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Numero do processo: 10880.689082/2009-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 20/12/2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF E DACON DESACOMPANHADAS DE ARCABOUÇO PROBATÓRIO DO DIREITO CREDITÓRIO ALEGADO. IMPOSSIBILIDADE DE EFETIVAÇÃO DA COMPENSAÇÃO.
Quando da transmissão de Declaração de Compensação - DCOMP, por meio eletrônico, não basta ao declarante retificar a DCTF e o DACON, para adequar os valores á DCOMP, mas também apresentar documentos, registros e livros contábeis conciliados e livros fiscais, ou seja, todo um arcabouço probatório que comprove a liquidez e certeza do crédito alegado. Na falta desta comprovação, o crédito apresentado não possui a liquidez e certeza necessárias para que se efetive o instituto da compensação tributária.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-007.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ari Vendramini - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 20/12/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF E DACON DESACOMPANHADAS DE ARCABOUÇO PROBATÓRIO DO DIREITO CREDITÓRIO ALEGADO. IMPOSSIBILIDADE DE EFETIVAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Quando da transmissão de Declaração de Compensação - DCOMP, por meio eletrônico, não basta ao declarante retificar a DCTF e o DACON, para adequar os valores á DCOMP, mas também apresentar documentos, registros e livros contábeis conciliados e livros fiscais, ou seja, todo um arcabouço probatório que comprove a liquidez e certeza do crédito alegado. Na falta desta comprovação, o crédito apresentado não possui a liquidez e certeza necessárias para que se efetive o instituto da compensação tributária. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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RETIFICAÇÃO DE DCTF E DACON DESACOMPANHADAS DE ARCABOUÇO PROBATÓRIO DO DIREITO CREDITÓRIO ALEGADO. IMPOSSIBILIDADE DE EFETIVAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Quando da transmissão de Declaração de Compensação - DCOMP, por meio eletrônico, não basta ao declarante retificar a DCTF e o DACON, para adequar os valores á DCOMP, mas também apresentar documentos, registros e livros contábeis conciliados e livros fiscais, ou seja, todo um arcabouço probatório que comprove a liquidez e certeza do crédito alegado. Na falta desta comprovação, o crédito apresentado não possui a liquidez e certeza necessárias para que se efetive o instituto da compensação tributária. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (documento assinado digitalmente) Ari Vendramini - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator) Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 90 82 /2 00 9- 60 Fl. 155DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-007.363 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.689082/2009-60 1. Tratam estes autos de análise de Declaração de Compensação - DCOMP ,de créditos de COFINS NÃO CUMULATIVA, no valor de R$ 72.475,37, oriundos de alegado pagamento indevido ou a maior, representado por DARF no valor de R$ 1.326.831,63, transmitida eletronicamente pelo Sistema PER/DCOMP, disponível no sitio da Secretaria da Receita Federal na Internet. 2. Os presentes autos foram formalizados para tratar manualmente a DCOMP de nº 09824.50952.210508.1.3.04-9598, tendo sido emitido o Despacho Decisório Eletrônico de fls. 2, de nº 849897951, exarado pela DERAT/SP, não homologando a compensação em função de o valor do crédito pleiteado referir-se a DARF que estava totalmente alocado a débito confessado em DCTF, tendo sido utilizado integralmente para sua quitação, não restando crédito disponível para efetivação de compensação. 3. A requerente foi cientificada do Despacho Decisório, apresentando manifestação de inconformidade que foi analisada pela DRJ;SPO I. 4. Adoto o relatório que compõe o Acórdão DRJ/SPO I, por bem descrever os fatos : DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Trata o presente processo de Declaração de Compensação — DCOMP n.° 09824.50952.210508.1.3.04-9598, transmitida em 21/05/2008, que indicava como crédito o pagamento indevido ou a maior de COFINS — código 5856, ocorrido em 20/03/2008, no montante de R$ 72.475,37 (crédito original na data de transmissão), referente ao período de apuração 31/08/2007, com débito próprio de PIS — código 6912-01, com vencimento em 20/03/2008, sendo o valor total do DARF (Documento de Arrecadação de Receitas Federais) igual a R$ 1.326.831,63. DO DESPACHO DECISÓRIO 2. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (DERAT) em São Paulo emitiu, em 23/10/2009, o Despacho Decisório (DD) eletrônico com n.° de rastreamento 849897951, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da interessada, a compensação não foi homologada, sendo apresentada a seguinte fundamentação: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data da transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 72.475,37 A partir das características do DARF discriminado acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação dos débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." 3. Devidamente cientificada do despacho decisório acima, em 05/11/2009) a contribuinte apresentou tempestivamente a manifestação de inconformidade, acompanhada dos seguintes documentos, contrato social, cópia do documento de identificação do contador, do despacho decisório, PER/DCOMP, DACON e DCTF retificadores, comprovantes de arrecadação, e atas de reunião dos sócios, onde expõe em síntese pelo seguinte: Fl. 156DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-007.363 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.689082/2009-60 3.1.diz que conforme consta da DCTF em anexo, de NOV/2007, a manifestante apurou saldo credor (pagamento a maior) no valor de R$ 72.475,37. Junta para tanto o DACON e PERD/COMP para demonstrar assim o valor pago a maior. 3.2. que o valor correto pode ser facilmente detectado pela Receita Federal já que foi corretamente apurado e declarado na escrita contábil da manifestante, e especialmente a DCTF que apresentou ao referido órgão. 3.3. e diante do exposto, requer pela reforma do DD para reconhecer e decretar o direito que tem em ser compensada no valor de R$ 72.475,37, com a adição dos acréscimos legais. É o relatório. 5. A DRJ/SPO I exarou o Acórdão de nº 16-33.794, que assim restou ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 20/12/2007 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. DCTF. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. DÉBITO DECLARADO. Aplicam-se as regras processuais previstas no Decreto nº- 70.235, de 1972, à manifestação de inconformidade, a qual deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentam os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. A simples apresentação de DCTF retificadora, desacompanhada de documentos que a embasem, não pode ser aceita para cancelar o despacho decisório realizado com base na DCTF originária. Não se admite a existência de indébito tributário quando o valor recolhido encontrar-se totalmente utilizado para pagamento de tributo informado em declaração que constitui confissão de dívida e não houver provas quanto a eventual erro material contido na declaração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 6.. Irresignada, a requerente apresentou recurso voluntário, dirigido a este CARF, onde, em síntese, repete as alegações apresentadas em sede de manifestação de inconformidade, alegando : I – DOS FATOS II – DO DIREITO - DO ARTIGO 170 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL - o artigo 170 do CTN outorga á autoridade administrativa a autorização da compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. - a relatora do acórdão DRJ alegou que a recorrente deveria, visando a comprovação da liquidez e certeza do crédito, ter apresentado escrituração contábil/fiscal para demonstrar a efetiva natureza da operação, ocorrência do fato gerador, base de Fl. 157DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-007.363 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.689082/2009-60 cálculo e alíquota aplicável para que se pudesse conferir a existência e o valor do indébito. - entretanto, ao se ater ao descrito no artigo 170 do CTN, constata-se que não há qualquer disposição legal expressa que imponha ao contribuinte a apresentação de sua escrituração contábil/fiscal, sendo que além dos documentos que são pertinentes á DCOMP, em sede de manifestação de inconformidade, a recorrente apresentou retificação do DACON bem como da DCTF, sendo assim, havendo documentos que comprovam a existência do crédito, mas ainda assim existindo dúvidas para o convencimento dos julgadores, deveria a DRJ ter convertido o julgamento em diligência para intimar a recorrente a apresentar os documentos ora mencionados, bem como documentos que entendesse cabíveis para a comprovação do crédito. - DOS ARTIGOS 15 E 16 DO DECRETO 70.235/72 - entendeu a relatora que o momento de apresentação de provas é da manifestação de inconformidade, entretanto na intimação que acompanhou o despacho decisório eletrônico constou : “ para embasar a defesa, caso o contribuinte opte por apresentar cópias de notas fiscais, livros contábeis, cálculos, declarações, a quantidade limite é de 200 folhas impressas, ultrapassado este limite, apresentar em mídia (CD em arquivos PDF)” , assim, em respeito ao princípio da verdade material é possível a juntada posterior de documentos. DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL - o parágrafo 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 ofende o princípio da verdade material, levando em conta que a nulidade deriva do descumprimento da Teoria dos Atos Administrativos e que a decisão da DRJ é caracterizada como tal, o acórdão está eivado de problemas na sua motivação, devendo ser considerado nulo, pois o real motivo para que não fosse reconhecido o crédito pleiteado é sua inexistência, desta forma, a fundamentação da decisão recorrida deveria basear-se no motivo pelo qual o crédito foi considerado inexistente, o que não ocorreu. - assim, se a DRJ entendeu que não há certeza do crédito, também não restou comprovada sua inexistência, se, em seu entender existem documentos hábeis para a comprovação do crédito, mas não há dispositivo legal que o embase, deveria ter intimado a recorrente a apresentá-los, o que também não ocorreu. DO ARTIGO 195 PARÁGRAFO ÚNICO DO CTN - entendeu a DRJ que nos termos do parágrafo único do artigo 195 do CTN deveria ter a recorrente trazido aos autos cópia de sua escrituração contábil e suas demonstrações financeiras, entretanto não há qualquer disposição legal expressa que imponha ao contribuinte a apresentação de tais documentos , por isto deveria ter a DRJ convertido julgamento em diligência para intimar a recorrente a apresentar tais documentos. DO ARTIGO 333 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL - por fim, alega a DRJ que, nos termos do artigo 333 do CPC, o ônus de provar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos ao direito da outra parte é de quem alega, concluí-se pela possibilidade de juntada de documentos em fase recursal, em Fl. 158DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-007.363 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.689082/2009-60 homenagem ao princípio da verdade material. III – DO PEDIDO - ante o exposto, é imprescindível a conclusão no sentido da nulidade do acórdão DRJ, que se recusou á análise fática exposta, no que se refere á existência do crédito pleiteado, sob a argumentação de insuficiência de provas, quando estas não são exigidas pela lei, determinando-se a baixa dos autos e a prolação de novo julgamento, se necessário determinando as diligências cabíveis ou a procedência total do recurso, reformando-se a decisão recorrida, posto que os documentos apresentados pela recorrente são os exigidos pela legislação e devem ser considerados aptos á determinação da existência do crédito para fins de compensação. 7. Anexa ao seu recurso: cópia de envelope, cópia da Intimação nº 9292/2011 expedida pela DERAT/SP, cópia do Acórdão DRJ/SPO I, cópia de instrumento de procuração, cópia de documento de identificação de sua procuradora, cópias de planilhas denominadas “ consolidado – FICHA 06A – apuração dos créditos de Contribuição para o PIS/PASEP – aquisições no mercado interno”. 8. Os autos foram então a mim distribuídos. É o relatório. Voto Conselheiro Ari Vendramini, Relator. PRELIMINAR 1. Em preliminar, a recorrente defende a nulidade do Acórdão DRJ, alegando que “ o parágrafo 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 ofende o princípio da verdade material, levando em conta que a nulidade deriva do descumprimento da Teoria dos Atos Administrativos e que a decisão da DRJ é caracterizada como tal, o acórdão está eivado de problemas na sua motivação, devendo ser considerado nulo, pois o real motivo para que não fosse reconhecido o crédito pleiteado é sua inexistência, desta forma, a fundamentação da decisão recorrida deveria basear-se no motivo pelo qual o crédito foi considerado inexistente, o que não ocorreu. Assim, se a DRJ entendeu que não há certeza do crédito, também não restou comprovada sua inexistência, se, em seu entender existem documentos hábeis para a comprovação do crédito, mas não há dispositivo legal que o embase, deveria ter intimado a recorrente a apresentá-los, o que também não ocorreu.” 2. Já o Acórdão DRJ assim fundamenta a negativa do pelito da ora recorrente : “ De acordo com tais normas, a compensação deve ser implementada pelo sujeito passivo com a entrega da declaração correspondente, na qual constem informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos. O efeito da declaração é a extinção do crédito tributário, ainda que sob condição resolutória de sua ulterior homologação. O art. 170 do CTN, por sua vez lixa como pressuposto para que possa Fl. 159DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-007.363 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.689082/2009-60 ser feito o encontro de contas com a Fazenda Nacional que Os créditos estejam revestidos (.1e liquidez e certeza comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação, a ocorrência do fato gerador do tributo, a base de cálculo e a alíquota aplicável, para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário. Assim, em que pese as retificações efetuadas pela defesa, através de DCTF e DACON, têm-se que na fase processual em que se encontra o processo, são aplicadas à manifestação de inconformidade as mesmas regras do Processo Administrativo Fiscal. previstas no Decreto n2 70.235, de 1972, conforme está previsto no parágrafo 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/96. “ 3. Já o Decreto 70.235/1972, em seu artigo 59, especifica as causas de nulidade no processo administrativo fiscal : Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. 4. No Acórdão DRJ não se vislumbra a ocorrência de nenhuma causa de nulidade, o que se verifica é que a DRJ, com muita clareza, explicitou que, se a recorrente apresentou um crédito, fulcrado em alegado pagamento indevido ou a maior, claro está que a própria recorrente detém os documentos, escrituração contábil e fiscal, ou seja, todo um arcabouço probatório para demonstrar a liquidez e certeza do crédito postulado. 5. Como dito no Acórdão combatido, a simples retificação de DCTF e DACON, sem o correspondente respaldo probatório, não é suficiente para comprovar a efetiva natureza da operação que causou o pagamento indevido/ a maior, a ocorrência do fato gerador do tributo, a base de cálculo, a alíquota aplicável e outros atributos, para que se verifique a existência, legalidade, pertinência do crédito alegado. 6. Deste modo, rejeito e preliminar de nulidade apresentada. NO MÉRITO 7. A recorrente defende que não existe exigência legal para apresentação de escrituração contábil/fiscal, notas fiscais e outros documentos comprobatórios do seu Fl. 160DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-007.363 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.689082/2009-60 crédito, pois que apresentou as retificações da DCTF e do DACON, assim se pronunciando : “ DO ARTIGO 195 PARÁGRAFO ÚNICO DO CTN - entendeu a DRJ que nos termos do parágrafo único do artigo 195 do CTN deveria ter a recorrente trazido aos autos cópia de sua escrituração contábil e suas demonstrações financeiras, entretanto não há qualquer disposição legal expressa que imponha ao contribuinte a apresentação de tais documentos , por isto deveria ter a DRJ convertido julgamento em diligência para intimar a recorrente a apresentar tais documentos.DO ARTIGO 333 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL - por fim, alega a DRJ que, nos termos do artigo 333 do CPC, o ônus de provar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos ao direito da outra parte é de quem alega, concluí-se pela possibilidade de juntada de documentos em fase recursal, em homenagem ao princípio da verdade material. 8. A DRJ, por sua vez, assim defende sua posição : “Nestes termos, os artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, exigem a apresentação das provas pelo Contribuinte no momento do recurso (no caso, a manifestação de inconformidade), precluindo o seu direito de apresentá-las em outro momento processual, a menos que ocorra uma das hipóteses previstas no parágrafo 4°do artigo 16 (...) Ocorre que, não foi trazido aos autos cópia da escrituração contábil e demonstrações financeiras, firmadas e regularmente levadas a registro no órgão competente, à época dos fatos, mantidas em boa ordem e conservadas sob a responsabilidade do sujeito passivo, a fim de serem colocados à disposição da Secretaria da Receita Federal do Brasil, enquanto não ocorrida a prescrição dos créditos tributários vinculadas aos fatos a que se refiram as declarações de compensação, conforme determina o art. 195, parágrafo único, do CTN(…)E conforme o Código de Processo Civil, artigo 333, o ônus de provar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos ao direito da outra parte é de quem os alega(…)Em conseqüência, fica prejudicada a confirmação de indébitos quanto aos fatos geradores apontados, visto que não é possível fazer nenhuma confrontação de dados se a contribuinte não apresenta em sua defesa qualquer informação que permita sua comprovação.” 9. Correta a DRJ, pois a recorrente em nenhum momento dos autos, apesar de alegar possuir crédito suficiente para a compensação pretendida, não logrou apresentar qualquer comprovação documental (notas fiscais, escrituração contábil/fiscal, demonstrações financeiras, citação á legislação que embasa seu direito), apenas alegando que é possível apresentar documentos na fase recursal, o que também não fez. 10. Por fim, a recorrente alega que a DRJ deveria ter baixado o processo em diligência para que a recorrente fosse intimada a apresentar os documentos probantes de seu direito. Engana-se a recorrente, a diligência se presta a esclarecer alguma dúvida do julgador com relação a documento ou prova apresentado na fase recursal, e não a produzir provas que não foram apresentadas pela recorrente, pois assim estaria se subvertendo a instituição do julgamento e tornando-o em fase inqusitória. Fl. 161DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-007.363 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.689082/2009-60 11. Portanto, correta a DRJ, não há necessidade de diligência diante dos argumentos apresentados pela recorrente, pois da própria recorrente dependia a comprovação do seu direito, já apresentado na DCOMP. Conclusão 12. Diante de todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário e não reconheço o direito creditório alegado. É como voto. (documento assinado digitalmente) Ari Vendramini Fl. 162DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 19726.000477/2009-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 04 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/1998
CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE Nº8 DO E. STF. DECADÊNCIA CONTAGEM DO PRAZO. APLICAÇÃO ART. 150 §4º CTN. INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF Nº 99.
O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, e determinou que o prazo decadencial para lançamento das contribuições previdenciárias deve ser contado nos termos do art. 173, I ou 150, §4º, ambos do CTN. No caco concreto diante de diferenças lançadas e havendo recolhimento do tributo na prestadora de serviços, aplica-se os termos do art. 150§ 4º. Inteligência da Súmula CARF nº 99.
