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Numero do processo: 15940.720050/2014-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2009 a 30/11/2011
CORREÇÃO DAS FALHAS NA GFIP. AUSÊNCIA DE ESPONTANEIDADE. ART 138 CTN. MANUTENÇÃO DA AUTUAÇÃO.
Tendo o contribuinte procedido à correção das falhas da GFIP assinaladas pela RFB no curso do procedimento de fiscalização, deve ser mantida a autuação, tendo em vista a ausência de espontaneidade do ato, conforme prevê o art. 138 do CTN.
MULTA ISOLADA 150%. FALSIDADE DAS INFORMAÇÕES CONTIDAS NA GFIP.
Ficando comprovado nos autos que o autuado inseriu informações falsas em sua GFIP, utilizando créditos de origem incerta para realizar compensação tributária, deve ser aplicada a multa isolada de 150%, conforme dispõe o §10, do art. 89, da Lei nº 8.212/91.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR MEIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE.
O STF definiu, por meio da tese 166 de Repercussão Geral, que é inconstitucional a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.876/1999, que incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura referente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.
Numero da decisão: 2202-005.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para decotar a cobrança referente às contribuições na contratação de cooperativas de trabalho, indicadas no AI nº 51.048.839-0.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente Convocado).
Nome do relator: LUDMILA MARA MONTEIRO DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2009 a 30/11/2011 CORREÇÃO DAS FALHAS NA GFIP. AUSÊNCIA DE ESPONTANEIDADE. ART 138 CTN. MANUTENÇÃO DA AUTUAÇÃO. Tendo o contribuinte procedido à correção das falhas da GFIP assinaladas pela RFB no curso do procedimento de fiscalização, deve ser mantida a autuação, tendo em vista a ausência de espontaneidade do ato, conforme prevê o art. 138 do CTN. MULTA ISOLADA 150%. FALSIDADE DAS INFORMAÇÕES CONTIDAS NA GFIP. Ficando comprovado nos autos que o autuado inseriu informações falsas em sua GFIP, utilizando créditos de origem incerta para realizar compensação tributária, deve ser aplicada a multa isolada de 150%, conforme dispõe o §10, do art. 89, da Lei nº 8.212/91. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR MEIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE. O STF definiu, por meio da tese 166 de Repercussão Geral, que é “inconstitucional a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.876/1999, que incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura referente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para decotar a cobrança referente às contribuições na contratação de cooperativas de trabalho, indicadas no AI nº 51.048.8390. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 72 00 50 /2 01 4- 78 Fl. 522DF CARF MF Processo nº 15940.720050/201478 Acórdão n.º 2202005.390 S2C2T2 Fl. 523 2 (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente Convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela VITAPET COMERCIAL INDUSTRIAL EXPORTADORA LTDA. contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), que rejeitou a impugnação apresentada para manter a cobrança consubstanciada nos seguintes autos de infração: AI nº 51.048.8390, referente às contribuições patronais, inclusive as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, às contribuições na contratação de cooperativas de trabalho e às glosas de salário maternidade declarado a maior, bem como de compensações indevidas e de retenções inexistentes previstas na lei 9.711/98; AI nº 51.048.8400, referente às contribuições retidas dos segurados empregados e contribuintes individuais não repassadas à Seguridade Social; AI nº 51.048.8412, referente às contribuições devidas a Terceiros (Outras Entidades e Fundos); AI nº 51.048.8420, referente à multa isolada em razão de declaração de compensações indevidas e de declaração de retenções inexistentes. (f. 47/48) Transcrevo, na integralidade, as sucintas razões declinadas pela instância de origem para a manutenção da cobrança: São improcedentes os argumentos da empresa impugnante em relação à possível cerceamento de defesa. A fiscalização não somente juntou os Relatórios de Fundamentos Legais –FLD, e para cada auto de infração formalizado, e que diz respeito a apenas as bases legais a eles associadas, bem como, em seu Relatório Fiscal, descreveu os fatos geradores apurados, isso em 35 (trinta e cinco) laudas. Observa ainda, na descrição dos fatos, que a fiscalização indicou as bases legais, sem contar que, no título das “Alíquotas Aplicadas”, foi feita remissão às mesmas. Tanto foi assim que, para os fatos geradores que a defesa tinha convicção de sua correção fiscal, ela se defendeu indicando a situação e os correspondentes fundamentos. Pois bem, estando perfeito o lançamento, conforme dispõe o artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN c/c o artigo 10 Fl. 523DF CARF MF Processo nº 15940.720050/201478 Acórdão n.º 2202005.390 S2C2T2 Fl. 524 3 do Decreto nº 70.235, de 1972, não se acata a preliminar de cerceamento de defesa e de ofensa ao princípio do contraditório. Quanto à contribuição devida sobre os serviços prestados por cooperativas de trabalho, nos termos do inciso IV do artigo 22 da Lei nº 8.212, de 1991, de fato já existe pronunciamento do Supremo Tribunal Federal – STF pela sua inconstitucionalidade sob o rito da repercussão geral (artigo 543B do Código de Processo Civil – CPC) e quando do Recurso Extraordinário – RE de nº 595.838. Todavia, ainda falta publicação de ato pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN, conforme prevê o § 5º do art. 19 da Lei 10.522, de 19/07/2002, na redação dada pela Lei 12.844, de 19/07/2013, para que a Secretaria da Receita Federal do Brasil possa reproduzir a decisão do STF, até porque aquela Procuradoria, em casos de repercussão geral, deve pronunciar quanto à definitividade da decisão. Assim, pode o CARF, com base no artigo 62A de seu Regimento Interno, já excluir as contribuições sobre os serviços prestados por cooperativas de trabalho, se entender pela definitividade daquela decisão, mas este julgador, enquanto faltar manifestação da PGFN, não, considerando ainda que o Regimento do CARF não vincula a 1ª Instância Administrativa, salvo quando for expresso ou por se tratar de questões processuais a vincular esta instância. A impugnante comenta que teria sido vítima de uma quadrilha em relação às compensações indevidas, e, assim sendo, entende que teria agido de boafé. Quanto às retenções compensadas indevidamente, é difícil de perceber a boafé da impugnante, porquanto ela não praticou cessão de mãodeobra, não sofreu retenções em suas notas fiscais, que são inexistentes, e não há quaisquer registros em sua escrituração contábil de que prestou serviços a tomadores, de acordo com o demonstrado pela fiscalização nos itens 11 e 16 de seu Relatório Fiscal. Em relação à utilização de créditos terceiros, a questão não é somente da existência ou não de créditos, mas do fato de a impugnante, sem autorização judicial ou legal, ter feito o uso de supostos créditos para afastar o pagamento das contribuições previdenciárias. A boafé poderia ter sido configurada se, para esse planejamento tributário, a empresa tivesse revisto as suas GFIPs antes da auditoria realizada pelo Fisco. Mas isso não ocorreu, a impugnante, por vontade de seus representantes legais, assinou com empresas de consultoria, de assessoria e de advocacia a compra de créditos com deságio (ver o item 28 do Relatório Fiscal), e fez as correspondentes compensações, o que fica caracterizada a sua intenção de reduzir as contribuições sociais previdenciárias devidas, sem autorização judicial e sem previsão legal para a utilização de créditos de terceiros. Não pode agora a impugnante alegar boafé, já que essa não se caracteriza quando alguém tem ciência de ato ilícito, no caso, reduzir as contribuições devidas, seja por inexistência de Fl. 524DF CARF MF Processo nº 15940.720050/201478 Acórdão n.º 2202005.390 S2C2T2 Fl. 525 4 retenções sofridas, seja por compra de créditos de terceiros em planejamento tributário que não se amolda às previsões legais. Assim, ficando demonstrada a conduta da impugnante, que, nas melhores das hipóteses, assumiu o risco (dolo eventual) ao contratar empresas para reduzir contribuições previdenciárias devidas, foi acertado o procedimento fiscal ao imputar a multa isolada com base no § 10 do artigo 89 da Lei nº 8.212, de 1991, porque de fato as declarações apresentadas não condizem com a realidade – os créditos declarados em GFIPs são inexistentes ou não são passíveis de compensação. Ademais, e de acordo com a legislação previdenciária, basta a ocorrência de declarações falsas no documento GFIP, ainda que sem a intenção de sonegar ou fraudar, para que se imponha a multa isolada de 150% (cento e cinquenta por cento), conforme bem descreveu a fiscalização no item 33 de seu Relatório. Observase, ainda, que foi aplicada a multa de ofício de forma qualificada para todos os levantamentos, exceto para os de glosas de compensação, que foram com base na multa de mora de 20% (vinte por cento) do artigo 35 da Lei nº 8.212, de 1991. A multa de ofício qualificada foi tratada no item 62, isso para distinguir da multa isolada do item 33 do Relatório Fiscal, esta última questionada em impugnação. Então, seja porque a impugnante prestou declarações falsas em suas GFIPs (aplicação da multa isolada do § 10 do artigo 89 da Lei nº 8.212, de 1991), seja porque agiu de forma a reduzir ou suprimir tributo (aplicação da multa de ofício qualificada do artigo 35A c/c o § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996), concluise não haver incorreção no procedimento fiscal, uma vez que as condutas foram demonstradas, sendo inclusive motivo de emissão de Representação Fiscal Para Fins Penais – RFFP no processo de nº 15940.720051/201412. Sabendo que futuros parcelamentos podem até extinguir a punibilidade dos crimes, mas, por certo, não alteram a conduta da empresa e nem as penalidades tributárias, ficam mantidas as multas, tanto a isolada, ora questionada, como a multa de ofício qualificada. Não havendo reparos no lançamento fiscal, que permitiu o entendimento por parte da empresa contribuinte e a sua defesa, não se aceita a alegada insubsistência e improcedência dos autos de infração. (f. 475/476; sublinhas deste voto) Intimada do acórdão, a recorrente apresentou recurso voluntário (f. 488/458), requerendo, preliminarmente, i) fosse afastada a multa aplicada, ao argumento de que teria corrigido as falhas apontadas pela fiscalização; bem como ii) fossem reduzidas as multas de mora, de ofício e isolada, eis que “(...) os débitos apurados pela fiscalização foram incluídos no REFIS previsto na Lei nº 11.941/2009 (...)” (f. 496). Quanto ao mérito, replicou as mesmas matérias arguidas em sede preliminar, além de pugnar: iii) pela inconstitucionalidade da contribuição sobre serviços prestados por cooperativa de trabalho médico; e iv) pela inaplicabilidade da multa isolada em dobro, ao argumento de ter agido de boa fé. Ao final, requereu “o acolhimento da preliminar para extinção da exigência fiscal ou subsidiariamente o acolhimento do recurso, para reformar a decisão de piso Fl. 525DF CARF MF Processo nº 15940.720050/201478 Acórdão n.º 2202005.390 S2C2T2 Fl. 526 5 declarando extinto o lançamento ou, alternativamente, seja reduzido o valor das multas aplicadas (f. 518)”. É o relatório. Voto Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Conheço do recurso, presentes os pressupostos de admissibilidade. I DAS PRELIMINARES I – DA CORREÇÃO DAS FALHAS APONTADAS PELA FISCALIZAÇÃO A recorrente afirma que (...) procedeu a correção das falhas apontadas pela douta Fiscalização, o que por si só ensejaria o afastamento da multa aplicada, conforme documentos anexos. Casos entenda necessário, requer a realização de diligências para apurar a transmissão de GFIP substitutivas pela ora recorrente. (f. 495; sublinhas deste voto). Malgrado afirme a existência de documentos anexos, que comprovariam a sua alegação, certo é que nenhuma prova foi carreada em sede recursal. Desnecessária a realização de diligência para apurar a transmissão da GFIP retificada, eis que – ainda que tivesse, de fato, ocorrido – não teria o condão de afastar a penalidade aplicada. Isto porque, conforme dispõe o CTN, Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Assim, ainda que retificadas – o que não há comprovação, frisese – , o foram após a lavratura do auto de infração. Rejeito a preliminar II – DA INDIGITADA ADESÃO AO REFIS A recorrente despende inúmeras laudas com a transcrição – em duplicidade, frisese (“vide” f. 496/499; f. 501/504) –, da Lei nº 11.941/2009 e arremata com a seguinte: [c]omo se pode notar a adesão do REFIS, de acordo com a opção pelo número de parcelas, proporciona uma redução nas multas de mora e de ofício, que no caso da recorrente foi na forma do item II, §3º do art. 1º da Lei n] 11.941/2009, gerando uma redução de “90% (noventa por cento) das multas de mora e de ofício, de 35% (trinta e cinco por cento) das isoladas, de 40% (quarenta por cento) dos juros de mora Fl. 526DF CARF MF Processo nº 15940.720050/201478 Acórdão n.º 2202005.390 S2C2T2 Fl. 527 6 e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal (f. 505; sublinhas deste voto). Para além da inexistência de qualquer prova da avença celebrada, certo é que, nos termos do art. 5º da retromencionada lei, “a opção pelos parcelamentos (...) importa confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo na condição de contribuinte ou responsável (...)”. Entretanto, a despeito de alegar – sem comprovar – ter aderido ao programa de parcelamento, teratologicamente, pede seja “declarado extinto o lançamento”. Se verossímil fosse a alegação, sequer haveria julgamento do recurso voluntário nesta esfera administrativa. Por esses motivos, rejeito a preliminar. II – DO MÉRITO II.1 – DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE COOPERADOS POR MEIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO Conforme já relatado, a DRJ bem lançou que,“[q]uanto à contribuição devida sobre os serviços prestados por cooperativas de trabalho, nos termos do inciso IV do artigo 22 da Lei nº 8.212, de 1991, de fato já existe pronunciamento do Supremo Tribunal Federal – STF pela sua inconstitucionalidade.” (f. 476) A tese firmada, de nº 166, cujo trânsito em julgado ocorreu em 09/03/2015, é a de que “[é] inconstitucional a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.876/1999, que incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura referente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.” O §2º do art. 62 deste eg. Conselho determina que [a]s decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Por essa razão, acolho o pedido para decotar a cobrança referente às contribuições na contratação de cooperativas de trabalho, indicadas no AI nº 51.048.8390. II.2 – DA APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA FIXADA EM 150% A recorrente narra ter sido (...) vítima de uma quadrilha, que se apresentava como detentora de créditos junto à União, e que poderiam fazer a compensação com os seus débitos vencidos, dentro da estrita legalidade. Acreditando estar fazendo um planejamento tributário lícito, contratou as empresas MM Consultoria Empresarial Ltda e Bachaga e Miralha Sociedade de Advogados Ltda., que se comprometiam a ceder referidos créditos e a efetuar todos os procedimentos administrativos para a compensação. (f. 515) Fl. 527DF CARF MF Processo nº 15940.720050/201478 Acórdão n.º 2202005.390 S2C2T2 Fl. 528 7 A respeito da penalidade pecuniária imposta, eis a previsão da Lei nº 8.812/91: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (sublinhas deste voto) Observase que, para que seja aplicada a multa, não basta que tenha havido compensação indevida, sendo necessária, ainda, a comprovação da falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. É plenamente possível, pois, que a glosa das compensações não seja acompanhada da exigência de multa. Cabe avaliar, aqui, se houve, ou não, falsidade apta a ensejar a cobrança da multa qualificada. Colaciono excertos extraídos do relatório fiscal (fl.50/51): “10. Inserindo retenções em suas GFIP entendese que a empresa, praticou cessão de mão de obra aos tomadores constantes da GFIP e inseridos no quadro acima. 11. No entanto isso não aconteceu, não tendo a VITAPET praticado cessão de mão de obra em estabelecimento terceiros, E NEM SOFRIDO RETENÇÕES EM SUAS NOTAS FISCAIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS – que aliás nem existem. (...) 13. A Vitapet, em 17/08/2012, para justificar a inserção das supostas cessões de mão de obra nas GFIPs, conforme demonstrado no quadro suso, informou:” 1. As informações contidas nas GFIP das competências apontadas no referido Termo, onde constam códigos de recolhimento 150 – retenção da Lei 9.711/98, foram geradas erroneamente e de forma irresponsável por empresa de consultoria tributária com sede no Rio de Janeiro, conforme já foi informado anteriormente. 2. Não autorizamos qualquer substituição de códigos de recolhimento, tendo em vista não ser prestadora de serviços e não ter Contrato de Prestação de Serviços com qualquer outra empresa, deste ou outro estado, que possa ensejar a retenção na forma da Lei 9711/98. 3. Portanto não será possível a entrega de contratos de prestação de serviço a terceiros, bem como notas fiscais que contenham comprovações das referidas retenções por serem inexistentes. Fl. 528DF CARF MF Processo nº 15940.720050/201478 Acórdão n.º 2202005.390 S2C2T2 Fl. 529 8 14. Como descrito em sua resposta informa que as GFIPs com retenção “foram enviadas erroneamente e de forma irresponsável por empresa de consultoria tributária com sede no Rio de Janeiro”. 15. Ora, quem detém a senha para o envio das GFIPs é o contribuinte objeto desta ação fiscal, por isso, se este confiou a senha à outra empresa há que responder pelos atos praticados por aquela.” Não desconheço ser a qualificação da multa matéria palpitante neste Conselho, entretanto, no presente caso, os fatos bem relatados pela fiscalização, sequer infirmados pela recorrente – que se diz “vítima” de “falcatruas” (f. 515), comprovam a inserção intencional de informações falsas em GFIP, aproveitandose de créditos não dotados de certeza tampouco liquidez, adquiridos de terceiros. Mantenho, por essas razões, a penalidade aplicada. VI – CONCLUSÃO Ante o exposto, dou provimento parcial ao recurso para decotar a cobrança referente às contribuições na contratação de cooperativas de trabalho, indicadas no AI nº 51.048.8390. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Fl. 529DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13643.000460/2003-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/08/1997 a 31/12/1997
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPROVAÇÃO DE INSUBSISTÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. ALTERAÇÃO EM SEDE DE JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Comprovado pelo sujeito passivo que o processo judicial de compensação dos débitos informados em DCTF efetivamente existia, e do qual figurava no pólo ativo, ao contrário do consignado na motivação fática do lançamento de ofício (Proc jud de outro CNPJ") levado a efeito em decorrência de auditoria interna das declarações, não pode o julgador administrativo manter o Auto de Infração eletrônico por outro fundamento, havendo, assim, que ser considerado improcedente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-006.833
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra que negavam provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Muller Cavalcanti (suplente convocado).
