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Numero do processo: 37311.009953/2006-33
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1999 a 03/05/2000
Ementa: A falta da exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciária dificulta o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo, retirando do crédito o atributo de certeza e liquidez para garantia da futura execução fiscal. A inviabilidade do saneamento do vício enseja a anulação do crédito.
Processo Anulado.
Numero da decisão: 206-00.103
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos em anular a NFLD, por vicio material.
Nome do relator: Bernadete de Oliveira Barros
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A inviabilidade do saneamento do vicio enseja a anulação do crédito. Processo Anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ,.___, - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Processo n.° 37311.009953/2006-33 e) 5 016 CCO2/096 Acórdão n.° 206-00.103 / Fls. 228 &Ima Oliveira Mal: SaPe 877862 ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos em anular a NFLD, por vicio material. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente Ott. t^"•- BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Daniel Ayres Kalume Reis, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Cleusa Vieira de Souza e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. • Processo n°37311.009953/2006-33 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.103 - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fls. 229 CONFERE COMO ORIGINAL larlmbe. / C3 4. Uma Mv • avara Relatório mat, Se» 877862 Trata-se de crédito previdenciário lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, referente à obrigação do contratante de serviço mediante cessão de mão-de- obra reter 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura emitida pelo prestador de serviço. Consta do Relatório da NFLD (fls. 25 a 27) que a recorrente contratou serviços temporários junto à empresa ATRA PRESTADORA DE SERVIÇOS EM GERAL S/C LTDA, e deixou de apresentar o contrato de prestação de serviços e os comprovantes de recolhimento das obrigações previdenciárias, no período de 12/1997 a 02/1998, 04/1998, 06/1998, 11/1998, 01/1999 e 03/1999 a 05/2000. A autoridade notificante esclarece que, até 01/99, aplica-se o instituto de responsabilidade solidária, e, a partir de 02/99, a empresa contratante passou a ser responsável pela retenção e pelo recolhimento do percentual de 11% sobre o valor bruto das notas fiscais. A notificada impugnou o débito via peça de fls. 37 a 49, alegando, em síntese, cerceamento de defesa por falta de tempo hábil para elaboração da defesa, decadência do débito, existência de recolhimento efetuado pelo devedor original, aplicabilidade do beneficio de ordem na responsabilidade solidária até 06/97, necessidade de comprovação da existência de débito contra o obrigado principal e ilegalidade da retenção de 11%. Informa, ainda, que a recorrente encontra-se impedida de efetuar a retenção de que trata o art. 31 da Lei 8.212/91, tendo em vista a concessão de liminar em mandado de segurança que garante à tomadora o não cumprimento da referida obrigação. A Secretaria da Receita Previdenciária — SRP, alegando consideração aos princípios constitucionais de ampla defesa e do contraditório (fls. 151/152), desmembrou a NFLD 35.543.159-9, nela restando consignados apenas os valores relativos à retenção, passando as contribuições exigidas com base na solidariedade a fazerem parte da NFLD 35.542.925-0. Por meio da Decisão-Notificação n° 21.426.4/0203/2004, a SRP julgou o lançamento procedente, esclarecendo que o prazo legal concedido para a apresentação de defesa é aplicável a todos os contribuintes e não viola o direito à ampla defesa, e salientando que o art. 32 da Portaria 357/2002 veda expressamente a concessão de prazo maior. Informa que deixa de apreciar as questões sobre a decadência e sobre a necessidade de se constituir o crédito inicialmente contra o prestador, tendo em vista o desmembramento da NFLD, de onde foram extraídos os lançamentos referentes à responsabilidade solidária e às competências anteriores a 02/1999. Defende a legalidade e a constitucionalidade da retenção dos 11% sobre os valores das notas fiscais, colacionando a doutrina e a jurisprudência para demonstrar suas alegações e esclarece que a medida liminar em mandado de segurança para que o prestador não sofresse a retenção é de 16/11/1999, e valeria apenas para as competências 11/1999 a 05/2000, mas que foi denegada a segurança e tomada sem efeitos a liminar concedida. Inconformada com a decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 191 a 199), repetindo as alegações já apresentadas na impugnação. MF - SEGUNDO COs....._rio et- '11 NTES • Processo n.° 37311.009953/2006-33 CONFERE COMO OR., CCO21C06 Acórdão ri.° 206-00.103 Bradis. 05 / 0g Fls. 230 Uma tdde divera 877 2 . Preliminarmente, reitera que o awte-espeçaitetitepae-que-cirsporat recorrente para rever todo o trabalho do fiscal, desenvolvido em quase 10 meses na empresa, configura verdadeiro cerceamento do direito da ampla defesa. Inova ao destacar que o fiscal responsável pela lavratura da NFLD não indicou os motivos de fato que configurariam os serviços contratados pela recorrente como cessão de mão-de-obra e defende que a exigência da retenção de 11% sobre o valor das notas fiscais somente deve prevalecer no caso em que a cessão de mão-de-obra restar plenamente caracterizada. Insiste que a recorrente estava impedida judicialmente de efetuar as retenções em comento, no período de 11/99 a 05/00 e entende que, estando a fonte retentora impedida por força de decisão judicial de efetuar a retenção em determinado momento, não cabe impor esta obrigação à fonte em momento posterior, já que o fato econômico que permitiria a retenção e que revela capacidade contributiva já não está mais presente. Argumenta que os comprovantes de recolhimento de contribuições previdenciárias efetuado pela Atra, no período de 04/99 a 12/99, possuem o condão de provar que houve pagamento, devendo tal exigência ser cancelada e a prestadora fiscalizada, para fins de apurar a veracidade dos fatos. Reafirma o entendimento de que a exigência de retenção dos 11% viola o art. 128 do CTN, sendo, portanto, ilegal, e cita a doutrina e a jurisprudência para reforçar suas alegações. Em Contra-Razões às fls 203 a 206, a Secretaria da Receita Previdenciária manteve a procedência do lançamento. Em Decisório proferido pela 2° CAJ do CRPS (fls. 209 a 211), o processo foi convertido em diligência para a juntada dos MPF's complementares e a recorrente, cientificada do resultado da diligência, se manifestou alegando que a ciência do MPF-C n° 2 ocorreu em data posterior ao prazo previsto no MPF-C n° 1, o que retira a legitimidade da NFLD, uma vez que o fisco pretendeu estender seus trabalhos em momento em que a fiscalização já estava extinta por decurso de prazo. Em contra-razões, a SRP esclarece que o MPF-C foi emitido dentro do prazo de validade do MPF-C n° 1, sendo que apenas sua ciência pelo contribuinte ocorreu após o término da vigência do MPF anterior. Assim, conclui que, não sendo o MPF-C n° 2 nulo, também não os são os atos fiscais realizados após sua emissão. É o Relatório. • Processo n.° 37311.009953/2006-33 CCO2/C06 Acérclào n.° 206-00.103 NIF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fls. 231 CONFERE COMO ORIGINAL &adia. 9- 9-- I QC5 Og 1: 0 Silaba Olvetra Voto Mal: Sape 877862 Conselheira BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Relatora O recurso é tempestivo e a recorrente efetuou o depósito recursal (fl. 200). Preliminarmente, a recorrente alega cerceamento de defesa por não ter sido concedido prazo suficiente para contestar amplamente as notificações que lhe foram apresentadas. Todavia, verifica-se dos autos que a notificação se deu em 08/10/2003 e a cientificação da DN em 09/12/2004. Ou seja, ao contrário do que alega, a recorrente teve mais de um ano para "rever todo o trabalho fiscal, verificar a realidade dos fatos em seus livros e documentos fiscais, obter o necessário suporte técnico" e elaborar seu recurso. Portanto, não há que se falar em cerceamento de defesa. Ademais, não há previsão legal para prorrogação do prazo de apresentação de defesa. A notificada alega, ainda, nulidade do lançamento sob o argumento de que o fiscal responsável pela lavratura da NFLD deixou de indicar os motivos de fato que configurariam os serviços contratados pela recorrente como cessão de mão-de-obra e que a NFLD sequer faz menção a qualquer procedimento ou argumento que ensejaria o enquadramento dos serviços prestados pela ATRA como espécie de cessão de mão de obra. De fato, da leitura do Relatório Fiscal (fls. 25 a 27), verifica-se total omissão em relação ao tipo do serviço prestado. A autoridade notificante não esclarece, por exemplo, se os serviços prestados são contínuos ou se a mão-de-obra empregada está à disposição da recorrente e submetida a seu comando. Não há nos autos cópias das notas fiscais com a descrição dos serviços ou referência ao local da prestação dos serviços prestados, se nas dependências da notificada ou de terceiros. A auditoria lançou os valores das contribuições que julgou devida em virtude da falta de retenção, pela notificada, de 11% sobre o valor bruto das notas fiscais emitidas pelas empresas contratadas, conforme art. 31 e § 5° do art. 33, da Lei 8212/1991. Porém não indicou em quais elementos se baseou para enquadrar os serviços prestados pela ATRA no conceito legal de cessão-de-mão de obra, prejudicando, o notificado, em seu direito à ampla defesa e ao contraditório. O instituto jurídico da cessão de mão-de-obra encontra-se definido no § 3° do art. 31, da Lei n°8.212/91, na redação dada pela Lei n°9.711/98: "Parágrafo 3° Para os fins desta Lei, entende-se como cessão de mão- de-obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e afonia de contratação". O § 4° do mesmo artigo relaciona os serviços que se enquadram no conceito de cessão de mão de obra: ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINALProcesso n.° 37311.009953/2006-33CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.103 Brasília, 9.9- o'D) oS Fls. 232 o Soim • Olmeira Mat.: Slape 877882 ",§' 4° Enquadram-se na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (Redação dada pela Lei n°9.711, de 20/11/98) 1- limpeza, conservação e zeladoria; II - vigilância e segurança; III - empreitada de mão-de-obra; IV- contratação de trabalho temporário na forma da Lei n°6.019, de 3 de janeiro de 1974". Como somente serão alcançados pela obrigação tributária da retenção os serviços realizados mediante cessão de mão-de-obra, a autoridade lançadora deveria indicar os elementos de convicção que a levaram a enquadrar os serviços prestados na definição legal transcrita acima. Ora, o crédito lançado deverá sempre ser envolvido em cuidados especiais, de modo a apresentar elementos inquestionáveis de convicção, permitindo, principalmente, o exercício da ampla defesa do contribuinte. A autoridade julgadora de 1 8 instância alega, no item 16 do contra-razões oferecido ao recurso da empresa (fls. 204/205), que a atitude das Auditoras em mencionar o número de meses em que os serviços são prestados revela a intenção de caracterizar a continuidade dos serviços. Porém, entendo que não basta a "intenção", e sim a clareza e precisão na caracterização da continuidade de serviços, em observância ao disposto no art. 37, da Lei 8.212/91: "Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento das contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento". (grifo nosso). O que se questiona é a falta de motivação e clareza do Relatório Fiscal. O agente notificante não indicou os elementos que o levaram à convicção de que existiu cessão de mão de obra nos serviços prestados pela ATRA, nem esclareceu se a contratação do trabalho temporário se deu na forma da Lei n° 6.019, de 3 de janeiro de 1974, se restringindo a citar os dispositivos legais que amparam o lançamento. No entanto, como ato administrativo, o lançamento deve estar devidamente motivado, afim de que o particular possa exercer seu direito à ampla defesa e ao contraditório em sua plenitude. MF -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.• 37311.009953/2006-33 CONFERE COM O ORIGINAL CCO2/C06 AcOrdlo o.° 206-00.103 P 9- o C5 / g Fls. 233Brasile. Sina ilÁgcle Oben Mt Slaps 877882 E, para exigir o cumprimento da uongaçao tributária, a autoridade fiscal, a quem compete o lançamento do crédito previdenciário, deveria ter feito constar, no Relatório fiscal, o motivo pelo qual entende que os serviços prestados se enquadram no conceito legal de cessão de mão-de-obra. A omissão relatada viciou todo o lançamento, impondo sua nulidade. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; Voto no sentido de CONHECER DO RECURSO e ANULAR A NFLD. É C01110 VOU). Sala das Sessões, em 20 de novembro de 2007 Ct.• BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1
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Numero do processo: 10980.007341/2003-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/1998, 01/06/1998 a 30/06/1998
LANÇAMENTO. DECADÊNCIA.
A Fazenda tem o prazo de cinco anos para lançar os tributos devidos, quando presente a situação prevista no art. 150, § 4º do CTN, sob pena de decadência.
CONVERSÃO DE DEPÓSITO JUDICIAL. EXTINÇÃO PRÉVIA. LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Verificando-se o pagamento dos valores lançados através da conversão em renda de depósitos judiciais, vinculados à ação judicial indicada em DCTF, deve ser afastado o lançamento.
RECURSO DE OFÍCIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-001.007
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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DECADÊNCIA. A Fazenda tem o prazo de cinco anos para lançar os tributos devidos, quando presente a situação prevista no art. 150, § 4º do CTN, sob pena de decadência. CONVERSÃO DE DEPÓSITO JUDICIAL. EXTINÇÃO PRÉVIA. LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Verificandose o pagamento dos valores lançados através da conversão em renda de depósitos judiciais, vinculados à ação judicial indicada em DCTF, deve ser afastado o lançamento. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 12/06/2012 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mara Regina Sefuentes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Judith do Amaral Marcondes Armando e Daniel mariz Gudiño. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo do Auto de Infração nº 0006092 às fls. 03/17, decorrente de auditoria interna em DCTF do ano calendário de 1998, em que são exigidos, para períodos de apuração anocalendário de 1998, os seguintes valores: R$ 5.454.621,16, a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, R$ 4.090.965,87, a título de multa de lançamento de ofício de 75%, bem como os correspondentes encargos legais; é exigida, ainda, a quantia de R$ 28,70, a título de diferença de multa de mora paga a menor. Instruindo o auto de infração constam os seguintes anexos: (a) No documento “ANEXO I DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS VINCULADOS NÃO CONFIRMADOS” de fls. 07 e 09/10, para os períodos de apuração junho a dezembro de 1998, constam valores informados, a título de “VALOR DO DÉBITO APURADO DECLARADO”, cujos créditos vinculados, declarados como “Exigibilidade Suspensa” (em face do Processo nº “9400131500”), não foram confirmados, sob a ocorrência: “Proc jud não comprovad”; em documento de mesma denominação, à fl. 08, para o período de apuração fevereiro/1998, para valor informado a título de “VALOR DO DÉBITO APURADO DECLARADO”, há crédito vinculado, declarado como “Comp c/DARF s/Processo”, com a indicação de ocorrência “ver anexo próprio”; (b) no documento “ANEXO Ia – RELATÓRIO DE AUDITORIA INTERNA DE PAGAMENTOS INFORMADOS NA DCTF” de fl. 11, para o precitado período de apuração fevereiro/1998, para um valor de débito de R$ 31.639,04, constam duas indicações de ‘Situação do DARF’ (nos valores de R$ 29.357,63 e R$ 2.281,41, e datas de vencimento, respectivamente, 10/02/1998 e 10/11/1997) com o seguinte texto “Comp.c/ pagto não localizado”; nesse mesmo documento de fl. 11, para o período de apuração janeiro/1998, onde houve a indicação de um débito de R$ 950.642,37, consta que não foi localizado um pagamento informado no montante de R$ 980.000,00; (c) no documento “ANEXO IIa – DEMONSTRATIVO DE PAGAMENTOS EFETUADOS APÓS O VENCIMENTO” de fl. 12, para o período de apuração maio/1998, cuja data de vencimento da Cofins foi 10/06/1998, consta que houve, em 24/06/1998, um pagamento de R$ 2.173,90, cumulado com multa de mora no valor de R$ 64,56, quando o correto seria R$ 93,26, Fl. 124DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10980.007341/200324 Acórdão n.º 3201001.007 S3C2T1 Fl. 2 3 havendo, assim, a indicação de acréscimo legal a pagar de R$ 28,70; (c) à fl. 13, consta o “ANEXO III – DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A PAGAR”; já, à fl. 14, consta o “ANEXO IV – DEMONSTRATIVO DE MULTA E/OU JUROS A PAGAR – NÃO PAGOS OU PAGOS A MENOR”. Cientificada em 21/07/2003 (fl. 62), a interessada, por intermédio de representante legal (fls. 56/60), apresentou, em 14/08/2003, a impugnação de fls. 01/02, instruída com os documentos de fls. 03/60, com o seguinte teor: DOS FATOS: No referido Auto de Infração a SRF questiona diversos recolhimentos conforme demonstrados e justificados abaixo: a)Conforme Anexo I, do referido Auto de Infração, a SRF questiona a existência de Processo Judicial para recolhimento de depósitos judiciais dos DARF's de COFINS com Exigibilidade Suspensa dos períodos de apuração de 01/06/1998 a 31/12/1998, cujos recolhimentos e Processo Judicial comprovamos através dos nossos anexos "A " até "H", que juntamos a este processo. b)Conforme Anexo Ia do referido Auto de Infração a SRF questiona o pagamento do DARF da COF1NS com vencimento em 10/02/1998 no valor de R$ 980.000,00, cujo comprovante anexamos cópia conforme “I” para demonstração de sua quitação. c)Ainda no Anexo Ia, são questionados os complementos (compensação com DARF) referentes aos DARF's de COFINS com vencimento em 10/03/1998, conforme justificamos abaixo: Compensação no valor de R$ 29.357,63, utilizado a partir do valor pago a maior pelo DARF COFINS no valor de R$ 980.000,00 com vencimento em 10/02/1998. A comprovação do pagamento a maior do DARF, anexo "I", está demonstrada pelos nossos anexos "J" e "K". Compensação no valor de R$ 2.281,41, utilizado a partir do valor pago a maior pelo DARF COFINS no valor de R$ 790.000,00, com vencimento em 10/11/1997. A comprovação do pagamento a maior do DARF, anexo "L ", está demonstrada pelos nossos anexos "M" e "N". DOCUMENTOS ANEXADOS: Estão anexados a esta Impugnação os seguintes documentos: A Autos de Apelação n° 97. 04. 446136 de 14/07/1998; B Guia de Depósito Judicial no valor de R$ 607.387,55; C Guia de Depósito Judicial no valor de R$ 592.118, 84; D Guia de Depósito Judicial no valor & R$ 631.642,06; Fl. 125DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 4 E Guia de Depósito Judicial no valor de R$ 667.811,92; F Guia de Depósito Judicial no valor de R$ 557. 059,15; G – Documento para Depósito Judicial no valor de R$ 721.256,81; H Documento para Depósito Judicial no valor de R$ 695.063, 42; I DARF de COFINS no valor de R$ 980.000,00 com vencimento em 10/02/1998; J Ficha n°33, DIPJ 1999, ano calendário 1998, pág. 49; K Recibo de entrega da DIPJ 1999, ano calendário 1998; L DARF COFINS no valor de R$ 790.000,00 com vencimento em 10/11/1997; MFicha n° 12, DIRPJ1998, ano calendário 1997, pág. 25," N Recibo de entrega da DIRPJ 1998, ano calendário 1997. DO PEDIDO: À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência parcial do lançamento, requer que seja acolhida a presente Impugnação.” À fl. 80, despacho da Eqcodi/Secat/DRF/CTA, instruído com os documentos de fls. 75/79, falando de prévia análise, no processo administrativo n.º 10980.500835/9846, da compensação indicada em DCTF para o período de apuração fevereiro/1998, bem como do pagamento declarado para o período de apuração janeiro/1998. Por sua vez, às fls. 101/103, informação da Eqcaj/Secat/DRF/CTA, instruído com os documentos de fls. 81/100, na qual efetua análise sobre os fatos narrados no processo, relativamente aos períodos de apuração junho/1998 a dezembro/1998. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR afastou o lançamento, conforme Decisão DRJ/CTA n.º 22.934, de 01/07/2009: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/1998, 01/06/1998 a 30/06/1998 LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.º 8.212, de 1991, por meio da Súmula Vinculante nº 8, editada pelo STF, e por haver pagamento antecipado pelo obrigado, deve ser observado o prazo qüinqüenal de decadência, estabelecido no Código Tributário Nacional, em seu art. 150. Período apuração: 01/07/1998 a 31/12/1998 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10980.007341/200324 Acórdão n.º 3201001.007 S3C2T1 Fl. 3 5 CONVERSÃO DE DEPÓSITO JUDICIAL. EXTINÇÃO PRÉVIA. LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Verificandose a conversão prévia de depósitos judiciais, vinculados à ação judicial indicada em DCTF, e suficientes para quitar as parcelas da Cofins declaradas, descabido o lançamento de ofício das parcelas previamente extintas. Lançamento Improcedente. Em face da decisão, o contribuinte é intimado, bem como é interposto recurso de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Como vemos, o contribuinte foi lançado em face de suposta falta de recolhimento de COFINS no ano calendário de 1998. Apresentada defesa, demonstrou a comprovação dos pagamentos feitos, através de . A Autos de Apelação n° 97. 04. 446136 de 14/07/1998; B Guia de Depósito Judicial no valor de R$ 607.387,55; C Guia de Depósito Judicial no valor de R$ 592.118, 84; D Guia de Depósito Judicial no valor & R$ 631.642,06; E Guia de Depósito Judicial no valor de R$ 667.811,92; F Guia de Depósito Judicial no valor de R$ 557. 059,15; G – Documento para Depósito Judicial no valor de R$ 721.256,81; H Documento para Depósito Judicial no valor de R$ 695.063, 42; I DARF de COFINS no valor de R$ 980.000,00 com vencimento em 10/02/1998; J Ficha n°33, DIPJ 1999, ano calendário 1998, pág. 49; K Recibo de entrega da DIPJ 1999, ano calendário 1998; Fl. 127DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 6 L DARF COFINS no valor de R$ 790.000,00 com vencimento em 10/11/1997; MFicha n° 12, DIRPJ1998, ano calendário 1997, pág. 25," N Recibo de entrega da DIRPJ 1998, ano calendário 1997. A DRJ, ao analisar o tema, entendeu restar comprovada a regularidade nos pagamentos realizados, nestes termos: Assim, em função do que consta dos autos, para os períodos de apuração junho a dezembro de 1998, vêse que os valores resultantes da conversão de depósitos judiciais foram suficientes para quitar os valores de Cofins espontaneamente informados nas DCTF. Quanto à COFINS dos meses de janeiro a junho de 1998, corretamente declarou a decadência do Fisco em lançar tais diferenças, já que ultrapassado o prazo decadencial de cinco anos, nestes termos: Pesquisa no sistema que controla os pagamentos efetuados à então Secretaria da Receita Federal (extrato à fl. 106), revela a existência de recolhimentos da Cofins (código de receita 2172) em todos os períodos de apuração do anocalendário de 1998. Assim, considerandose que a ciência ao Auto de Infração deuse em 21/07/2003 (fl. 62) encontravase decaído o direito à constituição dos créditos de Cofins, no caso, referentes aos períodos de apuração janeiro, fevereiro e junho de 1998, devendose anular, por conseguinte, os lançamentos correspondentes a esses períodos de apuração, bem como as correspondentes multa de ofício e os respectivos encargos legais. (...) Dessa forma, havendo a confirmação nos autos da existência da ação judicial indicada na DCTF, na qual a interessada efetuou depósitos, e sobrevindo decisão que lhe foi desfavorável, com a conseqüente conversão em renda dos referidos depósitos, sendo que o órgão preparador, conforme informação transcrita, confirmou serem suficientes para quitar os valores declarados da Cofins, entendese que deve ser cancelado o lançamento de oficio correspondente. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício, prejudicados os demais argumentos. Sala de sessões, 24 de maio de 2012. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Fl. 128DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10980.007341/200324 Acórdão n.º 3201001.007 S3C2T1 Fl. 4 7 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES
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Numero do processo: 10920.007195/2007-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS AUFERIDOS POR DEPENDENTE. O fato de os dependentes receberem no ano-calendário rendimentos, tributáveis
ou não, não descaracteriza essa condição. Se a esposa foi relacionada como dependente do declarante os rendimentos tributáveis por ela auferidos devem ser incluídos na base de cálculo do tributo. Hipótese em que também foi incluído rendimento não auferido por dependente.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2101-001.701
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir R$19.255,56 da base de cálculo do lançamento e respectivo IRRF, no valor de R$389,54.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS AUFERIDOS POR DEPENDENTE. O fato de os dependentes receberem no ano-calendário rendimentos, tributáveis ou não, não descaracteriza essa condição. Se a esposa foi relacionada como dependente do declarante os rendimentos tributáveis por ela auferidos devem ser incluídos na base de cálculo do tributo. Hipótese em que também foi incluído rendimento não auferido por dependente. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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O fato de os dependentes receberem no anocalendário rendimentos, tributáveis ou não, não descaracteriza essa condição. Se a esposa foi relacionada como dependente do declarante os rendimentos tributáveis por ela auferidos devem ser incluídos na base de cálculo do tributo. Hipótese em que também foi incluído rendimento não auferido por dependente. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir R$19.255,56 da base de cálculo do lançamento e respectivo IRRF, no valor de R$389,54. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/0 7/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 0631.330, proferido pela 5ª Turma da DRJ Curitiba (fl. 35), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação à notificação de lançamento às fls. 02/05. A matéria em litígio foi sintetizada pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Conforme a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, o lançamento decorre da apuração de omissão de rendimentos de seus dependentes, constantes em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF/2005. O contribuinte apresentou a impugnação de fl.01, onde informa que houve equivoco no registro de CPF. Na declaração foi informada a sua esposa como dependente, Lúcia de Oliveira Bittencourt, porém, tendo auferido rendimentos próprios não deveria constar na declaração. O CPF que deveria ter constado na declaração é o CPF n° 059.665.28950 de Marlucy de Oliveira Bittencourt. Quanto aos rendimentos no valor de R$ 19.255,56, auferidos pelo dependente Carlos Vieira, CPF n° 889.836.50982, não houve manifestação. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como nãoimpugnada a parte do lançamento com a qual o contribuinte expressamente concorda. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Ao incluir em sua declaração de ajuste dependentes que possuam rendimentos pessoais, o contribuinte deve incluir estes rendimentos somados aos seus próprios no campo relativo aos rendimentos tributáveis Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu apelo ao CARF o contribuinte reitera o pedido pela exclusão do rendimento relacionado ao CPF de Carlos Vieira, equivocadamente informado em sua DIRPF do exercício de 2005. É o Relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/0 7/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10920.007195/200775 Acórdão n.º 210101.701 S2C1T1 Fl. 2 3 O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Inicialmente, cumpre ressaltar que o artigo 35, inciso VI, da Lei nº 9.250, de 1995, dispõe que “os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal”. Para o anocalendário de 2004, de acordo com a legislação tributária, podem ser dependentes, para efeito do imposto sobre a renda: 1 companheiro(a) com quem o contribuinte tenha filho ou viva há mais de 5 anos, ou cônjuge; 2 filho(a) ou enteado(a), até 21 anos de idade, ou, em qualquer idade, quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; 3 filho(a) ou enteado(a), se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau, até 24 anos de idade; 4 irmão(ã), neto(a) ou bisneto(a), sem arrimo dos pais, de quem o contribuinte detenha a guarda judicial, até 21 anos, ou em qualquer idade, quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; 5 irmão(ã), neto(a) ou bisneto(a), sem arrimo dos pais, com idade de 21 anos até 24 anos, se ainda estiver cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau, desde que o contribuinte tenha detido sua guarda judicial até os 21 anos; 6 pais, avós e bisavós que, em 2004, tenham recebido rendimentos, tributáveis ou não, até R$ 12.696,00; 7 menor pobre até 21 anos que o contribuinte crie e eduque e de quem detenha a guarda judicial; 8 pessoa absolutamente incapaz, da qual o contribuinte seja tutor ou curador. No caso em exame, consoante descrição dos fatos à fl. 03, foram incluídos para tributação rendimentos auferidos por Carlos Vieira, portador dos CPF nº 889.836.50982 (conforme explicitado no relatório da decisão recorrida) e pela esposa do autuado, Lúcia de Oliveira Bittencourt, CPF nº 623.578.329991. Em relação aos rendimentos auferidos por Lúcia de Oliveira Bittencourt (R$ 7648,44), entendo que nenhum reparo merece a decisão recorrida, pois a inclusão desta como dependente (fl. 10) impõe também a inclusão dos rendimentos por ela auferidos. Feita a opção pela declaração em conjunto, qualquer omissão detectada pela fiscalização, em momento posterior, deve ser adicionada à base de cálculo do IRPF do declarante. No que tange ao rendimento auferido por Carlos Vieira, CPF nº 889.836.509 82, entendo que tal pessoa não foi relacionado como dependente do autuado, consoante DIRPF à fl. 10, devendo, portanto, o rendimento por ele auferido, no montante de R$19.255,56, ser excluído da base de cálculo do lançamento em exame, assim como o respectivo IRRF, no valor Fl. 51DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/0 7/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 de R$389,54. De fato, este número de CPF foi indevidamente informado como pertencendo a Marlucy de Oliveira Bittencourt. Pareceme evidente o equívoco da decisão a quo ao se referir aos rendimentos auferidos por Carlos Vieira como matéria não impugnada, tendo em vista que o impugnante expressamente esclarece que foi relacionada como dependente de Marlucy de Oliveira Bittencourt, cujo CPF correto é o de nº 059.665.28950 e não o de nº 889.836.50982, conforme Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral no CPF à fl. 12 e documentos às fls. 14, sendo certo que no anocalendário de 2004 esta dependente possuía 15 (quinze) anos. Em face ao exposto, dou provimento parcial ao recurso, para excluir R$19.255,56 da base de cálculo do lançamento e respectivo IRRF, no valor de R$389,54. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 52DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/0 7/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10680.014340/2008-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2003 a 30/06/2004
TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Nos termos da Súmula nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3301-001.698
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
[assinado digitalmente]
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (presidente), José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Paulo Guilherme Déroulède e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2003 a 30/06/2004 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procede a alegação de cerceamento do direito de defesa por indeferimento da perícia quando o contribuinte não apresenta qualquer elemento que, no mínimo, suscite a dúvida a respeito da certeza e liquidez do crédito exigido. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Nos termos da Súmula nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2003 a 30/06/2004 TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 43 40 /2 00 8- 25 Fl. 598DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (presidente), José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Paulo Guilherme Déroulède e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Belo Horizonte que julgou parcialmente procedente a impugnação, apenas para exonerar o contribuinte relativamente às receitas financeiras, no período em que se manteve regulada pela Lei 9.718/98, em face do reconhecimento da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS promovidas por este diploma legal. A ora Recorrente teve contra si lavrado Auto de Infração e Imposição de Multa em face da suposta apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, nos valores de R$ 330.370,95 e R$ 55.529,31, respectivamente, totalizando um crédito tributário de R$ 385.900,26, incluindo multa de ofício e juros de mora, relativo aos períodos de 10/2003, 11/2003, 12/20003, 01/2004, 02/2004, 04/2004, 05/2004 e 06/2004 (fls. 06 e 13). Nos termos do relato da autuação, ela decorreu de divergências verificadas entre os valores da contribuição escriturados e os declarados em DCTF, nos períodos acima identificados. Ressaltou a fiscalização que, para efeito de apuração da Cofins, na vigência do regime cumulativo (10/2003 a 01/2004) a empresa não incluiu os valores correspondentes As receitas financeiras, e, na vigência do regime não cumulativo (02/2004 a 06/2004), inclusive no que se refere ao PIS (10/2003 a 06/2004), os valores correspondentes a essas receitas e os ajustes decorrentes da devolução de compras de mercadoria para revenda não foram incluídos, pelo que promoveu o lançamento tributário das diferenças encontradas, tanto da Cofins quanto do PIS, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal de fls. 18/35, cuja apuração encontrase discriminada nos demonstrativos de fls. 36/39. No enquadramento legal da Cofins, foram apontados os artigos 1° e 2° da Lei Complementar n°70/91; artigos 2°, 3° e 8° da Lei n° 9.718/98; Lei n° 10.833/03, (Decreto n°4.524/02, arts. 2°, 3°, 10, 22) e, no que se refere à Contribuição ao PIS, os artigos 1°, 3° e 4°, da Lei n° 10.637/02. (Decreto n°4.524/02, arts. 2°, 3°, 10, 22 e 51). Inconformada, a ora Recorrente apresentou tempestivamente impugnação acompanhadas dos documentos de fls. 242/255 e fls. 282/295, alegando, em estreita síntese, (i) a necessidade de realizar perícia contábil, a fim de se determinar a existência ou não das diferenças apontadas que entende inexistentes; (ii) inconstitucionalidade da inclusão das receitas financeiras na base de cálculo das contribuições, a exemplo do entendimento exarado pelo STF no tocante ao § 1° do art. 3º da Lei n° 9.718, de 1998, em face de sua indevida e inconstitucional inclusão, uma vez que não guarda relação com o faturamento, havendo ofensa ao artigo 195, I, da CF, e ao artigo 110 do CTN; (iii) impossibilidade de se aplicar a taxa Selic, seja como índice de atualização de tributos, seja como taxa de juros, porquanto criada e Fl. 599DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.014340/200825 Acórdão n.º 3301001.698 S3C3T1 Fl. 11 3 regulamentada pelo Banco Central do Brasil, o que contraria o principio da legalidade, ferindo ainda os mandamentos contidos nos arts. 90, 97, 161, § 1°, do CTN, (e o § 3° do art. 193 da CF), que estabelece o limite de juros de 12% ao ano; (iv) inconstitucionalidade do percentual aplicado da multa de oficio, que, além de possuir nítido efeito confiscatório, fere a capacidade contributiva. A DRJ em Belo Horizonte julgou parcialmente procedente a impugnação, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003, 31/01/2004, 28/02/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004 A inconstitucionalidade do §1° do art. 3 0 da Lei n° 9.718, de 1998, encontrase pacificada pelo Supremo Tribunal Federal. As multas de oficio são previstas em lei, sendo defeso aos órgãos administrativos o seu relevamento. As normas reguladoras dos juros de mora que determinam a aplicação do percentual equivalente à taxa Selic encontramse disciplinadas em lei. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003, 31/01/2004, 28/02/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004 As multas de oficio são previstas em lei, sendo defeso aos órgãos administrativos o seu relevamento. As normas reguladoras dos juros de mora que determinam a aplicação do percentual equivalente à taxa Selic encontramse disciplinadas em lei. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho, repetindo as razões apresentadas na sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. Fl. 600DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, a ora Recorrente alega em seu recurso que: (i) que o lançamento seria nulo por cerceamento do direito de defesa em face da do indeferimento da perícia; (ii) que o aumento da alíquota da COFINS, bem assim a ampliação da base de cálculo pela Lei n 9.718, de 1998, são inconstitucionais por ferirem o princípio da hierarquia das leis; (iv) que a multa e juros SELIC aplicadas seriam confiscatórios e, portanto, inconstitucionais. Passemos à análise de cada um desses argumentos. Preliminares de nulidade por cerceamento do direito de defesa Preliminarmente, alega a Recorrente que o a decisão recorrida seria nulo por ter havido preterição do direito de defesa por ter sido indeferida a prova pericial. De fato, o art. 18, I, Anexo II, da Portaria MF n° 256/08, prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo. Ocorre que, como bem colocado pela decisão recorrida, no tocante à solicitação de perícia, cumprenos informar ser essa desnecessária, porquanto não restou comprovada a existência de fatos a serem esclarecidos ou evidenciados que a tornassem imprescindível, pois, para seu deslinde, a matéria objeto de litígio não necessita do concurso de técnicos ou peritos. Com efeito, não tendo o contribuinte apresentado em sua defesa qualquer ponto relativo à apuração que, no mínimo gerasse dúvida a respeito da certeza e liquidez do crédito exigido, não há que se falar em cabimento de perícia, muito menos de nulidade da decisão que a indeferiu. Conforme é possível verificar da simples leitura do Termo de Intimação de fl. 52, o presente lançamento decorreu da apuração de diferenças entre os valores declarados pelo contribuinte e os apurados pela fiscalização. Neste ponto, bem esclareceu a DRJ que o contribuinte foi cientificado do referido Termo, conforme Aviso de Recebimento de fl. 65, e teve oportunidade de esclarecer tais diferenças e o fez, de acordo com documentos de fls. 66 e 67. Da mesma forma, não procede a alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa em face da ausência de apreciação da alegada inconstitucionalidade da autuação, por suposta violação ao art. 154, da CF. Com efeito, o pressuposto para a configuração da presente nulidade é tratarse de matéria passível de apreciação: ou seja, matéria não preclusa e que se inclua dentre aquelas em relação as quais se tenha competência para julgar, o que definitivamente não é o caso. Com efeito, assim como este colegiado, não estão as DRJ’s autorizadas a analisar a inconstitucionalidade de leis, o que demonstra o acerto da decisão recorrida. Inconstitucionalidades Por outro lado, deixo de apreciar a alegação de inconstitucionalidade na cobrança da multa, por violação ao princípio do não confisco e da capacidade contributiva, por se tratar de matéria que escapa à competência deste tribunal administrativo: Fl. 601DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.014340/200825 Acórdão n.º 3301001.698 S3C3T1 Fl. 12 5 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, vale ressaltar que relativamente à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo no regime cumulativo, a decisão recorrida já acatou este argumento da Recorrente. Com efeito, restou assim consignado na decisão recorrida: Por todo o exposto, deve ser excluída da base de cálculo da Cofins a receita financeira auferida pelo autuado na vigência do regime cumulativo e lançada de oficio, por não mais ser passível de tributação, restando prejudicada a sua exclusão quanto aos demais períodos, porquanto no presente caso não submetidos ao regime cumulativo nem contemplados com a mencionada redução de alíquota. Tratandose de matéria julgada favoravelmente ao contribuinte, não há mais que se falar em litígio quanto a este ponto. Taxa SELIC No que se refere à aplicabilidade da taxa SELIC para a correção dos débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal, em que pesem os argumentos da defesa, a questão foi pacificada por este Conselho por meio da Súmula nº 4, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Em face do exposto, e tendo em vista a obrigação regimental de reproduzir o entendimento jurisprudencial enunciado em Súmulas deste Conselho (art. 72, § 4º, do RI CARF), nego provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 602DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Fl. 603DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 11080.005951/2009-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008
BOLSAS DE EXTENSÃO. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. AUSÊNCIA DE VANTAGEM PARA O DOADOR E NÃO CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS. Somente ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo, pesquisa e extensão caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a seus fins e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços, na forma do art. 26 da Lei nº 9.250, de 1996.
Hipótese em que as bolsas de extensão pagas correspondiam à contraprestação dos serviços de ensino, coordenação e consultoria prestados em favor da Fundação Médica do Rio Grande do Sul e do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. (Súmula CARF nº 73)
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2201-001.926
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo, que negaram provimento ao recurso.
(Assinado Digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente.
(Assinado Digitalmente)
RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Ewan Teles Aguiar (Suplente convocado) e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
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ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. AUSÊNCIA DE VANTAGEM PARA O DOADOR E NÃO CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS. Somente ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo, pesquisa e extensão caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a seus fins e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços, na forma do art. 26 da Lei nº 9.250, de 1996. Hipótese em que as bolsas de extensão pagas correspondiam à contraprestação dos serviços de ensino, coordenação e consultoria prestados em favor da Fundação Médica do Rio Grande do Sul e do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. (Súmula CARF nº 73) Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo, que negaram provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO – Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 59 51 /2 00 9- 95 Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 2 (Assinado Digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Ewan Teles Aguiar (Suplente convocado) e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório DOS PROCEDIMENTOS FISCAIS Tratase de Auto de Infração (fls.02/11) lavrado contra o contribuinte acima identificado, para exigir crédito tributário de IRPF, no valor total de R$168.045,48, calculado até 31/08/2009, decorrente da dedução indevida de despesa médica e classificação indevida de rendimentos recebidos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a título de bolsa de estudos, nos exercícios de 2006, 2007 e 2008. DA IMPUGNAÇÃO Intimado do lançamento, o Contribuinte apresentou impugnação, fls.234/259, acompanhada dos documentos de fls. 260 e seguintes. Posteriormente, apresentou aditamento as suas razões de defesa, através da petição de fls.947/948 que acosta ao processo decisão do TCU – Tribunal de Constas da União (fls.349/950), relativa ao processo 001.622/20102, que versa sobre auditoria dos pagamentos efetuados a servidores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS pela execução de convênios operacionais firmados entre o Hospital das Clínicas de Porto Alegre – HCPA e a Fundação Médica do Rio Grande do Sul, do qual destacou os seguintes enxertos: (...) (...) (...) Os principais argumentos de defesa estão assim sintetizados no relatório do Acórdão de primeira instância (fls.962/965): Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 11080.005951/200995 Acórdão n.º 2201001.926 S2C2T1 Fl. 1.022 3 As considerações que embasam o lançamento, na análise feita pela AFRF autuante, desconsidera, total e definitivamente, as razões que conduzem ao entendimento da fonte geradora – Fundação Médica do Rio Grande do Sul – que tais rendimentos são, realmente, BOLSAS DE EXTENSÃO ou PESQUISA, conclusão que deflui, inarredavelmente, do que estabelecem os artigos 1°, combinado com o parágrafo 1° do artigo 4°, da Lei 8.958. de 20/12/1994, assim como o artigo 1°, c/c o art. 5°, par. 2°, do Decreto n°5.205, de 14/09/2004, que regulamenta a lei antes referida. Neste contexto, ademais, podese concluir, que a conclusão do fisco federal destoa, frontalmente, do objetivo precípuo e fundamental dessas normas legais, as quais surgiram no mundo jurídico brasileiro exatamente para propiciar um ambiente adequado ao exercício, por funcionários públicos, como os professores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, no desenvolvimento das atividades de uma Fundação de Apoio, umbilicalmente ligada a um HOSPITAL ESCOLA (HCPA), e que exerce o grande papel de impulsionador da pesquisa científica, na área médico assistencial, desse modo propiciando aos profissionais das áreas da saúde o aperfeiçoamento e continuidade de sua formação, com Bolsas de Extensão, mormente na coordenação de ações de formação profissional dos Médicos Residentes. A UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL (UFRGS), prevê, conforme seu Estatuto (Anexo 03), conforme seu artigo 3°, inc. VII: indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, o que é confirmado, como finalidade precípua, no seu artigo quinto. E, conforme estabelece seu artigo 7°, inc. II, faz parte de sua estrutura o HOSPITAL UNIVERSITÁRIO. Neste aspecto, convém ressaltar que o dito “hospital universitário” se consubstancia no HOSPITAL DE CLÍNICAS DE PORTO ALEGRE (HCPA), o qual, diversamente da totalidade ou maioria dos casos constatados pelo Brasil afora, não é uma entidade componente da própria universidade, mas uma EMPRESA PÚBLICA de direito privado, criada pela Lei n°. 5.604, de 02/09/1970, com patrimônio próprio e autonomia administrativa, vinculada à supervisão do Ministerio da Educação. (Grifos do original). Com a realização das metas dos programas de extensão universitária, voltados, precipuamente, para a preceptoria dos médicos residentes com as Bolsas de Extensão patrocinadas pela Fundação Médica a seus membros (médicos e professores da UFRGS), a Fundação Médica do RGS, atuando junto ao Hospital de Clínicas, faz irradiar para a população por este atendida, a qualificação técnica e cientifica permanente desses profissionais, pois que esta qualificação, decorrente dos programas de extensão, traduzse melhor assistência, maiores e indiscutíveis benefícios à saúde pública e ao tratamento dos pacientes do Sistema Único de Saúde. A Fundação Médica do Rio Grande do Sul e o Hospital de Clínicas de Porto Alegre firmaram Convênios Operacionais para disciplinar as atividades de apoio ao ensino e à extensão. Neste contexto, desde a sua criação e com a sua evolução, a Fundação Médica do Rio Grande do Sul, com a colaboração de seus membros, entre os quais se insere o impugnante, cumpre importante papel educacional e principalmente social, colaborando com o cumprimento da obrigação constitucional cabível ao Estado, de promover e incentivar o desenvolvimento científico, a pesquisa e a capacitação tecnológica, na forma do disposto no Capítulo IV – “Dá Ciência e Tecnologia”, do Título VIII – DA ORDEM SOCIAL, especialmente, no artigo 218 e seus parágrafos, da Constituição da República Federativa do Brasil. Para a realização/consecução de Convênios e seus respectivos programas, portanto, inserese a atuação dos membros da Fundação Médica do R. G. do Sul, que Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 4 são professores da UFRGS, e que se adaptam ao sistema de bolsistas, uma vez, como funcionários públicos, auferem a sua remuneração com tal vínculo com a Universidade Federal, muitos deles com dedicação exclusiva, não podendo, portanto, manter outros vínculos trabalhistas. Aí se inserem as disposições trazidas pela Lei 8.958/94, especialmente em seu artigo 4° e parágrafos, que define a inexistência de vinculo empregatício de qualquer natureza,... “podendo as fundações contratadas, para sua consecução, concederem bolsas de ensino, de pesquisa e de extensão”. Como se vê, o exercício das atividades de preceptoria, coordenação e controle de alunos (médicos residentes) não pode ser caracterizado como contraprestação de serviços, sugerida pelo Auto de Infração ora impugnado, visto se tratar de atividades inseridas dentro de um modelo de extensão universitária adequadas às exigências definidas e consideradas capazes de promover o processo educativo e científico. Não é compreensível, do ponto de vista da repercussão social de uma atividade eminentemente socializante, voltada ao bem comum, como é a do HCPA, atuando em conjunto com a Fundação Médica, que o fisco federal envide esforços no sentido de obter, junto a esta entidade que não possui fins lucrativos, a arrecadação de importâncias de vulto, desfalcando a Fundação Médica daqueles mesmos recursos que advêm do Governo Federal. É o Poder Central dando com uma mão e tirando com a outra, como se discorre popularmente. Não há como se aceitar a informação, trazida pelo Auditor Fiscal, de que a atividade dos bolsistas se volta, diretamente, aos pacientes do Hospital de Clínicas. A atividade dos bolsistas alcança e beneficia, indiretamente, os pacientes do HCPA, através da Fundação Médica, irradiando, através do aperfeiçoamento dos profissionais e otimização dos serviços do Hospital, o bem estar da sociedade. Neste contexto, não há BENEFÍCIO PARA A FUNDAÇÃO MÉDICA, ou para o HCPA, como afirma o autuante, mas benefício para os pacientes do hospital de Clínicas e para todos os que, de algum modo, se beneficiam dos reflexos desta atividade eminentemente de cunho social. (Grifos do original). A Lei n° 8.958/94 e o Decreto n° 5.205/2004 que a regulamentou, (Anexo 16), deferem amplo amparo à participação do servidor das IFES (Instituição Federal de Ensino Superior) na consecução de projetos de pesquisa, ensino e extensão gerenciados pelas fundações de apoio. Essa participação do servidor proporciona o recebimento de bolsas como incentivos a esses servidores, ou seja, aos funcionários da Universidade Federal do Rio Grande do Sul que, como professores participam, na qualidade de membros da Fundação Médica, dos projetos de pesquisa e de extensão. Destarte, para a execução desses contratos ou convênios, no qual denominamos projetos, lícita é a utilização de pessoal da UFRGS, onde se insere o impugnante, corroborado inclusive pelo art. 4°,§ 1°, da lei n° 8.958/94, autorização esta repetida no decreto regulamentar. A legislação em foco é cristalina e terminantemente expressa, ao determinar que as bolsas concedidas pelas fundações de apoio são ISENTAS da exação de Imposto de Renda, mostrandose, dessa forma, correto o procedimento do impugnante ao declarar a bolsa de extensão como rendimento não tributável. Ainda que, num conceito mais amplo, a atividade dos médicos membros da Fundação Médica, como o autuado, possa ser entendida como prestação de serviço, visto que a atividade pessoal de qualquer profissional, em qualquer contexto e em qualquer circunstâncias assim possa ser entendida, seja pelo esforço mecânico, seja pelo intelectual, esta precípua prestação se insere num contexto estreito e especifico de realização de PROGRAMAS DE FORMAÇÃO Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 11080.005951/200995 Acórdão n.º 2201001.926 S2C2T1 Fl. 1.023 5 EXTENSIVA, que pode ser vista como CURSOS DE PÓSGRADUAÇÃO, somente definidos, em sua essência, em função das normas e dos motivos que lhe dão forma e sustento. E mais, devese gizar e repisar, esta prestação – mesmo que consigne a existência de um CONTRATO, como plasmado no nosso Código civil, arts. 538 e seguintes – não representa benefício para o doador, de maneira alguma, muito embora a doação pressuponha o exercício de uma atividade do profissional beneficiado (contratante), e muito embora a Fundação Médica não tenha qualquer interesse próprio ou exclusivo nesta DOAÇÃO, ou na sua contrapartida, mesmo porque os recursos que viabilizam tais bolsas advém do Hospital de Clínicas e, de certo modo, representam verbas federais. Ora, o impugnante, na condição de bolsista, recebe os valores transferidos pela Fundação Médica a título de doação, como prescreve a lei civil, realizando a doação como forma de incentivar a pesquisa e extensão que serão empregadas em benefício da sociedade como um todo, pois a transferência de conhecimento e treinamento aos alunos (médicos residentes) feitos através do desenvolvimento do programa de extensão resultará em um melhor atendimento assistencial a pacientes do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, justificandose usufruir o benefício da isenção específica criada para o caso – inexistindo qualquer benefício ou contraprestação em favor da Fundação Médica. Mais, ainda, constatase que a concessão de bolsas não representa, em contrapartida, benefício para o doador, a Fundação, vez que esta está apenas repassando verbas públicas, de cunho orçamentário, e que possuem, a priori, esta destinação específica e integral de cobertura para realização dos programas de extensão universitária. A contraprestação de serviço não está presente, no conceito aplicado pela fiscalização da Receita Federal, pois que o beneficiário da bolsa constituise em mera peça de uma grande engrenagem, inserido no sistema de gerenciamento e realização dos projetos de educação e extensão, vinculados a residência médica, refletindo o interesse do Governo Federal (Comissão Nacional de Residência Médica – Resolução n° 02/2006, de 17 de maio de 2006), através do HCPA, mas com a participação permanente e indispensável da Fundação Médica do Rio Grande do Sul, como a Fundação de Apoio que gerencia a consecução dos programas de extensão da Universidade. Ante todos os argumentos expostos, confiando no elevado senso de justiça dos julgadores no âmbito do processo administrativofiscal da Receita Federal do Brasil, acreditandose que a presente impugnação será amplamente analisada, temos que é difícil concluirse de forma diversa à argumentação exposta, em face à clareza da norma que ampara o impugnante. Sendo assim, requer o impugnante seja recebida e conhecida a presente Impugnação, propugnando pela sua integral acolhida, tornando nulo ou insubsistente o Auto de Infração acima referido, isentando o impugnante ao pagamento do Imposto de Renda e seus acréscimos legais lançados, ante a prova cabal de que se trata de rendimentos isentos ao imposto. Requer ainda, a produção de todos os meios de prova em direito admitido, especialmente, até mesmo a prova pericial, se assim entender necessário ou útil a essa Turma de Julgamento, para se confirmar e consagrar a inexigibilidade da inclusão da bolsa de extensão na apuração tributável do Imposto de Renda, daí decorrendo a desconstituição do crédito tributário objeto do Auto de Infração. Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 6 Buscando corroborar suas razões de defesa, cita ao longo de sua peça contestatória, ementas de decisões administrativas e judiciais exaradas sobre os temas que desenvolve. DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar a matéria, os Membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, acordaram, por unanimidade de votos, em julgar procedente o lançamento, em decisão consubstanciada na seguinte ementa (fls. 961/976): “NULIDADE IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS BOLSAS DE EXTENSÃO CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. A bolsa de estudo e pesquisa isenta do imposto de renda é aquela recebida exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas pesquisas não representem vantagem pra o doador e nem importem contraprestação por serviços prestados pelo beneficiário do rendimento. Os valores recebidos por pessoa física a título de bolsa de extensão que importem contraprestação de serviços são tributáveis na fonte e na declaração de ajuste anual do beneficiário. DECISÕES JUDICIAIS – EFEITOS. As decisões judiciais, à exceção das proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte, cientificado da decisão de primeira instância em 19/05/2011 (“AR” fls. 979), e, com ela não se conformando, interpôs, na data de 06/06/2011, Recurso Voluntário Tempestivo de fls. 980/1001, aduzindo em síntese que: 1. é professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS em Porto Alegre/RS, e que nesta condição, tornouse membro da Fundação Médica do Rio Grande do Sul, apta a desempenhar as atividades complementares à docência, sob a forma de atividade de extensão, nos termos da Resolução 02/94 do COCEP, desenvolvendo as atividades lastreadas em "TERMO DE COMPROMISSO PARA CONCESSÃO DE BOLSA DE EXTENSÃO"; 2. após levar a cabo auditoria fiscal junto à Fundação Médica do Rio Grande do Sul, a Delegacia da Receita Federal de Porto Alegre, por seus auditores, houve por bem penalizar (Auto de Infração) a entidade em face à não retenção de Imposto de Renda Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 11080.005951/200995 Acórdão n.