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Numero do processo: 10935.900729/2008-56
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente, a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente, a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Cavalcante.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente, a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Cavalcante. Despacho Decisório Tratase de pedido de compensação declarada, na qual, o crédito analisado foi considerado insuficiente, em razão de ter sido utilizado para extinguir débito devidamente constituído. Na sequencia, o mencionado despacho houve por bem homologar apenas parcialmente a compensação. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 35 .9 00 72 9/ 20 08 -5 6 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10935.900729/200856 Resolução nº 3001000.102 S3C0T1 Fl. 71 2 Manifestação de Inconformidade Diante do indeferimento de seu pedido de compensação, a recorrente busca apontar o motivo da existência de seu crédito. Pagamentos efetuados em atraso mas de forma espontânea A explicação para a existência do crédito posto em compensação, seria o pagamento realizado com a inclusão de valores, a título de multa, conforme demonstrado no DARF em questão. Tal pagamento ocorreu anterior a quaisquer atos de fiscalização por parte da autoridade fazendária, e acompanhado do devido pagamento de juros. Desta feita, estaria albergado pelo comando do artigo 138 do CTN. Em sua defesa, portanto, a recorrente alegou ter havido pagamento indevido, justamente pelo fato de ter recolhido valores de multa em pagamento espontâneo. Diante disto, teria o suposto crédito, com o qual pretende compensar débitos normalmente constituídos. Traz à tona, jurisprudência, inclusive do CARF e STJ. Ainda, evidencia dois requisitos para a obtenção do benefício, quais sejam, a confissão e o pagamento. Nega, por fim, a diferenciação entre multas punitivas e moratória. DRJ/CTA A manifestação de inconformidade foi assim ementada: Acórdão n.º 0629.769 3.ª Turma da DRJ/CTA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. COMPENSAÇAO. CREDITO INEXISTENTE. DCOMP. NAO HOMOLOGAÇAO. Comprovado nos autos que o crédito informado como suporte para a compensação foi integralmente utilizado pela contribuinte na extinção de outros débitos, não se homologam as compensações requeridas. Em seu trecho de voto, destaca o fundamento de seu raciocínio, no sentido de atribuir, como leitura mais atenta do artigo 138 do CTN, um sentido não tão extensivo como pretende a contribuinte em sua defesa. Por isso, recorre à distinção entre penalidade de cunho punitivo, e a penalidade de cunho compensatório. admitir a literal aplicação do art. 138 do CTN no caso ora em exame equivaleria a admitir uma moratória geral e indiscriminada. Além do que, adotar uma interpretação extensiva de seus efeitos, no sentido de excluir a penalidade moratória, seria contrariar toda a legislação Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10935.900729/200856 Resolução nº 3001000.102 S3C0T1 Fl. 72 3 tributária (...) o fato de a contribuinte antecipálo e mesmo declarálo não a exonera do recolhimento dos acréscimos moratórios previstos na legislação de regência, quando esse pagamento ocorrer intempestivamente, como no presente caso (o crédito mencionado no Per/Dcomp referese à multa incidente sobre tributo recolhido a destempo).. (...) podese inferir que não caracteriza espontaneidade qualquer iniciativa do sujeito passivo, contribuinte ou responsável, diferente do seu comparecimento ao órgão arrecadador para recolher 0 tributo, mediante o documento próprio, na forma das instruçoes da Receita Federal, com os acréscimos moratórios de que tratam a legislação de regência. Nesse contexto, não existe qualquer possibilidade legal de realizar a exclusão da aplicação da multa de mora de tributo recolhido em atraso, não sendo possível, portanto, reconhecer a existência de crédito, relativamente à multa de mora, do pagamento que foi indicado no Per/Dcomp Recurso Voluntário Em sua peça recursal a contribuinte, além de expor seus argumentos para legitimar a compensação levada a cabo, requereu o apensamento de 07 processos em razão de haver matéria conexa. Neste sentido, é no artigo 47 do RICARF que sustentou sua pretensão. Recurso Voluntário Após refazer breve histórico sobre os fatos ocorridos, adentrou o mérito repisando os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. Em resumo, trata a recorrente de alegar que houve pagamento a maior em razão de ter havido a inclusão de multa de mora em pagamento efetivado em sede de espontaneidade. Iresignouse em face do argumento jurídico esposado no acórdão vergastado, no sentido de impelir o raciocínio no qual a denúncia espontânea não se aplica em caso de multa de mora. Segrega os conceitos de multa de mora e multa de ofício, ressaltando que a exceção à denúncia espontânea cingese aos juros de mora. requer a correção do créditos advindos do pagamento indevido, pelos índices de Juros Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator O presente recurso voluntário insurgese em face da não homologação da compensação. Em sua defesa, trouxe o argumento da ocorrência de pagamento a maior, em função do recolhimento de valores a título de multa, em pagamento realizado de forma espontânea. Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, os seguintes argumentos: denúncia espontânea e a correção do suposto crédito pela Selic. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10935.900729/200856 Resolução nº 3001000.102 S3C0T1 Fl. 73 4 Fundamento Legal A discussão gira em torno da possibilidade de ser considerado como apto à incidência das normas previstas no artigo 138 do CTN, ou seja, o instituto da denúncia espontânea, ao fatos descritos no presente caso. Para tanto, neste item serão apontados os fundamentos legais invocados na presente decisão. Artigo 138 do CTN Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração Tal preceito legal foi objeto de julgamento em sede de Recurso Especial, sob n.º 1.149.022/SP, realizado sob o regime de recurso repetitivo, em conformidade com o artigo 543C do CPC/1973, o qual se transcreve abaixo, a fim de, posteriormente, ser analisado e confrontado com o presente julgamento. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica a (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008) Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10935.900729/200856 Resolução nº 3001000.102 S3C0T1 Fl. 74 5 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ; Resp 1.149.022; Relator: Ministro Luiz Fux; Data do julgamento: 09.06.2010) Em decorrência do mandamento previsto no artigo 543C do CPC, submetese, necessariamente, à prescrição exposta no RICARF/15, mais especificamente nos termos do §2º, do art. 62. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Tal entendimento, no qual os conselheiros deste CARF estão submetidos ao precedente exposto, está devidamente assentado pela Câmara Superior, conforme se denota de trechos da ementa trazida aos autos: Acórdão 9303006.588 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10935.900729/200856 Resolução nº 3001000.102 S3C0T1 Fl. 75 6 Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE As decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça STJ em regime de recursos repetitivos deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Portaria 343/2015 e alterações. Fundamental, ao deslinde da questão, trazer aos autos a IN 126/1998. que regulamenta a entrega da DCTF IN 126/98 Art. 2o A partir do anocalendário de 1999, as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar, trimestralmente, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz. § 1o Para efeito do disposto nesta Instrução Normativa, serão considerados os trimestres encerrados, respectivamente, em 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano calendário. § 2o A DCTF deverá ser entregue na unidade da Secretaria da Receita Federal SRF da jurisdição fiscal da pessoa jurídica, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. DOS FATOS Neste ínterim resta esclarecer que, cingese o caso presente na discussão a respeito da ocorrência, ou não, dos eventos fáticos que disparam a incidência das normas reguladoras do instituto da Denúncia Espontânea. Para tanto, necessário esclarecer e evidenciar determinados fatos essenciais para o deslinde da questão posta. Foi apresentado, pela recorrente, DARF, datado de 02 de outubro de 2002, correspondente a pagamento tardio, correspondente à apuração de julho de 2002, extrapolando, portanto, o seu regular prazo de vencimento. Comentários sobre a DCTF Em conformidade com a IN 126/98, regulamentando a entrega da DCTF à época, notase pela leitura de seu artigo 2.º, que o envio ocorria trimestralmente, e, para fins da citada IN 126/98, o artigo mencionado considera o trimestre encerrado em 30 de setembro. Ainda, na leitura do regramento de entrega da DCTF, temse que o prazo limite para seu envio é "até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores". Tendo o fato gerador ocorridos em julho de 2002, pertencente, portanto, ao terceiro trimestre, o prazo para entrega da DCTF fluiria a partir do encerramento deste terceiro trimestre, ou seja, 30 de setembro de 2002. Sendo o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre, conforme previsão legal, encerrouse a data para envio em 14 de novembro de 2002. temse nos autos, a respeito da DCTF compentente, apenas tabela referenciando sua data de entrega, em sede de Manifestação de Inconformidade. Conforme se verá adiante, Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10935.900729/200856 Resolução nº 3001000.102 S3C0T1 Fl. 76 7 tal documente é imprescindível ao desfecho do julgamento, mormente frente aos requisitos trazidos em sede de recurso repetitivo. Desta forma, uma vez apresentados os fundamentos legais invocados, qual seja, o artigo 138 do CTN, cujo teor prescreve as regras para a aplicação do instituto da Denúncia Espontânea, e, também, brevemente expostos os motivos pela vinculação da interpretação do caso concreto, em razão do regime de recursos repetitivos previstos no CPC e respeitados pelo RICARF, iniciase a análise de mérito, não sem antes, expor a segmentação do raciocínio jurídico empreendido na leitura conjunta do artigo 138 e da decisão prolatada pelo STJ. MÉRITO O tema devolvido ao colegiado para análise e decisão, envolve a aplicação do instituto da denúncia espontânea, prevista no já transcrito artigo 138 do CTN, com a disciplina dada pelo REsp 1.149.022/SP, sob o regime repetitivo previsto no artigo 543C do CPC cumulado com o artigo 62, parágrafo segundo do RICARF. Neste sentido, mister fixar algumas premissas para o raciocínio. Inicialmente, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação, ou seja, no qual, dentre outras particularidades, o contribuinte tem o dever de antecipar informações à autoridade fazendária. Esta antecipação, se faz por meio das obrigações acessórias previstas legalmente no CTN, em artigos 112 e 113. Denúncia espontânea e lançamento por homologação O papel da DCTF A DCTF, prevista na IN 126/1998, é o veículo que introduz as normas individualizadas e concretas no ordenamento jurídico inclusive a respeito do pagamento do presente caso. Neste sentido, a decisão do STJ fixou como requisito para a ocorrência da denúncia espontânea, não haver tributo declarado pelo contribuinte. Em conformidade com tal orientação, transcrevese a ementa prolatada pela CSRF em maio de 2018: Acórdão 9303006.588 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TRIBUTOS NÃO DECLARADOS EM DCTF. PAGAMENTO EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OCORRÊNCIA. MULTA DE MORA. EXCLUSÃO. O instituto da denúncia espontânea aproveita àqueles que recolhem a destempo o tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos casos em que não tenha havido prévia declaração do débito em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. O cerne da discussão está exemplarmente delineado no voto de lavra do Conselheiro Andrada Canuto Natal, que, em resumo descreve; a cognição lógico jurídica que remeteu à decisão tomada no acórdão paradigma revelase inteiramente contemplada na controvérsia de que aqui se trata, envolvendo a caracterização da denúncia espontânea nas situações em que o contribuinte recolhe em atraso o tributo sujeito ao lançamento por homologação, com ou sem a prévia declaração em DCTF. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10935.900729/200856 Resolução nº 3001000.102 S3C0T1 Fl. 77 8 Após analisar a dinâmica de subsunção da norma relativa ao instituto da denúncia espontânea, conclui: (...) o reconhecimento da espontaneidade não guarda relação com a apresentação de DCTF posteriormente retificada, nem com o pagamento parcial, mas, exclusivamente, com o pagamento do débito em data anterior à (...) declaração do sujeito passivo informando o tributo devido. A seguir na leitura de seu voto, o relator mencionado destaca que: A intelecção induvidosa da decisão acima transcrita é no sentido de que o pagamento que não fora previamente declarado em DCTF está albergado pela denúncia espontânea quando pago antes de qualquer procedimento fiscal. E também: Acórdão nº 9303002.770, 3ª Turma ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF. RECURSO ESPECIAL. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA 360 DO STJ. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Egrégio Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, acolheu a tese de que a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ). A contrario sensu, portanto, o Egrégio Superior Tribunal de Justiça acolheu a tese da aplicação da denúncia espontânea na hipótese de pagamento a destempo sem que tenha sido realizada declaração prévia do contribuinte." Desta forma, resta evidenciado que a interpretação posta ao caso, deverá estar submetida ao limite objetivo construído pela jurisprudência do STJ e da CSRF deste CARF. Hipótese Configuradora da Denúncia Espontânea O pagamento integral acompanhado de juros a anterioridade quanto a quaisquer atos ou procedimento fiscalizatórios da autoridade fazendária. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10935.900729/200856 Resolução nº 3001000.102 S3C0T1 Fl. 78 9 Multas moratórias e punitivas Para o julgamento do caso, necessário se faz superar a discussão a respeito da aplicação da denúncia espontânea em caso de multa moratória. Isto porque, o raciocínio pautado na inaplicabilidade da denúncia espontânea às multas de caráter moratório foi o fio condutor do acórdão sob vergasta. Como se pode observar, o assunto encontrase pacificado no sentido da possibilidade da denuncia espontânea em caso de multa de mora. Nas Turmas Ordinárias, prevalece o mesmo entendimento, conforme se segue: Acórdão nº 3201003.745 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA. INEXIGIBILIDADE DE MULTA MORATÓRIA. De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ está consolidado, em modo repetitivo, o entendimento de que "a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte" (REsp 1.149.022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, Primeira Seção, DJe 24/06/2010). Efetuado o pagamento do tributo pelo contribuinte, depois de vencido, mas antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco, acrescido dos juros de mora, a multa moratória deve ser excluída em razão da denúncia espontânea. Da proposta de Diligência Diante ao caso exposto, temse que se trata de definir a aplicação do conteúdo normativo previsto no artigo 138 do CTN, em conformidade com o disposto no julgamento repetitivo retro mencionado. Neste sentido, verificouse que a construção jurisprudencial do STJ e deste CARF, definem como limite à concessão da denúncia espontânea a ocorrência de declaração por parte do contribuinte, em sua DCTF. Caso tenha declarado o débito relativo multa de mora, terá constituído, em favor da autoridade fazendária, o crédito tributário, inviabilizando, assim, a aplicação do instituto. Desta forma, temse o seguinte trâmite temporal. Em julho de 2002, houve a apuração do tributo em questão, dentro, portanto, do terceiro trimestre anual, a encerrarse em 30 de setembro. Aplicando o comando do artigo 2.º da IN 126/1998, a data limite para a apresentação da DCTF seria 14 de novembro de 2002. Em tendo sido realizado o pagamento, conforme se denota do DARF acostado aos autos, com data de 02 de outubro de 2002, temse que tal pagamento seria retratado na DCTF a ser entregue em 14 de novembro de 2002. A meu ver, é necessário verificar como o contribuinte informou na DCTF competente, o respectivo lançamento da multa de mora. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10935.900729/200856 Resolução nº 3001000.102 S3C0T1 Fl. 79 10 Para a correta aplicação do instituto da Denúncia Espontânea, prevista no artigo 138 do CTN, e conforme preceituado anteriormente nos julgados supra transcritos, necessária a satisfação de dois requisitos: não ter sido declarado o débito até a data da entrega da Per Dcomp para tanto, há a necessidade de verificação na DCTF e; não ter havido nenhum procedimento fiscalizatório até o momento da confissão. Este segundo requisito, a meu ver, satisifeito. Conclusão Diante do exposto, proponho, como acima transcrito, a conversão do julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada. Caso entenda necessário, intime a recorrente a comparecer nos autos a fim de comprovar a veracidade das alegações. Posteriormente, a autoridade incumbida da diligência deverá elaborar relatório, pormenorizado e conclusivo das análises levadas a efeito e do seu reflexo na PER/DCOMP apresentada. Na sequência o contribuinte deverá ser intimado para que, no prazo regulamentar, caso entenda conveniente, adite seu recurso voluntário, somente quanto à matéria decorrente da diligência. Por fim, devolva os autos para este CARF, para julgamento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 81DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.002310/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO
Não havendo na Impugnação apresentada ao Auto de Infração qualquer contestação referente à parcela do ocorre a preclusão nos moldes do disposto no art. 16, inciso III e art. 17 do Decreto n°70.235/72 o que torna definitivo o lançamento fiscal relacionado.
PRELIMINAR. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE DISPONIBILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS QUE ESCLAREÇAM O AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Tendo a fiscalização correlacionado o Relatório de Procedimento Fiscal e os Autos de Infração, com a devida indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos e legais, de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa da contribuinte por não disponibilização de documentos que embasaram a autuação, especialmente quando tais documentos são do próprio contribuinte.
OMISSÃO DE RECEITA. ATIVIDADE DE DESCONTO DE TÍTULO. COMPROVAÇÃO PARCIAL.
Uma vez identificada a omissão de receita com base nos próprios registros contábeis da contribuinte e tendo sido comprovada que apenas parte desta movimentação financeira refere-se à atividade de desconto de títulos, correto o lançamento que aplicou o percentual de desconto para fins de identificação da receita tributável apenas em relação à parcela comprovada, restando integralmente considerada como receita tributável a movimentação financeira não comprovadamente relacionada à atividade de desconto de título.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE. SONEGAÇÃO. DOLO. NÃO PAGAMENTO DE TRIBUTO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Uma vez ausente a figura do dolo, a multa qualificada deve ser afastada.
A simples apuração de omissão de receitas identificadas a partir do acesso às informações bancárias, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício. Súmulas CARF nºs 14 e 25.
Numero da decisão: 1201-002.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a qualificação da multa reduzindo-a de 150% para 75%. Vencidos os conselheiros: Luis Fabiano Alves Penteado (relator) e Ester Marques Lins de Sousa que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado o conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli para redigir o voto vencedor em relação à multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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PRECLUSÃO Não havendo na Impugnação apresentada ao Auto de Infração qualquer contestação referente à parcela do ocorre a preclusão nos moldes do disposto no art. 16, inciso III e art. 17 do Decreto n°70.235/72 o que torna definitivo o lançamento fiscal relacionado. PRELIMINAR. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE DISPONIBILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS QUE ESCLAREÇAM O AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Tendo a fiscalização correlacionado o Relatório de Procedimento Fiscal e os Autos de Infração, com a devida indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos e legais, de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa da contribuinte por não disponibilização de documentos que embasaram a autuação, especialmente quando tais documentos são do próprio contribuinte. OMISSÃO DE RECEITA. ATIVIDADE DE DESCONTO DE TÍTULO. COMPROVAÇÃO PARCIAL. Uma vez identificada a omissão de receita com base nos próprios registros contábeis da contribuinte e tendo sido comprovada que apenas parte desta movimentação financeira referese à atividade de desconto de títulos, correto o lançamento que aplicou o percentual de desconto para fins de identificação da receita tributável apenas em relação à parcela comprovada, restando integralmente considerada como receita tributável a movimentação financeira não comprovadamente relacionada à atividade de desconto de título. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE. SONEGAÇÃO. DOLO. NÃO PAGAMENTO DE TRIBUTO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 23 10 /2 00 9- 19 Fl. 2788DF CARF MF 2 Uma vez ausente a figura do dolo, a multa qualificada deve ser afastada. A simples apuração de omissão de receitas identificadas a partir do acesso às informações bancárias, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício. Súmulas CARF nºs 14 e 25. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a qualificação da multa reduzindoa de 150% para 75%. Vencidos os conselheiros: Luis Fabiano Alves Penteado (relator) e Ester Marques Lins de Sousa que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado o conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli para redigir o voto vencedor em relação à multa de ofício. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Em procedimento de verificação de cumprimento das obrigações tributárias pela empresa supra, segundo consta da descrição dos fatos, foram lavrados autos de infração para lançamento do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS em razão da apuração das seguintes infrações: 1) Omissão de receita, no 3° trimestre do anocalendário de 2006, caracterizada pela ocorrência de saldo credor de caixa, no valor de R$ 501.560,53; 2) Omissão de receitas correspondente aos valores escriturados na conta “outras receitas” e não tributados. Verificase no processo que a contribuinte foi intimada a apresentar os livros Diário e Razão (ou Caixa), Registro de Entradas, de Saídas, Registro de Inventário, notas fiscais de saída e entrada (bem assim planilha das referidas notas fiscais), extratos de contas existentes no Banco do Brasil S/A, Unibanco, HSBC e Nossa Caixa. Fl. 2789DF CARF MF Processo nº 13888.002310/200919 Acórdão n.º 1201002.273 S1C2T1 Fl. 3 3 Consta, no Termo de Constatação Fiscal de fls. 732 a 746, a informação de que a movimentação bancária foi escriturada nos livros apresentados pela contribuinte, não havendo lançamentos pendentes de escrituração. Explana o autuante que foi apurado saldo credor de caixa (3° trimestre de 2006) e omissão de receita, constatada nas contas “outras receitas” e “cheques a receber/depositar”. Informa que a contribuinte apenas apresentou provas relativas à infração de omissão de receitas originária de depósitos no Unibanco, provenientes de cobrança. Relata que os lançamentos relativos à cobrança feita por meio desse banco tiveram a contrapartida contábil dividida entre as contas “Clientes Diversos” (1736) e “outras Receitas” (3428), sendo que a conta 1736 não foi ajustada, pois contabilizava os pagamentos de notas fiscais emitidas e sua contabilização está representada na conta Vendas. Afirma, quanto às receitas escrituradas na conta 3428, que acatou a argumentação da contribuinte e aplicou o percentual de 4,2% sobre os valores para os quais a contribuinte apresentou comprovação do deságio naquele percentual. Relata, ainda, que houve ajuste na conta “cheques a receber”, devido a lançamentos não comprovados, conforme anexo 5 (fls. 761 a 765). Informa que tal conta registrava os cheques recebidos e emitidos e deveria, ao final do período, ser encerrada em uma conta de resultado, o que não ocorreu. Tendo em vista essas constatações de omissão de receita foram lavrados os autos de infração exigindo os tributos acima relacionados. Notificada do lançamento em 19/11/2009, a contribuinte, representada pelo procurador Ricardo Matthiesen Silva (fl. 2.350), ingressou com a impugnação de fls. 2.318 a 2.349, alegando: Tem como atividade principal o comércio de material de saneamento, sendo que, em 2006, aproveitando seu bom nome na praça e crédito junto às instituições bancárias, começou a descontar títulos, tomandose uma atividade paralela a que desempenhava. Procedeu à troca de título de clientes, por vezes inadimplentes, que ofereciam como forma de pagamento e, para não ter grandes prejuízos, acabou por concordar; Os descontos de títulos eram feitos a uma taxa média de 4,2 % a m., sendo que a comissão para desconto era de 0,14 % ao dia, como será detalhadamente demonstrada. O Fisco de posse dessa informação, readequou os valores apurados em seu trabalho inicial, mas reconheceu apenas um percentual das receitas como desconto de títulos e cheques; Houve ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa e do contraditório, motivo suficiente para decretar a nulidade do lançamento. Teve dificuldades de defenderse, principalmente porque não lhe foram fornecidos os documentos que poderiam esclarecer a suposta infração de que é acusada, especialmente quanto à escrituração do imposto. O Fisco deveria ter examinado cuidadosamente livros e documentos, a fim de lastrear a acusação, permitindo a perfeita análise dos fatos pela recorrente; Fl. 2790DF CARF MF 4 Toda a documentação comprobatória da movimentação financeira, bem como aqueles relacionados no termo de constatação estão, até a presente data, em poder do autuante, fato que impossibilita qualquer defesa, pois somente com a aferição dos documentos em poder do Fisco é que poderá chegar à verdade; Solicita, assim, a suspensão do auto de infração até a liberação dos documentos contábeis em poder do Fisco, e, a partir da data do protocolo de devolução, é que deverá começar a contar o prazo para a apresentação da defesa; É tributada pelo lucro real e o autuante, de posse dos extratos bancários, da relação de clientes, do relatório com valores recebidos, não recebidos, protestos, o percentual da comissão do desconto de títulos, deveria proceder ao lançamento de forma real, apurando corretamente a base de cálculo. Entretanto, apesar de o autuante reconhecer o “modus operandi” praticado, não considerou os valores não recebidos e nem o valor “já reconhecido” como a comissão pelo desconto de titulos, lançando o valor total dos recebimentos; A operação de desconto de títulos e cheques consistia em pagamento a vista de valores com vencimento futuro, cobrando um percentual de 4,2 % a m. Assim, os valores classificados como “diferença não comprovada” referemse ao recebimento do título descontado, sendo que a maior parte desse valor já havia sido repassada, cabendolhe apenas o percentual da comissão (4,2%). Portanto, são inaceitáveis os valores lançados por serem abusivos e distorcidos da realidade; O valor correspondente à comissão de 4,2 % deve ser aplicado para lançamento e cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, ou caso assim não entenda, que seja apurado pelo lucro arbitrado nas receitas não comprovadas; Cabe salientar que não houve qualquer dedução dos valores “estornados”, ou seja, aqueles relativos a descontos que a empresa fez mas não conseguiu receber, por se tratarem de títulos frios ou por simples inadimplência. Tais valores estão demonstrados claramente nos extratos bancários, como por exemplo, cheques devolvidos. Não foram consideradas, também, as saídas de valores por meio de cheques e saques. O Fisco não considerou, ainda, quaisquer despesas, tais como, o valor de “compra” dos títulos recebidos e descontados para terceiros e os prejuízos do período (no 1° semestre o prejuízo foi de RS 314.709,80); Deveria, então, ser feito o arbitramento do imposto, para que não houvesse tanta discrepância e fosse mais justa a apuração; A aplicação da multa de 150% fere o princípio constitucional da capacidade contributiva e do não confisco; A Lei n° 11.488, de 2007, alterou a Lei n° 9.430, de 1996, reduzindo os percentuais da multa aplicada, mais precisamente o inciso II do art. 44, passando de 150% para 50%. Por ser mais benéfica, nos termos do art. 106, II, c, do Código Tributário Nacional (CTN), deve ser aplicada de forma retroativa a todas as infrações cometidas antes de sua vigência, cujos valores ainda não foram pagos, como é o caso em tela; Por fim, afirmou que não concorda com os cálculos acostados no processo, pois não são claros e conclusivos, por estarem majorados e por não levarem em conta os prejuízos causados e o verdadeiro valor da transação. Devem ser desconsiderados ou reduzidos pela metade, ou, ainda, ser nomeado perito para melhor aferição; Fl. 2791DF CARF MF Processo nº 13888.002310/200919 Acórdão n.