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Numero do processo: 37216.000780/2007-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/12/2005
APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
Toda empresa esta obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária.
DECADÊNCIA
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Para os lançamentos de ofício, como é o caso do Auto de Infração, aplica-se, a regra contida no art 173 do Código Tributário Nacional.
MULTA APLICADA
Os critérios estabelecidos pelada MP 449/08, caso sejam mais benéficos ao contribuinte, se aplicam aos atos ainda não julgados definitivamente, em observância ao disposto no art. 106, II, "c", do CTN.
RECLAMATÓRIA TRABALHISTA
Compete ainda ir Justiça do Trabalho executar , de ofício, as contribuições sociais previstas no art. 195, I, "a", e II, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir.
Em relação a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o seu calculo final deve observar o disposto no artigo 32-A, da Lei 8112/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-001.762
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência com base no artigo 173, I do CTN; no mérito, por maioria de votos, vencida a conselheira Bernadete de Oliveira Barros que aplicava o artigo 35-A da Lei n° 8.212/91, em adequar a multa ao artigo 32-A da Lei nº 8112/91. Apresentará voto vencedor o conselheiro Damião Cordeiro de Moraes.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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FATOS GERADORES Recorrente IN K/GLOBO COMUNICAÇÕES S/A Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIARIA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2001 a 30/12/2005 APRESENTAÇÃO DE GEIP/GREP COM DADOS NM) CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS Toda empresa esta obrigada a informal-, por intermédio de GFIP/GRFP, todos\ os fatos geradores de contribuição previdencidria.. DECADÊNCIA De acordo com a Súmula Vinculante IV 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n" 8..21211991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange a decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e ir administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Para os lançamentos de oficio, como é o caso do Auto de Infração, aplica-se, a regra contida no art 173 do Código Tributário Nacional , MULTA APLICADA Os critérios estabelecidos pelada MP 449/08, caso sejam mais benéficos ao contribuinte, se aplicam aos atos ainda não julgados definitivament e,. em observância ao disposto no art, 106, II, "c", do CTN. RECLAMATORIA TRABALHISTA Compete ainda ir Justiça cio Trabalho executar ., de oficio, as contribuições sociais previstas no art. 195, I, "a", e TI, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir. DAMIA0 CORDEIRO D MORAES — Redator designado ES — Presidente JULIO CES Em relação a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o seu calculo final deve observar o disposto no artigo 32-A, da Lei 8112/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09, Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,. ACORDAM os membros da .3" Ciimara / 1" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, pm unanimidade de votos, em reconhecer a decadência com base no artigo 17.3, I do CTN; no mérito, por maioria de votos, vencida a conselheira Bemadete de Oliveira Barros que aplicava o artigo 35-A da Lei n° 8.212/91, em adequar a multa ao artigo 32-A da Lei IV 8112/91. Apresentará voto vencedor o conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Bemadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro Jose Silva, Adriana Gonzales Silvério, Damião Cordeiro de Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes (presidente). Esteve presente ao .julgamento a advogada da recorrente Dra. Flavia Marangoni, OAB/DF 9558-E. Relatório Trata-se de Auto de Infração, lavrado em 30/11/2006, por ter a empresa acima identificada apresentado GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições prevideneidrias, in fringindo, dessa forma, o inciso IV, § 5", do art. 32, da Lei 8,212/91, c/c o art. 225, IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto IV 3,048/99. Conforme Relatório Fiscal da infração (fls, 02), a empresa deixou de informar, em GFIP, os valores pagos referentes a Reclamatórias Trabalhistas, Cooperativas contratadas e a contribuintes individuais. A autoridade autuante esclarece que os valores referentes à reclamatória trabalhista foram incluidos em GFIP durante a ação fiscal, o que configura circunstância atenuante da penalidade aplicada, motivo pelo qual a multa sera atenuada em cinqüenta por cento. 2 Processo n° 37216.000780/2007-57 S2-01. 1 Acórdilo n° 2301-01.762 Fl 2 Informa, ainda, que consta Autos de Inflação lavrados em ação fiscal anterior, ficando configurada a reincidência prevista no art. 290, V, do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. A recorrente impugnou o débito (fls. 100 a 115), e a Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da DN 1740L4/0085/2007 (fls. 139 a 145), julgou a autuação procedente. Inconformada corn a decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 175 a 184), repetindo basicamente as alegações trazidas na impugnação. Preliminarmente, insiste na decadência do direito de constituição dos créditos tributários relativos a infrações supostamente ocorridas entre 07/2000 e 08/200 1. No mérito, reitera que não é possível a aplicação de multa formal por infração continuada, calculada sabre o valor da contribuição que seria devida, entendendo que deveria ter sido aplicada urna penalidade Por meio 'do despacho 17,401.4/0118/2007, a SRP ratificou os termos da decisão recorrida . Voto cumpridos. E o relatório. Conselheira BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Relatora O recurso é tempestivo e os pressupostos de admissibilidade foram Preliminarmente, a recorrente alega decadência dos débitos levantados no período compreendido entre 07/2000 e 08/2001, defendendo a aplicação do art. 150, § 4 0, do CTN. Verifica-se que a fiscalização lavrou o presente AI com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sabre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, 'b' da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários n" 556664, 559882, 559943 e 560626 ; em decisão plenária que- declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante n" 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 "Sao inconstitucionois os parcigralb único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 ‘1a Lei 3 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário" Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais da Fazenda, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade, Porem, determina, no inciso 1 do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal :Federal: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARE afastar a aplicação ou deivar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de iliC0115fihiCiOlhilidade. Parágrafo única O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo, I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenciria definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei IV 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 10.3-A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional n" 45/2004, in verbis: "Art. 103-A. 0 Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões .sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa terá eftito vinculante em relação aos dentais órgãos do Poder Judiciário e à administração pfiblica direta e indireta, nas esferas.federal, estadual e municipal, bem como proceder sua mcvisão ou cancelamento, na forma estabelecida On lei. § I" A manilla terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a (7(11111;nm -00o pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. 2" Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido ern lei, a aprovação, reviscio ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstaucionalidtuk. § 3" Do ato administrativo ou deciscio judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-a procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida corn ou .vein a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." 4 Processo 0' 37216.000780/2007-57 S2-C311 Acórdrio n." 2301-01.762 Fl 3 Da leitura do dispositivo constitucional acima, conclui-se que a vinculação súmula alcança a administração pública e, poi conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64-B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 1 L417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal, "Art 64-B. Acolhida pelo Supremo fribu»al Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, dar-se-á ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o . julgamento do recurso, que deverão adequai as fitturas• decisões adininistrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas administrativa e penal" A recorrente pretende que seja aplicado o prazo decadencial previsto no art. 150, § 40, do CTN. o sTi pacificou o entendimento de que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplica-se o prazo previsto no § 4" do art 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da oconência do fato gerador ., uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação . Entretanto, o caso em tela se trata de Auto de Infração, ou seja, de lançamento de oficio, para o qual se a aplica o disposto no art, 173 do Código Tributário Nacional, transcrito a seguir: Ad.173 direito de a fazenda Pública constituir o crédito tributário eytingue-se após 5 (cinco) anos, contados • I - do primeiro dia do exerci cio seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido *mad°, II - da data em que se tornar definitiva à decisão que houver. anulado, por vicio fbrmal, o lançamento anteriormente (..-Jetuado Parágrafb Único - O direito a que se telere este artigo eytingue- se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. O Auto de Infração foi lavrado em 30/11/2006, e sua cientificação ao sujeito passivo se deu na mesma data. Dessa forma, considerando o exposto acima, constata-se que não se operara a decadência do direito de constituição do crédito, pois, para as competências compreendidas entre 04/2001 a 12/2005, objeto do Auto de Infração, inicia-se a contagem do prazo em 01/01/2002, que 6 o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos temos do dispositivo legal transcrito acima. Assim, rejeito a preliminar de decadência.. 5 No mérito, observa-se que a recorrente não nega que tenha cometido a infração apontada no Relatório Fiscal.. Ela apenas insurge-se contra a multa aplicada, ao argumento de que não é possível a aplicação de multa formal por infração continuada, calculada sobre o valor da contribuição que seria devida, entendendo que deveria ter sido aplicada urna penalidade única No entanto, verifica-se que a autoridade autuante aplicou a multa em observância aos mandamentos legais que regiam a matéria, vigentes à época da lavratura do Al, uma vez que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições Todavia, não obstante a correção do auditor fiscal em proceder ao lançamento nos termos dos normativos vigentes à época da lavratura do AI, foi editada a Medida Provisória M.P 449/08, que revogou o art. 32, § 6', da Lei 8,212/91, E, conforme disposto no art. 106, inciso II, alínea "c"; 4r1.106 - A lei aplica-se a ato ou fulo preté•ito.• II - tratando-se de ato não definitivamente julgado ) c) quando lhe C0171i17e penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, tratando-se o presente lançamento de ato ainda não julgado quando da edição da MP 449/08, conclui-se que os critérios por ela estabelecidos, caso sejam mais benéficos ao contribuinte, se aplicam ao Al em tela,.. Dessa forma, caso se constate, no recálculo da multa corn a observáncia do disposto no artigo 35 A, da Lei 8,212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09, que o novo valor da penalidade aplicada é mais benéfico ao contribuinte, não há como se ignorar o disposto no art, 106, 11, "c", do CTN, privando a empresa do beneficio legal. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; Voto no sentido de CONHECER DO RECURSO, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, para que se aplique, caso seja mais benéfico para o contribuinte, o artigo 35 A, da Lei 8,212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09, É. con-to voto. Sala das Sessões, em 2 de dezembro de 2010 , 3 BERNADETE DE. OLIVEIRA BARROS Processo n" 37216.000780/2007-57 S2-C3 .1 I AcOrdlio n." 2301-01762 Fl, 4 Voto Vencedor Conselheiro DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, Redator designado — voto vencedor somente no tocante aos valores referentes As reclamatórias trabalhistas 1. Peço venia à douta Conselheira relatora para divergir do seu voto, pois entendo que os valores referentes as reclamatórias trabalhistas no período de 01/4/2001 a 31/01/2006 não constituem fatos geradores de obrigação tributária acessória, logo, o contribuinte não pode ser autuado por deixar de informar mensalmente tais verbas trabalhistas a Seguridade Social, mediante Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GRP. 2. Nos exatos termos do relatório, a fiscalização lançou o débito conforme destacado a seguir: "2. A empresa deixou de informal- em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social — GFIP e/ou guia de recolhimento rescisório cio FGTS infOrmações à Previdência Social — GRFP, os seguintes valores pagos e recolhidos. Refèrentes as reclama/árias trabalhistas (ANEW I) ( • .) 2.2. Os valores devidos à Previdência Social constantes do ANEXOS .I, II, Ill/brain recolhidos pela empresa As infOrmações constantes no ANEW II, referentes as reclamatórias trabalhistas, fbram incluidas na Gina de Recolhimento do Fundo de Garantia c/a Tempo de Serviço e Infbrmações a Previdência Social — GP-1P, antes do término da agdo fiscal, constituindo citcunstância atenuante da penalidade aplicada prevista no artigo 291, alma, do Regulamento Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n" 3.048/99, e, diante disso, confOrme estabelece o artigo 292, inciso do referido decreto a multa relativa a esse tam gerador sera atenuada em cinqUenta por cent() (It 02) 3. Com efeito, nos termos do artigo 43, caput, da Lei n" 8212/91 (com a alteração da Lei n" 8,620, de 5/1/93) restou definido expressamente que, nas açães trabalhistas, o juiz determinaria de imediato o recolhimento das importâncias devidas à seguridade social., Eis os termos do dispositivo citado: "Art, 43, Nas ações trabalhistas de que resultar o pagamento de direitos sujeitos à incidência dc contribuiçáo previdenciária, o juiz, sob pena de responsabilidade, determinará o imediato recolhimento das importâncias devidas à Seguridade Social. (Redaqdo dada pela Lei n" 8.620, de 5 1.93) Partigralb Unico Nas sentenças judiciais ou nos acordos homologado) ent que nao figurai em, discriminadamente, as parcelas legai) relativas à contribukcio previdenciária, esta 7 incidirá sobre o valor total apurado em liquidaylio de sentença ou sobre o valor do acordo homologado " 4. Desta forma, mesmo antes da elevação do terna a nível constitucional, já se atribuía ao juizo trabalhista a competência para cobrar do empregador as contribuições previdenciárias incidentes aos valores pagos referentes As reclamat6rias trabalhistas. 5. Tanto é verdade que a partir da Emenda Constitucional n,' 20/1998 essa matéria foi inserida no texto constitucional reforçando a competência jurisdicional trabalhista em relação As contribuições sociais . Como regra, a competência para dizer o direito em relação aos tributos federais é da Justiça Federal, conforme art. 109 da Constituição Federal, entretanto, ern relação cobrança das contribuições sociais previstas no art.. 195, 1, "a", e H, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir, a competência é da Justiça do Trabalho, 6. Nesta linha, o tear do art. 114, §3", contido na Emenda Constitucional n," 20/1998: 'Art. 114- Compete ci Justiça do Trabalho processar e julgar. ( § 3" Compete ainda a Justiça do Trabalho executar; de oficio, as contribuições sociais previstas no art 195, I, "a", e II, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir " 7 De forma que, a rediscussão da contribuição previdenciária advinda do bojo de ações que tramitam ou tramitaram naquela justiça especializada não poderá mais ser feita no âmbito do procedimento fiscalizatório. Esse foi o entendimento firmado no julgamento do Recurso n.." 241..346, da Relatoria do Conselheiro Marco André Ramos Viera: "Considerando que a Justiça do Trabalho possui competência constitucional para execução de oficio das sentenças que proferir (art 114 da Constituição Federal), da mesma forma que a decisão que reconhecer a não incidência de contribuições não poderá ser redisciaida pela Previdência Social, a decisão que reconhecer a incidência também não poderá ser rediscutida fora do Poder Judiciário Por uma questão lógica, quem é competente para executor é também competente pa/a dechnar tal direito " 8, Também foi esse o meu entendimento ao apreciar o Recurso n,' 241,206, de minha relatoria, que restou ementado nos seguintes termos: "COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL. DESNECESS1DADE DE HABILIT4ÇA -0 PROFISSIONAL. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA REMUNERAÇÃO DOS EMPREGADOS. PRO LABORE. VALORES OBTIDOS EM DECISÃO DA JUSTIÇA TRABALHISTA. LANÇAMENTO INDEVIDO. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC Não se exige a habilita cão profissional de contador para que o auditor fiscal possa verificar a escrita fiscal da pessoa jurídica proceder ao lançamento de eventuais créditos tributários, O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 4.5 e 46 da Lei n° 8 21.2, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras de decadência estabelecidos no Código Tributário Nacional. Compete exclusivantente à Justiça do Trabalho executar, de oficio, as contribuições sociais previstas no art. 195, 1, "a", e 11, e setts acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir. 8 Processo n" .37216_000780/2007-57 S2-C3T1 Acórdão o." 2301-01.762 Fl. 5 cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para corn a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na lava referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custodia — SELIG " 9,. Nesta linha de raciocinio é que a Jurisprudência emanada deste Colegiado, observando inclusive o principio da isonomia, tem sido no sentido de negar o direito, tanto ao contribuinte de obter a restituição de valores cobrados indevidamente na Justiça Trabalhista, quanto ao próprio fisco de poder cobrar tais valores no âmbito administrativo,. 1 0Y A propósito, cito os seguintes acórdãos: "RESTITUIÇÃO, PARCELA A CARGO DO SEGURADO RECLAMATÓRIA TRABALIISITA SETENÇA TRANSITADA EM JULGADO, IMPOSSIBILIDADE DE REDISCUSSÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA A sentença transitada em julgado na Justiça do .Trabalho ,faz coisa julgada material, conlbrine previsto no art 269 cio Código de Processo Civil. Eventual rediscussão das contribuições previdenciárias descontadas do segurado somente é possível mediante ação rescisória, restando ofastada a via administrativa." (Recurso n." 144.672; Relator Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes) "A EC n" 20/98, a partir da sua vigência, transferiu pai a a Justiça do Trabalho promover- de oficio a execução das contribuições sociais. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO " (Acõidão 182/2006; Relatora: Conselheira .Maria das Graças Ferreira Silva) "RESTITUIÇÃO. PARCELA A CARGO DO SEGURADO, RECLAMATORIA TRABALHISTA. ACORDO HOMOLOGADO. COISA JULGADA MATERIAL IMPOSSIBILIDADE DE REDISCUSSÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Os acordos homologados pela Justiça do Trabalho fazem coisa julgada material, conforme previsto no art 269, inciso III do CPC Lima vez transitando em julgado, a rediscussão niatZ.;ria somente é possivel mediante ação rescisória. (Recurso n." 141.348, Relator: Conselheiro Marco Andre? Ramos Vieira) 11, Destaca-se, ainda, a decisão proferida em sede de recurso de revista pelo Tribunal Superior do Trabalho: "CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS - COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO - ALCANCE DO ART 114, VIII, DA . CONSTITUIÇÃO FEDERAL - EMENDA CONSTITUCIONAL -N" 45/2005 - SÚMULA N" 368 DESTA CORTE. A nova redação confer-Ida ao art. 114 da Constituição Federal, pela Emenda Constitucional 11" 45/2005, no seu inciso VIII, conservou a competência da Justiça do Trabalho, anteriormente prevista no §' 3", no que tange às contribuições- sociais, para eleito de sua execução no Judiciário Trabalhista Já a flotilla ordinária que veio es7.)licitar o alcance do seu comando, não só define o . fato gerador do tributo, on seja, .sentença condenatoria ou acordo homologado, au, ainda, sentença declaratória 9 do vinculo de emprego, como também ressalta que as contribuições . verão exigidas tanto do empregado quanto do empregador. Ma's do que isso, por não desconhecer a realidade juridico-processual que ocorre no dia-a-dia da Justiça do Trabalho, esclarece que a sua competência abrange, inclusive, a cobrança das contribuições sobre o valor total da condenação ou do acordo homologado, mesmo quando na decisão não é reconhecido o vinculo de emprego, 111CIS declarada a exi,51611Chl de prestação de serviços, Recurso de revista provido " (Recurso n" ROPS-I898/2003-016-06 00; Magistrado Responsável JUIZ Convocado José António Paneotti; Sentença RR-1898/2003-016- 06-00 7, Autor - Instituto Nacional do Segura Social — Demandado. - Varela /New Stetic Dental Ltda) 12, Desta forma, tendo sido o crédito lançado corn base em ações trabalhistas relativas As competências 04/2001 a 1/2006, portanto posteriores à vigência da Emenda Constitucional 20, de 15 de dezembro de 1998, no meu sentir, ocorre a impossibilidade de o auditor fiscal impor o dever ao contribuinte de obrigação acessória sem que haja fato gerador definido conforme previsão legal vigente, 13. Sendo assim, voto pela exclusão dos valores referentes As reclamatórias trabalhistas no período de 01/04/2001 a 31/1/2006. MULTA 14. Quanto à aplicação da multa, também divirjo da Conselheira Relatora por entender que em relação aos valores pagos pela empresa recorrente e não declarados em CiFIP a Cooperativas contratadas e a contribuintes individuais devam ser retificados, conforme o novo regramento do citado artigo 32-A, eis que mais benéfico para o contribuinte. CONCLUSÃO 15 Ante ao exposto, dou provimento parcial para: a) retirar do auto de infração os valores relativos A rubrica reclamatória trabalhista; b) aplicar o disposto no artigo 32-A, da lei 8.212/91 para determinar a retificação dos valores remanescentes, caso seja mais benéfico para o contribuinte, 16. Quanto aos demais viios, acompanho a Conselheira Relatora. DAMIA-.0 CORDEIRO D S — Redator designado 10
score : 1.0
Numero do processo: 10980.723971/2009-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
RECURSO INTEMPESTIVO.
