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Numero do processo: 13005.903538/2008-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário:2002
DCOMP. RETIFICAÇÃO.
As declarações de compensação só podem ser retificados até a notificação do interessado da decisão proferida pelo titular da unidade da Receita Federal que circunscriciona o contribuinte, e caso tenha ocorrido simples erro material.
Numero da decisão: 1401-000.608
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário:2002 DCOMP. RETIFICAÇÃO. As declarações de compensação só podem ser retificados até a notificação do interessado da decisão proferida pelo titular da unidade da Receita Federal que circunscriciona o contribuinte, e caso tenha ocorrido simples erro material.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1596; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 127 1 126 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13005.903538/200835 Recurso nº 867.927 Voluntário Acórdão nº 140100.608 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de junho de 2011 Matéria CSLL Recorrente Terrafácil Serviços de Terraplanagem Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DCOMP. RETIFICAÇÃO. As declarações de compensação só podem ser retificados até a notificação do interessado da decisão proferida pelo titular da unidade da Receita Federal que circunscriciona o contribuinte, e caso tenha ocorrido simples erro material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) VIVIANE VIDAL WAGNER Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Alexandre Antônio Alkmim Teixeira. Ausente, justificadamente, o conselheiro Mauricio Pereira Faro. Ausente, momentaneamente, a conselheira Karem Jureidini Dias. Fl. 134DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 113): Trata o presente processo de manifestação de inconformidade (fls. 01/02) contra Despacho Decisório do Delegado da Receita Federal do Brasil em Santa Cruz do Sul (fls. 18) que não homologou as compensações declaradas no PER/DComp nº 34580.64581.210307.1.3.035052 por insuficiência de crédito, originalmente reconhecido no PER/DComp no 23650.29783.191107.1.7.031006. 0 contribuinte manifesta o seu inconformismo dizendo que incorreu em erro de preenchimento do PER/DComp ao informar a origem do crédito o anocalendário de 2002, quando deveria ter indicado como origem do crédito o Saldo Negativo do ano calendário de 2004. Alega que, para solucionar o problema, bastaria a retificação do PER/DComp. Entretanto, a partir do seu processamento tal medida não seria possível. A 1ª Turma da DRJ Santa Maria, por unanimidade, indeferiu a solicitação da interessada, por meio do Acórdão 1812.392, assim ementado (fls. 112): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PER/DCOMP. INEXATIDÕES MATERIAIS A formulação de pedido de reconhecimento de direito creditõrio relativo ao saldo negativo de CSLL apurado em um determinado anocalendário, com todos os elementos que o compõem, não caracteriza inexatidão material passível de retificação em sede de manifestação de inconformidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditõrio Não Reconhecido Cientificada do Acórdão em 24/06/2010 (fls. 120), a contribuinte, em 08/07/2010, interpôs o recurso voluntário de fls. 122125, reiterando os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. Argumentou que os equívocos cometidos no preenchimento da DCOMP não podem suplantar o próprio direito à compensação, que préexiste. Nestes termos, requereu que seja dado provimento ao presente recuso voluntário, homologandose a compensação pleiteada. É o relatório. Fl. 135DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13005.903538/200835 Acórdão n.º 140100.608 S1C4T1 Fl. 128 3 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. O pleito da contribuinte, ora recorrente, foi indeferido pela instância julgadora a quo, pelo fato de que a contribuinte não retificou o PER/DCOMP dentro do prazo previsto nos arts. 56 a 61 da IN SRF nº 600/2005 e arts. 76 a 81 da IN RFB nº 900/2008. Além disso, no caso dos autos, não se tratavam de meras inexatidões materiais incorridas no preenchimento do documento original. Sobre o tema, assim se manifestou o acórdão recorrido, fls. 113114: Com efeito. Conceitualmente, inexatidão material é um equivoco, um erro notório e involuntdrio que não modifica a natureza das coisas. Isto é, a inexatidão material não implica em desprezo do PER/DComp original, mas apenas a correção de pequenos erros ou equívocos, reconhecíveis à primeira vista e que não o alteram de forma substancial. No presente caso, não se trata de inexatidão material, pois o pedido original, formulado no PER/DComp, diz respeito ao reconhecimento de crédito relativo ao saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário de 2002, reconhecido no PER/DComp no 23650.29783.191107.1.7.031006, no qual foram prestadas as informações de todos os elementos que o compõem, e foi baseandose nessas informações que foi proferida a decisão administrativa pelo Delegado da Receita Federal em Santa Cruz do Sul, ao passo que na manifestação de inconformidade o contribuinte aponta como o saldo negativo de origem do crédito o saldo negativo de CSLL apurado no ano calendário de 2004. Não se trata, pois, de um erro notório e involuntário, já que as novas informações alteram de forma substancial o pedido formulado no PER/DComp original e implicam na supressão da competência original da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Cruz do Sul para análise do saldo negativo do ano calendário de 2004. Tratase, na verdade, de formulação de novo pedido de reconhecimento de crédito, que não pode ser analisado em sede de manifestação de inconformidade, por não se enquadrar no disposto nos arts. 76 a 81 da IN RFB no 900, de 2008. Em sua peça recursal, a contribuinte reconhece a existência de erros de preenchimento da DCOMP, assim como reconhece que, até o momento, não efetuou a retificação da aludida declaração de compensação. Fl. 136DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 4 Entende a recorrente que “o direito [à compensação] existe independentemente do procedimento, este último que pode ser superado pelo trato manual das informações” (fls. 124). Não assiste razão à recorrente. Possui sólido fundamento lógico a determinação constante da IN SRF nº 600/2005 (e posteriormente da IN RFB n. 900/2008), no sentido de exigir que a retificação da DCOMP seja realizada antes de o contribuinte ser intimado da decisão adminstrativa. Caso essa regra não fosse obedecida, a decisão administrativa tornarseia inócua, pois poderia ser desconstituída a qualquer tempo, mediante simples apresentração de DCOMP retificadora por parte do contribuinte. É evidente a necessidade de estabilização do pleito formulado pelo contribuinte, para que a administração tributária possa analisálo e emitir uma decisão válida e eficaz. Caso a aludida regra não existisse, a validade de qualquer decisão administrativa relativa a pedidos de compensação ficaria sujeita ao livre arbítrio do contribuinte, hipótese esta fortemente repelida pelos mais comezinhos princípios de direito administrativo. Importante frisar que o indeferimento de uma DCOMP, por suposto equívoco no seu preenchimento, não representa uma “sentença de morte” para o suposto crédito compensável, cuja existência é alegada pelo contribuinte. Afinal, nada impediria que a contribuinte, após ser cientificada do indeferimento da compensação, apresentasse uma nova DCOMP, com a indicação correta dos créditos que afirmava possuir. Para tanto, bastava respeitar os prazos específicos para apresentação da nova DCOMP, previstos pela legislação tributária. No caso específico em análise, os elementos constantes dos autos nada permitem concluir sobre a certeza e liquidez do crédito alegado. Somente a unidade de origem poderia fazer tal análise, pois somente aquela unidade possui acesso aos diversos sistemas de controle mantidos pela Receita Federal do Brasil. Os colegiados julgadores de segunda instância foram idealizados e aparelhados para analisar, precipuamente, questões de direito. Tornase impraticável, nesta instância, apreciar questões de fato que não tenham sido previamente analisadas pelas instâncias anteriores. Nestes termos, voto no sentido de NEGAR provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 137DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13005.903538/200835 Acórdão n.º 140100.608 S1C4T1 Fl. 129 5 Fl. 138DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720664/2013-79
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 27/03/2008, 02/04/2008
TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE.
Classificam-se no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano ou poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante.
COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES.
Nas instituições financeiras, que têm as operações de compra e venda de ações compreendidas no objeto social, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento / receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas desmutualização.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 27/03/2008, 02/04/2008
TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE.
Classificam-se no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano ou poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante.
PIS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES.
Nas instituições financeiras, que têm as operações de compra e venda de ações compreendidas no objeto social, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento / receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas desmutualização.
Numero da decisão: 9303-005.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Demes Brito, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o Conselheiro Demes Brito. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro Demes Brito.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
(Assinado Digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 27/03/2008, 02/04/2008 TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificam-se no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano ou poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. Nas instituições financeiras, que têm as operações de compra e venda de ações compreendidas no objeto social, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento / receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas desmutualização. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 27/03/2008, 02/04/2008 TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificam-se no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano ou poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. PIS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. Nas instituições financeiras, que têm as operações de compra e venda de ações compreendidas no objeto social, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento / receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas desmutualização.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Demes Brito, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o Conselheiro Demes Brito. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora (Assinado Digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2104; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 1.173 1 1.172 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16327.720664/201379 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303005.844 – 3ª Turma Sessão de 17 de outubro de 2017 Matéria PIS E COFINS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente CONCÓRDIA S/A CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS, CÂMBIO E COMMODITIES Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 27/03/2008, 02/04/2008 TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificamse no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano ou poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. Nas instituições financeiras, que têm as operações de compra e venda de ações compreendidas no objeto social, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento / receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas “desmutualização”. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 27/03/2008, 02/04/2008 TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificamse no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F, que foram AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 06 64 /2 01 3- 79 Fl. 1173DF CARF MF Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 9303005.844 CSRFT3 Fl. 1.174 2 negociadas dentro do mesmo ano ou poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. PIS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. Nas instituições financeiras, que têm as operações de compra e venda de ações compreendidas no objeto social, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento / receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas “desmutualização”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Demes Brito, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o Conselheiro Demes Brito. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora (Assinado Digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Fl. 1174DF CARF MF Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 9303005.844 CSRFT3 Fl. 1.175 3 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte CONCÓRDIA S/A CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS, CÂMBIO E COMMODITIES (fls. 986 a 1.009) com fulcro nos artigos 64, 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 3301002.839 (fls. 800 a 844) proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 24 de fevereiro de 2016, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 27/03/2008, 02/04/2008 TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificamse no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano, poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. Nas sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, que têm por objeto social a subscrição de emissões de ações e/ou a compra e a venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento / receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas “desmutualização”. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 27/03/2008, 02/04/2008 Fl. 1175DF CARF MF Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 9303005.844 CSRFT3 Fl. 1.176 4 TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificamse no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano, poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. PIS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. Nas sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, que têm por objeto social a subscrição de emissões de ações e/ou a compra e a venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento / receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas “desmutualização”. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Recurso Voluntário Negado A Contribuinte teve contra si lavrados autos de infração, e respectivo Termo de Verificação Fiscal, para exigência das contribuições ao PIS e à COFINS sobre as receitas decorrente da venda de ações, no período de apuração de 2008, recebidas no processo de desmutualização das associações BOVESPA e BM&F, em substituição aos antigos títulos patrimoniais que detinha nessas entidades. A impugnação apresentada pelo Sujeito Passivo (fls. 235 a 263) foi julgada improcedente, mantendose o lançamento em sua integralidade, conforme fundamentos lançados no Acórdão nº 1634.770 da 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP (fls. 345 a 385), de 17/11/2011, sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 27/03/2008, 02/04/2008 COFINS. FATO GERADOR. FATURAMENTO. Fl. 1176DF CARF MF Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 9303005.844 CSRFT3 Fl. 1.177 5 O fato gerador da Cofins é o faturamento, aí incluídas as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais típicas da sociedade corretora de valores mobiliários. Portanto, a venda de ações, incluindo as ações subscritas das novas sociedades anônimas constituídas após a etapa de desmutualização das Bolsas de Valores, integra a receita operacional dessa contribuinte. As exclusões permitidas são aquelas expressamente previstas na legislação. VALORES MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Devem ser classificados, no Ativo Circulante, as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente, como as ações das novas sociedades anônimas formadas após a desmutualização das Bolsas de Valores constituídas sob forma de associação sem fins lucrativos, subscritas pela interessada com manifesta intenção de venda, e cuja alienação efetivamente ocorreu até o curso do exercício subsequente à subscrição. SOCIEDADE CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS. RECEITA BRUTA. RECEITA OPERACIONAL. O conceito de receita bruta sujeita à Cofins compreende a receita de venda de mercadorias e da prestação de serviços, aí incluídas as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais típicas da sociedade corretora de valores mobiliários. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 27/03/2008, 02/04/2008 PIS. FATO GERADOR. FATURAMENTO. O fato gerador da contribuição ao PIS é o faturamento, aí incluídas as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais típicas da sociedade corretora de valores mobiliários. Portanto, a venda de ações, incluindo as ações subscritas das novas sociedades anônimas constituídas após a etapa de desmutualização das Bolsas de Valores, integra a receita operacional dessa contribuinte. As exclusões permitidas são aquelas expressamente previstas na legislação. VALORES MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Devem ser classificados, no Ativo Circulante, as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente, como as ações das novas sociedades anônimas formadas após a desmutualização das Bolsas de Valores constituídas sob forma de associação sem fins lucrativos, subscritas pela interessada com manifesta intenção de venda, e cuja alienação efetivamente ocorreu até o curso do exercício subsequente à subscrição. SOCIEDADE CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS. RECEITA BRUTA. RECEITA OPERACIONAL. O conceito de receita bruta sujeita ao PIS compreende a receita de venda de mercadorias e da prestação de serviços, aí incluídas as receitas Fl. 1177DF CARF MF Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 9303005.844 CSRFT3 Fl. 1.178 6 oriundas do exercício das atividades empresariais típicas da sociedade corretora de valores mobiliários. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. DESMUTUALIZAÇÃO DE CETIP. ASSOCIAÇÃO ISENTA. DEVOLUÇÃO DE TÍTULO PATRIMONIAL E SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES DA NOVA EMPRESA. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO. Sujeitase à incidência do imposto de renda, computandose na determinação do lucro real do exercício, a diferença entre o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa jurídica, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver sido entregue para a formação do referido patrimônio. AUTO DE INFRAÇÃO. DESMUTUALIZAÇÃO. INOCORRÊNCIA DO TRANSCURSO DO PRAZO DECADENCIAL. No caso de tributação do ganho de capital, obtido com as ações da nova sociedade constituída, o fato gerador ocorreu quando a empresa recebeu tais ações, no momento da desmutualização da Cetip. Como não houve o transcurso do prazo decadencial de cinco anos contados da data do fato gerador, válidos são os lançamentos ora analisados. GANHO DE CAPITAL. FORMA DE APURAÇÃO. CUSTO CONTÁBIL. INAPLICABILIDADE DO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL AOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DA ASSOCIAÇÃO CETIP. O ganho de capital deve ser apurado levandose em conta o custo contábil do bem registrado na escrituração da empresa. O método de avaliação de investimentos pela equivalência patrimonial não se aplica aos títulos patrimoniais da associação isenta Cetip. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2008 DEMAIS TRIBUTOS. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à real ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à CSLL dele decorrente. CSLL. PERÍODO ENCERRADO EM 31/12/2008. ALÍQUOTA VIGENTE. No momento do encerramento do fato gerador da CSLL, 31/12/2008, estava vigente a alíquota de 15% para as sociedades corretoras. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 1178DF CARF MF Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 9303005.844 CSRFT3 Fl. 1.179 7 Anocalendário: 2008 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, exceto se a impugnante demonstrar, via requerimento à autoridade julgadora, a ocorrência das condições previstas na legislação para apresentação de provas em momento posterior. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não resignado, o Sujeito Passivo interpôs recurso voluntário (fls. 390 a 422, reproduzido às fls. 487 a 542). Importa referir que após a interposição do recurso voluntário, e anteriormente à prolação do acórdão de julgamento do mesmo por turma da Terceira Seção de Julgamento, sobreveio a Resolução nº 1301000.091 (fls. 674 a 679), proferida pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, nos autos do processo nº 16327.720525/201183, determinando o desmembramento das autuações em processos distintos: (a) de PIS e COFINS pela venda das ações obtidas no processo de desmutualização da BOVESPA e da BM&F, ora em julgamento, considerando que a receita decorrente das operações deveriam compor a base de cálculo das contribuições processo nº 16327.720664/201379; e (b) de IRPJ e CSLL referente ao processo de desmutualização da CETIP e o considerado não oferecimento à tributação do ganho auferido com a devolução de patrimônio de entidade isenta processo nº 16327.720525/2011 83. Posteriormente, desmembrado o processo conforme competência estabelecida no Regimento Interno do CARF, sobreveio o julgamento do recurso voluntário nos autos deste processo administrativo que trata exclusivamente das autuações de PIS e COFINS, ao qual foi negado provimento nos termos do Acórdão nº 3301002.839 (fls. 800 a 844) proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 24 de fevereiro de 2016, ora recorrido, por entender que as receitas obtidas com a alienação de ações decorrentes de processo de desmutualização enquadramse como receita bruta operacional auferida pela pessoa jurídica e, portanto, sujeitas à incidência do PIS e da COFINS. Em face da referida decisão, a Contribuinte CONCÓRDIA S/A CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS, CÂMBIO E COMMODITIES opôs embargos de declaração (fls. 857 a 864) alegando a existência de omissão no julgado e, ainda, noticiando a prolação de decisão judicial favorável nos autos da Ação Declaratória nº Fl. 1179DF CARF MF Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 9303005.844 CSRFT3 Fl. 1.180 8 2005.34.00.0166728, transitada em julgado, no sentido de que as contribuições para o PIS e a COFINS só incidem sobre o faturamento receita operacional da pessoa jurídica. Os embargos de declaração foram rejeitados pelo Presidente da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, nos termos do despacho s/nº (fls. 974 a 977), por entender ausentes os vícios que autorizam a interposição dos aclaratórios, bem como que a apreciação da decisão judicial trazida aos autos não tem o condão de alterar o resultado de julgamento do acórdão embargado, pois restou assentado o entendimento de que "a alienação das ações constitui objeto empresarial do sujeito passivo, sendo, portanto, inserido no conceito de faturamento". Na sequência, o Sujeito Passivo apresentou recurso especial (fls. 986 a 1.009), alegando divergência jurisprudencial quanto ao enquadramento das receitas obtidas com a alienação das ações decorrentes do processo de desmutualização como receita bruta operacional auferida pela pessoa jurídica e, por conseguinte, a sua tributação pelo PIS e pela COFINS. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, colacionou como paradigma o acórdão nº 1102001.221. Em suas razões recursais, a Contribuinte sustenta, em síntese, que: (a) não está de acordo com as normas contábeis e fiscais a conclusão posta no acórdão recorrido no sentido de que a compra e venda de títulos e valores mobiliários, por conta própria e de terceiros, por constar no Estatuto Social da Recorrente, são operações usuais típicas de sociedade corretora de títulos e valores mobiliários, independentemente do seu exercício de fato, atraindo a incidência do PIS e da COFINS; (b) a Recorrente não atua em operações de carteira própria e, além disso, possui coisa julgada no sentido de que o seu faturamento está adstrito aos serviços de intermediação em operações de câmbio e administração de carteiras e de custódia de títulos e valores mobiliários, implicando diretamente no resultado do presente caso; (c) para operar carteira própria, conforme autorizado pela Instrução Normativa CVM nº 387/2003, vigente à época dos fatos, as sociedades corretoras devem observar as regras estabelecidas pela Comissão de Valores Mobiliários, por intermédio da Instrução CVM nº 117/1990, discorrendo sobre as mesmas; (d) reafirma que não atua com operações de carteira própria, sendo que não há habitualidade na referida operação realizada, requisito indispensável para que integrasse o seu faturamento; (e) possui em seu favor decisão transitada em julgado, em 28/08/2012, nos autos da Ação Declaratória nº 2005.34.00.0166728 assegurandolhe a incidência da tributação do PIS e da COFINS somente sobre o faturamento, e não sobre a totalidade das receitas; (f) o provimento judicial tem suporte nos seguintes pontos: declaração de inexistência de relação jurídica entre Recorrente e Recorrida, assegurando o direito da Recorrente de não se submeter ao recolhimento do PIS e da Cofins sobre a totalidade das receitas, como previsto na Lei 9.718/98; e o Fl. 1180DF CARF MF Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 9303005.844 CSRFT3 Fl. 1.181 9 recolhimento das contribuições deve ser sobre o faturamento, entendido como a prestação de serviços de "intermediação em operações de câmbio" e "administração de carteiras e da custódia de títulos e valores mobiliários". Por esta razão, a alienação das ações recebidas na desmutualização gerou receita operacional (faturamento), pois tem caráter extraordinário, estando fora do campo de incidência do PIS e da COFINS da Lei 9.718/98. (g) por fim, requer o provimento do recurso especial para ver cancelada a autuação em sua integralidade. Foi admitido o recurso especial do Sujeito Passivo por meio do despacho S/Nº, de 23/03/2017 (fls. 1.115 a 1.121), proferido pelo ilustre Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por entender comprovada a divergência jurisprudencial. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 1.145 a 1.165) postulando a negativa de provimento ao recurso especial da Contribuinte. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. 1. Da desmutualização A controvérsia posta no presente recurso especial cingese a determinar o tratamento tributário a ser aplicado à receita da venda das ações recebidas pela Contribuinte em substituição aos títulos patrimoniais que detinha da BOVESPA e da BM&F, no processo chamado de "desmutualização", ocorrido em agosto de 2007, para efeitos de incidência das contribuições devidas ao Programa de Integração Social PIS e ao Financiamento da Seguridade Social COFINS. Fl. 1181DF CARF MF Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 9303005.844 CSRFT3 Fl. 1.182 10 O processo que se convencionou chamar de "desmutualização das bolsas de valores" consistiu em um conjunto de atos societários por meio dos quais a Bovespa e a BM&F sofreram abertura de capital, tendo ocorrido a cisão parcial das referidas entidades associativas sem fins lucrativos e incorporação da parcela do capital cindido pelas sociedades anônimas (com fins lucrativos) Bovespa Holding S/A ("Bovespa Holding") e BM&F S/A ("BM&F S/A), respectivamente. Nesta operação de cisão parcial seguida de incorporação, os detentores de títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F passaram a ser titulares de ações representativas do capital da Bovespa Holding e da BM&F S/A, respectivamente, recebidas em substituição aos antigos títulos. Em momento subsequente (meados do ano de 2008), a Contribuinte procedeu à alienação das ações da Bovespa Holding e da BM&F S/A, recebidas em substituição ao antigos títulos patrimoniais, por meio de ofertas públicas, secundárias das ações da Bovespa e BM&F, transferindo a sua participação nas sociedades anônimas para os novos adquirentes. Com a alienação, a Contribuinte auferiu resultado positivo, mas não efetuou o recolhimento das contribuições para o PIS e para a COFINS sobre as operações, por entender se tratar de venda de ativo permanente, não sujeito à tributação. Este fato deu ensejo à ação da Fiscalização e consequente constituição de crédito tributário. A Fiscalização entendeu que no processo de desmutualização o recebimento das ações consistiu em pagamento pela devolução do patrimônio das associações sem fins lucrativos, bem como ter havido por parte do banco a intenção de venda dos novos ativos, e, portanto, deveriam ser contabilizados no Ativo Circulante, estando o resultado positivo da alienação sujeito à incidência do PIS e da COFINS. Antes de se adentrar à análise da controvérsia suscitada no presente processo administrativo, entendese necessário tecer breves considerações quanto (i) ao princípio da estrita legalidade e (ii) à impossibilidade de o Fisco sobreporse à legislação privada. O princípio da estrita legalidade embasa o sistema jurídico brasileiro, estando previsto no rol de direitos e garantias individuais do art. 5º, caput e inciso II, da Constituição Federal, e também se constitui no mais importante dos princípios constitucionais tributários, conforme redação do art. 150, inciso I, da Constituição Federal, que proclama vedada a exigência ou aumento de tributo sem que a lei assim estabeleça. O princípio da legalidade é informado pelos valores da certeza e da segurança jurídica, sendo uma garantia do Estado de Direito e tendo o papel de proteção dos direitos dos cidadãos. No Direito Tributário, a segurança jurídica é garantida por meio da reserva absoluta de lei, que, nos dizeres de Alberto Xavier1, implica "na necessidade de que toda a conduta da Administração tenha o seu fundamento positivo na lei, ou, por outras palavras, que a lei seja o pressuposto necessário e indispensável de toda a atividade administrativa". A legalidade tributária impõe que todos os aspectos do fato gerador estejam estabelecidos em lei, os quais são imprescindíveis para a quantificação do tributo devido em cada caso concreto que venha a refletir a hipótese descrita na lei. Como consectário do princípio da estrita legalidade, está o princípio da tipicidade tributária, dirigido ao legislador e ao aplicador da lei. O doutrinador Luciano Amaro2 bem sintetiza o princípio da tipicidade ao explicitar que: 1 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14 ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 112. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14 ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 113. Fl. 1182DF CARF MF Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 9303005.844 CSRFT3 Fl. 1.183 11 [...] Deve o legislador, ao formular a lei, definir, de modo taxativo (numerus clausus) e completo, as situações (tipos) tributáveis, cuja ocorrência será necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária, bem como os critérios de quantificação (medida) do tributo. Por outro lado, ao aplicador da lei vedase a interpretação extensiva e a analogia, incompatíveis com a taxatividade e determinação dos tipos tributários. À vista da impossibilidade de serem invocados, para a valorização dos fatos, elementos estranhos ao contidos no tipo legal, a tipicidade tributária costumase qualificarse de fechada ou cerrada, de sorte que o brocardo nullum tributtum sine lege traduz "o imperativo de que todos os elementos necessários à tributação do caso concreto se contenham e apenas se contenham na lei". [...] (grifouse) Além da necessidade de observância ao princípio da estrita legalidade, na interpretação da legislação tributária é vedada a utilização de analogia para tributar, conforme artigos 108, §1º e 112, ambos do Código Tributário Nacional. A analogia é um dos instrumentos de integração previstos no CTN, e se constitui na aplicação de regra prevista para caso semelhante a uma determinada situação que não se encontra regulamentada. No entanto, referido mecanismo tem um campo de atuação restrito no Direito Tributário, justamente pela limitação que lhe é conferida pelo princípio da reserva de lei para efeitos de ser exigido determinado tributo. O art. 112 do CTN, por sua vez, também traz a interpretação restritiva como regra para as matérias referentes a infrações, penalidades e definição das hipóteses de incidência do tributo: in dúbio pro reo. Constituise na forma de interpretação benigna preconizada pelo CTN “quando houver dúvida sobre a capitulação do fato, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou sobre a natureza ou extensão dos seus efeitos, bem como sobre a autoria, imputabilidade ou punibilidade, e ainda sobre a natureza ou graduação da penalidade aplicável (art. 112)”3. Quanto ao tema, pertinente trazer a lição de Luciano Amaro, que conclui dizendo que em caso de dúvida, a solução a ser adotada é a mais favorável ao Sujeito Passivo, in verbis4: Na verdade, embora o art. 112 do Código Tributário Nacional pretenda dispor sobre “interpretação da lei tributária”, ele prevê, nos seus incisos I a III, diversas situações nas quais não se cuida da identificação do sentido e do alcance da lei, mas sim da valorização dos fatos. Nessas situações, a dúvida (que se deve resolver a favor do acusado, segundo determina o dispositivo) não é de interpretação da lei, mas de “interpretação” do fato (ou melhor, de qualificação do fato). Discutir se o fato “x”se enquadra ou não na lei, ou se ele se enquadra na lei “A” ou na lei “B”, ou se a autoria do fato é ou não do indivíduo “Z”, diz respeito ao exame do fato e das circunstâncias em que ele teria ocorrido, e não ao exame da lei, A questão atémse à subsunção, mas a dúvida que se põe não é sobre a lei, e sim sobre o fato. Já o inciso IV do dispositivo pode ser referido tanto a dúvidas sobre se o fato ocorrido se submete a esta ou àquela penalidade (problema de valorização 3 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14 ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 222. 4 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14 ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 222 – 223. Fl. 1183DF CARF MF Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 9303005.844 CSRFT3 Fl. 1.184 12 do fato) como à discussão sobre o conteúdo e alcance da norma punitiva ou sobre os critérios legais de graduação da penalidade. De qualquer modo, o princípio in dubio pro reo, que informa o preceito codificado, tem uma aplicação ampla: qualquer que seja a dúvida, sobre a interpretação da lei punitiva ou sobre a valorização dos fatos concretos efetivamente ocorridos, a solução há de ser a mais favorável ao acusado. (grifouse) De outro lado, há que ser considerada a impossibilidade de o Fisco sobreporse às normas de direito privado, nos termos dos artigos 109 e 110 do CTN. O direito tributário, embora ramo do direito público, tem estreita relação com o direito privado, utilizandose de muitos conceitos deste na sua codificação. Entretanto, a definição dos referidos conceitos presentes no direito tributário deve ser buscada na legislação de direito privado. Embora a legislação tributária possa se utilizar dos princípios do direito privado, não lhe é lícito alterar conceitos que estejam definidos na norma de direito privado. Analisando a matéria posta no recurso especial da Contribuinte sob a ótica dos princípios acima mencionados, que são informadores do direito tributário, e da legislação aplicável ao caso, entendese que assiste razão à Recorrente ao manter o registro das ações recebidas em substituição aos títulos patrimoniais em conta do ativo permanente. O processo que se convencionou chamar de "desmutualização" das bolsas de valores caracterizouse pela cisão de parcela do patrimônio das associações sem fins lucrativos com a substituição dos títulos patrimoniais que antes detinham as corretoras e as instituições financeiras por ações. Não há, portanto, de se falar em extinção das entidades com devolução do patrimônio social à Recorrente. A possibilidade de cisão das associações sem fins lucrativos está prevista no art. 2033 do Código Civil combinado com o art. 44 do mesmo diploma legal, dispondo que podem ser objeto de cisão, incorporação, transformação e fusão as entidades elencadas no dispositivo do art. 44 do CC, dentre elas as associações. Cumpre consignar que à Fiscalização não é permitido alterar o fato de ter ocorrido a cisão parcial das entidades, nos termos do art. 110 do CTN explicitado supra, uma vez a operação ter sido aprovada em assembleia (que exerce a função de legislador dentro das instituições), prevalecendo o princípio da autonomia de vontade das partes. Além disso, os atos da transformação societária foram devidamente arquivados na Junta Comercial e no Registro Civil das Pessoas Jurídicas competentes, tornandose válidos e definitivos no mundo jurídico. A aplicação do art. 17 da Lei 9532/97 pelo Fisco para caracterizar a desmutualização como o processo em que houve a devolução do patrimônio em decorrência da extinção das associações, implica na exigência de tributo por analogia, o que é vedado pelo art. 108, §1º do CTN, conforme antes explicitado. No sentido da vedação de tributação por analogia, há precedentes desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, como por exemplo o Acórdão CSRF nº 0105.059. Outro argumento que corrobora a tese defendida pelo Sujeito Passivo, é o fato de que proferida pela Receita Federal a Solução de Consulta COSIT nº 13, no ano de 1997, reiterando o caráter da neutralidade fiscal da operação da desmutualização da bolsa de valores, Fl. 1184DF CARF MF Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 9303005.844 CSRFT3 Fl. 1.185 13 no mesmo sentido da Portaria MF nº. 785/77 (que trata do ganho de capital). No ano de 2007, a COSIT proferiu entendimento contrário ao da Solução de Consulta nº. 13/1997, consubstanciada na Solução de Consulta COSITI nº 10/07, posicionandose pela necessidade de tributação de eventual diferença entre o valor dos títulos e o valor das ações em razão de uma suposta subsunção da situação à regra do art. 17 da Lei 9532/97. O CARF já proferiu entendimento no sentido de que o Fisco teria a obrigação de observar a Solução de Consulta COSIT nº 13/97 até o dia 30/10/2007, data em que foi publicado no DOU a mudança de posicionamento. A mudança de critério jurídico pela RFB entre uma solução de consulta e outra traz violação ao art. 146 do CTN. Assim, tendo em vista que não houve dissolução das associações e nem devolução do patrimônio aos antigos sócios, tendo sido o mesmo transferido diretamente para a nova entidade, os títulos patrimoniais antigos e as ações em que se transformou são papéis que representam o mesmo patrimônio, constituindose em ativo permanente. Portanto, o faturamento da alienação das ações se enquadra como venda de um investimento, isto é, constituise em venda de patrimônio próprio, não havendo de se falar na incidência de PIS e COFINS, conforme art. 3º, IV, da Lei nº 9.718/98. 2. Da inexistência de operações com carteira própria Com relação à inexistência de operação com carteira própria, afastandose a tributação das receitas auferidas com a venda das ações pelo PIS e pela COFINS, adotamse os bem lançados fundamentos do voto proferido nos autos do processo nº 16327.000209/201019 pela nobre Conselheira Tatiana Midori Migyiama, in verbis: As receitas geradas na venda dessas ações ainda assim não seriam passíveis de tributação pelas contribuições – eis que não devem ser consideradas como sendo decorrentes de suas atividades próprias. Ora, as sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários são pessoas jurídicas integrantes do Sistema Financeiro Nacional que, dentre outras atividades, realizam a intermediação nas operações de compra e venda de títulos financeiros para seus clientes. Nos termos da ICVM 387/03, a corretora de valores é “a sociedade habilitada a negociar ou registrar operações com valores mobiliários por conta própria ou por conta de terceiros em bolsa e entidade de balcão organizado”. Além de operar com títulos e valores por conta de terceiros, as sociedades corretoras, de maneira residual, podem operar carteira própria de valores mobiliários, atuando nos mercados de bolsa e balcão. Com efeito, para que as sociedades corretoras possam operar carteira própria devem observar diversas regras estabelecidas pela CVM, por Fl. 1185DF CARF MF Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 9303005.844 CSRFT3 Fl. 1.186 14 intermédio da ICVM 117/90. As sociedades corretoras que operem carteira própria devem indicar a CVM e as bolsas de valores um de seus diretores ou sócios gerentes como responsável pela operação da carteira e somente poderão aplicar na constituição e operação de sua carteira, recursos próprios. Além disso, as sociedades corretoras que operaram com carteira própria devem obedecer aos seguintes limites: · O valor da carteira própria das sociedades corretoras cujo patrimônio líquido ajustado, computado a partir de 31.3.90 na forma determinada pelas normas contidas no Plano Contábil das Instituições Financeiras do Sistema Financeiro Nacional (COSIF), for inferior a 2.000.000 de bônus do tesouro nacional para fins fiscais não excederá, a qualquer tempo, 50% do valor do capital de giro dessas sociedades; · O valor da carteira própria das sociedades com patrimônio líquido ajustado superior a 2.000.000 de BTNF mas inferior a 3.000.000 de BTNF não excederá a qualquer tempo 60% do valor do capital de giro próprio dessas sociedades; · Para as sociedades com patrimônio superior a 3.000.000 de BTNF, o valor da carteira própria não excederá a qualquer tempo 70% do valor do capital de giro próprio. Portanto, vêse que não há que se considerar “engessadamente” que a atividade da sociedade corretora seria comprar e vender ações para si própria – pois sua atividade se resume na intermediação de negociação de títulos e valores mobiliários custodiados na CBLC por ordem de compra e venda dada por seus clientes. Tanto é assim, que há várias restrições para se alocar determinado ativo em carteira própria. O que resta considerar que eventual receita da venda das r. ações recebidas em troca dos títulos patrimoniais não comporia a base de cálculo do PIS e da Cofins sob a sistemática da cumulatividade. No caso em questão, pesquisando no site a sociedade corretora Concórdia (https://www.concordia.com.br/segurancaeregras/politicasderisco/), vê se que não opera, tampouco possui autorização, para se realizar operações em carteira própria: “[...] Por definição estratégica, a Concórdia Corretora não opera carteira própria em nenhum dos mercados. Portanto, a sua exposição ao Risco de Mercado (característico de quem assume “posições” nestes mercados) não é relevante. Os riscos de maior peso na atividade da Corretora referemse à possibilidade de inadimplência de algum dos seus clientes nas operações realizadas, e a eventuais falhas operacionais na execução de seus processos internos, respectivamente denominados como Risco de Crédito e Risco Operacional esse último incluindo também aspectos legais e de compliance. [...]” Fl. 1186DF CARF MF Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 9303005.844 CSRFT3 Fl. 1.187 15 Portanto, irrefutável a informação de que a Concórdia não atua com operações de carteira própria, portanto, os dados apresentados são referentes as transações de pessoas vinculadas a esta instituição. E, não atuando com operações de carteira própria, não há como se considerar, caso se entenda por equívoco de que à época as receitas vinculadas ao objeto social das empresas, ou seja, todas as receitas operacionais, seriam passíveis de tributação pelo PIS e Cofins, a receita de alienação das ações recebidas em substituição por títulos patrimoniais como receita operacional passível de tributação pelo PIS e Cofins. Ressalto que até o advento da MP 627/13 – convertida na Lei 12.973/14, o PIS e a Cofins tinham como base de cálculo o seu “faturamento” – assim entendido como a receita de prestação de serviço (atividade fim). No caso das corretoras, cabe trazer que abrange a receita de prestação de serviço as receitas oriundas das taxas de custódia de títulos e valores mobiliários detidos por clientes e de comissões de intermediação de operações financeiras de clientes. Somente com o advento da MP 627/13 convertida na Lei 12.973/14, houve extensão da base de cálculo do PIS e Cofins para as pessoas jurídicas sujeitas à sistemática da cumulatividade (Grifos meus): “Art. 52. A Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 3º O faturamento a que se refere o art. 2º compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. [...]” “Art. 2º O DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, passa a vigorar com as seguintes alterações: [...] “Art. 12. A receita bruta compreende: I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; II o preço da prestação de serviços em geral; III o resultado auferido nas operações de conta IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. [...]” Até a edição da referida MP e respectiva lei de conversão, a receita operacional (receita vinculada ao objeto social) não compreendia a base de cálculo das pessoas jurídicas sujeitas à sistemática das contribuições, posto Fl. 1187DF CARF MF Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 9303005.844 CSRFT3 Fl. 1.188 16 que, se assim não fosse, inócuo seria trazer expressamente a inclusão das “receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica, não compreendidos nos incisos I a III”. Nessa linha, a exposição de motivos é clara ao expor a intenção do legislador – no sentido de alterar efetivamente a base de cálculo das contribuições com o aperfeiçoamento da definição de receita bruta. Ora, o legislador foi transparente ao trazer que tal mudança “alterou” a base de cálculo daquelas contribuições, não dando caráter interpretativo. Caso tal dispositivo tivesse caráter interpretativo, somente seria assim legitimado caso se limitasse a reproduzir o conteúdo normativo interpretado – sem modificar, estender ou limitar o seu alcance. O que, no caso, não ocorreu. O legislador, de fato, ALTEROU a base de cálculo das contribuições ampliando sua base – passando a tributar pelas contribuições as receitas operacionais auferidas pelas instituições financeiras. Considerando o exposto, entendo que não há que se falar em se tributar pelo PIS e Cofins as receitas operacionais (receita vinculada ao objeto social) sob lide até o advento da Lei 12.973/14. [...] Por mais estes argumentos, não há de se falar na incidência do PIS e COFINS sobre as receitas de vendas das ações recebidas na desmutualização. 3. Do trânsito em julgado de ação judicial favorável à Contribuinte A argumentação acima expendida para afastar a tributação, pelo PIS e pela COFINS, das receitas decorrentes da venda de ações recebidas na desmutualização da bolsa de valores é confirmada pelo provimento judicial transitado em julgado, nos autos da Ação Declaratória nº 2005.34.00.0166728, na qual o Sujeito Passivo discutiu o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, nos moldes do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. O pedido veiculado pela Contribuinte na Ação Declaratória deuse nos seguintes termos (fls. 935 a 936): II DO PEDIDO 56. Por todo o exposto, requer a AUTORA, a procedência da presente Ação Declaratória, declarandose a inexistência de relação jurídica entre a Autora e a Ré, assegurando o direito daquela de não se submeter ao recolhimento da contribuição ao Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e da contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) sobre a totalidade de Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 9303005.844 CSRFT3 Fl. 1.189 17 receitas, previsto nos termos da Lei nº 9.718/98, estipulando seu recolhimento sobre faturamento (receita bruta de venda de mercadorias, mercadorias e serviços ou prestação de serviços), sob pena de ofensa ao artigo 195, I, "b", da Magna Carta e artigo 110 do Código Tributário Nacional. 57. No caso das corretoras de valores, o "faturamento" consiste basicamente na prestação de serviços de "intermediação em operações de câmbio" e "administração de carteiras e da custódia de títulos e valores mobiliários", devendo todos os demais valores recebidos a título de aplicação do capital próprio ser considerado como "receita", como por exemplo, aplicações financeiras (renda fixa ou variável), compra e venda de valores mobiliários e operações em bolsas de futuros. [....] O pedido da Contribuinte recebeu julgamento de total procedência, nos termos da sentença proferida pela 22ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal (fls. 937 a 943), em cujo dispositivo foi consignado que os pedidos foram procedentes para "[...] observada a prescrição decenal, declarar a inexistência de relação jurídicotributária entre a autora e a União relativamente aos créditos tributários oriundos do recolhimento a maior do PIS e da COFINS, decorrentes da ampliação da base de cálculo implementada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Declaro, ainda, o direito da autora efetuar a compensação dos valores indevidamente recolhidos". Procedida a análise dos autos pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, o mesmo proveu parcialmente a remessa oficial com relação à compensação e negou provimento ao recurso de apelação interposto pela União, mantendo, portanto, na íntegra a sentença no que tange ao reconhecimento da inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, delimitando a incidência do PIS e COFINS somente sobre o faturamento venda de mercadorias, de serviços, ou de mercadorias e serviços e não mais sobre a totalidade das receitas auferidas pela Contribuinte (fls. 953 e 954). Em face da decisão, tanto a Fazenda Nacional quanto a Contribuinte interpuseram embargos de declaração, sendo os embargos do Sujeito Passivo para que fosse declarada a abrangência do acórdão para definir o faturamento das corretoras nos termos do pedido veiculado na petição inicial. Ambos os embargos de declaração, foram rejeitados, sob o fundamento de que o voto contemplava todas as matérias tratadas na inicial. Posteriormente, tendo em vista que o recurso especial interposto pela Fazenda perante o Superior Tribunal de Justiça não foi admitido e o seu recurso extraordinário foi declarado prejudicado, o trânsito em julgado do provimento judicial deuse no sentido de considerar como base de cálculo do PIS e da COFINS o faturamento, entendido como venda de mercadorias, de serviços, ou de mercadoria e serviços, no caso específico, oriundo da prestação de serviços de intermediação em operações de câmbio e administração de carteiras e da custódia de títulos e valores mobiliários. O provimento judicial assegurou à Recorrente o recolhimento do PIS e da COFINS com base no faturamento, e não pela totalidade das receitas auferidas, estando excluídos, portanto, os valores recebidos pela venda das ações recebidas na desmutualização da bolsa de valores. Fl. 1189DF CARF MF Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 9303005.844 CSRFT3 Fl. 1.190 18 4. Dispositivo Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial da Contribuinte. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 9303005.844 CSRFT3 Fl. 1.191 19 Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator designado Com a devida vênia, divirjo da il. Relatora. Em síntese, o seu voto está fundamento em três razões de decidir, quais sejam: a) haveria mera substituição de um bens integrantes do ativo permanente, de modo que os recebidos em substituição também deveriam ser assim classificados na escrituração contábil da Recorrente; b) a Recorrente realiza apenas a atividade de intermediação nas operações de compra e venda de títulos financeiros para seus clientes, de sorte que a venda de ações da BM & F S/A e da Bovespa Holding S/A, recebidas em decorrência das operações societárias denominadas “desmutualização”, não constituiria receita tributada pelo PIS/Cofins; e, c) o provimento judicial assegurou à Recorrente o recolhimento do PIS e da Cofins com base no faturamento, e não com base na totalidade das receitas auferidas, estando excluídos, portanto, os valores recebidos pela venda das ações recebidas na desmutualização da bolsa de valores. No respeitante ao primeiro argumento, sabese que o que determina a correta classificação contábil de um bem é a sua natureza ou a sua alienabilidade até determinado prazo (no ativo circulante, quando a alienação se dê antes do término do exercício subseqüente à data do balanço patrimonial, conforme Resolução CFC nº 686/90). Assim, se um supermercadista, ao efetuar a permuta de um caminhão de grande porte de sua propriedade por um outro de menor porte pertencente a um atacadista, recebe, além deste último, a diferença em mercadorias, deve escriturálas no ativo circulante, ainda que o recebimento resultar da permuta de bens integrantes do ativo permanente de ambas as pessoas jurídicas. É, portanto, absolutamente equivocado afirmar que a permuta de bens do ativo permanente pertencentes a pessoas jurídicas diversas sempre leva à escrituração dos bens substitutos no mesmo grupo de contas dos bens substituídos. O segundo equívoco reside na afirmação de que, como, de ordinário, a Recorrente não realiza a venda de bens próprios (operações com carteira própria), a venda das recebidas em decorrência das operações societárias não constituiria receia tributável pelo PÌS/Cofins. Evidentemente, o fato de uma atividade que compõe o objeto social de um contribuinte não ser costumeiramente realizada não significa que, quando o seja, a receita daí resultante não integra a base de cálculo das contribuições. Isso é tão cristalino, que, a nosso juízo, dispensa maiores considerações. O último dos argumentos diz com a decisão judicial trânsita em julgado. Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 9303005.844 CSRFT3 Fl. 1.192 20 O caso não é diverso dos inúmeros outros enfrentados neste Conselho Administrativo. As petições iniciais se assemelham, os provimentos judiciais também e as tentativas de alargálos, para alcançar definições que sequer foram postas ao debate junto ao EstadoJuiz, são idênticas. Recentemente, apreciando a mesma controvérsia, exaramos o Acórdão CSRF/3ª Turma nº 9303005.490, de 27/07/2017, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificamse no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano ou poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. Nas instituições financeiras, que têm as operações de compra e venda de ações compreendidas no objeto social, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento / receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas “desmutualização”. Aqui, como tantas outras, a ação judicial não tratou do que é ou não é faturamento, mas apenas que o PIS e a Cofins, no regime adotado pela Recorrente, somente deveriam sobre ele – o faturamento – incidir. Tivesse o provimento judicial definido que as contribuições somente incidiriam, no caso da Recorrente, sobre o seu faturamento e que a venda das ações da BM & F S/A e da Bovespa Holding S/A por ela recebidas não o comporiam, aí, sim, evidentemente não haveria como tributála. Não é o caso, porém. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial apresentado pela contribuinte. É como voto. (Assinado Digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 9303005.844 CSRFT3 Fl. 1.193 21 Declaração de Voto Conselheiro Demes Brito Em que pese os argumentos do voto da Ilustre Conselheira Relatora vencida, com a devida vênia, discordo de todos os fundamentos. Na ocasião do julgamento, acompanhei pelo provimento do apelo em razão do provimento judicial nº 2005.34.00.0166728, que assegurou o direito da Contribuinte de não se submeter ao recolhimento do PIS e COFINS pela totalidade das receitas, mas sim pelo faturamento. Ressalto que o provimento judicial foi específico e conclusivo quanto a exclusão das receitas. Em respeito a coisa julgada e a decisão judicial dou provimento ao Recurso da Contribuinte. Contudo, entendo que as operações de desmutualização devem ser tributadas, nos termos do acórdão 9303004.232, de 11 de agosto de 2016: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/2007, 31/12/2007 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. BANCOS.VENDA DE AÇÕES. "DESMUTUALIZAÇÃO". As instituições financeiras (Bancos), assim como as corretoras de valores mobiliários que tenham em seu objeto social a subscrição de ações para compra e venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento (Receita Bruta) operacional, receitas típicas de compra e venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas “desmutualização”. TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificamse no ativo circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de valores de São Paulo Bovespa e BM&F, que foram negociadas Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 16327.720664/201379 Acórdão n.º 9303005.844 CSRFT3 Fl. 1.194 22 dentro do mesmo ano, poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar lhe provimento, vencidas as conselheiras Vanessa Marini Cecconello (relatora) e Tatiana Midori Migiyama, que não o conheceram e, no mérito, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Demes Brito. Sem embargo, concordo com o mérito exposto pelo Redador designado, Dr. Charles Mayer. Neste termos, em respeito a coisa julgada dou provimento ao Recurso da Contribuinte. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 1194DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.002181/2009-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
Ementa:
INSUMOS. DEFINIÇÃO. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS.
A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes.
CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. EMBALAGEM DE TRANSPORTE.
No âmbito do regime não cumulativo, independentemente de serem de apresentação ou de transporte, os materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado e comercializado, são considerados insumos de produção e, nessa condição, geram créditos básicos da referida contribuição.
CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO.
Os serviços e bens utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos.
CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO.
As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos.
CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DE INSUMOS.
Os custos com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte para o transporte de insumos a serem utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos.
CRÉDITO DE FRETES. AQUISIÇÃO PRODUTOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO.
Os custos com fretes sobre a aquisição de produtos tributados à alíquota zero, geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3302-004.882
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar de erro material e rejeitar a preliminar de tarifação de provas e ofensa ao princípio da verdade material e ampla defesa.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito na aquisição da amônia, combustíveis e lubrificantes, peças de reposição, produtos de conservação e limpeza; em reconhecer o direito de crédito na aquisição de embalagem de transporte, o direito de crédito da planilha 5.a, exceto sobre serviços de manutenção na ETE, levantamento topográfico, elaboração de projetos, treinamentos, serviços de manutenção de câmara fria para armazenagem de produtos acabados, serviços de instalações elétricas, montagens, construção de muro, instalação de poço artesiano; para reconhecer o direito ao crédito na aquisição de fretes sobre venda de produto acabado (VENDA PROD. ACABADO), frete sobre venda de produto agropecuário (VENDA PROD. AGROP.), frete sobre aquisição de produtos tributados à alíquota zero, frete sobre de transferência de leite "in natura" dos postos de coleta até os estabelecimentos industriais e entre postos de coleta (TRANSFERÊNCIA PC E PC-PC), fretes na remessa e retorno de amostras de produtos (leite in natura) dos estabelecimentos industriais ou postos de coleta da empresa para análise em estabelecimentos terceirizados (REMESSA ANÁLISE E RETORNO ANÁLISE), remessa e retorno para conserto para manutenção dos bens de produção (REMESSA CONSERTO E RETORNO CONSERTO), COMPRA DE INSUMOS, exceto relativo à aquisição de produtos com a descrição genérica de "diversos", "outras cargas", "conforme nf" ou simplesmente sem descrição do produto adquirido; para reverter a glosa sobre os encargos de depreciação do imobilizado, exceto em relação à EMPILHADEIRA ELÉTRICA RETRAK STILL MODlFME 17G115 SERIE:341832000829 NF:64150 E, ESTANTES INTERCAMBIÁVEIS ESTOQUE LONGA VIDA NT:56646 ÁGUIA SISTARMAZE, PRATELEIRAS DEPOSITO LEITE LONGA VIDA PRATELEIRAS ESTOQUE LEITE EM PO FRACIONADO NT8999-ESMENA DO BRASILS/A, PRATELEIRAS EXPEDIÇÃO LEITE LONGA VIDA NT 8998 ESMENA DO BRASIL S/A, BALANÇA RODOVIÁRIA, BAL.ELETRÔNICA TRANSPALETI IRA MOD:PL-3000 CAP 200KGX1 OOOG EM ACO CARBONO SÉRIE:P, EMPILHADEIRA ELÉTRICA RETRAK STILL MODlFME 17 G115 SERIE:341832000829 NF:64150 E, PRATELEIRAS DEPOSITO LEITE LONGA VIDA, CARREGADOR DE BATERIAS KLM NF-312-MACRO, TRANSPALETEIRA ELÉTRICA YALE NF:2519 MACROMAQ EQUIP, CARREGADOR DE BATERIAS KLM K8TM IND.COM.ELETROTÉCNICA, CARREGADOR DE BATERIA 48V / 140A MARCA KLM.
Vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède que mantinha a glosa sobre as embalagens de transporte, sobre o frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero e sobre a despesa de depreciação da plastificadora.
Vencida a Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar que mantinha a glosa sobre as embalagens de transporte e sobre a despesa de depreciação da plastificadora.
Vencido o Conselheiro Walker Araújo que revertia a glosa dos créditos sobre serviços de manutenção na ETE.
Vencido o Conselheiro José Fernandes do Nascimento que mantinha a glosa sobre o frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero.
Vencida a Conselheira Lenisa R. Prado que revertia a glosa dos créditos sobre serviços de manutenção na ETE e as glosas em relação aos fretes sobre a transferência entre os Centros de Distribuição (TRANSFERÊNCIA CD), produto acabado (TRANSFERÊNCIA PROD. ACABADO), transferência do produto agropecuário para revenda (TRANSFERÊNCIA PROD. AGROP. P/ REVENDA).
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
José Renato Pereira de Deus - Relator.
EDITADO EM: 20/11/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 Ementa: INSUMOS. DEFINIÇÃO. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. No âmbito do regime não cumulativo, independentemente de serem de apresentação ou de transporte, os materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado e comercializado, são considerados insumos de produção e, nessa condição, geram créditos básicos da referida contribuição. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. Os serviços e bens utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DE INSUMOS. Os custos com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte para o transporte de insumos a serem utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos. CRÉDITO DE FRETES. AQUISIÇÃO PRODUTOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. Os custos com fretes sobre a aquisição de produtos tributados à alíquota zero, geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 Ementa: INSUMOS. DEFINIÇÃO. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. No âmbito do regime não cumulativo, independentemente de serem de apresentação ou de transporte, os materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado e comercializado, são considerados insumos de produção e, nessa condição, geram créditos básicos da referida contribuição. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. Os serviços e bens utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 21 81 /2 00 9- 87 Fl. 2217DF CARF MF 2 As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DE INSUMOS. Os custos com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte para o transporte de insumos a serem utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. CRÉDITO DE FRETES. AQUISIÇÃO PRODUTOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. Os custos com fretes sobre a aquisição de produtos tributados à alíquota zero, geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar de erro material e rejeitar a preliminar de tarifação de provas e ofensa ao princípio da verdade material e ampla defesa. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito na aquisição da amônia, combustíveis e lubrificantes, peças de reposição, produtos de conservação e limpeza; em reconhecer o direito de crédito na aquisição de embalagem de transporte, o direito de crédito da planilha 5.a, exceto sobre serviços de manutenção na ETE, levantamento topográfico, elaboração de projetos, treinamentos, serviços de manutenção de câmara fria para armazenagem de produtos acabados, serviços de instalações elétricas, montagens, construção de muro, instalação de poço artesiano; para reconhecer o direito ao crédito na aquisição de fretes sobre venda de produto acabado (VENDA PROD. ACABADO), frete sobre venda de produto agropecuário (VENDA PROD. AGROP.), frete sobre aquisição de produtos tributados à alíquota zero, frete sobre de transferência de leite "in natura" dos postos de coleta até os estabelecimentos industriais e entre postos de coleta (TRANSFERÊNCIA PC E PCPC), fretes na remessa e retorno de amostras de produtos (leite in natura) dos estabelecimentos industriais ou postos de coleta da empresa para análise em estabelecimentos terceirizados (REMESSA ANÁLISE E RETORNO ANÁLISE), remessa e retorno para conserto para manutenção dos bens de produção (REMESSA CONSERTO E RETORNO CONSERTO), COMPRA DE INSUMOS, exceto relativo à aquisição de produtos com a descrição genérica de "diversos", "outras cargas", "conforme nf" ou simplesmente sem descrição do produto adquirido; para reverter a glosa sobre os encargos de depreciação do imobilizado, exceto em relação à EMPILHADEIRA ELÉTRICA RETRAK STILL MODlFME 17G115 SERIE:341832000829 NF:64150 E, ESTANTES INTERCAMBIÁVEIS ESTOQUE LONGA VIDA NT:56646 ÁGUIA SISTARMAZE, PRATELEIRAS DEPOSITO LEITE LONGA VIDA PRATELEIRAS ESTOQUE LEITE EM PO FRACIONADO NT8999ESMENA DO BRASILS/A, PRATELEIRAS EXPEDIÇÃO LEITE LONGA VIDA NT 8998 ESMENA DO BRASIL S/A, BALANÇA RODOVIÁRIA, BAL.ELETRÔNICA TRANSPALETI IRA MOD:PL3000 CAP 200KGX1 OOOG EM ACO CARBONO SÉRIE:P, EMPILHADEIRA ELÉTRICA RETRAK STILL MODlFME 17 G115 SERIE:341832000829 NF:64150 E, PRATELEIRAS DEPOSITO LEITE LONGA VIDA, CARREGADOR DE BATERIAS KLM Fl. 2218DF CARF MF Processo nº 10925.002181/200987 Acórdão n.º 3302004.882 S3C3T2 Fl. 3 3 NF312MACRO, TRANSPALETEIRA ELÉTRICA YALE NF:2519 MACROMAQ EQUIP, CARREGADOR DE BATERIAS KLM K8TM IND.COM.ELETROTÉCNICA, CARREGADOR DE BATERIA 48V / 140A MARCA KLM. Vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède que mantinha a glosa sobre as embalagens de transporte, sobre o frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero e sobre a despesa de depreciação da plastificadora. Vencida a Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar que mantinha a glosa sobre as embalagens de transporte e sobre a despesa de depreciação da plastificadora. Vencido o Conselheiro Walker Araújo que revertia a glosa dos créditos sobre serviços de manutenção na ETE. Vencido o Conselheiro José Fernandes do Nascimento que mantinha a glosa sobre o frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero. Vencida a Conselheira Lenisa R. Prado que revertia a glosa dos créditos sobre serviços de manutenção na ETE e as glosas em relação aos fretes sobre a transferência entre os Centros de Distribuição (TRANSFERÊNCIA CD), produto acabado (TRANSFERÊNCIA PROD. ACABADO), transferência do produto agropecuário para revenda (TRANSFERÊNCIA PROD. AGROP. P/ REVENDA). Paulo Guilherme Déroulède Presidente. José Renato Pereira de Deus Relator. EDITADO EM: 20/11/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem retratar os fatos até o presente momento, reproduzse o relatório da resposta da DRJ à Resolução proferida por essa Turma, contudo à época com outra composição: Trata o presente processo do Pedido de Ressarcimento de Créditos da COFINS – Mercado Interno Não Tributado, no valor de R$ 3.315.392,51, apurados sob o regime da não cumulatividade, decorrentes das operações da interessada com o mercado interno em razão de vendas efetuadas com alíquota zero, não incidência, isenção, ou suspensão das contribuições que remanesceram ao final do 2º trimestre de 2008, após as deduções do valor a recolher da contribuição, concernentes as demais operações, conforme pedido (fls. 02 a 03). Fl. 2219DF CARF MF 4 Na apreciação do pedido, por meio do Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal (fls. 518 a 537) e do respectivo Despacho Decisório, o pedido foi reconhecido parcialmente no valor de R$ 1.820.047,55 e em conseqüência homologadas parcialmente as respectivas compensações. Inconformada a recorrente ingressou com Manifestação de Inconformidade (fls. 706 a 756) em relação ao indeferimento parcial do crédito pretendido. A DRJ/Florianópolis, conforme Acórdão 0723.324 – 4ª Turma da DRJ/FNS (fls. 1351 a 1389), por unanimidade de votos julgou procedente parcialmente a Manifestação de Inconformidade, alterando o montante do crédito reconhecido para R$ 1.867.601,93. Cientificada, ingressou com Recurso Voluntário (fls. 1391 a 1448). Em 21 de março de 2013, foi proferida a Resolução nº 3302 000.283 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (fls. 1514 a 1524), no sentido de converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator para: Neste contexto, o presente processo deve ser convertido em diligência para que seja oportunizada a Recorrente a prova do direito que busca relacionados a todas as glosas efetuadas, e em especial para que em relação: a) às embalagens de apresentação, junte planilha detalhada relativa as aquisições de embalagens e aponte sua destinação (apresentação ou transporte) com a respectiva demonstração; b) às peças e partes, traga discriminativo detalhado com a vinculação a sua utilização no processo industrial da Recorrente; c) aos combustíveis e lubrificantes, traga discriminativo detalhado com a vinculação a sua utilização no processo industrial da Recorrente; d) a aquisição de serviços, demonstrativo relacionando os serviços e sua aplicação nas atividades da Recorrente; e) aos fretes, elabore demonstrativo informando a utilização dos serviços de frete; Em todos os casos acima listados e em relação aos demais eventualmente não apontados, caberá a Recorrente disponibilizar a autoridade preparadora os documentos necessários à comprovação dos direitos pleiteados. Neste contexto, voto por converter por converter o julgamento do presente recurso em diligência, a fim de que a Fiscalização intime a Interessada a comprovar ou demonstrar as questões tratadas no presente processo. Caberá a Fiscalização lavrar termo de conclusão a respeito dos temas e demonstrativos apresentados na presente diligência, e outros mais que entendam necessários ao bom deslinde do processo, do qual dará ciência à Interessada para se manifestar. Fl. 2220DF CARF MF Processo nº 10925.002181/200987 Acórdão n.º 3302004.882 S3C3T2 Fl. 4 5 Mediante a Intimação Saort 360/2014 (fls. 1527/1528), de 04 de agosto de 2014, a recorrente foi intimada a atender as solicitações em referência. Em 03 de setembro de 2014, foram apresentados os esclarecimentos de fls. 1530 a 2033, além de arquivos digitais (arquivo não paginável), fls. 2034 e 2044. É o relatório. Em atendimento a determinação constante da Resolução retro mencionada, procedeuse a regular intimação da recorrente e a recepção do que foi apresentado. Assim, as informações ora apresentadas constituem mero relatório de conclusão da diligência estando assentada, apenas, no que contém os documentos digitais encaminhados, sem que tenha ocorrido o confronto ou cotejamento com os documentos originais constituídos por: notas fiscais, recibos, livros e documentos contábeis ou qualquer outro comprovante que pudesse dar suporte as informações registradas. Também não foram solicitadas notas fiscais, por amostragem, para confronto ou conferência com os dados registrados. Em resposta ao item 07 da Intimação a recorrente apresentou uma relação de todos os documentos, arquivos digitais, e memórias de cálculos solicitados, bem como de arquivos complementares, conforme planilha abaixo: Assunto ITEM da Arquivo Valor VALOR-R$ Intimação Sub-total R$ Embalagens de apresentação 2 Item 2 a) Relação das notas fiscais de aquisição de embalagens de apresentação.xls 2.302.061,73 2 Item 2 b) Arquivo com as imagens fotográficas das embalagens de apresentação.pdf - 2.302.061,73 Peças e partes 3 Item 3 Peças e materiais de reposição aplicados na manutenção de máq. e equip..xls 799.112,75 799.112,75 Combustíveis e lubrificantes 4 Item 4 Relação dos combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo.xls 83.561,38 83.561,38 Serviços 5 Item 5 a) Serviços utiliz. como insumos relac. diretamente com a produção.xls 231.271,90 5 Item 5 b) Demais serviços.xls 9.126,44 5 Item 5 c) Serviços cuja função não foi identificada.xls 159.339,03 5 Item 5 d) Demonstrativo com a utilização dos serviços de frete (Linha 03).xls 7.796.193,81 8.195.931,18 Serviços de frete 6 Item 6 Demonstrativo com a utilização dos serviços de frete(Linha 07).xls 6.343.056,26 6.343.056,26 Relação dos documentos 7 Item 7 Relação dos documentos, arquivos digitais e memórias de - apresentados cálculo apresentados.xls Arquivos complementares Ativo imobilizado - Relação dos bens.xls 138.367,25 Ativo imobilizado - Arquivo com as imagens fotográficas dos - 138.367,25 bens.pdf Fluxo do Processo de Produção.pdf - Registros Fotográficos do Fluxo do Processo de Produ- - ção.pdf Relatórios do SIGSIF.pdf - 17.862.090,55 O montante controverso, de acordo com o recurso voluntário, resumese aos valores relacionados abaixo: Descrição Valores Valores Linha 02 - Bens utilizados como Insumos 3.184.334,28 Fl. 2221DF CARF MF 6 Embalagens de Apresentação 2.302.061,73 Embalagens de Transporte 77.124,60 Materiais de Reposição (Peças em geral) 799.112,75 Outros Insumos 6.035,20 Linha 03 - Serviços utilizados como Insumos 8.317.975,33 Serviços 8.317.975,33 Linha 07 - Despesas de Armazenagem e Frete na Oper. De Venda 6.643.268,02 Fretes 6.643.268,02 Linha 09 - Encargos de Depreciação de bens do Ativo Imobilizado 138.367,25 Encargos de Depreciação de bens do Ativo Imobilizado 138.367,25 Linha 13 - Outras Operações com Direito a Crédito 83.511,38 Combustíveis e Lubrificantes 83.511,38 TOTAL 18.367.456,26 As fls. 2200 e seguintes do processo veio a manifestação da recorrente sobre as conclusões da diligencia fiscal, onde, em apertada síntese, insurgiuse contra as decisões dos itens relacionados às embalagens de apresentação (3.1), material de reposição (3.2), serviços utilizados como insumos (3.3), despesa de armazenagem e frete na venda na operação de venda (3.4), bens do ativo imobilizado (3.5), e outras operações com direito a crédito (3.6). Juntado ao processo a manifestação acima mencionada, os autos foram distribuídos a esse Conselheiro para relatar. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus Relator II. MÉRITO Quanto ao mérito, estamos diante de matéria já conhecida dessa E. Turma relacionada a caracterização de insumos utilizados na atividade desenvolvida pela recorrente. Peço vênia para transcrever abaixo o entendimento relacionado ao conceito de insumo para PIS e COFINS nãocumulativos, trazidos pelo i. Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, em processo em que a recorrente é parte, do qual adoto como razão de decidir, ressaltando que em alguns pontos analisados no presente caso esse relator diverge do entendimento esposado pelo Conselheiro Paulo Guilherme: Passando à análise dos pontos controvertidos, é necessário expor o entendimento sobre o conceito de insumos para o PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos. A nãocumulatividade das contribuições, embora estabelecida sem os parâmetros constitucionais relativos ao ICMS e IPI, foi operacionalizada mediante o confronto entre valores devidos a partir do auferimento de receitas e o desconto de créditos apurados em relação a determinados custos, encargos e despesas estabelecidos em lei. A apuração de créditos básicos foi dada pelos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, cujas atuais redações seguem abaixo: Lei nº 10.637/2002: Fl. 2222DF CARF MF Processo nº 10925.002181/200987 Acórdão n.º 3302004.882 S3C3T2 Fl. 5 7 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de Fl. 2223DF CARF MF 8 limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; Fl. 2224DF CARF MF Processo nº 10925.002181/200987 Acórdão n.º 3302004.882 S3C3T2 Fl. 6 9 IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) A regulamentação da definição de insumo foi dada pelo artigo 66 da IN SRF nº 247/2002, e artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, de forma idêntica: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea " b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] Fl. 2225DF CARF MF 10 § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. A partir destas disposições, três correntes se formaram: a defendida pela Receita Federal, corroborada em julgamentos deste Conselho, que utiliza a definição de insumos da legislação do IPI, em especial dos Pareceres Normativos CST nº 181/1974 e nº 65/1979. Uma segunda corrente que defende que o conceito de insumos equivaleria aos custos e despesas necessários à obtenção da receita, em similaridade com os custos e despesas dedutíveis para o IRPJ, dispostos nos artigos 289, 290, 291 e 299 do RIR/99. Por fim, uma terceira corrente, defende, com variações, um meio termo, ou seja, que a definição de insumos não se restringe à definição dada pela legislação do IPI e nem deve ser tão abrangente quanto a legislação do imposto de renda. Constatase também que há divergência no STJ sobre o tema, tendo a matéria sido afetada como recurso repetitivo no REsp 1.221.170/PR. Assim, verificase que no REsp 1.246.317MG, de relatoria do Ministro Mauro Campbell, decidiuse pela ilegalidade parcial do artigo 66º da IN SRF nº 247/2002 e do artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, na parte em que trata do conceito de insumos, adotando no acórdão um mais abrangente: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça Fl. 2226DF CARF MF Processo nº 10925.002181/200987 Acórdão n.º 3302004.882 S3C3T2 Fl. 7 11 considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. Fl. 2227DF CARF MF 12 De forma antagônica, no REsp Nº 1.128.018 RS, decidiuse pela legalidade das referidas INs e do conceito restrito de insumos: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 211/STJ. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. 1. Inexiste violação do art. 535 do CPC quando o Tribunal de origem se manifesta, fundamentadamente, sobre as questões que lhe foram submetidas, apreciando de forma integral a controvérsia posta nos presentes autos. 2. “Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo” (Súmula 211/STJ). 3. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 4. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumos previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. 5. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos os bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 6. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e REsp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 7. Recurso especial a que se nega provimento. Dado o panorama, entendo que a melhor interpretação está com a terceira corrente, pelos motivos a seguir. Inicialmente, destacase que a materialidade do fato gerador dos tributos envolvidos é distinta, isto é, a incidência sobre o produto industrializado para o IPI, sobre o lucro (real, presumido ou arbitrado), para o IRPJ, ao passo que o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre a receita bruta. Esta distinção se refletiu na redação original do artigo 3º, na definição das hipóteses de crédito, especialmente a relativa a insumos, dada por "bens e serviços, utilizados como insumo na Fl. 2228DF CARF MF Processo nº 10925.002181/200987 Acórdão n.º 3302004.882 S3C3T2 Fl. 8 13 prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". De plano, salta aos olhos a impropriedade de utilização da legislação do IPI como parâmetro, em razão da inclusão de serviços na mesma categoria normativa de bens, inaplicável à definição de IPI dada a bens. Outra distinção marcante relativo ao IPI reside na inclusão de combustíveis e lubrificantes na definição de insumos. A legislação do IPI delimitou o alcance da definição, especialmente no Parecer Normativo CST nº 65/1979, em função do contato físico direto com o produto em fabricação, o que levou à impossibilidade de tomada de crédito de IPI sobre tais bens, inclusive objeto de edição da Súmula CARF nº 19: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. É cediço que combustíveis não entram em contato físico direto com os produtos durante o processo produtivo, razão pela qual não podem ser inseridos no conceito de insumo adotado pelo IPI. Sendo assim, concluise que as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, ao inserirem os termos combustíveis e lubrificantes na categoria de insumo, estabelecem um marco jurídico distinto da legislação do IPI. Verificase que, de fato, a própria Receita Federal flexibilizou a questão do contato direto com o produto em fabricação. Vejamos a Solução de Divergência nº 14/2007 e nº 35/2008, as quais permitem a dedução de partes e peças de reposição de máquinas e equipamentos, desde que não incluídas no imobilizado: Solução de Divergência nº 14/2007: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: Crédito presumido da Cofins. Partes e peças de reposição e serviços de manutenção. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição e com serviços de manutenção em veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito a créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam incluídas no ativo imobilizado. Solução de Divergência nº 35/2008: Cofins nãocumulativa. Créditos. Insumos. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou Fl. 2229DF CARF MF 14 químicas utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. Esta distinção fica evidenciada na redação da Lei nº 10.276/2001, ao estabelecer o regime alternativo de crédito presumido de IPI sobre o ressarcimentos das contribuições para o PIS e a Cofins, delimitando a definição de insumos para o IPI a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, excluindo a energia elétrica e os combustíveis, distinguindose da redação dos incisos II dos artigos terceiros das leis instituidoras da nãocumulatividade, a qual inclui combustíveis na qualidade de insumos. Por outro lado, a tese de que insumo equivaleria a custos e despesas dedutíveis necessários à obtenção da receita é por demais abrangente e não reflete a estrutura do artigo 3º das referidas leis. Este enumera as hipóteses de creditamento, sendo que todas se referem a custos ou despesas necessárias, o que afasta a definição abrangente, já que todas as demais hipóteses estariam abrangidas no inciso II, revelandose, assim desnecessárias. Assim, energia elétrica, aluguéis, contraprestação de arrendamento relativas a área administrativa são despesas necessárias, mas entretanto não são insumos e somente geram crédito por estarem previstas em hipóteses autônomas. O mesmo ocorre com a despesa de armazenagem e frete na operação de venda. A terceira corrente, buscando uma definição própria para insumos, se refletiu em vários acórdãos deste conselho, em maior ou menor abrangência: Acórdão nº 930301.740: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Fl. 2230DF CARF MF Processo nº 10925.002181/200987 Acórdão n.º 3302004.882 S3C3T2 Fl. 9 15 Recurso Especial do Procurador Negado. Acórdão nº 3202001.593: CONCEITO DE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS O conceito de insumos não se confunde com aquele definido na legislação do IPI restrito às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção; por outro lado, também não é qualquer bem ou serviço adquirido pelo contribuinte que gera direito de crédito, nos moldes da legislação do IRPJ. Ambas as posições (“restritiva/IPI” e “extensiva/IRPJ”) são inaplicáveis ao caso. Cada tributo tem sua materialidade própria (aspecto material), as quais devem ser consideradas para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos: o IPI incide sobre o produto industrializado, logo, o insumo a ser creditado só pode ser aquele aplicado diretamente a esse produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas despesas), portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das receitas auferidas na apuração do resultado. No caso do PIS/Pasep e da Cofins, a partir dos enunciados prescritivos contidos nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, devem ser construídos critérios próprios para a apuração da base de cálculo das contribuições. As contribuições incidem sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços, portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo produtivo, imperativos na elaboração do produto final destinado à venda, gerador das receitas tributáveis. Recurso Voluntário parcialmente provido. Acórdão nº 3201001.879: COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. CONCEITO. O conceito de insumos no contexto da Cofins nãocumulativa é mais abrangente do que o conceito da legislação do IPI, devendo ser admitido todo dispêndio na contratação de serviços e aquisição de bens essenciais ao processo produtivo do sujeito passivo, independentemente de ter contato direto com o produto em fabricação. Acórdão nº 3401002.860: CONCEITO DE INSUMOS PARA FINS DE APURAÇÃO DE CRÉDITO DE PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS. O conceito de insumo deve estar em consonância com a materialidade do PIS e da COFINS. Portanto, é de se afastar a definição restritiva das IN SRF nºs 247/02 e 404/04, que adotam Fl. 2231DF CARF MF 16 o conceito da legislação do IPI. Outrossim, não é aplicável as definições amplas da legislação do IRPJ. Insumo, para fins de crédito do PIS e da COFINS, deve ser definido como sendo o bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente na produção de bens ou prestação de serviços, sendo indispensável a estas atividades e desde que esteja relacionado ao objeto social do contribuinte. Acórdão nº 3301002.270: COFINS/PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. A legislação do PIS/Cofins atribuiu conceito próprio de insumos para o fim de aproveitamento dos créditos da não cumulatividade. Este conceito não é tão restritivo quanto o da legislação do IPI e nem tão amplo quanto à legislação do imposto de renda. Acórdão nº 3403003.629: NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Entendo, pois, que a expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente de ter havido contato direto com o produto fabricado, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes, expressos no texto legal Assim, devem ser entendidos como insumos, os custos de aquisição e custos de transformação que sejam inerentes ao processo produtivo e não apenas genericamente inseridos como custo de produção. Esta distinção é dada pela própria lei e também pelo STJ (AgRg no REsp nº 1.230.441SC, AgRg no REsp nº 1.281.990SC), quando excluem, por exemplo, dispêndios com valetransporte, valealimentação e uniforme da condição de insumos, os quais poderiam ser considerados custos de produção, mas que somente foram alçados a insumos a partir da Lei nº 11.898/2009, e apenas para as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção. Destacase, ainda, que determinados custos de estocagem, embora, sejam considerados para avaliação de estoques, não podem ser considerados custos de transformação, pois são aplicados aos produtos já acabados. Estabelecidas as premissas acima, passase à análise específica dos pontos controvertidos. Fl. 2232DF CARF MF Processo nº 10925.002181/200987 Acórdão n.