º 2201001.926 S2C2T1 Fl. 1.024 7 sobre os valores que repassa a seus associados, a título de BOLSAS DE EXTENSÃO. Concomitantemente, iniciou procedimentos de auditoria junto a diversos médicos, membros da Fundação, revisando as Declarações de Ajuste Anuais de Imposto de Renda e promovendo lançamentos suplementares, a partir da consideração de se tratar de rendimentos tributáveis; 3. a conclusão do Fisco destoa da natureza isenta das bolsas de extensão ou pesquisa, nos termos do artigo 1o, combinado com o parágrafo lo do artigo 4o, da Lei no 8.958, de 20/12/1994, assim como o artigo 1o, c/c o art. 5o, § 2o, do Decreto n° 5.205, de 14/09/2004; 4. o objetivo precípuo e fundamental dessas normas legais foi o de propiciar um ambiente adequado ao exercício, por funcionários públicos, como é o caso dos professores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, do adequado desenvolvimento das atividades de uma Fundação de Apoio, umbilicalmente ligada a um HOSPITAL ESCOLA (HCPA), que exerce um grande papel impulsionador da pesquisa científica, na área médico assistencial. Atuação esta que propicia aos profissionais da área da saúde o aperfeiçoamento e a continuidade de sua formação, com Bolsas de Extensão, mormente na coordenação de ações de formação e aperfeiçoamento extensivo vinculadas a sua área de formação profissional dos Médicos Residentes; 5. a Fundação Médica do Rio Grande do Sul é uma fundação de apoio ao Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), que é o hospital escola da UFRGS e que teve sua imunidade tributária reconhecida na Ação Ordinária no 2002.71.00.0460139, da Justiça Federal; 6. os membros dessa fundação, na condição de professores da UFRGS, atuam como preceptores na formação complementar dos médicos residentes que participam dos programas de extensão universitária da UFRGS, beneficiando a população que busca o atendimento médicoambulatorial do hospital escola; 7. a Lei no 6.932, de 07/07/1981, que dispõe sobre as atividades do médico residente, prevê, no seu artigo primeiro, que a residência médica constitui modalidade de ensino de pós graduação; 8. com o advento da Lei no 8.958/94, que criou o modelo de operacionalidade para o relacionamento das instituições federais de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica, a Fundação Médica do Rio Grande do Sul providenciou sua adaptação estatutária à nova regra, tornandose FUNDAÇÃO DE APOIO credenciada perante o Ministério da Educação e Ministério da Ciência e Tecnologia; 9. como fundação de apoio, é rigorosamente fiscalizada pelo TCU e pelo Ministério Público, que garantem o cumprimento das seguintes características: natureza privada (que lhe confere autonomia), a finalidade não lucrativa (pelo desempenho de funções públicas) e administração profissionalizada (que lhe confere eficiência); 10. o TCU, no Acórdão no 5682/2010 2a Câmara, reconheceu o atendimento dos requisitos da lei, e portanto a legitimidade do sistema de concessão de bolsas de extensão aos membros da Fundação Médica, confirmando que não há vínculo empregatício; Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 8 11. os professores bolsistas são funcionários da UFRGS e só com ela mantêm vínculo empregatício. Muitos deles, inclusive, atuam no regime de dedicação exclusiva e não podem manter outros vínculos trabalhistas; 12. neste contexto, o exercício das atividades de preceptoria, coordenação e controle de alunos (médicos residentes) não pode ser caracterizado como contraprestação de serviços, como sugerido pelo Auto de Infração ora em grau de recurso, visto se tratarem de atividades inseridas dentro de um modelo de extensão universitária adequadas às exigências definidas e consideradas capazes de promover o processo educativo e científico; 13. as autuações do Fisco estão, de certo modo, tornando inviável a própria atividade da Fundação Médica, podendo ocasionar sérias repercussões sociais; 14. o fato das bolsas de extensão se repetirem, para o mesmo membro da Fundação Médica, em anos sucessivos, não desvirtua a sua natureza, pois os programas e projetos se renovam anualmente; 15. as atividades dos bolsistas não beneficiam a Fundação Médica, mas, indiretamente, os pacientes do hospital escola, através do aperfeiçoamento dos profissionais e da otimização dos serviços; 16. o HCPA possui corpo próprio e plenamente satisfatório de funcionários, principalmente de médicos, de modo que, a participação dos membros da Fundação Médica representa mera complementação, justamente por se tratar de programas de extensão da UFRGS, com os objetivos traçados no Estatuto desta Fundação; 17. as atividades de extensão dos professoresmédicos vinculados à Fundação Médica do Rio Grande do Sul, na consecução dos programas derivados dos convênios com o HCPA, estão definidas na Resolução no 02/94, do Conselho de Coordenação do Ensino e da Pesquisa da UFRGS, especialmente no seu item 2.3, quando se refere às atividades de extensão, referentes ao “PROGRAMA DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE DE DOCÊNCIA EM RESIDÊNCIA MÉDICA” e ao projeto de extensão “ATIVIDADES DIDÁTICAS COMPLEMENTARES EM GESTÃO DA INFORMAÇÃO E DA QUALIDADE ASSISTENCIAL NO HCPA”; 18. a jurisprudência administrativa e judicial corroboram com esse entendimento, já existindo diversas decisões judiciais com trânsito em julgado. O processo foi digitalizado e distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 1014 do PDF. É o Relatório. Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França Relatora O Recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. Não há argüição de preliminar. Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 11080.005951/200995 Acórdão n.º 2201001.926 S2C2T1 Fl. 1.025 9 Quanto à glosa de despesa médica, o contribuinte não se insurge. Restando, pois matéria perempta. No mérito, o ponto fulcral da controvérsia reside em determinar se os rendimentos recebidos pelo contribuinte, a título de “Bolsa de Estudo e Pesquisa” são doações, na forma do art. 26 da Lei nº 9.250/96, como assevera o recorrente; ou constituem rendimento tributável, por consistirem em retribuição à contraprestação de serviços, conforme entendimento da autoridade lançadora, referendado pelo julgamento de primeira instância. A legislação de regência determina no art. 26 da Lei nº 9.250/95, que para a bolsa de estudo e de pesquisa ser enquadrada como rendimento isento é indispensável que a mesma seja recebida exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas, que os resultados de tais atividades não representem vantagem para o doador e que não importem em contraprestação de serviços. De pronto, cabe esclarecer que não restam dúvidas sobre a importância dos serviços prestados pelo contribuinte e seus colegas em um setor tão castigado no nosso País. Entretanto, a presente análise versa exclusivamente sobre o aspecto tributário de incidência do imposto de renda sobre as referidas verbas. No presente caso, resta evidente que a remuneração recebida pelo contribuinte não atende aos requisitos legais. Neste sentido, valhome das bem lançadas razões apresentadas pelo Ilustre Conselheiro José Evande Carvalho Araújo, ao analisar Recurso Voluntário de outro professor da UFRGS, que versa sobre matéria idêntica, nos termos do Acórdão nº 2101001.950 de 18/10/2012, o qual adoto na íntegra suas razões de decidir, transcrevendoas abaixo: A recorrente informou, em suas declarações de rendimentos dos exercícios de 2006, 2007 e 2008 (fls. 50 a 62), rendimentos isentos nos valores de R$57.121,49, R$62.133,39 e R$57.799,88, respectivamente, classificandoos na rubrica “Bolsa de estudo e pesquisa, desde que não represente vantagem ao doador e não caracterize contraprestação de serviço”. Intimada a comprovar a natureza isenta das verbas, informou trataremse de bolsas de extensão recebidas da Fundação Médica do Rio Grande do Sul. Contudo, a autoridade fiscal entendeu que tais rendimentos possuíam natureza tributável, por consistirem em retribuição à contraprestação de serviços, conclusão referendada pelo julgamento de 1a instância. No voluntário, a recorrente reafirma o caráter isento das verbas lançadas. Legislação de regência: Segundo o art. 3o, §1o, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. Por sua vez, o §4o do mesmo artigo determina que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 10 percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Ademais, o próprio Código Tributário Nacional CTN estabelece que são irrelevantes para qualificar a natureza jurídica específica do tributo a denominação e demais características formais adotadas pela lei (seu art. 4º). Por outro lado, o art. 176 do CTN determina que a isenção é sempre decorrente de lei, e seu art. 111, inciso II, exige que a sua outorga deve ser interpretada literalmente. Do mesmo modo, o §6o do art. 150 da Constituição Federal exige que qualquer isenção de impostos só possa ser concedida mediante lei específica. Assim, quando a renda auferida pelo contribuinte for enquadrada no conceito de rendimento tributável, tornase irrelevante a denominação que lhe foi dada, somente sendo lícito se falar em isenção quando esta for concedida de forma expressa pela lei. Para o pagamento em discussão, o art. 43 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de renda, fazendo um apanhado da legislação federal, determina a tributação das bolsas de estudo e de pesquisa (inciso I). Entretanto, o art. 26 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, traz os requisitos para que tais verbas possam ser consideradas isentas. Transcrevese o texto legal: Art. 26. Ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Parágrafo único. Não caracterizam contraprestação de serviços nem vantagem para o doador, para efeito da isenção referida no caput, as bolsas de estudo recebidas pelos médicosresidentes. (Incluído pela Lei nº 12.514, de 2011) Desta forma, para que as bolsas de estudo e de pesquisa não sofram a incidência do imposto de renda, é necessário: a) que sejam caracterizadas como doação; b) que sejam recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas; c) que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador; d) que os resultados dessas atividades não importem contraprestação de serviços. Assim, devese verificar se as verbas em discussão atendem, cumulativamente, a todos os requisitos acima elencados. Basta que um deles não ocorra no caso concreto, para que prevaleça a regra geral de tributação. Acrescentese que o simples fato dos rendimentos pagos se denominarem de bolsas de extensão não afasta a aplicação da isenção legal para bolsas de estudo e de pesquisa, desde cumpridos os mesmos requisitos. Neste processo, a recorrente foi remunerada por meio de bolsa de extensão, na forma do disposto no art. 4o, §1o, da Lei n° 8.958, de 20 de dezembro de 1994 e nos arts. 5°, §2o, e 6o, §3o, do Decreto n° 5.204, de 14 de setembro de 2004. Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 11080.005951/200995 Acórdão n.º 2201001.926 S2C2T1 Fl. 1.026 11 Transcrevo os dispositivos legais citados, bem como alguns outros que julgo de importância para o deslinde da questão, com a redação vigente por ocasião da ocorrência dos fatos geradores: Lei n° 8.958, de 1994 Art. 1º As instituições federais de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica poderão contratar, nos termos do inciso XIII do art. 24 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, e por prazo determinado, instituições criadas com a finalidade de dar apoio a projetos de pesquisa, ensino e extensão e de desenvolvimento institucional, científico e tecnológico de interesse das instituições federais contratantes. (...) Art. 4º As instituições federais contratantes poderão autorizar, de acordo com as normas aprovadas pelo órgão de direção superior competente, a participação de seus servidores nas atividades realizadas pelas fundações referidas no art. 1º desta lei, sem prejuízo de suas atribuições funcionais. § 1º A participação de servidores das instituições federais contratantes nas atividades previstas no art. 1º desta lei, autorizada nos termos deste artigo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, podendo as fundações contratadas, para sua execução, concederem bolsas de ensino, de pesquisa e de extensão. (...) Decreto n° 5.204, de 2004: Art.5o A participação de servidores das instituições federais apoiadas nas atividades previstas neste Decreto é admitida como colaboração esporádica em projetos de sua especialidade, desde que não implique prejuízo de suas atribuições funcionais. (...) §2o A participação de servidor público federal nas atividades de que trata este artigo não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, podendo a fundação de apoio conceder bolsas nos termos do disposto neste Decreto. Art.6o As bolsas de ensino, pesquisa e extensão a que se refere o art. 4o, § 1o, da Lei 8.958, de 1994, constituemse em doação civil a servidores das instituições apoiadas para a realização de estudos e pesquisas e sua disseminação à sociedade, cujos resultados não revertam economicamente para o doador ou pessoa interposta, nem importem contraprestação de serviços. (...) §3o A bolsa de extensão constituise em instrumento de apoio à execução de projetos desenvolvidos em interação com os diversos setores da sociedade que visem ao intercâmbio e ao aprimoramento do conhecimento utilizado, bem como ao desenvolvimento institucional, científico e tecnológico da instituição federal de ensino superior ou de pesquisa científica e tecnológica apoiada. §4o Somente poderão ser caracterizadas como bolsas, nos termos deste Decreto, aquelas que estiverem expressamente previstas, identificados valores, Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 12 periodicidade, duração e beneficiários, no teor dos projetos a que se refere este artigo. (...) Art.7o As bolsas concedidas nos termos deste Decreto são isentas do imposto de renda, conforme o disposto no art. 26 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e não integram a base de cálculo de incidência da contribuição previdenciária prevista no art. 28, incisos I a III, da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991. Assim, é fato que a legislação que criou e regulamentou as fundações de apoio às instituições federais de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica determinou que as bolsas de ensino, pesquisa e extensão pagas aos professores daquelas instituições deveriam atender aos requisitos da lei isentiva, e portanto não deveriam ser tributadas pelo imposto de renda. Entretanto, na situação sob análise, concordo com a conclusão do lançamento e do acórdão a quo de que os pagamentos decorreram da contraprestação de serviços, como passo a esclarecer. Caso concreto: A recorrente é professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS em Porto Alegre/RS, e nesta condição tornouse membro da Fundação Médica do Rio Grande do Sul, onde desempenha atividades complementares à docência, sob a forma de atividade de extensão. A Fundação Médica do Rio Grande do Sul é uma fundação de apoio ao Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), que é o hospital escola da UFRGS. As verbas lançadas decorrem dos projetos de extensão denominados “PROGRAMA DE GESTÃO DE INFORMAÇÕES HOSPITALARES”, “GESTÃO DA INFORMAÇÃO E DA QUALIDADE ASSISTÊNCIA NO HCPA” e “PROGRAMA DE DOCÊNCIA EM RESIDÊNCIA MÉDICA E ASSISTÊNCIA À SAÚDE”. De acordo com os Termos de Compromisso firmados para participação nos projetos, as atividades a serem desempenhadas eram: a ) Preceptoria: atividades de extensão de supervisão e treinamento e seleção de profissionais de nível superior que sejam alunos de Programa de Residência Médica e outros Programas de Especialização desenvolvidos pelas instituições apoiadas; b) Coordenadoria: atividades de extensão de coordenação dos Programas e Projetos de Extensão em desenvolvimento pelas instituições apoiadas; c) Consultoria: atividades de extensão de suporte acadêmico ao desenvolvimento do ensino, assistência e da pesquisa no âmbito das instituições apoiadas, respeitados os respectivos regimentos internos. Os projetos e os termos de compromisso esclarecem que, em contrapartida às atividades de extensão realizadas, complementares às atividades de docência desenvolvidas pelo professor da UFRGS, seria paga uma bolsa de extensão, na forma do disposto no art. 4o, §1o, da Lei n° 8.958, de 1994 e nos arts. 5°, §2o, e 6o, §3o, do Decreto n° 5.204, de 14 de setembro de 2004. Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 11080.005951/200995 Acórdão n.º 2201001.926 S2C2T1 Fl. 1.027 13 Contudo, apesar de instituídas com base nessa legislação, há que se considerar que as bolsas de extensão sob análise possuem nítido caráter de contraprestação de serviços. Observese que a principal função realizada pela contribuinte é a de supervisão e treinamento dos médicos residentes do Hospital Escola da UFRGS, que possui a mesma natureza da sua ocupação de professora dessa universidade. E isso é ainda mais evidente quando se verifica que a residência médica constitui modalidade de ensino de pósgraduação. Além disso, na função de supervisão e treinamento dos médicos residentes, a contribuinte certamente presta serviço de atendimento médico, atividade própria do hospital escola. O mesmo raciocínio se aplica às outras atividades dos projetos de extensão: a de coordenação de programas e projetos de extensão e de consultoria. Tratase de prestação de serviços em benefício da fundação de apoio e do hospital escola. Acrescentese que, em cada ano fiscalizado, as bolsas pagas pela Fundação equivaliam a cerca de 50% do total de rendimentos pagos pela UFRGS. Não se trata, assim, de parcelas esporádicas e eventuais, mas verdadeira complementação salarial, paga no decorrer de diversos anos, o que reforça a convicção de sua natureza remuneratória. A recorrente centra boa parte do seu recurso na importante função social do hospital escola, que teria sua imunidade reconhecida por decisão judicial, e no fato dos serviços prestados se darem em benefício da sociedade, e não da fundação de apoio. Certamente, não se pretende contestar a importância e a excelência dos serviços prestados à população. Mas o que se deve entender é que a imunidade com relação aos impostos das instituições de assistência social não se estende para as remunerações pagas a seus prestadores de serviço. Se os argumentos do recurso fossem válidos, isentos também seriam os salários pagos aos médicos do hospital escola. Desta forma, entendo que os valores pagos na forma de bolsa de extensão constituem pagamento pelos serviços de ensino, coordenação e consultoria prestados em favor da Fundação Médica do Rio Grande do Sul e do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Decisão do TCU: A recorrente afirma que a fundação de apoio é rigorosamente fiscalizada pelo Tribunal de Contas da União TCU e pelo Ministério Público, que garantem o cumprimento dos termos da lei. Nesse sentido, o TCU, no Acórdão no 5682/2010 2a Câmara (fls. 403 a 412), teria reconhecido o atendimento dos requisitos da lei, e portanto a legitimidade do sistema de concessão de bolsas de extensão aos membros da Fundação Médica, e não somente que não haveria vínculo empregatício, como afirmado na decisão de primeira instância. Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 14 De fato, a referida decisão reformou, em sede de embargos de declaração, o acórdão que havia concluído que as bolsas de extensão pagas pela fundação de apoio aos professores da UFRGS importavam em contraprestação de serviços, em violação ao art. 4o, §3o, da Lei no 8.958, de 1994, ao art. 6o do Decreto no 5205, de 2004, e à jurisprudência daquele Tribunal. Assim, a decisão final do TCU concluiu que a remuneração em forma de bolsa era compatível com a legislação de regência. Penso que a recorrente tem razão ao afirmar que as conclusões do TCU estendemse à natureza isenta das respectivas bolsas, e não só à inexistência de vínculo empregatício, como entendeu o julgador a quo. Isso porque, se as bolsas concedidas atendem aos requisitos do art. 6o do Decreto no 5205, de 2004, então necessariamente satisfazem aos ditames do art. 7o, sendo isentas do imposto de renda. Entretanto, as conclusões do TCU não vinculam este CARF, e, no meu sentir, estão equivocadas ao retirar das atividades executadas a característica de prestação de serviços. Melhores os argumentos da equipe técnica do Tribunal, referendados pela decisão reformada, que, com base nos fatos concretos analisados, concluiu de forma similar a este voto. Decisões administrativas e judiciais: A recorrente afirma que a jurisprudência administrativa e judicial corroboram o entendimento de que as bolsas de estudo e extensão possuem natureza isenta. Contudo, as decisões do Superior Tribunal de Justiça – STJ e do Conselho de Contribuintes indicadas não se aproveitam ao caso, pois trataram de bolsas de estudo e pesquisa que não representavam vantagem para o doador, nem importavam contraprestação de serviços. De modo contrário, recentes decisões desta 2a Seção de Julgamento têm confirmado a natureza tributária de verbas semelhantes. Dentre muitas, transcrevo a seguinte ementas: BOLSAS DE ESTUDO. DOAÇÃO. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. AUSÊNCIA DE VANTAGEM PARA O DOADOR E NÃO CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS. Somente ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços, na forma do art. 26 da Lei nº 9.250/96. (Acórdão nº 2102001.216, 2a Turma Ordinária da 1a Câmara, sessão de 13/04/2011, relator Giovanni Christian Nunes Campos) Observese que o lançamento das contribuições previdenciárias na Fundação Médica do Rio Grande do Sul, relativas às bolsas de extensão pagas aos professores da UFRGS, foi apreciado pelo Acórdão no 230201.388, da 2a Turma Ordinária da 3a Câmara da 2a Seção de Julgamento, na sessão de 26/10/2011, sendo relator o Conselheiro Marco André Ramos Vieira, tendo sido negado provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Transcrevese a ementa, na parte de interesse à presente discussão: Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 11080.005951/200995 Acórdão n.º 2201001.926 S2C2T1 Fl. 1.028 15 CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. REMUNERAÇÃO. BOLSAS DE ENSINO. LEI 8.958. A condição para que os valores sejam enquadrados como bolsas é justamente não ser contraprestação a serviços executados pelos beneficiários, conforme previsto no art. 6º do Decreto n 5.205. Retribuindo o serviço prestado pelo segurados, os valores não podem ser enquadrados como doação. De acordo com o disposto no art. 538 do Código Civil, considerase doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra. Assim, os valores foram devidos aos segurados não por uma liberalidade da empresa; pois a liberalidade não teria uma causa jurídica. Os valores foram devidos em virtude de serviços prestados (a verdadeira causa jurídica) no interesse da entidade. Como se sabe, a prestação de serviços remunerada é fato gerador de contribuição previdenciária. Não haveria incidência de contribuição previdenciária se os valores fossem pagos de acordo com a Lei n 8.958. Todavia restou demonstrada a desobediência do comando legal. Quanto à esfera judicial, de fato a recorrente demonstra a existência de diversas decisões da Justiça Federal de Santa Maria/RS que consideraram bolsas de estudo semelhantes como isentas, tendo uma das decisões, a relativa ao processo nº 2010.71.50.0131397, tratado de caso idêntico ao do presente processo. Salvo melhor juízo, um dos principais fundamentos desses julgados é que não houve produção de vantagens para a fundação que concedeu as bolsas, a não ser pela consecução de seus objetivos estatutários. Em outras palavras, o beneficiário dos serviços não seria a Fundação Médica do Rio Grande do Sul, entidade que concedeu a bolsa, mas sim o Hospital de Clínicas de Porto Alegre, e logo o resultado não se daria em proveito o doador. Com todo respeito que o argumento merece, penso que não se sustenta a uma análise mais aprofundada. A uma, porque os recursos que financiaram as bolsas foram repassados pelo HPCA à fundação de apoio, como demonstram os documentos de fls. 230 a 352. Assim, os recursos se originaram da entidade que se beneficiou diretamente com os serviços. E a duas, porque o art. 6o do Decreto n° 5.204, de 2004, determina que os resultados das bolsas de ensino, pesquisa e extensão não revertam economicamente para o doador ou pessoa interposta. Se o argumento fosse correto, estaria aberta uma verdadeira avenida para a supressão de tributos sobre verbas remuneratórias, bastando repassar os valores a serem pagos primeiro a uma fundação de apoio, que pagaria as quantias na forma de bolsas que atendessem às determinações de seus estatutos. Conclusão: Convencido da natureza tributável das verbas em discussão, voto por negar provimento ao recurso. Apenas quanto a um ponto o nobre colega não se pronunciou no seu voto e sobre o qual gostaria de trazer a análise dessa colenda Turma de julgamento. Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 16 Conforme se verifica dos autos, o pagamento das referidas verbas foi feito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, sem retenção do imposto de renda na fonte, que partindo do entendimento de que as referidas verbas eram referentes a bolsas de estudos, e assim tinham caráter indenizatório. Pela forma que as verbas foram pagas, entendo que se trata de situação em que o recorrente pode ter sido induzido a erro quanto ao tratamento tributário dos referidos rendimentos, pois, como a DIPF é feita com base na Declaração de Rendimentos recebida da fonte pagadora e esta apresentava estes rendimentos como não tributáveis, provavelmente o contribuinte assim os declarou. Tratase, portanto de situação de erro escusável, como já decidido em inúmeros precedentes do antigo Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme jurisprudência abaixo elencada: MULTA DE OFÍCIO DADOS CADASTRAIS O lançamento efetuado com dados cadastrais espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração, não comporta multa de ofício. (CSRF/01 4.825, j. 16.02.2004, Rel. Antonio de Freitas Dutra) IRPF RENDIMENTOS TRIBUTAÇÃO NA FONTE ANTECIPAÇÃO RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Em se tratando de imposto em que a incidência na fonte se dá por antecipação daquele a ser apurado na declaração, inexiste responsabilidade tributária concentrada, exclusivamente, na pessoa da fonte pagadora, devendo o beneficiário, em qualquer hipótese, oferecer os rendimentos à tributação no ajuste anual. MULTA DE OFÍCIO DADOS CADASTRAIS O lançamento efetuado com dados cadastrais espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração, não comporta multa de ofício. Recurso especial parcialmente provido.” (CSRF/0400.058, j. 21.06.2005, Rel. Remis Almeida Estol) Assim, entendo que não se trata de verba isenta ou não tributável, mas que o contribuinte pode ter sido induzido a erro, pelas informações prestadas pela fonte pagadora, configurando, portanto, erro escusável. Situação na qual, devem ser tributados os rendimentos, mas afastada a multa de ofício. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento PARCIAL ao recurso apenas para afastar a multa de oficio sobre os rendimentos recebidos a título de “bolsa de estudos”. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 11080.005951/200995 Acórdão n.º 2201001.926 S2C2T1 Fl. 1.029 17 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência da decisão consubstanciada no acórdão supra. Brasília/DF, 23/04/2013 __________(assinado digitalmente)_____________ MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10925.905142/2010-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONCEITO.
Os insumos utilizados na fabricação de produtos e prestação de serviços que são direito de crédito da contribuição não cumulativa são somente aqueles que representem bens e serviços.
DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
Somente geram direito a crédito no âmbito do regime da não-cumulatividade as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.
CRÉDITO. INDUMENTÁRIA. INDÚSTRIA DE PROCESSAMENTO DE CARNES.
A indumentária de uso obrigatório na linha de produção da indústria de processamento de carnes enquadra-se no conceito de insumo e, consequentemente, a despesa incorrida com a mesma dá direito ao crédito básico de PIS e Cofins NC.
CRÉDITO. MATERIAL DE EMBALAGEM.
Material de embalagem empregado nos produtos fabricados pela recorrente enquadra-se no conceito de insumo e, consequentemente, a despesa incorrida com o mesmo dá direito ao crédito básico de PIS e Cofins NC.
CRÉDITOS DE DESPESAS COM MANUTENÇÃO PREDIAL.
Não geram direito a crédito os valores relativos a gastos com despesas de manutenção predial por não configurarem pagamento de bens ou serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços.
CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS.
Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados para as transferências de mercadorias (produtos acabados ou em elaboração) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a créditos da Cofins e da Contribuição ao PIS.
CRÉDITOS. AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS.
