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Numero do processo: 10850.907777/2011-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/05/1999
PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF
A base de cálculo da contribuição para a PIS é o faturamento, assim compreendido como a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006.
RESTITUIÇÃO. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA DE DECISÕES JUDICIAIS. POSSIBILIDADE
Nos termos do art. 62 do RICARF, deve ser estendido aos casos concretos a interpretação vertida no RE nº 357.950/RS, por força do que restou decidido no RE nº 585.235/MG.
PER. DIREITO CREDITÓRIO INCONTROVERSO.
É de se reconhecer o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte, limitado ao valor ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à solicitação de diligência.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-003.993
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF A base de cálculo da contribuição para a PIS é o faturamento, assim compreendido como a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. RESTITUIÇÃO. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA DE DECISÕES JUDICIAIS. POSSIBILIDADE Nos termos do art. 62 do RICARF, deve ser estendido aos casos concretos a interpretação vertida no RE nº 357.950/RS, por força do que restou decidido no RE nº 585.235/MG. PER. DIREITO CREDITÓRIO INCONTROVERSO. É de se reconhecer o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte, limitado ao valor ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à solicitação de diligência. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 77 77 /2 01 1- 19 Fl. 169DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, prolatada pela DRJ em Ribeirão Preto (SP) no Acórdão nº 1443.825, de 20/08/2013, que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de Pedido de Restituição de créditos de PIS, referentes a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração Maio de 1999, no valor de R$ 33,30. O Pedido de Restituição, de autoria do contribuinte Green Veículos Comércio e Importação Ltda, CNPJ nº 68.947.738/000102, foi transmitido em 15/04/2004, através do PER nº 00320.78872.150404.1.2.046191, fls. 2/4. Em 30/07/2005, o contribuinte foi incorporado pela empresa Pará Automóveis Ltda., CNPJ nº 74.386.137/000162. O despacho decisório de fls. 5, indeferiu o pedido, pois o pagamento indicado no PER teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O despacho foi encaminhado para ciência da empresa incorporadora, o que ocorreu em 21/12/2011, conforme comprovante constante à fl. 6. Irresignado, o recorrente apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de fls. 7/15, para alegar que: I. O Despacho Decisório não teria examinado o motivo real dos recolhimentos a maior, por não ter aventado a possibilidade de que tais pagamentos seriam devido à ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins de que trata a Lei nº 9.718/98; dessa forma, deveria ser reformado, em desrespeito ao artigo 65 da IN RFB nº 900/2008, e ao artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN; II. O pagamento indevido, objeto da restituição, seria devido à inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins; a discussão de tal matéria estaria superada pelo STF, Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10850.907777/201119 Acórdão n.º 3403003.993 S3C4T3 Fl. 170 3 pois já teria sido aplicada a repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008; III. Outra prova da pacificação de tal entendimento seria a edição da Lei nº 11.941/2009, que teria revogado o parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98; IV. O entendimento do STF deveria ser aplicado às decisões administrativas, conforme os seguintes dispositivos: inciso I do parágrafo 6º, do artigo 26A, do Decreto nº 72.235/72 – PAF; inciso I, do artigo 59, do Decreto n° 7.574/2011; inciso I, parágrafo 1º, do artigo 62 e caput do artigo 62A., ambos do RICARF; Concluiu argumentando que na base de cálculo do PIS e da Cofins deveriam ser incluídos os valores correspondentes apenas às receitas de vendas de mercadorias e serviços. Solicitou comprovar as alegações através da realização de diligência, perícia e juntada de documentos. Requereu ainda a reunião dos processos constantes à fl. 8, já que teriam as mesmas partes e tratariam de matéria idêntica.. Apensou planilha e balancete contendo as receitas financeiras da empresa incorporada, Green Veículos (fls. 44/45). A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/05/1999 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/1999 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fl. 171DF CARF MF 4 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 19/09/2013, a Recorrente foi intimada da decisão (fl. 73). Inconformada, em 12/10/2013, se socorre a este Conselho, reproduzindo em seu Recurso Voluntário (fls. 75/94), na essência, as mesmas razões apresentadas por ocasião da impugnação e juntando mais documentação comprobatória. O processo digitalizado, então, foi encaminhado para ser analisado por este CARF na forma regimental. Em 27/03/2014, os membros da extinta 1ª Turma Especial/3ª Sejul, reconhecem o bom direito da Recorrente (declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins), no entanto resolvem converter o julgamento em DILIGÊNCIA, para fins de apuração da correta composição das bases cálculo, conforme Resolução nº 3801000.695, nos seguintes termos (fls. 139/145): "(...) Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar a correta composição da base de cálculo da contribuição para o PIS e eventuais pagamentos a maior. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem: a) apure a composição da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, relativo aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; b) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento". Os autos, então, foram encaminhados à DRF em São José do Rio Preto (SP), para cumprimento da referida Resolução. Visando o atendimento da diligência solicitada, a fiscalização, após a conclusão dos trabalhos, prolatou a Informação Fiscal de fls. 159/161. Concluído os trabalhos, a Recorrente foi intimado para ciência de Resolução CARF neste processo, bem como da Informação Fiscal dela decorrente elaborada pelo Fisco (fls. 165/166). Decorrido o prazo constante na intimação, não houve manifestação. Assim, após serem cumpridos todos os dispositivos da Resolução nº 3801 000.695, o processo retornou a este CARF e foi sorteado para este Conselheiro para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10850.907777/201119 Acórdão n.º 3403003.993 S3C4T3 Fl. 171 5 Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, relator. Como já analisado na Resolução o recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomase conhecimento. Ressalto que no presente processo deve ser alterada a identificação da Recorrente, passando a constar os dados da pessoa jurídica descrita no cabeçalho deste acórdão, sucessora por incorporação daquela que apresentou o PER. 1. Do direito A questão posta em discussão cingese ao direito ao crédito de PIS pago com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Conforme muito bem asseverado pela Resolução nº 3801000.695, a Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, definindoo no §1º do art. 3º como "receita bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390.840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à Cofins, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. No mais, o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJ nº 227 do dia 28/11/2008, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, há de se observar o artigo 62, II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral. Além do mais, em consonância com o entendimento da Excelsa Corte, a Lei º 11.941/09 revogou expressamente o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Desta forma, é incontroverso o bom direito da recorrente em relação aos recolhimentos à título de PIS nos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, tendo em vista que esse litígio administrativo tem como objeto principal a restituição de contribuição paga a maior com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo STF (alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS). 2. Da comprovação dos créditos Em que pese o direito da Recorrente, do exame dos elementos comprobatórios, foi constatado pela decisão a quo, que no caso vertente, os documentos Fl. 173DF CARF MF 6 apresentados são insuficientes para se apurar a correta composição da base de cálculo da contribuição da PIS e eventuais pagamentos a maior. No entanto, por força da Resolução nº 3801000.695, este processo foi convertido em diligência, para que a Delegacia de origem "(...) apure a composição da base de cálculo da Contribuição para o PIS, com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, relativo aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98". O Fisco cumprindo as determinações deste CARF, realizou as diligências necessárias, intimando a Recorrente a apresentar informações e documentos fiscais/contábeis, bem como ao final, elaborou a Informação Fiscal de fls. 159/161 e procedeu ciência do resultado a interessada, oferecendolhe prazo para sua manifestação, o que não ocorreu. Ao final dos trabalhos, desta forma concluiu a fiscalização: "(...) Conforme demonstrado na planilha acima, o valor apurado à titulo de PIS para a competência maio de 1999 foi R$ 4.122,83, enquanto que o valor recolhido, considerando os dois pagamentos supracitados, foi de R$ 4.155,80, pelo que, apuramos um recolhimento a maior de R$ 32,97. Desta forma, proponho que do valor pleiteado de R$33,30 seja reconhecido o valor parcial de R$ 32,97 do direito creditório pleiteado no PER nº 00320.78872.150404.1.2.04 6191, transmitido em 15/04/2004 (fls. 02/04)". Após a conclusão da diligência, a Recorrente foi devidamente intimada do resultado, no entanto não protocolou sua manifestação. Portanto, quando intimado (fls. 148), a Recorrente apresentou os respectivos Livros Diário e Razão do mês de maio de 1999, que conforme Balancete e Contas do Razão (fls. 150/158), apurouse o valor da base de cálculo e da contribuição do PIS para o mês de maio de 1999. Do valor pleiteado neste processo (R$ 33,30), concluiuse que seja reconhecido o valor parcial de R$ 32,97, do direito creditório pleiteado no PER nº 00320.78872.150404.1.2.04 6191(fls. 02/04). 3. Conclusão Diante de todo o acima exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário apresentado, para reconhecer o direito ao crédito no valor de R$ 32,97, requeridos nos Pedidos de Restituição (fls. 02/04), nos exatos termos como restou consignado na Informação Fiscal de Diligência prolatada pelo Fisco. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10850.907777/201119 Acórdão n.º 3403003.993 S3C4T3 Fl. 172 7 Fl. 175DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.910483/2012-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO.
O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.660
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente ARMAZÉM CORAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 04 83 /2 01 2- 01 Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10480.910483/201201 Acórdão n.º 3302003.660 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP em que a Contribuinte informa ter efetuado recolhimento a maior que o devido. A DRF/Recife proferiu Despacho Decisório indeferindo o pleito sob o fundamento de que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi localizado, mas encontrase integralmente utilizado para quitação de débitos declarados do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição/compensação. Cientificada da decisão, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que houve mera falha em não retificar a DCTF, mas que devem ser reconhecidas as informações de sua DIPJ retificadora, que atesta a ocorrência de pagamento a maior. Em análise dos argumentos apresentados pela Recorrente, a DRJ/Recife julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 11049.538. O Colegiado a quo entendeu que a Contribuinte não havia comprovado o suposto pagamento a maior. Cientificada da decisão de piso, a Recorrente interpôs recurso voluntário sustentando, em síntese: (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.657, de 22 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10480.910482/201258, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.657): "I Tempestividade Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10480.910483/201201 Acórdão n.º 3302003.660 S3C3T2 Fl. 4 3 A Recorrente foi intimada da decisão de piso 25.06.2013 e protocolou Recurso Voluntário em 01.07.2013, dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Questões de Mérito Conforme exposto anteriormente, a Recorrente alega (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. Com todo respeito aos argumentos explicitados pela Recorrente, não concordo com suas alegações. Isto porque, a alegação de que a existência do crédito poderia ser facilmente comprovado por meio das Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) em nada socorre a Recorrente, posto que além da DIPJ não se constituir em confissão de dívida como é o caso da DCTF, não consta dos autos qualquer documento, a exemplo de livros e documentos fiscais e contábeis, que viesse evidenciar a apuração da contribuinte na sua DIPJ retificadora. Com efeito, a DIPJ contêm dados e informações declarados pelo próprio contribuinte que devem ser lastreados com a correspondente documentação fiscal que comprove os lançamentos contábeis, do contrário, o direito ao crédito não deve ser reconhecido. Ora, a simples apresentação de cópias das referidas declarações são insuficientes para comprovar a origem do pretenso crédito almejado pela Recorrente, inviabilizando a confirmação dos valores registrados nas declarações. Não bastasse isso, os argumentos apresentados pela Recorrente não fazem prova de crédito algum, sequer demonstram qual a composição e/ou origem do crédito que ela alegar possuir. Mais uma vez, repitase, que é necessário que sejam colacionados aos autos excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea que dê suporte a tais lançamentos. Logo, dúvida não há quanto a inexistência do direito creditório perseguido pela Recorrente. Diante deste cenário, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." No que diz respeito à tempestividade, o recurso apresentado neste processo também é tempestivo (ciência em 24/04/2015, apresentação do RV em 21/05/2015). E, da mesma forma que no processo paradigma, a Contribuinte também não juntou nestes autos "excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea" capaz de comprovar a legalidade e materialidade do direito creditório alegado. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10480.910483/201201 Acórdão n.º 3302003.660 S3C3T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 226DF CARF MF
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Numero do processo: 10111.000333/2006-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 21/03/2006
OMISSÃO. EMBARGO. CABIMENTO.
Verificado vício de omissão nas decisões exaradas em segunda instância administrativa, cabíveis embargos de declaração, nos moldes do art. 65 do RICARF/2015.
MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. MATÉRIA NÃO DEDUZIDA EM IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. VERIFICAÇÃO.
Constatada a ausência de questionamento em impugnação, in casu, a modificação de critério jurídico do lançamento, considera-se incontroversa a matéria, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, não sendo admissível a renovação da altercação em sede recurso voluntário, por verificação da preclusão consumativa.
PRÁTICAS REITERADAS. INEXISTÊNCIA. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS. DESCABIMENTO.
Não consubstanciam práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas a adoção de entendimentos exarados por atos administrativos baixados pela RFB, quando obedecida a sua vigência e a aplicação contemporânea aos casos concretos submetidos, não havendo razão para exoneração de multa e juros, com base no art. 100 do Código Tributário Nacional.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3401-003.506
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, reconhecendo-se as omissões, que foram supridas pelo colegiado, sendo rejeitada a demanda pela aplicação, ao caso, do artigo 100 do Código Tributário Nacional (CTN), e não conhecida a alegação de aplicação do artigo 146 da mesma codificação, por preclusão. Os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos votaram pelas conclusões, porque analisavam a alegação referente ao artigo 146 do CTN, e a rejeitavam, no mérito.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 21/03/2006 OMISSÃO. EMBARGO. CABIMENTO. Verificado vício de omissão nas decisões exaradas em segunda instância administrativa, cabíveis embargos de declaração, nos moldes do art. 65 do RICARF/2015. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. MATÉRIA NÃO DEDUZIDA EM IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. VERIFICAÇÃO. Constatada a ausência de questionamento em impugnação, in casu, a modificação de critério jurídico do lançamento, considera-se incontroversa a matéria, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, não sendo admissível a renovação da altercação em sede recurso voluntário, por verificação da preclusão consumativa. PRÁTICAS REITERADAS. INEXISTÊNCIA. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS. DESCABIMENTO. Não consubstanciam práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas a adoção de entendimentos exarados por atos administrativos baixados pela RFB, quando obedecida a sua vigência e a aplicação contemporânea aos casos concretos submetidos, não havendo razão para exoneração de multa e juros, com base no art. 100 do Código Tributário Nacional. Embargos rejeitados.
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EMBARGO. CABIMENTO. Verificado vício de omissão nas decisões exaradas em segunda instância administrativa, cabíveis embargos de declaração, nos moldes do art. 65 do RICARF/2015. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. MATÉRIA NÃO DEDUZIDA EM IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. VERIFICAÇÃO. Constatada a ausência de questionamento em impugnação, in casu, a modificação de critério jurídico do lançamento, considerase incontroversa a matéria, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, não sendo admissível a renovação da altercação em sede recurso voluntário, por verificação da preclusão consumativa. PRÁTICAS REITERADAS. INEXISTÊNCIA. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS. DESCABIMENTO. Não consubstanciam práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas a adoção de entendimentos exarados por atos administrativos baixados pela RFB, quando obedecida a sua vigência e a aplicação contemporânea aos casos concretos submetidos, não havendo razão para exoneração de multa e juros, com base no art. 100 do Código Tributário Nacional. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, reconhecendose as omissões, que foram supridas pelo colegiado, sendo rejeitada a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 00 03 33 /2 00 6- 39Fl. 643DF CARF MF 2 demanda pela aplicação, ao caso, do artigo 100 do Código Tributário Nacional (CTN), e não conhecida a alegação de aplicação do artigo 146 da mesma codificação, por preclusão. Os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos votaram pelas conclusões, porque analisavam a alegação referente ao artigo 146 do CTN, e a rejeitavam, no mérito. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Tratase de auto de infração de classificação fiscal relativo a mercadoria constante da DI 06/03254718, abrangendo multa por erro de classificação e diferenças de tributos. A impugnação argumentou a nulidade do lançamento, por inépcia; discorreu sobre o equipamento importado; defendeu a classificação fiscal adotada, com fulcro em laudo técnico; deduziu razões de ordem econômica para improcedência da autuação; e, aduziu o descabimento das multas e dos juros de mora, com fulcro no art. 100, III, parágrafo único do Código Tributário Nacional. A DRJ Fortaleza/CE manteve o lançamento em decisão assim ementada: “INÉPCIA DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. É válido o lançamento cuja descrição das ocorrências e enquadramento legal permitam a perfeita compreensão dos fatos pelo autuado, conforme demonstra o teor da defesa apresentada. TERMINAL MÓVEL DE COMUNICAÇÃO DO SISTEMA OMNISAT. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O Terminal Móvel de Comunicação do Sistema OmniSAT se enquadra no código 8526.91.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul, pois se trata de uma combinação de máquinas cuja função principal é desempenhada pelo receptor GPS nele inserido, que fornece as informações necessárias para a supervisão do deslocamento do veículo em que ele é instalado. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTO IMPORTADO. MULTA ESPECÍFICA. DIFERENÇAS DE TRIBUTOS. Fl. 644DF CARF MF Processo nº 10111.000333/200639 Acórdão n.º 3401003.506 S3C4T1 Fl. 11 3 O erro na classificação fiscal de mercadoria importada configura infração punível com multa específica, sem prejuízo da cobrança de ofício das diferenças de tributos eventualmente apuradas, com os acréscimos legais. COSTUME ADMINISTRATIVO. PUBLICAÇÃO DE ATO FIXANDO O ENTENDIMENTO DA ADMINISTRAÇÃO. FATOS POSTERIORES. Diante da publicação de ato que fixe entendimento diferente do que vinha sendo aceito pela Administração anteriormente, não há falar em costume administrativo em relação aos fatos posteriores a esse ato.” Em recurso voluntário o contribuinte teceu considerações sobre suas atividades e o equipamento importado; defendeu a inaplicabilidade da classificação adotada para aparelhos de radionavegação; citou precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e soluções de consulta de aparelhos similares; abordou os laudos técnicos apresentados; e, rechaçou a possibilidade de alteração do critério jurídico e também o cabimento das multas e dos juros respectivos. Alicerçada na informação de opção pela via judicial, consubstanciada na Ação Ordinária nº 004787847.2014.4.01.3400, Seção Judiciária do Distrito Federal, Tribunal Regional Federal da 1ª Região, a 1ª Turma Especial, através do Acórdão 3801004.293, de 17/09/2014, declarou a concomitância das discussões e não conheceu do recurso voluntário. Cientificado da decisão, o contribuinte interpôs embargo de declaração alegando omissão do julgado quanto à impossibilidade de modificação de critério jurídico e a inaplicabilidade das multas e juros moratórios, matérias não deduzidas perante o Poder Judiciário. Os embargos foram admitidos pelo presidente do colegiado argüido e, posteriormente, redistribuídos por sorteio, em função de reorganização do órgão, promovida pela Portaria MF 343/2015. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Os embargos de declaração manobrados preenchem os requisitos formais de admissibilidade. Preamburlamente, cabe examinar o objeto da demanda judicial instalada e a sua coincidência com as questões postas no contencioso administrativo, bem assim os efeitos processuais daí decorrentes, para então verificar a existência da ventilada omissão. Consoante petição inicial juntada aos autos, o pedido do recorrente, na esfera judicial, no que tange ao mérito, consistiu na i) declaração de inexistência de relação jurídico tributária que autorizasse a União a exigir a classificação na posição 8526.91.00 da NCM, ii) o reconhecimento do direito de classificar o produto importado na posição 8517.62.71 e, ainda, Fl. 645DF CARF MF 4 iii) a determinação da anulação dos autos de infração que cita, dentre eles, o albergado pelo presente processo. Em 26/06/2015 foi proferida sentença julgando procedente o pedido formulado, estando o dispositivo vazado nos seguintes termos: “Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE O PEDIDO para: a) DECLARAR a inexistência de relação jurídico tributária oriunda da classificação fiscal do MCT como aparelho de radionavegação, atualmente enquadrado na posição 8526.91.00 da NCM; b) DECLARAR o direito da autora de classificar o MCT na posição reservada a aparelhos de comunicação; c) ANULAR os créditos tributários constituídos contra a autora, em razão da não classificação fiscal do MCT como aparelho de radionavegação (posição 8526.91.00), determinandose, ainda, o cancelamento dos autos de infração descritos no itens b.3 e b.4; d) AFASTAR as penalidades aplicadas e, em especial, a multa do IPI; Condeno a União ao pagamento das custas em ressarcimento e honorários advocatícios sucumbenciais, que fixo em R$10.000,00 (dez mil reais), já observado o disposto no art. 20, §4º, do CPC.” (sublinhado) Atualmente o processo judicial aguarda julgamento de apelação pelo TRF 1ª Região. Como se vê, há pedido expresso, devidamente acolhido, ainda que pendente de recurso, para declarar o cancelamento do lançamento abrigado neste processo administrativo. É certo que, em âmbito judicial, o recorrente não expôs a impossibilidade de modificação de critério jurídico, em sede de revisão aduaneira, tampouco o cabimento das multas e juros, com lastro no art. 100 do Código Tributário Nacional, como fundamento de seu pedido; todavia, o pedido formalizado, tanto administrativa como judicialmente, é idêntico, qual seja, a declaração de improcedência da autuação, de modo que, sob esse ângulo, a concomitância é patente. Dessarte, a delimitação da lide é feita pelo pedido apresentado, que sobre ele deverá se manifestar e decidir a autoridade julgadora correspondente, sendo a parte dispositiva dessa decisão aquela que oferecerá a resposta ao pleito, sendo essa a parte sujeita ao trânsito em julgado e, por via de conseqüência, à imutabilidade típica da coisa julgada. Como existe decisão de mérito no processo judicial, a formação da coisa julgada é inexorável, incidindo na espécie a inteligência do art. 508 do Código de Processo Civil, segundo o qual, transitada em julgado a decisão, considerarseão deduzidas e repelidas todas as alegações e as defesas que a parte poderia opor, tanto ao acolhimento quanto à rejeição do pedido. De qualquer modo, entendo que, mesmo omisso o acórdão arguido, no mérito, não merece acolhida o aclaratório manobrado, haja vista que, em relação à impossibilidade de modificação do critério jurídico, verificouse a preclusão consumativa da Fl. 646DF CARF MF Processo nº 10111.000333/200639 Acórdão n.º 3401003.506 S3C4T1 Fl. 12 5 matéria, a teor dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, porquanto não integrante da impugnação protocolada. Respeitante ao descabimento das penalidades e juros moratórios, com lastro no art. 100, III e parágrafo único do CTN, pela pretensa observância das práticas reiteradas adotadas pelas autoridades administrativas, temse que a aceitação da classificação fiscal empregada pelo contribuinte nas declarações de importação que cita, por parte da fiscalização, é anterior à edição do ADI SRF nº 22, de 20/08/2004, que modificou o entendimento oficial acerca da classificação fiscal da mercadoria importada, como anotado pela decisão recorrida, verbis: “Em sede de pedido alternativo, a impugnante solicita a dispensa dos juros e multas, com base no disposto no art. 100, inciso III e parágrafo único, do CTN. Suscita que desde o início de suas operações vinha promovendo a importação do equipamento em foco, sem que houvesse nenhuma contestação por parte dos fiscais alfandegários. Assim, estaria caracterizada a ocorrência de prática reiteradamente observada pela autoridade administrativa, o que elidiria a cobrança de penalidades e de juros na exação sob exame. Também em relação a esse aspecto não assiste razão à defesa. Com a edição do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 14/2003, publicado no DOU de 4/9/2003, a Receita Federal oficializou seu entendimento quanto à classificação fiscal dos equipamentos ali indicados, em cuja descrição se enquadrava o caso MCT, conforme se demonstra: (...) Assim, ainda que em períodos anteriores ao referido ADI o MCT viesse sendo desembaraçado em código distinto, como alega a defesa, não há falar em costume administrativo em relação a operações posteriores à publicação desse Ato, realizadas em desconformidade com a orientação nele formalizada. O ADI 14/2003 supriu eventual necessidade de norma complementar para definir a classificação fiscal dos equipamentos nele indicados. As operações contrárias a ele, na realidade, passaram a ser frontalmente ilegais. A partir da vigência desse Ato, embora o mesmo tenha sido revogado pelo ADI SRF nº 22/2004, verificase que a fiscalização aduaneira continuou a classificar o MCT no mesmo código anteriormente definido (8526.91.00). Como o importador insistiu em utilizar classificação fiscal diferente, as importações desse equipamento passaram a ser objeto de autuação, e só foram desembaraçadas sem a Fl. 647DF CARF MF 6 correção do enquadramento tarifário por determinação judicial.” Ou seja, não se identifica qualquer “prática reiterada”, por parte das autoridades fiscais, contemporânea ao registro da declaração de importação lançada, no sentido de acatar a classificação reclamada pelo contribuinte. Portanto, não há qualquer ressalva a ser feita à decisão embargada, que, mesmo não fazendo remissão específica às teses expostas e ora apontadas como omissas, reconheceu acertadamente a concomitância das discussões e a renúncia à discussão administrativa, não havendo qualquer vício de declaração que a conspurque. Com estas considerações, voto por conhecer dos embargos quanto às omissões apontadas e, no mérito, negar provimento ao recurso. Robson José Bayerl Fl. 648DF CARF MF
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Numero do processo: 13433.000373/2002-11
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 04 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002
AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR DE NULIDADE.
