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Numero do processo: 10650.900557/2009-98
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. O acórdão paradigma não tratou de nenhuma questão relativa à restituição/compensação de pagamento a maior de estimativa, tampouco tratou de situação onde há vínculo intrínseco entre o direito creditório originalmente pleiteado e aquele que acabou sendo reconhecido. O paradigma tratou de situação em que a contribuinte procurou compensar saldo negativo de um determinado ano-calendário (2001), e em que, diante do não reconhecimento desse saldo negativo, ela passou a pleitear que a compensação fosse realizada, então, com saldo negativo de outro ano-calendário (2002). Já o acórdão recorrido tratou de situação em que há vínculo intrínseco entre o direito creditório originalmente pleiteado e aquele que acabou sendo reconhecido, ou seja, entre o recolhimento de estimativa e o saldo negativo a ele correspondente (formado por esse mesmo recolhimento). A análise empreendida pelo acórdão paradigma sobre a questão da alteração do período de apuração do direito creditório não pode ser transposta para o contexto do acórdão recorrido. O recorrido deixou claro que o direito creditório reivindicado pela contribuinte (recolhimento de estimativa de IRPJ do mês de abril/2005) correspondia ao mesmo tributo e ao mesmo período de apuração do direito creditório que estava sendo reconhecido por aquela decisão (saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2005). Nada indica que o acórdão recorrido, se estivesse diante de situação semelhante à do paradigma, teria decidido diferente daquele. E o mesmo vale para o paradigma em relação à situação examinada pelo recorrido. Os contextos distintos justificam as diferentes decisões.
Numero da decisão: 9101-003.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Ausente, momentaneamente, a conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo Relator e Presidente em Exercício.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. O acórdão paradigma não tratou de nenhuma questão relativa à restituição/compensação de pagamento a maior de estimativa, tampouco tratou de situação onde há vínculo intrínseco entre o direito creditório originalmente pleiteado e aquele que acabou sendo reconhecido. O paradigma tratou de situação em que a contribuinte procurou compensar saldo negativo de um determinado anocalendário (2001), e em que, diante do não reconhecimento desse saldo negativo, ela passou a pleitear que a compensação fosse realizada, então, com saldo negativo de outro ano calendário (2002). Já o acórdão recorrido tratou de situação em que há vínculo intrínseco entre o direito creditório originalmente pleiteado e aquele que acabou sendo reconhecido, ou seja, entre o recolhimento de estimativa e o saldo negativo a ele correspondente (formado por esse mesmo recolhimento). A análise empreendida pelo acórdão paradigma sobre a questão da alteração do período de apuração do direito creditório não pode ser transposta para o contexto do acórdão recorrido. O recorrido deixou claro que o direito creditório reivindicado pela contribuinte (recolhimento de estimativa de IRPJ do mês de abril/2005) correspondia ao mesmo tributo e ao mesmo período de apuração do direito creditório que estava sendo reconhecido por aquela decisão (saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2005). Nada indica que o acórdão recorrido, se estivesse diante de situação semelhante à do paradigma, teria decidido diferente daquele. E o mesmo vale para o paradigma em relação à situação examinada pelo recorrido. Os contextos distintos justificam as diferentes decisões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 05 57 /2 00 9- 98 Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10650.900557/200998 Acórdão n.º 9101003.794 CSRFT1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Ausente, momentaneamente, a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo – Relator e Presidente em Exercício. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial quanto ao que se decidiu sobre direito creditório apurado a partir de recolhimento de estimativa mensal de IRPJ. A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 180201.119, de 01/02/2012, por meio do qual a 2a Turma Especial da 1a Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, deu provimento a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, para fins de reconhecer direito creditório apurado a partir de recolhimento de estimativa mensal de IRPJ, na forma de saldo negativo. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO INDÉBITO FORMADO A PARTIR DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. As estimativas mensais não podem ser objeto de restituição, e nem de compensação direta com outros tributos. O que se restitui ou compensa é sempre o saldo negativo. Mas isso não implica dizer que o exame do direito creditório fica inviabilizado porque a Contribuinte indicou como crédito o recolhimento feito a título de estimativa mensal, e não o saldo negativo do período, que é maior que o valor da estimativa a ser restituída/compensada. Tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam antecipações do devido ao final do período. Considerando que os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (anocalendário), que o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2005) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo que seria restituível/compensável, e que a Contribuinte apurou prejuízo no período, as antecipações de pagamento configuram indébito a ser restituído ou compensado, eis que caracterizam a Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10650.900557/200998 Acórdão n.º 9101003.794 CSRFT1 Fl. 4 3 formação de saldo negativo, ainda que a Ficha 12A da DIPJ não tenha sido devidamente preenchida. O art. 165 do CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos dessa espécie. O que realmente interessa é a averiguação acerca da existência e da liquidez do alegado crédito do Sujeito Passivo contra a Fazenda Pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, que negava provimento ao recurso. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente à matéria acima mencionada. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos a seguir: SÍNTESE DOS FATOS o presente processo foi formalizado para análise de declaração de compensação que utiliza como crédito pagamento a título de IRPJ estimativa mensal; a compensação não foi homologada, sob o fundamento de que as estimativas somente podem ser utilizadas na apuração do saldo do imposto correspondente ao final do ano calendário. De tal modo, somente o saldo negativo apurado é que pode ser objeto de restituição ou compensação; o contribuinte, em sede de manifestação de inconformidade, veicula a pretensão de retificação do crédito apontado na DCOMP, porquanto alega que as estimativas correspondem ao próprio saldo negativo; a DRJ não aceitou a pretensão deduzida na peça de irresignação, por entender que se tratava de inovação de pedido; ao apreciar o recurso voluntário interposto, a 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF deulhe provimento para homologar a compensação; esta decisão, no entanto, não merece prosperar, conforme se demonstrará a seguir; DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL a Turma “a quo” acatou as estimativas apontadas na DCOMP como crédito, considerandoas como saldo negativo; entretanto, ao assim decidir, a r. Turma contrariou o seguinte paradigma, oriundo da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF Acórdão de nº 1401000.396, cuja ementa segue transcrita em sua integralidade: Acórdão de nº 1401000.396 Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10650.900557/200998 Acórdão n.º 9101003.794 CSRFT1 Fl. 5 4 "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2002 Ementa: DCOMP RETIFICAÇÃO APÓS DECISÃO QUE NEGOU HOMOLOGAÇÃO À COMPENSAÇÃO – DESCABIMENTO. É inadmissível a retificação de DCOMP para alterar o exercício de apuração do saldo negativo de IRPJ informado, quando a declaração retificadora é apresentada posteriormente à ciência da decisão administrativa que negou homologação à compensação originalmente declarada. RETIFICAÇÃO DE DCOMP VIA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. A manifestação de inconformidade não é meio adequado para retificação da DCOMP, seja pela incompatibilidade dos instrumentos, seja pela preclusão da possibilidade de referida retificação após a decisão administrativa que negou a compensação originalmente declarada. Recurso voluntário negado.” cotejando o acórdão recorrido com o acórdão trazido à divergência, verificase, de plano, a semelhança das questões ali envolvidas, tendo em vista que, em ambos os casos, discutese a possibilidade de retificação da DCOMP após despacho decisório no sentido de se inovar no pedido de compensação pela indicação de crédito distinto do inicialmente apontado; entretanto, em que pese tenham enfrentado situações semelhantes, os acórdãos cotejados chegam a conclusões inteiramente distintas; isso porque, enquanto o acórdão recorrido homologou a compensação para aceitar a retificação de estimativa para saldo negativo como o crédito indicado pelo contribuinte em sua declaração, o acórdão paradigma se manifestou pela impossibilidade da análise da retificação da DCOMP após a decisão administrativa, por entender que se tratava de inovação em relação à matéria inicialmente discutida; com isso, demonstrouse que a r. decisão guerreada afrontou a jurisprudência deste Eg. CARF; DAS RAZÕES PARA A REFORMA DO ACÓRDÃO RECORRIDO nos termos do acima aventado, temos clara a necessidade de reforma do acórdão recorrido em razão de não espelhar a melhor exegese sobre a questão; conforme anotado na decisão de 1ª instância, a demonstração da existência de crédito líquido e certo deve ser feita desde o momento da apresentação da declaração de compensação, sob pena de desrespeito à própria natureza do instituto da compensação; não se pode admitir que um suposto crédito, não informado à Administração tributária até a ciência do despacho decisório que negou a homologação das compensações, Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10650.900557/200998 Acórdão n.º 9101003.794 CSRFT1 Fl. 6 5 seja admitido em momento tão tardio do processo, sem que tal tema tenha sido objeto de apreciação pela DRF responsável pela análise do pleito; os diplomas normativos regentes da matéria, quais sejam art. 74 da lei nº 9.430/96 e art. 170 do CTN deixam clara a necessidade da existência de créditos líquidos e certos no momento da declaração de compensação, hipótese em que o crédito tributário encontrarseia extinto sob condição resolutória, o que não ocorreu no caso dos autos; os créditos a serem compensados devem ser líquidos e certos e devem ser minuciosamente informados na declaração de compensação quando de sua apresentação, sob pena de invalidação do procedimento; assim, a declaração de compensação apresentada sem que o respectivo crédito que a lastreie seja comprovado desde logo, vindo apenas a ocorrer após a ciência do despacho decisório, não pode ser aceita uma vez que constitui inovação à lide sendo situação nova que não estava em discussão quando da análise inicial da existência do crédito; ressaltese que não se trata de prova de existência de crédito informado em declaração de compensação, situação em que caberia, uma vez comprovada a existência do crédito, a homologação das compensações, mas sim de crédito, suposto saldo negativo de IRPJ, não informado à Administração Tributária no momento oportuno; tal crédito somente foi informado após a ciência do despacho decisório, o que se reveste de situação nova, não passível de convalidação no presente momento; desta forma, temos que a DRF decidiu corretamente sobre as compensações realizadas de acordo com os elementos de que dispunha. A pretensão de retificação da DCOMP para fins de constar saldo negativo, crédito diverso do originalmente apontado (estimativas), por seu turno, apenas foi trazida em sede de manifestação de inconformidade, constituindo verdadeira inovação à matéria tratada nos autos, não podendo ser objeto de análise neste processo; a apreciação da compensação em sede estranha aos procedimentos que lhe são pertinentes não pode ser admitida; de tal sorte, qualquer discussão sobre a compensação, inclusive sobre erro no preenchimento do pedido correspondente, deve ser feita em sede própria; concluise, portanto, que o órgão julgador deve levar em consideração os dados informados na declaração de compensação apresentada pelo contribuinte para justificar a extinção do crédito tributário. Se considerar crédito diverso do apontado pelo contribuinte na via compensatória, a decisão conflita com o próprio procedimento de compensação, em que se analisa o crédito nela indicado e não outro; se entendesse ter ocorrido erro na indicação do direito creditório que pretendia compensar, o interessado, em momento oportuno, deveria ter solicitado ao órgão competente, no caso, a Delegacia da Receita Federal, por meio de processo administrativo, a retificação da declaração de compensação; aliás, esta é a orientação da Receita Federal, expressa na IN SRF nº 460/2004, in verbis: [...]; Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10650.900557/200998 Acórdão n.º 9101003.794 CSRFT1 Fl. 7 6 a mesma orientação é reproduzida na Instrução Normativa SRF 600/05: [...]; logo, o acórdão hostilizado violou o disposto no art. 170 do CTN e no art. 74, §3º, inciso V, da Lei nº 9.430/96, uma vez que o alegado erro de preenchimento da DCOMP pelo interessado não pode e não poderia ser admitido, eis que, a retificação da origem do crédito tem a mesma natureza de uma Declaração de Compensação de débitos não homologada, o que não é permitido nos termos das normas citadas; ademais, o decisum não observou os estreitos limites da lide, pois permitiu a inovação e ampliação de seus termos precisamente delimitados com a DCOMP, afrontando aqui também o art. 170 do CTN, pois não comprovado desde logo com a apresentação da DCOMP que o crédito posteriormente alegado (Saldo Negativo de IRPJ do ano calendário 2002) tratavase desde o início de crédito líquido e certo; em face do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) seja admitido e provido o presente recurso especial, para reformar o r. acórdão ora recorrido, mantendose a não homologação da compensação declarada. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 1200 00.131, de 13/05/2013, deu seguimento ao recurso, fazendo a seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] I Matérias objeto do recurso especial O dissídio jurisprudencial se manifesta quanto à discussão da possibilidade de interposição de pedido de restituição ou de compensação para haver de volta o valor do recolhimento a título de estimativas maior que o devido. [...] III Análise da admissibilidade do Recurso Especial Seguem abaixo o acórdão apontado como sendo paradigma seguido de sua respectiva ementa: Acórdão de nº 1401000.396 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2002 Ementa: DCOMP RETIFICAÇÃO APÓS DECISÃO QUE NEGOU HOMOLOGAÇÃO À COMPENSAÇÃO – DESCABIMENTO. É inadmissível a retificação de DCOMP para alterar o exercício de apuração do saldo negativo de IRPJ informado, quando a declaração retificadora é apresentada posteriormente à ciência da decisão administrativa que negou homologação à compensação originalmente declarada. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10650.900557/200998 Acórdão n.º 9101003.794 CSRFT1 Fl. 8 7 RETIFICAÇÃO DE DCOMP VIA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. A manifestação de inconformidade não é meio adequado para retificação da DCOMP, seja pela incompatibilidade dos instrumentos, seja pela preclusão da possibilidade de referida retificação após a decisão administrativa que negou a compensação originalmente declarada. Recurso voluntário negado. [...] Do simples confronto da ementa e voto do acórdão recorrido com a ementa e voto do acórdão apontado como paradigma, é possível se concluir que houve o dissídio jurisprudencial. Isso porque se trata da mesma matéria fática e a divergência de julgados, nos termos Regimentais, referese a interpretação divergente em relação ao mesmo dispositivo legal, que no caso em questão é a discussão da possibilidade de interposição de pedido de restituição ou de compensação para haver de volta o valor do recolhimento a título de estimativas maior que o devido. Assim, o mero cotejo entre as ementas e os votos (recorrido e paradigma) já é possível caracterizar a divergência, haja vista que tipifica tratamentos diferenciados, vez que, no recorrido concluise, que o recolhimento a título de estimativas em montante maior que o devido após retificação na base de cálculo faz gerar indébito passível de repetição pela via da compensação. Por sua vez, o acórdão apontado como sendo paradigma conclui, que após o término do anocalendário, não é dado ao contribuinte pleitear a restituição de valores recolhidos a título de estimativa, tampouco indicar tais valores como créditos em DCOMP, já que o eventual pagamento a maior de estimativa também é absorvido no cálculo do IRPJ efetivamente devido e, por inerência, repercute na composição do saldo positivo ou negativo do imposto. Cabendo ao contribuinte, portanto, solicitar a restituição ou compensar eventual saldo negativo de IRPJ. IV Conclusão Assim sendo, com fundamento nos artigos 68 e 69, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial, interposto pela Fazenda Nacional, para que seja reapreciada a discussão sobre a possibilidade de interposição de pedido de restituição ou de compensação para haver de volta o valor do recolhimento a título de estimativas maior que o devido. Em 06/09/2013, a contribuinte foi cientificada do Acórdão nº 180201.119, do recurso especial da PGFN, e do despacho que deu seguimento a esse recurso, e ela não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10650.900557/200998 Acórdão n.º 9101003.794 CSRFT1 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Não há condições para se conhecer do recurso especial. O exame de admissibilidade, embora tenha transcrito corretamente a ementa do acórdão paradigma, Acórdão nº 1401000.396, certamente utilizou outra decisão para fazer o cotejo com o acórdão recorrido. O Acórdão paradigma nº 1401000.396 tratou de situação em que a contribuinte, com a apresentação de manifestação de inconformidade, procurou alterar o exercício de apuração do saldo negativo de IRPJ informado no Per/Dcomp, o que não foi aceito pelas decisões de primeira e segunda instâncias administrativas proferidas naquele outro processo. O relatório constante do acórdão paradigma esclarece bem esse aspecto: Trata o presente feito de pedido de restituição e declaração de compensação –PER/DCOMP, formulado pela Recorrente tendo por direito creditório a existência de saldo negativo de IRPJ. Na DCOMP apresentada, a Recorrente apontou, como direito creditório passível de restituição, saldo negativo acumulado no anocalendário 2001, no montante de R$1.270.880,97 (um milhão, duzentos e setenta mil, oitocentos oitenta reais e noventa e sete centavos). Em análise do pedido perante a DERAT, o pedido de restituição foi negado por ausência de certeza da existência do crédito, uma vez que, com relação ao referido anocalendário de 2001, a Recorrente havia sofrido autuação fiscal, consolidada no processo nº 18.471.002.169/200536. Notificada a Recorrente, esta apresentou manifestação de inconformidade alegando que teria havido erro na emissão da DCOMP, que apontou como direito creditório o saldo negativo do anocalendário 2001 quando, em verdade, o direito creditório postulado se referia ao ano calendário 2002. Assim, requereu fosse determinada nova análise do pedido perante a DERAT, tomando em consideração o saldo negativo do ano calendário 2002 ou, alternativamente, fosse o seu direito creditório reconhecido, com a homologação das compensações postuladas. [...] Mas o Despacho de Exame de Admissibilidade registrou que o paradigma também tratou da "discussão da possibilidade de interposição de pedido de restituição ou de compensação para haver de volta o valor do recolhimento a título de estimativas maior que o devido", e que "o acórdão apontado como sendo paradigma conclui, que após o término do anocalendário, não é dado ao contribuinte pleitear a restituição de valores recolhidos a título de estimativa, tampouco indicar tais valores como créditos em DCOMP, já que o eventual pagamento a maior de estimativa também é absorvido no cálculo do IRPJ efetivamente devido Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10650.900557/200998 Acórdão n.º 9101003.794 CSRFT1 Fl. 10 9 e, por inerência, repercute na composição do saldo positivo ou negativo do imposto. Cabendo ao contribuinte, portanto, solicitar a restituição ou compensar eventual saldo negativo de IRPJ." Como visto acima, o referido paradigma não tratou de nenhuma questão relativa à restituição/compensação de pagamento a maior de estimativa, tampouco tratou de situação onde há vínculo intrínseco entre o direito creditório originalmente pleiteado e aquele que acabou sendo reconhecido. O paradigma tratou de situação em que a contribuinte procurou compensar saldo negativo de um determinado anocalendário (2001), e em que, diante do não reconhecimento desse saldo negativo, ela passou a pleitear que a compensação fosse realizada, então, com saldo negativo de outro anocalendário (2002). Já o acórdão recorrido tratou de situação em que há vínculo intrínseco entre o direito creditório originalmente pleiteado e aquele que acabou sendo reconhecido, ou seja, entre o recolhimento de estimativa e o saldo negativo a ele correspondente (formado por aquele mesmo recolhimento). Vale a pena transcrever o voto que orientou o acórdão recorrido: [...] Conforme relatado, a Contribuinte questiona a não homologação de uma Declaração de Compensação enviada em 18/04/2006. O crédito informado na DCOMP corresponde a um recolhimento no valor de R$ 2.397,05, a título de estimativa de IRPJ do mês de abril/2005, e o débito a ser compensado também corresponde a IRPJ/estimativa, referente ao mês de dezembro de 2004. A decisão recorrida está fundamentada nos seguintes termos: (...) O não reconhecimento do direito creditório ocorreu porque o crédito, indicado na Dcomp, referese a pagamento a título de estimativa mensal de imposto de renda da pessoa jurídica tributada pelo lucro real e somente pode ser utilizado na dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ, no caso, do anocalendário de 2005. Aduz a contribuinte que os valores, pagos por estimativa, compõem o saldo negativo de IRPJ na apuração ao final do anocalendário de 2005, pois a empresa fechou o ano com prejuízo. Assim, os créditos, objetos dos pedidos de compensações, relativos a pagamentos indevidos ou a maiores a título de estimativa mensal, se referem especificamente ao saldo negativo desse ano. Da análise dos documentos extraídos dos sistemas informatizados da RFB, fls. 44 a 55, verificase que não consta na DIPJ/2006, apresentada pela contribuinte em 28/06/2006, mais especificamente na Ficha 12A “CÁLCULO DO IR SOBRE O LUCRO REAL PJ EM GERAL”, a apuração do saldo negativo para o anocalendário de 2005. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10650.900557/200998 Acórdão n.º 9101003.794 CSRFT1 Fl. 11 10 Constatase ainda que a contribuinte promoveu o cancelamento, através de retificação da DCTF em 18/04/2006, de todos os valores declarados a título de estimativa mensal do referido ano. Sobre a situação fática supra evidenciada, concluise que o direito creditório, indicado na Dcomp, referese, na verdade, ao pagamento relativo à estimativa devida mensalmente e não ao saldo negativo, conforme alegado, não havendo que se falar em erro de fato. E mais, a pretensão da requerente, aduzida na manifestação de inconformidade, no sentido de alterar a origem do crédito, de pagamento a maior de estimativa para saldo negativo, equivale a um pedido de retificação do crédito. Tal solicitação não é possível nessa fase processual. (...) Além disso, a análise de pedido de retificação da Dcomp é de competência da DRF de jurisdição do contribuinte. Nas lides que versam sobre declaração de compensação, a Delegacia de Julgamento somente possui competência para apreciar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação das compensações declaradas, de acordo com disposições contidas no Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF n° 587, de 2010. A empresa não apresentou pedido de retificação da DCOMP anteriormente à ciência (02/04/2009 fl. 42) do Despacho Decisório eletrônico de fl. 3, que não homologou a compensação, e, pelas razões expostas acima, não cabe aqui ser formulado, tampouco apreciado. Por todo o exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade e ratificar o Despacho Decisório de fl. 3. Realmente, as estimativas mensais não podem ser objeto de restituição, e nem de compensação direta com outros tributos. O que se restitui ou compensa é sempre o saldo negativo. Contudo, isso não implica dizer que o exame do direito creditório fica inviabilizado porque a Contribuinte indicou como crédito o recolhimento feito a título de estimativa mensal. Não é incomum a ocorrência de processos em que pedidos de restituição/ compensação de IR/fonte ou IRPJ/estimativa são examinados na ótica de sua repercussão no resultado final do período, na medida em que contribuem para a caracterização de saldo negativo. Isto porque tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam antecipações do devido ao final do período. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período, fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado, mas somente a partir do ajuste. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10650.900557/200998 Acórdão n.