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Numero do processo: 15374.917007/2009-38
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72
Numero da decisão: 3803-004.544
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Juliano Eduardo Lirani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Arlyson George Gann Horta, OAB/DF 24613.
(Assinado digitalmente)
CORINTHO OLIVEIRA MACHADO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa E Jorge Victor Rodrigues..
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72
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ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Juliano Eduardo Lirani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Arlyson George Gann Horta, OAB/DF 24613. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 70 07 /2 00 9- 38 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/12/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (Assinado digitalmente) CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Presidente. (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa E Jorge Victor Rodrigues.. Relatório Tratase de compensação não homologada. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico emitido em 09/04/2009, a autoridade administrativa após analisar o crédito constante de DARF pelo seu valor original, constatou a sua utilização integral para pagamento de outros débitos próprios, não restando saldo credor suficiente para a compensação declarada. Por conseguinte não homologou a compensação declarada. Manifestando a sua inconformidade ao teor do despacho a interessada aduziu pela existência de erro material no preenchimento da DCTF, mês de competência de novembro/2002, eis que o valor efetivamente devido seria de R$ 7.469,02 e não de R$ 22.226,13, para requerer pelo reconhecimento do crédito e extinção do débito indevidamente imputado . Conclusos foram os autos levados a sessão de julgamento em 14/07/2011, quando por meio do Acórdão nº 1238.692 a 3ª Turma da DRJ/RJ1 proferiu decisão sintetizada ementa adiante transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/12/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15374.917007/200938 Acórdão n.º 3803004.544 S3TE03 Fl. 5 3 A prova documental deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o interessado fazêlo em outro momento processual. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. I0F. ANOCALENDÁRIO DE 2003. DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO. Mantémse o Despacho Decisório se não elidido o débito ao qual o alegado .pagamento indevido ou a maior foi alocado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. 10F. ANOCALENDÁRIO 2003. EMPRÉSTIMOS. LEGITIMIDADE. O responsável tributário tem direito à restituição do IOF que recolheu nessa condição, desde que autorizado por aquele que efetivamente suportou tal encargo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. A ciência da decisão deuse por meio de AR em 08/12/11, e a interposição do recurso voluntário em oposição à mesma ocorreu em 13/12/11, conforme consta do envelope digitalizado. na ocasião a interessada reiterou minudentemente os termos exarados na exordial, inclusive conclamando pela conversão do julgamento em diligência, se porventura a prova produzida não for suficiente para à comprovação da regularidade da compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. O recurso interposto preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. O apelo apresentado perante esta Corte busca reformar a decisão que indeferiu a manifestação de inconformidade, que não reconheceu o direito creditório alegado pela contribuinte e não homologou a compensação por ela declarada, ante a constatação de inexistência de saldo credor à satisfação dos débitos nela informados. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/12/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 O debate enfrentado nos autos não comporta discussão sobre matéria de direito, resumindose o deslinde da querela à demonstração pela contribuinte de que faz jus à homologação da compensação intentada. Compulsando os autos verificouse que a recorrente apenas fez colação de relação dos valores pagos a título de IOF, entretanto, sem disponibilizar outro documento para exame pela fiscalização, por meio do qual fosse possível atestar que tais valores efetivamente constituíam o crédito informado e mais, que estes créditos corresponderiam ao mesmo montante de débitos tributários previamente informados aos sistemas de dados da Receita Federal do Brasil, na data de transmissão do Per/Dcomp, por meio das DCTF e/ou demais declarações que servem para aferir a regularidade fiscal da contribuinte. Com isso a recorrente nem logrou apontar em que irregularidade incorreu o despacho decisório eletrônico, portanto presumese, desde logo que o mesmo não merece reparo, nem mesmo conseguiu demonstrar a liquidez, a certeza e a disponibilidade de saldo credor o bastante para ensejar a homologação da compensação declarada, cuja forma poderia ser em consonância com o disposto no artigo 333 do CPC. Finalmente no que atine ao pedido de diligência, entendo não haver razoabilidade no mesmo, uma vez que cabe à contribuinte no momento de apresentação de sua impugnação aduzindo os motivos de fato e de direito, também fazêlo em relação às provas documentais que possam a vir demonstrar o alegado, nos termos do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, precluindo o direito subjetivo de apresentação em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, o instituto da diligência é uma faculdade de que dispõe o julgador, discricionária, a ser utilizada para sanar dúvidas acerca de determinada prova/documentos, que deveriam fazer parte dos autos e lá não se encontram, impedindo que o juiz firme a sua convicção em relação ao direito sobre o qual deve se pronunciar com vista ao deslinde da querela, não sendo este o caso encontrado nos autos sob exame. As assertivas ora formuladas por este julgador encontram ressonância nos diversos precedentes, à unanimidade, onde partes e objeto foram coincidentes. Ante todo o exposto nego provimento ao recurso interposto. É como voto (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 140DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/12/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15374.917007/200938 Acórdão n.º 3803004.544 S3TE03 Fl. 6 5 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/12/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 12448.727312/2011-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2007
EXTRAVIO DE LIVROS FISCAIS E REGISTROS CONTÁBEIS. COMPROVAÇÃO.
A comprovação do extravio de livros fiscais e registros contábeis deve observar o disposto no § 1º do artigo 264 do RIR/99. A comunicação de extravio deve ser contemporânea ao fato.
BENEFICIÁRIO NÃO INDENTIFICADO. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DAS SAÍDAS DE CONTA BANCÁRIA.
A ausência de comprovação da natureza jurídica das saídas de conta bancária, bem como a falta de identificação de seus beneficiários não permite a correta qualificação da natureza da renda e impede a atribuição de tributação específica, se existente. Aplicável a tributação com base no artigo 674, § 1º do RIR/99.
NATUREZA CONFISCATÓRIA DA MULTA. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA Nº 2 DO CARF.
No âmbito do processo administrativo fiscal é vedado o afastamento de multa de ofício sob a alegação de confisco. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF - O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS ADMINISTRADORES.
A responsabilidade solidária de administradores não é presumida, mas sim fundamentada e motivada em fatos. Provada confusão patrimonial e interesse comum dos administradores da pessoa jurídica são esses solidários.
Numero da decisão: 2201-002.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 19/11/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Gustavo Lian Haddad, Camilo Balbi, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Nathália Mesquita Ceia e Heitor de Souza Lima Junior.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2007 EXTRAVIO DE LIVROS FISCAIS E REGISTROS CONTÁBEIS. COMPROVAÇÃO. A comprovação do extravio de livros fiscais e registros contábeis deve observar o disposto no § 1º do artigo 264 do RIR/99. A comunicação de extravio deve ser contemporânea ao fato. BENEFICIÁRIO NÃO INDENTIFICADO. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DAS SAÍDAS DE CONTA BANCÁRIA. A ausência de comprovação da natureza jurídica das saídas de conta bancária, bem como a falta de identificação de seus beneficiários não permite a correta qualificação da natureza da renda e impede a atribuição de tributação específica, se existente. Aplicável a tributação com base no artigo 674, § 1º do RIR/99. NATUREZA CONFISCATÓRIA DA MULTA. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA Nº 2 DO CARF. No âmbito do processo administrativo fiscal é vedado o afastamento de multa de ofício sob a alegação de confisco. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF - O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS ADMINISTRADORES. A responsabilidade solidária de administradores não é presumida, mas sim fundamentada e motivada em fatos. Provada confusão patrimonial e interesse comum dos administradores da pessoa jurídica são esses solidários.
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COMPROVAÇÃO. A comprovação do extravio de livros fiscais e registros contábeis deve observar o disposto no § 1º do artigo 264 do RIR/99. A comunicação de extravio deve ser contemporânea ao fato. BENEFICIÁRIO NÃO INDENTIFICADO. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DAS SAÍDAS DE CONTA BANCÁRIA. A ausência de comprovação da natureza jurídica das saídas de conta bancária, bem como a falta de identificação de seus beneficiários não permite a correta qualificação da natureza da renda e impede a atribuição de tributação específica, se existente. Aplicável a tributação com base no artigo 674, § 1º do RIR/99. NATUREZA CONFISCATÓRIA DA MULTA. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA Nº 2 DO CARF. No âmbito do processo administrativo fiscal é vedado o afastamento de multa de ofício sob a alegação de confisco. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS ADMINISTRADORES. A responsabilidade solidária de administradores não é presumida, mas sim fundamentada e motivada em fatos. Provada confusão patrimonial e interesse comum dos administradores da pessoa jurídica são esses solidários. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 73 12 /2 01 1- 55 Fl. 1822DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento. MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. EDITADO EM: 19/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Gustavo Lian Haddad, Camilo Balbi, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Nathália Mesquita Ceia e Heitor de Souza Lima Junior. Relatório Trata o presente processo de auto de infração de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF, no valor de R$ 21.067.169,62, multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 06/2011, perfazendo o montante de R$ 45.438.809,24 (fls. 714/738). A Recorrente é uma associação sem fins lucrativos que possui como objetivo no seu Estatuto Associativo a prática de atos de cunho assistencial aos seus associados (artigo 3º do Estatuto Associativo – fls. 739 a 740). A fiscalização apurou que a Recorrente não conseguiu comprovar a causa e origem dos desembolsos efetuados de contas bancárias de sua titularidade. Ainda entendeu a fiscalização existirem fatos que justifiquem a solidariedade tributária entre a Recorrente e seus gestores. Assim, a fiscalização lavrou auto de infração tendo como base os artigos 674 e 675 do RIR/99 e 61, §§ 1º e 2º, da Lei n° 8.981, de 1995. A presente autuação é conexa ao processo administrativo 11052.000482/201099 referente à suspensão de isenção promovida pelo Delegado da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro I, com a emissão do Ato Declaratório Executivo n° 444, de 34 de agosto de 2010, o qual suspendeu a isenção da Recorrente, sob o fundamento, em resumida síntese, de que a mesma não observara os requisitos dispostos na legislação tributária para fins de fazer jus à isenção (fls. 1602 a 1603). No tocante ao processo administrativo que suspendeu a isenção, temse que a Recorrente foi intimada da decisão por meio de Termo de Notificação Fiscal (fls. 22 a 25) em 14/09/2010, sendo a Recorrente informada acerca do não enquadramento nos requisitos legais que asseguram o gozo da isenção. Em 09/08/2010, a Recorrente apresentou Impugnação contra o ato que suspendeu a isenção. Porém, a peça foi considerada intempestiva pelas autoridades Fl. 1823DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 12448.727312/201155 Acórdão n.º 2201002.190 S2C2T1 Fl. 3 3 competentes, tendo em vista que o prazo legal para apresentação da defesa esgotavase em 06/08/2010. A Recorrente alega que em razão de greve dos funcionários da Receita Federal do Brasil não pode apresentar a referida Impugnação tempestivamente. Em relação ao processo em questão, cientificados do lançamento, a Recorrente apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme relatório do Acórdão da DRJ que: · A autuação resultou de fiscalização relativa ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ do anocalendário 2007, no curso da qual a ora IMPUGNANTE apresentou (i) o seu Estatuto Social e respectivas alterações, bem como (ii) diversos extratos bancários que lhe foi possível fornecer, disponibilizados em atendimento a solicitações suas feitas às respectivas instituições financeiras, inclusive no fiel cumprimento de diversos Termos de Notificação Fiscal; · Durante a referida fiscalização, a ora IMPUGNANTE reiteradamente informou e comprovou a ocorrência de publicações, veiculadas em jornal de grande circulação, de comunicado ao público em geral referente ao extravio dos seus seguintes documentos, todos referentes aos exercícios de 2007 e 2008: (i) Livros Diário e Razão; (ii) livros de documentos fiscais; (iii) Termos de Ocorrência e (iv) outros documentos de interesses dos seus associados; · Efetivamente demonstrou a impossibilidade material de fornecer outros documentos requeridos pela autoridade fiscal – a exemplo dos Livros Diário e Razão e de Registro de Documentos Fiscais, dos nomes e CPF/MF das pessoas físicas que obtiveram empréstimos consignados, bem como do CPF/MF de intermediários nas citadas operações (corretores) –, configurandose, pois, a inequívoca boafé que pautou a sua conduta durante todo o período de fiscalização; · prontamente prestou à autoridade fiscalizadora, esclarecimentos no sentido de que os serviços fiscalizados correspondem ao desempenho de funções de correspondentes bancários, no âmbito da mera captação e encaminhamento seja de empréstimos pessoais consignados em folha de pagamento, seja de pretensos tomadores de créditos, procedendo, assim, apenas ao levantamento e cadastramento de dados das respectivas pessoas físicas, tal como, aliás, verificado em face de contrato celebrado com a firma BV FINANCEIRA S/A – CFI; · a referida atividade é terceirizada, razão pela qual não possui folha de pagamento de funcionários, consistindo as vultuosas quantias identificadas pela autoridade fiscal, na verdade, no montante que lhe foi entregue por instituições financeiras contratantes (v.g, R$ 16.590.732,00) ou em quantia simplesmente repassada a corretores atuantes nas atividades acima descritas (v.g., R$ 15.933.000,00), fazendo jus apenas e tão somente, à diferença entre tais grandezas (v.g., R$ 657.732,00), a título de contrapartida pela mera gestão daquelas atividades; · a autoridade fiscalizadora constatou ainda, em face de alguns contratos firmados pela ora IMPUGNANTE, que certas instituição cederam indevidamente à retenção de Imposto de Renda na Fonte IRRF, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSSL, Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social — COFINS e Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, sendo que, à luz da legislação de regência, não há de se falar em tal retenção quando os serviços em questão são prestados por pessoas jurídicas imunes ou isentas (como é o caso da ora IMPUGNANTE); · por uma dedução absolutamente despropositada – ou seja, pelo simples fato de as fontes pagadoras (instituições financeiras) terem equivocadamente procedido àquelas redenções – , a autoridade fiscalizadora procedeu à suspensão da isenção tributária até então conferida à ora IMPUGNANTE, tendo esta, então, com fulcro no artigo 32, § 2º, da Lei Federal n° 9.430/1996 c/c o artigo 172, § 2º, do Decreto Federal n.° 3.000/1999, oferecido alegações e provas necessárias ao pronto restabelecimento do "status quo ante"; Fl. 1824DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 · equivocadamente, a fiscalização tomou por intempestiva a defesa apresentada contra a referida suspensão de isenção, não observando o prazo legal de trinta dias para apresentação de defesa, desconsiderando também a greve dos auditores da Receita Federal (conforme material anexo, segundo alega); · a fiscalização analisou e decidiu inicialmente, ela própria, acerca das razões de fato e de direito alinhavadas pela ora IMPUGNANTE na aludida defesa, não tendo sido observado, pois, o procedimento previsto no artigo 32 da Lei Federal n.° 9.430/1996; · os equívocos acima relatados configuram vício insanável, contaminando em definitivo a autuação, a ensejar a declaração de nulidade do respectivo lançamento, bem como da suspensão da isenção e da responsabilização, por suposta solidariedade, imputada às pessoas físicas indicadas nos Termos de Sujeição Passiva Solidária; · a autuação lavrada possui natureza confiscatória, em ofensa às garantias constitucionais do direito de propriedade, da capacidade econômica do contribuinte e da tributação nãoconfiscatória, insculpidas, respectivamente, nos artigos 5°, inciso XXII, 145, parágrafo 1°, e 150, inciso IV, da CRFB; · cita doutrina e jurisprudência; · em virtude da inobservância do procedimento previsto no artigo 32 da Lei nº 9.430/1996 postula a nulidade do lançamento; · propugna a nulidade do lançamento por preterição do direito de defesa, com fundamento no artigo 59, II, do Decreto 70.235/72; · transcreve o artigo 181 do RIR/1999 para alegar que as isenções tributárias, como aquela a que faz jus, independem de prévio reconhecimento; · o fato de associações civis sem fins lucrativos não dependerem de qualquer comunicação a ser feita para a Receita Federal do Brasil como condição ao pronto reconhecimento de isenções tributárias a elas conferidas a título do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ – o que, à luz das respectivas Instruções Normativas, também se aplica, por reflexo, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSSL, à Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social COFINS e à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS –, bastando que, a exemplo da ora IMPUGNANTE, sejam rigorosamente cumpridos os respectivos requisitos legais, como no seu caso; · por fim, requer que o auto de infração seja declarado nulo e restabelecida a isenção a que tem direito. A 18ª Turma da DRJ em Rio de Janeiro/RJ1 julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2011 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Descabe a alegação de nulidade do auto de infração, quando, pelo exame da peça acusatória, verificasse estarem perfeitamente identificados o fato gerador da obrigação tributária, a matéria tributável e o fundamento legal da exigência, tendo sido o lançamento formalizado em estrita observância dos requisitos legais previstos no art. 142 do Código Tributário Nacional e no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, não havendo que se falar, portanto, em qualquer cerceamento do direito de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Fl. 1825DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 12448.727312/201155 Acórdão n.º 2201002.190 S2C2T1 Fl. 4 5 Anocalendário:2007 PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, os pagamentos efetuados pela pessoa jurídica a beneficiário não identificado, assim como os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. MULTA DE OFÍCIO. ARGÜIÇÃO DE CONFISCO. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de lei validamente inserida no ordenamento jurídico, sob fundamento de inconstitucionalidade. Sendo assim, a alegação do contribuinte de que a multa de ofício aplicada pelo Fisco viola o princípio constitucional de não utilização do tributo com efeito de confisco não comporta apreciação pelas Delegacias da Receita Federal de Julgamento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS ADMINISTRADORES. Evidenciada a confusão patrimonial, e demonstrado o interesse comum dos administradores da pessoa jurídica na situação que deu origem ao fato gerador da obrigação principal, reputamse os mesmos solidariamente obrigados. Intimada da decisão de primeira instância em 12/11/2012, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 06/12/2012 (fls. 1646 a 1686), reiterando os argumentos defendidos em sua Impugnação, conforme a seguir: · argumenta que a fiscalização considerou intempestiva a defesa apresentada contra a referida suspensão de isenção, não observando o prazo legal de trinta dias para apresentação de defesa, desconsiderando também a greve dos auditores da Receita Federal. · alega cerceamento de defesa e ofensa aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, em face da inobservância pela autoridade tributária do disposto no art. 32 da Lei nº 9.430/96. · defende que não apresentou à fiscalização os livros fiscais e registros contábeis referentes ao anocalendário de 2007, bem como outros documentos requisitados, como a listagem com nome e CPF/CNPJ das pessoas que obtiveram empréstimos consignados à fiscalização, pois os mesmos haviam sido extraviados. · defende que comprovou materialmente a impossibilidade de fornecer a documentação solicitada em face da apresentação à fiscalização de publicação em jornal de grande circulação com o comunicado acerca do extravio dos referidos documentos. · alega que durante a fiscalização pautou sua conduta no princípio da boafé e transparência, pois prestou à fiscalização as informações possíveis de serem obtidas naquele momento. · argumenta que os pagamentos efetuados pela Recorrente referemse a prestação de serviços, locação, repasse de salários e tributos incidentes, prêmios, indenizações, estornos e que apesar de as empresas beneficiárias dos pagamentos terem administradores em comum com a Recorrente, mantém total independência de seus negócios, tendo em vista que cada uma possui CNPJ próprio e distinto e suportando cada uma seus gastos e despesas. Fl. 1826DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 · defende que a aplicação da solidariedade passiva pela fiscalização não encontra respaldo na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal, pois para esses órgãos a falta de pagamento de tributo não gera a solidariedade tributária prevista no art. 135 do CTN, bem como que a solidariedade tributária não pode ser presumida pela autoridade tributária, mas sim motivada e fundamentada. · pugna pelo caráter confiscatório da autuação que ofende as garantias constitucionais do direito de propriedade, da capacidade econômica do contribuinte e da tributação não confiscatória · ao fim, clama pela nulidade da autuação, tendo em vista que os equívocos acima relatados configuram vício insanável, bem como da suspensão da isenção e da nulidade da responsabilização, por suposta solidariedade, imputada às pessoas físicas. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. Conheço parcialmente do recurso, pois no tocante ao pleito de anular o ato administrativo que suspendeu a isenção da Recorrente, esse resta estranho ao objeto do presente processo. 1. Nulidade do auto – Apresentação dos documentos solicitados A Recorrente requer a anulação do auto de infração, pois entende que a autoridade tributária lavrou autuação desconsiderando os fatos e argumentos apresentados. A Recorrente alega que forneceu os documentos que lhe foram solicitados pela fiscalização e apresentou justa explicação do porquê não pode apresentar os demais documentos. Logo, entende a Recorrente que a autoridade tributária não pode presumir infração, tendo em vista que os fatos foram provados. A Recorrente informou à fiscalização que os livros fiscais e registro contábeis do anocalendário de 2007 foram extraviados. Entretanto, a Recorrente prestou essa informação aproximadamente 01 ano após de solicitada pela fiscalização para apresentar essa documentação. A autoridade tributária solicitou pela primeira vez os livros fiscais e registros contábeis em 11/11/2009 e reiterou o mesmo pedido em 09 outras intimações (fls. 004). Ainda, quando da comunicação da suspensão da isenção em 14/09/2010 (fls. 22), a fiscalização reforçou o pedido para apresentação dos livros fiscais e registros contábeis, para somente em 27/10/2010, a Recorrente afirmar que os livros e registros foram extraviados, apresentando publicações em jornal de grande circulação datadas de 20, 21 e 22/10/2010 (fls. 26 a 30). Para uma associação a perda dos referidos documentos é muito mais gravosa do que para outro tipo de entidade, isso porque tais documentos que lhe asseguram a isenção tributária. Assim, entendo que esse fato deveria ter sido comunicado de imediato quando da intimação da Recorrente pela autoridade tributária. Fato que pelos autos verifico que não ocorreu. Fl. 1827DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 12448.727312/201155 Acórdão n.º 2201002.190 S2C2T1 Fl. 5 7 Ademais, alega a Recorrente que cumpriu com os requisitos do § 1º do artigo 264 do RIR/99. Caso tenha cumprido com os referidos requisitos, a Recorrente não foi capaz de comproválos nos autos do presente processo. Não constam dos mesmos: (i) publicação em jornal de circulação do local de seu estabelecimento, contemporânea ao fato (extravio), de aviso concernente à perda dos livros fiscais e registros contábeis e (ii) documento que comprove ter informado ao órgão competente do Registro do Comércio, bem como à Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição o extravio da referida documentação em 48 horas da ocorrência do mesmo. Aqui, cabe pontuar que a comunicação da perda/extravio dos livros fiscais e registros contábeis deve ser imediata, por meio de jornal de grande circulação e por comunicação ao Registro de Comércio, garantindo a publicidade do evento e prevenindo o prejuízo da entidade e de terceiros interessados, bem como a comunicação à autoridade tributária que como terceira interessada, também deve ser imediatamente comunicada de fato tão grave. A Recorrente ainda informa que procedeu à publicação do extravio dos livros e registros contábeis em jornal de grande circulação e que apresentou a referida publicação quando intimada. Porém, como pode se verificar nos autos, a apresentação dos livros fiscais e registros contábeis foi solicitada em notificação datada de 11/11/2009 e reiterada em 09 outras intimações (fls. 004). Porém, a Recorrente apresentou a publicação à fiscalização em 27/10/2010 e as publicações ocorreram em 20, 21 e 22/10/2010. Portanto, a publicação em jornal de grande circulação é posterior ao pedido da fiscalização. Ou seja, a publicação não foi contemporânea ao extravio da documentação. Logo, em face de ausência probatória que a Recorrente cumpriu com os requisitos do § 1º do artigo 264 do RIR/99, a presunção é de que a mesma não tenha observado os referidos requisitos. Neste sentido, entendo que a arguição de nulidade do auto de infração com base no cumprimento pela Recorrente dos requisitos do § 1º do artigo 264 do RIR/99 não deve prosperar. Fl. 1828DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 2. BoaFé e Transparência A Recorrente se socorre da alegação de ter agido com boafé e transparência perante a fiscalização para ter seu pleito atendido. A par de quaisquer discussões acerca do tema, é cediço que a boafé e a transparência são pressupostos básicos e intrínsecos a qualquer relação jurídica, inclusive a relação autoridade tributária e contribuinte, na qual ambas as partes tem o dever de observar o Princípio da BoaFé Objetiva. Logo, a alegação de ter agido com boafé e transparência não pode repercutir para afastar qualquer imposição tributária que a autoridade julgue devida. Assim, quando a Recorrente alega que agiu de boafé, essa nada mais fez que cumprir com seu dever como contribuinte. Ademais, a Recorrente pondera que se encontra em dia com suas obrigações resultantes da adesão ao programa de parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009. A presente alegação reforça que a contribuinte também encontrase cumprindo com o seu dever corretamente, mas em nada deve influenciar a análise da fiscalização no tocante a outras matérias. 