º 1201002.273 S1C2T1 Fl. 4 5 Solicitou a redução das multas para l0%, em face da ofensa aos princípios constitucionais da capacidade contributiva e do não confisco, ou que seja aplicada a legislação em vigor, reduzindo a multa de 150% para 50%; Protestou provar o alegado por todos os meios de provas em direito admitidas, inclusive e especialmente a defesa oral e pericial contábil, a juntada de documentos e demais que se fizerem necessárias; Solicitou que seja notificada, também, nas pessoas de seus advogados à Rua Trinta de Julho, 763, centro, Americana, SP. Sob pena de nulidade. Decisão da DRJ Em sessão de 11 de março de 2000 a 3°Turma da DRJ/RPO julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente os lançamentos fiscais, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 DESCONTO DE TÍTULOS. COMPROVAÇÃO. Restando sem comprovação que as receitas omitidas se referem a operações de desconto de títulos, não cabe fazer arbitramento ou qualquer dedução relativa ao valor de “compra” dos citados títulos ou a prejuízos sofridos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 NULIDADE. Tratandose de auto de infração lavrado por pessoa competente, não tendo havido preterição do direito de defesa da contribuinte e não tendo sido feridos os artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235/72, não cabe o acatamento da preliminar de nulidade. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. _ Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Fl. 2792DF CARF MF 6 PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia ou diligência que deixe de atender os requisitos legais. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DEFESA ORAL. No processo administrativo fiscal a manifestação oral da defesa é prevista somente perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. É competência atribuída, em caráter privativo, ao Poder Judiciário pela Constituição Federal, manifestarse sobre a constitucionalidade das leis, cabendo à esfera administrativa zelar pelo seu cumprimento. MULTA DE OFÍCIO. O lançamento decorrente de procedimento fiscal implica a exigência de multa de ofício, cujo percentual é fixado em lei. Recurso Voluntário Foi apresentado Recurso Voluntário por meio do qual a Recorrente ratifica os termos da sua Impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário apresentado é tempestivo e atende os demais requisitos legais, por isso, deve ser apreciado. Fl. 2793DF CARF MF Processo nº 13888.002310/200919 Acórdão n.º 1201002.273 S1C2T1 Fl. 5 7 Matéria não impugnada Conforme bem observado pelos julgadores da DRJ, não há na Impugnação apresentada ao Auto de Infração qualquer contestação referente ao lançamento relacionado ao saldo credor de caixa apurado no 3°Trimestre de 2006 e também aos ajustes feitos na conta "cheques a receber". Assim, considero que tais matérias foram alcançadas pelo preclusão nos moldes do disposto no art. 16, inciso III e art. 17 do Decreto n°70.235/72 o que torna definitivo o lançamento fiscal relacionado. Cerceamento ao direito de defesa Segunda a Recorrente autuada há nulidade dos lançamentos fiscais em razão de alegado cerceamento de defesa causado pela não disponibilização de documentos que poderiam esclarecer a infração de que é acusada, bem como, aqueles relacionados no termo de constatação. Não enxergo tal nulidade. O lançamento fiscal é ato administrativo que tem como um de seus elementos: a motivação (fundamentação), conforme dispõe o artigo 50 da Lei 9.784/1999, in verbis: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; […] § 1º. A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Como já se evidenciou nestes autos, a fiscalização correlacionou o Relatório de Procedimento Fiscal e os Autos de Infração, com a devida indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos e legais, de forma explícita, clara e congruente. Além disso, consta nos autos o Termo de Devolução de Documentos onde percebese que os extratos bancários, as notas fiscais e os livros contábeis e fiscais que foram solicitados durante o processo fiscalizatório. Assim, não procede a afirmação da Recorrente de falta de acesso aos documentos utilizados pela fiscalização para lavratura do auto de infração. Fl. 2794DF CARF MF 8 E mais, todos os termos de intimação, verificação fiscal e de declarações foram devidamente anexados ao processo administrativo, de maneira que a Recorrente teve acesso aos respectivos conteúdos integrais contidos nos autos. Neste sentido, a anexação do Termo de Verificação Fiscal aos Autos de Infração com a indicação clara e congruente de sua correlação não impõe qualquer ressalva ou prejuízo ao direito de defesa. Tal procedimento fiscalizatório encontra respaldo ancestral nos órgãos julgadores, no âmbito do processo administrativo fiscal. Portanto, a alegação da Recorrente neste particular é vaga e genérica, não tendo o condão de demonstrar a eventual ausência de simetria entre o TVF e o Auto de Infração, tampouco demonstrando qualquer prejuízo ao seu direito de defesa que foi amplamente exercido nos autos Quanto ao argumento de que não teve acesso aos documentos relacionados às diligências efetuadas, tenho que a conclusão da Recorrente exprime a realidade deste processo administrativo. Por fim, entendo que o acesso amplo e irrestrito aos autos garantido às partes basta para que estes tenham ciência do exato objeto da autuação e possam apresentar suas alegações de defesa e assim o fizeram através de Impugnações e Recurso Voluntário. Desta forma, afasto a nulidade arguida. Mérito Sustenta a Recorrente que a fiscalização considerou imprestável sua contabilidade mas em vez de recompor o lucro e exigir eventuais diferenças, elaborou uma apuração paralela levando em consideração tão somente a suposta omissão de receitas por ele identificada. Isso porque, segundo a Recorrente, a fiscalização já ciente da taxa média de desconto de 4,2% a.m. e da comissão para desconto de 0,14% ao dia, readequou os valores apurados em seu trabalho inicial, mas reconheceu apenas um percentual das receitas como desconto de títulos e cheques. Contudo, não me parece que foi isso o que aconteceu. Destaco aqui um trecho do acórdão da DRJ que sintetiza bem o quanto verificado pela fiscalização: A esse respeito, , consta no Termo de Constatação Fiscal que os lançamentos a crédito no Unibanco relativos à cobrança eram feitos nas contas a conta l736 (clientes diversos) e 3428 (outras receitas) e que a conta 1736 não sofreu ajustes, pois contabilizava os pagamentos de notas fiscais emitidas e sua contabilização está representada na conta vendas. Relata o autuante que foi aplicado o percentual da comissão de 4,2% somente sobre os créditos da conta 3428 para os quais a contribuinte apresentou documentação comprovando o deságio médio naquele percentual (4,2 %) na troca de titulos, relativamente à atividade de factoring. ' Fl. 2795DF CARF MF Processo nº 13888.002310/200919 Acórdão n.º 1201002.273 S1C2T1 Fl. 6 9 Quanto aos demais valores escriturados naquela conta (diferença não comprovada), para os quais não foram apresentadas comprovações, foi efetuado o lançamento dos valores nela registrados. Vemos aqui que se trata de uma questão de prova. Não pode pretender a Recorrente que em razão de ter demonstrado em relação à parte de sua movimentação financeira tratarse de desconto sobre o qual fora aplicada a taxa de 4,2%, que apenas este mesmo percentual seja considerado como receita em relação a todo o restante do universo de movimentação da Recorrente escriturada na conta contábil de "outras receitas". Me parece injustificável a pretensão da Recorrente de atribuir a totalidade das receitas contabilizadas por ela própria como outras receitas a atividades de factoring se não há identificação da origem dos recursos recebidos acompanhada das respectivas provas documentais. Nem tampouco, pode alegar a Recorrente que não foram consideradas as despesas relacionadas ao valor de aquisição dos títulos descontados, vez que tais despesas não foram integralmente comprovadas, sendo cristalino da leitura dos autos que a fiscalização considerou sim a parte das efetivamente comprovadas, conforme se verifica no documento de fls. 2277 a 2281. Por fim, entendo aqui improcedente a alegação da Recorrente que deveria a fiscalização ter procedido ao arbitramento do lucro. Isso porque, a fiscalização adotou para fins de lançamento os próprios registros contábeis da contribuinte, contudo, atribuindolhe o correto tratamento tributário o que não fora feito pela Recorrente. Multa qualificada A conduta contínua da Recorrente em omitir receita de sua atividade justifica a aplicação da multa de 150% nos moldes do art. 44 da Lei n. 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: 1 de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração ínexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n” 4.502. de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Além disso, como bem destacado pelos julgadores da DRJ, a aplicação do disposto no CTN, art. 106, II, c, suscitada pela Recorrente é aplicada isoladamente sobre a estimativa mensal não recolhida, não se aplicando ao presente caso concreto. Fl. 2796DF CARF MF 10 Lançamentos Reflexos Aplicamse aos autos de infração de PIS. COFINS e CSLL o entendimento acima externado. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto! Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 2797DF CARF MF Processo nº 13888.002310/200919 Acórdão n.º 1201002.273 S1C2T1 Fl. 7 11 Voto Vencedor Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Redator Designado. Em que pesem os argumentos expendidos pelo Ilustre Conselheiro Relator, peço vênia para, respeitosamente, divergir de seu voto no que diz respeito à aplicação da multa de ofício qualificada. A qualificação da multa (de 75% para 150%), que foi mantida pela decisão recorrida, foi assim motivada no Termo de Constatação Fiscal (fls. 2.276): 5) DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS A documentação apresentada pelo contribuinte não acrescentou informações sobre a conduta de omitir à tributação as receitas apuradas. Portanto, a situação continua revelando a presença de conduta.DOLOSA tendente a impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir as suas características essenciais, de modo a evitar o pagamento do imposto devido, o que caracteriza FRAUDE, nos termos do Art. 72 da lei 4.502/64. Com isso as infrações apuradas sujeitamse a multa de oficio no percentual de 150%, conforme previsto no Art. 44, inciso ll da Lei 9.430/96. Como se nota, houve qualificação da multa pelo fato da Recorrente não ter recolhido tributos sobre receitas omitidas, apuradas em face da constatação de saldo credor de caixa e com base na própria escrituração do contribuinte, o que caracterizaria, no entender da fiscalização, intenção de fraudar o fisco, nos termos do artigo 7 72 da Lei nº 4.502, de 1964: Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Para que se possa cogitar a qualificação da multa (de 75% para 150%), no entanto, imprescindível que a autoridade fiscal identifique e comprove a exata ação ou omissão dolosa não só no seu aspecto objetivo (prática de ato ilícito consistente no não pagamento de tributo) quanto no aspecto subjetivo (vontade ou intenção de impedir o conhecimento dos fatos). Essas situações normalmente são identificadas através de uso de meios inidôneos para acobertar situações passíveis de tributação ou pela prática de medidas que induzam a erro o trabalho da fiscalização. Fl. 2798DF CARF MF 12 Tratamse dos ditos atos fraudulentos, que levam ao caminho da sonegação ou evasão fiscal, tais como uso de “notas fiscais frias”, “notas fiscais de favor”, contabilidade paralela, conta bancária não declarada (“Caixa 2”), interposição fraudulenta de pessoas (“laranjas” ou “testas de ferro”), falsidade ideológica, declarações adulteradas, documentos falsos etc. São essas as condutas previstas nos artigos 71 a 73 da Lei 4.502/64, dispositivos estes que conferem natureza penal à aludida penalidade qualificada, prescindindo do elemento dolo à sua caracterização. A CSRF, a propósito, já afastou a multa qualificada justamente em razão da ausência de comprovação dos elementos do dolo. Vejase a ementa do julgado referido: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência de fraude ou do evidente intuito desta caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não restou cabalmente comprovado o dolo por parte do contribuinte para fins tributário, logo incabível a aplicação da multa qualificada. (Acórdão 910101.402. Sessão de 17 de julho de 2012). Não se pode, portanto, colocar na mesma vala a ocorrência de um ilícito tributário (omissão de receita que gera não pagamento de tributo) com a intenção de impedir o seu conhecimento (dolo), conforme, aliás, prescrevem as Súmulas do CARF nºs 14 e 25: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Consolidouse, assim, o entendimento de que a omissão de receita, por si só, não é causa de multa qualificada. E foi justamente essa a infração caracaterizada na peça de acusação. Fl. 2799DF CARF MF Processo nº 13888.002310/200919 Acórdão n.º 1201002.273 S1C2T1 Fl. 8 13 Dessa forma, afasto a qualificação da multa, reduzindoa de 150% para 75%, como determina o artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96: “Artigo 44 Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata.” Conclusão Diante de todo o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, para afastar a multa qualificada, reduzindoa de 150% para 75%. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Redator Designado. Fl. 2800DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.722588/2015-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração:01/02/2012 a 31/08/2014
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE FISCALIZATÓRIA. INEXISTÊNCIA.
O auto de infração que apresenta suficiente fundamentação fática e jurídica motivadoras da autuação, bem como as planilhas e documentos que demonstram que o Contribuinte não atendeu as condições para usufruir da suspensão do IPI nas aquisições de materiais de embalagens, não se declara a nulidade, pois inexistiu prejuízo à defesa.
SUSPENSÃO DO IPI. DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÕES.
Restando comprovado que o contribuinte utilizou-se indevidamente da suspensão do IPI, constante do caput do art.29 da Lei nº 10.637/2002, a fim de adquirir materiais de embalagens sem o destaque do IPI, o imposto deve ser imediatamente exigido do recebedor dos produtos que não atendeu as condições para a suspensão.
MULTA DE OFÍCIO MAJORADA. CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICATIVA.
Cabe a aplicação da penalidade pecuniária exacerbada (150%) quando restar comprovada nos autos a circunstância qualificativa.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF Nº 2.
Nos termos da Súmula CARF n° 2 de 2009, este Conselho Administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, por força do §3º do art.61 da Lei nº 9.430/96.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR.
Deve ser mantida a responsabilidade solidária de sócio-administrador sobre os créditos decorrentes de obrigações tributárias apurados uma vez que concorreu para a prática de atos com excesso de poderes ou infração à lei.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3402-005.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE FISCALIZATÓRIA. INEXISTÊNCIA. O auto de infração que apresenta suficiente fundamentação fática e jurídica motivadoras da autuação, bem como as planilhas e documentos que demonstram que o Contribuinte não atendeu as condições para usufruir da suspensão do IPI nas aquisições de materiais de embalagens, não se declara a nulidade, pois inexistiu prejuízo à defesa. SUSPENSÃO DO IPI. DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÕES. Restando comprovado que o contribuinte utilizouse indevidamente da suspensão do IPI, constante do caput do art.29 da Lei nº 10.637/2002, a fim de adquirir materiais de embalagens sem o destaque do IPI, o imposto deve ser imediatamente exigido do recebedor dos produtos que não atendeu as condições para a suspensão. MULTA DE OFÍCIO MAJORADA. CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICATIVA. Cabe a aplicação da penalidade pecuniária exacerbada (150%) quando restar comprovada nos autos a circunstância qualificativa. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF Nº 2. Nos termos da Súmula CARF n° 2 de 2009, este Conselho Administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 25 88 /2 01 5- 57 Fl. 832DF CARF MF 2 Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, por força do §3º do art.61 da Lei nº 9.430/96. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. Deve ser mantida a responsabilidade solidária de sócioadministrador sobre os créditos decorrentes de obrigações tributárias apurados uma vez que concorreu para a prática de atos com excesso de poderes ou infração à lei. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Trata a lide de Auto de Infração de IPI lavrado contra a empresa recorrente por descumprimento de condições de suspensão pelo recebedor do produto, conforme exigências contidas no art.29, caput, combinado com §§ 1º inciso II, 2º, 3º e 7º, incisos I e II, da Lei nº 10.637/2002, com redação dada pela Lei nº 10.684/2003. Autoridade tributária fez constar na fundamentação do seu auto de infração que a empresa deu destinação diversa aos produtos (embalagens) recebidos com suspensão do IPI, sendo responsabilizada pelo pagamento do imposto que deixou de ser lançado pelo seu fornecedor. O Auditor Fiscal responsável pelo procedimento ainda qualificou a multa em 150% por ter a empresa fiscalizada, reiteradamente, apresentado Declarações falsas ao seu fornecedor, a fim de usufruir indevidamente da suspensão do IPI, prevista no caput do art. 29 da Lei nº 10.637/2002, pois a receita bruta auferida na venda, no ano anterior, de produtos da lista constante no art.29 não era superior a 60% à receita bruta total do mesmo período. Paralelamente, foi formalizada a representação fiscal para fins penais constante do processo n.º 11516.722589/201500. Fl. 833DF CARF MF Processo nº 11516.722588/201557 Acórdão n.º 3402005.464 S3C4T2 Fl. 833 3 O sócioadministrador da empresa José Afonso Coelho, CPF nº014.830.647 00, foi considerado responsável solidário tendo em vista os atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos. nos termos do art. 135, III, da Lei 5.172/1966 Código Tributário Nacional (CTN), c/c art. 50 e 1.016 do Código Civil. Cientificada da autuação, o Contribuinte ingressou com a impugnação de fls. 734/740, instruída dos documentos de fls. 741/749, alegando, em síntese, o seguinte: 1. Preliminarmente: 1.1. Da nulidade da autuação – da violação a ampla defesa e contraditório: 1.1.1. A fiscalização foi sobre a empresa Inplac Indústria de Plásticos S.A. e não sobre a Impugnante. 1.1.2. Em nenhum momento a Impugnante foi intimada para se manifestar no processo ou para prestar esclarecimentos no curso da fiscalização. Tal fato fere a ampla defesa e contraditório da Impugnante, e, por si só, já é capaz de anular a autuação. 1.2. Da nulidade da inclusão do sócio da Impugnante como sujeito passivo solidário (da nulidade do termo de sujeição passiva solidária): 1.2.1. O fisco em nenhum momento provou a violação de qualquer das condutas previstas no artigo 135, do CTN, bem como não comprovou os requesitos autorizadores de tal medida. 1.2.2. A existência de uma autuação não pode, por si só, dar aza a responsabilidade pessoal dos sócios. 1.2.3. A responsabilização solidária do sócio da empresa não encontra amparo legal, devendo ser declarada nula e insubsistente. 2. No Mérito, argumenta que a Impugnante não pode ser considerada sujeito passivo: 2.1. A responsabilização da empresa Impugnante se deu com base no inciso I, do § 2o, do art. 42, do RIPI, já que a fiscalização presumiu equivocadamente que a Impugnante empregou os materiais de embalagem em produtos diferentes daqueles que condicionaram a suspensão. 2.2. Ocorre que tal assertiva não está de acordo com a lei, já que a legislação não condiciona a utilização das embalagens nos produtos que dão direito a suspensão e sim que a empresa comercialize mais de 60% dos produtos, no ano anterior, que dão direito a suspensão. 2.3. Dessa maneira quando a fiscalização elege o recebedor do produto como responsável pelo cumprimento da exigência por emprego em produtos diferentes dos que condicionaram a suspensão, a fiscalização criou uma obrigação sem previsão legal, já que a empresa poderia utilizar as embalagens adquiridas para todos os seus produtos. 2.4. Assim fica claro que a Impugnante não poderia ser enquadrada no pólo passivo da obrigação tributária, devendo o auto de infração ser considerado totalmente nulo. Fl. 834DF CARF MF 4 3. Da Multa Qualificada: 3.1. Cabe considerar que a multa de ofício qualificada (150%) é inconstitucional e ilegal, isso sem falar que fere o princípio da proporcionalidade e razoabilidade. 3.2. A Impugnante não agiu com dolo ou máfé, isso porque faz jus ao benefício fiscal da suspensão do IPI, já que seus produtos são enquadrados naqueles que fazem jus ao benefício. 3.3. Além disso, a declaração prestada ao vendedor das embalagens não expressa nenhuma falsidade ou máfé, já que expressa o entendimento da contribuinte acerca da legislação que regulamenta a matéria, isso sem falar que a receita da Impugnante nos produtos declarados se enquadram nas condições estabelecidas na lei. 3.4. Cabe lembrar que a fiscalização, de forma sumária, simplesmente presumiu uma máfé por parte da contribuinte. A fiscalização em nenhum momento pediu qualquer informação ou esclarecimento. 3.5. Dessa maneira, a multa de ofício qualificada deve ser expurgada da autuação. 4. Da Multa Confiscatória: 4.1. É vedado o confisco por via da instituição de tributos, portanto, é lógico afirmarse que não se pode fazêlo por meio de instituição de penalidades ou multas tributárias, já que decorrentes do mesmo fenômeno jurídico tributação. 4.2. Não resta dúvida que a multa aplicada no percentual utilizado configura confisco, prática vedada pela Constituição Federal e coibida, por diversas vezes, pelo Supremo Tribunal Federal. 4.3. Dessa forma, não resta dúvida, que no montante em que foi aplicada a multa adquire feição confíscatória, prática esta que viola o princípio constitucional do não confisco. 5. Da Ilegalidade da Taxa Selic: 5.1. A taxa SELIC nada mais é do que uma taxa de juros, de natureza remuneratória, fixada pelo Banco Central. Ocorre, que a União Federal, aplica a taxa SELIC na cobrança dos débitos tributários em atraso, representando uma afronta as garantias constitucionais. 5.2. Isso porque, o sistema jurídicotributário, impede a cobrança pelo Estado de juros remuneratórios, onde é somente possível a cobrança dos juros moratórios, conforme preceitua o artigo 161 do CTN, não se admite, então, a utilização de taxa de juros remuneratórios como taxa de juros de mora. 5.3. Dessa forma, verificase que a SELIC possui natureza de juros remuneratórios de capital, além do que, incluído neste índice, encontrase também a correção monetária, o que não ocorre com os juros de mora na sua essência, e, com a aplicação da SELIC temse um verdadeiro bis in idem no que se refere a atualização monetária do crédito tributário. Fl. 835DF CARF MF Processo nº 11516.722588/201557 Acórdão n.º 3402005.464 S3C4T2 Fl. 834 5 5.4. Como se não bastasse a impossibilidade jurídica de aplicar a taxa SELIC como juros moratórios, a utilização da mesma representa a violação aos princípios constitucionais da legalidade e da indelegabilidade absoluta da competência tributária. 5.5. Impossível, então, admitir a aplicação da taxa SELIC para a atualização ou correção de débitos tributários. 6. Do Requerimento: 6.1. Ao final, requer que seja o auto de infração declarado totalmente nulo e insubsistente, ante as nulidades, ilegalidades e vícios apresentados, e ainda provar o alegado através de juntada de novos documentos e demais meios de prova admitidos em direito. O espólio do sujeito passivo solidário José Afonso Coelho, representado pelo inventariante Victor da Silva Coelho, ingressou com a impugnação de fls. 750/752, intruída dos documentos de fls. 753/757, apresentando as seguintes argumentações: 1. O fisco em nenhum momento provou a violação de qualquer das condutas previstas no artigo 135, do CTN, bem como não comprovou os requesitos autorizadores de tal medida; 2. A existência de uma autuação não pode, por si só, dar aza a responsabilidade pessoal dos sócios; 3. A responsabilização solidária do sócio da empresa não encontra amparo legal, devendo ser declarada nula e insubsistente; 4. Ao final, requer que seja excluído da autuação, e ainda provar o alegado através de juntada de novos documentos e demais meios de prova admitidos em direito. Ato contínuo, a DRJRIBEIRÃO PRETO julgou a impugnação do contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/02/2012 a 31/08/2014 SUSPENSÃO DO IPI. DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÕES. Quando não forem satisfeitos os requisitos que condicionaram a suspensão, o imposto tornarseá imediatamente exigível, como se a suspensão não existisse. Cumprirá a exigência, o recebedor do produto, no caso de desatender as normas e requisitos a que estiver condicionada a suspensão do imposto. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE FISCALIZATÓRIA. INEXISTÊNCIA. Fl. 836DF CARF MF 6 Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa antes de iniciado o prazo para a impugnação do lançamento, haja vista que, no decurso da ação fiscal, inexiste litígio ou contraditório, por força do artigo 14 do Decreto n° 70.235/1972. MULTA DE OFÍCIO MAJORADA. CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICATIVA. Cabe a inflição da penalidade pecuniária exacerbada (150%) quando restar comprovada nos autos a circunstância qualificativa. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. A cobrança de juros de mora está em conformidade com a legislação vigente, não sendo da competência desta instância administrativa a apreciação da constitucionalidade de atos legais. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. É solidária a responsabilidade do sócio administrador pelos créditos decorrentes de obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração à lei. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. A Empresa, em seu Recurso Voluntário, repisou os mesmos argumentos utilizados na Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos previstos em lei, motivo pelo qual deve ser conhecido. A empresa e o sócioadministrador, em separado, interpuseram recurso voluntário. Como o envolvimento de ambos na presente autuação foi decorrente dos mesmos fatos, os dois recursos serão analisados de forma conjunta no presente voto. Fl. 837DF CARF MF Processo nº 11516.722588/201557 Acórdão n.