriminados As fls. 418/419; c) o papel em bobina e o papel autocopiativo são utilizadas na industrialização (matériaprima), mas também são revendidos em grandes quantidades (comercializados), enquanto as entradas desses papéis foram majoritariamente escrituradas como compras para industrialização, com crédito do IPI. Em virtude dessa inconsistência, a empresa foi intimada a comprovar, mediante apresentação do controle da produção e do estoque, as quantidades desses papéis (papel em bobinas e autocopiativo) aplicadas na industrialização. Nos livros de Registro de Controle da Produção e do Estoque apresentados não foram escriturados os produtos industrializados, nem os insumos utilizados em suas fabricações. Diante da impossibilidade de apurar corretamente as quantidades desses Fl. 1439DF CARF MF Processo nº 14112.000080/200563 Acórdão n.º 3002000.354 S3C0T2 Fl. 1.440 3 papéis que 'foram aplicadas na industrialização, a fiscalização glosou os créditos oriundos de todas as entradas dessas mercadorias, segundo discriminado As fls. 419/420. Após reconstituição da escrita fiscal, com glosa dos créditos considerados indevidos, houve redução no valor do saldo credor originalmente apurado pela empresa (fls. 411/414), além da apuração de débitos exigidos mediante lançamento de oficio (processo 14120.000132/200845). Em conseqüência, o direito creditório foi reconhecido apenas parcialmente (R$ 72,45), e as compensações declaradas foram parcialmente homologadas, nos termos do Parecer e Despacho Decisório de fls. 449/453. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade discordando do indeferimento de seu pleito (fls. 475/485). Argumentou que o indeferimento do pedido de ressarcimento foi equivocado, pois a fiscalização deixou de considerar a atividade da empresa como preponderantemente industrial (fabricação de bobinas de PDV, formulários contínuos, etiquetas autoadesivas, etc), sendo inequívoco o direito ao crédito do IPI oriundo dos insumos aplicados na industrialização. Insurgiuse também contra a imposição de multa, atualização pela Selic e juros de mora sobre os débitos que resultaram das compensações não homologadas. Alegou o caráter confiscatório da penalidade, a impossibilidade de utilização da taxa Selic como indexador e o caráter abusivo da cobrança, concomitantemente, de multa e juros de mora. Quando da primeira análise dos autos verificouse que uma parcela dos créditos a que a contribuinte fazia jus não foram aproveitados pela auditora, pois, como afirmado pela própria fiscalização, parte das aquisições de papel em bobina e papel autocopiativo foram empregadas como matériaprima na industrialização efetuada pelo estabelecimento. Foram os autos, então, baixados em diligência por intermédio do despacho de fl. 668, pois entendeuse que, ainda que os controles da produção do estabelecimento não permitissem segregar as quantidades de papel em bobina e papel autocopiativo destinadas à industrialização e à revenda, seria possível estimá las por critério de rateio (proporcionalização), visando atender ao principio da nãocumulatividade do imposto. Em atendimento à diligência solicitada, a fiscalização, por critério de rateio (fls. 675), segregou as aquisições de papel em bobina e papel autocopiativo aplicadas na industrialização e revendidas, glosando apenas os créditos relativos As revendas. Elaborou a Reconstituição do RAIPI de fls. 682/683, que atesta a ocorrência de saldo credor. A contribuinte foi cientificada dos resultados da diligência (fls. 690/692), apresentando as razões adicionais de defesa de fls. 693/694. Reafirmou o conteúdo da manifestação de inconformidade apresentada e, no que diz respeito aos créditos oriundos de Fl. 1440DF CARF MF Processo nº 14112.000080/200563 Acórdão n.º 3002000.354 S3C0T2 Fl. 1.441 4 aquisições de bobinas em papel e papel autocopiativo, solicitou que o quantum seja obtido "mediante pormenorizado levantamento contábil, com a concessão de prazo razoável para dito levantamento"." Em seqüência, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juíz de Fora (DRJ/JFA) julgou a Manifestação de Inconformidade parcialmente procedente, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO BÁSICO. APROVEITAMENTO. Em atendimento ao principio da nãocumulatividade do IPI o contribuinte faz jus aos créditos originários de aquisições de matériasprimas aplicadas na industrialização de produtos tributados, ainda que o montante desses créditos seja apurado por critério de proporcionalidade, em razão de as aquisições se destinarem tanto a operações que dão direito a crédito (industrialização) quanto a operações que não dão direito a crédito (revenda). COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. Para as Declarações de Compensação apresentadas à Receita Federal após 27 de maio de 2003 os débitos compensados sofrerão a incidência de acréscimos moratórios a partir da data de vencimento do tributo até a data da apresentação da DCOMP, acréscimos esses previstos em lei federal vigente (art. 61 da Lei 9.430, de 1996). Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 1423/1425), no qual se insurgiu contra o Acórdão recorrido apenas em relação a impossibilidade de concessão de prazo para que a ora recorrente pudesse proceder a um levantamento contábil pormenorizado. É o relatório, em síntese. Fl. 1441DF CARF MF Processo nº 14112.000080/200563 Acórdão n.º 3002000.354 S3C0T2 Fl. 1.442 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Como relatado anteriormente, a recorrente somente ataca o indeferimento do seu pedido de mais prazo para realizar um levantamento contábil pormenorizado a fim de "se obter o quantum exato dos direitos compensatórios" e complementa alegando que "o aludido levantamento só não foi feito ate a presente data justamente em razão da falta de tempo hábil concedido para tanto" (fl.1425). A irresignação da recorrente não merece acolhida, primeiro, porque teve inúmeras oportunidades de realizar tal levantamento, inclusive, quando da baixa do processo em diligência, segundo, o mais fundamental, porque era do contribuinte, desde a início, o ônus de provar o seu direito contra a Fazenda Nacional. Relembrese, por oportuno, que somente podem ser autorizadas as compensações de créditos líquidos e certos do sujeito passivo, conforme art. 170 do Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Assim, não há reparo a ser feito nas razões de decidir do Acórdão recorrido, como se percebe do seguinte excerto do voto condutor: "(...) cumpre esclarecer A. contribuinte que estamos diante de pedido de ressarcimento, cabendo à solicitante a prova do direito creditório alegado. E, se desde a época da fiscalização até a presente data a contribuinte não trouxe aos autos elementos capazes de contradizer a apuração dos créditos efetuada pela fiscalização, não me parece razoável sua pretensão de obter mais prazo para proceder ao "pormenorizado levantamento contábil" dos créditos em comento." (grifo nosso) Fl. 1442DF CARF MF Processo nº 14112.000080/200563 Acórdão n.º 3002000.354 S3C0T2 Fl. 1.443 6 Ademais, o art. 373 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao autor, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Seguindo essa mesma linha, o art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula os processos administrativos federais, dispõe que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Quanto ao processo administrativo fiscal, o art. 16 do Decreto 70.235/72 assim estabelece: Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis ......................................................................................................... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Inciso com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/1993) ......................................................................................................... § 1° omissis ......................................................................................................... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira se a fato ou a direito superveniente; c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997) ......................................................................................................... Como se percebe dos dispositivos citados, o dever de provar incumbe a quem alega. Assim, o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. Fl. 1443DF CARF MF Processo nº 14112.000080/200563 Acórdão n.º 3002000.354 S3C0T2 Fl. 1.444 7 Dessarte, forçoso é admitir que a recorrente além de não se desincumbir do ônus de provar o seu suposto direito creditório, também não conseguiu demonstrar cabalmente nenhum erro na forma de apuração dos créditos realizada pela fiscalização, nem mesmo trazendo novos argumentos sobre o assunto em seu Voluntário. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 1444DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.900750/2008-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DUPLICIDADE. CANCELAMENTO DA PER/DCOMP.
Crédito e débito informados em PER/DCOMP são inexistentes. Compensação processada via DCTF e aceita pelos Sistemas da Secretaria da Receita Federal. Débito exigido no Despacho Decisório deve ser cancelado.
Numero da decisão: 3401-005.334
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, diante da perda de objeto da compensação, em virtude do pagamento anteriormente informado em DCTF.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DUPLICIDADE. CANCELAMENTO DA PER/DCOMP. Crédito e débito informados em PER/DCOMP são inexistentes. Compensação processada via DCTF e aceita pelos Sistemas da Secretaria da Receita Federal. Débito exigido no Despacho Decisório deve ser cancelado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10825.900750/2008-07
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5917847
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-005.334
nome_arquivo_s : Decisao_10825900750200807.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CASSIO SCHAPPO
nome_arquivo_pdf_s : 10825900750200807_5917847.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, diante da perda de objeto da compensação, em virtude do pagamento anteriormente informado em DCTF. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7471764
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:29:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870508158976
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1483; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10825.900750/200807 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.334 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2018 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO PIS/PASEP Recorrente IRIZAR COMERCIAL EXPORTADORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DUPLICIDADE. CANCELAMENTO DA PER/DCOMP. Crédito e débito informados em PER/DCOMP são inexistentes. Compensação processada via DCTF e aceita pelos Sistemas da Secretaria da Receita Federal. Débito exigido no Despacho Decisório deve ser cancelado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, diante da perda de objeto da compensação, em virtude do pagamento anteriormente informado em DCTF. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 07 50 /2 00 8- 07 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10825.900750/200807 Acórdão n.º 3401005.334 S3C4T1 Fl. 3 2 Tratam os autos de Declaração de Compensação nº 32403.63012.180804.1.3.045894, transmitido na data de 18/08/2004, indicando um crédito de PIS/PASEP no valor de R$ 2.103,27 como sendo parte do valor do DARF referente ao período 09/2002, com data de arrecadação 15/10/2002, no valor de R$ 2.560,34; o débito, também, de PIS/PASEP, referese ao mês 10/2002 no valor de R$ 1.212,04; 11/2002 no valor de R$ 298,10 e 12/2002 no valor de R$ 593,13 cuja soma corresponde o mesmo valor do crédito, ou seja, R$ 2.103,27. As efls.25 dos autos consta o “Relatório de Verificação de Pendências do PER/DCOMP” com 4 avisos: A DRF de Bauru/SP em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório (efls.5), pela não homologação da compensação declarada, por não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados na PER/DCOMP. Porém, demonstra que o valor do DARF foi utilizado para os pagamentos que discrimina: Ao final, intima a contribuinte a realizar o pagamento dos débitos indevidamente compensados: Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10825.900750/200807 Acórdão n.º 3401005.334 S3C4T1 Fl. 4 3 Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta do fisco, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.12), solicitando o cancelamento da cobrança de que foi intimado via Despacho Decisório, pelas razões a seguir expostas: (a) que após ter realizado conferências contábeis verificou que o débito do PIS para o período de apuração 09/2002 era de R$ 457,07 e não no valor de R$ 2.560,34 conforme anteriormente declarado e pago, restando assim um saldo credor no montante de R$ 2.103,27; b) que os débitos de PIS apurados nos meses subsequentes foram compensados mediante simples demonstração na DCTF, conforme detalhado na declarações apresentadas nos autos; (c) que em auditoria interna da empresa foi apontado o fato de ter sido realizadas compensações sem a devida formalização via PER/DCOMP, o que veio a ser feito na data de 18/08/2004, porém, causando duplicidade de informações; (d) que a RFB acatou as compensações dos débitos supramencionados sem a formalização de processo, resultando a PER/DCOMP em duplicidade de informações tanto do crédito que não mais existia quanto do débito; (e) por fim menciona que não houve lesão ao erário e tão pouco pode ser exigido da Requerente o pagamento de débitos já compensados. Encaminhado os autos à 4ª Turma da DRJ/RPO, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade e fundamenta que “Demonstrada nos autos a inexistência do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento”; que não há correção a ser feita no despacho decisório; que a interessada visa tão somente o cancelamento da PER/DCOMP de nº 32403.63012.180804.1.3.0458943 e o cancelamento dos débitos apontados no respectivo despacho, cuja apreciação, a teor do art. 233 do Regimento Interno da Receita Federal, não confere competência à DRJ. O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (e fls.58) contra a decisão de primeiro grau, solicitando sua reforma com o consequente cancelamento dos débitos apontados no Despacho Decisório, por total inexistência dos mesmos conforme ficou demonstrado. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme detalhadamente relatado, ficou evidente que a PER/DCOMP apresentada é totalmente ineficaz, estéril e desnecessária, pois frente aos fatos levantados não há crédito disponível, como também, os débitos arrolados são inexistentes. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10825.900750/200807 Acórdão n.º 3401005.334 S3C4T1 Fl. 5 4 No Despacho Decisório ficou claramente demonstrado que o crédito correspondente ao DARF no valor de R$ 2.560,34 foi integralmente utilizado para quitação de débitos dos seguintes períodos de apuração: Contribuição (código) Período de Apuração Valor Original 8109 30/09/2002 457,07 8109 31/10/2002 1.212,04 8109 30/11/2002 298,10 8109 31/12/2002 593,13 Total 2.560,34 Coincidentemente os débitos quitados com o valor do DARF mencionado são os mesmos que foram declarados no pedido de compensação (PER/DCOMP nº 32403.63012.180804.1.3.045894). Portanto, o crédito deixou de existir, corretamente demonstrado, só que o débito não, continua sendo objeto de cobrança conforme espelhado às fls.9 dos autos: A Recorrente desde o início vem explicando que os débitos de PIS dos meses de outubro, novembro e parte de dezembro de 2002 foram extintos por compensação via DCTF. Observase que essa compensação foi aceita pelos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, tanto que o próprio fiscal fez essa relação de utilização do crédito no Despacho Decisório. O Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e da Declaração de Compensação (PER/DCOMP) foi implantado pela IN SRF nº 320 de 11 de abril de 2003 e a Recorrente a utilizou somente em 18 de agosto de 2004, quando o débito e o crédito já não mais existiam. A forma como adotada pela Contribuinte em sua DCTF era prática comum de demonstrar a quitação de débitos com créditos por pagamento a maior que o devido via DARF. Se o débito já estava extinto e ficou comprovado nos autos, está demonstrado que a declaração de compensação não se prestava para o fim pretendido. O fato do surgimento da PER/DCOMP não torna válida a exigência tributária nos termos como estabelecido pelo Despacho Decisório e isso leva ao surgimento de um enriquecimento sem causa pelo Estado. O Código Civil – Lei nº 10.406/2002 trata do caso em seu art. 884, que determina que quem, sem justo motivo, enriquecer gerando danos ou perdas a outra pessoa, será obrigado a restituir o que foi indevidamente obtido. Se reconhecidamente inexistente o débito que fora declarado em PER/DCOMP, o transformaria em justo motivo para efetivação da cobrança? Ainda é tempo de se corrigir e por fim a esse episódio sem que gere dano ou perda a alguém, atendose aos princípios da razoabilidade e da moralidade administrativa. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10825.900750/200807 Acórdão n.º 3401005.334 S3C4T1 Fl. 6 5 (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.721468/2011-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2007
IPI. SUSPENSÃO. ART. 29, LEI 10.637/02. IN SRF 296/03. REQUISITOS.
A saída de produtos do estabelecimento industrial com suspensão do IPI e o aproveitamento do benefício fiscal de manutenção dos créditos de IPI estão condicionados à empresa adquirente atender a todos os requisitos estabelecidos na legislação tributária, ou seja, ser estabelecimento industrial, elaborar produtos classificados nos capítulos da TIPI enumerados no art. 29 da Lei nº 10.637/2002 e não ser optante pelo Simples (Federal ou Nacional), entre outros.
RESPONSABILIDADE. ARTIGO 42, RIPI/2002
Quando não forem satisfeitos os requisitos que condicionaram a suspensão, o imposto tornarseá imediatamente exigível, como se a suspensão não existisse. Cumprirá a exigência, o recebedor do produto, no caso de emprego ou destinação diferentes dos que condicionaram a suspensão; ou o remetente do produto, nos demais casos.
Numero da decisão: 3401-005.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
(assinado digitalmente)
TIAGO GUERRA MACHADO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cassio Schappo, Lázaro Antonio Souza Soares. Ausente justificadamente o conselheiro André Henrique Lemos.
