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Numero do processo: 12585.000064/2009-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO.
Na forma do art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado não-cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da apresentação de PER único para cada trimestre.
As Linhas 06/30 e 06/31 do DACON, denominadas respectivamente de Ajustes Positivos de Créditos e de Ajustes Negativos de Créditos, contemplam a hipótese de o contribuinte lançar ou subtrair outros créditos, além daqueles contemporâneos à declaração.
Também a EFDPIS/Cofins, constante do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS nº 34/2010, prevê expressamente a possibilidade de lançar créditos extemporâneos, nos registros 1101/1102 (PIS) e 1501/1502 (COFINS). Precedente do CARF.
Numero da decisão: 9303-004.562
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator) e Andrada Marcio Canuto Natal, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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PIS. COFINS. EXTEMPORÂNEO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COPAGAZ DISTRIBUIDORA DE GÁS S/A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Na forma do art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado não cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da apresentação de PER único para cada trimestre. As Linhas 06/30 e 06/31 do DACON, denominadas respectivamente de “Ajustes Positivos de Créditos” e de “Ajustes Negativos de Créditos”, contemplam a hipótese de o contribuinte lançar ou subtrair outros créditos, além daqueles contemporâneos à declaração. Também a EFDPIS/Cofins, constante do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS nº 34/2010, prevê expressamente a possibilidade de lançar créditos extemporâneos, nos registros 1101/1102 (PIS) e 1501/1502 (COFINS). Precedente do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator) e Andrada Marcio Canuto Natal, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 00 64 /2 00 9- 11 Fl. 1170DF CARF MF Processo nº 12585.000064/200911 Acórdão n.º 9303004.562 CSRFT3 Fl. 1.171 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra ao acórdão nº 3202001.456, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de julgamento, que decidiu em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer a possibilidade de apuração de créditos extemporâneos, anular o despacho decisório e o acórdão recorrido e determina que a DRF de origem examinasse a procedência ou não dos referidos créditos, alusivos aos valores não pertinentes ao 4ª trimestre/2007, e emitisse novo despacho decisório. Os fundamentos da referida decisão encontramse resumidos no enunciado da ementa que segue transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Na forma do art. 3º, § 4o, da Lei nº 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado nãocumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da apresentação de PER único para cada trimestre. As Linhas 06/30 e 06/31 do DACON, denominadas respectivamente de “Ajustes Positivos de Créditos” e de “Ajustes Negativos de Créditos”, contemplam a hipótese de o contribuinte lançar ou subtrair outros créditos, além daqueles contemporâneos à declaração. Também a EFDPIS/Cofins, constante do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS nº 34/2010, prevê expressamente a possibilidade de lançar créditos extemporâneos, nos registros 1101/1102 (PIS) e 1501/1502 (COFINS). Precedente do CARF. Fl. 1171DF CARF MF Processo nº 12585.000064/200911 Acórdão n.º 9303004.562 CSRFT3 Fl. 1.172 3 Tendo a DRF e a DRJ se recusado a apreciar o mérito dos créditos extemporâneos, devem ser anuladas ambas as decisões para evitar supressão de instância e permitir que seja proferido novo despacho decisório. Recurso voluntário provido em parte. O objeto deste processo e os fundamentos da decisão integrante do Despacho Decisório, que deu origem ao presente litígio, foram resumidos no relatório do citado acórdão, com os seguintes dizeres, in verbis: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento (fls. 08/10 a numeração indicada neste ato se refere a do processo digital) e de Declarações de Compensação (fls. 11/204, 207/403, 406/605 e 608/666), em que a interessada pretende compensar débitos tributários com crédito relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) Mercado Interno, referente ao 4º trimestre/2007. Analisando o pedido da contribuinte, foi proferido Despacho Decisório (fls. 716 e ss.), por meio do qual foi negada a maior parte do direito postulado, sob os seguintes argumentos: a) Impossibilidade de formulação de um único PER para ressarcimento de créditos decorrentes de outros trimestres calendários; b) Vedação ao desconto de créditos sobre insumos, ativos e frete sobre compra para a atividade comercial; c) Proibição à apropriação de créditos sobre armazenagem e frete de venda, para pessoas jurídicas sujeitas à sistemática monofásica de incidência das contribuições; e d) Negativa de crédito em relação à contraprestação de aluguéis de imóveis pagos a pessoas físicas. A contribuinte interpôs Embargos de Declaração (fls. 1136 e ss.), que alegou existência no acórdão embargado de suposta obscuridade, pela falta de clareza, e de omissão, pela inexistência de expressa manifestação acerca da espécie de nulidade (formal ou material), que supostamente estaria eivado o presentes processo administrativo. Os referidos embargos foram rejeitados por meio do Despacho de fls. 1161/1163, sob o fundamento de que, por não haver as alegadas obscuridade e omissão, o que a embargante pretendia era rediscutir a matéria, em razão de não concordar com os fundamentos completos e consistentes apresentados no voto condutor do julgado. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpôs o presente Recurso Especial (fls. 1104 e ss.), em que, ao contrário do entendimento esposado no acórdão recorrido, alegou que não havia possibilidade de apuração de créditos extemporâneos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins quando o contribuinte não tivesse (i) apresentado único pedido de ressarcimento, para cada trimestrecalendário, e (ii) retificado previamente os correspondentes DACONs. Para a recorrente, em que pese o § 4º do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 assegurar ao contribuinte “o aproveitamento do crédito em meses Fl. 1172DF CARF MF Processo nº 12585.000064/200911 Acórdão n.º 9303004.562 CSRFT3 Fl. 1.173 4 subsequentes, esse aproveitamento não prescinde da devida apuração, na forma do § 1º do mesmo artigo”. (grifo do original) Para comprovar o dissenso, foi apontado, como paradigmas, os Acórdãos nºs 3401002.547 e 380100.537. Em seguida, por ter sido comprovada a divergência jurisprudencial para ambas as matérias, por meio do Despacho de fls. 1122/1126, foi dado o seguimento total ao recurso. As razões relevantes para admissibilidade integral do recurso foram as seguir extraídas do citado despacho: "As matérias foram prequestinadas e a divergência suscitada pela FAZENDA NACIONAL, originouse por conta da Decisão no Acórdão recorrido que decidiu que reconhece a possibilidade de apuração de créditos extemporâneos da COFINS, em que pese o contribuinte não tenha apresentado um pedido de ressarcimento único para cada trimestre calendário, nem tenha retificado previamente as DACONs, apesar de intimado para tanto. Em resumo o Acórdão recorrido indica: i) ser possível a apuração de créditos extemporâneos do PIS/COFINS mesmo quando o contribuinte não tenha apresentado um pedido de ressarcimento único para cada trimestrecalendário, como determina o art. 22, § 3º, I, da IN/SRF nº 600/2005, e ii) acata a possibilidade de aproveitamento de créditos extemporâneos, sem a prévia retificação das DACONs. Nestes pontos, transcrevese a fundamentação do acórdão recorrido. Vide trechos do voto recorrido (destaque nosso): i) “(...) Pelo mesmo raciocínio, não é possível indeferir o PER pelo simples fato deste abranger mais de um trimestre, em decorrência da apuração extemporânea, permitida, dos créditos pelo contribuinte. ii) “(...) Não me parece razoável que, após a contribuinte explicar a apuração do crédito em período seguinte e requerer o aproveitamento extemporâneo, dentro do prazo decadencial, sem que haja dúvida sobre o direito alegado este lhe seja negado sob a justificativa de não ter sido retificada previamente uma obrigação acessória.O fato de o Dacon não ter sido retificado há de ser relevado, por não haver dúvida quanto ao crédito correspondente às aquisições das notas fiscais acima mencionadas”. Visando comprovar o dissenso, foi apontado pela PGFN, como paradigmas, os Acórdãos a seguir mencionados relativo a cada matéria: i) DA (IM)POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS DO PIS/COFINS QUANDO O CONTRIBUINTE NÃO TENHA APRESENTADO UM PEDIDO DE RESSARCIMENTO ÚNICO PARA CADA TRIMESTRECALENDÁRIO: Acórdãos paradigmas nºs 3401002.547 e 380100.537. Transcrevese abaixo parte da ementa, que interessa a presente lide, dos Acórdãos paradigmas nºs 3401002.547 e 380100.537, cujas ementas, nos Fl. 1173DF CARF MF Processo nº 12585.000064/200911 Acórdão n.º 9303004.562 CSRFT3 Fl. 1.174 5 termos do § 9º do art. 67, do RICARF, se encontram reproduzidas no corpo do recurso, em sua integralidade. 1) ACÓRDÃO Nº 3401002.547, de 27/03/2014 (4ªC/1ªT). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 “(...) PEDIDO DE RESSARCIMENTO. INCLUSÃO DE VALORES CORRESPONDENTES A OUTRO TRIMESTRECALEDÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Cada pedido de ressarcimento deverá referirse a um único trimestre calendário, de modo que devem ser excluídos os valores estranhos ao trimestre de que se quer o ressarcimento. 2) ACÓRDÃO Nº 380100.537, de 29/09/2010 (1ª TE) Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 “(...) PIS/PASEP NÃOCUMULATIVO. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS. O pedido de ressarcimento deve se ater a um único trimestrecalendário, sendo incabível a apreciação de matéria relacionada a trimestre diverso daquele tratado no processo. Vide trecho dos votos dos acórdãos paradigmas 1 e 2 (destaque nosso): 1) “(...) Como visto, a norma é bem clara, ao dispor que cada pedido de ressarcimento deverá referirse a um único trimestrecalendário, de modo que os pedidos de ressarcimento que apontam um determinado trimestre, mas nele estão incluídos valores de outro período, estão em desacordo com a norma. Portanto, agiu bem a autoridade fiscal ao excluir do crédito pleiteado os valores que não compõem o segundo trimestrecalendário de 2005, ao qual se refere o pedido de ressarcimento. 2) “(...) Conforme legislação acima transcrita, o pedido de ressarcimento deve se ater a um único trimestrecalendário. Assim, questões relativas a apuração de trimestre que não seja o segundo de 2003, não serão aqui consideradas”. No Recurso Especial, entende a FAZENDA NACIONAL que enquanto a decisão recorrida o Colegiado a quo considerou viável a apuração de créditos extemporâneos do PIS/COFINS mesmo quando o contribuinte não tenha apresentado um pedido de ressarcimento único para cada trimestre calendário. Diversamente, a Primeira Turma da Quarta Câmara e a Primeira Turma Especial, ambas da Terceira Seção do CARF, entenderam Fl. 1174DF CARF MF Processo nº 12585.000064/200911 Acórdão n.º 9303004.562 CSRFT3 Fl. 1.175 6 que cada pedido de ressarcimento deve se ater a um único trimestre calendário, conforme preceitua o art. 22, § 3º, I, da IN/SRF nº 600/2005. Nesse esteio, as turmas prolatoras dos paradigmas (tal como feito pela decisão de piso do presente processo) concluíram não ser possível analisar questões relativas a outros trimestres. Com essas considerações, entendo ter sido comprovada a divergência jurisprudencial para essa matéria. II) (IM)POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS DO PIS/COFINS QUANDO O CONTRIBUINTE NÃO TENHA RETIFICADO PREVIAMENTE AS DACONS: Acórdão paradigma nº 3301001.999. Transcrevese abaixo parte da ementa, que interessa a presente lide, do Acórdão paradigma nº 3301001.999, de 21/08/2013, cuja ementa, nos termos do § 9º do art. 67, do RICARF, se encontra reproduzida no corpo do recurso, em sua integralidade. ACÓRDÃO Nº 3301001.999, de 21/08/2013 (3ªC/1ªTO) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2008 CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. APROVEITAMENTO. O aproveitamento de créditos extemporâneo de PIS não cumulativo está condicionado a apresentação dos Dacon retificadores dos respectivos trimestres, demonstrando os créditos e os saldos credores trimestrais, bem como das respectivas DCTF retificadoras. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2008 CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. APROVEITAMENTO. O aproveitamento de créditos extemporâneo de Cofins não cumulativa está condicionado a apresentação dos Dacon retificadores dos respectivos trimestres, demonstrando os créditos e os saldos credores trimestrais, bem como das respectivas DCTF retificadoras. Vide abaixo, trecho do voto do acórdão paradigma (destaque nosso): “(...) Assim, provado que a recorrente não apresentou os Dacon originais e os retificadores demonstrando os créditos extemporâneos e os saldos credores trimestrais apurados, assim como não apresentou as respectivas DCTF retificadoras, a glosa de tais créditos deve ser mantida Fl. 1175DF CARF MF Processo nº 12585.000064/200911 Acórdão n.º 9303004.562 CSRFT3 Fl. 1.176 7 Proferindose o cotejo entre o acórdão recorrido e o paradigma, verificase claramente a divergência sobre a matéria em discussão. Observese que diversamente do acórdão recorrido, o acórdão paradigma exige a prévia apresentação de Dacon´s retificadores para o efeito de aproveitamento de créditos extemporâneos". Cientificada do “Acórdão de Recurso Voluntário” e do “Despacho de Admissibilidade de Recurso Especial da Procuradoria” (fl. 1134), recorrente apresentou os embargos de declaração anteriormente mencionados e, a título de contrarrazões, apresentou a mesma petição dos referidos embargos (fls. 1149/1154). Em 22/10/2015, a recorrente foi cientificada do despacho de inadmissibilidade dos referidos embargos. Enfim, no dia 12/11/2015, os autos retornaram a este Conselho, para julgamento do citado Recurso Especial. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O dissenso jurisprudencial submetido ao crivo deste Colegiado cingese a possibilidade ou não de apuração de créditos extemporâneos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, nos casos em que o contribuinte (i) apresentou único pedido de ressarcimento para créditos de referentes a vários trimestrescalendários, e (ii) não retificou, previamente, os correspondentes Dacon. Porém, antes de analisar as duas questões, cabe apresentar algumas considerações relevantes para compreensão do correto deslinde da controvérsia. Inicialmente, cabe esclarecer que, no despacho decisório e no acórdão de primeiro grau, foram analisadas várias questões de mérito, porém, o acórdão recorrido limitou se em analisar apenas a questão atinente à impossibilidade da formulação do pedido de ressarcimento (PER) de créditos da Cofins referente a trimestre calendário diferente do trimestre do pedido colacionado aos autos, ou seja, o 4º trimestre de 2007. E em relação a esse ponto, com a devida vênia, o nobre Relator do voto condutor do julgado recorrido confundiu (im)possibilidade de utilização de créditos extemporâneo da Cofins com (im)possibilidade de apuração do crédito extemporânea da referida contribuição, que, sabidamente, são situações distintas, inclusive, disciplinadas em preceitos legais e atos normativos diferentes. Com efeito, a apuração dos créditos da Cofins, incluindo os créditos extemporâneos, encontrase estabelecida no art. 3º, § 1º, da Lei 10.833/2003, e o documento Fl. 1176DF CARF MF Processo nº 12585.000064/200911 Acórdão n.º 9303004.562 CSRFT3 Fl. 1.177 8 que formaliza a referida apuração é o Dacon, do respectivo período de apuração dos créditos, que, no citado período, encontravase disciplinado na Instrução Normativa SRF 387/2004, com alterações feitas pela Instrução Normativa SRF 437/2004. Aliás, no Dacon deve demonstrado não apenas apuração do crédito como a sua utilização e, se for o caso, o saldo credor remanescente no final do trimestre calendário. Assim, se em consonância com o disposto no art. 113, § 2º, do CTN, a legislação estabeleceu critérios específicos de apuração dos créditos da Cofins, bem como os instrumentos formais obrigatórios, para fim de demonstração dos valores dos créditos apurados, obviamente, tal regramento deve ser cumprido pelo contribuinte. Nesse sentido, o Dacon do período de apuração constituise no único documento hábil e idôneo, para fim de demonstração da apuração dos créditos da Cofins, pois é ele que contém o demonstrativo pormenorizado do valor do crédito. Portanto, tratase de documento indispensável para o conhecimento e o controle, por parte da Administração tributária, dos valores dos créditos apurados e utilizados pelo contribuinte, de modo a evitar eventual utilização indevida ou em duplicidades dos referidos créditos. Dessa forma, embora o § 4º do art. 3º, § 4º, da 10.833/2003 assegure ao contribuinte o aproveitamento dos créditos da Cofins de um determinado mês ou trimestre calendário, nos meses seguintes ou trimestres seguintes, certamente, tal aproveitamento não significa que o contribuinte esteja dispensado da apuração, demonstração e declaração dos referidos créditos na forma estabelecida nos citados preceitos normativos. E de apresentar a documentação contábil e fiscal necessária a comprovação dos valores dos créditos apurados, se assim exigir a autoridade fiscal. No caso em tela, embora alertada pela autoridade fiscal, a contribuinte não só não retificou os Dacon dos correspondentes períodos de apuração, o que era necessário para demonstrar a apuração dos valores dos créditos pleiteados, como não informou no Dacon do 4º trimestre de 2007, os alegados créditos extemporâneos. A propósito, o único demonstrativo apresentado pela recorrente foi uma mera planilha, com os valores dos créditos, que se encontra colacionada aos autos do processo 12585.000063/200968 (fls. 58/60), que trata do pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep, desacompanhada de qualquer outro elemento probatório adequado. Diante destas constatações, revelase desprovido de sentido e de qualquer respaldo fático os argumentos suscitados pelo nobre Relator do acórdão recorrido de que há previsão no Dacon para o registro de créditos extemporâneos. Tal argumento só teria algum sentido para o deslinde da presente controvérsia, se a recorrente tivesse informado tais créditos, ainda que de forma extemporânea, no Dacon relativo ao 4º trimestre de 2007, o que não ocorreu. Logo, não tem qualquer relevância a existência da referida previsão do registro extemporâneo do crédito no Dacon, se a contribuinte não utilizou dessa possibilidade para demonstrar e declarar os créditos extemporâneos pleiteados. Também não ampara o argumento do nobre Relator, a jurisprudência administrativa citada no voto condutor do julgado, pois, o que se extrai da leitura dos referidos julgados, é que referemse a questão sobre a utilização extemporânea do crédito da Contribuiçã para o PIS/Pasep e Cofins, já devidamente apurado e comprovado. Em outras palavras, nos referidos julgados não havia dúvida acerca a certeza e liquidez do direito creditório informado, mas apenas quanto a utilização extemporânea do crédito, situação que, evidentemente, não se amolda nem serve de parâmetro para o caso em tela, pelas razões anteriormente aduzidas. Fl. 1177DF CARF MF Processo nº 12585.000064/200911 Acórdão n.º 9303004.562 CSRFT3 Fl. 1.178 9 Enfim, cabe ainda consignar que, no âmbito do processo de pedido de ressarcimento ou de compensação de crédito, o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado/compensado cabe ao contribuinte e não a autoridade fiscal, como equivocadamente asseverou o nobre Relator do voto condutor do julgado recorrido. Tratase de regra elementar de direito processual, que se encontra positivada no art. 28 do Decreto 7.574/2011 e no art. 373, I, da Lei 13.105/2015 (CPC/2015), e que, portanto, são de adoção obrigatória pelos integrantes deste Conselho. Por sua vez, a utilização dos créditos da Cofins, incluindo os créditos extemporâneos, encontrase estabelecida no art. 3º, § 4º, da Lei 10.833/2003 e no art. art. 16 da Lei 11.116/2005, a seguir transcritos, respectivamente: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. [...] Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3odas Leis nos10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Segundo os referidos preceitos legais, além da utilização para deduzir os débitos da própria contribuição do mês ou dos meses seguintes, se remanescer saldo de créditos ao final do trimestre calendário, ele poderá ser utilizado na compensação de débitos do próprio contribuinte ou objeto de pedido de ressarcimento em dinheiro. No que tange à utilização mediante compensação e ressarcimento, em conformidade com os referidos preceitos legais, na data da apresentação do citado pedido de ressarcimento (PER) do saldo de crédito da Cofins do 4º trimestre de 2007, a legislação específica que estabelecia a forma de apresentação do citado pedido de ressarcimento era o art. Fl. 1178DF CARF MF Processo nº 12585.000064/200911 Acórdão n.º 9303004.562 CSRFT3 Fl. 1.179 10 22, combinado com o disposto no art. 21, I e II, e § 4º, ambos da Instrução Normativa SRF 600/2005, a seguir transcritos: Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: I custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; II custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência; ou III aquisições de embalagens para revenda pelas pessoas jurídicas comerciais a que se referem os §§ 3ºe 4ºdo art. 51 da Lei nº10.833, de 2003, desde que os créditos tenham sido apurados a partir de 1ºde abril de 2005. [...] § 4º O disposto no inciso II aplicase aos créditos da Contribuição para o PIS/PasepImportação e à Cofins Importação apurados na forma do art. 15 da Lei nº10.865, de 30 de abril de 2004. [...] § 8º A compensação de créditos de que tratam os incisos I e II e o § 4º, efetuada após o encerramento do trimestrecalendário, deverá ser precedida do pedido de ressarcimento formalizado de acordo com o art. 22. § 9º O crédito utilizado na compensação deverá estar vinculado ao saldo apurado em um único trimestrecalendário. Art. 22. Os créditos a que se referem os incisos I e II e o § 4ºdo art. 21, acumulados ao final de cada trimestrecalendário, poderão ser objeto de ressarcimento. § 1º O pedido de ressarcimento a que se refere este artigo será efetuado pela pessoa jurídica vendedora mediante a utilização do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante petição/declaração (papel) acompanhada de documentação comprobatória do direito creditório. § 2º O pedido de ressarcimento dos créditos acumulados na forma do inciso II e do § 4º do art. 21, referente ao saldo credor acumulado no período de 9 de agosto de 2004 até o final do Fl. 1179DF CARF MF Processo nº 12585.000064/200911 Acórdão n.º 9303004.562 CSRFT3 Fl. 1.180 11 primeiro trimestrecalendário de 2005, somente poderá ser efetuado a partir de 19 de maio de 2005. § 3º Cada pedido de ressarcimento deverá: I referirse a um único trimestrecalendário. II ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, líquido das utilizações por dedução ou compensação. (grifos não originais) Com base na análise dos fundamentos do Despacho Decisório (fls. 719/721) e do acórdão de primeiro grau (fls. 1017/1022), verificase que os créditos glosados da Cofins dos meses/trimestres anteriores ao 4º trimestre de 2007, que não foram conhecidos em ambos os julgados, referemse a créditos apropriados com fundamento no art. 17 da Lei 11.033/2004, a seguir transcrito: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Em ambos os julgados declarados nulos pela decisão recorrida, o art. art. 16 da Lei 11.116/2005 e o art. 22, combinado com o disposto no art. 21, I e II, e § 4º, ambos da Instrução Normativa SRF 600/2005, foram citados como sendo o fundamento legal para o não conhecimento e, em decorrência, não reconhecimento dos citados créditos. E as razões fáticas apresentadas no citado despacho decisório, para não tomar conhecimento dos referidos créditos, dentre outras, as principais foram as seguintes, in verbis: 2. Confrontandose as informações trazidas nas Fichas 6A e 16A do DACON do 4º trimestre/2007 e planilhas apresentadas em 05/janeiro/2010 (fls. 56/58 do processo n° 12585.000063/2009 68 ), verificamos que: a. o valor informado em dezembro/2007 se refere na realidade a valores acumulados desde 2004. b. Embora o contribuinte tenha sido informado sobre a necessidade de retificar o DACON e PERDCOMP's para alocar os valores aos respectivos períodos, optou por manter seus valores acumulados. c. Tendo em vista que o crédito pleiteado pelo contribuinte se refere a valores vinculados a "Receita Não Tributada no Mercado Interno", fica claro que as fichas 6A e 16A foram preenchidas incorretamente, já que vinculou todas os custos, despesas e encargos à coluna "Receita Tributada no Mercado Interno". 3. Em razão das constatações descritas no item anterior, intimamos o contribuinte a apresentar demonstrativo mensal da Base de Cálculo das Contribuições (fl. 77 do processo n° 12585.000063/200968 ), a fim de apurar os percentuais de proporcionalidade e proceder à correta distribuição dos créditos Fl. 1180DF CARF MF Processo nº 12585.000064/200911 Acórdão n.º 9303004.562 CSRFT3 Fl. 1.181 12 na coluna "Receita Tributada no mercado interno" e "Receita não tributada no mercado interno". (grifos não originais) Enquanto que, as razões fáticas apresentadas no voto condutor do acórdão de primeiro grau, para não tomar conhecimento dos referidos créditos, dentre outras, foram as seguintes, in verbis: 35. O DACON, por sua vez, destinou uma ficha específica para a apuração dos créditos relativos à COFINS apurados no mês (Ficha 16A), os quais devem ser informados de acordo com as determinações acima, não ficando a critério do contribuinte determinar quando será dado ao fisco conhecimento da existência desses créditos. 36. O correto preenchimento do DACON, portanto, é de suma importância, pois, como a lei permite que o crédito não aproveitado em determinado mês seja utilizado para desconto da contribuição apurada nos meses subsequentes, é necessário que o contribuinte informe em cada mês qual é o exato montante do crédito acumulado. 37. Ressaltese que nos casos de ocorrência de erros no preenchimento ou de insuficiência de informações apresentadas à administração tributária, o ônus de corrigilos cabe exclusivamente ao contribuinte, mediante a apresentação de provas inequívocas das alterações pretendidas. Não o fazendo, o próprio contribuinte assume que os dados originalmente processados constituem expressão de verdade dos fatos escriturados na contabilidade da empresa e que, portanto, devem ser adotados como válidos. 38. No caso vertente, o DACON relativo aos meses de outubro, novembro e dezembro de 2007, trimestrecalendário em análise (fls. 675/701), revela que não havia créditos acumulados; e que aqueles apurados no próprio mês foram integralmente utilizados para descontar a contribuição apurada no mês. 39. Cumpre assinalar que, conforme consta do Despacho Decisório (fl. 718), a empresa foi alertada a retificar o DACON, para anunciar os valores que eventualmente não tenham sido corretamente informados, porém esta não tomou providência alguma. 40. Assim sendo, mesmo que houvesse norma a amparar o entendimento da contribuinte, não se justificaria a sua pretensão em compensar supostos créditos relativos a períodos precedentes, tendo por base apenas os dados relacionados em uma mera planilha (fls. 58/60 do Processo 12585.000063/200968). 41. Destarte, não é possível reconhecer o crédito além daquele que a própria empresa afirma ter apurado no trimestre calendário objeto do pedido. (grifos não originais) Com base nos trechos transcritos, fica demonstrado que, em ambos julgados, a questão concernente à apuração dos referidos créditos não reconhecidos foram abordadas Fl. 1181DF CARF MF Processo nº 12585.000064/200911 Acórdão n.º 9303004.562 CSRFT3 Fl. 1.182 13 com minúcia, inclusive, a contribuinte foi cientificada da ausência de provas e da necessidade de proceder a apuração dos créditos, em conformidade com o disposto na legislação, ou seja, mediante a apresentação dos correspondentes Dacon retificadores, porém, nada fez a respeito, ignorando por completo as recomendações sugeridas pela autoridade fiscal. No caso, enfatizase novamente, a recorrente limitouse em apresentar uma mera planilha, desacompanhada de qualquer elemento probatório idôneo que corroborasse os valores dos créditos informados. Aliás, a recorrente sequer apresentou pedido de diligência, em conformidade com o disposto no art. 16, IV, do Decreto 70.235/1972, para fim de apuração e comprovação dos referidos créditos. Dessa forma, fica demonstrado que, seja sob o aspecto fático, seja sob o aspecto jurídico, as referidas decisões foram devidamente fundamentadas, o que afasta a existência de qualquer mácula que possa conspurcar a legitimidade de ambos os julgados, especialmente, tendo em conta, que, além de vinculada, por força do disposto no art. 26A do Decreto 70.235/1972, as respectivas autoridades julgadoras estavam obrigadas a dar cumprimento ao disposto no art. art. 16 da Lei 11.116/2005 e no art. 22, combinado com o disposto no art. 21, I e II, e § 4º, ambos da Instrução Normativa SRF 600/2005. Alem disso, se não ocorreu nenhuma das hipóteses de nulidade estabelecida no art. 59 do Decreto 70.235/1972, certamente, sem amparo legal, não podia a autoridade julgadora, com base em meras conjecturas, declarar a nulidade de decisões administrativas, embasadas em sólidos argumentos fáticos e jurídicos. Já o acórdão recorrido, diferentemente, além de não apresentar embasamento jurídico algum, que justificasse a declaração de nulidade das citadas decisões, ainda se baseou em premissa fática equivocada, ou seja, a impossibilidade de apuração dos créditos extemporâneos da Cofins em vez da impossibilidade de utilização dos créditos extemporâneos da referida contribuição, que foi o real motivo e fundamento para o não conhecimento e, por conseguinte, não reconhecimento dos créditos da Cofins dos trimestres anteriores ao 4º trimestre de 2007. Em face do exposto, voto pelo PROVIMENTO do recurso especial, para (i) restabelecer a licitude e validade do despacho decisório e do acórdão de primeiro grau e (ii) determinar o retorno dos autos ao Colegiado julgador a quo, para que seja apreciado as demais questões de mérito suscitadas no recurso voluntário. É como voto é como penso. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 1182DF CARF MF Processo nº 12585.000064/200911 Acórdão n.º 9303004.562 CSRFT3 Fl. 1.183 14 Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator. Com a devida vênia, discordamos do il. Relator. Já defendíamos na Câmara baixa, nada obsta que o contribuinte possa, em determinado trimestrecalendário, aproveitarse de crédito de PIS/Cofins não aproveitado em trimestrescalendários anteriores. Como as razões do nosso convencimento coincidem com o adotado no Acórdão nº 3202001.617, de 19/03/2014, proferido pela 2ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, em julgamento do qual participamos, passamos a transcrever o voto do seu relator, o Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, adotandoo como o fundamento da nossa divergência: "Para a DRJ, o entendimento da fiscalização foi correto, pois na sua ótica era inadmissível apurar créditos extemporâneos sem retificar os DACONs e DCTFs anteriores. Eis suas palavras: CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. AUSÊNCIA DE APROPRIAÇÃO NA DACON. A apuração extemporânea de créditos só admitida mediante retificação das declarações e demonstrativos correspondentes, em especial as DCTF e os Dacon. No entanto, em janeiro de 2015, nossa Turma julgou que é possível, sim, o desconto de créditos extemporâneos de PIS/COFINS nãocumulativos, no julgamento do PAF nº 12585.000064/200911 (somente ficou vencida a douta ConselheiraPresidente, Irene Souza da Trindade Torres Oliveira). Com efeito, as Linhas 06/30 e 06/31 do DACON, denominadas respectivamente de “Ajustes Positivos de Créditos” e de “Ajustes Negativos de Créditos”, contemplam a hipótese de o contribuinte lançar ou subtrair outros créditos, além daqueles contemporâneos à declaração. Igualmente, no “Manual de Orientação do Leiaute da Escrituração Fiscal Digital da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) – (EFDPIS/Cofins)”, constante do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS nº 34/2010, há previsão expressa de o contribuinte lançar créditos extemporâneos, nos registros 1101/1102 (PIS) e 1501/1502 (COFINS). Observese: 2.5 BLOCOS DO ARQUIVO Entre o registro inicial e o registro final, o arquivo digital é constituído de blocos, referindose cada um deles a um agrupamento de documentos e outras informações. 2.5.1 Tabela de Blocos Fl. 1183DF CARF MF Processo nº 12585.000064/200911 Acórdão n.º 9303004.562 CSRFT3 Fl. 1.184 15 BlocoDescrição 0Abertura, Identificação e Referências ADocumentos Fiscais Serviços (ISS) CDocumentos Fiscais I – Mercadorias (ICMS/IPI) DDocumentos Fiscais II – Serviços (ICMS) FDemais Documentos e Operações MApuração da Contribuição e Crédito de PIS/PASEP e da COFINS 1Complemento da Escrituração – Controle de Saldos de Créditos e de Retenções, Operações Extemporâneas e Outras Informações 9Controle e Encerramento do Arquivo Digital [...] 2.6.1.7. Bloco 1 bloco Descrição Registro Nível Ocorrência Obrigatoriedade do Registro 1 Apuração de Créditos extemporâneo – Documentos e operações anteriores – PIS/PASEP 1101 3 1:N O (se VL_CRED_EXT_APU do registro 1100 > 0) 1 Detalhamento do Crédito Extemporâneo, Vinculado a mais de um Tipo de Receita – PIS/PASEP 1102 4 1:1 O (se CST_PIS do registro 1101 for igual a 53, 54, 55, 56, 63, 64, 65 ou 66) [...] bloco Descrição Registro Nível Ocorrência Obrigatoriedade do Registro 1 Apuração de Créditos extemporâneo – Documentos e operações anteriores – COFINS 1501 3 1:N O (se VL_CRED_EXT_APU do registro 1500 > 0) 1 Detalhamento do Crédito Extemporâneo, Vinculado a mais de um Tipo de Receita – COFINS 1502 4 1:1 O (se CST_PIS do registro 1501 for igual a 53, 54, 55, 56, 63, 64, 65 ou 66) As sobreditas previsões no DACON e na EFD buscam cumprir o disposto no art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, segundo o qual “o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes”. Além disso, é preciso frisar que a única consequência legal para o preenchimento incorreto do DACON são as multas previstas no art. 7º Lei nº 10.426/2002. Confirase: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Fl. 1184DF CARF MF Processo nº 12585.000064/200911 Acórdão n.º 9303004.562 CSRFT3 Fl. 1.185 16 Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo; e IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. § 4º Considerarseá não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria Receita Federal. Fl. 1185DF CARF MF Processo nº 12585.000064/200911 Acórdão n.º 9303004.562 CSRFT3 Fl. 1.186 17 § 5º Na hipótese do § 4º, o sujeito passivo será intimado a apresentar nova declaração, no prazo de dez dias, contados da ciência à intimação, e sujeitarseá à multa prevista no inciso I do caput, observado o disposto nos §§ 1º a 3º. § 6º No caso de a obrigação acessória referente ao Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON ter periodicidade semestral, a multa de que trata o inciso III do caput deste artigo será calculada com base nos valores da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS ou da Contribuição para o PIS/Pasep, informados nos demonstrativos mensais entregues após o prazo." Como se vê, o art. 7º Lei nº 10.426/2002 prevê, apenas, multa em caso de incorreções no DACON e a intimação do contribuinte para corrigilas, de modo a reduzir tais sanções. Não há, por conseguinte, previsão legal para glosar os créditos da não cumulatividade por eventuais equívocos no DACON. Pelo mesmo raciocínio, não é possível indeferir o PER pelo simples fato deste abranger mais de um trimestre, em decorrência da apuração extemporânea, permitida, dos créditos pelo contribuinte. Acrescentese, ainda, que o referido crédito tem por fundamento o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 c/c art. 16 da Lei n° 11.116/2005, podendo ser utilizado tanto na dedução da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno, quanto na compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela RFB, observada a legislação específica. Eis os seus termos: (Lei n° 11.033/2004) Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. (Lei n° 11.116/2005) Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido Fl. 1186DF CARF MF Processo nº 12585.000064/200911 Acórdão n.º 9303004.562 CSRFT3 Fl. 1.187 18 de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Em tais créditos, colhase os seguintes precedentes do CARF julgados à unanimidade: Processo nº 16349.000033/200814 Relator JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Sessão de 24/07/2014 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DA COFINS NÃOCUMULATIVA. ART. 8º, DA LEI Nº 10.925/04. AGROINDÚSTRIA. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO CRÉDITO PARA COMPENSAR COM OUTRO TRIBUTO. O aproveitamento de crédito presumido da COFINS, de que trata o Art. 8º, da lei nº 10.925/04, para compensar com outros tributos, não é permitido para as agroindústrias, ainda que eles se acumulem em razão de vendas com tributação suspensa, não tributadas, tributadas à alíquota zero ou isentas. COFINS NÃOCUMULATIVA. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. O art. 16, da Lei nº 11.116/2005, autoriza a utilização dos créditos do PIS e COFINS nãocumulativos se eles tiverem sido acumulados em razão das vendas dos produtos com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS/COFINS. [Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Ângela Sartori e Cláudio Monroe Massetti (Suplente)]. *** Processo 15586.001201/201048 Relator JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 30/09/2008 CUSTOS DE PRODUÇÃO. CRÉDITOS. Os custos incorridos com serviços de desestiva/produção (descarregamento, movimentação, acondicionamento e armazenagem das matériasprimas no armazém alfandengado), geram créditos dedutíveis da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou passíveis de ressarcimento. Fl. 1187DF CARF MF Processo nº 12585.000064/200911 Acórdão n.º 9303004.562 CSRFT3 Fl. 1.188 19 CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. SALDO TRIMESTRAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. De acordo com o art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833, de 2003, o crédito de um determinado mês pode ser utilizado nos meses subsequentes, e o fato da Lei nº 11.116/2005, autorizar o ressarcimento do saldo de créditos somente no término do trimestre, não quer dizer que não poderão ser aproveitados créditos apurados em outros trimestres. Recurso Voluntário Provido [Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.] Ademais, é dever da fiscalização apurar os créditos e os débitos nos tributos nãocumulativos, refazendo se for o caso cálculos efetuados pelo contribuinte, na forma da legislação tributária. Não pode a fiscalização indeferir o ressarcimento ou glosar os créditos nãocumulativos, por alegado vício formal no preenchimento das obrigações acessórias, sem sequer intimar o contribuinte para retificar os supostos equívocos nem examinar se os créditos procedem ou não, deixando indevidamente de corrigir, de ofício, os erros eventualmente cometidos pelo contribuinte. Acolho, nessa linha, o mesmo entendimento firmado sobre a matéria pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, em 01/09/2011, no PAF. nº 13981.000184/200495, cujo Voto da lavra do Ilmo. Conselheiro EMANUEL ASSIS transcrevo abaixo, integrandoo a minha fundamentação: Para mim, na situação em tela não há necessidade de a contribuinte retificar o Dacon antes, para somente após aproveitar os créditos em período seguinte. No curso de uma fiscalização ou diligência, constatado incongruência nos dados do Dacon (ou de outra declaração entregue pelos contribuintes, inclusive a DCTF), os cálculos do tributo devido devem ser refeitos de modo a resultar em lançamento de ofício ou em proveito do sujeito passivo. Na hipótese de incongruência favorável ao contribuinte nada impede que a administração tributária adote as providências cabíveis, dispensandose exigências que podem ser supridas por ato da própria administração. É o que se dá no caso sob análise, já que o processamento do Dacon pode ser refeito pela RFB. Para tanto basta instituir controles nos sistemas eletrônicos, a registrar a alteração feita. Não me parece razoável que, após a contribuinte explicar a apuração do crédito em período seguinte e requerer o aproveitamento extemporâneo, dentro do prazo decadencial, sem que haja dúvida sobre o direito alegado este lhe seja negado sob a justificativa de não ter sido retificada previamente uma obrigação acessória. O fato de o Dacon não ter sido retificado há de ser relevado, por não haver dúvida quanto ao crédito correspondente às aquisições das notas fiscais acima mencionadas. Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 12585.000064/200911 Acórdão n.º 9303004.562 CSRFT3 Fl. 1.189 20 Na linha da interpretação ora adotada, já existe, inclusive, decisão de Superintendência da RFB dizendo da desnecessidade de retificação de DCTF, em hipótese que se afigura semelhante à presente situação. Refirome à Solução de Consulta da Disit da 3ª RF nº 35, de 30/08/2005, com o seguinte teor, verbis: ASSUNTO: Obrigações Acessórias EMENTA: COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. A compensação de créditos tributários declarados como saldos a pagar na DCTF com créditos apurados em eventos supervenientes ao período de apuração daqueles créditos tributários obriga o sujeito passivo à entrega de Declaração de Compensação, sendo desnecessária a entrega de DCTF retificadora que tenha por fim informar a compensação efetuada. DCTF é confissão relativa e que a RFB não pode têla como definitiva, omitindose de realizar a diligências necessárias à apuração na contabilidade e escrita fiscal. Pelos fundamentos acima, e levando em conta o § 4º do art. 3º, tanto da Lei nº 10.637/2002 (PIS) quanto da Lei nº 10.833/2003 (Cofins), segundo o qual o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, dou provimento parcial para admitir os créditos relativos às aquisições das notas fiscais de fornecedores anexadas à Manifestação de Inconformidade e aproveitadas no mês seguinte ao de emissão." Forte nessas razões, entendo que ao recurso especial interposto pela Procuradoria devese negar provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1189DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.002518/2004-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/1990 a 31/03/1995
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO. APURAÇÃO.
