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Numero do processo: 16327.721522/2012-48
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
DESPACHO DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO ESPECIAL. AUTORIDADE COMPETENTE. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há nulidade na decisão do Presidente de Câmara recorrida que admite recurso especial, conforme art. 68, § 1º, do RICARF/2015, baseando-se em razões expostas em parecer de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil devidamente designado, conforme procedimento expressamente autorizado pelo artigo 50, §1º, da Lei nº 9.784/1999.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Ainda que se refira a crédito tributário objeto de depósito judicial, não é nulo o lançamento de ofício realizado para fins de prevenção da decadência, com o expresso reconhecimento da suspensão da sua exigibilidade e sem a aplicação de penalidade ao sujeito passivo.
Numero da decisão: 9101-003.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso e que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões, quanto ao conhecimento, o conselheiro Flávio Franco Corrêa. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 DESPACHO DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO ESPECIAL. AUTORIDADE COMPETENTE. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade na decisão do Presidente de Câmara recorrida que admite recurso especial, conforme art. 68, § 1º, do RICARF/2015, baseando-se em razões expostas em parecer de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil devidamente designado, conforme procedimento expressamente autorizado pelo artigo 50, §1º, da Lei nº 9.784/1999. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Ainda que se refira a crédito tributário objeto de depósito judicial, não é nulo o lançamento de ofício realizado para fins de prevenção da decadência, com o expresso reconhecimento da suspensão da sua exigibilidade e sem a aplicação de penalidade ao sujeito passivo.
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Lavratura de auto de infração. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SANTANDER LEASING S.A. ARRENDAMENTO MERCANTIL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009, 2010 DESPACHO DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO ESPECIAL. AUTORIDADE COMPETENTE. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade na decisão do Presidente de Câmara recorrida que admite recurso especial, conforme art. 68, § 1º, do RICARF/2015, baseandose em razões expostas em parecer de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil devidamente designado, conforme procedimento expressamente autorizado pelo artigo 50, §1º, da Lei nº 9.784/1999. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009, 2010 DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Ainda que se refira a crédito tributário objeto de depósito judicial, não é nulo o lançamento de ofício realizado para fins de prevenção da decadência, com o expresso reconhecimento da suspensão da sua exigibilidade e sem a aplicação de penalidade ao sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso e que lhe negaram provimento. Votou pelas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 15 22 /2 01 2- 48 Fl. 474DF CARF MF Processo nº 16327.721522/201248 Acórdão n.º 9101003.541 CSRFT1 Fl. 3 2 conclusões, quanto ao conhecimento, o conselheiro Flávio Franco Corrêa. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado). (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL em 16/06/2016, com fundamento no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015 (RICARF/2015), em que se alega a existência de divergência jurisprudencial acerca de matéria relacionada à lide. A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 1402002.192, por meio do qual os membros da 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF decidiram, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário. A decisão recorrida cancelou integralmente a exigência dos créditos tributários de CSLL objeto do presente processo. Tais créditos foram lançados pela Fiscalização com base em valores de CSLL apurados pelo contribuinte nos anoscalendário de 2008 a 2010 e declarados em DCTF como tendo sua exigibilidade suspensa, em razão da existência de depósitos judiciais integrais. O contribuinte informou, durante o procedimento fiscal, que tais valores não foram pagos ou compensados porque sua exigibilidade estaria sendo questionada judicialmente, por meio do mandado de segurança nº 001431044.2008.4.03.6100. Na ação, questionase a constitucionalidade do aumento da alíquota da CSLL, de 9% para 15%, imposto às instituições financeiras e equiparadas pela Medida Provisória nº 413/2008 (convertida na Lei nº 11.727/2008). Durante o trâmite do processo judicial, o contribuinte realizou depósitos referentes às parcelas de CSLL cuja cobrança entendia ser inconstitucional, com o objetivo de Fl. 475DF CARF MF Processo nº 16327.721522/201248 Acórdão n.º 9101003.541 CSRFT1 Fl. 4 3 suspenderlhes a exigibilidade com fundamento no inciso II do art. 151 do Código Tributário Nacional (CTN). Diante de tal cenário, a Fiscalização decidiu efetuar o lançamento fiscal com a finalidade de prevenção da decadência, reconhecendo que os créditos tributários estariam com sua exigibilidade suspensa, o que inclusive impediria a exigência de multa de ofício e de juros de mora. A autuação fora integralmente mantida em sede de julgamento administrativo de primeira instância e, posteriormente, cancelada pela 2a Turma Ordinária da 4a Câmara, em julgamento que culminou na prolação do acórdão contra o qual ora se insurge a recorrente. O acórdão recorrido foi assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009, 2010 DEPÓSITO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DESNECESSIDADE DO LANÇAMENTO. O depósito judicial configura verdadeiro lançamento por homologação. O contribuinte calcula o valor do tributo e substitui o pagamento antecipado pelo depósito, por entender indevida a cobrança. Uma vez ocorrido o lançamento tácito, encontrase constituído o crédito tributário, razão pela qual não há que se falar em necessidade de lançamento de ofício das importâncias depositadas. Precedente do STJ no EREsp nº 898.992/PR. Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração. Precedente no STJ em recurso representativo de controvérsia julgado no rito do art. 543C do antigo CPC. REsp 1.140.956/SP. Recurso Voluntário Provido. Após a formalização do acórdão, os autos foram encaminhados de forma eletrônica à PGFN em 19/05/2016, para fins de ciência do teor da decisão. A intimação pessoal do Procurador se daria, portanto, em 20/06/2016, nos termos do §3º do art. 7º da Portaria MF nº 527/2010 e do art. 79 do RICARF/2015. Antes disso, em 16/06/2016, a PGFN interpôs recurso especial insurgindose contra o Acórdão nº 1402002.192, sob a alegação de que a decisão teria dado à legislação tributária (arts. 142 e 151, II, do CTN) interpretação diversa da que tem sido adotada em outros processos julgados no âmbito do CARF, no que toca à possibilidade de realização de lançamento de ofício de crédito tributário objeto de depósito judicial integral. Em atendimento aos requisitos de admissibilidade do recurso especial previstos nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do RICARF/2015, a recorrente apontou acórdãos de turma de câmara do CARF e de câmara do extinto 1º Conselho de Contribuintes, que teriam dado ao tema debatido interpretação diversa daquela esposada pela decisão recorrida. Fl. 476DF CARF MF Processo nº 16327.721522/201248 Acórdão n.º 9101003.541 CSRFT1 Fl. 5 4 A recorrente relata que o acórdão recorrido cancelou integralmente a exigência tributária em razão da existência, à época do lançamento, de depósito judicial do montante integral do débito em questão. A decisão teria se fundamentado no entendimento de que a realização de depósito judicial pelo sujeito passivo configura lançamento por homologação, o que impediria a realização de lançamento de ofício do mesmo débito. Afirma a PGFN que, ao adotar tal entendimento, a decisão recorrida teria interpretado a legislação aplicável ao caso (arts. 142 e 151, II, do CTN) de forma conflitante com a adotada nos Acórdãos nº 1101001.135 (proferido pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF) e nº 10707.992 (prolatado pela 7ª Câmara do extinto 1º Conselho de Contribuintes). Segundo a recorrente, as decisões apontadas como paradigmas, tratando exatamente da mesma matéria e diante do mesmo suporte fático, teriam decidido que a existência de depósito judicial no montante integral do crédito tributário não impede o lançamento de ofício, caracterizando posicionamento frontalmente colidente com o adotado pelo acórdão recorrido. Após defender a existência de divergência jurisprudencial entre os acórdãos recorrido e paradigmas, a PGFN apresenta alegações que deveriam, sob seu ponto de vista, provocar a reforma da decisão recorrida. Em suma, argumentase que: Nos termos do art. 142 do CTN, o lançamento é ato administrativo de caráter vinculado e obrigatório, não podendo a autoridade fiscal eximirse de efetuálo, mesmo que existente hipótese de suspensão de exigibilidade do crédito tributário (art. 151, do CTN), sob pena de responsabilidade funcional; Nada impede que o Fisco, com vistas a prevenir a decadência, proceda ao lançamento quando o contribuinte, antes do procedimento fiscal, busca a tutela jurisdicional para deixar de recolher, total ou parcialmente, determinado tributo, realizando os respectivos depósito judiciais integrais, conforme preceitua o art. 63 da Lei nº 9.430/1996; Esta linha de pensamento é corroborada pela jurisprudência dos Tribunais Superiores e do CARF. A PGFN encerra seu recurso especial com o pedido de que este seja conhecido e provido para reformar o acórdão recorrido, restabelecendose integralmente o lançamento. A irresignação da Fazenda Nacional foi submetida a juízo de admissibilidade, a fim de se verificar a observância dos requisitos regimentalmente exigidos dos recursos especiais. As conclusões foram expostas em despacho de 27/06/2016, que entendeu ter sido devidamente comprovada pela recorrente a ocorrência de dissenso jurisprudencial entre os Acórdãos nº 1402002.192 (recorrido) e nº 1101001.135 e nº 10707.992 (paradigmas) no que concerne à possibilidade de lançamento de ofício frente à existência de depósito judicial integral. Assim, deuse seguimento ao recurso especial interposto pela PGFN. Em 01/12/2016, o contribuinte foi intimado a tomar ciência do Acórdão nº 1402002.192, do recurso especial apresentado pela PGFN e do despacho que o admitiu, por meio de mensagem eletrônica enviada à sua Caixa Postal (Domicílio Tributário Eletrônico). Em resposta, e em consonância com as disposições infralegais, o contribuinte protocolou Fl. 477DF CARF MF Processo nº 16327.721522/201248 Acórdão n.º 9101003.541 CSRFT1 Fl. 6 5 eletronicamente, em 14/12/2016, de forma tempestiva, suas contrarrazões ao recurso fazendário. Assim podem ser resumidas as alegações perfiladas pelo contribuinte recorrido: O despacho que analisou a admissibilidade do recurso especial da Fazenda Nacional deve ser declarado nulo pois o referido exame foi realizado por autoridade incompetente: a Sra. Ester Marques Lins de Sousa; Nos termos do art. 68, § 1º, do Anexo II do RICARF/2015, a realização de exame de admissibilidade de recurso especial compete ao Presidente da Câmara recorrida, que pode designar a tarefa aos Presidentes de Turmas Ordinárias, em conformidade com o art. 17, § 2º, do mesmo Regimento. A Sra. Ester Marques Lins de Sousa não é Presidente da Câmara recorrida e tampouco Presidente de Turma Ordinária, atuando como Conselheira suplente da 1ª Seção de Julgamento do CARF. Assim, é nulo o despacho de admissibilidade que deu seguimento ao recurso especial interposto pela PGFN; O recurso especial da Fazenda Nacional não pode ser conhecido porque os acórdãos paradigmas indicados divergem frontalmente de decisão definitiva proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos termos do art. 543C da Lei nº 5.869/1973 (antigo Código de Processo Civil CPC), no julgamento do Recurso Especial nº 1.140.956/SP; Assim, teria sido descumprido o requisito de admissibilidade recursal previsto no inciso II do § 12 do art. 67 do Anexo II do RICARF/2015, que estabelece que não serve como paradigma acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrarie decisão definitiva do STJ proferida em julgamento de recurso representativo de controvérsia (rito do art. 543C do antigo CPC); Outro impedimento ao conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional é o fato de os acórdãos indicados como paradigmas tratarem de situações fáticas completamente distintas daquela analisada pelo acórdão recorrido. Enquanto nos presentes autos se discute lançamento relacionado somente ao tributo principal, o Acórdão nº 1101 001.135 trata de auto de infração que contemplou também juros de mora e o Acórdão nº 107 07.992 aborda lançamento de tributo acompanhado de multa de ofício e juros de mora; No caso dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação (entre os quais se inclui a CSLL), quando o contribuinte verifica a ocorrência do fato gerador, calcula o montante devido e realiza o depósito judicial, é patente a constituição definitiva do crédito tributário, nos termos do art. 150 do CTN; Nesta hipótese, verificase a "típica atividade exercida pelo contribuinte" (que representa um ato de lançamento), na qual o depósito do tributo equivale ao pagamento antecipado e o substitui. O depósito judicial, portanto, se trata de hipótese de auto lançamento, o que dispensa o lançamento de ofício; O STJ já pacificou a questão da impossibilidade de lançamento de ofício quando houver depósito judicial por ocasião do julgamento do Recurso Especial nº 1.140.956/SP, sob o rito do art. 543C do antigo CPC; Fl. 478DF CARF MF Processo nº 16327.721522/201248 Acórdão n.º 9101003.541 CSRFT1 Fl. 7 6 A decisão da Corte Superior parte da premissa de que o auto lançamento faz nascer a obrigação tributária (o contribuinte constitui o crédito que entende ser devido), que automaticamente passaria a ser exigível. Todavia, a realização do depósito judicial, elencado no art. 151 do CTN entre as hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, atua como critério negativo temporal da "regra matriz de exigibilidade" e impede atos de cobrança, como a formalização de auto de infração; O entendimento do acórdão recorrido evidentemente se coaduna ao entendimento pacífico da jurisprudência judicial, em especial o acórdão nº 1.140.956/SP do STJ, e administrativa, o que evidencia a improcedência do recurso especial fazendário; O citado acórdão do STJ, por ter sido proferido em sede de recurso repetitivo, deve ser obrigatoriamente aplicado ao presente caso em obediência ao art. 62, § 2º, do Anexo II do RICARF/2015; É improcedente a alegação da recorrente de que o art. 142 do CTN obrigaria a autoridade fiscal a realizar o lançamento mesmo diante de hipótese de suspensão de exigibilidade do crédito tributário, sob pena de responsabilidade funcional. O lançamento de ofício não é a única forma prevista pela legislação para se constituir o crédito tributário. O art. 150 do CTN aborda o lançamento por homologação, em que a obrigação tributária é constituída pela atuação do sujeito passivo, sendo descabido defender que, nesta hipótese, a autoridade administrativa se veja obrigada a lavrar autos de infração; No lançamento por homologação, o contribuinte realiza todas as atividades que caracterizam o lançamento: (i) calcula o valor do tributo e (ii) efetua o pagamento ou, no caso de tal cobrança não ser devida, (iii) substitui o "pagamento antecipado" pelo depósito judicial do montante integral. A Fazenda Nacional, por sua vez, aceitando como integral o depósito para fins de suspensão da exigibilidade do crédito, anui expressa ou tacitamente com o valor indicado pelo contribuinte, o que equivale à homologação fiscal prevista no art. 150, § 4º, do CTN; Em razão de o depósito judicial consubstanciar lançamento por homologação propriamente dito, que constitui o crédito tributário, a autoridade fiscal não poderá expedir ato administrativo (lavrar auto de infração) com a suposta finalidade de constituir créditos tributários (já efetivamente constituídos por meio do depósito judicial) para prevenir a decadência; Os atos administrativos devem ser orientados pelos princípios da finalidade, interesse público e eficiência, entre outros. No presente caso, o auto de infração que deu origem ao processo administrativo não teve finalidade alguma, sendo nulo, pois o depósito realizado já havia constituído o crédito tributário, nos autos do mandado de segurança nº 001431044.2008.4.03.6100; Caso não haja êxito na demanda judicial, o valor depositado nos autos do processo judicial será convertido em renda da União, o que, como consequência, extinguirá o crédito tributário em questão. Além disso, o depósito desde a sua realização já está sob a administração do Tesouro Nacional, o que também evidencia a ausência de finalidade do presente lançamento fiscal; Concluise que a interpretação adotada pela Fazenda Nacional em suas razões recursais está completamente equivocada, uma vez que o entendimento já consolidado, Fl. 479DF CARF MF Processo nº 16327.721522/201248 Acórdão n.º 9101003.541 CSRFT1 Fl. 8 7 inclusive por meio de recurso repetitivo transitado em julgado, é de que o depósito do montante integral impossibilita a lavratura de auto de infração. Por conta de tudo que expôs, o contribuinte recorrido requer que o recurso especial interposto pela PGFN seja inadmitido ou, na hipótese de sua admissão, que lhe seja negado provimento, mantendose incólume o acórdão recorrido. Os autos seguiram então para a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) para o julgamento do recurso especial. É o relatório. Fl. 480DF CARF MF Processo nº 16327.721522/201248 Acórdão n.º 9101003.541 CSRFT1 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator Conforme relatado, o contribuinte trouxe, nas contrarrazões que opôs ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, arguições preliminares em que defende: (i) a nulidade do despacho de exame de admissibilidade recursal em razão de a análise ter sido realizada por autoridade incompetente; (ii) o não conhecimento do recurso fazendário em virtude de os acórdãos paradigmas indicados divergirem de decisão do STJ proferida no rito do art. 543C do antigo CPC, o que implicaria no descumprimento do requisito de admissibilidade estabelecido no art. 67, § 12, II, do Anexo II do RICARF/2015; e (iii) o não conhecimento do recurso especial da PGFN por conta da inexistência de similitude fática entre os casos julgados pelo acórdão recorrido e pelos acórdãos paradigmas. Inicio meu voto pelo exame destas arguições preliminares, na ordem em que foram apresentadas pelo contribuinte recorrido e aqui relacionadas. Vencida tal etapa, passarei ao exame da única matéria de mérito que foi objeto de recurso especial, atinente à possibilidade de realização de lançamento de ofício, pela autoridade tributária, de créditos tributários que já tenham sido objeto de depósito judicial. 