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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COMPROVAÇÃO DE INSUBSISTÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. ALTERAÇÃO EM SEDE DE JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Comprovado pelo sujeito passivo que o processo judicial de compensação dos débitos informados em DCTF efetivamente existia, e do qual figurava no pólo ativo, ao contrário do consignado na motivação fática do lançamento de ofício (“Proc jud de outro CNPJ") levado a efeito em decorrência de auditoria interna das declarações, não pode o julgador administrativo manter o Auto de Infração “eletrônico” por outro fundamento, havendo, assim, que ser considerado improcedente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra que negavam provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (documento assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Muller Cavalcanti (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 64 3. 00 04 60 /2 00 3- 75 Fl. 113DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-006.833 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13643.000460/2003-75 Relatório Trata-se de Auto de Infração lavrado para a exigência de recolhimento do PIS relativa aos períodos de apuração de agosto a dezembro de 1998, lavrado em 18/06/2003. A exigência fiscal teve origem em procedimento de Auditoria Interna realizada na DCTF apresentada pela contribuinte. Naquela declaração, o contribuinte informou o pagamento da contribuição por compensação com créditos de PIS referentes aos recolhimentos efetuados com base nos Decretos-lei nº 2.445 e 2.449/88, conforme sentença judicial exarada nos autos do processo judicial nº 1997.38.01.004904-1. No Auto de Infração, a justificativa para a autuação foi identificada no campo "OCORRÊNCIA" como "Proc. Jud. de outro CNPJ" (e-fls. 6/9). Inconformada, a empresa apresentou impugnação informando que a referida ação judicial foi interposta em litisconsórcio com outras empresas, tratando-se, portanto, de processo próprio, anexando aos autos os documentos relacionados à ação judicial. A defesa apresentada foi conhecida em parte por entender que haveria identidade de objeto com a ação judicial e julgada parcialmente procedente para substituir a multa de ofício aplicada pela multa de mora. A decisão foi ementada nos seguintes termos: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 1998 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETO. Não se conhece da impugnação na parte em que o pedido e seus fundamentos forem idênticos àqueles formulados pelo contribuinte em ação judicial, devendo a autoridade preparadora cumprir a decisão transitada em julgado. SEMESTRALIDADE. O Parecer PGFN/CRJ/N° 2.143/2006, com base no qual foi editado o Ato Declaratório PGFN n° 8, de 16/11/2006, implica no reconhecimento administrativo da semestralidade na vigência dos Decretos-lei 2.445 e 2.449/88. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1998 PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Por força do disposto no art. 18 da Lei n.° 10.833/2003, com as alterações posteriores, e da retroatividade benigna estabelecida no art. 106 do CTN, é incabível a aplicação da multa de oficio em conjunto com tributo ou contribuição espontaneamente declarados em DCTF. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" (e-fl. 81) Intimado desta decisão em 16/06/2010 (e-fl. 91), a empresa apresentou Recurso Voluntário em 14/07/2010 (e-fls. 92/101) alegando, em síntese, que não foi previamente intimada para apresentar esclarecimentos quanto à inexatidão apontada na autuação e o descabimento da lavratura do Auto de Infração, vez que o valor autuado foi devidamente compensado pela empresa com crédito reconhecido judicialmente, à luz do art. 66, da Lei n.º 8.383/91. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, Relatora. Fl. 114DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-006.833 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13643.000460/2003-75 O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. No presente processo, observa-se que o Auto de Infração foi lavrado por declaração inexata, sendo a inexatidão especificada no campo de Ocorrências da autuação: "Proc. Jud. de outro CNPJ" (e-fls. 6/9). Observa-se que em nenhum momento a autuação identifica qualquer impropriedade no procedimento adotado pelo sujeito passivo, apenas consignando que o processo judicial nº 1997.38.01.004904-1, indicado em sua DCTF para compensar débitos da mesma espécie (PIS com PIS), seria de outro CNPJ. Assim, no presente caso, a motivação para a autuação foi única: o processo judicial indicado pelo contribuinte não seria de seu interesse, mas de outra empresa. Contudo, ainda em sede de Impugnação, a empresa consignou, de forma direta e clara, que a ação judicial foi proposta em listisconsórcio com outras empresas, como se depreende da inicial da ação acostada aos autos (e-fls. 34/35): Assim, diferentemente de outros casos de Auto de Infração eletrônico já julgados por esta relatora 1 , a única motivação trazida no Auto de Infração para admitir a declaração como "inexata" foi afastada pela empresa, sendo que a manutenção da autuação por outro motivo implicaria em modificação do critério jurídico da autuação. Esse foi o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais no acórdão 9303-008.450, de relatoria do Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas: "Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/1997 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPROVAÇÃO DE INSUBSISTÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. ALTERAÇÃO EM SEDE DE JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Comprovado pelo sujeito passivo que o processo judicial de compensação dos débitos informados em DCTF efetivamente existia, e do qual figurava no pólo ativo, ao contrário do consignado na motivação fática do lançamento de ofício ("Proc jud de outro CNPJ") levado a efeito em 1 Vide, a atítulo de exemplo, o acórdão 3402-006.677. Fl. 115DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-006.833 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13643.000460/2003-75 decorrência de auditoria interna das declarações, não pode o julgador administrativo manter o Auto de Infração “eletrônico” por outro fundamento (como necessidade do trânsito em julgado), havendo, assim, que ser considerado improcedente." (Número do Processo 10380.004208/2002-02 Data da Sessão 16/04/2019 Relator Rodrigo da Costa Pôssas Nº Acórdão 9303-008.450 - grifei) Afastada, portanto, a causa trazida na autuação para sua lavratura, ela deve ser cancelada por vício em sua motivação. Em razão da clareza de suas razões, traçadas com fundamento na teoria dos motivos determinantes do ato administrativo, adoto aqui o voto do Conselheiro Antônio Carlos Atulim trazido no Acórdão 3402-004.118, com fulcro no art. 50, §1º, da Lei n.º 9.784/99: "Uma coisa é dizer que a compensação foi feita com base em processo administrativo inexistente e outra coisa totalmente distinta é não aceitar a compensação porque, no processo administrativo existente, o contribuinte não formulou pedido prévio à Receita Federal em relação aos meses de junho a dezembro 1998. O erro da Administração é flagrante porque no auto de infração foi incluído o mês de maio de 1998, em relação ao qual posteriormente a própria Administração verificou que havia pedido prévio de compensação. Essa constatação revela a fragilidade das exigências formalizadas por meio do autos de infração eletrônicos, que se baseiam no mero cruzamento de informações existentes nos sistemas da Receita Federal. No caso dos autos, os créditos utilizados em compensação são originários da conversão em renda de depósitos judiciais efetuados na ação ordinária 92.5809-4 onde o contribuinte discutiu a exigência do Finsocial/Cofins (fls. 38/44). A compensação entre PIS e Cofins estava sujeita a pedido prévio, a teor do que determinava o art. 74 da Lei nº 9.430/96. Então o problema não reside na inexistência do processo nº 13808.003062/98-06, como constou na fundamentação do auto eletrônico. O problema é que o contribuinte não fez o pedido prévio de compensação em relação aos períodos de junho a dezembro de 1998, só tendo informado a compensação em DCTF. Conclui-se daí, que (i) o vício de procedimento (falta de intimação prévia determinada pelo art. 7º da Lei nº 10.426/2002), acarretou a falsa causa do auto de infração, conforme comprovado pela documentação anexa ao processo; e (ii) a exigência do PIS consubstanciada neste auto de infração não pode ser mantida nem pelo fundamento invocado pela DRJ, pois a modificação da motivação do lançamento exige a realização de um novo lançamento. Não há como trocar a fundamentação do auto de infração nas decisões proferidas no âmbito do processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários, sob pena de acarretar cerceamento de defesa do contribuinte e supressões de instâncias de julgamento. Da obra de Hely Lopes Meirelles extrai-se o seguinte excerto: “(...) A teoria dos motivos determinantes funda-se na consideração de que os atos administrativos, quando tiverem sua prática motivada, ficam vinculados aos motivos expostos, para todos os efeitos jurídicos. Tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato, e, por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade. Mesmo os atos discricionários, se forem motivados, ficam vinculados a esses motivos como causa determinante de seu cometimento e se sujeitam ao confronto da existência e legitimidade dos motivos indicados. Havendo desconformidade entre os motivos e a realidade o ato é inválido. (...)” (in: Fl. 116DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-006.833 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13643.000460/2003-75 Curso de Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, 25 ed., pp. 186/187). No caso dos autos, é evidente o descompasso entre a motivação do auto de infração e a situação real do contribuinte. Contudo, a autuação foi lastreada na inexistência do processo administrativo nº 13808.003062/98-06 informado nas DCTF e o contribuinte elidiu a causa da autuação, comprovando a existência do processo 13808.003062/98-06. Com base nesses fundamentos, voto no sentido de dar provimento ao recurso." (Processo 19679.006253/2003-01 Data da Sessão 23/05/2017 Relator Antonio Carlos Atulim Nº Acórdão 3402-004.118 - grifei) Cumpre mencionar que, do voto acima transcrito, possível ainda identificar a existência do equívoco formal cometido no presente processo, apontado pela Recorrente em sua defesa, de não ter sido previamente intimada para prestar esclarecimentos. Com efeito, o art. 7º da Lei nº 10.426/2002, já vigente à época da emissão do Auto de Infração, mesmo em sua redação original 2 , exigia a intimação prévia do sujeito passivo para apresentar esclarecimentos na hipótese de apresentação da declaração com incorreções. Contudo, no presente caso, esse vício formal apenas contribuiu para macular a autuação pelo vício material em sua motivação, vez que, repita-se, o motivo trazido na autuação ("Proc. Jud. de outro CNPJ") foi afastado. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar o Auto de Infração lavrado por vício em sua motivação. É como voto. (documento assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne 2 "Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica e Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não- apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal, e sujeitar-se-á às seguintes multas:" (grifei - redação original vigente à época da lavratura do Auto de Infração) Fl. 117DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.005000/2007-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
IRPF OMISSÃO
DE RENDIMENTOS RECEBIDOS POR DEPENDENTE. O fato de o contribuinte ter incluído o dependente na declaração de ajuste anual, por opção própria, justifica o lançamento que constatou rendimentos recebidos pelo citado dependente e não oferecidos à tributação.
RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL Cientificado
do lançamento de ofício o contribuinte perde o direito de retificar as informações prestadas ao Fisco, salvo se comprovado erro de fato.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.027
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
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materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS POR DEPENDENTE. O fato de o contribuinte ter incluído o dependente na declaração de ajuste anual, por opção própria, justifica o lançamento que constatou rendimentos recebidos pelo citado dependente e não oferecidos à tributação. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL Cientificado do lançamento de ofício o contribuinte perde o direito de retificar as informações prestadas ao Fisco, salvo se comprovado erro de fato. Recurso Voluntário Negado.
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O fato de o contribuinte ter incluído o dependente na declaração de ajuste anual, por opção própria, justifica o lançamento que constatou rendimentos recebidos pelo citado dependente e não oferecidos à tributação. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL Cientificado do lançamento de ofício o contribuinte perde o direito de retificar as informações prestadas ao Fisco, salvo se comprovado erro de fato. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) EDITADO EM: 25/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos (presidente), Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Acácia Sayuri Wakasugi, Núbia Matos Moura, Francisco Marconi de Oliveira e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 5/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2011 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 2 Relatório A contribuinte acima identificada foi autuada, por meio de Notificação de Lançamento (fl. 3), com valor do Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar de R$ 7.447,79 (sete mil, quatrocentos e quarenta e sete reais e setenta e nove centavos), acrescido de multa de ofício e juros de mora. O lançamento é decorrente da omissão de rendimentos tributáveis, sujeitos à tabela progressiva, recebidos de pessoas Jurídica, com valores de R$ 40.541,69 (quarenta mil, quinhentos e quarenta e um reais e sessenta e nove centavos) informados pela fonte pagadora na Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF. Conforme registrado na ficha de Descrição dos Fatos da Notificação de Lançamento (fl. 5), na apuração do imposto devido foi compensado o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos, no valor de R$ 595,32 (quinhentos e noventa e cinco reais e trinta e dois centavos). A contribuinte apresentou impugnação solicitando a retirada do dependente Antonio Carlos Maciel da Silva, CPF 336.989.42515, de sua Declaração de Ajuste Anual, exercício 2004, afirmando que os rendimentos desse foram oferecidos à tributação. Não juntou, à época, qualquer documentação para comprovar a pretensa declaração em separado. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ/BEL decidiu, por unanimidade, não tomar conhecimento da impugnação da recorrente, fundamentando que não se instaurou a fase litigiosa prevista no art. 14 do Decreto nº. 70.235/72, em razão da ausência de prova. Entretanto, alegando a falta de opção nos sistemas de controle do crédito tributário para registrar tal decisão, informou o resultado de julgamento como intempestivo. A recorrente recebeu ciência do julgamento em primeira instância em 25 de março de 2008 (fl. 16) e interpôs recurso em 18 de abril de 2008 (fls. 18 a 22), alegando, preliminarmente, que a Notificação de Lançamento apresentase insustentável legalmente, não podendo prevalecer; e que não há provas concretas de haver a defendente utilizado formas anormais, inadequadas, para prestar as informações com o intuito de fraudar a Fazenda Nacional. Alega que não informou os rendimentos do dependente Antonio Carlos Maciel da Silva por não ser tal informação de seu conhecimento e, ainda que, por forças circunstanciais, não foi possível apresentar, à época, provas documentais. Requer que seja deferida a retirada do dependente de sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2004, anocalendário 2003, excluindo dela o montante de R$ 15.115,60 (quinze mil, cento e quinze reais e sessenta centavos). Solicita que “esse valor seja transferido para o sr. Antonio Maciel da Silva, CPF 336.989.45315, que também entregou a Declaração de Ajuste Anual” para o período em questão e que, no seu entender, “não pode ser considerado dependente da Defendente nesse exercício”. Fez juntada de cópia do recibo e da declaração do dependente Antonio Carlos Maciel da Silva, exercício 2004 (fls. 23 a 26), apresentada às 14h8mim36s do dia 17 de abril de 2008, em data e hora posterior ao recebimento do resultado da impugnação. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 5/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2011 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10283.005000/200713 Acórdão n.º 210201.027 S2C1T2 Fl. 31 3 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que a contribuinte interpôs recurso voluntário no prazo regulamentar. Atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso. A matéria em litígio envolve a omissão de rendimento tributável recebido por dependente constante da Declaração de Ajuste Anual do exercício 2004. Ao relacionar um dependente em sua declaração, os rendimentos que por ventura existam devem ser somados a renda do titular para fins de tributação, conforme descrito no artigo 38, alínea “a”, § 8°, da Instrução Normativa SRF n° 15/2001 § 8º Os rendimentos tributáveis recebidos pelos dependentes devem ser somados aos rendimentos do contribuinte para efeito de tributação na declaração. Descabe a alegação de desconhecimento do rendimento e a solicitação de retirada dos valores recebidos da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2004, pois não há previsão legal para a exclusão de rendimentos declarados por falta de conhecimento dos valores recebidos por titular ou seus dependentes. Quanto a modificação ou extinção do crédito tributário, assim trata o Código Tributário Nacional: Art. 141. O crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos nesta Lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias. A recorrente incluiu o dependente na declaração de ajuste anual por opção. A declaração do dependente foi entregue em 17 de abril de 2008, data bastante superior a data da lavratura da Notificação de lançamento, ocorrida em 6 de agosto de 2007. A Declaração de Ajuste Anual retificadora apresentada após o início do procedimento fiscal não produz qualquer efeito em relação ao lançamento de ofício. Em função disso, perde a contribuinte o direito de retificar as informações prestadas. Diante do exposto, conheço do recurso e voto no sentido de negarlhe provimento. Francisco Marconi de Oliveira – Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) Fl. 3DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 5/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2011 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 4 Fl. 4DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 5/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2011 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10283.006363/2005-04
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2002
ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ADA. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO.
