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Numero do processo: 10980.724318/2011-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/01/2006
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON.
A entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória correspondente.
BASE DE CÁLCULO DA MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. COFINS DEVIDA NO MÊS.
A base de cálculo da multa por atraso na entrega do Dacon é o montante da Cofins, entendendo-se como o total da Cofins devida no mês.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10980.724292/2011-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrente BRASCERAS S.A. INDUSTRIA E COMERCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/01/2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória correspondente. BASE DE CÁLCULO DA MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. COFINS DEVIDA NO MÊS. A base de cálculo da multa por atraso na entrega do Dacon é o montante da Cofins, entendendose como o total da Cofins devida no mês. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10980.724292/201106, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 43 18 /2 01 1- 16 Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10980.724318/201116 Acórdão n.º 3302005.864 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de exigência decorrente de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, tendo como fundamento legal o art. 7° da Lei n° 10.246, de 24 de abril de 2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada da exigência fiscal, a interessada interpôs impugnação, alegando improcedência do lançamento, uma vez que o auto de infração não trouxe descrição clara e precisa do fato que ensejou a autuação, sem oferecer meios suficientes para se defender da infração. Diz que o demonstrativo do crédito tributário é extremamente simplista, de modo que não analisa os créditos apurados e transcritos no Dacon do período. Ressalta, que a fiscalização restringiuse a calcular a multa sobre o total dos débitos da Cofins (Item 15 da Ficha 25B), sem verificar a existência dos créditos declarados na Ficha 25B na Linha 18. Desse modo, entende que para o cálculo da multa deveria ser utilizado o valor da Cofins a Pagar Faturamento (Linha 27) e não o valor da Cofins Devida no mês (Linha 15), pois, houve no período a dedução da contribuição retida na fonte por pessoa jurídica de direito privado, não diminuída da base de cálculo do lançamento. A 3a Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Curitiba/PR, por unanimidade de votos, considerou PROCEDENTE o presente lançamento, mantendo a exigência, nos termos do Acórdão nº 06039.985. Entendeu a Turma que: ü Os elementos necessários à constituição do crédito tributário encontramse devidamente demonstrados, sendo prescindível quaisquer outros esclarecimentos que, porventura, a contribuinte pudesse precisar para oferecer uma impugnação consistente; ü Percebese que o valor da base de cálculo da multa nada mais é do que a composição de importâncias informadas pela interessada em seu Dacon. E isso, digase, foi bem entendida pela contribuinte, já que em sua impugnação demonstrou claramente a sua discordância em relação ao seu entendimento para se chegar à base de cálculo em contrapartida ao valor obtido pela autoridade lançadora. ü A irresignação da interessada consiste no fato de o lançamento considerar como base de cálculo da multa (“Montante da Cofins”) o valor da Cofins Devida e não o da Cofins a Pagar; ü Na verdade, a interessada entende que da base de cálculo considerada como “Montante da Cofins” deveria ainda ser excluída a importância retida na fonte por Pessoas Jurídicas de Direito Privado; ü No entanto, a retenção na fonte no caso de pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado é Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10980.724318/201116 Acórdão n.º 3302005.864 S3C3T2 Fl. 4 3 considerada como antecipação do valor devido, já que podem ser deduzidos das contribuições devidas de mesma espécie, conforme disciplina a Instrução Normativa SRF n ° 459, de 18 de outubro de 2004, em seu art. 7°. Ora, uma vez apurado o montante da contribuição devida, esta poderá ser diminuída pela dedução dos valores dessa mesma contribuição que foram retidos na fonte, no próprio mês ou em meses posteriores, para efeito de recolhimento. Isso porque a referida retenção caracterizase como um pagamento antecipado e, assim sendo, o valor que serviu de base para a retenção constitui uma receita que compõe a base de cálculo para apurar o valor da contribuição devida. Mas, frisese, o valor da contribuição devida sempre será a mesma, quer a interessada utilize ou não a retenção sofrida no período. Cientificada do Acórdão de Impugnação, a empresa BRASCERAS ingressou com Recurso Voluntário. Foi alegado que: ü A Requerente é empresa, constituída sob. a forma de sociedade anônima Fechada, e, nessa condição, é contribuinte de diversos, tributos, inclusive da COFINS, que é regularmente recolhido aos cofres públicos nos prazos e formas previstos em lei; ü A requerente apurou devidamente a COFINS, o que resultou em valor a recolher; ü O referido valor foi devidamente recolhido aos cofres públicos no prazo legal; ü A despeito disso, a empresa apresentou com atraso, porém espontaneamente a DACON referente ao período de apuração; ü Como visto, o presente processo discute especificamente a multa sobre o atraso na, entrega da DACON, portanto é importante destacar que a Requerente, apresentou o referido documento para Receita, o. qual foi devidamente preenchido respeitando todos os requisitos e condições legais exigidos; ü O fato é que o preenchimento da DACON, que é o Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais, consiste na apuração dos débitos e créditos resultando no valor a recolher ou o crédito disponível para o mês subsequente; ü Ocorre que na referida DACON, a Requerente para a contribuição da COFINS apurou o total de débitos conforme item 15 da Ficha 25 B, e também apurou o total de créditos, conforme item 18 da Ficha 25 B, resultando, assim em valor da COFINS a pagar, conforme item 27 da Ficha 25 B; Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10980.724318/201116 Acórdão n.º 3302005.864 S3C3T2 Fl. 5 4 ü O Auto de Infração, apontou como enquadramento legal o artigo 7° da Lei 10.246, de 24 de abril de 2002, com redação dada pelo artigo 19 da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004; ü Ocorre que esses dispositivos não foram devidamente interpretados pela, fiscalização, pois o inciso III do artigo 7° acima mencionado deixa claro que aplicação da multa deve ser feita em relação ao montante da COFINS, e não sobre o valor dos débitos apurados; ü Assim, além de o Auto de Infração mostrarse insuficiente na descrição dos fatos, está confuso na sua própria fundamentação, uma vez que os dispositivos mencionados não foram analisados pela. D. Fiscalização e, tampouco, aplicados corretamente ensejando uma multa com valores excessivos conforme demonstrado em quadro apresentado no Recurso Voluntário; ü Não há dúvidas de que em nenhum momento, o legislador estipulou outra alternativa que não seja a aplicação da multa por atraso a ser calculada em relação a montante da contribuição da COFINS; ü Portanto, qualquer que seja a leitura que se faça, o que se percebe é que houve um equívoco no cálculo da multa aplicada no Auto de Infração, onde a D. Fiscalização desconsiderou o dispositivo legal e calculou a multa sobre o valor total dos débitos do mês, sem ao menos, considerar os créditos devidamente declarados; ü Invoca os princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade; ü Como se mota, nesta hipótese, o atraso na entrega da DACON, ainda que caracterize um ilícito, à legislação fiscal que estipula o prazo para entrega da declaração, não trará maiores prejuízos para a Fazenda, já que não representará atraso no recolhimento do tributo, e, tampouco, qualquer tentativa de fraude em prejuízo da arrecadação; ü As multas pelo descumprimento de obrigação acessória, por sancionarem deveres instrumentais sem correspondência, econômica delimitável, devem ser fixadas sempre em valor fixo, e não tomar por base o valor do tributo declarado; ü No caso das multas por descumprimento de obrigação acessória, tal medida não é razoável, posto que a medida que se pretende coibir com a sanção não é a falta de recolhimento, mas sim a falta ou o atraso na prestação de informações; ü Neste contexto temos que à luz do princípio da proporcionalidade, a seguinte. conclusão ainda que o percentual da multa prevista na legislação possa ser considerado, à primeira vista, tolerável, o fato é que a multa pelo atraso na entrega da DACON, calculada com base no valor total do tributo apurado informado na declaração e não pelo tributo devido, viola o princípio da proporcionalidade e do não confisco. A CONCLUSÃO E O PEDIDO Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10980.724318/201116 Acórdão n.º 3302005.864 S3C3T2 Fl. 6 5 Dessa forma, requerse. o conhecimento e provimento integral do presente Recurso Voluntário, e assevera ainda que: 1. os documentos apresentados pela Requerente demonstram que o montante da COFINS recolhido correspondem exatamente aos valores declarados no DACON; 2. o cálculo da multa feita pela Fiscalização foi feita de forma equivocada, pois tomou como base de cálculo o valor total dos débitos da COFINS', ao invés de utilizar o montante da COFINS recolhido; Caso entenda V.Sa. pela aplicação da multa que a mesma seja, calculada pelo montante da COFINS recolhida , requer ainda, que sejam mantidas: a) manutenção da aplicação da redução da multa em 50% (cinquenta por cento) em virtude da entrega espontânea do demonstrativo; b) a redução de 50% para pagamento à vista, ou 40% para os pedidos de parcelamento formalizados no neste mesmo prazo. É o relatório. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10980.724318/201116 Acórdão n.º 3302005.864 S3C3T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.848, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.724292/201106, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.848): "Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 08 de maio de 2013, via Aviso de Recebimento, às folhas 55 do processo digital. O recurso voluntário foi apresentado em 06 de junho de 2013, sendo portanto tempestivo. Da controvérsia. O Recurso Voluntário apresenta as seguintes questões: A inobservância pela fiscalização do inciso III, do artigo 7° da Lei 10.246, de 24 de Abril de 2002, com redação dada pelo artigo 19 da Lei n° 11.051, de 29 de Dezembro de 2004; A aplicação dos os princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade; O atraso na entrega da DACON não representou falta de recolhimento de tributo, na medida em que todos os tributos informados na declaração foram pagos dentro do vencimento. Do mérito. A inobservância pela fiscalização do inciso III, do artigo 7° da Lei 10.246/2002. O artigo em questão assim dispõe: Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10980.724318/201116 Acórdão n.º 3302005.864 S3C3T2 Fl. 8 7 ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. A transmissão do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais pela interessada ocorreu em 25/10/2007, quando o prazo final de entrega era Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10980.724318/201116 Acórdão n.º 3302005.864 S3C3T2 Fl. 9 8 05/10/2007, o que acarretou a infração imposta pelo presente auto de infração, com fulcro no § 1o do artigo 7° da Lei 10.246/2002. O valor exigido é de R$ 2.796,87 e decorre de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon. Desse valor assim obtido, como ali consta, existe a redução de 50%, em virtude da entrega espontânea da declaração, mas sempre respeitando o valor mínimo que deverá ser exigido (de R$ 200,00 ou de R$ 500,00 conforme o caso), bem como a data de vencimento. A Ficha 25B do Dacon, relativamente à apuração da Cofins do regime não cumulativo e cumulativo traz as seguintes informações quanto às linhas especificadas no lançamento: Tal qual apontado no Acórdão de Impugnação, o valor da base de cálculo da multa exigida no presente auto de infração é a composição de importâncias informadas pela interessada em seu Dacon. A Recorrente entende que da base de cálculo considerada como “Montante da Cofins” deveria ainda ser excluída a importância retida na fonte por Pessoas Jurídicas de Direito Privado (Linha 18 da Ficha 25B). A Lei n° 10.833, de 2003, estabelece: Art. 30 . Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mãode obra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos a retenção na fonte da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10980.724318/201116 Acórdão n.º 3302005.864 S3C3T2 Fl. 10 9 No entanto, o valor da contribuição devida sempre será a mesma, quer a interessada utilize ou não a retenção sofrida no período. Isso porque a retenção na fonte, no caso de pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado, é considerada como antecipação do valor devido, conforme disciplina a Instrução Normativa SRF n ° 459, de 18 de outubro de 2004, em seu art. 7°: TRATAMENTO DOS VALORES RETIDOS Art. 7º Os valores retidos na forma do art. 2º serão considerados como antecipação do que for devido pelo contribuinte que sofreu a retenção, em relação às respectivas contribuições. § 1º Os valores retidos na forma desta Instrução Normativa poderão ser deduzidos, pelo contribuinte, das contribuições devidas de mesma espécie, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. § 2º O valor a ser deduzido, correspondente a cada espécie de contribuição, será determinado pelo próprio contribuinte mediante a aplicação, sobre o valor bruto do documento fiscal, das alíquotas respectivas às retenções efetuadas. Uma vez apurado o montante da contribuição devida, esta poderá ser diminuída pela dedução dos valores dessa mesma contribuição que foram retidos na fonte, no próprio mês ou em meses posteriores, para efeito de recolhimento. Isso porque a referida retenção caracterizase como um pagamento antecipado e, assim sendo, o valor que serviu de base para a retenção constitui uma receita que compõe a base de cálculo para apurar o valor da contribuição devida. O atraso na entrega da DACON não representou falta de recolhimento de tributo. Como visto, a infração em comento tem por fulcro o artigo 7° da Lei 10.246/2002, a pouco reproduzido. A conduta infracional tipificada não faz qualquer referência quanto à falta de recolhimento de tributo para a sua consecução. Logo, o recolhimento dos tributos não pode ser tomado como excludente de penalidade. Das penalidades. Da arguição de confisco e desrespeito aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Tendo em vista que a vedação ao confisco tem seio em norma constitucional, na alegação da defesa de que a exação é confiscatória, implícita está a arguição de inconstitucionalidade da própria norma legal que prevê a penalidade, para afastar sua a aplicação no caso concreto. Entretanto, em face do modelo adotado em nosso sistema jurídico, a autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre inconstitucionalidade de normas legais, cabendo apenas executálas, não podendo negar aplicação à lei, sob argumento de que há conflito com a Constituição Federal. Com efeito, o órgão administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza, uma vez que exercício do controle da constitucionalidade, regulado pela própria Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10980.724318/201116 Acórdão n.º 3302005.864 S3C3T2 Fl. 11 10 Constituição Federal, é reservado ao Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa, conforme prevê a Lei Maior no Capítulo III do Título IV. A presunção é que o Legislativo, antes de aprovar a lei tenha examinado eventual conflito com a Constituição Federal e chegado à conclusão de não haver tal contrariedade. Essa presunção somente sucumbe ante o pronunciamento judicial. Inadmissível é pretender que a autoridade administrativa descumpra a lei. Até aí não vai o seu poder, tendo em vista o alcance limitado do julgamento nessa esfera, que não pode se desviar dos estritos ditames legais, sendo vedado imiscuirse na competência do Poder Judiciário para examinar a constitucionalidade de normas. No mais, agasalhase o entendimento de que vem a ser essa uma limitação imposta pelo Legislador constituinte ao Legislador infraconstitucional (ordinário), portanto, não se pode dizer que o princípio esteja direcionado à Administração Tributária. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 189DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.908242/2008-35
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC.
Não existe previsão legal para incidência da taxa Selic nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da correção monetária com base na taxa Selic só é possível em face das decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que glosaram parcialmente ou integralmente os créditos, cujo entendimento neles consubstanciados foram revertidos nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao aproveitamento de referidos créditos.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL.
A aplicação da taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, nos casos de oposição ilegítima do Fisco, incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. Antes deste prazo não existe permissivo legal e nem jurisprudencial, com efeito vinculante, para sua incidência.