3. Solidariedade A Recorrente requer a nulidade da responsabilização por solidariedade, pois entende que a solidariedade em âmbito tributário não pode ser presumida, mas sim motivada e fundamentada e também que a que falta de pagamento de tributo não gera a solidariedade tributária prevista no art. 135 do CTN, conforme entendimento dos Tribunais Superiores. Ainda complementa que os pagamentos efetuados pela Recorrente referemse à prestação de serviços, locação, repasse de salários e tributos incidentes, prêmios, indenizações, estornos e que apesar de as empresas beneficiárias dos pagamentos terem administradores em comum com a Recorrente, mantém total independência de seus negócios, tendo em vista que cada uma possui CNPJ próprio e distinto e suportando cada uma seus gastos e despesas. Pois bem. Conforme se depreende dos autos, a Recorrente é uma associação. Pela lei civil, considerase associação a união de pessoas físicas ou jurídicas que se organizam para fins não econômicos, sendo a associação uma pessoa jurídica de direito privado. Por outro lado, a lei tributária considera como isenta as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos (art. 15 da Lei n º 9.532 de 1997). Ainda, complementa a legislação tributária que a entidade sem fins lucrativos é aquela que não apresenta superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais (art. 15, § 3 º da Lei n º 9.532 de 1997, alterado pelo art. 10 da Lei n º 9.718 de 1998). Considerando o disposto na legislação e em linha com uma interpretação teleológica da norma, verificase que a legislação tributária buscou favorecer – e com justo motivo – as associações civis que sejam constituídas sem fins lucrativos e prestem serviços de Fl. 1829DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 12448.727312/201155 Acórdão n.º 2201002.190 S2C2T1 Fl. 6 9 cunho assistencial aos seus associados, garantindolhes isenção tributária, desde que sempre atuem nos limites de seus objetivos e mantenham seu caráter não lucrativo. Assim, ao passo que uma associação não atende os seus objetivos associativos, ou não consiga comprovar que os atende, a autoridade tributária tem o dever de suspender a isenção concedida pela lei. Porém, os efeitos do não atendimento dos objetivos associativos não se esgotam na suspensão da isenção. Se restar provado que os gestores da associação agiram mal e desvirtuaram os objetivos previstos no Estatuto Associativo, esses gestores concorrem solidariamente com a associação no tocante às infrações da legislação tributária, conforme disposto nos artigos 135, III do CTN: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Assim, no caso em questão, temos que o objetivo associativo da Recorrente, conforme artigo 3º do seu Estatuto Associativo é: ARTIGO 3º ASTESERJ, tem por objetivo a) Representar e congregar servidores estaduais, municipais e federais ativos, inativos, pensionistas, contratados e comissionados diante dos poderes constituídos, através de reivindicações de direitos ou vantagens individuais ou coletivas em comissão ou singular, relativas a diretas vantagens funcionais, assistenciais, sociais, jurídicas, culturais e auxílios diversos desde que sejam dentro dos limites legais. b) Defender interesses dos sócios, promovendo o entendimento com outras associações e outros órgãos representativos das diferentes categorias profissionais. c) Prestar aos sócios assistência social, financeira, recreativa, cultural, jurídica, médica e outras. d) Ser estipulante de apólices de seguros de Vida e Saúde, Acidente Pessoais, Capitalização e Previdência Privada. e) Colaborar com os poderes públicos em assuntos de interesse técnico, profissional e de divulgação. f) Promover o estreitamento de relações e conhecimento e facilitar a realização de negócios entre seus associados, diretores e conselheiros. A Recorrente declara que efetua captação de empréstimos pessoais consignados em folha de pagamento de pretendentes tomadores de crédito (fls. 739 a 776). Ou Fl. 1830DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 melhor, a associação atua como intermediária entre o banco cedente do empréstimo e as pessoas físicas cessionárias do empréstimo e por esse serviço cobra uma margem de lucro que alega reverter em prol da associação. Porém, como os documentos foram extraviados, resta prejudicada a prova dessa alegada reversão dos lucros. Assim, podese verificar que tais serviços ultrapassam os limites dos objetivos associativos expostos anteriormente e que em face da ausência de provas em contrário, a associação aufere lucro com essa atividade, fato que também fere os requisitos para isenção. Entretanto, o desvirtuamento dos objetivos associativos não pode ser considerado isoladamente para configuração da solidariedade no âmbito tributário dos gestores. Isso porque se o objetivo associativo fosse desvirtuado, mas não houvesse a lesão aos cofres públicos, não haveria que se perquirir a solidariedade. Assim, cabe uma análise mais pormenorizada dos fatos. De acordo com os autos, as pessoas físicas Sra. Rose Cléa Amorim do Nascimento, Sr. Laerte Lima Carvalho e Sr. Antônio Abreu de Miranda que apresentam função de gestores na Recorrente, também são ligadas a empresas com fins lucrativos que recebem o empréstimo consignado da Recorrente. As pessoas físicas acima mencionadas sempre exerceram cargo de administração na Recorrente e efetuam a gestão da mesma. Em face do alegado extravio de documentos, a Recorrente não identificou os nomes e CPFs das pessoas físicas que obtiveram empréstimos consignados, nem tampouco, os nomes CPF/CNPJ das pessoas físicas/jurídicas que serviram como intermediários na referidas operações (corretores), embora tenha sido intimada a apresentálos no Termo de nº 09 (30/06/2010). Restou comprovado que houve saídas das contas bancárias da Recorrente para 02 empresas, a saber: FastCred Prestadora de Serviços Ltda. e ACERJ Associação, cujos sócios respectivamente são, Sra. Rose Cléa Amorim do Nascimento e Sr. Laerte Lima Carvalho, ou seja, os mesmos responsáveis pela então Recorrente. Porém, a Recorrente também não conseguiu comprovar a natureza jurídica dessas saídas e tampouco apresentou documentação que as suportasse. Também restou comprovado que houve saída de recursos das contas da Recorrente em benefício das empresas Selmo Serviços de Processamento de Dados Ltda. ME e FastCrédito Prestadora de Serviços Ltda., bem como aos seus sócios Sr. José Anderson de Lima Carvalho e Sra. Rose Cléa Amorim do Nascimento. Aqui, também não houve comprovação da natureza jurídica das saídas e a apresentação da documentação suporte. Além disso, as empresas FastCred Prestadora de Serviços Ltda. e FastCrédito Prestadora de Serviços Ltda. no ano de 2007 funcionaram no mesmo local que a Recorrente. Fl. 1831DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 12448.727312/201155 Acórdão n.º 2201002.190 S2C2T1 Fl. 7 11 As empresas beneficiárias de recursos da Recorrente atuam no mesmo ramo que a Recorrente, porém conforme pontuado pela Recorrente, as empresas mantém total independência de seus negócios, tendo em vista que cada uma possui CNPJ próprio e suportam cada uma seus gastos e despesas Em face do exposto, entendo que os gestores se valeram de uma associação sem fins lucrativos que em tese goza de isenção fiscal para exercer atividade lucrativa e tributável, desvirtuando o objetivo da associação. Portanto, não se trata de mera falta (ausência) de pagamento de tributo, mas sim de estruturação de uma operação que objetiva o não pagamento de tributos. Ademais, resta caracterizado que houve confusão patrimonial e interesse comum das pessoas físicas que atuam como gestores da associação, pois não houve comprovação de que as partes atuavam com independência e em defesa de seus próprios interesses. Logo, entendo que restou comprovado, motivado e fundamentado o enquadramento da solidariedade das pessoas físicas no caso em questão, sendo observado o entendimento dos Tribunais Superiores quanto ao tema. Não há que se alegar não conhecimento das pessoas físicas sobre a autuação fiscal, pois as mesmas foram notificadas acerca da autuação e do processo. No Termo de Declaração lavrado em 08/06/2010, o Sr. Laerte Lima Carvalho confirmou que tanto a Sra. Rose Cléa Amorim do Nascimento com o Sr. José Anderson de Lima Carvalho estavam cientes da presente ação fiscal (fls. 620 a 621). Além disso, o Sr. Laerte Lima Carvalho foi intimado da autuação por Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 784 a 787). A Sra. Rose Cléa Amorim do Nascimento também foi intimada por meio de Termo de Sujeição Passiva Solidária da autuação (fls. 788 a 791). O Sr. José Anderson de Lima Carvalho da mesma forma foi intimado por meio de Termo de Sujeição Passiva Solidária da autuação (fls. 794 a 799). 4. Ausência de comprovação de origem das saídas de contas bancárias A Recorrente, apesar de alegar que os repasses da conta bancária são: salários e encargos incidentes, locação, despesas gerais, prestação de serviços, indenizações, estornos, dentre outros, não conseguiu comprovar nos autos a alegada natureza jurídica dos repasses financeiros por intermédio de conta bancária. Assim, resta difícil qualificar a natureza da renda e atribuirlhe, se existente, tributação específica. A Recorrente não conseguiu comprovar os beneficiários das saídas das contas bancárias em nome da Recorrente, sob a alegação de que seus livros e registros haviam se Fl. 1832DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 extraviado. Assim, a Recorrente, apenas apresentou sumário sem comprovação dos ingressos e respectivas saídas das contas bancárias de sua titularidade. Desta forma, resta a presunção de que não há identificação da natureza jurídica dos repasses e, por conseguinte, dos seus beneficiários, assim, cabe a aplicação da tributação com base no artigo 674, § 1º do RIR/99. 5. Natureza Confiscatória da Multa A DRJ pontuou na sua decisão que: “No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de lei validamente inserida no ordenamento jurídico, sob fundamento de inconstitucionalidade. Sendo assim, a alegação do contribuinte de que a multa de ofício aplicada pelo Fisco viola o princípio constitucional de não utilização do tributo com efeito de confisco não comporta apreciação pelas Delegacias da Receita Federal de Julgamento.” Na mesma linha a Súmula CARF nº 2 dispõe que: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Assim, não cabe no âmbito do processo administrativo fiscal afastamento de penalidades por serem tidas como confiscatórias. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso voluntário e na parte conhecida, negar provimento. Nathália Mesquita Ceia – Relatora. Fl. 1833DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 16327.000302/2010-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1102-000.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos:
a) determinar a vinculação do crédito já reconhecido nestes autos (R$ 7.489.484,48) aos débitos a ele vinculados nas declarações de compensação, até o limite de seu saldo;
b) converter o julgamento em diligência para determinar a baixa desses autos à Delegacia de Origem para que esta aguarde o julgamento definitivo do recurso interposto no processo nº 16095.000603/2007-14 e proceda, se for o caso, de acordo com o teor da decisão administrativa, ao recálculo das compensações a serem homologadas neste processo;
c) determinar à autoridade administrativa que, após as providências acima mencionadas, lavre Relatório de Diligência circunstanciado, e dele dê ciência ao Contribuinte para sobre ele se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias, retornando-se os autos a esse Colegiado para ulterior julgamento.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Manoel Mota Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) determinar a vinculação do crédito já reconhecido nestes autos (R$ 7.489.484,48) aos débitos a ele vinculados nas declarações de compensação, até o limite de seu saldo; b) converter o julgamento em diligência para determinar a baixa desses autos à Delegacia de Origem para que esta aguarde o julgamento definitivo do recurso interposto no processo nº 16095.000603/200714 e proceda, se for o caso, de acordo com o teor da decisão administrativa, ao recálculo das compensações a serem homologadas neste processo; c) determinar à autoridade administrativa que, após as providências acima mencionadas, lavre Relatório de Diligência circunstanciado, e dele dê ciência ao Contribuinte para sobre ele se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias, retornandose os autos a esse Colegiado para ulterior julgamento. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 00 30 2/ 20 10 -1 5 Fl. 626DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/ 09/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.000302/201015 Resolução nº 1102000.184 S1C1T2 Fl. 627 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Manoel Mota Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO O contribuinte acima identificado formulou pedido de restituição de saldo negativo de IRPJ do período de 07/11/2003 a 31/12/2003 no montante de R$26.691.931,04 (fls. 10 a 13) cumulado com pedidos de compensação de IRRF e de IOF, nos valores de R$3.447.310,81, R$8.095.272,64 e R$214.670,09, todos com vencimento em 03/06/2009 (fls. 2 a 9). O despacho decisório de fls. 196 a 201 homologou parcialmente as compensações pleiteadas. O relatório do acórdão de 1a instância descreveu essa decisão da seguinte maneira (fl. 563 a 564): A Divisão de Orientação e Análise Tributária da Delegacia Especial de Instituições Financeiras na 8ª Região Fiscal – Deinf/SP/Diort analisou esses PER/DCOMP e proferiu o Despacho Decisório de fls. 195 a 200. Informa a autoridade a quo, com base na DIPJ relativa ao período, que o saldo negativo decorreu de valores de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, tendo sido confirmados os valores do IRRF nas DIRF entregues pelas fontes pagadoras. Ressalta, todavia, que a contribuinte sofreu fiscalização relativa ao período de 2002 a 2005, levada a termo no processo administrativo nº 16095.000603/200714, tendo sido reduzido o saldo negativo de IRPJ do período de 07/11/2003 a 31/12/2003 de R$26.691.931,04 para R$7.489.484,48, em razão da glosa de despesas financeiras decorrentes de rendimentos pagos a debenturistas. Irresignada, a contribuinte apresentou impugnação, julgada parcialmente procedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas – DRJ/CPS, que retificou referido saldo negativo para R$20.527.777,35 (fls. 152 a 184). Tal decisão foi objeto de recursos voluntário e de ofício, que aguardam julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (fls. 556). Assim, concluiu a Deinf/SP/Diort que a parcela do saldo negativo no montante de R$7.489.484,48 é líquido e certo, sendo passível de compensação. Por sua vez, a parcela de R$19.202.446,56 depende do resultado do julgamento do PAF nº 16095.000603/200714. A Deinf/SP/Diort também verificou que, em 07/01/2004, a contribuinte apresentou a DCOMP eletrônica nº 15690.15039.070104.1.3.069518 (fls. 147 a 151), por meio da qual compensou débito de IRRF com vencimento em 07/01/2004 com crédito de IRRF relativo a juros sobre o capital próprio de novembro e dezembro de 2003, no montante de R$19.950.000,00. Essa compensação está sendo tratada no processo administrativo nº 16098.000096/200799, que aguarda apreciação pelo CARF (fls. 557). Entendeu a autoridade a quo que a parcela do saldo negativo dotada de liquidez e certeza (R$7.489.484,48) deve ser vinculada à compensação referida no parágrafo anterior, sendo insuficiente para compensar o débito declarado naquela DCOMP. Fl. 627DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/ 09/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.000302/201015 Resolução nº 1102000.184 S1C1T2 Fl. 628 3 Assim, foi proferido o despacho decisório nos seguintes termos (fls. 199 e 200): “Exercendo a competência conferida pela Portaria MF nº 125, de 4 de março de 2009, art. 207, VI, APROVO a proposição apresentada na manifestação da Divisão de Orientação e Análise Tributária e DECIDO: a) À luz do disciplinado pelo art. 168, I, do CTN, reconhecer como Saldo Negativo do IRPJ do período 07/11/2003 a 31/12/2003, já dotado de certeza e liquidez, o montante de R$7.489.484,49, sobre o qual passa a incidir, nos termos do §4º do art. 39 da Lei nº 9.250/95, a taxa de juros SELIC; b) Em decorrência, que a parcela ora reconhecida seja vinculada à compensação do débito do IRRF de R$19.950.000,00, assunto esse tratado no PAF nº 16098.000096/200799, ora aguardando julgamento junto ao CARF; c) À luz do disciplinado pelo art. 151, III, do CTN, pelo sobrestamento, até o encerramento do PAF nº 16095.000603/200714, do reconhecimento do direito creditório concernente à parcela remanescente, no montante do R$19.202.446,56, do Saldo Negativo do IRPJ do período em questão; d) Em conseqüência, nos termos do disposto pelo art.74, §2º, da Lei nº 9.430/96, pela homologação, sob condição resolutória do ulterior julgamento do PAF nº 16095.000603/200714, das compensações informadas nas “DCOMP’s” nº 14885.84122.030609.1.3.028732 e nº 12482.76121.030609.1.3.021208; e) Por fim, pela juntada do presente processo aos autos do PAF nº 16095.000603/200714, por tratar de matéria correlata.” IMPUGNAÇÃO Cientificado da homologação parcial de suas compensações, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 211 a 232), acatada como tempestiva. Socorrome mais uma vez do relatório do acórdão de primeira instância para descrever os argumentos do recurso (fl. 564 a 565): A interessada se insurge contra o item “b” do despacho decisório, que vinculou a parcela do saldo negativo no montante de R$7.489.484,49 à compensação do débito de IRRF tratada no PAF nº 16098.000096/200799. Informa que foi fiscalizada em relação ao IRPJ do período de 2002 a 2005 e que a fiscalização reduziu o saldo negativo de IRPJ em razão da glosa de despesas com encargos financeiros decorrentes de debêntures. Argumenta que, encerrada a fiscalização, foi expressamente homologado todo seu procedimento de apuração do imposto no referido período, inclusive o saldo de IRRF declarado em sua DIPJ. Acrescenta que a fiscalização não questionou em nenhum momento o pagamento do Fl. 628DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/ 09/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.000302/201015 Resolução nº 1102000.184 S1C1T2 Fl. 629 4 IRRF do ano calendário de 2003 (R$19.950.000,00), não podendo a Deinf utilizar o presente processo administrativo para exigir e compensar de ofício tal débito com o crédito já homologado nos autos do processo nº 16095.000603/200714. A interessada também alega que o IRRF de 2003 não pode ser exigido pela falta de lançamento e pela ocorrência da decadência. Argumenta que tal débito não foi lançado de ofício, o que implica a homologação tácita do seu procedimento e a extinção da exação pela decadência, uma vez que se passaram 7 anos da ocorrência do fato jurídico tributário. A interessada também sustenta que o débito de IRRF compensado no processo administrativo nº 16098.000096/200799 está com a exigibilidade suspensa, não podendo ser exigido no presente processo. Alega que a única possibilidade legal para que a Deinf pudesse compensar de ofício parte do IRRF devido no processo nº 16098.000096/200799 com crédito homologado nos autos do processo nº 16095.000603/200714 seria se sobrasse crédito, houvesse débito pendente de pagamento e concordância do contribuinte, o que não ocorreu. A interessada alega também que o presente processo é reflexo do processo nº 16095.000603/200714, devendo seguir o que nele for decidido. Acrescenta que a Deinf não pode alterar o resultado da fiscalização relativa ao referido processo para reduzir seu direito de crédito, em 2003, de R$7.489.484,99 para R$0,00. Outra alegação trazida pela interessada é a de que o despacho decisório importa na duplicidade de exigência do IRRF. Argumenta que, se a compensação declarada no processo nº 16098.000096/200799 for homologada pelo CARF, a interessada já terá quitado parte desse valor com o saldo negativo de IRPJ que foi reduzido nestes autos. Ou ainda, se for mantida a não homologação, ela terá que pagar essa mesma parte do IRRF em pecúnia. Conclui, assim, que exigir e compensar o IRRF com o saldo negativo de IRPJ homologado nos autos do processo nº 16095.000603/200714, implica a duplicidade da exigência, visto que a referida exação é objeto de declaração de compensação no processo nº 16098.000096/200799. Ante o exposto, requer o provimento da manifestação de inconformidade, cancelandose o item “b” do despacho decisório, que vinculou a parcela do saldo negativo no montante de R$7.489.484,49 à compensação do débito de IRRF tratada no PAF nº 16098.000096/200799. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 562 a 569): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 DÉBITOS DECLARADOS EM DCOMP. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, sendo desnecessário o lançamento de ofício para a constituição do crédito tributário. Fl. 629DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/ 09/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.000302/201015 Resolução nº 1102000.184 S1C1T2 Fl. 630 5 COMPENSAÇÃO. IRRF SOBRE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. De acordo com o art. 9º da Lei nº 9.249/95, o crédito relativo ao IRRF advindo de retenções sobre rendimentos recebidos pela pessoa jurídica pode ser deduzido na apuração do IRPJ do período ou compensado com débitos relativos ao IRRF sobre juros sobre o capital próprio pagos ou creditados aos sócios ou acionistas no período. Essas duas formas de aproveitamento do crédito são excludentes entre si, pois a utilização de ambas configuraria duplo aproveitamento do crédito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: a) o saldo negativo de IRPJ do exercício de 2003 foi formado pela dedução de Imposto Retido na Fonte – IRRF que também foi utilizado como crédito na compensação do processo nº 16098.000096/200799; b) o IRRF deduzido em duplicidade referese a juros sobre o capital próprio recebidos; c) foi correto o procedimento da autoridade a quo de vincular o direito creditório reconhecido no presente processo ao débito declarado no processo nº 16098.000096/200799 para evitar que o crédito seja utilizado duas vezes; d) não há duplicidade de exigência, pois o débito é um só: IRRF de código 5706 (juros sobre o capital próprio) da 1ª semana de janeiro de 2004 declarado na DCOMP eletrônica nº 15690.15039.070104.1.3.069518, objeto do processo administrativo nº 16098.000096/200799.; e) é improcedente a alegação de que o débito não pode ser exigido por não ter sido lançado de ofício dentro do prazo de cinco anos previsto no art. 150, §4º, do CTN, pois o débito confessado não precisa ser constituído via auto de infração; f) também não procede o argumento de que o encerramento da fiscalização relativa ao IRPJ do período de 2002 a 2005 (processo nº 16095.000603/200714) importou na homologação expressa de todo seu procedimento de apuração do imposto no período, pois essa ação fiscal não tratou do IRRF informado na DIPJ, e, mesmo que tivesse sido, poderia ser objeto de nova ação fiscal; g) não se está exigindo o débito de IRRF de código 5706 da 1ª semana de janeiro de 2004, que continua com a exigibilidade suspensa, ou efetuando sua compensação de ofício, mas vinculando o crédito ora reconhecido (saldo negativo de IRPJ) ao referido débito, a fim de evitar a dupla utilização do direito creditório; h) o despacho decisório não alterou o saldo negativo de que trata o processo nº 16095.000603/200714, mas reconheceu que o direito creditório relativo à parcela de Fl. 630DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/ 09/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.000302/201015 Resolução nº 1102000.184 S1C1T2 Fl. 631 6 R$19.202.446,56 do saldo negativo do IRPJ e a homologação das compensações declaradas no presente processo dependem do resultado do julgamento daqueles autos. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 22/2/2011 (fl. 578), o contribuinte apresentou, em 22/3/2011, o recurso de fls. 579 a 605, onde afirma que: a) discorda da vinculação do crédito de R$ 7.489.484,49 homologado expressamente no processo n° 16095.000603/200714 com parte do débito do processo n° 16098.000096/200799, pois, na prática, reduziu a zero o seu crédito; b) no processo n° 16095.000603/200714 consta fiscalização do IRPJ do período de 2002 a 2005, onde o saldo negativo foi recomposto unicamente com base em glosa de despesa; c) logo, todo o restante do procedimento do contribuinte foi expressamente homologado, nos termos do art. 150 do CTN, inclusive o saldo de IRRF declarado em sua DIPJ, não podendo o saldo negativo decorrente ser alterado por meio de despacho decisório; d) não houve a revisão de ofício do lançamento dentro do prazo decadencial; e) o IRRF que compôs o saldo negativo da Recorrente não poderia ser exigido agora por meio da “vinculação” pretendida pela DEINF, dada a inexistência de lançamento de ofício e a ocorrência da decadência, pois foi cientificado do despacho decisório em 16/6/2010 e o período de apuração do IRRF é 12/2003; f) não é possível a utilização do saldo negativo de IRPJ já homologado para quitação, de ofício e sem concordância do contribuinte, de parte do IRRF cuja homologação de extinção por compensação está sendo discutida em outro processo (16098.000096/200799), que ainda aguarda julgamento no CARF e se encontra com a exigibilidade suspensa; g) a única possibilidade legal para que se pudesse compensar (ou vincular, como preferiu dizer no despacho decisório) de ofício parte do IRRF devido no processo n° 16098.000096/200799, com o crédito homologado nos autos do processo 16095.000603/200714, seria se (a) sobrasse crédito, (b) houvesse débito pendente de pagamento e (c) houvesse concordância do contribuinte, nos termos do art. 49 da IN 900, de 2008; h) o processo n° 16095.000603/200714 é o principal e este (16327.000302/201015) apenas reflexo, pois a confirmação do saldo negativo no primeiro resultará na homologação das compensações deste, sendo incabível a “vinculação” do crédito a outro processo; Fl. 631DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/ 09/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.000302/201015 Resolução nº 1102000.184 S1C1T2 Fl. 632 7 i) conforme o resultado do processo n° 16098.000096/200799, pode ocorre duplicidade da exigência, pois, se a compensação do débito do IRRF for homologada pelo CARF, o contribuinte já terá pago parte desse valor com o saldo negativo de IRPJ que foi reduzido nesses autos. Ou ainda, se for mantida a não homologação, ela terá que pagar essa mesma parte do IRRF em pecúnia em face da declaração em DCTF; j) a discussão sobre a utilização em duplicidade do crédito de IRRF sobre juros sobre o capital próprio está sendo tratada nos autos do processo n° 16098.000096/200799, sendo completamente irrelevante para o desfecho deste processo, que é apenas reflexo. Ao final, requer o cancelamento do despacho decisório da DEINF na parte em que se vincula parcela do débito de IRRF discutido no processo nº 16098.000096/200799 ao saldo negativo de IRPJ já homologado no processo n° 16095.000603/200714, de modo que este processo fique totalmente desvinculado ao processo 16098.000096/200799. Requerse, também, que o julgamento do presente recurso seja sobrestado até o julgamento final do processo 16095.000603/200714. Este processo foi a mim distribuído no sorteio realizado em junho de 2013, numerado digitalmente até a fl. 625. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No presente processo, discutese a compensação de débitos de IRRF e IOF com créditos de saldo negativo de IRPJ do período de 07/11/2003 a 31/12/2003 (após o evento de cisão parcial da empresa). O despacho decisório de fls. 196 a 201 vinculou sua decisão a dois outros processos administrativos, que também se encontram em julgamento administrativo. No processo nº 16095.000603/200714, discutese a própria existência do saldo negativo, sendo que o auto de infração reduziu seu valor de R$ 26.691.931,04 para R$ 7.489.484,48. Nesse sentido, o despacho decisório reconheceu a certeza e a liquidez do crédito no valor de R$ 7.489.484,48, e sobrestou o reconhecimento da diferença (R$ 19.202.446,56) até o encerramento do processo nº 16095.000603/200714. Fl. 632DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/ 09/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.000302/201015 Resolução nº 1102000.184 S1C1T2 Fl. 633 8 A decisão ficou também vinculada ao processo nº 16098.000096/200799, que cuida da compensação de débitos de IRRF sobre juros sobre o capital próprio (JCP) devidos pela empresa com créditos de IRRF sobre JCP por ela recebidos. Contudo, o despacho decisório entendeu que o IRRF sobre JCP utilizado como crédito nesse outro processo foi também utilizado na composição do saldo negativo de IRPJ discutido nestes autos. Assim, entendendo se tratar do mesmo crédito, determinou que se vinculasse o crédito reconhecido de R$ 7.489.484,48 aos débitos do processo nº 16098.000096/200799 para evitar o aproveitamento em duplicidade. O contribuinte discorda dessa vinculação, e entendo que lhe assiste razão. A compensação de tributos federais é regulada pelo art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cuja transcrição se faz de forma parcial: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Assim, a lei permite que o sujeito passivo indique tanto os débitos que pretende compensar, quanto os créditos que a ele devem ser vinculados, extinguindo a dívida sob condição resolutória. Não existe a possibilidade legal de se transferir, de ofício e sem a anuência do contribuinte, o crédito indicado para compensação como outros débitos. E foi isso que aconteceu no despacho decisório em exame. Reconheceuse a certeza e a liquidez do crédito de R$ 7.489.484,48 e, ao invés de utilizálo para compensar os débitos de IRRF e IOF indicados nas PER/DCOMPs analisadas nestes autos, optouse por vinculálo ao débito controlado em outro processo administrativo, sob o argumento de que se pretendia compensar o mesmo crédito nos dois processos. Ora, se a autoridade fiscal entende que o contribuinte intenciona compensar determinado crédito em duplicidade, deve deferir um dos pedidos e denegar o outro, e não alterar a vinculação determinada pelo sujeito passivo. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/ 09/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.000302/201015 Resolução nº 1102000.184 S1C1T2 Fl. 634 9 Verificase, ainda, que, nos autos do processo nº 16098.000096/200799, a autoridade fiscal não homologou a compensação, entre outros motivos, porque o crédito já havia sido utilizado para dedução do imposto de renda do anocalendário de 2003 (fls. 469 a 475). Assim, a decisão tomada foi, no mínimo, esdrúxula. Concluise, neste processo, que o crédito de saldo negativo de IRPJ é em parte devido e, ao invés de utilizálo para quitar os débitos do próprio processo, vinculao ao débito de outro processo onde o crédito foi considerado inexistente. Dessa forma, entendo que o procedimento de vinculação adotado é inadequado, devendo o crédito já reconhecido nestes autos ser utilizado para quitar os débitos a ele vinculados nas declarações de compensação, até o limite de seu saldo. Com relação ao pedido para se sobrestar o julgamento do presente recurso até a decisão final do processo nº 16095.000603/200714, a princípio tal providência me pareceu desnecessária, haja vista que a própria decisão administrativa já optara por aguardar o desfecho do outro julgamento para reconhecer o crédito na mesma medida. Contudo, na sessão de julgamento, fui convencido pela maioria da Turma que seria mais adequado que se aguardasse o resultado final do outro julgamento, e assim proferir decisão definitiva sobre o crédito a qual o contribuinte faz jus. Diante do exposto, voto por: a) determinar a vinculação do crédito já reconhecido nestes autos (R$ 7.489.484,48) aos débitos a ele vinculados nas declarações de compensação, até o limite de seu saldo; b) converter o julgamento em diligência para determinar a baixa desses autos à Delegacia de Origem para que esta aguarde o julgamento definitivo do recurso interposto no processo nº 16095.000603/200714 e proceda, se for o caso, de acordo com o teor da decisão administrativa, ao recálculo das compensações a serem homologadas neste processo; c) determinar à autoridade administrativa que, após as providências acima mencionadas, lavre Relatório de Diligência circunstanciado, e dele dê ciência ao Contribuinte para sobre ele se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias, retornandose os autos a esse Colegiado para ulterior julgamento. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 634DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/ 09/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME
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Numero do processo: 10950.907750/2011-90
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
Numero da decisão: 3803-005.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Curitiba/PR que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 77 50 /2 01 1- 90 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907750/201190 Acórdão n.º 3803005.181 S3TE03 Fl. 76 2 decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, devidamente atualizado com base na taxa Selic, alegando que o indébito decorreria da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Segundo o então Manifestante, tratarseia, o presente caso, de tributação incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, rubricas essas não abarcadas pelo conceito de faturamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do despacho decisório, do PER, da DCOMP e de planilhas por ele elaboradas. A DRJ Curitiba/PR não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/01/2003 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido da contribuinte, por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de outros débitos confessados. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO PELO STF. Até que haja a manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, sobre matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo STF ou pelo STJ, nos termos dos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil, aplicase, ao caso, a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, relativamente à ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apontou o relator do voto condutor do acórdão recorrido que, ainda que se superasse a questão de direito, o contribuinte não se desincumbira do ônus de comprovar o direito alegado, não tendo apresentado documentos e/ou livros fiscais e contábeis que Fl. 76DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907750/201190 Acórdão n.º 3803005.181 S3TE03 Fl. 77 3 demonstrassem a efetiva base de cálculo da contribuição, bem como as receitas que deveriam ser excluídas em razão da alegada inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Cientificado da decisão em 12 de setembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11 de outubro do mesmo ano e requereu o deferimento do pedido de restituição, alegando que o indébito decorreria da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir expostos. Com base no relatório supra, constatase que, diferentemente do alegado na Manifestação de Inconformidade, quando se apontou a origem do indébito como sendo a tributação indevida incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, em desacordo com a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, em sede de recurso, o contribuinte passa a fundamentar seu direito na indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. Vale destacar que, na primeira instância, o ora Recorrente não fez qualquer referência à alegada incidência indevida da contribuição sobre o ICMS. É flagrante a inovação operada em sede de recurso, tratandose de matéria preclusa em razão de sua não exposição na primeira instância administrativa, não tendo sido examinada pela autoridade julgadora de piso, o que contraria o princípio do duplo grau de jurisdição, bem como o do contraditório e o da ampla defesa. A preclusão processual é um elemento que limita a atuação das partes durante a tramitação do processo, imputandolhe celeridade, numa sequência lógica e ordenada dos fatos, em prol da pretendida pacificação social. Humberto Theodoro Júnior1 nos ensina que preclusão é “a perda da faculdade ou direito processual, que se extinguiu por não exercício em tempo útil”. Ainda segundo o mestre, com a preclusão, “evitase o desenvolvimento arbitrário do processo, que só geraria a balbúrdia, o caos e a perplexidade para as partes e o juiz”. O princípio da preclusão conectase ao princípio do impulso processual e destinase “não apenas a proporcionar uma mais rápida solução do litígio, mas bem ainda a 1 HUMBERTO, Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 225 226. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907750/201190 Acórdão n.º 3803005.181 S3TE03 Fl. 78 4 tutelar a boafé no processo, impedindo o emprego de expedientes que configurem litigância de máfé” 2. [A] preclusão deve ser compreendida como um instituto que envolve a impossibilidade, por regra, de, a partir de determinado momento, serem suscitadas matérias no processo, tanto pelas partes como pelo próprio juiz, visandose precipuamente à aceleração e à simplificação do procedimento. Integra sempre o objeto da preclusão, portanto, um ônus processual das partes ou um poder do juiz; ou seja, a preclusão é um fenômeno que se relaciona com as decisões judiciais (tanto interlocutória como final) e as faculdades conferidas às partes com prazo definido de exercício, atuando nos limites do processo em que se verificou. 3 Tal princípio busca garantir o avanço da relação processual e impedir o retrocesso às fases anteriores do processo, encontrandose fixado o limite da controvérsia, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), no momento da impugnação/manifestação de inconformidade. De acordo com o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, os atos processuais se concentram no momento da impugnação, cujo teor deverá abranger “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir", considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não é lícito inovar no recurso para inserir questão diversa daquela originalmente deduzida na impugnação/manifestação de inconformidade, devendo as inovações ser afastadas por se referirem a matéria não impugnada no momento processual devido. Além disso, mesmo que a preclusão não tivesse ocorrido neste processo, nenhum benefício obteria o ora Recorrente, pois nenhum documento hábil e idôneo foi apresentado para comprovar o direito argüido. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, prevalece o princípio do dispositivo, em que a atividade probatória se desenvolve nos limites do pedido formulado pelo sujeito passivo. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação) no momento da prolação do despacho decisório, não cabendo em processos da espécie a inversão do ônus da prova. 2 GRINOVER, Ada Pellegrini. “Interesse da União, preclusão. A preclusão e o órgão judicial”. In: A Marcha do Processo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000, p. 230/241. Disponível em: http://www.ambito juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 15 abr 2013. 3 RUBIN, Fernando. A prevalência da justiça estatal e a importância do fenômeno preclusivo. Disponível em: http://www.ambito_juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 16 abr 2013. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907750/201190 Acórdão n.º 3803005.181 S3TE03 Fl. 79 5 Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. Dessa forma, mesmo que preclusão não houvesse, não se poderia reconhecer o direito creditório pleiteado por total ausência de prova de sua existência. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 79DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10945.902947/2011-10
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001
ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
Numero da decisão: 3803-005.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 29 47 /2 01 1- 10 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário manejado pelo contribuinte com o propósito de reformar a decisão prolatada pela DRJ de Foz do Iguaçu que indeferiu o pedido de restituição, sob o argumento de que não haveria direito crédito suficiente para extinção do débito informado. Em seu recurso o contribuinte repisa os argumentos contidos em sua Manifestação de Inconformidade e insiste novamente na tese de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins. O ponto central de sua defesa encontrase no argumento de que o conceito de faturamento não pode ser ampliado a ponto de considerar tributáveis meros ingressos em sua contabilidade, como ocorre com o ICMS. Neste passo, no intuito de melhor fundamentar sua pretensão, cita doutrina de Geraldo Ataliba, Cléber Giardino, Marçal Justen Filho e Marco Aurélio. Reclama pela observação do princípio da capacidade contributiva e do princípio do não confisco para demonstrar que a incidência das contribuições sobre o valor do ICMS representa efetivar tributação sobre fatos que não são signopresuntivos de riqueza, razão pela qual tal prática fazendária não encontra respaldo na Constituição Federal. Por fim, o contribuinte requer a reforma da decisão de primeiro grau e o deferimento do pedido de restituição com acréscimos de juros remuneratórios com Taxa Selic, desde a data do pagamento indevido até a data da compensação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Assiste razão ao contribuinte. Em 20.03.2013 o STF já reconheceu o direito a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições em relação as operações de importação, por meio do RE n.º 559.937, Ministra Ellen Gracie, conforme abaixo descrito: Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS – importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. 1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições idênticas com fundamento no inciso Fl. 93DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902947/201110 Acórdão n.º 3803005.023 S3TE03 Fl. 77 3 IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes. 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser necessariamente nãocumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime nãocumulativo não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4 Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEP Importação e a COFINSImportação poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o VALOR ADUANEIRO, o constituinte derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a , da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições , por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Todavia, é verdade que o caso em exame não se trata de PIS/COFINS – IMPORTAÇÃO, mas sim de operações no mercado interno, razão pela qual não se aplica ao presente julgamento o RE n.º 559.937. Entretanto, ainda assim, este importante precedente da Suprema Corte aponta como tem sido interpretação dos ministros quanto ao desejo da Fazenda Fl. 94DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Nacional em ampliar o conceito da expressão ”valor aduaneiro”. Assim, é provável que igual interpretação seja realizada futuramente pelo STF também em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições para o mercado interno. De qualquer forma, cabe agora ingressar ao mérito da discussão trazida para apreciar a pretensão do contribuinte, tendo em vista que não há necessidade de sobrestar o julgamento do presente processo. Assim, refletindo a respeito do tema, manifesto posicionamento de que o ICMS não integra o faturamento da Recorrente, basicamente porque os valores correspondentes a este imposto pertencem constitucionalmente ao Estado. Nessa medida, não podem ser incluídos na base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Neste passo, data vênia, parto da premissa de que “faturamento” é receita própria. Logo representa erro qualquer afirmação no sentido de que os contribuintes da Cofins faturam o ICMS, pois é impossível admitir que se fature receita pertencente a terceiro. Outro forte argumento a favor do contribuinte, diz respeito à constatação de que o imposto estadual configura uma “despesa” e jamais receita, pois faturamento deve implicar, necessariamente, ingresso financeiro, o que não ocorre no caso em exame. Neste sentido, vale mencionar decisão proferida pelo TRF 1º: TRIBUTÁRIO. PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. NÃO CABIMENTO. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC E JUROS DE MORA.I. O PIS e a COFINS têm como base de cálculo o faturamento ou as receitas auferidas pela pessoa jurídica (art. 195, I, "b", CF).II. A base de cálculo do PIS e da COFINS não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar. O conceito de faturamento diz com riqueza própria, quantia que tem ingresso nos cofres de quem procede à venda de mercadorias ou a prestação dos serviços, implicando, por isso mesmo, o envolvimento de noções próprias ao que se entende como receita bruta. Descabe assentar que os contribuintes da COFINS faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso à entidade de direito público que tem a competência para cobrálo (RE 240.785/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, em julgamento ainda pendente por força de pedido de vista do Min. Gilmar Mendes).III. Se o ICMS é despesa do sujeito passivo das contribuições sociais previstas no art. 195, I, CF e receita do Erário Estadual, é injurídico tentar englobálo na hipótese de incidência destas exações, posto que configuraria a tributação de riqueza que não pertence ao contribuinte.4. Apelação a que se dá parcial provimento. IV. São compensáveis créditos decorrentes do indevido recolhimento, a título do PIS e da COFINS, devidamente corrigidos, com qualquer outro tributo arrecadado e administrado pela Secretaria da Receita Federal, sendo irrelevante se o destino das arrecadações seja outro. Juros de mora de 1% até 31/12/95, seguindose exclusivamente a SELIC.V. Apelação provida." (grifo) AMS nº 2007.38.03.0028733/MG, 8ª Turma TRF1ª Região, em 14/08/2007 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902947/201110 Acórdão n.º 3803005.023 S3TE03 Fl. 78 5 Por outro lado, é verdade em que o STJ tem se manifestado no sentido contrário, ou seja, de que o ICMS integra a base de cálculo da COFINS e cito o AgRg no AREsp 400823/SP, julgado em 07/11/2013. Contudo, diante do caso concreto, em que pese os julgados do STJ, compreendo que não há a obrigatoriedade de submissão dos julgadores do CARF a estes julgados. Aproveito o ensejo ainda para citar importante julgado exarado pela Câmara Superior no sentido de que as receitas de “roaming” não integra a base de cálculo das contribuições. EMENTA COFINS. RECEITAS DE TERCEIROS. TELEFONIA CELULAR. "ROAMING" As receitas de "roaming" mesmo recebidas pela operadora de serviço móvel pessoal ou celular com quem o usuário tem contrato não se incluem na base de cálculo da COFINS por ela devida. A base de cálculo da contribuição é a receita própria, não se prestando o simples ingresso de valores globais, nele incluídos os recebidos por responsabilidade e destinados desde sempre à terceiros, como pretendido "faturamento bruto" para, sobre ele, exigir o tributo.(GRIFO) Câmara Superior de Recursos Fiscais: Processo Administrativo n.º 10166.000888/200131, Conselheiro ROGÉRIO GUSTAVO DREYER, Data do Julgamento: 2.4.01.2006 Por fim, trago a baila ainda a discussão referente à base de cálculo do ISS, mais especificamente no tocante a incidência deste imposto sobre os serviços de locação de mão de obra. Contudo, aqui cabe a ponderação de que apesar de se tratarem de tributos diversos e com sistemática de incidência também distinta, por outro lado observase que os Municípios também tiveram a intenção de ampliar indevidamente a base de cálculo do ISS, pois interpretavam que esta era composta por todos os valores que ingressavam na contabilidade das prestadoras de serviços. Todavia, o STJ firmou jurisprudência no sentido de que nem todo o ingresso constitui receita, ou seja, o tribunal partir da premissa de que o ISS deve incidir somente sobre as receitas que efetivamente representem acréscimo de riqueza para o contribuinte. Vale aqui mencionar, a título de exemplo, o Agravo Regimental no Recurso Especial n.º 1107097 / SP, julgado em 18/05/2010: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA – ISSQN. AGENCIAMENTO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. ATIVIDADEFIM DA EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. BASE DE CÁLCULO. PREÇO DO SERVIÇO. VALOR REFERENTE AOS SALÁRIOS E AOS ENCARGOS SOCIAIS. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1.138.205/PR, DJ DE 01/02/2010. JULGADO SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A base de cálculo do ISS é o preço do serviço, consoante disposto no artigo 9°, caput, do DecretoLei 406/68. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 2. As empresas de mãodeobra temporária podem encartarse em duas situações, em razão da natureza dos serviços prestados: (i) como intermediária entre o contratante da mãodeobra e o terceiro que é colocado no mercado de trabalho; (ii) como prestadora do próprio serviço, utilizando de empregados a ela vinculados mediante contrato de trabalho. 3. A intermediação implica o preço do serviço que é a comissão, base de cálculo do fato gerador consistente nessas "intermediações". 4. O ISS incide, nessa hipótese, apenas sobre a taxa de agenciamento, que é o preço do serviço pago ao agenciador, sua comissão e sua receita, excluídas as importâncias voltadas para o pagamento dos salários e encargos sociais dos trabalhadores. Distinção de valores pertencentes a terceiros (os empregados) e despesas com a prestação. Distinção necessária entre receita e entrada para fins financeirotributários (...). (GRIFO) Com efeito, extraise do julgado acima que em regra geral devese admitir a incidência de impostos e contribuições apenas sobre valores que representam necessariamente riqueza nova do sujeito passivo, sob pena da exação violar o princípio da capacidade contributiva e se tornar confiscatória, razão pela qual correta é a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições. Ante o exposto, dou provimento ao recurso. É como voto. Sala das sessões, 26 de novembro de 2013. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani relator Voto Vencedor A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo do PIS e da Cofins. Antes de tudo, consigno que são respeitáveis os fundamentos que sustentam a tese abraçada pelo voto vencido, de impossibilidade da dita inclusão, cujo pano de fundo encerra o que se atribui ser um desvalor que se entende não dever existir no nosso sistema tributário, vale dizer, a cobrança de tributo sobre tributo, na espécie a cobrança das aludidas contribuições sobre o ICMS enquanto receita de terceiro. Considero, no entanto que não se pode perder de vista – como referência para o presente julgamento , que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no estreito espaço do controle de legalidade das decisões administrativas. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902947/201110 Acórdão n.º 3803005.023 S3TE03 Fl. 79 7 O nobre Relator inicia o seu voto erigindo um paradigma com o fim de alavancar a tese abraçada , consubstanciado no julgamento do RE n.º 559.937, que tratou da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/PasepImportação e da CofinsImportação. Embora tendo ele reconhecido que aquele julgado não se aplica ao presente julgamento qualificao como precedente importante da Suprema Corte, quando equipara a ampliação, ali, do conceito de valor aduaneiro ao que entende ocorrer aqui: a ampliação do conceito de faturamento. Oponhome ao paradigma. Nada obstante tratarem, semelhantemente, da inclusão do ICMS na base de cálculo das citadas contribuições (PIS/Cofins Cumulativos; PIS/CofinsImportação), a decisão no RE n.º 559.937 não vejo que seja indicativa do prognóstico proferido pelo Relator: de resultado do julgamento desta matéria na mesma direção que tomou aquela. Isso, porque a decisão no RE n.º 559.937 não tratou de alargamento do conceito de valor aduaneiro articulado pela Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PasepImportação e a CofinsImportação determinando a continência nelas do ICMS. Segundo a decisão do STF “o que fez [a dita lei] foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal”. A expressão valor aduaneiro, conforme acentuado por aquela Corte, é utilizada na Constituição em sentido técnico e “remete àquele já praticado no discurso jurídico positivo preexistente à sua edição”, e circunscreve integralmente a base de cálculo a ser observada pelo legislador ordinário na instituição das ditas contribuições, no que foi extrapolada com a adição ao valor aduaneiro do ICMS. Servirse a Constituição de grandeza específica então já definida legalmente no apontamento dessa expressão (valor aduaneiro) como uma das bases de cálculo do PIS/CofinsImportação[1], não é o que se dá no presente debate, em que a base de cálculo eleita pelo art. 195, I, b, da CF/88, o faturamento, não tinha definição por lei tributária préexistente. Naquele caso, a definição legal fora recepcionada pela Carta Magna, passando a se ter uma definição constitucional de valor aduaneiro. No presente caso, pela razão acima, à míngua de detalhamento constitucional do que viesse a ser faturamento esse mister haveria de estar a cargo de norma infraconstitucional, o que se deu por meio da LC 70/91, da Lei nº 9.715/98 e da Lei nº 9.718/98. O Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[2]. A sua propositura é do Presidente da República e o seu objeto é legitimar a inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de 1 § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: [...] a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro; 2 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[3]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF. A instituição da Cofins pela LC 70/91[4] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando quanto a tributos que nele não se integra o IPI, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[5], também o fez estabelecendo quanto a tributos que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. A Lei nº 9.718/98[6] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços. Ao definirem faturamento a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que excluemse da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão do faturamento, não há como não se considerar que ficou definido a contrario sensu e de forma implícita – que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/687 reiterado pela LC Nº 87/96[8][9].endossam esta conclusão. 3 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 4 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 5 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 6 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 7 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 8 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: Fl. 99DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902947/201110 Acórdão n.º 3803005.023 S3TE03 Fl. 80 9 Exemplificando: · ICMS por dentro · Mercadorias em estoque = R$ 830,00 · Alíquota do ICMS = 17% · Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento=830,00/83 % (100% 83%) = R$ 1.000,00 · Valor do ICMS = 170,00 · ICMS por fora · Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; · O preço de venda será o valor da mercadoria em estoque, cujo montante resultará no faturamento. Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 9 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade sem redução de texto do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG, abraçada pelo i. Relator. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado10, ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento11. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou serviço e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: 10 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 11 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902947/201110 Acórdão n.º 3803005.023 S3TE03 Fl. 81 11 a): a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 26 de novembro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 102DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 15374.911815/2008-19