Na apuração do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior deve ser considerado o valor efetivamente recolhido.
CRÉDITO. APURAÇÃO E ATUALIZAÇÃO. DATA DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
No caso de pagamento indevido ou a maior, apura-se o crédito na data na qual o pagamento foi efetuado, devendo a sua va1oração ocorrer a partir dessa data, se efetuado até 31/12/1997, e a partir do mês subseqüente ao do pagamento se efetuado após 31/12/1997.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-003.962
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
assinado digitalmente
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/1990 a 31/03/1995 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO. APURAÇÃO. Na apuração do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior deve ser considerado o valor efetivamente recolhido. CRÉDITO. APURAÇÃO E ATUALIZAÇÃO. DATA DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. No caso de pagamento indevido ou a maior, apura-se o crédito na data na qual o pagamento foi efetuado, devendo a sua va1oração ocorrer a partir dessa data, se efetuado até 31/12/1997, e a partir do mês subseqüente ao do pagamento se efetuado após 31/12/1997. Recurso Voluntário negado.
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INDUSTRIAL E COMÉRCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1990 a 31/03/1995 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO. APURAÇÃO. Na apuração do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior deve ser considerado o valor efetivamente recolhido. CRÉDITO. APURAÇÃO E ATUALIZAÇÃO. DATA DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. No caso de pagamento indevido ou a maior, apurase o crédito na data na qual o pagamento foi efetuado, devendo a sua va1oração ocorrer a partir dessa data, se efetuado até 31/12/1997, e a partir do mês subseqüente ao do pagamento se efetuado após 31/12/1997. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. assinado digitalmente Antônio Carlos Atulim Presidente. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 25 18 /2 00 4- 41 Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10925.002518/200441 Acórdão n.º 3402003.962 S3C4T2 Fl. 213 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Versam os autos PERDCOMP de nº 39765.70921.300704.1.3.575177 (fls. 10/13), por meio da qual o contribuinte compensouse do valor de R$ 646.617,15 relativamente a crédito oriundo da ação judicial 2000.72.03.0010580, na qual o contribuinte teve seu direito reconhecido para ser ressarcido dos valores pagos com base nos Decretoslei 2.445 e 2.449, determinandose que os valores pagos fossem confrontados com os débitos que deveriam ser calculados com base na LC 07/70, tendo como base imponível o faturamento do sexto mês anterior ao do fato gerador sem atualização monetária. Foi feita a opção pela execução administrativa do julgado. Referido valor de crédito, calculado pelo contribuinte, foi compensado com débito de IRPJ referente ao 2º trimestre de 2004. Em 26/11/2004, foi exarada informação fiscal pela DRF Joaçaba/SC (fls. 16/17), a qual entendeu que o crédito correto, nos termos do decisum judicial, seria R$ 452.219,60 e não o valor declarado. Afirma o órgão local da RFB que a diferença se deu porque o contribuinte atualizou monetariamente o crédito "a partir do mês referente ao período de apuração, e não a partir da data em que ocorreu o efetivo pagamento". O Despacho Decisório 536/2004 (fls. 28/29), de 13/12/2004, acatou a informação fiscal e homologou parcialmente a compensação no limite do valor reconhecido. Não resignada, a empresa manifestou sua inconformidade (fls. 34/39) postulando a reforma daquele despacho. A DRJ/RJ II, em 29/06/2009, julgou parcialmente procedente o pleito da empresa, reconhecendo um crédito do contribuinte, corrigido monetariamente até a data do envio da PERDCOMP (30/07/2004), no montante de R$ 518.807,51. Constatou a r. decisão erro na planilha de apuração de crédito feita com a informação fiscal que embasou o despacho decisório, pois não teria o auditor utilizado nos cálculos os valores "efetivamente recolhidos por meio dos DARF de fls.", tendo tal erro importado em apuração de crédito em valor menor que o existente. Igualmente entendeu estarem errados os cálculos efetuados pelo contribuinte (fls. 8/9). Asseverou, ainda: Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10925.002518/200441 Acórdão n.º 3402003.962 S3C4T2 Fl. 214 3 Diante dessa constatação, foram refeitos os cálculos e corrigidos monetariamente os créditos de acordo com o mandamento judicial, até 31/12/1995 (fls. 173/178) e, posteriormente (fl. 178), atualizados pela SELIC até 30/07/2004, data do envio da PERDCOMP. Contra essa decisão foi interposto recurso voluntário (fls. 195/201), no qual a empresa alega, em síntese, o seguinte: 1 que a decisão recorrida não atendeu os termos do dispositivo da sentença que transitou em julgado, a qual transcreve (fl. 198), quanto à atualização monetária, refazendo os cálculos com base no que entende correto, e apontando que somente em relação a alguns períodos de apuração houve coincidência dos seus cálculos com os da decisão vergastada 2 alega que não consta da planilha de recálculos da r. decisão "o crédito da empresa relativo ao período de apuração 11/90. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lock Freire, Relator. Sem reparos à decisão recorrida. Diferentemente do que alega a recorrente, somente em sede recursal gizese, não foi utilizada a Norma de Execução RFB/COSIT/COSAR 08/97 para a atualização monetária. Os cálculos foram refeitos exatamente nos termos judiciais, até porque o teor daquela simplesmente repete o que veio a se consolidar quer judicial, quer administrativamente. A planilha da r. decisão é muito explícita quanto aos índices de atualização monetária, que não contrariaram o dispositivo judicial, mas sim o aplicam corretamente. Aliás, também não se reportou a ela a recorrente em sua peça impugnatória. E, por fim, ao contrário do que alega a recorrente, o crédito relativamente ao período de apuração 11/90 foi devidamente computado para fins de cálculo, conforme se constata na primeira linha da tabela à fl. 177, conforme imagem abaixo copiada; Portanto, sem razão a recorrente. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10925.002518/200441 Acórdão n.º 3402003.962 S3C4T2 Fl. 215 4 assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Relator. Fl. 215DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000285/2009-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO.
Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes.
DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.
As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou do contribuinte.
ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO.
O conceito de insumo na legislação que rege a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final.
CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTA. PRODUTO.
O crédito presumido de que trata o artigo 8o da Lei no 10.925/2004 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o da Lei no 10.833/2003, em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não do insumo que aplica para obtê-lo.
Numero da decisão: 3401-003.402
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, relativamente à preliminar de nulidade, por unanimidade de votos, em negar provimento. Quanto ao mérito, deu-se parcial provimento da seguinte forma: a) Aquisições para revenda que foram objeto de consumo - por unanimidade de votos, negou-se provimento; b) Aquisições sujeitas à alíquota zero das contribuições - por unanimidade de votos, negou-se provimento; c) Bens que não se enquadram no conceito de insumos - por maioria de votos, deu-se parcial provimento para admitir o creditamento sobre pallets, big bags e luvas látex para coleta de sêmen, vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida e Rodolfo Tsuboi, que negavam provimento, e os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que admitiam crédito em maior extensão, sendo que os Conselheiros Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Eloy Eros da Silva Nogueira manifestaram intenção de apresentar declaração de voto sobre a matéria; d) Fretes de transferência de produtos acabados entre unidades da empresa - por voto de qualidade, negou-se provimento, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; e) Bens sujeitos à alíquota zero das contribuições - por maioria de votos, negou-se provimento, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e Rodolfo Tsuboi, que divergiam quanto à impossibilidade de se acatar o pedido alternativo; f) Bens que constam de notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito - por maioria de votos, negou-se provimento, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira; g) Bens que representam aquisições que deveriam ter ocorrido com suspensão - por unanimidade de votos, negou-se provimento; h) Serviços utilizados como insumos (Ficha 6A-Linha 3) - por maioria de votos, deu-se parcial provimento para admitir crédito sobre serviço limpeza geral em instalações, serviço mão obra limpeza interna, serviço lavagem seco, serviço inspeção sanitária, serviço dedetização, serviço reforma pallets PBR, serviço de aplicação de strecht - pallet, serviço de 'strechamento', serviço de repaletização e serviço de incineração, vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida e Rodolfo Tsuboi, que restringiam o crédito ao serviço limpeza geral em instalações, serviço mão obra limpeza interna, serviço lavagem seco, serviço inspeção sanitária, serviço dedetização, e os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que reconheciam o crédito em maior extensão; i) Despesas de Energia Elétrica (Ficha 6A-Linha 4) - por unanimidade de votos, negou-se provimento; j) Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda (Ficha 6A-Linha 7) - pelo voto de qualidade, negou-se provimento, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; e, l) Crédito Presumido de Atividade Agroindustrial (Ficha 6A-Linhas 25/26) - por unanimidade de votos, deu-se provimento. Designado o Conselheiro Augusto Fiel Jorge DOliveira para redigir o voto vencedor.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
AUGUSTO FIEL JORGE D'OLIVEIRA - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou do contribuinte. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação que rege a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTA. PRODUTO. O crédito presumido de que trata o artigo 8o da Lei no 10.925/2004 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o da Lei no 10.833/2003, em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não do insumo que aplica para obtê-lo.
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(incorporada por BRF BRASIL FOODS S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou do contribuinte. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação que rege a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTA. PRODUTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 02 85 /2 00 9- 24 Fl. 3008DF CARF MF 2 O crédito presumido de que trata o artigo 8o da Lei no 10.925/2004 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o da Lei no 10.833/2003, em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não do insumo que aplica para obtêlo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, relativamente à preliminar de nulidade, por unanimidade de votos, em negar provimento. Quanto ao mérito, deuse parcial provimento da seguinte forma: a) Aquisições para revenda que foram objeto de consumo por unanimidade de votos, negouse provimento; b) Aquisições sujeitas à alíquota zero das contribuições por unanimidade de votos, negouse provimento; c) Bens que não se enquadram no conceito de insumos por maioria de votos, deuse parcial provimento para admitir o creditamento sobre pallets, big bags e luvas látex para coleta de sêmen, vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida e Rodolfo Tsuboi, que negavam provimento, e os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que admitiam crédito em maior extensão, sendo que os Conselheiros Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Eloy Eros da Silva Nogueira manifestaram intenção de apresentar declaração de voto sobre a matéria; d) Fretes de transferência de produtos acabados entre unidades da empresa por voto de qualidade, negouse provimento, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; e) Bens sujeitos à alíquota zero das contribuições por maioria de votos, negouse provimento, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e Rodolfo Tsuboi, que divergiam quanto à impossibilidade de se acatar o pedido alternativo; f) Bens que constam de notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito por maioria de votos, negouse provimento, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira; g) Bens que representam aquisições que deveriam ter ocorrido com suspensão por unanimidade de votos, negouse provimento; h) Serviços utilizados como insumos (Ficha 6ALinha 3) por maioria de votos, deuse parcial provimento para admitir crédito sobre serviço limpeza geral em instalações, serviço mão obra limpeza interna, serviço lavagem seco, serviço inspeção sanitária, serviço dedetização, serviço reforma pallets PBR, serviço de aplicação de strecht pallet, serviço de 'strechamento', serviço de repaletização e serviço de incineração, vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida e Rodolfo Tsuboi, que restringiam o crédito ao serviço limpeza geral em instalações, serviço mão obra limpeza interna, serviço lavagem seco, serviço inspeção sanitária, serviço dedetização, e os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que reconheciam o crédito em maior extensão; i) Despesas de Energia Elétrica (Ficha 6ALinha 4) por unanimidade de votos, negouse provimento; j) Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda (Ficha 6A Linha 7) pelo voto de qualidade, negouse provimento, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; e, l) Crédito Presumido de Atividade Agroindustrial (Ficha 6ALinhas 25/26) por unanimidade de votos, deuse provimento. Designado o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D’Oliveira para redigir o voto vencedor. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Fl. 3009DF CARF MF Processo nº 16349.000285/200924 Acórdão n.º 3401003.402 S3C4T1 Fl. 3.009 3 AUGUSTO FIEL JORGE D'OLIVEIRA Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Ressarcimento (PER) no 23481.75548.100608.1.1.080165 (fls. 3 a 5)1, transmitido em 10/06/2008, demandando créditos da Contribuição para o PIS/PASEP (com fundamento no art. 5o, § 1o da Lei no 10.637/2002), na sistemática não cumulativa, referentes ao 1o trimestre de 2008, no valor original de R$ 3.639.572.53. Há ainda diversas Declarações de Compensação (DCOMP), relacionadas à fl. 6, vinculadas ao crédito. Por meio do Despacho Decisório de fls. 2756/2758, emitido em 16/05/2012, o PER foi indeferido, e a compensação não homologada, por não ter sido confirmada a existência de qualquer crédito a ressarcir no período em tela, com fundamento na Informação Fiscal de fl. 2713 a 2752, na qual narra a fiscalização que: (a) a empresa, inicialmente denominada Perdigão Agroindustrial S.A., foi incorporada pela Perdigão S.A., que teve o nome alterado para BRF Brasil Foods S.A., com endereço e sede social em Itajaí/SC; (b) a empresa foi intimada a apresentar arquivos e documentos necessários à comprovação do crédito pleiteado, tendo sido a intimação parcialmente cumprida, solicitandose prorrogação de prazo para complemento, concedida em reintimação; (c) com o objetivo de esclarecer dúvidas relativas ao recebimento de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação, e sobre descontos incondicionais concedidos, foi lavrada nova intimação fiscal, parcialmente atendida; (d) a partir dos DACON, e das memórias de cálculo, cotejadas com notas fiscais, a fiscalização elaborou "matriz de glosas", a ser aplicada às notas fiscais, identificando os créditos a que faz jus a empresa, e as glosas (que são a diferença entre o valor declarado em DACON e o reconhecido), detalhadas no quadro a seguir, em conjunto com as razões de defesa; (e) após as glosas, foi apurado o crédito com base em rateio proporcional (mercado interno e externo), conforme tabelas de fls. 2741/2751, tendo restado, depois das glosas, saldo a pagar, não declarado em DCTF, foi efetuada exigência fiscal por meio de auto de infração (no processo administrativo no 11516.721199/201261); e (f) tendo em vista autuações anteriores (relacionadas à fl. 2747) os saldos de créditos de meses anteriores são equivalentes a zero. Cientificada do despacho decisório em 25/05/2012 (fl. 2764), a empresa apresenta manifestação de inconformidade em 19/06/2012 (fls. 2772 a 2862) argumentando, em síntese, que: (a) o despacho decisório é nulo, por ausência de motivação clara, explícita e congruente, individualizando as razões das glosas para cada item; (b) há ainda nulidade por 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 3010DF CARF MF 4 cerceamento do direito de defesa e violação ao devido processo legal, por ausência de detalhamento acerca do não reconhecimento "de inúmeros créditos", relativos aos itens glosados; (c) há também nulidade por violação ao art. 9o do Decreto no 70.235/1972; (d) a não cumulatividade das contribuições, hoje constitucionalizada, restringiu a liberdade do legislador e do intérprete, vinculandose à receita e não ao produto (IPI) ou mercadoria (ICMS), possuindo maior amplitude, relacionada a custos, despesas e insumos de sua atividade, que contribuam direta ou indiretamente para obtenção de receita, sendo ilegais as Instruções Normativas da RFB que restrinjam tal amplitude; (e) as razões para as glosas, com fundamento na legislação do IPI, são ilegais; e (f) é improcedente a aplicação da Taxa SELIC a título de juros de mora, e a aplicação de juros de mora sobre o valor da multa de ofício lançada (fls. 2860/2861). Demanda a empresa, por fim, prova pericial para avaliação da adequação ao conceito de insumo. Em relação às glosas, em espécie, as razões de defesa estão resumidas na tabela a seguir, na coluna da direita, ao lado das respectivas razões de glosa. GLOSAS DEFESA FICHA 6A LINHA 01 Bens adquiridos para revenda (fls. 2721/2722) a) aquisições que bens para revenda que, na verdade, foram consumidos pela empresa, cf. listagem 01NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos; b) aquisições que bens utilizados como insumos, sujeitos à alíquota zero das contribuições (crédito vedado pelo art. 3o, § 2o da Lei n o 10.833/2003), cf. listagem 03NF Glosadas Alíquota zero; FICHA 6A LINHA 01 Bens adquiridos para revenda (fls. 2810/2811) a) e b) Diante da não cumulatividade e do conceito de insumos, e da previsão do art. 17 da Lei no 11.033/2004, é possível manter créditos nas aquisições consumidas pela própria empresa, assim como nas aquisições de insumos com alíquota zero. Fl. 3011DF CARF MF Processo nº 16349.000285/200924 Acórdão n.º 3401003.402 S3C4T1 Fl. 3.010 5 GLOSAS (continuação) DEFESA (continuação) FICHA 6A LINHA 02 Bens utilizados como insumos (fls. 2722/2727) c) aquisições que não se enquadram no conceito de insumo presente na Instrução Normativa SRF no 404/2004, cf. listagem 01NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos; d) pagamentos de fretes de transferência de produtos acabados entre unidades da empresa, cf. listagem 04NF Glosadas Fretes de Transferência de produtos acabados; e) aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero para as contribuições (em função do disposto no art. 3o, § 2o, II das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003), cf. listagem 03NF Glosadas Alíquota zero; f) notas fiscais cujo CFOP (Código Fiscal de Operação) não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito, cf. listagem 02NF Glosadas Operações sem direito a crédito CFOP; e g) notas fiscais que representam aquisições de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória das contribuições (em função do disposto nos arts. 8o e 9o da Lei no 10.925/2004 e na Instrução Normativa SRF no 660/2006), cf. listagem 11NF Glosadas Aquisição PJ Suspensão obrigatória; FICHA 6A LINHA 02 Bens utilizados como insumos (fls. 2811/2835) c) a fiscalização usa conceito equivocado e restrito de insumos, efetuando glosas em relação a bens que são essenciais ao processo produtivo (v.g., fita sanitária, luvas, faca, suporte de faca, trava faca, encosto de faca, cabo de bisturi), e já há precedentes do CARF afastando glosas em relação a itens como peças de reposição e serviços gerais, materiais de segurança, material para conservação e limpeza, material de embalagem e etiquetas; e os pallets são utilizados na industrialização, para movimentar matériasprimas, e na armazenagem de matériasprimas e de produtos industrializados. Houve ainda glosa de combustível, em específico, a gasolina, empregada no processo industrial de fabricação de alimentos, e com previsão expressa de geração de crédito na lei de regência; d) a fiscalização presumiu que o transporte entre unidades da empresa se referia a produtos acabados, sem provas, e tais fretes são feitos dentro de regras e determinações da ANVISA; e) diversos produtos para os quais se imputa alíquota zero na Lei no 10.925/2004 não se tipificam nas classificações fiscais descritas, são insumos, e deveria, ao menos, ser outorgado o crédito presumido de que trata o art. 8o da mesma Lei no 10.925/2004; f) a alegação fiscal trata de itens diversos conjuntamente, quando deveriam estar segregados para que fosse justificado de modo adequado a glosa, que, de qualquer forma, deve ser afastada em função do conceito de insumos adotado e da utilidade, inerência e relevância no processo produtivo (v.g., de faca, navalha, mola, martelo, rolamento e extrato de tomate, além de embalagens e serviços de industrialização de ração por encomenda); g) a interpretação da fiscalização sobre o dispositivo legal é improcedente, não sendo obrigatória a suspensão até o advento da Instrução Normativa RFB no 977/2009, e, sendo tributada a operação anterior, assegurado é o crédito; Fl. 3012DF CARF MF 6 GLOSAS (continuação) DEFESA (continuação) FICHA 6A LINHA 03 Serviços utilizados como insumos (fl. 2728) h) aquisições de serviços que não se enquadram no conceito de insumo presente na Instrução Normativa SRF no 404/2004, cf. listagem 01NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos; FICHA 6A LINHA 03 Serviços utilizados como insumos (fls. 2835/2841) h) a fiscalização usa conceito equivocado e restrito de insumos, e os serviços glosados são essenciais e inerentes ao processo produtivo, especialmente os relacionados a limpeza, higiene e desinfecção; FICHA 6A LINHA 04 Despesas de Energia Elétrica (fl. 2729) i) o total de notas fiscais inseridas na memória de cálculo é menor do que o valor informado na linha 4 do DACON nos meses de janeiro e fevereiro de 2008; FICHA 6A LINHA 04 Despesas de Energia Elétrica (fl. 2844) i) há previsão legal expressa para o crédito de energia elétrica, e a planilha está equivocada, devendo prevalecer o DACON; FICHA 6A LINHA 07 Despesas de armazenagem e fretes na Operação de Venda (fls. 2729/2730) j) notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito, e pagamentos relativos a serviço portuário e outros, que não se enquadram no art. 3o, § 2o, IX da Lei no 10.833/2003, cf. listagens 02NF Glosadas Operações sem direito a crédito CFOP e 01NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos; FICHA 6A LINHA 07 Despesas de armazenagem e fretes na Operação de Venda (fls. 2844/2848) j) os pagamentos a pessoas físicas não podem ser glosados, em função da noção constitucional de não cumulatividade e capacidade contributiva; e os serviços portuários e despesas aduaneiras foram incorretamente glosados, porque estão incluídos nas despesas de frete na venda e armazenagem; FICHA 6A LINHAS 25/26 Crédito presumido de atividade agroindustrial (fls. 2730/2740) k) crédito solicitado com base no inciso incorreto do § 3o do art. 8o da Lei no 10.925/2004, em função do Capítulo da NCM no qual se classificam os insumos; e notas fiscais cujos CFOP não representam aquisição de insumos perfeitamente identificados, não havendo crédito presumido em operações para revenda, cf. listagem 05Crédito Presumido detalhe. FICHA 6A LINHAS 25/26 Crédito presumido de atividade agroindustrial (fls. 2848/2859) k) o crédito presumido se aplica também a operações de revenda, e com fundamento no art. 17 da Lei no 11.033/2004; e o cômputo da alíquota deve ser feito em função do produto fabricado, e não da aquisição; FICHA 6B LINHA 02 Bens utilizados como insumos (fls. 2740/2641) l) aquisições que não se enquadram no conceito de insumo presente na Instrução Normativa SRF no 404/2004 (cruzamento importações x inventário), cf. listagem 01NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos (ficha 6B linha 2); m) importações cujo CFOP denota operações sem direito a crédito nesta linha (v.g., compra de bem para ativo imobilizado, compra de material para uso e consumo, e outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada), cf. listagem 02NF Glosadas Operações sem direito a crédito CFOP; e n) aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero das contribuições (em função do disposto no art. 3o, § 2o da Lei no 10.833/2003), cf. listagem 03 NF Glosadas Alíquota zero. FICHA 6B LINHA 02 Bens utilizados como insumos (fls. 2841/2843) l) e m) as glosas são improcedentes porque há previsão expressa para o crédito no art. 15 da Lei no 10.865/2004; n) Diante da não cumulatividade e do conceito de insumos, e da previsão do art. 17 da Lei no 11.033/2004, é possível manter créditos nas aquisições consumidas pela própria empresa, assim como nas aquisições de insumos com alíquota zero (argumentado em tópico diverso). Em 19/04/2013 (fls. 2881 a 2929), ocorre o julgamento de primeira instância, no qual se acorda pela improcedência da manifestação de inconformidade, concluindo aquele colegiado unanimemente que: (a) não há nulidade no despacho decisório; (b) o conceito de insumo é o estabelecido nas Instruções Normativas no 247/2002 e no Fl. 3013DF CARF MF Processo nº 16349.000285/200924 Acórdão n.º 3401003.402 S3C4T1 Fl. 3.011 7 404/2004, que apenas esclareceram o conteúdo das leis de regência; (c) nos processos administrativos relativos a ressarcimento/compensação, o ônus probatório é do postulante, não tendo se desincumbido de tal ônus a empresa, em relação a diversos itens; (d) para reconhecimento correto do crédito, a empresa deve registrar os itens também corretamente em DACON (ou efetuar a retificação correspondente), não cabendo a acolhida de pedidos alternativos no curso do contencioso, em desacordo com a informação prestada em DACON; (e) somente geram crédito os bens utilizados como insumo, se houver pagamento das contribuições nas aquisições, conforme art. 3o, § 2o, II das leis de regência, e não há que se falar em manutenção de crédito, com fundamento no art. 17 da Lei no 11.033/2004, se o crédito sequer existe; (f) não houve glosas de bens impugnados, como fita sanitária, bolsa térmica, caixas de papelão e etiquetas, material de segurança, e material para conservação e limpeza; (g) não se demonstrou ser o combustível aplicado no processo produtivo; (h) a legislação permite a tomada de créditos em relação a fretes contratados junto a pessoas jurídicas como insumo e na operação de venda, não havendo previsão para fretes entre unidades da empresa, e não tendo havido presunção, pela fiscalização, mas mera utilização de registros da própria empresa; (i) não demonstrou a empresa por qual motivo produtos enquadrados na alíquota zero estariam incorretamente classificados; (j) a suspensão prevista na Lei no 10.925/2004 é obrigatória, mesmo antes da Instrução Normativa RFB no 977/2009; (k) não constam na listagem de serviços glosados o despacho aduaneiro e o processamento de resíduos e análise de água; (l) no caso de crédito presumido, a alíquota é estabelecida em função das aquisições, e não do produto fabricado; (m) o presente processo não trata de lançamento, não havendo que se falar em exclusão de juros lançados, sobre principal ou multa de ofício; e (n) a perícia é desnecessária. Cientificada do acórdão da DRJ em 28/06/2013 (AR à fl. 2931), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 11/07/2013 (fls. 2932 a 3005), basicamente reiterando as alegações expostas em sua manifestação de inconformidade, agregando que a decisão de piso é nula por negar o pedido de perícia, adequadamente formulado, sem justificativa plausível, cerceando a defesa (fls. 2937/2939); e suprimindo a menção a serem indevidos juros de mora sobre o principal e sobre multa. Em 17/03/2016 o processo foi distribuído a este relator, por sorteio, tendo sido incluído em pauta em setembro de 2016 (e retirado de pauta durante a sessão), e indicado para a pauta de outubro de 2016, em sessão suspensa por determinação do CARF, assim como em novembro e dezembro do mesmo ano. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Fl. 3014DF CARF MF 8 1. Do tratamento de processos albergados no mesmo despacho decisório No Despacho Decisório (fls. 2756/2758), afirmase que os seguintes processos deveriam ser analisados em conjunto, por trimestre: Foi, assim, lavrada autuação em relação aos períodos abrangidos por quatro processos administrativos de compensação. Nesta sessão de julgamento estáse a analisar três deles (o presente e os processos de no 16349.000286/200979 e no 16349.000278/200922), tendo o quarto processo sido analisado pela Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção deste CARF, em 25/03/2014, por meio do Acórdão no 3402002.361, no qual se deu parcial provimento ao recurso, para: (a) por unanimidade de votos, para (a1) reconhecer os créditos relativos a cabo bisturi e pallets de madeira; a situações em que o CFOP supostamente não seria de aquisição; e a serviços de limpeza, processamento de resíduos, análise de água e congêneres; (a2) acolher a alíquota postulada para cálculo dos créditos presumidos nas atividades agroindustriais; e (a3) admitir parcialmente, nos termos do voto do relator, os créditos dos serviços de despachante aduaneiro na importação, das despesas com pesagem, monitoramento, desova, inspeção, movimentação e realocação, deslocamentos e taxa de selagem de contêineres, aquisições de partes e peças e aquisição de insumos de pessoa jurídica; (b) por maioria de votos, para reconhecer os créditos relativos a aquisição de bens utilizados como insumo ou para revenda sujeitos à alíquota zero; e (c) por voto de qualidade, para negar provimento em relação aos créditos relativos a fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. Cumpre ainda informar que, por meio da Resolução no 3101000.402, de 10/12/2014, foi convertido em diligência o julgamento do processo administrativo no 11516.721199/201261 (auto de infração), por unanimidade de votos, para que se aguardasse a decisão administrativa definitiva nos quatro processos relativos a pedido de ressarcimento. É de se informar, por fim, que nenhum dos relatores dos processos acima referidos permanece, atualmente, como conselheiro, neste tribunal administrativo. Passase a analisar, assim, o direito de crédito, no caso em análise (Contribuição para o PIS/PASEP, no 1o trimestre de 2008), cabendo tecer, preliminarmente, algumas considerações iniciais sobre processos nos quais se discute direito de crédito referente a insumos, na legislação que rege as contribuições. 2. Precedentes administrativos gerais e específicos Os precedentes administrativos cumprem papel de contribuir para o debate, no seio deste colegiado, buscando visão mais consistente e harmônica sobre o conteúdo da legislação, e não vinculam, salvo disposição normativa expressa, o entendimento por parte dos julgadores. Cabe, no entanto, destacar que atuei como relator em diversos processos administrativos com conteúdo semelhante ao do presente, da mesma empresa incorporadora, em relação a períodos de apuração próximos, regidos pela mesma legislação. Fl. 3015DF CARF MF Processo nº 16349.000285/200924 Acórdão n.º 3401003.402 S3C4T1 Fl. 3.012 9 Atuei como relator, na sessão de 24/09/2013, da Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção deste CARF, em nove processos da empresa, referentes aos períodos abaixo: Período Processos Acórdãos 1o trimestre de 2007 10925.720046/201212 (auto de infração); 10925.905351/201100 (DCOMPPIS); e 10925.905352/201146 (DCOMPCOFINS) 3403002.469, 3403002.472 e 3403002.473, respectivamente 2o trimestre de 2007 10925.720686/201222 (auto de infração); 10925.905353/201191 (DCOMPPIS); e 10925.905355/201180 (DCOMPCOFINS) 3403002.470, 3403002.474 e 3403002.476, respectivamente 3o trimestre de 2007 10925.721257/201272 (auto de infração); 10925.905354/201135 (DCOMPPIS); e 10925.905356/201124 (DCOMPCOFINS) 3403002.471, 3403002.475 e 3403002.477, respectivamente E, mais recentemente, atuei como relator, na sessão de 24/02/2015, ainda na Terceira Turma, em outros dois processos administrativos da empresa, referentes ao período abaixo: Período Processos Acórdãos 3o trimestre de 2008 10925.907013/201102 (DCOMPPIS); e 10925.907012/201150 (DCOMPCOFINS) 3403003.551, e 3403003.550, respectivamente Tais informações são relevantes e pertinentes, pois as matérias analisadas nestes autos são majoritariamente as mesmas, e sob os mesmos fundamentos, resguardadas algumas especificidades que serão anotadas ao longo deste voto. E, de um para outro julgamento, alteramos nosso posicionamento somente em relação a um tópico, justificadamente. Recordese que o presente processo trata de direito de crédito referente à Contribuição para o PIS/PASEP, e relativo ao 1o trimestre de 2008. Passase, a seguir, a analisar tal direito, tecendose, inicialmente considerações sobre as alegações de nulidade levantadas na peça recursal (tópico 4). Nos tópicos seguintes (5, 6 e 7), é externado o posicionamento que foi sustentando neste tribunal administrativo em todos os citados processos, da mesma empresa, e que permanece norteando a convicção deste julgador. Por fim, no tópico 8, são analisadas as glosas em espécie. 4. Das alegações preliminares de nulidade Aos argumentos pela nulidade do despacho decisório, externados na manifestação de inconformidade, com fundamento (a) na ausência de motivação clara, explícita e congruente, individualizando as razões das glosas para cada item; (b) na existência de cerceamento do direito de defesa e violação ao devido processo legal, por ausência de detalhamento acerca do não reconhecimento "de inúmeros créditos", relativos aos itens Fl. 3016DF CARF MF 10 glosados; e (c) em violação ao art. 9o do Decreto no 70.235/1972; a empresa agrega em seu recurso voluntário demanda (d) pela nulidade da decisão de piso, por negar o pedido de perícia, adequadamente formulado, sem justificativa plausível, cerceando a defesa. Ao analisarmos a Informação Fiscal de fls. 2713 a 2752, que dá origem às glosas, e supedaneia o despacho decisório, percebemos, no entanto, que ali estão relacionadas todas as razões de glosa, e as motivações para o indeferimento do direito de crédito. O fato de estarem as glosas agrupadas por tema, e não por item, ao invés de dificultar ou obstaculizar, facilita o trabalho de defesa. Bastaria a empresa, em sua defesa, contrapor de forma consistente as razões de glosa referentes a determinado tema (v.g., aquisições com alíquota zero) que todas as glosas agrupadas em tal tema pereceriam. Caso a empresa discordasse, ainda, do agrupamento, bastaria questionar o que entendeu mal, ou inadequadamente agrupado. Se as glosas abrangem elevado número de itens, e diversidade de situações, é porque a atividade da empresa contempla tais atributos, bastando à defesa adotar o mesmo método da autuação, discutindo as rubricas glosadas, por grupo, e eventuais incorreções no agrupamento. E é isso que se vê, na defesa, agrupada por tópico glosado. Não há, assim, ausência de motivação clara, explícita e congruente, pois as razões das glosas são especificadas. A especificação desejada pela empresa, item a item, explicando, v.g., porque cada parafuso não faz parte do processo produtivo, ao invés de simplesmente externar o critério utilizado para delimitação do que seja um insumo gerador de crédito, não se coaduna com as disposições que externaremos, neste voto (tópico 5), sobre o ônus probatório nos processos de ressarcimento/compensação. Parece, assim, a recorrente, ao argumentar pela nulidade, no caso, não compreender seu encargo, em processos do gênero. Não há, pelas mesmas razões, cerceamento de defesa ou violação ao contraditório, nem afronta ao art. 9o do Decreto no 70.235/1972, pois o processo está instruído com todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação e à compreensão das razões que fundamentam as glosas. Pelo exposto, não se vê nulidade no despacho decisório. Quanto à alegação de nulidade da decisão de piso, por negar o pedido de perícia, adequadamente formulado, sem justificativa plausível, cerceando a defesa, vêse igual improcedência, porque, como aqui exporemos, no tópico 5, a seguir, a diligência ou a perícia não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou do contribuinte. Ademais, o critério utilizado pela DRJ para delimitar o conceito de insumos na legislação que rege as contribuições endossou a desnecessidade da diligência/perícia, que se destinava a comprovar a utilização de bens no processo produtivo. Portanto, não incorreu em nulidade a decisão de piso ao negar a demanda por diligência/perícia. 5. Considerações sobre ônus probatório nos processos referentes a ressarcimento/compensação As presentes considerações iniciais sobre o ônus probatório nos processos de ressarcimento/compensação são necessárias à análise da demanda por diligência/perícia, e de alguns itens para os quais a empresa não tratou de carrear aos autos documentos que amparariam seu direito a crédito. Fl. 3017DF CARF MF Processo nº 16349.000285/200924 Acórdão n.º 3401003.402 S3C4T1 Fl. 3.013 11 Nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de ressarcimento/compensação, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante, e é dever dele carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, inclusive, no caso de insumos, a forma de vinculação dos bens ao processo produtivo. Caso essa comprovação houvesse sido feita, e ainda restasse dúvida ao julgador, cabível seria a demanda pericial. No entanto, não se pode acolher pedido de perícia para produzir no processo elementos probatórios a cargo de uma das partes (no caso, a postulante do crédito), elementos esses que já deveriam figurar nos autos, e cuja ausência tem por implicação a negativa de reconhecimento dos créditos correspondentes. Assim vem decidindo unanimemente este CARF, inclusive nos citados processos da mesma recorrente: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.470, 471, 474, 475, 476 e 477, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013)(grifo nosso) "PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente. (Acórdãos n. 3403003.550 e 551, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 24.fev.2015) (grifo nosso) Desse modo, incabível acolher o pleito de realização de diligência/perícia, pois restam claras nos autos as motivações das glosas, que foram compreendidas a contento pela recorrente, que, por sua vez, ao invés de trazer ao processo elementos probatórios de seu Fl. 3018DF CARF MF 12 direito, inclusive no que se refere ao processo produtivo, posterga a discussão para eventual diligência/perícia. Assim, tendo em conta as considerações iniciais sobre o ônus probatório em processos do gênero, indeferese a realização de diligência/perícia. 