º 3302004.882 S3C3T2 Fl. 10 17 Considerando que já houve no presente processo decisão quanto a outros "insumos" utilizados pela recorrente, conforme trazido no relatório, que servem de base para o cálculo de crédito de PIS e COFINS nãocumulativos, passamos a análise de dos itens aos quais se debruçou a Diligência Fiscal. II.1 Embalagem De Apresentação e Embalagem De Transporte A fiscalização efetuou a glosa por entender que as embalagens se destinam precipuamente ao transporte de produtos acabados nos termos do artigo 4º, inciso IV e artigo 6º do Decreto nº 4.544/2002: Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): [...] IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou Art. 6º Quando a incidência do imposto estiver condicionada à forma de embalagem do produto, entenderseá (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, inciso II): I como acondicionamento para transporte, o que se destinar precipuamente a tal fim; e II como acondicionamento de apresentação, o que não estiver compreendido no inciso I. § 1º Para os efeitos do inciso I, o acondicionamento deverá atender, cumulativamente, às seguintes condições: I ser feito em caixas, caixotes, engradados, barricas, latas, tambores, sacos, embrulhos e semelhantes, sem acabamento e rotulagem de função promocional e que não objetive valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional; e II ter capacidade acima de vinte quilos ou superior àquela em que o produto é comumente vendido, no varejo, aos consumidores. § 2º Não se aplica o disposto no inciso II aos casos em que a natureza do acondicionamento e as características do rótulo atendam, apenas, a exigências técnicas ou outras constantes de leis e atos administrativos. Fl. 2233DF CARF MF 18 § 3º O acondicionamento do produto, ou a sua forma de apresentação, será irrelevante quando a incidência do imposto estiver condicionada ao peso de sua unidade. O acórdão de primeira instância manteve a glosa, salientando que algumas embalagens poderiam gerar créditos, mas pela falta de documentação probatória, tais embalagens não poderiam ser consideradas. Em recurso voluntário, a recorrente defendeu que a legislação não diferenciou conceito de embalagem de apresentação e de embalagem de acondicionamento, sendo que ambas gerariam créditos da nãocumulatividade das contribuições. Alega ainda que as embalagens destinadas a transporte não são passíveis de utilização e oneraram o custo final do produto, constituindo custo de aquisição de insumos. Quanto à glosa de outras embalagens que acondicionam os produtos comercializados, a recorrente entendeu tratarem de embalagens de apresentação, não se destinando apenas ao transporte, mas garantindo a integridade dos produtos e destaque frente aos consumidores, não sendo passíveis de reutilização. A resolução determinou a diligência para que a recorrente pudesse comprovar as embalagens que fossem de apresentação. O relatório fiscal elaborado reconheceu parcialmente o direito de creditamento, mantendo a glosa relativa a embalagens consideradas como de transporte. Por se tratar de fase posterior ao processo produtivo da Recorrente, as embalagens utilizadas com função precípua de transporte e armazenamento dos produtos acabados, não integram o processo produtivo, seja direta ou indiretamente e, nessa condição, não geram créditos. Por seu turno, entendeu que as embalagens de apresentação, por integrar o processo produtivo da Recorrente, visto que por não se destinarem apenas ao transporte do produto e por alteram a apresentação do produto que embala, são passíveis de creditamento. Entretanto, entendo que independentemente de serem de apresentação ou de transporte, ou por ter sido utilizada em etapa posterior a fabricação do produto, os materiais de embalagens, seja com a finalidade de alterar o produto que embala ou de deixar o produto em condições de ser estocado e comercializado, devem ser admitidos como insumos de produção e, consequentemente gerar créditos de PIS/COFINS. Vale dizer, considerando que operação realizada pela Recorrente envolve o manuseio de produtos alimentícios, as embalagens de transporte são necessárias para proteger e evitar qualquer contato externo com o produto e principalmente evitar qualquer risco de contaminação. Desta forma, entendo que, para fins de apropriação de crédito do PIS e da Cofins, é irrelevante o fato de o material de embalagem ser de apresentação ou de transporte, se tais materiais são utilizados no âmbito do processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser comercializado, como ocorreu com os materiais de embalagem destinados à proteção contra impactos, sujeiras externas e facilitando o transporte, conforme devidamente explicitado pela Recorrente em sede recursal. Ora, se tais materiais representam custos incorridos na fase de produção do bem destinado à venda, certamente, inexiste razão plausível para excluir da base de cálculo dos Fl. 2234DF CARF MF Processo nº 10925.002181/200987 Acórdão n.º 3302004.882 S3C3T2 Fl. 11 19 referidos créditos pelo simples fato de serem embalagens utilizadas no transporte do referido produto. Portanto, além do valor reconhecido anteriormente a título de embalagens de apresentação, deve ser admitido também o crédito relativo as embalagens consideradas pela fiscalização como de transporte, as quais foram registradas pela Recorrente como de apresentação, e as embalagens de transporte propriamente dita. II.2 Peças e Partes Material de Reposição A resolução que deferiu a diligência requereu que fosse discriminado que peças teriam sido utilizadas em manutenções e que peças não teriam sido utilizadas. A diligência concluir que parte dos valores glosados se referia à manutenção de máquinas e equipamentos, no entanto, aparentemente, por sua natureza, teriam sido considerados como acréscimos na vida útil dos equipamentos superior a um ano, nas máquinas e equipamentos usados na industrialização e que deveriam ser contabilizados no ativo imobilizado para futuras depreciações. Por seu turno, a recorrente se manifestou no sentido de que a diligência teria confirmado que todas as peças se referem à manutenção de máquinas e equipamentos. A recorrente apresentou arquivo contendo a relação de peças destinadas à manutenção de máquinas e equipamentos utilizados na industrialização. Relativamente ao questionamento fiscal, o artigo 346 do Decreto nº 3.000/1999 dispõe: Art. 346. Serão admitidas, como custo ou despesa operacional, as despesas com reparos e conservação de bens e instalações destinadas a mantêlos em condições eficientes de operação (Lei nº 4.506, de 1964, art. 48). § 1º Se dos reparos, da conservação ou da substituição de partes e peças resultar aumento da vida útil prevista no ato de aquisição do respectivo bem, as despesas correspondentes, quando aquele aumento for superior a um ano, deverão ser capitalizadas, a fim de servirem de base a depreciações futuras (Lei nº 4.506, de 1964, art. 48, parágrafo único). § 2º Os gastos incorridos com reparos, conservação ou substituição de partes e peças de bens do ativo imobilizado, de que resulte aumento da vida útil superior a um ano, deverão ser incorporados ao valor do bem, para fins de depreciação do novo valor contábil, no novo prazo de vida útil previsto para o bem recuperado, ou, alternativamente, a pessoa jurídica poderá: I aplicar o percentual de depreciação correspondente à parte não depreciada do bem sobre os custos de substituição das partes ou peças; II apurar a diferença entre o total dos custos de substituição e o valor determinado no inciso anterior; Fl. 2235DF CARF MF 20 III escriturar o valor apurado no inciso I a débito das contas de resultado; IV escriturar o valor apurado no inciso II a débito da conta do ativo imobilizado que registra o bem, o qual terá seu novo valor contábil depreciado no novo prazo de vida útil previsto. § 3º Somente serão permitidas despesas com reparos e conservação de bens móveis e imóveis se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso III). Assim, as despesas de manutenção que acarretem o aumento da vida útil do bem, prevista na data de sua aquisição deve ser ativada e sujeita a depreciações futuras. A motivação da autoridade fiscal foi a seguinte: "Na relação de peças e materiais de reposição (arquivo “item 3 a – Peças e materiais de rep.aplic.manut.maq.e equipamentos.pdf”) que teriam sido aplicados na manutenção de máquinas e equipamentos, aparentemente teriam sido considerados como insumos equipamentos, aparelhos ou peças que pela natureza acresceriam vida útil superior a 1 ano as máquinas e equipamentos usados na industrialização de seus produtos. Por esta razão, não poderiam ser levadas diretamente a conta de despesa e, portanto computadas na base de cálculo dos créditos das contribuições Pis e Cofins, mas deveriam ser contabilizadas no Ativo imobilizado para futuras depreciações." Assim como o i. Conselheiro acima já mencionado, entendo que a motivação é por demais sucinta e sem comprovação, ainda que indiciária, do aumento de vida útil, pois não evidencia como ocorreria o aumento, transparecendo, inclusive falta de convicção na alegação, ao afirmar que "aparentemente" teriam sido considerados insumos que acresceriam vida útil. Neste sentido, citamse acórdãos: Acórdão nº 1401000.769: GASTOS COM REPAROS AUMENTO DA VIDA ÚTIL DO BEM Não comprovado, pelo Fisco, que o bem teve sua vida útil aumentada em mais de um ano, são admitidos como despesas operacionais os gastos com reparos, destinados a mantêlo em condições normais de funcionamento. Ainda que se comprovasse o aumento da vida útil dos bens, estarseia diante da inobservância do regime de competência, vez que deveria ser reconhecido o direito de deduzir as despesas por meio de depreciação. Nestes casos, o procedimento que deve ser adotado pela Autoridade Fiscal é o disposto no Parecer Normativo COSIT nº 02/96, sob pena se exigir o recolhimento do tributo que se sabe será restituído, vez que a empresa terá direito a apropriar as depreciações daqueles bens ativados. Acórdão nº 130200.463: DESPESAS COM REPAROS E CONSERVAÇÃO. ATIVAÇÃO. Fl. 2236DF CARF MF Processo nº 10925.002181/200987 Acórdão n.º 3302004.882 S3C3T2 Fl. 12 21 No caso de despesas com reparos e conservação de bens, a capitalização dos montantes correspondentes só deverá ser efetivada se dos reparos ou da conservação resultar aumento da vida útil do respectivo bem. Tratandose de procedimento de ofício, cabe à autoridade fiscal demonstrar tal ocorrência e, sendo o caso, a determinação do novo valor contábil do bem, do novo prazo de sua vida útil e, por decorrência, da taxa de depreciação a ser utilizada. Acórdão nº 10517.423: BENS IMOBILIZÁVEIS POR SUA NATUREZA Serão admitidas, como custo ou despesa operacional, as despesas com reparos e conservação de bens, de forma a mantêlos em condições eficientes de operação. Se isso não ficar caracterizado ou os consertos redundarem em aumento da vida útil do bem em mais de um ano, devese imobilizálo. Recurso de oficio conhecido e improvido. Acórdão nº 10322.314: GASTOS COM REPAROS AUMENTO DA VIDA ÚTIL DO BEM Não comprovado, pelo Fisco, que o bem teve sua vida útil aumentada em mais de um ano, são admitidos como despesas operacionais os gastos com reparos, destinados a mantêlo em condições normais de funcionamento. Portanto, considero que o valor que se refere a custos de manutenção de máquinas e equipamentos utilizados na produção, e, à vista das premissas anteriormente abordadas, devem ser reconhecidos os créditos relativos a tais despesas. II.3. Aquisições de produtos de Conservação e Limpeza No que tange a referido item, entendo que a irresignação apresentada pela recorrente apresenta sustentação para prosperar. Conforme planilha apresentada nas peças de defesa da contribuinte, os produtos sobre os quais se requer o creditamento da COFINS, seriam utilizados na limpeza de carretas, silos, tanques, máquinas e equipamentos de produção. A contribuinte faz menção ainda a Solução de Consulta DISIT 08 nº 13, de janeiro de 2010, a qual supostamente lhe garantiria o direito ao crédito da contribuição sobre a aquisição dos produtos indicados na planilha. Extraise da mencionada consulta o seguinte trecho: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social EMENTA: COFINS REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. INSUMOS. A partir de 1 o de dezembro de 2002, geram direito a créditos a serem descontados da Cofins as despesas efetuadas com serviços de manutenção em Fl. 2237DF CARF MF 22 máquinas e equipamentos empregados diretamente na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. (...) No que toca aos "produtos utilizados na limpeza", a possibilidade de apuração de créditos se limita aos dispêndios relativos àqueles produtos de aplicação necessária no curso do próprio processo produtivo, ou seja, não enseja apuração de créditos dispêndios com produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo. (destaquei) (...) Ora, a Solução de Consulta trazida pela recorrente traz a possibilidade de ser creditada pelos dispêndios na aquisição dos produtos de limpeza utilizados na higienização, o que de fato restou constatado no decorrer do presente processo. Conforme demonstrado, a limpeza e higienização é parte indissociável do processo de produção da contribuinte, motivo pelo qual entendo ser possível o cretitamento pleiteado, devendo ser levantada a glosa dos créditos quanto aos itens em análise. II.4. Aquisições de Combustíveis e Lubrificantes No que tange ao presente item, o entendimento desse relator e idêntico ao exarado pelo i. Cons. Paulo Guilherme, traduzido no voto proferido no processo n.º 10925.001199/200961, razão pela qual pedese vênia para transportar as razões do processo mencionado para esses autos, com as alterações pertinentes ao caso em tela. A recorrente pugna pelo reconhecimento de valores relativos à utilização de gás Ultrasystem, graxas, óleos e lubrificantes que seriam usados em equipamentos do setor produtivo como empilhadeiras, máquinas do setor de leite longa vida etc. A diligência in loco confirmou a utilização das empilhadeiras no transporte de bobina para embalagem de lona vida do almoxarifado até a produção e também de esteira até o local de reserva do leite (chamado quarentena). Assim, comprovada a utilização no setor produtivo, devem ser reconhecidos os créditos relativos a tais aquisições. II.5. Aquisição de Amônia No mesmo sentido quanto aos combustíveis e lubrificantes, comungo do entendimento do i. Conselheiro alhures mencionado. Quanto a este item, a diligência in loco constatou que o produto é utilizado na sala de máquinas, em compressores para geração de água fria, posteriormente utilizada na refrigeração do leite e derivados e nas câmaras frias de maturação de queijos. Assim, pela descrição, podemos verificar que a amônia é utilizada no processo produtivo, devendo ser reconhecido o creditamento sobre o valor de sua aquisição. II.6 Serviços Utilizados como Insumo Linha 3 e Despesas de Fretes e Armazenagem na Operação de Venda Linha 07 Fl. 2238DF CARF MF Processo nº 10925.002181/200987 Acórdão n.º 3302004.882 S3C3T2 Fl. 13 23 Novamente pedindo vênia para utilizar as conclusões do voto proferido no processo nº 10925.001199/200961, transcrevo abaixo os apontamento trazidos pelo i. Relator naquela oportunidade, esclarecendo que faço alterações relacionadas a dados próprios do processo em análise, e ressalvando o entendimento quanto a possibilidade de haver o creditamento observado sobre o frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero. A fiscalização glosou serviços informados na linha 03 das fichas 4 e 6 do DACON Serviços utilizados como insumos, constantes do Anexo III relativos a manutenções das instalações industriais, carga de resíduos, dedetização, etc e ainda fretes nas aquisições de insumos, fretes entre estabelecimentos (coleta e produção, produção e venda, armazenamento de queijo e retorno do produto à empresa). Em relação à linha 07, a fiscalização glosou créditos a este título por falta de informações que pudessem relacionar o frete adquirido com as notas fiscais de venda, destacando ainda que fretes entre estabelecimentos não podem gerar créditos por falta de previsão legal, glosa esta mantida na primeira instância. A recorrente apresentou em cumprimento da diligência, planilhas que apresentaram um valor a menor de R$ 122.044,15, em ralação ao valor apresentado no recurso voluntário, motivo pelo qual, no que tange a tal diferença não resta outra alternativa a não ser a manutenção da glosa em virtude da não apresentação de documentos comprobatórios, solicitados pela intimação fiscal Saort nº 360/2014. Quanto aos serviços utilizados como insumos, a glosa mantida na primeira instância fundamentouse no fato de a recorrente não ter indicado ou explicado em que consistiriam estes serviços e onde seriam aplicados. A recorrente defendeu que tais serviços são utilizados na manutenção industrial, no resfriamento de leite, análises laboratoriais, armazenagem, locação de equipamentos industriais e outros, sendo essenciais ao processo produtivo. A resolução, então, solicitou a demonstração de que tais serviços seriam aplicados diretamente no processo produtivo dos bens destinados à venda, cujo cumprimento resultou na Intimação Saort nº 360/2014, da qual transcrevese a parte relativa aos serviços utilizados como insumos: 6. QUANTO AOS SERVIÇOS GERAIS, tais como: ”manutenção industrial (de empilhadeira, de equipamentos de queijaria, de caldeira, do setor de produtos UHT, etc), resfriamento do leite, reforma do equipamento queijomatic, dentre outros que são utilizadas nas etapas de manipulação do produto dentro da linha de produção daquelas que não se encontram dentro da linha de produção; 6.1 APRESENTAR relação de todas as notas fiscais de ENTRADA, correspondente aos serviços gerais (item 6) que sejam aplicados diretamente no processo produtivo de bens destinados à venda, contendo: CPF fornecedor/CNPJ emissor; nome do fornecedor; CNPJ estabelecimento de entrada; número da nota fiscal; data da emissão; data da entrada; CFOP; descrição do serviço; valor total; totalizador ao final de cada mês; discriminar os serviços gerais utilizados na Fl. 2239DF CARF MF 24 produção dos que não se encontram na produção da empresa, por seção/setor onde podem ser localizadas. Em resposta, a recorrente informou ter apresentado as planilhas contendo os serviços utilizados diretamente no processo produtivo 5.a, uma planilha com os demais serviços 5.b, uma planilha com serviços cuja função não foi reconhecida 5.c, e notas fiscais de aquisição de insumos, informadas equivocadamente como serviços 5.d. O relatório fiscal resultado da diligência consignou que no arquivo 5.a serviços utilizados como insumos diretamente na produção a recorrente relacionou serviços que não seriam utilizados diretamente na produção ou que deveriam ser amortizados por ampliar a vida útil em mais de um ano. Da planilha 5.b, manteve a glosa daqueles identificados como serviços sem função identificada, que o relatório identificou como item 5.d, mas que a recorrente referiuse como item 5.c. A recorrente propugnou em sua manifestação sobre o resultado da diligência pela reconhecimento do creditamento sobre os itens 5.a e 5.b, reconhecendo como não comprovados os serviços do item 5.c. Quanto ao item 5.d, nada informou. Dentre os serviços relacionados no item 5.a, entendo que devem ser mantidas as glosas relativas a serviços de manutenção na ETE, levantamento topográfico, elaboração de projetos, treinamentos, serviços de manutenção de câmara fria para armazenagem de produtos acabados, pois que se referem a dispêndios anteriores ou posteriores à produção, bem como serviços de instalações elétricas, montagens, construção de muro, instalação de poço artesiano, que pertencem ao ativo permanente. Concernente ao item 5.b tratamse de serviços relativos a exames admissionais, radiológicos, transporte de funcionários, elaboração de projetos, ginástica laboral, hospedagem, monitoramento, sistema de alarme, manutenção de ramais telefônicos etc, que não possuem inerência ao processo produtivo, devendo ser mantida a glosa. Relativamente ao item 5.c, a recorrente reconhece a procedência da glosa. Concernente aos fretes, as glosas ocorreram pela falta de informações que pudessem relacionar o frete adquirido com as notas fiscais de venda ou de insumos, destacando ainda que fretes entre estabelecimentos não podem gerar créditos por falta de previsão legal, glosa esta mantida na primeira instância por entender ainda que a informação em linha equivocada do Dacon ensejaria a manutenção da glosa. A recorrente defende que a glosa empreendida pelo Fisco foi arbitrária, que o mero equívoco na inserção de fretes de aquisição de insumos e transferência de insumos na linha de despesas de fretes sobre a venda não pode obstar o reconhecimento ao direito creditório, e ,por fim, pugna pelo creditamento quanto aos fretes nas aquisições de insumos, entre transferências de insumos entre os pontos de coleta e a indústria, aos fretes entre a produção e os pontos de venda e aos próprios fretes sobre a venda, solicitando ainda a baixa em diligência, caso se entendesse que as provas juntadas fossem insuficientes. Neste sentido, a resolução determinou a diligência para que a recorrente pudesse comprovar os fretes em operações de venda, bem como elaborasse demonstrativo, separando o frete sobre a aquisição de insumos, sobre as operações de vendas e sobre as transferências entre estabelecimentos. Intimada a realizar a separação, com apresentação de documentação probatória, a recorrente apresentou as seguintes planilhas: Fl. 2240DF CARF MF Processo nº 10925.002181/200987 Acórdão n.º 3302004.882 S3C3T2 Fl. 14 25 a) VENDA PROD. ACABADO: Frete na venda de produtos acabados (leite e derivados). b) VENDA PROD. AGROP.: Frete na venda de produtos agropecuários (ração e farelo de trigo). c) TRANSFERÊNCIA CD: Frete na transferência de produtos acabados dos seus estabelecimentos industriais até o Centro de Distribuição (CNPJ n° 83.011.247/001455) localizado na cidade de Curitiba PR. d) TRANSFERÊNCIA PROD. ACABADO: Frete na transferência de produtos acabados entre seus estabelecimentos industriais. e) TRANSFERÊNCIA PROD. AGROP. P/ REVENDA: Frete na transferência de produtos agropecuários (farelo e farelo de trigo) da matriz até os demais estabelecimentos, destinados à revenda. f) COMPRA INSUMOS: Frete na compra de insumos (leite in natura, lenha e cavaco, embalagens, ingredientes, etc). g) COMPRA USO E CONSUMO: Frete na compra de insumos (peças, etc.) classificados como de uso e consumo. h) TRANSFERÊNCIA PC: Frete na transferência de leite in naturais dos Postos de Coleta até os estabelecimentos industriais. i) TRANSFERÊNCIA PCPC: frete de leite in natura entre postos de coleta. j) COMPRA PROD. AGROP. P/ REVENDA: Frete na compra de produtos agropecuários (farelo de soja, farelo de trigo, ração, sal mineral, calcário, suplementos para ração, etc), destinados à revenda aos produtores de leite. k) COMPRA IMOBILIZADO: Frete na compra de bens para o ativo imobilizado. 