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Numero do processo: 15868.720141/2014-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DA AGROINDÚSTRIA. BASE DE CÁLCULO.
A base de cálculo da contribuição previdenciária devida pela agroindústria sujeita ao regime previdenciário substitutivo de que trata o art. 22-A, da Lei nº 8.212/91, é o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção.
Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. AGROINDÚSTRIA. BASE DE CÁLCULO.
A base de cálculo da contribuição destinada ao SENAR, devida pela agroindústria sujeita ao regime previdenciário substitutivo de que trata o art. 22-A, da Lei nº 8.212/91, é o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção.
CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. IMUNIDADE NAS EXPORTAÇÕES. INOCORRÊNCIA.
A contribuição destinada ao SENAR, classificada como de interesse das categorias profissionais ou econômicas, não está contemplada pela imunidade nas exportações prevista no art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal, que restringe o benefício às contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
AÇÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA DE OBJETO EM RELAÇÃO AO LANÇAMENTO FISCAL.
Não identificada a concomitância de objeto entre a ação judicial proposta pelo contribuinte e o lançamento, há que se prosseguir na análise do recurso administrativo.
AUSÊNCIA DE QUESTIONAMENTO DE MATÉRIA ESPECÍFICA. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO.
A falta de questionamento no recurso de matéria específica do lançamento fiscal configura a inexistência de litígio quanto ao tema não abordado.
PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS.
Não se conhece de pedido de perícia sem a indicação de perito. Cabível a negativa de perícia e diligências quando desnecessárias para a solução do litígio. As provas devem ser apresentadas na impugnação, sob pena de preclusão.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de conversão do julgamento em diligência, suscitada pelo Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, que restou vencido, juntamente com os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio e Theodoro Vicente Agostinho (Suplente Convocado). Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de concomitância com ação judicial e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rosemary Figueiroa Augusto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado).
Nome do relator: ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DA AGROINDÚSTRIA. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição previdenciária devida pela agroindústria sujeita ao regime previdenciário substitutivo de que trata o art. 22-A, da Lei nº 8.212/91, é o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. AGROINDÚSTRIA. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição destinada ao SENAR, devida pela agroindústria sujeita ao regime previdenciário substitutivo de que trata o art. 22-A, da Lei nº 8.212/91, é o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. IMUNIDADE NAS EXPORTAÇÕES. INOCORRÊNCIA. A contribuição destinada ao SENAR, classificada como de interesse das categorias profissionais ou econômicas, não está contemplada pela imunidade nas exportações prevista no art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal, que restringe o benefício às contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 AÇÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA DE OBJETO EM RELAÇÃO AO LANÇAMENTO FISCAL. Não identificada a concomitância de objeto entre a ação judicial proposta pelo contribuinte e o lançamento, há que se prosseguir na análise do recurso administrativo. AUSÊNCIA DE QUESTIONAMENTO DE MATÉRIA ESPECÍFICA. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. A falta de questionamento no recurso de matéria específica do lançamento fiscal configura a inexistência de litígio quanto ao tema não abordado. PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. Não se conhece de pedido de perícia sem a indicação de perito. Cabível a negativa de perícia e diligências quando desnecessárias para a solução do litígio. As provas devem ser apresentadas na impugnação, sob pena de preclusão. Recurso Voluntário Negado
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BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição previdenciária devida pela agroindústria sujeita ao regime previdenciário substitutivo de que trata o art. 22A, da Lei nº 8.212/91, é o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. AGROINDÚSTRIA. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição destinada ao SENAR, devida pela agroindústria sujeita ao regime previdenciário substitutivo de que trata o art. 22A, da Lei nº 8.212/91, é o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. IMUNIDADE NAS EXPORTAÇÕES. INOCORRÊNCIA. A contribuição destinada ao SENAR, classificada como de interesse das categorias profissionais ou econômicas, não está contemplada pela imunidade nas exportações prevista no art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal, que restringe o benefício às contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 AÇÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA DE OBJETO EM RELAÇÃO AO LANÇAMENTO FISCAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 01 41 /2 01 4- 23 Fl. 1740DF CARF MF Processo nº 15868.720141/201423 Acórdão n.º 2202003.743 S2C2T2 Fl. 1.741 2 Não identificada a concomitância de objeto entre a ação judicial proposta pelo contribuinte e o lançamento, há que se prosseguir na análise do recurso administrativo. AUSÊNCIA DE QUESTIONAMENTO DE MATÉRIA ESPECÍFICA. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. A falta de questionamento no recurso de matéria específica do lançamento fiscal configura a inexistência de litígio quanto ao tema não abordado. PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. Não se conhece de pedido de perícia sem a indicação de perito. Cabível a negativa de perícia e diligências quando desnecessárias para a solução do litígio. As provas devem ser apresentadas na impugnação, sob pena de preclusão. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de conversão do julgamento em diligência, suscitada pelo Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, que restou vencido, juntamente com os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio e Theodoro Vicente Agostinho (Suplente Convocado). Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de concomitância com ação judicial e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Rosemary Figueiroa Augusto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado). Relatório Fl. 1741DF CARF MF Processo nº 15868.720141/201423 Acórdão n.º 2202003.743 S2C2T2 Fl. 1.742 3 Tratase de recurso voluntário (fls. 1713/1734) interposto pelo sujeito passivo acima, contra a decisão proferida no Acórdão nº 1274.894 (fls. 1695/1707), pela 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), que julgou improcedente a impugnação. Conforme Relatório Fiscal de fls. 1196/1202, os lançamentos se referem à contribuição previdenciária (2,5%) e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) (0,1%), bem como às contribuições destinadas ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR (0,2%), incidentes sobre a comercialização de produção rural sem subrogação (produção própria), no período de 01/2011 a 12/2011, relativas aos estabelecimentos 45.483.450/000110 (Clementina/SP) e 45.483.450/002164 (Queiroz/SP), não declarados em GFIP. Foram efetuados os seguintes levantamentos: RB (Receita Bruta) referente à comercialização no mercado interno, lançada na conta contábil "Receita da Venda no Mercado Interno de Produtos de Fabricação Própria". AI DEBCAD: nº 51.067.8246 (Previdência) fls. 03/10 nº 51.067.8254 (SENAR) fls. 11/18; RE (Receita Exportação) relativo à comercialização (açúcar e álcool) na exportação direta, lançada na conta contábil "Receita de Exportação Direta de Mercadorias e Produtos". AI DEBCAD: nº 51.067.8262 (SENAR) fls. 19/26; RI (Receita Exportação Indireta) correspondente à comercialização (açúcar e álcool) na exportação indireta, também lançada pela empresa na conta contábil "Receita de Exportação Direta de Mercadorias e Produtos", com base no PN 66 (Parecer Normativo do Coordenador do Sistema de Tributação CST nº 66, de 1986) e cotas distribuídas pela COPERSUCAR Cooperativa de Produtores de Cana de Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo, empresa constituída e em funcionamento no país, o que caracteriza a exportação indireta. AI DEBCAD: nº 51.067.8270 (Previdência) fls. 27/34 nº 51.067.8475 (SENAR) fls. 35/42. O contribuinte apresentou impugnação com os argumentos que foram assim resumidos na decisão recorrida: Da Impugnação 3. Notificado, via postal, do lançamento em 06/11/2014 (fls. 1.627), o interessado apresentou impugnação em 05/12/2014 (fls. 1.631 e 1.691), aduzindo, em síntese, as alegações abaixo elencadas. 3.1. Fala sobre "venda de mercadorias ou de serviços, ou de mercadorias e serviços" ou à "soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais” e o conceito constitucional de faturamento, debatido no STF. Fl. 1742DF CARF MF Processo nº 15868.720141/201423 Acórdão n.º 2202003.743 S2C2T2 Fl. 1.743 4 3.2. O conceito constitucional de receita bruta/faturamento ficou assentado como sendo a "receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços", não se podendo incluir nele outras rubricas de ingresso financeiro da pessoa jurídica que não sejam decorrentes de venda de produtos e/ou serviços das atividades típicas. 3.3. O Fisco entende que devem ser incluídas as receitas de todo e qualquer ingresso de recebíveis da companhia. 3.4. Não se pode incluir receitas não operacionais, como é o caso da defendente, quais sejam, venda de bagaço de cana, venda de creme de levedo, venda de sucata e outros não ligados à atividade operacional típica da empresa. 3.5. A contribuição de Terceiros, devida ao SENAR é acessória à Contribuição Previdenciária e, por isso, segue a mesma sorte da principal. Por ser indevido o FUNRURAL sobre as demais receitas, a contribuição de terceiro SENAR também o é, pelas mesmas razões. 3.6. As receitas de exportação são imunes às contribuições sociais, nos termos do Art. 149, § 2º, I da Constituição Federal e § 5º do art. 22A da lei n°. 8.212/1991. A referida imunidade atinge duas espécies do gênero contribuição, quais sejam, a "social" e a "de intervenção no domínio econômico". 3.7. A defendente possui mandado de segurança, aguardando julgamento, no TRF 3, em relação às contribuições previdenciárias e às contribuições ao SENAR, no tocante às exportações indiretas. Aponta precedentes do CARF, que afastou a incidência de Instrução Normativa para este caso. 3.8. Observandose os julgados, chegase facilmente à ilação de que a Instrução Normativa n° 03/2005, em seu art. 245, § 2º, equivocouse e violou a norma constitucional ao desabrigar da imunidade o resultado da exportação intermediada por "trading companies". 3.8. Requer a suspensão da cobrança e que sejam deferidas todas as provas em direito admitidas, sem exclusão de qualquer uma, especialmente a juntada de documentos e realização de perícias e diligencias. A DRJ julgou improcedente a impugnação, nos termos da ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AGROINDÚSTRIA. A partir de 01/11/2001, a contribuição devida pela agroindústria incide sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212/91, nos termos definidos no art. 22A da mesma Lei. AGROINDÚSTRIA. PRODUÇÃO RURAL. SENAR. CONTRIBUIÇÃO. É cabível a cobrança da contribuição da agroindústria ao SENAR, devida pelo produtor rural pessoa jurídica cuja Fl. 1743DF CARF MF Processo nº 15868.720141/201423 Acórdão n.º 2202003.743 S2C2T2 Fl. 1.744 5 atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AGROINDÚSTRIA. EXPORTAÇÃO INDIRETA. CONSIGNAÇÃO DO PRODUTO A COOPERATIVA. Incidem contribuições sociais sobre as receitas decorrentes de comercialização da produção de agroindústria com cooperativa, ainda que o produto seja destinado à exportação. RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. INAPLICABILIDADE DA IMUNIDADE PREVISTA NO ARTIGO 149 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. É devida a contribuição ao SENAR na comercialização da produção rural com o mercado externo, não lhe sendo aplicável a imunidade prevista no artigo 149 da Constituição Federal de 1988, por possuir natureza jurídica de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado desse acórdão em 14/04/2015 (ciência eletrônica às fls. 1711), o sujeito passivo, , apresentou o recurso voluntário de fls. 1713/1734, em 06/05/2015 (solicitação de juntada às fls. 1712), no qual se mostra inconformado com a decisão da DRJ e repisa os argumentos e pedidos trazidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto, Relatora. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Preliminar de diligência e de concomitância de objeto em ação judicial Contribuição Previdenciária e destinada ao SENAR sobre receita de exportação indireta (levantamento RI) Fl. 1744DF CARF MF Processo nº 15868.720141/201423 Acórdão n.º 2202003.743 S2C2T2 Fl. 1.745 6 A recorrente alega possuir Mandado de Segurança sob nº 0009761 72.2005.4.03.6107, que tramitou na 1ª Vara Federal de AraçatubaSP e no qual lhe foi garantido o direito de não se sujeitar à tributação das receitas decorrentes da exportações indiretas. Trouxe cópia da sentença às fls. 1681/1688. Insurgese contra a decisão da DRJ que ignorou a referida decisão sob o argumento de que incide a regra prevista no art. 475 do CPC, ou seja, que a decisão está sujeita ao duplo grau de jurisdição e que, assim, não teria produzido seus efeitos. Frisa que a Apelação do INSS foi recebida apenas no efeito devolutivo e que está aguardando julgamento no Tribunal Federal da Terceira Região (TRF3). Quanto a essa questão, ressaltase que a propositura de ação judicial pelo contribuinte com o mesmo objeto do processo administrativo ocasiona a renúncia da discussão na via administrativa, que deve seguir apenas em relação às matérias distintas, conforme preconiza a Súmula CARF nº 1, a seguir: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assim, cabe verificar, preliminarmente, se há concomitância de objeto na referida ação judicial e no lançamento que compõe este processo administrativo, a fim de identificar a ocorrência de renúncia e delimitar o litígio que deve ser apreciado neste Colegiado. Nesse ponto, o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada suscita a preliminar de conversão do julgamento em diligência, para se trazer aos autos outras peças da ação judicial. Entretanto, rejeitase essa preliminar, por se entender que a sentença de fls. 1681/1688 aponta o objeto da lide instaurada no Judiciário. Na sentença judicial trazida às fls. 1681/1688, assim está definido o objeto da contenda: CLEALCO AÇÚCAR E ÁLCOOL S. A. pessoa jurídica qualificada na petição inicial, impetrou o presente mandado de segurança, com pedido de liminar, em face de ato qualificado como coator praticado pelo limo. Sr. DELEGADO DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA EM ARAÇATUBA/SP, objetivando a não tributação de suas exportações por meio de trading companies, ante a inconstitucional, no entender da impetrante, restrição da imunidade operada pelo artigo 245, §§ 1º e 2º, da Instrução Normativa MPS/SRP n. 3, de 14 de julho de 2005. Alega a impetrante ser empresa agroindustrial, produtora de açúcar e álcool de cana de açúcar, sendo que substancial parte de sua produção é comercializada no mercado externo e, via de regra, essas vendas são realizadas por meio de empresas especializadas em comércio exterior denominadas "trading companies". Aduz que, com o advento do DecretoLei n. Fl. 1745DF CARF MF Processo nº 15868.720141/201423 Acórdão n.º 2202003.743 S2C2T2 Fl. 1.746 7 1.248/72, as exportações realizadas através de empresas comerciais exportadoras ("trading companies") passaram a gozar dos mesmos benefícios concedidos às exportações nas vendas diretas. Entretanto, acrescenta a impetrante que, em 15 de julho de 2005, a Secretaria da Receita Previdenciária fez publicar a Instrução Normativa MPS/SRP n. 3, de 14 de julho de 2005, a qual restringiu a imunidade constitucional das contribuições sociais sobre as receitas decorrentes de exportação exclusivamente às vendas diretas, ou seja, excluiu da não incidência as exportações realizadas através de empresas comerciais exportadoras. (...) Diante do exposto, CONCEDO A SEGURANÇA, para determinar a não sujeição da impetrante aos efeitos da restrição imposta pelo artigo 245, parágrafos 1º e 2º, da Instrução Normativa MPS/SRP n. 3, de 14 de julho de 2005, devendo a autoridade impetrada absterse de praticar quaisquer atos ou impor penalidades no sentido de compelir a impetrante ao pagamento da contribuição, razão pela qual extingo o feito com resolução do mérito, na forma do artigo 269,1, do Código de Processo Civil. Depreendese que o contribuinte busca na Justiça a não tributação de suas exportações indiretas, realizadas por meio de comerciais exportadoras (trading companies), por entender que o art. 245, §§ 1º e 2º, da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3, de 14 de julho de 2005, restringiu indevidamente a imunidade constitucional à exportações diretas. O mencionado art. 245, §§ 1º e 2º da Instrução Normativa (IN) do Ministério da Previdência Social/Secretaria da Receita Previdenciária (MPS/SRP) nº 3, de 2005, assim dispunha: Art. 245. Não incidem as contribuições sociais de que trata este Capítulo sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos, cuja comercialização ocorra a partir de 12 de dezembro de 2001, por força do disposto no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001. § 1º Aplicase o disposto neste artigo exclusivamente quando a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. § 2º A receita decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no País é considerada receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que esta dará ao produto. Posteriormente, a IN MPS/SRP Nº 3, de 2005, foi substituída pela Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, que manteve a mesma redação do dispositivo anterior, no art. 170, §§ 1º e 2º, a seguir: Fl. 1746DF CARF MF Processo nº 15868.720141/201423 Acórdão n.º 2202003.743 S2C2T2 Fl. 1.747 8 Art. 170. Não incidem as contribuições sociais de que trata este Capítulo sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos, cuja comercialização ocorra a partir de 12 de dezembro de 2001, por força do disposto no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001. § 1º Aplicase o disposto neste artigo exclusivamente quando a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. § 2º A receita decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no País é considerada receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que esta dará ao produto. (...) Quanto à presente autuação fiscal, além do lançamento de contribuição previdenciária e SENAR sobre a comercialização interna da produção (levantamento RB); e da contribuição ao SENAR sobre exportação direta (levantamento RE); também exige contribuições previdenciárias (AI nº 51.067.8270) e devidas ao SENAR (AI nº 51.067.8475), sobre comercializações intermediadas pela COOPERSUCAR Cooperativa de Produtores de Cana de Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo, que foram consideradas pelo fisco como caracterizadoras de exportação indireta (levantamento RI Receita Exportação Indireta). As autuações abrangem os estabelecimentos 45.483.450/000110 (Clementina/SP) e 45.483.450/002164 (Queiroz/SP). Assim dispõe o Relatório Fiscal, às fls. 1199/1200, especificamente sobre esse levantamento: 6.3. RI Não Declarado em GFIP Neste lançamento constam os valores referentes à comercialização da produção (açúcar e álcool) vendida de forma indireta no mercado externo, no período de 01/2011 a 12/2011. A Empresa lançou em sua contabilidade estes valores na conta "RECEITA DE EXPORTAÇÃO DIRETA DE MERCADORIAS E PRODUTOS", Conta n° 3.01.01.01.01.01.01, cujo RAZÃO se encontra aqui reproduzido no ANEXO VI, apenas com os lançamentos referentes aos PN66, cotas distribuídas pela COPERSUCAR Cooperativa de Produtores de Cana de Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo, Empresa constituída e em funcionamento no País, o que caracteriza a exportação indireta. Em cada usina "cooperada" existe um estabelecimento (filial) da cooperativa e o procedimento é o seguinte: Diariamente a usina emite notas de entrega para venda em favor da COPERSUCAR que a partir daí fica investida da posse dos produtos. A COPERSUCAR exporta os produtos diretamente ou ainda via Trading, e ao final de cada mês elabora planilha demonstrativa em que atribui a cada usina cooperada uma receita proporcional à quantidade de produtos entregues para exportação (Parecer Normativo PN/CST n° 66/86). Cumpre esclarecer que a Empresa não possui documentos referentes às exportações (que ficam de posse da COPERSUCAR), que todo o processo é regido pelo Parecer Normativo do Coordenador do Sistema de Tributação CST n° 66 de 05 de setembro de 1986 (PN 66) Diário Oficial da União de 10 de setembro de 1986 e que as planilhas referentes ao PN 66 representam os valores para os lançamentos contábeis. O contribuinte cita o PN 66 como ato que normatiza todas as operações tributárias Fl. 1747DF CARF MF Processo nº 15868.720141/201423 Acórdão n.º 2202003.743 S2C2T2 Fl. 1.748 9 entre a Usina e a Cooperativa. Não menciona, porém o assunto e a ementa de tal ato infralegal: "Assunto: Imposto de Renda Pessoa Jurídica Receitas Operacionais Operações com Cooperativa e Ementa: As receitas operacionais de empresas excepcionalmente associadas a cooperativas de venda em comum devem ser apropriadas em função do faturamento das vendas a terceiros". Verificase que se trata de norma que regulamenta a apuração do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica atribuindo excepcionalmente o momento do reconhecimento das receitas. Não mostra em tal ato uma regulamentação para a tributação das contribuições previdenciárias relativas à comercialização da produção rural com terceiros ou cooperativas. Os artigos 245, § 1 ° e § 2° da IN MPS/SRP n° 3/2005 e 170, § 1o e § 2º da IN/RFB n° 971/2009, demonstram que tal imunidade só é aplicável quando a produção é comercializada diretamente com o adquirente domiciliado no exterior e que a receita decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no país é considerada receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independente da destinação que se dará ao produto. Nos Anexos VIlA e VIlB encontramse os cálculos dos débitos e créditos das cotas recebidas pela empresa da já mencionada cooperativa, sendo aqui deduzidos os eventuais créditos da Empresa, enquanto nos anexos VlllA e VIIIB encontramse as bases de cálculo por competência e finalmente nos Anexos IXA e IXB os valores devidos por competência, sempre respectivamente das unidades de Clementina (CNPJ 45.483.450/000110) e de Queiroz (45.483.450/002164). (...) 7.2.A Emenda Constitucional n° 33 de 11/12/2001 alterou o art, 149 da Constituição Federal e concedeu imunidade tributária às receitas decorrentes de exportações, ao dispor que sobre estas não incidem contribuições sociais, in verbís: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, 111 e 150, I e II, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6o, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo.(...) § 2o As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: "não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação " (...) (Grifos nossos) Observase que o lançamento, relativo a competências de 2011, considera a operação de comercialização da produção por meio de Cooperativa como exportação indireta, com fulcro no art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal, e no art. 170, §§ 1 e 2º, da IN RFB nº 971, de 2009, independentemente da exportação ter sido realizada com comercial exportadora (trading company), tanto que diz: "A COPERSUCAR exporta os produtos diretamente ou ainda via Trading (...)". Fl. 1748DF CARF MF Processo nº 15868.720141/201423 Acórdão n.º 2202003.743 S2C2T2 Fl. 1.749 10 Cabe mencionar que, embora o Relatório Fiscal cite também a IN MPS/SRP nº 3/2005, já estava em vigor a IN SRP nº 971/2009 quando ocorreram os fatos geradores do lançamento. De forma esquemática, comparase, a seguir, as situações verificadas na ação judicial e no lançamento relativo às exportações indiretas: Observase que as duas situações contemplam a questão da incidência da contribuição na exportação indireta, com menção a dispositivos normativos. Porém, enquanto na ação judicial a figura intermediária na operação de exportação é a trading company, no lançamento fiscal é a cooperativa. Assim, não é possível concluir que a lide judicial contemple o mesmo objeto do presente lançamento, pois a análise que será feita na justiça em relação à imunidade das exportações por meio de comercial exportadora (trading company) poderá não alcançar, necessariamente, as exportações via cooperativa. Dessa forma, entendese que não há concomitância de objeto entre o processo judicial e o lançamento em questão; e por conseguinte, não restou caracterizada a renúncia administrativa em face de propositura de ação judicial quanto a esse tema. Fl. 1749DF CARF MF Processo nº 15868.720141/201423 Acórdão n.º 2202003.743 S2C2T2 Fl. 1.750 11 Mérito Contribuição Previdenciária da agroindústria incidente sobre a receita bruta (levantamento RB) A recorrente alega que a fiscalização considerou, para fins da incidência da contribuição previdenciária, a venda de subprodutos no mercado interno, como bagaço in natura, bagaço hidrolizado, creme de levedo e outros. Mas diz que essas se tratam de receitas não operacionais e que não podem ser inseridas no conceito de receita bruta/faturamento, que equivale a "receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços", não se podendo incluir nele outras rubricas de ingresso financeiro da pessoa jurídica que não sejam decorrentes de venda de produtos e/ou serviços das atividades típicas, como ficou assentado pelo Supremo Tribunal Federal (Recursos Extraordinários nº 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840) e em outros julgados do Poder Judiciário, relativos à inconstitucionalidade do § 1º, do art.3º, da Lei nº 9.718/98 (base de cálculo do PIS/COFINS), à luz do art. 195, I, da Constituição Federal de 1988, antes da Emenda Constitucional nº 20/98. Cabe frisar que a contribuição devida pela agroindústria à previdência social, em substituição às contribuições patronais, está prevista no art. 22A, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, conforme abaixo: Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). I dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). II zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade. (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). (...) (Grifouse) Como se vê, a legislação regente deixa explícito que a base de cálculo da referida contribuição para a agroindústria é a "receita bruta proveniente da comercialização da produção". De se notar que a autoridade fiscal, ao fazer este levantamento, indicou que os valores lançados se referem à comercialização da produção vendida no mercado interno, contabilizadas pela empresa como "Receita da Venda no Mercado Interno de Produtos de Fabricação Própria" (fls. 1198/1199). Fl. 1750DF CARF MF Processo nº 15868.720141/201423 Acórdão n.