º 3402005.464 S3C4T2 Fl. 835 7 Trata o presente processo de autuação contra a empresa Recorrente que, segundo a fiscalização, teria descumprido as condições para o recebimento de materiais de embalagem do seu fornecedor com a suspensão do IPI, conforme exigências contidas no caput do art.29 combinado com §§ 1º inciso II, 2º, 3º e 7º, incisos I e II, da Lei nº 10.637/2002, com redação dada pela Lei nº 10.684/2003. Preliminares Em sede de preliminar alegou a nulidade do auto de infração por ocorrência de cerceamento do direito de defesa, uma vez que a fiscalização apenas se deu na empresa INPLAC INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS S.A. Que em nenhum momento foi intimada para se manifestar no processo ou para prestar esclarecimentos no curso da fiscalização. Dessa maneira, a fiscalização deveria ter intimado a empresa, até mesmo para autuála, pois necessário se manifestar sobre as operações de vendas feitas pela empresa. Refuto as alegações de cerceamento do direito defesa suscitadas pela Recorrente, conforme passo a explicar. Durante a ação fiscal, cabe a avaliação da medida/intensidade da auditoria a ser realizada ao próprio Auditor Fiscal responsável pelo procedimento até a formação da sua livre convicção e não ao Contribuinte alegar de que forma a empresa deveria ter sido auditada. Na atividade fiscal existem infrações que exigem inúmeras verificações e intimações até que a Autoridade Tributária forme a sua convicção sobre a matéria, levando ao lançamento ou não, enquanto outras, a exemplo da chamada no jargão da fiscalização de fratura exposta, são identificadas sem maiores verificações junto ao contribuinte, ou até mesmo sem nenhuma, já sendo suficientes os dados que a própria Receita Federal dispõe. Assim, não existe medida exata de tempo de fiscalização, quantidade de intimações ou tipos verificações para um Auditor decidir sobre o lançamento, cabendo unicamente a ele avaliar o que deve ser feito até formar a sua convicção, evidentemente, sempre vinculado as determinações da lei. Se no presente caso, o Auditor obteve todos os elementos para formar a sua convicção e efetuar o lançamento por meio dos sistemas eletrônicos (SPED) e terceiros (fornecedor), não houve necessidade de solicitar novos elementos ou esclarecimentos junto a empresa autuada. Assim, como bem disse o Julgador da instância a quo, o ato do lançamento é privativo da autoridade, e não uma atividade compartilhada com o sujeito passivo (CTN, art.142). Quanto ao cerceamento do direito de defesa decorrente da falta de intimações para esclarecimentos quanto a matéria lançada, a Recorrente, ao longo do seu recurso, demonstra claramente e detalhadamente que sabe sobre qual matéria foi autuada: O auto de infração apresenta a fundamentação fática e jurídica motivadoras da autuação, bem como as planilhas e documentos que demonstram que o Contribuinte não atendeu as condições para usufruir da suspensão do IPI nas aquisições de materiais de embalagens. Assim, diante do exposto, rejeito a preliminar de nulidade arguida. Mérito Fl. 838DF CARF MF 8 Na sua defesa, a Recorrente fez apenas parcas argumentações genéricas rebatendo o lançamento e em nenhum momento atacou a principal motivação do auto de infração que se constituiu pelo não cumprimento das condições para usufruir da suspensão do IPI, haja vista que não obteve receita bruta decorrente dos produtos listados no caput do artigo 29 da Lei nº 10.637/2002, superior a 60% de sua receita bruta total no período anterior a aquisição do material de embalagem adquirido com o IPI suspenso. Reproduzo a seguir as condições estabelecidas na referida lei para a empresa fazer jus a suspensão do IPI na aquisição de materiais de embalagem: Art. 29. As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28, 29, 30, 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados), sairão do estabelecimento industrial com suspensão do referido imposto. (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) § 1º. O disposto neste artigo aplicase, também, às saídas de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, quando adquiridos por: I estabelecimentos industriais fabricantes, preponderantemente, de: a) componentes, chassis, carroçarias, partes e peças dos produtos a que se refere o art. 1º da Lei n° 10.485, de 3 de julho de 2002; b) partes e peças destinadas a estabelecimento industrial fabricante de produto classificado no Capítulo 88 da Tipi; c) bens de que trata o § 1ºC do art. 4º da Lei nº 8.248, de 23 de outubro de 1991, que gozem do benefício referido no caput do mencionado artigo; (Incluído pela Lei nº 11.908, de 2009). II pessoas jurídicas preponderantemente exportadoras. § 2º O disposto no caput e no inciso I do § 1º aplicase ao estabelecimento industrial cuja receita bruta decorrente dos produtos ali referidos, no anocalendário imediatamente anterior ao da aquisição, houver sido superior a 60% (sessenta por cento) de sua receita bruta total no mesmo período. § 3º Para fins do disposto no inciso II do § 1º, considerase pessoa jurídica preponderantemente exportadora aquela cuja receita bruta decorrente de exportação para o exterior, no ano calendário imediatamente anterior ao da aquisição, tenha sido superior a 50% (cinquenta por cento) de sua receita bruta total de venda de bens e serviços no mesmo período, após excluídos os impostos e contribuições incidentes sobre a venda. (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) Fl. 839DF CARF MF Processo nº 11516.722588/201557 Acórdão n.º 3402005.464 S3C4T2 Fl. 836 9 ... § 7º Para os fins do disposto neste artigo, as empresas adquirentes deverão: I atender aos termos e às condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal; II declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atende a todos os requisitos estabelecidos. (grifei) Conforme determina o citado dispositivo legal, a empresa declarou ao vendedor, de forma expressa, que atendia a todos os requisitos estabelecidos para a suspensão. A fiscalização obteve as referidas declarações que, em suma, tem como conteúdo a informação de que atendem aos requisitos estabelecidos no caput do artigo 29 e § 2º (e/ou § 3º), da Lei nº 10.637/2002 e dos artigos 17, 19, 23 e 24 da Instrução Normativa da SRF nº 948/2009, que também não se enquadram no “SIMPLES”, bem como industrializou dolomita não calcinada nem sintetizada, denominada “crua” e carbonato de cálcio, dos códigos da TIPI 2518.10.00 e 2836.50.00, tendo nos anoscalendário de 2011, 2012 e 2013, receita bruta decorrente das operações com os produtos citados, superior a 60% (e/ou exportou mais de 80%), da receita bruta total no mesmo período. Ao conferir as informações prestadas, a Autoridade Tributária apurou que a MOCAL MOAGEIRA DE MINÉRIOS CACHOEIRO LTDA, CNPJ nº27.075.910/000602, industrializa calcário agrícola dolomítico e calcítico (calcário agrícola, conforme consta nas embalagens adquiridas da INPLAC), das posições 2518 e 2530 (posições NÃO contempladas no caput do art. 29 da Lei nº 10.637/2002 com o benefício da suspensão do IPI) e carbonato de cálcio, do código da TIPI 2836.50.00 (posição contemplada no caput do art. 29 da Lei nº 10.637/2002 com o benefício da suspensão do IPI), que nos anoscalendários de 2011, 2012 e 2013 representou, respectivamente 1,61% e 3,18% e 5,26% da totalidade da receita bruta do estabelecimento, conforme planilha constante nas fls.12 e 13, a seguir reproduzida: Fl. 840DF CARF MF 10 A fiscalização obteve os dados acima das notas fiscais eletrônicas (NFe) constantes do SPED (Sistema de Processamento Eletrônico de Dados). Comprovou, por meio das referidas NFe, que apenas pequena fração da receita bruta da empresa dos anos de 2011, 2012 e 2013, bem inferior aos 60%, se referiram aos produtos classificados na TIPI nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28, 29, 30, 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00. Restou comprovado, portanto, que o contribuinte utilizouse indevidamente da suspensão do IPI constante do caput do art.29 da Lei nº 10.637/2002 a fim de adquirir materiais de embalagens no período de 01/02/2012 a 31/08/2014 sem o destaque do IPI. Para tanto, fez dolosamente declarações falsas ao seu fornecedor de materiais de embalagens de que atendia todas as condições estabelecidas em lei para fazer jus ao referido benefício. O fato foi suficientemente comprovado pela fiscalização com vasta documentação, conforme acima relatado. Cabe ressaltar, ainda, que a outra condição alternativa para se fazer jus a suspensão do IPI, prevista no caput do art.29 e §3º da Lei nº 10.637/2002 (empresa preponderantemente exportadora) também não foi atendida, conforme a Autoridade Tributária afirma, in verbis: Analisando as Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJs de 2012, 2013 e 2014) e os CFOPs e Clientes das notas fiscais de vendas constatei que a fiscalizada, também NÃO é Pessoa Jurídica preponderantemente exportadora. (grifei) Conforme preceitua a referida lei, entendese por pessoa jurídica preponderantemente exportadora aquela cuja receita bruta decorrente de exportação para o exterior, no anocalendário imediatamente anterior ao da aquisição, tenha sido superior a 50% (cinquenta por cento) de sua receita bruta total de venda de bens e serviços no mesmo período, após excluídos os impostos e contribuições incidentes sobre a venda. (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012). A legislação do IPI relacionada a matéria atribui a responsabilidade pelo IPI não recolhido e penalidades aquele que não cumpriu as condicionantes da suspensão, conforme os arts.40 a 42 do RIPI/2010, in verbis: Art. 40. Somente será permitida a saída ou o desembaraço de produtos com suspensão do imposto quando observadas as normas deste Regulamento e as medidas de controle expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Fl. 841DF CARF MF Processo nº 11516.722588/201557 Acórdão n.º 3402005.464 S3C4T2 Fl. 837 11 Art. 41. O implemento da condição a que está subordinada a suspensão resolve a obrigação tributária suspensa. Art. 42. Quando não forem satisfeitos os requisitos que condicionaram a suspensão, o imposto tornarseá imediatamente exigível, como se a suspensão não existisse (Lei n° 4.502, de 1964, art. 9°, § 1°, e Lei n° 9.532, de 1997, art. 37, inciso II). § 1º Se a suspensão estiver condicionada à destinação do produto e a este for dado destino diverso do previsto, estará o responsável pelo fato sujeito ao pagamento do imposto e da penalidade cabível, como se a suspensão não existisse. § 2º Cumprirá a exigência: I o recebedor do produto, no caso de emprego ou destinação diferentes dos que condicionaram a suspensão; ou II o remetente do produto, nos demais casos. (grifei) O inciso VI do art. 25 do RIPI/2010, que dispõe sobre o pagamento do imposto como responsável, também reforça o entendimento de que a Recorrente deve ser responsabilizada pelo não pagamento do IPI indevidamente suspenso: “Art. 25. São obrigados ao pagamento do imposto como responsáveis: VI – os que desatenderem as normas e requisitos a que estiver condicionada a imunidade, a isenção ou a suspensão do imposto (Lei nº 4.502, de 1964, art. 9º, § 1º, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 37, inciso II); (grifei) Assim, entendo que deve ser mantido o lançamento de ofício contra a empresa recorrente, haja vista que ela foi a responsável pela falta de recolhimento do IPI na aquisição de materiais de embalagens posto que não atendeu as condições estabelecidas no artigo 29 e § 2º (e/ou § 3º), da Lei nº 10.637/2002 e dos artigos 17, 19, 23 e 24 da Instrução Normativa da SRF nº 948/2009. Quanto a multa qualificada de 150%, entendo que ficou comprovado nos autos que o Contribuinte cometeu conduta que se caracteriza como fraude, uma vez que teve a intenção deliberada de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento, nos termos do art.72 da Lei nº 4.502, de 1964. Restou comprovado nos autos que a empresa fez, de forma continuada e reiterada, declarações falsas afirmando ao seu fornecedor que se enquadraria nas condições de suspensão do IPI prevista no caput do art.29 e §2º da Lei nº 10.637/2002, quando, na verdade, a sua receita de venda de produtos beneficiados com a suspensão do IPI foi bem inferior a 60% da receita total do ano calendário imediatamente anterior ao da aquisição, conforme Fl. 842DF CARF MF 12 demonstrado anteriormente. Essa conduta ardilosa levou a falta de destaque e pagamento do IPI incidente sobre as vendas de materiais de embalagens do seu fornecedor, INPLAC INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS S.A, no período de 01/02/2012 a 31/08/2014. O contribuinte ainda fez considerações a respeito da inconstitucionalidade da multa de ofício aplicada, arguindo que tem caráter confiscatório, vedado pelo art.150, V, da Constituição Federal. O art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, veda expressamente a análise de constitucionalidade de lei ou decreto em julgamentos deste colegiado, excetuados aqueles casos previstos no próprio regimento, conforme transcrito: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da Advocacia Geral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. e) Súmula da Advocacia Geral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser Fl. 843DF CARF MF Processo nº 11516.722588/201557 Acórdão n.º 3402005.464 S3C4T2 Fl. 838 13 reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A questão da análise de constitucionalidade de lei também já foi sumulada pelo CARF, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. As Súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no artigo 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. A Recorrente questionou também a legalidade da aplicação da taxa SELIC para a correção do crédito tributário lançado. Não procede a alegação da Recorrente, uma vez que a aplicação da taxa SELIC nos débitos para com o Fisco Federal encontrase atualmente previsto pelo §3º do art.61 da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.(Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento (grifei). Ademais, a questão se encontra pacificada neste Colegiado por meio da Súmula CARF nº 4 que é de observância obrigatória pelos seus membros, in verbis: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Responsabilização do sócio da empresa como sujeito passivo solidário Fl. 844DF CARF MF 14 O sócio e a empresa alegam nulidade da responsabilização solidária, pois a fiscalização não provou a violação de qualquer das condutas previstas na capitulação legal da responsabilidade prevista no art.135, do CTN, bem como não comprovou os requisitos autorizadores de tal medida. A Fiscalização indicou no Termo de Responsabilidade Tributária os fundamentos da responsabilidade tributária imputada ao sócio da empresa, nos termos a seguir transcritos: Assim, a conduta, dolosa, reiterada, de apresentar declarações falsas ao vendedor dos insumos, sobre a preponderância dos produtos industrializados pelo estabelecimento, nos períodos anteriores aos das aquisições, para usufruir da suspensão do IPI, com o deliberado intuito de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou excluir ou modificar as características essenciais, de modo a evitar o pagamento do IPI devido caracteriza fraude fiscal. ... Os fatos descritos resumidamente acima e detalhados nos itens 4 e 5, do Termo de Ciência e Verificação Fiscal do IPI, demonstram que os atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, pelo sócio administrador da empresa fiscalizada, com a emissão de Declarações falsas ao vendedor, enseja a inclusão deste no polo passivo da obrigação tributária, com fundamento no art. 135, III, da Lei nº5.172/1966Código Tributário Nacional (CTN), c/c art.50 e 1.016 do Código Civil. Diante de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, materializado em falsas declarações e não destaque do IPI, fica evidente que a empresa Moncal não agiu sem a participação ativa do seu sócioadminstrador nas tomadas de decisão que levaram ao cometimento das condutas ilícitas. Isso indica que seu sócio concorreu para a prática da infração. Assim, deve ser mantida a responsabilidade passiva solidária do sócio administrador, o Sr. José Afonso Coelho. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado Digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 845DF CARF MF Processo nº 11516.722588/201557 Acórdão n.º 3402005.464 S3C4T2 Fl. 839 15 Fl. 846DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.691695/2009-67
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004
COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PROVA INSUFICIENTE.
A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a comprovação da ocorrência de erro na DCTF original.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
Numero da decisão: 3002-000.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PROVA INSUFICIENTE. A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a comprovação da ocorrência de erro na DCTF original. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 16 95 /2 00 9- 67 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.691695/200967 Acórdão n.º 3002000.245 S3C0T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de declaração de compensação na qual o contribuinte informa a ocorrência de pagamento indevido ou a maior de Cofins, relativo ao período de apuração julho/2004, e requer a compensação de R$ 13.470,69 com débitos também de Cofins (fls. 2 a 4). Por meio de despacho decisório à fl. 7, a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo decidiu pela não homologação da compensação por concluir que o crédito relativo ao Darf discriminado havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito para a realização de compensação. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade na qual esclareceu que, em decorrência de fiscalização realizada pela Receita Federal na sede da empresa em meados de 2007, foi orientada a não recolher os valores das contribuições dos regimes cumulativo e não cumulativo no mesmo Darf, como vinha fazendo, e que o erro deveria ser corrigido por meio de declaração de compensação, uma vez que não era possível desmembrar o Darf. O contribuinte informou, ainda, que apresentou a Per/Dcomp, mas se esqueceu de retificar a DCTF do período, o que gerou um débito que não existiria. Com a retificação da DCTF, a incorreção foi sanada, surgindo o crédito a ser utilizado na compensação (fls. 10 a 12). Instruiu sua manifestação de inconformidade com procuração e contrato social (fls. 13 a 32), cópia do Darf (fl. 33), cópia da Dcomp (fls. 34 a 39), cópia da DCTF retificadora (fls. 40 a 44) e cópia do Despacho Decisório (fl. 45). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo proferiu o Acórdão nº 1634.472 (fls. 47 a 54), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação, uma vez não carreado aos autos documentação hábil, idônea e suficiente para provar o que foi alegado, somado à comprovada incoerência entre as informações prestadas pelo contribuinte em Dacon e DCTF retificadora, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 13/08/2004 DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de defeito creditório disponível para fins de compensação. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. ALTERAÇÃO IMOTIVADA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.691695/200967 Acórdão n.º 3002000.245 S3C0T2 Fl. 4 3 preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Nesses termos, não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento e apresentação de DCTF Retificadora desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF anterior. DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) ativa na data da transmissão do PER/DCOMP, e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 12/12/2011, conforme Aviso de Recebimento constante à fl. 56, e protocolizou seu recurso voluntário em 20/12/2011, conforme carimbo no Recurso Voluntário, à fl. 57. O recurso voluntário é uma cópia da manifestação de conformidade, à qual se soma o argumento de que sua razão de pedir será comprovada pelo Dacon original anexado ao processo, concluindo com o protesto pela juntada de novos documentos e de nova manifestação, se necessário para a comprovação do alegado (fls. 57 a 77). É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. A discussão que chega a este Colegiado diz respeito à matéria de prova. Nos casos de solicitação de restituição, compensação e ressarcimento de crédito contra a Fazenda Nacional, o ônus probatório pertence ao requerente, conforme definido nas normas que regem o processo administrativo e o processo civil. Segundo o Código de Processo Civil em seu artigo 373, quanto ao fato constitutivo de seu direito, o ônus da prova incumbe ao autor. E, de maneira similar, dispõe o Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União: Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.691695/200967 Acórdão n.º 3002000.245 S3C0T2 Fl. 5 4 Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29 (Lei nº 9.784, de 1999, art. 36). (grifado) Assim, não resta dúvida de que o ônus probatório recai sobre a recorrente, que jamais alegou o contrário e vem tentando se desincumbir de sua obrigação. A discussão tem se resumido a definir se os elementos apresentados seriam suficientes para demonstrar o que se pleiteia. Relembrando o histórico destes autos, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade acompanhada apenas da DCTF, retificada após o Despacho Decisório. Por sua vez, a DRJ decidiu analisar o Dacon original, transmitido antes do pedido de compensação, e concluiu que ele contradizia a DCTF retificadora e as alegações do sujeito passivo. Na ausência de quaisquer outros documentos probatórios, decidiuse pelo não provimento da manifestação de inconformidade. Por fim, o contribuinte juntou a seu recurso voluntário esse mesmo Dacon analisado pela DRJ, afirmando tratarse de prova suficiente. Contudo, este processo possui uma particularidade que é a natureza da alegação quanto aos motivos de direito: a compensação visaria apenas a fazer um acerto contábil entre a Cofins cumulativa e a nãocumulativa. Não haveria de fato nenhum pagamento a maior ou indevido, mas a alocação equivocada da parcela relativa ao regime cumulativo no código da nãocumulativo no momento do pagamento, um erro de preenchimento de Darf que, aparentemente, estaria presente também na DCTF original. Diante dessa peculiaridade, o relator considerou que, neste caso específico, consideraria suficiente para a demonstração do direito a existência de Dacon original, anterior à transmissão do PER/Dcomp, que confirmasse as retificações promovidas na DCTF. Frisese que o Dacon não foi apresentado pelo contribuinte, mas consultado pelo relator diretamente nos sistemas da Receita Federal, dentro da liberdade relativa da qual dispõe um julgador para definir os documentos necessários para a formação de sua convicção. 7. Neste ponto, importante destacar que o Contribuinte não apresentou em sua Manifestação de Inconformidade quaisquer documentos que pudessem demonstrar a pertinência das alterações efetuadas por meio da DCTF retificadora entregue após o Despacho Decisório. Para os fins pretendidos pela Requerente, permaneceria a necessidade de comprovar, por meio de documentos contábeisfiscais idôneos, a origem dos valores declarados e a composição da base de cálculo dos tributos confessados. 7.1. No entanto, considerando as informações constantes do processo administrativo, há que se ressaltar a característica peculiar do pretendido pelo Contribuinte com a apresentação da presente declaração de compensação: (...) 7.2. Nesses termos, considerando a alegada intenção do Contribuinte em regularizar as declarações entregues à RFB, adotase como suficiente, no presente caso, que a DCTF Retificadora se apresente em consonância com outras Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.691695/200967 Acórdão n.º 3002000.245 S3C0T2 Fl. 6 5 declarações entregues pelo Sujeito Passivo antes da transmissão do PER/DCOMP sob análise, o que demonstraria uma coerência das informações prestadas ao Fisco. 7.3. Nesta linha de raciocínio, uma vez que a apuração do tributo em discussão (Cofins) é demonstrada mensalmente por meio do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), a comparação entre a DCTF Retificadora e o citado demonstrativo forneceriam elementos para a formação de convicção sobre a procedência do quanto solicitado, neste caso específico no qual o Contribuinte pretende a redistribuição entre as sistemáticas cumulativa e nãocumulativa da Cofins. Neste ponto, é importante lembrar que uma declaração, genericamente falando, é um conjunto de informações que espelham – ou deveriam espelhar – fatos reais que, uma vez ocorridos, ensejam o pagamento de tributos. A declaração expressa a visão do declarante sobre um fato. Não é o fato em si, não gera o fato e, por isso, não faz prova inequívoca de sua existência quando apresentada isoladamente, sem documentos idôneos que a sustentem. Igualmente, a constatação de informações idênticas em duas declarações não faz prova irrefutável do fato que elas representam, mas apenas demonstra a existência de coerência entre elas, como apontado pelo relator. Coerência entre declarações não implica necessariamente fidedignidade no seu conteúdo. Significa com certeza um bom indício de correção, pode até ser um indício forte do direito, mas que resta a ser demonstrado, regra geral por meio de documentação contábilfiscal, pois a certeza do crédito é imprescindível para fins de autorização da compensação, assim como a certeza do erro é imprescindível para fins de reconhecimento da alteração em uma confissão de dívida com vistas a reduzir tributo. Por esse motivo, embora compreenda a lógica adotada no julgamento de primeira instância e concorde que ela possa ser utilizada, ouso discordar de sua aplicação neste caso em virtude das inúmeras inconsistências apuradas, sobre as quais discorro a seguir. O contribuinte justifica seu pedido de compensação como decorrente de uma exigência da Fiscalização, mas em nenhum momento comprova que de fato existiu essa demanda. Juntou à manifestação de inconformidade um Darf pago, com anotações à mão do valor a ser transferido de um código de receita para outro, que nada prova. Se o problema era apenas o recolhimento da Cofins no código de receita errado, porque agrupado o valor de dois códigos em apenas um, era de se esperar que a DCTF estivesse correta – o cálculo da contribuição devida em cada regime deveria estar correto. Se não está, então o problema pode ser outro que não a simples alocação de tributo em código errado no Darf. No caso em tela, temos inicialmente divergência entre a DCTF original e o Per/Dcomp, com posterior retificação da DCTF para adequála às informações constantes na compensação. Neste cenário, cabe ao contribuinte submeter à apreciação da Administração Tributária documentos que mostrem quais receitas e despesas o autorizam a afirmar que o débito é menor do que aquele declarado. A DCTF constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito, conforme dispõe o DecretoLei nº 2.124, de 1984. Sua alteração visando a diminuir o tributo deve estar amparada em documentação, como previsto no CTN: Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.691695/200967 Acórdão n.º 3002000.245 S3C0T2 Fl. 7 6 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifado) Além da divergência entre a DCTF original e o Per/Dcomp, o relator do acórdão da DRJ constata que existe também divergência entre a DCTF retificadora e o Dacon. No Demonstrativo, o débito total de Cofins é superior ao que consta na retificadora, o que atesta a incoerência entre as informações prestadas pelo contribuinte. Como não há nenhum outro documento para amparar as alegações do contribuinte, conclui o relator que não pode ser acatada a retificação nem homologada a compensação. Transcrevese o resultado da análise: (a) O DACON foi entregue e recepcionado pelos sistemas à disposição da RFB em 29/10/2004, antes da data de transmissão do presente PER/DCOMP; (b) O Contribuinte apurou, no DACON, um débito de Cofins nãocumulativo no valor de R$ 87.830,52, enquanto declarou na DCTF retificadora (entregue em 04/12/2009) um débito de R$ 75.259,63; (c) O Contribuinte apurou, no DACON, um débito de Cofins cumulativo no valor de R$ 13.470,69, enquanto declarou na DCTF retificadora (entregue em 04/12/2009) um débito de R$ 13.470,69; 7.6. Do exposto, constatase que as informações apresentadas pelo Contribuinte na DCTF retificadora do período de apuração 07/2004 estão em desacordo com o respectivo Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais. 7.7. Assim, considerando as características específicas do presente PER/DCOMP (redistribuição dos valores apurados entre as sistemáticas cumulativa e nãocumulativa da Cofins), comprovada a incoerência entre as informações prestadas pelo Contribuinte em DACON e DCTF Retificadora, e não tendo justificado as alterações produzidas por esta última com documentação hábil, idônea e suficiente, a retificação dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada, pelo que se mantém correta a não homologação da compensação pretendida. (grifado) Considerando o argumento do contribuinte de que a compensação teria sido efetuada apenas para transferir valores entre diferentes códigos de Cofins, o valor total dos débitos de Cofins deveria ser o mesmo, seja na DCTF original, seja na retificadora, seja no Dacon. Em não sendo, deduzimos que a inconsistência já existia desde a transmissão da DCTF original, o que nos impede de saber qual das declarações reflete a realidade. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.691695/200967 Acórdão n.º 3002000.245 S3C0T2 Fl. 8 7 A isso se some que foram distribuídos a esta relatora não apenas este, mas um lote de 10 processos, idênticos, alterandose apenas o período considerado. Na análise do processo nº 10880.691705/200964, vêse que o Dacon foi transmitido apesar de o sistema apontar 12 erros no seu preenchimento, erros não impeditivos da transmissão, mas relevantes quanto ao conteúdo. Nesse Dacon, alocouse a quase totalidade das receitas no regime cumulativo, em contradição com os demais 9 processos, nos quais predominam receitas no regime nãocumulativo, e em contradição com a base de cálculo do PIS/Pasep do mesmo mês, entre outros problemas. É sabido que a base de cálculo das contribuições se compõem das mesmas receitas, não sendo razoável persistir divergência dessa natureza após o aviso de erro dado pelo sistema. Tal constatação sugere um certo desmazelo na prestação de informações para a Receita Federal e acentua a incerteza quanto à fidedignidade do conteúdo das declarações juntadas a estes processos. Do conjunto de inconsistências encontradas nas diversas declarações e processos do sujeito passivo, fica a convicção de que qualquer alegação desprovida de prova documental não pode ter guarida neste julgamento. Surpreendentemente, no recurso voluntário é exatamente o Dacon analisado pelo relator, fundamento para a negativa de provimento, que a recorrente junta a título de prova. Os valores ali constantes demonstram a improcedência das suas alegações, bem como a incoerência entre a retificação da DCTF e o cálculo da contribuição, como apontado pela DRJ. Entretanto, devo frisar que, mesmo que seu conteúdo estivesse em perfeita harmonia com a DCTF retificadora, em meu entendimento não estaria demonstrado o direito, tendo em vista tudo o que se explanou anteriormente. Considerando que nem a DCTF e nem o Dacon respaldam o pedido de compensação e que nenhum outro documento foi trazido a título de prova, não há como autorizála. Quanto ao pedido para a juntada posterior de novos documentos e de nova manifestação, não há previsão legal para tal procedimento. Regra geral, o contribuinte deve demonstrar o seu direito na manifestação de inconformidade, em obediência ao Decreto nº 70.235, de 1972, que assim institui: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.691695/200967 Acórdão n.º 3002000.245 S3C0T2 Fl. 9 8 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (grifado) A recorrente instruiu seu recurso voluntário com o Dacon, que foi conhecido e analisado, já que em primeira instância seu conteúdo havia sido utilizado como fundamento de decidir – alínea “c” do § 4º do art. 16 do PAF. Contudo, não há previsão legal para a produção futura de provas. Uma vez não comprovada a ocorrência de alocação indevida de parcela da Cofins cumulativa no código da nãocumulativa e não justificadas as alterações promovidas na DCTF, não reconheço o direito à compensação. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.722753/2011-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 27 53 /2 01 1- 12 Fl. 622DF CARF MF Processo nº 11080.722753/201112 Acórdão n.º 9202006.760 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.733, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.733): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 623DF CARF MF Processo nº 11080.722753/201112 Acórdão n.º 9202006.760 CSRFT2 Fl. 4 3 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n. 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento Fl. 624DF CARF MF Processo nº 11080.722753/201112 Acórdão n.º 9202006.760 CSRFT2 Fl. 5 4 e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 625DF CARF MF Processo nº 11080.722753/201112 Acórdão n.º 9202006.760 CSRFT2 Fl. 6 5 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 626DF CARF MF Processo nº 11080.722753/201112 Acórdão n.º 9202006.760 CSRFT2 Fl. 7 6 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 627DF CARF MF Processo nº 11080.722753/201112 Acórdão n.º 9202006.760 CSRFT2 Fl. 8 7 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 628DF CARF MF Processo nº 11080.722753/201112 Acórdão n.º 9202006.760 CSRFT2 Fl. 9 8 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Fl. 629DF CARF MF Processo nº 11080.722753/201112 Acórdão n.º 9202006.760 CSRFT2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 630DF CARF MF
