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Numero do processo: 16095.000504/2007-32
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1997 a 30/12/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 05 04 /2 00 7- 32 Fl. 234DF CARF MF Processo nº 16095.000504/200732 Acórdão n.º 9202005.937 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 16095.000504/200732 Acórdão n.º 9202005.937 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 236DF CARF MF Processo nº 16095.000504/200732 Acórdão n.º 9202005.937 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 16095.000504/200732 Acórdão n.º 9202005.937 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 238DF CARF MF Processo nº 16095.000504/200732 Acórdão n.º 9202005.937 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 239DF CARF MF Processo nº 16095.000504/200732 Acórdão n.º 9202005.937 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 240DF CARF MF Processo nº 16095.000504/200732 Acórdão n.º 9202005.937 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 241DF CARF MF Processo nº 16095.000504/200732 Acórdão n.º 9202005.937 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 242DF CARF MF Processo nº 16095.000504/200732 Acórdão n.º 9202005.937 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 243DF CARF MF Processo nº 16095.000504/200732 Acórdão n.º 9202005.937 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 244DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.902739/2009-24
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 2009, só se justifica quando há interpretação divergente para a mesma legislação tributária.
Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-005.757
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Recorrente DICAVE GARTNER DISTRIBUIDORA CATARINENSE DE VEÍCULOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 2009, só se justifica quando há interpretação divergente para a mesma legislação tributária. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3803002.665, de 21/03/2012, proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que foi assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 90 27 39 /2 00 9- 24 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10909.902739/200924 Acórdão n.º 9303005.757 CSRFT3 Fl. 3 2 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2005 Ementa: COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR AO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. FALTA DE PROVA. NÃO HOMOLOGAÇÃO. O início do procedimento fiscal retira a espontaneidade do contribuinte em relação aos atos jurídicos anteriores. Desta feita, a retificação da DCTF em momento posterior ao despacho decisório não possui o condão, por si só, de produzir efeitos retroativos em relação à compensação anteriormente declarada. Sendo a DCTF confissão de dívida, correto está a decisão que não homologou a compensação por insuficiência de crédito em razão do contribuinte não ter produzido provas suficientes à desconstituição do crédito tributário pretendido. Recurso Voluntário Negado. Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra o entendimento com relação aos efeitos da DCTF retificadora entregue após despacho decisório de não homologação de declaração de compensação, ou seja, se este documento apresentado após proferido o despacho é hábil ou não para que se promova a revisão do direito creditório. Alega divergência em relação ao decidido no Acórdão nº 10517.303. O recurso foi admitido mediante despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.741, de 19/09/2017, proferido no julgamento do processo 10909.902621/200904, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal, pois fui vencido na votação quanto ao conhecimento do recurso. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme resultado constante da ata da sessão deste julgamento. Desta forma, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.741): Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10909.902739/200924 Acórdão n.º 9303005.757 CSRFT3 Fl. 4 3 "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte não deve ser conhecido. No caso tratado nos acórdãos recorrido e paradigma, as DCTF retificadoras foram apresentadas após a ciência do despacho decisório que indeferiu o PER/DCOMP. Afirma a Recorrente que, a despeito da similitude dos fatos, os Colegiados respectivos adotaram soluções diversas: enquanto nos presentes autos, a falta de apresentação de documentação comprobatória do indébito levou ao desprovimento do recurso voluntário, no paradigma entendeuse pela conversão do julgamento em diligência, a fim de que a autoridade local apurasse se o débito declarado na DCTF retificadora correspondia ao efetivamente devido, "intimandose a contribuinte para se manifestar acerca do relatório da diligência." Todavia, intimada do relatório da diligência que concluiu que o débito declarado na DCTF retificadora não correspondia ao valor devido, a contribuinte não se manifestara. O Colegiado prolator do acórdão paradigma, sem fazer qualquer referência expressa à diligência, propôs o provimento parcial do recurso voluntário, com base nos seguintes e exclusivos fundamentos: Na DCTF originariamente apresentada, a recorrente declarou débito de IRPJ relativo ao 1º Trimestre de 1999 no valor de R$ 1.007,14, enquanto que na DCTF retificadora o débito declarado é de R$ 463,09, o que resultaria em um recolhimento a maior de IRPJ da ordem de R$ 544,05, a quanto equivale o direito creditório em questão. A receita bruta da recorrente no mês de março de 1999, a partir do qual foi excluída do SIMPLES, foi de R$ 16.543,74 relativos à prestação de serviços e de R$ 5.503,54 relativos à venda de mercadorias. Na apuração da base de cálculo do IRPJ declarado na DCTF retificadora, a recorrente aplicou sobre a receita proveniente da prestação de serviços o percentual de 16%, do qual não poderia fazer uso, dado que somente aplicável às pessoas jurídicas prestadoras de serviços cuja receita bruta anual seja de até R$ 120.000,00 e a recorrente, no anocalendário de 1999, auferiu receitas desta atividade que ascenderam a R$ 184.595,78. Aplicados os percentuais de 32% sobre a receita de serviços e de 8% sobre a receita de vendas, a base de cálculo do IRPJ é de RS 5.734,28 e o IRPJ devido corresponde a R$ 860,14, o que reduz o direito creditório a R$ 147,00. Diante disso, dou provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório da recorrente no valor de RS 147,00, com os devidos acréscimos legais, correspondente ao pagamento efetuado a maior a titulo de IRPJ e homologada a compensação desse crédito com débitos de sua responsabilidade, passíveis de compensação, relacionados no "Demonstrativo dos Débitos Indicados para Compensação", até o montante em que se compensem. Portanto, foi possível verificar, na diligência (é o que supomos!), que, ao menos em parte, cabia restituir à contribuinte uma parcela do que houvera pago, em face de um erro de aplicação dos percentuais do lucro presumido. Observese que o entendimento a ser cotejado com o recorrido, e com este supostamente divergente, é aquele que se extrai do voto condutor do acórdão paradigma, parte integrante do acórdão em que se encontram os fundamentos da decisão colegiada. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10909.902739/200924 Acórdão n.º 9303005.757 CSRFT3 Fl. 5 4 A nosso juízo, o acórdão paradigma não traduz efetivamente uma interpretação divergente daquela adotada no recorrido, a ponto de permitir o conhecimento do recurso especial. Em nenhum momento, firmouse o entendimento, como comprova a transcrição literal do voto do relator, de que, ainda que nada se traga de provas documentais nos recursos interpostos, os autos sempre devem ser enviados à unidade de origem para diligenciar junto ao contribuinte. Se o Colegiado prolator do acórdão paradigma resolveu, em assentada anterior, determinar a diligência, fêlo em vistas das razões recursais e das informações que se encontravam colacionadas aos autos, a partir das quais concluiu a necessidade de sua realização. Isso, contudo, não firma uma tese jurídica, uma interpretação divergente da legislação tributária, a ponto de permitir o seu cotejo com outras que, aparentemente, lhe sejam confrontantes. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado não conheceu do recurso especial. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.930107/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO.
Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica(DIPJ).
Súmula CARF nº 82: Após o encerramento do ano-calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas.
SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
IRRF - COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. COMPROVAÇÃO.
O documento hábil para comprovar a retenção de tributo sofrida pela fonte pagadora é o informe de rendimentos por esta fornecido.
Numero da decisão: 1401-002.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica(DIPJ). Súmula CARF nº 82: Após o encerramento do ano-calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. IRRF - COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. COMPROVAÇÃO. O documento hábil para comprovar a retenção de tributo sofrida pela fonte pagadora é o informe de rendimentos por esta fornecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
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GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica(DIPJ). Súmula CARF nº 82: Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. IRRF COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. COMPROVAÇÃO. O documento hábil para comprovar a retenção de tributo sofrida pela fonte pagadora é o informe de rendimentos por esta fornecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 01 07 /2 01 2- 11 Fl. 1189DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 10880.930107/201211 Acórdão n.º 1401002.090 S1C4T1 Fl. 1.190 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte em face do Acórdão n. 16.55275 2ª Turma da DRJ/SP1, que, por unanimidade de votos, não homologou a compensação correlata ao crédito de IRPJ não reconhecido. A contribuinte transmitiu DCOMP, objetivando a utilização de saldo negativo de IRPJ, referente ao anocalendário de 2006, no valor de R$ 56.682.522,72, para a compensação de débitos. Em 04/04/2013, a Derat/SPO exarou DESPACHO DECISÓRIO (fl. 10) homologando em parte as compensações informadas em DCOMP no montante de R$ 4.611.946,21. A homologação parcial das compensações deuse pelos motivos expostos a seguir: • O IRRF, dedutível na DIPJ, confirmado nos Sistemas da RFB totalizou R$ 4.249.911,98 (informado R$ 4.436.836,43 na DIPJ); • Das compensações efetuadas pela contribuinte apenas foram confirmadas R$ 14.134.081,73 de um total informado de R$ 66.204.658,19. A contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 11/05/2012 (fl. 15) e dela recorreu a esta DRJ em 12/06/2012 (fls. 20/41). Apreciada a Manifestação de Inconformidade, mantevese a não homologação das compensações. Inconformada, a Recorrente interpôs Voluntário com vistas a obter a reforma do julgado com base nos seguintes argumentos: i) reconhecer a nulidade da cobrança tendo em vista que a fiscaliação não poderia exigir débitos de estimativas de IRPJ e CSLL relativas ao ano calendário 2008, sem considerar que se nesse ano calendário, no contexto global houve ou não saldo devedor ao final dos respectivos exercícios conforme entendimento da Súm. CARF 80 e 82; ii) reconhecer a nulidade da cobrança, por importar em excesso, tendo em vista que a Recorrente já esta sendo cobrada quanto as estimativas de IRPJ que ocasionaram a glosa parcial do saldo negativo do IPRJ/2006, nos autos dos processos administrativos ainda pendente de discussão administrativa, ou subsidiariamente iii) o julgamento conjunto dos processos ou sobrestamento deste em razão da prejudicialidade deste em relação aos outros. Era o essencial a ser relatado. Passo a decidir Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Fl. 1191DF CARF MF 4 O Recurso apresenta os requisitos essenciais para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, a decisão de piso manifestase no sentido de que pode a Fiscalização, após o encerramento do ano calendário, exigir estimativas eventualmente não recolhidas durante o anocalendário, por expressa previsão legal e que a falta de recolhimento de estimativas, inclusive sujeita a pessoa jurídica à penalidade da multa isolada, independentemente do anocalendário encerrado e da apuração de prejuízo fiscal. Segundo o Acórdão recorrido, descabe a alegação da contribuinte no sentido de que a glosa de estimativas da apuração de saldo negativo representa dupla exigência à Recorrente decorrente do mesmo fato, pois o pagamento de estimativas deveria ter sido feito dentro do prazo legal, o que não teria ocorrido no presente caso, assim como não houve o adimplemento dos débitos confessados, a glosa do saldo negativo é consequência deste fato. Por isso, no entendimento da decisão de piso, não haveria como se manter o saldo negativo de parcelas constituintes que não estariam satisfeitas, porque a cobrança dos valores não pagos decorre de determinação legal, de forma que não haveria que se falar em dupla cobrança, já que uma vez adimplido o débito, este procedimento reflete na apuração do saldo negativo. Contudo, tal entendimento não prospera, posto que, a partir da edição da Medida Provisória nº 135 de 30/10/2003 DOU de 31/10/2003, a estimativa mensal compensada em DCOMP deve integrar o saldo negativo, porque será cobrada, ainda que a compensação seja não homologada. O despacho decisório pretende exigir a estimativa quitada por compensação que compôs o referido saldo negativo se encontra em discussão em outros processos administrativos, ainda que já encerrado o respectivo anocalendário, o que não se pode admitir, conforme pacífica jurisprudência do próprio CARF. Neste sentido, fora proferido em 23 de novembro de 2016, Acórdão recebeu o nº 9101002.493, e tem origem na CSRF, de relatoria do Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, que esclarece: Acórdãonº 9101002.493: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2006 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica(DIPJ). Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito,em negarlhe provimento. Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 10880.930107/201211 Acórdão n.º 1401002.090 S1C4T1 Fl. 1.191 5 Deste segundo Acórdão, extraio a parte do voto que trata da aplicação da Solução de Consulta Interna nº18/2006, da COSIT, e do Parecer PGFN/CAT/nº88/2014: A matéria posta à apreciação desta Câmara Superior referese ao cabimento, ou não, da glosa de estimativas cobradas em Declaração de Compensação na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado em Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Tratase de matéria atualmente pacificada tanto no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), quanto da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN),como segue: Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit n° 18, de 13 de outubro de 2006: Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. PARECERPGFN/CAT/Nº88/2014: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido –CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei nº 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Conversão das estimativas em tributo após ajuste anual. Possibilidade de cobrança. Assim, não procedem eventuais insurgências da recorrente contra o teor do contido na Solução de Consulta Interna (SCI) Cositnº18,de2006. Damesmaforma,éesteoentendimentodestaCSRF,conformeseobservaaseguir: Acórdão CSRF nº 9101002.093, de 21 de janeiro de 2015: IRPJ SALDO NEGATIVO ESTIMATIVA APURADA PARCELAMENTOCOMPENSAÇÃOCABIMENTO. Descabe a glosa na composição do saldo negativo de IRPJ de estimativa mensal quitada por compensação, posteriormente não homologada e cujo valor foi incluído em parcelamento especial. Do referido aresto, transcrevo o trecho a seguir (destaque do original): A situação é análoga à das estimativas quitadas por compensação declarada após a vigência da MP135/2003 (com caráter de confissão de dívida) e não homologadas. Para esses casos, exatamente em razão de as estimativas quitadas por compensações não homologadas estarem confessadas, a Secretaria da Receita Federal expediu orientação no sentido de não caber a glosa na apuração do saldo negativo apurado na DIPJ. Esclarece a Solução de Consulta Interna nº18/2006: “(...) Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ.” A incerteza sobre essa orientação, gerada pelos pronunciamentos da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio dos Pareceres Fl. 1193DF CARF MF 6 PGFN/CATnº1658/2011e193/2013, no sentido de impossibilidade de inscrição na dívida ativa dos débitos correspondentes às estimativas não pagas, foi superada com o Parecer PGFN/CAT/nº 88/2014, no sentido de: “(...) legitimidade de cobrança de valores que sejam objeto de pedido de compensação não homologada oriundos de estimativa, uma vez que já se completou o fato jurídico tributário que enseja a incidência do imposto de renda, ocorrendo a substituição da estimativa pelo imposto de renda.” Portanto, é induvidoso que, em se tratando de estimativas objeto de compensação não homologada, mas que se encontram confessadas, quer por Declarações de Compensação efetuadas a partir da vigência da Medida Provisória nº 135/2003 (31/10/2003), quer por parcelamento, os respectivos valores devem ser computados no saldo negativo do anocalendário, porque serão cobrados através do instrumento de confissão de dívida. Ademais, consolidando este entendimento, temos: Súmula CARF nº 82: Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Neste seguir, voto por dar provimento ao recurso neste ponto. IRRF O IRRF, dedutível na DIPJ, confirmado nos Sistemas da RFB totalizou R$ 4.249.911,98 (informado R$ 4.436.836,43 na DIPJ), de forma que o objeto da discussão neste recurso cingese ao valor de R$ 185.507,84. A fim de demonstrar a dedução também dessa diferença, a Recorrente aponta os seguintes elementos de prova: Fl. 1194DF CARF MF Processo nº 10880.930107/201211 Acórdão n.º 1401002.090 S1C4T1 Fl. 1.192 7 Assim, diante dos elementos probatórios apresentados pela Recorrente em sede de Voluntário, resta suprida a carência identificada pela decisão recorrida, quando negou a homologação desta diferença, a pretexto de que deveria a requerente ter apresentado um demonstrativo da composição das receitas oferecidas à tributação respaldada na escrituração fiscal, com os quais comprovassem a veracidade de suas alegações. Sem a prova, por meio de Fl. 1195DF CARF MF 8 documentação hábil e idônea, da tributação dos rendimentos na declaração de rendimentos, incabível o reconhecimento da parcela de IRRF para a dedução do IR a pagar. Anota que autoridade fiscal reconheceu à pleiteante a dedução do IRRF correspondente ao exato montante oferecido à tributação, cabendo à reclamante comprovar a diferença a acredita fazer jus, êxito que logro tão somente agora neste momento processual. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 1196DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.679831/2009-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 03/08/2006