º 2202003.743 S2C2T2 Fl. 1.751 12 Portanto, não é possível admitir que a venda de produtos originados em "fabricação" própria, como reconhece contabilmente a autuada, sejam considerados como receitas não operacionais e à margem da atividade típica da empresa, como se alegou no recurso. Observase que é a recorrente quem alega que o levantamento em questão se refere a venda de subprodutos. Contudo, conforme mencionado na decisão combatida, a autuada não demonstrou que todos os valores que compõem este levantamento estão relacionados à venda de subprodutos. E ainda que assim o tivesse feito, não há como dissociar os subprodutos do processo de produção. Nesse sentido, oportuno repetir a definição de subproduto, trazida no acórdão recorrido, do professor Eliseu Martins, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo, em sua obra “Contabilidade de Custos”, 9ª Edição, São Paulo Editora Atlas S.A. – 2003: Subprodutos são aqueles itens que, nascendo de forma normal durante o processo de produção, possuem mercado de venda relativamente estável, tanto no que diz respeito à existência de compradores como quanto ao preço. São itens que têm comercialização tão normal quanto os produtos da empresa. (pág. 86) Em muitas empresas de Produção Contínua existe o fenômeno da Produção Conjunta, que é o aparecimento de diversos produtos a partir, normalmente, da mesma matériaprima, como é o caso do tratamento industrial da quase totalidade dos produtos naturais na agroindústria: aparecimento de óleo, farelos etc. (a partir da soja); ossos, diferentes tipos de carnes etc. (a partir do boi); gasolina, querosene, emulsão asfáltica etc. (a partir do petróleo) etc. Decorrem de um mesmo material diversos produtos conjuntos normalmente classificados em co produtos e subprodutos. A Produção Conjunta não é uma característica própria somente da Produção Contínua; é apenas muito mais comum nesse tipo de empresa; pode também ocorrer na Produção por Ordem em alguns tipos de indústrias, como a de móveis de madeira por encomenda, onde, a partir de uma única tora, podem sair peças de diferentes qualidades, costaneiras etc., que são também coprodutos ou subprodutos. (pág. 117) (Grifos nossos) Assim, é inegável que os subprodutos fazem parte da produção da empresa, tanto que a própria recorrente contabiliza as receitas que alega originadas na venda de subprodutos como "Receita da Venda no Mercado Interno de Produtos de Fabricação Própria". Ademais, não se pode esquecer que a recorrente é uma agroindústria. Ou seja, é um produtor rural pessoa jurídica que industrializa sua produção rural e a adquirida de terceiros. E o produto rural, neste caso, é a canadeaçúcar. Logo, a comercialização de tudo o que é produzido a partir da canadeaçúcar é base de cálculo da contribuição previdenciária substitutiva. Ressaltase que a IN RFB nº 971/09, no art. 165, II, também prevê no conceito de produção rural os subprodutos e resíduos, conforme abaixo: Fl. 1751DF CARF MF Processo nº 15868.720141/201423 Acórdão n.º 2202003.743 S2C2T2 Fl. 1.752 13 Art. 165. Considerase: (...) II produção rural, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou de industrialização rudimentar, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos por esses processos; (...) (Grifouse) E apenas para ilustrar, acrescentase que o sistema de contribuição substitutiva previsto no art. 22A da Lei nº 8.212/91, aplicase até mesmo para outra atividade econômica autônoma exercida pela agroindústria, excetuandose apenas a prestação de serviços, como se depreende do art. 22A, § 2º, da Lei nº 8.212/91 e do art. 3º, § 1º, da IN RFB nº 971/09, a seguir: Lei nº 8.212/91: Art. 22A (...) § 2º O disposto neste artigo não se aplica às operações relativas à prestação de serviços a terceiros, cujas contribuições previdenciárias continuam sendo devidas na forma do art. 22 desta Lei. (...) IN RFB nº 971/09: Art. 3º (...) § 1º Aplicase a substituição prevista no inciso III ainda que a agroindústria explore, também, outra atividade econômica autônoma, no mesmo ou em estabelecimento distinto, hipótese em que a contribuição incidirá sobre o valor da receita bruta decorrente da comercialização em todas as atividades, ressalvado o disposto no inciso I do art. 180 e observado o disposto nos arts. 170 e 171. (...) (Grifouse) Portanto, necessário negar provimento ao recurso da autuada neste aspecto. Contribuição ao SENAR sobre a receita bruta (levantamento RB) O sujeito passivo diz que as mesmas alegações, discorridas no item anterior, se aplicam à contribuição ao SENAR. A Lei nº 8.212, de 1991, também deixa claro que, para a agroindústria que contribuiu de forma substitutiva à previdência social, a base de cálculo da contribuição destinada ao SENAR é a "receita bruta proveniente da comercialização da produção", conforme o parágrafo 5º do Art. 22A, a seguir reproduzido: Fl. 1752DF CARF MF Processo nº 15868.720141/201423 Acórdão n.º 2202003.743 S2C2T2 Fl. 1.753 14 § 5º O disposto no inciso I do art. 3ºo da Lei no 8.315, de 23 de dezembro de 1991, não se aplica ao empregador de que trata este artigo, que contribuirá com o adicional de zero vírgula vinte e cinco por cento da receita bruta proveniente da comercialização da produção, destinado ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR). (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). (...) (Grifouse) Assim, como a lide quanto a este levantamento se resume à composição da base de cálculo, considerase improcedentes as alegações do contribuinte quanto ao SENAR, pelos mesmos fundamentos expressos no item anterior. Contribuição ao SENAR sobre receita de exportação direta (levantamento RE) O contribuinte alega que as receitas de exportação são imunes às contribuições sociais, nos termos do Art. 149, § 2º, I da Constituição Federal e § 5º do art. 22 A da lei n° 8.212/1991. A referida imunidade atinge duas espécies do gênero contribuição, quais sejam, a "social" e a "de intervenção no domínio econômico". Assim, diz que a contribuição destinada ao SENAR, subclassificada como CIDE, não pode ser exigida sobre a receita decorrente de operações de exportações. De fato, o art. 149, § 2º, da Constituição Federal, prevê a imunidade Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) (...) (Grifouse) Contudo, as contribuições destinadas ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), instituídas pela Lei nº 8.325, de 23 de dezembro de 1991, não são classificadas como de intervenção no domínio econômico, como arguiu a recorrente, mas sim de interesse das categorias profissionais ou econômicas, conforme bem discorreu a decisão combatida, nos trechos a seguir transcritos: (...) Fl. 1753DF CARF MF Processo nº 15868.720141/201423 Acórdão n.º 2202003.743 S2C2T2 Fl. 1.754 15 5.21. Outrossim, frisese que o já citado art. 149 da Carta Magna defere à União, de maneira exclusiva, a competência para instituir contribuições que se dividem em três especialidades: a) sociais; b) de intervenção no domínio econômico; c) de interesse das categorias profissionais ou econômicas. 5.22. Conquanto possa acontecer de o objetivo essencial das três espécies desembocar num mesmo viés social, uma não se confunde com outra, eis que suas finalidades se acham bem definidas pelo legislador ordinário. 5.23. As contribuições sociais se destinam, em regra, ao financiamento da seguridade social, como previsto no art. 195 da Constituição. As de intervenção no domínio econômico, ou interventivas, têm função extrafiscal, servindo de instrumento de que se vale o Poder Público para induzir, estimular ou disciplinar comportamentos, objetivando fins econômicos ou sociais. As de interesse imediato de categorias econômicas destinamse, principalmente, ao custeio de entidades privadas de serviços sociais e de formação profissional referidas no art. 240 da Constituição. As de interesse de categorias profissionais são as corporativas, destinadas ao custeio de atividades de fiscalização de profissões regulamentadas. 5.24. As contribuições destinadas ao SENAR, tanto a incidente sobre a receita decorrente da comercialização da produção quanto a incidente sobre a folha de salários, classificamse como contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, vinculadas com a categoria econômica do setor rural, de maneira que seus contribuintes e beneficiários não são toda a coletividade, mas, sim pessoas jurídicas e trabalhadores que atuam no setor rural, em consonância co o art. 1º e 3º da Lei nº 8.315, que dispõe sobre a criação do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR. (...) Logo, tal contribuição não está albergada pela imunidade a que se refere o art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal, de 1988. A inaplicabilidade do mencionado dispositivo constitucional em relação às contribuições destinadas ao SENAR, em razão destas serem classificadas como de interesse das categorias profissionais ou econômicas, também está explícita na Instrução Normativa (IN) da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) nº 971, de 13 de novembro de 2009, a seguir: Art. 170. Não incidem as contribuições sociais de que trata este Capítulo sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos, cuja comercialização ocorra a partir de 12 de dezembro de 2001, por força do disposto no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001. (...) § 3º O disposto no caput não se aplica à contribuição devida ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), por se tratar de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas. (...) (Grifouse) Nesse sentido, citase ainda, a título de exemplo, os seguintes acórdãos proferidos no âmbito do CARF: Fl. 1754DF CARF MF Processo nº 15868.720141/201423 Acórdão n.º 2202003.743 S2C2T2 Fl. 1.755 16 (...) SENAR. AGROINDÚSTRIA. RECEITA PROVENIENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL. INCIDÊNCIA. Por se tratar de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, integram a base de cálculo da contribuição para o SENAR tanto as receitas brutas provenientes da comercialização da produção rural realizadas com empresas constituídas e em funcionamento no país, mesmo as trading companies, como aquelas decorrentes de exportação, ou seja, realizadas com adquirente domiciliado no exterior. (...) (Acórdão nº 2302003.430, de 08/10/2014, Relator: Cons. Arlindo da Costa e Silva ) (...) SENAR, COTRIBUIÇÃO DE INTRVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO NÃO APLICAÇÃO DO INCISO I DO § 2º DO ART. 149 DA CF/88. As contribuições destinadas ao SENAR, classificamse como contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, sendo assim, são devidas, não havendo que se concluir que a imunidade a que se refere o inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição lhe alcançaria, porquanto se refere expressamente às contribuições sociais e às de intervenção no domínio econômico. (...) (Acórdão nº 2401003.536, de 14/05/2014 – Relatora: Cons. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira) Diante do exposto, há que se negar provimento ao recurso voluntário quanto a essa matéria. Contribuição Previdenciária e destinada ao SENAR sobre receita de exportação indireta (levantamento RI) Quanto a essa matéria, o contribuinte alegou possuir ação judicial que o favorece. Porém, conforme já se discutiu no início, a referida ação judicial trata da incidência da contribuição sobre exportações indiretas via comerciais exportadoras; e, portanto, não abrange a situação dos autos, que se refere à incidência da contribuição sobre exportações indiretas por meio de cooperativa. Assevera que mesmo que não se entenda por acatar a decisão judicial, ainda remanesce a ilegalidade na cobrança, tendo em vista que "a receita auferida com a venda de mercadorias à comercial exportadora é receita decorrente de exportação e, portanto, imune à incidência de contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico", conforme restou decido nos Acórdãos do CARF (nº 2401003.072 e nº 2401003.072). Cita trechos dos Acórdãos do CARF e do Poder Judiciário, todos relativos à não incidência da contribuição sobre exportação indireta via trading companies. Fl. 1755DF CARF MF Processo nº 15868.720141/201423 Acórdão n.º 2202003.743 S2C2T2 Fl. 1.756 17 A operação considerada pelo fisco como exportação indireta, no caso em questão, foi realizada por intermédio de cooperativa, da forma especificada no Relatório Fiscal às fls. 1199/1200, cujo trecho já se transcreveu na preliminar. O contribuinte em nenhum momento questiona em seu recurso se a operação realizada por meio da cooperativa poderia ser considerada como de exportação indireta. Apenas se insurge contra a incidência da contribuição sobre as exportações indiretas realizadas por intermédio de comerciais exportadoras. Porém, o presente lançamento não contempla sobre essa situação. Portanto, há que se concluir que em relação à incidência do tributo em questão sobre as exportações realizadas indiretamente via cooperativa não houve litígio, por ausência de questionamento. Ademais, apenas para argumentar, ainda que se abstraia da figura intermediária oposta na operação (se cooperativa ou trading), há que se frisar que o texto constitucional não prevê a imunidade para exportações feitas por meios indiretos, como se vê abaixo: Art. 149. (…) (...) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) (...) (Grifouse) Notase que o dispositivo constitucional concede imunidade em relação às contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico sobre as receitas decorrentes de exportação. Porém, a fruição do benefício fiscal em tela não contempla as operações no mercado interno, ainda que se caracterizem em operações intermediárias e se realizem com o objetivo específico de comercializar a produção com o mercado exterior. Como a imunidade se configura em uma norma de exceção, deve ser interpretada de forma estrita, conforme disposição expressa do art. 111, do Código Tributário Nacional (CTN). Esse entendimento é traduzido no art. 170, §§ 1º e 2º da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, a seguir: Art. 170. Não incidem as contribuições sociais de que trata este Capítulo sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos, cuja comercialização ocorra a partir de 12 de dezembro de 2001, por força do disposto no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001. Fl. 1756DF CARF MF Processo nº 15868.720141/201423 Acórdão n.º 2202003.743 S2C2T2 Fl. 1.757 18 § 1º Aplicase o disposto neste artigo exclusivamente quando a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. § 2º A receita decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no País é considerada receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que esta dará ao produto. (...) Acrescentase ainda que em relação à contribuição ao SENAR, já se pronunciou em item específico acima (levantameto RE) que, pelo fato dessa ser classificada como de interesse das categorias profissionais ou econômicas, não está contemplada pela imunidade prevista no art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal, que restringe o benefício às contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico. Assim, necessário negar provimento ao recurso quanto ao levantamento RI Receita Exportação Indireta. Pedido de perícia e apresentação de provas Considerase não formulado o pedido de perícia para definição do processo produtivo da Recorrente, a fim de demonstrar sua atividade típica, por falta de indicação de perito, nos termos do art. 16, IV, 1º do Decreto nº 70.235/72. Ademais, tal perícia se mostra prescindível para o deslinde do litígio, assim como as diligências pedidas de forma genérica. Negase também a produção de demais provas, pois essas devem ser apresentadas na impugnação, conforme art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso, REJEITAR a preliminar de conversão do julgamento em diligência e de concomitância na via judicial e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Rosemary Figueiroa Augusto Relatora Fl. 1757DF CARF MF Processo nº 15868.720141/201423 Acórdão n.º 2202003.743 S2C2T2 Fl. 1.758 19 Fl. 1758DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.000523/2008-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2006
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
O MPF é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções no MPF não são causa de nulidade do lançamento.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. Entende-se por salário-de-contribuição a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades.
ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA.
Integra a remuneração do segurado os valores recebidos a título de alimentação pagos em pecúnia.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE.
O processo administrativo não é via própria para a discussão da constitucionalidade das leis ou legalidade das normas. Enquanto vigentes, os dispositivos legais devem ser cumpridos, principalmente em se trantando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Márcio de Lacerda Martins, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
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Recorrente LUA NOVA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2006 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O MPF é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções no MPF não são causa de nulidade do lançamento. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Entendese por saláriodecontribuição a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades. ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA. Integra a remuneração do segurado os valores recebidos a título de alimentação pagos em pecúnia. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. O processo administrativo não é via própria para a discussão da constitucionalidade das leis ou legalidade das normas. Enquanto vigentes, os dispositivos legais devem ser cumpridos, principalmente em se trantando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 05 23 /2 00 8- 40 Fl. 433DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Márcio de Lacerda Martins, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 434DF CARF MF Processo nº 19515.000523/200840 Acórdão n.º 2401004.735 S2C4T1 Fl. 434 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD (Debcad 37.010.1995) lavrado contra a empresa em epígrafe, referente a contribuição social previdenciária correspondente à contribuição dos segurados e contribuição da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), e contribuição social destinada a terceiros (Salário Educação, Sesi, Senai, Incra e Sebrae), incidente sobre valores pagos a segurados empregados (caminhoneiros e pilotos de aeronaves) a título de vale refeição, no período de 01/98 a 12/06. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 114/115) os valores pagos em dinheiro, a título de valerefeição, inseridos na folha de pagamento sob o código de evento 092, devem ser incluídos na base de cálculo dos recolhimentos da empresa à Previdência Social, aplicandose sobre eles as mesmas alíquotas de contribuição incidentes sobre as demais parcelas remuneratórias. Cientificado do lançamento em 27/1/07 (Aviso de Recebimento AR de fl. 116), o contribuinte apresentou impugnação, sendo proferido o Acórdão 1648.308, fls. 325/370, com a seguinte ementa e resultado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontandoas das respectivas remunerações, e a recolher o produto arrecadado, assim como as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos referidos segurados, nos prazos definidos em lei. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS TERCEIROS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos mesmos prazos definidos em lei para as contribuições previdenciárias, as contribuições destinadas aos Terceiros, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados a seu serviço. MPF. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. CIÊNCIA. PRORROGAÇÕES. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administradas pela Fl. 435DF CARF MF 4 Secretaria da Receita Federal do Brasil, devendo o sujeito passivo ser cientificado deste no início da fiscalização. Inexiste previsão legal para ciência do sujeito passivo relativamente às prorrogações e complementação do Mandado de Procedimento Fiscal inicial, não havendo, portanto, que se falar em nulidade do lançamento fiscal. A cientificação do lançamento ao sujeito passivo após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal MPF não acarreta nulidade do lançamento. CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA PARCIAL. Declarada pelo STF a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011. NÃO INCIDÊNCIA CONDICIONADA. Para que o auxílioalimentação pago pelas empresas, inscritas ou não no PAT Programa de Alimentação do Trabalhador, não sofra a incidência de contribuições previdenciárias é necessário que o mesmo seja fornecido “in natura”. O fornecimento em espécie e de forma reiterada não afasta a tributação. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. INCAPACIDADE DE ALTERAR OBRIGAÇÕES DEFINIDAS EM LEI. As Convenções Coletivas comprometem empregadores e empregados, não possuindo capacidade de alterar as normas legais que obrigam terceiros, ou de isentar o contribuinte de suas obrigações definidas por Lei. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. O anexo CORESP Relação de Coresponsáveis não tem como escopo incluir os sócios da empresa no polo passivo da obrigação tributária, mas sim, listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS. TAXA SELIC. MULTA. Sobre as contribuições sociais pagas com atraso incidem juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC e multa de mora, ambos de caráter irrelevável. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. No âmbito do processo administrativo fiscal é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 436DF CARF MF Processo nº 19515.000523/200840 Acórdão n.º 2401004.735 S2C4T1 Fl. 435 5 PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente, ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências e perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. INTIMAÇÃO. ENDEREÇAMENTO. Por expressa determinação legal, as intimações devem ser endereçadas ao domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte De acordo com o voto do acórdão de impugnação, foi excluído do lançamento as competências 01/98 a 11/01, em virtude da decadência, aplicandose o disposto no CTN, art. 173, I. Para as competências mantidas, os valores lançados na rubrica segurados foram retificados. Cientificado do Acórdão em 2/9/13 (Aviso de Recebimento AR de fl. 376), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 27/9/13, fls. 377/418, que contém, basicamente, os mesmos argumentos da impugnação, em síntese: Preliminarmente, alega nulidade, pois entende que a emissão e a remessa da notificação fiscal ocorreram em período não coberto pelo Mandado de Procedimento Fiscal MPF e suas prorrogações. Também não havia MPF válido para alguns períodos e prorrogação de MPF vencido. Diz que forneceu aos seus empregados alimentação porque aderiu ao Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, conforme Lei 6.321/76. Contudo, a fiscalização desconsiderou o atendimento da empresa ao PAT em virtude do pagamento do benefício em dinheiro em relação às categorias motoristas caminhoneiros e pilotos de aeronaves. Explica que pagou o benefício em dinheiro aos caminhoneiros e pilotos, pois eles se deslocam para todos os rincões do país, não tendo o empregador como garantir que os tíquetes sejam aceitos em todos os lugares. Afirma que foi a fiscalização que entendeu que o evento 092 da folha de pagamento se refere a vale refeição, quando na verdade, referese a pagamento de diárias, e que estas não ultrapassam o limite de 50% da remuneração mensal, nos termos da Lei 8.212/91, art. 28, § 9º, alínea 'h'. Fl. 437DF CARF MF 6 Acrescenta que mesmo que o benefício fosse considerado salário de contribuição, não haveria contribuições de segurados, pois todos já contribuíram sobre o teto. Entende ser absurdo, uma vez cumprido o espírito da lei, a fiscalização desconsiderar o programa pela falta de um dever instrumental, não fixado em lei, que é a impossibilidade de pagamento de benefício em dinheiro em circunstâncias especiais de deslocamento dos segurados em viagens. Cita doutrina e jurisprudência. Alega que a exação fiscal é inconstitucional, cita jurisprudência e decisões do CARF. Requer a declaração de nulidade do lançamento por vício no MPF. Também requer a nulidade por erro material, pois comprovou a existência de instrumento coletivo do trabalho com previsão do benefício social, sendo que o pagamento em dinheiro não altera a natureza jurídica do benefício. Também requer a nulidade por erro material, pois o pagamento se refere a diárias. Caso assim não se entenda, requer a exclusão da contribuição de segurados, pois todos já contribuíram sobre o teto. Conforme despacho de fl. 179, os autos foram baixados em diligência para que a fiscalização esclarecesse argumentos apresentados na impugnação. Em informação de fl. 181 a fiscalização esclarece que o evento 92 aparece entre os proventos habituais dos carreteiros e pilotos das aeronaves, em valores fixos mensais, sob o título "vale refeição" e não como "diárias". Os autos foram novamente baixados em diligência, despacho de fls. 183/184, para o lançamento fosse revisto, considerando o teto do salário de contribuição para os segurados envolvidos no lançamento e para que fosse informado se a empresa estava inscrita no PAT. Em informação de fls. 204/214, a fiscalização afirma que a empresa se inscreveu no PAT em 6/5/04 e apresenta tabela com o novo cálculo da contribuição dos segurados, considerando o teto do salário de contribuição. Em planilhas juntadas às fls. 217/246, constam a remuneração por segurado, o acréscimo do valor pago a título de vale refeição e a apuração da contribuição devida, por segurado. É o relatório. Fl. 438DF CARF MF Processo nº 19515.000523/200840 Acórdão n.