A despeito de ser obrigatória - desde o exercício 2001 - a apresentação do ADA ao lhama corno condição para a exclusão da área de reserva legal para fins de tributação pelo ITR, a lei não estabelece um prazo para a sua apresentação. Assim, não pode este prazo ser estipulado em Instrução Normativa, restringindo um direito do contribuinte.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2102-000.681
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
1.0 = *:*
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S2-C1 T2 Fl 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10283.006.363/2005-04 Recurso n° 343322 Voluntário Acórdão n° 2102-00.681 — la Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2010 Matéria ITR Recorrente ADELCIO NAVARRO Recorrida DRJ-RECIFE/PE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2002 ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ADA. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. A despeito de ser obrigatória - desde o exercício 2001 - a apresentação do ADA ao lhama corno condição para a exclusão da área de reserva legal para fins de tributação pelo ITR, a lei não estabelece um prazo para a sua apresentação. Assim, não pode este prazo ser estipulado em Instrução Normativa, restringindo um direito do contribuinte. Recurso provido. ACORDAM os embros a o co egiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos ter W s do voto t 1 Re at era, 1 / IOV . I CHRISTI ., 7" E ,AMPOS - Presidente j./ . (I/ OfLZ/ . 1 MA- I 1 RTA DE EDITADO EM: 20 Neti, 201; O IOV I CHRIST O FERREIRA PAGETTI — Relatara ::AMPOS - Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura, Rubens Mauricio Carvalho, Carlos André Rodrigues Pereira Lima e Ewan Teles Aguiar. Relatório Em face do contribuinte acima identificado, foi lavrado o Auto de Infração de fis. 09/15 para exigência do Imposto Territorial Rural (ITR) em razão da glosa da área declarada como de reserva legal na DITR do exercício 2002, relativa ao imóvel Fazenda Sossego. Conforme descrito no próprio Auto, a glosa se deveu à falta de entrega do ADA.. Cientificado do lançamento, o Interessado apresentou a impugnação de fls. 27/33, por meio da qual alegou que a exigência do ADA não fora veiculada por lei e por isso não poderia ser restrito o seu direito em razão de obrigações contidas em Instruções Normativas, Trouxe jurisprudência administrativa e afirmou que a efetiva existência da área de reserva legal não fora objeto de questionamento, mas somente a apresentação do ADA. Na análise de tais alegações, os membros da DRJ em Campo Grande decidiram pela integral manutenção do lançamento. Inconformado com tal decisão, o contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fis. 64/68, por meio do qual reitera os argumentos expostos em sede de impugnação. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório, Voto Conselheiro Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relator O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 03,06,2008, como atesta o AR de fls. 58, O Recurso Voluntário foi interposto em 24,06,2008 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais - por isso dele conheço. Conforme relatado, trata-se de lançamento para exigência do ITR em razão da glosa da área declarada pelo Recorrente como sendo de reserva legal, existente em imóvel de sua propriedade. Tal glosa foi motivada pela falta de apresentação do ADA ao lbama, considerando ainda que a área cuja exclusão pretendia o contribuinte já estava averbada à margem do registro de imóveis desde 22,11,2001, De acordo com a defesa do Recorrente, a exigência de apresentação do ADA como condição para a exclusão da área de reserva legal para fins de apuração do ITR não encontra amparo em lei, mas somente em Instruções Normativas. A decisão recorrida, por outro lado, justifica a exigência de apresentação do referido Ato em razão do disposto no art. 17-0 da Lei 6.938/81 (cf. redação dada pela Lei 10,165/00), sustentando ainda que o prazo de 6 meses para sua apresentação encontra previsão legal no Decreto 4,382/02, 2 oberta de-Azei-0o Ferreira Pagetti Processo n 10283 006363/2005-04 S2-C1T2 Acórdão n 2102-00.681 Fl 2 Há que se analisar então se é efetivamente necessária a apresentação do ADA para fins de exclusão da área de reserva legal da tributação pelo 1TR, e ainda qual seria o prazo legal para a sua apresentação neste caso. Com a edição da Lei n° 10,165/2000 — que acrescentou o art. 17-0 à Lei ri° 6,938/81 - a obrigação de apresentação do ADA para este fim passou a ser veiculada em lei, e por isso mesmo exigível de todos os contribuintes, verbis: "Art. 17-0. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao 'bania a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a titulo de Taxa de Vistoria.." (NR) "§ r-A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA." (AC) "§ 1" A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." (NR) ) A referida norma, como se vê, passou a determinar a obrigatoriedade de apresentação do ADA para fins de redução do valor devido a título de ITR, ou seja, para exclusão das áreas de reserva legal e utilização limitada. Daí porque a partir do exercício 2001 a apresentação do ADA é, de fato, um requisito para tal. No entanto, esta norma é silente no que diz respeito ao prazo para a apresentação do ADA. Sendo assim, ainda que se considere obrigatória a sua apresentação (a partir de 2001) como condição para a exclusão das áreas de reserva legal e preservação permanente da tributação pelo ITR, é de se concluir que esta apresentação não deve necessariamente se dar dentro do prazo pretendido pelas autoridades fiscais no caso em exame (de 6 meses), Na hipótese em exame, o Recorrente trouxe aos autos cópia do ADA apresentado ao lbama em 18.08.2006, de forma que demonstrou ter atendido à exigência legal de apresentar tal documento ao lbama. Diante de todo o exposto, é de se considerar como comprovada a existência da área de reserva legal glosada por meio do lançamento em exame. Por isso, VOTO no sentido de DAR provimento ao Recurso. Sala das Sessões, em 17 de junho de 2010 3
score : 1.0
Numero do processo: 10980.004462/2005-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/02/1996 a 28/02/1996
PRESCRIÇÃO. SÚMULA CARF Nº 91.
Conforme Súmula CARF nº 91, Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
Numero da decisão: 3201-005.606
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para, ultrapassada a matéria decidida no voto (prescrição declarada), anular a decisão proferida pela DRJ, para que proferidas novo acórdão, com o enfrentamento da matéria não examinada.
(documento assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Tatiana Josefovicz Belisário, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1996 a 28/02/1996 PRESCRIÇÃO. SÚMULA CARF Nº 91. Conforme Súmula CARF nº 91, Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para, ultrapassada a matéria decidida no voto (prescrição declarada), anular a decisão proferida pela DRJ, para que proferidas novo acórdão, com o enfrentamento da matéria não examinada. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (documento assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Tatiana Josefovicz Belisário, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
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SÚMULA CARF Nº 91. Conforme Súmula CARF nº 91, “Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.” (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para, ultrapassada a matéria decidida no voto (prescrição declarada), anular a decisão proferida pela DRJ, para que proferidas novo acórdão, com o enfrentamento da matéria não examinada. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (documento assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Tatiana Josefovicz Belisário, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 13-23.776, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro II (RJ), que assim relatou o feito: Trata o presente processo de Declaração de Compensação — fls.01, no valor de R$ 929,15, oriunda de recolhimento de tributo a titulo de contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, relativo ao PA 02/1996, conforme demonstrativo de fls.02, vinculando ao débito do IRPJ — código 2089, no Quarto Trimestre de 2002. ' Através do Despacho Decisório de fl. 09/10, a autoridade fiscal indeferiu o pedido, não AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 44 62 /2 00 5- 86 Fl. 80DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-005.606 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.004462/2005-86 homologando a Declaração de Compensação face o transcurso do prazo de 05(cinco) anos entre o pagamento das contribuições e a data de protocolização da DCOMP —arts. 165,1, e 168,1, da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). Cientificada da decisão em 20/05/2005 (fl. 15), o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 15/06/2005, alegando, em síntese que: 1.0s créditos utilizados na compensação foram gerados em decorrência de pagamentos a maior realizados a titulo de PIS no período de 15 de março de 1996 ,em face da Declaração de Inconstitucionalidade dos Decretos n"s 2.445/88 e 2.449/88; 2. Somente a partir de fevereiro de 1996 a apuração do PIS passou a ser realizada mensalmente, por força da entrada em vigor da Medida Provisória n° 1.212/95, que, após inúmeras reedições, foi convertida na Lei 9.715/98; 3. É inegável que o contribuinte faz jus a restituição da diferença resultante da • apuração do PIS pela LC 07/70 com aquela realizada nos moldes dos DL's 2.445/88 e 2.449/88, até a entrada em vigor da MP 1.212/95 (fevereiro de 1996), respeitado o prazo prescricional de 10(dez) anos; 4. Desta feita, resta demonstrada a legitimidade das compensações administrativas levadas a efeito pela Peticionaria, visto que, os períodos em que geraram os créditos limitam-se a competência de fevereiro de 1996, com recolhimento em 15 de março do mesmo ano; 5.A motivação maior utilizada pela Autoridade para glosar as compensações da Peticionaria, seria a suposta ocorrência da prescrição em relação aos créditos gerados em 15/03/96,bem como, a eventual diferença entre os valores de débitos e créditos. Tais argumentos não merecem melhor sorte; 6. 0 item 4 da decisão ora recorrida, traz a afirmação de que d esde a ata do pagamento até a data da protocolização da DCOMP havia transcorrido m s de cinc anos tendo, assim, decaído, a teor do item I do Ato Declaratório SRF n° 96, c/ o art. fga Lei Complementar 118/2005; 7.No entanto, verifica-se que a Lei Complementar em que se baseou a decisão entrou em vigor no dia 09/06/2005, posteriormente A data de protocolização da DCOMP, não podendo, assim, ser aplicada; 8. Quanto ao Ato Declaratório, tem-se sua inaplicabilidade, visto que o entendimento que vigia até a data da entrada em vigor da Lei Complementar 118/2005 e, portanto, aplicável ao caso em tela, era de que o prazo decadencial ocorria em 10(dez) anos contados da data do fato gerador do tributo, conforme decisões judiciais; 9. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, ao julgar os Embargos de Divergência n° 327.043, chegou A conclusão de que a Lei Complementar n° 118/05, em que a decisão ora guerreada está fulcrada, deverá ser aplicada As ações interpostas depois da entrada em vigor da aludida norma, em 09 de junho de 2005; 10. Assim, tendo em vista que a DCOMP foi protocolada em 13/05/2005, aplica-se o prazo prescricional de 10 anos, não tendo decaído o direito ao crédito da Peticionaria; 11.Ante o exposto, estando evidenciados os motivos da conformidade, requer seja reconsiderada a decisão prolatada nos presentes autos, a fim de deferir o pedido de compensação anteriormente acumulado. 0 presente processo foi encaminhado para julgamento nesta DRJ/RJ2 face ao disposto na Portaria RFB n° 340, publicada no DOU em 22/02/2008. Após exame da defesa apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1996 a 28/02/1996 PRAZO DECADENCIAL PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO - TERMO INICIAL Fl. 81DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-005.606 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.004462/2005-86 0 prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, mesmo que o pagamento tenha sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário, inclusive na hipótese de tributos lançados •por homologação, conforme preceitua o art 150, § 1° do CTN. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, Relatora. O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme se verifica pelo relato dos fatos, a questão controvertida diz respeito exclusivamente à decadência / prescrição do direito do contribuinte reaver os valores pagos indevidamente. Não há qualquer discussão acerca da legitimidade do crédito postulado. Pois bem. O Pedido de Restituição foi apresentado em 13/05/2005 e se refere a valores recolhidos em 15/03/1996. A matéria é sumulada por este CARF, de aplicação obrigatória: Súmula CARF nº 91 Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 9900-000.728, de 29/08/2012; Acórdão nº 9900-000.459, de 29/08/2012; Acórdão nº 9900-000.767, de 29/08/2012; Acórdão nº 1801-000.970, de 11/04/2012; Acórdão nº 9303-01.985, de 12/06/2012; Acórdão nº 1801-001.485, de 11/06/2013; Acórdão nº 9101-001.522, de 21/11/2012; Acórdão nº 9101-001.654, de 14/05/2013; Acórdão nº 3102-001.844, de 21/05/2013; Acórdão nº 2401-003.108, de 16/07/2013; Acórdão nº 1102-000.915, de 07/08/2013 O pedido foi apresentado anteriormente à 9 de julho de 2005 (em 13 de maio de 2005), conforme fl. 2 dos autos, legitimando o direito à restituição de valores recolhidos nos 10 anos anteriores. Assim, o recolhimento realizado 15/03/1996 não estão prescritos (ou decaídos). Pelo exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para afastar a prescrição declarada e determinar a prolação de novo acórdão pela DRJ enfrentando os argumentos de mérito apreciados no despacho decisório. É como voto. (documento assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 82DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-005.606 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.004462/2005-86 Fl. 83DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.904219/2012-69
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
PIS. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei n° 10.637, art. 5° e Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º, § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16.
Numero da decisão: 3003-000.435
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PIS. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei n° 10.637, art. 5° e Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º, § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16.
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COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei n° 10.637, art. 5° e Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º, § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade apresentada em face do deferimento parcial do pedido de ressarcimento, apresentado por meio do PER/Dcomp nº 02402.98273.300110.1.1.11-8084, referente ao crédito de Cofins não cumulativa – mercado interno do 1º trimestre de 2006, nos termos do despacho decisório emitido em 04/09/2012 pela DRF/Florianópolis (rastreamento nº 031064613). O despacho decisório aponta, no campo 3, a fundamentação para o deferimento parcial do PER/Dcomp em tela, como se vê a seguir: AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 42 19 /2 01 2- 69 Fl. 35DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-000.435 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10983.904219/2012-69 Cientificada dessa decisão em 27/09/2012 a contribuinte interpôs, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade. Inicialmente, relaciona os pedidos de ressarcimento transmitidos com os valores que foram indeferidos pela DRF/Florianópolis, como demonstrado a seguir: (...) A seguir, informa que trabalha com beneficiamento do arroz e que essa atividade é beneficiada com o crédito presumido de PIS e Cofins para as aquisições realizadas com os produtores. Constatou a requerente que os créditos que não foram reconhecidos se referem justamente ao crédito presumido anteriormente referido. Aduz que considerando o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, cumpriu todas as formalidades legais, tendo inclusive realizado os registros em sua contabilidade. Desse modo, solicita a reconsideração e liberação dos valores dos créditos ainda não concedidos por questão de justiça. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. VEDAÇÃO. O valor do crédito presumido previsto na Lei n° 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para dedução da Cofins apurada no regime de incidência não cumulativa, vedado o seu ressarcimento ou compensação. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade quanto ao mérito do seu direito creditório. É o Relatório. Fl. 36DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-000.435 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10983.904219/2012-69 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele toma-se conhecimento. O direito creditório referente à Cofins não cumulativa – mercado interno do 1º trimestre de 2006 foi reconhecido parcialmente conforme despacho Decisório de fls. 08. Aduz a interessada que os créditos que não foram reconhecidos se referem ao crédito presumido (atividades agroindustriais) de PIS∕COFINS. Nesta esteira, argumenta que a sua atividade se refere ao beneficiamento e industrialização do arroz e, portanto, tem direito de apurar crédito presumido de PIS e Cofins para as aquisições realizadas com os produtores com fulcro no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. A decisão recorrida não acolheu a pretensão da recorrente, sob o fundamento de que com a vigência da Lei nº 10.925/2004, ocorrida a partir de 1º de agosto de 2004, o crédito presumido sob exame somente poderia ser utilizado para a dedução da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devido em cada período de apuração, não havendo previsão legal para a utilização do crédito presumido da agroindústria para compensação ou ressarcimento. De fato, não assiste razão à recorrente. Na ficha 16A da Dacon (Apuração dos créditos da Cofins– Aquisições no mercado interno) a contribuinte informou os seguintes valores: Verifica-se assim que os valores glosados nos pedidos de ressarcimento formulados pela Recorrente correspondem aos créditos presumidos na aquisição dos insumos previstos no artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, que estabeleceu um tratamento tributário específico atinente às contribuições do PIS e da Cofins, assim dispondo: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, Fl. 37DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-000.435 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10983.904219/2012-69 todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002,e10.833, de 29 de dezembro de 2003,adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)(Vigência)(Vide Lei nº 12.058, de 2009)(Vide Lei nº 12.350, de 2010)(Vide Medida Provisória nº 545, de 2011)(Vide Lei nº 12.599, de 2012)(Vide Medida Provisória nº 582, de 2012)(Vide Medida Provisória nº 609, de 2013(Vide Medida Provisória nº 609, de 2013(Vide Lei nº 12.839, de 2013)(Vide Lei nº 12.865, de 2013) O referido dispositivo legal permitiu deduzir do valor devido das contribuições um crédito presumido calculado sobre os insumos adquiridos de pessoa física ou cooperado pessoa física. Esse é o alcance da norma. Há previsão legal, no caso das operações com arroz em casca, para que o interessado calcule crédito presumido à alíquota de 35% sobre o valor dessas aquisições, nos termos do disposto no §1º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, valor que poderá apenas ser deduzido dos débitos da própria contribuição, não servindo para ser ressarcido ou compensado com outros créditos tributários devidos pela contribuinte. Os outros dispositivos legais que permitem o aproveitamento de créditos em compensações e ressarcimento (art. 5° da Lei n° 10.637 e art. 6° da Lei n° 10.833) referem-se, expressamente, aos créditos básicos apurados na forma dos artigos 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e não ao crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Da mesma forma, a possibilidade de compensação e ressarcimento trazida pelo art. 16 da Lei n° 11.116/2005 também se refere expressamente ao “saldo credor apurado na forma do art. 3º das Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, e do art. 15 da Lei n° 10.865/2004”, e não ao crédito presumido em questão. A IN SRF 660/2006, que regulamentou a o crédito presumido previsto na Lei nº 10.925/2004 1 , não extrapolou o conteúdo da lei, mas apenas regulamentou o dispositivo legal, que já previa a impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensações ou ressarcimento. O mesmo podemos afirmar do ADI SRF nº 15/2005, citado na decisão recorrida, que apenas interpretou a norma que tratava do crédito presumido e da possibilidade de compensação: Art. 1º O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência não-cumulativa. 1 Art. 8º Até que sejam fixados os valores dos insumos de que trata o art. 7º, o crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins será apurado com base no seu custo de aquisição. § 1º O crédito de que trata o caput será calculado mediante a aplicação, sobre o valor de aquisição dos insumos, dos percentuais de: (...) II - 0,5775% (cinco mil e setecentos e setenta e cinco décimos de milésimo por cento) e 2,66% (dois inteiros e sessenta e seis centésimos por cento), respectivamente, no caso dos demais insumos. § 2º Para efeito do cálculo do crédito presumido de que trata o caput, o custo de aquisição, por espécie de bem, não poderá ser superior ao valor de mercado. § 3º O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo: I - não constitui receita bruta da pessoa jurídica agroindustrial, servindo somente para dedução do valor devido de cada contribuição; e II - não poderá ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento. Fl. 38DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-000.435 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10983.904219/2012-69 Art. 2º O valor do crédito presumido referido no art. 1º não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º, § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16 No mesmo sentido temos o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em diversos precedentes, acerca da legalidade da IN 660/2006 e da validade do ADI SRF nº15/2005 (REsp 1118011/SC 2 , Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 31.8.2010; e REsp nº 1.240.954/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe: 21/6/2011). Este também é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), expresso no Acórdão nº 9303-008.258, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2010 PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. 2 TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS PRESUMIDOS DECORRENTES DA LEI 10.925/04 COM QUAISQUER TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. CRÉDITOS NÃO PREVISTOS NA NORMA LEGAL AUTORIZADORA. ART. 11 DA LEI 11.116/05. DIREITO LÍQUIDO E CERTO NÃO EVIDENCIADO. 1. Recurso especial interposto nos autos de mandado de segurança, impetrado pela contribuinte com objetivo de ver reconhecido o direito de compensar seus créditos presumidos de PIS e de COFINS, oriundos da Lei 10.925/04, com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal, nos termos do art. 16 da Lei 11.116/05. Aduz que são ilegais os atos regulamentares do Poder Executivo (Ato Interpretativo Declaratório 15/2005 e a Instrução Normativa SRF 660/2006) que se contrapõem a essa pretensão. 2. O direito à compensação tributária deve ser analisado à luz do princípio da legalidade estrita, em conformidade com o que dispõe o art. 170 do CTN: "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública". Precedentes: AgRg no Ag 1.207.543/PR, de minha relatoria, PRIMEIRA TURMA, DJe 17/06/2010; AgRg no AgRg no REsp 1012172/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 11/5/2010; AgRg no REsp 965.419/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJe 5/3/2008. 3. Dispõe o art. 16, inciso I, da Lei 11.116/05: "O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria". 4. A compensação autorizada pelo art. 16 da Lei 11.116/05 não contempla a utilização dos créditos presumidos disciplinados na Lei 10.925/04, o que, por si só, à luz do art. 170 do CTN, afasta o direito líquido e certo vindicado nesta impetração. 5. Além disso, a concessão de créditos presumidos pela Lei 10.925/04 tem por escopo a redução da carga tributária incidente na cadeia produtiva dos alimentos, na medida em que a venda de bens por pessoa física ou por cooperado pessoa física para a impetrante (cerealista) não sofre a tributação do PIS e da COFINS, ou seja, dessa operação, pela sistemática da não cumulatividade, não há, efetivamente, tributo devido para a adquirente se creditar. 6. Essa finalidade é suficiente para diferenciar esses créditos presumidos daqueles expressamente admitidos pela Lei 11.116/05, os quais são efetivamente existentes, por decorrerem da sistemática da não cumulatividade prevista nas Leis 10.637/02, 10.833/03 e 10.865/04. Aliás, a Lei 10.637/02 (com redação incluída pela Lei 10.865/04), em seu art. 3º, § 2º, inciso II, exclui de sua sistemática o crédito derivado "da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição". 7. Ademais, a própria Lei 10.925/04, em seus arts. 8º e 15, só prevê a utilização desses créditos presumidos para o desconto daquilo que for devido de PIS e de COFINS. 8. Portanto, os atos regulamentares expedidos pelo Poder Executivo ora impugnados pela recorrente, ao impedirem a compensação ora postulada, não inovaram no plano normativo nem contrariaram o disposto no art. 16 da Lei 11.116/05, mas, apenas explicitaram vedação que, como visto, já estava contida na legislação tributária vigente. 9. Recurso especial não provido.Diário da Justiça Eletrônico. 31/08/2010. p. Fl. 39DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-000.435 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10983.904219/2012-69 O valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º, § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Portanto, o crédito presumido a que se refere o artigo 8º da Lei nº 10.925/2004 apenas pode ser usado para fins de dedução da COFINS e da Contribuição para o PIS apuradas conforme o regime da não-cumulatividade, não podendo ser objeto de compensação ou ressarcimento com outros tributos, razão pela qual a decisão recorrida deverá ser mantida. CONCLUSÕES Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado, mantendo-se a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 40DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.900244/2009-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Exercício: 2004
IMPOSTO RETIDO. RESTITUIÇÃO. LEGITIMIDADE. FONTE ' PAGADORA.
A fonte pagadora que reteve imposto indevido ou a maior somente tem legitimidade para pleitear sua restituição ou compensação se comprovar o recolhimento do imposto e a devolução desta quantia ao beneficiário.
Em não sendo comprovado por documentação hábil o recolhimento do imposto e a devolução desta quantia ao beneficiário o contribuinte carece de legitimidade para efetuar a compensação pleiteada.
Numero da decisão: 2301-006.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, vencidos os conselheiros Antônio Savio Nastureles e Wesley Rocha, que votaram por converter o julgamento em diligência para que o recorrente apresentasse prova de ser parte legítima para pleitear o indébito. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se a este processo o decidido no julgamento do processo 10530.900219/2009-12, paradigma ao qual foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado), João Maurício Vital (Presidente). A Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, em razão da ausência, foi substituída pelo Conselheiro Virgílio Cansino Gil, suplente convocado.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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RESTITUIÇÃO. LEGITIMIDADE. FONTE ' PAGADORA. A fonte pagadora que reteve imposto indevido ou a maior somente tem legitimidade para pleitear sua restituição ou compensação se comprovar o recolhimento do imposto e a devolução desta quantia ao beneficiário. Em não sendo comprovado por documentação hábil o recolhimento do imposto e a devolução desta quantia ao beneficiário o contribuinte carece de legitimidade para efetuar a compensação pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, vencidos os conselheiros Antônio Savio Nastureles e Wesley Rocha, que votaram por converter o julgamento em diligência para que o recorrente apresentasse prova de ser parte legítima para pleitear o indébito. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se a este processo o decidido no julgamento do processo 10530.900219/2009- 12, paradigma ao qual foi vinculado. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado), João Maurício Vital (Presidente). A Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, em razão da ausência, foi substituída pelo Conselheiro Virgílio Cansino Gil, suplente convocado. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 90 02 44 /2 00 9- 04 Fl. 122DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.130 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900244/2009-04 Relatório Trata-se de manifestação de inconformidade ao Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada através do PER/DCOMP indicada no referido despacho. O motivo da não homologação da compensação foi o não reconhecimento do direito creditório a que estava vinculada. A interessada foi cientificada do despacho decisório e apresentou manifestação de inconformidade, na qual alegou, em síntese, que: a) em contraprestação a serviços tomados pela requerente, efetuou remessa de capital para empresas sediadas fora do País. Em decorrência, reteve e recolheu Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF sob a operação, mas de forma majorada, pois aplicou uma alíquota de 25%, quando esta tinha sido reduzida para 15%, nos termos do art. 2°-A da Lei n° 10.168, de 2000, com a redação dada pelo art. 7° da Lei n° 10.332, de 19 de dezembro de 2001; b) sob tal operação era devida Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE a uma alíquota de 10%, nos ternos do art. 2°, §§ 2° e 4°, da Lei n° 10.680, de 2000, com a redação dada pelo art. 6° da Lei 10.332, de 2001. Entretanto, por equívoco na apuração dos tributos, deixou de recolher os valores devidos a título de CIDE, e recolheu de forma majorada IRRF à alíquota de 25%, conforme já exposto na alínea anterior; c) ao perceber o equívoco cometido, efetuou a transmissão de PER/DCOMP, no qual utilizou o valor do IRRF pago a maior para compensar os valores devidos a título de CIDE. Procedeu, também, a retificação da DCTF, incluindo o débito relativo à CIDE, mas deixou de reduzir o valor correspondente ao IRRF, o que levou a administração tributária a não visualizar o direito creditório; d) acostou aos autos toda a documentação comprobatória dos fatos alegados, e requer que seja reformado o despacho decisório para que seja reconhecido o direito creditório e homologada a compensação; e e) subsidiariamente, caso a decisão seja no sentido de que alíquota aplicável do IRRF era a de 25%, requer que seja reconhecido, também, a inexistência de débitos de CIDE. A DRJ/SDR considerou a manifestação de inconformidade improcedente, não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação declarada, sob o fundamento de que a fonte pagadora que reteve imposto indevido ou a maior somente tem legitimidade para pleitear sua restituição ou compensação se comprovar o recolhimento do imposto e a devolução desta quantia ao beneficiário. Em seu recurso voluntário a recorrente acrescenta as seguintes alegações acerca de sua legitimidade para pleitear o crédito tributário: a) Antes de adentrar no exame da questão principal, é indispensável uma breve exposição de como eram feitos os pagamentos relativos ao contrato de prestação de serviço entre a recorrente e a empresa estrangeira. b) Em razão das remessas dos valores serem efetuadas a países com os quais o Brasil não possuía acordo de tributação, o cálculo do imposto era feita Fl. 123DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.130 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900244/2009-04 através do “Gross Up", ou seja, a importância remetida era considerada como líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairia o tributo. c) Assim, em um exemplo hipotético, sobre uma fatura equivalente a R$ 100,00, não se calculava R$ 25,00 (25%) de imposto de Renda a ser retido, estipulava-se o valor da fatura para fins de retenção como sendo R$ 100/(1-0,25), resultando no valor de R$ 133,33. Sobre este valor aplicavam-se os 25%, resultando em R$ 33,33 de IR a ser retido, mantendo-se o valor da remessa ao beneficiário em R$ 100,00. d) Tal operação era realizada com vistas a evitar a bitributação internacional. A Termobahia S/A assumia o encargo financeiro relativo ao imposto sobre a renda brasileiro, ficando a empresa contratada com o dever de suportar o encargo relativo ao imposto sobre a renda do seu respectivo país. e) Em uma análise mais acurada, percebe-se que além do dever de efetuar a retenção e o repasse do IRRF, todo o ônus financeiro do respectivo tributo também ficou a cargo da Termobahia S/A. f) Através dos documentos acostados aos autos, facilmente se verifica que importância remetida era considerada como liquida, havendo um reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairia o tributo. Veja-se que entre a recorrente e a empresa contratada foi estipulado valor menor do que aquele sujeito à incidência do IRRF. g) Conforme de depreende do DARF e do comprovante de depósito acostado aos presentes-autos, o valor pago a título de IRRF é superior a 25% do valor líquido remetido. Veja-se que houve o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre qual recaiu o tributo. h) Vale lembrar que a prática do “Gross up" é plenamente admitida pelo Ordenamento Jurídico pátrio. O art. 59 do diploma normativo que dispõe sobre a legislação de rendas e proventos de qualquer natureza, Lei 4.154/62, possibilita que a fonte pagadora assuma o ônus do imposto devido pelo beneficiado. Para tanto, deve-se considerar a importância remetida como líquida, cabendo o reajustamento do rendimento bruto, sobre o qual recairá o tributo. i) Nesta linha, calculado o valor do tributo através do “Gross Up", resta indiscutível que o encargo financeiro do IRRF foi assumido pela Termobahia S/A, cabendo a esta pleiteara sua repetição. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital, Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2301-006.104, de 04/06/2019, Fl. 124DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.130 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900244/2009-04 proferido no julgamento do processo nº 10530.900219/2009-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcreve-se como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão, quanto à admissibilidade e quanto ao mérito (Acórdão 2301- 006.104): O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Cumpre destacar que é possível a fonte pagadora assumir o encargo financeiro do recolhimento o valor do Imposto de Renda na Fonte, obrigando-se à recomposição do montante da tributação incidente (gross up). Ou seja, a metodologia de cálculo conhecida como "cálculo por dentro", própria dos tributos para os quais a responsabilidade pela retenção e recolhimento é atribuída à fonte pagadora (ou a quem paga), acarreta o reajuste do próprio valor da operação, que passa a ser integrado pelo valor do imposto retido. Se, por exemplo, no contrato está previsto o preço de R$ 100,00 para que seja possível reter os 15% do valor do IRRF devido preservando o valor original, é preciso considerar que esses R$ 100,00 são apenas 85% do valor, sob pena de ver-se modificado o preço transacionado, senão vejamos: Se simplesmente se aplica a alíquota de 15% sobre o valor de R$ 100,00 considerando que o valor total do Imposto integra a renda, a transação passa a ser de R$ 115,00. Só que, daí, se o valor do negócio é de R$ 115,00 aplicando-se a alíquota de 15%, chega-se a um Imposto de R$ 17,15. Inicialmente, entendi que haveria uma dúvida sanada pela fiscalização: se no cálculo do IRRF houve efetivamente a adoção do critério conhecido como “gross up”, no qual o valor do tributo devido está dentro do valor contratado, ou seja, se o imposto de renda que incide sobre o total da renda, no qual o cálculo deve ser feito de tal sorte que, após deduzido o valor do Imposto, a renda permaneça sendo aquela avençada. Ocorre que, tratam-se de pedidos de compensação de suposto crédito de IRRF incidente sobre remessas ao exterior com a CIDE. O crédito decorreria da diferença de alíquota em face do que consta da Lei nº 10.168/2000. Ocorre que, na hipótese de existir a diferença de alíquota alegada (essa hipótese deverá ser objeto de análise pela instância anterior), a compensação somente poderia ser deferida se o contribuinte, responsável pela retenção, comprovasse ter suportado o ônus do tributo ou, do contrário, comprovar ter restituído o valor ao contratado, de quem teria retido indevidamente. Ciente disso, o recorrente esclareceu que dentre os vários contratos feitos pela Termobahia, há alguns em que ela assumiu integralmente o ônus tributário e, em outros, o ônus ficou a cargo do contratado. Analisando o presente processo, que foi indicado como paradigma, percebe-se que o valor da remessa (USD 120.652,00) correspondeu a R$ 375.348,37. Fazendo o cálculo "por dentro" à Fl. 125DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.130 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900244/2009-04 alíquota de 25%, resulta em uma base de cálculo de R$ 500.423,01 e um IRRF de R$ 125.074,64. O valor recolhido foi de R$ 125.103,61. Ou seja, pelo que consta dos autos, parece-me que, pelo menos no caso do processo paradigma, o contribuinte seria parte legítima para pleitear porque assumiu integralmente o ônus tributário. Nesse caso, o processo deveria retornar à primeira instância para análise do alegado direito creditório, já que o acórdão a quo não avançou nessa análise por entender que a parte não era legítima para pleitear o indébito. Contudo, tal argumento foi analisado pelo órgão julgador de primeira instância se o contribuinte comprovou que fez a retenção do valor e devolveu ao contratado a quantia retida a maior. O contribuinte alegou que arcou com o ônus tributário, mas, nesse caso, teria que demonstrar haver recolhido o IRRF na alíquota de 25% (que ele alega ser incorreta, pois o devido seria 15%), mas não juntou o contrato onde alega que esse ônus lhe caberia e por isso a decisão guerreada entendeu por sua ilegitimidade para pleitear a compensação dos supostos créditos. Ante ao exposto, Voto no sentido de Negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente feito, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento, tendo em vista que também neste processo o recorrente não juntou aos autos o contrato celebrado com o prestador do serviço. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital Fl. 126DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.000029/2004-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
A omissão relativa a fato relevante para o deslinde da causa caracteriza cerceamento do direito de defesa, a demandar anulação do acórdão recorrido para que outro seja produzido com apreciação de todas as razões de inconformidade.