A apresentação do recurso voluntário depois de transcorrido o prazo de trinta
dias previsto no art. 126, caput, da Lei n.º 8.213/91, c/c com o art. 305, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99 c/c art. 33 do decreto nº 70.235/72 resulta no não conhecimento da peça defensiva.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2302-002.897
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso pela intempestividade, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado
Liege Lacroix Thomasi Presidente.
Juliana Campos de Carvalho Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Arlindo da Costa e Silva, André Luis Marsico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Leonardo Henrique Pires Lopes e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
Nome do relator: JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ
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A apresentação do recurso voluntário depois de transcorrido o prazo de trinta dias previsto no art. 126, caput, da Lei n.º 8.213/91, c/c com o art. 305, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99 c/c art. 33 do decreto nº 70.235/72 resulta no não conhecimento da peça defensiva. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso pela intempestividade, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado Liege Lacroix Thomasi – Presidente. Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Arlindo da Costa e Silva, André Luis Marsico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Leonardo Henrique Pires Lopes e Juliana Campos de Carvalho Cruz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 39 71 /2 00 9- 35 Fl. 776DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela 6ª Turma da DRJ/BHE que julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte a Impugnação interposta, mantendo o crédito tributário retificado no auto de infração AI nº 37.240.5886. Foi lavrado o Auto de Infração contra o sujeito passivo por ter deixado de inscrever o segurado empregado, conforme art. 17 da Lei nº 8.213/91 c/c art. 18, inciso I, do RPS. A infração foi caracterizada pela existência, no período de janeiro a dezembro de 2005, de trabalhadores tidos pela SESP/PR como estagiários, para os quais não foram apresentados os correspondentes Termos de Compromisso de Estágios TCE's e respectivos anexos e/ou termos aditivos, resultando, em consonância com a legislação aplicável, em serem considerados como segurados empregados, para fins previdenciários. O Contribuinte apresentou Impugnação (fls. 712/721), tempestiva, alegando, em síntese: a) Que os Termos de Compromisso TCE’s, exigíveis pela autoridade fiscal para a inexistência de vínculo de emprego, para os estagiários com lotação na unidade SESP/Sede, não existem (Ofício 520/09 GRHS) e para os estagiários da unidade de Polícia Civil, Comando Geral da Polícia Militar e Hospital da Polícia, teria ocorrido a apresentação dos existentes. Anexou os Termos de Compromisso de Estágio nº 744, 1100, 6033 e 8651, relativos à Andressa Borba Carneiro, Juliana Silva Pinheiro e Luciane Angélica; b) Que inexiste o dever de guarda dos Termos de Compromisso de Estágio, porquanto, ainda que o Decreto nº 87.497, de 1982 seja no sentido de que o Termo de Compromisso constitui comprovante exigível pela autoridade competente da inexistência de vínculo de emprego, não há dispositivo legal obrigando a guarda dos mesmos por período superior a dois anos; c) Que todos os demais elementos de prova que foram analisados durante a ação fiscal comprovam a qualidade de estagiários dos estudantes arrolados na planilha V, o que, por si só, seria suficiente a elidir a presunção aplicada pela autoridade fiscal; d) Que, mesmo que não fossem válidos os estágios e houvesse a obrigação de guarda dos Termos de Compromisso por período superior a dois anos, seria impossível o reconhecimento de vínculo de emprego em face do óbice contido no art. 37, inciso II, da Constituição Federal de 1988, que trata da prévia submissão a concurso público como requisito para ocupação de cargo ou emprego público; e) Em relação ao valetransporte fornecido aos estagiários, argumenta ser impossível a sua exigência ante a ausência de vínculo empregatício à luz do artigo 37 da Constituição e por vedação contida no artigo 39 da Consolidação das Leis do Trabalho; Fl. 777DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 10980.723971/200935 Acórdão n.º 2302002.897 S2C3T2 Fl. 215 3 f) Para as contribuições previdenciárias decorrentes de diárias de viagem em valores excedentes a 50% (cinquenta por cento) do salário de contribuição, afirma que nos termos do artigo 12 do Decreto 3.498, de 2004, do Governado do Estado do Paraná, as diárias seriam para “indenizar o servidor (...), não estando sujeitas à apresentação de comprovantes de despesas”; g) Acrescentou que a ausência de necessidade de comprovação das despesas não lhe retira o caráter indenizatório; que não houve a intenção de burlar a instituição previdenciária através de pagamentos indiretos e que não teria a auditora fiscal mencionado qual o dispositivo legal a obrigar a comprovação através de relatório e das respectivas notas fiscais / comprovantes de despesas a configurar reembolsos não tributáveis; h) Na situação, diz que não há o reembolso de despesas pela apresentação de comprovantes de gastos juntamente com o pagamento de diárias pelo simples afastamento do trabalhador, mas, sim, diárias com a finalidade específica de indenizar o trabalhador das despesas decorrentes de sua alimentação (30%) e de sua hospedagem (70%), não ocorrendo acréscimo no patrimônio do trabalhador. i) Em relação ao fato gerador sobre valores a título de gratificação de chefia FUNRESTRAN, afirmou não haver a incidência de contribuições previdenciárias porque os servidores não possuíam dois vínculos com o Estado do Paraná. Desse modo, afirmou que os servidores eram ocupantes de cargo em comissão junto ao DETRAN e desempenhavam suas atribuições no FUNRESTRAN. j) Explicou que o DETRAN é uma autarquia com personalidade jurídica e CNPJ próprios, vinculado à SESP/PR por força de sua lei de criação (Lei Estadual nº 7.811, de 1983), e, dessa forma, é natural que servidores do DETRAN sejam cedidos à SESP/PR ou FUNRESTRAN sem que com isso caracterize um novo vínculo; k) Que a fiscalização não teria observado a natureza da parcela paga aos servidores junto ao FUNRESTRAN “uma gratificação pelo exercício de função de chefia a qual não pode incidir contribuição previdenciária, uma vez que não integra a aposentadoria dos servidores como vastamente tem reconhecido o judiciário pátrio”. Traz jurisprudência; l) Para o fato gerador relativo aos jetons, afirmou que o Sr. Gilson Garret Algauer ocupava cargo em comissão perante a SESP/PR desempenhando suas atividades no Conselho de Polícia Civil, sendo a sua única atividade a participação em reuniões; m) Que a parcela a título de jetons não compõe a aposentadoria, razão pela qual não poderia haver incidência de contribuições previdenciárias sobre a mesma. n) Requereu a improcedência do auto de infração. O processo foi encaminhado à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, tendo em vista a Portaria SUTRI nº 3.237, de 12.08.2011, publicada no DOU de 15.08.2011. Em decisão proferida pela 6º Turma da DRJ/BHE ACORDÃO 0239.138 (fls. 737/721) foi Fl. 778DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 4 julgado PARCIALMENTE PROCEDENTE o lançamento, sendo retificado o crédito tributário para o montante de R$ 196.718,64 (cento e noventa e seis mil e setecentos e dezoito reais e sessenta e quatro centavos), pelas razões a seguir delineadas: a) De início, informou que para os segurados do RGPS Regime Geral de Previdência Social, a lei a se aplicar, para efeito de incidência de contribuições previdenciárias, é a Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. b) Definiu que estagiário, bolsista, e empregado são segurados obrigatórios da previdência social, quando o contrato esta em desacordo com a lei, segundo o artigo 12, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212, de 1991, c/c o artigo 28, § 9º, alínea “i”, da mesma Lei. Nestes termos, para que o empregador se eximisse da obrigação para com o estagiário seria necessário a guarda de todos os documentos correspondentes aos contratos de estágio, de acordo com o art 32, § 11, da Lei nº 8.212/91, o qual já é velho conhecido do contribuinte, pois, foi autuado no processo nº 10980.723974/200979, AI nº 37.240.5851 nos mesmos termos; c) Foram encontradas pela fiscalização o pagamento de diárias para viagens, beneficio concedido apenas a servidores e comissionados, bem como custeio de alimentação e pousada sem exigir comprovações, obedecendo o Decreto nº 3.498/04 mas desrespeitando a Lei nº 8.212/91; d) Em relação ao fato gerador sobre valores a título de gratificação de chefia FUNRESTRAN, entendeu o FUNRESTRAN remunerou os servidores por serviços a ele prestados, e, na qualidade de órgão ou entidade cessionária ou requisitante, não cumpriu com os recolhimentos previdenciários sobre a sua parcela de remuneração, conforme lhe obriga o artigo 60, § 12, inciso II da Instrução Normativa nº 3, de 2005; e) Quanto aos jetons para o Sr. Gilson Garret Algauer, afirmou serem pagamentos por reuniões no Conselho de Polícia, ocupando, exclusivamente, cargo de comissão na SESP/PR. Assim, sendo atividade remunerada, mesmo que única, sujeitase ao RGPS, o que corresponde a fato gerador de contribuições as remunerações a integrante de conselho ou órgão de deliberação, dentro da hipótese de contribuinte individual, conforme o inciso XIX do art. 12 da Instrução Normativa 100, de 2003, e o § 3º do art. 9º da Instrução Normativa 3, de 2005; f) Para as estagiárias Andressa Borba Carneiro, Juliana Silva Pinheiro e Luciane Angélica foi retificado o lançamento por terem sido anexados na impugnação os Termos de Compromisso de Estágio TCE e prorrogações. O Contribuinte fora cientificado do Acórdão através de OFÍCIO SECAT\EQCOP n.º 093/2012 (fls. 742), encaminhado por via postal, em 19.06.2012, conforme AR – Aviso de Recebimento acostado em fls. 743/744. Inconformado, interpôs Recurso Voluntário (fls. 746/753), na data de 23.07.2012, com o intuito de ser reformada tal decisão. Eis o relatório. Fl. 779DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 10980.723971/200935 Acórdão n.º 2302002.897 S2C3T2 Fl. 216 5 Voto Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora. Após tomar ciência da decisão da DRJ (fls. 742), em 19/06/2012, o Recorrente deixou transcorrer o prazo de 30 dias conferido pelo o art. 126, caput, da Lei n.º 8.213/91, c/c com o art. 305, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99 c/c art. 33 do decreto nº 70.235/72, para apresentação de recurso (protocolado em 23/07/2012 fls. 746/753): "Lei n° 8213/91: Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento.". "Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99: Art.305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente.." Decreto nº 70.235/72: "Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão." Por todo o exposto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário, por intempestivo, mantendo inalterada a decisão da DRJ. É como voto. Sala das Sessões, em 21 de Novembro de 2013. Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora Fl. 780DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 6 Fl. 781DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ
score : 1.0
Numero do processo: 10783.906278/2008-41
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
VEÍCULO DE DIVULGAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO| PADRÃO DE AGÊNCIA. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo da Cofins, por falta de previsão legal, o valor devido às agências de publicidade, a título de desconto padrão de agência.