Não é permitido descontar créditos decorrentes de aquisições de insumos não tributados na operação anterior, mesmo que utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados a venda.
PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. DACON. ALTERAÇÃO DO CRÉDITO.
Embora a utilização dos créditos da Contribuição ao PIS e da Cofins, apurados na sistemática da não-cumulatividade, seja estabelecida pelo contribuinte por meio do Dacon, o erro cometido pelo contribuinte consistente no lançamento dos valores em linha incorreta não é motivo suficiente para a glosa do créditos, sem análise adicional sobre a sua idoneidade para gerar ou não créditos.
AGROINDÚSTRIA. INSUMOS. PERCENTUAL DE APURAÇÃO.
O percentual de apuração da alíquota aplicável sobre os créditos, prevista no art. 8º, § 3º, da Lei no 10.925, de 2004, é determinado em função do produto adquirido e não do fabricado.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-002.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos seguintes termos:
1 - por maioria de votos, para reconhecer o direito ao crédito relativo às seguintes despesas:
1.1 - indumentária de uso obrigatório determinado pela ANVISA (citadas no voto vencedor);
1.2 - sacolas jérsei, folhas de papel crepe e de papel ondulado;
1.3 - combustíveis, exceto óleo diesel;
1.4 - ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos;
1.5 - soda caustica e terra clarificante;
2 - por maioria de votos, para reconhecer o direito de créditos relativos a bens lançados na linha 3, das fichas 6 e 16 do DACON;
3 - por maioria de votos, para negar o direito ao crédito nas despesas com fretes entre estabelecimentos da recorrente;
4 - pelo voto de qualidade, para negar o direito ao crédito nas seguintes despesas:
4.1 - material de limpeza;
4.2 - energia elétrica de dezembro de 2005;
4.3 - aluguel de dezembro de 2005;
5 - pelo voto de qualidade, para manter a alíquota do crédito presumido apurado pela Fiscalização;
6 - por unanimidade de votos, para não reconhecer o direito ao crédito nas seguintes despesas:
6.1 - depreciação do ativo imobilizado;
6.2 - aluguel pago a pessoa física;
6.3 - fretes diferença de alíquota do ano de 2005;
6.4 - insumos de alíquota zero e com crédito suspenso (pinto de 1 dia);
6.5 - armazenagem e fretes (que são outras despesas);
6.6 - energia elétrica (fretes, serviços consultoria e despesas não comprovadas).
Vencidos os seguintes conselheiros: José Antonio Francisco (relator), nos itens 1.1 e 1.2; Fabiola Cassiano Keramidas, nos itens 1.2 (parcialmente), 1.5 (parcialmente), 4.1, 4.2, 4.3 e 5; Gileno Gurjão Barreto, nos itens 1.2 (parcialmente), 1.5 (parcialmente), 4.1, 4.2, 4.3 e 5; Alexandre Gomes, nos itens 1.2 (parcialmente), 1.5 (parcialmente), 3, 4.1, 4.2, 4.3 e 5; Maria da Conceição Arnaldo Jacó, nos itens 1.1, 1.3, 1.4, 1.5 e 2; Walber José da Silva, nos itens 1.4 e 1.5. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor.
Fizeram sustentação oral pela Recorrente Oscar Santana OAB/RJ 32641 e Ricardo Braghini OAB/SP 213035.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Redator-Designado
(assinado digitalmente)
JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DIREITO DE CRÉDITO. PROVA. Incumbe ao requerente demonstrar as alegações, relativamente ao direito de crédito pleiteado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONCEITO. Os insumos utilizados na fabricação de produtos e prestação de serviços que são direito de crédito da contribuição não cumulativa são somente aqueles que representem bens e serviços. DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente geram direito a crédito no âmbito do regime da nãocumulatividade as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. CRÉDITO. INDUMENTÁRIA. INDÚSTRIA DE PROCESSAMENTO DE CARNES. A indumentária de uso obrigatório na linha de produção da indústria de processamento de carnes enquadrase no conceito de insumo e, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 51 42 /2 01 0- 77 Fl. 1394DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 2 consequentemente, a despesa incorrida com a mesma dá direito ao crédito básico de PIS e Cofins NC. CRÉDITO. MATERIAL DE EMBALAGEM. Material de embalagem empregado nos produtos fabricados pela recorrente enquadrase no conceito de insumo e, consequentemente, a despesa incorrida com o mesmo dá direito ao crédito básico de PIS e Cofins NC. CRÉDITOS DE DESPESAS COM MANUTENÇÃO PREDIAL. Não geram direito a crédito os valores relativos a gastos com despesas de manutenção predial por não configurarem pagamento de bens ou serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços. CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados para as transferências de mercadorias (produtos acabados ou em elaboração) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a créditos da Cofins e da Contribuição ao PIS. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS. Não é permitido descontar créditos decorrentes de aquisições de insumos não tributados na operação anterior, mesmo que utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados a venda. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. DACON. ALTERAÇÃO DO CRÉDITO. Embora a utilização dos créditos da Contribuição ao PIS e da Cofins, apurados na sistemática da nãocumulatividade, seja estabelecida pelo contribuinte por meio do Dacon, o erro cometido pelo contribuinte consistente no lançamento dos valores em linha incorreta não é motivo suficiente para a glosa do créditos, sem análise adicional sobre a sua idoneidade para gerar ou não créditos. AGROINDÚSTRIA. INSUMOS. PERCENTUAL DE APURAÇÃO. O percentual de apuração da alíquota aplicável sobre os créditos, prevista no art. 8º, § 3º, da Lei no 10.925, de 2004, é determinado em função do produto adquirido e não do fabricado. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos seguintes termos: 1 por maioria de votos, para reconhecer o direito ao crédito relativo às seguintes despesas: 1.1 indumentária de uso obrigatório determinado pela ANVISA (citadas no voto vencedor); Fl. 1395DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10925.905142/201077 Acórdão n.º 3302002.025 S3C3T2 Fl. 1.394 3 1.2 sacolas “jérsei”, folhas de papel crepe e de papel ondulado; 1.3 combustíveis, exceto óleo diesel; 1.4 ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos; 1.5 soda caustica e terra clarificante; 2 por maioria de votos, para reconhecer o direito de créditos relativos a bens lançados na linha 3, das fichas 6 e 16 do DACON; 3 por maioria de votos, para negar o direito ao crédito nas despesas com fretes entre estabelecimentos da recorrente; 4 pelo voto de qualidade, para negar o direito ao crédito nas seguintes despesas: 4.1 material de limpeza; 4.2 energia elétrica de dezembro de 2005; 4.3 aluguel de dezembro de 2005; 5 pelo voto de qualidade, para manter a alíquota do crédito presumido apurado pela Fiscalização; 6 por unanimidade de votos, para não reconhecer o direito ao crédito nas seguintes despesas: 6.1 depreciação do ativo imobilizado; 6.2 aluguel pago a pessoa física; 6.3 fretes – diferença de alíquota do ano de 2005; 6.4 insumos de alíquota zero e com crédito suspenso (pinto de 1 dia); 6.5 armazenagem e fretes (que são outras despesas); 6.6 energia elétrica (fretes, serviços consultoria e despesas não comprovadas). Vencidos os seguintes conselheiros: José Antonio Francisco (relator), nos itens 1.1 e 1.2; Fabiola Cassiano Keramidas, nos itens 1.2 (parcialmente), 1.5 (parcialmente), 4.1, 4.2, 4.3 e 5; Gileno Gurjão Barreto, nos itens 1.2 (parcialmente), 1.5 (parcialmente), 4.1, 4.2, 4.3 e 5; Alexandre Gomes, nos itens 1.2 (parcialmente), 1.5 (parcialmente), 3, 4.1, 4.2, 4.3 e 5; Maria da Conceição Arnaldo Jacó, nos itens 1.1, 1.3, 1.4, 1.5 e 2; Walber José da Silva, nos itens 1.4 e 1.5. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. Fizeram sustentação oral pela Recorrente Oscar Santana – OAB/RJ 32641 e Ricardo Braghini – OAB/SP 213035. Fl. 1396DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 4 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e RedatorDesignado (assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 1319 a 1376) apresentado em 02 de fevereiro de 2012 contra o Acórdão no 0726.392, de 21 de outubro de 2011, da 4ª Turma da DRJ/FNS (fls. 1126 a 1143), cientificado em 04 de janeiro de 2012, que, relativamente a declaração de compensação de Cofins nãocumulativa do 1º trimestre de 2006, considerou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, consideramse insumos passíveis de creditamento as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado, e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no Pais, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS COM AQUISIÇÕES DE PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição em veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados a venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no Pais, geram direito a créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS e da Cofins, desde que as partes e peças de reposição não estejam incluídas no ativo imobilizado. Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10925.905142/201077 Acórdão n.º 3302002.025 S3C3T2 Fl. 1.395 5 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente geram direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS DE DESPESAS COM EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO. Despesas efetuadas com o fornecimento equipamentos de proteção aos empregados, adquiridos de outras pessoas jurídicas ou fornecido pela própria empresa, não geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS e da Cofins, por não se enquadrarem no conceito de insumos aplicados, consumidos ou daqueles que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades fisicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida no processo de fabricação ou na produção de bens destinados a venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS DE DESPESAS COM MANUTENÇÃO PREDIAL. Não geram direito a crédito os valores relativos a gastos com despesas de manutenção predial por não configurarem pagamento de bens ou serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados para as transferências de mercadorias (produtos acabados ou em elaboração) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a créditos da Cofins e da Contribuição ao PIS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS. Não é permitido descontar créditos decorrentes de aquisições de insumos não tributados na operação anterior, mesmo que utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados a venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. DACON. ALTERAÇÃO DO CRÉDITO. A utilização dos créditos da Contribuição ao PIS e da Cofins, apurados na sistemática da nãocumulatividade, é estabelecida pelo contribuinte por meio do Dacon, não cabendo a autoridade Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 6 tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses créditos, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados no respectivo Dacon. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas A. observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A declaração de compensação foi não homologada pelo despacho decisório de fls. 1047 a 1061verso. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: A Delegacia da Receita Federal em Joaçaba/SC manifestouse pelo indeferimento do Pedido de Ressarcimento apresentado pela interessada, referente a Cofins de período de apuração 01/01/2006 a 31/03/2006. Foram glosados créditos referentes a aquisições de bens e serviços não enquadrados como insumos, quais sejam: uniformes e equipamento de proteção de empregados, materiais de limpeza, embalagens utilizadas para transporte, combustíveis e ferramentas. Foram ainda glosados créditos com aquisições de produtos não tributados pela Contribuição ao PIS e pela Cofins, declarados como aquisições de insumos. Em relação aos créditos declarados como sendo decorrentes de despesas como energia elétrica, foram glosadas despesas que não possuem esta natureza, como fretes e serviços de consultoria e gerenciamento, bem como despesas de energia elétrica referentes a dezembro de 2005. Algumas notas fiscais solicitadas e não apresentadas também tiveram seus créditos glosados. No tocante a despesas de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica, foram glosados Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10925.905142/201077 Acórdão n.º 3302002.025 S3C3T2 Fl. 1.396 7 aluguéis pagos a pessoas físicas, despesas incluídas em duplicidade e despesas do ano de 2005. Quanto a despesas de armazenagem e fretes na operação de venda, foram glosadas despesas que não possuem esta natureza, como aquisições de energia elétrica, e gastos com transporte de produtos nas transferências entre filiais. Algumas notas fiscais solicitadas e não apresentadas também tiveram seus créditos glosados. Em relação a encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, foram glosados créditos referentes a bens adquiridos em data anterior a 1º/05/2004, a bens pertencentes ao ativo diferido e a bens importados. Foram também glosados créditos referentes a bens que não são edificações nem benfeitorias e não são utilizados na produção de bens destinados à venda, tais como gerador, transformadores, impressora, notebook, armário, poltrona, manutenção, entre outros. Foram glosados créditos declarados como “ajustes positivos de créditos”, que se referem a aquisições efetuadas em período anterior ao primeiro trimestre de 2006. Quanto aos créditos presumidos de atividades agroindustriais, foram glosadas as diferenças decorrentes da aplicação incorreta do percentual de 60%, e não do percentual de 35% previsto na legislação, bem como as aquisições que não se enquadram no conceito de insumo, tais como suínos reprodutores. Foram também glosados créditos referentes a aquisições que não se enquadram no conceito de bem, tais como pagamentos de parcerias, fretes, consertos, pinturas e serviços de motoboy. A interessada apresenta manifestação de inconformidade frente a esta decisão, com os argumentos abaixo expostos. Afirma, inicialmente, a legalidade e a constitucionalidade do direito ao crédito glosado, em vista da sistemática da não cumulatividade adotada para a Cofins e para a Contribuição ao PIS para impedir a incidência em cascata dos tributos. Defende que, para o correto e pleno emprego do principio da nãocumulatividade, a legislação infraconstitucional não pode restringir a tomada de créditos relativamente às operações anteriores, sob pena de acabar por desfigurar a própria sistemática, evitando, assim, a consecução de seu objetivo maior, que é evitar a tributação em cascata. Portanto, eventuais limitações impostas em legislação infraconstitucional ao Principio da Nãocumulatividade seriam absolutamente inconstitucionais. Entende que, independentemente de outras razões que recaiam sobre as glosas fiscais trazidas nos presentes autos, sempre que estas se lastrearem em limitações a nãocumulatividade aplicável a Cofins e a Contribuição ao PIS, as mesmas estarão Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 8 eivadas de inconstitucionalidade e deverão, portanto, serem afastadas. No tocante aos valores glosados relativos a insumo para industrialização. Entende que todos estão relacionados ao processo produtivo da recorrente. Os valores registrados decorreriam de creditamento permitido pela legislação, já que estariam relacionados a aquisições de mercadorias diretamente vinculadas à atividade da empresa, sendo necessárias e fundamentais para a sua operação. A respeito do conceito de insumo: Vejase que a expressão “insumo” consoante o insigne doutrinador Aliomar Baleeiro “é uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa 'input; isto 6, o conjunto dos fatores produtivos, como matériasprimas, energia, trabalho, amortização do capital, etc., empregados pelo empresário para produzir o 'output' ou o produto final. (..). “Insumos são os ingredientes da produção, mas há quem limite a palavra aos 'produtos intermediários' que, não sendo matérias primas, são empregados ou se consomem no processo de produção (Direito Tributário Brasileiro, Forense Rio de janeiro, 1980, 9” edição, pág. 214)”. Nessa linha, como tais têmse a matériaprima, o material secundário ou intermediário, o material de embalagem, o combustível e a energia elétrica, consumidos no processo Industrial ou empregados para integrar o produto objeto da atividade de Industrialização, própria do contribuinte ou para terceiros, ou empregados na atividade*” prestação de serviços. Defende que as peças de reposição das máquinas e equipamentos, bem como os produtos utilizados na manutenção dessas máquinas e equipamentos envolvem brocas, buchas, capacitores eletrônicos, clichês para impressão de embalagens, correias, discos de corte, engrenagens, facas, navalhas, grampos, lâminas, pistões, porcas, retentores, rolamentos, válvulas, etc., e sem os referidos materiais não há a possibilidade de a Recorrente realizar a industrialização e exploração dos alimentos em geral, afinal, nesses casos, pressupõese uma operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto. Entende que tais mercadorias são intrínsecas à atividade da recorrente, e se desgastam de forma diretamente relacionada ao seu processo industrial, inclusive pelo contato direito com os alimentos objeto da industrialização. As peps e os produtos que porventura não se desgastam pelo contato físico direto com as matériasprimas também dariam direito ao crédito em comento, pois estão ligados de forma intrínseca à atividade fim da empresa. Quanto ao combustível utilizado no transporte de mercadorias, alude que, sem o transporte dos insumos necessários à Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10925.905142/201077 Acórdão n.º 3302002.025 S3C3T2 Fl. 1.397 9 industrialização, a recorrente não poderia sequer iniciar sua atividade industrial e de nada adiantaria a industrialização caso o produto final não pudesse ser adequadamente transportado aos seus destinatários, ficando clara a função essencial que o óleo diesel exerce. A recorrente afirma que adquire o óleo diesel que será usado no abastecimento dos veículos de transporte de terceiros por ela contratados, e, a partir dai, os insumos são transportados aos seus estabelecimentos industriais e as mercadorias industrializadas são transportadas aos seus destinos, viabilizando a persecução dos fins empresarias da Recorrente. Em relação às aquisições de materiais para manutenção predial vigas laminadas, tubos de aço, tubos de PVC, reles, registros, lâmpadas, fusíveis, entre outros — aduz que estes materiais seriam essenciais à atividade da recorrente, tendo em vista que a existência de uma estrutura física adequada é pressuposto para o desenvolvimento da atividade industrial da Recorrente. Entende que as mercadorias destinadas à manutenção predial, portanto, relacionamse de forma direta à atividade industrial da recorrente, o que permite a apropriação de créditos sobre suas aquisições, devendo ser cancelada a glosa Fiscal a este titulo. Defende que o crédito decorrente das aquisições de gás liquefeito de petróleo, o qual é utilizado na locomoção de empilhadeiras no estabelecimento da recorrente, deve ser igualmente mantido, pois o processo produtivo da recorrente também envolve o transporte de matériasprimas, materiais secundários e insumos no interior do seu estabelecimento para o abastecimento das linhas de produção, bem como o armazenamento de produtos para posterior complementação, ou, ainda, para aguardar o seu transporte para entrega a terceiros adequadamente. Afirma que os uniformes e equipamentos de proteção individual (EPIs) são indispensáveis ao processo produtivo da recorrente, sendo que a conexão direta entre os uniformes e os EPIs e o desenvolvimento da atividade e produção da recorrente é reforçada pelas diversas regras que disciplinam a atividade por ela desenvolvida. No tocante às glosas de insumos tributados a alíquota zero, tais como ovos, antifungo, farinha de milho, cebola, mata mosca, champignon, tomate, batata em cubos, mandioca palito congelada, etc..., afirma que tais produtos são insumos aplicados na produção de produtos tributados, pois os mesmos se integram a tantos outros insumos que vem a compor o produto final da Recorrente. Aduz que a legislação do Cofins e da Contribuição ao PIS não atrela que o crédito deva ser efetuado tomandose por referência o tratamento dado a operação anterior, mas, sim, a destinação que é dada ao insumo dentro do processo produtivo do contribuinte que realizará o crédito. Fl. 1402DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 10 Quanto as glosas referentes à energia elétrica consumida no mês de dezembro/2005, alega que os respectivos valores pagos a este titulo à concessionária do serviço de fornecimento de energia elétrica, mesmo sendo medido em dezembro de 2005, teve seu lançamento fiscal e contábil somente em janeiro de 2006, porque existe um lapso temporal entre o serviço de medição (corte de leitura para faturamento) e a respectiva emissão da fatura. Afirma ainda que o fato de a fatura ter sua mensuração em um mês e o lançamento ter se dado em outro não pode ser óbice para o creditamento de valores a titulo de Contribuição ao PIS e Cofins, pois, o direito ao credito prevalece pelo período de cinco anos a contar do seu efetivo aperfeiçoamento. Quanto à glosa de despesas de consultoria e gerenciamento sobre consumo de energia elétrica, afirma que tais despesas são inerentes ao próprio consumo da energia que, para fins de maximizar seu proveito, utilizase de serviços especializados aplicados a todo seu parque fabril a fim de que resulte em menor consumo. No tocante a despesas de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica, que foram glosados por se referirem a despesas do ano de 2005, a recorrente afirma que tiveram seu lançamento contábil somente nos meses do 1° Trimestre de 2006 porque existe um lapso temporal entre a referência do mês da locação e a respectiva emissão do recibo. Ressalta ainda que o fato de o recibo ter sua mensuração em um mês e o lançamento ter se dado em outro não pode ser óbice para o creditamento de valores a titulo de Contribuição ao PIS e Cofins, pois, o direito ao crédito prevalece pelo período de cinco anos a contar do seu efetivo aperfeiçoamento. Entende a ora Impugnante que o direito aos créditos da Cofins e da Contribuição ao PIS decorrentes das despesas com fretes, quando da transferência de mercadorias (produtos acabados) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica encontra amparo no ordenamento jurídico, em vista da sistemática da nãocumulatividade, adotada para a Cofins e para a Contribuição ao PIS para impedir a “incidência em cascata” de tributos. Segundo a impugnante, a transferência de produtos entre estabelecimentos industriais se faz necessária para otimizar a logística de circulação de bens destinados à revenda e, portanto, o frete contratado pela Perdigão, por exemplo, é despesa indireta da subsequente venda e não poderia o direito ao crédito ser vedado quando de sua passagem por mais de um estabelecimento industrial, dentro da cadeia de vendas. No tocante as glosas das despesas decorrentes das cotas de depreciação relativamente aos bens adquiridos anteriormente a 01.05.2004, afirma a interessada que os créditos da Cofins e da Contribuição ao PIS, decorrentes das despesas de depreciação, independentemente da data de aquisição dos referidos bens, são legítimos. Entende que o direito ao crédito dos tributos em questão nasce com a aquisição e incorporação do bem ao ativo imobilizado, Fl. 1403DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10925.905142/201077 Acórdão n.º 3302002.025 S3C3T2 Fl. 1.398 11 enquanto que o direito a dedução do respectivo custo de aquisição, é diferido e parcelado pelo tempo estimado de sua depreciação, (circulante e realizável a longo prazo) que pode ser de 5 (cinco), 10 (dez) anos ou outro prazo prescrito em Lei, e a taxa de depreciação será fixada em função do prazo durante o qual se possa esperar a utilização econômica do bem na produção. Com o advento da Lei n° 10.865/04, em especial em seu artigo 31, "caput", a interessada entende que o seu direito seria restringido, impossibilitando o desconto de créditos apurados sobre depreciação e amortização de bens e ativos imobilizados que estava em andamento, ou seja, dos bens adquiridos antes de 31/04/2004, ferindo o referido procedimento o direito adquirido e a regra da irretroatividade das Leis. Conclui que: Assim, retroagindo os seus efeitos para alcançar fatos geradores anteriores, a Lei 10.865/2004, AFRONTOU o principio do direito adquirido e o ato jurídico perfeito, previsto no artigo 52 inciso XXXVI da CF/88, c/c o art. 6º, caput, da Lei de Introdução ao Código Civil, que preveem que a lei não prejudicará o ato jurídico perfeito e o direito adquirido, o principio irretroatividade das leis, previsto no artigo 150, inciso III, letra “a”, o principio da isonomia previsto no art. 150, II, da CF/88, principio do não confisco, consagrada no artigo 150, inciso IV, da CF/88, principio da nãoconcorrência previsto no artigo 170, inciso IV, da CF/88, ofendendo também aos princípios implícitos de qualquer ordenamento que se pretenda jurídico, como a lealdade, certeza e segurança jurídica. No tocante a glosa de créditos referente à aquisição de determinados ativos imobilizados da empresa por entender não serem estes destinados à produção, afirma que: Ora, no caso do gerador e transformador estes tem a finalidade de, o primeiro, gerar energia elétrica e, o se do, estabilizar a tensão gerada, para frigorificas. Como se verifica, tratase de equipamentos diretamente relacionadas ao processo produtivo, não sendo razoável negarlhes o crédito, haja vista a sua imprescindibilidade no processo produtivo da recorrente. Os demais itens citados, da mesma forma, estão diretamente relacionados com a manufatura dos produtos da recorrente, face os mesmos estarem diretamente ligados ao processo produtivo da mesma, devendo, portanto, ter reconhecido o direito ao crédito a eles correspondente. No que se refere à glosa dos ajustes positivos de crédito, que dizem respeito ao crédito de diferenças entre a alíquota integral da Contribuição ao PIS e da Cofins e uma alíquota presumida que fora utilizada no ano de 2005 para credito referente a aquisições de fretes, afirma a interessada: Fl. 1404DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 12 Pois bem; se os citados créditos poderiam ter sido realizados no ano de 2005, tendo o Contribuinte não exercido este direito, veio a exercêlo, legitimamente, no primeiro trimestre de 2006. Veja se que o procedimento adotado pela empresa até favoreceu a Fazenda, tendo em vista que protelou o crédito que anteriormente já poderia ter sido efetuado e que, extemporaneamente, veio a empresa a apropriálo. Em relação aos créditos presumidos da atividade agroindustrial, a recorrente afirma que, sendo empresa agroindustrial, adquire como insumos produtos agropecuários que se enquadram nos preceitos enunciados no inciso I do parágrafo terceiro do artigo oitavo da Lei 10.925/2004, procedendo a tomada dos créditos nos estritos liames colocados no dispositivo mencionado. Requer, por fim, que seja integralmente reconhecido seu direito creditório objeto do pedido de ressarcimento" No recurso, a Interessada alegou, inicialmente, que a legislação infraconstitucional não poderia restringir a tomada de créditos das operações anteriores. A seguir, tratou dos créditos glosados, inicialmente sua defesa pela aquisição de bens e serviços não enquadrados como insumos (item 2.3.1). Em relação à questão, alegou que se trataria dos seguintes itens: a) Uniformes, artigos do vestuário, equipamentos de proteção de empregados material de uso pessoal: luva, avental, respirador, manga de proteção, absorvente higiênico, bota, botina, protetor auricular, máscara, lençol, meia, óculos, sandália, sapato, touca, capacete, japona. b) Materiais de limpeza/desinfecção: Detergente, cloro, desinfetante, sabonete, vassouras; c) Produtos para movimentação de cargas/embalagens utilizadas para transporte: Pallet, folha de papel crepe, papel ondulado. d) Combustíveis: Hexano, óleo de xisto, GLP, diesel. e) Ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos: lubrificantes, faca, gás refrigerante, mangueira, nitrogênio, lixa, graxa, anel, bobina, botão, chave, correia, disco, disjuntor, eixo, fita isolante, fusível, lâmpada, reator, resistência, retentor, rolamento, sensor, tomada, válvula; f) Outras aquisições: Soda cáustica, terra ativada, terra clarificante, ácido clorídrico, ácido peracético. Passou a defender o uso dos bens em seu processo produtivo, acrescentando o seguinte: Entre outros, podese citar ainda, a título de exemplo, os seguintes insumos que se desintegram totalmente no processo produtivo de uma mercadoria ou são utilizados nesse mesmo processo produtivo para limpeza, identificação, desbaste, solda etc.: lixas; discos de corte; discos de lixa; eletrodos; oxigênio e acetileno; escovas de aço; estopa; materiais para uso em embalagens em geral tais como etiquetas, fitas adesivas, fitas Fl. 1405DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10925.905142/201077 Acórdão n.º 3302002.025 S3C3T2 Fl. 1.399 13 crepe, papéis de embrulho, sacolas, materiais de amarrar ou colar (barbantes, fitas, fitilhos, cordões e congêneres), lacres, isopor utilizado no Isolamento e proteção dos produtos no Interior das embalagens, e tinta, giz, pincel atômico e lápis para marcação de embalagens ; óleos de corte; rebolos; modelos/matrizes de isopor utilizados pela indústria; produtos químicos utilizados no tratamento de água afluente e efluente e no controle de qualidade e de teste de insumos e de produtos. Quanto às peças de reposição e produtos para manutenção, alegou que, “Sem os referidos materiais, não há a possibilidade de a Recorrente realizar a industrialização e exploração dos alimentos em geral [...]”