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002
INCIDÊNCIA DE COFINS SOBRE A RECEITA BRUTA DAS SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS LEGALMENTE REGULAMENTADOS/ INCONSTITUCIONALIDADE
Não é competência do CARF se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária nos termos da súmula nº 2 desse Conselho.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, EM NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Festauer, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, EM NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 18 15 /2 00 8- 19 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 12/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 15374.911815/200819 Acórdão n.º 3801002.228 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Festauer, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 12/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 15374.911815/200819 Acórdão n.º 3801002.228 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 1338.129, julgado na sessão de 03 de novembro de 2011, pela 5ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro II (DRJ/RJ2), referente ao processo administrativo n° 15374.911815/200819, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresenta pela contribuinte, mantendose por conseguinte o Despacho Decisório que não reconheceu o direito creditório pleiteado. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: Trata o presente processo de compensação declarada em PER/D COMP, transmitida em 09/07/2004, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente em 15/07/2002, a título de COFINS, código 2172, atinente ao período de apuração 06/2002 tinente ao período de apuração 06/2002,com débitos de IRPJ e CSLL, relativos ao 3 º e 4º trimestres de 2003 (fl. 02/06). Por meio do Despacho Decisório de fl. 02, emitido eletronicamente, o Delegado da DERAT – Rio de Janeiro não homologou a compensação declarada, sob o fundamento de inexistência de crédito, uma vez que o pagamen to já havia sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, nãorestando crédito disponível para compensação do débito informado no PER/DCOMP. Cientificada em 25/08/2008 (fls. 07/08), a Interessada apresentou, em 24/09/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 11 a 18, na qual alega, em síntese, que: a) A LC 70/91 dispõe em seu art. 6º, II que são isentas da Cofins as sociedades civis que prestam serviç os relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, o que é o caso da requerente, na área de engenharia. Portanto, cabível a isenção ao caso; b) Tratase de isenção concedida por lei em caráter geral, dispensandose qualquer interferência da autoridade administrativa para sua eficácia; c) A isenção somente pode ser instituída ou revogada por Lei. A Lei 9.430/96 dispõe expressamente sobre as revogações em se u art. 88, lá não se encontrando qualquer referência à LC 70/91; Fl. 58DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 12/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 15374.911815/200819 Acórdão n.º 3801002.228 S3TE01 Fl. 5 4 d) A matéria da isenção da Cofins já se encontrava pacificada no STJ e em 02/06/2003 foi editado o enunciado da súmula 276 consolidando o entendimento que as sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas da Cofins, irrelevante o regime tributário adotado; e)A mudança de entendimento jurisprudencial fere a segurança j urídica do Estado; f) O Ministro Gilmar Mendes, presidente da Suprema Corte, defende a modulação dos efeitos no tempo de uma decisão acerca da matéria,com efeitos prospectivos, o que corroborará a tese da vigência da isenção e, via de conseqüência, a segurança jurídica brasileira; g) A matéria se encontra pendente de decisão definitiva, ratificando a posição de que a antecipação do pagamento da Cofins foi indevidamente realizada; h) Tendo sido demonstrado que a antecipação do pagamento foi f eita de forma indevida, ensejase sua plena restituição, a qual, no presente caso, foi feita através de compensação. Por fim, a empresa requer a reforma do despacho decisório e a homologação da compensação. A manifestação de inconformidade foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/SPOI conta com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 COFINS. REVOGAÇÃO DE ISENÇÃO. De acordo com a Lei nº 9.430, de 1996, a partir de abril de 1997 as sociedades civis de profissão legalmente regulamentada passaram a contribuir para a COFINS, calculada com base na receita bruta da prestação de serviços, fato reconhecido, inclusive, pelo Supremo Tribunal Federal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs, Recurso Voluntário a este Conselho onde, em suas razões, requer a reforma do acórdão. É o sucinto relatório. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 12/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 15374.911815/200819 Acórdão n.º 3801002.228 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Relator Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. No presente caso, temos que o Despacho Decisório ora contestado não homologou a compensação declarada, sob o argumento de inexistência do crédito a compensar, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos da pessoa jurídica. Esclareceu a recorrente que o pagamento efetuado seria indevido, por se tratar de sociedade civil de profissão regulamentada, prestando serviços de engenharia, e, como tal, estaria isenta da Cofins, nos termos do artigo 6º, inciso II, da Lei Complementar nº 70/91. Alegou, também que o STF ainda não teve uma solução definitiva sobre a matéria. De pronto, vislumbrase que não pode prosperar a pretensão do contribuinte, não só pela expressa disposição legal, uma vez que o artigo 56 da Lei nº 9.430/96 revogou o artigo 6º, inciso II, da Lei Complementar nº 70/91, quando as sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada passaram a contribuir para a seguridade social com base na receita bruta da prestação de serviços, como também pelo entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre a matéria. Por oportuno, venho transcrever o voto do Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, membro desta Câmara, na ocasião que foi Relator do Acórdão n° 3801002.096, referente ao processo n° 15374.908035/200883, julgado na sessão de 22 de agosto de 2013, ao analisar caso similar ao presente, proferiu assim seu voto: No que tange a argumentação da recorrente em relação à ilegalidade e inconstitucionalidade do artigo 56 da Lei Ordinária n.º 9.430/1996 que violaria as normas infraconstitucionais, não podendo esta revogar a isenção concedida pelo art. 6º, inc. II, da Lei Complementar n° 70/91, também nego provimento, pois a inconstitucionalidade de lei tributária não é questão de debate dentro deste Conselho de Contribuinte, conforme a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: “Súmula CARF n.º 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Além disso, não há decisão do STF negando vigência do artigo 56 da Lei n° 9.430/1996. Ao contrário, o Plenário do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinárion° 377.4573 julgou, por maioria, constitucional o artigo 56 da Lei n.º 9.430/1996, cuja ementa tem o seguinte teor: Fl. 60DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 12/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 15374.911815/200819 Acórdão n.º 3801002.228 S3TE01 Fl. 7 6 EMENTA: Contribuição social sobre o faturamento COFINS (CF, art. 195, I). 2. Revogação pelo art. 56 da Lei 9.430/96 da isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6º, II, da Lei Complementar 70/91. Legitimidade. 3. Inexistência de relação hierárquica entre lei ordinária e lei complementar. Questão exclusivamente constitucional, relacionada à distribuição material entre as espécies legais. Precedentes. 4. A LC 70/91 é apenas formalmente complementar, mas materialmente ordinária, com relação aos dispositivos concernentes à contribuição social por ela instituída. ADC I, Rel. Moreira Alves, RTJ 156/721. 5. Recurso extraordinário conhecido mas negado Provimento. Por isso e estando em pleno vigor a legislação sobre a tributação da Cofins para as sociedades civis de prestação de serviços profissionais legalmente regulamentadas, não há que se falar em pagamento indevido ou maior que o devido, no período objeto do pedido de compensação sob a alegação de que estas sociedades estariam isentas desta contribuição Quanto as demais alegações, por superadas, deixo de apreciá las. Nesse sentido, voto por negar provimento ao presente recurso a que se refere ao apensamento requerido e não conheço das demais questões com base na súmula 2 desse Conselho. Assim, no julgamento do processo administrativo acima referido, os Conselheiros desta Colenda Câmara acordaram em, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do ilustre Conselheiro Relator acima referidos. Deste modo, por bem analisar a matéria, entendo que a referida inteligência igualmente serve para fundamentar a presente decisão. Portanto, nego provimento ao presente recurso, eis que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, consoante a Súmula n° 2 deste Egrégio Conselho. Além disso, destaco que o Plenário do Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinárion° 377.4573 julgou, por maioria, constitucional o artigo 56 da Lei n.º 9.430/1996. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso e de NÃO RECONHECER o direito creditório. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 12/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 15374.911815/200819 Acórdão n.º 3801002.228 S3TE01 Fl. 8 7 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 12/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10652.000012/2007-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 22/10/2002 a 13/10/2003
REGIME DE DRAWBACK. BAIXA. CONDIÇÕES.
O encerramento do regime drawback, na modalidade suspensão, exige a comprovação por meio da apresentação de documentos fixados na legislação de regência, destinados a demonstrar que o beneficiário empregou os insumos importados nos produtos destinados à exportação. Ausentes essa comprovação, não há como se considerar o regime adimplido.
O descumprimento das condições estabelecidas na legislação de regência do regime aduaneiro especial de drawback enseja a cobrança de tributos concernentes aos insumos importados com desoneração tributária.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 22/10/2002 a 13/10/2003 REGIME DE DRAWBACK. BAIXA. CONDIÇÕES. O encerramento do regime drawback, na modalidade suspensão, exige a comprovação por meio da apresentação de documentos fixados na legislação de regência, destinados a demonstrar que o beneficiário empregou os insumos importados nos produtos destinados à exportação. Ausentes essa comprovação, não há como se considerar o regime adimplido. O descumprimento das condições estabelecidas na legislação de regência do regime aduaneiro especial de drawback enseja a cobrança de tributos concernentes aos insumos importados com desoneração tributária. Recurso Voluntário negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 22/10/2002 a 13/10/2003 REGIME DE DRAWBACK. BAIXA. CONDIÇÕES. O encerramento do regime drawback, na modalidade suspensão, exige a comprovação por meio da apresentação de documentos fixados na legislação de regência, destinados a demonstrar que o beneficiário empregou os insumos importados nos produtos destinados à exportação. Ausentes essa comprovação, não há como se considerar o regime adimplido. O descumprimento das condições estabelecidas na legislação de regência do regime aduaneiro especial de drawback enseja a cobrança de tributos concernentes aos insumos importados com desoneração tributária. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 2. 00 00 12 /2 00 7- 06 Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Relatório Contra a contribuinte acima qualificada, lavrouse auto de infração formalizando a exigência de Imposto de Importação II, através do qual se constituiu crédito tributário, referente a fatos geradores ocorridos em 09/12/2002, 20/12/2002, 06/01/2003 20/02/2003, 19/05/2003 e 10/06/2003, no valor de R$ 91.739,92, incluídos multa de ofício e juros de mora. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado pelo inadimplemento do compromisso de exportar no Regime de DrawbackSuspensão, Ato Concessório n° 2002.0193076, f1s. 08/12 e fls. 28/33, registrado em 09/12/2002. Isso porque, o importador por meio das Declarações de Importação de n°s 02/10888274, 02/11299329, 03/00072427, 03/00341835, 03/01474197, 03/04170709 e 03/04855450, registradas em 09/12/2002, 20/12/2002, 06/01/2003, 15/01/2003, 20/02/2003, 19/05/2003 e 10/06/2003 respectivamente, submeteu ao regime especial de Drawback, modalidade suspensão, os produtos constantes da Tabela I de fls. 610, com o compromisso de que, no prazo de 12 meses, promovesse a utilização desses produtos no processo produtivo das mercadorias descritas no Ato Concessório n° 2002.0193076 e a exportação dessas mercadorias até 04/12/2003. Intimado, através do Termo de Intimação de fls. 14, em 16/10/2006; a apresentar a documentação comprobatória do adimplemento, a interessada apresentou parte da documentação. Não foram apresentados pelo representante legal da empresa os documentos relacionados nos itens 1 (Aditivos ao Ato Concessório), 2 (cópia dos Relatórios de Comprovação e seus anexos), 6 (cópia das guias de recolhimento do ICMs, relativa às DIs acima) e 7 (número do processo de nacionalização espontânea referente ao Ato ' acima, se houver), do referido Termo de Intimação. Segundo ainda a fiscalização dos documentos apresentados pelo representante legal da ora fiscalizada, mais os documentos relativos às pesquisas no Siscomex realizadas (cópias às fls. 158/199 (volume I), fls. 202/399 (volume II) e fls. 402/599 (volume III)), relativos exportações realizadas, preliminarmente temos: a) relativamente ao Registro de Exportação e outros documentos de fls. 158/160 (volume I), verificase que a Nota Fiscal de fls. 159 faz referência a Ato Concessório diverso do Ato Concessório em tela; b) os documentos de fls. 161/213 (volumes I e II), apresentam divergências entre as informações constantes das notas fiscais e as informações constantes dos documentos relativos ao despacho (NCM e/ou texto da descrição do produto), conforme quadro demonstrativo de fls. 613, item 2.2; Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10652.000012/200706 Acórdão n.º 3202000.934 S3C2T2 Fl. 1.203 3 c) relativamente aos documentos de fls. 214/250 (volumes I e II), verificase que as Notas Fiscais não trazem o n° do Registro de ExportaçãoRE correspondente fls. 614, item 2.3; d) relativamente aos demais documentos de fls. 25 1/399 (volume II) e 402/599 (volume III), comparandose as quantidades, em metros quadrados (neles constantes, com as I, quantidades, em metros quadrados, compromissadas no Ato Concessório em referência (fls. I 80/09 — volume DI), de uma análise superficial, já se verifica o descumprimento do compromisso de exportação formalizado (vide quadro as fls. 614); Segundo, ainda, a fiscalização, além do inadimplemento preliminarmente constatado tendo em vista apenas as informações acima, a situação se agrava em razão da empresa em tela não ter efetivado a comprovação, junto ao Decex/Secex, das exportações realizadas e vinculadas ao Ato Concessório em referência, resultando 'no diagnóstico de inadimplência total formalizado por aquele Órgão em 19/09/2005, fazendo referência ao Informe Técnico Decex/ConorI2004/753, conforme se verifica da consulta extraída dos Sistema Siscomex de fls. 07 e 13 (volume I) e 608 (volume IV); Ainda em 30/10/2006 através do Termo de Intimação de fls. 21 n(22 (volume I), a fiscalização reiterou as solicitações contidas no Termo de fls. 14/15 (volume I) quando foi intimada a empresa em tela a apresentar os documentos de comprovação junto ao Decex/Secex, correspondentes ao cumprimento do ato concessório em referência. Através dos esclarecimentos de fls 23, foi informado que "embora cumpridas todas as obrigações exigidas do ato concessório em referência, o mesmo está sendo considerado inadimplente graças ao Banco do Brasil não ter prestado as informações necessárias ao DECEX no respectivo prazo exigido, mas que alega estar tomando suas providências para realizar as devidas comprovações", e que "não há processos de nacionalização referente ao ato concessório em tela". Assim, findo o prazo estabelecido no regime, não tendo o beneficiário tomado nenhuma das providências elencadas no artigo 319 do Decreto n° 91.030/1985 e no artigo 342 do Decreto n° 4.543/2002, resolveu fiscalização pela suspensão, exigindo integralmente os tributos suspensos com base nos valores aduaneiros e alíquotas detalhados na tabela de fls. 617. Ciente do Auto de Infração a interessada apresentou a impugnação de fls. 638/649, onde alegou: encaminhou ao Banco do Brasil em 05/11/2003, dentro do prazo regulamentar, o Relatório Unificado de Drawback para que o mesmo providenciasse a baixa no sistema Drawback Eletrônico (doc. 2); ao analisar a documentação encaminhada, o Banco do Brasil constatou que um dos Relatórios Unificados de Drawback, especificamente ao RE n° 03/065752001 apresentava Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 incorreção, tendo em 21.11.2003, solicitado a ora Impugnante um aditivo objetivando a alteração do Ato Concessório ou exclusão do referido registro de exportação dos Relatórios Unificados de Drawback (doc. 03); em 26/02/2004, a Impugnante em nova correspondência endereçada ao Banco do Brasil informou a correção do erro de digitação referente ao RE n° 03/065752 01, bem como que as demais planilhas permaneceriam inalteradas; o Banco do Brasil solicitou a baixa no sistema somente após a correção da pendência em 26/02/2004, quando já havia expirado o prazo regulamentar; o DECEX, em 20/07/2004, após verificar no sistema a baixa fora do prazo, eletronicamente, solicitou ao Banco do Brasil justificativa (doc. 05); o Banco do Brasil, por sua vez, conforme documento de registro de ato concessório — consulta diagnóstico de baixa, informou ao DECEX que "foi apresentada a comprovação dentro do prazo regulamentar ao Banco, porém houve algumas correções a serem efetuadas, o que impediu a solicitação de baixa no tempo correto. Salientamos que as exportações foram efetuadas dentro do prazo, (doc. 06); mesmo após a informação acima, conforme comprovase com o registro de ato concessório — consulta diagnóstico baixa em 21/09/2005, a Impugnante apresentava status de inadimplência total (doc. 07); a Impugnada tendo conhecimento da inadimplência solicitou a Impugnante em 10/10/2006 informações sobre os relatórios que por sua vez, encaminhou os relatórios e afirmou: "que embora foram cumpridas todas as obrigações exigidas do ato acima, mediante as exportações realizadas, o mesmo está sendo considerado inadimplente graças ao Banco do Brasil por não ter prestado as informações necessárias ao DECEX no respectivo prazo exigido, mas que alega estar tomando suas providências para realizar as devidas comprovações." (doc.08); inesperadamente e sem fundamento legal adequada, pois conforme cabalmente Comprovado as exportações foram realizadas pela Impugnante, bem como a entrega dos \ relatórios em tempo oportuno, esta situação de suposta inadimplência, posteriormente, em 29/03/2007, foi objeto da lavratura do presente auto de infração; o Banco do Brasil em resposta a carta encaminhada pela Impugnante em 30/03/2007, para prestar informações sobre a intimação da lavratura do AIIM, pois havia entregue os relatórios dentro do prazo legal, corroborou o histórico acima noticiado informando que \teve conhecimento do diagnóstico, bem como tomou providencias solicitando reconsideração tendo em vista o atraso no envio dos relatórios, porém não obteve sucesso (doc. 09/10); a ora Impugnante é uma empresa exportadora de couro e nesta qualidade necessita de insumos importados que levam a Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10652.000012/200706 Acórdão n.º 3202000.934 S3C2T2 Fl. 1.204 5 padronização exigida pelo mercado externo, razão porque da utilização dos benefícios concedidos pelo sistema "Drawback", o qual traduz na suspensão do pagamento dos tributos derivados da sua importação; através de uma pesquisa no sistema Siscomex pode ser comprovado que as exportações foram realizadas pela Impugnante, tendo os insumos importados sido utilizados no beneficiamento do couro exportado, (docs. 11/153); o fato do Banco do Brasil não ter dado baixo no sistema Drawback Eletrônico, no tempo oportuno, mesmo após o encaminhamento pela ora Impugnante do Relatório Unificado d'e Drawback em 05/11/2003 (dentro do prazo regulamentar) e ainda de que o essencial para a manutenção da suspensão realmente ocorreu, qual seja a realização das exportações, insubsistente a exigência do crédito tributário, cita Acórdão do 3° CC; como se não bastasse o alegado acima, ao analisar o Registro de Exportação e outros documentos de fls. 158/160 (volume 1), o d. fiscal verificou que a Nota Fiscal de fls. 159 faz referência a Ato Concessório diverso do Ato Concessório em tela; o erro de digitação do número do ato concessório na Nota Fiscal 019157 (doc. 12), não pode ser suficiente para descaracterizar o adimplemento, em tempo oportuno (11/04/2003) do compromisso de exportar realizado pela Impugnante; em seguida o d. fiscal alega que" os documentos de fls. 161/313 (volume I e II), apresentam divergências entre as informações constantes das notas fiscais e as informações constantes dos documentos relativos ao despacho (NCM e/ou texto da descrição do produto); todo erro ou equívoco, sob o manto da verdade material, deve ser reparado ou desconsiderado, tanto quanto possível, da forma menos injusta, seja para fisco, seja para o contribuinte; erros ou equívocos não tem o poder de se transformarem em fatos geradores de obrigação tributária. Não provado o inadimplemento do Compromisso de exportar, descabe a cobrança dos tributos e acréscimos legais. Verificar documentação comprobatória de exportação anexos a defesa; já quanto aos documentos de fls. 214/250 (volume 19 II), o d. Fiscal constatou que as Notas Fiscais não trazem o n° de Registro de ExportaçãoRE correspondente; mais uma vez, oportuno esclarecer que o fato da ora Impugnante não preencher na Nota Fiscal o n° de Registro de ExportaçãoRE correspondente Constituiuse em um obrigação acessória e não obrigação principal, e da lei depreendese que a obrigação tributária enquanto obrigação acessória é mera obrigação administrativa; Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 concluise neste item que o descumprimento de obrigação acessória não autoriza a cobrança dos tributos suspensos, pois as mercadorias foram exportadas; não há disposição legal que vincule o não cumprimento de obrigação acessória a exigibilidade do tributo em sua totalidade, 'com incidência de milha, tal atitude constitui lesão grave ao direito da Impugnante, pois se não há disposição legal 4ue a obrigue a pagar os tributos suspensos em decorrência do beneficio do "drawback"; não pode a fiscalização, à sua vontade, exigir o pagamento e imputar as sanções pretendidas, o que seria uma afronta ao princípio constitucional da legalidade; por fim, relativamente aos demais documentos de fls. 25 1399 (volume II) e 402/599 (volume III), segundo alegado no relatório anexo ao auto de infração, comparandose as quantidades em metros quadrados, neles constantes com as quantidades, em metros quadrados, compromissadas no Ato Concessório em referência (fls. 80/0 — volume I), de uma análise superficial, a fiscalização verificou 'o descumprimento do compromisso de exportação formalizado; as diferenças de apenas 51.435,50 pés a mais entre os valores inscritos no Ato Concessório e os valores apresentados é justificada, uma vez que houve o aperfeiçoamento da produção, e se um primeiro momento utilizavase mais insumos para o produto, com a implementação de novos equipamentos foram sendo verificados os ajustes necessários, e, com efeito, a Impugnante exportou todo o insumo importado; 1 cumpre dizer que é inerente que aludido regime a condição de que os insumos importados tom suspensão de tributos, sejam aplicados direta e fisicamente na produção das mercadorias exportadas, seja integrandose fisicamente a mercadoria 'exportada, seja, excepcionalmente, consumindo no processo de sua produção — consubstanciando o que se convencionou chamar de Princípio da Vinculação Física, obedecido no presente caso; 1 por todo o exposto, concluise que a Impugnante cumpriu regras inerentes ao regime especial de drawback, tendo ocorrido a exportação de produtos nos quais foram aplicados os insumos importados, tudo conforme comprovado através das inclusas notas fiscais, restando insubsistente a pretensão colimada pelo r. auto de infração. É o Relatório. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II julgou improcedente a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/SP2 n.º 1739.085, de 11/3/2010 (fls. 951/959), assim ementado: A SSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 09/12/2002, 20/12/2002, 06/01/2003 20/02/2003, 19/05/2003, 10/06/2003 DRAWBACK. INADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO. Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10652.000012/200706 Acórdão n.º 3202000.934 S3C2T2 Fl. 1.205 7 Constatada a inadimplência no compromisso de exportar cabível é a exigência dos impostos suspensos quando da importação das mercadorias ao amparo do regime drawback. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 964/974, por meio da qual alega, depois de relatar os fatos: Em casos excepcionais devidamente comprovados, pode o contribuinte comprovar o cumprimento do regime Drawback fora do prazo, desde que as exportações efetivamente tenham ocorrido. Assim já decidiu o Conselho de Contribuintes. No presente caso, conforme já demonstrado, em cumprimento ao Ato Concessório 2002.0193076 (fls. 08/12 e fls. 28/33), registrado em 09/12/2002, encaminhou ao Banco do Brasil, em 05/11/2003, dentro prazo regulamentar, o Relatório Unificado de Drawback RUD para que fosse feita a competente baixa, conforme documento acostado à impugnação. O Banco do Brasil, ao analisar a documentação encaminhada, constatou que um dos RUDs, especificamente referente ao RE n° 03/065752001, apresentava incorreção, tendo solicitado, em 21/11/2003, o competente aditivo ou exclusão. Em 26/02/2004, a empresa enviou correspondência ao Banco do Brasil informando a correção no RE n.