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Numero do processo: 10675.903025/2009-24
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2002
PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL.
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-005.960
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. AÇÃO JUDICIAL. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO TRIÂNGULO S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2002 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 30 25 /2 00 9- 24 Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10675.903025/200924 Acórdão n.º 9303005.960 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência apresentado pela Fazenda Nacional, com fundamento no art. 67, do anexo II, do antigo regimento interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, em face do Acórdão nº 3402001.720, de 24/04/2012, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2002 BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. FATURAMENTO. Reconhecida a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS, essa contribuição deve incidir sobre o faturamento, entendido este como a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, nos termos da decisão judicial transitada em julgado. Para melhor contextualizar os fatos ocorridos, transcrevo parte do voto da decisão recorrida: "Notese que o deslinde do litígio instaurado neste processo requer tãosomente a interpretação da decisão transitada em julgado proferida nos autos do MS n° 2000.38.03.000.7782, cujo teor transcrevese: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2. Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf RE n° 346 084PR Rel orig Min ILMAR GALVÃO; RE n° 357 950RS, RE n° 358.273RS e RE n° 390.840MG, Rel. MM. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF n° 408, p. 1).(grifo aqui) Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1°A do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados.Custas ex lege. Publiquese" Na decisão recorrida a Turma não incluiu as receitas financeiras decorrentes das operações bancárias na base de cálculo da contribuição. O provimento foi parcial apenas "devido à necessidade de a unidade preparadora destes autos aferir os cálculos para apuração do valor do indébito tributário (...)". A Fazenda Nacional apresentou, tempestivamente, recurso especial apontando paradigma e demonstrando a divergência quanto à base de cálculo das contribuições Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10675.903025/200924 Acórdão n.º 9303005.960 CSRFT3 Fl. 4 3 das instituições financeiras. Em apertada síntese, defendeu o entendimento no sentido de que para as instituições financeiras as receitas decorrentes de prestação de serviços abrangem tanto as advindas da cobrança de taxas e tarifas quanto aquelas de intermediação financeira. Aduz que não pode se depreender da declaração de inconstitucionalidade do STF que o conceito de faturamento é restrito. Isso porque a declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, não alterou, nesse particular, o critério definidor da base de incidência das contribuições como as receitas decorrentes das atividades empresariais típicas, e não somente a venda de mercadorias ou de serviços do contribuinte. Assim, por perfilar desse entendimento, afirma inexistir violação à coisa julgada formada nos autos da ação judicial proposta pelo contribuinte. O recurso especial foi admitido pelo Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento. O contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarrazões, pedindo que seja negado provimento ao recurso. Em resumo, defende que a incidência da Contribuição para o PIS/PASEP deve se dar sobre o faturamento, assim entendido a receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviço, com a consequente exclusão das receitas financeiras decorrentes das operações bancárias. Assim, no seu entender, a receita de prestação de serviços, que configura o faturamento das instituições financeiras e seguradoras, englobaria apenas as taxas, tarifas e comissões cobradas pelas instituições, sendo que as receitas da atividade financeira propriamente dita estariam fora do conceito de faturamento fixado pelo STF. Assevera ainda que adotar outro entendimento resultaria em ofensa direta à coisa julgada formada nos autos do Mandado de Segurança 2000.38.03.0007782, que, na sua compreensão, teria determinado que a base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP fosse calculada com base no faturamento, entendido como a receita da venda de mercadorias e a prestação de serviços. Ressaltese que, em suas contrarrazçoes, o contribuinte não contestou aspectos relativos ao conhecimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.944, de 28/11/2017, proferido no julgamento do processo 10675.720831/201001, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.944): Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10675.903025/200924 Acórdão n.º 9303005.960 CSRFT3 Fl. 5 4 "(...) No mérito, discutese entendimento sobre o que vem a ser “receita” para as instituições do mercado financeiro. Como relatado, a Recorrente obteve decisão judicial (Mandado de Segurança 2000.38.03.0007782,) para calcular o PIS utilizando o conceito de faturamento, cujo significado corresponde a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Esse entendimento ficou claro na fundamentação do voto constante da decisão judicial, conforme trechos acima transcritos no Relatório. Portanto, como se vê, a questão referese ao sentido a ser atribuído à expressão “o faturamento, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza”, especificamente para a compreensão do que se entende por “receita de serviços” para as instituições financeiras. Pois bem. No meu entender, a referida decisão judicial efetivamente não adentrou no mérito da discussão sobre o que deve ser entendido por receita de serviços para as instituições financeiras. Logo, não há que se falar em desrespeito a coisa julgada: a decisão judicial apenas afastou a aplicação do §1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/98, na esteira do que já restara assentado no Supremo Tribunal Federal, e definiu que a base de cálculo da contribuição deve ser o faturamento, “cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. E mais nada! Contudo, resta ainda a discussão sobre a conceito de “faturamento” para fins de incidência do PIS e da Cofins para as instituições financeiras, ou seja, sobre o que deve ser entendido por “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza” em relação às instituições financeiras. Como muito bem destacado no voto condutor do Acórdão CSRF nº 9303002940, julgado em 03/06/2014, que tratou especificamente sobre a mesma matéria deste litígio, a controvérsia teve início na promoção do alargamento do conceito de faturamento para efeito de cálculo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, introduzido pela Lei 9.718/98, que incluiu na base de cálculo toda e qualquer receita, independentemente de sua classificação contábil. O Supremo Tribunal Federal ao apreciar a matéria decidiu, em sistemática de Repercussão Geral, nos seguintes termos: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98.Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Decisão O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10675.903025/200924 Acórdão n.º 9303005.960 CSRFT3 Fl. 6 5 Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. RE 585.235QO, Min. Cezar Peluso Portanto, tanto a decisão judicial obtida pelo contribuinte quanto o julgado do STF que reconheceu a repercussão geral para a matéria, apenas afastou a aplicação do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, mas não adentrou no alcance das receitas financeiras, nem tampouco ventilou a possibilidade de exclusão da receita bruta operacional do faturamento. Por outro lado, o Supremo Tribunal Federal já fixou o conceito de receita bruta como sendo não somente aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas também à soma das receitas oriundas do exercício de atividades empresariais. Nesse sentido, vejamos o leading case RE 390.840/MG, onde o Ministro Cezar Peluzo delimita o conceito de faturamento nos seguintes termos: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação”. (negritei) No mesmo sentido, vejamos os trechos dos pronunciamentos dos Ministros Marco Aurélio, Carlos Brito, Cezar Peluzo e Sepúlveda Pertence sobre a matéria, trazidos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, na ocasião do julgamento do Pleno do STF dos Recursos Extraordinários nºs 357.9509/RS, 390.8405/MG, 358.2739/RS e 346.0846/PR (leading cases): Min. Marco Aurélio (relator): Presidente, na condição de relator, permitame aos colegas escancarar a questão versada neste processo. Houve a edição da Lei 9.718/98, sob a égide da Carta da redação anterior a Emenda Constitucional nº. 20. O artigo 3º, cabeça, dessa lei preceituou algo que se mostrou consentâneo com o Diploma Maior: “art. 3º. O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde a receita bruta da pessoa jurídica.” O Tribunal estabeleceu a sinonímia “faturamento/receita bruta”, conforme decisão proferida na ADC nº 11/DF – receita bruta evidentemente apanhando a atividade precípua da empresa. O SR. MINISTRO CARLOS BRITO – Receita operacional. O SR. MINISTRO MARCO AURELIO (RELATOR) – Operacional. (...)” Min. Carlos Brito: Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo DecretoLei 2397, de 1987, art. 22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Min. Veloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10675.903025/200924 Acórdão n.º 9303005.960 CSRFT3 Fl. 7 6 “a) a receita bruta das vendas de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda; Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente aqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional. Min. Cezar Peluso: “Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgado proferido no RE 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que , a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. Min. Sepúlveda Pertence: “(...) Lamentando não poder nada mais acrescentar a tudo que aqui foi dito hoje, acompanho o voto do Min. Cezar Peluso e, nos outros casos, o do Ministro Marco Aurélio.” Destarte, resta claro que o entendimento assentado no STF é de que faturamento não se restringe unicamente à venda de mercadorias e serviços, mas também às receitas decorrentes de outras atividades empresariais desempenhadas pelo sujeito passivo, como delimita objetivamente o Ministro Cezar Peluzo no RE 444.601ED: “O conceito de receita bruta sujeita à incidência da COFINS envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas também a soma das receitas oriundas do exercício de outras atividades empresariais." Em conclusão, no meu entender, em consonância com a jurisprudência do STF, o faturamento das instituições financeiras deve compreender não apenas as receitas de prestação de serviços (taxas e tarifas), mas também as demais receitas decorrentes de outras atividades empresariais da recorrente. Pois bem. E quais são as atividades empresariais típicas de um banco? A clara delimitação de quais são as atividades empresariais da Recorrente pode ser extraída do seu próprio Estatuto Social (efls. 79/ss), onde consta: Artigo 2º O objeto social do BANCO TRIÂNGULO S.A. é a prática de operações ativas, passivas e acessórias, inerentes à carteira comercial, à carteira de crédito, financiamento e investimento e à carteira de investimentos, de acordo com as disposições legais e regulamentares em vigor. Percebese, portanto, que o rol de atividades indicadas no objeto social da Recorrente (operações ativas e passivas inerentes às carteiras comercial, de crédito, financiamento e investimento) envolve necessariamente, de forma ampla, todas as receitas decorrentes e/ou provenientes da prestação de serviços de intermediação financeira, dentre as quais podemos citar os “spreads bancários”, prêmios, ágios/deságios na venda de moedas estrangeiras (receitas cambiais), juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamento bancário, negociação de títulos e valores mobiliários, etc..., em suma, todas as receitas ordinárias, típicas, provenientes da prestação de serviços geradas pelos bancos. A meu ver, não há como fazer uma interpretação restritiva para abarcar no conceito de receita bruta apenas aquelas decorrentes das receitas com “taxas e tarifas” cobradas pelas instituições para prestar serviços bancários, como pretende a Recorrente. Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10675.903025/200924 Acórdão n.º 9303005.960 CSRFT3 Fl. 8 7 Categoricamente, todos sabem, o negócio principal de um banco não se restringe apenas em cobrar taxas ou tarifas pela prestação de serviços bancários (sobre a abertura ou manutenção de contascorrentes, pela emissão de talonário de cheques, pelo fornecimento de extratos bancários, etc...), até mesmo porque em muitos casos, após um determinado volume de movimentação financeira de seus clientes, estas taxas e tarifas são até mesmo isentadas. Estas últimas representam, a bem da verdade, atividades acessórias àquela principal. A essência da atividade bancária reside justamente na prática de operações ativas e passivas inerente à sua carteira comercial (desconto de duplicatas, com um percentual de deságio, p. ex.), carteira de crédito (os valores depositados por determinados clientes na instituição são oferecidos a outros clientes, por meio de empréstimos, cheques especiais, etc... devidamente remunerados pelos juros cobrados), etc... Aliás, são justamente essas atividades que constam como objeto social no Estatuto Social da Recorrente. Destarte, é de concluirse que as instituições financeiras têm como atividade principal a intermediação de recursos financeiros. Por conseguinte, as receitas oriundas de todas as operações bancárias (receitas operacionais), em sentido lato, aqui incluídas as receitas advindas da cobrança de taxas/tarifas (serviços bancários) e das operações de intermediação financeira, compõem o faturamento porque estão relacionadas ao exercício do objeto social dessas instituições. Por fim, registrese que a jurisprudência desta Câmara Superior tem decidido no mesmo sentido defendido neste voto (Acórdãos nº 9303002.962; 9303002.960, 9303 002.957, dentre outros). Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso especial. " No presente processo o recurso especial foi interposto pela Fazenda Nacional, de sorte que o resultado do julgamento deve ser pelo seu provimento, dado que o resultado do paradigma, no qual o recurso especial foi do contribuinte, foi por negar provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 298DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.903067/2008-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1201-000.309
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Jose Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Jose Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de DCOMP apresentada pelo DIMARI INDUSTRIAL DE COMPONENTES PARA CALÇADOS LTDA., CNPJ 89.420.372/000126, para fins de formalizar a compensação de determinado crédito oriundo de pagamento a maior com determinado débito de sua responsabilidade. Por meio de Despacho Decisório, o direito creditório não foi reconhecido, sob a alegação de insuficiência de crédito. Mais precisamente, aduz a autoridade fiscal competente que o DARF vinculado ao pretenso pagamento a maior já teria sido utilizado para quitar débito informado pelo próprio contribuinte em DCTF, não restando saldo disponível. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que o crédito, na verdade, diz respeito a Saldo Negativo, e não pagamento a maior propriamente dito. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .9 03 06 7/ 20 08 -2 5 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11065.903067/200825 Resolução nº 1201000.309 S1C2T1 Fl. 3 2 A DRJ não conheceu o pleito do contribuinte, sob duas premissas: (i) de que o processo administrativo fiscal não se prestaria a retificar DCTF; e (ii) de que a contribuinte não teria atacado os fundamentos do despacho decisório, que foi emitido com base em DCTF válida, eficaz e espontaneamente apresentada. A empresa, então, apresentou recurso voluntário, por meio do qual esclarece que houve erro de fato no preenchimento da DCOMP, e não da DCTF, sendo a negativa de análise do direito creditório fato que viola os princípios da eficiência, razoabilidade, proporcionalidade, verdade material e o artigo 112 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201 000.294, de 19.10.2017, proferido no julgamento do Processo nº 11065.902152/200876, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.294): O recurso voluntário atende os pressupostos formais e materiais, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciálo. Na DCOMP ora em análise, o contribuinte indicou como origem do crédito um pagamento a maior feito a título de estimativa. Como, porém, a DCTF indica a existência de débito no mesmo montante, o despacho eletrônico não acusou a existência de crédito. Por ocasião da Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário, o contribuinte esclarece que, na verdade, o crédito diz respeito ao Saldo Negativo apurado no ano, e não a estimativa, assumindo que teria se equivocado no preenchimento da origem exata do crédito. E para justificar esse alegado erro, a contribuinte anexa a sua DIPJ, que realmente indica a apuração de Saldo Negativo no ano, assim como uma planilha que resume as compensações efetuadas com tal saldo. Já a decisão de primeira instância não analisou o mérito da questão, tendo indeferido o pleito por razões de incompetência. Nesse contexto, entendo que o mero erro de fato não é suficiente para não homologar a compensação, em razão dos princípios da legalidade e verdade material, sendo necessária a apreciação do mérito propriamente dito. Do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para determinar o retorno dos autos à unidade de origem, para que, diante das informações e documentos trazidos pela Recorrente na Fl. 110DF CARF MF Processo nº 11065.903067/200825 Resolução nº 1201000.309 S1C2T1 Fl. 4 3 defesa e recurso, seja verificado o mérito da existência, suficiência e disponibilidade do crédito de Saldo Negativo alegado. Após a conclusão desta diligência, deve ser cientificada a contribuinte acerca do Relatório Conclusivo, para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e, em seguida, retornem os autos para julgamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910624/2011-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 11/12/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.512
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 11/12/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 11/12/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 06 24 /2 01 1- 55 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 16327.910624/201155 Acórdão n.º 3402004.512 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2004. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14060.757, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 11/12/2004 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910624/201155 Acórdão n.º 3402004.512 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910624/201155 Acórdão n.º 3402004.512 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910624/201155 Acórdão n.º 3402004.512 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.906713/2012-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/05/2009
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA.