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2007 IPI. SUSPENSÃO. ART. 29, LEI 10.637/02. IN SRF 296/03. REQUISITOS. A saída de produtos do estabelecimento industrial com suspensão do IPI e o aproveitamento do benefício fiscal de manutenção dos créditos de IPI estão condicionados à empresa adquirente atender a todos os requisitos estabelecidos na legislação tributária, ou seja, ser estabelecimento industrial, elaborar produtos classificados nos capítulos da TIPI enumerados no art. 29 da Lei nº 10.637/2002 e não ser optante pelo Simples (Federal ou Nacional), entre outros. RESPONSABILIDADE. ARTIGO 42, RIPI/2002 Quando não forem satisfeitos os requisitos que condicionaram a suspensão, o imposto tornarseá imediatamente exigível, como se a suspensão não existisse. Cumprirá a exigência, o recebedor do produto, no caso de emprego ou destinação diferentes dos que condicionaram a suspensão; ou o remetente do produto, nos demais casos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11065.721468/2011-64
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5905778
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-005.223
nome_arquivo_s : Decisao_11065721468201164.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : TIAGO GUERRA MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 11065721468201164_5905778.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN - Presidente. (assinado digitalmente) TIAGO GUERRA MACHADO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cassio Schappo, Lázaro Antonio Souza Soares. Ausente justificadamente o conselheiro André Henrique Lemos.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7435797
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870528081920
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1675; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 356 1 355 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.721468/201164 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.223 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2018 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO IPI Recorrente LIKO INDSUTRIA E COMERCIO DE PRODUTOS QUIMICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2007 IPI. SUSPENSÃO. ART. 29, LEI 10.637/02. IN SRF 296/03. REQUISITOS. A saída de produtos do estabelecimento industrial com suspensão do IPI e o aproveitamento do benefício fiscal de manutenção dos créditos de IPI estão condicionados à empresa adquirente atender a todos os requisitos estabelecidos na legislação tributária, ou seja, ser estabelecimento industrial, elaborar produtos classificados nos capítulos da TIPI enumerados no art. 29 da Lei nº 10.637/2002 e não ser optante pelo Simples (Federal ou Nacional), entre outros. RESPONSABILIDADE. ARTIGO 42, RIPI/2002 Quando não forem satisfeitos os requisitos que condicionaram a suspensão, o imposto tornarseá imediatamente exigível, como se a suspensão não existisse. Cumprirá a exigência, o recebedor do produto, no caso de emprego ou destinação diferentes dos que condicionaram a suspensão; ou o remetente do produto, nos demais casos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 14 68 /2 01 1- 64 Fl. 356DF CARF MF 2 TIAGO GUERRA MACHADO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cassio Schappo, Lázaro Antonio Souza Soares. Ausente justificadamente o conselheiro André Henrique Lemos. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 332 e seguintes) contra decisão da 8ª Turma, DRJ/RPO, que considerou improcedente as razões da Recorrente sobre a nulidade de Auto de Infração, exarado pela DRF/Novo Hamburgo, em 28.03.2011, com ciência pela Contribuinte em 01.04.2011 (fl.186), pela falta de lançamento do imposto nas saídas de produtos tributados do estabelecimento industrial decorrente da utilização indevida do benefício da suspensão (IPI), de janeiro a dezembro de 2007. Do Lançamento Naquela ocasião, a D. Fiscalização lançou crédito tributário (fls. 185 e seguintes) de R$34.073,77 (trinta e quatro mil, setenta e três reais e setenta e sete centavos) mais consectários de mora, totalizando a exigência em R$72.000,76 (setenta e dois mil e setenta e seis centavos). Em síntese, as razões que levaram ao lançamento de ofício foram: Da Impugnação A Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração, em 01.04.2011 (fl.186) e interpôs impugnação, em 28.04.2011 (fls. 228 e seguintes), alegando, em síntese, o seguinte: Fl. 357DF CARF MF Processo nº 11065.721468/201164 Acórdão n.º 3401005.223 S3C4T1 Fl. 357 3 Primeiramente, as seis empresas clientes da impugnante, mesmo se as tendo como inscritas no Simples, são contribuintes do IPI, pois entre os impostos inclusos no pagamento simplificado por meio do SIMPLES, há uma parcela paga a título de IPI, o que caracteriza o seu pagador como contribuinte do IPI. Além disso, a indústria inclusa no referido Sistema, ao fabricar seus produtos preenche a hipótese de incidência do referido imposto prevista no parágrafo único do art. 46 do Código Tributário Nacional. O Imposto sobre Produtos industrializados (IPI), como é de conhecimento geral, é um tributo plurifásico e nãocumulativo. Neste sentido, é válido frisar que a Constituição Federal não criou nenhuma restrição à tal nãocumulatividade do IPI, devendo a sua aplicação ser de forma ampla e, reiterando, sem nenhuma restrição. Portanto, a glosa da suspensão do IPI, quando as vendas se dão para empresas optantes pelo Simples Nacional, viola o princípio da nãocumulatividade do IPI, o qual tem matriz constitucional e não aceita qualquer exceção. Além disso, merece destaque que a Lei 10.637/2002 em nenhum momento vedou a aplicação do regime da suspensão do IPI às empresas optantes do Simples. Quem o fez foi a Instrução Normativa n° 296, de 2003, que ao disciplinar a referida lei inclui a referida vedação. Ora, o art. 99 do CTN é expresso ao limitar o conteúdo e o alcance dos decretos regulamentares: "art. 99 O conteúdo e o alcance dos decretos restringemse aos das leis em função das quais sejam expedidos, determinados com observância das regras de interpretação estabelecidas nesta Lei." Destarte, a exclusão dos clientes da contribuinte impugnante do rol das empresas que fazem jus a suspensão do IPI tão somente porque optantes do SIMPLES, feita através de instrução normativa, e não de lei, é absolutamente ilegal e inconstitucional. (...) O art. 29 da Lei n° 10.637/2002 impõe ao estabelecimento adquirente, e não ao estabelecimento vendedor, as referidas condições. Portanto, os estabelecimentos adquirentes dos produtos vendidos pela contribuinte é que tem a obrigação legal de declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atende a todos os requisitos estabelecidos. E assim foi feito. A contribuinte exigiu de todos e cada um de seus clientes as referidas declarações; tanto que a própria ação fiscal atesta; "Analisando as empresas que adquirem seus insumos com suspensão do imposto, constatamos que algumas eram optantes do Simples, em 2007, embora declarassem fazer jus ao benefício previsto na Lei 10.637/022". Além disso, há que se destacar que na época (ano de 2007), sequer tinha a contribuinte como constatar se referidas empresas eram ou não optantes do Simples, pois a própria Receita Federal do Brasil não habilitava tal informação em seu sítio vai internet. A exigência tributaria do IPI, inclusive com multa, não encontra nenhum dispositivo legal que assim o determine. Quem deve ser autuada é a empresa adquirente do produto, e não a contribuinte vendedora, que foi enganada pela falsa declaração. Nesse ponto, verificase que a exigência tributária fere o principio da proporcionalidade e da razoabilidade. De fato, não se afigura razoável que o tributo seja exigido de quem de modo algum contribuiu para a infração tributária noticiada. Outrossim, é desproporcional que aquelas empresas que se beneficiaram da declaração falsa que fizeram, iludindo inclusive a própria contribuinte impugnante, venha as ser beneficiadas pelo ilícito que cometeram, em detrimento do agir licito e da boafé da impugnante.” Fl. 358DF CARF MF 4 Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acordão 1449.242, exarado pela 8ª Turma, da DRJ/RPO, em 18.03.2014, do qual a Contribuinte tomou conhecimento em 04.04.2014 (fl 330), através do qual foi mantido integralmente o crédito tributário lançado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2007 IPI. SUSPENSÃO. ART. 29, LEI 10.637/02. IN SRF 296/03. REQUISITOS. A saída de produtos do estabelecimento industrial com suspensão do IPI e o aproveitamento do benefício fiscal de manutenção dos créditos de IPI estão condicionados à empresa adquirente atender a todos os requisitos estabelecidos na legislação tributária, ou seja, ser empresa produtora (industrial) e não ser optante pelo Simples (Federal ou Nacional), entre outros. BENEFICIO FISCAL. EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES. O tratamento diferenciado, favorecido e simplificado dado às empresas optantes pelo Simples Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte as excluem de usufruir qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim, a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI e ao ICMS (artigo 5º, §5º, da Lei nº 9.317, de 05/12/1996). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Dessa decisão, importante destacar os seguintes enxertos: O principal objeto do Auto de Infração é a utilização indevida da suspensão do IPI prevista na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, cujo art. 29 assim prevê: (...) Depreendese pelos dispositivos legais acima transcritos que a suspensão do imposto é “requisito/qualidade” do adquirente do insumo e não do produtor. Assim, o produto em análise só pode sair do estabelecimento do produtor com suspensão do IPI quando remetido ao cliente que atender todas as condições expostas nas normas infralegais. Portanto, para sair com suspensão o produtor deve, necessariamente, saber de antemão se seus clientes enquadramse nas regras e condições que regulam a suspensão, ou seja, se industrializam os produtos classificados nos Capítulos 2 a 4, 7 a 12, 15 a 20, 231, 28 a 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00, e nas posições 21.01 a 2105.00 da TIPI, se as operações de venda destes produtos atingiram, no anocalendário imediatamente anterior ao da aquisição, mais de 60% da receita bruta total do mesmo período, se são optantes do SIMPLES Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte e se vão usar estes produtos como insumo na sua industrialização. (...) E como essas empresas fornecedoras poderiam adquirir esta informação? Já que é requisito prévio para a saída com suspensão do imposto. A resposta está na Fl. 359DF CARF MF Processo nº 11065.721468/201164 Acórdão n.º 3401005.223 S3C4T1 Fl. 358 5 própria legislação: Lei nº 10.637/2002, artigo 29, § 7º, ou seja, pelas informações dadas pelos clientes de que atendem os requisitos do benefício fiscal impostos pelos atos normativos acima citados. (...) Nesse passo, até concordo com o contribuinte quando alega que foi enganado pela falsa declaração das empresas adquirentes e que não deu causa direta à infração, mas alerto para o fato de que, conforme artigo 136 do Código Tributário Nacional CTN, a responsabilidade pela infração à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos e, sendo assim, mesmo não dando causa à infração, ele é o responsável pelo pagamento do imposto, pois o fato gerador do tributo se dá na saída do produto de seu estabelecimento produtor. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro TIAGO GUERRA MACHADO Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, e reúne os demais requisitos de admissibilidade constantes na legislação; de modo que admito seu conhecimento. Do Mérito Não assiste razão à Recorrente. Da leitura simples da Lei Federal 10.637/2002, em seu artigo 29, que concedeu a suspensão do IPI, estabeleceu que a Receita Federal do Brasil iria regulamentar a matéria, em seu parágrafo 7º Art. 29. As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28, 29, 30, 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não Fl. 360DF CARF MF 6 tributados), sairão do estabelecimento industrial com suspensão do referido imposto. (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) § 1o O disposto neste artigo aplicase, também, às saídas de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, quando adquiridos por: I estabelecimentos industriais fabricantes, preponderantemente, de: a) componentes, chassis, carroçarias, partes e peças dos produtos a que se refere o art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002; b) partes e peças destinadas a estabelecimento industrial fabricante de produto classificado no Capítulo 88 da Tipi; c) bens de que trata o § 1oC do art. 4o da Lei no 8.248, de 23 de outubro de 1991, que gozem do benefício referido no caput do mencionado artigo; (Incluído pela Lei nº 11.908, de 2009). II pessoas jurídicas preponderantemente exportadoras. (...) § 7o Para os fins do disposto neste artigo, as empresas adquirentes deverão: I atender aos termos e às condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal; (...) Assim, a lei expressamente transferiu à RFB a competência para regulamentar as condições para usufruir do incentivo, o que foi feito pela IN SRF 296/2003, com as alterações da IN SRF 342/2003 veio a reger a matéria em seu artigo 17 e 23: “Art. 17. Sairão do estabelecimento industrial com suspensão do IPI as MP, PI e ME destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2 a 4, 7 a 12, 15 a 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28 a 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00, e nas posições 21.01 a 2105.00 da Tipi, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (nãotributados). (...) Art. 23. O disposto nesta Instrução Normativa não se aplica: I às pessoas jurídicas optantes do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); (...) Não há portanto, violação ao Código Tributário Nacional, sendo de plena eficácia as exigências contidas na IN SRF 296/2002. Fl. 361DF CARF MF Processo nº 11065.721468/201164 Acórdão n.º 3401005.223 S3C4T1 Fl. 359 7 Quanto aos argumentos de que a Recorrente não teria meios para se certificar das declarações de que não optantes pelo SIMPLES, endosso o lamento trazido pela decisão ora recorrida, contudo, conforme dispõe os artigos 40 e 42, do RIPI/2002, vigente à época, cabe a responsabilidade pelo pagamento do tributo outrora suspenso indevidamente àquele que deu o destino diverso, sendo irrelevante o fato de teria sido ludibriado pelo adquirente. Art. 40. Somente será permitida a saída ou o desembaraço de produtos com suspensão do imposto quando observadas as normas deste Regulamento e as medidas de controle expedidas pela Secretaria da Receita Federal. Art.42. Quando não forem satisfeitos os requisitos que condicionaram a suspensão, o imposto tornarseá imediatamente exigível, como se a suspensão não existisse. § 1º Se a suspensão estiver condicionada à destinação do produto e a este for dado destino diverso do previsto, estará o responsável pelo fato sujeito ao pagamento do imposto e da penalidade cabível, como se a suspensão não existisse. § 2o Cumprirá a exigência: I o recebedor do produto, no caso de emprego ou destinação diferentes dos que condicionaram a suspensão; II o remetente do produto, nos demais casos. Não havendo dúvidas da aplicação ao caso, do parágrafo 2º, inciso II, não merece acolhida a pretensão da Recorrente. Pelo exposto, conheço do recurso, porém negolhe provimento. (assinado digitalmente) TIAGO GUERRA MACHADO Relator Fl. 362DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13804.008130/2003-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13804.008130/2003-38