Numero da decisão: 2201-006.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE Nº8 DO E. STF. DECADÊNCIA CONTAGEM DO PRAZO. APLICAÇÃO ART. 150 §4º CTN. INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF Nº 99. O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, e determinou que o prazo decadencial para lançamento das contribuições previdenciárias deve ser contado nos termos do art. 173, I ou 150, §4º, ambos do CTN. No caco concreto diante de diferenças lançadas e havendo recolhimento do tributo na prestadora de serviços, aplica-se os termos do art. 150§ 4º. Inteligência da Súmula CARF nº 99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) Relatório 01- Adoto inicialmente como relatório a narrativa constante da Decisão- Notificação da antiga Delegacia da Receita Previdenciária de (e- fls. 207/217) por sua precisão e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 72 6. 00 04 77 /2 00 9- 84 Fl. 471DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-006.050 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19726.000477/2009-84 as folhas dos documentos indicados no presente são referentes ao e-fls (documentos digitalizados): “DO LANÇAMENTO O crédito previdenciário sob julgamento foi lavrado pela fiscalização da Gerência Executiva em Curitiba/PR e se refere As contribuições previdenciárias relativas à parte da empresa, financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, além das contribuições dos segurados. O valor do presente lançamento é de R$ 8.578,76 (Oito mil, quinhentos e setenta e oito reais e setenta e seis centavos), consolidado em 31/03/2004. 2. A apuração das contribuições foi realizada com fulcro no instituto da responsabilidade solidária, em virtude dos serviços executados mediante cessão de mão- de-obra, pela empresa SOL SERVIÇOS, OBRAS E LOCAÇÕES LTDA, CNPJ 00.323.090/0001-51, conforme relatório fiscal, de fls. 24/28. 3. A contratante não comprovou o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal e/ou fatura correspondente aos serviços executados, na forma determinada pela legislação previdenciária, motivo pelo qual houve lançamento das contribuições, conforme informa o referido relatório fiscal. DAS IMPUGNAÇÕES Da Tomadora 4. Dentro do prazo regulamentar, a notificada contestou o lançamento através do instrumento de fls. 38/60, anexando os documentos de fls. 61/62, que comprovam a capacidade postulatória do advogado que assina a impugnação. 5. Em sua defesa, o contribuinte alega as razões abaixo, reproduzidas em síntese: Da Preliminar Do cerceamento de defesa 5.1. a fiscalização, em evidente abuso de autoridade, emitiu 215 Notificações Fiscais de Lançamento de Débito — NFLD, todas recebidas na mesma data, com prazo comum de 15 dias para impugnação, o que inviabiliza a correta e perfeita análise e discussão dos fatos e do direito aplicável, impossibilitando a apresentação de todos os documentos necessários a sua defesa; 5.2. requer deferimento de novo prazo, de no mínimo 90 (noventa) dias, para apresentação de defesa complementar e juntada de documentos; 5.3. requer realização de prova pericial contábil, sob pena de ofensa a principio constitucional previsto no artigo 52, inciso LV, da Constituição Federal de 1988. Do Mérito Da decadência 5.4. o lapso temporal transcorrido entre a data prevista para o cumprimento das obrigações e a data da consumação da notificação de lançamento supera o quinquídio decadencial previsto no Código Tributário Nacional — CTN, encontrando-se os supostos débitos alcançados pela decadência; 5.5. não há óbice em se reconhecer a decadência no curso do processo administrativo; Fl. 472DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-006.050 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19726.000477/2009-84 O 5.6. a decadência das contribuições previdenciárias, que têm natureza de tributo, é regida pelo CTN, que tem status de lei complementar, sendo que o Conselho de Contribuintes vem sedimentando o entendimento do prazo de decadência de cinco anos para lançar as contribuições sociais; Da Solidariedade 5.7. os Auditores Fiscais desconsideraram o contrato de prestação de serviços, que tem caráter eminentemente civil; 5.8. o vinculo empregatício que gerou a obrigação do recolhimento da contribuição previdenciária em questão, se estabeleceu exclusivamente entre a empresa construtora e seus colaboradores; 5.9. ao INSS falta competência para examinar a relação empregatícia eventualmente caracterizada entre a Notificada e os empregados de sua contratada; 5.10. a Notificada somente poderia ser responsabilizada pelo recolhimento das contribuições sob análise, no caso de comprovado inadimplemento por parte da empresa construtora, sendo que o próprio auditor fiscal admite que ao consultar o sistema de arrecadação do INSS, constatou a existência de registros de recolhimentos, que não foram considerados em razão das guias não terem sido apresentadas à fiscalização; 5.11. a Notificada está sendo penalizada por mera presunção de inadimplemento de obrigação tributária exigível a terceiro; 5.12. as contribuições devem ser lançadas contra o prestador de serviços, e dele inicialmente exigidas. Isto evitaria desconsiderassem o contrato, assim como evitaria a aferição indireta da base de cálculo da contribuição; 5.13. a responsabilidade do proprietário/dono da obra é subsidiária em relação ao executor/construtor; 5.14. o artigo 30, inciso VI, da Lei nº 8.212/91, faz referência ao artigo 25 do mesmo diploma, o qual, por sua redação original — conferida pela Lei nº 8.398/92 e posteriormente modificada pela Lei nº 9.528/91- não contempla a hipótese de solidariedade; 5.15. inaplicável na relação Notificada/empresa construtora, a Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/01, eis que o fato que teria gerado a obrigação ocorreu em período pretérito a sua edição; 5.16. a solidariedade deve ser contemplada em Lei Complementar, em respeito à nova ordem constitucional; Das sanções 5.17. a Notificada não é contribuinte, não se adequando ao conceito de sujeito passivo da obrigação fiscal, dada pelo artigo 121, do CNT (sic); 5.18. as multas não são aplicáveis a Notificada; 5.19. a estipulação de um encargo, a titulo de multa, no valor consignado na NFLD, retrata um abuso de forma e de legitimidade, afrontando o texto constitucional em sua proibição de uso do tributo com efeito de confisco; Dos Fundamentos Legais das Rubricas 5.20. impugna a aplicação dos dispositivos legais invocados pelo Fisco, em todos os seus termos, seja com relação ao mérito dos lançamentos, seja com relação aos Fl. 473DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-006.050 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19726.000477/2009-84 acessórios, por falta de competência da legislação mencionada para tratar de matéria tributária, bem como por violação de direito intertemporal; 5.21. tendo as contribuições temporárias natureza de tributo, a legislação que cria, extingue ou modifica tributos bem como a que estabelece multas por inadimplemento dessas obrigações deve ser editadas por Lei Complementar, em respeito a nova ordem constitucional, respeitando-se a legislação vigente à época do fato gerador, excetuando se no que se refere à imposição de multas, face a expressa menção do artigo 106, II, alíneas "a" e "c" do CTN, que primou pela aplicação do regime jurídico menos gravoso contra o devedor; 5.22. o processo administrativo está subordinado aos princípios do contraditório e do devido processo legal (art. 5, LV, CRFB/88), cingindo-se a atividade da Administração a rever a legalidade dos atos tributários, por iniciativa do contribuinte, em ordem a servir a função subjetiva de instrumento de defesa dos direitos dos particulares; 5.23. por esta razão, o art. 151, III, do CTN, confere efeito suspensivo à impugnação, determinando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário; 5.24. não há como se aceitar restrições ao direito de defesa do contribuinte, como por exemplo a limitação da prova documental ou admissão da confissão presumida, por efeito de uma suposta revelia. 6. Por fim, a empresa requer seja afastada a responsabilidade solidária, assim como excluída a cobrança de contribuições e multa, em face da sua flagrante incompatibilidade com os textos constitucionais e das legislações especificas. 7. A INEPAR modificou o local de sua sede, transferindo-a para o Rio de Janeiro, tendo sido efetuada a alteração cadastral no sistema informatizado do INSS. O processo foi, então, remetido à Gerência Executiva Rio de Janeiro — Centro para prosseguimento do processo administrativo tributário, em vista da apresentação da defesa. Da Prestadora 8. A empresa contratada apresentou impugnação, fls. 108/109 e 124/126, juntando os documentos de fls. 127/177, alegando, em síntese o seguinte: 8.1. Há cerceamento do direito de defesa, uma vez que o envelope da correspondência enviada para comunicação do lançamento não continha cópia da mesma, nem os respectivos anexos; 8.2. "Decadência sob o caso concreto"; 8.3. "É importante destacar que a atividade de locação fora contratada com opção 'com' e `sem’ motorista. Inclusive, um deles fora demitido em 04/98 e outro em 07/98 por opção da tomadora em apenas locar veiculo sem motorista dessas competências em diante"; 8.4. Não são em todas as notas fiscais emitidas que ocorreu o emprego de mão-de-obra, e sim, mera locação dos veículos. 8.5. Requer dilação probatória, no que tange a apresentação de outros documentos pertinentes ao caso. 02- A impugnação do contribuinte foi julgada improcedente de acordo com decisão da DRP abaixo ementada. Fl. 474DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-006.050 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19726.000477/2009-84 DIREITO PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. SOLIDARIEDADE. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. BENEFÍCIO DE ORDEM. INEXISTÊNCIA. A responsabilidade solidária não comporta beneficio de ordem, podendo o INSS exigir o total do crédito constituído da empresa contratante, a teor do art. 31 da Lei n2 8.212/91, com a redação vigente A época dos fatos geradores, c/c art. 124, parágrafo único, do Código Tributário Nacional (Lei n2 5.172/66). LANÇAMENTO PROCEDENTE 03 - Houve a interposição de recurso voluntário pelo contribuinte às fls. 233/267 (tomador do serviço). 04 – Após trâmite administrativo relacionado a questionamento há muito superado pelo STF relacionado a necessidade de depósito recursal previsto no art. 126 § 1º da Lei 8.213/91 c/c art. 306 do RPS (Decreto 3.048/99) às fls. 469 decisão da SRFB determinando o prosseguimento do recurso para análise nesse Colegiado, sendo o relatório do necessário e o que interessa para o deslinde do presente. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso, Relator. 05- Conheço do recurso interposto pela contribuinte por estarem presentes as condições de admissibilidade. 06 – Em seu recurso a contribuinte alega acerca da decadência do lançamento da NFLD 35.683.298-8 e no mérito questiona a responsabilidade solidária atribuída pelo lançamento, a inconstitucionalidade da Taxa Selic, da multa confiscatória, a aplicação de efeito suspensivo. 07 – Quanto a decadência, verifica-se que o lançamento trata de aplicação do instituto da responsabilidade solidária do art. 31 da Lei 8.212/91 vigente a época dos fatos geradores que assim dizia: Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão-de- obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 08 – Por sua vez o lançamento é do período de 12/1997 a 12/1998 de acordo com o relatório fiscal às fls. 25/29, verbis: “As contribuições foram apuradas por responsabilidade solidária e lançadas por arbitramento no tomador, baseadas na aplicação de percentuais sobre o valor das notas Fl. 475DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-006.050 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19726.000477/2009-84 fiscais ou faturas emitidas pela prestadora acima identificada, em decorrência de locação de veiculo com motorista, junto à contratante, no período de 12/1997 a 12/1998.” 09 – O lançamento foi cientificado ao contribuinte no dia 05/04/2004 de acordo com às fls. 02 da NFLD, sendo que no relatório fiscal a autoridade lançadora reconhece tratar-se de cobrança de diferenças de valores da empresa prestadora de acordo com relatório fiscal de fls. 25/29: “A apuração das Bases de Cálculo está discriminada na Tabela denominada "NOTAS FISCAIS", anexa a este relatório, onde consta n.° da NF, a data de sua emissão, o valor total da nota, o valor da mão-de-obra discriminada na NF (quando houver), o percentual de mão-de-obra incidente sobre o valor total da NF, valor de mão-de-obra apurado, o percentual aplicado sobre a mão-de-obra apurada para obtenção do salário -de- contribuição e valor do salário-de-contribuição apurado, salário-de-contribuição dos recolhimentos efetuados (quando houver), a Diferença de Base de Cálculo apurada relativa a diferença entre o salário -de-contribuição apurado e o contido nos recolhimentos efetuados, além de descrição de serviços e observações. (...)OMISSIS A empresa notificada não apresentou os comprovantes de recolhimento da empresa prestadora de serviços acima identificada, embora intimada para esse fim, na forma do dispostos nos Ato Normativo acima referido, consequentemente, responde solidariamente pelos encargos decorrente de prestação dos serviços. Consultando o sistema de arrecadação do INSS, verificamos que para essa empresa há registros de recolhimentos para o período do débito apurado, entretanto, como não foram apresentadas as guias de recolhimento, conforme estabelece o ato normativo acima mencionado, para que fossem analisadas a sua vinculação à tomadora e aos serviços executados, não foram aceitos para fins de elisão da responsabilidade. A responsabilidade solidária do contratante será imediatamente apurada, na forma do disposto no titulo IV das Ordem de Serviço acima referida, quando este não apresentar cópias de Guias de Recolhimentos correspondentes as Notas Fiscais de prestação de serviços.” Grifei 10 – Diante desse cenário entendo ser aplicável os termos da Súmula Vinculante nº 08 1 do E. STF e aplicado o lustro decadencial e a contagem de seu prazo deve ser de acordo com os termos do art. 150 § 4º do CTN de acordo com a inteligência da Súmula nº 99 2 do CARF diante da verificação de recolhimentos efetuados pela empresa prestadora. 1 Súmula Vinculante 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. 2 Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Fl. 476DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-006.050 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19726.000477/2009-84 11 - Nesse caso possível tal entendimento, pois trata-se de responsabilidade solidária do vetusto art. 31 da Lei de Custeio em que o tomador do serviço tinha a responsabilidade quase que objetiva, sem haver o lançamento de nenhum crédito tributário anterior no prestador de serviço, para comprovar os recolhimentos relativos ao terceiro. 12 – Portanto, e de acordo com a mesma lógica utilizada no lançamento, caso a tomadora, ora recorrente, apresentasse as guias relativas à prestadora estaria ilidida a sua responsabilidade solidária, portanto, verificado pela autoridade lançadora a ocorrência de recolhimentos, mesmo que parcial na prestadora, é de se aplicar os termos do disposto na contagem do prazo decadencial do art. 150 § 4º do CTN, no caso concreto relativo a responsabilidade do art. 31 até a redação modificada pela Lei 9.711/98 que entrou em vigor nessa parte do art. 31 em 1999 que determinava o seguinte: "Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de- obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão-de-obra, observado o disposto no § 5o do art. 33. 13 – Com a Lei 9.711/98 criou-se a responsabilidade em efetuar a retenção na fonte do valor de 11% (onze por cento) ao contrário da responsabilidade solidária anteriormente existente e que é a que consta do lançamento. 14 – Portanto, de acordo com os fundamentos acima entendo que deve ser reconhecida a decadência do lançamento de todo o período, ficando prejudicado a análise dos demais temas recursais em razão do reconhecimento da decadência total do lançamento. Conclusão 15 - Diante do exposto, conheço do recurso e no mérito, DOU-LHE PROVIMENTO para reconhecer a decadência do crédito lançado por solidariedade do período de 12/1997 a 12/1998, na forma da fundamentação acima. (documento assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 477DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11080.725131/2010-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 16 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2007
VTN. COMPROVAÇÃO. SISTEMA SIPT. LAUDO.
Na suspeita de subavaliação do VTN, é legal o arbitramento com base no sistema SIPT, sendo facultado ao contribuinte apresentar prova de que o VTN declarado era compatível com o valor de mercado, mediante laudo técnico ou demais documentos hábeis, demonstrando de maneira convincente o valor fundiário do imóvel rural avaliado, com suas características particulares, e seguindo as normas técnicas exigidas para tanto.
ÁREA UTILIZADA COM PLANTAÇÃO DE PRODUTOS VEGETAIS.
Estando devidamente comprovadas nos autos, há se restabelecer a glosa das áreas declaradas como ocupadas por produtos vegetais.
ÁREA UTILIZADA COM PASTAGENS. COMPROVAÇÃO.
A dedução da área de pastagem depende da comprovação da existência de animais apascentados no imóvel no período do lançamento.
Numero da decisão: 2201-005.940
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir o crédito tributário lançado para R$ 44.340,73, sobre o qual devem ser aplicados os juros de mora e a multa de ofício de 75%.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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COMPROVAÇÃO. SISTEMA SIPT. LAUDO. Na suspeita de subavaliação do VTN, é legal o arbitramento com base no sistema SIPT, sendo facultado ao contribuinte apresentar prova de que o VTN declarado era compatível com o valor de mercado, mediante laudo técnico ou demais documentos hábeis, demonstrando de maneira convincente o valor fundiário do imóvel rural avaliado, com suas características particulares, e seguindo as normas técnicas exigidas para tanto. ÁREA UTILIZADA COM PLANTAÇÃO DE PRODUTOS VEGETAIS. Estando devidamente comprovadas nos autos, há se restabelecer a glosa das áreas declaradas como ocupadas por produtos vegetais. ÁREA UTILIZADA COM PASTAGENS. COMPROVAÇÃO. A dedução da área de pastagem depende da comprovação da existência de animais apascentados no imóvel no período do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir o crédito tributário lançado para R$ 44.340,73, sobre o qual devem ser aplicados os juros de mora e a multa de ofício de 75%. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 51 31 /2 01 0- 57 Fl. 351DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.940 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.725131/2010-57 Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário de fls. 245/256, interposto contra decisão da DRJ em Campo Grande/MS de fls. 234/239, a qual julgou procedente o lançamento de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR de fls. 9/12, lavrado em 08/11/2010, relativo ao exercício de 2007, com ciência do recorrente em 16/11/2010, conforme AR de fls. 14. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 132.564,88 já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. Os fatos relevantes do lançamento estão descritos na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” de fl. 10. Em síntese, o contribuinte não comprovou a (i) área efetivamente utilizada para plantação com produtos vegetais, (ii) a área efetivamente utilizada para pastagens, (iii) e o valor da terra nua – VTN declarado, que foi arbitrado com base na tabela SIPT, conforme cálculos de fl. 11/12. Assim, as áreas de produtos vegetais e de pastagens declaradas foram integralmente glosadas de acordo com o demonstrativo de apuração do imposto devido de fl. 11, sendo alterado para 0ha a área utilizada para atividade rural, o que provocou na consequente alteração do grau de utilização de 99,3% para 0%, conforme tabelas abaixo: Por sua vez, devidamente intimado para comprovar o VTN declarado no valor de R$ 915.000,00, o contribuinte não apresentou qualquer laudo de avaliação. Assim, foi adotado o VTN presente no SIPT para o município sede do imóvel (R$ 4.370,65/ha – fl. 08). Deste modo, o VTN foi ampliado de R$ 915.000,00 para R$ 1.989.082,82, conforme tabelas abaixo: Impugnação O espólio do RECORRENTE apresentou a Impugnação de fls. 44/60 em 13/12/2010, acompanhada de documentos de fls. 61/231. Ante a clareza e precisão didática do Fl. 352DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.940 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.725131/2010-57 resumo da Impugnação elaborada pela DRJ em Campo Grande/MS, adota-se, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: Cientificado do lançamento, por via postal, em 16/11/2010, conforme AR de fl. 14, o interessado apresentou a impugnação de fls. 44 a 60, em 13/12/2010, onde alega, em síntese, que: • O imóvel é explorado em parceria agrícola e pecuária conforme previsto na Lei nº 4.504/64 e Decreto nº 59.566/66; • O principal produto agrícola cultivado é o arroz, desde que recebeu a terra por herança; • A parceria agrícola entre as partes é verbal, prática amplamente utilizada no meio rural, conforme dispõe o art. 92 do Estatuto da Terra e art. 11 do Decreto nº 59.566/66; • Os produtos cultivados são partilhados a cada ano, entre os proprietários do imóvel, na proporção de 27% e 73% ao plantador, sendo que o arroz é entregue pronto para ser comercializado; • Em 2006, a área disponibilizada para o plantio de arroz foi de 195,0 ha, sendo que 150,0 ha em terra e 45,0 ha em área alagada; • Além do arroz, principal produto cultivado, há plantação de melancia e morango numa área de 35,0 ha efetuada por Moacir Amengual Garcia; • A área de pastagens corresponde a 195,0 hectares do imóvel, onde o parceiro Vasco da Costa Gama cria, recria e engorda animais, conforme prova anexada aos autos; • O Valor da Terra Nua considerado no lançamento não corresponde à realidade no ano de 2006, pois há vários anos o ex proprietário do imóvel, já falecido, vem declarando o valor informado no DIAT, aplicando apenas, a cada ano correção monetária; • Requer que sejam considerados o valor atribuído ao imóvel pela Secretaria Estadual da Fazenda nos autos do Processo de Inventário nº 01.1.08.01847838 e as áreas efetivamente utilizadas com produtos vegetais e pastagens. Instruiu a impugnação com os documentos de fls. 66 a 231, representados por Procuração, Certidão, Matrícula, Notas Fiscais, declarações de imposto de renda pessoa física dos proprietários do imóvel, notas fiscais de depósito do arroz em Cooperativas, fichas de vacinação e movimentação de gado relativo ao ano de 2006, notas fiscais de aquisição de vacinas e Certidão de Óbito. É o relatório. Da Decisão da DRJ Quando da apreciação do caso, a DRJ em Campo Grande/MS julgou procedente o lançamento, conforme ementa abaixo (fls. 234/239): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2007 Fl. 353DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.940 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.725131/2010-57 Áreas Utilizadas com Produtos Vegetais/Pastagens. Para comprovação dessas áreas é necessária que a produção seja realizada na propriedade pelo parceiro outorgado, com base no contrato de parceria agrícola ou pecuária, e que a produção seja comprovada com documentos, tais como, Laudo Técnico emitido por profissional habilitado, acompanhado de fichas de vacinação, notas fiscais de aquisição de vacinas, demonstrativo de movimentação de gado emitidos pelos Estados, notas fiscais de produtor rural comprovando a comercialização dos animais em nome do parceiro e notas fiscais de venda dos produtos vegetais cultivados na área. Valor da Terra Nua - VTN A base de cálculo do imposto será o valor da terra nua apurado pela fiscalização, como previsto em Lei, se não existir comprovação que justifique reconhecer valor menor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 03/07/2012, conforme AR de fls. 244, apresentou o recurso voluntário de fls. 245/256 em 02/08/2012. Em suas razões, praticamente reiterou os argumentos apresentados em sua impugnação. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. MÉRITO Do valor da terra nua Em síntese, alegou o RECORRENTE que a notificação fiscal que o intimou para comprovar o VTN do imóvel concedia outras formas alternativas de comprovação do valor por ele declarado: (i) mediante laudo técnico que cumpra os requisitos das Normas ABNT, emitido Fl. 354DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.940 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.725131/2010-57 por profissional habilitado e com ART/CREA, demonstrando de maneira convincente o valor fundiário do imóvel rural avaliado, com suas características particulares; ou ainda (ii) mediante a avaliação Públicas Estaduais (exatorias) ou Municipais, desde que acompanhada dos métodos de avaliação; bem como (iii) avaliação pela Emater, também apresentando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel. Assim, ele não poderia ser penalizado por ter se utilizado de uma das opções efetivamente concedidas pela notificação, qual seja, da avaliação efetuada pela fazenda pública do Estado de Porto Alegre para fins de cálculo do ITCMD nos autos do processo de Inventário do contribuinte, datada de 26/03/2009 (fl. 226). De fato, a intimação de fl. 8 concede três formas alternativas de comprovação do VTN, a ver: Ocorre que, conforme observa-se da própria intimação fiscal, para utilizar o VTN com base nas avaliações das fazendas públicas, não basta alegar que o mesmo está em conformidade com o valor do ITCMD Estadual, mas também apresentar os “métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel”. Nenhum destes documentos conta nos autos. Ademais, é irrelevante o argumento levantado pelo contribuinte de que o valor calculado pela fazenda pública do estadual para fins de cálculo do ITCMD é menor do que o valor declarado em DITR. Ora, isso apenas confirma a fragilidade da avaliação efetuada pelo Ente Estatal para fins de ITCMD. Nota-se que o valor do imóvel calculado pelo Ente Estatal para fins de ITCMD foi de R$ 909.337,00 (R$ 870.000,00 + R$ 39.337,00, como afirma o RECORRENTE). Ora, este valor é, inclusive, maior do que a soma do valor das benfeitorias (R$ 495.000,00) e ao das culturas e pastagens (R$ 420.000,00) declarados pelo contribuinte em DITR (fl.11). Se a soma desses dois valores (declarados pelo contribuinte e não contestado pela fiscalização) corresponde a R$ 915.000,00 e o valor do imóvel apurado para fins de ITCMD corresponde a R$ 909.337,00, caso este fosse aceito como valor total do imóvel então significaria dizer que o VTN seria negativo, o que é inadmissível. Isso porque o cálculo do VTN é efetuado da seguinte forma: [VTN = valor total do imóvel – valor benfeitorias – valor das culturas e pastagens] Ou seja: Fl. 355DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-005.940 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.725131/2010-57 VTN = R$ 909.337,00 – R$ 495.000,00 – R$ 420.000,00; VTN = R$ 909.337,00 – R$ 915.000,00; VTN = (R$ 5.663,00); A constatação acima é suficiente para compreender que o valor apurado para fins de ITCMD não pode ser aceito no presente caso. Assim, entendo como correta a avaliação com base na tabela SIPT. Isto porque, a legislação de regência do ITR é clara ao determinar que em caso de suspeita de subavaliação do valor da terra nua, o lançamento de ofício tomará como base as informações sobre preços de terras constante em sistema a ser instituído pela RFB, a ver: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. § 2º As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. Este sistema é o chamado Sistema de Preços de Terra (“SIPT”), instituído pela Portaria SRF nº 447/2002. Deste modo, na ausência de laudo comprovando o valor do VTN adotado, é o sistema SIPT quem será competente para determinar o preço da terra nua. Logo, o cálculo da Fazenda Estadual para fins de ITCMD apresentado pelo RECORRENTE não tem competência para determinar o VTN do presente lançamento. Deste modo, entendo pela manutenção do VTN obtido pela fiscalização mediante consulta ao sistema SIPT. Das áreas de plantação vegetal e pastagem Por fim, o RECORRENTE, alega, em síntese, que foi indevida a glosa das áreas de plantação vegetal e de pastagens declaradas em sua DITR. Como cediço, a glosa destas áreas altera o grau de utilização do imóvel. O grau de utilização do imóvel é a relação entre a área efetivamente destinada ao desenvolvimento da atividade rural e a totalidade da área aproveitável deste imóvel, nos termos do art. 10, inciso VI, da Lei nº 9.393/1996, abaixo transcrito: Fl. 356DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8629.htm#art12 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8629.htm#art12 Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-005.940 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.725131/2010-57 Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: [...] VI - Grau de Utilização - GU, a relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável. Este grau tem relevância, pois a alíquota incidente sobre o valor da terra nua será majorada a depender do grau de utilização do imóvel, nos termos do art. 11, Lei nº 9.393/1996. Confira-se Portanto, para aumentar o grau de utilização do seu imóvel, o RECORRENTE deve comprovar a efetiva utilização da área glosada pela fiscalização nas atividades de produção vegetal e de pastagem. No que se refere a glosa das áreas de pastagem, o RECORRENTE alega a DRJ errou ao desconsiderar as fichas de registros de vacinações e de movimentações de bovinos de propriedade do parceiro agrícola VASCO ANTONIA DA COSTA GAMA. Isto porque, o fundamento da autoridade julgadora de que os documentos apresentados pelo RECORRENTE dizem respeito à outra fazenda não merece prosperar, pois são imóveis de divisa que antigamente formavam um único imóvel rural. Data venia, entendo que não merece prosperar os fundamentos do RECORRENTE. De fato, a certidão de fls. 72/73 comprova que os imóveis são limítrofes, mas essa circunstância por si só não é suficiente para comprovar a existência de rebanho na propriedade do RECORRENTE à época do fato gerador do ITR. Como pontuado pela DRJ, todos os documentos apresentados pelo RECORRENTE fazem remissão à propriedade rural de seu cunhado, e não a sua. Como cediço, para comprovar as áreas de pastagem o RECORRENTE deve comprovar a existência de rebanho em sua propriedade, nos termos do art. 25 da IN nº 256/2002: Art. 25. Para fins de cálculo do grau de utilização do imóvel rural, considera-se área servida de pastagem a menor entre a efetivamente utilizada pelo contribuinte e a obtida pelo quociente entre a quantidade de cabeças do rebanho ajustada e o índice de lotação por zona de pecuária, observando-se que: Fl. 357DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-005.940 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.725131/2010-57 I - a quantidade de cabeças do rebanho ajustada é obtida pela soma da quantidade média de cabeças de animais de grande porte e da quarta parte da quantidade média de cabeças de animais de médio porte existentes no imóvel; II - a quantidade média de cabeças de animais é o somatório da quantidade de cabeças existente a cada mês dividido por doze, independentemente do número de meses em que tenham existido animais no imóvel. (Grifou-se) Logo, não tendo o RECORRENTE comprovado a existência de rebanho no imóvel, mediante apresentação de documentação hábil, deve ser mantida a glosa efetuada pela autoridade fiscalizadora. Com relação às áreas de plantação vegetal, entendo que assiste razão o RECORRENTE. Observa-se que o argumento adotado pela autoridade julgadora para desconsiderar as áreas de plantação de arroz foi a ausência de apresentação de documentos relacionados ao ano-calendário de 2006, bem como a ausência de vinculação da nota fiscal emitida com a “Fazenda Butiá”. De fato, foram apresentados diversos documentos relativos ao ano-calendário 2007, os quais o contribuinte alega ter sido relativo à comercialização da safra referente ao ano de 2006. Mesmo assim, verifico que o RECORRENTE também apresentou diversos comprovantes de depósitos de grãos de arroz e notas fiscais de venda de arroz emitidos no ano de 2006 (fls. 91/111). Em sua impugnação, o contribuinte fez o link entre as notas fiscais por ele emitidas e as contra notas emitidas por outras empresas, conforme abaixo: Operação 01: Nota de entrada emitida pelo RECORRENTE (fl. 101) corresponde à nota de saída/devolução emitida pela Sulina (fl. 133); Operação 02: 4 notas de saída/venda emitidas pelo RECORRENTE (fls. 103/109) corresponde à nota de entrada/compra emitida pela Cooperativa arrozeira Extremo Sul (fl. 135). O valor de R$ 19.934,88 desta operação foi declarado pelo contribuinte em sua DIRPF (no mês de fevereiro – fl. 178); Operação 03: Nota de saída/depósito emitida pelo RECORRENTE (fl. 111) corresponde à nota de entrada/depósito emitida pela Engenho A. M. Ltda. (fl. 137); Operação 04: 4 notas de saída/depósito emitidas pelo RECORRENTE (Fls. 91/97) e 4 notas de entrada/depósito emitidas pela Sulina (fls. 141/147), todas referente a depósitos de arroz no ano 2006; Operação 05: Nota de saída/venda do RECORRENTE (fl. 99) corresponde às notas emitidas pelo Engenho A. M. Ltda (fls. 139 e 149). O valor de R$ 32.352,18 desta operação foi declarado pelo contribuinte em sua DIRPF (no mês de novembro – fl. 178). Este foi o mesmo arroz depositado em março, relativo à operação 03. Fl. 358DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-005.940 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.725131/2010-57 Com base no acima exposto, entendo que restou bastante clara a prática de atividade rural por parte do RECORRENTE no ano de 2006. Com relação ao argumento de que a documentação acostada não faz referência ao imóvel em comento, apesar de relevante, entendo que não é suficiente para manutenção da glosa. Isto porque, foram emitidos diversos documentos fiscais em nome do RECORRENTE ou de sua esposa atestado a produção de arroz, ao passo em que na Declaração do Imposto de Renda de fls. 175 apenas consta a existência de uma única propriedade rural em nome do RECORRENTE, que é justamente o imóvel objeto do presente caso. Ademais, o contribuinte aponta que a receita da atividade rural obtida por ele em 2006 foi proveniente da exploração do mesmo imóvel (fl. 178). E, como visto, os valores declarados como recebidos correspondem ao das notas de venda por ele emitidas, que fazem menção ao imóvel localizado na rua Butiá, em Guaiba/RS. Ou seja, o imóvel ora analisado. Deste modo, reconheço a existência de produção vegetal no terreno em comento, devendo ser reestabelecida a área de 195ha declarada na DITR como destinada à produção vegetal. Com isso, o grau de utilização do terreno passa a ser de 49,60%, devendo a alíquota ITR ser reajustada para 2,3%. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos das razões acima expostas, para reconhecer a área de produtos vegetais de 195,0ha. Com isso, o cálculo o imposto mantido deve ser o seguinte: Declarado Apurado VTN tributável 904.935,00 1.967.202,90 Alíquota 0,10 2,3% ITR devido 904,93 45.245,66 Diferença do ITR após julgamento do RV (apurado – declarado) 44.340,73 Portanto, como o lançamento apurou uma diferença de ITR de R$ 64.012,76 (valor principal), o mesmo deve ser ajustado para manter a cobrança do valor principal de ITR de R$ 44.340,73, sobre o qual devem ser aplicados os juros de mora e a multa de ofício de 75%. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Fl. 359DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 13627.720008/2016-46
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2010
MULTA. GFIP ENTREGUE INTEMPESTIVAMENTE.
É devida a multa pelo atraso na entrega da GFIP quando o contribuinte, estando obrigado ao cumprimento da obrigação acessória, apresenta o documento após o prazo estabelecido na legislação.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. PENALIDADE.
As penalidades por descumprimento de obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea grafado no art. 138, do Código Tributário Nacional. Súmula CARF nº49.
AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Súmula CARF nº 46.
INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº2.
Numero da decisão: 2002-002.362
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 11080.731930/2015-77, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 MULTA. GFIP ENTREGUE INTEMPESTIVAMENTE. É devida a multa pelo atraso na entrega da GFIP quando o contribuinte, estando obrigado ao cumprimento da obrigação acessória, apresenta o documento após o prazo estabelecido na legislação. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. PENALIDADE. As penalidades por descumprimento de obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea grafado no art. 138, do Código Tributário Nacional. Súmula CARF nº49. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Súmula CARF nº 46. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº2.
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GFIP ENTREGUE INTEMPESTIVAMENTE. É devida a multa pelo atraso na entrega da GFIP quando o contribuinte, estando obrigado ao cumprimento da obrigação acessória, apresenta o documento após o prazo estabelecido na legislação. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. PENALIDADE. As penalidades por descumprimento de obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea grafado no art. 138, do Código Tributário Nacional. Súmula CARF nº49. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Súmula CARF nº 46. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº2. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 11080.731930/2015-77, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 7. 72 00 08 /2 01 6- 46 Fl. 61DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-002.362 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13627.720008/2016-46 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto integralmente o relatado no Acórdão nº 2002-002.308, de 29 de janeiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata o presente processo de auto de infração consubstanciando exigência referente à multa por atraso na entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, prevista no artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da Lei nº 11.941, de 2009. Cientificada da decisão do colegiado de primeira instância, a qual julgou improcedente a impugnação, a empresa apresentou recurso voluntário, alegando, em síntese: decadência do crédito tributário; entrega espontânea da GFIP com recolhimento dos valores devidos; alteração de critério jurídico; ausência de intimação prévia e de fiscalização orientadora; violação a princípios constitucionais. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Relatora Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2002-002.308, de 29 de janeiro de 2020, paradigma desta decisão. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Quanto à alegação de decadência, impõe-se observar que nos casos de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária o prazo para a constituição do crédito tributário extingue-se em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme previsto no art. 173, I, do Código Tributário Nacional - CTN. É nesse sentido a Súmula CARF n° 148, de observância obrigatória pelos Conselheiros no julgamento dos Recursos: No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN. Tomando-se o ano-calendário de 2010, cuja competência mais antiga deveria ser apresentada até 05/02/2010, o lançamento só poderia ser efetuado após o vencimento do prazo, ou seja, a partir de 06/02/2010. Logo, inicia-se a contagem do prazo decadencial em 1º de janeiro de Fl. 62DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-002.362 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13627.720008/2016-46 2011, encerrando-se em 31 de dezembro de 2015. Para o ano-calendário 2011, o prazo decadencial encerraria em 31 de dezembro de 2016. Dessa feita, não procede a preliminar de decadência suscitada. Como relatado, discute-se nestes autos a exigência referente à multa por atraso na entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, prevista no artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da Lei nº 11.941, de 2009. Esclareço que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do Código Tributário Nacional - CTN, parágrafo único). Assim, constatado o atraso ou a falta na entrega da declaração/demonstrativo, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa pertinente. Não procede a alegação de que a exigência só poderia se dar a partir do exercício 2014. A alteração ocorreu no início de 2009, com a inserção do art.32-A da Lei nº 8.212, de 1991, pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, alterando a sistemática de aplicação de multas vinculadas à GFIP, em especial com a previsão de aplicação da multa por atraso na entrega de GFIP, até então inexistente. Assim, a partir dessa data e antes de decaído o direito do Fisco, a autoridade fiscal tem o poder-dever de proceder ao lançamento da exigência. A exigência da penalidade independe da capacidade financeira ou de existência de danos causados à Fazenda Pública. Ela é exigida em função do descumprimento da obrigação acessória. Portanto, não assiste razão à recorrente ao pleitear a exclusão multa pelo fato de ter efetuado os recolhimentos previdenciários devidos. A autuação não aponta a falta ou insuficiência desse recolhimento. No tocante à alegação de espontaneidade na entrega da Declaração, trago a Súmula CARF nº 49, de observância obrigatória por este colegiado: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Quanto à alegação de falta de intimação prévia ao lançamento, no caso em tela, não houve necessidade dessa intimação, pois a autoridade autuante dispunha dos elementos necessários à constituição do crédito tributário devido. A prova da infração é a informação do prazo final para entrega da declaração e da data efetiva dessa entrega, a qual constou do lançamento. As disposições insertas no art. 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, não contrariam o entendimento manifestado acima. Em nenhum momento há imposição de prévia intimação ao lançamento tributário. Apenas nos casos em que a intimação é necessária é que a intimação deve ser realizada. Fl. 63DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-002.362 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13627.720008/2016-46 Nesse sentido, é o que dispõe a Súmula CARF nº 46: Súmula CARF nº 46 O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Acrescento que o artigo 55, da Lei nº123, de 2006, trata de fiscalizações trabalhistas, sanitárias, de segurança, de relações de consumo, entre outras, não se aplicando ao processo administrativo fiscal relativo a tributos, conforme explicitado em seu §4º. Quanto às alegações de violação a princípios constitucionais, não cabe tal discussão na esfera administrativa de julgamento, prevalecendo a vinculação à lei, que conduz à obrigatoriedade de observância e aplicação das normas regularmente editadas. Acrescento a Sumula CARF nº2, de observância obrigatória por este colegiado: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 64DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 16004.000138/2009-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Exercício: 2004
RETIFICAÇÃO DE CÁLCULO FEITO PELA DRJ DE ORIGEM. NÃO CABIMENTO.
A apuração realizada pela DRJ de origem se pautou nos documentos apresentados pelo próprio contribuinte e se fundou nos exatos termos da Lei 10.833/2003.
ÔNUS DE PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. PRECLUSÃO DO CONTEÚDO DA DCTF
À recorrente recai o ônus probandi sobre os fatos constitutivos de seus direitos. No caso em tela, a alegação de valores dedutíveis da base de cálculo não foram devidamente provados, bem como houve preclusão dos valores apontados como dedutíveis na DCTF apresentada e utilizada como base para elaboração do cálculo no Acórdão recorrido.
Recurso Voluntário Improcedente
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3401-007.107
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
João Paulo Mendes Neto - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros, Mara Cristina Sifuentes (presidente em exercício), Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Luis Felipe de Barros Reche (suplente convocado), Fernanda Vieira Kotzias, João Paulo Mendes Neto. Ausente justificadamente o conselheiro Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: JOAO PAULO MENDES NETO
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Exercício: 2004 RETIFICAÇÃO DE CÁLCULO FEITO PELA DRJ DE ORIGEM. NÃO CABIMENTO. A apuração realizada pela DRJ de origem se pautou nos documentos apresentados pelo próprio contribuinte e se fundou nos exatos termos da Lei 10.833/2003. ÔNUS DE PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. PRECLUSÃO DO CONTEÚDO DA DCTF À recorrente recai o ônus probandi sobre os fatos constitutivos de seus direitos. No caso em tela, a alegação de valores dedutíveis da base de cálculo não foram devidamente provados, bem como houve preclusão dos valores apontados como dedutíveis na DCTF apresentada e utilizada como base para elaboração do cálculo no Acórdão recorrido. Recurso Voluntário Improcedente Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Presidente em exercício. (assinado digitalmente) João Paulo Mendes Neto - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros, Mara Cristina Sifuentes (presidente em exercício), Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Luis Felipe de Barros Reche (suplente convocado), Fernanda Vieira Kotzias, João Paulo Mendes Neto. Ausente justificadamente o conselheiro Rosaldo Trevisan.