° 03/065752001, a fim de que fosse efetivada a competente baixa. O Banco do Brasil, em 26/02/2004, fora do prazo, solicitou a baixa no sistema, tendo sido interpelado pelo DECEX, em 20/07/2004, a fim de justificar o ocorrido. O Banco do Brasil, conforme documento de registro de ato concessivo “consulta diagnóstico de baixa”, informou ao DECEX que “foi apresentada a comprovação dentro do prazo regulamentar ao Banco, porém houve algumas correções a serem efetuadas, o que impediu a solicitação de baixa no tempo correto. Salientamos que as exportações foram efetuadas dentro do prazo”. A inadimplência total é totalmente indevida, haja vista que a baixa, mesmo a destempo, fora efetivada pelo Banco do Brasil. Os documentos juntados à impugnação (doc. 11/153), corroborados pela pesquisa ao sistema Siscomex, provam que as exportações foram realizadas (reproduz ementa de decisão judicial para fundamentar a sua defesa). Também não procede a alegação em relação à perda do direito da isenção em virtude das irregularidades citadas nos itens "a" a "d" das fls. 1.148 da r. decisão. Isso porque tais irregularidades são meros erros administrativos de preenchimento, meros erros formais, que não descaracterizam o compromisso de exportação, que, no presente caso, efetivamente ocorreu (fundamentase em acórdão prolatado pelo então Conselho de Contribuintes). Também não procede a alegação de perda de isenção em virtude da divergência de quantidade compromissada no Ato Concessório, com a constante dos documentos de fls. 251/399 e 402/599, porque a pequena diferença de 51.435,50 pés a mais entre os valores Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 inscritos no Ato Concessório e os valores apresentados é justificável, uma vez que houve o aperfeiçoamento da produção, o que acarretou, com a implementação de novos equipamentos, que menos produtos foram utilizados, mas toda a produção fora exportada. Ademais, mesmo que haja essa diferença, somente sobre ela é que deveria haver a perda do beneficio da isenção, e não sobre todo o produto importado, como ocorreu no presente caso. Ao final, requer o direito à realização de sustentação oral perante o Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Piscais – CARF (fornece o endereço do patrono para intimação). O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A fiscalização sustenta que a Recorrente inadimpliu compromisso de exportar no Regime de DrawbackSuspensão, pois, além de constatar uma série de irregularidades nos documentos destinados a comprovar o cumprimento da obrigação, a própria SECEX, conforme informação obtida no Siscomex (DECEX/Secex/Serpro), aponta para a situação de inadimplência total em relação ao Ato Concessório n.º 2002.0193076, registrado em 09/12/2002 (informação extraída em 06/06/2006). Antes de confrontar as razões da fiscalização com as apresentadas pela Recorrente em contradita ao lançamento, cumpre tecer algumas considerações sobre a natureza jurídica do drawback, na modalidade suspensão, e do ônus de comprovar o cumprimento desse regime. Para tanto, reproduziremos e adotaremos como razão de decidir, na parte a ele referente, o voto proferido pelo Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, nos autos do processo administrativo n.º 10074.001046/200559 (Acórdão CARF/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária n.º 3202000.651, sessão de 27/02/2013): Da natureza jurídica do regime aduaneiro especial de drawback – modalidade suspensão O drawback foi instituído no Brasil, de forma extremamente incipiente, através do Decreto nº 994, de 28 de julho de 1936. Contudo, foi apenas com a edição do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, que o regime drawback foi inserido na legislação brasileira no formato e modalidades vigentes até os dias atuais, com algumas pequenas alterações. O artigo 78, inciso II, deste DecretoLei dispõe: Art.78 Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas no regulamento: I – (...) II suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10652.000012/200706 Acórdão n.º 3202000.934 S3C2T2 Fl. 1.206 9 fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; III – (...) (negritamos) O Regulamento Aduaneiro de 1985 RA/85 aprovado pelo Decreto nº 91.030/85), em seu artigo 314, praticamente transcreveu os dispositivos citados no artigo 78 do DL 37/66, entretanto, inovou ao atribuir a denominação drawback ao regime, verbis: Art. 314 Poderá ser concedido pela Comissão de Política Aduaneira, nos termos e condições estabelecidos no presente Capítulo, o benefício do “drawback” nas seguintes modalidades (Decretolei no. 37/66, artigo 78, I a III): I – suspensão do pagamento dos tributos exigíveis na importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; (...) (negritamos) O Regulamento Aduaneiro de 2002 RA/2002 (Decreto nº 4.543/2002), em seu artigo 335, manteve o mesmo texto do RA/85, da mesma forma que o artigo 383 do RA/2009 (Decreto nº 6.759/2009), atualmente vigente. Por fim, importante registrar que os países membros do MERCOSUL aprovaram em 03 de agosto de 2010, durante reunião de cúpula em San Juan, na Argentina, o Código Aduaneiro Comum – CAM (MERCOSUL/CMC/DEC. Nº 27/10). O Código, composto por 181 artigos, tem por objetivo facilitar a plena operação da União Aduaneira, na medida em que buscará harmonizar conceitos, regras e procedimentos relativos ao comércio exterior entre os países signatários. O atual regime de “drawback modalidade suspensão”, ao que nos parece, foi tratado pelo CAM com a denominação “admissão temporária para aperfeiçoamento ativo”, conforme prescreve o disposto de seu artigo 56, verbis: “Art. 56 A admissão temporária para aperfeiçoamento ativo é o regime pelo qual a mercadoria é importada sem o pagamento dos tributos aduaneiros, com exceção das taxas, para ser destinada a determinada operação de transformação, elaboração, reparo ou outra autorizada e à posterior reexportação sob a forma de produto resultante, em prazo determinado”. (negritamos) Todos os dispositivos legais acima citados (decretolei, regulamentos e CAM) nos levam a concluir, sem maiores Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 10 dificuldades, que o regime aduaneiro de drawback – modalidade suspensão permite a importação de mercadorias (“insumos”) destinadas, sempre, ao processo produtivo (beneficiamento, fabricação, complementação, acondicionamento) de outra mercadoria a ser exportada. Não há dúvidas quanto a isso! É certo, também, que a compreensão dos fundamentos jurídicos desse regime especial é premissa essencial para a discussão e posicionamento sobre os aspectos polêmicos que o envolvem no plano pragmático. Nesse diapasão, entendemos que, independentemente da sistemática utilizada para a concessão, operacionalização e comprovação das cinco modalidades existentes de drawback (denominadas “suspensão”, “suspensãointegrado”, “isenção”, “isençãointegrado” e “restituição”), a natureza jurídica do regime será sempre de isenção, ou seja, o crédito tributário será excluído, ao fim e ao cabo, pela isenção, exceto no caso do “drawback isençãointegrado” quanto ao IPI, o PIS/Pasep e a Cofins onde teremos uma de redução de alíquota para zero (art. 7º da MP 497/2010). Expliquemos. O exegeta deve partir das prescrições normativas sobre determinado tema, analisar suas interrelações com o sistema a qual está inserido e, daí, construir o sentido das normas a serem aplicadas. Não devemos ficar restritos à literalidade do texto da lei, às palavras isoladamente, mas sim, buscar construir o sentido a partir da compreensão de todo o ordenamento jurídico (interpretação sistemática) e da finalidade da norma (interpretação teleológica). Ademais, não raras vezes, o texto de lei trás palavras ou expressões impróprias, imprecisas e inconciliáveis com as demais prescrições do sistema, erros esses que decorrem de falhas humanas de quem elaborou os textos, e no caso do drawback, aliese, ainda, à inovação do tema que até então (edição do DL nº 37 em 1966) pouco tinha sido estudado e compreendido em nosso País. À bem da verdade, o regime drawback foi adaptado de legislações de outros países sem maiores análises e aprofundamentos. No drawback modalidade suspensão, a meu sentir, houve impropriedade por parte do legislador ao afirmar que há a suspensão do pagamento dos tributos exigíveis na importação de mercadoria a ser exportada. Não há como conciliar esta “suspensão de tributos” com as demais prescrições do nosso sistema tributário, notadamente com dispositivos do CTN. Fazendose uma interpretação sistemática, temos que o artigo 146, inciso III, da CF/88 prescreveu caber à lei complementar estabelecer normas gerais em matéria tributária, especialmente sobre “obrigação” e “crédito” (alínea “b”). Neste sentido, a Lei nº 5.172/66 – CTN, recepcionada pela CF/88 com eficácia de lei complementar, previu as seguintes hipóteses de suspensão do crédito tributário (artigo 151): (i) moratória, (ii) o depósito do seu montante integral, (iii) as reclamações e recursos, (iv) a concessão de medida liminar em mandado de segurança, (v) a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial e (vi) o parcelamento. Entendemos esta relação como numerus clausus, exaustiva. Portanto, claro está Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10652.000012/200706 Acórdão n.º 3202000.934 S3C2T2 Fl. 1.207 11 que o regime drawback certamente não se enquadra em nenhuma destas hipóteses. Como então falarmos que um ato concessório drawback “suspende” a exigibilidade do crédito tributário? Não há previsão no CTN para tanto. Não tem como! Não se pode criar uma nova modalidade de suspensão por decretolei. Há um conflito entre o decretolei e a lei complementar, sendo que esta deve prevalecer por ser hierarquicamente superior. Logo, parecenos mais adequado, como já afirmamos, falarmos em isenção de tributos, mais precisamente isenção condicionada à ocorrência de um evento futuro a reexportação (no caso do “drawback modalidade suspensão”, por exemplo). Havendo a ocorrência do evento previsto na norma de incidência tributária, após o seu relato na linguagem jurídica competente (“fato jurídico tributário”), temos a subsunção do fato à norma, assim, estabelecese a relação jurídica tributária entre o Fisco e o sujeito passivo. O sujeito ativo tem o direito de exigir o crédito tributário e o sujeito passivo, por sua vez, tem o dever jurídico de prestar o objeto, ou seja, pagar o débito tributário. Nascem juntos a “obrigação tributária” e o “crédito tributário”, sendo que ambas têm a mesma natureza – são duas faces da mesma moeda. Não vejo como “nascer” a obrigação tributária/crédito tributário e o seu pagamento ficar “suspenso”, exceto nas hipóteses enumeradas no artigo 151 do CTN. Em outro giro, fazendose uma interpretação teleológica dos dispositivos insculpidos no DecretoLei nº 37/66 percebese claramente que o drawback (artigo 78) e a admissão temporária (artigo 75) estão no mesmo capítulo III, denominado de “Importações Vinculadas à Exportação”. Com isso, a meu sentir, fica evidenciada a intenção do legislador em criar dois regimes, com finalidades distintas, mas ambos destinados à reexportação de mercadorias anteriormente importadas. Registrese, em reforço a esse argumento, que o CAM (MERCOSUL/CMC/DEC. nº 27/2010), aprovado após mais de 40 anos da edição do DecretoLei nº 37/66, manteve a mesma finalidade para o regime drawback, agora denominação admissão temporária para aperfeiçoamento ativo, qual seja que a mercadoria importada sem o pagamento dos tributos deve ser destinada a operações de transformação, elaboração, reparo ou outra autorizada e à posterior reexportação sob a forma de produto resultante. Portanto, pareceme evidente o desacerto no uso da expressão “suspensão” pela legislação relativa ao drawback. Deste modo, para tentar elucidar esta questão é que afirmamos ter o drawback, em todas as modalidades, a natureza jurídica de uma isenção condicionada à reexportação de mercadorias. Em outras palavras, no caso do drawback – suspensão, quando atendidas todas as condições previstas no regime, aplicável a regramatriz de isenção. Em caso de descumprimento das condições previstas para a fruição do regime, então, aplicase a Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 12 regramatriz de incidência tributária para a cobrança dos tributos devidos. Explico: como já comentado, no caso de uma importação sob a égide de regime aduaneiro especial, não há a incidência imediata e definitiva dos tributos, pelo fato que as mercadorias entram no território aduaneiro com alguma finalidade específica. No caso do drawback, as mercadorias (insumos) são importadas com a finalidade de serem destinadas a fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser reexportada ou, ainda, serem beneficiadas no país e depois reexportadas, a teor do que prescreve o artigo 78 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Assim, a não incidência tributária decorre da exclusão do crédito tributário (art. 175, I, CTN) em função da concessão de uma isenção condicionada (art. 176 c/c 179 do CTN). E a isenção está condicionada ao cumprimento de dois requisitos, cumulativamente: i. Aplicação na finalidade específica – processo produtivo; ii. Reexportação, dentro de termos, prazos e limites previstos na legislação. Atendidos os dois requisitos, a regramatriz de isenção exclui o crédito tributário. Não cumpridas essa condições, as operações de importação passam a receber o tratamento tributário do Regime de Importação Comum, com a aplicação da regramatriz de incidência tributária. A isenção condicionada, no caso, deve ser efetivada por despacho da autoridade administrativa no momento do despacho de importação, podendo ser revogada, posteriormente, em procedimento de fiscalização caso fique comprovado o descumprimento das condições previstas no Ato Concessório, como prescreve o artigo 179/CTN. Em conclusão, podemos afirmar que o regime aduaneiro especial denominado drawback é um incentivo às exportações, operacionalizado por meio da isenção condicionada dos tributos incidentes nas importações e/ou nas aquisições no mercado interno de insumos a serem utilizados ou consumidos no processo produtivo de mercadorias reexportadas. Temos um negócio sinalagmático: a União e Estadosmembros concedem isenção tributária às empresas interessadas, estas, por sua vez, assumem compromissos junto àqueles entes tributantes. Pacta sunt servanda! Da comprovação da efetiva exportação Como visto a legislação brasileira historicamente adotou o “princípio da vinculação física” para o drawback suspensão: tanto que o artigo 78 do DecretoLei nº 37/66 já se referia expressamente a tal exigência, todos os Regulamentos Aduaneiros mantiveram tal prescrição, assim como o CAM – Código Aduaneiro do MERCOSUL também estipula tal exigência, de modo que a mercadoria importada ao amparo do regime deve, necessariamente, ser exportada após beneficiamento ou destinada à fabricação de outra a ser exportada, impondo, portanto, que seja integralmente empregada no processo produtivo da mercadoria exportada. Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10652.000012/200706 Acórdão n.º 3202000.934 S3C2T2 Fl. 1.208 13 Logo, o beneficiário do regime deve comprovar que aplicou os insumos importados no processo produtivo de mercadoria efetivamente exportada. É condição para utilização do regime. Muito bem. E como se comprova a exportação sob a égide do regime especial de drawback suspensão? Quais sãos os procedimentos a serem adotados pelo beneficiário do regime para comprovar o preenchimento das condições previstas na legislação? Vejamos o que prescrevem os dispositivos normativos que tratam da matéria. O artigo 325 do RA85, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, assim como o artigo 352 do Decreto nº 4.543, de 27/12/2002, dispõem: “A utilização do regime previsto neste Capítulo será registrada no documento comprobatório de exportação”. Relembremos que o documento comprobatório de exportação, na sistemática operacionalizada pelo SISCOMEX, é o RE Registro de Exportação devidamente averbado, nos termos do que dispõe o Comunicado DECEX nº 21/97 (“Consolidação das Normas de Drawback), verbis: “21.1 Os documentos que comprovam as operações de importação e exportação vinculadas ao Regime de Drawback são os seguintes: Declaração de Importação (DI); Registro de Exportação (RE) averbado; Registro de Exportação Simplificado (RES) averbado; Nota Fiscal de venda no mercado interno”. O Comunicado DECEX nº 21/97 prescreve, ainda, em seu item 19.4, a necessidade da vinculação do RE – Registro de Exportação ao Ato Concessório, nos seguintes termos: “19.4. Os documentos utilizados nas importações e exportações amparadas pelo Regime de Drawback deverão estar vinculados a apenas um Ato Concessório”. Cabe, também, transcrever os itens 3 e 4 do Anexo V do Comunicado DECEX nº 21/97 que dispõe sobre o procedimento exigido para a comprovação do regime, verbis: “3. É obrigatória a vinculação do Registro de Exportação (RE) ao Ato Concessório de Drawback, modalidade Suspensão. 4. Somente será aceito para comprovação do Regime, modalidade suspensão, Registro de Exportação (RE) contendo, no campo 2a, o código de enquadramento constante do Anexo”I” (I – Tabela de Enquadramento da Operação) da Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 14 Portaria SCE nº 2, de 22/12/92, bem como as informações exigidas no campo 24 (dados do fabricante).” No mesmo sentido, a Portaria SECEX nº 4/97 (DOU de 12/06/1997), em seu art. 37: “Art. 37 – Somente poderão ser aceitos para comprovação do Regime de Drawback, modalidade Suspensão, Registro de Exportação (RE), devidamente vinculado ao Ato Concessório de Drawback, na forma da legislação em vigor”. Do cotejo dos dispositivos normativos mencionados (artigos 314 e 325 do RA/85 e artigos 335 e 352 do RA/2002), bem como a legislação complementar da SECEX/MDIC, constatase que todas as disposições pertinentes à concessão do referido incentivo à exportação foram rigorosamente disciplinadas, podendose inferir que o texto regulamentar impõe de forma clara a vinculação entre a mercadoria importada e a mercadoria a ser exportada no regime, assim como a legislação da SECEX/MDIC prescreve os procedimentos a serem adotados na comprovação da exportação das mercadorias resultantes do processo produtivo. Todos esses procedimentos exigidos em relação à comprovação das exportações são necessários para que o Fisco possa efetivamente controlar tanto a utilização dos insumos importados com desoneração tributária como a destinação dos bens (efetiva exportação). Não fossem esses controles, restaria caracterizada a ineficácia do incentivo em tela, na medida em que tornaria vulnerável a indústria nacional pelo ingresso de produtos estrangeiros no território nacional, sem o pagamento dos tributos devidos. Ao beneficiar determinadas empresas, o Estado/Fisco deve ter a precaução de não se criar uma situação de desigualdade com outras empresas do mesmo setor econômico, o que fatalmente ocorreria se os produtos importados com suspensão de tributos, em decorrência do regime drawback, fossem “desviados” para o mercado interno. É evidente que a “vinculação física” entre as mercadorias importadas e as mercadorias exportadas deve estar claramente demonstrada, e isto só pode ocorrer se os Registros de Exportação estiverem devidamente vinculados aos Atos Concessórios emitidos pela SECEX. Ademais, também é indiscutível que as exportações beneficiadas e abrigadas por um regime aduaneiro especial devem estar identificadas como tal, o que é feito pelo código da operação respectivo, conforme indicado nas tabelas constantes do Anexo I da Portaria SCE nº 02/92. No caso vertente, a empresa utilizou o código 80.000 exportação normal e 81.301 exportação sujeita a registo de venda, quando deveria utilizar o código 81.101 drawback suspensão comum. Este “simples erro de preenchimento” do Registro de Exportação, na verdade, mascara a operação de exportação, dissimulandoa. Os Registros de Exportação REs que não contiverem ou que contiverem de forma inexata as informações relativas aos códigos de operação de Drawback, assim como os REs que não contemplem a informação do número do Ato Concessório ao Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10652.000012/200706 Acórdão n.º 3202000.934 S3C2T2 Fl. 1.209 15 qual deveria estar vinculado, não fazem prova do cumprimento do regime. Este entendimento tem como pressuposto o fato de que a indicação de um código de operação diverso do regime drawback e/ou a falta da indicação do número do Ato Concessório em análise não permite que se conclua que o produto objeto de exportação venha a conter insumos importados sob a égide do citado regime, o que, de forma lógica, impede que o Registro de Exportação seja utilizado para fins de comprovação do adimplemento do que foi compromissado em Ato Concessório. Da exegese das normas acima referidas, concluise que a utilização do benefício deve estar devidamente consignada no documento comprobatório de exportação (RE). Para isso, necessário a informação do código correto da operação no Registro de Exportação – RE, bem como a sua correta vinculação ao Ato Concessório. Corroborando esse raciocínio, transcrevemos a seguir, trecho do Parecer COSIT Nº 53, de 22 de julho de 1999: “9. No tocante à questão apresentada no item 4 possibilidade de aceitação, pela SRF, de Registros de Exportação não vinculados aos atos concessórios, informese que sobre o assunto, o art. 37 da mencionada Portaria Secex nº 4, de 1997, estabelece que ‘somente poderão ser aceitos para comprovação do regime de drawback modalidade suspensão, Registros de Exportação (RE) devidamente vinculados ao Ato Concessório de Drawback, na forma da legislação em vigor’.” 9.1 Assim, de acordo com a legislação vigente, nem a Secex nem a SRF poderão aceitar Registro de Exportação que não esteja vinculado ao respectivo ato concessório. Enfatizese, ainda, que compete à SRF proceder ao desembaraço das mercadorias a serem exportadas, autenticando o competente comprovante de exportação, o qual será encaminhado à Secex, pelo beneficiário do regime, a fim de que se verifique a adimplência do compromisso de exportação. .................................................................................................. Registros de Exportação não vinculados aos atos concessórios não serão aceitos pela SRF, para fins de comprovação do regime de drawback”. (negritei). É certo que a legislação estabelece um “procedimento” para a comprovação das exportações, o que evidencia, sem dúvida, norma de direito tributário formal (“deveres instrumentais” / “obrigações acessórias”). Por outro lado, a informação no RE a respeito de sua relação com Ato Concessório tem implicação de inegável caráter substancial, na medida em que assegura e comprova a vinculação da mercadoria por ele amparada ao Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 16 regime drawback, reputandose, assim, imprescindível para conferir legitimidade ao incentivo fiscal. A ausência destas escorreitas informações nos documentos de exportação – REs não se restringe apenas ao campo das questões “meramente formais”, indo muito além, inserindose, pelo Princípio da Vinculação Física, no pressuposto básico de comprovação do regime, consubstanciandose, assim, em elemento essencial no adimplemento do compromisso de exportar. Nada obstante tenha dado ênfase às possíveis irregularidades verificadas nos REs, o raciocínio exposto no voto condutor do acórdão também vale para os demais documentos que instruem o despacho de exportação. Feitas essas considerações, passemos à análise do caso concreto. Segunda afirma, a fiscalização constatou, no caso ora em julgamento, as seguintes irregularidades, todas inequívocas nos autos: a) a nota fiscal de fl. 162 faz referência a ato concessório diverso do Ato Concessório objeto dos autos; b) os documentos de fls. 161/213 (volumes I e II) apresentam divergências entre as informações constantes das notas fiscais e as informações constantes dos documentos que instruem o despacho (NCM e/ou texto da descrição do produto), conforme quadro demonstrativo de fls. 613 (processo papel), item 2.2; c) relativamente aos documentos de fls. 214/250 (volumes I e II), as notas fiscais não trazem o n° do Registro de Exportação – RE correspondente, fl. 614 (processo papel), item 2.3, ou seja, não se prestam para comprovação do adimplemento do regime drawback; d) nos demais documentos de fls. 251/399 (volume II) e 402/599 (volume III), comparandose as quantidades, em metros quadrados neles constantes, com as quantidades, em metros quadrados, compromissadas no Ato Concessório (fls. 80/09 — volume DI), verificar seia, segundo a fiscalização, o descumprimento do compromisso de exportação formalizado (fls. 614; processo papel). A todos esses fatos, acresçase o de que o Ato Concessório objeto dos autos, segundo informações extraídas do próprio Siscomex (DECEX/Secex/Serpro), encontrase na situação de “inadimplência total” (fls. 8, 9 e 15). Segundo a própria SECEX, embora urgentes as informações então requeridas à Recorrente (alterações no RUD), todas destinadas a comprovar a adimplência do regime – uma vez que o prazo de validade era 04/12/2003 (tolerância até 02/02/2004) –, somente foram encaminhadas ao referido órgão federal em 26/02/2004, ou seja, quando já havia expirado o prazo regulamentar. Como cediço, e bem ressaltado pela instância de origem, cabe à SECEX não apenas a concessão do regime drawback, mas igualmente “os procedimentos que tenham por finalidade sua formalização quanto ao acompanhamento e à verificação do compromisso de exportar, ou seja, é o órgão responsável pelo controle administrativo, tais como: prazo de exportação e demais compromissos assumidos, análise dos comprovantes de exportação e conclusão pela adimplência ou inadimplência do compromisso de exportar.” (Parecer CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação — COSIT n.° 53/99). Ora, é certo que o ônus da prova de demonstrar que o regime drawback não foi cumprido cabe à fiscalização, em especial quando o SECEX aponta para o seu cumprimento. Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10652.000012/200706 Acórdão n.º 3202000.934 S3C2T2 Fl. 1.210 17 Mas não é menos certo afirmar que, na situação em que se encontra a Recorrente, quando tudo está a demonstrar o descumprimento do regime, caberia a ela comprovar o contrário, o que, à vista dos documentos utilizados para fazêlo, dos argumentos delineados no Recurso Voluntário e da própria situação em que se encontra o Ato Concessório no SECEX, não logrou realizar. O pedido de que as intimações sejam remetidas ao endereço do patrono da Recorrente não encontra respaldo legal, uma vez que a legislação só prevê a remessa para o domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo (art. 23, II, do Decreto n.º 70.235, de 1972). Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 19515.001628/2007-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
DESPESAS. ASSISTÊNCIA TÉCNICA. LIMITE LEGAL. RECEITA LÍQUIDA TOTAL
As despesas de assistência técnica pagas a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior somente são dedutíveis até o limite de 5% da receita liquida do período. Na apuração da receita líquida total da contribuinte devem ser consideradas, além da receita líquida da própria contribuinte, as receitas líquidas proporcionais dos consórcios de que a contribuinte participou no citado ano-calendário.