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-004.121
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 03/08/2006 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, e Tiago Guerra Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 98 31 /2 00 9- 41 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10880.679831/200941 Acórdão n.º 3401004.121 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Tratase de despacho decisório eletrônico, emitido pela Delegacia de Administração Tributária que não homologou as compensações declaradas em virtude de não ter havido apuração de pagamento indevido, uma vez que o pagamento foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. 2. Intimada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alegou, em síntese: (i) possuir "elevada quantia creditícia" perante a RFB, a título de IRRF, CIDE, PISImportação e COFINSImportação, que teria utilizado para quitar débitos de COFINS, referentes ao período de apuração dos anocalendário 2006 e 2007, mediante PER/DCOMP; (ii) alega que juntamente com o Despacho Eletrônico em comento, foram emitidos outros 147 Despachos Decisórios, todos decorrentes da falta de homologação de PER/DCOMP, apresentados pela contribuinte; (iii) reconhece que deixou de retificar as DCTF relativas aos períodos que entende ter havido recolhimentos a maior de IRRF, CIDE, PISImportação e COFINSImportação, entendendo ser esta a razão do indeferimento das compensações; (iv) alega que mero equívoco no preenchimento das DCTF não poderia geral débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB; (v) discorre a respeito do efeito suspensivo dos débitos declarados em compensações, citando dispositivos legais para defender sua tese; (vi) alega carência de fundamentação do despacho decisório, violação ao princípio do contraditório e ampla defesa, alegando que não foram atendidas as garantias constitucionais na decisão proferida no despacho decisório, entendendo ser nulo o ato impugnado; (vii) discorre sobre o principio da verdade material para alegar que o mero erro de preenchimento da DCTF não geraria crédito em favor da Fazenda Nacional, reclamando que "se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações antes de sofrer a autuação, certamente a Fazenda Nacional pouparia preciso tempo desta Delegacia de Julgamento com cobranças infundadas como esta" (sic); (viii) alega que qualquer agente fiscal que "(...) analisasse com a mínima cautela a situação apresentada nos fatos, notaria que houve tão somente um erro no preenchimento da declaração, o que não justifica a glosa" em apreço; (ix) ter declarado em DCTF débito que foi pago em DARF que, após revisão interna teria constatado que os cálculos estavam sendo feitos de maneira incorreta, restando inegável a existência de créditos de IRRF após a correção do montante efetivamente devido; (x) a necessidade da observância aos princípios da capacidade contributiva e da busca da verdade material para afirmar que não se admite cobrança de tributo decorrente de erro na prestação de informações ao Fisco, citando decisão do TRF da 1ª Região que embasaria o que alega, além de acórdão do Conselho de Contribuintes e doutrina; (xi) exigüidade do prazo para apresentar 148 defesas em apenas trinta dias e informa que "(...) já estaria levantando toda a documentação comprobatória de seu direito, mormente a DCTF retificadora que comprovaria a existência do crédito"; (xii) a necessidade de suspensão da cobrança dos débitos declarados em PER/DCOMP; (xiii) a nulidade do despacho decisório; e (xiv) a conversão do julgamento em diligencia para ser comprovado o que alega. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10880.679831/200941 Acórdão n.º 3401004.121 S3C4T1 Fl. 4 3 3. A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) proferiu o Acórdão DRJ nº 16027.664, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, em conformidade com a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: COFINS Data do fato gerador: 03/08/2006 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF APÔS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL — NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Creditório Não Reconhecido 4. A contribuinte, intimada, interpôs, recurso voluntário tempestivo, no qual reiterou as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10880.679831/200941 Acórdão n.º 3401004.121 S3C4T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.105, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.679797/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.105): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 6. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: "A manifestação de inconformidade apresentada atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Dela tomase conhecimento. Primeiramente, esclarecese à douta manifestante que, ao contrário do que alega, o despacho decisório do presente processo não é nulo pois, foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções e sem preterimento do direito de defesa da contribuinte. Realmente, o caso presente se resume à alegação de pagamento a maior de tributo e que esse tributo recolhido a maior estaria sendo utilizado para compensar débitos constante na PER/DCOMP do presente processo. A analise eletrônica do despacho decisório de fls. 01, demonstra que os alegados pagamentos indevidos foram utilizados para quitar débitos declarados em DCTF , não restando qualquer crédito para ser compensado. A contribuinte alega falta de fundamentação para a não homologação mas deveria ser obvio até mesmo para contribuinte que ela apresenta DCTF informando determinado débito e efetua recolhimento desse debito , em DARF, no exato valor declarado em DCTF, não há apuração de qualquer pagamento a maior, estando essa informação perfeitamente clara no citado despacho decisório e a contribuinte pode se defender amplamente como o fez. Assim, de acordo com o art. 59 do Decreto n° 70.235/72, não há qualquer nulidade no despacho decisório em comento, não assistindo razão a reclamante. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10880.679831/200941 Acórdão n.º 3401004.121 S3C4T1 Fl. 6 5 Relativamente à alegação que teria cometido erros no preenchimento da DCTF e que, sanados esses erros , haveria o crédito que utilizou nas PER?DCOMP , observase que a contribuinte limitase a alegar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova do que alega. De fato, a contribuinte limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF, mas reconhece perfeitamente não haver apresentado qualquer DCOMP retificadora até a data da ciência do Despacho Decisório. A retificação da DCTF, para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e de compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida, como argumento de defesa, uma vez que a manifestação de inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da contribuinte, em relação as informações constantes dos Sistemas da Receita Federal, que são formadas pelas informações prestadas pelos contribuintes através das declarações fiscais , tais como DIPJ. DCTF, DIRF, etc, na data da emissão do Despacho Decisório. Ora, como a própria manifestante reconhece, não havia qualquer incongruência entre os débitos declarados em DCTF e o valor dos pagamentos desses débitos em DARF. Somente na manifestação de inconformidade é que o Fisco teve ciência que agora a contribuinte entende ter havido erro no preenchimento das DCTF. Cabe lembra à douta reclamante que a conduta Fisco Federal é pautada em documentos formais e oficiais e, se a contribuinte resta inerte e não promove a tempo as retificações cabíveis na DCTF, não cabe ao Fisco promovêlas. Não e demais ressaltar que a RFB não está à disposição de particulares para satisfazer interesses privados e a comprovação que qualquer direito creditório alegado, é tarefa exclusiva dos contribuintes, não sendo tarefa do Fisco promover alterações em declarações fiscais para reconhecer suposto direito creditório que a contribuinte julga possuir. Aliás a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito processual, devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equívoco cometido na elaboração da declaração original.. Assim, a contribuinte deveria ter acostado aos autos a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa. Ao final da manifestação de inconformidade, a requerente protesta pela produção de todos os meios de prova, apresentação Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10880.679831/200941 Acórdão n.º 3401004.121 S3C4T1 Fl. 7 6 de documentos, inclusive diligencias, para corroborar sua argumentação. O processo administrativo fiscal é normatizado pelo Decreto n° 70.235/1972 que em seu art. 16, I1I assim dispõe, in verbis: Conforme expressamente previsto no Decreto n° 70.235/1972, em seu artigo 16, § 4% somente na ocorrência de algumas das hipóteses nele ventiladas é que será possível deferir a juntada de provas documentais posteriormente ao prazo de apresentação da impugnação. A impugnante trouxe os documentos que julgou necessários à instrução de sua peça defensória, não cabendo fazer um pedido genérico para futura juntada de documentos, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal pedido. Como se vê do dispositivo transcrito, a ocasião para apresentação de provas, visando a comprovar o equívoco cometido no preenchimento da DCTF, é no ato de apresentação da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de a contribuinte fazêlo em outra oportunidade. Cabe ressaltar que, até a presente data, dez meses após a apresentação da manifestação de inconformidade , nenhuma documentação foi apresentada nela contribuinte, que se limitou a apresentar DCTF retificadora , não embasada por qualquer documentação comprobatória. Tratandose de exibição de documentos, cuja guarda e apresentação compete à contribuinte, desnecessária se revela também a realização de diligencias, que se presta mais a elucidar detalhes cuja prova cabe ao Fisco Federal, não aplicável ao presente caso, conforme infere dos dispositivos do Decreto n° 70.235/1972 que tratam da matéria: (...). (...) No caso presente, sendo obrigação da contribuinte apresentar provas do que alega , preferindo não fazêlo, a Receita Federal não promove qualquer ação a respeito, limitando a julgar o processo com os documentos constantes no processo. Nessas circunstâncias, não comprovado o erro cometido no preenchimento da DCTF, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada, considerandose que essa DCTF retificadora foi apresentada após o despacho decisório, que apreciou as compensações declaradas. Em face do exposto, e para concluir, VOTO por considerar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não reconhecendo qualquer direito creditório e não homologando a PER/DCOMP" (seleção e grifos nossos). 7. Aduz a decisão a quo que, na DCTF original, foi declarado débito em montante igual ao recolhido, motivo pelo qual não encontrou a autoridade fiscal saldo de pagamento Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10880.679831/200941 Acórdão n.º 3401004.121 S3C4T1 Fl. 8 7 disponível. A identidade entre valor declarado e recolhido se deve à crença da contribuinte, no momento da declaração e do pagamento respectivos, de que se tratava de operação tributada regularmente pelas contribuições em comento. 8. Apenas em momento posterior ao do despacho decisório que indeferiu o pedido formulado por inexistência de saldo é que a contribuinte, ora recorrente, procedeu à entrega da DCTF retificadora. Por conta desta sucessão de eventos, entendeu o julgador de primeiro piso que a retificação não teria produzido efeitos, pois, nos termos do inciso I do art. 7º do Decreto nº 70.235/1972, o procedimento fiscal já havia se iniciado e, portanto, pretendeu a contribuinte alterar débitos de contribuições de maneira indevida, nos termos do inciso II do § 2º e do § 3º da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010. 9. Entendemos que tais obstáculos procedimentais possam ser plenamente superáveis caso a recorrente comprove o erro que fundamenta a retificação da declaração, o que poderia ser feito mediante a apresentação de seus registros contábeis e fiscais, em conformidade com o art. 147 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 10. Tal, no entanto, não ocorreu, tendo a contribuinte realizado defesa genérica com fundamento de que teria tido de se defender de um grande número de despachos decisórios em um exíguo espaço de tempo. Contudo, reservouse a ora recorrente a repetir os mesmos argumentos em suas razões de recurso voluntário, demorandose longamente em questões doutrinais ou de constitucionalidade, o que inviabiliza, de todo, até mesmo a proposta de eventual conversão do feito em diligência para que se verifique a procedência de suas alegações, uma vez que não há de se realizar questionamento genérico em tal momento processual. 11. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato".1 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10880.679831/200941 Acórdão n.º 3401004.121 S3C4T1 Fl. 9 8 12. Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 13. Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 105DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.003606/2006-55
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
PIS/PASEP E COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte.
Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço.
ATIVIDADE DE MINERAÇÃO. INSUMOS. SERVIÇOS UTILIZADOS NA LAVRA DO MINÉRIO.
Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, são imprescindíveis à lavra do caulim os serviços relativos à terraplanagem, sondagem, levantamento topográfico e serviço de bombeamento de PIG no mineroduto, devendo, portanto, ser reconhecidos como insumos e concedido o direito ao crédito à Contribuinte.
Numero da decisão: 9303-006.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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Ressarcimento Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PARÁ PIGMENTOS S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PIS/PASEP E COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO. INSUMOS. SERVIÇOS UTILIZADOS NA LAVRA DO MINÉRIO. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, são imprescindíveis à lavra do caulim os serviços relativos à terraplanagem, sondagem, levantamento topográfico e serviço de bombeamento de PIG no mineroduto, devendo, portanto, ser reconhecidos como insumos e concedido o direito ao crédito à Contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 36 06 /2 00 6- 55 Fl. 420DF CARF MF Processo nº 10280.003606/200655 Acórdão n.º 9303006.103 CSRFT3 Fl. 421 2 Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 302 a 322) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 380302.780 (fls. 294 a 300) proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, em 24/04/2012, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito ao crédito de PIS/Pasep nãocumulativo relativo às despesas efetivamente comprovadas com serviços de terraplanagem, sondagem, levantamento topográfico e bombeamento. O acórdão recebeu ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10280.003606/200655 Acórdão n.º 9303006.103 CSRFT3 Fl. 422 3 viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Os serviços de terraplanagem, sondagem, levantamento topográfico e bombeamento guardam relação de pertinência e essencialidade com o processo de lavra, beneficiamento e embarque do caulim e ensejam o creditamento com base nos gastos efetivamente comprovados. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido Em face da referida decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 296 a 314), alegando divergência jurisprudencial quanto ao reconhecimento do direito ao crédito de PIS/Pasep nãocumulativo com relação aos serviços antes enumerados. Colacionou como paradigma(s) o(s) acórdão(s) nº(s) 20312.448. Nas razões recursais, a Fazenda Nacional sustenta, em síntese, que deve ser adotado conceito mais restritivo de insumo, ficando adstrito às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem empregados diretamente na produção, não contabilizados no ativo permanente, e que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto. Em síntese, requer seja adotado o conceito da legislação do IPI e restabelecidas as glosas realizadas pela Fiscalização. Foi admitido o recurso especial da Fazenda Nacional por meio do despacho s/nº, de 20 de julho de 2015 (fls. 343 a 346), proferido pelo ilustre Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por entender comprovada a divergência jurisprudencial. A Contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 352 a 399) postulando a negativa de provimento ao recurso especial. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Fl. 422DF CARF MF Processo nº 10280.003606/200655 Acórdão n.º 9303006.103 CSRFT3 Fl. 423 4 Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. A discussão principal posta nos autos referese ao conceito de insumos para determinação se pode ser utilizado pela Contribuinte como crédito de COFINS os gastos incorridos com os serviços de terraplanagem e topografia ligados à terraplanagem, realizado no curso da lavra da mina, sondagem, levantamento topográfico e os serviços de bombeamento de PIG no mineroduto. A priori, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 423DF CARF MF Processo nº 10280.003606/200655 Acórdão n.º 9303006.103 CSRFT3 Fl. 424 5 As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotar se o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da Fl. 424DF CARF MF Processo nº 10280.003606/200655 Acórdão n.º 9303006.103 CSRFT3 Fl. 425 6 carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Fl. 425DF CARF MF Processo nº 10280.003606/200655 Acórdão n.º 9303006.103 CSRFT3 Fl. 426 7 Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das Fl. 426DF CARF MF Processo nº 10280.003606/200655 Acórdão n.