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PROD. AL SOL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Exercício: 2004 RETIFICAÇÃO DE CÁLCULO FEITO PELA DRJ DE ORIGEM. NÃO CABIMENTO. A apuração realizada pela DRJ de origem se pautou nos documentos apresentados pelo próprio contribuinte e se fundou nos exatos termos da Lei 10.833/2003. ÔNUS DE PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. PRECLUSÃO DO CONTEÚDO DA DCTF À recorrente recai o ônus probandi sobre os fatos constitutivos de seus direitos. No caso em tela, a alegação de valores dedutíveis da base de cálculo não foram devidamente provados, bem como houve preclusão dos valores apontados como dedutíveis na DCTF apresentada e utilizada como base para elaboração do cálculo no Acórdão recorrido. Recurso Voluntário Improcedente Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) João Paulo Mendes Neto - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros, Mara Cristina Sifuentes (presidente em exercício), Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Luis Felipe de Barros Reche (suplente convocado), Fernanda Vieira Kotzias, João Paulo Mendes Neto. Ausente justificadamente o conselheiro Rosaldo Trevisan. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 01 38 /2 00 9- 55 Fl. 186DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-007.107 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16004.000138/2009-55 Relatório Com a finalidade de relatar toda relação processual administrativa estabelecida até então entre a parte recorrente e o fisco, reproduz-se a integralidade do relatório elaborado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (1ª Turma) no momento do julgamento da Manifestação de Inconformidade: - - dezembro de 2004. - Intimado do la - mensais do ICMS e balancetes mensais. Em seguida, por unanimidade a DRJ mencionada julgou procedente, em parte, a Manifestação de Inconformidade para reconhecer que ¨restou comprovado o erro no preenchimento da DIPJ e, consequentemente, do lançamento impugnado, tendo em vista que as diferenças mensais, entre os valores pagos e efetivamente devidos, foram apurados a partir daquela declaração, o lançamento deve ser ajustado nos termos da tabela acima, mantendo a exigência das parcelas lançadas na última coluna ¨DIFERENÇAS MANTIDAS¨, acrescidas das respectivas cominações legais, multa de ofício, no percentual de 75,0% dos valores mantidos e juros de mora, à SELIC, desde as datas do vencimento das respectivas parcelas.¨ Segue abaixo a tabela de cálculo juntada ao acórdão: Fl. 187DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-007.107 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16004.000138/2009-55 Em suma, a 1ª Turma da DRJ mencionada decidiu diminuir o lançamento de R$207.246,10 para R$45.702,49, a serem acrescidas multa de ofício e juros de mora. Ainda inconformada, a sociedade empresária interpôs Recurso Voluntário alegando, em suma: Conforme consta do despacho às fls. 03, os novos cálculos foram efetuados de acordo com os BALANCETES MENSAIS apresentados. Acontece que, os valores apurados conforme consta da planilha às fls. 3 apresentados, não estão elaborados de forma correta, carecendo de retificação, pois os valores demonstrados pelo interessado na inicial estão de acordo com os números que constam dos BALANCETES. Em apoio ao que foi dito, estamos anexando ao presente RECURSO, planilhas de apuração mensal com identificação das fls. Donde constam os valores que serviram de base às mesmas, bem como planilha de resumo de apurações. Ademais o que se espera é a verificação da veracidade dos cálculos apresentados que comprovam a inexistência de qualquer débito a ser suportado pela recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro João Paulo Mendes Neto , Relator. O recurso que será analisado foi interposto dentro do prazo previsto no artigo 56 do Decreto 70.235/72 e segue os demais requisitos legais, razão pela qual merece ser qualificado como tempestivo e, consequentemente, conhecido. Fl. 188DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-007.107 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16004.000138/2009-55 Da base de cálculo impugnada A discussão central que pauta o recurso interposto versa sobre a composição da base de cálculo para definição do quantum devido pela sociedade empresária recorrente. Em que pese ela não ter indicado de forma expressa em suas razões recursais que discorda da composição da base de cálculo apresentada pela DRJ (limitando-se a falar que houve erro no cálculo), torna-se clara que a divergência repousa na composição da base de cálculo quando se comparam as tabelas apresentadas pelo contribuinte e a que foi elaborada pela DRJ de origem. Com relação ao mês de abril de 2004, por exemplo, a DRJ assume como base de cálculo o valor de R$248.473,71 (duzentos e quarenta e oito mil e quatrocentos e setenta e três reais e setenta e um centavos), em fl. 142 dos autos eletrônicos, enquanto o contribuinte indica que a verdadeira base de cálculo que deveria ter sido utilizada era de R$236.435,54 (duzentos e trinta e seis mil, quatrocentos e trinta e cinco reais e cinquenta e quatro centavos), como se pode encontrar na fl. 173 dos autos. O mesmo se deu para os meses subsequentes. Além disso, as tabelas fornecidas pelo contribuinte quando da interposição deste recurso não apenas divergem da base de cálculo inicial, como da dedução de determinados valores. À título de exemplo, ainda no mês de abril, além de aplicar a alíquota de 7,6% sobre o segundo valor mencionado no parágrafo anterior e não sobre o primeiro (constante na tabela elaborada pela DRJ), o contribuinte ainda deduz daquele valor resultante (R$17.969,10) a somatória da mesma alíquota aplicada a ¨compra de insumos¨, ¨fretes insumos¨, ¨depreciações¨, entre outros (no mês de abril diminuiu-se R$13.547,36), o que resultaria num valor devido de R$4.421,74, o qual teria sido objeto da DCTF e, portanto, não haveria diferença tributável. Ocorre, porém, que ambas as divergências propostas pelo contribuinte em relação ao cálculo elaborado pela DRJ de Ribeirão Preto merecem guarida por este Conselho, pelas razões que serão expostas abaixo. Em primeiro lugar, os cálculos realizados para composição da base de cálculo do referido tributo foram realizados tomando como referência a Lei 10.833/03, inclusive com as devidas deduções de valores correspondentes às devoluções de mercadorias, das receitas de vendas de ativos permanentes, entre outros valores. Além disso, o acórdão impugnado é claro ao indicar o caminho matemático que optou para elaboração de referida base de cálculo, pois apontou expressamente que, ¨como não houve impugnação dos créditos dedutíveis e dos valores declarados nas DCTF e, principalmente, porque os DACON não foram apresentados, serão considerados os valores utilizados pelo autuante, tanto para descontos da contribuição apurada sobre o faturamento mensal como para apurar as diferenças a serem mantidas.¨ (fl. 142 dos autos eletrônicos). Ora, torna-se claro que a argumentação da parte recorrente ao fazer referência aos documentos de contabilidade interna da sociedade empresária para contestar as bases de cálculo instrumentalizadas pela DRJ é, de forma indubitável, tentativa que desconsidera o fato de que a tabela de apuração elaborada no Acórdão recorrido se valeu do que constava na DCTF, uma vez que não houve impugnação na Manifestação de Inconformidade do que ali estava informado. Sendo assim, com base no artigo 16, §4º do Decreto 70.235/72, houve preclusão processual da parte recorrente em impugnar o que constava na DCTF, razão pela qual os cálculos elaborados pela DRJ devem ser mantidos. Além disso, ao indicar possíveis valores a serem deduzidos da base de cálculo inicial, a parte recorrente faz referência (novamente) aos documentos de sua contabilidade interna, desconsiderando que o Acórdão procedeu apuração de créditos dedutíveis com base na Fl. 189DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-007.107 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16004.000138/2009-55 DCTF anteriormente apresentada. Mesmo que fosse possível argumentar dessa forma, ao contribuinte recai o ônus de provar que houve despesas dedutíveis da base de cálculo (artigo 373 do CPC e artigo 16, §4º do Decreto 70.235/72), o que não o fez. Por todas essas razões, não se vislumbra pertinência argumentativa para reapreciar o cálculo elaborado pela DRJ de origem, pois fundada nos documentos apresentados pelo próprio contribuinte e realizadas a partir das deduções cabíveis, com base nos termos da Lei 10.833/2003. Conclusão Com base em todas as razões anteriormente expostas, voto pelo CONHECIMENTO do recurso e, no mérito, pela sua TOTAL IMPROCEDÊNCIA. É como voto. (documento assinado digitalmente) João Paulo Mendes Neto Fl. 190DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18183.720043/2018-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2010
LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. INFORMAÇÕES INEXATAS.
Apresentar GFIP com informações incorretas ou omissas constitui infração à legislação previdenciária
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FALTA DE DECLARAÇÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. ALTERAÇÃO NO ORDENAMENTO JURÍDICO. LEI NOVA QUE CONCEDE ANISTIA À INFRAÇÃO. APLICABILIDADE AO FATO PRETÉRITO.
Há anistia da infração em relação às competências incluídas no período de apuração em que se certificou a entrega das GFIPs no prazo previsto pelo artigo 49 da Lei nº 13.097/15.
Numero da decisão: 2301-006.710
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso para excluir do lançamento as multas abrangidas pela anistia prevista no art. 49 da Lei nº 13.097, de 18 de janeiro de 2015.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Fernanda Melo Leal e João Maurício Vital (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. INFORMAÇÕES INEXATAS. Apresentar GFIP com informações incorretas ou omissas constitui infração à legislação previdenciária DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FALTA DE DECLARAÇÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. ALTERAÇÃO NO ORDENAMENTO JURÍDICO. LEI NOVA QUE CONCEDE ANISTIA À INFRAÇÃO. APLICABILIDADE AO FATO PRETÉRITO. Há anistia da infração em relação às competências incluídas no período de apuração em que se certificou a entrega das GFIPs no prazo previsto pelo artigo 49 da Lei nº 13.097/15. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso para excluir do lançamento as multas abrangidas pela anistia prevista no art. 49 da Lei nº 13.097, de 18 de janeiro de 2015. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Fernanda Melo Leal e João Maurício Vital (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 3. 72 00 43 /2 01 8- 15 Fl. 367DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.710 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18183.720043/2018-15 1. Trata-se de julgar recurso voluntário (e-fls 313/320) interposto em face do Acórdão nº 02-30.190 (e-fls 305/309) prolatado pela DRJ Belo Horizonte em sessão de julgamento realizada em 22 de dezembro de 2010. 2. Para a compreensão do litígio, faz-se a reprodução do relatório inserto na Resolução nº 2301-000.706 (e-fls 330/334): início da transcrição do relatório contido na Resolução nº 2301-000.706 O presente processo inicialmente foi autuado com o nº 10630.001632/2010-16, sendo, conjuntamente outros processos da mesma recorrente, juntado por anexação ao processo principal 10630.001638/2010-85 (e-fls. 1400 a 3009 do processo 10630.001638/2010-85) ; com isso, tal processo perdeu sua identidade processual, do que decorreu a impossibilidade de indica-lo para a pauta; tal fato motivou o despacho de saneamento das e-fls. 3018 a 3021 do processo 10630.001638/2010-85, do que decorreu a nova numeração, a fim de possibilitar seu julgamento nesta instância. Passo à sua análise. Trata-se de recurso voluntário em face do Acórdão 02-30.190, exarado pela 8ª Turma da DRJ em Belo Horizonte (e-fls. 305 a 309), do qual utilizo o relatório fiscal: Trata-se de infração à Lei 8.212, de 24/07/91, artigo 32, inciso IV, na redação dada pela Medida Provisória n o 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941, de 27/05/2009, por ter a Prefeitura Municipal de Carangola apresentado Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP, com incorreções ou omissões, conforme Relatório Fiscal da Infração de fl.05 e planilhas de fls.06/36 verso. Conforme Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl.62), foi aplicada penalidade no valor de R$22.500,00, prevista no artigo 32-A, “caput”, inciso I, §§2º e 3º, da Lei 8.212/91, acrescentados pela MP n° 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Segundo o referido relatório, para as infrações com fato gerador anteriores a 04/12/2008, data de entrada de vigor da MP 449/2008, a multa deve ser aplicada em observância ao artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Para tanto, foi efetuada comparação, por competência, da multa em vigor com as penalidades previstas antes da publicação da MP 449/2008, conforme planilhas de fls.63/66. E a fiscalização concluiu que, em todas as competências, a multa de menor valor seria a capitulada atualmente. A interessada foi cientificada do presente Auto de Infração – AI em 27/07/2010, conforme cópia de Aviso de Recebimento – AR de fl.89, e apresentou impugnação, em 27/08/2010 (fls. 92/97). Em suma: - assevera que a aplicação da multa não se deu por descumprimento da legislação tributária, mas sob interpretação do que o Fisco considera ou não correto; - argumenta que uma das incorreções apontadas pela fiscalização refere-se às compensações nas GFIP de 07/09 a 05/09, mas que tais compensações estavam devidamente amparadas por decisão judicial; - afirma que atuou sob tutela judicial, no sentido de autorizar a compensação e ainda, que não tinha qualquer dever de informar os pagamentos realizados a estagiários e autônomos em GFIP, vez que não estão sujeitos à incidência das contribuições previdenciárias. Fl. 368DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.710 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18183.720043/2018-15 A DRJ julgou a impugnação improcedente, em acórdão que recebeu as seguintes ementas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2010 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. INFORMAÇÕES INEXATAS. Apresentar GFIP com informações incorretas ou omissas constitui infração à legislação previdenciária. A ciência dessa decisão ocorreu em 25/03/2011 (e-fl. 312). Em 15/04/2011 (efl. 327), foi apresentado recurso voluntário (e-fls. 313 a 321), sendo alegado, em síntese, que uma das incorreções apontadas pela fiscalização refere-se às compensações nas Gfip de 07/09 a 05/09, mas que tais compensações estavam devidamente amparadas por decisão judicial, a ausência de incorreções em Gfip, que as compensações foram realizadas com amparo judicial, na decisão proferida nos autos do processo 2008.38.00.0290379. Os pedidos consistem em se julgar improcedente o auto de infração. Em 30/04/2015, despacho da Secretaria da 3ª Câmara desta 2ª Seção do Carf (e- fl. 3010 do processo principal 10630.001638/201085), informou que: O processo indicado acima teve Recurso Voluntário julgado em 14/05/2013, conforme Acórdão 2803-002.328 (fls. 1.369/1.380). Encaminhado para ciência do representante da Fazenda Nacional, retornou ao Carf e foi à unidade de origem da Receita Federal do Brasil para ciência do Recorrente. Em 07/04/2015 o processo retornou ao Carf com o seguinte despacho (fl. 1.399): "Após entendimento telefônico, devolvemos o presente processo ao CARF/DF/MF para prosseguimento. Ressaltamos que após análise dos processos anexados a este, todos os processos deverão retornar juntos a esta ARF/MAN tendo em vista o sistema só permite movimentar o processo principal." De fato, há um termo de juntada por anexação (fl. 1.367) dos processos 10630.001632/2010-16, 10630.001633/2010-52, 10630.001634/2010-05, 10630.001636/2010-96, 10630.001637/2010-31, 10630.001638/2010-85 e 10630.001639/201020. No entanto, no momento do julgamento, em 14/05/2014, não estavam juntados aos autos do 10630.001631/201063. Assim, como a juntada por anexação já existia de direito, conforme o termo (fl. 1.367), mas não estava consolidada de fato, fizemos nesta data a juntada dos demais autos de infração referentes aos processos 10630.001632/2010-16, 10630.001633/2010-52, 10630.001634/2010-05, 10630.001636/2010-96, 10630.001637/2010-31, 10630.001638/2010-85 e 10630.001639/2010-20 e devolvo ao Relator para prosseguimento. (Grifou-se.) O despacho de admissibilidade de embargos do conselheiro das e-fls. 3015 a 3017 (processo 10630.001631/2010-63) determinou o julgamento dos processos 10630.001632/2010-16, 10630.001633/2010-52, 10630.001634/2010-05, 10630.001636/2010-96, 10630.001637/2010-31, 10630.001638/2010-85 e 10630.001639/2010-20. Como já referido, como decorrência do despacho de saneamento das e-fls. 3018 a 3021 do processo 10630.001638/201085, tal processo foi numerado, a fim de possibilitar seu julgamento nesta instância. Fl. 369DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.710 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18183.720043/2018-15 final da transcrição do relatório contido na Resolução nº 2301-000.706 2.1. A Resolução nº 2301-000.706 (e-fls 330/334) determinou a conversão do julgamento em diligência, para a unidade preparadora tecer esclarecimentos sobre entrega de declarações (GFIP) por parte do recorrente. 2.2. Após a adoção de providências sugeridas no despacho (e-fls 336), os autos foram encaminhados para a unidade preparadora. 2.3. Em resposta, a unidade preparadora fez a anexação da planilha (e-fls 346/347) e da informação fiscal (e-fls 351). É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles, Relator. 3. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. 4. A Resolução nº 2301-000.706 determinara a conversão do julgamento em diligência para que a unidade preparadora tecer informações sobre a data de entrega das declarações (GFIP) por parte do Recorrente. Reproduzo parte da fundamentação contida na Resolução exarada: final da transcrição do voto contido na Resolução nº 2301-000.706 O auto de infração foi lavrado em 20/07/2019 (e-fl. 1402), em razão de ter a contribuinte apresentado com informações incorretas ou omissas a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 da Lei 8.212, de 1991, conforme se constata da transcrição a seguir: Reza o art. 32-A da Lei 8.212, de 1991: Art. 32-A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresenta-la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar-se-á às seguintes multas: (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Fl. 370DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.710 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18183.720043/2018-15 I - à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) II - a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) I - R$ 200,00 (duzentos reais), tratando-se de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) II - R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) A seu turno, dispõe o art. 32 da Lei 8212, de 1991: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS;(Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Dispõe o art. 49 da Lei n° 13.097, de 2015: Art. 49. Ficam anistiadas as multas previstas no art. 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, lançadas até a publicação desta Lei, desde que a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. (Grifou-se.) Não há dúvidas de que a referida declaração tenha sido entregue, uma vez que o relatório fiscal descreve a sua apresentação com incorreções. Porém, o auto de infração é silente quanto ao momento da entrega da declaração em comento. Assim, não há como saber se é aplicável, ou não, a anistia carreada no art. 49 da lei 13.097, de 2015, que transcrevo: Art. 49. Ficam anistiadas as multas previstas no art. 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, lançadas até a publicação desta Lei, desde que a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. (Grifou-se.) Desse modo, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que seja informado se a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei 8.212, de 1991, que motivou o auto de infração em julgamento, foi entregue até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. final da transcrição do voto contido na Resolução nº 2301-000.706 5. Faz-se a transcrição da informação fiscal produzida pela unidade preparadora (e- fls 351): INFORMAÇÃO FISCAL Fl. 371DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-006.710 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18183.720043/2018-15 1 – Em atendimento ao Relatório de fls 330/334 da 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária do CARF, que converteu o julgamento de recurso voluntário em face do Acórdão 02- 30.190 da 8ª Turma da DRJ/BH em diligência, faz-se as seguintes observações: 1.1 – Os meses que compõem o período constante do referido Auto de Infração, foram os seguintes: 01/2005 a 12/2006 (incluindo o 13º/2005 e 13º/2006); 05/2007; 10/2007; 04/2008; 09/2008 a 12/2008; 07/2009 a 05/2010 (incluindo o 13º/2009). 1.2 – A GFIP relativa ao mês 12/2005 não foi entregue, conforme tela extraída do sistema GFIPWEB, em anexo. 2 – Anexou-se a PLANILHA I, onde constam todos os dados relativos as GFIP utilizadas na análise feita pela auditoria, que resultou na emissão deste Auto de Infração, em especial a data de envio das mesmas pelo Município, que foi o objeto da presente diligência. 3 – Com isso, foi atendida a solicitação constante da Resolução nº 2301-000706, encaminhada pela 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária do CARF, através da PLANILHA I. 6. O Quadro 1 apresentado a seguir foi elaborado a partir das informações dispostas na planilha (e-fls. 346/347) e nos permite certificar das datas de entrega das GFIP no período da autuação. Quadro 1 (e-fls 346) (e-fls 347) Mês Dia de envio Mês Dia de envio 01/2005 29/03/2010 05/2007 24/07/2007 02/2005 12/04/2010 10/2007 11/12/2007 03/2005 12/04/2010 04/2008 16/05/2008 04/2005 31/03/2010 09/2008 08/12/2009 05/2005 31/03/2010 10/2008 08/12/2009 06/2005 12/04/2010 11/2008 08/12/2009 07/2005 31/03/2010 12/2008 06/02/2009 08/2005 31/03/2010 07/2009 08/12/2009 09/2005 01/04/2010 08/2009 05/10/2009 10/2005 12/04/2010 09/2009 05/10/2009 11/2005 01/04/2010 10/2009 06/11/2009 12/2005 GFIP NÃO ENTREGUE 11/2009 06/01/2010 13/2005 15/02/2006 12/2009 06/01/2010 01/2006 29/03/2010 13/2009 09/12/2009 02/2006 29/03/2010 01/2010 07/02/2010 03/2006 29/03/2010 02/2010 05/03/2010 04/2006 29/03/2010 03/2010 15/04/2010 05/2006 29/03/2010 04/2010 10/05/2010 06/2006 02/08/2006 05/2010 07/06/2010 07/2006 25/08/2006 08/2006 24/07/2007 09/2006 24/07/2007 10/2006 29/03/2010 11/2006 29/03/2010 Fl. 372DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-006.710 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18183.720043/2018-15 12/2006 24/07/2007 13/2006 24/07/2007 7. O Quadro2, elaborado a partir das informações do quadro precedente, traz a relação das competências em que a data de entrega das GFIPs atendem às condições estabelecidas no artigo 49 da Lei nº 13.097/2015: Quadro 2 (e-fls 346) (e-fls 347) Mês Dia de envio Mês Dia de envio 13/2005 15/02/2006 05/2007 24/07/2007 06/2006 02/08/2006 10/2007 11/12/2007 07/2006 25/08/2006 04/2008 16/05/2008 12/2008 06/02/2009 08/2009 05/10/2009 09/2009 05/10/2009 10/2009 06/11/2009 11/2009 06/01/2010 12/2009 06/01/2010 13/2009 09/12/2009 01/2010 07/02/2010 02/2010 05/03/2010 03/2010 15/04/2010 04/2010 10/05/2010 05/2010 07/06/2010 8. Por fim, o Quadro 3, contém a relação de competências, em que a data de entrega da GFIP não satisfaz as condições estabelecidas no artigo 49 da Lei nº 13.097/2015), não sendo possível, quanto a tais competências se reconhecer o benefício da anistia. Quadro 3 (e-fls 346) (e-fls 347) Mês Dia de envio Mês Dia de envio 01/2005 29/03/2010 09/2008 08/12/2009 02/2005 12/04/2010 10/2008 08/12/2009 03/2005 12/04/2010 11/2008 08/12/2009 04/2005 31/03/2010 07/2009 08/12/2009 05/2005 31/03/2010 06/2005 12/04/2010 07/2005 31/03/2010 08/2005 31/03/2010 09/2005 01/04/2010 10/2005 12/04/2010 11/2005 01/04/2010 12/2005 GFIP NÃO ENTREGUE 01/2006 29/03/2010 Fl. 373DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-006.710 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18183.720043/2018-15 02/2006 29/03/2010 03/2006 29/03/2010 04/2006 29/03/2010 05/2006 29/03/2010 08/2006 24/07/2007 09/2006 24/07/2007 10/2006 29/03/2010 11/2006 29/03/2010 12/2006 24/07/2007 13/2006 24/07/2007 8.1. Tal como bem analisado pela decisão de primeira instância, considero inconteste o cometimento da infração pelo fato terem sido verificadas incorreções/omissões nas GFIP entregues pelo Município, ora Recorrente. 8.2. Conforme se extrai da decisão recorrida (e-fls 307): Observe-se que as GFIP’s devem conter todos os dados corretos, previstos na legislação, para propiciar ao trabalho de auditoria fiscal a condição ideal de verificação da regularidade da empresa, perante a Seguridade Social. Quando são apresentadas de maneira incorreta, obviamente fica dificultada a apuração exata do montante de possíveis contribuições previdenciárias devidas, bem como a verificação da regularidade da situação dos segurados a serviço da empresa em relação à Previdência Social. Ao exigir sua apresentação dentro das formalidades previstas, o Auditor Fiscal autuante nada mais fez do que cumprir a legislação a respeito. 8.3. Esclareça-se que, em relação à penalidade aplicada, a fiscalização já procedeu a elaboração do cálculo comparativo (e-fls. 130/132), tendo concluído que para todas as competências, a multa mais benéfica coincide com a capitulada no artigo 32-A , “caput”, inciso I, §§2º e 3º, da Lei 8.212/91. CONCLUSÃO 9. Em vista do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para excluir do lançamento as multas abrangidas pela anistia prevista no art. 49 da Lei nº 13.097, de 18 de janeiro de 2015, correspondentes às competências especificadas no Quadro 2 (item 7 supra). (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Fl. 374DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.900953/2006-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2020
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
Ementa:
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA DE PROVA.