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Numero do processo: 15889.000290/2010-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2007 a 10/12/2007
DÉBITOS DE IPI NÃO DECLARADOS EM DCTF E INFORMADOS EM DIPJ. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Diante da ausência de declaração em DCTF, que constitui instrumento hábil à exigência do crédito tributário declarado, é legítima lavratura do auto de infração, com base nos débitos informados em DIPJ. A DCTF possui natureza de confissão de dívida, enquanto a DIPJ possui caráter apenas informativo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 10/12/2007 DÉBITOS DE IPI NÃO DECLARADOS EM DCTF E INFORMADOS EM DIPJ. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Diante da ausência de declaração em DCTF, que constitui instrumento hábil à exigência do crédito tributário declarado, é legítima lavratura do auto de infração, com base nos débitos informados em DIPJ. A DCTF possui natureza de confissão de dívida, enquanto a DIPJ possui caráter apenas informativo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 02 90 /2 01 0- 09 Fl. 100DF CARF MF Processo nº 15889.000290/201009 Acórdão n.º 3301004.658 S3C3T1 Fl. 101 2 Relatório Tratase auto de infração de IPI (efls. 28 a 41), lavrado em virtude de: Em procedimento de Revisão da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, exercício de 2008 ano calendário 2007, foram apurados SALDOS DEVEDORES de IPI, em várias dezenas daquele período, (Ficha 20 decêndios – xerocópia anexa fls. 08 a 14), inexistindo quaisquer recolhimentos daqueles débitos, nem entrega das DCTF's correspondentes. Em impugnação, a empresa sustentou que: 1 Há nulidade do auto de infração, por ausência de um número de identificação; 2 Não há que se falar em ausência de declaração DCTF, uma vez que os débitos foram declarados na DIPJ; 3 A DIPJ supre a ausência de declaração DCTF; 4 A legislação que instituiu a DCTF é inconstitucional e 5 Não é devida a multa de ofício de 75%; Ao final, fez os seguintes requerimentos: A) Seja afastado na integridade por vício no ato administrativo ausência de número de identificação do AI; B) Na hipótese de superação da preliminar por todo exposto, a ora Impugnante vem mui respeitosamente requer que seja o Auto de Infração, seja retificado, retirando o percentual da multa de oficio no importe de 75% e aplicando tão somente a multa de mora que atinge o montante máximo de 20 %. A 8ª Turma da DRJ/RPO, no Acórdão nº 1444.254, julgou procedente o lançamento, com decisão foi assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 10/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. A falta de indicação de sua numeração não implica nulidade da autuação. MULTA DE OFÍCIO E INSTITUIÇÃO DA DCTF. APRECIAÇÃO DE MATÉRIA CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 15889.000290/201009 Acórdão n.º 3301004.658 S3C3T1 Fl. 102 3 No âmbito de processo administrativo, descabe a apreciação de matéria constitucional, como pressuposto para afastar a aplicação da legislação em vigor. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 10/12/2007 IPI. VALORES NÃO INFORMADOS NA DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Os valores não declarados em DCTF devem ser objeto de lançamento por meio de auto de infração, com a finalidade de constituir o crédito tributário. MULTA DE OFÍCIO. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA E INTENÇÃO DO AGENTE. A responsabilidade por infrações, pressuposto da aplicação de multa de ofício, em princípio independe da intenção do agente. Em recurso voluntário, a empresa repisa os exatos termos de sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Preliminar Alega a Recorrente a nulidade do auto de infração, por ausência da indicação do um número do auto de infração. Não há razão no argumento. O lançamento tributário deve atender aos requisitos fixados no art. 142 do CTN, combinado com os art. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/1972, verbis: CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, Fl. 102DF CARF MF Processo nº 15889.000290/201009 Acórdão n.º 3301004.658 S3C3T1 Fl. 103 4 identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Decreto nº 70.235/72 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura. III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumpri la ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Outrossim, a autuação está fundamentada nos dispositivos legais que a regem e a descrição dos fatos já conduz às situações jurídicas que desencadearam o lançamento, pois a narração é clara, não deixando dúvida quanto ao fato imputado, o que permitiu à empresa identificar o fundamento da exigência fiscal. Comprovouse que a Recorrente foi intimada de todos os atos, bem como foi exercido o amplo direito de defesa mediante contraditório regularmente instaurado, tendo sido ofertada a impugnação ao lançamento e apresentado o presente recurso voluntário. Logo, restando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, e estando presentes nos autos todos os documentos que serviram de base para a autuação sob exame, não há que se falar em nulidade. Portanto, voto por não acolher a preliminar. Mérito Como relatado, a empresa foi autuada em decorrência de procedimento de Revisão da DIPJ, exercício de 2008 (ano calendário 2007), que apurou saldos devedores de IPI, Fl. 103DF CARF MF Processo nº 15889.000290/201009 Acórdão n.º 3301004.658 S3C3T1 Fl. 104 5 de vários decêndios desse período. Não houve recolhimento e, tampouco, a entrega das DCTF correspondentes. Entende a Recorrente que a DCTF é inconstitucional, porque foi criada por Instrução Normativa, bem como não é válida a delegação de competência do Ministro da Fazenda ao Secretário da Receita Federal para instituir tal declaração. Por isso, teria havido violação dos princípios da legalidade, separação dos poderes e indelegabilidade da competência tributária. Ocorre que tais argumentos, além de desarrazoados, sequer podem ser conhecidos, nos termos do art. 62, caput do RICARF e da Súmula n° 2 do CARF. De toda sorte, ressaltese que, nos termos da Lei n° 9.779/1999, art. 16, a competência para instituição de obrigações acessórias é sim do Secretário da Receita Federal: Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Por sua vez, não merece acolhida o argumento de que não se pode considerar os débitos de IPI como não declarados, porque já declarados em DIPJ. A declaração em DIPJ não supre a ausência de DCTF. Isso porque, a DCTF possui natureza de confissão de dívida, enquanto a DIPJ possui caráter informativo. Assim, diante da ausência de declaração em DCTF, que constitui instrumento hábil à exigência do crédito tributário declarado, é legítima lavratura do auto de infração, com base nos débitos informados em DIPJ. A decisão de piso foi cristalina e precisa ao refutar os argumentos da Recorrente. Concordo com a integralidade de seus termos (Art. 50, § 1°, da Lei n° 9.784/1999): Ademais, inexiste uma decisão sequer do Superior Tribunal de Justiça que tenha considerado a DCTF ilegal. Pelo contrário, em inúmeras decisões, o STJ considerou legal a declaração, tendo decidido, no REsp 1.120.295/SP, Rel. Min. Luiz Fux, submetido ao rito dos recursos repetitivos, nos termos do art. 543C do CPC e da Resolução 8/2008 do STJ, que a DCTF é modo de constituição do crédito tributário. Portanto, a DCTF é instrumento válido de constituição do crédito tributário e, na sua ausência, inexistindo outro meio para tanto, tem que ser efetuado lançamento pela autoridade fiscal. A Declaração Integrada de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ foi instituída originalmente pela Instrução Normativa SRF n° 127, de 1998, com base no art. 5º do mencionado Decretolei, mas não com efeito de comunicação formal da existência do crédito tributário e, sim, com finalidade informativa, conforme seu art. 5º. De fato, a DIPJ traz informações gerais sobre a apuração dos tributos e contribuições mencionados no art. 5º da IN citada, mas não permite ao Fisco saber se os valores informados são ou não devidos. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 15889.000290/201009 Acórdão n.º 3301004.658 S3C3T1 Fl. 105 6 Para esse fim foi instituída a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, regulada, para o anocalendário de 2007, pela IN SRF n° 695, de 2006. O art. 9º da referida IN elencou os tributos e contribuições que deveriam ser informados em DCTF e o art. 11 estabeleceu como as informações seriam tratadas, esclarecendo o seguinte no seu § 1º: §1º Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, bem assim os valores das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), com os acréscimos moratórios devidos. Daí se conclui que, ao contrário da DIPJ, a DCTF não tem caráter meramente informativo, pois os saldos a pagar e as diferenças apuradas em auditoria interna poderiam ser inscritos em dívida ativa. Dessa forma, a DCTF enquadrase na disposição do art. 5º, § 1º, do Decreto lei n° 2.124, de 1084, mas não a DIPJ. Vejase que a DCTF, nesse aspecto, traz informações completas sobre o crédito tributário, indicando o valor apurado e trazendo informações sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, de forma que a Receita Federal tem condições de saber se o crédito é exigível ou não. Sem esse conhecimento, não seria possível inscrever o débito em dívida ativa, pois não haveria liquidez e certeza, conforme exigido pelo Código Tributário Nacional, art. 204. Assim, como no caso dos presentes autos, é necessário um procedimento de fiscalização, por meio do qual se apuram as razões da falta de declaração em DCTF e, além disso, se há algum óbice à constituição ou cobrança do crédito tributário. Portanto, o auto de infração é cabível no presente caso. Quanto à aplicação da multa de ofício, melhor sorte não assiste ao contribuinte. A multa teve como fundamento o art. 80, caput, da Lei nº 4.502/64: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. Todos os traços da multa aplicada estão previstos em lei, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. De acordo com o parágrafo único do art. 142 do CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 15889.000290/201009 Acórdão n.º 3301004.658 S3C3T1 Fl. 106 7 Dessa forma, se constatada a hipótese legal da aplicação da multa de ofício, a falta de recolhimento do IPI, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.721982/2012-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS PROBATÓRIO. FATOS MODIFICATIVOS, EXTINTIVOS E IMPEDITIVOS. LANÇAMENTO. SUJEITO PASSIVO.
Consoante art. 373, II do Código de Processo Civil (2015), utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, a incumbência da prova quanto aos fatos impeditivos, modificativos e extintivos em que se funda o direito, em se tratando de exigência de crédito tributário, é do sujeito passivo da obrigação tributária.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
A não-cumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços.
INSUMO. CONCEITO.
Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividade-fim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo não-circulante, hipótese em que já previsão específica de apropriação.
GASTOS COM FORMAÇÃO DE FLORESTAS. ATIVO IMOBILIZADO. IMPOSSIBILIDADE DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO COMO INSUMO POR EXPRESSA PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO SOBRE EXAUSTÃO
Os gastos relacionados à semeadura, florestamento e reflorestamento, tendo em vista o longo ciclo de produção do eucalipto e congêneres, usados como matéria-prima na produção de celulose, não há como admitir o crédito como insumo. Tratam-se de dispêndios para formação de florestas, devendo-se aplicar as regras atinentes ao ativo imobilizado. Como se trata de extração de madeira, a depleção desse ativo imobilizado é caracterizada como exaustão, cuja despesa não confere direito a crédito por ausência de previsão legal.
GASTOS COM MANUTENÇÃO DO ATIVO FLORESTAL. POSSIBILIDADE DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO COMO INSUMO
Gastoso com aplicação aérea de inseticida e a manutenção dos carreadouros são serviços decorrentes do florestamento, e não preparatórios a esse, devendo ser tratados como atividades de manutenção do ativo florestal. Dessa forma, consoante entendimento consolidado da matéria, os gastos com manutenção do ativo operacional devem ser tratados como insumos para fins apropriação de crédito das contribuições sociais não-cumulativas.
APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. DESPESAS DE CAPATAZIA. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
As despesas de capatazia, ainda que relevantes à atividade comercial do contribuinte, não podem ser qualificadas como fretes na operação de venda, dada a distinção jurídica entre ambos, tampouco admissível como insumo, nos moldes do art. 3º, II das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, porque são custos incorridos após a fase de produção/fabricação, de modo que a apropriação de créditos nessa hipótese carece de respaldo legal.
Numero da decisão: 3401-005.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Em relação ao recurso voluntário, deu-se parcial provimento; (i) por unanimidade de votos, para reverter as glosas sobre; (i1) paletes, estrados, bases e tampas de madeira e arames galvanizados não registrados no ativo não circulante; (i2) Serviços de Movimentação Interna e Logística; (i3) "Limpeza do Pátio/Forno", Prestação Serviço Limpeza, Limpeza Pátio de Madeira/Caustificação, Serviços de Conservação Fabril, Serviços de Limpeza/Caustificação, Manutenção em Balança, Serviços Sazonal de Balanças, Serviços de Balança e Expedição", e "Serviços de Monitoramento relacionados à área ambiental/florestal, e de produção; (i4) traçamento, desgalhamento, corte de madeira, aplicação aérea de inseticida, e manutenção de carreadouros; e (i5) Créditos de Períodos Anteriores, inclusive energia elétrica; e (ii) por maioria de votos, para reconhecer o cabimento da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os conselheiros André Henrique Lemos, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. O relator propunha ainda a reversão da glosa em relação a "Serviços de Capatazia" e "Transporte Marítimo", mas, nesses itens foi vencido, ao lado do conselheiro André Henrique Lemos, e, pelas conclusões (no que se refere a Serviços de Capatazia), dos conselheiros Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (mantida a autuação, nesse item, por voto de qualidade). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Robson José Bayerl. Os conselheiros Robson José Bayerl e Rosaldo Trevisan acompanharam o relator pelas conclusões no que se refere às menções a "custos indiretos".
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
(assinado digitalmente)
TIAGO GUERRA MACHADO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Cassio Schappo, Lázaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS PROBATÓRIO. FATOS MODIFICATIVOS, EXTINTIVOS E IMPEDITIVOS. LANÇAMENTO. SUJEITO PASSIVO. Consoante art. 373, II do Código de Processo Civil (2015), utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, a incumbência da prova quanto aos fatos impeditivos, modificativos e extintivos em que se funda o direito, em se tratando de exigência de crédito tributário, é do sujeito passivo da obrigação tributária. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. A não-cumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. INSUMO. CONCEITO. Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividade-fim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo não-circulante, hipótese em que já previsão específica de apropriação. GASTOS COM FORMAÇÃO DE FLORESTAS. ATIVO IMOBILIZADO. IMPOSSIBILIDADE DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO COMO INSUMO POR EXPRESSA PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO SOBRE EXAUSTÃO Os gastos relacionados à semeadura, florestamento e reflorestamento, tendo em vista o longo ciclo de produção do eucalipto e congêneres, usados como matéria-prima na produção de celulose, não há como admitir o crédito como insumo. Tratam-se de dispêndios para formação de florestas, devendo-se aplicar as regras atinentes ao ativo imobilizado. Como se trata de extração de madeira, a depleção desse ativo imobilizado é caracterizada como exaustão, cuja despesa não confere direito a crédito por ausência de previsão legal. GASTOS COM MANUTENÇÃO DO ATIVO FLORESTAL. POSSIBILIDADE DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO COMO INSUMO Gastoso com aplicação aérea de inseticida e a manutenção dos carreadouros são serviços decorrentes do florestamento, e não preparatórios a esse, devendo ser tratados como atividades de manutenção do ativo florestal. Dessa forma, consoante entendimento consolidado da matéria, os gastos com manutenção do ativo operacional devem ser tratados como insumos para fins apropriação de crédito das contribuições sociais não-cumulativas. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. DESPESAS DE CAPATAZIA. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. As despesas de capatazia, ainda que relevantes à atividade comercial do contribuinte, não podem ser qualificadas como fretes na operação de venda, dada a distinção jurídica entre ambos, tampouco admissível como insumo, nos moldes do art. 3º, II das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, porque são custos incorridos após a fase de produção/fabricação, de modo que a apropriação de créditos nessa hipótese carece de respaldo legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Em relação ao recurso voluntário, deu-se parcial provimento; (i) por unanimidade de votos, para reverter as glosas sobre; (i1) paletes, estrados, bases e tampas de madeira e arames galvanizados não registrados no ativo não circulante; (i2) Serviços de Movimentação Interna e Logística; (i3) "Limpeza do Pátio/Forno", Prestação Serviço Limpeza, Limpeza Pátio de Madeira/Caustificação, Serviços de Conservação Fabril, Serviços de Limpeza/Caustificação, Manutenção em Balança, Serviços Sazonal de Balanças, Serviços de Balança e Expedição", e "Serviços de Monitoramento relacionados à área ambiental/florestal, e de produção; (i4) traçamento, desgalhamento, corte de madeira, aplicação aérea de inseticida, e manutenção de carreadouros; e (i5) Créditos de Períodos Anteriores, inclusive energia elétrica; e (ii) por maioria de votos, para reconhecer o cabimento da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os conselheiros André Henrique Lemos, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. O relator propunha ainda a reversão da glosa em relação a "Serviços de Capatazia" e "Transporte Marítimo", mas, nesses itens foi vencido, ao lado do conselheiro André Henrique Lemos, e, pelas conclusões (no que se refere a Serviços de Capatazia), dos conselheiros Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (mantida a autuação, nesse item, por voto de qualidade). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Robson José Bayerl. Os conselheiros Robson José Bayerl e Rosaldo Trevisan acompanharam o relator pelas conclusões no que se refere às menções a "custos indiretos". (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN - Presidente. (assinado digitalmente) TIAGO GUERRA MACHADO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Cassio Schappo, Lázaro Antonio Souza Soares.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS PROBATÓRIO. FATOS MODIFICATIVOS, EXTINTIVOS E IMPEDITIVOS. LANÇAMENTO. SUJEITO PASSIVO. Consoante art. 373, II do Código de Processo Civil (2015), utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, a incumbência da prova quanto aos fatos impeditivos, modificativos e extintivos em que se funda o direito, em se tratando de exigência de crédito tributário, é do sujeito passivo da obrigação tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 NÃOCUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. A nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. INSUMO. CONCEITO. Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividadefim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo nãocirculante, hipótese em que já previsão específica de apropriação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 19 82 /2 01 2- 01 Fl. 6214DF CARF MF 2 GASTOS COM FORMAÇÃO DE FLORESTAS. ATIVO IMOBILIZADO. IMPOSSIBILIDADE DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO COMO INSUMO POR EXPRESSA PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO SOBRE EXAUSTÃO Os gastos relacionados à semeadura, florestamento e reflorestamento, tendo em vista o longo ciclo de produção do eucalipto e congêneres, usados como matériaprima na produção de celulose, não há como admitir o crédito como insumo. Tratamse de dispêndios para formação de florestas, devendose aplicar as regras atinentes ao ativo imobilizado. Como se trata de extração de madeira, a depleção desse ativo imobilizado é caracterizada como exaustão, cuja despesa não confere direito a crédito por ausência de previsão legal. GASTOS COM MANUTENÇÃO DO ATIVO FLORESTAL. POSSIBILIDADE DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO COMO INSUMO Gastoso com aplicação aérea de inseticida e a manutenção dos carreadouros são serviços decorrentes do florestamento, e não preparatórios a esse, devendo ser tratados como atividades de manutenção do ativo florestal. Dessa forma, consoante entendimento consolidado da matéria, os gastos com manutenção do ativo operacional devem ser tratados como insumos para fins apropriação de crédito das contribuições sociais nãocumulativas. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. DESPESAS DE CAPATAZIA. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. As despesas de capatazia, ainda que relevantes à atividade comercial do contribuinte, não podem ser qualificadas como “fretes na operação de venda”, dada a distinção jurídica entre ambos, tampouco admissível como insumo, nos moldes do art. 3º, II das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, porque são custos incorridos após a fase de produção/fabricação, de modo que a apropriação de créditos nessa hipótese carece de respaldo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Em relação ao recurso voluntário, deuse parcial provimento; (i) por unanimidade de votos, para reverter as glosas sobre; (i1) paletes, estrados, bases e tampas de madeira e arames galvanizados não registrados no ativo não circulante; (i2) Serviços de Movimentação Interna e Logística; (i3) "Limpeza do Pátio/Forno", “Prestação Serviço Limpeza”, “Limpeza Pátio de Madeira/Caustificação”, “Serviços de Conservação Fabril”, “Serviços de Limpeza/Caustificação”, “Manutenção em Balança”, “Serviços Sazonal de Balanças”, “Serviços de Balança e Expedição", e "Serviços de Monitoramento” relacionados à área ambiental/florestal, e de produção; (i4) traçamento, desgalhamento, corte de madeira, aplicação aérea de inseticida, e manutenção de carreadouros; e (i5) Créditos de Períodos Anteriores, inclusive energia elétrica; e (ii) por maioria de votos, para reconhecer o cabimento da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os conselheiros André Henrique Lemos, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. O relator propunha ainda a reversão da glosa em relação a "Serviços de Capatazia" e "Transporte Marítimo", mas, nesses itens foi vencido, ao lado do conselheiro André Henrique Lemos, e, pelas conclusões (no que se refere a Serviços de Capatazia), dos conselheiros Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (mantida a autuação, nesse item, por voto de qualidade). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Robson José Bayerl. Os Fl. 6215DF CARF MF Processo nº 10865.721982/201201 Acórdão n.º 3401005.082 S3C4T1 Fl. 6.185 3 conselheiros Robson José Bayerl e Rosaldo Trevisan acompanharam o relator pelas conclusões no que se refere às menções a "custos indiretos". (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente. (assinado digitalmente) TIAGO GUERRA MACHADO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Cassio Schappo, Lázaro Antonio Souza Soares. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 6095 e seguintes) contra decisão da 4ª Turma, DRJ/RPO, que considerou procedente, em parte, as razões da Recorrente em sua impugnação referente à insuficiência de créditos da contribuição para o PIS/PASEP, no período de 01.01.2009 a 01.12.2010, para compensação via DCOMP. Do Lançamento de Ofício Naquela ocasião, a D. Fiscalização exigiu crédito tributário (fls. 631 e seguintes) de R$6.354.790,92 (seis milhões, trezentos e cinquenta e quatro mil, setecentos e noventa reais e noventa e dois centavos), mais consectários de mora, totalizando a exigência em R$ 12.557.300,15 (doze milhões, quinhentos e cinquenta e sete mil, trezentos reais e quinze centavos) em razão da insuficiência de recolhimento da contribuição para o PIS/PASEP, no período de 01.01.2009 a 01.12.2010. Os créditos glosados foram referentes a: · Bens e serviços que não se enquadram na definição legal de insumo. · Serviços realizados com a formação de florestas, que, por sua natureza, a fiscalização entendeu que integram o imobilizado da empresa. Fl. 6216DF CARF MF 4 · Serviços de capatazia nas operações de exportação, glosados por falta de previsão legal para utilização como crédito da não cumulatividade. · Serviços de transporte marítimo, glosados pelo fato de a contribuinte não discriminar os gastos referentes a serviços de transporte, capatazia e agenciamento de transporte e capatazia, de modo a se identificar os gastos com fretes na venda arcados pelo vendedor, cujos créditos são permitidos pela legislação, dos demais que não geram créditos. Também de acordo com os termos de vendas, segundo a fiscalização, ficaria claro que o vendedor (a Recorrente) não tem a responsabilidade pelo transporte marítimo, o que caracterizaria mais uma vez que não há direito ao crédito relativo ao frete. · Despesas com energia elétrica referentes a períodos anteriores, bem assim gastos nesse item informados a maior. · Despesas de aluguéis, glosados por tratarse de imóvel destinado a escritório administrativo, comercial e recursos humanos da empresa, não tendo, portanto, relação com o processo produtivo da contribuinte. · Bens do ativo imobilizado, glosados por falta de detalhamento quanto à origem dos valores. Da Impugnação A Contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório, em 27.07.2012 (fl.641), e apresentou defesa (fls. 1281e seguintes), alegando, em síntese, que o conceito de insumo para créditos de PIS e Cofins não deve ser restringido ao conceito vinculado à legislação do IPI, que a glosa dos créditos foi indevida uma vez que todos os materiais e serviços dos quais a contribuinte se creditou são insumos utilizados integralmente no processo produtivo, conforme demonstrado em tópicos detalhados da impugnação, bem como com apresentação de imagens e planilhas. Em 30/04/2013, a Recorrente apresentou Aditivo à Impugnação (nos autos do processo 10865.721982/201201, fls 2302 e seguintes) para comprovar a entrega de documentos e reiterar o pedido para que seja realizada diligência. Deste aditivo destacamos os seguintes excertos: Fl. 6217DF CARF MF Processo nº 10865.721982/201201 Acórdão n.