O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de restituição ou compensação quando comprovadas a sua liquidez e certeza.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/05/2009
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.178
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/05/2009 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de restituição ou compensação quando comprovadas a sua liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2009 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 67 13 /2 01 2- 12 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10865.906713/201212 Acórdão n.º 3201003.178 S3C2T1 Fl. 3 2 RENASCER CONSTRUÇÕES ELÉTRICAS LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da Cofins. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação em litígio neste processo, em virtude de o pagamento correspondente ter sido utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante alegou, laconicamente, que o "indeferimento parcial não pode prosperar porque os créditos oriundos de pagamento indevido ou maior já tinham sido devidamente disponibilizados em razão da desvinculação dos mesmos das DCTFs daquele período". Nos termos do Acórdão nº 02051.150, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão na falta de comprovação da existência e da suficiência do crédito pleiteado. Em seu recurso voluntário, o Recorrente alega que não atentara para o fato de que o seu departamento fiscal não procedera às retificações necessárias à confirmação das alegações por ele apresentadas, em razão do quê solicita a concessão de novo prazo para realizar a apuração efetiva do seu direito creditório, tendo em vista os princípios constitucionais da capacidade contributiva e do não confisco. É o relatório Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201003.176, de 28/09/2017, proferido no julgamento do processo 10865.906711/201215, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.176): O recurso voluntário, por mostrarse tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, merece, por isto, ser conhecido. Nos termos do relatório fiscal, a lide do processo cingese à falta de comprovação pela Recorrente do seu direito creditório, nos termos constantes do despacho decisório, parte dos créditos declarados pelo contribuinte na DCOMP estavam vinculados ao pagamento de outros tributos, razão pela qual, as declarações de compensação foram homologadas parcialmente. Nas alegações do Recurso a Recorrente confirma que não realizou as apuração do seu direito creditório e não providenciou as alterações necessárias para confirmar o direito creditório alegado e pede uma prorrogação de prazo para realizar tais procedimentos. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10865.906713/201212 Acórdão n.º 3201003.178 S3C2T1 Fl. 4 3 A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non para a compensação, necessitando de prova clara e inconteste do direito creditório. No caso em tela, o contribuinte alega a existência do indébito tributário, sem apresentar as provas necessárias para comprovar as suas alegações. O pedido para prorrogação de prazo não é matéria afeita a este processo, pois, os documentos e informações comprobatórios precisam acompanhar o recurso interposto, caso a Recorrente, junto com o seu recurso voluntário, tivesse apresentado informações ou documentos que pudessem comprovar o seu direito creditório, seria possível considerar a realização de diligências para averiguar tais informações. Entretanto, a Recorrente apenas confirma os fatos já apresentados no despacho decisório e posteriormente na decisão da primeira instância, que os créditos não aceitos pela fiscalização estão vinculados a outros pagamentos, não existindo nenhuma informação que possa contradizer estes fatos, não pode prosperar o pedido da Recorrente. Quanto à alegação de ofensa a princípios constitucionais, este Conselho não é competente para aprecia a matéria, conforme assentado na súmula nº 2 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009, que veda o pronunciamento sobre constitucionalidade de lei tributária. "Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação da compensação respectiva. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.000928/2002-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998, 1999
PROCEDIMENTO FISCAL. DECLARAÇÃO EM CONJUNTO. CÔNJUGE DECLARANTE.
A opção pela declaração em conjunto implica a tributação somada dos rendimentos dos cônjuges, inclusive quando provenientes da atividade rural, cabendo a abertura de procedimento fiscal para verificação do cumprimento das obrigações tributárias em nome do cônjuge declarante.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ATIVIDADE RURAL.
Mantém-se a omissão de rendimentos na atividade rural quando a pessoa física autuada, no curso do processo administrativo tributário, não consegue infirmar as razões que fundamentam a constituição do crédito tributário mediante o lançamento de ofício.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A presunção legal de omissão de rendimentos tributáveis, estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26.
A presunção do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
(Súmula Carf nº 26)
CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA (CPMF). EXERCÍCIOS ANTERIORES. UTILIZAÇÃO DE DADOS PARA LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 35.
O § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, com a redação da Lei nº 10.174, de 2001, que autorizou o uso de informações da CPMF para a constituição de crédito tributário relativo a outros tributos, aplica-se a fatos geradores pretéritos à sua vigência.
(Súmula Carf nº 35)
Numero da decisão: 2401-005.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Andréa Viana Arrais Egypto.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998, 1999 PROCEDIMENTO FISCAL. DECLARAÇÃO EM CONJUNTO. CÔNJUGE DECLARANTE. A opção pela declaração em conjunto implica a tributação somada dos rendimentos dos cônjuges, inclusive quando provenientes da atividade rural, cabendo a abertura de procedimento fiscal para verificação do cumprimento das obrigações tributárias em nome do cônjuge declarante. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ATIVIDADE RURAL. Mantém-se a omissão de rendimentos na atividade rural quando a pessoa física autuada, no curso do processo administrativo tributário, não consegue infirmar as razões que fundamentam a constituição do crédito tributário mediante o lançamento de ofício. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos tributáveis, estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26. A presunção do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula Carf nº 26) CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA (CPMF). EXERCÍCIOS ANTERIORES. UTILIZAÇÃO DE DADOS PARA LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 35. O § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, com a redação da Lei nº 10.174, de 2001, que autorizou o uso de informações da CPMF para a constituição de crédito tributário relativo a outros tributos, aplica-se a fatos geradores pretéritos à sua vigência. (Súmula Carf nº 35)
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Andréa Viana Arrais Egypto.
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ATIVIDADE RURAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS Recorrente JOSÉ CÂNDIDO MACHADO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998, 1999 PROCEDIMENTO FISCAL. DECLARAÇÃO EM CONJUNTO. CÔNJUGE DECLARANTE. A opção pela declaração em conjunto implica a tributação somada dos rendimentos dos cônjuges, inclusive quando provenientes da atividade rural, cabendo a abertura de procedimento fiscal para verificação do cumprimento das obrigações tributárias em nome do cônjuge declarante. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ATIVIDADE RURAL. Mantémse a omissão de rendimentos na atividade rural quando a pessoa física autuada, no curso do processo administrativo tributário, não consegue infirmar as razões que fundamentam a constituição do crédito tributário mediante o lançamento de ofício. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos tributáveis, estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26. A presunção do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula Carf nº 26) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 09 28 /2 00 2- 48 Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10865.000928/200248 Acórdão n.º 2401005.122 S2C4T1 Fl. 239 2 CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA (CPMF). EXERCÍCIOS ANTERIORES. UTILIZAÇÃO DE DADOS PARA LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 35. O § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, com a redação da Lei nº 10.174, de 2001, que autorizou o uso de informações da CPMF para a constituição de crédito tributário relativo a outros tributos, aplicase a fatos geradores pretéritos à sua vigência. (Súmula Carf nº 35) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10865.000928/200248 Acórdão n.º 2401005.122 S2C4T1 Fl. 240 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo II (DRJ/SPOII), cujo dispositivo julgou procedente o lançamento fiscal, mantendo o crédito tributário. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 1726.637 (fls. 196/211): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998, 1999 ATIVIDADE RURAL. Ano calendário de 1998. Fica mantido: a) glosa de despesas, a título de “Proposta para Prorrogação de Dívida”; b) glosa de despesas a título de “pagamento parcial de Financiamento Rural”, c) a “correção do valor da receita de Atividade Rural”, considerado no auto de infração lavrado. Ano calendário de 1999. Fica mantido: a) glosa de “prejuízo de Atividade Rural, do exercício anterior”; b) a “correção do valor da receita de Atividade Rural”, considerado no auto de infração lavrado. CPMF COMO SUBSÍDIO PARA VERIFICAÇÃO DO CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. As informações, da CPMF, foram obtidas das Instituições financeiras, com base no § 2° do art. 11 da Lei n° 9311/96, respaldadas pelo inciso III, § 3° do art. 1° da Lei Complementar n° 105/2001 Os dados das arrecadações da CPMF, concernentes aos anos calendário de 1998, 1999 e 2000, serviram como subsídio para a verificação do cumprimento das obrigações tributárias do impugnantecontribuinte, com respaldo nos artigos 195 e inciso II do 197 da 1, Lei n° 5172/72 (CTN): Dessa forma não há que se falar em lesão aos w princípios da irretroatividade, e da segurança jurídica. PROCEDIMENTO DA FISCALIZAÇÃO. A contribuinte Sra. MARIA DE LOURDES NELLI MACHADO, foi declarada como sua dependente, na DIRPF Ex.99/Ac.98 e DIRPF Ex.2000/Ac.99, na condição de cônjuge. E, neste caso a verificação do cumprimento das obrigações tributárias da Sra. Maria de Lourdes Nelli Machado, deve ser Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10865.000928/200248 Acórdão n.º 2401005.122 S2C4T1 Fl. 241 4 efetuado em nome do contribuinte declarante, que no caso é o próprio fiscalizado. DO DEPÓSITO BANCÁRIO NÃO JUSTIFICADO OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Conforme relatado pelo próprio impugnante, O fornecimento dos extratos bancários, de sua movimentação financeira do ano calendário de 1998, foi efetuado pelo mesmo, em atendimento aos termos de intimações lavrados durante a fiscalização, sem a necessidade da quebra de sigilo bancário. DO DEPÓSITO BANCÁRIO NO VALOR DE R$ 164.165,50, CONSIDERADO COMO NÃO JUSTIFICADO PELO FISCO. Pagamento de empréstimo como justificativa da origem do depósito. A alegação do impugnante de que a origem do depósito contestado, foi em função de presumido empréstimo ao seu filho, face à divergência de valores, não foi aceito. A cessão de crédito. A cessão de crédito como justificativa do depósito em conta corrente, não foi aceito porque O favorecido se trata do Sr. José Candido Machado Filho, e, não em favor do impugnante, e, os cheques apresentados, não são de emissão do Sr. Hélio Maróstica, conforme deveria ser em função dos termos do “COMUNICADO” da cessão de crédito. O recibo de pagamento. O recibo de pagamento apresentado, não foi aceito porque O produto tipificado nele, não coincide com a produção rural do impugnante, conforme se nota pelos vários comprovantes de venda da sua fazenda, e, também não consta em sua Declaração de Rendimentos Ex.l999/Ac.l998, a venda de nenhum imóvel rural. DA PRESUNÇÃO DEPÓSITO BANCÁRIO NÃO JUSTIFICADO CLASSIFICADO COMO OMISSÃO DE RENDIMENTOS PELO FISCO A Lei n° 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. O ônus legal desta comprovação cabe ao contribuinte, que detêm o conhecimento das operações financeiras, que deram origem aos créditos porventura ocorrido na sua contabancária. Lançamento Procedente Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10865.000928/200248 Acórdão n.º 2401005.122 S2C4T1 Fl. 242 5 2. Extraise do Termo de Constatação Fiscal, acostado às fls. 17/21, que o processo administrativo é composto da exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF), acrescido de juros de mora e multa de ofício de 75%, nestes termos: (i) omissão de rendimentos da atividade rural, relativamente aos anoscalendário 1998 e 1999; e (ii) omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários, efetuados em conta corrente, de origem não comprovada, relativo ao anocalendário 1998. 2.1 O Auto de Infração encontrase juntado aos autos às fls. 10/16. 3. A ciência da autuação se deu em 16/05/2002, conforme fls. 21, tendo o sujeito passivo apresentado impugnação no prazo legal (fls. 166/179). 4. Intimado da decisão de piso por via postal, em 10/09/2008, segundo fls. 215/217, o recorrente apresentou recurso voluntário em 10/10/2008, com os seguintes argumentos de fato e de direito em face da decisão de piso que manteve a pretensão fiscal (fls. 218/235): (i) o procedimento fiscal teve início na contribuinte Maria de Lourdes Nelli Machado, esposa do recorrente, para fins de verificação da movimentação bancária com base em dados da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF). Posteriormente, devido a entrega de declarações de rendimentos em conjunto, o recorrente foi incluído na fiscalização. Contudo, se o objeto decorria da CPMF, referente à movimentação financeira efetuada em conta bancária da sua esposa, uma vez que as origens dos recursos foram justificadas, o procedimento deveria ter sido encerrado, e não iniciado ação fiscal para verificação da tributação da atividade rural do recorrente; (ii) no anocalendário 1998, o valor declarado como receita da atividade rural foi identificado como equivocado, devendo considerar o montante de R$ 245.612,74, e não R$ 334.270,89, e adotar como resultado do período a quantia de R$ 49.122,65; (iii) no anocalendário 1999, o recorrente aproveitou o prejuízo em sua atividade rural no exercício anterior de R$ 136.451,15, o que entende correto. Tendo em conta a opção pelo arbitramento da receita bruta de R$ 313.667,32, com aplicação da alíquota de 20%, resulta um valor tributável de R$ 62.733,46; Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10865.000928/200248 Acórdão n.º 2401005.122 S2C4T1 Fl. 243 6 (iv) a obtenção de dados de movimentação bancária a partir do recolhimento da CPMF não ampara o lançamento fiscal de fatos pretéritos ao ano de 2001, concernentes aos anos calendário de 1998 e 1999, por desrespeitar os institutos do direito adquirido e do ato jurídico perfeito; (v) não há previsão legal para a exigência de apresentação ou verificação de extratos bancários de titularidade do contribuinte, pois imprestáveis para, isoladamente, fundamentar a imposição tributária; (vi) a fiscalização não demonstrou aumento patrimonial e/ou sinais exteriores de riqueza do contribuinte incompatíveis com os valores creditados em contacorrente, os quais pudessem levar à caracterização da omissão de rendimentos a partir de depósitos bancários; e (vii) o único depósito bancário considerado pela autoridade tributária como de origem não justificada no curso do procedimento fiscal, no montante de R$ 164.165,50, efetuado no dia 09/09/1998, é correspondente à devolução de empréstimo do seu filho, José Cândido Machado Filho, envolvendo a cessão de crédito em contrato de compra e venda de soja em grãos. É o relatório. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10865.000928/200248 Acórdão n.º 2401005.122 S2C4T1 Fl. 244 7 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Preliminar 6. Em síntese, o recorrente defende a inadequação do direcionamento da ação fiscal, inicialmente levada a efeito na Srª Maria de Lourdes Nelli Machado, para a verificação do cumprimento das obrigações tributárias em seu nome. 7. Não lhe assiste razão. Como explicado pela decisão de piso, a Srª Maria de Lourdes Nelli Machado é casada com o recorrente, declarada como dependente pelo Sr. José Cândido Machado nas Declarações de Ajuste Anual, relativas ao exercícios de 1999 e 2000 (fls. 23/24 e 148/159). 8. A opção pela declaração em conjunto implica a tributação somada dos rendimentos dos cônjuges, inclusive quando provenientes da atividade rural (art. 8º do Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/99, veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999). 