DESCABIMENTO.
Só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração quando for, esse auto, lavrado por pessoa incompetente.
IMPUGNAÇÃO. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA, PRESCENDIBILIDADE, INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia requerido,
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula nº 2).
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002
TAXA DE JUROS SELIC,
A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA
Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002
ARBITRAMENTO DE LUCROS. DESCABIMENTO.
Não tendo ficado claramente evidenciada nos autos a inexistência do livro Caixa ou a recusa de sua apresentação, descabe o arbitramento de lucros sem nova intimação à empresa,
LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES.
Conforme dispõe a legislação de regência, devem ser tributados a alíqtrota de 8% os serviços decorrentes de serviços hospitalares, sendo improcedente o lançamento que não observa a distinção das receitas em função das diversas alíquotas aplicáveis às atividades desenvolvidas pelo estabelecimento.
LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS.
No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado.
Numero da decisão: 1803-000.521
Decisão: Acordam os membros do Colegiada, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: a) por unanimidade de votos cancelar a exigência relativa ao ano-calendário de 2000, nos termos do voto do Relator; b) por maioria de votos cancelar a exigência relativa à diferença de percentual utilizado para apuração do lucro presumido, calculada sobre as receitas declaradas, vencidos os Conselheiros Sérgio Rodrigues Mendes e Selene Ferreira de Moraes, Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walter Adolfo Maresch,
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO. Só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração quando for, esse auto, lavrado por pessoa incompetente. IMPUGNAÇÃO. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA, PRESCENDIBILIDADE, INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia requerido, ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n" 2). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 TAXA DE JUROS SELIC, A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF n" 4). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 ARBITRAMENTO DE LUCROS. DESCABIMENTO. 01 :L02(110 per V..,P,I.:FER LI por SEI_ENE FErárI,EIRR L.3E: qi9i20 10 por SERGIO í:OUR Aulentwuciu iligd»irr s erite em O 1:I0O2 Iá 10 r.R. ..q MARESCIii OO/OW20 10pr.J.Iri DF CARI : Nill" H. (74 Não tendo ficado claramente evidenciada nos autos a inexistência do livro Caixa ou a recusa de sua apresentação, descabe o arbitramento de lucros sem nova intimação à empresa, LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES, Conforme dispõe a legislação de regência, devem ser tributados a alíqtrota de 8% os serviços decorrentes de serviços hospitalares, sendo improcedente o lançamento que não observa a distinção das receitas em função das diversas alíquotas aplicáveis às atividades desenvolvidas pelo estabelecimento. LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiada, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: a) por unanimidade de votos cancelar a exigência relativa ao ano-calendário de 2000, nos termos do voto do Relator; b) por maioria de votos cancelar a exigência relativa à diferença de percentual utilizado para apuração do lucro presumido, calculada sobre as receitas declaradas, vencidos os Conselheiros Sérgio Rodrigues Mendes e Selene Ferreira de Moraes, Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walter Adolfo Maresch, Selene Ferreira de Moraes - Presidente Sérgio Rodrigues Mendes - Relatar Walter Adolfo Maresch - Redator Designado 30 SET 2010 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Walter Adolfo Maresch, Marcelo Fonseca Vicentini, Sérgio Rodrigues Mendes e Luciano Inocência dos Santas, digiIalrfmnte. fM1 rOr VvALTER ADOISO MI\RESCI-1 29i0W20 1:1')[".:.1."-ELENE FERP,EPA DE MOR AIE (31.0!.:1 20 I o pc,r SERGIO RODRIGI)E•S MENDES Auur:nticÉlo I) ,DI:h20 I D pc! \NAL:VER KIARESCH EmIli(fo ru :::0!0'),2U I r) 2 DE CARI' NU Processo n" 13433.000373/2002-i St-TE03 Acórdão n " 1803-00321 ri. 333 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls.. 249 a 257): Contra a interessada supra-identificada, foi lavrado o Auto de Infração que se encontra nas fls. 04 a 15, para Ibrmalizar exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), referente aos anos-calendário de 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001, e dos acréscimos legais sobre ele incidentes, perfazendo um crédito tributário no total de R$ 528.380,80, assim discriminado (valores em R$). [ Consta na fl 5, que a autuação fbi motivada pelos fatos assim descritos.. 001 — DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO E PAGO (VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS): • valores apurados conforme demonstrativo e relatório de fls. 198 a 202, 203 a 208; • os valores tributáveis arrolados foram atribuídos a ..fatos geradores ocorridos nos anos-calendário de 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001; • como enquadramento legal, citam-se: art. 889, inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Dec. n° 1.041, de 11 de janeiro de 1994 (RIR, de 1994); art. 15 da Lei n°9.249, 26 de dezembro de 1995, art. 25 da Lei n°9.430, 27 de dezembro de 1996; arts 224, 518, 519 e 841 do Decreto no 3000, de 26 de março de 1999 (Regulamento de Imposto de Renda, RIR, de 1999). 001 — DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO E PAGO (VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS): • foi feito o arbitramento dos lucros referentes aos quatro trimestres do ano-calendário de 2000; • valores apurados conforme demonstrativo e relatório de fls. 202 a 208; • como enquadramento legal foram citados: art. 16 da Lei n" 9.249, 26 de dezembro de 1995; art. 27, inciso I, da Lei n° 9,430, de 1996; art. 530, inciso III, art. 531 e art. 841 do Decreto n° 3000, de 26 de março de 1999 (Regulamento de Imposto de Renda, RIR, de 1999); W )2UjL ALTER ADOLFO N-1,,,-,R#ELCH 2:109i2010 1;o' SELL1' ,fE FEFWEIRA DE M01---; /:=ES Olff,)W2f.) :1) imr . RCDRIGUES MtE.NDE:. {r)-1 O 1U pur ,Aixi n LF0 r,..:AEEscH EmUido $0,,(P-.),20 10 p4::: L:Ait-,É1,;,Fir,di 17.,-:.17E1),J,:; (:ARI; 1'1 676 No "Relatório da Auditoria", Il. 203 a 208, constam os esclarecimentos a seguir resumidos. • o período fiscalizado vai do segundo trimestre de 1997 ao quarto trimestre de 2001; • a contribuinte apresentou o livro de Registro de Apuração de ISS, contendo a relação das notas fiscais emitidas no período fiscalizado; • para os anos de 1997 a 1999, foi apresentado o livro Razão; • para o ano de 2000, o contribuinte informou não possuir o livro Caixa (11 122), apresentando demonstrativo com as receitas auferidas; • para o período de janeiro de 2001 a fevereiro de 2002, foi apresentado livro Caixa, bem como a receita auferida por serviços prestados ao DETRAN, e os respectivos extratos bancários com os depósitos efetuados; • foram apresentados 5 talonários de notas fiscais, observando-se que: o não havia nenhuma via de 37 das notas fiscais; o 44 notas estavam canceladas; o 12 não foram preenchidas; o 157 foram emitidas, constando a 4" via, pouco legível; o a relação das notas está no demonstrativo de fl 187; • o contribuinte não emite nota fiscal para todo serviço realizado: o a maior parte das receitas vem de convênios na área de saúde; o não são emitidas notas .fiscais para os serviços realizados para o SUS e para a Sul América; o esse fato não permitiu que fosse utilizado o livro Registro de Apuração do ISS para a correta determinação da base de cálculo, que foi utilizado apenas de maneira auxiliar; • para o período de 05/1997 a 12/1999, as receitas foram apuradas da seguinte forma: o inicialmente, utilizou-se o livro Razão, separando-se as receitas em dois grupos, conforme II, 194 e 195; o o primeiro grupo diz respeito aos serviços prestados ao SUS, por constituir a maior parte das receitas; o em relação a esse grupo, foram identificadas as retenções na fonte a título de COEINS, PIS, IRP.1 e CSLL; o o segundo grupo é constituído das demais receitas escrituradas, nelas incluídas as recebidas por serviços prestados à Sul América, HAPVIDA, etc.; A!-=simiclo cHi 1)1 /U.19,2010 •ALTE:f; ADOLFO 2:11W n20 '; Cl por SELEME. FERP,[5.1P,A 01;() . 1:20-i pc:i . mtENDi:::s Auft:litiçarik) r.) por Emitido I 4 152:7 • St-TE03 Fl 334 1.)1 ( AR1 M1 Processo n" 13433,000373/2002-11 Acórdão n° 18034J0.521 o em relação ao segundo grupo, foram identificadas as retenções na fonte do IRP.I; o foram levantados, ainda, os valores existentes no livro Registro de Prestação de Serviços (coluna "LIVRO ISS"); o compararam-se, mês a mês, os valores extraídos dos dois livros, verificando-se, para cada nota fiscal escriturada no livro de apuração do ISS, se foi devidamente contabilizada no Razão (coluna EXCL. ISS); • o as receitas das notas não contabilizadas no Razão, listadas na coluna "RESUL ISS", foram adicionadas às receitas nele escrituradas, chegando-se à receita de serviços utilizada mensalmente (coluna RECEITA UTILIZADA); o para o ano de 1999, foram informadas receitas financeiras no livro Razão; o as cópias do livro Razão e das notas fiscais não contabilizadas mensalmente estão nas fls. 19 a 80; o várias notas escrituradas no livro de apuração do ISS não constam nos talonários existentes; o por exemplo, não foi apresentada nenhuma nota fiscal do ano de 1997; o as cópias do livro de apuração do ISS constam nas folhas 81 a 121; • para o período de 01/2000 a 12/2000, as receitas foram apuradas da seguinte forma: o foram utilizadas, como receitas conhecidas, as informadas pelo contribuinte na planilha de fis. 123 e 124, conforme demonstrativo de tis, 196, tendo em vista que o contribuinte informou não possuir o livro Caixa; • para o período de 01/2001 a 02/2002, as receitas foram apuradas da seguinte forma: o foram utilizadas as receitas registradas no livro Caixa (fis, 125 a 148), conforme demonstrativo de fls. 197; o foram destacadas as receitas provenientes do contrato de prestação de serviços com o DETRAN (Os. 149 a 155), conforme demonstrativos e extratos bancários (fis. 156 a 192); • para a apuração do lucro presumido, a fiscalização utilizou o percentual de 32 %, diferentemente do contribuinte, que usou o percentual de 8 %; o o art. 15 da Lei if 9.249, de 1995, no seu capta, fixa, como regra geral, o percentual de 8 %, mas seu § 1" estabelece exceções à regra, fixando o percentual de 32 % para as atividades 1 ,'.1 pt» Al.2»1.F.,) 111.., 111=1. 20 SE-_-.LENE FERRE11-0.1, IJE MOR AiTS 01.01:C010 po[ Roi-e,u?,Lirs um 0 1 :1 0P21110 í„, or 1E11; f,11)1121 MAK E.1.-.1C1-1 1 1) 1,1u1lsV,no 5 1.")F CARI N..11' 67{; de prestação de serviços em geral, exceto de serviços hospitalares, para os quais aplica-se o percentual de 8 %; o a atividade da contribuinte não se classifica como prestação de serviços hospitalares; o na obra "Doutrina e Prática do Imposto sobre Serviços", editora dos Tribunais, são Paulo, 1978, na pág. 181, Bernardo Ribeiro de Moraes define que: "Serviços de hospitais são os prestados por estabelecimentos devidamente aparelhados, destinados a recolher os enfermas ou acidentados, para diagnóstico, assistência, tratamento e internação de pessoas, mediante paga Os hospitais, também conhecidos como nosocômios, prestam serviços de assistência médica às pessoas naturais, através de profissionais e técnicos especializados Tratam da vigilância, alimentação e higiene dos doentes internados, além de ministrarem curativos e medicamentos." o a Portaria if .30 BSB do Ministério da Saúde, de 11 de fevereiro de 1997, que aprova conceitos e definições de que trata o inciso 1 do art. 20 do Decreto 76.973, de 31 de dezembro de 1975, no item 1 — Terminologia Geral — subitem 7, indica que hospital: "É parte integrante de uma organização médica e social, cuja )(Unção básica consiste em proporcionar à população assistência médica integral, curativa e preventiva, sob quaisquer regimes de atendimento, inclusive o domiciliar, constituindo-se também em centro de educação, capacitação de recursos humanos e de pesquisas, em saúde, bem como de encaminhamentos de pacientes, cabendo-lhe supervisionar e orientar os estabelecimentos de saúde a ele vinculados tecnicamente." o o Manual Brasileiro de Acreditação Hospitalar, 2" edição, 1999, editado pela Secretaria de Políticas de Saúde do Ministério da Saúde, nas páginas 8 e 9, apresenta o conceito de hospital sugerido pela Organização Pan-Americana na Saúde (OPAS): "São todos os estabelecimentos com pelo menos 5 leitos, para internação de pacientes, que garantem UM atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clinica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos Além disso, considera-se a existência de serviço de enfermagem e de atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviço de cirurgia Wou parto, bem como registras médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos", o o Parecer Normativo CST ri° 36, de 30 de maio de 1997, esclarece: " . podendo ser considerados como despesas de hospitalização todas aquelas diretamente relacionadas com o tratamento e recuperação de paciente durante o período de internação em hospital ou casa de saúde. Portanto, são admitidas não somente as despesas eletzfadas com médicos de qualquer. especialidade 1,;(.192,,11.,.} ADULEU 2.:..!/1..Wif2. nEnnr SLInHE -1.:.1-:k,z.11-;A DE rr OVOWaD O p.);' SERGIO •EM)ES digilnitfientc: em friii0P/2n10 pin WALTER ADOLECY MARESCH Eludido r-11 p-)ir) MiniStrin EnZerda 6 DI C,Al21 Processo n" 13433,000373/2002-11 SI4E03 Acórdão n." 1803-00.521 Fl 335 como também com profissiOnaá devidamente habilitados e oficialmente reconhecidos como seus colaboradores e auxiliares no tratamento e recuperação proporcionados ao paciente, desde que incluidas na conta do estabelecimento hospitalar. Neste caso, estão, também, as despesas efetuadas com eidermeiros, massagistas e demais profissionais cujos serviços, em razão do estado físico ou mental do paciente, se manifestam necessários. E ainda, de acordo com a mesma linha de raciocínio, são admitidas as despesas de medicamentos, aplicações, exames, etc quando, igualmente incluídas na conta do hospital", o o estabelecimento hospitalar necessita de uma estrutura organizada com instalações físicas, equipamentos e recursos humanos, com condições apropriadas para assistência e internação de pacientes, visando a garantir-lhes um atendimento básico de diagnóstico e tratamento de saúde, com equipes de profissionais qualificados nas mais diversas áreas e que funcione de forma ininterrupta, durante vinte e quatro horas por dia, com acompanhamento de enfermeiros e médicos; o em visita ao estabelecimento do contribuinte verificou-se que ele é composto de dois andares, estando o segundo desativado e ainda não completamente terminado, devendo, conforme informações do Dr, Francisco Vanderlandio Carolina, sócio da empresa, servir para futuro convênio com a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, quando da implantação de uma faculdade de medicina; o no andar de baixo, existem salas administrativas, consultórios médicos, uma sala de internação, salas de cirurgia, pequena lavanderia e refeitório, não havendo, no dia visitado, nenhum paciente internado; o o prédio -funciona no horário comercial, ou seja, não funciona ininterruptamente, somente extrapolando o horário excepcionalmente, quando de uma cirurgia mais delicada, em razão da qual o paciente necessite permanecer internado por um ou dois dias, tudo informado pelo sócio; o a contribuinte não atende alguns dos requisitos para que sua atividade seja considerada serviço hospitalar, tais como funcionamento ininterrupto, número mínimo de leitos disponíveis, remoção dos clientes; o a contribuinte, quando muito, exerce a atividade excepcionalmente; o nesse caso, havendo documentação comprobatória, poder- se-ia aplicar o disposto no § 2" do art. 15 da Lei IV 9,249, de 1995, que determina que, no caso de atividades diversificadas, se aplica o percentual correspondente a cada atividade; o o contribuinte se enquadra como prestador de serviços em geral, tendo como atividade principal clínica médica, com consultas médicas e pequenas cirurgias ambulatoriais; n1 0 pc:r. ALT AUCU-C) M/' P';E:'..4H 2U.- 2C' FER{",',E1RA 1)E AC.:::3 ja{.)/20 1::,0DRIGun Auienticic ,:r?1 1 ,0) . .2.0 10 pot ADOIA,n Emitido c. ; nI/OW2U 0 wdo Faze,nd;:.; 7 RI' N1 I' ()0 o nas notas fiscais constam, basicamente, consultas oftalmológicas e cirurgias ambulatoriais, não estando discriminada nenhuma internação, com as respectivas despesas decorrentes, como de praxe existente em notas fiscais de hospitais; o a partir de 2000, houve prestação de serviços ao DETRAN, conforme contrato de fls. 149 a 155, e tais serviços não caracterizam serviços hospitalares; • para a apuração do imposto exigido, foram realizadas os seguintes procedimentos de verificações obrigatórias, segundo demonstrativo de fis. 198 a 202: o somaram-se as receitas trimestralmente, para apuração do lucro presumido; o para os anos de 1997 a / 999 e 2001, o lucro presumido resulta da aplicação do percentual de 32 % sobre as receitas trimestrais; o para o ano de 2000, o lucro foi arbitrado, pois o contribuinte não apresentou o livro Caixa, aplicando-se o percentual de 38,4 % sobre as receitas de serviços; o o IRPI foi calculado aplicando-se a aliquota de 15 %; o o adicional do IRP,1 foi calculado com a aliquota de 10 %, incidente sobre a parcela do lucro que excedeu RS 60.000,00; o os valores de IRRF foram somados aos pagamentos realizados (coluna "TOTAL"); o foram considerados, na apuração do valor exigido, os débitos declarados na Dl:RR/ 1998, DIPJ 1999 e DCTF do primeiro trimestre de 1999 em diante; o do imposto apurado, subtraiu-se o valor da coluna "TOTAL" ou o da coluna "DÉBITO DECLARADO", dos dois o maior. A ciência pessoal do lançamento se deu em 28/05/2002 (11 04). Em 27/06/2002, foi apresentada a impugnação de lls. 211 a .22.5. Nela são apresentados os argumentos a seguir resumidos; • a multa é conliscatárid. o a multa contraria o inciso IV do art. 150 da C,F, o o STF, nos julgados invocados, afasta a multa confiscatória; • o a multa não pode ser usada com ofim de arrecadação, como tributo disfarçado,. o o atraso no pagamento de tributo não legitima a multa etacerbada de 75 % ou 150 %, quando a inflação gira em tomo de 12 %,- por ',/,,,,,,,I_TEEP,/,,DOLFC}1,11'.. 201,.).i2 : 1.. . 1 por !..=.;;ILFi..!E. FEW",EIRA DE. R101,..! çy . i F09/21) () pr.A. Aulerincric) 01 poi 1E2 Al:)01..FC) 8 Dl GARI . Mt Processo o" L3433.000373/2002-11 Acórdão o." 1803-00.521 o a sonegação, mesmo sendo uni crime, não .justifica expropriação de parcela do patrimônio, desproporcional à infração cometida; o a multa não pode ser maior do que o imposto ou a contribuição, pois não é o principal que acompanha o acessório, mas- o contrário; • a SELIC é ilegal o a SELIC tem caráter reinuneratório, e não moratório, razão pela qual sua aplicação, como encargo da União, fere o § 1' do art. 161 do CTN e o § 3" do art 192 da CF,. o o impugnou/e não sabe se a SELIC foi usada como correção monetária, como juros de mora ou como juros remunerou:irias; o a SELIC não serve como atualização monetária, porque vem sendo superior ao 1NPC, à UF1R, ao 1GPM e demais indexadores; o o Pretória Excelso, quando do exame da conslitucionalidade da Lei n° 8_177, de 1991, já havia consagrado o entendimento de que a IR não constitui índice que reflita a variação do poder aquisitivo da moeda, e o mesmo raciocínio deve ser aplicado para a SEL1C; o a SELIC não pode ser usada como juros rennineratórios, como se o contribuinte tivesse tomado emprestado uma importância de uma instituição financeira; o o § .3" do art. 192 da CF, que tem eficácia plena e não precisa de regulamentação, limita os juros a 12 %; • na apuração do lucro presumido, a contribuinte tem o direito de usar o percentual de 8 %, e não de 32 %, porque ela presta serviço hospitalar; o no cartão do CNRI, a atividade da impugnante é "atendimento hospitalar"; o a cláusula 4" do Aditivo n° 02 do contrato social é assim redigida: A sociedade tem por objeto social a prestação de serviços relacionados com o atendimento médico hospitalar com internação. o o Alvará paia Instalação e Funcionamento, expedido pela Prefeitura Municipal de Mossoró, Diretoria de Vigilância à Saúde, indica, no item atividade comerciar "Hospital de Oftalmologia"; o o fiscal verificou, ia loco, que há três leitos para internação; o o hospital está ein fase de ampliação, tendo, em seu pavimento superior, um projeto para mais de 15 leitos; A;iíIodiiritorro Ul I : 0'..):20 1 1:.1 por VV,ALTEE: AL 4,")LF0 ::::V.P,2e Ll por SELENE FERREIRA DE kle)r, AES . 0-1.i0 c)/20 O po; 1OrnIGUES ME,NDE.S Auleritinade...1 digitWmerlie c.4il 01;M: 1 ;21.10 ricy V•t.. ft:.R ADOLFO mim'IESCH Emitido ni:W,.."()!,_1./2) [0 l',Uo S1- T E03 FL. 336 9 Dr cARy E1 682 o houve diversas cirurgias no período fiscalizado, conforme cópias de documentos anexos, por amostragem, que indicam internação, pois não há, em lugar nenhum do mundo, cirurgia atnbulatorial ; o depreende-se da doutrina mencionada pelo autuante - "Doutrina e Prática do Imposto sobre Serviços" - que a prestação de serviço hospitalar não implica, necessariamente, as fases diagnóstico, assistência e tratamento, bastando, para o uso da ai/quota de 8 %, que haja internação; o com ou sem internação, enquadrando-se a entidade como empresa hospitalar, as etapas do atendimento (diagnóstico, assistência, tratamento e internação de pessoas), isolada ou conjuntamente, dão direito ao usufruto da ai/quota reduzida de 8 o o entendimento defendido também é respaldado pela Portaria n° 30 BSB, do Ministério da Saúde, de 11 de fevereiro de 1997, pelo Manual Brasileiro de Acredita ção Hospitalar, 2" Edição, 1999, citados pelo Fiscal em seu relatório; o o Parecer Normativo CST n° 36, de 1997, tia Coordenação- Geral do Sistema de Tributação da Receita Federal também dá respaldo legal à linha de raciocínio defendida, pois a condição para dedução é que a devesa conste da conta hospitalar, mesmo que o tratamento seja an?bulatorial,' • a falta de emissão de nota fiscal não invalida os controles probatórios, pois a fiscalização aceitou as receitas escrituradas e comprovadas pelos documentos de que se vale a empresa; • o arbitramento do lucro do ano-calendário de 2000 foi motivado pela falta de apresentação do livro Caixa, e não pela falta de comprovação da origem da receita auferida; o o livro caixa não . foi apresentado porque, na época, não foi encontrado; não foi encontrado, porque o contador era outro, o como prova da existência do referido livro caixa, a impugnante infOrma, nesta oportunidade, que ele se encontra à disposição da fiscalização, na sede da empresa; • o motivo do arbitramento não foi a falta de escrituração, mas, unicamente, de apresentação do livro Caixa; o 110S autos de infração de CSLL e COFINS, consta que foi tributada A DIFERENÇA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO CSLL, — COFINS, o que demonstra ter o agente do fisco entrado em contradição, o não é cabível o arbitramento, tendo em vista entendimento esposado em acórdãos do Conselho e do STF, transcritos; • não está explicado porque as bases de cálculo do PIS e COFINS estão diferentes; o se o cerne da tributação é a diferenças entre ai/quotas de 8 % para 32 %, não se pode falar em tributações reflexas de CSLL, .:11 O : ;09/2010 por WALTER ADOLFO MARESCH 2)/091201 ri por SELE NE FERREnA DE MOR AES 011W/ 2_0 o pw sERGio RoD•,IGuEs Autwllicario çH JILI ü 10v2{1 o pr,.;r j3,[xA FrT OIIh 10 01 W:09i2o ri à) 1',..1110;trii; 1"-i 10 1)1 C.AR1T N,11' Processo n" 13433.000373/2002-1 Acórdão ri" 1803-011.521 PIS e COFINS, pois os percentuais de bases de cálculo afetam tão somente o IRRI; • fbi ferido o principio do devido processo legal, porque a autoridade administrativa não considerou o dever de trilhar a legalidade, observando as normas jurídico-processuais, que impedem a autuação arrimada em ilícito sem materialidade; Tendo em vistas as razões expostas, o impugnante requer. • que o auto de inflação seja declarado nulo; • que seja realizada diligência fiscal, coinfidcro no inciso IV do art. 16 da Lei n° 8.748, de 1993, para que seja provado o alegado, documental e tecnicamente: o a prova documental se relaciona com livro que deixou de ser verificado; o a diligência técnica se destina a constatar a estrutura tecnológica de que se caracteriza a entidade hospitalar da impugnante A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 248 e 249): Assunto IMPOSTO SOBRE Á RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 LUCRO PRESUMIDO COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO. CLINICA MÉDICA. Na apuração do lucro presumido, aplica-se o percentual de 32 % sobre as receitas da prestação de serviço, no caso de pessoas juridicas dedicadas a atividades da área médica, quando não satisfeitos os requisitos para se enquadrarem como prestadoras de serviços hospitalares. LUCRO ARBITRADO FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS Justifica o arbitramento do lucro a falta de apresentação, à .fiscalização, dos livros e documentos comerciais e fiscais a que está obrigada a pessoa jurídica optante pelo regime de tributação do lucro presumido. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de oficio, havendo falta de pagamento ou recolhimento, não caracterizado o evidente intuito de fraude, aplica-se a multa de 75 % sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição JUROS DE MORA - SELIC Sobre os débitos de tributos com fatos geradores ocorridos a parti rrde /0.1?(0,La g9Z.J.).1.0 dein :1.1U1Q.YçeviowiLegyivalentesiMaxa por vVil. I ER po A.ES (11 :1'.1:):20 10p.r.,r Atak:ritic:;:.]dc:r I) S!-1E03 Ft. 337 1 Dr C:ARI NI Fl 684 relèrencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC Lançamento Procedente Cientificada da referida decisão em 29/05/2008 (AR. de fis. 274), a tempo, em 30/06/2008 (segunda-feira), apresenta a interessada Recurso de lis. 275 a 295, instruído com os documentos de lis. 296 a 329, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e acrescentando mais os seguintes: a) que o indeferimento da juntada do livro Caixa referente ao ano-calendário de 2000 representa malferição do princípio constitucional da ampla defesa; b) que há a necessidade de realização de perícia contábil; c) que o livro Caixa existe e quer a Recorrente apresentá-lo para fins de utilização no cálculo final do tributo devido, caso haja; d) que o arbitramento é medida extrema, só podendo ser aplicado quando não houver condição de, por qualquer meio, ser apurado o resultado da empresa; e) que é necessário que seja feito levantamento contábil dos valores referentes ao ativo e ao passivo da empresa, para fins de confrontamento com os valores alcançados pelo Fisco Federal; f) que o art, 15, § 1°, inciso 111, alínea "a", da Lei n° 9.249, de 1995, foi alterado recentemente pela Lei n° 1 L727, de 2008, aplicando-se ao caso presente, nos termos do art. 106 do CTN, haja vista o seu cunho interpretativo; e que a Imagenologia Diagnostica é área utilizada à exaustão nesse tipo de especialidade médica (oftalmologia), no qual, atualmente, a grande maioria dos procedimentos cirúrgicos são realizados, por meio da utilização de aparelhos a laser capazes de captar imagem de alta precisão, necessários para a correção de defeitos na córnea ou no cristalino, colocação de lentes definitivas, realização de cirurgias de glaucoma, dentre outros procedimentos. Em mesa para julgamento. g) e = i ) '4.1 ') . 20 ADOLFO ivIARESC:1-1 2 g.}920 1 1) por .:...,FELEA ,JEE 1: E PREIRA DE , 092-21.) I rir R(:)nnic,;iirT.S t•1TN.10E.; rligii.nlifiu:nk:: em o 1 r,,or i.A./ALJE::1; ADOL.F.C) E t r¡ij,-io r :0..0/2{.: p: ,,, fe k4irist.5nr) 12 1)1; (ARE N1.1:" Processo n" 13433,000373/2002-11 Acórdão n " 189341G.,521 S1-1E03 Fl 338 FERF.:EiRin DE 13 Voto Vencido Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Preliminar de nulidade do auto de infração Argui a Recorrente, preliminarmente, a nulidade do auto de infração ao argumento de que teria sido ferido o principio do devido processo legal, porque a autoridade administrativa não considerou o dever de trilhar a legalidade, observando as normas jurídico- processuais, que impedem a autuação arrimada em ilícito sem materialidade. Quanto à arguição de nulidade, cabe aduzir que a única hipótese prevista de nulidade dos atos processuais, entre os quais se incluem os autos de infração, está perfeitamente definida no inciso I do art. 59 do Decreto n2 70.235, de 6 de março de 1972 — Processo Administrativo Fiscal (PM), e refere-se ao caso em que a lavratura tenha sido feita por pessoa incompetente, o que não veio a ocorrer na situação presente. Se, como sustenta a Recorrente a autuação está "arrimada em ilícito sem materialidade", deve, essa autuação, ser declarada improcedente, e não nula. Rçjeito a preliminar arguida de nulidade do auto de infração.. Arbitramento do lucro No que se refere ao ano-calendário de 2000, foi procedido, pela -fiscalização, o arbitramento dos lucros referentes aos quatro trimestres, ao argumento de que "para o ano de 2000, o contribuinte informou não possuir o livro Caixa (fi, 122), apresentando demonstrativo com as receitas auferidas". Contudo, quando se examina a resposta de fls. 122, não foi, ali, informado pelo contribuinte "não possuir o livro Caixa". Confira-se: Messerá .EN . 13de maio Je 212 1 11rIrlr, NA-C..81Y. r rs"..11t?1,1x--2 de. rn2 'á I . VYcV et"2' wi KniE• (0X)S84) 31& la112 fAX — 311, 2313-5 moi! !mirre yr.:deld cetcn":-.01.corn por VVAI.:1" ADCLEC, EEEc' I C1 AtitUlticdcfc) eMü rio:i:j I o por ''IVALT ER ivIARE.S.;(:11 Fazendu Orlar/eia Pernades Mannha AFRF tas3 DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO ContrIbuição Social Lucro Presumido MINISTÉRIO DA FAZENDA Secretaria da Receita Federal Folho: Dl CARI" - M.F El 1186 Em atenção á Intimação Fiscal em eOgrafe, anexamos os documentos sacitados codorme segue: i. Livras Caixa: o Puja:to do Janeiro do 200 a fcrveroira 2002 (anuxo ao presunto); ia Pari orlo de Jaceiro a dezt-nbio de 2000 lemos a Informar a V Sa , gut: o rosnonsávelpa non!abilidade chure podosfo era o cardador Elias inácic Ilezerra, inscrito no CRCIRN sob o° 779, efF 004 430 03445; á Re:0z CowndLI P4b1c4 adiastroih Posso45, FiN;tts cPF ,GVF OrA,410 W445 Nome ELAS INACOBWERRA SituaçàoColtoiral REGULAR Em Erazi:-3 1R.21...11 1:3105t).X.2 • NN) foi repassado para nGsso escritório o livro caixa com os dados do ano ardi:meado do 2000, motivo pelo qual deixarnos de anexar c livm caixa citado. Mo erilanlo anexamos uma planilha confrencle as valores dos [acoitas, a o livro de togistru de ISS do mesmo pulado; Dessa forma, houve, no entender deste Relator, uma precipitação por parte da fiscalização, ao arbitrar os lucros da Recorrente com base, unicamente, na resposta acima, sem nova intimação à empresa, não tendo ficado claramente evidenciada nos autos a inexistência do livro Caixa ou a recusa de sua apresentação. Ressalte-se, por oportuno, que, relativamente à CRI, para o mesmo período (ano-calendário de 2000), procedeu-se à tributação pelo resultado presumido, e não pelo arbitrado (fls. 9 do processo n° 1343.3000374/2002-57): Contribuinte — _ críp"i ' — Nhodbangr O1.O12.201/O0O1-T1 2000 Utiin Sodat INSTITUTO DE OFTAINDLOGLN DE MOSSORD SiC LIDA Voto por cancelar esta parte da exigência (ano-calendário de 2000). Serviços hospitalares Em discussão, o enquadramento, ou não, da Recorrente como prestadora de serviços hospitalares, como previsto no art. 15, § 1°, inciso 111, alínea "a", da Lei n" 9.249, de 26 de dezembro de 1995 (grifou-se): Art. 15 A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n" 8_981, de 20 de janeiro de 1995 § I" Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este g0g9i4L FER ADOLFO MARESCH 29f0920 I (.1 por SELENE FE RREIPA DE i'vlOR ADi 01/0") n 20 O por- PODRIGUES MENDES A utu'aiado r:::nr, O por v,,,7\LfER ADoiso N.,,onEscH Errfflido dn F:uenda 14 CARI . N'11: Processo n" t343.3.000373/2002-1 I Acórdão n " 1803-00,521 ir SI-4E03 1; 339 [.. III - trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Para bem distinguir o alcance dos termos do art. 15, § 1 0, inciso 111, alínea "a", da Lei n° 9.249, de 1995, notadamente no que se refere à expressão "serviços hospitalares", considero importante transcrever o contido no art. 29 da Lei o' 1 1.727, de 23 de junho de 2008, que deu nova redação àquelas disposições, corno segue (destacou-se): Art 29 A alínea "a" do inciso III do § I" do art. 15 da Lei n" 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação: "AH' 15 1 fl ... a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patolocias clinicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa; Corno se verifica, os serviços de "auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, itnagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas" estão legalmente excluídos do conceito de "serviços hospitalares".. É que não iria o legislador excetuar essas atividades da aplicação da aliquota de trinta e dois por cento se já estivessem, elas, enquadradas naquela expressão ("serviços hospitalares"), o que permite considerar referido dispositivo legal corno um verdadeiro preceito interpretativo.. Porém, ao contrário do que entende a Recorrente, referido dispositivo inovador não retroage, na forma do art. 106 do Código Tributário Nacional - CTN (Lei n9 5.172, de 25 de outubro de 1966), urna vez que se objetivou, com a sua edição, não aclarar aquela expressão, mas ampliar o rol das atividades beneficiadas com a alíquota reduzida de oito por cento. Veja-se, nesse sentido, o que constou do Parecer proferido no Plenário da Câmara dos Deputados pelo Relator, Dep. Odair Cunha (PT-MG), pela Comissão Mista, que "conclui pelo atendimento dos pressupostos constitucionais de relevância e urgência; pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa desta MPV e das Emendas de n's 1 a 3, 5 a 8, 10, 11, 14, 16 a 40,48 a 51, 54, 55, 57 a 66, 71, 73, 78, 93 a 95, 97, 108, 110, 115, 116, 119, 121, 127, 130, 132, 143 a 146, 152, 155, 160, 164, 171, 177, 178, 180 e 185; pela inconstitueionalidade das Emendas de n's 83, 105, 112, 113, 158, 159, 167, 168 e 169; pela p()I'WAL:f pe.q. FERRERA (-)E ALS:, Ol iuop;:-,;. ;;;;::-E.;;K:} J5 cri: O WAI..1 [", A DC.)1i .. 0 rvv., Emnielú c=31i nla 1)f C A RI \fl. Fl 688 injuridicklade das Emendas de n's 112, 120 e 158; pela má técnica legislativa das Emendas de ifs 4, 9, 12, 13, 15, 41 a 47, 52, 53, 56, 67 a 70, 72, 74 a 77, 79 a 92, 96, 98 a 107, 109, 111 a 114, 117, 118, 120, 122a 126, 128, 129, 131, 133 a 142, 148a 151, 153, 154, 156a 159, 161 a 163, 165 a 170, 172 a 176, 179, 181 e 184; pela adequação financeira e orçamentária desta MPV e das Emendas de ifs 1 a 3, 7, 8, 10, 11, 12, 14, 16 a 24, 26 a 40, 48, 49, 53 a 55, 57 a 66, 71 a 73, 78, 80, 83, 86,92 a 95, 97, 108, 110, 113, 115, 116, 119, 121, 127, 1.30, 132, 135, 1.36, 138 a 147, 152, 160, 164, 167 a 169, 171, 174, 177, 180, 18.3 e 185; pela não implicação da matéria com aumento ou diminuição da receita ou da despesa públicas, não cabendo pronunciamento quanto à adequação financeira e orçamentária das Emendas de n's 50, 51, 67 a 70, 74, 106 e 154; pela inadequação financeira e orçamentária das Emendas de n's 4, 9, 13, 15, 25, 41 a 47, 52, 56, 75 a 77, 79, 81, 82, 84, 85, 87 a 91, 96, 98 a 105, 107, 109, 111, 112, 114, 117, 118, 120, 122 a 126, 128, 129, 131, 13.3, 134, 137, 148 a 151, 153, 155 a 159, 161 a 163, 165, 166, 170, 172, 173, 175, 176, 178, 179, 181, 182 e 184; e, no mérito, pela aprovação desta MPV e pela aprovação parcial ou total das Emendas de n's .3, 7, 8, 11, 12, 14, 55, 64 a 66, 71, 78, 108, 115, 121, 132 e 147, na forma do Projeto de Lei de Conversão apresentado; e pela rejeição das demais emendas apresentadas" (negritos do original, sublinhados da transcrição): A Emenda n" 147, também do Deputado Luiz Carlos Hauly, mereceu também acatamento parcial, com alterações técnicas de redação para ampliar-lhe o alcance e permitir ao Fisco um controle mais eficaz sobre a regularidade da sua aplicação prática. O dispositivo contempla a mudança da base de cálculo do imposto de renda sobre o lucro presumido, no caso de serviços de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clinica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clinicas, quando prestados por sociedade empresária e atendidas as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa, que passa a ser calculada com base no percentual de 8 % do faturamento, à semelhança dos serviços hospitalares, em lugar dos 32 % atualmente em vigor ., aplicáveis à prestação de serviços em geral Da mesma forma, constou do Parecer n° 479, de 2008, "de Plenário, sobre o Projeto de Lei de Conversão n° 14, de 2008, relativo à Medida Provisória n° 413, de .3 de janeiro de 2008, que dispõe sobre medidas tributárias destinadas a estimular os investimentos e a modernização do setor de turismo, a reforçar o sistema de proteção tarifária brasileiro, a estabelecer a incidência de forma concentrada da Contribuição para o P1S/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COF1NS na produção e comercialização de álcool, altera o art. 30 da Lei n° 7,689, de 15 de dezembro de 1988, e dá outras providências" (Relator-Revisor: Senador César Borges) (grifou-se): O art 29 estende aos serviços de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clh7ica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, a farina de tributação do IR atualmente aplicável aos serviços hospitalares Assim, a base de cálculo do imposto passa a ser determinada pela aplicação do percentual de oito por cento - em vez de ti inta e dois por cento - sobre a receita bruta aqfèrida niensalmente Assim, a correta interpretação a ser data à expressão "serviços hospitalares" é a de que se aplica, unicamente, a serviços prestados por hospitais, de conformidade, aliás, com o que se extrai do Ato Declaratório Interpretativo RFB n° 19, de 7 de dezembro de 2007, As:;inado dii1riv. , m-Aci? 131/0W2010 pnr WALTER ADOLFO tvl.A.RESCH 25: 1 /09,20 1.1. por F .', F.1.12 N[F FERREIRO. DE MOR ES 01 /09/20 Autenticado digilnim ,:dite O 09/2.:310p.r -.;»,+ALT v ,,m)01 .. F0 ry,AkEscH Ei. ruido ti) Kljn¡st.,..rjr..., 1 9;...,z,-,rvi1 16 C ARF Processo n" 13433.000373/2002-11 Acérchlo n." 1803-00.521 S1-1' E03 Fl 340 que "Dispõe sobre o conceito de serviços hospitalares para fins de determinação da base de cálculo do imposto de renda": [ .7 os estabelecimentos assistenciais de saúde devem dispor de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clinica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada par médicos, possuir serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, _serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos No presente caso, sendo a Recorrente urna Clínica Oftalmológica, e não um Hospital, não cabe o percentual de presunção do lucro presumido de oito por cento, previsto originariamente apenas para estes últimos estabelecimentos. Quanto à peremptória afirmação da Recorrente de que "não há, em lugar nenhum do mundo, cirurgia tipo ambulatorial!" (fls. 22), transcreve-se o seguinte trecho extraído da Internet (http://www.clinieascirurgia.combrionline-cirurgia-ambulatorial.html ): A cirurgia ambulawrial é uma das mais comuns categorias de cirurgia na medicina, e também uma das mais importantes, já que os procedimentos ambulatoriais são comuns e ocorrem diariamente em qualquer hospital Ela pode ser definida como qualquer procedimento cirúrgico relativamente simples, que não exige que o paciente permaneça internado no hospital ou instituição médica. [J. Dessa fbrina, o sistema de cirurgia ambulatorial economiza recursos e dinheiro importantes com medicamentos, anestesia e deixando mais camas vazias para serem usadas por pacientes mais críticos e graves 1- Felizmente, todos os problemas que esse sistema poderia enfrentar tem sido resolvidos e hoje em dia encontramos uma taxa de cerca de 20 % de todos os procedimentos cirúrgicos sendo tratados pelo sistema de cirurgia ambulatorial Como o sistema tem se desenvolvido de maneira progressiva e constante, é esperado que, num Muro próximo, a maioria dos pacientes irá encontrar um tratamento rápido e de qualidade mesmo em procedimentos mais complexos, graças ao projeto de cirurgia ainbulatorial Assim, por se não tratar de prestadora de "serviços hospitalares", já que não apresenta a diversidade de serviços e custos inerentes aos hospitais, resta à Recorrente a rubrica de serviços gerais, cujo percentual de determinação da base de cálculo para a apuração do lucro presumido é de trinta e dois por cento. Menciona-se, no mesmo sentido do aqui exposto, o seguinte precedente administrativo: 1; 1 . i1 pc”r.PLT (11 Ë.i :20 EL.E1JE FEF"REIV:A ()E ,IíJt2O 10po; Rc".;le"3 Aut(sitiç:a ,111. RJ( '1 E: Eiri4kJc n 30:0) riifliStrrifl c.Ja 17 ( ...',ARY •l 61)0 SERVIÇOS HOSPITALARES - CARACTERIZAÇÃO - A presunção de lucratividade reduzida prevista na Lei n°9249/95 está intimamente ligada à existência de custos relevantes com instalações, equipamentos e mão-de-obra qualificada inerente a um hospital, compreendendo tanto a parte médica especializada quanto os serviços de hotelaria e .1brnecimento de produtos. A prestação pessoal de serviços médicos, por si só, • não corresponde ao conjunto de serviços e custos inerentes a um centro hospitalar, traduzindo-se meramente em um exercício de profissão regulamentada. Recurso de oficio parcialmente provido. (1° Conselho de Contribuintes / 3". Câmara / ACÓRDÃO 103- 23 236 em 18.10.2007. Publicado no DOU em 30 11.2007) Pedido de diligência e perícia Requer a Recorrente seja realizada diligência fiscal, com fulcro no inciso IV do art. 16 da Lei n° 8.748, de 1993, para que seja provado o alegado, documental e tecnicamente, sendo a prova documental o livro que deixou de ser verificado, e a técnica, a estrutura tecnológica de que se caracteriza a entidade hospitalar da Recorrente. Requer, ainda, seja realizada perícia contábil, para o fins de ser feito levantamento contábil dos valores referentes ao ativo e ao passivo da empresa, para confrontamento com os valores alcançados pelo Fisco Federal. A diligência documental e a perícia contábil requeridas pela Recorrente encontram-se prejudicadas, em face de ter sido excluída de tributação a parte relativa ao arbitramento de lucros (quatro trimestres do ano-calendário de 2000). Já a diligência técnica pleiteada, revela-se desnecessária, por isso que, em face da posterior edição da Lei n" 11.727, de 2008, ficou claro para este Relator que a expressão "serviços hospitalares", a que se refere o art. art. 15, § 1°, inciso 111, alínea "a", da Lei n° 9.249, de 1995, somente alcança os hospitais, o que não é o caso da Recorrente. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefiro, por prescindível, o pedido da interessada, nos termos do art. 18 do Decreto n2 70.235, de 6 de março de 1972 — Processo Administrativo Fiscal (PAF), com a redação dada pelo art. 1 2 da Lei n2 8.748, de 9 de dezembro de 1993. Alegações de inconstitucionalidade da multa de ofício aplicada No que se refere à alegada inconstitucionalidade da multa de oficio aplicada (supostamente confiscatória), incide na espécie a Súmula Carf n° 2, de seguinte teor: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Taxa de juros Selic Com relação à suposta ilegalidade e inconstitucionalidade da adoção da taxa de juros Selic, defendida pela Recorrente, incidem na espécie as Súmulas CARF n"s 2 e 4, de seguinte teor: Súmula CARF n" 2.• O CARF não é competente para se Piel5C)12 0-9:Rffit i ni.,61i,..fir!:,,1?..111Érrig---EF;REIRA DF ryle2 01/09/2010 p)r ROI:MIGUES MENDES AUter It¡carjo íj iíiio.:Jril 01:1111 ,70 H) pol. ,A...É AL. I ÉR ADOLFO MARESCH EinitIdt)•dr 1B [M . LAR 1.M1 Processo n" 13433.000373/2002-11 Acórdão n " 1803-00.521 Sl-T E03 Fl 341 Súmula CARF n" 4.. A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SEL1C para títulos federais. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de REJEITAR a preliminar arguida de nulidade do auto de inflação, INDEFERIR os pedidos de diligência documental e técnica e de perícia contábil, por prescindíveis ao deslinde do presente litígio, e, no mérito, DAR PROVIMENTO, EM PARTE, AO RECURSO, para EXCLUIR de tributação os quatro trimestres do ano-calendário de 2000. É corno voto. Sérgio Rodrigues Mendes pDr vVi",,LTER ADOLFC) M i\ RE5Cil 2;}/(3::?!2.01U SELENE FERREIRA LIE. IvIC/R 01 0J2i1í i0(I()PODFIGI,JES ME.IsIDES 01 .1Y.E2010 ci 'NAL. ADOLE-0 MARESCH Emitido :000 1 10 1))l, MInimèriG 19 DF CARI NIF I'l 692 Voto Vencedor Conselheiro Walter Adolfo Maresch, Redator Designado Em que pese o brilhantismo do ilustre conselheiro relator, seu voto não foi integralmente acompanhado pela maioria desta 3" Turma Especial do CARF. Com efeito, a matéria é polêmica e suscita indagações e interpretações de toda ordem, fato que mereceu a atenção do legislador ordinário e que redundou na edição da citada Lei ri 11.727/2008, que deverá em parte pacificar os litígios entre o Fisco e Contribuintes. No entanto, cabe ao julgador administrativo decidir acerca do litígio apresentado para julgamento, verificando as peculiaridades que envolvem cada caso. No caso presente, acolheu a turma por unanimidade, manter hígido o lançamento de oficio em relação à omissão de receitas, já que não havendo identificação de sua real natureza, deve ser aplicada a maior aliquota das atividades praticadas pela contribuinte, conforme determina o art, 23 da Lei n° 9..249/95: (verbis) Art. 24, Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão. § I" No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta ser á adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. grifbit-se Considerando que a própria recorrente concorda que exerce isoladamente também a atividade de simples consultas médicas (oftalmológicas), paralelamente às atividades que poderiam ser enquadradas como "serviço hospitalar", aplica-se neste caso a aliquota de 32% (trinta e dois por cento), regra geral vigente para as demais prestações de serviços Já com relação as receitas declaradas, acolheu a turma por maioria o recurso voluntário considerando a falta da segregação por parte da fiscalização das receitas que compõe a receita bruta de cada atividade exercida, impedindo destarte a correta aplicação dos preceitos que regem a matéria (§ 2' do art. 15 da Lei n° 9 249/95). Constata-se evidente conflito entre as afirmações relatadas pela fiscalização e a conclusão geral a que chegou, negando a todas atividades realizadas pela contribuinte, o direito ao percentual favorecido de 8%, previsto para os serviços hospitalares, conforme dicção do art. 15, inciso III, alínea "a" da Lei n°9249/95. Com efeito, conforme relata a própria autoridade fiscal, foram constatadas tanto condições físicas e materiais para o exercício de atividades passíveis de enquadramento no conceito de "serviço hospitalar" a exemplo de internação ambulatorial e sala cirúrgica, como também a apuração de receitas decorrentes de cirurgias e intervenções que redundariam na aplicação do percentual favorecido de 8%. en: pnr V,INLTER ADOLFO Klf,..P,E.-.".SC...1-1 2::.if(P....1,2111. FER1').EIRT...11/1: ai Q Auvffiticadu LIL,();:11(:: vVAI. I Er niti ric) e.ja Fmrr,c,nrir:i 20 [g. CARI . 11/11 Processo n" 13433.000373/2002-11 Acórdão n.° 1803-00321 S1-TE03 El 342 A total desqualificação das atividades exercidas pela contribuinte como serviço hospitalar, sem considerar em qualquer hipótese a existência de receitas que efetivamente comporiam o rol das atividades que integram ou já integraram o conceito de receitas sujeitas ao tratamento tributário mais favorecido, impedem a manutenção do lançamento realizado.. Não é possível, no entanto simplesmente adequar o lançamento, pois os fundamentos eleitos pela fiscalização impedem a modificação do lançamento por necessária modificação do critério jurídico adotado. Com relação à matéria de fundo — serviços hospitalares, é irretorquível reconhecer que os sucessivos atos emanados pela Administração Tributária, criaram um inequívoco tumulto nas relações com os administrados, trazendo sério abalo na crença da segurança jurídica que deve reger este tipo de relação jurídica, Com efeito, veja-se no caso a recorrente, se for pelos termos do art 23 da Instrução Normativa SRF 306/2003, posterior inclusive aos fatos geradores objeto do lançamento de oficio, a quase totalidade das atividades exercidas pela recorrente, se enquadram perfeitamente no conceito de serviço hospitalar. Já com a edição da Instrução Normativa SRF 480/2004 e suas alterações, a situação se altera dramaticamente, permitindo antever que ora algumas atividades se enquadrariam no rol de serviços hospitalares ora não. Tal situação compromete por demais a necessária segurança jurídica assegurada constitucionalmente, devendo ser rejeitada pela sua evidente não conformação com os princípios contidos na Carta Magna, vedando-se sua aplicação retroativa por evidente modificação do critério jurídico adotado pela Administração Tributária, Por outro lado, embora se possa reconhecer o entendimento retroativo dos atos declaratórios emanados da Administração Tributária, tal efeito não pode retroagir a situações consolidadas a mais de 05 anos de sua edição, não sendo aplicável, portanto o Ato Declaratório Interpretativo Rf13 n° 19, de 07 de dezembro de 2007, citado pelo ilustre conselheiro relator como fundamento em seu voto. Ante o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso, cancelando-se a exigência em relação às receitas declaradas, mantendo-se integralmente o lançamento de oficio em relação à omissão de receitas, Conselheiro Walter Adolfo Maresch, Redator Designado 4..)9 g2(!1 por VVALTER 22U 10 puí'ELENE FLERREff- ?..A,DE EIOE O 1 4...g».,-20 Opc,r RODRIGUES 0 • 1'0120 10 por ADUU-U 1. 0H11 Erndid o i'4"1 .1 Fa2,end3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO— QUARTA CÂMARA Processo n° : 13433000373/2002-11 Interessado : INSTITUTO DE OFTALMOLOGIA MOSSORÓ LIDA Acórdão n° : 1803-00321 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se uni dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3', do anexo II, do Regimento Interno do CARI'', aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, Brasilia, 3 / / eo.se aristeta de Sousa Rodrigues Secretária da Câmara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento tia PFN: [ 1 apenas com ciência; [ 1 com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração.