6. Aspectos constitucionais da nãocumulatividade da Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS Também a título de considerações preliminares, incumbe esclarecer que a nãocumulatividade das contribuições passou a figurar na Constituição (art. 195) com a Emenda Constitucional no 42/2003: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (redação dada pela EC n. 20/1998) (...) b) a receita ou o faturamento; (...) IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. (redação dada pela EC n. 42/2003) (...) § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, “b”; e IV do caput, serão nãocumulativas. (redação dada pela EC n. 42/2003) (...)” (grifos nossos) Na leitura do texto, percebese que a Constituição não assegura não cumulatividade irrestrita ou ilimitada. E sequer diz que a lei fixará os casos de cumulatividade, sendo a contrário senso os demais casos de nãocumulatividade. O texto constitucional permite à lei definir exatamente os setores para os quais operará a nãocumulatividade. E também não dispõe que para tais setores a nãocumulatividade será irrestrita ou ilimitada. É nesse contexto que surgem os dispositivos legais que regem as contribuições nãocumulativas, basicamente as Leis no 10.637/2002 (Contribuição para o PIS/PASEP) e no 10.833/2003 (COFINS), que limitam/restringem a nãocumulatividade referida no texto constitucional. Poderseia aí argumentar que a lei desbordou do comando constitucional referente à nãocumulatividade, que asseguraria o creditamento a qualquer despesa necessária à consecução do objeto social da empresa, como parece sugerir a recorrente. Contudo, este Fl. 3019DF CARF MF Processo nº 16349.000285/200924 Acórdão n.º 3401003.402 S3C4T1 Fl. 3.014 13 tribunal careceria de competência para levar adiante a discussão, em face da Súmula CARF no 2: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Assim, e considerando as disposições legais tributárias vigentes sobre a matéria, não se pode acordar que a nãocumulatividade para as contribuições de que trata a Constituição Federal é irrestrita ou ilimitada. 7. Do conceito de insumos na legislação que rege a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS O termo insumo é polissêmico. Por isso, há que se indagar qual é sua abrangência no contexto das Leis no 10.627/2002 e no 10.833/2003. Na busca de um norte para a questão, poderseia ter em consideração os teores do § 5o do art. 66 da IN SRF no 247/2002 (editado com base no art. 66 da Lei no 10.637/2002) e do art. 8o da IN SRF no 404/2004 (editado com alicerce no art. 92 da Lei no 10.833/2003), que, para efeito de disciplina da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, estabelecem entendimento de que o termo insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda abrange “as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado” e “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. Outro caminho seria buscar analogia com a legislação do IPI ou do IR (ambas frequentes na jurisprudência deste CARF). Contudo, tal tarefa se revela improfícua, pois em face da legislação que rege as contribuições, o conceito expresso nas normas que tratam do IPI é demasiadamente restritivo, e o encontrado a partir da legislação do IR é excessivamente amplo, visto que se adotada a acepção de “despesas operacionais”, chegarseia à absurda conclusão de que a maior parte dos incisos do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003 (inclusive alguns que demandaram alteração legislativa para inclusão v.g. incisos IX, referente a energia elétrica e térmica, e X, sobre valetransporte ... para prestadoras de serviços de limpeza...) é inútil ou desnecessária. A Lei no 10.637/2002, que trata da Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, e a Lei no 10.833/2003, que trata da COFINS nãocumulativa, explicitam, em seus arts. 3o, que podem ser descontados créditos em relação a: “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis (...)” (grifo nosso) A mera leitura dos dispositivos legais já aponta para a impossibilidade de se considerar como insumo um bem ou serviço que não seja utilizado na produção ou fabricação do bem destinado à venda. Fl. 3020DF CARF MF 14 Concluise, então, que o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final, como vem também unanimemente decidindo este CARF: “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (...).” (Acórdão no 3403003.166, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime – em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014) (No mesmo sentido os Acórdãos no 3403002.469 a 477; no 3403 001.893 a 896; no 3403001.935; no 3403002.318 e 319; e no 3403.002.783 e 784) "NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (...)." (Acórdãos n. 3403003.550 e 551, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 24.fev.2015) Isto posto, caberia analisar a adequação ao conceito de insumo das rubricas questionadas no presente contencioso, já destacando que não se identifica com a legislação do IPI nem com a do IR. A recorrente é empresa agroindustrial, tendo por objeto social a atividade de frigorífico para abate de suínos, aves, fabricação de produtos de carne, preparação de subprodutos para abate, fabricação de alimentos para animais, pintos de um dia, ovos, extração de madeiras, comércio atacadista de alimentos em geral, entre outras. Não há dúvida, por exemplo, ao afirmarse que a matériaprima utilizada nos alimentos industrializados pela empresa constitui insumo. Contudo, entre a zona de certeza positiva e a de certeza negativa (uma cesta de natal entregue pela empresa a um funcionário certamente não constitui um insumo) existe uma zona de “penumbra” (usando a terminologia empregada por GENARO CARRIÓ2), na qual só a análise do caso concreto (à luz dos elementos trazidos aos autos sobre o processo produtivo da empresa) permitirá um enquadramento mais preciso. E é isso que se faz a seguir, em relação a cada uma das glosas, no que se refere a insumos, e em relação a outros tópicos específicos, adotando a ordem da tabela confeccionada em nosso relatório, agrupandose os itens da ficha 6A e da ficha 6B que versam sobre conteúdo idêntico. 8. Das glosas em espécie As glosas em espécie, como relatado de início, foram subdivididas, de acordo com as fichas do DACON, em seis grupos: (1) bens adquiridos para revenda (a) que foram 2 In Notas Sobre Derecho y Lenguaje. 5 ed. Buenos Aires: AbeledoPerrot, 2006, p. 55 e ss. Fl. 3021DF CARF MF Processo nº 16349.000285/200924 Acórdão n.º 3401003.402 S3C4T1 Fl. 3.015 15 consumidos, ou (b) que estavam sujeitos à alíquota zero; (2) bens utilizados como insumos que (c) não se enquadram no conceito de insumos, (d) representam pagamentos de fretes de transferência de produtos acabados entre unidades da empresa, (e) estão sujeitos à alíquota zero, (f) constam de notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito, ou (g) representam aquisições que deveriam ter ocorrido com suspensão; (3) serviços utilizados como insumos, que (h) não se enquadram no conceito de insumos; (4) despesas de energia elétrica, em função (i) de divergência entre notas fiscais/memória de cálculo e DACON; (5) despesas de armazenagem e fretes na operação de venda, que (j) constam de notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito; ou se referem a pagamentos relativos a serviços portuários e outros, não enquadrados nas normas de regência; e (6) crédito presumido de atividade agroindustrial, que (k) foi solicitado com base em inciso incorreto da lei de regência, e com aquisições registradas em notas fiscais cujos CFOP não representam aquisição de insumos perfeitamente identificados, não havendo crédito presumido em operações para revenda. Há, ainda, glosas referentes a bens importados utilizados como insumos que (l) não se enquadram no respectivo conceito, (m) representam importações cujo CFOP denota operações sem direito a crédito, e (n) estão sujeitos à alíquota zero das contribuições (ficha 6B linha2). Tais itens, como exposto, serão agrupados aos relativos ao mesmo tema, nos seis grupos acima, no presente voto. 8.1. Bens adquiridos para revenda (Ficha 6ALinha 1) As glosas efetuadas, como relatado, são motivadas, pela fiscalização, por duas razões: (a) terem sido os bens consumidos pela empresa; e (b) estarem as mercadorias adquiridas sujeitas à alíquota zero das contribuições. 8.1.1. Aquisições para revenda que foram objeto de consumo A fiscalização efetuou glosas em relação a bens adquiridos para revenda, mas que se referem, em verdade, a bens consumidos na empresa, como GUARANÁ ZERO e PEPSI TWIST LIGHT. As notas fiscais glosadas estão relacionadas cf. listagem 01NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos (fls. 444 a 474). Em tal listagem, as glosas referentes à Ficha 6ALinha 1 do DACON trataram (à exceção de uma, que versa sobre "quadro comando em PVC") de café expresso, cerveja e refrigerante, sendo patente que a empresa não contempla, em sua atividade, a comercialização de tais produtos: Fl. 3022DF CARF MF 16 Em sua defesa, alega a empresa que diante da não cumulatividade e do conceito de insumos, e da previsão do art. 17 da Lei no 11.033/2004, é possível manter créditos nas aquisições consumidas pela própria empresa. Não refuta, assim, terem sido os bens consumidos, o que se assume, por decorrência, como incontroverso. Como assinalamos neste voto, a não cumulatividade constitucionalmente consagrada não é irrestrita, e o conceito de insumos não é tão alargado quanto deseja a recorrente, nem tão estreito quanto propugna o fisco. No entanto, tal discussão é pouco relevante no que se refere a aquisições para revenda, pois aí não se está a tratar propriamente de insumos, necessários à obtenção do produto fabricado. E também o teor do artigo 17 da Lei no 11.033/2004 tem escassa relação com o tema em análise, pois versa somente sobre manutenção de crédito em relação a operações vinculadas a venda com suspensão, isenção ou alíquota zero. Não há, assim, qualquer alegação de defesa que afaste as razões da glosa, que deve, por consequência, ser mantida. 8.1.2. Aquisições sujeitas à alíquota zero das contribuições A fiscalização efetuou glosas em relação a bens adquiridos para revenda por estarem determinados bens adquiridos sujeitos à alíquota zero das contribuições, incidindo a Fl. 3023DF CARF MF Processo nº 16349.000285/200924 Acórdão n.º 3401003.402 S3C4T1 Fl. 3.016 17 vedação estabelecida no art. 3o, § 2o da Lei no 10.833/2003, cf. listagem 03NF Glosadas Alíquota zero. Em tal listagem (fls. 477 a 508), percebese que há 11 motivações de glosa diferentes, agrupadas de acordo com a lei que estabelece a alíquota zero: Das 11 motivações, percebese, verificando a listagem, que três ("CAP78", "LEITE" e "QUEIJO") ensejaram glosa na Linha 1 da Ficha 6A, e serão analisadas no presente tópico. Em sua defesa, a empresa alega que, diante da não cumulatividade e do conceito de insumos, e da previsão do art. 17 da Lei no 11.033/2004, é possível manter créditos nas aquisições de insumos com alíquota zero. Já tratamos de tais alegações no tópico anterior, aparando as pretensões da recorrente, que não se defende objetivamente do que lhe é imputado, remetendo a disposições genéricas que não lhe socorrem. E alega ainda a recorrente, em relação às aquisições com alíquota zero, constantes em outros tópicos de glosa, que diversos produtos não seriam tipificados nas classificações fiscais descritas. A alegação de erro, no entanto, não se faz acompanhar de qualquer explicação adicional, que possibilite saber as razões pelas quais a empresa discorda da classificação por ela própria adotada. No caso, todos os enquadramentos se referem a normas legais vigentes que estabelecem a alíquota zero para as mercadorias adquiridas. E, sobre as aquisições com alíquota zero, é de se remeter à vedação constante no art. 3o, § 2o, tanto da Lei no 10.637/2002, quanto da Lei no 10.833/2003, em ambos os casos com a redação dada pela Lei no 10.865/2004: § 2o Não dará direito a crédito o valor:(Redação dada pela Lei no 10.865, de 2004) (...) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 3024DF CARF MF 18 O art. 17 da Lei no 11.033/2004, por sua vez, não confere direito a crédito, mas tão somente à manutenção de crédito já existente, e assegurado por outra norma vigente, vinculado às operações, como se percebe de seu texto: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Assim, inexistente o direito ao crédito, por expressa disposição legal, devendo ser mantidas as glosas. 8.2. Bens utilizados como insumos (Fichas 6A e 6BLinha 2) A fiscalização efetuou glosas em relação a bens utilizados como insumos que não se enquadram no conceito de insumos, que representam pagamentos de fretes de transferência de produtos acabados entre unidades da empresa, que estão sujeitos à alíquota zero, que constam de notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito, e que representam aquisições que deveriam ter ocorrido com suspensão. No que se refere a importações (Ficha 6B), as glosas se referem a aquisições que não se enquadram no conceito de insumos, que representam importações cujo CFOP denota operações sem direito a crédito, e que estão sujeitos à alíquota zero das contribuições. 8.2.1. Bens que não se enquadram no conceito de insumos No que se refere a bens adquiridos que entendeu a fiscalização não estarem enquadrados no conceito de insumos, cabe recordar que o conceito de insumos adotado neste voto não é nem o defendido pela fiscalização e pela DRJ (afeto à legislação do IPI) nem o pretendido pela recorrente (relacionado à legislação do IRPJ). Para que se categorize o bem adquirido como insumo, na legislação que rege as contribuições em análise, este deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. É com base em tal conceito que apreciaremos as glosas da Linha 2 das Fichas 6A e 6B, constantes da listagem 01NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos (fls. 444 a 474). Em tal listagem, podemos encontrar os seguintes bens: pallets de madeira (o item mais frequentemente visualizado); gasolina combustível de veículos; lodo de efluentes; saco plástico de lixo; kit condensadora; diafragma; "big bags"; estator; rotor; potenciômetro; câmara de ar; fusível e porta fusível; lamínula; kit reconstrução; solvente; martelo; óleo hidráulico, óleo compressor e óleo isolante; colher transparente; motoredutor; fio de algodão; pinhão; gaxeta; luva látex para coleta de sêmen; flanela; elementos de filtro e filtros; cilindro; contatos; conector; válvulas; lâmpadas; corrente; guia; conjunto recond.; alojamento lâmina; polia; emenda redução; emenda corrente; suporte; refeição; desjejum; escovas; eixo; painel display; desengraxante; desengripante; pistão; marcador; protetor; redutor; camisas; caracol; berço; roda; peso padrão; rosca; esteira; tubo; chave; contator; correia; corrente; módulo pistola; flange; alojamento; mancal; tampas; bomba; mangueira; locking plugs; placa espaçadora; placa atrito; café com leite; suco; café puro; guaraná normal; refrigerante; peças para conserto/manutenção; pistão; cabo bisturi; registro; reator; grelha; conjunto selo mecânico; pneus; chicotequadro; junção; bateria; matrizes; trava faca; encosto faca; motores; e produtos descritos com códigos que não permitem saber exatamente do que se tratam (v.g., Fl. 3025DF CARF MF Processo nº 16349.000285/200924 Acórdão n.º 3401003.402 S3C4T1 Fl. 3.017 19 "FLM STRE USO MÁQUINA 500MMx1200MTPDG"; "CORTROL I8 1075GE"; "MÁQUINA"; "ALOJAMENTO 183352B BETCHER" e "CARRO INDUSTRIAL"). A listagem, ao contrário do que pareceu entender a recorrente, possui bem menos de uma centena de espécies de bens. Houvesse a recorrente efetuado, em sua defesa, a leitura que ora empreendemos em nome da verdade material, poderia ela ter justificado o emprego de tais bens no processo produtivo, desincumbindose de seu ônus probatório. Há, na listagem, produtos para os quais não se tem dúvidas sobre a ausência de emprego no processo produtivo (v.g., refeição, desjejum, café com leite e suco). Mas há outros (v.g., óleo hidráulico, óleo isolante, desengraxante e combustíveis de veículos) para os quais bastaria a recorrente ter informado especificamente de que forma são utilizados no processo produtivo, para que se pudesse formar convicção a respeito da adequação ao conceito de insumos adotado. No entanto, a recorrente pouco se esforça nesse sentido, limitandose a repisar o que entende como insumo e citar precedentes que nem sempre tratam dos itens glosados. Não se desincumbe, assim, a recorrente, do ônus probatório outorgado em processos de ressarcimento/compensação. E, no que se refere a importações, igualmente se limita a recorrente a afirmar que o direito de crédito decorre diretamente do art. 15 da Lei no 10.865/2004. No entanto, tal artigo tem conteúdo semelhante aos dispositivos que regem o crédito nas Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003, não ensejando tratamento diferenciado, salvo disposição expressa. De todos os itens, o único especificamente questionado, de forma detalhada, pela recorrente, é o pallet, que figura na peça de defesa (fls. 2967 do recurso voluntário), ao lado de itens sequer glosados (bolsa térmica e caixa de proteção). Sustenta a empresa que: Alternativamente, a empresa demanda,em caso de não reconhecimento do crédito integral, que se acolha o crédito com fundamento no art. 3o, IX das leis de regência, que permitem o crédito na hipótese de armazenagem de mercadoria, porque tais produtos "têm por finalidade a armazenagem de matériasprimas ou as mercadorias produzidas e destinadas a comercialização". Sobre os pallets (e outros bens que, em verdade, constituem aquisições destinadas ao ativo imobilizado), mantemos o posicionamento externado no julgamento dos Acórdãos no 3403003.550 e no 3403003.551, e que mencionam ainda os outros nove processos da mesma recorrente: Fl. 3026DF CARF MF 20 Há que se destacar, contudo, nossa acordância com entendimento já externado nesta turma pela Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel, de que os pallets são bens a serem contabilizados no ativo não circulante: “Relativamente aos “paletes de madeira” “tábuas” e “barrotes de eucalipto” utilizados para movimentação interna dos produtos industrializados, entendo que não se enquadram no conceito de insumo tal como previsto no inciso II do artigo 3o da Lei 10.833/03, até porque pelo valor e tempo de vida útil desses bens eles não podem ser deduzidos com despesa operacional e devem ser contabilizados no ativo não circulante (art. 301 do RIR/99) sujeitandose à depreciação, cuja despesa dela decorrente pode ser aproveitada para crédito do PIS e da COFINS não cumulativos, nos termos do inciso III do § 1o do artigo3o da mesma Lei 10.833/03. Nesse sentido há diversas soluções de consulta da Secretaria da Recita Federal do Brasil (...)”(Acórdão no 3403.001.935, Rel. Cons. Raquel Motta Brandão Minatel, maioria, sessão de 20.mar.2013) Assim, da mesma forma em que decidido unanimemente por este colegiado nos nove processos citados, mantémse a glosa em relação aos pallets. E o raciocínio externado em relação a pallets se aplica ainda aos demais bens considerados como insumos pela recorrente e que constituem, na verdade, aquisições destinadas ao ativo imobilizado. Não se pode admitir o crédito integral em relação a tais bens, por absoluta carência de amparo normativo. E avaliar o pedido alternativo de crédito proporcional equivale a ignorar a própria escrituração da empresa, e a analisar pedido diverso daquele que ensejou o despacho decisório (peça cuja ciência deu início ao contencioso). Nesse sentido a decisão unânime da turma nos multicitados nove processos da mesma empresa julgados em 2013: (...) Pelo exposto, são também mantidas as glosas em relação a bens indicados, escriturados e declarados ao fisco como insumos (inciso II do art. 3o das leis de regência) que na verdade se tratavam de aquisições destinadas ao ativo imobilizado." Assim, da mesma forma em que nos outros processos administrativos, entendo que não se pode admitir o crédito integral em relação os pallets, por absoluta carência de amparo normativo, tanto com fundamento no inciso II quanto no inciso IX do art. 3o das leis de regência, também demandado pela recorrente (e que trata de despesas de armazenagem, não de ativo imobilizado). A ausência de previsão normativa de crédito, como insumo, se estende a partes e peças, ou ferramentas, no que também mantenho o posicionamento externado nos nove acórdãos referentes aos processos relativos a 2007, da mesma recorrente, cabendo aqui transcrever excerto de sua ementa, específico sobre o tema: Fl. 3027DF CARF MF Processo nº 16349.000285/200924 Acórdão n.º 3401003.402 S3C4T1 Fl. 3.018 21 CONTRIBUIÇÂO PARA O PIS/PASEP. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Para a empresa agroindustrial, (...) não constituem insumos: uniformes, artigos de vestuário, equipamentos de proteção de empregados e materiais de uso pessoal; bens do ativo, inclusive ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos; (...). Devem, assim, ser mantidas as glosas efetuadas em relação a tais itens, cabendo, derradeiramente, verificar as alegações da recorrente em relação a combustíveis, em específico, a gasolina. Não temos dúvidas de que os combustíveis, assim como os lubrificantes, estão enquadrados no inciso II do art. 3o das leis de regência, aliás, expressamente: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes (...); (grifo nosso) No entanto, não basta que se comprove a aquisição de combustíveis, devendo também se provar que tais combustíveis foram utilizados como insumo na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. E nisso peca a recorrente. Deveria ao menos ter demonstrado que a gasolina para veículos se presta não ao transporte de pessoas, ou a veículos de uso de funcionários, mas a transporte de mercadoria ou utilização nas instalações da empresa, no processo produtivo. No entanto, a peça recursal apenas sustenta genericamente o direito de crédito. Nos processos anteriormente analisados, da mesma recorrente (Acórdãos no 3403003.550 e no 3403003.551), detectei que havia glosas de combustíveis de veículos, e cheguei a presumir, pela plausibilidade, que o hexano, o óleo de xisto, o GLP e o óleo diesel fossem usados no processo produtivo: Em relação às glosas de combustíveis, sustenta a empresa que as aquisições de combustíveis como GLP e lenha para combustão são ensejadores de créditos, conforme disposição expressa da lei de regência das contribuições A DRJ mantém as glosas diante da impossibilidade de se saber se os combustíveis foram efetivamente utilizados no processo produtivo. No recurso voluntário, a empresa revela que não é crível sustentar que alguns combustíveis (como hexano, óleo de xisto, diesel e GLP) sejam utilizados veículos para transporte de pessoas. Fl. 3028DF CARF MF 22 Há, aqui, que se acordar com a empresa em relação ao hexano, ao óleo de xisto e a GLP, seja pela dificuldade em imaginar utilizações outras para tais bens que não no processo produtivo, seja pela descrição de como se utiliza cada bem na peça recursal (fl. 4942). No mesmo sentido nosso raciocínio sobre a lenha. E, em relação ao diesel, parece pouco crível também que seja utilizado em veículos de transporte de pessoas. Nesse sentido, essa Terceira Turma já decidiu unanimemente, em caso no qual havia dúvidas sobre a utilização de combustíveis em veículos de propriedade de empresa: (...) Mas, no presente processo, as glosas são todas referentes a gasolina. E não justifica a empresa se a gasolina se prestaria a veículo de transporte movido a tal combustível empregado no processo produtivo. Mantenho, também nesse tema, o posicionamento externado anteriormente, no sentido de que incumbe à postulante ao crédito a comprovação do emprego do combustível na produção, podendose até presumir tal emprego pelas características do combustível, exclusivamente para máquinas ou caminhões de transporte. Mas, como dito, tal presunção é insustentável no que se refere à gasolina. Devem, assim, ser mantidas as glosas efetuadas neste item. 8.2.2. Fretes de transferência de produtos acabados entre unidades da empresa A fiscalização efetuou glosa de créditos referentes a pagamentos de fretes de transferência de produtos acabados entre unidades da empresa, cf. listagem 04NF Glosadas Fretes de Transferência de produtos acabados (fls. 509 a 639). Ainda na informação fiscal (fls. 2722/2723), alertou a fiscalização que as glosas eram sobre produtos acabados, conforme a própria escrituração da recorrente: Fl. 3029DF CARF MF Processo nº 16349.000285/200924 Acórdão n.º 3401003.402 S3C4T1 Fl. 3.019 23 Apesar de tal informação, a empresa, em sua manifestação de inconformidade, alegou que a fiscalização presumiu que o transporte entre unidades da empresa se referia a produtos acabados, sem provas, e tais fretes são feitos dentro de regras e determinações da ANVISA. Sobre o tema,a DRJ aclarou que a menção a ser o frete de produtos acabados era derivada das próprias declarações da empresa, não havendo presunção. Esperavase, assim, que no recurso voluntário a empresa justificasse detalhadamente eventual equívoco cometido por ela, no registro das informações, e que teria induzido a erro a fiscalização e a DRJ. No entanto, a peça recursal limitase a reproduzir a argumentação externada na manifestação de inconformidade, sem qualquer amparo probatório para a alegação de que fretes entre unidades fariam efetivamente parte do processo produtivo, apesar de terem sido registrados pela empresa como fretes de produtos acabados. Novamente, por não se desincumbir a empresa de comprovar o direito de crédito, devem ser mantidas as glosas. E foi isso, exatamente, que ocorreu também nos multicitados Acórdãos no 3403003.550 e no 3403003.551: São glosados os fretes de transferência de produtos entre unidades da empresa (em conta relacionada a produtos acabados). E narra o fisco que oportunizou à empresa detalhara se se tratavam de fretes de matériasprimas, produtos intermediários ou produtos acabados. E a empresa não logrou comprovar que os fretes glosados se tratavam de operações com direito a crédito. Assim, a glosa é por carência probatória. Em sua defesa, a empresa alega que os produtos industrializados são perecíveis, necessitando de permanente refrigeração, e estando sujeitos a normas de higiene sanitária, cabendo o crédito com base no art. 3o, IX das leis de regência, conforme já entendeu o CARF, devendo ser ainda reconhecido o crédito em Fl. 3030DF CARF MF 24 relação a custos com armazenagem. Contudo, não detalha nem comprova a quais vendas se referem os fretes. Persiste, assim, a carência probatória ensejadora da glosa, que deve ser mantida. Procedentes, então, também as glosas efetuadas pela fiscalização em relação a este item. 8.2.3. Bens sujeitos à alíquota zero das contribuições A fiscalização efetuou glosa de créditos referentes a aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero para as contribuições (em função do disposto no art. 3o, § 2o, II das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003), havendo também glosa congênere na Ficha 6B (Linha 2), referente a importações, reunidas todas as glosas na listagem 03NF Glosadas Alíquota zero (fls. 477 a 508). Sobre o tema, já tratamos no item 8.1.2 deste voto, embora se referindo a bens para revenda, mas o raciocínio a ser empregado é o mesmo. A alegação, asbolutamente desprovida de amparo probatório ou mesmo argumentativo, de que estariam incorretas as classificações, não guarda consonância com o ônus incumbido à postulante ao crédito, e o art. 17 da Lei no 11.033/2004, como aqui já se explicou, não confere direito a crédito, mas tão somente à manutenção de crédito já existente, e assegurado por outra norma vigente, vinculado às operações. Deve, assim, ser mantida a glosa correspondente, por expressa vedação, legalmente estabelecida. Em relação ao pedido alternativo da empresa, de que fosse ao menos reconhecido o crédito presumido da agroindústria, para os insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições (em raciocínio que não é extensível às aquisições para simples revenda, incompatíveis com o crédito presumido, como se tratará no item 8.6 deste voto), entendese que deve ser negado, pois, além de contradizer a escrituração e a declaração da empresa prestada ao fisco, e o pedido de ressarcimento que motiva o despacho decisório (peça cuja ciência inaugura este contencioso), demandaria análise de pertinência individualizada das aquisições ao regramento (requisitos e condições) estabelecido no art. 8o da Lei no 10.925/2004. E essa correspondência individualizada e documentada estava a cargo da recorrente, ao demandar o pedido alternativo, não havendo nos autos vestígios de tal comprovação. Tal raciocínio se estende aos outros pedidos alternativos, no mesmo sentido, na peça de defesa. 8.2.4. Bens que constam de notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito A fiscalização efetuou glosa de créditos referentes a aquisições constantes de notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito, havendo também glosa congênere na Ficha 6B (Linha 2), referente a importações, reunidas todas as glosas na listagem 02NF Glosadas Operações sem direito a crédito CFOP (fls. 475 e 476). Fl. 3031DF CARF MF Processo nº 16349.000285/200924 Acórdão n.º 3401003.402 S3C4T1 Fl. 3.020 25 A empresa, em sua defesa, afirma que a alegação fiscal trata de itens diversos conjuntamente, quando deveriam estar segregados para que fosse justificado de modo adequado a glosa, que, de qualquer forma, deve ser afastada em função do conceito de insumos adotado e da utilidade, inerência e relevância no processo produtivo (v.g., de faca, navalha, mola, martelo, rolamento e extrato de tomate, além de embalagens e serviços de industrialização de ração por encomenda). E, no que se refere a importações, endossa que o direito de crédito decorre diretamente do art. 15 da Lei no 10.865/2004 (pelo que remetemos ao item 8.1.3, no qual informamos que tal artigo tem conteúdo semelhante aos dispositivos que regem o crédito nas Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003, não ensejando tratamento diferenciado, salvo disposição expressa). Na listagem de fls. 475 e 476, percebemos que os CFOP informados nas notas fiscais glosadas em relação à Linha 2 das Fichas 6A e 6B são: 1551, 1556, 1949, 2407, 2556, 2902, 2910, 2913, 2949 e 3949. A recorrente, ao invés de questionar especificamente a glosa, informando que o CFOP estava registrado de forma incorreta, tratandose a operação de aquisição de insumos, simplesmente alega, de forma genérica, ter direito ao crédito, e que a alegação fiscal não deveria ter juntado os itens sob uma única glosa. Vejase, no entanto, que todas estas glosas possuem uma razão única: o CFOP informado na nota fiscal não revela operação de aquisição, que dê ensejo ao crédito, no caso de insumos. E disso não se defende a recorrente, novamente olvidandose de seu ônus, nos processos de ressarcimento/compensação. Deve, assim, ser mantida a glosa. 8.2.5. Bens que representam aquisições que deveriam ter ocorrido com suspensão A fiscalização efetuou glosas em relação a notas fiscais que representam aquisições de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória das contribuições (em função do disposto nos arts. 8o e 9o da Lei no 10.925/2004 e na Instrução Normativa SRF no 660/2006), cf. listagem 11NF Glosadas Aquisição PJ Suspensão obrigatória. Em tal listagem (fls. 1807/1808), podemos encontrar notas de aquisições de milho, de suínos (a maioria das notas se refere a "leitão" ou a "suínos vivos"), de frango, de peru, e de boi/vaca. A recorrente, em sua defesa, sustenta que a interpretação da fiscalização sobre o dispositivo legal é improcedente, não sendo obrigatória a suspensão até o advento da Instrução Normativa RFB no 977/2009, e que, sendo tributada a operação anterior, assegurado é o crédito. Tanto o apontamento do fisco quanto as razões de defesa são idênticos aos presentes nos citados onze processos da mesma empresa já apreciados sob minha relatoria, aos quais remetemos, endossando suas conclusões: Fl. 3032DF CARF MF 26 “Foram ainda glosados créditos de aquisições de insumos cuja venda é feita com suspensão das contribuições, com fundamento no art. 9o da Lei no 10.925/2004, assim como os fretes a elas correspondentes, pela sujeição somente ao crédito presumido de atividades agroindustriais. Em relação a tal tópico, informa a recorrente que até o advento da Instrução Normativa RFB no 977, de 14/12/2009, não era obrigatória a suspensão, e, diante da faculdade, as aquisições dos produtos ocorreram com tributação, sem a suspensão (não estando nas Notas Fiscais detalhada a suspensão), sendo legítimo o crédito. No julgamento de piso, esclarecese que: “Em relação à situação posta, observa se que a impugnante não questiona o fato de que os produtos adquiridos enquadramse nas situações previstas no art. 9o da Lei no 10.925/2004, que prevê a suspensão da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Já no que tange à obrigatoriedade da receita da venda destes produtos ser efetuada com suspensão de incidência, esclarecese que, ao contrário do alegado pela contribuinte, desde a edição da Instrução Normativa SRF no 636, de 24 de março de 2006, com a efetiva implementação de termos e condições, a suspensão da incidência é obrigatória, independente de o contribuinte ter ou não destacado em suas notas fiscais a suspensão.” De fato, a Instrução Normativa de 2006 já estabelecia a suspensão (com a expressão “fica suspensa”, que não parece, nem de longe, estabelecer uma faculdade). Não há que se falar, assim, em aproveitamento de créditos, sendo procedente a glosa.” Em adição, é de se informar que em diversos julgados posteriores, nos quais também atuei como relator, restou unanimemente decidido que a suspensão é aplicada bem antes da Instrução Normativa RFB no 977/2009: “SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. ART. 9o DA LEI No 10.925/2004. APLICAÇÃO NO TEMPO. As operações de venda com suspensão ao amparo do art. 9o da Lei no 10.925/2004, registradas a partir de agosto de 2004, e acolhidas pela retroatividade estabelecida pela IN SRF no 636/2006, norma editada pela Receita Federal para disciplinar exatamente tal comando legal, não foram juridicamente desconstituídas pelo advento da IN SRF no 660/2006, que revoga a norma infralegal anteriormente editada.” (Acórdão no 3403003.507, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 28.jan.2015) (No mesmo sentido o Acórdão no 3403003.337, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 15.out.2014) Assim, devem ser mantidas as glosas, em função da obrigatoriedade da suspensão, não havendo direito de aproveitamento do crédito em relação a tais operações, diante das disposições normativas aplicáveis. Fl. 3033DF CARF MF Processo nº 16349.000285/200924 Acórdão n.º 3401003.402 S3C4T1 Fl. 3.021 27 8.3. Serviços utilizados como insumos (Ficha 6ALinha 3) A fiscalização efetuou glosas em relação a serviços utilizados como insumos que não se enquadram efetivamente no conceito de insumos presente na Instrução Normativa SRF no 404/2004, cf. listagem 01NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos. A recorrente, por sua vez, sustenta que a fiscalização usa conceito equivocado e restrito de insumos. Na referida listagem (fls. 444 a 474), percebese que as glosas de serviços se referem a: "serviço movimentação saída"; "serviço construção civil"; "serviço monitoramento"; "serviço limpeza geral em instalações"; "serviço mão obra limpeza interna"; "serviço lavagem seco"; "serviço imobilizado geral"; "serviço técnico mecânico" e em eletricidade; "pesagem caminhão"; "serviço administrativo"; "serviços de recuperação"; "serviço reforma pallets PBR"; "serviço de aplicação de strecht pallet"; "serviço de 'strechamento'"; "serviço de repaletização"; "serviço manutenção equip. informática"; "serviço consultoria informática"; "serviço instalação elétrica e aterramento"; "serviço caminhão munck"; "movimentação saída 100%"; "serviço de copiadora (xerox)"; "desjejum"; "refeição"; "café puro"; "suco"; "café com leite"; "serviço mãodeobra"; "serviço extraordinário"; "serviço de carga e descarga"; "serviço diária"; "serviço inspeção em vazios de pressão"; "serviço consultoria técnica"; "serviço dedetização"; "outros serviços"; "serviço Km rodado"; "serviço montagem/desmontagem", e montagem de kits; "serviço transporte aéreo"; "serviço transporte de veículos em balsa"; "serviço técnico funilaria/chaparia"; "serviço de retirada de caçamba; "serviço transporte de funcionários"; "serviço inspeção sanitária"; "serviços de vigilância"; "serviços gerais"; serviços de instalação; e "serviço de incineração". De início, cabe mencionar que são perfeitamente aplicáveis ao presente item as considerações externadas nos tópicos 7 e 8.2.1 deste voto. Por decorrência, são serviços compatíveis com o conceito de insumos aqueles que são necessários ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. A recorrente, em sua peça de defesa, traz lista de serviços glosados que não guarda muita relação com a constante do presente processo (talvez por imaginar que as glosas seriam idênticas a outros processos para os quais houve defesa). E, sobre a maior parte dos serviços, limitase a dizer que são "totalmente essenciais e inerentes à atividade produtiva e econômica" da empresa. Os poucos serviços aos quais a recorrente dedica algumas linhas a mais (ainda que sem demonstração específica da utilidade no processo produtivo) sequer foram glosados pela fiscalização, à exceção dos relacionados a higiene e limpeza das instalações. Apesar de a empresa não apresentar comprovação de que os serviços registrados como "serviço limpeza geral em instalações", "serviço mão obra limpeza interna"; "serviço lavagem seco" foram efetivamente na linha de produção, de modo a dissociar tais serviços da faxina em escritórios, dependências comerciais, etc., entendese plausível, em uma empresa agroindustrial produtora de alimentos, que sejam, atendidas as normas legais aplicáveis a higienização e limpeza, e que tais cuidados são necessários à obtenção do produto final. O mesmo raciocínio é válido para "serviço dedetização" e "serviço inspeção sanitária", e seria ainda alastrado a outros, como "serviço de incineração", se a recorrente houvesse se desincumbido do ônus de provar que tal atividade tem relação direta com seu processo produtivo, pois não é possível alcançar dedutivamente tal relação, como nos demais itens. Fl. 3034DF CARF MF 28 Tal entendimento foi adotado também nos Acórdãos no 3403003.550 e no 3403003.551, em revisão a posicionamento anterior: 4.1.2. Materiais de limpeza, desinfecção e higienização (...) E, em relação às despesas com higienização, matéria na qual fui vencido nos processos anteriormente julgados por esta Terceira Turma, revejo meu posicionamento, acordando com o colegiado que efetivamente sem a higienização também dificilmente se chegaria ao produto final fabricado pela empresa. Assim, deve ser afastada a glosa efetuada pelo fisco em relação a materiais de limpeza, desinfecção e higienização. Devem, assim, ser afastadas, neste item, as glosas referentes a "serviço limpeza geral em instalações"; "serviço mão obra limpeza interna"; "serviço lavagem seco"; "serviço dedetização" e "serviço inspeção sanitária". 8.4. Despesas de Energia Elétrica (Ficha 6ALinha 4) A fiscalização efetuou glosas em relação a despesas de energia elétrica em função de ser o total de notas fiscais inseridas na memória de cálculo menor do que o valor informado na linha 4 do DACON, nos meses de janeiro e fevereiro de 2008. A empresa se defende de forma tão sintética e genérica, em relação ao tema, que cabe aqui a transcrição integral do tópico correspondente do recurso voluntário: Apresentada a íntegra da defesa, em relação ao tema, novamente se percebe que a empresa não demonstra o mínimo esforço em apontar sequer qual teria sido o erro dela própria, agora reconhecido, que teria ensejado a glosa fiscal. Assim, por absoluta carência de demonstração do direito de crédito, por parte da postulante, deve ser mantida a glosa. 8.5. Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda (Ficha 6ALinha 7) Fl. 3035DF CARF MF Processo nº 16349.000285/200924 Acórdão n.