1) Preliminar de nulidade do despacho de exame de admissibilidade do recurso especial O contribuinte pede que seja declarada a nulidade do despacho que deu seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, por violação aos arts. 68, § 1º, e 17, § 2º, ambos do Anexo II do RICARF/2015, e que se realize um novo exame de admissibilidade. Argumenta o recorrido que o exame de admissibilidade em questão foi realizado pela Sra. Ester Marques Lins de Sousa, que não é Presidente da Câmara recorrida (conforme exigiria o art. 68, § 1º do Anexo II do RICARF/2015) ou Presidente de Turma Ordinária que tenha recebido a delegação para realização de tal tarefa (como seria permitido pelo art. 17, § 2º, do Anexo II do mesmo Regimento). Assim, o despacho datado de 27/06/2016 seria nulo por ter sido expedido por autoridade incompetente. Examinemse inicialmente os dispositivos regimentais mencionados nas contrarrazões do contribuinte: Art. 68. O recurso especial, da Fazenda Nacional ou do contribuinte, deverá ser formalizado em petição dirigida ao presidente da câmara à qual esteja vinculada a turma que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de 15 (quinze) dias contado da data da ciência da decisão. § 1º Interposto o recurso especial, compete ao presidente da câmara recorrida, em despacho fundamentado, admitilo ou, caso não satisfeitos os pressupostos de sua admissibilidade, negar lhe seguimento. (...) Fl. 481DF CARF MF Processo nº 16327.721522/201248 Acórdão n.º 9101003.541 CSRFT1 Fl. 10 9 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo colegiado e ainda: (...) § 2º Por designação do Presidente de Câmara, incumbe aos Presidentes de Turmas ordinárias proceder ao preparo da minuta de exame de admissibilidade de recursos especiais. Pela leitura do art. 68, § 1º, acima reproduzido, concluise que compete originariamente ao Presidente da Câmara recorrida admitir o recurso especial, caso estejam presentes os pressupostos para sua admissibilidade. O § 2º do art. 17 apenas prevê, de forma explícita, a possibilidade de o Presidente da Câmara recorrida designar um Presidente de Turma Ordinária para preparar a minuta de exame de admissibilidade de um recurso especial. Isso não significa, entretanto, que o RICARF/2015 vede a designação de um AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, regularmente destacado para exercer suas atividades funcionais no CARF, para elaboração de parecer sobre a admissibilidade do recurso, ainda que ele não ocupe a função de Presidente de Turma Ordinária. Elaborado o parecer pelo servidor, será ele submetido à apreciação do Presidente da Câmara recorrida, a quem compete dar a palavra final sobre a admissibilidade de recursos especiais. O procedimento em comento está em total conformidade com o art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal e se aplica subsidiariamente ao processo administrativo tributário: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Exatamente neste sentido se pronunciou esta 1ª Turma da CSRF em recente julgamento que culminou no proferimento do Acórdão nº 9101002.799. O voto condutor da decisão, no que concerne à arguição de nulidade do despacho de exame de admissibilidade, dispôs: "Nulidade de despacho proferido por pessoa incompetente Sustentase, ainda, a nulidade do despacho de admissibilidade de recurso especial, proferido por agente incompetente, sem observância ao artigo 68, §1º, do atual RICARF. O despacho de admissibilidade do recurso especial consta às fls. 719, tendo sido proferido pelo Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF, Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão: Fl. 482DF CARF MF Processo nº 16327.721522/201248 Acórdão n.º 9101003.541 CSRFT1 Fl. 11 10 Com fundamento nas razões acima expendidas, nos termos dos arts. 18, inciso III, c/c 68, § 1º (Anexo II) do RI/CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, ADMITO o Recurso Especial interposto. Encaminhese à Unidade de Origem da RFB, para cientificar o contribuinte do Acórdão recorrido, do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e do presente despacho, assegurandolhe o prazo de quinze dias para oferecer Contrarrazões, conforme o disposto no art. 69 (Anexo II) do RI/CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Após, encaminhese o processo à CSRF, para julgamento do Recurso Especial da Fazenda Nacional Pondero que esta decisão adota as razões expostas pelo AuditorFiscal da Receita Federal, Sérgio Rodrigues Mendes, expostas às fls. 716/719. Entretanto, não há qualquer irregularidade neste procedimento à luz do artigo 50, §1º, da Lei 9.784/1999 (que regula o Processo Administrativo no âmbito da Administração Pública Federal) (...) Diante disso, rejeito a alegada nulidade da decisão do Presidente da 2ª Câmara, que admitiu o recurso especial." (grifouse) Nos presentes autos, verificase que a Sra. Ester Marques Lins de Sousa, AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil exercente do mandato de Conselheira suplente, elaborou parecer opinando pela admissibilidade do recurso especial da Fazenda Nacional. O Presidente da 4ª Câmara, valendose de sua competência regimental, acolheu a opinião da parecerista e determinou o seguimento do recurso. Não se vislumbra, portanto, qualquer vício ou irregularidade no procedimento adotado, razão pela qual REJEITO a preliminar de nulidade do despacho de admissibilidade do recurso especial. 2) Preliminar de não conhecimento do recurso especial em razão de descumprimento do requisito estabelecido no art. 67, § 12, inciso II, do Anexo II do RICARF/2015 O contribuinte recorrido defende que o recurso especial interposto pela PGFN não pode ser conhecido porque ambos os acórdãos indicados como paradigmas divergiriam frontalmente de decisão definitiva proferida pelo STJ segundo o rito do art. 543C do antigo CPC. Assim, teria sido descumprido o requisito de admissibilidade fixado no art. 67, § 12, II, do Anexo II do RICARF/2015. Na defesa de sua tese, o contribuinte afirma que o acórdão recorrido determinou o cancelamento do auto de infração objeto do presente processo aplicando o entendimento pacífico do STJ manifestado no julgamento do Recurso Especial nº 1.140.956/SP, representativo de controvérsia julgado no rito do art. 543C do antigo CPC: o depósito judicial em montante integral impede a lavratura de autos de infração. Já os Acórdãos nº 1101001.135 e nº 10707.992, elencados pela PGFN como paradigmas, ao concluírem que o depósito integral não impediria o lançamento fiscal, divergiriam frontalmente do entendimento manifestado pelo STJ. Fl. 483DF CARF MF Processo nº 16327.721522/201248 Acórdão n.º 9101003.541 CSRFT1 Fl. 12 11 Pois bem. Preceitua o dispositivo regimental citado pelo contribuinte, em sua atual redação (houve recente alteração do texto, que em nada prejudica a tese defendida pelo recorrido): Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 12. Não servirá como paradigma acórdão proferido pelas turmas extraordinárias de julgamento de que trata o art. 23A, ou que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (...) II decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil; e (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...) (grifouse) Para que a procedência da alegação formulada pelo contribuinte seja aferida, é necessário que se verifique se, em 27/06/2016 (data da análise da admissibilidade do recurso especial fazendário), existia decisão proferida pelo STJ, em julgamento de Recurso Especial representativo de controvérsia, que fosse contrária aos entendimentos que prevaleceram nos Acórdãos nº 1101001.135 e nº 10707.992. O recorrido indica que a decisão judicial em questão seria o acórdão de julgamento do Recurso Especial (REsp) nº 1.140.956/SP. O julgamento realmente seguiu o rito previsto no art. 543C do antigo CPC, sendo identificado no sítio do STJ como "recurso repetitivo". A sessão em que se deu o julgamento foi realizada em 24/11/2010 e a respectiva decisão foi publicada no DJe em 03/12/2010. Concluise, portanto, que o acórdão já existia à época da análise da admissibilidade do recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional no presente processo administrativo tributário. Restanos analisar se o teor daquela decisão é efetivamente conflitante com o que foi decidido nos acórdãos indicados como paradigmas no recurso sob análise. Se existir a alegada contrariedade, os Acórdãos nº 1101001.135 e nº 10707.992 de fato não podem servir como paradigmas e o recurso fazendário não deve ser conhecido. Em caso contrário, de inexistência de discordância entre a decisão judicial e os paradigmas, deve ser considerada improcedente a alegação de descumprimento do requisito previsto no art. 67, § 12, II, do Anexo II do RICARF/2015. Embora ainda não haja, nesta CSRF, jurisprudência pacífica a respeito do tema, sua 2ª Turma teve recentemente a oportunidade de deliberar a respeito do alcance do acórdão de julgamento do REsp nº 1.140.956/SP. Dispôs a respeito do assunto o voto condutor do Acórdão nº 9202004.303: Fl. 484DF CARF MF Processo nº 16327.721522/201248 Acórdão n.º 9101003.541 CSRFT1 Fl. 13 12 "A esse respeito, o Contribuinte alega a existência de decisão do Superior Tribunal de Justiça, na sistemática do art. 543B, do Código de Processo Civil, que vincularia os Conselheiros de CARF, conforme o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF. Tratase do Recurso Especial 1.140.956SP, que no entender desta Conselheira de forma alguma autoriza a conclusão de que deveriam ser declarados nulos os Autos de Infração lavrados em presença de depósito do montante integral do débito. Assim, embora não seja imprescindível a lavratura de Auto de Infração nos casos em que haja depósito do montante integral do crédito tributário, não há base legal para que os lançamentos efetuados nessas condições sejam considerados nulos ou sejam cancelados. Nesse sentido, trago à colação e aqui incluo em minhas razões de decidir o voto proferido pela Ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, no Acórdão nº 1101001.135, de 05/06/2014, que analisou o Recurso Especial 1.140.956SP, citado pelo Contribuinte em seu apelo, concluindo que o efeito repetitivo não contempla a tese esposada pelo Contribuinte: "A recorrente invoca a observância do art. 62A do RICARF em razão da manifestação do Superior Tribunal de Justiça assim consolidada na ementa do Recurso Especial nº 1.140.956SP: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. AÇÃO ANTIEXACIONAL ANTERIOR À EXECUÇÃO FISCAL. DEPÓSITO INTEGRAL DO DÉBITO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (ART. 151, II, DO CTN). ÓBICE À PROPOSITURA DA EXECUÇÃO FISCAL, QUE, ACASO AJUIZADA, DEVERÁ SER EXTINTA. 1. O depósito do montante integral do débito, nos termos do artigo 151, inciso II, do CTN, suspende a exigibilidade do crédito tributário, impedindo o ajuizamento da execução fiscal por parte da Fazenda Pública. (...) 2. É que as causas suspensivas da exigibilidade do crédito tributário (art. 151 do CTN) impedem a realização, pelo Fisco, de atos de cobrança, os quais têm início em momento posterior ao lançamento, com a lavratura do auto de infração. 3. O processo de cobrança do crédito tributário encarta as seguintes etapas, visando ao efetivo recebimento do referido crédito: a) a cobrança administrativa, que ocorrerá mediante a lavratura do auto de infração e aplicação de multa: exigibilidadeautuação; b) a inscrição em dívida ativa: exigibilidadeinscrição; c) a cobrança judicial, via execução fiscal: exigibilidade execução. 4. Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação Fl. 485DF CARF MF Processo nº 16327.721522/201248 Acórdão n.º 9101003.541 CSRFT1 Fl. 14 13 anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração, assim como de coibir o ato de inscrição em dívida ativa e o ajuizamento da execução fiscal, a qual, acaso proposta, deverá ser extinta. 5. A improcedência da ação antiexacional (precedida do depósito do montante integral) acarreta a conversão do depósito em renda em favor da Fazenda Pública, extinguindo o crédito tributário, consoante o comando do art. 156, VI, do CTN, na esteira dos ensinamentos de abalizada doutrina, verbis: "Depois da constituição definitiva do crédito, o depósito, quer tenha sido prévio ou posterior, tem o mérito de impedir a propositura da ação de cobrança, vale dizer, da execução fiscal, porquanto fica suspensa a exigibilidade do crédito. (...) Ao promover a ação anulatória de lançamento, ou a declaratória de inexistência de relação tributária, ou mesmo o mandado de segurança, o autor fará a prova do depósito e pedirá ao Juiz que mande cientificar a Fazenda Pública, para os fins do art. 151, II, do Código Tributário Nacional. Se pretender a suspensão da exigibilidade antes da propositura da ação, poderá fazer o depósito e, em seguida, juntando o respectivo comprovante, pedir ao Juiz que mande notificar a Fazenda Pública. Terá então o prazo de 30 dias para promover a ação. Julgada a ação procedente, o depósito deve ser devolvido ao contribuinte, e se improcedente, convertido em renda da Fazenda Pública, desde que a sentença de mérito tenha transitado em julgado" (MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 27ª ed., p. 205/206). 6. In casu, o Tribunal a quo, ao conceder a liminar pleiteada no bojo do presente agravo de instrumento, consignou a integralidade do depósito efetuado, às fls. 77/78: "A verossimilhança do pedido é manifesta, pois houve o depósito dos valores reclamados em execução, o que acarreta a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, de forma que concedo a liminar pleiteada para o fim de suspender a execução até o julgamento do mandado de segurança ou julgamento deste pela Turma Julgadora." 7. A ocorrência do depósito integral do montante devido restou ratificada no aresto recorrido, consoante dessumese do seguinte excerto do voto condutor, in verbis: "O depósito do valor do débito impede o ajuizamento de ação executiva até o trânsito em julgado da ação. Consta que foi efetuado o depósito nos autos do Mandado de Segurança impetrado pela agravante, o qual encontrase em Fl. 486DF CARF MF Processo nº 16327.721522/201248 Acórdão n.º 9101003.541 CSRFT1 Fl. 15 14 andamento, de forma que a exigibilidade do tributo permanece suspensa até solução definitiva. Assim sendo, a Municipalidade não está autorizada a proceder à cobrança de tributo cuja legalidade está sendo discutida judicialmente." 8. In casu, o Município recorrente alegou violação do art. 151, II, do CTN, ao argumento de que o depósito efetuado não seria integral, posto não coincidir com o valor constante da CDA, por isso que inapto a garantir a execução, determinar sua suspensão ou extinção, tese insindicável pelo STJ, mercê de a questão remanescer quanto aos efeitos do depósito servirem à fixação da tese repetitiva. 9. Destarte, ante a ocorrência do depósito do montante integral do débito exequendo, no bojo de ação antiexacional proposta em momento anterior ao ajuizamento da execução, a extinção do executivo fiscal é medida que se impõe, porquanto suspensa a exigibilidade do referido crédito tributário. 10. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Porém, observase que a discussão, naqueles autos, tinha em conta execução fiscal promovida em face de sujeito passivo que promovera depósito judicial classificado como insuficiente pela Municipalidade e, assim, inábil a suspender a exigibilidade do crédito tributário. Aqui, o lançamento foi formalizado sem aplicação de penalidade e com o reconhecimento da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, inexistindo qualquer questionamento acerca da suficiência do depósito judicial. Por sua vez, o voto condutor do julgado antes mencionado principia observando que: Entrementes, dentre os multifários recursos especiais relacionados à questão da impossibilidade de ajuizamento de executivo fiscal, ante a existência de ação antiexacional conjugada ao depósito do crédito tributário, grande parte refere se à discussão acerca da integralidade do depósito efetuado ou da existência do mesmo, razão pela qual impõese o julgamento da controvérsia pelo rito previsto no art. 543C, do CPC, cujo escopo precípuo é a uniformização da jurisprudência e a celeridade processual. (destaques do original) Sob esta ótica, o Superior Tribunal de Justiça manifestouse acerca da implementação da suspensão da exigibilidade do crédito tributário em razão de depósito judicial, asseverando que sua implementação, quando integral, impede “atos de cobrança”, dentre os quais inseriu a “lavratura do auto de infração e aplicação de multa”, sem apreciar a possibilidade de lançamento sem aplicação de penalidade e com suspensão da exigibilidade. É nesse contexto específico que exsurge o impedimento à lavratura do auto de infração em face de depósito judicial integral do tributo. Fl. 487DF CARF MF Processo nº 16327.721522/201248 Acórdão n.º 9101003.541 CSRFT1 Fl. 16 15 No mais, o Superior Tribunal de Justiça teve em conta apenas a extinção do crédito tributário em razão da conversão do depósito em renda da Fazenda Pública, bem como a suficiência do depósito judicial no caso concreto em análise, determinando a extinção da execução fiscal em curso. Concluise, do exposto, que o Superior Tribunal de Justiça não decidiu, no rito do art. 543C, acerca da impossibilidade de lançamento, sem aplicação de penalidade e com suspensão da exigibilidade, de tributo depositado judicialmente. Por tais razões, deve ser REJEITADO o pedido de vinculação ao julgado antes referido, por força do art. 62A do RICARF." (...) Assim, resta claro que o julgado ora analisado de forma alguma autoriza a interpretação no sentido de que o Auto de Infração lavrado apenas para prevenir a decadência, adotando todas as cautelas legais, no sentido da manutenção da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, lavrado por pessoa competente e sem qualquer cerceamento de direito de defesa deva ser declarado nulo, por haver o Contribuinte efetuado depósito do montante integral do débito." (grifouse) Inicialmente registrese que o sujeito passivo que figurou no Acórdão nº 9202004.303 trouxe àquela discussão o acórdão de julgamento do REsp nº 1.140.956/SP para defender a aplicação, ao seu caso concreto, do art. 62, § 2º, do Anexo II do RICARF/2015, que determina que, no julgamento de recursos no âmbito do CARF, os conselheiros devem reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ na sistemática do art. 543C do antigo CPC (ou dos arts. 1036 a 1.041 do novo CPC Lei nº 13.105/2015). Comando semelhante já existia no art. 62A do RICARF anterior, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009 RICARF/2009. Em que pese o contribuinte ter invocado, nas contrarrazões que opôs ao recurso especial fazendário constante dos presentes autos, o acórdão de julgamento do REsp nº 1.140.956/SP inicialmente para pleitear o não conhecimento recursal, tal fato não invalida a aplicação ao caso debatido do entendimento construído no Acórdão nº 9202004.303. Acompanho as razões expostas naquele julgado para concluir que a tese construída no acórdão de julgamento do REsp nº 1.140.956/SP não se aplica indistintamente a qualquer hipótese de lançamento de ofício de crédito tributário objeto de prévio depósito judicial. A i. Conselheira Relatora do Acórdão nº 9202004.303, fazendo remissão ao Acórdão nº 1101001.135 (coincidentemente um dos paradigmas apontados pela PGFN no recurso especial sob julgamento), conclui que o Egrégio STJ somente apreciou, por ocasião do julgamento do REsp nº 1.140.956/SP, hipótese em que o sujeito ativo promove o lançamento de crédito tributário acompanhado de penalidade, em razão de entenderse, no momento do lançamento, pela não integralidade dos depósitos judiciais por meio dos quais o sujeito passivo pretendeu suspender a exigibilidade o crédito tributário, valendose da previsão legal do inciso II do art. 151 do CTN. Fl. 488DF CARF MF Processo nº 16327.721522/201248 Acórdão n.