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Numero do processo: 10073.720356/2015-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Exigido pela autoridade fiscal documentos que comprovem a efetividade da realização de despesas médicas indicadas pelo contribuinte em sua declaração de ajuste anual, diante da apresentação de documentos que comprovaram a efetividade da dedução, devem ser afastadas as glosas realizadas.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.583
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por maioria, dar-lhe provimento. Vencidos os conselheiros Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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COMPROVAÇÃO. Exigido pela autoridade fiscal documentos que comprovem a efetividade da realização de despesas médicas indicadas pelo contribuinte em sua declaração de ajuste anual, diante da apresentação de documentos que comprovaram a efetividade da dedução, devem ser afastadas as glosas realizadas. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 03 56 /2 01 5- 58 Fl. 122DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por maioria, darlhe provimento. Vencidos os conselheiros Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10073.720356/201558 Acórdão n.º 2401004.583 S2C4T1 Fl. 116 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n°. 0653.298, proferido pela 6ª Turma da DRJ/CTA (fls. 41/48), que julgou improcedente a impugnação e manteve integralmente o crédito tributário exigido, conforme acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO. LAUDO MÉDICO OFICIAL A isenção para portadores de moléstia grave deve ser reconhecida quando o contribuinte comprova atender os dois requisitos cumulativos indispensáveis: que os valores recebidos possuam natureza de rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão e que o contribuinte seja portador de moléstia grave tipificada no texto legal e reconhecida por meio de Laudo Médico Oficial. Tratase de Notificação de Lançamento de débitos tributários referentes ao ano calendário de 2011, por ter o contribuinte se declarado indevidamente como isento, tendo sido autuado no valor total de R$ 2.312,53 em 09/02/2015, pelo seguinte fato descrito no lançamento fiscal: Fl. 124DF CARF MF 4 O contribuinte foi cientificado das autuações em 20/02/2015, sextafeira (AR f. 22) e apresentou impugnação ao lançamento (fls. 2/3). No julgamento da peça impugnatória do contribuinte, foi mantido integralmente o lançamento, sendo proferido o Acórdão n°. Acórdão n°. 0653.298 (fls. 41/48), cuja ementa está reproduzida acima. O lançamento quanto à omissão de rendimentos recebios em ação trabalhista não foi impugnado. Intimado do acórdão da DRJ/CTA em 18/09/2015, sextafeira (AR fl. 113), o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 51/58 em 28/09/2015, alegando, em síntese: a) Que é pessoa idosa e requer a prioridade no trâmite do recurso; b) Que é portador de moléstia grave, conforme comprovado por laudo médico, devendo ser isento dos recolhimentos pleiteados. É o relatório. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10073.720356/201558 Acórdão n.º 2401004.583 S2C4T1 Fl. 117 5 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Juízo de admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O recorrente alega ser isento do Imposto de Renda Pessoa Física por atender aos dois requisitos cumulativos necessários, quais sejam ter como rendimento aposentadoria e ser portador de moléstia grave. Conforme extraise do art. 6°, inciso XIV da Lei 7.713, os proventos recebidos de aposentadoria por portadores de moléstia grave devem ser isentos do tributo ora discutido, verbis: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; O contribuinte juntou aos autos os seguintes documentos: a) Cópia de atestado médico (fl. 4), emitido, em 18/03/2015, pela Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura Municipal de Barra Mansa/RJ e assinado pelo médico urologista Orlandino Klotz de Almeida; b) Cópia de Laudo Pericial da rede privada (fl. 8), emitido e assinado, em 30/10/2014, pelo médico urologista Luiz Cezar Lopes Atan; c) Cópia do Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro (fl. 31), do dia 31/05/2012, com a informação do despacho do Secretário de Estado de Fazenda deferindo o Processo nº E01/136.034/2012, tendo como interessado o Sr. Ubiracy Vinhosa Rodrigues; Fl. 126DF CARF MF 6 d) Cópia de atestado médico (fl. 36), emitido pelo Hospital Unimed e assinado, em 09/04/2015, pelo médico oncologista Rodrigo de Oliveira Almeida e pelo médico urologista Orlandino Klotz de Almeida; e) Cópia de Laudo Pericial da rede privada (fls. 37/38), emitido e assinado, em 31/05/2015, pelos médicos urologistas Luiz Cezar Lopes Atan e Orlandino Klotz de Almeida; f) Cópia de Comprovantes de Pagamento de aposentadoria (fls. 87/88), emitido pela Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão do Rio de Janeiro, referentes ao meses de fevereiro e setembro de 2015. Portanto, verificase que o contribuinte é portador neoplasia maligna desde o anocalendário de 2009, tendo sido atestado pela Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura Municipal de Barra Mansa/RJ e por profissionais especializados, da rede particular, cumprindo incontestavelmente o requisito relativo a ser portador moléstia grave. Ainda, foram juntados Comprovantes de Pagamento que demonstram de forma cabal a auferição de proventos de aposentadoria pelo recorrente, conforme os extratos de fls. 83/84, que atestam ser o ora recorrente aposentado desde o anocalendário de 1990. Assim, estando comprovados o cumprimento dos requisitos cumulativos para a obtenção da isenção dos proventos de aposentadoria, deve ser dado provimento ao recurso voluntário do recorrente. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato. Fl. 127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13822.000054/2003-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
Ementa:
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PERANTE PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO CRÉDITO. PRECEDENTE VINCULATIVO DO STJ
A restrição imposta pela IN/SRF n. 23/97 para fins de fruição de crédito presumido do IPI é indevida, sendo admissível o creditamento também na hipótese de aquisição de insumos de pessoas físicas e/ou cooperativas. Precedente do STJ retratado no REsp n. 993.164, julgado sob o rito de recursos repetitivos, apto, portanto, para vincular este Tribunal Administrativo, nos termos do art. 62, §2° do RICARF.
CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. ATIVIDADE AGRÍCOLA.
O valor das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários, materiais de embalagem, combustíveis e lubrificantes empregados na fase agrícola do processo produtivo (cultivo da cana-de-açúcar) devem ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido.
CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
É ônus do contribuinte provar que o crédito presumido por ele apurado decorre do uso de produto intermediário de fato empregado no seu processo de industrialização, nos termos do art. 373, inciso I do novo CPC, aqui aplicado de forma subsidiária.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCLUSÃO DO IPI DESTACADO NA AQUISIÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS E MATERIAL DE EMBALAGEM NA CONFORMAÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
O valor de IPI destacado na nota fiscal de aquisição de MP, PI e ME deve ser incluído na apuração do crédito presumido previsto pela lei n. 9.363/96, haja vista o disposto no seu art. 2o, §1o que prevê que a base de cálculo do crédito presumido será conformado pelo valor de aquisição e não de produção de tais bens. Admitir a exclusão do IPI destacado na NF de aquisição de tais bens implicaria a criação de uma indevida restrição ao citado benefício fiscal, já que carente de previsão legal. Tal sistemática, todavia, só deve incidir na hipótese da aquisição do MP, PI e ME para qual haja prova da sua efetiva utilização no processo de industrialização.
CORREÇÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. TAXA SELIC. SÚMULA N. 4 DO CARF.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3402-003.848
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte para (i) reconhecer o direito ao crédito presumido de IPI na aquisição de pessoas físicas, bem como para (ii) a conformação do crédito presumido levar em consideração o IPI destacado em nota fiscal decorrente da aquisição de MP, PI e ME desde que se trate de um crédito válido, nos termos em que já reconhecido pela própria fiscalização e/ou pelo teor do presente voto.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: Relator Diego Diniz Ribeiro
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AQUISIÇÃO DE INSUMOS PERANTE PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO CRÉDITO. PRECEDENTE VINCULATIVO DO STJ A restrição imposta pela IN/SRF n. 23/97 para fins de fruição de crédito presumido do IPI é indevida, sendo admissível o creditamento também na hipótese de aquisição de insumos de pessoas físicas e/ou cooperativas. Precedente do STJ retratado no REsp n. 993.164, julgado sob o rito de recursos repetitivos, apto, portanto, para vincular este Tribunal Administrativo, nos termos do art. 62, §2° do RICARF. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. ATIVIDADE AGRÍCOLA. O valor das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem, combustíveis e lubrificantes empregados na fase agrícola do processo produtivo (cultivo da canadeaçúcar) devem ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. É ônus do contribuinte provar que o crédito presumido por ele apurado decorre do uso de produto intermediário de fato empregado no seu processo de industrialização, nos termos do art. 373, inciso I do novo CPC, aqui aplicado de forma subsidiária. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCLUSÃO DO IPI DESTACADO NA AQUISIÇÃO DE MATÉRIAPRIMA, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS E MATERIAL DE EMBALAGEM NA CONFORMAÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 2. 00 00 54 /2 00 3- 02 Fl. 433DF CARF MF 2 O valor de IPI destacado na nota fiscal de aquisição de MP, PI e ME deve ser incluído na apuração do crédito presumido previsto pela lei n. 9.363/96, haja vista o disposto no seu art. 2o, §1o que prevê que a base de cálculo do crédito presumido será conformado pelo valor de aquisição e não de produção de tais bens. Admitir a exclusão do IPI destacado na NF de aquisição de tais bens implicaria a criação de uma indevida restrição ao citado benefício fiscal, já que carente de previsão legal. Tal sistemática, todavia, só deve incidir na hipótese da aquisição do MP, PI e ME para qual haja prova da sua efetiva utilização no processo de industrialização. CORREÇÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. TAXA SELIC. SÚMULA N. 4 DO CARF. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte para (i) reconhecer o direito ao crédito presumido de IPI na aquisição de pessoas físicas, bem como para (ii) a conformação do crédito presumido levar em consideração o IPI destacado em nota fiscal decorrente da aquisição de MP, PI e ME desde que se trate de um crédito válido, nos termos em que já reconhecido pela própria fiscalização e/ou pelo teor do presente voto. Antonio Carlos Atulim Presidente. Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Por bem retratar a demanda em apreço, adoto como meu parte do relatório desenvolvido pelo então Relator do caso, Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte, o que passo a fazer nos seguintes termos: Em 15.4.2003, a contribuinte Clealco Açúcar e Álcool S/A (CNPJ 45.483.450/000110) protocolou Pedido de Compensação de créditos de IPI no valor de R$ 1.051.780,02, referente ao terceiro trimestre de 2002. Em Parecer da Seção de Análise e Orientação Tributária – Saort da Delegacia da Receita Federal em Araçatuba – SP foi parcialmente deferido o Pedido de Ressarcimento. Segundo o Parecer: Fl. 434DF CARF MF Processo nº 13822.000054/200302 Acórdão n.º 3402003.848 S3C4T2 Fl. 188 3 a) se não há incidência de PIS e COFINS sobre as aquisições feitas de pessoas físicas, nada há de ser ressarcido ao adquirente. Esse é o entendimento confirmado pelo Parecer PGFN/CAT nº 3.092/2002; b) quanto à glosa dos valores relativos às despesas de telefonia e aos demais produtos (calcário, fertilizantes, herbicidas e material intermediário), a glosa está correta, uma vez que tais produtos não foram aplicados no processo de fabricação e, por não integrarem direta ou indiretamente o produto final, não podem ser considerados insumos; c) foi correto o cálculo do percentual de energia elétrica utilizado no processo produtivo feito pelo Auditorfiscal responsável pela diligência. Quanto à cal virgem e aos demais produtos químicos comprovadamente consumidos no processo de produção, também é acertado o ajuste que considerou os estoques iniciais e finais, para chegar ao valor dos insumos efetivamente empregados; d) o IPI destacado nas notas fiscais de aquisição e registrado separadamente na escrituração fiscal não pode fazer parte da base de cálculo do crédito presumido. A contribuinte protocolou Manifestação de Inconformidade, na qual alegou, em síntese, que: a) não deve prosperar o entendimento do Agente fiscal, que transferiu para o presente os valores correspondentes aos insumos glosados no processo administrativo nº 13822.000149/200156, que se referiam a insumos utilizados em produtos inacabados ou acabados e não vendidos. É necessário que o fisco considere os valores reais e integrais dos custos informados, uma vez que os mesmos foram efetivamente utilizados e consumidos no processo produtivo da contribuinte; b) quanto aos insumos adquiridos de pessoa física, o Superior Tribunal de Justiça se manifestou da seguinte forma: “A IN/SRF extrapolou a regra prevista no art, 1º, da Lei nº 9.363/96 ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições, relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas que naturalmente não são contribuintes diretos do PIS/PASEP e da COFINS.” Transcreve jurisprudência sobre o assunto; c) são indevidas as glosas dos valores relativos à energia elétrica, óleo diesel e telefonia sob o argumento de que não se enquadram no conceito de insumos. O Parecer Normativo CST 65/79, ao criar um requisito inexistente no texto do regulamento, ingressou em uma seara, o que lhe é vedada, pois não é um veículo introdutor de normas no sistema jurídico, não podendo inoválo; Fl. 435DF CARF MF 4 d) o entendimento da Secretaria da Receita Federal é no sentido de que o IPI contido na nota fiscal/fatura deve ser considerado como custo da produção e deve compor a base de cálculo para a constituição do crédito presumido para ressarcimento do PIS/COFINS; e) quanto à glosa dos valores de calcário, fertilizantes, herbicidas e materiais intermediários (engrenagens de moenda, bombas centrifugas, tubos de aço e outros, como parafusos e ferramentas, rolamentos, materiais elétricos), estes constituem, efetivamente, produtos intermediários, haja vista que se desgastam no decorrer do processo produtivo e que possuem contato direto com a canadeaçúcar, embora não integrem o produto final; f) já efetuou a compensação dos créditos com outros débitos de sua escrituração e de competência da União, razão pela qual, com a glosa dos créditos, restariam débitos em aberto e passiveis de serem cobrados. As compensações foram feitas ao tempo oportuno e os débitos que ficaram descobertos foram declarados espontaneamente e no respectivo prazo legal, sendo, portanto, impossível a cobrança da multa de mora caso prossiga a glosa; g) a Taxa SELIC não deve ser usada para a correção monetária dos débitos em aberto que seriam passíveis de cobrança, uma vez que esta taxa tem natureza remuneratória. (...). 2. Uma vez processada, a Impugnação do contribuinte foi julgada improcedente pela DRJRibeirão Preto (acórdão n. 1419.311 fls. 377/389), nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. PESSOA FÍSICA. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, nãocontribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. CRÉDITO PRESUMIDO DE IP1. IPI SOBRE 1NSUMOS. O valor do IPI destacado nas notas fiscais relativas às aquisições de insumos deve ser excluído da apuração do incentivo, porque o IPI não compõe a base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ATIVIDADE AGRÍCOLA. A legislação referente ao crédito presumido somente admite a inclusão dos insumos aplicados na produção industrial, não contemplando os materiais aplicados na produção da canade açúcar, por se tratar de atividade agrícola. Fl. 436DF CARF MF Processo nº 13822.000054/200302 Acórdão n.º 3402003.848 S3C4T2 Fl. 189 5 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. 1NSUMOS. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não abrangendo os produtos que não tiveram contato físico direto, nem exerceram diretamente ação no produto industrializado, bem como, não incluem os materiais destinados ao ativo permanente e os serviços de telefonia. MULTA DE MORA. PREVISÃO LEGAL. Os tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que não forem pagos até a data de vencimento ficarão sujeitos à multa de mora, calculada sobre o valor do tributo ou contribuição devidos. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A espontaneidade exclui apenas as penalidades de natureza punitiva, resultantes da responsabilidade quanto a crime, contravenção ou delito tributário, não podendo ser aplicada às de natureza moratória, derivada do inadimplemento puro e simples de obrigação tributária regularmente constituída, que não possuem vinculo direto com o fato gerador do tributo. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Legal a aplicação da taxa do SELIC para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. Solicitação Indeferida. 3. Diante deste quadro o contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 379/403, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em Impugnação. 4. Uma vez pautado para julgamento, o caso foi convertido em diligência (Resolução n. 3401000.658 fls. 425/429) nos termos do §2º do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF vigente à época, ou seja, para que o presente caso ficasse suspenso até final julgamento no STF do Recurso Extraordinário n. 593.544, afetado por repercussão geral e onde se debate se o crédito presumido de IPI deve ou não ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS. 5. Ocorre que, com a alteração do RICARF e supressão da referida norma regimental, o sobrestamento foi afastado, nos termos do despacho de fls. 430. Não obstante, com a saída do antigo Relator do caso dos quadros deste Tribunal, o caso foi redistribuído eletronicamente e a mim submetido para relatório e julgamento. 6. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro Fl. 437DF CARF MF 6 7. O Recurso Voluntário interposto preenche os requisitos formais para a sua admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. I. Do ressarcimento de IPI e do crédito oriundo de pessoas físicas 8. No presente tópico o que se discute aqui é se o contribuinte Recorrente possui ou não direito a crédito presumido do IPI na hipótese de aquisições de pessoas físicas, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no seu processo produtivo. 9. A sobredita discussão decorre do disposto no §2° do art. 2º. da Instrução Normativa n. 23/971 vis a vis do que prevê o art. 1º. da lei n. 9.363/96. Isso porque a referida Instrução Normativa, ao pretexto de regulamentar a citada lei, criou uma restrição ao crédito em comento, o qual estaria limitado à hipótese de aquisição de insumos de pessoas jurídicas sujeitas à incidência de PIS e COFINS. 10. Acontece que, ao proceder dessa forma, a Receita Federal do Brasil não se limitou a regulamentar a aludida lei, mas implicou verdadeira restrição ao uso do crédito conformado legalmente, extrapolando, portanto, suas funções2. Registrese, por oportuno, que essa discussão já foi travada no âmbito do contencioso judicial, sendo objeto de decisão do Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso especial julgado sob o rito de recursos repetitivos, oportunidade em que o referido Tribunal assim se manifestou: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode 1 "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 2 Isso porque "a Administração possui função executiva e não legislativa, o que proíbe que os funcionários públicos coloquem em dúvida a validade da lei.". (ÁVILA, Humberto. 'Sistema constitucional tributário'. 3ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 123.). Em outros termos, não compete ao Poder Executivo qualquer modificação no conteúdo da lei, seja ampliando ou reduzindo seu teor. Compete a ele apenas dispor sobre a operacionalização e a perfeita execução dos mandamentos previstos na lei. Fl. 438DF CARF MF Processo nº 13822.000054/200302 Acórdão n.º 3402003.848 S3C4T2 Fl. 190 7 inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade Fl. 439DF CARF MF 8 rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido Fl. 440DF CARF MF Processo nº 13822.000054/200302 Acórdão n.º 3402003.848 S3C4T2 Fl. 191 9 confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ; REsp 993.164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) (g.n.). 9. Referido precedente redundou na súmula 494 do STJ, in verbis: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP." 11. O sobredito julgado tido como precedente é análogo ao caso aqui tratado, uma vez que lá também se discutiu a possibilidade de empresa exportadora se valer de crédito presumido de IPI (art. 1º. da lei n. 9.363/96) na hipótese de adquirir insumos de pessoas físicas e/ou cooperativas, afastando, por conseguinte, a restrição indevidamente imposta pelo §2° do art. 2º. da Instrução Normativa n. 23/97, exatamente como ocorre no caso em tela. Fl. 441DF CARF MF 10 12. Nesse esteio, referido precedente pretoriano tem força vinculativa para este julgador, nos exatos termos do que prevê o art. 62, §2° do Regimento Interno do CARF, razão pela qual mister se faz dar provimento ao recurso voluntário no tópico em análise. II. Do direito ao crédito presumido quanto às aquisições de produtos empregados na fase agrícola 13. Um dos fundamentos desenvolvidos pela Recorrente é no sentido de que ela teria direito ao crédito referente à aquisição de produtos empregados na fase agrícola do seu processo produtivo (produção da canadeaçúcar), ulteriormente empregada na fase industrial de produção de açúcar e álcool. 14. Essa questão não é nova neste colegiado que, em sessão de 26 de janeiro do corrente ano, em caso de Relatoria do Conselheiro Antonio Carlos Atulim (acórdão n. 3402 002.863), assim se manifestou de forma unânime3: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. ATIVIDADE AGRÍCOLA. O valor das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem, combustíveis e lubrificantes empregados na fase agrícola do processo produtivo (cultivo da canadeaçúcar) devem ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido. (...). Recurso Provido em Parte. (grifos nosso). 15. No transcorrer do aludido voto o Relator do caso, Conselheiro Antonio Carlos Atulim, assim prescreveu: (...). A verificação da existência ou da inexistência do direito à apuração do crédito presumido em relação à fase agrícola do processo produtivo do açúcar e do álcool deve ser buscado nas leis que instituíram o incentivo. A defesa entende que tem direito de apurar o crédito presumido sobre todos os insumos aplicados na fase agrícola porque o art. 2º da Lei nº 9.363/96 não estabelece nenhuma limitação, referindose ao "total das aquisições". O referido dispositivo legal estabelece o seguinte: Art.2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual 3 Neste julgado não esteve presente a então Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Fl. 442DF CARF MF Processo nº 13822.000054/200302 Acórdão n.