Numero da decisão: 3803-004.718
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 VEÍCULO DE DIVULGAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO| PADRÃO DE AGÊNCIA. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo da Cofins, por falta de previsão legal, o valor devido às agências de publicidade, a título de desconto padrão de agência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 62 78 /2 00 8- 41 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação DComp nº 26174.52637.070604.1.3.040563, fls. 113/117, utilizando como crédito pagamento supostamente a maior de Cofins Cumulativa, relativa ao mês de maio de 2003, no valor de R$ 1.434,74. Despacho Decisório eletrônico, de 25 de setembro de 2008, da DRF/Vitória, fl. 35, não homologou a DComp pelo fato de o DARF indicado não ter sido localizado. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 3 a 18, a Contribuinte alegou que: a) a redação do artigo 1o das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 é similar à do art. 3o, §1°, da Lei n° 9.718/98, norma que a precedeu e que foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal; b) tais contribuições, portanto, não podem nem devem incidir sobre receitas não auferidas pela pessoa jurídica, a exemplo do que ocorre com os valores recebidos pela cessão de seu espaço para agências de publicidade, tendo em vista que tais valores não permanecem em seu faturamento, pois são repassados às mencionadas agências; c) para que haja a incidência em comento não basta que a pessoa jurídica tenha receitas, entendida esta de acordo com a normatização contábil, mas também, é imprescindível que tais receitas sejam efetivamente auferidas, isto é, verdadeiramente percebidas. É imperioso que os valores decorrentes do faturamento tenham efetivamente ingressado nos cofres da Requerente, para composição do seu patrimônio, o que corresponde ao conceito jurídico de faturamento; d) sabendo que tais valores não deveriam ter sido incluídos na base de cálculo da Cofins e do PIS, e, tendo em vista a existência de débitos das mesmas contribuições, aproveitou os créditos decorrentes do pagamento a maior na compensação com tais débitos. Ao fim, protestou pela realização de diligência destinada à produção de prova pericial. Em julgamento da lide a DRJ/Rio de Janeiro II contrapôsse aos argumentos da Manifestante em decisão ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador:18/06/2003 VEÍCULO DE DIVULGAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO| PADRÃO DE AGÊNCIA EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo da Cofins por falta de previsão legal, o valor devido às agências de publicidade, título de desconto padrão de agência. PEDIDO DE PERÍCIA. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10783.906278/200841 Acórdão n.º 3803004.718 S3TE03 Fl. 165 3 A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não ss justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado por meio de documentos carreados aos autos. Cientificada da decisão em 13 de dezembro de 2011, irresignada, apresentou recurso voluntário, 135/152, em 29 de dezembro de 2011, em que manejou os mesmos argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa Relator Apesar de ilegível, no AR, a data da recepção da decisão de primeira instância, sendo a data da emissão da Intimação de sua ciência pela DRF/Vitória 2 de dezembro de 2011, o intervalo até a apresentação do recurso voluntário não perfaz o prazo de trinta dias, o que o torna tempestivo. Portanto, atendidas as demais condições de admissibilidade dele conheço. O fato jurídico em torno do qual a Contribuinte disputa o direito de não incluir seus valores na base de cálculo da contribuição é no seu dizer cessão de seu espaço para agências de publicidade, sob o argumento de que tais valores não permanecem em seu faturamento, sendo a estas repassados. A Recorrente é lacônica na exposição desse fato constitutivo do seu direito, deixando de referir acerca da sua dinâmica operacional envolvendo as agências e os anunciantes, de sorte a identificar no desenvolvimento da sua defesa o seu liame com direito aplicável no campo privado das relações jurídicas e, via de consequência, a regramatriz da incidência tributária para a espécie. A falta dessa menção impelenos a considerar o que regem as NormasPadrão da Atividade Publicitária, expedidas pelo Conselho Executivo de NormasPadrão[1] [2] , órgão 1 O Conselho Executivo das NormasPadrão CENP é uma entidade criada por entidades de classe do mercado publicitário para zelar pela observância das NormasPadrão da Atividade Publicitária, documento básico com recomendações e princípios éticos que buscam assegurar as melhores práticas comerciais no relacionamento mantido entre os principais agentes da publicidade brasileira. 2 Compete ao Conselho Executivo das NormasPadrão ou simplesmente CENP: a) avaliar e propor eventuais alterações a este instrumento e a seus anexos, face à dinâmica da evolução da atividade; b) esclarecer os interessados sobre o sentido de suas regras; c) outorgar os “Certificados de Qualificação Técnica” de que trata o item 2.5.1 deste instrumento; d) credenciar os institutos de pesquisa e seus respectivos serviços e informações, conforme previsto no item 2.5.4 deste instrumento; e) promover em conjunto com as Entidades participantes deste acordo o permanente aperfeiçoamento dos padrões qualitativos do mercado nos seus três segmentos, inclusive no que toca à ativa e leal concorrência dos que nele atuam. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 privado de regulação das práticas no tópico Das Relações entre Agências, Anunciantes e Veículos, em disciplina ao que dispõem a Lei nº 4.680/65 e os Decretos nº 57.690/66 e 4.563/02: 2.4 O Anunciante é titular do crédito concedido pelo Veículo com a finalidade de amparar a aquisição de espaço, tempo ou serviço, diretamente ou por intermédio de Agência de Publicidade. 2.4.1 A Agência de Publicidade que intermediar a veiculação atuará sempre por ordem e conta do Anunciante, observado o disposto nos itens 2.4.1.1 a 2.4.1.3. 2.4.1.1 É dever da Agência de Publicidade cobrar, em nome do Veículo, nos prazos estipulados, os valores devidos pelo Anunciante, respondendo perante um e outro pelo repasse do “Valor Faturado” recebido ao Veículo. 2.4.1.2. A fatura do Veículo será encaminhada ao Anunciante por meio da Agência de Publicidade. 2.4.1.3 Tendo em vista que o fator confiança é fundamental no relacionamento comercial entre Veículo, Anunciante e Agência e sendo esta última depositária dos valores que lhes são encaminhados pelos Clientes/Anunciantes para pagamento dos Veículos e Fornecedores de serviços de propaganda, fica estabelecido que, na eventualidade da Agência reter indevidamente aqueles valores sem o devido repasse aos Veículos e/ou Fornecedores, terá suspenso ou cancelado seu Certificado de Qualificação Técnica concedido pelo CENP. 2.4.2 Em virtude de prévio e expresso ajuste, o Anunciante poderá repassar por meio do Veículo a importância correspondente ao “DescontoPadrão”, observado que nesta hipótese o Veículo somente poderá faturar ou contabilizar como receita própria a parcela correspondente ao “Valor Faturado”. 2.4.3 Excepcionalmente, nos termos de prévio e expresso ajuste, o Anunciante, poderá efetivar diretamente os pagamentos correspondentes ao “Valor Faturado” e ao “DescontoPadrão”, respectivamente, ao Veículo e à Agência de Publicidade. De se ver que a relação jurídica se dá entre o Anunciante e o Veículo de Comunicação, sendo desta para o primeiro a fatura do valor bruto, contabilizando o pagamento correspondente como receita própria do Veículo. A normatização não exclui a excepcionalidade do prévio e expresso ajuste quanto à mecânica de segregação dos efeitos comerciais e, consequentemente, os fiscais, no bojo relação contratual, conforme itens 2.4.2 e 2.4.3, o que não se há de considerar, por não ser este o ponto invocado e descrito pela Recorrente. 7.2 O Fl. 167DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10783.906278/200841 Acórdão n.º 3803004.718 S3TE03 Fl. 166 5 Como receita própria, ocorrente no recinto da regra básica fixada para este tipo de relação negocial, a exclusão da base de cálculo há de ser autorizada por lei específica, o que não se verificar haver no texto da Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10;833/2003, como, inclusive, não o aponta a Recorrente. Por falta da previsão legal vislumbro é que vem de ser sucinta na descrição do fato e parcimoniosa no fundamento jurídico, erigindo o seu argumento em torno da digressão sobre o alcance da expressão receitas auferidas. Lembro que as Soluções de Consulta vinculam a Administração Tributária apenas ao consulente e não compõem o acervo da legislação tributária nos termos do art. 96 do Código Tributário Nacional, estando inviabilizado o argumento que invoca a de nº 17, de 30 de abril de 2007, da SRRF 4ª RF/Disit. Enfim, bem andou a decisão recorrida, não merecendo reparo, pelo que corroborando os fundamentos ali fixados NEGO provimento ao recurso. É como voto. Sala das sessões, 23 de outubro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 168DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 15504.720813/2011-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2401-000.337
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1271; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 186 1 185 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.720813/201187 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2401000.337 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 20 de novembro de 2013 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente ACERLOMITAL BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim. Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .7 20 81 3/ 20 11 -8 7 Fl. 3264DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 15504.720813/201187 Resolução nº 2401000.337 S2C4T1 Fl. 187 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto por ACERLOMITAL BRASIL S/A, em face do acórdão de fls. que manteve integralmente os seguintes Autos de Infração (i) AI 37.342.5759 :lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias parte da empresa, inclusive aquelas para o financiamento do benefício concedido em razão do grau de incidência da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho destinadas à Seguridade Social. (ii) AI 37.342.5767: lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias dos empregados, não descontadas dos mesmos; (iii) AI 37.342.5775: lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias destinadas a terceiros; (iv) AI 37.342.5783: lavrado para a cobrança de multa por ter deixado a recorrente de informar em GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias a seu cargo, máxime, aquelas indicadas nos Autos de Infração indicados nos itens (i) a (iii) supra (AI 68); Neste auto de infração também fora lançada multa por não terem sido informados pagamentos efetuados a cooperativas de trabalho médico. (v) AI 37.342.5791: lavrado para a cobrança de multa por ter deixado a recorrente de informar descontar da remuneração de segurados empregados os valores de contribuições devidas ao INSS, máxime, aquelas indicadas nos Autos de Infração indicados nos itens (i) a (iii) supra; (vi) AI 37.342.5805: lavrado para a cobrança de multa por ter deixado a recorrente de informar em GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias a seu cargo, máxime, aquelas indicadas nos Autos de Infração indicados nos itens (i) a (iii) supra (AI 78); (vii) AI 37.342.5813: lavrado para a cobrança de multa por ter deixado a recorrente de preparar folhas de pagamento com as remunerações de todos os seus segurados empregados, , máxime, aquelas indicadas nos Autos de Infração indicados nos itens (i) a (iii) supra; Conforme o relatório fiscal foram lançadas as seguintes rubricas consideradas como fatos geradores das contribuições previdenciárias em comum aos autos de infração supra: (a) Participação nos lucros e Resultados paga em desconformidade com a Lei 10.101/00, face à ausência de metas preestabelecidas, apresentação e comprovação de Fl. 3265DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 15504.720813/201187 Resolução nº 2401000.337 S2C4T1 Fl. 188 3 mecanismos de aferição das informações pertinentes ao acordado, não se enquadram no previsto no art. 214, § 9º, inciso X do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999; (b) Contribuição dos contribuintes individuais: referese aos valores pagos aos segurados contribuintes individuais, apurados junto à escrituração contábil, recibos de pagamento de autônomos – RPA e Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF, no período de 01/2007 a 12/2007, e não declaradas em GFIP – Guias de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social. © Riscos Ocupacionais: já que, através dos documentos do gerenciamento ambiental, intimada a empresa à apresentação através do TIF01 datado de 20/05/2010, confirmase o reconhecimento dos seguintes agentes de risco ambiental: Ruído, Calor, Benzeno, Tolueno, Xileno, Poeira Metálica, Fumos Metálicos, Poeira de Sílica, Vibração, Óleos minerais/Graxas/Solventes. No presente lançamento, no entanto, Assim, consideramos apenas os trabalhadores que estão sujeitos às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, expostos aos seguintes agentes: CALOR (com medição no limite ou acima do limite de tolerância); BENZENO e CÁDMIO agentes considerados insalubres em decorrência de inspeção realizada no local de trabalho, para os quais não existe limite seguro de exposição, constantes dos Anexos 13 e 13A da Norma Regulamentadora nº 15 do Ministério do Trabalho e Emprego. (d) Riscos Ocupacionais sobre PLR paga a segurados expostos: sobre os valores pagos aos segurados empregados a título de “Participação nos Lucros e Resultados”, constantes no ANEXO I, procedemos a cobrança do adicional GILRAT de 6% (seis por cento) para todos os segurados expostos a riscos ocupacionais, constantes no ANEXO VIII; (e) Atribuição Estatutária e Indenização Especial a diretores do estabelecimento CNPJ: 24.315.012/000173: levantamento se refere aos valores pagos aos segurados contribuintes individuais diretores do estabelecimento CNPJ: 24.315.012/000173 a título de atribuições estatutárias e indenização especial apurados junto à escrituração contábil, folhas de pagamento e Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF referentes às competências 04/2007 e 05/2007 e não declaradas em GFIP – Guias de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social. Tais remunerações constituemse em gratificações intituladas Atribuição Estatutária (código rubrica 0132) pagas ou creditadas aos diretores não empregados em períodos próximos aos pagamentos da Participação nos Lucros PLR empregados da empresa. Para o fato gerador INDENIZAÇÃO ESPECIAL (código rubrica 0194), o contribuinte reconhece a incidência das contribuições previdenciárias para os segurados Mauro Hiroshi Shimamoto (registro 50003235) e Esval Miranda Nunes (registro 50003238 na competência 07/2007) e para Waldo Roberto Justo (registro 50003172) competência 08/2007. (f) Gratificação Liberalidade e Indenização Especial a segurado empregado do estabelecimento CNPJ: 24.315.012/000173: Se tratam de valores pagos ao segurado empregado Maurício Lustosa de Castro contribuintes do estabelecimento CNPJ: Fl. 3266DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 15504.720813/201187 Resolução nº 2401000.337 S2C4T1 Fl. 189 4 24.315.012/000173 a título de Gratificação Especial e apurados junto à escrituração contábil, folhas de pagamento e Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF referentes às competências 04/2007 e 05/2007 e não declaradas em GFIP – Guias de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social. Sustentou o fiscal que A gratificação paga por liberalidade não integra o salário decontribuição de acordo com a Lei 8.212/91, art.28, parágrafo 9, letra “e7” desde que o pagamento seja efetuado eventualmente. Os valores pagos ou creditados ao segurado empregado a título de “Gratificação por Liberalidade” (código rubrica 0121) foram pagos nas competências 03/2007, 04/2007 e 05/2007 o que descaracteriza a eventualidade. Para o fato gerador INDENIZAÇÃO ESPECIAL (código rubrica 0600) recebido em 07/2007, o contribuinte reconhece a incidência de contribuições previdenciárias para os segurados Mauro Hiroshi Shimamoto (registro 50003235) e Esval Miranda Nunes (registro 50003238 na competência 07/2007) e para Waldo Roberto Justo (registro 50003172) na competência 08/2007. (g) Diferenças descontos de segurados apuradas no CNPJ 17.469.701/0001 77 e CNPJ: 24.315.012/000173: Na competência 04/2007, o contribuinte ao efetuar o cálculo das contribuições a serem descontados dos segurados empregados deixou de atualizar a tabela dos saláriosde contribuição para o estabelecimento CNPJ 17.469.701/000177 e filiais e para o CNPJ: 24.315.012/000173. Assim, efetuou desconto dos segurados das contribuições a menor para toda a competência. O lançamento compreende os períodos de 01/1998 a 12/2003, tendo sido o contribuinte dele cientificado em _______ (fls. 01). Em seu recurso pugna, preliminarmente pela exclusão dos