º 3401005.082 S3C4T1 Fl. 6.186 5 Em 28.05.2013, foi emitido despacho nº 7, da 4ª Turma da DRJ/POR nos seguintes termos: Tratase da lavratura de auto de infração contra a empresa qualificada em epígrafe que constituiu o crédito tributário da contribuição ao PIS, apurada no regime de incidência nãocumulativa, referente a vários períodos entre janeiro de 2009 e dezembro de 2010. O lançamento decorreu de glosas havidas em pedidos de ressarcimento das contribuições nãocumulativas, relativos a esse período, protocolizados em diversos processos. O processo nº 10865.721964/201130, que juntamente com seus apensos é um desses processos, foi baixado em diligência para esclarecimento de um questionamento levantado pela impugnante referente a desconto de crédito das contribuições devidas. Desta forma, o resultado da diligência naqueles processos também pode resultar em modificações o presente, pois, na medida em que pode alterar os valores dos créditos descontados das contribuições, e, conseqüentemente, o valor devido de PIS e Cofins em cada mês, também levaria a alterações nos valores lançados das contribuições. Sendo assim, proponho o envio do presente à DRF/Limeira para que seja apensado ao processo nº 10865.721964/201130 e, se for o caso, revisão dos valores lançados no presente relativamente aos períodos analisados nesse processo e nos nele apensados, bem assim dos demais períodos que foram objeto de pedidos de ressarcimento em outros processos que não o acima citado e seus apensos. Em 11.03.2015, despacho da Receita Federal: Nessa data, este processo foi desapensado do processo nº 10865.721964/201130. Fl. 6218DF CARF MF 6 Foi efetuada diligência, solicitada quando da apresentação de impugnação e dos apensos com planilhas e novos documentos, de modo que a própria unidade de origem veio a reduzir o lançamento de valor R$ 6.354.790,92 para R$ 4.055.820,64. Naquela oportunidade, foi prolatado o Relatório Fiscal, às fls. 881/886 do citado processo em apenso, onde o auditorfiscal responsável pela análise admite que excluiu indevidamente do saldo a ressarcir créditos descontados em vários trimestres, e refez a apuração dos saldos dos créditos dos trimestres e alterou os valores lançados. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acórdão 1449.504, exarado pela 4ª Turma, da DRO/RPO, em 27.03.2014, com ciência em 07.04.2015 (fl 6099), através do qual foi mantido, em parte, o crédito tributário lançado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. NÃOCOMPROVAÇÃO. GLOSA. A nãocomprovação dos créditos, referentes à nãocumulatividade, indicados no Dacon, implica sua glosa por parte da fiscalização. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito a crédito no regime de incidência não cumulativa, se incorporados diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. Somente dão direito a crédito no regime de incidência nãocumulativa, os gastos expressamente previstos na legislação de regência. CRÉDITOS. PERÍODOS ANTERIORES. APROVEITAMENTO. CONDIÇÕES. Os créditos da nãocumulatividade referentes a períodos anteriores somente podem ser aproveitados se devidamente apurados pelo contribuinte e informados no Dacon ou este tenha sido retificado dentro do prazo prescricional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo autuado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 6219DF CARF MF Processo nº 10865.721982/201201 Acórdão n.º 3401005.082 S3C4T1 Fl. 6.187 7 (...) Dessa decisão, importante destacar os seguintes excertos: Em relação às glosas de créditos, a contribuinte, em sua peça impugnatória, postula a dedução de créditos da nãocumulatividade relativamente a vários itens, que, segundo seu entendimento, são considerados insumo, ou seja, são relevantes no processo de produção ou para o produto. Desse modo, incabível a pretensão de se modificar o conceito de insumo empregado pela legislação do PIS e da COFINS, para incluir todos os materiais e serviços adquiridos, mas que sequer exerceram função direta sobre o produto ou serviço objeto da atividade principal. Concluise, portanto, que a pretensão da autora não encontra fundamento no texto constitucional e, antes, o contraria, pois pretende a utilização de créditos do PIS e da COFINS nãocumulativos, em hipóteses vedadas por lei e em manifesta ofensa ao sistema de nãocumulatividade moldado pelo legislador, do que resulta, em última análise, a concessão de desoneração tributária inconstitucional. Assim, de forma geral, os insumos passíveis de viabilizarem créditos são aqueles indicados nas explicações acima. Portanto, os itens que a impugnante considera geradores de créditos, como palete, bases e tampas de madeira, arames, bem assim os serviços de conservação fabril, limpeza, pesagem, monitoramento, pavimentação asfáltica, não atendem aos critérios acima, pois não estão ligados diretamente ao processo produtivo. Tampouco se constitui em insumo de produção a pedra rachão, utilizada na construção de ponte para que os caminhões e tratores transitem dentro de um dos hortos florestais da impugnante, pois obviamente a construção da ponte não faz parte diretamente do processo produtivo da impugnante. Quanto aos serviços de transporte de matériaprima, estes também não se enquadram no conceito de insumo definido pelas referidas IN, pois, como explica a contribuinte, as matériasprimas, no caso toras de madeira, primeiramente são limpas e transportadas até a planta industrial, onde sofrem novos processos de descascamento e limpeza antes de entrarem no triturador. Como se percebe os serviços de preparo, limpeza e transporte das toras de madeira se constituem em insumos diretos no processo de produção da própria matériaprima – que, como se demonstrará adiante, não geram créditos , mas não do produto destinado à venda, ou seja, papel e celulose. (...) Assim, mesmo se tratando da movimentação de produtos em elaboração, o raciocínio podese aplicar aos gastos com transporte de insumos, pois se a movimentação dos próprios produtos em elaboração não gera direito ao crédito, tampouco aqueles serviços dessa natureza referentes aos insumos gerariam. O fato de a fiscalização ora tratar a glosa como ausência de relação com o processo produtivo e ora como período de apuração indevido não altera a conclusão, Fl. 6220DF CARF MF 8 pois, como se demonstrará a seguir, ambos os casos não geram créditos da não cumulatividade. Em relação à glosa do “serviço especial de embalagem bobina”, a contribuinte esclarece que as bobinas são embalagens especiais destinadas a proteger e transportar a celulose e que não se trataria de embalagem exclusivamente de transporte. De acordo com as IN acima citadas o gasto com embalagem só é considerado insumo se esta sofrer alteração em suas propriedades em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou seja, somente as embalagens de apresentação do produto geram direito ao crédito, posto que esta se incorpora ao produto em fabricação. Assim, as embalagens destinadas a apenas proteger ou transportar o produto acabado não dão direito a crédito da nãocumulatividade. Também não geram direito a crédito os gastos com florestamento, pois são gastos efetuados para obtenção da matériaprima, no caso a madeira, e não do produto acabado a ser vendido, papel e celulose. (...) Portanto, os gastos com aquisição de insumos para obtenção de matéria prima somente gerariam direito a créditos caso a empresa tivesse como objeto a venda dessa matériaprima, mas não quando tal matériaprima vai ser utilizada como insumo de um bem, este sim destinado à venda. Ademais, os gastos com florestamento são ativados, ou seja, compõem o ativo permanente da empresa, e o crédito nesse caso – se existisse seria apurado sobre as cotas de depreciação ou amortização dos bens adquiridos, conforme art. 3º, § 1º, III, das Leis nº 10.637 e 10.833. No entanto, para as cotas de exaustão das florestas não há previsão legal para apuração de créditos da nãocumulatividade. Em relação aos serviços de capatazia, a impugnante alega que tal gasto compõe o frete, portanto deveria gerar créditos e apresenta planilhas e documentos referentes a junho/2009 e novembro/2009. No entanto, de acordo com o art. 111 do Código Tributário Nacional (CTN), interpretase literalmente a lei que disponha sobre exclusão ou suspensão de crédito tributário, e o seu art. 97 dispõe que somente a lei pode reduzir tributos e definir as hipóteses de exclusão e extinção do crédito tributário. Como, de acordo com art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, somente os gastos com armazenagem e frete na operação de venda geram créditos, não se pode estender o fato gerador de créditos a outras despesas que não as previstas expressamente em lei. Tampouco se pode confundir os gastos com frete com os de capatazia, porquanto aquele compreende o preço pago pelo transporte da mercadoria, enquanto, conforme a própria autuada, os serviços de capatazia são aqueles utilizados para movimentação de carga dentro da área portuária, portanto não têm a mesma definição. Assim, não há como aceitar os créditos originários de gastos com capatazia, por absoluta falta de previsão legal. Quanto aos gastos com fretes, a contribuinte apresenta planilhas e documentos dos fretes referentes a junho/2010, e requer a realização de diligência para apresentação de mais documentos. Fl. 6221DF CARF MF Processo nº 10865.721982/201201 Acórdão n.º 3401005.082 S3C4T1 Fl. 6.188 9 Em relação às glosas dos créditos relativos ao imobilizado argumenta que não foram realizadas investigação e averiguação dos documentos entregues após a lavratura do auto de infração e apresenta a “título exemplificativo” planilha com valores referentes a junho/2010. No entanto, de acordo com a fiscalização, a impugnante foi intimada a apresentar de forma individualizada os valores referentes aos serviços de transporte, capatazia e agenciamento de transporte e capatazia para aproveitamento dos créditos relativos aos gastos com transporte (frete), mas não os apresentou. O mesmo ocorreu com os valores do imobilizado que geraram créditos da nãocumulatividade. Nesse caso, a contribuinte afirma que entregou os documentos solicitados em 27/07/2012, mas que a fiscalização os ignorou. Entretanto, segundo Informação Fiscal de fl. 644, a contribuinte foi seguidamente intimada a apresentar documentos e esclarecimentos, mas o fez de forma insuficiente mesmo após decorrido um prazo de 67 dias. Somente em 27/07/2012, após a conclusão dos trabalhos e da feitura do Relatório Fiscal e do auto de infração, é que apresentou, em tese, a totalidade dos documentos/esclarecimentos solicitados. Tampouco o fez com a impugnação, pois sequer as planilhas do período em análise (anos de 2009 e 2010) relativas ao imobilizado e aos fretes foram entregues, limitandose a apresentar “a título exemplificativo” planilhas referentes a junho/2010, relativas a apenas parte do período que está sob análise no presente. Digase em adendo que, como a origem da fiscalização foi a apresentação de pedidos de ressarcimento de créditos da nãocumulatividade, ressarcimento este que se constitui em benefício fiscal, de interesse exclusivo de quem o postula, o ônus da comprovação do crédito era da contribuinte. Portanto, quando da protocolização dos pedidos a requerente já deveria ter à disposição todos os elementos necessários à análise do pleito e contribuir, sempre que solicitada, apresentando documentos e esclarecimentos. No que tange aos créditos relativos a aluguéis de prédios locados de pessoas jurídicas, a fiscalização glosou tal crédito por tratarse de locação de imóvel destinado a “escritório administrativo, comercial e recursos humanos da empresa”, ou seja, pelo fato de não ter relação com o processo produtivo da empresa. (...) Portanto, de acordo com o texto legal, para que a contribuinte possa descontar créditos com aluguéis de imóveis e equipamentos basta que estes sejam utilizados nas atividades da empresa, não há necessidade de que estejam ligados ao processo produtivo. Como os escritórios administrativo, comercial e de recursos humanos logicamente são utilizados nas atividades da empresa, assiste razão à impugnante e esses créditos devem ser deferidos. Os valores glosados referentes a créditos de aluguéis de imóveis estão demonstrados no Relatório Fiscal, de fls. 31/48 (subitem 5.4.1.1). Apesar de não constar no Relatório Fiscal, ao se observar a planilha “Relatório das Exclusões dos valores (base de cálculo) utilizados como crédito na apuração das contribuições Fl. 6222DF CARF MF 10 PIS/COFINS”, às fls. 91/630, percebese que esta contém glosas relativas à locação de empilhadeiras, máquinas e equipamentos. Pelo mesmo motivo acima apontado, tais glosas devem ser desconsideradas, pois tais máquinas e equipamentos são utilizados nas atividades da empresa. No tocante às glosas relativas a “período de apuração indevido”, aí incluída parte das glosas com despesas de energia elétrica, argumenta que a Lei nº 10.833, de 2003, permite o aproveitamento de créditos de períodos anteriores. (...) Assim, desde que os créditos sejam corretamente apurados e informados no Dacon não precisam ser descontados no próprio mês de sua apuração, como ocorreu no caso concreto após a realização da diligência, quando os créditos adrede apurados e que compunham o saldo do mês de sua apuração no Dacon, mas que ainda não tinham sido utilizados, foram descontados em meses subseqüentes. Entretanto, no caso em análise neste tópico, os créditos glosados são aqueles que, apesar de não terem sido apurados no mês em que os bens e serviços foram adquiridos e as despesas incorridas, foram descontados em períodos posteriores. Digase em adendo que os créditos ainda não apurados também podem ser utilizados posteriormente, mas desde que o Dacon seja retificado dentro do prazo prescricional Não é o que o ocorreu relativamente às glosas sob a rubrica “período de apuração indevido”, caso em que os créditos sequer tinham sido apurados, mas a contribuinte os utilizou em períodos subseqüentes. Do Recurso Voluntário Irresignado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação, quais sejam: (a) Sobre o conceito de insumo no âmbito da legislação do PIS e da COFINS: (...) De todo o exposto, depreendese que a amplitude do conceito de insumo resultará da análise de cada caso concreto, segundo as peculiaridades do tipo de empreendimento desenvolvido pelo contribuinte. Ou seja, se o bem integra o desempenho da atividade, ainda que em fase anterior à obtenção do produto final a ser vendido, e assume importância de algo necessário à sua existência útil para que possua determinada qualidade, então, o bem estará sendo utilizado como insumo daquela atividade econômica que, vista de forma única e global, acarretará num produto final a ser vendido. Isso posto, passemos à análise item a item, dos bens e serviços utilizados como insumo pela Recorrente, porém, glossados pelo d. auditor fiscal e mantidos injustificadamente pela DRJ/POR. (...) Fl. 6223DF CARF MF Processo nº 10865.721982/201201 Acórdão n.º 3401005.082 S3C4T1 Fl. 6.189 11 (a.1) Glosa Indevida de paletes, estrados, bases e tampas de madeira e arames galvanizados (...) Sendo os principais produtos fabricados pela Recorrente papel e celulose, os paletes, estrados, bases e tampas de madeira são essências para que os produtos cheguem intactos ao destinatário, na medida em que impedem a ação de fatores temporais, como a umidade, pois deixam o produto suspenso sem contato direto com o solo.(...). Da mesma forma, o arame galvanizado é “utilizado como insumo” no processo de venda da Recorrente, uma vez que é utilizado como parte da embalagem para que o fardo da celulose seja carregado e transportado ao seu destino. (...) (a.2) Glosa Indevida de Serviços de Movimentação Interna e Logística (...) Feito isso a matéria prima (tora e cavacos) precisa ser transportada até a planta industrial, local em que sofre novos processos de limpeza e descascamento, até serem levadas ao trituramento e conclusão do processo de industrialização para a fabricação do papel e da celulose. E é exatamente nesse momento que há necessidade de movimentação interna das matérias primas (toras e cavacos). Essa movimentação é realizada no pátio de madeira, ocasião em que empresas contratadas pela recorrente para realizar “serviços de movimentação” opera, máquinas que descarregam os caminhões que vem das florestas com toras de madeiras e colocamnas no picador. (...) Como visto, a contratação dos serviços de “Movimentação de Toras/Cavaco”, “Movimentação de Madeira”, “Movimentação de Logística” e “Movimentação Interna” são essenciais e intrinsicamente ligados ao processo produtivo da Recorrente (...) razão pela qual se caracterizam como “serviços utilizados como insumo” no processo produtivo da Recorrente. Fl. 6224DF CARF MF 12 (...) (a.3) Glosa indevida de serviços de conservação fabril e limpeza, serviços de pesagem ou balança, monitoramento e outros Bens e Serviços Destaca a Recorrente que os itens denominados pelo Auditor Fiscal como “Limpeza do Pátio/Forno”, “Prestação Serviço Limpeza”, “Limpeza Pátio de Madeira/Caustificação” e “Serviços de Conservação Fabril” possuem relação direta com o processo produtivo, uma vez que os pátios onde ficam armazenadas as madeiras precisam estar limpos e livres de sujeiras que poderiam interferir no aproveitamento de toras e cavacos de madeiras. Fl. 6225DF CARF MF Processo nº 10865.721982/201201 Acórdão n.º 3401005.082 S3C4T1 Fl. 6.190 13 Neste sentido, a Recorrente trata dos “Serviços de Limpeza/Caustificação” reafirmando que os mesmos integram o processo produtivo da Recorrente, pois é através do processo de caustificação que se recupera o pricinpal produto químico utilizado no cozimento da madeira, o Hidróxido de Sódio (Soda Cáustica). No mesmo sentido, são tratados a “Pavimentação Asfáltica” como integrante do processo de limpeza. Os itens relativos à “Manutenção em Balança”, “Serviços Sazonal de Balanças”, “Serviços de Balança e Expedição”, também estão relacionados à atividade da empresa na medida em que, sendo o produto final da Recorrente segmentado em bobinas ou embalados em lotes, como é o caso da celulose, ou em blocos, quando papel, que variam de peso, as balanças são instrumentos absolutamente essenciais e necessários para se quantificar o produto a ser vendido. Quanto aos “Serviços de Monitoramento”, a Recorrente ressalta que a função desses serviços é monitorar e controlar se todas as máquinas e equipamentos estão funcionando adequadamente, pois qualquer irregularidade pode comprometer as fases seguintes. Quanto ao “Serviço Especial Embalagem Bombina”, tratam se de embalagens que garantem a qualidade e integridade do produto até o destinatário final. Quanto aos bens denominados “Pedra Rachão – Marroada”, esclarece a Recorrente que tratamse de pedras adquiridas para a construção de um barramento (ponte) para o transito dos caminhões em um dos hortos florestais da Recorrente, uma vez que havia um riacho no local, sendo necessário para o funcinamento de etapa, ainda que primária, de extração e movimentação das toras de madeira nas florestas, fundamental para o processo produtivo. (a.4) Glosa Indevida dos “Serviços Florestais” Destaca a Rrcorrente que tratamse de serviços contratados para tratamento, desgalhamento e corte de madeira, manutenção de carreadouro de floresta, aplicação de inseticida, aplicação de composto, colheita de sementes de eucalipto, florestamento e reflorestamento, além de produtos como adubos, fertilizantes, isca formicida, mudas de clome eucalipto, todos utilizados como insumo na formação das florestas. (a.5) Glosa Indevida dos Serviços de Capatazia – “Frete na Operação de Venda” Conforme dispõe o art 57, da Lei 8.630/93, sobre Regime Jurídico da Exploração dos Portos Organizados e das Instalações Portuárias: Fl. 6226DF CARF MF 14 Conforme dispõe Decreto 3.048/1999, que aprova o Regulamento da Previdência Social, definindo a atividade portuária: Fl. 6227DF CARF MF Processo nº 10865.721982/201201 Acórdão n.º 3401005.082 S3C4T1 Fl. 6.191 15 (a.6) Glosa Indevida dos Créditos sobre “Transporte Marítimo” – “Frete na Operação de Venda” Fl. 6228DF CARF MF 16 (a.7) Glosa Indevida de despesas com Energia Elétrica – Créditos de Períodos Anteriores Fl. 6229DF CARF MF Processo nº 10865.721982/201201 Acórdão n.º 3401005.082 S3C4T1 Fl. 6.192 17 (a.8) Indevida Glosa de todos os créditos calculados sobre bens do ativo imobilizado – ausência de investigação mais apurada por parte do Fisco Fl. 6230DF CARF MF 18 (b) Glosa Indevida de Créditos sob o Fundamento “Período de Apuração Indevido” Requereu, por fim, a não incidência SELIC sobre a multa de ofício. É o relatório. Fl. 6231DF CARF MF Processo nº 10865.721982/201201 Acórdão n.º 3401005.082 S3C4T1 Fl. 6.193 19 Voto Vencido Conselheiro TIAGO GUERRA MACHADO Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, uma vez que a ciência do Acordão ocorreu em 07.04.2015 e o Recurso Voluntário foi protocolado em 06.05.2015, e reúne os demais requisitos de admissibilidade constantes na legislação; de modo que lhe tomo conhecimento. O Recurso de Oficio igualmente merece ser conhecido, haja vista o montante desonerado em primeira instancia superar o limite de alçada atual. Do Mérito (I) Do Recurso de Oficio O Recurso de Oficio ocasionou da redução do lançamento em razão de a Delegacia de Julgamento ter acatado a revisão feita pela unidade de origem quando da diligência solicitada pela Recorrente, de modo que o colegiado de primeiro grau apenas homologou o ajuste no lançamento de ofício. Por isso mesmo, não merece qualquer reforma. A outra parcela do lançamento desonerada deveuse ao fato de a decisão de piso haver reconhecido o direito ao crédito de aluguéis de máquinas, equipamentos e bens imóveis destinados à operação e administração da Recorrente, nos termos explícitos da Lei Federal 10.637/2002, que, em seu texto, não restringiu o crédito aos bens de natureza industrial. Igualmente não há reparo a ser feito na decisão recorrida. Passo ao Recurso Voluntário. (II) Do Recurso Voluntário A maior parte dos créditos glosados pela Fiscalização devemse ao fato de que essa autoridade descaracterizou como insumos as aquisições de mercadorias que ensejaram o respectivo crédito de PIS nãocumulativO. Nessa linha, foram glosados créditos referentes a: · Glosa Indevida de paletes, estrados, bases e tampas de madeira e arames galvanizados Fl. 6232DF CARF MF 20 · Glosa Indevida de Serviços de Movimentação Interna e Logística · Glosa indevida de serviços de conservação fabril e limpeza, serviços de pesagem ou balança, monitoramento e outros Bens e Serviços · Glosa Indevida dos “Serviços Florestais” · Glosa Indevida dos Serviços de Capatazia – “Frete na Operação de Venda” · Glosa Indevida dos Créditos sobre “Transporte Marítimo” – “Frete na Operação de Venda” · Glosa Indevida de despesas com Energia Elétrica – Créditos de Períodos Anteriores · Indevida Glosa de todos os créditos calculados sobre bens do ativo imobilizado – ausência de investigação mais apurada por parte do Fisco · Glosa Indevida de Créditos sob o Fundamento “Período de Apuração Indevido” Diante disso, convém discorrer brevemente sobre a nãocumulatividade da Contribuição Social ao PIS e da COFINS (i) Da Nãocumulatividade das Contribuições Sociais e do conceito de insumos A modalidade nãocumulativa das contribuições sociais surgiu em decorrência da edição das Medidas Provisórias 66/2002 e 135/2003, posteriormente convertidas nas Leis Federais 10.637/2002 e 10.833/2003. Anteriormente, a nãocumulatividade tributária no Brasil foi inaugurada com o ICMS e o IPI, sob influência da sistemática de tributação sobre o valor agregado, em voga em muitos países europeus a partir da segunda metade do século XIX, e pouco se desenvolveu de doutrina – e jurisprudência – a respeito da definição dos itens que poderiam ser admitidos como crédito; primeiro, porque houve uma taxatividade mais explícita dos itens creditáveis; segundo, até o advento da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os debates jurídicos eram monopolizados pelos conflitos de ordem eminentemente formal, especialmente nos casos em que o contribuinte leis ordinárias est de forma conflituosa com os dispositivos constitucionais sobre tais tributos nos últimos cinquenta. Contudo, diferentemente de outros tributos nãocumulativos, como o ICMS e o IPI, a regulamentação constitucional limitouse a delegar à lei ordinária para que essa estabelecesse quais setores de atividade econômica o regime nãocumulativo seria aplicável, conforme se denota da inclusão do parágrafo doze ao artigo 195, da Constituição Federal: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas. Fl. 6233DF CARF MF Processo nº 10865.721982/201201 Acórdão n.º 3401005.082 S3C4T1 Fl. 6.194 21 Vejam que, em relação ao ICMS e ao IPI, a Constituição Federal foi um pouco menos econômica, buscando definir limites mínimos para a aplicação do conceito da não cumulatividade tributária: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: IV produtos industrializados; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...) Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: I será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; De tal forma, ainda que o princípio da nãocumulatividade guarde um significado próprio – qual seja a de viabilizar a tributação sobre o valor agregado –, é certo que a modalidade nãocumulativa das contribuições sociais deve ser encarada mormente pelos mandamentos previstos nas respectivas leis de sua criação, não cabendo a esse Tribunal ultrapassar os limites objetivos previstos por essa legislação infraconstitucional. Esse é o comentário de Ricardo Mariz de Oliveira, na obra coletiva “Não Cumulatividade Tributária: Todavia, pelo que consta desse artigo, já se pode constatar que se trata de um regime de nãocumulatividade parcial, pois ele não assegura plena dedução de créditos, mas apenas dos valores listados “numerus clausulus” e segundo regras de cálculo prescritas expressamente. (Editora Dialética, 2009. Página 427) Fl. 6234DF CARF MF 22 Assim, devese ter em vista que a nãocumulatividade não comporta um conceito absoluto e independente da legislação que regra os tributos com essa particularidade. Isso não será diferente com as contribuições sociais. Na miríade de atos normativos que regem a contribuições sociais não cumulativas, é muito claro que nos detemos no artigo 3º, das Leis Federais de regência, muito embora as modalidades de direito ao crédito estejam espalhadas na legislação ordinária que regulam as contribuições sociais para setores específicos e operações específicas, as quais algumas serão objeto de análise mais adiante. Nesse primeiro momento, vejamos o citado artigo 3º: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o; e (Redação dada pela Medida Provisória nº 413, de 2008) Produção de efeitos a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Fl. 6235DF CARF MF Processo nº 10865.721982/201201 Acórdão n.º 3401005.082 S3C4T1 Fl. 6.195 23 V despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); V – despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. E fica bem claro que o item de maior questionamento desde o início da vigência do regime nãocumulativo é aquele que se refere a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.” Vejam que a expressão “insumo”, na legislação de referência, não foi adicionada de uma definição própria para aplicação, de modo que, nos termos do artigo 11, da Lei Complementar 95/1998, que trata da elaboração e redação das leis, as palavras devem ser Fl. 6236DF CARF MF 24 utilizadas no texto legal em seu sentido comum, de modo que a interpretação da legislação deve seguir tal comando como premissa. Diante disso, cabe mencionar que, segundo o Dicionário Aurélio1, insumo pode ser definido como o “elemento que entra no processo de produção de mercadorias ou serviços; máquinas e equipamentos, trabalho humano, etc.; fator de produção”. No que se refere ao conceito de insumo em âmbito jurídico, o eminente tributarista Aliomar Baleeiro2, há muito já definira: (...) é uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa 'input', isto é, o conjunto dos fatores produtivos, como matériasprimas, energia, trabalho, amortização do capital, etc., empregados pelo empresário para produzir o 'output' ou o produto final. (...) De fato, do ponto de vista puramente econômico, o conceito acima nos parece apropriado. Para a ciência econômica, tal definição inclui todos os elementos necessários à produção de um bem, mercadoria ou serviço, tais como matériasprimas, bens intermediários, equipamentos, capital, horas de trabalho, etc. Todavia, para fins fiscais, o termo insumo é utilizado de maneira mais restrita, haja vista a pouca disposição existente até hoje para se desenvolver esse conceito no Direito Brasileiro. Nas raras remissões legislativas encontradas, usualmente tratase do ICMS e do IPI, tributos onde há uma forte vinculação física entre o produto final e o bem que irá gerar crédito fiscal, mesmo porque constituem impostos sobre a “produção e circulação de bens e serviços”, tal como disposto em nosso Código Tributário Nacional (Capítulo IV da Lei nº 5.172/1966 CTN). No caso do ICMS, o que se observa é uma evolução gradual do conceito de insumo, que acaba ampliando o conceito básico e evidente da tríade matériaprima/produto intermediário/material de embalagem, principalmente no que se refere ao que se chama produto intermediário. Nas raras oportunidades em que a legislação estadual enfrentou o tema, podemos citar um ato normativo que pode ser considerado como pioneiro na definição de insumo: a Decisão Normativa CAT 01/2001, do Estado de São Paulo, que, ao exemplificar mercadorias que poderiam ser consideradas insumos, deu especial destaque àqueles produtos que são utilizados no processo ainda que não componham o produto final: Entre outros, têmse ainda, a título de exemplo, os seguintes insumos que se desintegram totalmente no processo produtivo de uma mercadoria ou são utilizados nesse mesmo processo produtivo para limpeza, identificação, desbaste, solda etc.: 1 Novo Aurélio Século XXI – O Dicionário da Língua Portuguesa, 3ª Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. 2 In Direito Tributário Brasileiro, 9ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1980, pág. 214. Fl. 6237DF CARF MF Processo nº 10865.721982/201201 Acórdão n.