1) DEVOLUÇÃO DE VENDAS: Frete referente devolução de venda de produtos acabados (leite longa vida, manteiga, etc). m) REMESSA ANÁLISE: Frete na remessa de amostras de produtos (leite in natura) dos estabelecimentos industriais ou postos de coleta da empresa para análise em estabelecimentos terceirizados. n) RETORNO ANÁLISE: Frete no retorno de caixas/vasilhames nos quais foram remetidas as amostras de produtos (leite in natura) para análise em estabelecimentos terceirizados. o) REMESSA CONSERTO: Frete na remessa de bens (prensa, cilindro, pistão, etc.) para conserto. Fl. 2241DF CARF MF 26 p) RETORNO CONSERTO: Frete no retorno de bens (filadeira, etc.) remetidos para conserto. q) DIVERSOS: Outros fretes não enquadrados nas classificações acima. O relatório final da diligência abordou apenas os fretes relacionados nas planilhas TRANSFERÊNCIA PROD. ACABADO, TRANSFERÊNCIA PROD. AGROP. P/ REVENDA e COMPRA IMOBILIZADO, entendendo pela impossibilidade de creditamento. Em manifestação ao relatório final de diligência, a recorrente reafirma o direito ao creditamento, seja como frete na aquisição de insumos, seja como fretes sobre vendas, bem como entende confirmado o creditamento sobre as demais planilhas. Inicialmente, salientase que, embora o relatório seja omisso quanto às demais planilhas, algumas descrições são suficientes para formação de convicção quanto à possibilidade de creditamento. Assim, os fretes nas aquisições de insumo devem ser reconhecidos por se tratarem de custo de aquisição, bem como os fretes de transferências de insumos entre estabelecimentos, por se tratarem de serviços consumidos durante o processo produtivo, incluindo aqui os fretes entre os pontos de coleta até a produção, conforme explicitado no FLUXO DO PROCESSO DE PRODUÇÃO NA INDÚSTRIA: DE LACTICÍNIOS TIROL LTDA 01.1. TRANSPORTE 1º PERCURSO: Nesta primeira etapa há o custo de transporte, que é o valor pago ao transportador para fazer a coleta do leite na propriedade do produtor rural e sua transferência até os postos de resfriamento, ou dependendo da localização da propriedade e da indústria, o leite já é transferido diretamente para a indústria, sem passar pelo posto de resfriamento [...] 02.1. TRANSPORTE 2º PERCURSO: Nesta segunda etapa, há custo de transporte, que é o valor pago às transportadoras pelo serviço de transporte entre o posto de resfriamento e a indústria. Neste sentido, deve ser reconhecido o direito ao creditamento das seguintes planilhas, sobre as quais o relatório fiscal não se pronunciou: VENDA PROD. ACABADO e VENDA PROD. AGROP, por se tratarem de fretes sobre vendas, nos termos do inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. COMPRA DE INSUMOS: segundo a recorrente são fretes nas compras de insumos que compõem o custo de aquisição e geram direito a crédito. Entretanto, verificase na informação prestada pela recorrente, a aquisição referese a leite in natura, lenha, cavaco, embalagens, ingredientes e descrições genéricas como diversos, outras cargas, conforme nf, ou simplesmente sem descrição do produto adquirido. FRETE NA AQUISIÇÃO DE PRODUTOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO: nesse tópico divirjo, com a devida vênia, da posição esposada pelo n. relator do Fl. 2242DF CARF MF Processo nº 10925.002181/200987 Acórdão n.º 3302004.882 S3C3T2 Fl. 15 27 processo 10925.001199/200961, pois entendo ser direito do contribuinte se creditar na referida operação. Desta feita, com a devida licença, tomo por razão de decidir o voto vencedor relacionado à matéria, redigido pelo i. Conselheiro Walker Araujo, nos seguintes termos: É de se ver que a fundamentação para manutenção da glosa de créditos calculados sobre fretes foi no sentido de que os bens sujeitos à alíquota zero, cuja base de cálculo do crédito já engloba o valor do frete e do seguro, não dá direito ao crédito. Em relação à esta matéria, esta Turma já adotou posicionamento contrário ao entendimento apresentado pelo i. Relator, por meio do acórdão nº 3302002.922, de relatória da Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, o qual adoto como fundamento para solucionar a questão sob análise, a saber: Conforme acima demonstrado a fundamentação da glosa de créditos calculados sobre fretes prendese ao fato de que as aquisições dos insumos são tributados à alíquota zero, estando em desacordo com o art. 3º, § 2°, inciso II, da Lei n° 10.637, de 2002. No entanto há precedente no CARF conforme Acórdão nº 3403 001.944, de 09/03/13, que confere uma outra interpretação ao dispositivo legal em destaque, a qual me filio por entender consentânea com os objetivos visados pela lei de regência da matéria, no tocante ao dispositivo em exame, cuja ementa a seguir se transcreve, na parte de interesse: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP.NÃO CUMULATIVIDADE. SERVIÇOS VINCULADOS A AQUISIÇÕES DE BENS COM ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento em relação a serviços sujeitos a tributação (transporte, carga e descarga) efetuados em/com bens não sujeitos a tributação pela contribuição. Nesse sentido, registro excertos da referida decisão, nos termos do voto condutor: A fiscalização não reconhece o crédito por ausência de amparo normativo, e afirma que o frete e as referidas despesas integram o custo de aquisição do bem, sujeito à alíquota zero (por força do art. 1º da Lei nº 10.925/2004), o que inibe o creditamento, conforme a vedação estabelecida pelo inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 (em relação à Contribuição para o PIS/Pasep), e pelo inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 (em relação à Cofins):(grifei). “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor:(...) Fl. 2243DF CARF MF 28 II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei no 10.865, de 2004)”(grifei). Contudo, é de se observar que o comando transcrito impede o creditamento em relação a bens não sujeitos ao pagamento da contribuição e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Não trata o dispositivo de serviços sujeitos a tributação efetuados em/com bens não sujeitos a tributação (o que é o caso do presente processo). )(grifei). Improcedente assim a subsunção efetuada pelo julgador a quo no sentido de que o fato de o produto não ser tributado “contaminaria” também os serviços a ele associados. Vejase que é possível um bem não sujeito ao pagamento das contribuições ser objeto de uma operação de transporte tributada. E que o dispositivo legal citado não trata desse assunto. Portanto, por ser passível de creditamento, a glosa de créditos relativo ao frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero deve ser totalmente revertida. TRANSFERÊNCIA PC e PCPC: Frete na transferência de leite in naturais dos Postos de Coleta até os estabelecimentos industriais e entre postos. REMESSA ANÁLISE e RETORNO ANÁLISE: fretes na remessa e retorno de amostras de produtos (leite in natura) dos estabelecimentos industriais ou postos de coleta da empresa para análise em estabelecimentos terceirizados. REMESSA CONSERTO e RETORNO CONSERTO: por se tratar de frete utilizado em manutenção de bens da produção, segundo informação da recorrente, não havendo qualquer objeção no relatório fiscal da diligência. Porém, relativamente às planilhas abaixo, entendo que a glosa deve ser mantida: * TRANSFERÊNCIA CD frete na transferência de produtos acabados dos seus estabelecimentos industriais até o Centro de Distribuição (CNPJ n° 83.011.247/001455) localizado na cidade de Curitiba PR), TRANSFERÊNCIA PROD. ACABADO frete na transferência de produtos acabados entre seus estabelecimentos industriais e TRANSFERÊNCIA PROD. AGROP. P/ REVENDA frete na transferência de produtos agropecuários (farelo e farelo de trigo) da matriz até os demais estabelecimentos, destinados à revenda. A Lei nº 10.833, de 2003 assim dispôs em seu artigo 3º, inciso IX sobre a hipótese de creditamento sobre fretes nas operações de vendas: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 2244DF CARF MF Processo nº 10925.002181/200987 Acórdão n.º 3302004.882 S3C3T2 Fl. 16 29 ... IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Da redação do inciso destacase a expressão “quando o ônus for suportado pelo vendedor”. Entendo que a especificidade da expressão indica que o inciso trata do negócio jurídico de compra e venda de mercadoria, posto que não faria sentido a restrição para as despesas operacionais de logística interna que, certamente, são suportadas pela pessoa jurídica, não havendo que se cogitar de ônus a ser suportado por um comprador, quando inexiste a compra, nem quando se refere a operações de logística interna. Por outro lado, para classificar como insumo, o serviço de frete deve possuir a natureza de custo e não de despesas operacionais, as quais excluo do conceito de insumo, não em razão de sua indispensabilidade à atividade econômica, mas em razão de ser uma despesa incorrida posteriormente ao processo produtivo. No mesmo sentido da impossibilidade de creditamento, citamse os seguintes acórdãos: Acórdão nº 220100.081, proferido pela Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento: COFINS NÃOCUMULATIVA. FRETE PARA ESTABELECIMENTO DA CONTRIBUINTE. O frete de mercadorias acabadas para armazenamento em estabelecimento da contribuinte não dá direito a créditos de COFINS por falta de previsão legal nesse sentido. Acórdão nº 3803003.595, proferido pela Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento: INSUMOS ALCANCE FRETE DE TRANSFERÊNCIA. PRODUTO ACABADO. IMPOSSIBILIDADE Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados, ainda, que pagos ou creditados a pessoas jurídicas domiciliadas no país para realização de transferências de mercadorias (produtos acabados) dos estabelecimentos industriais para os estabelecimentos distribuidores da mesma pessoa jurídica, não geram direito a créditos a serem descontados do PIS devido. Destacase o excerto abaixo deste acórdão: “Destaco que o frete empregado pela empresa é de produto acabado para estabelecimento da mesma empresa, ou seja, de mero procedimento interno de logística que constitui despesa operacional, entretanto, não passível de ser utilizada para creditamento da contribuição para o PIS/PASEP no regime da nãocumulatividade, por absoluta falta de previsão legal.” Fl. 2245DF CARF MF 30 Salientase que esta turma, em recente julgado de Acórdão nº 3302002.464, assim também se posicionou: CRÉDITO. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados não geram direito a crédito da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. Portanto, incabível o creditamento relativo a tais despesas. * COMPRA USO E CONSUMO: a recorrente afirmou que se trata de frete material e uso e consumo (peças etc), cuja descrição não permite a identificação da natureza da carga e sua utilização no processo produtivo, impossibilitando o creditamento como insumos. * COMPRA PROD. AGROP. P/ REVENDA por se tratar de frete na aquisição de bens para revenda, compondo o custo de aquisição destes bens, informados na linha 01 do DACON. A inclusão destes fretes em diligência representa inovação, pois as alegações no recurso especial referiam a fretes na aquisição de insumos, fretes internos de insumos (pontos de coleta até a unidade de produção) e fretes em operações de venda. A inclusão neste momento somente seria possível, em homenagem ao princípio da verdade material, se a recorrente comprovasse o erro cometido no preenchimento da linha 01 do DACON, o que até então não fora cogitado, nem provado na diligência. Assim, entendo incabível esta inovação em sede de diligência. * COMPRA IMOBILIZADO, pois não se refere a serviços utilizados no processo produtivo nem a frete nas operações de vendas, razão pela qual tais aquisições não geram créditos, ressalvada a possibilidade de creditamento sobre as futuras depreciações, desde que relativas a bens utilizados no processo produtivo, o que, entretanto, não restou comprovado na diligência, além de que o pedido representa inovação, pois a defesa inicial pautouse na existência de fretes como insumos, aquisição de insumos e sobre vendas. * DEVOLUÇÃO DE VENDAS: a informação prestada referese a devoluções de leite, produto com alíquota zero, cujo custo de aquisição não gera crédito, além de representar inovação nas razões recursais manifestadas em manifestação de inconformidade e impugnação, por não se tratar de frete na aquisição de insumos, ou de transferências de insumos ou produtos acabados, nem de frete na operação de venda. * DIVERSOS, pois a generalidade da descrição não permite a comprovação de sua utilização no processo produtivo ou nas operações de venda. Assim, devem gerar créditos os fretes relativos às planilhas VENDA PROD. ACABADO, VENDA PROD. AGROP, TRANSFERÊNCIA PC e PCPC, REMESSA ANÁLISE, RETORNO ANÁLISE, REMESSA CONSERTO e RETORNO CONSERTO, FRETE NA AQUISIÇÃO DE PRODUTOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO, ressalvando a necessidade de a unidade de execução do acórdão apurar o crédito relativo à COMPRA DE INSUMOS, exceto relativo à aquisição de produtos com a descrição genérica de "diversos", "outras cargas", "conforme nf" ou simplesmente sem descrição do produto adquirido. II.7 Encargos de Depreciação dos Bens do Ativo Imobilizado Fl. 2246DF CARF MF Processo nº 10925.002181/200987 Acórdão n.º 3302004.882 S3C3T2 Fl. 17 31 A fiscalização glosou o creditamento sobre encargos de depreciação relativos a bens adquiridos anteriormente a 1º/05/2004, a bens usados, a veículos da administração , à correção monetária do imobilizado e outros bens não utilizados na linha de produção, e também relativos a bens sem comprovação documental. O relatório da diligência pouco esclareceu sobre os bens do ativo imobilizado, declarando que Após análise do demonstrativo contendo novas e detalhadas informações (descrição do bem, destinação do bem e utilização/função no processo produtivo) não foi possível enquadrar os referidos bens incorporados ao ativo imobilizado como adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Neste sentido, impõemse a manutenção da glosa. Entretanto, analisando os documento acostados aos autos, entendo devam ser mantidas as glosas relativas a EMPILHADEIRA ELÉTRICA RETRAK STILL MODlFME 17G115 SERIE:341832000829 NF:64150 E, ESTANTES INTERCAMBIÁVEIS ESTOQUE LONGA VIDA NT:56646 ÁGUIA SISTARMAZE, PRATELEIRAS DEPOSITO LEITE LONGA VIDA PRATELEIRAS ESTOQUE LEITE EM PO FRACIONADO NT8999 ESMENA DO BRASILS/A, PRATELEIRAS EXPEDIÇÃO LEITE LONGA VIDA NT 8998 ESMENA DO BRASIL S/A, BALANÇA RODOVIÁRIA, BAL.ELETRÔNICA TRANSPALETI IRA MOD:PL3000 CAP 200KGX1 OOOG EM ACO CARBONO SÉRIE:P, EMPILHADEIRA ELÉTRICA RETRAK STILL MODlFME 17 G115 SERIE:341832000829 NF:64150 E, PRATELEIRAS DEPOSITO LEITE LONGA VIDA, CARREGADOR DE BATERIAS KLM NF312MACRO, TRANSPALETEIRA ELÉTRICA YALE NF:2519 MACROMAQ EQUIP , CARREGADOR DE BATERIAS KLM K8TM IND.COM.ELETROTÉCNICA, CARREGADOR DE BATERIA 48V / 140A MARCA KLM. III. Conclusão Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório sobre embalagens, inclusive aquelas consideradas pela fiscalização como de transporte, as quais foram registradas pela recorrente como de transporte, aquisição de material de reposição, aquisição de amônia, combustíveis e lubrificantes, serviços como insumos, fretes nas: VENDA PROD. ACABADO e VENDA PROD. AGROP, COMPRA DE INSUMOS, FRETE NA AQUISIÇÃO DE PRODUTOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO, TRANSFERÊNCIA PC e PCPC, REMESSA ANÁLISE e RETORNO ANÁLISE, REMESSA CONSERTO e RETORNO CONSERTO; e encargos de depreciação, nesse caso devendo ser mantidas as glosas relativas a (efls. 1384 a 13394) EMPILHADEIRA ELÉTRICA RETRAK STILL MODlFME 17G115 SERIE:341832000829 NF:64150 E, ESTANTES INTERCAMBIÁVEIS ESTOQUE LONGA VIDA NT:56646 ÁGUIA SISTARMAZE, PRATELEIRAS DEPOSITO LEITE LONGA VIDA PRATELEIRAS ESTOQUE LEITE EM PO FRACIONADO NT8999ESMENA DO BRASILS/A, PRATELEIRAS EXPEDIÇÃO LEITE LONGA VIDA NT 8998 ESMENA DO BRASIL S/A, BALANÇA RODOVIÁRIA, BAL.ELETRÔNICA TRANSPALETI IRA MOD:PL3000 CAP 200KGX1 OOOG EM ACO CARBONO SÉRIE:P, EMPILHADEIRA ELÉTRICA RETRAK STILL MODlFME 17 G115 SERIE:341832000829 NF:64150 E, PRATELEIRAS DEPOSITO LEITE LONGA VIDA, CARREGADOR DE BATERIAS KLM NF312MACRO, TRANSPALETEIRA ELÉTRICA YALE NF:2519 MACROMAQ EQUIP , CARREGADOR Fl. 2247DF CARF MF 32 DE BATERIAS KLM K8TM IND.COM.ELETROTÉCNICA, CARREGADOR DE BATERIA 48V / 140A MARCA KLM. , todos valores referentes a base de cálculo. De forma ilíquida, reconheço o creditamento sobre fretes da planilha COMPRA DE INSUMOS, exceto relativo à aquisição de produtos com a descrição genérica de "diversos", "outras cargas", "conforme nf" ou simplesmente sem descrição do produto adquirido, a serem calculados pela unidade responsável pela execução do acórdão, nos termos da Solução de Consulta Interna Cosit nº 18/2012. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 2248DF CARF MF
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Numero do processo: 10469.724403/2014-16
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011
SUDENE. ISENÇÃO. LEI 4.239/1963, art. 13.. CTN, ART. 111.
O artigo 13, da Lei nº 4.239/1963 define que ficarão isentos os empreendimentos industriais ou agrícolas que se instalarem, modernizarem, ampliarem ou diversificarem, nas áreas de atuação da SUDAM ou da SUDENE.
A obtenção de isenção para atividade de Confecções em Geral não autoriza a ampliação da isenção para outras atividades.
Numero da decisão: 9101-003.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Luís Flávio Neto.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ISENÇÃO. LEI 4.239/1963, art. 13.. CTN, ART. 111. O artigo 13, da Lei nº 4.239/1963 define que ficarão isentos os “empreendimentos industriais ou agrícolas que se instalarem, modernizarem, ampliarem ou diversificarem, nas áreas de atuação da SUDAM ou da SUDENE”. A obtenção de isenção para atividade de “Confecções em Geral” não autoriza a ampliação da isenção para outras atividades. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Luís Flávio Neto. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente em exercício (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 44 03 /2 01 4- 16 Fl. 1314DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de processo originado por Autos de Infração de IRPJ, quanto aos anoscalendário de 2010 e 2011, sendo aplicada multa de 75%, além de multa isolada quanto às estimativas mensais de todos os meses destes anos. Consta como infração a “Inclusão indevida no Lucro da Exploração de receitas decorrentes de atividades não incentivadas (Aluguéis e Subvenção para Investimentos), gerando, em conseqüência, a superestimação do benefício fiscal” (fls. 5) O contribuinte apresentou Impugnação Administrativa, decidindo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto pela manutenção parcial dos lançamentos, cancelandose o lançamento da exclusão do cálculo do lucro da exploração das subvenções concedidas pelo Estado do Ceará e do Rio Grande do Norte e parte da multa isolada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 REDUÇÃO E ISENÇÃO DO IRPJ. LUCRO DA EXPLORAÇÃO. RECEITAS ABRANGIDAS. A dedução do imposto de renda devido dos incentivos fiscais de redução e isenção, calculados com base no lucro da exploração, abrange apenas as receitas: (i) da atividade incentivada, constantes dos ADE e Laudos expedidos pelo Ministério da Integração Nacional Agência de Desenvolvimento do Nordeste ADENE, considerada prioritária para o desenvolvimento regional; e (ii) dos estabelecimentos, situados nas áreas de atuação da extinta SUDENE (em Fortaleza/CE e Natal/RN), e com projetos de modernização, aprovados pela atual ADENE. A atividade de locação de imóveis, além de não integrar a atividade objeto de redução de imposto, expressamente consignada nos atos concessórios (confecções de peças de vestuário em geral), decorre de atividade empresarial da matriz, sediada em Natal/RN, estabelecimento que não dispõe de qualquer ato concessivo de benefício em seu favor. As receitas de aluguel, ainda que se enquadrem como operacionais, não integram o cálculo do lucro da exploração da atividade incentivada (confecções). LUCRO DA EXPLORAÇÃO. SUBVENÇÕES. Fl. 1315DF CARF MF Processo nº 10469.724403/201416 Acórdão n.º 9101003.170 CSRFT1 Fl. 1.315 3 A subvenção recebida do Poder Público em função de benefício fiscal de ICMS, quando os recursos puderem ser livremente movimentados pelo beneficiário ou não houver obrigatoriedade de aplicação dos recursos na aquisição de bens ou direitos necessários à implantação ou expansão de empreendimento econômico não sendo suficiente a realização dos propósitos almejados com a subvenção, e inexistindo sincronia e vinculação entre a percepção da vantagem e a aplicação dos recursos, não caracteriza subvenção para investimento, mas para custeio ou operação. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO. ESTIMATIVAS. É devida a multa isolada sobre a falta de pagamento das antecipações mensais de IRPJ mensal, apuradas por estimativa. As hipóteses de incidência e as bases de cálculo das multas de ofício incidentes sobre o IRPJ devido no ajuste anual e sobre a estimativa mensal são distintas, pelo que não se pode falar em duplicidade de incidências. A completa autonomia entre as infrações não permite a aplicação do princípio da continência lógica ou da consunção. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A DRJ manteve o lançamento da exclusão do cálculo do lucro da exploração das receitas de aluguéis e cancelou o lançamento da exclusão do cálculo do lucro da exploração das subvenções concedidas pelos Estados do Ceará e Rio Grande do Norte. O processo foi remetido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tanto pela existência de recurso de ofício, quanto pela apresentação de recurso voluntário. A 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara deu provimento ao recurso voluntário – por maioria de votos e negou provimento ao recurso de ofício – por unanimidade , em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 LUCRO DA EXPLORAÇÃO. RECEITAS DE ALUGUEL. RECEITAS DE SUBVENÇÕES. O conceito de lucro da exploração foi introduzido no nosso ordenamento jurídico pelo art. 19 do Decretolei nº 1.598/77, do qual fica claro que o legislador ordinário não teve a intenção de dar a tal conceito uma dimensão maior do que o extraído literalmente do art. 19, ou seja, lucro da exploração é o resultado de uma simples operação aritmética, na qual se faz o ajuste do lucro líquido do exercício pela exclusão dos valores indicados nos referidos incisos. Não se exige contabilidade descentralizada por estabelecimento para fins de IRPJ, sendo que o lucro líquido de que trata o art. 19 do DL 1.598/77 é o da pessoa jurídica, no qual se consolidam todas as suas receitas, Fl. 1316DF CARF MF 4 inclusive outras receitas operacionais, nas quais, em se tratando de empresa industrial, incluemse receita de aluguél ou insubsistência do passivo decorrente de recuperação de despesa com tributos (subvenções). No que tange à subvenção para investimento, ela só deve ser excluída do lucro da exploração a partir de 01/01/2015, quando entrou em vigor o art. 2º da Lei 12.973/14. Em 17/06/2016, os autos foram remetidos à Procuradoria (fls. 1.233), que interpôs recurso especial em 13/07/2016, no qual alega divergência na interpretação da lei tributária a respeito do artigo 549, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3.000/1999), para reconhecimento de que receitas de aluguéis não integram o cálculo do lucro da exploração da atividade incentivada. Indicou, para tanto, o acórdão paradigma nº 1301 00.080 (processo administrativo nº 13855.001866/200461), no qual se decidiu que "Verificada a pluralidade de estabelecimentos, o direito à isenção do IRPJ, atinge somente o lucro operacional apurado pelo estabelecimento em relação à produção agrícola ou industrial realizada no estabelecimento situado na área beneficiada (Lei 4.239/63 arts. 13 e 16 e alterações posteriores)”. O recurso especial da Procuradoria foi admitido por decisão da Presidente da 3ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento (Conselheira Adriana Gomes Rêgo): Vêse claramente que o paradigma individualiza os estabelecimentos para fins de gozo de incentivo fiscal da SUDENE, dando uma interpretação divergente do art.549 do RIR/99. Neste sentido, considero que a Recorrente logrou êxito em demonstrar a divergência em relação à interpretação e aplicação do art. 549 do RIR/99 (Decreto n. 3.000/99), caput e §§ 1º e 2º, bem como do art. 16, § 1º, da Lei n. 4.239/63. (...) Com fundamento nos artigos 18, inciso III, 67 e 68 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF n.343/2015, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial interposto Procuradoria da Fazenda Nacional. O contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial (fls. 1.289/1.307), nas quais sustenta: (i) Falta de similitude fática entre o acórdão recorrido e o paradigma, na medida em que o acórdão paradigma trata de receita auferida por estabelecimento fora da SUDENE, enquanto no caso dos autos as receitas foram auferidas pela matriz, localizada em Natal/RN; (ii) Ausência de interpretações distintas nos acórdãos recorrido e paradigma, tratando os julgamentos de normas distintas – o acórdão paradigma teria interpretado os artigos 13, 15 e 16, do DecretoLei nº 1.598/77, enquanto o acórdão recorrido teria interpretado o artigo 19, do DecretoLei nº 1.598/77; (iii) No mérito, alega a legalidade da inclusão das receitas de aluguéis no lucro da exploração, considerando que o artigo 549, §2º, não define o lucro da exploração, razão pela qual pede seja mantido o acórdão recorrido, cujo voto vencedor fundamentase no artigo 19 do DecretoLei nº 1.598/77; Fl. 1317DF CARF MF Processo nº 10469.724403/201416 Acórdão n.