º 9303006.103 CSRFT3 Fl. 427 8 instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifou se) Ainda no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema está novamente em julgamento no recurso especial nº 1.221.170 PR, pela sistemática dos recursos repetitivos, contendo votos pelo reconhecimento da ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério amplo/próprio na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime não cumulativo. O julgamento não foi concluído até a presente data. A posição do Superior Tribunal de Justiça, para definição de insumo, mantémse pela adoção de critério próprio/amplo em função da receita, atendendo aos requisitos da pertinência, relevância e essencialidade. Embora existam casos isolados cujas decisões adotaram o critério restritivo (IPI), não há fato novo ou mudança de entendimento do Tribunal da Cidadania suficiente para acarretar mudança de posição da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Do contrário, estarseia adotando premissa de julgamento equivocada e, ainda, violando frontalmente o princípio da segurança jurídica. Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. De posse do critério a ser adotado para definição dos insumos aptos a gerar créditos de PIS e COFINS não cumulativos, adentrarseá a análise do caso concreto. A Contribuinte é pessoa jurídica mineradora, que tem como atividade econômica principal a extração do minério caulim, utilizado na produção de cerâmica, tintas, cimento, etc, e o seu beneficiamento, procedendo ao seu transporte da mina para a unidade industrial através de um mineroduto. Portanto, tem por objeto social: Artigo 2º: A Sociedade tem por objeto social a pesquisa de depósitos minerais, a realização do aproveitamento de jazidas minerais, através da exploração, extração, o beneficiamento de minérios, a transformação Fl. 427DF CARF MF Processo nº 10280.003606/200655 Acórdão n.º 9303006.103 CSRFT3 Fl. 428 9 industrial e comercialização de produtos minerais, no mercado doméstico e no exterior, a operacionalização de terminais portuários ou quaisquer outras atividades comerciais que se relacionarem com seu objeto social, podendo ainda participar de outras sociedades. Os custos de lavra, transporte ou de beneficiamento do minério não são investimentos, e por isso não estão contabilizados no ativo permanente da empresa. Tratase de gastos que integram a produção do capim caulim, devendo, portanto serem reconhecidos como insumos, gerando o direito ao crédito de PIS e de COFINS nãocumulativos. Além disso, a Contribuinte demonstrou a essencialidade/pertinência dos serviços de terraplanagem, topografia, sondagem e bombeamento no processo produtivo do minério caulim. Pertinente a transcrição de trechos dos laudos técnicos (fls. 283 a ) para demonstrar a relação dos serviços com o processo produtivo: LAUDO TÉCNICO – Uso atividades de Terraplanagem e Topografia na IPPSA [...] 3.0 Conclusão Para dar andamento às atividades acima enumeradas, e, portanto, para viabilizar a extração do minério destinado à produção, tornase imprescindível o uso de equipamentos de terraplanagem. A existência destes facilita e é necessário ao procedimento de lavra e ao movimento entre os vários pontos da mina em estradas bem regularizadas que reflete na economia de combustível e custo de manutenção. Sem esses equipamentos não poderíamos remover capeamento e lavrar minério na escala de produção que atendesse o processo industrial, uma vez que não há produção sem a matériaprima necessária. Da mesma forma a topografia. Sem ela não poderíamos avaliar com o grau de certeza exigido as quantidades removidas e transportadas por período de tempo de um plano de lavra. [...] LAUDO TÉCNICO – Processo de Sondagens e Topografia na IPPSA [...] 2.0. Sondagem Para atender a produção, precisamos lavrar grandes quantidades de minério cru e com ele fazer outras operações de processo de modo enviálo à usina de Barcarena, por se tratar de matériaprima indispensável para o processo de beneficiamento. A avaliação da quantidade de minério existente e do material não aproveitável como o capeamento e o estéril é feita por operações de sondagem. [...] 2.2. Operação de Sondagem Fl. 428DF CARF MF Processo nº 10280.003606/200655 Acórdão n.º 9303006.103 CSRFT3 Fl. 429 10 Com base em mapas de localização do minério é estabelecida rede de sondagem que norteará o trabalho. As malhas de sondagem são quadradas e as distâncias entre os furos dependem do grau de acerto que se quer saber sobre o minério. A topografia então lança em campo as picadas guias para marcação dos furos e acompanha os tratores de esteiras que abrem estradas de acesso exatamente sobre as picadas. Estas, depois de prontas têm os furos marcados, niveladas a cada 25 metros e abertas clareiras nos pontos de sondagem para movimentação de sondas e pipas. [...] 2.2.3 Topografia da Sondagem O trabalho de topografia que acompanha a sondagem é feito por equipe constituída por Topógrafo Agrimensor, acompanhado de funcionários destacados para este serviço. Tanto na marcação dos furos em campo como após sondagens conferir a verdadeira localização do furo em campo, precisou do trabalho de topografia. A avaliação da jazida tem como uma de suas bases a exatidão dos trabalhos de sondagem e de topografia. [...] 3.0 Conclusão As sondagens são atividades base para o trabalho de avaliação de um corpo mineral, necessárias para verificar a viabilidade de extração e utilização do minério como matériaprima ao processo de produção e beneficiamento. Desta forma, em a atividade de sondagem não seria possível a lavra e, consequentemente, a atividade de produção. O Ministério das Minas só autoriza a lavra se a instituição concessionária da área comprovar a existência de substancial quantidade de minério o suficiente para ser alvo de exploração econômica. Para tanto o modelamento geológico é feito com base nestas sondagens. Mesmo depois de concedida a lavra os trabalhos de sondagem não são paralisados. A cada avanço da mina um novo detalhamento é programado e concluído com auxílio insubstituível dos equipamentos de perfuração. LAUDO TÉCNICO [...] DAS PROTEÇÕES E MONITORAMENTO DO MINERODUTO Ao longo do percurso do mineroduto existem placas educativas contendo telefones da empresa e advertências contra escavações ou quaisquer tipos de ações que possam afetar a integridade da tubulação enterrada. Foram realizadas várias palestras durante a construção do mineroduto, visando, entre outros itens, informar a população sobre as obras que estavam sendo realizadas. O mineroduto é protegido e monitorado por sistema de proteção catódica, passagem de PIG inteligente que detectam corrosão, amassamentos e falhas Fl. 429DF CARF MF Processo nº 10280.003606/200655 Acórdão n.º 9303006.103 CSRFT3 Fl. 430 11 no revestimento e sistema de injeção de inibidor de corrosão e dosagem de agente químico antimicrobial no material bombeado na Mina. DA ASSEPSIA DO MINERODUTO Na entrada do mineroduto foi instalado lançador de PIG (material esponjoso utilizado em limpeza da tubulação). O PIG será utilizado em caso de entupimento da tubulação, sendo acionado (empurrado) através de bombeamento em alta pressão através das bombas de pistão e com o sistema de injeção de inibidor de corrosão e dosagem de agente químico antimicrobial durante o todo o procedimento. [...] Com base nessas considerações, devem ser considerados como insumos os gastos incorridos com os seguintes itens, por se integrarem ao processo produtivo do caulim: (a) Serviços de terraplanagem; (b) Serviços de sondagem; (c) Levantamento topográfico; e (d) Serviço de bombeamento de PIG no mineroduto da empresa Pará Pigmentos. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, mantendose o reconhecimento ao direito creditório da Contribuinte. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 430DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.721810/2011-52
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011
SIMPLES NACIONAL TERMO DE INDEFERIMENTO DÉBITOS
Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débitos com a Fazenda Pública Federal.
Numero da decisão: 1001-000.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (efl. 04) para o ano calendário 2011, tendose em vista a existência de débito com a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, de natureza não previdenciária (IRRF, período de apuração 10/2008, no valor de R$ 179,09), cuja exigibilidade não estava suspensa, nos termos da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 18 10 /2 01 1- 52 Fl. 105DF CARF MF 2 Após tomar ciência do contido do Termo de Indeferimento a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade. A decisão de primeira instância (efls. 35/40) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que os pagamentos comprovados não foram suficientes para a quitação de todos os débitos (no valor de R$ 179,09) de natureza não previdenciária: 15 Tanto para setembro, quanto para outubro, quanto para novembro de 2008, o interessado confessou, em DCTF, débitos de IRRF, cada qual de R$ 179,09, associandoos à forma de extinção por pagamento (fls.33): (...) 16 Ocorre que, com ou sem retificação de darf, o interessado só efetuou 2 (dois)pagamentos de R$ 179,09. 17 Prova disso é que um dos débitos de R$ 179,09 – o referido no indeferimento permanece sem pagamento, conforme “Informações de Apoio para Emissão de Certidão” (fls.27) e, consulta Sief às fls.32... Cientificada da decisão de primeira instância através de intimação em 28/10/2013 (efl. 28) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 11/11/2013 (e fl. 44), em que aduz, em resumo, que a exclusão ocorreu devido a não alocação do pagamento referente ao período 10/2008, que teria sido recolhido em 10/11/2008. Aduz também que efetuou três recolhimentos, correspondentes a setembro, outubro e novembro de 2008: Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso é tempestivo, portanto dele conheço. Tratase, nestes autos, exclusivamente do Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (efl. 04) para o ano calendário 2011. Cabe verificar o que dispõe o artigo 17 da Lei nº 123/2006, inciso V e XI, e o art. 7o, § 1ºA, da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007: “Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10805.721810/201152 Acórdão n.º 1001000.228 S1C0T1 Fl. 105 3 ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa”;(destaquei). (...)" A opção pelo Simples Nacional está regulamentada pela Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (...) § 1ºA Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) Está comprovado e confirmado que o contribuinte recolheu a contribuição social no montante de R$ 179,09 para dois períodos (efl. 27), mas que havia três períodos com contribuição somando o mesmo valor. Logo, em 31/01/2011 o débito referente ao período de 10/2008 não estava quitado. Desta forma, concluo que havia impedimento para a adesão. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 107DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12269.002111/2010-79
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2008 a 31/10/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 21 11 /2 01 0- 79 Fl. 135DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2402004.389, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de Auto de Infração lavrado por ter o contribuinte apresentado Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço e Informações à Previdência GFIP, com omissão de segurados e do tomador de serviço Prefeitura Municipal de Viamão, em 05/2008, 09/2008 e 10/2008. Dessa forma, o contribuinte apresentou GFIPs com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A multa atingiu o montante de R$ 47.540,00 (quarenta e sete mil, quinhentos e quarenta reais), na forma prevista no artigo 32A, caput, inciso I e parágrafos 2º e 3º, da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei n° 11.941/09, quando da conversão da MP 449/2008. O Contribuinte apresentou impugnação, às fls. 21/36. A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS, às fls. 68/75, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. O Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, fls. 84/93, sob os seguintes fundamentos: 1. O contribuinte não foi intimado da "autorização de reexame do período 08/2005 a 12/2006”, para ter conhecimento de seu conteúdo e da autoridade emissora. A ausência dessa intimação, obrigatória sob pena de nulidade do procedimento, acarreta a invalidade deste Processo Administrativo Fiscal, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972; 2. Segundo expresso no DD DISCRIMINATIVO DO DÉBITO, pg. 01, as competências objeto deste levantamento referemse a período em que já houve ação fiscal, e na ocasião foram entregues à fiscalização contratos e outros documentos referentes às operações da Cooperativa e a autoridade administrativa nada contestou; 3. Comprovam a regularidade da Sociedade Cooperativa todos os documentos ora juntados, como a Ata de Assembléia de Constituição, Estatuto Social e Consolidação, Registro e Regularidade na Ocergs, Atas de Assembléia e Publicações e etc; 4. A impugnante cumpre e faz cumprir todos os regramentos legais a que se acha adstrita pela legislação aqui já citada, atuando como verdadeira cooperativa, de fato e de direito, servindo como instrumento democrático e participativo de desenvolvimento profissional, educacional e social. Assim, descabe a descaracterização levada a efeito pela senhora fiscal e o consequente enquadramento dos cooperados como se fossem empregados com vínculo empregatício; 5. Não há que extrair de Fl. 136DF CARF MF Processo nº 12269.002111/201079 Acórdão n.º 9202006.189 CSRFT2 Fl. 10 3 algumas sentenças que determinaram a existência de vínculo de emprego a certeza de os demais cooperados também tem este vínculo. Para que se pudesse fazer a ilação desejada pela senhora fiscal, necessário seria a existência de uma sentença, declarando que a Cooperativa, ora Impugnante, era na verdade uma empresa, necessário seria a existência de uma sentença declarando que todos os cooperados eram empregados; 6. Não é justo nem legal que se aceite a descaracterização da relação entretida entre os cooperados e a cooperativa sem o devido processo legal, sem uma sentença que determine a desconstituição daquela relação, desta forma, também se requer a anulação deste Auto de Infração por este motivo; 7. Caso os membros deste conselho entendessem em sua decisão que se estava diante da prestação de serviços de empregados, com vínculo empregatício, haveria que se creditar na conta do impugnante os valores referentes aos descontos de 15% (quinze por cento) que foram descontados e retidos do Impugnante e que foram calculados sobre o total das notas fiscais de serviços apresentadas; Por fim, o contribuinte requereu que, caso este recurso não fosse provido na sua totalidade, este Conselho determinasse a apuração e a compensação dos valores descontados pelos tomadores dos serviços pela modalidade de cooperativa com os valores exigidos pelo fisco neste auto, aplicandose as penalidades tais como multas e juros proporcionalmente as diferenças encontradas. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 98/106, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para admitir compensação proporcional a cada competência e a cada empregado com vínculo reconhecido, bem como para que seja aplicada a multa nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei n° 9.430/96. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2008 a 31/10/2008 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Às fls. 107/121, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência, alegando divergência jurisprudencial em relação à regra aplicável à multa mais benéfica ao contribuinte, pois como bem aponta um dos acórdãos paradigmas que entendeu que, para efeito da apuração da multa mais benéfica ao contribuinte, em hipóteses tais como a dos autos, em que houve lançamento da obrigação principal bem como lançamento da obrigação acessória, devese efetuar o seguinte cálculo: somar as multas da sistemática antiga (art. 35, II e art. 32, IV da norma revogada) e comparar o resultado dessa operação com a multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009 e que remete ao art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 (75%). Já, na apuração da penalidade mais benéfica, o colegiado a quo determinou a aplicação da multa prevista no art. 32A Lei nº 8.212/1991, independentemente de ter havido ou não lançamento de ofício. Fl. 137DF CARF MF 4 Às fls. 122/124, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à divergência sobre a retroatividade benigna. Intimado por Edital, à fl. 132, o Contribuinte restou inerte, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado por ter o contribuinte apresentado Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço e Informações à PrevidênciaGFIP, com omissão de segurados e do tomador de serviço Prefeitura Municipal de Viamão, em 05/2008, 09/2008 e 10/2008. Dessa forma, o contribuinte apresentou GFIPs com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A multa atingiu o montante de R$ 47.540,00 (quarenta e sete mil, quinhentos e quarenta reais), na forma prevista no artigo 32A, caput, inciso I e parágrafos 2º e 3º, da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei n° 11.941/09, quando da conversão da MP 449/2008. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante a retroatividade benigna. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) Fl. 138DF CARF MF Processo nº 12269.002111/201079 Acórdão n.º 9202006.189 CSRFT2 Fl. 11 5 De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Fl. 139DF CARF MF 6 Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: Fl. 140DF CARF MF Processo nº 12269.002111/201079 Acórdão n.º 9202006.189 CSRFT2 Fl. 12 7 I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, Fl. 141DF CARF MF 8 do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 12269.002111/201079 Acórdão n.º 9202006.189 CSRFT2 Fl. 13 9 Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei Fl. 143DF CARF MF 10 nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 144DF CARF MF Processo nº 12269.002111/201079 Acórdão n.º 9202006.189 CSRFT2 Fl. 14 11 Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13401.000033/2001-78
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/1998 a 31/01/1999
PIS - FALTA DE RECOLHIMENTO
Constatada falta/insuficiência de recolhimento da contribuição para o período de apuração alcançado pelo auto de infração, é de se manter o lançamento, por força de lei.