º 9101003.794 CSRFT1 Fl. 12 11 No caso, a Contribuinte enviou a Declaração de Compensação após o encerramento do anocalendário. Também é importante destacar que os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (ano calendário), e que embora a Contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de abril/2005, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2005) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo que seria restituível/compensável. A indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, realmente, não pode ser obstáculo ao pleito da Contribuinte. O que importa é saber se houve ou não apuração de tributo devido no anocalendário de 2005, e qual a repercussão da estimativa em questão no ajuste final. Vêse, pela DIPJ acostada aos autos (fls. 139 a 162), que a Contribuinte apurou estimativas de IRPJ com base na receita bruta até o mês de abril/2005, e que a partir do mês de maio passou a apurar balancetes de suspensão, indicando prejuízo fiscal até o final do ano, com saldo negativo de IR a pagar em dezembro de 2005, no valor de R$ 10.821,08. O fato de a Contribuinte não ter deduzido na Ficha 12A da DIPJ (fls. 150) as estimativas recolhidas ao longo do ano com base na receita bruta, para fins de indicar nesta ficha o mesmo valor de R$ 10.821,08 a título de saldo negativo não pode prejudicar a restituição/compensação do indébito. Se ela apurou prejuízo no período, e este se encontra homologado, eis que não há nenhuma notícia de reversão do resultado por meio de auto de infração, as antecipações de pagamento configuram indébito a ser restituído ou compensado. Como já mencionado, a estimativa é um pagamento, ainda que antecipado, e no caso de ela se configurar como um pagamento indevido, que caracteriza a formação de saldo negativo, subsiste o direito à repetição, mesmo diante de um equívoco no preenchimento da DIPJ (não preenchimento da Ficha 12A). Com efeito, o art. 165 do CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos dessa espécie. O que realmente interessa é a averiguação acerca da existência e da liquidez do alegado crédito do Sujeito Passivo contra a Fazenda Pública. Nesse mesmo passo, também não há maiores problemas em relação à retificação equivocada das DCTF, para zerar as estimativas mensais anteriormente declaradas/confessadas. Em relação a isso, é importante lembrar que as estimativas declaradas em DCTF e não recolhidas, nem mesmo são encaminhadas à execução fiscal, porque o art. 44 da Lei 9.430/1996 prevê um tratamento específico para o caso de falta de recolhimento de estimativa, que consiste na aplicação de multa isolada. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10650.900557/200998 Acórdão n.º 9101003.794 CSRFT1 Fl. 13 12 Assim, o fato de não mais constar da DCTF o valor recolhido a título de estimativa, em razão da retificação desta declaração, não tem qualquer reflexo na formação/caracterização de saldo negativo a ser restituído/ compensado. A ausência de declaração em DCTF não suprime o efeito das antecipações que foram efetivamente recolhidas. No caso, a estimativa foi paga e a Contribuinte apurou prejuízo no período, que se encontra homologado pelo decurso do tempo. Portanto, há o direito à repetição do que foi pago indevidamente, a título de antecipação. Tratandose de estimativa mensal efetivamente recolhida, o fato de o “débito” a título de estimativa não constar de DCTF é ainda mais irrelevante, eis que ao final do período em que se apurou prejuízo, o pagamento antecipado (correspondente àquele débito) passa a configurar indébito a ser restituído/compensado. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para homologar a compensação, no limite do crédito tributário. A análise empreendida pelo acórdão paradigma sobre a questão da alteração do período de apuração do direito creditório não pode ser transposta para o contexto do acórdão recorrido. Isto porque o acórdão recorrido deixou claro que o direito creditório reivindicado pela contribuinte (recolhimento de estimativa de IRPJ do mês de abril/2005) correspondia ao mesmo tributo e ao mesmo período de apuração do direito creditório que estava sendo reconhecido por aquela decisão (saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2005). O fato é que a contribuinte tinha apurado prejuízo em 2005, e o entendimento foi de que, como as estimativas são consideradas meras antecipações, elas convertemse em saldo negativo passível de restituição/compensação. E nesse tipo de situação, as questões sobre a possibilidade de "alteração" do direito creditório no curso do processo adquirem muita particularidade. Não era incomum os contribuintes indicarem o direito creditório como sendo as próprias estimativas. Ou seja, em vez de reivindicarem todo o saldo negativo de um determinado período de apuração de uma só vez, em um único Per/Dcomp, os contribuintes apresentavam vários Per/Dcomp, cada um deles correspondendo a um recolhimento de estimativa feito para o mesmo período de apuração, até porque a indicação precisa da origem do direito creditório está relacionada à indicação de um DARF, e não há nenhum DARF de saldo negativo, o que normalmente existe são os DARF das estimativas. Em vez de reivindicarem o todo, os contribuintes reivindicavam partes desse mesmo todo, e isso era levado em conta quando se analisava a questão da alteração do direito creditório no curso do processo. É esse o contexto que orientou a decisão proferida no acórdão recorrido, e que impede o cotejo deste com o acórdão paradigma, onde a contribuinte pretendeu alterar o período de apuração do direito creditório, ou seja, modificar o direito creditório em sua própria essência. Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10650.900557/200998 Acórdão n.º 9101003.794 CSRFT1 Fl. 14 13 O acórdão paradigma não serve para a caracterização da alegada divergência porque ele não tratou de situação semelhante à do acórdão recorrido (reconhecimento do direito creditório na forma de saldo negativo, saldo negativo que continha a estimativa indicada pela contribuinte no Per/Dcomp, como sendo o indébito a ser restituído/compensado). Nada indica que o acórdão recorrido, se estivesse diante de situação semelhante à do paradigma, teria decidido diferente daquele. E o mesmo vale para o paradigma em relação à situação examinada pelo recorrido. Os contextos distintos justificam as diferentes decisões. Desse modo, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 227DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.912039/2011-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.776
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13839.912032/2011-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13839.912032/201118, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior RELATÓRIO Trata o presente processo administrativo de pedido de restituição realizado através de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. A unidade de origem proferiu despacho decisório indeferindo o crédito pleiteado, sob o fundamento de que o pagamento da guia DARF do período foi identificado, no entanto, integralmente utilizado para quitação dos débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .9 12 03 9/ 20 11 -2 1 Fl. 321DF CARF MF Processo nº 13839.912039/201121 Resolução nº 3301000.776 S3C3T1 Fl. 3 2 Intimada da decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade para instaurar o contencioso administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/1972, juntando documentos para subsidiar a existência de seu crédito. Em síntese, a contribuinte afirmou: O recolhimento a maior no período de apuração decorre de uma revisão de seus lançamentos, onde identificou um crédito de tributo em virtude da inclusão de receitas financeiras na base de cálculo das contribuições PIS/COFINS, nos termos do art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998, antes da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF. Em razão da consolidação do entendimento do STF pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo, afirma que a Administração Pública tem o dever de devolver o que restou recolhido indevidamente, em obediência aos princípios garantidos na Constituição Federal (art. 37). Transcreveu o art. 1º do Decreto nº 2346/1997, e sustentou que cabe aos órgãos administrativos aplicar o entendimento firmado pelo STF, no exercício de sua competência de apreciar a constitucionalidade das leis. Requer a aplicação do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual dispõe expressamente sobre a obrigação de seus julgadores afastarem a aplicação de lei julgada inconstitucional em decisão definitiva proferida pelo Plenário do STF. Quanto ao crédito, argumentou que no mês de apuração em foco, considerando a original vigência da Lei nº 9.718, de 1998, apurou a contribuição com a inclusão de receitas financeiras à base de cálculo, conforme comprova a sua DIPJ do período, anexada aos autos. Apresenta relatórios contábeis detalhando o crédito pleiteado, afirmando que decorre exclusivamente das receitas financeiras. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Em suas razões de voto, a DRJ trouxe os seguintes argumentos: A declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no controle difuso somente obriga a Administração Tributária em relação aos autores das ações em que foram prolatadas e não em relação aos demais contribuintes, mesmo nos casos, como o do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, em que a inconstitucionalidade foi reconhecida pela Suprema Corte inclusive sob o rito do art. 543B, do CPC (RE nº 585.235), que trata da repercussão geral de recursos com fundamento em idêntica controvérsia. Não foi expedido o ato da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, e, além disto, as decisões proferidas pelo STF sobre a questão não têm efeitos erga omnes. O Despacho Decisório em exame não homologou a compensação pretendida, mediante a justificativa de inexistência de saldo disponível em favor do contribuinte, uma vez Fl. 322DF CARF MF Processo nº 13839.912039/201121 Resolução nº 3301000.776 S3C3T1 Fl. 4 3 que o recolhimento da contribuição, ora examinado, está integralmente vinculado a débitos do contribuinte. Quando da interposição da manifestação de inconformidade, o contribuinte tem o dever de apresentar as provas em torno da pertinência da restituição, total ou parcial, do pagamento espontaneamente efetuado. A DIPJ e o demonstrativo de cálculo da composição da referida receita, denominado "Referência Contábil", elaborado pelo próprio contribuinte, não é meio legítimo, por si só e independentemente dos necessários elementos comprobatórios, para justificar o direito à restituição. Inconformada da r. decisão, a contribuinte apresentou, no prazo, seu Recurso Voluntário que ora se analisa, repisando os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade, acrescentando: A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional publicou em março de 2010 a Portaria nº 294/2010, autorizando os Procuradores da Fazenda Nacional a não apresentar contestação e não interpor recursos, bem como desistir dos já interpostos, para os casos em que se discute o alargamento da base de cálculo perpretada pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998, tendo em vista a decisão do Plenário do STF, no julgamento do RE nº 585.235, julgado sob o rito da repercussão geral prevista no art. 543B do CPC, que reconheceu a inconstitucionalidade do dispositivo. Ainda, para demonstrar a liquidez do crédito, junta aos autos balancetes contábeis para complementar os demonstrativos contábeis (memória de cálculo) e a DIPJ trazidos com a manifestação de inconformidade. Invocando a verdade material, requer a realização de diligência para verificação das receitas financeiras auferidas no período de apuração em referência para fins de constatar o crédito pleiteado pela Recorrente. É a síntese do necessário VOTO Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.768, de 26 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.912032/201118, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.768): "O recurso voluntário foi interposto no prazo e reúne os pressupostos legais de interposição. Realizada a suma adrede, passase a analisar as questões levantadas, especialmente sobre i) a decisão de indeferimento fundamentada no valor Fl. 323DF CARF MF Processo nº 13839.912039/201121 Resolução nº 3301000.776 S3C3T1 Fl. 5 4 informado em DCTF com a correspondente quitação do montante declarado, não havendo crédito a compensar; ii) a análise do crédito decorrente de receitas financeiras a partir das provas juntadas aos autos; iii) a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF; I) Do indeferimento do pedido de restituição diante da inexistência de retificação da DCTF Neste ponto, é relevante a análise da decisão que indeferiu o pedido de restituição, sob a fundamentação de que foi efetuada uma declaração por DCTF e a DARF discriminada no PER/DCOMP foi inteiramente utilizada para quitar o débito do contribuinte, não restando crédito para a restituição, verbis: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O significado que se extrai deste despacho decisório é que a Recorrente apresentou o PER/DCOMP, mas não realizou a retificação da DCTF do período correspondente, qual seja, 12/2000. Desta feita, o montante pago foi utilizado para cobrir integralmente um débito declarado, não havendo excesso resultante do pagamento indevido. Ressaltese, no entanto, que a retificação da DCTF, por si só, não se presta para solidificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte, sendo indispensável a apresentação de prova, tais como demonstrativos contábeis, para aferição do crédito. Neste sentido, já se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste E. CARF, no julgamento do processo 10909.900175/200812, manifestando o entendimento no acórdão nº 9303005.520 (sessão de 15/08/2017), no sentido de que, mesmo no caso de uma a retificação posterior ao Despacho Decisório, não há impedimento para o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, comparecendo nos autos com qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que cometera no preenchimento da DCTF (escrita contábil e fiscal): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado. Este entendimento vem sendo adotado em sede de Recurso Voluntário pelo E. CARF, conforme se destaca das ementas abaixo: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 14/11/2003 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. Fl. 324DF CARF MF Processo nº 13839.912039/201121 Resolução nº 3301000.776 S3C3T1 Fl. 6 5 O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Número do Processo 10283.902681/200913. Relator WALBER JOSE DA SILVA. Data da Sessão 21/05/2013. Nº Acórdão 3302002.104) Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2001 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente, diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2011 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585.235 QORG. (Número do Processo 10280.905792/201126. Relatora SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA. Data da Sessão 27/07/2017. Nº Acórdão 3302004.623) (grifo não consta do original) Esta colenda 1ª TO da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF tem manifestado entendimento no mesmo sentido, segundo a qual, em razão da verdade material, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte pode ser demonstrada por outros elementos de prova, independentemente da retificação da DCTF, conforme é possível constatar pelo recente acórdão relatado pela ilustre conselheira Semíramis de Oliveira Duro: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. (...) Recurso Voluntário provido. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 13839.912039/201121 Resolução nº 3301000.776 S3C3T1 Fl. 7 6 (Número do Processo 11060.900738/201311. Relatora SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO.Data da Sessão 17/04/2018. Nº Acórdão 3301 004.545) Desta feita, o que é necessário verificar é a existência de comprovação pela Recorrente, nos autos, trazendo elementos de prova capaz de trazer liquidez e certeza de seu crédito. Análise a ser realizada a seguir. II) Da liquidez e certeza do crédito Neste ponto, a Recorrente argumentou que no mês de apuração em foco (12/2000), considerando a original vigência da Lei nº 9.718/1998, apurou a contribuição com a inclusão de receitas financeiras à base de cálculo. Para demonstrar o montante de crédito a que tem direito, juntou aos autos a sua DIPJ do exercício 2001 (fls. 68201), onde se constata em fls. 90, na ficha 19A, correspondente ao cálculo da contribuição ao PIS, a informação presente no tem 02 o montante de R$ 1.665.065,93 a título de receitas de variações cambiais, que corresponde exatamente ao montante de R$ 10.822,93 se aplicada a alíquota de 0,65% sobre esta base de cálculo. Também juntou em fls. 67 um demonstrativo contábil referente ao mês de dezembro/2000, onde consta este mesmo montante discriminado como "receitas financeiras líquidas". A r. decisão proferida pela d. DRJ afirmou que tais documentos são meramente informativos, não sendo capazes de informar a origem e veracidade do crédito. No entanto, a DIPJ, por ser uma obrigação acessória exigida pela legislação, constitui sim importante elemento de prova, com forte indício de veracidade das informações ali constantes. Em que pese a d. DRJ não ter aceitado a DIPJ como prova suficiente para dar liquidez e certeza ao crédito pleiteado pela Recorrente, é de se observar que as informações constantes nesta mesma DIPJ foram, na época, utilizadas para formar a base de cálculo da contribuição ao PIS e calcular o montante de imposto devido para ser informado na DCTF. Depreendese de fls. 90 (DIPJ) a informação contida no item 15, informandose o montante total das receitas auferidas no período, somandose o faturamento com as receitas financeiras, correspondendo à base de cálculo da contribuição. Sobre este montante total de R$ 83.720,52, incluindose as receitas financiras, foi declarado em DCTF e pago o montante de PIS respectivo via guia DARF (fls. 56). Assim, estas informações prestaram para subsidiar a declaração acerca do montante de tributo devido, mas, segundo a DRF, não se prestam a informar o montante de tributo recolhido a maior. Não faz sentido. As informações presentes na DIPJ, é verdade, possui caráter meramente informativo, assim como qualquer outra prova. A declaração prestada neste documento revela uma presunção de que os valores nela prestados corresponderiam ao fato gerador materializado. A Recorrente apresentou, com seu Recurso Ordinário, balancetes do exercício do ano 2000 para trazer mais elementos de prova a fim de subsidiar a liquidez e certeza do crédito pleiteado (fls. 265277). No entanto, o valor informado a título de receitas financeiras na DIPJ (fls. 90) é maior do que o valor informado no balancete de dezembro/2000 (fls. 274). Fl. 326DF CARF MF Processo nº 13839.912039/201121 Resolução nº 3301000.776 S3C3T1 Fl. 8 7 Na DIPJ resta informado um total de R$ 1.665.065,93 a título de receita financeira, o que representa o valor de R$ 10.822,93 de PIS, valor este pleiteado no PER/DCOMP. Por sua vez, tanto no demonstrativo de cálculo apresentado nas razões do Recurso Voluntário (fls. 218219), quanto nos balancetes referidos, a Recorrente afirma que o valor das receitas financeiras auferidas é de R$ 1.572.443,97, cujo montante de contribuição ao PIS representa R$ 10.220,89. Em outros termos, o montante de crédito decorrente do pagamento de PIS a maior sobre suas receitas financeiras demonstrado no recurso voluntário é um pouco inferior ao crédito pleiteado no PER/DCOMP. Não restam dúvidas, portanto, da existência de recolhimento de PIS sobre receitas financeiras no período em análise. Entretanto, apesar de não ter ocorrido a retificação da DCTF e em virtude do princípio da verdade material, acolho os balancetes juntados com o Recurso Voluntário para fins de complementação do acervo probatório. III) Da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF Quanto ao ponto sobre a incidência da contribuição ao PIS sobre receitas financeiras, auferidas por entidade que não desenvolva atividade financeira. Sobre este assunto, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou, inclusive em sede de repercussão geral, acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998, por pretender alargar o conceito de faturamento, estabelecendo as receitas totais da pessoa jurídica como base de cálculo das contribuição para o PIS e COFINS. Tratase do RE nº 585.235 e desde 2010 a PGFN já se manisfestou formalmente, por meio da Portaria PGFN 294/2010, no sentido de dispensar os procuradores da fazenda nacional a contestar ou recorrer nesta matéria. E esta conduta já é adotada mesmo antes da decisão da d. DRJ proferida nestes autos, inobstante a afirmação lá contida no sentido de que não existia ato oficial da PGFN. Item 1, Anexo I, Portaria PGFN nª 294/2010 Resumo: É inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, eis que tais exações devem incidir, apenas, sobre as receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços (conceito restritivo de receita bruta), e não sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica (conceito ampliativo de receita bruta). (...) DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: o PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidencia do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Nestes termos, é de rigor a aplicação do art. 62, § 1º, I e II, "b" e "c" do anexo II do RICARF, no sentido de que os membros das turmas de julgamento do CARF estão autorizados afastar a aplicação lei sob fundamento de inconstitucionalidade nos casos em que este entendimento já foi manifestado por decisão definitiva em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal ou decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado em Fl. 327DF CARF MF Processo nº 13839.912039/201121 Resolução nº 3301000.776 S3C3T1 Fl. 9 8 repercussão geral nos termos dos arts. 543B do CPC/193, ou mesmo no caso de existência de Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Preenchese as três hipóteses do Regimento Interno do CARF (RICARF) este caso de alargamento da base cálculo das contribuições PIS/COFINS intentada pelo disposto no art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998. Neste sentido: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2000 a 30/11/2002, 01/07/2003 a 31/07/2004, 01/09/2004 a 30/09/2004 Ementa: NÃO INCIDÊNCIA DO PIS SOBRE RECEITAS NÃO OPERACIONAIS E VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. REGIME CUMULATIVO DO PIS. CONCEITO DE FATURAMENTO PARA INCIDÊNCIA NA BASE DE CÁLCULO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Por força do Art. 62A, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, é obrigatória a aplicação do entendimento do STF sobre o conceito de faturamento ("faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadoria e serviços" vejam julgamentos dos Recursos Extraordinários 346.084, DJ 01/09/2006 Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio, 357.950, 358.273 e 390.840 todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio). Sendo "receitas" não operacionais e variações cambiais ativas, e, portanto, não se tratando de "faturamento" vinculado às receitas oriundas das prestações de bens e serviços, não há como incidir o PIS. (Número do Processo 13502.000463/200585. Nº Acórdão 3201 003.681. Data da Sessão 22/05/2018) Resta, portanto, consolidado o entendimento acerca da não incidência de PIS sobre receitas financeiras, quando não constituírem receita operacional da empresa, no contexto da aplicação da Lei 9.718/1998. Como o período de apuração em que se discute o pagamento indevido é 12/2000, em tal momento aplicavase para a Recorrente o regime de tributação previsto na Lei 9.718/1998. Entretanto, apesar de não ter ocorrido a retificação da DCTF e em virtude do princípio da verdade material, como os balancetes foram juntados com o recurso voluntário e, ainda, os valores demonstrados nestas provas são inferiores aos valores pleiteados no PER/DCOMP e informados na DIPJ, tendo em vista, ainda, sua possibilidade de influência no julgamento da causa, submeto estes documentos para apreciação da Recorrida, em diligência para confirmação dos créditos, para posterior retorno para julgamento. Isto posto, uma vez comprovada a inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição ao PIS no período em referência, e uma vez comprovada a liquidez e certeza do crédito a restituir declarado pelo contribuinte, será de rigor reconhecer o direito à restituição pleiteado pelo contribuinte. No entanto, a liquidez e certeza do crédito ainda não está clara, diante da divergência entre os valores informados no PER/DCOMP e DIPJ e os valores Fl. 328DF CARF MF Processo nº 13839.912039/201121 Resolução nº 3301000.776 S3C3T1 Fl. 10 9 informados nos balancetes a título de receitas financeiras auferiras. Por isso, é necessária a conversão do feito em diligência pra fins de: 1. verificação dos balancetes juntados com o recurso voluntário, confrontandoos com os valores demonstrados e pleiteados no PER/DCOMP e DIPJ; 2. elaboração de relatório discriminando as receitas financeiras do período; 3. a identificação do montante de PIS indevidamente recolhido, se houver receitas financeiras no período; 4. Em seguida, dêse vista ao contribuinte, para manifestação sobre o resultado da diligência em 30 dias. 5. posterior retorno para julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para fins de: 1. verificação dos balancetes juntados com o recurso voluntário, confrontando os com os valores demonstrados e pleiteados no PER/DCOMP e DIPJ; 2. elaboração de relatório discriminando as receitas financeiras do período; 3. a identificação do montante de PIS/COFINS indevidamente recolhido, se houver receitas financeiras no período; 4. Em seguida, dêse vista ao contribuinte, para manifestação sobre o resultado da diligência em 30 dias. 5. posterior retorno para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 329DF CARF MF
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Numero do processo: 10240.001474/2004-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1998
Ementa:
SÚMULA CARF nº 2.