8.1 Vale dizer que a investigação do cumprimento das obrigações tributárias pelo agente fiscal deve ser realizada em nome do cônjuge declarante, com base no conjunto dos bens, direitos e das obrigações de casal, de maneira a identificar os rendimentos tributáveis, o patrimônio e as atividades econômicas desenvolvidas pelas pessoas físicas e, se for o caso, proceder ao lançamento de ofício. 9. De mais a mais, o procedimento fiscal efetivado em face da pessoa do recorrente observou as formalidades previstas nos atos normativos vigentes à época, como a expedição de Mandado de Procedimento Fiscal e Termos de Intimação para apresentação de documentos e/ou esclarecimentos, com prazo razoável para atendimento (fls. 3/9, 47/48, 117/118 e 133/134). Mérito a) Atividade Rural 10. Assim como na fase de impugnação, o recorrente não trás qualquer elemento de fato e/ou direito para infirmar a acusação fiscal de omissão de rendimentos decorrentes da atividade rural, nos anoscalendário de 1998 e 1999. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10865.000928/200248 Acórdão n.º 2401005.122 S2C4T1 Fl. 245 8 11. Justificase a manutenção do lançamento sobre as receitas auferidas com o exercício da atividade rural, conforme efetuado no auto de infração, pela própria descrição das infrações pelo agente fazendário, em que identificados: (i) com relação ao anocalendário de 1998, a inclusão indevida de despesas da atividade rural, a título de "Proposta para Prorrogação de Dívida" e "Pagamento Parcial de Financiamento Rural", e a incorreção do montante da receita da atividade rural; e (ii) relativamente ao anocalendário de 1999, a má utilização de valor a título de "Prejuízo da Atividade Rural", do ano anterior, e o equívoco do montante da receita da atividade rural. 12. Reproduzo a seguir excertos do Termo de Constatação Fiscal, que acresço às minhas razões de decidir (fls. 17/20): 1 1 ATIVIDADE RURAL 1.1 ANOCALENDÁRIO DE 1998 DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL (...) Dentre os comprovantes de despesas apresentados, em atendimento ao nosso termo, verificamos que dois deles foram indevidamente incluídos como despesas da atividade rural, conforme esclarecimentos a seguir: a PROPOSTA PARA PRORROGAÇÃO DE DÍVIDA (fls.42/43) o contribuinte considerou o valor de R$ 227.729,48 como despesa da atividade rural, quando na verdade este documento comprova apenas a prorrogação de um empréstimo para custeio de entressafra (algodão herbáceo). ` b PAGAMENTO PARCIAL DE FINANCIAMENTO RURAL (fls.44) o contribuinte apresentou como comprovante de despesa, um extrato bancário onde constam os pagamentos de dois financiamentos rurais, efetuados em 31/08/98, no valor de R$ 43.843,49 e R$ 43.140,97, totalizando R$ 86.984,46. Dessa forma, os empréstimos efetuados na atividade rural não podem ser considerados como despesas de custeio/investimento, os quais devem ser informados na Declaração de Rendimentos no campo apropriado, ou seja, “Dívidas Vinculadas à Atividade Rural”. (...) O documento “Proposta para Prorrogação de Dívida” (fls.43) apresentado pelo contribuinte como despesa da atividade rural, 1 As páginas a que se refere o agente fiscal no Termo de Constatação Fiscal dizem respeito à numeração em papel, antes da digitalização do processo administrativo. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10865.000928/200248 Acórdão n.º 2401005.122 S2C4T1 Fl. 246 9 nada mais é que um parecer técnico do banco financiador efetuado em 06/08/98, que justifica a prorrogação da data de pagamento em virtude de problemas ocorridos durante a safra de algodão, não dispondo portanto, de recursos financeiros para liquidar o empréstimo na data aprazada. (...) O contribuinte esclarece em sua resposta de 20/03/2002 (fls.135/138), que efetuou a liquidação concernente ao aditivo de prorrogação do referido empréstimo em 01/09/98, o que ainda assim, não justifica o lançamento deste como despesa da atividade rural, pois para tanto, deveriam ser apresentados os documentos comprobatórios das despesas efetivamente incorridas. O mesmo se aplica aos pagamentos parciais de financiamento rural conforme descrito no item b) acima, uma vez que os mesmos devem ter as despesas correspondentes comprovadas através de documentos hábeis e idôneos. RECEITAS DA ATIVIDADE RURAL O contribuinte, em sua resposta de 25/10/2001 (fls.48/52), esclareceu que o valor declarado de R$ 334.270,89 como receita da atividade rural, foi indevidamente informado em sua declaração de rendimentos (fls.150) apresentando os respectivos Informes de Rendimentos da empresas Dedini S. A. Agro Indústria (fls.84)e Citrosuco Paulista S.A (fls.85), bem como notas fiscais de produtor, para comprovar a receita efetivamente recebida de R$ 245.612,74 (fIs.86/98). APURAÇÃO DO RESULTADO TRIBUTÁVEL DA ATIVIDADE RURAL Uma vez que o contribuinte não comprovou a efetividade das despesas da atividade rural de agosto/98, referentes aos valores de R$ 227.729,48 e de R$ 86.984,46 os mesmos foram glosados por esta fiscalização. E ainda, levandose em conta a redução da receita comprovada pelo contribuinte, de R$ 334.270,29 para R$ 245.612,74, o mesmo incorreu num lucro da atividade rural de R$ 89.604,64. Na apuração do valor tributável, considerandose a opção pelo arbitramento sobre a receita bruta feita pelo contribuinte,ou seja, 20% da receita bruta total, este será de R$ 49.122,55. Dessa forma, tendo o contribuinte optado pelo arbitramento sobre a receita bruta, e sendo este menor que o lucro apurado, o resultado tributável do período será de R$ 49.122,55. 1.2 ANOCALENDÁRIO DE 1999 No anocalendário de 1999, o contribuinte se aproveitou indevidamente do prejuízo da atividade rural do exercício Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10865.000928/200248 Acórdão n.º 2401005.122 S2C4T1 Fl. 247 10 anterior, de R$ 136.451,15, o qual efetivamente não existiu, conforme esclarecimentos apresentados no item acima. O contribuinte, em sua resposta de 25/10/2001(fls.71/75), esclareceu que o valor declarado de R$ 365.954,76 como receita da atividade rural, foi indevidamente informado em sua declaração de rendimentos (fls.155), apresentando os respectivos Informes de Rendimentos da empresas Dedini S. A. Agro Indústria (fls.107)e Citrosuco Paulista S.A (fls.108), bem como notas fiscais de produtor (fls.109/114), para comprovar a receita efetivamente recebida de R$ 313.667,32. APURAÇÃO DO RESULTADO DA ATIVIDADE RURAL Levandose em conta a redução da receita comprovada pelo contribuinte, de R$ 365.954,76 para R$ 313.667,32, o mesmo incorreu num lucro da atividade rural de R$ 90.507,89. Na apuração do valor tributável, considerandose a opção pelo arbitramento sobre a receita bruta feita pelo contribuinte,ou seja, 20% da receita bruta total, este será de R$ 62.733,46. Dessa forma, tendo o contribuinte optado pelo arbitramento sobre a receita bruta, e sendo.este menor que o lucro apurado, o resultado tributável do período será de R$ 62. 733,46. O valor do prejuízo de exercício anterior, no valor de R$ 136.451,15 informado pelo contribuinte na apuração do resultado tributável da atividade rural, foi desconsiderado, uma vez que, conforme mencionado, o mesmo efetivamente não ocorreu. b) Depósito Bancário 13. No que tange à utilização de informações da CPMF para a finalidade de subsidiar o lançamento de ofício relativo a outros tributos, ao amparo do prescrito no § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996, na redação dada pela Lei nº 10.174, de 9 de janeiro de 2001, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a súmula nº 35, assim vazada: Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. 13.1 De observância obrigatória pelos Conselheiros, o enunciado representa o entendimento reiterado e uniforme no âmbito da segunda instância do contencioso administrativo tributário quanto à possibilidade de aplicação retroativa do dispositivo de lei ordinária, para alcançar os fatos geradores anteriores à vigência da nova redação, por tratarse de norma de cunho procedimental, que apenas concedeu poderes adicionais de investigação ao Fisco (art. 144, §1º, do Código Tributário Nacional CTN). Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10865.000928/200248 Acórdão n.º 2401005.122 S2C4T1 Fl. 248 11 14. É verdade que o afastamento ou não aplicação de lei no âmbito administrativo, sob fundamento de inconstitucionalidade, é medida possível na hipótese de que já tenha havido a sua declaração por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal (STF) e obrigatória quando houver decisão definitiva em sede de julgamento realizado na sistemática da repercussão geral (art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e suas modificações). 15. Acontece que a linha argumentativa exposta pela recorrente, em sua essência jurídica, foi objeto de recente apreciação pelo Tribunal Constitucional, na sessão do dia 24/02/2016, por meio do Recurso Extraordinário (RE) nº 603.314/SP, de relatoria do Ministro Edson Fachin, julgado sob a sistemática da repercussão geral. 15.1 Restou consignado pela maioria dos Ministros do STF que a modificação promovida pela Lei nº 10.174, de 2001, no § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, não teve o condão de induzir a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma jurídica, consoante o § 1º do art. 144 do CTN. 15.2 Para melhor visualização do decidido pelo STF, reproduzo na sequência parte da ementa do RE nº 603.314/SP: (...) 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. (...) 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (DESTAQUES DO ORIGINAL) 16. Afirma também o recorrente que os depósitos bancários, por si só, não configuram rendimentos tributáveis, eis que não representam sinais exteriores de riqueza. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10865.000928/200248 Acórdão n.º 2401005.122 S2C4T1 Fl. 249 12 Cuidase de alegações, entretanto, que não se sustentam em face do conteúdo explícito do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) 17. Consiste a autuação fiscal na aplicação da presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, em que se considera omissão de rendimentos tributáveis quando o titular de conta bancária mantida junto à instituição financeira, após regularmente intimado, deixa de comprovar a origem dos recursos creditados. 17.1 Segundo o preceptivo legal, os extratos bancários possuem força probatória, recaindo o ônus de comprovar a origem dos depósitos sobre o contribuinte, por meio de documentação hábil e idônea, sob pena de presumirse rendimentos tributáveis omitidos em seu nome. 18. Quando da edição da Lei nº 9.430, de 1996, houve a revogação do § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021, de 12 de abril de 1990: Art. 6° O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) § 5° O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) 18.1 Sob a égide do dispositivo legal suprimido do mundo jurídico, exigiase a prévia demonstração de sinais exteriores de riqueza pelo agente fiscal para o lançamento de ofício com base na renda presumida decorrente de depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras. 18.2 As decisões judiciais colacionadas pelo recorrente referemse a períodos anteriores à Lei nº 9.430, de 1996, com base em dispositivos já revogados, o mesmo contexto dos precedentes que fundamentaram o entendimento da Súmula nº 182 do antigo Tribunal Federal de Recursos. 19. A partir do ano de 1997, com o advento do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o agente fazendário está dispensado de demonstrar a existência de sinais exteriores de riqueza ou acréscimo patrimonial incompatível com os rendimentos declarados pelo contribuinte, tampouco há necessidade de mostrar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10865.000928/200248 Acórdão n.º 2401005.122 S2C4T1 Fl. 250 13 19.1 É o que diz, de forma sintética, o enunciado sumulado nº 26, deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. 20. Especificamente quanto à omissão de rendimentos não justificada pela pessoa física, referese a um único depósito efetuado em cheque, em 09/09/1998, no valor de R$ 165.164,50. 20.1 Devidamente intimado e reintimado no curso do procedimento fiscal, o contribuinte justificou a origem do crédito em conta bancária como proveniente da sua atividade rural, explicação, conforme realçado no Termo de Constatação Fiscal, que se mostrou não só inconsistente com os dados disponíveis, como também desprovida de lastro em documentação hábil e idônea dos fatos alegados (fls. 20/21). 21. Na peça de impugnação, com idêntica manifestação no recurso voluntário, a explicação do contribuinte para o depósito em conta andou em outra direção, com motivo na concessão anterior de empréstimo ao seu filho. Copio as suas palavras, para melhor apreciação das razões de defesa (fls. 229/230): a) Em data de 18/ 05/ 98, o Impugnante e a Contribuinte Maria de Lourdes Nelli Machado, emprestaram ao seu filho José Candido Machado Filho, através do cheque n° 1186 222871 do Banco Banespa SA. conta corrente n° 0026920006700, no valor de R$ 112.538,00, conforme extrato respectivo, documento acostado às fls. do processo. b) Também é certo que, durante o anocalendário de 1998, outros valores menores foram emprestados em dinheiro pelo Recorrente ao seu filho José Candido Machado Filho. c) Que o filho do Impugnante em data de 03/08/98, através de COMUNICADO, do Sr. Gilberto Bruza, que de acordo com a Cláusula Terceira do Contrato Particular de Compra e Venda de Soja em Grãos, celebrado com o Sr. Hélio Maróstica, cedeu e transferiu por Cessão de Crédito ao Sr. José Candido Machado Filho, cujo documento foi firmado em 03/08/98, com firma reconhecida do Cedente SR. Gilberto Bruza, conforme prova o documento anexado aos autos em questão. d) Que em data de 09/09/98 o Sr. Gilberto Bruza e Outros, conforme Recibo em anexo, documento n° 3, efetuou o pagamento da quantia de 19.300 sacas de soja pelo preço médio, cujo valor que será convertido em reais, consoante consta na Cláusula Quinta do referido contrato, será pago ao Sr. José Candido Machado, conforme Cessão de Crédito. e) Que em data de 09/09/98, foram efetuados dois depósitos na Conta 10150234160 do Sr. José Candido Machado, ora Impugnante nos valores de R$90.436,50 e R$74.728,00, que perfazem a citada importância de R$165.164,50, consoante Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10865.000928/200248 Acórdão n.º 2401005.122 S2C4T1 Fl. 251 14 provam os documentos anexados aos autos, fornecidos pelo Banco HSBC Brasil SA. de Itumbiara, onde reside o filho do Recorrente. f) Dessa maneira, resultou provada a origem do depósito efetuado em data de 09/09/98, no HSBC Bamerindus conta corrente n° 023416, Agência 1015 Pirassununga, do Sr. José Candido Machado ora Impugnante, portanto improcede a presunção da Fiscalização como rendimento omitido, devendo ser extraído da base de calculo na apuração do presente crédito tributário. 22. A despeito das razões alinhavadas pelo recorrente, que incluem uma explanação sobre a realização de operação de cessão de crédito e conversão de sacas de sojas em moeda corrente, não estou convencido da origem alegada para o depósito de R$ 165.164,50, em 09/09/2008, vinculado a uma devolução de empréstimo pelo filho. 22.1 É que a quantia efetivamente depositada em 09/09/1998, equivalente a R$ 165.164,50, considerada como rendimentos de origem não comprovada, está bem aquém do cheque datado em 18/05/1998, no montante de R$ 112.538,00, declarado como emprestado ao filho, José Cândido Machado Filho. 22.2 Apesar de o recorrente dizer que, durante o anocalendário de 1998, outros valores menores foram emprestados em dinheiro ao seu filho, não há sequer uma evidência de quantias, datas ou quaisquer indícios sérios e convergentes para respaldar os fatos que pretende o autuado fazer prevalecer, impossibilitando, desse modo, a adequada correlação do numerário movimentado entre pais e filho. 23. Para afastar a presunção legal de omissão de rendimentos, é necessário a comprovação inequívoca de que o crédito bancário mencionado teve origem em fatos não tributáveis, tal como a devolução de empréstimo, o que não restou, em minha avaliação, demonstrado nos autos. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, REJEITO a preliminar e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 251DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910722/2011-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 09/04/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.580
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 09/04/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 09/04/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 07 22 /2 01 1- 92 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 16327.910722/201192 Acórdão n.º 3402004.580 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2005. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14061.314, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 09/04/2005 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910722/201192 Acórdão n.º 3402004.580 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910722/201192 Acórdão n.º 3402004.580 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910722/201192 Acórdão n.º 3402004.580 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13653.720298/2013-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Período de apuração: 01/10/1995 a 30/06/1996
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO AUTORIZADA JUDICIALMENTE.