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5901360
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-000.626
nome_arquivo_s : Decisao_13804008130200338.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROGERIO APARECIDO GIL
nome_arquivo_pdf_s : 13804008130200338_5901360.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7423290
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:26:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870546956288
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 37; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1714; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13804.008130/200338 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1302000.626 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 25 de julho de 2018 Assunto RESOLUÇÃO. COMPENSAÇÃO. Recorrente COMPANHIA BRASILEIRA DE BEBIDAS (INCORPORADA PELA COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS AMBEV) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório À vista das razões de recurso voluntário (fls. 625/651), esta Turma converteu o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nr. 130200.055, de 02/09/2010, por meio da qual designaramse as providências abaixo transcritas, em relação a este processo (Proc. 13804.008130/200338 principal) e em relação aos autos apensados (Proc. 13804.008254/200232, Proc. 13804.008452/200387 e Proc. 10830. 720110/200757): Entendendo que os elementos trazidos ao processo não permitem apreciar, por inteiro, as controvérsias retratadas na peça recursal, conduzo meu voto no sentido de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 04 .0 08 13 0/ 20 03 -3 8 Fl. 13565DF CARF MF Processo nº 13804.008130/200338 Resolução nº 1302000.626 S1C3T2 Fl. 3 2 converter o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de jurisdição da Recorrente, tomando por base os excertos do voto condutor da decisão de primeira instância abaixo reproduzidos, promova as averiguações adiante solicitadas. Inicialmente, verificase que houve a lavratura do Auto de Infração para o exercício de 2000 em nome da interessada, julgado parcialmente procedente pela DRJ I/São Paulo, conforme acórdão n° 10.056, de 15/08/06 (fls.379/396), em cujos valores baseouse a autoridade de 1a. instância para não reconhecer o saldo negativo desse exercício. Pelo teor da decisão observase que o crédito tributário lançado e mantido reportase a lançamento sobre omissões de lucros auferidos no exterior e glosa de juros sobre mútuos, salientandose que o crédito tributário formalizado o foi somente sobre a matéria autuada , não tendo havido ajuste em face do saldo negativo apurado pela autuada na DIPJ do anocalendário de 2000, razão pela qual entendemos que possa ter prosseguimento normal o presente processo independentemente do resultado do Auto de Infração. Pois bem, a partir dos dados acima constantes do sistema da SRFB, verificase de pronto discrepância entre o montante do crédito utilizado e o "quantum" que supostamente teria direito, ou seja, o total dos débitos compensados pela interessada em conjunto com a incorporada CRBS remontam a R$ 38.836.945,71 (18.199.558,27 + 20.637.387,44), enquanto que, a soma dos saldos negativos de 1999 e 2000 perfazem, após as retificadoras entregues, o valor de RS 25.412.041,58 (12.864.928,15 + 12.547.113,43). Essa variação não se encontra demonstrada pelos critérios de atualização dos créditos e débitos na legislação de regência (Lei 9.430/96, INSRF210/02, à época, e IN SRF nr. 600/05), isto é, não existe nos autos demonstrativo claro, transparente, assemelhado a um "contacorrente" onde possamos verificar a utilização pelas 2 empresas dos referidos créditos (1999 e 2000): pela interessada, na qualidade de sucessora da parcela cindida, e pela empresa CRBS, na qualidade de empresa remanescente e ainda titular formal daqueles créditos, posto que anteriores à cisão. Para esse mister, insuficientes são as DIPJ relativas aos anos de 1999 e 2000, uma vez que percebemos, além da notória discrepância de valores como vimos acima, que os supostos créditos foram majorados em mais de 200% para o ano calendário de 1999 e 700% para o de 2000 por meio de retificadoras entregues em 2005, mais de 3 anos após a cisão. Esses novos valores, evidentemente, não se encontravam na contabilidade da cisão e da incorporação; pelo menos, não constam provas dessa contabilização nos autos. Em outras palavras, os valores indicados no Balanço da cisão não encontram consonância com os valores de saldos negativos da empresa cindida, enquanto esta apresenta um saldo da conta "IRPJ a Recuperar" de R$1.668.520,16, o saldo negativo somente de 1999 remonta a R$ 12.864.928,15. Especificamente, quanto ao anocalendário de 1999, ainda há que se ressaltar a discrepância entre o valor oferecido à tributação na linha da DIPJ destinada às receitas financeiras na (R$ 31.794.599,87) e o informado em DIRF (65.277.356,05), justificado pela interessada por meio do "registro negativo" de receitas oriundas de operações de mercado variável, as cópias contábeis apresentadas não demonstram a origem dessas perdas e sua consequente legitimidade para o fim de exclusão da base de cálculo, nada constando no Balanço da Cisão quanto a essas perdas: Fl. 13566DF CARF MF Processo nº 13804.008130/200338 Resolução nº 1302000.626 S1C3T2 Fl. 4 3 1.confirme se a lavratura do auto de infração objeto do processo administrativo n° 16327.001478/200527 não implicou retificação do saldo negativo apurado pela contribuinte CRBS S/A no anocalendário de 2000; 2.intime a contribuinte a se manifestar sobre a diferença detectada pela autoridade julgadora de primeira instância relativamente ao montante de débitos compensados (R$ 38.836.945,71), incluídos aí as compensações efetuadas pela sucedida CRBS, e a soma de saldos negativos de 1999 e de 2000 (R$ 25.412.041,58); 3.intime a contribuinte a apresentar esclarecimentos, com a devida documentação de suporte, acerca da natureza das retificações empreendidas nas declarações originalmente entregues em 30 de junho de 2000 (anocalendário 1999) e 29 de junho de 2001 (anocalendário 2000); 4.verifique, com base nos assentamentos contábeis das pessoas jurídicas envolvidas (sucessora e sucedida), qual o montante de crédito efetivamente transferido em razão da reorganização societária empreendida, esclarecendo, ainda, se tal valor não foi utilizado em compensação distinta da pleiteada por meio do presente processo; 5.intime a contribuinte a apresentar os fundamentos jurídicos autorizadores dos "registros negativos" de receitas derivadas de operações no mercado de renda variável promovidos no anocalendário de 1999. Solicitase que, ao final, seja produzido RELATÓRIO CONCLUSIVO acerca das verificações acima explicitadas, promovendose a devida ciência à contribuinte para eventual aditamento de razões. Relatório de Diligência Fiscal A DRF cumpriu as designações e as consignou no Relatório de Diligência Fiscal (fls. 13.424/13.445) do qual transcrevemos as seguintes conclusões: I Da diligência 1. Trata o presente de diligência requerida pela Resolução n° 130200.055 da 3a Câmara/ 2a Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento do CARF, em 02/09/2010, (fls.741/755), para fins de análise dos processos supracitados, relativos a declarações de compensação de créditos de saldos negativos SN da cisionada CRBS S/A, de IRPJ dos: anocal.1999, no valor atualizado de R$ 14.173.119,71 em jun/2003 (proc. n° 13804.008130/200338, protocolizado em 10/10/2003, fls.16/17), saldo original de R$ 8.838.864,80 fl.247 (=SN de IRPJ original de R$ 12.864.928,15, menos utilizações em compensações sem proc. em DCTF dos PAs fev/ 2000, mar/2000, jul/2000 e out/2000 de R$ 4.026.063,35 originais (=(497.687,45+77.296,20)+109.153,85+3.341. 925,85), ou R$ 4.555.111,65 atualizados (=(545.477,23+53.109,08)+120.997,04+ 3.835.528,30) ver, também, fl.474item 8 do Despacho Decisório); anocal. 2000 de R$ 15.658.795,60 atualizado em jun/2003, fl.249, com saldo original de R$ 10.862.094,62 (=SN de IRPJ original de R$ 12.547.113,43, menos compensação sem proc. em DCTF de estimativa de IRPJ PA jan/2001 de R$ 16.498,65 (R$ 16.873,17 atualizado, ver fl.456 (proc. de cobrança n°10830.720110/200757 fl.20)), menos compensação de R$ 1.668.520,16 (R$ Fl. 13567DF CARF MF Processo nº 13804.008130/200338 Resolução nº 1302000.626 S1C3T2 Fl. 5 4 2.193.436,60 atualizado, proc. n° 13804.008254/200232, protocolizado em 13/11/2002 e débito transferido para o principal à fl.614)). O correto seria apropriarmos o SN de IRPJ do anocal. 2000 ao proc. n° 13804.008254/200232, anterior, com R$ 16.472.746,19 atualizado em nov/2002, fl.249, e saldo original de R$ 12.530.614,78, apesar do contribuinte ter nele solicitado o SN de IRPJ anterior à retificação da DIPJ. 2. Tendo em vista que o contribuinte apresentou em seu recurso voluntário de 21/12/2007 (fls.671/737): laudo de avaliação completo, de 31/01/2002, da cisão parcial (Anexo 7 fls.732/737, com inclusão do Passivo cisionado), onde constam cisão dos valores integrais de "IRRF sobre Aplicações Financeiras", de R$ 28.094.487,62, de "IRPJ a Recuperar" de R$ 1.668.520,16 e de "IRRF sobre Rend. Mútuo" de R$ 25.157.457,61; Planilha de utilização do SN de IRPJ do AC 1999 (item III, fls.683/684), com saldo cisionado original de R$ 8.838.489,58 e atualizado em 30/06/2003 de R$ 14.172.518,04; explicação das divergências entre a Ficha 07A, linha 24, "Outras Receitas Financeiras" de R$ 31.794.599,87 e o montante de rendimentos informados pelas fontes pagadoras em DIRF no AC 1999 de R$ 65.277.356,05 (item III fls.684/695 e Anexos: *Anexo 1: variação do dólar, com valor de R$ 1,9530 em 29/10/1999 e de R$ 1,7890 em 31/12/1999 ou queda de 8,40% (em relação ao dia 20/10/1999, com o dólar máximo no período a R$ 2,0025, a redução seria de 11,93% fls.698/699), compatíveis com o informado no sítio do Banco Central do Brasil (fls. 1183/1185); *Anexos 2 e 4: extrato de movimentação do fundo VênusFAQ, com diminuição do valor das 4.416.931,722 quotas de saldo final de R$ 109,327360 em 29/10/99 para R$ 96,200803 em 31/12/99, com perda de R$ 57.979.106,01 (482.891.484,47424.912.378,45) ou 12,00% (fl.700) e correspondentes Relatórios de Controle de Tributos da Captação com o IRRF, cód.6800, de R$ 7.861.528,90 (fl.715) e com os Rendimentos de R$ 39.309.584,02 (fls.716/717), todos do Banco Safra, compatíveis com o declarado em DIRF (fl.436) e no Informe de Rendimentos para os Fundos de Investimento (fl. 141). *Anexo 3: Razão e Diário das contas de Resultado "Juros s/ Aplicações Financeiras" (conta 3252.3683.00000) e contas do Ativo "Outras Aplicações" (conta 1162.1009.0000) e "IRRF s/ Aplicações Financeiras" (conta 1165.5005.00000) dos meses de nov. e dez., com saldos de "Juros s/ Aplicações Financeiras" de R$ 57.263.841,56 em 31/10/1999 e de R$ 261.504,50 em 31/12/1999 fls.701/714. Como visto acima nos Anexos 2 e 4, as perdas apenas do fundo Vênus do banco Safra de R$ 57.979.106,01, justificariam a totalidade da redução do saldo da conta "Juros s/ Aplicações Financeiras" de 31/10/1999 para 31/12/1999. *Anexo 5: Discriminação por estabelecimento (estabelec. CEBRASA R$ 28.893.634,92 fls.718/719) e consolidado total (R$ 31.794.599,87 fl.718) do valor de "Outras Receitas Financeiras" da DIPJ fls.718/729; Fl. 13568DF CARF MF Processo nº 13804.008130/200338 Resolução nº 1302000.626 S1C3T2 Fl. 6 5 requerimento de análise do SN de IRPJ do AC 2000 somente no proc. de auto de infração n° 16327.001478/200527 (item III fl.695 e Anexo 6 fl.730). Às fls. 753/754, são requeridos da unidade de origem que: (...) 3. No Despacho Decisório de 26/03/2007 (fls.470/479), foram reconhecidos os seguintes créditos de SN de IRPJ: 3.1 do anocal.1999 (despacho decisório §§ 7 e 8) 3.1.1 por IRRF (fls.433/452 DIRF) R$ 6.339.884,00 com glosa de R$ 6.525.044,15 (total de R$ 12.864.928,15 (= 684.672,54 (estimativa de abril indevidamente informada como paga, visto ter sido deduzida de IRRF) + 12.180.255,61 (IRRF ajuste anual) por ter levado à tributação somente R$31.794.599,87 informado na DIPJ Ficha 07A, linha 24 "Outras Receitas Financeiras", e sem nada declarar nas linhas ganhos em renda variável e receita de juros sobre capital próprio (Ficha 07A, linhas 21 e 23. respectivamente). 3.1.2 reconhecido R$ 6.339.884,00 relativo ao SN de IRPJ e saldo de crédito original em out/2003 de R$ 2.313.445,44, face às compensações sem processo com débitos de estimativa de IRPJ de fev/2000, mar/2000, jul/2000 e out/2000 R$545.477,23, R$53.109,08, R$120.997,04 e R$3.835.528,30, confessadas nas DCTFs de fls. 257,256,262 e 267, respectivamente, com utilização de R$4.026.438,56 do crédito original (Quadros 4 e 5 e Demonstrativo do sistema SAPO fls.453/455, com atualizações SELIC idênticas às apuradas pelo contribuinte à fl.247); 3.2 do anocal.2000 (despacho decisório § 6) 3.2.1 face ao auto de infração proc. n° 16327.001478/200527 e acórdão n° 1610.056 da ex 5a Turma da DRJSPOI, de 15/08/2006 (fls.414/432), foi alterado o lucro real antes da compensação com prejuízos fiscais de R$ 64.899.140,49 para R$ 250.074.073,57 e a compensação de prejuízos fiscais de R$ 19.469.742,15 para R$ 75.022.222,07, que ocasionaria uma revisão do SN de IRPJ de R$ 12.547.113,43 para Imposto a Pagar de R$19.858.499,86, mesmo sem análise dos créditos de IRRF e estimativas compensadas; 3.2.2 foi constatada uma compensação sem processo com débito de estimativa de IRPJ de jan/2001 de R$ 16.873,17, confessada em DCTF de fl.420. Tendo em vista o não reconhecimento do crédito, tal débito passou a ser controlado no proc. de cobrança n° 10830.720110/200757. 4. A 7a Turma da exDRJ/SPO I, através do Acórdão 1614.696 (fls.647/656), de 06/09/2007, preliminarmente, entendeu ser este processo independente do auto de infração de IRPJ do anocal.2000, proc. n° 16327.001478/200537, pois o crédito tributário formalizado o foi somente sobre a matéria autuada omissões de lucros auferidos no exterior e glosa de juros sobre mútuos sem qualquer ajuste em face do saldo negativo de IRPJ do anocal.2000 (Acórdão fl.653). No mérito, julgou não comprovadas a liquidez e a certeza dos créditos solicitados tendo em vista: 4.1 a titularidade dos saldos negativos continuarem em nome de empresa ainda existente, pois no Balanço da cisão o valor da conta "Impostos a Recuperar" cindida era de apenas R$ 1.668.520,16 e teria ocorrido uma simples cessão de Fl. 13569DF CARF MF Processo nº 13804.008130/200338 Resolução nº 1302000.626 S1C3T2 Fl. 7 6 créditos conforme fl.55, que apresenta a cisão somente do Ativo (Acórdão fl.655); 4.2 a discrepância entre os valores do "IRPJ a Recuperar" de R$ 1.668.520,16 e os valores fiscais do: SN de IRPJ do anocal.1999 de R$ 4.548.317,16 (DIPJ original entregue em 30/06/2000) retificada para R$ 12.864.928,15 (retificadora entregue em 29/06/2005), com compensações de R$ 18.199.558,27 (= 14.173.119,71 (proc. n° 13804.008130/200338) + 4.026.438,56 (= 524.951,62+50.407,25+109.153,85+3.341.925,85 créditos originais compensados sem proc. com débitos de estimativa de IRPJ de fev/2000, mar/2000, jul/2000 e out/2000 confessados em DCTF) Acórdão fls.653/654; SN de IRPJ do anocal.2000 de R$ 1.668.520,15 (DIPJ original entregue em 29/06/2001) retificada para R$ 12.547.113,43 (retificadora entregue em 29/06/2005), com compensações de R$ 18.443.576,32 (não 20.637.387,44) ( = 4.445.031,07 (proc. n° 13804.008130/200338) + 11.788.610,00 (proc. n° 13804.008452/200387) + 2.193.436,60 (proc. n° 13804.008254/200232) + 16.498,65 (crédito original compensado sem proc. apenas com débito de estimativa de IRPJ do PA jan/2001, de R$ 16.873,17, compensado em fev/2001, conforme DCTF de fl.456, e não 2.210.309,77 (=16.873,17+2.193.436,600 fl.609, pois o débito de Cofins, cód.2172, PA out/2002, de R$ 2.193.436,60, compensado em nov/2002 é o mesmo do proc. n° 13804.008254/200232, é da sucessora Cia. Brasileira de Bebidas e não da cisionada, e não poderia ser compensado apenas através de DCTF por ser tributo de espécie diversa) Acórdão fls.653/654; 4.3 as retificações das DIPJs dos anoscal.1999 e 2000, ambas efetuadas em 29/06/2005, mais de 3 anos após as aprovações das cisões, ocorridas em 04/02/2002 nas empresas envolvidas (fls. 37/44 e fls. 45/52) Acórdão fl.654; 4.4 no anocal.1999, a discrepância entre o valor oferecido à tributação na DIPJ de R$ 31.794.599,87 e o informado em DIRF de R$ 65.277.356,05 Acórdão fl.655. 