sócios do pólo passivo da demanda e nulidade da representação fiscal para fins penais. No mérito, ataca uma a uma as imputações fiscais, a partir dos seguinte argumentos: 1. Quanto a PLR 1.1. que o comando constitucional do art. 7o é autoaplicável, de modo que os ditames da Lei 10.101/00, são em verdade meras orientações sobre o assunto; 1.2. que a distribuição da PLR aos empregados de duas formas distintas, no caso uma forma de distribuição aos empregados de nível operacional e outra aos empregados de nível administrativo não possui qualquer óbice imposto pela Lei 10.101/00, tendo sido realizada com respaldo no art. 9o da Convenção Coletiva de Trabalho assinada entre as partes; 1.3. que as metas dos empregados operacionais eram metais gerais de qualidade da empresa, sendo o PLR um plus dado pelo esforço de todos na qualidade dos produtos da empresa; 1.4. que quanto aos empregados de nível técnico, superior e gerencial (administrativo) a PLR fora distribuída em conformidade com o Fl. 3267DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 15504.720813/201187 Resolução nº 2401000.337 S2C4T1 Fl. 190 5 parágrafo nono de referida cláusula do acordo coletivo; Que, para tanto, a empresa elaborou um programa de participação nos lucros e resultados, no qual constaram os objetivos estratégicos e outros objetivos do programa, com a expressa referência aos seus destinatários, bem como a indicação de metais para avaliação do desempenho individual, periodicidade, forma e apuração da PLR; 1.5. A empresa mantém um Plano de Gestão de Desempenho para a aferição do desempenho estabelecido, no qual se encontram previstas avaliações periódicas, bem como acesso e utilização do Sistema de Gestão de Desempenho tanto pelo avaliador, como pelo avaliado, possibilitando, assim, que os empregados avaliados possam aferir os resultados individualmente considerados para pagamento da PLR. 1.6. Para demonstrar a efetiva aferição dos resultados e desempenho individual dos empregados administrativos, apresentou à Autoridade Lançadora algumas avaliações de desempenhos realizadas durante o período autuado, as quais demonstravam a sistemática de apuração e aferição dos critérios para distribuição da verba, conforme previam o Programa de Participação nos Lucros e no Programa de Gestão de Desempenho; 1.7. que apresentou à fiscalização uma série de avaliações de desempenho realizadas durante o período autuado, que demonstra a efetiva aplicação do plano de metas da empresa; 1.8. Contesta a alegação da Autoridade lançadora, de que as avaliações dos empregados não operacionais foram efetuadas após o pagamento da PLR, não obedecendo a plano de metas e independente do esforço pessoal do empregado. Argumenta que conforme já registrou, de acordo com o parágrafo nono do acordo coletivo, o pagamento da PLR dos referidos trabalhadores ocorreria apenas em maio de 2008. As avaliações para os empregados apontados pela fiscalização, embora realizadas após as demais avaliações juntadas, em função da natureza das metas e critérios estipulados para a avaliação do setor, foram efetuadas antes da data do pagamento, ou seja, foram efetuadas em março de 2008, quando o pagamento se deu em maio de 2008. 1.9. que os acordos firmados possuem regras claras e objetivas, sobretudo quando a direitos substantivos, bem como a fixação de plano de metas, de conhecimento de todos os empregados, e executado fielmente por ambas as partes; 2. Quanto a atribuição estatutária 2.1. que a conclusão da fiscalização pela incidência das contribuições previdenciárias sobre os valores ora discutidos, fora efetuada sem qualquer embasamento fático ou jurídico, tendo apenas afirmado o auditor que sobre tais verbas fazem parte do salário de contribuição; Fl. 3268DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 15504.720813/201187 Resolução nº 2401000.337 S2C4T1 Fl. 191 6 2.2. que em verdade, conforma demonstrado na impugnação, tais verbas se referem a PLR paga a diretores estatutários, em conformidade com a Lei 6.404/76; 2.3. que é perfeitamente possível a distribuição de PLR a diretores estatutários, tendo sido cumpridos todos os requisitos para o pagamento da PLR, conforme as determinações da Lei 6.404/76, especialmente o seu art. 152 2.4. que o v.a cordão de primeira instância sequer teve o trabalho de verificar o devido cumprimento destes requisitos, apenas se resumindo a pontuar que a distribuição da PLR somente caberia a trabalhadores com vínculo empregatício; 3. Quanto a indenização Especial 3.1. que tendo em vista a impetração de medidas judiciais preventivas sobre o tema, deve se aguardar o desfecho de tais ações na Justiça, para então, levarse a efeito qualquer ato de cobrança em face das mesmas; 4. Quanto a gratificação Liberalidade; 4.1. afirma que o pagamento de referida verba fora realizado de forma eventual, e não habitual, motivo este que não permite que sobre a mesma venham a ser cobradas contribuições previdenciárias, com base no art. 28, §9o, da Lei 8.212/91; 4.2. que a eventualidade do pagamento não se vincula ao número de vezes em que foi paga a parcela, mas sim ao fato de que somente fora paga em virtude do desligamento do diretor da empresa; 5. Quanto aos Riscos Ocupacionais 4.3. aduz nulidade uma vez que o lançamento se baseou em documentos de gerenciamento ambiental apresentados pela empresa, quando a aferição de riscos ocupacionais deve ser feita in loco, por perito profissionalmente capacitado. 4.4. invoca os itens 7 e 7.1 da Ordem de Serviço Conjunta INSS/DAF 98, de 9/06/1999, afirmando que ali foram estabelecidos procedimentos de fiscalização das empresas com segurados que exerçam atividades que permitam a aposentadoria especial. 4.5. que os agentes fiscais não tem habilitação profissional em medicina e segurança do trabalho necessárias a aferição dos riscos ocupacionais e que dão origem à contribuição em debate. 4.6. que no caso em apreço, não há exposição dos empregados aos agentes nocivos apontados, quais sejam: benzeno, cádmio e o calor, pois fornece equipamentos de proteção coletiva e individuais suficientes para Fl. 3269DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 15504.720813/201187 Resolução nº 2401000.337 S2C4T1 Fl. 192 7 reduzir o nível de exposição do trabalhador ao risco, em conseqüência, descaracterizado está o fato gerador da contribuição adicional ao RAT. 4.7. No que toca ao agente CALOR, afirma que para os empregados efetivamente expostos, a empresa toma medidas administrativas constantes das NR, o que evita a exposição intermitente. Para os demais empregados, não há exposição e os parâmetros a serem usados estão estabelecidos na NR 17. 4.8. Relativamente ao BENZENO, a autuada, no ano da autuação (2007), contratou a empresa AVAM para uma avaliação técnica. Entretanto, os resultados apresentados não apresentam confiabilidade, porque a referida empresa não soube precisar a origem do Benzeno nas instalações da empresa. Ademais a empresa detém norma interna que não permite a exposição a agentes cancerígenos. 4.9. Embora não correspondam ao ano da autuação, para o ano de 2007 devem ser considerados os LTCAT de 2005 e a avaliação em 2009 realizada pela empresa Cientifica Tecnologia em Segurança de Saúde Ocupacional, segundo os quais nos locais onde, supostamente, foi encontrado o agente nocivo BENZENO não apresentam características e produtos que possuam esse agente agressor. 4.10. Argumenta que, mesmo que se tomasse os valores apresentadas na autuação, que foram retirados da avaliação realizada em 2007, os mesmos não ultrapassam os limites de tolerâncias permitidos no Brasil conforme a Portaria nº 14 do Ministério do Trabalho, que estabelece 2,5 ppm como limite máximo de concentração de benzeno. 4.11. Quanto aos empregados que se encontram expostos ao agente nocivo Cádmio, conforme PPRA anexo, é adotado o Equipamento de Proteção Individual, qual seja, respirador semifacial. 4.12. Além disso, as fichas de controle de equipamentos de proteção individual, uniformes e agasalhos anexo, comprovam o recebimento da mascara contra pó, por alguns dos empregados arrolados no anexo VIII, como expostos ao referido agente. 4.13. Tudo isso evidencia que o ambiente de trabalho é gerenciado de forma eficaz, eliminando os agentes nocivos (faixa de tolerância) da exposição dos empregados não ensejando o pagamento do adicional do SAT na forma prevista nos arts. 403 e 404 da IN INSS/DC 100. 4.14. Afirma que a empresa faz adequadamente o PPRA; o PCMSO; realiza levantamentos ambientais e medições periódicas, mantendo sob controle os agentes nocivos; investe em Medidas de Proteção Coletiva e medidas administrativas de controle; fornece, exige e monitora o uso e repõe sempre que necessário os IPI, eliminando e reduzindo aos níveis adequados de tolerância, os agentes nocivos. 5. Quanto aos contribuintes individuais Fl. 3270DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 15504.720813/201187 Resolução nº 2401000.337 S2C4T1 Fl. 193 8 5.1. alega que as pessoas arroladas pela fiscalização não são contribuintes individuais, mas proprietários de imóveis que alugam tais locais para a impugnante, sendo que os valores pagos, se referem a aluguéis de imóveis; 5.2. que requereu prazo para a juntada de referidos contratos ao julgador de primeira instância, o que lhe foi indeferido, de modo que merece o acórdão ser anulado por cerceamento do direito de defesa; 6. Quanto a aplicação da multa de ofício 5.3. 6.1. Defende a impossibilidade de aplicação ao caso da multa de 75%, da forma como fora levado a efeito pelo fiscal autuante, requerendo, pois, lhe seja aplicada a multa de mora de 24%, em virtude da impossibilidade de se comprar a multa de mora com multa de ofício. 7. Quanto ao desconto na competência de 04/2007 7.1. Sustenta que Afirma que o problema ocorreu apenas no sistema que roda a folha de salários, o qual não foi atualizado com a tabela nova em tempo hábil. Contudo, no preenchimento da GIFP e nos recolhimentos, a empresa procedeu de forma adequada. 7.2.Argumenta, ainda, que a contribuição dos empregados não poderia estar sendo exigida nestes autos de contribuição patronal. 7.3. que junta aos autos o anexo 09 ao seu recurso voluntário, através do qual demonstra o efetivo recolhimento de tais diferenças. 8. Quanto a realização de perícia 8.1. pugna pelo deferimento da realização de perícia técnica a comprovar que no ambiente de trabalho não estão presentes os agente nocivos à saúde; 9. Quanto ao Auto de Infração pelo descumprimento da obrigação acessória de informação de fatos geradores em GFIP 9.1. alega que em não havendo descumprimento da obrigação principal, não há que se falar em descumprimento da obrigação principal; 9.2. que o Eg. STJ já decidiu que o descumprimento de obrigação acessória que não causa prejuízo ao erário não enseja o lançamento da multa correspondente. 9.3. a aplicação ao caso do art. 32A da Lei 8.212/91 10. Quanto ao Auto de Infração pelo descumprimento da obrigação acessória de não efetuar os descontos de contribuições devidas pelos segurados empregados Fl. 3271DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 15504.720813/201187 Resolução nº 2401000.337 S2C4T1 Fl. 194 9 10.1. sustenta a ocorrência de bis in idem, na medida em que o lançamento principal da referida contribuição, com a imputação de multa, por si só, já engloba todas as penalidades a serem aplicadas in casu. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eng. Conselho. É o relatório. Fl. 3272DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 15504.720813/201187 Resolução nº 2401000.337 S2C4T1 Fl. 195 10 VOTO Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. PRELIMINARMENTE Conforme já relatado, o presente caso engloba o lançamento de uma série de rubricas de diferentes naturezas, cada uma com as suas devidas peculiaridade, bem como fundamentos legais específicos para que venha ou não a ser considerada como fato gerador das contribuições previdenciárias. O recurso é suntuoso em vários argumentos específicos a cada um dos lançamentos, todavia, que devem ser objeto de análise conjunta por esta Eg. Turma rubrica por rubrica, de sorte a garantir ao contribuinte a devida e legal resposta sobre os diversos argumentos de defesa que expõe em sua peça recursal. Dentre elas, aponto que relativamente a uma das rubricas lançadas Diferenças descontos de segurados apuradas no CNPJ 17.469.701/000177 e CNPJ: 24.315.012/0001 73 – a imputação fiscal foi a de que a recorrente efetuou o cálculo das contribuições a serem descontados dos segurados empregados a menor, pois deixou de atualizar a tabela dos salários de contribuição para o estabelecimento CNPJ 17.469.701/000177 e filiais e para o CNPJ: 24.315.012/000173. Sobre tal rubrica, assim se manifestou o v. acórdão de primeira instância: Diferenças na competência 04/07 a serem descontadas dos segurados A defesa afirma as diferenças apuradas não existem. Completa que o problema ocorreu apenas na folha de salários, cujo sistema não foi atualizado com a tabela nova em tempo hábil e que o preenchimento da GIFP e os recolhimentos estão corretos. A alegação não pode ser, porém, acolhida, uma vez que dos autos não constam provas do recolhimento das diferenças entre o valor devido e o valor recolhido discriminadas nos anexos III e IV, elaborados pela Autoridade Lançadora. Quanto ao argumento de que as contribuições dos empregados não podem ser lançadas no mesmo processo que exige contribuições patronais, deixou de observar a impugnante que estas, as contribuições patronais, constaram do Auto de Infração AI de DEBCAD 37.342.575 9, enquanto que as contribuições descontadas dos segurados, do AI DEBCAD 37.342.5767. Assim, o lançamento sob este aspecto restou mantido. O recurso voluntário, no entanto, repisa os argumentos de impugnação no sentido de que os recolhimentos respectivos haviam sido efetuados, apenas não tendo constado em folha de pagamentos em virtude de erros no sistema que a elabora. Fl. 3273DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 15504.720813/201187 Resolução nº 2401000.337 S2C4T1 Fl. 196 11 E fez acostar ao seu recurso (fls. 3.204 a 3.210) as guias de pagamentos que sustenta quitar as diferenças lançadas, guias estas que possuem a autenticação bancária de pagamento em período contemporâneo a ocorrência dos fatos geradores lançados (04/2007) e cujo valor de recolhimento previdenciário ultrapassa o valor de R$ 4.800.000,00 (quatro milhões e oitocentos mil reais). Ora a meu ver tais documentos, se de fato relacionados com a rubrica em questão, poderão ensejar a retificação do lançamento ou até mesmo a sua extinção em face daquilo o que dispõe o art. 156 do CTN, a seguir: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; Desta feita, mesmo em havendo uma série de outros lançamentos constantes dos autos do presente processo, fato é que o julgamento do presente recurso voluntário deve ser realizado em uma única oportunidade, englobando a análise de todos eles, até mesmo porque o mesmo fora levado a efeito pela DRJ de origem, existindo um único acórdão sobre todos os pontos. E diante dos documentos juntados aos autos, em respeito, ainda ao princípio da verdade material, que a meu ver, a toda evidência deve ser aplicado ao processo administrativo tributário, sobretudo em casos como o presente, no qual a documentação juntada, mesmo que deforma tardia, pode ensejar a revisão, inclusive completa do lançamento respectivo, creio que, antes mesmo da análise dos demais pontos objeto do recurso, alguns esclarecimentos sobre este ponto sejam necessários. Assim, nos termos daquilo o que disposto no art. 18 do Decreto 70.235/72, faz se necessário a realização de diligência prévia ao julgamento do recurso voluntário, para que então, todas as questões nele aduzidas possam ser conjuntamente e de uma sôo vez apreciada. Confirase o dispositivo legal: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Ante todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO DO EM DILIGÊNCIA, para que seja determinada a baixa dos autos a DRJ de origem e o fiscal autuante se manifeste sobre os documentos juntados à fls. 3.204 a 3.210, esclarecendo se os mesmos: (i) são relacionados com o lançamento da rubrica DC – competência 04/2007; (ii) se são suficientes a demonstrar o recolhimento total ou parcial das contribuições lançadas á época e constantes do presente Auto de Infração; Fl. 3274DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 15504.720813/201187 Resolução nº 2401000.337 S2C4T1 Fl. 197 12 (iii) se tais recolhimentos constam nos sistemas da Receita Federal do Brasil; (iv) se tais recolhimentos, de alguma forma, foram aproveitados quando da elaboração do presente Auto de Infração ou em outra situação; Após, intimese a contribuinte do resultado da diligência para manifestação em 30 (trinta) dias. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 3275DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES
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Numero do processo: 10950.904943/2012-70
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÃO. VENDAS INADIMPLIDAS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
As vendas inadimplidas não se confundem com as vendas canceladas, inexistindo autorização legal para a sua exclusão da base de cálculo da contribuição.