O deferimento do pedido de restituição administrativa de indébito não configura ofensa à coisa julgada ou descumprimento de decisão judicial quando esta última tão somente declarou o direito creditório e autorizou a compensação. Não houve, na decisão judicial, determinação no sentido de que a compensação seria o único meio de satisfazer o direito da contribuinte, razão pela qual é plenamente válida a restituição pleiteada.
Numero da decisão: 2201-003.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 09/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Período de apuração: 01/10/1995 a 30/06/1996 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO AUTORIZADA JUDICIALMENTE. O deferimento do pedido de restituição administrativa de indébito não configura ofensa à coisa julgada ou descumprimento de decisão judicial quando esta última tão somente declarou o direito creditório e autorizou a compensação. Não houve, na decisão judicial, determinação no sentido de que a compensação seria o único meio de satisfazer o direito da contribuinte, razão pela qual é plenamente válida a restituição pleiteada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. EDITADO EM: 09/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1406; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 66 1 65 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13653.720298/201368 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.934 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de setembro de 2017 Matéria RESTITUIÇÃO IRPF Recorrente THERESE EL KHOURI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Período de apuração: 01/10/1995 a 30/06/1996 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO AUTORIZADA JUDICIALMENTE. O deferimento do pedido de restituição administrativa de indébito não configura ofensa à coisa julgada ou descumprimento de decisão judicial quando esta última tão somente declarou o direito creditório e autorizou a compensação. Não houve, na decisão judicial, determinação no sentido de que a compensação seria o único meio de satisfazer o direito da contribuinte, razão pela qual é plenamente válida a restituição pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 09/10/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 3. 72 02 98 /2 01 3- 68 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13653.720298/201368 Acórdão n.º 2201003.934 S2C2T1 Fl. 67 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 60/63, interposto contra o acórdão nº 0835.114 da DRJ em Fortaleza/CE, de fls. 48/56, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade da RECORRENTE, não reconhecendo o direito creditório relativo a Pagamento Indevido ou a Maior, no valor original de R$ 4.979,26 (quatro mil novecentos e setenta e nove reais e vinte e seis centavos). Trata o presente processo da análise do Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação – PER/DCOMP nº 14003.85866.270111.2.2.549377 (fls. 35/36). Tal requerimento de restituição de direito creditório é fundamentado por decisão judicial transitada em julgado. Porém, foi indeferido pelo fisco por este entender que “o reconhecimento do direito creditório estar vinculado à decisão judicial e o tipo de ação, por ser de compensação, restringir o aproveitamento do crédito a essa forma de utilização, não permitindo restituição ou ressarcimento” (fls. 34). Cientificada da decisão em 26/08/2013 (fls. 37), a RECORRENTE apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 02/10) em 05/09/2013. Nesta, alegou que, apesar da decisão judicial tratar do instituto da compensação, é facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição e que esta opção não fere a coisa julgada. A fim de embasar sua tese, colacionou precedentes do Superior Tribunal de Justiça. Ocorre que, como já citado, o acórdão nº 0835.114 da 1ª Turma da DRJ/FOR (fls. 48/56) indeferiu a Manifestação de Inconformidade. Tal decisão, em apertada síntese, fundouse na argumentação de que o declarado na decisão judicial somente autoriza os autores da ação a compensar o crédito, sendo impossível autorizar a sua restituição. Além disso, apesar de o contribuinte poder optar pela restituição ou pela compensação, no caso concreto esta opção teria sido feita nos autos do processo judicial, pelo que conclui: “A teor dos artigos 467 e 468 do Código de Processo Civil, a sentença judicial transitada em julgado tem força de lei nos limites da lide e das questões decididas. Assim, cabe tãosomente à Secretaria da Receita Federal do Brasil dar cumprimento à decisão judicial definitiva, em respeito ao princípio da unidade da jurisdição contemplado na Carta Magna, em seu art. 5º, inciso XXXV. A avaliação da contribuinte de que não seria apurado, nos anos vindouros, saldo de imposto a pagar na declaração de ajuste Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13653.720298/201368 Acórdão n.º 2201003.934 S2C2T1 Fl. 68 3 anual, apesar de perfeitamente plausível, não tem o condão de permitir à autoridade administrativa que deixe de aplicar o teor do julgado. De qualquer forma, o pedido administrativo devese ater aos termos da decisão judicial transitada em julgado, razão pela qual não há como acatar a pretensão do contribuinte de ver restituído o imposto retido indevidamente, pois, na via judicial, optou pela sua compensação com débitos futuros da mesma espécie.” O acórdão, então, restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Período de apuração: 01/10/1995 a 30/06/1996 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO DEFERIDA JUDICIALMENTE. Cabe ao Fisco dar cumprimento à decisão judicial definitiva que acatou o pedido da autora e determinou a compensação do imposto retido indevidamente com parcelas futuras da mesma exação. Impossível a restituição administrativa do indébito, sob pena de ofensa à coisa julgada. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL. EFEITOS. As decisões judiciais só fazem coisa julgada às partes, não beneficiando, nem prejudicando terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito à Restituição Não Reconhecido Do Recurso Voluntário A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 20/04/2016, conforme AR de fls. 58, apresentou o Recurso Voluntário de fls. 60/63 em 19/05/2016. Em suas razões, reitera os termos da Manifestação de Inconformidade, alegando que a opção do contribuinte pela restituição é de bom direito, bem como não afronta a coisa julgada. Confirase: “Pela Lei nº 9.096/95 tem o contribuinte direito de optar pela compensação ou restituição do imposto pago indevidamente, conforme artigo 58. Pelo artigo 66 da mesma lei, em seu §2º, ‘é facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição’. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13653.720298/201368 Acórdão n.º 2201003.934 S2C2T1 Fl. 69 4 Vale reiterar que a restituição é forma de devolução de indébito tributário, assim como a compensação e o pagamento por RPV e/ou precatório sem que se constitua ofensa à coisa julgada, mas sim a reparação de um dano econômico financeiro ao contribuinte, que teve recursos de verba alimentar retidos indevidamente pelo empregador BACEN e repassados aos cofres da União.” Mais à frente, conclui: “Isto posto, demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento de seu pleito roga seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade (sic) e por consequência, determinada a restituição dos valores declarados no PER/DCOMP nº 14003.85866.270111.2.2.549377, devidamente atualizada até a data da restituição.” Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. MÉRITO A RECORRENTE defende possuir direito à restituição de valores considerados indevidamente recolhidos, vez que a sentença judicial que baseia o seu pleito reconheceu o direito creditório, ainda que tenha autorizado a compensação. Entendo que assiste razão à RECORRENTE. Primeiramente, é preciso ressaltar que tanto a restituição – requerida pela contribuinte – quanto a compensação são formas de execução de decisão judicial transitada em julgado colocadas à disposição do contribuinte pelo legislador, mais precisamente no artigo 66, caput e parágrafo segundo, da Lei nº 8.383/1991 (com redação dada pela Lei nº 9.069/1995). “Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13653.720298/201368 Acórdão n.º 2201003.934 S2C2T1 Fl. 70 5 recolhimento de importância correspondente a período subsequente. § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição.” (grifos acrescidos) Notese que nestes dispositivos o legislador utilizou, propositadamente, verbos “poder” e “facultar”, com vistas a deixar a cargo do contribuinte a escolha pelo método para reaver o montante pago indevidamente ou em valor a maior que considerar melhor ou mais vantajoso para si. Assim, o direito de escolha é do contribuinte, titular do direito creditório. Ressaltese que esse é o posicionamento dos tribunais superiores, notadamente o Superior Tribunal de Justiça, o qual possui enorme lastro de decisões nesse sentido. Destacase recente julgado do STJ, exarado em 16/03/2017: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA DE INDÉBITO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. POSSIBILIDADE. (...) 4. O art. 66 da Lei 8.383/1991, que trata da compensação na hipótese de pagamento indevido ou a maior, em seu § 2º, faculta ao contribuinte a opção pelo pedido de restituição, tendo o art. 74 da Lei 9.430/1996 deixado claro que o crédito pode ter origem judicial, desde que com trânsito em julgado. 5. "O entendimento pacífico do Superior Tribunal de Justiça, inclusive já sumulado (Súmula nº 461 do STJ), é no sentido de que 'o contribuinte pode optar por receber, por meio de precatório ou por compensação, o indébito tributário certificado por sentença declaratória transitada em julgado'. Com efeito, a legislação de regência possibilita a restituição administrativa de valores pagos a maior a título de tributos, conforme se verifica dos art. 66 da Lei nº 8.383/1991 e 74 da Lei nº 9.430/1996" (REsp 1.516.961/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 22/03/2016). 6. Recurso Especial provido para assegurar o direito de o contribuinte buscar a restituição do indébito na via administrativa, após o trânsito em julgado do processo judicial. (STJ – REsp 1642350 / SP 2016/03060966, Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN, Data do Julgamento: 16/03/2017, Data da Publicação: DJe 24/04/2017)” “PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. EXECUÇÃO CONTRA A FAZENDA. DECISÃO Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13653.720298/201368 Acórdão n.º 2201003.934 S2C2T1 Fl. 71 6 EXEQUENDA QUE RECONHECEU O DIREITO À RESTITUIÇÃO. OPÇÃO PELA COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. FACULDADE DO CREDOR. 1. "O contribuinte pode optar por receber, por meio de precatório ou por compensação, o indébito tributário certificado por sentença declaratória transitada em julgado" (Súmula 461/STJ). Ressaltese que "a opção entre a compensação e o recebimento do crédito por precatório ou requisição de pequeno valor cabe ao contribuinte credor pelo indébito tributário, haja vista que constituem, todas as modalidades, formas de execução do julgado colocadas à disposição da parte quando procedente a ação que teve a eficácia de declarar o indébito" (REsp 1.114.404/MG, 1ª Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 1º.3.2010 recurso submetido ao regime previsto no art. 543C do CPC). 2. Agravo regimental não provido. (STJ AgRg no REsp 1266096 / PR 2011/00580831. Relator: Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES. Data de Julgamento: 04/03/2013. Data da Publicação: DJe 10/04/2013)” Isto posto, apesar de correta a afirmação da DRJ de que decisão administrativa não pode afrontar coisa julgada, ou seja, de que é defeso ao fisco sobrepor ou contrariar decisão judicial transitada em julgado, isso não ocorre no processo em apreço. A bem da verdade, o Poder Judiciário, quando da prolação da sentença do processo nº 1999.61.00.062749, tão somente se posicionou favorável ao pleito do contribuinte pelo direito creditório e autorizou a compensação dos valores devidos pela União, e não determinou que este fosse o único meio hábil para executar o direito reconhecido à RECORRENTE. O trecho da decisão judicial abaixo colacionado assim comprova: “Isto posto, JULGO PROCEDENTE O PEDIDO, para declarar a inexistência de relação jurídica válida capaz de fundamentar os recolhimentos e autorizar a compensação, a partir do corrente mês, dos créditos oriundos das retenções indevidas de imposto de renda pessoa física nos períodos questionados, referentes a conversão de prêmio assiduidade, férias e licença prêmio não gozadas, com as quantias efetivamente devidas do mesmo imposto, até a extinção dos créditos acumulados.” Como se depreende, a decisão não teceu uma linha argumentativa sequer acerca do direito à restituição dos valores pagos indevidamente ou a maior, de modo que autorizar a devolução destes valores não invade ou fere a coisa julgada, muito menos significa que se estaria deixando de aplicar o teor do julgado, como afirmou o acórdão recorrido. Por outro lado, caso o Judiciário tivesse negado provimento, expressamente, a um hipotético pleito por restituição da RECORRENTE, autorizando tão somente a compensação, é certo que o fisco não poderia proceder com a devolução. Todavia, ressaltese: o Poder Judiciário apenas declarou o direito creditório do particular e o autorizou a compensar os valores na via administrativa – não se pronunciou sobre eventual restituição. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13653.720298/201368 Acórdão n.º 2201003.934 S2C2T1 Fl. 72 7 Logo, diante do silêncio do Judiciário no que diz respeito ao instituto da restituição, não há que se falar em prejuízo ou ataque à coisa julgada na concessão deste método de devolução do que foi pago indevidamente ou a maior pela RECORRENTE. Por este motivo, considero que a RECORRENTE tem direito à restituição pleiteada. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário da contribuinte, para conceder a restituição pleiteada através do PER/DCOMP nº 14003.85866.270111.2.2.549377. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 72DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910683/2011-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 23/07/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.551
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 23/07/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 06 83 /2 01 1- 23 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910683/201123 Acórdão n.º 3402004.551 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2005. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14061.048, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 23/07/2005 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910683/201123 Acórdão n.º 3402004.551 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910683/201123 Acórdão n.º 3402004.551 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 92DF CARF MF Processo nº 16327.910683/201123 Acórdão n.º 3402004.551 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 93DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.721848/2014-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 09/09/2009
DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA, NÃO LOCALIZADA OU REVENDIDA. MULTA IGUAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA.