Numero da decisão: 1401-000.948
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto e Roberto Armond Ferreira da Silva. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 DESPESAS. ASSISTÊNCIA TÉCNICA. LIMITE LEGAL. RECEITA LÍQUIDA TOTAL As despesas de assistência técnica pagas a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior somente são dedutíveis até o limite de 5% da receita liquida do período. Na apuração da receita líquida total da contribuinte devem ser consideradas, além da receita líquida da própria contribuinte, as receitas líquidas proporcionais dos consórcios de que a contribuinte participou no citado ano-calendário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto e Roberto Armond Ferreira da Silva. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 DESPESAS. ASSISTÊNCIA TÉCNICA. LIMITE LEGAL. RECEITA LÍQUIDA TOTAL As despesas de assistência técnica pagas a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior somente são dedutíveis até o limite de 5% da receita liquida do período. Na apuração da receita líquida total da contribuinte devem ser consideradas, além da receita líquida da própria contribuinte, as receitas líquidas proporcionais dos consórcios de que a contribuinte participou no citado anocalendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto e Roberto Armond Ferreira da Silva. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 16 28 /2 00 7- 35 Fl. 1865DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que integra o acórdão recorrido, fls. 17251733: Trata o presente processo de lançamentos relativos ao imposto de renda e contribuição social sobre o lucro liquido decorrentes da dedução das despesas de assistência técnica pagas a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior em patamar superior ao legalmente permitido (5% da receita liquida). Os montantes constituídos insertos nos presentes autos são os seguintes: IRPJ R$ 490.056,96 JUROS DE MORA R$ 247.625,78 MULTA PROPORCIONAL R$ 367.542,71 TOTAL IRPJ R$ 1.105.225,45 CSLL R$ 183.046,35 JUROS DE MORA R$ 92.493,32 MULTA PROPORCIONAL R$ 137.284,76 TOTAL CSLL R$ 412.824,43 As despesas de assistência técnica em foco foram apuradas nas seguintes contas contábeis: * Conta contábil no. 6515 — Serviços Prestados por Pessoa Jurídica do Exterior; * Conta contábil n°. 6457 001 — Despesas Judiciais. Os dispêndios registrados nas contas contábeis descritas acima totalizaram,no anocalendário de 2003, o importe de R$ 3.214.464,76 (três milhões, duzentos e quatorze mil, quatrocentos e sessenta e quatro Reais e setenta e seis centavos). A receita liquida atividades do contribuinte, regularmente declarada na Linha 17 da Ficha 06A da DIPJ 2004, remontou a R$ 23.612.327,29 (vinte e três milhões, seiscentos e doze mil, trezentos e vinte e sete reais e vinte e nove centavos). Logo, o limite para dedução das despesas com assistência técnica remontaria a R$ 1.180.616,36 (um milhão, cento e oitenta mil, seiscentos e dezesseis reais e trinta e seis centavos), que corresponde a 5% da receita liquida. As seguintes providências foram tomadas pela autoridade fiscal no curso da fiscalização: • Foi glosado o excesso das despesas registradas a titulo de assistência técnica, pagas ao exterior (R$ 2.033.848,40 — dois milhões, trinta e três mil, oitocentos e quarenta e oito Reais e quarenta centavos). Fl. 1866DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 19515.001628/200735 Acórdão n.º 1401000.948 S1C4T1 Fl. 3 3 • Em decorrência de todo o acima exposto, foram lavrados, em 26/06/2007, os seguintes autos de infração: • Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, com fundamento nos arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 354 e 355, todos do RIR/99; • Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, com fundamento no art. 2° e §§ da Lei n°. 7.689/88; art. 1° da Lei n°. 9.316/96 e art. 28 da Lei n°. 9.430/96; art. 37 da Lei n°. 10.637/2002. IMPUGNAÇÃO Inconformado com as autuações, da qual tomou ciência em 26/06/2007 (fls. 315 e 320), o contribuinte apresentou impugnações em 26/07/2007, com as seguintes alegações, em síntese: • Consoante se verificaria no item 36 da Ficha 04A, da DIPJ 2004, a Impugnante teria declarado como custo a titulo de despesas de assistência técnica proveniente do exterior o montante de R$ 3.060.635,25, e não os R$ 3.214.464,76 apontados na autuação. • Com efeito, de acordo com os dados extraídos da contabilidade da Impugnante (doc. 5), excetuados o IRRF e a CIDE incidente sobre os pagamentos de assistência técnica ao exterior, restaria comprovado que os valores os quais compõe a despesa de fato incorrida com assistência técnica proveniente do exterior remontando a R$ 2.764.129,42 (dois milhões, setecentos e sessenta e quatro mil, cento e vinte e nove Reais e quarenta e dois centavos). • O contribuinte ressalta que a diferença entre o que de fato foi por ele apurado e o quanto foi apontado pela fiscalização, que perfaz o montante de R$ 450.335,24 (R$ 2.764.129,42 + 450.335,34 = R$ 3.214.464,76), relacionase a valores remetidos ao exterior pela Impugnante referentes às despesas com pagamento por arbitragem à Câmara Internacional de Comércio em Paris. Tais dispêndios decorreram de desavença pactual relativa aos termos do acordo de subcontratação firmado entre a Defendente e a Enelpower do Brasil Ltda. Ressaltase que tais dispêndios não se referem à assistência técnica, foram declarados na DIPJ na Linha 37 da Ficha 04A (integrando as despesas operacionais), e são necessários, usuais e normais à atividade da empresa. • Destarte, o valor supostamente excedido para fins de aplicação do limite percentual de 5% sobre os pagamentos a titulo de serviços de assistência técnica provenientes do exterior não resultaria mais no montante de R$ 2.033.848,40, mas sim no valor de R$ 1.583.513,06. • Entretanto, alega o contribuinte que o limite de dedutibilidade das despesas de assistência técnica em testilha foi minorado, Fl. 1867DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 4 pois teria havido insuficiência na receita declarada na DIPJ 2004. • De fato, o Defendente seria participe do consórcio de empresas designado Consórcio CiglaSade, fazendo jus a 50% das receitas e despesas relativas ao mesmo. Contudo, ao revés de constar da contabilidade da Impugnante todas as receitas e despesas incorridas em virtude da atividade consorciada em testilha, verificarseia que, em relação à contabilização dos valores relativos ao Consórcio CiglaSade, teria constado somente o resultado (prejuízo de R$ 3.155.688,90) apurado no ano calendário de 2003 (doc. 12), que corresponderia à participação que competiria à empresa em foco (doc. 11). • Mister esclarecer que, na conta contábil n°. 9211.001 — Lucro e/ou Prejuízo na Participação (Consórcio CiglaSade), há dois lançamentos que se referem ao resultado proveniente de outro consórcio de que participava a Impugnante à época dos fatos (Consórcio Construtor Paracambi — 46,5% de participação, resultando na contabilização do lucro de R$ 269.171,20). • Da mesma forma, quando da entrega da DIPJ 2004, o montante do prejuízo de R$ 3.155.688,90, bem como o lucro de 269.171,70, teriam sido incluídos na Linha 30 da Ficha 05A, o qual totalizou R$ 3.953.324,47, compondose da forma exposta no quadro aposto ás fls. 15 da peça defensiva (fls. 342). • Ressalta o Defendente que tanto as receitas quanto os custos e despesas dos Consórcios CiglaSade e Construtor Paracambi deveriam constar em sua escrituração contábil, conforme orienta a própria Receita Federal (Soluções de Consulta n°. 60/2005 Região Fiscal e 70/2005 — 8a Regido Fiscal). • Portanto, de acordo com a DRE do Consórcio CiglaSade, extraise a receita operacional liquida do anocalendário de 2003 no valor de R$ 59.532.914,08, da qual a participação da Impugnante (50% ) acarretaria no reconhecimento da receita operacional de R$ 29.766.299,49. • Já no caso do Consórcio Construtor Paracambi, a receita operacional liquida do anocalendário de 2003 correspondeu a R$ 813.547,31, da qual, conforma participação da Defendente (46,5%), sacase o valor de R$ 378.299,49. • Destarte, restaria evidenciado que, em que pese o valor declarado na Linha 17 da Ficha 06A, da DIPJ 2004, remontar a apenas R$ 23.612.327,29, a este deverão ser acrescidas as importâncias relativas à receita liquida decorrente dos Consórcios CiglaSade eConstrutor Paracambi, proporcionais à participação de 50% e 46,5%, respectivamente, da Impugnante. Assim, a efetiva receita liquida da Defendente no anocalendário de 2003 restaria demonstrada no quadro abaixo: Item 17 da Ficha 06A da DIPJ 2004 R$ 23.612.327,29 Receita Operacional Liquida (DRE — Consórcio CiglaSade) R$ 29.766.457,04 Fl. 1868DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 19515.001628/200735 Acórdão n.º 1401000.948 S1C4T1 Fl. 4 5 Receita Operacional Liquida (DRE — Consórcio Paracambi) R$ 378.299,50 Receita Liquida Total R$ 53.757.083,83 • Assim, o limite de dedutibilidade dos valores pagos em face de assistência técnica prestada por empresa sediada no exterior corresponderia a R$ 2.687.854,19. Logo, o excesso de dedução destes dispêndios seria de apenas R$ 76.275,23 (valores pagos a titulo de assistência técnica — exterior : R$ 2.764.129,42). • O contribuinte aduz que concorda com o excesso de dedução mencionado no parágrafo anterior, e alega que teria efetuado o recolhimento no prazo legal de impugnação (doc. 16). • Por fim, alega o Defendente que não há limite de dedutibilidade dos valores pagos a titulo de assistência técnica ao exterior para fins de apuração da base de cálculo da CSLL. Os pedidos deduzidos em caráter principal são: (i) improcedência da autuação em relação à CSLL, visto que inexistiria amparo para a aplicação do disposto no art. 355 do RIR para a apuração da base de cálculo da CSLL; (ii) improcedência da autuação em relação ao IRPJ e à CSLL, visto que teria existido erro de fato na receita liquida declarada na DIPJ 2004. Em caráter subsidiário, requerse a exclusão do valor de R$ 450.335,34 da base de cálculo do crédito tributário apurado, vez que tal importância não se refere a pagamentos relativos à assistência técnica do exterior. NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA À FISCALIZAÇÃO Inicialmente, verificase que a fiscalização utilizou, para o cálculo do limite de dedutibilidade das despesas relativas à assistência prestada por empresa estrangeira, a receita liquida inserta na Linha 17, da Ficha 06A, da DIPJ 2004 (R$ 23.612.327,29 — fls. 35). O contribuinte aduz que teria participado de dois consórcios (CiglaSade e Construtor Paracambi) no anocalendário de 2003, sendo que a receita de ambos não teria sido refletida em sua escrituração contábil, e sequer na DIPJ 2004. Alega o Defendente, neste ponto, que apenas o resultado de ambos foi registrada contabilmente e oferecida à tributação . Em relação ao Consórcio CiglaSade, o contribuinte apresentou os seguintes documentos: • Contrato de constituição de consórcio, celebrado entre a Impugnante e a CIGLA Construtora Impregilo e Associados S/A (fls. 718/730); • Balanço patrimonial apurado em 31/12/2003 e DRE do ano calendário de 2003, ambos do Consórcio CiglaSade (fls. 732); • Balancete analítico do mês de dezembro de 2003 do Consórcio CiglaSade (fls. 733/740); Fl. 1869DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 6 • Razão contábil (conta n°. 41101.00001 — Receitas de trabalhos Executados) do Consórcio CiglaSade do ano calendário de 2003 (fls. 741/744); • Razão contábil (conta n°. 41101.00011 — Receita Estimada Medições) do Consórcio CiglaSade do anocalendário de 2003 (fls. 745/748); • Termos de Abertura e Encerramento dos Diários n°. 6 a 9 (fls. 749/756); • Documentos referentes à apuração da base de cálculo da COFINS (fls. 919/936) e do PIS (fls. 937/950), acompanhados das respectivas DCTF e recolhimentos, todos referentes ao ano calendário de 2003 do Consórcio CiglaSade. Ao analisar os documentos mencionados acima, apurouse que contribuinte demonstra, em principio, que a receita bruta do referido consórcio, no anocalendário de 2003, foi de R$ 63.945.127,91 (fls. 732 e 740), remontando a respectiva receita liquida a RS 59.532.914,08 (fls. 732). Em decorrência de o Impugnante demonstrar que possuía participação de 50% no Consórcio CiglaSade (fls. 720), entendese que o mesmo deveria registrar contabilmente metade das receitas auferidas pelo referido consórcio no anocalendário de 2003 (R$ 31.972.563,95), no esteio da interpretação atribuida pela Receita Federal A modalidade de contabilização do reconhecimento das receitas das empresas consorciadas (Solução de Divergência COSIT n°. 06/2003; art. 3°, caput, da IN RFB n°. 834/2008). Ao verificar a receita de prestação de serviços inserta na DIPJ 2004, apurouse que o contribuinte provavelmente não declarou a integralidade das receitas que lhe cabiam no Consórcio Cigla Sade, pois o montante inserto na Linha 08 da Ficha 06A (R$ 25.463.756,05 — fls. 35) é inferior à parte que cabia à Defendente das receitas do referido consórcio (R$ 31.972.563,95). Destarte, há indícios de que a receita liquida inserta na Linha 17 da Ficha 06A da DIPJ 2004 realmente foi indevidamente declarada em patamar inferior ao real, o que teria levado à incorreção no cálculo do limite de dedução dos valores pagos a empresas sediadas no exterior a titulo de assistência técnica. Frisese que o resultado apurado no anocalendário de 2003 para o Consórcio CiglaSade (prejuízo de R$ 6.311.377,78) teria sido declarado, de forma englobada e na quotaparte que cabia Impugnante, na Linha 30 da Ficha 05A da DIPJ 2004. Entretanto, em decorrência do contribuinte não ter acostado aos autos os lançamentos contábeis relativos às receitas de prestação de serviços declaradas na DIPJ 2004, o que permitiria aferir, com a devida certeza, se foi computada alguma receita relativa ao Consórcio CiglaSade em sua escrituração contábil e na DIPJ 2004, bem como se o resultado do referido empreendimento foi regularmente oferecido à tributação, entendese imperioso o envio dos autos à fiscalização para o deslinde de tais dúvidas. Fl. 1870DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 19515.001628/200735 Acórdão n.º 1401000.948 S1C4T1 Fl. 5 7 No tocante ao Consórcio Construtor Paracambi, o Defendente apresentou os seguintes documentos • Contrato de constituição de consórcio, celebrado entre a Impugnante, a empresa Brasileira de Engenharia S/A e a Enerconsult S/A (fls. 760/767); • Termo de Abertura e Encerramento do Diário n°. 2 (fls. 770/771); • Balanço patrimonial apurado em 30/06/2003 e DRE do interregno de 01/01/2003 a 30/06/2003 do Consórcio Construtor Paracambi (fls. 772); • Balancete de verificação do mês de junho de 2003 do Consórcio Construtor Paracambi (fls. 773/775); • Razão analítico do Consórcio Construtor Paracambi do período de janeiro a junho de 2003 (fls. 776/808); • Documentos referentes à apuração da base de cálculo da COFINS (fls. 956/959) e do PIS (fls. 952/955), ambos referentes aos meses de fevereiro, abril e maio de 2003 do Consórcio Construtor Paracambi. A documentação apresentada pelo contribuinte em relação ao Consórcio Construtor Paracambi não abrange todo o ano calendário de 2003, sendo que o Impugnante não apresenta qualquer justificativa para tal fato. Logo, faltaria evidência nos autos de qual seria a receita deste consórcio que deveria ser registrada contabilmente pela Impugnante durante todo o ano calendário de 2003. Contudo, como já é imprescindível o envio dos autos à fiscalização, e em decorrência de ser plausível a alegação de que a sistemática de contabilização das receitas, custos e despesas do Consórcio CIGLASADE também teria sido adotada para o Consórcio Construtor Paracambi (registro contábil apenas da quotaparte do lucro/prejuízo do consórcio, sem o registro proporcional das receitas, custos e despesas), entende se que é pertinente que a fiscalização explicite qual é a receita do Consórcio Construtor Paracambi que foi / deveria ser registrada pela Defendente no anocalendário de 2003. No tocante aos valores registrados na conta contábil n°. 6457 001 — Despesas Judiciais, a fiscalização incluiu tais importâncias no cálculo do limite de dedutibilidade das despesas pagas a titulo de royalties pela exploração de patentes de invenção ou uso de marcas de indústria ou de comércio, e por assistência técnica, cientifica, administrativa ou semelhante (art. 355 do RIR199). O contribuinte aduz que os dispêndios em foco não possuem qualquer relação com as despesas previstas no art. 355 do RIR/99, vez que os lançamentos registrados na conta contábil n°. 6457 001 — Despesas Judiciais referirseiam unicamente aos Fl. 1871DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 8 valores pagos à Camara Internacional de Comércio em Paris, conforme comprovariam os documentos acostados à impugnação (fls. 475/541). Tais dispêndios teriam decorrido de desavença pactua relativa aos termos do acordo de subcontratação firmado entre a Defendente e a Enelpower do Brasil Ltda., restando tais valores declarados na DIPJ na Linha 37 da Ficha 04A (integrando as despesas operacionais). Destarte, entendese que é necessário que a fiscalização explicite qual a real natureza jurídica dos valores registrados na conta contábil n°. 6457 001 — Despesas Judiciais, atentandose para os elementos de prova acostados à defesa (fls. 475/541). Do exposto, tornouse necessário o encaminhamento dos autos à DEFISMIPAC/SAPAF, a fim de que seja empreendida a competente diligência fiscal, possibilitando a implementação das seguintes providências: • Explicitar qual a receita do Consórcio CiglaSade que competia à Impugnante no anocalendário de 2003; • Indicar qual a receita do Consórcio Construtor Paracambi que cabia à Defendente no anocalendário de 2003; • Evidenciar se o resultado advindo de ambos consórcios foi oferecido à tributação pela Impugnante na DIPJ 2004; • Apurar e demonstrar qual a receita liquida total auferida pela Impugnante, no anocalendário de 2003, que deve servir de base para o cálculo do limite de dedução das despesas pagas a titulo de assistência técnica (considerando a quotaparte das receitas do Consórcio CiglaSade e do Consórcio Construtor Paracambi, se cabível); • Explicitar qual a real natureza jurídica dos valores registrados na conta contábil n°. 6457 001 — Despesas Judiciais, atentando se para os elementos de prova acostados à defesa (fls. 475/541) e indicando se tais dispêndios se sujeitam ao limite de dedutibilidade previsto no art. 355 do RIR/99. Em resposta à Diligencia requerida por esta Delegacia de Julgamento, a Fiscalização elaborou relatório conclusivo de fls.1.703/1.705, o qual concluiu o seguinte: • Para o anocalendário de 2003, a receita liquida da atividade informada no item 17 da Ficha 06 da DIPJ remontou a R$ 23.612.327,29; • Em relação ao consórcio CiglaSade, o resultado liquido foi um prejuízo de R$ 3.155.688,88, apesar de ter auferido receita de R$ 65.126.872,77 (participação de 50% no acordo); • Em relação ao consórcio Construtor Paracambi, o resultado líquido totalizou R$ 269.171,20 (receita de R$ 813.547,31 e resultado liquido de 578.862,80), pois sua participação era de 46,5% no acordo; • Quanto à natureza jurídica dos valores da conta 6457/0001 Despesas Judiciais, diz respeito a pagamentos feitos em decorrência de litígio contratual mediado pela Camara Arbitral Fl. 1872DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 19515.001628/200735 Acórdão n.º 1401000.948 S1C4T1 Fl. 6 9 de Paris, o qual se fez necessária a assistência técnica de terceiros domiciliados no exterior para dirimir dúvidas contratuais, provenientes de prestação de serviços no Pais. Portanto, conforme o relatório fiscal, os referidos dispêndios são gastos de assistência técnica. Em resposta ao relatório final da diligência de fls.1700/1701, a contribuinte apresentou resposta de f1.1.702 esclarecendo alguns pontos objeto do litígio. A 2ª Turma da DRJ/SP1, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, por meio do Acórdão nº 1630.069, que recebeu a seguinte ementa (fls. 1724): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DESPESAS. ASSISTÊNCIA TÉCNICA. LIMITE LEGAL A glosa de custos/despesas, referente à dedução das despesas de assistência técnica pagas a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, é devida quando ultrapassar o limite estabelecido em lei, o qual, no presente caso, é limitada a 5% da receita liquida do período. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, por ter suporte fático comum. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada do referido Acórdão em 20/11/2011 (fls. 1743), a contribuinte apresentou em 28/11/2011 os recursos voluntários de fls. 17521775 e 18031833, basicamente repetindo os argumentos apresentados na fase impugnatória. No tocante ao cálculo do limite para cômputo da dedutibilidade das despesas com assistência técnica proveniente do exterior, a recorrente sustentou que devem ser levados em conta as receitas líquidas proporcionais dos consórcios CiglaSade e Paracambi, e não os seus resultados líquidos proporcionais. Com fundamento no item 4 do PN CST nº 5/76, Solução de Consulta nº 175/02 da SRRF – 6ª Região e IN 834/2008, a recorrente sustentou que casa uma das empresas participantes do consórcio deve apropriar individualmente suas receitas e despesas, proporcionalmene à sua participação percentual no rateio do empreendimento. Neste sentido, fez referência a outras decisões proferidas em processos de solução de consulta (v. fls. 1766 1768). Questionou o entendimento da decisão de piso, afirmando que as despesas decorrentes da solução do litígio por meio da Câmara Arbitral de Paris não deve ser computada Fl. 1873DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 10 como despesa com assistência técnica. Sustentou que a despesa incorrida com a arbitragem internacional, além de estar expressamente prevista em contrato, referiase à atividade operacional da recorrente, não se tratando de serviço ou atividade que implicasse na transferência, direta ou indireta, de tecnologia para a contribuinte. Neste sentido, fez referência a julgados do extinto 1º Conselho de Contribuintes, fls. 1773. Afirmou, outrossim, que dentre os valores lançados na conta 6457.0001 – Despesas Judiciais, encontrase o valor de R$ 1.181,18, o qual se refere a IRRF recolhido a maior, e que foi lançado equivocadamene naquela conta. Afirmou, outrossim, que a decisão de piso abstevese de apreciar esta alegação. Nestes termos, requereu que seja dado integral provimeno ao presente recurso voluntário. É o relatório. Fl. 1874DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 19515.001628/200735 Acórdão n.