Este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 1301-003.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 1998 Ementa: SÚMULA CARF nº 2. Este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme súmula CARF nº 2.
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Este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 14 74 /2 00 4- 31 Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 10240.001474/200431 Acórdão n.º 1301003.302 S1C3T1 Fl. 1.194 2 Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório SERVIÇOS DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS DE RONDÔNIA SEBRAE/RO., já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 1a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) DRJ/BEL (efls. 300 e ss), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação do contribuinte e manteve o lançamento de IRPJ, CSLL, e COFINS, no valor total de R$541.460,39, com juros de mora e multa de ofício de 75%. Do Lançamento Valhome do Relatório do Acórdão recorrido de efls. 300 e ss.: Quanto ao IRPJ, a autuação decorreu de duas infrações distintas: a) omissão de receitas decorrentes de depósitos bancários não contabilizados; e b) falta de recolhimento ou de declaração de imposto de renda. Quanto à CSLL e à COFINS, o lançamento decorreu unicamente da omissão de receitas. Da Impugnação Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Impugnação, de fls. 238/257, que aduziu os seguintes argumentos: Fl. 1194DF CARF MF Processo nº 10240.001474/200431 Acórdão n.º 1301003.302 S1C3T1 Fl. 1.195 3 Em julgamento realizado em 06 de abril de 2006, a 1ª Turma da DRJ/BEL, considerou improcedente a impugnação da contribuinte e prolatou o acórdão 5.757 assim ementado: Assunto: : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998, 1999 Ementa: IMUNIDADE. ENTIDADES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. REQUISITOS DETERMINADOS POR LEI. Somente farão jus à imunidade constitucional sobre impostos e contribuições as entidades reconhecidas como de assistência social, desde que satisfaçam os requisitos previstos em lei. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. RETROATIVIDADE DA LEI Nº 10.174/2001. DETERMINAÇÃO JUDICIAL DA QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. Fl. 1195DF CARF MF Processo nº 10240.001474/200431 Acórdão n.º 1301003.302 S1C3T1 Fl. 1.196 4 Se, no caso, houve a quebra do sigilo bancário do sujeito passivo mediante determinação judicial, tornase estéril a discussão acerca da retroatividade da Lei nº 10.174/2001, pois a ordem judicial de quebra do sigilo prepondera sobre a administrativa. FALTA DE RECOLHIMENTO OU DE DECLARAÇÃO DE TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A omissão ou inexatidão por parte do sujeito passivo no que se refere à sua obrigação de antecipar o pagamento do tributo sujeito ao lanaçemtno por homologação, ou a falta de sua declaração, enseja a necessidade de lançamento de ofício, acompanhado da multa correspondente. ALÍQUOTA DA MULTA DE OFÍCIO. A aplicação do percentual de multa de ofício de 75% tem previsão contida em lei. Pelo caráter vinculado da atividade do lançamento, é obrigatória a utilização daquela alíquota, não cabendo aspecto dicricionário para sua escolha. CSLL. COFINS. OMISSÃO DE RECEITA. LANÇAMENTO REFLEXO. ANOCALENDÁRIO 1998. A decisão aplicada ao lançamento principal (IRPJ) afeta, de igual maneira, o lançamento reflexo, quando existe identidade entre os respectivos fatos geradores. Lançamento procedente. Do Recurso Voluntário A contribuinte apresentou Recurso Voluntário às efls. 311 e ss, atendose aos seguintes pontos: da preliminar de nulidade do auto de infração por haver a inclusão de valores que não podem ser considerados como receita passível de tributação; da multa aplicada infringência ao princípio que veda o confisco e ao princípio da proporcionalidade da sanção à infração cometida; Dos Acórdãos De Recurso Voluntário e Especial Assim, os autos chegaram ao CARF e em 25/04/2007, por meio do Acórdão 10516.411, efls. 350 e ss, o Colegiado acordou, por unanimidade de votos, em declarar a nulidade dos lançamentos por vício formal, já que não foi obedecido o rito prévio do art. 32 da Lei 9.430/96, em seu parágrafo 3º determina, com exclusividade, que o Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, como detentores da competência para decidir e expedir o ato declaratório suspensivo, sendo que no caso em tela, a fiscalização reconheceu a natureza jurídica da fiscalizada, mas decidiu de forma unilateral que ela não era beneficiária da imunidade, o que lhe era defeso. Fl. 1196DF CARF MF Processo nº 10240.001474/200431 Acórdão n.º 1301003.302 S1C3T1 Fl. 1.197 5 A PGFN entrou com Recurso Especial em 25/05/2007, pugnando pela reforma do acórdão, para que fosse afastada a nulidade por vício formal os lançamentos de CSLL e COFINS, a decisão foi dada em 22/02/2011, através do Acórdão 9101000.877, de e fls. 391, que deu parcial provimento ao recurso, por maioria de votos, para afastar a preliminar de nulidade do lançamento por vício formal, em relação à COFINS do anocalendário de 1998, determinando o retorno dos autos para análise do Recurso Voluntário em relação à COFINS do anocalendário de 1998. Segue a ementa do acórdão: PROCEDIMENTO ESPECÍFICO PARA SUSPENSÃO DE IMUNIDADE PREVISTO NO ART. 32 DA LEI Nº 9.430/96 A ausência da observância do procedimento específico para a suspensão da imunidade acarreta vício formal ao lançamento tributário. A nulidade atinge o IRPJ e os tributos a ele correlatos, principalmente se a entidade goza de isenção, nos termos do artigo 32, §10, da Lei 9430/96. COFINS. INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL, SEM FINS LUCRATIVOS. ISENÇÃO. A isenção das entidades de educação e assistência social, sem fins lucrativos, para as receitas relativas às suas atividades próprias, alcança fatos geradores ocorridos a partir do mês de fevereiro de 1999, não havendo como arguirse imprescindibilidade de Ato Declaratório de suspensão do benefício fiscal condicionado quando a autuação diz respeito a infrações fiscais apuradas em períodos anteriores à sua vigência. CSLL. ISENÇÃO DAS INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL, SEM FINS LUCRATIVOS. SUSPENSÃO. PROCEDIMENTOS. Incidindo sobre o lucro líquido, o direito à sua isenção subsumese, a exemplo do IRPJ, aos requisitos do art. 9º, §1º e art. 14 do CTN, para cuja suspensão deve ser observado o comando inserto no art. 32 da Lei 9430/96, sob pena de nulidade do lançamento de ofício. Recebi os autos, desta feita, por sorteio, em 12/04/2018. É o relatório. Fl. 1197DF CARF MF Processo nº 10240.001474/200431 Acórdão n.º 1301003.302 S1C3T1 Fl. 1.198 6 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, dele conheço. Após a decisão dada na Turma Ordinária deste Conselho para nulidade formal do lançamento, a PGFN ingressou com Recurso Especial, para afastar a nulidade nos casos de lançamento de CSLL e COFINS. A CSRF decidiu manter a nulidade para a CSLL e afastou para a COFINS, pois neste caso, as entidades integrantes do sistema "S" estariam enquadradas no par. 1º do art. 15 da Lei 9532/96 e assim estariam isentas da COFINS: Tal isenção seria somente em relação a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, para as atividades próprias das entidades. E dessa forma, não haveria que se falar em necessidade de emissão de Ato Declaratório de suspensão de benefício fiscal condicionado, se o mesmo não existia no anocalendário de 1998, período em que teriam sido apuradas as omissões de receitas que ensejaram o lançamento. Dessa forma, só nos resta tal análise. O recorrente sempre entendeu que as suas receitas eram imunes e assim não as tributou, não trouxe nenhum elemento nesse ponto. Alegando que tais receitas são resultados de cursos, feiras, missões. Assim, de se manter o lançamento do anocalendário de 1998 baseados em omissão de receitas caracterizadas pela falta de contabilização de depósitos bancários, que mesmo após conciliações restaram divergentes em 1998. Da natureza Confiscatória da Multa Alega ainda excesso de penalidade, e pugna pela aplicação tãosomente de 20%, penalidade moratória. Aqui aplicada a multa de ofício nos termos do art. 44 da Lei Fl. 1198DF CARF MF Processo nº 10240.001474/200431 Acórdão n.º 1301003.302 S1C3T1 Fl. 1.199 7 9.430/96, não cabendo a este órgão analisar sua legalidade ou constitucionalidade, nos termos da Súmula CARF n. 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 1199DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.938364/2011-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/12/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de restituição. Além disso, é indispensável a retificação da DCTF.
Numero da decisão: 3401-005.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da Turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente da Turma), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antônio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de restituição. Além disso, é indispensável a retificação da DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da Turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente da Turma), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antônio Souza Soares. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 83 64 /2 01 1- 92 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10980.938364/201192 Acórdão n.º 3401005.274 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Cuida o presente processo de Pedido de Restituição referente a Pagamento Indevido ou a Maior de contribuição para o COFINS, solicitado através do PER/DCOMP. O Interessado foi cientificado de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O Interessado apresentou Manifestação de Inconformidade, onde sustenta que o Despacho Decisório deixou de analisar a questão principal do Pedido de Restituição apresentado, qual seja, a restituição dos valores recolhidos indevidamente a título de contribuição para o COFINSem face da inconstitucionalidade da Lei nº 9718/98, uma vez que a referida contribuição incidiu sobre Receitas Financeiras e Outras Receitas. A DRJ/BHE, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, constatando que não houve omissão do Despacho Decisório quanto ao mérito da demanda, uma vez que a fundamentação para o indeferimento do Pedido de Restituição indica que o Darf foi utilizado integralmente para fazer face a débito confessado pelo contribuinte em DCTF. Informa também que, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Porém, na situação dos autos, o contribuinte não apresentou nenhuma prova de que, na apuração de COFINSdo período analisado, incluiu receitas financeiras ou outras receitas indevidamente na base de cálculo, de forma a caracterizar o pagamento indevido ou a maior de tributo. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, no qual repisa toda a argumentação já exposta na sua Manifestação de Inconformidade sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, §1°, da Lei n° 9.718/98, que alargou a base de cálculo do PIS e da Cofins. No entanto, desta feita requer a juntada de demonstrativos e documentos contábeis, os quais alega fazerem prova do pagamento indevido ou a maior de tributo, pedindo sua apreciação em respeito ao Princípio da Verdade Material. Em anexo, apresentou duas planilhas de cálculo do valor original do PIS e da Cofins, comprovantes de pagamento dos DARF's e folhas do seu Livro Razão. É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10980.938364/201192 Acórdão n.º 3401005.274 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.257, de 27 de agosto de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.938340/201133, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401005.257): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conheci mento. Passo a analisar, a seguir, os temas questionados pelo Recorrente. Pretende o contribuinte seja reconhecido seu direito de creditarse do valor de R$ 568,44, objeto de Pedido de Restituição referente a Pagamento Indevido ou a Maior de contribuição para o PIS/Pasep, solicitado através de PER/DCOMP. A DRJ/BHE julgou sua Manisfestação de Inconformidade improcedente, pois o contribuinte não apresentou nenhuma prova de que, na apuração de PIS/Pasep do período analisado, incluiu receitas financeiras ou outras receitas indevidamente na base de cálculo, de forma a caracterizar o pagamento indevido ou a maior de tributo. No seu Recurso Voluntário, o contribuinte busca corrigir esta deficiência probatória, anexando duas planilhas de cálculo do valor original do PIS e da Cofins, comprovantes de pagamento dos DARF's e folhas do seu Livro Razão. Contudo, entendo que ainda sim não restou comprovado o alegado pagamento a maior. Isto porque o Recorrente não fez prova do valor que deveria ter sido recolhido, no período, a título de contribuição para o PIS/Pasep. Com efeito, a indicação de rubricas contábeis com receitas financeiras e outras receitas, as quais, no entendimento do Recorrente, deveriam estar excluídas da base de cálculo das contribuições, não significa que tais valores foram efetivamente computados no cálculo inicial. Nos pedidos de restituição de tributos pagos indevidamente ou a maior, é necessário que o contribuinte apresente toda sua escrituração fiscal referente ao período para que nova apuração seja realizada, a fim de ser cotejada com a Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10980.938364/201192 Acórdão n.º 3401005.274 S3C4T1 Fl. 5 4 apuração inicial e assim verificar eventuais excessos ou déficits. Com os documentos apresentados, não é possível sequer comprovar que as receitas elencadas na planilha foram realmente incluídas no cálculo inicial (que resultou na apuração de R$ 15.058,00). Apesar de ter anexado uma planilha com a memória de cálculo das contribuições, o Recorrente não apresentou as rubricas contábeis, constantes do Livro Razão, que pudessem comprovar o valor total das receitas sobre as devem incidir as alíquotas das contribuições. Ao invés, anexou apenas as folhas do Razão com as receitas financeiras que deveriam ser excluídas do cálculo. Observese que até mesmo as receitas de exportação, que foram originalmente excluídas, também deveriam ser conferidas através dos registros contábeis. Em suma, deveria ser feita uma nova apuração das contribuições, o que restou inviabilizado pela ausência da documentação contábil necessária. O art. 170 da Lei nº 5.172/66 (CTN) determina a necessidade de liquidez e certeza do crédito. Apesar de se referir literalmente à compensação, obviamente aplicase também à restituição: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Nos pedidos de compensação ou de restituição, o ônus de comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado permanece a cargo do contribuinte, conforme art. 373 do Código de Processo Civil de 2015: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Além disso, pelo quanto exposto no Despacho Decisório, verifico que a alocação integral do DARF para quitação de débito do contribuinte indica que, ao tempo da sua emissão, a DCTF que continha este débito não havia sido retificada. O Recorrente não apresentou qualquer prova de que, mesmo a destempo, tenha feito tal retificação. Nos termos do Parecer COSIT nº 02, de 2015, a retificação da DCTF é imprescindível para comprovação do pagamento indevido ou a maior. Por tudo quanto exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10980.938364/201192 Acórdão n.º 3401005.274 S3C4T1 Fl. 6 5 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 85DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.905435/2012-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendo-se, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste-se no prazo de 30 dias.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Relatório
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendose, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/FOR, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .9 05 43 5/ 20 12 -7 8 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10865.905435/201278 Resolução nº 3401001.464 S3C4T1 Fl. 3 2 Dos Fatos A Contribuinte buscou via PER/DCOMP nº 35316.54130.170708.1.2.041239 a restituição de PIS (cód.8109) do período de apuração 03/2008 no valor de R$ 945,94 por recolhimento a maior que o devido através de DARF no valor de R$ 988,95 na data de 17/04/2008. Do Despacho Decisório A DRF de Limeira/SP em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório com data de emissão 01/10/2012, rastreamento nº 038110544 (efls.5), pela não homologação da compensação declarada, em face de inexistência de crédito. O crédito relacionado ao DARF discriminado na PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débito da PIS/PASEP do Período de Apuração 31/03/2008. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta do fisco, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.5), solicitando que seja reconhecido o crédito pleiteado e argumenta que: a) “Foi apresentada DCTF RETIFICADORA n° 39.38.44.74.9990, declarando que o Pis/Pasep (8109 02) no período em questão é de R$ 43,01 (QUARENTA E TRÊS REAIS E UM CENTAVO)”; b) “A diferença de R$ 945,94 (NOVECENTOS E QUARENTA E CINCO REAIS E NOVENTA E QUATRO CENTAVOS), referese ao Pis/Pasep, calculado indevidamente, sobre a venda de Tubo de Escapamento (87.08) que conforme § 2°, I, do artigo 3°, da Lei n° 10.485, de 03.07.2002, ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS.”. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 3ª Turma da DRJ/FOR, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO TOTALMENTE ALOCADO. RETIFICAÇÃO DCTF POSTERIOR À CIÊNCIA DESPACHO DECISÓRIO. ERRO NÃO COMPROVADO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Tendo sido comprovado que o DARF indicado pelo contribuinte em declaração de compensação pagamento indevido ou a maior estava totalmente alocado a débito declarado em DCTF, restou caracterizada a inexistência do direito creditório. A retificação da DCTF posteriormente à ciência do Despacho Decisório, efetuada tão somente para justificar a existência do direito creditório, sem a apresentação de documentos hábeis e idôneos, não tem o condão de justificar o erro no preenchimento dessa declaração. Do Recurso Voluntário Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10865.905435/201278 Resolução nº 3401001.464 S3C4T1 Fl. 4 3 O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls.41) contra a decisão de primeiro grau, pedindo sua reforma e homologação da compensação procedida, com base nos seguintes argumentos: (a) que no ano de 2002 foi publicada a Lei nº 10.485 que estabeleceu alíquota funcional de 0% sobre produtos sujeitos à tributação monofásica, daqueles listados em seus anexos I e II; (b) que a recorrente atua no segmento de auto peças, dentre eles o produto denominado “SILENCIOSO” classificado na posição 87.08.92.00 (NCM), listado no Anexo I da Lei nº 10.485/2002; (c) que em termos de comprovação do indébito, caso não seja suficiente os elementos de prova detalhada ora juntados, seja dado tratamento semelhante ao da Resolução nº 3803000.330 da 3ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento, determinando a realização de diligência; (d) junta relatórios e livros fiscais como elementos de provas, devendo prevalecer a verdade material sobre a formal, conforme precedente dessa casa, Acórdão 1802001.958. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O direito a compensação como forma de extinção de crédito tributário tem amparo legal no art. 156, II do CTN e a IN 900/2008 da RFB, estabelece em seu art. 34 que: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. A contribuinte alegou em sua manifestação de inconformidade que a origem do crédito está relacionada ao fato de não ter seguido o que fora determinado pela Lei nº 10.485/2002, que atribuiu alíquota “zero” de PIS/PASEP aos produtos submetidos à tributação monofásica, dentre eles o produto denominado “Silencioso”, classificado na posição 87.08.92.00. Apresentou DCTF Retificadora para corrigir o valor do débito anteriormente declarado, só que após ter tomado ciência do Despacho Decisório. O entendimento passado pela DRJ/FOR através do acórdão recorrido é que, “no caso de aproveitamento de crédito de pagamento indevido ou a maior em compensação, carece de provas a retificação de declaração (DCTF, por exemplo) apresentada pelo contribuinte após ter sido cientificado de que a declaração anterior não ratifica a existência do suposto crédito” Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10865.905435/201278 Resolução nº 3401001.464 S3C4T1 Fl. 5 4 A recorrente apresentou nos autos documentos fiscais que dão suporte a prática de retificação de valores informados em DCTF, o que vem ao encontro da observação feita pela autoridade julgadora, da necessária comprovação do equívoco cometido pela contribuinte. Não sendo o CARF órgão indicado a suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, como se observa pelo texto dos artigos 10 e 11 da IN RFB nº 903/2008: Art. 10. Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. ... Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Cabe as autoridades administrativas analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF (Decreto nº 70.325/1972). O fato relacionado a apresentação de DCTF retificadora em data posterior a emissão de Despacho Decisório, já tem entendimento assentado na jurisprudência deste Conselho. Citase, por exemplo, o julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante manteve decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. De onde se extrai: “que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. Por outro lado “O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior”. A administração tributária nos dá orientação sobre o tema, através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10865.905435/201278 Resolução nº 3401001.464 S3C4T1 Fl. 6 5 prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. (...) A essência dos fatos superam, nesse caso, eventuais erros de conduta formal do contribuinte, devendo prevalecer o princípio da verdade material no processo administrativo, a busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal. Ante o exposto, resolvem os membros do Colegiado em converter o julgamento em diligência para a repartição de origem de modo que seja informado e providenciado o seguinte: a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendose, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 90DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.003460/2007-61
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
MULTA QUALIFICADA NO PERCENTUAL DE 150%. DOLO.