º 9101003.541 CSRFT1 Fl. 17 16 Não estão contempladas na manifestação exarada pelo STJ hipóteses como as relatadas nos autos em que foram proferidos os Acórdãos nº 9202004.303 e nº 1101001.135, em que a Fiscalização reconhece nos autos de infração a suspensão da exigibilidade dos créditos constituídos e realiza o lançamento sem a imputação de penalidade alguma e com o explícito propósito de prevenção da decadência. Tal conclusão é corroborada pela declaração feita no início do voto condutor do acórdão de julgamento do REsp nº 1.140.956/SP. Ao justificar a necessidade de julgamento da controvérsia pelo rito do art. 543C do CPC então vigente, o i. Ministro Relator faz referência à existência de grande quantidade de recursos especiais em que se discute acerca da integralidade ou mesmo da existência de depósito judicial e dos seus efeitos em relação à impossibilidade de ajuizamento de executivo fiscal. Além disso, quando mencionou os atos de cobrança cuja realização estaria inibida pela existência do depósito judicial, o voto condutor do acórdão judicial fez menção apenas à "lavratura do auto de infração e aplicação de multa", não abordando a hipótese de lançamento realizado sem a aplicação de qualquer penalidade em virtude do reconhecimento da integralidade do depósito judicial e da consequente suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Diante do exposto, concluise que o Acórdão nº 1101001.135, primeiro paradigma indicado pela Fazenda Nacional em seu recurso especial, não se encontra em contrariedade a decisão definitiva do STJ proferida em julgamento realizado nos termos do art. 543C do antigo CPC. A decisão administrativa tratou de caso em que a Fiscalização efetuou o lançamento com a expressa intenção de prevenir a decadência, sem a aplicação de qualquer penalidade e reconhecendo a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em obediência ao art. 151, II, do CTN. Tal hipótese, segundo entendimento que se sagrou vencedor no Acórdão nº 9202004.303, não contraria o disposto no acórdão de julgamento do REsp nº 1.140.956/SP. Sendo assim, entendo que o Acórdão nº 1101001.135 cumpriu o requisito de admissibilidade prescrito pelo § 12 do art. 67 do Anexo II do RICARF/2015, não contrariando qualquer decisão que se enquadre entre as hipóteses referidas em seu inciso II, razão pela qual REJEITO, no que toca a este primeiro paradigma indicado pela Fazenda Nacional, a arguição preliminar de não conhecimento do recurso especial apresentada pelo contribuinte recorrido com base neste fundamento. Ao analisarmos a segunda decisão paradigma elencada pela PGFN, a conclusão alcançada é diferente. Da leitura do Acórdão nº 10707.992, vislumbramse características que o aproximam do cenário considerado na análise desenvolvida no acórdão de julgamento do REsp nº 1.140.956/SP. Senão vejamos: "RELATÓRIO I DA AUTUAÇÃO (...) Exigese a CSLL dos períodos de apuração de 09/97, 10/97, 11/97 e 12/97, e respectivos juros de mora e multa de ofício de 75%. (...) III DO ACÓRDÃO DA DRJ Fl. 489DF CARF MF Processo nº 16327.721522/201248 Acórdão n.º 9101003.541 CSRFT1 Fl. 18 17 (...) Foi exonerada a multa de oficio de acordo com o Parecer COSIT n° 2/99, em razão de ter sido comprovado o depósito judicial no montante integral, vinculado ao processo judicial n°94.178484. Entendeu a Turma Julgadora que a exigência do crédito tributário, para o período da autuação, estava suspensa, nos termos do art. 151, inciso II, do CTN, ainda que essa situação não fosse revelada no lançamento. Entretanto, esse fato não impede que a autoridade lançadora efetue o lançamento, para prevenir a decadência. Cita o Parecer PGFN/CRJN n° 1.064/93 (...) VOTO (...) O AFRF autuante, diante da constatação de que o processo judicial não havia sido localizado, entendeu que deveria ser realizado o lançamento, conforme o disposto no parágrafo único do art. 3° da IN SRF n° 94/97, letra "a". Esse fato não pode ser considerado como cerceamento de direito de defesa, pois uma vez formalizado o lançamento, a contribuinte exerceu plenamente seu direito de defesa, com a apresentação da impugnação que instaurou a fase litigiosa, de acordo com o art. 14 do Processo Administrativo Fiscal, resultando na exoneração da multa de ofício, por estar o crédito tributário com exigibilidade suspensa na data da ciência do auto de infração. (...) O fato da contribuinte estar amparada por depósito do montante integral, não impede que seja efetuado o lançamento, para prevenir a decadência. (...) No caso em apreciação, não se trata de suspensão da exigibilidade do crédito tributário por existência de medida judicial, mas sim, por força do inciso II do art. 151 do CTN, por terem sido realizados os depósitos integrais do montante devido da CSLL. Ocorre, que não constou essa informação no auto de infração. Logo, quando da ciência da decisão do recurso voluntário, não poderá a autoridade preparadora cobrar o crédito tributário, se a condição de suspensão permanecer. Deve ser observado que a autoridade preparadora quando da ciência do julgado de primeira instância, não cobrou o crédito tributário, conforme se observa do doc. de fls. 100. Apenas encaminhou uma via do acórdão da DRJ para a contribuinte e observou que a exigibilidade se encontrava suspensa em razão do depósito judicial, com exoneração da multa de oficio. Fl. 490DF CARF MF Processo nº 16327.721522/201248 Acórdão n.º 9101003.541 CSRFT1 Fl. 19 18 Portanto, o lançamento da CSLL deve ser mantido apenas para prevenir a decadência. Se a decisão for favorável ao contribuinte haverá o levantamento do depósito judicial e se favorável à União será convertido o depósito em renda da União e o processo administrativo será arquivado. (...) (grifouse) Observase que o caso concreto analisado pelo Acórdão nº 10707.992 é bem diferente daqueles abordados pelos Acórdão nº 9202004.303 ou nº 1101001.135. O julgado proferido pela 7ª Câmara do extinto 1ª Conselho de Contribuintes se debruça sobre um lançamento efetuado pela Fiscalização que em nada se diferencia de uma autuação fiscal ordinária. Não foi feita nos autos de infração qualquer referência ao fato de o crédito tributário recémconstituído estar com sua exigibilidade suspensa em virtude da existência de depósito judicial. Tampouco foi mencionado que o lançamento teria sido motivado pela prevenção da decadência. Por fim, foi aplicada penalidade: multa de ofício correspondente a 75% do valor do tributo principal lançado. Assim, verificase que o Acórdão nº 10707.992 analisou um caso concreto que foi contemplado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.140.956/SP. Apesar disso, os entendimentos adotados foram conflitantes: enquanto o precedente judicial, produto de julgamento que seguiu o rito previsto no art. 543C do antigo CPC, determinou que é vedado ao Fisco efetuar o lançamento de ofício nas situações ali previstas, o julgado administrativo decidiu em sentido contrário, pela possibilidade de lavratura de auto de infração naquele contexto, com a finalidade de prevenção da decadência. Concluise, portanto, que cabe razão ao contribuinte recorrido quando alega que o Acórdão nº 10707.992 teria descumprido o requisito de admissibilidade do inciso II do § 12 do art. 67 do Anexo II do RICARF/2015. Assim, ACOLHO a arguição preliminar de que o segundo acórdão apontado pela Fazenda Nacional efetivamente não se presta ao papel de paradigma. Todavia, como a mesma alegação feita em relação ao Acórdão nº 1101 001.135 foi rejeitada, o fato de se reconhecer que o Acórdão nº 10707.992 não serve como paradigma, por si só, não é suficiente para provocar o não conhecimento do recurso especial apresentado pela PGFN. 3) Preliminar de não conhecimento do recurso especial em razão da inexistência de similitude fática entre os casos julgados pelos acórdãos recorrido e paradigmas O recorrido argumenta que, mesmo que se entenda que os Acórdãos nº 1101 001.135 e nº 10707.992 possam servir como paradigmas, ainda assim seria impossível o conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional em razão de estas decisões tratarem de situações fáticas completamente diferentes daquela analisada pela decisão recorrida. A distinção fática apontada nas contrarrazões do contribuinte é basicamente a seguinte: nos presentes autos, foram lavrados autos de infração para exigência apenas do tributo (principal), enquanto nos processos em que foram prolatadas as decisões paradigmas houve também a imputação de juros de mora (Acórdão nº 1101001.135) e até mesmo de multa de ofício e juros de mora (Acórdão nº 10707.992). Fl. 491DF CARF MF Processo nº 16327.721522/201248 Acórdão n.º 9101003.541 CSRFT1 Fl. 20 19 Defende o contribuinte recorrido que as conclusões jurídicas das decisões são distintas porque os fundamentos das autuações também o são, o que demonstraria a ausência de similitude fática entre os acórdãos contrapostos e imporia o não conhecimento do recurso apresentado pela PGFN, em razão da não caracterização de dissídio jurisprudencial e do consequente descumprimento de requisito de admissibilidade fixado pelo art. 67 do Anexo II do RICARF/2015. Inicialmente, devese rememorar a situação fática sobre a qual se debruça o Acórdão nº 1402002.192, ora recorrido. Como se relatou, o presente processo cuida de créditos tributários de CSLL lançados pela Fiscalização em razão de o contribuinte ter pago/compensado valores inferiores aos declarados nas DCTF dos anoscalendário de 2008 a 2010. Segundo informado à época pelo contribuinte, os valores que deixaram de ser pagos/compensados foram objeto de depósitos judiciais relacionados ao mandado de segurança nº 001431044.2008.4.03.6100, em que se questiona constitucionalidade do aumento da alíquota da CSLL, de 9% para 15%, imposto às instituições financeiras e equiparadas pela Medida Provisória nº 413/2008 (convertida na Lei nº 11.727/2008). A Fiscalização promoveu então o lançamento de ofício com a declarada intenção de prevenir a decadência tributária, reconhecendo a suspensão da exigibilidade dos créditos recémconstituídos por força do inciso II do art. 151 do CTN e deixando explícito inclusive que tal fato impediria a exigência, no caso concreto, de multa de ofício e de juros de mora. Percebese que o contexto fático esquadrinhado pelo acórdão recorrido é bastante semelhante àquele analisado pelo Acórdão nº 1101001.135, primeiro paradigma indicado pela Fazenda Nacional já mencionado no tópico anterior, em que se examinou a arguição preliminar de não conhecimento recursal em razão de alegado descumprimento do requisito de admissibilidade previsto no art. 67, § 12, inciso II, do Anexo II do RICARF/2015. Depreendemse do citado acórdão paradigma as seguintes passagens de interesse: "Relatório (...) Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Tratase de impugnação (fls. 52/80) apresentada em face de Auto de Infração de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls.47/48). Conforme consta no Termo de Verificação Fiscal de fls. 43/44, o contribuinte impetrou o Mandado de Segurança 2008.61.00.0143110, objetivando evitar os efeitos da majoração da alíquota da CSLL ocorrida a partir de maio de 2008, ou seja, de nove por cento para quinze por cento em relação às instituições financeiras. Albergado pela medida judicial, depositou em juízo parcelas da CSLL devidas a título de estimativas e correspondentes às diferenças de alíquotas, conforme demonstrativo às fls. 43. Consulta processual revelou que os autos Fl. 492DF CARF MF Processo nº 16327.721522/201248 Acórdão n.º 9101003.541 CSRFT1 Fl. 21 20 encontravamse conclusos e pendentes de julgamento final no TRF 3ª Região. Para prevenir a decadência, foi lavrado o Auto de Infração de CSLL, de fls. 43/44, no valor de R$ 48.107.144,85, referente ao fato gerador ocorrido em 31/12/2008, incluindo os juros de mora calculados até 09/2012. O crédito tributário foi lançado com exigibilidade suspensa e não foi aplicada a multa de ofício, nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/96. A ciência da autuação ocorreu em 18/09/2012. (...) Voto (...) Neste ponto, portanto, tem razão a contribuinte quando afirma a inaplicabilidade da exigência dos juros de mora. A consolidação da jurisprudência administrativa em favor deste entendimento impõe a exoneração desta parte do lançamento, ainda que ela seja meramente indicativa e não vá ensejar qualquer exigência se o depósito judicial vier a ser convertido em renda da União, extinguindo o crédito tributário na data em que o depósito integral foi promovido. Aliás, em verdade, a indicação de juros no lançamento é dispensável, porque sua aplicação decorre apenas do decurso do prazo a partir da data de vencimento do crédito tributário, independentemente, portanto, de fatos a serem discutidos no contencioso administrativo tributário." (grifouse) É de fácil percepção que os contextos fáticos analisados pelo acórdão recorrido e pelo Acórdão nº 1101001.135 são praticamente idênticos: ambos envolvem depósitos judiciais vinculados a mandado de segurança em que se questiona a constitucionalidade do aumento de alíquota¨da CSLL de 9% para 15%, imposto às instituições financeiras pela Medida Provisória nº 413/2008; em ambos os casos, a Fiscalização reconheceu a existência dos depósitos judiciais e a consequente suspensão da exigibilidade dos créditos; em ambos os casos, o lançamento de ofício foi realizado para fins de prevenção da decadência, conforme expressamente declarado nos relatórios fiscais; em ambos os casos, a Fiscalização acertadamente se absteve de lançar a multa de ofício. A única distinção fática verificada entre os dois casos concretos, conforme indicou o próprio contribuinte recorrido, é o fato de terem sido imputados juros de mora no auto de infração constante dos autos em que foi proferido o acórdão paradigma. Tal diferença, entretanto, é completamente irrelevante para a discussão jurídica travada ao longo dos dois processos. Como muito bem apontou a i. Conselheira Relatora do Acórdão nº 1101 001.135, ao dar provimento ao recurso voluntário para afastar a cobrança dos juros de mora, esta imputação presente no auto de infração é meramente indicativa, já que a extinção do crédito tributário, no caso de o contribuinte não obter êxito em sua empreitada judicial, se dará mediante a conversão do depósito judicial em renda a favor da União. Assim, o fato de o Acórdão nº 1101001.135 abordar a inadequação do apontamento de juros de mora no auto de infração e o acórdão recorrido não ter tratado do Fl. 493DF CARF MF Processo nº 16327.721522/201248 Acórdão n.º 9101003.541 CSRFT1 Fl. 22 21 assunto (uma vez que o respectivo auto de infração não mencionou a incidência de tais juros), não interfere de modo algum na principal discussão jurídica desenvolvida em ambos os processos, concernente à possibilidade ou não de realização de lançamento de ofício relacionado a créditos tributários objeto de depósito judicial, para fins de prevenção da decadência e com o reconhecimento expresso da suspensão da exigibilidade dos créditos. A partir de contextos fáticos muito semelhantes, as duas decisões comparadas alcançaram entendimentos opostos: o acórdão recorrido concluiu pela impossibilidade de tal lançamento e o acórdão paradigma, pela sua possibilidade. Entendo que restou devidamente configurada a existência da divergência jurisprudencial requerida pelo art. 67 do Anexo II do RICARF/2015. Portanto, REJEITO a arguição preliminar do contribuinte recorrido de não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional em função da inexistência de similitude fática (e, consequente, de dissenso jurisprudencial) entre os Acórdãos nº 1402002.192 (recorrido) e nº 1101001.135 (primeiro paradigma indicado pela recorrente). Tendo sido rejeitadas as duas arguições preliminares de não conhecimento do recurso especial fazendário, no que se relacionam ao Acórdão nº 1101001.135, adoto as razões expostas no despacho que examinou a admissibilidade do recurso para dele CONHECER. Registrese que se forem comparados os contextos fáticos analisados no acórdão recorrido e na segunda decisão paradigma indicada pela PGFN em seu recurso especial, concluirseá pela procedência da alegação do recorrido de que inexiste similitude fática que possibilite a caracterização de divergência jurisprudencial apta a ensejar a admissibilidade do recurso. Conforme já foi parcialmente descrito no tópico anterior, o Acórdão nº 107 07.992 aborda caso concreto que apresenta importantes diferenças em relação àqueles analisados pelos Acórdãos nº 9202004.303 e nº 1101001.135 (ambos muito semelhantes à situação retratada no acórdão recorrido). O segundo paradigma trazido pela PGFN trata de lançamento decorrente de Auditoria Interna de DCTF que identificou débitos declarados com exigibilidade suspensa associados a ação judicial que não foi reconhecida. Em virtude disso, os créditos foram lançados com multa de ofício e juros de mora, em auto de infração que sequer abordou as questões de suspensão de exigibilidade ou prevenção de decadência. De toda forma, como o recurso especial da Fazenda Nacional deve ser conhecido por conta de seu cotejo com o primeiro paradigma (Acórdão nº 1101001.135), uma vez que foram cumpridos todos os requisitos de admissibilidade requeridos pelo art. 67 do Anexo II do RICARF/2015, revelase irrelevante para os fins processuais aqui discutidos o fato de a segunda decisão indicada pela recorrente (Acórdão nº 10707.992) não se prestar ao papel de paradigma (descumprimento do requisito do art. 67, § 12, II, do Anexo II do RICARF/2015) ou não caracterizar divergência jurisprudencial frente ao acórdão recorrido. 4) Mérito Vencida a análise das arguições preliminares apresentadas pelo contribuinte recorrido e tendose concluído pela sua rejeição, podese iniciar a discussão do mérito do recurso especial da Fazenda Nacional. Fl. 494DF CARF MF Processo nº 16327.721522/201248 Acórdão n.º 9101003.541 CSRFT1 Fl. 23 22 Considero que o primeiro ponto que merece avaliação é a alegação do contribuinte recorrido de que ao presente caso deve ser aplicado o que foi decidido no julgamento do REsp nº 1.140.956/SP, de acordo com a determinação contida no art. 62, § 2º, do Anexo II do RICARF/2015: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (grifouse) Creio que tal questão já tenha sido suficientemente explorada nos tópicos em que votei pela rejeição das arguições preliminares de não conhecimento do recurso especial fundadas em alegado descumprimento do requisito de admissibilidade previsto no art. 67, § 12, inciso II, do Anexo II do RICARF/2015 e em pretensa inexistência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Conforme então se expôs, julgo que o STJ, ao construir sua decisão no julgamento do REsp nº 1.140.956/SP, não contemplou hipóteses fáticas como a encontrada nos presentes autos, em que a autoridade tributária realiza lançamento de ofício com a exclusiva finalidade de prevenir a decadência, reconhecendo expressamente a suspensão da exigibilidade dos créditos constituídos em virtude da existência de depósitos judiciais e corretamente se abstendo de aplicar penalidade ao sujeito passivo. Assim, concluise que, embora o STJ tenha proferido o acórdão de julgamento do REsp nº 1.140.956/SP seguindo o rito estabelecido no art. 543C do CPC então vigente, não há que se falar em vinculação dos conselheiros desta Turma, no presente julgamento, àquela decisão. Passase então ao desenvolvimento das razões de decidir aplicáveis ao caso ora submetido ao julgamento desta 1ª Turma da CSRF. Registrese inicialmente que não há, no âmbito desta CSRF, jurisprudência pacífica a respeito do tema sob análise. Existem decisões tanto pela possibilidade quanto pela inviabilidade da realização de lançamento de ofício de créditos tributários diante da prévia realização de depósitos judiciais. Filiome ao grupo dos julgadores administrativos que entendem não haver impedimento à lavratura de autos de infração para prevenção da decadência de obrigação tributária que já seja objeto de depósito vinculado a uma demanda judicial. A autoridade tributária tem entre suas atribuições a atividade administrativa de lançamento, que, nos termos do parágrafo único do art. 142 do CTN, é vinculada e obrigatória. In verbis: Fl. 495DF CARF MF Processo nº 16327.721522/201248 Acórdão n.