º 1401000.948 S1C4T1 Fl. 7 11 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Cômputo da receita líquida da contribuinte Analisandose os elementos constantes dos autos, constato que assiste razão à recorrente no que tange à apuração da sua receita líquida total, que constitui a base de cálculo para a determinação do limite das despesas dedutíveis a título de assistência técnica proveniente do exterior. Modesto Carvalhosa assim leciona sobre a natureza jurídica dos consórcios (in Comentários à Lei das Sociedades Anônimas, 4º Vol. 2ª edição rev., atual. e ampl. Saraiva, São Paulo, 2003, p.386.) Constitui o consórcio uma comunhão de interesses e de atividades que atende a específicos objetivos empresariais, que se originam nas sociedades consorciadas e delas se destacam. Estas procuram um fim comum específico, que é retirado dos fins gerais de cada uma delas. O consórcio formase para agregar meios para a consecução de um fim próprio (consórcio operacional) ou para habilitar as consorciadas com a soma de seus recursos e aptidões a contratarem com terceiros serviços e obras (consórcio instrumental). O consórcio decorre de um contrato plurilateral firmado entre duas ou mais sociedades com atividades afins e complementares, visando a agregar meios capazes de leválas a desenvolver atividades, pesquisas (consórcio operacional), ou capacitálas a contratar com terceiros a execução de determinados serviços, obras, ou concessões (consórcio instrumental). Tratase de uma comunhão de interesses, de objetivos e de atividades que não poderiam ser alcançados na esfera individual de cada empresa, e que, por isso, demanda a agregação de recursos e de aptidões para conseguir um determinado objetivo, de natureza operacional ou instrumental. Será operacional o objetivo quando a congregação visar ao exercício de específica atividade empresarial, que será desenvolvida no âmbito das sociedades consorciadas. Será instrumental quando o objetivo do consórcio for o de contratar, com terceiros, obras, serviços e concessões. De fato, nos termos do art. 278 do Lei nº 6.404/76, é forçoso admitir que os consórcios são entes despersonalizados, verbis: Art. 278. As companhias e quaisquer outras sociedades, sob o mesmo controle ou não, podem constituir consórcio para executar determinado empreendimento, observado o disposto neste Capítulo. Fl. 1875DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 12 § 1º O consórcio não tem personalidade jurídica e as consorciadas somente se obrigam nas condições previstas no respectivo contrato, respondendo cada uma por suas obrigações, sem presunção de solidariedade. Como se vê, o consórcio de sociedade não tem contrato social, de acordo com o Novo Código Civil seu tratamento é de sociedade não personificada (sociedade não personificada é aquela constituída sem as formalidades legais, ou seja, é a sociedade de fato e não sociedade de direito, aquela não submetida a registro no órgão competente, por estar desobrigada ou pendente dessa condição). O consórcio não tem personalidade jurídica própria, mantendose a autonomia jurídicatributária de cada uma das consorciadas. Em outras palavras, cabe dizer que as consorciadas obrigamse somente às condições previstas no contrato, respondendo cada uma por suas obrigações. Do que foi até aqui exposto, concluise que a distinção essencial entre as figuras do contrato de consórcio e do contrato de sociedade comercial reside em que a causa típica desse último é o exercício em comum das atividades dos sócios (objeto) com o escopo de repartição de lucros (fim), enquanto a causa típica do primeiro é a coordenação do exercício individual da mesma ou de diversas atividades (objeto), com vistas à execução de um empreendimento comum, próprio ou alheio (fim). Sendo o exercício da atividade dos consorciados individual (embora com coordenação), as receitas e os resultados desta são atribuíveis também individualizadamente a cada um. Assim, diante da inexistência de personalidade jurídica dos consórcios, revelase necessário o cômputo e tributação proporcional das receitas e despesas do consórcio nas correspondentes pessoas jurídicas consorciadas. Sobre o tema, já dispunha o ADN nº 21, de 8 de dezembro de 1984, verbis: (...) os rendimentos decorrentes das atividades (principais e acessórias) desses consórcios devem ser computados nos resultados das empresas consorciadas, proporcionalmente à participação de cada uma no empreendimento. Na verdade, o princípio da tributação autônoma dos consorciados, já se encontrava assentada no item 4 do Parecer Normativo COORDENADOR DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO CST nº. 05 de 28.01.76, publicado no D.O.U. de 19.02.76, verbis: 4. Deste modo, considerada a forma complexiva de apuração do lucro tributável, deve cada uma das pessoas jurídicas, apropriando individualmente suas receitas e despesas, apresentar sua declaração de rendimentos como contribuinte do imposto de renda, definido no art. 95 do Regulamento aprovado pelo Decreto nº 76.186/75. Assim, percebese que os resultados (receitas e despesas) devem ser distribuídos proporcionalmente à participação das consorciadas no empreendimento, de modo que exista a apuração do lucro real e da contribuição social individualmente em cada uma dessas consorciadas. Considerando que o presente processo referese ao anocalendário de 2003, revelase despiciendo analisar, no presente concreto, as alterações no tratamento tributário dos consórcios introduzidas pela MP nº 510/10, posteriormente convertida na Lei nº 12.402/11. Fl. 1876DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 19515.001628/200735 Acórdão n.º 1401000.948 S1C4T1 Fl. 8 13 Este entendimento, vigente à época dos fatos, foi repetidas vezes reafirmado pela Receita Federal, conforme se verifica pela análise de sucessivos processos de consulta, referidos pela recorrente às fls. 17671768. Dentre tais decisões, destaco aquela proferida na Solução de Consulta nº 39, de 25/03)2002, da Divisão de Tributação da 9ª Região Fiscal (DOU de 21/05/2002): (...) as empresas consorciadas são contribuintes da COFINS incidente sobre as receitas decorrentes da atividade desenvolvida pelo consórcio, proporcionalmente à sua participação no empreendimento. Assim sendo, é forçoso reconhecer que, no caso concreto, para apuração da receita líquida total da contribuinte no anocalendário de 2003, devem ser somados os seguintes itens: a) receita líquida da própria contribuinte, informada no item 17, da Ficha 06A, da DIPJ2004, no montante de R$ 23.612.327,29; b) receita operacional líquida proporcional, proveniente do Consórcio CiglaSade, no montante de R$ 29.766.457,04; c) receita operacional líquida proporcional, proveniente do Consórcio Paracambi, no montante de R$ 378.299,49. Com base nestes valores, temse que a receita líquida total da contribuinte, no anocalendário de 2003, alcançou o montante de R$ 53.757.083,83, razão pela qual o limite de dedutibilidade dos valores pagos em face de assistência técnica prestada por empresa sediada no exterior corresponderia a R$ 2.687.854,19. Resta, agora, analisar qual o valor efetivo das despesas de assistência técnica incorridas pela contribuinte no aludido anocalendário de 2003. No entender das autoridades autuantes, as despesas em apreço atingiram o montante de R$ 3.214.464,76, correspondente à soma dos contas contábeis no. 6515 (Serviços Prestados por Pessoa Jurídica do Exterior) e 6457 001 (Despesas Judiciais). A recorrente se insurgiu contra a inclusão das despesas decorrentes da arbitragem internacional como despesas de assistência técnica e também alegou erro na contabilização do valor de R$ 1.181,18, referente a IRRF recolhido a maior, e que teria sido lançado equivocadamente na conta de assistência técnica originária do exterior. Não assiste razão à recorrente. No tocante à arbitragem internacional, após a realização de diligência, resultou esclarecido que os valores contabilizados na conta 6457/0001 Despesas Judiciais referemse a pagamentos feitos em decorrência de litígio contratual mediado pela Câmara Arbitral de Paris. Segundo as autoridades diligenciantes, tornouse necessária a assistência técnica de terceiros domiciliados no exterior para dirimir dúvidas contratuais, provenientes de prestação de serviços no país. Assim, conforme o relatório fiscal, tais dispêndios também devem ser considerado como gastos de assistência técnica. Fl. 1877DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 14 Por fim, convém frisar que não restou comprovado o alegado erro na contabilização do valor de R$ 1.181,18, referente a IRRF recolhido a maior, o qual teria sido lançado equivocadamente na conta de assistência técnica originária do exterior. Em relação a este tema, a recorrente limitouse ao campo das meras alegações. Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando que na apuração da receita líquida total da contribuinte (para fins de apuração do limite de dedutibilidade das despesas de assistência técnica pagas a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, referente ao anocalendário de 2003), sejam considerados, além da receita líquida da própria contribuinte; as receitas operacionais líquidas proporcionais provenientes dos Consórcios CiglaSade e Paracambi. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 1878DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS
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Numero do processo: 11516.002299/2007-28
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
Ementa:
ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. GANHO DE CAPITAL. DECADÊNCIA.
O ganho de capital na alienação de imóveis está sujeito ao pagamento do imposto de renda de forma definitiva e exclusiva, traduzindo modalidade de tributo sujeito ao regime do lançamento por homologação, sendo sua apuração realizada, pelo contribuinte, na ocorrência da alienação (fato gerador instantâneo) e o recolhimento do imposto no mês subsequente.
Inexistindo o recolhimento até a data do vencimento, o prazo para constituição do crédito tributário é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de perícia quando os fatos relatados e as provas constantes dos autos são suficientes para o deslinde da matéria.
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO.
Descabe a dedução de despesas médicas realizadas com pessoas que apresentaram declaração em separado e que não foram relacionadas como dependentes da declaração de ajuste anual do contribuinte.
PERCENTUAL DE REDUÇÃO SOBRE O GANHO DE CAPITAL APURADO
Mantem-se a exigência quando o contribuinte, em fase recursal, não instrui os autos com elementos suficientes para ilidirem o feito.
JUROS DE MORA. SELIC.
De acordo com a Súmula CARF nº4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 2802-002.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM: 26/11/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Ricardo Anderle. Ausentes Justificadamente: German Alejandro San Martin Fernandez e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 Ementa: ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. GANHO DE CAPITAL. DECADÊNCIA. O ganho de capital na alienação de imóveis está sujeito ao pagamento do imposto de renda de forma definitiva e exclusiva, traduzindo modalidade de tributo sujeito ao regime do lançamento por homologação, sendo sua apuração realizada, pelo contribuinte, na ocorrência da alienação (fato gerador instantâneo) e o recolhimento do imposto no mês subsequente. Inexistindo o recolhimento até a data do vencimento, o prazo para constituição do crédito tributário é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de perícia quando os fatos relatados e as provas constantes dos autos são suficientes para o deslinde da matéria. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. Descabe a dedução de despesas médicas realizadas com pessoas que apresentaram declaração em separado e que não foram relacionadas como dependentes da declaração de ajuste anual do contribuinte. PERCENTUAL DE REDUÇÃO SOBRE O GANHO DE CAPITAL APURADO Mantem-se a exigência quando o contribuinte, em fase recursal, não instrui os autos com elementos suficientes para ilidirem o feito. JUROS DE MORA. SELIC. De acordo com a Súmula CARF nº4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Negado.
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GANHO DE CAPITAL. DECADÊNCIA. O ganho de capital na alienação de imóveis está sujeito ao pagamento do imposto de renda de forma definitiva e exclusiva, traduzindo modalidade de tributo sujeito ao regime do lançamento por homologação, sendo sua apuração realizada, pelo contribuinte, na ocorrência da alienação (fato gerador instantâneo) e o recolhimento do imposto no mês subsequente. Inexistindo o recolhimento até a data do vencimento, o prazo para constituição do crédito tributário é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia quando os fatos relatados e as provas constantes dos autos são suficientes para o deslinde da matéria. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. Descabe a dedução de despesas médicas realizadas com pessoas que apresentaram declaração em separado e que não foram relacionadas como dependentes da declaração de ajuste anual do contribuinte. PERCENTUAL DE REDUÇÃO SOBRE O GANHO DE CAPITAL APURADO Mantemse a exigência quando o contribuinte, em fase recursal, não instrui os autos com elementos suficientes para ilidirem o feito. JUROS DE MORA. SELIC. De acordo com a Súmula CARF nº4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 22 99 /2 00 7- 28 Fl. 307DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso –Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM: 26/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Ricardo Anderle. Ausentes Justificadamente: German Alejandro San Martin Fernandez e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido na Primeira instância administrativa, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis (SC), que considerou improcedente, a impugnação apresentada, contra omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos e glosa de dedução indevida com despesas médicas. A Sexta Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis (SC), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão n. 0722.223, de 19 de novembro de 2010, que se encontra às fls. 275/282, sob os fundamentos de que: a) não há que se falar em decadência, já que o prazo para a Fazenda realizar o lançamento em questão iniciase em 01 de janeiro de 2003, com término em 31 de dezembro de 2007, posterior, portanto, à ciência do Auto de Infração que ocorreu em 05 de julho de 2007; b) não há como modificar o lançamento para considerar o percentual de redução de 100% como pretendido pelo impugnante, por ausência de qualquer outra prova material que ateste que o terreno foi adquirido anteriormente a 1969; c) o autuado não marcou o campo apropriado para declaração em conjunto, não informou o CPF de seu cônjuge, tampouco a declarou como dependente; d) a esposa do impugnante apresentou declaração de ajuste anual simplificada, para o anocalendário de 2002, razão pela qual não é possível o acatamento da dedução de despesas médicas, cujo beneficiário foi a sua esposa, como dedutível da sua base de cálculo, pois com relação a despesas médicas, a Lei n. 9.250/95, no seu art. 8°, inciso II, alínea a e § 2°, inciso II, indica de forma clara que a dedução deve se restringir aos pagamento efetuados pelo contribuinte relativos a seu próprio tratamento e de seus dependentes. A ciência de tal julgado se deu por via postal em 11/02/2011, consoante o AR de fl. 78. À vista da decisão, foi protocolizado recurso voluntário dirigido a este colegiado, fls. 286/302, no qual o recorrente, com vistas a obter a reforma do julgado, alega Fl. 308DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.002299/200728 Acórdão n.º 2802002.593 S2TE02 Fl. 597 3 que: a) deve ser declarada a decadência do crédito tributário em questão; b) apesar de existir escritura pública de compra e venda datada em 20/07/1972, a posse do imóvel foi adquirida em 1957, motivo pelo qual deve ser aplicado o fator de redução de 100%; c) é necessário a realização de diligência para determinar a oitiva do Sr. Antônio Marçal, antigo possuidor e alienante do terreno, que declarou às fls. 97 que a posse do imóvel foi adquirida em momento anterior à lavratura da escritura pública de 1972, bem como do Sr. Menésio da Lula, o qual foi contratado para fazer a limpeza do terreno à época; d) a mera falta de indicação no campo de dependente na declaração do exercício de 2003 não possui o condão afastar a despesa de serviço médico prestado a sua esposa; e) a declaração da sua esposa não traz rendimento algum, já que ela faz prova de que não possuía rendimentos próprios e que a despesa médica foi suportada pelo Contribuinte; f) o Superior Tribunal de Justiça decidiu pela ilegalidade da Taxa SELIC utilizada para corrigir débitos tributários. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido.ser conhecido. A primeira questão trazida pelo recorrente referese ao fato de o acórdão recorrido ter rejeitado preliminar decadência . Entende o recorrente que com base nas informações trazidas no demonstrativo do ganho de capital de fl. 08, a Receita Federal teve o interstício de 01/07/2002 a 30/06/2007, para rever de ofício todos os elementos do lançamento do Contribuinte, nos termos do artigo 150, §4°, do CTN. Como a ciência do lançamento fiscal ocorreu em 05/07/2007 (AR de fl. 238), o crédito tributário ora debatido está extinto com base no artigo 156, inciso V, do CTN, devendo ser cancelado Embora não se referindo especificamente a ganho de capital na alienação de imóveis, o Superior Tribunal de Justiça – STJ decidiu, no Recurso Especial nº 973.733, julgado sob o rito do art. 543C do CPC (recurso repetitivo), que nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação: a) existindo pagamento do tributo por parte do contribuinte até a data do vencimento, o prazo para que o Fisco efetue lançamento de ofício, por entender insuficiente o recolhimento efetuado, é de cinco anos contados da data do fato gerador (CTN, artigo 150, § 4). b) inexistindo pagamento até a data do vencimento, aplicase a regra geral (CTN, artigo 173, I), ou seja, o prazo é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Eis a ementa do referido julgado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN.IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel.Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005) 2. .É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Fl. 310DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.002299/200728 Acórdão n.º 2802002.593 S2TE02 Fl. 598 5 Brasileiro", 10ª ed.,Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed.,Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). ( ...) 7 Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.(destaques do original) Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Desta forma, este CARF forçosamente deve abraçar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, §4º, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Neste processo, não há que se falar em ocorrência de pagamento antecipado, pois a tributação do ganho de capital se dá em separado, não integrando o ajuste anual, sendo que os pagamentos que podem ser computados no ajuste não se aproveitam para trazer a regra de decadência para o art. 150, §4º, do CTN. Assim, para os ganhos de capital omitidos, aplicase a regra do art. 173, inciso I, do CTN, iniciandose a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Desta forma, como o fato gerador do ganho de capital apurado nos presentes autos ocorreu em 20/06/2002, o prazo decadencial só começou a contar em 01/01/2003, sendo possível o lançamento até 31/12/2007. Tendo a ciência do lançamento ocorrido em 05/07/2007 (fl. 238), o crédito tributário não havia sido fulminado pela decadência, devendo ser rejeitada a preliminar de decadência suscitada pelo Recorrente Diligência/Perícia O contribuinte requer a realização de perícia/diligência, bem assim se insurge contra a decisão de primeira instância que a considerou prescindível. Porém, conforme se verificará na exposição mais adiante do mérito, assim como também ficou bastante claro em todo o contexto da decisão de primeira instância, os elementos indispensáveis à solução do litígio encontramse nos autos. Como se sabe, vigora no processo administrativo fiscal federal o princípio do livre convencimento motivado, cabendo ao julgador o deferimento das provas que entender necessárias ao regular deslinde da controvérsia. Neste sentido, aliás, é expressa a disposição contida no art. 29 do Decreto n.º 70.235/72, in verbis: “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” Fl. 311DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Assim, no que tange a elaboração de prova testemunhal, entendo que os documentos acostados aos autos são suficientes ao deslinde da matéria em questão. Ademais, o deferimento de diligência e perícia é uma decisão do âmbito de discricionariedade do julgador, cabendo a ele fazêla ou não a depender da formação de sua convicção (diligência) ou mesmo que se lhe exigirá conhecimentos técnicos específicos que somente um perito especializado poderia ter (perícia), o que não é o caso dos autos em que se requer apenas análise de documentos, perfeitamente dentro da alçada de competência do Auditor Fiscal. Portanto, indefiro o pedido de perícia/diligência. No tocante ao mérito, o litígio cingese: 1) ao percentual de redução aplicável sobre o ganho de capital apurado; 2).. Glosa de despesas médicas, que o próprio Recorrente reconhece que foram realizadas em benefício de sua esposa; 3). ilegalidade da Taxa SELIC utilizada para corrigir débitos tributários. 1) Percentual de redução aplicável sobre o ganho de capital apurado; O recorrente insiste na alegação de que adquiriu o terreno em 1957 e que, portanto, teria direito ao percentual de redução de 100% sobre o ganho de capital. Tanto a autoridade lançadora quanto a autoridade julgadora de primeira instância consideram o percentual de 85%, por entenderem que o imóvel alienado foi adquirido em 1972. Essa alegação não procede porque como bem fundamentado no acórdão de primeira instância o documento público constante nos autos – escritura pública – tem presunção de veracidade, desta forma meras alegações desacompanhadas de um suporte probatório não são capazes de desconstituir essa presunção. Assim, não há nos autos qualquer documento que permita modificar o resultado do acórdão vergastado 2) Glosa de despesas médicas, que o próprio Recorrente reconhece que foram realizadas em benefício de sua esposa. Observo, inicialmente, que o próprio recorrente reconhece as despesas realizadas em benefício de sua esposa MARIALVA TEREZINHA DOS SANTOS SADA. Ademais, consta no Auto de Infração e na Decisão recorrida que “a cônjuge MARIALVA TEREZINHA DOS SANTOS SADA. apresentou declaração em separado no respectivo ano calendário. Ou seja, para efeito do imposto de renda, a cônjuge não é dependente do contribuinte.” O contribuinte em questão não informou dependentes na DIRPF do exercício em questão”. Assim, a teor do que dispõe o inciso II do § 2º do art. 8º da Lei nº. 9.250/1995 (a dedução de despesas médicas restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes), não poderia o Recorrente ter deduzido despesas médicas relativas a tratamento de saúde de sua esposa. 3)Ilegalidade da Taxa SELIC A exigência dos juros calculados com base na Selic está estampada na Súmula CARF nº4: Fl. 312DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.002299/200728 Acórdão n.º 2802002.593 S2TE02 Fl. 599 7 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Não merece reparo o acórdão recorrido Ante o exposto voto por NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes LeiteRelatora Fl. 313DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10183.720465/2007-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - APP.