º 3401003.402 S3C4T1 Fl. 3.022 29 A fiscalização efetuou glosas em relação a despesas de armazenagem e fretes na operação de venda, que constam de notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito, e pagamentos relativos a serviço portuário e outros, que não se enquadram no art. 3o, § 2o, IX da Lei no 10.833/2003, cf. listagens 01NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos; e 02NF Glosadas Operações sem direito a crédito CFOP. Na listagem 02NF Glosadas Operações sem direito a crédito CFOP (fls. 475 e 476) , percebese que não houve nenhuma glosa na Linha 7 da Ficha 6A. equivocada, assim, a informação fiscal de que houve glosa por tal razão. Na listagem 01NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos (fls. 444 a 474) , verificase que houve quatro glosas referentes apenas a "serviços portuários", uma no mês de janeiro de 2008 (relativa a nota fiscal no valor de R$ 190.708,96), uma no mês de fevereiro de 2008 (relativa a nota fiscal no valor de R$ 60.785,84); e duas no mês de março de 2008 (totalizando notas fiscais no valor de R$ 3.182,40). Em sua defesa, a recorrente afirma que o frete na venda e a armazenagem incluem as despesas aduaneiras e portuárias, e que há nulidade do despacho decisório diante do não detalhamento das glosas. Entendemos não assistir razão à recorrente, pois a motivação da glosa é flagrante: "serviços portuários" (rubrica registrada pela própria empresa) não se enquadram nos ditames do inciso IX do art. 3o da Lei no 10.833/2003, aplicado à Contribuição para o PIS/PASEP por força do art.15 da mesma lei: IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor; Serviços portuários, ao contrário do que sustenta a recorrente, não constituem nem frete nem armazenagem para venda. Também em relação a tal tema já nos manifestamos anteriormente, no Acórdão no 3403003.378, de 11/11/2014: No que se refere aos serviços portuários (como capatazia, movimentação portuária, despesas aduaneiras, atracação e desatracação de navios), e traslado de minério de ferro das minas para pátios de carga e descarga, a motivação para a glosa é a de que são operações realizadas já com o produto acabado, ou transporte interno para escoamento. (...) é incontroverso que tais despesas não são de armazenagem nem de frete na operação de venda, daí pleitearse o crédito como “insumos” (inciso II). Tal posicionamento da recorrente, contudo, não encontra guarida nas normas vigentes, tendo em vista que as operações não são realizadas “durante” o processo produtivo, mas após este, envolvendo o produto já acabado. Assim vem entendendo esta Turma unanimemente, inclusive com a composição atual: “COFINS NÃOCUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. DESPESAS COM SERVIÇOS DE Fl. 3036DF CARF MF 30 CAPATAZIA E ESTIVA. INADMISSIBILIDADE. Não se vinculando à atividade propriamente produtiva, as despesas incorridas com capatazia e estiva se assemelham mais a espécies de despesas com vendas, sem que, todavia, o artigo 3o da Lei no 10.833/03 contenha hipótese permissiva para o creditamento da COFINS, apurada segundo o regime não cumulativo. (...) É o que se dá com os serviços de capatazia e estiva, incorridos pela ora recorrente nas operações portuárias associadas à exportação de seus produtos. Não importa que os serviços sejam prestados por pessoas jurídicas com sede no País. O relevante, a meu ver, é que as atividades cogitadas não constituem insumo para a fabricação, no sentido de que não compõem o respectivo custo de produção. Mais apropriado seria entendêlas como espécies de despesas com as vendas, entre as quais habitualmente se inserem “os gastos de promoção, colocação e distribuição dos produtos da empresa, bem como os riscos assumidos pela venda, constando dessa categoria despesas como: com o pessoal da área de vendas, marketing, distribuição, pessoal administrativo interno de vendas, comissões sobre vendas (...)” (Manual de contabilidade das sociedade por ações (aplicável às demais sociedades). Ob. cit., p. 383). E se não caracterizam insumo da atividade produtiva da recorrente, os serviços de capatazia e estiva igualmente não se identificam com as espécies de despesas com vendas cuja realização autoriza o creditamento. Embora envolvam o manuseio da carga, capatazia e estiva não constituem serviço de transporte e, portanto, o preço que a ora recorrente paga por eles não se define como “frete”. Daí a inaplicabilidade à hipótese do inciso IX, do já referido artigo 3o.” (Acórdão no 3403002.139, Rel. Cons. Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de 25.abr.2013) (grifo nosso) “NÃO CUMULATIVIDADE. FRETE E DESPESAS DE ARMAZENAGEM NAS OPERAÇÕES DE VENDA. EXTENSÃO As operações de movimentação de contêiner cheio; serviço de fumigação de pallets; despesas com capatazia e reembolso de CPMF; movimentação de embarcação; transporte de contêineres vazios e sua devolução para o exportador; descarga de contêineres; vistoria de contêineres; handling de contêineres; unitização e desunitização de contêineres e uso de pátio não estão abrangidos no conceito de armazenagem e tampouco podem ser concebidas como etapa do frete nas operações de Fl. 3037DF CARF MF Processo nº 16349.000285/200924 Acórdão n.º 3401003.402 S3C4T1 Fl. 3.023 31 venda, razão pela qual os respectivos gastos não ensejam o creditamento da contribuição.” (Acórdão no 3403003.097, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânime, sessão de 22.jul.2014) Incabíveis, assim, o desconto de créditos em relação a serviços portuários diversos, já com o produto acabado. Além do acima exposto, que endossamos, há que se destacar que, no presente processo, a recorrente sequer detalha em que consistiriam, especificamente, os tais “serviços portuários”. Na peça recursal, os vestígios de detalhamento remontam aos serviços de despachante aduaneiro (fl. 2991), que, certamente, não correspondem nem a armazenagem nem a frete, e estão distantes do conceito de insumos neste voto albergado: A carência de comprovação do crédito, a cargo da postulante, assim, vem a somarse com o entendimento externado de que serviços portuários (bem assim serviços de despachante aduaneiro, apesar de não haver glosa em tal rubrica) não constituem nem armazenagem nem fretes na operação de venda, e não se enquadram no conceito de insumos aqui adotado. Deve, portanto, ser mantida a glosa. 8.6. Crédito Presumido de Atividade Agroindustrial (Ficha 6ALinhas 25/26) A fiscalização efetuou glosas em relação a crédito presumido de atividade agroindustrial, que foi solicitado com base em inciso incorreto da lei de regência, e com aquisições registradas em notas fiscais cujos CFOP não representam aquisição de insumos perfeitamente identificados, não havendo crédito presumido em operações para revenda, cf. listagem 05Crédito Presumido detalhe. Em sua defesa, a recorrente alega que o crédito presumido se aplica também a operações de revenda, e com fundamento no art. 17 da Lei no 11.033/2004; e que o cômputo da alíquota deve ser feito em função do produto fabricado, e não da aquisição. No que se refere a revenda, a recorrente interpreta mal o art. 17 da Lei no 11.033/2004, como já exposto neste voto, e confunde a créditos básicos (nos quais incidem diversas vedações, como em relação a aquisições de pessoas físicas, etc) com créditos presumidos de que trata o art. 8o da Lei no 10.925/2004. Se houvesse demandado créditos básicos, e comprovado que cumpre os requisitos para obtêlos, cabível seria a tomada em Fl. 3038DF CARF MF 32 relação a revenda, por força do inciso I do art. 3o das leis de regência. Mas não é o que consta no presente processo, em que a empresa demanda crédito presumido com base no art. 8o da Lei no 10.925/2004 (sequer cogitando de comprovar que não incide nas vedações para a obtenção de créditos básicos). Assim, corretas as glosas de notas fiscais cujos CFOP não representam aquisição de insumos perfeitamente identificados. No que se refere ao argumento do fisco de que teria a recorrente demandado o crédito com fundamento no inciso incorreto do § 3o do art. 8o, em função do Capítulo da NCM no qual se classificam os insumos, a questão merece melhor detalhamento. Tanto o fisco quanto a recorrente reproduzem o mesmo dispositivo legal (art. 8o da Lei no 10.925/2004), cada um afirmando que sua própria interpretação é a correta. A fiscalização defende que a alíquota aplicável (ou o inciso com a alíquota aplicável) varia em função dos insumos, enquanto que a recorrente defende que é em função dos produtos elaborados/fabricados. Vêse que aqui a discussão não envolve aspectos probatórios, sendo a matéria exclusivamente ligada à interpretação do art. 8o da Lei no 10.925/2004. O art. 8o da Lei no 10.925/2004 dispõe que as pessoas jurídicas que produzam determinadas mercadorias (que arrola no caput do artigo), destinadas à alimentação humana ou animal, podem deduzir das contribuições (Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins), devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003 (insumos), adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, residente ou domiciliada no País. No § 3o do referido art. 8o, estabelecese que o montante do crédito presumido será determinado mediante aplicação, sobre o valor das aquisições, de alíquota correspondente a: (a) 60% da prevista na legislação das contribuições, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e (b) de 35% da prevista na legislação das contribuições, para os demais produtos. Na letra da lei, na redação vigente à época: “Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) Fl. 3039DF CARF MF Processo nº 16349.000285/200924 Acórdão n.º 3401003.402 S3C4T1 Fl. 3.024 33 § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista art. 2o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos.” (grifos nossos) A literalidade da lei realmente abre possibilidade às duas linhas de entendimento, pelo que deve se buscar qual é a interpretação que se coaduna ao sistema, mantendoo lógico, coerente e harmônico. Tal tarefa foi empreendida em junho de 2013, chegandose, no CARF, unanimemente, à conclusão que: “O crédito presumido de que trata o artigo 8o, da Lei no 10.925/04 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o, da Lei no 10.833/03 em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo”. (Acórdão no 3403002.281, Rel Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de 25.jun.2013) (grifo nosso) É conveniente transcrever parte do raciocínio empreendido, para que reste nítida a coerência argumentativa da linha adotada: “Originalmente, o crédito presumido da agroindústria no regime não cumulativo de apuração do PIS e da COFINS foi previsto nas próprias Leis no. 10.637/02 e 10.833/03, nos §§10 e 5o de seus respectivos artigos 3os. Como se trata de um segmento cujos insumos provêm em larga escala de fornecedores pessoas físicas – que, por não serem contribuintes das exações, não proporcionariam crédito à agroindústria adquirente – a solução encontrada pelo legislador para minimizar a cumulatividade da cadeia foi a outorga do crédito presumido. Pretendiase, na ocasião, compensar o industrial pelo PIS e pela COFINS incidentes sobre os insumos da produção agrícola – fertilizantes, defensivos, sementes etc. – e acumulados no preço dos produtos agrícolas e pecuários. Como esse foi o propósito por trás da instituição do crédito presumido – neutralizar a incidência do PIS e da COFINS acumulada no preço dos gêneros agrícolas – não faria sentido Fl. 3040DF CARF MF 34 que o valor do benefício variasse em função do produto em cuja fabricação a indústria o empregasse. Aliás, seria até antiisonômico se fosse assim. Daí porque as Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03 o concediam em alíquota única. Se os adquirisse de pessoas físicas, a agroindústria apropriaria sempre o mesmo percentual, independentemente da espécie de produto em que fossem aplicados. A estipulação de mais de um percentual para apuração do crédito presumido foi obra da Lei no. 10.925/04 que, simultaneamente, também reduziu a zero a alíquota do PIS e da COFINS incidentes sobre a receita de venda dos principais insumos da atividade agrícola. (...) Ora, se os insumos aplicados na agricultura e na pecuária já não são gravados pelo PIS e pela COFINS e, portanto, se o preço praticado pelo produtor rural pessoa física já não contém o encargo tributário, qual a justificativa para a manutenção do crédito presumido à agroindústria? Se o benefício perseguia compensar o setor pelo acúmulo de PIS e de COFINS no preço dos gêneros agrícolas, como explicálo depois de reduzida a zero a alíquota dos insumos aplicados à produção? A verdade é que, com o advento da Lei no. 10.925/04, o crédito presumido da agroindústria passou a servir a uma finalidade diversa da que presidiu a sua instituição. Como já não era preciso compensar incidências em etapas anteriores da cadeia, o legislador veiculou verdadeiro incentivo fiscal através (sic) do crédito presumido. Nesse sentido, vejase trecho da Exposição de Motivos da MP no. 183, cuja conversão originou a Lei no. 10.925/04: ‘4. Desse acordo, que traz grandes novidades para o setor, decorreu a introdução dos dispositivos acima mencionados, que, se convertidos em Lei, teriam os seguintes efeitos: a) redução a zero das alíquotas incidentes sobre fertilizantes e defensivos agropecuários, suas matériasprimas, bem assim sementes para semeadura; b) em contrapartida, extinção do crédito presumido, atribuído à agroindústria e aos cerealistas, relativamente às aquisições feitas de pessoas físicas. 5. Cumpre esclarecer que o mencionado crédito presumido foi instituído com a única finalidade de anular a acumulação do PIS e da COFINS nos preços dos produtos dos agricultores e pecuaristas pessoas físicas, dado que estes não são contribuintes dessas contribuições, evitandose, assim, que dita acumulação repercutisse nas fases subsequentes da cadeia de produção e comercialização de alimentos. 6. Com a redução a zero dos mencionados insumos, por decorrência lógica, haveria de se extinguir o crédito presumido, por afastada sua fundamentação econômica, pois, do contrário, estarseia perante um benefício fiscal, o que contraria a Lei de Responsabilidade Fiscal.’ Como se vê, o crédito presumido em análise assumiu, com o advento da Lei no. 10.925/04, ares de um verdadeiro incentivo e, Fl. 3041DF CARF MF Processo nº 16349.000285/200924 Acórdão n.º 3401003.402 S3C4T1 Fl. 3.025 35 como medida de política extrafiscal, passou a não haver impedimento a que o legislador favorecesse os diversos setores da agroindústria com benefícios de montante distinto. Nada impedia, pois, que o valor do crédito presumido variasse não mais em função do insumo (origem vegetal ou animal) e, sim, em função do produto (origem vegetal ou animal). Enquanto o crédito presumido servia ao propósito de eliminar a cumulatividade do PIS e da COFINS na cadeia agrícola, a lei de regência o concedia em percentual único, não importando em qual gênero alimentício o insumo fosse empregado. Depois, a partir do instante em que o instituto revestiu caráter de incentivo, a lei passou a outorgálo em diferentes montantes, conforme, o texto mesmo diz, o “produto” tenha esta ou aquela natureza.” E nos nove processos da mesma recorrente julgados em setembro de 2013, e nos dois julgados em fevereiro de 2015, chegouse à mesma conclusão: “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTA. PRODUTO. O crédito presumido de que trata o artigo 8o, da Lei no 10.925/04 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o, da Lei no 10.833/03, em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo.” (Acórdãos no 3403002.469 a 477, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação ao tema, sessão de 24.set.2013) "CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTA. PRODUTO. O crédito presumido de que trata o artigo 8o, da Lei no 10.925/04 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o da Lei no 10.833/2003, em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não do insumo que aplica para obtêlo." (Acórdãos n. 3403003.550 e 551, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 24.fev.2015) A endossar o entendimento da turma a Lei no 12.865, de 09/10/2013, que acrescentou (art. 33) o seguinte § 10 ao art. 8o da Lei no 10.925/2004: “§ 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3o, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos.” Contudo, desnecessário cogitar de interpretação benigna retroativa da Lei no 12.865/2013, pois já se entendia, antes do avento da referida Lei, que as alíquotas são aplicadas em função do produto fabricado, e não do insumo adquirido. Concluise, então, neste tópico, que deve ser reconhecido o crédito presumido de que trata o art. 8o da Lei no 10.925/2004 com a alíquota determinada em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não do insumo que aplica para obtêlo. Fl. 3042DF CARF MF 36 Das conclusões Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, para afastar as glosas em relação a "serviço limpeza geral em instalações"; "serviço mão obra limpeza interna"; "serviço lavagem seco"; "serviço dedetização" e "serviço inspeção sanitária", e para reconhecer, no que se refere ao crédito presumido de que trata o art. 8o da Lei no 10.925/2004, que a alíquota deve ser determinada em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não do insumo que aplica para obtêlo. Rosaldo Trevisan Fl. 3043DF CARF MF Processo nº 16349.000285/200924 Acórdão n.º 3401003.402 S3C4T1 Fl. 3.026 37 Voto Vencedor Conselheiro Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Apresento, nas linhas a seguir, os motivos pelos quais a maioria do Colegiado divergiu do posicionamento do ilustre Conselheiro Relator, no enfrentamento de duas matérias: (i) bens que não se enquadram no conceito de insumos (item 8.2.1 do voto do Conselheiro Relator); e (ii) serviços utilizados como insumos (Ficha 16ALinha 3) (item 8.3 do voto do Conselheiro Relator). Impende destacar, de início, que o Colegiado não diverge a respeito do conceito de insumo para fins de desconto de crédito na sistemática de apuração da Contribuição para o PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social ("PIS/COFINS"), seguindo, de forma unânime, a interpretação adotada pelo i. Conselheiro Relator dos artigos 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, para quem: “o conceito de insumos adotado neste voto não é nem o defendido pela fiscalização e pela DRJ (afeto à legislação do IPI) nem o pretendido pela recorrente (relacionado à legislação do IRPJ). Para que se categorize o bem adquirido como insumo, na legislação que rege as contribuições em análise, este deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final”. Na mesma linha, “são serviços compatíveis com o conceito de insumos aqueles que são necessários ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final”. A controvérsia surge na aplicação desse conceito jurídico aos fatos específicos envolvidos em cada caso concreto, o que passa pelo exame da atividade empresarial do contribuinte e do papel de cada bem e serviço no processo produtivo/fabril, ganhando relevo, nesse contexto, questões relacionadas ao ônus probatório do direito de desconto de créditos. Nesse sentido, considerando a atividade empresarial desenvolvida pela Recorrente, “atividade de frigorífico para abate de suínos, aves, fabricação de produtos de carne, preparação de subprodutos para abate, fabricação de alimentos para animais, pintos de um dia, ovos, extração de madeiras, comércio atacadista de alimentos em geral, entre outras”, os bens e serviços glosados pela Fiscalização, e as razões expostas pela Recorrente em sua defesa, o i. Relator entendeu, em relação aos itens cuja glosa foi por ele mantida, que tais itens, por estarem em uma zona de penumbra, demandavam uma vinculação expressa entre o seu papel e a linha de produção da Recorrente, não tendo o Recorrente se desincumbido do ônus de provar o seu direito de crédito. Apesar da inexistência de um laudo com o detalhamento do processo produtivo/fabril e do papel desempenhado por cada insumo em tal processo, a maioria do Colegiado, com base em um juízo de plausibilidade, entendeu que determinados bens e serviços, pelas suas próprias características e utilidade frente processo produtivo/fabril da Recorrente, não estavam em uma zona de penumbra, mas sim em uma zona de certeza positiva quanto ao conceito de insumo, utilizando a terminologia empregada pelo i. Relator (item 7 do Voto), e, assim, deveriam se enquadrar como insumo. Fl. 3044DF CARF MF 38 Assim, a maioria do Colegiado entendeu que pallets, big bags e luvas látex para coleta de sêmen, são inequivocamente necessários ao processo produtivo/fabril de uma empresa agroindustrial de abate de animais para a obtenção de alimentos, e, consequentemente, à obtenção do produto final dessa atividade, devendo ser considerados insumos. Quanto aos serviços, além dos serviços admitidos pelo i. Conselheiro Relator (serviço limpeza geral em instalações, serviço mão obra limpeza interna, serviço lavagem seco, serviço inspeção sanitária e serviço dedetização), na mesma linha de raciocínio, a maioria do Colegiado entendeu que serviço reforma pallets PBR, serviço de aplicação de strecht pallet, serviço de 'strechamento', serviço de repaletização e serviço de incineração são necessários ao processo produtivo/fabril de uma empresa agroindustrial de abate de animais para a obtenção de alimentos, e, consequentemente, à obtenção do produto final dessa atividade, devendo ser considerados insumos. Conselheiro Augusto Fiel Jorge D’Oliveira Fl. 3045DF CARF MF Processo nº 16349.000285/200924 Acórdão n.º 3401003.402 S3C4T1 Fl. 3.027 39 Declaração de Voto Declaração de Voto 1 Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, Respeitosamente, com relação ao bem fundamentado voto do ilustre relator, Conselheiro Rosaldo Trevisan, aproveitamos essa declaração para expor, com brevidade, nossa divergência quanto à manutenção das glosas (a) dos gastos com serviços de frete para o transporte dos seus produtos entre os estabelecimentos da própria contribuinte, (b) dos gastos com os seguintes insumos (esteiras, correias, balanças, ferramentas de manutenção, filme streching, filtros e seus acessórios, lâminas e seus acessórios e meios de alojamento ou armazenamento), e (c) dos gastos com os seguintes serviços (de pesagem de veículos de transporte, de controle de entrada e saída de veículos, cargas e produtos; de manutenção, recuperação, restauro, ou reforma de equipamentos, de recursos de embalagem e armazenagem ou de veículos de uso industrial; de elevação e movimentação de carga nos estabelecimentos da contribuinte). A reversão das glosas indicadas nas letras acima se justifica, a nosso ver, pelas peculiaridades do tipo de atividade da contribuinte e dos tipos de produtos que ela prepara, industrializa e oferece á comercialização. Como bem resumiu o relator: A recorrente é empresa agroindustrial, tendo por objeto social a atividade de frigorífico para abate de suínos, aves, fabricação de produtos de carne, preparação de subprodutos para abate, fabricação de alimentos para animais, pintos de um dia, ovos, extração de madeiras, comércio atacadista de alimentos em geral, entre outras. Não há dúvida, por exemplo, ao afirmarse que a matériaprima utilizada nos alimentos industrializados pela empresa constitui insumo. Contudo, entre a zona de certeza positiva e a de certeza negativa (uma cesta de natal entregue pela empresa a um funcionário certamente não constitui um insumo) existe uma zona de “penumbra” (usando a terminologia empregada por GENARO CARRIÓ3), na qual só a análise do caso concreto (à luz dos elementos trazidos aos autos sobre o processo produtivo da empresa) permitirá um enquadramento mais preciso. Concordamos com a contribuinte quando aponta que se trata de uma empresa dedicada a produção principalmente de bens perecíveis, e ainda mais destinados à alimentação e nutrição, sob estrita obediência à legislação e vigilância sanitárias e agro pecuárias. Antes de repassar o produto para a posse de outra pessoa, a meu ver, em uma visão não restrita à noção de indústria dada pelo IPI, fazem parte do processo de produção as providências por parte da contribuinte para manutenção, preservação e proteção do produto alimentício, em condições de ser comercializado e ser consumido. Sem essas providências, o bem gerado nas máquinas e na linha de montagem industrial se perderia rapidamente. Notemos que não estamos falando de um bem isento de 3 In Notas Sobre Derecho y Lenguaje. 5 ed. Buenos Aires: AbeledoPerrot, 2006, p. 55 e ss. Fl. 3046DF CARF MF 40 umidade, tal como os alimentos desidratados, ou os quimicamente modificados, mas de peças e partes de seres animais mortos nesse processo de produção, facilmente deterioráveis. Nesse tópico, sublinho que a autoridade fiscal reconhece que os transportes se deram entre os estabelecimentos da contribuinte (favor ver notas fiscais indicadas). O transporte entre estabelecimentos da contribuinte deve ser visto sob a mesma ótica, na articulação entre processo industrial, processos de conservação e armazenagem e processos logísticos para levar o produto aos centros de distribuição. Esse transporte é parte do processo de produção, nesse caso visto como o processo não só de gerar o produto, mas de manter sua condição de ser oferecido para destinação. Malgrado a falta, nos autos, de um laudo, ou de uma perícia, o conhecimento de senso comum a respeito de linhas de produção representativas das atividades da contribuinte permitenos concluir que ela deve exigir o uso de lâminas, de filtros e processos de filtragens, de pesagens, de movimentações, pesagens e armazenamentos na entrada, durante e na saída dessas linhas de produção, de higienização, de tratamento e remoção de resíduos e restos, etc., daí a nossa sugestão de bens e serviços indicados acima, mais ampla do que a proposta pelo relator e do que a admitida pelo Colegiado. Espero, com essas breves linhas, ter tornado claro aos Conselheiros as razões das posições e votos defendidos nessa sessão. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Fl. 3047DF CARF MF Processo nº 16349.000285/200924 Acórdão n.º 3401003.402 S3C4T1 Fl. 3.028 41 Declaração de Voto 2 Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Registro, com relação ao como de costume bem fundamentado voto do relator, Conselheiro Rosaldo Trevisan, posição divergente quanto à possibilidade de creditamento naquilo que respeita ao item 8.2.1, sobre pallets4, ou estrados, sem prejuízo das demais divergências externadas durante a sessão de julgamento e consignadas em ata. A contribuinte consigna que, em que pese serem objetos da glosa por parte da autoridade fiscal, participam do processo produtivo e são utilizados em diferentes momentos: na industrialização, quando empregados para movimentar as matériasprimas e os produtos em fase de processamento, e na armazenagem, como item essencial para manter as condições de higiene e limpeza não apenas necessárias a seu processo fabril como também ao cumprimento das exigências regulamentares enunciadas, entre outras, pelas determinações da Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde conforme Portaria SVS/MS nº 326/1997, ou, ainda, pela Circular nº 175/2005 da Coordenação Geral de Programas Especiais (CGPE) do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (DIPOA) da Secretaria de Defesa Agropecuária (DAS) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Expressa o conselheiro relator, ao apreciar as razões trazidas a conhecimento pela recorrente, que, devido ao tempo de sua vida útil, tais bens não podem ser reconhecidos como despesa operacional, mas, em conformidade com o art. 301 do RIR/1999, contabilizados no ativo não circulante. Aponta, mais especificamente, que "não se pode admitir o crédito integral em relação os pallets, por absoluta carência de amparo normativo", por impossibilidade de fundamentar o creditamento no inciso II ou no inciso IX do art. 3º das Leis nº 10.637/2001 e 10.833/2002. Observese que as glosas foram efetuadas pela autoridade fiscal devido ao fato de o produto não se enquadrar na noção estrita de insumo prevista nas Instruções Normativas nº 247/02,5 358/036 e 404/04,7 que adotaram, conforme se sabe, como referencial mais explícito, o crédito físico para a determinação do sentido de “insumo”8 como o material 4 "Palllet", corruptela do francês "palette", passível de tradução ao português como palete, conforme reconhecido pelo Vocabulário Oficial da Língua Portuguesa (VOLP), ou, ainda, estrado. 5 A Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, determinou a possibilidade de se descontar o crédito, mediante aplicação das mesmas alíquotas, sobre as aquisições efetuadas no mês de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes (art. 66, inciso I, alínea ‘b’). 6 A Instrução Normativa SRF nº 358, de 09 de setembro de 2003 alterou a redação da alínea ‘b’ do inciso I do art. 66 da IN 247/02 e adicionou o § 5º: “Art. 66 (...) I. (...) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: na fabricação de produtos destinados à venda; ou na prestação de serviços (...). § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I. utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não (...) incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados (...) aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. 7 A Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, voltouse a explicitar a forma do pagamento da Cofins, repetindo, em seu artigo 8º, o entendimento instituído para a contribuição ao PIS. 8 ANDRADE FILHO, Edmar Oliveira. Créditos de PIS e Cofins sobre insumos. São Paulo: Prognose Editora, 2010, p. 21: “A simples leitura do texto legal e dos textos dos atos normativos subalternos à Lei revela, de plano, que o direito de crédito – em grande medida – está ancorado no critério físico e referido aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou serviços. Excetuando as regras que tratam dos insumos para os quais a Lei outorga o direito de crédito fora da produção (o critério utilizado pela lei é a vinculação à atividade da empresa), todas as demais normas adotam a legislação do IPI como referencial”. Fl. 3048DF CARF MF 42 utilizado na fabricação9 ou produção10 de bens ou na prestação de serviços,11 de acordo com Ato Declaratório Interpretativo nº 02/0312 e, por decorrência, na definição própria do imposto sobre produtos industrializados,13 com repetidas referências, em diversas soluções de consultas realizadas nos anos seguintes à edição das leis, pela Receita Federal do Brasil,14 ao Parecer Normativo CST nº 65/79.15 Os estrados ("pallets"), segundo se depreende, em parte da leitura dos documentos trazidos pela contribuinte, mas, sobretudo, da sustentação oral realizada pelo seu patrono, acompanhada de memoriais, têm por finalidade ora o armazenamento das matérias primas e produtos finais, ora o acondicionamento da mercadoria para fins de comercialização. Em quaisquer das hipóteses acima delineadas, cumprem papel de garantir as condições de higiene e limpeza ínsitas à produção, de maneira a evitar o contato com as superfícies em que se apóiam fisicamente, o que, caso ocorresse, poderia ocasionar risco de contaminação. Esclareceu, ademais, o patrono, que, no caso de mercadorias destinadas à exportação, os pallets são embalados conjuntamente com a mercadoria, consubstanciandose em material de embalagem, passível de apropriação como insumo. 9 Idem, pp. 3142. Edmar Andrade enumera insumos necessários à fabricação de um bem, como oriundos: (a) da produção do produto fabricado: integram fisicamente o produto (eg. matéria prima, embalagem e materiais intermediários); (b) de infraestrutura produtiva do processo fabril: bens duráveis (eg. máquinas ou equipamentos, inclusive de transporte, imprescindíveis à produção); (c) de controle de qualidade e conformidade: mecanismos de controle e auditoria com normas estatais ou contratuais; (d) de trabalho: pessoas físicas ou jurídicas que prestem serviços sob qualquer revestimento jurídico, do “chão de fábrica” à “cúpula diretiva”, instrumentos de trabalho e equipamentos de segurança, bem como utilidades (fringe benefits) e todos os gastos incorridos durante e depois do término do contrato; (e) da inovação e melhoria da qualidade: investimentos em inovação de produtos e processos de produção e distribuição; (f) de segurança: gastos com vigilância e controle, seguros e proteção dos bens em geral e do bemestar entre as pessoas; (g) de capital financeiro: dinheiro ou crédito, recursos originários da contribuição de sócios ou acionistas, empréstimos e resultados gerados pela operação; e (h) intangíveis: direitos sobre patentes, marcas, desenhos industriais, fórmulas, processo de fabricação. 10 Idem, pp. 4244. Edmar Andrade compreende produção como “processo de extração de bens da natureza para serem utilizados como matériasprimas ou como mercadorias vendidas in natura”. Assim, os insumos da produção seriam aqueles necessários à extração ou colheita de produtos, ou produção de produtos intermediários. A “produção requer a existência de insumos de infraestrutura produtiva: trabalho, dinheiro e segurança (...) formada basicamente por máquinas e equipamentos e pelos recursos naturais” a serem utilizados. 11 Idem, p. 45. “As leis 10.633 e 10.833 não contêm regras claras acerca dos créditos sobre insumos utilizados na exploração de outras atividades que não as que envolvem fabricação, produção, revenda e prestação de serviços”. 12 Ato Declaratório Interpretativo da Secretaria da Receita Federal nº 2 de 14/03/2003 Art. 1º A partir de 1º de dezembro de 2002, as pessoas jurídicas submetidas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep poderão descontar créditos calculados em relação a bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à: I venda; e II prestação de serviços (grifos nossos). 13 BOTALLO, Eduardo Domingos. O imposto sobre produtos industrializados na Constituição e no CTN. In: SANTI, Eurico de (coord.). Direito tributário e finanças públicas do fato à norma, da realidade ao conceito jurídico. São Paulo: Saraiva, 2008, pp. 940941. Ainda que a lei possa determinar que situações específicas gerem créditos de IPI, o critério do sistema de compensação é a entrada de insumos, assim entendidos como matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Neste sentido, o artigo 226 do Decreto 7.212 de 15/06/2010 (RIPI), que revoga o artigo 164 do Decreto 4.544, de 26/12/2002: "Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente". A leitura da Instrução Normativa nº 247/02, art. 66, inciso I, alínea 'b' e § 5º, com as alterações da Instrução Normativa nº 358/03, torna evidente o mimetismo. 14 A Receita Federal veio mantendo, nos últimos anos, o seu posicionamento, com amparo na legislação do IPI, o que a levou a negar o direito à tomada de créditos, para fins de PIS e Cofins nãocumulativos, entre outros, referentes a: gastos com pneus, peças e partes de veículos realizados para transporte de mercadorias entre estabelecimentos da mesma empresa (Solução de Consulta nº 443/06, 9ª Região Fiscal); despesas com frete contratado para transporte de mercadorias (Solução de Consulta nº 64/05, 8ª Região Fiscal); gastos com combustíveis e lubrificantes (Soluções de Consulta nº 23/07 e 24/07 da 2ª Região Fiscal); fornecimento benefícios ao empregado, tais como vale transporte, vale alimentação/refeição ou plano de saúde (Ato Declaratório Interpretativo nº 04/07); aquisição de equipamentos de proteção individual, ou “EPI” (Solução de Consulta nº 24/08, 6ª Região Fiscal); diárias pagas a funcionários em virtude de prestação de serviços em localidade diversa da que residem ou trabalham (Soluções de Divergência nº 15/08 e 24/08 COSIT); gastos de passagens de funcionários na prestação dos serviços (Solução de Divergência nº 25/08 COSIT); gastos de transporte de produto acabado entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (Soluções de Divergência nº 11/08, 12/08 e 26/08 COSIT). 15 O Parecer Normativo Coordenador do Sistema de Tributação (CST) nº 65/79 conceitua insumo para fins de IPI como “matériaprima, produto intermediário e material de embalagem consumido ou não no processo de industrialização”. Fl. 3049DF CARF MF Processo nº 16349.000285/200924 Acórdão n.º 3401003.402 S3C4T1 Fl. 3.029 43 Entendese que a contabilização do bem deve ser um importante norte magnético para a decisão e, assim, no caso de estrados descartáveis, ou daqueles que compõem o acondicionamento do produto acabado, pronto a ser comercializado, a contribuinte, ao realizar o seu reconhecimento em conta de despesa operacional, fornece todos os indícios necessários ensejadores do creditamento na condição de insumos voltados à consecução do objeto social da empresa. Por outro lado, como se sabe, o bem de ativação obrigatória, ou seja, aquele, de acordo com o Pronunciamento CPC nº 27, "(...) mantido para uso na produção ou fornecimento de mercadorias (...) e que se espera utilizar por mais de um período" merece reconhecimento, na condição de bem durável voltado à obtenção da receita, como "não circulante" (ANC), devendo ser depreciado para fins de distribuição da despesa com a aquisição pelo período estimado de uso. No caso presente, contrariamente à decisão objurgada, conforme se aferiu, trata se o estrado de produto indispensável: seja para a manutenção dos padrões mínimos de higiene e limpeza, seja para a movimentação e acondicionamento das cargas. A sua participação no processo produtivo e a alegação fundamentada da contribuinte de que tal produto se desgasta em tempo inferior a um ano, não o tornando suscetível à ativação, é bastante para o reconhecimento do crédito pleiteado na condição de insumos da produção, critérios estes, ademais, que chegam a permitir que se dispense o recurso ao igualmente aberto parâmetro da "essencialidade", a se supor que todos os gastos, do ponto de vista do administrador da empresa, sejam fiéis a tal preceito. Cumpre aquiescer, por diversa perspectiva, conforme se depreende dos documentos e imagens trazidos a estes autos administrativos e competentemente repisados durante a sustentação oral do patrono da contribuinte, que os pallets são utilizados para referida movimentação ainda no interior das dependências da empresa, ou seja, antes de concluído o processo produtivo, merecendo, portanto, tratamento de produto intermediário. Assim, entendo que mesmo diante da interpretação do Parecer Normativo CST nº 65/79, e ainda que considerados os critérios de apropriação de créditos ínsitos ao IPI, seria perfeitamente possível o reconhecimento do crédito e, neste sentido, façome acompanhar das razões do Conselheiro Júlio César Alves Ramos em seu substancioso voto vencedor, que integra do Acórdão CSRF nº 9303003.478, proferido em sessão de 25/02/2016, de relatoria do Conselheiro Henrique Torres. Isto porque o pallet, embora não se integre ao produto, é utilizado no processo produtivo na condição de um produto secundário ou intermediário, i.e., algo que se distingue da matéria prima porque já pronto para o uso. Neste sentido, há de se adicionar um aspecto histórico do Parecer Normativo CST nº 65/79, cuja redação decorreu da recusa do Supremo Tribunal Federal em reconhecer constitucional o requisito inserto pelo Decreto nº 70.163/1972 de que o produto intermediário fosse consumido "imediata e integralmente". Reportamonos a trecho do voto do Ministro Aliomar Baleeiro no freqüentemente citado pelos estudiosos e aplicadores da matéria Recurso Extraordinário nº 79.601RS, proferido em sessão de 26 de novembro de 1974 pela 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal, elaborado com base em pareceres de lavra de Rubens Gomes de Sousa e Ruy Barbosa Nogueira: Fl. 3050DF CARF MF 44 Assim, dois pontos de vista convergem para o posicionamento expresso por este voto: (i) caso se refira ao "insumo" no sentido da legislação atinente à nãocumulatividade das contribuições sociais, há de se buscar a participação no processo produtivo que não se espera utilizar por mais de um período; (ii) ao nos voltarmos à quimera de uma unidade conceitual em torno da definição de "insumos", com a qual registramos, desde já, não comungar, ainda assim deverá ser reconhecido o creditamento, pois deve o pallet ser compreendido na condição de produto intermediário, espécie do gênero "insumo", afigurandose, digase, desnecessário o contato físico direto com o produto. De toda sorte, entendemos desnecessário tal exercício, vez que, sem o estrado, não se encontrariam satisfeitas as condições mínimas para a continuidade do processo produtivo, de modo que o presente voto filia o seu reconhecimento à primeira hipótese. Com base nas razões acima expostas, e sem prejuízo das demais divergências com relação ao bem fundamentado voto do Conselheiro Relator, voto por dar provimento ao recurso voluntário neste particular. Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Fl. 3051DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.721510/2009-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Deve ser conhecido o Embargo de Declaração oposto por pessoa competente e no prazo recursal, sempre que for demonstrada a ocorrência de omissão, obscuridade ou contradição.