. Segundo a Recorrente, os produtos sofreriam desgaste “pelo contato direito com os alimentos objeto da industrialização”. Em relação ao combustível no transporte de mercadorias, alegou que somente poderia “desenvolver suas atividades industriais com plenitude caso: “(i) tenha os insumos necessários à industrialização dos alimentos transportados ao seu estabelecimento industrial; e, “(ii) após a industrialização desses alimentos, possa comercializálos, inclusive transportandoos aos seus clientes, por meio de veículos que mantenham as condições de consumo das mercadorias.” No tocante aos produtos para manutenção predial, alegou que “ As aquisições materiais para manutenção predial, podendo se citar vigas laminadas, tubos de aço, tubos de PVC, reles, registros, lâmpadas, fusíveis, entre outros, são essenciais à atividade da Recorrente, tendo em vista que a existência de uma estrutura física adequada é pressuposto para o desenvolvimento da atividade industrial da Recorrente.” Quanto aos combustíveis para automóveis e empilhadeiras, alegou o seguinte: Sem o combustível utilizado nas empilhadeiras, os produtos finais da Recorrente, por exemplo, jamais poderiam ser deslocados no interior do seu estabelecimento aos caminhões que os transportam para diferentes destinos, não poderiam ser organizados de forma a aperfeiçoar o espaço físico na armazenagem em câmaras frias, o que demonstra a sua função essencial nas atividades da Recorrente, as quais incluem, repita se, a industrialização e comercialização de alimentos em geral. Relativamente as uniformes e equipamentos de proteção individual, alegou que seriam indispensáveis para o processo produtivo, que várias etapas do processo dependeriam integralmente da autuação de trabalhadores uniformizados e que se desgastariam durante o uso. Tratou, na sequência, das luvas protetores de luvas, mangas de proteção, perneiras, camisas e calças impermeáveis e aventais; das botas, botinas, tênis e sapatos; das máscaras e respiradores; dos óculos, lentes e soluções antiembaçantes; dos gorros protetores e redes para proteção de cabelos; e de outros uniformes e EPI (equipamentos de proteção individual). Fl. 1406DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 14 Também tratou das glosas de insumos tributados a alíquota zero, tais como ovos, antifungo, farinha de milho, cebola, mata mosca, champingnon, tomate, batata em cubos, mandioca palito congelada, diglucomato de clorhexidina, etc., acrescentando o seguinte: Ora, tais produtos, frisese, são insumos aplicados na produção de produtos tributados, pois os mesmos se integram a tantos outros insumos que vem a compor o produto final da Recorrente. A legislação do COFINS e PIS não atrelam que o crédito deva ser efetuado tomandose por referência o tratamento dado a operação anterior mas, sim, a destinação que é dada ao insumo dentro do processo produtivo do contribuinte que realizará o crédito. Quanto às despesas de energia elétrica (item 2.32.), justificou o seguinte: Os respectivos valores pagos a este título à concessionária do serviço de fornecimento de energia elétrica, mesmo sendo medido em dezembro de 2005, teve seu lançamento fiscal e contábil somente em janeiro de 2006, mesmo porque existe um lapso temporal entre o serviço de meando (corte de leitura para faturamento) e a respectiva emissão da fatura, Ainda há um lapso temporal entre a emissão da fatura e o efetivo recebimento desta pelo consumidor da energia faturada. Frisese que, ainda que assim não fosse, o fato de a fatura ter sua mensuração em um mês e o lançamento ter se dado em outro não pode ser óbice para o creditamento de valores a título de PIS e COFINS, pois, o direito ao crédito prevalece pelo período de cinco anos a contar do seu efetivo aperfeiçoamento. Em referência à despesas de consultoria e gerenciamento sobre consumo de energia elétrica, alegou que as despesas seriam inerentes ao próprio consumo da energia que, para fins de maximizar seu proveito, utilizase de serviços especializados aplicados a todo seu parque fabril a fim de que resulte em menor consumo. No que tange às despesas de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos locados pela empresa, cujos créditos teriam sido glosados por se referirem ao ano de 2005, alegou que “existe um lapso temporal entre a referência do mês da locação e a respectiva emissão do recibo.” Quanto às despesas de armazenagem e fretes nas vendas (item 2.3.4), alegou “que o direito aos créditos da Cofins e PIS decorrentes das despesas com fretes, quando da transferência de mercadorias (produtos acabados) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica encontra amparo no ordenamento jurídico, em vista da sistemática da não cumulatividade, adotada para as contribuições da COFINS e do PIS para impedir a "incidência em cascata" de tributos.” Citou decisão em mandado de segurança coletivo que apoiaria sua tese e acrescentou constar do manual do Dacon ser possível o creditamento em relação às “despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda”. Em relação aos encargos de depreciação do ativo imobilizado de bens adquiridos anteriormente a 1º de maio de 2005, alegou que “o direito ao crédito dos tributos em questão nasce com a aquisição e incorporação do bem ao ativo imobilizado, enquanto que o direito a dedução do respectivo custo de aquisição é diferido e parcelado pelo tempo estimado de sua depreciação, (circulante e realizável a longo prazo) que pode ser de 5 (cinco), 10 (dez) Fl. 1407DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10925.905142/201077 Acórdão n.º 3302002.025 S3C3T2 Fl. 1.400 15 anos ou outro prazo prescrito em Lei, e a taxa de depreciação será fixada em função do prazo durante o qual se possa esperar a utilização econômica do bem na produção.” Acrescentou que a Lei n. 10.865, de 2004, art. 31, violaria os princípios do direito adquirido, da irretroatividade das leis, da segurança jurídica, da isonomia, da violação à livre concorrência, da nãocumulatividade e da vedação ao confisco, ao limitar o aproveitamento dos “créditos decorrentes da aquisição de bens para o ativo imobilizado, tomando como referência a data de aquisição dos mesmos.” Ao final, citou entendimento de decisões judiciais. Quanto aos ajustes positivos de crédito (item 2.3.6), que se referiu ao crédito de diferenças entre a alíquota integral do PIS e Cofins e uma alíquota presumida que fora utilizada no ano de 2005 para crédito referente a aquisições de fretes, alegou que, “se os citados créditos poderiam ter sido realizados no ano de 2005, tendo o Contribuinte não exercido este direito, veio a exercêlo, legitimamente, no primeiro trimestre de 2006.” No tocante ao crédito presumido da agroindústria, afirmou ser equivocada a interpretação da Fiscalização e adquirir a empresa agroindustrial “produtos agropecuários que se enquadram nos preceitos enunciados no inciso I do parágrafo terceiro do artigo oitavo da Lei 10.925/2004”. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. A Recorrente iniciou seu recurso pela alegação de nulidade do acórdão de primeira instância, que denegou a realização de perícia, no seu entendimento, sem justificar o porquê. O acórdão considerou o seguinte: Constatase que os quesitos formulados poderiam ser respondidos pelo próprio impugnante mediante o exame de provas documentais, cuja guarda e conservação lhe compete, e, ainda, poderiam ser respondidos pela simples análise das peças que estão juntadas neste processo, tais como o relatório da fiscalização e o auto de infração com demonstrativos e planilhas que identificam os montantes mensais das vendas efetuadas e omitidas pelo contribuinte. Cabe ao autuado apontar os erros que porventura existem no levantamento fiscal, já que tem condições para isso, por possuir conhecimentos dos fatos e documentos e relatórios que serviram de base para apuração das infrações. Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 16 Verificase, portanto, descaber razão à Interessada, uma vez que tem razão o acórdão de primeira instância, tanto em relação à existência da justificativa da denegação do pedido quanto ao seu mérito. A Interessada ainda alegou que “a própria nãocumulatividade de PIS/COFINS e o conceito adotado de noção de insumo exige uma análise técnica, que os auditores não dispõem.” Entretanto, tal alegação não faz sentido algum, uma vez que cabe ao auditorfiscal aplicar a lei e não cabe ao perito manifestarse sobre questões puramente legais, mas, apenas, de provas. Em relação ao despacho decisório, houve motivação adequada, uma vez que todo o procedimento foi baseado no levantamento específico dos bens e serviços que geraram os créditos que a Interessada aproveitou. O despacho, em cada um dos tipos de insumo, expôs claramente as razões das glosas. Pelo fato de se tratar de uma lista numerosa de itens, a defesa, é claro, não é fácil, uma vez que, para contestar cada glosa é preciso justificar a razão por que o item respectivo deveria ser considerado insumo. Daí o longo recurso apresentado pela Interessada, que abrangeu todos os itens e apresentou as razões, em relação a cada tipo de glosa, por que as glosas seriam indevidas. Ademais, o processo produtivo da Recorrente não é tão peculiar e complexo que justifique a realização de perícia. De fato, as questões principais discutidas nos autos não são relativas às matérias de fato, mas, sim, relativas ao alcance das disposições legais. Antes de iniciar o exame do mérito, destaquese, quanto às questões constitucionais, a aplicação ao presente caso dos seguintes dispositivos do Regimento Interno do Carf (Ricarf, anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009, com as alterações da Portaria MF n. 446, de 2009): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10925.905142/201077 Acórdão n.º 3302002.025 S3C3T2 Fl. 1.401 17 em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ademais, aplicase também a Súmula Carf n. 2 (Portaria Carf n. 106, de 21 de dezembro de 2009): Súmula Carf no 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, deve ser aplicada ao caso dos autos a lei em sua integralidade. As leis que tratam de PIS e Cofins não cumulativos trazem diversas exclusões específicas e, genericamente, no art. 3º, II, tratam dos insumos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Referido dispositivo referese a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produtos destinados a vendas. Dentro desse conceito é que se tentam enquadrar os mais variados custos e despesas incorridos pela empresa produtora para o fim de creditamento das contribuições não cumulativas. Entretanto, é preciso ter em conta que, de um lado, tal conceito não se confunde com o de insumo de IPI, restrito a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. De outro, não é qualquer bem ou serviço adquirido que gera direito de crédito. No caso do IPI, o aproveitamento de créditos ficou restrito aos insumos classificados como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem. Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 18 Matériaprima é o insumo que dá origem ao produto; produto intermediário, um produto obtido no meio do processo de fabricação; material de embalagem, aquele utilizado no acondicionamento do produto. Enquanto que, relativamente ao material de embalagem, a única controvérsia resumese à diferenciação do Ripi entre embalagens para transporte e de apresentação, em relação aos produtos intermediários é que se formou uma grande discussão. Como o Regulamento dispõe que, para ser considerado produto intermediário, não precisa haver incorporação do bem ao produto acabado, desde que o bem também não se destine ao ativo permanente, abriuse margem à interpretação de que seriam essas as únicas condições para caracterização do conceito. Entretanto, a Receita Federal emitiu o entendimento, pelo Parecer CST n. 65, de 1979, de que seria necessário o consumo imediato e direto Nesse contexto, importa ressaltar que o Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (Resp nº 1.075.508) decidiu que os materiais que são consumidos no processo industrial, ainda que não integrem o produto final, geram direito ao crédito presumido de IPI, nos seguintes termos: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente’.. Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10925.905142/201077 Acórdão n.º 3302002.025 S3C3T2 Fl. 1.402 19 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (destaquei) Como se deduz do trecho destacado acima, somente os insumos incorporados ao produto final ou que se desgastam no processo de industrialização é que geram direito de crédito. Em seu voto, o Ministro relator destacou o seguinte: [...] Dessumese da norma insculpida no supracitado preceito legal que o aproveitamento do crédito de IPI dos insumos que não integram ao produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. [...] In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. [...] Conforme esclarecido acima, somente geram direito a crédito de IPI os insumos que além de não se destinarem ao ativo permanente ou se incorporem ao produto fabricado ou cujo desgaste ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização. Portanto, para o IPI o critério para definição de insumo (mais restrito) é do consumo do bem no processo de produção. Tratandose de PIS e Cofins, no entanto, a condição expressamente prevista na lei é de que o bem ou serviço seja “utilizado” na prestação de serviços ou na produção e fabricação de produtos. Portanto, embora insumo seja genericamente qualquer elemento necessário para produzir mercadorias ou serviços, a lei exige que, para gerar crédito, ele seja utilizado na produção ou fabricação. Não é necessário seu consumo direto e imediato, como no caso do IPI. Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 20 Entretanto, tal disposição, singela e bastante clara, restringe drasticamente as pretensões de interpretar a disposição legal citada como referente a todo e qualquer insumo de produção. A primeira conclusão é elementar: custos e despesas posteriores à produção ou à prestação de serviços não geram direito de crédito com base no dispositivo. Assim, somente os casos previstos em outros incisos específicos do citado artigo geram crédito, quando não enquadrados no conceito de insumo utilizado na produção. Além disso, o critério adotado pela lei para que uma despesa gere crédito não é a circunstância de se tratar de despesa necessária, imprescindível ou obrigatória para a obtenção do produto, que, para o caso, é irrelevante. Ademais, a legislação permite, ao contrário do IPI, o creditamento relativo aos encargos de depreciação e amortização, que representam, indiretamente, o creditamento diferido do ativo imobilizado. Entretanto, tal creditamento também sofre restrições, a começar pela de que somente os bens adquiridos a partir de 1º de maio de 2004 podem gerar os créditos. Consequentemente, os bens adquiridos anteriormente à data mencionada e as partes e peças de máquinas que devam ser registradas no ativo fixo, como aquelas que aumentem a vida útil do bem em mais de um ano (art. 346 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999), não podem gerar crédito diretamente. Ainda sobre essa matéria, cabe lembrar que o Supremo Tribunal Federal, no RE 599.316, declarou a sua repercussão geral (<http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciaRepercussao/verPronunciamento.asp?pronunciame nto=3269787>). Entretanto, conforme prevê o art. 62A, § 1º, do Ricarf, anteriormente citado, o sobrestamento do recurso na via administrativa somente deve ocorrer quando o próprio STF houver sobrestado os recursos extraordinários que tratem da matéria, o que não ocorreu no caso em questão. Portanto, a constitucionalidade do dispositivo não pode ser apreciado. Em linhas gerais, essas são as regras que devem orientar a análise do direito de crédito de PIS e Cofins não cumulativos. No exame das matérias de fato, devese observar, inicialmente, que a Interessada apresentou na manifestação de inconformidade e no recurso algumas alegações genéricas, afirmando serem os produtos empregados na produção. Entretanto, deixou de demonstrar várias alegações, como a de que haveria contato entre determinados insumos e os bens produzidos. O Processo Administrativo Fiscal, como se sabe, é dividido em duas fases: uma oficiosa, de ação da fiscalização, que tem por objeto a apuração de fatos que servirão à conclusão (despacho de homologação ou não homologação da compensação ou auto de infração); outra litigiosa, que tem origem com a apresentação da impugnação de lançamento ou da manifestação de inconformidade art. 14 do Decreto n. 70.235, de 1972). Nesse contexto, as premissas adotadas na fase oficiosa podem redundar na desnecessidade de certas verificações nessa fase. No caso em exame, notadamente o conceito de insumo adotado pela Fiscalização difere bastante do adotado pela Interessada e da anteriormente descrita no presente voto. Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10925.905142/201077 Acórdão n.º 3302002.025 S3C3T2 Fl. 1.403 21 O fato de a Fiscalização deixar de efetuar as verificações específicas quanto ao que seria ou não insumo no entendimento da Interessada não implicaria, como já afirmado anteriormente, nulidade do procedimento, uma vez que a contestação do conceito adotado pela Fiscalização é objeto da manifestação de inconformidade, cuja apresentação inicia o procedimento litigioso. Dessa forma, devemse distinguir duas situações quanto ao ônus de prova. Em relação às matérias que a Fiscalização simplesmente apurou como não provadas ou demonstradas na fase oficiosa, caberia ao impugnante, com base no art. 16 do Decreto n. 70.235, de 1972, haver apresentado a prova no momento da impugnação (ou manifestação de inconformidade). Mas em relação àquelas matérias que não foram objeto de verificações específicas, à vista da adoção de conceito distinto de insumo, se a realização de diligência fosse necessária para dirimir dúvidas que surjam à vista do conceito adotado na decisão, certamente tal medida teria de ser adotada. Ademais, seria incabível atribuir à Interessada o ônus da prova em relação a questões levantadas posteriormente ao despacho decisório e que não demandem a produção de prova por diligência. Esclareçase que não há, entretanto, irregularidade no procedimento da Fiscalização, no despacho decisório da autoridade de origem ou no acórdão de primeira instância, uma vez que o conceito de insumo adotado nas respectivas decisões não demandaria a realização de diligência para apurar a existência do direito de crédito. Dessa forma, devemse adotar os fundamentos do acórdão de primeira instância em relação ao ônus da prova, apenas em relação às matérias que digam respeito aos fatos apurados pela Fiscalização como não demonstrados ou não provados, em que tal verificação tenha sido motivadora da glosa de créditos. Em relação às aquisições que, no entendimento da Recorrente, caracterizar seiam como insumos, tratase de uniformes, vestuário, EPI e material de uso pessoal; material de limpeza e desinfecção; produtos para movimentação de cargas e embalagens de transporte; combustíveis; ferramentas e materiais utilizados em equipamentos e máquinas. Quanto ao vestuário, conforme já demonstrado, não é o fato de ser despesa obrigatória que o torna insumo, de forma que não gera créditos. Em relação ao material de limpeza e desinfecção, da mesma forma, não se trata de insumos utilizados na produção. Tais conclusões já foram suficientemente justificadas anteriormente. Quanto aos produtos para movimentação e embalagens de transporte (pallets, sacolas “jérsei”, folhas de papel crepe e de papel ondulado), considerouse não se tratar de insumos. A Interessada alegou que tais produtos, especialmente os pallets, seriam utilizados em quatro diferentes fases da produção: industrialização, armazenagem de matérias primas, armazenagem de produtos a serem comercializados e armazenagem durante o ciclo de produção. Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 22 Nessa matéria, aplicase o mesmo raciocínio para definição de insumo utilizado na produção. A armazenagem não representa etapa do ciclo de produção e, portanto, os custos nela incorridos não representam custos de insumos. A movimentação, por sua vez, pode representar etapa do ciclo, se realizada dentro do parque de produção. Mas, no que diz respeito às sacolas, não se vislumbra que representem insumos ou que sejam utilizadas nesse processo. Os pallets, entretanto, podem ser utilizados antes, durante e depois da produção, conforme a própria Interessada descreveu em seu recurso. Da mesma forma, podem ser utilizados no processo de produção ou depois dele os demais materiais de embalagem. Nesse contexto, seria preciso haver uma discriminação dos valores relativos às etapas de produção e às demais. Notese, ainda, que a caracterização ou não de tais produtos como insumos não se altera pelo fato de a Interessada produzir alimentos, uma vez que o transporte ou embalagem durante o processo de produção poderia ocorrer com qualquer outra atividade de produção. Repitase que o fato de, no caso particular da Interessada, a necessidade de adequação das embalagens ou dos meios de movimentação às normas sanitárias não altera a natureza do bem ou serviço para se enquadrar no conceito de insumo, conforme anteriormente já explanado. Portanto, em relação aos produtos para movimentação de cargas e às embalagens de transporte, que, em regra, não são utilizados como insumos de produção, não há que se reconhecer o direito ao crédito. Seria o caso de, relativamente aos bens utilizados na produção, haver demonstração específica de tal uso, o que não ocorreu no caso dos autos, uma vez que a Interessada defendeu a tese de que todos os referidos custos gerariam direito de crédito. Ademais, não se acatam aqui as alegações da Interessada quanto ao direito de crédito por armazenagem, pois, conforme demonstrado nos autos e exaustivamente analisado pelas instâncias anteriores, a previsão específica do art. 3º, IX, das leis instituidoras das contribuições nãocumulativas não se aplica ao caso. Em relação aos combustíveis (hexano, óleo de xisto, GLP, Diesel), a lei somente permite o crédito em relação ao utilizado na produção, não abrangendo combustíveis empregados em outros fins. Alegou a Interessada que seriam empregados no processo industrial de fabricação dos alimentos, máquinas e veículos do parque fabril, permitindo, assim, o pleno exercício de sua atividade produtiva. A razão da glosa não foi especificada no despacho decisório e, ao contrário do que ocorreu com o item anterior, não se pode presumir que combustíveis como hexano, óleo de xisto e GLP sejam utilizados em veículos de transporte. Fl. 1415DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10925.905142/201077 Acórdão n.º 3302002.025 S3C3T2 Fl. 1.404 23 No caso do óleo Diesel, entretanto, ficou demonstrado nos autos que a “recorrente afirma que adquire o óleo diesel que será usado no abastecimento dos veículos de transporte de terceiros por ela contratados, e, a partir daí, os insumos são transportados aos seus estabelecimentos industriais e as mercadorias industrializadas são transportadas aos seus destinos”. Dessa forma, tratase de gastos com transporte fora da produção. Como a legislação considera que combustíveis e lubrificantes utilizados na produção representam insumos, não há como fazer prevalecer a glosa em relação aos outros combustíveis. Quanto às ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos (lubrificantes, faca, correia, gás refrigerante, mangueira, lixa, graxa, anel, bobina, botão, chave, disco, disjuntor, eixo, fita isolante, fusível, lâmpada, reator, resistência, retentor, rolamento, sensor, tomada, válvula), não se pode aplicar às contribuições não cumulativas o mesmo conceito de IPI. Como anteriormente explanado, no caso do IPI, somente matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem geram direito a crédito, enquanto que, no caso das contribuições, são os insumos utilizados na produção que geram tal direito. De fato, as ferramentas e os materiais utilizados em máquinas enquadramse no conceito de insumo, pois são componentes do processo e nele são utilizados. A questão impeditiva do direito que se poderia cogitar nesse caso seria se tais bens se incorporam ou não ao ativo permanente, pois, nesse caso, a legislação prevê que as despesas de depreciação é que geram o direito de crédito. Entretanto, pela descrição dos produtos constante dos autos, não se trata de bens ativáveis. Assim, não tendo a Fiscalização adotado tal critério para a glosa, não se pode cogitar da alteração da fundamentação legal para mantêla. Dessa forma, devese reconhecer o direito a crédito decorrente de ferramentas e de materiais utilizados em máquinas e equipamentos de produção. Em relação à soda cáustica e terra clarificante, o despacho denegatório considerou “não detectado” o uso no processo produtivo. Entretanto, considerando que, pela descrição fornecida pela Interessada, os produtos seriam utilizados no processo produtivo, não se tem, de fato, uma justificativa motivada para essa glosa. Não houve, entretanto, descrição suficiente quanto ao ácido peracético e terra ativada, o que também não ocorreu nos processos 10925.905143/201011 e 10925.905144/201066. Da mesma forma, o direito de crédito deve ser reconhecido, somente em relação aos dois casos mencionados. Em relação às embalagens utilizadas no transporte, a razão da manutenção da glosa já foi justificada anteriormente. Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 24 No tocante ao frete na entrada, tratase de frete entre estabelecimentos da empresa e de fretes cujas notas fiscais não foram localizadas. O frete é um serviço que, em regra, não ocorre durante o processo de industrialização, uma vez que a movimentação durante o ciclo é efetuada pela própria empresa. O frete entre estabelecimentos não diz respeito ao ciclo de produção e a legislação, conforme já ressaltada pelas instâncias pretéritas, somente admite o crédito relativo ao frete na operação de venda. As alegações da Interessada quanto às normas da Anvisa já foram analisadas em itens anteriores e raciocínio semelhante aplicase neste caso, destacandose que seria especial em relação ao processo de produção da Interessada a refrigeração, por exemplo, e não o frete propriamente dito. Vale dizer, é possível entender que a manutenção dos produtos em temperaturas baixas ou em outro estado exigido pela legislação represente etapa da produção, mas não é essa a despesa que a Interessada alegou gerar o direito de crédito e, sim, o transporte. No caso, a refrigeração tornaria o transporte possível, que não é um procedimento da produção. Portanto, não se admite, neste caso, que o frete seja considerado insumo utilizado na produção. Finalmente, em relação às notas fiscais não localizadas, cabe razão às instâncias anteriores, uma vez que a contabilidade faz prova a favor do contribuinte, desde que lastreada em documentação hábil e idônea. A falta da documentação fiscal impede, assim, o direito ao crédito. Quanto às aquisições de alíquota zero (ovos, antifungo, farinha de milho, cebola, mata mosca, champignon, tomate, batata em cubos, mandioca palito congelada, etc.), conforme ressaltado pela Primeira Instância, a Lei n. 10.865, de 2004, expressamente desautorizou o creditamento. Discordase do entendimento da Interessada quanto aos insumos de alíquota zero, uma vez que a disposição legal citada mencionou “bens não sujeitos ao pagamento” e não “bens não sujeitos à incidência” da contribuição. De fato, os insumos de alíquota zero não se sujeitam ao pagamento, embora se sujeitem à incidência das contribuições. Ademais, não se pode concluir que a não cumulatividade das contribuições seja de “base sobre base”, uma vez que a legislação prevê exclusões da base de cálculo, mas também prevê créditos a serem excluídos dos débitos apurados e, nesse caso, exige que o insumo se tenha sujeitado ao pagamento das contribuições. Além disso, as aquisições de pessoas físicas não geram direito de crédito, pelas mesmas razões. O direito ao crédito presumido será analisado posteriormente. Quanto aos produtos que teriam alíquota positiva, a Interessada alegou que vários deles não se enquadrariam na disposição do art. 1º da Lei n. 10.925, de 2004, como cebola desidratada, tomate congelado, tomate granulado, manjericão, batata em cubos, brócolis, alho desidratado, alho em escamas, alho em flocos, alho em pastas, caldo de galinha, Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10925.905142/201077 Acórdão n.