º 3401005.082 S3C4T1 Fl. 6.196 25 lixas; discos de corte; discos de lixa; eletrodos; oxigênio e acetileno; escovas de aço; estopa; materiais para uso em embalagens em geral tais como etiquetas, fitas adesivas, fitas crepe, papéis de embrulho, sacolas, materiais de amarrar ou colar (barbantes, fitas, fitilhos, cordões e congêneres), lacres, isopor utilizado no isolamento e proteção dos produtos no interior das embalagens, e tinta, giz, pincel atômico e lápis para marcação de embalagens; óleos de corte; rebolos; modelos/matrizes de isopor utilizados pela indústria; produtos químicos utilizados no tratamento de água afluente e efluente e no controle de qualidade e de teste de insumos e de produtos. Porém, como podemos verificar, o conceito amplificado de insumo para o ICMS (e também do IPI) é derivado da conclusão de que são os elementos que participam efetivamente do processo produtivo, haja vista que, conforme dito anteriormente, o ICMS demanda uma intrínseca relação entre a entrada da mercadoria utilizada no processo econômico que ensejará a saída do produto final. Ademais, verificase que enquanto o ICMS e o IPI possuem profunda relação com a movimentação física de bens e mercadorias, o que se reflete na maneira como a nãocumulatividade se manifesta – como regra, apropriase créditos na entrada de bens e mercadorias que venham a serem movimentados posteriormente com débito do imposto , o PIS e a COFINS possuem relação com um aspecto absolutamente econômico, representado e controlado graficamente pela contabilidade, a geração de receitas tributáveis. Nessa linha, a nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, expressivamente mais complexa e mais alheia aos operadores do Direito e aos legisladores, que durante cinquenta anos acostumaram com a “nãocumulatividade física” em detrimento de uma “nãocumulatividade econômica” De certo, é possível entender essa falha conceitual ao se analisar com cuidado o artigo 3º acima mencionado, quando se observa que os incisos e parágrafos insistem na ideia de permitir o crédito, por exemplo, desde a entrada dos bens para estoque (quando menciona “aquisição”) enquanto o conceito intrínseco da nãocumulatividade econômica está sobre a noção de custo e despesa, que não são registrados no momento da aquisição do estoque, mas sim quando da sua realização pela venda, e consequente registro contábil da receita. Desse modo, acredito que o conceito de insumo para a legislação do PIS/PASEP e da COFINS parece ser mais abrangente que o utilizado para créditos do IPI e do ICMS – como faz crer das conclusões da decisão ora recorrida –, de maneira que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. Nesse caso, entendo que a legislação possibilitou o desconto de créditos das contribuições além dos elementos que compõem os custos diretos e indiretos de produção através alocação por atividade (i.e. “Sistema de Custeio ABC”), e incluiu componentes que, em uma análise puramente contábil, seriam classificados como despesas variáveis, estritamente atreladas com a geração de receitas. Fl. 6238DF CARF MF 26 Porém, como premissa básica para a apuração de créditos de PIS/PASEP e COFINS, temos que os custos diretos e indiretos constituem base de cálculo de forma inquestionável; já as despesas deverão ser analisadas caso a caso, na medida em que cada uma contribua de forma cabal para a venda do produto ou serviço. Por outro lado, a Instrução Normativa SRF nº 247/2002, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 358/2003, ao regulamentar a cobrança do PIS/PASEP e da COFINS, definiu insumo de uma maneira mais restrita, contrariando, em última análise, o espírito das Leis Federais nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que visavam mitigar o efeito cascata das contribuições e “estimular a eficiência econômica”3: Art. 66. (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.(...) Partindo esse entendimento, a Receita Federal amenizou algumas restrições, criando um entendimento, que vigora até hoje em diversas Soluções de Consulta, de que deve haver um vínculo de imprescindibilidade e à essencialidade do respectivo bem ou serviço para que seja possível a apropriação de créditos. Assim, destacou a Solução de Consulta que inaugurou esse raciocínio: “Solução de Consulta nº 400/2008 (8ª Região Fiscal) PIS/PASEP. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de 3 Exposição de Motivos da Lei Federal nº 10.833/2003. Fl. 6239DF CARF MF Processo nº 10865.721982/201201 Acórdão n.º 3401005.082 S3C4T1 Fl. 6.197 27 pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/PASEP devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.637, de 2002, art. 3o, inciso II; IN SRF no 247, de 2002, art.66, § 5o. COFINS. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da Cofins nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da COFINS devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.833, de 2003, art. 3o, inciso II; IN SRF no 404, de 2004, art.8o, § 4o.(DOU de 08/12/2008)” Já a Instrução Normativa SRF nº 404/2004 manteve a definição anterior, em seu artigo 8º, §4º, que assim dispôs: Artigo 8º. (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: Fl. 6240DF CARF MF 28 I Utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II Utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...) Consideradas, pois, as manifestações acima, podemos afirmar que o conceito de insumo para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS deve ser tido de forma mais abrangente, desde que tais itens estejam intimamente ligados à atividadefim da empresa e que principalmente venham a ser utilizados efetivamente e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo para geração de receitas, devendo ser inquestionável o crédito decorrente dos elementos que compõem o custo de produção, seja direto ou indireto. Passo a analisar item a item que foram glosados pela fiscalização e mantidos pela decisão de primeiro grau. (ii) Das Glosas (A) Glosa Indevida de paletes, estrados, bases e tampas de madeira e arames galvanizados Entendo que a decisão de primeiro grau deve ser reformada. Por todo o desenho elaborado do conceito de insumo, ainda que tais materiais não integrem o produto final a ser vendido, é imprescindível RECONHECER que as insumos sejam unitizadas em caixas, paletes e seus acessórios para unitização da carga, desde que os mesmos não sejam registrados como ativo imobilizado – o que não parece ser o caso em lide, uma vez que não houve qualquer apontamento nesse sentido. Vejam que tais itens não se prestam tãosomente a proteger o produto até o cliente/parque industrial, de forma que, caso não existisse, é provável que parte da carga se tornasse imprestável para o comércio, o que já justificaria o seu creditamento por si só; mas também têm a serventia para viabilizar a carga, descarga e o transporte. Tratamse, portanto, de elementos sine qua non, para a efetiva entrega do produto produzido ao cliente final. Fl. 6241DF CARF MF Processo nº 10865.721982/201201 Acórdão n.º 3401005.082 S3C4T1 Fl. 6.198 29 Vale dizer que, sem a entrega do produto, não há como reconhecer a receita de sua venda, que é o próprio fato gerador das contribuições. Daí porque a glosa deve ser revertida. (B) Glosa Indevida de Serviços de Movimentação Interna e Logística Não há como negar o crédito na aquisição de serviços dessa natureza, uma vez que se tratam de custos indiretos de produção, decorrentes da necessidade de se mover as toras e estacas de madeiras entre a floresta e o local de beneficiamento da celulose. De fato, esses encargos se mostram essenciais e intrinsecamente ligados ao processo produtivo e devem gerar crédito de PIS em sua aquisição e contratação. (C) Glosa indevida de serviços de conservação fabril e limpeza, serviços de pesagem ou balança, monitoramento e outros Bens e Serviços Quanto aos itens “Limpeza do Pátio/Forno”, “Prestação Serviço Limpeza”, “Limpeza Pátio de Madeira/Caustificação”, “Serviços de Conservação Fabril”, Serviços de Limpeza/Caustificação, Manutenção em Balança”, “Serviços Sazonal de Balanças”, “Serviços de Balança e Expedição", e Serviços de Monitoramento”, relacionados à área florestal/ambiental e de máquinas industriais efetuada de forma remota, tendo a Recorrente esclarecido sua utilidade e função durante o processo de produção e preparo do produto final para entrega aos clientes, consideroos como custos indiretos de produção, e como, tal, devem ser reconhecidos créditos sobre tais rubricas. Por outro lado, gastos com pavimentação asfáltica e compras de “pedra rachão” nitidamente referemse, quando muito, à sua integração ao ativo imobilizado da Recorrente e, como tal, deveria ser apropriado via depreciação. Desse modo, devem ser mantidas as glosas desses itens. (D) Glosa Indevida dos “Serviços Florestais” Os serviços florestais denominados pela autoridade fazendária, referemse aos serviços de traçamento de madeira, desgalhamento e corte de madeira, florestamento e reflorestamento, manutenção de carreadouro de floresta, aplicação aérea de inseticida e colheita de sementes de eucalipto. O lançamento, mantido pela DRJ, considerou que a integralidade desses serviços deveria ser tratada como ativo imobilizado, simplesmente sem analisar efetivamente se todos aqueles itens, de fato, vieram a integrar a cultura permanente formada da Recorrente. Por outro lado, há serviços que claramente não se referem à formação de floresta propriamente dita, como o de traçamento, desgalhamento, corte de madeira, aplicação aérea de inseticida. Tratamse de serviços decorrentes do florestamento, mas não preparatórios a esse. Quando muito, no caso da aplicação de inseticida, podese dizer que se trata de Fl. 6242DF CARF MF 30 atividade de manutenção do ativo florestal, tal qual a manutenção dos seus carreadouros. Nesses casos, entendo como indevida a glosa pela fiscalização, para esses itens. Já com relação aos gastos relacionados à semeadura, florestamento e reflorestamento, tendo em vista o longo ciclo de produção do eucalipto e congêneres, usados como matériaprima na produção de celulose, não há como admitir o crédito como insumo. Tratamse de verdadeiros dispêndios para formação de florestas e os créditos de PIS deveriam obedecer as regras atinentes ao ativo imobilizado. E, nesse caso, como se está se falando em extração da madeira, devese entender que a depleção desse ativo imobilizado é tida como exaustão, que, como é sabido e bem apontado na decisão ora recorrida – não confere direito a crédito por ausência de previsão legal. (E) Glosa Indevida dos Serviços de Capatazia – “Frete na Operação de Venda” A Recorrente sustenta que o direito ao crédito sobre as operações de capatazia decorre de sua equiparação ao frete sobre a venda. Não poderia ser mais equivocado. O fato de a taxa de capatazia ser relacionada à movimentação de carga no porto não confere per si sua equiparação ao serviço de transporte, transação jurídica que possui seus próprios meandros, como a necessidade de emissão de conhecimento de carga. Na lista de serviços anexa à Lei Complementar 116/2003, por exemplo, enquanto o serviço municipal de transporte enquadrase no item 16, a capatazia encontrase vinculada ao item 20. Não há, tampouco, relação de gênero (frete) e espécie (capatazia). Por outro lado, é possível inferir que, nas operações de exportação de produtos fabricados pela Recorrente, o pagamento de capatazia para a movimentação da carga, na área portuária, entre o modal rodoviário ou o armazém portuário e o modal marítimo, seja até a praça ou até o costado do navio de embarque, é condição essencial para a entrega do produto e perfazimento do negócio. Desse modo, entendo como possível o creditamento dessa rubrica, uma vez que a fiscalização careceu de diferenciar as condições de venda (INCOTERMS) que não estaria obrigado contratualmente junto aos clientes. (F) Glosa Indevida dos Créditos sobre “Transporte Marítimo” – “Frete na Operação de Venda” A glosa referente a esse item deveuse exclusivamente ao fato de a fiscalização, à época, não ter tido acesso à integralidade dos documentos comprobatórios a título de “transporte marítimo”. Entretanto, entende que a Recorrente, ao longo do processo, seja na impugnação e mesmo antes da diligência juntou documentos comprobatórios suficientes sobre essa despesa. Fl. 6243DF CARF MF Processo nº 10865.721982/201201 Acórdão n.º 3401005.082 S3C4T1 Fl. 6.199 31 Além disso, ainda que não fosse suficiente, é bom que se diga que o ponto nodal para manutenção da glosa era que a documentação carecia de melhor diferenciação entre as despesas de capatazia e frete marítimo; contudo, em decorrência da minha conclusão quanto ao ponto anterior, vejo que essa diferenciação resta prejudicada, eis que, em meu entender, ambos geram direito ao crédito de PIS. (G) Glosa Indevida de despesas com Energia Elétrica – Créditos de Períodos Anteriores Essa glosa foi calcada unicamente no fato de que a Recorrente os teria apropriado fora do período em que foi adquirida a energia elétrica, pelo que será objeto de análise conjunta mais adiante, quando se tratar dos créditos extemporâneos. (H) Indevida Glosa de todos os créditos calculados sobre bens do ativo imobilizado – ausência de investigação mais apurada por parte do Fisco Com relação a esse item, acompanho integralmente os apontamentos da decisão recorrida que, em síntese, entendeu pela falta de documentação suporte ao crédito informados nas DACON´s, mesmo após insistentes pedidos durante a fiscalização e a diligência: Entretanto, segundo Informação Fiscal de fl. 644, a contribuinte foi seguidamente intimada a apresentar documentos e esclarecimentos, mas o fez de forma insuficiente mesmo após decorrido um prazo de 67 dias. Somente em 27/07/2012, após a conclusão dos trabalhos e da feitura do Relatório Fiscal e do auto de infração, é que apresentou, em tese, a totalidade dos documentos/esclarecimentos solicitados. Tampouco o fez com a impugnação, pois sequer as planilhas do período em análise (anos de 2009 e 2010) relativas ao imobilizado e aos fretes foram entregues, limitandose a apresentar “a título exemplificativo” planilhas referentes a junho/2010, relativas a apenas parte do período que está sob análise no presente. Digase em adendo que, como a origem da fiscalização foi a apresentação de pedidos de ressarcimento de créditos da nãocumulatividade, ressarcimento este que se constitui em benefício fiscal, de interesse exclusivo de quem o postula, o ônus da comprovação do crédito era da contribuinte. Portanto, quando da protocolização dos pedidos a requerente já deveria ter à disposição todos os elementos necessários à análise do pleito e contribuir, sempre que solicitada, apresentando documentos e esclarecimentos. (I) Glosa Indevida de Créditos sob o Fundamento “Período de Apuração Indevido” Fl. 6244DF CARF MF 32 A decisão recorrida, na mesma linha que o lançamento, assentindo com as razões da aUtuação, entende que é possível a apropriação de créditos extemporâneos, porém “desde que o Dacon seja retificado dentro do prazo prescricional”. Na leitura dos auditoresfiscais, pelo artigo 3º, caput e seu parágrafo quarto, das Leis Federais 10.637/2002 e 10.833/2003, caberia ao contribuinte apurar novamente o tributo devido no mês relativo ao crédito omitido com a inclusão deste crédito, aí sim, caso restasse crédito não aproveitado, este poderia ser utilizado em períodos seguintes. Assim, o entendimento fazendário é de que o crédito extemporâneo é perfeitamente possível desde que o contribuinte retifique as DACON´s (e atualmente os arquivos digitais do SPEDContribuições) para a inclusão dos créditos identificados a destempo e recálculo das contribuições e potencial levantamento de indébito tributário a ser compensado/ressarcido via pedido de ressarcimento/compensação (PER/DCOMP). Contudo, não comungo do mesmo entendimento. Primeiramente, vejamos o que diz o citado artigo 3º, em seu caput e no parágrafo quarto: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. Vejam que, em interpretação literal e sistemática, o parágrafo quarto estabeleceu o direito de o contribuinte apropriar crédito que eventualmente não tenha sido utilizado para desconto da base de cálculo em um determinado mês em períodos de apuração subsequentes. Caso o legislador fizesse menção ao excesso de créditos, ou mesmo a expressão “saldo credor” – como o faz em diversos outros normativos relativos às contribuições sociais – ele teria o feito. Desse modo, não caberia restrição ao Poder Executivo restringir esse direito quando estabeleceu normas relativas à gestão da fiscalização e arrecadação desses tributos, como faz crer a decisão ora recorrida. É claro que o direito original aos créditos das contribuições parte do pressuposto de que eles devam ser registrados simultaneamente à escrituração dos documentos que embasam a aquisição de bens e serviços, ou ainda que venha a ser apropriado nos períodos em que determinados custos e despesas forem considerados incorridos. Todavia, o parágrafo quarto acima mencionado possibilitou ao contribuinte vir a registrar extemporaneamente os créditos de PIS e COFINS registrados na sistemática não cumulativa das referidas contribuições, vindo a aproveitálos para desconto das contribuições sociais em períodos de apuração distintos (futuros) dos quais se originaram. Esse entendimento vem sendo unânime nessa turma, que, em recentíssimo julgado, aduziu dessa mesma forma, no Acórdão 3401004.022, proferido em outubro/2017, de relatoria do Conselheiro Robson Bayerl. Vejamos: Fl. 6245DF CARF MF Processo nº 10865.721982/201201 Acórdão n.º 3401005.082 S3C4T1 Fl. 6.200 33 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010, 01/04/2011 a 30/06/2011, 01/08/2011 a 31/08/2011, 01/11/2011 a 30/11/2011 PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO. INSUMO. ALCANCE. O alcance do termo “insumo”, insculpido no art. 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, não pode ser equiparado restritivamente aos conceitos de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, próprios da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, tal como detalhado no PN CST 65/79, tampouco extenso como os conceitos de custo de produção e despesas operacionais da legislação do IRPJ, arts. 290 e 299 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99), consistindo em bens e serviços, inerentes e necessários à atividade da empresa, adquiridos e empregados diretamente na área de produção, desde que sofram a incidência das contribuições não cumulativas na etapa anterior da cadeia produtiva. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Consoante art. 3º, § 4º da Lei nº 10.833/03, o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, não havendo norma que imponha a retificação das DACONs para que seja alocado no período de apuração a que se refira o dispêndio. ALUGUÉIS. DIREITO DE CRÉDITO. DELIMITAÇÃO. O direito de crédito relativo aos aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados na empresa, previsto no art. 3º, IV das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, compreende apenas a retribuição pelo uso e gozo da coisa não fungível, nos contratos de locação, como regulado pelo art. 565 e ss. do Código Civil (Lei nº 10.406/2002), não englobando as despesas condominiais e demais taxas sob responsabilidade dos locatários, bem assim, as contraprestações financeiras, a cargo dos parceiros públicos, nos contratos administrativos de concessão das parcerias públicoprivadas. BENEFÍCIO FISCAL ESTADUAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. INCIDÊNCIA. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Afastada a hipótese de caracterização do crédito presumido concedido pelo Estado do Bahia, através do Decreto nº 6.734/97, como subvenção para investimento, inaplicável as disposições do art. 21 da Lei nº 11.941/2009, então vigente, enquadrandose o benefício fiscal em comento no conceito amplo de receita veiculado no art. 1º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, submetendose à incidência das contribuições de que tratam. Recurso voluntário provido em parte. Em seu voto, o Ilustre Conselheiro destaca: Fl. 6246DF CARF MF 34 Esta interpretação atribuída aos dispositivos é plausível, porém, não é a única aceitável, pois, tanto as Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, como as INs RFB 247/02 e 404/04 que as normatizam, não distinguem o crédito, como espécie, do saldo credor, preferindo a adoção do termo “crédito” indistintamente para uma e outra finalidade, razão porque a interpretação do contribuinte é também acertada, mormente pela sua dicção literal, consoante a qual “o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes”. Ora, os créditos da não cumulatividade podem ser pleiteados a qualquer tempo, enquanto não decaído o direito ao seu exercício, não havendo norma clara que imponha a retificação das DACONs para inclusão de créditos nos períodos de apuração a que se refiram, de maneira que não haveria obstáculo ao aproveitamento a destempo sem observância estrita do regime de competência, como exigiram a DRF/DRJ, eis que se trataria de situação esporádica, valendo a analogia com o Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, onde os créditos alegados extemporaneamente não impõem a reescrituração do livro, bastando sua indicação em campo próprio. Assim, o aproveitamento de créditos fora dos períodos de apuração a que se referem é possível, como defendido pelo contribuinte, cumprindo à fiscalização a verificação se, de fato, este crédito não foi aproveitado anteriormente e observada a delimitação do conceito de insumo formulada no presente acórdão. Entendo não ser possível criar uma vedação, por meio de interpretação, onde a lei, ou mesmo os atos administrativos correlatos, não expressamente o fizeram. Desse modo, deve ser acolhida a pretensão do contribuinte. Diante do exposto, reformo a decisão recorrida para considerar possível a apropriação extemporânea de créditos das contribuições sociais, independentemente da retificação para inclusão de tais créditos nas respectivas DACON´s/SPEDContribuições dos períodos em que os créditos tenham sua origem. Sobre aplicação de juros sobre a multa de ofício. Não merece igual reparo a decisão sobre a incidência de juros sobre multa de ofício, Nos termos do art. 113 e do art. 139, CTN, o crédito tributário compreende os valores do imposto e da multa de ofício proporcional: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (grifouse) § 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 6247DF CARF MF Processo nº 10865.721982/201201 Acórdão n.º 3401005.082 S3C4T1 Fl. 6.201 35 § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (grifouse) (...) Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Em seguida, Lei Federal 9.430/1996, veio a definir a aplicação dos juros em matéria de débitos federais: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Desse modo, resta clara a previsão legal para a incidência de juros moratórios sobre a multa aplicada, visto que se trata de débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela RFB. Conclusão Por todo o exposto, conheço dos Recursos e com relação ao mérito do julgamento. Em relação ao recurso voluntário, deuse parcial provimento; (i) por unanimidade de votos, para reverter as glosas sobre; (i1) paletes, estrados, bases e tampas de madeira e arames galvanizados não registrados no ativo não circulante; (i2) Serviços de Movimentação Interna e Logística; (i3) "Limpeza do Pátio/Forno", “Prestação Serviço Limpeza”, “Limpeza Pátio de Madeira/Caustificação”, “Serviços de Conservação Fabril”, “Serviços de Limpeza/Caustificação”, “Manutenção em Balança”, “Serviços Sazonal de Balanças”, “Serviços de Balança e Expedição", e "Serviços de Monitoramento” relacionados à área ambiental/florestal, e de produção; (i4) traçamento, desgalhamento, corte de madeira, aplicação aérea de inseticida, e manutenção de carreadouros; e (i5) Créditos de Períodos Anteriores, inclusive energia elétrica; e (ii) por maioria de votos, para reconhecer o cabimento da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os conselheiros André Henrique Lemos, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. O relator propunha ainda a reversão da glosa em relação a "Serviços de Capatazia" e "Transporte Marítimo", mas, nesses itens foi vencido, ao lado do conselheiro André Henrique Lemos, e, pelas conclusões (no que se refere a Serviços de Capatazia), dos conselheiros Cássio Schappo e Fl. 6248DF CARF MF 36 Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (mantida a autuação, nesse item, por voto de qualidade). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Robson José Bayerl. (assinado digitalmente) TIAGO GUERRA MACHADO Relator Fl. 6249DF CARF MF Processo nº 10865.721982/201201 Acórdão n.º 3401005.082 S3C4T1 Fl. 6.202 37 Voto Vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator designado A divergência que ora se apresenta reside na admissão de créditos em relação aos “serviços de capatazia” e “transporte marítimo”, concentrados pelo contribuinte na rubrica fretes sobre vendas. Concernente aos serviços de capatazia, tal como acentuado no voto vencido, não é possível a sua equiparação às despesas de fretes sobre vendas, ante a distinção dos contornos jurídicos de cada qual, esbarrando a apropriação de créditos sobre ditas despesas in specie na ausência de previsão legal. Por outro lado, não há como enquadrar tais custos no conceito de insumo, dentro dos parâmetros da essencialidade, relevância ou imprescindibilidade, ao passo que a acepção de “insumo”, seja bem ou serviço, está necessariamente atrelada à existência de produção ou fabricação, o que, nesta etapa, já não mais se verifica. Com efeito, as despesas em comento – capatazia –, no caso vertente, incorrem na fase pósprodução/fabricação, com o produto já acabado, de maneira que não é serviço qualificável como insumo, tampouco como frete na operação de venda, ressentindo de suporte legal para seu creditamento, mesmo que se reconheça sua importância para a atividade comercial do recorrente. Respeitante às despesas com transporte marítimo, mesmo que, em tese, exsurja o direito de crédito, no caso dos autos, a sua glosa decorreu da insuficiência probatória, o que foi inclusive asseverado pelo voto vencido, que, mesmo reconhecendo a carência, admitiu o crédito por uma questão lógicojurídica: ao reconhecer os créditos sobre os serviços de capatazia, não haveria necessidade de segregação e comprovação das despesas, como exigia a fiscalização. No entanto, vencida a tese e mantida a glosa dos serviços de capatazia, remanesceria a necessidade de apartação das despesas, não tendo logrado o recorrente promover os indispensáveis destaques, valendo, nesse ponto, a transcrição da decisão recorrida que assim detalhou a situação ocorrida: “Em relação às glosas dos créditos relativos ao imobilizado argumenta que não foram realizadas investigação e averiguação dos documentos entregues após a lavratura do auto de infração e apresenta a ‘título exemplificativo’ planilha com valores referentes a junho/2010. No entanto, de acordo com a fiscalização, a impugnante foi intimada a apresentar de forma individualizada os valores referentes aos serviços de transporte, capatazia e agenciamento de transporte e capatazia para aproveitamento dos créditos relativos aos gastos com transporte (frete), mas não os apresentou. Fl. 6250DF CARF MF 38 O mesmo ocorreu com os valores do imobilizado que geraram créditos da nãocumulatividade. Nesse caso, a contribuinte afirma que entregou os documentos solicitados em 27/07/2012, mas que a fiscalização os ignorou. Entretanto, segundo Informação Fiscal de fl. 644, a contribuinte foi seguidamente intimada a apresentar documentos e esclarecimentos, mas o fez de forma insuficiente mesmo após decorrido um prazo de 67 dias. Somente em 27/07/2012, após a conclusão dos trabalhos e da feitura do Relatório Fiscal e do auto de infração, é que apresentou, em tese, a totalidade dos documentos/esclarecimentos solicitados. Tampouco o fez com a impugnação, pois sequer as planilhas do período em análise (anos de 2009 e 2010) relativas ao imobilizado e aos fretes foram entregues, limitandose a apresentar ‘a título exemplificativo’ planilhas referentes a junho/2010, relativas a apenas parte do período que está sob análise no presente.” Consoante art. 373, II do Código de Processo Civil (2015), utilizado subsidiariamente no processo administrativo contencioso, a prova dos fatos impeditivos, modificativos e extintivos em que se funda o direito, nos casos de exigência de crédito tributário, é do sujeito passivo. Outrossim, a forma de demonstração e comprovação do direito de crédito é aquela definida pela autoridade administrativa, a quem compete o seu exame, e não aquela que entende cabível o contribuinte. Com estas considerações, voto por manter as glosas de “serviços de capatazia” e “transporte marítimo”. Robson José Bayerl Fl. 6251DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 23034.000084/2002-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/1996 a 30/06/1999
RITO PROCESSUAL DO DECRETO 3.142/99. AUSÊNCIA DE DEFESA. DESCONFORMIDADE PROCESSUAL. NÃO INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA DO PROCEDIMENTO. REVELIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA. REVISÃO DE OFÍCIO. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO.
Não apresentada defesa, resta caracterizada a revelia do contribuinte e a constituição definitiva do crédito tributário, vez que não ocorre a instauração da fase litigiosa do procedimento, nos termos dos arts. 14 e 15 do Decreto n. 3.142/1999, vigente à época dos fatos.
Inexistindo defesa na primeira instância em face de lançamento constituído, não há de se conhecer de recurso voluntário previsto no art. 37 e ss. do Decreto n. 70.235/72, vez que não observado o rito processual do Decreto n. 3.142/1999, vigente à época dos fatos, forte no art. 38 do Decreto n. 70.235/1972.