Considera-se dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento, que é substituída por multa igual ao valor aduaneiro da mercadoria importada caso tenha sido entregue a consumo, não seja localizada ou tenha sido revendida.
INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
O adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, responde conjunta ou isoladamente pela infração.
INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE.
Respondem pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie (artigo 95, I, do Decreto-lei nº 37/1966).
Numero da decisão: 3401-004.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Sustentou pelas recorrentes que remanescem no contencioso o advogado Adam Soares, OAB/SC no 32.540.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
MARA CRISTINA SIFUENTES - Redatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D´Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA, NÃO LOCALIZADA OU REVENDIDA. MULTA IGUAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento, que é substituída por multa igual ao valor aduaneiro da mercadoria importada caso tenha sido entregue a consumo, não seja localizada ou tenha sido revendida. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, responde conjunta ou isoladamente pela infração. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE. Respondem pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie (artigo 95, I, do Decretolei nº 37/1966). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Sustentou pelas recorrentes que remanescem no contencioso o advogado Adam Soares, OAB/SC no 32.540. ROSALDO TREVISAN Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 18 48 /2 01 4- 44 Fl. 832DF CARF MF Processo nº 13971.721848/201444 Acórdão n.º 3401004.240 S3C4T1 Fl. 833 2 MARA CRISTINA SIFUENTES Redatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D´Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado. Relatório Versa o presente processo sobre Auto de Infração lavrado em nome de BELLEVUE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS LTDA E OUTROS, para exigência do crédito tributário no valor de R$102.914,97 referente a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas irregularmente e não encontradas, conforme Arts. 673, 675, inciso IV, 689 e §1° do Decreto n° 6.759/09 e arts. 73, §§ 1° e 2° e 77 da Lei n° 10.833/03. Foram enumerados como responsáveis solidários os sujeitos passivos TORENT DO BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA,CNPJ 06.211.677/000155, BELLESKY INDÚSTRIA, COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA,CNPJ 09.346.825/000137, BELLEVUE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS LTDA, CNPJ 00.572.416/000184, DARIO TOMASELLI NETO, sócio administrador da fiscalizada Torent, CPF 005.034.74975, LUIS CARLOS CENZI REBELLATO, sócio administrador da fiscalizada Bellesky, CPF 393.495.00000, CARMEN VETTER WERNER, CPF 068.791.799 91 e ALCANTARO CORREA, CPF 003.791.23991, todos sócios administradores da fiscalizada Bellevue, conforme arts. 124 e 128 do CTN, e art. 95 do DecretoLei nº 37/1966, por terem interesse comum na situação que constitui o fato gerador. Segundo a descrição dos fatos a empresa TORENT adquiriu as mercadorias para a empresa BELLESKY, com recursos da empresa BELLEVUE, ou seja, a empresa TORENT realizou operação de comércio exterior por conta e ordem da empresa BELLEVUE, conforme art. 27 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2012. A empresa Torent registrou a Declaração de Importação DI nº 09/11969980 em 09/09/09, desembaraçada no canal verde, informando no Siscomex que se tratava de importação realizada por sua própria conta(com recursos próprios) e ordem (pedido/demanda própria). A fiscalização da RFB afirma que as mercadorias entraram em território aduaneiro por conta e ordem das empresas Bellesky e Bellevue, as reais adquirentes. Somente a empresa Torent possuía habilitação para operar no comércio exterior à época do fato. Foram abertas fiscalizações para as empresas Torent, Bellesky, e Bellevue em 2014. Na fiscalização foi constatado que a empresa Torent emitiu notas fiscais de entrada e saída, no mesmo dia, para venda a empresa Bellesky. A empresa Torent creditou em conta corrente cheque no valor de R$ 100.00,00 em 16/06/2009, e o contrato de cambio nº 09006251, referente à DI nº 09/11969980, foi liquidado em 18/06/2009, em valor de R$ 101.444,53. No dia 15/06/2009 a empresa Bellevue contabilizou cheque de R$100.00,00 em favor da Torent. Os valores foram transacionados antes do registro da DI e do embarque da mercadoria, restando comprovado para a fiscalização que os recursos para o pagamento do contrato de Fl. 833DF CARF MF Processo nº 13971.721848/201444 Acórdão n.º 3401004.240 S3C4T1 Fl. 834 3 câmbio foram supridos pela Bellevue e não pela Torent. A empresa Torent não possuía fundos suficientes para pagamento do contrato de câmbio à época. Em 11/09/2009 foi efetuado o lançamento contábil de R$172.958,52 referente a venda da Torent para a Bellesky das mercadorias, NF nº 578., e em 17/09/2009 foi efetuado o lançamento contábil de R$72.958,52, referente ao recebimento de duplicata da Bellesky, que coincide com a diferença entre o valor já adiantado pela empresa Bellevue. As operações foram comprovadas por meio dos registros contábeis das interessadas, assim como pelos extratos bancários das movimentações financeiras e notas fiscais. As mercadorias não puderam ser localizadas, como informa a adquirente e destinatária, por isso a pena de perdimento que seria aplicada foi substituída pela multa prevista no §3º do art. 23 do decretolei nº 1.455/1976, equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, por caracterizada a interposição fraudulenta de terceiros na importação. Foram autuados na condição de responsáveis solidários os sócios administradores das empresas: Dario Tomaselli Neto, Luis Carlos Cenzi Rebellato, Carmen Vetter Werner e Alcantaro Correa. A empresa Bellevue Participações Societárias Ltda, e Carmen Vetter Werner e Alcantaro Corrêa, sócios administradores, apresentaram impugnação em conjunto na qual alegam, em síntese: 1. O suposto adiantamento de recursos acusado pela fiscalização não passou de transferência de créditos devidos à empresa Bellesky em razão de venda de fundo de comércio àquela empresa. Conforme contrato, que anexa, a venda do fundo de comércio à empresa Bellesky previa a cessão de créditos e contas a receber referentes a vendas realizadas a prazo de produtos produzidos pelo fundo de comércio vendido. O valor a ser recebido no dia 15/06/2009, de R$ 130.000,00, da empresa Condor Supercenter foi dividido a pedido da empresa Bellesky, sendo que R$ 100.000,00 foram encaminhados por meio de cheque diretamente à empresa Torent, que sequer os impugnantes conhecem, e o saldo de R$ 30.000,00 diretamente na conta da empresa Bellesky. O fato está registrado na Conta Operação Transferência Fundo de Comércio. 2. Não houve nenhuma comprovação no auto de infração de qualquer interesse da Bellevue na importação realizada. Não se comprovou nenhum dano ao Erário ou fraude ao recolhimento do IPI, pois é sabedora de que a mercadoria adquirida pela Torent era industrializada e utilizada em seu processo produtivo, de modo que não era vendida a terceiros sem a incidência de IPI como destacado no auto de infração. 3. A importação por encomenda não caracteriza importação por conta e ordem de terceiro, conforme dispõe o art. 11 da Lei nº 11.281/2006. 4. A multa exigida é desarrazoada, desproporcional e confiscatória, atentando contra os princípios constitucionais. 5. Requerem seja declarada suas ilegitimidades passivas e cancelado o auto de infração. A empresa Torent do Brasil Importação e Exportação Ltda e Dario Tomaseli Neto, administrador, apresentaram impugnação em conjunto, assim como Bellesky Indústria, Comércio, Importação e Exportação Ltda e Luis Carlos Cenzi Rebellato, sócio administrador da empresa. As impugnações apresentam as seguintes alegações, em síntese: Fl. 834DF CARF MF Processo nº 13971.721848/201444 Acórdão n.º 3401004.240 S3C4T1 Fl. 835 4 1. A importação foi realizada por conta e ordem própria da empresa Torent, não se utilizando de qualquer outra pessoa jurídica importadora. Os recursos empregados foram oriundos da importadora Torent, perfeitamente aferíveis e decorrentes de suas operações negociais seja com a empresa Bellesky, seja com seus demais clientes. 2. O crédito em conta corrente, registrado como Operação Transferência de Fundo de Comércio derivou de crédito da empresa Bellesky em face da empresa Bellevue, decorrente da aquisição do fundo de comércio pela Bellesky que, por ordem desta, transferiu o respectivo crédito a sua fornecedora, no caso a ora impugnante Torent. 3. Não realizou qualquer contato comercial ou outro de qualquer natureza com a também autuada Bellevue, mas tão somente com a autuada Bellesky em relação a produtos importados comercializados no mercado nacional. 4. Não houve nenhum ilícito ou interposição fraudulenta e não pode prosperar a solidarização entre as empresas autuadas, tão pouco a seus sócios. 5. Não há qualquer prova efetiva da alegada interposição fraudulenta, mas tão somente presunções. 6. A operação comercial foi realizada com recurso próprio da Torent, disponíveis em sua conta corrente originados de legítimas operações comerciais, todas declaradas para a Receita Federal. Não há qualquer remissão a ilícito ou a fraude contra o sistema financeiro ou à ordem pública. 7. A fiscalização faz interpretação equivocada do que sejam importações para encomendante prédeterminado. Interpretando o art. 11 da Lei nº 11.281/2006 e o parágrafo único do art. 1º da IN RFB 634/2006 concluise que a operação realizada pela Torent e posterior venda à Bellesky, de forma alguma poderia ser entendida como importação por conta e ordem de terceiro ou como por encomenda. 8. A Torent foi a responsável por todas as fases da operação: comercial, financeira, logística e transporte, desembaraço aduaneiro e pagamento de tributos, garantia, reposição de peças, troca e qualidade do produto, contabilização e revenda das mercadorias nacionalizadas. 9. As antecipações de recursos decorrem tão somente da forma negocial adotada entre as empresas Torent e Bellesky. O fato de haverem pagamentos que antecedem a entrega dos produtos não desconstitui a operação de importação direta, nem tão pouco, poderia ser ventilado que estes fossem os únicos recursos dispostos pela importadora, como quer fazer parecer à fiscalização. 10. A operação propiciou lucro de 12,65% à Torent, fato que demonstra que não houve interposição fraudulenta, pois não haveria motivo para a Bellesky aumentar seus custos, não sendo margem irrisória como aduz a fiscalização. 11. A remuneração nas importações, por conta e ordem de terceiros, realizadas pela Torent são da ordem de 0,5% sobre o total da nota fiscal de venda e o valor das mercadorias nas notas fiscais de entrada e de venda são exatamente os mesmos, adicionados unicamente dos impostos de nacionalização. Fl. 835DF CARF MF Processo nº 13971.721848/201444 Acórdão n.º 3401004.240 S3C4T1 Fl. 836 5 12. Não houve a necessária comprovação do cometimento de fraude ou simulação, apenas meras presunções. 13. Caso se entenda pela procedência da multa, os tributos aduaneiros já recolhidos devem ser compensados. Requerem seja declarada a nulidade do auto de infração ou sua insubsistência e improcedência. A Torent, em caso contrário, requer a compensação dos tributos incidentes. A DRJ no acórdão DRJ 0736.915 1ª Turma da DRJ/FNS, Sessão de 18 de março de 2015, se pronuncia assim: 1. Como relatado, a importadora Torent do Brasil Importação e Exportação Ltda registrou Declaração de Importação na qual informou ser a importadora e a adquirente das mercadorias importadas. Submetida a procedimento fiscal, verificouse que houve ocultação da real adquirente das mercadorias, a empresa Bellesky Indústria, Comércio, Importação e Exportação Ltda, e adiantamento dos recursos empregados na operação da empresa Bellevue Participações Societárias Ltda. 2. A ocultação da real adquirente das mercadorias, empresa Bellesky, foi comprovada mediante a constatação de que as notas fiscais de entrada e saída, da empresa Torent, que ampararam as mercadorias foram emitidas logo após o desembaraço aduaneiro fato que demonstra que as mercadorias haviam sido negociadas anteriormente à importação, bem como pela comprovação do adiantamento de recursos empregados na importação, que teriam sido encaminhados pela empresa Bellevue à empresa Torent. A infração acusada e a penalidade a ser aplicada estão dispostas no art. 23 do Decretolei nº 1.455/1976. 3. A empresa Bellevue e seus sócios diretores, todos autuados na condição de responsáveis solidários, vêm aos autos protestando contra a acusação de que seriam partícipes da fraude ou simulação, pois, ao contrário do alegado pela fiscalização, o recurso transferido à empresa Torent não se referia à importação de mercadorias, mas sim, a transferência de valores devidos à empresa Bellesky a quem teria vendido fundo de comércio e que foram transferidos diretamente à empresa Torent a pedido daquela. 4. O contrato apresentado pelos impugnantes (fls. 216 a 220), não contém os requisitos formais que garantam sua validade (não consta que tenha registro público e não possui data de reconhecimento de firmas que possibilitem atestar a data de assinatura do contrato). Todavia, aliado ao registro contábil, de folhas 222, às cópias dos cheques, ao recibo de depósito (fls.225) e às declarações das demais envolvidas, respalda a alegação dos impugnantes. De acordo com o contrato apresentado, o fundo de comércio da empresa Fl. 836DF CARF MF Processo nº 13971.721848/201444 Acórdão n.º 3401004.240 S3C4T1 Fl. 837 6 Bellevue foi adquirido pela empresa Bellesky, sendolhe transferidos todos os ativos e passivos. 5. Os registros contábeis informam que foi creditado, no dia 12/06/2009, pela empresa Bellevue, o valor de R$ 130.000,00 na conta “Adiantamento de clientes” sob a rubrica “Adto Cliente Ref Com Condor Supercenter”. Na mesma data consta na conta “Operação Transferência Fundo de Comércio”, sob a rubrica “Pgto Adto Importação por Conta Bellesky”, o débito de R$ 100.000,00, assim como sob a rubrica “Bellesky por Conta Contrato Venda Fundo e Comércio” o valor de R$ 30.000,00. Os cheques apresentados e o recibo de depósito, por sua vez, demonstram que, de fato, ditos valores foram depositados pela empresa Bellevue para a empresa Torent (R$ 100.000,00) e Bellesky (R$ 30.000,00). 6. Concluise, assim, que os documentos apresentados comprovam a transação comercial e financeira entre as empresas Bellevue e Bellesky, assim como respaldam a alegação de que os recursos transferidos pela empresa Bellevue à empresa Torent se referiam às obrigações contratuais assumidas pela empresa Bellevue perante a empresa Bellesky. 