º 3302002.025 S3C3T2 Fl. 1.405 25 tempero para carne, cenoura desidratada, champignon, cebola, espinafre fatiado, “dentre outros”. Entretanto, observou a Primeira Instância no Acórdão DRJ/FNS n. 07 26.783, de 25 de novembro de 2011: A contribuinte alega que alguns produtos cujas aquisições foram glosadas, especificadamente cebola desidratada (0712.20.00), tomate (0702.00.00), tomate cubo congelado (0702.00.00), tomate granulado, manjericão (12.11), batata em cubos (0701.90.00), brócolis (0704.10.00), alho desidratado em pó (0712.90.10), alho em escamas (0703.20.90), alho porro em flocos (0712.90.90), cenoura desidrata em pó (0712.90.90), cenoura em cubo (0706.10.00), champignon (0709.59.00), cebola (0703.10.19), espinafre fatiado (0709.70.00), entre outros, não se tipificariam nas classificações fiscais descritas no artigo 1º da Lei n. 10.925/2004. Em que pese o alegado, observase que o artigo 28, inciso III, da Lei nº 10.865/2004, estabelece que ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição ao PIS e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de produtos hortículas e frutas classificados nos Capítulos 7 e 8, e ovos, classificados na posição 04.07 da TIPI: Dessa forma, inexiste direito ao crédito. No tocante aos bens incluídos na Dacon nos campos relativos a serviços e aos serviços que não gerariam crédito (linha 3 das fichas 6ª e 16ª), a relação constou de CD no dossiê físico e a Interessada alegou que teria havido cerceamento de defesa, uma vez que a referida linha teria sido preenchida, na realidade, com dados relativos a aquisição de bens que gerariam créditos. A respeito das glosas, o despacho decisório considerou o seguinte: Foi verificado que o contribuinte inseriu, na memória de cálculo, várias aquisições de bens. Ora, na linha 03 do DACON somente é permitido o lançamento de serviços utilizados como insumos. Nenhum bem pode ser lançado nessa linha. Ademais, muitos desses bens não se enquadrariam como insumos, de acordo com o que já foi explanado. Além disso, há serviços que não se enquadram no conceito de insumo, pois não preenchem os requisitos legais já expostos. São, normalmente, despesas operacionais que, sem dúvida, são necessárias às atividades do contribuinte, mas que não podem ser utilizadas para gerar crédito de PIS e COFINS. Assim, foram glosadas, da memória de cálculo apresentada para a Linha 03 do DACON, aquisições que não se enquadram como serviços e, também, serviços que não se enquadram no conceito de insumo. A planilha contendo os itens da Linha 03 glosados se encontra gravada em mídia digital (CD) no Anexo 2 deste processo. Fl. 1418DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 26 No que diz respeito aos serviços que não se enquadram como insumos (passíveis de gerarem créditos), sua análise já foi realizada. Em relação aos bens que foram indevidamente lançados na referida linha (que só pode referirse a serviços), a Fiscalização entendeu que tal fato seria suficiente a justificar a glosa. A DRJ reforçou o entendimento, considerando que não caberia à autoridade tributária admitir a inclusão dos referidos bens no campo próprio do Dacon. Entretanto, tratarseia apenas de um ajuste de valores, que não resultaria em valor de crédito maior do que o devido. Esse fato, por si só, não é motivo suficiente para simplesmente glosar a totalidade de bens lançados no referido campo, uma vez que nada obstaria à verificação da natureza de cada bem e à análise de se poderia ou não gerar crédito. Ressaltese que não se trata de um assentimento da autoridade julgadora, mas do julgamento de se a autoridade fiscal poderia proceder à glosa por erro da Interessada, escusandose de analisar o direito material de crédito. Portanto, os valores de bens lançados nos referidos campos do Dacon devem ser considerados, em sua integralidade, para apuração do crédito. No item “despesas com energia elétrica”, o que foi glosado foram outras despesas, como frete e serviços de consultoria e gerenciamento e despesas com energia elétrica do ano de 2005. No recurso, a Interessada defendeu o direito de crédito em relação à energia do ano de 2005 e aos serviços de consultoria e gerenciamento atrelados ao consumo de energia elétrica. Em relação à energia do ano anterior, descabe razão à Interessada por não se tratar de despesa incorrida no mês, conforme previsão legal (art. 3º, III, § 1º, II). Os serviços atrelados ao consumo não representam gastos com energia elétrica e, assim, não podem gerar crédito. Com referência às despesas de aluguéis, aplicase a mesma restrição legal anteriormente mencionada em relação ao ano de 2005. Em relação ao ativo imobilizado, a própria lei estabeleceu que os créditos seriam aqueles relativos a “bens e direito de ativo imobilizado adquiridos a partir de 1º de maio”, não havendo margem para discussão da matéria. As diversas matérias constitucionais levantadas pela Interessada não podem ser levadas em conta para afastar a aplicação da lei, conforme já esclarecido anteriormente. Ademais, apenas os bens utilizados na produção é que geram o crédito em relação à depreciação. Entretanto, ao contrário do alegado pela Interessada, as glosas relativas a automóveis, transformadores, climatização, condensadores, notebooks, armários etc. não foram efetuadas apenas por não haver desgaste no processo de produção, mas por não fazerem parte do processo. Os notebooks, por exemplo, podem ter uso administrativo. Em relação ao ativo diferido, descabe também razão à Interessada, uma vez que não se confunde com o ativo imobilizado. Ademais, também ao contrário do alegado, não Fl. 1419DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10925.905142/201077 Acórdão n.º 3302002.025 S3C3T2 Fl. 1.406 27 se trata de bens utilizados na produção, ainda mais por que, se fossem, a Interessada os teria creditado diretamente e não somente sua depreciação. Em relação aos ajustes positivos de créditos, o despacho decisório observou que, “Na memória de cálculo apresentada para justificar os créditos relativos a este item, percebese que o contribuinte utilizou esta rubrica do DACON para se creditar da suposta diferença entre a alíquota integral de PIS/COFINS e uma alíquota presumida, que fora utilizada no ano de 2005 para crédito em aquisições de fretes.” Entretanto, citando o dispositivo legal apropriado, concluiu que “apenas poderiam gerar créditos nãocumulativos do PIS/PASEP e da COFINS os valores decorrentes de aquisições ou devoluções de bens e serviços efetuadas dentro de cada mês.” A Interessada repetiu as alegações já reproduzidas anteriormente, descabendolhe razão, à vista de se tratar de restrição específica prevista em lei, não havendo margem para a interpretação pretendida. Em relação ao crédito presumido de agroindústria, a Fiscalização concluiu que o percentual adotado para cálculo estaria incorreto (60% adotado pela Interessada contra 35% previsto na lei) e que teria havido inclusão indevida de algumas aquisições (bens que não representariam insumo, como suíno reprodutor, e serviços, como “pagamentos de parcerias, fretes, consertos, pinturas, serviços de ‘motoboy’”). A Interessada, em seu recurso, apenas alegou que a Fiscalização efetuou uma interpretação equivocada da lei, o que não corresponde à verdade, uma vez que os bens adquiridos não se enquadram nas posições da tabela que ensejariam a aplicação do percentual de 60%. Quanto ao percentual de apuração do crédito presumido, reproduzse parte do dispositivo legal: § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. Notase que o dispositivo é claro ao mencionar que o percentual é aplicado “sobre o valor das mencionadas aquisições”. Portanto, ao se referir aos “produtos de origem animal classificados nos Capítulos [...]”, o inciso I claramente trata das aquisições e não dos produtos fabricados, que é do que trata o caput. Fl. 1420DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 28 Assim, o entendimento do que seja “produto fabricado” ou “insumo” deve ser feito pela análise do dispositivo e não a partir de uma tentativa de sistematização de nomenclatura genérica como pretendeu a Interessada. Em outras palavras, nem sempre quando a legislação menciona “produto” está referindose ao produto fabricado, como no caso em questão. Não se pode olvidar tratarse de um crédito presumido exatamente sobre os insumos adquiridos, a fim de dar efetividade à não cumulatividade de PIS/Cofins. Portanto, a intenção é descontar do valor devido na saída um valor presumido apurado na entrada, o que somente poderia ser feito sobre os valores dos “insumos”, não havendo razão para se estabelecer percentuais e alíquotas a partir dos produtos fabricados. Tanto é assim que a mensagem de veto no 443, de 23 de julho de 2004, disse o seguinte sobre o inciso VIII do art. 1º (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004 2006/2004/Msg/Vep/VEP44304.htm): Razões do veto O inciso I do § 3odo art. 8odo projeto de lei de conversão concede crédito presumido, destinado a compensar, na sistemática da nãocumulatividade, a incidência das referidas contribuições sobre os insumos, incluídos os produtos relacionados no inciso VIII do art. 1o, equivalente a 60% (sessenta por cento) do valor dos produtos de origem animal, adquiridos de produtores rurais pessoas físicas, classificados nos Capítulos 2 a 4, a serem utilizados como matériaprima para a produção de mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal, e a 35% (trinta e cinco por cento) do valor dos produtos de origem vegetal (sic) com idêntica destinação. Registrese que a sistemática do crédito presumido visa compensar a incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins sobre os insumos agropecuários utilizados por pessoas físicas produtoras e fornecedoras, à indústria de alimentos, de produtos de origem animal ou vegetal. Assim, na forma acordada entre o Governo Federal, parlamentares e representantes dos mais diversos segmentos do agronegócio brasileiro, na produção de alimentos de origem vegetal, seus insumos mais importantes teriam alíquota zero, enquanto no de origem animal o mesmo não ocorreria, em razão da diferença entre os percentuais de crédito presumido. É mais cristalino que a redução a zero das alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins para as rações, mantendose os percentuais de crédito presumido inalterados e diferenciados provoca grave desequilíbrio no setor, tornandose tecnicamente inconsistente e politicamente inadequada. Ademais, a redução a zero das referidas alíquotas e a manutenção do crédito presumido no elevado e injustificado patamar de 60% (sessenta por cento) pode vir a configurar concessão de subsídio, prejudicando a política de exportação do País, além de gerar perda de arrecadação da ordem de R$ 900 milhões anuais. Fl. 1421DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10925.905142/201077 Acórdão n.º 3302002.025 S3C3T2 Fl. 1.407 29 De fato, os percentuais foram fixados em função dos insumos porque cada um deles tem certo número de etapas de produção, o que independe do produto ao qual são aplicados. Não há, assim, razão lógica ou jurídica para se estabelecerem os percentuais a partir dos produtos em que são empregados os insumos. Vejase que a última tese que tentava emplacar tal forma de apuração foi a de créditos de insumos de alíquota zero, que restou considerada improcedente pelo Supremo Tribunal Federal. À vista do exposto e adotando os fundamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei n. 9.784, de 1999, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para admitir o crédito em relação aos combustíveis, exceto óleo Diesel, às ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos, aos bens incluídos linha 3 das fichas 6 e 16 do Dacon, à soda cáustica e à terra clarificante. (assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Voto Vencedor Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Redator Designado. Fui designado para redigir o voto vencedor relativamente às matérias citadas nos subitens 1.1 e 1.2 do resultado do julgamento, nas quais o Relator foi vencido. Com relação à demais matérias, a Turma de Julgamento acompanhou o Ilustre Conselheiro Relator, Dr. José Antonio Francisco. Razão pela qual ratifico os fundamentos do voto do Relator e as suas conclusões. Concordo com a recorrente quando afirma que a indumentária é um produto intermediário, necessário ao processamento da carnes de aves, de suínos, etc., por força de exigência de autoridade sanitária. A indumentária usada pelos operários na manipulação de carnes não se confunde com fardamento ou uniforme, que são de livre uso e escolha de modelo pela empresa e aquele é de uso obrigatório e deve seguir modelos e padrões estabelecidos pelo Poder Público. Fardamento/uniforme não é insumo, mesmo que utilizado por operários na linha de produção. Por evidente, alguns operários da recorrente, que não manipulam carne na linha de produção, podem usar fardamento ou uniforme e, neste caso, tais bens não se enquadram no conceito de insumo, não fazendo jus ao crédito do PIS e da Cofins não cumulativos os gastos com a sua aquisição. Por evidente, é impossível a recorrente efetuar a industrialização (ou processamento) de carnes sem o uso de indumentária especial exigido pela autoridade sanitária. São, pois, estas insumos empregados na industrialização de carnes, com direito ao crédito básico de PIS e de Cofins não cumulativos. Fl. 1422DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 30 Com relação às despesas com sacolas jérsei, folha de papel crepe e papel ondulado, entendo que tais materiais se enquadram no conceito de embalagem a que se refere a legislação do IPI, posto que se destinam a tal. A natureza destes produtos nos leva a esta conclusão. Como bem disse o Ilustre Relator, o conceito de insumo, utilizado pela legislação do PIS e da Cofins, é mais amplo do que os conceitos de matériaprima, material de embalagem e produtos intermediários (juntos), utilizados pela legislação do IPI. Disto conclui se que todo material de embalagem é insumo, para fins de apuração de crédito no PIS e na Cofins não cumulativos. Claro que, também, dão direito ao crédito básico do IPI. No caso dos autos, concordo com a recorrente quando afirma que as sacolas jérsei, as folhas de papel crepe e o papel ondulado se destinam ao acondicionamento dos produtos fabricados por ela. Não há nos autos prova de que tais produtos sejam utilizados em outras atividades da recorrente (administrativa, por exemplo). Com relação aos pallets entendo que os mesmos somente podem ser considerados material de embalagem quando incorporados ao produto, ou seja, quando fica definitivamente associado ao produto por meio de cintas, cordas, arames, parafusos, etc. É o caso dos pallets usados em máquinas ou equipamentos grandes e pesados. Como instrumento de manipulação de produtos embalados, não vejo como enquadrar os pallets como material de embalagem. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recursos voluntário nos seguintes termos: (i) para reconhecer o direito ao crédito básico das despesas com indumentária, sacolas jérsei, folha de papel crepe e papel ondulado; (ii) para manter as conclusões do voto do relator, quanto às demais matérias suscitadas no recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Fl. 1423DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 13888.000122/2002-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997
AUDITORIA DE DCTF. COMPROVAÇÃO DO ERRO.
Comprovado, com documentação hábil e idônea, que as retenções de Imposto de Renda foram declaradas incorretamente na semana anterior à da efetiva retenção, há que se considerar os recolhimentos de IRRF como feitos tempestivamente e se cancelar às exigências de multa e juros por pagamento em atraso.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2101-001.677
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, para excluir do lançamento as multas e juros correspondentes aos pagamentos de R$4.158,50, R$ 15.092,41, R$ 1.087,60, R$ 14.762,45 e R$ 361,88.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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COMPROVAÇÃO DO ERRO. Comprovado, com documentação hábil e idônea, que as retenções de Imposto de Renda foram declaradas incorretamente na semana anterior à da efetiva retenção, há que se considerar os recolhimentos de IRRF como feitos tempestivamente e se cancelar às exigências de multa e juros por pagamento em atraso. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para excluir do lançamento as multas e juros correspondentes aos pagamentos de R$4.158,50, R$ 15.092,41, R$ 1.087,60, R$ 14.762,45 e R$ 361,88. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/ 06/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13888.000122/200280 Acórdão n.º 2101001.677 S2C1T1 Fl. 157 2 Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 4 a 15, referente a Imposto de Renda Retido na Fonte, relativo ao 1o trimestre de 1997, para lançar infrações de falta ou insuficiência de pagamentos dos acréscimos legais e de falta de pagamento de multa de mora, formalizando a exigência de juros pagos a menor ou não pagos de R$14,48 e de multa isolada multa de oficio (passível de redução) de R$38.370,42. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 16 a 50), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância resumiu os argumentos do recurso da seguinte maneira (fls. 64 a 65): em relação ao débito 968127, valor de R$ 10.923,08 (fl. 06), afirmou que efetivamente teria recolhido o valor de R$ 6.764,58 em atraso, pois a retenção teria ocorrido em 31/01/1997 e o vencimento em 05/02/1997, entretanto o pagamento só foi realizado em 07/02/1997, através de Darf no valor de R$ 10.923,08; a parcela de R$ 4.158,50, seria referente ao imposto retido em 07/02/1997, vencimento em 12/02/1997, que foi recolhido antecipadamente em 07/02/1997, pelo mesmo Darf; apresentou como provam de suas afirmações, cópias de Darf e de escrituração (fls. 24/29); em relação ao débito 968130, valor de R$ 8.933,14 (fl. 09), afirmou que o recolhimento ocorreu com atraso; a retenção ocorreu em 28/02/1997, com vencimento em 05/03/1997, entretanto, somente teria efetivado o pagamento em 12/03/1997; cópias de Darf e escrituração anexadas (fls. 30/34); Tendo sido reconhecida a falta de acréscimos legais para os valores de R$6.764,58 e R$ 8.933,14, a interessada teria efetuado os recolhimentos, com a redução permitida pela Lei nº 8.218, de 1991, art. 6º, nos valores de R$ 2.536,72 e R$ 3.349,93, respectivamente; anexou cópias de Darf (fls. 35/36). Quanto aos demais valores, conforme comprova a escrituração contábil da empresa, seriam improcedentes. Quando da elaboração e geração da DCTF relativa ao primeiro trimestre do anocalendário de 1997, por motivo ignorado, os valores retidos pela empresa teriam sido alocados no período de apuração anterior àquele em que realmente se deu o fato gerador, provocando, com isso, a antecipação da data de vencimento da obrigação, conforme procura demonstrar a impugnação: em relação ao débito 968127, valor de R$ 4.158,50 (parcial) (fl. 06), teria sido retido em 07/02/1997, que corresponderia à segunda semana de fevereiro, vencimento em 12/02/1997, recolhido em 07/02/1997, conforme Darf (fl. 28); em relação ao débito 968128, valor de R$ 15.092,41 (fl. 07), teria sido retido em 20/02/1997 (fl. 42), vencimento e recolhimento em 26/02/1997, conforme Darf (fl. 43); Fl. 162DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/ 06/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13888.000122/200280 Acórdão n.º 2101001.677 S2C1T1 Fl. 158 3 em relação ao débito 968129, valor de R$ 1.087,60 (fl. 08), teria sido retido em 28/02/1997 (fl. 44), vencimento e recolhimento em 05/03/1997, conforme Darf (fl. 45); em relação ao débito 968131, valor de R$ 14.762,45 (fl. 10), teria sido retido em 20 e 21/03/1997 (fls. 46/47), vencimento e recolhimento em 26/03/1997, a maior em R$76,06, conforme Darf (fl. 48); em relação ao débito 968141, valor de R$ 361,88 (fl. 11), teria sido retido em 27/02/1997 (fl. 49), vencimento e recolhimento em 05/03/1997, conforme Darf (fl. 50). ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 62 a 66): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1997 Ementa: JUROS DE MORA. INSUFICIÊNCIA. O pagamento a destempo de tributos com insuficiência de acréscimos legais (juros de mora) sujeita o infrator à exigência, de ofício, da diferença devida. PAGAMENTO SEM ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. MULTA ISOLADA. O pagamento a destempo de tributos sem multa de mora sujeita o infrator à exigência, de ofício, da multa isolada calculada sobre o valor do imposto recolhido. Lançamento Procedente RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 2/7/2009 (fl. 70), o contribuinte apresentou, em 31/7/2009, o recurso de fls. 71 a 154, onde afirma: a) que, excluídos os lançamentos para os quais houve concordância, os demais débitos abaixo descritos e constantes nos anexos do Auto de Infração referemse a valores já recolhidos e confirmados: Número Código da Período de Data de Valor do Débito Receita Apuração Vencimento Recolhido 968127 (*) 0561 0102/1997 05.02.1997 R$ 4.158,50 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/ 06/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13888.000122/200280 Acórdão n.º 2101001.677 S2C1T1 Fl. 159 4 968128 0561 0302/1997 19.02.1997 R$ 15.092,41 968129 0561 0402/1997 26.02.1997 R$ 1.087,60 968131 0561 0303/1997 19.03.1997 R$ 14.762,45 968141 1708 0402/1997 26.02.1997 R$ 361,88 Total R$ 35.462,84 b) que, conforme pode ser facilmente comprovado através da escrituração contábil da Recorrente, quando da elaboração e geração da DCTF n.° 0000100199700025899, relativa ao primeiro trimestre do anocalendário de 1997, por motivo que desconhece, os valores retidos foram alocados no período de apuração (semana) anterior àquele em que realmente se deu o fato gerador, provocando, com isso, a antecipação da data de vencimento da obrigação. c) que, ao se alocar os valores retidos pela Recorrente nos períodos de apuração (semanas) em que realmente ocorreu o fato gerador, verificase uma situação contrária àquela constante no referido Auto de Infração. d) que o valor de R$ 4.158,50 (débito 968127 Parcial), escriturado no Livro Diário n.° 131 às fls. 044, foi retido em data de 07 de Fevereiro de 1997, o que corresponde ao período de apuração da 2° semana do mês de Fevereiro de 1997, cujo vencimento se deu em 12 de Fevereiro de 1997, valor efetivamente recolhido em data de 07 de Fevereiro de 1997, conforme DARF (Doc. 5). e) que os impostos retidos em data de 20 de Fevereiro de 1997, no montante de R$ 15.092,41 (débito 968128), foram escriturados no Livro Diário n.° 131, às fls. 123 (Doc. 19), nos valores de R$ 13.419,35 e R$ 1.673,06, correspondente à 4a semana do mês de Fevereiro de 1997, cujo vencimento se deu em 26 de Fevereiro de 1997, efetivamente recolhido na mesma data, conforme DARF (Doc. 20). f) que o imposto retido em data de 28 de Fevereiro de 1997, no montante de R$ 1.087,60 (débito 968129), foi escriturado no Livro Diário n.° 131, às fls. 188 (Doc. 21), correspondente à 5a semana do mês de Fevereiro de 1997, cujo vencimento se deu em 05 de Março de 1997, efetivamente recolhido na mesma data, conforme DARF (Doc. 22). g) que os impostos retidos em data de 20 e 21 de Março de 1997, no montante de R$ 14.686,39 (débito 968131), foram escriturados no Livro Diário n.° 132, às fls. 167 e 181 (Docs. 23 e 24), nos valores de R$ 12.858,91, R$ 1.706,60 e R$ 120,88, correspondente à 4a semana do mês de Março de 1997, cujo vencimento se deu em 26 de Março de 1997, efetivamente recolhido na mesma data, conforme DARF (Doc. 25), no valor de R$ 14.762,45, maior em R$ 76,06 do valor efetivamente devido. h) que os impostos retidos em data de 27 de Fevereiro de 1997, no montante de R$ 361,88 (débito 968141), foram escriturados no Livro Diário n.° 131, às fls. 184 (Doc. 26), nos valores de R$ 2,65, R$ 3,12, R$ 3,05, R$ 248,56 e R$ 104,50, correspondente à 5a semana do mês de Fevereiro de 1997, cujo vencimento se deu em 05 de Março de 1997, efetivamente recolhido na mesma data, conforme DARF (Doc. 27). i) que ficou plenamente demonstrado pela Recorrente que os períodos de apuração de todos os débitos impugnados estão amparados pelos seus respectivos fatos geradores, consistentes de suas escriturações em livros próprios exigidos por Lei, combinados Fl. 164DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/ 06/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13888.000122/200280 Acórdão n.º 2101001.677 S2C1T1 Fl. 160 5 com os efetivos recolhimentos dos valores devidos em seus respectivos vencimentos por meio de Documentos de Arrecadação de Receitas Federais — DARF's. j) que traz aos autos cópias dos documentos correspondentes aos lançamentos contábeis, cujos valores foram devidamente informados em DCTF, a saber folha de pagamento de janeiro a março de 1997 (Docs. 28 a 30), Notas Fiscais 6675 e 6676 de Limpadora Rezende S/C Ltda (Docs. 31 e 32), Notas de Demonstração 291 e 292 de Allady Comissária e Transportes (Docs. 33 e 34), e demonstrativo de L. A. Lima Despachos Aduaneiros (Doc. 35). Ao final, pugna pelo cancelamento do débito fiscal reclamado. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 155, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. Tratase de auto de infração decorrente de Auditoria Interna na DCTF do 1o trimestre de 1997, onde se exige multa de ofício isolada e juros de mora em decorrência de recolhimentos de IRRF efetuados com atraso, desacompanhados de multa e juros de mora. Após concordar com parte do lançamento, o recorrente afirma que determinados valores cobrados são indevidos, pois os impostos de renda retidos foram alocados no período de apuração (semana) anterior àquele em que realmente se deu o fato gerador, provocando, com isso, a antecipação da data de vencimento da obrigação. Observese que os IRRFs em discussão são do código 0561 e 1708, com prazo de recolhimento, na época dos fatos, até o terceiro dia útil da semana subseqüente àquela em que tiverem ocorrido os fatos geradores (art. 82, §4o, da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995). a) débito 968127 de R$ 4.158,50: Na fl. 06, consta o lançamento referente ao IRRF de R$10.923,08, informado em DCTF como pertencente ao Período de Apuração (P.A.) 0102/1997 (1a semana de fevereiro de 1997) (fl. 37), com vencimento em 05/02/1997, mas recolhido apenas em 07/02/1997. O recorrente concordou com o atraso relativo à quantia de R$6.764,58, mas afirma que pagou a diferença de R$4.158,50 tempestivamente. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/ 06/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13888.000122/200280 Acórdão n.º 2101001.677 S2C1T1 Fl. 161 6 Afirma que esse valor está escriturado no Livro Diário n.° 131 às fls. 044 como retido em data de 07/02/1997, o que corresponde ao período de apuração da 2° semana do mês de fevereiro de 1997, cujo vencimento se deu em 12/02/1997, e que o valor foi efetivamente recolhido em 07/02/1997 (DARF de fl. 28). De fato, o Livro Diário informa, em 07/02/1997, adiantamentos de salários de R$25.603,50 com retenção na fonte de R$4.158,50 (fl. 93), e na folha de pagamento de fevereiro de 1997 consta essa retenção (fl. 139). O julgador de 1a instância não admitiu o argumento, pois a cópia do Livro Diário que havia sido apresentada estava com a data ilegível, e pela falta de apresentação de documentos necessários à identificação da data em que ocorreram efetivamente os fatos geradores, tais como folha de pagamento, Nota Fiscal de Serviço, ou cópia de cheque, de depósito bancário, etc. Os documentos trazidos no voluntário suprem os óbices impostos pelo acórdão recorrido, e comprovam o erro de declaração. b) débito 968128 de R$15.092,41: Na fl. 07, consta o lançamento referente ao IRRF de R$15.092,41, informado em DCTF como pertencente ao P.A. 0302/1997 (fl. 38), com vencimento em 19/02/1997, mas recolhido apenas em 26/02/1997. O recorrente afirma que esse valor está escriturado no Livro Diário n.° 131 às fls. 123 como retido em 20/02/1997, o que corresponde ao período de apuração da 4° semana do mês de fevereiro de 1997, nos valores de R$ 13.419,35 e R$ 1.673,06, cujo vencimento se deu em 26/02/1997, com recolhimento na mesma data (DARF de fl. 43). De fato, o Livro Diário informa, em 20/02/1997, adiantamentos de salários de R$190.331,65 e R$6.026,40, com retenções na fonte de R$13.419,35 e R$1.673,06, respectivamente, o que totaliza uma retenção total de R$15.092,41 (fl. 119), e na folha de pagamento de fevereiro de 1997 consta essa retenção (fl. 139). Considero comprovado o erro de declaração. c) débito 968129 de R$ 1.087,60: Na fl. 08, consta o lançamento referente ao IRRF de R$1.087,60, informado em DCTF como pertencente ao P.A. 0402/1997 (fl. 38), com vencimento em 26/02/1997, mas recolhido apenas em 05/03/1997. O recorrente afirma que esse valor está escriturado no Livro Diário n.° 131 às fls. 188 como retido em 28/02/1997, o que corresponde ao período de apuração da 5a semana do mês de fevereiro de 1997, cujo vencimento se deu em 05/03/1997, com recolhimento na mesma data (DARF de fl. 45). De fato, o Livro Diário informa, em 28/02/1997, adiantamentos de salários de R$11.362,60 com retenção na fonte de R$1.087,60 (fl. 123). Já, na folha de pagamento de março de 1997, consta retenção de R$1.208,38, com a explicação, aposta à caneta, de se referir à retenção de R$120,88 de 21/03 e de R$1.087,60 de 28/02 (fl. 141). Fl. 166DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/ 06/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13888.000122/200280 Acórdão n.º 2101001.677 S2C1T1 Fl. 162 7 Considero comprovado o erro de declaração. d) débito 968131 de R$14.762,45: Na fl. 10, consta o lançamento referente ao IRRF de R$14.762,45, informado em DCTF como pertencente ao P.A. 0303/1997 (fl. 40), com vencimento em 19/03/1997, mas recolhido apenas em 26/03/1997. O recorrente afirma que esse valor está escriturado no Livro Diário n.° 132 às fls. 167 e 181 como retido em 20 e 21/03/1997, nos valores de R$12.858,91, R$ 1.706,60 e R$120,88, o que corresponde ao período de apuração da 4a semana do mês de março de 1997, cujo vencimento se deu em 26/03/1997, com recolhimento na mesma data, conforme DARF no valor de R$ 14.762,45 (fl. 48), maior em R$ 76,06 do valor efetivamente devido. De fato, o Livro Diário informa, em 20/02/1997, adiantamentos de salários de R$ 184.267,89 e R$6.826,40, com retenção na fonte de R$12.858,91 e R$ 1.706,60, respectivamente (fl. 127), e, em 21/03/1997, adiantamentos de salários de R$4.017,88, com retenção na fonte de R$120,88 (fl. 129). Já, na folha de pagamento de março de 1997, consta retenção de R$14.565,51, correspondente à soma de R$12.858,91 e R$1.706,60, e de R$1.208,38, com a explicação, aposta à caneta, de se referir à retenção de R$120,88 de 21/03 e de R$1.087,60 de 28/02 (fl. 141). Considero comprovado o erro de declaração. e) débito 968141 de R$361,88: Na fl. 11, consta o lançamento referente ao IRRF de R$361,88, informado em DCTF como pertencente ao P.A. 0402/1997 (fl. 41), com vencimento em 26/02/1997, mas recolhido apenas em 05/03/1997. O recorrente afirma que esse valor está escriturado no Livro Diário n.° 131 às fls. 184 como retido em 27/02/1997, nos valores de R$ 2,65, R$ 3,12, R$ 3,05, R$ 248,56 e R$ 104,50, o que corresponde ao período de apuração da 5a semana do mês de fevereiro de 1997, cujo vencimento se deu em 05/03/1997, com recolhimento na mesma data (DARF de fl. 50). De fato, o Livro Diário informa, em 27/02/1997, pagamento da Nota de Demonstração no 292 com IRRF de R$ 2,65, Nota de Demonstração no 291 com IRRF de R$3,12, Número de Registro no 960184 com IRRF de R$ 3,05, Nota Fiscal no 6675 no valor de R$24.856,99 com IRRF de R$ 248,56 e Nota Fiscal no 6676 no valor de R$10.450,75 com IRRF de R$ 104,50. (fl. 133). Nas fls. 143 a 151, constam notas fiscais e de demonstração que comprovam os negócios praticados com os pagamentos e retenções na fonte. Na fl. 154, consta demonstrativo de despesas, emitido por L. A. Lima Despachos Aduaneiros, onde consta a informação à caneta do valor do IRRF de R$3,05, que, somado ao total das despesas de desembaraço, chegam ao total informado no Livro Diário. Pelo pequeno valor em comento, e pela razoável dificuldade em se manter documentação de tão longa data, considero a prova suficiente. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/ 06/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13888.000122/200280 Acórdão n.º 2101001.677 S2C1T1 Fl. 163 8 Desta forma, considero comprovado o erro de declaração. Conclusão: Demonstrado o erro de declaração dos IRRFs discutidos nos autos, considero que os pagamentos foram feitos tempestivamente, e por isso dou provimento ao recurso para excluir do lançamento as multas e juros correspondentes aos pagamentos de R$4.158,50, R$ 15.092,41, R$ 1.087,60, R$ 14.762,45 e R$ 361,88. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 168DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/ 06/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10073.001629/2003-28
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RECURSO ESPECIAL - FALTA DE INTERESSE DE AGIR.