Numero da decisão: 3001-000.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado Digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cassio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (Assinado Digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cassio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 40 1. 00 00 33 /2 00 1- 78 Fl. 169DF CARF MF 2 Tratam os autos de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ/REC, que por unanimidade de votos julgou procedente o lançamento, para manter o crédito tributário exigido nos termos do voto da relatora. A cobrança contestada nos presentes autos diz respeito a ausência de recolhimento da contribuição de PIS/PASEP no período de 01/08/1998 a 31/01/1999. Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto o relatório que compõe a Decisão Recorrida: 1. Contra a empresa antes identificada foi lavrado o Auto de Infração (fls. 51/55) do presente processo, para exigência do crédito tributário, adiante especificado: CRÉDITO TRIBUTÁRIO VALOR (RS) PIS 5.936,62 JUROS DE MORA 2.399,62 MULTA 4.452,45 TOTAL 12.788,69 2. De acordo com o Autuante, o referido Auto é decorrente da falta de recolhimento da Contribuição para o Programa da Integração Social, tendo como base de cálculo os valores dos 1ivros Diário e Razão, DIPJ, Declarações de Rendimentos da empresa e DCTF. Originando Demonstrativos de Situação Fiscal Apurada (fls. 43/47) 3. Em atendimento a Termo de Início de Ação Fiscal (fls. 04/05), a contribuinte apresentou documentos (fls. 07/41), dentre os quais, consta relatório “Levantamento de PIS e Cofins da revenda p/cliente” (fl. 09) com indicação de valores de ditas contribuições que teriam sido retidas pela, Companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga; carta da Companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga (fl. 08) indicando que em respostas a Termo de Inicio de Ação Fiscal lavrado em nome do Posto São Cristóvão Ltda, envia relatório constando valores retidos das contribuições PIS e Cofins, bem como guias de recolhimento centralizado, que contemplam o recolhimento dos valores retidos de todos os clientes enquadrados nessa situação; cópias de DARF em nome da Companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga indicando código 8109 PIS (fls. 10/12, 20, 25/29, 33/36), código 2172 Cofins (fls. 13/16, 21/24, 30/32, 37/41), código 3885 PIS Operacional (fls. 17/19) 4. Cientificado, o contribuinte apresentou peça de defesa (fls. 61/66), por seu representante legal, requerendo a nulidade do lançamento, albergado nas seguintes razões: 4.1. requer a nulidade do auto de infração, por não ter sido dada ciência do inicio da ação fiscal, através do MPF e que, segundo a Portaria SRF n° 1.265/99, o prazo de conclusão dos trabalhos é de 120 dias, contados a partir da ciência do Termo de Início de Fiscalização, o qual foi extrapolado; Fl. 170DF CARF MF Processo nº 13401.000033/200178 Acórdão n.º 3001000.016 S3C0T1 Fl. 3 3 4.2. no mérito, alega que a denúncia fiscal está formalmente eivada de dúvidas, inconsistências e erros técnicos e que a lei Complementar n° 70/91 deixa claro que o comerciante varejista, relativamente às suas operações de venda de combustível é substituído para fins de recolhimento da contribuição PIS/Pasep pelo distribuidor, ou seja, o responsável pelo recolhimento daquela contribuição e' a distribuidora de combustível; 4.3. ainda afirma que o Ato Declaratório Normativo n° 32/92, a que se refere o fiscal, trata de matéria relacionada ao lucro presumido, e se versasse sobre a matéria quanto ao responsável pelo recolhimento, o mesmo seria inconstitucional, posto que, estaria infringindo o princípio constitucional da hierarquia das leis. 5. Na análise procedida pela 2ª Turma desta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento constatouse a necessidade de diligência, conforme Resolução nº 327 de 24.03.05 (fls. 73/78), no sentido de: i) ser dado conhecimento à empresa autuada de possível ato que venha a dispor do objeto tratado no lançamento; ii) se pronuncie o fiscal autuante sobre os valores da contribuição constante do relatório “Levantamento de PIS e Cofins da revenda p/cliente” (fl.09) indicando se determinados valores são relativos à base de cálculo utilizada no procedimento fiscal; iii) seja dada ciência ao contribuinte do resultado da diligência. 6, Após intimação da empresa demandante, mediante Termo de Intimação Fiscal (fls. 84), em 24/06/2008 (fl.85), foi elaborado Termo de Encerramento de Diligência (fls. 94) e dada ciência, por AR (fl. 95), em 12/07/2008. Decorrido o prazo legal, não tendo havido manifestação, foi devolvido o presente processo. A decisão proferida pela DRJ/REC, resume seus fundamentos em sua ementa assim elaborada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/ 1998 a 31/O1/1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando os atos administrativos, consubstanciadores do lançamento, revestidos de suas formalidades essenciais, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE AMPLA DEFESA. INEXISTÊNCIA. Inexiste preterição ao direito de defesa quando o ato administrativo tenha sido emitido por agente competente, em total consonância com a legislação vigente MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Fl. 171DF CARF MF 4 Para o procedimento fiscal, consta nos autos emissão e ciência de MPFF, onde as verificações obrigatórias mencionadas englobam a fiscalização das contribuições devidas nos últimos cinco anos, além de que a autorização específica por MPF para a fiscalização não é razão suficiente para a declaração de nulidade do lançamento. PIS. FALTA DE RECOLHIMENTO Constatada falta/insuficiência de recolhimento da contribuição no período alcançado pelo auto de infração, é de se manter o lançamento, por força da lei. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ATIVIDADE VINCULADA. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Lançamento Procedente Em face de recurso voluntário tempestivamente apresentado às folhas 120 dos autos, insurgese a recorrente contra a decisão proferida em primeiro grau, requerendo sua revisão nos seguintes termos: DA DEFESA Em análise ao exposto acima e aos atos e fatos que geraram a devida cobrança e cientificados de todo o processo nos fazemos do DIREITO de defesa para expor a forma de tributação que o POSTO SÃO CRISTÓVÃO é enquadrado na qualidade de comércio varejista de derivados de petróleo. A entidade mencionada é enquadrada em um regime monofásico de impostos PIS e COFINS onde os impostos são pagos em cadeias por substituição tributárias ou seja como comércio varejista de derivados de petróleo o PIS E COFINS são pagos pela distribuidora que o varejista adquiriu o produto. A Lei federal nº 9.718 de 27 de novembro de 1998 e medida provisória nº.2158 35 de agosto de 2001 reforça o mencionado e disserta em seu artigo 5 que fica reduzido a alíquota 0% a receita bruta sujeita a substituição tributária sobre comércio a varejo de derivados de petróleo. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Cássio Schappo Relator O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 13401.000033/200178 Acórdão n.º 3001000.016 S3C0T1 Fl. 4 5 A questão motivadora do Auto de Infração discutida nestes autos diz respeito a falta de recolhimento de PIS/Pasep no período de agosto de 1998 a janeiro de 1999, levantados com base nos livros e documentos fiscais da recorrente. Em primeiro grau foram afastadas todas as teses arguidas pela defesa, com argumentos e fundamentos que asseguraram total procedência da exigência fiscal contida no auto de infração de fls. 54/55, não merecendo, portanto, nenhum reparo. Nem a recorrente ousa contestálas, restringindose a fazer as seguintes observações: i) que atua no comércio varejista de derivados de petróleo, sujeitos ao regime monofásico do Pis e Cofins, recolhidos por substituição tributária pela distribuidora; ii) que a Lei nº 9.718 de 27 de novembro de 1998 e a MP nº.215835 de agosto de 2001 reforçam o mencionado e que o art. 5º reduziu a alíquota 0% a receita bruta sujeita a substituição tributária sobre comércio a varejo de derivados de petróleo; Tanto a primeira quanto a segunda observação feita pela recorrente confirmam apenas o que consta do auto de infração, não contendo nenhum elemento capaz de alterar a decisão recorrida ou colocar sob suspeita o auto de infração. Ficou claro no Termo de Encerramento Fiscal de fls. 56/57, que a recorrente não cumpriu com suas obrigações tributárias, relacionados ao recolhimento do PIS/Pasep no período de 08/1998 a 01/1999. Apesar das intimações levadas a cabo pelo auditor fiscal, o sujeito passivo não conseguiu comprovar o recolhimento do tributo e afastar a acusação fiscal. Ainda no respectivo Termo de Encerramento (fls. 56/57), foi citados os fundamentos legais que sustentam a exigência tributária, com destaque para a seguinte parte: LEI 9.715 DE 25/11/1998 Dou 26/11/1998 Dispõe sobre as contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP, e dá outras providências. (artigos 1 a 18) TEXTO: ART.6º A contribuição mensal devida pelos distribuidores de derivados de petróleo e álcool etílico hidratado para fins carburantes, na condição de substitutos dos comerciantes varejistas, será calculada sobre o menor valor, no País, constante da tabela de preços máximos fixados para venda a varejo, sem prejuízo da contribuição incidente sobre suas próprias vendas. Desta forma, segundo o respectivo diploma legal a referida contribuição será calculada e recolhida pela distribuidora, considerando o menor valor, vigente no pais, constante da tabela de preços máximos fixados para a venda a varejo de combustíveis derivados de petróleo e de álcool para fins carburantes. A premissa básica para esse entendimento é a existência da Tabela de preços máximos para a venda a varejo. Como os preços dos combustíveis estão liberados desde zero hora do dia Fl. 173DF CARF MF 6 29 de julho de 1998,com o advento da Portaria Interministerial n°. 5 , de 27 de julho de 1998, a SRF em seu Ato Declaratório Normativo n°. 32/92 entende que assim fica desobrigada a distribuidora do recolhimento da referida contribuição voltando a ser o responsável o próprio varejista. Portando, caberia a autuada comprovar através de documentos hábeis que o Pis/Pasep devido no período de 08/1988 a 01/1999, foi recolhido pela distribuidora na condição de substituta tributária ou por ela própria recolhidos sobre a receitas declaradas em seus livros e documentos fiscais/contábeis, fato que não ocorreu. Com relação ao dispositivo legal mencionado no recurso, art. 5º da Lei nº 9.718/1998, também, não socorre a recorrente, pois se depreende de seu texto que diz respeito ao produto álcool para fins carburantes, cuja alíquota seria de 0%, com efeitos a partir de.01/02/1999. Assim sendo, considerando o que acima foi exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário para manter o crédito tributário por procedente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 174DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.008709/2008-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2002, 2003 DECADÊNCIA. IRRF. REMUNERAÇÃO INDIRETA PAGA A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. ART. 173, INCISO I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Nos tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação, não havendo pagamento antecipado de IRRF, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decai após 5 (cinco) anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme dispõe o artigo 173, inciso I, do CTN. Uma vez comprovado que os créditos tributários foram constituídos, in totum, após transcorrido esse prazo, ocorreu a decadência. DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO/RETENÇÃO DO IRRF. ART. 173, INCISO I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. No caso de lançamento de multa isolada, o termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo 173, inciso I, do CTN), conforme dispõe o item 12 da NOTA MF/SRF/Cosit nº 577, de 24 de agosto de 2000. Devem ser excluídos do lançamento os valores lançados após decorrido este prazo. MULTA ISOLADA PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO IRRF. LANÇAMENTO. ALTERAÇÃO DA DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. IMPROCEDÊNCIA. O momento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária é definido por lei. Deve ser cancelado o lançamento que altera, sem base legal, a data da ocorrência do fato gerador determinada pela legislação tributária.
Numero da decisão: 2401-004.976
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do
recurso de oficio e, no mérito, negar lhe provimento.
Nome do relator: Luciana Matos Pereira Barbosa
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2002, 2003 DECADÊNCIA. IRRF. REMUNERAÇÃO INDIRETA PAGA A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. ART. 173, INCISO I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Nos tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação, não havendo pagamento antecipado de IRRF, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decai após 5 (cinco) anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme dispõe o artigo 173, inciso I, do CTN. Uma vez comprovado que os créditos tributários foram constituídos, in totum, após transcorrido esse prazo, ocorreu a decadência. DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO/RETENÇÃO DO IRRF. ART. 173, INCISO I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. No caso de lançamento de multa isolada, o termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo 173, inciso I, do CTN), conforme dispõe o item 12 da NOTA MF/SRF/Cosit nº 577, de 24 de agosto de 2000. Devem ser excluídos do lançamento os valores lançados após decorrido este prazo. MULTA ISOLADA PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO IRRF. LANÇAMENTO. ALTERAÇÃO DA DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. IMPROCEDÊNCIA. O momento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária é definido por lei. Deve ser cancelado o lançamento que altera, sem base legal, a data da ocorrência do fato gerador determinada pela legislação tributária.
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E COM. DE PROD. SAUDE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003 DECADÊNCIA. IRRF. REMUNERAÇÃO INDIRETA PAGA A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. ART. 173, INCISO I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Nos tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação, não havendo pagamento antecipado de IRRF, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decai após 5 (cinco) anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme dispõe o artigo 173, inciso I, do CTN. Uma vez comprovado que os créditos tributários foram constituídos, in totum, após transcorrido esse prazo, ocorreu a decadência. DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO/RETENÇÃO DO IRRF. ART. 173, INCISO I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. No caso de lançamento de multa isolada, o termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo 173, inciso I, do CTN), conforme dispõe o item 12 da NOTA MF/SRF/Cosit nº 577, de 24 de agosto de 2000. Devem ser excluídos do lançamento os valores lançados após decorrido este prazo. MULTA ISOLADA PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO IRRF. LANÇAMENTO. ALTERAÇÃO DA DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. IMPROCEDÊNCIA. O momento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária é definido por lei. Deve ser cancelado o lançamento que altera, sem base legal, a data da ocorrência do fato gerador determinada pela legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 87 09 /2 00 8- 47 Fl. 1172DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.1017.13581.ZWML. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso de oficio e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira. Fl. 1173DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.1017.13581.ZWML. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.008709/200847 Acórdão n.º 2401004.976 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de processo Auto de Infração de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, fls. 885/903, referente ao ano calendário de 2002/2003, de acordo com o Termo de verificação Fiscal, fls. 882/884: O Auto de Infração foi apurado em procedimento de fiscalização do Imposto de Renda Retido na Fonte realizado junto à empresa em epígrafe, referente exclusivamente a fatos apurados junto a empresa incorporada pela mesma, Johnson & Johnson Comércio e Distribuição Ltda., CNPJ n° 61.192.571/000160. Após requisição de livros e documentos contábeis e arquivos magnéticos da contabilidade a Johnson e Johnson Comércio Distribuição, houve intimação em 08/08/2007 e reintimação em 11/09/2007, para efeito de esclarecimento no que se refere ao Imposto de Renda retido na Fonte incidente sobre pagamentos efetuados a terceiros através da empresa Incentive House, da relação dos empregados aos quais foram disponibilizados os cartões magnéticos "FLEXICARD" emitidos pela empresa Incentive House S/A, CNPJ 00.416.126/000141, para saques nas agências do UNIBANCO e rede 24 hs; indicando data e valor dos saques, individualizados por beneficiário e para que informasse à fiscalização a rubrica contábil onde foram registrados os recursos movimentados na forma citada acima. A empresa, em resposta, esclareceu quanto à rubrica contábil, entretanto, no que se refere à relação de empregados declarou que não era possível obter tais informações, porque a responsabilidade da J&J se encerrava com o pagamento dos valores para a Incentive House e entrega dos cartões de incentivo premiados aos beneficiários, que poderiam, ao seu critério, sacar o valor ou mesmo utilizálo para pagamentos ou efetivação de compras, resposta esta que consta às fls. 422 dos autos. Houve nova intimação, em 14/11/2007, da relação dos empregados e/ou administradores, aos quais foram entregues os cartões magnéticos "FLEXICARD" emitidos pela empresa Incentive House S/A para saques nas agenciais do UNIBANCO e rede 24 hs; indicando cargo ou função do mesmo dentro da empresa à época e; cópia das faturas e comprovante de pagamento das mesmas. Em resposta, foi apresentado em 29/10/2007 um rol das faturas emitidas e recebidas pela empresa, indicando a data do lançamento contábil e número do documento e apenas uma pequena parte das Notas Fiscais. Posteriormente, complementando a resposta em 10/12/2007 a empresa informou que nenhum dos diretores nomeados no contrato social recebeu qualquer tipo de prêmio emitido pela Incentive House, bem como, apresentou parte dos comprovantes de pagamento das Notas Fiscais. Com base em Mandado de Procedimento Extensivo foi requisitado à empresa Incentive House que disponibilizasse à fiscalização as seguintes informações: a) Data de aquisição e valor total adquirido de créditos para saque de funcionários da empresa sob fiscalização através de cartão magnético denominado "flexicard", "premium card" ou "perfeito"; Fl. 1174DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.1017.13581.ZWML. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 b) Relação dos beneficiários, com informação da data e valor do repasse desses créditos; c) Relação das Notas Fiscais emitidas, indicando, número, data de emissão, valor e data de pagamento. Foram apresentados, em atendimento a intimações posteriores, cópias do Livro Razão em que foram contabilizadas as Notas Fiscais e parte das cópias de Notas Fiscais e dos comprovantes de pagamento. Verificadas as Notas Fiscais relacionadas em anexo a resposta de 29/10/2002 e contabilizadas pela fiscalizada em confronto com a relação das Notas Fiscais por beneficiário trazidas à fiscalização pela empresa Incentive House, foram constatadas as seguintes infringências à Legislação do Imposto de Renda, nos anos calendário de 2002 e 2003: Remuneração Indireta paga a Beneficiário não identificado. Das Notas Fiscais contabilizadas e pagas pela empresa, Johnson & Johnson Comércio e Distribuição Ltda, não foram identificados quer pela empresa, quer pela prestadora do serviço, os beneficiários dos recursos distribuídos à título de incentivo a empregados e/ou terceiros de parte dessas Notas Fiscais. Assim sendo, nos termos do art. 74, da Lei n° 8.383/91, combinado com o artigo 61, caput, e parágrafos 2º e 3º da Lei n° 8.981/85, foi efetuada a tributação dos valores contabilizados/pagos, exclusiva na fonte a alíquota de 35%, sobre a base de cálculo reajustada. Para apuração dessas notas foi efetuado o batimento entre as Notas Fiscais contabilizadas na empresa e as Notas com beneficiários identificados, conforme informação da “Incentive House”, fato demonstrado na planilha, “Comparativo de Notas Fiscais –Johnson & Johnson C. e Distrib x incentive House” identificando na última coluna o valor das Notas sem identificação do beneficiário. Outra planilha foi elaborada para efeito de apuração da base de cálculo do IRRF de tributação exclusiva na Fonte, onde foi demonstrada a base de cálculo reajustada a ser transportada para o Auto de Infração. Multa Isolada pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto de renda na fonte incidente sobre pagamentos a funcionários e prestadores de serviços. Com referência as Notas Fiscais emitidas pela empresa Incentive House em nome da empresa Johnson & Johnson Comércio e Distribuição, cujos beneficiários dos prêmios foram identificados pela empresa prestadora do serviço, primeiramente, foram efetuadas pesquisas nos Sistemas da Receita Federal com o fim de identificar: a) beneficiários com vínculo empregatício, identificando através da DIRF os valores declarados pela empresa nos meses de competência dos créditos, para efeito do cálculo conforme demonstrado na planilha "Apuração da multa isolada IRRF sobre trabalho assalariado". b) beneficiários sem vínculo empregatício todos os pagamentos efetuados para pessoas físicas que não constam em DIRF da empresa, conforme demonstrado na planilha "Apuração da multa isolada IRRF na Fonte sobre pagamentos sem vinculo empregatício". c) Na planilha "Pagamentos a Beneficiários não sujeitos ao IRRF", foram relacionados os beneficiários sem vinculo empregatício (todos os valores entre R$ 100,00 e 1.058,00) e/ou com vinculo empregatício porém com recebimento de valores aquém do limite da tabela de IRRF. Fl. 1175DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.1017.13581.ZWML. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.008709/200847 Acórdão n.º 2401004.976 S2C4T1 Fl. 4 5 d) Os valores mensais de Multa isolada transportados para a folha de Continuação ao Auto de Infração consistem no somatório dos totais mensais conforme apurado nas planilhas referidas nos itens "a" e "b", acima e mostram as importâncias identificadas no Termo de Verificação. O Cálculo das multas com a aplicação das disposições da Lei 10.426/2002, art. 9º, combinado com o art. 44, incisos e §1º , da Lei n° 9.430/96, por ocorrência de falta de declaração e/ou declaração inexata de valores, sabidamente tributáveis, dessa forma, impedindo e/ou retardando total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Consta dos autos as planilhas citadas pela Auditora que deram suporte ao lançamento, fls 843/881. Inconformado, o contribuinte, comunicado do lançamento no dia 05/01/2009, AR de fls. 912, apresentou impugnação, em 03/02/2009, fls. 916/930, conforme muito bem resumiu a instância a quo, a saber: Segundo a Auditora a Impugnante deixou de recolher Imposto de Renda Retido na Fonte sobre pagamentos a beneficiários não identificados no montante de R$ 802.653,25 mais R$ 659.978,29 de juros de mora e calculou multa denominada proporcional de 150%, totalizando R$ 1.139.757,53. Sobre esse valor, a Auditora cobrou multa isolada de R$ 616.936,13. O IRRF é tributo sujeito a lançamento por homologação e por esse motivo obedece à norma inserida no Código Tributário Nacional, art. 150, parágrafo 4º. O termo inicial para contagem da decadência referente à cobrança do débito é a própria data do fato gerador (FG), tal seja, 08/01/2002. A contagem dos cinco anos iniciase no dia 08/01/02 e portanto, a Fazenda teria até o dia 07/01/2007 para efetuar o lançamento. Não venha alegar suposta ausência de pagamento para a não aplicação do art. 150 § 4º do CTN nos presentes autos. A natureza do lançamento é definida unicamente por lei. A única exceção para a contagem do prazo decadencial nos tributos sujeitos a lançamento por homologação ocorrerá nos casos de dolo, fraude ou simulação, o que não é o caso da Impugnante, até mesmo porque não foi apresentada qualquer prova em todo processo de fiscalização de qualquer dessas ocorrências. Da Multa Isolada A Autoridade Fiscal aplicou multa cobrada isoladamente no valor de R$ 616.936,13 e multa proporcional de R$ 1.139.757,53 em razão de suposta falta de retenção ou recolhimento do IRRF após o prazo fixado, com base no artigo 9º da Medida Provisória 16/2002 (convalidada pela lei 10.426/2002). Conforme já demonstrado, os valores já foram atingidos pela decadência e, ainda que fosse devida a cobrança de multa, ela Fl. 1176DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.1017.13581.ZWML. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 poderia ser calculada apenas uma vez sob a alíquota de 75% nos casos de falta de pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo. Alternativamente, caso houvesse evidente intuito de fraude, a multa deveria ser calculada sob a alíquota de 150%. Ora, não há que se falar na cobrança cumulativa de ambas, como o fez a Auditora. Mesmo porque, o art. 44 da lei 9.430/96 menciona que será aplicado o inciso I, excetuada a hipótese do inciso II. Para sustentar a cobrança da multa por fraude, a Autoridade alegou a "ocorrência de falta de declaração e/ou declaração inexata de valores, sabidamente tributáveis, dessa forma, impedindo e/ou retardando total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais”. A Auditora aparentemente classificou a Impugnante como sonegadora e limitouse a transcrever o artigo 71 da lei 4.502/64. Partiu do pressuposto de que os valores ora em exigência, eram "sabidamente tributáveis", e que a Impugnante teria impedido e/ou retardado o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Através da leitura do Termo de Verificação Fiscal, bem como através de toda a documentação apresentada nos autos, tornase totalmente descabida tal alegação. O próprio Conselho de Contribuintes já se pronunciou a respeito do tema, Súmula 14 do Primeiro Conselho de Contribuintes. O Contribuinte apresentou toda a documentação solicitada nos inúmeros Termos de Intimação. Não há qualquer indício de sonegação. Inclusive, a única motivação da Autoridade Fiscal para imputar à Impugnante multa de 150% foi a de que os valores lançados eram sabidamente tributáveis. Não basta a simples indicação do art. 44, II da Lei 9430/96 para penalizar a contribuinte. É necessário que sejam expostos os fatos que levaram a Autoridade classificar a Impugnante como sonegadora. Da Retroatividade Benigna Em atos não definitivamente julgados, a lei tributária pode ser aplicada a ato pretérito quando deixe de definilo como infração (art 106, I, do CTN). Antes das mudanças realizadas através da lei 11.488/2007, o art. 44, I e II da lei 9.430/96 previa a aplicação da multa de 75% para os casos de falta de pagamento ou 150% para os casos em que se configurava fraude. Não obstante, a Autoridade pretende a cobrança cumulativa de ambas. Essa interpretação para a antiga lei 9.430/96 não merece ser aceita, e ainda que o fosse, deveria ser observada a retroatividade benigna, com a aplicação das alterações promovidas pela lei 11.488/2007. Com as alterações promovidas pela lei 11.488/2007 restou mais claro ainda que só seria possível aplicar as multas de 75% e 150% alternativamente. Fl. 1177DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.1017.13581.ZWML. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.008709/200847 Acórdão n.º 2401004.976 S2C4T1 Fl. 5 7 Requer a insubsistência do valor lançado, cancelando imediatamente o débito fiscal reclamado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro (RJ) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1240.017da 7ª Turma da DRJ/RJ1, às fls. 1.129/1.152, julgando improcedente o lançamento e exonerando o crédito tributário em sua integralidade. Recordese: DECADÊNCIA. IRRF. REMUNERAÇÃO INDIRETA PAGA A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. ART. 173, INCISO I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Nos tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação, não havendo pagamento antecipado de IRRF, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decai após 5 (cinco) anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme dispõe o artigo 173, inciso I, do CTN. Uma vez comprovado que os créditos tributários foram constituídos, in totum, após transcorrido esse prazo, ocorreu a decadência. DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO/RETENÇÃO DO IRRF. ART. 173, INCISO I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. No caso de lançamento de multa isolada, o termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo 173, inciso I, do CTN), conforme dispõe o item 12 da NOTA MF/SRF/Cosit nº 577, de 24 de agosto de 2000. Devem ser excluídos do lançamento os valores lançados após decorrido este prazo. MULTA ISOLADA PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO IRRF. LANÇAMENTO. ALTERAÇÃO DA DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. IMPROCEDÊNCIA. O momento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária é definido por lei. Deve ser cancelado o lançamento que altera, sem base legal, a data da ocorrência do fato gerador determinada pela legislação tributária. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, ACORDAM os membros da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, POR MAIORIA de votos, DAR PROVIMENTO À IMPUGNAÇÃO e JULGAR OS LANÇAMENTOS IMPROCEDENTES, devendo ser exonerado o crédito tributário lançado, no montante de R$ 3.219.325,20, nos termos do relatório e voto vencedor que passam a fazer parte do presente julgado. Fl. 1178DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.1017.13581.ZWML. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 Vencida a relatora julgadora Priscila S. de Araújo que julga o lançamento procedente em parte nos termos de seu voto vencido. Designado para redigir o voto vencedor o julgador Guilherme Henrique da Silva Ribeiro. Deste ato, recorrese de ofício ao Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235/72 e alterações introduzidas pela Lei nº 8.748, de 1993 e Portaria/MF nº 3 de 03/01/2008. À DICAT/EQCOB da DERAT de SÃO PAULO (SP) para ciência ao interessado do inteiro teor deste Acórdão, e para tomar as demais providências necessárias ao seu cumprimento. Assinatura digital – eprocesso Assinatura digital – eprocesso Maria Lúcia Miceli Guilherme Henrique da Silva Ribeiro Presidente substituta Mat: 76263 Relator designado Mat:20633 Como assinalado na decisão acima reproduzida, foi apresentado Recurso de Ofício, por força da remessa necessária. É o relatório. Fl. 1179DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.1017.13581.ZWML. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.008709/200847 Acórdão n.º 2401004.976 S2C4T1 Fl. 6 9 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO DE OFÍCIO O recurso atende os requisitos de admissibilidade. O Recurso de Ofício foi interposto pelo próprio Órgão julgador de primeiro grau, tendo em vista que aquele Colegiado considerou procedente o lançamento, exonerando o crédito tributário lançado, no montante de R$ 3.219.325,20, sujeito, portanto à remessa necessária. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso de Ofício. 2. DO MÉRITO Após a análise minudente dos autos, passo a decidir: I DA DECADÊNCIA DO DIREITO DE EXIGIR O IRRF No caso sub examine, os supostos pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado ocorreram entre 08/01/2002 e 18/12/2003, logo, os fatos geradores do IRRF ocorreram até 18/12/2003, tendo em vista que considerase vencido o Imposto de Renda na Fonte , no dia do pagamento da referida importância, por força do disposto no § 2º, do artigo 61, da Lei nº 8.981/95. Nesse descortino, seja pelo prazo decadencial previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, seja pelo prazo decadencial previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, o crédito tributário estava decaído quando o Contribuinte foi intimado do lançamento em 05/01/2009. Assim, resta clara a impossibilidade de exigência de quaisquer valores a título de IRRF, bem como os respectivos acréscimos legais de juros e multa de ofício. A multa isolada também estava decaída. (art. 9º da Lei nº 10.426/02) Dessa forma mantenho as razões de decidir da instância de piso, as quais adoto como razão de decidir: Conforme se observa da análise dos autos, nos anos calendários 2002 e 2003 o direito da Fazenda Nacional exigir o IRFF relativo aos fatos geradores desse período estavam fulminados pela decadência , assim estavam extintos por decadência os supostos créditos tributários objeto de atuação, por observância ao artigo 156, inciso V, do CTN Fl. 1180DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.1017.13581.ZWML. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 Do dolo Inicialmente, cabe reproduzir o art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I ................ II – cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Portanto, pelo exposto, o evidente intuito de fraude, requisito essencial para aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento), deve ser comprovado. Em outras palavras, a multa qualificada, prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996, deve ser aplicada, quando comprovado que o interessado agiu com evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Para fundamentar a aplicação da multa qualificada, a fiscalização se limita a afirmar no Termo de Verificação, item 11 (fl. 883), que “o Cálculo das multas com a aplicação das disposições da Lei 10.426/2002, art. 9º, combinado com o art. 44, inciso e § 1º, da Lei 9430/96, por ocorrência da falta de declaração e/ou declaração inexata de valores, sabidamente tributáveis, dessa forma, impedindo e/ou retardando, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais.” Entendo que, tão somente, a afirmação genérica da fiscalização de que os valores seriam ‘sabidamente tributáveis’, sem trazer elementos de prova da materialidade do intuito doloso do interessado, apenas presume que tenha havido evidente intuito de fraude, mas não comprova cabalmente. Para que a multa seja qualificada (150%), a fiscalização tem o ônus de comprovar o dolo, não bastando que seja presumido. Entendo que seja necessária a subsunção do fato concreto apurado às hipóteses de incidência previstas na norma legal. Neste sentido, citase Súmula nº 14 do Egrégio Conselho de Contribuintes, aplicada por analogia: Súmula 1º CC nº 14: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” Do mesmo modo, o fato de o interessado não ter logrado comprovar, na íntegra, a quem efetuou os pagamentos, não autoriza, por si só, inferir que tenha agido dolosamente, se não Fl. 1181DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.1017.13581.ZWML. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.008709/200847 Acórdão n.º 2401004.976 S2C4T1 Fl. 7 11 houver nos autos elementos probatórios que comprovem a ação dolosa. No caso da infração referente à multa isolada, aplicada com a alíquota de 150%, menos ainda está comprovado o intuito doloso, já que, neste caso, os beneficiários estão identificados. Devese acrescentar, ainda, que não há provas nos autos de que o interessado tenha agido para dificultar ou impedir que a fiscalização tivesse ciência dos fatos. Por sua vez, a empresa Incentive House, prestadora de serviços ao interessado, intimada, apresentou a relação dos beneficiários, com informação da data e valor do repasse dos créditos, a relação das notas fiscais emitidas, indicando, número, data de emissão, valor e data de pagamento, e outros documentos que permitiram, inclusive, que a fiscalização apurasse o crédito tributário. Portanto, por todo o exposto, não restou comprovado, pela fiscalização, que o interessado tenha agido dolosamente. Da decadência Em que pese não ter restado comprovado que o interessado tenha agido com intuito doloso, tal fato não terá qualquer reflexo na contagem do prazo decadencial, pois no entendimento desta autoridade julgadora, por outras razões, a contagem, em ambas as infrações, se dará pelo 173, inciso I, do CTN, senão vejamos. Falta de recolhimento do IRRF sobre pagamento a beneficiário não identificado Com o advento da Lei nº 8.383/1991, o lançamento do IRRF passou a corresponder à modalidade de lançamento por homologação. Nos tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação, havendo pagamento antecipado de IRRF e ausentes o dolo, a fraude e a simulação, a decadência do direito de constituir o crédito tributário se rege pelo art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN). Ou seja, o prazo para lançar será de 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador. In casu, em que pese não ter sido comprovado o dolo, não houve pagamento antecipado de IRRF, o que remete ao art. 173, inciso I, do CTN, a contagem do prazo decadencial para lançamento. A infração é por falta de recolhimento do IRRF sobre pagamento a beneficiário não identificado. Ora, se tivesse havido pagamento antecipado de IRRF, seria possível identificar o beneficiário. Logo, a contrario sensu, se o interessado não logrou comprovar quem foram os beneficiários dos pagamentos, também, evidentemente, não comprovou ter havido antecipação de pagamento de IRRF. A mera juntada de Darfs (fls.1.067/1.103), com código 0561 – IRRF – Rendimento do Trabalho Assalariado, nada comprova em relação a esta Fl. 1182DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.1017.13581.ZWML. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 12 infração, já que não se sabe nem se foram pagamentos efetuados a título de trabalho assalariado. Os beneficiários, cabe lembrar, não foram identificados. Se não foram identificados, não é possível saber a que título foram os pagamentos. Portanto, não estando comprovado ter havido antecipação de pagamento de IRRF, deve ser aplicada a regra geral contida no inciso I do art. 173 do CTN (o direito de constituir o crédito tributário extinguese após 5 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Tal entendimento, como bem frisou a nobre relatora, encontra amparo no Parecer PGFN/CAT nº 1617/2008, aprovado pelo Ministro da Fazenda em 18/08/2008. Conforme consta do auto de infração lavrado, os fatos geradores, relativamente a esta infração, teriam ocorrido de 08/01/2002 até 18/12/2003. O crédito tributário só foi formalizado em 05/01/2009 (ciência do interessado – AR – fl. 912). Para melhor compreensão da contagem do prazo decadencial, farseá a separação dos fatos geradores: Fatos Geradores ocorridos de 08/01/2002 a 20/12/2002 Aplicandose a regra geral contida no inciso I do art. 173 do CTN, em razão da falta de antecipação de pagamento, constata se que ocorreu a decadência para os fatos geradores verificados no período de 08/01/2002 a 20/12/2002, já que o prazo para constituir o crédito tributário começaria a contar a partir de 01/01/2003 e terminaria em 01/01/2008. Como o interessado tomou ciência do auto de infração em 05/01/2009, ocorreu a decadência. Portanto, por este fundamento, entendo que ocorreu a decadência dos lançamentos referentes a fatos geradores ocorridos de 08/01/2002 a 20/12/2002. Fatos Geradores ocorridos de 08/01/2003 a 27/11/2003 Aplicandose a regra geral contida no inciso I do art. 173 do CTN, em razão da falta de antecipação de pagamento, constata se que ocorreu a decadência para os fatos geradores verificados no período de 08/01/2003 a 27/11/2003, já que o prazo para constituir o crédito tributário começaria a contar a partir de 01/01/2004 e terminaria em 01/01/2009. Como o interessado tomou ciência do auto de infração em 05/01/2009, ocorreu a decadência. Portanto, por este fundamento, entendo que ocorreu a decadência dos lançamentos referentes a fatos geradores ocorridos de 08/01/2003 a 27/11/2003. Fato gerador ocorrido em 18/12/2003 O fato gerador do IRRF ocorreu em 18/12/2003. Isto porque, segundo consta no art. 61, § 2º, da Lei nº 8.981/1995, “Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância”. Como a importância teria sido paga (data do crédito) em 18/12/2003, nesta data ocorreu o fato gerador. Fl. 1183DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.1017.13581.ZWML. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.008709/200847 Acórdão n.º 2401004.976 S2C4T1 Fl. 8 13 O Ato Declaratório Executivo Corat nº 75, de 19 de novembro de 2003 (agenda tributária do mês de dezembro de 2003), confirma que, no caso de IRRF pagamento a beneficiário não identificado, o fato gerador ocorre no mesmo dia e o vencimento é diário. Sendo assim, como o fato gerador e o vencimento ocorreram, ambos, em 18/12/2003, o lançamento poderia ter sido efetuado ainda no exercício de 2003 (de 19/12/2003 a 31/12/2003). Assim, o prazo para constituir o crédito tributário começaria a contar a partir de 01/01/2004 e terminaria em 01/01/2009. Como o interessado tomou ciência do auto de infração em 05/01/2009, ocorreu a decadência. Portanto, o valor lançado de IRRF, cujo fato gerador ocorreu em 18/12/2003, também foi atingido pela decadência. Em resumo, os lançamentos referentes à infração ‘Falta de recolhimento do IRRF sobre pagamento a beneficiário não identificado’ estão todos decaídos. Multa isolada devida pela falta de retenção ou recolhimento de IRRF após o prazo fixado No caso de lançamento de multa isolada, o termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo 173, inciso I, do CTN), conforme dispõe o item 12 da NOTA MF/SRF/Cosit nº 577, de 24 de agosto de 2000 (“As regras para definição do termo inicial do prazo de decadência para o lançamento de multas são as mesmas aplicáveis ao do tributo correspondente, exceto no caso de lançamento de multa isolada em que o termo inicial é o primeiro dia do exercício aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”). (grifei). Conforme consta do auto de infração lavrado, os fatos geradores, relativamente a esta infração, teriam ocorrido de janeiro/2002 (31/01/2002) até dezembro/2003 (31/12/2003). O crédito tributário, como já mencionado, só foi formalizado em 05/01/2009 (ciência do interessado – AR – fl. 912). Antes de adentrar na questão da decadência, cabe salientar que os fatos geradores dos IRRFs não retidos/não recolhidos sobre trabalho assalariado e não assalariado, que trata os autos, não são mensais, como consta no auto de infração, mas sim, semanais. Como será abordado mais adiante, esta alteração, pela fiscalização, no momento da ocorrência dos fatos geradores, além de contrariar o princípio da legalidade, acarreta na alteração da data do vencimento do IRRF e na contagem do prazo decadencial. De todo modo, mesmo que se considere os fatos geradores constantes do auto de infração, a grande parte dos lançamentos está decaída. Fl. 1184DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.1017.13581.ZWML. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 14 Para melhor compreensão da contagem do prazo decadencial, farseá a separação dos fatos geradores: Fatos geradores ocorridos de janeiro de 2002 a novembro de 2002 Aplicandose a regra geral contida no inciso I do art. 173 do CTN, constatase que ocorreu a decadência para os fatos geradores verificados no período de janeiro de 2002 a novembro de 2002, já que o prazo para constituir o crédito tributário começaria a contar a partir de 01/01/2003 e terminaria em 01/01/2008. Como o interessado tomou ciência do auto de infração em 05/01/2009, ocorreu a decadência. Portanto, por este fundamento, entendo que ocorreu a decadência dos lançamentos referentes a fatos geradores ocorridos de janeiro de 2002 (31/01/2002) a novembro de 2002 (30/11/2002). Fatos geradores ocorridos de dezembro de 2002 a novembro de 2003 Aplicandose a regra geral contida no inciso I do art. 173 do CTN, constatase que ocorreu a decadência para os fatos geradores verificados no período de dezembro de 2002 a novembro de 2003, já que o prazo para constituir o crédito tributário começaria a contar a partir de 01/01/2004 e terminaria em 01/01/2009. Como o interessado tomou ciência do auto de infração em 05/01/2009, ocorreu a decadência. Portanto, por este fundamento, entendo que ocorreu a decadência dos lançamentos referentes a fatos geradores ocorridos de dezembro de 2002 (31/12/2002) a novembro de 2003 (30/11/2003). Em resumo, os lançamentos referentes à infração ‘Multa isolada devida pela falta de retenção ou recolhimento de IRRF após o prazo fixado’, de janeiro de 2002 a novembro de 2003, estão decaídos. Fatos gerador ocorrido em dezembro de 2003 Com relação ao fato gerador ocorrido em dezembro de 2003 (31/12/2003) não houve decadência, pois a contagem do prazo para o lançamento se iniciaria em 01/01/2005 e findaria em 01/01/2010. Contudo, tal lançamento deve ser exonerado por outros fundamentos, senão vejamos. Do mérito Multa isolada devida pela falta de retenção ou recolhimento de IRRF após o prazo fixado Apesar de o interessado não alegar, esta autoridade julgadora, de ofício, com fundamento nos princípios da legalidade e da verdade material, verificou que os fatos geradores dos IRRFs não retidos ou não recolhidos sobre trabalho assalariado (código 0561) e não assalariado – sem vínculo empregatício (código 0588), que deram causa ao lançamento da multa isolada, não são mensais, como consta no auto de infração e no Termo de Verificação Fiscal (item ‘d’ da fl. 881), mas sim, semanais (vide Agenda Tributária da Secretaria da Receita Federal do Brasil). Esta alteração no Fl. 1185DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.1017.13581.ZWML. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.008709/200847 Acórdão n.º 2401004.976 S2C4T1 Fl. 9 15 momento da ocorrência do fato gerador contraria o princípio da legalidade. Segundo dispõe o art. 114 do CTN, “ o fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência.” Ressaltase que, como os lançamentos referentes a esta infração, relativos a janeiro de 2002 até novembro de 2003, com visto acima, estão decaídos, a abordagem estará restrita a fatos ocorridos em dezembro/2003. Verificase, pelo auto de infração, que o único lançamento referente a fato gerador ocorrido em dezembro de 2003, relativo a esta infração, é de R$ 3.930,89. Esta multa isolada, no valor de R$ 3.930,89, é oriunda de falta de retenção ou recolhimento de IRRF sobre trabalho assalariado da Sra. Patrícia S. Vicinelli, conforme se constata pelo demonstrativo de apuração da multa isolada – IRRF sobre trabalho assalariado –ano 2003 (fl. 870). Pelo demonstrativo de fl. 589, verificase que a Sra. Patrícia S. Vicinelli teria recebido um prêmio de R$ 5.000,00, em 24/12/2003 (data do crédito), com base na nota fiscal nº 71388, emitida em 20/11/2003. Portanto, o fato gerador do IRRF sobre o trabalho assalariado teria ocorrido em 24/12/2003 (data do crédito). Consultando a agenda tributária do mês de janeiro de 2004 (Ato Declaratório Executivo Corat nº 84, de 19 de dezembro de 2003), verificase que, para fatos geradores de IRRF sobre rendimentos do trabalho assalariado (código 0561), ocorridos na semana de 21 a 27/12/2003, como é o presente caso, o vencimento do IRRF seria 02/01/2004. Portanto, se não houve retenção de IRRF no dia 24/12/2003 e/ou não houve recolhimento do IRRF até o dia 02/01/2004, a multa deveria ter sido aplicada na data da ocorrência do fato gerador (24/12/2003), data do descumprimento da obrigação, e não 31/12/2003. Não há base legal para que se considere o fato gerador da multa isolada ocorrido em 31/12/2003. Devese registrar que o momento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária é definido por lei. Deve ser cancelado o lançamento que altera, sem fundamento legal, a data da ocorrência do fato gerador determinada pela legislação tributária. Portanto, em que pese entendimento contrário da nobre relatora, deve ser cancelado o lançamento da multa isolada, referente a dezembro de 2003, no valor de R$ 3.930,89, por inobservância da data de ocorrência do fato gerador definida em lei. Dessa forma, nego provimento ao Recurso de Ofício. Fl. 1186DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.1017.13581.ZWML. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 16 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso de Ofício para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 1187DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.1017.13581.ZWML. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA em 17/10/2017 19:02:00. Documento autenticado digitalmente por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA em 17/10/2017. Documento assinado digitalmente por: MIRIAM DENISE XAVIER em 17/10/2017 e LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA em 17/10/2017. Esta cópia / impressão foi realizada por VALERIA JOSE VIEIRA DA COSTA em 24/10/2017. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP24.1017.13581.ZWML Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: 04C4F0F20850EC9513912FE360F3BECF3CADC738033905BCA7B15D234DC12931 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 19515.008709/2008-47. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 13401.000075/00-01
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1995
LUCRO INFLACIONÁRIO. SALDO ACUMULADO EM 31/12/1995. EXCLUSÃO DE PARCELAS JÁ DECAÍDAS, QUE DEVERIAM TER SIDO REALIZADAS NOS MESES DO ANO ANTERIOR (1994). TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL PARA CONTAGEM DE DECADÊNCIA.
1. Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543-C do CPC e da Resolução STJ nº 08/2008, e nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Por outro lado, não constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, e havendo pagamento/confissão de tributo, aplica-se a regra do art. 150, §4º, do CTN.
2. De acordo com a regra do art. 173, I, do CTN, o termo inicial para a contagem da decadência é o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado". No caso de IRPJ apurado com base no lucro real mensal, o lançamento para os meses de janeiro a outubro poderia ter sido efetuado no curso do próprio ano-calendário.
LUCRO INFLACIONÁRIO. SALDO ACUMULADO EM 31/12/1995. EXCLUSÃO DE PARCELAS QUE DEVERIAM TER SIDO REALIZADAS EM PERÍODOS DE APURAÇÃO DISTINTOS DAQUELE QUE FOI OBJETO DE LANÇAMENTO.
1. A tributação sobre o saldo de lucro inflacionário acumulado em determinado período é afetada pelos valores de lucro inflacionário apurados nos anos anteriores, com a devida dedução das parcelas que foram ou que deveriam ter sido realizadas nesses períodos pretéritos.
2. Súmula CARF nº 10: O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos.
3. A mesma lógica que está implícita na Súmula CARF nº 10, que vincula a contagem da decadência aos critérios objetivos e legais para a realização do lucro inflacionário, que não deixa que essa realização fique submetida à vontade do contribuinte (ou do Fisco), serve também para determinar que as parcelas sejam tributadas no seu próprio período de realização, conforme definido pela lei. A lei define os critérios materiais e temporais para a realização do lucro inflacionário, que devem ser observados não apenas para a contagem da decadência, mas também para a própria tributação (seja pelo contribuinte, seja pelo Fisco).
4. O demonstrativo da evolução dos saldos de lucro inflacionário deixa claro que o saldo do lucro inflacionário acumulado em 31/12/1995 está indevidamente inflado pelas parcelas que deveriam ter sido realizadas em 1992 e 1993 (excluídas desde a decisão de primeira instância) e também pelas parcelas que deveriam ter sido realizadas/tributadas nos meses de 1994. Está inflado não só pelas referidas parcelas (no seu valor nominal), como também pela correção que foi aplicada sobre elas.
5. Todas as parcelas referentes aos meses de 1994 (independentemente de estarem decaídas ou não), calculadas com base nos índices estabelecidos no acórdão recorrido, devem ser excluídas do saldo acumulado de lucro inflacionário em 31/12/1995, porque não podem fazer parte dele.
Numero da decisão: 9101-003.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Luís Flávio Neto.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1995 LUCRO INFLACIONÁRIO. SALDO ACUMULADO EM 31/12/1995. EXCLUSÃO DE PARCELAS JÁ DECAÍDAS, QUE DEVERIAM TER SIDO REALIZADAS NOS MESES DO ANO ANTERIOR (1994). TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL PARA CONTAGEM DE DECADÊNCIA. 1. Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543-C do CPC e da Resolução STJ nº 08/2008, e nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Por outro lado, não constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, e havendo pagamento/confissão de tributo, aplica-se a regra do art. 150, §4º, do CTN. 2. De acordo com a regra do art. 173, I, do CTN, o termo inicial para a contagem da decadência é o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado". No caso de IRPJ apurado com base no lucro real mensal, o lançamento para os meses de janeiro a outubro poderia ter sido efetuado no curso do próprio ano-calendário. LUCRO INFLACIONÁRIO. SALDO ACUMULADO EM 31/12/1995. EXCLUSÃO DE PARCELAS QUE DEVERIAM TER SIDO REALIZADAS EM PERÍODOS DE APURAÇÃO DISTINTOS DAQUELE QUE FOI OBJETO DE LANÇAMENTO. 1. A tributação sobre o saldo de lucro inflacionário acumulado em determinado período é afetada pelos valores de lucro inflacionário apurados nos anos anteriores, com a devida dedução das parcelas que foram ou que deveriam ter sido realizadas nesses períodos pretéritos. 2. Súmula CARF nº 10: O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. 3. A mesma lógica que está implícita na Súmula CARF nº 10, que vincula a contagem da decadência aos critérios objetivos e legais para a realização do lucro inflacionário, que não deixa que essa realização fique submetida à vontade do contribuinte (ou do Fisco), serve também para determinar que as parcelas sejam tributadas no seu próprio período de realização, conforme definido pela lei. A lei define os critérios materiais e temporais para a realização do lucro inflacionário, que devem ser observados não apenas para a contagem da decadência, mas também para a própria tributação (seja pelo contribuinte, seja pelo Fisco). 4. O demonstrativo da evolução dos saldos de lucro inflacionário deixa claro que o saldo do lucro inflacionário acumulado em 31/12/1995 está indevidamente inflado pelas parcelas que deveriam ter sido realizadas em 1992 e 1993 (excluídas desde a decisão de primeira instância) e também pelas parcelas que deveriam ter sido realizadas/tributadas nos meses de 1994. Está inflado não só pelas referidas parcelas (no seu valor nominal), como também pela correção que foi aplicada sobre elas. 5. Todas as parcelas referentes aos meses de 1994 (independentemente de estarem decaídas ou não), calculadas com base nos índices estabelecidos no acórdão recorrido, devem ser excluídas do saldo acumulado de lucro inflacionário em 31/12/1995, porque não podem fazer parte dele.