Numero da decisão: 9303-007.426
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para determinar a incidência da taxa Selic a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias da data do protocolo do pedido, vencidas as conselheiras, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Não existe previsão legal para incidência da taxa Selic nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da correção monetária com base na taxa Selic só é possível em face das decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que glosaram parcialmente ou integralmente os créditos, cujo entendimento neles consubstanciados foram revertidos nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao aproveitamento de referidos créditos. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. A aplicação da taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, nos casos de oposição ilegítima do Fisco, incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. Antes deste prazo não existe permissivo legal e nem jurisprudencial, com efeito vinculante, para sua incidência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para determinar a incidência da taxa Selic a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias da data do protocolo do pedido, vencidas as conselheiras, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 82 42 /2 00 8- 35 Fl. 436DF CARF MF Processo nº 10380.908242/200835 Acórdão n.º 9303007.426 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Trata o presente processo, na origem de pedido de ressarcimento de IPI decorrentes de créditos básicos de IPI e de créditos presumidos de IPI de que trata a Lei nº 10.276/2001. O litígio que remanesceu após a análise do pedido pela DRF de origem foi somente a matéria referente ao crédito presumido de IPI. O pedido foi cumulado com apresentação de DCOMP. O acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte na íntegra. Reconheceu o direito ao crédito presumido de IPI e o direito à correção do ressarcimento relativo ao crédito presumido, pela utilização da taxa Selic, desde a data do protocolo do pedido, caso após o processamento da decisão remanescesse saldo a ressarcir. Veja abaixo a ementa do decidido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRATIVO DE CRÉDITO PRESUMIDO DCP. PROVA DO CRÉDITO EM DCTF. CRÉDITO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA IN SRF 323/03, MAS COM PEDIDO DE RESSARCIMENTO POSTERIOR A TAL MARCO. NECESSIDADE DE PROCESSAMENTO E ANÁLISE DO PEDIDO DE RESSARCIMENTO. O fato de o contribuinte ter apresentado pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI após a vigência da IN SRF n. 323/03 não lhe imputa o dever de fundamentar tal pedido em DCP, bastando a discriminação do crédito presumido em DCTF se o período de apuração do crédito for anterior à vigência da Fl. 437DF CARF MF Processo nº 10380.908242/200835 Acórdão n.º 9303007.426 CSRFT3 Fl. 4 3 referida Instrução Normativa, sob pena de uma indevida retroação de uma obrigação acessória. Precedentes CARF. CORREÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI PELA SELIC. PRECEDENTE DO STJ JULGADO SOB O RITO DE RECURSO REPETITIVO. APLICAÇÃO DO PRECEDENTE PRETORIANO. Ocorrendo a vedação ao aproveitamento de crédito presumido de IPI, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, o que torna legítima a necessidade de atualizálo monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. Precedente do STJ em sede de recurso repetitivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para que, nos termos do voto, o pedido de ressarcimento do contribuinte referente ao 4º trimestre de 2002 seja analisado pela RFB e, na hipótese de haver crédito a ser ressarcido, seja este valor corrigido pela SELIC desde a data de protocolo do pedido de ressarcimento até a data da sua efetiva homologação. Contra esta decisão a Fazenda Nacional apresentou recurso especial de divergência somente em relação à possibilidade de atualização pela taxa Selic e o seu termo de início. Pede a sua não incidência e caso o colegiado entenda pela sua incidência que seja aplicada a partir do despacho decisório que indeferiu o pleito ou, na pior das hipóteses, contados em 360 dias da apresentação do pedido, com incidência somente sobre os valores que foram objeto de oposição injustificada do Fisco. Por meio do despacho de efls. 402/406, o recurso especial foi admitido pelo então Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento. Às efls. 423/431, o contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial da Fazenda Nacional, nas quais pede o seu improvimento. É o relatório. Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10380.908242/200835 Acórdão n.º 9303007.426 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. O recurso especial da Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos requisitos formais e materiais para o seu conhecimento. A questão da atualização monetária, pela Taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, tem rendido inúmeras discussões, tanto na esfera administrativa como judicial. A verdade é que não há previsão legal para o seu reconhecimento na análise dos pedidos administrativos. Vêse que no âmbito das turmas de julgamento do CARF, tem se reconhecido sua incidência em decorrência da aplicação do que foi decidido pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no âmbito dos REsp nº 1.035.847 e no REsp nº 993.164. Ambos julgados estabeleceram que é devida a incidência da correção monetária, pela aplicação da Taxa Selic, aos pedidos de ressarcimento de IPI cujo deferimento foi postergado em face de oposição ilegítima por parte do Fisco. Portanto, sem dúvida, o reconhecimento da incidência da aplicação da Taxa Selic nos processos de ressarcimento decorrem de uma construção jurisprudencial e não por disposição expressa da Lei. Vêse que o STJ nos dois julgados acima citados reconhecem expressamente a falta de previsão legal a autorizar tal incidência. Vejamos o que dispôs referidos julgados: REsp 1.035.847/RS: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10380.908242/200835 Acórdão n.º 9303007.426 CSRFT3 Fl. 6 5 considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. REsp nº 993.164: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. (...) Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10380.908242/200835 Acórdão n.º 9303007.426 CSRFT3 Fl. 7 6 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). (...) 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Concluise que a oposição ilegítima por parte do Fisco, ao aproveitamento de referidos créditos, permite que seja reconhecida a incidência da correção monetária pela aplicação da Taxa Selic. Porém da leitura que se faz, para a incidência da correção que se pretende, há que existir necessariamente o ato de oposição estatal que foi reconhecido como ilegítimo. No âmbito do processo administrativo de pedidos de ressarcimento tem se que estes atos administrativos só se tornam ilegítimos caso seu entendimento seja revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Portanto somente sobre a parcela do pedido de ressarcimento que foi inicialmente indeferida e depois revertida é que é possível o reconhecimento da incidência da Taxa Selic. Tudo isso por força do efeito vinculante das decisões do STJ acima citadas e transcritas. Porém resta uma discussão quanto ao prazo inicial da incidênca da Taxa Selic. No CARF a grande maioria das decisões dividemse em duas vertentes. A primeira que a aplicação da correção dariase somente a partir da edição do Despacho Decisório, pela autoridade administrativa da DRF de origem, que teria denegado parte ou integralmente o Fl. 441DF CARF MF Processo nº 10380.908242/200835 Acórdão n.º 9303007.426 CSRFT3 Fl. 8 7 pedido. A justificativa desta primeira tese seria no sentido de que só a partir daí é que teria nascido o ato ilegítimo a permitir a aplicação dos repetitivos do STJ. A segunda vertente é reconhecer a aplicação da correção monetária desde a data do protocolo do pedido, hipótese que até então estava sendo adotada por este relator e pela própria CSRF. Entretanto, refletindo melhor sobre a matéria, penso que não existe base legal e nem comando vinculante de nossos tribunais a autorizar nenhuma dessas duas hipóteses, sobretudo a segunda, referente à incidênca da correção monetária desde a data do protocolo do pedido. Essa hipótese permite uma correção monetária integral que nunca foi permitida do ponto de vista legal e, smj, nem pela interpretação dos referidos julgados. Entendo que a melhor interpretação está vinculada ao que dispôs o próprio STJ, também em sede de recurso repetitivo, no REsp nº 1.138.206, abaixo transcrito com destaques: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, DJe 26/06/2009; REsp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, DJe 07/11/2008; REsp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal Fl. 442DF CARF MF Processo nº 10380.908242/200835 Acórdão n.º 9303007.426 CSRFT3 Fl. 9 8 , o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum, dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7º, § 2º, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2º Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.º 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, Fl. 443DF CARF MF Processo nº 10380.908242/200835 Acórdão n.º 9303007.426 CSRFT3 Fl. 10 9 desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Concluise da leitura acima, que o STJ determinou a aplicação do art. 24 da Lei nº 11.457/2007 aos processos administrativos fiscais, inclusive aos requerimentos efetuados antes de sua vigência. Assim, manifestouse de forma vinculante que o prazo razoável para duração do processo administrativo, ou seja, para que a autoridade administrativa de origem desse uma solução aos pedidos de restituição, ressarcimento e afins seria de 360 dias. Ora, se a administração tem o prazo de 360 dias para solucionar os processos administrativos de ressarcimento, e não há previsão legal para incidência da correção monetária sobre referidos pedidos, a conclusão inequívoca transmitida por esses julgados é que não há possibilidade de incidência da correção monetária neste interregno, uma vez que este seria o prazo razoável determinado na lei. Importante ressaltar que referido julgado não dispõe absolutamente nada sobre incidência de correção monetária ou aplicação da taxa Selic nos processos de ressarcimento. Portanto, como não há previsão legal para incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento, o seu reconhecimento em sede dos julgados administrativos deve ser erigido a partir da interpretação do que se construiu nos julgados do STJ com efeitos vinculantes. Portanto, para reconhecimento da incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento de IPI, devemos partir de duas premissas: 1) existe ato administrativo que indeferiu de forma ilegítima parcial ou integralmente o pedido? e 2) o trânsito em julgado da decisão administrativa ultrapassou os 360 dias? A resposta positiva para as duas premissas importa em reconhecer a incidência da taxa Selic somente para os créditos indeferidos de forma ilegítima, cujo termo inicial da incidência da correção somente poderá ser contado a partir dos 360 dias do protocolo do pedido. Esta conclusão coadunase com a aplicação do princípio da igualdade. Veja que se o processo for deferido em 359 dias, o contribuinte não receberá qualquer ajuste Fl. 444DF CARF MF Processo nº 10380.908242/200835 Acórdão n.º 9303007.426 CSRFT3 Fl. 11 10 monetário e caso seja deferido em 361 dias haveria incidência integral desta correção. Parece me um casuísmo não pretendido, a justificar a interpretação de que esta correção monetária só seria aplicada a partir de 360 dias do protocolo do pedido e, desde que exista um ato administrativo que teria sido considerado ilegítimo, assim considerado aquele cujo entendimento foi revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Assim, no presente processo, o acórdão recorrido reconheceu o direito ao aproveitamento do crédito presumido de IPI, o qual tinha sido indeferido pela unidade de origem. Neste sentido, voto por dar parcial provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional para estabelecer a incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento. Evidentemente se o crédito presumido de IPI foi integralmente aproveitado por meio de DCOMP antes de transcorrido o prazo de 360 dias do protocolo do pedido, não haverá base de incidência para aplicação da taxa Selic. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 445DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.001878/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA
217.
De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'."
SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES.
Enquadram-se como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ - Recursos Repetitivos.
Numero da decisão: 1301-003.277
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217. De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES. Enquadramse como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ Recursos Repetitivos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 18 78 /2 00 9- 12 Fl. 199DF CARF MF Processo nº 13888.001878/200912 Acórdão n.º 1301003.277 S1C3T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas, em razão da insuficiência de crédito para quitação dos débitos informados no PER/DCOMP. O presente processo decorre de pedido de compensação, cujo crédito tem origem em pagamento a maior de IRPJ, com base no lucro presumido calculados inicialmente a 32%, sendo alterada, posteriormente, para 8%, nos termos do arts. 15, III, e 20, da Lei 9.249/95. O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem não reconheceu o valor do crédito pretendido e não homologou as compensações declaradas. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirmou que suas atividades são desenvolvidas em unidade própria e são voltadas para a realização de exames radiográficos, ultrassonográficos, mamográficos, biópsias, punções e densiometria óssea para apoio a diagnósticos médicos. E que tais atividades fazem jus ao tratamento tributário diferenciado, na apuração do IRPJ e da CSLL, na modalidade de lucro presumido, mediante a aplicação do percentual de 8%, na forma da lei acima citada. O Acórdão recorrido afastou preliminar de nulidade da decisão proferida, e no mérito, afastou precedentes jurisprudenciais, e entendeu que a interessada, sendo sociedade civil de prestação de serviços de diagnóstico por imagem, não configura o conceito de "serviços hospitalares" para fazer jus ao benefício concedido pela norma. Baseou seu entendimento na Solução de Consulta 319/2011 SRF/8ª Região Fiscal e outras normas internas. Acrescenta, ainda, que somente a partir da vigência da Lei 11.727/2008 é que ela poderia ter direito à redução, mas não a fatos anteriores. Além disso, argumentou que para o ano calendário em questão, a interessada não apresentou nenhum elemento capaz de comprovar que prestava serviços hospitalares e que suas atividades se inseriam no conceito de atividade hospitalar definida nos normativos legais. No Recurso Voluntário apresentado a recorrente defende que não foi realizada pela autoridade fiscal nenhuma diligência para aferir se cumpria requisitos do Ministério da Saúde; bem como traz à tona que a matéria já se encontra pacificada nos tribunais superiores, nos termos do Resp 1.116.399/BA, que já dispensou a necessidade de Fl. 200DF CARF MF Processo nº 13888.001878/200912 Acórdão n.º 1301003.277 S1C3T1 Fl. 4 3 verificação de existência de estrutura organizada para atendimento. Que a recorrente possui atividades voltadas para a prestação de serviços de diagnósticos por imagens, obtidas das mais diversas formas de energia, como Raio X, Ultrassom, Tomografia e outros, sendo atividade ligada diretamente à promoção da saúde, que demanda maquinário específico e ambiente hospitalar ou assemelhado. Desnecessária também, qualquer comprovação de estrutura nos termos da Lei 11.727/08, requerendo a homologação das compensações realizadas. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.264, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.001817/2009 55, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.264): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A recorrente apresentou PerdComps, onde se utilizou de créditos decorrentes de IRPJ pagos a maior, em razão da alteração do percentual de 32% para 8% sobre a receita bruta, em razão da sua atividade. Alega a recorrente que presta serviços de diagnósticos por imagens, como Raio X, ultrassom, tomografia e outros, atividades essas ligadas diretamente à promoção da saúde, que demandam maquinário específico e ambiente hospitalar ou assemelhado. E que sobre a matéria não pende mais discussão diante do Resp 1.116.399/BA, que foi decidido sob o rito dos recursos repetitivos. Tanto o despacho decisório quanto o acórdão recorrido entenderam que a atividade prestada pela recorrente não era de serviço hospitalar, já que não prestada num ambiente hospitalar e diante disso, não faria jus à redução do percentual. A lei 9.249/95, em seu artigo 15, III trata da questão: Lei 9.249, de 26/12/1995, artigo (art.) 15, § 1º, inciso III, alínea “a”: “Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n.º 8.981, de Fl. 201DF CARF MF Processo nº 13888.001878/200912 Acórdão n.º 1301003.277 S1C3T1 Fl. 5 4 20 de janeiro de 1995. § 1.º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III – trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares;” Lei 11.727, de 23/06/2008, arts. 29 e 41, VI: Segue abaixo a Ementa do citado julgado do STJ: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se Fl. 202DF CARF MF Processo nº 13888.001878/200912 Acórdão n.º 1301003.277 S1C3T1 Fl. 6 5 mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. Matéria, conforme acima, acerca do se trata como serviços hospitalares: são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta. A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no artº 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1ºde janeiro de 2009, segundo a qual o percentual reduzido será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Anvisa. E como verificamos, por se tratar de fatos relativos a período anterior, inaplicável aqui. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 13888.001878/200912 Acórdão n.º 1301003.277 S1C3T1 Fl. 7 6 Desta feita, considerando que em momento algum o recorrente foi intimado para comprovar o efetivo crédito, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise efetivamente a existência do crédito pleiteado, oportunizando ao recorrente a possibilidade de apresentação de documentos, superandose a discussão acerca da possibilidade de redução do percentual, já que decidido sob a sistemática de Recursos Repetitivos do STJ, e ao qual o CARF se submete, de acordo com o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF Portaria MF 343/2015." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 204DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.904248/2008-98
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 28/02/1999
PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DIREITO CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei.