A recorrente defendeu a impossibilidade de exclusão da base de cálculo do lançamento, cuja infração está relacionada à presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, dos valores informados pela contribuinte em sua declaração de ajuste anual. Contudo, tal tese não foi acolhida pela decisão de segunda instância, embora esteja lá mencionada. A Fazenda Nacional carece, pois, de interesse processual, de interesse de agir, na medida em que a tese suscitada não se aplica aos fatos verificados.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-002.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Gonçalo Bonet Allage Relator
EDITADO EM: 29/04/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Relator EDITADO EM: 29/04/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1668; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 527 1 526 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10073.001629/200328 Recurso nº 161.028 Especial do Procurador Acórdão nº 9202002.615 – 2ª Turma Sessão de 23 de abril de 2013 Matéria DEPÓSITOS BANCÁRIOS RENDIMENTOS DECLARADOS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado REGINA CELI PACIELLO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSO ESPECIAL FALTA DE INTERESSE DE AGIR. A recorrente defendeu a impossibilidade de exclusão da base de cálculo do lançamento, cuja infração está relacionada à presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, dos valores informados pela contribuinte em sua declaração de ajuste anual. Contudo, tal tese não foi acolhida pela decisão de segunda instância, embora esteja lá mencionada. A Fazenda Nacional carece, pois, de interesse processual, de interesse de agir, na medida em que a tese suscitada não se aplica aos fatos verificados. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 00 16 29 /2 00 3- 28 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10073.001629/200328 Acórdão n.º 9202002.615 CSRFT2 Fl. 528 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 29/04/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Regina Celi Paciello foi lavrado o auto de infração de fls. 4146, para a exigência de imposto de renda pessoa física, exercício 1999, em razão da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, sendo que a base de cálculo apurada pela fiscalização soma R$ 2.424.081,39 (fls. 45). A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) II considerou o lançamento procedente (fls. 276279, Volume II). Por sua vez, a Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, apreciando o recurso voluntário interposto pela contribuinte, proferiu o acórdão n° 210100.289, que se encontra às fls. 479481 (Volume III), cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1999 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO DE RENDA A presunção legal de renda omitida com suporte na existência de depósitos e créditos bancários de origem não comprovada, nos termos do artigo 42 da Lei 9.430 de 1.996, é de caráter relativo e transfere o ônus probatório em contrário ao contribuinte. Contendo o processo conjunto probatório que evidencia atividade comercial praticada pelo contribuinte mediante a utilização da conta bancária de sua própria titularidade para pagar custos da referida atividade e, sendo este passível de apuração mediante documentos probatórios seguros, é de se excluir da base de cálculo do lançamento o referido montante. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10073.001629/200328 Acórdão n.º 9202002.615 CSRFT2 Fl. 529 3 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Devem ser observados os requisitos apontados no artigo 16, inciso IV do Decreto 70.235 de 1972. A diligência ou perícia é deferida quando por meios mais simples não se consegue chegar até a verdade. No caso vertente, as provas passives de produção foram apensadas aos autos. Recurso parcialmente provido. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para excluir do montante de depósitos bancários o valor de R$ 1.909.000,00. Intimada do acórdão em 24/09/2010 (fls. 482), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, recurso especial às fls. 485499, acompanhado dos documentos de fls. 500518 (Volume III), cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) Ao analisar a autuação por omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, o colegiado a quo excluiu determinados valores, com base em meramente provas indiciárias, por considerálos oriundos da atividade do contribuinte como representante comercial; b) O colegiado também excluiu os valores declarados pelo contribuinte, sem que houvesse nenhuma vinculação com os depósitos autuados; c) Para satisfazer a exigência de comprovação de dissídio jurisprudencial, invocamos alguns precedentes (acórdãos nos 10616.454 e 10616.548) que, diversamente do entendimento demonstrado nos autos, exige que o contribuinte comprove, cabalmente, a origem dos depósitos nos termos do que dispõe o art. 42 da Lei n° 9.430/96, caso contrário deverá manterse o lançamento, entendimento diametralmente oposto ao esboçado pelo acórdão recorrido; d) Além disso, em sua fundamentação, o relator entendeu que os valores regularmente declarados podem ser considerados como prova de origem de depósitos bancários, independente de identificação entre as fontes e os depósitos; e) Diversamente, decidiu a antiga Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (acórdão n° 10616.977), a qual firmou entendimento que a origem dos depósitos deve ser demonstrada de forma individualizada; f) No mesmo sentido decidiu a Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes ao proferir o acórdão paradigma n° 10423.562; g) A presunção do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 só pode ser ilidida por demonstração cabal da origem dos recursos; h) Tratandose de lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada, cabe ao contribuinte o ônus de provar, por meios hábeis e idôneos, de forma cabal e contundente, que os depósitos não Fl. 3DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10073.001629/200328 Acórdão n.º 9202002.615 CSRFT2 Fl. 530 4 comprovados são recursos de terceiros que transitaram em sua conta por força de intermediação em negócios de compra e venda de madeira; i) Registrese que, para a comprovação da origem dos depósitos, é indispensável que os documentos idôneos indiquem o pagamento de rendimentos em data e valor coincidentes com os depósitos. Ou seja, é necessária a vinculação de cada depósito a uma operação realizada, já tributada, isenta ou não tributável ou que será tributada após ser identificada, por meio de documentos hábeis e idôneos; j) De conformidade com o r. acórdão recorrido, o valor declarado pelo sujeito passivo como rendimento em DAA seria suficiente para demonstrar a origem de depósitos bancários, ou melhor, os valores tributáveis declarados pelo sujeito passivo seriam pelo menos parte dos depósitos bancários tidos como de origem não comprovada; k) Ocorre que no voto condutor não é explicitado quais depósitos bancários, especificadamente, foram considerados como de origem comprovada pelo valor declarado como rendimento em DAA; l) O dispositivo legal da presunção de omissão de rendimentos por depósito bancário de origem não comprovada é exato quanto à presunção que cria. Não se presume como renda omitida a soma dos valores depositados na conta bancária no anocalendário, porém, cada depósito é considerado individualizadamente; m) Como se vê, o que se presume como omissão de receita é um valor determinado (específico) creditado em conta, e não um somatório de valores para um período; n) Cumpre ao sujeito passivo demonstrar que os valores individualmente especificados ali depositados não são receita omitida, a partir de explicação de origem para cada um dos depósitos; o) Não se pode aceitar uma explicação deveras genérica, que englobe todo o anocalendário, sem especificação do depósito que se pretende comprovar; p) Foi esse o posicionamento tomado pelo Colegiado a quo, isto é, aceitou como justificação de origem de depósitos bancários valor global declarado como rendimento em DAA, sem especificar qual seria o respectivo depósito bancário por ele justificado; q) Pela redação do texto legal esse posicionamento não é possível, vez que mister a identificação de cada um dos depósitos listados pelo fiscal cuja origem foi considerada como comprovada; r) Diante disso, não pode ser simplesmente excluído da base de cálculo o valor declarado em DAA, porque não foi associado a depósitos bancários específicos sobre os quais vige presunção de receita omitida; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10073.001629/200328 Acórdão n.º 9202002.615 CSRFT2 Fl. 531 5 s) Por isso, deve prevalecer o aludido valor na autuação, certo que calcado numa presunção legal, a qual só pode ser afastada por efetiva demonstração concreta, isenta de dúvida, de que não há omissão de receita; t) Com efeito, a presunção opera a dúvida a favor do Fisco, e não do sujeito passivo, como entendeu o acórdão recorrido. Desse modo, deve prevalecer o entendimento exarado nos acórdãos paradigmas; u) Requer seja conhecido e provido o recurso para reformar o r. acórdão recorrido, mantendose o lançamento em sua integralidade. Através do despacho n° 210100505/2010 (fls. 519520), que foi confirmado pelo despacho n° 210100505/2010R (fls. 521, Volume III), o recurso restou admitido somente quanto à divergência relativa à exclusão dos rendimentos declarados do montante dos depósitos bancários autuados. Embora intimada, a contribuinte deixou de se manifestar. É o Relatório. Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator Sob minha ótica, o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional não pode ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção do CARF, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 1.909.000,00. Quanto à matéria devolvida à apreciação deste Colegiado por força dos despachos nos 210100505/2010 e 210100505/2010R, a insurgência da recorrente, que invocou como paradigmas os acórdãos nos 10616.977 e 10423.562, envolve a exclusão dos rendimentos informados pelo contribuinte em sua declaração de ajuste anual da base de cálculo da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Segundo penso, a decisão recorrida, embora tenha feito referência à tese questionada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, na verdade, excluiu da base de cálculo da exigência apenas os créditos considerados com origem comprovada em razão da atividade desenvolvida pela contribuinte. Nesse sentido, trago à colação as seguintes passagens do voto condutor do acórdão recorrido: Constato que foram apensados 152 cópias de DOCs realizados pela interessada, durante o ano calendário de 1998, no período de janeiro a dezembro. Nesses documentos consta registrado Fl. 5DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10073.001629/200328 Acórdão n.º 9202002.615 CSRFT2 Fl. 532 6 como remetente das 152 remessas, a D. Regina Celi P. Alves e como beneficiários a empresa Taimar Ltda. (cerca de 100 docs. para essa empresa), Madecal Mad. Amazônia Ltda. (cerca 34 does) e outros (cerca de 18 a 20 docs.). Todos os docs. foram feitos através do Banco do Brasil, para cidade de Tailândia, no Estado do Pará. Cotejando, por amostragem, os valores remetidos para os supostos fornecedores de madeira com os extratos bancários apresentados pela recorrente, verifico que estreita proximidade de data e valores, e muitas vezes coincidência absoluta de datas e valores. Pareceme, em decorrência, haver segurança para se concluir que os valores remetidos através dos docs acima indicados, saíram da conta da interessada e serviram para pagamento de madeira havida junto às empresas beneficiárias. Este fato, não me parece comprovar apenas o destino dos valores depositados na conta da recorrente sem alcançar a origem dos mesmos. Com efeito, não teria sentido admitir que a recorrente remetesse, ao longo do ano calendário de 1998, o valor de R$ 1 909.000,00 sem qualquer motivação razoável. Depreendese que os valores depositados na conta da autuada foram objeto de débitos correspondentes aos docs. Em complemento à análise dos elementos apontados, uma breve pesquisa na “internet” aponta a empresa Taimar na cidade de Tailândia, no Estado do Pará, cujo nome completo é Taimar Tailândia Madeiras Ltda. (...) Os valores regularmente declarados pela interessada devem ser objeto de exclusão, pois é razoável se considerar que estes passaram pela sua conta corrente mantida junto à instituição financeira. Diante destes fatos e da jurisprudência que tem se consolidado neste E. Tribunal Administrativo, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para excluir do lançamento o montante de R$ 1 909 000,00, valor correspondente a soma dos DOCS apensados das fls. 121 a 274 destes autos. Portanto, salvo melhor juízo, o valor excluído da base de cálculo do lançamento, R$ 1.909.000,00, referese apenas aos créditos considerados com origem comprovada em razão da atividade desenvolvida pela contribuinte. Nada foi excluído com relação aos rendimentos informados na declaração de ajuste anual, embora conste um parágrafo ao final do voto nesse sentido (aliás, este julgador não localizou a declaração originalmente apresentada pela autuada, mas tão somente a retificadora de fls. 303, apresentada após o início da ação fiscal). Assim, entendo que a tese defendida pela Fazenda Nacional não se aplica aos fatos verificados neste feito. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10073.001629/200328 Acórdão n.º 9202002.615 CSRFT2 Fl. 533 7 Conseqüentemente, a recorrente não tem interesse processual, interesse de agir, de modo que sua insurgência não pode sequer ser conhecida. Voto, portanto, no sentido de não conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 7DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GONCALO BONET ALLAGE
score : 1.0
Numero do processo: 10882.900121/2008-94
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1999
DIREITO CREDITÓRIO.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis,
da certeza e liquidez quanto ao crédito que pretende seja reconhecido junto à
Fazenda Pública.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1999
IRPJ. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO-CALENDÁRIO.
SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO.
Os recolhimentos mensais do IRPJ calculados sobre balancetes ou receita
bruta, as denominadas estimativas, bem assim as retenções levadas a efeito
por fontes pagadoras, caracterizam meras antecipações do imposto a ser
apurado com o balanço patrimonial levantado no final do ano-calendário.
A feição de pagamento, modalidade extintiva da obrigação tributária, só se
exterioriza em 31 de dezembro, pois aí ocorrente o fato gerador do imposto
de renda de pessoa jurídica optante pelo regime de tributação do lucro na
periodicidade anual.
Do confronto entre o montante antecipado ao longo do ano-calendário e o
quantum do tributo apurado em 31 de dezembro poderá resultar saldo de
imposto a pagar ou saldo negativo de IRPJ, este último, pagamento a maior
que o devido, é passível de restituição ou compensação, sobre o qual serão
acrescidos de juros à taxa Selic contados a partir de 1º de janeiro
subseqüente.
Numero da decisão: 1103-000.691
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSE SERGIO GOMES
1.0 = *:*
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1999 DIREITO CREDITÓRIO. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da certeza e liquidez quanto ao crédito que pretende seja reconhecido junto à Fazenda Pública. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 1999 IRPJ. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO-CALENDÁRIO. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. Os recolhimentos mensais do IRPJ calculados sobre balancetes ou receita bruta, as denominadas estimativas, bem assim as retenções levadas a efeito por fontes pagadoras, caracterizam meras antecipações do imposto a ser apurado com o balanço patrimonial levantado no final do ano-calendário. A feição de pagamento, modalidade extintiva da obrigação tributária, só se exterioriza em 31 de dezembro, pois aí ocorrente o fato gerador do imposto de renda de pessoa jurídica optante pelo regime de tributação do lucro na periodicidade anual. Do confronto entre o montante antecipado ao longo do ano-calendário e o quantum do tributo apurado em 31 de dezembro poderá resultar saldo de imposto a pagar ou saldo negativo de IRPJ, este último, pagamento a maior que o devido, é passível de restituição ou compensação, sobre o qual serão acrescidos de juros à taxa Selic contados a partir de 1º de janeiro subseqüente.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
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Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da certeza e liquidez quanto ao crédito que pretende seja reconhecido junto à Fazenda Pública. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 IRPJ. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO CALENDÁRIO. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. Os recolhimentos mensais do IRPJ calculados sobre balancetes ou receita bruta, as denominadas estimativas, bem assim as retenções levadas a efeito por fontes pagadoras, caracterizam meras antecipações do imposto a ser apurado com o balanço patrimonial levantado no final do anocalendário. A feição de pagamento, modalidade extintiva da obrigação tributária, só se exterioriza em 31 de dezembro, pois aí ocorrente o fato gerador do imposto de renda de pessoa jurídica optante pelo regime de tributação do lucro na periodicidade anual. Do confronto entre o montante antecipado ao longo do anocalendário e o quantum do tributo apurado em 31 de dezembro poderá resultar saldo de imposto a pagar ou saldo negativo de IRPJ, este último, pagamento a maior que o devido, é passível de restituição ou compensação, sobre o qual serão acrescidos de juros à taxa Selic contados a partir de 1º de janeiro subseqüente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10882.900121/200894 Acórdão n.º 110300.691 S1C1T3 Fl. 235 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. documento assinado digitalmente ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. documento assinado digitalmente JOSÉ SÉRGIO GOMES Relator. Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva e Hugo Correia Sotero. Relatório Em foco recurso voluntário contra decisão da 4ª Turma de Julgamento da DRJ em CampinasSP que acolheu em parte a solicitação de reforma do despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em OsascoSP, o qual não reconheceu o direito creditório contra a Fazenda Nacional por conta de apontado indébito a título de saldo negativo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) apurado no anocalendário de 1999 e, consequentemente, deixou de homologar a compensação inserta na Declaração de Compensação (Dcomp) nº 30898.00034.210704.1.3.021966 transmitida pela internet à central de dados da Receita Federal do Brasil em data de 21 de julho de 2004 visando extinguir débitos de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) dos períodos de apuração de maio de 2003 a junho de 2004. Registrese que o crédito buscado na Dcomp referenciada fora indicado em 04 (quatro) outras sucessivas declarações de compensação veiculando extinção de débitos de COFINS e PIS de períodos posteriores a junho de 2004, cujas compensações foram igualmente declaradas não homologadas em vista da constatação de inexistência do direito creditório noticiado. Analisando a declaração de compensação inaugural concluiu a Delegacia da Receita Federal do Brasil em OsascoSP que seria improcedente o indébito fiscal nela indicado, na ordem de R$ 174.353,07, por não corresponder ao saldo negativo de R$ 180.816,84 informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ). Inconformada, a contribuinte ingressou com manifestação de inconformidade prevista no artigo 74, § 7º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, argumentando que cometeu erro no preenchimento da DIPJ e que o saldo negativo correto é aquele indicado na declaração de compensação, o que seria verificável pelos Documentos de Arrecadação de Receitas Federais (DARFs) e importâncias do imposto de renda retido por fontes pagadoras (IRRF) relacionadas na ficha de composição do crédito citado na Dcomp. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10882.900121/200894 Acórdão n.º 110300.691 S1C1T3 Fl. 236 3 Pugnou, também, pela nulidade do despacho decisório em vista da ausência de motivação da Receita Federal em desconsiderar os DARFs e o IRRF constantes de seus próprios controles internos. Ressaltou, ainda, que já promovera a retificação da DIPJ para lhe corrigir o erro e requereu, ao final, a improcedência do despacho decisório. Aquela 4ª Turma de Julgamento admitiu o inconformismo e afastou a preliminar de nulidade. Quanto ao mérito consignou, inicialmente, que em vista dos princípios da instrumentalidade do processo, da economia processual, da verdade material, do contraditório e da ampla defesa, as divergências entre saldos negativos indicados na DIPJ e nos PER/DCOMP podem ser supridos pela instância administrativa julgadora de forma a tornar possível a apreciação do direito creditório utilizado para a compensação declarada. Assim, analisou as retenções na fonte e as estimativas noticiadas, parcelas que formam o saldo negativo do período, concluindo que a interessada não apresentou os informes de rendimentos e de retenções previstos no artigo 55 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985 e que inexistem nos sistemas informatizados da Receita Federal afetos às Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRFs) qualquer informação que liste a contribuinte como beneficiária. Em relação às estimativas mensais registrou a apuração de recolhimento na ordem de R$ 132.271,55 correlata ao mês de janeiro, tão somente, registrando que a dívida desse período na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora pelo valor de R$ 47.087,78. Passo seguinte computou essa antecipação de R$ 132.271,55 com o tributo apurado em 31 de dezembro e concluiu pela existência de saldo negativo na ordem de R$ 108.970,38, donde reconheceu o direito creditório nesse valor e homologou a compensação até este limite. Ciente do decisório em 28 de fevereiro de 2011, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 25 do mês seguinte no qual aduz que o próprio Acórdão recorrido reconhece a possibilidade de ter havido equívoco no preenchimento das DIRFs pelas fontes pagadoras ou mesmo omissão, porém, em nenhum momento menciona convidar tais fontes retentoras para melhores esclarecimentos e também não considerou a possibilidade da contribuinte fazer a comprovação através de suas escriturações. Portanto, a compensação realizada não poderia ser simplesmente indeferida, com a indicação de dispositivos genéricos. Pugna pela efetividade das retenções indicadas na declaração de compensação e ao final requer o provimento do recurso e a homologação da compensação, seguindose a extinção do crédito tributário. É o relatório, em apertada síntese. Voto Conselheiro José Sérgio Gomes, Relator Fl. 258DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10882.900121/200894 Acórdão n.º 110300.691 S1C1T3 Fl. 237 4 Observo a legitimidade processual e o aviamento do recurso no trintídio legal. Assim sendo, dele tomo conhecimento. O litígio se prende à importância de R$ 65.382,69, fruto da diferença entre a somatória dos créditos utilizados nas declarações de compensação (R$ 174.353,07) e aquele reconhecido pela autoridade julgadora de primeira instância (R$ 108.970,38). Não há maiores entraves na compreensão de que a regra de apuração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), quando não exercida a regular opção pelo regime do lucro presumido, se dá nos trimestres civis do ano calendário mediante o levantamento de balanços patrimoniais e elaboração de demonstrativos de resultados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro, consoante dispõe o artigo 220 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. A apuração anual é uma alternativa dada pelos artigos 222 e 223 do RIR/99 que, para o seu exercício, requer pagamentos mensais calculados sobre base de cálculo estimada, isto é, determinados mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, sendo certo que em determinados tipos de atividade econômica dito percentual poderá ser de um inteiro e seis décimos por cento; dezesseis por cento ou trinta e dois por cento. Com base na receita, então, estimase o lucro, daí a denominação de pagamentos por estimativa. Exercida a opção, com o pagamento do imposto ou contribuição correspondente ao mês de janeiro ou do início de atividade e que, a propósito, é de caráter irretratável (RIR/99, art. 232), a pessoa jurídica somente poderá suspender ou reduzir os recolhimentos devidos em cada mês se demonstrar, através de balanços e balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive o adicional, calculado com base no lucro real do período em curso (RIR/99, art. 230). Apurado o imposto e contribuição devidos no anocalendário, mediante o levantamento do balanço em 31 de dezembro, deles deduzse, entre outros elementos, as antecipações efetuadas, quais sejam, as parcelas do imposto de renda retido por fontes pagadoras de rendimentos e as estimativas regularmente adimplidas. Acaso a somatória de essas quantias ultrapassar aquele valor estará exteriorizada a figura do saldo de imposto/contribuição a ser restituído ou compensado (RIR, art. 231), também chamado de saldo negativo de IRPJ ou CSLL; inversamente, afigurase o saldo de imposto ou contribuição a pagar. Aflorada, então, a figura do saldo negativo, este sim é passível de restituição ou compensação com o próprio ou outros tributos e sobre o qual incidirão juros à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados entre o mês de janeiro subseqüente até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que for restituído ou em que estiver sendo efetuada a compensação. No caso dos autos a Requerente foi instada pela resposta dada à sua manifestação de inconformidade, ocasião em que se inaugurou o contraditório, a apresentar a prova dos pagamentos das estimativas (exceto a do mês de janeiro), e das retenções na fonte, Fl. 259DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10882.900121/200894 Acórdão n.º 110300.691 S1C1T3 Fl. 238 5 ambos indicados em sua declaração de compensação. Adveio o recurso voluntário e o mesmo não se fez acompanhado de qualquer elemento a respeito. Creio equivocado o entendimento da Recorrente no sentido de que a autoridade fiscal deveria “convidar” as fontes retentoras indicadas em sua declaração de compensação para apresentarem as cifras ditas retidas. Com efeito, tenho que recai sobre a contribuinte o ônus de comprovar o direito que alega possuir em face da Fazenda Nacional, regra basilar extraída do artigo 333, inciso I, do estatuto processual civil pátrio, e sendo sua pretensão constitutiva, como efetivamente o é, descabe atribuir à Administração os requisitos aplicáveis no lançamento de crédito tributário. Por sua vez, o princípio da verdade material que governa o processo administrativo não vai a ponto de obrigar o Fisco na produção de provas a favor da Requerente, salvo aquelas que for do conhecimento da Administração e conste de seus registros e, no caso, essa diligência fora levada a efeito, inclusive no que diz respeito aos recolhimentos das estimativas mensais, consoante expressa assertiva da autoridade fiscal julgadora. Enfim, os comprovantes legais das apontadas retenções (Lei nº 7.450/85, artigo 55) não foram apresentados pela interessada e a autoridade fiscal ainda assim diligenciou no banco de dados da Receita Federal, oportunidade em que aferiu a inexistência delas, bem assim, dos pagamentos das noticiadas estimativas. Quanto à insinuação da defesa para que suas “escriturações” fossem levadas em conta, registro que a contribuinte nada carreou aos autos. Ora, sem adentrar no mérito do grau de eficácia desse elemento de prova fato é que a juntada só dependeu de sua vontade, de sorte que não o trazendo descabe invocar qualquer desprezo por parte da autoridade fazendária. Com tais razões, VOTO pelo não provimento do recurso. documento assinado digitalmente José Sérgio Gomes Fl. 260DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 11686.000355/2008-19
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/10/2005 a 31/12/2005
RESSARCIMENTO DEFERIDO SOMENTE EM PARTE. ACRÉSCIMO À BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO DE VALORES NÃO ESPONTANEAMENTE OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO PELO SUJEITO PASSIVO. CONTEÚDO MATERIAL DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MOTIVOS DETERMINANTES E ÔNUS DA PROVA.