5. Em 08/03/2013 intimei o contribuinte (fls.813/814), com ciência em 15/03/2013 (fl.815), a apresentar documentação hábil e idônea para: 5.1 Manifestarse sobre a diferença detectada pela autoridade julgadora de primeira instância relativamente ao montante de débitos compensados no total de R$ 38.836.945,71, incluídos aí as compensações efetuadas pela sucedida CRBS, e a soma de saldos negativos dos anoscal. 1999 e de 2000 que totalizam R$ 25.412.041,58. 5.2 Esclarecer, com a devida documentação de suporte, acerca da natureza das retificações empreendidas nas declarações originalmente entregues em 30/06/2000 (DIPJ anocal.1999) e em 29/06/2001 (DIPJ anocal.2000). 5.3 Apresentar os fundamentos jurídicos autorizadores dos "registros negativos" de receitas derivadas de operações no mercado de renda variável ocorridos no anocal.1999. 6. Em resposta de 04/04/2013 (fls.815/986) e complementos de 06/05/2013 (fls.987/1002), de 27/05/2013 (fls.1003/ 1029) e de 18/06/2013 (fls.1030/1089), além de informações adicionais sobre a contabilização na CBB dos créditos cindidos em pauta (por email de 13/07/2015 (fls.1269/1606), Intimação de 01/06/2016 (fls.1607/1608 e 1609 não paginável) e Respostas de 29/06/2016 (fls.1617/1674), de Fl. 13570DF CARF MF Processo nº 13804.008130/200338 Resolução nº 1302000.626 S1C3T2 Fl. 8 7 28/07/2016 (fls.1679/2602), de 26/08/2016 (fls.2608/13377) e por email de 18/11/2016 (fls.13378/13395)), o contribuinte esclareceu que: 6.1 quanto à diferença detectada pela autoridade julgadora de primeira instância relativamente ao montante de débitos compensados no total de R$ 38.836.945,71, incluídos aí as compensações efetuadas pela sucedida CRBS, e a soma de saldos negativos dos anoscal. 1999 e de 2000 que totalizam R$ 25.412.041,58 apresentou no Anexo 2 (fls.859/882): a) Demonstrativo dos Valores Compensados SN IRPJ AC 1999 (fl.860) com débitos de estimativas de IRPJ dos PAs fev/2000, mar/2000, jul/2000 e out/2000, da CRBS, compensados sem processo em DCTF (fls.862/867), com utilização de R$ 4.026.438,57 originais (=524.951,62+50.407,25+109.153,85+ 3.341.925,85, respectivamente), mesmo valor do despacho decisório (item I, § 3.1.2), além dos débitos da sucessora Cia. Brasileira de Bebidas de débitos de estimativas de IRPJ, PA mai/2003 e de CSLL, PA mai/2003, compensados através de declaração de compensação proc.n° 13804.008130/200338 (fls.873/874), totalizando utilização de R$ 12.865.303,37 do saldo original (=4.026.438,57+(430.894,13+8.407.970,67) (e não +(14.173.119,71, valores dos débitos, e não valores originais utilizados, adicionados pela DRJ, item I, § 4.2)), excedendo em apenas R$ 375,22 o SN de IRPJ do anocal.1999 de R$ 12.864.928,15; b) Demonstrativo dos Valores Compensados SN IRPJ AC 2000 (fl.861) com débito de estimativa de IRPJ do PA jan/2001 da CRBS compensado sem processo em DCTF (fl.868), com utilização de R$ 16.498,64 do saldo original, além dos débitos da sucessora Cia. Brasileira de Bebidas de débitos de Cofins, PA out/2002 e estimativas de CSLL, PA mai/2003 e de IRPJ, PA set/2003, compensados através de declarações de compensação procs. n° 13804.008254/200232 (fls.869/872), 13804.008130/200338 (fls.873/874) e 13804.008452/ 200387 (fls.877/881), respectivamente, totalizando utilização de R$ 12.547.113,43 do saldo original (=16.498,64+(1.668.520,16+3.083.401,13+7.778.693,50, respectivamente) (e não +(2.193.436,60+4.445.031,07+11.788.610,00), valores dos débitos, e não valores originais utilizados, adicionados pela DRJ, item I, § 4.2)), igual ao SN de IRPJ do anocal.2000. Apresentou, ainda, cópia da folha 609 (fl.882) para comprovar a duplicidade do débito de Cofins, PA out/2002, no valor de R$ 2.193.436,60 na apuração efetuada pela DRJ, já destacada no item I, § 4.2; 6.2 quanto a esclarecer, com a devida documentação de suporte, acerca da natureza das retificações empreendidas nas declarações originalmente entregues em 30/06/2000 (DIPJ anocal.1999) e em 29/06/2001 (DIPJ anocal.2000), apresentou: a) quanto à DIPJ do anocal. 1999, a retificação de 29/06/2005 foi motivada pela correção do IRRF de R$ 4.548.317,16 para R$12.864.928,15 conforme Anexo 03 fls.883/896 e apresentação de Informes de Rendimentos de aplicações financeiras e de mútuo no Anexo 05 fls.918/956, consolidadas na fl.919, onde constatei: Fl. 13571DF CARF MF Processo nº 13804.008130/200338 Resolução nº 1302000.626 S1C3T2 Fl. 9 8 I Da diligência 1.Trata o presente de diligência requerida pela Resolução n° 1302 00.055 da 3a Câmara/ 2a Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento do CARF, em 02/09/2010, (fls.741/755), para fins de análise dos processos supracitados, relativos a declarações de compensação de créditos de saldos negativos SN da cisionada CRBS S/A, de IRPJ dos: anocal.1999, no valor atualizado de R$ 14.173.119,71 em jun/2003 (proc. n° 13804.008130/200338, protocolizado em 10/10/2003, fls.16/17), saldo original de R$ 8.838.864,80 fl.247 (=SN de IRPJ original de R$ 12.864.928,15, menos utilizações em compensações sem proc. em DCTF dos PAs fev/ 2000, mar/2000, jul/2000 e out/2000 de R$ 4.026.063,35 originais (=(497.687,45+77.296,20)+109.153,85+3.341. 925,85), ou R$ 4.555.111,65 atualizados (=(545.477,23+53.109,08)+120.997,04+ 3.835.528,30) ver, também, fl.474item 8 do Despacho Decisório); anocal. 2000 de R$ 15.658.795,60 atualizado em jun/2003, fl.249, com saldo original de R$ 10.862.094,62 (=SN de IRPJ original de R$ 12.547.113,43, menos compensação sem proc. em DCTF de estimativa de IRPJ PA jan/2001 de R$ 16.498,65 (R$ 16.873,17 atualizado, ver fl.456 (proc. de cobrança n°10830.720110/200757 fl.20)), menos compensação de R$ 1.668.520,16 (R$ 2.193.436,60 atualizado, proc. n° 13804.008254/200232, protocolizado em 13/11/2002 e débito transferido para o principal à fl.614)). O correto seria apropriarmos o SN de IRPJ do anocal. 2000 ao proc. n° 13804.008254/200232, anterior, com R$ 16.472.746,19 atualizado em nov/2002, fl.249, e saldo original de R$ 12.530.614,78, apesar do contribuinte ter nele solicitado o SN de IRPJ anterior à retificação da DIPJ. 2.Tendo em vista que o contribuinte apresentou em seu recurso voluntário de 21/12/2007 (fls.671/737): Fl. 13572DF CARF MF Processo nº 13804.008130/200338 Resolução nº 1302000.626 S1C3T2 Fl. 10 9 laudo de avaliação completo, de 31/01/2002, da cisão parcial (Anexo 7 fls.732/737, com inclusão do Passivo cisionado), onde constam cisão dos valores integrais de "IRRF sobre Aplicações Financeiras", de R$ 28.094.487,62, de "IRPJ a Recuperar" de R$ 1.668.520,16 e de "IRRF sobre Rend. Mútuo" de R$ 25.157.457,61; Planilha de utilização do SN de IRPJ do AC 1999 (item III, fls.683/684), com saldo cisionado original de R$ 8.838.489,58 e atualizado em 30/06/2003 de R$ 14.172.518,04; explicação das divergências entre a Ficha 07A, linha 24, "Outras Receitas Financeiras" de R$ 31.794.599,87 e o montante de rendimentos informados pelas fontes pagadoras em DIRF no AC 1999 de R$ 65.277.356,05 (item III fls.684/695 e Anexos: *Anexo 1: variação do dólar, com valor de R$ 1,9530 em 29/10/1999 e de R$ 1,7890 em 31/12/1999 ou queda de 8,40% (em relação ao dia 20/10/1999, com o dólar máximo no período a R$ 2,0025, a redução seria de 11,93% fls.698/699), compatíveis com o informado no sítio do Banco Central do Brasil (fls. 1183/1185); *Anexos 2 e 4: extrato de movimentação do fundo VênusFAQ, com diminuição do valor das 4.416.931,722 quotas de saldo final de R$ 109,327360 em 29/10/99 para R$ 96,200803 em 31/12/99, com perda de R$ 57.979.106,01 (482.891.484,47424.912.378,45) ou 12,00% (fl.700) e correspondentes Relatórios de Controle de Tributos da Captação com o IRRF, cód.6800, de R$ 7.861.528,90 (fl.715) e com os Rendimentos de R$ 39.309.584,02 (fls.716/717), todos do Banco Safra, compatíveis com o declarado em DIRF (fl.436) e no Informe de Rendimentos para os Fundos de Investimento (fl. 141). *Anexo 3: Razão e Diário das contas de Resultado "Juros s/ Aplicações Financeiras" (conta 3252.3683.00000) e contas do Ativo "Outras Aplicações" (conta 1162.1009.0000) e "IRRF s/ Aplicações Financeiras" (conta 1165.5005.00000) dos meses de nov. e dez., com saldos de "Juros s/ Aplicações Financeiras" de R$ 57.263.841,56 em 31/10/1999 e de R$ 261.504,50 em 31/12/1999 fls.701/714. Como visto acima nos Anexos 2 e 4, as perdas apenas do fundo Vênus do banco Safra de R$ 57.979.106,01, justificariam a totalidade da redução do saldo da conta "Juros s/ Aplicações Financeiras" de 31/10/1999 para 31/12/1999. *Anexo 5: Discriminação por estabelecimento (estabelec. CEBRASA R$ 28.893.634,92 fls.718/719) e consolidado total (R$ 31.794.599,87 fl.718) do valor de "Outras Receitas Financeiras" da DIPJ fls.718/729; requerimento de análise do SN de IRPJ do AC 2000 somente no proc. de auto de infração n° 16327.001478/200527 (item III fl.695 e Anexo 6 fl.730). Às fls. 753/754, são requeridos da unidade de origem que: (...) 3. No Despacho Decisório de 26/03/2007 (fls.470/479), foram reconhecidos os seguintes créditos de SN de IRPJ: Fl. 13573DF CARF MF Processo nº 13804.008130/200338 Resolução nº 1302000.626 S1C3T2 Fl. 11 10 3.1 do anocal.1999 (despacho decisório §§ 7 e 8) 3.1.1 por IRRF (fls.433/452 DIRF) R$ 6.339.884,00 com glosa de R$ 6.525.044,15 (total de R$ 12.864.928,15 (=684.672,54 (estimativa de abril indevidamente informada como paga, visto ter sido deduzida de IRRF) + 12.180.255,61 (IRRF ajuste anual)) por ter levado à tributação somente R$ 31.794.599,87 informado na DIPJ Ficha 07A, linha 24 "Outras Receitas Financeiras", e sem nada declarar nas linhas ganhos em renda variável e receita de juros sobre capital próprio (Ficha 07A, linhas 21 e 23. respectivamente). 3.1.2 reconhecido R$ 6.339.884,00 relativo ao SN de IRPJ e saldo de crédito original em out/2003 de R$ 2.313.445,44, face às compensações sem processo com débitos de estimativa de IRPJ de fev/2000, mar/2000, jul/2000 e out/2000 R$545.477,23, R$53.109,08, R$120.997,04 e R$3.835.528,30, confessadas nas DCTFs de fls. 257,256,262 e 267, respectivamente, com utilização de R$4.026.438,56 do crédito original (Quadros 4 e 5 e Demonstrativo do sistema SAPO fls.453/455, com atualizações SELIC idênticas às apuradas pelo contribuinte à fl.247); 3.2 do anocal.2000 (despacho decisório § 6) 3.2.1 face ao auto de infração proc. n° 16327.001478/200527 e acórdão n° 1610.056 da ex 5a Turma da DRJSPOI, de 15/08/2006 (fls.414/432), foi alterado o lucro real antes da compensação com prejuízos fiscais de R$ 64.899.140,49 para R$ 250.074.073,57 e a compensação de prejuízos fiscais de R$ 19.469.742,15 para R$ 75.022.222,07, que ocasionaria uma revisão do SN de IRPJ de R$ 12.547.113,43 para Imposto a Pagar de R$19.858.499,86, mesmo sem análise dos créditos de IRRF e estimativas compensadas; 3.2.2 foi constatada uma compensação sem processo com débito de estimativa de IRPJ de jan/2001 de R$ 16.873,17, confessada em DCTF de fl.420. Tendo em vista o não reconhecimento do crédito, tal débito passou a ser controlado no proc. de cobrança n° 10830.720110/2007 57. 4. A 7a Turma da exDRJ/SPO I, através do Acórdão 1614.696 (fls.647/656), de 06/09/2007, preliminarmente, entendeu ser este processo independente do auto de infração de IRPJ do anocal.2000, proc. n° 16327.001478/200537, pois o crédito tributário formalizado o foi somente sobre a matéria autuada omissões de lucros auferidos no exterior e glosa de juros sobre mútuos sem qualquer ajuste em face do saldo negativo de IRPJ do anocal.2000 (Acórdão fl.653). No mérito, julgou não comprovadas a liquidez e a certeza dos créditos solicitados tendo em vista: 4.1 a titularidade dos saldos negativos continuarem em nome de empresa ainda existente, pois no Balanço da cisão o valor da conta "Impostos a Recuperar" cindida era de apenas R$ 1.668.520,16 e teria ocorrido uma simples cessão de créditos conforme fl.55, que apresenta a cisão somente do Ativo (Acórdão fl.655); Fl. 13574DF CARF MF Processo nº 13804.008130/200338 Resolução nº 1302000.626 S1C3T2 Fl. 12 11 4.2 a discrepância entre os valores do "IRPJ a Recuperar" de R$ 1.668.520,16 e os valores fiscais do: SN de IRPJ do anocal.1999 de R$ 4.548.317,16 (DIPJ original entregue em 30/06/2000) retificada para R$ 12.864.928,15 (retificadora entregue em 29/06/2005), com compensações de R$ 18.199.558,27 (= 14.173.119,71 (proc. n° 13804.008130/200338) + 4.026.438,56 (= 524.951,62+50.407,25+109.153,85+3.341.925,85 créditos originais compensados sem proc. com débitos de estimativa de IRPJ de fev/2000, mar/2000, jul/2000 e out/2000 confessados em DCTF) Acórdão fls.653/654; SN de IRPJ do anocal.2000 de R$ 1.668.520,15 (DIPJ original entregue em 29/06/2001) retificada para R$ 12.547.113,43 (retificadora entregue em 29/06/2005), com compensações de R$ 18.443.576,32 (não 20.637.387,44) ( = 4.445.031,07 (proc. n° 13804.008130/200338) + 11.788.610,00 (proc. n° 13804.008452/200387) + 2.193.436,60 (proc. n° 13804.008254/200232) + 16.498,65 (crédito original compensado sem proc. apenas com débito de estimativa de IRPJ do PA jan/2001, de R$ 16.873,17, compensado em fev/2001, conforme DCTF de fl.456, e não 2.210.309,77 (=16.873,17+2.193.436,600 fl.609, pois o débito de Cofins, cód.2172, PA out/2002, de R$ 2.193.436,60, compensado em nov/2002 é o mesmo do proc. n° 13804.008254/2002 32, é da sucessora Cia. Brasileira de Bebidas e não da cisionada, e não poderia ser compensado apenas através de DCTF por ser tributo de espécie diversa) Acórdão fls.653/654; 4.3 as retificações das DIPJs dos anoscal.1999 e 2000, ambas efetuadas em 29/06/2005, mais de 3 anos após as aprovações das cisões, ocorridas em 04/02/2002 nas empresas envolvidas (fls. 37/44 e fls. 45/52) Acórdão fl.654; 4.4 no anocal.1999, a discrepância entre o valor oferecido à tributação na DIPJ de R$ 31.794.599,87 e o informado em DIRF de R$ 65.277.356,05 Acórdão fl.655. 5. Em 08/03/2013 intimei o contribuinte (fls.813/814), com ciência em 15/03/2013 (fl.815), a apresentar documentação hábil e idônea para: 5.1 Manifestarse sobre a diferença detectada pela autoridade julgadora de primeira instância relativamente ao montante de débitos compensados no total de R$ 38.836.945,71, incluídos aí as compensações efetuadas pela sucedida CRBS, e a soma de saldos negativos dos anoscal. 1999 e de 2000 que totalizam R$ 25.412.041,58. 5.2 Esclarecer, com a devida documentação de suporte, acerca da natureza das retificações empreendidas nas declarações originalmente entregues em 30/06/2000 (DIPJ anocal.1999) e em 29/06/2001 (DIPJ anocal.2000). 