A demonstração analítica do direito creditório, a partir da apresentação da escrituração contábil e fiscal, com a evidenciação da composição das estimativas a recolher, quer calculadas sobre base de cálculo estimada, quer a partir de balancetes de suspensão ou de redução, com a comprovação e confrontação dos valores recolhidos ou retidos, evidenciando as antecipações ou retenções excedentes ao exigido para o período de apuração, resultando no crédito que se convencionou denominar de saldo negativo, integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte, notadamente quando se discute direito de crédito objeto de pedido de compensação. Na falta de comprovação do saldo negativo, não há que se falar de crédito passível de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.354
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves de Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DIREITO CRÉDITO NÃO COMPROVADO. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. A demonstração analítica do direito creditório, a partir da apresentação da escrituração contábil e fiscal, com a evidenciação da composição das estimativas a recolher, quer calculadas sobre base de cálculo estimada, quer a partir de balancetes de suspensão ou de redução, com a comprovação e confrontação dos valores recolhidos ou retidos, evidenciando as antecipações ou retenções excedentes ao exigido para o período de apuração, resultando no crédito que se convencionou denominar de saldo negativo, integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte, notadamente quando se discute direito de crédito objeto de pedido de compensação. Na falta de comprovação do saldo negativo, não há que se falar de crédito passível de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 42 48 /2 00 8- 98 Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10830.904248/200898 Acórdão n.º 1002000.354 S1C0T2 Fl. 152 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves de Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 117/127) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 101/114), proferida em sessão de 19 de novembro de 2009, consubstanciada no Acórdão n.º 0527.614, da 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP (DRJ/CPS), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 02/06) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 26/08/2008 (efl. 24), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 09611.63379.221204.1.3.048061, transmitido em 22/12/2004, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer pagamento indevido ou a maior, negando a restituição, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 28/02/1999 COMPENSAÇÃO. DATA DE EFETIVAÇÃO. A partir de 01 de outubro de 2002 a compensação, ainda que entre tributos de mesma espécie, somente é formalizada mediante a apresentação de Declaração de Compensação DCOMP. ALEGAÇÃO DE ESTIMATIVA RECOLHIDA A MAIOR. PAGAMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. EVENTUAL UTILIZAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. AUSÊNCIA DE PROVA. Cabe ao contribuinte anexar à impugnação as provas documentais referentes aos fatos por ele alegados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10830.904248/200898 Acórdão n.º 1002000.354 S1C0T2 Fl. 153 3 Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Trata o presente processo de direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, apurado em 28/02/1999, no valor original de R$ 32.822,11, objeto da Declaração de Compensação DCOMP n.º 09611.63379.221204.1.3.048061, transmitida em 22/12/2004, para extinção de débitos no valor principal de R$ 53.493,47. Em 29/08/2008 o interessado foi cientificado de despacho decisório de nãohomologação das compensações, atestando que analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir, discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal (fl. 47) [efl. 55]. A DCOMP em questão aponta DARF de R$ 32.822,11, recolhido em 31/12/1999, relativo a CSLL apurada em 28/02/1999, do qual foi utilizada a parcela de R$ 32.822,11. Inconformado, o interessado, por intermédio de seus advogados e procuradores, protocolizou a manifestação de inconformidade de fls. 01/05 [efls. 02/06], em 30/09/2008, juntando os documentos de fls. 06/35 [efls. 07/38], e apresentando, em sua defesa, as seguintes razões de fato e de direito: Afirma que utilizou valores relativos a estimativas que superaram os valores efetivamente devidos a título de IRPJ e CSLL apurados ao final do período base. E, muito embora a Instrução Normativa SRF n.º 21/97 dispensasse a apresentação de qualquer requerimento, após ter informado a compensação na DCTF correspondente, entendeu por bem "formalizála" perante os sistemas da Receita Federal , por meio do programa eletrônico PER/DCOMP, introduzido pela Instrução Normativa 323, de 24/04/2003. Esta, portanto, a razão da declaração apresentada em 22/12/2004, visando apenas cientificar o Fisco Federal da compensação dos créditos e débitos de CSLL realizada no passado, à qual se seguiu a retificação da DCTF correspondente, para indicação do número do PER/DCOMP correspondente. Assevera que na decisão recorrida entendeuse que o crédito utilizado na DCOMP já estaria vinculado à uma outra compensação feita pela Peticionaria e, por isso, não restaria qualquer crédito passível de utilização, e discorda desta conclusão, pois o recolhimento está vinculado à compensação aqui tratada. Afirma que embora esse procedimento sequer fosse necessário, a Peticionaria agiu de total boafé, no sentido de informar as autoridades fiscais da compensação de créditos e débitos de CSLL efetivada no passado, época em que ainda não havia a declaração de compensação eletrônica. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10830.904248/200898 Acórdão n.º 1002000.354 S1C0T2 Fl. 154 4 Destaca, ainda, que o encontro de contas foi considerado como efetuado em 22/12/2004, desconsiderandose a compensação desde antes informada em DCTF, e assim fazendo incorrer encargos moratórios até o envio da declaração eletrônica. Defende, assim, que a compensação seja efetivamente considerada como declaração de compensação desde a data da respectiva transmissão da DCTF, sendo incabível qualquer encargo legal pela insuficiência de créditos confrontados. Pede o processamento da manifestação de inconformidade, com consequente suspensão da exigibilidade dos débitos, bem como o julgamento de procedência para cancelamento do despacho decisório e reconhecimento integral do crédito, para a devida extinção do débito tributário objeto da compensação. Requer, por fim, que todos os avisos e intimações referentes ao presente processo administrativo sejam dirigidos ao advogado infraassinado. A autoridade preparadora, constatando que o débito compensado superava o crédito informado na DCOMP, elaborou representação para prosseguir na cobrança da parcela excedente, e encaminhou estes autos para julgamento com suspensão da exigibilidade apenas dos débitos cobertos pelo direito creditório em litígio. Em 10/11/2009 a DRF/Campinas informou que o interessado foi favorecido com liminar proferida nos autos do Mandado de Segurança n.º 2009.61.05.0148428, a qual suspendeu a exigibilidade dos débitos que superavam o crédito aqui em litígio, bem como determinou que esta DRJ realizasse o julgamento da manifestação de inconformidade aqui ofertada no prazo de 60 (sessenta) dias. O Despacho Decisório informa que o crédito pleiteado, a título de restituição, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, inexiste, razão pela qual não se homologou a compensação. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, não se localizou o próprio DARF citado, de modo a não haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi extinto, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose o não reconhecimento do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10830.904248/200898 Acórdão n.º 1002000.354 S1C0T2 Fl. 155 5 Em 22/12/2004 o contribuinte apresentou cinco DCOMP para compensação de débito de CSLL apurado em agosto/2002 e outras quatro DCOMP para compensação de débito de CSLL apurado em setembro/2002. Em síntese, tais documentos veicularam as seguintes informações: Na DCTF transmitida em 14/11/2002 as mesmas informações foram apresentadas, para liquidação das estimativas de CSLL apuradas em agosto e setembro/2002. Inicialmente importa destacar que, ao contrário do que alega o interessado, somente a compensação relativa a agosto/2002 estava regida pela Instrução Normativa SRF n.º 21/97. (...) edição da Medida Provisória n.º 66, de 2002 publicada no Diário Oficial da União em 31/08/2002 e convertida posteriormente na Lei n.º 10.637, de 2002 , (...) (...) E na sequência, em 01 de outubro de 2002 foi publicada a Instrução Normativa SRF n.º 210, de 2002, disciplinando como seriam formalizadas as compensações a partir daquela data, e no seu art. 46 revogando expressamente a Instrução Normativa SRF n.º 21/97. Considerando que a estimativa de CSLL apurada em setembro/2002 decorre dos resultados verificados no intervalo dos dias 01 e 30 daquele mês, a determinação do valor devido somente era possível no dia seguinte ao encerramento do período de apuração, ou seja, a partir de 01/10/2002. Em consequência, a compensação do correspondente débito necessariamente submetiase ao novo regramento estipulado pela Medida Provisória n.º 66, de 2002. Ineficaz, portanto, qualquer ato praticado na escrituração contábil do contribuinte, ou mesmo por meio da DCTF, restando a compensação do débito apurado em setembro/2002 formalizada, apenas, em 22/12/2004, com a apresentação da correspondente DCOMP. Já em relação à compensação do débito de agosto/2002, apurado no período de 01 a 31 de agosto/2002, para recolhimento até 30/09/2002, impõese reconhecer que as informações prestadas na DCTF entregue em 14/11/2002 são indícios de que o contribuinte tenha promovido, em sua escrituração contábil, o encontro de contas admissível entre créditos e débitos de mesma espécie, nos termos da legislação vigente à época: (...) Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10830.904248/200898 Acórdão n.º 1002000.354 S1C0T2 Fl. 156 6 Em consequência, desnecessária era a apresentação das DCOMP em 22/11/2004, para formalização da compensação que já havia sido implementada com o débito apurado em agosto/2002. Tal ato, porém, ensejou, impropriamente, o ato de não homologação, a cobrança dos débitos correspondentes e a abertura de discussão no âmbito do contencioso administrativo especializado. De fato, ainda que não confirmado o direito creditório ali veiculado, a consequência desta constatação seria, tão só, a cobrança do débito declarado, sem a possibilidade de apresentação de manifestação de inconformidade à DRJ, e posterior recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, na medida em que tais faculdades somente estão previstas no âmbito das compensações formalizadas mediante DCOMP, nos termos do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, na redação dada pela Medida Provisória n.º 135, de 2003, convertida na Lei n.º 10.833, de 2003: (...) Diante deste contexto, impõese o cancelamento de ofício das DCOMP apresentadas para formalização da compensação com o débito de agosto/2002, e a consequente declaração de nulidade dos despachos decisórios recorridos, por perda de objeto. Em consequência, a análise, em julgamento, do mérito das compensações promovidas limitase àquelas destinadas à extinção do débito de estimativa apurado em setembro/2002. E, quanto a este aspecto, o contribuinte fez uso de pagamentos indevidos de estimativa de CSLL relativos às apurações de 31/03/2002 (R$ 77.215,97), 31/01/1999 (R$ 37.172,70), 28/02/1999 (R$ 32.822,11) e 31/03/1999 (R$ 68.741,11), os quais não foram confirmados pelos motivos assim expressos nos despachos decisórios recorridos: a) DCOMP n.º 22412.66385.221204.1.3.046204 crédito de R$ 77.215,97, verificado no recolhimento de CSLL relativo ao período de 31/03/2002: recolhimento efetuado em 30/04/2002 no valor de R$ 140.340,44 totalmente alocado ao débito declarado para o mesmo período de apuração e no mesmo valor; b) DCOMP n.º 2533230966221204.1.3.040007 crédito de R$ 37.172,70, verificado no recolhimento de CSLL relativo ao período de 31/01/1999: recolhimento de mesmo valor, efetuado em 02/01/2000, não localizado nos sistemas informatizados da RFB; c) DCOMP n.º 09611.63379.221204.1.3.048061 crédito de R$ 32.822,11, verificado no recolhimento de CSLL relativo ao período de 28/02/1999: recolhimento de mesmo valor, efetuado em 31/12/1999, não localizado nos sistemas informatizados da RFB; d) DCOMP n.º 39708.03453.221204.1.3.040675 crédito de R$ 21.885,65, verificado no recolhimento de CSLL relativo ao período de 31/03/1999: recolhimento no valor de R$ 68.741,11, efetuado em 31/12/1999, não localizado nos sistemas informatizados da RFB. Aduz o impugnante que a RFB teria entendido que as parcelas dos recolhimentos acima indicados estariam vinculadas Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10830.904248/200898 Acórdão n.º 1002000.354 S1C0T2 Fl. 157 7 a outras compensações, e junta comprovação de recolhimento, bem como a DCTF e a DCOMP na qual tais créditos foram utilizados na compensação do débito dele exigido. Como se vê do descrito nos despachos decisórios recorridos, e acima compilado, o que impediu a compensação foi o fato de os pagamentos não terem sido confirmados ou, relativamente àquele confirmado, sua vinculação integral ao débito declarado para o mesmo período de apuração, sem saldo disponível para outras utilizações. Especificamente quanto aos pagamentos não confirmados, o contribuinte apresenta o comprovante dos recolhimentos, e neles vêse que o contribuinte errou, ao apontar na DCOMP a data de sua efetivação. O recolhimento de R$ 37.172,70 foi efetuado em 26/02/1999 (e não em 02/01/2000); o recolhimento de R$ 32.822,11 foi efetuado em 31/03/1999 (e não em 31/12/1999) e o recolhimento de R$ 68.741,11 foi efetuado em 30/04/1999 (e não em 31/12/1999). Todavia, tais pagamentos também estão vinculados aos débitos originalmente declarados para o período de apuração neles indicados, conforme DCTF apresentada pelo próprio contribuinte (fls. 85/88) [efls. 96/97], inexistindo prova de pagamento indevido ou a maior nestes períodos. Ou seja, a prova apresentada pelo contribuinte relativamente a estes três créditos prestase, apenas, a colocálos na mesma situação do crédito vinculado ao recolhimento de R$ 140.340,44, efetuado em 30/04/2002, e também utilizado em compensação com a estimativa apurada em setembro/2002. O interessado menciona que os recolhimentos utilizados teriam superado os valores efetivamente devidos a título de IRPJ e CSLL apurados ao final do período base correspondente, de onde se infere que, eventualmente, sua pretensão seria utilizar o saldo negativo verificado na apuração anual de tais tributos, como autorizado na legislação (...): (...) Contudo, para valerse desta modalidade de crédito, o contribuinte deveria ter apresentado DCOMP referenciando a existência de saldo negativo, e não de pagamento indevido ou a maior. Ao proceder como expresso na DCOMP em discussão, o contribuinte apenas apresentou as características do recolhimento de uma das estimativas do período, inviabilizando a análise do crédito eventualmente por ele detido, formado a partir do tributo devido na apuração anual, deduzido de todas antecipações do anocalendário, quer a título de estimativas, quer decorrentes de retenções na fonte. Acrescentese que, relativamente ao indébito de 30/04/2002, o interessado também deveria aguardar o encerramento do ano calendário correspondente. Mas este óbice somente impediria a compensação se esta tivesse por referência a data de vencimento da estimativa (30/10/2002), e acaba superado, na medida em que a compensação foi formalizada em 22/11/2004. Por sua vez, em sua manifestação de inconformidade nada juntou com vistas à comprovação do referido saldo negativo. É certo que nas DIPJ apresentadas pelo interessado constam as seguintes informações: Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10830.904248/200898 Acórdão n.º 1002000.354 S1C0T2 Fl. 158 8 (...) Por sua vez, os créditos relativos ao anocalendário 1999, utilizados nas DCOMP em questão, totalizariam, apenas, R$ 91.880,46 (soma das parcelas de R$ 37.172,70, R$ 32.822,11 e RS 21.885,65), em valores originais. Já os créditos do ano calendário 2002, utilizados tanto nas DCOMP relativas ã estimativa de agosto, como na de setembro/2002, representariam R$ 184.047,21 (soma das parcelas de R$ 6.559,44, R$ 37.147,33, R$ 63.124,47 e RS 77.215,97) em valores originais. Assim, sendo inferiores aos saldos negativos apresentados nas DIPJ (R$ 266.265,32, em 1999, e R$ 184.765,58, em 2002), poderiam estar neles contidos. Todavia, a míngua de qualquer elemento da escrituração do contribuinte, não é possível confirmar a existência, quanto mais a disponibilidade de tal saldo negativo até sua eventual utilização na compensação declarada em 22/11/2004 com a estimativa de CSLL apurada em setembro/2002. E, tratandose de prova documental, importa recordar o que dispõe o Decreto n.º 70.235/72 (aqui aplicável nos termos do art. 74, § 11 da Lei n.º 9.430/96, com a redação dada pela Lei n.º 10.833/2003): (...) Logo, o contribuinte preclui do direito de apresentar documentos em momento outro que não o da impugnação, a menos que haja fundado motivo para tanto. E, se este for o caso, existe forma a observar (Decreto n.º 70.235/72, art. 16, § 5.º). Por todo o exposto, correta se mostra a nãohomologação das compensações formalizadas em 22/11/2004 para extinção do débito de estimativa de CSLL apurado em setembro/2002, bem como a incidência de encargos moratórios sobre este débito desde seu vencimento, ainda que algum crédito venha a ser reconhecido para fins homologação da compensação tardiamente efetuada. Essas foram as razões de decidir da DRJ. No recurso voluntário, em outras palavras, o contribuinte reiterou os argumentos suscitados na sua manifestação de inconformidade, suscitando, em acréscimo, que incorreu em erro de fato na oportunidade em que preencheu a PER/DCOMP, informando a natureza do crédito a compensar como pagamento indevido ou a maior, quando deveria ter informado “saldo negativo de CSLL”, ocorrendo erro no preenchimento. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10830.904248/200898 Acórdão n.º 1002000.354 S1C0T2 Fl. 159 9 Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 25/01/2010, segundafeira, efls. 115/116, e protocolo em 24/02/2010, efl. 117), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Pois bem. No caso em comento, após análise do PER/DCOMP, a Administração Tributária não reconheceu a certeza e liquidez do crédito vindicado pelo contribuinte, sob o argumento de que faltavam elementos probatórios capazes de assegurar a existência do crédito, fosse um pagamento indevido ou a maior ou, mesmo, crédito decorrente de saldo negativo. Nesse contexto, cabe destacar que o próprio contribuinte reconheceu, pelo menos, dois erros de fato de sua própria responsabilidade no curso deste Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10830.904248/200898 Acórdão n.º 1002000.354 S1C0T2 Fl. 160 10 processo: o primeiro, quando, ao preencher a PER/DCOMP, informou a natureza do crédito a ser compensado como “pagamento indevido ou a maior”, quando, na realidade, deveria ter informado “saldo negativo de CSLL”; o segundo, ao relatar que incorreu em erro no preenchimento da DIPJ, ocasião em que supostamente deixou de computar, no cálculo dos pagamentos de estimativa fiscal no exercício de referência, o valor que havia recolhido antecipadamente em 31/03/1999. A par das informações acima deduzidas, não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância, quando conclui que não resta demonstrado o direito creditório. Em suma, no recurso voluntário, o contribuinte não logra êxito de comprovar a existência do seu direito a crédito, afinal, ainda que se trate de compensação decorrente de saldo negativo de CSLL, não há, nestes autos, elementos de prova que permitam este Juízo Recursal concluir que o valor recolhido na data de 31/03/1999 já não estava computado no saldo negativo apurado na citada DIPJ (ficha 30, linha 27), como bem destacado pela DRJ, cujas razões passo a transcrever a seguir: Por sua vez, os créditos relativos ao anocalendário 1999, utilizados nas DCOMP em questão, totalizariam, apenas, R$ 91.880,46 (soma das parcelas de R$ 37.172,70, R$ 32.822,11 e RS 21.885,65), em valores originais. Já os créditos do ano calendário 2002, utilizados tanto nas DCOMP relativas à estimativa de agosto, como na de setembro/2002, representariam R$ 184.047,21 (soma das parcelas de R$ 6.559,44, R$ 37.147,33, R$ 63.124,47 e RS 77.215,97) em valores originais. Assim, sendo inferiores aos saldos negativos apresentados nas DIPJ (R$ 266.265,32, em 1999, e R$ 184.765,58, em 2002), poderiam estar neles contidos. Todavia, a míngua de qualquer elemento da escrituração do contribuinte, não é possível confirmar a existência, quanto mais a disponibilidade de tal saldo negativo até sua eventual utilização na compensação declarada em 22/11/2004 com a estimativa de CSLL apurada em setembro/2002. Ressaltese, neste aspecto, que a demonstração analítica dos valores e lançamentos, dentro da escrituração contábil e fiscal, da base de cálculo da CSLL, das estimativas fiscais apuradas mensalmente e, consequentemente, do saldo negativo, integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte, notadamente quando se discute crédito objeto de pedido de compensação. Vejase, ainda, que não foi juntado aos autos outros elementos probatórios, tais como, a escrita contábil e outras escritas fiscais, como, por exemplo, o Livro Diário, o Livro de Apuração do Lucro Real, os balancetes transcritos na escrita contábil, deixandose, igualmente, de apresentar, face a inexistência de elementos de prova, uma demonstração criteriosa do suposto direito a crédito, não havendo como confirmar o alegado crédito, não tendo sido realizado um trabalho analítico de esclarecimento do suposto crédito com apresentação de memória do cálculo da apuração, informação quanto ao método de apuração da estimativa mensal (receita bruta x balanço de suspensão/redução). Em suma, não há uma precisa indicação consubstanciada em elementos documentais para confrontarse DIPJ, DCTF, LALUR, códigos de recolhimento, Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10830.904248/200898 Acórdão n.º 1002000.354 S1C0T2 Fl. 161 11 informativo quanto ao método, balancetes de apuração de resultados, a fim de comprovar o crédito, inclusive para também se compreender eventuais cálculos de valores originalmente declarados e dos valores retificados. Nesse sentido entendo por bem trazer aos autos o resumo da conclusão do seguinte precedente que entendo reforçar o presente fundamento: Acórdão n.º 3001000.312 – Recurso Voluntário Relator: Orlando Rutigliani Berri – Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Ressaltese, não caberia ao julgador, em instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventual documentação contábil não pode ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e de devida fundamentação com análise circunstanciada das conclusões que se extrairiam da escrita contábil ou da escrita fiscal, a fim de demonstrar o fato jurídico constitutivo da situação de direito a crédito que se pretende invocar sob a ótica da restituição, que seria o elo para efetivar a compensação. A demonstração analítica do direito creditório, a partir da apresentação da escrituração contábil e fiscal, com a evidenciação da composição das estimativas a recolher, quer calculadas sobre base de cálculo estimada, quer a partir de balancetes de suspensão ou de redução, com a comprovação e confrontação dos valores recolhidos ou retidos, evidenciando as antecipações ou retenções excedentes ao exigido para o período de apuração, resultando no crédito que se convencionou denominar de saldo negativo, integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte, notadamente quando se discute direito de crédito objeto de pedido de compensação, por conseguinte, na falta de comprovação do saldo negativo, não há que se falar de crédito passível de compensação. Não há, portanto, motivos que justifiquem a reforma da decisão proferida pela DRJ, principalmente por ser atribuição deste Colegiado o controle da legalidade, e não o saneamento de erros imputados aos próprios contribuintes, notadamente quando Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10830.904248/200898 Acórdão n.º 1002000.354 S1C0T2 Fl. 162 12 destinados à constituição de créditos para fins de compensação e, mais, não resta demonstrado o alegado saldo negativo. Logo, verificandose correção no julgamento a quo, bem como observando que a Administração Tributária não agiu em desconformidade com a lei, nada há que se reparar no procedimento adotado na análise do pedido transmitido pelo contribuinte. No mais, a decisão do DRJ apreciou, com riqueza e rigor de detalhes, a matéria suscitada na manifestação de inconformidade; de seu turno, o contribuinte não estabeleceu, através de seu recurso, dialeticidade suficiente para apontar, na decisão combatida, quais as razões de discordância aptas a demonstrar eventual erro de julgamento ou de procedimento. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer quaisquer reparos. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe negar provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 162DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.919496/2012-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.936
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.919481/2012-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.919481/201212, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Winderley Morais Pereira Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório por suposto pagamento indevido ou a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da insuficiência de crédito, a compensação foi HOMOLOGADA PARCIALMENTE. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 19 49 6/ 20 12 -8 1 Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10680.919496/201281 Resolução nº 3301000.936 S3C3T1 Fl. 3 2 Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que a constituição do crédito tributário é feita pela apresentação da DCTF e que não existe vedação à retificação da declaração. Discorre sobre o direito à retificação da DCTF sempre que os valores apurados não tenham sido encaminhados à PGFN para inscrição em Dívida Ativa e não houver alteração da periodicidade da declaração anteriormente apresentada. Em relação aos fatos, informa que foi realizado pagamento em relação ao período de apuração em análise e que o despacho decisório determinou o não reconhecimento do direito creditório da Manifestante em virtude de suposta utilização dos pagamentos encontrados para o Darf. Defende que ao débito apurado para o mesmo período de apuração do Darf não foi vinculado nenhum crédito, assim o pagamento efetuado mediante Darf está totalmente disponível. Pede a reforma do despacho decisório com a homologação integral da compensação e o cancelamento da cobrança dos débitos remanescentes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário em que, basicamente, repete os argumentos contidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10680.919496/201281 Resolução nº 3301000.936 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.925, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.919481/201212, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.925): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de homologação parcial de compensação de créditos da COFINS com débitos tributários federais. A DRF de origem alegou que não havia crédito suficiente. Do Despacho Decisório (fl. 73) e PER/DCOMP auditada (fls. 66 a 71) e das cópias anexadas às peças de defesa de DCTF (retificadora), DACON (original e retificadora) e guia de pagamento (fls. 2 a 64 e 88 a 136), extraio o seguinte: 1) Em setembro de 2007, foi pago o montante de R$ 225.172,22 (fl. 51), a título de COFINS do período de apuração (PA) agosto de 2007. O valor devido foi declarado no DACON original (fls. 129). Não há cópia da respectiva DCTF. 2) Em 26/03/11, foi transmitida a DCTF retificadora do mês de agosto de 2007, por meio da qual alterou o valor da COFINS devida, que passou a R$ 172.020,11 (fl. 55). o DACON também foi retificado (fl. 137). Na DCTF retificadora o débito de R$ 172.020,11 figura como se estivesse em aberto, isto é, sem crédito (pagamento ou compensação) vinculado. Em seu recurso, informou que adotou tal procedimento, pois desejava incluir o débito de R$ 172.020,11 em parcelamento. 3) Em 26/03/11, foi entregue o PER/DCOMP auditado (fls. 66 a 71), utilizando a totalidade dos R$ 225.172,02 para liquidar outros débitos tributários federais. 4) O Despacho Decisório (fl. 73) confirma o pagamento de R$ 225.172,22 e o novo valor devido da COFINS de agosto de 2007 de 172.020,11. Contudo, ao contrário do que consta na cópia da DCTF retificadora (fl. 55), vincula parte do pagamento de R$ 225.172,22 ao débito de R$ 172.020,11. Em síntese, as questões que este colegiado são as seguintes: a) Pode o contribuinte retificar a DCTF para, concomitantemente, reduzir o valor devido e desvinculálo do pagamento originariamente efetuado? b) Teria a RFB poderes para, a despeito do que foi consignado pelo contribuinte na DCTF retificadora, vincular o pagamento de R$ 225.172,22 ao débito de R$ 172.020,11? Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10680.919496/201281 Resolução nº 3301000.936 S3C3T1 Fl. 5 4 Ao meu ver, a resposta à primeira pergunta é sim. É possível retificar, para alterar a vinculação de créditos. Senão vejamos (IN RFB n° 1.110/10 em vigor na data da retificação da DCTF): "Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. (. . .)" Por outro lado, à segunda, entendo que é não. Quando muito, identificado um crédito derivado de tributo pago a maior, poderia o Fisco realizar uma compensação de ofício. Contudo, o contribuinte teria de ser previamente consultado e, inclusive, dela poderia discordar (art. 49 da IN RFB 900/08, em vigor na data do Despacho Decisório). Contudo, não há notícia nos autos de que houve compensação de ofício. Estaria pronto para votar pelo provimento do recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório de R$ 225.172,02, caso não tivesse identificado duas informações contraditórias: no Despacho Decisório (fl. 73), consta que os R$ 225.172,02 teriam sido vinculados ao débito de R$ 172.020,11, enquanto que na cópia da DCTF retificadora, anexa à manifestação de inconformidade (fl. 55), não consta vinculação alguma. Assim sendo, proponho que o julgamento seja convertido em diligência, para que a unidade de origem verifique na DCTF "ativa" de agosto de 2007 se o crédito de R$ 225.172,02 foi ou não vinculado ao débito de R$ 172.020,11. Deve ser elaborado relatório conclusivo e aberto prazo de trinta dias para manifestação das partes. Findo este prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. É como voto." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência a fim de que a Unidade de Origem verifique na DCTF "ativa" do respectivo período de apuração se o crédito informado no PER/DCOMP foi ou não vinculado ao débito constante no Despacho Decisório. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10680.919496/201281 Resolução nº 3301000.936 S3C3T1 Fl. 6 5 Deve ser elaborado relatório conclusivo e aberto prazo de trinta dias para manifestação das partes. Findo este prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 129DF CARF MF
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Numero do processo: 10640.001195/2007-16
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.783
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0935.151 da 2ª Turma da DRJ/JFA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contra o Ato Declaratório (ADE) SACAT/DRF/JFA n° 25 de 08 de novembro de 2010, nos termos do inciso XII. alínea "f". e XIII do artigo 9° da Lei 9.317/1996. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 11 95 /2 00 7- 16 Fl. 89DF CARF MF 2 Segue o relatório: O ADE foi motivado pela Representação Fiscal dc lis. 01/04. com suporte no despacho de fls. 39/40 e nos documentos de lis. 05/38. A contribuinte apresentou impugnação, às lis. 159/161. onde. em resumo. alega: 1. que sua atividade (suporte técnico, manutenção e outros serviços em tecnologia de informação) não se enquadra nas condições previstas no art. 9° da Lei 9.317/96. bem como no art. 20 da IN SRF 608 inciso XI, alínea "e" e inciso XII. uma vez que o exercício de tal atividade depende de habilitação profissional legalmente exigida por não corresponder à atividade de programador ou de analista de sistema: 2. através, do § 3 o do art. 12 da Res. CGSN 4/2007. com redação dada pelo art. 10 da Res. CGSN 50/2008. letra I. sua atividade, instalação e manutenção de redes de computador, que é o objeto do contrato de prestação de serviços firmado com a UFJF. foi liberada para opção pelo SN; 3. se a atividade exercida é permitida para o microempreendedor individual, é porque também é permitida para o SN. conforme as resoluções já mencionadas. A ora recorrente foi notificada em 27/02/2012 e apresentou o seu recurso voluntário em 26/03/2012. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, e que apresenta os demais pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto 70.235/72. e, portanto, dele eu conheço. A recorrente alegou, basicamente, que: · No acórdão de fls. 68 a turma julgadora atesta que o contribuinte não rebateu sua exclusão embasada na realização de operação de mão de obra, cuja característica principal da locação de mão de obra está na colocação de forma continuada de funcionários a disposição dos contratantes. A recorrente não havia rebatido a sua exclusão do Simples em função da locação ou cessão de mão de obra, que é vedado pela legislação do Simples, pelo fato de nunca ter tido funcionários em seu quadro, pois as execuções dos trabalhos eram feitas pelos sócios, como foi observado pela análise de toda a sua documentação apresentada pela recorrente, portanto não procede tal alegação. · Com relação a exclusão também em função do art. 9 da Lei 9.317/961, pois as atividades desenvolvida pela recorrente e que consta nos bancos de dados da Receita Federal do Brasil é o de suporte técnico, manutenção e outros serviços em tecnologia da informação, atividades estas que não se enquadram nas condições previstas no art. 92 da Lei 9.317/96, bem como no art. 20 da IN/SRF 608, inciso XI alínea "e" e inciso XII, haja vista que o exercício desta Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10640.001195/200716 Acórdão n.