7. Não havendo outras provas de que a empresa Bellevue tenha transferido os recursos à empresa Torent para a realização de importação de seu interesse, a empresa Bellevue Participações Societárias Ltda e seus sócios diretores devem ser excluídos do polo passivo da autuação do presente processo por não ter sido comprovada sua responsabilidade na fraude acusada. 8. Por outro lado, esse fato comprova a efetiva participação da empresa Bellesky na importação autuada. Como analisado e de acordo com todos os impugnantes, a transferência dos recursos pela empresa Bellevue à empresa Torent se deu por conta das obrigações assumidas perante a empresa Bellesky. Em outras palavras, os recursos transferidos pela empresa Bellevue à empresa Torent eram, em verdade, da empresa Bellesky, fato que ratifica a conclusão da fiscalização de que a importação em apreço foi realizada em razão do interesse da empresa Bellesky e não da empresa Torent como essa quer fazer crer. 9. De acordo com os lançamentos contábeis da empresa Torent, esta realizou o fechamento de câmbio, ou seja, pagamento pela mercadoria, da importação em tela, no dia 18/06/2009, somente dois dias depois e em valor quase que idêntico (R$ 101.444,53), ao valor a ela transferido pela empresa Bellevue a mando da empresa Bellesky (R$ 100.000,00 no dia 16/06/2009). Dita coincidência comprova que, independentemente da condição financeira da empresa Torent, os recursos empregados na importação tiveram como fonte a empresa Bellesky. Fl. 837DF CARF MF Processo nº 13971.721848/201444 Acórdão n.º 3401004.240 S3C4T1 Fl. 838 7 10. Aliado à constatação de que as mercadorias foram encaminhadas à empresa Bellesky pela empresa Torent imediatamente ao desembaraço aduaneiro, o dispositivo legal em menção faz concluir que a importação autuada foi realizada por conta e ordem da empresa Bellesky e não da empresa Torent, como querem fazer crer. Quanto à responsabilidade solidária dos autuados, cumpre verificar o disposto no art. 95 do Decretolei nº 37/1966, [...] respondem pela infração, solidariamente com a importadora Torent do Brasil Importação e Exportação Ltda a empresa Bellesky Indústria, Comércio, Importação e Exportação Ltda, por ser a real adquirente das mercadorias importadas por sua conta e ordem, como visto, previsão do inciso V do art. 95 do Decretolei nº 37/1966; e os sócios administradores da empresa Bellesky Indústria, Comércio, Importação e Exportação Ltda e da empresa Torent do Brasil Importação e Exportação Ltda, pois esses concorreram para a prática da infração, como previsto no inciso I do art, 95 do Decretolei nº 37/1966. 11. Não cabe razão aos impugnantes quando alegam que a autuação se baseou em meras presunções. Como visto, restou plenamente comprovado, inclusive confessado pelas autuadas, que os recursos transferidos à importadora Torent provieram da empresa Bellesky. Esses recursos foram utilizados pela empresa Torent para pagar os custos das mercadorias importadas. Esse fato, por si só, já estabelece a presunção legal de que a operação de importação foi realizada por conta e ordem da empresa Bellesky. Ademais, as mercadorias foram transferidas pela empresa Torent à empresa Bellesky imediatamente após o desembaraço aduaneiro. Portanto, a autuação não se baseou em meras presunções, mas sim, em uma presunção juris tantum legalmente estabelecida, bem como em prova indiciária suficiente para comprovar o cometimento da ilegalidade acusada. 12. Da mesma forma não se acata o argumento dos impugnantes de que os valores recolhidos a título de tributos devem ser a eles ressarcidos no caso de manutenção da multa lançada. A penalidade lançada se refere a multa substitutiva de pena de perdimento em razão da impossibilidade de localização das mercadorias importadas. Essa impossibilidade de localização se deu pelo fato de essas mercadorias terem sido revendidas, ou seja, terem adentrado à economia nacional. 13. Por todo o exposto voto no sentido de considerar procedente em parte as impugnações constantes do presente processo, mantendo o crédito tributário lançado, e excluindo Bellevue Participações Societárias Ltda, Carmen Vetter Werner e Alcantaro Corrêa do polo passivo da autuação. Os autuados Torent do Brasil Importação e Exportação Ltda, Dario Tomaselli Neto, Bellesly indústria, comércio, importação e exportação Ltda, e Luiz Carlos Cenzi Rebellato apresentam recurso voluntário protocolado em 04/05/2015, alegando em síntese: Fl. 838DF CARF MF Processo nº 13971.721848/201444 Acórdão n.º 3401004.240 S3C4T1 Fl. 839 8 A. pela empresa Torent e Sr. Dario Tomaselli: 1. A empresa Torent possuía recursos financeiros, conforme anexa comprovantes, à data dos fatos para arcar com o contrato de câmbio e com as despesas de importação e tributos. Ocorrendo uma antecipação de pagamento por parte da Bellesky, dentro das tratativas negociais, sendo a questão temporal despicienda. 2. A ocultação do sujeito passivo deve ser efetuada mediante comprovada fraude ou simulação. A interposição fraudulenta aduaneira exige um ilícito antecedente. Todas as operações comerciais e movimentações financeiras foram contabilizadas. A Torent foi a responsável por todas as fases da importação, desde a negociação com o fornecedor até a entrega ao cliente final. 3. Inexiste a responsabilidade solidária e a subsunção fática a norma, já que a Torent não se utilizou de outra pessoa jurídica importadora, descaracterizando o comando dos incisos I, V e VI do art. 95 do DecretoLei nº 37/1966. 4. O art. 11 da Lei 11.281/06 não proíbe ao importador ter pedidos de compra realizados antes da importação. E também não há qualquer disposição nos autos que informem que a importação se deu por encomenda, conforme IN SRF nº 634/06. 5. Todo o cenário desenhado pela fiscalização pautase em mera presunção, não existindo qualquer elemento que demonstre simulação, fraude documental, lavagem de dinheiro, sonegação de tributos, subfaturamento, quebra da cadeia do IPI, ou seja, não há qualquer dano ao erário. 6. Requer ao final a declaração de nulidade do auto de infração e imposição da multa substitutiva e se houver entendimento diverso que sejam compensados os tributos incidentes na operação de importação com a multa. B. pela empresa Bellesky e Sr. Luiz Carlos Cenzi, após repetir os argumentos apresentados em recurso voluntário pela Torent e Sr. Dário: 1. Não ocorreu a ocultação, fraude ou simulação, sendo que a empresa Torent tinha total domínio da operação e comprovou a origem dos recursos e capacidade econômica. 2. Não restou comprovado pela fiscalização a utilização de meios ilícitos, ato que buscasse ocultar algo para que a contribuinte pudesse furtarse do cumprimento da obrigação tributária, ato que buscasse ocultar o real vendedor, comprador ou responsável pela operação, e a realização de determinado negocio que não representa de fato a verdadeira intenção e objetivos dos agentes. 3. Os valores adquiridos da Torent são inferiores a 2% do volume de negócios efetuados pela Bellesky em sua atividade industrial. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. Os presentes recursos voluntários são tempestivos e preenchem as condições de admissibilidade, pelo que deles tomo conhecimento. Inicialmente vale recapitular o enquadramento legal do Auto de Infração (fl. 04), qual seja, o art. 23, § 3º do DecretoLei nº 1.455/76, com a redação dada pelo art. 59 da Fl. 839DF CARF MF Processo nº 13971.721848/201444 Acórdão n.º 3401004.240 S3C4T1 Fl. 840 9 Lei nº 10.637/02, que trata conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). A conversão em multa ocorreu por ter sido aplicado os arts. 673, 675, inciso IV, 689 e §1° do Decreto n° 6.759/09 e arts. 73, §§ 1° e 2° da Lei n° 10.833/03. Art. 673. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte de pessoa física ou jurídica, de norma estabelecida ou disciplinada neste Decreto ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálo (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 94, caput). Parágrafo único. Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 94, § 2º). Art. 675. As infrações estão sujeitas às seguintes penalidades, aplicáveis separada ou cumulativamente (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 96; DecretoLei nº 1.455, de 1976, arts. 23, § 1º, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, art. 59, e 24; Lei no 9.069, de 1995, art. 65, § 3o; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 76): I perdimento do veículo; II perdimento da mercadoria; III perdimento de moeda; IV multa; e Fl. 840DF CARF MF Processo nº 13971.721848/201444 Acórdão n.º 3401004.240 S3C4T1 Fl. 841 10 V sanção administrativa. Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): (...) XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, § 3º, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59). Art. 73. Verificada a impossibilidade de apreensão da mercadoria sujeita a pena de perdimento, em razão de sua não localização ou consumo, extinguirseá o processo administrativo instaurado para apuração da infração capitulada como dano ao Erário. § 1º Na hipótese prevista no caput, será instaurado processo administrativo para aplicação da multa prevista no § 3o do art. 23 do DecretoLei no 1.455, de 7 de abril de 1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002. § 2º A multa a que se refere o § 1o será exigida mediante lançamento de ofício, que será processado e julgado nos termos da legislação que rege a determinação e exigência dos demais créditos tributários da União. De acordo com os autos a empresa Torent registrou Declaração de Importação nº 09/11969980 em nome próprio, sendo que a mercadoria se destinava a terceiros, no caso a empresa Bellesky, incidindo no teor do art. 23 do DL 1455/76: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Importante relembrar que as sanções aplicadas no âmbito aduaneiro almejam mais significativamente a garantia do controle aduaneiro, pois a fiscalização e o controle sobre Fl. 841DF CARF MF Processo nº 13971.721848/201444 Acórdão n.º 3401004.240 S3C4T1 Fl. 842 11 o comércio exterior são essenciais à defesa dos interesses fazendários nacionais, conforme artigo 237 da Constituição Federal, de 1988. Por isso uma informação prestada, e declarada pelo contribuinte, em momento oportuno permite que a Secretaria da Receita Federal do Brasil do Brasil exerça sua competência institucional, e assim garanta a defesa dos interesses fazendários e em um escopo maior a defesa da economia nacional. O comando do inciso I, do art. 80 da MP nº 2.15835, de 24/08/2001, veio agregar possibilidade de atuação à instituição ao dar à RFB a prerrogativa de estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro. Art. 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; e II exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, 1quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do adquirente. O que se percebe é que a legislação não interfere nas relações comerciais, proibindo uma configuração que é prática no comércio. Ela apenas impõe o disciplinamento da relação comercial quando efetuada por conta e ordem de terceiros. Almejase assim um melhor controle aduaneiro e defesa da economia nacional, afastando a possibilidade do emprego de terceiras pessoas para práticas ilícitas diversas, tais como sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e descaminho, dentre outros. E coaduno com o que consta no Auto de Infração quando afirma: Vale lembrar que o objetivo primordial do disciplinamento acima é exatamente estabelecer os devidos controles sobre os verdadeiros adquirentes das mercadorias importadas, a fim de que sobre eles se exerçam as fiscalizações necessárias para se detectar, entre outros aspectos, a origem lícita dos recursos empregados, o devido recolhimento dos tributos internos incidentes sobre tais operações fiscais, inibindose, dessa forma, que empresas inidôneas venham a competir de forma desleal com aquelas legalmente estabelecidas e observadoras da legislação vigente. As importações “por conta e ordem de terceiros” foi regulamentada pela IN SRF nº 225, de 18/10/2002: Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que opere por conta e ordem de terceiros será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. 1 O inciso I foi alterado pela Lei nº 12.995/2014 para incluir a empresa exportadora. "I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora ou exportadora por conta e ordem de terceiro; Fl. 842DF CARF MF Processo nº 13971.721848/201444 Acórdão n.º 3401004.240 S3C4T1 Fl. 843 12 Parágrafo único. Entendese por importador por conta e ordem de terceiro a pessoa jurídica que promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, em razão de contrato previamente firmado, que poderá compreender, ainda, a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial. Art. 2º A pessoa jurídica que contratar empresa para operar por sua conta e ordem deverá apresentar cópia do contrato firmado entre as partes para a prestação dos serviços, caracterizando a natureza de sua vinculação, à unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRF), de fiscalização aduaneira, com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz. Parágrafo único. O registro da Declaração de Importação (DI) pelo contratado ficará condicionado à sua prévia habilitação no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), para atuar como importador por conta e ordem do adquirente, pelo prazo previsto no contrato. Observese da leitura da IN SRF 225/2002 e da IN SRF 650/2006, vigentes à época dos fatos, que é condição para atuação da empresa por conta e ordem de terceiros, que ambas estejam habilitadas perante a RFB para a prática de atos de comércio exterior. Também é condição para essa atuação que seja informado no Siscomex, no momento do registro da Declaração de Importação que a operação é efetuada por conta e ordem de terceiros. Ao elaborar a declaração de importação (DI), o importador, pessoa jurídica contratada, deve selecionar, na Aba "Importador" no Campo "Caracterização da Operação", o Tipo "Importação por Conta e Ordem"2 ; A empresa Torent possuía habilitação3, já a empresa Bellesky somente foi habilitada em 10/06/2010, muito tempo após o registro da DI autuada. Importante notar que na Declaração de importação4 não foi informado tratar se de uma importação por conta e ordem, nem foi mencionada a existência de um terceiro interessado – um “adquirente” ou “encomendante predeterminado” para as mercadorias importadas. A importação poderia ter sido efetuada por conta e ordem de terceiros ou por encomenda. Já concluímos que para ser uma importação por conta e ordem de terceiros, não foram cumpridas duas exigências importantes, quais sejam, a habilitação de ambas as empresas, com a apresentação do contrato de prestação de serviços à RFB, e a informação no Siscomex de se tratar de uma importação por conta e ordem de terceiros. Ficando constatado o prejuízo ao controle aduaneiro. 