Numero da decisão: 3302-007.398
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para anular a decisão da DRJ, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: conselheiros Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para anular a decisão da DRJ, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: conselheiros Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 00 29 /2 00 4- 98 Fl. 3202DF CARF MF Processo nº 13971.000029/200498 Acórdão n.º 3302007.398 S3C3T2 Fl. 144 2 Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp), pela qual a interessada acima identificada procedeu à compensação de débitos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), com créditos da contribuição para o PIS/Pasep apurados no regime da nãocumulatividade. Relativamente ao trimestre em análise (4°. Trimestre/2003), a contribuinte apresentou o Demonstrativo das Contribuições (Dacon) original e retificadores (quadro à fl 460) do trimestre em referência, sendo que foi considerado o último Dacon retificador, transmitido em l7/l2/2008, o qual se encontra anexado aos autos às fls. 441/443. Conforme o verificado no Dacon, documentos, arquivos digitais, na análise dos créditos e dos esclarecimentos prestados pela contribuinte, dentre outros elementos, foram reconhecidos e confirmados os créditos correspondentes às Linhas 04 Despesas de Energia Elétrica; Linha O6 Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de Pessoa Jurídica; Linha O7 Despesas financeiras de empréstimos e financiamentos junto à Pessoa Jurídica, e Linha 27 () Ajustes Negativos de Créditos. Quanto às demais linhas do Dacon, foram efetuadas as glosas que serão especificadas mais adiante neste relatório. Para melhor visualização dos valores envolvidos no trimestre em questão, reproduzo abaixo um resumo dos quadros constantes do Despacho Decisório (letra “a” fl. 531), onde constam os valores informados, os glosados e os reconhecidos, em relação aos créditos vinculadas às receitas no mercado interno e externo: (...) Com base no Parecer Saort n°. 273/2008, o Delegado da Receita Federal do Brasil em Blumenau decidiu (ora descrito em breve síntese): a) reconhecer parte dos créditos; b) convalidar os descontos informados no Dacon retificador e os de oficio (Parecer Saort), da própria contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa apurada no trimestre, conforme as tabelas constantes da fl. 536; c) convalidar a utilização de oficio de créditos do Mercado Externo para desconto no Mercado Interno em virtude de insuficiência de credito apurada em novembro (RS 260.759,28) ajuste MI da tabela b2 (fl. 536); d) reconhecer os saldos de créditos (zerados) existentes ao final do trimestre (dezembro/2003) e antes da compensação objeto do presente processo (Credito Mercado Externo e de Exportação); e) admitir as retificações das Dcomp, protocoladas em 22/09/2006 e em 19/12/2008; f) não homologar a compensação de débito próprio da Cofins (dezembro/2003) em virtude do esgotamento dos créditos decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados às receitas de exportações; g) determinar que se proceda à cobrança do debito compensado objeto do item anterior, no Fl. 3203DF CARF MF Processo nº 13971.000029/200498 Acórdão n.º 3302007.398 S3C3T2 Fl. 145 3 valor de R$ 2.252.135,43; h) determinar que se proceda ao lançamento de ofício das insuficiências apuradas em desconto de créditos da própria contribuição, de acordo com o apurado no item “b", e que os processos seja juntados por apensação para análise e tramitação conjunta. Consta no Despacho Decisório que, conforme item “b”, o saldo de crédito oriundo do 3°. trimestre, reconhecido no processo n°. 13971.000254/200338 foi integralmente utilizado em compensação de débito de Cofins do período de apuração de setembro/2003, não restando saldos deste trimestre. A seguir, colocase uma breve síntese acerca do Parecer Fiscal elaborado com base no procedimento fiscal efetuado na empresa, com as glosas efetuadas, conforme as linhas do Dacon, bem como os argumentos do contribuinte em sua manifestação de inconformidade: 1. Parecer Fiscal Glosas: LINHA 01 Bens adquiridos para revenda (Lei n°. 10.637/2002. art. 3°, inciso I): Glosa 1 Complementos de Valor Falta de Informação de Remessas: Esta glosa referese à falta de comprovação da associação entre as operações de aquisição de soja (NCM 1201.00.90 Outras espécies de soja triturada) e, em menor escala, de outros insumos tais como milho em grão, em períodos anteriores ao trimestre em questão e os complementos de valores atribuídos a estas operações. Glosa 2 Simples faturamento p/recebimento futuro: Referese a duas notas fiscais NF 11517 e NF 11518 (Anexo 111), as quais, contrariamente ao registrado no arquivo RVJ, referemse a operação do CFOP 1.922 Simples faturamento decorrente de venda para entrega futura” e não ao “1.102 Compra para comercialização”. O fundamento para a glosa reside no fato de que cabem os créditos previstos no art. 3°, inciso I da Lei n°. 10.637 de 30/12/2002, quando da entrada real do bem comprado para revenda ou industrialização. No caso presente, teriam sido creditados os valores de simples faturamento decorrente de compra para recebimento futuro. Glosa 3: Aquisições com fim especifico de exportação, relativa à aquisição de bens com o fim específico de exportação (FEX), situação em que não há incidência da exação, nos moldes do art. 5°. da Lei n°. 10.637/2002. Glosa 4: Falta de comprovação relativa a 1(uma) Nota Fiscal não entregue, dentre as 27 notas solicitadas constantes dos arquivos RVJ do trimestre em análise. Fl. 3204DF CARF MF Processo nº 13971.000029/200498 Acórdão n.º 3302007.398 S3C3T2 Fl. 146 4 LINHA 02 Bens utilizados como insumos (Lei n°. 10.637/2002, an. 3°, II); Glosa 1 Simples faturamento p/recebimento futuro: Referese a 1 (uma) Nota Fiscal, a qual, contrariamente ao registrado no arquivo INJ (Aquisições de insumos para industrialização), referese à operação do CFOP 1.922 Simples faturamento decorrente de venda para entrega futura” e não ao CFOP 1.101 Compra para industrialização. O fundamento para a glosa reside no fato de que cabem os créditos previstos no art. 3°., inciso I, da Lei n°. 10.637 de 30/12/2002, quando da entrada real do bem comprado para revenda ou industrialização. No caso presente, teriam sido creditados os valores de simples faturamento decorrente de compra para recebimento futuro. Glosa 2 Falta de Comprovação, referente às Notas Fiscais relacionadas no item 101 do relatório fiscal (fl. 473), conforme solicitação feita através da Intimação n°. 356/2008, de forma que foram glosados os respectivos valores por falta comprovação. Glosa 3 (INJ) Complementos de valor: A contribuinte efetua operações de compra, venda e industrialização de insumos (preponderância de soja) com preço a fixar, feitas de pessoas físicas e jurídicas. O fisco concentrou o foco da análise especificamente nas notas de Complemento de Valor (TNF 72), especificamente nas operações de aquisição de insumos com contratos de preços a fixar. Com base na análise das notas de remessas, constataramse ocorrências de remessas sem direito a créditos no regime da nãocumulatividade, conforme relacionadas na planilha de fl. 474, tais como as remessas com código CFOP 1501 Entrada de mercadoria recebida com o fim específico de exportação no arquivo FEX Aquisições com fim específico de exportação, ao contrário do informado no arquivo CFOP 1101 Compra para industrialização. Conforme o relatório fiscal, as glosas se fundamentaram, em síntese, no fato de que o direito ao crédito do PIS/Pasep apurado na modalidade nãocumulativa foi regulado respeitando o regime de competência. Não foram consideradas as complementações dos valores, ocorridas no regime não cumulativo, em relação às remessas (aquisições) ocorridas no período da cumulatividade, bem como em relação àquelas que, no regime da nãocumulatividade, não geram direito aos créditos. Glosa 4 Complementos de valor Falta de informação de remessas: Fl. 3205DF CARF MF Processo nº 13971.000029/200498 Acórdão n.º 3302007.398 S3C3T2 Fl. 147 5 Referemse a notas registradas no arquivo (INJ), pelas quais não houve a comprovação das remessas físicas das aquisições dos insumos correspondentes (Demonstrativo 24 arquivo INJ). LINHA 03 Serviços utilizados como insumos (Lei n°. 10.637/2002. art. 3°. II: Glosa 1 Falta de Comprovação relativa aos créditos correspondentes aos documentos não apresentados, solicitados através da Intimação n°, 356/2008, onde foram solicitadas cópias de 170 conhecimentos de transporte de carga, conforme demonstrativo de fl. 480. Glosa 2 Fretes correspondentes a grãos exportados: Foram glosados, nesta linha, os custos de fretes efetuados por Pessoa Jurídica correspondentes (e proporcionais) as aquisições de produtores Pessoa Física (créditos presumidos) para revenda, insumos estes os quais foram objeto de estorno, conforme demonstrativo de estorno (EST_Ag). Considerando que a aquisição de insumos para revenda pressupõe a operação de frete entre o estabelecimento produtor e o adquirente (contribuinte), o fisco decidiu por estornar também os créditos correspondentes às aquisições objeto do demonstrativo EST_Ag. Como as informações apresentadas pela contribuinte, em seus arquivos digitais e/ou demonstrativos, não foram suficientes para a plena vinculação entre cada aquisição e ou seu respectivo frete, foi adotado um critério de apuração de proporcionalidade, considerando apenas as aquisições de soja, insumos onde haveria a maioria dos estornos (cerca de 80% no trimestre em análise). Com base na mesma proporção de soja adquirida de pessoa física (crédito presumido) em relação ao total de aquisições de soja, foi obtido o valor proporcional dos respectivos fretes. Sobre este valor, foi aplicado o mesmo percentual de estornos em relação ao total de soja adquirida de pessoa física, para então se chegar ao valor proporcional dos fretes relativos aos valores estornados das aquisições de pessoas físicas. LINHA 05 Despesas de aluguéis de prédios locados de Pessoas Jurídicas: Glosa 1 Despesas com armazenagem: Tratamse de despesas com armazenagem, com aproveitamento de créditos a titulo de despesas de aluguéis de prédios locados de pessoas jurídicas (Lei 10.637/2002, art. 3°., IV), nas quais não se incluem as despesas relativas a armazenamento, nos períodos de apuração sob análise, Glosa 2 Adiantamento a Fornecedor: Referese a valores pagos a título de “antecipação de preço” ou “adiantamento a fornecedor”, os quais, segundo o fisco, não se Fl. 3206DF CARF MF Processo nº 13971.000029/200498 Acórdão n.º 3302007.398 S3C3T2 Fl. 148 6 caracterizam como incorridos no mês para fins de creditamento, conforme o requisito do art. 3°., §1°,da Lei n°. 10.637/2003. Glosa 3 Falta de Comprovação: Quanto à comprovação das despesas alocadas neste item do Dacon, conforme intimações n°s 356 e 455/2008, a contribuinte deixou de apresentar a documentação relativa aos pagamentos às empresas S.A Moinho da Bahia, Moinho Jauense Indústria e Comércio de Alimentos Ltda. e Granosul Agroindustrial Ltda. Foram glosados esses créditos com base no art. 24 da IN SRF n°. 600/2005. LINHA 09 Encargos de depreciação de bens do Ativo Imobilizado (Lei n°. 10.637/2002 art. 3°. VI): Glosa 1 Código de Fornecedor Inválido: Efetuada a glosa em razão da incorreta identificação do fornecedor do bem para o Ativo Imobilizado, o que impossibilita a verificação da origem do bem quanto a tratarse de aquisição feita de pessoa jurídica domiciliada no país, quando os créditos seriam passíveis de reconhecimento, a teor das disposições da Lei n°. 10.637/2002, art. 3°. VI, §3°, I. Glosa 2 Fornecedor é empresa incorporada: Conforme o fisco, em síntese, os registros relacionados ao crédito de depreciação (arquivos DEPR) devem informar os dados da aquisição original de cada bem, o que deve corresponder à pessoa jurídica da qual a aquisição foi efetuada. No caso em tela, foi atribuída a identificação da empresa incorporada (Santista) ao “código do fornecedor”, não informando quanto ao fornecedor originário do bem (pessoa física, jurídica, importação, etc.), motivo pelo qual foi efetuada a glosa, pelos mesmos fundamentos do item anterior. Glosa 3 Fornecedor é a própria empresa: Tratamse de casos em que foi verificado, pelo CNPJ constante dos arquivos digitais, que o fornecedor do bem era o próprio estabelecimento Matriz (Gaspar/SC) e mais 4 filiais localizadas em S. Fco. do Sul/SC, Tupanciretã I/RS, Santo Augusto/RS e Esteio/RS. São em número de 112 o total de estabelecimentos com o fornecedor sendo a própria empresa, no conjunto de 67.056 registros, objetos da presente glosa . Na grande maioria dos casos, temse um estabelecimento atuando como o fornecedor do bem do Ativo imobilizado para outro estabelecimento da mesma empresa. Intimada a esclarecer os fatos, a contribuinte explicou que as situações em que constava o CNPJ da Companhia como fornecedor dos bens, tratavamse de ocorrências de bens importados, para os quais não há inscrição válida de CNPJ para cadastro do fornecedor. Fl. 3207DF CARF MF Processo nº 13971.000029/200498 Acórdão n.º 3302007.398 S3C3T2 Fl. 149 7 Em vista do crédito ser admitido apenas em relação às aquisições feitas a pessoas jurídicas domiciliadas no país, foram glosadas as aquisições que tem por fornecedor a própria empresa por se referirem a importações, conforme declaração da própria contribuinte. Glosa 4 Falta de Comprovação, referente a várias notas de aquisição de bens solicitadas em intimação fiscal (imobilizado) relacionadas à aquisições que denotavam aparente atipicidade do fornecedor face ao bem adquirido, pelas quais a contribuinte deixou de apresentar os respectivos comprovantes. Glosa 5 Inconsistência da data da aquisição: Conforme o conjunto de registros constantes dos arquivos “DEPR” do trimestre, foi verificada, para algumas aquisições, a incompatibilidade entre a “Data da Aquisição”, constante dos arquivos, e as de abertura do estabelecimento do fornecedor ou com a data de baixa do mesmo, conforme base CNPJ/RFB. Intimada a prestar esclarecimentos, não houve efetivo atendimento do requerido, dando ensejo às glosas, visto que esses registros, tais como informados, corresponderiam a operações com fornecedores inexistentes a época (data da aquisição anterior à da abertura ou posterior à da baixa do estabelecimento fornecedor. LINHA 10 Encargos de Amortização de Edificações e Benfeitorias em Imóvel de Terceiros (Lei n°, 10.637/2002. art. 3°. VII). Para análise da procedência da linha 10, a fiscalização adotou os mesmos critérios adotados para a linha 09, sendo que a fundamentação para as glosas e a legislação aplicadas são as mesmas lá descritas. Glosa 1 Código de Fornecedor Inválido: não correspondem a identificações válidas no CNPJ; Glosa 2 Fornecedor é empresa incorporada, onde se constatou que as tabelas apresentam estatísticas idênticas às feitas para a linha 09, relativamente aos registros em que os bens seriam adquiridos de empresas incorporadas; Glosa 3 Fornecedor é a própria empresa, assim colocado por se tratarem de importações, conforme já exposto na fundamentação da Linha 09 Glosa 3. LINHA 11 Devolução de vendas sujeitas à alíquota de 1.65% (Lei n°.10.637/20,02, art. 3°. VIII) Falta de Comprovação correspondentes a notas fiscais não apresentadas. LINHA 16 Bens adquiridos de Pessoas Físicas Agroindústria (Lei n°. 10.637/2002 art. 3°, § 10); Glosa 1 (AGS) Complemento de Valor em relação à operação com a soja, pela qual uma das modalidades de compra dessa Fl. 3208DF CARF MF Processo nº 13971.000029/200498 Acórdão n.º 3302007.398 S3C3T2 Fl. 150 8 commoditie implica a fixação do preço definitivoa posteriori (preçoafixar). Na análise das notas de complemento na nãocumulatividade, foram constatadas situações que ensejaram glosas parciais ou integrais e casos em que houve o deferimento integral dos créditos. Uma das hipóteses de ocorrência de glosa parcial foi àquela demonstrada na tabela de fl. 510 em relação a um dos contratos, em decorrência do qual ocorreram remessas com e sem direito a crédito, estas últimas decorrentes de aquisições ocorridas no regime da cumulatividade, Também houve casos em que as remessas foram identificadas nos arquivos APF Aquisições de Pessoas Físicas (Comercialização), configurando se também como sem direito a créditos. Os fundamentos dessas glosas são os mesmos da Linha O2 Glosa 3 itens 111/125. Glosa 2 Complemento de Valor Falta de informação de remessas em relação às notas de complemento registradas nos arquivos AGS e AGD, pelas quais não houve a comprovação das remessas físicas das aquisições dos insumos correspondentes aos respectivos contratos, seja na cumulatividade ou na não cumulatividade (demonstrativo 162). Glosa 3 (AGS) Insumos adquiridos de Pessoas Físicas aplicados na industrialização de produtos não constantes do art. 3°., § 10: Conforme o relatório fiscal, para que sejam considerados os créditos nesta linha (crédito presumidoagroindústria), o referido §10 do art. 3°. da Lei n°. 10.637/2002 exige que o bem adquirido seja utilizado como insumo em processo industrial cujo bem resultante se inclua nas classificações fiscais do §10 e que seja destinado à venda. Sendo assim, não foram considerados, para fins de créditos, os que não se enquadravam nessas disposições, ou seja, insumos adquiridos de pessoas físicas, com registro de crédito presumido, mas de cuja industrialização tenham resultados produtos não constantes do rol do art. 3°., § 10 da Lei n°. 10.637/2002, tais como a borra de soja (NCM 1522.00.00) e maioneses (NCM 2103.90.11 e 2103.90.19). Glosa 4 Falta de Comprovação relativa à notas fiscais solicitadas e não apresentadas, conforme os demonstrativos de fl. 526. LINHA 17 Serviços prestados por Pessoas Físicas Agroindústria (Lei n°, 10.637/2002, art. 3°. §10). Glosa 1 Falta de Comprovação em relação ao crédito correspondente aos documentos fiscais não apresentados, conforme planilha de fl. 518. Glosa 2 Fretes correspondentes a grãos exportados: Fl. 3209DF CARF MF Processo nº 13971.000029/200498 Acórdão n.º 3302007.398 S3C3T2 Fl. 151 9 A contribuinte apresentou demonstrativo de estorno (EST_Ag) correspondente às aquisições de insumos de produtores Pessoa Física que geram créditos presumidos agroindústria. Em vista desse fato, foram glosados nesta linha os custos dos fretes, contratados de pessoas físicas, correspondente às referidas aquisições, objeto de estorno, conforme demonstrativo “EST_Ag”. Os valores glosados foram obtidos da mesma forma e com os mesmos critérios utilizados nos cálculos das glosas efetuadas na Linha 03 do Dacon. LINHA 20 Crédito presumido relativo a estoque de abertura (Lei nº 10.637/2002 art. 11) ICMS: relativo ao ICMS, glosado por não integrar o valor dos estoques a ser utilizado como base de cálculo do crédito presumido, quando recuperável. 2. Manifestação de Inconformidade: Seguindo a ordem ditada no Parecer que fundamentou o Despacho Decisório, a contribuinte assim se manifesta: Linha 01 Bens adquiridos para revenda (Lei n°. 