Justifica-se a aplicação da multa no percentual de 150% quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa, em conduta reiterada e uniforme, estando presentes os elementos cognitivo e volitivo, visando se esquivar do pagamento de tributos.
Numero da decisão: 9101-003.846
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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DOLO. Justificase a aplicação da multa no percentual de 150% quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa, em conduta reiterada e uniforme, estando presentes os elementos cognitivo e volitivo, visando se esquivar do pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 34 60 /2 00 7- 61 Fl. 811DF CARF MF Processo nº 10120.003460/200761 Acórdão n.º 9101003.846 CSRFT1 Fl. 812 2 Relatório Tratase de recurso especial (efls. 549/557) interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ("PGFN") em face do Acórdão nº 110200.354 (efls. 526/532), da sessão de 15 de dezembro de 2010, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, que deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a qualificação da multa de ofício relativa à infração "diferença de base de cálculo". A autuação fiscal, de IRPJSimples e reflexos (efls. 385/449) tipificou duas infrações, (1) presunção de omissão de receitas de depósitos bancários com origem não comprovada; (2) diferença de base de cálculo, decorrente da diferença entre receitas escrituradas e não declaradas. Ambas as infrações tiveram multa qualificada (150%). Foi apresentada impugnação (efls. 477/487) e a decisão de primeira instância (efls. 492/166) julgou o lançamento procedente. Foi interposto recurso voluntário (efl. 509/518) pela Contribuinte, cujo provimento foi parcial nos termos da ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SISTEMÁTICA. DECADÊNCIA. O que determina a natureza do lançamento, se por homologação ou declaração, é a legislação específica do tributo, e não a circunstância de ter ou não havido pagamento. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, não sendo caso de dolo, fraude, ou simulação, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência é a data da ocorrência do fato gerador. Uma vez observada qualquer dessas condutas o marco inicial de contagem deslocase para o primeiro dia do exercício subseqüente. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS DA PROVA. Por presunção legal contida no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, os depósitos efetuados em conta bancária cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pela contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE. A prática de não registrar na contabilidade conta corrente bancária e sua movimentação evidencia o intuito doloso de Fl. 812DF CARF MF Processo nº 10120.003460/200761 Acórdão n.º 9101003.846 CSRFT1 Fl. 813 3 ocultar a obrigação tributária principal, o que implica na qualificação da multa de ofício. OMISSÃO DE RECEITA. RECEITA ESCRITURADA E NÃO DECLARADA. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Incabível a exigência da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, afeta às condutas de sonegação, fraude e conluio, quando a receita tomada em conta pelo procedimento fiscal para o lançamento dos tributos do SIMPLES foi colhida em livro contábil (Razão) da própria contribuinte, aflorando a hipótese de declaração inexata, igualmente prevista no mesmo comando legal e cuja penalidade pecuniária é aquela prevista em seu inciso I, qual seja, multa de 75%. A PGFN opôs embargos de declaração (efls. 534/545) que foram rejeitados por despacho de exame de admissibilidade de embargos (efls. 582/586). A PGFN interpôs recurso especial para tratar da matéria sobre a qualificação da multa de ofício (150%) para a infração "diferença de base de cálculo". Apresentou dois paradigmas, nº 10196.446 e 10517.034, para demonstrar a divergência. Discorre que incorreu em equívoco a decisão recorrida, vez que restou demonstrada a conduta reiterada e sistemática para omitir rendimentos tributáveis, tendo sido caracterizado o dolo. Despacho de exame de admissibilidade (efls. 587/590) deu seguimento ao recurso especial. A Contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 693/697). Aduz que a decisão recorrida não merece reparos em relação à desqualificação da multa da infração "diferença de base de cálculo", sendo que o fato de a empresa ter registrado suas receitas em livros próprios, permitindo ao Fisco constituir o crédito tributário a partir das informações contabilizadas não se coaduna com a conduta de quem pretende ocultar, de forma dolosa, o fato gerador da obrigação tributária. Requer pela negativa do provimento do recurso especial da PGFN. A Contribuinte interpôs recurso especial (efls. 616/636), cujo seguimento foi negado por despacho de exame de admissibilidade (efls. 714/723). Foi apresentado agravo (e fls. 745/756), que foi rejeitado por despacho de admissibilidade de agravo (efls. 759/765). É o relatório. Fl. 813DF CARF MF Processo nº 10120.003460/200761 Acórdão n.º 9101003.846 CSRFT1 Fl. 814 4 Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Sobre a admissibilidade, adoto as razões do despacho de exame de admissibilidade de efls. 587/590, para conhecer do recurso especial da PGFN. Passo ao exame do mérito. A qualificação da multa de ofício relativa à infração denominada " diferença de base de cálculo" foi assim descrita pela autoridade fiscal: Em consulta ao sistema de Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica CNPJ, verificamos que a empresa Celson Bar e Restaurante, CNPJ 02.713.812/000100 é optante pelo SIMPLES desde sua abertura, em 22/08/1998, na condição de microempresa (fls. 336). Por meio do Termo de Início de Fiscalização, lavrado em 13/10/2006, intimamos a empresa a apresentar, dentre outros, os livros fiscais e contábeis referentes ao anocalendário de 2002. A partir do Livro Razão, apuramos os valores escriturados de receita auferidos pela empresa nesse período e compusemos a "Planilha de Apuração de Receitas Mensais" (fls. 05 a 08). A empresa apresentou à SRF, Declaração de Inatividade referente ao anocalendário de 2002 , onde declara que permaneceu, durante todo esse anocalendário, sem efetuar qualquer atividade operacional, não operacional, financeira ou patrimonial (fls. 337 e 338), o que diverge das informações registradas em sua escrituração contábil. Em consulta ao Sistema Informatizado de Arrecadação da SRF SINAL, onde são registrados os recolhimentos de tributos federais efetuados pelo contribuinte, constatamos que não houve quaisquer recolhimentos relativos ao SIMPLES (fls. 344). Diante ao exposto, tendo em vista a não declaração e recolhimento dos valores de SIMPLES devidos pela empresa referentes à receita auferida escriturada no Livro Razão, efetuamos os respectivos lançamentos. Ora, resta clara a presença do dolo na conduta da Contribuinte. No caso concreto, o plus na conduta é evidente, ultrapassando o tipo objetivo da norma tributária. Foi apresentada pela Contribuinte Declaração de Inatividade (efl. 337), informando ao Fisco Federal que teria permanecido durante todo o anocalendário de 2002 sem exercer qualquer atividade operacional, não operacional, financeira ou patrimonial. No presente caso, não se trata meramente de um lançamento onde se apurou a diferença entre as receitas escrituradas e não declaradas. O que os presentes autos demonstram é a intenção da Fl. 814DF CARF MF Processo nº 10120.003460/200761 Acórdão n.º 9101003.846 CSRFT1 Fl. 815 5 empresa de se esquivar, deliberadamente, de suas obrigações tributárias, encaminhando declaração para a Receita Federal atestando a sua inatividade, com valores zerados, para todo o anocalendário de 2002, informação completamente dissociada dos fatos, vez que se comprovou o auferimento de receitas no período. O plus na conduta é evidente. Não houve apenas uma inconsistência entre valores escriturados e declarados, pelo contrário, restou caracterizada intenção de ocultar da Fiscalização Federal a percepção de receitas tributáveis. Verificase a presença dos elementos cognitivo e volitivo, consumandose o intuito doloso, cuja definição é apresentada com clareza por CEZAR ROBERTO BITENCOURT1: O dolo, elemento essencial da ação final, compõe o tipo subjetivo. Pela sua definição, constatase que o dolo é constituído por dois elementos: um cognitivo, que é o conhecimento do fato constitutivo da ação típica; e um volitivo, que é a vontade de realizála. O primeiro elemento, o conhecimento, é pressuposto do segundo, a vontade, que não pode existir sem aquele. Sobre o elemento cognitivo, BITENCOURT 2 discorre com didática: Para a configuração do dolo exigese a consciência daquilo que esse pretende praticar. Essa consciência deve ser atual, isto é, deve estar presente no momento da ação, quando ela está sendo realizada Sobre o elemento volitivo, são claros os ensinamentos 3: A vontade, incondicionada, deve abranger a ação ou omissão (conduta), o resultado e o nexo causal. A vontade pressupõe a previsão, isto é, a representação, na medida em que é impossível querer algo conscientemente senão aquilo que se previu ou representou na nossa mente, pelo menos, parcialmente. A presença dos elementos cognitivo e volitivo resta evidente, tendo em vista que a Contribuinte tinha conhecimento pleno dos valores apurados, escriturados em sua contabilidade, e, apesar disso, encaminhou declaração de inatividade para a Receita Federal. E a conduta não foi restrita a um fato gerador, pelo contrário, referese a fatos geradores ocorridos durante todo o ano de 2002: 28/02/2002, 314/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002, 31/10/2002, 30/11/2002 e 31/12/2002. Não foi um acidente, ou um acaso. Tratouse de conduta deliberada e consciente. Nesse contexto, mostram precisas as conclusões da autoridade autuante: 1 BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de direito penal : parte geral, volume 1, 11ª ed. São Paulo : Saraiva, 2007, p. 267. 2 BITENCOURT, 2007, p. 269. 3 BITENCOURT, 2007, p. 269. Fl. 815DF CARF MF Processo nº 10120.003460/200761 Acórdão n.º 9101003.846 CSRFT1 Fl. 816 6 O fato de a empresa não ter declarado à SRF qualquer valor de receita referente ao anocalendário de 2002, omitindo, em tese intencional e conscientemente, a totalidade do faturamento na Declaração entregue à SRF, evidencia seu intuito de retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, o que, conforme art. 71, I, da Lei n° 4.502/64, configurase como sonegação, conduta tipificada como crime no art. 1º , I, da Lei n° 8.137/90, o que elevou a multa de ofício do presente lançamento para 150%, conforme inc. II do art. 44 da Lei n° 9.430/96. Cabe, portanto, ser restabelecida a qualificação da multa. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso especial da PGFN. (assinatura digital) André Mendes de Moura Fl. 816DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.727828/2011-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/01/2007 a 31/12/2009
RICARF. CUMPRIMENTO DE ACÓRDÃO. DISCORDÂNCIA. INTERPOSIÇÃO DE RECURSO. VEDAÇÃO.
Com a entrada em vigor da Portaria MF nº 152, de 2016, em 05.05.2016, que alterou o artigo 1º, §1º do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais -Ricarf-, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, é vedado aos Colegiados de Segunda Instância apreciar recurso interposto contra ato proferido na fase de cumprimento dos seus acórdãos.