2 Informação disponível no site da RFB: idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/aduaneira/manuais 3 Me desobrigo de tecer considerações aqui sobre a habilitação das empresas para práticas de atos de comércio exterior, já que tal informação nada acrescentará aos debates. 4 Na DI anexa aos autos, doc 2 do AI, não consta o nome do adquirente da mercadoria. Fl. 843DF CARF MF Processo nº 13971.721848/201444 Acórdão n.º 3401004.240 S3C4T1 Fl. 844 13 Quanto a ser uma importação por encomenda, existe também disciplinamento para a matéria. A Lei nº 11.281, de 20/02/2006, criou a figura do encomendante predeterminado, submetendo à regulamentação da RFB. E a IN SRF nº 634, de 24/03/2006 trouxe a regulamentação: Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Não se considera importação por encomenda a operação realizada com recursos do encomendante, ainda que parcialmente. Art. 2º O registro da Declaração de Importação (DI) fica condicionado à prévia vinculação do importador por encomenda ao encomendante, no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). ... § 3º Para fins do disposto no caput, o encomendante deverá estar habilitado nos termos da IN SRF nº 455, de 5 de outubro de 20047. Art. 3º O importador por encomenda, ao registrar DI, deverá informar, em campo próprio, o número de inscrição do encomendante no CNPJ. ... Como para a importação por conta e ordem, nesse caso não houve habilitação do encomendante e também não foi informado no Siscomex tratarse de uma importação por encomenda. Voltando ao tipo legal aplicado vemos que fica configurada a ocultação do sujeito passivo, do real comprador da mercadoria pela não informação prestada à RFB, a quem compete a regulamentação e o disciplinamento da matéria. Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Também resta comprovada a ocultação do real adquirente das mercadorias, a empresa Bellesky, já que consta nos autos que a empresa adiantou os recursos financeiros para o fechamento do contrato de câmbio, por meio de cheque da Bellevue. E as notas fiscais de Fl. 844DF CARF MF Processo nº 13971.721848/201444 Acórdão n.º 3401004.240 S3C4T1 Fl. 845 14 entrada e saída, da empresa Torent, que ampararam as mercadorias foram emitidas logo após o desembaraço aduaneiro fato que demonstra que as mercadorias haviam sido negociadas anteriormente à importação. Os registros contábeis informam que foi creditado, no dia 12/06/2009, pela empresa Bellevue, o valor de R$ 130.000,00 na conta “Adiantamento de clientes” sob a rubrica “Adto Cliente Ref Com Condor Supercenter”. Na mesma data consta na conta “Operação Transferência Fundo de Comércio”, sob a rubrica “Pgto Adto Importação por Conta Bellesky”, o débito de R$ 100.000,00, assim como sob a rubrica “Bellesky por Conta Contrato Venda Fundo e Comércio” o valor de R$ 30.000,00. Os cheques apresentados e o recibo de depósito, por sua vez, demonstram que, de fato, ditos valores foram depositados pela empresa Bellevue para a empresa Torent (R$ 100.000,00) e Bellesky (R$ 30.000,00) Concluise, assim, que os documentos apresentados comprovam a transação comercial e financeira entre as empresas Bellevue e Bellesky, assim como respaldam a alegação de que os recursos transferidos pela empresa Bellevue à empresa Torent se referiam às obrigações contratuais assumidas pela empresa Bellevue perante a empresa Bellesky. (Acórdão DRJ nº 0736.915) Resta saber se o restante do tipo legal é atingido, ou seja, a ocultação ter sido efetuada mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Encontramos a definição de fraude no art. 72 da Lei nº 4.502, de 30/11/1964: Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Para a definição de simulação, buscamos o esclarecimento de juristas como Orlando Gomes5 para quem há simulação quando “em um negócio jurídico se verifica intencionalmente divergência entre a vontade real e a vontade declarada, com o fim de enganar a terceiros”. Ou Clóvis Bevilaqua para quem a simulação é uma declaração enganosa da vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado. Já a interposição fraudulenta de terceiros, é segundo o dicionário de Aurélio Buarque de Holanda uma simulação que consiste em ocultar o verdadeiro interessado no ato jurídico, fazendo aparecer um terceiro em seu lugar. 5 Introdução ao Estudo do Direito, 7a. ed., Rio de Janeiro: Forense, 1983, p. 374 Fl. 845DF CARF MF Processo nº 13971.721848/201444 Acórdão n.º 3401004.240 S3C4T1 Fl. 846 15 Revendo toda a documentação acostada ao processo podemos concluir que o caso concreto enquadrase perfeitamente nesses conceitos, restando comprovado que a empresa Bellesky foi a real adquirente das mercadorias importadas, e que a importação foi declarada como importação própria da empresa Torent, quando na verdade já tinha destino certo, inclusive com recebimento de parte do pagamento antes da chegada da mercadoria. Toda essa negociação configura clara a simulação sendo que restou ludibriado o controle aduaneiro. Quanto a alegação das recorrentes que a empresa Torent possuía recursos financeiros para arcar com a operação e que a antecipação de pagamento por parte da Bellesky era parte das tratativas negociais, essas afirmativas restaram desnecessárias ao deslinde da questão, pois mais importante era garantir o controle aduaneiro e os requisitos não foram cumpridos pelas recorrentes, a habilitação de ambas empresas, com a apresentação do contrato de prestação de serviços à RFB, e a informação no Siscomex de se tratar de uma importação por conta e ordem de terceiros. A alegação das recorrentes que toda a autuação foi baseada em presunções, também não merece guarita. A ocultação do sujeito passivo ficou demonstrada a partir do momento em que ele não foi identificado na importação. A fraude, simulação ou interposição fraudulenta também se mostra quando um terceira empresa (Torent) se coloca entre o fisco e o real adquirente, escondendo quem de fato estava adquirindo a mercadoria, inclusive confessado pelas autuadas, que os recursos transferidos à importadora Torent provieram da empresa Bellesky A respeito da sujeição passiva temos que relembrar os comandos dos arts. 124, 128 e 135 do CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Art.135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I – as pessoas referidas no artigo anterior; II – os mandatários, prepostos e empregados; III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 846DF CARF MF Processo nº 13971.721848/201444 Acórdão n.º 3401004.240 S3C4T1 Fl. 847 16 E o DecretoLei nº 37/1966 define em seu art. 95 os responsáveis pelas infrações, não fazendo distinção à responsabilização solidária, se a operação é por conta e ordem ou por encomenda: Art 95. Respondem pela infração: I Conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...) V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora (incluído pelo art. 78 da Medida Provisória nº 2.158/2001). VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora (incluído pelo art. 12 da Lei nº 11.281/2006). Logo tanto o importador quanto o real adquirente das mercadorias são responsáveis solidários pelos tributos e pelas multas aplicadas, e também os sócios Srs. Dario Tomaselli e Luis Carlos Cenzi, pela simples leitura e aplicação dos dispositivos citados. Quanto a possibilidade de ressarcimento dos valores recolhidos a título de tributos no caso de manutenção da multa, repiso os argumentos levantados no acórdão da DRJ: Da mesma forma não se acata o argumento dos impugnantes de que os valores recolhidos a título de tributos devem ser a eles ressarcidos no caso de manutenção da multa lançada. A penalidade lançada se refere a multa substitutiva de pena de perdimento em razão da impossibilidade de localização das mercadorias importadas. Essa impossibilidade de localização se deu pelo fato de essas mercadorias terem sido revendidas, ou seja, terem adentrado à economia nacional. Por essa razão, o Decretolei nº 37/1966 assim estabelece em seu art. 1º, in verbis: Art.1º O Imposto sobre a Importação incide sobre mercadoria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no Território Nacional.(Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) (...) § 4º O imposto não incide sobre mercadoria estrangeira:(Incluído pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) III que tenha sido objeto de pena de perdimento, exceto na hipótese em que não seja localizada, tenha sido consumida ou Fl. 847DF CARF MF Processo nº 13971.721848/201444 Acórdão n.º 3401004.240 S3C4T1 Fl. 848 17 revendida.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (destaques acrescidos) Portanto, improcedente a alegação dos impugnantes de que os tributos pagos devam ser a eles ressarcidos. A mercadoria não foi localizada, por já ter sido revendida, conforme informado nos autos, aplicandose então a conversão do perdimento em multa. Por todo o exposto voto no sentido de conhecer o recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Mara Cristina Sifuentes Fl. 848DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.730203/2014-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 11/04/2012 a 21/01/2014
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. CESSÃO DE NOME.
Aplica-se a multa de dez por cento do valor da operação exclusivamente à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários.
Recurso Negado. Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3302-004.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator
(assinado digitalmente)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Redatora Ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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CESSÃO DE NOME. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação exclusivamente à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. Recurso Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. Domingos de Sá Filho Relator (assinado digitalmente) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Redatora Ad hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 73 02 03 /2 01 4- 18 Fl. 1155DF CARF MF 2 Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório Foime designado formalizar o presente voto, como Redatora Ad Hoc, conforme despacho de fls. 1153 eprocesso, Acórdão nº 3302004.149, proferido na sessão de 27 de abril de 2017, nos termos do artigo 17, inciso III do Anexo II do RICARF. Na condição de Redatora ad hoc para formalização deste acórdão, passo a transcrever o relatório constante da minuta do voto do Relator Conselheiro Domingos de Sá Filho. "Cuidase de Recurso Voluntário apresentado pela empresa ALIANÇA COMERCIAL, IMPORTAÇÃO E EXPORTADORA LTDA., visando modificar a decisão de piso, que manteve aplicação da penalidade, prevista pelo artigo 33 da Lei nº 11.488/2007. A fiscalização acusa a Recorrente de ceder o nome em realização de operações de comércio exterior com vista ao acobertamento de reais intervenientes ou beneficiários. No caso concreto, atribui a condição de real adquirente das mercadorias importadas à empresa STELL COMÉRCIO, DISTRIBUIÇÃO E REPRESENTAÇÃO LTDA. e DIRECT LOGÍSTICA LTDA, mantendoas ocultas aos controles aduaneiros, quando as operações foram registradas em nome da ALIANÇA. Adotase o relatório da decisão da DRJ/Florianopólis: “Trata o presente processo do Auto de Infração, de fls. 792/797, por meio do qual é feita a exigência de R$ 238.302,29, relativa à multa correspondente a 10% do valor aduaneiro de que trata o art. 33, da Lei nº 11.488/2007. Relata a auditoria, às fls. 23/51, que se constatou ligação entre a ALIANÇA e as empresas STEEL COMÉRCIO, DISTRIBUIÇÃO E REPRESENTAÇÃO LTDA, CNPJ 13.474.016/000188 e DIRECT LOGÍSTICA LTDA, CNPJ 02.119.270/000141. Estas duas últimas empresas trazem como endereço o mesmo indicado nos dados cadastrais da ALIANÇA e apresentam como sócios: Cláudio Correa de Moura, casado com a sócia da ALIANÇA Djenane Salvadori Moura; e Mario Sérgio dos Santos, casado com Luceli Assenjo de Souza Santos, que fora sócia da ALIANÇA e que repassou suas cotas para a filha – Adriana Assenjo dos Santos. As sócias constantes do quadro societário da ALIANÇA não apresentam capacidade econômica para fazer frente aos valores indicados como capital social (R$ 235.000,00), se analisada a evolução patrimonial constante das suas DIRPF. Relata que a empresa DIRECT promoveu transferências de numerários no montante de, aproximadamente, R$ 1.066.000,00, à empresa ALIANÇA, a título de mútuo, conforme resposta à intimação. Grande parte deste valor (R$ 746.939,46) advém de seu sócio Cláudio Correa Moura, após ser depositado na conta da empresa DIRECT, conforme consta dos comprovantes bancários. Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 11128.730203/201418 Acórdão n.