Numero da decisão: 3803-005.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. A atividade da autoridade administrativa é obrigatória e vinculada, devendo se observar os comandos normativos presentes em leis vigentes e válidas, não lhe sendo facultado o poder de afastar o cumprimento de lei sob alegação de inconstitucionalidade (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÃO. VENDAS INADIMPLIDAS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. As vendas inadimplidas não se confundem com as vendas canceladas, inexistindo autorização legal para a sua exclusão da base de cálculo da contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 49 43 /2 01 2- 70 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.904943/201270 Acórdão n.º 3803005.144 S3TE03 Fl. 105 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Curitiba/PR que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não homologara a compensação declarada por meio de Declaração de Compensação (DCOMP), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a homologação da compensação declarada, com a devida atualização do direito creditório com base na taxa Selic, bem como a suspensão da exigência dos valores compensados até o julgamento definitivo na esfera administrativa do processo de crédito nº 10950.904764/2012 32, por força do previsto no art. 48, § 3º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005, art. 66, § 5º, da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, e art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional (CTN). Requereu, ainda, o julgamento em conjunto deste processo com o processo administrativo nº 10950.904840/201218, por conter este os documentos probantes do direito pleiteado. Aduziu o então Manifestante que o pagamento a maior decorreria da falta de exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores de vendas não recebidos que, segundo ele, por não se referirem a acréscimo patrimonial, não poderiam se submeter à tributação, sob pena de dupla lesão patrimonial e de ofensa aos princípios da capacidade contributiva e da razoabilidade. No seu entendimento, as perdas advindas do inadimplemento das vendas se subsumiriam no conceito de “vendas canceladas”, em razão do cancelamento do contrato decorrente da falta de pagamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do despacho decisório, da DCOMP, de partes do livro Razão e de relatórios relativos à movimentação de títulos vencidos há mais de 6 meses baixados como perda. A DRJ Curitiba/PR não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 26/10/2005 PIS/PASEP. VENDAS. INADIMPLÊNCIA. DEDUÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste previsão legal de dedução da base de cálculo do PIS/PASEP de valores advindos do mero inadimplemento relativamente às vendas efetuadas. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.904943/201270 Acórdão n.º 3803005.144 S3TE03 Fl. 106 3 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido da contribuinte, por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de outros débitos confessados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão em 12 de setembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11 de outubro do mesmo ano e requereu o deferimento do pedido de restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Nos termos do relatório supra, a controvérsia nos autos se restringe ao alegado direito à exclusão, no cômputo da base de cálculo da contribuição, dos valores relativos a perdas decorrentes do inadimplemento de vendas. O direito creditório que o Recorrente pretende compensar neste processo com débitos de sua titularidade encontrase em discussão no processo administrativo nº 10950.904764/201232, em julgamento nesta mesma sessão, encontrandose controvertidos em ambos os mesmos argumentos de fato e de direito. De início, devese ressaltar que alegações de afronta a princípios constitucionais fogem à competência da autoridade tributária administrativa, uma vez que os dispositivos legais vigentes presumemse revestidos do caráter de validade, não havendo a possibilidade de negarlhes execução, em conformidade com o contido no art. 26A do Decreto n° 70.235/1972 – salvo nas hipóteses ali excepcionadas –, bem como no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Além disso, conforme preceitua a Súmula CARF nº 2, este órgão colegiado “não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. No mérito, tratase de matéria disciplinada no art. 1º, § 3º, inciso V, alínea “b”, da Lei nº 10.637, de 2002, nos seguintes termos: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas Fl. 106DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.904943/201270 Acórdão n.º 3803005.144 S3TE03 Fl. 107 4 auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: (...) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. (grifei) Com base no excerto supra, é possível concluir que a exclusão da base de cálculo dos valores recuperados de créditos baixados como perda denota que, quando do inadimplemento do contrato de venda, o valor respectivo não é excluído da receita bruta para fins de cálculo da contribuição. Somente com base nesse entendimento se concebe a exclusão supra identificada, pois, do contrário, terseia uma dupla exclusão relativa a um mesmo fato: a primeira no momento da ocorrência do inadimplemento da venda e a segunda quando da recuperação da respectiva perda, esta expressamente autorizada por lei. Notese que essa mesma intelecção consta da decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região a seguir reproduzida em parte (AC 2002.72.05.0063860, 2ª T., maio/2004): PIS/PASEP. COFINS. ANALOGIA. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. DEDUÇÃO. CRÉDITO NÃO RECEBIDO DE VENDA EFETUADA. VENDA CANCELADA. NÃO SE CONFUNDE. NÃOAPLICABILIDADE DO RIR ÀS CONTRIBUIÇÕES. PRINCÍPIOS DA ISONOMIA E DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. 1. Não há previsão legal de exclusão da base de cálculo da COFINS (faturamento) dos valores relativos às vendas cujos pagamentos não foram adimplidos. Isso porque venda cancelada é venda inexistente não ocorreu o fato gerador; enquanto venda cujo pagamento não foi adimplido é venda existente ocorreu o fato gerador. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.904943/201270 Acórdão n.º 3803005.144 S3TE03 Fl. 108 5 2. Para que ocorra a tributação, in casu, basta que haja faturamento/receita bruta, sendo indiferente à lei se os valores relativos ao negócio ingressam ou não 'em caixa'. Tanto é assim que, a fim de evitar o 'bis in idem' quando da recuperação desses créditos, a Lei nº 9.718/98, no artigo 3º, § 2º, II, exclui da receita bruta as 'recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas'. 3. Inaplicáveis ao caso dispositivos do Regulamento do Imposto de Renda, considerando que cada tributo é regido por legislação própria. 4. Não configura ofensa à isonomia o tratamento conferido pela lei, posto que não se apresentam entes de mesmas características. Ao contrário. Tratase de pessoas jurídicas sujeitas a regimes jurídicos diversos ente público e sociedade empresarial pelo que, em se tratando de situações desiguais, deve ser conferido tratamento desigual. 5. Não há violação ao princípio da capacidade contributiva porque, por determinação constitucional, a Seguridade Social é financiada por toda a sociedade (art. 195), sendo que a pretensão da autora só pode ser atendida de lege ferenda (lei a ser criada). 6. Mantida a condenação ao pagamento dos honorários advocatícios tal como fixado em sentença, posto que em conformidade com o artigo 20 do CPC e em consonância com os parâmetros desta Turma. (grifei) Conforme já havia destacado o relator do acórdão recorrido, as perdas decorrentes de inadimplemento não se subsumem no conceito de “vendas canceladas”, pois estas representam “a anulação de valores registrados como receita bruta de vendas e serviços”1, enquanto que eventuais perdas ou ganhos decorrentes da transação não devem afetar a referida receita. Os elementos probatórios trazidos aos autos pelo contribuinte na Manifestação de Inconformidade indicam que o fato controvertido se refere a valores baixados como perdas por falta de recebimento e não por desfazimento da operação de venda. O termo “vendas canceladas” se refere às devoluções das mercadorias ao fornecedor, cujo valor respectivo deve ser deduzido, em conta própria, do valor da receita bruta de vendas. O seguinte trecho de decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) corrobora com essa intelecção. TRIBUTÁRIO. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. (...). EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. "VENDAS INADIMPLIDAS". ALEGADA EQUIPARAÇÃO COM "VENDAS CANCELADAS". ANALOGIA/EQÜIDADE. INAPLICABILIDADE. ARTIGOS 111 E 118, DO CTN. OBSERVÂNCIA. 1 IN SRF n.º 51, de 3 de novembro de 1978. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.904943/201270 Acórdão n.º 3803005.144 S3TE03 Fl. 109 6 (...) 4. Entrementes, o inadimplemento do consumidor não equivale ao cancelamento da compra e venda, no qual ocorre o desfazimento do negócio jurídico, denotando a ausência de receita e, conseqüente, intributabilidade da operação. 5. Isto porque o cancelamento da venda caracterizase pela devolução da mercadoria vendida ante a rescisão ou resilição do negócio jurídico, em virtude da inadimplência do comprador ou sua desistência ou de ambos os contratantes, entre outros motivos, implicando na anulação dos valores registrados como receita de vendas e serviços. (...) 8. Ademais, o posterior inadimplemento de venda a prazo não constitui condição resolutiva da hipótese de incidência das exações em tela, uma vez que o Sistema Tributário Nacional estabeleceu o regime financeiro de competência como a regra geral para apuração dos resultados da gestão patrimonial das empresas. Mediante o aludido regime financeiro, o registro dos fatos contábeis é realizado a partir de seu comprometimento e não do efetivo desembolso ou ingresso da receita correspondente. 9. Os pactos privados não influem na relação tributária, pela sua finalidade plurissubjetiva de satisfação das necessidades coletivas, não sendo lícito ao contribuinte repassar o ônus da inadimplência de outrem ao Fisco. É nesse sentido que o artigo 118 dispõe: "Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos." 10. Outrossim, a exclusão das reversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como perda da base de cálculo do PIS e da COFINS, ex vi do inciso II, do § 2º, do artigo 3º, da Lei 9.718/98, corrobora o entendimento de que as "vendas inadimplidas" não se encontram albergadas na expressão "vendas canceladas", não podendo, por analogia, implicar em exclusão do crédito tributário, tanto mais que a isso equivaleria afrontar o artigo 111, do CTN, verbis: "Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Fl. 109DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.904943/201270 Acórdão n.º 3803005.144 S3TE03 Fl. 110 7 III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias." 11. A analogia não pode implicar em exclusão do crédito tributário, porquanto criação ou extinção de tributo pertencem ao campo da legalidade. 12. No plano póspositivista da Justiça Tributária, muito embora receita inadimplida economicamente não devesse propiciar tributo, é cediço que o emprego da eqüidade não pode dispensar o pagamento do tributo devido (§ 2º, do artigo 108, do CTN). (...) 14. Destarte, a opção legislativa em não inserir as "vendas inadimplidas" entre as hipóteses de exclusão do crédito tributário atinente ao PIS e à COFINS não pode ser dirimida pelo intérprete, mesmo que a pretexto de aplicação do princípio da capacidade contributiva, notadamente em virtude da ausência de perfeita similaridade entre os eventos econômicos confrontados. 2 (grifei) Nesse sentido, repisese, as vendas inadimplidas não se encontram albergadas pelo termo “vendas canceladas”, inexistindo, na espécie, a necessária devolução da mercadoria que caracteriza o cancelamento da compra e venda. O fato de o comprador não honrar seu compromisso financeiro não afasta a tributação incidente sobre o faturamento ou receita bruta, este apurado com base no regime da competência, em que os fatos são contabilizados a partir de seu comprometimento e não do efetivo ingresso do valor correspondente. Registrese que, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 586.482, ocorrido em 5 de junho de 2008, o Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a existência de repercussão geral na matéria relativa à exclusão das vendas inadimplidas da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Contudo, de acordo com consulta ao sítio do STF na internet, realizada em 9 de dezembro de 2013, constatouse que o referido RE ainda não teve o mérito julgado, em razão do que não há que se invocar a regra contida no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Destaquese do relatório do referido RE a decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região que fora ementada nos seguintes termos: PIS. COFINS. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. VENDAS A PRAZO INADIMPLIDAS. A legislação que disciplina o PIS e a COFINS não autoriza a exclusão da base de cálculo das vendas a prazo inadimplidas, bem como dos créditos incobráveis dos adquirentes dos produtos e/ou serviços por inadimplemento. Eventos que tais, 2 REsp 1029434 / CE, Relator(a) Ministro LUIZ FUX, 1ª Turma, julg. 20/05/2008, publicação 18/06/2008. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.904943/201270 Acórdão n.º 3803005.144 S3TE03 Fl. 111 8 compreendidos pelo próprio risco da atividade, não maculam a obrigação tributária. Não há falar que as vendas inadimplidas são equiparáveis às vendas canceladas. Quando ocorre o cancelamento do negócio, na verdade, o fato gerador do tributo não chega a existir e por essa razão é prevista como caso de exclusão da base de cálculo das contribuições art. 3º da Lei ns 9.715/98 e art. 3º, § 2º, Lei nº 9.718/98, bem como na legislação posterior, Leis ns 10.637/2002 e 10.833/93; situação outra é o inadimplemento das vendas a prazo. Nesta o fato gerador subsiste perfeito e acabado, como no caso dos autos, em que não houve demonstração de cancelamento das vendas, mas mera narração de inadimplemento de alguns dos adquirentes, que não tem o condão de desconstituir o fato gerador dos tributos em tela. (grifei). O excerto supra caminha no mesmo sentido, qual seja, a obrigação tributária não é afastada nos casos de inadimplência, não se equiparando tal evento às vendas canceladas, estas, sim, previstas em lei como hipótese de exclusão da base de cálculo das contribuições. No presente caso, por se tratar de contribuição não cumulativa, que não alcança as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido (art. 8º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 2002), não há que se perquirir acerca do direito à apuração da contribuição com base no regime de caixa, direito este exclusivo das pessoas jurídicas que adotam o regime presumido de tributação (MP n º 2.15835, de 2001, art. 20; e IN nº 247, de 2002, art. 14 e art. 85). Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 111DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10882.910100/2011-82
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000
PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO.
Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.226
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS - Presidente, em exercício.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 91 01 00 /2 01 1- 82 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 24): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de Apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 Ementa: RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Sendo diferentes os regimes pelos quais a restituição e a compensação podem ou não ser viabilizadas, e por falta de previsão legal, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Por sua vez, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade alegando ter ocorrido a homologação tácita do pedido, devido ao decurso de cinco anos entre a apresentação do PER/Dcomp e a prolação do despacho decisório. A DRJ entendeu que o prazo estipulado no §5º, do art. 74, não seria aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição, em decorrência da diversidade do regime jurídico da restituição e da compensação, bem como por ausência de previsão legal. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 33, reitera a alegação de homologação tácita, requerendo o provimento do recurso voluntário e a consequente reforma da decisão recorrida. É o Relatório. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10882.910100/201182 Acórdão n.º 3802002.226 S3TE02 Fl. 50 3 Voto Conselheiro Solon Sehn O Recorrente teve ciência da decisão no dia 13/06/2013 (fls. 31), interpondo recurso tempestivo em 17/06/2013 (fls. 33). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. A Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, teve por objetivo unificar o regime de compensação, extinguindo a compensação realizada na Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), na escrituração contábil ou condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pelo regime de autocompensação, que ressaltadas as contribuições previdenciárias compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, como se sabe, a extinção do crédito tributário é considerada tacitamente homologada após o decurso do prazo de cinco anos, nos termos do § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003). Notase, portanto, que o prazo do §5º do art. 74 não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. O fato destes serem transmitidos pelo mesmo instrumento da declaração de compensação (o PER/Dcomp) não autoriza nem mesmo por analogia, como sustentou a Recorrente a aplicação do prazo de cinco anos para a homologação tácita, até porque, ao contrário do que ocorre na compensação, não haveria uma extinção do crédito tributário prévia a ser homologada. Votase, assim, pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 52DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Numero do processo: 13161.000277/2009-88
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. RENDIMENTOS DE ALUGUEL. DEVER DE COMPROVAR A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR A CARGO DO FISCO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE ILIDIR A PROVA PRODUZIDA PELO FISCO.
A averiguação da ocorrência do fato gerador e comprovação da sujeição passiva cabe ao Fisco. Nestes autos, o fato gerador constitui-se na imputação de omissão de rendimentos de aluguéis com base unicamente em informação prestada pela fonte pagadora-locatária (DIRF), entretanto o demonstrativo elaborado pela própria imobiliária e o comprovante de rendimentos emitido pela propria fonte pagadora indicam que o aluguel foi pago à filha do recorrente, que o declarou tempestivamente, e não ao contribuinte. Fragiliza-se a única prova existente para o lançamento, razão pela qual, nesse ponto, deve ser descontituído. Situação diversa ocorre em relação aos rendimentos omitidos em que não há prova suficiente para desqualificar a informação que as fontes pagadoras prestaram à Receita Federal.
IRPF. RENDIMENTOS DE ALUGUEL. TITULAR DA DISPONIBILIDADE ECONÔMICA OU JURÍDICA. CONTRIBUINTE. CESSÃO DE DIREITOS ANTERIOR AO MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. DEVER DE COMPROVAR A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR A CARGO DO FISCO. ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA CESSÃO DE DIREITOS A CARGO DO RECORRENTE. TRANSFERÊNCIA DE RENDA DE ALUGUEL SEM COMPROVAÇÃO DA CESSÃO DA DISPONIBILIDADE JURÍDICA. ATO DE LIBERALIDADE.
Uma vez comprovado o recebimento de aluguel por meio de DIMOB/DIRF, cabe ao contribuinte comprovar as alegações que contrariam o quanto contido naquela Declaração. Em relação aos aluguéis de imóveis, o contribuinte do imposto sobre a renda é o proprietário do imóvel pois este é o titular da disponibilidade econômica ou jurídica da renda. Se o proprietário cedeu os direitos sobre os frutos do imóvel, para que se atribua ao cessionário a qualidade de contribuinte esta cessão há de ocorrer antes do fato gerador e deve ser comprovada. Se a alegada cessão prévia ao fato gerador não é comprovada, considera-se não existente, situação em que eventual entrega dos rendimentos de aluguéis aos filhos constitui ato de liberalidade que não altera a sujeição passiva tributária de quem detêm a disponibilidade jurídica sobre os aluguéis.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ATRIBUIÇÃO DO ÓRGÃO JULGADOR. IMPOSSIBILIDADE E INOVAR A FUNDAMENTAÇÃO E AGRAVAR EXIGÊNCIA.