º 9101003.541 CSRFT1 Fl. 24 23 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Identificando, portanto, a ocorrência de fato gerador de obrigação tributária, aquela autoridade tem como dever funcional a realização do lançamento tributário, que se completa com as etapas de determinação da matéria tributável, cálculo do montante devido, identificação do sujeito passivo e aplicação da penalidade cabível, se for o caso. O dispositivo é expresso ao definir a atividade administrativa de lançamento como vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, não trazendo qualquer previsão de tratamento diferenciado para hipóteses de crédito com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Na hipótese de existência de depósito judicial relacionado à obrigação identificada pela autoridade tributária, poderseia discutir a necessidade de realização do lançamento. Isso porque existe a tese de que a efetivação de tal depósito seria análoga ao pagamento antecipado do tributo pelo sujeito passivo, figura encontrada na sistemática adotada para os tributos submetidos ao lançamento por homologação. Os defensores de tal tese, entre os quais se encontra o contribuinte recorrido, entendem que o depósito judicial seria suficiente para a constituição do crédito tributário (sujeita à posterior homologação do sujeito ativo), sendo desnecessária a realização de lançamento de ofício pela autoridade tributária. Tal entendimento, todavia, não leva à conclusão de que os lançamentos de ofício realizados neste contexto sejam nulos ou passíveis de cancelamento. O Decreto nº 70.235/1972 trata da seguinte forma as hipóteses de nulidade no processo administrativo tributário: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Lançamentos de ofício como o praticado nos presentes autos não se enquadram em nenhuma das situações de nulidade prescritas. O auto de infração foi lavrado por autoridade competente (AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil) e não houve qualquer preterição de direito de defesa. Após a formalização do lançamento, o contribuinte pôde exercer plenamente seu direito de defesa assegurado por lei, impugnando o auto de infração e provocando o contencioso administrativo, que inclusive nos trouxe até a presente fase de julgamento de recurso especial. Fl. 496DF CARF MF Processo nº 16327.721522/201248 Acórdão n.º 9101003.541 CSRFT1 Fl. 25 24 Os requisitos formais dos autos de infração, cujo descumprimento poderia, em tese e em último caso (impossibilidade de saneamento), levar a uma declaração de sua nulidade, são objeto do art. 10 do mesmo Decreto nº 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O auto de infração que originou os presentes autos cumpriu rigorosamente todas as formalidades que dele são exigidas, não se podendo cogitar de sua nulidade em razão de alguma mácula neste sentido. Sendo assim, não se identifica qualquer vício ou irregularidade que possa provocar a nulidade do lançamento realizado. A autuação, embora possa ser considerada desnecessária por alguns, se deu de forma completamente regular, notadamente diante de seu declarado propósito de prevenir a decadência, do reconhecimento da suspensão da exigibilidade do crédito constituído em virtude da existência de depósito judicial e da não imputação de penalidade ao sujeito passivo. Acrescentese que não acarretou qualquer prejuízo para o contribuinte o lançamento realizado com a finalidade exclusiva de prevenção da decadência (e tampouco provocará prejuízo sua manutenção neste julgamento). Até o trânsito em julgado do mandado de segurança nº 001431044.2008.4.03.6100, nenhuma exigência lhe será feita, em conformidade com a intenção demonstrada pela autoridade lançadora ao reconhecer a suspensão da exigibilidade do crédito. Com o trânsito em julgado da demanda judicial, o sujeito passivo poderá levantar os valores depositados, devidamente corrigidos (caso obtenha êxito no mandado de segurança), ou observará a conversão do depósito judicial em renda a favor da União (caso a decisão judicial seja favorável à Fazenda Nacional). Desse modo, voto no sentido de CONHECER do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO para restabelecer integralmente o lançamento objeto dos presentes autos. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Fl. 497DF CARF MF Processo nº 16327.721522/201248 Acórdão n.º 9101003.541 CSRFT1 Fl. 26 25 Fl. 498DF CARF MF
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Numero do processo: 13884.901913/2008-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-004.964
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 19 13 /2 00 8- 54 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13884.901913/200854 Acórdão n.º 3401004.964 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de declaração de compensação, realizada com base em suposto crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, em razão da inexistência de crédito disponível. Cientificada desse despacho, a manifestante protocolou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos, pois não considerou os termos do parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/98, quando apurou as bases de cálculos das contribuições; o único fundamento para a glosa das compensações é uma pretensa inexistência de crédito; não foi sequer solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não o crédito; tivesse a autoridade intimado o contribuinte, teria acesso As planilhas de apuração, podendo verificar a regularidade do encontro de contas efetuado; pelas razões alegadas, deve ser anulado o despacho decisório, determinando que a autoridade efetue as diligências necessárias para comprovar a origem e existência do crédito utilizado, alternativamente, requer que seja logo homologada a compensação. Ao final pede deferimento da presente manifestação de inconformidade" . A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 0530.645, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que "os valores faturados, ainda que repassados a terceiros, compõem a base tributável da contribuição social, em face da inexistência de permissivo legal para sua exclusão". Devidamente notificada desta decisão, a recorrente interpôs tempestivamente o recurso voluntário ora em apreço, no qual reitera as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13884.901913/200854 Acórdão n.º 3401004.964 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.923, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 13884.900342/200831, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.923): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: Conforme relatado, a não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de estar o Darf informado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos da contribuinte. No caso, a contribuinte transmitiu sua DCOMP compensando débito com suposto crédito de contribuição social decorrente de pagamento indevido ou a maior, apontando um documento de arrecadação como origem desse crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejandoos com os demais por ela informados A. Receita Federal em outras declarações (DCTFs, DIPJ, etc), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc), tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito de Cofins da interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13884.901913/200854 Acórdão n.º 3401004.964 S3C4T1 Fl. 5 4 Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito liquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Dai a não homologação, não havendo qualquer nulidade nesse procedimento. Sobre o motivo da não homologação, como já antes explicitado neste voto, revelase procedente, pois, de acordo com as próprias informações prestadas pela contribuinte Receita Federal, o direito creditório apontado na DCOMP era inexistente. Não obstante, agora, em sede de manifestação de inconformidade, pretende a contribuinte demonstrar que seus débitos de contribuição social antes declarados e pagos são indevidos, pois não havia considerado, quando da apuração da base de cálculos das contribuições, o disposto no parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/1998. Em termos legais, significa ver excluídos da receita bruta os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para terceiros, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo. Neste ponto, fazse necessário destacar que, por força de sua vinculação aos atos legais, assim como àqueles emanados por autoridades que lhe são hierarquicamente superiores, este colegiado está adstrito à interpretação que a própria administração pública dá legislação tributária. 110 A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Ato Declaratório SRF n°56, de 20 de julho de 2000, já se posicionou a respeito da situação em exame: Ato Declaratório SRF n° 56, de 2000: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do art. 20 do art. 3° da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; Considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; Considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de I° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13884.901913/200854 Acórdão n.º 3401004.964 S3C4T1 Fl. 6 5 tenha sido feita a titulo de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica" (destacouse). Esse entendimento torna sem força a argumentação alegada pela Contribuinte no sentido de que as provas dos alegados créditos, consistentes em planilhas de apuração da contribuição social, deveriam ser examinadas na busca da constatação da regularidade do encontro de contas, uma vez que o crédito calcado neste dispositivo é inexistente. Diante de tudo exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o disposto no despacho decisório da unidade de origem. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401 003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13884.901913/200854 Acórdão n.º 3401004.964 S3C4T1 Fl. 7 6 Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Acrescese a tal constatação o intento da contribuinte de ver compensado seu débito com crédito fundado em quaestio jurídica que busca inaugurar em fase de instauração de contencioso administrativo posterior à apresentação de sua declaração de compensação, com a apresentação de sua impugnação, sob o pálio do argumento de que devem ser expurgados da receita bruta, ainda que assim escriturados, os valores que tenham sido transferidos para terceiros, nos termos do § 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/1998, argumento que se encontra em contrariedade com o preceptivo normativo do Ato Declaratório SRF n° 56, de 20/07/2000. Independentemente da discussão respeitante à matéria, no entanto, o que se constata é que a compensação tem por base direito creditório ilíquido e incerto, carente de prova de sua constituição definitiva, uma vez que a contribuinte somente poderia utilizar, na compensação de débitos próprios relativos a tributos administrados pela RFB, crédito passível de restituição ou de ressarcimento. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.012204/2005-58
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2004
DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta, ou seu cumprimento em atraso, enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
Numero da decisão: 1002-000.151
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta, ou seu cumprimento em atraso, enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 22 04 /2 00 5- 58 Fl. 59DF CARF MF 2 Relatório Por bem refletir a lide administrativa até este momento processual, adoto o Relatório da decisão recorrida (efls. 18/21), a seguir transcrito: Contra o interessado acima identificado, foi lavrado o auto de infração de fl. 4, para formalizar exigência de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), referente ao quarto trimestre do ano calendário de 2004, no valor de R$ 1.333,88. Como enquadramento legal foram citados: § 3° do art. 113 e art. 160 da Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN); a.rt. 4°, combinado com o art. 2°, da Instrução Normativa SRF n° 73, de 19 de dezembro de 1996; art. 2° e 6° da Instrução Normativa SRF n.° 126, de 30 de outubro de 1998, combinado com o item I da Portaria do Ministério da Fazenda n.° 118, de 26 de agosto de 1984; art. 5° do Decretolei n.° 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 7° da Media Provisória n.° 16, de 27 de dezembro de 2001, convertida na Lei n.° 10.426, de 24 de abril de 2002. A data de vencimento do auto de infração é 05/09/2005. Em 01/09/2005, foi apresentada a impugnação de fls. 1 a 3. Nela, alegase que: . Em 15/02/2005, prazo final para entrega das DCTF do 4° trimestre de 2004, os computadores do SERPRO não as recepcionavam devido a problema técnico; . Em vista disso, visando ao cumprimento da obrigação no prazo previsto, o escritório de contabilidade encaminhou, por via postal, com AR, a DCTF em meio magnético; . A legislação de regência prevê a entrega dessa declaração apenas via internet; . Entretanto, a Receita Federal adota, em diversos procedimentos, a Portaria n.° 12, de 12 de abril de 1982, do Ministério Extraordinário da Desburocratização, que veio permitir a remessa de documentos endereçados a órgãos públicos por via postal; . O Ato Declaratório Normativo n.° 19, de 26 de maio de 1997, disciplina que será considerada, como data de entrega, no exame da tempestividade do pedido, a data da respectiva postagem constante do AR; . O Ato Declaratório Executivo n.° 24, de 08 de abril de 2005, publicado em 12 de abril de 2005, prorrogou o prazo, devido a problemas da Receita Federal; . A comunicação da prorrogação ocorreu após o ato consumado, imputando ao contribuinte uma penalidade alheia ao seu controle, pois ele não tinha como voltar no tempo, para atender o referido ato declaratório; Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10680.012204/200558 Acórdão n.º 1002000.151 S1C0T2 Fl. 3 3 . Posteriormente, foi recebida comunicação de que a DCTF não fora processada, porque a entrega por via postal não tinha amparo legal; . Finalmente, foi recebido o auto de infração, exigindo a multa pela entrega da declaração em atraso. A impugnação foi julgada improcedente pela DRJ/BHE por meio do Acórdão nº 0212.516 3ª Turma, ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 DCTF. ENTREGA POR VIA POSTAL. A remessa, por via postal, de CD contendo DCTF não caracteriza o cumprimento da obrigação de apresentar referida declaração. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário (efls. 26/54), no qual estrutura sua defesa com base nos argumentos a seguir sintetizados. Pontua que "a Secretaria da Receita Federal determinou um só meio para gerar a Declaração de Débitos e Créditos Federais DCTF, relativa ao quarto trimestre de 2004, e uma só via para sua apresentação: a internet, por meio do programa Receitanet;". Registra que "o Serviço Federal de Processamento de Dados SERPRO, enquanto preposto da Secretaria da Receita Federal na recepção da referida DCTF, apresentou problemas técnicos em seus sistemas, no dia 15 de fevereiro de 2005, último dia para transmissão eletrônica daquela declaração, o que impediu o cumprimento da obrigação tributária por parte do Contribuinte, nos termos da norma infralegal (IN SRF n°. 255/2002);". Afirma que "a Declaração gravada e enviada pelo Contribuinte, por via postal, foi gerada em consonância com as especificações técnicas, determinadas pela própria Secretaria da Receita Federal, afinal, utilizouse do programa gerador disponibilizado pela própria autoridade administrativa;". Defende a idéia de que "não obstante a restrição da norma menor (lN SRF n°. 255/2002), o ordenamento jurídico vigente faculta ao Contribuinte enviar ao Fisco, por via postal, quaisquer documentos, em defesa dos seus direitos e, por conseguinte, para o cumprimento de suas obrigações tributárias (ex vi artigo 991, do Regulamento do Imposto de Renda); ". Argumenta que "o fato ocorrido não é contemplado por qualquer disposição legal especifica expressa e que, nesse caso, o ordenamento jurídico tributário vigente determina que deve ser observado o principio da analogia (ex vi artigo 108, do Código Tributário Nacional);". Relata que "por analogia, o Contribuinte entregou sua Declaração de Débitos e Créditos Federais DCTF por via postal, meio esse aceito para entrega de Fl. 61DF CARF MF 4 declarações e quaisquer outros documentos, destinados ao Fisco Federal, prática essa reiteradamente aceita no âmbito federal;". Entende que "a autoridade administrativa deve interpretar a lei tributária que comine penalidades da maneira mais favorável ao Contribuinte nos casos em que haja dúvida quanto às circunstâncias materiais do fato ou quanto a sua capitulação, imputabilidade ou punibilidade (ex vi artigo 112, do Código Tributário Nacional); Diz que "o auto de infração lavrado não respeitou nenhum dos Princípios Gerais de Direito Tributário vigentes;". Apresenta o Acórdão exarado pelo Conselho de Contribuintes n° 10611235, de 12/04/2000, como jurisprudência administrativa favorável ao seu entendimento, aduzindo que o "Conselho de Contribuintes, nesse mesmo diapasão, tem manifestado entendimento, inclusive contrário ao que entende a autoridade julgadora de primeira instância de que a remessa de Declaração, por via postal, e cabível e legitima...;". Finaliza argüindo que "o valor da multa exigida no auto de infração, calculado por mês de atraso na entrega da Declaração, somente decorre da inépcia do Fisco Federal em comunicar sua discordância com o procedimento adotado pelo Contribuinte, ocorrida somente 90,(noventa)dias após o protocolo da correspondência do mesmo Contribuinte; ". Ao final requer a improcedência do lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Quanto ao juízo de mérito, o Recorrente entende que a multa por atraso na entrega da DCTF do anocalendário de 2004 é indevida, eis que a DCTF foi gravada em CDROM enviado tempestivamente à RFB em 15/02/2005, por via postal. Não assiste razão ao Recorrente. Embora tenha agido de forma diligente e de boafé na busca da salvaguarda de suas obrigações acessórias, o meio escolhido pelo Recorrente não dispunha de qualquer amparo legal. Isso porque a via correta para a entrega da DCTF seria unicamente aquela apresentada na forma da Instrução Normativa SRF n° 255, de 11/12/2002, que, por seu turno, regulamenta os termos do art. 929, §7°, do RIR: RIR Art. 929. As pessoas físicas ou jurídicas são obrigadas a prestar aos órgãos da Secretaria da Receita Federal, no prazo legal, informações Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10680.012204/200558 Acórdão n.