º 2401004.735 S2C4T1 Fl. 436 7 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. MPF O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte, o que implica dizer que seu vencimento não constitui, por si só, causa de nulidade do lançamento e nem provoca a reaquisição de espontaneidade por parte do sujeito passivo. O Mandado de Procedimento Fiscal, instituído pela Portaria SRF nº 1.265, de 22/11/99, é um instrumento de planejamento e controle interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que confere transparência ao processo de fiscalização. Estando o contribuinte regulamente intimado do procedimento fiscal e com a espontaneidade suspensa, não há que se falar em vício de forma se foram seguidas as disposições legais pertinentes ao lançamento e à lavratura do auto de infração, contidas no CTN, art. 142 e no Decreto 70.235/72, art. 10. Assim, tendo o auditor fiscal competência outorgada por lei para fiscalizar e constituir o crédito tributário pelo lançamento, eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA Quanto ao pagamento de alimentação em pecúnia, não assiste razão à recorrente, especialmente quando alega que cumpriu o propósito da lei, que havia previsão em convenção coletiva e que aderiu ao PAT. Para o segurado do RGPS, qualquer parcela destinada a retribuir o seu trabalho integra o salário de contribuição, conforme Lei 8.212/1991, artigo 28, inciso I: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo Fl. 439DF CARF MF 8 coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Entretanto, a Lei 8.212/91, no art. 28, § 9º, exclui algumas rubricas da base de incidência das contribuições previdenciárias, contudo para que tais rubricas sejam excluídas, elas devem estar previstas no citado dispositivo legal e devem ser pagas dentro dos ditames da lei. Na lição de Luciano Amaro (Direito Tributário Brasileiro, São Paulo: Saraiva, 2011), a isenção é técnica por meio da qual a lei tributária, ao descrever o gênero de situações sobre as quais impõe o tributo, pinça uma ou diversas espécies e as declara isentas, ou seja, excepcionadas da norma de incidência. Nos termos do § 6º do artigo 150 da Constituição Federal de 1988, é necessário que exista lei específica para a definição de qualquer isenção relativa a impostos, taxas ou contribuições. A relação de que trata art. 28, § 9º é exaustiva (“Não integram o saláriode contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente”). Dessa forma, apenas as parcelas expressamente incluídas nessa relação estão fora da incidência das contribuições. Quanto ao auxílio alimentação, o art. 28, § 9º, 'c', dispõe que: Art. 28 [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Portanto, apenas a alimentação fornecida in natura está fora do conceito de saláriodecontribuição, independentemente de previsto em acordo ou convenção coletiva. De acordo com o PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 não há incidência de contribuição previdenciária sobre o pagamento in natura do auxilioalimentação. Ou seja, quando o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir verba de natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho. Entende o Colendo Superior Tribunal que tal atitude do empregador visa tãosomente proporcionar um incremento à produtividade e eficiência funcionais. No caso em análise, o próprio sujeito passivo reconhece o pagamento da alimentação em pecúnia. DIÁRIAS DE VIAGEM A autuada explica que pagou o benefício em dinheiro aos caminhoneiros e pilotos, pois eles se deslocam para todos os rincões do país, não tendo o empregador como Fl. 440DF CARF MF Processo nº 19515.000523/200840 Acórdão n.º 2401004.735 S2C4T1 Fl. 437 9 garantir que os tíquetes sejam aceitos em todos os lugares, e que foi a fiscalização que entendeu que o evento 092 da folha de pagamento se refere a vale refeição, quando na verdade, referese a pagamento de diárias, e que estas não ultrapassam o limite de 50% da remuneração mensal, nos termos da Lei 8.212/91, art. 28, § 9º, alínea 'h'. A fiscalização afirma que a autuada efetuou pagamentos a segurados empregados em valores fixos sob o título de “vale refeição” e não considerou tais valores como base de cálculo de contribuições sociais para a previdência social e para terceiros. Por isso, considerou tais valores como salário de contribuição. Questionada, a fiscalização afirma que o evento 92 da folha de pagamento aparece entre os proventos habituais dos carreteiros e pilotos das aeronaves, em valores fixos mensais, sob o título "vale refeição" e não como "diárias". A Lei 8.212/91, artigo 28, § 9º, alínea 'h', dispõe que: Art. 28. [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; [...] Em que pese o argumento da empresa que se trata de pagamentos feitos a caminhoneiros e pilotos que se deslocam, o que aparentemente indica que são valores pagos para cobrir despesas com alimentação fora do domicílio do trabalhador, não foram apresentadas qualquer prestação de contas de despesas, nem números de dias de viagem para o pagamento das parcelas. Não constam dos autos elementos adicionais e suficientes que demonstrassem tratarse de valores pagos para alimentação de funcionários que efetuaram viagem ou deslocamento. Acrescentese, conforme planilhas juntadas às fls. 217/246, que os valores são fixos, sendo R$ 180,00 para carreteiros e R$ 400,00 para pilotos (alguns valores que constam das planilhas são inferiores aos citados, mas ao que parece, tratase de pagamento proporcional, pois não há nenhum valor superior). Caso tais valores fossem realmente diárias, mesmo que para cobrir apenas a alimentação, não teriam valor fixo, mas sim proporcionais aos dias de deslocamento do trabalhador. Os valores pagos somente poderiam ter o tratamento de diárias, mesmo que pagas apenas para custear refeições, caso restasse comprovado que os trabalhadores efetivamente efetuaram viagens/deslocamentos, o que não consta nos autos. Assim, não há como prosperar o argumento da recorrente nesse sentido. CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADOS Descabida a alegação de que não cabe o lançamento da contribuição de segurados, pois todos recebem o teto. Fl. 441DF CARF MF 10 Conforme descrito no Acórdão de Impugnação, fls. 356/362, tal argumento ensejou diligência fiscal e o crédito apurado já foi retificado, conforme trecho a seguir: Considerando a exclusão das competências 01/1998 a 11/2001, face à ocorrência da decadência prevista no art. 173, inciso I, do CTN, e a retificação dos valores das contribuições dos segurados empregados, de acordo com o Relatório do Processo Administrativo nº 19515.000523/200840, e anexos “Cálculo da Contribuição dos Segurados Empregados Carreteiros” e “Cálculo da Contribuição dos Segurados Empregados Pilotos”, emitidos no decorrer da diligência fiscal, o lançamento fica retificado conforme demonstrado a seguir: Logo, tal questionamento já foi sanado no Acórdão de Impugnação. INCONSTITUCIONALIDADE Não há que se falar que a exação fiscal é inconstitucional. A validade ou não da lei, em face de suposta ofensa a princípio de ordem constitucional escapa ao exame da administração, pois se a lei é demasiadamente severa, cabe ao Poder Legislativo, revêla, ou ao Poder Judiciário, declarar sua ilegitimidade em face da Constituição. Assim, a inconstitucionalidade ou ilegalidade de uma norma não se discute na esfera administrativa, pois não cabe à autoridade fiscal questionála, mas tão somente zelar pelo seu cumprimento, sendo o lançamento fiscal um procedimento legal a que a autoridade fiscal está vinculada. Ademais, o Decreto 70.235/72, dispõe que: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. E a Súmula CARF nº 2 determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, irrelevantes os argumentos de que a exação fiscal é inconstitucional. CONCLUSÃO Voto por conhecer do recurso, NEGANDOLHE provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Fl. 442DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.727488/2013-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1402-000.423
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até que seja apreciado no CARF o processo 11065.720392/2012-31.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até que seja apreciado no CARF o processo 11065.720392/201231. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 27 48 8/ 20 13 -1 2 Fl. 5473DF CARF MF Processo nº 11080.727488/201312 Resolução nº 1402000.423 S1C4T2 Fl. 5.474 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada pela 2ª Turma da DRJ/BHE, em sessão de 22 de setembro de 2015 (fls. 5281/5300)1, que julgou improcedente a impugnação apresentada perante aquela Turma Julgadora e manteve os lançamentos de IRPJ/CSLL em sua totalidade. DOS AUTOS DE INFRAÇÃO Os lançamentos em discussão encontramse assim retratados nos autos de infração de IRPJ e CSLL (fls. 4923/4945): a) IRPJ b) CSLL 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 5474DF CARF MF Processo nº 11080.727488/201312 Resolução nº 1402000.423 S1C4T2 Fl. 5.475 3 DA ACUSAÇÃO FISCAL Por bem resumir o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida, ajustandoa quando necessário (Relatório Fiscal – RF – fls. 4946/4976): “...a autoridade fiscal informa que a análise do processo administrativofiscal 11065.720392/201231 (páginas 2 a 4.449) é premissa para entendimento da autuação e que suas motivações e seus argumentos foram utilizados como subsídio ao crédito constituído no processo atual. Descreve a estrutura simplificada do Grupo Vonpar da seguinte maneira: Grupo Vonpar composto pela Holding Ultrapar que detém 72% da Holding Vonpar SA (VSA) que detém 99% da empresa operacional Vonpar Refrescos SA (VRSA). Esquematicamente (RF – fls. 4947): Fl. 5475DF CARF MF Processo nº 11080.727488/201312 Resolução nº 1402000.423 S1C4T2 Fl. 5.476 4 Informa que a VSA deduziu das bases de cálculo do IRPJ e CSLL nos anos de 2008 e 2009 o montante de R$ 89.996.940,02. Desse montante, R$ 53.482.088,81 apurados entre os anos de 2003 e 2007. Nesse período, a VSA apurou JCP de acordo com a legislação, mas tal apuração foi extracontábil, não sendo efetuado nenhum registro na contabilidade, nem realizado ato formal aprovando eventuais distribuições aos seus acionistas. Acrescenta que a VSA, no exercício de sua faculdade, optou por não pagar, nas competências de 2003 a 2007, os JCP apurados de forma extracontábil. Optou por apurar e acumular tais juros até a competência de 2008, ano em que iniciou os pagamentos. Ou seja, apropriou no resultado tais juros no momento que entendeu oportuna sua liquidação perante seus acionistas. Porém, quanto a dedutibilidade de JCP, está sedimentado na atual jurisprudência que o regime de competência é um dos critérios legais que devem ser observados para dedução de JCP na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL e a VSA não observou tal critério. Informa também que conforme amplo detalhamento contido no Relatório Fiscal referente ao processo 11065.720392/201231 constante às páginas 3.587 a 3.856, o qual evidenciou planejamento tributário ilegal implementado pelo Grupo Vonpar, visando ocultar aquisição ilegal das próprias ações de uma de suas controladas (a VRSA), o patrimônio líquido daquela empresa foi reduzido de R$ 526.971.000,00, em 31 de dezembro de 2006, para apenas R$ 19.271.000,00, em 31 de janeiro de 2007. Essa redução refletiuse no patrimônio líquido da VSA, pois essa detinha participação de 99% da VRSA. Com base no método da equivalência patrimonial, esse investimento passou a ser de R$ 19.078.290,00 (R$ 19.271.000,00 x 99%). Fl. 5476DF CARF MF Processo nº 11080.727488/201312 Resolução nº 1402000.423 S1C4T2 Fl. 5.477 5 Em função disso, recalculou os JCP apurados pela VSA nos anos de 2008 e 2009, considerando o patrimônio líquido efetivamente existente a partir de 31 de janeiro de 2007. O recalculo apresentado resultou em glosa (indedutibilidade) de mais R$ 19.739.389,44 de JCP contabilizados e pagos nas competências 2008 e 2009. Finaliza concluindo que os JCP de R$ 89.996.940,00, contabilizados como despesa e diminuídos das bases de cálculo do IRPJ e CSLL nos anos de 2008 e 2009, devem limitarse ao montante de R$ 16.775.461,77. A diferença entre o valor pago (R$ 89.996.940,00) e o valor apurado como dedutível pelo fisco (R$ 16.775.461,77) perfaz o montante de R$ 73.221.478,23. Essa diferença é o objeto da presente constituição de crédito. Compõese da glosa de R$ 53.482.088,81 decorrentes da violação ao princípio da competência e de R$ 19.739.389,44 decorrentes do recalculo das bases de cálculo dos JCP apurados pela VSA em 2008 e 2009 com base no PL reduzido pelo lançamento em VRSA”. Esquematicamente: DA IMPUGNAÇÃO E DA DECISÃO RECORRIDA Irresignada, a autuada apresentou impugnação aos lançamentos (fls. 4979/5009), assim resumida pela decisão recorrida (fls. 5284/5285): Fl. 5477DF CARF MF Processo nº 11080.727488/201312 Resolução nº 1402000.423 S1C4T2 Fl. 5.478 6 “Quantificação incorreta dos JCP em razão da redução no PL de VRSA. A autuação com base na redução do PL apóiase no lançamento efetuado no processo 1105.720392/201231, razão pela qual anexa ao presente processo a impugnação e o recurso voluntário apresentados por VRSA para combater o lançamento citado, por entender que nas peças restou demonstrado que não houve quantificação incorreta do PLC de VRSA, em razão de não ter ocorrido a compra de suas próprias ações. Possibilidade de dedução, em 2008 e 2009, do JCP apurado em períodos anteriores. Novamente, a impugnante remete às alegações do processo 1105.720392/201231, transcrevendo as seguintes razões: (i) os limites previstos na Lei n° 9.249/95 para a dedutibilidade dos JCP relacionamse exclusivamente à taxa de juros (TJLP aplicada ao Patrimônio Liquido) e à existência de resultado distribuível pela pessoa jurídica (50% dos lucros correntes ou acumulados, valendo o que for maior); (ii) a lei não estabelece qualquer limite temporal para o pagamento dos JCP, dai que os JCP calculados mediante a aplicação da TJLP em determinado período podem ser pagos em período subsequente, bastando, para tanto, que existam lucros correntes ou acumulados em montante igual ou superior ao dobro do valor pago aquele titulo; (iii) confirma tal conclusão o fato de a dedução dos JCP configurar um mecanismo de correção dos efeitos da inflação (ainda que abrandada) sobre o PLC, dai que, perdurando tais efeitos no tempo, não faria sentido condicionar a referida dedução ao pagamento dos JCP no mesmo período base em que calculados; (iii) ao prever que os JCP são dedutíveis segundo o regime de competência, a Instrução Normativa ("IN") da Secretaria da Receita Federal do Brasil ("SRF") n° 11/96 apenas esclarece que a despesa a eles relativa deve ser reconhecida no períodobase em que for deliberado o seu crédito ou pagamento, pois apenas nesse momento teria nascido a obrigação a eles relativa, indispensável ao reconhecimento de despesas na forma daquele regime; (iv) interpretação diferente da IN SRF n° 11/96 acarretaria a conclusão de que ela teria extrapolado sua função meramente regulamentar, em clara violação ao princípio da legalidade, ante a inexistência de lei condicionando a dedutibilidade do JCP ao seu pagamento no mesmo períodobase em que calculado; e (v) ainda que por absurdo fossem procedentes os argumentos da fiscalização, o cálculo do PLC de VRSA deveria ser ajustado para a refletir adequadamente a glosa das despesas de JCP relativas a anoscalendários anteriores; e os efeitos do cômputo do custo integral de ágio em 08.01.2007. Cita jurisprudência. Fl. 5478DF CARF MF Processo nº 11080.727488/201312 Resolução nº 1402000.423 S1C4T2 Fl. 5.479 7 Improcedência dos autos em razão de a glosa da despesa de JCP deduzida pela impugnante acarretar, necessariamente, a eliminação de tributação de receitas de JCP, no mesmo valor. Nesse ponto, discorre o impugnante sobre a natureza jurídica do JCP defendendo ser de distribuição de lucros. Faz histórico sobre a legislação, junta doutrina e, ao final, defende a necessidade de neutralizarse o efeito fiscal adverso da tributação da receita com JCP recebidos em conjunto com a glosa do JCP pagos. Cita minuta do TVF no qual a fiscalização defendia a neutralidade dos efeitos fiscais na cadeia de pagamentos e recebimentos de JCP no grupo Vonpar. Pedido Em face do exposto, requer sejam julgados improcedentes aos autos com a conseqüente extinção do crédito tributário decorrente”. Analisando o litígio instaurado, a 2ª Turma da DRJ/BHE assentou: Quanto à quantificação incorreta dos JCP em razão da redução no PL de VRSA: “Conforme explica a Autoridade Fiscal e reconhece a impugnante, a glosa relativa à redução no PL decorre do lançamento efetuado no processo 11065.720392/201231. Por esta razão, não cabe aqui enfrentar os fundamentos do lançamento nem as alegações do contribuinte sobre o tema, pois tal enfrentamento é de competência do colegiado da 1ª Turma da Delegacia de Julgamento de Porto Alegre, em 1ª Instância, e da 2ª Câmara do CARF. Em 1ª Instância, já foi prolatado o acórdão da turma competente e o lançamento foi integralmente mantido. (...) A requantifição do patrimônio líquido de VRSA influenciou o patrimônio líquido de VSA, reduzindoo, pois esta detinha investimento naquela. Em consequência, o PL de VSA foi reduzido, passando de R$ 526.971.000,00, em 31 de dezembro de 2006, para R$ 19.271.000,00, em 31 de janeiro de 2007. Os JCP possuem como base de cálculo as contas do Patrimônio Líquido, as quais devem ser quantificadas de acordo com os critérios contábeis aplicados aos fatos efetivamente ocorridos, e não de acordo com sua estrutura formal e artificial. Tendo sido mantido o lançamento que, desconsiderando a operação realizada pela VRSA, trouxe novos valores ao seu PL, deve ser mantida a glosa dos valores excedentes apurados pela recorrente, em 2008 e 2009, com base nos saldos das contas do PL anteriores à redução”. Quanto à possibilidade de dedução, em 2008 e 2009, do JCP apurado em períodos anteriores. Fl. 5479DF CARF MF Processo nº 11080.727488/201312 Resolução nº 1402000.423 S1C4T2 Fl. 5.480 8 “O contribuinte invoca a economia processual para aproveitar as alegações do processo 11065.720392/201231 reproduzidas no documento 3 em relação a possibilidade de dedução de JCP apurados em períodos anteriores. Na mesma toada, por concordar com as razões que levaram a 1ª Turma da DRJ de Porto Alegre, no citado acórdão 1042.451, a não acatar os argumentos do contribuinte, faço minhas suas razões de decidir que reproduzo a seguir (...) Mais uma vez, entendo mostrarse correto o entendimento esposado pela autoridade fiscal. Ora, impõese estabelecer, de início, que o artigo 9º da Lei nº 9.249/95, a seguir transcrito, que disciplina a dedução dos JCP na apuração do lucro real, artigo esse reproduzido pelo artigo 347 do RIR/99, tendo ambos sido consignados como fundamento legal do lançamento , é norma tributária concessiva de faculdade, que autoriza o contribuinte a deduzir, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL em determinado anocalendário, despesas de JCP incidentes sobre o Patrimônio Líquido PL do ano, consoante limites e condições que fixa. Até a edição dessa lei, tal tipo de dedução era expressamente proibido pelo artigo 49 da Lei nº 4.506/64, também a seguir transcrito, que não admitia como despesas operacionais os valores creditados a sócios da pessoa jurídica, a título de juros sobre o capital social. (...) Por força desse comando legal, o autuado possuía, então, direito, em cada anocalendário do período de 2003 a 2007, a faculdade de deduzir despesas com JCP na apuração do lucro real do ano. Pelos demonstrativos apresentados, porém, verificase que optou por não exercer a referida faculdade, acumulando tais valores e procedendo à sua dedução em períodos posteriores, quais sejam, entre os anoscalendário de 2008 a 2010, o que veio dar causa à parte da glosa referente aos JCP. Esclareçase que a impugnante, nesse ínterim, também se utilizou da dedução dos montantes a que faria jus em cada respectivo período, calculado com base nas contas do Patrimônio Líquido de cada anocalendário correspondente. Cabe notar, a este ponto, que, a par do conteúdo facultativo da norma em questão, deve ser considerado, também, que, na ordem tributária vigente, a apuração de tributos é regida pelo princípio da autonomia dos exercícios financeiros e de sua independência. Tal princípio está consagrado pelo STJ consoante o decidido no RESP 168379/PR, cujo excerto relevante é abaixo reproduzido. Decidiuse que, tratandose do sistema de compensação de prejuízos fiscais, a cada período de apuração do IRPJ corresponde um fato gerador, com base de cálculo própria e independente. Daí se infere que, para aquela Egrégia Corte, não é admissível a transferência de valores pertinentes a um período de apuração de IRPJ, para outro, a não ser mediante expressa autorização legal. (...) Fl. 5480DF CARF MF Processo nº 11080.727488/201312 Resolução nº 1402000.423 S1C4T2 Fl. 5.481 9 No caso do IRPJ e da CSLL, a periodicidade de apuração do lucro real é trimestral, sendo possível apenas convertêla em anual mediante antecipação mensal de recolhimento dos tributos sob a forma de pagamento de estimativas, conforme disciplinamento dado em leis e em atos normativos infralegais específicos. Cada período de apuração, trimestral ou anual, é único e independente de outro qualquer, possuindo fato gerador e bases de cálculo próprias. As bases de cálculo do IRPJ e da CSLL de determinado trimestre ou ano não podem se compor, por definição, com as receitas e despesas de trimestres ou anos anteriores, a não ser mediante expressa autorização legal. O lucro tributável, o lucro real, é aquele apurado no trimestre ou no ano, resultante do lucro líquido apurado sob o regime de competência, com as adições e exclusões autorizadas em lei. E o regime de competência, sendo critério básico para registro das operações da pessoa jurídica, tanto na contabilidade societária como na fiscal, por força do estipulado no artigo 177 da LSA, a seguir reproduzido e pelo qual devem ser registradas, na apuração do Resultado do ano, as receitas e despesas incorridas no ano , é a tradução, no plano contábil, do princípio da autonomia dos exercícios financeiros e sua independência. (...) Portanto, se, in casu, a própria impugnante decidiu creditar aos sócios JCP incidentes sobre PL´s de anos anteriores, tal decisão não pode ter validade para fins fiscais, visto que se referem a despesas que poderiam ser incorridas em anos anteriores, 2003 a 2007, não nos períodos em que foram realizadas suas deduções, 2008 a 2010. A observância do regime de competência implica o reconhecimento, como despesas dedutíveis, apenas em relação aos juros incorridos no ano de sua contabilização. A faculdade de pagamento ou crédito de JCP a acionista ou sócio deve ser, então, exercida no anocalendário de apuração do lucro real. É imperioso, nesta circunstância, para a legitimidade de dedução das correspondentes despesas, ao contrário do pretendido pelo autuado, que os juros pagos ou creditados se restrinjam aos juros incidentes sobre o PL do ano, e não incluam juros incidentes sobre PL de anos anteriores, respeitandose, assim, o regime de competência e o princípio da autonomia dos exercícios financeiros e de sua independência. Esta é a razão porque nem o artigo 9º, da Lei 9.249/95, nem o artigo 347, do RIR/99, aos quais o autuado ser refere como não impondo limites a deduções, não necessitam explicitar a subordinação dos JCP ao regime de competência. E, de fato, a IN SRF 11/96, no artigo 29, a seguir reproduzido, ao estipular a observância do regime de competência para tais deduções, expressou apenas o que já estava implícito no artigo 9º, da Lei 9.249/95 como condição para a dedução desse tipo de despesas. Tal disposição é repetida, ainda, no artigo 4º, da IN SRF 41/98, também abaixo transcrita. Tratase de faculdade que somente pode ser exercida no anocalendário de competência, quando se apuram os valores passíveis de serem pagos ou creditados a título de JCP, aqueles incorridos no ano. (...) Fl. 5481DF CARF MF Processo nº 11080.727488/201312 Resolução nº 1402000.423 S1C4T2 Fl. 5.482 10 Assim, por força dos expressos teores do caput do artigo 9º da Lei 9.249/94 e do artigo 29 da IN SRF nº 11/96, acima reproduzidos, não é suficiente, para caracterizar a observância do regime de competência, que as despesas de JCP sejam reconhecidas no mesmo período da deliberação social que determina o pagamento ou creditamento, consoante defende o autuado. Isto porque falta a condição necessária para legitimar a dedução, a saber: o pagamento ou crédito contabilmente reconhecido deve se referir exclusivamente aos juros incidentes sobre o PL do mesmo exercício para o qual se apura o lucro real em que se fará a dedução, por serem o que se pode conceber como juros incorridos no período, conforme anteriormente explanado. Não podem se referir a juros incidentes sobre o PL de períodos anteriores, e, portanto, a juros incorridos em períodos anteriores. Tal entendimento é corroborado, inclusive, por doutrinadores de renome. Transcrevese a seguir artigo publicado pelo Dr. Edmar Oliveira Andrade Filho: (...) Desta forma, não possui respaldo nas normas de regência o argumento do autuado de que teria observado o regime de competência pelo fato de ter decidido o creditamento do montante de JCP em questão no mesmo período em que levou a efeito a dedução no lucro real de juros incorridos em anos anteriores”. (os destaques são do original). Quanto à improcedência dos autos em razão de a glosa da despesa de JCP deduzida pela impugnante acarretar, necessariamente, a eliminação de tributação de receitas de JCP, no mesmo valor. “Em que pese a profundidade com que o tema foi tratado pela impugnante e a respeitabilidade da doutrina trazida em sua defesa, entendo de forma diversa quanto à natureza jurídica dos juros sobre o capital próprio. No dizer de Maria Helena Diniz, natureza jurídica seria a "afinidade que um instituto tem em diversos pontos,com uma grande categoria jurídica, podendo nela ser incluído o título de classificação". De outra banda, leciona Marcos Bernardes de Mello, que uma classificação deve individuar as espécies considerando seus dados essenciais próprios e exclusivos, que as caracterizam e as distingam das demais. Os dividendos encontram previsão legal nos art. 201 a 205 da Lei nº 6.404, de 1976 (Lei das Sociedades Anônimas), e representam uma destinação dos lucros da pessoa jurídica (do exercício, acumulados ou mantidos em reservas). Não influenciam, portanto, a apuração dos resultados da pessoa jurídica, nem são dedutíveis para efeito de apuração da base de cálculo do imposto. Por seu turno, os juros sobre o capital próprio disciplinados no art. 9º da Lei nº 9.249/95 são calculados antes da apuração do resultado do período, o qual reduzem (e, em decorrência, reduzem também os lucros a serem distribuídos). Além disso, podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto. A redução do resultado do exercício e dedutibilidade para efeito de apuração da base de cálculo do imposto, que são os elementos essenciais que distinguem um e outro instituto, são características inerentes aos custos Fl. 5482DF CARF MF Processo nº 11080.727488/201312 Resolução nº 1402000.423 S1C4T2 Fl. 5.483 11 e despesas, não à distribuição de lucros. Assim, se os juros sobre o capital próprio são “espécie”, o gênero é “despesa”, e não distribuição de lucro como propõe a impugnante. (...) O fato de a dedutibilidade dos juros sobre o capital estar limitada ao montante dos lucros do exercício ou acumulados e o seu cômputo opcional à distribuição obrigatória de dividendos de modo algum desnaturam as suas características fundamentais. Como leciona Marcos Bernardes de Mello, “elementos acidentais ou comuns a mais de uma espécie não podem servir de base a uma taxinomia”. Anoto, por derradeiro, que a questão da natureza jurídica dos juros sobre o capital próprio já foi enfrentada no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, então sob o prisma das receitas deles decorrentes, tendo se chegado a mesma conclusão aqui declinada. (...) Quanto à minuta de relatório fiscal, apesar de incluída no CD recebido pela impugnante, não foi utilizada na autuação e não merece discussão. Na folha 8 da impugnação, o contribuinte informa que foi esclarecido pela fiscalização que a minuta estava superada e que o documento parte integrante dos autos era o relatório fiscal. Logo, o que se discute neste processo é tão somente a utilização excessiva dos Juros sobre Capital Próprio pagos como despesa dedutível pelo contribuinte, excesso decorrente da apuração em desacordo com a competência e decorrente do cálculo sobre Patrimônio Líquido ampliado. O efeito fiscal dos Juros sobre Capital Próprio eventualmente recebidos pelo contribuinte e contabilizados como receita é matéria totalmente estranha a este processo não cabendo nenhum tipo de reconstituição conforme propõe a impugnante. A receita de JCP recebida não tem nenhuma vinculação com os JCP pagos. É perfeitamente possível uma pessoa jurídica receber JCP relativos a seus investimentos, mas optar por não pagar JCP a seus investidores”. Para finalizar julgando improcedente a impugnação e mantendo os lançamentos, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. FACULDADE. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. GLOSA DE VALORES EXCEDENTES. JCP PAGOS. JCP RECEBIDOS. O pagamento ou crédito de Juros sobre Capital Próprio JCP a acionista ou sócio é faculdade concedida pela lei para ser exercida no anocalendário de apuração do lucro real, estando a dedutibilidade das despesas financeiras correspondentes restrita aos juros sobre o Patrimônio Líquido incidentes durante o ano da referida apuração, por Fl. 5483DF CARF MF Processo nº 11080.727488/201312 Resolução nº 1402000.423 S1C4T2 Fl. 5.484 12 força do princípio da autonomia dos exercícios financeiros e de sua independência, que se traduz, no plano da contabilidade fiscal, no denominado regime de competência. É obstada a dedução na apuração do lucro real do ano, de juros incidentes sobre Patrimônio Líquido de anos anteriores. Os JCP possuem como base de cálculo as contas do Patrimônio Líquido, as quais devem ser quantificadas de acordo com os critérios contábeis aplicados aos fatos efetivamente ocorridos, e não de acordo com sua estrutura formal e artificial. Comprovado erro na quantificação das contas do Patrimônio Líquido, impõese o recálculo dos JCP passíveis de dedução, glosandose os valores excedentes. Não há nenhum vínculo entre JCP recebidos e JCP pagos. A glosa das despesas com JCP pagos não implica recomposição da receita dos JCP recebidos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008, 2009 LANÇAMENTO REFLEXO. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ aplicase à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificada do R. decisum em 08/12/2015 (fls. 5318/5319), a recorrente interpôs Recurso Voluntário em 23/12/2015 (fls. 5321/5366), basicamente repisando os argumentos expendidos na impugnação, valendo, por relevante, destacar alguns excertos pontuais: “Como já visto (...), as despesas com JCP deduzidas pela RECORRENTE nos anoscalendário de 2008 e 2009 foram glosadas pelos AUTOS “em função” (palavras da própria fiscalização) da glosa das despesas com JCP distribuídos por VRSA. Ou seja, a fiscalização não só tinha pleno conhecimento de que os JCP distribuídos pela RECORRENTE correspondiam ao repasse dos JCP recebidos de VRSA, como este vínculo correspondeu justamente à origem dos AUTOS”. (...) “Ora (...), ao negar o tratamento fiscal do JCP (despesa financeira dedutível) à parcela dos lucros destinados pela RECORRENTE a seus acionistas e pretender dela exigir diferenças de IRPJ e CSL, jamais se poderia ignorar que RECORRENTE teria, então, oferecido à tributação a parcela de lucros a ela destinada por VRSA a qual o próprio fisco também nega que seja dado o tratamentos próprio de JCP”. (...) Fl. 5484DF CARF MF Processo nº 11080.727488/201312 Resolução nº 1402000.423 S1C4T2 Fl. 5.485 13 “Das duas uma: ou é conferido o tratamento próprio de JCP ao lucro destinado pela VRSA à RECORRENTE e por esta a seus acionistas (despesa financeira dedutível por parte da pessoa que os distribuiu e receita financeira tributável por quem os recebeu) ou, uma vez afastado este tratamento, e por uma questão de coerência, deve ser conferido o tratamento fiscal próprio de pagamento de dividendos a ambas as distribuições (despesa indedutível por parte da pessoas que os distribuiu e receita não tributável por quem os recebeu), o que importaria no integral cancelamento dos AUTOS, na medida em que os valores recebidos e subsequentemente repassados pela RECORRENTE foram os mesmos. Não se pode adotar dois pesos e duas medidas para distribuições absolutamente idênticas e interligadas”. (...) “Nessa conformidade, uma vez afastada a natureza de despesa ou receita financeira do pagamento de JCP efetuado, outra opção não há senão tratálo como uma distribuição de dividendos. Logo, no caso concreto, se os valores pagos primeiramente pela VRSA e subsequentemente pela RECORRENTE a título de JCP não pudessem ser qualificados sob tal natureza e reconhecidos como despesas dedutíveis, o que se admite apenas por hipótese, a receita recebida pela RECORRENTE de VRSA corresponderia , necessariamente, a dividendos pagos ou creditados, isentos de tributação”. (...) “O procedimento adotado pelos AUTOS acaba por tributar o mesmo lucro duas vezes, em pessoas jurídicas distintas. Com efeito, o lucro de VRSA, em não sendo impactado pela dedução dos pagamentos feitos a título de JCP, é tributado tanto no nível da VRSA quanto no nível da RECORRENTE (na proporção do montante a ela atribuído a título de JCP), na medida em que tal montante foi originalmente tratado como uma receita tributável da RECORRENTE. Ora, ou os valores pagos por VRSA à RECORRENTE são despesas dedutíveis para a VRSA e receitas tributáveis para a RECORRENTE ou, caso contrário, consistem em lucros distribuíveis e, assim, indedutíveis para a VRSA e não tributáveis para a RECORRENTE”. (...) “Da análise do processo administrativofiscal 11065.720392/201231, (...) depreendese, sem qualquer dificuldade, que VRSA distribuiu R$ 90.000.000,00 a título de JCP referentes aos anoscalendário de 2008 e 2009, cabendo o montante de R$ 89.996.940,00 à RECORRENTE. Ou seja, exatamente o valor por ela distribuído de JCP a seus acionistas”. “Ora, o vínculo entre os valores recebidos de VRSA a título de JCP pela RECORRENTE com os valores por ela distribuídos a seus acionistas é irrefutável e, como se não bastasse isso, este mesmo vínculo consistiu no próprio ponto de partida da autuação da Recorrente”. Discorre longamente acerca da dedutibilidade dos JCP, ainda que em exercícios posteriores aos respectivos anoscalendário, traz doutrina e jurisprudência, argui cerceamento de defesa pelo fato de a decisão recorrida não ter apreciado suas razões em relação ao decidido no processo nº 11065.720392/201231 que, no seu posicionamento, por ser citado PA “parte integrante de sua impugnação”, deveria o julgador a quo “sobre elas se manifestar”, e finaliza requerendo provimento de seu Recurso Voluntário. DAS CONTRARRAZÕES DA PGFN Fl. 5485DF CARF MF Processo nº 11080.727488/201312 Resolução nº 1402000.423 S1C4T2 Fl. 5.486 14 A Fazenda Nacional, por sua Procuradoria, compareceu aos autos (fls. 5398/5421), rebatendo as colocações da defesa e ratificando o trabalho fiscal, conforme excertos abaixo reproduzidos: “Conforme destacado no TVF, a recorrente deduziu em 2008 e 2009 JCP calculados sobre o patrimônio líquido referente a períodos anteriores. Sobre esta questão, a recorrente entende que a lei não estabelece qualquer limite temporal para o pagamento dos JCP, daí que os JCP calculados mediante a aplicação da TJLP em determinado período podem ser pagos em período subsequente, bastando, para tanto, que existam lucros correntes ou acumulados em montante igual ou superior ao dobro do valor pago àquele título. Entende que respeitar o regime de competência, no que toca aos JCP, significa deduzir a despesa no exercício em que estes forem efetivamente pagos, ao invés de deduzila na hipótese de apuração (aplicação da TJLP sobre o PLC) desacompanhada de efetivo pagamento. Acrescenta, ademais, que, uma vez que os JCP foram introduzidos como forma de amenizar os efeitos inflacionários após o fim da correção monetária de balanço, o pagamento e a dedução da despesa de JCP devem poder ser efetuados a qualquer tempo, já que os efeitos da inflação são perenes. A pretensão da recorrente não merece prosperar. Cumpre, preliminarmente, noticiar que a matéria em questão (observância do regime de competência para apuração dos JCP e impossibilidade de utilização de bases de exercícios anteriores) foi decidida pela 1ª Turma da CSRF na sessão de janeiro de 2016, nos processos administrativos nº 16327.720497/201102, 12963.000065/201036 e 16682.721029/201289, em sentido favorável à Fazenda Nacional. Os respectivos acórdãos, contudo, não forma formalizados até a data da presente manifestação. Com relação ao mérito, há que se frisar que o pagamento dos juros sobre o capital próprio não se confunde com as regras para sua dedução. Nas palavras de Edmar Oliveira Andrade Filho1: uma coisa é a dedutibilidade; outra, completamente diferente, é a possibilidade de pagamento. (...) O pagamento de JCP é uma faculdade conferida aos acionistas, e decorre de princípios como a livre iniciativa e a autonomia privada, dependendo apenas de decisão formal deles próprios, por meio de deliberação tomada em assembleia. A pessoa jurídica, com base nos princípios mencionados, tem liberdade e autonomia para decidir o melhor momento e a forma para remunerar o capital dos sócios. Poderá, inclusive, optar pela taxa de rentabilidade que julgar mais adequada. A dedutibilidade, porém, estará sempre sujeita às regras trazidas pela Lei nº 9.249/95. (...) Fl. 5486DF CARF MF Processo nº 11080.727488/201312 Resolução nº 1402000.423 S1C4T2 Fl. 5.487 15 Não existe óbice para a assembleia, em exercício posterior, deliberar sobre a remuneração do capital dos sócios na forma que melhor lhe aprouver. Como já foi visto, os critérios trazidos pela Lei n° 9249/95 dizem respeito apenas aos efeitos fiscais, ou seja, à dedução do lucro real para fins de apuração do imposto de renda da pessoa jurídica. Logo, a empresa pode determinar o pagamento de juros sobre o capital próprio até mesmo acima dos limites trazidos pela Lei n° 9.249/95. Porém, a parcela dedutível deve sempre obedecer aos requisitos indicados na legislação. Um dos critérios trazidos pela norma tem natureza quantitativa: a parcela dedutível limitase ao maior valor entre a) 50% do lucro líquido do período de apuração antes da dedução desses juros, após a dedução da CSLL e antes da provisão para o IRPJ, ou b) 50% do somatório dos lucros acumulados e reservas de lucros. Os limites em questão bem demonstram que a dedutibilidade dos JCP se vincula ao lucro apurado ao final do exercício social correspondente. Ao assim dispor, a lei quis impedir que todo o lucro do período fosse esvaziado pelo pagamento de JCP, impedindo a tributação. Sendo assim, se a empresa, como no caso dos autos, está pretendendo deliberar JCP sobre exercícios passados (2003 a 2007), é certo que o lucro do respectivo período já teve a sua destinação, não estando mais disponível para fins de pagamento na forma pretendida. E se já foi dada destinação ao lucro dos exercícios encerrados, devese respeitar a vontade social externada na assembleia, não podendo ser modificada a qualquer tempo, como se ela não tivesse ocorrido. (...) Se a empresa, decidiu pela não remuneração dos sócios por meio do pagamento de juros sobre capital próprio, por óbvio, naquele exercício acabou renunciando à faculdade que lhe foi conferida. Tudo em absoluta conformidade com os princípios da livre iniciativa e da autonomia privada. Porém, no ano subsequente, a parcela dedutível continuará atrelada ao limite trazido pela Lei nº 9.249/95, não sendo possível recuperar a dedutibilidade de despesas que, por determinação da própria empresa, não foi suportada em anos anteriores. Cumpre esclarecer que não se está defendendo que a empresa está proibida de realizar o pagamento de JCP no montante e momento que julgar adequado. Porém, o efeito fiscal do pagamento deve obedecer à legislação que trata do assunto. (...) Como a despesa somente será considerada incorrida quando houver a deliberação, é incompatível defender a aplicação de TJLP sobre o saldo de contas do patrimônio líquido de exercícios anteriores, quando sequer houve manifestação societária sobre o assunto. O direito aos juros sobre o capital próprio nasce a partir da decisão societária, não sendo autorizado recuperar a dedutibilidade de despesa que, por determinação da própria empresa, não foi incorrida/suportada em anos anteriores. Em suma, não é possível trazer para o presente a dedução de juros calculados sobre contas do patrimônio líquido de exercícios passados. Para Fl. 5487DF CARF MF Processo nº 11080.727488/201312 Resolução nº 1402000.423 S1C4T2 Fl. 5.488 16 tanto, era necessária a tempestiva manifestação da sociedade. Se não ocorreu, a dedução do períodobase continuará atrelada aos critérios trazidos pela Lei nº 9.249/95. (...) A recorrente alega que, independentemente da possibilidade de dedução dos JCP apurados com base no PL de exercícios anteriores, a eventual tributação (glosa de despesa) de valores por ela pagos a título de JCP acarretaria necessariamente o afastamento da tributação dos valores por ela recebidos da VRSA sob o mesmo título, os quais originaram os seus pagamentos. Eis uma síntese do raciocínio da recorrente: i) os mesmos valores recebidos de VRSA pela recorrente como JCP foram por ela distribuídos a seus acionistas; ii) contudo, tendo ela recebido tais valores a título de JCP da VRSA, eles foram submetidos a tributação na fonte; iii) daí, conclui que, se os valores pagos acumuladamente por ela não configuram JCP, como afirma o Fisco, os valores recebidos acumuladamente de VRSA também não seriam JCP; iv) não sendo JCP, só poderiam ter a natureza de dividendos e portanto não deveriam ter sofrido tributação na fonte quando do pagamento a ela por parte da VRSA. (...) Todavia, a pretensão da recorrente não procede. Em primeiro lugar, insta afirmar que a autoridade fiscal não questiona a natureza dos pagamentos feitos pela recorrente aos seus acionistas, enquanto juros sobre capital investido. Isto é tranquilamente demonstrado pelos trechos do TVF abaixo colacionados: (...) Percebese que o que motivou o lançamento não foram divergências sobre a natureza dos valores, mas sim a dedutibilidade desses valores. A autoridade fiscal não pretendeu transmudar a natureza dos pagamentos, atribuindolhes o caráter de dividendos. Apenas afirmou que a dedutibilidade dos JCP deve obedecer a regras próprias, dentre as quais o regime de competência. (...) Ora, às sociedades é lícito remunerar seus acionistas de todas as formas não vedadas pelo ordenamento. Normalmente, esta remuneração se dá na forma de dividendos ou de juros sobre o capital investido. Tratase de meios distintos de remunerar os sócios e que têm natureza, requisitos e consequências também distintos. Na quadra das consequências, a legislação dá aos juros sobre o capital próprio a natureza de despesas financeiras, dedutíveis do resultado da companhia, diferentemente dos dividendos, que são mera distribuição de resultados. Fl. 5488DF CARF MF Processo nº 11080.727488/201312 Resolução nº 1402000.423 S1C4T2 Fl. 5.489 17 Não obstante, os juros não são dedutíveis de maneira irrestrita. Há condições e limites à sua dedutibilidade. E, devido às distinções existentes nas quadras da natureza e dos requisitos, não é porque eventualmente pagouse juros que não atendem aos requisitos de dedutibilidade que estes devem (ou podem) passar a ser considerados dividendos. (...) De fato, não se pode olvidar que a legislação brasileira distanciou os juros sobre o capital próprio dos dividendos, conferindo a eles um regime jurídico próprio de juros. No intuito de confirmar o tratamento distinto de cada um dos institutos, basta verificar que a Lei nº 9.249/95 determinou a tributação na fonte dos juros sobre o capital próprio (alíquota de 15%), ao mesmo tempo em que conferiu isenção aos dividendos. Ademais, o STJ, órgão responsável pela interpretação das leis brasileiras, confirmou que os juros sobre o capital próprio devem ser tratados como despesa financeira. Nas palavras do Ministro Herman Benjamin, os juros sobre o capital próprio correspondem a remuneração de capital – e não a lucro ou dividendo – e, por isso, constituem receita financeira tributável pelo PIS e COFINS. O pagamento de JCP sobre o patrimônio de exercícios anteriores corresponde, portanto, à mera incursão numa despesa, no período de apuração, cuja dedução não é permitida pela lei tributária. O contribuinte, ao promover o cálculo dos juros com base em elementos patrimoniais de período distinto daquele em que efetuou o seu pagamento ou crédito, almeja, na verdade, recuperar uma despesa não suportada em períodos anteriores. Nada disso tem o condão de tornar juros pagos como retorno do capital investido – calculados em taxa fixa (TJLP) – em dividendos, cuja natureza é de distribuição de resultados – variável, portanto. Diante do exposto, não há que se falar em dar tratamento de dividendos, seja aos valores pagos pela recorrente, seja aos valores por ela recebidos de VRSA. (...) Alega [a Recorrente] que a DRJ cerceou seu direito de defesa ao afirmar que a redução do PL que gerou a segunda glosa fiscal (R$ 19.078.290,00) decorre das questões discutidas no processo 11065.720392/201231, não lhe cabendo se manifestar sobre elas, reproduzindo a decisão proferida naqueles autos. Sem razão a recorrente. Ora, é hialino que o presente lançamento é decorrente do quanto observado naqueles autos, retro citados. Essa segunda parte da presente autuação só se sustenta enquanto mantidas as conclusões fiscais daquele auto de infração, que redimensionou o Patrimônio Líquido Contábil de VRSA e por conseguinte da recorrente. Isso implica, apenas e tão somente, a dependência ou prejudicialidade entre as causas, mas não implica, em absoluto, que aquela demanda deva ser reproduzida nos presentes autos. Fl. 5489DF CARF MF Processo nº 11080.727488/201312 Resolução nº 1402000.423 S1C4T2 Fl. 5.490 18 Até porque, conforme lembrado pela própria recorrente (págs. 4546 do RV), ela não é parte naquele processo. Não há direito seu sendo discutido nos autos do PA 11065.720392/201231. A requantificação do PL de VRSA atinge a recorrente apenas de maneira reflexa, fenômeno amplamente admitido pela doutrina processualista e que não dá ao atingido legitimidade para rediscutir ou “redefender” o direito de outrem. (...) O caso que se põe sob exame é um exemplo clássico de terceiro interessado na demanda alheia: a autuada teve a base de cálculo dos JCP diminuída em decorrência da redução do PLC da VRSA naquele processo. Não é nenhum absurdo que o resultado daquela disputa entre Fisco e contribuinte interfira indiretamente na esfera jurídica da autuada, o que não lhe assegura, no entanto, o direito de defender direito de terceiros neste processo decorrente. Mesmo que fosse cabível o instituto da assistência no âmbito do PAF, caberia à recorrente solicitar sua intervenção naqueles autos, como assistente, terceira interessada. Nestes autos, sua defesa deve se ater apenas àquilo que é direito seu. Poderia ela, por exemplo, defender que o resultado daquele processo não lhe afeta, ou que a redução do PLC da VRSA não implica na redução do seu próprio PLC para fins de cálculo dos JCP. Mas em absoluto lhe é dado defender e rediscutir, aqui, a improcedência do auto de infração lançado exclusivamente contra a VRSA, cujo palco de debate é o PA 11065.720392/201231, e cuja legitimidade passiva se restringe à VRSA. Daí porque não se há que falar em qualquer vício no ato da DRJ, ao declarar que não lhe compete reapreciar os fundamentos daquele lançamento. A redução do PLC ali discutida diz respeito a terceira pessoa, além do que o ano em que se deu a redução do PLC da VRSA foi 2007, sendo que o presente processo cuida dos anoscalendário de 2008 e 2009”. Para finalizar a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional as suas contrarrazões (fls. 5420/5421): “NÃO OBSTANTE TODO O EXPOSTO, não se pode deixar de observar que a decisão recorrida cuidou de fazer REMISSÃO EXPRESSA à decisão proferida nos autos do processo 11065.720392/201231, correspondendo à adoção daquelas razões de decidir pela autoridade a quo, o que é plenamente possível e não implica em qualquer tipo de cerceamento de defesa, porquanto a questão de fundo é a mesma em ambos os processos. Subsidiariamente, em atenção ao princípio processual da eventualidade, caso o ilustre colegiado entenda ser o caso de se rediscutir os fundamentos da redução do PLC de VRSA, que acabou por refletir, por equivalência, na redução do PLC da recorrente, juntamse em anexo as razões da Procuradoria da Fazenda Nacional exaradas naqueles autos, requerendose que sejam consideradas parte integrante destas contrarrazões”.(os destaques são do original). É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 5490DF CARF MF Processo nº 11080.727488/201312 Resolução nº 1402000.423 S1C4T2 Fl. 5.491 19 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone O Recurso Voluntário é tempestivo, a representação da recorrente está corretamente formalizada (fls. 5367/5368) sendo, pois, dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Pareceme evidente, por tudo o quanto relatado, a forte presença de matéria prejudicial à análise de mérito destes autos, no caso representada pelo que vier a ser decidido no Processo nº 11065.720392/201231 (Vonpar Refrescos SA VRSA) no qual, embora a ora recorrente não seja parte naquela lide, sem nenhuma sombra de dúvida trará reflexos indiscutíveis neste procedimento. Rememorando o quanto relatado pela autoridade fiscal responsável pelos lançamentos aqui discutidos: “Informa também que conforme amplo detalhamento contido no Relatório Fiscal referente ao processo 11065.720392/201231 constante às páginas 3.587 a 3.856, o qual evidenciou planejamento tributário ilegal implementado pelo Grupo Vonpar, visando ocultar aquisição ilegal das próprias ações de uma de suas controladas (a VRSA), o patrimônio líquido daquela empresa foi reduzido de R$ 526.971.000,00, em 31 de dezembro de 2006, para apenas R$ 19.271.000,00, em 31 de janeiro de 2007. Essa redução refletiuse no patrimônio líquido da VSA, pois essa detinha participação de 99% da VRSA. Com base no método da equivalência patrimonial, esse investimento passou a ser de R$ 19.078.290,00 (R$ 19.271.000,00 x 99%). Em função disso, recalculou os JCP apurados pela VSA nos anos de 2008 e 2009, considerando o patrimônio líquido efetivamente existente a partir de 31 de janeiro de 2007. O recalculo apresentado resultou em glosa (indedutibilidade) de mais R$ 19.739.389,44 de JCP contabilizados e pagos nas competências 2008 e 2009. Finaliza concluindo que os JCP de R$ 89.996.940,00, contabilizados como despesa e diminuídos das bases de cálculo do IRPJ e CSLL nos anos de 2008 e 2009, devem limitarse ao montante de R$ 16.775.461,77. A diferença entre o valor pago (R$ 89.996.940,00) e o valor apurado como dedutível pelo fisco (R$ 16.775.461,77) perfaz o montante de R$ 73.221.478,23. Essa diferença é o objeto da presente constituição de crédito. Compõese da glosa de R$ 53.482.088,81 decorrentes da violação ao princípio da competência e de R$ 19.739.389,44 decorrentes do recalculo das bases de cálculo dos JCP apurados pela VSA em 2008 e 2009 com base no PL reduzido pelo lançamento em VRSA”. Ou como pontuado pela defesa da recorrente: “Da análise do processo administrativofiscal 11065.720392/201231, (...) depreendese, sem qualquer dificuldade, que VRSA distribuiu R$ 90.000.000,00 a título de JCP Fl. 5491DF CARF MF Processo nº 11080.727488/201312 Resolução nº 1402000.423 S1C4T2 Fl. 5.492 20 referentes aos anoscalendário de 2008 e 2009, cabendo o montante de R$ 89.996.940,00 à RECORRENTE. Ou seja, exatamente o valor por ela distribuído de JCP a seus acionistas”. “Ora, o vínculo entre os valores recebidos de VRSA a título de JCP pela RECORRENTE com os valores por ela distribuídos a seus acionistas é irrefutável e, como se não bastasse isso, este mesmo vínculo consistiu no próprio ponto de partida da autuação da Recorrente”. E, na mesma linha, pela própria Procuradoria Fazendária: “Subsidiariamente, em atenção ao princípio processual da eventualidade, caso o ilustre colegiado entenda ser o caso de se rediscutir os fundamentos da redução do PLC de VRSA, que acabou por refletir, por equivalência, na redução do PLC da recorrente, juntamse em anexo as razões da Procuradoria da Fazenda Nacional exaradas naqueles autos, requerendose que sejam consideradas parte integrante destas contrarrazões”.(os destaques são do original). Em síntese, pela implicação direta na valoração do Patrimônio Líquido da Vonpar Refrescos S/A (VRSA) adotada pelo Fisco (e contestada pela autuada) no Processo nº 11065.720392/201231 e seus reflexos no PL da Vonpar S/A assumidos para cálculo dos JCP apurados, entendo que a discussão destes autos exige, prefacialmente a qualquer outra providência, o conhecimento da decisão a ser exarada no processo da VRSA, isto porque, por óbvio, se mantido o PL original daquela empresa ou mesmo se de forma parcial for dado provimento àquela contribuinte, as bases de cálculos de JCP aqui apreciadas sofrerão, irremediavelmente, os reflexos de tais imputações. A respeito, o regimento deste Colegiado previu tal possibilidade (artigo 6º, § 1º, do Anexo II, do RICARF vigente): Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; (destaques acrescidos) Vale dizer, ainda que presentes sujeitos passivos diferentes, há a possibilidade da “conexão” entre processos, desde que seus fundamentos fáticos e de direito tenham identidade, como no caso tratado. A partir desta constatação, é possível assumir, por analogia, os dizeres do § 5º do mesmo artigo 5º (destaques não são do original): § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. Nesta linha voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento destes autos até que prolatada decisão final e irrecorrível no processo nº 11065.720392/201231, pela íntima relação Fl. 5492DF CARF MF Processo nº 11080.727488/201312 Resolução nº 1402000.423 S1C4T2 Fl. 5.493 21 de causa e efeitos e dos fatos presentes naquele e neste processo, ainda que relativos a sujeitos passivos diferentes. É como voto. Brasília (DF), em 21 de março de 2017. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Relator Fl. 5493DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.000621/2005-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. FORMALIDADE. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO.
No ano-calendário 2002, vigia a determinação de que a compensação de créditos com débitos de tributos e contribuições de períodos anteriores ao do crédito, mesmo que de mesma espécie, devia ser solicitada à DRF ou IRF-A do domicílio do contribuinte, por meio de Pedido de Restituição, acompanhado do respectivo Pedido de Compensação
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2002
IRPJ. APURAÇÃO. IRRF. RECEITAS DECLARADAS
Para efeito de determinação do saldo do imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do Imposto de Renda pago ou retido na fonte (IRRF), incidentes sobre receitas computadas na determinação do lucro real, sendo corolário que somente o IRRF referente a receitas declaradas pode ser deduzido, na apuração.