VTN. LAUDO. INEXISTÊNCIA DE REQUISITOS.
Não pode ser utilizado para identificar o VTN do imóvel laudo apresentado sem os requisitos mínimos para comprovar o valor do imóvel à época do fato gerador.
Numero da decisão: 2202-003.722
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os Embargos de Declaraçao para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202-002.393, de 13/08/2013, manter a decisão original, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Theodoro Vicente Agostinho (Suplente Convocado), que rejeitaram os embargos.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada e Theodoro Vicente Agostinho (suplente convocado).
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Deve ser conhecido o Embargo de Declaração oposto por pessoa competente e no prazo recursal, sempre que for demonstrada a ocorrência de omissão, obscuridade ou contradição. VTN. LAUDO. INEXISTÊNCIA DE REQUISITOS. Não pode ser utilizado para identificar o VTN do imóvel laudo apresentado sem os requisitos mínimos para comprovar o valor do imóvel à época do fato gerador.
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OMISSÃO. Deve ser conhecido o Embargo de Declaração oposto por pessoa competente e no prazo recursal, sempre que for demonstrada a ocorrência de omissão, obscuridade ou contradição. VTN. LAUDO. INEXISTÊNCIA DE REQUISITOS. Não pode ser utilizado para identificar o VTN do imóvel laudo apresentado sem os requisitos mínimos para comprovar o valor do imóvel à época do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os Embargos de Declaraçao para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202002.393, de 13/08/2013, manter a decisão original, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Theodoro Vicente Agostinho (Suplente Convocado), que rejeitaram os embargos. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 15 10 /2 00 9- 58 Fl. 287DF CARF MF 2 Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada e Theodoro Vicente Agostinho (suplente convocado). Relatório Tratase, em breve síntese, de notificação de lançamento emitida em desfavor da Embargada para constituir ITR em função de subavaliação do VTN e da não comprovação da área de benfeitorias. Tendo o Contribuinte apresentado impugnação, a DRJ deu provimento parcial ao pleito. Houve recurso de ofício. Insatisfeito, o Contribuinte interpôs recurso voluntário, ao qual este e.CARF deu provimento. A Fazenda Nacional, por sua vez, entendeu por bem opor Embargos de Declaração, que foi acolhido. Tendo feito o resumo dos autos, passo ao relato pormenorizado da lide. O acórdão CARF nº 2202002.393 desta 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, julgado na sessão de 13 de agosto de 2013, por unanimidade de votos deu provimento ao Recurso Voluntário na forma da ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 IMPOSTO SOBRE PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. COMPROVAÇÃO DE BENFEITORIAS. Prevalece a Declaração do Contribuinte quanto à existência de benfeitorias, exceto se a Fiscalização provar o contrário. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria. Precedentes do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. Acontece que, intimada, a Fazenda Nacional opôs Embargos Declaratórios para sanar a omissão assim descrita: "Contudo, ao afastar o VTN determinado no auto de infração, [o colegiado] entendeu pertinente acolher o VTN declarado pelo contribuinte na DITR sem observar que o laudo apresentado Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10120.721510/200958 Acórdão n.º 2202003.722 S2C2T2 Fl. 288 3 no decorrer do presente processo administrativo fiscal apontou valor superior àquele declarado. (...) O acórdão em análise acolheu o laudo para comprovação da existência de benfeitorias, por considerálo instrumento apto à indicação precisa destas. Porém, no momento em que afastou o VTN informado pela fiscalização, deixou de utilizar o valor definido no mesmo documento." fl. 278 (grifos no original). Os embargos foram acolhidos por presidente de Turma com base em informação prestada pelo relator designado anterior. Vez que este não mais se encontra no CARF, os autos foram novamente sorteados, caindo em minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Os Embargos de Declaração são tempestivos e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto deles conheço. A lide se resume, portanto, no fato de que a decisão recorrida não se pronunciou sobre a possibilidade ou não de aceitar o VTN apurado no laudo apresentado pelo contribuinte, ao invés do valor por ele declarado em sua DITR. Efetivamente, repisando a decisão embargada, percebese que no tópico destinado à análise do VTN não há uma única linha versando sobre o valor apurado no laudo de avaliação; pelo contrário, o acórdão discorre exclusivamente sobre a impossibilidade de arbitrar o VTN com base no SIPT, vez que este não observa a aptidão agrícola do imóvel. Ainda que não tenha se pronunciado sobre a questão, a verdade é que não se pode dar a esses Embargos o efeito infringente pleiteado pela Fazenda Nacional. Em primeiro lugar, o laudo aceito pela decisão embargada para comprovar a existência de Benfeitorias é aquele de fl. 33. Esse laudo, composto de uma única folha, versa exclusivamente sobre o levantamento topográfico para fins de identificação das áreas de Benfeitorias. Não trata do VTN do imóvel. Em segundo lugar, a verdade é que esse laudo não foi considerado prova cabal para o afastamento da glosa. Pelo contrário, serviu como mero indício, o que foi suficiente para o convencimento do colegiado apenas porque a fiscalização não trouxe nenhum elemento que pusesse em dúvida a existência das referidas benfeitorias em 2005: "Ao analisar o Laudo Técnico, acostado à fl. 33 e apresentando ainda durante a fase fiscalizatória, verifico que há o devido detalhamento da área de Benfeitoria (inclusive informando Fl. 289DF CARF MF 4 metragem um pouco superior à declara; 104,8 ha declarado pelo contribuinte X 107,1018 ha apurada pelo laudo) (...) Sendo assim, considerandose que, para fins de ITR, a declaração do contribuinte é presumidamente verdadeira, cabendo à Fiscalização, em caso de dúvida, demonstrar a sua inexatidão (...)" fl. 269; Em terceiro lugar, o laudo a que se refere a Fazenda Nacional, em seus Embargos Declaratórios, é de folhas 130/138 do eprocesso, este sim dedicado à avaliação do imóvel rural. Acontece que esse Laudo, além de ter sido elaborado em 2009 quatro anos após o exercício tributado não traz elementos suficientes para convencer o julgador em relação ao VTN do imóvel em 2005. Efetivamente, a própria autoridade lançadora identificou uma série de elementos que impedem a utilização desse laudo como referência para o VTN, tanto assim que o afastou e arbitrou o VTN com base no SIPT: "(...) Portanto, verificamos que as transações imobiliárias apresentadas não são contemporâneas a data da ocorrência do fato gerador, no presente caso 01/2005. (...)" fl. 4; "Ademais, a avaliadora em seu laudo não demonstra ter realizado vistoria nas amostras apresentadas, nem que estas possuem características semelhantes ao imóvel avaliado, muito menos elaborou demonstrativo que permita entender como chegou aos valores utilizados para cálculo da média. Assim, o Laudo Técnico apresentado pelo contribuinte para comprovação do valor da terra nua declarada não atende ao solicitado no Termo de Intimação nº 01201/00033/2009. O lado deveria ser apresentado conforme estabelecido na NBR 146533 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT" fl. 5; Igualmente, a decisão de 1º grau (acórdão DRJ/BSB nº 0336.071, de 24/03/2010 fls. 235/242): "DO VALOR DA TERRA NUA VTN Deverá ser mantido o VTN arbitrado para o ITR/2005 pela autoridade fiscal, por falta de laudo técnico de avaliação com ART, em consonância com a NBR 14.6533 da ABNT, que atingisse fundamentação e grau de precisão II, demonstrando inequivocamente o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do imposto e suas peculiaridade desfavoráveis, que justificassem o valor pretendido." fl. 235; "No presente caso, em atendimento à intimação inicial (fls. 09), o impugnante apresentou laudo técnico de avaliação de fls. 79/87 [eprocesso fls. 130/138] para o exercício de 2005, elaborado por engenheira agrônoma e com ART/CREA (fls. 88), atribuindo ao imóvel rural avaliado um VTN de R$ 5.711.233,00 ou R$ 498,38/ha (R$5.711.2230,00 : 11.459,5 ha). Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10120.721510/200958 Acórdão n.º 2202003.722 S2C2T2 Fl. 289 5 No entando, esse laudo já foi desconsiderado pela autoridade fiscal (...) De fato, o item 7.4.3.3 dispõe sobre a necessidade de investigação do mercado, coleta de dados e informações confiáveis sobre negócios realizados e ofertas que sejam contemporâneos à data de referência e que as fontes devem ser diversificadas. (...) Assim, deveria o requerente apresentar um laudo de avaliação complementar ou mesmo um novo laudo de avaliação, que demonstrasse, de forma convincente, o valor fundiário do imóvel, a preço de 1º de janeiro de 2005, bem como a existência de características particulares desfavoráveis, que justificassem um VTN/ha abaixo do arbitrado pela autoridade fiscal com base no SIPT." fl. 240. Enfim, tendo em vista tudo isso, o laudo não pode ser aceito como referência para estabelecer o VTN do imóvel, ante a incerteza do valor apurado. Razão pela qual, concordo com a posição do acórdão embargado de que deve prevalecer o valor declarado pelo Contribuinte em sua DITR. Dispositivo: Diante de tudo quanto exposto, voto por acolher os Embargos de Declaração para, sanando os vícios do acórdão 2202002.393, de 13 de agosto de 2013, manter decisão original. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 291DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.720750/2013-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. LEI Nº 10.256/2001
A empresa adquirente de produtos rurais fica subrogada nas obrigações da pessoa física produtora rural pelo recolhimento da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização de sua produção, nos termos e nas condições estabelecidas na legislação previdenciária vigente.
No presente caso, as contribuições devidas à previdência social são de período posterior à Lei 10.256/2001, que foi arrimada na Emenda Constitucional 20/1998.
INCONSTITUCIONALIDADE IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não possui competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que amparou o lançamento, de acordo com a Súmula CARF nº 2: "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por maioria, negar-lhe provimento. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silva, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. LEI Nº 10.256/2001 A empresa adquirente de produtos rurais fica subrogada nas obrigações da pessoa física produtora rural pelo recolhimento da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização de sua produção, nos termos e nas condições estabelecidas na legislação previdenciária vigente. No presente caso, as contribuições devidas à previdência social são de período posterior à Lei 10.256/2001, que foi arrimada na Emenda Constitucional 20/1998. INCONSTITUCIONALIDADE IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não possui competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que amparou o lançamento, de acordo com a Súmula CARF nº 2: "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por maioria, negar-lhe provimento. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silva, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, e Rayd Santana Ferreira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. LEI Nº 10.256/2001 A empresa adquirente de produtos rurais fica subrogada nas obrigações da pessoa física produtora rural pelo recolhimento da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização de sua produção, nos termos e nas condições estabelecidas na legislação previdenciária vigente. No presente caso, as contribuições devidas à previdência social são de período posterior à Lei 10.256/2001, que foi arrimada na Emenda Constitucional 20/1998. INCONSTITUCIONALIDADE IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não possui competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que amparou o lançamento, de acordo com a Súmula CARF nº 2: "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 07 50 /2 01 3- 83 Fl. 254DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por maioria, negarlhe provimento. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silva, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, e Rayd Santana Ferreira. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10140.720750/201383 Acórdão n.º 2401004.546 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto no Processo Administrativo nº 10140.720750201383, em face da decisão da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) (DRJ/RPO), que julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, conforme ementa do Acórdão nº 1448.657 (fls. 201/204): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2011 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado à autoridade julgadora afastar a aplicação, por inconstitucionalidade ou ilegalidade, de lei, decreto ou ato normativo em vigor. COOPERATIVA DE TRABALHO. CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. A empresa tomadora de serviços é responsável pela contribuição no valor de quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. CESSÃO DE MÃODEOBRA. RETENÇÃO. Estarão sujeitos à retenção, se contratados mediante cessão de mãodeobra os serviços de secretaria, expediente e desempenho de rotinas administrativas, entre outros. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O Presente processo teve sua origem em dois autos de infração distintos, em face de ZANIN AGROPECUÁRIA LTDA., referente ao lançamento de crédito tributário de Contribuição Social Previdenciária incidente sobre a receita bruta da comercialização da produção rural auferida por produtor pessoa jurídica, tendo como período de apuração 01/2009 a 12/2011 e período do débito 01/2009 a 10/2011. São eles: 1. AI – Auto de Infração DEBCAD nº 51.030.9488 (fls. 6/20), no valor de R$ 1.587.268,91, referente às contribuições sociais previdenciária a cargo da empresa (INSS e SAT/RAT), não declarados em GFIP; 2. AI – Auto de Infração DEBCAD nº 51.030.9496 (fls. 21/29), no valor de R$ 150.744,67, referente às contribuições destinadas ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR, não declarados em GFIP. Fl. 256DF CARF MF 4 De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 30/36): 1. Foram examinados os seguintes documentos: a. Escritura Contábil Digital; b. Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ); c. Notas Fiscais Eletrônicas (NFe); d. Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência (GFIP); e. Guia da Previdência Social (GPS); f. Contrato Social e Alterações; 2. Foi verificado que o contribuinte não estava protegido por mandado judicial que lhe eximisse da obrigação tributária incidente sobre a Receita Bruta da Comercialização da Produção Rural; 3. A receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, base de cálculo das contribuições objeto dos Autos de Infração, encontrase detalhada na Planilha Receita da Comercialização da Produção (fls. 104/135) juntada ao processo. Em 13/06/2013 o Recorrente tomou ciência do lançamento (fl. 143) e, em 12/07/2013, tempestivamente, apresentou impugnações individuais para cada Auto de Infração. Para o DEBCAD nº 51.0309496 impugnação folhas 150 a 170 e para o DEBCAD nº 51.030.9488 impugnação folhas 172 a 192, onde argumenta que: 1. Os lançamentos são nulos pelo fato de já ter sido auditada no período de 01/2009 a 10/2009 e, portanto, não poderia ter sido autuada no período de 01/2009 a 10/2011; 2. As notificações de lançamento são nulas por ausência dos requisitos do artigo 11, inciso IV, do Decreto 70.235/1972, que diz ser obrigatório que na notificação contenha a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo, ou função e o número de matrícula; 3. Inexiste relação jurídica que justifique os lançamentos por falta de previsão legal do fato gerador. Afirma que as autuações se fundamentaram no art. 22A, inciso I, com redação dada pela Lei 10.256/2001, que não define o fato gerador, mas tão somente a base de cálculo e a alíquota. Completa seu argumento dizendo que o fato gerador está previsto nos artigos 166 a 169 da Instrução Normativa RBF nº 971/2009, que por ser ato administrativo do Poder Executivo não é competente para tal, segundo se aduz dos artigos 97 e 114, ambos do CTN; Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10140.720750/201383 Acórdão n.º 2401004.546 S2C4T1 Fl. 4 5 4. O dispositivo que fundamenta a exação só poderia ser criado por Lei Complementar e, portanto, é inconstitucional (RE 363.852/MG e RE 596.188/RS); 5. Sabe não caber arguição de inconstitucionalidade em defesa administrativa, mas, por força do inciso I do art. 62 do Regimento Interno do CARF, entende que pode ser afastada a aplicação de lei declarada inconstitucional pelo pleno do STF; 6. O dispositivo que fundamenta a exação tem a mesma base de cálculo da COFINS, violando o disposto no §4, do art. 195, combinado com o inciso I, do art. 154, ambos da Constituição Federal de 1988; 7. Na hipótese de ser mantido o auto de infração deve ser deduzido do seu valor os recolhimentos que não foram levados em conta quando da lavratura. Encaminhado o processo para apreciação e julgamento, a 9ª Turma da DRJ/RPO julgou improcedente a impugnação do contribuinte, sendo este notificado do Acórdão de nº 1448.657 em 08/04/2014 (fl. 222). Em 07/05/2014 apresentou Recurso Voluntário (fls. 229/243), onde repete os mesmos argumentos da impugnação e, por fim, requer a revisão e cancelamento dos Autos de Infração lavrados. É o relatório. Fl. 258DF CARF MF 6 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar · Da nulidade em virtude do período da fiscalização A Recorrente pleiteia a nulidade dos lançamentos pelo fato de já ter sido auditada no período de 01/2009 a 10/2009, razão porque não poderia ter sido autuada no período de 01/2009 a 10/2011. Entendo que não merece prosperar o argumento aduzido pela recorrente, na medida em que não restou comprovado que os valores exigidos no Processo Administrativo em apreço foram objeto de lançamento anterior. · Da nulidade por ausência de assinatura do chefe do setor Argumenta ainda que as notificações de lançamento são nulas por ausência dos requisitos do artigo 11, inciso IV, do Decreto 70.235/1972, no que tange à obrigatoriedade da assinatura do chefe do órgão expedidor. Sem razão o pleito recursal. O lançamento encontrase devidamente assinado por servidor autorizado, com a indicação da função e o número de matrícula (fls. 12 e 21), portanto, cumprida a exigência do art. 10, VI, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, concernente à lavratura de auto de infração. Assim, rejeito as preliminares suscitadas pelo contribuinte. Mérito Cuidase de recurso voluntário contra exigência de Contribuição Social Previdenciária incidente sobre a receita bruta da comercialização da produção rural auferida por produtor pessoa jurídica. Aduz a Recorrente que não há fundamento jurídico para respaldar os lançamentos por falta de previsão legal do fato gerador, e que permanece o vício de inconstitucionalidade no art. 22A, inciso I, com redação dada pela Lei 10.256/2001. Afirma que o dispositivo que fundamenta a exação é inconstitucional e justifica sua alegação nos julgados do STF (RE 363.852/MG e RE 596.188/RS). De fato, é cediço que, por ocasião do julgamento do RE nº 363.852/MG, ratificado pelo acórdão exarado em sede de repercussão geral no RE nº 596.177/RS, o Supremo Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10140.720750/201383 Acórdão n.º 2401004.546 S2C4T1 Fl. 5 7 Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/1992, a qual respaldava o art. 25 da Lei nº 8.212/1991, no que tange à contribuição social exigida do empregador rural pessoa física sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. No entanto, a inconstitucionalidade reconhecida não atinge o diploma no qual se amparou o lançamento, motivo porque não há que se falar em aplicação do inciso I do art. 62 do Regimento Interno do CARF. De outro lado, é sabido que há existência de repercussão geral reconhecida no RE nº 718.874/RS, ainda pendente de julgamento, no que diz respeito à redação conferida ao art. 25 da Lei nº 8.212/1991 com fundamento Lei 10.256/2001, editada após a Emenda Constitucional 20/1998, conforme ementa a seguir transcrita: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. RECEITA BRUTA. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI 10.256/2001. CONSTITUCIONALIDADE. I A discussão sobre a constitucionalidade da contribuição a ser recolhida pelo empregador rural pessoa física, prevista no art. 25 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 10.256/2001, ultrapassa os interesses subjetivos da causa. II Repercussão geral reconhecida. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, reputou constitucional a questão. O Tribunal, por unanimidade, reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. De acordo com a decisão exarada pelo Relator, Ministro Ricardo Lewandowski: Neste RE, fundado no art. 102, III, b, da Constituição Federal, pleiteiase o reconhecimento da constitucionalidade da contribuição do empregador rural pessoa física incidente sobre o resultado de sua produção a partir do advento da Lei 10.256/2001. [...] A questão versada neste recurso consiste em definir, ante o pronunciamento desta Corte no RE 363.852/MG, Rel. Min. Marco Aurélio e no RE 596.177/RS, de minha relatoria, se a exigência da contribuição do empregador rural pessoa física incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, com fundamento Lei 10.256/2001, editada após a Emenda Constitucional 20/1998, seria constitucionalmente legítima. A circunstância de terse a declaração de inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 10.256/2001, na parte que modifica o caput do Fl. 260DF CARF MF 8 artigo 25 da Lei 8.212/1991, pela Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, na forma prevista no art. 97 da Lei Maior, já é suficiente para demonstrar a existência de questão que extrapola o mero interesse subjetivo das partes envolvidas neste processo. Além disso, a repercussão geral do tema referente à constitucionalidade da exigência de contribuição do empregador rural pessoa física, incidente sobre o resultado da comercialização de sua produção, foi reconhecida no RE 596.177/RS, de minha relatoria. Contudo, não houve nessa oportunidade tampouco no julgamento do RE 363.852/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, o exame da matéria sob o enfoque presente neste recurso, a saber: a exigência do tributo com fundamento em lei editada após a Emenda Constitucional 20/1998. Isso posto, manifestome pela existência de repercussão geral neste recurso extraordinário, nos termos do art. 543A, § 1º, do Código de Processo Civil, combinado com o art. 323, § 1º, do RISTF. Todavia, tendo em vista que o recurso ainda encontrase pendente de julgamento, não produz quaisquer efeitos perante os órgãos da administração pública federal, permanecendo inalterada a vigência da Lei nº 10.256/2001. Para a autuada, de um modo ou de outro, permanecem vícios de inconstitucionalidade na matriz legal sob a qual se fundamenta o lançamento, o que não pode ser analisado por este egrégio Conselho, em razão da Súmula CARF nº 2, de aplicação obrigatória, in verbis: Súmula CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, requer a autuada, no caso de manutenção dos autos de infração, a dedução do valor relativo aos recolhimentos que não foram levados em conta quando da lavratura dos Autos de Infração, e para tanto anexa depósito judicial de fl. 264, sem indicação de número de processo, além da publicação relativa ao processo nº 00016245.2010.4.03.6007, que não faz referência à empresa ora Recorrente, conforme adiante se vê: APELAÇÃO CÍVEL Nº 000016245.2010.4.03.6007/MS 2010.60.07.0001629/MS RELATORA : Desembargadora Federal CECILIA MELLO REL. ACÓRDÃO : Desembargador Federal Peixoto Junior APELANTE : ALCEU ZANCHIN ADVOGADO : CASSIUS MARCELUS DA CRUZ BANDEIRA e outro Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10140.720750/201383 Acórdão n.º 2401004.546 S2C4T1 Fl. 6 9 APELADO : Uniao Federal (FAZENDA NACIONAL) ADVOGADO : MARLY MILOCA DA CAMARA GOUVEIA E AFONSO GRISI NETO No. ORIG. : 00001624520104036007 1 Vr COXIM/MS EMENTA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE A RECEITA BRUTA PROVENIENTE DE COMERCIALIZAÇÃO RURAL. LEIS Nº 8.540/92 E Nº 9.528/97. EXIGIBILIDADE DA EXAÇÃO A PARTIR DA LEI 10.256/2001. INTELIGÊNCIA DA EC Nº 20/98. I Superveniência da Lei nº 10.256, de 09.07.2001, que alterando a Lei nº 8.212/91, deu nova redação ao art. 25, restando devida a contribuição ao FUNRURAL a partir da nova lei, arrimada na EC nº 20/98. II Recurso desprovido. Não procede, assim, o pleito de dedução de valor depositado sem qualquer relação com o lançamento. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 262DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001288/2010-77
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2008
PEDIDO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC.
Retificação da declaração. Diminuição do valor destinado. Possibilidade. A única conseqüência da posterior retificação da declaração seria que eventuais valores já recolhidos e aplicados no fundo passariam a ser considerados aplicação com recursos próprios do contribuinte.
Numero da decisão: 9101-002.775
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Cristiane Silva Costa, substituída pelo conselheiro Demetrius Nichele Macei.
Fez sustentaçção oral a patrona do contribuinte, Dra. Tatiana Barros, OAB-DF 46519, escritório Schneider, Pugliese Advogados.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição aos impedimentos da conselheira Cristiane Silva Costa), Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araujo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008 PEDIDO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. Retificação da declaração. Diminuição do valor destinado. Possibilidade. A única conseqüência da posterior retificação da declaração seria que eventuais valores já recolhidos e aplicados no fundo passariam a ser considerados aplicação com recursos próprios do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Cristiane Silva Costa, substituída pelo conselheiro Demetrius Nichele Macei. Fez sustentaçção oral a patrona do contribuinte, Dra. Tatiana Barros, OAB DF 46519, escritório Schneider, Pugliese Advogados. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 12 88 /2 01 0- 77 Fl. 665DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição aos impedimentos da conselheira Cristiane Silva Costa), Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araujo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase, na origem de indeferimento de pleito para revisão de Ordem de Emissão Incentivo Fiscal referente PERC, exercício 2008, FINAM,diante do fato de o contribuinte ter apresentado DIPJ retificadora fora do exercício de competência, com alteração dos valores que pretendia aplicar em incentivos fiscais, contrariando o disposto no Ato Declaratório Normativo CST nº 26/1985 e a Nota SRF/Cosar nº 131/2001. Contra essa decisão foi apresentada Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, ao argumento de que a pessoa jurídica que apresentar DIPJ retificadora após o encerramento do exercício não faria jus à opção para aplicação em incentivos fiscais se alterar o valor ou fundo de investimento da opção exercida na declaração entregue dentro do exercício de competência. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao CARF. No julgamento do Recurso a 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 1ª Seção de Julgamento deu provimento ao Recurso, conforme ementa e decisão abaixo transcritas: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008 PEDIDO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. Retificação da declaração. Diminuição do valor destinado. Possibilidade. A única conseqüência da posterior retificação da declaração seria que eventuais valores já recolhidos e aplicados no fundo passariam a ser considerados aplicação com recursos próprios do contribuinte. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Cientificada da decisão a Fazenda Nacional, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, objetivando rediscutir a matéria. Para demonstração da divergência a Fazenda apresenta o Acórdão 108 09.111, como paradigma, argumentando que na decisão ali exarada, o entendimento foi totalmente oposto àquele contido no recorrido, no sentido de que a pessoa jurídica que apresenta DIPJ retificadora fora do exercício de competência, com alteração dos valores a serem aplicados em incentivos fiscais regionais, não faz jus a essa opção. Nesse contexto, a Fazenda Nacional requer o conhecimento de seu Recurso Especial. Em suas razões, alega, em suma: Fl. 666DF CARF MF Processo nº 16327.001288/201077 Acórdão n.º 9101002.775 CSRFT1 Fl. 667 3 ü Que nos termos do ADN CST 26/85 e ainda do Parecer COSIT nº 31/2002, não fará jus à opção para aplicação em incentivos fiscais especificados nos artigos 503 a 510 do RIR/80, a pessoa jurídica que apresentar declaração de rendimentos ou retificação desta fora do exercício de competência, mesmo com imposto parcial ou totalmente recolhido no exercício correspondente; ü Tal conclusão é tanto mais incidente quando se considera que, entre a declaração original e a retificadora, há alteração dos valores a serem aplicados nos mencionados incentivos, por expresso descumprimento também às disposições constantes da Nota SRF/COSAR nº 131/2001; ü Nesta esteira, observese que no caso ora posto à apreciação, os valores dos incentivos transcritos na retificadora, apresentada fora do exercício competente, foram alterados, em evidente afronta às determinações existentes no que tange às regras para fruição dos incentivos fiscais disponibilizados aos contribuintes; ü Com efeito, considerando o efetivo descumprimento das regras para opção pela aplicação nos incentivos fiscais, constante de diversos normativos expedidos pela Administração Tributária, necessária se mostra a reforma do acórdão em tela no sentido de vedar a opção irregular do contribuinte. A Autoridade competente deu seguimento ao Recurso Especial, nos seguintes termos: “A recorrente alega que, em sentido diverso àquele propugnado pelo v. acórdão atacado, acórdão paradigma nº 10809.111, proferido pela Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, decidiu que a pessoa jurídica que apresenta DIPJ retificadora fora do exercício de competência, com alteração dos valores a serem aplicados em incentivos fiscais regionais, não faz jus a essa opção. (...) As similitudes fática e jurídica entre os julgados são incontestáveis e podem ser verificadas do simples cotejo das ementas acima transcritas. Ademais, vale ressaltar que ambos os julgados discutem a aplicação da Nota SRF/Cosar nº 131/2001, se não vejamos os seguintes trechos dos votos condutores dos acórdãos recorrido e paradigma, in verbis; (...) Uma vez demonstrada a divergência jurisprudencial que desafia recurso especial, opino pela sua ADMISSIBILIDADE.” Regularmente intimado, o Contribuinte apresentou contrarrazões, alegando e requerendo, em suma: Fl. 667DF CARF MF 4 ü A inadmissibilidade do Recurso, diante da ausência de simulitude fática, tendo em vista que no recorrido discutese tão somente a possibilidade de manutenção do benefício fiscal frente à entrega de DIPJ retificadora, enquanto no paradigma debatese a regularidade fiscal do contribuinte quando da solicitação do benefício fiscal; ü O AD COSIT 26/85 não se presta a justificar o indeferimento, visto que a opção fora apresentada no exercício de competência e em conformidade com a legislação de regência do incentivo; ü A Nota SRF/COSAR 131/2001 também não se presta ao indeferimento, porque pressupõe opção de aplicação em declaração retificadora, o que não é o caso, eis que a opção foi exercida em declaração original; ü O Contribuinte manifestou tempestivamente sua opção pelo beneficio, mediante registro em DIPJ original, posteriormente transmitindo DIPJ retificadora com manutenção de sua opção ao fundo e o mesmo percentual inicial, não havendo qualquer norma que vede o direito em virtude da aludida retificação, independente do exercício que ocorra, conforme já decidiu essa Câmara Superior em outras ocasiões. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Sobre a admissibilidade do Recurso, entendo ser importante o debate. Conforme alegado pelo Contribuinte, a razão de decidir no caso do Acórdão paradigma considerou a situação de irregularidade fiscal do sujeito passivo. De fato, analisandose referida decisão é de se concluir que a irregularidade fiscal daquele contribuinte foi elemento da razão de decidir, conforme o seguinte trecho do voto: Pelo exposto, considerando o disposto pelo artigo 60 da Lei n°. 9.069/1995, voto para que seja negado provimento ao Recurso, restando prejudicados os demais argumentos expendidos nas razões oferecidas. Ocorre que analisando mais a fundo o voto é possível perceber que a questão da retificação da DIPJ também foi tratada, havendo, inclusive menção ao ADN CST 26/85 e demostrando a conclusão de que a retificação da DIPJ em exercício posterior à opção impede a utilização do benefício. Assim, conheço do recurso da Fazenda Nacional. No mérito, entretanto, filiome à corrente já decidida por essa 1ª Turma da CSRF, no sentido de que o art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995, exige tão somente a prova da regularidade fiscal. Em que pese o Ato Declaratório (Normativo) nº 26, de 18 de novembro de 1985, interpretado pelo Parecer Cosit n.º 31, de 19 de novembro de 2002 e a Nota Fl. 668DF CARF MF Processo nº 16327.001288/201077 Acórdão n.º 9101002.775 CSRFT1 Fl. 668 5 SRF/COSAR nº 131, de 15 de agosto de 2001, o entendimento constante nesses atos administrativos é incompatível com a Instrução Normativa SRF nº 166, de 1999, que determina que a DIPJ retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente. Sobre o tema, tomo a liberdade de transcrever trecho do voto do Relator do Acórdão 9101002.457: "Analisando o conflito de normas no tempo, verificase que o Secretário da Receita Federal em 1999 deu nova formatação normativa ao entendimento esposado no Ato Declaratório Normativo do CST nº 26, de 1985, no que se refere ao efeito jurídico da apresentação espontânea de documento retificador fixando que esta tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e a substitui integralmente. Demonstrada está a incompatibilidade entre o Ato Declaratório Normativo do CST nº 26, de 1985 e a Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999. Embora o princípio da conciliação verse sobre a possibilidade de convivência das normas gerais com as especiais que tratem do mesmo assunto, notese que a Nota SRF/COSAR nº 131, de 15 de agosto de 2001 e o Parecer Cosit nº 31, de 19 de novembro de 2002, também são inconciliáveis com a Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999, que além de ser norma hierarquicamente superior contraria os de forma absoluta. Ademais, os atos normativos invocados pela PGFN pressupõem que a opção de aplicação em incentivo fiscal fora efetuada em declaração retificadora, o que não é o caso, eis que a opção foi exercida na declaração original. A alteração da retificadora não representa nova opção, posto que não houve acréscimo à opção já exercida e sim decréscimo do valor. Além disso, os dispositivos legais que regem o assunto não estabelecem que a retificação da declaração têm o condão de afastar o direito à opção da pessoa jurídica, ou seja, não há norma que vede a manutenção da opção em declaração retificadora, que, afinal, substitui a retificada para todos os efeitos legais." Nesse contexto, NEGO provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 669DF CARF MF 6 Fl. 670DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.002212/2005-00
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2000
ADMISSIBILIDADE. ART. 67 DO ANEXO II DO RICARF. DIVERGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso especial interposto para a Câmara Superior de Recursos Fiscais, para ser conhecido, deve demonstrar a divergência de interpretação da legislação tributária entre a decisão recorrida e a paradigma, que pode ter sido proferida por outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Caso não atenda o requisito previsto no art. 67 do Anexo II do RICARF, o recurso não deve ser conhecido.