º 1001000.783 S1C0T1 Fl. 3 3 atividade não depende de habilitação profissional legalmente exigida, vale ressaltar que a atividade não é de programador bem como não é analista de sistema. A guisa de esclarecimentos e informação anexa documento expedido e assinado pela gerência de Hardware e Telecomunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora, a contratante dos serviços prestados pela recorrente, onde é relacionado todas as atividades desenvolvidas, contendo esclarecimentos que certamente será de grande valia para exame do recurso. · Como está claro os serviços praticados se enquadram perfeitamente no art. 15 da Lei 11.051/2004, haja vista que a recorrente dava suporte e orientação básica do uso do sistema, não desenvolvia sistemas bem como não dava manutenção em sistemas, que é de responsabilidade do analista/programador, que não era a atividade exercida pelos sócios da recorrente, pois os mesmos não são analista/programador. · Ainda a favor do recorrente, através do § 3g do art.12 da Resolução CGSN n5 4/2007, com a redação dada pelo art. 10 da Resolução CGSN n^ 50/2008, letra I, sua atividade foi autorizada a opção pelo Simples Nacional, atividade esta que é de instalação e manutenção de redes de computador, que aliás é o objeto do contrato de prestação de serviços firmado com a Universidade Federal de Juiz de Fora, confirmado pela contratante conforme anexo. Por último, requer que seja reformada a decisão prolatada pela DRJ. Em seu voto, a DRJ menciona: SIMPLES FEDERAL Efeitos da exclusão 01/11/2003 a 30/06/2007 No tocante a exclusão do Simples Federal a contribuinte, embora lambem cite em sua defesa o inciso XI. alínea "e". do artigo 20 da IN SRF 608/2006. argumenta somente que sua atividade não é de programador ou de analista de sistemas. De modo que, sua defesa tenta descaracteriza somente a exclusão realizada com base no inciso XIIï do artigo 9° da Lei 9.31796. que tem por motivação a prestação de serviços de profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. A exclusão motivada no inciso XII. alínea "T". do artigo 9° da l ei 9.317/1996. pela caracterização de locação ou cessão de mão de obra independe da atividade da empresa ser equivalente a de analista de sistemas ou qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. A característica principal da locação de mão de obra está na colocação de forma continuada de funcionários à disposição dos contratantes. Como a contribuinte não rebateu sua exclusão embasada na realização de operação de locação de mão de obra, não é necessário discutir se exerce ou não atividades de programador ou analista, porque para exclusão do Simples Federal basta ocorrer uma das^ hipóteses de vedação.(grifei) Lei 9.317/1996 Ari. 9" Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: Fl. 91DF CARF MF 4 XII que realize operações relativas a: f) prestação de serviço vigilância, limpeza, conservação e locação de mãode obra: XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (Vide Lei 10.034, de 24.10.2000). ... Ainda assim, por amor ao debate, registrese. relativamente à prestação de serviços de profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida, as observações a seguir. A informação trazida no contrato social é muito genérica "O objetivo da sociedade será Prestação de Serviço de Informática c Suporte ao Usuário". Já o contrato com a UFJF é esclarecedor, como se observa nos excertos de sua Cláusula Terceira a seguir: 3.2 Para realização de todos os serviços a Contratada somente poderá utilizar mão de obra especializada e devidamente capacitada (...). 3.3 A contratada deverá atender aos seguintes requisitos: 3 . 3 . 1 Formação de uma central de atendimento aos usuários, que deverá funcionar no prédio da Reitoria da UFJF provendo suporte a todos os usuários e setores localizados fora do Campus Universitário. 3.3.2—Atendimento aos usuários na Central de Atendimento, pessoalmente ou via telefone, ou no local de trabalho do usuário (...): 3.3.3 Instalação e configuração de protocolos de redes, software básico ou programas aplicativos, necessários ao acesso aos serviços da UFJF e Internet: 3.3.4 Instalação e configuração dos sistemas operacionais windows e Linux; 3.3.5 Desenvolvimento e utilização de sistema informatizado para registro, acompanhamento e encerramento das solicitações de serviços feitos a Central de Atendimento. As notas fiscais também ajudam a esclarecer as atividades exercidas, uma que discriminam os seguintes serviços: "Prestação de serviços técnicos em informática na área de suporte à rede de computadores da UFJF e sistemas da UFJF(...)" Efetivamente esses serviços não equivalem aquele abrangido no art. 15 da Lei 11.051 de 2004 (Instalação, manutenção e reparação de máquinas de informática). A empresa desenvolveu sistemas, instalou esses sistemas, prestou atendimento aos usuários desses sistemas e isso corresponde sim a prestação de serviços de programador e de analista de sistemas. Atividades não abrangidas peio art. 15 da Lei 11.051/2004 que trouxe como exceção a vedação contida no inciso XIII do artigo 9" da Lei 9.317/96 a prestação de serviços de instalação, manutenção e reparação de maquinas de informática. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10640.001195/200716 Acórdão n.º 1001000.783 S1C0T1 Fl. 4 5 SIMPLES NACIONAL Efeitos da exclusão a partir de 01/07/2007 A contribuinte argumenta somente que sua atividade (instalação; manutenção de redes de computador) foi autorizada a opção pelo Simples Nacional. Aqui também, como a contribuinte não rebateu sua exclusão embasada na realização de operação de locação de mão de obra. não é necessário discutir se sua atividade foi autorizada ou não. porque para exclusão do Simples Nacional basta ocorrer uma das hipóteses de vedação. Cita o artigo 17, da Lei Complementar 123/006, a qual peço a devida vênia para omitir. Continuando com o voto da DRJ: Mais uma vez. por amor ao debate, registrese as seguintes ponderações. No item anterior, relativo ao Simples Federal, concluiuse que ... exerceu atividades de programador c analista de sistemas. Resta saber se essas atividades são permitidas ao Simples Nacional. Resolução CGSN 4/2007: Art. 12. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a ME ou a EPP: § 3º As vedações relativas ao exercício de atividades previstas no caput não se aplicam às pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente às atividades seguintes ou as exerçam em conjunto com outras atividades que não tenham sido objeto de vedação no caput: (Redação dada pelo(a) Resolução CGSN nº 50, de 22 de dezembro de 2008) I com efeitos até 31 de dezembro de 2008: (Redação dada pelo(a) Resolução CGSN nº 50, de 22 de dezembro de 2008) i) serviços de instalação, manutenção e reparação de máquinas de escritório e de informática; (Incluído(a) pelo(a) Resolução CGSN nº 50, de 22 de dezembro de 2008) v) elaboração de programas de computadores, inclusive jogos eletrônicos, desde que desenvolvidos em estabelecimento do optante; (Incluído(a) pelo(a) Resolução CGSN nº 50, de 22 de dezembro de 2008) w) licenciamento ou cessão de direito de uso de programas de computação; (Incluído(a) pelo(a) Resolução CGSN nº 50, de 22 de dezembro de 2008) x) planejamento, confecção, manutenção e atualização de páginas eletrônicas, desde que realizados em estabelecimento do optante; De acordo com as alterações acima reproduzidas no inciso I do § 3 o do art. 12 da Resolução 4/2007, trazidas pela Resolução CGSN 50/2008. mais especificamente os itens "i". "v"\ "w" e "x". fica caracterizado que a empresa poderia optar pelo SN. a partir de 01/01/2009. caso não incidisse em outra hipótese de vedação. Fl. 93DF CARF MF 6 Entendo não assistir razão à recorrente consoante toda a análise documental, realizada pela DRF. e também pelos argumentos trazidos pela DRJ em seu acórdão. De acordo com o Decreto 70.235/72, artigo 17 (in verbis): Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante Mas, como bem dito em seu relatório, a DRJ estendeu a sua análise (por amor ao debate) para , ao final, concluir que a recorrente incorreu em outra vedação, conforme demonstrado acima, já que a atividade exercida Resolução CGSN 4/2007, artigo 12, parágrafo 3°, alíneas i, v, w e x, como acima transcrito. Além disso, a própria recorrente emitia as notas fiscais efetuando o desconto de 11% em favor da Previdência Social , prevista na Ordem de SErviço INSS 209/99, o que, por isso só, já indica que havia cessão de mãodeobra, além dos demais aspectos abordados pela DRJ, em seu acórdão, os quais peço a devida vênia para incorporar a este voto. Assim, nego provimento ao presente recurso, sem crédito tributário em litígio. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 94DF CARF MF
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Numero do processo: 13738.000609/2004-48
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 29/08/2003
DCTF. CONTRIBUINTE NÃO OPTANTE PELO SIMPLES. OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA.
Negado o pedido de inclusão retroativa no SIMPLES, o período ao qual se refere o pedido submete-se à regência das normas que tratam das obrigações acessórias dos contribuintes não optantes, inclusive quanto à obrigação de entrega de DCTF.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
PEDIDO DE PARCELAMENTO. ANÁLISE. PROCESSAMENTO.
Não cabe ao órgão julgador executar as atividades operacionais que compreendem a análise prévia necessária para homologação ou não dos pedidos de parcelamento, inclusive a respeito da aplicação das reduções de multas previstas nas leis sobre parcelamento.
Numero da decisão: 1002-000.338
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 29/08/2003 DCTF. CONTRIBUINTE NÃO OPTANTE PELO SIMPLES. OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA. Negado o pedido de inclusão retroativa no SIMPLES, o período ao qual se refere o pedido submete-se à regência das normas que tratam das obrigações acessórias dos contribuintes não optantes, inclusive quanto à obrigação de entrega de DCTF. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 PEDIDO DE PARCELAMENTO. ANÁLISE. PROCESSAMENTO. Não cabe ao órgão julgador executar as atividades operacionais que compreendem a análise prévia necessária para homologação ou não dos pedidos de parcelamento, inclusive a respeito da aplicação das reduções de multas previstas nas leis sobre parcelamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
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Recorrente RESTAURANTE CHEZ GIGI LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 29/08/2003 DCTF. CONTRIBUINTE NÃO OPTANTE PELO SIMPLES. OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA. Negado o pedido de inclusão retroativa no SIMPLES, o período ao qual se refere o pedido submetese à regência das normas que tratam das obrigações acessórias dos contribuintes não optantes, inclusive quanto à obrigação de entrega de DCTF. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 PEDIDO DE PARCELAMENTO. ANÁLISE. PROCESSAMENTO. Não cabe ao órgão julgador executar as atividades operacionais que compreendem a análise prévia necessária para homologação ou não dos pedidos de parcelamento, inclusive a respeito da aplicação das reduções de multas previstas nas leis sobre parcelamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 8. 00 06 09 /2 00 4- 48 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13738.000609/200448 Acórdão n.º 1002000.338 S1C0T2 Fl. 54 2 Aílton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão proferida pela 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro I RJ (DRJ/RJOI) mediante o Acórdão n.º 1214.731, de 27/06/2007 (efls. 30 a 34). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância sintetiza bem o ocorrido, pelo que peço licença para transcrevêlo a seguir, complementandoo ao final. [...] No dia 18.10.2004, foi lavrado o presente auto de infração para exigir da interessada multa de R$ 2.000,00 por atraso na entrega da declaração de débitos e créditos tributários federais (DCTF) do anocalendário de 1999. Segundo o auto, a interessada declarou somente em 29/08/2003 débitos fiscais relativos aos quatro trimestres de 1999, e assim, infringiu as normas relacionadas na fundamentação legal de fls. 15. Cientificada do lançamento em 27/10/2004 (fls. 18), a interessada o impugnou no dia vinte e quatro seguinte (fls. 01/04). Alegou, em síntese, que a exigência da multa é indevida pelas seguintes razões: 1. É optante pelo Sistema Integrado de pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), desde o anocalendário 1999, embora em 2003 tenha constatado que deixou de apresentar à Receita Federal o "Termo de opção pelo Simples", pois entende que cumpriu as obrigações tributárias principais e acessórias exigíveis a um contribuinte em tal situação. 2. Teve seu pedido de inclusão retroativa negado em Despacho Decisório proferido nos autos do processo administrativo 13.738.000304/2003, sob a fundamentação de constar, naquela ocasião, como devedor da fazenda Nacional de créditos tributários referentes a 1997, do que discorda veementemente em razão de ter, em sua versão dos fatos, aderido ao Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13738.000609/200448 Acórdão n.º 1002000.338 S1C0T2 Fl. 55 3 Parcelamento Especial (PAES) em data anterior à ciência do referido despacho. 3. Buscou auxílio em agência da SRF e foi orientado a entregar as DCTFs referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, procedimento que adotou, mas que firma na peça impugnatória entendimento de ter sido indevido, já que teria sido a apresentação a destempo de tais declarações que teria motivado a presente autuação. 4. Entende que a Carta Magna lhe garante um tratamento diferenciado, simplificado e favorecido. Apresentando suas razões de direito, manifestou o seguinte entendimento: · Que por não se enquadrar em nenhuma das hipóteses de exclusão do Simples, na forma prescrita no art. 13, II da Lei n.º 9.317/1996, estaria desobrigado da entrega da DCTF, conforme IN SRF n.º 255/2002. · Que, mesmo que fosse obrigado à entrega das DCTFs, por ter realizado a opção pelo PAES no tempo e na forma prevista na Lei n.º 10.684/2003, que instituiu tal modalidade de parcelamento, o crédito tributário impugnado deveria estar contido no saldo consolidado da conta PAES. Em razão do exposto, conclui com o pedido de acolhida da impugnação, ao menos para considerar a redução de 50% do valor da multa, se julgado que o crédito é parte integrante do saldo do parcelamento especial. [...] A DRJ/RJOI negou provimento à impugnação, motivo pelo qual se socorreu o contribuinte do recurso voluntário, interposto em 31/07/2007, no qual se encontram os mesmos argumentos contidos na impugnação. Voto Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. O presente recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Passamos à análise do teor do recurso, interposto visando à reforma da decisão recorrida. O que o recorrente traz essencialmente como motivo que torne insubsistente a cobrança da multa por atraso na entrega de suas DCTFs é a alegação de que no período correspondente às DCTFs, que entregou com atraso, não estava obrigado ao envio destas, pois Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13738.000609/200448 Acórdão n.º 1002000.338 S1C0T2 Fl. 56 4 se encontrava já incluído no SIMPLES, desde 1999. E que somente teria enviado as DCTFs por ocasião de sugestão de um agente da administração tributária. Noutra linha, assinala que a DRJ não analisou o direito a redução das multas ao qual se refere a Lei que disciplinou o PAES (Parcelamento Especial, Lei n.º 10.684/2003), e também não analisou o pedido de inclusão no citado parcelamento. Reconhece que desde a constituição da empresa não havia formalizado a opção pelo SIMPLES, por não ter apresentado o "Termo de Opção pelo SIMPLES", mas que em maio de 2003 solicitou que a opção fosse declarada de ofício, inclusão retroativa esta que foi indeferida conforme Despacho Decisório (DD) de 28/07/2003, porque o contribuinte tinha débitos pendentes com a Fazenda Nacional desde 1997. O recorrente conduz seus argumentos na direção de associar o seu pedido de inclusão no parcelamento, feito em junho de 2003, à impossibilidade de reconhecimento de pendência de débitos pelo DD lavrado no mês seguinte, pugnando pela ocorrência de suspensão da exigibilidade dos referidos débitos. Ora, não é o que os autos informam. O caso concreto envolve pedido negado de inclusão retroativa no SIMPLES, não de exclusão do SIMPLES ou reinclusão. Ou seja, antes da opção e inclusão no SIMPLES, que se deu efetivamente a partir de 01/01/2005 (efl 27), o contribuinte nunca foi optante pelo SIMPLES. Tendo descumprido as formalidades exigidas, não houve a inclusão no referido sistema simplificado de apuração e tributação, não cabendo admitir que não eram devidas as DCTFs. Quanto à adesão ao parcelamento, a efl. 29 mostra que a consolidação, data de constituição do parcelamento, se deu em 16/08/2003, momento posterior à ciência do DD pelo recorrente. Ainda no tema parcelamento, dever ser dito que as reduções de multas a que se referem os dispositivos legais das leis sobre parcelamento são avalizadas pela unidade da RFB que opera e consolida os pedidos de parcelamento, não os órgãos julgadores. Se as multas integram o conjunto de créditos tributários inseridos nos valores a serem parcelados, o cálculo referente às condições e benefícios próprios constarão do documento de consolidação, no qual, evidentemente, serão discriminadas as reduções legais previstas. O dispositivo citado, § 7.º do art. 22 da IN SRF n.º 355, de 29/082003, assegura a permanência no SIMPLES, quando os débitos são quitados ou parcelados 30 dias após ciência do ADE de exclusão de ofício do SIMPLES. Repitase que aqui não se trata de exclusão do SIMPLES, quando o contribuinte nunca foi optante, logo, também não há o que se falar acerca de permanência no SIMPLES. Não se aplica ao caso, portanto, a regra contida no dispositivo da IN SRF citada acima. O recorrente requer que seja dado o mesmo tratamento para aquele que "nunca esteve no SIMPLES" e para aquele que "fora excluído do SIMPLES". Ocorre que não há essa previsão legal para tal diferenciação pretendida. Ao contrário, a lei dispensa tratamentos díspares para as duas situações mencionadas. Por fim, cabe ressaltar que não é competência dos órgãos julgadores a análise dos pedidos de parcelamento, por isso ficam pendentes tais pedidos até a consolidação/homologação pela unidade da RFB que jurisdiciona o contribuinte, momento a Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13738.000609/200448 Acórdão n.º 1002000.338 S1C0T2 Fl. 57 5 partir do qual poderá até haver inconformidade, a ser operada administrativamente conforme prevê o processo administrativo próprio, o que não é o caso delineado nestes autos. Logo, não assiste razão ao recorrente. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10215.720064/2015-53
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS.
Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973.
Numero da decisão: 2001-000.631
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS. Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973.
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REQUISITOS. Da legislação de regência, extraise que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 72 00 64 /2 01 5- 53 Fl. 80DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2013, anocalendário de 2012, por meio do qual foi constatado que se apurou a dedução indevida com pensão alimentícia, no valor de R$ 34.550,00. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação alegando, em síntese, que parte do lançamento da despesa teria sido um equívoco cometido , ou seja, o valor de R$18.200 teria sido lançado equivocadamente. No entanto, o valor de R$16.040, seria o valor de pensão que teria pago a sua ex esposa. Salientese que , mesmo intimado, o contribuinte não apresentou sentença judicial, acordo homologado ou escritura pública existente à época do pagamento, nem apresentou nenhum comprovante de efetivo pagamento da pensão;. A RECIFE, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que o impugnante não teria logrado êxito em comprovar tais despesas , pelos motivos acima expostos. Em sede de Recurso Voluntário, repisa os mesmos argumentos e apresenta ma escritura formalizada em 2015, sendo que segue sem apresentar qualquer comprovante de efetivo pagamento ou transferência a sua ex esposa. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Pensão alimentícia O presente lançamento decorre de glosa efetuada pela autoridade tributária na dedução de pensão alimentícia na declaração do imposto de renda pessoa física, entregue pelo contribuinte, relativo ao exercício de 2013. Nesta senda, merece trazer a baila o que dispõe a legislação no que se refere à pensão alimentícia. Vejamos o que está previsto no art. 8º, II, “f”, da Lei nº 9.250/1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10215.720064/201553 Acórdão n.º 2001000.631 S2C0T1 Fl. 3 3 I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; Ressaltese que a alínea “f” do inciso II do artigo 8º da Lei nº 9.250, de 1995, passou a ter nova redação com o advento da Lei n.º 11.727, de 23 de junho de 2008, redação esta que, nos termos do art. 21 desta Lei, entrou em vigor na data da publicação da Lei nº 11.441, de 4 de janeiro de 2007. Eis a nova redação: f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou deescritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Conforme verificase da legislação acima transcrita, são requisitos para a dedução: a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; que o pagamento tenha a natureza de alimentos; que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do anocalendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Fundamental, pois, esclarecer que o alimentante tem direito de realizar a dedução integral dos valores que pagar a título de pensão alimentícia. Porém, para que a dedução seja admitida, é preciso então que os alimentos prestados sejam decorrentes de decisão judicial ou, ainda, de acordo homologado judicialmente ou lavrado por escritura pública . Cumpre observar que não se admite que a pensão alimentícia de filhos com idade inferior a 18 anos seja estabelecida por acordo lavrado por escritura pública. Sendo assim, aludida possibilidade restringese aos casos em que o dever de prestar alimentos estendase além da maioridade dos filhos. A jurisprudência tem admitido, inclusive, que se mantenha o dever de prestar alimentos até a conclusão de curso em estabelecimento de ensino superior pelo filho. Nessa circunstância, caso os pais do jovem venham a se divorciar, nada impede que, por escritura pública, seja estabelecida pensão alimentícia ao filho maior de idade. Não é permitida a dedução de montantes pagos pelo alimentante por mera liberalidade. É preciso mencionar também os casos em que a decisão judicial ou acordo determina que o alimentante arque diretamente com despesas médicas e/o ou relativas à instrução do alimentando. Isto é, o acordo ou a sentença pode prever que despesas, como aquelas referentes a planos de saúde e mensalidades escolares, sejam pagas diretamente pelo alimentante em nome do alimentando. Fl. 82DF CARF MF 4 Concluise, nesse sentido, que poderá haver dedução: 1) do valor integral pago a título de pensão alimentícia, desde que o montante tenha sido previamente determinado por acordo homologado judicialmente ou lavrado por escritura pública ou, então, que tenha sido estabelecido por decisão judicial; 2) dos valores atinentes às despesas médicas incorridas com o alimentando, sem limite de valor; 3) dos valores relacionados a gastos com instrução do alimentando, nos limites de valor estabelecidos pelas normas que regulam a matéria. É fato que a pessoa é livre para declarar em cartório, por meio de escritura, o que lhe aprouver, responsabilizandose pelo que declarou. A declaratória não significa, contudo, aptidão para efeito de dedução tributária. Ora, a escritura pública de separação ou de divórcio (ambos consensuais) surgiu como instrumento de desafogo ao sistema judiciário, desde que observados os requisitos previstos para a sua adoção. No caso concreto, já havia ocorrido a separação consensual, nos termos revelados. Demais disso, a escritura declaratória não atende às exigências da lei acima transcrita, especialmente a participação obrigatória de advogado na separação consensual (art. 1.124A, § 2°, da Lei n° 5.869/1973). Tratouse, então, de mera liberalidade, sem respaldo legal que pudesse garantir sua dedutibilidade, nos termos do art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº 3.000/1999. Diante do quanto exposto, entendo que deve ser negado provimento ao Recurso voluntário e portanto mantida a glosa das despesas referentes à pensão alimentícia Multa de ofício de Juros de Mora e suposto caráter confiscatório Em que pese a multa não seja tributo, mas sim penalidade que tem por fim coibir o cometimento de infrações, ainda que, hipoteticamente, fosse aplicável a questão de confisco, não compete a esta instância administrativa sopesar a exigência tributária: se é ou não demasiada. Essa tarefa assiste ao Legislador e ao Poder Judiciário. No âmbito do Poder Executivo, deve a autoridade fiscalizadora apenas cumprir a determinação legal, de forma vinculada e obrigatória, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas. Ademais, vale salientar, em relação ao juros Selic que a Súmula CARF de número 4 não traz nenhum ponto de dúvida em relação à sua aplicação. Portanto, não há discussão em relação a sua aplicação. Súmula nº 4 CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos nos períodos de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo a glosa de despesas com pensão alimentícia . Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10215.720064/201553 Acórdão n.º 2001000.631 S2C0T1 Fl. 4 5 (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.950691/2015-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO REBATE AS RAZÕES DA DECISÃO DA DRJ.. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE.
Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou traga qualquer motivo pelos quais deva ser modificada deve ser mantido por falta de dialeticidade com a decisão recorrida.
Numero da decisão: 1401-002.764
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliviera Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012 RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO REBATE AS RAZÕES DA DECISÃO DA DRJ.. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE. Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou traga qualquer motivo pelos quais deva ser modificada deve ser mantido por falta de dialeticidade com a decisão recorrida.
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AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE. Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou traga qualquer motivo pelos quais deva ser modificada deve ser mantido por falta de dialeticidade com a decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliviera Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 06 91 /2 01 5- 74 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10880.950691/201574 Acórdão n.º 1401002.764 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Adoto como relatório, aquele da decisão de primeira instância, complementando a seguir: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório [...], referente ao PER/DCOMP nº 29526.73246.200115.1.3.043019. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de IRPJ, Código de Receita 2089, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 27/04/2012, no valor de R$ 34.849,33. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que a alegação de que não restou crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o DD; que a autoridade administrativa quedouse inerte na análise de qualquer situação que legitima o crédito postulado; que o processo administrativo no âmbito federal tem regulamentação própria e deve ser observada pela autoridade julgadora; que a Lei 9784, de 1999, no art. 2, inciso VIII, dispõe, entre outros, sobre os princípios da legalidade, motivação e observância das formalidades; que a autoridade não se deu nem sequer ao trabalho de motivar seu despacho; que se torna evidente que a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, porque o crédito propriamente dito nem sequer foi apreciado; Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10880.950691/201574 Acórdão n.º 1401002.764 S1C4T1 Fl. 4 3 que a autoridade administrativa limitouse a verificar se o pagamento realizado estava disponível em seus sistemas; que diversas situações que acarretariam na restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo, hipóteses que são regulamentadas pela IN 1.300/2012; que a autoridade administrativa furtouse em analisar qualquer das possibilidades que ensejaria a restituição postulada; que simplesmente não homologar a compensação sem explicar os motivos da suposta indisponibilidade do crédito, torna a decisão totalmente nula, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência deste crédito; que houve cerceamento de direito de defesa, porque a autoridade não analisou o mérito da compensação efetuada e nem sequer intimou a empresa a prestar os esclarecimentos necessários; em observância ao princípio constitucional da eficiência, a administração está obrigada a intimar o interessado a fazer os esclarecimentos necessários e comprovar o alegado, sempre que lhe restar dúvidas; que não é possível promover uma defesa quando não são expostos os argumentos que levaram ao indeferimento do seu pedido; que ficou impossibilitada a oportuna apresentação de prova do direito alegado, já que nem sequer é sabido o que não foi reconhecido; Ao final, pedese que seja determinada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e que seja acatada a preliminar de nulidade. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada a contribuinte interpôs recurso voluntário sem contudo, apresentar as razões do recurso. Foi intimada a contribuinte a apresentar as razões em 10 dias. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10880.950691/201574 Acórdão n.º 1401002.764 S1C4T1 Fl. 5 4 Apresentadas as razões, a contribuinte alega apenas a nulidade do despacho decisório por não ter sido fundamentado. Alega que os atos administrativos devem ser fundamentados para que fosse possível à Recorrente compreender qual o motivo da não homologação da compensação. Por fim, não junta qualquer documento, tampouco rebate a fundamentação da decisão primeva. Esse é o relatório do essencial. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10880.950691/201574 Acórdão n.º 1401002.764 S1C4T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.752, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.959034/2013 21, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.752): O recurso é tempestivo e dele conheço. Cuidam os autos de compensação de débito(s) com crédito de IRPJ, Código de Receita 2089, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 29/01/2010, no valor de R$38.217,54. O despacho decisório concluiu que o DARF citado do alegado crédito já foi devidamente compensado com outros débitos. Ou seja, estamos diante de um fato em que deveria a contribuinte, ora recorrente, demonstrar que os valores não foram compensados com outros débitos. Sendo assim, a questão é meramente de fato e exige provas da contribuinte para que lhe seja garantido seu suposto direito. Contudo, não restou demonstrado qualquer direito e tão somente sua indignação pela falta de fundamentação do despacho decisório. A DRJ analisou o pedido conforme exposto abaixo: Motivação do Despacho Decisório O despacho não deixa dúvida quanto à sua motivação: o fundamento de fato para a não homologação é a inexistência do crédito utilizado na compensação; o fundamento legal é, entre outros, o art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996. O caput do referido artigo diz que o sujeito passivo que apurar crédito passível de restituição ou de ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios. Isso significa que, se o sujeito passivo não apurar crédito passível de restituição ou ressarcimento, não poderá fazer compensação. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10880.950691/201574 Acórdão n.º 1401002.764 S1C4T1 Fl. 7 6 Portanto, a inexistência do crédito utilizado no PER/DCOMP é fundamento de fato legítimo e suficiente para a não homologação. Ele explicita de maneira fundamentada, como se concluiu pela inexistência do crédito pretendido. Consta do despacho decisório que o Darf apresentado como crédito foi utilizado para pagar débito a ele vinculado. Foram informados, ainda, em relação ao débito vinculado ao DARF, o código do tributo, seu período de apuração e seu valor original. Demonstrase, assim, que o despacho traz, de forma explícita, a motivação da não homologação. A exposição é clara e exaustiva. O interessado, por sua vez, demonstra que a compreendeu perfeitamente no trecho da manifestação abaixo reproduzido: Limitouse a autoridade administrativa, em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Teve, portanto, a cognição dos fatos e do direito pertinentes ao objeto do ato contestado em toda sua extensão e complexidade. Assim sendo, não houve preterição do direito de defesa. A análise da motivação é questão de mérito. Sua eventual improcedência não é motivo de nulidade e não afeta o estabelecimento da relação jurídica processual. Falta de Intimação Para Prestar Esclarecimentos Pelo que dispõe o Decreto nº 70.235, de 1972, não constitui irregularidade a falta de oportunidade para a manifestação do sujeito passivo antes da ciência do despacho decisório de nãohomologação da compensação. Por outro lado, o recurso apenas argui a falta de fundamentação do despacho decisório, sem ao menos "dialogar" com a decisão da DRJ. Nesse sentido, a falta de dialeticidade do recurso impede qualquer nova decisão sobre a matéria. Essa é a jurisprudência desse Conselho sobre a matéria, conforme ementa de recurso julgado pela brilhante Conselheira integrante desse turma, Lívia De Carli Germano: IMPUGNAÇÃO. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE. REGIMENTO INTERNO DO CARF. Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou traga qualquer motivo pelos quais deva ser modificada autoriza a adoção, como razões de decidir, dos Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10880.950691/201574 Acórdão n.º 1401002.764 S1C4T1 Fl. 8 7 fundamentos da decisão recorrida, por expressa previsão do regimento interno do CARF. Processo nº 10935.002797/201072 Acórdão nº 1401 002.365 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de abril de 2018 Recorrente JORGE TOME EPP/ Recorrida FAZENDA NACIONAL Nesse sentido, não há qualquer direito a ser reconhecido, tampouco qualquer nova razão. Não restou demonstrada a não fundamentação da decisão recorrida, pelo que a mantenho pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Pelo acima exposto, conduzo meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 74DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.018887/2008-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2004, 2005
DEFESA ADMINISTRATIVA. MANIFESTAÇÃO DO SOBRE TODOS OS ARGUMENTOS. DESNECESSIDADE.