Numero da decisão: 1201-001.570
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração apresentados, sem efeitos infringentes, para sanar as omissões e confirmar não haver direito creditório a ser reconhecido, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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FORMALIDADE. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. No ano-calendário 2002, vigia a determinação de que a compensação de créditos com débitos de tributos e contribuições de períodos anteriores ao do crédito, mesmo que de mesma espécie, devia ser solicitada à DRF ou IRF-A do domicílio do contribuinte, por meio de Pedido de Restituição, acompanhado do respectivo Pedido de Compensação ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 IRPJ. APURAÇÃO. IRRF. RECEITAS DECLARADAS Para efeito de determinação do saldo do imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do Imposto de Renda pago ou retido na fonte (IRRF), incidentes sobre receitas computadas na determinação do lucro real, sendo corolário que somente o IRRF referente a receitas declaradas pode ser deduzido, na apuração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração apresentados, sem efeitos infringentes, para sanar as omissões e confirmar não haver direito creditório a ser reconhecido, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 11080.000621/2005-80 Acórdão n.º 1201-001.570 S1-C2T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) EVA MARIA LOS - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Paulo Jorge Gomes, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, José Roberto Adelino. Ausente o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório O contribuinte requereu crédito de SN IRPJ de 31/12/2002, nas Dcomp de págs. 4/7 e 45/57; a análise manual pela DRF/POA resultou no Despacho Decisório, de págs. 59/62, que apurou R$64.030,43 de IRPJ anual a pagar, não reconhecendo que houvesse direito creditório de SN IRPJ e não homologou as compensações. Cientificado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de págs. 74/79 e documentos de págs. 80/112, analisados pela DRJ/POA que emitiu o Acórdão de págs. 117/112, indeferindo a solicitação. Cientificado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de págs. 129/138, com os documentos de págs. 139/204, em relação ao qual foi proferido o Acórdão nº 1201-000.954, de 12 de fevereiro de 2014, pela 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento do CARF, págs. 206/211, que por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE.RECURSO DESPROVIDO. A compensação pressupõe a demonstração da liquidez e da certeza do direito de crédito. Sendo insuficiente a prova apresentada, não há como se homologar a compensação pretendida. O Voto resumiu-se em: A questão cinge-se à prova da existência do crédito. É sabido que o que autoriza a compensação é a existência de crédito líquido e certo a ser utilizado para tanto. Assim, além da apuração do saldo negativo, deve ser provado que referido saldo não foi restituído nem utilizado para outras compensações. Incumbe ao contribuinte o ônus de demonstrar a liquidez e a certeza do crédito pretendido. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 11080.000621/2005-80 Acórdão n.º 1201-001.570 S1-C2T1 Fl. 4 3 No presente caso, dos documentos acostados, verifica-se que valores escriturados nos livros razão e diário foram divergentes. Além disso, verifica-se que os valores declarados em DIPJ são incompatíveis com a escrituração contábil do contribuinte. Assim, diante da inexistência de liquidez e certeza do crédito pretendido, nego provimento ao Recurso Voluntário. Foi remetido em 23/02/2015, por Aviso de Recebimento - AR dirigido à Arca Empreendimentos Ltda, pág. 220; e, tendo em vista que ocorreu a Baixa do CNPJ da pessoa jurídica em 09/02/2015, pág. 221, foi emitido comunicado para ciência e AR dirigido ao sócio Ênio Adão da Motta, págs. 221 e 228; contudo, o AR retornou com a informação em 04/03/2015, - "Falecido". Ato contínuo, foi emitida Intimação de ciência do Acórdão CARF em nome de Maria Terezinha Oliveira Motta, sócia, cientificada em 18/03/2015, pág. 261; que reapresentou Embargos de Declaração em 24/03/2015, págs. 263/271, cujo teor se resume a seguir. Segundo a Embargante, o acórdão teria incorrido em omissão e também "obscuridade/contradição (...) no enfrentamento de pontos fundamentais que merecem e exigem claro e específico pronunciamento (...)": a) que o Acórdão afirma que os valores escriturados nos livros Razão e Diário divergem e os valores constantes da DIPJ seriam incompatíveis com a escrituração contábil, sem maiores detalhes. b) que o contribuinte comprovou que considerando/contabilizando o IRRF em discussão, junto com a respectiva receita financeira, no ano-calendário anterior àquele em que foi, equivocadamente, lançado e aproveitado, aumenta-se o saldo credor de IRPJ compensável no ano-calendário seguinte e diz que é obrigação do Fisco Federal recompor as apurações das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, conforme a lei e a verdade material; c) que apresentou e comprovou valores adicionais de IRRF sobre receitas financeiras contabilizadas e reconhecidas no ano-calendário 2002, a justificar o saldo credor desse ano. No entanto o Acórdão, nada diz e nada enfrenta ou decide sobre os comprovantes desses fatos, apresentados pelo contribuinte. d) Reitera o teor do recurso voluntário que havia apresentado. e) Questiona: ainda que constatada equivocada postergação de receita do Fundo Imobiliário, do ano-calendário 2001 para 2002, não seria obrigação do Fisco recompor a correta apropriação da receita e decorrente resultado tributável de 2001? Pleiteia que a verdade material seja reconhecida à vista dos comprovantes. A recomposição apontaria que em 31/12/2001 resulta crédito de saldo negativo de IRPJ de R$66.148,40 (doc. 06) e ainda o montante do IRRF de 2001 não aproveitado/não considerado de R$54.284,33 do Fundo Imobiliário "Ville de France", doc. 03, totalizando R$120.432,63, a ser aproveitado a partir de 2002; Fl. 290DF CARF MF Processo nº 11080.000621/2005-80 Acórdão n.º 1201-001.570 S1-C2T1 Fl. 5 4 f) Reclama ainda que é afronta à verdade material a desconsideração do rendimento e respectivo IRRF de competência do ano 2002, referente ao Fundo Imobiliário "Manhattan" (doc. 04, IRRF de R$24.588,57), contabilizado e comprovado; g) Também, que despacho decisório exarado no processo administrativo n° 11080.001377/2003-19 (doc. 10) ratifica a homologação de um também direito creditório de saldo negativo de IRPJ em favor da empresa contribuinte aqui recorrente no montante de R$89.248,70 ao final do ano-calendário de 2001; h) Conclui que existem, comprovadamente, os saldos negativos de IRPJ disponíveis para compensação a partir do ano-calendário 2003, utilizados nas Declarações de Compensação - Dcomps indevidamente não homologadas; i) Anexa planilha de IRRF retidos no ano-calendário 2002. Rechaça a razão da recusa dos IRRF originados de rendimentos financeiros da Caixa Econômica Federal, em 2002; j) Diz que se impõem os embargos, dado que foi completamente ignorada a solicitação de baixa em diligência, para reexame e constatação/confirmação da existência de R$139.858,41 de Saldo Negativo de IRPJ para compensação, no final do ano-calendário 2002. Os Embargos foram admitidos. Voto Conselheiro Eva Maria Los Tendo os pressupostos para admissibilidade dos embargos já sido avaliados no despacho de admissibilidade, passo à análise dos vícios apontados. 1.1 DESPACHO DECISÓRIO EXARADO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO N° 11080.001377/2003- 19 (DOC. 10) Às págs. 181/186, o referido Despacho Decisório e adicional Parecer, reconheceu o direito creditório de R$89.428,70 de SN IRPJ 31/12/2001 e homologou as compensações das Dcomps daquele processo e a homologação de compensação de demais processos que requeriam o mesmo crédito, até o limite do crédito reconhecido. Análise dos Embargos: - A argumentação é no sentido de que o IRRF referente à receita financeira do FII Ville de France, aumentaria o SN IRPJ do ano 2001 reconhecido naquele processo e poderia ser utilizado na compensação de estimativas de IRPJ mensais de 2002 (conforme contabilizou no Razão, doc 5). A conclusão que se extrai é que aquele crédito serviu para homologação de compensações de débitos daqueles processos - não há informação sobre que débitos eram, nem se guardam alguma relação com a apuração do SN IRPJ de 31/12/2002, em discussão no presente; tampouco a interessada trouxe qualquer alegação nesse sentido, cabendo concluir que não se referiam a débitos de estimativas do ano 2002. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 11080.000621/2005-80 Acórdão n.º 1201-001.570 S1-C2T1 Fl. 6 5 1.2 IRRF DE 2001 (ANO-CALENDÁRIO ANTERIOR). Pleiteou que considerando/contabilizando o IRRF em discussão, junto com a respectiva receita financeira, no ano-calendário anterior àquele em que foi, equivocadamente, lançado e aproveitado, aumenta-se o saldo credor de IRPJ compensável no ano-calendário seguinte e diz que é obrigação do Fisco Federal recompor as apurações das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, conforme a lei e a verdade material; que, ainda que constatada equivocada postergação de receita do Fundo Imobiliário, do ano-calendário 2001 para 2002, não seria obrigação do Fisco recompor a correta apropriação da receita e decorrente resultado tributável de 2001? Afirma que a recomposição apontaria que em 31/12/2001 resulta crédito de saldo negativo de IRPJ de R$66.148,40 (doc. 06) e ainda o montante do IRRF de 2001 não aproveitado/não considerado de R$54.284,33 do Fundo Imobiliário "Ville de France", doc. 03, totalizando R$120.432,63, a ser aproveitado a partir de 2002. Invocou o princípio da verdade material. Apresentou os seguintes documentos relativos a IRRF no ano-calendário 2001: 1. págs. 154/156, doc 3: a. Comprovante retenção por Rio Bravo Invest S/A em 12/2001, cód 5232 IRRF - aplicações financeiras em fundos de investimento imobiliário, no valor de R$54.284,23 (anotação manual FII Ville de France) e DARF de recolhimento de cód 5232 IRRF, ref Distr Result 2º sem 2001 Ville de France, no valor de R$102.070,72, em 31/01/2002, referente a 12/2001, pela fonte pagadora; planilha demonstrativa dos dividendo distribuídos e retenção do Fundo em 2001. Análise dos Embargos: comprova que a retenção do IR ocorreu e foi recolhida pela fonte pagadora, naquele ano, sem influência no valor em 31/12/2002, em discussão. 2. págs. 160/167,doc 5: a. DIPJ ano-calendário 2001, retificadora entregue em 03/06/2004, apurando SN IRPJ R$89.248,70; e listando IRRF no total de R$18.183,15 (anotação manual de que o IRRF do Fundo não está incluído). Análise dos Embargos: esta informação guarda relação com o processo nº 11080.001377/2003-19 e não com o presente, onde se discute SN IRPJ 31/12/2002 e evidencia que os rendimentos do FII Ville de France não foram incluídos na DIPJ do ano-calendário 2001. 3. págs. 168/169, doc. 6: a. planilhas demonstrando Ficha 11 - Cálculo do IRPJ estimativas mensais ano 2001, sem (conforme DIPJ entregue), e com a inclusão do Fundo Imobiliário V. France em 12/2001, que reduz o SN 31/12/2001 para R$66.148,40; analogamente a Ficha 06 - Dem de Resultado, sem a inclusão aponta prejuízo e com a inclusão aponta lucro e IRPJ a pagar no ano. Análise dos Embargos: estas informações guardam relação com o processo nº 11080.001377/2003-19 e não com o presente, onde se discute SN IRPJ 31/12/2002. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 11080.000621/2005-80 Acórdão n.º 1201-001.570 S1-C2T1 Fl. 7 6 Mas, o demonstrativo de que o SN IRPJ 31/12/2001, resultaria R$66.148,40, se tivessem sido computados os rendimentos e IRRF do FII Ville de France, evidencia que o SN IRPJ 31/12/2001 de R$89.428,70, reconhecido no citado outro processo nº n° 11080.001377/2003-19 (doc. 10), estaria maior que o devido e que o excedente foi indevidamente reconhecido para as compensações lá homologadas. O argumento é que, se a interessada tivesse declarado as receitas do FII Ville de France e considerado o IRRF em 2001, aumentaria o SN IRPJ daquele ano; esse valor poderia ter sido usado na compensação de estimativas de 2002; porém, as receitas não foram declaradas em 2001, conforme reconhece a interessada e tampouco a interessada formalizou os devidos Pedido de Restituição/Compensação exigidos pela IN SRF nº 21, de 10 de março de 1997, como se explica no item 1.3. a. 4. pág. 99/100, doc 4 anexado com a manifestação de inconformidade: Balancete 01 a 31/12/2001, apontando: Saldo anterior Débitos Créditos Saldo Atual 1.1.1.03 APLICAÇÕES DE LIQUIDEZ IMEDIATA 684.963,30 57.515,70 0,00 742.479,00 1.1.1.03.004 Caixa Econômica Federal - CDB 274.006,06 3.782,54 0,00 277.788,60 1.1.1.03.013 FIF HSBC Coporate DI 278.751,63 52.259,69 0,00 331.011,32 1.1.1.03.019 Banco Santander Meridional- Corp 132.205,61 1.473,47 0,00 133.679,08 Análise dos Embargos: estas informações evidenciam a contabilização do FII Ville de France em 2001. 1.3 CONTABILIZAÇÃO RENDIMENTOS FII VILLE DE FRANCE (2001) E MANHATTAN (2002) a) Págs. 145/153 - Doc 2, Diário e Razão 2002 - contabilização dos rendimentos de ambos os fundos em 06/2002, e dos correspondentes IRRF. Análise dos Embargos: confirma que foram contabilizados ambos em 2002. b) Págs. 101, doc. 5, Razão 2002, apontando compensação das estimativas mensais de 2002: Razão 1.1.2.10.022 IRF s/Dividendos/Lucros data D C Saldo Vlr IRF Inv I Ville de France 31/12/2001 24/05/2002 54.284,25 54.284,25 comp est IRPJ 05/2002 30/06/2002 31.057,34 23.226,91 comp 05/2003 - Selic 30/06/2002 542,84 23.769,75 comp est IRPJ 06/2002 31/07/2002 2.286,09 21.483,66 Vlr IRF Inv I Manhattan 01/08/2002 24.588,57 46.072,23 comp est IRPJ 07/2002 31/08/2002 7.357,28 38.714,95 Valor saldo anterior IRF s/ lucros transferido 14.126,38 24.588,57 comp est IRPJ 08/2002 30/09/2002 9.352,49 15.236,08 comp est IRPJ 09/2002 31/10/2002 6.812,37 8.423,71 comp est IRPJ 10/2002 30/11/2002 7.297,80 1.125,91 Atualização Selic 31/12/2002 626,18 1.752,09 Fl. 293DF CARF MF Processo nº 11080.000621/2005-80 Acórdão n.º 1201-001.570 S1-C2T1 Fl. 8 7 A interessada destacou que em 2002, não havia obrigatoriedade de apresentação de Pedido ou declaração de Compensação, nos Embargos opostos, pág. 266: c) consoante atesta o também acostado "Razão" da conta/quantia de IR fonte em questão (doc. 05)t esse mesmo valor foi integralmente compensado pela empresa contribuinte para quitação/extinção dos valores apurados como devidos a título das antecipações mensais de IRPJ dos e nos meses de competência de maio, junho, julho e agosto desse mesmo ano- calendário de 2002 (até competência agosto de 2002 - obrigatórias antecipações mensais na correspondente estimativa integralmente consumido/aproveitado em compensação/quitação correspondente esse mesmo ora então saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2001); (...) e) relevante e fundamental ainda registrar que, somente a partir dos vencimentos tributários verificados a partir do mês de outubro de 2002, não obstante nítida irregular retroatividade da previsão legal a seguir referida (violação dos artigos 104, 105 e 106 do CTN - retroatividade de disposições tributárias somente admissível em caráter benigno, quando para assim beneficiar o contribuinte -; o CTN deve ser obrigatoriamente respeitado pela fiscalização federal em primeiríssimo plano - art 142 e parágrafo único deste CTN), é que passou a ser obrigatória a remessa/apresentação de declaração de compensação para a assim concreta utilização e formalização de compensação de saldos negativos de IRPJ de anos-calendários anteriores (artigo 49 da Lei n° 10.637/2002 - DOU de 31.12.2002 complementado ou regulamentado nos termos da IN SRF n° 210, de 30.09.2002, conforme previsão de seu artigo 21,§I o ); tais compensações/aproveitamento dos saldos negativos de IRPJ para os vencimentos verificados até o mês de setembro de 2002 formalizavam-se diretamente através dos correspondentes registros/lançamentos contábeis, consoante realizado e comprovado nos termos deste anexo "Razão" (doc. 05). Análise dos Embargos: Em 2002, nos períodos em que a interessada efetuou as compensações das estimativas IRPJ /2002, demonstradas no Doc 5, vigia a Instrução Normativa nº 21, de 10 de março de 1997 (revogada pela IN SRF nº 210, 30 de setembro de 2002), e que já condicionava a compensação à formalização de pedido perante a SRF: Compensação entre Tributos ou Contribuições da mesma Espécie Art. 14. Os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, inclusive quando resultantes de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, poderão ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento. (...) Fl. 294DF CARF MF Processo nº 11080.000621/2005-80 Acórdão n.º 1201-001.570 S1-C2T1 Fl. 9 8 § 7º A compensação de créditos com débitos de tributos e contribuições de períodos anteriores ao do crédito, mesmo que de mesma espécie, deverá ser solicitada à DRF ou IRF-A do domicílio do contribuinte, por meio de Pedido de Restituição, acompanhado do respectivo Pedido de Compensação. (Grifou- se.) 1.4 VALORES ADICIONAIS DE IRRF SOBRE RECEITAS FINANCEIRAS 2002. O Despacho Decisório - DD de págs. 59/62, esclareceu que: a) o SN IRPJ 31/12/2002 consignado nas Dcomp, no valor de R$82.048,00, corresponde, erroneamente, aos valores de IRRF que a Interessada listou na Ficha 43 - Dem de IRRF, pág. 177 - e de fato trata-se de equívoco, porque o SN IRPJ é aquele apurado na Ficha 12A, na qual o IRRF é uma das deduções; b) na Ficha 12A - Apuração do IRPJ anual, o contribuinte deduziu R$92.840,54 de IRRF mensalmente e R$13.488,14 adicionais, ou seja, o total de IRRF de R$106.328,68, no ano 2002 - o DD apenas confirmou R$25.008,14. Acerca dos valores de IRRF de 31/12/2002, analisados no DD, reclama a Embargante: 3. Primeiramente, procede à glosa integral da retenção no valor de R$54.284,23, concernente à fonte pagadora Rio Bravo Investimentos S/A Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários - "Fundo de Investimento Imobiliário Ville de France" (comprovante de retenção e respectivo DARF de recolhimento do IR fonte, este último processado em conjunto com rendimentos pagos a outros também beneficiários, apensados - does. 02 e 03), por afirmar ser essa mesma retenção de IR fonte do ano-calendário de 2001 e não do ano-calendário de 2002, (...) 7. Ademais, a ainda incluir como IR fonte do ano-calendário de 2002, nestaficha 43 da respectiva DIPJ (doe. 06), o que originalmente faltou/esquecido, o montante de R$ 24.588,57, igualmente retido a título de IR fonte e assim recolhido pela mesma fonte pagadora Rio Bravo Investimentos S/A Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários - "Fundo de Investimento Imobiliário Manhattan" em relação ao primeiro semestre de 2002 (período de apuração 30.06.2002): este, portanto, incontestavelmente, IR fonte do ano-calendário de 2002, (...) (...) Apenas considerando, isoladamente, documento correspondente de retenção aa Caixa Econômica Federal apresentado com data de emissão em 17.04.2003 - doc. 09 - (certamente, enviado/apresentado por engano/em excesso pela empresa contribuinte), procedeu à glosa/não aceitação do somatório dos correspondentes valores lá consignados - R$ 2.171,83 sem nada dizer ou comprovar em relação aos saldos regularmente lançados na ficha 43 da DIPJ do ano-calendário 2002, exercício 2003 (doc. 06), estes os corretamente retidos como IR fonte Fl. 295DF CARF MF Processo nº 11080.000621/2005-80 Acórdão n.º 1201-001.570 S1-C2T1 Fl. 10 9 nesse mesmo ano-calendário de 2002: o assim formalizado, por si só, nada comprova, por conseguinte, em relação à suposta inexatidão ou suposto excesso nos valores lançados nesta referida ficha 43 da correspondente DIPJ; b) da mesma forma, em idêntico falho e incompleto procedimento, a consideração isolada dos extratos de aplicação CDB/RDB dessa mesma Caixa Econômica Federal (doc. 10): ainda que correto, com relação a estes isolados extratos, o IR fonte acumulado de R$ 604,83, onde a comprovação de que os valores totais da Caixa Econômica Federal regularmente lançados na ficha 43 da correspondente DIPJ (doc. 06) estão inexatos e/ou exagerados? Análise dos Embargos: a) em relação aos R$54.284,23, concernente à fonte pagadora Rio Bravo Investimentos S/A Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários - "Fundo de Investimento Imobiliário Ville de France" - analisa-se no item 5. a seguir; b) CEF, doc 9, pág. 109, o DD esclareceu que o ano a que se refere o demonstrativo é ilegível, e que não está confirmado em DIRF; adicionalmente, cabe destacar que não está contabilizado, conforme a tabela elaborada dos lançamentos de receitas financeiras no Diário, que se elaborou nesta Análise dos Embargos, item 9.b. c) CEF, doc. 10, págs. 110/112, explicou tratar-se de aplicação para o período de 26/03/2002 a 26/09/2002 e que os demonstrativos se referem a valores cumulativos - assim corretamente, considerou o IRRF do último deles, de 31/08/2002, no valor de R$604,83. Acerca de IRRF sobre receitas financeiras contabilizadas e reconhecidas no ano-calendário 2002, o contribuinte apresentou os documentos: 5. págs. 157/158, doc 3: Comprovante retenção por Rio Bravo Invest S/A em 06/2002, cód 5232 IRRF - aplicações financeiras em fundos de investimento imobiliário, no valor de R$24.588,57 (anotação manual, FII Manhattan) e DARF de recolhimento de cód 5232 IRRF ref Distr Result 1º sem 2002, no valor de R$280.000,00, em 31/07/2002, referente a 06/2002, pela fonte pagadora; planilha demonstrativa dos dividendo distribuídos à interessada, no valor de R$122.942,83, e retenção dos R$24.588,57. Análise dos Embargos: Conforme especificado nos arts. 34 e 37, § 3º, c, da Lei nº 8.981, de 1995; art. 2º, § 4º, III da Lei nº 9.430, de 1996, a pessoa jurídica pode deduzir o IRRF de aplicações financeiras, desde que os correspondentes rendimentos tenham sido oferecidos à tributação. No caso, esse rendimento e IRRF não constam da DIPJ, pág. 177, onde, para as retenções informadas na Ficha 43 no total de R$82.048,00, correspondem rendimentos de aplicações financeiras no total de R$411.511,45(pág. 177), sendo que a interessada declarou na Ficha 06A - Demonstração de Resultados, linha 24. Outras receitas Financeiras (correspondentes à renda fixa) R$213.869,08, ou seja, nem toda retenção é passível de ser aproveitada, dado o não oferecimento à tributação da receita correspondente; cabe destacar que o rendimento do Fundo Ville de France se refere a 12/2001: Ficha 43 - Dem IRRF pág. 177 (todos ref renda fixa) Rendimento IRRF Fl. 296DF CARF MF Processo nº 11080.000621/2005-80 Acórdão n.º 1201-001.570 S1-C2T1 Fl. 11 10 17.268,26 4.431,15 1.728,08 345,62 271.421,18 54.284,25 Fundo Ville de France 2001 32.152,69 5.180,70 84.713,65 16.960,71 4.228,09 845,57 Total 411.511,95 82.048,00 Ficha 06A - Demonstração de resultado linha 21. Ganhos Auf merc Renda Var 166.681,75 linha 24. Outras Receitas Financeiras (renda fixa) 213.859,08 A interessada advoga a inclusão, no ano 2002, dos IRRF relativos aos dois rendimentos: o do Fundo Ville de France de 12/2001 (porque não o considerou no ano de competência) e o do Manhattan em 06/2002, que totalizariam R$(271.421,18+122.942,83=394.364,01) de receita financeira a declarar e R$54.284,25+24.588,57=78.872,82) de IRRF. Eis que a interessada declarou na Ficha 06, linha 24 - R$213.859,08 de receitas financeiras; deduzindo-se deste valor os demais rendimentos financeiros no valor de R$125.042,42, correspondentes ao IRRF de R$25.008,14, reconhecido no DD, pág. 60, §9: 9. Como conseqüência do acima exposto, o primeiro documento da fl. 34 e os documentos de fls. 33, 35, 36 e 39 foram desconsiderados para fins de comprovação das retenções, remanescendo comprovações no valor de somente R$ 25.008,14 (documentos de fls. 32, 37/38, 40/41 e segundo documento da fl. 34), cabendo, portanto, retificar os valores das deduções informadas nas linhas 13 e 16 da Ficha 12A e o saldo do imposto apurado na linha 18 da seguinte forma: fls rend IRRF 33 (32 manual) 3.555,65 711,13 37 (34 manual) 1.797,90 359,58 40 (37 manual) 3.024,16 604,83 41 (38 manual) 1.728,10 345,62 43 (40 manual) 110.708,54 22.141,41 44 (41 manual) 4.228,07 845,57 125.042,42 25.008,14 Assim, podem ser reconhecidos IRRF referentes à porção da receita financeira oferecida à tributação (arts. 34 e 37, § 3º, c, da Lei nº 8.981, de 1995; art. 2º, § 4º, III da Lei nº 9.430, de 1996): Proporção de IRRF a reconhecer: Rec % IRRF Rec Fin declarada 213.859,08 100,00% 42.771,23 Rec Fin ref IRRF confirmado DD 125.042,42 58,47% 25.008,14 Rec fin correspondente FII 88.816,66 41,53% 17.763,09 Conclui-se que podem ser considerados R$17.763,09 de IRRF referente aos FII . Fl. 297DF CARF MF Processo nº 11080.000621/2005-80 Acórdão n.º 1201-001.570 S1-C2T1 Fl. 12 11 6. pág. 101, doc 5 anexado com a manifestação de inconformidade: Razão conta 1.1.2.10.022 - IRF s/dividendos/lucros, compensação de estimativas IRPJ 05, 06, 07, 08, 09 e 10/2002, com R$54.284,25 de IRF s/ lucro Fundo Imob V de France apurado em 31/12/2001 e com R$24.588,57 de IRF s/lucros do Fundo de Invest Manhattan - Análise dos Embargos: a. em relação ao FII Ville de France: defendeu que esses valores de IRRF sejam considerados na apuração do SN IRPJ 31/12/2002, apresenta Razão em que os utiliza na compensação de estimativas mensais do ano 2002, como se o Fundo Imob Vill de France tivesse sido oferecido à tributação no ano de competência 2001 e o respectivo IRRF tivesse aumentado o SN IRPJ 31/12/2001 e que, além dos R$89.428,70 conhecidos no citado processo nº 11080.001377/2003-19, o SN IRPJ 31/12/2001 estivesse acrescido dos R$54.284,25 daquele FII - ocorre que a receita do FII Ville de France não foi contabilizada nem declara no ano- calendário 2001 e por isso, não pode ser reconhecida como SN IRPJ 31/12/2001; b. Em relação ao FII Manhattan, já se analisou em item precedente, que pode ser reconhecido como IRRF o limite de R$17.763,09, na apuração do IRPJ de 31/12/2002, o que se demonstra a seguir: DIPJ original esp, págs. 8/18 DD Análise Embargos data 16/04/2003 11/12/2006 Ficha 12A - Cálculo do IRPJ IRPJ apurado 89.923,33 89.923,33 89.923,33 (-) PAT 134,58 134,58 134,58 (-) IRRF 13.488,14 25.008,14 42.771,23 (-) Estim paga (01/2002) 93.590,72 750,18 750,18 IRPJ a pagar -17.290,11 64.030,43 46.267,34 como corretamente destacou o DD, a compensação contabilizada improcede, dado que pelas razões expostas, a interessada só poderia utilizar o IRRF relativo aos dois fundos até o limite da correspondente receita oferecida à tributação; como se demonstrou no item precedente, o valor do IRRF a ser aproveitado ficou limitado a R$17.763,09, e foi considerado na apuração supra demonstrada, na qual se apurou IRPJ a pagar em valor menor que o do DD. Observação: A linha 21. Ganhos Auf merc Renda Var, da Ficha 06A-Demosntração de Resultados, pág. 171, não inclui as receitas financeiras dos Fundo Imobiliários, conforme se verifica a seguir: Fonte: http://www.receita.fazenda.gov.br/PessoaFisica/IRPF/2006/perguntas/AplicFinanRenFixaRen Variavel.htm 606 — Quais são as operações realizadas no mercado de capitais? No mercado de capitais são negociados títulos, valores mobiliários e ativos financeiros que, de acordo com as características do ativo ou contrato objeto da operação, podem ser classificados em dois grandes segmentos: 1 - Mercado de Renda Variável Compõe-se de ativos de renda variável, quais sejam, aqueles cuja remuneração ou retorno de capital não pode ser dimensionado no momento da aplicação. São eles as ações, Fl. 298DF CARF MF Processo nº 11080.000621/2005-80 Acórdão n.º 1201-001.570 S1-C2T1 Fl. 13 12 quotas ou quinhões de capital, o ouro, ativo financeiro, e os contratos negociados nas bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas. 2 - Mercado de Renda Fixa Compõe-se de ativos de renda fixa aqueles cuja remuneração ou retorno de capital pode ser dimensionado no momento da aplicação. Os títulos de renda fixa são públicos ou privados, conforme a condição da entidade ou empresa que os emite. Como títulos de renda fixa públicos citam-se as Notas do Tesouro Nacional (NTN), os Bônus do Banco Central (BBC), os Títulos da Dívida Agrária (TDA), bem como os títulos estaduais e municipais. Como títulos de renda fixa privados, aqueles emitidos por instituições ou empresas de direito privado, citam- se as Letras de Câmbio (LC), os Certificados de Depósito Bancário (CDB), os Recibos de Depósito Bancário (RDB) e as Debêntures. Equiparam-se a operações de renda fixa, para fins de incidência do imposto de renda na fonte, as operações de mútuo e de compra vinculada à revenda, no mercado secundário, tendo por objeto ouro, ativo financeiro, as operações de financiamento, inclusive box, realizadas em bolsas de valores, de mercadorias e de futuros e as operações de transferência de dívidas, bem como qualquer rendimento auferido pela entrega de recursos a pessoa jurídica. (IN SRF n º 25, de 2001, art. 18) 607 — Quais são as operações do mercado de renda variável? O mercado de renda variável compreende todas as operações realizadas nas bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, bem como as operações com ouro, ativo financeiro, realizadas fora de bolsas, com a interveniência de instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional (bancos, corretoras e distribuidoras), ressalvadas as operações de mútuo e de compra vinculada à revenda com ouro, ativo financeiro, e as operações de financiamento referidas na pergunta anterior. (IN SRF n º 25, de 2001, art. 23) 7. págs. 170/177 e 102/106, DIPJ ano-calendário 2002, original, de 16/04/2003, Ficha 12A Cálculo IRPJ onde consta dedução de R$13.488,14 de IRRF e SN IRPJ (-) 17.290,11 e na Ficha 43-Dem de IRRF, destacando que os rendimentos de R$271.421,18 e o 5232 - IRRF de R$54.284,25 de IRF s/ lucro Fundo Imob V de France, apurado em 31/12/2001, estão ali listados, constando anotação manual de que faltam R$24.588,57 de IRRF (do Fundo Manhattan apurados em 06/2002). Análise dos Embargos: aplicam-se os itens precedentes. 8. págs. 170/179, doc 08: planilhas demonstrando Ficha 11 - Cálculo do IRPJ estimativas mensais ano 2002, com (conforme DIPJ entregue), e sem a inclusão do Fundo Imobiliário V. France em 05/2002; analogamente a Ficha 06 - Dem de Resultado, com a inclusão aponta lucro e sem a inclusão aponta lucro menor. Análise dos Embargos: aplicam-se os itens precedentes. 9. pág. 188/204, doc 12: Fl. 299DF CARF MF Processo nº 11080.000621/2005-80 Acórdão n.º 1201-001.570 S1-C2T1 Fl. 14 13 a. demonstrativo de IRRF no ano 2002 por fonte pagadora e mês e total do ano no valor de R$106.636,57 e, se excluídos R$54.284,25 (de dedução por referir-se a dez/2001), resta o total de R$52.352,53; b. Diário ano-calendário 2002, destacando rendimentos de aplicações financeiras: CDB CEF FIF HSBC DI Santa nder Corp Fac Pers CEF HSBC CDB/CDI Fundo Inv Ville France 31/12/2001 (*) Rend s/ Apl Fin- resgate Fundo Invest Imob jan/02 4.214,75 5.863,20 2.045,64 fev/02 3.486,59 5.506,56 515,81 mar/02 3.180,55 6.104,61 475,39 abr/02 936,52 6.686,38 520,71 1.797,95 mai/02 600,58 2.900,68 64,23 271.421,18 jun/02 540,87 6.456,46 295,23 2.141,65 jul/02 2.860,02 ago/02 614,84 7.588,29 8.528,06 set/02 538,53 out/02 nov/02 3.076,85 dez/02 5.705,97 548,25 8.991,53 subtotal 14.113,23 46.812,15 3.917,01 4.487,85 17.519,59 2.860,02 3.076,85 Total geral R$92.786,70 sem o Fundo Inv Ville France (*) - e R$364.207,88, se incluído (*) IRRF R$54.284,25 Análise dos Embargos: Observa-se que procede a conclusão do Acórdão CARF de que os valores no Diário não correspondem aos que constam da DIPJ. 1.5 DILIGÊNCIA. Requerida no recurso voluntário (§19) "relativamente a toda à assim unicamente correta formatação de créditos em favor da empresa contribuinte aqui recorrente, a qual ratifica, com sobras, a existência de necessário montante total de saldo negativo de IRPJ para compensação a partir de 2003 no final do ano-calendário de 2002: R$ 139.858,41 (item 16, supra)." Análise dos Embargos: por todo o exposto, entendo que descabe realização de diligência, dado que os documentos acostados permitem a análise realizada. Desta forma, entendo que omissão em se pronunciar sobre os quesitos levantados no Recurso Voluntário resta sanada e a conclusão é que: a) o IRPJ a pagar de 31/12/2002 apurado deve ser reduzido a R$46.267,34; b) confirma-se não haver direito creditório a reconhecer, confirmando-se a não homologação das Dcomp deste processo. Conclusão Diante do exposto, ACOLHO os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a omissões e e confirmar não haver direito creditório a ser reconhecido. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 11080.000621/2005-80 Acórdão n.º 1201-001.570 S1-C2T1 Fl. 15 14 (documento assinado digitalmente) Eva Maria Los - Relator Fl. 301DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10240.001537/2009-64
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONHECIMENTO DE RECURSO ESPECIAL. NECESSIDADE DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE O ACÓRDÃO RECORRIDO E O PARADIGMA APRESENTADO.
