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Numero do processo: 10166.720071/2011-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1302-000.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, em sobrestar o julgamento por força do disposto no art. 62-A do Anexo II do RICARF.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, CRISTIANE SILVA COSTA, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, em sobrestar o julgamento por força do disposto no art. 62A do Anexo II do RICARF. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, CRISTIANE SILVA COSTA, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .7 20 07 1/ 20 11 -5 4 Fl. 814DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 18/11/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10166.720071/201154 Resolução nº 1302000.273 S1C3T2 Fl. 815 2 Relatório: Tratase de Recurso de Ofício. Na origem foi lavrado auto de infração em razão da suposta omissão de receitas por parte da recorrente, fato que motivou a constituição do IRPJ (R$ 7.258.953,33), CSLL (R$ 2.199.847,02), PIS (R$ 498.824,91) e COFINS (R$ 2.302.269,97) (fl. 03/66). Em resumo, na origem do presente processo administrativo, o AFRFB convenceuse pela ocorrência dos seguintes fatos, consoante narra o Termo de Verificação Fiscal (fl. 14/16): (i) Que a recorrente foi fiscalizada nos AC 2007 e 2008; que em 2008 não foi apresentada DIPJ (AC 2007); Que a DIPJ de 2009 foi apresentada em formulário do lucro presumido, mas apenas consta dados cadastrais da empresa e dos sócios; Que a empresa autuada movimentava recursos sem a correspondente emissão de documentação fiscal; (ii) Que a recorrente encerrou suas atividades no logradouro constante nono contrato social e dados cadastrais da RFB; Que não houve manifestação após initmação por AR do sócio Pablo Lemos Figueiredo de Paiva; Que a sócia Paula Canhedo Azevedo não foi encotrada; (iii) Que a empresa não mantinha a escrituração contábil conforme determina a legislação comercial e fiscal; Que a empresa deixou de apresentar, quando intimada, os Livros Diários ou Caixa, Razão, Livro Registro de Serviços Prestados, bem como outros documentos de escrituração obrigatória; (iv) Que o Banco de Brasília S/A – BRB foi intimado a apresentar os extratos bancários da recorrente; que é impossível a apuração da receita da empresa ante a ausência da documentação necessária; que as circunstâncias fáticas autorizavam o arbitramento do lucro; (v) Foi declarada a responsabilidade tributária dos sócios administradores (Pablo Lemos Figueiredo de Paiva e Paula Canhedo Azevedo) com fulcro no art. 135, inc. III, CTN. Encerrada a fiscalização, a recorrente foi intimada, na pessoa de seus representantes legais, tendo o Sr. Pablo Lemos Figueiredo Paiva tomado ciência do auto de infração em 29/10/2010 (fl. 75) e sendo a Sra. Paula Canhedo Azevedo, intimada por edital em 30/12/2010 (fl. 70). Na sequência, apresentou impugnação em 26/01/2011 (fl. 142/770), cujas razões encontramse adequadamente resumidas no acórdão da DRJ, razão pela qual as transcrevo (fl. 781 e ss.): Fl. 815DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 18/11/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10166.720071/201154 Resolução nº 1302000.273 S1C3T2 Fl. 816 3 Em 01/02/2011, o contribuinte apresentou quatro petições impugnativas, uma para cada tributo lançado, acostadas às fls. 147 a 770, contrapondose ao feito com os argumentos a seguir sumariados: IRPJ Tempestividade. Afirma a requerente que a impugnação é tempestiva, uma vez que, nos termos do Processo Fiscal Administrativo (Decreto 70.235/72, art. 5o e parágrafo único), o prazo para sua apresentação é de 30 (trinta) dias contados da data da notificação e que esta se deu em 31/12/2010, uma sextafeira, o que implica que o prazo teve início em 03/01/2011 (segundafeira) e que seu termo final ocorreu em 02/02/2011. Primeira Preliminar. Alega a autuada vício de procedimento do ato fiscal, uma vez que não teriam sido esgotadas todas as fases do procedimento de intimação fiscal tendente a fornecer por quem de direito as informações fiscais, tendo sido preterida inclusive a fase do edital, e que, do relato da Fiscalização, não seria possível afirmarse com certeza que o Sr. Pablo foi efetivamente cientificado da intimação, uma vez que o AR pode ter sido assinado por um terceiro. Segunda Preliminar. Aduz, ainda, o contribuinte que as provas produzidas são constituídas dos extratos bancários fornecidos pelo BRB Banco de Brasília S/A de forma incorreta. Nesse sentido, assevera que, antes que a autuada fosse efetivamente intimada para apresentação espontânea de tais documentos, o banco os