º 3402003.848 S3C4T2 Fl. 192 11 correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. (...)" Já o art. 3º da referida Lei estabelece que: Art.3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único.Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Conforme se pode verificar, ao mesmo tempo em que o art. 2º se refere ao "total das aquisições", o art. 3º, parágrafo único, estabelece que o conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem deve ser fixado com base no que estabelece a legislação do IPI. A legislação do IPI não dispõe expressamente sobre o conceito de produção, mas estabelece os conceitos de “estabelecimento produtor” (art. 3º da Lei nº 4.502/64), de “operação de industrialização” (art. 4º do RIPI/2002) e de “produto industrializado” (art. 3º do RIPI/2002). Segundo o art. 3º da Lei nº 4.502/64, estabelecimento produtor é todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto (leia se: que estão no campo de incidência do imposto). Segundo o art. 4º do RIPI/2002, industrialização é qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou que o aperfeiçoe para consumo (como a transformação, o beneficiamento, a montagem, o acondicionamento e o recondicionamento). Segundo o art. 3º do RIPI/2002, produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida como industrialização, ainda que incompleta, parcial ou intermediária. Desses enunciados legais inferese que o conceito de produção aplicável no âmbito do IPI se identifica com uma “operação”, ou seja, uma atividade que consista em transformar, beneficiar, montar, acondicionar ou recondicionar. Embora a recorrente tenha alegado que seu processo produtivo é integrado, ou seja, que possui uma fase agrícola na qual produz sua própria matériaprima, e uma fase industrial propriamente dita, é de clareza vítrea que o cultivo da canade açúcar é um processo biológico, que não se enquadra no Fl. 443DF CARF MF 12 conceito legal de operação industrial previsto no art. 4º do RIPI/2002. Não se tratando o cultivo da canadeaçúcar de uma operação de industrialização, não há direito de aproveitar o crédito presumido em relação aos custos incorridos nesta fase, estando corretas as glosas efetuadas pela fiscalização (...), incluídas aqui as glosas relativas à canadeaçúcar de produção própria, pois o cultivo próprio dessa matériaprima não configura aquisição de um bem, uma vez que ninguém adquire algo de si mesmo. (...) (g.n.). 16. Com razão o Conselheiro Antonio Carlos Atulim, sendo a fundamentação acima passível de ser convocada como ratio decidendi para a realização do presente caso, haja vista que se está diante de problemas análogos, i.e., pedido de ressarcimento decorrente de crédito presumido de IPI referente aos gastos efetuados com aquisições de produtos empregados na fase agrícola. 17. Dessa feita, me valho do fundamento alhures desenvolvido no acórdão n. 3402002.863 para resolver este tópico do presente Recurso Voluntário, o que faço com fundamento no disposto no art. 50, § 1o da lei 9.784/994. III. Da glosa dos demais créditos indicados na planilha 6 (fls. 156/177) 18. Não obstante, outro ponto reclamado pelo contribuinte diz respeito a glosa dos demais itens listados na planilha 6 dos autos e que, segundo o contribuinte, não estariam atrelados à fase agrícola da produção, mas sim à fase industrial, configurando produtos intermediários que se desgastariam no processo produtivo. É o que se depreende do seguinte trecho do Recurso Voluntário (fl. 413): (...). No caso em tela podemos mencionar, exemplificativamente, a Corrente da Mesa alimentadora, os tubos e as válvulas de controle de calor, como materiais intermediários efetivamente integrados no processo produtivo e se constituem peças fundamentais da indústria de fabricação de açúcar e álcool, e todos se desgastam no processo de extração do caldo e elaboração do álcool e do açúcar. (...). 19. Acontece que em relação a tais produtos intermediários a Recorrente se limitou a desenvolver as linhas transcritas acima. Não há uma única linha a respeito da função de tais bens, supostamente intermediários, no processo de produção do açúcar e do álcool. 20. Ademais, ao se analisar os demais itens da citada planilha, é possível observar que ali se encontram apenas as seguintes informações referentes aos bens adquiridos 4 "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...)" Fl. 444DF CARF MF Processo nº 13822.000054/200302 Acórdão n.º 3402003.848 S3C4T2 Fl. 193 13 que redundaram no crédito pleiteado : (i) número da Nota Fiscal, (ii) data da entrada da NF; (iii) emitente; (iv) valor contábil; e (v) tipo de insumo. Em relação ao tipo de insumo este é sempre registrado como produto intermediário. 21. Todavia, ao se analisar as notas fiscais correlatas, não é possível se verificar se de fato tais bens são ou não produtos intermediários empregados na fase industrial da produção do açúcar e álcool. Isso porque tais notas não descrevem os produtos adquiridos, mas códigos ou abreviações que tornam impossível saber a natureza de tais bens. É o que se observa, v.g., na NF n. 027385 (fl. 180), cuja descrição do produto é a seguinte: FOOLFRO 5A9854. É possível ainda encontrar notas com as seguintes descrições de produtos: OPTISPERSE A29360 (fl. 181), NITROFOS M (fl. 182), CORRENTE WH 132 P/ MESA ALIMENTADORA P8" (fl. 198), CURVA RAIO LONGO 90 GRAUS 10" SCH. 20 X FABR. (fl. 201). 22. Não há, portanto, nos termos do que prevê o art. 373, inciso I do CPC/2015 (aqui aplicado de forma subsidiária), prova apta a demonstrar o fato constitutivo do direito do contribuinte, i.e,, de que tais bens de fato são produtos intermediários empregados na fase industrial da produção de açúcar e álcool, razão pela a glosa efetuada pela fiscalização deve ser mantida. IV. Do direito ao crédito presumido em relação às aquisições de energia elétrica, combustíveis e telefonia 23. Em relação ao direito de crédito presumido sobre energia elétrica e combustíveis, a questão já se encontra sumulada no âmbito deste Tribunal Administrativo, conforme se observa do da Súmula CARF nº 19, in verbis: Súmula CARF nº 19 Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. 24. Logo, não há como se esquivar da incidência da referida Súmula, sob pena, inclusive, de configurar hipótese de perda do mandato deste Conselheiro, conforme previsto no art. 45, inciso. VI do RICARF5. 25. Não obstante, no mesmo sentido da citada súmula CARF é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, conforme se observa da ementa abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. CUSTOS RELATIVOS A ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. PRESCRIÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. DECRETO 20.910/32. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA Nº 1.129.971 BA. 5 "Art. 45. Perderá o mandato o conselheiro que: (...). VI deixar de observar enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF, bem como o disposto no art. 62; (...)." Fl. 445DF CARF MF 14 1. Esta Corte já decidiu que não se pode computar os valores referentes à energia e ao combustível consumidos no processo de industrialização no cálculo do crédito presumido do IPI, pois tais substâncias não sofrem ou provocam ação direta mediante contato físico com o produto, de sorte que não integram o conceito de "matériasprimas" ou "produtos intermediários" para efeito da legislação do IPI. Precedentes: AgRg no REsp 1222847/PR, Ministro Herman Benajmin, Segunda Turma, DJe 01/04/2011; REsp 1049305/PR, Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 31/03/2011; AgRg no REsp 1000848/SC, Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 20/10/2010. 2. Em se tratando de ações que visam o reconhecimento de créditos presumidos de IPI a título de benefício fiscal a ser utilizado na escrita fiscal ou mediante ressarcimento, a prescrição é qüinqüenal. Orientação fixada pela Primeira Seção, por ocasião do julgamento do recurso especial representativo da controvérsia: REsp. Nº 1.129.971 BA. 3. Agravo regimental não provido. (STJ; AgRg no REsp 1240435/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/11/2011, DJe 22/11/2011) (grifos nosso). 26. Em relação aos gastos com telefonia, também não há que se falar em direito a crédito, haja vista os mesmíssimos fundamentos que conformam o sobredito enunciado sumular e nos termos do que já fora exposto no item "II" do presente voto. Referido dispêndio não se consome no processo produtivo de industrialização do Recorrente, o que impede a sua integração na base de cálculo do crédito presumido aqui debatido. V. Da inclusão do IPI na base de cálculo do incentivo 27. Outro ponto debatido pelo contribuinte no presente Recurso Voluntário diz respeito à possibilidade do IPI destacado na nota fiscal de aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem ser ou não incluído na composição do crédito presumido de IPI. 28. Nesse sentido, insta destacar que o sobrestamento do presente feito em razão da discussão travada no Recuso Extraordinário n. 593.544 (Resolução n. 3401000.658 fls. 425/429) foi, s.m.j, equivocado, pois no citado leading case o que se discute é a possibilidade de se incluir ou não o crédito presumido de IPI (já apurado) na base de cálculo do PIS e da COFINS. Por sua vez, a discussão aqui travada está um passo atrás, ou seja, na conformação do próprio crédito presumido de IPI (apuração do crédito). 29. Dito isso, convém destacar que o art. 2o, §1o, da lei n. 9.363/96 define a base de cálculo do benefício nos seguintes termos: Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. Fl. 446DF CARF MF Processo nº 13822.000054/200302 Acórdão n.º 3402003.848 S3C4T2 Fl. 194 15 § 1o O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (...). 30. Ao se analisar o sobredito dispositivo, é possível concluir que o crédito presumido do IPI deverá ser calculado com base no valor total das aquisições de MP, PI e ME, ou seja, exatamente o valor da aquisição de tais bens, o que é sinônimo do valor indicado em nota, incluindose aí o valor destacado de IPI incidente na operação. 31. Se o legislador quisesse afastar o IPI destacado em nota fiscal de aquisição do cômputo do crédito presumido de IPI deveria ter prescrito que tal benefício levaria em consideração o valor de produção da MP, PI e ME e não o seu custo de aquisição, o qual abrange outros dispêndios além do seu custo nominal de produção. 32. Assim, a interpretação fiscal dada em concreto ao art. 2o, §1o, da lei n. 9.363/96 cria uma restrição à conformação do crédito presumido de IPI que não apresenta previsão legal, motivo pelo qual deve ser afastada. 33. Ressaltese, todavia, que para que haja uma coerência sistêmica do referido entendimento com o voto até então lavrado, é indispensável registrar que, na conformação do crédito presumido em concreto deverá ser considerado o IPI destacado em nota fiscal apenas para aquelas aquisições que de fato dão ensejo ao benefício. 34. Em outros termos, tal sistemática de apuração do crédito presumido só será válida para aqueles créditos espontaneamente reconhecidos pela própria fiscalização, mas não incidindo para aqueles créditos glosados e cuja glosa foi mantida pelo presente voto. E o motivo para isso é um só: se inexiste o próprio direito ao crédito (por falta de previsão legal ou por carência probatória) a discussão quanto à sua conformação fica obviamente prejudicada. VI. Da ilegalidade da SELIC como juros moratórios no âmbito tributário 35. No que diz respeito à incidência da SELIC como juros moratórios sobre débitos tributários é caso de aplicação da Súmula n. 4 deste Tribunal Administrativo, in verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 36. Logo, não há como se esquivar da incidência da referida Súmula, sob pena, inclusive, de configurar hipótese de perda do mandato deste Conselheiro, conforme previsto no art. 45, inciso. VI do RICARF6. 6 "Art. 45. Perderá o mandato o conselheiro que: (...). VI deixar de observar enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF, bem como o disposto no art. 62; (...)." Fl. 447DF CARF MF 16 37. Ademais, a questão é mais do que pacificada também no âmbito dos Tribunais judiciais em sentido desfavorável à pretensão do contribuinte, razão pela qual nego provimento ao presente recurso neste tópico. Dispositivo 38. Ante o exposto, voto para dar parcial provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte para (i) reconhecer o direito ao crédito presumido de IPI na aquisição de pessoas físicas, bem como para (ii) a conformação do crédito presumido levar em consideração o IPI destacado em nota fiscal decorrente da aquisição de MP, PI e ME, desde que se trate de um crédito válido, nos termos em que já reconhecido pela própria fiscalização e/ou pelo teor do presente voto. 39. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator Fl. 448DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.002621/2007-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001
COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO.
O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal.
Numero da decisão: 3401-003.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado da Primeira Turma da Quarta Câmara da Terceira Seção, em dar provimento ao recurso voluntário interposto, por maioria de votos, vencido o conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que convertia novamente em diligência.
ROBSON BAYERL - Presidente.
LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rodolfo Tsuboi.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado da Primeira Turma da Quarta Câmara da Terceira Seção, em dar provimento ao recurso voluntário interposto, por maioria de votos, vencido o conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que convertia novamente em diligência. ROBSON BAYERL Presidente. LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vicepresidente), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 26 21 /2 00 7- 19 Fl. 148DF CARF MF 2 Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rodolfo Tsuboi. Relatório 1. Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) nº 26450.12660.120506.1.3.04651, transmitido em 14/12/2001, com a finalidade de compensar créditos tributários de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) devidos do período de apuração de abril de 2006 com valores do mesmo tributo pagos a maior no período de apuração de setembro de 2001, no valor histórico de R$ 270.949,22. 2. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC proferiu Despacho Decisório, situado às fls. 17 a 19, ao compulsar o valor devido e aquele efetivamente recolhido a título de Cofins para o período de apuração de setembro de 2001, vislumbrou apenas parte do crédito declarado pela contribuinte, da ordem de R$ 64.438,70, e decidiu pela homologação parcial da compensação, com fundamento na insuficiência de crédito para compensar a totalidade dos débitos. 3. A tabela a seguir, situada à fl. 19, demonstra o resultado da alocação de créditos e débitos elaborada pela unidade local que procedeu à análise da DCOMP, selecionada para tratamento manual: 4. Em 05/09/2007, a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade, situada às fls. 25 a 45, na qual explicou que não se tratava de mero recolhimento a maior sobre base de cálculo incontroversa, mas de discordância com relação à inclusão de valores correspondentes a "outras receitas" (receitas financeiras e receitas não operacionais) não integrantes do conceito de faturamento na composição da base da Cofins, insurgindose contra a aplicação do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005 no Recurso Extraordinário nº 390.840, de relatoria do Ministro Marco Aurélio Mello, tendo juntado, ainda, planilha situada à fl. 47 com os efeitos da inclusão ou não dos valores correspondentes às receitas financeiras e não operacionais. 5. A 4ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Florianópolis/SC proferiu o Acórdão nº 0716.507, em sessão de 05/06/2009, por meio do qual entendeu serem incompetentes as instâncias administrativas para se manifestarem a respeito de Fl. 149DF CARF MF Processo nº 11516.002621/200719 Acórdão n.º 3401003.239 S3C4T1 Fl. 149 3 ilegalidades e de inconstitucionalidades de atos legais regularmente editados, mantendo, na íntegra, o despacho decisório. 6. Em Recurso Voluntário, protocolado em 14/08/2009, situado às fls. 105 a 116, a contribuinte repetiu os argumentos de defesa e afirmou que o pleito não tratava de declaração de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, mas sobre a impossibilidade de órgão da Administração aplicar norma declarada inconstitucional. 7. A 1ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais determinou, por meio da Resolução CARF nº 340100.056, em sessão de 30/09/2010, a conversão do feito em diligência nos seguintes termos: "Notese que o valor pleiteado nada mais é do que aquele obtido pela aplicação da alíquota de Cofins, de 3% sobre R$ 9.031.640,78, correspondente à soma das rubricas 'receitas financeiras' e 'receitas não operacionais' (fl 47), ou seja, os R$ 270.949,22 indicados como pagamento a maior. E essa matéria alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins embora venha recebendo por parte deste Colegiado o mesmo tratamento reclamado pela ora recorrente, não pode ser ainda julgada haja vista que, no presente caso, não foram carreados ao processo elementos capazes de elidir quaisquer dúvidas quanto à formação dos valores daquelas receitas,ou seja, não se tem a certeza de que nelas não estejam outros valores que não apenas os decorrentes do faturamento da empresa. Assim, em face dessa incerteza, voto por converter o presente julgamento em diligência para que a unidade de origem traga a este Colegiado a informação precisa quanto aos valores que integram as referidas rubricas 'receitas financeiras' e 'receitas nãooperacionais', isto é, se nelas estão mesmo contidos valores que nada têm a ver com o faturamento da empresa". 8. Em cumprimento à determinação deste Conselho, em 31/05/2011 a autoridade fiscal se manifestou às fls. 141 e 142 no sentido de que os valores declarados pela contribuinte estariam corretos e que não havia indícios de que teria lançado nas contas de receitas financeiras e não operacionais valore relativos ao faturamento da empresa. Ressaltou, ainda, que "(...) a decisão a respeito da incidência ou não da Cofins sobre estes valores está a cargo do CARF" e que a manifestação se limita "(...) a confirmar os valores (...) do mês de setembro de 2001". É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Fl. 150DF CARF MF 4 9. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 10. Cingese a discussão à possibilidade ou não da inclusão de receitas financeiras e nãooperacionais na base de cálculo da Cofins apurada pela contribuinte em setembro de 2001 e recolhido em 14/12/2001. 11. A base de cálculo consistente em "venda de bens, de serviços ou de bens e serviços" prevista pelo art. 2º da Lei Complementar nº 70/1991 foi ampliada com a edição da Lei nº 9.718/1998 que equiparou faturamento a receita bruta, assim entendida "(...) a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas". 12. A alteração, não obstante, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento conjunto dos Recursos Extraordinários nº 346.084/PR, nº 357.950/RS, nº 358.273/RS e nº 390.840/MG. 13. Posteriormente, no julgamento de questão de ordem no RE no 585.235/RG, decidido em regime de repercussão geral (art. 543B do C), o Supremo Tribunal Federal reafirmou a sua jurisprudência: "EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (...). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008". 14. Não obstante, o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), com a redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016 e pela Portaria MF nº 152, de 2016, prevê que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal pela sistemática da repercussão geral deverão ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito do CARF: Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11516.002621/200719 Acórdão n.º 3401003.239 S3C4T1 Fl. 150 5 RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 15. Diante da inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, a base de cálculo da Cofins apurada no regime cumulativo compreende o faturamento mensal da pessoa jurídica nos termos do artigo 2º da Lei Complementar nº 70/91, correspondendo este a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza e, logo, como as receitas não operacionais ou financeiras (para empresas nãofinanceiras) não compõem a base de cálculo do tributo, os valores recolhidos a título Cofins sobre receitas nãooperacionais e financeiras recolhidos pela recorrente no período de apuração de setembro de 2001, no valor histórico de R$ 270.949,22, devem ser reconhecidos como recolhimento indevido ou a maior. Com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, dar provimento integral ao recurso voluntário interposto, reconhecendo o direito creditório pleiteado pela recorrente. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Fl. 152DF CARF MF 6 Fl. 153DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10650.721251/2014-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2011
ITR. POTENCIAL DE ENERGIA HIDRÁULICA. CONCESSÃO. POSSE OU PROPRIEDADE. IMÓVEL RURAL. INTEGRA A BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO.
Integra o pólo passivo da obrigação tributária do ITR o proprietário ou o possuidor a qualquer título dos bens imóveis incorporados ao patrimônio da concessionária de serviço público de produção, transformação, distribuição e comercialização de energia elétrica, mesmo que afetados ao uso especial de serviço público da União. As propriedades rurais não estão inseridas no objeto da concessão, não sendo possível equipará-las ao potencial de energia hidráulica no qual se encontram.
SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. IMUNIDADE RECÍPROCA. INOCORRÊNCIA.
Se o objeto social da companhia alcança outras várias atividades para além da prestação de serviço público essencial, o reconhecimento da imunidade representaria privilégio fiscal não extensivo às pessoas jurídicas do setor privado. Artigo 173 da Constituição Federal de 1988.
VTN. ARBITRAMENTO. SIPT. LEGALIDADE.
Quando a Autoridade fiscal considera que o VTN declarado está subavaliado e regularmente intima o contribuinte, faz-se necessário que o interessado apresente elemento hábil de prova, mormente, laudo técnico de avaliação emitido por profissional habilitado, nos termos das normas técnicas da ABNT, que faça expressa referência ao preço de mercado em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador, corroborando sua declaração. Na ausência de tal documentação, o lançamento de ofício pode considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra.
ITR. ÁREAS ALAGADAS. RESERVATÓRIO USINAS HIDROELÉTRICAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
Na esteira da jurisprudência consolidada neste Colegiado, traduzida na Súmula nº 45 do CARF, a qual é de observância obrigatória, não incide Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. Precedentes da CSRF Acórdão 9202-002.892.
ÁREA APROVEITÁVEL. ÁREA OCUPADA COM BENFEITORIAS.
Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á área aproveitável a que for passível de exploração, excluídas as áreas ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias. Grau de Utilização - GU, é a relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2202-003.696
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da área tributável 14.690,0 ha, alagada para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas, e para considerar na apuração da área aproveitável 410,1 ha, ocupada com benfeitorias. Os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Dilson Jatahy Fonseca Neto votaram pelas conclusões.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Declarações de impedimento: Júnia Roberta Gouveia Sampaio.