º 3302004.149 S3C3T2 Fl. 1.154 3 Verificou, na contabilidade da empresa DIRECT, os seguintes pagamentos dos empréstimos: no montante de R$170.000,00, divididos em operações realizadas nos meses de julho e setembro de 2012; R$ 480.000,00 em 2013; e, em 2014, pagamentos no valor de R$ 150.000,00 (anexo 4). A auditoria explica que, conforme extratos bancários da empresa ALIANÇA, os pagamentos por ela efetuados à DIRECT têm suporte nos valores realizados como adiantamentos pela STEEL. E que tais recursos podem ser utilizados pela DIRECT para fechamento de câmbios ou pagamentos de tributos na realização de importações realizadas pela Aliança. Na resposta à intimação, a auditoria fiscal observou diversas inconsistências, eis que, questionada acerca das transferências, a empresa ALIANÇA remete a notas fiscais com emissão em datas posteriores àquelas nas quais se observou o fluxo econômico e, muitas vezes, a quantia constante do extrato bancário é muito superior ao valor da nota mencionada, conforme exemplifica. Assim, a auditoria concluiu que a demonstração da origem dos recursos não é clara e nem guarda lógica quanto aos valores e datas. A empresa STEEL aparece como principal compradora dos produtos comercializados pela ALIANÇA, atingindo o percentual de 86% das transações desta empresa. Em relatórios extraídos da contabilidade da STEEL, observou que foram providenciados adiantamentos em valores substanciais que serviram de custeio às operações realizadas pela Aliança, como os exemplos mostrados, sem que, no entanto, haja coerência entre as datas (até um ano após) e os valores apontados nas notas fiscais a que se relacionam seus históricos. Esses adiantamentos são encontrados também na contabilidade da empresa ALIANÇA, historiados como pagamentos referentes às notas fiscais emitidas em data muito posterior àquelas em que se observam as transferências de recursos. Verificou, também, a existência de uma conta denominada “empréstimos aliança”, onde se pode ver a periodicidade e os montantes enviados à importadora visando ao financiamento das importações. Informa que a empresa STEEL não possuía habilitação para operar no comércio exterior, tendo permanecido oculta, uma vez que é tida como real adquirente das mercadorias despachadas através das DI listadas, registradas pela ALIANÇA como operação por conta própria. Nota que não foram seguidos os passos e as condições que devem ser observadas para tais operações, através de Instrução Normativa RFB nº 225, de 18 de outubro de 2002, e que o seu descumprimento traz prejuízo ao controle aduaneiro. Considerou a existência de solidariedade entre as empresas ALIANÇA, STEEL e DIRECT LOGÍSTICA, com base no art. 124 do DecretoLei nº 5.172/66 (CTN). Fl. 1157DF CARF MF 4 Cientificadas do lançamento (fls. 816/818), as empresas ALIANÇA, DIRECT e STEEL, apresentaram suas impugnações (fls. 824/849, 897/922 e 985/1011, respectivamente), nas quais, em síntese: Alegam que, somandose os valores dos adiantamentos, não é possível chegar ao real valor descrito nas notas fiscais e que as vendas estão lançadas nas contabilidades das empresas. Aduzem que os valores relacionados como adiantamentos são decorrentes de outras transações entre as empresas e não se pode presumir ocultação do real adquirente somente pelo fato da existência de pagamentos em datas próximas às datas das compras das mercadorias no exterior. Informam que a empresa ALIANÇA possuía saldo em conta corrente, no momento do desembaraço aduaneiro, decorrente de empréstimos por meio de contrato de mútuo com a empresa DIRECT. Desta forma, não existe dano ao erário e motivo da referida fiscalização. Aduzem que não houve ocultação do sujeito passivo, pois o auditor fiscal sabia para quem fora vendida a mercadoria, intimando a suposta empresa ocultada para prestar informações, e que falta clareza na descrição dos fatos, não atendendo todos os requisitos de validade elencados pela legislação vigente. Afirmam que a ausência de motivo fere os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, gerando a nulidade do ato administrativo e que não havendo a perfeita subsunção do fato concreto à hipótese prevista legalmente, não há que se falar na aplicação da presente penalidade. Alegam incompetência do agente, pois a equipe que formaliza os autos de infração nas importações onde existam indícios de fraude em matéria aduaneira é da Eqpea e não da Eqaufi, que foi responsável pelo lançamento. Aduzem que houve a prática de atos com excesso de poderes com relação ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), pois não lhe foram atribuídos poderes para solicitar extratos bancários das contas correntes, ferindo princípios constitucionais. Argumenta, ainda, que há vício material passível de nulidade, eis que a auditoria descreve a fundamentação legal da pena de perdimento no item 4 do relatório fiscal, no entanto, o enquadramento legal correto do presente lançamento seria do art. 33 da Lei nº 11.488/2007 (cessão do nome da pessoa jurídica com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários). Alegam que a pena de perdimento aplicada não se encontra amparada legalmente, pois o auditor sabe para quem foi vendida a mercadoria, não havendo que se falar em ocultação do sujeito passivo. Elenca os procedimentos da ALIANÇA, relativos à importação e venda das mercadorias, caracterizandoa como por encomenda. Afirmam que não existem provas cabais das alegações do fisco e que a pena aplicável seria tão somente a disposta no art. 711, III, da Lei nº 6.759/2009, ou seja, 1% do valor aduaneiro, conforme art. 712, 736, I, e 737, da mesma lei, pois, havendo o pagamento dos tributos a multa há de ser relevada. Fl. 1158DF CARF MF Processo nº 11128.730203/201418 Acórdão n.º 3302004.149 S3C3T2 Fl. 1.155 5 Argumentam que as três empresas são independentes entre si, com endereços em locais distintos, possuem objetos sociais diversos e, portanto, não formam um grupo econômico. Ademais, mesmo que exista parentesco entre os sócios das empresas e realização de negociações comerciais entre si, não significa que atuem com o intuito de fraude ou simulação a fim de ocultar os reais adquirentes das mercadorias, tanto isto é verdade que o auditorfiscal não encontrou empecilhos para constatar que a empresa adquirente é a STELL. Informam que o valor de R$ 746.939,46 é originário da venda de imóvel localizado na rua Antônio Bento de Amorim, 83, em Santos/SP, o que se comprova pela DIRPF anexada do Sr. Cláudio Correa Moura. Este valor foi investido na DIRECT que, por sua vez, realizou um contrato de mútuo com a empresa ALIANÇA, sendo uma operação lícita. Assim, a ALIANÇA realizou as importações de mercadorias com seus próprios recursos, por encomenda e por fim revendia a seus clientes, dentre eles a STELL, não havendo que se falar em fraude ou simulação. Ademais, a empresa ALIANÇA, ao vender mercadorias, recebia os pagamentos de seus clientes, como é o caso da STEEL, constituindo caixa e pagando aos seus credores, sendo um deles a empresa DIRECT, não havendo nenhuma irregularidade. Aduzem que a auditora supõe que a STELL fizesse adiantamentos à Aliança, sem comprovar, pois são decorrentes de outras transações entre as empresas, tanto que não coincidem com os valores das notas fiscais. Requerem seja declarada a nulidade do presente auto de infração, pelos motivos expostos, ou que seja desconstituído o lançamento, ou, que seja reduzido o valor da multa para 1%, pelo erro de preenchimento da DI, abstendose dos procedimentos de cobrança pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Requerem a produção de provas, inclusive sustentação oral.” Na decisão da DRJ, houve a exclusão de ofício do polo passivo as empresas STEEL COMÉRCIO, DISTRIBUIÇÃO E REPRESENTAÇÃO LTDA e DIRECT LOGÍSTICA LTDA, CNPJ 02.119.270/000141 Sobreveio o Recurso Voluntário, tempestivo, apresentado pela empresa Aliança Comercial Importadora e Exportadora Ltda. A Recorrente mantém os mesmos argumentos da fase inicial, bem como, preliminar de ausência de motivo do lançamento, por entender que faltou o motivo, que conduziram o agente público a elaboração do ato administrativo, constaria que a situação fática e jurídica que levou a lavratura do auto de infração não teria ocorrido, segundo o seu raciocínio, não existiu ocultação do real adquirente para realização de operações de comércio exterior. Sustenta também incompetência do agente, alegando, no caso de fraude em matéria aduaneira é da “Eqcol” e não da “Equafi”, quem lavrou o auto em discussão, menciona o artigo 59 do Decreto 70.235/72. Fl. 1159DF CARF MF 6 Alega, ainda, pratica excedente ao MPF e indeferimento de produção de prova É o relatório." Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Redatora Ad Hoc. Na condição de Redatora Ad Hoc para formalização deste acórdão, passo a transcrever as razões do julgado, constantes da minuta do voto do Conselheiro Domingos de Sá Filho. "Tratase de recurso tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. A matéria devolvida ao exame se refere acessão de nome para realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários sujeitos a multa de 10% (dez por cento). Há preliminares, antes de se dirigir ao ponto nodal da situação controvertida, impõese examinar questões atinentes à admissibilidade do recurso, que propiciam acesso ao pedido propriamente dito. 1. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO A preliminar não merece prosperar, a sustentação por si só confunde com o mérito, pois trata de situação fática e jurídica, se existiu ou não ocultação do real adquirente nas operações realizadas de comércio exterior é o objeto principal do processo. Ademais, o fato do auditor entender tratarse de situação que configure a ocultação, revela o convencimento da autoridade para proceder ao lançamento, por essa razão não se vislumbra existência de elementos capaz de macular o lançamento. Sendo assim, o assunto será examinado, quando da apreciação do mérito. 2. COMPETÊNCIA DO AGENTE A competência do auditor da Receita Federal para proceder à auditoria e lançamento decorre de força de lei desde que inerentes à função, por isso o acerto da decisão recorrida. A parda alegação de que a matéria aduaneira é da “Eqcol” e não da “Equafi”, não se sustenta, basta exame da legislação, dispõe o art. 9º do Decreto 70.235/72 e o art. 9º da Lei nº 11.457, de 2007, in verbis: Decreto nº 70.235, de 1972 Art. 9º. A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, Fl. 1160DF CARF MF Processo nº 11128.730203/201418 Acórdão n.º 3302004.149 S3C3T2 Fl. 1.156 7 distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. § 3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. Lei nº 11.457, de 2007 Art. 9º. A Lei no 10.593, de 6 de dezembro de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições. b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais. c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados. d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal.” (...) Sendo assim, não merece prosperar, rejeito. 3. VÍCIO NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL O MPF disciplina a execução do procedimento fiscal relativo aos tributos e contribuições sociais administrados pela Receita Federal, sendo assim, se revela instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte, em síntese a meu ver é meramente autorização para que o agente se apresente ao Contribuinte. Fl. 1161DF CARF MF 8 A ausência desse documento abre a porta para o contribuinte recusar o atendimento das solicitações efetivadas, entretanto, quaisquer omissão não macula o lançamento. Portanto, não vislumbro qualquer macula capaz de dar azo nulidade. 4. PRODUÇÃO DE PROVA. INDEFERIMENTO A produção de prova é direito constitucional. Os códigos de rito disciplinam os momentos oportunos as quais devem ser exibidas, com exceções daquelas que podem ser objeto ao longo do curso do procedimento, e não há dúvida de que o impedimento configura o cerceamento de defesa. No caso dos autos a irresignação está vinculada ao pedido de produção posterior de provas sustentado na fase de impugnação como se extraí da narração da peça recursal. Como restou bem contornado a questão pelo julgador de piso, a produção de prova deve ocorrer no momento da impugnação, cabe a parte provar as alegações por meio idôneos, juntar os documentos pertinentes ao assunto debatido, requerer outras, pericia desde que justificável, ficando a cargo da autoridade julgar se é conexas deferir ou não. Mesmo em nome da verdade material, deve o Interessado fazer prova mínima do alegado, o complemento para momento diferente encontra disciplinado no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, se demonstrado cabe ao julgador deferir, que não é o caso dos autos, pois não há qualquer justificativa capaz de convencer o deferimento para outro momento. Sendo assim, deve ser afastada alegação de cerceamento de defesa. NO MÉRITO Examinando ocorrência de ocultação do real interessado nas importações realizadas pela empresa ALIANÇA, concluise pela constatação fática de que o real adquirente tratava da empresa STELL, considerando que a penalidade prevista pelo artigo 33, da Lei nº 11.488/2007, deve ser imposta somente a pessoa jurídica que cede, andou bem o julgador a quo em afastar a sujeição passiva da empresa STELL. Nesse aspecto os elementos probatórios na autuação encontram fincados no grau de parentesco entre os sócios das três em pesas envolvidas nesse processado, ALIANÇA, DIRECT e STEEL, incapacidade financeira de alguns dos sócios em integralizar o capital, transferência de quotas por meio de doação entre sócios, empréstimos por meio de contrato de mútuos entre ALIANÇA e a DIRECT, bem como o fato das vendas para STELL representar mais de 86% e os valores adiantados ocorrer muito tempo antes da emissão das notas fiscais de venda. Contra essas acusações a defesa não traçou uma linha sequer, contentouse em sustentar a inexistência de ocultação de real interessado que não fosse a própria Aliança. Apenas apresentou com a impugnação cópia do contrato de mútuo firmado entre as empresas Aliança e a Direct. A fiscalização toma como elementos de convicção a incapacidade financeira dos sócios, bem como, da Aliança, demonstra por meio de fluxo saída de recursos financeiros da empresa Steel para Aliança sem contrapartida de venda. Demonstrou que o montante emprestado por meio de mútuo da DIRECT para Aliança foi devolvido em diversas parcelas oriundo das remessas de dinheiro efetivados pela empresa STEEL, que esse mesmo recurso financeiro circulava constantemente entre as três empresas. Fl. 1162DF CARF MF Processo nº 11128.730203/201418 Acórdão n.º 3302004.149 S3C3T2 Fl. 1.157 9 Assim como, os empréstimos bancários eram quitados por meio dos adiantamentos efetivados pela STEEL, curiosamente contabilizados em conta de “adiantamento para importação futura”, como afirmado no relatório fiscal. Apenas um item dos elementos da autuação é contestado na impugnação e no recurso voluntário, que não logra afastar a caracterização da ocultação. Aduz que os valores, pagos à Aliança pela STEEL, são decorrentes de outras transações efetuadas entre as empresas, não se revelam suficiente para fazer prova contrária, necessitando de muito mais, cabia vincular as operações de venda com as respectivas notas fiscais, demonstrando que valor recebido se referia aquela transação. Não basta alegar licitude das operações realizadas entre as duas empresas, no caso concreto, impõe provar por meio de documentos idôneos, que tratava de operação de compra e venda por se referir empresa que guarda estreito vínculo familiar, cujos recursos financeiros são oriundos de empréstimo de mútuo de outra empresa familiar. O fato de a empresa ter adquirido com dinheiro próprio ou de terceiro as mercadorias, não afasta a existência de acobertamento. Não logrando êxito em afastar acusação, além de sofrer pena em substituição perda de mercadoria, também ficou à mercê da aplicação da penalidade por cessão do nome por tratar de penalidades distintas, no primeiro caso de conversão de perda de mercadorias importadas pela multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, no caso concreto o percentual de 10% (dez por cento) do valor das mercadorias. Dúvida não há de que a ALIANÇA se colocou na condição interposta nas operações de importação para empresa STELL, cedendo o nome fazendo com que a interessada permanecese oculta aos controles aduaneiros. A sustentação do Recorrente de que no caso em tela aplicase o disposto no art. 711, III, da Lei nº 6.759/2009, multa equivalente a 1% do valor aduaneiro, conforme os artigos 712, 736, I, e 737 do mesmo diploma legal, improcede, pois no caso não se refere omissão, prestação de informação inexata ou incompleta. Assim sendo, não há como acudir o pleito. Diante do exposto, conheço do recurso e nego provimento. É como voto." Domingos de Sá Filho Relator (assinado digitalmente) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Redatora Ad Hoc Fl. 1163DF CARF MF 10 Fl. 1164DF CARF MF
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