forneceu sem mandado judicial, assim caracterizando um ilícito, com ofensa à garantia pessoal (art. 5o, inciso LVI da CF). Cita, nesse sentido, o RE n° 389.808 (STF) em que a decisão foi favorável ao contribuinte. Menciona também que tratam da mesma questão as Adin 2386, 2390, 2397 e 4010. Mérito. Defende que o fato tributado não constitui fato gerador do imposto questionado, ao argumento de que a movimentação de recursos tidos como receitas da autuada não passa de movimentação de recursos de terceiros. Como prova da condição de depositária, anexa o contrato próprio e, como prova de que os recursos são de terceiros, anexa extratos de lançamentos contábeis constantes da escrituração das contratantes/depositantes com as referidas movimentações bancárias. Além disso, afirma que o art. 287 do RIR/99, citado como fundamento da autuação, reportase apenas a indícios, não chegando a constituir uma presunção, e que, ainda que presunção fosse, caberia prova em contrário, o que foi feito nesta oportunidade com o mérito da impugnação e os documentos que anexa. Perícia. Apesar de considerar desnecessária em razão das provas apresentadas, a autuada requer perícia contábil, no intuito de prevenir a preclusão, resguardar interesse da Fazenda Pública e ensejar a robustez das provas já produzidas, indicando para tanto o perito, bem como os quesitos a serem respondidos. Responsabilidade tributária. Alega, reportandose aos argumentos já expostos, que os sócios não praticaram nenhuma das infrações a que se refere o art. 135 do CTN e que, por conseguinte, tais sócios não são responsáveis pelos tributos objeto da autuação. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 18/11/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10166.720071/201154 Resolução nº 1302000.273 S1C3T2 Fl. 817 4 CSLL. PIS. COFINS. Prejudicial. Apresenta como questão prejudicial o prévio julgamento da impugnação do IRPJ, porque, além de ser tributo principal, sua impugnação está instruída com todas as provas documentais. Mérito. Nas peças de defesa dos autos de infração dos demais tributos, reproduz os argumentos contidos na peça impugnatória relativa ao IRPJ, e acrescenta os seguintes pontos: a) especificamente quanto ao auto de infração relativo à CSLL, aduz que “o art. 37, acima citado (Lei nº 10.637/02), foi revogado pela Lei nº 11.727, de 23/06/08; portanto, não serve para fundamentar a autuação”; b) no tocante ao auto de infração relativo à contribuição para o PIS, afirma que “os art. 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524/02 foram revogados pela Lei nº 11.727/08, não servindo para a fundamentação do lançamento”. Requer, assim, a declaração de nulidade dos autos de infração em questão, e, em sendo as preliminares superadas, a desconstituição do lançamento tributário, em vista de sua impossibilidade jurídica. Apreciando os argumentos supra, a DRJ entendeu pela integral procedência da impugnação (fls. 777 e ss.), consoante se percebe da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ. Anocalendário: 2007, 2008. PRELIMINAR. NÃO APRECIAÇÃO. Quando é possível decidirse a favor do sujeito passivo, em análise de mérito, não deve o julgador proceder à declaração de nulidade do lançamento. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS. RECURSOS DE TERCEIROS. Restando comprovadas as origens dos depósitos bancários e demonstrada a inexistência do fato gerador, em virtude de a movimentação bancária pertencer a terceiros, não há como prosperar lançamento de omissão de receitas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL. Anocalendário: 2007, 2008 LANÇAMENTO DECORRENTE. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, por resultarem dos mesmos elementos de prova e se referirem à mesma matéria tributável. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Anocalendário: 2007, 2008 LANÇAMENTO DECORRENTE. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, por resultarem dos mesmos elementos de prova e se referirem à mesma matéria tributável. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS. Anocalendário: 2007, 2008 LANÇAMENTO DECORRENTE. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, por Fl. 817DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 18/11/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10166.720071/201154 Resolução nº 1302000.273 S1C3T2 Fl. 818 5 resultarem dos mesmos elementos de prova e se referirem à mesma matéria tributável. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Em razão da decisão supra, foi interposto recurso de ofício. Não houve apresentação de razões ou contrarrazões por qualquer das partes. É o relatório. Fl. 818DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 18/11/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10166.720071/201154 Resolução nº 1302000.273 S1C3T2 Fl. 819 6 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. O recurso de ofício tem cabimento em razão da exoneração de crédito exonerado superior a R$ 1.000.000,00 (art. 34, inciso I, do Decreto n° 70.235/72, c.c. art. 1º da Portaria MF nº 3/08), razão pela qual dele conheço. Inicialmente, verificase que o AFRFB solicitou diretamente às instituições bancárias informações sobre a movimentação em contas correntes da recorrente, consoante narrado no Termo de Verificação fiscal juntado às fl. 03 e seguintes. Dessa forma, não há dúvidas da indigitada quebra do sigilo bancário. Também não se discute que o AFRFB não teria arrecadado a quantia de informações necessárias para a lavratura do auto de infração caso não tivesse acesso à indigitada movimentação bancária. Assim, foi decisiva no desenrolar deste feito a autorização constante nos arts. 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001, fundamento legal mediante o qual o AFRFB teve acesso, administrativamente, às movimentações bancárias. Ocorre que a constitucionalidade do acesso direto da Administração Fazendária aos dados mantidos pelas instituições financeiras sobre os correntistas está sendo objeto de debates no Supremo Tribunal Federal. Vale dizer, foi reconhecida a repercussão geral da matéria no Recurso Extraordinário 601314, cuja ementa segue transcrita: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (STF. RERG 601314, em 22/10/2009, DJe nº 218 Divulgação 19/11/2009 Publicação 20/11/2009, Relator Min. Ricardo Lewandowski.) Em síntese, a Tribunal Excelso reconheceu a existência de repercussão geral da matéria, consoante se percebe do tema 225, que trata do “fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 (...)”. O reconhecimento da repercussão geral produz reflexos na esfera administrativa. Observese o teor do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno deste CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 e alterações supervenientes, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, Fl. 819DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 18/11/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10166.720071/201154 Resolução nº 1302000.273 S1C3T2 Fl. 820 7 deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifo não original) Posteriormente, foi publicada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, em razão da necessidade de uniformizar os procedimentos previstos no supramencionado dispositivo, observese: Art. 1º. Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria, para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal – STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários – RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão, nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Art. 2º. Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º. § 1º. No caso da identificação se verificar antes da sessão de julgamento do processo: I – o conselheiro relator deverá elaborar requerimento fundamentado ao Presidente da respectiva Turma, sugerindo o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; II – o Presidente da Turma, com base na competência de que trata o art. 17, caput e inciso VI , do Anexo II do RICARF, determinará, por despacho: a) o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; ou b) o julgamento do recurso na situação em que o processo se encontra. § 2º. Sendo suscitada a hipótese de sobrestamento durante a sessão de julgamento do processo, o incidente deverá ser julgado pela Turma, que poderá: I – decidir pelo sobrestamento do processo do julgamento do recurso, mediante resolução; ou II – recusar o sobrestamento e realizar o julgamento do recurso. Fl. 820DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 18/11/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10166.720071/201154 Resolução nº 1302000.273 S1C3T2 Fl. 821 8 § 3º. Na ocorrência de sobrestamento, nos termos dos §§ 1º e 2º, as respectivas Secretarias de Câmara deverão receber os processos e mantêlos em caixa específica, movimentandoos para a atividade SOBRESTADO. Em tempo, embora tenha sido reconhecida pela Suprema Corte a repercussão geral da matéria (CPC, art. 543A), não se encontra menção ao sobrestamento de recursos previsto no art. 543B do Código. Não obstante, em diversas outras decisões se encontram referências inequívocas ao sobrestamento de recursos versando sobre essa matéria. Confirase, a título exemplificativo, o Agravo Regimental no Agravo de Instrumento 714757: DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – BAIXA À ORIGEM. 