Não deve ser conhecido o Recurso Especial quando as matérias tratadas nos acórdãos recorrido e paradigma são diferentes. Hipótese em que a situação fática enfrentada pelo acórdão apresentado a título de paradigma difere da situação fática enfrentada pelo acórdão recorrido.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA
A decadência do direito de o fisco constituir crédito por multas por descumprimento de obrigação acessória é aquela do lançamento de ofício, contados cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ser efetuado.
Numero da decisão: 9202-005.300
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONHECIMENTO DE RECURSO ESPECIAL. NECESSIDADE DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE O ACÓRDÃO RECORRIDO E O PARADIGMA APRESENTADO. Não deve ser conhecido o Recurso Especial quando as matérias tratadas nos acórdãos recorrido e paradigma são diferentes. Hipótese em que a situação fática enfrentada pelo acórdão apresentado a título de paradigma difere da situação fática enfrentada pelo acórdão recorrido. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA A decadência do direito de o fisco constituir crédito por multas por descumprimento de obrigação acessória é aquela do lançamento de ofício, contados cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ser efetuado.
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Recorrente ASC ASSESSORIA SERVICOS E CONSERVACÃO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONHECIMENTO DE RECURSO ESPECIAL. NECESSIDADE DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE O ACÓRDÃO RECORRIDO E O PARADIGMA APRESENTADO. Não deve ser conhecido o Recurso Especial quando as matérias tratadas nos acórdãos recorrido e paradigma são diferentes. Hipótese em que a situação fática enfrentada pelo acórdão apresentado a título de paradigma difere da situação fática enfrentada pelo acórdão recorrido. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA A decadência do direito de o fisco constituir crédito por multas por descumprimento de obrigação acessória é aquela do lançamento de ofício, contados cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 15 37 /2 00 9- 64 Fl. 449DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração AI, que constituiu o DEBCAD nº 37.212.6227, à efl. 02, relativamente a multa por descumprimento de obrigação acessória. A infração que levou à aplicação da penalidade porque as folhas de pagamento relativas ao período de 01/2004 a 12/2004 não foram preparadas de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS. A autuação ocorreu em 08/09/2009, no valor de R$ 1.329,18, com ciência à contribuinte em 15/09/2009 (efl. 03). A descrição do procedimento encontrase no relatório fiscal do auto de infração, às efls. 08 a 10. O AI foi impugnado, à efl. 69, em 09/10/2009. Já a 4ª Turma da DRJ/BEL, no acórdão nº 0117.788, prolatado em 31/05/2010, às efls. 354 a 356, por unanimidade, não conheceu da impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Inconformada, em 16/09/2010, a contribuinte, interpôs recurso voluntário RV, às efls. 359 a 364, argumentando, apenas, preliminar de decadência, em face da aplicação do critério de contagem do prazo pelo § 4º do art. 150 do CTN, para todos os fatos geradores ocorridos anteriormente a 15/09/2004. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 11/07/2012, resultando no acórdão 240202.440, às efls. 172 a 179, que tem a seguinte ementa: OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. FOLHA PAGAMENTO. DESACORDO LEGISLAÇÃO. É devida a autuação da empresa que deixar de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Fisco. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. Matéria que não foi conhecida na impugnação não pode ser apreciada em grau de recurso, em face da preclusão consumativa, salvo se houver matéria de ordem pública. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APLICAÇÃO ART 173, I, CTN. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo Fl. 450DF CARF MF Processo nº 10240.001537/200964 Acórdão n.º 9202005.300 CSRFT2 Fl. 450 3 prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias, relativas às contribuições previdenciárias, é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. Recurso Voluntário Negado. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar provimento. RE da Contribuinte Intimada (efl. 395) do acórdão, em 15/04/2013 (efl. 396) a contribuinte, em 29/04/2013, manejou recurso especial de divergência RE (efls. 423 a 430) ao citado acórdão. Nele argumenta que o aresto recorrido diverge de entendimentos firmados no CARF, pois naquele se entendeu que nos casos de obrigação acessória, lançada por oficio, para efeito de contagem do prazo decadência, há que se aplicar o disposto no artigo 173, inc. I, do CTN, enquanto o paradigma destacou que, nesse tipo de lançamento, ultrapassado o prazo quinquenal sem o lançamento de ofício, operase a decadência, sendo o marco inicial o fato gerador. Traz por paradigma o acórdão nº 10615.614, que entre suas ementas assevera: IRPF – DECADÊNCIA – DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, no caso da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, ocorre no mês dos créditos, a teor do artigo 42, § 4°, da Lei n° 9.430/96. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. (Grifos da recorrente) Na sua argumentação, a contribuinte salienta que as Contribuições Sociais são tributos sujeitos ao lançamento por homologação e seu prazo decadencial deve ser contado com base no disposto no § 4º do art. 50 do CTN, a partir da ocorrência do fato gerador. Pelas razões expostas requereu a que fosse o recurso e provido . O RE da contribuinte foi apreciado pelo Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos do art. 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, por meio do despacho nº 2400651/2013, às efls. 433 e 434, datado de Fl. 451DF CARF MF 4 04/07/2013, entendendo ele por lhe dar seguimento, por ambos, paradigma e recorrido tratarem de lançamentos por homologação. Destacou o Presidente, à efl. 434: A decisão recorrida, também tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação (contribuições sociais previdenciárias), aplicou ao caso o art. 173, I do CTN, por não ter vislumbrado nos autos antecipação de pagamento. Contrarrazões da Fazenda A procuradoria da Fazenda Nacional foi cientificada da admissibilidade do RE em 29/08/2013 (efl. 435), e, em 02/09/2013, apresentou contrarrazões, às efls. 436 a 444, onde, em resumo, traz os argumentos a seguir. Deve ser rejeitado o recurso, pois não há identidade fática entre paradigma e recorrido. O paradigma e outros acórdãos juntados pela contribuinte tratam de lançamentos por descumprimento de obrigação principal, relativos ao imposto de renda da pessoa física. O recorrido versa sobre lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória, à qual não se pode aplicar prazo de lançamento por homologação, pois não implica recolhimentos a serem homologados; é lançamento de ofício. Além disso, o lançamento de multa, por descumprimento de obrigação acessória, é de ofício, como postulado no inc. VI do art. 149 do CTN, não havendo que se falar em lançamento por homologação e por isso tem sua contagem decadencial regida pelo inc. I do art. 173 do mesmo Código. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso é tempestivo. Contudo, com a devida vênia, discordo de que preencha todos os requisito para sua admissibilidade. Como salientado pela Procuradora da Fazenda em seu contraarrazoado, o paradigma, bem como todos os demais acórdãos citados pela contribuinte referemse a lançamentos de obrigações principais: pagar o tributo. Essas obrigações podem ser sujeitas a lançamento por homologação ou de ofício; no caso do IRPF, por homologação. O caso em apreciação nos autos é de lançamento da multa por descumprimento do inc. I, do art. 32, da Lei nº 8.212/1991, que obriga a contribuinte a preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social. Por isso, cabível a multa do art. 92 da mesma Lei, combinado com o art. 283 do Decreto nº 3.048/1999. Ora, nesse caso, o fato gerador da multa é a falta de elaboração das folhas de pagamento de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente. O tributo, Fl. 452DF CARF MF Processo nº 10240.001537/200964 Acórdão n.º 9202005.300 CSRFT2 Fl. 451 5 que tem fato gerador distinto, seja ele pago ou não, em nada afeta a multa pela falta de atendimento a essa exigência. Aliás, esta multa tem o valor mínimo estabelecido nos artigos 92 e 102 da Lei 8.212, de 24/07/1991 e no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inciso I, alínea a), atualizada na forma do art. 373 do RPS, pela Portaria Interministerial MPS/MF n.° 48, de 12 de fevereiro de 2009 (DOU de 13/02/2009), fixado em R$ 1.329,18, totalmente independente do valor do tributo. A multa por descumprimento de obrigação acessória é sanção por ato ilícito, o tributo não. Assim, não há similitude fática entre o paradigma e o recorrido, pois este trata de lançamento de multa, no teor do inc. VI do art. 149 do CTN, forçosamente de ofício, aquele, trata de lançamento de IRPF, tributo sujeito ao lançamento por homologação, conforme caput do art. 150 do mesmo códice. Conclusão Diante do exposto, em face da inexistência de similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas, voto por não conhecer do recurso especial da contribuinte, mantendo integralmente o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 453DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12259.000919/2008-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2005
FISCALIZAÇÃO. COMPETÊNCIA.
Para o lançamento de contribuição previdenciária, a Secretaria da Receita Federal do Brasil possui competência para a caracterização da condição de segurado empregado sempre que presentes os elementos do vínculo empregatício: subordinação jurídica, pessoalidade, não eventualidade e onerosidade.
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I.
DESCARACTERIZAÇÃO DO VINCULO PACTUADO. RELAÇÃO DE EMPREGO. PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL SOBRE A FORMA.
Presentes os pressupostos da relação de emprego entre a empresa contratante e a pessoa física prestadora de serviços, dissimulada como pessoa jurídica, deve ser considerado o vínculo laborai do obreiro com o tomador dos serviços, fundamentação: artigos 12, I, "a" e 33 da Lei n° 8.212/91 c/c art. 229, §2° do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/99, com a alteração do Decreto n° 3.265/99.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a decadência das competências 06/2001 a 11/2001 (inclusive) e 13º salário/2011, nos termos do voto do relator. Votaram pelas conclusões os conselheiros Fábio Piovesan Bozza e Alexandre Evaristo Pinto.
Andrea Brose Adolfo - Presidente Substituta
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2005 FISCALIZAÇÃO. COMPETÊNCIA. Para o lançamento de contribuição previdenciária, a Secretaria da Receita Federal do Brasil possui competência para a caracterização da condição de segurado empregado sempre que presentes os elementos do vínculo empregatício: subordinação jurídica, pessoalidade, não eventualidade e onerosidade. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. DESCARACTERIZAÇÃO DO VINCULO PACTUADO. RELAÇÃO DE EMPREGO. PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL SOBRE A FORMA. Presentes os pressupostos da relação de emprego entre a empresa contratante e a pessoa física prestadora de serviços, dissimulada como pessoa jurídica, deve ser considerado o vínculo laborai do obreiro com o tomador dos serviços, fundamentação: artigos 12, I, "a" e 33 da Lei n° 8.212/91 c/c art. 229, §2° do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/99, com a alteração do Decreto n° 3.265/99. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a decadência das competências 06/2001 a 11/2001 (inclusive) e 13º salário/2011, nos termos do voto do relator. Votaram pelas conclusões os conselheiros Fábio Piovesan Bozza e Alexandre Evaristo Pinto. Andrea Brose Adolfo - Presidente Substituta Julio Cesar Vieira Gomes - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2080; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 325 1 324 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12259.000919/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.923 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de fevereiro de 2017 Matéria CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO Recorrente CONTRASTE ENGENHARIA E AUTOMAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2005 FISCALIZAÇÃO. COMPETÊNCIA. Para o lançamento de contribuição previdenciária, a Secretaria da Receita Federal do Brasil possui competência para a caracterização da condição de segurado empregado sempre que presentes os elementos do vínculo empregatício: subordinação jurídica, pessoalidade, não eventualidade e onerosidade. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. DESCARACTERIZAÇÃO DO VINCULO PACTUADO. RELAÇÃO DE EMPREGO. PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL SOBRE A FORMA. Presentes os pressupostos da relação de emprego entre a empresa contratante e a pessoa física prestadora de serviços, dissimulada como pessoa jurídica, deve ser considerado o vínculo laborai do obreiro com o tomador dos serviços, fundamentação: artigos 12, I, "a" e 33 da Lei n° 8.212/91 c/c art. 229, §2° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/99, com a alteração do Decreto n° 3.265/99. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 25 9. 00 09 19 /2 00 8- 16 Fl. 325DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a decadência das competências 06/2001 a 11/2001 (inclusive) e 13º salário/2011, nos termos do voto do relator. Votaram pelas conclusões os conselheiros Fábio Piovesan Bozza e Alexandre Evaristo Pinto. Andrea Brose Adolfo Presidente Substituta Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS. Fl. 326DF CARF MF Processo nº 12259.000919/200816 Acórdão n.º 2301004.923 S2C3T1 Fl. 326 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação fiscal lavrada com ciência em 08/03/2007 para constituição de crédito tributário de contribuição previdenciária sobre remunerações a segurados empregados, assim caracterizados pela fiscalização em razão da suposta presença das características da relação de emprego. Segue transcrição de trechos da decisão recorrida: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. Verificada a prestação de serviços por segurados que preenchem os requisitos do art. 12, inciso I, alínea “a” da Lei 8.212/91, não importando qual tenha sido a forma de contratação, é competente o auditor fiscal do INSS para lançar as contribuições devidas e incidentes sobre a remuneração paga. O contrato de trabalho, sendo um contrato realidade, não está vinculado ao aspecto formal, eis que prevalecem as circunstâncias reais em que são prestados os serviços. LANÇAMENTO PROCEDENTE ... 2. De acordo com o relatório fiscal, de fls. 35/39, o levantamento tem origem na caracterização como empregados dos segurados RONILSON MAJUSTE e ANDRE FERNANDES MAGALHÃES considerados pela notificada como microempresários, por verificados os requisitos da relação de emprego, definidos no art. 12, inciso I, alínea "a", da Lei 8212/91 c/c art. 30 da CLT. Acrescenta o autor do lançamento que os segurados constituíram em 20/06/01 a empresa RM CONSULTORIA EM INFORMÁTICA LTDA, passando a emitir, a partir de 08/2001, mensalmente e em ordem seqüencial notas fiscais de prestação de serviços em informática, caracterizando o trabalho exclusivo e habitual, bem como sua natureza não eventual e diretamente ligada A atividade fim da empresa. Ressalta, ainda, a autoridade lançadora que o vinculo foi reconhecido pela empresa pelo fato de os segurados cumprirem rigorosamente jornada de trabalho estabelecida com hora de entrada, almoço e saída (conforme documento Relatório de Horas), além de que ao segurado André Fernandes Magalhães foi paga parcela salarial pertinente apenas aos segurados empregados (premium card). 3. O lançamento foi efetuado em 08/03/2007, dentro do lapso temporal determinado pelo Mandado de Procedimento Fiscal n° 09352474F00, de fls. 25 , e seus complementares, de fls. 26/28, compatível com os períodos de fiscalização e apuração do crédito, com a devida ciência do contribuinte. Fl. 327DF CARF MF 4 Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação: O débito lançado é nulo, pois a autoridade administrativa, além de ter agido desprovida de amparo legal, excedeu as atribuições que lhe são conferidas, invadindo a competência constitucionalmente assegurada à Justiça do Trabalho para desconsiderar a personalidade jurídica de empresas prestadoras, legalmente contratadas, e presumir o vínculo entre os sócios e a empresa contratante; Houve cerceamento de defesa, uma vez que, na esfera judicial, teria a autuada instrumentos mais amplos e eficaz e para se defender, reproduzindo o art. 93, inciso IX, da Constituição Federal; O lançamento de débito vultoso, sem o contraditório e ampla defesa judiciais, afigurase procedimento assaz arbitrário; Os débitos foram lançados de modo unilateral e parcial, ressaltando que a presunção do art. 204 do CTN não dispensa a autoridade lançadora de apurar os fatos que entende serem tributáveis, com a diligência necessária para sua aferição. A existência de relação de emprego não deve ser meramente presumida, mas a autoridade fiscal usou somente suas presunções para descaracterizar os contratos de prestação de serviço; A desconsideração da personalidade jurídica só poderá ser aplicada quando estiver efetivamente comprovada a dissimulação, o que não foi demonstrado na NFLD; A possibilidade de desconsideração de atos ou negócios jurídicos foi introduzida através da Lei Complementar 104/2001 (parágrafo único do art. 116) como medida antielisiva, tornando imprescindível a adoção, pelos agentes fiscais, dos procedimentos que ainda serão estabelecidos em lei ordinária, reproduzindo jurisprudência em favor de sua tese; A teor do art. 150, III, da Constituição Federal e considerando o principio da irretroatividade da lei, ainda que aguardada a lei ordinária, esta não poderá alcançar a presente NFLD, sendo totalmente nulo o débito lançado; O presidente Lula aprovou a Lei 11.457, de 16 de março de 2007, inobstante ter vetado a emenda 3, sendo que o fato de ter sido esta aprovada pelo Congresso demonstra a grande polemica na qual está inserida esta questão, podendo ainda ser derrubado o veto presidencial; indicando a concordância de que na regulamentação do artigo 116 do CTN não pode ser violado o Principio da Separação dos Poderes, concluindose que a autoridade administrativa não goza de atribuições para desconsideração da personalidade jurídica. Avaliar a legalidade de uma contratação não é da alçada do Fisco, sendo ínsita à sua atividade, tãosomente, a apreciação do denominado mérito administrativo, ou seja a valoração sobre a conveniência e oportunidade do ato, mas não a legalidade ou ilegalidade dos mesmos; Fl. 328DF CARF MF Processo nº 12259.000919/200816 Acórdão n.º 2301004.923 S2C3T1 Fl. 327 5 A pessoa jurídica contratada foi constituída legalmente, não havendo vedação para sua contratação, cabendo exclusivamente às partes, nos termos do art. 170, IV, da Constituição da República, deliberar acerca do regime tributário aplicável, ou seja, optar entre a CLT e a mera prestação de serviços, não podendo ser imposto o regime celetista a toda relação de trabalho; Não houve ocultação ou fraude a qualquer tipo de vínculo empregatício, já que a única relação existente foi a de prestação de serviços, que possui conteúdo de obrigação de fazer, portanto, sem natureza trabalhista, restrita ao âmbito civil contratual; Como o ramo de informática é altamente dinâmico, surge a necessidade de se contratar prestadores de serviço para o desenvolvimento de programas e projetos específicos e determinados, que não se incluem nas atividades normais da empresa; A fiscalização não informa e nem tampouco comprova qual seria o tipo de atividade desenvolvida pela prestadora de serviços e, mesmo que se trate de atividadefim semelhante à desenvolvida pela impugnante, tal fato não é suficiente para caracterizar a relação de emprego, transcrevendo jurisprudência sobre a matéria; A documentação anexa é inidônea a ensejar o vínculo, já que os serviços não se revestem das características inerentes ao contrato de trabalho, por serem não pessoais, esporádicos, não exclusivos e não subordinados, não havendo também pessoalidade, já que a prestadora não é pessoa física; A autoridade administrativa não comprovou a habituaiidade e exclusividade da prestação de serviços, bem como a dependência, do que decorre não ter sido provada a relação de emprego; Durante todo o procedimento fiscal em momento algum a empresa se recusou ou sonegou qualquer informação ou documento, mas, ao contrário, disponibilizou equipe para atendimento à fiscalização, o que torna descabida a adoção do método de aferição indireta, com fundamento neo art. 33, §§3° e 6° da Lei nº 8.212/91 reproduzido na defesa; Deve ser aplicado o art. 112 do CTN, que objetiva proteger o contribuinte, não podendo prosperar a exigência fiscal diante da ausência de elementos e provas suficientes de convicção da ocorrência do fato gerador, devendo ser considerada improcedente a presente Notificação. É o Relatório. Fl. 329DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Preliminares O procedimento da fiscalização e formalização da autuação cumpriram todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 330DF CARF MF Processo nº 12259.000919/200816 Acórdão n.º 2301004.923 S2C3T1 Fl. 328 7 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou todas as alegações do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos de regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Quanto à competência do auditorfiscal para a caracterização da condição segurado empregado para fins de lançamento da contribuição previdenciária, a matéria foi julgada neste CARF através de outros processos do mesmo recorrente e originados da mesma fiscalização. Como precedente, assim, cito o processo nº 35582.002130/200742, in verbis: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2005 Fl. 331DF CARF MF 8 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. TERCEIRIZAÇÃO. SIMULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. SEGURADO EMPREGADO. I – A fiscalização da SRP tem poderes para declarar a existência de pacto laborai onde o contribuinte entendia ou simulava não, haver, devendo apenas ter a cautela de demonstrar de forma inequívoca a existência dos seus elementos peculiares. II – Exposta à situação fática, e verificado que há a presença de vinculo empregatício em suposta prestação por pessoa jurídica, correto é o lançamento de oficio. III – A legalidade formal na constituição das empresas, contratadas pela Notificada, não se sobrepõe à ilegalidade na prestação dos serviços propriamente ditos, que como visto mascaravam a presença dos elementos da relação de labor. IV A liberdade constitucional de contratar, não permite a adoção de meios evasivos, objetivando a fuga da tributação imposta a todos. Recurso Voluntário Negado ... Nesse diapasão, insta mencionar que ao considerar um pacto laborai onde o contribuinte entendia ou simulava não haver, a fiscalização da Secretária da Receita Previdenciária — SRP, não está a invadir a competência outorgada à Justiça do Trabalho, na medida em que sua ação não está voltada para fins relacionados ao direito trabalhista, ma sim ao cumprimento fiel e irrestrito da legislação previdenciária, e encontra respaldo egal no § 2° do artigo 229 do Dec. N° 3.048/99, que assim giza: Art. 229: (omissis). §2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso 1 do caput do art. 92, deverá desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. E de fato existe regra de competência nesse sentido prevista no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999, com nova redação dada pelo Decreto n° 3.265, de 29 de novembro de 1999, que assim dispõe: art. 229 (...) §2° Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9°, deverá desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. Portanto, no presente caso não se trata propriamente de aplicação da cláusula geral antielesiva prevista no artigo 116 Parágrafo único do CTN, o que implicaria para todos os Fl. 332DF CARF MF Processo nº 12259.000919/200816 Acórdão n.º 2301004.923 S2C3T1 Fl. 329 9 fins a desconsideração da personalidade jurídica das supostas empresas interpostas entre o recorrente e as pessoas físicas; o que não é o caso. Pontualmente, tratase da constatação de uma situação real que prevalece sobre a forma e que, para fins de tratamento tributário, a relação jurídica com o recorrente é direta e pessoal das pessoas físicas e não das pessoas jurídicas interpostas: art. 116 (...) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Assim, o entendimento deve ser aqui reproduzido. A preliminar suscitada não merece acolhida. Passamos a examinar o mérito. Decadência Embora não tenha sido alegada, por ser matéria de ordem pública, a decadência deve ser reconhecida em quaisquer das fases do processo. Assim, passo a análise. Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Fl. 333DF CARF MF 10 Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido da imprescindibilidade de pagamento parcial do tributo para que seja aplicada a regra decadencial do artigo 150, §4° do CTN; caso contrário, aplicase o artigo 173, I do CTN que transfere o termo a quo de contagem para o exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Também atribuiu status de repetitivos a todos os processos que se encontram Fl. 334DF CARF MF Processo nº 12259.000919/200816 Acórdão n.º 2301004.923 S2C3T1 Fl. 330 11 tramitando sobre a matéria. E, por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a decisão deve ser reproduzida nas turmas deste Conselho. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Considerando o presente caso, deve ser aplicada a regra do artigo 173, I do CTN. Constatase através do documento apresentado pela fiscalização sob o título de discriminativo analítico do débito que não houve pagamento parcial em relação ao segurado empregado objeto do lançamento e que a fiscalização encaminhou ao ministério público federal representação fiscal para fins penais. Assim, deve ser acolhida de ofício a decadência para exclusão dos valores relativos aos meses 01/06/2001 a 30/11/2001 e o décimo terceiro salário do mesmo ano. Como a obrigação de pagamento da contribuição relativa ao mês de dezembro tem vencimento no ano seguinte, o termo quo é 01/01/2003, logo ainda não decaída. No mérito A comprovação da dissimulação pelo recorrente e conseqüente caracterização da condição de segurado empregado fundamentase nos seguintes elementos: a) formalmente, os segurados eram sócios gerente de uma interposta empresa prestadora de serviços de natureza afim ao objeto social do recorrente; b) a suposta empresa prestadora de serviços emitia mensal, exclusiva e seqüencialmente notas fiscais; c) os segurados percebiam participação nos lucros ou resultados juntamente com os segurados formalmente inscritos como empregados da recorrente; A verdade material aponta para uma realidade que prevalece sobre o vínculo formal pactuado: os segurados são empregados da recorrente e prestavam serviços de informática necessário à consecução do objeto social do empregador, cumprimento o horário de trabalho tal como os demais empregados. O fato de emitir notas fiscais exclusiva e seqüencialmente afasta a interposta pessoa jurídica do conceito de empresa. Isto porque o artigo 15 da Lei nº 8.212/91 coloca o risco econômico como elemento central do conceito. De outra forma, não haveria a autonomia necessária para que se constitua um ente independente da personalidade de seus sócios: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; Fl. 335DF CARF MF 12 Reforça essa conclusão o fato de que as supostas pessoas jurídicas prestam todos os seus serviços ao recorrente somente através dos sócios gerentes, de forma pessoal e sem auxílio de outros empregados. Isso comprova pessoalidade e subordinação. Em todo o período o segurado se submetia ao cumprimento do horário de trabalho e o serviço era prestado diretamente por ele, que inclusive percebia verbas próprias de segurados empregados. Ainda que seja suficiente para considerar a condição de segurado empregado em decorrência da dissimulação de uma situação real através de uma "arquitetura" formal artificial, o TST tem limitado a terceirização de vários segmentos sob o argumento da invalidade da contratação de serviços relacionados às atividades inerentes do contratante. Nesse sentido a Súmula 331 do TST: CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LEGALIDADE (nova redação do item IV e inseridos os itens V e VI à redação) Res. 174/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e 31.05.2011 I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). Face o exposto, os serviços contratados por intermédio da pessoa jurídica visavam apenas dissimular pagamentos a pessoas físicas. Por tudo, voto pelo provimento parcial ao recurso voluntário quanto à decadência de parte do período lançado. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 336DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.003662/2001-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter novamente o julgamento em diligência.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Hélcio Lafetá Reis (suplente), André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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IND. E COMÉRCIO LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter novamente o julgamento em diligência. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Hélcio Lafetá Reis (suplente), André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Auto de Infração de fls. 5 a 181, com ciência ao sujeito passivo em 21/05/2001 (fl. 5), para exigência de Contribuição para o Financiamento da Seguridade social (COFINS), de outubro de 1997 a dezembro de 1998, no montante original de R$ 225.754,59, a ser acrescido de juros de mora e multa de ofício (75%) decorrentes de insuficiência de recolhimento, como demonstrado em Relatório de Ação Fiscal (RAF). 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 03 66 2/ 20 01 -1 0 Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10830.003662/200110 Resolução nº 3401001.135 S3C4T1 Fl. 236 2 No RAF (fls. 9 a 11), a fiscalização narra que: (a) a análise fiscal decorre de processos administrativos de restituição (de FINSOCIAL) e compensação (no 10830.002288/0011 e no 10830.002290/0062); (b) os pedidos de restituição foram indeferidos, em função do decurso de prazo do direito de pleitear restituição, previsto no art. 168, I, do Código Tributário Nacional (5 anos do recolhimento); e (c) foram apurados débitos não declarados em DCTF no período de outubro de 1997 a dezembro de 1998, motivando a autuação. A empresa apresenta impugnação em 12/06/2001 (fls. 111 a 118), na qual sustenta que: (a) os valores relativos aos débitos de COFINS lançados pela fiscalização estão todos confessados pela empresa, porque informados nas Declarações de Imposto de Renda (de 1997 e 1998), bem como nos formulários de compensação, sendo passíveis de imediata cobrança, do que decorre a nulidade da autuação; (b) a autuação foi notificada à empresa quando ainda estava pendente de decisão o pedido formulado pela empresa no processo de restituição no 10830.002290/0062, e em análise de manifestação de inconformidade o pedido formulado no processo no 10830.002288/0011; (c) os débitos confessados e declarados não se sujeitam a multa de ofício; e (d) é incabível a aplicação de juros de mora pela Taxa SELIC. Às fls. 131 a 145 a empresa anexa ainda cópia da manifestação de inconformidade apresentada nos autos do processo administrativo no 10830.002288/0011. Em 14/03/2002 é proferida a decisão de primeira instância (fls. 153 a 157), na qual se acorda unanimemente pela procedência do lançamento, entendendose que a entrega de declaração de rendimentos e a apresentação de pedido de restituição/declaração de compensação não são impeditivas do lançamento (sendo cabível a multa de ofício), e que a ausência de julgamento definitivo dos processos referentes a restituição também não obsta o seguimento do processo de lançamento, noticiando que o processo administrativo de no 10830.002290/0062 foi julgado de forma desfavorável à empresa, e já se encontra arquivado. Sobre os juros de mora, informa o julgador de piso não deter competência para afastar comando legal vigente em apreciação de constitucionalidade. Após ciência ao acórdão de primeira instância (fl. 162) em 26/06/2002 a empresa apresentou, em 22/07/2002, o recurso voluntário de fls. 163 a 173, basicamente reiterando as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentando, sobre o processo já arquivado, que o que importa é sua situação no momento da lavratura da autuação, e que desconhece os motivos do arquivamento do processo, visto que sequer foi cientificada da decisão, pelo que já demandou o devido desarquivamento (anexando cópia do pedido à fl. 177). Por meio da Resolução no 20300.385 (fls. 182 a 185), de 13/08/2003, o então Conselho de Contribuintes, unanimemente, converteu o julgamento em diligência, fundamentado em julgamento análogo, do processo administrativo no 10830.003667/200134, da mesma empresa, para que a unidade local da RFB aguardasse o julgamento definitivo dos processo administrativos que tratavam de restituição, enviandoos ao colegiados apenados ao presente, ou apenas juntando cópias das respectivas decisões aos autos, com os devidos demonstrativos de imputação atualizados. São, então, juntados aos autos cópias o despacho decisório no processo administrativo no 10830.002290/0062 (fls. 192 e 193), indeferindo o pleito, e no de no 10830.002288/0011 (fls. 212 a 215), com deferimento parcial, provocando, no presente processo, as consequências de imputação descritas na informação de fl. 227. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10830.003662/200110 Resolução nº 3401001.135 S3C4T1 Fl. 237 3 A empresa, já com sua nova denominação (Planalto Agrosciences LTDA) foi intimada a respeito da diligência e das imputações por edital afixado nas dependências da unidade local da RFB, informando esta terem sido improfícuas as tentativas de intimação pela via postal (fl. 231). Em 19/05/2016 o processo foi a mim distribuído, não tendo sido indicado para pauta nos meses novembro e dezembro de 2016, por estarem as sessões suspensas por determinação do CARF. O processo, derradeiramente, não foi indicado para o mês de janeiro de 2017, por ser a pauta mera reprodução da referente ao mês de outubro de 2016, que também teve a sessão suspensa por determinação do CARF. Em fevereiro de 2017, o processo foi retirado de pauta por falta de tempo hábil para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Tendo sido os pressupostos referentes à admissibilidade do recurso já avaliados na conversão em diligência, passase diretamente à análise do contencioso. 1. Do (não) cumprimento da diligência pela unidade local A conversão em diligência, recordese, demandou, em 13/08/2003, a seguinte tarefa à unidade local da RFB (fl. 185): Recordese, ainda, que eram dois os processos administrativos vinculados à presente autuação: o de no 10830.002290/0062 (no qual havia notícia, nos autos, do indeferimento do pleito, e de que estava arquivado, alegando a recorrente que sequer teve ciência do resultado do despacho decisório da unidade local), e o de no 10830.002288/0011 (no qual se noticia nos autos que houve apresentação de manifestação de inconformidade em relação ao despacho decisório proferido pela unidade local). A unidade local até começa bem o trabalho, verificando, em 23/10/2003, onde estavam os processos (fl. 187): Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10830.003662/200110 Resolução nº 3401001.135 S3C4T1 Fl. 238 4 A proposta inicial da unidade local era a de aguardar o retorno do processo que estava sendo julgado, e, posteriormente, enviar o processo à SAORT/SRF/TSR, para dar cumprimento à diligência no que se referia ao outro (fl. 189). Mas a SAORT/SRF/TSR sugeriu, em 12/12/2003 (fl. 191) inverter a ordem, da seguinte forma (fl. 191): Não haveria problemas em inverter a ordem. Contudo, o que se demandou à unidade não foi, simplesmente, a anexação do despacho decisório proferido no processo administrativo de no 10830.002290/0062, mas a apensação do processo ou a juntada da “decisão final”. Decisão final, endossese, é aquela da qual não mais cabe recurso, seja porque esgotadas as instâncias administrativas, ou porque a empresa, regularmente cientificada de uma decisão, optou pela revelia. Mas a própria unidade local, após anexar o despacho decisório datado de 06/12/2000 (fls. 192/193), informou (fl. 194) que havia sido apresentada manifestação de inconformidade, ainda que intempestiva, remetida à DRJ, por haver discussão sobre a tempestividade (que, como se verá adiante, atestou falha na ciência efetuada pela unidade local). Depois disso, nenhuma notícia mais traz a unidade sobre o referido processo. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10830.003662/200110 Resolução nº 3401001.135 S3C4T1 Fl. 239 5 Sobre o outro processo, de no 10830.002288/0011, a unidade local apenas junta despacho decisório, datado de 06/06/2013 (fls. 212 a 215), acatando parcialmente as compensações, termo de ciência referente a processo diverso (no 10830.003662/200110 fl. 228), e cópia de AR ilegível que alega ter sido devolvido. Vejase, no entanto, que no AR de fls. 229/230 sequer consta tentativa de entrega ou motivação da devolução: Após o referido AR, junta a unidade local edital que foi afixado nas dependências da repartição, para efeito de ciência à empresa, em 10/07/2013 (fl. 231). A possível causa do insucesso no recebimento do AR consta à fl. 233, na qual se percebe que a empresa foi baixada, por inaptidão (art. 54 da Lei no 11.941/2009): Com esses elementos, não é possível formar convicção sobre estarem os referidos processos com “decisão final” administrativa. Para evitar novo envio desnecessário dos autos à unidade local, passo a analisar o andamento dos referidos processos no sistema eprocessos, em nome da verdade material. 2. Do processo no 10830.002290/0062 Em consulta ao sistema eprocessos, percebese que trata de pedido efetuado em 15/03/2000, para restituição de FINSOCIAL recolhido de setembro de 1989 a outubro de 1991, Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10830.003662/200110 Resolução nº 3401001.135 S3C4T1 Fl. 240 6 tendo em vista decisão do STF pela inconstitucionalidade de sua majoração de alíquota, no valor de R$ 294.583,90. O pedido é cumulado com demanda de compensação. No despacho que consta às fls. 69/70 daquele processo (numeração eletrônica), o pedido é indeferido por exceder a demanda o prazo de cinco anos, previsto no art. 168. I do CTN, em 06/12/2000. Em 25/01/2001, o processo foi encaminhado para cobrança, havendo cópia de AR (também sem indicação de recebimento, ou de tentativas/motivação) à fl. 74, seguida de edital (fl. 75). Em 12/06/2001, é proposto (e aceito) o arquivamento do processo, tendo em vista o aqui exposto e que os débitos referidos no processo estariam sendo controlados pelo processo administrativo no 10830.002288/0011, e transferidos para o de no 10830.000688/200106, entre outros. Pela complexidade da proposta de arquivamento, optase aqui por transcrevêla a seguir: Houve registro de vista do processo a representante da empresa em 22/07/2002, e de fornecimento a esta de cópias do processo, em 26/07/2002, tendo a empresa apresentado, em 12/08/2002, “impugnação” contra o despacho decisório que indeferiu a restituição. Na sequência dos autos, foi juntada decisão da DRJ, datada de 14/03/2002, no processo administrativo no 10830.003663/200156, que aprecia auto de infração lavrado em relação a restituições demandadas nos processos administrativos no 13840.000111/0012 e no 10830.002290/0062 (justamente o mesmo processo que serve de base à autuação agora Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10830.003662/200110 Resolução nº 3401001.135 S3C4T1 Fl. 241 7 analisada). Sobre tais processos, a decisão da DRJ, que manteve o lançamento, seguiu a mesma linha da adotada em relação ao presente processo (fl. 142): (...) Há pedido de desarquivamento, por parte da empresa, datado de 07/06/2002. Após a tela com o novo endereço da empresa (fl. 146), a unidade local encaminha o processo à DRJ, para análise. A decisão de piso, datada de 22/10/2004, foi no sentido de dar seguimento à análise da intimação (por não ter sido esgotada a possibilidade de notificação pessoal ou por via postal) e de não reconhecer o direito de crédito (em função do decurso do prazo para pedir, conforme Ato Declaratório SRF no 96/1999). Em 21/05/2005, a empresa peticionou à unidade local demandando o prosseguimento do processo, visto que dele dependia o julgamento, no CARF, do processo no 10830.003663/200156, conforme Resolução no 20300190. A unidade local então tenta, por diversas vezes, cientificar a empresa do resultado do julgamento de piso, em seu endereço fornecido à RFB, sem sucesso, como demonstra o AR que consta à fl. 171 daquele processo. Mas, dessa vez, a unidade local, diante do insucesso em notificar a empresa, decide notificar a pessoa física responsável, logrando êxito em 04/10/2005. Após a ciência, a empresa apresentou, em 04/11/2005, o recurso voluntário que consta às fls. 165 a 193 daqueles autos, atestado como tempestivo pela unidade local. O então Terceiro Conselho de Contribuintes decidiu, unanimemente, converter em diligência o julgamento, por meio da Resolução no 30301.239, para que a unidade local confirmasse se era realmente tempestivo o recurso, visto que, em sua contagem, deveria ter sido apresentado até 03/11/2005. Em 30/03/2007, a unidade local propõe considerar o recurso tempestivo, pelas seguintes razões (fl. 228): Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10830.003662/200110 Resolução nº 3401001.135 S3C4T1 Fl. 242 8 O processo é, então, julgado pelo Terceiro Conselho de Contribuintes, acordando os conselheiros, por maioria de votos, em afastar a decadência do direito de pedir restituição, devolvendo o processo à unidade local, novamente, para apreciação das questões de mérito: A Procuradoria da Fazenda Nacional, cientificada em 05/10/2007 da decisão, apresentou recurso especial em 08/10/2007, e a ele foi dado seguimento por despacho datado de 07/01/2008. A unidade local, então, anexa tela que registra ser a empresa inapta por inexistência de fato, e, antes de tentar cientificar o responsável legal (como havia feito, com sucesso, anteriormente), afixa em suas dependências o Edital SEORT no 11/2008, com o seguinte teor: Aproximadamente três anos depois da desafixação do edital para que a empresa apresentasse contrarrazões ao recuso especial da Fazenda, se assim desejasse, o processo continuava na unidade local, tendo sido registrada vista a representante da empresa em 08/04/2011. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10830.003662/200110 Resolução nº 3401001.135 S3C4T1 Fl. 243 9 Por fim, em 09/11/2015, o processo retornou ao CARF, para apreciação do recurso especial pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, o que ainda não ocorreu até o presente momento. Portanto, tal processo ainda não possui uma “decisão final” administrativa. 3. Do processo no 10830.002288/0011 Em consulta ao sistema eprocessos, percebese que trata de pedido efetuado em 15/03/2000, para restituição de FINSOCIAL recolhido de setembro de 1989 a outubro de 1991, tendo em vista decisão do STF pela inconstitucionalidade de sua majoração de alíquota, no valor de R$ 106.971,21. O pedido é cumulado com demanda de compensação. No despacho que consta às fls. 268/269 daquele processo (numeração eletrônica), o pedido é indeferido por exceder a demanda o prazo de cinco anos, previsto no art. 168. I do CTN, em 06/12/2000. Não consta ciência da decisão à empresa nos autos daquele processo, mas o despacho de fl. 302 reconhece como tempestiva a manifestação de inconformidade apresentada em 19/01/2001, e que foi apreciada pela DRJ em 18/04/2001, em decisão pelo indeferimento do pleito, endossando a tese do despacho decisório, pelo decurso de prazo. Em 01/08/2001 foi interposto recurso voluntário, pela empresa, tendo a unidade loca, após a interposição do recurso, juntado AR com a ciência da decisão da DRJ, datada de 18/07/2001. A unidade local, no despacho que consta à fl. 344 daqueles autos, informa que excluiu todos os débitos referentes ao processo, e que estariam sendo controlados em processos diversos, como o analisado neste momento pelo colegiado: A própria unidade local, no documento que serviria para atestar a ciência da interessada no encaminhamento dado ao processo, registra, manualmente, a mensagem “AR não encontrado”. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10830.003662/200110 Resolução nº 3401001.135 S3C4T1 Fl. 244 10 Solicitada vista do processo pela empresa, em 24/10/2002, e fornecidas a esta cópias de documentos, em 29/10/2002, foi demandado o desarquivamento dos autos, para que prosseguisse o julgamento do recurso voluntário apresentado. O processo foi então desarquivado e encaminhado para julgamento, em 19/05/2003, tendo sido apreciado pelo então Terceiro Conselho de Contribuintes, que, no Acórdão no 30331.382, de 15/04/2004, seguiu a mesma linha adotada no outro processo aqui investigado, de afastar a decadência do direito de pedir, devolvendo o processo à unidade local, para análise das demais questões de mérito: A Procuradoria da Fazenda Nacional, cientificada em 07/07/2004 da decisão, apresentou recurso especial em 08/07/2004, e a ele foi dado seguimento por despacho datado de 18/08/2004. A unidade local notifica a empresa sobre a decisão e a interposição do recurso especial em 30/09/2004, e esta apresenta contrarrazões em 05/10/2004, sendo o processo apreciado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais em 09/08/2005, decidindose, por maioria de votos, no Acórdão no 0304.540, negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda. A Fazenda apresenta, em 25/07/2008, recurso extraordinário, demandando a análise do processo pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), o que é acolhido pelo despacho no 209/08, que dá seguimento ao recurso. A empresa, por sua vez, cientificada da nova interposição de recurso pela Fazenda, apresenta contrarrazões em 26/11/2008. A CSRF aprecia o recurso extraordinário por meio do Acórdão no 9900000.453, de 29/08/2012, no qual se decide unanimemente pelo provimento parcial, nos seguintes termos: Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10830.003662/200110 Resolução nº 3401001.135 S3C4T1 Fl. 245 11 Após todo esse iter, a unidade local da RFB profere o Despacho Decisório no 344, de 06/06/2013 (o único documento apresentado pela unidade local em resposta à diligência), reconhecendo parcialmente o crédito nos seguintes termos: A unidade local tenta, sem sucesso, cientificar a empresa a respeito do acórdão do pleno da CSRF e de sua nova decisão, alertando sobre o prazo para interposição de manifestação de inconformidade. Os correios informam, no envelope (fl. 611 daqueles autos) que o endereço é insuficiente, pois falta o número. A unidade local da RFB resolve, então, em 10/07/2013, notificar a empresa por edital afixado em suas dependências, na mesma notificação utilizada para o processo que aqui se está a julgar, de final 3662/200110, mesclando os prazos para ciência em ambos os processos e interposições de manifestação de inconformidade (sequer citada expressamente na notificação) e recurso voluntário (que erroneamente designa, inicialmente, de recurso hierárquico). O último despacho que se encontra no processo, datado de 17/09/2013, é o seguinte: Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10830.003662/200110 Resolução nº 3401001.135 S3C4T1 Fl. 246 12 Tal processo, assim, se considerada regular a ciência efetuada por edital afixado na unidade, possuiria uma “decisão final”, visto que a empresa teria optado por não apresentar manifestação de inconformidade em relação ao processo no 10830.002288/0011. Mas há que se discutir, aqui, a regularidade desta e de outras ciências, por parte da unidade local da RFB, à empresa. E, em tal empreitada, nada melhor que endossar as palavras do julgador de piso no processo de no 10830.002290/0062, mencionado no tópico anterior deste voto: Preciso o comentário do julgador de piso, que encontra ressonância no seio deste CARF. Não pode a unidade, comodamente (ainda que no caso de empresa que se revela inapta, e é depois baixada, como a aqui tratada), partir para a citação por edital após frustrada uma Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10830.003662/200110 Resolução nº 3401001.135 S3C4T1 Fl. 247 13 única tentativa de intimação para um dos endereços da empresa e, ainda, por insuficiência de endereço. Não se considera, então, aqui, ter sido emitida uma decisão definitiva no processo no 10830.002288/0011, visto que sequer foi aberto prazo para apresentação de manifestação de inconformidade, seja porque a unidade local efetuou uma única tentativa de intimação pela via postal, com endereço revelado como insuficiente pelos correios, ou ainda porque na intimação por edital sequer se menciona a possibilidade de interposição de manifestação de inconformidade em relação ao processo no 10830.002288/0011. Revelase preocupantemente deficiente o procedimento de notificação pela unidade local da RFB, que, indubitavelmente, merece aprimoramento, em prestígio do devido processo legal. Não se pode, nestes autos, tomar nenhuma decisão em relação a processo diverso. Assim, os comentários retro, em relação ao processo no 10830.002288/0011, devem ser lidos apenas como uma recomendação à unidade local, para que se certifique da regularidade da notificação (endossandoa ou retificandoa), evitando novo pedido de desarquivamento pela empresa, que só contribuirá para a morosidade no julgamento do presente processo. 4. Das considerações finais Pelo exposto, nenhum dos processos que motivou a baixa em diligência chegou, efetivamente a uma “decisão final”. Indevido, assim, o retorno dos autos a este CARF. Não se pode apreciar a autuação decorrente da negativa de restituição se sequer foi definitivamente apreciada a negativa de restituição. Deve ser o julgamento, então, novamente convertido em diligência, para que a unidade local da RFB aguarde a decisão definitiva administrativa nos processos citados, e contribua para que a decisão seja efetivamente definitiva, certificandose da regularidade de suas intimações, evitando os reiterados lapsos, arquivamentos e desarquivamentos que aqui restaram patentes. Aproveitase a oportunidade para demandar esclarecimentos em relação a eventuais duplicidades de exigência, visto que, como se noticiou na análise aqui empreendida, os valores lançados no processo administrativo no 10830.003663/200156 também fazem referência ao pedido de restituição efetuado no processo no 10830.002290/0062. Deve a unidade local, assim, em relatório circunstanciado, indicar quais os valores demandados a título de restituição que estão sendo objeto de lançamento em cada processo, de modo a individualizar o crédito tributário que é objeto de contencioso. Por fim, deve a unidade local dar ciência do relatório de diligência à empresa, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto no 7.574/2011, abrindose prazo para manifestação. Após a ciência e a eventual manifestação da empresa, os autos devem ser devolvidos a este CARF, para julgamento. Rosaldo Trevisan Fl. 247DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.002654/2008-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
EXTRATOS BANCÁRIOS. UTILIZAÇÃO NO PROCEDIMENTO FISCAL. CABIMENTO - A utilização de informações bancárias no procedimento fiscal, com vistas à apuração do crédito tributário relativo a tributos e contribuições, tem respaldo no artigo 1º da Lei nº 10.174, de 9 de janeiro de 2001, que deu nova redação ao § 3º, do artigo 11 da Lei nº 9.611, de 24 de outubro de 1996.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA.