Situação em que, ao ensejo do pedido de ressarcimento, a auditoria tributária defere somente em parte o pleito por considerar que o sujeito passivo não expusera à tributação a totalidade dos valores integrantes da base de cálculo tributo. Caso em que, a glosa do crédito se origina de ato que reveste materialmente a função de lançamento ex officio, razão pela qual cabe à administração o ônus probatório acerca da afirmação. Pelo mesmo motivo, não pode a auditoria, constatando que o fundamento original da glosa não procede, pretender recusar o direito ao ressarcimento com fundamento diverso. Aplicação da teoria dos motivos determinantes.
INCENTIVO FISCAL. RESTITUIÇÃO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO DO PIS.
O ICMS restituído ao contribuinte pela Unidade Federativa a título de incentivo fiscal não configura receita, razão pela qual não integra a base de cálculo da contribuição ao PIS, mesmo sob a disciplina das Leis nºs 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03.
PIS. NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE.
A contratação de serviço de transporte entre estabelecimentos do próprio contribuinte somente enseja a apropriação de crédito, na sistemática de apuração não-cumulativa do PIS e da COFINS, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá de custo de produção e, pois, funcionará como insumo da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3o das Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3403-002.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial do recurso voluntário para reconhecer a insubsistência das glosas efetuadas na origem com fundamento na não-sujeição ao tributo de valores supostamente auferidos em razão da cessão de saldos de ICMS a terceiros e, nesta parte, deferir o ressarcimento pretendido. O Conselheiro Robson José Bayerl, em relação ao ICMS, acompanhou o voto do relator apenas na parte relativa à teoria dos motivos determinantes.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Tranchesi Ortiz Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/10/2005 a 31/12/2005 RESSARCIMENTO DEFERIDO SOMENTE EM PARTE. ACRÉSCIMO À BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO DE VALORES NÃO ESPONTANEAMENTE OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO PELO SUJEITO PASSIVO. CONTEÚDO MATERIAL DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MOTIVOS DETERMINANTES E ÔNUS DA PROVA. Situação em que, ao ensejo do pedido de ressarcimento, a auditoria tributária defere somente em parte o pleito por considerar que o sujeito passivo não expusera à tributação a totalidade dos valores integrantes da base de cálculo tributo. Caso em que, a glosa do crédito se origina de ato que reveste materialmente a função de lançamento ex officio, razão pela qual cabe à administração o ônus probatório acerca da afirmação. Pelo mesmo motivo, não pode a auditoria, constatando que o fundamento original da glosa não procede, pretender recusar o direito ao ressarcimento com fundamento diverso. Aplicação da teoria dos motivos determinantes. INCENTIVO FISCAL. RESTITUIÇÃO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO DO PIS. O ICMS restituído ao contribuinte pela Unidade Federativa a título de incentivo fiscal não configura receita, razão pela qual não integra a base de cálculo da contribuição ao PIS, mesmo sob a disciplina das Leis nºs 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03. PIS. NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. A contratação de serviço de transporte entre estabelecimentos do próprio contribuinte somente enseja a apropriação de crédito, na sistemática de apuração nãocumulativa do PIS e da COFINS, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá de custo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 03 55 /2 00 8- 19 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 produção e, pois, funcionará como “insumo” da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3o das Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial do recurso voluntário para reconhecer a insubsistência das glosas efetuadas na origem com fundamento na nãosujeição ao tributo de valores supostamente auferidos em razão da cessão de saldos de ICMS a terceiros e, nesta parte, deferir o ressarcimento pretendido. O Conselheiro Robson José Bayerl, em relação ao ICMS, acompanhou o voto do relator apenas na parte relativa à teoria dos motivos determinantes. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Os autos abrigam pedido de ressarcimento, por meio do qual o recorrente intenta receber o saldo credor acumulado da contribuição ao PIS calculada pelo regime da não cumulatividade, relativamente ao quarto trimestre de 2005, em virtude da atividade exportadora. Ao término do procedimento fiscal instaurado para a confirmação da existência e das dimensões do direito vindicado, a autoridade encarregada preparou relatório no qual conclui pela procedência apenas parcial da pretensão, em razão das seguintes irregularidades: (a) no trimestre considerado, o recorrente teria transferido onerosamente a terceiros créditos de ICMS acumulados em sua escrita fiscal sem, em contrapartida, expor à tributação os ingressos recebidos sob os respectivos negócios; (b) o recorrente apropriara créditos sobre os dispêndios incorridos com a contratação de frete entre estabelecimentos da própria empresa, em desacordo com o artigo 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03, segundo o qual apenas o frete pago na operação de venda proporciona semelhante direito ao contribuinte. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11686.000355/200819 Acórdão n.º 3403002.001 S3C4T3 Fl. 11 3 Do despacho decisório, a interessada opôs tempestiva manifestação de inconformidade, negando, em primeiro lugar, ter praticado as transferências de direitos creditórios do ICMS de que lhe acusa a auditoria fiscal. Colacionando aos autos cópia de contrato celebrado com a Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul, afirmou, sim, ser beneficiária de incentivo fiscal estadual consistente em crédito presumido equivalente a 75% do montante do imposto incidente sobre as operações interestaduais envolvendo fertilizantes de fabricação própria. Sustentou, também, que o subsídio em questão não tem natureza de receita e, por conseguinte, que sobre ele inexiste obrigação de calcular e de recolher a contribuição em causa. Alegou ainda a recorrente – trazendo aos autos planilha demonstrativa – que as remessas que realiza entre seus diversos estabelecimentos País afora, envolvem uma pequena monta de produtos acabados (cerca de 5%) e uma grande parcela de itens semielaborados, cujo processo industrial é concluído na unidade de destino. Daí que, prossegue, o frete contratado no primeiro caso seria equiparável ao frete na operação de venda, enquanto que, na segunda hipótese, o preço do frete integraria o próprio custo de produção do bem em fabricação, a ponto de qualificálo como insumo da atividade. No aresto recorrido, a DRJ/Porto Alegre desproveu por inteiro a manifestação de inconformidade, o que impeliu a contribuinte a interpor recurso voluntário, no qual reitera a fundamentação de sua manifestação de inconformidade. O julgamento do recurso voluntário foi convertido por este Colegiado em diligência, a fim de que o órgão de origem efetivasse duas providências, quais sejam: (a) trouxesse aos autos elementos documentais capazes de comprovar a existência e os montantes das supostas operações de cessão de crédito de ICMS a terceiros; e (b) informasse sobre a possibilidade de segregar, dentre os fretes contratados pelo recorrente para transporte de itens entre suas próprias unidades, aqueles que tinham por objeto a remessa de produtos acabados e aqueles que envolveram itens em fabricação. Em resposta à diligência, o órgão de origem elaborou “Termo de Comunicação e Ciência”, por meio do qual (i) diz não ser possível segregar os fretes contratados pela recorrente conforme solicitado pelo CARF e (ii) afirma que, em verdade, não houve cessão de créditos de ICMS a terceiros, mas sim – como reclamara a recorrente – apropriação de crédito presumido deste imposto. Intimado deste despacho, o recorrente manifestase, trazendo aos autos planilhas demonstrativas dos fretes de matériasprimas e de produtos acabados. Por sua vez, o órgão de origem elabora o “Termo de Comunicação e Ciência 2”, através do qual, em síntese, reitera que as planilhas inicialmente fornecidas pelo recorrente não eram capazes de segregar os fretes, porém aquelas trazidas aos autos apenas após a diligência o fazem. Conclui, por fim, que a contratação de frete para transporte de itens entre unidades do próprio sujeito passivo (seja de matériasprimas, embalagens ou produtos acabados) não gera direito ao crédito do tributo, por ausência de previsão legal. Intimado deste segundo Termo de Comunicação, a recorrente novamente manifestase para argumentar que a eventual manutenção do despacho decisório com fundamento em suposta sujeição da subvenção recebida à tributação importaria inadmissível Fl. 200DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 modificação da acusação fiscal – construída sob a premissa de que a recorrente cedera créditos de ICMS – com prejuízo ao direito de defesa e ao contraditório. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz O recurso é tempestivo e, observadas as demais formalidades aplicáveis, dele conheço. O resultado da diligência é esclarecedor e, portanto, bastante relevante para as conclusões ora obtidas. Inferese, em primeiro lugar, que já não existe controvérsia quanto à natureza do ingresso percebido pela recorrente: tratase de crédito presumido de ICMS, concedido a título de incentivo fiscal pelo Estado do Rio Grande do Sul, e não de cessão de saldo credor do imposto, como propugnava a fiscalização. A DRJ de origem ratifica esta conclusão, embora insista que, mesmo em se tratando de subvenção governamental, o ingresso tem natureza de receita e, como tal, deveria ter sido exposto à tributação. A pretensão fazendária, com relação a este tópico, esbarra em dois impedimentos: de um lado, os motivos determinantes da acusação fiscal e, de outro, a insujeição ao PIS e à COFINS da subvenção governamental de cuja natureza se reveste o aludido crédito presumido. Explico. Com efeito, infiro do relatório elaborado ao cabo do procedimento instaurado pela fiscalização que o ressarcimento pretendido resultou deferido somente em parte como decorrência não apenas da glosa de direitos creditórios, mas também da alegada sujeição à exação de determinados ingressos não espontaneamente expostos à incidência pela pessoa jurídica. Apesar de não observar qualquer nulidade neste procedimento – que, em suma, consiste em negar total ou parcialmente o ressarcimento requerido como resultado da apuração de insuficiência no cálculo do débito tributário por parte do particular obrigado – ressalto que o despacho decisório, neste particular, obedece a pressupostos formais equivalentes ao do lançamento de ofício e reveste o conteúdo material próprio deste ato, eis que consistirá da verificação da ocorrência do fato gerador, determinação da matéria tributável, cálculo do montante devido e, enfim, identificação do sujeito passivo. Isso quer dizer que, se ao ensejo da análise de pedido de ressarcimento, a fiscalização desacolhe parte da pretensão por impor ao contribuinte incidências que este voluntariamente não reconhecera devidas, é seu o ônus quanto à fundamentação da exigência e, sobretudo, quanto à prova do fato, tanto quanto o seria acaso se tratasse do próprio lançamento de ofício. Na hipótese dos autos, portanto, a recorrente teve sua pretensão desacolhida por, supostamente, não expor à tributação valores que teria auferido como decorrência da Fl. 201DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11686.000355/200819 Acórdão n.º 3403002.001 S3C4T3 Fl. 12 5 cessão de saldo credor de ICMS a terceiros. Esta a acusação fiscal, cuja consistência probatória competia à administração produzir. O órgão preparador, no entanto, não se desincumbiu do encargo e, pior, manifestandose ao ensejo da diligência, emendouse para reconhecer que, em realidade, não se tratava da alienação do aludido saldo credor do imposto e, sim, da obtenção de subvenção outorgada pela Unidade Federativa onde estabelecida a recorrente. Isso é o quanto basta para a reforma do despacho decisório nesta parte, a meu ver. Não se pode admitir, com efeito, que a pretexto de preserválo, possa a autoridade substituirlhe a fundamentação originária, como agora pretende fazer ao argumentar que a fruição do crédito presumido do ICMS estaria igualmente sujeita à incidência da obrigação. São os motivos determinantes do ato administrativo que o impedem. Fato é que, não fosse isso suficiente, o recurso comportaria provimento nesta parte também porque o incentivo fiscal em questão não constitui receita da pessoa jurídica e, desta forma, não chega a integrar a base imponível das exações. Penso estarmos diante de típica espécie de “subvenção governamental”. Subvenção, com efeito, é conceito jurídicopositivo encontrável na Lei nº 4.320/64, instituída para disciplinar “normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal”. De acordo com o §3º, do artigo 12 do diploma: “Art. 12. (...) §3º. Consideramse subvenções, para os efeitos desta lei, as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas, distinguindose como: I – subvenções sociais, as que se destinem a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial ou cultural, sem finalidade lucrativa; II – subvenções econômicas, as que se destinem a empresas públicas ou privadas de caráter industrial, comercial, agrícola ou pastoril.” Debruçandose sobre o texto, a doutrina enaltece os elementos caracterizadores da figura, de modo a definir subvenções como transferências pecuniárias pela via da despesa pública, em favor de entidades públicas ou privadas, destinadas à cobertura total ou parcial de despesas associadas à promoção de interesses de caráter coletivo. Leiase em Souto Maior Borges: “O conceito de subvenção está sempre associado à idéia de auxílio, ajuda – como indica a sua origem etimológica (subventio) – expressa normalmente em termos pecuniários. Entretanto, se bem que a subvenção, em Direito Civil, constitua uma forma de doação, caracterizandose, portanto, pelo seu caráter não compensatório, no Direito Público, particularmente no Direito Financeiro, embora também se revista de caráter não remuneratório e não compensatório, deve submeterse ao regime jurídico público, que impõe alteração nesse caráter não Fl. 202DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 contraprestacional. A sua gratuidade não exclui, então, como requisito de legitimidade, a ocorrência do interesse público relevante”. (Subvenção financeira, isenção e deduções tributárias. Revista de direito público, no. 4142, p. 43 e ss). A restituição do ICMS concedida pelo Estado do Rio Grande do Sul constitui justamente uma transferência pecuniária à pessoa jurídica beneficiária, cujo propósito, no seu particular, está em incentivar a fabricação de fertilizantes e a destinação da produção a outras unidades federativas. E a condição de subvenção governamental não depende do instrumento por meio do qual a lei viabiliza a transferência. Explica Mariz de Oliveira que “o fato de eles [créditos fiscais] serem realizados (isto é, pagos, liquidados, cumpridos) por qualquer das múltiplas formas que as respectivas leis prevêem, isto é, por crédito na escrita fiscal para compensação com débitos tributários, ou por recebimento ou ressarcimento em dinheiro, feito pelo Poder Público” não lhes modifica a natureza jurídica, assim como também em nada interfere no conceito que seja legalmente autorizada “a sua transferência a outros estabelecimentos da mesma pessoa jurídica ou a sua cessão a outras pessoas jurídicas que os utilizarão por uma das formas permitidas”. Tais alternativas legais, conclui, “não passam de meios para o pagamento dessas subvenções, isto é, modos de extinção das obrigações criadas pela lei em favor dos beneficiários dos subsídios governamentais.” (PIS/COFINS: incidência ou não sobre créditos fiscais (créditosprêmio e outros) e respectivas cessões. 10º Simpósio nacional IOB de direito tributário: grandes temas tributários da atualidade. São Paulo: IOB, 2001, p. 39.) Sucede que as subvenções governamentais, sejam as concedidas para investimentos, sejam as destinadas ao custeio de despesas determinadas, caso do ICMS em questão, não constituem receita da pessoa jurídica. E não constituem receita porque não satisfazem uma das notas fundamentais do conceito. Receitas, diz a doutrina, são por definição novos direitos que acrescem ao patrimônio de um sujeito por via – eis o relevante – da aplicação de recursos já integrantes desse patrimônio ou da atividade de quem o possua. É este o conceito talhado por José Antonio Minatel: “[receita é] ingresso de recursos financeiros no patrimônio da pessoa jurídica, em caráter definitivo, proveniente dos negócios jurídicos que envolvam o exercício da atividade empresarial, que corresponda à contraprestação pela venda de mercadorias, pela prestação de serviços, assim como pela remuneração de investimentos ou pela cessão onerosa e temporária de bens e direitos a terceiros, aferido instantaneamente pela contrapartida que remunera cada um desses eventos” (Conteúdo do Conceito de Receita. São Paulo: MP, 2005. p. 124) Receita, portanto, é grandeza menos abrangente que “ingressos”, pois estes consubstanciam quaisquer valores que transitam pelo patrimônio da empresa, independentemente de sua origem e de sua definitividade (razão pela qual toda receita é ingresso, mas nem todo ingresso é receita). Por outro lado, o conceito de receita varre um espaço amostral maior que o de faturamento, uma vez que este se restringe aos valores decorrentes da venda de mercadorias ou prestação de serviços (razão pela qual todo faturamento é receita, mas nem toda receita é faturamento). Inegável, portanto, que o conceito de faturamento é mais causalista que o de receita, pois vinculado a uma gama mais específica de fontes geradoras, causadoras do acréscimo patrimonial da empresa. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11686.000355/200819 Acórdão n.º 3403002.001 S3C4T3 Fl. 13 7 Entretanto, também o conceito de receita mantémse impregnado – com menor intensidade que o de faturamento, é verdade – de causalidade. Afinal, como visto acima, para que se catalogue como receita, o acréscimo patrimonial definitivo há de ser um produto da atividade empreendedora. Receitas estão comprometidas com esta origem, necessariamente. Aí a chave para o desate dogmático reclamado nos autos. É que, a meu ver, a restituição de impostos, como decorrência de incentivo fiscal legalmente concedido, provém de um benefício governamental e não – ao menos não diretamente – do exercício da atividade empresarial. Mariz de Oliveira, sempre ele, dirá: “(...) há alguns ingressos ou entradas que representam novos direitos no patrimônio em que entram e que, inclusive, (sempre) acarretam aumento neste, mas que não se confundem com receita exatamente porque lhes faltam as características que compõem os elementos afirmativos desta, ou porque adentram em um dos seus elementos negativos, e principalmente por não terem o caráter remuneratório ou contraprestacional do emprego de recursos já componentes desse patrimônio ou da atividade do seu titular. Isso ocorre com os ingressos de capital social, ou com outros ingressos que vêm de fora da pessoa jurídica e que não derivam de dentro, por não derivarem de atos, operações ou atividades do patrimônio (da empresa no qual o patrimônio da pessoa jurídica está aplicado), ou do emprego de recursos que compõem esse patrimônio, como é o caso de doações, subvenções, ágios de subscrição de capital e outras entradas que mais apropriadamente se chamam ‘transferências patrimoniais’.” (Fundamentos do imposto de renda. São Paulo: Quartier Latin, p. 144.) Neste particular, as subvenções governamentais se equiparam às doações, ao capital social e ao ágio na subscrição de valores mobiliários, visto que todas as figuras têm em comum o fato de redundarem em aporte de recursos não contraprestacionais à aplicação do patrimônio ou das atividades sociais. É o que justifica e impede, portanto, que por meio da contribuição ao PIS ou da COFINS, pretenda o Fisco onerar o próprio capital social. Digase de passagem que a própria Lei nº 6.404/76, na redação vigente à época dos fatos aqui considerados, continha no seu artigo 182 disposição segundo a qual as subvenções governamentais para investimentos teriam contrapartida direta no patrimônio líquido, em conta de reserva de capital, e, portanto, sem trânsito pelo resultado. Entre as subvenções para investimento e as subvenções para custeio a diferença fundamental reside no destino possível dos recursos transferidos, no primeiro caso para o implemento do ativo permanente da pessoa jurídica e, no segundo, para a cobertura de despesas determinadas. Todavia, tanto uma como a outra representam recebimentos gratuitos, não contraprestacionais, embora, é claro, pressuponham o cumprimento de prérequisitos associados à promoção do interesse público. O fundamento por trás da qualificação das subvenções para investimento como meras transferências patrimoniais deve, pois, presidir a catalogação das subvenções para custeio sob idêntico gênero de ingressos. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 8 De mais a mais, não seria lógico que o Estado, depois de reconhecer o interesse público na transferência de recursos para o custeio da atividade empresarial, ato contínuo viesse a tomar de volta parcela expressiva do montante por meio da imposição tributária. “O que se dá com uma mão não é plausível que seja retirado com a outra” (Conteúdo do conceito de receita e regime jurídico para sua tributação. São Paulo: MP Editora, p. 240.) Ademais, a restituição do ICMS não se pode qualificar como riqueza nova – atributo necessário à receita –, pois que configura apenas recuperação econômica de dispêndio anteriormente suportado. Nesse sentido, novamente José Antonio Minatel: “Dessa forma, tem nítida natureza de recuperação de custos com os efeitos já explicitados, pelo que o valor do ressarcimento do tributo embutido no preço, ou do correspondente direito escriturado como crédito, melhor evidencia sua índole se contabilizado em conta redutora dos próprios custos, jamais em conta de receita, por faltarlhe os predicados para tal configuração” (op. cit. p. 224) Não era outra a tese prevalecente no antigo Segundo Conselho de Contribuintes: “A parcela agregada pela fiscalização à base de cálculo da COFINS – correspondente à parcela do ICMS isentado pelo Estado do Amazonas – indubitavelmente não tem natureza jurídica de receita bruta, faturamento ou resultado, constituindo se em mera redução de custo ou despesa” (2º CC. 2ª Câmara. Proc. Adm. 10283.001595/200668. Rel. Cons. Maria Cristina Roza da Costa. J. 19.9.2007) A grandeza sobre a qual se realizou o lançamento in casu situase, portanto, além dos limites gizados pelas próprias Leis nº 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03, o que torna despicienda a análise de sua constitucionalidade: seja sob a disciplina de tais Leis (caso constitucionais), seja sob a disciplina das Leis Complementares nºs 7/70 e 70/91 (caso inconstitucionais), o ICMS restituído não integrará a base de cálculo do PIS e da COFINS. Dito isso, remanesce pendente a análise do direito à apropriação de créditos da contribuição ao PIS, na hipótese de fretes realizados entre estabelecimentos da própria pessoa jurídica recorrente para transporte seja de matériasprimas e de materiais de embalagem, seja de produtos acabados. Quando da conversão do julgamento em diligência, esta Turma expressamente consignou que a medida não se prestaria “a corrigir a incompetência da parte a quem a lei atribui o ônus da prova”, determinando que o órgão de origem se limitasse a juntar aos autos “via impressa dos elementos documentais, dentre aqueles já obtidos junto à recorrente no curso da fiscalização”, capazes de segregar do total de fretes em questão, aqueles que tivessem por objeto o transporte de itens ainda em fabricação. Pois em resposta à diligência, o órgão de origem foi assertivo em afirmar que as provas até então coligidas aos autos não lhe permitiam proceder ao desmembramento. E a separação, a meu ver, seria fundamental à melhor aplicação ao caso do disposto nas Leis no. 10.637/02 e 10.833/03. E por que? Porque na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode se situar em três diferentes Fl. 205DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11686.000355/200819 Acórdão n.º 3403002.001 S3C4T3 Fl. 14 9 posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3o, inciso IX; (b) se associado à compra de matériasprimas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3o, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3o. De seu turno, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte somente do ponto de vista logístico ou geográfico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente falando não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é concedido. Afirma a origem que, dos documentos constantes dos autos até a interposição do voluntário não lhe é possível fazer a segregação em comento. E mesmo que admitíssemos aqui o exame do material extemporaneamente trazido pela recorrente, já na oportunidade em que se manifestou sobre o relatório da diligência, a ele não se pode atribuir valor probatório. Tratase, com efeito, de uma planilha gerencial, unilateralmente confeccionada e sem comprovação de respaldarse em documentos ou na escrita contábil da pessoa jurídica. Portanto, dois fundamentos alicerçam a conclusão de que deve ser mantida a glosa sobre os créditos de PIS referentes aos fretes contratados entre os estabelecimentos do recorrente: (i) havia expressa vedação à formalização de novas provas, cabendo o contribuinte têlas trazido desde a manifestação de inconformidade, o que – frisese – não foi feito e (ii) planilhas unilateralmente formuladas pelos contribuintes não são meios aptos a demonstrar a invalidade de glosas efetuadas. Por todo o exposto, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário para reconhecer a insubsistência das glosas efetuadas na origem com fundamento na nãosujeição ao tributo de valores supostamente auferidos em razão da cessão de saldos de ICMS a terceiros e, nesta parte, deferir o ressarcimento pretendido. (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 206DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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