5.3 Apresentar os fundamentos jurídicos autorizadores dos "registros negativos" de receitas derivadas de operações no mercado de renda variável ocorridos no anocal.1999. 6. Em resposta de 04/04/2013 (fls.815/986) e complementos de 06/05/2013 (fls.987/1002), de 27/05/2013 (fls.1003/ 1029) e de 18/06/2013 Fl. 13575DF CARF MF Processo nº 13804.008130/200338 Resolução nº 1302000.626 S1C3T2 Fl. 13 12 (fls.1030/1089), além de informações adicionais sobre a contabilização na CBB dos créditos cindidos em pauta (por email de 13/07/2015 (fls.1269/1606), Intimação de 01/06/2016 (fls.1607/1608 e 1609 não paginável) e Respostas de 29/06/2016 (fls.1617/1674), de 28/07/2016 (fls.1679/2602), de 26/08/2016 (fls.2608/13377) e por email de 18/11/2016 (fls.13378/13395)), o contribuinte esclareceu que: 6.1 quanto à diferença detectada pela autoridade julgadora de primeira instância relativamente ao montante de débitos compensados no total de R$ 38.836.945,71, incluídos aí as compensações efetuadas pela sucedida CRBS, e a soma de saldos negativos dos anoscal. 1999 e de 2000 que totalizam R$ 25.412.041,58 apresentou no Anexo 2 (fls.859/882): a) Demonstrativo dos Valores Compensados SN IRPJ AC 1999 (fl.860) com débitos de estimativas de IRPJ dos PAs fev/2000, mar/2000, jul/2000 e out/2000, da CRBS, compensados sem processo em DCTF (fls.862/867), com utilização de R$ 4.026.438,57 originais (=524.951,62+50.407,25+109.153,85+ 3.341.925,85, respectivamente), mesmo valor do despacho decisório (item I, § 3.1.2), além dos débitos da sucessora Cia. Brasileira de Bebidas de débitos de estimativas de IRPJ, PA mai/2003 e de CSLL, PA mai/2003, compensados através de declaração de compensação proc.n° 13804.008130/200338 (fls.873/874), totalizando utilização de R$ 12.865.303,37 do saldo original (=4.026.438,57+(430.894,13+8.407.970,67) (e não +(14.173.119,71, valores dos débitos, e não valores originais utilizados, adicionados pela DRJ, item I, § 4.2)), excedendo em apenas R$ 375,22 o SN de IRPJ do anocal.1999 de R$ 12.864.928,15; b) Demonstrativo dos Valores Compensados SN IRPJ AC 2000 (fl.861) com débito de estimativa de IRPJ do PA jan/2001 da CRBS compensado sem processo em DCTF (fl.868), com utilização de R$ 16.498,64 do saldo original, além dos débitos da sucessora Cia. Brasileira de Bebidas de débitos de Cofins, PA out/2002 e estimativas de CSLL, PA mai/2003 e de IRPJ, PA set/2003, compensados através de declarações de compensação procs. n° 13804.008254/200232 (fls.869/872), 13804.008130/200338 (fls.873/874) e 13804.008452/ 200387 (fls.877/881), respectivamente, totalizando utilização de R$ 12.547.113,43 do saldo original (=16.498,64+(1.668.520,16+3.083.401,13+7.778.693,50, respectivamente) (e não +(2.193.436,60+4.445.031,07+11.788.610,00), valores dos débitos, e não valores originais utilizados, adicionados pela DRJ, item I, § 4.2)), igual ao SN de IRPJ do anocal.2000. Apresentou, ainda, cópia da folha 609 (fl.882) para comprovar a duplicidade do débito de Cofins, PA out/2002, no valor de R$ 2.193.436,60 na apuração efetuada pela DRJ, já destacada no item I, § 4.2; 6.2 quanto a esclarecer, com a devida documentação de suporte, acerca da natureza das retificações empreendidas nas declarações originalmente entregues em 30/06/2000 (DIPJ anocal.1999) e em 29/06/2001 (DIPJ ano cal.2000), apresentou: a) quanto à DIPJ do anocal. 1999, a retificação de 29/06/2005 foi motivada pela correção do IRRF de R$ 4.548.317,16 para R$ 12.864.928,15 conforme Anexo 03 fls.883/896 e apresentação de Fl. 13576DF CARF MF Processo nº 13804.008130/200338 Resolução nº 1302000.626 S1C3T2 Fl. 14 13 Informes de Rendimentos de aplicações financeiras e de mútuo no Anexo 05 fls.918/956, consolidadas na fl.919, onde constatei: segundo o contribuinte, conforme batimento IRRF da DIPJ x DIRF, na DIPJ foi declarado valor a menor de R$ 144.559,10 (fls.1006 e Anexo 2 fls.1020/1022), compensável com possíveis glosas. Porém, prevalecem os dados contábeis, como as receitas levadas à tributação (art.231, inc.III do decreto n° 3.000/1999), sobre a DIRF, sem alterar a glosa supracitada, além da prescrição de considerarse qualquer crédito adicional neste momento processual. b.1) quanto à DIPJ do anocal. 2000, sua retificação de 29/06/2005 foi motivada, conforme Anexo 04 fls.897/917, pelas alterações das deduções dos IRRF (houve, adicionalmente, uma pequena correção de valor de R$ 10.971.807,32 para R$ 10.878.593,28 do próprio IRRF) das estimativas de IRPJ dos: PAs fevereiro, março, julho e outubro por compensações sem processo de R$545.477,23, R$ 53.109,08, R$ 120.997,04 e R$ 3.835.528,30, respectivamente, com crédito de SN de IRPJ do anocal.1999 (fls.862/867 e ver item I, § 1°); PAs julho (fls.864/865) de R$ 330.192,11 (SN de IRPJ do AC 1996) + R$ 275.059,23 (SN de IRPJ do AC 1997) + R$ 323.683,79 (SN de IRPJ AC 1998) e do PA outubro (fls.866/867) de R$ 477.684,08 (SN de IRPJ do AC 1998) de créditos da sucedida Indústria de Refrigerantes S/A Salvador CRBS, CNPJ 15.142.110/000165; PA outubro (fls.866/867) de R$ 802.935,33 (SN de IRPJ do AC 1997) + R$ 5.985.205,30 (SN de IRPJ do AC 1996) por compensações sem processo da sucedida Cia. de Bebidas da Bahia CIBEB, CNPJ 15.175.615/000126. b.1.1) quanto ao fato de ter confessado em DCTFs retificadoras, somente a partir de 29/06/2005, compensações de créditos das sucedidas sem processo, declarou que estão de acordo com o art. 14 da IN SRF n° 21/1997 (fls.1003/1004). b.1.2) quanto ao fato de ter confessado em DCTFs retificadoras, somente a partir de 29/06/2005, compensações cujos direitos creditórios estariam prescritos, informou que as retificações das DCTFs atendem o art.9°, § 5° da IN RFB n° 1.110/2010, atualmente em vigor (fls.1004/1006 e Anexo 1 de fls.1009/1019). Tal legislação referese somente à possibilidade de retificação dos débitos confessados em DCTF e formas de Fl. 13577DF CARF MF Processo nº 13804.008130/200338 Resolução nº 1302000.626 S1C3T2 Fl. 15 14 extinção/suspensão dos mesmos, sem adentrar na área da possível prescrição do direito do crédito utilizado para compensação. b.2) apresentou Informes de Rendimentos de aplicações financeiras e de mútuo no Anexo 06 (fls.957/986), consolidadas na fl.958, onde constatei Obs.1: Conforme Relatório Fiscal de 01/02/2006 da Sefis/DRF/CPS (fls.322/327) esta retenção foi glosada por falta de atendimento à intimação por parte da fonte pagadora, pertencente ao mesmo grupo econômico, para confirmar a efetividade dos rendimentos e, se afirmativo, comprovar o IRRF através de DIRF e da sua liquidação. Em sua Manifestação de Inconformidade de 24/05/2007 (fls.501/609), no item V (fl.517) contesta a glosa e apresenta no Anexo 8 Planilha com o IRRF Devido pela fonte pagadora sobre mútuos com as coligadas (fl.604) e respectivos Comprovantes de Arrecadação efetuados (fls.605/607). Anexei as informações da DIRF da fonte pagadora com total de IRRF, apenas no cód.3426, de R$ 9.146.051,00, para as coligadas I.B.A. do NorteNordeste S/A, CNPJ 15.182.652/000161 e Cia Antártica Paulista IBCC, CNPJ 60.522.000/000183, incorporadora (fls.1133/1136 compatíveis com a planilha de fl.604). Juntei, ainda, as DCTFs com débitos para o cód.0924 no total de R$ 10.010.972,26 e o cód.3426 no total de R$ 6.625.629,94 (fls.1137/1140), todos extintos por pagamentos cujo somatório atingiu R$ 16.636.602,20 (SIEF/Doc. de Arrecadação fls.1141/1148). 6.3 quanto a apresentar os fundamentos jurídicos autorizadores dos "registros negativos" de receitas derivadas de operações no mercado de renda variável ocorridos no anocal.1999 informou que efetuou os pertinentes registros nos Livros Diário e Razão, atendendo aos Princípios da Oportunidade e arts. 258 e 259 do RIR/1999 na conta 325.23.683 Juros sobre Aplicação Financeira e conforme art.760 do RIR a "receita negativa" ou melhor, ajuste, estaria plenamente justificado (fls.819/822). Anexou, ainda: Fl. 13578DF CARF MF Processo nº 13804.008130/200338 Resolução nº 1302000.626 S1C3T2 Fl. 16 15 o Controle de Aplicações Financeiras (Mapa de Apropriação) do período de 01/10/1999 a 31/10/1999 (fls.987 e Anexo 1 fls.989/995), com discriminação do banco, data de início da aplicação e data do resgate, do estabelecimento CEBRASA. Destacou as aplicações no banco Safra, onde constatei que o somatório de juros apropriados no mês foi de R$ 5.455.306,67 (fls.990/991), contra os valores de R$ 5.377.191,37 declarados no Informe de Rendimentos (fl.141); Movimentação do Fundo Vênus do Banco Safra de 01/01/1999 a 31/12/1999 (fls.987 e Anexo 2 fls.996/999), com valores aplicados, resgatados, quantidade de cotas, valor das cotas, IRRF, gráfico de evolução das cotas x taxa USDBRL ver análise do item I, § 2°, Anexos 2 e 4, com demonstração de perda por variação dos valores das quotas do Fundo, entre 31/10/1999 e 31/12/1999, de R$ 57.979.106,01; Demonstrativo da conta de resultado 3252.3683.00000 Juros sobre Aplicação Financeira em novembro e dezembro, (fls.988 e Anexo 3 fls.1000/1002) ver análise do item I, § 2°, Anexo 3, sendo que a perda do Fundo Vênus supracitada, justificaria a variação do saldo desta conta de R$ 57.263.841,56, em 31/10/1999, para R$ 261.504,50, em 31/12/1999; Demonstrativo comparativo dos Rendimentos mensais tributados, apenas de Aplicações Financeiras (excluído mútuos), conforme os Informes de Rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras no total de R$ 60.710.976,74 (IRRF= R$ 10.844.338,26) e os valores lançados mensalmente na conta 3252.3683.00000 Juros sobre Aplicação Financeira no total de R$ 59.871.861,07 (Anexos 1 Demonstrativo fl. 1033, 2 Razão fls. 1035/1047 (com pequenos períodos faltantes nos meses de agosto, setembro e outubro) e 3 Informes de Rendimentos fls. 1049/1089), com rendimentos do Razão apenas R$ 839.115,67 menor (fl. 1033). Considerei comprovados o "registros negativos"; 6.4 para comprovar a contabilização na CBB dos créditos em pauta e justificar a divergência de saldo de Impostos e Contribuições a recuperar em 31/12/2002, que obtive a partir dos dados da DIPJ do anocal.2002 às fls. 1212/1218, Ficha 38, Linha 10 (fl.1215); dos créditos mais significativos como os SN de IRPJ (fl. 1213) e CSLL (fl.1215); da cisão em pauta; de outra cisão parcial da Cervejaria Reunidas Skol Caracu S.A., CNPJ 33.719.311/ 000164 (fls. 1569/1600), e da incorporação da Indústria de Bebidas Antártica Polar S.A., CNPJ 95.424.479/000108 (conforme DIPJ (fl.1604), mas que teria sido contabilizada apenas em AIR s/ILL a Recuperar (fl. 1279)), além de utilizações por compensações confessadas em DCTF de débitos apurados em 2002 de estimativas de IRPJ e CSLL(fls.1260/1266), e de IOF, IRRF, IPI, Cofins e PIS (fls.1457/1568), e demonstradas na planilha de fl. 1609 não pag., resultando em saldo final de Impostos e Contribuições a recuperar de R$ 327.591.096,12 contra R$ 298.850.666,97 declaradas em DIPJ (créditos apurados a maior de R$ 28.740.429,15), apresentou (ver resumo à fl. 13400 não pag.): 6.4.1lançamentos de todas as contas (exceto 11320088 Impostos a Recuperar Lei 8.200) que compuseram a rubrica Impostos e Contribuições a recuperar fls.1807/13398, consolidadas no balancete de fl.1810, além dos laudos de cisão parcial da Cervejaria Reunidas Skol Caracu S.A., CNPJ 33.719.311/000164 (fl.1747 lançamentos em 04/02/2002) e de incorporação da Indústria de Bebidas Antártica Polar S.A., CNPJ Fl. 13579DF CARF MF Processo nº 13804.008130/200338 Resolução nº 1302000.626 S1C3T2 Fl. 17 16 95.424.479/000108 (fl.1777 lançamentos em 31/08/2002, com alguns ajustes em 01/12/2002 "Transf. face entrega da DIPJ incorp. IBA Polar", zerando/reduzindo valores nas contas 11320006, 11320007 e 11320015), além de lançamento na conta 11320016 IRRF s/ Juros sobre Capital Próprio; 6.4.2contas de Impostos e Contribuições a recuperar, menos significativos, relacionados com ICMS, IPI, PIS, Cofins, Outros (fl.1810), cujos valores constam da Observação 2 da fl.13400 não pag. e resultaram em um acréscimo de saldo de R$1.533.679,77 entre 31/12/2001 e 31/12/2002, crédito não considerado na análise preliminar; 6.4.3.1pagamento de estimativa de CSLL dez/2001, efetuado em 29/01/2002, de R$2.587.167,79 (fl.1816 conta 11320007), crédito não considerado na análise preliminar; 6.4.2.2compensação de Cofins dez/2001, efetuada em 31/01/2002, de R$ 579.411,67 (fl.1817 conta 11320008), utilização não considerada na análise preliminar; 6.4.3.2a compensação de IPI do estabel. "0034", de ago/2002, 1° dec., de R$ 800.000,00, não foi contabilizada nas contas apresentadas, apesar de constar em DCTF; 6.4.3.4 redução por Transferência de Provisão de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido do ano de 2001, conforme discriminado na planilha "Pagam._Compens._Ajustes complem" da fl. 13399 não pag. e consolidada à fl. 13400 não pag., totalizando transferências/reduções de R$ 34.145.149,23; 6.4.3.5redução por Acerto face à entrega da DIPJ/2002 ano 2001, conforme discriminado na planilha "Pagam._Compens._Ajustes complem" da fl.13399 não pag. e consolidada à fl. 13400 não pag., totalizando acertos/reduções de R$ 571.800,16; 6.4.3.6adição por Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido a recuperar pela incorporação da IBA Polar, conforme discriminado na planilha "Pagam._Compens._Ajustes complem" da fl.13399 não pag. e consolidada à fl. 13400 não pag., totalizando R$ 3.417.792,08, crédito não considerado na análise preliminar; 6.4.3.7conforme 6.4.3.1 a 6.4.3.6, os lançamentos das contas relacionadas a IR e CSLL a recuperar justificariam R$ 28.491.401,19 (ver Obs. 3 fl. 13400 não pag.) da divergência a maior apurada preliminarmente; 6.4.4 após as justificativas supracitadas, Impostos e Contribuições a recuperar em 31/12/2002, apurados preliminarmente de forma simplificada, passariam de R$ 327.591.096,12 (fl.1609 não pag.), para R$ 300.633.374,70 (ver Obs.4 fl.13400 não pag.), com divergência a maior de R$ 1.782.707,73 em relação aos R$ 298.850.666,97 informados na DIPJ, que considero suficientes para concluir que houve a contabilização da cisão parcial da CRBS na CBB.. 7.Para fins de análise desta diligência verifiquei, ainda, que constam do processo: 7.1 para o anocal.1999: Fl. 13580DF CARF MF Processo nº 13804.008130/200338 Resolução nº 1302000.626 S1C3T2 Fl. 18 17 DIPJ retificadora de 29/06/2005 fls.457/469, com SN de IRPJ de R$ 12.864.928,15 (fl.469) e crédito por IRRF de R$ 12.864.928,15 (=684.672,54 (estimativa de abril, fl.463)+12.180.255,61 (ajuste anual _ fl.469)). Informou na Ficha 07 A, "Outras Receitas Financeiras" de R$ 31.794.599,87 e valores zerados de "Ganhos auferidos no Merc. de Renda Variável, exceto DayTrade" e " Perdas incorridas no Merc. de Renda Variável, exceto DayTrade" (fls.458/459); Informes de Rendimentos por operação de mútuo e aplicações financeiras _ Consolidado (fl. 122) com IRRF de mútuo de R$ 2.020.590,19 (Rendimentos de R$ 10.102.950,95 à alíqu. de 20%) e de Aplicações Financeiras de Renda Fixa e Variável de R$ 10.844.337,96 (Rendimentos/Ganhos de R$ 54.221.689,80 à alíqu. de 20%), e Informes (fls. 123/164); DIRF onde consta como beneficiário (fls.433/452), com Rendimentos de Renda Fixa códs.3426 e 6800 de R$ 63.589.529,40 (=24.281.856,27+39.307.673,13) e IRRF de R$ 12.684.578,12 (=4.823.043,60+ 7.861.534,52) e Ganhos de Renda Variável cód.5273 de R$ 1.570.807,98 com IRRF de R$ 314.161,33 (fl.433); Razão da conta de resultado 3252.3685.00000 "Juros s/ Mútuo Control./Coligadas" de jan. a out./1999 (fls.583/592) e balancete de dez/1999 (fl.600) do estabelecimento CEBRASA, com saldo em 31/12/1999 de R$ 13.545.081,69; 7.2 para o anocal.2000: DIPJ retificadora de 29/06/2005 fls.397/410, com SN de IRPJ de R$ 12.547.113,43 (fl.410) e créditos por IRRF de R$ 10.878.593,28 (ajuste anual fl.410), estimativas de IRPJ a Pagar (fl.402/408) de R$ 12.749.871,48(=545.477,23 (fev)+53.109,08 (mar)+1.049.932,17 (jul)+11.101.353,00 (out)). Informou na Ficha 07 A, "Outras Receitas Financeiras" de R$ 96.050.930,45 e valores zerados de "Ganhos auferidos no Merc. de Renda Variável, exceto DayTrade" e " Perdas incorridas no Merc. de Renda Variável, exceto DayTrade" (fls.398/399); Informes de Rendimentos por operação de mútuo e aplicações financeiras _ Consolidado (fl.165) com IRRF de mútuo de R$ 5.448.226,16 (Rendimentos de R$ 27.241.130,80 à alíqu. de 20%) e de Aplicações Financeiras de Renda Fixa e Variável de R$ 5.430.367,12 (Rendimentos/Ganhos de R$ 27.151.835,60 à alíqu. de 20%), e Informes (fls.166/211); DCTFs das estimativas de IRPJ supracitadas do 1° trim. transmitida em 29/06/2005 (fls.253/257), do 3° trim. transmitida em 20/07/2005 (fls.259/263) e do 4° trim. transmitida em 29/06/2005 (fls.264/268); Ficha 08 "Cálculo do Imposto de Renda" das DIRPJs dos anos cal.1996,1997 e do PA 01/01 a 30/11/1998 da sucedida Indústria de Refrigerantes S/A Salvador CRBS, CNPJ 15.142.110/000165 (fls.331/339) e do anocal.1996 e do PA 01/01 a 31/08/1997 da sucedida Cia. de Bebidas da Bahia CIBEB, CNPJ 15.175.615/000126 (fls.340/344). Anexei as datas de entrega das DIRPJs à fl.1186 e a inscrição em Dívida Ativa do auto de infração de IRPJ do anocal.1996 da sucedida Cia. de Fl. 13581DF CARF MF Processo nº 13804.008130/200338 Resolução nº 1302000.626 S1C3T2 Fl. 19 18 Bebidas da Bahia CIBEB, proc. n° 13502.000042/200210 e inscrição 50 2 02 00116004 (fls.1186/1190). Anexei as informações da DIRF onde consta como beneficiário (fls. 1093/1132), com Rendimentos de Renda Fixa códs.3426 e 6800 de R$ 53.297.120,43 (=30.187.900,91+ 23.109.219,52) e IRRF de R$ 9.613.201,35 (=6.037.237,72+ 3.575.963,63) e Ganhos de Renda Variável cód.5273 de R$ 171.294,99 com IRRF de R$ 34.258,96 (fl.1132); Juntei o auto de infração proc. n° 16327.001478/200527 (fls.1149/1160) e o último ato administrativo, Acórdão n° 110300.193 da 1a Câmara / 3a Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento do CARF, de 18/05/2010 (fls. 1161/1178), onde no Demonstrativo de Apuração do auto observei que não houve utilização do crédito de saldo negativo de IRPJ em pauta (fl.1154). 8. Não encontrei nos sistemas COMPROT e SIEF/Perdcomp e Ação Fiscal, indícios de outras utilizações dos créditos sob análise, além dos expressamente listados pelo contribuinte, sendo a última na resposta de 04/04/2013 de fls.860/861. II Da retificação do SN de IRPJ AC 2000 pelo AI proc. n° 16327.001478/200527 9.Foi requerido desta EQPIR, verificar se a lavratura do auto de infração proc. n° 16327.001478/200527 não implicou retificação do saldo negativo apurado pela CRBS S/A no anocal.2000 (item I, § 2.1). 10.Ao Acórdão n° 1610.056 da ex 5a Turma da DRJSPOI, de 15/08/2006 (fls.414/432), anexei o auto de infração proc. n° 16327.001478/200527 (fls.1149/1160) e o último ato administrativo de julgamento de mérito, Acórdão n° 110300.193 da 1a Câmara / 3a Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento do CARF, de 18/05/2010 (fls.1161/1178), onde no Demonstrativo de Apuração do auto observei que não houve utilização do crédito de saldo negativo de IRPJ em pauta (fl.1154) ver item I, § 7.2 que, inclusive, foi cisionado. 11.Assim, os processos de análise de crédito de SN de IRPJ do ano cal.2000 e o auto de infração, apenas com o lançamento do imposto sobre as infrações lá apuradas, são independentes. III Da diferença entre os débitos compensados e os SN de IRPJ pleiteados 12. Esta EQPIR foi solicitada a intimar a contribuinte a manifestarse sobre a diferença, detectada pela autoridade julgadora de primeira instância, quanto aos débitos compensados (R$ 38.836.945,71), incluídos aí as compensações efetuadas pela sucedida CRBS, e a soma de saldos negativos de 1999 e de 2000 (R$ 25.412.041,58). 13. Intimada em 08/03/2013, apresentou no Anexo 2 (fls.859/882) item I, §6.1: a) Demonstrativo dos Valores Compensados SN IRPJ AC 1999 (fl.860) com débitos de estimativas de IRPJ dos PAs fev/2000, mar/2000, jul/2000 e out/2000, da CRBS, compensados sem processo em DCTF (fls.862/867), com utilização de R$ 4.026.438,57 originais Fl. 13582DF CARF MF Processo nº 13804.008130/200338 Resolução nº 1302000.626 S1C3T2 Fl. 20 19 (=524.951,62+50.407,25+109.153,85+ 3.341.925,85, respectivamente), mesmo valor do despacho decisório (item I, § 3.1.2), além dos débitos da sucessora Cia. Brasileira de Bebidas de débitos de estimativas de IRPJ, PA mai/2003 e de CSLL, PA mai/2003, compensados através de declaração de compensação proc.n° 13804.008130/200338 (fls.873/874), totalizando utilização de R$ 12.865.303,37 do saldo original (=4.026.438,57+(430.894,13+8.407.970,67) (e não +(14.173.119,71), valores dos débitos, e não valores originais, adicionados pela DRJ, item I, § 4.2), excedendo em apenas R$ 375,22 o SN de IRPJ do anocal.1999 de R$ 12.864.928,15; b) Demonstrativo dos Valores Compensados SN IRPJ AC 2000 (fl.861) com débito de estimativa de IRPJ do PA jan/2001, da CRBS, compensado sem processo em DCTF (fl.868), com utilização de R$ 16.498,64 do saldo original, além dos débitos da sucessora Cia. Brasileira de Bebidas de débitos de Cofins, PA out/2002 e estimativas de CSLL, PA mai/2003 e de IRPJ, PA set/2003, compensados através de declarações de compensação procs. n° 13804.008254/200232 (fls.869/872), 13804.008130/200338 (fls.873/874) e 13804.008452/200387 (fls.877/881), respectivamente, totalizando utilização de R$ 12.547.113,43 do saldo original (=16.498,64+(1.668.520,16+3.083.401,13+7.778.693,50, respectivamente) (e não +(2.193.436,60+4.445.031,07+11.788.610,00)), valores dos débitos, e não valores originais, adicionados pela DRJ, item I, § 4.2)), igual ao SN de IRPJ do anocal.2000. Apresentou, ainda, cópia da folha 569 (fl.882) para comprovar a duplicidade do débito de Cofins, PA out/2002, no valor de R$ 2.193.436,60 na apuração efetuada pela DRJ, já destacada no item I, § 4.2. 14. Logo, foi demonstrado pelo contribuinte a compatibilidade entre os débitos compensados e o SN de IRPJ dos anoscal.1999 e 2000, com a ressalva de que o valor utilizado de SN de IRPJ do anocal.2000, do proc. n° 13804.008452/200387, fl.4, estava incorreto, pois deveria ser R$ 11.780.610,00. IV Da natureza das retificações empreendidas nas DIPJs dos anoscal. 1999 e 2000 15.Esta EQPIR foi solicitada a intimar o contribuinte a esclarecer, com a devida documentação de suporte, acerca da natureza das retificações empreendidas as declarações originalmente entregues em 30/06/2000 (DIPJ anocal.1999) e em 29/06/2001 (DIPJ anocal.2000). 16. Intimado em 08/03/2013, apresentou item I, § 6.3: 16.1.1 quanto à DIPJ do anocal. 1999, a retificação de 29/06/2005 foi motivada pela correção do IRRF de R$ 4.548.317,16 para R$ 12.864.928,15 conforme Anexo 03 fls.883/896 e apresentação de Informes de Rendimentos de aplicações financeiras e de mútuo no Anexo 05 fls.918/956, consolidadas na fl.919, onde constatei: Fl. 13583DF CARF MF Processo nº 13804.008130/200338 Resolução nº 1302000.626 S1C3T2 Fl. 21 20 segundo o contribuinte, conforme batimento IRRF da DIPJ x DIRF, na DIPJ foi declarado valor a menor de R$ 144.559,10 (fls.1006 e Anexo 2 fls.1020/1022), compensável com possíveis glosas. Porém, prevalecem os dados contábeis, como as receitas levadas à tributação (art.231, inc.III do decreto n° 3.000/1999), sobre a DIRF, sem alterar as glosas supracitadas. 16.1.2 Logo, em relação ao aumento de IRRF que motivou a retificação da DIPJ do anocal.1999, , conforme § 16.1.1, devese glosar R$ 99.875,25 de crédito de IRRF do saldo negativo de IRPJ retificado, por falta de comprovação da retenção com documentação hábil e idônea. Assim, do saldo original de R$ 8.838.864,80, pode ser reconhecido o valor de R$ 8.738.989,55 ou R$ 6.425.544,11 adicionais em relação aos R$ 2.313.445,44 já reconhecidos. 16.2.1 quanto à DIPJ do anocal. 2000, sua retificação de 29/06/2005 foi motivada, conforme Anexo 04 fls.897/917, pelas alterações das deduções dos IRRF (houve, adicionalmente, uma pequena correção de valor de R$ 10.971.807,32 para R$ 10.878.593,28 do próprio IRRF) das estimativas de IRPJ dos: PAs fevereiro, março, julho e outubro por compensações sem processo de R$545.477,23, R$ 53.109,08, R$ 120.997,04 e R$ 3.835.528,30, respectivamente, com crédito de SN de IRPJ do anocal.1999 (fls.862/867 e ver item I, § 1°); PAs julho (fls.864/865) de R$ 330.192,11 (SN de IRPJ do AC 1996) + R$ 275.059,23 (SN de IRPJ do AC 1997) + R$ 323.683,79 (SN de IRPJ AC 1998) e do PA outubro (fls.866/867) de R$ 477.684,08 (SN de IRPJ do AC 1998) de créditos da sucedida Indústria de Refrigerantes S/A Salvador CRBS, CNPJ 15.142.110/000165; PA outubro (fls.866/867) de R$ 802.935,33 (SN de IRPJ do AC 1997) + R$ 5.985.205,30 (SN de IRPJ do AC 1996) por compensações sem processo da sucedida Cia. de Bebidas da Bahia CIBEB, CNPJ 15.175.615/000126. Fl. 13584DF CARF MF Processo nº 13804.008130/200338 Resolução nº 1302000.626 S1C3T2 Fl. 22 21 16.2.2 quanto ao fato de ter confessado em DCTFs retificadoras, somente a partir de 29/06/2005, compensações de créditos das sucedidas sem processo, declarou que estão de acordo com o art. 14 da IN SRF n° 21/1997 (fls.1003/1004). Art. 14. Os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, inclusive quando resultantes de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, poderão ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento. 16.2.2.1 Entretanto, a compensação tributária, como elemento para o encontro de contas entre os sujeitos passivo e ativo, possui como exigência legal a certeza e liquidez tanto do crédito, quanto do débito, nos termos do art.170, caput da lei n° 5.172/1966 (CTN). Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. 16.2.2.2A retificação de ato bilateral e, além disso, motivada por opção e não por erro material escusável, como demonstra o próprio laudo de avaliação de cisão, de 31/01/2002, onde constava o valor de "IRPJ a Recuperar" de apenas R$ 1.668.520,16 (item I, § 2° laudo de avaliação), e a necessidade de intimação da SEFIS/DRF/CPS, cientificada em 09/03/2005 (fl. 121), para que o contribuinte efetuasse as retificações da DIPJ e da DCTF sob análise, constitui fato novo que deve atender à legislação superveniente, no caso o § 1° e caput do art.21 da IN SRF n° 210/2002, que passa a exigir Declaração de Compensação: Art. 21. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante o encaminhamento à SRF da "Declaração de Compensação". 16.2.2.3O contribuinte compensou estimativas de IRPJ com créditos de sucedidas nos meses de julho e outubro no valor de R$ 8.194.759,84 (=330.192,11+275.059,23+323.683,79+477.684,08+802.935,33+5.985.205 ,30) que devem ser glosadas por falta de apresentação de Declaração de Compensação em processo administrativo nos termos do §1° e caput do Fl. 13585DF CARF MF Processo nº 13804.008130/200338 Resolução nº 1302000.626 S1C3T2 Fl. 23 22 art.21 da IN SRF n° 210/2002, por tratarse de ato bilateral e, além disso, por não configurarse em erro material escusável. 16.2.3 quanto ao fato de ter confessado em DCTFs retificadoras, somente a partir de 29/06/2005, compensações cujos direitos creditórios estariam prescritos, informou que as retificações das DCTFs atendem o art.9°, § 5° da IN RFB n° 1.110/2010, atualmente em vigor (fls.1004/1006 e Anexo 1 de fls.1009/1019). Tal legislação referese somente à possibilidade de retificação dos débitos confessados em DCTF e formas de extinção/suspensão dos mesmos, sem adentrar na área da possível prescrição do direito do crédito utilizado para compensação: Art. 9 A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. (...) § 5 O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1 (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. 16.2.3.1Como visto no § 16.2.2.2 , sendo a compensação tributária ato bilateral de encontro de contas entre os sujeitos ativo e passivo, e, além disso, motivada por opção (de não utilizar a dedução do IRRF das estimativas apuradas e sim compensálas com SN de IRPJ de sucedidas) e não por erro material escusável, devemse, adicionalmente ao § 16.2.2.3, considerar prescritos, em 29/06/2005, os direitos de repetições de indébitos relativos aos SNs de IRPJ de R$ 330.192,11 (AC 1996) + R$ 275.059,23 (AC 1997) + R$ 801.367,87 (=323.683,79+477. 684,08) (AC 1998) da sucedida Indústria de Refrigerantes S/A Salvador CRBS, CNPJ 15.142. 110/000165 e o SNs de IRPJ da sucedida Cia. de Bebidas da Bahia CIBEB, CNPJ 15.175.615/000126 de R$ 5.985.205,30 (AC 1996) + R$ 802.935,33 (AC 1997) nos termos do art.165 da lei n° 5.172/1966 (CTN). 16.2.3.2Logo, adicionalmente ao § 16.2.2.3, devese glosar os créditos de estimativas compensadas do PA jul/2000 no valor de R$ 928.935,13 e do PA out/2000 de R$ 11.101.353,00, totalizando R$ 12.030.288,13, com SN de IRPJ dos anoscal. 1996,1997 e do PA 01/01 a 30/11/1998 da sucedida Indústria de Refrigerantes S/A Salvador CRBS e do anocal.1996 e do PA 01/01 a 31/08/1997 da sucedida Cia. de Bebidas da Bahia CIBEB, por prescrição do direito ao indébito em 29/06/2005, conforme art.165 da Lei n° 5.172/1966 (CTN), por tratarse de ato bilateral e, além disso, por não configurarse em erro material escusável. 16.2.4Devese ressaltar, ainda, que, conforme Ficha 08 "Cálculo do Imposto de Renda" das DIRPJs dos anoscal.1996,1997 e do PA 01/01 a 30/11/1998 da sucedida Indústria de Refrigerantes S/A Salvador CRBS, CNPJ 15.142.110/000165, entregues em 30/04/1997, 26/04/2001 e 29/12/1998, respectivamente (fls.331/339 e 1186), e do anocal.1996 e do PA 01/01 a 31/08/1997 da sucedida Cia. de Bebidas da Bahia CIBEB, CNPJ 15.175.615/000126, ambas entregues em 09/10/1997 (fls.340/344 e 1186), a sucedida Indústria de Refrigerantes S/A Salvador CRBS apresentou SN de IRPJ de R$ 92.246,52 apenas no anocal.1997 (fl.335), e foi lançado sobre a sucedida, Cia. de Bebidas da Bahia CIBEB, auto de Fl. 13586DF CARF MF Processo nº 13804.008130/200338 Resolução nº 1302000.626 S1C3T2 Fl. 24 23 infração de IRPJ no anocal.1996, proc. n° 13502.000042/200210, inscrito em Dívida Ativa da União pelo CDA n° 50 2 02 00116004 (fls.342 e 1186/1190), faltandolhes certeza e liquidez, nos termos do art.170, caput do CTN. 16.2.4.1 Concluindo, devese glosar os créditos de estimativas compensadas do PA jul/2000 no valor de R$ 928.935,13 e do PA out/2000 de R$ 11.101.353,00, totalizando R$ 12.030.288,13, com SN de IRPJ dos anoscal. 1996,1997 e do PA 01/01 a 30/11/1998 da sucedida Indústria de Refrigerantes S/A Salvador CRBS e do anocal.1996 e do PA 01/01 a 31/08/1997 da sucedida Cia. de Bebidas da Bahia CIBEB por falta de apresentação de Declaração de Compensação em processo administrativo nos termos do §1° e caput do art.21 da IN SRF n° 210/2002 (§ 16.2.2.3), por prescrição do direito ao indébito em 29/06/2005 conforme art.165 da Lei n° 5.172/1966 (CTN § 16.2.3.2) e por falta de certeza e liquidez art.170, caput do CTN (§ 16.2.4). 