º 1002000.151 S1C0T2 Fl. 4 5 sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no anocalendário anterior, por si ou como representantes de terceiros, com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ, das pessoas que o receberam, bem como o imposto de renda retido da fonte § 7º A informação deverá ser prestada nos prazos fixados e em formulário padronizado aprovado pela Secretaria da Receita Federal IN SRF 255/2002 O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III e XVIII do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o disposto no art. 5ºdo Decreto lei nº2.124, de 13 de junho de 1984, no art. 16 da Lei nº9.779, de 19 de janeiro de 1999, no art. 18 da Medida Provisória nº2.18949, de 23 de agosto de 2001, no art. 90 da Medida Provisória nº2.15835, de 24 de agosto de 2001, art. 7ºda Lei nº10.426, de 24 de abril de 2002, e nos arts. 2ºe 3ºda Medida Provisória nº75, de 24 de outubro de 2002, resolve: Art. 1ºAs normas disciplinadoras da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) são as estabelecidas por esta Instrução Normativa. (...) Art. 4ºA DCTF será apresentada em meio magnético, mediante a utilização de programa gerador de declaração, disponível na Internet, no endereço <http://wvwv.receita.fazenda.gov.br>. A indigitada Instrução Normativa exigiu de forma expressa que todas as DCTF's fossem entregues por intermédio do portal disponível na Internet. Todavia, como este não estava operando normalmente no dia 15/02/2005, a RFB editou o Ato Declaratório Executivo SRF nº 24, de 08 de abril de 2005, no qual reconheceu expressamente a ocorrência de problemas técnicos nos seus sistemas de recepção e transmissão de declarações no dia 15/02/2005: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 230 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 30, de 25 de fevereiro de 2005, tendo em vista o disposto na Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, e considerando os problemas técnicos ocorridos, em 15 de fevereiro de 2005, nos sistemas eletrônicos desenvolvidos pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) para a recepção e transmissão de declarações, declara:(grifos nossos) Artigo único. As Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) relativas ao 4º trimestre de 2004, que tenham sido transmitidas nos dias 16, 17 e 18 de Fl. 63DF CARF MF 6 fevereiro de 2005, serão consideradas entregues no dia 15 de fevereiro de 2005.(grifos nossos) Embora o Recorrente alegue não ter condições de "voltar no tempo" para cumprir sua obrigação acessória, deveria ter remetido a DCTF via Internet nos dias subseqüentes, providência mais comum e coerente com o caso, e depois, se necessário, contestar a multa, argüindo eventual falha na recepção da declaração por parte dos sistemas de controle da RFB. Ademais, se a Recorrente escolheu o meio mais oneroso e trabalhoso para a entrega da DCTF meio este em descompasso com a previsão legal o fez por sua conta e risco, pois também poderia têla encaminhado via plataforma digital, conforme aqui destacado. Aliás, este último comportamento é consentâneo com os ditames da Portaria n.° 12, de 12 de abril de 1982, do Ministério Extraordinário da Desburocratização. Seria um absoluto contrassenso presumir que há o respeito à "desburocratização" ao enviar o CD à Administração, quando esta requereu as informações online justamente com o escopo de reduzir seus arquivos físicos. Destaco, ainda, que o art. 991 do RIR referese ao "direito de petição e obtenção de certidões", circunstâncias estas totalmente distintas da apresentação da DCTF. Ademais, a analogia não se aplica ao presente caso, pois a norma escrita dispõe comando com clareza solar, dispensando quaisquer margens de integrações normativas ou interpretações divergentes. Com relação aos diversos preceitos normativos do elencados no Recurso Voluntário (arts. 97, 100, 108, 110, 111, 112 e 159, todos do CTN; arts. 791, 826, 928, 991, todos do RIR), esclareço que tanto a analogia (que é regra de integração normativa) quanto a interpretação analógica (que é forma de exercício da hermenêutica) conduzem como melhor providência aquela adotada no Acórdão da DRJ. A conjugação sistêmica do arcabouço normativo não é apta a afastar a incidência de regra clara, evidente e pontual, que é aquela prevista na IN SRF n° 255/2002, pois não há qualquer vácuo legislativo ou circunstancial. Assim, a forma de cumprimento da obrigação acessória de entrega da DCTF é indiscutivelmente precisa. Por fim, ressalto que o Acórdão 10611235, trazido como precedente à e fl. 52, é inapto a corroborar o pleito do Recorrente, pois foi prolatado em 12/04/2000, ou seja, antes da edição da IN SRF n° 255/2002. Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente não merecem ser acolhidos. Portanto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.721831/2016-34
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2002-000.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para determinar que a unidade da RFB de origem anexe aos autos as DIRF vigentes relativas ao recorrente, para o ano-calendário 2013, bem como cientifique o contribuinte da diligência realizada e dos documentos eventualmente juntados aos autos, com reabertura de prazo de 30 dias para seu pronunciamento. Posteriormente, retorne-se ao CARF para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para determinar que a unidade da RFB de origem anexe aos autos as DIRF vigentes relativas ao recorrente, para o anocalendário 2013, bem como cientifique o contribuinte da diligência realizada e dos documentos eventualmente juntados aos autos, com reabertura de prazo de 30 dias para seu pronunciamento. Posteriormente, retornese ao CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 40 .7 21 83 1/ 20 16 -3 4 Fl. 1273DF CARF MF Processo nº 11040.721831/201634 Resolução nº 2002000.011 S2C0T2 Fl. 1.274 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 527 a 531), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2014. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$1.462,17 para saldo de imposto a pagar de R$6.335,21. Tal notificação decorreu da previsão legal de que o valor dedutível de livro caixa está limitado ao valor das receitas recebidas de pessoas físicas e de pessoas jurídicas sem vínculo empregatício, resultando na apuração de dedução indevida de livrocaixa no valor de R$19.820,01. Impugnação Cientificada ao contribuinte em 27/9/2016, a NL foi objeto de impugnação, em 13/10/2016, às fls. 2/502 dos autos, na qual o contribuinte alega fazer jus à dedução e indica a juntada de documentação comprobatória. A impugnação foi apreciada na 19ª Turma da DRJ/SPO que, por unanimidade, julgou a impugnação procedente em parte, mantendo a glosa parcial de livrocaixa no valor de R$10.489,33 (fls. 1.230/1.235). A decisão aponta que algumas das fontes pagadoras informadas pelo contribuinte atribuíram a ele em DIRF rendimentos decorrentes do trabalho com vínculo empregatício. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 3/4/2017 (fl. 1.241), o contribuinte, em 11/4/2017 (fl. 1.244), apresentou recurso voluntário, às fls. 1.244 a 1.269, alegando que as fontes pagadoras erraram nas informações prestadas à RFB, mas já teriam providenciado a entrega de DIRF retificadoras. Fl. 1274DF CARF MF Processo nº 11040.721831/201634 Resolução nº 2002000.011 S2C0T2 Fl. 1.275 3 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito A teor dos artigos 75 e 76 do Decreto nº 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), o profissional autônomo pode escriturar livrocaixa para deduzir as despesas de custeio, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Receita e despesa devem manter correlação com a atividade, independentemente se a prestação de serviços foi feita para pessoas físicas ou jurídicas. No caso, a decisão de piso consigna: No caso concreto, o interessado declarou um total de R$ 141.090,99 de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa física e jurídica, dos quais foram deduzidos R$ 97.762,01 a título de Livro Caixa (fl. 521). Entretanto, com base nas Declarações do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (Dirf) emitidas pelas respectivas fontes pagadoras, a autoridade fiscal constatou que grande parte dos rendimentos declarados pelo impugnante se referiam a rendimentos do trabalho com vínculo empregatício (código 0561). Assim, foi procedida a glosa de R$19.820,01 deduzidos indevidamente, correspondente à parcela do valor deduzido excedente ao total dos rendimentos do trabalho não assalariado. De fato, analisando as informações em Dirf constantes dos sistemas da Receita Federal do Brasil (RFB) ao presente (consulta em 06/03/2017), constato que as seguintes fontes pagadoras informadas na DIRPF declararam o pagamento tão somente de rendimentos do trabalho assalariado para o interessado (código de receita 0561): CNPJ/CPF Fonte Pagadora Rendimento na DIRPF 29.979.036/000140 INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS 17.200,31 00.182.233/000106 MARCOS FERNANDO SCHUCH 6.108,00 01.822.149/000119 SÃO MARCOS PAV. E TERRAPLANAGEM LTDA 4.068,00 06.258.620/000101 TRANSPORTE SEDREZ LTDA 4.068,00 14.173.378/000100 TRANSLUCAS TRANSP. ROD. DE CARGA LTDA 2.034,00 88.571.807/000125 IND ARTEFATOS DE CIMENTO SÃO MARCOS LTDA 8.136,00 Fl. 1275DF CARF MF Processo nº 11040.721831/201634 Resolução nº 2002000.011 S2C0T2 Fl. 1.276 4 91.688.341/000157 TRANSBACCO TRANSPORTES RODOVIÁRIOS LTDA 4.068,00 93.145.142/000128 TRANSPORTES LUZ LTDA 4.068,00 94.290.764/000102 TRANSPORTES REUNIDOS FRAGATENSE LTDA 4.068,00 Valor Total dos Rendimentos do Trabalho com Vinculo Empregatício 53.818,31 Com base nos demonstrativo supra, e à vista dos elementos de prova disponíveis, fica evidenciado que o contribuinte deduziu indevidamente R$ 10.489,33 a título de Livro Caixa, e não os R$ 19.820,01 apontados no lançamento, conforme abaixo discriminado: a) rend. tribut. recebidos de PJ e PF declarados: R$ 141.090,99; b) rend. tribut. do trab. com vínculo empregatício: R$ 53.818,31; c) limite para dedução de Livro Caixa (ab): R$ 87.272,68; d) Livro Caixa deduzido: R$ 97.762,01; e) valor deduzido indevidamente (dc): R$ 10.489,33. (destaques acrescidos) Em seu recurso, o recorrente alega que as fontes pagadoras teriam cometido erros nas informações prestadas em DIRF, mas que já teriam procedido às correções devidas. Anexa extratos de fls.1.249 a 1.269. Conclusão Ante o exposto, voto por converter o julgamento em diligência para determinar que a unidade da RFB de origem anexe aos autos as DIRF vigentes relativas ao recorrente, para o anocalendário 2013. Posteriormente, o contribuinte deverá ser cientificado da diligência realizada, bem como dos documentos eventualmente juntados aos autos, com reabertura de prazo de 30 dias para seu pronunciamento sobre os novos elementos juntados, se assim desejar. Após o cumprimento dessas etapas, o processo deve retornar ao CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 1276DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.902024/2008-85
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TRIBUTOS NÃO DECLARADOS EM DCTF. PAGAMENTO EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OCORRÊNCIA. MULTA DE MORA. EXCLUSÃO.
O instituto da denúncia espontânea aproveita àqueles que recolhem a destempo o tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos casos em que não tenha havido prévia declaração do débito em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001
SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE
As decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ em regime de recursos repetitivos deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - Portaria 343/2015 e alterações.
Numero da decisão: 9303-006.581
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TRIBUTOS NÃO DECLARADOS EM DCTF. PAGAMENTO EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OCORRÊNCIA. MULTA DE MORA. EXCLUSÃO. O instituto da denúncia espontânea aproveita àqueles que recolhem a destempo o tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos casos em que não tenha havido prévia declaração do débito em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE As decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ em regime de recursos repetitivos deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - Portaria 343/2015 e alterações.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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MULTA DE MORA. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CACAU'S DISTRIBUIDORA LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TRIBUTOS NÃO DECLARADOS EM DCTF. PAGAMENTO EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OCORRÊNCIA. MULTA DE MORA. EXCLUSÃO. O instituto da denúncia espontânea aproveita àqueles que recolhem a destempo o tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos casos em que não tenha havido prévia declaração do débito em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE As decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça STJ em regime de recursos repetitivos deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Portaria 343/2015 e alterações. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 20 24 /2 00 8- 85 Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10950.902024/200885 Acórdão n.º 9303006.581 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra decisão tomada no Acórdão nº 3403001.067. No caso, o colegiado a quo considerou aplicável o instituto da denúncia espontânea, afastando a exigência da multa de mora sobre recolhimento de tributo efetuado antes de apresentada a declaração do montante devido, acrescido dos juros de mora. A divergência suscitada no recurso especial referese à exigência de multa de mora no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação pagos a destempo sem prévia declaração em DCTF. O Recurso Especial foi admitido por intermédio de despacho de admissibilidade do Presidente da Câmara competente. O contribuinte apresentou Contrarrazões defendendo a manutenção da decisão recorrida. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.571, de 10/04/2018, proferido no julgamento do processo 10950.900696/200856, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.571): "Conhecimento do Recurso Especial Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso. Mérito A matéria em litígio não é novidade para este Colegiado. Pelo menos por meio dos acórdãos nºs 9303004.191, 9303003.489, 9303003.490, 9303003.364, 9303003.220, 9303 003.203 , 9303003.202, o assunto foi discutido e decidido no mérito. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10950.902024/200885 Acórdão n.º 9303006.581 CSRFT3 Fl. 4 3 Como é de sabença, o Superior Tribunal de Justiça, na pessoa do então Ministro Teori Albino Zavascki, decidiu, nos autos do processo nº 2007/01428689, sobre a aplicação do instituto da denúncia espontânea nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação previamente declarados pelo contribuinte e pagos a destempo, nos seguintes termos. EMENTA 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. (REsp 962379 RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/10/2008, DJe 28/10/2008) Mais tarde, no REsp 1149022, da relatoria do Ministro Luiz Fux, ficou consignado o entendimento de que a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do tributo sujeito a lançamento por homologação, acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica a declaração. A intelecção induvidosa da decisão acima transcrita é no sentido de que o pagamento que não fora previamente declarado em DCTF está albergado pela denúncia espontânea quando pago antes de qualquer procedimento fiscal. Noutro giro, é translúcido o entendimento de que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte (item 7 da ementa a seguir transcrita). EMENTA 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10950.902024/200885 Acórdão n.º 9303006.581 CSRFT3 Fl. 5 4 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. (REsp 1149022 SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) O artigo 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações, determina que as matérias decididas em Repercussão Geral, pelo STF, sejam reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte. Em acréscimo, destacase que, por força do disposto no art. 21 da Lei nº 12.844/2013, que deu nova redação ao art. 19 da Lei nº 10.522/2002, a própria Procuradoria da Fazenda Nacional, com base nas disposições do art. 2º, inciso VII, da Portaria PGFN nº 502/2016, especifica em seu site uma relação de temas que não devem mais ser objeto de recurso. Dentre eles está elencado a denúncia espontânea, nos seguintes termos. 1.13 Denúncia espontânea a) Declaração parcial Diferença a maior Multa moratória REsp 1.149.022/SP (tema nº 385 de recursos repetitivos) Resumo: (i) A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente; e (ii) A denúncia espontânea exclui a multa moratória. Vide Atos Declaratórios nº 08/2011 e nº 04/2011. Ressaltase que ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ entendem, de maneira pacífica, que, ainda que se trate de tributo sujeito a lançamento por homologação, se o crédito não foi previamente declarado pelo contribuinte, mas foi pago, podese configurar a denúncia espontânea, desde que ocorram as demais hipóteses do art. 138 do CTN (REsp 1155146/AM, AgRg nos EDcl no Ag 1009777/SP, AgRg no REsp 1046285/MG e AgRg no REsp 1046285/MG). Todavia, isso não afasta a tese Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10950.902024/200885 Acórdão n.º 9303006.581 CSRFT3 Fl. 6 5 firmada no tema nº 61 de recursos repetitivos (REsp's nº 962.379/RS e nº 886.462/RS), no sentido de que "Não resta caracterizada a denúncia espontânea, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos declarados, porém pagos a destempo pelo contribuinte, ainda que o pagamento seja integral". Vide, ainda, a Súmula 360/STJ. I (grifos meus) Neste mesmo sentido, recente decisão tomada por meio do acórdão nº 9303004.431, de 07 de dezembro de 2016, da relatoria do i. Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 30/12/2003 a 31/07/2007 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138 CTN. AFASTAMENTO DA MULTA MORATÓRIA. POSSIBILIDADE. A denúncia espontânea, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, se aplica aos casos em que não houve a declaração do tributo, porém houve o pagamento antes de iniciado qualquer procedimento administrativo fiscal visando sua exigência. No caso concreto, é incontroverso que o pagamento do contribuinte não foi precedido de declaração, razão pela qual não está sujeito à incidência de multa moratória. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional." Ressaltese que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo também "é incontroverso que o pagamento do contribuinte não foi precedido de declaração, razão pela qual não está sujeito à incidência de multa moratória". Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 150DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.725045/2014-66
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2012
COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO E DESCAMINHO.