Fez sustentação oral, pelo Contribuinte, o advogado Diogo Neves Pereira, OAB/MG nº 131.027.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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POTENCIAL DE ENERGIA HIDRÁULICA. CONCESSÃO. POSSE OU PROPRIEDADE. IMÓVEL RURAL. INTEGRA A BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. Integra o pólo passivo da obrigação tributária do ITR o proprietário ou o possuidor a qualquer título dos bens imóveis incorporados ao patrimônio da concessionária de serviço público de produção, transformação, distribuição e comercialização de energia elétrica, mesmo que afetados ao uso especial de serviço público da União. As propriedades rurais não estão inseridas no objeto da concessão, não sendo possível equiparálas ao potencial de energia hidráulica no qual se encontram. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. IMUNIDADE RECÍPROCA. INOCORRÊNCIA. Se o objeto social da companhia alcança outras várias atividades para além da prestação de serviço público essencial, o reconhecimento da imunidade representaria privilégio fiscal não extensivo às pessoas jurídicas do setor privado. Artigo 173 da Constituição Federal de 1988. VTN. ARBITRAMENTO. SIPT. LEGALIDADE. Quando a Autoridade fiscal considera que o VTN declarado está subavaliado e regularmente intima o contribuinte, fazse necessário que o interessado apresente elemento hábil de prova, mormente, laudo técnico de avaliação emitido por profissional habilitado, nos termos das normas técnicas da ABNT, que faça expressa referência ao preço de mercado em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador, corroborando sua declaração. Na ausência de tal documentação, o lançamento de ofício pode considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 72 12 51 /2 01 4- 34 Fl. 2095DF CARF MF Processo nº 10650.721251/201434 Acórdão n.º 2202003.696 S2C2T2 Fl. 2.096 2 das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra. ITR. ÁREAS ALAGADAS. RESERVATÓRIO USINAS HIDROELÉTRICAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Na esteira da jurisprudência consolidada neste Colegiado, traduzida na Súmula nº 45 do CARF, a qual é de observância obrigatória, não incide Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. Precedentes da CSRF Acórdão 9202002.892. ÁREA APROVEITÁVEL. ÁREA OCUPADA COM BENFEITORIAS. Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá área aproveitável a que for passível de exploração, excluídas as áreas ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias. Grau de Utilização GU, é a relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da área tributável 14.690,0 ha, alagada para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas, e para considerar na apuração da área aproveitável 410,1 ha, ocupada com benfeitorias. Os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Dilson Jatahy Fonseca Neto votaram pelas conclusões. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Declarações de impedimento: Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fez sustentação oral, pelo Contribuinte, o advogado Diogo Neves Pereira, OAB/MG nº 131.027. Relatório Em desfavor do contribuinte em epígrafe foi lavrada Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, do exercício de 2011, do imóvel denominado Usina Volta Grande, localizado no Município de Conceição das Alagoas/MG, com área total declarada de 15.648,8 hectares. Após a revisão da DITR Fl. 2096DF CARF MF Processo nº 10650.721251/201434 Acórdão n.º 2202003.696 S2C2T2 Fl. 2.097 3 apresentada, a Administração Tributária municipal, com base em convênio firmado com a União, nos termos do previsto no inciso III, § 4º do artigo 153 da Constituição Federal de 1988, efetuou lançamento de ofício no montante de R$ 14.243.577,54 a título de imposto, acrescido de multa proporcional no percentual de 75% e mais juros de mora calculados pela taxa Selic. Na descrição dos fatos (fl. 04), narra a Autoridade competente que: Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR [DIAT], o valor da terra nua foi alterado, tendo como base os valores informados pelo sujeito passivo no atendimento à intimação. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Enquadramento Legal: Art. 10, § 1 o , inciso I e art. 14 da Lei n° 9.393/96. SUJEITO PASSIVO DECLAROU VTN MENOR QUE O CONSTANTE NO SIPT E DECRETO N° 2 1 6 / 2 0 09 Previamente ao lançamento, existiram o Termo de Constatação Fiscal de folha 09, onde a Autoridade fiscal descreve a autuação baseada apenas na alteração do VTN declarado e não comprovado e o Termo de Intimação Fiscal de folha 13, onde o sujeito passivo foi intimado a: Com finalidade de comprovação dos dados informados na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural [DITR]relativa ao imóvel acima identificado, fica o proprietário/detentor da posse do imóvel INTIMADO a apresentar no prazo de 20 [vinte] dias a contar da ciência desta, cópias autenticadas ou cópias simples acompanhadas dos originais dos documentos enumerados abaixo. Identificação do sujeito passivo; Matrícula atualizada do registro imobiliário ou, em caso de posse, documento que comprove a posse e a inexistência de registro de imóvel rural; Certificado de Cadastro de Imóvel Rural [CCIR] do Incra. Documentos para a análise da DITR [ 2011 ]: Para comprovar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado: Laudo de avaliação do Valor da Terra Nua do imóvel emitido por engenheiro agrônomo ou f l o r e s t a l , conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT com grau de fundamentação e precisão II, com Anotação de Responsabilidade Técnica ART registrada no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia Crea, contendo todos os elementos de pesquisa Fl. 2097DF CARF MF Processo nº 10650.721251/201434 Acórdão n.º 2202003.696 S2C2T2 Fl. 2.098 4 identificados e planilhas de cálculo e preferivelmente pelo método comparativo direto de dados de mercado. Alternativamente, o contribuinte poderá se valer de avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (exatorias) ou Municipais, assim como aquelas efetuadas pela Emater, apresentando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel. Tais documentos devem comprovar o VTN na data de 1 o de janeiro de 2011, a preço de mercado. A falta de comprovação do VTN declarado ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB, nos termos do artigo 14 da Lei n° 9.393/96, pelo VTN/ha do município de localização do imóvel para 1 o de janeiro de 2011 no valor de R$: CULTURA/LAVOURA R$ 9.000,00 CAMPOS R$ 7.000,00 PASTAGEM/PECUÁRIA R$ 8.500,00 MATAS R$ 7.000,00 CAMPOS R$ 4.545,45 CERRADO R$ 5.578,51 CULTURA/LAVOURA R$ 6.611,57 O não atendimento no prazo fixado ensejará lançamento de ofício, nos termos dos arts. 50, 51 e 52 do Decreto n° 4 . 3 8 2 , de 19 de setembro de 2002 R e g u l a m e n t o do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (RITR/2002). Verificase, no demonstrativo de apuração do imposto, de folha 11, que foram alteradas, no lançamento, as seguintes informações: área alagada de reservatório de usinas hidrelétricas autorizadas pelo poder público; valor das benfeitorias; valor da terra nua. A DITR em questão está na folha 1985 e seguintes e a tela do sistema SIPT está na folha 1998/99. O contribuinte apresentou extensa impugnação, nas folhas 16 a 40. Ao analisar a manifestação de inconformidade, a DRJ buscou resumir as alegações apresentadas, dentre as quais destacamos as seguintes: 1 – a empresa é uma sociedade por ações, subsidiária integral da Sociedade de Economia Mista Companhia Energética de Minas Gerais, prestadora de serviços públicos de geração e transmissão de energia elétrica, , com subordinação ao poder estatal e executora de serviço público essencial. Diz que o imóvel em questão é objeto de afetação, imprescindível á prestação dos serviços sob o regime de concessão. Entende ser inaplicável à espécie a previsão do art. 29 do CTN e, portanto, inexigível o ITR quanto ao imóvel, eis que se trata de bem público afetado, utilizado pela concessionária em caráter precário, enquanto prestadora dos serviços públicos já referidos. Diz que a titularidade do bem é formalizada Fl. 2098DF CARF MF Processo nº 10650.721251/201434 Acórdão n.º 2202003.696 S2C2T2 Fl. 2.099 5 para que se possa viabilizar a prestação do serviço. entende que não havendo animus domini ou a possibilidade do efetivo exercício dos poderes inerentes à propriedade, mas simples detenção física de imóvel público de uso especial para a consecução de sua finalidade, não é lícito admitir a incidência do ITR. 2 – pelo princípio da eventualidade, ainda que seja o caso de não se reconhecer a impossibilidade de incidência do ITR sobre o imóvel em razão da afetação, outro argumento há de ser considerado para tal finalidade, qual seja, a aplicação extensiva da imunidade tributária recíproca em razão da prestação de serviço público essencial realizada. registra, no caso, a ocorrência de imunidade tributária recíproca, prevista para aplicação entre os entes federativos, sendo imunes quanto aos tributos de competência uns dos outros relativos à renda, patrimônio e serviços, nos termos do art. 150, VI, “a”, da CR. entende que faz jus à concessão da imunidade tributária sem ferir a livre concorrência, tendo em vista que não há disputa com outras empresas privadas para exploração da energia elétrica, em razão das particularidades do mercado regulado de energia, com destaque para a geração de energia (monopólio natural). 3 – considera que há o impedimento legal para a tributação de áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas, das áreas de preservação permanente e interesse ambiental e das áreas com benfeitorias e, portanto, fora do campo de incidência do ITR, nos termos dos arts. 10 e 11 da Lei nº 9.393/96; informa que, observando a legislação, apresentou a distribuição da área do imóvel, com a sua área utilizada, o GU, a discriminação das áreas alagadas, as não utilizadas em atividades rurais ou necessárias à efetiva prestação do serviço de geração, transmissão de energia elétrica, com indicação das áreas de benfeitorias (doc. 06). ressalta que a matéria já se encontra pacificada por meio da Súmula CARF nº 45, segundo a qual “O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas.” Entende que verificase descabido o lançamento, uma vez que desconsidera a área alagada de reservatório da Usina Hidrelétrica construída mediante autorização do Poder Público, incluindo tal área no cálculo de terra nua. enfatiza que, tal como as áreas alagadas, não são tributáveis as áreas de preservação permanentes, não podendo compor o cálculo do VTN, devendo ser excluídas da base de cálculo do tributo, situação não observada pelo Fisco. 4 na DITR foram discriminados 410,0 ha correspondentes às benfeitorias realizadas no imóvel para o regular funcionamento da Usina Hidrelétrica e descreve as benfeitorias e que objetivandose a confirmação das informações declaradas e corroborando com as informações declaradas à ANEEL, verificase cabível a realização de perícia para a apuração das benfeitorias realizadas. 5 enfatiza que, conforme o Demonstrativo de Apuração de Imposto, depreendese a inadequação da forma de cálculo do VTN, em razão da desconsideração das benfeitorias do imóvel, implicando aumento indevido da base de cálculo por hectare. Em seu voto, que conduziu ao indeferimento da impugnação, também em resumo, disse o Julgamento recorrido que: a) Estão sujeitos à incidência do ITR os imóveis rurais de pessoas físicas ou jurídicas, concessionárias de serviços públicos de energia elétrica, inclusive os adquiridos por desapropriação para essas atividades. Essas sociedades empresárias concessionárias submetem se, quanto à apuração do ITR, às mesmas regras tributárias aplicadas aos demais imóveis rurais. Fl. 2099DF CARF MF Processo nº 10650.721251/201434 Acórdão n.º 2202003.696 S2C2T2 Fl. 2.100 6 b) Às concessionárias de serviços públicos constituídas como pessoas jurídicas de direito privado deve ser dado o mesmo tratamento tributário dispensado às demais sociedades que exploram atividades econômicas, não se cogitando, em relação a elas, do benefício da imunidade recíproca prevista na Constituição da República. c) As áreas alagadas de reservatório de usinas hidrelétricas autorizadas pelo poder público, para fins de exclusão do ITR, devem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do respectivo ADA, além da apresentação do Ato específico do órgão competente federal ou estadual reconhecendo as áreas do imóvel declaradas como de interesse ecológico (comprovadamente imprestáveis). d) Cabe ao contribuinte, quando solicitado pela autoridade fiscal, comprovar com documentos hábeis, os dados informados na sua DITR, posto que é seu o ônus da prova. e) Deve ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, com base no SIPT, por falta de documentação hábil (Laudo de Avaliação, elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotada no CREA, em consonância com as normas da ABNT NBR 14.6533), demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado, à época do fato gerador do imposto, observadas as suas características particulares. f) A perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. Cientificado dessa decisão em 18 de março de 2015 (AR na folha 2.028), o contribuinte, mediante seus procuradores constituídos (Procuração na folha 2.040/2.050) apresentou recurso voluntário em 17 de abril de 2015, conforme protocolo na folha 2.031. Em sede de recurso, alega o seguinte: a) o Recorrente não exerce todos os elementos da propriedade, destacando o artigo 29 do CTN (fato gerador é a propriedade, o domínio útil ou a posse), razão pela qual dever ser afastada a exação; b) ocorrência a imunidade intergovernamental, no caso, e inaplicabilidade do artigo 173 da Constituição, para seu afastamento, em entendimento já sedimentado pelo STF. Equiparação da Recorrente (Sociedade de Economia Mista) às Autarquias e Fundações instituídas pelo Poder Público, na prestação de serviço público e não em atividade econômica. O serviço de energia elétrica, por sua essencialidade e por ser de titularidade e monopólio da União, conforme artigo 21, XII, “b” da CF/88 se subsume claramente à hipótese normativa contida no artigo 175 da CF/88; c) existe ainda a imunidade para o bem imóvel, uma vez que conforme o contrato de concessão ele pode ser revertido ao poder concedente; d) não incidência do ITR sobre áreas alagadas, conforme a Súmula CARF nº 45; Fl. 2100DF CARF MF Processo nº 10650.721251/201434 Acórdão n.º 2202003.696 S2C2T2 Fl. 2.101 7 e) não bastasse a tributação das áreas alagadas, também está errado o lançamento porque desconsidera as benfeitorias existentes no imóvel e deixa de excluir seu valor quando da aferição do valor da terra nua; PEDE a não incidência do tributo pela inocorrência do fato gerador; alternativamente, o reconhecimento da imunidade recíproca prevista na CF/88, em razão da prestação de serviço público essencial; a observância da Súmula CARF nº 45, em relação às áreas alagadas para fins de constituição de reservatório para Usinas Hidrelétricas, bem como das áreas de preservação permanente ao seu redor; consideração das áreas ocupadas com benfeitorias. Pede ainda a publicação de intimações em nome dos patronos, sob pena de nulidade. Ao analisar a questão, esta Turma resolveu pela conversão do julgamento em Diligência, na Resolução 2202000.685, de 10 de maio de 2016, nos seguintes termos (destaco): Existe dúvida sobre a área tributável do imóvel. A Autoridade fiscal, sem justificativa expressa nem intimação prévia do sujeito passivo, desconsiderou uma área de 14.690,0 hectares, declarada como sendo de "área alagada de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo Poder Público". O Recorrente defende a existência da área e a jurisprudência consolidada e de observância obrigatória neste CARF, aliás com respaldo legal (artigo 40, da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008, que alterou o artigo 10 da Lei nº 9.393, de 1996), diz que as mesmas devem ser excluídas da tributação. Dessa feita, VOTO pela conversão do julgamento em diligência para que: a) A autoridade fiscal autuante esclareça e motive a desconsideração de 14.690,0 hectares de "área alagada de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo Poder Público", observando a Notificação de Lançamento (fls. 09 e 10), o demonstrativo de apuração do imposto (fl. 11) e a DITR/2011 (fl. 1988); b) O contribuinte seja intimado dos termos desta resolução e do resultado da diligência, conforme item "a" acima para, querendo, manifestarse no prazo de trinta dias. Cumprida a diligência, veio aos autos a manifestação de fls. 2090, de responsabilidade do Departamento de Arrecadação Tributária e Fiscalização, no Município de Conceição das Alagoas/MG. O sujeito passivo, regularmente intimado com Aviso de Recebimento (fl. 2092), não se manifestou. É o relatório. Fl. 2101DF CARF MF Processo nº 10650.721251/201434 Acórdão n.º 2202003.696 S2C2T2 Fl. 2.102 8 Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. Conheço do recurso, já que tempestivo, conforme relatado, e com condições de admissibilidade. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a existente após a digitalização do processo, transformado em arquivo eletrônico (formato .pdf). Primeiro, as causas de nulidade do processo administrativo de exigência fiscal são aquelas previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), norma específica na qual não se encontra determinação para que as intimações sejam encaminhadas aos patronos, mas ao contribuinte, no seu domicílio tributário de eleição, dentro das regras estabelecidas no artigo 127 do CTN. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. CONTRIBUINTE A primeira alegação da Recorrente é que não seria contribuinte do ITR uma vez que não enquadrada nas regras do artigo 29 do CTN: Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localização fora da zona urbana do Município. Regra que é repetida, aliás, na Lei nº 9.393, de 1996, em seu artigo 1º: Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. Alega que não se enquadra na condição de “proprietária, detentora de domínio útil ou possuidora”, sob o argumento de explorar naquela área serviço público essencial, de competência da União, mediante regime de concessão. A esse argumento, trazemos à colação o Acórdão de nº 2201002.476 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, já julgado neste CARF, a cujo entendimento me filio: ITR. POTENCIAL DE ENERGIA HIDRÁULICA. CONCESSÃO. POSSE OU PROPRIEDADE. IMÓVEL RURAL. INTEGRA A BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. Integra o pólo passivo da obrigação tributária do ITR o proprietário ou o possuidor a qualquer título dos bens imóveis incorporados ao patrimônio da concessionária de serviço público de produção, transformação, distribuição e comercialização de energia elétrica, mesmo que afetados ao uso especial de serviço público da União. As propriedades rurais não estão inseridas no objeto da concessão, não sendo possível Fl. 2102DF CARF MF Processo nº 10650.721251/201434 Acórdão n.º 2202003.696 S2C2T2 Fl. 2.103 9 equiparálas ao potencial de energia hidráulica no qual se encontram. O Voto vencedor de tal Acórdão traz a seguinte sustentação: De acordo com a Contribuinte, deveria haver o reconhecimento da imunidade recíproca, pois o imóvel seria um bem público da União por definição constitucional e por afetação, nos termos do art. 20, VIII, da Constituição da Federal, que estabelece ser “bens da União” “os potenciais de energia elétrica”. Por isso, a sua tributação seria contrária a imunidade recíproca prevista no art. 150, VI, “a”, também da Carta Magna, uma vez que o imóvel seria revertido ao poder concedente ao fim da concessão. Na decisão de primeira instância o entendimento foi de que a empresa recorrente seria a legitima proprietária dos imóveis incorporados ao seu patrimônio, mesmo que afetados ao uso especial de serviço público da União (serviço público de produção, transformação, distribuição e comercialização de energia elétrica) e, neste caso, seria o sujeito passivo de fato da obrigação tributária, seja por ser proprietário do imóvel rural, seja por ser seu possuidor a qualquer título, como já reproduzido pela Conselheira Relatora. Inicialmente, cabe observar que o inciso VIII do art. 20 da Constituição Federal trata de potencial de energia elétrica e não dos imóveis onde se encontram estes potenciais, e que uma coisa não implica a outra, já que são distintas, como disposto no art. 176 da CF. Art. 176. As jazidas, em lavra ou não, e demais recursos minerais e os potenciais de energia hidráulica constituem propriedade distinta da do solo, para efeito de exploração ou aproveitamento, e pertencem à União, garantida ao concessionário a propriedade do produto da lavra. Conforme texto publicado no sítio da Agencia Nacional de Águas1, nos aproveitamentos hidrelétricos dois bens públicos são objeto de concessão, quais sejam: o potencial de energia hidráulica e a água. Nos aproveitamentos hidrelétricos dois bens públicos são objeto de concessão pelo poder público: o potencial de energia hidráulica e a água. Anteriormente à licitação da concessão ou à autorização do uso do potencial de energia hidráulica, a autoridade competente do setor elétrico deve obter a Declaração de Reserva de Disponibilidade Hídrica DRDH junto ao órgão gestor de recursos hídricos. Posteriormente, a DRDH é convertida em outorga em nome da entidade que receber, da autoridade competente do setor elétrico, a concessão ou autorização para uso do potencial de energia hidráulica, conforme disposições dos Arts. 7º e 26º, da Lei 9.984, de 2000, Art. 23º do Decreto nº 3.692, de 2000, e Art. 9º da Resolução CNRH nº 37, de 2004. No caso de corpos de água de domínio da União, a ANA emite a DRDH e a converte em outorga conforme Fl. 2103DF CARF MF Processo nº 10650.721251/201434 Acórdão n.º 2202003.696 S2C2T2 Fl. 2.104 10 os procedimentos estabelecidos na Resolução da ANA nº 131/2003. (grifos nossos) Os imóveis, no caso as propriedade rurais, não estão inseridos no objeto da concessão. Também, não é possível equiparar potencial de energia hidráulica ao imóvel no qual tal potencial se encontra. Logo, o imóvel em questão não é bem da União. Quanto à argumentação utilizada pela recorrente de que ao fim da concessão o imóvel seria revertido ao poder concedente, em razão da afetação ao serviço público, afirmando assim que não seria proprietária do imóvel, destacamse na jurisprudência as lições de Carvalho Filho: A reversão é a transferência dos bens do concessionário para o patrimônio do poder concedente em virtude da extinção do contrato. O termo em si não traduz a fisionomia do instituto. De fato, reversão é substantivo que deriva de reverter, isto é, retornar, dando a falsa impressão que os bens da concessão vão retornar à propriedade do concedente. Na verdade, os bens nunca foram de propriedade do concedente; apenas passa a sê lo quando se encerra a concessão. Antes, integravam o patrimônio do concessionário. O sentido melhor do termo, portanto, não tem conotação como os bens, mas sim com o serviço delegado. Com efeito, o que reverte para o concedente não são os bens do concessionário, mas sim o serviço público que constitui objeto de anterior delegação pelo instituto da concessão. O ingresso dos bens no acervo do concedente, quando ocorre, é mero corolário da retomada do serviço.” Os apontamentos do ilustre jurista demonstram que o poder concedente não é, e nem nunca foi proprietário dos bens integrantes da concessão. Logo, se o ao fim desta o imóvel no qual se encontra o potencial de energia hidráulica tiver que ser incorporado à União, isto não significa que o referido bem já tenha integrado ou integre o patrimônio da União. Reforça o presente ponto com fato de que a reversão dos bens pode ser onerosa ou gratuita. No primeiro caso, o concedente tem o dever de indenizar o concessionário, porque os bens foram adquiridos com seu exclusivo capital (art. 36 da Lei nº. 8.987/95). Na reversão gratuita, a fixação da tarifa já levou em conta o ressarcimento do concessionário pelos recursos que empregou na aquisição dos bens, de forma que ao final tem o concedente o direito à propriedade desses bens sem qualquer ônus. Notase que o poder público irá adquirir os bens ao fim da concessão, seja pelo pagamento parcelado diluído no preço da concessão ou pela indenização ao fim da mesma, in verbis: “Art. 36. A reversão no advento do termo contratual farseá com a indenização das parcelas dos investimentos vinculados a bens reversíveis, ainda não amortizados ou depreciados, que tenham sido realizados com o objetivo de garantir a continuidade e atualidade do serviço concedido.” Fl. 2104DF CARF MF Processo nº 10650.721251/201434 Acórdão n.