Numero da decisão: 2402-006.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/1996 a 30/06/1999 RITO PROCESSUAL DO DECRETO 3.142/99. AUSÊNCIA DE DEFESA. DESCONFORMIDADE PROCESSUAL. NÃO INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA DO PROCEDIMENTO. REVELIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA. REVISÃO DE OFÍCIO. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. Não apresentada defesa, resta caracterizada a revelia do contribuinte e a constituição definitiva do crédito tributário, vez que não ocorre a instauração da fase litigiosa do procedimento, nos termos dos arts. 14 e 15 do Decreto n. 3.142/1999, vigente à época dos fatos. Inexistindo defesa na primeira instância em face de lançamento constituído, não há de se conhecer de recurso voluntário previsto no art. 37 e ss. do Decreto n. 70.235/72, vez que não observado o rito processual do Decreto n. 3.142/1999, vigente à época dos fatos, forte no art. 38 do Decreto n. 70.235/1972.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
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AUSÊNCIA DE DEFESA. DESCONFORMIDADE PROCESSUAL. NÃO INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA DO PROCEDIMENTO. REVELIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA. REVISÃO DE OFÍCIO. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. Não apresentada defesa, resta caracterizada a revelia do contribuinte e a constituição definitiva do crédito tributário, vez que não ocorre a instauração da fase litigiosa do procedimento, nos termos dos arts. 14 e 15 do Decreto n. 3.142/1999, vigente à época dos fatos. Inexistindo defesa na primeira instância em face de lançamento constituído, não há de se conhecer de recurso voluntário previsto no art. 37 e ss. do Decreto n. 70.235/72, vez que não observado o rito processual do Decreto n. 3.142/1999, vigente à época dos fatos, forte no art. 38 do Decreto n. 70.235/1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 00 00 84 /2 00 2- 60 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 23034.000084/200260 Acórdão n.º 2402006.295 S2C4T2 Fl. 102 2 (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de efls. 30/50 em face da Notificação para Recolhimento de Débito (NRD) n. 27/2002 emitida em 08/01/2002 no valor total de R$ 63.197,96 (efls. 09/11), com fulcro em irregularidades verificadas nos recolhimentos referentes ao SalárioEducação especificamente quanto à ausência de indicação de alunos indenizados no Programa RAI relativas às competências 12/96; 06/97; e 06/99, objeto de decisão, em sede de revisão de ofício, do Ilmo. Sr. Presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) efls. 18/20 que declarou a revelia da Recorrente e decidiu pela procedência do lançamento ora em litígio. A Recorrente foi cientificada da NRD n. 27/2002 (efls. 09/11) em 15/01/2002 (efl. 12) e não apresentou impugnação, nem houve pagamento ou pedido de parcelamento. Nesse contexto, o FNDE procedeu, de ofício, a análise da NRD n. 27/2002 (efls. 09/11), declarando a revelia e decidindo pela procedência da retrocitada notificação, nos termos da decisão de efls. 18/20. Outrossim, não consta dos autos a data de ciência da Recorrente da decisão de efls. 18/20, embora haja registro de postagem do Ofício n. 299/2006/DIADE/CGEOF/DIFIN/FNDE/MEC (efls. 23/24) que encaminhou a decisão de e fls. 18/20 com datas de 25/05/2006 e 30/05/2006 (efl. 28). Todavia, na data de 29/06/2006 a Recorrente apresentou Recurso Voluntário de efls. 30/50 em face da NRD n. 27/2002 (efls. 09/11). Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. Conforme já relatado, a Recorrente não apresentou impugnação em face da NRD n. 27/2002 (efls. 09/11), havendo o FNDE, de ofício, procedido à análise da retrocitada notificação, oportunidade em que declarou a revelia da Recorrente e decidiu pela procedência do lançamento, nos termos da decisão de efls. 18/20. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 23034.000084/200260 Acórdão n.º 2402006.295 S2C4T2 Fl. 103 3 A primeira questão que salta aos olhos diz respeito à não observância do rito processual insculpido no Decreto n. 3.142, de 16 de agosto de 1999 que regulamenta a contribuição social do salárioeducação, prevista no art. 212, § 5o, da Constituição, no art. 15 da Lei n. 9.424, de 24 de dezembro de 1996, e na Lei n. 9.766, de 18 de dezembro de 1998, e dá outras providências e que se encontrava em vigor na época dos fatos. Com efeito, verificase que não se instaurou a fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal, nos termos dos arts. 14 e 15 do Decreto n. 3.142/1999, verbis: Art. 14. Após a instauração do específico processo administrativo fiscal, procedida a apuração e a atualização do débito, de acordo com a legislação previdenciária em vigor, o devedor será notificado do valor da dívida, pelo FNDE, com discriminação das parcelas devidas e dos períodos a que se referem. § 1o Recebida a notificação, o devedor terá o prazo de quinze dias para apresentar defesa junto ao FNDE, efetuar o pagamento ou apresentar solicitação de parcelamento do débito. § 2o Apresentada a defesa, o processo será submetido à decisão do Secretário Executivo do FNDE. § 3o O procedimento será encerrado se o devedor recolher o débito dentro do prazo assinalado. § 4o Aplicase o rito de que trata este artigo aos débitos decorrentes de contratos administrativos celebrados com escolas prestadoras de serviços do SME, procedidas, nestes casos, a apuração e a atualização de acordo com a Lei no 8.666, de 21 de junho de 1993. (Incluído pelo Decreto nº 4.943, de 30.12.2003) Art. 15. Da decisão do SecretárioExecutivo caberá recurso ao Conselho Deliberativo do FNDE, observado o disposto neste artigo. § 1o O recurso poderá ser interposto no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da decisão, com as razões e, se for o caso, os documentos que o fundamentam. § 2o A interposição do recurso em processo de natureza tributária dependerá de garantia de instância, devendo o recorrente, obrigatoriamente, recolher à conta vinculada do FNDE trinta por cento do valor principal do débito e dos respectivos acessórios. (Redação dada pelo Decreto nº 4.943, de 30.12.2003) § 3o O débito tempestivamente questionado ficará dispensado de novos acréscimos, se o seu valor, devidamente atualizado e acrescido dos respectivos juros e multa de mora, for integralmente depositado, até a decisão final. § 4o Os acréscimos legais de que trata o parágrafo anterior serão exigíveis até a data do depósito. § 5o Sobre a parcela pecuniária referente ao depósito obrigatório, previsto no § 2o deste artigo, não poderão ser acrescidos encargos legais. § 6o Se o débito for considerado improcedente, o valor do depósito será devolvido ao contribuinte, na forma da legislação vigente. No caso concreto não foi apresentada defesa, havendo, inclusive, declaração de revelia da Recorrente, atraindo a incidência do disposto no art. 14, § 1°., in fine, ou seja, Fl. 84DF CARF MF Processo nº 23034.000084/200260 Acórdão n.º 2402006.295 S2C4T2 Fl. 104 4 efetuar o pagamento ou apresentar solicitação de parcelamento do débito. É dizer: com a declaração da revelia, ocorreu a constituição definitiva do crédito tributário. Nessa perspectiva, o Recurso Voluntário em apreço não se reveste dos requisitos para julgamento em segunda instância, conforme dispõe o art. 37 e ss. do Decreto n. 70.235/72, vez que não enfrenta decisão em face de impugnação, que no caso concreto sequer existiu. É de bom alvitre ressaltar que a revisão de ofício não é sucedâneo recursal de impugnação, não podendo assim fazer às vezes desta, inclusive por que inexiste o contraditório e ampla defesa da Recorrente, com lastro em provas. Ao contrário, a revisão de ofício é ato unilateral da Administração e não tem o condão de inaugurar a fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal, vez que sequer é prevista no rito processual estabelecido no Decreto n. 3.142/1999. É relevante destacar ainda que falece competência ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) imiscuirse nos procedimentos previstos no Decreto n. 3.142/1999 para fins de definição do contencioso fiscal, forte no art. 38 do Decreto n. 70.235/1972, verbis: Art. 38. O julgamento em outros órgãos da administração federal farseá de acordo com a legislação própria, ou, na sua falta, conforme dispuser o órgão que administra o tributo. É dizer, uma vez não apresentada defesa na primeira instância em face de lançamento constituído, conforme a regra dos arts. 14 e 15 do Decreto n. 3.142/1999, não há de se conhecer de recurso voluntário interposto pela Recorrente. Nessa perspectiva, não há de se conhecer da peça recursal de efls. 30/50. Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do Recurso Voluntário (efls. 30/50). (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 85DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10467.720032/2017-58
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
IN RFB 1.343/2013. RETIFICAÇÃO DIRPF. ANO INICIAL.
A primeira retificação da DIRPF com vistas à utilização do benefício do art. 3º, II da IN RFB nº 1.343/2013 pode ser feita a partir do ano-calendário da aposentadoria até o ano-calendário de 2011.
Numero da decisão: 2002-000.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir a omissão de rendimentos tributáveis para R$ 24.909,24, considerando no cálculo do tributo os pagamentos apresentados que estejam confirmados no sistemas informatizados da RFB.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni, Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: FABIA MARCILIA FERREIRA CAMPELO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 IN RFB 1.343/2013. RETIFICAÇÃO DIRPF. ANO INICIAL. A primeira retificação da DIRPF com vistas à utilização do benefício do art. 3º, II da IN RFB nº 1.343/2013 pode ser feita a partir do ano-calendário da aposentadoria até o ano-calendário de 2011.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir a omissão de rendimentos tributáveis para R$ 24.909,24, considerando no cálculo do tributo os pagamentos apresentados que estejam confirmados no sistemas informatizados da RFB. (Assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (Assinado digitalmente) Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni, Virgílio Cansino Gil.
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RETIFICAÇÃO DIRPF. ANO INICIAL. A primeira retificação da DIRPF com vistas à utilização do benefício do art. 3º, II da IN RFB nº 1.343/2013 pode ser feita a partir do anocalendário da aposentadoria até o anocalendário de 2011. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir a omissão de rendimentos tributáveis para R$ 24.909,24, considerando no cálculo do tributo os pagamentos apresentados que estejam confirmados no sistemas informatizados da RFB. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni, Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 7. 72 00 32 /2 01 7- 58 Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10467.720032/201758 Acórdão n.º 2002000.137 S2C0T2 Fl. 3 2 Relatório Lançamento Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física nos seguintes valores (fl. 31): Rubrica Valor em reais Imposto 10.684,04 Multa de ofício 8.013,03 Juros de mora 5.228,76 Total à época 23.925,83 A origem do lançamento foi a omissão de rendimento tributável de R$ 132.568,60 recebido da fonte pagadora Fundação Petrobrás de Seguridade Social PETROS. Na motivação do lançamento a fiscalização explica que a aposentadoria ocorreu no ano de 2010, e que portanto, o direito à isenção de que trata a IN 1.343/2013 deveria teria sido utilizado na Dirpf/2011, dessa forma, foi efetuado o lançamento conforme a Dirf (fl. 32). Pressupostos de admissibilidade da impugnação A impugnação preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fl. 2 e 3) e tempestividade, haja vista que o contribuinte tomou ciência do lançamento no dia 27/12/2016 (fl. 35) e protocolou sua peça no dia 26/01/2017 (fl. 37), dentro do prazo de 30 dias1 portanto. Impugnação Em sua impugnação o contribuinte requer a revisão da notificação de lançamento para considerar a isenção de que trata a IN 1.343/2013, uma vez que a mesma permite a retificação das declarações apenas observando o prazo decadencial (fl. 2 e 3). Documentos impugnação Após a impugnação constam os seguintes documentos: notificação de lançamento (fl. 4 e ss); rastreamento correios (fl. 9); documento de identidade do contribuinte (fl. 10); carta da Petros (fl. 11 e ss). 1 Art. 15 do Decreto 70.235/72 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10467.720032/201758 Acórdão n.º 2002000.137 S2C0T2 Fl. 4 3 Decisão de 1ª instância A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) julgou a impugnação improcedente (fl. 41 e ss) pelas seguintes razões: a IN 1.343/2013 adotou o entendimento de que o contribuinte tem direito à restituição do imposto de renda “correspondente às contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995” por ocasião do primeiro recebimento da complementação de aposentadoria submetido à incidência do imposto e, assim, até que tenha se exaurido a totalidade do imposto indevidamente retido; No caso dos autos, conforme registrado no informe emitido pela Fundação de Seguridade Social PETROS, às fls. 11, no item intitulado “VEJA SEU CASO” a data do início do pagamento do benefício ocorreu em 25/05/2010. Como o contribuinte efetuou a retificação da Declaração de Ajuste Anual no exercício 2012, deixou de obedecer à norma procedimental expressa na Instrução Normativa anteriormente citada, qual seja a do momento do primeiro recebimento da complementação de aposentadoria; o direito ao aproveitamento do crédito de contribuições, no caso dos autos, em relação à parcela que compete a cada anocalendário, extinguese com o decurso do prazo de 5 anos, contados do dia 31 de dezembro desse anocalendário, data em que se considera ocorrido o fato gerador do Irpf. o contribuinte, tendo efetuado a retificação em 02/03/2016, no exercício 2012 (anocalendário 2011), não cumpriu com a determinação expressa nas normas citadas, posto que o recebimento ocorrido em 25/05/2010, ensejaria a retificação da declaração de ajuste no exercício 2011 (anocalendário 2010). inexistem resíduos a serem compensados em exercícios posteriores, uma vez que o valor registrado no informe de rendimentos fornecido pela PETROS de R$ 105.659,36, foi informado pela fonte pagadora como pago no ano calendário 2010. Pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário O recurso voluntário preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fl. 55) e tempestividade, haja vista que o contribuinte tomou ciência do acórdão de impugnação no dia 18/07/2017 (fl. 49) e protocolou sua peça no dia 31/07/2017 (fl. 53), dentro do prazo de 30 dias2 portanto. Recurso voluntário Em seu recurso voluntário (fl. 53 e ss) o contribuinte alega, em síntese, que a IN 1.343/2013 não diz claramente que a amortização correspondente deve ser feita no ano do pagamento do benefício admitindo a possibilidade de amortização em anos subsequentes. Assim, solicita que seja feito o cancelamento do lançamento já que o imposto cobrado no valor de R$ 10.684,04 já foi totalmente pago nas épocas devidas, conforme comprovantes em anexo. Solicita ainda que sejam excluídos os juros e multas da cobrança. No mais, solicita prioridade na análise, com base no art. 69A, Lei 9.784/99. 2 art. 33 do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10467.720032/201758 Acórdão n.º 2002000.137 S2C0T2 Fl. 5 4 Documentos do recurso voluntário Após o recurso voluntário constam os seguinte documentos: documento de identidade do contribuinte (fl. 57); intimação de acórdão de impugnação (fl. 59); demonstrativo de débito (fl. 63); acórdão de impugnação (fl. 65); darf (fl.79 e 117); carta da Petros (fl. 81 e ss); relação de darfs (fl. 99); comprovantes de pagamento de darfs (fls. 101 a 116) Voto Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo como acima demonstrado, portanto dele conheço. Prioridade processual Em consulta ao sistema informatizado de processos, verifico que os presentes autos já estão previamente marcados como prioritários em razão do Estatuto do Idoso. Assim, considerando que o pedido do recorrente já está antecipadamente atendido, não há o que analisar quanto a esta questão. Mérito Segundo o art. 3º, I e II da IN RFB nº 1.343/2013: Art. 3º Os beneficiários que se aposentaram no período de 1º de janeiro de 2008 a 31 de dezembro de 2012, que receberam rendimentos de que trata o art. 1º submetidos à incidência do imposto sobre a renda, e que não tenham ação judicial em curso, versando sobre a matéria de que trata esta Instrução Normativa, poderão pleitear o montante do imposto retido indevidamente da seguinte forma: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1495, de 30 de setembro de 2014) I na Declaração de Ajuste Anual (DAA) do anocalendário de 2012, exercício de 2013, deverão informar o montante, limitado ao valor das contribuições de que trata o caput, recebido a título de aposentadoria, na linha “outros (especifique)” da Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10467.720032/201758 Acórdão n.º 2002000.137 S2C0T2 Fl. 6 5 ficha “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”, com especificação da natureza do rendimento; II observado o prazo decadencial, poderão retificar as DAA dos anoscalendário de 2008 a 2011, exercícios de 2009 a 2012, respectivamente, nas quais tenham sido incluídos os rendimentos de que trata o caput como tributáveis, procedendo da seguinte forma: II observado o prazo decadencial, contado do dia 31 de dezembro do respectivo anocalendário, poderão retificar as DAA dos anoscalendário de 2008 a 2011, exercícios de 2009 a 2012, respectivamente, seguindose ordem cronológica, nas quais tenham sido incluídos os rendimentos de que trata o caput como tributáveis, procedendo da seguinte forma: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1495, de 30 de setembro de 2014) a) excluir o montante, limitado ao valor das contribuições de que trata o caput, recebido a título de aposentadoria, da ficha “Rendimentos Tributáveis Recebidos de PJ pelo Titular” ou da ficha “Rendimentos Tributáveis Recebidos de PJ pelos Dependentes”, se for o caso; b) informar o montante de que trata a alínea “a” na linha “outros (especifique)” da ficha “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”, com especificação da natureza do rendimento; e c) manter, na declaração retificadora, as demais informações constantes da declaração original que não sofreram alterações. Assim, de acordo com o art. 3º da IN RFB 1.343/2013, poderão pleitear o imposto de renda retido indevidamente, os beneficiários de entidade de previdência complementar que, cumulativamente: 1. se aposentaram entre 1º/jan/2008 e 31/dez/2012; 2. receberam de entidade de previdência complementar rendimentos de complementação de aposentadoria, resgate e rateio de patrimônio; 3. tais rendimentos correspondam às contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário no período de 1º/jan/1989 a 31/dez/1995 e 4. não tenham ação judicial em curso sobre a matéria No caso em tela observase que o informe de rendimentos da Petros na fl. 81 comprova que o recorrente, começou a receber benefício desta entidade em 25/05/2010, logo ele se aposentou dentro do período do item 1, preenchendo assim este requisito. Ainda no informe, fl. 97 consta informação de que o recorrente recebeu desta entidade de previdência complementar rendimentos tributáveis relativo ao ano 2011 no valor de R$ 132.568,60, o que configura o preenchimento do requisito item 2. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10467.720032/201758 Acórdão n.º 2002000.137 S2C0T2 Fl. 7 6 Nas fls. 89 a 93 do referido informe, constam as contribuições do recorrente no período de 1º/jan/1989 a 01/dez/1995 às quais totalizaram R$ 107.659,36 (fl. 93), configurandose assim o preenchimento do requisito do item 3. Em sede de impugnação, o contribuinte declarou não possuir ação judicial sobre o tema, o que configura o preenchimento do requisito do item 4. Assim, verificase que o recorrente preencheu todos os requisitos do art. 3º da IN RFB 1.343/2013. Dessa forma, poderia ele pleitear a isenção de duas formas: 1ª) Informando na Declaração de Ajuste Anual (DAA) do anocalendário 2012, exercício 2013, o montante recebido a título de aposentadoria na linha "outros" da ficha de rendimentos isentos e especificando a natureza do rendimento, limitado este montante ao valor das contribuições pagas pelo beneficiário entre 1989 e 1995, ou; 2ª) Retificando as declarações dos anoscalendário 2008 a 2011 onde constem os rendimentos de complementação de aposentadoria, seguindose a ordem cronológica, excluindo o montante da ficha de rendimentos tributáveis e incluindoo na ficha de rendimentos isentos, especificando a natureza do rendimento, limitado este montante ao valor das contribuições pagas pelo beneficiário entre 1989 e 1995. O recorrente fez uso da segunda alternativa, retificando a declaração do ano calendário 2011. A fiscalização e a DRJ entenderam que como ela se aposentou em 2010, o valor isento deveria ter sido utilizado na declaração do anocalendário 2010 e não de 2011. O contribuinte, por sua vez, alega que a IN em questão não diz claramente a que a amortização deve ser feita no ano do pagamento do benefício e estabelece que pode ser amortizada nos anos subsequentes. Tratase então de divergência de interpretação da IN 1.343/2013. Senão vejamos, considerando por hipótese que a interpretação do Fisco esteja correta, uma pessoa que se aposentou em 2008, só poderia retificar inicialmente a declaração do anocalendário 2008, o que só poderia ser feito até 31/12/2013. Como a IN 1.343/2013, que autorizou a retificação, só entrou em vigor em 08/04/2013, isso significaria que tais beneficiários teriam aproximadamente 8 meses para retificar suas declarações, sob pena de perderem tais valores. Além disso, o art. 3º, caput e o seu inciso II foram alterados em 01/10/2014, por meio da IN RFB 1.495/2014, alterações estas que tornaram a redação mais clara. Depois desta clarificação, portanto, o prazo para aqueles que se aposentaram em 2008, era então inexistente, já que havia se esgotado antes mesmo da publicação da referida alteração. Assim, esta não me parece ser uma interpretação razoável, porque ela, em alguns casos, torna o prazo por demais exíguo e até inexistente se considerarmos a importância das alterações da redação no exercício do direito. No mais, o inciso I oferta a possibilidade de utilização dos valores na declaração de 2012, não restringindo esta opção aos que se aposentaram em 2012, nem a valores remanescentes de anos anteriores. Não seria lógico que um contribuinte que, por exemplo, se aposentou em 2008 e optou por utilizar o inciso I pudesse declarar os valores em 2012 e um que também se aposentou também em 2008 mas optou por utilizar o inciso II, só pudesse declarar a isenção em 2008, mesmo havendo ainda prazo decadencial nos anos seguintes. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10467.720032/201758 Acórdão n.º 2002000.137 S2C0T2 Fl. 8 7 Segundo o art. 3º, II da IN RFB 1.343/2013, poderão ser retificadas: 1) as declarações dos anoscalendário 2008 a 2011; 2) que tenham rendimentos de complementação de aposentadoria 3) respeitado o prazo decadencial contado de 31/12 do respectivo ano calendário 4) seguindose a ordem cronológica. No caso em tela: 1) a declaração retificada foi a de 2011, preenchida portanto a exigência 1; 2) a declaração continha rendimentos de complementação de aposentadoria (fl. 22), preenchido assim o requisito 2; 3) a retificação foi feita em 02/03/2016 (fl. 21), considerando que o prazo decadencial se consumava em 31/12/2016, foi respeitado também o requisito 3; 4) sobre a condição de seguirse a ordem cronológica, entendo que isso significa que se o valor foi utilizado em um ano X, o seu saldo remanescente só poderia ser utilizado no ano X + 1 e o que remanesce em X + 2, assim sucessivamente. Assim, a ordem cronológica aplicase quando as retificações incidam sobre mais de um anocalendário, o que não é o caso aqui, já que o valor todo se exaure em apenas um anocalendário. O § 2º do art. 3º, inclusive, permite até a utilização do saldo remanescente em declarações de exercícios futuros até o seu exaurimento, desde que adotados os procedimentos dos inciso I e II. Assim, a meu ver, diante de tantas normas na IN que permitem o aproveitamento da isenção em anos diferentes daquele em que se iniciou a aposentadoria, não é razoável interpretarse que no inciso II, caso o contribuinte não utilizasse o valor no primeiro ano de sua aposentadoria, não poderia mais utilizar nos anos seguintes, quando isto não está dito expressamente na norma. O que o inciso II diz claramente é que poderão ser retificados os anos 2008 a 2011, respeitados o prazo decadencial e a ordem cronológica, a qual ainda pode ser respeitada, mesmo que o valor não seja utilizado no ano inicial da aposentadoria. Adicionalmente, de acordo com a Solução de Consulta nº 300 Cosit, de 17/10/2014: O contribuinte passa a ter direito à restituição do imposto de renda correspondente às contribuições efetuadas no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995 a partir do primeiro recebimento da complementação de aposentadoria submetido à incidência do imposto sobre a renda. Ou seja, no caso em tela, o contribuinte só tem direito à restituição do imposto de renda de 25/05/2010 em diante, , o que foi feito no caso em tela. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10467.720032/201758 Acórdão n.º 2002000.137 S2C0T2 Fl. 9 8 Nos autos consta Dirpf do recorrente do anocalendário de 2011 (fl. 21), onde se vê o rendimento de R$ 132.568,60 (fl. 23) pago pela Petros (fl. 97) declarado na seção de rendimentos isentos, contudo, conforme dito acima, o contribuinte só poderia ter declarado como isento R$ 107.659,36, conforme informe da Petros, pois este é o valor da contribuições pagas por ele de 89 a 95 (fl. 93). Assim, o valor da omissão de rendimentos tributáveis seria R$ 24.909,24. Dessa forma, o pleito merece acolhida parcial neste ponto. Os valores já pagos nos Darfs apresentados pelo contribuinte, devem ser considerados no cálculo do tributo, desde que sejam confirmados nos sistemas informatizados da RFB. Os juros e multa foram lançados em cumprimento ao previsto no art. 61, § 3º e art. 44, respectivamente, ambos da Lei 9.430/96, não sendo permitida a sua exclusão por força de lei. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de conhecer o recurso voluntário, para, no mérito, darlhe provimento parcial, para reduzir a omissão de rendimentos para R$ 24.909,24, considerando no cálculo do tributo os pagamentos apresentados que estejam confirmados no sistemas informatizados da RFB. (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Fl. 164DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13864.000146/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2004
BASE DE CÁLCULO. PIS/PASEP. AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. VALORES PAGOS ÁS EMPRESAS VEÍCULOS DE ANÚNCIOS. INCIDÊNCIA.
As agências de Publicidade e Propaganda não podem excluir da base de cálculo do PIS/COFINS valores recebidos de empresas veículos de anúncios valores das faturas /notas fiscais de serviços por se tratarem de custos e despesas. Apenas com a conversão da Medida Provisória n° 183, de 30/04/2004, na Lei n° 10.925, ocorrida em 26 de julho de 2004, foi previsto se excluir das bases de cálculos do Pis e da Cofins, pelas empresas de publicidade e propaganda, as importâncias pagas diretamente ou repassadas a empresas de radio, televisão, jornais e revistas, nos termos do art. 13 da citada lei.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
BASE DE CÁLCULO. PIS/PASEP. AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. VALORES PAGOS ÁS EMPRESAS VEÍCULOS DE ANÚNCIOS. INCIDÊNCIA.