Os fatos valorados e a norma impositiva na esfera penal não são os mesmos considerados na imputação da infração administrativa da pena de perdimento. Eventual sentença absolutória na esfera penal não invalida a pena de perdimento e não anula exclusão do Simples Nacional que lhe foi conseqüente.
Numero da decisão: 1001-000.549
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva (relator) e Eduardo Morgado Rodrigues que lhe davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Redator do Voto Vencedor.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e Jose Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Os fatos valorados e a norma impositiva na esfera penal não são os mesmos considerados na imputação da infração administrativa da pena de perdimento. Eventual sentença absolutória na esfera penal não invalida a pena de perdimento e não anula exclusão do Simples Nacional que lhe foi conseqüente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva (relator) e Eduardo Morgado Rodrigues que lhe davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Redator do Voto Vencedor. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e Jose Roberto Adelino da Silva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 50 45 /2 01 4- 66 Fl. 66DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão, número 1669.231, da 6ª Turma da DRJ/SPO, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra a exclusão de ofício do Simples Nacional da pessoa jurídica acima identificada, por meio do Ato Declaratório Executivo SEORT/DRFNHO nº 73, de 18 de dezembro de 2014 (fl. 06), com efeitos a partir de 01/06/2012, em razão da definitividade da aplicação da pena de perdimento a que se refere o Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal do processo administrativo nº 10521.720265/201325, com fundamento no art. 29, inciso VII, da Lei Complementar nº 123/2006, e no art. 76, inciso IV, alínea “f”, da Resolução CGSN nº 94/2011. A ora recorrente apresentou uma impugnação ao referido termo, cujo acórdão da DRJ foi contrário à manifestação de inconformidade, a qual reproduzo, com a devida vênia, o voto: Voto 5. Sendo a manifestação de inconformidade tempestiva e preenchidos os demais pressupostos de admissibilidade, dela tomo conhecimento. 6. Da leitura à cópia do processo administrativo nº 10521.720265/2013 25 (fls. 02/05), verificase que foi lavrado Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal contra a pessoa jurídica manifestante, tendo em vista a apreensão de mercadorias no endereço do estabelecimento da interessada, constituídas por cigarros estrangeiros sem documentação fiscal, em operação realizada em 19/06/2012. 7. A interessada então foi excluída do Simples Nacional por meio do Ato Declaratório Executivo SEORT/DRFNHO nº 73/2014 (fl. 07), em razão da definitividade da aplicação da pena de perdimento, com fundamento no art. 29, inciso VII, da Lei Complementar nº 123/2006, e no art. 76, inciso IV, alínea “f”, da Resolução CGSN nº 94/2011. Os efeitos da exclusão de deram a partir de 01/06/2012. 8. Inicialmente, notase que a manifestante traz argumentações relacionadas ao processo administrativo nº 10521.720265/201325, no que tange à licitude na compra das mercadorias apreendidas. 9. Cumpre esclarecer, que tais argumentações e justificativas não podem ser acolhidas, tendo em vista que referidas discussões poderiam ser abordadas em processo administrativo próprio, de nº 10521.720265/201325, e não podem ser analisadas no presente processo, que trata da exclusão da interessada do Simples Nacional. 10. Desta forma, o litígio está relacionado às argumentações feitas pela interessada, relacionadas à exclusão do Simples Nacional, de que trata o presente processo. Da exclusão de ofício do Simples Nacional: 11. Entende a defesa que, como no processo administrativo nº 10521.720265/201325, que serviu de base para a expedição do Ato Declaratório Executivo em questão, a interessada foi enquadrada apenas na Fl. 67DF CARF MF Processo nº 11065.725045/201466 Acórdão n.º 1001000.549 S1C0T1 Fl. 66 3 pena de perdimento dos bens e pagamento da multa, não havendo qualquer referência sobre exclusão do Simples Nacional, ocorreu cerceamento de defesa, o que acarretou afronta aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, sendo ainda o Ato Declaratório medida arbitrária, com abuso de poder. 12. Tais argumentações não se fundamentam, tendo em vista que a exclusão do Simples Nacional, no caso da comercialização de mercadorias objeto de contrabando e descaminho, que fundamentou o Ato Declaratório Executivo SEORT/DRFNHO de nº 73/2014, está prevista na Lei Complementar nº 123/2006, que instituiu o Simples Nacional, nos seguintes moldes: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: (...) VII comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; § 1º Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anoscalendário seguintes. 13. Neste sentido, a Resolução do Comitê Gestor do Simples Nacional CGSN nº 94/2011, assim estabelece: Art. 76. A exclusão de ofício da ME ou da EPP do Simples Nacional produzirá efeitos: (...) IV a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo nova opção pelo Simples Nacional pelos 3 (três) anos calendário subsequentes, nas seguintes hipóteses: (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 29, incisos II a XII e § 1 º ) (g.n.) (...) f) comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; 14. Como descrito anteriormente, no processo administrativo nº 10521.720265/201325 foi lavrado Auto de Infração e aplicada a pena de perdimento, tendo em vista a apreensão de mercadorias no estabelecimento da interessada, constituídas por cigarros estrangeiros sem documentação fiscal. Fl. 68DF CARF MF 4 15. Notese que a possibilidade de exclusão do regime do Simples Nacional não deveria ser abordada naquele processo, pois o mesmo não se referia a tal assunto. Além disso, a hipótese de exclusão em que incorreu a interessada está prevista nas normas referentes ao Simples Nacional, como citado acima. 16. Desta forma, Ato Declaratório Executivo SEORT/DRFNHO nº 73/2014 (fl. 07) foi expedido em observância às disposições contidas no art. 29, inciso VII e § 1º, da LC nº 123/2006 e no art. 76, inciso IV, “f”, da Resolução CGSN nº 94/2011. 17. Também não se fundamenta a alegação de que ocorreu cerceamento de defesa, tendo em vista a possibilidade de a interessada impugnar o Ato Declaratório que a excluiu do Simples Nacional, conforme estabelecem as normas abaixo: Lei Complementar nº 123/2006: Art. 39. O contencioso administrativo relativo ao Simples Nacional será de competência do órgão julgador integrante da estrutura administrativa do ente federativo que efetuar o lançamento, o indeferimento da opção ou a exclusão de ofício, observados os dispositivos legais atinentes aos processos administrativos fiscais desse ente. (...) Resolução CGSN nº 94/2011: Art. 75. A competência para excluir de ofício a ME ou EPP do Simples Nacional é: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 29, § 5 º ; art. 33) I da RFB; II das Secretarias de Fazenda, de Tributação ou de Finanças do Estado ou do Distrito Federal, segundo a localização do estabelecimento; e III dos Municípios, tratandose de prestação de serviços incluídos na sua competência tributária. § 1 º Será expedido termo de exclusão do Simples Nacional pelo ente federado que iniciar o processo de exclusão de ofício. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 29, § 3 º ) § 2 º Será dada ciência do termo de exclusão à ME ou à EPP pelo ente federado que tenha iniciado o processo de exclusão, segundo a sua respectiva legislação, observado o disposto no art. 110. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 1 º A a 1 º D; art. 29, §§ 3 º e 6 º ) § 3 º Na hipótese de a ME ou EPP impugnar o termo de exclusão, este se tornará efetivo quando a decisão definitiva for desfavorável ao contribuinte, observandose, quanto aos efeitos Fl. 69DF CARF MF Processo nº 11065.725045/201466 Acórdão n.º 1001000.549 S1C0T1 Fl. 67 5 da exclusão, o disposto no art. 76. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 39, § 6 º ) 18. Assim, não há que se falar em medida arbitrária no ato de exclusão, ou afronta aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, por cerceamento ao direito de defesa, que inclusive foi exercido pela interessada, por meio da defesa ora analisada. 19. Cumpre ainda esclarecer, que decisão judicial mencionada pela defesa, que não possua eficácia erga omnes, proferida em processo do qual a interessada não tenha participado, não tem efeito vinculante em relação às decisões proferidas pelas Delegacias de Julgamento da Receita Federal. Destarte, não pode ser estendida genericamente a outros casos, somente aplicandose à questão em análise. 20. Por fim, com relação às alegações de ser a pena de exclusão desproporcional, e que o Ato Declaratório em questão afronta os princípios da razoabilidade, proporcionalidade ou igualdade, devese esclarecer que as mesmas não podem ser acolhidas. 21. Conforme artigo 7º, inciso V, da Portaria do Ministério da Fazenda nº 341, publicada no DOU de 14/07/2011, e artigo 116, inciso III, da Lei nº 8.112/1990, é dever do julgador observar as normas legais e regulamentares, bem como o entendimento da Receita Federal do Brasil RFB expresso em atos normativos. 22. Assim, em respeito ao princípio da legalidade, que norteia os atos da Administração Pública, não cabe ao julgador administrativo apreciar as alegações relacionadas à afronta a princípios constitucionais de normas regularmente editadas. 23. Diante do exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Voto Vencido Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo que apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. A recorrente, em seu recurso, faz basicamente, as mesmas alegações, quando da impugnação, que foram refutadas pela DRJ, quais sejam: · houve pena de perdimento de mercadorias, com consequente aplicação de multa cabível; · não houve referência (no processo) a possibilidade de outra penalidade, no caso, exclusão do SIMPLES; Fl. 70DF CARF MF 6 · no processo 10521.720265/201325, a recorrente comprovou que as mercadorias, objeto da apreensão, foram regularmente adquiridas, ou seja, com a devida nota fiscal emitida pela empresa Weschenfelder e Fernandes LTDA; · em última instância, entende que houve ofensa ao princípio da ampla defesa e contraditório; · afirma que há presunção da legalidade na aquisição de mercadoria com a devida nota fiscal, que os bens estavam devidamente acompanhados desta e que o documento é plenamente válido. Argui que se a internalização da mercadoria pela empresa fornecedora dos produtos foi irregular, como a recorrente poderia desconfiar se a empresa lhe forneceu a devida nota fiscal; · que não existe nos autos prova da comercialização das mercadorias, o que não atende ao art. 29, inciso VII, da LC 123/2006; · por último, requer que seja invalidado o acórdão que a excluiu do simples, com a consequente invalidação de todos os atos administrativos praticados em decorrência da exclusão, inclusive, aqueles que constituíram débitos tributários em seu desfavor, de natureza diversa daqueles pertinentes à pessoa jurídica que está inserida no regime do SIMPLES NACIONAL. Posteriormente, apresentou (fls 57 a 64) sentença absolutória da Primeira Vara Judicial da Comarca de São Sebastião do Caí, onde foi proferida a seguinte sentença: Na análise dos fatos, temos o seguinte: Fl. 71DF CARF MF Processo nº 11065.725045/201466 Acórdão n.º 1001000.549 S1C0T1 Fl. 68 7 Observase que a recorrente apresentou as notas fiscais de aquisição, como informa no presente recurso, o que presume a sua boa fé. Negar isto seria admitir a existência de conluio, o que não foi alegado nos autos. A LC 123/2006, art. 29, dispõe que: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: (...) VII comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; A exclusão, como se observa do acórdão, proferido pela DRJ, deuse por (item 6 do acórdão): 6. Da leitura à cópia do processo administrativo nº 10521.720265/201325 (fls. 02/05), verificase que foi lavrado Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal contra a pessoa jurídica manifestante, tendo em vista a apreensão de mercadorias no endereço do estabelecimento da interessada, constituídas por cigarros estrangeiros sem documentação fiscal, em operação realizada em 19/06/2012. Já no item 7, do referido acórdão, temse que: 7. A interessada então foi excluída do Simples Nacional por meio do Ato Declaratório Executivo SEORT/DRFNHO nº 73/2014 (fl. 07), em razão da definitividade da aplicação da pena de perdimento, com fundamento no art. 29, inciso VII, da Lei Complementar nº 123/2006, e no art. 76, inciso IV, alínea “f”, da Resolução CGSN nº 94/2011. Os efeitos da exclusão de deram a partir de 01/06/2012. 8. Inicialmente, notase que a manifestante traz argumentações relacionadas ao processo administrativo nº 10521.720265/201325, no que tange à licitude na compra das mercadorias apreendidas. Ora, se ela foi inocentada da acusação, na esfera criminal, entendo não haver razão para que seja excluída do Simples Nacional, com base no art. 29, da LC 123/2006, posto não ter sido provado o descaminho ou contrabando por parte da recorrente. Além do mais, se foi aplicada a pena de perdimento das mercadorias, a recorrente não teria como comercializálas, não se aplicando o inciso VII, artigo 29 da LC 123/2006. Assim, voto no sentido de dar provimento ao presente recurso, sem crédito tributário em litígio. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 72DF CARF MF 8 Voto Vencedor Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Redator do Voto Vencedor Não houve cerceamento do direito de defesa, pois as fases deste contencioso administrativo foram todas cumpridas, na forma do Decreto 70235/72. As alegações a respeito da procedência das mercadorias objeto de contrabando ou descaminho deveriam ser feitas no processo próprio, e não neste. A LC 123/2006, em seu art. 29, VII prescreve a exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional se provado que comercializavam mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. As provas são o Auto de Infração e Termo de Apreensão (efls. 02/03) e Relação da Mercadorias Apreendidas (efl. 04). A comprovação da procedência deveria darse em autos próprios (10521.720265/201325), o que não aconteceu. A exclusão depende portanto das provas coletadas e da prescrição legal específica para a exclusão: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: (...) VII comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; Os fatos valorados e a norma impositiva da sentença judicial (penal) não são os mesmos considerados na imputação da infração administrativa. Tanto que a juíza ressalva a possibilidade de existência de infração administrativa: E quanto à infração administrativa o contribuinte não obteve sucesso no processo próprio (pena de perdimento). Ademais não há a prova de que a ação penal transitou em julgado, isto se considerássemos que os atos avaliados e as consequências legais nas duas instâncias (esferas) são os mesmos. Desta forma, a sentença anexada não invalida a exclusão do Simples Nacional. Por fim, para praticar a "comercialização das mercadorias", prevista para a exclusão do Simples Nacional, de acordo com o que prevê o art. 29, inciso VII, da LC 123/2006, basta a exposição à venda e a conseqüente pena de perdimento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 73DF CARF MF Processo nº 11065.725045/201466 Acórdão n.º 1001000.549 S1C0T1 Fl. 69 9 Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11968.720423/2011-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo. Relatório Tratase de Autos de Infração lavrados contra a Recorrente relativos a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados vinculado à importação, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS/Pasep), além de multa de ofício de 75%, multa administrativa de 1% por erro de classificação fiscal e juros de mora. Por bem relatar o feito, utilizaremos do relatório da decisão a quo: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 19 68 .7 20 42 3/ 20 11 -0 7 Fl. 226DF CARF MF Processo nº 11968.720423/201107 Resolução nº 3402001.375 S3C4T2 Fl. 3 2 Segundo consta do relatório fiscal às fls. 26 e seguintes, o contribuinte realizara a importação de equipamentos eletrônicos e seus acessórios para utilização em automóveis, tendo classificado as mercadorias descritas como “central de multimídia” no código NCM 8526.91.00, relativo a aparelhos de radionavegação, e os “acessórios para central de multimídia”, no código 8529.90.40. Relata a autoridade fiscal que, com base na documentação de utilização do produto e em dados coletados no sítio do fabricante na internet, constatouse que a chamada “central de multimídia” tratarseia de aparelho multifuncional, que agrega um conjunto de funções, abrangendo TV, rádio AM/FM, DVD, VCDC, e GPS, além de diversos dispositivos de comunicação de dados e integração com outros equipamentos, como porta USB, leitor de cartão SD, bluetooth, interface para IPOD e entrada externa de áudio e vídeo. Conforme descrição nas DI os equipamentos possuem telas que variam entre 6,2” e 8”. Anota a autoridade fiscal que nos documentos apresentados não haveria indicação sobre a existência de função essencial ou preponderante em relação às demais, visto que a característica essencial do equipamento seria justamente seu caráter multifuncional, incorporando várias funções cuja importância seria, no seu entendimento, determinada pelo grau de utilização que o usuário lhes atribuir. Nesse contexto, entendeu a autoridade fiscal que, uma vez que não seria possível determinar a função principal do conjunto, não haveria outro caminho para eleger o código de classificação tarifária, dentre os passíveis de eleição (8471, 8526 e 8528), que não a aplicação da RG 3 c), que estabelece que “nos casos em que as regras 3 a) e 3 b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração”. Assim, concluiu a autoridade fiscal que a mercadoria deveria ser classificada no código 8528.72.00 e, por conseguinte, seus acessórios (partes) deveriam ser classificados no código 8529.90.20. Tal entendimento fora manifestado ao importador no curso do despacho aduaneiro, e teria embasado solicitação de retificação da DI e recolhimento da diferença de impostos resultante. Ante à exigência formulada pela fiscalização, o importador apresentou manifestação de inconformidade, agregando novos elementos de análise, com vistas a demonstrar que o GPS configuraria a função principal do conjunto. Por seu turno, a autoridade fiscal afastou os elementos apresentados, considerando que a carta atribuída ao exportador da mercadoria, declarando que o GPS representaria cerca de 85% do valor do produto, não mereceria credibilidade, por tratar se de documento apócrifo e por não apresentar elementos que comprovassem ou justificassem tal alegação. Da mesma forma, a tentativa do sujeito passivo de comprovar que a diferença entre os preços de dois equipamentos por ele comercializados seria integralmente atribuída à presença de GPS em um deles, fato que demonstraria a alta participação deste elemento no custo total do produto, restara infrutífera, posto que além daquela função, o produto de preço superior teria incorporado TV e controlador de IPOD, sendo impossível individualizar os custos inerentes a cada uma. Em contraposição, defendeu a autoridade fiscal que, com base em pesquisa no sítio “Mercado Livre”, teria sido possível caracterizar que o GPS representaria menos de 23% do custo do produto. Após abertura de novo prazo para manifestação do contribuinte, foi lavrado o auto de infração ora guerreado, por meio do qual a autoridade fiscal, considerando o texto das NESH relativas às posições 8526, que abrange os aparelhos de GPS, e 8528, que abrange os aparelhos receptores de TV, inclusive aqueles que incorporem Fl. 227DF CARF MF Processo nº 11968.720423/201107 Resolução nº 3402001.375 S3C4T2 Fl. 4 3 receptores de rádio, aparelhos de gravação ou de reprodução de som e imagens, leitores e/ou gravadores de DVD, defendeu o reenquadramento das mercadorias importadas nos códigos 8528.72.00 e, no que tange aos acessórios, seu enquadramento no código 8529.90.40. Justificou a autoridade fiscal que, com base na nota 3 da Seção XVI, as máquinas que executem diversas funções classificamse de acordo com a função principal que caracterize todo o conjunto. Por sua vez, a NESH desta mesma nota esclarece que, na impossibilidade de se determinar a função principal, e na ausência de disposições em contrário, aplicase a Regra Geral 3 c), ou seja, aplicase a posição situada em último lugar na ordem numérica. Da aplicação dessa regra resultaria a classificação do produto na posição 8528. Por outro lado, aplicandose a RG 6 chegarseia aos desdobramentos subseqüentes, resultando no código 8528.72.00. Uma vez definida a classificação do produto, chegarseia, no caso dos acessórios, à posição 8529 (partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas aos aparelhos das posições 8525 a 8528), por aplicação da RG 1, e, novamente por aplicação da RG 6, chegarseia naturalmente ao código 8529.90.40. Devidamente cientificado, comparece o contribuinte ao processo para impugnar o lançamento, apresentando as razões de defesa a seguir sintetizadas. Inicialmente, observa que o nome comercial “Central de Multimídia” não traz qualquer informação a respeito do produto, e usualmente designa o equipamento que possui tela sensível ou não ao toque, leitor de CD e DVD, som AM/FM, por vezes bluetooth, por vezes GPS, em alguns casos porta USB, em outros cartão de memória, abrangendo, portanto, diversos produtos e finalidades. Defende, por outro lado, que a ausência de uma função dominante não autorizaria a classificação do produto como “tela” e transcreve a estrutura hierárquica da NCM correspondente ao código tarifário indicado pela fiscalização. Nesse ponto, sugere que o código NCM 8528.7 teria sido criado para abarcar as TV que possuíam as funções de gravação de imagem e recepção de radiodifusão, produto que jamais deixara de ser denominado como televisão. Demonstra entendimento no sentido de que sendo o produto em análise é composto por outras funções, destinado à instalação em veículo automotor (estando inclusive sujeito a regramento próprio pelos órgãos responsáveis pelo trânsito), e não poderia confundirse com aquele nem receber tal classificação. Acrescenta que, face às exigências da legislação de trânsito, a única função passível de utilização com o carro em movimento e que faria uso da tela que integra o equipamento seria o GPS, procurando desta feita demonstrar que a utilidade do produto estaria diretamente relacionada ao GPS, que constituiria sua função principal. Por outro lado, reconhece a existência de centrais de multimídia que sequer possuem o GPS, mas enfatiza que, no caso das centrais que o possuem, este seria o elemento que caracterizaria sua função principal. Manifesta entendimento de que a RG 1 afasta a mera aplicação dos textos dos títulos, que teriam valor indicativo. Discorre sobre a dificuldade de definir qual seria a posição mais específica para efeito de aplicação da RG 3 a), e destaca que, conforme orientação expressa da NESH no inciso IV referente àquela regra, uma posição que designa nominalmente um artigo em particular é mais específica que uma posição que compreenda uma família de artigos. Conclui que a classificação sugerida pelo auditor Fl. 228DF CARF MF Processo nº 11968.720423/201107 Resolução nº 3402001.375 S3C4T2 Fl. 5 4 seria extremamente genérica, transcrevendo o texto do subitem correspondente “outras, em cores”. Menciona a possibilidade de aplicação da regra 3 b), segundo a qual a classificação das mercadorias deveria ser feita pela matéria ou artigo que lhes conferisse a característica essencial, destacando que nos termos da NESH, admitese que tal essencialidade pode ser determinada por diversos fatores como volume, quantidade e valor. Conclui que o GPS seria a função de maior valor do dispositivo, e reafirma que uma vez que a autoridade de trânsito veda a utilização de outras funções com o carro em movimento, que essa seria sua principal utilização. Transcreve ementas de soluções de consulta relativas à classificação de “centrais multimídia” exaradas pela 2a RF, 6a RF e 7a RF, destacando divergência de entendimento entre elas. Por fim, requer que seja acolhida sua pretensão no sentido de classificar o produto no código utilizado na DI e exonerado o crédito tributário correspondente. Outrossim, caso não se acate a classificação pretendida, solicita a realização de perícia, por engenheiro certificado pela Receita Federal, para fins de determinação da preponderância do valor do sistema de navegação GPS sobre os demais itens que compõem o produto. A DRJ julgou improcedente a Impugnação do contribuinte, adotando a classificação proposta pela fiscalização, pelas razões já apresentadas anteriormente. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, repisando as razões de sua Impugnação e aduzindo a nulidade da decisão a quo por cerceamento do direito de defesa. É o relatório. Voto Compulsando as razões fiscais e os argumentos contrários aduzidos pelo contribuinte, verificase que o cerne da divergência entre eles mais do que simplesmente o enquadramento classificatório do produto importado é precisamente a aplicação das Regras Gerais de Interpretação pertencentes às Notas Explicativas do Sistema Harmonizado. Mais precisamente, divergem sobre a aplicação da Regra 3 b) ou 3 c): REGRA 3 b) VI) Este segundo método de classificação visa unicamente: 1) Os produtos misturados; 2) As obras compostas por matérias diferentes; 3) As obras constituídas pela reunião de artigos diferentes; 4) As mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho. Esta Regra só se aplica se a Regra 3 a) for inoperante. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 11968.720423/201107 Resolução nº 3402001.375 S3C4T2 Fl. 6 5 VII) Nas diversas hipóteses, a classificação das mercadorias deve ser feita pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. REGRA 3 c) XII) Quando as Regras 3 a) ou 3 b) forem inoperantes, as mercadorias devem ser classificadas na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração para a sua classificação. No caso em tela, é fora de dúvida que o aparelho "Central Multimídia" é um produto composto por diversos artigos diferentes, listados na sua descrição, abrangendo TV, rádio AM/FM, DVD, VCDC, e GPS, além de diversos dispositivos de comunicação de dados e integração com outros equipamentos, como porta USB, leitor de cartão SD, bluetooth, interface para IPOD e entrada externa de áudio e vídeo, todos eles artigos que receberiam outra classificação se estivessem sozinhos. Por um lado, a Fiscalização aduziu que não haveria como detectar a característica essencial desse produto, em razão da ausência de elementos que permitam essa identificação, ao passo que o Recorrente apresentou declaração do fabricante do produto (fl.62 e ss.), a Wise Success (HK) Technology Limited, informando que a principal função dele é o GPS, correspondendo a 85% do custo total de manufatura. Corrobora a posição do contribuinte também a Resolução CONTRAN nº 242/2007, que determina que a instalação de equipamentos que gerem imagens, para fins de entretenimento, só pode ser instalado na parte dianteira do veículo (como no produto em questão) para a função de informação de auxílio à orientação do condutor quando o veículo estiver em movimento, o que evidencia que, pelo menos legalmente, a tela digital é utilizada prioritariamente com a função suporte ao GPS. Entretanto, o juízo acerca da existência ou não de uma função essencial, questão crucial para o deslinde do julgamento, não pode ser construído simplesmente pelo senso comum deste julgador, demandando uma análise técnica e específica para tanto. Desse modo, proponho a conversão do presente julgamento em diligência para que seja realizada perícia técnica por engenheiro mecânico credenciado à Receita Federal do Brasil, com a finalidade de identificar a composição dos valores dos itens que fazem parte da "Central Multimídia", de modo a confirmar ou infirmar a preponderância do valor do sistema de GPS sobre os demais. Os valores dos itens devem ser apresentados na forma de uma planilha, segregando os valores individuais. Antes da realização da perícia, o Recorrente deverá ser intimado para a apresentação de eventuais quesitos adicionais, e posteriormente à juntada do Parecer Técnico, deverá ser intimada a se manifestar, caso queira. Além disso, a Receita Federal deverá se manifestar expressamente acerca da aplicação da Solução de Consulta COSIT nº 98.046/2018, verbis: ASSUNTO: Classificação de Mercadorias EMENTA: Código NCM: 8527.21.00 Mercadoria: Aparelho multifuncional destinado a veículos automotores, alimentado por fonte Fl. 230DF CARF MF Processo nº 11968.720423/201107 Resolução nº 3402001.375 S3C4T2 Fl. 7 6 externa de energia, com tela de cristal líquido (LCD) de 7” sensível ao toque contendo, num mesmo corpo, receptor de radiodifusão (AM/FM), reprodutor de som por suporte semicondutor com entrada USB, comunicação sem fio via bluetooth, navegador por GPS e monitoramento de tráfego, exposição de imagens transmitidas pela câmera de ré; comercialmente denominado “aparelho multimídia automotivo”.DISPOSITIVOS LEGAIS: RGI 1 (texto da posição 85.27), RGI 3 c) e RGI 6 (textos da subposição de primeiro nível 8527.2 e da subposição de segundo nível 8527.21) da TEC, aprovada pela Resolução Camex nº125, de 2016, e da Tipi, aprovada pelo Decreto n.º8.950, de 2016, e subsídios extraídos das Nesh, aprovadas pelo Decreto nº435, de 1992, e atualizadas pela IN RFB nº1.788, 2018 Em sua manifestação, deverá analisar a aplicabilidade da presente solução, justificando a subsunção ou não dela ao caso concreto sob julgamento. Transcorrido o prazo de manifestação da Recorrente, os autos devem retornar a este Colegiado para julgamento. É como voto. Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 231DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.928975/2008-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO.
Cabe à Recorrente o ônus de provar o direito creditório alegado perante a Administração Tributária, em especial no caso de pedido de restituição decorrente de contribuição recolhida a maior.
DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO.
A mera retificação de DCTF não se constitui em elemento de prova hábil e suficiente para comprovar a certeza e liquidez do direito creditório decorrente de suposto pagamento e declaração a maior de contribuição. Inexistindo nos autos outros elementos de provas, não há que se falar em pagamento indevido.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.218
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado Digitalmente)
WALDIR NAVARRO BEZERRA - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Vinícius Guimarães (Conselheiro Suplente Convocado) e Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/03/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Cabe à Recorrente o ônus de provar o direito creditório alegado perante a Administração Tributária, em especial no caso de pedido de restituição decorrente de contribuição recolhida a maior. DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. A mera retificação de DCTF não se constitui em elemento de prova hábil e suficiente para comprovar a certeza e liquidez do direito creditório decorrente de suposto pagamento e declaração a maior de contribuição. Inexistindo nos autos outros elementos de provas, não há que se falar em pagamento indevido. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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ÔNUS PROBATÓRIO. Cabe à Recorrente o ônus de provar o direito creditório alegado perante a Administração Tributária, em especial no caso de pedido de restituição decorrente de contribuição recolhida a maior. DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. A mera retificação de DCTF não se constitui em elemento de prova hábil e suficiente para comprovar a certeza e liquidez do direito creditório decorrente de suposto pagamento e declaração a maior de contribuição. Inexistindo nos autos outros elementos de provas, não há que se falar em pagamento indevido. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado Digitalmente) WALDIR NAVARRO BEZERRA Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 89 75 /2 00 8- 55 Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10880.928975/200855 Acórdão n.º 3402005.218 S3C4T2 Fl. 3 2 Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Vinícius Guimarães (Conselheiro Suplente Convocado) e Pedro Sousa Bispo. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação apresentada em meio eletrônico na qual o contribuinte pretende quitar os débitos declarados com supostos créditos oriundos de recolhimento a maior. A unidade de origem não homologou a compensação pretendida face a inexistência do crédito declarado, uma vez que o pagamento informado como indevido, encontravase integralmente utilizado para quitação dos débitos do sujeito passivo, não restando saldo disponível para a compensação. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, acompanhada de documentos que entendem amparam seu pleito, onde alega, resumidamente, que houve recolhimento a maior; que a DCTF que serviu de base para a expedição do Despacho Decisório encontravase incorreta, e que já fora devidamente retificada (posteriormente à decisão), e requer assim que seja acolhido seu pedido. Através do Acórdão nº 16031.856, a DRJSÃO PAULO julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Entendeu o colegiado que a apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório, somente pode ser aceita quando acompanhada de documentação idônea que demonstre a alteração pretendida, o que não ocorreu no caso em apreço. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Neste Recurso, a Empresa repisou os mesmos argumentos apresentados na sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.213, de 18 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.915296/200816, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10880.928975/200855 Acórdão n.º 3402005.218 S3C4T2 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.213): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. A lide trata de direito creditório da Recorrente decorrente de suposto pagamento de Darf a maior de COFINS ocorrido em 15/01/2003. Visando utilizar o suposto crédito, a Recorrente apresentou Declaração de Compensação (PER/DCOMP nº 12664.38683.150404.1.3.048540) que foi indeferida pela Autoridade Tributária sob o argumento de que inexistia crédito, o que impediu a homologação da compensação. Em seu Recurso, a Empresa alega que cometeu erro de fato ao preencher incorretamente a DCTF com valor maior ao efetivamente devido. A fim de comprovar o seu direito, juntou aos autos apenas a DCTF retificadora entregue após a ciência do Despacho Decisório denegatório. É entendimento pacificado neste Colegiado que cabe à Recorrente o ônus de provar o direito creditório alegado perante a Administração Tributária, conforme consignado no Código de Processo Civil (Lei nº5.869/73), vigente à época, e adotado de forma subsidiária na esfera administrativa tributária: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; A obrigação de provar o seu direito decorre do fato de que a iniciativa para o pedido de restituição ser do contribuinte, cabendo à fiscalização a verificação da certeza e liquidez de tal pedido, por meio da realização de diligências, se entender necessárias, e análise da documentação comprobatória apresentada. O art. 65 da revogada IN RFB nº 900/2008 esclarecia: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Nesse sentido, a Autoridade Tributária realizou de forma eletrônica a análise dos elementos apresentados e concluiu, também de forma eletrônica, pela inexistência de direito creditório do contribuinte no período referido, haja vista que todo o montante do pagamento se encontrava alocado com débito declarado em DCTF. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10880.928975/200855 Acórdão n.º 3402005.218 S3C4T2 Fl. 5 4 No presente Recurso, a Empresa alega que houve pagamento a maior de R$ 9.314,25 relativo a COFINS no período de 31/12/2002 e erro no preenchimento da DCTF no mesmo montante. Informa ainda que corrigiu o referido erro realizando a retificação da sua DCTF, após ciência do despacho decisório, restando o seu pagamento a maior como disponível. Portanto, como meio de prova do seu direito, apresentou apenas cópia da DCTF retificadora. Constatase no caso concreto que a empresa não cumpriu com a sua obrigação de comprovar o direito creditório por meio de documentação hábil e suficiente. Apenas a DCTF retificadora não é suficiente para comprovar a certeza e liquidez do crédito em questão. A Recorrente, a fim demonstrar a disponibilidade do valor supostamente pago a maior, deveria ter apresentado demonstrativo de apuração da COFINS devido no mês em confronto aos valores declarados/pagos e cópias da escrituração contábil/fiscal que demonstrassem de forma inequívoca a exatidão dos valores utilizados e apuração da contribuição, nos termos do art.16 do Decreto nº70.235/72. Porém, nada disso foi feito pela Recorrente. Assim, a mera retificação da DCTF não se constitui em elemento de prova hábil e suficiente para comprovar a certeza e liquidez do direito creditório em comento, estando correta a decisão da Autoridade Tributária na direção da não homologação da compensação. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10880.928975/200855 Acórdão n.º 3402005.218 S3C4T2 Fl. 6 5 Fl. 133DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.901916/2008-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-004.967
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 19 16 /2 00 8- 98 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13884.901916/200898 Acórdão n.º 3401004.967 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de declaração de compensação, realizada com base em suposto crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, em razão da inexistência de crédito disponível. Cientificada desse despacho, a manifestante protocolou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos, pois não considerou os termos do parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/98, quando apurou as bases de cálculos das contribuições; o único fundamento para a glosa das compensações é uma pretensa inexistência de crédito; não foi sequer solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não o crédito; tivesse a autoridade intimado o contribuinte, teria acesso As planilhas de apuração, podendo verificar a regularidade do encontro de contas efetuado; pelas razões alegadas, deve ser anulado o despacho decisório, determinando que a autoridade efetue as diligências necessárias para comprovar a origem e existência do crédito utilizado, alternativamente, requer que seja logo homologada a compensação. Ao final pede deferimento da presente manifestação de inconformidade" . A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 0530.648, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que "os valores faturados, ainda que repassados a terceiros, compõem a base tributável da contribuição social, em face da inexistência de permissivo legal para sua exclusão". Devidamente notificada desta decisão, a recorrente interpôs tempestivamente o recurso voluntário ora em apreço, no qual reitera as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13884.901916/200898 Acórdão n.º 3401004.967 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.923, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 13884.900342/200831, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.923): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: Conforme relatado, a não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de estar o Darf informado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos da contribuinte. No caso, a contribuinte transmitiu sua DCOMP compensando débito com suposto crédito de contribuição social decorrente de pagamento indevido ou a maior, apontando um documento de arrecadação como origem desse crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejandoos com os demais por ela informados A. Receita Federal em outras declarações (DCTFs, DIPJ, etc), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc), tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito de Cofins da interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13884.901916/200898 Acórdão n.º 3401004.967 S3C4T1 Fl. 5 4 Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito liquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Dai a não homologação, não havendo qualquer nulidade nesse procedimento. Sobre o motivo da não homologação, como já antes explicitado neste voto, revelase procedente, pois, de acordo com as próprias informações prestadas pela contribuinte Receita Federal, o direito creditório apontado na DCOMP era inexistente. Não obstante, agora, em sede de manifestação de inconformidade, pretende a contribuinte demonstrar que seus débitos de contribuição social antes declarados e pagos são indevidos, pois não havia considerado, quando da apuração da base de cálculos das contribuições, o disposto no parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/1998. Em termos legais, significa ver excluídos da receita bruta os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para terceiros, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo. Neste ponto, fazse necessário destacar que, por força de sua vinculação aos atos legais, assim como àqueles emanados por autoridades que lhe são hierarquicamente superiores, este colegiado está adstrito à interpretação que a própria administração pública dá legislação tributária. 110 A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Ato Declaratório SRF n°56, de 20 de julho de 2000, já se posicionou a respeito da situação em exame: Ato Declaratório SRF n° 56, de 2000: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do art. 20 do art. 3° da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; Considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; Considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de I° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13884.901916/200898 Acórdão n.º 3401004.967 S3C4T1 Fl. 6 5 tenha sido feita a titulo de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica" (destacouse). Esse entendimento torna sem força a argumentação alegada pela Contribuinte no sentido de que as provas dos alegados créditos, consistentes em planilhas de apuração da contribuição social, deveriam ser examinadas na busca da constatação da regularidade do encontro de contas, uma vez que o crédito calcado neste dispositivo é inexistente. Diante de tudo exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o disposto no despacho decisório da unidade de origem. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401 003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13884.901916/200898 Acórdão n.º 3401004.967 S3C4T1 Fl. 7 6 Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Acrescese a tal constatação o intento da contribuinte de ver compensado seu débito com crédito fundado em quaestio jurídica que busca inaugurar em fase de instauração de contencioso administrativo posterior à apresentação de sua declaração de compensação, com a apresentação de sua impugnação, sob o pálio do argumento de que devem ser expurgados da receita bruta, ainda que assim escriturados, os valores que tenham sido transferidos para terceiros, nos termos do § 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/1998, argumento que se encontra em contrariedade com o preceptivo normativo do Ato Declaratório SRF n° 56, de 20/07/2000. Independentemente da discussão respeitante à matéria, no entanto, o que se constata é que a compensação tem por base direito creditório ilíquido e incerto, carente de prova de sua constituição definitiva, uma vez que a contribuinte somente poderia utilizar, na compensação de débitos próprios relativos a tributos administrados pela RFB, crédito passível de restituição ou de ressarcimento. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 68DF CARF MF
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Numero do processo: 11610.006458/2008-76
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007
OPÇÃO. INCLUSÃO RETROATIVA.