O Órgão Julgador deve julgar a impugnação com base na fundamentação e na exigência feita no lançamento, não sendo permitido inovar a fundamentação e agravar a exigência com base nos documentos acostados com a impugnação. Desta forma, a autuação com base em omissão de rendimentos informados em DIMOB, cujos valores foram admitidos, não pode ser modificada pela autoridade julgadora para aumentar o valor do rendimento com base em outros documentos.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da omissão de rendimentos de aluguéis o valor de R$15.642,00 (quinze mil, seiscentos e quarenta e dois reais), referentes a valores pagos por Leon Greff Miquita - ME e reduzir a omissão de rendimentos pagos por Mileny Acessórios Ltda para R$3.959,30 (três mil, novecentos e cinqüenta e nove reais e trinta centavos), nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 23/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano, Jimir Doniak Júnior e Carlos André Ribas de Melo.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 IRPF. RENDIMENTOS DE ALUGUEL. DEVER DE COMPROVAR A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR A CARGO DO FISCO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE ILIDIR A PROVA PRODUZIDA PELO FISCO. A averiguação da ocorrência do fato gerador e comprovação da sujeição passiva cabe ao Fisco. Nestes autos, o fato gerador constitui-se na imputação de omissão de rendimentos de aluguéis com base unicamente em informação prestada pela fonte pagadora-locatária (DIRF), entretanto o demonstrativo elaborado pela própria imobiliária e o comprovante de rendimentos emitido pela propria fonte pagadora indicam que o aluguel foi pago à filha do recorrente, que o declarou tempestivamente, e não ao contribuinte. Fragiliza-se a única prova existente para o lançamento, razão pela qual, nesse ponto, deve ser descontituído. Situação diversa ocorre em relação aos rendimentos omitidos em que não há prova suficiente para desqualificar a informação que as fontes pagadoras prestaram à Receita Federal. IRPF. RENDIMENTOS DE ALUGUEL. TITULAR DA DISPONIBILIDADE ECONÔMICA OU JURÍDICA. CONTRIBUINTE. CESSÃO DE DIREITOS ANTERIOR AO MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. DEVER DE COMPROVAR A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR A CARGO DO FISCO. ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA CESSÃO DE DIREITOS A CARGO DO RECORRENTE. TRANSFERÊNCIA DE RENDA DE ALUGUEL SEM COMPROVAÇÃO DA CESSÃO DA DISPONIBILIDADE JURÍDICA. ATO DE LIBERALIDADE. Uma vez comprovado o recebimento de aluguel por meio de DIMOB/DIRF, cabe ao contribuinte comprovar as alegações que contrariam o quanto contido naquela Declaração. Em relação aos aluguéis de imóveis, o contribuinte do imposto sobre a renda é o proprietário do imóvel pois este é o titular da disponibilidade econômica ou jurídica da renda. Se o proprietário cedeu os direitos sobre os frutos do imóvel, para que se atribua ao cessionário a qualidade de contribuinte esta cessão há de ocorrer antes do fato gerador e deve ser comprovada. Se a alegada cessão prévia ao fato gerador não é comprovada, considera-se não existente, situação em que eventual entrega dos rendimentos de aluguéis aos filhos constitui ato de liberalidade que não altera a sujeição passiva tributária de quem detêm a disponibilidade jurídica sobre os aluguéis. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ATRIBUIÇÃO DO ÓRGÃO JULGADOR. IMPOSSIBILIDADE E INOVAR A FUNDAMENTAÇÃO E AGRAVAR EXIGÊNCIA. O Órgão Julgador deve julgar a impugnação com base na fundamentação e na exigência feita no lançamento, não sendo permitido inovar a fundamentação e agravar a exigência com base nos documentos acostados com a impugnação. Desta forma, a autuação com base em omissão de rendimentos informados em DIMOB, cujos valores foram admitidos, não pode ser modificada pela autoridade julgadora para aumentar o valor do rendimento com base em outros documentos. Recurso provido em parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2484; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 187 1 186 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13161.000277/200988 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.664 – 2ª Turma Especial Sessão de 22 de janeiro de 2014 Matéria IRPF Recorrente LAURO SATOSHI IGUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 IRPF. RENDIMENTOS DE ALUGUEL. DEVER DE COMPROVAR A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR A CARGO DO FISCO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE ILIDIR A PROVA PRODUZIDA PELO FISCO. A averiguação da ocorrência do fato gerador e comprovação da sujeição passiva cabe ao Fisco. Nestes autos, o fato gerador constituise na imputação de omissão de rendimentos de aluguéis com base unicamente em informação prestada pela fonte pagadoralocatária (DIRF), entretanto o demonstrativo elaborado pela própria imobiliária e o comprovante de rendimentos emitido pela propria fonte pagadora indicam que o aluguel foi pago à filha do recorrente, que o declarou tempestivamente, e não ao contribuinte. Fragiliza se a única prova existente para o lançamento, razão pela qual, nesse ponto, deve ser descontituído. Situação diversa ocorre em relação aos rendimentos omitidos em que não há prova suficiente para desqualificar a informação que as fontes pagadoras prestaram à Receita Federal. IRPF. RENDIMENTOS DE ALUGUEL. TITULAR DA DISPONIBILIDADE ECONÔMICA OU JURÍDICA. CONTRIBUINTE. CESSÃO DE DIREITOS ANTERIOR AO MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. DEVER DE COMPROVAR A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR A CARGO DO FISCO. ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA CESSÃO DE DIREITOS A CARGO DO RECORRENTE. TRANSFERÊNCIA DE RENDA DE ALUGUEL SEM COMPROVAÇÃO DA CESSÃO DA DISPONIBILIDADE JURÍDICA. ATO DE LIBERALIDADE. Uma vez comprovado o recebimento de aluguel por meio de DIMOB/DIRF, cabe ao contribuinte comprovar as alegações que contrariam o quanto contido naquela Declaração. Em relação aos aluguéis de imóveis, o contribuinte do imposto sobre a renda é o proprietário do imóvel pois este é o titular da disponibilidade econômica ou jurídica da renda. Se o proprietário cedeu os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 02 77 /2 00 9- 88 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 direitos sobre os frutos do imóvel, para que se atribua ao cessionário a qualidade de contribuinte esta cessão há de ocorrer antes do fato gerador e deve ser comprovada. Se a alegada cessão prévia ao fato gerador não é comprovada, considerase não existente, situação em que eventual entrega dos rendimentos de aluguéis aos filhos constitui ato de liberalidade que não altera a sujeição passiva tributária de quem detêm a disponibilidade jurídica sobre os aluguéis. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ATRIBUIÇÃO DO ÓRGÃO JULGADOR. IMPOSSIBILIDADE E INOVAR A FUNDAMENTAÇÃO E AGRAVAR EXIGÊNCIA. O Órgão Julgador deve julgar a impugnação com base na fundamentação e na exigência feita no lançamento, não sendo permitido inovar a fundamentação e agravar a exigência com base nos documentos acostados com a impugnação. Desta forma, a autuação com base em omissão de rendimentos informados em DIMOB, cujos valores foram admitidos, não pode ser modificada pela autoridade julgadora para aumentar o valor do rendimento com base em outros documentos. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da omissão de rendimentos de aluguéis o valor de R$15.642,00 (quinze mil, seiscentos e quarenta e dois reais), referentes a valores pagos por Leon Greff Miquita ME e reduzir a omissão de rendimentos pagos por Mileny Acessórios Ltda para R$3.959,30 (três mil, novecentos e cinqüenta e nove reais e trinta centavos), nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano, Jimir Doniak Júnior e Carlos André Ribas de Melo. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2006, anocalendário 2005, devido ter sido apurada omissão de rendimentos de aluguéis pagos por pessoas físicas, rendimentos de trabalho pagos por pessoas jurídicas, rendimentos de alugueis ou Royalties recebidos de pessoas jurídicas, resgate de contribuições à previdência privada e glosa de compensação de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF. A Notificação de Lançamento guerreada consta às fls. 43/50. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13161.000277/200988 Acórdão n.º 2802002.664 S2TE02 Fl. 188 3 O contribuinte não impugnou os itens abaixo: a) a omissão de rendimentos relativa aos resgates de contribuições para previdência privada e a respectiva compensação de IRRF no valor de R$255,58; b) glosa de IRRF referente a Unimed Dourados no valor de R$551,70; c) Omissão de rendimentos recebidos de Buainan & Cia Ltda na quantia de R$3.768,22 e de Mileny Acessórios – EPP, de R$3.959,30; d) omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas na importância de R$7.613,11. Os demais itens foram impugnados e a impugnação indeferida com as alegações e fundamentações resumidas abaixo. A omissão referente à Unimed Dourados foi impugnada por meio da apresentação de comprovante de rendimentos de fls. 05/07. No acórdão recorrido considerou se que esses documentos emitidos pela fonte pagadora não possuem capacidade probatória à altura da DIRF, devendo prevalecer os dados informados nesta última. Quanto à omissão de rendimentos pagos por Leon Greff Miquita ME e Sadec Sociedade de Apoio ao Desenvolvimento Educacional, o contribuinte alegou que não houve omissão, uma vez que tais rendimentos foram creditados aos seus filhos Lilian Tamy Iguma, Cinthia Satomi Iguma , Eder Iguma e Karina Emy Iguma. Entretanto, o acórdão recorrido baseouse no art. 2° do RIR1999 e na exigência de comprovação de usufruto aos filhos por meio de registros públicos e contrato de locação demonstrando que os filhos são os titulares dos rendimentos. No tocante aos rendimentos de Mileny Acessórios Ltda, o contribuinte sustentou que o valor parcial de R$3.417,00 foi declarado por sua esposa o que foi acatado no acórdão para reduzir o valor da omissão, considerando o maior valor dentre os que foram informados em DIMOB ou nos Demonstrativos de Rendas (fls. 99 e 102), descontadas as taxas de administração. Em relação a rendimentos pagos por São Bento Comércio de Medicamentos as alegações foram acatadas com ressalvas referentes a divergências de valores nos documentos. A ciência do acórdão ocorreu em 07/07/2011 e recurso voluntário foi interposto no dia 08/08/2011. Na peça recursal o contribuinte resignase com a omissão alusiva à Unimed Dourados e o valor do IRRF (declarado R$17.34,95 menos R$276,53 – Buainamim & Cia mais R$551,70 – Unimed Dourados e mais 255,58 – resgate previdência privada) As alegações recursais são: 1. rendimentos pagos por Leon Greff Miquita ME e Sadec Sociedade de Apoio ao Desenvolvimento Educacional o contribuinte reitera que tais rendimentos foram creditados. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Discorda da interpretação fiscalista dada ao art. 2º do RIR1999, pois não há legislação que proíba o titular da disponibilidade aventada no referido dispositivo regulamentar de transferir a terceiros. No caso os rendimentos foram transferidos e declarados por seus filhos. O art. 2º do RIR 1999 não veda a transferência de disponibilidade e não se pode tributar com fundamento em Manual perguntas e respostas. Suscita o art. 112 do CTN e o princípio da legalidade tributária. 2. Rendimento pagos por Mileny Acessórios – não há diferenças, o valor recebido foi de R$3.417,00 (declarado pela esposa) mais R$4.887,70 menos comissão de 341,70 com R$586,50, com isso o rendimento líquido foi de R$7.376,60, dos quais R$3.417,00 foram declarados pela esposa e o restante (R$3.959,30) foi admitido pelo contribuinte às fls. 142/3. Alega que refez os cálculos conforme suas razões recursais, que pagou valores antes do julgamento em primeira instância e que os demais valores resultantes da parte não contestada foi parcelado em seis vezes. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O litígio constituise de dois tópicos. I – Os rendimentos pagos por Leon Greff Miquita ME e Sadec Sociedade de Apoio ao Desenvolvimento Educacional devem ser tributados em nome do recorrente ou de seus filhos conforme alegações do recorrente? O acórdão recorrido refutou a alegação do recorrente ao destacar que o contribuinte do imposto de renda referente aos rendimentos produzidos por bem imóvel é o proprietário ou aquele que seja o titular, juridicamente, dos direitos de receber os aluguéis, e o contribuinte não se desincumbiu do ônus de provar suas alegações com a juntada de documentação referente ao registro do imóvel ou de direito de usufruto ou cessão de direitos sobre os rendimentos e contrato de aluguel. O recorrente alega que os referidos rendimentos foram creditados aos seus filhos e por ele declarados. Da seguinte forma: alugueis pagos por Leon Greff teriam sido recebidos e declarados por sua filha Lilian Tamy Iguma; os de Sadec Sociedade de Apoio ao Desenvolvimento da Educação Ltda, por Cinthia Satomi Iguma, Eder Iguma e Karina Emy Iguma. O recorrente entende que não há legislação que o proíba de transferir os rendimentos do aluguel, discorda da interpretação fiscalista dada ao art. 2º do RIR1999, pois não há legislação que proíba o titular da disponibilidade aventada no referido dispositivo regulamentar de transferir a terceiros. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13161.000277/200988 Acórdão n.º 2802002.664 S2TE02 Fl. 189 5 Sustenta que os rendimentos foram transferidos e declarados por seus filhos, que o art. 2º do RIR 1999 não veda a transferência de disponibilidade e que não se pode tributar com fundamento em Manual perguntas e respostas. A Constituição estabelece que “obrigação” tributária, “fato gerador” e “contribuinte” do imposto sobre a renda (art. 146, III, “a” e “b”) são normas gerais a serem estabelecidas por Lei Complementar, temas dos quais se ocupou o Código Tributário Nacional – CTN, notadamente nos art. 114, §1º do art. 113, art. 116 e art. 43. Não há violação ao princípio da legalidade. Daí a se afirmar que, em relação aos aluguéis, o contribuinte do imposto sobre a renda é o titular da disponibilidade econômica ou jurídica no momento definido por lei como da ocorrência do fato gerador, qual seja, o proprietário do imóvel. Se o proprietário cedeu os direitos sobre os frutos do imóvel, para que se atribua ao cessionário a qualidade de contribuinte, esta cessão há de ocorrer antes do fato gerador e deve ser comprovada. Neste caso, o cessionário quando receber o aluguel será o contribuinte. Se a cessão prévia ao fato gerador não é comprovada, considerase não existente, situação em que eventual entrega dos rendimentos de aluguéis aos filhos constitui ato de liberalidade que não altera a sujeição passiva tributária de quem detêm a disponibilidade jurídica sobre os aluguéis. De toda forma, cabe ao Fisco provar a ocorrência do fato gerador e o raciocínio para solucionar este litígio começa por esse ponto. Quanto aos rendimentos pagos por Leon Greff Miquitta, a autuação ampara se, exclusivamente, na informação prestada na DIRF apresentada pela fonte pagadora (fls. 46 e 101). Constatase que, na DIMOB, não consta o pagamento deste aluguel ao recorrente (fls. 99). A averiguação da ocorrência do fato gerador e comprovação da sujeição passiva cabia ao Fisco, cuja prova é frágil diante dos elementos carreados aos autos pelo contribuinte, a saber: demonstrativo elaborado pela Imobiliária Continental Ltda (fls. 12) e o comprovante de rendimentos de Leon Greff Miquitta (fls. 13) e ambos indicam como beneficiário Lilian Tamy Iguma, filha, que declarou tempestivamente o referido valor (fls. 09). Em suma, o fato gerador constituise na imputação de omissão de rendimentos de aluguéis com base unicamente em informação prestada pela fonte pagadora locatária (DIRF), entretanto o demonstrativo elaborado pela própria imobiliária e o comprovante de rendimentos emitido pela propria fonte pagadora indicam que o aluguel foi pago à filha do recorrente, que o declarou tempestivamente, e não ao contribuinte. Fragilizase a única prova existente para o lançamento, razão pela qual, nesse ponto, deve ser descontituído. Esses rendimentos são de R$15.642,00 e devem ser excluídos da base de cálculo do lançamento em apreciação. No tocante aos aluguéis pagos por Sadec a situação é distinta. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 A autoridade fiscal demonstrou com a DIMOB o recebimentos dos aluguéis. O contribuinte trouxe apenas as Declarações de Ajuste Anual de três dos seus filhos (fls. 17, 21 e 30) nas quais constam rendimentos da referida fonte pagadora que somados coincidem com o valor do rendimentos de aluguel que a fiscalização imputou como omissão de rendimentos. Essas declarações isoladamente não são hábeis a comprovar que a disponibilidade jurídica sobre os aluguéis não era do recorrente. Frisase que não faltaram intimações para que o contribuinte – ora recorrente – apresentasse o correspondente contrato de aluguel. Não é a opção exercida pelos filhos de declarar os rendimentos como tributáveis que define a natureza jurídica dos rendimentos em relação ao recorrente. O recorrente não se desincumbiu do ônus de provar fato que se sobrepusesse ao que foi comprovado pela DIMOB. Não é o caso de dúvida, muito menos sobre penalidades. Incabível aplicar o art. 112 do CTN. II – Há diferença a ser considera omissão em relação aos rendimento pagos por Mileny Acessórios? O recorrente alega que o valor recebido foi de R$3.417,00 (declarado pela esposa) mais R$4.887,70 menos comissão de 341,70 com R$586,50, com isso o rendimento líquido foi de R$7.376,60, dos quais R$3.417,00 foram declarados pela esposa e o restante (R$3.959,30) foi admitido pelo contribuinte às fls. 142/3. O recorrente alega que já admitiu ter omitido R$3.959,30 e que sua esposa declarou R$3.417,00, o que corresponde ao total dos rendimentos. A tabela abaixo resume a alegação recursal: 1 Omissão não contestada 3.959,30 2 Declarado pela esposa 3.417,00 3 Comissão 341,70 4 Comissão 586,50 5 Rendimento Bruto (= 1 + 2+ 3+ 4) 8.304,50 6 Rendimento Líquido (= 5 3 4) 7.376,60 Idêntica alegação foi analisada em primeira instância, momento em que a omissão de rendimentos foi reduzida de R$7.376,30 para R$5.185,00 (fls. 149). Lembrando que R$3.959,30, é o valor da omissão admitido tanto na instância de piso como na fase recursal. A declaração de R$3.417,00 pela esposa é incontroversa. Os documentos apresentados pelo recorrente são demonstrativos de rendas de alugueis (fls. 92, 99 e 102), contrato de locação (fls. 120/122) e DIRPF da esposa (fls. 69/72). A controvérsia entre o recorrente e o acórdão recorrido é representada pelo fato de a decisão guerreada ter recalculado o valor da omissão com base no “maior valor dentre os da tabela de fls. 148 (numeração digital 158). Essa forma de apuração constituiu agravamento da exigência, uma vez que o lançamento baseouse na DIMOB para imputar omissão de rendimentos de R$7.376,30 (fls. 43), enquanto a decisão, ao invés de julgar a impugnação com base no valor líquido de Fl. 192DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13161.000277/200988 Acórdão n.º 2802002.664 S2TE02 Fl. 190 7 R$7.376,30 constante da DIMOB, reputou que o valor líquido pago pela locatária foi de R$8.602,00 (fls. 99 e 102). O valor de R$8.602,00 foi segregado em R$3.417,00 declarado pela esposa e o saldo considerado omissão R$5.185,00, superior ao que o contribuinte admitira. Embora este valor seja inferior à omissão lançada constitui uma inovação no lançamento e agravamento da exigência quando se leva em conta a tributação sobre o casal. Não cabe ao Órgão Julgador o papel de autoridade lançadora, nem o de utilizar a impugnação para agravar a exação. Portanto, a omissão de rendimentos atribuída ao recorrente referente aos valores pagos por Mileny Acessórios Ltda somente pode ser exigida até o valor de R$3.959,30, importância admitida no momento da impugnação. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir da omissão de rendimentos de aluguéis o valor de R$15.642,00 (quinze mil, seiscentos e quarenta e dois reais), referentes a valores pagos por Leon Greff Miquita ME e reduzir a omissão de rendimentos pagos por Mileny Acessórios Ltda para R$3.959,30 (três mil, novecentos e cinqüenta e nove reais e trinta centavos). (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 193DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13501.000041/2003-58