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ME ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995 LUCRO INFLACIONÁRIO. SALDO ACUMULADO EM 31/12/1995. EXCLUSÃO DE PARCELAS JÁ DECAÍDAS, QUE DEVERIAM TER SIDO REALIZADAS NOS MESES DO ANO ANTERIOR (1994). TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL PARA CONTAGEM DE DECADÊNCIA. 1. Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543C do CPC e da Resolução STJ nº 08/2008, e nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Por outro lado, não constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, e havendo pagamento/confissão de tributo, aplica se a regra do art. 150, §4º, do CTN. 2. De acordo com a regra do art. 173, I, do CTN, o termo inicial para a contagem da decadência é o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado". No caso de IRPJ apurado com base no lucro real mensal, o lançamento para os meses de janeiro a outubro poderia ter sido efetuado no curso do próprio anocalendário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 40 1. 00 00 75 /0 0- 01 Fl. 649DF CARF MF Processo nº 13401.000075/0001 Acórdão n.º 9101003.160 CSRFT1 Fl. 3 2 LUCRO INFLACIONÁRIO. SALDO ACUMULADO EM 31/12/1995. EXCLUSÃO DE PARCELAS QUE DEVERIAM TER SIDO REALIZADAS EM PERÍODOS DE APURAÇÃO DISTINTOS DAQUELE QUE FOI OBJETO DE LANÇAMENTO. 1. A tributação sobre o saldo de lucro inflacionário acumulado em determinado período é afetada pelos valores de lucro inflacionário apurados nos anos anteriores, com a devida dedução das parcelas que foram ou que deveriam ter sido realizadas nesses períodos pretéritos. 2. Súmula CARF nº 10: O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. 3. A mesma lógica que está implícita na Súmula CARF nº 10, que vincula a contagem da decadência aos critérios objetivos e legais para a realização do lucro inflacionário, que não deixa que essa realização fique submetida à vontade do contribuinte (ou do Fisco), serve também para determinar que as parcelas sejam tributadas no seu próprio período de realização, conforme definido pela lei. A lei define os critérios materiais e temporais para a realização do lucro inflacionário, que devem ser observados não apenas para a contagem da decadência, mas também para a própria tributação (seja pelo contribuinte, seja pelo Fisco). 4. O demonstrativo da evolução dos saldos de lucro inflacionário deixa claro que o saldo do lucro inflacionário acumulado em 31/12/1995 está indevidamente inflado pelas parcelas que deveriam ter sido realizadas em 1992 e 1993 (excluídas desde a decisão de primeira instância) e também pelas parcelas que deveriam ter sido realizadas/tributadas nos meses de 1994. Está inflado não só pelas referidas parcelas (no seu valor nominal), como também pela correção que foi aplicada sobre elas. 5. Todas as parcelas referentes aos meses de 1994 (independentemente de estarem decaídas ou não), calculadas com base nos índices estabelecidos no acórdão recorrido, devem ser excluídas do saldo acumulado de lucro inflacionário em 31/12/1995, porque não podem fazer parte dele. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Luís Flávio Neto. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente (assinado digitalmente) Fl. 650DF CARF MF Processo nº 13401.000075/0001 Acórdão n.º 9101003.160 CSRFT1 Fl. 4 3 Rafael Vidal de Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício). Relatório Contra o Sujeito Passivo acima identificado foi lavrado Auto de Infração às fls. 0107, com a exigência do crédito tributário no valor de R$191.500,30, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro real no anocalendário de 1995. Consta na Descrição dos Fatos: O presente Auto de Infração originouse da revisão de sua declaração de rendimentos correspondente ao exercício de 1996, anocalendário 1995, de acordo com o art. 835 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99 (RIR199). Foi constatada a existência de irregularidades na declaração, conforme abaixo descrito e capitulado, que resultaram na apuração do imposto de renda suplementar, apontado no quadro 4 do Auto de Infração. As alterações efetuadas e suas consequências estão detalhadas no Demonstrativo de Valores Apurados e no Demonstrativo de Consolidação de Valores, em anexo. Caso tenham ocorrido alterações nos valores informados nas linhas que compõem a Ficha 21 (Receita Liquida por Atividade), a Ficha 22 (Demonstração do Lucro da Exploração), a Ficha 23 (Lucro Inflacionário do PeríodoBase),. a Ficha 24 (Percentual de Realização do Ativo), a Ficha 25 (Demonstração do Lucro Inflacionário Realizado) e a Ficha 27 (Demonstração do Cálculo da Redução e Isenção do Imposto), essas alterações constarão no Demonstrativo de Apuração do Lucro Inflacionário Realizado/Diferido e no Demonstrativo de Apuração da Redução/Isenção, em anexo. No que se refere ás penalidades aplicadas, o enquadramento legal correspondente consta no Demonstrativo de Multa de Lançamento de Oficio e dos Juros de Mora, em anexo. Todos os demonstrativos citados são parte integrante do presente Auto de Infração. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: LUCRO INFLACIONÁRIO ACUMULADO REALIZADO ADICIONADO A MENOR NA DEMONSTRAÇÃO DO LUCRO REAL, CONFORME DEMONSTRATIVOS ANEXOS Lei 8.200/91, art. 32 , inciso II Arts. 195, inciso II, 417, 419 e 426, § 32 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 1.041/94 Lei 9.065/95, arts. 42 e 52 , caput e § 1º. Fl. 651DF CARF MF Processo nº 13401.000075/0001 Acórdão n.º 9101003.160 CSRFT1 Fl. 5 4 Cientificado em 06.04.2000, fl. 14, o Sujeito Passivo apresentou impugnação, fls. 1520. Está registrado no Acórdão da 5ª Turma da DRJ/REC nº 4.713, de 09.05.2003, fls. 5061: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1996 Ementa: LUCRO INFLACIONÁRIO DIFERIDO. DECADÊNCIA. Tratandose de lucro inflacionário, o prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário é contado a partir de cada exercício em que sua tributação deva ser realizada, devendo ser deduzidas, para efeito de determinação do lucro inflacionário a rea1izar, as parcelas já alcançadas pela decadência. ALEGAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Não têm valor as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando for este o meio pelo qual sejam provados os fatos alegados. [...] Acordam os membros da 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar PROCEDENTE EM PARTE o lançamento, em razão da redução do lucro inflacionário acumulado das parcelas já extintas pela decadência, para manter a exigência do IRPJ (principal) no valor de R$67.635,07 (sessenta e sete mil, seiscentos e trinta e cinco reais e sete centavos), acrescido de multa de oficio e juros de mora. Notificado, o Sujeito Passivo apresentou o recurso voluntário, fls. 92107. Está registrado no Acórdão nº 110200.303, de 01.09.2010, fls. 545553: LUCRO INFLACIONÁRIO Considerase lucro inflacionário o saldo credor da conta de correção monetária ajustado pela diminuição das variações monetárias e das receitas e despesas financeiras computadas no lucro liquido de cada período base nos termos do artigo 21 da lei 7.799/89. DECADÊNCIA — Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, e não sendo caso de dolo, fraude, ou simulação, o termo para a contagem do prazo decadencial é a data de ocorrência do fato gerador. Esse termo não se altera pela circunstância de não ter havido pagamento. [...] ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção do CARF, por unanimidade de votos, DAR parcial provimento ao recurso para reconhecer o lucro inflacionário de 1989, no valor NCz$ 506.060,00, reconhecer a decadência para o ano calendário de 1994 e reconhecer os percentuais de realização apontados no voto, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O processo foi encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda (PGFN) em 08.04.2011, fl. 554. Em 13.04.2011, tempestivamente, foi interposto o recurso especial, fls. 557563. Fl. 652DF CARF MF Processo nº 13401.000075/0001 Acórdão n.º 9101003.160 CSRFT1 Fl. 6 5 A PGFN argumenta que: II DO CABIMENTO E DAS RAZÕES DO RECURSO [...] A respeito do prazo para o lançamento dos tributos sujeitos a homologação, o entendimento jurisprudencial que fundamenta o presente recurso diverge do adotado pela e. 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF, ora recorrida, e está representado nos acórdãos paradigmas emanados da Oitava Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes e da lª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cujas ementas seguem abaixo transcritas (cópia anexa): Acórdão 910100.460 [...] Acórdão 19800.089 [...] Quando o sujeito passivo da obrigação tributária antecipa o pagamento, a contagem do prazo decadencial tem inicio na data da ocorrência do fato gerador, conforme o disposto no art. 150, §4º do CTN. Por outro lado, não havendo recolhimento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, como ocorreu no caso dos autos, o prazo decadencial para a constituição do respectivo crédito tributário regerseá pelo contido no art. 173, I, do CTN. A similitude entre os casos reside na modalidade do lançamento. Ambos estão, em regra, sujeitos ao chamado lançamento por homologação. E, de forma diversa da que ocorreu no presente caso (aplicação do § 4º, art. 150, do CTN), no paradigma se entendeu que, na falta de pagamento do tributo, se está diante de lançamento de oficio, aplicandose a regra do artigo 173, I do CTN. No presente caso, assim como no paradigma, verificase a falta de pagamento do tributo. Demonstrada a identidade fática entre o caso presente e os acórdãos paradigma, bem como a solução divergente adotada, é de ser conhecido o presente recurso, uma vez que presentes os requisitos de admissibilidade do presente recurso especial, consoante o disposto no artigo 67 do Regimento Interno do CARF. O julgado recorrido entendeu aplicável na espécie o dies a quo do prazo decadencial como sendo o constante do art. 150, § 4º do CTN, qual seja, a data do fato gerador. O entendimento desta Procuradoria é que este dispositivo só se aplica no caso de ter havido efetivo pagamento adiantado do crédito tributário. Em não havendo recolhimento, não há o que se homologar, tratando a questão de simples lançamento ex officio a ser feito com espeque no artigo 149, V, do CTN, sendo o termo inicial do prazo decadencial aquele previsto no artigo 173, I, do CTN. Tal distinção é particularmente importante no presente caso porque, considerando o termo inicial previsto no artigo 173, inc. I, a decadência do direito de lançar relativa ao fato gerador ocorrido em 31/12/1994, darseia em 01 de janeiro de 2001, contandose a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, de modo Fl. 653DF CARF MF Processo nº 13401.000075/0001 Acórdão n.º 9101003.160 CSRFT1 Fl. 7 6 que teria sido indevido o reconhecimento da decadência pela Câmara a quo, uma vez que a ciência da autuação se deu em 07/03/2000. E efetivamente o foi. Não havendo pagamento antecipado, aplicase o dies a quo previsto no artigo 173, I, uma vez que não se trata mais de lançamento por homologação, mas simples lançamento ex officio. A rigor, sequer existe montante a ser homologado. Assim, é indevida a aplicação do artigo 150, § 4º, na espécie. Merece reforma, portanto, a decisão ora recorrida. Dando ensejo ao presente recurso, a douta Primeira Turma desta Câmara Superior, diverge do entendimento abraçado pela Câmara a quo, conforme se pode perceber do paradigma colacionado acima. Este perfilha a mesma tese ora esposada, entendendo que na falta de pagamento a hipótese é de lançamento ex officio, regendose o instituto da decadência pelo disposto no art. 173, inciso I, do CTN. Ademais, outro não é o entendimento firmado pelo STJ, no sentido de que não havendo recolhimento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do respectivo crédito tributário regerseá pelo disposto no art. 173, I, do CTN. É o que se depreende do Informativo nº 250 do STJ: [...] Consoante essa linha de interpretação, o art. 150, §4º do CTN estaria dispondo sobre prazo para o ato de "homologação" de um pagamento antecipado. Não existindo tal pagamento, o lançamento se dá de oficio, com fulcro no art. 149, V, do CTN. Portanto, o lançamento de oficio de tributo que deveria ter sido recolhido mediante o sistema de "lançamento por homologação", observa o prazo decadencial disposto no art. 173, I do CTN, e não o prazo do art. 150, §4º , aplicável na hipótese de efetiva antecipação de pagamento. [...] Vale ressaltar que o posicionamento já está pacificado no âmbito do STJ, de acordo com recente decisão da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (sessão de julgamentos do dia 12.08.2009) no Recurso Especial 973.733/SC, de Relatoria do Min. Luiz Fux, representativo de divergência, nos termos do procedimento do art. 543C do CPC: [...] Como se pode verificar, o julgamento foi proferido nos termos do regime do art. 543C do CPC, que prevê em seu § 7º que os Tribunais Federais e Estaduais deverão seguir a jurisprudência sobre o assunto. Dessarte, a fim de evitar decisões contraditórias e salvaguardar a segurança jurídica, impõese a aplicação da mencionada jurisprudência também por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos conforme determina o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, verbis: [...] Concluise, à evidência, que deve ser reformada a r. decisão recorrida. Essa é a linha adotada pela jurisprudência majoritária no âmbito do CARF, que, em harmonia com tudo quanto exposto neste recurso, ante a inexistência de pagamento, não admite a contagem do prazo decadencial a partir do fato gerador, tal qual previsto no §4º do art. 150 do CTN. Fl. 654DF CARF MF Processo nº 13401.000075/0001 Acórdão n.º 9101003.160 CSRFT1 Fl. 8 7 Acrescentese, ainda, as ponderações e conclusões jurídicas constantes do parecer PGFN/CAT no 1617/2008, aprovado pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional e pelo Ministro da Fazenda, que trata, inclusive, da forma de contagem dos prazos de decadência e prescrição tributários (art. 150, §4º e art. 173, I, ambos do CTN): [...] III CONCLUSÃO Face o exposto, requer a Fazenda Nacional o provimento do presente Recurso Especial, a fim de que seja reformado o r. acórdão no sentido de afastar a decadência do direito de constituir o crédito tributário, uma vez que o mesmo foi efetuado dentro do prazo legalmente fixado. Foi dado seguimento ao recurso especial da PGFN (Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial de 29.10.2013, efls. 569571). Considerouse que as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelavamse discordantes, relativamente à necessidade de pagamento antecipado do tributo para fixação do início da contagem do prazo decadencial para o lançamento de ofício (§ 4º do art. 150 e inc. I do art. 173 do CTN), conforme Acórdão nº 910100.460, de 04.11.2009 e Acórdão nº 19800.089, de 29.01.2009. Notificado em 05.03.2015, efls 643644, o Sujeito Passivo permaneceu silente. É o Relatório. Fl. 655DF CARF MF Processo nº 13401.000075/0001 Acórdão n.º 9101003.160 CSRFT1 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto lançamento para a constituição de crédito tributário referente ao IRPJ do anocalendário de 1995, no regime do lucro real anual, com fato gerador em 31/12/1995. A autuação decorreu da nãorealização do lucro inflacionário acumulado, que deveria ter sido realizado no percentual de realização do ativo ou no limite mínimo exigido pela legislação de regência. O lançamento foi cientificado à contribuinte em 06/04/2000, conforme cópia do Aviso de Recebimento AR juntado às fls. 14. A decisão de primeira instância administrativa reduziu o valor da exigência, entendendo que deveria excluir do saldo do lucro inflacionário acumulado em 31/12/1995 as parcelas do lucro inflacionário que deveriam ter sido realizadas nos anos de 1992 e 1993, porque tais períodos já estavam alcançados pela decadência quando foi realizado o lançamento. A decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido), por sua vez, deu provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, para fins de: reconhecer que o lucro inflacionário de 1989 tinha o valor de NCz$ 506.060,00 (e não de NCz$ 1.399.600,00, como considerado pela Fiscalização); reconhecer a decadência para o ano calendário de 1994; e também determinar os percentuais para o cálculo das parcelas de lucro inflacionário que deveriam ter sido realizadas nos anos de 1989, 1990, 1991, 1992, 1993 e 1994. A controvérsia que remanesce nessa fase de recurso especial diz respeito especificamente à exclusão das parcelas que deveriam ter sido realizadas no anocalendário de 1994. A PGFN contesta o reconhecimento da decadência para esse período. Segundo ela, não teria havido recolhimento antecipado do IRPJ, e, por isso, a decadência deveria ser contada pelo prazo do art. 173, I, e não pelo prazo do art. 150, §4º, do CTN. É importante perceber que não há qualquer questionamento sobre a decadência do fato gerador ocorrido em 31/12/1995 (e que é objeto destes autos). Como mencionado, o lançamento foi realizado em 06/04/2000, e nem o menor dos prazos decadenciais atinge esse fato gerador. Contudo, estamos tratando da tributação (realização) do lucro inflacionário acumulado em 31/12/1995, que é resultado da evolução dos saldos de lucro inflacionário nos períodos anteriores, e é nessa perspectiva que se insere todas as questões que foram suscitadas no presente processo. Fl. 656DF CARF MF Processo nº 13401.000075/0001 Acórdão n.