Exceto se comprovado erro de fato, não existe previsão legal para o rito de inclusão retroativa no Simples Nacional.
CIRCUNSTÂNCIA DE VEDAÇÃO. DÉBITO.
O pressuposto é de que não pode recolher os tributos na forma do Simples Nacional a pessoa jurídica que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa.
Numero da decisão: 1003-000.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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INCLUSÃO RETROATIVA. Exceto se comprovado erro de fato, não existe previsão legal para o rito de inclusão retroativa no Simples Nacional. CIRCUNSTÂNCIA DE VEDAÇÃO. DÉBITO. O pressuposto é de que não pode recolher os tributos na forma do Simples Nacional a pessoa jurídica que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 64 58 /2 00 8- 76 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 11610.006458/200876 Acórdão n.º 1003000.017 S1C0T3 Fl. 57 2 A Recorrente formalizou em 19.05.2008, fl. 01, o Pedido de Inclusão Retroativa no Simples Nacional, nos seguintes termos: l. Quando da criação do sistema tributário SIMPLES NACIONAL, foi amplamente divulgado à população em geral que entre outras coisas, as empresas que estavam no regime tributário do SIMPLES antigo, não precisariam se preocupar, pois estariam automaticamente enquadradas no novo sistema tributário. 2. Porém, meu contador não acompanhou as alterações que foram surgindo e deixou de cumprir essas alterações, e como o sistema aceitou as declarações do movimento, ele continuou a emitir os DAS, e eu fui pagando. 3. Eu estava com os pagamentos atrasados e só pude acertar depois de alguns dias, pois tive. que pedir um empréstimo. 4. Não é justo que eu, alem de comerciante, tenha que ser também o contador e advogado para acompanhar tudo, principalmente por eu ser um MICRO empresário. No Despacho Decisório de Inclusão Retroativa no Simples Nacional DERAT/SP nº 95, de 21.08.2008, fls. 2728, consta que o pedido foi indeferido fundamentado no fato de que: Trata o presente processo de Pedido de Inclusão no Simples Nacional, a partir de 01/07/2007, protocolado em 19/05/2008, do qual o contribuinte não é optante. A interessada não efetuou a opção referente a 07/2007, alegando em seu pedido que quando da criação do Simples Nacional, as empresas que estavam no Simples Federal, automaticamente migrariam para o Simples Nacional e que os débitos foram regularizados (fl.01). Para formalização juntou ao pedido os seguintes documentos: Declaração de Firma Individual (fl.02), Requerimento de Empresário (fls .04 e 05), Guias DAS referentes às competências O8/2007 a 04/2008 (fls. 06 a 14), Procuração (fls. 15 e 17). [...] Verificada Consulta Histórico da Empresa no Simples Nacional, consta que o contribuinte solicitou a opção somente em 10/01/2008, sendo indeferida por pendências não resolvidas (fl. 20). Conforme Detalhamento da Solicitação de Opção, a empresa possuía débitos com a Receita Federal do Brasil RFB em 14/03/2008 (fl. 21). Em consulta ao sistema SINCOR, não constam débitos impeditivos à opção do Simples Nacional (fls.22 a 24). Anexa Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos aos Tributos Federais e it Dívida Ativa da União (fl.25). A empresa foi optante pelo Simples Federal de 18/08/2000 a 30/06/2007, conforme sistema CNPJ/CONSULTA/HISTORICO (1126). De acordo com a Resolução do CGSN n° 004, de 30 de Maio de 2007, Art.l8:[...] A empresa não foi objeto da migração tácita prevista no Art.18 da Resolução do CGSN n° 004 e tampouco solicitou a opção pela internet até 20/08/2007, data final para solicitação da opção, conforme o Art. 7 e 17 da Resolução do CGSN n° Fl. 57DF CARF MF Processo nº 11610.006458/200876 Acórdão n.º 1003000.017 S1C0T3 Fl. 58 3 004, portanto não tendo o direito â opção retroativa a 01/07/2007, apesar de ter regularizado a pendência referente aos débitos com a RFB. [...] À vista do exposto c dos elementos constantes no processo, proponho deferimento parcial do presente pedido de inclusão retroativa no Simples Nacional, a partir de 01/01/2008. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação. Está registrado Está registrado na ementa do Acórdão da 14ª Turma/DRJ/SPO1/SP nº 1627.435, de 28.10.2010, fls. 3942: SIMPLES NACIONAL. INGRESSO. DÍVIDA. VEDAÇÃO. A existência de débito com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa, é circunstância impeditiva para a migração tácita no Simples Nacional, prevista no art. 18 da Resolução do CGSN n° 04, de 30/05/2007. Manifestação de Inconformidade improcedente Notificada em 21.12.2010, fl. 47, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 13.06.2008, fls. 3535 e 71, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge alegando: Respeitosamente vem à presença de Vv. Excias. expor e requerer: 1. O deferimento total do meu pedido de 19/05/2008. 2. Já apresentei todos os DARF'S pagos. 3. Diante do acima exposto, solicito o arquivamento deste processo. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente diz que deve ser deferida a sua inclusão retroativa no Simples Nacional. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido pertinente ao cumprimento das obrigações tributárias, principal e acessória, aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina no inciso X do art. 170 e no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 11610.006458/200876 Acórdão n.º 1003000.017 S1C0T3 Fl. 59 4 Com o escopo de implementar esses princípios constitucionais foi editada a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que instituiu o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional. O Simples Nacional está regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A opção do sujeito passivo deve ser manifestada por meio da internet até o último dia útil do janeiro sendo irretratável para todo anocalendário oportunidade em que presta declaração quanto ao não enquadramento nas vedações legais. A exclusão por comunicação decorrente de opção ou de obrigatoriedade é feita pela internet. Especificamente sobre o pedido de inclusão retroativa, cabe ressaltar que o princípio da legalidade estabelece os limites da atuação administrativa e tem por objeto o exercício de direitos individuais em benefício da coletividade e nesse sentido a vontade da Administração Pública decorre tão somente da lei de modo que apenas pode fazer o que a lei permite legais e do processo administrativo com a finalidade de implementar o controle de legalidade do ato administrativo. Vale lembrar que por essa razão, o servidor não pode por um mero ato administrativo conceder direitos, criar obrigações ou impor proibições aos sujeitos passivos sem previsão legal (art. 37 da Constituição Federal), exceto se comprovado erro de fato na solicitação pela sistemática. A Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, determina que a opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição. O indeferimento da opção será formalizado mediante ato da Administração Tributária e a exclusão do Simples Nacional será feita de ofício ou mediante comunicação das pessoas jurídicas optantes. É de fato irrelevante o fato de possa ter havido intenção inequívoca de inclusão retroativa sa sistemática, uma vez que não há permissivo legal que ampare sua pretensão de opção apresentada fora do prazo legal. A solicitação arguida na peça recursal, por essa razão, não pode ser deferida, exceto se comprovado erro de fato na solicitação pela sistemática. Passase a análise de todas as circunstâncias factuais para fins de evidenciar se houve erro de fato na solicitação pela sistemática. O pressuposto é de que não pode recolher os tributos na forma do Simples Nacional a pessoa jurídica que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa. Excepcionalmente é permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional mediante a comprovação da regularização do débito no prazo de até 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da comunicação da exclusão 1. Ainda atinente a matéria, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou o Recurso Extraordinário com Repercussão Geral RE 6275432 com trânsito em julgado em 1 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 33 e art. 39 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007,e Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. 2 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em Recurso Extraordinário nº 62.7543/RS. Órgão Julgador: Tribunal Pleno. Relator: Ministro Dias Toffoli. Julgado em 30 out. 2013. Publicado no DJe em 20 out.2014. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28RE%24%2ESCLA%2E+E+627543 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 11610.006458/200876 Acórdão n.º 1003000.017 S1C0T3 Fl. 60 5 14.11.2014, cuja decisão definitiva de mérito deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF3: Recurso extraordinário. Repercussão geral reconhecida. Microempresa e empresa de pequeno porte. Tratamento diferenciado. Simples Nacional. Adesão. Débitos fiscais pendentes. Lei Complementar nº 123/06. Constitucionalidade. Recurso não provido. 1. O Simples Nacional surgiu da premente necessidade de se fazer com que o sistema tributário nacional concretizasse as diretrizes constitucionais do favorecimento às microempresas e às empresas de pequeno porte. A Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, em consonância com as diretrizes traçadas pelos arts. 146, III, d, e parágrafo único; 170, IX; e 179 da Constituição Federal, visa à simplificação e à redução das obrigações dessas empresas, conferindo a elas um tratamento jurídico diferenciado, o qual guarda, ainda, perfeita consonância com os princípios da capacidade contributiva e da isonomia. 2. Ausência de afronta ao princípio da isonomia tributária. O regime foi criado para diferenciar, em iguais condições, os empreendedores com menor capacidade contributiva e menor poder econômico, sendo desarrazoado que, nesse universo de contribuintes, se favoreçam aqueles em débito com os fiscos pertinentes, os quais participariam do mercado com uma vantagem competitiva em relação àqueles que cumprem pontualmente com suas obrigações. 3. A condicionante do inciso V do art. 17 da LC 123/06 não se caracteriza, a priori, como fator de desequilíbrio concorrencial, pois se constitui em exigência imposta a todas as pequenas e as microempresas (MPE), bem como a todos os microempreendedores individuais (MEI), devendo ser contextualizada, por representar também, forma indireta de se reprovar a infração das leis fiscais e de se garantir a neutralidade, com enfoque na livre concorrência. 4. A presente hipótese não se confunde com aquelas fixadas nas Súmulas 70, 323 e 547 do STF, porquanto a espécie não se caracteriza como meio ilícito de coação a pagamento de tributo, nem como restrição desproporcional e desarrazoada ao exercício da atividade econômica. Não se trata, na espécie, de forma de cobrança indireta de tributo, mas de requisito para fins de fruição a regime tributário diferenciado e facultativo. A Recorrente formalizou seu Pedido de Inclusão Retroativa no Simples Nacional em 19.05.2008, fl. 01. Consta no Acórdão da 14ª Turma/DRJ/SPO1/SP nº 1627.435, %2ENUME%2E%29+OU+%28RE%2EACMS%2E+ADJ2+627543%2EACMS%2E%29&base=baseAcordaos& url=http://tinyurl.com/a35tf3a>. Acesso em 27 mai. 2018. 3 Fundamentação legal: 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 11610.006458/200876 Acórdão n.º 1003000.017 S1C0T3 Fl. 61 6 de 28.10.2010, fls. 3942, cujos fundamentos de fato e de direito devem ser adotados nesta segunda instância de julgamento: Lei Complementar 123/2006 “Art.17.Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (...) 3.3. Por sua vez, a Resolução do Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) nº 004, de 30/05/2007, no seu art. 18, assim dispõe: Art. 18. Serão consideradas inscritas no Simples Nacional, em 1° de julho de 2007, as ME e EPP regularmente optantes pelo regime tributário de que trata a Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, salvo as que estiverem impedidas de optar por alguma das vedações previstas nesta Resolução. [...] 3.4. Assim, como possuía débitos junto à RFB , em 01/07/2007, a empresa não foi objeto da migração tácita prevista no Art. 18 da Resolução CGSN n° 04, de 30/05/2007. Por outro lado, também não houve por parte da empresa solicitação da opção pelo Simples Nacional pela internet até 20/08/2007, na forma do art. 17 da referida Resolução do CGSN. Desta forma, realmente, o contribuinte, embora tenha posteriormente, regularizado a pendência referente ao débitos com a Receita Federal do Brasil, não tem direito à opção retroativa a 01/07/2007, razão pela qual não cabe qualquer reparo à decisão recorrida. 3.5. Por outro lado, ao contrário do alegado pelo recorrente, na decisão recorrida, não houve arbitrariedade ou falta de bom senso. Pelo contrário, houve apenas aplicação da legislação que rege a matéria, tendo em vista tratarse de um ato administrativo vinculado, não se admitindo a discricionariedade solicitada pelo contribuinte. Analisando a legislação tributária específica temse que no art. 7º da Resolução CGSN nº 04, de 30 de maio de 2007 e § 12 do art. 6º da Resolução CGSN nº 15, de 25 de julho de 2007, todos vigente à época (art. 144 do Código Tributário Nacional), a opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o ano calendário. Em conformidade com a Consulta a Histórico da Empresa no Simples Nacional e o Detalhamento da Solicitação de Opção, fls. 2021, verificase que a Recorrente solicitou pela internet sua opção em 01.01.2008 e foi indeferida em 14.03.2008, por pendências não resolvidas. Estes documentos constantes nos autos comprovam a existência de débitos em cobrança nos sistemas internos da RFB. Ademais, a Certidão Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos aos Tributos Federais e à Divida Ativa da União emitida no dia 20.08.2008, com validade até 16.02.2009 e com o código de controle nº 55A7.51FB.0895.1137, fl. 25, não tem o efeito de atestar a regularidade fiscal da Recorrente em 01.01.2007 para fins de deferimento da inclusão Retroativa ao Simples Nacional. A contestação proposta na peça recursal de que houve erro de fato, dessa maneira, não se confirma. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 11610.006458/200876 Acórdão n.º 1003000.017 S1C0T3 Fl. 62 7 Pertinente a notícia trazida pela Recorrente sobre possíveis enganos de terceiros, cabe ressaltar que "a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato" (art. 136 do Código Tributário Nacional). A afirmação suscitada na peça recursal, destarte, não é pertinente. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 62DF CARF MF
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