16.2.5 apresentou Informes de Rendimentos de aplicações financeiras e de mútuo no Anexo 06 (fls.957/986), consolidadas na fl.958, onde constatei: Obs.1: Conforme Relatório Fiscal de 01/02/2006 da Sefis/DRF/CPS (fls.322/327) esta retenção foi glosada por falta de atendimento à intimação por parte da fonte pagadora, pertencente ao mesmo grupo econômico, para confirmar a efetividade dos rendimentos e, se afirmativo, comprovar o IRRF através de DIRF e da sua liquidação. Em sua Manifestação de Inconformidade de 24/05/2007 (fls.501/609), no item V (fl.517) contesta a glosa e apresenta no Anexo 8 Planilha com o IRRF Devido pela fonte pagadora sobre mútuos com as coligadas (fl.604) e respectivos Comprovantes de Arrecadação efetuados (fls.605/607). Anexei as informações da DIRF da fonte pagadora com total de IRRF, apenas no cód.3426, de R$ 9.146.051,00, para as coligadas I.B.A. do NorteNordeste S/A, CNPJ 15.182.652/000161 e Cia Antártica Paulista IBCC, CNPJ 60.522.000/000183, incorporadora (fls.1133/1136 compatíveis com a planilha de fl.604). Juntei, ainda, as DCTFs com débitos para o cód.0924 no total de R$ 10.010.972,26 e o cód.3426 no total de R$ 6.625.629,94 (fls.1137/1140), todos extintos por pagamentos cujo somatório atingiu R$ 16.636.602,20 (SIEF/Doc. de Arrecadação fls. 1141/1148). Tendo em vista a apresentação da Planilha com o IRRFs devidos pela fonte pagadora sobre mútuos com as coligadas, as informações parciais, porém, compatíveis com a Planilha e o fato do total de pagamentos efetuados serem bem superiores ao informado na DIRF, reconheço o crédito relativo à retenção da I.B.A. Sudeste. Fl. 13587DF CARF MF Processo nº 13804.008130/200338 Resolução nº 1302000.626 S1C3T2 Fl. 25 24 16.2.5.1 Logo, devese glosar o crédito de IRRF de R$ 142.218,48, conforme § 16.2.5, do saldo negativo de IRPJ retificado, por falta de comprovação da retenção com documentação hábil e idônea. 16.2.6 Concluindo, em relação à retificação da DIPJ anocal.2000 pela adição de estimativas compensadas com saldo negativo de sucedidas da CRBS e pequena redução do IRRF, pendentes de análise (os valores compensados com SN de IRPJ do anocal.1999 da própria CRBS foram confirmados no Despacho Decisório de 26/03/2007 ver item I, § 3.1.2), conforme §§ 16.2.4.1 e 16.2.5.1, devem ser glosados R$ 12.172.506,61 (=12.030.288,13+142.218,48) dos créditos de estimativas compensadas e IRRF relativos ao SN de IRPJ do anocal.2000. Logo, os R$ 12.547.113,43 de SN de IRPJ informado na DIPJ retificadora, teriam a dedução de R$ 16.498,65 originais (R$ 16.873,17 atualizado ver fl.249) por compensação sem proc. em DCTF de estimativa de IRPJ PA jan/2001, restando R$ 12.530.614,78 originais, e que após as glosas resultariam em nov/2002, de reconhecimento de crédito de R$ 358.108,17 relativo a SN de IRPJ, no proc. n° 13804.008254/200232, conforme recomendado no item I, § 1°. V Do crédito transferido por cisão parcial e de sua utilização 17.Esta EQPIR foi solicitada a verificar, com base nos assentamentos contábeis das pessoas jurídicas envolvidas (sucessora e sucedida), qual o montante de crédito efetivamente transferido em razão da reorganização societária e, ainda, se tal valor não foi utilizado em compensação distinta da pleiteada neste processo. 18.Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte anexou o laudo de avaliação completo, de 31/01/2002, da cisão parcial (Anexo 7 fls.732/737, com inclusão do Passivo cisionado), onde constam, entre outros, o item Impostos e Contribuições a Recuperar de R$ 58.299. 437,24 (fl.735), que foi subdividido em 10 (dez) subitens, com cisão dos valores integrais de "IRRF sobre Aplicações Financeiras", de R$ 28.094.487,62, de "IRPJ a Recuperar" de R$ 1.668.520,16 e de "IRRF sobre Rend. Mútuo" de R$ 25.157.457,61, totalizando R$ 54.920.465,39 e demais impostos/contribuições (CSLL, IPMF, PIS e Cofins) a recuperar de R$ 1.357.415,46 (total de R$ 56.277.880,85 cindido), sendo que remanesceram as parcelas de "ICM a Recuperar" de R$ 8.003,93, "IPI a Recuperar" de R$ Fl. 13588DF CARF MF Processo nº 13804.008130/200338 Resolução nº 1302000.626 S1C3T2 Fl. 26 25 1.954.551,62 e de "IRRF sobre Operações de Swap" de R$ 58.990,84 (total de R$ 2.021.546,39) no Ativo Circulante. Como o valor de IRPJ e IRRF (vinculados ao SN) representam 94,20% do total, além de serem os créditos em pauta neste processo, efetuei a análise completa de créditos/compensações apenas sobre eles para simplificar. 19.Anexei as DIPJ dos anoscal.1999 e 2000 da cisionada CRBS com informações da apuração da CSLL e dos Balanços Contábeis (fls.1191 e 1198/1203), adicionalmente às já constantes sobre as do IRPJ (fls. 457/469 e 397/410, respectivamente), além das DIPJ dos anoscal.1998, 2001 e 2002 (fls.1191/1197 e 1203/1211), assim como das DCTF da CSLL dos anoscal.1999 a 2002 (fls.1246/1255), onde constam (valores em R$): Fl. 13589DF CARF MF Processo nº 13804.008130/200338 Resolução nº 1302000.626 S1C3T2 Fl. 27 26 Fl. 13590DF CARF MF Processo nº 13804.008130/200338 Resolução nº 1302000.626 S1C3T2 Fl. 28 27 20. Da análise dos balanços das DIPJs no § 19, constatei que os SN de IRPJ dos anoscal.1999 e 2000 em pauta, além do anocal. 2001 e do PA 01/01/2002 a 31/01/2002, estão contidos no item Impostos e Contribuições a recuperar cisionados, através das subdivisões dadas pela cindida do valor de R$ 58.299.437,24 em: "IRPJ a Recuperar" de R$ 1.668.520,16, "IRRF sobre Aplicações Financeiras", de R$ 28.094.487,62, "IRRF sobre Rend. Mútuo", de R$ 25.157.457,61, totalizando R$ 54.920.465,39 cindidos, juntamente com demais impostos/contribuições (CSLL, IPMF, PIS e Cofins) a recuperar de R$ 1.357.415,46; remanescendo "ICM a Recuperar" de R$ 8.003,93, "IPI a Recuperar" de R$ 1.954.551,62 e "IRRF sobre Operações de Swap" de R$ 58.990,84 na cisionada. Efetuei uma análise simplificada do item Impostos e Contribuições a recuperar cisionados, visto que pequenas divergências do laudo de cisão não afetam a análise dos créditos de SN de IRPJ dos anoscal.1999 e 2000 pleiteados pela sucessora (ver também os procedimentos do proc. n° 13804.008453/200321 relativo ao SN de IRPJ do anocal.2001 fls.1219/1244), pois verifiquei através de pesquisa aos sistemas COMPROT, DCTF GER e SIEF/PERDCOMP/Consulta que a cindida não utilizou os créditos em pauta, além das compensações já constantes neste processo, e da constatação do decurso do prazo prescricional para pleitos futuros do mesmo crédito. 21.Quanto à sucessora, anexei a DIPJ do anocal.2002 às fls. 1212/1218 e a DCTF do anocal.2002 de estimativas de IRPJ e CSLL(fls.1260/1266) e, considerei, de forma simplificada e sem adentrar no mérito, os créditos apurados no anocal. destes tributos, inclusive por eventos especiais. O Fl. 13591DF CARF MF Processo nº 13804.008130/200338 Resolução nº 1302000.626 S1C3T2 Fl. 29 28 contribuinte apresentou, ainda, os lançamentos de todas as contas (exceto 11320088 Impostos a Recuperar Lei 8.200) que compuseram a rubrica Impostos e Contribuições a recuperar fls.1807/13398, consolidadas no balancete de fl.1810, e suas utilizações com compensações, entre 31/12/2001 e 31/12/2002, cuja análise simplificada restringi às contas da CBB relacionadas a IRPJ e CSLL a recuperar, que receberam lançamentos, em 04/02/2002, de créditos da cisão parcial da CRBS (fls. 13399 e 13400 não pagináveis) no valor de R$ 54.920.465,39 (="IRPJ a Recuperar" de R$ 1.668.520,16 lançado na conta 11320013; "IRRF sobre Aplicações Financeiras", de R$ 28.094.487,62 lançado na conta 11320005; "IRRF sobre Rend. Mútuo", de R$ 25.157.457,61 lançado na conta 11320015). 22.Ressaltese que ocorreu, também em 31/01/2002 e lançamento na CBB em 04/02/2002, outra cisão parcial para a CBB de créditos da Cervejaria Reunidas Skol Caracu S.A., CNPJ 33.719.311/000164 (fls. 1569/1600 cópias do proc.n° 13811.000992/0091), no valor total de impostos e contribuições a recuperar de R$ 36.161.824,62 (=10.264.227,51 (IRRF s/ aplicações financ. a recup.) +51.319,29 (IPMF a recup.)+101.355,51 (IRPJ a compensar)+15.228.760,28 (IRRF s/ rendimentos de mútuo)+ 9.702.185,15 (IRPJ base 12/2000 a compensar)+813. 926,88 (CLSS 12/2000 a compensar)) fl. 1597 (ver, ainda, a DIPJ da cisão (fls.1601/1603)). 23.Finalmente, ainda houve a incorporação da Indústria de Bebidas Antártica Polar S.A., CNPJ 95.424.479/000108, que teria adicionado R$ 9.469.350,91 ao item Impostos e Contribuições a recuperar conforme DIPJ de 31/08/2002 (fl.1604) ou R$ 8.910.105,97, pelo balancete de 31/07/2002 (fl.1777), mas cuja análise restringi apenas aos lançamentos nas contas relacionadas com IRPJ e CSLL a recuperar e discriminadas na planilha "Pagam._Compens._Ajustes complem" da fl. 13399 não pag. no item "Ajuste 4", representando créditos incorporados de R$ 3.417.792,08. 24.Nas planilhas de fls. 13399 e 13400 não pag., discriminei todos os tipos de crédito e débito, que justificam a evolução de Impostos e Contribuições a recuperar durante o anocal. 2002, cuja análise detalhada limitei às relacionadas com IRPJ e CSLL, e que consolidei a seguir: Fl. 13592DF CARF MF Processo nº 13804.008130/200338 Resolução nº 1302000.626 S1C3T2 Fl. 30 29 25. Assim, considero que com base nos assentamentos contábeis da pessoa jurídica sucedida CRBS na cisão, de seus balanços e utilizações desde o primeiro anocal. de geração do crédito (§§ 18 a 20) e dos balanços da sucessora no início e no final do anocal. da cisão e utilizações neste período (§§ 21 a 24), que considerei suficientes para fins desta análise, que o montante de crédito no item Impostos e Contribuições a Recuperar efetivamente transferido em razão da reorganização societária foi de R$56.277.880,85, discriminados pela sucedida em: "IRPJ a Recuperar" de R$ 1.668.520,16, "IRRF sobre Aplicações Financeiras", de R$ 28.094.487,62, "IRRF sobre Rend. Mútuo", de R$ 25.157.457,61, totalizando R$ 54.920.465,39 cindidos e de interesse neste processo, juntamente com demais impostos/contribuições (CSLL, IPMF, PIS e Cofins) a recuperar de R$1.357.415,46. Verifiquei, ainda, que tal valor não foi utilizado em compensações distintas das pleiteadas neste processo pela sucedida (§ 20). VI Conclusão 26. Desta forma, em relação aos questionamentos da Turma Julgadora, tendo em vista a competência estabelecida pelo art. 20 do decreto n° 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993, concluo que: 26.1 a lavratura do auto de infração proc. n° 16327.001478/200527 não implicou retificação do saldo negativo apurado pela CRBS S/A no ano cal.2000, conforme item II, § 11; 26.2a diferença detectada pela autoridade julgadora de primeira instância quanto aos débitos compensados (R$ 38.836.945,71), incluía aí as compensações efetuadas pela sucedida CRBS, e a soma de saldos negativos de 1999 e de 2000 (R$25.412.041,58), foi demonstrada pela contribuinte, com a ressalva de que o valor utilizado de SN de IRPJ do anocal. 2000, do Fl. 13593DF CARF MF Processo nº 13804.008130/200338 Resolução nº 1302000.626 S1C3T2 Fl. 31 30 proc. n° 13804.008452/200387, fl. 4, estava incorreto, pois deveria ser R$ 11.780.610,00 (item III, § 14); 26.3o contribuinte apresentou esclarecimentos, com a devida documentação de suporte, acerca da natureza das retificações empreendidas nas declarações originalmente entregues em 30/06/2000 (anocal. 1999) e 29/06/2001 (anocal. 2000), ambas transmitidas em 29/06/2005, porém foram apuradas as seguintes glosas: anocal. 1999: glosa de R$ 99.875,25 de crédito de IRRF do saldo negativo de IRPJ retificado, por falta de comprovação da retenção com documentação hábil e idônea, conforme item IV, § 16.1.2. Assim, do crédito solicitado neste processo de saldo original de R$ 8.838.864,80 fl.247 (=SN de IRPJ original de R$ 12.864.928,15, menos utilizações em compensações sem proc. em DCTF dos PAs fev/ 2000, mar/2000, jul/2000 e out/2000 de R$ 4.026.063,35 originais (=(497.687,45+77.296,20)+109.153,85+3.341. 925,85), conforme item I, § 1°, pode ser reconhecido o valor de R$ 8.738.989,55 ou R$ 6.425.544,11 adicionais em relação aos R$ 2.313.445,44 já reconhecidos, conforme item I, §§ 3.1.2 e 4° e compensadas as declarações de compensação até o limite do crédito reconhecido. anocal. 2000: glosas de R$ 12.172.506,61 (= 12.030.288,13 + 142.218,48) dos créditos de estimativas compensadas e IRRF, conforme item IV, §§ 16.2.4.1 e 16.2.5.1, respectivamente. Assim, como visto no item I, § 1°, o correto seria apropriarmos o SN de IRPJ do anocal. 2000 ao proc. n° 13804.008254/200232, anterior, com R$ 16.472.746,19 atualizado em nov/2002, fl.249, e saldo original de R$ 12.530.614,78, resultando em saldo original para o proc. supracitado, em nov/2002, de R$ 358.108,17 a ser reconhecido, e com o cancelamento do proc. de cobrança n° 10830.720110/200757, pois já foi considerada a compensação sem processo da estimativa de IRPJ de jan/2001, e compensadas as declarações de compensação até o limite do crédito reconhecido. 26.4 com base nos assentamentos contábeis/fiscais das pessoas jurídicas envolvidas (sucessora e sucedida), o montante de crédito no item Impostos e Contribuições a Recuperar efetivamente transferido em razão da reorganização societária foi de R$56.277.880,85, sendo que tal valor não foi utilizado em compensações distintas das constantes neste processo, conforme § 25 c/c § 20; 26.5 o contribuinte apresentou os fundamentos jurídicos autorizadores dos "registros negativos" de receitas derivadas de operações no mercado de renda variável promovidos no anocal.1999, declarando que os pertinentes registros nos Livros Diário e Razão, atenderam aos Princípios da Oportunidade e arts.258 e 259 do RIR/1999, apresentando, ainda, indicadores cambiais e demonstrativos do banco Safra que a respaldam (ver item I, § 6.3). 27. Ao APOIO DIORT para dar ciência desta diligência ao contribuinte, que poderá, se entender cabível, apresentar manifestação/ recurso administrativo em até 30 (trinta) dias da data de sua realização, conforme art. 35 do decreto n° 7.574, de 2011 e orientações abaixo. Fl. 13594DF CARF MF Processo nº 13804.008130/200338 Resolução nº 1302000.626 S1C3T2 Fl. 32 31 28.Após o decurso do prazo supracitado, encaminhar o processo a 3a Câmara/ 2a Turma Ordinária, da Primeira Seção de Julgamento do CARF para continuidade do julgamento. Resposta da Recorrente ao Relatório de Diligência Fiscal A recorrente foi intima desse resultado de diligência e, em resposta, apresentou as seguintes respostas: Quanto aos questionamentos direcionados à recorrente, apresentou as seguintes respostas: 1) Confirme se a lavratura do auto de infração objeto do processo administrativo n° 16327.001478/200527 não implicou na retificação do saldo negativo apurado pela contribuinte CRBS S/A no anocalendário de 2000. Conforme exposto pelo AFRFB no item II, §§ 9 a 11, do Relatório Diligencial EQPIR/PJ, a lavratura do Auto de Infração não implicou retificação do Saldo Negativo apurado pela CRBS S.A CNPJ 56.228.356/000131 no anocalendário de 2000, sendo totalmente independentes. 2)Intime a contribuinte a se manifestar sobre a diferença detectada pela autoridade julgadora de primeira instância relativamente ao montante de débitos compensados (R$38.836.945.71), incluídos aí as compensações efetuadas pela sucedida CRBS, e a soma de saldos negativos de 1999 e de 2000 (R$ 25.412.041,58). De acordo com o Relatório de Diligência, a contribuinte demonstrou a compatibilidade entre os débitos compensados e os saldos negativos de IRPJ dos anos calendário de 1999 e 2000, com exceção da compensação realizada no valor de R$ 11.780.610,00 Item III, §§ 12 a 14 do Relatório. Entretanto, sua análise não deve prosperar, visto que a contribuinte formalizou a compensação do montante de R$ 11.788.610,00, valor este, facilmente comprovado no atendimento a esta diligência fiscal, por meio da DCTF do período (fl. 118) e do Pedido de compensação formalizado em 30.11.2003 (fl. 877), bem como cópia do extrato do processo emitido pelo eCAC (Anexo 2) 3)Intime a contribuinte a apresentar esclarecimentos, com a devida documentação de suporte, acerca da natureza das retificações empreendidas nas declarações originalmente entregues em 30 de junho de 2000 (ano calendário 1999) e 29 de junho de 2001 (anocalendário 2000) Conforme exposto pelo AFRFB, o contribuinte comprovou com a devida documentação, acerca das retificações empreendidas nas declarações originalmente entregues em 30/06/1999 (ano calendário 1999) e 29/06/2001 (anocalendário de 2000), ambas transmitidas em 29/06/2005. Desta análise, apurouse as seguintes glosas: 3.1 Anocalendário 1999 Glosa de R$ 99.875,25, originário da retenção sofrida pela instituição financeira Banco Santander. Fl. 13595DF CARF MF Processo nº 13804.008130/200338 Resolução nº 1302000.626 S1C3T2 Fl. 33 32 Destacase que a contribuinte apresentou os documentos emitidos pela instituição financeira que comprovam a retenção sofrida e consequentemente o direito a utilização do crédito (fls. 142 a 152 do processo). 