Numero da decisão: 9101-002.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência momentânea da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ART. 67 DO ANEXO II DO RICARF. DIVERGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA. NÃO CONHECIMENTO. O recurso especial interposto para a Câmara Superior de Recursos Fiscais, para ser conhecido, deve demonstrar a divergência de interpretação da legislação tributária entre a decisão recorrida e a paradigma, que pode ter sido proferida por outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Caso não atenda o requisito previsto no art. 67 do Anexo II do RICARF, o recurso não deve ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência momentânea da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 22 12 /2 00 5- 00 Fl. 27493DF CARF MF Processo nº 16327.002212/200500 Acórdão n.º 9101002.761 CSRFT1 Fl. 27.494 2 conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN (efls. 17977/18016) em face da decisão proferida no Acórdão nº 1101 00.622 (efls. 17825/17972), pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 23/11/2011, no qual foi dado parcial provimento ao recurso voluntário da Contribuinte e ao recurso de ofício. Resumo Processual Foram lavrados autos de infração (efls. 1041/1092) de IRPJ, CSLL, IRRF, PIS e Cofins, relativos ao anocalendário de 2000. A primeira instância (DRJ), ao apreciar a impugnação, julgou o lançamento procedente em parte (efls. 16848/16884). Em razão do crédito exonerado, foi efetuada remessa necessária (recurso de ofício). Foi interposto recurso voluntário (efls. 16918/17023) pela Contribuinte. A turma ordinária do CARF julgou no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário e ao recurso de ofício (efls. 17825/17972). Foi interposto pela PGFN recurso especial (efls. 17977/18016), em relação às matérias (1) pagamentos sem causa IRRF; (2) passivo fictício IRPJ; (3) devoluções e cancelamento de vendas IRPJ e (4) descontos incondicionais. O despacho de exame de admissibilidade (efls. 27447/27453) deu seguimento ao recurso. A Contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 27474/24488). A seguir, maiores detalhes sobre as fases inquisitória e contenciosa. Da Autuação Fiscal Transcrevo a descrição do relatório da decisão da turma a quo, objetivo e preciso, que inclusive apresenta, para cada infração tributária, o resultado do julgamento da primeira instância: 1. Infrações vinculadas a operações no exterior não confirmadas: a. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO NÃO COMPROVADAS: valor tributável de R$ 35.350.992,00, submetido a incidência de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS (Multa de Oficio de 150%), cuja multa qualificada foi reduzida a 75% no julgamento de 1ª instancia, no qual também foram canceladas as exigências de Contribuição ao PIS e COFINS em razão da decadência; Fl. 27494DF CARF MF Processo nº 16327.002212/200500 Acórdão n.º 9101002.761 CSRFT1 Fl. 27.495 3 b. CUSTOS NÃO COMPROVADOS: valor tributável de R$ 31.758.156,00, submetido a incidência de IRPJ e CSLL (Multa de Oficio de 150%) cuja multa qualificada foi reduzida a 75% no julgamento de 1ª instancia; c. PAGAMENTOS SEM CAUSA: valor tributável de R$ 31.758.156,00, submetido à incidência de IRPJ e CSLL (Multa de Oficio de 150%), integralmente desconstituído no julgamento de 1ª instância; d. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS/SEM CAUSA: valor tributável de R$ 48.858.701,54, submetido à incidência de IRRF (Multa de Oficio de 150%) cuja multa qualificada foi reduzida a 75% no julgamento de 1ª instância. 2. PAGAMENTOS SEM CAUSA: valor tributável pelo IRPJ e CSLL de R$ 217.533.915,62 (Multa de Oficio de 75%) e valor tributável pelo IRRF de R$ 334.667.562,49 (Multa de Oficio de 75%), mantidos integralmente no julgamento de 1ª instância; 3. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO: valor tributável de R$ 8.877.000,00, submetido à incidência de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS (Multa de Oficio de 75%), cujos reflexos de Contribuição ao PIS e COFINS foram cancelados no julgamento de 1ª instância em razão da decadência; 4. DESPESAS NÃO COMPROVADAS: valor tributável de R$20.056.567,54, submetido à incidência de 1RPJ e CSLL (Multa de Oficio de 75%), mantido integralmente no julgamento de 1ª instância; 5. OMISSÃO DE RECEITAS. NÃO COMPROVAÇÃO DE DEVOLUÇÃO DE MERCADORIAS VENDIDAS: valor tributável de R$ 93.101.916,10, submetido à incidência de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS (Multa de Oficio de 75%), mantido parcialmente no julgamento de 1ª instância, em razão da exclusão da base de cálculo de R$ 205.477,26, proposta em diligência pela autoridade lançadora; 6. OMISSÃO DE RECEITAS. ABATIMENTOS E DESCONTOS INCONDICIONAIS NÃO COMPROVADOS: valor tributável de R$ 242.275.987,08, submetido à incidência de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS (Multa de Oficio de 75%), mantido parcialmente no julgamento de 1ª instância, em razão da comprovação da base de cálculo de R$ 2.939.359,55; 7. ERRO NOS DADOS FORNECIDOS EM MEIO MAGNÉTICO aplicação de multa regulamentar no valor de R$ 13.665.697,91, exonerada integralmente no julgamento de 1ª instância; 8. CUSTOS NÃO NECESSÁRIOS: valor tributável de R$ 13.633.460,36, submetido à incidência de IRPJ e CSLL (Multa de Oficio de 75%), mantido parcialmente no julgamento de 1a Fl. 27495DF CARF MF Processo nº 16327.002212/200500 Acórdão n.º 9101002.761 CSRFT1 Fl. 27.496 4 instancia, em razão da comprovação da parcela de R$ 2.234.479,79; e 9. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. NÃO ADIÇÃO DE PARCELA DE JUROS RECEBIDOS. MÚTUO COM PESSOA VINCULADA NO EXTERIOR: valor tributável de R$ 3.601.049,24, submetido à. incidência de IRPJ e CSLL (Multa de Oficio de 75%), mantido parcialmente no julgamento de 1a instância, em razão da exclusão da parcela de R$ 71.810,85. Foram lavrados os autos de infração de IRPJ, CSLL, IRRF, PIS e Cofins, para o anocalendário de 2000. Da Fase Contenciosa A contribuinte apresentou impugnação (efls. 1105 e segs.). Inicialmente a 7ª Turma da DRJ/São Paulo I votou no sentido de converter o julgamento em diligência (efls. 1340/1361) para esclarecer questões sobre os lançamentos fiscais. Uma vez retornados os autos com o resultado da diligência (efls. 1804/1815), foi realizado julgamento, conforme Acórdão nº 1618.790 (efls. 16848/16884), que julgou os lançamentos procedentes em parte, conforme ementa a seguir. Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de perícia. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PIS/COFINS/IRRF. O PIS, COFINS e o IRRF inseremse no rol dos tributos/contribuições sujeitos ao lançamento por homologação. Se constatado que houve pagamentos, ainda que parciais, determinase o prazo de decadência conforme o disposto no § 4° do art. 150 do CTN; na inexistência de pagamentos, aplicase disposto no art. 173, I, do citado diploma legal. OMISSÃO DE RECEITAS. DEVOLUÇÃO/CANCELAMENTO DE VENDAS. Fl. 27496DF CARF MF Processo nº 16327.002212/200500 Acórdão n.º 9101002.761 CSRFT1 Fl. 27.497 5 A divergência de valores na escrita fiscal/contábil ou mesmo a ausência de escrituraçãO das operações de devolução/cancelamento de vendas, legitima a exigência fiscal da comprovação efetiva do trânsito dessas mercadorias, sujeitandose ao lançamento de oficio por redução indevida da receita bruta; se não comprovado o trânsito da mercadoria devolvida(saída/retomo). OMISSÃO DE RECEITAS. DESCONTOS INCONDICIONAIS. Não comprovada a Concessão de descontos incondicionais, é de manterse a glosa do valor redutor da receita bruta. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. Cabe ao contribuinte comprovar com documentação hábil e idônea a existência das operações registradas em seu passivo e a data do seu efetivo pagamento, sob pena de, não o fazendo; dar margem à presunção de omissão de receitas. CUSTOS NÃO COMPROVADOS. Devem ser glosados os valores lançados à conta de custos, se o contribuinte não comprova a origem das operações que motivaram os lançamentos contábeis, bem como a necessidade e efetividade desses custos, mediante documentação hábil, principal e subsidiaria pertinente ao caso concreto. DESPESAS FINANCEIRAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Mantémse a glosa de despesas financeiras efetuada pela fiscalização se o contribuinte não traz à luz o tipo de despesa contabilizada, a origem da operação e não há coincidência de valores e datas das operações e seus efeitos com a contabilização dessas despesas financeiras. PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Não são dedutíveis as importâncias declaradas ;como pagas ou creditadas a título de comissões, bonificações, gratificações ou semelhantes, filiando não for indicada a operação ou a causa que deu origem ao rendimento e quando, o comprovante do pagamento não individualizar o beneficiário do rendimento. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO. Exonerase o crédito tributário se comprovado que a autuação considerou a redução indevida do lucro real em duplicidade a partir do mesmo fato gerador. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. TAXA SELIC. ARGUIÇÕES DE ILEGALIDADE e INCONSTITUCIONALIDADE. E inócuo suscitar alegações de inconstitucionalidade ou ilegalidade de atos normativos na esfera administrativa, pois não se pode, sob pena de responsabilidade funcional, Fl. 27497DF CARF MF Processo nº 16327.002212/200500 Acórdão n.º 9101002.761 CSRFT1 Fl. 27.498 6 desrespeitar as normas motivadoras do lançamento, em observância ao art. 142, parágrafo único, do CTN. GLOSA DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS NÃO NECESSÁRIOS. Mantémse o lançamento se comprovado que a empresa majorou indevidamente os custos por absorver obrigações da matriz estrangeira. ARQUIVOS MAGNÉTICOS. MULTA REGULAMENTAR. Cancelase a multa aplicada quando há erro de subsunção do fato concreto à hipótese prevista na lei. MULTA QUALIFICADA. CRITÉRIOS Se a fiscalização utilizouse de critérios diferentes no balizamento da multa de oficio para o mesmo tipo de infração (pagamentos sem causa), sem demonstrar a distinção entre elas que caracterizasse o dolo, é de se aplicar para toda a autuação a gradação menos onerosa. TRIBUTAÇÕES REFLEXAS Aplicase aos lançamentos reflexo de PIS, COFINS, CSLL e IRRF o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito existente entre eles. Em razão do montante de crédito tributário exonerado, o Presidente da Turma da DRJ efetuou a remessa necessária, para apreciação do CARF. Foi interposto recurso voluntário (efls. 16918/17023) pela Contribuinte, apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 23/11/2011. Decidiu o Acórdão nº 110100.622 (efls. 17825/17972) dar parcial provimento ao recurso voluntário e ao recurso de ofício, conforme ementa a seguir. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. OPERAÇÕES CONTABILIZADAS MAS NÃO DEMONSTRADAS DOCUMENTALMENTE. TENTATIVA DE DESCONSTITUIÇÃO DOS FATOS EM RECURSO. SUBSISTÊNCIA DA ACUSAÇÃO FISCAL. Admitese como existente a receita de venda de mercadorias cujo lançamento contábil detalha a operação, ainda que não demonstrada a baixa de estoque correspondente, ante a possibilidade de os insumos não terem sido previamente contabilizados e a operação ter ocorrido no exterior. GLOSA DE CUSTOS VINCULADOS A RECEITAS AUFERIDAS NO EXTERIOR. MOTIVAÇÃO INSUFICIENTE. Se os custos contabilizados estão vinculados As operações de exportação que a Fiscalização, mesmo na ausência de qualquer suporte documental, reconhece existir, a glosa dos custos não pode estar Fl. 27498DF CARF MF Processo nº 16327.002212/200500 Acórdão n.º 9101002.761 CSRFT1 Fl. 27.499 7 motivada, apenas, na falta de comprovação dos valores escriturados. PAGAMENTO SEM CAUSA. DUPLICIDADE DE EXIGÊNCIAS. Não há reparos A decisão que rejeita a adição, A base de calculo do IRPJ e da CSLL, de pagamentos cuja causa não é comprovada, se a causa contábil consiste, justamente, nos custos glosados por falta de comprovação no mesmo procedimento fiscal. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Correta a decisão recorrida que afasta a qualificação da penalidade, se inexiste prova da intenção de fraudar e o lançamento está fundamentado, apenas, na falta de comprovação de valores contabilizados. ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A incidência das contribuições sobre o faturamento somente é afastada nas vendas de mercadorias ou serviços para o exterior. Regular a exigência destas contribuições se os elementos nos autos somente permitem concluir que houve venda de mercadorias ou serviços no exterior. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. OCORRÊNCIA. Afastada a qualificação da penalidade, e na presença de pagamentos relativos aos períodos autuados, correta é a decisão que exonera o crédito tributário constituído quando já transcorridos mais de cinco anos do encerramento dos correspondentes fatos geradores. PAGAMENTOS SEM CAUSA. CARACTERIZAÇÃO. ÔNUS DO FISCO. Para se caracterizar o pagamento sem causa o Fisco deve demonstrar que houve pagamentos ou créditos efetuados, necessariamente, a titulo de comissões, bonificações, gratificações ou semelhantes, sem indicação da operação ou a causa que deu origem ao rendimento, ou sem individualização do beneficiário do rendimento no comprovante de pagamento. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. Não subsiste a presunção legal se a contribuinte logra provar a contratação da obrigação questionada, embora contabilizada tardiamente. DESPESAS FINANCEIRAS. VARIAÇÃO CAMBIAL VINCULADA A OPERAÇÕES DE EXPORTAÇÃO QUESTIONADAS NO PROCEDIMENTO FISCAL. Cancelase a exigência se a motivação é insuficiente para justificar a glosa dos valores contabilizados. JUROS PASSIVOS E VARIAÇÃO CAMBIAL PASSIVA VINCULADOS A PASSIVO FICTÍCIO. Comprovada a existência da obrigação, admitese a dedução das despesas financeiras correspondentes até o limite convencionado. DESPESAS COMPROVADAS NO CURSO DO PROCEDIMENTO FISCAL. MOTIVAÇÃO INSUFICIENTE. É nulo, por vicio material, o lançamento que classifica de insuficiente a prova apresentada no curso do procedimento fiscal, sem expressar a razão deste entendimento. DESPESAS NÃO COMPROVADAS NO CURSO DO PROCEDIMENTO FISCAL. OMISSÃO NA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE PARCIAL. É nula a decisão na parte em que ignora justificativa para apresentação parcial dos documentos comprobatórios das despesas questionadas, deixa de apreciar os elementos apresentados e de cogitar da busca das provas eventualmente Fl. 27499DF CARF MF Processo nº 16327.002212/200500 Acórdão n.º 9101002.761 CSRFT1 Fl. 27.500 8 existentes, fundamentandose, apenas, na precariedade do conteúdo dos lançamentos contábeis. OMISSÃO DE RECEITAS. DEVOLUÇÕES DE VENDAS NÃO COMPROVADAS. PRESUNÇÃO SIMPLES. É possível a prova de infrações por meio de presunções simples, desde 9ue elas estejam suportadas por indícios consistentes e convergentes. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PARA COMPROVAÇÃO DAS DEVOLUÇÕES. INVERSÃO INDEVIDA DO ÔNUS DA PROVA. O sujeito passivo somente sofre as conseqüências da inobservância do ônus da prova que a lei lhe impõe se ele for regularmente intimado a tanto e deixar de atender a esta solicitação. FALTA DE APRESENTAÇÃO DAS NOTAS FISCAIS DE SAÍDAS. DEVOLUÇÕES DE COMPRAS REGISTRADAS COMO DEVOLUÇÕES DE VENDAS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS NÃO CARACTERIZADA. A descaracterização das devoluções contabilizadas porque não apresentada a nota fiscal de saída correspondente, bem como o registro de devoluções de compras como devoluções de vendas, permitem a glosa da dedução, mas não a presunção de omissão de receitas. FALTA DE AVERBAÇÃO DA DEVOLUÇÃO PELO ADQUIRENTE. MOTIVAÇÃO INSUFICIENTE. A legislação admite a emissão de notas fiscais de entrada por devolução no caso de retorno de mercadorias não entregues ao destinatário, situação na qual nem sempre há a entrada no estabelecimento destinatário, para se cogitar de eventual averbação da devolução por este. NOTAS FISCAIS DE ENTRADA POR DEVOLUÇÃO EMITIDAS PARA CANCELAMENTO DE NOTAS FISCAIS DE SAÍDA. Ê razoável admitir que dificuldades operacionais impeçam o cancelamento de notas fiscais de saída nos arquivos magnéticos, e que a emissão de nota fiscal de entrada por devolução seja utilizada para anular os efeitos da saída registrada indevidamente. OMISSÃO DE RECEITAS. ABATIMENTOS E DESCONTOS INCONDICIONAIS NÃO COMPROVADOS. PARCELAS COMPROVADAS NA IMPUGNAÇÃO E DURANTE O PROCEDIMENTO FISCAL. Correta a exclusão da exigência correspondente as deduções comprovadas pela contribuinte. PRESUNÇÃO SIMPLES. Ê possível a prova de infrações por meio de presunções simples, desde que elas estejam suportadas por indícios consistentes e convergentes. INTIMAÇÃO IRREGULAR PARA COMPROVAÇÃO DE DESCONTOS CONCEDIDOS. INVERSÃO INDEVIDA DO ÔNUS DA PROVA. Somente se tem por não comprovados os descontos incondicionais cuja demonstração foi objetivamente exigida, seguindose o não atendimento pela contribuinte, e a rejeição, pela autoridade fiscal, das justificativas apresentadas para aquele não atendimento. CUSTOS NÃO NECESSÁRIOS. ABSORÇÃO DE CUSTOS E DESPESAS PELA CONTROLADORA. INDEDUTIBILIDADE. Deve ser excluído do resultado tributável o efeito dos custos e despesas que, contabilizados, foram absorvidos pela controladora da contribuinte para melhorar seu resultado Fl. 27500DF CARF MF Processo nº 16327.002212/200500 Acórdão n.º 9101002.761 CSRFT1 Fl. 27.501 9 operacional. PROVA DA CONTABILIZAÇÃO DOS CUSTOS. Demonstrativo elaborado pela contribuinte que detalha as operações realizadas é prova suficiente para se exigir a anulação dos custos e despesas ali demonstrados. PROVA DA ANULAÇÃO DOS CUSTOS. Mantémse a exigência se a contribuinte não logra provar a exclusão, do resultado tributável, dos efeitos das operações absorvidas pela controladora, inclusive restabelecendose a exigência exonerada na decisão de primeira instancia, sujeita a reexame, se a prova apresentada em impugnação mostrase insuficiente para justificála. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. RECEITA FINANCEIRA. MÚTUO COM PESSOAS LIGADAS. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE. Regular a normatização que apenas reproduz os dispositivos legais determinantes do ajuste fiscal questionado. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n° 2). ERRO DE CÁLCULO. Não ha reparos decisão que exclui parcela do ajuste decorrente de incorreta aplicação da taxa Libor e de erro na conversão, em reais, dos juros apurados. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2000 PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA. OPERAÇÕES VINCULADAS A CUSTOS NÃO COMPROVADOS. Afastada a glosa de custos por motivação insuficiente, deve ser também exigência3 e IRRF sobre os pagamentos que, em decorrência daquela glosa, restaram sem identificação de beneficiário e causa. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Correta a decisão recorrida que afasta a qualificação da penalidade, se não há qualquer prova da intenção de fraudar e o lançamento está fundamentado, apenas, na falta de comprovação de valores contabilizados. PAGAMENTOS COMPROVADOS NO CURSO DO PROCEDIMENTO FISCAL. MOTIVAÇÃO INSUFICIENTE. É nulo, por vicio material, o lançamento que classifica de insuficiente a prova apresentada no curso do procedimento fiscal, sem expressar a razão deste entendimento. PAGAMENTOS NÃO COMPROVADOS NO CURSO DO PROCEDIMENTO FISCAL. DECADÊNCIA. Nas hipóteses de incidência de IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa, não se sustenta a aplicação do prazo decadencial do §4° do art. 150 do CTN, visto que a lei não atribuiu ao sujeito passivo o dever de apurar e pagar o IRRF devido, antes de qualquer procedimento de oficio, mas, pelo contrário, atribuiu ao Fisco o dever de efetuar o lançamento de Fl. 27501DF CARF MF Processo nº 16327.002212/200500 Acórdão n.º 9101002.761 CSRFT1 Fl. 27.502 10 oficio, quando apurada qualquer daquelas hipóteses de incidência descritas na norma jurídica. OMISSÃO NA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE PARCIAL. É nula a decisão na parte em que ignora justificativa para apresentação parcial dos documentos comprobatórios da causa e do beneficiário dos pagamentos questionados, deixa de apreciar os elementos apresentados e de cogitar da busca das provas eventualmente existentes, fundamentandose na precariedade do conteúdo dos lançamentos contábeis, sem que dos autos conste, sequer, a conta contábil utilizada como contrapartida das saídas de numerário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 ARQUIVOS MAGNÉTICOS. MULTA POR ATRASO, FALTA DE APRESENTAÇÃO OU APRESENTAÇÃO DEFICIENTE. Correta a decisão que cancela a multa aplicada quando há erro de subsunção do fato concreto à hipótese prevista na lei. TRIBUTOS LANÇADOS. DEDUTIBIL1DADE DA BASE DE CALCULO DO IRPJ E DA CSLL. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. Não são dedutíveis, segundo o regime de competência, os tributos cuja exigibilidade esteja suspensa em razão de recurso administrativo. APLICAÇÃO TAXA SELIC PARA CALCULO DOS JUROS DE MORA. MATÉRIA DECIDIDA PELO STJ EM RITO DE RECURSO REPETITIVO. MATÉRIA EM APRECIAÇÃO PELO STF COM RECONHECIMENTO DE REPERCUSSÃO GERAL. SOBRESTAMENTO. DESNECESSIDADE. As decisões dos Tribunais Superiores, tendo em conta a aplicação da taxa SELIC para cálculo de juros de mora com base em legislação estadual, não se sobrepõem à Súmula CARF n° 4, a qual aborda a aplicação da mesma taxa, mas com fundamento em legislação federal. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INEXISTÊNCIA DE INDICAÇÃO, NO LANÇAMENTO, DA APLICAÇÃO DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Desnecessária a referência, no lançamento, do cabimento de juros sobre a multa de oficio, se a sua aplicação somente se verifica após vencido o prazo para pagamento da multa de oficio. APRECIAÇÃO DA MATÉRIA NO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. ADMISSIBILIDADE. A jurisprudência administrativa já está pacificada no sentido de que devem ser apreciados os questionamentos dirigidos contra a aplicação de juros sobre a multa de oficio. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos a taxa SELIC. Fl. 27502DF CARF MF Processo nº 16327.002212/200500 Acórdão n.º 9101002.761 CSRFT1 Fl. 27.503 11 Vale transcrever, também, o resultado do julgamento: Acordam os membros do colegiado, relativamente ao item 1 do relatório, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para: a) CANCELAR as exigências de IRPJ e CSLL sobre a glosa de custos, e b) CANCELAR as exigências de IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados/sem causa; e em NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oficio; relativamente ao item 2 do relatório, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para: a) ANULAR, por vicio material, o lançamento de IRPJ e CSLL sobre pagamentos sem causa; b) REJEITAR a argüição de decadência, mas ANULAR PARCIALMENTE a decisão recorrida no que tange à exigência de IRRF sobre os pagamentos de R$ 5.190:078,33, R$ 8.234.548,05, R$ 5.117.936,66, R$5.136.351,37, R$ 5.434.675,30 e R$ 6.385.407,38, cujo beneficiário/causa não foram identificados; e c) ANULAR PARCIALMENTE, por vicio material, o lançamento de IRRF no que tange aos demais pagamentos cujo beneficiário/causa não foram identificados; relativamente ao item 3 do relatório, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oficio; relativamente ao item 4 do relatório, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para: a) ANULAR PARCIALMENTE a decisão recorrida no que tange à exigência de IRPJ e CSLL sobre as glosas de despesas financeiras no montante de R$ 3.394.955,52; b) ANULAR PARCIALMENTE, por vicio material, o lançamento de 1RPJ e CSLL no que tange às glosas de despesas financeiras no montante de R$ 14.284.883,30; c) CANCELAR PARCIALMENTE as exigências de IRPJ e CSLL no que tange às glosas de despesas financeiras no montante de R$ 967.334,40; e d) MANTER PARCIALMENTE as exigências de IRPJ e CSLL no que tange às glosas de despesas financeiras de R$ 412.180,62 e R$ 316.197,96; relativamente ao item 5 do relatório, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oficio, REJEITAR a argüição de nulidade da decisão recorrida, e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar a exigência remanescente; relativamente ao item 6 do relatório, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oficio, REJEITAR a argüição de nulidade da decisão recorrida e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar a exigência remanescente; relativamente ao item 7 do relatório, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oficio; relativamente ao item 8 do relatório, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso de oficio e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; relativamente ao item 9 do relatório, por unanimidade de votos, em REJEITAR a argüição de nulidade da decisão recorrida, e NEGAR PROVIMENTO aos recursos voluntário e de oficio; relativamente ao item 10.a do relatório, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e José Ricardo da Silva; relativamente ao item 10.b do Fl. 27503DF CARF MF Processo nº 16327.002212/200500 Acórdão n.º 9101002.761 CSRFT1 Fl. 27.504 12 relatório, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; e, relativamente ao item 10.c do relatório, por voto de qualidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Junior, Jose Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Foi interposto pela PGFN recurso especial (efls. 17977/18016). Faz um relato dos fatos da autuação e da fase contenciosa. Questiona, em síntese, sobre a orientação da decisão recorrida no sentido de atribuir o ônus da prova ao Fisco, e aponta como divergência as matérias pagamentos sem causa (paradigma Acórdão nº 120100.601), passivo fictício (paradigma Acórdão nº 10513593), devoluções/cancelamento de vendas (paradigma Acórdão nº 10320397) e abatimentos e descontos incondicionais não comprovados (paradigma Acórdão nº 10320397). O despacho de exame de admissibilidade de efls. 27447/27453 deu seguimento ao recurso especial da PGFN. A Contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 27474/27488), aduzindo que os acórdãos indicados como paradigma pela PGFN não se prestam para demonstrar a divergência de interpretação da legislação tributária, razão pela qual o recurso não deve ser admitido. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Não obstante o despacho de admissibilidade ter dado seguimento ao recurso especial da PGFN, entendo que não lhe assiste razão. Passo ao exame para cada uma das matérias. Pagamentos Sem Causa. A recorrente, no título da divergência jurisprudencial, transcreve como objeto de protesto do valor tributável de IRPJ e CSLL de R$217.533.915,62 e de IRRF no valor de R$334.667.562,49. Contudo, a partir da análise do teor do recurso, observase que a irresignação centrase nos lançamentos de IRRF de R$31.758.156,00 e R$217.533.915,62: 14. Parte da autuação, no valor de R$ 31.758.156,00, referese a três lançamentos a crédito na conta de Duplicatas a Receber, efetuados em 30/04 (fls.1007), 31/05(fls.1008) e 30/06/2000 (fls.1009), que a fiscalização entendeu terem sido efetuados com o aparente intuito de liquidar obrigação de valores a pagar no exterior. A esses três pagamentos foram imputados a multa qualificada de 150%, por atribuirse ao procedimento da empresa da pecha de dolo. Fl. 27504DF CARF MF Processo nº 16327.002212/200500 Acórdão n.º 9101002.761 CSRFT1 Fl. 27.505 13 15. À outra parcela da autuação, no valor de R$ 217.533.915,62, discriminada pelos pagamentos listados no Anexo ao Termo de Verificação e Constatação, imputouse a multa de oficio de 75%. 16. A autuação respaldouse no art. 304, do RIR/99, conforme transcrição: Pagamentos Sem Causa ou a Beneficiário Não Identificado "Art. 304. Não Rio dedutíveis as importâncias declaradas como pagas ou creditadas a título de comissões, bonificações, gratificações ou semelhantes, quando não indicada a operação ou a causa que deu origem ao rendimento e quando o comprovante do pagamento mulo individualizar o beneficiário do rendimento (Lei n°3.470, de 1958, art. 2º)." Discorre a PGFN que a decisão recorrida teria entendido que o ônus da prova dos pagamentos sem causa/beneficiário não identificado seria do Fisco. Por sua vez, o acórdão paradigma nº 120100.601 teria assentado que o ônus da prova seria do Contribuinte: PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. A inidoneidade das operações e a ausência de contraprova a ser apresentada pelo Recorrente permite a aplicação do disposto no artigo 674 do Regulamento do Imposto de Renda. Ocorre que o acórdão recorrido valeuse de outros fundamentos. A situação tratada nos item 1 e 2 do voto. A respeito do item 1, discorre a relatora sobre os pagamentos (efls. 17897/17898) No que se refere à parcela que incidiu sobre os pagamentos nos valores originais de R$ 10.371.628,80, R$ 10.770.537,60 e R$ 10.615.989,60, a interessada questionou a autuação baseada apenas em suspeita e também alegou duplicidade em relação à exigência de IRPJ, alegação esta afastada pela autoridade julgadora em face desta nova infração sustentarse nos lançamentos a crédito da conta Duplicatas a Receber e não no lançamento a conta de custos, sendo independentes e reais os dois efeitos. Todavia, os lançamentos a crédito da conta Duplicatas a Receber são, justamente, os lançamentos de custos de produção. Ou seja, glosados estes custos, a autoridade lançadora considerou que restaram contrapartidas redutoras de direitos de crédito da autuada sem a identificação dos beneficiários destes valores, tomando como ponto de partida para a exigência precisamente os valores dos custos glosados (R$ 10.371.628,80, R$ 10.770.537,60 e R$ 10.615.989,60, que totalizam R$ 31.758.156,00), mas reajustandoos por considerálos, nos termos do art. 61, §3° da Lei n° 8.981/95, pagamentos efetuados já líquidos do imposto de renda retido na fonte no percentual de Fl. 27505DF CARF MF Processo nº 16327.002212/200500 Acórdão n.º 9101002.761 CSRFT1 Fl. 27.506 14 35% (R$ 15.956.352,00, R$ 16.570.057,85 e R$ 16.332.291,69, que totalizam R$ 48.858.701,54). Tratase, portanto, de conclusão decorrente do fato de não terem sido admitidos os custos contabilizados em contrapartida à conta de duplicatas a receber. Assim, na medida em que tal glosa foi aqui desconstituída, admitindose que, embora anormais, tais lançamentos poderiam ter se prestado a carrear custos vinculados a operações de venda no exterior indevidamente caracterizadas como receitas de exportação, impõese concluir que também não há, nestes autos, suporte fático suficiente para presumirse pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa, e por conseqüência admitir a exigência de IRRF sobre os valores reajustados de R$ 15.956.352,00 (30/04/2000), R$ 16.570.057,85 (30/05/2000) e R$ 16.332.291,69 (30/06/2000). Na medida em que não houve um maior aprofundamento do trabalho fiscal, de forma a desvincular as operações de vendas e de registro de custos, e esta insuficiência de provas ensejou a reversão da glosa de custos, os pagamentos considerados pela Fiscalização como feitos a beneficiários não identificados ou sem causa subsistem vinculados ao registro de custos de produção, devendo ser canceladas as exigências de IRRF correspondentes, bem como mantida a exoneração da multa qualificada promovida no julgamento de 1ª instancia. (grifei) Como se pode observar, o que se coloca é que caberia à Fiscalização ter se aprofundado na investigação, vez que os elementos dos autos não seriam suficientes para fundamentar a glosa de custos de IRPJ e CSLL no valor de R$31.758.156,00. E, por consequência, não haveria suporte fático para o lançamento de IRRF. Não se fala em inversão do ônus da prova, até porque a glosa de custos não é uma presunção legal, pelo contrário, o fato imputável é aquele sobre o qual se aplica diretamente a infração tributária. Por sua vez, o item 2 trata dos pagamentos em duas etapas. Primeiro, sobre pagamentos relacionados às efls. 17902/17905 que perfazem o montante de R$182.034.918,53, e segundo sobre pagamentos cujo somatório é de R$35.498.997,09 (efl. 17906). Registrese que a soma de R$182.034.918,53 e R$35.498.997,09 é de R$217.533.915,62. Em relação aos pagamentos cujo somatório é de R$182.034.918,53, discorreu a relatora (efls. 17902 e 17905/17906): Com referência à exigência de 1RRF, como relatado, para formalizar a presente exigência, a autoridade lançadora examinou os documentos apresentados no curso do procedimento fiscal, concluindo que eles seriam insuficientes e que, em alguns casos, não havia sido apresentada qualquer documentação. Todavia, inexiste nos autos apreciação especifica dos elementos apresentados pela fiscalizada. Estão eles juntados às fls. 882/940, sem qualquer anotação acrescida pela autoridade Fl. 27506DF CARF MF Processo nº 16327.002212/200500 Acórdão n.