Cabe ao contribuinte anexar à manifestação de inconformidade as provas documentais referentes aos fatos por ele alegados, sobretudo quando afirma ter errado ao confessar em DCTF débito (no caso, de IRRF 0561) maior do que aquele que seria devido
Numero da decisão: 1402-004.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Murillo Lo Visco, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paula Santos de Abreu e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA DE PROVA. Cabe ao contribuinte anexar à manifestação de inconformidade as provas documentais referentes aos fatos por ele alegados, sobretudo quando afirma ter errado ao confessar em DCTF débito (no caso, de IRRF 0561) maior do que aquele que seria devido
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA DE PROVA. Cabe ao contribuinte anexar à manifestação de inconformidade as provas documentais referentes aos fatos por ele alegados, sobretudo quando afirma ter errado ao confessar em DCTF débito (no caso, de IRRF 0561) maior do que aquele que seria devido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Murillo Lo Visco, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paula Santos de Abreu e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 09 53 /2 00 6- 38 Fl. 274DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10875.900953/200638 Acórdão n.º 1402004.349 S1C4T2 Fl. 275 2 Relatório Fl. 275DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10875.900953/200638 Acórdão n.º 1402004.349 S1C4T2 Fl. 276 3 Tratase de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil que decidiu manter o r. Despacho Decisório que não homologou o pedido de compensação apresentado pela Recorrente, por ter constatado que o crédito de IRRF de R$ 8.058,42, apurado em 09/04/2003, indicado no PER/DCOMP tinha sido utilizado para pagamento de outros débitos da contribuinte. O crédito indicado no PER/DCOMP para compensação é oriundo de pagamento indevido ou a maior de IRRF, código 0561. Alega a Recorrente o seguinte: em 09/04/2003, efetuou pagamento de R$ 222.923,96, a titulo de IRRF folha de pagamento, código 0561, valor este apurado e declarado em DCTF da competência do mês de março de 2003. acontece que em janeiro de 2003, o Sr. Américo Geza, empregado da Recorrente, passou a ter seu domicilio tributário na França e requereu à peticionaria para considerar sua residência no exterior desde janeiro daquele ano; em conseqüência, foi necessário refazer os cálculos do imposto retido na fonte, reclassificando os rendimentos como provenientes do trabalho no exterior, alterandose o código de recolhimento para 0473, no valor recalculado de R$ 8.162,40 procedimento que foi realizado através do sistema "PER/DCOMP"; na DCOMP foi indicado como origem do crédito o DARF de R$ 222.923,96, código 0561 de 09/04/2003, do qual foi utilizada a parcela de R$ 8.058,42, para amortizar débito de código 0473 de R$ 8.058,42; a diferença do IRRF apurada na reclassificação dos rendimentos no código de recolhimento requerido foi de R$ 103,98 ( = R$ 8.162,40 — R$ 8.058,42), devidamente quitada, inclusive com juros e multa, em 30 de maio de 2003, conforme fls. 35. a empresa não deixou de recolher o tributo, apenas requereu que se compensasse/transferisse parte do valor pago sob a rubrica de IRRF no código 0561 para a rubrica rendimentos do trabalho o exterior de código 0473, recolhendo, concomitantemente, a diferença apurada na reclassificação do tributo. requer e defende o Recorrente o direito à compensação, do que classificado e pago incorretamente sob código 0561, para quitar o débito de código 0473. Ou seja requer a compensação do crédito de IRFF pago sob o código 0561, no valor de R$ 8.058,42. O r. Despacho Decisório não reconheceu e não homologou a compensação devido ter constatado que o crédito tinha sido integralmente utilizado para quitação de outros débitos da Recorrente, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP. O v. acórdão recorrido negou provimento a manifestação de inconformidade por entender que a Recorrente não apresentou documentos contábeis passíveis de comprovar qualquer erro de fato cometido no preenchimento da DCTF e a existência do crédito indicado na PER/DCOMP. Fl. 276DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10875.900953/200638 Acórdão n.º 1402004.349 S1C4T2 Fl. 277 4 O v. acórdão recorrido entendeu que a cópia do aditivo contratual apensado pela Recorrente não era suficiente para comprovar A DRJ proferiu o v. acórdão recorrido negando provimento a manifestação de inconformidade da Recorrente, fundamentando seu voto nos seguintes termos: Por meio da DCOMP no 34031.05435.060603.1.3.045042, o contribuinte informou a existência de crédito correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de IRRF, código 0561, no valor original de R$ 8.058,42, apurado no recolhimento efetuado em 09/04/2003 (fls. 40/42). Verificado que o DARF apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado no PER/DCOMP, a compensação promovida com aquele crédito não foi homologada. Das razões apresentadas na manifestação de inconformidade, inferese que o contribuinte alega que, na DCTF do 2° trimestre de 2003, o débito de IRRF código 0561 do PA 104/2003 no valor de R$ 225.164,72, seria menor do que aquele efetivamente devido, pois parte deste valor corresponderia a débito de código 0473 decorrente de trabalho no exterior de empregado que indica. Todavia, como se vê à fl. 38, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF traz no campo débito apurado o valor de R$ 225.164,72, vinculado a pagamentos que perfazem este montante (R$ 222.923,96 + R$ 2.240,76) com vencimento em 09/04/2003. Assim, mais do que informar o valor total do pagamento da DCTF de R$ 225.164,62, o contribuinte confessou a existência de débito de valor equivalente de código 0561. E, se algum erro houve nestas informações, ele não foi devidamente comprovado na manifestação de inconformidade. De fato, embora alegue o interessado que parte do débito de código 0561 foi reclassificado para o código 0473, em decorrência de pagamento de empregado no exterior, não demonstrou a composição do débito originalmente declarado, mediante elementos da escrituração. Ou seja, não foram trazidas aos autos provas de que, no débito de R$ 225.164,72 (código 0561), estaria contemplada a retenção da fonte sobre rendimentos pagos a funcionário que, na verdade, estaria prestando serviços no exterior e cujos rendimentos teriam sofrido retenção que seria classificada no código 0473. Apenas a apresentação de cópia simples de aditivo contratual datado de 02/01/2003, não é suficiente para comprovar que o débito confessado de R$ 225.164,72 seria devido em montante menor que aquele declarado, de modo que sobraria pagamento. Fl. 277DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10875.900953/200638 Acórdão n.º 1402004.349 S1C4T2 Fl. 278 5 0 contribuinte deveria minimamente fazer prova de que a retenção sobre rendimentos pagos ao funcionário que informa prestar serviços no exterior teria sido incluída no débito declarado de R$ 225.164,72, para suportar a argüição de erro veiculada em sua defesa. [...] Logo, a manifestação de inconformidade deveria ser instruída com os elementos de provas das alegações nela contidas. Também oportuno consignar que o ônus da prova do indébito tributário incumbe ao requerente, quanto ao fato constitutivo de seu direito, conforme artigo 333, do Código de Processo Civil. Com efeito, a compensação, por ser forma de extinção do crédito tributário, consoante art. 156, inciso II, do CTN, exige a certeza e liquidez dos créditos a compensar, o que só reforça o ônus do contribuinte de provar os fatos extintivos do direito do Fisco. A jurisprudência administrativa é pacifica nesse sentido, da qual citamse, como exemplo, as seguintes ementas: [...] Diante do exposto, o presente voto é no sentido de considerar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade para ratificar o despacho decisório que não homologou a compensação veiculada na DCOMP em litígio. Inconformada com a decisão do v. acórdão "a quo", a Recorrente interpôs Recurso Voluntário visando sua reforma, repetindo os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade, sem acostar qualquer documento. É o relatório. Fl. 278DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10875.900953/200638 Acórdão n.º 1402004.349 S1C4T2 Fl. 279 6 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e possui os requisitos previstos na legislação, motivos pelos quais deve ser admitido. O r. Despacho Decisório não homologou a compensação requerida devido ao fato de o crédito ter sido integralmente utilizado para quitação de outros débitos da Recorrente, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP. Em sede de manifestação de inconformidade a Recorrente juntou cópia da DCTF, e DARFs, alegando que pagou equivocadamente crédito de IRRF, código 0561, no valor de R$ 8.058,42, sendo que deveria ter pago IRRF sob o código 0473, retenção de salário de residente no exterior, no valor de R$ 8.162,40. Sendo assim, requer a compensação do valor de R$ 8.058,42 para quitar o débito de R$ 8.162,40. Quanto a diferença de R$ 103,00, apresenta DARF pago neste valor. Alega a Recorrente que o débito de IRRF (código 0561) no valor de R$ 225.164,72, indicado na DCTF (segundo trimestre de 2003) é menor, pois parte deste valor corresponderia a débito de código 0473, decorrente de IRRF incidente sobre o salário de trabalhador situado no exterior. Todavia, como se vê à fl. 38, a DCTF traz no campo débito apurado o valor de R$ 225.164,72, vinculado a pagamentos que perfazem este montante (R$ 222.923,96 + R$ 2.240,76) com vencimento em 09/04/2003. Assim, como muito bem apontado pelo v. acórdão recorrido, mais do que informar o valor total do pagamento da DCTF de R$ 225.164,62, o contribuinte confessou a existência de débito de valor equivalente de código 0561. E, se algum erro houve nestas informações, ele não foi devidamente comprovado nos autos. Ademais, o Recorrente não demonstrou contabilmente a composição do débito e que parte do débito de código 0561 foi reclassificado para o código 0473, em decorrência de pagamento de empregado no exterior. Ou seja, não trouxe aos autos provas de que, no débito de R$ 225.164,72 (código 0561), estaria contemplada a retenção da fonte sobre rendimentos pagos a funcionário que, na verdade, estaria prestando serviços no exterior e cujos rendimentos teriam sofrido retenção sob o código 0473. A Recorrente deveria trazer aos autos provas contábeis que demonstrem a retenção sobre rendimentos pagos ao funcionário que presta serviços no exterior teria sido incluída no débito declarado de R$ 225.164,72, para demonstrar o alegado erro no Fl. 279DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10875.900953/200638 Acórdão n.º 1402004.349 S1C4T2 Fl. 280 7 preenchimento da DCTF, entretanto não faz. Da mesma forma, não apresentou DCTF e DIPJ retificadas. Sendo assim, como a Recorrente não trouxe aos autos novas provas para comprovar que o débito indicado na DCTF seria menor devido a parcela do IRRF sob o código 0473 estar inserido no valor do débito de IRRF sob o código 0561, entendo que deve ser mantido o v. acórdão recorrido em seus termos. No mais, para complementar meu voto, utilizo os fundamentos do v. acórdão Recorrido. Por meio da DCOMP no 34031.05435.060603.1.3.045042, o contribuinte informou a existência de crédito correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de IRRF, código 0561, no valor original de R$ 8.058,42, apurado no recolhimento efetuado em 09/04/2003 (fls. 40/42). Verificado que o DARF apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado no PER/DCOMP, a compensação promovida com aquele crédito não foi homologada. Das razões apresentadas na manifestação de inconformidade, inferese que o contribuinte alega que, na DCTF do 2° trimestre de 2003, o débito de IRRF código 0561 do PA 104/2003 no valor de R$ 225.164,72, seria menor do que aquele efetivamente devido, pois parte deste valor corresponderia a débito de código 0473 decorrente de trabalho no exterior de empregado que indica. Todavia, como se vê à fl. 38, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF traz no campo débito apurado o valor de R$ 225.164,72, vinculado a pagamentos que perfazem este montante (R$ 222.923,96 + R$ 2.240,76) com vencimento em 09/04/2003. Assim, mais do que informar o valor total do pagamento da DCTF de R$ 225.164,62, o contribuinte confessou a existência de débito de valor equivalente de código 0561. E, se algum erro houve nestas informações, ele não foi devidamente comprovado na manifestação de inconformidade. De fato, embora alegue o interessado que parte do débito de código 0561 foi reclassificado para o código 0473, em decorrência de pagamento de empregado no exterior, não demonstrou a composição do débito originalmente declarado, mediante elementos da escrituração. Ou seja, não foram trazidas aos autos provas de que, no débito de R$ 225.164,72 (código 0561), estaria contemplada a retenção da fonte sobre rendimentos pagos a funcionário que, na verdade, estaria prestando serviços no exterior e cujos rendimentos teriam sofrido retenção que seria classificada no código 0473. Fl. 280DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10875.900953/200638 Acórdão n.º 1402004.349 S1C4T2 Fl. 281 8 Apenas a apresentação de cópia simples de aditivo contratual datado de 02/01/2003, não é suficiente para comprovar que o débito confessado de R$ 225.164,72 seria devido em montante menor que aquele declarado, de modo que sobraria pagamento. 0 contribuinte deveria minimamente fazer prova de que a retenção sobre rendimentos pagos ao funcionário que informa prestar serviços no exterior teria sido incluída no débito declarado de R$ 225.164,72, para suportar a argüição de erro veiculada em sua defesa. [...] Logo, a manifestação de inconformidade deveria ser instruída com os elementos de provas das alegações nela contidas. Também oportuno consignar que o ônus da prova do indébito tributário incumbe ao requerente, quanto ao fato constitutivo de seu direito, conforme artigo 333, do Código de Processo Civil. Com efeito, a compensação, por ser forma de extinção do crédito tributário, consoante art. 156, inciso II, do CTN, exige a certeza e liquidez dos créditos a compensar, o que só reforça o ônus do contribuinte de provar os fatos extintivos do direito do Fisco. A jurisprudência administrativa é pacifica nesse sentido, da qual citamse, como exemplo, as seguintes ementas: [...] Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso Voluntário e a ela nego provimento. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Fl. 281DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10830.905784/2012-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Dec 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010
CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. EMBALAGEM DE TRANSPORTE
No âmbito do regime não cumulativo, independentemente de serem de apresentação ou de transporte, os materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado e chegar ao consumidor em perfeitas condições, são considerados insumos de produção e, nessa condição, geram créditos básicos das referidas contribuições.
PIS/PASEP. CRÉDITOS DA IMPORTAÇÃO. OPERAÇÕES DE EXPORTAÇÃO. DIREITO A COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO.
Os créditos do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, relativos à importação de bens e de serviços vinculados a operações de exportação, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos da Contribuição, poderão ser objeto de compensação ou de ressarcimento ao final do trimestre.