Não existindo ADA e nem laudo técnico hábil à comprovar a verdadeira Área de Preservação Permanente, contemporâneo aos fatos, não há como ser acolhida a pretensão da Recorrente.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXIGÊNCIA DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE.
É exigência legal, que a Área de Reserva Legal esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente, a fim de dar publicidade à área aproveitável do imóvel.
ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. EXIGÊNCIAS ESPECÍFICAS.
Faz-se necessário que a Área de Interesse Ecológico seja declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, que sejam: I - destinadas à proteção dos ecossistemas, que ampliem as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal; e II - comprovadamente imprestáveis para a atividade rural. Para efeito de exclusão do ITR, apenas será aceita como área de interesse ecológico a área declarada em caráter específico para determinada área da propriedade particular.
VALOR DA TERRA NUA - VTN.
Prevalece o valor apurado pelo Fisco, através do Sistema de Preços de Terras - SIPT, pois não foi contraditado através de laudo técnico, contemporâneo à época do fato gerador.
PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA - DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
O pedido de diligências e/ou perícias podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. Os documentos necessários para fazer prova em favor do contribuinte não são supridos mediante a realização de diligências/perícias, mormente quando o próprio contribuinte dispõe de meios próprios para providenciá-los.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2102-002.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS - Presidente.
(Assinado digitalmente)
ALICE GRECCHI - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos, Alice Grecchi, Nubia Matos Moura, Rubens Mauricio Carvalho, Atílio Pitarelli e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - APP. Não existindo ADA e nem laudo técnico hábil à comprovar a verdadeira Área de Preservação Permanente, contemporâneo aos fatos, não há como ser acolhida a pretensão da Recorrente. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXIGÊNCIA DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE. É exigência legal, que a Área de Reserva Legal esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente, a fim de dar publicidade à área aproveitável do imóvel. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. EXIGÊNCIAS ESPECÍFICAS. Faz-se necessário que a Área de Interesse Ecológico seja declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, que sejam: I - destinadas à proteção dos ecossistemas, que ampliem as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal; e II - comprovadamente imprestáveis para a atividade rural. Para efeito de exclusão do ITR, apenas será aceita como área de interesse ecológico a área declarada em caráter específico para determinada área da propriedade particular. VALOR DA TERRA NUA - VTN. Prevalece o valor apurado pelo Fisco, através do Sistema de Preços de Terras - SIPT, pois não foi contraditado através de laudo técnico, contemporâneo à época do fato gerador. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA - DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. O pedido de diligências e/ou perícias podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. Os documentos necessários para fazer prova em favor do contribuinte não são supridos mediante a realização de diligências/perícias, mormente quando o próprio contribuinte dispõe de meios próprios para providenciá-los. Recurso Negado
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Não existindo ADA e nem laudo técnico hábil à comprovar a verdadeira Área de Preservação Permanente, contemporâneo aos fatos, não há como ser acolhida a pretensão da Recorrente. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXIGÊNCIA DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE. É exigência legal, que a Área de Reserva Legal esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente, a fim de dar publicidade à área aproveitável do imóvel. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. EXIGÊNCIAS ESPECÍFICAS. Fazse necessário que a Área de Interesse Ecológico seja declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, que sejam: I destinadas à proteção dos ecossistemas, que ampliem as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal; e II comprovadamente imprestáveis para a atividade rural. Para efeito de exclusão do ITR, apenas será aceita como área de interesse ecológico a área declarada em caráter específico para determinada área da propriedade particular. VALOR DA TERRA NUA VTN. Prevalece o valor apurado pelo Fisco, através do Sistema de Preços de Terras SIPT, pois não foi contraditado através de laudo técnico, contemporâneo à época do fato gerador. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. O pedido de diligências e/ou perícias podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. Os documentos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 04 65 /2 00 7- 18 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 necessários para fazer prova em favor do contribuinte não são supridos mediante a realização de diligências/perícias, mormente quando o próprio contribuinte dispõe de meios próprios para providenciálos. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. (Assinado digitalmente) ALICE GRECCHI Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos, Alice Grecchi, Nubia Matos Moura, Rubens Mauricio Carvalho, Atílio Pitarelli e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Tratase de processo de Notificação de Lançamento (fl. 1/4), que exige a diferença de Imposto Territorial Rural – ITR, Exercício 2005, no valor de R$ 1.064.771,11, incluído juros de mora e multa de ofício, do imóvel rural inscrito na Receita Federal, sob o nº 3.206.8026, localizado no município de Barra do Garças, MT. O lançamento de ofício decorreu de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela Recorrente, tendo sido constatado pelo Fisco, a falta de recolhimento do ITR, que decorreu de glosa da área declarada como de preservação permanente e de reserva legal, por ausência de comprovação do cumprimento dos requisitos legais. Constou na descrição dos fatos e enquadramento legal (fl. 02), que houve alteração do valor da terra nua, em adequação aos valores constantes do SIPT, e em conseqüência, houve o aumento da base de cálculo da alíquota e do valor devido do tributo. A Recorrente foi cientificada da Notificação de Lançamento do ITR em 19/12/2007 (fl. 10). Inconformada, a interessada apresentou impugnação em 18/01/2008 (fls. 12/22) e juntou documentos (fls. 23/42). Em síntese, alegou que o imóvel possui 4.494 ha de preservação permanente e 1.464 ha de reserva legal, que são isentas de ITR. Aduziu que ha 3.030 ha de áreas de “pastoreio temporário”, que devem ser consideradas de interesse ecológico e que também devem ser excluídas da tributação. Segundo a Recorrente, toda área da propriedade é isenta de imposto. Sustentou que no caso de remanescer algum saldo de imposto a ser pago, deve ser recalculado, utilizandose a alíquota de 2.9%, constante da tabela III, anexa a Lei nº 8.847/94. Insurgiuse contra a incidência da SELIC, que afirma ser inconstitucional. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.720465/200718 Acórdão n.º 2102002.687 S2C1T2 Fl. 156 3 A Turma de primeira instância ao examinar a impugnação do contribuinte proferiu a seguinte decisão: [...]Em sede de preliminar, a impugnante invoca aspectos relativos à inconstitucionalidade de normas que fundamentam a autuação. Convém esclarecer que não cabe esta apreciação na esfera administrativa, pois, compete a esta Delegacia, como membro integrante do Poder Executivo, julgar, administrativamente, os processos de exigência de créditos tributários relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. A atividade de lançamento é plenamente vinculada (parágrafo único do artigo 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional — CTN). [...] Logo, em obediência ao principio da legalidade objetiva, estampado na Constituição Federal, durante todo o curso do processo fiscal, onde o lançamento está em discussão, os atos praticados pela administração obedecerão aos estritos ditames da lei, com o fito de assegurarlhe a adequada aplicação, sendolhe defeso apreciar argüições de aspectos da constitucionalidade do lançamento.[...] A questão suscitada no presente processo é meramente de direito, estando o lançamento devidamente amparado por Leis que disciplinam a matéria. Os fundamentos legais da autuação serão oportunamente enunciados, razão pela qual devem ser também afastadas as preliminares de ilegalidade constantes da impugnação. Por estes motivos, devem ser rejeitadas as preliminares arguidas. No mérito, o lançamento foi correta e legalmente efetuado, utilizandose os dados informados na DITR do respectivo Exercício. Com a entrada em vigor da Lei n.° 9.393, de 1996, o ITR passou a ser tributo lançado por homologação, no qual cabe ao sujeito passivo apurar o imposto e proceder ao seu pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, conforme disposto no artigo 150 da Lei n.° 5.172, de 25 de outubro 1966, o Código Tributário Nacional — CTN. O lançamento de ofício no caso de informações inexatas encontra amparo no art. 14, da Lei n° 9.393/1.996, abaixo transcrito, o qual também prevê a exigência da multa cabível no procedimento de ofício: [...] A multa aplicável, no caso, é a de 75%, conforme art. 44, I, da Lei n° 9.430/96, e os juros de mora em percentual equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, de acordo com o art. 61, § 30, da Lei n° 9.430/96. Relativamente aos juros, o § 1° do artigo 161 do Código Tributário Nacional diz que os juros são calculados à taxa de 1% ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. A exegese que se extrai do citado dispositivo é a de que o quantum previsto no CTN somente é aplicável de forma supletiva, na ausência de lei que discipline a matéria, o que não constitui a hipótese. O artigo 61, § 3°, da Lei n° 9.430, de 1996, dispõe que, a partir de 01/01/1997, sobre os débitos para com a Fazenda Nacional, incidem juros de mora equivalentes à taxa SELIC, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Portanto, a taxa SELIC é índice de juros de mora, por determinação legal. É de se esclarecer que essa taxa não é "fixada" pelo Poder Executivo, mas sim determinada pelo mercado de títulos federais registrados no Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC. É calculada pelo Banco Central do Brasil, é informada ao Poder Executivo, que apenas a divulga por meio de um ato declaratório da Secretaria da Receita Federal. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Assim, a exigência de juros de mora com base na taxa SELIC significa apenas uma adequação desses juros aos valores de mercado, uma vez que, no sentido de se desindexar a economia, foi abolida a cobrança de correção monetária. [...] Para comprovação das referidas áreas, não se pode prescindir do Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado junto ao IBAMA, no prazo estipulado. O contribuinte estava ciente da necessidade da entrega do ADA, haja vista que se trata de orientação constante dos manuais de instruções de preenchimento das DITR. Apenas para melhor ilustrar o entendimento da Secretaria da Receita Federal em relação ao assunto, vejase, a título de exemplo, as Perguntas n° 64, 65, 66, 67, 72 e 78 da publicação "Perguntas e Respostas do ITRI2002": [...] Verificase, assim, que os atos normativos, ao estabelecerem a necessidade de reconhecimento pelo Poder Público, por meio de ADA e averbação, fixaram condição para fins da não incidência tributária sobre as áreas de preservação permanente e de utilização limitada, não podendo a autoridade lançadora dispensar os requisitos previstos na legislação tributária. Com relação à área de reserva legal, conforme acima mencionado, deveria ser apresentada a Certidão atualizada da Matricula do Imóvel, na qual deveria constar a prévia averbação. Efetivamente, a legislação que rege a matéria exige que seja tal reserva averbada, à margem da matricula de registro de imóveis, conforme se depreende do art. 16, § 2° da Lei 4.771 de 15 de setembro de 1965, in verbis:[...] Para o cumprimento dessa obrigação, deve ser obedecida a disposição contida no art. 144 do CTN, segundo o qual o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador da obrigação no caso do ITR, de acordo com o art. 1º caput, da Lei n° 9.393/96, o dia 1° de janeiro de cada ano. Assim, a área de reserva legal somente pode ser excluída da tributação se cumprida a exigência de sua averbação à margem da matrícula do imóvel até a data de ocorrência do fato gerador do ITR do correspondente exercício. No caso do exercício 2005, a obrigação teria que ter sido cumprida até 1° de janeiro de 2005 o que não ocorreu em relação à área declarada, conforme análise da documentação acostada. De fato, não é necessária prévia comprovação das áreas isentas. Com isso, quis o legislador deixar expresso que, no ato da entrega da DITR, o contribuinte não deveria, a contrário do que acontecia anteriormente, anexar nenhum documento comprobatório do que foi declarado. Esta orientação não se destina apenas às áreas isentas, mas abrange tudo o que foi declarado pelo contribuinte. Tanto é verdade que a comprovação não deve ser apresentada com a DITR, que o legislador estipulou o prazo de seis meses, contados da data final prevista para a entrega da declaração, para que o contribuinte protocolizasse, junto ao IBAMA, o Ato Declaratório Ambiental.[...] Nos presentes Autos, não foram juntados ADA e averbação tempestivos para o Exercício do lançamento. Por estas razões, não há como acatar as áreas de preservação permanente e de reserva legal pretendidas pela impugnante. Há de ser frisado, ainda, que a utilização da tabela SIPT, para verificação do valor de imóveis rurais, encontra amparo no dispositivo supracitado (Lei n° 9.393/96, art. 14). O valor do SIPT só é utilizado quando, após intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma que tal valor apurado fica sujeito à revisão quando o contribuinte logra comprovar que seu imóvel possui características que o distingam dos demais imóveis do mesmo município. É certo que o valor apurado pela fiscalização pode ser questionado, mediante Laudo Técnico de Avaliação, revestido de rigor científico suficiente a firmar a convicção da autoridade, devendo estar presentes os requisitos mínimos exigidos pela norma NBR 14653 3 da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.720465/200718 Acórdão n.º 2102002.687 S2C1T2 Fl. 157 5 Nestes Autos, não foi apresentado Laudo Técnico de Avaliação que atendesse as condições elencadas pela norma da ABNT, não havendo o que ser revisto no valor atribuído ao imóvel no lançamento. Há de ser respeitado o disposto no item 9.2.15, alínea "b", da NBR 14653 3, que dispõe que, para enquadramento nos graus de fundamentação II e III, é obrigatório que o Laudo contenha, "no mínimo, cinco dados de mercado efetivamente utilizados ". Os dados de mercado coletados (no mínimo cinco) devem, ainda, se referir a imóveis localizados no município do imóvel avaliando, na data do fato gerador do ITR (1° de janeiro de 2005). É o caso de se reconhecer a incidência do item 9.1.2 da NBR 146533, que estipula que o laudo que não atende os requisitos mínimos deve ser considerado parecer técnico. Não há como, em sede de julgamento, acatarse levantamento precário, inapto a alterar o valor atribuído no lançamento. Com relação à alíquota aplicada, não há nada que ser questionado no lançamento, haja vista que, conforme a área total do imóvel e considerada a sua utilização, foi aplicada corretamente a alíquota estipulada pela Lei n° 9.393/96. Conforme a própria impugnante reconhece, no início de sua peça, a Lei n° 8.847/94 foi revogada. Não há que ser invocada, portanto, a Tabela de alíquotas aplicável anteriormente à edição da Lei n° 9.393/96. Assim, concluise que o lançamento, com os devidos acréscimos, está correto e encontrase devidamente amparado pela legislação que rege a matéria. [...] A interessada foi cientificada do Acórdão nº 0418.034, da 1ª Turma da DRJ/CGE em 11/12/2009 (fl. 75). Sobreveio Recurso Voluntário em 12/01/2010 (fls. 76/87) que, em síntese, reprisou as alegações da impugnação. No mérito, sustentou que foi preenchido todos os requisitos necessários à correta informação do valor devido de ITR, e no que diz respeito à exclusão do valor das áreas de preservação permanente, de reserva legal, bem como de interesse ecológico, na forma contida no art. 10, §1º, II, a e b, da Lei 9.393. Afirmou ainda, que a Lei supra não contém nenhum dispositivo que exija a apresentação do ADA para exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal e da base de cálculo do ITR. Referiu que o art. 17O, da Lei 6.938/81, prevê o recolhimento de uma taxa ao IBAMA nos casos de apresentação do ADA, no entanto, não condiciona a entrega de tal documento à definição de uma determinada área como de preservação permanente ou de reserva legal, para fins de redução da área tributável pelo ITR. Sustentou a Recorrente que o descumprimento de uma obrigação acessória em relação a eventual existência de obrigação principal de pagamento do imposto, não pode tornála devedora do tributo em litígio, porque a obrigação tributária principal não existe. Aduziu que não foi oportunizado a Recorrente, quando da instauração do processo administrativo, a comprovação de seu enquadramento nas situações legais, bem como alegou que poderia ter sido realizada perícia em instância administrativa. Acrescentou que embora tivesse conhecimento da impossibilidade da área ser utilizada para outro fim, que não o pastoreio restrito e temporário, a área deve ser considerada como de interesse ecológico, com fundamento no art. 10, §1º, II, a e b, da Lei 9.393. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 Por fim, referiu que o valor da terra nua atribuído pelo Fisco deve ser desconsiderado, pois segundo a Recorrente, toda área é isenta, em razão de reserva legal, preservação permanente e interesse ecológico. Requereu o provimento do Recurso e o cancelamento do lançamento fiscal, subsidiariamente, em caso de não ser a área considerada isenta na sua integralidade, requereu que a área tributável seja recomposta, a fim de excluir as áreas de preservação, correspondente à 4.494 ha, de sua respectiva base de cálculo. Em caso de não acolhimento dos pedidos acima, requereu que o Recurso seja convertido em diligência para verificar a efetiva destinação e caracterização do imóvel. Juntou documentos (fls. 88/153). É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. O presente recurso se cinge à controvérsia dos requisitos para a exclusão das Áreas de Preservação Permanente, Reserva Legal e Interesse Ecológico, da base de cálculo do ITR. A fim de um melhor entendimento da matéria, se faz necessária a transcrição do art. 10, III, da Lei 9.393/97, que define a base de cálculo do ITR, qual seja o Valor da Terra Nua e Valor da Terra Nua não Tributável: Art. 10 [...] III VTNt, o valor da terra nua tributável, obtido pela multiplicação do VTN pelo quociente entre a área tributável e a área total; O valor da Terra Nua, por sua vez, também é definido no mesmo artigo: 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; A área tributável segue a mesma disciplina e encontrase definida no mesmo diploma legal: II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: Fl. 169DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.720465/200718 Acórdão n.º 2102002.687 S2C1T2 Fl. 158 7 a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei 4771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei 7803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão ambiental; (Redação dada pela Lei 12651, de 2012). e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração;(Incluído pela Lei 11428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei 11727, de 2008). O Valor da Terra Nua deve ser combinado com o grau de utilização para a apuração da alíquota aplicável, na tabela progressiva. No caso em questão, existem algumas discussões: a) exigência de ADA; e b) não incidência de ITR sobre determinadas áreas (Áreas de Preservação Permanente, Reserva Legal e Interesse Ecológico), que passo a analisálas. A partir da alteração promovida pela Lei nº 10.165/00, a entrega da ADA tem sido exigida como requisito à redução de imposto a pagar. Para que se compreenda adequadamente a alteração normativa e seu reflexo sistemático dentro do ordenamento, é preciso que se observe que o ADA é um ato unilateral elaborado pelo contribuinte, que não tem o condão de constituir juridicamente as situações nele descritas. Em outros termos, a mera inserção de área de preservação permanente no respectivo campo possui evidente eficácia declaratória da sua existência, que poderá ser confrontada com a descrição contida em laudo técnico – documento elaborado por terceiro que corroborará a situação inserida no ADA. No entanto, em que pese esta relatora entenda que o ADA não é exigência necessária para a constituição das Áreas de Preservação Permanente, verificase que o laudo técnico acostado pela Recorrente (fls. 34/42 – 38/46), é datado de 26/04/1998, e faz menção apenas à Área de “Reserva Permanente de 1.464 ha” (fl. 42), e ainda, conforme Notificação de Lançamento das fls. 01/04, a Recorrente declarou para o exercício 2005, Área de Preservação Permanente de 5.958 ha (fl. 03). Portanto, não existindo ADA e nem laudo técnico hábil à comprovar a verdadeira Área de Preservação Permanente, contemporâneo aos fatos, não há como ser acolhida a pretensão da Recorrente. Quanto à Área Reserva Legal, é exigência legal, que esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente, a fim de dar publicidade à área aproveitável do imóvel. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 A averbação no registro de imóveis não se trata tão somente de matéria de prova acerca da configuração da área de reserva legal ou, ainda, de obrigação acessória a ser cumprida pelo contribuinte, pelo contrário, tratase de ato constitutivo da própria área de reserva legal, documento que cria um registro público da sua existência e faz surgir uma obrigação real de preservação. Vislumbrase que, distintamente da Área de Preservação Permanente, em que a demarcação de tais áreas encontrase na lei ou em declaração do Poder Público, no caso da Reserva Legal, a lei fixa apenas percentuais mínimos a serem observados, cabendo ao proprietário/possuidor escolher qual área de sua propriedade será reservada para proteção ambiental. A simples observância dos percentuais mínimos estabelecidos na lei e comprovados no laudo técnico não garante o benefício fiscal, pois somente com a averbação delimitase a Área de Reserva Legal sobre a qual passa a ser vedada qualquer alteração na “sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área” (art. 16, §8o, do Código Florestal). Cabe lembrar ainda, que “os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código” (art. 1.227 do Código Civil). Assim, somente a partir da averbação da reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é que o uso da área corresponde fica restrito às normas ambientais, alterando o direito de propriedade e influindo diretamente. Outrossim, em julgamento recente (EREsp 1027051 – 26/08/2013), a 1ª Seção do STJ, pacificou o entendimento das turmas de direito público, no sentido que a isenção do Imposto Territorial Rural – ITR, vale tão somente para as Áreas de Reserva Legal registradas na matrícula do imóvel, sob o fundamento que a União e os Municípios possam fiscalizar os contribuintes que declaram ter áreas de reserva legal dentro da propriedade para aproveitamento do benefício fiscal. No que tange à Área de Interesse Ecológico, fazse necessário que seja declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, que sejam: I – destinadas à proteção dos ecossistemas, que ampliem as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal; e II – comprovadamente imprestáveis para a atividade rural. Para efeito de exclusão do ITR, apenas será aceita como área de interesse ecológico a área declarada em caráter específico para determinada área da propriedade particular. Não sendo aceita a área declarada em caráter geral. Portanto, se o imóvel rural estiver dentro de área declarada em caráter geral como de interesse ecológico, é necessário também o reconhecimento específico de órgão competente federal ou estadual para a área da propriedade particular. (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º , II, “b” e “c”; RITR/2002, art. 15; IN SRF nº 256, de 2002, art. 14). Assim, a par dar considerações acima expostas, verificamse exigências específicas para as Áreas de Preservação Permanente, Reserva Legal e Interesse Ecológico, as quais não foram devidamente cumpridas pela contribuinte, portanto, devem ser afastadas àquelas da isenção da tributação do Imposto sobre a Propriedade Rural – ITR. Para se apurar a correta mensuração da área tributável, deveria o Recorrente ter acostado laudo técnico atual, elaborado por profissional habilitado, que atenda os requisitos essenciais das normas da ABNT (NBR 14.653), hábil à comprovar o real Valor da Terra Nua. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.720465/200718 Acórdão n.º 2102002.687 S2C1T2 Fl. 159 9 Constatase pelo laudo acostado às fls. 34/42, que em 26/04/1998, o Valor da Terra Nua fora avaliado em R$ 430.998,60, este mesmo valor, conforme consta da Notificação de Lançamento de fls. 01/04, também fora declarado para a DITR do exercício 2005 (fl. 03), portanto tal valor encontrase defasado, não podendo persistir sem um laudo atualizado, que confirmasse que o Valor da Terra Nua não sofreu nenhuma valoração. Assim, prevalece o valor atribuído pelo Fisco, apurado com base no valor do Sistema de Preços de Terras – SIPT. Quanto ao pedido de diligências e perícias, estes podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. Os documentos necessários para fazer prova em favor do contribuinte não são supridos mediante a realização de diligências/perícias, mormente quando o próprio contribuinte dispõe de meios próprios para providenciálos. No presente caso, entendo que não cabe perícia e/ou diligência, tendo em vista que foi oportunizado à Recorrente corroborar as suas alegações com provas hábeis a demonstrar a verdade material, as quais poderiam ter sido acostadas quando da intimação do Termo de Procedimento Fiscal, ou ainda, por ocasião da Impugnação e interposição do presente Recuso Voluntário Assim, diante do entendimento desta relatora sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi – Relatora Fl. 172DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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