Numero da decisão: 3302-005.829
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer da peça intitulada recurso voluntário, por incompetência prevista no artigo 1º, §1º do Anexo II do RICARF, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, Diego Weis Jr e Raphael Madeira Abad. Designado o Conselheiro Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) para redigir o voto vencedor
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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CUMPRIMENTO DE ACÓRDÃO. DISCORDÂNCIA. INTERPOSIÇÃO DE RECURSO. VEDAÇÃO. Com a entrada em vigor da Portaria MF nº 152, de 2016, em 05.05.2016, que alterou o artigo 1º, §1º do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Ricarf, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, é vedado aos Colegiados de Segunda Instância apreciar recurso interposto contra ato proferido na fase de cumprimento dos seus acórdãos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer da peça intitulada recurso voluntário, por incompetência prevista no artigo 1º, §1º do Anexo II do RICARF, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, Diego Weis Jr e Raphael Madeira Abad. Designado o Conselheiro Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) para redigir o voto vencedor (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Redator designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 78 28 /2 01 1- 43 Fl. 1836DF CARF MF Processo nº 11080.727828/201143 Acórdão n.º 3302005.829 S3C3T2 Fl. 1.837 2 Relatório Tratase de recurso voluntário de fls. 1.8091.815, interposto contra decisão de piso (acórdão nº 1059.034. fls. 1.7741.797) que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação, para declarar a definitividade do cancelamento da parcela do IPI de R$ 581.290,11 (quinhentos e oitenta e um mil, duzentos e noventa reais e onze centavos), e respectivos juros de mora e multa de ofício de 75%, no âmbito da execução do Acórdão nº 3302002.673, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mantendo a parcela do IPI de R$ 72.696,03 (setenta e dois mil, seiscentos e noventa e seis reais e três centavos), acrescida de juros de mora e de multa de ofício de 75%, cujas razões da decisão peço vênia para transcrever: A ciência da Intimação da fl. 1690 ocorreu em 10 de janeiro de 2017, conforme consta na fl. 1691, e em 1º de fevereiro de 2017 foi solicitada a juntada da impugnação das fls. 1697 a 1708, com aceitação em 13 de março de 2017. Consequentemente, essa impugnação foi apresentada no prazo de trinta dias, dado pela referida intimação, e deve ser conhecida, em estrita observância do Acórdão nº 3302002.673, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção do Carf. Nesse sentido, cabe consignar que, do valor original do IPI, de R$ 30.205.082,87, e respectivos juros e mora e multa de ofício, inicialmente objeto deste processo, R$ 29.551.096,73, e respectivos juros de mora e multa de ofício, foram transferidos para o processo 11080.720058/201701, por se tratar de parcela mantida em caráter definitivo mediante julgamento do recurso voluntário e não conhecimento do recurso especial, remanescendo, neste processo 11080.727828/201143, a exigência do IPI passível de cancelamento em decorrência do Acórdão nº 3302002.673, no valor total máximo de R$ 653.986,14 (R$ 30.205.082,87 – R$ 29.551.096,73), conforme solução a ser proposta na sequência. O “Termo de Constatação”, das fls. 1577 a 1644 e 1647 a 1656, elaborado por KPMG Assessores Ltda., chegou a dois cenários alternativos em relação a valores a serem considerados na reconstituição da escrita decorrente do Acórdão n° 3302002.673, a saber: o primeiro cenário, constante do “Anexo 1.1.4” (fl. 1643), referese a produtos com incidência monofásica do IPI, creditados indevidamente na entrada do estabelecimento autuado, que foram oferecidos à tributação, na saída do próprio estabelecimento autuado, no momento de sua alienação a terceiros; o segundo cenário, constante do “Anexo 1.1.5” (fl. 1644), referese a produtos com incidência monofásica do IPI, creditados indevidamente na entrada do estabelecimento autuado, que foram oferecidos à tributação na saída do próprio estabelecimento autuado e de centros de distribuição, para os quais referidos produtos deram saída por transferência, com suspensão do IPI. Na Informação Fiscal das fls. 1670 a 1676, o autor do procedimento manifestase, em suma, no sentido de que a exigência a ser cancelada por força do Acórdão nº 3302002.673, das fls. 1209 a 1252, é de R$ 581.290,11, correspondente ao primeiro dos dois cenários propostos pelo impugnante, que é o do “Anexo 1.1.4” do Termo de Constatação elaborado por KPMG Assessores Ltda., segundo consta na fl. 1643. Fl. 1837DF CARF MF Processo nº 11080.727828/201143 Acórdão n.º 3302005.829 S3C3T2 Fl. 1.838 3 À vista disso, tem razão o impugnante ao dizer que o cancelamento até o limite de R$ 581.290,11 é incontroverso, restando ser declarada essa circunstância, caso o presente voto seja acolhido. Quanto à parcela realmente controvertida de R$ 72.696,03, que corresponde à diferença entre os R$ 653.986,14 remanescentes neste processo e os R$ 581.290,11 cujo cancelamento é incontroverso, seguem considerações, para que essa controvérsia seja dirimida. Com efeito, dos motivos apresentados na Informação Fiscal das fls. 1670 a 1676, para que não seja aceita a quantificação a que alude o Anexo 1.1.5 do Termo de Constatação elaborado por KPMG Assessores Ltda. (cancelamento de R$ 653.986,14), sobreleva considerar o princípio da autonomia dos estabelecimentos para fins de apuração do IPI, inclusive em sintonia com as decisões definitivas nos processos 13116.720483/201259 e 18470.731952/201169, também de interesse do impugnante neste processo. O princípio referido no item precedente é objeto do art. 313 do RIPI, de 2002, em vigor na época, transcrito na sequência [art. 384 do atual Decreto no 7.212, de 15 de junho de 2010, Regulamento do IPI (RIPI), de 2010]: Autonomia dos Estabelecimentos Art. 313. Cada estabelecimento, seja matriz, sucursal, filial, agência, depósito ou qualquer outro, manterá o seu próprio documentário, vedada, sob qualquer pretexto, a sua centralização, ainda que no estabelecimento matriz (Lei nº 4.502, de 1964, art. 57). Tal redação é de clareza solar, em prejuízo da discordância do impugnante a respeito, à vista do que não se pode desconsiderar o princípio da autonomia dos estabelecimentos na solução do presente litígio, a ponto de se aceitar, para fins de quantificação do cancelamento da exigência, além das saídas de produtos do próprio estabelecimento autuado, as saídas promovidas por centros de distribuição, para os quais referidos produtos deram saída por transferência, do estabelecimento autuado, com suspensão do IPI. Por último, cabe refutar o argumento da defesa, de que, no exame dos embargos de declaração apresentados em face do Acórdão nº 3302002.673, a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção do Carf teria determinado expressamente que fossem consideradas as saídas tributadas, promovidas pelos centros de distribuição. Ocorre que os embargos de declaração das fls. 1309 a 1314 não foram admitidos, conforme Despacho nº 3303005, de 30 de janeiro de 2015, das fls. 1389 a 1391. Além disso, não é possível admitir que o Despacho nº 3303005 teria, em última instância, determinado expressamente a inobservância do princípio da autonomia dos estabelecimentos. Vejase o excerto reproduzido pelo impugnante (fl. 1390): Por último, entende a Embargante que houve omissão no voto vencedor quanto ao estorno dos créditos relativos às transferências de produtos com suspensão para outros estabelecimentos da mesma empresa, em relação aos quais houve posterior recolhimento do IPI creditado. Fl. 1838DF CARF MF Processo nº 11080.727828/201143 Acórdão n.º 3302005.829 S3C3T2 Fl. 1.839 4 Vejase que o voto vencedor não separou os créditos decorrentes de aquisição dos créditos decorrentes de transferência. O voto fala que "a escrita, fiscal deve ser reconstituída para estornar tanto os créditos quanto os débitos indevidamente escriturados no Livro de Apuração de IPI e não apenas os créditos, como realizado no lançamento ora atacado". Portanto, são todos os créditos e todos os débitos escriturados indevidamente em razão do regime monofásico/especial, aí incluídos os de transferências. Os demais argumentos da defesa ficam prejudicados. Em seu arrazoado, a Recorrente pede a reforma parcial da decisão combatida, para excluir da cobrança a exigência fiscal remanescente, por entender: (i) que a fiscalização, ao rejeitar o creditamento dos valores de IPI que foram recolhidos pelos estabelecimentos receptores dos produtos transferidos pelo estabelecimento autuado não se ateve aos liames da decisão do CARF, contrariando, assim, o artigo 45, do Decreto nº 70.235/72; e (ii) os estabelecimentos da pessoa jurídica são considerados autônomos para efeito de cumprimento da obrigação tributária principal relativa ao IPI, por outro, o alegado descumprimento do regime monofásico implica solidariedade dos estabelecimentos envolvidos (CTN, art. 124), de sorte que “o pagamento feito por um dos obrigados aproveita os demais” (art. 125, I, do CTN). Vale dizer, para fins de cobrança do IPI, aplicase o princípio da unidade da empresa. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Walker Araujo Relator A Recorrente foi intimada da decisão em 08.06.2017 (fls.1804) e, interpôs recurso voluntário em 08.07.2017 (fls.1.8071.815), dentro do prazo de 30 dias previsto na legislação. Assim, considerando que o recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Oportuno registrar que este relator entende ser inaplicável a vedação prevista no artigo 1º, §1º do Anexo II, da Portaria Interministerial nº 151, de 3 de maio de 2016. A uma, porque o acórdão do recurso voluntário de fls. 1.2091.252 que, gerou discussão sobre o alcança da decisão, foi proferido antes da entrada em vigor da referida Portaria, inexistindo, naquela oportunidade tal vedação. E, a duas, porque não se trata de recurso interposto diretamente contra ato proferido na fase de cumprimento dos seus acórdãos, mas contra decisão da DRJ que analisou a impugnação apresentada pelo contribuinte na fase de execução, ou seja, abriuse novamente o contencioso administrativo. Feito este breve comentário, passase à análise das questões postas em juízo. Conforme exposto anteriormente, o cerne do litígio visa dirimir o alcança da decisão proferida no acórdão nº 3302002.673 que, deu parcial ao recurso voluntário da Recorrente, para que fosse feita reconstituição de sua escrita fiscal, excluindo os valores de IPI indevidamente lançados nos Livros de Apuração de IPI, decorrentes das operações de revenda dos produtos sujeitos à incidência monofásica de que trata a da Lei n° 7.798, de 1989 e o Fl. 1839DF CARF MF Processo nº 11080.727828/201143 Acórdão n.º 3302005.829 S3C3T2 Fl. 1.840 5 regime especial da Lei n° 10.833/2003, devendo ser ajustado o lançamento de ofício, de acordo com os novos saldos devedores apurados. Para a fiscalização (o que foi confirmado pela DRJ), a decisão limitou o direito da Recorrente apenas em relação aos débitos indevidos do próprio estabelecimento, sendo indevida a inclusão na reconstituição da escrita fiscal, dos valores dos produtos saídos em transferência a outros estabelecimentos do grupo empresarial. Entendeu, ainda, que seria vedado o reconhecimento dos débitos indevidos de outros estabelecimentos da Recorrente, em razão da aplicação do “princípio da autonomia dos estabelecimentos na solução do presente litígio”. A Recorrente, por sua vez, entende que a decisão que julgou parcialmente seu recurso reconheceu seu direito em maior extensão, ou seja, restou admitido na reconstituição da escrita fiscal os valores transacionados tanto pelo próprio estabelecimento, quanto pelos outros estabelecimentos do grupo. Pois bem. Este relator já se pronunciou acerca do princípio da autonomia dos estabelecimentos, em processo envolvendo a ora Recorrente, autos 10384.720215/201360 (acórdão 3302004.4010), oportunidade na qual restringi o direito do contribuinte somente em relação aos pagamentos efetuados pelo próprio estabelecimento, a saber: Como se vê, no relatório de diligência fiscal (fls. 1.0311.036) a empresa apurou que, consideradas apenas as quantidades registradas nas notas fiscais de saída emitidas pelo estabelecimento autuado, 90,28% dos produtos foram tributados na saída. Além disso, a Recorrente apurou que as quantidades registradas nas notas fiscais de saída emitidas pelo estabelecimento autuado e também nas notas emitidas pelas filiais Belém e São Luís 95,64% dos produtos foram tributados na saída. Considerando que o entendimento deste relator foi fundamentado na decisão proferida no acórdão nº 3402002.927 e, que lá fora reconhecido o direito do crédito somente em relação aos pagamentos realizados pela Recorrente, desconsiderando os pagamentos efetuados por outras filiais, entendo que o percentual à ser aplicado neste processo é 90,28%. Por todo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apenas para que os 90,28%, correspondentes às saídas tributadas de produtos monofásicos (que geraram os créditos básicos glosados), seja aplicado aos valores glosados sob essa rubrica em cada período de apuração, conforme discriminado na fl. 475 do Relatório de Encerramento de Procedimento Fiscal, a fim de que seja revertida a glosa nesse percentual, afastandose o bis in idem. Os saldos da escrita fiscal deverão ser reconstituídos considerandose como glosa 9,72% do valor glosado a cada período de apuração. Contudo, entendo que a questão sobre a autonomia dos estabelecimentos não pode restringir o direito do contribuinte, ao menos nesse processo, de incluir, no computo do cálculo do direito creditório, os pagamentos efetuados por outros filiais. Isto porque, no entendimento deste relator, o voto vencedor proferido o acórdão nº 3302002.673 não limitou o direito da Recorrente somente aos lançamentos do próprio estabelecimento. È o que se extrai do voto vencedor, senão vejamos: Fl. 1840DF CARF MF Processo nº 11080.727828/201143 Acórdão n.º 3302005.829 S3C3T2 Fl. 1.841 6 Com o devido respeito às conclusões a que chegou a ilustre relatora quanto à matéria “Da glosa dos créditos originários das mercadorias sujeitas ao regime monofásico”, embora concorde com os argumentos desenvolvidos, divirjo do resultado do voto. De fato, o procedimento adotado pela recorrente não se amolda ao instituto da postergação de tributo, em decorrência da inobservância do regime de competência, pois que não houve antecipação de um creditamento de IPI, nem postergação da escrituração de um débito de IPI. No caso, tratase de escrituração indevida tanto de crédito quanto de débito, em razão dos argumentos já expostos pela relatora. É de se concluir, portanto, que a escrita fiscal deve ser reconstituída para estornar tanto os créditos quanto os débitos indevidamente escriturados no Livro de Apuração de IPI e não apenas os créditos, como realizado no lançamento ora atacado. Ressaltase que a recorrente alegou em recurso voluntário a ocorrência de mera postergação, sendo cabível apenas a cobrança de juros e multas isolados proporcionais à perda financeira, o que implica a possibilidade de identificação do período e dos valores indevidamente escriturados a débito de IPI, decorrente das revendas de produtos sujeitos à incidência monofásica de que trata a Lei n° 7.798, de 1989 e o regime especial de que trata a Lei n° 10.833, de 2003. Assim, esclareçase que cabe à recorrente a demonstração destes valores indevidamente escriturados. A decisão será proferida nos termos da Solução de Consulta Interna nº 18, de 2012: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, RESSARCIMENTO OU REEMBOLSO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. INDEFERIMENTO. RECURSO AO CARF. EXECUÇÃO DO ACÓRDÃO PELA DRF. CÁLCULO DE VALORES. CONTROVÉRSIA. FATO NOVO. Na execução de acórdão do Carf observamse, rigorosamente, os limites materiais estabelecidos por este, inclusive quanto aos valores reivindicados pelo contribuinte, se sobre eles o Colegiado já houver se manifestado e declarado objetivamente no julgado. Se no ato de execução do acórdão pela DRF houver discordância do contribuinte quanto aos valores apurados, e sobre os quais o Carf não tenha se manifestado, devolvemse os autos do processo às mesmas instâncias julgadoras, a fim de ser julgada a controvérsia quanto aos valores, sob o rito do Decreto nº 70.235, de 1972. A controvérsia constitui fato novo que se materializa na forma de impugnação (manifestação de inconformidade) e recurso, com efeito suspensivo, previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, admissíveis a partir da ciência da decisão da DRF quanto aos valores objeto da execução. Dispositivos Legais: Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 151, III; Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, §11 do artigo 74; e Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, art. 66. Portanto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que se reconstitua a escrita fiscal, excluindo os valores de IPI indevidamente lançados nos Fl. 1841DF CARF MF Processo nº 11080.727828/201143 Acórdão n.º 3302005.829 S3C3T2 Fl. 1.842 7 Livros de Apuração de IPI, decorrentes das operações de revenda dos produtos sujeitos à incidência monofásica de que trata a da Lei n° 7.798, de 1989 e o regime especial da Lei n° 10.833/2003, devendo ser ajustado o lançamento de ofício, de acordo com os novos saldos devedores apurados. Não há, repitase, restrição ao direito pleiteado pela Recorrente. Fosse essa a intenção do julgador (redator designado), certamente teria constado o limite do direito concedido ao contribuinte. Aliás, chama a atenção que a parte adversa não embargou/recorreu da decisão, anuindo, assim, com aquilo que restou decidido. Coube, por outro lado, ao contribuinte, certamente com receio de eventual futura restrição ao seu direito, opor Embargos de Declaração para esclarecer o alcança da decisão, sendo que naquela oportunidade seus aclaratórios foram inadmitidos nos seguintes termos: Por último, entende a Embargante que houve omissão no voto vencedor quanto ao estorno dos créditos relativos às transferências de produtos com suspensão para outros estabelecimentos da mesma empresa, em relação aos quais houve posterior recolhimento do IPI creditado. Vejase que o voto vencedor não separou os créditos decorrentes de aquisição dos créditos decorrentes de transferência. O voto fala que "a escrita fiscal deve ser reconstituída para estornar tanto os créditos quanto os débitos indevidamente escriturados no Livro de Apuração de IPI e não apenas os créditos, como realizado no lançamento ora atacado" Portanto, são todos os créditos e todos os débitos escriturados indevidamente em razão do regime monofásico/especial, aí incluídos os de transferências. Não obstante a inadmissão dos aclaratórios, fato é que a decisão sanou a omissão suscitada pela Embargante e, esclareceu a amplitude da decisão, o que ao meu sentir, nada mais fez do que confirmar a intenção do redator daquele voto de admitir os créditos próprios e de suas filias. Portanto, não há como limitar o direito da Recorrente como o fez a fiscalização e a DRJ, devendo, assim, ser respeita a decisão proferido no acórdão nº 3302 002.673, sob pena contrariar o artigo 45, do Decreto nº 70.235/72. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Voto Vencedor Conselheiro Orlando Rutigliani Berri Redator Designado Com a devida licença aos argumentos do I. Conselheiro Relator e concessa venia aos meus pares que entenderam em sentido contrário, fato é que o colegiado do voto acima dissentiu, no que tange ao conhecimento do presente recurso voluntário, tendo sido eu Fl. 1842DF CARF MF Processo nº 11080.727828/201143 Acórdão n.º 3302005.829 S3C3T2 Fl. 1.843 8 designado para sua redação. Buscarei, na sequência e de forma breve, consignar as razões que levaram a maioria do colegiado a dele não conhecer. Preâmbulo De início, reproduzo as razões pelas quais o nobre relator do voto vencido acolheu, como recurso voluntário, o expediente de efls. 1.807 a 1.815, datado de 08.07.2017, verbis: Oportuno registrar que este relator entende ser inaplicável a vedação prevista no artigo 1º, §1º do Anexo II, da Portaria Interministerial nº 151, de 3 de maio de 2016. A uma, porque o acórdão do recurso voluntário de fls. 1.2091.252 que, gerou discussão sobre o alcança da decisão, foi proferido antes da entrada em vigor da referida Portaria, inexistindo, naquela oportunidade tal vedação. E, a duas, porque não se trata de recurso interposto diretamente contra ato proferido na fase de cumprimento dos seus acórdãos, mas contra decisão da DRJ que analisou a impugnação apresentada pelo contribuinte na fase de execução, ou seja, abriuse novamente o contencioso administrativo. Mérito Em síntese, assim entendeu o colegiado porque o expediente de efls. 1.807 a 1.815 não tem o condão de reabrir a discussão nesta instância de julgamento. Dispõe a Portaria MF nº 343, de 09.06.2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com redação dada pela Portaria MF nº 152, de 03.95.2016, publicada no DOU de 05.05.2016 (seção 1, página 15), verbis: (...) ANEXO II (...) TÍTULO I DOS ÓRGÃOS JULGADORES CAPÍTULO I DA COMPETÊNCIA PARA O JULGAMENTO DOS RECURSOS Art. 1º Compete aos órgãos julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). § 1º A competência de que trata o caput não se aplica a recurso contra ato proferido na fase de cumprimento dos seus acórdãos. (grifei) Fl. 1843DF CARF MF Processo nº 11080.727828/201143 Acórdão n.