º 9101003.170 CSRFT1 Fl. 1.316 5 (iv) Por fim, sustenta que o incentivo fiscal para a área da SUDENE não se restringe às receitas provenientes de atividades industriais ou agrícolas, mas também as receitas operacionais acessórias, destacando súmula nº 164, do TFR. É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Conhecimento O contribuinte pleitea o não conhecimento do recurso especial, tanto por (i) Falta de similitude fática entre o acórdão recorrido e o paradigma, na medida em que o acórdão paradigma trata de receita auferida por estabelecimento fora da SUDENE, enquanto no caso dos autos as receitas foram auferidas pela matriz, localizada em Natal/RN; quanto pela (ii) ausência de interpretações distintas nos acórdãos recorrido e paradigma, tratando os julgamentos de normas distintas – o acórdão paradigma teria interpretado os artigos 13, 15 e 16, do DecretoLei nº 1.598/77, enquanto o acórdão recorrido teria interpretado o artigo 19, do DecretoLei nº 1.598/77. Primeiramente trato da existência de similitude fática entre o acórdão recorrido e o paradigma (130100.080). No acórdão paradigma é descrita a situação fática por julgada pela Turma: Em ação fiscal procedida na empresa supra, segundo consta da descrição dos fatos, foi apurado isenção ou redução indevida do imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ) aplicada ao lucro da exploração na área da Sudene, no anocalendário de 2001, infringindo o Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) – Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – arts. 544 e 549 e §§1º e 3º. (...) Segundo relatório de fiscalização de fls. 9/19, a maior parte da industrialização dos calçados se inicia em Franca e posteriormente são transferidos na condição de semiacabados para acabamentos na Paraíba e por lá faturados. Consta, ainda, do referido relatório o detalhamento de toda a operação, conforme abaixo resumido:(...) 4. De acordo com a legislação vigente, o contribuinte deveria promover a segregação dos resultados por estabelecimento e os valores dos calçados semiacabados transferidos de Franca à Paraíba não poderiam ser computados nos faturamentos dos estabelecimentos incentivados para fins de determinação do lucro de exploração da atividade isenta. Os Fl. 1318DF CARF MF 6 custos das compras de insumos deveriam compor os resultados das atividades não incentivadas. (...) Segundo o autuante, o RIR/1999, art. 549, prevê o direito à isenção do IRPJ em relaão aos rendimentos dos estabelecimentos instalados na área de atuação da Sudene, quando se verificar pluralidade de estabelecimentos, estabelendo seu §1º a necessidade de demonstração na contabilidade, com clareza e exatidão, dos elementos que compõe as operações e os resultados do período de apuração de cada um dos estabelecimentos que operem na área de atuação da Sudene (...) Diante deste panorama fático, decidiu a Turma no acórdão paradigma (1301 00.080): Alega a recorrente inicialmente que industrialização é feita em vários estabelecimentos da empresa e que isso não está vedado por lei. De fato assistilhe razão nesse ponto, porém como veremos abaixo, a isenção somente atinge os resultados operacionais do estabelecimento situado na área da SUDENE. Transcrevemos a legislação. LEI 4.239/63 Ar. 13. Os empreendimentos industriais ou agrícolas que se instalarem, modernizarem, ampliarem ou diversificarem, nas áreas de atuação da SUDAM ou da SUDENE, até o exercício de 1982, inclusive, ficarão isentos do imposto de renda e adicionais não restituíveis incidentes sobre seus resultados operacionais, pelo prazo de 10 anos, a contar do exercício financeiro seguinte ao ano em que o empreendimento entrar em fase de operação ou, quando for o caso, ao ano em que o projeto de modernização, ampliação ou diversificação entrar em operação, segundo laudo constitutivo expedido pela SUDAM ou SUDENE (...) §4º Os empreendimentos que tenham parte de seus resultados beneficiada pelo disposto neste artigo considerarão como lucros isentos o mesmo percentual dos lucros totais que corresponda à reação entre as receitas operacionais da produção beneficiada e a receita total do empreendimento (...) Art 16 A SUDENE, mediante as cautelas que instituir, fornecerá, as emprêsas interessadas, declaração de que satisfazem as condições exigidas para o benefício da isenção a que se refere o artigo 13, ou da redução prevista no artigo 14, documento que instruirá o processo de reconhecimento pelo Diretor da Divisão do Impôsto de Renda, do direito das emprêsas ao favor tributário. § 1º Quando se verificar pluralidade de estabelecimentos, será reconhecido o direito à isenção ou à redução do impôsto e adicionais, conforme o caso, em relação aos rendimentos dos estabelecimentos instalados na área de atuação da SUDENE. Fl. 1319DF CARF MF Processo nº 10469.724403/201416 Acórdão n.º 9101003.170 CSRFT1 Fl. 1.317 7 § 2º Para os efeitos do disposto no parágrafo anterior as emprêsas interessadas deverão demonstrar, na sua contabilidade, com clareza e exatidão os elementos de que se compõem as operações e os resultados do exercício de cada um dos estabelecimentos que operam na área de atuação da SUDENE. Interpretando a legislação supra podemos dizer que ao contrário do que alega o recorrente o benefício fiscal não visa isentar a empresa de uma forma geral, e nem isentar também de imposto de renda as vendas em relação a essa ou aquela unidade da empresa, visa antes de tudo beneficiar a riqueza produzida na área geográfica eleita pelo legislador. A isenção não se faz em relação à venda mas sim em relação aos resultados operacionais obtidos por estabelecimentos industriais e agrícolas não tendo o legislador dado qualquer benefício para a atividade comercial. Disso deflui que somente a riqueza agregada pelo estabelecimento, industrial ou agrícola situado na área geográfica com projeto aprovado é que está isento do IRPJ. O estabelecimento situado na área beneficiada poderá também faturar, ou vender, produtos produzidos por outros estabelecimentos da mesma empresa, porém a parcela alcançada pelo benefício fiscal, repetimos é o resultado operacional da operação industrial ocorrida no estabelecimento que esteja na área beneficiada e com projeto aprovado. Assim não procede o entendimento da recorrente de que o benefício fiscal estaria ligado à venda realizada independentemente do grau de participação na industrialização do produto ocorrido na área da SUDENE. Já o acórdão recorrido parte da seguinte situação fática, como se verifica do Termo de Verificação e de Encerramento da ação fiscal (fls. 16): 13. O contribuinte, além do estabelecimento matriz, possui filiais (unidades industriais) nos Estados do Ceará (/001477) e Rio Grande do Norte (/001809). É detentor de incentivo fiscal de redução do imposto de renda (75%) sobre o Lucro da Exploração na área de atuação da ADENE – Agência de Desenvolvimento do Nordeste, bem como é beneficiário, também, de incentivos concedidos pelos governos estaduais do Rio Grande do Norte (PROADI) e do Ceará (PROVIN). (...) 20. Por sua vez, Lucro da Exploração corresponde ao lucro que serve de base para os benefícios fiscais do imposto de renda, reconhecidos em Ato Declaratório pela Delegacia da Receita Federal jurisdicionante do contribuinte. Como veremos adiante, a norma ao estabelecer o cálculo desse lucro busca privilegiar unicamente o lucro decorrente da atividade a qual se pretende beneficiar. Veja que o incentivo tem caráter objetivo. Sendo assim, uma mesma empresa, com atividade diversificada, com diversos estabelecimentos filiais, pode ser beneficiária de incentivo em um e o outro não. Basta que o estabelecimento Fl. 1320DF CARF MF 8 esteja fora da área de interesse do governo. Portanto, a empresa em si não é a beneficiária do incentivo, mas a atividade por ela desenvolvida. Daí o resultado proveniente unicamente da atividade beneficiada, isto é, da venda ou prestação de serviços, ser o objeto do incentivo. Qualquer outra receita, independentemente da classificação contábil que lhe seja atribuída, não pode ser amparada pelo benefício. Sendo assim, o incentivo é calculado com base no Lucro da Exploração do empreendimento e não no Lucro da Exploração da empresa, mormente quando as demais receitas e custos a ela correspondentes são facilmente identificados. (...) 23. Analisando a apuração do imposto de renda no período ora fiscalizado, bem assim o cálculo do Lucro da Exploração e os benefícios fiscais aplicados, constatamos o seguinte: 24. Existem três estabelecimentos da empresa Guararapes Confecções S/A: unidade fabril em FortalezaCE (filial /0014 77); unidade fabril em NatalRN (filial /001809) e a matriz, onde abriga o corpo administrativo (contabilidade, auditoria, diretoria, etc.). 25. A receita obtida com os aluguéis, apesar de não fazer jus ao incentivo fiscal, por não ser proveniente da produção incentivada, foi incluída no lucro da exploração, base de cálculo do benefício de redução do imposto de renda, conforme veremos a seguir. 26. Os benefícios foram concedidos (ver item 110 abaixo), individualmente, para os estabelecimentos filiais (unidades industriais), e são específicos para a fabricação de confecções em geral, que é uma atividade industrial objeto de interesse governamental dentro do contexto de política econômica e social que visa ao desenvolvimento regional ou setorial; verdadeiro alcance das isenções e reduções decorrentes de incentivos fiscais. Têm por base exclusivamente os lucros da atividade incentivada; visam atingir apenas os resultados da empresa que são conseqüência de suas operações nesse ramo de atividade. 27. Os artigos 549 e 552 do RIR/99 tratam da demonstração do lucro do empreendimento em relação à isenção e redução, respectivamente. Para melhor compreensão, reproduzimos abaixo, in verbis(...) 31. Nesse sentido, é de bom alvitre salientar, o lucro da exploração ao qual a norma se refere não é da empresa, é do empreendimento. Tanto é assim que as normas citadas acima mencionam “Se a pessoa jurídica mantiver atividades não consideradas como industriais ou agrícolas...”. A regra é clara: a atividade incentivada deve ser segregada. 32. A receita dos aluguéis, como já mencionado, tem origem nos contratos de locação efetuados entre a Guararapes Confecções S/A e sua controlada Lojas Riachuelo S/A (100%), tendo por base um percentual sobre o faturamento das lojas. Dessa forma, se admitirmos que os rendimentos provenientes dos aluguéis compõem o Lucro da Exploração, e portanto estão sujeitos ao benefício fiscal, estaríamos assegurando, por via transversa, que Fl. 1321DF CARF MF Processo nº 10469.724403/201416 Acórdão n.º 9101003.170 CSRFT1 Fl. 1.318 9 o resultado das Lojas Riachuelo S/A, também, venha a obter o incentivo, o que a legislação não previu. (...) 37. A despeito do cálculo do lucro da exploração ser efetuado por estabelecimento, haja vista o benefício ser concedido como tal, não podemos confundir com o resultado consolidado para efeito de apurar o lucro real, conforme determina a legislação do imposto de renda. O fato da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) apresentar apenas uma ficha para o cálculo do lucro da exploração não dá direito ao contribuinte de proceder à apuração partindo do lucro líquido consolidado, aí incluindo rendimentos cuja origem é diversa daqueles produzidos pelo projeto que se pretende beneficiar. 38. Por se tratar de um lucro extracontábil (fiscal), devese efetuar sua apuração em demonstrativos à parte, de forma individualizada, por estabelecimento beneficiário, como determina a legislação, e, só aí, transportar o valor consolidado para a ficha correspondente ao lucro da exploração. Devemos atentar, sobremaneira, para a finalidade e o espírito da legislação que trata dos benefícios fiscais, a qual não comporta interpretação extensiva, sob pena de ser lesiva e ferir as leis de mercado, produzindo desequilíbrios de natureza concorrencial, desvirtuando, assim, a finalidade das políticas econômica e social atreladas aos incentivos voltados ao desenvolvimento regional ou setorial. (grifos originais) Sob tal panorama fático, decidiu o acórdão recorrido da forma seguinte, como se extrai do voto condutor: Ora, o fato de os atos concessórios outorgados pela ADENE explicitar que o benefício fiscal era para a atividade industrial de fabricação de confecções em geral em nada atinge a fórmula legal estipulada para o cálculo do benefício, mormente, naquilo que a Lei definiu como lucro da exploração. Como fundamento legal, para seu entendimento o autuante cita principalmente o art. 549 do RIR/99, o qual assim versa: (...) Art. 549. Quando se verificar pluralidade de estabelecimentos, será reconhecido o direito à isenção de que trata esta Subseção em relação aos rendimentos dos estabelecimentos instalados na área de atuação da SUDENE (art. 16, § 1º, da Lei nº 4.239/63). (grifo nosso) § 1º Para os efeitos do disposto neste artigo, as pessoas jurídicas interessadas deverão demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos de que se compõem as operações e os resultados do período de apuração de cada um dos estabelecimentos que operem na área de atuação da SUDENE (art. 16, § 2º, da Lei nº 4.239/63). (grifo nosso) § 2º Se a pessoa jurídica mantiver atividades não consideradas como industriais ou agrícolas, deverá efetuar, Fl. 1322DF CARF MF 10 em relação às atividades beneficiadas, registros contábeis específicos, para efeito de destacar e demonstrar os elementos de que se compõem os respectivos custos, receitas e resultados. (destaque nosso) Especificamente com relação ao § 2º acima transcrito e até mesmo pelo fato de o RIR/99 não informar qual a sua base legal, temos que dar a ele uma interpretação conforme. Inicialmente, notese que o § 2º não trata do cálculo do lucro da exploração, aliás sequer o menciona, mas apenas impõe uma obrigação acessória ao beneficiado, ou seja, de manter registros contábeis específicos, para efeito de destacar e demonstrar os custos, receitas e resultados da atividade incentivada. Qual a razão disso? Certamente, para o controle do real desenvolvimento da atividade pela ADENE (ou SUDENE), mas de forma nenhuma podemos entender que, por ele, a fórmula estipulada no art. 19 do DL 1.598/77, para o cálculo do lucro da exploração, tenha sido alterada, mesmo porque um Decreto não poderia alterar uma Lei. O autuante ainda cita o Decreto nº 64.214/69, o qual não merece qualquer consideração, seja porque, conforme já dito, a concessão do benefício com base no lucro da operação só surgiu em 1977 com o DL 1598/77, seja porque basicamente a redação do seu parágrafo único do art. 6º é quase idêntica ao do § 2º do art. 549 do RIR/99 acima analisada. Quanto à alegação da DRJ que a atividade de locação de imóveis decorre de atividade empresarial da matriz, sediada em Natal/RN, estabelecimento que não dispõe de qualquer ato concessivo de benefício em seu favor, com a devida vênia, também é descabida, pois, em sede de IRPJ, não há contabilidade descentralizada por estabelecimento, sendo que o lucro líquido de que trata o art. 19 do DL 1.598/77 é o da pessoa jurídica, no qual se consolidam todas as suas receitas, inclusives aquelas de seus estabelecimentos. Entendo pelo conhecimento do recurso especial, tanto por vislumbrar similitude fática entre os casos analisados pelo acórdao recorrido e paradigma e porque ambos tratam da interpretação do §1º, do artigo 16, da Lei nº 4.239/1963, reproduzido no artigo 549, do RIR/1999. É bem verdade que o acórdão recorrido (voto vencedor) dá interpretação conforme ao artigo 549, §2º do RIR/1999, para amoldálo ao conceito de lucro na exploração do artigo 19, do DecretoLei nº 1.598. De toda sorte, não deixa de interpretar o artigo 16, §1º da Lei nº 4.239/1963, reproduzido no artigo 549. O voto vencido (exConselheira Edeli Pereira Bessa), que compõe o acórdão para todos os fins em conformidade com o artigo 941, §3º, do CPC/2015 deixa ainda mais evidente a similitude fática e interpretação de normas coincidentes, ao mencionar categoricamente o artigo 13, da Lei nº 4.239/1963 e aplicar o artigo 549, §2º, do RIR/99. Em contrapartida, o acórdão paradigma trata expressamente do artigo 13 (matriz legal do caput do artigo 549). Fl. 1323DF CARF MF Processo nº 10469.724403/201416 Acórdão n.º 9101003.170 CSRFT1 Fl. 1.319 11 Finalmente, sequer há convergência de entendimento quando o acórdão recorrido fala "ad argumentandum...". Afinal, este não é o cerne do julgamento. O cerne é a interpretação dos artigos 13, 16 e 549, do RIR. Assim, voto por conhecer o recurso especial. O mérito do recurso especial repousa, essencialmente, na interpretação do artigo 549, do RIR, que prevê em seu caput e parágrafos: Art. 549. Quando se verificar pluralidade de estabelecimentos, será reconhecido o direito à isenção de que trata esta Subseção em relação aos rendimentos dos estabelecimentos instalados na área de atuação da SUDENE (Lei nº 4.239, de 1963, art. 16, § 1º). § 1º Para os efeitos do disposto neste artigo, as pessoas jurídicas interessadas deverão demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos de que se compõem as operações e os resultados do período de apuração de cada um dos estabelecimentos que operem na área de atuação da SUDENE (Lei nº 4.239, de 1963, art. 16, § 2º). § 2º Se a pessoa jurídica mantiver atividades não consideradas como industriais ou agrícolas, deverá efetuar, em relação às atividades beneficiadas, registros contábeis específicos, para efeito de destacar e demonstrar os elementos de que se compõem os respectivos custos, receitas e resultados. § 3º Na hipótese de o sistema de contabilidade adotado pela pessoa jurídica não oferecer condições para apuração do lucro por atividade, este poderá ser estabelecido com base na relação entre as receitas líquidas das atividades incentivadas e a receita líquida total, observado o disposto no art. 544. O artigo 549, caput, tem fundamento no artigo 16, da Lei nº 4.239: Art 16 A SUDENE, mediante as cautelas que instituir, fornecerá, as emprêsas interessadas, declaração de que satisfazem as condições exigidas para o benefício da isenção a que se refere o artigo 13, ou da redução prevista no artigo 14, documento que instruirá o processo de reconhecimento pelo Diretor da Divisão do Impôsto de Renda, do direito das emprêsas ao favor tributário. (Regulamento) § 1º Quando se verificar pluralidade de estabelecimentos, será reconhecido o direito à isenção ou à redução do impôsto e adicionais, conforme o caso, em relação aos rendimentos dos estabelecimentos instalados na área de atuação da SUDENE. § 2º Para os efeitos do disposto no parágrafo anterior as emprêsas interessadas deverão demonstrar, na sua contabilidade, com clareza e exatidão os elementos de que se compõem as operações e os resultados do exercício de cada um dos estabelecimentos que operam na área de atuação da SUDENE. Fl. 1324DF CARF MF 12 Também é relevante colacionar a previsão do artigo 552, do RIR/99, que regulamenta o art. 16, §1º: Art. 552. Quando se verificar pluralidade de estabelecimentos, será reconhecido o direito à redução de que trata esta Subseção, em relação aos rendimentos dos estabelecimentos instalados na área de atuação da SUDENE (Lei nº 4.239, de 1963, art. 16, § 1º). Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, a pessoa jurídica deverá observar o disposto no art. 549. Como mencionam votos vencedor e vencido do acórdão recorrido, o §2º, do artigo 549 não é mera reprodução de texto legal. Destacase trecho do voto do exConselheiro Relator: Especificamente com relação ao § 2º acima transcrito e até mesmo pelo fato de o RIR/99 não informar qual a sua base legal, temos que dar a ele uma interpretação conforme. Inicialmente, notese que o § 2º não trata do cálculo do lucro da exploração, aliás sequer o menciona, mas apenas impõe uma obrigação acessória ao beneficiado, ou seja, de manter registros contábeis específicos, para efeito de destacar e demonstrar os custos, receitas e resultados da atividade incentivada. Qual a razão disso? Certamente, para o controle do real desenvolvimento da atividade pela ADENE (ou SUDENE), mas de forma nenhuma podemos entender que, por ele, a fórmula estipulada no art. 19 do DL 1.598/77, para o cálculo do lucro da exploração, tenha sido alterada, mesmo porque um Decreto não poderia alterar uma Lei. Embora também vislumbrando a falta de lei expressamente tratando do quanto disposto no §2º, do artigo 549, a exConselheira Edeli conclui pela inaplicabilidade da isenção (SUDENE) ao caso dos aluguéis tratados nos autos): Esclareçase, que, ao contrário do entendimento firmado pelo I. Relator, a disposição do §2º do art. 549 do RIR/99 não se presta ao controle do real desenvolvimento da atividade pela ADENE. A orientação foi inserida, ainda que sem base legal, no âmbito do poder regulamentar do Ministro da Fazenda, e pode ser perfeitamente interpretada como destinada à aferição da redução no âmbito da apuração do IRPJ, mantendo coerência com as disposições dos §§1º e 2º do art. 16 da Lei nº 4.239/63, que impõem à pessoa jurídica beneficiária de incentivo dirigido aos seus estabelecimentos, e não à empresa, a demonstração em separado do resultado de cada um deles. Pareceme coerente a interpretação adotada pela exConselheira Edeli Pereira Bessa, ao interpretar o artigo 13 e 16, da Lei nº 4239/1963 e o artigo 111, do CTN. Destaco o teor do artigo 13 da Lei nº 4.239/63, que tratam da isenção dos empreendimentos industriais e agrícolas que se instalassem nas áreas de atuação da SUDAM e SUDENE: Art 13. Os empreendimentos industriais ou agrícolas que se instalarem, modernizarem, ampliarem ou diversificarem, nas áreas de atuação da SUDAM ou da SUDENE, até o exercício Fl. 1325DF CARF MF Processo nº 10469.724403/201416 Acórdão n.º 9101003.170 CSRFT1 Fl. 1.320 13 de 1982, inclusive, ficarão isentos do imposto de renda e adicionais não restituíveis incidentes sobre seus resultados operacionais, pelo prazo de 10 anos, a contar do exercício financeiro seguinte ao ano em que o empreendimento entrar em fase de operação ou, quando for o caso, ao ano em que o projeto de modernização, ampliação ou diversificação entrar em operação, segundo laudo constitutivo expedido pela SUDAM ou SUDENE. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.564, de 1977) (Vide Decretolei nº 1.898, de 1981) (Vide Lei nº 7.450, de 1985) (Vide Decreto nº 94.075, de 1987) (Vide Decretolei nº 2.454, de 1988) (Vide Lei nº 8.874, de 1994) (Vide Lei nº 9.532, de 1997) § 1º Os projetos de modernização, ampliação ou diversificação somente poderão ser contemplados com a isenção prevista neste artigo quando acarretarem, pelo nonos, 50% (cinquenta por cento) de aumento da capacidade instalada do respectivo empreendimento. (Incluído pelo Decretolei nº 1.564, de 1977) § 2º Nas hipóteses previstas no parágrafo anterior, as Secretarias Executivas da SUDAM ou da SUDENE expedirão laudo técnico atestando a equivalência percentual do acréscimo da capacidade instalada. (Incluído pelo Decretolei nº 1.564, de 1977) § 3º A isenção concedida para projetos de modernização, ampliação ou diversificação não atribui ou amplia benefícios a resultados correspondentes à produção anterior. (Incluído pelo Decretolei nº 1.564, de 1977) § 4º Os empreendimentos que tenham parte de seus resultados beneficiada pelo disposto neste artigo considerarão como lucros isentos o mesmo percentual dos lucros totais que corresponda à relação entre as receitas operacionais da produção beneficiada e a receita total do empreendimento. (Incluído pelo Decretolei nº 1.564, de 1977) Lembro que a Recorrida obteve Ato Declaratórios Executivos para gozo desta isenção, explicitando o "Laudo Constitutivo nº 0055/2008" que tal isenção estaria relacionada com "Confecções em Geral". O que se discute no recurso especial ora julgado é se são isentas receitas de aluguéis, com a aplicação das normas acima referidas. O voto vencedor do acórdão recorrido interpreta o conceito de lucro na exploração (art. 19, do DecretoLei nº 1.598), para concluir pela interpretação do artigo 549, §2º, do RIR/99 nos termos do conceito (amplo) de lucro na exploração. Entendo, tal como o voto vencido, pela impossibilidade do alargamento da hipótese de isenção tratada pelo artigo 13 e 16, da Lei nº 4.239/1963. Afinal, lucro da exploração para fins de aplicação destas normas é aquele obtido pelo empreendimento industrial ou agrícola, situado na área da SUDAM ou SUDENE, no desenvolvimento de atividade reconhecida por ato declaratório executivo naquele local. Os aluguéis, portanto, não se subsumem à hipótese isentiva. Fl. 1326DF CARF MF 14 Apenas divirjo do entendimento da exConselheira Edeli Pereira Bessa sobre o alcance do §2º, do artigo 549. Aparentemente a exConselheira entendeu que tal parágrafo (sem previsão expressa em lei) poderia justificar a manutenção do auto de infração. Ocorre que Decreto não poderia impor obrigação tributária, ou alterar qualquer isenção. A exigência de registros contábeis específicos não pode alterar a norma isentiva, apenas se prestando a definir dever instrumental a cargo do contribuinte. Por tais razões, voto por conhecer e dar provimento ao recurso especial da Procuradoria, reformando parcialmente o acórdão recorrido quanto aos aluguéis. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Declaração de Voto Conselheiro Luís Flávio Neto Não tendo sido apresentada no prazo regimental (Portaria MF 343/2015, artigo 63, §6º e §7º), considerase não formulada a declaração de voto. Fl. 1327DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.011861/2007-40
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2000 a 30/04/2004
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO ASSOCIADO A NFLD. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32-A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35-A, penalidade única combinando as duas condutas.