3.2 Anocalendario 2000 Glosa de R$ 12.172.506,61 A glosa realizada pelo AFRF pode se dividir em 02 origens: Estimativas compensadas R$ 12.030.288,13 (07/2000 R$ 928.935,13 + 10/2000 R$ 11.101.353,00). O AFRF não validou as parcelas das estimativas compensadas com saldos negativos de IRPJ das empresas incorporadas, no caso, da Indústria de Refrigerantes S.A Salvador CNPJ 15.142.110/000165 e da Cia de Bebidas da Bahia CIBEB CNPJ 15.175.615/000126, apurados nos anos de 1996 a 1998, e ainda a parte da estimativa compensada com crédito próprio (SN IRPJ AC 99) no valor de R$ 3.835.528,30: A justificativa apresentada pelo AFRF no relatório de diligência foi a de que a contribuinte deixou de apresentar a Declaração de Compensação em processo administrativo nos termos do § 1 e caput do Art. 21 da IN SRF ne 210/2002, por prescrição do direito ao indébito em 29/06/2005, conf. Art. 165 da Lei 5.172/1966 e por falta de certeza e liquidez previsto no art. 170, caput do CTN. Passaremos a seguir a comprovar a legitimidade da empresa CRBS S.A CNPJ 56.228.356/000131 em utilizar os referidos créditos, conforme explanaremos a seguir: Retificação das DIPJs: A retificação proposta na DIPJ 2000 AC 1999, transmitida em 29/06/2005, tinha o intuito de regularizar a apuração do IRPJ no período. Isto porque, na DIPJ original transmitida em 30/06/2000, não foram contempladas a totalidade das retenções sofridas pelas operações de mútuo e sobre os rendimentos de aplicações financeiras. Desta forma, a DIPJ retificadora, formalizou a composição do saldo credor na sua integralidade, no montante de R$ 12.864.928,15. Sendo que, o IRRF foi utilizado para quitar a estimativa devida em abril/1999 (R$ 684.672,54) e a diferença na apuração anual (R$ 12.180.255,61 Ficha 13A). Igualmente ao período anterior, a retificação da DIPJ 2001 AC 2000, foi motivada pela correta formalização do crédito originário do IRRF não indicada na composição da DIPJ 2001 AC 2000 original. Retificação das DCTFs: Especificamente com relação ao mês de 07/2000, a CRBS CNPJ 56.228.356/000131 apurou débito de IRPJ no montante de R$ 1.049.932,17, quitado da seguinte forma: A análise do AFRF na diligência fiscal confirmou apenas a parcela de R$ 120.997,04, compensada com saldo negativo próprio de IRPJ do anocalendário de 1999 e glosou o montante de R$ 928.935,13, que corresponde as compensações efetuadas com crédito da empresa sucedida Indústria de Refrigerantes S.A Salvador CNPJ 15.142.110/000165. Isto porque, considerou que as compensações foram efetuadas apenas em 29/06/2005, com a transmissão da DCTF retificadora para o 3° Trimestre/2000, quando estava em vigência a IN SRF 210/2002 (formalização das compensações). Fl. 13596DF CARF MF Processo nº 13804.008130/200338 Resolução nº 1302000.626 S1C3T2 Fl. 34 33 Em 10/2000, a empresa CRBS CNPJ 56.228.356/000131 apurou IRPJ a pagar devido por estimativa o valor de R$ 11.101.353,00, assim quitado: Igualmente a situação anterior, o AFRF não considerou as compensações realizadas pela contribuinte, justificada pela mesma base legal utilizada para o mês de 07/2000 (compensações não formalizadas IN SRF 210/2002) Acontece que tais alegações não correspondem à realidade dos fatos, pois em ambos os casos, tratase de erro de preenchimento das DCTFs do 3º e 4º Trim/2000 originais. Posteriormente corrigidos em 29/06/2005, por meio da transmissão de DCTFs retificadoras, dentro do prazo legal dos 5 anos para alteração de uma obrigação acessória. Importante ressaltar que, a legislação vigente a época dos fatos geradores dos débitos, da forma de quitação, no caso compensações, e ainda, da entrega das DCTFS (originais) era a IN SRF 21/1997, que de acordo com o art. 14, não havia a necessidade de formalização do pedido de compensação com tributo de mesma espécie: Art. 14. Os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, inclusive quando resultantes de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, poderão ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento. Tanto é que, a contribuinte registrou em sua contabilidade os créditos transferidos das empresas incorporadas (Industria de Refrigerantes Salvador e Companhia de Bebidas da Bahia CIBEB (Anexo 3), bem como as compensações realizadas no próprio mês de vencimento dos tributos (Anexo 4). Há de se destacar que a Diligência Fiscal compreendeu um longo período de análises por parte da RFB, de 15/03/2013 a 09/02/2017 (quase 4 anos!), sendo que, em nenhum momento o AFRFB questionou quanto a liquidez e certeza dos créditos originários das empresas incorporadas e que, portanto, a contribuinte sequer teve a chance de comprovar tais valores. Além disso, a compensação pleiteada no valor de R$ 3.835.528,30, utilizado para compensar parte da estimativa devida em 10/2000, foi glosada indevidamente pelo AFRB em seu relatório de diligência fiscal, devido ao mesmo já ter sido homologado pelo DERAT SP conforme verificase nos autos do processo às páginas 453 a 455 (Anexo 5). Com o intuito de validar os fatos relatados acima, apresentamos os Laudos de Avalição das empresas incorporadas e os balanços encerrados nos anos de 1995 e 1996, da Indústria de Refrigerantes Salvador (Anexo 6) e da Companhia de Bebidas Bahia CIBEB (Anexo 7), que comprovam a existência de crédito de "Impostos a Recuperar", transferidos por incorporação. Visando ratificar a transferência de crédito da Companhia de Bebidas da Bahia CIBEB, segue o balanço patrimonial presente na DIPJ 1997 AC 1997 (01/01/1997 a 31/08/1997 incorporação), onde é possível identificar a origem dos valores transferidos no processo de incorporação (Anexo 8). Fl. 13597DF CARF MF Processo nº 13804.008130/200338 Resolução nº 1302000.626 S1C3T2 Fl. 35 34 Face a dificuldade na localização dos Livros Diários e Razão das empresas incorporadas, Indústria de Refrigerantes Salvador e Companhia de Bebidas da Bahia, que se encontram em outro estado da federação,.e ainda, somente neste momento ter sido mencionado quanto a utilização de crédito de empresas sucedidas, além do curto prazo para Manifestação do Relatório de Diligência, faremos a juntada posterior de documentos complementares referentes aos créditos utilizados pela empresa sucedida CRBS S.A CNPJ 56.228.356/000131, conforme previsto no art. 16, § §. 42 ao 62 do Decreto 70.235/72. IRRF R$ 142.218,48 A glosa realizada pelo AFRF no relatório de diligência fiscal, ocorreu em virtude do crédito pertencer a outra empresa do grupo Companhia Cervejaria Brahma CNPJ 33.366.980/013692. 4) Verifique, com base nos assentamentos contábeis das pessoas jurídicas envolvidas (sucessora e sucedida), qual o montante de crédito efetivamente transferido em razão da reorganização societária empreendida, esclarecendo, ainda, se tal valor não foi utilizado em compensação distinta da pleiteada por meio do presente processo. Com base nos registros contábeis/fiscais das pessoas jurídicas envolvidas (sucessora e sucedida), ficou comprovado a transferência do montante de crédito de "Impostos e Contribuições a Recuperar" de R$ 56.277.880,85, em razão da reorganização societária, sendo que tal valor não foi utilizado em compensações distintas das constantes neste processo, conforme exposto no Item V, §§ 17 a 25 do Relatório Diligenciai. 5) Intime a contribuinte a apresentar os fundamentos jurídicos autorizadores dos "registros negativos" de receitas derivadas de operações no mercado de renda da variável promovidos no anocalendário de 1999. O contribuinte apresentou os fundamentos jurídicos autorizadores dos "registros negativos" de receitas derivadas de operações no mercado de renda variável promovidos no anocalendário de 1999, os quais foram devidamente registrados nos Livros Diário e Razão da empresa, atendeu os Princípios da Oportunidade e os Arts. 258 e 259 do RIR/1999. Ademais, ficou corroborados pelos indicadores cambiais e os demonstrativos da instituição financeira, no caso o Banco Safra, de acordo com o Item I, § 6.3 do Relatório. Sendo estas as nossas manifestações quanto às conclusões do AFRFB na realização da diligência fiscal, solicitamos o encaminhamento do processo administrativo n. 13804.008130/200338 para a Câmara Administrativa de Recursos Fiscais, para julgamento final. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Os pressupostos de admissibilidade foram verificados por ocasião da referida Resolução e o recurso voluntário foi conhecido. Como visto, o processo retornou com o resultado da diligência consignado em relatório fiscal de fls., no qual consta que, intimada a esclarecer, com a devida documentação Fl. 13598DF CARF MF Processo nº 13804.008130/200338 Resolução nº 1302000.626 S1C3T2 Fl. 36 35 de suporte, acerca da natureza da retificação empreendida nas declarações (DIPJ/2000 e DIPJ/2001, e também DCTF), entregues em 29/06/2005, a recorrente esclareceu que: a) quanto à do anocalendário 1999, a retificação de 29/06/2005 foi motivada pela correção do IRRF de R$ 4.548.317,16 para R$ 12.864.928,15. b) quanto à do anocalendário 2000, a retificação de 29/06/2005 foi motivada pelas alterações das deduções do IRRF, e das compensações das estimativas de IRPJ, conforme tabela a seguir: Mês IRPJ devido Compensação com SN 99 próprio Compensação com SN 96 SUCEDIDA Compensação com SN 97 SUCEDIDA Compensação com SN 98 SUCEDIDA fev/00 545.477,23 545.477,23 mar/00 53.109,08 53.109,08 jul/00 1.049.932,17 120.997,04 (1) 330.192,11 (1) 275.059,23 (1) 323.683,79 out/00 11.101.353,00 3.835.528,30 (2) 5.985.205,30 (2) 802.935,33 (1) 477.684,08 Total 12.749.871,48 SUCEDIDA (1) => CNPJ 15.142.110/000165 Indústria de Refrigerantes S/A Salvador CRBS SUCEDIDA (2) => CNPJ 15.175.615/000126 Cia. de Bebidas da Bahia CIBEB Acerca destas compensações utilizando os créditos das sucedidas, a autoridade que diligenciou se manifestou nos seguintes termos, resumidamente: 1) A retificação das DCTF e DIPJ ocorreram apenas em 29/06/2005, quando estava em vigência a IN SRF nº 210/2002, que exigia a formalização de processo. 2) O direito aos créditos já estariam prescritos, nos termos do artigo 165 do CTN. 3) Além disso, a sucedida Indústria de Refrigerantes S/A Salvador CRBS apresentou SN de IRPJ de R$ 92.246,52 apenas no anocal.1997 (fl.335), e foi lançado sobre a sucedida, Cia. de Bebidas da Bahia CIBEB, auto de infração de IRPJ no anocal.1996, proc. nº 13502.000042/200210, inscrito em Dívida Ativa da União pelo CDA nº 50 2 02 00116004 (fls.342 e 1186/1190), faltandolhes certeza e liquidez, nos termos do art.170, caput do CTN. Já em sua manifestação, face ao Relatório de Diligência, a recorrente argumentou que: 1) A legislação vigente a época dos fatos geradores dos débitos, da forma de quitação, no caso compensações, e ainda, da entrega das DCTFS (originais) era a IN SRF 21/1997, que de acordo com o art. 14, não havia a necessidade de formalização do pedido de compensação com tributo de mesma espécie. 2) A contribuinte registrou em sua contabilidade os créditos transferidos das empresas incorporadas (Industria de Refrigerantes Salvador e Companhia de Bebidas da Bahia – CIBEB – (Anexo 3), bem como as compensações realizadas no próprio mês de vencimento dos tributos Diligência Fiscal compreendeu um longo período de análises por parte da RFB, de 15/03/2013 a 09/02/2017 (quase Fl. 13599DF CARF MF Processo nº 13804.008130/200338 Resolução nº 1302000.626 S1C3T2 Fl. 37 36 4 anos!), sendo que, em nenhum momento o AFRFB questionou quanto a liquidez e certeza dos créditos originários das empresas incorporadas e que, portanto, a contribuinte sequer teve a chance de comprovar tais valores. 3) Com o intuito de validar os fatos relatados acima, apresentamos os Laudos de Avaliação das empresas incorporadas e os balanços encerrados nos anos de 1995 e 1996, da Indústria de Refrigerantes Salvador (Anexo 6) e da Companhia de Bebidas Bahia – CIBEB (Anexo 7), que comprovam a existência de crédito de “Impostos a Recuperar”, transferidos por incorporação. Visando ratificar a transferência de crédito da Companhia de Bebidas da Bahia CIBEB, segue o balanço patrimonial presente na DIPJ 1997 – AC 1997 (01/01/1997 a 31/08/1997 – incorporação), onde é possível identificar a origem dos valores transferidos no processo de incorporação. Consta nos autos, às fls. 13.525, Laudo de Avaliação do Patrimônio Líquido da Indústria de Refrigerantes S/A Salvador CRBS, CNPJ. 15.142.110/000165, no qual constata se a existência de créditos a título de Impostos a Recuperar no valor de R$ 534.054,58. O recorrente ainda acostou aos autos o balanço patrimonial referente ao anocalendário de 1997, no qual constam os seguintes valores: Também com relação à sucedida Cia. de Bebidas da Bahia CIBEB, CNPJ 15.175.615/000126, a recorrente apresenta Laudo de Reavaliação e Ajuste do Patrimônio Líquido, no qual aponta Ativo Circulante no valor de R$ 120.838.904,44, e também balanço patrimonial referente ao anocalendário de 1997, no qual constam os seguintes valores: Importante frisar que esta questão só se veio a tona após a diligência, pois até então, o fundamento para não reconhecer o direito creditório relativo ao anocalendário de 2000 era o auto de infração processo nº 16327.001478/200527. Entretanto, é certo que este Fl. 13600DF CARF MF Processo nº 13804.008130/200338 Resolução nº 1302000.626 S1C3T2 Fl. 38 37 lançamento não implica retificação deste crédito, conforme atestou o auditor fiscal no item 26.1 do relatório de diligência. Diante dos novos documentos acostados aos autos, e das divergências acerca dos valores dos créditos com origem em saldos negativos de IRPJ das sucedidas, consignados nas DIPJ (item 16.2.4 do Relatório de Diligência Fiscal) e nos Balanços Patrimoniais publicados, voto por converter o julgamento em nova diligência devolvendose os autos à DRF de origem para que intime a recorrente para: 1) apresentar esclarecimentos, embasados em documentação hábil e idônea, a fim de demonstrar que os créditos de saldo negativo de IRPJ das sucedidas Indústria de Refrigerantes S/A Salvador CRBS, CNPJ. 15.142.110/000165 e Cia. de Bebidas da Bahia CIBEB, CNPJ 15.175.615/000126, seriam suficientes para compensar as estimativas de IRPJ, nos valores constantes nas DCTF retificadoras, conforme quadro apresentado em sua Manifestação de Diligência Fiscal, a seguir: 2) reapresentar os documentos do Anexo 2 (Razão Contábil dos anos de 1998 e 1999, com os créditos de incorporadas), que veio em anexo à Manifestação ao Relatório de Diligência Fiscal, mas que se encontram ilegíveis. Após, elaborese novo relatório conclusivo de diligência fiscal e remetamse os autos ao Carf para julgamento. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 13601DF CARF MF
score : 1.0