º 2202003.696 S2C2T2 Fl. 2.105 11 Como destacou a decisão recorrida, o CTN (arts. 29 e 31) e a Lei 9.393/1996 (arts. 1º, caput, e 4º) “não faz distinção entre o proprietário e o possuidor da terra, nem indica a prioridade que poderia ocorrer em relação à responsabilidade pelo pagamento do imposto”, estando correto o “o lançamento do imposto em nome daquela que tem a propriedade ou a posse do imóvel, com base nas informações cadastrais prestadas por ela própria à Receita Federal”. Neste contexto, uma vez que as diversas certidões de RGI apontam a recorrente como proprietária do imóvel, reconhecese esta como legítima contribuinte. Aqui também as Certidões acostadas aos autos, nas folhas 96 e seguintes, dão como adquirente ou expropriante dos imóveis, que vieram a constituir este em comento, a Recorrente. Ademais, no recurso o Recorrente tenta fazer crer que para que para ser contribuinte do ITR seria necessário reunir todos os elementos do conceito de propriedade, à luz do direito civil, quando a lei tributária, na realidade, usa o conectivo "ou". IMUNIDADE RECÍPROCA. EMPRESA PÚBLICA. FINALIDADES As empresas públicas, em regra, não gozam do benefício da chamada "imunidade recíproca", prevista na CF/88, porque não referidas expressamente e porque exercem atividade econômica, sendolhes vedada extensão de privilégios fiscais não extensíveis às empresas privadas (vide artigo 150, VI, "a" e § 2º e artigo 173 § 2º ambos da CF/88). O STF vem construindo entendimento no sentido de que tais empresas, entretanto, quando prestadoras de serviço público de prestação obrigatória e exclusiva do Estado, em regime de monopólio, são alcançadas pela imunidade. Primeiro por ser a atividade típica do Estado e segundo por ser prestada em regime de monopólio, o que afastaria a "concorrência privilegiada" com o setor privado. São exemplos clássicos os casos da ECT Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e da Infraero. Tais entendimentos não passaram ao largo do conhecimento da Recorrente, que os traz pormenorizadamente em seu recurso. Mas transcrevo da peça recursal, fl. 2.034: Desta forma, eventual submissão da recorrente (Sociedade de Economia Mista) ao regime jurídico aplicável às empresas da iniciativa privada, que exercem atividades econômicas strictu sensu, somente se justificaria como consectário natural do princípio da livre concorrência prevista no art. 170, IV, da CF/88, o que não é o caso dos autos. Mas tal questão também já foi discutida neste CARF, no Acórdão nº 1101 001.241 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária, em Sessão de 04 de fevereiro de 2015, portanto já considerando as construções do STF sobre a matéria. Naquela ocasião, tendo como recorrente a Companhia Estadual de Águas e Esgotos CEDAE, do Rio de Janeiro, assim dispôs, por unanimidade de votos, a ementa: Fl. 2105DF CARF MF Processo nº 10650.721251/201434 Acórdão n.º 2202003.696 S2C2T2 Fl. 2.106 12 SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. IMUNIDADE RECÍPROCA. INOCORRÊNCIA. Se o objeto social da companhia alcança outras atividades para além da prestação de serviço público, e pessoas físicas e pessoas jurídicas privadas podem participar de seu capital, com direito a dividendos, o reconhecimento da imunidade representaria privilégio fiscal não extensivo às pessoas jurídicas do setor privado.(destaquei) No bem fundamentado voto, assim explicou a particularidade da situação, a ilustre Relatora: A recorrente demonstra que o Supremo Tribunal Federal reconheceu imunidade à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, empresa pública prestadora de serviço público de execução obrigatória e exclusiva do Estado, nos termos do art. 21, inciso X da Constituição Federal. (...) A incidência tributária em debate somente foi apreciada pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral no que tange às atividades da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e de hospital vinculado ao Governo do Estado do Rio Grande do Sul. No primeiro caso, no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.392/PR, o Supremo Tribunal Federal declarou relevantes as peculiaridades do serviço postal, conforme consignado na ementa do arresto: Recurso extraordinário com repercussão geral. 2. Imunidade recíproca. Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. 3. Distinção, para fins de tratamento normativo, entre empresas públicas prestadoras de serviço público e empresas públicas exploradoras de atividade. Precedentes. 4. Exercício simultâneo de atividades em regime de exclusividade e em concorrência com a iniciativa privada. Irrelevância. Existência de peculiaridades no serviço postal. Incidência da imunidade prevista no art. 150, VI, “a”, da Constituição Federal. 5. Recurso extraordinário conhecido e provido. (negrejouse) No segundo caso, em razão do Recurso Extraordinário nº 580.264/RS, a decisão do Supremo Tribunal Federal frisou ser importante que a empresa estatal não tenha por fim a obtenção de lucro: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA RECÍPROCA. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. SERVIÇOS DE SAÚDE. 1. A saúde é direito fundamental de todos e dever do Estado (arts. 6º e 196 da Constituição Federal). Dever que é cumprido por meio de ações e serviços que, em face de sua prestação pelo Estado mesmo, se definem como de natureza pública (art. 197 da Lei das leis). 2 . A prestação de ações e serviços de saúde por sociedades de economia mista corresponde à própria atuação do Fl. 2106DF CARF MF Processo nº 10650.721251/201434 Acórdão n.º 2202003.696 S2C2T2 Fl. 2.107 13 Estado, desde que a empresa estatal não tenha por finalidade a obtenção de lucro. 3. As sociedades de economia mista prestadoras de ações e serviços de saúde, cujo capital social seja majoritariamente estatal, gozam da imunidade tributária prevista na alínea “a” do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. 3. Recurso extraordinário a que se dá provimento, com repercussão geral. (negrejouse) A Relatora, lembrandose que este Conselho já se manifestou a favor e contra a imunidade pretendida pela Recorrente, citou o Acórdão nº 330100.856 que analisou das atividades da Companhia de Urbanização de Goiânia – COMURG e resultou no afastamento da pretendida imunidade recíproca não apenas por se referir a exigência a COFINS, como também em razão dos serviços por ela prestados, nos seguintes termos do voto condutor: No presente caso, conforme demonstrados nos autos e prova os estatutos sociais, art. 1º, cópia às fls. 09/30, a recorrente é uma sociedade de economia mista por ações de direito privado cujo objetivo econômico é a prestação de serviços elencados no art. 2º, in verbis: “Art. 2° A Companhia tem como objetivo: (...) Conforme se verifica deste dispositivo, a recorrente realiza atividades econômicas de prestação de serviços que são também realizadas por outras empresas do setor privado, sociedades limitadas e/ ou por ações, abertas ou fechadas, concorrendo em igualdades de condições. Assim, tendo optado em explorar “atividades públicas” no regime empresarial, constituindo uma sociedade de economia mista por ações, optou também pelo regime privado, devendo, portanto, se submeter a ele, inclusive no que se refere às obrigações tributárias. Pois bem. Observo o estatuto social da companhia, que se encontra acostado nas folhas 43 e seguintes: Artigo Io A Cemig Geração e Transmissão S.A. é uma sociedade por ações, constituída como subsidiária integral da sociedade de economia mista Companhia Energética de Minas Gerais CEMIG, que será regida pelo presente Estatuto e pela legislação aplicável. Artigo 2 o A Companhia tem por objeto: a) estudar, planejar, projetar, construir, operar e explorar sistemas de geração, transmissão e comercialização de energia elétrica e serviços correlatos que lhe tenham sido ou venham a ser concedidos, por qualquer título de direito, ou a empresas das quais mantenha o controle acionário; Fl. 2107DF CARF MF Processo nº 10650.721251/201434 Acórdão n.º 2202003.696 S2C2T2 Fl. 2.108 14 b) desenvolver atividades nos diferentes campos de energia, em qualquer de suas fontes, com vistas à exploração econômica e comercial; c) prestar serviço de consultoria, dentro de sua área de atuação, a empresas no Brasil e no exterior; d) exercer atividades direta ou indiretamente relacionadas ao seu objeto social. Parágrafo Único As atividades previstas neste artigo poderão ser exercidas diretamente pela Companhia ou por intermédio de sociedades por ela constituídas, ou de que venha a participar, majoritária ou minoritariamente, mediante deliberação do Conselho de Administração do Acionista Único CEMIG,(...)(negritei) Vejamos que o objetivo social da companhia não cingese à prestação de serviço público essencial. Ele inclui "serviços correlatos que tenham sido ou venham a ser concedidos", diretamente ou a empresas das quais a companhia participe, majoritária ou minoritariamente; atividades "nos diferentes campos de energia", o que inclui não só a energia elétrica como "qualquer de suas fontes" e, destaco, com vistas não à prestação de serviço público de competência da União, mas "à exploração comercial e econômica". Além disso, se propõe a prestar serviço de consultoria a empresas no Brasil e no exterior, o que não é serviço público essencial e ainda existe a previsão do exercício de atividades indiretamente relacionadas a seu objeto social. O contexto aqui exposto evidencia que a atividade da contribuinte não pode ser favorecida pela imunidade constitucional invocada porque a amplitude de seu objeto social impõe a aplicação do disposto no art. 173 da Constituição Federal. Imaginemos que um jovem engenheiro monte uma empresa de consultoria na área de eletrificação. Terá imunidade tributária? Vai enfrentar a concorrência da recorrente na forma da alínea "c", artigo 2º de seu Estatuto? Chamo a atenção ainda que o artigo 21, XII, alínea 'b' da Constituição Federal referese apenas à "instalações de energia elétrica e o aproveitamento energético de curso d'água" mas não a quaisquer fontes no campo de energia, como prevê a alínea "b" do artigo 2º do Estatuto Social supracitado. Caso superadas as preliminares de não incidência e imunidade tributárias, passemos às demais questões suscitadas. VALOR DAS BENFEITORIAS. ÁREA OCUPADA COM BENFEITORIAS. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Nestes autos, conforme DITR/2011, acostada nas folhas 1986 e seguintes, o contribuinte declarou uma área total do imóvel de 15.684,8 hectares, que não foi alterada pela Autoridade fiscal, no lançamento. Na apuração do imposto, levase em conta a área total e excluise uma série de áreas, como por exemplo a de preservação permanente, a reserva legal e as "áreas alagadas de reservatório de usinas hidrelétricas autorizadas pelo poder público", para se chegar à "área tributável", sobre a qual recairá o imposto. Fl. 2108DF CARF MF Processo nº 10650.721251/201434 Acórdão n.º 2202003.696 S2C2T2 Fl. 2.109 15 Na revisão da declaração, conforme demonstrativo de folha 11, além de alterar a "área alagada de reservatório de usinas hidrelétricas" para zero, a Autoridade autuante também passou o "valor das benfeitorias", que fora declarado no importe de R$ 39.852.578,55 para zero. O valor das benfeitorias influencia, normalmente, no cálculo do valor da terra nua, uma vez que este é calculado a partir de valor total do imóvel menos valor das benfeitorias. Mas ocorre que quando efetua o arbitramento do valor da terra nua, como aconteceu no caso, a partir de valores de preços de terras estabelecidos pelas Secretarias Municipais e Estaduais competentes, a Autoridade fiscal não parte do valor total para chegar ao valor da terra nua. Nesse caso, é irrelevante considerar ou não o valor das benfeitorias, porque o imposto é calculado a partir do valor da "terra nua tributável" e não a partir do valor total do imóvel (terra nua mais benfeitorias). Basta seguir o demonstrativo de apuração, na folha 11. Quanto à área ocupada com benfeitorias, diz o Recorrente que (fl. 2046): Em atenção à Instrução Normativa 60/2001 da SRF e à Lei 9.393/96, quando da declaração de ITR do imóvel Usina Volta Grande, foram discriminados 410 ha correspondentes às benfeitorias realizadas no imóvel para o regular funcionamento da Usina hidrelétrica construída. De fato, foram declarados 410,1 ha como "área com demais benfeitorias", como se pode observar na fl. 1988, área essa que não foi considerada na apuração realizada pela Autoridade Fiscal, sem que se encontre qualquer motivação para tal, no Auto de Infração (fl. 04). O Recorrente cita ainda jurisprudência e legislação para defender que também sejam excluídas da área tributável as áreas de preservação permanente existentes nas margens dos reservatórios. Mas também registro que na DITR/2011 apresentada (fl. 1.988) e no demonstrativo de apuração de folha 11 não consta a declaração/glosa de um único hectare de área de preservação permanente. Assim, entendo que a eventual inclusão de áreas de preservação permanente que não foram informadas em DITR e, obviamente, não foram objeto de glosa pela Autoridade fiscal revisora, estão fora deste litígio e, sua inclusão seria cabível somente em procedimento de revisão de ofício, nos termos do artigo 149, do CTN. ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA. Tanto na impugnação, quanto no recurso não verifico que o contribuinte questione o arbitramento efetuado tampouco o valor arbitrado. Concentrouse em extensa argumentação acerca da não incidência e imunidade, mesmo tendo apresentado declaração de ITR, identificandose como contribuinte do imposto, conforme já citado. Concorda ser contribuinte, quando se exclui grande parte da área, como não tributável e se atribui à terra nua o valor de R$ 1.207.988,32, o que representa R$ 77,02 por hectare, considerando a área total do imóvel de 15.648,8 ha. Entretanto, quando o valor da terra nua foi alterado para R$ 4.545,45 por hectare, para terra de "campos", conforme a tela do sistema SIPT cuja cópia está na folha 1999, irresignouse com a condição de contribuinte ou com a tributação. Fl. 2109DF CARF MF Processo nº 10650.721251/201434 Acórdão n.º 2202003.696 S2C2T2 Fl. 2.110 16 Na folha 13/14 consta o termo de intimação fiscal onde o contribuinte foi previamente intimado a comprovar o valor da terra nua declarado, mediante a apresentação de laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, nos termos da NBR 14.653, da ABNT, sob a advertência de ser o valor declarado alterado conforme informações constantes do sistema de preços de terra da RFB, com parâmetros estabelecidos com base no artigo 14 da Lei nº 9.393, de 1996. A Autoridade Fiscal afirma que não atendida a intimação para a apresentação de laudo técnico de avaliação do imóvel e que procedeu ao arbitramento do valor da terra nua com base no SIPT (sistema de preços de terra, instituído pela RFB), conforme Termo de constatação e intimação, nas folhas 10 e 11. De fato, não se localiza nestes autos qualquer laudo de avaliação do imóvel. O valor da terra nua – VTN, declarado pelo contribuinte na DITR/2011, foi então alterado com base no SIPT (Sistema de Preços de Terras da RFB). Na tela informadora do sistema SIPT, que encontrase anexada na fl. 1998/9, observase que constam informações sobre preços de terras, para o município de Conceição das Alagoas, tendo como fonte de informação a Secretaria Estadual de Agricultura e a Prefeitura Municipal, estabelecidos discriminadamente pelos diversos tipos de terra e aptidão agrícola, existentes na localidade. Foi utilizado o menor valor do VTN/ha dentre os disponíveis. Já é ponto pacífico em diversas decisões deste CARF a possibilidade de utilização do VTN baseado nesse tipo de informação, quando o contribuinte, regularmente intimado, não apresenta o laudo técnico com o escopo de demonstrar que seu imóvel destoa do padrão de preços de terra, naquele determinado município. Vejamos: Acórdão nº 2801002.942 – 2ª Câmara / 1ª Turma Especial (12/03/2013) VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. Acórdão nº 2201001.945 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (22/01/2013) VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. UTILIZAÇÃO DOS DADOS DO SIPT. O VTN médio declarado por município, constante da tabela SIPT, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas Fl. 2110DF CARF MF Processo nº 10650.721251/201434 Acórdão n.º 2202003.696 S2C2T2 Fl. 2.111 17 informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel.(gifei) Acórdão n° 2801000.741, de 27/07/10 VALOR DA TERRA NUA (VTN). SUBAVALIAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Quando o VTN declarado está subavaliado, se faz necessário que o interessado apresente elemento hábil de prova, mormente, laudo técnico de avaliação emitido por profissional habilitado, que faça expressa referência ao preço de mercado em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador, o qual corrobore sua declaração. Não sendo hábeis os documentos apresentados, cabível a autuação que considerou o VTN, constante do SIPT, considerandose o município de localização do imóvel, a aptidão de uso do solo e as extensões de áreas declaradas pelo contribuinte. Assim, é importante trazer o disposto na Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, art. 14, § 1º, in verbis: “Lei nº 9.393/96 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.”(grifei) Registrese que a partir de 2001, a redação do art. 12 da Lei nº 8.629 passou a ser a seguinte: “Lei nº 8.629/93 Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: (Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) I localização do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) II aptidão agrícola; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) Fl. 2111DF CARF MF Processo nº 10650.721251/201434 Acórdão n.º 2202003.696 S2C2T2 Fl. 2.112 18 III dimensão do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IV área ocupada e ancianidade das posses; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) §1o Verificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §2o Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §3o O Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela super avaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001)” Dessa feita, regular o arbitramento, efetuado como foi nestes autos. Aliás, sequer existe questionamento expresso, neste sentido, sobre o valor da terra nua empregado. SÚMULA CARF Nº 45 Diz a Súmula CARF nº 45 que: O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas.(grifei) Nas duas intimações que precederam a autuação, conforme já citado, não verifico que o contribuinte tenha sido intimado a comprovar a existência e a extensão das áreas alagadas para formação de reservatório da usina hidrelétrica. A DRJ disse que não foi apresentado o Ato Declaratório Ambiental ADA nem comprovação de autorização/reconhecimento do órgão competente, no caso o Ibama. A possibilidade de exclusão dessas áreas na apuração do ITR, especificamente, veio contemplada com o artigo 40, da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008, que alterou o artigo 10 da Lei nº 9.393, de 1996. Tenho sempre defendido a necessidade de apresentação tempestiva do ADA para exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal. Entretanto, pareceme que tanto a Súmula CARF quanto a jurisprudência da Câmara Superior deste Conselho, no caso das Fl. 2112DF CARF MF Processo nº 10650.721251/201434 Acórdão n.º 2202003.696 S2C2T2 Fl. 2.113 19 áreas alagadas de reservatórios, não vinculam a sua exclusão da área tributada à entrega prévia de ADA. Observo o julgado da CSRF: Acórdão 9202002.892– 2ª Turma ITR. TERRAS SUBMERSAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Na esteira da jurisprudência consolidada neste Colegiado, traduzida na Súmula nº 45 do CARF, a qual é de observância obrigatória, não incide Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. MARGENS DE REPRESA DE USINA HIDRELÉTRICA. INEXISTÊNCIA DE ADA. RECONHECIMENTO DAS ÁREAS SUBMERSAS. DECORRÊNCIA POR DEFINIÇÃO LEGAL. Uma vez reconhecida à existência e a não incidência de ITR sobre as áreas submersas por represa de Usina Hidrelétrica, por decorrência lógica/legal impõese admitir as suas margens como área de preservação permanente, por definição da própria legislação de regência, especialmente artigo 2o, alíneas “a” e “b”, da Lei n° 4.771/65 (Código Florestal), independentemente de apresentação de ADA.(grifei) ÁREAS ALAGADAS PARA FINS DE CONSTITUIÇÃO DE RESERVATÓRIO DE USINAS HIDROELÉTRICAS Na ocasião da apreciação anterior, verificouse que o contribuinte havia declarado a maior parte de seu imóvel como "área alagada de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público" (fl. 1988). Na apuração de ofício, a Autoridade lançadora incluiu essa área, controvertida. No relatório de diligência (fl. 2090), a Prefeitura de Conceição das Alagoas/MG, que foi responsável pelo lançamento tributário, mediante seu Departamento de Finanças, diz que: ...devo informar que houve uma falha técnica e equivocada de lançamento tributário por parte do servidor responsável pelo serviço de cobrança, lançamento e fiscalização do ITR, vez que o imóvel...tratase realmente de área alagada de reservatório de usina hidrelétrica autorizada pelo poder público, perfazendo uma área total alagada de 14.690,00 hectares. (...) considerando que se trata de área alagada de reservatório de usina hidrelétrica autorizada pelo poder público, devendo essa área de 14.690,00 hectares ser excluída do processo de tributação, conforme disposto na... Fl. 2113DF CARF MF Processo nº 10650.721251/201434 Acórdão n.º 2202003.696 S2C2T2 Fl. 2.114 20 Portanto, o próprio Agente lançador reconhece que houve um erro na tributação e que de fato existe uma área de 14.690,0 ha que não deve ser tributada. CONCLUSÃO Nos termos deste Voto, considero que o imóvel seja passível de incidência do ITR, identificado corretamente o sujeito passivo que não está imune do tributo, no caso. Também considero que foi regular o arbitramento efetuado, uma vez que, regularmente intimado, o sujeito passivo não apresentou a documentação comprobatória que pudesse ilidir o arbitramento do valor da terra nua com base nas informações de sistema informativo da RFB, baseado no artigo 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Contudo, na apuração da área tributável deve ser excluída a área de 14.690,0 alagada para a formação de reservatório, conforme a jurisprudência consolidada e de observância obrigatória neste CARF, aliás com respaldo legal (artigo 40, da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008, que alterou o artigo 10 da Lei nº 9.393, de 1996), e na apuração da área aproveitável deve ser considerada a área ocupada com benfeitorias, que foi glosada sem nenhuma justificativa, no Auto de Infração, na extensão de 410,1 ha. Dessa feita, VOTO por dar parcial provimento ao recurso para excluir da área tributável a área de 14.690,0, alagada para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas, e para considerar na apuração da área aproveitável a área de 410,1 ha, ocupada com benfeitorias (vide demonstrativo de fl. 11). Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 2114DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.006649/98-01
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 1988
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE PAGAMENTOS REALIZADOS COM BASE EM NORMA DECLARADA INCONSTITUCIONAL PELO STF. DECRETOS-LEIS NºS 2.445/88 E 2.449/88. PRAZO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITOS.
Para a contagem de prescrição de indébito decorrente de pagamento de tributo feito com base em norma tida como inconstitucional, o STJ atualmente aplica as regras do CTN, e ainda afirma que a declaração de inconstitucionalidade de norma de direito tributário material, tanto no controle direto como no difuso, é irrelevante para fins da contagem da prescrição do indébito (REsp nº 1.110.578-SP). A declaração de inconstitucionalidade que embasaria a repetição do indébito, portanto, não é marco inicial para contagem de prescrição, não interrompe prazo de prescrição em curso, e nem reabre prazo para repetição de indébitos já prescritos. Quanto aos prazos prescricionais do CTN, há súmula do CARF, embasada em decisão do STF sob a sistemática de repercussão geral (RE nº 566.621), de que "ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador". Conforme o § 2º do artigo 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543-B e 543-C do CPC. Como o pedido de restituição/compensação foi apresentado em 17/11/1998, estão prescritos os direitos creditórios referentes aos fatos geradores ocorridos antes de 17/11/1988.