Numero da decisão: 9202-006.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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AUTO DE INFRAÇÃO ASSOCIADO A NFLD. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 18 61 /2 00 7- 40 Fl. 376DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase de AI Auto de Infração Debcad nº 37.025.7618 tendo em vista que a empresa apresentou GFIP's com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Conforme o Relatório Fiscal da Infração de fls. 28 a 30, a contribuinte deixou de informar em GFIP's os seguintes fatos geradores: valores pagos aos empregados a título de participação nos resultados em desacordo com a legislação de regência; valores concedidos aos diretores e conselheiros a título de participação nos resultados; e erro no enquadramento da alíquota destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados. Conforme o TEAF Termo de Encerramento de Auditoria Fiscal, o presente Auto de Infração de obrigação acessória está associado à NFLD Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 37.025.7600 (fls. 26). Em sessão plenária de 27/04/2010, por meio da Resolução nº 240100.101, o julgamento do Recurso Voluntário foi convertido em diligência à Repartição de Origem, para que a fiscalização informasse quais seriam as NFLD Notificações Fiscais de Lançamento de Débito correspondentes aos fatos geradores que deixaram de ser informados nas GFIP's, bem como os correspondentes andamentos dos respectivos processos (fls. 285 a 289). Em atendimento à resolução acima, a Autoridade Preparadora assim informou: "Atendendo à solicitação, informo que o processo DEBCAD n°. 37.025.7600 da CEMIG, foi retificado no sistema para exclusão das competências decadentes de acordo com a Súmula Vinculante n°08/08, e foram excluídas as competências 07/1998 a 04/2000, permanecendo no crédito as competências 12/2000 a 04/2004. O processo encontrase na fase 'Ag Reg após acórdão/Dec Minist', pois o contribuinte já foi cientificado do acórdão que negou provimento ao recurso. Informamos também que a CEMIG impetrou o Mandado de Segurança Processo n° 2007.38.00.0075898 8a Vara SJMG, cujo objeto é a suspensão da exigibilidade do crédito em questão, bem como a anulação do lançamento, tendo havido Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10680.011861/200740 Acórdão n.º 9202006.139 CSRFT2 Fl. 377 3 sentença determinando a sua suspensão parcial e houve depósito judicial referente a parte não alcançada pela sentença. Como a ação ainda não encerrou, o processo será encaminhado para a Equipe de Acompanhamento de Ações Judiciais Eqaj." Em sessão plenária de 1º/12/2010, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 240101.525 (fls. 295 a 300), assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 30/04/2004 PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, § 5º, LEI N° 8.212/91. Constitui fato gerador de multa, como forma de punição, apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com omissão de fatos geradores de todas contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE NFLD. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. Tratandose de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória, onde o contribuinte omitiu informações e/ou documentos solicitados pela fiscalização, caracterizando o lançamento de oficio, o prazo decadencial para a constituição do crédito previdenciário é de 05 (cinco) anos, via de regra, contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n°s 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, trata se de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória decorrente de Notificação Fiscal, onde fora reconhecida a decadência do artigo 173, inciso I, do CTN, impondo seja levada a efeito a mesma decisão nestes autos em face da relação de causa e efeito que os vincula. CORESPONSABILIZAÇÃO DOS SÓCIOS DA EMPRESA. A indicação dos sócios da empresa no anexo da notificação fiscal denominado CORESP não representa nenhuma irregularidade e/ou ilegalidade, eis que referida coresponsabilização em relação ao crédito previdenciário constituído, encontra respaldo nos dispositivos legais que regulam a matéria, especialmente no artigo 2°, § 5º, inciso I, da Lei n° 6.830/1980, c/c artigo 660, inciso X, da Instrução Normativa n° 03/2005. MULTA/PENALIDADE. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS BENÉFICA. RETROATIVIDADE. Aplicase ao lançamento Fl. 378DF CARF MF 4 legislação posterior à sua lavratura que comine penalidade mais branda, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea "c", do Código Tributário Nacional, impondo seja recalculada a multa com esteio na Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.” A decisão foi assim registrada: “ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência até a competência 04/2000; e II) dar provimento parcial ao recurso para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa na NFLD correlata.” O processo foi recebido na PGFN em 04/01/2011 (fls. 302) e não houve a interposição de Recurso Especial. Cientificada do acórdão em 15/12/2011 (AR Aviso de Recebimento de e fls. 297/298), a Contribuinte interpôs, em 30/12/2011 (Protocolo de Documentos de efls. 299), o Recurso Especial de efls. 299 a 360, com fundamento no art. 67, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir a decadência e a aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, unicamente em relação à matéria da aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, conforme Despacho de Admissibilidade de 07/01/2013 (efls. 365 a 369), que foi mantido pelo Despacho de Reexame de efls. 370. Em seu apelo, quanto à matéria que obteve seguimento, a Contribuinte alega: na decisão recorrida, de maneira acertada, foi reconhecida a aplicação da retroatividade benigna (art. 106, II, c, do CTN) com relação à multa de ofício aplicada à Recorrente; contudo, no momento de indicar a metodologia de cálculo a ser utilizada, incorreuse em equívoco, qual seja entendeuse: i) pela aplicação da multa antiga, estabelecida no revogado § 5°, do art. 32, da Lei 8.212/91; ou ii) pela aplicação da multa prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96 (cuja aplicação é determinada pelo art. 35A, da Lei 8.212/91), "deduzindo se os valores levantados a título de multa nos autos da NFLD correlata suso mencionada"; ou seja, entendeuse pela aplicação da soma das multas decorrentes da obrigação principal (art. 35A, da Lei 8.212/91 constante da NFLD 37.025.7600) e da obrigação acessória (art. 32A, da Lei 8.212/91); no entanto, tal entendimento não merece prevalecer, tendo em vista a afronta à lei, bem como por se apresentar em contrariedade ao entendimento pacificado na CSRF; Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10680.011861/200740 Acórdão n.º 9202006.139 CSRFT2 Fl. 378 5 o § 5° do art. 32 da Lei n° 8.212/91, que trazia a previsão da multa aplicável pelo descumprimento da obrigação acessória estabelecida no inciso IV do art. 32 foi revogado por meio da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, e, a partir de então, a mesma penalidade passou a ser prevista no art. 32A da Lei n° 8.212/91; notase que a infringência anteriormente punida § 5° do art. 32 da Lei n° 8.212/91 é exatamente aquela que, na redação atual da Lei n° 8.212/91, é punida pelo art 32A, qual seja, apresentar a declaração que de trata o inciso IV do art. 32 (GFIP) com incorreções ou omissões; a toda evidência, as penalidades previstas no §5° do art. 32, substituída pelo art. 32A da Lei n° 8.212/91 (multa por descumprimento de obrigação acessória), tem natureza absolutamente distinta daquela prevista no art. 35A da Lei n° 8.212/91 (multa de ofício); enquanto a primeira tem por objeto penalizar o contribuinte pela não apresentação da GFIP ou sua apresentação com incorreções ou omissões, a multa estabelecida pelo art. 35A pune o contribuinte pelo não recolhimento de tributos; com efeito, podese afirmar que, consoante redação original da Lei n° 8.212/91, o descumprimento das obrigações principais e acessórias relativamente às contribuições previdenciárias eram punidas com duas espécies distintas de multa: i) a multa isolada por descumprimento de obrigação acessória (apresentação de GFIP com os fatos geradores da obrigação principal), estabelecida no art. 32; e ii) a multa de mora por descumprimento da obrigação principal (recolhimento do tributo no prazo especificado em lei), disposta no art. 35 da Lei n° 8.212/91; com a alteração da Lei n° 8.212/91 pela MP 449/08, convertida na Lei n° 11.941/09, foram alterados os parâmetros de fixação da multa isolada (art. 32A) e da multa de mora (art. 35), e acrescentada uma terceira hipótese, até então inexistente, que é a multa de ofício (art. 35A); diante do exposto, afigurase manifestamente absurdo, data máxima venia, o entendimento consubstanciado no acórdão recorrido, pela aplicação da comparação da soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) com a penalidade prevista pela novel redação do art. 35A, da Lei n° 8.212/91, uma vez que a multa de mora estabelecida pelo art. 35 da Lei 8.212/91 permanece existindo, ainda que o cálculo seja feito com base em novos parâmetros; não há falar que a multa de ofício acrescida pelo art. 35A, da Lei 8.212/91 teria a mesma natureza do somatório das multas previstas originariamente no art. 32, § 5° (multa isolada) e no art. 35, II (multa de mora); ademais, defender a aplicação da penalidade prevista no art. 35A em substituição às penalidades estabelecidas originariamente nos arts. 32, § 5° e 35, II, todos da Lei 8.212/91, seria o mesmo que permitir a "retroatividade maligna" do dispositivo, uma vez que a possibilidade de aplicação da multa de ofício prevista no citado art. 35A constitui inovação legislativa em face da normatização vigente à época da ocorrência dos fatos geradores; Fl. 380DF CARF MF 6 notese que tal interpretação se coaduna com a recentíssima jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como se observa do acórdão exarado em decorrência do julgamento do Recurso Especial do Procurador 248.110 (cita jurisprudência); mais uma vez, observase dissenso entre o posicionamento da Primeira Turma da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento para com o entendimento do Conselho Superior de Recursos Fiscais no precedente paradigma, que pode ser resumido da seguinte forma: a) no acórdão recorrido, cujo objeto é irresignação em face da aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, foi determinada a aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte: i) a do revogado § 5°, do art. 32, da Lei 8.212/91; ou ii) a multa prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/1996 (aplicável por determinação do art. 35A, da Lei 8.212/91) deduzidos os valores levantados a título de multa na NFLD 37.025.7600; b) no acórdão paradigma, a orientação da CSRF, também julgando case de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, foi pela aplicação da multa que for mais benéfica ao contribuinte: i) a do revogado § 5°, do art. 32, da Lei 8.212/91; ou ii) a multa prevista no art. 32A, da Lei 8.212/91. Ao final, a Contribuinte requer o provimento do recurso, para que seja determinado o recálculo da multa por descumprimento de obrigação acessória objeto dos presentes autos, aplicandose a sistemática mais benéfica à Recorrente: i) a multa do revogado art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212, de 1991; ou ii) a multa do art. 32A, da Lei nº 8.212/, de 1991, incluído pela Lei nº 11.941, de 2009. O processo foi encaminhado à PGFN em 13/03/2013 (Despacho de Encaminhamento de efls. 371) e, em 14/03/2013 (Despacho de Encaminhamento de efls. 374), foram oferecidas as Contrarrazões de efls. 372/373. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de Auto de Infração, tendo em vista que a empresa apresentou GFIP's com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme Relatório Fiscal da Infração de fls. 28 a 30. O presente Auto de Infração (Debcad nº 37.025.7618) está associado a NFLD Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (Debcad nº 37.025.7600), conforme o TEAF – Termo de Encerramento de Ação Fiscal de fls. 26. Conforme diligência solicitada pela Resolução nº 240100.101, de 27/04/2010, a Autoridade Preparadora assim informou: "(...) O processo encontrase na fase 'Ag Reg após acórdão/Dec Minist', pois o contribuinte já foi cientificado do acórdão que negou provimento ao recurso. Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10680.011861/200740 Acórdão n.º 9202006.139 CSRFT2 Fl. 379 7 Informamos também que a CEMIG impetrou o Mandado de Segurança Processo n° 2007.38.00.0075898 8a Vara SJMG, cujo objeto é a suspensão da exigibilidade do crédito em questão, bem como a anulação do lançamento, tendo havido sentença determinando a sua suspensão parcial e houve depósito judicial referente a parte não alcançada pela sentença. Como a ação ainda não encerrou, o processo será encaminhado para a Equipe de Acompanhamento de Ações Judiciais Eqaj." Assim, a NFLD que tratava da obrigação principal foi objeto de Recurso Voluntário cujo provimento foi negado, bem como foi submetida ao crivo do Poder Judiciário, de sorte que a sua exigência deve ser considerada definitiva, sem que haja óbice ao julgamento relativo à aplicação da retroatividade benigna às respectivas penalidades. Nesse passo, na decisão recorrida foi determinada a aplicação da multa do artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996, caso esta seja mais benéfica, deduzidos os valores levantados a título de multa na NFLD correlata. A Contribuinte, por sua vez, pede a aplicação da opção mais benéfica, dentre as seguintes: multa revogada do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212, de 1991; ou multa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, incluído pela Lei n] 11.941, de 2009. Os artigos da Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações da Lei n° 9.528, de 1997, que orientavam o Auto de Infração e a NFLD tinham a seguinte redação: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. (...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (...) Art. 35. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º e abril de 1997, sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II. para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; Fl. 382DF CARF MF 8 b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c)vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRP; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa.” Assim, no caso em apreço, considerandose que houve exigência por meio de Auto de Infração (descumprimento de obrigação acessória, objeto do presente processo) e de NFLD (descumprimento de obrigação principal), foram aplicadas duas multas, no contexto de lançamento de ofício. Com efeito, o entendimento desta CSRF é no sentido de que, embora a antiga redação dos artigos 32 e 35 da Lei nº 8.212, de 1991, não contivesse a expressão “lançamento de ofício”, o fato de as penalidades serem exigidas por meio de Auto de Infração e NFLD não deixa dúvidas acerca da natureza material de multas de ofício. Resta perquirir se as alterações posteriores à autuação, implementadas pela Lei nº 11.941, de 2009, representariam a exigência de penalidade mais benéfica ao Contribuinte, hipótese que autorizaria a sua aplicação retroativa, a teor do art. 106, II, do CTN. Para tanto, porém, é necessário que se estabeleça a exata correlação entre as multas anteriormente previstas e aquelas estabelecidas pela Lei nº 11.941, de 2009, a ver se efetivamente seria o caso, e em que condições aplicarseia a retroatividade benigna. As alterações promovidas pela Lei nº 11.941, de 2009, nos artigos 32 e 35, da Lei nº 8.212, de 1991, no sentido de uniformizar os procedimentos de constituição e exigência dos créditos tributários, previdenciários e não previdenciários, são as seguintes: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (...) § 2o A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (...) Art. 32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10680.011861/200740 Acórdão n.º 9202006.139 CSRFT2 Fl. 380 9 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos doart. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996. E o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, assim estabelece: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (grifei) Destarte, resta claro que, com o advento da Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento de ofício, envolvendo a exigência de contribuições previdenciárias, bem como a verificação de declaração inexata do respectivo fato gerador em GFIP, como ocorreu no presente caso, sujeita a Contribuinte a uma única multa, no percentual de 75%, sobre a totalidade ou diferença da contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Com efeito, a interpretação sistemática da legislação tributária não admite a instituição, em um mesmo ordenamento jurídico, de duas penalidades para a mesma conduta, o que autoriza a interpretação no sentido de que as penalidades previstas no art. 32A não são aplicáveis às situações em que se verifica a falta de declaração/declaração inexata, combinada com a falta de recolhimento da contribuição previdenciária, eis que tal conduta está claramente tipificada no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, a despeito das alegações da Contribuinte, não há como entenderse que, no presente caso, a retroatividade benigna estaria representada pela simples aplicação do art. 32A ao descumprimento da obrigação acessória, como se esta estivesse absolutamente dissociada da multa pelo descumprimento da obrigação principal. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Contribuinte e, no mérito, negolhe provimento. Fl. 384DF CARF MF 10 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 385DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10725.901622/2008-09
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. Comprovado nos autos que o saldo de IRPJ ao final do exercício não foi negativo, mas positivo, mantém-se os indeferimentos das Per/Dcomp. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. ASPECTO TEMPORAL. É incabível a retificação da Per/Dcomp quando o pedido é apresentado posteriormente à ciência da decisão administrativa que negou reconhecimento do direito creditório/homologação à compensação originalmente declarada.
Numero da decisão: 1801-000.954
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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AUSÊNCIA DE CRÉDITO. Comprovado nos autos que o saldo de IRPJ ao final do exercício não foi negativo, mas positivo, mantémse os indeferimentos das Per/Dcomp. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. ASPECTO TEMPORAL. É incabível a retificação da Per/Dcomp quando o pedido é apresentado posteriormente à ciência da decisão administrativa que negou reconhecimento do direito creditório/homologação à compensação originalmente declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/04/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório A empresa apresentou pedido de restituição e compensação – PER/DCOMP – pleiteando a devolução do saldo negativo de IRPJ relativo ao exercício de 2005, e conseqüentes compensações, no valor de R$ 26.106,64. O crédito foi informado na Per/Dcomp nº 21585.66939.150305.1.3.022547 e decomposto da seguinte forma: Somatório das parcelas de composição do crédito informado na DIPJ/05 – R$ 149.839,93 – subtraindo o valor do IRPJ devida para o anocalendário no valor de R$ 123.755,29, resultando em R$26.106,64. A autoridade revisora não confirmou o saldo negativo de IRPJ pelo que indeferiu a restituição e conseqüentes compensações, informadas em cinco Per/Dcomp entregues pela empresa, discriminadas no despacho eletrônico de fls. 10. Tudo consoante informado no despacho eletrônico juntado às fls. 10. No entanto, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 01 e ss argumentando que recolheu estimativas relativas ao IRPJ de janeiro a setembro de 2004, totalizando o valor de R$ 142.860,82. Ao apurar o saldo de IRPJ ao final do ano calendário, verificou que o IRPJ devido era da ordem de R$ 123.755,29, restandolhe o direito a restituir de R$ 26.084,64, por recolhimento a maior. Este saldo atualizado pelos juros Selic perfaz R$ 27.453,08. Junta a cópia da DIPJ/05 para comprovar o alegado. Esclarece que o crédito é do anocalendário de 2004, exercício 2005, bem como o crédito informado nas compensações retratadas em diversas Per/Dcomp entregues com o fim de compensar o referido crédito com débitos tributários. Insurgese contra o despacho denegatório por serem todas as Per/dcomp devidas e procedentes. Junta à manifestação: cópia da DIPJ/05 e as Per/Dcomp. Às fls. 48 e ss, a Oitava Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJ I exarou o Acórdão nº 1233.841/10, mantendo do despacho denegatório. Assim restou ementado o aresto: “COMPENSAÇÃO. Deve ser confirmado Despacho Decisório que não homologou compensações efetuadas pelo contribuinte, se este não comprovou a existência do direito creditório correspondente.” Diz no relatório: “As compensações declaradas não foram homologadas, pois o saldo "negativo" do IRPJ encontrado pela DRF/Campos foi igual a zero. A interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 1/3, onde alega que o total recolhido no ano de 2004, de estimativa, foi de R$ 142.860,82; e que o valor devido de IRPJ foi de R$ 123.755,29, gerando um crédito a seu favor de R$ 26.084,64, tudo conforme DIPJ de fl. 16.” Fl. 78DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/04/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10725.901622/200809 Acórdão n.º 180100.954 S1TE01 Fl. 73 3 Tem como fundamentação o acórdão combatido: “A interessada diz que recolheu IRPJ ao longo de 2004, a título de estimativa, o valor de R$ 142.860,82, contudo não apresentou comprovantes desses alegados pagamentos. Verificando o sistema da RFB que registra pagamentos efetuados pelos contribuintes, constatase, à fl. 47, que a interessada efetuou diversos recolhimentos, através do código 5993 IRPJ Estimativa , num total de R$ 92.115,15, valor este inferior ao que ela diz ter recolhido. Assim, somandose o valor pago de estimativa (R$ 92.115,15) com o montante do Imposto de Renda Retido na Fonte (R$ 6.979,11), constante de sua DIPJ (fl. 16), e subtraindose o valor do IRPJ devido no anocalendário (R$ 88.653,17 + 35.102,12), constatase que não há saldo negativo de IRPJ a ser utilizado para compensar os débitos declarados nas Per/dcomp de fls. 11/43.” Tempestivamente, a empresa interpôs o recurso voluntário de fls. 67 e ss inovando a argumentação da exordial, alegando que houve erro de preenchimento da Per/Dcomp e que estes devem ser retificados em face ao princípio da verdade material. Coleciona julgados administrativos sobre revisão de erros em julgados, admitidos ainda que após a notificação dos contribuintes. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. A recorrente insurgese contra o despacho eletrônico e o acórdão de primeira instância laconicamente, argumentando que lhe deve ser concedido o direito de retificar a Per/Dcomp que veiculou o crédito requerido, porque à época da sua entrega não entendia perfeitamente como preencher as Per/Dcomp ou sua utilização. Todavia, não se insurge pontualmente sobre os fatos narrados no acórdão recorrido, que explicitamente demonstrou não haver qualquer crédito proveniente do ano calendário de 2004, a título de IRPJ (saldo negativo), razão pela qual aceitase este fato como verdade incontroversa. Sequer menciona quais erros teria cometido nas Per/Dcomp entregues originalmente. Assim, de plano, deve ser mantido o decidido em primeira instância. Apenas por amor ao embate jurídico, deve ser esclarecido à recorrente a inviabilidade de inovar a matéria em fase recursal, devido preclusão processual estabelecida pelo artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF): Fl. 79DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/04/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Em segundo lugar, mas não menos importante, a inviabilidade do pedido recursal em face à ttal ausência de provas, haja vista ser a DIPJ mero instrumento informativo, que requer apresentação de documentação para corroborar o que foi informado. Em terceiro lugar, deve lhe ser esclarecido, ainda, que a retificação das Per/Dcomp após a decisão proferida não é possível. Há vedação inserida nas Instruções Normativas editadas pela Receita Federal do Brasil no sentido de não serem admitidas retificações das Per/Dcomp após o contribuinte tomar ciência da decisão que denegou total ou parcialmente a restituição/compensação. A retificação após a decisão reabre discussão sobre outros períodos e inclusive fiscalização, sendo inviável processualmente. E, neste caso, não há que se invocar o princípio da verdade material, sem que a recorrente imbuísse a sua argumentação com provas contundentes de erros, no presente caso, sequer alegados. Para comprovar que faz jus à retificação requerida teria que comprovar nos autos os pagamentos efetuados a título de estimativas, informes de rendimentos que comprovassem retenções na fonte, A Instrução Normativa RFB nº 600/05, em seu artigo 57, cuja vedação de retificação das Per/Dcomp após ciência de decisão administrativa foi repetida nos demais diplomas normativos, deixa explícita a impossibilidade da retificação das declarações em apreço. Transcrevo o supedâneo legal: IN RFB nº 600/05 Art. 57. O Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 58 e 59. Acrescento que a compensação tributária é matéria que o Código Tributário Nacional remeteu à lei a normatização, consoante disciplina o artigo 170, bem como a Lei nº 9.430/96, em seu artigo 74, remeteu à administração tributária, por meio de seus atos normativos. Ambos preceitos, in verbis: Lei nº 5.172/66 CTN Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Lei nº 9.430/96 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou Fl. 80DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/04/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10725.901622/200809 Acórdão n.º 180100.954 S1TE01 Fl. 74 5 contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Finalizo este voto salientando que as disposições normativas editadas pela RFB no concernente às restituições e compensações tributárias não objetivam os aspectos meramente formais dos pedidos, mas disciplinam o exercício deste direito do contribuinte de forma material, pelo que devem ser observadas estritamente, por sua força legal. Lei nº 5.172/66 CTN Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Por todo o exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 81DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/04/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/04/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13005.720328/2014-51
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1001-000.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Encaminhe-se para a Unidade de Origem para ciência do(a) Contribuinte do teor do presente Acórdão e demais providências cabíveis.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Encaminhe-se para a Unidade de Origem para ciência do(a) Contribuinte do teor do presente Acórdão e demais providências cabíveis. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
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Numero do processo: 10821.000735/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 20/02/2006
INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO.
O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada.
REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR.
A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 20/02/2006 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 1. 00 07 35 /2 01 0- 11 Fl. 270DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801005.240, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi julgado procedente, afastando se o argumento utilizado na decisão para dar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte, com consequente determinação de retorno dos autos à câmara baixa para apreciação dos argumentos restantes. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e deve ser conhecido. Cabe aqui enfrentar os demais argumentos da Recorrente, para além da tese da denúncia espontânea, afastada pela 3ª CSRF. São os argumentos: a) A conduta da impugnante não está tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, uma vez que ela não deixou de prestar a informação exigida e a norma punitiva não admite analogia ou interpretação extensiva. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10821.000735/201011 Acórdão n.º 3402004.601 S3C4T2 Fl. 3 3 b) A penalidade também não pode ser cominada à impugnante porque ela não se reveste da condição de empresa de transporte internacional, nem é prestadora de serviço de transporte internacional expresso portaaporta ou agência de carga. É apenas uma agência de navegação, que tem por fim prover as necessidades do navio no porto de destino, e não pode ser equiparada às empresas mencionadas anteriormente. O fato de a agência marítima ser representante do transportador estrangeiro não implica em responsabilidade solidária pela prestação de informação de forma irregular, pois a solidariedade tem que estar prevista em lei. c) a multa deve ser aplicada por embarcação e não por manifesto eletrônico não vinculado em momento apropriado às escalas. Enfrentamos os argumentos adiante. I) Da Tipificação A recorrente alega que não incorreu no tipo específico de descumprimento de declaração de mercadoria, conforme art.37 e 107, IV, “e” do DecretoLei 37/66, posto que não deixou de prestar informações sobre o veículo ou sobre a carga transportada entendendo que retificação, conduta que afirma ter praticado seria diferente de deixar de informar. O Conselheiro Paulo Caliendo se manifestou sobre este tópico no Acórdão nº 3801005.240, razão pela qual adiro a suas conclusões transcritas abaixo: Entendo que não assiste razão a recorrente, tendo em vista que no auto de infração é possível verificar que o recorrente apresentou CE MERCANTE 15100511954061, em 23/07/2010, promovendo a alteração de NCM prazos de atracação do navio e conforme art.37 do Decretolei 37/66 “o transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecido, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. O entendimento deste Conselho, inclusive para esta empresa em autuação pretérita foi o seguinte: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 05/04/2006 a 15/01/2009 MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontrase prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não há que se falar em denúncia espontânea de obrigação acessória se a norma em comento tem como finalidade a prestação de informações na forma e, sobretudo, no prazo Fl. 272DF CARF MF 4 fixado pela legislação, prazo esse que não seria observado se se considerar que a prestação de informações fora do prazo configuraria denúncia espontânea. Recurso Voluntário Negado. Nesta senda, uma vez não cumprindo o prazo de apresentação das declarações o transportador já incorre no fato gerador da multa regulamentar, resta devidamente enquadrada da conduta da recorrente à infração referida, não havendo qualquer traço de atipicidade. Desse modo, não procede a alegação da Recorrente. II) Da Responsabilidade da Recorrente Alega a Recorrente que não poderia ser aplicada a penalidade a ela pois a mesma não se reveste na condição de empresa de transporte internacional, nem é prestadora de serviço de transporte internacional expresso portaaporta ou agência de carga, sendo apenas uma agência de navegação. A condição de agência marítima não implicaria em responsabilidade solidária pela prestação de informação de forma irregular, por ausência de previsão legal. A infração capitulada no art. 107, IV, "e" do DL 37/66 tem o seguinte texto: por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; Como se vê, há uma restrição subjetiva expressa na determinação da autoria da infração, como forma de delimitar o seu âmbito de incidência. Há que se frisar, inclusive, que a agência marítima é prestadora de serviço contratada por terceiros, não se confundindo com a empresa de transporte, razão pela qual é evidente que a Recorrente não está abrangida pelo tipo infracional. Esse ponto foi bem explanado pela Conselheiro Maysa Pittondo no PAF nº 11128.003078/200911, nos seguintes termos: Primeiramente, importante consignar que, na condição de agente de navegação, representante da transportadora internacional, como reconhecido pela própria Recorrente, não há que se falar na hipótese em ilegitimidade passiva. A fiscalização se respaldou na Instrução Normativa n.º 800/2007 (art. 3º1) para autuar a Recorrente como agente marítimo, por ter sido a responsável pela inserção das informações no SISCOMEX CARGA, disposição normativa fundada do Decreto 1 "Art. 4o A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1o Entendese por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2o A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. § 3o Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador." Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10821.000735/201011 Acórdão n.º 3402004.601 S3C4T2 Fl. 4 5 lei n.º 37/1966 (art. 37, §1º2) e no Regulamento Aduaneiro/2002, vigente à época dos fatos (art. 30, §2º3). Com efeito, quem teria cometido a irregularidade de prestação de informações no presente caso foi a Recorrente, responsável por inserir os dados da operação, navio e mercadorias no SISCOMEX em nome do transportador estrangeiro, ainda que sob sua orientação. Nesse sentido é a jusriprudência deste Conselho: "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 16/05/2008 AGENTE MARÍTIMO. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada responde pela multa sancionadora da referida infração. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. INFRAÇÃO CONFIGURADA. PENALIDADE. APLICABILIDADE. Restando comprovado nos autos o atraso na prestação de informações dos dados de embarque no SISCOMEX, é aplicável a penalidade prevista na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107, do DecretoLei n.º 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei n.º 10.833, de 2003." (Processo 11128.007671/200847 Data da Sessão 25/05/2017 Relatora Maria do Socorro Ferreira Aguiar Nº Acórdão 3302004.311 grifei) "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 06/02/2011 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa 2 "Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)" (grifei) 3 "Art. 30. O transportador prestará à Secretaria da Receita Federal as informações sobre as cargas transportadas, bem assim sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1o Ao prestar as informações, o transportador, se for o caso, comunicará a existência, no veículo, de mercadorias ou de pequenos volumes de fácil extravio. § 2o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, também deve prestar as informações sobre as operações que execute e sobre as respectivas cargas. § 3o Poderá ser exigido que as informações referidas neste artigo sejam emitidas, transmitidas e recepcionadas eletronicamente." Fl. 274DF CARF MF 6 sancionadora correspondente. Precedentes da Turma. Ilegitimidade passiva afastada. (...) Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido." (Processo 11684.720091/201139 Data da Sessão 27/11/2013 Relator Solon Sehn Nº Acórdão 3802002.315) "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 03/11/2004, 04/11/2004, 08/11/2004, 12/11/2004, 15/11/2004, 18/11/2004, 23/11/2004, 26/11/2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA. OBRIGATORIEDADE. O descumprimento do prazo de 7 (sete) dias, fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque marítimo, subsumese à hipótese da infração por atraso na informação sobre carga transportada, sancionada com a respectiva multa regulamentar. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. PENALIDADE APLICADA CONTRA O AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada tem legitimidade para integrar o polo passivo da ação de cobrança da multa sancionadora da respectiva infração. Recurso Voluntário Negado." (Processo 11050.001776/200914 Relator Jose Fernandes do Nascimento Nº Acórdão 3802 001.565 grifei) Assim, não há que se falar no caso em ilegitimidade passiva. Desse modo, não há que prosperar o argumento levantado. III) Da aplicação de multa singular A infração capitulada no art. 107, IV, "e" do DL 37/66 tem o seguinte texto: por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; Não procede a tese de contribuinte de aplicação da regra de "crime continuado" prevista no artigo 71 do Código Penal, por inexistir no contexto fático relação de Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10821.000735/201011 Acórdão n.º 3402004.601 S3C4T2 Fl. 5 7 continuidade entre as omissões quanto à prestação de informações a despeito de concordamos com sua assunção no sentido de tal regra ser relativa à infrações administrativas. Isso se dá pelo fato do artigo 71 do CP exigir algum grau de conexão entre as infrações, para a construção do liame de continuidade, o que não há no caso. Tampouco caberiav se falar na aplicação da multa por embarque, é dizer, por embarcação ou por vôo, com base em possível dúvida interpretativa do tipo infracional, com fundamento no artigo 112 do Código Tributário Nacional, visto que a metodologia aplicada pelo fiscal foi exatamente a de aplicar a multa por embarque e não por carga. Ante o exposto, entendo que não deve prosperar o argumento do contributinte neste ponto. 4) Conclusão Em face do que foi analisado acima, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 276DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13899.900221/2006-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1401-000.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano (vice-Presidente) e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. O conselheiro José Roberto Adelino da Silva declarou-se impedido de votar.