º 9101002.761 CSRFT1 Fl. 27.507 15 lançadora, ou a lavratura de Termo que expresse o motivo de sua insuficiência. (...) Ou seja, não se duvida que os elementos tenham sido apreciados durante o procedimento fiscal até porque alguns pagamentos questionados não ensejaram exigência, possivelmente porque a documentação apresentada foi suficiente , e que haja um motivo para as conclusões da autoridade lançadora. O que se constata é que tal motivo não foi expresso como motivação do lançamento. Logo, quanto a estes pagamentos, tem razão a recorrente quanto aponta a nulidade do lançamento: não é possível classificar de insuficientes os documentos apresentados sem expressar a razão deste entendimento. Assim, como as constatações fiscais não foram expressas ao se elaborar a descrição dos fatos que deve instruir o lançamento, impõese concluir que, também aqui, não foi observado o que dispõe o art. 10, inciso II do Decreto n°70.235/72. Em conseqüência, o presente voto é no sentido de ANULAR, por vicio material, o lançamento de IRRF, na parte que incidiu sobre os pagamentos antes citados. (grifei) Já em relação aos pagamentos cujo somatório é de R$35.498.997,09, discorreu a relatora (efls. 17912/17913): Contudo, como acima relatado, os elementos apresentados pela contribuinte permitem estabelecer uma correlação mínima entre a prova apresentada e o fato a ser provado. Se havia inconsistências internas na demonstração destes valores, a decisão deveria têlas reportado, analisando individualmente cada conjunto de elementos apresentados. Em outras palavras, não se apreende qual a razão de os elementos reunidos no anexo XXIII não se prestarem como prova do pagamento de R$ 5.190.078,33 a ser analisada pela autoridade julgadora. Embora sua contabilização tenha se dado sob histórico codificado (05072480636PP0800381700000006 PP08003817 BAN), a análise de sua contrapartida contábil e eventual coincidência destas referencias numéricas com dados contidos naqueles documentos já se mostraria suficiente para correlacionálos, e assim permitir que se prosseguisse na apreciação das demais provas apresentadas. Já os demais pagamentos estão todos contabilizados sob histórico semelhante (DIVISÃO CHOCOLATE E XX/00 N SEQ.: 00012), sendo razoável também admitir que eles se refiram a operações da filial Neugebauer, a qual é conhecida no mercado por operar com aqueles produtos. E, embora a contribuinte aparentemente tenha apresentado apenas relatórios acerca destes pagamentos, não se pode olvidar que a justificativa para a não apresentação dos documentos específicos, expressa na Fl. 27507DF CARF MF Processo nº 16327.002212/200500 Acórdão n.º 9101002.761 CSRFT1 Fl. 27.508 16 defesa, não foi desqualificada pela autoridade julgadora de lª instância. Assim, sem que restasse caracterizada a negativa injustificada da contribuinte apresentação dos documentos comprobat6rios da causa e do beneficiário dos pagamentos questionados, a autoridade julgadora não poderia ter se omitido na busca das provas eventualmente existentes, argüindo a precariedade dos lançamentos contábeis sem que dos autos conste, sequer, a conta contábil utilizada como contrapartida das saídas das contas bancárias. (...) Conseqüência disto é o cerceamento ao direito de defesa da interessada, que não pode trazer a debate, nesta instância administrativa, os motivos da rejeição de seus argumentos deduzidos em impugnação. E, em tais condições, o art. 59, inciso II do Decreto n° 70.235/72 impõe a declaração de nulidade da decisão. (grifei) Como se pode observar, a autuação foi afastada não porque ocorreu a inversão de ônus da prova, mas porque não foi apreciada documentação probatória apresentada pela Contribuinte, razão pela qual consumouse a nulidade. É precisamente a transcrição da decisão: (...) relativamente ao item 2 do relatório, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para: a) ANULAR, por vicio material, o lançamento de IRPJ e CSLL sobre pagamentos sem causa; b) REJEITAR a argüição de decadência, mas ANULAR PARCIALMENTE a decisão recorrida no que tange à exigência de IRRF sobre os pagamentos de R$ 5.190:078,33, R$ 8.234.548,05, R$ 5.117.936,66, R$ 5.136.351,37, R$ 5.434.675,30 e R$ 6.385.407,38, cujo beneficiário/causa não foram identificados; e c) ANULAR PARCIALMENTE, por vicio material, o lançamento de IRRF no que tange aos demais pagamentos cujo beneficiário/causa não foram identificados; Portanto, não há que se falar em divergência, vez que não se comunicam suportes fáticos e interpretações sobre a legislação tributária conferidas pela decisão recorrida e paradigma. Passivo Fictício. Manutenção no Passivo de Obrigações Já Pagas ou Cuja Exigibilidade Não Foi Comprovada. A matéria é sobre a presunção de omissão de receitas relativa a passivo fictício, em razão de manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não foi comprovada, com valor tributável de R$8.877.000,00, de lançamento credor na conta de passivo descrita como "Banca Commerciale Italiana", no qual foi desconsiderado pela Fiscalização por entender que não teria sido comprovado o empréstimo. Fl. 27508DF CARF MF Processo nº 16327.002212/200500 Acórdão n.º 9101002.761 CSRFT1 Fl. 27.509 17 Aduz a Recorrente que a decisão recorrida fundamentouse nos seguintes termos (efl. 18008): 29. Assim, a DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL se evidencia no momento em que o v. acórdão ora recorrido admite, mesmo diante do mencionado, a comprovação do passivo fictício, verbis: "Mas, como em sua defesa a contribuinte logrou reunir provas suficientes para fragilizar o indicio de omissão de receitas, as exigências correspondentes não podem subsistir, devendo o mérito ser julgado em favor da recorrente." 30. Como se vê claramente pelo trecho acima, o contribuinte não trouxe PROVA CABAL dos seus argumentos para afastar a infração apontada, mas, meros elementos que supostamente fragilizariam o indicio de omissão de receitas. E aponta como paradigma o acórdão nº 10513593, com a ementa: PASSIVO FICTÍCIO OMISSÃO DE RECEITAS Autoriza a presunção legal de omissão de receita, equivalente ao valor do passivo não comprovado, a falta de comprovação das obrigações constantes no balanço de encerramento do exercício social da pessoa jurídica. Comprovada a efetividade do pagamento, em data posterior ao balanço considerado, devese desconsiderar o lançamento efetuado. Ora, de mera leitura do excerto transcrito do voto recorrido, percebese que não há que se falar em divergência. A relatora da decisão recorrida afirma, claramente, que a contribuinte logrou reunir provas suficientes para fragilizar o indicio de omissão de receitas. Não poderia ser mais clara a assertiva. E, diante de tal situação, no qual a presunção legal é desconstituída mediante apresentação de documentação apta e idônea, aplicase precisamente o entendimento do paradigma. A matéria é tratada no item 3 do voto. Contestou a Fiscalização lançamento de empréstimo (credor em conta de obrigação), pela operação não ter sido devidamente comprovada pela Contribuinte, razão pela qual teria se consumado a presunção de omissão de receitas por manutenção no passivo de obrigação cuja exigibilidade não foi comprovada. Contudo, a decisão recorrida aprecia com profundidade e detalhamento as provas dos autos (efls. 17914/17915 e 17921): Questionase a existência de passivo, no valor principal de R$ 8.877.000,00, apontado em lançamento contábil datado de 30/06/2000. A tradução juramentada do contrato relativo a esta divida acompanhou a impugnação, mas a autoridade julgadora entendeu que as provas apresentadas se prestavam a demonstrar a existência de uma obrigação, mas não especificamente daquela questionada, pois para tanto seriam necessários elementos que Fl. 27509DF CARF MF Processo nº 16327.002212/200500 Acórdão n.º 9101002.761 CSRFT1 Fl. 27.510 18 mostrem coincidência de valores, datas e histórico esclarecedor dos lançamentos. Entendeu que, se o valor não se encontrava isolado nas operações de empréstimo, a empresa deveria demonstrar em que valor se compunha, e os lançamentos globais de todos os valores, com pormenores, detalhes de sua origem, considerando protelatória a juntada de documentos de importação, planilhas e extratos genéricos onde não se visualiza o valor do lançamento questionado. (...) Cumpre, assim, avaliar se os documentos apresentados com a impugnação não permitem, de fato, aferir se a operação contabilizada efetivamente existiu. Nos autos, constatase: (...) Assim, diversamente do que entenderam as autoridades lançadora e julgadora de 1ª instância, acerca da incompatibilidade entre o contrato e planilha com valores e datas contabilizados, concluise, aqui, que as evidências trazidas pela contribuinte são coerentes e consistentes no sentido da existência da obrigação em debate. Não se fala em inversão do ônus da prova, mas sim, em apreciação das provas trazidas aos autos, que, conforme cognição da relatora, mostraramse suficientes para desconstituir a presunção legal, nos termos do acórdão paradigma. Portanto, tendo a decisão recorrida e paradigma externado posicionamentos convergentes, não há que se falar em divergência na interpretação da legislação tributária. Devoluções/Cancelamentos de Vendas. Discorre a recorrente que é do Contribuinte o ônus da prova de demonstrar, com documentos hábeis, a escrituração realizada. Entende, contudo, que o acórdão recorrido não reconheceu tal entendimento, externado no acórdão paradigma nº 10320397: ÔNUS DA PROVA Na relação jurídicotributária o ônus probandi incumbit ei qui dicit. Inicialmente cabe ao Fisco investigar, diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência, ou não, do fato jurídico tributário, no sentido de realizar o devido processo legal, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa. Ao sujeito passivo, entretanto, compete, igualmente, apresentar os elementos que provam o direito alegado, bem assim elidir a imputação da irregularidade apontada. Discorre a PGFN: 41. A inversão do ônus da prova com base neste dispositivo, destarte, operase, como vimos, por simples interpretação legal. Evidentemente, por tratarse de presunção juris tantum , pode o contribuinte reunir elementos suficientes que ilidam a presunção contra ele instaurada. Reunindoos, afasta a presunção de omissão de receitas que lhe fora imputada pelo Fisco, cabendo a este demonstrar a infração por outros meios de prova. Fl. 27510DF CARF MF Processo nº 16327.002212/200500 Acórdão n.º 9101002.761 CSRFT1 Fl. 27.511 19 Mais uma vez se confunde a Recorrente, ao tratar a infração como presunção legal. Basta verificar com a decisão recorrida trata a matéria, no item 5 do voto (efl. 17941): Claro está que dois procedimentos estão previstos na legislação para anulação dos efeitos de uma nota fiscal de saída: a emissão de nota fiscal de entrada por devolução, quando as mercadorias retornam ao estabelecimento emitente por não terem sido entregues ao destinatário, e o cancelamento da nota fiscal de saída, aplicável As demais hipóteses, ou seja, quando não se verifica a saída das mercadorias expressas na nota fiscal. Assim, para exigir a referida averbação, seria necessária alguma evidência de que a mercadoria chegou a entrar no estabelecimento destinatário da nota fiscal cujos efeitos se pretendeu cancelar. De outro lado, se a mercadoria não chegou a concluir este trajeto, caracterizada está a hipóteses que autoriza a emissão de nota fiscal de entrada de devolução retorno de mercadorias não entregues ao destinatário — e inviável se mostra a exigência de qualquer averbação desta devolução pelo estabelecimento destinatário. Demais disso, quando se está tratando de notas fiscais emitidas por sistemas informatizados, não se pode negar a possibilidade de que o seu cancelamento nos arquivos magnéticos encontre dificuldades operacionais. Assim, embora o cancelamento, e não a emissão de nota fiscal de entrada por devolução, seja a providência prevista para os casos nos quais a mercadoria não chega a sair do estabelecimento, é razoável admitir que um estabelecimento industrial emita notas fiscais de venda em um dia, para que a saída dos produtos ocorra no dia seguinte, constatando a inviabilidade desta saída em momento no qual já s verifiquem obstáculos operacionais ao cancelamento da nota fiscal emitida no dia anterior. Diante destas possibilidades, não se pode impor à contribuinte que prove estas ocorrências durante o processo administrativo fiscal. O contexto aventado pela recorrente acaba, em verdade, por evidenciar a superficialidade das análises durante o procedimento fiscal, que partiu da premissa de que a ausência de averbação da devolução pelo destinatário permitiria a conclusão de que as mercadorias a ele foram entregues, sem cogitar da hipótese de que estas mercadorias nem tenham chegado ao destino, ou que nem mesmo tenham saído do estabelecimento emitente. Frente à apresentação dos documentos que reputou insuficientes, a autoridade lançadora poderia ter solicitado outros esclarecimentos, e diante destes intimar a contribuinte a comprovar que, embora utilizando notas fiscais de devolução, promoveu o cancelamento das notas fiscais de saída, apresentando todas as vias do talonário destinadas à sua emissão, nas quais seria possível constatar, por exemplo, se o canhoto de recebimento das mercadorias estava presente, ou se havia qualquer anotação no documento fiscal que indicasse a sua entrada no estabelecimento destinatário. A ausência de Fl. 27511DF CARF MF Processo nº 16327.002212/200500 Acórdão n.º 9101002.761 CSRFT1 Fl. 27.512 20 averbação, nas condições aventadas pela Fiscalização, é insuficiente para descaracterizar a dedução contabilizada e afirmar que a venda efetivamente existiu. Tais argumentos também repercutem nas conclusões da autoridade lançadora relativamente as operações da autuada com o cliente Wal Mart. (...) (grifei) Não se fala em inversão de ônus da prova, mas sim que cabe à Fiscalização, para motivar devidamente a infração tributária, ato administrativo, a comprovação do alegado. Evidentemente que os registros contábeis devem estar lastreados por documentação apta e idônea e é obrigação da Contribuinte a sua disponibilização. Contudo, a análise da escrituração e documentação de suporte deve ser devidamente motivada, e não amparada em meras presunções hominis. A depender a infração tipificada, como no caso em tela, entendeu o acórdão recorrido que caberia uma maior aprofundamento na investigação, o que não ocorreu. Portanto, não há que se falar em divergência, vez que não se comunicam os suportes fáticos e interpretações sobre a legislação tributária conferidas pela decisão recorrida e paradigma. Abatimentos/Descontos Incondicionais Não Comprovados. Tratase de glosa de descontos incondicionais que não teriam sido comprovados pela Contribuinte. Pautase a Recorrente nas mesmas argumentações do tópico anterior, indicando o mesmo paradigma, aduzindo que o acórdão recorrido teria desrespeitado a inversão do ônus da prova aplicável ao ser verificar a escrituração da Contribuinte, que deveria comprovar os registros contábeis com documentação hábil e idônea. Da leitura da decisão recorrida, no item 6 do voto, verificase que em nenhum momento se entendeu que a Contribuinte estaria desobrigada a comprovar os registros de sua escrituração. O que motivou a decisão foi o fato de que a investigação fiscal amparouse em amostragem, relativamente a três filiais da Contribuinte, e estendeu a base tributável para as receitas auferidas por todas as outras filiais e matriz. Transcrevo excerto do voto (efl. 17949/17950): Neste contexto, o procedimento fiscal não poderia ser encerrado com a conclusão de que a amostragem efetuada não constitui demonstração hábil para comprovar a veracidade dos valores lançados a débito da receita bruta do período. Demais disto, se a investigação foi direcionada A avaliação, apenas, das três filiais referidas, selecionadas por amostragem pela autoridade lançadora, implicitamente foi dispensada a comprovação relativa aos demais estabelecimentos da fiscalizada. Assim, para promover a glosa total dos descontos incondicionais que não foram demonstrados durante o procedimento fiscal, a autoridade lançadora deveria ter novamente intimado a contribuinte a fazêlo, e obtido uma resposta negativa. Fl. 27512DF CARF MF Processo nº 16327.002212/200500 Acórdão n.º 9101002.761 CSRFT1 Fl. 27.513 21 Ao contrário, observase que o volume das informações poderia ser tão significativo que a própria autoridade lançadora optou por direcionar o procedimento fiscal às três filiais antes citadas, estendendo os efeitos dos alegados vícios verificados no atendimento a esta investigação parcial a todas as outras deduções que não se encontravam refletidas nos arquivos magnéticos de notas fiscais. (...) E, de fato, como antes mencionado, a própria autoridade lançadora procurou restringir tal conferência às três filiais antes citadas, instituindo um critério próprio de amostragem, como lhe faculta a discricionariedade sempre presente no procedimento investigatório. Ocorre que ao assim proceder, a autoridade lançadora somente se desincumbiria de seu ônus probatório relativamente às deduções que especificamente questionou no curso do procedimento fiscal. Em outras palavras, somente se tem por não comprovados os descontos incondicionais cuja demonstração foi objetivamente exigida, seguindose o não atendimento pela contribuinte, e a rejeição, pela autoridade fiscal, das justificativas apresentadas para aquele não atendimento. Insuficiente, portanto, o procedimento fiscal desenvolvido, para justificar a desconsideração do montante remanescente de R$ 239.336.627,53, relativo aos descontos incondicionais que reduziram a receita tributável no anocalendário 2000. (grifei) Portanto, não há que se falar em divergência, vez que não se comunicam os suportes fáticos e interpretações sobre a legislação tributária conferidas pela decisão recorrida e paradigma. Conclusão. Diante de todo o exposto, voto no sentido de não conhecer o recurso interposto pela PGFN. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Fl. 27513DF CARF MF Processo nº 16327.002212/200500 Acórdão n.º 9101002.761 CSRFT1 Fl. 27.514 22 Fl. 27514DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.726858/2011-32
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004, 01/07/2005 a 31/07/2005
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO.
Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-004.469
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PREÇO PREDETERMINADO. CORREÇÃO. IGPM. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA ESTADUAL DE GERAÇÃO E TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CEEEGT ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004, 01/07/2005 a 31/07/2005 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 68 58 /2 01 1- 32 Fl. 2122DF CARF MF Processo nº 11080.726858/201132 Acórdão n.º 9303004.469 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3803006.124, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte contra a não homologação de compensação declarada (PER/DCOMP). A compensação está lastreada em crédito oriundo de pagamento de contribuição supostamente efetuado a maior, em razão de apuração efetuada na sistemática nãocumulativa. O colegiado a quo entendeu, em síntese, que a correção dos preços pelo IGP M não descaracteriza a natureza de preço predeterminado para os efeitos da tributação pelas contribuições cumulativas, incidentes sobre contratos de longo prazo firmados antes de 31 de outubro de 2003, conforme previsão contida no inciso XI, b, do artigo 10 e inciso V do artigo 15 da Lei nº10.833/2003. Com esse entendimento, ficou caracterizado o pagamento a maior em razão da apuração da contribuição na sistemática não cumulativa. Para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional aponta decisões que enfrentaram exatamente a mesma situação mesmo setor econômico, mesmo índice em discussão e concluíram de modo antagônico. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.467, de 07/12/2016, proferido no julgamento do processo 11080.909061/201179, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.467): O recurso cumpre os requisitos regimentais para que seja apreciado; dele conheço. Começo com o registro de que concordo com quase todos os fundamentos da decisão recorrida, da lavra do douto e coerente ex Fl. 2123DF CARF MF Processo nº 11080.726858/201132 Acórdão n.º 9303004.469 CSRFT3 Fl. 4 3 membro desta casa, o dr. Belchior Melo de Souza. De fato, apenas discordo dele quando vislumbra diferença semântica relevante entre as locuções presentes na lei ("reajuste em função de ...") e no ato normativo que buscou regulamentar o assunto ("reajuste em percentual ... "). Para mim, nenhuma diferença há aí: reajuste "em função de" quer dizer exatamente "aplicando o percentual previsto no" índice. O que se tem de ver é se o índice cumpre os requisitos da lei, isto é, refletir "a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do §1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995". É que, como já reiteradamente transcrito, a norma que temos de aplicar autoriza a adoção de dois critérios alternativos e mutuamente excludentes para fixação do reajuste do preço: pode ele expressar a variação dos custos ou se basear em índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Por "variação dos custos", entendo eu, quer o ato legal se referir à variação efetivamente ocorrida e devidamente apurada pela empresa em sua escrita contábil. Já o índice que se empregue pode, em princípio, ser qualquer um objeto do acordo celebrado com o cliente, mas não pode superar a efetiva variação dos custos. A meu sentir, a norma sob análise decorre das especificidades do setor em discussão. Como é bem sabido, tratase de uma atividade essencialmente monopolizada, na qual prestador e tomador acordam condições que prevalecerão por períodos de tempo bastante longos. Nesses casos, inexistente um "mercado fixador", o preço é contratualmente definido, especificando o contrato também a forma de reajuste que o preserve dos efeitos inflacionários. Outra especificidade do setor diz com o elevado aporte de capital necessário a sua exploração, o que o fez, até há duas décadas, exclusivamente estatal. A privatização do setor, ocorrida nos idos dos anos 90 do século passado, exigia, por isso, que se garantisse (até onde possível) uma remuneração ao capital privado suficiente a estimular o seu ingresso. E na fixação desse percentual, obviamente, um fator essencial é a "margem de contribuição", no dizer dos contabilistas, ou o markup, na dos economistas: em ambos as acepções, a diferença entre o preço e o custo (unitário, na primeira; marginal, na segunda). E tal diferença, sabidamente, é influenciada pela tributação que incida sobre o setor. É por isso que o legislador, a meu ver acertadamente, previu que o reajuste do preço em percentual "compatível" com a variação efetiva dos custos, por si só, não afetaria a forma de tributação pelas contribuições PIS e COFINS que vigia quando os contratos foram assinados. A rigor, tal regra limitaria a correção dos preços à efetiva variação ocorrida nos custos, mas o legislador a ampliou ao deferir que fosse usado índice, desde que ele refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. É importante aqui considerar, como minudentemente feito no voto do dr. Belchior, a diferença entre reajuste, recomposição e repactuação. Citoo: Fl. 2124DF CARF MF Processo nº 11080.726858/201132 Acórdão n.º 9303004.469 CSRFT3 Fl. 5 4 Nesse passo, importa identificar três formas de fixação de preços nos contratos em andamento: a repactuação ou revisão, a recomposição e o reajuste. A autorizada doutrina de Marçal Justen Filho1 define o que vêm a ser recomposição e reajuste. “A recomposição é o procedimento destinado a avaliar a ocorrência de evento que afeta a equação econômico financeira do contrato e promove adequação das cláusulas contratuais aos parâmetros necessários para recompor o equilíbrio original. Já o reajuste é procedimento automático, em que a recomposição se produz sempre que ocorra a variação de certos índices, independentemente de averiguação efetiva do desequilíbrio” A recomposição, também chamada de revisão, decorre de fatos imprevisíveis: caso de força maior, caso fortuito, fato do príncipe ou álea econômica extraordinária. O reajuste objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômico. A repactuação visa à adequação dos preços contratuais aos novos preços de mercado e, no âmbito da Administração Pública Federal, encontrase regulamentada no art. 5º do Decreto nº 2.271, de 7 de julho de 19972. A possibilidade de repactuação prevista neste decreto não se faz acompanhar de disciplina acerca dos seus efeitos tributários, valendo a citação apenas para destacar a definição do signo repactuação. Novamente, em nada posso divergir dessa conceituação, mas tampouco posso concordar com a conclusão que dela extrai meu celebrado colega: para mim, a possibilidade de o contrato estabelecer cláusula de alteração em consequência de mudança tributária que venha a afetar o preço, implementada posteriormente à assinatura do contrato, está exatamente a validar o meu entendimento. É que ela seria totalmente desnecessária (ao menos no tocante às contribuições em tela) se fosse possível mantêlo no regime cumulativo pela aplicação de qualquer índice contratual, pois, nesse caso, nunca haveria impacto tributário do reajuste. Penso que, ao contrário, ela pode se dar (caso a correção pelo índice leve à tributação não cumulativa) o que atrai o procedimento de recomposição. Divirjo, portanto, dos que entendem (como parece ser a conclusão da decisão recorrida) que a autorização legal esteja a permitir que a 1 Filho, Marçal Justen. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. São Paulo: Dialética, 10. ed., 2004, p. 389. 2 Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto, que tenham por objeto a prestação de serviços executados de forma contínua poderão, desde que previsto no edital, admitir repactuação visando à adequação aos novos preços de mercado, observados o interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada. Fl. 2125DF CARF MF Processo nº 11080.726858/201132 Acórdão n.º 9303004.469 CSRFT3 Fl. 6 5 empresa adote um determinado índice e não mais precise averiguar se ele é inferior ou superior à efetiva variação dos seus custos. É óbvio que se for inferior, não estará autorizada a deixar de aplicar o índice contratualmente previsto para reajuste. Aplicamse, nesse caso, as disposições contratuais relativas à recomposição e/ou repactuação, conforme didaticamente exposto pelo dr. Belchior em seu voto. O que isso não implica, porém, é que, em qualquer caso, mantém se o regime cumulativo, pois não é isso o que diz o ato legal. Necessário, pois, provar. Quando se trata de lançamento de ofício, essa prova, a meu sentir, há de ser exigida e desconstituída fundamentadamente pela fiscalização para que possa ser mantido o lançamento. Já nos casos, como o presente, em que é a própria empresa quem postula administrativamente a sistemática cumulativa, ela deve ser a primeira peça a instruir o seu pleito. No presente caso, do relatório da decisão recorrida e da leitura da íntegra do processo, não encontro qualquer prova, no entanto, ainda que a empresa tenha afirmado em seu recurso voluntário que: "(...) em nenhum momento foram aferidos os custos de produção do contribuinte no período fiscalizado. Nesse caso, mesmo considerando que o IGPM desfigura o conceito normativo de preço predeterminado, não poderia ter sido ignorada outra prerrogativa legal, a qual estabelece um percentual não superior ao acréscimo do custo de produção". Como já repetidamente afirmado, tal prova competia a ela, postulante, e não à fiscalização. Fora isso, a defesa da empresa lastreiase essencialmente no ato da ANEEL, que efetivamente afirma que o IGPM cumpre o requisito legal relativo à tributação aqui discutida. Isso não obstante, rejeito o argumento, pois a competência da ANEEL não alcança matéria tributária. Com efeito, entre as atribuições daquela agência reguladora, exaustivamente elencadas na própria lei que a criou3, nada há acerca da tributação incidente sobre o setor. Assim, as Notas Técnicas e as Resoluções daquela agência reguladora aplicamse às questões inerentes à geração e à distribuição de energia elétrica e às atividades correlatas. Sua competência, pois, restringese à seara dos contratos, dos preços da energia e da remuneração das concessionárias e permissionárias desses serviços públicos. Por óbvio, entre tais atribuições está dizer que possa ser contratualmente previsto o IGPM. O que não pode é dizer que isso implica tal ou qual consequência tributária. No presente caso, como já afirmado, embora postule a compensação, nada trouxe a empresa que comprovasse a adequação do índice aos ditames legais. Voto, pois, por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. 3 Lei 9.427/96, arts. 3º e 4º Fl. 2126DF CARF MF Processo nº 11080.726858/201132 Acórdão n.º 9303004.469 CSRFT3 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 2127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12709.000770/2008-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 05/09/2008
NULIDADE. INEXISTÊNCIA
Demonstrada a descrição explícita no auto de infração quanto à motivação do lançamento e a base legal que dá suporte à autuação, torna-se incabível a nulidade arguida.
Restando constatada a motivação da decisão de piso quanto às teses suscitadas, não se vislumbra qualquer mácula na referida decisão, que enseje a declaração de nulidade..
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE PEDIDO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DEFINITIVIDADE DA EXIGÊNCIA.
A opção pela via judicial quanto à incidência de alíquota zero sobre operações de importação alusivas a arrendamento mercantil de máquinas para uso na empresa arrendatária, importa renúncia à instância administrativa, tornando definitiva, nesta esfera, a discussão da matéria sub judice.
MATÉRIA DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE . MATÉRIA SUMULADA NO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3302-003.651
Decisão: Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, não conhecer o recurso voluntário, em razão da renúncia à esfera administrativa, tornando-se definitivo o crédito tributário.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente Substituto.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Hélcio Lafetá Reis e Lenisa Prado.