Numero da decisão: 9900-001.001
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, com retorno dos autos à unidade de origem, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 1988 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE PAGAMENTOS REALIZADOS COM BASE EM NORMA DECLARADA INCONSTITUCIONAL PELO STF. DECRETOS-LEIS NºS 2.445/88 E 2.449/88. PRAZO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITOS. Para a contagem de prescrição de indébito decorrente de pagamento de tributo feito com base em norma tida como inconstitucional, o STJ atualmente aplica as regras do CTN, e ainda afirma que a declaração de inconstitucionalidade de norma de direito tributário material, tanto no controle direto como no difuso, é irrelevante para fins da contagem da prescrição do indébito (REsp nº 1.110.578-SP). A declaração de inconstitucionalidade que embasaria a repetição do indébito, portanto, não é marco inicial para contagem de prescrição, não interrompe prazo de prescrição em curso, e nem reabre prazo para repetição de indébitos já prescritos. Quanto aos prazos prescricionais do CTN, há súmula do CARF, embasada em decisão do STF sob a sistemática de repercussão geral (RE nº 566.621), de que "ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador". Conforme o § 2º do artigo 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543-B e 543-C do CPC. Como o pedido de restituição/compensação foi apresentado em 17/11/1998, estão prescritos os direitos creditórios referentes aos fatos geradores ocorridos antes de 17/11/1988. Fl. 659DF CARF MF Processo nº 10830.006649/98-01 Acórdão n.º 9900-001.001 CSRF-T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, com retorno dos autos à unidade de origem, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Possas - Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Heitor de Souza Lima Junior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gerson Macedo Guerra, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício do CARF). Relatório Trata-se de recurso extraordinário apresentado pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional - PGFN ao pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF, com fulcro no artigo 9º do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, c/c artigo 3º do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, em que se alega divergência entre turmas da CSRF quanto ao que se decidiu sobre prescrição de direito creditório reivindicado pela contribuinte em pedido de restituição/compensação. A PGFN insurgi-se contra o Acórdão nº 02-03.656, de 26/11/2008, por meio do qual a 2 a Turma da CSRF, entre outras questões, deu provimento a recurso especial da contribuinte para, por unanimidade de votos, afastar a prescrição de direito creditório reivindicado em decorrência de pagamentos indevidos ou a maior de PIS/PASEP realizados com base nos Decretos- Leis nºs 2.445/88 e 2.449/88, julgados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva abaixo transcritas: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995 PIS. RESOLUÇÃO DO SENADO. Na hipótese de suspensão da execução de lei por resolução do Senado Federal, o prazo de cinco anos para apresentação do pedido, Fl. 660DF CARF MF Processo nº 10830.006649/98-01 Acórdão n.º 9900-001.001 CSRF-T1 Fl. 4 3 relativamente aos recolhimentos efetuados sob a vigência da lei inconstitucional, inicia-se na data da publicação da resolução. Como regra geral, a declaração de inconstitucionalidade de um certo ato normativo tem efeito "ex tunc", não cabendo buscar a preservação visando a interesses momentâneos e isolados. Precedentes jurisprudenciais. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. RECONHECIMENTO NA ESFERA ADMINISTRATIVA SEM RESPALDO JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE. Inadmissível, na instância administrativa, a correção monetária de tributos recolhidos indevidamente que não obedeçam aos expressos ditames legais ou não tenham sido reconhecidos judicialmente. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: 1) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial quanto à matéria "expurgos inflacionários". Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martinez López (Relatora), Manoel Coelho Arruda Junior e Antonio Carlos Guidoni Filho que davam provimento ao recurso; 2) por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial quanto ao prazo para reconhecimento do direito creditório. Designado para redigir o voto vencedor quanto à matéria "expurgos inflacionários", o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. A PGFN afirma que o acórdão recorrido, exarado pela 2 a Turma da CSRF, deu à lei tributária interpretação divergente da que foi dada por outra turma da CSRF, especificamente quanto ao que se decidiu sobre prescrição de direito creditório reivindicado pela contribuinte em pedido de restituição/compensação. Para o processamento de seu recurso extraordinário, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS OCORRIDOS E DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL - trata-se do Pedido de Compensação de fl. 01, protocolizado em 17/11/1998, relativo a créditos por recolhimentos a maior da Contribuição para o PIS Faturamento, base de cálculo apurada nos meses de 07/88 a 09/95, efetuados com base nos Decretos-Leis nºs 2.445/88 e 2.449/88. Segundo a planilha de fls. 140/141 e os DARF (originais) anexados às fls. 30/139, os pagamentos que originaram os créditos foram realizados entre 20/10/88 e 06/11/97; - o v. acórdão ora recorrido proferido pela Colenda 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais assentou o entendimento de que na hipótese de suspensão da execução de lei por resolução senatorial, o prazo de cinco anos para a apresentação do pedido, relativamente aos recolhimentos efetuados sob a vigência da lei inconstitucional, inicia-se apenas na data da publicação da resolução; - divergindo frontalmente desse entendimento, temos o seguinte paradigma oriundo da Colenda 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que assentou o entendimento que para os pedidos formulados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/95 (hipótese dos autos), o prazo é de dez ano para a compensação, verbis: Fl. 661DF CARF MF Processo nº 10830.006649/98-01 Acórdão n.º 9900-001.001 CSRF-T1 Fl. 5 4 Acórdão nº 9101-002.133 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Conforme Súmula CARF n. 91, “ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. DAS RAZÕES QUE JUSTIFICAM A REFORMA DO V. ACÓRDÃO ORA RECORRIDO - foi publicado no dia 11/10/2011 o inteiro teor da decisão do STF envolvendo o prazo que os contribuintes possuem para exercer o direito a restituição de tributos pagos indevidamente ou a maior; - o caso (RE 566.621) que teve repercussão geral e efeito vinculante aos demais Juízos e Tribunais nacionais, teve origem em 2005, quando foi publicada Lei com regra denominada interpretativa do Código Tributário Nacional; - a regra nova determinou que o início do prazo de 5 (cinco) anos para restituição começa a partir do pagamento antecipado, no caso de tributos onde é dever do contribuinte a declaração do débito e, ao mesmo tempo, realizar o respectivo pagamento; - antes, a interpretação dominante compreendia que o início do prazo se dava somente a partir do pagamento definitivo, ou seja, apenas após o final do prazo de 5 (cinco) anos que a Fazenda tem para concordar ou não com a adequação do pagamento; - somado o prazo da Fazenda, cinco anos para homologar, ao prazo de cinco anos para a restituição, chega-se à conhecida 'regra dos cinco mais cinco', que nada mais é do que uma decorrência lógica da compreensão adequada de duas regras existentes e interpretadas de forma harmônica; - a partir da nova lei, a Fazenda pretendia a aplicação do 'novo prazo' inclusive aos pagamentos já realizados anteriormente à lei, sob argumento central de que, sendo uma norma de interpretação, não criando ou restringindo direitos, poderia ser aplicada ao passado, ou seja, retroagir; - a matéria foi altamente judicializada, até a definição do Supremo, que, conforme resultado amplamente divulgado, ao desprover o recurso da União, termina por evitar esta retroatividade; - quanto à transição dos prazos, definiu o Supremo que a nova regra deve ser aplicada a todos os casos ajuizados após o vigor da nova lei, ou seja, 9/6/05; - no ponto, não acolheu a pretensão dos contribuintes da aplicação de regra de transição de prazos que tornaria possível o pleito pela regra dos 10 (dez) anos até 9/6/10; Fl. 662DF CARF MF Processo nº 10830.006649/98-01 Acórdão n.º 9900-001.001 CSRF-T1 Fl. 6 5 - assim sendo, a teor do artigo 62-A do Regimento Interno, a CSRF deve adotar o entendimento acima, uma vez oriundo de decisão emanada do Plenário do Supremo Tribunal Federal, conforme também prevê a Súmula nº 91 do CARF; - como o pedido administrativo da compensação só foi formulado pelo contribuinte em 17 de novembro de 1998, todas as parcelas anteriores a 17 de novembro de 1988 pleiteadas estão decaídas; DO PEDIDO - diante do exposto, a União (Fazenda Nacional) requer seja conhecido e provido o presente Recurso Extraordinário, a fim de reformando o v. acórdão ora recorrido, ser reconhecido que todas as parcelas anteriores a 17 de novembro de 1988 pleiteadas estão decaídas. Quando do exame de admissibilidade do recurso extraordinário da PGFN, o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do despacho exarado em 03/12/2015, reconheceu a existência da divergência suscitada e deu seguimento ao recurso, nos seguintes termos: [...] No confronto entre os acórdãos mencionados, constata-se que os julgamentos realmente apresentam decisões divergentes. No julgado recorrido, o prazo decadencial de cinco anos previsto no CTN para se pedir a repetição de indébito de tributo sujeito ao lançamento por homologação inicia-se com a retirada do mundo jurídico da legislação que instituía sua cobrança, pela declaração de sua inconstitucionalidade, enquanto que os acórdãos divergentes consignam que esse prazo é de dez anos e se inicia com o fato gerador, ou seja, do pagamento indevido. Ademais, cabe ressaltar que a matéria recorrida encontra-se sumulada com o entendimento seguinte, verbis: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Por fim, seguindo tal entendimento, verifica-se que o presente processo trata de pedido de restituição protocolizado em 17/11/1998, em que se busca a repetição de valores pagos a título de PIS referentes aos períodos de 07/1988 a 09/1995 (recolhimento indevido - fatos geradores), sendo imprescindível o reconhecimento da decadência de parte do pedido da empresa interessada, de acordo com a Súmula CARF nº 91. Pelo exposto, verificando presentes todos os pressupostos de admissibilidade, DOU seguimento ao recurso extraordinário da PGFN. Em 14/12/2015, a contribuinte foi intimada do Acórdão nº 02-03.656, do recurso extraordinário da PGFN, e do despacho que admitiu esse recurso. Ela não recorreu da parte da decisão que lhe foi desfavorável e nem apresentou contrarrazões ao recurso da PGFN. Fl. 663DF CARF MF Processo nº 10830.006649/98-01 Acórdão n.º 9900-001.001 CSRF-T1 Fl. 7 6 É o relatório. Fl. 664DF CARF MF Processo nº 10830.006649/98-01 Acórdão n.º 9900-001.001 CSRF-T1 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto pedido de restituição/compensação de direito creditório referente à Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, apresentado em 17 de novembro de 1998, referente ao período de apuração de julho de 1988 a setembro de 1995, no valor de R$ 1.596.157,28. O direito creditório que a contribuinte reivindica é decorrente de recolhimentos indevidos ou a maior efetuados com base nos Decretos-Leis nºs 2.445/88 e 2.449/88, julgados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. A controvérsia que chega a essa fase de recurso extraordinário diz respeito à divergência jurisprudencial em relação à prescrição do direito creditório. O acórdão recorrido deu provimento a recurso especial da contribuinte, para fins de afastar a prescrição de direito creditório reivindicado em decorrência de pagamentos indevidos ou a maior de PIS/PASEP realizados com base nos referidos decretos-leis. De acordo com o acórdão recorrido, o prazo de cinco anos para apresentação de pedido de restituição/compensação, relativamente aos recolhimentos efetuados sob a vigência da norma tida como inconstitucional no controle difuso, inicia-se na data da publicação da resolução do Senado Federal que deu efeitos erga omnes ao pronunciamento do STF (Resolução nº 49 do Senado Federal, de 10/10/1995). Além disso, a declaração de inconstitucionalidade teria efeitos "ex-tunc", de modo que a contribuinte poderia, em relação ao passado, repetir todos os valores pagos indevidamente ou em excesso. Com seu recurso extraordinário, a PGFN pretende reverter essa decisão, invocando o entendimento manifestado pelo STF em julgamento de matéria de repercussão geral (RE 566.621), e sumulado pelo CARF (Súmula nº 93), de que "ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador". De acordo com a PGFN, como o pedido administrativo de restituição/ compensação foi formulado pelo contribuinte em 17/11/1998, as parcelas anteriores a 17/11/1988 estariam decaídas (prescritas). A linha de interpretação adotada pelo acórdão recorrido não traz questões apenas em relação à simples definição do marco temporal para o início da contagem da prescrição. O que essa interpretação também faz é tornar sem efeito os prazos de prescrição previstos no CTN, para que a possibilidade de repetição de indébito se estenda indefinidamente em relação ao passado. Fl. 665DF CARF MF Processo nº 10830.006649/98-01 Acórdão n.º 9900-001.001 CSRF-T1 Fl. 9 8 O Superior Tribunal de Justiça (STJ), por algum tempo, editou decisões que, examinando indébito decorrente de pagamento feito com base em norma declarada inconstitucional, afastavam os prazos para repetição de indébito previstos no Código Tributário Nacional (p/ ex., REsp nº 534.986-SC, de 04/11/2003), o que reforçava a tese sustentada pelo acórdão recorrido, no sentido de que a possibilidade de repetição de indébito, nesses casos, não tem nenhum limite em relação ao passado. Contudo, o STJ revisou a sua jurisprudência, e passou a entender que, nesse mesmo tipo de situação, os prazos para repetição de indébito previstos no Código Tributário Nacional devem ser aplicados, tanto no caso de a inconstitucionalidade ser decretada no controle concentrado, quanto no caso de ser decretada no controle difuso. É importante transcrever a ementa e o voto do julgamento do REsp nº 1.110.578-SP, exarado em 12/05/2010 na sistemática do art. 543-C do CPC: EMENTA TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543-C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO. 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009; AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) Fl. 666DF CARF MF Processo nº 10830.006649/98-01 Acórdão n.º 9900-001.001 CSRF-T1 Fl. 10 9 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. [...] VOTO O EXMO. SR. MINISTRO LUIZ FUX (Relator): Preliminarmente, preenchidos os requisitos de admissibilidade do presente apelo, impõe-se o seu conhecimento. Versa a controvérsia acerca do termo inicial de contagem do prazo prescricional para ajuizamento da ação de repetição de indébito relativo a tributo instituído por lei municipal declarada inconstitucional, in casu, a lei instituidora da Taxa de Iluminação Pública referente aos exercícios de 1990 a 1994, cuja declaração de inconstitucionalidade, em sede de Ação Civil Pública, transitou em julgado em 09/04/96 (fls. 825). O Tribunal a quo entendeu que não seria hipótese de ocorrência da prescrição em relação aos créditos tributários em tela, porquanto não decorrera mais de um lustro entre o trânsito em julgado da decisão da ACP e a propositura da demanda. Deveras, o presente tema - termo inicial do prazo prescricional para ajuizamento da ação de repetição de indébito relativa a tributo declarado inconstitucional - sofreu alterações ao longo do tempo, tendo a jurisprudência desta Corte Superior adotado o entendimento de que o prazo prescricional somente se iniciaria a partir do trânsito em julgado da declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal (controle concentrado) ou da publicação da Resolução do Senado Federal (controle difuso). À guisa de exemplo, os seguintes precedentes: [...] Não obstante, a egrégia Primeira Seção deste colendo Superior Tribunal de Justiça, houve por bem afastar, por maioria, a tese acima esposada, para adotar o entendimento segundo o qual, para as hipóteses de devolução de tributos lançados por homologação declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, a prescrição do direito de pleitear a restituição se dá após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita, sendo despiciendo o fato de haver ou não declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora pelo Supremo Tribunal Federal, nem a suspensão da execução da lei por Resolução expedida pelo Senado Federal (cf. Informativo de Jurisprudência do STJ nº. 203, de 22 a 26 de março de 2004). Confira-se a ementa do julgado: [...] Fl. 667DF CARF MF Processo nº 10830.006649/98-01 Acórdão n.º 9900-001.001 CSRF-T1 Fl. 11 10 Destarte, a partir de então, aplica-se a mesma ratio essendi em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, considerando-se como início do prazo prescricional a data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. Nesse sentido inúmeros julgados: [...] Ex positis, DOU PROVIMENTO ao recurso especial. Porquanto tratar-se de recurso representativo da controvérsia, sujeito ao procedimento do art. 543-C do Código de Processo Civil, determino, após a publicação do acórdão, a comunicação à Presidência do STJ, aos Ministros dessa Colenda Primeira Seção, aos Tribunais Regionais Federais, bem como aos Tribunais de Justiça dos Estados, com fins de cumprimento do disposto no parágrafo 7º do artigo 543-C do Código de Processo Civil (arts. 5º, II, e 6º, da Resolução 08/2008). (grifos acrescidos) Vê-se que o STJ, examinando situação semelhante à destes autos, decidiu pela prescrição do direito creditório, em razão do lapso temporal transcorrido entre os pagamentos e o pedido de restituição. O que é importante perceber é que para a contagem de prescrição de indébito decorrente de pagamento de tributo feito com base em norma tida como inconstitucional, o STJ atualmente aplica as regras do CTN, e ainda afirma que a declaração de inconstitucionalidade de norma de direito tributário material, tanto no controle direto como no difuso, é irrelevante para fins da contagem da prescrição do indébito. A declaração de inconstitucionalidade que embasaria a repetição do indébito, portanto, não é marco inicial para contagem de prescrição, não interrompe prazo de prescrição em curso, e nem reabre prazo para repetição de indébitos já prescritos. Conforme o § 2º do artigo 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543-B e 543-C do CPC. Desse modo, a inconstitucionalidade dos Decretos-leis nºs 2.445/88 e 2.449/88 declarada pelo STF, acompanhada da Resolução nº 49 do Senado Federal, de 10/10/1995, são aspectos que não devem influenciar a contagem do prazo prescricional em questão. Os prazos a serem aplicados para a contagem da prescrição são mesmo os previstos no CTN, conforme a referida decisão do STJ, exarada na sistemática do art. 543-C do CPC. E quanto aos prazos prescricionais do CTN, já há súmula do CARF, embasada em decisão do STF sob a sistemática de repercussão geral (RE 566.621), de que "ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de Fl. 668DF CARF MF Processo nº 10830.006649/98-01 Acórdão n.º 9900-001.001 CSRF-T1 Fl. 12 11 tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador". Assim, estão mesmo prescritos os direitos creditórios referentes aos fatos geradores ocorridos antes de 17/11/1988. Desse modo, voto o sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso extraordinário da PGFN para fins de reconhecer a prescrição dos indébitos referentes aos fatos geradores ocorridos antes de 17/11/1988, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para análise do pretenso direito creditório. É como voto. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 669DF CARF MF
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Numero do processo: 15868.720033/2013-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. COMPROVADA APENAS A OMISSÃO. CONHECIMENTO PARCIAL. IMPROCEDÊNCIA DA PRETENSÃO MERITÓRIA. INTEGRAÇÃO DO JULGADO SEM EFEITO INFRINGENTE. POSSIBILIDADE.
Se alegado contradição e omissão no acórdão embargado e comprovada apenas a omissão, mas demonstrada a improcedência da pretensão meritória suscitada pela embargante, acolhe-se parcialmente os aclaratórios apenas para suprir a omissão e, sem efeito infringente, rerratificar o acórdão embargado.
Embargos Acolhidos em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração, para rerratificar o Acórdão embargado. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède e a Conselheira Maria do Socorro votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. COMPROVADA APENAS A OMISSÃO. CONHECIMENTO PARCIAL. IMPROCEDÊNCIA DA PRETENSÃO MERITÓRIA. INTEGRAÇÃO DO JULGADO SEM EFEITO INFRINGENTE. POSSIBILIDADE. Se alegado contradição e omissão no acórdão embargado e comprovada apenas a omissão, mas demonstrada a improcedência da pretensão meritória suscitada pela embargante, acolhe-se parcialmente os aclaratórios apenas para suprir a omissão e, sem efeito infringente, rerratificar o acórdão embargado. Embargos Acolhidos em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração, para rerratificar o Acórdão embargado. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède e a Conselheira Maria do Socorro votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. COMPROVADA APENAS A OMISSÃO. CONHECIMENTO PARCIAL. IMPROCEDÊNCIA DA PRETENSÃO MERITÓRIA. INTEGRAÇÃO DO JULGADO SEM EFEITO INFRINGENTE. POSSIBILIDADE. Se alegado contradição e omissão no acórdão embargado e comprovada apenas a omissão, mas demonstrada a improcedência da pretensão meritória suscitada pela embargante, acolhese parcialmente os aclaratórios apenas para suprir a omissão e, sem efeito infringente, rerratificar o acórdão embargado. Embargos Acolhidos em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração, para rerratificar o Acórdão embargado. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède e a Conselheira Maria do Socorro votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 00 33 /2 01 3- 70 Fl. 3391DF CARF MF 2 Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de embargos de declaração (fls. 3353/3363), tempestivamente, opostos pela autuada, com o objetivo suprir supostos vícios de contradição e omissão contidos no acórdão nº 3101001.704, de 17 de setembro de 2014 (fls. 3315/3326), em que, por unanimidade de votos, decidiram os membros da extinta 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta Seção, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à apropriação do crédito presumido na forma do artigo 8º, 3º, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, no valor equivalente a 60% das alíquotas básicas previstas nos arts. 2º da Lei nº 10.637, de 2002 e da Lei nº 10.833, de 2003. A embargante alegou que houve contradição no julgado embargado, sob o argumento de que ao se insurgir contra a autuação, alegara que o agente fiscal, ao recompor os créditos e débitos existentes no período, incorrera em erro de fato, pois considerara créditos de algumas filiais e débitos de outras, enquanto que a Turma de Julgamento limitarase a afirmar que a contribuinte devia demonstrar pontualmente porque os créditos glosados eram legítimos. No tocante ao vício de omissão, a embargante alegou que, em seu recurso voluntário, teria demonstrado sua ilegitimidade para figurar no polo passivo da presente autuação e a responsabilidade exclusiva dos administradores à época dos fatos, segundo prescreve o art. 135 do CTN, porém, esta questão não fora examinada pelo referido Colegiado de julgamento. Por meio do despacho de fls. 3387/3389, com amparo no disposto no art. 4º, § 2º, I, da Portaria CARF nº 29, de 23 de junho de 2015, o presidente a da 1ª Câmara desta 3ª Seção, reconheceu a procedência parcial dos embargos, para: a) rejeitar a alegada contradição, porque a embargante limitarase a apontar a ocorrência de erro de fato na apuração efetuada pelo Fisco, porém, em nenhum momento demonstrara, objetivamente, a contradição porventura existente entre a decisão e seus fundamentos; b) acatar a alegada omissão, porque fora demonstrada, objetivamente, que o Colegiado julgador não apreciara a questão atinente à responsabilidade exclusiva dos administradores. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento parcial dos presentes embargos de declaração, para análise apenas do vício de omissão alegado pela recorrente. No recurso voluntário e nos presentes embargos, a embargante alegou que era parte ilegítima para compor o pólo passivo das presentes autuações, porque, nos termos Fl. 3392DF CARF MF Processo nº 15868.720033/201370 Acórdão n.º 3302003.745 S3C3T2 Fl. 3.392 3 prescritos pelo art. 135, III, do CTN, estavam caracterizados os pressupostos para responsabilização exclusiva dos então administradores da pessoa jurídica incorporada, Bertim S/A., pelos débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, cujos fatos geradores ocorreram até a data da incorporação da citada pessoa jurídica pela embargante, haja vista que eles agiram com clara infração à lei e ao estatuto social, ao não terem declarado e recolhido os créditos tributários lançados, aliado à declaração de que havia crédito a ser ressarcido. A pretensão da recorrente foi baseado no disposto no art. 135, III, do CTN, que, para melhor análise da questão, segue transcrito: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. (grifos não originais) Da interpretação do referido preceito legal, em especial da expressão em destaque (“obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei”), extraise que o ato ilícito que dá ensejo a responsabilidade do administrador da pessoa jurídica é aquele praticado com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, que resulta na correspondente obrigação tributária. Assim, a condição necessária para que administrador seja incluído no polo passivo da respectiva obrigação tributária é que o ato ilícito societário (excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto) por ele praticado tenha resultado, simultaneamente, na prática do fato que resultou na obrigação tributária objeto da autuação. Porém, embora necessária, essa condição não é suficiente para configuração da responsabilidade do administrador. No caso, além da prática do ilícito societário, com o consequente surgimento de obrigação tributária, exigese ainda que o ato societário tenha sido praticado em detrimento da pessoa jurídica administrada. Dito de outra forma, se o ato praticado com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto foi praticado em benefício da sociedade, obviamente, não há razão para incluir o administrador no polo passivo da respectiva obrigação. Em suma, para que o administrador integre polo passivo da obrigação tributária, além da comprovação da prática do ilícito societário, resultante da correspondente obrigação tributária, também deve ser comprovado que ele atuou com desvio finalidade, no que concerne aos interesses e fins da sociedade por ele administrada, e tenha causado prejuízo à sociedade. Assim, a configuração da responsabilidade do administrador depende da comprovação da violação dos poderes definidos na lei, no contrato social ou no estatuto, bem como da comprovação de que ilícito societário foi cometido com desvio de finalidade, ou seja, contra os fins e interesses da sociedade empresária e tenha lhe causado efetivo prejuízo. Alguns exemplos contribuirá para a compreensão da explicação aqui apresentada: a) no caso de subfaturamento de vendas, quando a diferença não contabilizada e Fl. 3393DF CARF MF 4 tributada é embolsada pelo administrador; e b) a escrituração de despesas fictícias, quando o valor excluído da base cálculo dos tributos é apropriado pelo administrador. Nos dois exemplos, é evidente a prática de ato com infração de lei, contrato social ou estatuto, assim como desvio de finalidade, ou contrário aos interesses e fins da pessoa jurídica, e que resulta no surgimento de obrigação tributária. Logo, nos dois hipotéticos casos, diante do ilícito societário praticado pelo administrador contra a sociedade empresária, há inequívoco surgimento de obrigação tributária e, nesta condição, ele deve compor o polo passivo da obrigação tributária, na condição de responsável. No caso em tela, nenhuma das situações ficou configurada, ou seja, nem há provas da prática do ilícito societário, de que decorra surgimento de obrigação tributária, nem desvio de finalidade e tampouco prejuízo à sociedade empresária. Com efeito, o fato de os administradores da sociedade incorporada não terem declarado e recolhido os créditos tributários lançados foi baseado no entendimento de que fazia jus a parcela dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins que foram glosados pela fiscalização, no curso do procedimento fiscal, conforme se infere dos relatos da fiscalização colacionados aos autos. Em relação a declaração de que havia crédito a ser ressarcido, além de não provada, por certo, tal declaração não configura ato praticado com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, que tenha resultado surgimento de obrigação tributária e causado prejuízo a sociedade, o que não ocorreu no caso em apreço. E como o bem jurídico protegido pelo art. 135, III, do CTN, não foi conspurcado, logo, não fundamento legal nem jurídico para inclusão dos administradores no polo passivo da autuação como responsável pelo crédito tributário. No caso, como o procedimento fiscal em questão teve início antes da incorporação da companhia fiscalizada (Bertin S/A.) pela ora embargante, cabialhe o dever de diligência, com vista ao conhecimento da existência de eventual passivo tributário. Ao assim não proceder, a recorrente deve assumir as consequências da sua negligência. Entretanto, ainda que configurasse ato praticado com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, inequivocamente, no entendimento deste Conselheiro, os atos praticados pelos administradores não resultaram em obrigação tributária, como exige o caput do art. 135 do CTN. Em decorrência da prática dos referidos atos também não é possível vislumbrar desvio de finalidade em relação aos interesses e fins da sociedade empresária incorporada, haja vista que não há provas nos autos de que os administradores tenham se apropriado dos recursos financeiros não destinados ao pagamento dos valores dos créditos tributários lançados. E na ausência dessa comprovação, não há como ser imputado aos referidos administradores qualquer responsabilidade pelo crédito tributário lançado em desfavor da recorrente. Enfim, cabe consignar que, na mesma linha do entendimento aqui esposado, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial (REsp) 1.101.728/SP, submetido ao rito do art. 543C do CPC, decidiu que o simples inadimplemento do pagamento do crédito tributário não caracteriza ilícito societário, para fins de responsabilização do sócio gerente, sendo necessária a comprovação da prática de excesso de poder ou de infração à lei, contrato social ou estatuto, conforme dispõe o art. 135, III, do CTN. Para melhor compreensão Fl. 3394DF CARF MF Processo nº 15868.720033/201370 Acórdão n.º 3302003.745 S3C3T2 Fl. 3.393 5 do teor do entendimento esposado pela referida Corte, segue reproduzido o enunciado da ementa do referido julgado: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DISPENSA. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. TRIBUTO NÃO PAGO PELA SOCIEDADE. 1. A jurisprudência desta Corte, reafirmada pela Seção inclusive em julgamento pelo regime do art. 543C do CPC, é no sentido de que "a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco" (REsp 962.379, 1ª Seção, DJ de 28.10.08). 2. É igualmente pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa (EREsp 374.139/RS, 1ª Seção, DJ de 28.02.2005). 3. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/081. (Grifos não originais). Esse entendimento foi ratificado pela Súmula 430/STJ, que tem os seguintes dizeres: “o inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente”. Assim, além de manifestar o entendimento de que o mero inadimplemento do pagamento do tributo não constitui motivo suficiente para a inclusão do administrador no polo passivo da obrigação tributária, a referida jurisprudência também definiu que a responsabilidade do administrador era solidária ou subsidiária, mas não exclusiva, como defendeu a embargante. Logo, na condição de sucessora da contribuinte, há sim legitimidade passiva da recorrente para compor o polo passivo das autuações. E como a referida jurisprudência é de adoção obrigatório pelos integrantes deste Conselho, nos termos do art. 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF 343/2015 (RICARF/2015), adotase neste julgado os referidos entendimentos. 1 BRASIL. STJ. PRIMEIRA SEÇÃO. REsp 1101728/SP, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, julgado em 11/03/2009, DJe 23/03/2009. Fl. 3395DF CARF MF 6 Por todo o exposto, votase por acolher parcialmente os embargos, para, sem efeitos infringentes, rerratificar a decisão consignada no acórdão embargado. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 3396DF CARF MF
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