Relatório
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano (vice Presidente) e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. O conselheiro José Roberto Adelino da Silva declarouse impedido de votar. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 99 .9 00 22 1/ 20 06 -6 8 Fl. 520DF CARF MF Processo nº 13899.900221/200668 Resolução nº 1401000.485 S1C4T1 Fl. 521 2 Relatório Trata o presente processo das PER/DCOMP n°s 16601.45320.080903.1.3.031302 e 10336.63343.130906.1.7.030971 (fls. 01/09 e 10/13), transmitidas em 08/09/2003 e 13/09/2006, para extinção de débitos tributários com crédito originado de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2001, no valor total de R$ 412.986,00. Foi ressaltado nas declarações que o crédito teria origem na empresa sucedida, Henkel Surface Technologies Brasil Ltda., CNPJ 43.425.057/000145, incorporada em 31/12/2001. Nos presentes autos, em fevereiro de 2008 a interessada atendeu a intimações para comprovar determinadas despesas informadas na DIPJ 2001 incorporada Henkel Surface Technologies Brasil Ltda. Em 26/05/2008 a empresa foi intimada do Despacho Decisório que aprovou o Parecer SEORT/DRF/OSA n° 422/2008 de fls. 133/143, o qual indeferiu o direito creditório, em razão de alterações na DIPJ/Ex.2002 analisada, as quais resultaram em CSLL a pagar. Em resumo: Na manifestação de inconformidade apresentada em 25/06/2008 (fls. 145/157) a empresa aduz, conforme relatou a decisão recorrida: Quanto à glosa das despesas com brindes, diz que informou o valor de R$ 708.474,19 na conta contábil 460180, sob a imprecisa denominação de "brindes com relações comerciais", compondo as despesas operacionais apontadas na linha 30, Ficha 05 A da DIPJ/2002. Acusa que, ao contrário da alegação sustentada pela fiscalização, apenas a parcela de R$ 1.521,35 se refere a despesas com brindes, sendo que os R$ 706.952,84 restantes referemse a despesas com comissões pagas à empresa Bueno & Cuzziol Representações Comerciais Ltda, por serviços de intermediação de negócios e divulgação de produtos químicos fabricados pela Manifestante para o mercado automobilístico, conforme pode ser visto pela planilha anexa (doc. 09). E para comprovar o alegado, anexa ao processo, por amostragem, cópia de alguns dos recibos emitidos pela empresa Bueno & Cuzziol Representações Comerciais Ltda (doc. 11). Fl. 521DF CARF MF Processo nº 13899.900221/200668 Resolução nº 1401000.485 S1C4T1 Fl. 522 3 Esclarece que a conta contábil 460180 é facilmente identificável no balancete anexo (doc. 10A pág. 62), na petição que entregou para a fiscalização (doc. 08) e nos recibos de comissões ora anexados (does. 9 e 11), protestando pela dedutibilidade das despesas de R$ 706.952,84 da base de cálculo da CSLL. Quanto à omissão de receitas de prestação de serviços, aduz, em suas palavras: "14. (...), a fiscalização adotou um procedimento extremamente simplista e equivocado, qual seja, baseouse supostamente em todas as DIRFs de terceiros em que a Manifestante aparece como beneficiária no anocalendário de 2001, especificamente em relação ao código de receita 1708 (...). 15. (...), verificando que a Manifestante informou em sua DIPJ haver auferido apenas R$ 3.205,66 a título de receita de prestação de serviços (doc. 12), a d. fiscalização considerou a diferença de R$ 430.371,30 como receitas supostamente omitidas, (...). 16. Ora, esse total por si só não se sustenta, uma vez que com uma rápida análise do balancete de 2001 da Manifestante, particularmente quanto à conta contábil na qual consta a "alegada diferença de receita omitida" (conta contábil 409650 doc. 10A pág. 64), demonstra que o total de receitas efetivamente auferido pela Manifestante em 2001 (RS 783.852,91) foi muito superior ao levantado pela d. fiscalização em sua análise nas DIRFs de terceiros (RS 433.576,96). Em outras palavras, análise da d. fiscalização não pode ser tida como exaustiva para a conclusão desse assunto contida no Parecer ora questionado. 16.1. Tais receitas supostamente omitidas foram devidamente contabilizadas pela Manifestante em conta redutora de despesas com serviços prestados para Liofol e Schanko, no valor de R$ 783.852,91 ("409650 Desp. Serv. Prestados p/ Liofol/Scharzko"), como se pode verificar da página anexa, extraída de seu balanço contábil relativo ao anocalendário de 2001 (doc. 10A pág. 64). 16.2. Além disso, informa ainda que o valor dessa conta contábil foi devidamente informado na linha 04 da Ficha 05A da DIPJ relativa ao anocalendário de 2001. 16.3. Apesar de todo o exposto, a Manifestante ressalta que o seu "Lucro Líquido do Período de Apuração"devidamente informado na DIPJ — Ficha 06A Demonstração do Resultado (contábil) " é de () R$ 1.627.792,34 (doc. 12), o qual nos termos da lei coincide com aquele resultado escriturado em seu balancete (doc.l0A pág.65). Ora, diante disso, somente resta reforçar a conclusão de que a receita contida na conta redutora de despesa de serviços (conta 409650) compõe o resultado que foi devidamente oferecido à tributação da CSLL, apesar de não ter sido na linha 08 da Ficha 06A da DIPJ analisada de forma simplista pela d. fiscalização,"(negrejouse) Quanto aos rendimentos auferidos em operações de SWAP, diz ter incorrido em erro de preenchimento da linha da DIPJ em que os referidos valores foram alocados. Fl. 522DF CARF MF Processo nº 13899.900221/200668 Resolução nº 1401000.485 S1C4T1 Fl. 523 4 Que ao invés de incluir na linha 21 da Ficha 06A ("ganhos auferidos em mercado de renda variável, exceto daytrade"), como determina o MAJUR, incluiu na linha 20 da Ficha 06A ("variações cambiais ativas"), juntamente com as variações cambiais ativas, cujo valor total monta R$ 3.018.135,73 (doe. 14). Esclarece que na própria escrituração contábil tratou suas operações de SWAP conjuntamente com outras operações financeiras relacionadas com o resultado de variações cambiais (doc. 10A págs. 64 e 65), conforme demonstrado às fls. 141. Aponta que é de fácil verificação que o total das receitas de variações cambiais compõe o lucro líquido devidamente contabilizado de R$ 1.627.792,34 (doc. 10A pág. 65), o qual coincide com aquele resultado informado na Ficha 06A da DIPJ (doc. 14), pelo que protesta pela glosa do acréscimo feito pela fiscalização. No que versa sobre os rendimentos relativos a juros sobre o capital próprio, alega: "25. (...) a d. fiscalização verificou que ela teria recebido "dela mesma" (???), no anocalendário de 2001, um total de R$ 2.140.602,06 relativo à juros sobre capital próprio (código de receita 5706). 26. (...). Realmente, (...), a Manifestante aparece como declarante e beneficiária dos juros sobre capital próprio no valor de R$ 2.140.602,06, o que torna claro o equívoco cometido por ela no preenchimento de sua DIRF. (...) _ „.. 27. Neste ponto, perguntase: qual seria a lógica de a Manifestante pagar juros sobre capital próprio para ela mesma? Ora, é impossível a Manifestante ser quotista dela mesmo, o que torna claro o equívoco cometido no preenchimento de sua DIRF, na qual ela informou o seu próprio CNPJ como se fosse a beneficiária dos juros sobre capital próprio, que de fato, foram pagos a sua quotista Henkel KommanditgesellschaftAufAktien. 28.Sendo assim, é evidente que a Recorrente não recebeu qualquer valor relativo a juros sobre capital próprio, o que foi corretamente informado na Linha 23, da Ficha 06 A, de sua DIPJ. Na verdade, os juros sobre capital próprio efetivamente existiram, mas não como receita da Manifestante, e sim como despesa sua. Tais juros foram creditados pela Henkel Surface Technologies Brasil Ltda. (incorporada pela ora Manifestante) em favor de sua quotista Henkel Kommanditgesellschaft Auf Aktien. tendo sido efetivamente utilizados por esta empresa para realização de aumento de capital social na Henkel Surface (incorporada pela ora Manifestante). 29. Observese que o referido valor sofreu a retenção de IRRF à alíquota de 15% como determina a legislação tributária, sendo que apenas o valor líquido foi utilizado para fins de aumento de capital. 29.1. Assim, no anocalendário de 2001, a Henkel Surface deliberou pelo pagamento de juros sobre capital próprio no valor de R$ 2.140.602,06, o qual, após exclusão do IRRF à alíquota de 15% (i.e. R$ 321.093,31), foi utilizado para aumento de capital social da Fl. 523DF CARF MF Processo nº 13899.900221/200668 Resolução nº 1401000.485 S1C4T1 Fl. 524 5 Manifestante no valor remanescente de R$ 1.819.511,75, conforme se pode verificar do "Instrumento Particular de 9a Alteração do Contrato Social da Henkel Surface Technologies Brasil Ltda", para aumento de capital de R$ 34.684.703,00para R$ 36.504.214,00 (doc. 17). 30. Em vista disso, resta claro que não merece prosperar o acréscimo de R$ 2.140.602,06 ao lucro da Manifestante, (...)."Por fim, quanto às estimativas glosadas, afirma o seguinte: "resta claro que se trata de inevitável conseqüência das glosas realizadas pela d. fiscalização nos itens anteriores (as quais, como visto, são completamente improcedentes), de forma que esta parte do Parecer SEORT n° 422/2008 deve acompanhar a sorte do que for decidido em relação aos itens anteriores". Encerra protestando pela reforma do Parecer recorrido, homologandose as compensações pleiteadas. Em 9/10/2008 a DRJ em Campinas SP deferiu em parte o direito creditório pleiteado, "para reconhecer o saldo negativo de CSLL, em 31/12/2001, de R$124.920,11, e homologar as compensações até o limite do crédito reconhecido". Referida decisão excluiu da receita considerada como omitida o valor correspondente aos juros sobre o capital próprio, de R$2.140.602,06, pois reunidos nos autos elementos a denotar que referido montante constituiu despesa de sua incorporada. A ementa do julgado foi a seguinte: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. A restituição de saldo negativo da CSLL, com a posterior compensação, condicionase à demonstração da base de cálculo da contribuição, bem como à comprovação do pagamento/compensação das estimativas levadas à dedução, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito, invocado pelo sujeito passivo. Eventuais erros de classificação contábil e de preenchimento da declaração, bem como a regular escrituração e o cômputo no resultado de rendimentos tributáveis, devem ser comprovados por meio dos livros de escrituração obrigatórios, alicerçados por documentação hábil e idônea. Demonstrado nos autos o erro no preenchimento da DIRF quanto à beneficiária de rendimentos de juros sobre capital próprio, afastase a omissão da receita correspondente. Intimada em 4/11/2008 (fl. 291), a empresa apresentou recurso voluntário em 4/12/2008 (fl. 299323) reiterando os argumentos expostos na manifestação de inconformidade. Em 26/05/2011, esta Turma resolveu converter o julgamento em diligência para apurar aspectos relativos às operações de swap e à omissão de rendimentos com prestação de serviços, nos seguintes termos: Fl. 524DF CARF MF Processo nº 13899.900221/200668 Resolução nº 1401000.485 S1C4T1 Fl. 525 6 Reproduzo in totum o relatório de diligência constante de fl. 391: A contribuinte atendeu às duas intimações para se manifestar quanto a tal relatório, tendo o Termo de Intimação SEORT 89/2016 exatamente o mesmo teor do Termo de Intimação SEORT 202/2011. Em ambos os casos afirmou o quanto segue, acostando documentos: (i) sustenta a nulidade do Parecer SEORT 422/2008, tendo em vista este não ter apresentado elementos fáticos suficientes para permitir sua defesa, fato este que foi evidenciado em virtude da necessidade de conversão do julgamento em diligência; (i) afirma que a diligência determinada por este CARF não foi adequadamente cumprida, eis que o agente fiscal se limitou a indicar as fontes pagadoras responsáveis pelos Fl. 525DF CARF MF Processo nº 13899.900221/200668 Resolução nº 1401000.485 S1C4T1 Fl. 526 7 pagamentos que geraram as receitas supostamente omitidas, sem examinar os documentos trazidos pela empresa aos autos nem intimála para apresentar novas informações e esclarecimentos. (iii) sustenta que erro formal não pode resultar em tributação, sendo descabido o comentário do agente fiscal de que as alegações da empresa relativas a eventuais erros contábeis seriam insubsistentes apenas porque a fiscalização deve estrita obediência quanto ao disposto no MAJUR 2001. Aduz que independentemente da forma como tenham sido contabilizadas as receitas de prestação de serviços e os rendimentos de swap o importante é que referidas receitas foram incluídas tanto na apuração do lucro contábil como do lucro real e base de cálculo da CSLL, tendo sido oferecidas à tributação. (iv) alega que antes da prolação de qualquer decisão com base em DIRFs de terceiros, as autoridades fiscais, ao verificarem inconsistências nas informações prestadas por fontes pagadoras, deveriam intimálas a verificar o motivo da divergência. (v) reitera a necessidade de exame dos documentos juntados aos presentes autos, os quais comprovariam: v.1 quanto às receitas com prestação de serviços: Fl. 526DF CARF MF Processo nº 13899.900221/200668 Resolução nº 1401000.485 S1C4T1 Fl. 527 8 Fl. 527DF CARF MF Processo nº 13899.900221/200668 Resolução nº 1401000.485 S1C4T1 Fl. 528 9 v.2 quanto aos rendimentos em operações de swap: Fl. 528DF CARF MF Processo nº 13899.900221/200668 Resolução nº 1401000.485 S1C4T1 Fl. 529 10 Importante ressaltar, ademais, que há dois processos apensos ao presente: o processo n. 13899901.031/200668 é referente à cobrança dos valores constantes da DCOMP 16601.45320.080903.1.3.031302, discutida nos presentes autos (crédito total de R$347.299,00 compensado com débitos de estimativa de CSLL de novembro e dezembro de 2002, nos valores de R$106.809,00 e R$240.490,00). o processo n. 10882720.013/200830 é referente à cobrança do valor constante da DCOMP 10336.63343.130906.1.7.030971, discutida nos presentes autos (crédito de R$65.687,00 compensado com débito de Cofins de outubro de 2003 no valor de R$ 78.463,12). A soma dos valores acima mencionados corresponde ao total originalmente discutido nos presentes autos de R$412.986,00. Nos autos do primeiro processo acima mencionado (n. 13899901.031/200668) consta petição apresentada em 5/09/2014 informando desistência e anexando um comprovante eletrônico de pagamento efetivado em 25/08/2014 do valor de principal de R$ 240.490,00 "nos termos do art. 8º, §5º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 13, de 30 de julho de 2014". Não consta daqueles autos procuração para o patrono que assina tal peça, o qual é pessoa diversa e integra escritório diferente do que patrocina o processo objeto dos presentes autos. Recebi o processo em distribuição realizada em 26 de julho de 2017. Fl. 529DF CARF MF Processo nº 13899.900221/200668 Resolução nº 1401000.485 S1C4T1 Fl. 530 11 Voto Conselheira Livia De Carli Germano Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Em resumo, resta em discussão nos presentes autos a não homologação das compensações objeto das DCOMPs 16601.45320.080903.1.3.031302 e 10336.63343.130906.1.7.030971, em virtude de: a) retificação da base de cálculo da CSLL tendo em vista a apuração, pela autoridade fiscal, de: (i) não tributação de rendimentos com prestação de serviços no valor de R$430.371,30; (ii) não tributação de rendimentos com operações de swap no valor de R$487.429,91; (iii) glosa de despesas com brindes no valor de R$708.474,19 b) não comprovação do pagamento das estimativas de janeiro e junho de 2001 no valor total de R$141.701,47, quitadas com saldo negativo de 1999 e 2000. Convertido o julgamento em diligência para a apuração de aspectos relacionados aos rendimentos de swaps e de prestação de serviços, esta foi atendida apenas na parte relativa aos rendimentos de swaps, para os quais foram indicadas as fontes pagadoras conforme requerido. Quanto aos rendimentos de prestação de serviços, este CARF solicitou que a unidade de origem verificasse, "à luz da documentação acostada pela defesa e de outra mais a ser exigida durante a diligência, se já foram oferecidos à tributação, na forma como alega o contribuinte". Não obstante tal determinação, a unidade de origem se limitou a informar as fontes pagadoras responsáveis por tais pagamentos. Neste sentido, entendo que o presente julgamento deve novamente ser convertido em diligência para que a unidade de origem complete o trabalho realizado apenas em parte quando do atendimento à primeira conversão em diligência. Ademais, considerando as alegações e documentos trazidos aos autos pelo sujeito passivo e em homenagem ao princípio da verdade material, entendo que algumas verificações adicionais devem ser efetuadas. Em síntese, orientase que a diligência verifique os documentos acostados aos presentes autos e, se for o caso, intime o sujeito passivo para apresentar esclarecimentos e documentos, para então: (i) quanto aos rendimentos de prestação de serviços: conclua (isto é, responda SIM ou NÃO e PORQUE) se estes foram oferecidos à tributação, manifestandose sobre a alegação do contribuinte de que embora tais rendimentos tenham sido contabilizados a crédito em conta de despesa (conta 409650), em vez de proceder a um débito em conta de receita, isso não alterou seu lucro tributável. Fl. 530DF CARF MF Processo nº 13899.900221/200668 Resolução nº 1401000.485 S1C4T1 Fl. 531 12 (ii) quanto aos rendimentos de operações de swap: conclua (isto é, responda SIM ou NÃO e PORQUE) se estes foram oferecidos à tributação, manifestandose sobre a alegação do contribuinte de que tais rendimentos foram incluídos na linha 20 da Ficha 6A ("variações cambiais ativas") em vez de serem incluídos na Linha 21 da Ficha 6A ("ganhos auferidos em mercado de renda variável, exceto daytrade"). (iii) quanto ao pagamento do valor de R$240.490,00 noticiado nos autos do processo 13899901.031/200668, apenso a este, informe se tal pagamento efetivamente ocorreu e intime o contribuinte para: (a) prestar esclarecimentos sobre o fato e, se for o caso, (b) formalizar a desistência (total ou parcial) nos autos do presente processo, já que o processo 13899901.031/200668 trata apenas de cobrança e não discute o crédito tributário, sendo inócuo o pedido de desistência ali apresentado. Após a elaboração de parecer conclusivo nos termos acima, deverá o sujeito passivo ser intimado a se manifestar sobre o resultado da diligência, com o posterior retorno dos autos a este CARF para que prossiga o julgamento. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 531DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.900096/2012-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.050
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontá-los com o recolhido, apurando-se, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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(SUCESSORA DE BELEM DIESEL S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontá-los com o recolhido, apurando-se, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. RELATÓRIO Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10280.900096/2012-12 Resolução nº 3402-001.050 S3-C4T2 Fl. 186 2 Trata-se de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Campinas que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 31/12/2002 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2002 PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazê-lo em outro momento processual sem que verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Versa o processo sobre pedido de restituição de crédito da Cofins relativo ao mês de dezembro de 2012, no valor de R$ 17.165,03, o qual foi indeferido pela DRF de São José do Rio Preto (SP), em razão de o recolhimento indicado ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pela contribuinte em outro PER/DCOMP. A interessada apresentou a manifestação de inconformidade, sustentando seu direito creditório na inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998 (RE nº 390.840/MG e RE nº 585.235 com repercussão geral). O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da interessada, sob os seguintes fundamentos: - A autoridade a quo procedeu corretamente ao indeferir o pleito da interessada, eis que existem débitos, confessado pela própria contribuinte por meio de DCTF e outro PER/DCOMP, no valor igual ao do recolhimento objeto do pedido de restituição, de forma que inexiste saldo passível de restituição. Seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/DCOMP, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior. Como não o fez, não havia saldo de pagamento sobre o qual a autoridade fiscal tivesse que se manifestar. - No tocante à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo, não se discute o entendimento do STF, exposto nos REs mencionados pela interessada. Tampouco se questiona a vinculação do CARF à decisão proferida no RE julgado na sistemática de repercussão geral, conforme prevê seu regimento. Sobre a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, pela Lei nº 11.941, apenas deve ser esclarecido que tal revogação não tem efeitos retroativos, e portanto não atinge o período a que se refere o PER/DCOMP em análise. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10280.900096/2012-12 Resolução nº 3402-001.050 S3-C4T2 Fl. 187 3 - Ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se desincumbiu de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior. A cópia parcial do balancete apresentada permite vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para compará-la com o recolhimento efetuado e concluir-se pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. E mais, não tendo a interessada apresentado provas de seu suposto crédito, precluiu do direito de fazê-lo em outro momento, a teor do disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Cientificada pela via postal em 11/06/2013, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 05/07/2013, alegando e requerendo o que se segue: a) Requer a recorrente a reunião dos processos apontados de modo a haver seu julgamento conjunto em face da existência de conexão entre os mesmos. b) Houve falta de aprofundamento da investigação dos fatos, o que contraria o contido no art. 76 da IN RFB nº 1300/12. A DCTF não é o único meio hábil de prova da existência de crédito passível de restituição. Nem o art. 165 do CTN e nem o art. 74 da Lei nº9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações, tratando-se de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo. c) Acerca das provas juntadas para demonstrar a existência do crédito pleiteado, a decisão recorrida alegou a insuficiência para o intento, entretanto esse entendimento não merece prosperar, eis que os documentos colacionados são suficientes para a comprovação do direito de crédito alegado. O valor recolhido indevidamente sobre as receitas financeiras está devidamente lastreado nas receitas financeiras destacadas no balancete em anexo à manifestação de inconformidade, documento este obrigatório paras as pessoas jurídicas, possuindo, inclusive, força probante para recolhimento de estimativas em caso de pessoa jurídica optante pelo lucro real mensal, nos termos do art. 230 do RIR/99. d) Com relação à preclusão da produção da prova, a alínea "c" do §4º do art. 16 do Dec. nº 70.235/72 possibilita a produção de provas em outro momento processual, quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Nesse passo, para corroborar os fatos já demonstrados pela documentação carreada à manifestação de inconformidade, e também com vistas a contrapor os argumentos da decisão recorrida, requer a juntada do livro Razão, o qual, por si só, tem o condão de comprovar o direito creditório ora postulado. e) Quanto ao mérito, a discussão encontra-se totalmente superada na jurisprudência do STF que, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 no julgamento do RE nº 390840/MG em 9.11.2005. Não há dúvida de que esse entendimento do STF, com repercussão geral reconhecida, deve ser aplicado ao caso dos autos. Assim é que na base de cálculo do PIS e da Cofins somente deveriam ter sido incluídos pela recorrente os valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem as suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, razão pela qual a decisão a quo deve ser reformada a fim de que seja deferido o direito creditório pleiteado. É o relatório. VOTO Atendidos os requisitos de admissibilidade, toma-se conhecimento do recurso voluntário. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10280.900096/2012-12 Resolução nº 3402-001.050 S3-C4T2 Fl. 188 4 Como se sabe, é obrigatória aos membros deste CARF a reprodução do conteúdo de decisão definitiva de mérito proferida pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil. Também não se desconhece que foi declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, tendo sido reconhecida a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal nesse sentido 1 . Em consequência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias - comerciais e industriais - e/ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins enquanto aplicável aquele ato legal 2 . No que concerne à possibilidade de reconhecimento do direito creditório independentemente da retificação da DCTF, este CARF já decidiu favoravelmente à própria contribuinte, mediante o Acórdão nº 3302-004623 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 27 de julho de 2017, no processo nº 10280.905792/2011-26, no qual foi apurado, em diligência, que a recorrente demonstrou cabalmente a existência do crédito. Conforme assentado na Resolução nº 3401-000.737, da 3ª Seção/4ª Câmara/1ªTurma Ordinária, de 24/07/2013, esta 3ª Seção de Julgamento do Carf tem orientado sua jurisprudência no sentido de que, não obstante a preclusão do art. 16, §4° do Decreto nº 70.235/72, em situações em que há alguns indícios de provas, o julgamento pode ser convertido em diligência para análise da nova documentação acostada. 1 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.09.2006; REs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ de 18.08.2006)Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235/MG, Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008). 2 Acórdão nº 9303-002.444– 3ª Turma, de 08 de outubro de 2013 Relator: JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS PIS E COFINS. ALARGAMENTO. EMPRESAS INDUSTRIAIS E DE SERVIÇOS. Nos termos do quanto decidido pelo Pleno do STF no julgamento dos recursos extraordinários nºs 357.950, 390840, 358273 e 346084, deve ser repudiada a ampliação do conceito de faturamento intentado pelo § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Em conseqüência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições PISe PASEP enquanto aplicável aquele ato legal. Acórdão nº 3401003.828– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 29 de junho de 2017 Relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. As receitas que não se caracterizam como próprias da atividade da entidade, tal como estabelecido pelo estatuto ou contrato social, não compõem o seu faturamento, conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, ao declarar a inconstitucionalidade da ampliação do conceito de receita bruta promovida pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Deve-se, assim, ser acolhido o resultado da diligência constante no Relatório de Diligência Fiscal. Considerando a comprovação documental da validade do crédito, consistente em recolhimento indevido ou a maior de Cofins sobre receitas financeiras, deve o sujeito passivo ter atendido o seu pleito creditório. Recurso Voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10280.900096/2012-12 Resolução nº 3402-001.050 S3-C4T2 Fl. 189 5 No presente processo, embora a recorrente não tenha produzido a prova necessária por ocasião da apresentação de seu pedido ou da manifestação de inconformidade, apresentou, posteriormente, no Recurso Voluntário, outros documentos na tentativa de comprovação do direito alegado. Assim, resguardando eventual julgamento posterior do Colegiado na linha dos entendimentos acima apontados, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, um Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontá-los com o recolhido, apurando-se, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendo-lhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, o processo deve retornar a este Colegiado para prosseguimento. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora Fl. 189DF CARF MF
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