A autoridade julgadora não está obrigada a apreciar todos os argumentos da parte, bastando que exponha sua convicção motivadamente, desde que sejam suficientes para contrapor a tese da defesa.
CONSTITUIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOA JURÍDICA. PROCURAÇÃO. CONJUNTO INDICIÁRIO PRESENTE. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA CONFIGURADA.
Estando presente conjunto de indícios colhidos pela autoridade administrativa demonstrando a prática dos atos descritos no art. 135 do CTN, mantem-se a responsabilidade tributária dos sócios de fato. Afasta-se, todavia, a aplicação do art. 124, inc. I, CTN, pois não restou configurado o “interesse comum”.
Numero da decisão: 1302-001.208
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: Marcio Rodrigo Frizzo
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MANIFESTAÇÃO DO SOBRE TODOS OS ARGUMENTOS. DESNECESSIDADE. A autoridade julgadora não está obrigada a apreciar todos os argumentos da parte, bastando que exponha sua convicção motivadamente, desde que sejam suficientes para contrapor a tese da defesa. CONSTITUIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOA JURÍDICA. PROCURAÇÃO. CONJUNTO INDICIÁRIO PRESENTE. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA CONFIGURADA. Estando presente conjunto de indícios colhidos pela autoridade administrativa demonstrando a prática dos atos descritos no art. 135 do CTN, mantemse a responsabilidade tributária dos sócios de fato. Afastase, todavia, a aplicação do art. 124, inc. I, CTN, pois não restou configurado o “interesse comum”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 88 87 /2 00 8- 84 Fl. 501DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.14170.YQDU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, CRISTIANE SILVA COSTA, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA. Fl. 502DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.14170.YQDU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10380.018887/200884 Acórdão n.º 1302001.208 S1C3T2 Fl. 501 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por LÚCIO MOREIRA ARAGÃO, declarado responsável solidário (fl. 48 e ss.). Na origem foi lavrado auto de infração em razão da suposta omissão de receitas por parte da empresa fiscalizada, fato que motivou a constituição do IRPJ (R$ 952.550,83), CSLL (R$ 489.044,03), PIS (R$ 295.549,02) e COFINS (R$ 1.364.073,26) (fls. 02/45). Em resumo, na origem do presente processo administrativo, o AFRFB constatou a ocorrência dos seguintes fatos, consoante narrado no auto de infração (fl. 02/45): (i) A empresa fiscalizada, no ano calendário de 2004, apresentou declaração de imposto de renda com base no lucro presumido, informando os campos de receita “zerados” (fls. 159/194) e apresentando somente DCTF relativa ao 1º trimestre. Em relação ao ano calendário 2005, a empresa declarouse como inativa em sua DIPJ (fls. 195), deixando de apresentar DCTF; (ii) A partir da base de dados da CPMF, verificouse que a empresa realizou considerável movimentação financeira durante o período fiscalizado, o que revelaria flagrante omissão de receitas; (iii) A empresa teria ainda realizado considerável volume de operações de saídas de mercadorias anoscalendário de 2004/2005, consoante informações fornecidas pela Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará, datado de 01/10/2008 (fls. 53/101), em atendimento ao ofício da RFB nº 972/2008, de 17/09/08; (iv) A empresa não foi localizada para ser intimada a apresentar documentação inerente a sua escrituração fiscal, tais como Livro Diário, Razão, LALUR, Livro de Apuração de ICMS, Entradas e Saídas de Mercadorias, Inventário de Mercadorias com Escrituração dos anos calendário 2004/2005 (fls. 102/105), motivo pelo qual fora intimada via edital (fls. 106); (v) Devidamente intimada por intermédio de sua sócia administradora (fls. 107/109), a empresa compareceu à Secretaria da Receita Federal informando o extravio de “toda a sua escrita fiscal, apos o encerramento de suas atividades, que ocorreu há alguns anos” (fls. 110); (vi) A intimação para apresentação da escrita fiscal da empresa se deu também na pessoa de Francisco Alberto Moreira Aragão (fls. 123/124) e Lucio Moreira Aragão (fls. 120/121), que possuíam instrumento público para amplamente representar a empresa (fls. 146/149 e 156/157). Nesta oportunidade, apenas se manifestou o Sr. Lúcio Moreira Aragão, quando Fl. 503DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.14170.YQDU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 informou que apenas cumpria ordens dos sócios e que não possui qualquer livro da empresa (fls. 122). Com base nestas premissas, e considerando a não apresentação dos livros fiscais previstos em lei, o AFRFB realizou o arbitramento do lucro durante o período fiscalizado, com base no art. 47, II, da Lei nº 8.981/95. O arbitramento do lucro se deu com base nas informações constantes na da Fazenda do Estado do Ceará, deduzindose o montante destes tributos já declarados em DCTF. Segundo consta dos autos, em 10/07/2008, o AFRFB também oficiou às instituições financeiras Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco Safra S/A, requisitando dados cadastrais da empresa, extratos de aplicações financeiras, movimentação em conta corrente e instrumento de procuração outorgando poderes a terceiros para representarem a pessoa jurídica (fls. 127/134). Em 29/08/2008, o Banco Safra atendeu à requisição (fls. 135/139), apresentando as informações referentes à empresa, bem como extratos da conta corrente em mídia digital (não acostados aos autos e destruídos posteriormente, conforme fls. 158) e informando não constar qualquer instrumento procuratório outorgando poderes a terceiros. Em 04/10/2008, o Banco do Brasil informou que não fora localizado movimento de aplicações financeiras no período solicitado. Na oportunidade, apresentou informações sobre a movimentação financeira da empresa fiscalizada e procurações outorgando poderes para Francisco Alberto Moreira Aragão e Lucio Moreira Aragão (fls. 140 e ss.). Por fim, em 21/11/2008 a Caixa Econômica Federal se manifestou apresentando extratos bancários de conta corrente e aplicações financeiras da empresa fiscalizada (igualmente não acostados aos autos e destruídos posteriormente), bem como cópia de fichas de abertura, documentos pessoais e instrumento procuratório para Francisco Alberto Moreira Aragão representar a empresa (fls. 150 e ss.). A partir destes documentos, foi lavrado termo de sujeição passiva solidária para declarar aos Srs. Lucio Moreira Aragão e Francisco Alberto Moreira Aragão como responsáveis pelo crédito tributário constituído, com base nos artigos 124, I, 135, III e 149, VII, todos do Código Tributário Nacional. No termo de sujeição passiva solidária (fls. 48), o AFRFB teceu as seguintes considerações: (i) Desde o início das atividades da empresa fiscalizda, figuraram como sócios o Sr. Francisco de Assis Rodrigues, com poderes de gerência, e Sr. José Gaudino da Silva Filho. Em 03/11/05, Francisco de Assis Rodrigues retirouse da sociedade e em seu lugar ingressou a Srª. Juciara Silva Magalhães; (ii) As pessoas físicas José Galdino da Silva Filho, Francisco de Assis Rodrigues e Juciara Silva Magalhães, nunca possuíram patrimônio compatíveis com a de empresários da pessoa jurídica fiscalizada, pois sempre apresentaram declaração sem qualquer rendimento a título de pro labore ou lucro; (iii) O Sr. Francisco de Assis Rodrigues sequer possui endereço atualizado perante a Receita Federal, pois em seu cadastro consta como residente no mesmo endereço da pessoa jurídica fiscalizada, onde atualmente encontrase Fl. 504DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.14170.YQDU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10380.018887/200884 Acórdão n.º 1302001.208 S1C3T2 Fl. 502 5 estabelecida a empresa Nutrinor Restaurantes de Coletividade, completamente estranha à fiscalizada; (iv) A Srª. Juciara Silva Magalhães, ao se manifestar nos autos, informou que a pessoa jurídica “encerrou suas atividades há alguns anos” e que os administradores da empresa eram aqueles constantes no contrato social; (v) A Srª. Juciara Silva Magalhães, embora devidamente intimada, não compareceu pessoalmente para prestar esclarecimentos pretendidos pelo AFRFB; (vi) Restou caracterizada flagrante sonegação, pois a pessoa jurídica fiscalizada não foi localizada no endereço mantido perante o Fisco; que não foram apresentados os livros inerentes à escrituração fiscal; que as informações obtidas da documentação fiscal fornecidas pela Secretaria da Fazenda Estadual demonstravam volume considerável de operações mercantis; que houve intensa movimentação financeira em suas contas bancárias, conforme base de dados da CPMF; (vii) Nas fichas cadastrais da pessoa jurídica fiscalizada perante as instituições financeiras, o Sr. Lúcio Moreira Aragão figurava como Diretor Financeiro/Administrador da empresa; (viii) Que “100% da movimentação bancária realizada pela empresa no biênio fiscalizado se deu junto ao Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal” (embora esta informação não possa ser auferida por conta da destruição dos extratos bancários, conforme fls. 158); (ix) As procurações públicas encaminhadas pelas instituições financeiras são prova cabal de que a empresa teria sido constituída por intermédio de interposta pessoa; (x) Que as declarações de Imposto de Renda do Sr. Lucio Moreira Aragão, então administrador da pessoa jurídica, trazem inúmeras evidências de ser ele o proprietário da pessoa jurídica, a saber: (a) consta como bem do Sr. Lucio Moreira Aragão o imóvel onde a pessoa jurídica fiscalizada era instalada; (b) este imóvel já servira de domicílio para firma individual de Francisco Alberto Moreira Aragão, seu irmão, cujo ramo de atividade era o mesmo da empresa fiscalizada; (c) que nas declarações DIPF do Sr. Lucio Moreira Aragão não constam rendimentos auferidos pelo exercício da administração da pessoa jurídica fiscalizada; (d) que o endereço da filial da fiscalizada coincide com o endereço da pessoa jurídica LMA Representação Comercial LTDA, que também pertence aos Srs. Lucio Moreira Aragão e que atua no mesmo ramo de atividade; (e) que o Sr. Lucio Moreira Aragão também figura como proprietário e responsável de empresa diversa (Licita Comércio de Representações LTDA), do mesmo ramo que a fiscalizada; (f) que o Sr. Francisco Alberto Moreira Aragão, além de proprietário de duas empresas, figura como responsável de mais duas (Superfrio Distribuidora de Alimentos, CNPJ/MF nº 08.374.914/000124 e Superfrio Distribuidora de Alimentos, CNPJ/MF nº 08.374.337/000179), também do mesmo ramo de atividade empresarial; (g) que o patrimônio do Sr. Lucio Moreira Aragão é da ordem Fl. 505DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.14170.YQDU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 de R$ 700.000,00, enquanto que os sócios da pessoa jurídica fiscalizada sequer possuem patrimônio; (xi) Que é difícil admitir que as pessoas físicas constantes no contrato social são os sócios da pessoa jurídica fiscalizada, pois sequer possuem patrimônio para serem proprietário de empresa com tamanho faturamento; (xii) Que é estranho o fato de os sócios da fiscalizada outorgarem procuração para dois irmãos, completamente desconhecidos e que atuam no mesmo ramo empresarial que sua empresa, supostamente concorrentes; (xiii) Que é no mínimo duvidoso que duas pessoas desconhecidas outorguem procuração para dois irmãos, atuantes no mesmo ramo empresarial, para movimentarem suas contas bancárias na ordem, cuja movimentação atingiu a soma R$ 19.029.109,00 em 2004 e R$ 15.013.682,91 em 2005; (ix) Por fim, que estas evidências indicam se tratar de constituição de pessoa jurídica por interposição fraudulenta de pessoas; Encerrada a fiscalização, o recorrente teve ciência do auto de infração em 20/11/2008 (fls. 244). Na sequência, apresentou impugnação em 19/12/2009 (fl. 250/278), a qual foi julgada TOTALMENTE IMPROCEDENTE, nos termos da ementa do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamentos (DRJ) que adiante segue transcrita (fl. 306/322): ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004, 2005 SIMULAÇÃO. INTERPOSTA PESSOA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Na utilização de interposição de pessoa o intuito do Declarante é o de inculcar a existência de um Titular de Direito, mencionado na Declaração, ao qual, todavia, nenhum direito se outorga ou se transfere, servindo seu nome exclusivamente para encobrir o da pessoa a quem de fato se quer outorgar ou transferir o direito de que se trata, afigurandose, na espécie, o evidente intuito defraude, enquadrável na tipificação de simulação daidentidade dos verdadeiros Responsáveis pela Empresa Fiscalizada. MULTA OUALIFICADA Nos casos de lançamento de. ofício deve ser aplicada a multa qualificada sobre a totalidade ou diferença do tributo devido, quando comprovado o evidente intuito de fraude. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 ARBITRAMENTO DE LUCRO. A não apresentação dos Livros e Documentos da escrituração contábil, por ocasião da fiscalização, justifica o arbitramento do lucro calculado sobre os valores das receitas auferidas pela Empresa. Fl. 506DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.14170.YQDU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10380.018887/200884 Acórdão n.º 1302001.208 S1C3T2 Fl. 503 7 DIVERGÊNCIA ENTRE A RECEITA INFORMADA NOS DOCUMENTOS FISCAIS ESTADUAIS E A DECLARADA AO FISCO FEDERAL (DIPJ). Não logrando o Contribuinte justificar a diferença dos valores dos faturamentos consignados, em relação a idêntico período, nas Declarações de Informações da Pessoa Jurídica DIPJ versus Documentos Fiscais Estaduais (Guias de Informação Mensal do ICMS e Declarações de Informações Económico Fiscais), procede o Lançamento com base nos valores efetivamente levantados pela Fiscalização. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2004, 2005 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CCONTRIBUÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS. CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL. Dada a íntima relação de causa e efeito que vincula as Exigências, a Decisão proferida no Lançamento Principal é aplicável aos Lançamentos Decorrentes. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005 ALEGAÇÃO DE NULIDADE DE AÇÃO FISCAL. Não provada violação das disposições contidas no artigo (art.) 142 do Código Tributário Nacional CTN, nem dos arts. 10 e 59 do Decreto 70.23511972, não há que se falar em nulidade do Lançamento formalizado através de Auto de Infração. POSICIONAMENTOS DE ILUSTRES JURISTAS. A Autoridade Administrativa não tem competência para apreciar alegações de descabimento de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional, não obstante posicionamentos de Ilustres Juristas, por motivo de essa matéria ser reservada ao Supremo Tribunal Federal. DECISÕES JUDICIAIS. A teor do art. 100, inciso II, do Código Tributário Nacional, as Decisões Judiciais, mesmo proferidas pelos Órgãos Colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário e não podem ser estendidas genericamente a outros casos, somente aplicandose sobre a questão em análise e vinculando as partes envolvidas naqueles litígios.. Lançamento Procedente. Fl. 507DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.14170.YQDU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 Intimado da decisão supratranscrita em 22/10/2009 (fl. 345), a recorrente (Lúcio Moreira Aragão) apresentou, então, recurso voluntário (fl. 346/388), no qual argumenta, em resumo: (i) Que o acórdão proferido pela DRJ é nulo, pois foi absolutamente omisso em relação aos argumentos delineados pelo recorrente quando da impugnação ao auto de infração e, por outro lado, refutou argumentos não arguidos naquela oportunidade; (ii) Que a empresa fiscalizada de fato teve suas instalações no imóvel do recorrente, entretanto, este fato somente exalta a amistosa relação entre o recorrente e o proprietário da empresa fiscalizada; (iii) Que o imóvel era divido em duas partes, tendo uma servido como sede da empresa fiscalizada e a outra alugada ao Sr. Francisco Alberto Moreira Aragão, que jamais funcionou efetivamente no local; (iv) Que não há como não reconhecer a informalidade do mercado de trabalho, e que a relação entre o recorrente e a empresa fiscalizada se adéqua a esta situação; (v) Que a empresa LMA Representações foi criada em 1997 pelo recorrente, e não pelo Sr. Francisco Alberto Moreira Aragão, e que tal empresa teve sua baixa em 08/10/2001; (vi) Que a empresa Licita Representações, de titularidade do recorrente, não exerce a mesma atividade da empresa fiscalizada; (vii) Que o fato de o Sr. Francisco Alberto Moreira Aragão ser sócio da empresa Superfrios Distribuidora de Alimentos, demonstra a impossibilidade deste ser sócio do recorrente na empresa fiscalizada, e que o sucesso no mercado da primeira (Superfrios), até porque o sucesso desta empresa contribuiu para a derrocada da empresa fiscalizada (Polo Sul); (viii) Que o fato de o recorrente não ocultar seu patrimônio somente faz contribuir para a conclusão de que não era sócio de fato da empresa fiscalizada; (ix) Que é inaplicável do art. 135, III, do CTN, pois nunca esteve à frente de decisões relevantes, sempre se limitando a cumprir o que lhe era incumbido. Ademais, o AFRFB não teria se imcumbido de demonstrar o dolo do recorrente em transgredir a lei, contrato social ou estatudo da empresa, não havendo que se falar em responsabilidade objetiva em matéria tributária; (x) Que é inaplicável o art. 124, I, do CTN, ao caso, pois o recorrente não possui, tampouco restou demonstrado nos autos o interesse comum na ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Neste sentido, a jurisprudência hodierna seria no sentido de que a solidariedade em matéria tributária não se presume; (xi) Por fim, rebate os argumentos delineados no acórdão, no sentido de considerar os fatos apurados nos autos como prova cabal de que o recorrente seria o verdadeiro proprietário da empresa fiscalizada; Fl. 508DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.14170.YQDU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10380.018887/200884 Acórdão n.º 1302001.208 S1C3T2 Fl. 504 9 (xii) Ao final, protesta pela completa improcedência da autuação fiscal. É o relatório. Fl. 509DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.14170.YQDU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. O recurso voluntário interposto é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. 1. Do conceito de empreitada de construção civil com fornecimento de materiais O fato central da discussão do presente recurso está na determinação do percentual de presunção do lucro para o IRPJ incidente sobre a prestação de serviços da recorrente, que afirma exercer atividades ligadas à construção civil com emprego de materiais, enquanto o cerne da autuação aponta que tais operações são enquadradas como prestação de serviços em geral. As atividades relacionadas com a construção civil com emprego de materiais são sujeitas a aplicação do percentual de 8% sobre a base de cálculo, enquanto na prestação de serviços em geral, a alíquota aplicada na presunção do lucro é de 32%. A recorrente trouxe em seus argumentos que realizava obras de grande vulto e, para tanto, envolvia tanto serviços relacionados à engenharia mecânica, quanto serviços de construção civil. Inicialmente, cumpre verificar se as atividades exercidas pela recorrente por força dos contratos de prestação de serviços em análise podem ser consideradas como “construção civil”. Em análise do contrato realizado entre a prestadora (recorrente) e a tomadora dos serviços, vêse que seu objeto era a realização de manutenções, conforme descrito a seguir (fl. 277): 1.1 – O presente Contrato tem por objeto a prestação, pela CONTRATADA, de serviços de manutenção de parada programada na unidade de recuperação de enxofre (URE), UMTBE, GV5602 e periféricos da U5600, no âmbito da Refinaria Presidente Getúlio Vargas – REPAR, em Araucária – PR, de conformidade com os termos e condições nele estipulados e no Anexo 1 – Especificação dos Serviços. Além disso, não foram encontrados serviços suficientes e preponderantes relacionados à construção civil no Anexo 1 – Especificação dos Serviços (fls. 296/331), constatandose, definitivamente, que os serviços contratados se tratavam de serviços destinados à manutenção de estruturas, bem como identificado à fl. 332, no resumo dos serviços, aos quais se analisa trechos do Anexo 1, adiante. Conforme se vê à fl. 297, os materiais fornecidos pela recorrente são retirados após a prestação dos serviços de manutenção, consoante consta em contrato, conforme abaixo: Fornecer a quantidade de 15.000 metros lineares de material de andaime conforme características identificadas na tabela abaixo Fl. 510DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.14170.YQDU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10380.018887/200884 Acórdão n.º 1302001.208 S1C3T2 Fl. 505 11 e executar a montagem e desmontagem de andaimes a partir de tubos, braçadeiras, luvas, escadas de acesso, sapatas, placas de sinalização e rodapés, para o período de préparada, parada e pósparada das unidades GV5602 (gerador de vapor); UMTBE (Unidade Metiltercbutiléter); URE (Unidade de Recuperação de Enxofre), que são o escopo da Parada Programada na UN Repar. (grifo não original) Salvo pontuais exceções, os contratos previam que o tomador dos serviços forneceria os materiais que se incorporariam de fato à estrutura, conforme fl. 304, adiante: Após a execução do ensaio ÍRIS, será definida a necessidade ou não da retubulação do feixe deste permutador de calor. Caso necessário, a CONTRATADA deverá efetuar a retubulação do feixe, com reaproveitamento das chicanas, tirantes e espelhos, os tubos serão fornecidos pela PETROBRÁS. (grifo não original) De outro lado, a recorrida é responsável principalmente por materiais relacionados à testes e acessos aos serviços, conforme exemplo descrito na fl. 309 e fl. 328, nesta ordem abaixo: Efetuar teste hidrostático com pressão de 4,50kgf/cm2. Todos os recursos necessários à completa execução dos trabalhos deverão ser fornecidos pela CONTRATADA. (...) A CONTRATADA deverá fornecer todos os gases (acetileno, oxigênio e argônio) com as respectivas garrafas, necessários à execução dos serviços; Ainda, resta claro, contratualmente, que os materiais diversos fornecidos pela recorrente referemse à manutenção, sendo itens que se incorporam por conta da tomadora de serviços (Petrobrás), conforme fl. 328: Fornecer todo o material de consumo geral, tais como: Estopa, solvente, graxas, lixas, trapos, discos abrasivos, lâmpadas de 110V e 24V, fusíveis, escovas de aço, lonas plásticas ou encerados, conectores, resistências, madeirit, coberturas, etc, exceto os materiais previstos como fornecimento da Petrobrás; E mais. Os serviços de pintura, que podem tratados como prestação de serviços de construção civil (considerados como reforma), eram realizados pela recorrente. Contudo, cabia à tomadora dos serviços o fornecimento dos materiais que se incorporam à obra, conforme estipulação de fl. 323: Para atendimento aos serviços de manutenção de pintura, a CONTRATADA deverá manter uma equipe de 01 supervisor e 4 pintores em turno diurno durante a execução dos serviços de préparada, parada e pós parada. Devendo esta equipe realizar trabalhos de preparação de superfície para pintura e aplicação de tinta de fundo e acabamento conforme definição da Fiscalização e recomendação do Setor de Inspeção de Equipamentos. Materiais de aplicação, como tintas e solventes, são de fornecimento da Petrobrás, os demais materiais de consumo e equipamentos necessários à execução dos trabalhos deverão ser fornecidos pela CONTRATADA. Entendese por Fl. 511DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.14170.YQDU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 12 material de consumo: solvente para limpeza, pincéis, trinchas, rolos, lixas, trapos, entre outros. (grifo não original) Mais evidente é o item “Materiais de Aplicação”, constante na fl. 329, quando trata do fornecimento dos materiais. Os itens que se incorporam à estrutura são de responsabilidade da Petrobrás, conforme abaixo: A PETROBRÁS fornecerá todo o material de aplicação necessário à execução dos serviços tais como: juntas, porcas, parafusos, tubos, chapas, componentes, tintas, materiais de isolamento térmico, salvo quando especificados neste anexo como sendo de responsabilidade da CONTRATADA. A recorrente, ao se referir a tais manutenções, enquadrouas como sendo manutenções em bens imóveis (fls. 390/397) pelo fato de serem estruturas ligadas ao solo, ou seja, caracterizou tais manutenções como sendo reforma em imóveis. O fato é que tais manutenções são realizadas em instalações industriais, máquinas e equipamentos. Não se tratam de reformas com materiais que se incorporam à estrutura, pois as estruturas onde são prestados os serviços realizam processos de transformação de energia para a realização de atividades, como, por exemplo, a unidade de recuperação de enxofre (URE), onde são realizados tratamentos químicos no enxofre. Dessa maneira, não há que se falar em reforma de bens imóveis, mas sim manutenção de instalações industriais, máquinas e equipamentos. Além disso, o razão contábil e as notas fiscais de compra de materiais (fls. 348/356) comprovam que eram feitas manutenção em máquinas e equipamentos, com produtos como, por exemplo, materiais para solda (eletrodos e varetas), abrasivos, cilindros de oxigênio, entre outros. Outro aspecto a ser mencionado referese aos serviços de suporte para a prestação de serviço. Sobre o tema, a recorrente relatou no recurso voluntário que realizou montagem e instalações de iluminação, alimentação elétrica, instalações hidráulicas, entre outros. Nesses casos, não há os serviços de construção civil, mas sim o suporte para a realização dos serviços de manutenção, como pode ser observado no resumo dos serviços realizados (fl. 332). Ainda, a descrição da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) referente ao contrato em questão (fl. 113) demonstra claramente as informações de manutenção: Tipo de Contrato Prestação de serviços Ativ. Técnica Operação e/ou manutenção de equipamentos e instalações Área de Comp. Instalações industriais Tipo Obra/Serv. Manutenção industrial mecânica Serviços Contratados Execução; manutenção/conservação/reparação Dessa forma, compartilho da opinião conclusiva da DRJ (fl. 373), quando sintetiza a análise dos documentos: Fica também ali explicitado que os materiais necessários à execução dos serviços a serem incorporados no imóvel eram também de responsabilidade da Petrobrás, sendo o fornecimento destes pela impugnante exceção e não regra. Isso é mais demonstrativo de que a atividade da contribuinte era de prestar serviço e não de realizar obra de construção civil com fornecimento total de materiais. Fl. 512DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.14170.YQDU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10380.018887/200884 Acórdão n.º 1302001.208 S1C3T2 Fl. 506 13 Portanto, relativamente ao contrato analisado, afirmase que o escopo principal da atividade da recorrente é o de manutenção da estrutura especificada, mesmo que em pontuais exceções exerceramse atividades que poderiam ser caracterizadas como sendo de construção civil. 2. Da prestação de serviços por empreitada: Fornecimento de materiais Para que seja aplicada a presunção de 8% para cálculo do IRPJ no lucro presumido, fazse necessário que a atividade de construção civil por empreitada seja realizada com o fornecimento de materiais necessários à consecução do projeto. O fornecimento de materiais é imprescindível para diferenciar uma prestação de serviços com utilização exclusiva de mãodeobra, o que acarretaria em um valor agregado maior (até por isso o percentual de presunção é maior, de 32%), de uma prestação de serviços com fornecimento de materiais. A mãodeobra com fornecimento de materiais possui, via de regra, um lucro menor, justamente pelo montante global cobrado estar incluído boa parte do custo com o material utilizado e incorporado à obra. Portanto, é importante que este material seja incorporado à obra, como tijolo, cimento, tinta, estrutura metálica, etc., não sendo apenas acessório para o cumprimento do serviço contratado. Com base nas informações levantadas no item anterior, não há razão para se discutir o emprego de materiais na prestação de serviços por empreitada, haja vista que as atividades exercidas não são caracterizadas como de construção civil, mas sim de manutenção. Ainda, os materiais utilizados não se caracterizam como sendo inerentes à construção civil e que se incorporam ao imóvel construído/reformado. 3. Conclusão Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de voluntário interposto, mantendo integralmente o crédito tributário lançado, conforme previsto na decisão proferida pela DRJ no Acórdão de Impugnação, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO – Relator. Fl. 513DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1018.14170.YQDU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MARCIO RODRIGO FRIZZO em 14/01/2014 14:26:00. Documento autenticado digitalmente por MARCIO RODRIGO FRIZZO em 14/01/2014. Documento assinado digitalmente por: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR em 20/02/2014 e MARCIO RODRIGO FRIZZO em 14/01/2014. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 10/10/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP10.1018.14170.YQDU Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 20B9C49DFC537F9E90640DFA39CCB10CB9A96747 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10380.018887/2008-84. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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