10.637/2002, an. 3°, inciso 1): Glosa 1 Complementos de Valor Falta de Informação de Remessas: alega que não procede a glosa efetuada, sendo que as devidas comprovações das remessas (contratos) pretéritas e as respectivas complementações seguem em anexo. Glosa 2 Simples faturamento para recebimento futuro Doc 1: alega que ocorreu tãosomente erro no CFOP (1922) de entrada constante das Notas Fiscais 11517 e 11518, posto que, na verdade, na NF 111756 e 138279 do fornecedor constou corretamente o CFOP 1,102. No mérito, em relação às Glosas 1 e 2, alega que a interpretação dada ao art. 3°., incisos I II da Lei n°. 10.637/2002 e por demais restritiva, na exata medida que sua redação não contempla a hipótese da ocorrência da “tradição”, e sim que menciona o ato da “aquisição”, que ocorre independentemente da entrega imediata ou futura. Nesta linha, alega que a interpretação se contrapõe ao previsto no art. 1°. da mesma lei, já que explicita que a contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela Pessoa Jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Aduz, ainda, que há contradição nos argumentos utilizados para analisar a sistemática da nãocumulatividade do PIS, posto que o fato da incidência da contribuição na etapa anterior (aquisição) é o que legitima o direito ao correspondente crédito. LINHA O2 Bens utilizados como insumos (Lei n°, 10.637/2002. art. 3° II) Glosa 1 Simples faturamento p/recebimento futuro. Fl. 3210DF CARF MF Processo nº 13971.000029/200498 Acórdão n.º 3302007.398 S3C3T2 Fl. 152 10 Neste tópico, a contribuinte traz as mesmas alegações de mérito do tópico anterior, em síntese: que a interpretação dada ao art. 3°., incisos I e II da Lei n°. 10.637/2002 é por demais restritiva, que sua redação menciona o ato da “aquisição”, que ocorre independentemente da entrega imediata ou futura; que a interpretação se contrapõe ao previsto no art. 1°. da mesma lei, já que explicita que a contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela Pessoa Jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; que há contradição nos argumentos utilizados para analisar a sistemática da não cumulatividade do PIS, posto que o fato da incidência da contribuição na etapa anterior (aquisição) é o que legitima o direito ao correspondente crédito. Glosa 2 Falta de Comprovação: alega que não procede a glosa, que as Notas Fiscais 19438, 46815, 537, 538, 48939, 49186 e 58249 solicitadas através da intimação n°.356/2008 foram localizadas e seguem anexo; que a NF 82507 será trazida à colação em 30 dias. Glosa 3 Complemento de Valor: Sob este tópico, a contribuinte tece, inicialmente, algumas considerações sobre o regime de caixa e competência, bem como as formas de comercialização da soja compra e venda com preço fixado e a fixar, mercado futuro, etc. e remete a vários artigos do Código Civil Brasileiro artigos 246, 481, 482, 486, 487. Alega que os auditores se equivocam quando afirmam que a “tradição” do soja em grão pelo produtor seria o marco temporal caracterizador da realização da receita ou ganho, de forma a aplicar o regime de competência; que o tipo de contrato que utiliza se completa pelas sucessivas entregas da mercadoria e complementações de valor decorrente da fixação futura do preço, ai sim respeitando o regime de competência; que não se está diante de compra e venda parcelada, onde o fato jurídico “aquisição” se constituiria pela `tradição', independente do recebimento do preço integral no mesmo momento; que nesta espécie de contrato, a “complementação” do preço está sim inseparavelmente vinculada à aquisição, posto que faz parte do objeto do contrato que se está completando. Sustenta que, sob a égide da legislação que instituiu a não cumulatividade, há que se conferir o direito ao crédito correspondente ao valor do complemento por se estar diante de uma única relação jurídica a qual poderseia chamar de “complexiva", lembrando a definição aplicada ao fato gerador do imposto de renda, na medida em que a aquisição não ocorre quando da entrega da mercadoria, mas além dela, quando o preço for totalmente formado pela fixação futura. Alega, ainda, que a Lei 10.637/2002 não tratou especificamente dessas modalidades de operações, que não estabeleceu os critérios comentados pelos auditores em seu parecer para Fl. 3211DF CARF MF Processo nº 13971.000029/200498 Acórdão n.º 3302007.398 S3C3T2 Fl. 153 11 justificarem as glosas dos créditos sobre o complemento da nota fiscal emitida por ocasião da fixação do preço definitivo, tendo estes criado uma interpretação atípica para retirar o direito às glosas. Reportase a um trecho específico do parecer fiscal, à página 37, e para contraporse ao que alega ser uma interpretação fiscal, remete aos artigos 1°. e 4°. da Lei n°. 10.637/2002, e alega que inexiste os critérios e conceitos tal como postos pelos auditores fiscais, que não há qualquer referência a tradição dos bens móveis como regra para a não cumulatividade; que a lei trata de aquisição e esta não necessariamente se completa pela entrega do bem naquele momento, muito menos se o bem será entregue em uma ou mais ocasiões ou paga em uma ou mais vezes. Reitera que os incisos II e III do § 3°. do art. 3°. da Lei n°. 10.637/2002 deixa evidente que, no contexto da não cumulatividade, também está contemplada a questão dos “custos e despesas incorridos, pagos ou creditados, a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta lei", independente da pretendida entrega física da mercadoria. Em suas palavras: "Portanto, se parte ou a integralidade da mercadoria adquirida foi entregue no período cumulativo, os valores correspondentes as notas fiscais de remessa evidentemente não geraram crédito do PIS naquela época nem no momento da nota complementar de preço de forma retroativa. Esta última sim, como complemento do preço e da aquisição em si, cujo fato ocorreu sob a égide do período nãocumulativo confere à Impugnante o direito ao crédito correspondente. Ora. conforme reconheceram o.s Srs. AFRFB. este fato jurídico dá origem à incidência do PIS mesmo não havendo a entrega física da mercadoria, e por outro lado, deforma contraditória e restritiva ao extremo, não confere o direito de crédito respectivo à impugnante. Data vênia, não procede o argumento de que seriam situações distintas; são equivalentes sim e a lei não corrobora a interpretação trazido à baila no Parecer que sustentou o Despacho Decisório". Remete, ainda, ao § 10 do art. 3°. da Lei n°. 10.637/2002 para alegar que, mesmo no caso dos produtores rurais pessoas físicas, embora não haja previsão de incidência da contribuição sobre seu faturamento ou receita bruta, há direito ao crédito presumido na aquisição de bens quando da complementação de valor, independente da coincidência ou não da quantidade de bens entregues Destaca que o crédito presumido é calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas. Ressalta, ainda, que a formação do preço dos cereais, a partir da Lei n°. 10.637/2002, foi majorada, incluindo o crédito presumido do PIS, repassado aos produtores. Glosa 4 Complementos de Valor Falta de Informação de Remessas: Fl. 3212DF CARF MF Processo nº 13971.000029/200498 Acórdão n.º 3302007.398 S3C3T2 Fl. 154 12 Alega que os arquivos digitais (COMPL) com as devidas comprovações das remessas (contratos) pretéritas e as respectivas complementações de valor seguem em anexo. Esclarece que os créditos envolvidos nessas glosas são decorrentes de NF de complemento. Remete aos mesmos argumentos envolvendo NF de complemento de valor esposados na glosa 3 da Linha 2. LINHA 03 Serviços utilizados como insumos (Lei n°. 10.637/2002. art. 3°. II): Glosa 1 Falta de Comprovação. Alega que não procede a glosa, que estará anexando cópia dos documentos não apresentados em até 30 dias, conforme relação constante do Demonstrativo 3l(fl. 449), Glosa 2 Fretes correspondentes a grãos exportados: Alega que não procede a presunção levada a efeito pelos auditores, posto que inexistiu a efetiva demonstração de quais fretes de mercadoria posteriormente exportadas deveriam ser estornados. Remete a um trecho do parecer fiscal e termina por afirmar se tratar de presunção pura, sem sequer um caso real que seja confirmador desta presunção geral e irrestrita. LINHA 05 Despesas de aluguéis de prédios locados de Pessoas Jurídicas Lei n°. 10.637/2002. art. 3°. IV: Glosa 2 Adiantamento a Fornecedor: Alega que não procede a glosa; que a interpretação conferida pelos auditores ao disposto no art. 3°., inciso IV, § 1°., inciso II, da Lei n°. 10.637/2002 é por demais restritiva, na exata medida que sua redação não contempla a hipótese de ocorrência do inicio propriamente dito da utilização do prédio locado; que o disposto nos incisos menciona o ato de “incorridos no mês”, que ocorreu efetivamente quando do adiantamento, que nada mais é do que o pagamento da locação, ainda que de forma antecipada; que, mesmo em caso de adiantamento, há que se compreender que isto representa o efetivo pagamento da locação contratada no termos do art. 3°., inciso IV, §1°., inciso II da Lei n°. 10.637/2002 e que é fato gerador do PIS. Glosa 3 Falta de Comprovação Doc 4 Relativamente ao item,(1) do Parecer, alega trazer a copia do comprovante de pagamento da locação com a empresa Água Branca Armazéns Gerais Ltda., no valor de R$ 396.31,20 e Granosul Agroindustrial Ltda., no valor de R$ 117.657,00. Quanto ao item (2), alega que está providenciando a juntada da cópia dos documentos faltantes referentes às empresas S.A. Moinho da Bahia e Moinho Jauense Ind. e Com. de Alimentos Ltda. Reitera que, quanto à empresa Moinho Jauense, o contrato de mútuo representou o pagamento da locação, ainda que não seja Fl. 3213DF CARF MF Processo nº 13971.000029/200498 Acórdão n.º 3302007.398 S3C3T2 Fl. 155 13 o meio usual; que, contabilmente, representa um direito e uma obrigação, gerando efeitos tributários em favor do fisco; que os documentos faltantes estão sendo localizados e serão trazidos em 30 dias. LINHA 09 Encargos de depreciação de bens do Ativo [mobilizado (Lei n°. 10.637/2002, art. 3°. VI) Todas as glosas efetuadas sob este tópico são impugnadas sob a alegação de que a interessada está concluindo a revisão geral de todas as informações detectadas pelos auditores e que os arquivos digitais (DEPR) com as devidas retificações serão trazidos aos autos em 30 dias, de forma a comprovar o direito aos créditos. Tratamse de:“Glosa 1 Código do fornecedor inválido”, “Glosa 2 Fornecedor é empresa incorporada”, “Glosa 3 Fornecedor é a própria empresa”, “Glosa 4 Falta de Comprovação” e “Glosa 5 Inconsistência da data de aquisição”. LINHA 10 Encargos de Amortização de Edificações e Benfeitorias em Imóvel de Terceiros (Lei n°. 10.637/2002. art. 3°.. VII); Todas as glosas efetuadas sob este tópico são impugnadas sob a alegação de que a interessada está concluindo a revisão geral de todas as informações detectadas pelos auditores e que os arquivos digitais (Amort) com as devidas retificações serão trazidos aos autos em 30 dias, de forma a comprovar o direito aos créditos. Tratamse de:“Glosa 1 Código do fornecedor inválido”, “Glosa 2 Fornecedor e empresa incorporada”, “Glosa 3 Fornecedor e a própria empresa”. LINHA 11 Devolução de vendas sujeitas à alíquota de 1.65% (Lei n°.10.637/2002, art. 3°, VIII Glosa 1 Falta de Comprovação: alega que está providenciando as cópias das Notas Fiscais 205340, 205341, 31794 e 31794 e que trará aos autos os documentos em até 30 dias, de forma a comprovar o direito ao credito pleiteado. LINHA 16 A Bens adquiridos de Pessoas Físicas Agroindústria (Lei n°. 10,637/2002, art. 3°. § 10). Glosa 1 (AGS) Complemento de Valor: alega que não procede a glosa e remete aos argumentos de defesa esposados em relação á LINHA 2 glosa 3 para ratificar o mesmo em relação a esse tópico. Glosa 2 Complemento de Valor Falta de informação de remessas CD/DVD 1: remete aos argumentos esposados na LINHA 2 glosa , ratificandoos em relação a este tópico Quanto aos demais argumentos esposados no Parecer Saort, esclarece que anexa mídia magnética com a informação do n°. dos correspondentes contratos. Fl. 3214DF CARF MF Processo nº 13971.000029/200498 Acórdão n.º 3302007.398 S3C3T2 Fl. 156 14 Glosa 3 (AGS) Insumos adquiridos de Pessoas Físicas aplicados na industrialização de produtos não constantes do art. 3º § 10 (DOC 5): Sob este item, inicialmente, a contribuinte remete à resposta feita ao item 18 da intimação n°_ 429/2007, do Processo n°. 13971000995/200624 credito do mês de março de 2003 onde esclarece seu processo produtivo em relação aos insumos que julga serem passiveis de créditos, a teor do § 10 do art. 3°. da Lei n°. 10637/2002. Na seqüência, explica que não é a soja que é utilizada na fabricação da maionese, o que daria azo ao posicionamento dos auditores, mas o Óleo de soja, tendo atendido inquestionavelmente os termos do §10 do art. 3°. da Lei n°. 10.637/2002, que sob a ótica da interpretação dada ao dispositivo, tem direito ao crédito presumido pois produz mercadorias classificadas no Capitulo 12, como puderam concluir os auditores fiscais. Traça alguns questionamentos sobre o que julga ser um raciocínio equivocado dos auditores fiscais, os quais teriam aplicado a sua interpretação à forma como o crédito será apurado, restringindo o direito ao crédito com violação ao art. 111 do CTN pelos mesmos citados. Defende que, como se depreende do inciso II do art. 3°. da Lei 10.637/2002, em combinação como §10, não existe o caráter restritivo invocado pelos auditores, cuja interpretação seria mais ampla do que consta na lei, na medida em que esta estabelece exclusivamente sobre qual base o crédito será calculado; que o crédito em si está concedido na primeira parte do dispositivo; que trazer uma segunda suposta condicionante como imprescindível a sua concessão, qual seja, que o produto seja destinado à venda, além da única efetivamente existente que é de produzir mercadorias classificadas no capitulo 12 é distorcer o real sentido da lei e suas disposições; que não há o engessamento pretendido, ou seja, de que a mercadoria produzida (classificadas no capítulo 12) devam ser imediatamente vendidas, sendo vedado o seu aproveitamento como insumo em outra mercadoria produzida, como a maionese, por exemplo; que o Óleo de soja foi na verdade vendido, embora não na sua forma original, mas na condição de óleo como insumo na maionese, posto que no preço da maionese está o preço do óleo de soja insumido. Ressalta que o óleo de soja é que foi utilizado como insumo na maionese e não a soja em grão. No que tange aos subprodutos gerados na produção do Óleo de Soja ou da Farinha de Trigo, sustenta que o óleo de soja é objeto principal da industrialização da soja em grãos, adquirida de pessoas físicas, nos termos do § 10 do art. 3°, da Lei n°. 10.637/2002, mas que os subprodutos que surgem dos resíduos desta industrialização são aplicados em outros processos industriais, ao invés de sua eliminação. Salienta que os “subprodutos” não são insumos do óleo de soja refinado ou de Fl. 3215DF CARF MF Processo nº 13971.000029/200498 Acórdão n.º 3302007.398 S3C3T2 Fl. 157 15 outros produtos principais, mas que se constituem em resíduo do processo de transformação principal da soja em grãos em Óleo de soja refinado ou do trigo em farinha, os quais poderiam ser eliminados, mas que, graças à criatividade dos químico e engenheiros de alimentos, foi dada uma destinação, tal qual está descrito no parecer e na resposta ao item 18 da intimação n°. 429/2007 do processo n°. 13971 .000995/200324. Reafirma que esses subprodutos são tecnicamente desperdícios e restos do processo produtivo principal e não se pode negar o crédito conferido aplicando interpretação restritiva e não condizente com a lei correspondente. Glosa 4 Falta de Comprovação: alega que não procede a glosa, que está providenciando as cópias dos documentos fiscais não entregues e que serão trazidos aos autos em 30 dias. LINHA 17 Serviços prestados por Pessoas Físicas Agroindústria (Lei n . 10.637/2002 art. 3°. § 10). Glosa 1 Falta de comprovação DOC 6: aduz ter anexado a cópia do CTRC 454734, referente à NF 135 e que está providenciando os documentos referentes as NF 18997 e 18996 para trazer aos autos em 30 dias, de forma a comprovar o crédito pleiteado; Glosa 2 Frete correspondente a grãos exportados: remete aos argumentos expendidos quanto à LINHA 3 glosa 2. LINHA 20 Crédito presumido relativo a estoque de abertura (Lei n°. 10.637/2002 art. 11) ICMS: Alega que o ICMS integra o valor de aquisição de bens e mercadorias, exceto quando cobrado na condição de substituto tributário. Cita os artigos referenciados no Parecer Fiscal, em especial o § 3°. do art. 289 do RIR/99 e o art. 11 da Lei n°. 10.637/2002, para alegar, em síntese, que o art. 289 do RIR trata de custo do estoque, no que o ICMS é recuperável e, portanto, excluído do custo, enquanto o § 1°. do art. 11 menciona “valor do estoque” se tratando do valor pelo qual o mesmo foi adquirido, sendo que não existe no texto legal da referida lei qualquer referência ao “custo das mercadorias em estoque" a que se refere o RIR, Sendo assim, que o “valor do estoque” é aquele cujo preço total contém os tributos embutidos, e o valor de aquisição e que serviu de base de cálculo para incidência do PIS ao remetente das mercadorias e, portanto, não procede a glosa efetuada. Por fim, requer a reforma do Despacho Decisório para julgar improcedente a nãohomologação e reconhecer o crédito pleiteado. A 4ª Turma da DRJ Florianópolis (SC) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 0721.887, de 29 de outubro de 2010, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: Fl. 3216DF CARF MF Processo nº 13971.000029/200498 Acórdão n.º 3302007.398 S3C3T2 Fl. 158 16 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO. Para fins de créditos na aquisição de insumos, as despesa é considerada incorrida quando ocorre o consumo do bem ou do Serviço, independentemente do pagamento. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. SERVIÇOS. Para efeito da nãocumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelando o à necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto em fabricação. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. ,CREDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Geram créditos os valores dos insumos adquiridos de pessoas físicas, desde que o produto final resultante da utilização desses bens ou serviços esteja relacionado no rol de produtos cujas classificações da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM estão relacionadas no art. 3°., §10 da Lei n°. 10.637/2002. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CREDITO PRESUMIDO. ESTOQUE DE ABERTURA. ICMS. O valor do ICMS, quando recuperável, não compõe o valor do estoque de abertura, não gerando créditos presumidos quando da mudança do regime cumulativo para o da não cumulatividade. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO, RESSARCIMENTOS.COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual assevera: Fl. 3217DF CARF MF Processo nº 13971.000029/200498 Acórdão n.