O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados.
Numero da decisão: 1402-002.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, ratificando-se integralmente o teor da decisão proferida no Acórdão 1402-001.862. Vencido o Conselheiro Demetrius Nichele Macei que votou por converter o julgamento em diligência para analisar a documentação acostada aos autos no dia anterior ao julgamento dos embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 EXTRATOS BANCÁRIOS. UTILIZAÇÃO NO PROCEDIMENTO FISCAL. CABIMENTO - A utilização de informações bancárias no procedimento fiscal, com vistas à apuração do crédito tributário relativo a tributos e contribuições, tem respaldo no artigo 1º da Lei nº 10.174, de 9 de janeiro de 2001, que deu nova redação ao § 3º, do artigo 11 da Lei nº 9.611, de 24 de outubro de 1996. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados.
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UTILIZAÇÃO NO PROCEDIMENTO FISCAL. CABIMENTO A utilização de informações bancárias no procedimento fiscal, com vistas à apuração do crédito tributário relativo a tributos e contribuições, tem respaldo no artigo 1º da Lei nº 10.174, de 9 de janeiro de 2001, que deu nova redação ao § 3º, do artigo 11 da Lei nº 9.611, de 24 de outubro de 1996. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, ratificandose integralmente o teor da decisão proferida no Acórdão 1402001.862. Vencido o Conselheiro Demetrius Nichele Macei que votou por converter o julgamento em diligência para analisar a documentação acostada aos autos no dia anterior ao julgamento dos embargos de declaração. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 26 54 /2 00 8- 15 Fl. 8390DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. Fl. 8391DF CARF MF Processo nº 11080.002654/200815 Acórdão n.º 1402002.437 S1C4T2 Fl. 8.365 3 Relatório Conforme despacho regimental, a interessada interpôs embargos de declaração contra o Acórdão 1402001.862 que teria incorrido em omissão por não analisar as razões de defesa apresentadas no recurso voluntário contra a tributação dos depósitos bancários matéria que não estaria abrangida pelo pedido de desistência. O despacho assim tratou da questão: [...] De um lado, houve de fato um equívoco na avaliação do pedido de desistência parcial, o que pode ser atestado, por exemplo, ao se examinar a exigência referente ao anocalendário de 2005. Parte da autuação desse período corresponde a depósitos bancários não comprovados (item 001 do Auto de Infração) mas não há indicação de qualquer mês ou trimestre de 2005 no pedido de desistência. Por outro lado, o pedido de desistência não esclarece a qual(is) item(ns) da autuação correspondem o valores informados. O auto de infração contém 7 (sete) itens e os períodos de apuração são comuns a vários deles. Mesmo nos embargos de declaração, o sujeito passivo suscitou o equívoco mas não se preocupou em apresentar informações complementares que esclarecessem com precisão o alcance do pedido de desistência. De qualquer forma, para evitar qualquer prejuízo à defesa, a matéria não apreciada quando do julgamento do recurso voluntário será submetida ao colegiado. De todo o exposto, declaro procedentes as alegações suscitadas e ADMITO os embargos de declaração interpostos pelo sujeito passivo para que o colegiado aprecie EXCLUSIVAMENTE as razões de defesa contra a autuação decorrente de extratos bancários. [...] É o relatório Fl. 8392DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator Conforme explicitado no relatório, por entender equivocadamente que o pedido de desistência recursal do sujeito passivo abrangeria a tributação referente à omissão de receita por depósitos bancários não comprovados, o acórdão 1402001.862 não analisou as razões de defesa nessa matéria. Cabe agora fazêlo. Em sustentação oral, a interessada requer que seja examinada farta documentação trazida aos autos no dia anterior ao julgamento destes embargos de declaração. O fato dos documentos terem sido apresentados às vésperas do julgamento já seria motivo suficiente para que fossem apreciados. Entretanto, a razão principal não é essa. A questão relevante consiste no fato de que está sendo julgado o recurso de embargos de declaração que não se presta à apreciação de novas provas. Não se pode cogitar de omissão, obscuridade ou contradição do Acórdão em relação a elementos de prova que não constavam dos autos quando do julgamento do recurso voluntário. Sendo assim, rejeitase o pedido feito da tribuna. Quanto ao mérito dos embargos, a peça recursal não traz qualquer tentativa de comprovação da origem de algum depósito tributado, apenas exaustivas razões teóricas e doutrinárias contra a presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei no 9.430/96 e contra as normas sobre a quebra de sigilo bancário contidas na Lei Complementar n° 105/2001. Afirma A fl. 3163 que a presunção do art. 42 "colide com as diretrizes do processo de criação das presunções legais (...)". Quanto A LC 105/2001, defende que "o conjunto de normas embasadoras da atividade fiscal" é inconstitucional. Ademais, invoca jurisprudência de que "a movimentação bancária não corporifica fato gerador do Imposto de Renda seus adicionais e as contribuições sociais". O fornecimento de informações bancárias pelas instituições financeiras à autoridade fiscalizadora não constitui quebra de sigilo, nos termos do inciso III, do § 3º, do artigo 1º da Lei Complementar nº 105/01, observadas as disposições do artigo 6º dessa mesma norma. Com previsão expressa, não há ilegalidade na obtenção dessas informações: Art. 1o As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (......) § 3o Não constitui violação do dever de sigilo: (.......) III – o fornecimento das informações de que trata o § 2o do art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996; (......) (grifo acrescido) Fl. 8393DF CARF MF Processo nº 11080.002654/200815 Acórdão n.º 1402002.437 S1C4T2 Fl. 8.366 5 Por sua vez, a Lei nº 10.174/01 deu nova redação ao art. 11 da Lei nº 9.311/96 de forma a permitir que as informações bancárias fossem utilizadas na constituição de crédito tributário relativo a outros tributos administrados pela Receita Federal, além da CPMF: Art. 1o O art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 11................................................................. ............................................................................" "§ 3o A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei no .430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores." (NR) (grifo acrescido) Registrese que em recente julgamento (24/02/2016) o STF manifestouse em repercussão geral pela constitucionalidade das normas que autorizam a disponibilização pelas instituições financeiras de informações bancárias ao Fisco (RE 601314/SP): RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às Fl. 8394DF CARF MF 6 instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento O sujeito passivo sustenta a impossibilidade de tributação com base exclusivamente em extratos bancários. Tal entendimento já foi superado desde o advento do art. 42, da Lei nº 9.430/96 que estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. Registrese que a jurisprudência administrativa apresentada pela recorrente analisou casos anteriores ao advento do diploma legal supra mencionado. Não há que se falar na necessidade de comprovação dos valores depositados como renda consumida. Vejase a Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Em relação à inconstitucionalidade da norma legal, é matéria cuja apreciação foge à competência deste Colegiado, nos termos da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sendo assim, impossível negarse aplicação a dispositivos legais plenamente inseridos no ordenamento jurídico pátrio o que joga por terra todo o vasto arcabouço teórico apresentado pela interessada. Do exposto, voto por negar provimento aos embargos de declaração e ratificar integralmente o teor da decisão proferida no Acórdão 1402001.862 (assinado digitalmente ) Leonardo de Andrade Couto Fl. 8395DF CARF MF Processo nº 11080.002654/200815 Acórdão n.º 1402002.437 S1C4T2 Fl. 8.367 7 Fl. 8396DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.001536/2004-24
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ
Exercício: 2003
Ementa: ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS COMERCIAIS E FISCAIS.
A falta de apresentação à fiscalização dos livros e documentos da escrita comercial e fiscal acarreta o arbitramento do resultado da pessoa jurídica, conforme previsto no artigo 530, inciso III, do RIR/99.
ARBITRAMENTO CONDICIONAL.
A apresentação de livros e documentos da escrituração contábilfiscal, em momento posterior ao lançamento, não produz efeito para fins de exclusão de arbitramento ex officio, cujo fundamento foi a falta de apresentação, pelo contribuinte, dessa documentação. Inexiste arbitramento condicional.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NORMAS DE CONTROLE INTERNO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL.
As normas que regulamentam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal MPF dizem respeito ao controle interno das atividades da Receita Federal do Brasil. Eventual ausência do documento não afeta, por si só, a validade dos lançamentos.
Numero da decisão: 1803-000.690
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de
Julgamento, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Benedicto Celso Benício Júnior
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Exercício: 2003 Ementa: ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS COMERCIAIS E FISCAIS. A falta de apresentação à fiscalização dos livros e documentos da escrita comercial e fiscal acarreta o arbitramento do resultado da pessoa jurídica, conforme previsto no artigo 530, inciso III, do RIR/99. ARBITRAMENTO CONDICIONAL. A apresentação de livros e documentos da escrituração contábilfiscal, em momento posterior ao lançamento, não produz efeito para fins de exclusão de arbitramento ex officio, cujo fundamento foi a falta de apresentação, pelo contribuinte, dessa documentação. Inexiste arbitramento condicional. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NORMAS DE CONTROLE INTERNO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. As normas que regulamentam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal MPF dizem respeito ao controle interno das atividades da Receita Federal do Brasil. Eventual ausência do documento não afeta, por si só, a validade dos lançamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 118DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR 2 ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Benedicto Celso Benício Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Marcelo Fonseca Vicentini, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes e Luciano Inocêncio dos Santos. Relatório Em ação fiscal, foi lavrado, contra a empresa acima, auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 04), voltado a exigir total de crédito tributário equivalente a R$ 58.386,86 (cinquenta e oito mil, trezentos e oitenta e seis reais e oitenta e seis centavos), calculado até 30/11/2004. No bojo de labores investigatórios desenvolvidos para apuração das obrigações referentes ao IPI, foi a empresa intimada, em 13/10/2004, a apresentar, entre outros documentos, seus Livros Contábeis (Diário e Razão) e balancetes mensais, relativos ao período de 01/1999 a 06/2004, ou, alternativamente, os Livros Caixa do interregno (fls. 10/11), num prazo de 05 dias. Em 25/11/2004 – mais de um mês depois da primeira solicitação –, foi a peticionária reintimada a apresentar parte dos mesmos documentos (fls. 12/14) – mormente, os livros contábilfiscais do anobase de 2002 –, também no prazo de 05 dias, com a advertência de que a nãoapresentação implicaria o arbitramento de seu lucro. Em 27/12/2004, foram devolvidos à empresa, entre outros, os livros Diário 17, 18 e 19 (fls. 15). Em 28/12/2004, foi retido o Livro Diário n° 21, sem registro na Junta Comercial (fls. 17). A ciência do auto de infração ocorreu em 30/12/2004, mesma data em que a empresa teria entregado ao fisco via do Livro Diário nº 20. No termo de devolução, o auditor fiscal diz que devolveu o livro em virtude de ele não constituir impugnação ao lançamento. Fl. 119DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 11040.001536/200424 Acórdão n.º 1803000.690 S1TE03 Fl. 2 3 Em sua defesa, o contribuinte diz que o arbitramento se deu em função de não ter apresentado o Livro Diário nº 20. Alega que foi intimado, em 13/10/2004, a apresentar, em cinco dias, documentos contábilfiscais. Diz que atendeu parcialmente à intimação, com a entrega de diversos documentos – entre eles os Livros Diários n. 17, 18 e 19 e, supostamente, o de n. 20, correspondentes aos anosbase de 1999, 2000, 2001 e 2002, respectivamente (fls. 64). Em 25/11/2004, tomou ciência de reintimação, para entregar livros diários, que já supunha ter entregado. Teria tentado contato pessoal com o fiscal autuante. Em 28/12/2004, “ciente da previsão do término da auditoria fiscal, que, até então, deveria aterse especificamente ao IPI, e após inúmeras e infrutíferas buscas nos arquivos, optouse pela impressão de uma 2ª via do Livro Diário n. 20, já que haveria tempo hábil para a sua análise caso o IRPJ fosse incluído na fiscalização” (fls. 65). Assim, teria protocolado, em 30/12/2004, uma 2ª via completa do Livro Diário n° 20. Teria ficado surpresa ao receber, horas depois, Mandado de Procedimento Fiscal Complementar, incluindo o IRPJ do períodobase de 2002 na auditoria, com entrega simultânea do auto de infração ora em discussão. Contesta o procedimento adotado pelo Fisco e diz que houve agressão ao princípio da eficiência (caput do art. 37 da Constituição Federal). Assevera que o arbitramento do lucro somente pode ser usado quando apuradas deficiências absolutamente incontornáveis. Continua dizendo que “esta não foi a situação presente, pois como visto anteriormente, na dúvida quanto ao extravio do Livro Diário n. 20 e ainda num prazo factível para a conclusão da auditoria fiscal (arte 04/02/2005), foi imprimida uma 2° via daquele livro e entregue à fiscalização, que, posteriormente, devolveuo sem ter sido analisado”. Mais incompreensível se tornaria a situação, em razão de estar em andamento apenas a auditoria relativa ao IPI. Afirma que o processo administrativo fiscal deve buscar a verdade real ou material e que o IRPJ deve buscar o real acréscimo patrimonial ocorrido. O lançamento ofenderia, também, o princípio da razoabilidade. Traz jurisprudência acerca da excepcionalidade da aplicação do arbitramento. Junto com a impugnação, veio cópia do termo de devolução do Livro Diário n° 20 e a 2ª via do Livro Diário n°20. A 5ª TURMA – DRJ EM PORTO ALEGRE – RS, ao julgar a impugnação formulada, manteve integralmente o lançamento debatido, ementando sua decisão nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2002 Ementa: LUCRO ARBITRADO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. A falta de apresentação de escrituração autoriza o arbitramento do lucro. Como não existe arbitramento condicional, o lançamento não é modificável pelo posterior aparecimento da escrituração. Fl. 120DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR 4 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O mandado de procedimento fiscal consiste em mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização. Não há impedimento em que seja emitido na mesma data em que cientificada a exigência tributária.” Cientificado da decisão em 07/03/2008, interpôs o contribuinte, em 07/04/2008, recurso a este conselho, aduzindo razões símiles às aventadas na instância precedente. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço. Cuidam os presentes autos de debate a respeito do cabimento ou do descabimento do mecanismo de arbitramento do lucro tributável, face à aduzida omissão, ensejada pelo contribuinte, na entrega dos livros obrigatórios atinentes ao anobase de 2002, prescritos pelo artigo 527 do RIR vigente (Decreto nº 3.000/99). Os trabalhos de investigação fiscal se iniciaram com o encaminhamento de intimação ao contribuinte, em 13/10/2004, para apresentação, dentre outras, de cópias dos Livros Diário ou Razão ou, alternativamente, do Livro Caixa da empresa, relativamente ao lapso compreendido entre janeiro de 1999 e junho de 2004. Atendida em parte a solicitação, remanesceram não entregues, no entanto, os livros comerciais respeitantes aos anoscalendários de 2002, 2003 e 2004 (primeiro semestre). Lavrouse, por conseguinte, em 25/11/2004 – mais de 40 (quarenta) dias depois –, nova intimação, postulando a disponibilização dos elementos ausentes. Às fls. 15/16 dos autos, consta Termo de Devolução de Documentos, por meio do qual se descreveu o retorno dos Livros Diário nº 17, 18, e 19, tocantes aos anos calendários de 1999 a 2001, sem que se fizesse menção alguma ao livro pertinente ao período base de 2002 – pedido ao contribuinte por duas vezes. Em relação a 2003, por seu turno, jaz entranhado, à fl. 17, Termo de Retenção, que indica a apreensão e o exame do Livro Diário correlato. A despeito da noticiada omissão do contribuinte em munir a Fazenda dos dados incrustados nos livros contábilfiscais devidos, nos termos dos dispositivos legais e regulamentares que a tanto compelem, asseverou a peticionária que o Livro Diário nº 20 teria, sim, sido apresentado, ainda que esta circunstância tivesse passado despercebida pelo agente autuante. Fl. 121DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 11040.001536/200424 Acórdão n.º 1803000.690 S1TE03 Fl. 3 5 Em todo caso, segundo manifestado na peça recursal, teria a postulante, alegadamente, intentado sanar a confusão, mediante entrega de nova impressão do livro. Ocorre, contudo, que, no mesmo dia, teria ela sido surpreendida pela recepção do auto infracional em estudo, por meio do qual se deu relato do arbitramento ora cuidado. Pois bem. A despeito das alegações erigidas pelo contribuinte, não vislumbro, no trabalho fazendário, qualquer irregularidade. Primeiramente, é importante consignar que a mera alegação de disponibilização do Livro Diário nº 20 não auxilia a autuada, vez inexistir, nos autos, qualquer prova que ratifique esta versão. Ao que consta, o auditorfiscal competente não obteve citado livro – razão pela qual fez constar, na segunda intimação, novo pedido de sua apresentação. Para que prevaleçam as aduções do sujeito passivo, devem ser trazidos a lume elementos probatórios que, de algum modo, infirmem a versão fiscal, dotada de fé pública. Fosse verdade que a escrituração atinente ao anocalendário de 2002 tivesse sido entregue, bastaria à fiscalizada, quando novamente reintimada, entregála ao Fisco, evitando a eventual adoção do mecanismo arbitral. Não foi este, todavia, o caso, eis que, mais uma vez, omitiuse ela no atendimento ao pleito fazendário. Ao final da investigação, notou o agente autuante que, passados mais de 75 (setenta e cinco) dias da primeira intimação formalizada, não fora a ele disponibilizado nenhum dos livros contábilfiscais básicos da autuada, capaz de evidenciar os dados de apuração do lucro tributável. Foi por este motivo, então, que o fiscal optou por exercitar o mecanismo de arbitramento, com correto e irretocável arrimo no artigo 530, III, do RIR/99, in verbis: “Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (...)” Não parece haver dúvidas de que o arbitramento empreendido obedece, fielmente, aos ditames regulamentares que permeiam a matéria. Nem modifica esse cenário, cabe ressaltar, o fato de o contribuinte ter apresentado o Livro Diário nº 20 no mesmo dia em que recepcionou a peça acusatória. Assim é, com efeito, porquanto nada comprova que o contribuinte tenha entregado o livro antes de cientificado do AIIM (e não depois). Parece lícito supor que, na realidade, tentou o contribuinte sanar sua omissão somente quando realizada a autuação, a despeito de todo o tempo que teve, anteriormente, para disponibilizar os devidos escritos. Fl. 122DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR 6 Não cabe, aqui, falar em desrespeito à busca pela verdade real. Se é verdade que este escopo norteia toda a atividade administrativa julgadora, é também certo que inexiste a figura do “arbitramento condicional”, repetidamente rechaçada por este colegiado. Uma vez verificada qualquer das hipóteses autorizativas do arbitramento, não há como se admitir que o contribuinte venha aos autos, posteriormente, para cumprir determinações que deveria ter observado antes de formalizado o lançamento. Por fim, é ainda de se lembrar que eventuais aduções respeitantes a nulidades nos MPF’s não têm o condão de invalidar o auto infracional. É irrelevante o fato de o contribuinte só ter recepcionado Mandado Complementar, relativo ao IRPJ, no momento da ciência do AIIM, em adição ao outrora lavrado, pertinente apenas ao IPI. As normas que regem a emissão dos MPF’s dizem respeito, primacialmente, a controle interno das atividades desenvolvidas pela Receita Federal do Brasil. Ainda que a constituição do Mandado possa, indiretamente, servir para informar o investigado das medidas instrutórias a serem tomadas, é função precípua do instrumento somente azeitar a administração interna corporis dos órgãos fiscalizadores. Observemse alguns precedentes desta Corte: “MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NORMAS DE CONTROLE INTERNO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL As normas que regulamentam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal MPF dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. (Ac. 1º CC – 10422.087/06)” “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PORTARIA SRF Nº 1.265/99, MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF – INSTRUMENTO DE CONTROLE O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades, tampouco deslocar a data do inicio do procedimento fiscal no âmbito do processo administrativo. (Ac. 1º CC – 10248.251/07)” Em todo caso, as circunstâncias que tornam nulas as peças acusatórias são apenas aquelas subsumíveis ao artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, de um lado, ou as que se originarem da desobediência aos requisitos do artigo 10 do mesmo diploma, de outro lado. Seguem os dois indigitados dispositivos, para ratificação do exposto: “Art. 59. São nulos: Fl. 123DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 11040.001536/200424 Acórdão n.º 1803000.690 S1TE03 Fl. 4 7 I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.” “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” Outros eventuais vícios ou omissões só ensejariam a nulidade do trabalho fiscal ou da autuação decorrente se deles resultassem prejuízo à defesa do contribuinte – o que, por óbvio, não é o caso, já que o interessado teve amplo acesso às informações do processo, em perfeita observância do contraditório administrativo. Nessa esteira, vejase também o teor do artigo 60 do citado Decreto nº 70.235/72: “Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em Fl. 124DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR 8 prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” Está claro que a mera emissão irregular de MPF, alegadamente verificada no caso, jamais invalidaria, se fosse o caso, o procedimento fiscal. Tal fato não representa vício insanável do auto de infração lavrado, como afirmado nas razões recursais. Isto posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões, em 10 de novembro de 2010 (assinado digitalmente) Benedicto Celso Benício Júnior Fl. 125DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR
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Numero do processo: 10840.720921/2015-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
DIRPF. ERRO DE FATO CARACTERIZADO.
Houve demonstração pelo declarante da plausibilidade do engano que gerou o equívoco na declaração de ajuste a fim de caracterizar o erro de fato.
Em obediência ao princípio da verdade material, somente o erro de fato cabalmente demonstrado enseja à revisão da declaração pela autoridade julgadora.
Numero da decisão: 2201-003.505
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Assinado digitalmente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 11/04/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Marcelo Milton da Silva Risso, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e José Alfredo Duarte Filho (Suplente).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora. EDITADO EM: 11/04/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Marcelo Milton da Silva Risso, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e José Alfredo Duarte Filho (Suplente).
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ERRO DE FATO CARACTERIZADO. Houve demonstração pelo declarante da plausibilidade do engano que gerou o equívoco na declaração de ajuste a fim de caracterizar o erro de fato. Em obediência ao princípio da verdade material, somente o erro de fato cabalmente demonstrado enseja à revisão da declaração pela autoridade julgadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 11/04/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Marcelo Milton da Silva Risso, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e José Alfredo Duarte Filho (Suplente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 09 21 /2 01 5- 49 Fl. 65DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Contra o contribuinte acima identificado foi emitida a Notificação de Lançamento de fl.3, relativamente ao ano calendário 2011. 2. A Notificação de Lançamento decorrente da DIRPF processada, não foi apurado imposto a restituir, resultando na cobrança do valor já restituído na declaração anterior, no total de R$ 1.013,91, acrescido de juros de mora e saldo de imposto a pagar de R$ 329,99, código 0211. (...). Em sua impugnação de fls. 2, o contribuinte alega, em síntese, que: A Tendo recebido rendimentos como tributáveis do ano calendário 2011, exercício 2012, derivados de rendimentos recebidos acumuladamente (precatório), veio a receber notificação de lançamento acima citada. Solicito o cancelamento do lançamento ocorrido no exercício 2012, ano calendário 2011, sendo que o contribuinte declarou os valores recebidos da Pessoa Jurídica, no campo errado: B) pela análise que for feita na documentação apresentada, ficará constatado a veracidade da mesma, não restando dúvida da boafé, quanto ao pleito ora colocado nesta impugnação. II. 2 MÉRITO (inciso III e IV do art. 16 do Dec. 70.235/72) Estão anexados a esta impugnação os seguintes documentos: Cópia dos comprovantes de rendimentos da Procuradoria Geral do Estado, recebidos somente no corrente ano, cópia da Notificação acima descrita, cópia da cédula de identidade. III. 2 Conclusão À vista do exposto, demonstrada parcialmente pela improcedência da Notificação de Lançamento, espera e requer o impugnante que seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido o cancelamento e arquivamento desta notificação. 3.1 No sentido de comprovar suas alegações anexou o comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte, emitido pela fonte pagadora Procuradoria Geral do Estado, fls. 5. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10840.720921/201549 Acórdão n.º 2201003.505 S2C2T1 Fl. 3 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE) julgou improcedente a impugnação, restando mantida a notificação de lançamento, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. TRIBUTAÇÃO. É irretratável a opção do contribuinte de integrar o total dos rendimentos recebidos acumuladamente à base de cálculo do Imposto sobre a Renda na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário do recebimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual a contribuinte reiterou, em síntese, os argumentos aduzidos em fase de impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Conforme narrado, o contribuinte auferiu rendimentos recebidos acumuladamente, em outubro do ano de 2011, e, ao transmitir sua DIRPF/2012 retificadora, o interessado incluiu os referidos rendimentos no campo "Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Jurídicas pelo Titular" e não na ficha própria para os "Rendimentos Recebidos Acumuladamente". A decisão recorrida consignou entendimento no sentido de que o recorrente exerceu sua opção irretratável de tributar os rendimentos recebidos acumuladamente integrando a base de cálculo do Imposto sobre a Renda na Declaração de Ajuste Anual do ano calendário do recebimento, nos termos seguintes: Não é cabível a retificação da declaração de ajuste anual do contribuinte para fins de mudança da forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente. Dessa forma, sendo irretratável a opção pela tributação no ajuste, não cabe à esta instância de julgamento alterar a opção do contribuinte, ainda que este apresente os documentos relativos aos rendimentos atrasados recebidos acumuladamente. Fl. 67DF CARF MF 4 Aduz o contribuinte que declarou no campo errado os rendimentos recebidos acumuladamente e para comprovar o alegado efetuou a juntada da cópia do comprovante de rendimentos da Procuradoria Geral do Estado. Mostrase incontroverso nos autos que houve erro no preenchimento da declaração e, na verdade, os rendimentos declarados foram recebidos acumuladamente. Assim, houve demonstração da plausibilidade do engano que gerou equívoco na declaração de ajuste a fim de caracterizar erro de fato, de modo que com base no princípio da verdade material, tornase possível a revisão da declaração pela autoridade julgadora. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 68DF CARF MF
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