º 3302005.829 S3C3T2 Fl. 1.844 9 § 2º As Seções serão especializadas por matéria, na forma prevista nos arts. 2º a 4º da Seção I. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...) Da cronologia dos fatos que importam para a solução do litígio A presente 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do Carf, em sessão realizada em 24.07.2014, a proferiu, pelo voto de qualidade, o Acórdão nº 3302002.673 (efls. 1.209 a 1.252), ocasião em que deu provimento parcial ao recurso voluntário (efls. 1.122 a 1.141), excluindo o valor de débitos indevidos do IPI, relativos à revenda de bebidas sujeitas à incidência única desse imposto. Colhese do voto vencedor do referido acórdão (efls. 1.251/1.252), no que toca à exclusão de débitos indevidos do IPI, relativos à revenda de bebidas sujeitas à incidência única desse imposto, o que segue transcrito, verbis: (...) De fato, o procedimento adotado pela recorrente não se amolda ao instituto da postergação de tributo, em decorrência da inobservância do regime de competência, pois que não houve antecipação de um creditamento de IPI, nem postergação da escrituração de um débito de IPI. No caso, tratase de escrituração indevida tanto de crédito quanto de débito, em razão dos argumentos já expostos pela relatora. É de se concluir, portanto, que a escrita fiscal deve ser reconstituída para estornar tanto os créditos quanto os débitos indevidamente escriturados no Livro de Apuração de IPI e não apenas os créditos, como realizado no lançamento ora atacado. Ressaltase que a recorrente alegou em recurso voluntário a ocorrência de mera postergação, sendo cabível apenas a cobrança de juros e multas isolados proporcionais à perda financeira, o que implica a possibilidade de identificação do período e dos valores indevidamente escriturados a débito de IPI, decorrente das revendas de produtos sujeitos à incidência monofásica de que trata a Lei nº 7.798, de 1989 e o regime especial de que trata a Lei nº 10.833, de 2003. Assim, esclareça se que cabe à recorrente a demonstração destes valores indevidamente escriturados. A decisão será proferida nos termos da Solução de Consulta Interna nº 18, de 2012: (...) Portanto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que se reconstitua a escrita fiscal, excluindo os valores de IPI indevidamente lançados nos Livros de Apuração de IPI, decorrentes das operações de revenda dos produtos sujeitos à incidência monofásica de que trata a da Lei nº 7.798, de 1989 e o regime especial da Lei nº 10.833/2003, devendo ser Fl. 1844DF CARF MF Processo nº 11080.727828/201143 Acórdão n.º 3302005.829 S3C3T2 Fl. 1.845 10 ajustado o lançamento de ofício, de acordo com os novos saldos devedores apurados. A fim de dar cumprimento ao referido acórdão, a autoridade fiscal da unidade responsável pelo lançamento de ofício emitiu diversas intimações ao sujeito passivo. Em face da resposta de uma dessas intimações, o sujeito passivo interessado informou que protocolou embargos declaratórios contra a integralidade dos termos do acórdão em comento (efl. 1.297), alegando na oportunidade a ocorrência de omissões e obscuridades detectadas nos votos dos julgadores, bem como assentando que a apreciação da referida peça poderia redundar, inclusive, na reforma do referido acórdão, e que, neste sentido, dada a não definitividade do mesmo, o reclamante considerou ainda prematuros os procedimentos tendentes à sua execução, conforme pretendeuse com a intimação de efl. 1.285. Referidos embargos de declaração (efls. 1.309 a 1.314), mas não foram admitidos, é o que depreendese do Despacho nº 3303005, de 30.01.2015 (efls. 1.389 a 1.391). Ciente da negativa de seguimento dos embargos declaratórios, o sujeito passivo/interessado interpôs Recurso Especial (efls. 1.397 a 1.418), que foi admitido em parte, nos termos do Despacho S/N, do Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção do Carf (efls. 1.534 a 1.539), ratificado pelo Despacho S/N, do Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais (efls. 1.540 e 1.541), mas que na sequência não foi admitido pela Terceira Turma da CSRF, segundo depreendese do Acórdão nº 9303003.431, de 27.01.2016 (efls. 1.549 a 1.553), cujo ementa reproduzo, verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Sendo distinta a legislação analisada pela recorrida em confronto com aquela versada nos pretendidos paradigmas, ou opostas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado. Recurso Não Conhecido. Desta feita, conforme observase do Despacho de efl. 1.561, os presentes autos foram encaminhados aos cuidados do autor do procedimento fiscal, para "executar" o Acórdão nº 3302002.673, providência que iniciouse com o Termo de Intimação Fiscal datado de 08.07.2016 (efls. 1.562/1.563). Por último, depois de diversas outras intervenções e pedidos de esclarecimento da autoridade coatora, o Termo de Constatação e de Intimação de efls. 1.657 a 1.662, solicitou que Ambev informasse, verbis: (a) se pretende ou não discutir na via administrativa os valores constantes do demonstrativo de reconstituição anexado ao referido termo, hipótese em que, segundo o Acórdão nº 3302 Fl. 1845DF CARF MF Processo nº 11080.727828/201143 Acórdão n.º 3302005.829 S3C3T2 Fl. 1.846 11 002.673, a solução do litígio deveria observar a Solução de Consulta Interna nº 18, de 2012, com a formação de autos apartados, para imediata cobrança dos valores devidos decorrentes das demais infrações objeto do lançamento de oficio; (b) caso a resposta ao item precedente seja no sentido de que Ambev tem interesse em discutir o assunto na via administrativa, explicitar os motivos da discordância; (c) caso a resposta ao primeiro item seja no sentido de que não tem interesse em continuar a discutir o assunto na via administrativa, manifestarse sobre o interesse na juntada dos 331 arquivos digitais apresentados em resposta ao termo datado de 8 de julho de 2016. A ciência, dessa feita, ocorreu em 13 de setembro de 2016, conforme consta na fl. 1664. Desta feita, o sujeito passivo/interessado juntou pedido de reconsideração (e fls. 1.667 a 1.669), referente às conclusões deste último Termo de Constatação e de Intimação. Prosseguindo, convém trazer a baila também o teor do Despacho de Encaminhamento elaborado na Derat/SPO (efl. 1.682), que consta, verbis: Trata o presente processo de Auto de Infração para cobrança de crédito tributário relativo ao IPI. A Informação Fiscal de fls. 1670 1676, incluída no eprocesso em 23/11/2016, determina em sua conclusão procedimentos baseados na Solução de Consulta Interna COSIT nº 18 de 03/08/2012. (grifei) Ocorre que a citada Solução encontrase revogada pelo Parecer Normativo COSIT nº 2 de 23/08/2016, não sendo mais possível aplicar a solução apresentada, assim sendo, encaminho o presente processo à Delegacia de Fiscalização da Receita Federal em Porto Alegre Serviço de Fiscalização para manifestação conclusiva quanto aos valores remanescentes resultantes do julgamento. (grifei) Referido despacho deu ensejo à Informação Fiscal Complementar (efls. 1.683 e 1.684), que se colhe o seguinte, verbis: CONTEXTO (...) Sobre os despachos de folhas 1.680 e 1.681 O presente processo foi remetido para a DERAT/SPO, Unidade que tem jurisdição sobre o domicilio tributário da matriz da pessoa jurídica incorporadora. (...) Sobre o despacho de folha 1.682 No item 7 da Informação Fiscal de folhas 1.670 a 1.676, esta fiscalização registrou que, tendo em vista existirem divergências quanto aos montantes a serem incluídos na reconstituição de Fl. 1846DF CARF MF Processo nº 11080.727828/201143 Acórdão n.º 3302005.829 S3C3T2 Fl. 1.847 12 escrita, a decisão referente à situação sob análise deveria ser proferida nos termos da Solução de Consulta Interna (SCI) nº 18/2012, que diz: Se no ato de execução do acórdão pela DRF houver discordância do contribuinte quanto aos valores apurados, e sobre os quais o Carf não tenha se manifestado, devolvemse os autos do processo às mesmas instâncias julgadoras, a fim de ser julgada a controvérsia quanto aos valores, sob o rito do Decreto nº 70.235, de 1972. (grifo nosso) A controvérsia constitui fato novo que se materializa na forma de impugnação (manifestação de inconformidade) e recurso, com efeito suspensivo, previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, admissíveis a partir da ciência da decisão da DRF quanto aos valores objeto da execução. Em despacho de folha 1.682, a DERAT/SPO registrou: A Informação Fiscal de fls. 1670 1676, incluída no e processo em 23/11/2016, determina em sua conclusão procedimentos baseados na Solução de Consulta Interna COSIT nº 18 de 03/08/2012. Ocorre que a citada Solução encontrase revogada pelo Parecer Normativo COSIT nº 2 de 23/08/2016, não sendo mais possível aplicar a solução apresentada, assim sendo, encaminho o presente processo à Delegacia de Fiscalização da Receita Federal em Porto Alegre Serviço de Fiscalização para manifestação conclusiva quanto aos valores remanescentes resultantes do julgamento. Ressaltamos que não foi esta fiscalização que optou por adotar os procedimentos descritos na SCI nº 18/2012. Foi o Acórdão CARF que determinou expressamente que a decisão referente à situação sob análise deveria seguir tal caminho. Realmente, a SCI nº 18/2012 foi recentemente revogada pelo Parecer Normativo COSIT nº 2 de 23/08/2016. Tal Parecer diz: "(...) cabe à autoridade preparadora a exoneração dos gravames decorrentes de litígio com decisão favorável ao sujeito passivo. Ora, é perceptível que compete a ela, nesse caso, apenas concretizar a parte da decisão tomada no processo administrativo fiscal favorável ao sujeito passivo (verificar o quantum daquele lançamento que não mais é devido). Logo, foi a autoridade julgadora que exonerou o sujeito passivo". No presente processo, esta fiscalização considerou que persiste uma controvérsia, que é a aceitação ou não da validade de demonstrativos apresentados pelo contribuinte, aspecto sobre o qual o CARF não se manifestou no Acórdão. Fl. 1847DF CARF MF Processo nº 11080.727828/201143 Acórdão n.º 3302005.829 S3C3T2 Fl. 1.848 13 Portanto, pode se interpretar que uma manifestação conclusiva da fiscalização sobre a validade dos demonstrativos apresentados pelo contribuinte excederia sua competência de "apenas concretizar" a decisão do CARF. Observese, ainda, que o CARF tem autonomia para tomar decisões cujo teor não esteja de acordo com um Parecer Normativo COSIT. Desta maneira, por cautela, esta fiscalização não altera a conclusão registrada no item 9 da Informação Fiscal de folhas 1.670 a 1.676. CONCLUSÃO Ficam mantidos os entendimentos registrados na Informação Fiscal de folhas 1.670 a 1.676. Deverão ser seguidas as orientações colocadas nos itens 8 e 9 da Informação Fiscal, observandose, em relação aos itens 8.2 e 9.1, que o estabelecimento que deverá receber as intimações é o de CNPJ 07.526.557/004016, localizado em Viamão. Esclareçase, ainda, que o órgão julgador administrativo a que se refere o item 9.2 da Informação Fiscal é a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, Unidade onde ocorreu o julgamento de primeira instância do presente processo. Ato contínuo, foi emitida a Intimação (efl. 1.690), com os seguintes dizeres, verbis: Encaminhamos para sua ciência, cópia do Acórdão nº 9303 003.431 3ª Turma, sessão de 27/01/2016 e da Informação Fiscal Complementar fl. 1683 e 1684 juntada ao processo em epígrafe no dia 29/12/2016. De acordo com o item 9 da Informação Fiscal, fl. 1674 do processo 11080.727828/201143, o montante do presente processo passará a abranger o valor de R$ 653.986,14 e o restante foi transferido para o processo 11080.720.058/201701. Fica o interessado intimado a extinguir o crédito tributário deste processo, no prazo de 30 dias do recebimento desta Intimação, ou impugnálo. Não se verificando a quitação dentro do prazo estipulado e nem a impugnação, darseá inicio ao prazo de 30 (trinta) dias para cobrança amigável, findo o qual, sem que ocorra o pagamento do débito, o processo será encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para cobrança executiva. Cientificado da respectiva intimação, em 10.01.2017 (efl. 1.691), o contribuinte/interessado solicita, em 01.02.2017 (efls. 1.694/1.695), a juntada de expediente, intitulado "impugnação" (efls. 1697 a 1.708), para demonstrar seu inconformismo quanto à liquidação do já mencionado Acórdão nº 3302002.673. Fl. 1848DF CARF MF Processo nº 11080.727828/201143 Acórdão n.º 3302005.829 S3C3T2 Fl. 1.849 14 Em face do acatamento do referido expediente, como se impugnação regular às instâncias de julgamento administrativo fosse, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre DRJ/POA exarou o Acórdão nº 1059.034, que, na sessão de julgamento realizada em 02.06.2017 (efls. 1.774 a 1.797), julgou improcedente em parte a "impugnação" apresentada pelo contribuinte, cuja ementa colacionase, verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/2007 a 31/12/2009 EXECUÇÃO DE ACÓRDÃO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) POR DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. CÁLCULO DO VALOR EXONERADO. CONTROVÉRSIA. SOLUÇÃO. No caso concreto, em estrita observância de acórdão do Carf, é cabível pronunciamento de turma de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, a respeito de discordância do sujeito passivo quanto ao valor do crédito tributário exonerado em segunda instância, sem ter havido liquidação do acórdão pelo colegiado prolator, que tampouco se manifestou no acórdão sobre os critérios de cálculo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/01/2007 a 31/12/2009 PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. Cada estabelecimento, seja matriz, sucursal, filial, agência, depósito ou qualquer outro, manterá o seu próprio documentário, vedada, sob qualquer pretexto, a sua centralização, ainda que no estabelecimento matriz. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O Recorrente, intimado, em 08.06.2017 (efls. 1.804), e não se conformando com a decisão proferida no supra referido o Acórdão nº 1059.034, interpôs, em 08.07.2017 (e fls. 1.807 a 1.815) o expediente intitulado "recurso voluntário". Do fundamento deste voto vencedor Notese, compulsando a cronologia dos procedimentos atinentes ao caso sob exame, notase que equivocaramse (i) a autoridade fiscal, relativamente à Intimação de efl. 1.690, quando, em razão da ciência do Acórdão nº 9303003.431, da 3ª Turma, Sessão de 27.01.2016 e da Informação Fiscal Complementar de efls. 1683/1684, juntada ao processo em epígrafe no dia 29.12.2016, facultou ao interessado/reclamante, no caso de não proceder à extinção do crédito tributário deste processo, no prazo de 30 dias do seu recebimento, impugnálo às instâncias de julgamento administrativo, nos moldes preconizados pelo Decreto nº 70.235, de 06.03.1972; e (ii) a 3ª Turma da DRJ/POA, que entendeu, por bem, acolher a "impugnação" de efls. 1697 a 1.708), apresentada em 01.02.2017, para infirmar a liquidação do Acórdão nº 3302002.673, posto que tais entendimentos e decisão contraria os preceitos do Fl. 1849DF CARF MF Processo nº 11080.727828/201143 Acórdão n.º 3302005.829 S3C3T2 Fl. 1.850 15 Processo Administrativo Fiscal, em especial, o disposto no artigo 37 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, que dispõe que o "julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais farseá conforme dispuser o regimento interno". Desta feita, não há como prosperar a pretensão do reclamante, no sentido de ver seu inconformismo examinado por esta Corte, pois a realidade jurídicoprocessual administrativa vigente à época em que exarado o Acórdão nº 3302002.673 (efls. 1.209 a 1.252) não mais vige desde 05.05.2016, ocasião em que ocorreu a alteração do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Portaria MF nº 343, de 2015com a entrada em vigor da Portaria MF nº 152, de 2016, que textual e concretamente, em seu artigo 1º, §1º do Anexo II, vedou qualquer apreciação de eventual recurso interposto contra ato proferido na fase de cumprimento dos seus acórdãos. Não obstante os supra referidos fundamentos serem mais que suficientes para sustentar o não conhecimento do "recurso voluntário" apresentado, convém subsidiariamente assentar que a Solução de Consulta Interna SCI nº 18, de 2012 (referenciada no acórdão vergastado) foi revogada pelo Parecer Normativo Cosit nº 2, de 23.08.2016. Desse modo, díspares os quadros legais/processuais em que proferida a decisão que se pretendeu confrontar, inadmissível o recurso de efls. 1.809 a 1.815. Da conclusão Com base em tais considerações, decidiu a maioria não conhecer do "recurso voluntário" apresentado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 1850DF CARF MF
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Numero do processo: 10074.000136/2003-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/1997, 31/12/1998
MULTA. MERCADORIAS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA ENTREGUE A CONSUMO DESACOMPANHADA DE NOTA FISCAL.
É cabível aplicação da multa do inciso I do art. 83 da Lei n° 4.502/1964, quando mercadorias de procedência estrangeira entregue a consumo estão desacompanhadas de nota fiscal.
Numero da decisão: 9303-007.032
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora) e Tatiana Midori Migiyama que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Demes Brito.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Demes Brito- Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/1997, 31/12/1998 MULTA. MERCADORIAS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA ENTREGUE A CONSUMO DESACOMPANHADA DE NOTA FISCAL. É cabível aplicação da multa do inciso I do art. 83 da Lei n° 4.502/1964, quando mercadorias de procedência estrangeira entregue a consumo estão desacompanhadas de nota fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora) e Tatiana Midori Migiyama que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora (assinado digitalmente) Demes Brito Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 01 36 /2 00 3- 61 Fl. 1392DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 30239.687, de 12 de agosto de 2008 (fls. 1059 a 1067 do processo eletrônico), proferido pela Segunda Câmara do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes, decisão que unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso de Oficio e por maioria de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem no auto de infração, que foi instrumento de cobrança de multa ao Contribuinte no valor de R$ 9.370.788,90. Este valor corresponde a mercadoria fiscalizada, qual seja, miniatura de veículos, que foram distribuídas pelo Contribuinte a seus clientes como brindes. A multa cobrada decorreu da imputação ao Contribuinte, ora Recorrente, da prática da conduta de introduzir tais miniaturas de carros no pais de modo regular, desacompanhadas da respectiva de nota de importação ou nota fiscal, nos termos do art. 83, inciso I, da Lei n.º 4.502/1964. O Contribuinte ingressou com impugnação, no qual procurou demonstrar a razão das diferenças de estoque de mercadoria e a falta de notas fiscais. Requereu, outrossim, o reconhecimento da decadência do crédito tributário. Remetidos os autos para análise da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis/SC, o lançamento foi julgado procedente em parte, porque reconhecida a decadência do crédito tributário referente à mercadoria importada em 1997. Quanto à falta de emissão de nota fiscal das mercadorias importadas em 1998, entendeu a DRJ de Florianópolis/SC que efetivamente não foi comprovada a existência das respectivas Notas Fiscais, razão pela qual seria ainda seria devida a multa, em valor inferior ao inicialmente apurado, agora no total de R$ 672.267,18. Irresignados com a decisão contrária aos seus pleitos, a DRJ de Florianópolis/SC e o Contribuinte apresentaram respectivamente, Recurso de Ofício e Recurso Voluntário, o Colegiado por unanimidade de votos negou provimento ao Recurso de ofício e Fl. 1393DF CARF MF Processo nº 10074.000136/200361 Acórdão n.º 9303007.032 CSRFT3 Fl. 1.393 3 por maioria de votos negou provimento ao Recurso Voluntário, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/1997, 31/12/1998 DECADÊNCIA MULTA PELA NÃO EMISSÃO DE NOTA FISCAL De acordo com o art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, combinado com o art. 463 do Decreto n° 2.637/98 (a época em vigor), o prazo decadencial para a Administração Tributária cobrar multas decorrentes, dentre outros fatos, da não emissão de Nota Fiscal, é de 5 (cinco) anos a contar da data em que essas deveriam ter sido emitidas. DA METODOLOGIA ADOTADA PARA A LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO A multa aplicada corresponde ao inadimplemento de obrigação tributária de emissão de nota fiscal, suficiente, por si só, a ensejar a aplicação de multa, nos termos do art. 83, I, da Lei n° 4.502/64 e do art. 463, I, do Decreto n° 2.637/98, independentemente do recolhimento, ou não, dos impostos correspondentes. Indiferente, portanto, a verificação da metodologia aplicada, uma vez que, ao final, se chegará a conclusão de que as Notas Fiscais não foram emitidas. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE Não há que se falar em inobservância ao princípio da razoabilidade quando o cálculo da exação segue a proporção abstratamente estabelecida na norma MULTA Aplicação da multa do inciso I do art. 83 da Lei n° 4.502/1964, porque importada mercadoria desacompanhada da documentação exigida pela legislação. RECURSOS DE OFÍCIO E VOLUNTÁRIO NEGADOS. A Fazenda Nacional opôs embargos declaratórios às fls. 1071 a 1073, sendo que estes foram rejeitados, conforme despacho às fls. 1074 e 1075. Fl. 1394DF CARF MF 4 A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 1079 a 1083) em face do acordão recorrido que negou provimento ao recurso de ofício, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional foi a seguinte: “o v. acórdão ora recorrido, aplicando o prazo previsto no art. 150, §4° do CTN, acolheu a preliminar de decadência [...] embora tenha ficado demonstrado nos autos, o comportamento doloso da recorrida que motivaria necessariamente o emprego do prazo disposto no art. 173, I do CTN.” Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigmas os acórdãos de números 101 95.750 e 10247.432. A comprovação dos julgados firmouse pela juntada de cópias dos acórdãos, documentos de fls. 1084 a 1087. O Recurso Especial da Fazenda Nacional não foi admitido, conforme despacho de fls. 1130 a 1133. Inconformada com a decisão que não admitiu o Recurso Especial, a Fazenda Nacional interpôs agravo às fls. 1136 a 1138. O agravo foi rejeitado, conforme despacho de fls. 1141 a 1148, prevalecendo a negativa de seguimento do Recurso Especial expressa pelo presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 1204 a 1216) em face do acordão recorrido que negou provimento ao Recurso Voluntário, a divergência suscitada pelo Contribuinte diz respeito à aplicação da multa prevista no artigo 83, I, da Lei n.º 4.502/64, pela necessidade de comprovação de que as mercadorias teriam sido introduzidas clandestinamente, conforme estabelecido no §2º do artigo 490 do RIPI/2002. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, o Contribuinte apresentou como paradigma o acórdão de número 20217.055. A comprovação dos julgados firmouse pela juntada de cópia de inteiro teor do acórdão, documento de fls. 1361 a 1377. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido, conforme despacho de fls. 1383 e 1384. Fl. 1395DF CARF MF Processo nº 10074.000136/200361 Acórdão n.º 9303007.032 CSRFT3 Fl. 1.394 5 A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 1386 a 1389, manifestando pelo não provimento do recurso especial do Contribuinte e que seja mantido o v. acórdão. É o relatório em síntese. Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Da Admissibilidade O Recurso Especial do Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso conforme despacho fls.1383 e 1384, senão vejamos: O acórdão recorrido fez uma interpretação literal do disposto no artigo 83, I, da Lei n.º 4.502/64, que considerava como irrelevante o fato da importação ter sido ou não regular, visto que a multa foi aplicada tão somente pela ausência de nota fiscal de importação, enquanto acórdão paradigma considerou o disposto na inovação trazida pelo parágrafo segundo do artigo 490 do RIPI/2002, que expressamente inseriu uma restrição para a aplicação da penalidade: apenas às hipóteses de produtos de procedência estrangeira introduzidos clandestinamente no país ou importados irregular ou fraudulentamente. Desta maneira, entendo que o contraste das ementas e do teor dos votos das decisões evidencia a divergência entre o entendimento exarado no acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas. Diante do exposto, comprovada a divergência, voto no sentido de conhecer do recurso interposto pelo Contribuinte. Do Mérito Fl. 1396DF CARF MF 6 Segundo consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl. 04 e no Termo de Constatação Anexo ao Auto de Infração, de fls. 08 a 12, o motivo da exigência foi o fato de se haver apurado, através da verificação de estoque, que a autuada havia dado entradas e saídas, sem a correspondente emissão de nota fiscal, de miniaturas de veículos distribuídas como brindes. Desta maneira, foi aplicada a multa com base no art. 83, I, da Lei n.º 4.502 de 30/11/1964, in verbis: Art. 83. Incorrem em multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal, respectivamente: I os que entregarem a consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no Pais ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido desacompanhado da nota de importação ou da nota fiscal, conforme o caso; (grifo meu) Em face da autuação, calcada em indícios das irregularidades supostamente verificadas e em que pese existirem alguns dos indícios mencionados pela fiscalização, não foram verossímeis e convergentes para suportar a exigência, como se demonstrará a seguir: Inicialmente cumpre destacar que nos autos, fls 922, o voto vencedor do acordão da DRJ de Florianópolis chegou à conclusão que não houve dolo por parte do Contribuinte quanto a falta de emissão de nota fiscal, senão vejamos: (...) Voto Vencedor. Ao manter o crédito tributário integral de que trata o presente lançamento o nobre julgador Iugho Ikemoto utilizouse da suposta ocorrência de fraude, transferindo a base legal da decadência do art. 150, § 4 0, para o art. 173, I, ambos do CTN. No entanto, verificarse á que tal entendimento não condiz com a realidade dos fatos trazidos aos autos. Conforme visto alhures, para que um ato seja caracterizado como fraude, na definição estabelecida pelo art. 72 da Lei n g 4.502 de 30/11/1964, deve Fl. 1397DF CARF MF Processo nº 10074.000136/200361 Acórdão n.º 9303007.032 CSRFT3 Fl. 1.395 7 haver, indubitavelmente, uma ação dolosa por parte do sujeito passivo. Por sua vez, esta constatação deve vir especificada na descrição dos fatos e enquadramento legal, não precisamente de um modo direto, mas que esteja de certa forma demonstrada a ocorrência dolosa de determinado ato. Destarte, a constatação pela autoridade fiscal da não emissão de nota fiscal pelo contribuinte, por si só, não caracteriza a ocorrência de fraude. De fato, não se pode imputar a atitude da interessada como um ato doloso, pois inferese pela descrição dos fatos apresentada, fls. 08 a 12, corroborado pelo entendimento do nobre relator, que havia uma bela desorganização por parte da empresa autuada no que diz respeito ao controle de emissão das miniaturas de carros importados por ela, mas em hipótese alguma a prática dolosa no sentido de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador. 0 próprio lançamento fiscal vai ao encontro deste entendimento, posto que seus valores foram extraídos dos registros das operações empreendidas pela interessada, ou seja, a constatação da falta de emissão das notas fiscais decorreu da informação contida na escrituração contábil da própria empresa autuada, ai incluídos os estoques iniciais e finais do período obtidos única e exclusivamente do Livro Registro de Inventário. Diante das circunstâncias em que foram verificadas as irregularidades apontadas pela autoridade fiscal e a não demonstração de ato doloso na falta de emissão das notas fiscais tornase imperativo considerar a contagem do prazo de decadência a partir da data em que as referidas notas fiscais deixaram de ser emitidas, à luz dos dispostos no art. 463, I, do Decreto n° 2.637/98 e no art. 150, § 40 do CTN. Com isso, devese excluir do crédito tributário em apreço os valores originados pela não emissão de notas fiscais no ano de 1997, posto que o lançamento ocorreu somente no dia 27/12/2002, ou seja, após os 5 (cinco) anos previsto pela legislação para que a união pudesse constituir o crédito tributário. Fl. 1398DF CARF MF 8 Quanto a multa, vejamos, o acordão recorrido inicialmente informa que: “Ressalto que é incontroverso que as miniaturas de carros foram adquiridas por meio de importação. Não se discute em nenhum momento, ademais, se a importação foi ou não regular. A multa é aplicada tão somente pela ausência de nota fiscal de importação. Tratase de aplicação simples do art. 83, inciso I, da Lei n° 4.502/64”. Ademais, depreendendose da análise dos autos do processo, expresso minha concordância com a declaração de voto da ilustre Conselheira Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro constante do acórdão recorrido – o que peço vênia para transcrever: Declaração de Voto Conselheira Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro Ouso discordar de minha ilustre colega — Conselheira Relatora. Isso porque, em síntese, a mesma fundamenta seu voto na seguinte premissa: "(...) é incontroverso que as miniaturas de carros foram adquiridas por meio de importação. Não se discute em nenhum momento, ademais, se a importação foi ou não regular. A multa aplicada tão somente pela ausência de nota fiscal de importação. Tratase de aplicação simples do art. 83, inciso I, da Lei n° 4.502/64." (grifo nosso) Ora, NÃO se pode aplicar a multa prevista no art. 83, inciso I, da Lei n° 4.502/1964, correspondente ao art. 365, I, do RIPI182 (ou art. 463, do RIPI/98, Decreto n° 2.637/98 ou art. 490, I, do RIPI/02, Decreto n° 4.544/2002), no caso de importação REGULAR. A verificação dos fatos ocorridos durante a importação é informação FUNDAMENTAL para se aplicar a multa em questão. No caso vertente, a Fiscalização jamais levou em consideração as operações de importação realizadas pela contribuinte. A acusação fiscal fundamentou se em simples trabalho de auditoria de estoque (conferência entre o estoque físico nacional de miniaturas de carros Ferrari e o saldo contábil escriturado no livro de inventário). Fl. 1399DF CARF MF Processo nº 10074.000136/200361 Acórdão n.º 9303007.032 CSRFT3 Fl. 1.396 9 A contribuinte sustenta que o saldo do estoque físico encontrado pela auditoria fiscal ao final de cada período está equivocado, posto que foi apurado a partir do somatório de todas as operações de entrada e saída de miniaturas de carros Ferrari no período de 1997 e 1998, considerando inclusive as entradas e saídas realizadas a titulo de remessa e retorno de armazenagem em depósitos de terceiros. Independente da defesa apresentada, entendo que, para a correta aplicação da multa em evidencia, mister se faz a comparação entre a documentação relativa As importações dos produtos vis a vis os estoques constantes do Livro de Inventário da contribuinte. Isso porque, a multa administrativa em evidencia visa, diferentemente do que conclui minha ilustre par, coibir a importação clandestina ou irregular de mercadorias e, por conseguinte, tem por finalidade impedir que mercadoria de procedência estrangeira seja admitida e consumida em território aduaneiro, sem o regular processo de despacho aduaneiro. Deixar de discutir a suposta clandestinidade dos produtos importados impossibilita a aplicação da norma ao fato imponível. Confirase: Art. 365 — Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial de mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente (Lei n° 4.502/64, art. 83 e Decretolei n°400/68, art. I°, alt. 2`2: I — aos que entregarem a consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no Pais ou importado irregular ou fraudulentamente, ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da Declaração de Importação, Declaração de Licitação ou Nota Fiscal, conforme o caso; (grifos nossos) Fl. 1400DF CARF MF 10 Diante disso, não resta dúvida que constitui requisito imprescindível para a aplicação da referida penalidade a circunstância de que a mercadoria tenha sido introduzida em território nacional de forma irregular ou clandestina. Portanto, para a aplicação da mencionada sanção, não basta a simples constatação de descumprimento de obrigações acessórias pelo importador (ou mesmo pelo adquirente da mercadoria importada), tais como a falta de emissão de Nota Fiscal, a falta de escrituração nos livros fiscais, etc. De fato, a própria gradação da penalidade atesta a total impossibilidade de tal penalidade ser aplicada As hipóteses em análise, sem que haja provas de que a importação das mercadorias se deu de forma irregular, fraudulenta ou clandestina. A confirmar tal entendimento, o POder Executivo fez publicar o RIPI/02, o qual acabou reproduzindo o "caput" e incisos dos RIPI’s anteriores que tratavam da referida penalidade, mas acresceu a norma prevista no §2°, a seu'art. 490. Confirase: §2° A multa a que se refere o inciso I deste artigo aplicase apenas às hipóteses de produtos de procedência estrangeira introduzidos clandestinamente no Pais ou importados irregular ou fraudulentamente (grifamos) Vejase que, por ter caráter eminentemente interpretativo, tal regra como que se incorpora ao texto regulamentar originalmente editado e, por conseguinte, seu conteúdo tem efeitos retroativos (ex tunc), conforme já decidiu o Conselho de Contribuintes em situação semelhante. Em resumo, ao reconhecer que a penalidade somente pode ser exigida quando a importação tiver sido clandestina ou irregular, o dispositivo regulamentar em questão espancou eventuais dúvidas a respeito da infração descrita no art. 365, I, do RIPI. Fl. 1401DF CARF MF Processo nº 10074.000136/200361 Acórdão n.º 9303007.032 CSRFT3 Fl. 1.397 11 Vejase, aliás, que a norma do §2°, do art. 490, do RIPI/02 vem sendo aplicada por este Tribunal Administrativo, inclusive em relação a lançamentos realizados sob a égide do RIPI anterior, conforme demonstra a decisão abaixo transcrita: IPI. MULTA REGULAMENTAR. ART. 463, I, DO TIPI/1998. CANCELAMENTO. 0 lançamento da multa no art. 463, I, do Decreto n° 2.637/1998, só é cabível quando estiver comprovado que as mercadorias foram introduzidas clandestinamente no Pais ou importadas de forma irregular ou fraudulentamente, conforme disposto no §2° do art. 490 do RIPI/2002. Recurso de oficio negado. (Ac. 20217055, j, 26/04/06, re. Antonio Zomer) Pelo exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso da contribuinte. Segunda a declaração de voto acima, "NÃO se pode aplicar a multa prevista no art. 83, inciso I, da Lei n° 4.502/1964 correspondente ao art. 365, I, do RIPI/82 (ou art. 463, do RIPI/98, Decreto n° 2.637/98 ou art. 490, I, do RIPI/02, Decreto n° 4.544/2002), no caso de importação REGULAR. A verificação dos fatos ocorridos durante a importação é informação FUNDAMENTAL para se aplicar a multa em questão"... "não resta dúvida que constitui requisito imprescindível para a aplicação da referida penalidade a circunstância de que a mercadoria tenha sido introduzida em território nacional de forma irregular ou Clandestina. Assim, para a aplicação da mencionada sanção, não basta a simples constatação de descumprimento de obrigações acessórias pelo importador (ou mesmo pelo adquirente da mercadoria importada), tais como a falta de emissão de nota fiscal, a falta de escrituração nos livros fiscais, etc, e necessário que se averigue, para aplicação da multa prevista no art. 83, I, da Lei n° 4.502/64, se a importação foi ou não regulamentar. Como se verifica houve uma importação regular, assim, não se pode aplicar a multa indicada no art. 83, inciso I, da Lei n° 4.502/1964. Fl. 1402DF CARF MF 12 Ademais, verificase que o atual artigo 572 do Regulamento do IPI é claro ao prever que a multa aplicase apenas às hipóteses de produtos de procedência estrangeira introduzidos clandestinamente no país ou importados irregular ou fraudulentamente: Art. 572. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, eDecretoLei no 400, de 1968, art. 1o, alteração 2a): I – os que entregarem a consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração de importação no SISCOMEX, salvo se estiver dispensado do registro, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, inciso I, e DecretoLei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª); e (...) § 2o A multa a que se refere o inciso I aplicase apenas às hipóteses de produtos de procedência estrangeira introduzidos clandestinamente no País ou importados irregular ou fraudulentamente. Verificase que a multa que tem como base o inciso I, do artigo 83, da Lei n° 4.502/64 (aplicada na situação dos presentes autos), é restrita às hipóteses em que os bens foram introduzidos clandestinamente no País ou importados irregular ou fraudulentamente. No entanto, no caso dos autos não há tal ocorrência. Por fim, devemos destacar que art. 106, II, do Código Tributário Nacional, passar a não definir como infração ato questionado em processo não definitivamente julgado. Ainda, o inciso I do mesmo artigo 106, do CTN, determina a atenção quando é o caso de interpretação da legislação. Quanto à aplicação da legislação nova, a Eg. 3ª Turma da CSRF do CARF coaduna com o quanto aqui afirmado, in verbis: Fl. 1403DF CARF MF Processo nº 10074.000136/200361 Acórdão n.º 9303007.032 CSRFT3 Fl. 1.398 13 "RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGO 106 DO CTN. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, nos exatos termos da alínea 'c' do inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional." (Ac. 9303002.332, rel. conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, j. em 20/06/2013). Nos termos do art. 106, inciso I, do Código Tributário Nacional — CTN, a norma que seja expressamente interpretativa aplicase, em qualquer caso, a ato ou fato pretérito, restando excluída a aplicação da penalidade à infração dos dispositivos interpretados. Amoldase o comando da retroatividade benigna do art. 106, I, do CTN ao §9°—A, do art. 3° da Lei n° 9.718/98, norma de caráter interpretativo, introduzido em 2013 pela Lei n° 12.873, que retroage para alcançar os fatos geradores do presente processo administrativo. (Ac. 9303 004.399, rel. conselheira Vanessa Marini Cecconello, j. em 09/11/2016) Assim é essencialmente necessário que se averigue, para aplicação da multa prevista no art. 83, I, da Lei n° 4.502/64, se a importação foi ou não regular. No caso dos autos, entendo que a importação foi regular e por tanto, deve ser afastada a multa com base no art. 83, I, da Lei n.º 4.502 de 30/11/1964. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 1404DF CARF MF 14 Voto Vencedor Conselheiro Demes Brito Redator Designado Em que pese os argumentos do voto da Ilustre Conselheira Relatora, com a devida vênia, discordo de seu entendimento. Com efeito, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamado de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos, não tendo espaço para questões fáticas, que já ficaram devidamente julgadas no Recurso Voluntário. A discussão que se coloca em debate tem origem de auto de infração referente mercadoria fiscalizada, qual seja, miniatura de veículos, que foram distribuídas pela Contribuinte a seus clientes como brindes. A multa cobrada decorreu da imputação da prática da conduta de introduzir tais miniaturas de carros no pais de modo regular, desacompanhadas da respectiva de nota de importação ou nota fiscal, nos termos do art. 83, inciso I, da Lei n° 4.502/1964. A decisão recorrida, negou provimento ao Recurso de Ofício e Voluntário, por entender que é incontroverso que as miniaturas de carros foram adquiridas por meio de importação. Não se discute em nenhum momento, ademais, se a importação foi ou não regular. A multa é aplicada tão somente pela ausência de nota fiscal de importação. Tratase de aplicação simples do art. 83, inciso I, da Lei n° 4.502/64. Por sua vez, a Conselheira do Voto vencido deu provimento ao Recurso Especial da Contribuinte, por entender que a importação foi regular e que para a aplicação da multa do inciso I do art. 83 da Lei n° 4.502/1964, com artigo 463 do Decreto n 2.637/98, há necessidade de comprovação da importação introduzida clandestinamente ou irregular ou de forma fraudulenta. Compulsando aos autos, verifico que o trabalho fiscal comprovou a divergência, em relação ao estoque contábil apurado (Ferrari Pequena — 97; Ferrari Media — 97; Ferrari Pequena — 98; Ferrari Média — 98; Ferrari Grande — 98; Ferrari F 1 — 98), o que evidenciaria a entrada no estabelecimento de mercadorias de procedência estrangeira sem comprovação de sua aquisição regular ou desacompanhadas de nota fiscal. Foi apontada divergência, a maior, do estoque contábil em relação ao estoque físico (Ferrari Grande — 97; Ferrari Fl — 97), o que manifestaria a saída do estabelecimento de mercadorias de procedência estrangeira sem a emissão de nota fiscal. Como se vê, a Contribuinte deu saída do estabelecimento de mercadorias sem emitir nota fiscal, neste sentido, discordo dos fundamentos de relatora vencida no que tange a retroatividade benigna com fundamento do artigo 106 do CTN. Fl. 1405DF CARF MF Processo nº 10074.000136/200361 Acórdão n.º 9303007.032 CSRFT3 Fl. 1.399 15 É incontroverso que as miniaturas de carros foram adquiridas por meio de importação. Não se discute em nenhum momento, ademais, se a importação foi ou não regular. A multa é aplicada tão somente pela ausência de nota fiscal de importação, tratase de aplicação simples do art. 83, inciso I, da Lei n° 4.502/64. Esta conduta reflete precisamente o que está disposto no artigo 83, inciso I, da Lei 4.502/64: Incorre em multa igual ao valor comercial da mercadoria quem entregar a consumo produto de procedência estrangeira, que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (inciso I do art. 463). Não há como corroborar com uma conduta, em minha visão ilícita de não emitir nota fiscal retroagir a norma? estaria incentivando ilegalidade. Assim sendo, não se vislumbra outra alternativa senão a manutenção da presente penalidade em razão da ocorrência da perfeita subsunção do fato à norma regulamentadora. Dispositivo Ex positis, nego provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 1406DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.001378/2010-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Constatada omissão no acórdão, acolhem-se os embargos de declaração, para que seja sanado o vício apontado.
RECUSA DO SINDICATO EM PARTICIPAR DAS NEGOCIAÇÕES PARA PAGAMENTO DA PLR. INOBSERVÂNCIA PELA EMPRESA DAS POSSIBILIDADES LEGAIS PARA EXIGÊNCIA DA PARTICIPAÇÃO.
No caso de recusa do Sindicato em participar das negociações para pagamento da participação nos lucros e resultados, deve o empregador comunicar a recusa ao Ministério do Trabalho e Emprego, para adoção das providências legais cabíveis ou mesmo adotar as possibilidades da própria Lei nº 10.101/2000 para os casos de impasse na negociação.