As agências de Publicidade e Propaganda não podem excluir da base de cálculo do PIS/COFINS valores recebidos de empresas veículos de anúncios valores das faturas /notas fiscais de serviços por se tratarem de custos e despesas. Apenas com a conversão da Medida Provisória n° 183, de 30/04/2004, na Lei n° 10.925, ocorrida em 26 de julho de 2004, foi previsto se excluir das bases de cálculos do Pis e da Cofins, pelas empresas de publicidade e propaganda, as importâncias pagas diretamente ou repassadas a empresas de radio, televisão, jornais e revistas, nos termos do art. 13 da citada lei.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3402-005.439
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir os valores referentes ao período de 07/2004 a 10/2004. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento integral para cancelar a exigência fiscal, vez que os valores autuados não representam receita.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2004 BASE DE CÁLCULO. PIS/PASEP. AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. VALORES PAGOS ÁS EMPRESAS VEÍCULOS DE ANÚNCIOS. INCIDÊNCIA. As agências de Publicidade e Propaganda não podem excluir da base de cálculo do PIS/COFINS valores recebidos de empresas veículos de anúncios valores das faturas /notas fiscais de serviços por se tratarem de custos e despesas. Apenas com a conversão da Medida Provisória n° 183, de 30/04/2004, na Lei n° 10.925, ocorrida em 26 de julho de 2004, foi previsto se excluir das bases de cálculos do Pis e da Cofins, pelas empresas de publicidade e propaganda, as importâncias pagas diretamente ou repassadas a empresas de radio, televisão, jornais e revistas, nos termos do art. 13 da citada lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP BASE DE CÁLCULO. PIS/PASEP. AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. VALORES PAGOS ÁS EMPRESAS VEÍCULOS DE ANÚNCIOS. INCIDÊNCIA. As agências de Publicidade e Propaganda não podem excluir da base de cálculo do PIS/COFINS valores recebidos de empresas veículos de anúncios valores das faturas /notas fiscais de serviços por se tratarem de custos e despesas. Apenas com a conversão da Medida Provisória n° 183, de 30/04/2004, na Lei n° 10.925, ocorrida em 26 de julho de 2004, foi previsto se excluir das bases de cálculos do Pis e da Cofins, pelas empresas de publicidade e propaganda, as importâncias pagas diretamente ou repassadas a empresas de radio, televisão, jornais e revistas, nos termos do art. 13 da citada lei. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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PIS/PASEP. AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. VALORES PAGOS ÁS EMPRESAS VEÍCULOS DE ANÚNCIOS. INCIDÊNCIA. As agências de Publicidade e Propaganda não podem excluir da base de cálculo do PIS/COFINS valores recebidos de empresas veículos de anúncios valores das faturas /notas fiscais de serviços por se tratarem de custos e despesas. Apenas com a conversão da Medida Provisória n° 183, de 30/04/2004, na Lei n° 10.925, ocorrida em 26 de julho de 2004, foi previsto se excluir das bases de cálculos do Pis e da Cofins, pelas empresas de publicidade e propaganda, as importâncias pagas diretamente ou repassadas a empresas de radio, televisão, jornais e revistas, nos termos do art. 13 da citada lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP BASE DE CÁLCULO. PIS/PASEP. AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. VALORES PAGOS ÁS EMPRESAS VEÍCULOS DE ANÚNCIOS. INCIDÊNCIA. As agências de Publicidade e Propaganda não podem excluir da base de cálculo do PIS/COFINS valores recebidos de empresas veículos de anúncios valores das faturas /notas fiscais de serviços por se tratarem de custos e despesas. Apenas com a conversão da Medida Provisória n° 183, de 30/04/2004, na Lei n° 10.925, ocorrida em 26 de julho de 2004, foi previsto se excluir das bases de cálculos do Pis e da Cofins, pelas empresas de publicidade e propaganda, as importâncias pagas diretamente ou repassadas a empresas de radio, televisão, jornais e revistas, nos termos do art. 13 da citada lei. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 01 46 /2 00 8- 01 Fl. 999DF CARF MF 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir os valores referentes ao período de 07/2004 a 10/2004. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento integral para cancelar a exigência fiscal, vez que os valores autuados não representam receita. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: O presente processo contém autos de infração em que foram lançados o PIS/Pasep e a Cofins referentes aos períodos acima citados, nos valores respectivos de R$ 8.643,87 e R$ 39.894,93, que acrescidos de multa e juros resultaram em créditos tributários de R$ 19.804,84 e R$ 91.407,69. 2. A fiscalização informa que (termo de fls. 863/870), após intimar a empresa a apresentar documentos e consultar as informações contidas nas DIRF dos tomadores de serviços, além de requerer informações àquelas outras que não haviam inserido os pagamentos na DIRF mas constavam como tomadores de serviços, concluiu: As notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela empresa Página Comunicação Ltda eram divididas em duas partes, uma relacionada à receita da prestação de serviços e a outra referente ao demonstrativo de despesas com terceiros, e o somatório destas duas partes resultava no valor total da nota. Todos estes demonstrativos de despesas com terceiros foram comprovados com a anexação de notas fiscais emitidas pelas empresas responsáveis pela terceirização dos serviços para os mesmos tomadores de serviços, deixando claro, que o rendimento a ser declarado para a apuração do imposto de renda pessoa jurídica não era o valor total das notas fiscais, e sim, o referente à descrição dos serviços prestados; Fl. 1000DF CARF MF Processo nº 13864.000146/200801 Acórdão n.º 3402005.439 S3C4T2 Fl. 1000 3 ........ Da leitura dos itens anteriores, constatase o não cabimento do lançamento de oficio referente ao imposto de renda pessoa jurídica, conforme cuida o art. 53, inciso II e parágrafo único da Lei 7.450/85, e a Instrução Normativa SRF 24/86. No entanto, em relação à base de cálculo do PIS/COFINS das agências de propaganda e publicidade, após pesquisas realizadas na legislação que rege a matéria, foi obtido o seguinte embasamento legal: (Transcreve Art. 651 do RIR Art. 53 da Lei 7450/85 e alterações, Art. 13 da Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004 e Art. único do ADI SRFn° 8 ) Pela análise dos textos legais acima, a conclusão é de que, para o PIS/COFINS, as agências de publicidade somente gozariam da redução da BC desses tributos a partir de 23/10/2004. (...) ....... Diante disso, foram modificadas as bases de cálculos mensais para apuração do PIS/COFINS, considerandose como receita a totalidade dos rendimentos auferidos, não sendo considerados os repasses efetuados, conforme planilha entregue pelo contribuinte, constante às fls.128 a 140, sendo as diferenças apuradas objeto de auto de infração. (...). 3. Cientificada em 18.06.2008 (AR fl. 892), a interessada apresentou, tempestivamente, em 18.07.2008, impugnação (fls. 894/906) na qual apresenta os seguintes argumentos: a) Primeiramente descreve a prestação de serviços e a sistemática de cobrança pelos serviços prestados; b) “No vencimento, recebem dos clientes anunciantes as quantias relativas is suas comissões, representativas de sua receita, bem como aquelas constantes das faturas dos fornecedores de produção, como dos veículos de comunicação, para que a agência, na condição de gestora da conta de publicidade do cliente anunciante, coordene os pagamentos respectivos.”; c) “Assim, em razão das peculiaridades da própria atividade das agências de propaganda legalmente regulamentada, as quantias destinadas ao pagamento dos fornecedores de produção, como aquelas destinadas aos veículos de comunicação, apenas transitam pelos respectivos estabelecimentos, sem contudo, integrarlhes o patrimônio, não representando, por isso, receita da atividade passível de tributação pelo PIS e pela COFINS”; d) “Nessas condições, por Obvio, que o PIS e a COFINS incidirão unicamente sobre a receita efetiva das agências de publicidade, e terão como base de calculo o valor das comissões percebidas, que correspondem aos ingressos com caráter de definitividade e que integrarão o seu patrimônio.”; e) “Todavia, conquanto desnecessário, mas revelando o cuidado do legislador com a atividade das agências de propaganda, em 23 de julho de 2004, dispôs o art. 13 da Lei n° 10.925/2004, que na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS das agências de publicidade e propaganda, aplicarseiam as disposições do parágrafo único Fl. 1001DF CARF MF 4 do art. 53 da Lei n° 7.450/85, segundo as quais, excluemse da base de cálculo as importâncias pagas diretamente ou repassadas as empresas de rádio, televisão, jornais e revistas.”; f) “No caso das agências de propaganda, como já acentuado, quando contratam com o cliente anunciante, obrigamse à prestação dos serviços próprios, consistentes no estudo, na concepção e na execução dos serviços relativos às suas atividades, cujos valores, em contraprestação, representarão a sua efetiva receita.”; g) “Nessas condições, os valores relativos aos serviços prestados diretamente pelos fornecedores de produção e pelos veículos de comunicação que faturam diretamente contra o cliente anunciante, por óbvio, não podem compor a base de cálculo do PIS e da COFINS, em período anterior a 23 de julho de 2004, como sugerido no Ato Declaratório Interpretativo SRF N° 08, 12 de agosto de 2005, por não constituir receita da respectiva agência.”; h) “Aliás, há muito que a própria Receita Federal, por meio de seus normativos, vem revelando, de forma inequívoca, o acolhimento de tal entendimento”; i) “Na atualidade, o tema se encontra disciplinado no art. 15 da Instrução Normativa SRF n° 480, de 15 de dezembro de 2004, não sofrendo qualquer modificação pela IN/SRF n° 539/2005, (...)” j) “Todos esses pressupostos retirados do modelo constitucional do PIS e da COFINS, ao qual se harmonizam as normas jurídicas subconstitucionais referidas e inseridas no sistema, mais do que suficientes para apontarem a verdadeira natureza da regra descrita no art. 13, da Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004, (...)” k) “Meros ingressos, como já enfatizado, que só transitam pela pessoa jurídica sem o caráter de definitividade, recebidos sob condição e sob regime jurídico que carrega simultânea obrigação de igual grandeza, por não se integrarem definitivamente à patrimonialidade do destinatário, jamais se amoldarão ao conceito de receita, jamais corresponderão à base de cálculo representativa do elemento quantitativo da hipótese de incidência do PIS/COFINS.”; l) “E, assim sendo, as suas disposições serão aplicadas as regras do art. 106, I, do Código Tributário Nacional, (...)”; m) “No entanto, há normas com sentido temporal duplo, isto é, tanto se aplicam aos eventos de possível ocorrência, como explicam e interpretam fatos ocorridos, com nítido efeito retroativo. São as leis interpretativas, cujo objetivo esclarecer eventuais dúvidas acerca de um direito ou de um dever já existente”; n) “É exatamente o que ocorre com o art. 13, da Lei n° 10.925/2004, que não cria direito novo, mas explica o direito já existente interpretando, para não restar dúvidas, no que consiste a base de calculo do PIS e da COFINS para as atividades de propaganda e publicidade, respeitando se, dessa forma, o art. 195, I, ‘b’, da Constituição Federal, que estabelece a denominada ‘norma padrão de incidência’, onde toda a atividade legiferante subconstitucional busca o seu fundamento de validade.”; o) “Por tudo o que demonstrou e provou nas razões precedentes, as exigências aqui impugnadas de PIS e COFINS, resultam inequivocamente improcedentes, tendo em vista haverem tomado como base parcelas que apenas transitaram, por conta contábil de natureza transitória, no âmbito da impugnante, mas que não representam ingressos com caráter de definitividade, não se amoldando, por isso, ao conceito de receita bruta, desenhado constitucionalmente, alem de representar ato frontalmente violador das disposições do art. 3° da Lei 4.680/65, do art. 6° do Decreto 57.690/66.” Ato contínuo, a DRJBELÉM (PA) julgou a Impugnação do contribuinte nos seguintes termos: Fl. 1002DF CARF MF Processo nº 13864.000146/200801 Acórdão n.º 3402005.439 S3C4T2 Fl. 1001 5 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2004 BASE DE CÁLCULO. EMPRESAS DE PUBLICIDADE E PROPAGANDA. EXCLUSÃO. REPASSE. A partir da edição da Lei nº 10.925, de 2004, podem ser excluídas da base de cálculo de empresa de propaganda e publicidade as importâncias pagas diretamente ou repassadas a empresas de rádio, televisão, jornais e revistas, sendo atribuída à pessoa jurídica pagadora e à beneficiária responsabilidade solidária pela comprovação da efetiva realização dos serviços. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Neste Recurso, a Empresa repisou os mesmos argumentos apresentados na sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. O lançamento fiscal foi decorrente de apuração de insuficiência de recolhimento da COFINS e do PIS uma vez que a Empresa, segundo a Autoridade Fiscal, excluiu indevidamente da base de cálculos dessas contribuições os valores repassados a terceiros (veículos de propaganda), sem que houvesse amparo legal. O Contribuinte, por sua vez, alega que o valor repassado aos veículos de comunicação pelos anúncios não compõem a base de cálculo, por não ser considerado faturamento, uma vez que as empresas de publicidade servem apenas de intermediadora entre o veículo de comunicação e o cliente, recebendo na mesma nota fiscal os honorários do serviço de publicidade e da veiculação da propaganda. Nesse cenário, o mérito da presente lide cingese a decidir se os valores repassados pelas agências de publicidade aos veículos de propaganda devem ser excluídos ou não da apuração do PIS/Pasep e Cofins. Constatase que a legislação regente da matéria é o art.2º da Lei nº9.718/98 que estabelece, quanto as pessoas jurídicas em geral, que as contribuições devidas ao PIS/Pasep à COFINS serão calculadas com base no seu faturamento e prevê as suas exclusões, notadamente, apenas quanto ao IPI, vendas canceladas e os descontos concedidos incondicionalmente. Fl. 1003DF CARF MF 6 No caso concreto, a Fiscalização tributou as receitas oriundas do faturamento da empresa com base nas notas fiscais de serviços emitidas, conforme determina a legislação anteriormente citada. Sendo incontroverso nos autos que os valores lançados correspondem aos das faturas emitidas pela Fiscalizada. Como já antes afirmado, a discordância da apuração feita pela Fiscalização com a do Contribuinte reside unicamente na exclusão da base de cálculo os valores correspondentes aos pagamentos efetuados aos veículos de comunicação pelos anúncios realizados. Em sua defesa, a empresa informa que nas notas de prestação de serviços emitidas segrega os valores recebidos a título de despesas com serviços de terceiros e os seus honorários (comissões) próprias recebidas pela veiculação do anúncio (fls.153 a 830). Nesse sentido, pretende a recorrente que somente seja tributada a receita referente às comissões recebidas pelos anúncios veiculados. Quanto aos valores recebidos por serviços de terceiros, argumenta que não detém a disponibilidade dos valores devidos pelos seus clientes (anunciantes), apesar de discriminálos em nota fiscal que expede para receber pelos seus serviços, não compõe o seu faturamento. Tal sistemática, segundo informa, é determinada pelos artigos 3° e 4°da Lei n° 4.680/65, e Decreto nº.57.690/66, artigos 15, 16, e 9°, incisos III e IV. Percebese que o Contribuinte emitiu uma nota fiscal na qual consta os seus honorários e o valor correspondente aos gastos com a veiculação do anúncio. Tal procedimento nos leva a crer que contratou com o seu cliente (anunciante) a sua remuneração com valor global pelos serviços prestados de criação e divulgação. A exclusão dos gastos com a veiculação do anúncio, como quer a Recorrente, representaria tributar apenas a receita líquida, deduzindo custos incorridos na prestação de serviços. Conforme, já indicado anteriormente, carece de amparo legal a exclusão pretendida, uma vez que o art.2º da Lei nº9.718/98 prevê, para as pessoas jurídicas em geral, apenas as exclusões referentes ao IPI, vendas canceladas e os descontos concedidos incondicionalmente. Os dispositivos da Lei nº4.680/65 utilizados pela Recorrente para sustentar a correção das exclusóes realizadas nas bases de cálculo do PIS e da COFINS também não lhe socorrem por não tratarem a respeito de matéria tributária relativa a base de cálculo das contribuições. Quanto a essa questão, utilizome das considerações do Conselheiro Redator Designado Emanuel Carlos Dantas de Assis, que no acórdão nº 20313.079 discorreu sobre o mesmo tema suscitado por outra agência de propaganda em defesa de autuação semelhante: A Lei nº 4.680/65, como sua ementa indica, dispõe “sobre o exercício da profissão de Publicitário e de Agenciador de Propaganda e dá outras providências.” Após definir que agenciadores são “os profissionais que, vinculados aos veículos da divulgação, a eles encaminhem propaganda por conta de terceiros” (art. 2º), e que agência é a pessoa jurídica especializada em publicidade (art. 3º), estabelece no seu art. 11 que a comissão constitui a remuneração dos agenciadores, enquanto o desconto a remuneração das agências, sendo ambas fixadas pelos veículos de divulgação, sobre os preços estabelecidos em tabela destes. A finalidade da referida Lei é regular as profissões de publicitário e agenciador de propaganda e não o mercado de propaganda e publicidade. Tanto assim que nos seus artigos finais determinou a sua fiscalização a cargo do antigo Departamento Nacional do Trabalho, enquanto sua regulamentação ficou para o Ministério do Trabalho. Além do mais, o meio da publicidade não funciona como prevê a lei, sendo comum as agências substituírem as pessoas físicas que exercem a atividade regulamentada de agenciador de propaganda. Embora o artigo 17 da referida Lei nº 4.680/65 estabeleça que a atividade publicitária nacional será regida pelos princípios e normas do Código de Ética dos Profissionais da Propaganda, instituído em 1957, nem na Lei, nem no Código, há qualquer dispositivo de índole Fl. 1004DF CARF MF Processo nº 13864.000146/200801 Acórdão n.º 3402005.439 S3C4T2 Fl. 1002 7 tributária, tampouco dispondo sobre os valores das faturas/notas fiscais a serem emitidas pelas agências ou pelos veículos de propaganda. As disposições acerca do faturamento, mas não sobre os valores de faturas ou notas fiscais, repitase, encontramse no Decreto nº 4.680/65, que dispõe: Art 9º Nas relações entre a Agência e o cliente serão observados os seguintes princípios básicos. (...) IV O Cliente comprometerseá a liquidar à vista, ou no prazo máximo de trinta (30) dias, as notas de honorários e de despesas apresentadas pela Agência. (...) Art 15. O faturamento da divulgação será feito em nome do Anunciante, devendo o Veículo de Divulgação remetêlo à Agência responsável pala propaganda.” (Grifos nosso) Os dois dispositivos acima precisam ser lidos em conjunto, impondose uma interpretação sistemática. Assim, percebese que a agência poderá cobrar os seus honorários e apresentar ao anunciante as despesas que realizar. Todavia, cada nota fiscal ou fatura deve ser emitida com o valor dos serviços que cada empresa realizar: a da agência com o valor dos seus diversos serviços, a do veículo com o valor da veiculação. Uma fatura englobando as outras, como no caso em tela, é prova de que quem emitiu pelo total contratou todos os serviços. Por que o veículo deve remeter a sua fatura à agência de propaganda? Para que esta confira os serviços e apresentea ao anunciante, demonstrando que a propaganda elaborada foi devidamente veiculada e que cada um (agência e veículo) possa receber a sua parte, a par das faturas emitidas, na forma dos contratos firmados. A interpretação feita pela recorrente não se sustenta porque transforma simples apresentação da fatura do veículo, ao anunciante, numa suposta obrigatoriedade de emissão da sua fatura por valor irreal, que não refletiria as operações. Pretende fazer prevalecer sobre a legislação tributária e comercial dispositivos isolados da Lei nº 4.680/65 e do Decreto que a regulamenta, numa interpretação assaz desarrazoada que não encontra guarida nem ao menos na literalidade dos texto legal. As agências de propaganda desenvolvem atividades complexas, sendo remunerada de diversas formas, tanto por parte dos veículos quanto pelos clientes anunciantes. Neste sentido a própria recorrente informa que tal remuneração pode ser decomposta em três parcelas: honorários à base de 20%, cobrados dos veículos; honorários de no mínimo 15%, cobrados dos clientes anunciantes;e honorários diversos, por serviços especiais, como pesquisas de mercado, promoção de vendas, relações públicas, etc. Destarte, uma agência pode realizar os contratos mais diversos, tanto com os seus anunciantes quanto com os veículos, a depender de cada situação específica. O desconto a ser recebido dos veículos, de que fala o art. 11 da Lei nº 4.680/65, é apenas uma das formas possíveis de remuneração, constituindose na hipótese em que a agência é remunerada pelos veículos e não pelos anunciantes. Fl. 1005DF CARF MF 8 A hipótese dos autos é outra, pois a recorrente, ao emitir a nota fiscal/fatura pelo valor total dos serviços, deixa caracterizado um contrato em que é remunerada de forma global pelos anunciantes. Tratase de um “pacote fechado”, nos quais dentre outros serviços encontrase o de veiculação, a ser contratado junto a emissoras de televisão, rádios, editoras, etc. Daí os pagamentos aos veículos serem custos e não meros repasses financeiros. Neste ponto cabe destacar que a fatura é o documento comprobatório de um serviço prestado ao seu destinatário por quem a emite, no valor da importância total nela consignada. É o que informa o art. 20 da Lei nº 5.474/68, cuja dicção é a seguinte: Art. 20. As empresas, individuais ou coletivas, fundações ou sociedades civis, que se dediquem à prestação de serviços, poderão, também, na forma desta lei, emitir fatura e duplicata. § 1º A fatura deverá discriminar a natureza dos serviços prestados. § 2º A soma a pagar em dinheiro corresponderá ao preço dos serviços prestados.” (destaque nosso) Interpretando o artigo acima, Rubens Requião informa que “a fatura discriminará a natureza do serviço prestado, e a soma a pagar corresponderá ao seu valor.” Valor este que corresponde a receita auferida pela recorrente, embora parte dela seja destinada aos veículos de propaganda. Ressaltese que após emitida a fatura o prestador dos serviços poderá acompanhá la de duplicata, que como se sabe é título executivo extrajudicial. Ou seja, a recorrente tornase titular do direito de crédito junto ao anunciante, no valor da fatura emitida. No caso dos autos, em que os veículos também emitem notas fiscais contra os anunciantes, de forma que a soma dos documentos comerciais resulta num valor superior à soma dos serviços, o procedimento não está correto. Os veículos deveriam faturar em nome da recorrente. Da forma como está há duplicidade de valores faturados contra o anunciante. De todo modo, e apesar da incorreção, o fato de a recorrente ter em seu poder vias de notas fiscais emitidas por terceiros contra o seu credor, o anunciante, não lhe permite deduzir tais valores da sua receita bruta. Até porque é certo que o PIS também incidirá sobre os valores faturados pelos veículos, em face da sua incidência em cascata ou bis in idem (bisrepetição; in idemsobre o mesmo). Passase agora à análise da base de cálculo do PIS, que no período é o faturamento ou receita bruta, na forma das Leis nºs9.715/98 e 9.718/98, sendo despiciendo analisar as alterações promovidas por esta última. Do total das receitas auferidas, relativas a vendas de mercadorias e prestação de serviços, não são deduzidos os custos ou despesas, ainda que o resultado implique em prejuízo. Daí não se aplicar ao PIS nem à Cofins o conceito contábil de receita como acréscimo patrimonial, não havendo nisto qualquer ofensa ao art. 110 do CTN. Neste sentido o pronunciamento do STF na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 1, mais precisamente no voto do relator, Min. Moreira Alves, ao acentuar a conceituação de faturamento para fins tributários, nos termos da LC nº 70/91. Também não tem qualquer importância a contabilidade, não alterando a base de cálculo do PIS a apropriação dos valores recebidos dos anunciantes, na parte destinada aos veículos, em conta do passivo. Como obrigações também podem ser apropriados outros custos e despesas, sem qualquer influência no cálculo do PIS. Neste sentido a Lei nº 9.718/98 veio explicitar, no seu art. 3º, § 1º, que “Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.” Fl. 1006DF CARF MF Processo nº 13864.000146/200801 Acórdão n.º 3402005.439 S3C4T2 Fl. 1003 9 As deduções possíveis na base de cálculo do PIS são somente aquelas elencadas expressamente em lei, a depender das especificidades de cada atividade. Assim acontece, por exemplo, com as sociedades cooperativas, as instituições financeiras e as operadoras de planos de saúde, mas não com a atividade de propaganda e publicidade, sujeitas às mesmas regras das outras prestadoras de serviços. No IRPJ, bem diferente do PIS e da Cofins, a base de cálculo é a renda ou resultado do período, podendo ser deduzidos das receitas os custos e as despesas incorridos. Por isto é que a legislação do IRPJ prevê que a retenção desse imposto, na atividade de agência de propaganda, se dê sobre o valor líquido, após a dedução dos pagamentos aos veículos. Nessa mesma direção, transcrevo parcialmente as ementas de acórdãos da CSRF que referendam o mesmo entendimento quanto a impossibilidade de se excluir das bases de cálculo do PIS e da Cofins as importâncias pagas diretamente ou repassadas a empresas de radio, televisão, jornais e revistas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 28/12/2002 a 31/12/2002 BASE DE CÁLCULO. PIS/PASEP. AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. VALORES PAGOS ÁS EMPRESAS VEÍCULOS DE ANÚNCIOS. INCIDÊNCIA. As agências de Publicidade e Propaganda não podem excluir da base de cálculo do PIS, valores recebidos de empresas veículos de anúncios valores das faturas /notas fiscais de serviços por se tratar custos e despesas. (Acórdão nº 9303004.668 da 3ª turma da CSRF, de 16 de fevereiro de 2017, Conselheiro Demes Brito) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003 COFINS/FATURAMENTO. AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. BASE DE CÁLCULO. VALORES REPASSADOS A TERCEIROS. TRIBUTAÇÃO. As agências de propaganda e publicidade não podem excluir da base de cálculo da Cofins, apurada a partir da soma dos valores totais das faturas/notas fiscais de serviços por elas emitidas, os valores pagos aos veículos de divulgação, que não são meros repasses financeiros, mas sim custos ou despesas. NOTA FISCAL/FATURA. PREÇO DOS SERVIÇOS PRESTADOS. A nota fiscal/fatura representa o valor dos serviços prestados pelo emitente ao seu destinatário, no valor da importância total nela consignada. (Acórdão nº 930301.595 da 3ª turma da CSRF, de 30 de agosto de 2011, Conselheiro Henrique Pinheiro) Fl. 1007DF CARF MF 10 No entanto, tal cenário apresentado sofreu significativa alteração com a conversão da Medida Provisória n° 183, de 30/04/2004, na Lei n° 10.925 de 23/07/2004, ocorrida em 26 de julho de 2004, em que foi incluído o art. 13, no qual foi permitida às empresas de publicidade e propaganda excluir das bases de cálculo do PIS e da Cofins, as importâncias pagas diretamente ou repassadas a empresas de radio, televisão, jornais e revistas, assim dispondo: Art. 13. 0 disposto no parágrafo único do art. 53 da Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985, aplicase na determinação da base de calculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS das agências de publicidade e propaganda, sendo vedado o aproveitamento do crédito em relação as parcelas excluídas. • Art. 18. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Por sua vez a Lei n° 7.450, de 23/12/1985, dispõe, in verbis: Art 53 Sujeitamse ao desconto do imposto de renda, alíquota de 5% (cinco por cento), como antecipação do devido na declaração de rendimentos, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas: (..). II por serviços de propaganda e publicidade. Parágrafo único No caso do inciso II deste artigo, excluemse da base de calculo as importâncias pagas diretamente ou repassadas a empresas de rádio, televisão, jornais e revistas, atribuída a pessoa jurídica pagadora e a beneficiária responsabilidade solidária pela comprovação da efetiva realização dos serviços. Percebese que, de acordo com os dispositivos transcritos acima, somente para os fatos geradores ocorridos a partir de 26 de julho de 2004, as empresas de publicidade e propaganda podem excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins, as importâncias pagas diretamente ou repassadas a empresas de rádio, televisão, jornais e revistas. No caso concreto, portanto, os fatos geradores ocorrido a partir de 07/2004 até 10/2004 devem ter o lançamento fiscal cancelado, enquanto o período de 01/2004 a 06/2004 deve ser mantido, haja vista a falta de previsão legal para exclusão nas bases de cálculo do PIS e da Cofins das importâncias pagas diretamente ou repassadas a empresas de rádio, televisão, jornais e revistas, conforme ficou demonstrado neste voto. Por fim, cabe frisar que não se cogita atribuir retroatividade na eficácia do art.13 da Lei nº10.925/04, uma vez que não se enquadra em qualquer das hipóteses previstas no art. 106 do CTN. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir do lançamento o período de 07/2004 a 10/2004. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 13864.000146/200801 Acórdão n.º 3402005.439 S3C4T2 Fl. 1004 11 Fl. 1009DF CARF MF
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