Numero da decisão: 3302-007.834
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas. No mérito, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do recurso, e na parte conhecida, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para reconhecer o direito ao ressarcimento e ao creditamento dos custos com embalagem, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10830.900983/2013-90, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Relator
Participaram do julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Vinícius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. EMBALAGEM DE TRANSPORTE No âmbito do regime não cumulativo, independentemente de serem de apresentação ou de transporte, os materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado e chegar ao consumidor em perfeitas condições, são considerados insumos de produção e, nessa condição, geram créditos básicos das referidas contribuições. PIS/PASEP. CRÉDITOS DA IMPORTAÇÃO. OPERAÇÕES DE EXPORTAÇÃO. DIREITO A COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. Os créditos do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, relativos à importação de bens e de serviços vinculados a operações de exportação, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos da Contribuição, poderão ser objeto de compensação ou de ressarcimento ao final do trimestre. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas. No mérito, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do recurso, e na parte conhecida, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para reconhecer o direito ao ressarcimento e ao creditamento dos custos com embalagem, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10830.900983/2013-90, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 57 84 /2 01 2- 97 Fl. 175DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.834 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.905784/2012-97 Participaram do julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Vinícius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto neste relatório excertos do relatado no Acórdão nº 3302-007.818, de 16 de dezembro de 2019, que lhe serve de paradigma. Por retratar com fidelidade os fatos até então ocorridos no presente processo, adota-se e remete-se ao Relatório elaborado pela DRJ quando da análise do processo. Em síntese, trata-se de Pedido de Ressarcimento/Compensação com fundamento em crédito de contribuição para o PIS não cumulativo relativo a operações de exportação no período em questão, mediante PER/DCOMP com demonstrativo de crédito. No exame que a unidade de jurisdição procedeu, foram constatadas irregularidades na apuração da contribuição, os quais foram objeto de ajustes e glosas. Diante do apurado, a unidade jurisdicionante proferiu Despacho Decisório, no qual, a partir do crédito reconhecido no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito e a(s) compensação(ções) declarada(s) foi(ram) homologada(s) até o limite do crédito reconhecido. Cientificada dessa decisão por via postal, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em que deduz suas razões de defesa, requerendo o cancelamento do despacho decisório e das penalidades nele consignadas. Como decorrência da apreciação do processo pela unidade de julgamento de primeira instância foram lavradas as seguintes ementas: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL [...] NULIDADE - NÃO OCORRÊNCIA Não procede argüição de nulidade quando consta no despacho decisório e documentos que o fundamentam a clara descrição dos fatos e não se verifica a ocorrência de nenhuma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA [...] CRÉDITO TRIBUTÁRIO - COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA – COBRANÇA Não compete à DRJ a análise de questões relativas à cobrança de valores informados em PER/DCOMP. Fl. 176DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.834 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.905784/2012-97 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO [...] [...] BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS. MATERIAL DE EMBALAGEM Não geram créditos no regime da não cumulatividade os dispêndios com material de embalagem que não se enquadre no conceito de insumo definido na legislação. COMPRA DE MERCADORIA EM CONSIGNAÇÃO. AJUSTE. Em face de erro no lançamento das notas fiscais referentes às mercadorias adquiridas em consignação, correta a recomposição da base de cálculo dos bens considerados como insumos para fins de apuração dos créditos passíveis de aproveitamento no regime da não-cumulatividade. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE PIS SOBRE IMPORTAÇÃO VINCULADOS A RECEITA DE EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A possibilidade de compensação, ou de ressarcimento em dinheiro, dos créditos de Pis apurados em decorrência de operações de importação restringe-se aos custos, despesas e encargos vinculados às vendas no mercado interno efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, não se estendendo aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário no qual aduz os seguintes tópicos. Em sede de preliminar, alega: a decisão é nula por não haver apreciado matéria alegada em sede de defesa administrativa quanto aos insumos para linha de produção da empresa recorrente; houve contradição no despacho decisório que não teria declarado a impossibilidade de obtenção de créditos decorrentes de PIS e de COFINS vinculados a receita de exportação, mas em seguida apontou a possibilidade de tais créditos com o advento da Lei 11.116/2005; a inadmissibilidade da presunção simples sem fundamentação em provas; a não observação de princípios de direito administrativo pela auditoria fiscal; No mérito tece as seguintes alegações: eventual vício no preenchimento da DCOMP / DACON não passaria de um erro formal e poderia ser superado; a irregularidade da glosa operada com relação às receitas de mercado externo / interno; descreve o processo industrial por ela realizado, salientando a importância das embalagens; da não utilização de créditos atinentes a insumos; da irregularidade da glosa operação com relação às notas fiscais; o princípio do não confisco no direito constitucional tributário; e ausência de dolo, culpa ou ilegalidade. ) É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator Fl. 177DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.834 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.905784/2012-97 Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 3302-007.818, de 16 de dezembro de 2019, paradigma desta decisão. 1. Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo. A invocação da inconstitucionalidade das normas jurídicas aplicadas pela Administração, por alegada violação ao princípio do não confisco no direito constitucional tributário (item IV.VIII do RV) não pode ser conhecido por força da Súmula CARF n. 02, de observância obrigatória por este Colegiado. 2. Preliminares 2.1. Preliminar de nulidade de decisão sob alegação de não haver apreciado matéria suscitada em sede de defesa administrativa quanto aos insumos para linha de produção da empresa recorrente (item III.I do RV), A Recorrente afirma que o acórdão atacado é nulo em razão de não haver apreciado matéria suscitada em defesa administrativa quanto aos insumos para a linha de produção. Todavia, analisando-se o processo é possível constatar que houve apreciação, mas que a conclusão adotada pela Administração Pública em relação aos insumos é no sentido de que os materiais de embalagem tratados no processo NÃO se subsumem ao conceito de insumos por se tratar de embalagem de transporte e não de apresentação, conforme a interpretação até então vigente. Conclui-se que a matéria foi enfrentada, embora o resultado tenha sido contrário ao contribuinte. 2.2. Preliminar de nulidade de decisão sob alegação de que houve contradição no despacho decisório que não teria declarado a impossibilidade de obtenção de créditos decorrentes de PIS e de COFINS vinculados a receita de exportação, mas em seguida apontou a possibilidade de obtenção de tais créditos com o advento da Lei 11.116/2005 (item III.II do RV), Este tópico recursal é o mesmo apresentado quando da Manifestação de Inconformidade, não cabendo ao CARF apreciar eventuais vícios no despacho decisório mas tão somente analisar os aspectos do Acórdão proferido pela DRJ. Fl. 178DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.834 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.905784/2012-97 Assim, por tratar de alegada contradição existente na Manifestação de Inconformidade, é de se afastar a preliminar de nulidade do Despacho Decisório. 2.3. Preliminar de nulidade de decisão sob alegação de que houve presunção simples sem fundamentação em provas (item III.III do RV), A Recorrente alega que houve uma simples presunção de que os produtos cujos créditos foram glosados prestam-se ao transporte do produto acabado e não como embalagens de transporte. Todavia, como bem salientado na decisão atacada, não houve a simples presunção alegada, pois ocorreu fiscalização no local e motivação da glosa. Com efeito, da leitura do relatório de informação fiscal e do despacho decisório não se confirma a inferência defendida pela contribuinte de que a autoridade fiscal teria efetuado a glosa do material de embalagem por ter presumido que tais bens, por serem fornecidos por empresas que tem por objeto social a confecção de embalagens para transporte seriam obrigatoriamente utilizados apenas no transporte de mercadoria stricto sensu, e isso sem se manifestar sobre seu processo industrial. Na verdade, consta do mencionado relatório que a autoridade fiscal, além de analisar os vários documentos apresentados, adotou vários procedimentos, inclusive visitou o estabelecimento, razão pela qual não se pode afirmar que lançou mão de mera presunção simples, desprovida de provas. Por outro lado, concretamente, a autoridade fiscal, explicitou a motivação para a glosa, e apontou os itens que entendeu não serem passíveis de gerar créditos no regime de não-cumulatividade. Em face dessa decisão, está garantido o direito de defesa da contribuinte, mediante interposição de manifestação de inconformidade, acompanhada das provas em sentido contrário que possua. (e- fls. 79) Ademais, como bem salientado na decisão atacada, trata-se de pleito por meio da qual a Contribuinte requer créditos sobre algo que alega ser insumo que se subsume às hipóteses legais, razão suficiente para que recaia sobre ela o ônus de demonstrar os fatos que comprovam o seu direito. Nesse ponto, lembre-se que a entrega da declaração de compensação – instrumento que a partir da edição da MP nº 66, de 2002, passou a integrar a própria essência do instituto da compensação –, não prescinde da necessidade de que o credor da Fazenda Pública possa comprovar a liquidez e certeza do direito de crédito, nos termos do art. 170, da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN). Portanto, ao contrário do que defende, a interessada, em sede de procedimento de compensação, o ônus de comprovação do direito de crédito aproveitado recai sobre o contribuinte. (e-fls. 79) Desta forma, admite-se que não houve a simples presunção alegada pela Recorrente, razão pela qual é de se afastar a preliminar. Fl. 179DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-007.834 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.905784/2012-97 2.4. Preliminar de nulidade da decisão sob alegação de não observância de princípios de direito administrativo pela auditoria fiscal (item III.IV do RV). A Recorrente sustenta que a atuação estatal foi ilegal e inconstitucional, por macular os princípios que norteiam a atuação da administração pública, especialmente o despacho decisório, concluindo: “Desta forma, todos os atos administrativos praticados pelo FISCO estão eivados de vício, devendo ser anulados pela não observância dos Princípios e Garantias Fundamentais do contribuinte.” Esta preliminar também deve ser afastada, primeiro por se relacionar ao Despacho Decisório, sendo que o Recurso Voluntário deve atacar o acórdão proferido pela DRJ, segundo porque da narrativa não foi possível identificar uma mácula específica que possa ser analisada e terceiro porque como já mencionado no capítulo da admissibilidade, este Colegiado não pode analisar as normas jurídicas sob a ótica da inconstitucionalidade, eis que não possui esta competência. 3. Mérito 3.1. Alegação de irregularidade da glosa operada com relação às receitas de mercado externo / interno (item IV.III do RV) e Alegação de que eventual vício no preenchimento da DCOMP / DACON não passaria de um erro formal e poderia ser superado (item IV.II do RV). A Recorrente sustenta que houve irregularidade na glosa com relação às receitas de mercado externo e interno. Em relação aos créditos da contribuição para o PIS/PASEP a fiscalização desconsiderou a utilização dos créditos a descontar de PIS/PASEP importação, vinculando-os a receita no mercado interno, conforme Relatório de Informação Fiscal de e-fls. 64. Relativo a apuração dos créditos da contribuição para o PIS/PASEP, não foram consideradas as utilizações dos créditos a descontar de PIS/PASEP importação – alíquota de 1,65%, vinculados a receita de exportação, sendo assim, os mesmos foram vinculados a receita no mercado interno. (...) Esclarecendo a desvinculação, é válido observar que o §1º do art. 5º da Lei n. 10637/2002, e o §1º do art. 6º da Lei n. 10.833/2003, que tratam da forma diferenciada de utilização de créditos vinculados a receitas de exportação, não mencionam os créditos apurados conforme o art. 15 da Lei n. 10.865/2004, em decorrência de importações sujeitas ao pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep- importação e da Cofins-Importação. Ou seja, a similaridade entre a utilização dos créditos apurados conforme o art. 3º das leis n. 10.637, de 2002, e a n. 10833 de 2003, e o art. 15 da lei n. n. 10.865 de 2004 não se verifica na hipótese em que tais créditos estejam vinculados a receitas de exportação. Apenas com a edição da Lei n. n. 11.116 de 2005 os créditos apurados em razão Fl. 180DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-007.834 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.905784/2012-97 do art 15 da lei 10.865 de 2004 e vinculados a receitas de exportação, tornaram- se passíveis de compensação ou ressarcimento segundo as regras do art. 16 da Lei n. 11.116, de 2005.” Já em sua Manifestação de Inconformidade (e-fls. 05) a Recorrente apontou que teria havido uma contradição no próprio despacho, uma vez que a própria fiscalização teria afirmado que com a edição da Lei n. 11.116/2005 seria possível que os créditos de importados e vinculados a receitas de exportação são passíveis de compensação, salientando que os créditos objeto do referido despacho são posteriores a 2005, razão pela qual entende que os deveriam ser válidos. A questão foi assim decidida pela DRJ: PIS SOBRE IMPORTAÇÃO VINCULADA À RECEITA DE EXPORTAÇÃO Sobre a “glosa” da utilização dos créditos de “PIS Importação” vinculados à receita de exportação, cabe esclarecer que não houve glosa sobre a apuração da quantidade de créditos de PIS Importação a que a contribuinte tem direito e sim sobre a utilização que a contribuinte fez desses créditos. Nesse aspecto, quanto à utilização com vistas a ressarcimento dos créditos da importação vinculados à receita de exportação, faz-se necessário esclarecer inicialmente que a regra geral da sistemática de apuração do PIS e da COFINS no regime da não cumulatividade, conforme o artigo 3º das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, dá ao contribuinte a possibilidade de descontar, dos valores devidos da contribuição, créditos relativos a essa mesma contribuição paga em operações anteriores. Importante notar que o § 3º desse mencionado artigo restringe o direito ao cálculo dos créditos apenas sobre os insumos adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, conforme se acompanha na transcrição: (...) Já o artigo 5º da Lei nº 10.637 de 2002 e o artigo 6º da Lei nº 10.833, de 2003, abriram a possibilidade para o contribuinte que tivesse receitas de exportação de utilizar os créditos calculados conforme o artigo 3º dessas leis para compensação com outros tributos ou, ainda, em caso de saldo remanescente, de pedir o ressarcimento em dinheiro, como se pode observar do artigo transcrito: (...) Note-se que, até aqui, só há que se falar em créditos decorrentes de compras no mercado interno. Apenas com a edição da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, que previu a Cofins-Importação e o PIS-Importação, é que houve previsão também para desconto dessa contribuição paga na importação de bens e serviços dentro da sistemática da não cumulatividade, nos termos dos artigos 2º e 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, conforme artigo 15 da Lei nº 10.865, de 2004, abaixo transcrito: (...) Repare-se, todavia, que a Lei nº 10.865, de 2004, não alterou o parágrafo 1º do artigo 5º da Lei nº 10.637 de 2002 e o parágrafo 1º do artigo 6º da Lei nº 10.833, de 2003 e, assim sendo, a possibilidade de utilização de créditos para compensação com outros tributos ou para ressarcimento em dinheiro ficou Fl. 181DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3302-007.834 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.905784/2012-97 restrita aos créditos calculados sobre as aquisições no mercado interno, quando vinculados a receitas de exportação. Assim, não estendia a possibilidade de compensação ou ressarcimento dos créditos apurados nos termos do artigo 3º das Leis nos 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, também aos créditos de PIS-Importação e Cofins-Importação apurados nos termos do artigo 15 da Lei nº 10.865, de 2004, por pura falta de previsão legal. Em relação ao crédito referente à COFINS-Importação e ao PIS-Importação, cabe esclarecer, ainda, que a Medida Provisória nº 206, de 6 de agosto de 2004 (publicada no DOU de 09 de agosto de 2004), convertida na Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, tratou os créditos vinculados às operações de vendas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, nos seguintes termos: (...) Esclarece-se ainda que o art. 17, acima transcrito, correspondia ao art. 1º da Medida Provisória nº 206, de 2004, e, de acordo com o art. 17, III, desse mesmo diplom legal, entrou em vigor e produziu efeitos a partir da data de sua publicação, isto é, 09 de agost de 2004. Posteriormente a Lei nº 11.116, de 18 de maio de 2005, publicada no DOU de 19.05.2005, tratou da utilização destes créditos nos seguintes termos: (...) Nesse sentido, o conjunto normativo então apresentado autoriza o ressarcimento e a compensação de créditos da não cumulatividade das contribuições vinculados a receitas de exportação tanto no caso de aquisições no mercado interno, por força do § 1º do art. 5º da Lei nº 10.637, de 2002, e do § 1º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, quanto no caso das importações, por força do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, combinado com o inciso I do art. 5º da Lei nº 10.637, de 2002, e com o inciso I do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003. Isso porque o inciso I do art. 5º da Lei nº 10.637, de 2002, e o inciso I do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, expressamente enunciam que as contribuições não incidirão em operações de exportação para o exterior, o que, inclusive, se mostra bastante acertado, visto que as imunidades são hipóteses de não incidência constitucionalmente qualificadas. Assim, por fim, entendo que a autorização para ressarcimento e compensação prevista na Lei nº 11.116, de 2005, alcança os créditos apurados sobre importações vinculadas a receitas de exportação por força do art. 17, da Lei nº 11.033, de 2004, que contempla a hipótese de não incidência das contribuições, na qual se encaixa a exportação para o exterior, por expressa previsão legal. Entretanto, a Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, em seu artigo 27, tratou as receitas resultantes das operações de exportação (tratadas no inciso I) de modo diferente das vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência (tratadas no inciso II): (...) Então, pela leitura da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, de acordo com o § 3º do artigo 27, os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep-Importação e a COFINS Importação, apurados na forma do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, poderão ser objeto de ressarcimento se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero Fl. 182DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3302-007.834 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.905784/2012-97 ou não-incidência (inciso II), excluindo-se as receitas resultantes das operações de exportação (inciso I). No caso dos autos, como visto, os valores de PIS pago sobre importações vinculados a operações de exportações compunham o saldo de crédito que a contribuinte utilizou para ressarcimento/compensação. Como visto, conforme a Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, tais créditos não são passíveis de ressarcimento ou de compensação, mas apenas de desconto da contribuição apurada nos termos dos artigos 2º e 3º das Leis nº 10.637 de 2002 e nº 10.833, de 2003. Portanto, a glosa efetuada pela autoridade fiscal deve ser mantida. Todavia, adoto entendimento diverso para admitir que os créditos do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, relativos à importação de bens e de serviços vinculados a operações de exportação, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos da Contribuição para o PIS/Pasep, poderão ser objeto de compensação ou de ressarcimento ao final do trimestre, o que faço com arrimo no voto proferido pelo Ilustríssimo Conselheiro Vinícius Guimarães no processo 16366.000702/2009, que gerou o Acórdão n. 3003-000.462 proferido em 15 de agosto de 2019, cujo fragmento do voto condutor segue abaixo transcrito. “O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade para julgamento desta Turma. O presente litígio restringe-se à análise da possibilidade de ressarcimento do PIS/PASEP e COFINS apurados na importação (PIS/COFINS-Importação) vinculados a vendas efetuadas para o exterior. Há, também, a questão de saber se os referidos créditos poderiam ser atualizados pela taxa SELIC. No entender da fiscalização e do colegiado de primeira instância, os créditos de PIS/COFINS-Importação vinculados à exportação não são passíveis de ressarcimento, uma vez que não haveria previsão legal para tanto. A recorrente, como visto, refuta o entendimento firmado no despacho decisório e confirmado pela decisão recorrida, assinalando que, na exportação, tanto os créditos de insumos adquiridos no mercado interno como aqueles adquiridos no mercado externo são passíveis de ressarcimento, invocando, para tanto, o art. 5º, inc. I da Lei nº 10.637/02 (PIS) e o art. 6º, inc. I da Lei nº 10.833/03 (COFINS). No tocante à possibilidade de creditamento do PIS/COFINS-Importação, importa, antes de tudo, procedermos a uma concisa análise do arcabouço normativo que tem regulado a matéria nos últimos anos. A Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, que instituiu a contribuição para o PIS/Pasep-Importação e a Cofins-Importação, assim dispõe em seu art. 15: "Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2° e 3° das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1 desta Lei, nas seguintes hipóteses: I - bens adquiridos para revenda; Fl. 183DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3302-007.834 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.905784/2012-97 II - bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; (...) §1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplica-se em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. §2º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subseqüentes. 3º O crédito de que trata o caput deste artigo será apurado mediante a aplicação das alíquotas previstas no caput do art. 2° das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7º desta Lei, acrescido do valor do IN vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição." (destaques nossos) Como se vê, o art. 15 da Lei n° 10.865/2004 introduziu a possibilidade de utilização dos valores efetivamente pagos a título de PIS/COFINS-Importação mediante desconto do valor daquelas contribuições sociais apuradas nas operações do mercado interno, em situação análoga àquela prevista nos arts. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Analisando a legislação, o colegiado a quo entendeu que não há supedâneo legal para a possibilidade de creditamento de PIS/COFINS-Importação vinculados a vendas ao exterior. Segundo o aresto recorrido, o art. 5º, inc. I da Lei nº 10.637/02 (PIS) e o art. 6º, inc. I da Lei nº 10.833/03 (COFINS), apenas autorizam, no contexto das receitas de exportação, o creditamento dos insumos adquiridos no mercado interno, não tendo tal restrição sido alterada com o advento do art. 15 da Lei nº 10.865/2004. De fato, o art. 15 da Lei nº 10.865/2004 não estendeu o creditamento (desconto na apuração das contribuições) de PIS/COFINS-Importação aos casos de vendas para o exterior, limitando-se a atrelar o creditamento aos casos de apuração dos arts. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Não obstante, com o advento da norma inscrita no art. 