º 9101003.160 CSRFT1 Fl. 10 9 É que o saldo acumulado em 31/12/1995 é afetado pelos valores de lucro inflacionário apurados nos anos anteriores, com a devida dedução das parcelas que foram ou que deveriam ter sido realizadas nesses períodos pretéritos. O que está em questão neste momento é justamente a exclusão das parcelas que deveriam ter sido realizadas em 1994. O acórdão recorrido entendeu que esse ano de 1994 também estava alcançado pela decadência (da mesma forma como havia sido decidido anteriormente para os anos de 1992 e 1993), e, portanto, determinou que as parcelas de realização referentes ao ano de 1994 (calculadas pelos índices estabelecidos no voto condutor do acórdão) também fossem excluídas do saldo acumulado em 31/12/1995. E a PGFN procura reverter essa decisão sobre a decadência de 1994. A PGFN procura demonstrar, em síntese, que há entendimento jurisprudencial, inclusive do STJ, no sentido de que inexistindo recolhimento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação o prazo decadencial para a constituição do respectivo crédito tributário regerseá pelo disposto no artigo 173, inciso I, do CTN (início da contagem do prazo qüinqüenal no primeiro dia do exercício seguinte) e não pelo artigo 150, §4°, desse mesmo diploma legal (início da contagem do prazo qüinqüenal na data do fato gerador do tributo). Ainda segundo a PGFN, "tal distinção é particularmente importante no presente caso porque, considerando o termo inicial previsto no artigo 173, inc. I, a decadência do direito de lançar relativa ao fato gerador ocorrido em 31/12/1994, darseia em 01 de janeiro de 2001, contandose a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, de modo que teria sido indevido o reconhecimento da decadência pela Câmara a quo, uma vez que a ciência da autuação se deu em 07/03/2000". O acórdão recorrido aderiu à interpretação de que nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo decadencial é de 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência do fato gerador (CTN, art. 150, §4º), independentemente da ocorrência ou não de pagamento. Entretanto, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por ocasião do julgamento do Recurso Especial repetitivo 973.733/SC firmou o seguinte entendimento em relação à questão da decadência: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; Fl. 657DF CARF MF Processo nº 13401.000075/0001 Acórdão n.º 9101003.160 CSRFT1 Fl. 11 10 AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008). Essa interpretação deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme determina o § 2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. De acordo com o STJ, mesmo não havendo a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, devese aplicar o artigo 173, I, do CTN, quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre e inexiste declaração prévia do débito capaz de constituir o crédito tributário. No sentido inverso, não havendo a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, há ainda duas condições para a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN: 1) haver pagamento ou 2) haver declaração prévia que constitua crédito tributário. Não se pode, portanto, deixar de reconhecer a relevância da existência ou não de pagamento ou declaração/confissão (ainda que parciais) para fins de definição do critério para a contagem de prazo decadencial. Em relação ao presente caso, vêse que a contribuinte adotou em 1994 a apuração do IRPJ pelo lucro real mensal, e que apenas apurou base positiva com IR a pagar para o mês de dezembro/1994, conforme DIRPJ às fls. 155 a 172. Nos meses anteriores, de janeiro a novembro de 1994, os resultados foram sempre negativos, sem IR a pagar. Como não houve lançamento para exigência desse IR a pagar apurado pela contribuinte relativamente a dezembro/1994, a conclusão é de que ela pagou ou confessou o tributo, de modo que para esse período a contagem da decadência deve mesmo se dar pela regra do art. 150, §4º, do CTN, como decidido pelo acórdão recorrido. Para os demais meses de 1994, a indicação é de que não houve pagamento, e, por isso, o prazo de decadência deve ser contado pela regra do art. 173, I, do CTN. Ocorre que, tratandose de apuração mensal, o que normalmente se considera é que o lançamento para a maioria dos períodos (janeiro a outubro para alguns, janeiro a novembro para outros) poderia ser realizado no próprio ano de 1994, de modo que mesmo com a aplicação da regra do art. 173, I, do CTN, haveria decadência para esses períodos. É que o termo inicial da contagem da decadência seria 01/01/1995 ("primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"), com termo final em 01/01/2000, e o lançamento foi realizado em 06/04/2000. Fl. 658DF CARF MF Processo nº 13401.000075/0001 Acórdão n.º 9101003.160 CSRFT1 Fl. 12 11 A decisão de primeira instância administrativa, ao reconhecer a decadência para os anos de 1992 e 1993, não deixou de observar que a apuração do IRPJ em 1994 se deu com base em períodos mensais, e, mesmo assim, não reconheceu a decadência para os meses de 1994 porque considerou, em razão de algumas especificidades da legislação da época, que o lançamento não poderia ser realizado no curso do próprio ano, mas somente após a entrega da declaração de rendimentos no ano seguinte: 36. No caso vertente, o direito de o Fisco constituir o crédito tributário incidente sobre o lucro inflacionário que deveria ter sido realizado e não o foi já decaiu para os períodosbase de 1992 e 1993, pela seguinte razão: 1. Embora o lançamento seja por homologação, a ocorrência de qualquer fato impeditivo da autuação fiscal antes do prazo fixado para a entrega da declaração de rendimentos descaracteriza a inércia do Fisco, pelo que não poderá iniciarse a contagem do prazo decadencial; 2. Nos anoscalendário de 1992, 1993 e 1994, a pessoa jurídica podia alterar a sua forma de tributação do lucro real mensal para o anual, passando a recolher por estimativa em qualquer mês do ano calendário (arts. 86, §1°, e 87, §1º, da Lei n.° 8.383, de 1991; art. 23 da Lei n.° 8.541, de 1992); 3. Até o anocalendário de 1996, a opção pelo lucro presumido se dava somente na entrega da declaração e, portanto, a pessoa jurídica que vinha recolhendo por estimativa, que não estivesse obrigada â tributação pelo lucro real, podia exercer a opção pelo lucro real anual ou pelo lucro presumido (§§ 2°, 4º e 5° do art. 13 e art. 26 da Lei n.° 8.541, de 1992; art. 44 da Lei n.° 8.981, de 1995; art. 42, §3°, da IN SRF n.° 11/96, de 21/02/1996); 4. Já a partir do anocalendário de 1997, com o advento da Lei n.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a opção pelo recolhimento mensal por estimativa passou a obrigar a pessoa jurídica ao regime de lucro real anual, opção essa manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de inicio de atividade, de acordo com o parágrafo único do artigo 3° da mencionada lei; 5. Assim sendo, não havendo ainda manifestação definitiva do contribuinte quanto a forma de tributação, tornarseia impossível a realização de lançamento antes da entrega das respectivas declarações de rendimentos (anoscalendário de 1992, 1993, 1994, 1995 e 1996). Por conseguinte, não é de aplicarse a contagem do prazo decadencial consoante a regra estabelecida no artigo 150, §4°, do CTN, mas pela regra prescrita no art. 173, I, do mesmo diploma legal. 6. Dessa feita, como a DIRPJ relativa ao anocalendário de 1992 e 1993 somente foi apresentada no exercício de 1993 e 1994, o prazo decadencial somente começou a fluir a partir do primeiro dia útil do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. Em relação ao anocalendário de 1993, em 02/01/1995, vindo a encerrar se em 02/01/2000 (contagem em consonância com o disposto na Lei n.° 810, de 1949); Fl. 659DF CARF MF Processo nº 13401.000075/0001 Acórdão n.º 9101003.160 CSRFT1 Fl. 13 12 7. Como o auto de infração foi cientificado em 06/04/2000, por meio de aviso de recebimento (fls. 14, verso), concluise, por via de conseqüência, que já se operou a decadência relativamente aos anos calendário de 1992 e 1993. Na ótica da decisão de primeira instância administrativa, o termo inicial da contagem da decadência para todos os meses de 1994 deveria ser deslocado para 01/01/1996, com termo final em 01/01/2001, o que afastaria a decadência. Não compartilho desse entendimento de que o lançamento para exigência de IRPJ sobre fatos geradores ocorridos no curso de 1994 somente poderia ser realizado após a entrega da declaração de rendimentos (em 1995). Naquela época, realmente havia certa instabilidade na definição do regime de apuração, mas essa instabilidade era relativa, não tinha a abrangência que pretendeu dar a decisão de primeira instância administrativa, e também não tinha o condão de inviabilizar a realização de lançamento no curso do próprio ano. Conforme mencionado, a contribuinte apurava o lucro real para cada um dos meses de 1994, e não fazia "pagamento do imposto mensal calculado por estimativa", o que já inviabilizava uma posterior opção pelo lucro presumido: Lei 8.541/1992 Imposto Sobre a Renda Mensal Calculado por Estimativa SUBSEÇÃO I Disposições Gerais Art. 23. As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão optar pelo pagamento do imposto mensal calculado por estimativa. § 1° A opção será formalizada mediante o pagamento espontâneo do imposto relativo ao mês de janeiro ou do mês de início de atividade. § 2° A opção de que trata o caput deste artigo poderá ser exercida em qualquer dos outros meses do anocalendário uma única vez, vedada a prerrogativa prevista no art. 26 desta lei. [...] Art. 26. Se não estiver obrigada à apuração do lucro real nos termos do art. 5° desta lei, a pessoa jurídica poderá, no ato da entrega da declaração anual ou de encerramento, optar pela tributação com base no lucro presumido, atendidas as disposições previstas no art. 18 desta lei. (grifos acrescidos) A opção pelo lucro presumido realmente podia ser feita até a entrega da declaração de rendimentos (em 1995), mas, para isso, a contribuinte tinha que ter feito "pagamento do imposto mensal calculado por estimativa" desde o mês de janeiro de 1994, e ela não cumpria esse requisito. Fl. 660DF CARF MF Processo nº 13401.000075/0001 Acórdão n.º 9101003.160 CSRFT1 Fl. 14 13 Além disso, a Lei 8.541/1992 não distinguia o período de tributação do lucro inflacionário em função do regime de apuração do IRPJ. Ou seja, ela adotava a tributação mensal dessa rubrica para qualquer um dos regimes (lucro real mensal, lucro real anual com estimativas, e lucro presumido): CAPÍTULO II Do Imposto Calculado Sobre o Lucro Inflacionário Acumulado Art. 30. A pessoa jurídica deverá considerar realizado mensalmente, no mínimo, 1/240, ou o valor efetivamente realizado, nos termos da legislação em vigor, do lucro inflacionário acumulado e do saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF (Lei n° 8.200, de 28 de junho de 1991, art. 3°). Art. 31. À opção da pessoa jurídica, o lucro inflacionário acumulado e o saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF (Lei n° 8.200, de 28 de junho de 1991, art. 3°) existente em 31 de dezembro de 1992, corrigidos monetariamente, poderão ser considerados realizados mensalmente e tributados da seguinte forma: [...] Art. 32. A partir do exercício financeiro de 1995, a parcela de realização mensal do lucro inflacionário acumulado, a que se refere o art. 30 desta lei, será de, no mínimo, 1/120. Art. 33. A pessoa jurídica optante pela tributação com base no lucro presumido, que possuir saldo de lucro inflacionário acumulado anterior à opção, deverá tributar mensalmente o correspondente a 1/240 deste saldo até 31 de dezembro de 1994 e 1/120 a partir do exercício financeiro de 1995. Parágrafo único. Poderá a pessoa jurídica de que trata este artigo fazer a opção pela tributação prevista no art. 31 desta lei. Não é demais lembrar que o cálculo do imposto mensal por estimativa (no caso da apuração anual) era feito de acordo com as disposições pertinentes à apuração do lucro presumido (Lei 8.541/1992, art. 24). Assim, o pagamento do "Imposto Sobre a Renda Mensal Calculado por Estimativa" também tinha que abranger a realização do lucro inflacionário por períodos mensais. Vale novamente destacar que a contribuinte apurava o lucro real para cada um dos meses de 1994, e não fazia "pagamento do imposto mensal calculado por estimativa", o que reforça o argumento de que era perfeitamente possível exigir dentro do próprio ano de 1994 o imposto decorrente da realização mensal do lucro inflacionário. A indicação, portanto, é de que realmente houve decadência para os meses de janeiro a outubro/1994 (pela regra do art. 173, I, do CTN) e para o mês de dezembro/1994 (pela regra do art. 150, §4º, do CTN), de modo que as parcelas de realização do lucro inflacionário desses períodos, calculadas pelos índices estabelecidos no acórdão recorrido, devem mesmo ser excluídas do montante do lucro inflacionário acumulado em 31/12/1995. Fl. 661DF CARF MF Processo nº 13401.000075/0001 Acórdão n.º 9101003.160 CSRFT1 Fl. 15 14 Registramos anteriormente que não houve pagamento para o mês de novembro/1994. Nesse caso, a regra a ser aplicada também é a prevista no art. 173, I, do CTN. Mas há uma particularidade em relação a esse mês, que o distingue dos anteriores. É que o vencimento do IRPJ se dava no último dia útil do mês seguinte ao de apuração. Sendo assim, não se pode concluir que o lançamento para o mês de novembro/1994 poderia ser realizado no curso do próprio ano de 1994. Não há como realizar lançamento para exigir tributo antes de sua data de vencimento. Para o mês de novembro/1994, portanto, o lançamento só poderia ser efetuado em 1995, e o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (termo inicial da contagem da decadência pela regra do art. 173, I, do CTN) seria o dia 01/01/1996, o que afasta a decadência em relação a esse mês, na linha de tudo o que já foi dito até aqui. Assim, afastada a decadência, a parcela do lucro inflacionário que deveria ter sido realizada em relação ao mês de novembro/1994, diferentemente do que se disse para os outros meses de 1994, não deveria ser excluída do saldo de lucro inflacionário acumulado em 31/12/1995 (que é a base da tributação contida nos presentes autos). Mas, mesmo em relação a essa parcela de novembro/1994, há um grave problema que deve ser enfrentado. A decisão de primeira instância administrativa, ao tratar da questão da exclusão das parcelas de realização do lucro inflacionário que já estavam alcançadas pela decadência, trouxe importantes observações sobre a tributação do lucro inflacionário: [...] 20. Destarte, como se percebe, o saldo do lucro inflacionário acumulado que é o resultado do somatório do lucro inflacionário diferido de períodos anteriores e o verificado no próprio períodobase será o quantum sobre o qual incidirá o percentual, calculado na forma do art. 417, suso transcrito, para a determinação do lucro inflacionário a realizar. 21. Não obstante, o legislador impôs limites mínimos para a sua realização, caso o valor encontrado na forma referenciada lhe seja inferior, devendo ser adicionado ao lucro liquido do período para determinação do lucro real a tributar. Assim o fez, para que o contribuinte não postergasse ad infinitum a tributação sobre o lucro inflacionário. 22. Não se trata, portanto, de mera opção do contribuinte, mas de obrigação tributária com origem em norma cogente, ou seja, em disposição normativa de cumprimento obrigatório. Logo, concomitantemente à obrigação do contribuinte, nasceu um correlato direito subjetivo do sujeito ativo titular da competência tributária de proceder ao lançamento e constituir o crédito tributário, caso o primeiro não cumprisse a sua obrigação. (grifos acrescidos) Fl. 662DF CARF MF Processo nº 13401.000075/0001 Acórdão n.º 9101003.160 CSRFT1 Fl. 16 15 Essa linha de pensamento acabou refletida na Súmula CARF nº 10, que vincula a contagem da decadência ao período da efetiva realização do lucro inflacionário, ou ao período em que, em face da legislação, ele deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos: Súmula CARF nº 10: O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. Por tratar da decadência das parcelas que deveriam ter sido realizadas (e não foram), a referida súmula é constantemente invocada como fundamento para que as parcelas já decaídas sejam excluídas do saldo acumulado de lucro inflacionário que está sendo tributado em período posterior. Mas é importante perceber que a mesma lógica empregada para a contagem da decadência, também conduz ao entendimento de que a parcela do lucro inflacionário que deveria ter sido realizada (e não foi) deve ser tributada no período em que ela deveria ter sido realizada, ou, para não ser tão prolixo, no período a que ela corresponde. Não faz sentido analisarmos toda a questão da decadência em relação aos meses de 1994 (se houve apuração de tributo, se houve algum pagamento, etc., para cada um desses períodos, como foi feito acima), para então tributar essas parcelas como se fossem parcelas a realizar em 31/12/1995 (que é o que está acontecendo nestes autos). A mesma lógica que está implícita na Súmula CARF nº 10, que vincula a contagem da decadência aos critérios objetivos e legais para a realização do lucro inflacionário, que não deixa que essa realização fique submetida à vontade do contribuinte (ou do Fisco), serve também para determinar que as parcelas sejam tributadas no seu próprio período de realização, conforme definido pela lei. A lei define os critérios materiais e temporais para a realização do lucro inflacionário, que devem ser observados não apenas para a contagem da decadência, mas também para a própria tributação (seja pelo contribuinte, seja pelo Fisco). O demonstrativo da evolução dos saldos de lucro inflacionário (fls. 08 a 11) deixa claro que o saldo do lucro inflacionário acumulado em 31/12/1995 está indevidamente inflado pelas parcelas que deveriam ter sido realizadas em 1992 e 1993 (excluídas desde a decisão de primeira instância) e também pelas parcelas que deveriam ter sido realizadas/ tributadas nos meses de 1994. Está inflado não só pelas referidas parcelas (no seu valor nominal), como também pela correção que foi aplicada sobre elas. As parcelas que deveriam ter sido realizadas nos meses de 1994 (e não foram), não podem ser tributadas como se fossem parcelas a serem realizadas em 31/12/1995. Desse modo, todas as parcelas referentes aos meses de 1994 (independentemente de estarem decaídas ou não), calculadas com base nos índices estabelecidos no acórdão recorrido, devem ser excluídas do saldo acumulado de lucro inflacionário em 31/12/1995, porque não podem fazer parte dele. Fl. 663DF CARF MF Processo nº 13401.000075/0001 Acórdão n.º 9101003.160 CSRFT1 Fl. 17 16 Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 664DF CARF MF
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