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1803-000.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Presidente Substituto e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Neudson Cavalcante Albuquerque.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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DE CERVEJA E REFRIGERANTES DO NE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Neudson Cavalcante Albuquerque. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 01 .0 00 04 1/ 20 03 -5 8 Fl. 370DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13501.000041/200358 Resolução nº 1803000.083 S1TE03 Fl. 321 2 PRIMO SCHINCARIOL IND. DE CERVEJA E REFRIGERANTES DO NE S/A, ,pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ SALVADOR (BA), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Trata o presente processo de pedido de compensação protocolizado em 10 de fevereiro de 2003, relativo a saldo negativo do IRPJ apurado no anocalendário de 2002, no valor de R$ 613.181,27, conforme fl. 146. Com o referido indébito quer a contribuinte compensar os débitos demonstrados a fl. 191, num total de R$ 315.855,67. A solicitação foi parcialmente atendida pela DRF/Camaçari em razão dos seguintes fatos: a) Informação na Ficha 08, Demonstração do Lucro da Exploração, de Despesas não Operacionais o valor de $ 2.928.110,18 enquanto o correto seria R$ 2.793.470,20. b) Informação na Ficha 08, Demonstração do Lucro da Exploração, de Tributos e Contribuições — Exigibilidade Suspensa no valor de R$ 2.819.546,31 enquanto deveria informar R$ 2.507.148,74. c) Informação na Ficha 08, Demonstração do Lucro da Exploração, de Receitas não Operacionais no valor de R$ 4.897.843,69 enquanto o correto seria R$ 4.939.006,43. d) 0 contribuinte pleiteou o valor de R$ 800.011,07 a titulo de estimativa pagas no período enquanto foi confirmado apenas a quantia de R$ 688.638,76 em razão de a quantia de R$ 111.372,31 relativa a estimativa do mês de dezembro de 2002, a qual foi considerada não paga por decisão proferida no processo n° 13501.000026/200229. e) 0 contribuinte havia deduzido do IRPJ a titulo de IRRF quantia de R$ 613.181,27 que foi reduzido para R$ 522.853,87 em face de não haver apresentado a totalidade da documentação exigida para aferir tal dedução. Dado as informações acima relatadas foi efetuado ajustes no saldo negativo do IRPJ que passou a ser de R$ 299.842,18 ao invés de R$ 613.181,27 como pretendia a Impugnante. Ciente em 24 de novembro de 2006 do despacho decisório, o contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade em 26 de dezembro de 2006. Alega a Impugnante que quanto aos ajustes ao lucro da exploração o que segue: Fl. 371DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13501.000041/200358 Resolução nº 1803000.083 S1TE03 Fl. 322 3 a) Quanto as Despesas não Operacionais informa que a divergência apontada é decorrente de ser a peticionaria isenta do IRPJ conforme Portaria DAI/ITE 0309/1997, e que no anocalendário de 2002 somente a matriz fazia jus a isenção do IRPJ. Como no momento de apuração do lucro da exploração deve ser informado o lucro liquido antes do IRPJ que é composto pelos resultados da matriz e filiais e como o resultado das filiais não pode ser computado para o cálculo da isenção do IRPJ, a peticionaria incluiu no total das despesas não operacionais o valor do prejuízo apurado pelas filiais no anocalendário de 2002, visando assim anular qualquer influência no cálculo do lucro da exploração. b) Quanto ao item Tributos e Contribuições com Exigibilidade Suspensa alega que o valor de R$ 2.507.148,74 informado na Ficha 09 A da DIPJ/2003, referese ao aumento da alíquota da COFINS introduzido pelo art. 8° da Lei 9.718/98. Esse valor foi lançado na linha 1, pois sua suspensão está lastreada por depósitos judiciais. c) Com referencia a diferença de R$ 312.397,57 existente entre o valor informado na ficha 08 e 09 A — (R$ 2.819.546,31 — R$ 2.507.148,76) também está informada na Ficha 09 A, mas na linha 03 (Despesas Operacionais — Soma das parcelas não dedutíveis). Complementa que tal importância referese discussão do alargamento da base do PIS e da COFINS, instituído pelo artigo 3 0 da Lei n° 9.718/98, e está com exigibilidade suspensa por força de decisão judicial. d) Em relação as Receitas não Operacionais informa que por ser beneficiária de isenção do IRPJ sobre o lucro da exploração somente a matriz, deve excluir o lucro que estiver relacionado com as filiais para anular qualquer efeito. e) Com referencia ao pagamento das estimativas informa que o saldo negativo do IRPJ de 2001, conforme demonstrado no processo administrativo 13501.000026/200229 (Manifestação de Inconformidade), é suficiente à quitação de todas as compensações informadas. Quanto ao Imposto de Renda Retido na Fonte informa a Impugnante estar anexando ao processo planilha onde estão relacionados todas as retenções sofridas no anocalendário de 2002, que totalizam R$ 1.264.001,88 e que tais valores podem ser comprovados através de documentos existentes nos autos, bem como no livro razão anexo. A DRJ SALVADOR (BA), através do acórdão nº 1517.669, de 21 de novembro de 2008 (fls. 281/298), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim a decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ DO CRÉDITO OFERECIDO. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13501.000041/200358 Resolução nº 1803000.083 S1TE03 Fl. 323 4 Em procedimento para avaliar a liquidez de créditos oferecidos em compensação, há que se restringir a autoridade administrativa a ajustes que por sua natureza não constituam lançamento. Caso sejam exigidos ajustes com natureza de lançamento deverá ser lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. Para o reconhecimento de alegado direito creditório oriundo de retenções efetuadas por terceiros objeto de pedido de restituição e de compensação, a pessoa jurídica deverá demonstrar para a repartição competente, sua efetiva existência com comprovantes emitidos pelas fontes pagadoras dos rendimentos, bem como o oferecimento A tributação da correspondente receita. RECEITAS FINANCEIRAS. PROVA DA TRIBUTAÇÃO. Para que as retenções do IRRF sejam admitidas como integrantes do saldo negativo do IRPJ deverá a contribuinte demonstrar que as receitas correspondentes foram oferecidas A tributação quer no próprio anocalendário quer em anteriores. Solicitação Deferida em Parte Ciente da decisão em 25/02/2009, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 316/317), apresentou o recurso voluntário em 02/03/2009 fls. 295/301, onde reitera seu direito ao saldo negativo integral. É o relatório. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13501.000041/200358 Resolução nº 1803000.083 S1TE03 Fl. 324 5 VOTO. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de pedido de restituição/cumulado com compensação cujo direito creditório decorre do saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2002, parcialmente deferido pela unidade de origem. Com fulcro na decisão de primeira instância que deferiu parcialmente a manifestação de inconformidade, a unidade de origem homologou as compensações realizadas (fl. 310), aduzindo que a seu juízo não restaria mais litígio a ser solucionado já que não estar seia tratando de pedido de ressarcimento mas tão somente de declarações de compensação com utilização parcial do saldo negativo de 2002. No entanto, considerando que o litígio versa sobre o valor integral do saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2002, podendo haver implicações em outras compensações realizadas utilizando o saldo remanescente do direito creditório, passo a apreciar as alegações do recurso voluntário. Alega a recorrente em síntese: a) Com referência a estimativa não recolhida de dezembro/2002, sua glosa não procede pois existe o saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2001, conforme está sendo comprovado no processo 13501.000026/200229, ora sob análise do CARF, devendo o presente ser sobrestado até decisão final do mencionado processo; b) Que deve ser considerado integralmente o imposto de renda retido na fonte conforme documentos já acostados aos autos, devendo ser considerando integralmente o saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 613.181,27. Inicialmente com referência à estimativa de dezembro/2002, compensada com parte do saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2001, verifico que o processo 13501.000026/200229, teve seu julgamento convertido em diligência, conforme Resolução nº 1103000.111, da – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária da 1ª SEJUL, para comprovação das alegações da contribuinte em relação ao imposto de renda retido na fonte daquele ano. Por outro lado, observo que a contribuinte carreou considerável documentação que amparam suas alegações em relação ao imposto de renda retido na fonte do ano calendário 2002 (fls. 227/234), sem no entanto comprovar de forma inequívoca a real existência dos valores retidos e tampouco confirmam a adequada contabilização das receitas correspondentes. Desta forma, considerando que o processo conexo no qual se discute parte do direito creditório foi baixado em diligência e a outra parte controvertida tem sua comprovação carente de melhor elucidação, entendo necessária a conversão também do presente julgamento em diligência. Destarte, deve o processo retornar para a unidade de origem para que a autoridade fiscal, a luz da escrituração contábil e respectiva documentação, audite os lançamentos contábeis cujo resumo foram reproduzidos nos documentos de fls. 227/229 e razão contábil (fls. 230/234), verificando sua correspondência com os documentos existentes Fl. 374DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13501.000041/200358 Resolução nº 1803000.083 S1TE03 Fl. 325 6 atestando sua veracidade e exatidão, para confirmação do imposto de renda retido na fonte apropriado pela recorrente no montante de R$ 1.264.001,88, bem como a correta apropriação das receitas financeiras correspondentes. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem, comprove a exatidão e certeza do imposto de renda retido na fonte no montante de R$ 1.264.001,88, relativo ao ano calendário 2002, com base na escrituração contábil e documentos que a embasam bem como a correta apropriação das receitas financeiras correspondentes. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 375DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 10380.008842/2004-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/03/2003
DÉBITO DECLARADO. COMPENSAÇÃO. GLOSA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
O débito tributário cuja compensação foi glosada por indeferimento do pedido de repetição do crédito financeiro utilizado é passível de exigência por meio de lançamento de ofício.
MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se retroativamente aos atos e fatos pretéritos não definitivamente julgados lei posterior ao lançamento que beneficia o sujeito passivo, para excluir a multa de ofício lançada sobre débito declarado em DCTF.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-002.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Antônio Lisboa Cardoso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Helder Massaaki Kanamaru, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso e Andrada Márcio Canuto Natal. Ausente o conselheiro Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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COMPENSAÇÃO. GLOSA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. O débito tributário cuja compensação foi glosada por indeferimento do pedido de repetição do crédito financeiro utilizado é passível de exigência por meio de lançamento de ofício. MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase retroativamente aos atos e fatos pretéritos não definitivamente julgados lei posterior ao lançamento que beneficia o sujeito passivo, para excluir a multa de ofício lançada sobre débito declarado em DCTF. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Antônio Lisboa Cardoso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 88 42 /2 00 4- 78 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Helder Massaaki Kanamaru, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso e Andrada Márcio Canuto Natal. Ausente o conselheiro Bernardo Motta Moreira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ em Fortaleza (CE) que julgou procedente o lançamento da contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), referente ao fato gerador do mês de competência de março de 2003. O lançamento decorreu da glosa da compensação da contribuição referente àquele fato gerador, que fora efetuada pela recorrente, com crédito financeiro decorrente de pagamento indevido e/ ou maior da mesma contribuição, cujo direito à repetição/compensação foi indeferido por meio do processo nº 10380.003567/200315, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 06/07. Cientificada da exigência do crédito tributário, a recorrente interpôs impugnação (fls. 48/56), alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “O Estado do Ceará postulou, perante a Receita Federal, a restituição da quantia paga indevidamente a título de PASEP, no total de R$ 26.374.398,96 (vinte seis milhões, trezentos e setenta e quatro mil, trezentos e noventa e oito reais e noventa e seis centavos). A referida diligência estadual se fundamentou no fato de terem sido considerados, pelo Supremo Tribunal Federal, inconstitucionais os DecretosLei n.ºs 2.445/88 e 2.449/88, assim como na suspensão da execução de ambos os éditos pelo Senado Federal, através da Resolução n° 49/95. Também se formulou, incidentalmente, pedido de compensação de crédito no montante de R$ 1.550.000,00 (hum milhão, quinhentos e cinqüenta mil reais) relativo ao processo administrativo em destaque, para quitação de débito de PASEP pertinente ao período de apuração 03/2003. No entanto, a Autoridade Administrativa indeferiu o pedido de restituição em questão, e, conseqüentemente, não homologou a compensação, alegando, em síntese, que o direito de pleitear restituição/compensação de créditos contra o Fisco extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contados a partir da extinção do crédito tributário. Lavrouse, então, o auto de infração ora impugnado, em razão do não recolhimento dos valores a título de PASEP pertinente ao período de apuração 031200$, tendo em vista a compensação nãohomologada pela Receita Federal. Assim, a discussão se balizará na possibilidade de compensação desses valores, diante da legislação vigente, bem como dos Tribunais Superiores. Em verdade, não há de prosperar o posicionamento fazendário, uma vez que, tanto no âmbito administrativo como judicial, é firme o entendimento no sentido de que o prazo para recuperação (restituição/compensação) do presente indébito tributário termina por ser de 10 anos (5 + 5). Sabese que a fórmula para o cálculo do prazo de restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação não se coaduna com o entendimento Fl. 155DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10380.008842/200478 Acórdão n.º 3301002.076 S3C3T1 Fl. 155 3 expressado no despacho que indeferiu a compensação, com a respectiva lavratura do auto de infração ora impugnado. Na hipótese de lançamento por homologação, que é o nosso caso, o contribuinte paga, antecipadamente, o tributo, abrindose o prazo de cinco anos para que a homologação se concretize expressamente, ou então de maneira tácita. Somente após essa homologação é que se pode falar em início do prazo para a efetiva extinção do crédito tributário. Assim, apropriandose da fundamentação utilizada na informação fiscal de que o prazo decadencial nos termos do art. 168, inciso I, do Código Tributário Nacional – para restituição/compensação do indébito tributário é',de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário, não há de prevalecer outro posicionamento senão aquele que determina como dia do começo, o dia em que ocorrer a homologação do tributo, seja ela expressa ou tácita, que é quando ocorre a efetiva extinção do crédito. Essa, sem dúvida, é a interpretação sistemática que se pode extrair da inteligência do art. 168, do CTN, porém'da leitura do dispositivo ressoa duas perguntas basilares, nas quais vale a pena nos deter mais detalhadamente: a) quando ocorre a extinção do crédito tributário nas vezes em que o lançamento se dá por homologação? como e/ou quando nasce ou pode surgir o próprio crédito tributário respectivo, de cuja extinção trata o inciso I, do art. 168, do CTN? Evidentemente, o crédito tributário não pode ser extinto antes de ter existência daí a razão da segunda pergunta. E, para existir no mundo jurídico, o crédito tributário imprescinde do lançamento, que é ato privativo da Autoridade destinado exatamente a sua constituição, nos termos do art. 142, do CTN. Portanto, impõese ainda considerar que o crédito tributário não se confunde com a obrigação de pagar antecipadamente (art. 150, CTN), como acontece no caso, haja vista que "a obrigação tributária surge com a ocorrência do fato gerador "(CTN, § 1°. do art. 113), mas "as circunstâncias que modificam o crédito tributário ... não afetam a obrigação que lhe deu origem" (art. 140, CTN). No caso em tela, ocorreu a homologação tácita dos valores pagos a título de PASEP, porquanto não ter havido, no prazo de cinco anos contados do pagamento, qualquer ato administrativo que expressasse o intuito fazendário em analisar a regularidade do recolhimento antecipado dos tributos devidos. Logo, restou homologado o lançamento, com a respectiva extinção do crédito tributário, somente ao final da fluência do prazo de cinco anos, tudo de acordo com a legislação pertinente (§ 4° do art. 150 do CTN). Homologase, portanto, por ato da Autoridade ou atividade do contribuinte, ainda que sob condição resolutória de posterior confirmação ou não, total ou parcial, pela autoridade. Essa confirmação é que se pode dar de forma expressa ou de forma tácita. Antes de tal fato, não há de se falar em extinção do crédito tributário, nem poderia haver, propriamente, extinção do mesmo, não incidindo, nem podendo incidir a prescrição descrita no inciso I, do art. 168, do CTN, até porque esse entendimento não se coadunaria com os demais dispositivos desse código. Não é outro o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça quando já decidiu sobre a matéria, conforme ementas transcritas às fls. 48. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Inclusive, o Supremo Tribunal Federal se manifestou recentemente sobre a matéria, corroborando com o posicionamento do STJ, conforme decisão em anexo. Por fim, reiterase, então, a possibilidade de se postular a restituição dos valores devidos nesses dez últimos anos (a contar da datado protocolo de pleito administrativo), uma vez que é direito do contribuinte ter de volta ao seu patrimônio as quantias pagas indevidamente ao Fisco, não se tendo operado a prescrição ou a decadência do direito de postular sua restituição/compensação. Somente após transcorridos 10 (dez) anos da data do efetivo pagamento, é que se extingue o direito do contribuinte de pleitear eventual restituição ou compensação de tributo equivocadamente pago. Neste mesmo sentido é a interpretação que se pode extrair do texto do Ato Declarat6rio SRF n° 096, de 26 de novembro de 1999, quando afirma que o prazo para que o contribuinte pleiteie a restituição de tributo pago indevidamente, extinguese após o transcurso de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Ademais, vale destacar também outra linha de raciocínio, que diverge dos fundamentos antes mencionados, porém deságua na mesma conclusão de que o prazo para restituição encerrase em dez anos, todavia contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, diferentemente, então, do que se alegou em sede de informação fiscal. Acolhendose o primeiro argumento ou presente a repercussão seria semelhante, por isso a importância de colacionálo a essas razões de modo que seja revogado o despacho administrativo debatido. Ressaltese, todavia, que para considerar válidas as presentes, há de desconsiderar os argumentos expostos anteriormente. O entendimento acima se fundamenta nas disposições do Decreto 4.524/02, em seu art. 95, I. Inclusive, essa regra é repetida na IN 247/02 da SRF (art. 105). Com efeito, é de se notar que o dispositivo leva em conta o fato das contribuições destacadas terem a natureza de contribuições previdenciárias, tendo, então, o seu lançamento regido pela Lei n° 8.212, e não pelo Código Tributário Nacional. Ora, se o prazo para Fazenda Nacional constituir o crédito das contribuições em destaque é de dez anos, sob pena de ferir o princípio da isonomia, o prazo para restituição do tributo pago indevidamente não pode ser menor. E outra, registrese que as regras do CTN, onde se fundamentou o despacho decisório, sempre ressalvam a sua aplicação como sendo de caráter genérico, ou seja, deixam claro que na existência de legislação especial ela seria aplicada em detrimento da regra geral. Induvidoso, portanto, que o prazo para se postular as contribuições pagas indevidamente, é de 10 anos, e não de 05 anos. No que tange ao termo inicial para contagem do prazo de 10 anos, vale tecer breves considerações, já que existem, pelo menos, três hipóteses distintas nas quais poderseia tentar enquadrar o postulante: a) Empresas que impugnaram administrativa ou judicialmente a cobrança. Neste caso o prazo começa a correr a partir do trânsito em julgado da decisão que entendeu procedente ou improcedente o pedido. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10380.008842/200478 Acórdão n.º 3301002.076 S3C3T1 Fl. 156 5 b) Empresas que não entraram com 'impugnação a cobrança; mas a matéria foi objeto de ação coletiva de declaração de inconstitucionalidade. Neste o prazo passa a correr do julgamento favorável na Adin ou processo similar. c) Empresas que não impugnam a cobrança, que por sua vez também, não foi julgada inconstitucional por Adin, mas unicamente em razão de Resolução do Senado Federal que mandou suspender a aplicação da legislação malsinada. Neste caso o prazo começa a correr da data em que foi promulgada a Resolução do Senado Federal dispondo sobre o assunto. Como se vê, o caso do suplicante é especificamente o terceiro, ou seja, não houve contestação judicial, ou administrativa da cobrança. E de toda forma, à época do fato gerador, a busca administrativa seria inviável, uma vez que a Receita Federal entendia que a legislação ordinária que regulava o tributo deveria se sobrepor às Leis Complementares 7 e 8, que lhes eram anteriores e de hierarquia superior. Enquadrandose, então, o caso do Estado do Ceará na hipótese descrita na letra c, reiterase o que foi dito acima, porquanto indiscutível é o dia do inicio do prazo decadencial. Tais conclusões não decorrem de uma simples posição doutrinária. Ao contrário, a própria administração referendou este critério ao julgar a RP 1040304, através do acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que se junta em anexo. Por conseguinte, é incontroverso, até por decisão administrativa definitiva de caráter normativo, que o termo inicial para cálculo do prazo de decadência é a data da resolução do Senado Federal que deu por inconstitucionais os DL 2.445 e 2.449 e legislação similar, isso ocorreu através da Resolução 49 do Senado Federal publicada no D.O. de 10/10/1995. Logo, até outubro de 2005, seria possível reivindicar a restituição ou compensação do que foi pago indevidamente. Pelo que foi dito, qualquer que seja o critério usado para computo do prazo prescricional para a restituição do tributo pago indevidamente pelo contribuinte (Pasep), ele não se esgotou na espécie, posto que os dez anos a que se refere o Decreto n° 4.524/02, somente têm início após o pagamento da exação ou após a publicação da Resolução n° 49 do Senado Federal, nos termos da jurisprudência administrativa. Já de acordo com o CTN, o prazo também é de dez anos, quando a homologação é tácita, como se tem neste caso, mas a contagem é iniciada no dia seguinte ao do pagamento indevido, restando presente o crédito do Estado do Ceará em relação ao que foi pago a título de Pasep após abril de 1993.” Analisada a impugnação, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme acórdão nº 0812.427, datado de 06/12/2007, às fls. 128/140, sob a seguinte ementa: “RESTITUIÇÃO E/OU COMPENSAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFICIO. O prazo para o contribuinte pleitear a restituição/compensação de tributo pago indevidamente ou a maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo STF, em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese Fl. 158DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 após o prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, conforme arts. 165, inciso I e 168, inciso I do CTN, c/c o Ato Declaratório SRF n° 96/99. A nãohomologação da Declaração de Compensação apresentada pelo contribuinte aos 29/04/2003 implica no lançamento de oficio dos débitos nela informados, mormente quando o sujeito passivo não teve reconhecido junto às instâncias administrativas o direito ao crédito pleiteado.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 145/152), requerendo a sua reforma a fim de que se cancele o lançamento sob o fundamento de que o valor lançado e exigido foi compensado com crédito financeiro (indébito) decorrente de pagamentos indevidos e/ ou a maior do Pasep, nos termos dos Decretoslei nº 2.445 e nº 2.449, ambos de 1988, dentro do prazo qüinqüenal de cinco anos, contados da extinção dos respectivos créditos tributários, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN, ou alternativamente, o prazo de dez anos, em isonomia com o prazo de que a Fazenda Pública dispõe para constituir crédito tributário desta natureza, conforme disposto no art. 95, I, do Decreto nº 5.524, de 2002. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. Conforme demonstrado nos autos, o lançamento do crédito tributário em discussão decorreu da glosa da sua compensação com crédito financeiro cujo direito à repetição/compensação foi objeto do processo administrativo nº 10380.003567/200315, com decisão definitiva desfavorável à recorrente. No julgamento do recurso voluntário, objeto do pedido de repetição/ compensação, os membros da Segunda Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negaramlhe provimento sob os fundamentos de prescrição do direito de a recorrente repetir/compensar os indébitos reclamados e de falta de comprovação dos pagamentos indevidos e/ ou a maior, conforme Acórdão nº 20216.580, datado de 19/10/2005, cópia às fls. 111/114. Embora a recorrente tenha apresentado recurso especial de divergência contra aquele acórdão, sua admissibilidade não foi aceita, conforme provam a Informação às fls. 118/119 e o Despacho 202659 às fls. 120. Intimado deste despacho (fls. 121), a recorrente não interpôs agravo. Assim, a decisão, naquele processo, tornouse definitiva na instância administrativa. Dessa forma, demonstrado e provado que o pedido de repetição do crédito financeiro decorrente de pagamentos indevidos e/ ou maior, a título de Pasep, já foi objeto de processo específico e com decisão definitiva, contrária à recorrente, não cabe novo julgamento dessa mesma matéria neste processo. Como o lançamento em discussão decorreu da glosa da compensação do débito do Pasep, pelo fato de o pedido de repetição do crédito financeiro utilizado na Fl. 159DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10380.008842/200478 Acórdão n.º 3301002.076 S3C3T1 Fl. 157 7 compensação ter sido indeferido, inclusive, com decisão administrativa definitiva desfavorável à recorrente, a exigência do crédito tributário em discussão deve ser mantida. No presente caso, o lançamento foi efetuado com a exigência de multa de ofício, no percentual de 75,0 %, da contribuição. Contudo, como se trata de lançamento de débito declarado, decorrente de glosa de compensação, a multa de ofício deve ser excluída, por força do princípio da retroatividade benigna das leis (CTN, art. 106, II, “c”), aplicandose o disposto no art. 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que limitou a imposição de penalidade, neste tipo de lançamento, à aplicação de multa isolada, assim dispondo. "Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória n.º 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964.” Em face do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário apenas e tão somente para cancelar a multa de ofício. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 160DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10768.102801/2004-22
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DESCONTO PADRÃO Devem ser computados a título de despesa, nos fluxos de caixa mensais destinados a apurar o acréscimo patrimonial a descoberto, os descontos simplificados realizados pelo contribuinte, rateados linearmente de acordo com os meses de cada ano-calendário.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.957
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: Luiz Eduardo de Oliveira Santos
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DESCONTO PADRÃO Devem ser computados a título de despesa, nos fluxos de caixa mensais destinados a apurar o acréscimo patrimonial a descoberto, os descontos simplificados realizados pelo contribuinte, rateados linearmente de acordo com os meses de cada ano-calendário. Recurso especial provido.
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DESCONTO PADRÃO Devem ser computados a título de despesa, nos fluxos de caixa mensais destinados a apurar o acréscimo patrimonial a descoberto, os descontos simplificados realizados pelo contribuinte, rateados linearmente de acordo com os meses de cada anocalendário. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 10 28 01 /2 00 4- 22 2 EDITADO EM: 11/11/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de Recurso Especial da Fazenda Nacional (fls. 2.747/2.750 vol. XV), fundamentado nos arts. 5º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e 32, inciso I, do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, ambos aprovados pela Portaria MF nº 55, de 12 de março de 1998, interposto contra o Acórdão nº 10421.567, de 27 de abril de 2006 (fls. 2.706/2.745 – vol. XIV) da 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, que deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte para: I – reduzir a base de cálculo relativa ao item 1 do Auto de Infração (fls. 2.410/2.417 – vol. XIII), conforme demonstrativo constante do voto do Relator; II – desconsiderar o descontopadrão como dispêndio no fluxo de caixa; III – desqualificar a multa de ofício, reduzindoa para 75%. O Acórdão recorrido recebeu, como parte de sua ementa de interesse ao Recurso Especial, a redação abaixo, sobre a qual a Fazenda Nacional se insurge: ............ DESCONTO PADRÃO APURAÇÃO DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO – O desconto padrão anual é apenas autorização legal à redução da base de cálculo anual do tributo, não traduzindo, de direito e de fato, renda efetivamente consumida mensal. Não há dispositivo legal que ampare o seu cômputo para efeito de despesas em fluxo de caixa mensal, com objetivo de apurar acréscimo patrimonial a descoberto. ........... Assim, o Recurso Especial da Fazenda Nacional limitouse a impugnar a decisão que desconsiderou o descontopadrão existente na Declaração Anual Simplificada como dispêndio no fluxo de caixa para apuração do Acréscimo Patrimonial a Descoberto. Argumenta a Fazenda que a decisão recorrida contraria o disposto na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 10º, § 2º, que recebeu nova redação com a Lei nº 11.311, de 13 de junho de 2006, e que prevê e já previa, mesmo antes da alteração redacional citada, que o valor do desconto simplificado deduzido não poderá ser utilizado para comprovação de acréscimo patrimonial, sendo considerado rendimento consumido. Portanto, continua a Fazenda Nacional, “se, por determinação legal, o acréscimo patrimonial deve ser apurado mensalmente e o desconto simplificado não pode ser utilizado para justificar acréscimo patrimonial, sendo considerado rendimento consumido, não resta dúvida de que deve ser incluído no demonstrativo de variação patrimonial como dispêndio e, consequentemente, subtraído do rendimento bruto tributável". Processo nº 10768.102801/200422 Acórdão n.º 9202002.957 CSRFT2 Fl. 5 3 O Despacho nº 104178/2007 (fls. 2.751/2.742 – vol. XIV) deu seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, com fundamento nos artigos 32, inciso I e § 1º, e 38, inciso III, do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 55, de 1998. O Autuado, então, apresentou suas contrarrazões (fls. 2.758/2.764 – vol. XIV), onde alega que o desconto padrão não corresponde a gasto efetivo do contribuinte, daí ser imprestável para se determinar a variação patrimonial do mesmo. Apresenta alguns Acórdãos do 1º CC que sustentam essa argumentação e finaliza da seguinte forma: “Não obstante, caso essa Colenda Turma entenda que o desconto padrão corresponde a gasto efetivo do Recorrido, o que admitese apenas por hipótese, então quaisquer outros gastos dedutíveis efetivos devem ser excluídos do fluxo financeiro do Recorrido, como é o relativo à previdência oficial paga pela sua esposa”. A título ilustrativo, cumpre notar que o autuado apresentou, ainda, Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 2.767/2.773 – vol. XV), nos termos do art. 7º do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007, tendo o Despacho nº 104149/2008 (fls. 2.779/2.783 – vol. XV), do Presidente da 4ª Câmara do 1º CC, negadolhe seguimento. À fl. 2.791 do vol. XV, o autuado informa que, para efeito do que dispõe a Lei nº 11.941, de 2009, apresentou petição de desistência parcial do recurso em relação à parte mantida pelo Acórdão nº 10421.567, renunciando a quaisquer alegações de direito para a defesa do crédito tributário mantido pelo referido Acórdão. Esclarece ainda que, no que se refere ao crédito tributário que foi cancelado pelo Acórdão nº 10421.567, o Peticionário não desiste das contrarrazões por ele interpostas ao Recurso Especial Fazendário. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Entendo tratarse de matéria expressamente regrada no âmbito do dispositivo legal citado pela Recorrente, a saber a Lei nº 9.250, de 1995, art. 10º, § único, através da nova redação dada ao mesmo pela Lei nº 11.311, de 2006 e mantida pela Lei nº 11.482, de 31 de maio de 2007, e que atualmente assim dispõe: Art. 10. O contribuinte poderá optar por desconto simplificado, que substituirá todas as deduções admitidas na legislação, correspondente à dedução de 20% (vinte por cento) do valor dos rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, independentemente do montante desses rendimentos, dispensadas a comprovação da despesa e a indicação de sua espécie, limitada a: (Redação dada pela Lei nº 11.482, de 2007) (...) 4 Parágrafo único. O valor deduzido não poderá ser utilizado para comprovação de acréscimo patrimonial, sendo considerado rendimento consumido. (Incluído pela Lei nº 11.482, de 2007)(g.n.) Notese constar tal parágrafo, também, da redação original da mesma Lei nº 9.250, de 1995, agora em seu § 2º, caracterizada, desta forma, sua vigência também à data de ocorrência dos fatos geradores objeto de lançamento de ofício. Assim, ainda que considerada a jurisprudência administrativa colacionada em sede de contrarrazões pelo contribuinte, entendo, em estrita observância ao princípio da legalidade, assistir razão à Recorrente, devendo, assim, ser restaurado o cômputo do desconto simplificado quando do levantamento dos fluxos de caixa mensais, destinados a apurar o valor do acréscimo patrimonial a descoberto a ser tributado. Quanto aos demais acréscimos citados pelo contribuinte em suas contrarrazões, faço notar não se tratar de matéria sob litígio no âmbito do Recurso Especial admitido. Destarte, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, de forma a que sejam computados a título de despesa nos fluxos de caixa mensais, destinados a apurar o acréscimo patrimonial a descoberto, os descontos simplificados realizados pelo contribuinte, rateados linearmente de acordo com os meses de cada anocalendário. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos
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