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004, com vigência a partir de 09.08.2004, foi introduzida a possibilidade de manutenção dos créditos de PIS e COFINS nas vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. Por sua vez, o art. 16 da Lei n° 11.116, de 18 de maio de 2005, permitiu a utilização daqueles créditos em procedimentos de compensação ou pedidos de ressarcimento. Eis os dispositivos citados: Lei n° 11.033/2004 "Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações." (grifei) Lei n° 11.116/2005 "Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei n° 10.865, de 30 de Fl. 184DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3302-007.834 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.905784/2012-97 abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei n ° 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação especifica aplicável à matéria; ou II - pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação especifica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestre-calendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei." (destaquei). Da leitura dos dispositivos transcritos, depreende-se que o art. 16 da Lei n° 11.116/2005 estendeu a possibilidade de compensação e ressarcimento dos créditos mantidos, pelo vendedor, relativos aos valores pagos a título de PIS/COFINS - inclusive decorrentes de importação (art. 15 da Lei n° 10.865/2004) - vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência (art. 17 da Lei nº 11.033/2004). Resta saber se tal possibilidade de ressarcimento/compensação alcançaria, também, os créditos de PIS/COFINS-Importação decorrentes da aquisição de insumos empregados em receitas de exportação. As vendas ao exterior, como se sabe, são caracterizadas como vendas imunes, tendo a própria Constituição Federal, em seu art. 149, §2º, inciso I, excluído, do poder de tributar da União, a possibilidade de instituição de contribuições sociais sobre as receitas de exportação: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I - não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) [sem grifo no original] Tal norma constitucional foi reproduzida pelo art. 5º da Lei nº 10.637/2002, e o art. 6º da Lei nº 10.833/2003, que determinam a não incidência, respectivamente, do PIS e da COFINS sobre as receitas decorrentes das operações de exportação: Lei nº 10.833/2003 Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I - exportação de mercadorias para o exterior; Lei nº. 10.637/2002 Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I - exportação de mercadorias para o exterior; Fl. 185DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3302-007.834 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.905784/2012-97 Da simples leitura do art. 149, §2º, inciso I da Constituição Federal e dos dispositivos acima transcritos, depreende-se, claramente, que a imunidade das receitas de exportação são entendidas, pelos legisladores constitucional e legal, como caso de não-incidência, tendo a Constituição e as leis citadas disposto, de forma literal, que o PIS e a COFINS não incidem sobre as receitas de exportação. Tal entendimento, vale dizer, não destoa da doutrina clássica que cuida das categorias de imunidade e não-incidência. Nesse contexto, lembre-se o ensinamento de Ruy Barbosa Nogueira, o qual enuncia a incidência como a ocorrência do fato gerador.1 A não-incidência, por sua vez, seria o inverso da incidência, isto é, “o fato de a situação ter ficado fora dos limites do campo tributário, ou melhor, a não ocorrência do fato gerador, porque a lei não descreve a hipótese de incidência”.2 Para ele, a isenção representaria a dispensa de tributo devido, por disposição de lei, e a imunidade constituiria uma forma de não-incidência constitucionalmente estabelecida, suprimindo-se a competência impositiva para tributação de determinadas pessoas e fatos.3 Assim, para Ruy Barbosa Nogueira, a isenção estaria inscrita no campo da incidência, restringindo o campo desta. A imunidade, por outro lado, como limitação constitucional do poder de tributar, representaria uma barreira para o alargamento indefinido do campo de incidência: “Por sua vez, o campo da incidência poderá ser ampliado pelo legislador ordinário competente, de modo a abranger mais fatos do campo da não- incidência. Mas este nunca poderá transpor a barreira da imunidade, porque o legislador ordinário não tem competência para imunizar; ao contrário, lhe é proibido invadir o campo da imunidade porque este é reservado ao poder constituinte; a imunidade é categoria constitucional, é precisamente limitação de competência, mais genericamente, é exclusão do próprio poder de tributar”.4 Sacha Calmon, por sua vez, diverge de Barbosa Nogueira ao assinalar que a isenção não é dispensa de tributo devido e sim hipótese de não-incidência legalmente qualificada, representando fator impeditivo do nascimento da obrigação tributária.5 A imunidade é definida por Sacha Calmon como não- incidência constitucionalmente qualificada6 – aqui há concordância com a posição de Ruy Barbosa Nogueira. Sublinhe-se, por fim, que a própria Receita Federal do Brasil (RFB) compartilha o entendimento acima esposado. Nesse sentido, veja-se, por exemplo, a Solução de Consulta nº. 70 - COSIT, de 14 de junho de 2018, cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP CRÉDITOS DA IMPORTAÇÃO. OPERAÇÕES DE EXPORTAÇÃO. DIREITO A COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. Os créditos do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, relativos à importação de bens e de serviços e vinculados a operações de exportação, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos da Contribuição para o PIS/Pasep, poderão ser objeto de compensação ou de ressarcimento ao final do trimestre. Dispositivos Legais: CF, art. 149, § 2º, I, incluído pela EC nº 33, de 2001; Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, § 3º, e art. 5º, caput e §§ 1º e 2º; Lei nº 10.865, de 2004, art. 15; Lei nº 11.033, de 2004, art. 17; Lei nº 11.116, de 2005, art. 16; e IN RFB nº 1.717, de 2017, art. 45, II e § 1º. Fl. 186DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3302-007.834 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.905784/2012-97 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS CRÉDITOS DA IMPORTAÇÃO. OPERAÇÕES DE EXPORTAÇÃO. DIREITO A COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. Os créditos do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, relativos à importação de bens e de serviços e vinculados a operações de exportação, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos da Cofins, poderão ser objeto de compensação ou de ressarcimento ao final do trimestre. Dispositivos Legais: CF, art. 149, § 2º, I, incluído pela EC nº 33, de 2001; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, § 3º, e art. 6º, caput e §§ 1º e 2º; Lei nº 10.865, de 2004, art. 15; Lei nº 11.033, de 2004, art. 17; Lei nº 11.116, de 2005, art. 16; e IN RFB nº 1.717, de 2017, art. 45, II e § 1º. Diante do exposto, entendo que é aplicável às operações de exportação a disciplina do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, de modo que os créditos relativos à importação de bens e de serviços vinculados a operações de exportação são passíveis de compensação com outros tributos ou de ressarcimento, nos termos do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005. No tocante à atualização, pela SELIC, dos referidos créditos, entendo correta a decisão de piso, cujos fundamentos transcritos abaixo adoto como razões de decidir: A interessada reclamou da necessidade da incidência da taxa Selic sobre eventuais valores a serem a ela ressarcidos. Quanto a isso, também, entende-se que não assiste razão à interessada. Conforme relatado, trata-se o pleito em tela de ressarcimento de crédito da COFINS com incidência não cumulativa, que ao final do 3º trimestre de 2008 não foi utilizado na dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno, nos termos do art. 6º, da Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003, abaixo transcrito: “Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de:” I - exportação de mercadorias para o exterior; II - prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível; II - prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei n.º 10.865, de 2004) III - vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I - dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 187DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3302-007.834 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.905784/2012-97 § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplica-se somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º. § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. (Grifou-se) Não obstante o artigo 66 da Lei nº 8.383, de 1991, e a Lei nº 9.250, de 1995, no caput e no § 4º do artigo 39, autorizarem a compensação ou a restituição, corrigida monetariamente com base na variação da Ufir ou a incidência de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, de pagamentos indevidos ou a maior de tributos, ressalte-se que não trazem a mesma determinação com relação ao ressarcimento de créditos. É que ressarcimento e restituição não se confundem. Embora, no que tange a possibilidade de utilização destes créditos na compensação, não se diferenciem, ressarcimento e restituição são institutos distintos, porquanto o primeiro é decorrente do confronto débito e crédito, resultando em saldo credor, ao passo que a restituição, ou repetição de indébito, é a devolução ao contribuinte que tenha suportado ônus do tributo ou contribuição pagos indevidamente ou em valor maior que o devido, ou seja, de receita tributária que ingressou indevidamente nos cofres públicos. No caso da restituição/repetição de indébito, a devolução das importâncias assenta-se na preexistência de pagamento indevido, cuja devolução é reclamada com base no princípio geral de direito que veda o enriquecimento ilícito. A propósito cabe lembrar que o Código Tributário Nacional, em seu artigo 165, ao tratar de pagamento indevido, assim dispôs: “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II - erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III - reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória”. Não se identifica nenhuma das circunstâncias acima relativamente ao caso em tela, já que no caso de ressarcimento de créditos da não-cumulatividade, o tributo “cobrado” (usando-se a mesma terminologia do inciso II do § 3º do art. 153 da CF/88) da interessada era devido, isto é, foi licitamente “cobrado” pela União no exercício de sua competência para instituir e exigir o tributo. Portanto, não se configura indébito tributário Fl. 188DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 3302-007.834 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.905784/2012-97 A devolução das quantias decorre única e exclusivamente da operacionalização do princípio da não-cumulatividade do imposto a que se refere o inciso II do § 3º, do artigo 153 da Constituição Federal e o art. 49 do Código Tributário Nacional (CTN – Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966). Esse princípio confere ao contribuinte o direito de crédito do imposto relativo a produtos entrados em seu estabelecimento, para ser compensado com o que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período de apuração. Em resumo, no ressarcimento de crédito da COFINS não cumulativa, para fins de utilização na compensação de débitos fiscais, a empresa, ao incorrer em custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, mediante operações tributadas, “paga” (terminologia do art. 49 do CTN) o imposto exatamente como determina a lei. O que existe posteriormente é a devolução, mediante requerimento, depois de encerrado o trimestre de apuração, do saldo credor escritural da COFINS que o contribuinte não pôde compensar com a COFINS a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno. Não há pagamento indevido, na forma em que prescrito no art. 165 do CTN. Coaduna-se com o exposto a determinação contida no artigo 13, da Lei nº 10.833/2003, ao assim determinar: “O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores.”. Por sua vez, a Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 é taxativa ao dizer, no § 5º do artigo 51, que: “Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos”. A Câmara Superior de Recursos Fiscais do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CSRF/CARF) já consolidou o entendimento sobre a matéria, expresso, dentre outros, pelo Acórdão no 9303001.723, cuja ementa, transcreve- se a seguir: “RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE PIS e COFINS NÃO CUMULATIVOS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Ressarcimento de crédito tem natureza jurídica distinta da de restituição de indébito, e, por conseguinte, a ele não se aplica a atualização monetária taxa Selic autorizada legalmente, apenas para as hipóteses de constituição de crédito ou repetição de indébito.”. Como se vê, não há amparo legal para a pretensão da defendente em caracterizar a não compensação integral dos créditos com os débitos no período de apuração da COFINS como pagamento a maior que o devido. Referido saldo, decorrente do excesso de créditos em relação aos débitos, nada mais é do que o resultado da aplicação do princípio da não- cumulatividade, o que não permite confundir a sua natureza de crédito escritural com pagamento indevido.(grifei) Além dos argumentos transcritos, há que se lembrar que o art. 16 da Lei nº 11.116/2005, acima transcrito, prevê, em seu art. inciso II, que ao pedido de ressarcimento atinente ao saldo credor do PIS/COFINS, inclusive no caso do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, deve ser observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 189DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 3302-007.834 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.905784/2012-97 Tal legislação específica, aplicável ao ressarcimento, compreende, além das normas gerais enunciadas nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96, aquelas outras trazidas nos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833/2003, os quais estabelecem a não incidência da correção monetária ou dos juros no ressarcimento do PIS/COFINS. Assim, sintetizando os fundamentos do presente voto, entendo que não há incidência de juros ou de atualização monetária nos ressarcimentos de PIS/COFINS-Importação por (i) ausência de previsão legal e (ii) por se aplicar, ao ressarcimento, aquelas normas enunciadas no artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833/2003, por força do disposto no art. 16, inciso II da Lei nº 11.116/2005. Conclusão Diante de todas as considerações acima expostas, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo a possibilidade de ressarcimento do direito creditório de PIS/COFINS relativos à importação de bens e de serviços vinculados às operações de exportação. (assinado digitalmente)” Firme neste entendimento, adoto o supratranscrito voto do Ilustríssimo Conselheiro Vinícius Guimarães, para reconhecer a possibilidade de ressarcimento do direito creditório de PIS/COFINS relativos à importação de bens e serviços vinculados às operações de exportação. 3.2. Aplicação do atual conceito de insumos às embalagens por ela utilizadas, descrição do processo industrial por ela realizado, (item IV.IV do RV), 3.2.1. Conceito de Insumos A Recorrente discute se os custos com material de embalagem integra ou não geram ou não créditos de PIS e Cofins na sistemática não cumulativa. A decisão da DRJ, ora atacada, foi redigida levando em consideração o artigo 66 da IN SRF nº 247/2002, e artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, as quais adotaram um entendimento restritivo, calcado na legislação do IPI, especialmente quanto à expressão de bens utilizados como insumos. Todavia, o STJ julgou a matéria, na sistemática de como recurso repetitivo, no REsp 1.221.170/PR, em 22/02/2018, com publicação em 24/04/2018, onde decidiu que para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. Por seu turno, a Secretaria da Receita Federal do Brasil emitiu o Parecer Normativo nº 5/2018, com a seguinte ementa: Fl. 190DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 3302-007.834 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.905784/2012-97 ”CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES.” Assim, consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II. Assim, atualmente o conceito de insumo diz respeito à essencialidade e relevância do bem para o processo produtivo. 3.2.2. Materiais de embalagem utilizados pela Recorrente A Recorrente argumenta que as embalagens são custos indispensáveis à produção da Recorrente, enquadrando-se no conceito de insumos de que tratam as leis 10.637/02 e 10.833/03. A Recorrente demonstrou como funciona o acondicionamento dos bens que produz, quais sejam POLÍMEROS TERMOPLÁSTICOS. A partir das e-fls. 122 há minuciosa explicação de como cada um dos materiais é utilizado como embalagem Os sacos de papel paletizados são sacos que contém os produtos, mas que são acondicionados em um pallet de madeira, e posteriormente embalados em filme de polietileno, sendo que foi demonstrada a imprescindibilidade tanto do pallet, para que sejam transportados os sacos de papel, como o filme de polietileno. Os big bags com bolsas e paletizados são compostos pelos big bags, pallets de madeira com moldura lateral, folhas de papelão que são inseridas nas bolsas laterais para dar estabilidade e formato. As caixas de papelão de 544 a 600kg são acondicionadas sobre pallets de madeira e amarradas com cintas plásticas de arqueamento, para dar estabilidade. Fl. 191DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 3302-007.834 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.905784/2012-97 Efetivamente, este Colegiado possui entendimento de que "... no âmbito do regime não cumulativo, independente de serem de apresentação ou transporte, os materiais de embalagem utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado, são considerados insumos de produção e, nessa condição geram créditos básicos das referidas contribuições." merecendo transcrição fragmento do lapidar voto proferido nos autos do processo 13804.002611/2005-00 no qual foi proferido o Acórdão 3302-005.548. Rel. Cons. Paulo Guilherme Déroulède, Sessão de 19 de junho de 2018. "Por sua vez, a recorrente aduz que tanto as embalagens de transporte quanto de apresentação e que a distinção não se presta para aferição da possibilidade de creditamento. Venho fazendo distinção entre embalagens destinadas meramente ao transporte daquelas destinadas não só ao transporte, mas também à manutenção da qualidade do produto a ser vendido. Porém, curvo-me ao entendimento deste colegiado, que, reiteradamente, vem adotando a posição majoritária de conceder créditos sobre materiais de embalagem destinados também a transporte, bem como outras turmas julgadoras deste conselho e a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Neste sentido, citam-se os acórdãos abaixo: Acórdão nº 3302004.890: CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. No âmbito do regime não cumulativo, independentemente de serem de apresentação ou de transporte, os materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado e comercializado, são considerados insumos de produção e, nessa condição, geram créditos básicos da referida contribuição. Acórdão 3201003.454: EMBALAGEM. TRANSPORTE. PALLET. CRÉDITO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os materiais de embalagens (pallets) utilizados para transporte interno de produtos fabricados e/ ou para embalagem de proteção, no transporte externo dos produtos vendidos, estão elencados dentre as despesas que dão direito ao aproveitamento de créditos da Cofins. Acórdão nº 3402004.880: CRÉDITO. PALLETS DE MADEIRA PARA TRANSPORTE. AQUISIÇÃO E REPAROS. MATERIAL DE EMBALAGEM. Apenas com a embalagem para o transporte é que a fase produtiva se finda, de modo que é indispensável e necessária para a composição do produto final, uma vez que a madeira tem que estar em condições para poder ser disponibilizada ao consumidor; e sem dúvida está relacionado à atividade da Recorrente, dando direito ao crédito como insumo do processo produtivo. Acórdão nº 9303006.068: COOPERATIVA PRODUTORA DE LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. “PALLETS” DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO “STRETCH”. PROCESSO DE "PALLETIZAÇÃO". DIREITO AO CRÉDITO. Fl. 192DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 3302-007.834 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.905784/2012-97 Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. Assim, os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das matérias primas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, devem ser considerados como insumos. Da mesma forma, os materiais de acondicionamento e transporte plástico de coberto e filme plástico do tipo "stretch" são insumos pois indispensáveis ao adequado armazenamento e transporte das mercadorias produzidas pela Contribuinte, face ao tamanho reduzido das embalagens. De fato, a distinção entre embalagens de apresentação e embalagens de transporte é própria do IPI e importa na caracterização da ocorrência ou não da operação de industrialização e definição da incidência do IPI quando condicionada à forma de embalagem (artigo 3º da Lei nº 4.502/1964), ou seja, situações que em nada se assemelham à tratada nas legislações do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos. Salienta-se que a legislação do PIS/Pasep e Cofins quando quis utilizar definições do IPI o fez expressamente, como no §3º do artigo 10 da Lei nº 11.051/2004: Art. 10. Na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta auferida pela pessoa jurídica encomendante, no caso de industrialização por encomenda, aplicam-se, conforme o caso, as alíquotas previstas: (Vigência) [...] § 3o Para os efeitos deste artigo, aplicam-se os conceitos de industrialização por encomenda do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Por outro lado, as INs SRF nº 247/2002, artigo 66, e nº 404/2004, artigo 8º, ao disporem sobre o conceito de insumo, não distinguiram embalagem para apresentação de material para transporte. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reverter a glosa sobre gás nitrogênio, tambores de aço TF, baldes de aço, etiquetas adesivas, lacres metálicos, tambores de aço de tampa removível, sacos plásticos, tamboretes plásticos, bombonas plásticas, fio de nylon, estrados de madeira (pallets) e caixas de papelão, mencionados no Quadro VII Insumos Glosados da efl. 474." Este mesmo raciocínio também foi utilizado no acórdão 3302-006.737, proferido por este Colegiado em 27 de março de 2019, também de relatoria deste Conselheiro, unânime no que diz respeito a este ponto. Assim, conclusivamente, é de se dar provimento ao presente Recurso Voluntário para reconhecer que no âmbito do regime não cumulativo, independentemente de serem de apresentação ou de transporte, os materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado e chegar ao consumidor em perfeitas condições, são considerados insumos de produção e, nessa condição, geram créditos básicos das referidas contribuições. Fl. 193DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 3302-007.834 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.905784/2012-97 Assim, deve ser reconhecido o direito ao crédito sobre os pallets, big bags, caixas de papelão, folhas de papelão, filmes de polietileno e fitas plásticas. 3.3. Alegação da não utilização de créditos atinentes a insumos (item IV.V do RV), Neste tópico a Recorrente insurge-se contra o fato de haverem sido revertidas as glosas referentes àquilo que ela defende ser insumo da espécie “material de embalagem”, mas que a fiscalização entende ser custos que não se caracterizam como insumos, sob o raciocínio de que são aplicados aos produtos prontos, após o processo produtivo. Este capítulo recursal já se encontra decidido quando da análise dos materiais de embalagem como insumos. 3.4. Alegação da irregularidade da glosa da operação com relação às notas fiscais (item IV.VI do RV), A controvérsia em relação a este ponto reside no fato de que a auditoria apontou que os bens utilizados como insumos foram adquiridos com nota fiscal com CFOP n. 1917 e 2917, referente a “entrada de mercadoria recebida em consignação mercantil ou industrial”, quando o correto seria o CFOP “compra para industrialização de mercadoria recebida anteriormente em consignação industrial”. Assim foi redigido o Acórdão em discussão: BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS – NOTAS FISCAIS DE COMPRAS EM CONSIGNAÇÃO Sobre a reconsideração das notas fiscais de bens adquiridos em consignação, a contribuinte alega, em síntese e fundamentalmente, que não houve prejuízo ao erário, e, portanto, não justificariam a aplicação da multa e juros, cobranças que se revelam ilegais. Como se nota, os argumentos não se dirigem ao mérito, mas à questão da legalidade da cobrança dos acréscimos moratórios decorrentes da homologação parcial das compensações efetuadas, questão esta já apreciada no exame das preliminares suscitadas pela contribuinte. Cumpre esclarecer que não ocorreu a “total desconsideração do crédito” como afirma a inconformada. Tratou-se de mero ajuste de bases de cálculo dos créditos relativos a esses bens. O direito ao crédito sobre os bens utilizados como insumos não ocorre no momento em que esses bens entram no estabelecimento em consignação (notas fiscais sob os CFOPs 1917 e 2917 – “entrada de mercadoria recebida em consignação mercantil ou industrial”). Ocorre no momento em que esse bens são utilizados ou adquiridos (notas fiscais sob os CFOPs 1111 e 2111 – “compra para industrialização de mercadoria recebida anteriormente em consignação industrial"). Lei nº 10.637/2002: Fl. 194DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 21 do Acórdão n.º 3302-007.834 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.905784/2012-97 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ... II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda,... Assim é que para cada mês do trimestre analisado, pode ter ocorrido redução ou majoração da respectiva base de cálculo originalmente considerada, conforme se pode verificar claramente no relatório fiscal. Dessa forma, deve ser mantido o ajuste efetuado. A Recorrente, por sua vez, alega que a fiscalização glosou todos os créditos decorrentes de tal operação, verbis: 118. Assim, o D. Auditor entendeu por bem glosar todos os créditos decorrentes de tal operação, gerando, além da glosa indevida, o lançamento de multa e juros. (e-fls. 139) Analisando a Glosa Fiscal constante no Relatório de Informação Fiscal de e-fls. 62 é possível constatar que não houve glosa em razão da diferença da CFOP, mas tão somente o ajuste. No curso das verificações ora citadas, identificou-se que o contribuinte considerou, dentre os valores que compõem a base de cálculo dos créditos relativos a "Bens Utilizados como Insumos" as Notas fiscais referentes ao Código Fiscal de Operações e Prestação - C.F.O.P 1917 (venda no estado) e 2917 (venda fora do estado) denominados como "entrada de mercadoria recebida em consignação mercantil ou indústria", sendo que o correto é a utilização das Notas Fiscais CFOP 1111 (compra no estado) e 2111 (compra fora do estado) — "Compra para industrialização de mercadoria recebida anteriormente em consignação industrial": Desta forma, mostra-se correto o acórdão Recorrido que confirmou a correção dos ajustes realizados nas bases de cálculo dos créditos em razão da diferença entre os CFOP declarados. 3.5. Alegação de ausência de dolo, culpa ou ilegalidade (item IV.VIII do RV) A Recorrente sustenta que não houve dolo, culpa ou qualquer irregularidade, e que tais fatos devem ser levados em consideração para a não aplicação de sanção pecuniária que, no seu entendimento, foge ao interesse público, pretendendo a não aplicação de qualquer multa e juros. O Acórdão recorrido discorre sobre este argumento, demonstrando que a multa e os juros são consequências legalmente previstas diante da constatação da ocorrência de fatos, e que foge à competência da Administração decidir pela sua aplicação ou não. Fl. 195DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 22 do Acórdão n.º 3302-007.834 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.905784/2012-97 O entendimento da DRJ não merece qualquer reparos, eis que não cabe à administração adentrar no justiça das normas jurídicas, mas tão somente aplica-las. Conclusivamente, é de se conhecer parcialmente o Recurso, eis que houve pedido de apreciação da inconstitucionalidade de norma jurídica em vigor, e na parte conhecida dar provimento parcial para reconhecer o direito ao ressarcimento dos créditos. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer de parte do recurso, e na parte conhecida, dar provimento parcial para reconhecer o direito ao ressarcimento e ao creditamento dos custos com embalagem, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 196DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 19985.724048/2018-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 17 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2016
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. IRPF. DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. SUMULA CARF 98
Somente são dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de pensão alimentícia judicial, as despesas comprovadas por efetivo pagamento e embasadas em decisão judicial. Caso concreto com falta de apresentação de comprovantes hábeis e idôneos.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ACÓRDÃO DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO. COMPOSIÇÃO DE TURMAS DE JULGAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Acórdão exarado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a composição e o funcionamento das Turmas de Julgamento, e sem desrespeito ao disposto no Processo Administrativo Fiscal, apresentando adequada formalidade, motivação jurídica e fática, é ato plenamente válido.
APRESENTAÇÃO DE PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO DO DIREITO.
Os argumentos e as provas documentais devem ser apresentados na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazê-lo em outro momento processual, conforme determinação do Processo Administrativo Fiscal.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS.
As decisões administrativas e judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão.