º 3302007.398 S3C3T2 Fl. 159 17 a) Que o acórdão recorrido é nulo pois não esgotou sua jurisdição ao negarse veementemente a aceitar os documentos apresentados na manifestação de inconformidade; b) Quanto à linha 01, glosa 01 Bens adquiridos para revenda complemento de valor falta de informação de remessas Que concluiu uma revisão geral de todas as informações relativamente a esta glosa, sendo que os arquivos digitais (COMPL) com as devidas comprovações das remessas (contratos) pretéritas e as respectivas complementações de valor foram acostados aos autos na manifestação de inconformidade e que no acórdão recorrido ficou consignado que tais informações só fariam sentido se apresentadas na época da auditoria e não no momento processual em que foram aduzidos. Ressalta que todos os créditos envolvidos na glosa são decorrentes de notas fiscais complemento emitidas dentro dos respectivos meses; c) Quanto à linha 01, glosa 02 Bens adquiridos para revenda simples faturamento para recebimento futuro Que ocorreu na presente situação tão somente erro no CFOP (1.922) de entrada constante das NF's 11517 e 11518, posto que na verdade a NF 111756 e 138279 do fornecedor constou corretamente o CFOP 1.102. As afirmações e conclusões referidas na fls. 639V acerca das discrepâncias dos dados contidos nas NF's de entrada da Recorrente n° 11517 e 11518 e as respectivas NF's de saída do fornecedor n° 111756 e 138279 são resultado da não disposição dos Julgadores de realmente buscar a verdade material dos presentes autos. Não obstante o erro evidente do CFOP das NF's de entrada, dado que por lógica escritural se o CFOP da NF do fornecedor é 5.102, o das NF's de entrada somente poderia ser 1.102, e aí a demonstração do inequívoco erro, as citadas NF's referemse a complemento de preço. Tanto é assim, que as NF's citadas contém no corpo ou no campo 'dados adicionais' exatamente esta indicação, de forma que as NF's lá citadas (n° 2893 e 2886, de entrada, n° 25740 e 127836 do fornecedor) são exatamente as NF's iniciais cujo valor foi complementado. Nas NF's do fornecedor n° 111756 e 138279 consta abaixo do seu n° do contrato que foi citado pelo acórdão o n° das correspondentes NF's iniciais de entrada (n°s 2893 e 2886) as que foram objeto da complementação de preço pelas NF's n° 11517 e 11518; d) Quanto à linha 02, glosa 01 Bens utilizados como insumos simples faturamento para recebimento futuro Que dentro da linha de entendimento adotado, constou da decisão recorrida que as cópias apresentadas eram precárias para comprovação. Com todo respeito, ainda que a qualidade das cópias não seja excelente, mas são legíveis e passíveis de análise sim. Chama a atenção para o fato de que o disposto no art. 3°, incisos I e II da Lei n° 10.637/2002 menciona o ato da 'aquisição', que ocorre independente da entrega imediata ou futura. Nesta linha, tal interpretação se contrapõe ao previsto no art. 1° da mesma lei; c) Quanto à linha 02, glosa 02 Bens utilizados como insumos falta de comprovação Que as NF's 19438, 46815, 46933, 537, 538, 48939, 49186 e 58249, solicitadas através da Intimação n° 356/2008, não entregues pela Recorrente como identificadas no Quadro do item 101 (fls 24/85), foram localizadas e foram entregues. Apenas a NF 82507 não foi localizada. Conforme se verifica novamente, a turma julgadora se recusou a aceitar as NF's que não haviam sido localizadas e entregues durante a fiscalização, afirmando "que, em sede de manifestação de inconformidade, não cabe que se homologue créditos com base em documentos que, além de não terem sido oferecidos à fiscalização à época própria..."; d) Quanto à linha 02, glosa 03 Bens utilizados como insumos complemento de valor o recorrente reproduziu os mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade; Fl. 3218DF CARF MF Processo nº 13971.000029/200498 Acórdão n.º 3302007.398 S3C3T2 Fl. 160 18 e) Quanto à linha 02, glosa 04 Bens utilizados como insumos complemento de valor falta de informação de remessas Que conforme constou do voto do acórdão recorrido, houve nova recusa em aceitar os arquivos digitais (COMPL) com as devidas comprovações das remessas (contratos) pretéritas e as respectivas complementações de valor apresentados na manifestação de inconformidade, desrespeitando a ampla defesa, o contraditório, a legalidade e o PAF (Decreto n° 70.235/72); f) Quanto à linha 03, glosa 01 Serviços utilizados como insumos Falta de comprovação Que a ora Recorrente trouxe à colação cópia de documentos não apresentados/localizados durante a fiscalização, igualmente desconsiderados pelo acórdão recorrido, conforme relação constante do Demonstrativo 31 (fls 449); g) Quanto à linha 03, glosa 02 Serviços utilizados como insumos fretes correspondentes a grãos exportados Que não procede a presunção levada a efeito pelos Srs. AFRFBs e referendada pela decisão recorrida, posto que inexistiu a efetiva demonstração de quais fretes de mercadorias posteriormente exportadas deveriam ser estornados. Os próprios AFRFBs afirmam que “considerando que a aquisição de insumos pressupõe a ocorrência de operação de frete entre o estabelecimento produtor e o estabelecimento adquirente (da contribuinte) e que o custo de tal serviço pode ser arcado pela contribuinte, esta Saort entende que devam ser estornados também os créditos correspondentes aos fretes relativos às aquisições objeto do demonstrativo EST_Ag. (...) A glosa foi efetuada apenas sobre os fretes de soja (...), em razão de que os estornos contidos no EST_Ag relativos à soja, representam, no trimestre em análise, 80% do total de estornos". É presunção pura, sem sequer um caso real que seja confirmador desta presunção geral e irrestrita. Portanto, não procede a glosa; i) Quanto à linha 05, glosa 2 Despesas de aluguéis de prédios de pessoas jurídicas Que não procede a glosa, pois a interpretação conferida pelos auditores ao disposto no art. 3°, inciso IV, § 1°, inciso II, da Lei n°. 10.637/2002 é por demais restritiva, na exata medida que sua redação não contempla a hipótese de ocorrência do inicio propriamente dito da utilização do prédio locado. O disposto nos incisos menciona o ato de “incorridos no mês”, que ocorreu efetivamente quando do adiantamento, que nada mais é do que o pagamento da locação, ainda que de forma antecipada. Que mesmo em caso de adiantamento, há que se compreender que isto representa o efetivo pagamento da locação contratada no termos do art. 3°, inciso IV, §1°, inciso II da Lei n°. 10.637/2002 e que é fato gerador do PIS; j) Quanto à linha 05, glosa 2 Despesas de aluguéis de prédios de pessoas jurídicas falta de comprovação Que foi trazido aos autos cópia do comprovante de pagamento da locação com a empresa Água Branca Armazéns Gerais Ltda, no valor de R$ 396391,20 e Granosul Agroindustrial Ltda, no valor de R$ 117.656,00. Contudo, como ocorreu durante outros itens do voto do acórdão recorrido, foi desconsiderada a documentação bancária comprovando o pagamento, que é contemporânea aos contratos e no valor deles. A recorrente informa que não conseguiu localizar cópia dos documentos faltantes referentes às empresas S.A.Moinho da Bahia e Moinho Jauense Ind e Com de Alimentos Ltda. Mas quanto à empresa Moinho Jauense Ind e Com de Alimentos. Ltda, reitera que o contrato de mútuo representou o pagamento da locação, ainda que não seja o meio usual. Contabilmente, representa um direito e uma obrigação, gerando efeitos tributários em favor do Fisco; k) Quanto à linha 16, glosa 1 Bens adquiridos de pessoas físicas agroindústria complemento de valor O recorrente reproduziu os mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade; Fl. 3219DF CARF MF Processo nº 13971.000029/200498 Acórdão n.º 3302007.398 S3C3T2 Fl. 161 19 l) Quanto à linha 16, glosa 2 Bens adquiridos de pessoas físicas agroindústria falta de informação de remessas O recorrente reproduziu os mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. m) Quanto à linha 16, glosa 3 Bens adquiridos de pessoas físicas agroindústria estorno de insumos adquiridos de pessoas físicas aplicados na industrialização de produtos não constantes do art. 3º, § 10, da Lei nº 10.637/2002 O recorrente reproduz os mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade; n) Quanto à linha 16, glosa 4 Bens adquiridos de pessoas físicas agroindústria Que não houve referência a esta glosa na decisão recorrida. Ainda assim, cabe destacar que a ora Recorrente trouxe à colação cópia de documentos não apresentados/localizados durante a fiscalização, igualmente desconsiderados pelo acórdão recorrido, conforme relação constante do Demonstrativo 164 (fls 449); o) Quanto à linha 17, glosa 1 Serviços prestados por pessoas físicas agroindústria falta de comprovação Que a recorrente apresentou com a manifestação de inconformidade cópia do CTRC 454734, referente a NF 135. As NF`s 18997 e 18996 NF's não foram localizadas. Mais uma vez a DRJ se furtou da análise dos docs apresentados; p) Quanto à linha 17, glosa 2 Serviços prestados por pessoas físicas agroindústria fretes correspondentes a grãos exportados Que não procede a presunção levada a efeito pelos Srs. AFRFBs e referendada pela decisão recorrida, posto que inexistiu a efetiva demonstração de quais fretes de mercadorias posteriormente exportadas deveriam ser estornados. Os próprios AFRFBs afirmam que “considerando que a aquisição de insumos pressupõe a ocorrência de operação de frete entre o estabelecimento produtor e o estabelecimento adquirente (da contribuinte) e que o custo de tal serviço pode ser arcado pela contribuinte, esta Saort entende que devam ser estornados também os créditos correspondentes aos fretes relativos às aquisições objeto do demonstrativo EST_Ag. (...) A glosa foi efetuada apenas sobre os fretes de soja (...), em razão de que os estornos contidos no EST_Ag relativos à soja, representam, no trimestre em análise, 80% do total de estornos". É presunção pura, sem sequer um caso real que seja confirmador desta presunção geral e irrestrita. Portanto, não procede a glosa; q) Quanto à linha 20, glosa 1 Crédito presumido relativo a estoque de abertura ICMS O recorrente reproduziu os mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade; Termina a peça recursal, requerendo a reforma do acórdão recorrido, tanto em preliminar de sua nulidade, como nas razões de mérito. É o breve relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise. Fl. 3220DF CARF MF Processo nº 13971.000029/200498 Acórdão n.º 3302007.398 S3C3T2 Fl. 162 20 Preliminar. Nulidade. Análise de documentos acostados no momento de interposição da manifestação de inconformidade O recorrente alega que a decisão vergastada é nula pois se negou a aceitar os documentos apresentados na manifestação de inconformidade e proferiu seu mérito com base apenas nos documentos acostados na fase de fiscalização. Pelo voto condutor do acórdão recorrido, a Turma julgadora não aceitou nenhum documento apresentado pelo recorrente quando da interposição da manifestação de inconformidade, por entender que qualquer documento apresentado após a fase inquisitória só poderia ser aceito para fins de crédito, se não restarem dúvidas ou obscuridade sobre o direito aos respectivos créditos. Segue trecho do voto condutor que ratifica essa afirmação: Isso posto, entendo que, em sede de manifestação de inconformidade, não cabe que se homologue créditos com base em documentos que, além de não terem sido oferecidos à fiscalização à época própria, se apresentam precários como elementos de prova frente à observação dos fatos e circunstâncias que os envolvem. Da mesma forma, há que trazer os mesmos contraargumentos lá tratados, ...firmando novamente o entendimento pelo qual, independentemente dos arquivos digitais (COMPL) ora trazidos a titulo de comprovação das remessas pretéritas e as respectivas complementações de valor, não cabe, em sede contencioso administrativo, analisar simples arquivos de dados fora do contexto histórico, contábil e fiscal da empresa. Respeito a opinião da instância a quo, contudo, não comungo com a mesma. Nos termos da legislação processual administrativa, é permitido às partes apresentar prova documental na data da apresentação da impugnação, nos casos de lançamento tributário, ou na data de interposição de manifestação de inconformidade, nos processos de restituição/ressarcimento ou compensação. Essa é a regra extraída do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 3221DF CARF MF Processo nº 13971.000029/200498 Acórdão n.º 3302007.398 S3C3T2 Fl. 163 21 § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997). Da leitura do referido cânone legal, pareceme que a única conclusão cabível é que no prazo de trinta dias devem ser apresentadas as razões e argumentos a serem analisados pela instância julgadora, além das provas documentais que a defesa possuir, sob pena de preclusão temporal. Foi exatamente o que ocorreu, quando da propositura da manifestação de inconformidade o recorrente apresentou diversos documentos que poderiam lastrear algumas das suas alegações. Contudo, a instância a quo entendeu que não deveria analisálo. Portanto, na minha visão, a instância a quo não poderia se furtar de analisar os documentos apresentados no momento previsto pela legislação processual tributária, sob pena de nulidade por cerceamento ao direito de defesa. Esse é um caso típico de um error in procedendo, na medida em que o julgador desatende comando legal regulador de sua atuação à frente do processo. Esse defeito do pronunciamento do julgador traz em si um ultraje à sadia regra de correlação entre a demanda e sentença, que vincula os fundamentos da decisão e seu dispositivo à causa de pedir e aos pedidos formulados pela parte, respectivamente. A jurisprudência do CARF é uníssona no sentido de anular a decisão citra petita para afastar o cerceamento do direito de defesa. Fl. 3222DF CARF MF Processo nº 13971.000029/200498 Acórdão n.º 3302007.398 S3C3T2 Fl. 164 22 Por todos os fundamentos expostos, VOTO no sentido dar provimento parcial ao recurso voluntário para anular a decisão a quo e determinar um novo julgamento com a análise dos documentos acostados aos autos quando da interposição da manifestação de inconformidade. É como voto. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 3223DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.903625/2009-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1401-003.509
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a arguição de nulidade da decisão recorrida e no mérito dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório, homologando as compensações realizadas até o limite do valor reconhecido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10875.903624/2009-91, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente). Ausente a conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, substituída pela conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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PAGAMENTO A MAIOR. PROVA. Tendo o contribuinte logrado comprovar, com documentos hábeis e idôneos, o correto valor da estimativa devida, configura indébito o montante pago a maior. DCTF. FALTA DE RETIFICAÇÃO. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. A falta de retificação da DCTF, por impedimento normativo, não obsta o reconhecimento do direito creditório do contribuinte, desde que o erro de fato tenha sido comprovado por documentação hábil e idônea. Impende, no entanto, a retificação de ofício da declaração, nos termos do Parecer Normativo Cosit 08/2014. INDÉBITO. ESTIMATIVA. SÚMULA CARF Nº 84. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a arguição de nulidade da decisão recorrida e no mérito dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório, homologando as compensações realizadas até o limite do valor reconhecido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10875.903624/2009-91, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Mauritânia Elvira de Sousa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 36 25 /2 00 9- 36 Fl. 125DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-003.509 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.903625/2009-36 Mendonça (suplente convocada), Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente). Ausente a conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, substituída pela conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Relatório Cuida o presente feito de Pedido de Ressarcimento/Restituição apresentado pelo contribuinte por meio do qual formalizou crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ. O crédito atualizado foi utilizado para compensar débitos próprios. O crédito teria origem no pagamento a maior que teria sido efetuado pelo contribuinte por meio de DARF. O crédito foi inteiramente indeferido e as compensações não homologadas pela autoridade administrativa por meio de Despacho Decisório. O motivo do indeferimento foi a utilização integral do DARF para o pagamento do débito declarado em DCTF. Em outras palavras, o contribuinte declarou em DCTF um débito de estimativa de IRPJ em montante equivalente ao efetivamente recolhido por meio de DARF.. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, por meio do qual reafirmou seu entendimento de que o crédito pleiteado era correto, estava comprovado pelas declarações apresentadas e deveria ser reconhecido. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O principal argumento foi a ausência de elementos probatórios que dessem suporte À tese da defesa de erro material no declaração. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário. Neste, o contribuinte apresentou uma preliminar de nulidade da decisão de piso por cerceamento do direito de defesa e ausência de motivação. Quanto ao mérito, reiterou as alegações que já haviam sido esgrimidas na manifestação de inconformidade. Em apertada síntese, era o que havia a relatar. Fl. 126DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-003.509 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.903625/2009-36 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 1401-003.508, de 12 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10875.903624/2009-91, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401-003.508): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos legais. Dele, tomo conhecimento. Preliminar de nulidade da decisão de primeira instância administrativa. Conforme relatado, a DRJ fundou sua decisão na constatação de que o contribuinte não teria juntado aos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou comprovar inclusão indevida de valores na base de cálculo, erro material na apuração do imposto e reduções de valores da base de cálculo de débito confessado em DCTF. Entretanto, compulsando os autos, verifico que o contribuinte apresentou não apenas a DIPJ, mas cópia do Livro Razão onde está transcrito o balanço patrimonial e a demonstração de resultado e as páginas do LALUR do respectivo período. A autoridade julgadora não fez qualquer consideração acerca destes elementos probatórios. O artigo 230 do Regulamento do Imposto de Renda vigente na época dos fatos (Decreto nº 3.000/99) previa que Art.230.A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). §1ºOs balanços ou balancetes de que trata este artigo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, §1º): I-deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no Livro Diário; II-somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto devido no decorrer do ano-calendário. §2ºEstão dispensadas do pagamento mensal as pessoas jurídicas que, através de balanços ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais Fl. 127DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-003.509 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.903625/2009-36 apurados a partir do mês de janeiro do ano-calendário (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, §2º, e Lei nº 9.065, de 1995, art. 1º). §3ºO pagamento mensal, relativo ao mês de janeiro do ano-calendário, poderá ser efetuado com base em balanço ou balancete mensal, desde que fique demonstrado que o imposto devido no período é inferior ao calculado com base nas disposições das Subseções II a IV (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, §3º, e Lei nº 9.065, de 1995, art. 1º). §4ºO Poder Executivo poderá baixar instruções para aplicação do disposto neste artigo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, §4º, e Lei nº 9.065, de 1995, art. 1º). Vê-se que, por força de lei, as reduções das estimativas deviam estar lastreadas em balanços/balancetes de redução. Foi justamente o que o contribuinte apresentou na manifestação de inconformidade. Portanto, a autoridade julgadora de primeira instância deveria ter se pronunciado sobre os elementos probatórios juntados aos autos. Ao asseverar que o contribuinte não havia juntado registros contábeis e fiscais, a instância de piso infringiu o direito de defesa do contribuinte, consubstanciado no direito de ter suas alegações e os respectivos elementos de prova apreciados pela autoridade julgadora. Tal fato amolda-se à hipótese de nulidade da decisão, conforme dicção do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, verbis: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (grifei) Entretanto, conforme será visto à frente, no mérito, é de se dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Assim, na espécie, aplica-se o disposto no parágrafo 3º do dispositivo acima citado para superar a nulidade em favor da celeridade processual e da eficácia da tutela administrativa. Voto, portanto, pelo afastamento da preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. Mérito. No que diz respeito ao mérito, três questões se impõem: (i) se o contribuinte logrou comprovar o valor correto da estimativa devida, de forma a caracterizar o pagamento a maior; (ii) se haveria a necessidade de retificação da DCTF para que se Fl. 128DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-003.509 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.903625/2009-36 possa deferir o crédito pleiteado; e (iii) se o indébito deve ser caracterizado como pagamento a maior de estimativa ou como saldo negativo de IRPJ ao final do ano. Quanto à questão probatória, tenho que o contribuinte trouxe aos autos elementos suficientemente robustos. Vejamos. De acordo com a legislação anteriormente citada, para que o contribuinte pudesse reduzir a estimativa de IRPJ do mês em questão, deveria levantar balanço/balancete de suspensão, com todos os requisitos do lucro real. Neste sentido, o contribuinte juntou à manifestação de inconformidade o balanço, bem como, a demonstração de resultado e a escrituração fiscal (LALUR). A escrita contábil e fiscal demonstra a apuração da estimativa devida, em linha com o declarado na DIPJ. O conjunto probatório é hábil e harmônico, comprovando além de qualquer dúvida razoável que o valor de estimativa de IRPJ devido era o alegado pelo contribuinte. Neste contexto, o pagamento efetivamente realizado revela-se maior do que o devido. Quanto à necessidade de retificação da DCTF para que o crédito objeto do Pedido de Ressarcimento/Restituição possa ser reconhecido, apoio o presente voto nas conclusões do Parecer Normativo Cosit nº 02, de 28/08/2015, verbis: [...] e) a não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazê-la em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios; [...] A restrição à apresentação de DCTF retificadora encontra-se no artigo 9º, § 5º da IN RFB nº 1.110/2010, que determina que o direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extingue-se em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. Assim, nesta fase recursal, descabe exigir que o contribuinte tenha retificado a DCTF, uma vez que ele logrou comprovar pelos meios acima mencionados o erro de fato no preenchimento da DCTF e o crédito pleiteado. Neste sentido mencionamos os precedentes abaixo, reproduzidos na parte que interessa: FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. (Acórdão CARF nº 3302-006.768, de 28/03/2019) FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde Fl. 129DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-003.509 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.903625/2009-36 que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. (Acórdão CARF nº 3301-005.670, de 31/01/2019) FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA. A falta de retificação da DCTF não impede a aplicação do Princípio da Verdade Material, tornando oportuna a averiguação da existência do crédito através de diligência. (Acórdão CARF nº 3402-005.964, de 28/11/2018) REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. APRESENTAÇÃO DE PER/DCOMP. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, faz-se necessário a retificação da DCTF, de ofício ou pelo contribuinte. (Acórdão CARF nº 3003-000.176, de 20/03/2019) Como se pode observar nesta última decisão, uma vez que ao contribuinte é vedada a possibilidade de retificar a DCTF em questão para que o débito seja ajustado ao valor correto, em respeito à verdade material, é mister que a retificação seja promovida de ofício. A possibilidade de retificação de ofício da DCTF é expressa no Parecer COSIT nº 08, de 03/09/2014, verbis: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. REVISÃO E RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO – DE LANÇAMENTO E DE DÉBITO CONFESSADO, RESPECTIVAMENTE – EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. CABIMENTO. ESPECIFICIDADES. [...] A retificação de ofício de débito confessado em declaração, para reduzir o saldo a pagar a ser encaminhado à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional – PGFN para inscrição na Dívida Ativa, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Neste contexto, portanto, a falta de retificação da DCTF, por impedimento normativo, não obsta o reconhecimento do direito creditório do contribuinte, uma vez que foi comprovado por documentação hábil e idônea. Quanto à caracterização do indébito como pagamento a maior de estimativa ou saldo negativo de IRPJ, aplico a Sumula CARF nº 84, que é vinculante nos termos da Portaria ME nº 129 de 01/04/2019: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Todos os elementos de prova juntados aos autos demonstram, de forma harmônica, que o contribuinte apurou a estimativa de IRPJ devida no mês em questão no montante alegado. Este foi o valor declarado em DIPJ e apurado conforme a escrita contábil e fiscal, à luz da norma de regência. Ademais, tal valor não compôs o saldo negativo declarado em DIPJ. Fl. 130DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-003.509 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.903625/2009-36 Assim, chego à convicção de que o pagamento efetivamente realizado mostrou- se a maior do que o devido e que o débito declarado em DCTF, no mesmo valor, configurou erro de fato. Desta forma, não vejo óbice, diante da súmula mencionada, em reconhecer o valor pago a mais como indébito na data do recolhimento. Conclusão. Voto por afastar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito, reconhecer o crédito pleiteado, na forma de pagamento indevido ou a maior, nos termos da fundamentação apresentada, homologando-se as compensações declaradas nas forças do crédito reconhecido. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por afastar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito, reconhecer o crédito pleiteado, na forma de pagamento indevido ou a maior, nos termos da fundamentação apresentada, homologando-se as compensações declaradas nas forças do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Relator Fl. 131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.973129/2012-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Ano-calendário: 2008
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA.
Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a origem do pagamento indevido e a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme a legislação correlata, conforme Art. 16 e 17 do Decreto 70.235/72, Art. 170 do CTN e conforme inúmeros precedentes deste Conselho, o ônus da prova é do contribuinte ao solicitar o reconhecimento de créditos.
Numero da decisão: 3201-005.497
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Hélcio Lafetá Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a origem do pagamento indevido e a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme a legislação correlata, conforme Art. 16 e 17 do Decreto 70.235/72, Art. 170 do CTN e conforme inúmeros precedentes deste Conselho, o ônus da prova é do contribuinte ao solicitar o reconhecimento de créditos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Hélcio Lafetá Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 31 29 /2 01 2- 76 Fl. 89DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-005.497 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.973129/2012-76 Relatório Tratam os autos de PER/DCOMP não homologada por inexistência de crédito constatada pela unidade de origem, consoante Despacho Decisório carreado aos autos. Irresignada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que segue: - que não obstante a Intimação do DD ter sido emitida em total contradição com a legislação tributária, há de se observar o direito de a requerente ter o prosseguimento do seu recurso, assegurado pela Lei nº 9430/96; - que a alegação de que não restou crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o DD; - que a autoridade administrativa quedou-se inerte na análise de qualquer situação que legitima o crédito postulado; - que o processo administrativo no âmbito federal tem regulamentação própria e deve ser observada pela autoridade julgadora; - que a Lei 9784, de 1999, no art. 2, inciso VIII, dispõe, entre outros, sobre os princípios da Legalidade, Motivação e Observância das formalidades; - que se torna evidente que a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, porque o crédito propriamente dito nem sequer foi apreciado; - que a única conclusão que resta é a de que se trata do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido e o crédito declarado em DCTF; - que diversas situações que acarretariam na restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo, hipóteses que são regulamentadas pela IN 900/2008; - que a autoridade administrativa furtou-se em analisar qualquer das possibilidades que ensejaria a restituição postulada; - que o despacho é totalmente nulo por ausência de motivação; - que simplesmente não homologar a compensação sem explicar os motivos da suposta indisponibilidade do crédito, torna a decisão totalmente nula, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência deste crédito; - que houve cerceamento de direito de defesa, porque a autoridade nem sequer intimou a empresa a prestar os esclarecimentos necessários; - em observância ao princípio constitucional da eficiência, a administração está obrigada a intimar o interessado a fazer os esclarecimentos necessários e comprovar o alegado, sempre que lhe restar dúvidas; - que a requerente, ao calcular a Cofins, utilizou-se de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, incluiu não só a receita decorrente de seu Fl. 90DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-005.497 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.973129/2012-76 faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compô-la; - que se utilizou de algumas teses tributárias já julgadas pelo STF de forma favorável aos contribuintes; - que o pedido formulado tem como base a declaração de inconstitucionalidade, em total consonância com o disposto na Lei 9430, de 1996; - que a requerente postulou o reconhecimento do crédito somente pela via administrativa, já que a inconstitucionalidade desta ampliação já foi declarada e cuja ação já transitou em julgado; - que é legítima a pretensão da recorrente em ver-se restituída do que foi pago sobre base de cálculo indevidamente ampliada; - que ficou impossibilitada a oportuna apresentação de prova do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe o motivo do indeferimento, tampouco a impugnante; - há de ser aplicada a regra autorizadora da produção posterior de provas, para o momento em que a lide esteja delineada em seus termos. Ao final, pede-se que seja determinada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, que seja acatada a preliminar de nulidade, que sejam promovidas as diligências necessárias à comprovação do crédito, que este seja reconhecido e que a compensação seja homologada.” O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do acórdão nº 02-059.238, face a inexistência de crédito líquido e certo. A contribuinte apresentou então seu recurso voluntário, onde essencialmente reforçou os argumentos da Manifestação de Inconformidade e contestou a necessidade de retificação da DCTF de modo prévio à fiscalização. Relatado o caso. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3201- 005.493, de 23 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.971/2012-07, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201-005.493): “Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresenta-se esta Resolução. Fl. 91DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-005.497 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.973129/2012-76 Por conter matéria preventa desta 3.º Seção de julgamento deste Conselho e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. O contribuinte pleiteou o reconhecimento de créditos mas sequer apontou a origem de seus créditos ou comprovou o pagamento indevido ou a origem do crédito. A decisão de primeira instância tratou de forma específica a respeito da não comprovação da origem, certeza e liquidez do crédito, conforme trechos selecionados e reproduzidos a seguir: “Se o Darf indicado como origem do crédito utilizado no PER/DCOMP foi anteriormente vinculado em DCTF pelo próprio sujeito passivo a um débito nela declarado, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. A DCTF tem a natureza jurídica de confissão de dívida e é instrumento hábil e suficiente para a exigência do débito nela confessado. A declaração presume-se verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 219 e CPC, art. 368). A declaração válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Assim, para contestar o fundamento do despacho decisório, cabe ao recorrente demonstrar erro ou a falsidade de sua declaração. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. O contribuinte não trouxe aos autos nenhum documento contábil ou fiscal que demonstrasse suas afirmações genéricas. Ele alega que há situações que podem dar ensejo à restituição, como a inclusão indevida de valores na base de cálculo, erro material na apuração do imposto e reduções de valores da base de cálculo que são autorizadas. Contudo, não prova nenhuma situação concreta que o favoreça e que não tenha sido considerada na apuração do débito confessado em DCTF. Alega, ainda, que se utilizou de algumas teses tributárias já julgadas pelo STF de forma favorável aos contribuintes, mas não relata quais são essas ações judiciais e se faz parte delas. A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo, apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, também não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. Quanto à DCTF e ao Dacon retificadores, pesa contra o manifestante o fato de as retificações terem ocorrido após a ciência do despacho decisório ora contestado. Nesse ponto, vale ressaltar que a declaração e o demonstrativo retificadores apresentados após a ciência do despacho decisório não têm nenhuma força de convencimento e não constituem prova do pagamento indevido ou a maior, uma vez que só foram elaborados em razão da não homologação da compensação pretendida. É bom lembrar ainda que a retificação desses documentos não produzirá efeitos quando tiver como objetivo reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (art. 9º, § 2o, I, c, da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24/12/2010, no caso de DCTF; e art. 10, § 2o, I, c, da IN RFB nº 1.015, de 05/03/2010, no caso de Dacon). Assim sendo, diante da falta de prova efetiva da ocorrência do pagamento indevido ou a maior, não é possível acatar as retificações feitas após a ciência do despacho decisório, lembrando que é condição indispensável para a Fl. 92DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-005.497 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.973129/2012-76 homologação da compensação pretendida que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública seja líquido e certo (art. 170 do Código Tributário Nacional - CTN). Essa condição, no presente caso, não se verifica.” Verifica-se que a razão de decidir principal, que fundamentou a decisão de primeira instância, é a falta de certeza e liquidez do crédito tributário e não a questão da retificação da DCTF. Com relação à questão principal, não houve contestação. Conforme a legislação correlata, conforme Art. 170 do CTN e conforme inúmeros precedentes deste Conselho, o ônus da prova é do contribuinte ao solicitar o reconhecimento de créditos. A simples alegação de que possui o crédito, não é o mesmo que quantificar linha por linha e valor por valor o seu crédito, de forma que fique líquido e certo, conforme determinado no próprio Art. 170 do CTN. Portanto, a partir deste momento verifica-se que o contribuinte não cumpriu com os ditames estabelecidos nos Art. 16 e 17 do Decreto 70.235/72, que regula o PAF, em especial com o determinado no §4.º (em negrito): "Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V - se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá-las. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provar-lhe-á o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 93DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-005.497 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.973129/2012-76 b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito)." Diante de todo o exposto, sobre os mesmo fundamentos utilizados na decisão de primeira instância, vota-se para que seja NEGADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza. Fl. 94DF CARF MF
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