Ausente justificadamente o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 05/09/2008 NULIDADE. INEXISTÊNCIA Demonstrada a descrição explícita no auto de infração quanto à motivação do lançamento e a base legal que dá suporte à autuação, torna-se incabível a nulidade arguida. Restando constatada a motivação da decisão de piso quanto às teses suscitadas, não se vislumbra qualquer mácula na referida decisão, que enseje a declaração de nulidade.. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE PEDIDO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DEFINITIVIDADE DA EXIGÊNCIA. A opção pela via judicial quanto à incidência de alíquota zero sobre operações de importação alusivas a arrendamento mercantil de máquinas para uso na empresa arrendatária, importa renúncia à instância administrativa, tornando definitiva, nesta esfera, a discussão da matéria sub judice. MATÉRIA DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE . MATÉRIA SUMULADA NO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, não conhecer o recurso voluntário, em razão da renúncia à esfera administrativa, tornando-se definitivo o crédito tributário. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède - Presidente Substituto. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Hélcio Lafetá Reis e Lenisa Prado. Ausente justificadamente o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1595; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 208 1 207 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12709.000770/200820 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.651 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de fevereiro de 2017 Matéria PIS.COFINSIMPORTAÇÃO Recorrente CLINICA HOSPIT DE IMAGEM S JOSE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 05/09/2008 NULIDADE. INEXISTÊNCIA Demonstrada a descrição explícita no auto de infração quanto à motivação do lançamento e a base legal que dá suporte à autuação, tornase incabível a nulidade arguida. Restando constatada a motivação da decisão de piso quanto às teses suscitadas, não se vislumbra qualquer mácula na referida decisão, que enseje a declaração de nulidade.. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE PEDIDO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DEFINITIVIDADE DA EXIGÊNCIA. A opção pela via judicial quanto à incidência de alíquota zero sobre operações de importação alusivas a arrendamento mercantil de máquinas para uso na empresa arrendatária, importa renúncia à instância administrativa, tornando definitiva, nesta esfera, a discussão da matéria sub judice. MATÉRIA DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE . MATÉRIA SUMULADA NO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 70 9. 00 07 70 /2 00 8- 20 Fl. 208DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, não conhecer o recurso voluntário, em razão da renúncia à esfera administrativa, tornandose definitivo o crédito tributário. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente Substituto. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Hélcio Lafetá Reis e Lenisa Prado. Ausente justificadamente o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Trata o presente processo de dois autos de infração de folhas 01 15, em que se procede à cobrança das contribuições sociais Cofins e Pis/Pasep incidentes na importação. Alega a fiscalização que o importador efetuou o recolhimento das contribuições sociais sem a inclusão na base de cálculo do valor do ICMS e das próprias contribuições, tendo por amparo liminar em mandado de segurança.(grifei). Informa a fiscalização que o crédito tributário se encontra suspenso por força de medida liminar concedida nos autos do processo n° 2008.70.00.0163170.(grifei). Intimada a empresa autuada (fl. 46), ingressou a mesma com a impugnação de fls. 4979. Seguem as alegações da empresa. Alega a nulidade do auto de infração em decorrência da proibição de instauração de procedimento fiscal em casos de suspensão da exigibilidade de tributos por força de decisão judicial, conforme artigo 62 do Decreto n° 70.235/1972. Solicita nulidade da autuação Solicita nulidade por imprecisa descrição dos fatos, conforme artigo 10, III, do Decreto n° 70.235/1972. Solicita nulidade do auto de infração por litispendência com processo judicial. Solicita sobrestamento do feito até decisão judicial final. É necessária a apreciação da defesa sob pena de cerceamento de defesa. Afirma não recusar à via administrativa. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 12709.000770/200820 Acórdão n.º 3302003.651 S3C3T2 Fl. 209 3 O artigo 8°, § 14, da Lei n° 10.865/2004 reduziu a zero a alíquota referente a aluguéis ou contraprestações de arrendamento mercantil de máquinas e equipamentos. Operações de arrendamento mercantil no mercado interno não são tributadas. Alega a inconstitucionalidade da cobrança uma vez que instituição dos tributos deveria ser por lei complementar. Novamente, argüi inconstitucionalidade pelo fato de ser a mesma alíquota dos tributos para os contribuintes sujeitos ao regime da cumulatividade e o da nãocumulatividade.Eventual inconstitucionalidade do artigo 7° não permite que se corrija a base de cálculo. Alega a inconstitucionalidade dos acréscimos à base de cálculo ICMS e valor das próprias contribuições. Solicita a nulidade da autuação. Subsidiariamente solicita o sobrestamento do processo. No mérito, solicita a improcedência da autuação fiscal e a inexigibilidade das contribuições sobre operações de arrendamento mercantil. À folha 142, encaminhouse o processo para julgamento e informouse tempestividade da impugnação.(grifei). É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 05/09/2008 PROCESSO JUDICIAL. IGUALDADE DE OBJETO Importa em renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo contribuinte, a qualquer tempo, de qualquer modalidade de ação judicial contra a Fazenda Nacional com o mesmo objeto do processo administrativo. Lançamento Procedente Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após ciência em 30/06/2009, conforme AR de fl. 164, apresenta em 28/07/2009, fl. 164/204, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, onde repisa os argumentos já apresentados em sede impugnatória, acrescentado ainda: Que é nula a decisão, já que o acórdão recorrido, desconsiderando todas as provas e argumentos da Recorrente, que comprovam que o desembaraço aduaneiro se deu sob o amparo de autorização judicial, deixou de analisar a impugnação apresentada em todos os seus termos, ocasionando grave prejuízo; Fl. 210DF CARF MF 4 Que não há renúncia à esfera administrativa, já que o Fisco lavrou o auto de infração e intimou a ora RECORRENTE para apresentação de defesa, sendo assim, é indispensável a apreciação da peça impugnatória em todos os seus termos, sob pena de "negativa de vigência ao art. 151, inciso III do CTN e ao artigo 5°, inciso LV da CF/88 (...) enquanto não julgada a defesa não é exigível o crédito (TFP —AC 31.084/SP)", e conseqüente nulidade da decisão, conforme entendimento deste Colendo Conselho. (...); Destaca ainda que a alegação constante na d. decisão de que foi afastada a instância administrativa, não merece prosperar, pois as nulidades do auto de infração apontadas na Impugnação bem como neste recurso não constam do processo judicial; Tampouco há que se falar em decisão definitiva na via administrativa já que inaplicável o Ato Declaratório Normativo Cosit nº 03/1996 por não se tratar de renúncia à via administrativa, uma vez que o Fisco lavrou o Auto de Infração, pelo contrário, há necessidade de apreciação das razões de Recurso, ora apresentadas, sob pena de ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório, causando prejuízos ainda maiores, como por exemplo, a imediata execução do crédito tributário constituído, cuja exigibilidade já foi declarada inexigível pela Sentença, e aguarda o trânsito em julgado da decisão; Em que pese a existência de medida judicial em trâmite, a análise dessas razões recursais em todos os seus termos é medida que se impõe. Ao final requer: a. que as preliminares argüidas pela RECORRENTE sejam acatadas e julgadas TOTALMENTE PROCEDENTES, reformando assim a decisão recorrida, e anulando, por consequência, o AUTO DE INFRAÇÃO; b. em sendo mantido o auto de infração, o que não se espera considerando as evidentes nulidades, requer seja sobrestado o processo administrativo até o trânsito em julgado da decisão judicial; c. no entanto, caso este Colendo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais entenda pela impossibilidade de sobrestar o processo administrativo em tela, que sejam apreciadas as razões recursais, sob pena d direito de cerceamento de defesa, devendo, ser totalmente reformado o v Acórdão recorrido, para ao final ser reconhecida a inexigibilidade do PIS/COFINS Importação sobre a operação de arrendamento mercantil em tela, por todas as irregularidades, inconstitucionalidades e ilegalidades demonstradas ao longo deste processo administrativo; É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade Fl. 211DF CARF MF Processo nº 12709.000770/200820 Acórdão n.º 3302003.651 S3C3T2 Fl. 210 5 O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Conforme relatado, a matéria nuclear do processo que ora se examina está sendo discutida judicialmente, visto que a Recorrente através de ação em Mandado de Segurança obteve a concessão da segurança determinando a inexigibilidade do PIS/COFINS Importação, no arrendamento mercantil internacional dos equipamentos médicos descritos na respectiva declaração de importação. Argui o Recorrente algumas preliminares, tais como: 1) nulidade do auto de infração: i) por inexistência de infração que justifique a expedição do auto, logo há carência de objeto; ii) por desrespeito a expressa determinação legal, já que é explícita a proibição de instauração de procedimento fiscal em casos de suspensão da exigibilidade de tributos por força de decisão judicial, conforme consta no Decreto 70.235/72, em seu artigo 62; iii) por imprecisa descrição dos fatos, art. 10, inciso III, do Decreto 70.235/72, ensejando cerceamento de defesa; iv) por ausência de indicação especifica do dispositivo infringido, art. 10, inciso IV, do Decreto 70.235/72, ensejando também cerceamento de defesa; v) por litispendência/concomitância do processo administrativo com o processo judicial. 2) nulidade da decisão de piso por omissão nas razões decisórias quanto aos fatos alegados na impugnação; 3) Inconstitucionalidade da Lei n.° 10.865, de 2004; 4) Sobrestamento do processo até decisão judicial final. Analisarseá a seguir as preliminares acima destacadas em função da matéria e não propriamente pela sequência arguida. DA INEXISTÊNCIA DE NULIDADE Do atendimento à norma legal Esclarecem os Autos de Infração de fls.04/16 que tratam da exigência das Contribuições Sociais da Cofins e Pis/Pasep incidentes na importação: Nos despachos de importação correspondentes às DI's no: 08/13942165 Houve insuficiência no recolhimento das contribuições, descumprindose a priori a base de cálculo da Lei no 10.865/2004, art. 7o: A base de cálculo será: I o valor aduaneiro, assim entendido, para os efeitos desta Lei, o valor que servir ou que serviria de base para o cálculo do imposto de importação, acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação. Com efeito, a base de cálculo considerada e declarada pelo importador não incluiu o ICMS da operação ; o valor das próprias contribuições, tendo por amparo provimento liminar em demanda judicial que consideraria os acréscimos inconstitucionais. Fl. 212DF CARF MF 6 Assim, Para prevenir a decadência de crédito suspenso, por força de liminar, nos autos do MS no 2008.70.00.016310 / PR, e nos termos do que dispõe o art. 151 do CTN, fica constituído o lançamento a seguir:(grifei). Verificase da Sentença de fls.151/152: A importação de bens por meio de contrato de arrendamento mercantil não se subsume à hipótese do art. 3°, inciso I, da norma acima transcrita, uma vez que não pode ser caracterizada como entrada definitiva de bens. Com efeito, a própria natureza do contrato em comento implica a possibilidade contratual de devolução do bem ao seu proprietário no exterior, de forma que a internalização de bens nessas circunstâncias revestese do caráter de precariedade. Dessa forma, a incidência das exações questionadas nesses autos encontraria assento no inciso II do art. 3° da Lei n° 10.865/2004. No entanto, o § 14 do art. 8° da mesma norma prevê a incidência de alíquota zero sobre "o valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido à pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, referente a aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves utilizados na atividade da empresa". Os documentos acostados às fls. 62/87 dão conta de que, de fato, o equipamento é objeto de contrato de arrendamento mercantil (fls. 60/77) e o contrato social da impetrante (fl. 53) demonstra que dito equipamento será utilizado nas atividades desenvolvidas pela empresa. Dessa forma, entendo que a hipótese dos autos subsumese à regra isentiva estatuída na lei, de forma que a cobrança das exações em questão somente serão devidas no caso de internalização definitiva, ou seja, ao final do contrato de arrendamento. Por outro lado, o periculum in mora mostrase presente em função da fragilidade do equipamento objeto de importação, que necessitaria de armazenamento especial que não é oferecido nos depósitos aduaneiros. 3. Ante o exposto, defiro a liminar pleiteada para o fim de determinar ao impetrado que abstenha de exigir da impetrante as contribuições para o PIS e COFINS relativas à importação menciona na inicial, devendo concluir o desembaraço aduaneiro sem o respectivo recolhimento, mediante lavratura p Secretaria desta Vara de termo de fiel depositário do bem, a ser assinado pelo representante legal/ impetrante."(grifei). Mantenho o entendimento supra como fundamento para a concessão da segurança. 3. DISPOSITIVO Ante o exposto, ratifico o teor da liminar e concedo a segurança, para o fim de determinar ao impetrado que se abstenha de exigir da impetrante as contribuições para o PIS e COFINS relativas à importação mencionada na inicial, mantendo os efeitos do termo de caução firmado pela parte impetrai4e até o trânsito em julgado desta sentença. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 12709.000770/200820 Acórdão n.º 3302003.651 S3C3T2 Fl. 211 7 Pelo teor da sentença nos autos do Mandado de Segurança n.º 2008.70.00.016310/PR, podese inferir que toda a matéria fática, juridicamente interpretada pela fiscalização, que culminou com a formalização do lançamento para a cobrança da Cofins importação e Pis/Pasepimportação, foi submetida ao crivo do Poder Judiciário, cujo objeto da referida ação (incidência de alíquota zero sobre operações de importação alusivas a arrendamento mercantil de máquinas para uso na empresa arrendatária, bem como a inconstitucionalidade da Lei n.° 10.865, de 2004 nos aspectos aduzidos na petição inicial é o mesmo do qual se insurge o contribuinte, na via administrativa, desde a peça inaugural do litígio que é a impugnação, bem como na peça recursal. Com efeito, dispõe o art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, vigente à época dos fatos: Débitos com Exigibilidade Suspensa Art.63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. (grifei) (...). Vêse portanto que os Autos de Infração de fls.04/16 foram formalizados em consonância com as disposições legais acima transcritas, logo estando demonstrado pela fiscalização a tipicidade no caso em análise, por força da vinculação de seus atos, em observância ao princípio da estrita legalidade, efetuou o lançamento das referidas contribuições, para prevenir a decadência, ex vi do parágrafo único do art. 142 do CTN, não merecendo assim, reparos o feito fiscal. Da descrição dos fatos Não prospera a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente quanto a ausência de norma legal que tipifique a conduta infracional bem como a ausência de motivação, haja vista a indicação expressa, na peça exordial, conforme Autos de Infração de fls.04/16 e Descrição dos Fatos, fls. 06 e 12 referentes ao Pis/PasepImportação e Cofins Importação, do enquadramento legal específico da exação, nele incluída a disposição legal que tipifica a infração, acompanhada de explícita descrição dos fatos que ensejaram a exigência do crédito tributário ora em lide, ex vi dos incisos III e IV do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 e artigos 2º e 50, § 1º, da Lei nº 9.784, de 1999. Ressaltese que a ciência do contribuinte, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, constitui pressuposto de validade do auto de infração, sem a qual não se estabelece a relação processual. No presente caso o impugnante foi regularmente cientificado, via postal, conforme Aviso de Recebimento (AR) à fl. 48, o que lhe oportunizou o exercício do Fl. 214DF CARF MF 8 contraditório e da ampla defesa, princípios constitucionais, corolários do devido processo legal, que possibilitam ao interessado arguir suas razões de defesa bem como lhe facultam a contraprova, por todos os meios de prova admitidos em direito, ex vi do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, comparecendo aos autos com alentada peça de defesa, que demonstra que a autuada apreendeu perfeitamente a situação fática emoldurada no auto de infração, tanto que além de impugnar de forma precisa vários aspectos que entendeu cabíveis, demonstrou perfeito conhecimento da legislação aplicável aos fatos, trazendo inclusive argumentos subsidiários aos argumentos principais esposados na peça de defesa. Rejeitase portanto a preliminar de cerceamento do direito de defesa quanto a matéria acima analisada. Da litispendência/concomitância do processo administrativo com o processo judicial O instituto da litispendência, quando se reproduz ação idêntica a outra que já está em curso, segundo o artigo 337, § 1º do Código de Processo Civil CPC não se aplica ao caso, haja vista que se tratam de processos submetitos a distintas vias, administrativa e judicial, logo submetidos a órgãos julgadores igualmente distintos. Inferese de todo o exposto que a peça vestibular do presente feito revestese de todas as garantias processuais para a constituição do crédito tributário, uma vez que foram atendidas todas as solenidades exigidas na norma instrumental, Decreto nº 70.235, de 1972, nos termos dos arts. 9º c/c art. 10, em face do descumprimento de dispositivos expressos na legislação substancial, como já ressaltado, estando portanto o lançamento constituído de acordo com o 1art. 142 do CTN, não havendo quaisquer dos vícios que poderiam retirarlhe a validade. Da inexistência de omissão na decisão de piso À época da decisão da instância a quo vigia o Ato Declaratório Normativo (ADN) Cosit n° 03/1996, in verbis: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso da atribuição que lhe confere o art. 147, item III, do regimento interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda n° 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o Parecer COSIT n° 27/96. DECLARA, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto ; b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento 1 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 12709.000770/200820 Acórdão n.º 3302003.651 S3C3T2 Fl. 212 9 normal no que se relaciona à matéria diferenciada (p.ex., aspectos formais do lançamento, base de cálculo etc.);(grifei). c) no caso da letra "a", a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida,se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. 149 do CIN; d) na hipótese da alínea anterior, não se verificando a ressalva ali contida, procederseá a inscrição em dívida ativa, deixando se de fazêlo, para aguardar o pronunciamento judicial, somente quando demonstrada a ocorrência do disposto nos incisos II (depósito do montante integral do débito) ou IV (concessão de medida liminar em mandado de segurança),do art.151, do CTN; e) é irrelevante, na espécie, que o processo tenha sido extinto, no Judiciário, sem julgamento do mérito (art.267 do CPC). Vejase então como fundamentou a decisão de piso as questões suscitadas: O objeto do presente é o auto de infração de exigência de Pis/Pasep Cofins incidentes na importação de produto estrangeiro. Como informado pelas partes e constatado à folha 39, a ação judicial de mandado de segurança tem o mesmo objeto do presente auto de infração, uma vez que exigência das contribuições sociais já está sendo discutida no Judiciário. (...) Logo, foi afastada da instância administrativa a questão da constitucionalidade e legalidade das citadas contribuições sociais uma vez que já é a mesma discutida na última instância: a judicial. Não há sentido em se analisar uma questão que já foi posta à apreciação do Poder Judiciário, que é quem cabe a última palavra em análise de conflitos. Os argumentos acerca da procedência ou não da exigência são objeto de discussão judicial e, portanto, não podem ser discutidos na instância administrativa. (grifos do original); Não há nenhuma previsão legal para "lançamento judicial", nem legislação no sentido de que a discussão judicial substitui o lançamento ou interrompa a decadência. Pelo contrário, ocorreram muitos casos em que, quando a decisão judicial transitou em julgado a favor da Fazenda Nacional, o crédito tributário já estava decaído por falta de lançamento (ato administrativo privativo do Auditor Fiscal), daí a orientação interna da SRF no sentido de que a autoridade fiscal sempre efetue o lançamento preventivo da decadência quando o Fl. 216DF CARF MF 10 contribuinte toma a iniciativa de discutir o crédito tributário na Justiça. Nenhuma violação à lei, ou ao Poder Judiciário ocorreu no caso porque, como já vimos, a constituição do crédito tributário pelo lançamento, isoladamente, não é definitiva. Além disso, vários dos argumentos da impugnante pressupõem declaração de inconstitucionalidade de Lei. Em sede de julgamento administrativo fiscal não se pode afastar a aplicação da lei e mesmo da legislação em geral por motivos de ilegalidade e inconstitucionalidade. Esse entendimento está há muito tempo consagrado no âmbito de tribunais administrativos, conforme ementas transcritas a seguir: (...) Apesar do termo litispendência ser impróprio por não haver dois processos judiciais, e sim um processo judicial e outro administrativo, aplicase justamente o ADN Cosit n° 03/1996 a fim de se evitar decisões conflitante entre a Administração e Judiciário. Alega a empresa que a invalidade do auto de infração uma vez que o crédito tributário se encontra suspenso e ainda porque o tributo está devidamente recolhido. Alega também que, uma vez que as quantias estão sub judice, não é viável a sua cobrança administrativa. (grifei). Acerca de tal argumento, devese lembrar que o presente processo é mera constituição do crédito tributário com a finalidade de se prevenir a decadência e não uma exigência do valor em questão.(grifos do original). Quanto à possibilidade e a necessidade de formalização da exigência pelo lançamento nos casos em que o crédito tributário está sendo discutido em juízo ou até mesmo suspenso, existe pacificada jurisprudência no STJ. Transcrevemse trechos de um dos numerosos acórdãos a respeito, in verbis: (grifei) (...) A fiscalização na unidade de origem apenas procedeu ao lançamento para prevenção da decadência. Não houve exigência dos tributos, sendo que a unidade de origem observa à folha 02 que o crédito tributário está com a exigibilidade suspensa por força de liminar em mandado de segurança. Logo, improcede o argumento de invalidade do ato administrativo do lançamento para prevenção de decadência. Os fatos estão bem descritos. A fiscalização informa que os créditos tributários lançados para prevenção da decadência se referem à DI n° 08/13942165, sendo que a questão do processo é a exclusão de parcelas da base de cálculo das contribuições sociais procedida pela impugnante. Informa a fiscalização que a matéria é objeto de processo judicial.(grifei). Fl. 217DF CARF MF Processo nº 12709.000770/200820 Acórdão n.º 3302003.651 S3C3T2 Fl. 213 11 Não há ofensa ao artigo 10 do Decreto n° 70.235/1972. Não há previsão de sobrestamento do processo administrativo em razão de propositura de ação judicial. Pelo contrário, o que há é a ordem de encerramento do feito em caso de concordância de objetos entre o processo administrativo e o judicial. A empresa alega que não há renúncia do processo administrativo. A própria premissa da alegação ilógica. Se há uma decisão judicial acerca da mesma matéria, não há sentido em haver julgamento administrativo da mesma questão, uma vez que já haveria pronunciamento do direito aplicável por quem detém o poder de dirimir conflito entre as partes: o Poder Judiciário. Por todo o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER a impugnação no tocante à exigência dos tributos e declarar definitiva, na esfera administrativa, a exigência fiscal das contribuições sociais Pis/Pasep e Cofins incidentes na importação, em virtude de ser objeto de processo judicial, nos termos do ADN Cosit n° 03, de 14 de fevereiro de 1996. (grifo do original). No tocante às preliminares relativas à nulidade do lançamento e à impossibilidade de constituição do crédito tributário, considero PROCEDENTES os lançamentos. (grifo do original). Pelos motivos expostos neste voto, não se deve conhecer a impugnação quanto à matéria discutida no âmbito do Poder Judiciário cuja decisão acerca da exigibilidade do crédito tributário será integralmente cumprida e não acatar as preliminares argüidas. Constatase dos excertos acima transcritos, que não há reparos na decisão de piso, que em observância ao Ato Declaratório Normativo (ADN) Cosit n° 03, de 1996, notadamente a alíena "b", ao identificar a matéria objeto da ação judicial, destacou fundamentadamente a concomitância e a consequente renúncia às instâncias administrativas quanto à parte meritória, bem como analisou expressamente todas as preliminares suscitadas na impugnação. Ante as considerações acima não se vislumbra qualquer mácula na referida decisão, que enseje a declaração de nulidade, visto que além da observância da norma processual específica, Decreto nº 70.235, de 1972, as normas emanadas dos princípios constitucionais invocados foram plenamente asseguradas, de modo que rejeito a preliminar de nulidade suscitada pela ora Recorrente em seu Recurso Voluntário. Ademais, cabe ressaltar que as hipóteses de nulidade estão prescritas no 2art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não se vislumbrando qualquer vício, seja nos autos de 2 Art. 59. São nulos: I–os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II–os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 218DF CARF MF 12 infração vergastados ou decisão recorrida que possam ensejar a declaração de nulidade em razão da linha defendida pela Recorrente. DA ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE Quanto às arguições de inconstitucionalidade da Lei n.° 10.865, de 2004: i) a instituição dos tributos deveria ser por lei complementar; ii) pelo fato de ser a mesma alíquota dos tributos para os contribuintes sujeitos ao regime da cumulatividade e o da não cumulatividade. Eventual inconstitucionalidade do artigo 7° não permite que se corrija a base de cálculo; iii) inconstitucionalidade dos acréscimos à base de cálculo ICMS e valor das próprias contribuições, matéria em essência de natureza constitucional, de competência decisória exclusiva do Poder Judiciário, cabe ressaltar que o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, à exceção do disposto em seu § 6º, vedou expressamente aos órgãos de julgamento, no âmbito do processo administrativo fiscal, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, in verbis: Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6.º. O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I–que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II–que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n.º 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Todo o parágrafo 6.o incluído pelo art. 25 da Lei nº 11.941, de 2009). Na esteira das referidas disposições legais o Regimento Interno deste E. Conselho prevê em seu artigo 362 que é vedado aos membros das turmas de julgamento do 3 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº Fl. 219DF CARF MF Processo nº 12709.000770/200820 Acórdão n.º 3302003.651 S3C3T2 Fl. 214 13 CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, exceto nas hipóteses previstas no § 1º do mencionado dispositivo regimental. Não se enquadrando o caso em exame em qualquer das hipóteses excepcionadas, aplicase como fundamento decisório sobre essa matéria a Súmula CARF nº 2. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Notese que as matérias de arguição de inconstitucionalidade que também estão sob a tutela judicial, ainda que não estivessem, não poderiam ser objeto de apreciação na via administrativa, conforme acima demonstrado. DO SOBRESTAMENTO De relevo assinalar que a tramitação do processo administrativo fiscal nas instâncias que formam o contencioso administrativo federal está disciplinada nas normas de regência, seja na principal norma que trata do Processo Administrativo Fiscal – PAF, que no âmbito federal é o Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, com alterações posteriores e normas complementares, seja na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que estabelece normas gerais sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal, conforme estabelece seu artigo 694, de aplicação subsidiária ao Decreto nº 70.235, de 1972 e no caso que ora se examina, em segunda instância administrativa, também às normas do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 e respectivas alterações posteriores, no entanto nas citadas normas não há previsão para o sobrestamento arguido, de forma que se indefere o sobrestamento tal como formulado, visto que não há previsão na legislação, outrossim, há expressa previsão na alínea "e" da conclusão do Parecer Normativo Cosit/RFB nº 07, de 22 de agosto de 2014, quanto ao prosseguimento normal do processo. DOS EFEITOS DA CONCOMITÂNCIA ENTRE AS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL Estando demonstrado acima que no caso em exame há concomitância de pedidos nas duas instâncias administrativa e judicial, discorrese a seguir sobre os efeitos e consequências no presente processo administrativo da cobrança do crédito tributário formalizado. Ressaltese que, pela sistemática constitucional temse que o princípio da unicidade de jurisdição, previsto no artigo 5º, XXXV, da Constituição Federal de 1988, confere 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) 4 Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. Fl. 220DF CARF MF 14 exclusividade ao Poder Judiciário para a prestação jurisdicional (“a lei não excluirá da apreciação do poder judiciário lesão ou ameaça a direito”), estabelecendo, deste modo, uma importante regra limitadora do processo administrativo, qual seja a de que as decisões administrativas não são definitivas e seu cumprimento depende de sua não invalidação por algum provimento judicial. Com efeito, a matéria objeto do processo administrativo pode, a qualquer tempo (antes, durante ou depois do processo administrativo), ser levada à apreciação do Poder Judiciário. Assim, em consequência da regra contida no art. 5o, XXXV, referenciado, o ato administrativo está sujeito ao controle do Poder Judiciário, por ser este último, em relação ao primeiro, instância superior e autônoma. Superior porque pode rever, para cassar ou anular, o ato administrativo; autônoma, porque a parte não está obrigada a percorrer, antes, as instâncias administrativas, para ingressar em juízo. Assim, do ponto de vista jurídico, a propositura pelo contribuinte, de ação judicial, amparado pela garantia constitucional da inafastabilidade do controle judicial, contra a Fazenda, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, em face da concomitância dos pedidos. Essa questão está disciplinada nos seguintes dispositivos normativos: art. 62, parágrafo único, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972; art. 1º, § 2º, do Decretolei nº 1.737/79; art. 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830, de 20 de setembro de 1980 e art. 87 do Decreto nº 7574, de 29 de setembro de 2011. Cabe destacar que atualmente a matéria está normatizada pelo Parecer Normativo Cosit/RFB nº 07, de 22 de agosto de 2014, in litteris: Conclusão 21. Por todo o exposto, concluise que: a) a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública, em qualquer momento, com o mesmo objeto (mesma causa de pedir e mesmo pedido) ou objeto maior, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, exceto quando a adoção da via judicial tenha por escopo a correção de procedimentos adjetivos ou processuais da Administração Tributária, tais como questões sobre rito, prazo e competência; (grifei) b) por conseguinte, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que concerne à matéria distinta; (grifei) c) a renúncia às instâncias administrativas abrange os processos de constituição de crédito tributário, de reconhecimento de direito creditório do contribuinte (restituição, ressarcimento e compensação), de aplicação de pena de perdimento e qualquer outro processo que envolva a aplicação da legislação tributária ou aduaneira; Fl. 221DF CARF MF Processo nº 12709.000770/200820 Acórdão n.º 3302003.651 S3C3T2 Fl. 215 15 d) a decisão judicial transitada em julgado, seja esta anterior ou posterior ao término do contencioso administrativo, prevalece sobre a decisão administrativa, mesmo quando aquela tenha sido desfavorável ao contribuinte e esta lhe tenha sido favorável; e) a renúncia às instâncias administrativas não impede que a Fazenda Pública dê prosseguimento normal aos seus procedimentos, a despeito do ingresso do sujeito passivo em juízo; proferirá, assim, decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, e deixará de apreciar suas razões e de conhecer de eventual petição por ele apresentada, encaminhando o processo para a inscrição em DAU do débito, quando existente, salvo a ocorrência de hipótese que suspenda a exigibilidade do crédito tributário, nos termos dos incisos II, IV e V do art. 151 do CTN; (grifei) f) o mesmo raciocínio se aplica, no que couber, aos processos administrativos em que não se discuta a exigibilidade do crédito tributário lançado de ofício, mas envolvam quaisquer outras matérias de interesse do sujeito passivo, que ele opte por submeter ao exame do Poder Judiciário (nestes casos, de igual modo, o curso do processo administrativo não será suspenso, ressalvada decisão judicial incidental determinando sua suspensão); g) a competência para declarar a concomitância de instâncias e seus efeitos é da autoridade competente para decidir sobre a matéria na fase processual em que se encontra o processo administrativo, qualquer que seja o rito a que esteja submetido; h) se, no ato da impugnação do lançamento, da manifestação de inconformidade ou da interposição de qualquer espécie de recurso, o interessado não informar que a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, em desobediência ao disposto no inciso V do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, e ficar constatada a concomitância total ou parcial com processo judicial, deverá o Delegado ou o InspetorChefe da RFB negar o seguimento da impugnação ou da manifestação quanto ao objeto coincidente; i) é irrelevante, na espécie, que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é definitiva, insuscetível de retratação; j) a definitividade da renúncia às instâncias administrativas independe de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação; (grifei) Assim, verificase dos atos acima citados que os efeitos da concomitância entre as instâncias administrativa e judicial, quando a pretensão na ação judicial tenha objeto idêntico ao do recurso administrativo, são a definitividade do crédito tributário, através de decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, pela autoridade competente para decidir a matéria na fase processual em que se Fl. 222DF CARF MF 16 encontra o processo e a impossibilidade de se conhecer de eventual recurso apresentado, prosseguindo o processo administrativo, (exceto na hipótese de mandado de segurança ou medida liminar, específico), até a inscrição da Dívida Ativa da União, pois mesmo quando haja medida judicial que suspenda ou impeça essa cobrança, a suspensão é quanto aos atos executórios e não da emissão do título executório. Conforme fundamentos acima discorridos, constatada a identidade de pedidos, a opção pela via judicial, importa em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de recurso formulado. No caso dos autos, no que se refere à matéria objeto de demanda judicial, (incidência de alíquota zero sobre operações de importação alusivas a arrendamento mercantil de máquinas para uso na empresa arrendatária) tornouse definitivo e insuscetível de discussão na esfera administrativa. Porém a renúncia em tela não tem o condão de tornar nulo o ato, tampouco suspender o curso do processo administrativo, podendo tão somente sobrestá lo quanto aos atos executórios até pronunciamento final da justiça. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) já sumulou a questão, nos seguintes termos: "SÚMULA CARF Nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". Ante o exposto, VOTO POR CONHECER PARCIALMENTE O RECURSO VOLUNTÁRIO: I) NA PARTE CONHECIDA rejeitar as preliminares suscitadas na peça recursal; II) NA PARTE NÃO CONHECIDA, DECLARAR DEFINITIVO na esfera administrativa o crédito tributário formalizado referente às Contribuições Sociais da Cofins e Pis/Pasep incidentes na importação, cuja análise meritória está submetida ao crivo do Poder Judiciário. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 223DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.900013/2012-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/10/2002
BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE.
A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, inclui-se na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.554
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente BEBIDAS NOVA GERAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/10/2002 BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, incluise na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Tratase de Pedido de Restituição cujo direito creditório é oriundo de recolhimento informado como indevido ou a maior que o devido a título de Cofins, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 00 13 /2 01 2- 90 Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10980.900013/201290 Acórdão n.º 3302003.554 S3C3T2 Fl. 3 2 A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico indeferindo a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Após ser intimada, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada improcedente por intermédio do Acórdão 06045.780. Em síntese, entendeu a DRJ que não existe previsão legal para excluir o ICMS da base de cálculo das contribuições, do que resultou mantido o indeferimento do pleito de restituição. Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário pugnando pelo reconhecimento de seu direito creditório. O principal argumento da defesa é o de que o ICMS não pode ser considerado como faturamento da empresa, não podendo, desta forma, compor a base de cálculo das contribuições. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.520, de 26 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10875.906543/201249, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, na parte aplicável ao presente caso (Acórdão 3302003.520): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No que tange à exclusão do ICMS devido nas operações de venda, na condição de contribuinte, o §2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 estabeleceu as hipóteses de exclusão da base de cálculo das contribuições, à época dos fatos: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10980.900013/201290 Acórdão n.º 3302003.554 S3C3T2 Fl. 4 3 que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Vide Medida Provisória nº 1.99118, de 2000) (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Verificase no inciso I, que o ICMS incidente nas operações na condição de contribuinte (próprio) não foi elencado como parcela a ser excluída da base de cálculo. Juridicamente e contabilmente, o ICMS compõe a receita de venda e consiste em redutor da receita bruta. A legislação, ao longo do tempo, dispôs sobre a receita bruta, sempre indicando que os impostos incidentes sobre a venda a compunham. Assim, citamse o artigo 12 do Decretolei nº 1.598/1977, o artigo 187 da Lei nº 6.404, o artigo 31 da Lei nº 8.981/1995, bem como a IN SRF nº 51/1978: Decretolei nº 1.598/1977: Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. Art. 12. A receita bruta compreende: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II o preço da prestação de serviços em geral; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I devoluções e vendas canceladas; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II descontos concedidos incondicionalmente; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III tributos sobre ela incidentes; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações vinculadas à receita bruta. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 6.404/1976: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10980.900013/201290 Acórdão n.º 3302003.554 S3C3T2 Fl. 5 4 II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; IN SRF nº 51/1978: 1. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens, nas operações de conta própria, e o preço dos serviços prestados (artigo 12 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). 2. Na receita bruta não se incluem os impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante (imposto sobre produtos industrializados e imposto único sobre minerais do País) e do qual o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário. Imposto não cumulativo é aquele em que se abate, em cada operação, o montante de imposto cobrado nas anteriores. 3. Igualmente não se computam no custo de aquisição das mercadorias para revenda e das matériasprimas os impostos mencionados no item anterior, que devam ser recuperados. 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. 4.1 Vendas canceladas correspondentes a anulação de valores registrados como receita bruta de vendas e serviços; eventuais perdas ou ganhos decorrentes de cancelamento de venda, ou de rescisão contratual, não devem afetar a receita líquida de vendas e serviços, mas serão computados nos resultados operacionais. 4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. Neste sentido o STJ publicou as súmulas 69 e 94, cujos enunciados dispõem: Súmula n. 68 : "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". É de se concluir que a legislação inclui o ICMS incidente sobre as vendas no conceito de receita bruta, excluindoo apenas do conceito de receita líquida. Sobre o tema, há decisões recentes do STJ entendendo pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, como o AgRg no REsp 1576424 / RS, de 10/03/2016, cuja ementa transcrevese: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SUBSTITUTIVA. ARTS. 7º e 8º DA LEI Nº 12.546/2011. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO, MUTATIS Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.900013/201290 Acórdão n.º 3302003.554 S3C3T2 Fl. 6 5 MUTANDIS, DA ORIENTAÇÃO FIRMADA NO RESP Nº 1.330.737/SP, REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RELATIVA À INCLUSÃO DO ISSQN NA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP E DA COFINS NA SISTEMÁTICA NÃOCUMULATIVA. 1. A possibilidade de inclusão, na receita bruta, de parcela relativa a tributo recolhido a título próprio foi pacificada, por maioria, pela Primeira Seção desta Corte em 10.6.2015, quando da conclusão do julgamento do recurso representativo da controvérsia REsp nº 1.330.737/SP, de relatoria do Ministro Og Fernandes, ocasião em que se concluiu que o ISSQN integra o conceito maior de receita bruta, base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS. 2. As razões que fundamentam o supracitado recurso especial representativo de controvérsia se aplicam, mutatis mutandis, à inclusão das parcelas relativas ao ICMS na base de cálculo da contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011. Precedente: REsp nº 1.528.604, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17.9.2015. 3. A contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011, da mesma forma que as contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS na sistemática não cumulativa previstas nas Leis n.s 10.637/2002 e 10.833/2003, adotou conceito amplo de receita bruta, o que afasta a aplicação ao caso em tela do precedente firmado no RE n. 240.785/MG (STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 08.10.2014), eis que o referido julgado da Suprema Corte tratou das contribuições ao PIS/Pasep e COFINS regidas pela Lei n. 9.718/98, sob a sistemática cumulativa que adotou, à época, um conceito restrito de faturamento. Precedente. 4. Agravo regimental não provido. Ressaltase que a inclusão do ISS na base de cálculo das contribuições foi considerada legítima e julgada sob a sistemática de recursos repetitivos no REsp 1.330.737/SP, em 10/06/2015, que possuiu a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C DO CPC E RESOLUÇÃO STJ N. 8/2008. PRESTADOR DE SERVIÇO. PIS E COFINS. INCLUSÃO DO ISSQN NO CONCEITO DE RECEITA OU FATURAMENTO. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DOS ARTS. 109 E 110 DO CTN. 1. Para efeitos de aplicação do disposto no art. 543C do CPC, e levando em consideração o entendimento consolidado por esta Corte Superior de Justiça, firmase compreensão no sentido de que o valor suportado pelo beneficiário do serviço, nele incluindo a quantia referente ao ISSQN, compõe o conceito de receita ou faturamento para fins de adequação à hipótese de incidência do PIS e da COFINS. 2. A orientação das Turmas que compõem a Primeira Seção deste Tribunal Superior consolidouse no sentido de que "o valor do ISSQN integra o conceito de receita bruta, assim entendida como a totalidade das receitas auferidas com o exercício da atividade econômica, de modo que não pode ser dedutível da base de cálculo do PIS e da COFINS" (REsp 1.145.611/PR, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 8/9/2010; AgRg no REsp 1.197.712/RJ, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 9/6/2011; AgRg nos EDcl no REsp 1.218.448/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 24/8/2011; AgRg no AREsp 157.345/SE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 2/8/2012; AgRg no AREsp 166.149/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 28/08/2012, DJe 4/9/2012; EDcl no AgRg no Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.900013/201290 Acórdão n.º 3302003.554 S3C3T2 Fl. 7 6 REsp 1.233.741/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 7/3/2013, DJe 18/3/2013; AgRg no AREsp 75.356/SC, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 15/10/2013, DJe 21/10/2013). 3. Nas atividades de prestação de serviço, o conceito de receita e faturamento para fins de incidência do PIS e da COFINS deve levar em consideração o valor auferido pelo prestador do serviço, ou seja, valor desembolsado pelo beneficiário da prestação; e não o fato de o prestador do serviço utilizar parte do valor recebido pela prestação do serviço para pagar o ISSQN Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza. Isso por uma razão muito simples: o consumidor (beneficiário do serviço) não é contribuinte do ISSQN. 4. O fato de constar em nota fiscal informação no sentido de que o valor com o qual arcará o destinatário do serviço compreende quantia correspondente ao valor do ISSQN não torna o consumidor contribuinte desse tributo a ponto de se acolher a principal alegação das recorrentes, qual seja, de que o ISSQN não constituiu receita porque, em tese, diz respeito apenas a uma importância que não lhe pertence (e sim ao município competente), mas que transita em sua contabilidade sem representar, entretanto, acréscimo patrimonial. 5. Admitir essa tese seria o mesmo que considerar o consumidor como sujeito passivo de direito do tributo (contribuinte de direito) e a sociedade empresária, por sua vez, apenas uma simples espécie de "substituto tributário", cuja responsabilidade consistiria unicamente em recolher aos cofres públicos a exação devida por terceiro, no caso o consumidor. Não é isso que se tem sob o ponto de vista jurídico, pois o consumidor não é contribuinte (sujeito passivo de direito da relação jurídicotributária). 6. O consumidor acaba suportando o valor do tributo em razão de uma política do sistema tributário nacional que permite a repercussão do ônus tributário ao beneficiário do serviço, e não porque aquele (consumidor) figura no polo passivo da relação jurídicotributária como sujeito passivo de direito. 7. A hipótese dos autos não se confunde com aquela em que se tem a chamada responsabilidade tributária por substituição, em que determinada entidade, por força de lei, figura no polo passivo de uma relação jurídico tributária obrigacional, cuja prestação (o dever) consiste em reter o tributo devido pelo substituído para, posteriormente, repassar a quantia correspondente aos cofres públicos. Se fosse essa a hipótese (substituição tributária), é certo que a quantia recebida pelo contribuinte do PIS e da COFINS a título de ISSQN não integraria o conceito de faturamento. No mesmo sentido se o ônus referente ao ISSQN não fosse transferido ao consumidor do serviço. Nesse caso, não haveria dúvida de que o valor referente ao ISSQN não corresponderia a receita ou faturamento, já que faticamente suportado pelo contribuinte de direito, qual seja, o prestador do serviço. 8. Inexistência, portanto, de ofensa aos arts. 109 e 110 do CTN, na medida em que a consideração do valor correspondente ao ISSQN na base de cálculo do PIS e da COFINS não desnatura a definição de receita ou faturamento para fins de incidência de referidas contribuições. 9. Recurso especial a que se nega provimento. De fato, as mesmas razões utilizadas no repetitivo acima são aplicáveis na análise da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, o que restou Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.900013/201290 Acórdão n.º 3302003.554 S3C3T2 Fl. 8 7 configurado no julgamento do REsp nº 1.144.469, em 10/08/2016, sob a sistemática de recursos repetitivos, embora não possa ser aplicado pelo artigo 62 do RICARF, pois que ainda não transitado em julgado. A certidão deste julgamento constante no site do Superior Tribunal de Justiça traz o seguinte teor: AUTUAÇÃO RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRENTE: HUBNER COMPONENTES E SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA ADVOGADOS: ANETE MAIR MACIEL MEDEIROS HENRIQUE GAEDE E OUTRO(S) RECORRIDO : OS MESMOS ASSUNTO: DIREITO TRIBUTÁRIO Crédito Tributário Base de Cálculo CERTIDÃO Certifico que a egrégia PRIMEIRA SEÇÃO, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: "Prosseguindo no julgamento, a Seção, por unanimidade, deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e, por maioria, vencidos os Srs. Ministros Relator e Regina Helena Costa, negou provimento ao recurso especial da empresa recorrente, nos termos do voto do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, que lavrará o acórdão." Votaram com o Sr. Ministro Mauro Campbell Marques os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Sérgio Kukina, Gurgel de Faria, Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e Humberto Martins. Quanto à jurisprudência do STF, não obstante o RE 240.785 ter sido julgado favorável à tese defendida pela recorrente, não há, ainda, posicionamento definitivo no STF, uma vez que o RE 574.906 RG/PR, sob repercussão geral, ainda não foi julgado. Assim, enquanto não julgado o recurso extraordinário sob repercussão geral, devese prestigiar a legislação vigente que considera o ICMS das operações próprias como componente do preço de venda. Neste mesmo sentido, é a posição pacífica deste Conselho, como decidido no Acórdão nº 9303003549, de 17/03/2016, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Cofins. Base de Cálculo. Exclusão ICMS. Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS. (...) Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.900013/201290 Acórdão n.º 3302003.554 S3C3T2 Fl. 9 8 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 54DF CARF MF
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