Numero da decisão: 2202-005.934
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 19985.724050/2018-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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IRPF. DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. SUMULA CARF 98 Somente são dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de pensão alimentícia judicial, as despesas comprovadas por efetivo pagamento e embasadas em decisão judicial. Caso concreto com falta de apresentação de comprovantes hábeis e idôneos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ACÓRDÃO DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO. COMPOSIÇÃO DE TURMAS DE JULGAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Acórdão exarado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a composição e o funcionamento das Turmas de Julgamento, e sem desrespeito ao disposto no Processo Administrativo Fiscal, apresentando adequada formalidade, motivação jurídica e fática, é ato plenamente válido. APRESENTAÇÃO DE PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO DO DIREITO. Os argumentos e as provas documentais devem ser apresentados na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazê-lo em outro momento processual, conforme determinação do Processo Administrativo Fiscal. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 19985.724050/2018-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 40 48 /2 01 8- 36 Fl. 81DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-005.934 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19985.724048/2018-36 (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto neste relatório excertos do relatado no Acórdão nº 2202-005.932, de 17 de janeiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto contra Acórdão de Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento que considerou improcedente a Impugnação da contribuinte apresentada diante de Notificação de Lançamento que levantou Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar (código DARF 2904), relativo a dedução indevida de pensão alimentícia judicial. A fiscalização destacou em sua Notificação que a contribuinte pagou no ano- calendário pensão alimentícia judicial para a filha maior de idade, e tendo em vista as normas do Direito de Família e os limites de dedução determinados pela legislação tributária, indicou que somente é possível reconhecer o direito à dedução de pensão alimentícia paga a filho maior de 24 anos de idade que seja inválido, o que não teria sido comprovado no presente caso. Inconformada após cientificada da decisão a quo, a ora Recorrente apresentou seu Recurso, de onde seus argumentos são extraídos e, em síntese, apresentados a seguir. - traz sucinta descrição dos fatos, esclarecendo que os pagamentos são realizados à sua filha, a título de pensão alimentícia, porque as condições de saúde de seu neto demandam constante tratamento especializado e cuidados especiais e constantes de sua genitora, que a impossibilitam de trabalhar e, dessa forma, a recursante é quem prove o sustento de sua família; - preliminarmente alega a nulidade do processo administrativo pois o Acórdão combatido foi exarado em julgamento realizado por 3 (três) julgadores, o que violaria a portaria 341/2011 disciplinadora do funcionamento das Delegacias de Julgamento, em seus artigos 1º e 2º, caput, que determina que as turmas são integradas por 5 (cinco) julgadores ; - sustenta também que não foram designados pelo Delegado julgadores ad hoc para garantir o quórum mínimo de 3 (três) julgadores, cf. art. 2º, parágrafo 6º da citada Portaria e entende que os dispositivos da mesma são claros ao determinar que os julgamentos serão realizados por 5 (cinco) julgadores; Fl. 82DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-005.934 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19985.724048/2018-36 - entende também que em sessões específicas, que não seria o caso por falta de menção de tal característica, o Delegado nomearia 3 (três) julgadores para julgamento da impugnação; - sustenta o cerceamento de defesa e a nulidade do julgamento, com nítida violação ao Princípio Constitucional do Contraditório e da Ampla Defesa, uma vez que tendo a impugnação sido julgada improcedente por maioria de votos, não foi disponibilizado à recorrente o voto vencido, o que a impossibilitou de conhecer do argumento vencido e verificar a divergência do julgamento (aponta jurisprudência nesse sentido); - quanto ao mérito, defende que possui decisão judicial transitada em julgado onde se reconhece o pagamento da pensão alimentícia à sua filha maior de idade, que continua sendo sua dependente ; - alega que sua filha não pode prover seu próprio sustento por dedicar-se exclusivamente aos cuidados de seu neto, cf. documentos já acostados aos autos (apresenta jurisprudência no sentido de pagamento de alimentos a alimentando maior): e - sustenta que o Fisco simplesmente glosou o direito à restituição sob o pretexto de que sua filha não faz mais jus à pensão, mas sem trazer aos autos provas disso, sem se desincumbir do ônus da prova, apontando jurisprudência do CARF no sentido de Nulidade de Lançamentos onde a RFB de origem não juntou aos autos cópias de declarações de pessoas jurídicas que fundamentaram o lançamento, o que tornariam o lançamento nulo. Seu pedido final é pelo acolhimento e provimento do Recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2202-005.932, de 17 de janeiro de 2020, paradigma desta decisão. O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Além disso, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresenta-se tempestivo. Portanto dele conheço. 8. Quanto à alegação preliminar de nulidade do julgamento, uma vez que o Acórdão foi proferido com o voto de apenas três julgadores, a contribuinte se equivoca na interpretação dos dispositivos que ela mesma indica como feridos, presentes na Portaria MF 341, de 12 de julho de Fl. 83DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-005.934 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19985.724048/2018-36 2011, disciplinadora do funcionamento das Delegacias de Julgamento, especificamente em seus artigos 1º e 2º, caput. Tais artigos são transcritos a seguir, juntamente com o § 6º do Artigo 4º, o que traz a referência a outra sustentação da contribuinte (que referiu-se erroneamente a um inexistente § 6º do artigo 2º), a designação de julgadores ad hoc: Art. 1º A constituição das Turmas das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) e o seu funcionamento devem obedecer ao disposto nesta Portaria. Art. 2º As DRJ são constituídas por Turmas Ordinárias e Especiais de julgamento, cada uma delas integrada por 5 (cinco) julgadores, podendo funcionar com até 7 (sete) julgadores, titulares ou pro tempore. (...) Art. 4º - (...) (...) § 6º O Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento pode designar julgador ad hoc para participar de sessão específica em Turma de julgamento, visando a garantir o quorum mínimo de 3 (três) julgadores para a realização da sessão A interpretação pessoal da contribuinte é muito equivocada e distante da correta interpretação dos dispositivos acima transcritos. O caput do Artigo 2º foi atendido no julgamento da primeira instância, pois a Turma da DRJ está composta por cinco julgadores, os três presentes na sessão em questão e dois sob ausência justificada. Composição e presença são conceitos distintos. A composição é de cinco julgadores, a presença em quórum mínimo é de três. Quanto à presença, três julgadores estavam presentes e proferiram seus votos, uma vez que o quórum mínimo de três julgadores estava atendido, conforme § 6º do artigo 4º, e a nomeação ad hoc só seria necessária se não houvesse tal quórum. Equivoca-se ainda com o termo “específica” dizendo que a sessão onde foi proferido o Acórdão não o seria. Sessão específica não é uma sessão “especial”, é uma sessão qualquer e normal. Entenda a contribuinte: se numa sessão qualquer (específica) não houver quórum mínimo, serão nomeados julgadores ad hoc. Que não foi o caso. Naquela sessão havia quórum mínimo atendido. Não há portanto nulidade do julgamento pelo Acórdão combatido ter sido proferido por três julgadores. Continua na esfera preliminar de nulidade do julgamento, alegando violação ao Princípio Constitucional do Contraditório e da Ampla Defesa, uma vez que tendo a impugnação sido julgada improcedente por maioria de votos, não foi disponibilizado à recorrente o voto vencido. Equivoca-se a recorrente com o conceito de “voto vencido”. Senão, vejamos o § 9º do Artigo 15 da mesma Portaria MF 341/11, abaixo colacionado: Art. 15. (...) Fl. 84DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-005.934 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19985.724048/2018-36 (....) § 9º Vencido o relator, na preliminar ou no mérito, o Presidente da Turma designará para redigir o voto da matéria vencedora um dos julgadores que o adotar. Faz-se mister esclarecer à contribuinte que “voto vencido”, que precisa estar presente no Acórdão, é o voto do relator designado para a lide que não foi vencedor pela maioria de votos no plenário. No caso em pauta, o voto da Relatora foi vencedor, está presente no Acórdão, e as razões de decidir da julgadora vencida não compõem o texto do voto, regimentalmente não há previsão para tal. Não há portanto caracterização de nulidade do julgamento por cerceamento de defesa e violação ao Princípio Constitucional do Contraditório e da Ampla Defesa. E verificando a Decisão de piso presente neste processo, constata-se a ausência de qualquer situação de nulidade prevista no art. 59 do Decreto n.º 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal), o que permitiu ao sujeito passivo exercer seu direito amplo ao contraditório e recorrer a esta Instância julgadora. Ora, atendido o princípio da legalidade, observados foram, por consequência, os princípios do contraditório e da ampla defesa. Portanto, nada há que justifique a declaração de nulidade do julgamento ou de qualquer ato contido na presente lide, e afastada resta a alegação recursal preliminar nesse sentido. Transcreva-se o citado artigo: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Ainda antes de se apreciar o mérito, destaque-se que a interessada apresentou novos argumentos nesta fase Recursal, buscando imputar nulidade à notificação, alegando que a Fazenda glosou o direito à restituição sob o pretexto de que sua filha não faz mais jus à pensão, mas sem trazer aos autos provas de tal fato. Ou seja, busca a inversão do ônus da prova. Independentemente de sua pertinência ou do descabimento de tal alegação, a mesma não será conhecida na fase Recursal, uma vez que não levantada em fase impugnatória. Isso porque o processo administrativo é informado pelo princípio da concentração de argumentos e das provas na contestação, ou seja, os argumentos e as provas pertinentes à defesa devem ser oferecidas pelo sujeito passivo na impugnação, salvo nas hipóteses do § 4 o , do art. 16, do Decreto n° 70.235/72, abaixo transcrito, que não ocorrem no caso sob análise. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) Fl. 85DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-005.934 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19985.724048/2018-36 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei n o . 9.532/97) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei n o . 9.532/97) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei n o . 9.532/97) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei n o . 9.532/97) Um último destaque seja feito ainda antes de se adentrar ao mérito da lide. Não se deixe de observar o disposto no artigo 506 da Lei 13.105/2015, o novo Código de Processo Civil, o qual estabelece que a “sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros". Não sendo parte nos litígios objetos de acórdãos, o interessado não pode usufruir dos efeitos das sentenças ali prolatadas, posto que os efeitos são "inter partes” e não "erga omnes ”. Com isso, fica claro que decisões administrativas ou mesmo judiciais que venham a ser suscitadas, mesmo que reiteradas, não têm efeito vinculante em relação às decisões proferidas por este Conselho, nem são normas complementares, como as tratadas o art. 100 do CTN, motivo pelo qual não vinculam as decisões das instâncias julgadoras. Adentrando ao mérito, e apreciando a legislação cabível neste contencioso, lembre-se que a definição da base de cálculo do IRPF, bem como a possibilidade de dedução de despesas relativas a pensão alimentícia judicial, têm como base o inciso I, e a alínea “f” do inciso II do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, , abaixo transcritos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas: [...] f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (grifei) (...) O caput e os §§ 1º e 2º do art. 73 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, vigente à época dos fatos, nos termos dos §§ 3º a 5º do Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, estabelecem a necessidade de comprovação das despesas deduzidas da base de cálculo do IRPF e a possibilidade de glosa de deduções indevidas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Fl. 86DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-005.934 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19985.724048/2018-36 § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º).(Grifei) Ainda de acordo com os normativos cotejados, a autoridade administrativa pode, a seu juízo, exigir a comprovação ou justificação das despesas objeto de dedução com o fim de verificar sua efetiva ocorrência e o atendimento dos requisitos prescritos em lei e, caso o pagamento dessas despesas não restem comprovados ou verifiquem-se ausentes outras condições legalmente estabelecidas, as deduções serão glosadas por meio do lançamento respectivo. Em face dos dispositivos legais sob comento, a DRJ manteve a glosa da despesa com pensão alimentícia judicial pretendida, apontando que não foi devidamente comprovada a necessidade da beneficiária, filha da contribuinte, maior de 24 anos de idade, de prover a própria subsistência. Portanto o caso em concreto se desvincularia das normas do Direito de Família. E ainda, enfatiza que que o ônus da prova para a dedução de pensão alimentícia é da contribuinte e, no presente caso, a mesma não trouxe aos autos documentos que comprovem a sua pretensão. Compulsando os autos, verifica-se que não foi juntada, em nenhum momento, a alegada sentença transitada em julgado que sustentasse o pagamento da pensão. Também não foram apresentadas quaisquer provas do efetivo pagamento dos valores declarados a esse título. Como pode ser verificado ainda na impugnação acostada, foi certificado que os únicos documentos entregues naquele momento trataram-se do documento de identidade do signatário e duas declarações de acompanhamento especializado (fono e psicopedagogia), referentes ao tratamento de seu neto, e que não comprovam o efetivo pagamento de pensão. Recorre-se neste momento então, à citação da Súmula CARF nº 98, elucidativa para o caso, que baseará a decisão em elaboração: Súmula CARF nº 98 A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. (Súmula revogada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). Ou seja, sem a comprovação do efetivo pagamento, e sem a apresentação da decisão judicial que o embasasse, afastados estão os argumentos da interessada no sentido de ser afastada a glosa total do pagamento declarado a título de pensão alimentícia judicial. Dessa forma, verifica-se que não há nulidade da Decisão de piso nem do presente Processo Administrativo, não houve violação aos Princípios do Fl. 87DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-005.934 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19985.724048/2018-36 Contraditório e da Ampla Defesa, e que não há como afastar a glosa da pensão judicial procedida pela Notificação de Lançamento. Conclusão Isso posto, voto por em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 88DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 15169.000130/2012-49
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. SEM EFEITOS INFRINGENTES.
Sanada a omissão apontada sem que tal alteração trouxesse alteração no dispositivo da decisão, pois apenas complementou a motivação da decisão recorrida.
Numero da decisão: 9202-008.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para, sanando o vício apontado do Acórdão 9202-007.560 de 25/02/2019, esclarecer a motivação da aplicação do art. 150, § 4º, do CTN na aferição da decadência.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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OMISSÃO. SEM EFEITOS INFRINGENTES. Sanada a omissão apontada sem que tal alteração trouxesse alteração no dispositivo da decisão, pois apenas complementou a motivação da decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para, sanando o vício apontado do Acórdão 9202-007.560 de 25/02/2019, esclarecer a motivação da aplicação do art. 150, § 4º, do CTN na aferição da decadência. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 9. 00 01 30 /2 01 2- 49 Fl. 1201DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-008.317 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15169.000130/2012-49 Relatório Trata-se de Embargos de Declaração motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 9202007.560, proferido pela 2ª Turma Ordinária / Câmara Superior de Recursos Fiscais. O crédito previdenciário lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificado, no montante de R$ 18.167.340,53 (dezoito milhões, cento e sessenta e sete mil, trezentos e quarenta reais e cinquenta e três centavos), consolidado em 21/01/2005, de acordo com o Relatório Fiscal de folhas 152/207, refere-se à crédito de contribuição previdenciária, adicional relativo ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais e destinado ao financiamento das aposentadorias especiais previstas nos art. 57 e 58 da Lei 8.2113/1991, no período 04/1999 a 13/2003. O auto de infração foi impugnado, em 10/02/2005. Em 16/06/2005, a DRP, através de Decisão-Notificação nº 11.425.4/0126/2005, às fls. 568/577, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. O Contribuinte interpôs recurso voluntário, às fls. 583/602. Em 26/01/2016, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 859 e ss., determinou diligências para determinar à autoridade fiscal a prestação de informações e elaboração de relatório de diligência detalhado e conclusivo. O Contribuinte apresentou pedido de desistência parcial da defesa administrativa, conforme fls. 959/962. Em 12/09/2017, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 1037/1046, exarou o Acórdão nº 2301-005.115, CONHECENDO PARCIALMEWNTE O RECURSO, para, na parte conhecida, RECONHECER A DECADÊNCIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Em 23/10/2017, às fls. 1048/1065, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo, divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: Decadência/Prescrição - Pagamento apto a atrair o art. 150, § 4º, do CTN. Alegou a União que, enquanto o Colegiado a quo entendeu que basta a comprovação de qualquer recolhimento de Contribuição Previdenciária, desde que na condição de contribuinte, os paradigmas concluíram que, para fins de aplicação do art. 150, § 4º do CTN, deve ser comprovado o recolhimento de Contribuição Previdenciária sobre o mesmo fato gerador e fundamento legal. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela União, às fls. 1068/1075, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, restando admitida a divergência em relação às seguintes matérias: Decadência/Prescrição - Pagamento apto a atrair o art. 150, § 4º, do CTN. Cientificado do Acórdão e da admissibilidade do Recurso Especial da União, à fl. 1083, o Contribuinte apresentou Contrarrazões ao Recurso Especial da União, às fls. 1.086/1.097, alegando, preliminarmente, não comprovação da divergência entre os acórdãos Fl. 1202DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-008.317 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15169.000130/2012-49 paradigma e recorrido e ausência de interesse recursal por parte da Recorrente. No mérito, reiterou os argumentos realizados anteriormente. Às fls. 1101/1107, os autos restaram julgados por esta colenda 2ª Turma do CARF, conforme acórdão 9202007.560, que NEGOU PROVIMENTO ao recurso especial, conforme decisão abaixo ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Atendidos os pressupostos regimentais de admissibilidade, o Recurso Especial deve ser conhecido. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento parcial antecipado, deve ser aplicado o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário. Cientificada a PGFN (fl. 1.108), foram opostos os Embargos de Declaração, às fls. 1.109/1.112, alegando a Embargante omissão do acórdão no tocante à decadência, especialmente quanto à espécie de pagamento apto a atrair a aplicação do § 4º, do art. 150, do CTN. Às fls. 1195/1197, os Embargos de Declaração foram acolhidos, vindo concluso para julgamento, após nova distribuição, devido à extinção do mandato da Conselheira Patrícia da Silva. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes - Relatora DO CONHECIMENTO Trata-se de Embargos de Declaração motivado tempestivamente pela Fazenda Nacional face ao acórdão 9202007.560, cumprindo com os demais pressupostos processuais, portanto, merecem ser acolhidos. Fl. 1203DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-008.317 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15169.000130/2012-49 DO MÉRITO Os autos restaram julgados por esta colenda 2ª Turma do CARF, conforme acórdão 9202007.560, que NEGOU PROVIMENTO ao recurso especial. Opostos os Embargos de Declaração pela PGFN, almeja a Embargantes sanar a alegada omissão do acórdão no tocante à decadência, especialmente quanto à espécie de pagamento apto a atrair a aplicação do § 4º, do art. 150, do CTN. Aduz a Embargante que houve omissão do acórdão no tocante à decadência, especialmente quanto à espécie de pagamento apto a atrair a aplicação do § 4º, do art. 150, do CTN, nos seguintes termos: "Ocorre, todavia, que a controvérsia suscitada em sede recursal não nos pareceu ter sido enfrentada de forma suficiente a refutar os fundamentos trazidos na peça apresentada. O Recurso Especial pleiteou a manifestação do colegiado da CSRF acerca da divergência interpretativa atinente à aplicação das normas constantes do art. 150, § 4º, apenas na hipótese de se comprovar a existência de pagamento antecipado parcial relativo ao fato gerador objeto da autuação. Para tanto, trouxe paradigmas específicos suscitando que a análise acerca dos referidos recolhimentos leve em consideração tão somente pagamentos sobre o mesmo fato gerador ou fundamento legal de contribuição previdenciária. (...)Não obstante, com todas as vênias ao voto condutor, este tão somente transcreveu trecho do voto vencido proferido no acórdão paradigma 9202- 004.431, sem trazer de forma clara a argumentação que enfrenta e refuta o pleito da recorrente. (...)Desta feita, a omissão sobre a fundamentação do julgado necessita ser sanada, sob pena de cerceamento ao direito de defesa do ente tributante." O despacho de admissibilidade dos embargos compreendeu que de fato o acórdão restou omisso por não esclarecer a espécie do pagamento que teria sido considerado apto a atrair o artigo 150, § 4 do CTN, ao caso concreto. Compulsando o voto observo que a relatora do acordão embargado fez menção ao voto da turma ordinária, apontando que do mesmo modo entendia que o pagamento parcial serviria para No entanto, pela Súmula CARF 99, que vincula seus conselheiros, qualquer pagamento de contribuição previdenciária, mesmo de diversa rubrica, conquanto que realizado na condição de contribuinte (excluídos, portanto, os recolhimentos realizados na condição de responsável tributário), atraem a aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4º, do CTN. Súmula 99: (...) Nesse pressuposto, verifico que às fls. 949 a 951 na planilha elaborada pela unidade preparadora, denominada “Anexo I Guias De Recolhimentos Gps Competência Fl. 1204DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9202-008.317 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15169.000130/2012-49 12/1999”, são apontados, no período em questão, pagamentos relacionados a todos os estabelecimentos da recorrente mencionados no presente lançamento. Reproduzo da planilha: No caso do período de apuração 12/1999, em face da existência de pagamentos de contribuições previdenciárias por todos os estabelecimentos, é aplicável, por força da Súmula CARF 99, a regra do art. 150, § 4º; assim, o termo final para a contagem do prazo decadencial ocorreu em 31/12/2004, configurando-se, também quanto a este período, a decadência do poder-dever de constituir o crédito tributário. Desse modo, insta salientar que este colegiado ao acompanhar o voto da Conselheira relatora, pautou-se pela planilha de pagamentos constantes das fls. 949 a 951 na planilha elaborada pela unidade preparadora, denominada “Anexo I Guias De Recolhimentos Gps Competência 12/1999, a qual serviu de fundamento para o recorrido, cujas razões foram mantidas no Recurso Especial. Fl. 1205DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9202-008.317 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15169.000130/2012-49 Embora não haja recolhimento para todos os estabelecimentos, os recolhimentos encontrados citados na planilha atendem todos os estabelecimentos para fins de aplicação da súmula 99. Diante do exposto, conheço e acolho os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para, sanando o vício apontado do Acórdão 9202-007.560 de 25/02/2019, esclarecer a motivação da aplicação do art. 150, § 4º, do CTN na aferição da decadência. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 1206DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