Numero da decisão: 2202-004.710
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os Embargos de Declaração, para fins de integrar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto e Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Votaram pelas conclusões os conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: ROSY ADRIANE DA SILVA DIAS
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MORGAN S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Constatada omissão no acórdão, acolhemse os embargos de declaração, para que seja sanado o vício apontado. RECUSA DO SINDICATO EM PARTICIPAR DAS NEGOCIAÇÕES PARA PAGAMENTO DA PLR. INOBSERVÂNCIA PELA EMPRESA DAS POSSIBILIDADES LEGAIS PARA EXIGÊNCIA DA PARTICIPAÇÃO. No caso de recusa do Sindicato em participar das negociações para pagamento da participação nos lucros e resultados, deve o empregador comunicar a recusa ao Ministério do Trabalho e Emprego, para adoção das providências legais cabíveis ou mesmo adotar as possibilidades da própria Lei nº 10.101/2000 para os casos de impasse na negociação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os Embargos de Declaração, para fins de integrar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto e Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Votaram pelas conclusões os conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 78 /2 01 0- 68 Fl. 464DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratamse de Embargos de Declaração opostos pelo Contribuinte (fls. 233/234), em face do Acórdão nº 2403002.094 (fls. 225/232). Para conhecimento dos autos, reproduzo o relatório do Acórdão embargado, o qual sintetiza os fatos ocorridos até aquele momento: Tratase Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, prevista no artigo 32, inciso IV e §§ 3o e 5o, da Lei 8.212/1991, consiste em entregar GFIP com dados não correspondentes de todas as contribuições previdenciárias no período de 01/2005 a 01/2007. De acordo com o Relatório Fiscal de fls 07/1 Ia empresa não incluiu nas GFlP's os valores correspondentes a: a) Vale Transporte e b) pagamento de Participação nos Lucros. informa ainda que foi efetuado o comparativo da multa mais benéfica conforme previsto na Lei 11.941/09. Inconformada com Decisão de primeira instância (fls. 123/136), a empresa apresentou recurso onde alega em apertada síntese: Em sede preliminar argüiu a nulidade da decisão de primeira instância ante a ausência de análise de todos os argumentos apresentados na defesa, em especial, a alegação de nulidade da autuação em face da extrapolação dos limites temporais do Mandado de Procedimento Fiscal — MPF, uma vez que este tinha como objeto a fiscalização de contribuições do período de 01/2005 a 01/2007 e exigiu documentação relativa a 2002 e 2004, ou seja, em período decaído. Entende que, uma vez decaído o direito do Fisco questionar a legalidade dos planos de PLR celebrados em 2002 e 2004, não poderia lançar os valores relativos aos pagamentos realizados em 2005, posto que estes se originaram daqueles planos. Que deve ser aplicada a decadência qüinqüenal das parcelas relativas às competências anteriores a 10/2005, com base no art. 150, § 4o do CTN. Fl. 465DF CARF MF Processo nº 16327.001378/201068 Acórdão n.º 2202004.710 S2C2T2 Fl. 465 3 Do Mérito Sobre os valores pagos a título de vale transporte, a recorrente defende a não incidência de contribuições, traçando um histórico da legislação que trata do assunto citando ainda jurisprudência sobre a matéria. Afirma que o TST autorizou aos bancos, como a recorrente, o pagamento do vale transporte em dinheiro ante sua natureza jurídica eminentemente indenizatória, razões pela qual jamais poderia compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Que tais verbas não se consubstanciam retribuição pelo trabalho, MS sim, para o trabalho pois se destinam unicamente a possibilitar o deslocamento residênciaemprego e emprego residência. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema para afastar o caráter retributivo de tais verbas. Com relação â PLR, afirma que a ausência do Sindicato nos Acordos de Participação nos Lucros e Resultados — PLR, não encontra respaldo na Lei 10.101/00 que não estabelece a adoção de qualquer procedimento nos casos em que o Sindicato se negue a participar da negociação, portanto, não deve proceder a pretensão fiscal. Defende que, no caso em apreço, não devem ser aplicadas as disposições contidas nos arts. 616 e 617 da CLT, pois, eles apenas regulamentam as relações jurídicas vinculadas a Convenções e Acordos Coletivos de Trabalho, que são instrumentos de negociação que não se assemelham ao Acordo Próprio entre a empresa e os seus trabalhadores. Entende estar diante de uma obrigação impossível de ser cumprida já que a recorrente não possuía qualquer subsídio legal capaz de obrigar o Sindicato a participar das negociações de PLR. No que tange a alegação da decisão de primeira instância deu que não constavam regras claras e objetivas e mecanismo de aferição, a recorrente se insurge aduzindo que a decisão recorrida se calcou em duas premissas equivocadas. Afirma que os mecanismos de aferição previstos nos Acordos de PLR são as avaliações de desempenho relacionadas a três critérios de resultados: Resultados Coorporativos; Resultados das Areais e Resultados Individuais. Informa que nos Anexos que integram os Acordos de PLR estão expressa, clara e objetivamente descritos todos os critérios utilizados na distribuição das PLR, em conformidade com o que foi negociado com os trabalhadores. Transcreve os trechos do :Anexo para corroborar suas afirmações. Mantém este raciocínio argumentando que todos os elementos objetivos necessários à configuração do merecimento ou não do Fl. 466DF CARF MF 4 PLR são claros e respeitaram o tratamento isonômico dispensado a todos os trabalhadores. Conclui que, o fato das avaliações de desempenho terem sido efetuadas pelos gerentes ou supervisores não afronta a Lei 10.101/00 e questiona " a quem a DRJ esperava ver outorgada a competência para a definição de metas e resultados que fundamentam a PLR e a atividade empresarial da Recorrente?" Defende que a Lei 10101/00 não exige que os acordos prevejam metas ou valores de forma detalhada ou numérica e que, o art. 2o, § Io, inciso II da referida lei trata dc mera faculdade arrolada pelo legislador que apontou alguns critérios que poderiam ser utilizados na elaboração de um acordo de PLR. Cita o art. 7o, inciso XI da Constituição Federal para defender a não incidência de contribuição social sobre o pagamento de valores à título de participação nos lucros, sendo o requisito essencial, a existência de lucros e resultados a serem compartilhados com o empregado e que qualquer outra condição decorrente de legislação ordinária, que torne impeditivo o gozo de direito garantido pela Constituição Federal deve ser entendida como inconstitucional. Colaciona jurisprudência deste conselho para sustentar suas alegações; Sobre a ausência de negociação prévia das metas que fundamentam os pagamentos de PLR, afirma que qualquer acordo somente pode ser assinado após o encerramento dc um período prévio de negociações e que muitas vezes este período pode ser bastante extenso. Que as negociações entre a recorrente, a comissão de empregados e o Sindicato ocorreram antes do período ao qual o desempenho dos empregados seria analisado para a verificação de alcance de resultados para fins de direito ao recebimento de PLR e ainda que o Acordo tenha sido assinado próximo ao final do período no qual houve essa análise, as negociações e a própria fixação de tais critérios ocorreram em período anterior, ou seja em tempo hábil para que os empregados soubessem qual a performance era esperada pela empresa. Ademais os acordos de PLR em nada inovaram, quando comparados com os programas que vinham sendo utilizados desde 1999 e aos quais os empregados já estavam bastante familiarizados. Insurgese contra a cobrança da Contribuição Adicional de 2,5% e pugna pela revisão da multa plicada para a aplicação da Lei 11.941/09, à fim de se adequar à legislação em vigor na época dos fatos. Considera ilegal a majoração da multa pelo decurso de tempo por ter sido revogado o art. 35 da Lei 8212/91 após a edição da MP 449/2008. A decisão do colegiado da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento foi assim resumida (fls. 225/232): Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. Acolher parcialmente a preliminar de decadência para excluir do lançamento as contribuições lançadas até a Fl. 467DF CARF MF Processo nº 16327.001378/201068 Acórdão n.º 2202004.710 S2C2T2 Fl. 466 5 competência 09/2005. No mérito, por unanimidade de votos dar Provimento Parcial ao recurso para excluir do levantamento os valores referentes ao vale transporte e a PLR 2006 pagos após 12/2006; e determinar o recalculo da multa nos termos do art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. O Contribuinte foi intimado da decisão em 11/11/2016, em seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB (fl. 280/281) e apresentou embargos de declaração (fls. 283/287) em 17/11/2016, em função da identificação de omissão no acórdão CARF nº 2403002.094, de 18/06/2013, uma vez que: Diante da existência de omissão quanto à alegação da recusa do Sindicato em participar dos acordos de 2004 e 2005 que ocasionaram a alegação por parte da Autoridade Fiscal de que esses acordos não atendem às exigências da Lei n° 10.101/00 em razão da ausência do Sindicato o ora Embargante opôs tempestivamente embargos de declaração contra aqueles acórdãos. Por coerência, tendo em vista que a fundamentação do acórdão n° 2403002.094 é unicamente o resultado nos outros dois processos/acórdãos, entende o Embargante que o eventual acolhimento dos embargos naqueles deve implicar na reforma do presente acórdão. Os embargos foram admitidos, conforme despacho de fls. 461/463, para que fosse sanada a omissão apontada. O processo foi sorteado para minha relatoria, por se tratar de Embargos de Declaração de Turma extinta e o Conselheiro não mais integrar o colegiado. É o relatório. Voto Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Relatora Acolho os Embargos por preencherem os requisitos de admissibilidade. Considerando que este processo é reflexo dos processos nº 16327.001376/201079 e 16327.001377/201013, e que todos estão sendo julgados na mesma sessão, transcrevo voto por mim exarado no processo nº 16327.001376/201079 (que também foi o mesmo no processo nº 16327.001377/201013), por sua aplicabilidade à matéria aqui debatida: Analisando o acórdão Embargado, percebese que existe, efetivamente, a omissão indicada pelo Embargante: falta de pronunciamento em relação à recusa do Sindicato em participar das negociações, nos termos do despacho às fls. 897/901. Fl. 468DF CARF MF 6 Diante de tal omissão, passo a examinar os argumentos esposados no Recurso Voluntário, especificamente em relação à PLR: [...] a Lei n.º 10.101/2000 não estabelece a adoção de qualquer procedimento nos casos em que o Sindicato se nega a participar das negociações de PLR. Na verdade, apenas nos casos em que as negociações resultem em impasse (o que pressupõe a participação do Sindicato) a Lei n.º 10.101/2000 prevê que deve ser utilizado o mecanismo da mediação ou da arbitragem. Sendo assim, face à ausência de previsão legal a respeito dos procedimentos que devem ser adotados pela empresa e/ou comissão de empregados em caso de omissão por parte do Sindicato, bem como à ausência de previsão dos efeitos jurídicos que tal omissão geram, o negócio jurídico em questão (Acordo de PLR) foi desconsiderado pelo Fisco com base em ato de sua vontade e por mero inconformismo, o que é juridicamente inaceitável. E, nesse mesmo sentido, nem se alegue que seriam aplicáveis ao presente caso as disposições contidas nos artigos 616 e 617 da CLT, pois eles apenas regulamentam as relações jurídicas vinculadas a Convenções e Acordos Coletivos de Trabalho, que são instrumentos de negociação que não se assemelham por sua forma, alcance e finalidade ao Acordo Próprio que fundamentou os pagamentos de PLR no presente caso. O até aqui exposto converge para a conclusão de que se está diante de uma verdadeira obrigação impossível de ser cumprida pelo Recorrente, já que não possuía qualquer subsídio legal capaz de obrigar o Sindicato a participar das negociações de PLR. O argumento da recorrente já foi objeto de debate neste Conselho, nos autos do processo nº 36624.000688/200631, em que ela figurou como parte. E, por concordar com os fundamentos do voto vencedor daquele julgamento, exarado no acórdão nº 9202005.211, de 21/12/2017, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de lavra da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, adotoos como razões de decidir: Da participação do representante do sindicato. Conforme descrito acima, ao tratar das negociações entre empregador e empregados para o pagamento da PLR o legislador colocou à disposição das partes dois instrumentos negociais, quais sejam: convenção coletiva/acordo coletivo ou comissão formada por representantes da empresa e dos trabalhadores, esta obrigatoriamente com participação do ente sindical. Eis a disposição legal: Art.2° A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; Fl. 469DF CARF MF Processo nº 16327.001378/201068 Acórdão n.º 2202004.710 S2C2T2 Fl. 467 7 II convenção ou acordo coletivo. Importante destacar que o referido dispositivo foi, inclusive, alterado recentemente, passando o inciso I a exigir que a comissão formada para negociar a PLR seja paritária, mantendo se inalterada a obrigatoriedade de participação do sindicato. Eis o texto alterado: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (Redação dada pela Lei n" 12.832, de 20 de junho de 2013) Concluise, que ao negociar o pagamento da PLR sem a participação da entidade sindical, a recorrente descumpriu o art. 2. da Lei n. 10.101/2000. Portanto, é de se reconhecer que o pagamento foi efetuado em dissonância com a lei que rege a matéria. Não há de se acatar qualquer argumentação de que a participação do sindicato é mera formalidade e que o descumprimento desse requisito não pode acarretar na desconsideração da natureza jurídica do pagamento. A presença de representante do sindicato nas negociações, antes de representar uma faculdade para as partes, constitui norma obrigatória, cujo desiderato é resguardar os interesses dos empregados mediante a assistência da sua entidade sindical. Essa exigência nada mais é que um desdobramento do que dispõe o inciso III do art. 8o. da Constituição Federal do 1988, a qual se reporta ao sindicato como legítimo representante dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, dentre os quais, inegavelmente, situase a participação nos lucros e resultados da empresa. Essa exigência nada mais é que um desdobramento do que dispõe o inciso III do art. 8o. da Constituição Federal do 1988, a qual se reporta ao sindicato como legítimo representante dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, dentre os quais, inegavelmente, situase a participação nos lucros e resultados da empresa. Por outro lado, mesmo que não explicitamente provada, a alegação de que mesmo convocado para participar das negociações, o sindicato não comparaceu (sic) não serve como fundamento para descumprir o preceito legal. Embora plausível esta alegação da empresa, não serve de escusa para descumprimento da exigência legal de participação de representante sindical nas negociações para pagamento da PLR. E que, primeiro a empresa teria outro instrumento para formalizar o pagamento de PLR em conformidade com a lei 10.101/2000, no caso acordos os (sic) convenções coletivas. Fl. 470DF CARF MF 8 E nem se venha argumentar que se já fora difícil a participação do sindicado na comissão, tão difícil quanto, será exigir do sindicato firmar acordos coletivos. O ordenamento pátrio prevê remédio para esses tipos de situação. Quanto aos acordos e conveções (sic) coletivas assim, prevê a Consolidação das Leis do Trabalho — CLT: Nos termos do art. 616 da CLT: "Art. 616. Os sindicatos representativos de categorias econômicas ou profissionais e as empresas, inclusive as que não tenham representação sindical, quando provocados, não podem recusarse à negociação coletiva. § 1° Verificandose recusa à negociação coletiva, cabe aos sindicatos ou empresas interessadas dar ciência do fato, conforme o caso, ao Departamento Nacional do Trabalho ou aos órgãos regionais do Ministério do Trabalho e Previdência Social, para convocação compulsória dos sindicatos ou empresas recalcitrantes. § 2°No caso de persistir a recusa à negociação coletiva, pelo desatendimento às convocações feitas pelo Departamento Nacional do Trabalho ou órgãos regionais do Ministério do Trabalho e Previdência Social, ou se malograr a negociação entabulada, é facultada aos sindicatos ou empresas interessadas a instauração de dissídio coletivo. Assim, diante da recusa do ente sindical em participar das negociações coletivas, tem a empresa ao seu dispor de instrumento legal para suscitar ao Ministério do Trabalho a sua convocação compulsória. Para os que entendem que essa possibilidade de convocação compulsória não seria aplicável, no caso de recusa de participação do representante sindical na comissão da empresa, a própria lei 10.101/2000 estabelece remédio em seu art. 4o, razão pela qual não há que se mitigar a participação do sindicato, conforme defende o recorrente. Art. 4º—Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: Imediação; II arbitragem de ofertas finais, utilizandose, no que couber, os termos da Lei n 9.307, de 23 de setembro de 1996.(Redação dada pela Lei n° 12.832, de 2013)(Produção de efeito) §1ºConsiderase arbitragem de ofertas finais aquela em que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. §2ºO mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. §3ºFirmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. Fl. 471DF CARF MF Processo nº 16327.001378/201068 Acórdão n.º 2202004.710 S2C2T2 Fl. 468 9 §4º0 laudo arbitral terá força normativa, independentemente de homologação judicial. Não tendo a recorrente adotado quaisquer dessas providências, resta caracterizado o descumprimento do requisito obrigatório previsto no art. 2o. da Lei n. 10.101/2000. E de se concluir que a falta de participação do representante sindical nas negociações para pagamento da PLR constitui afronta a lei específica, estando em perfeita consonância com a lei a incidência de contribuições sobre as parcelas pagas título de participações nos lucros e resultados, face não restar atendida a norma constante na alínea "j" do § 9. do art. 28 da Lei n.° 8.212/1991. [...]. Portanto, diante da recusa de participação do Sindicato apontada pela embargante, não vislumbro nos autos que a empresa tenha se utilizado de outros instrumentos oferecidos pela Lei para que essa participação fosse efetivada. Ressalto que, ao contrário do que afirma a embargante, os artigos 616 e 617 da CLT são plenamente aplicados ao caso, pois se a Lei nº 10.101/00 disponibilizou à empresa dois instrumentos para a negociação com seus empregados sobre a participação nos lucros ou resultados, na impossibilidade de que um dos instrumentos não pudesse ser concretizado, por falta de um dos requisitos, como a efetiva participação do sindicato, a empresa disporia do outro, como convenção ou acordo coletivo, com todas as garantias que regem esses instrumentos, inclusive os dispostos nos artigos citados. Nesse sentido, quando a Lei nº 10.101/00 relaciona como um dos instrumentos para a negociação da PLR a convenção ou acordo coletivo, não tira deles a carga de requisitos que lhes dão validade, conforme estipulado na CLT. Por isso, essa Lei não deve ser interpretada isoladamente, mas com toda a integração jurídica que lhe é própria. Assim, não se tratava de "obrigação impossível de ser cumprida pelo Recorrente", mas de obrigação com todas as garantias legais para seu efetivo cumprimento. Dessa forma, deve permanecer inalterada a conclusão exposta no acórdão embargado. Conclusão Diante do exposto, voto por acolher os Embargos, para fins de integrar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Fl. 472DF CARF MF 10 Fl. 473DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.015285/2008-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2008
Ementa.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA.
A apresentação da Declaração de Informações Econômico-Fiscais
da Pessoa Jurídica, quando intempestiva, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega.
Numero da decisão: 1302-000.872
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2008 Ementa. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. A apresentação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, quando intempestiva, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello – relator e presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello, Waldir Veiga Rocha, Eduardo de Andrade, Diniz Raposo e Silva, Guilherme Pollastri Gomes Da Silva e Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Relatório Fl. 42DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/04 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015285/200891 Acórdão n.º 130200.872 S1C3T2 Fl. 43 2 Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 16, para formalizar exigência de multa por atraso na entrega da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica referente ao exercício de 2008, anobase de 2007, no valor total de R$ 500,00 (quinhentos reais). Como enquadramento legal foram citados: Art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, com a redação dada pelo artigo 19 da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Em 27/11/2008, foi apresentada a impugnação de fls. 01, onde, resumidamente, que entregou indevidamente a declaração 2007, sendo que deveria entregar somente o período de 01/01/2007 a 12/02/2007, que foi a data de extinção da empresa. Requer o cancelamento do debito fiscal reclamado. A DRJ decidiu: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2008 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. A apresentação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Juridica, quando intempestiva, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega. A recorrente tomou ciência do acórdão DRJ em 11/10/2011 e apresentou recurso em 09/11/2011. Em seu recurso alega que não teve atividade em 2007 e que deveria ter entregue declaração de inatividade e extinção e não DIPJ, como fez. Voto Fl. 43DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/04 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015285/200891 Acórdão n.º 130200.872 S1C3T2 Fl. 44 3 O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Não merecem acolhida os argumentos da recorrente. O disposto no IN RFB 696/2006, tem como fundamento de validade os artigos de Lei abaixo transcritos. IN 696/2006: Prazo de entrega Art. 2º A DIPJ 2007, relativa ao anocalendário de 2006, deverá ser entregue no período de 2 de maio a 29 de junho de 2007. § 1º As declarações relativas a eventos de extinção, cisão parcial, cisão total, fusão ou incorporação deverão ser entregues pelas pessoas jurídicas extintas, cindidas, fusionadas, incorporadas e incorporadoras até o último dia útil: I do mês de maio de 2007, para os eventos ocorridos nos meses de janeiro, fevereiro e março desse ano; II do mês subseqüente ao do evento, para os eventos ocorridos no período de 1º de abril a 31 de dezembro de 2007. § 2º A obrigatoriedade de entrega, na forma prevista no § 1º, não se aplica à incorporadora nos casos em que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, estejam sob o mesmo controle societário desde o anocalendário anterior ao do evento. § 3º O serviço de recepção das declarações de que trata o caput será encerrado às 20 horas (horário de Brasília) de 29 de junho de 2007. Multas relativas à apresentação da DIPJ Art. 3º A nãoapresentação ou apresentação da declaração após o prazo fixado no art. 2º, ou a sua apresentação com incorreções ou omissões, sujeita o contribuinte às seguintes multas: I de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. § 2º A multa mínima a ser aplicada será de R$ 500,00 (quinhentos reais). Lei 9779/99 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Lei 10426: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Fl. 44DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/04 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015285/200891 Acórdão n.º 130200.872 S1C3T2 Fl. 45 4 Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de 2%(dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), observado o disposto no § 3; II de 2%(dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na DIRF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996; II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Lei 11051: Art. 19. O art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: ............................................................................ III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo; e IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. Tendo a recorrente entregue a DIPJ fora do prazo, e isso é matéria incontestada, cabe a aplicação da multa, que foi aplicada no valor mínimo estabelecido em lei, ou seja, R$ 500,00. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/04 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015285/200891 Acórdão n.º 130200.872 S1C3T2 Fl. 46 5 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello relator Fl. 46DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/04 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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