1. Reconsidero o ato de folhas 343 a 344. 2. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 3. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, havendo a intimação do acórdão de origem ocorrido posteriormente à data em que iniciada a vigência do sistema da repercussão geral, bem como presente o objetivo maior do instituto – evitar que o Supremo, em prejuízo dos trabalhos, tenha o tempo tomado com questões repetidas – , determino a devolução dos autos ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Façoo com fundamento no artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno deste Tribunal, para os efeitos do artigo 543B do Código de Processo Civil. 4. Publiquem. Brasília, 3 de novembro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator No mesmo sentido, decisão monocrática no RE 3543931: REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF). Decisão: O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto dos presentes autos – a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Os temas serão submetidos à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. (STF. DJe nº 217, divulgado em 14/11/2011. Decisão Monocrática). O Plenário da Corte, ao apreciar a questão de ordem nos autos do RE 540.410, Relator o Ministro Cezar Peluso, DJe de 04.09.2008, decidiu estender a aplicabilidade do instituto da repercussão aos recursos 1 DJe nº 195, divulgado em 10/10/2011. Relator Min. Luiz Fux. Fl. 821DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 18/11/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10166.720071/201154 Resolução nº 1302000.273 S1C3T2 Fl. 822 9 interpostos contra acórdãos publicados anteriormente a 3 de maio de 2007. Destarte, tendo recebido em conclusão o referido processo em 03.03.11, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgRAgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CEZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Em face do que acima expus, entendo pertinente fazer as seguintes considerações acerca da possibilidade de sobrestar o julgamento deste processo: (i) O presente processo administrativo envolve questão jurídica idêntica àquela submetida à apreciação do Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista no art. 543B do CPC, com repercussão geral reconhecida no tema 225; (ii) Não há, ainda, decisão definitiva de mérito por parte da Suprema Corte sobre o tema objeto de repercussão geral; (iii) O Supremo Tribunal Federal tem sistematicamente determinado o retorno dos autos, cujo debate jurídico seja pertinente à questão acima demonstrada, aos Tribunais de origem, para os efeitos do art. 543B do CPC. Dessa forma, considero plenamente atendidas as condições para a aplicação do § 1º do art. 62A do Anexo II do RICARF, anteriormente transcrito, razão pela qual voto pelo sobrestamento do presente processo, nos termos do art. 62A, § 1º, do Anexo II do RICARF, c/c art. 2º, § 2º, inciso I, da Portaria CARF nº 001/2012. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo Fl. 822DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 18/11/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10950.907747/2011-76
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
Numero da decisão: 3803-005.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Curitiba/PR que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 77 47 /2 01 1- 76 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907747/201176 Acórdão n.º 3803005.178 S3TE03 Fl. 81 2 decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, devidamente atualizado com base na taxa Selic, alegando que o indébito decorreria da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Segundo o então Manifestante, tratarseia, o presente caso, de tributação incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, rubricas essas não abarcadas pelo conceito de faturamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do despacho decisório, do PER, da DCOMP e de planilhas por ele elaboradas. A DRJ Curitiba/PR não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/02/2002 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido da contribuinte, por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de outros débitos confessados. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO PELO STF. Até que haja a manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, sobre matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo STF ou pelo STJ, nos termos dos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil, aplicase, ao caso, a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, relativamente à ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apontou o relator do voto condutor do acórdão recorrido que, ainda que se superasse a questão de direito, o contribuinte não se desincumbira do ônus de comprovar o direito alegado, não tendo apresentado documentos e/ou livros fiscais e contábeis que Fl. 81DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907747/201176 Acórdão n.º 3803005.178 S3TE03 Fl. 82 3 demonstrassem a efetiva base de cálculo da contribuição, bem como as receitas que deveriam ser excluídas em razão da alegada inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Cientificado da decisão em 12 de setembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11 de outubro do mesmo ano e requereu o deferimento do pedido de restituição, alegando que o indébito decorreria da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir expostos. Com base no relatório supra, constatase que, diferentemente do alegado na Manifestação de Inconformidade, quando se apontou a origem do indébito como sendo a tributação indevida incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, em desacordo com a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, em sede de recurso, o contribuinte passa a fundamentar seu direito na indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. Vale destacar que, na primeira instância, o ora Recorrente não fez qualquer referência à alegada incidência indevida da contribuição sobre o ICMS. É flagrante a inovação operada em sede de recurso, tratandose de matéria preclusa em razão de sua não exposição na primeira instância administrativa, não tendo sido examinada pela autoridade julgadora de piso, o que contraria o princípio do duplo grau de jurisdição, bem como o do contraditório e o da ampla defesa. A preclusão processual é um elemento que limita a atuação das partes durante a tramitação do processo, imputandolhe celeridade, numa sequência lógica e ordenada dos fatos, em prol da pretendida pacificação social. Humberto Theodoro Júnior1 nos ensina que preclusão é “a perda da faculdade ou direito processual, que se extinguiu por não exercício em tempo útil”. Ainda segundo o mestre, com a preclusão, “evitase o desenvolvimento arbitrário do processo, que só geraria a balbúrdia, o caos e a perplexidade para as partes e o juiz”. O princípio da preclusão conectase ao princípio do impulso processual e destinase “não apenas a proporcionar uma mais rápida solução do litígio, mas bem ainda a 1 HUMBERTO, Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 225 226. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907747/201176 Acórdão n.º 3803005.178 S3TE03 Fl. 83 4 tutelar a boafé no processo, impedindo o emprego de expedientes que configurem litigância de máfé” 2. [A] preclusão deve ser compreendida como um instituto que envolve a impossibilidade, por regra, de, a partir de determinado momento, serem suscitadas matérias no processo, tanto pelas partes como pelo próprio juiz, visandose precipuamente à aceleração e à simplificação do procedimento. Integra sempre o objeto da preclusão, portanto, um ônus processual das partes ou um poder do juiz; ou seja, a preclusão é um fenômeno que se relaciona com as decisões judiciais (tanto interlocutória como final) e as faculdades conferidas às partes com prazo definido de exercício, atuando nos limites do processo em que se verificou. 3 Tal princípio busca garantir o avanço da relação processual e impedir o retrocesso às fases anteriores do processo, encontrandose fixado o limite da controvérsia, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), no momento da impugnação/manifestação de inconformidade. De acordo com o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, os atos processuais se concentram no momento da impugnação, cujo teor deverá abranger “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir", considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não é lícito inovar no recurso para inserir questão diversa daquela originalmente deduzida na impugnação/manifestação de inconformidade, devendo as inovações ser afastadas por se referirem a matéria não impugnada no momento processual devido. Além disso, mesmo que a preclusão não tivesse ocorrido neste processo, nenhum benefício obteria o ora Recorrente, pois nenhum documento hábil e idôneo foi apresentado para comprovar o direito argüido. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, prevalece o princípio do dispositivo, em que a atividade probatória se desenvolve nos limites do pedido formulado pelo sujeito passivo. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação) no momento da prolação do despacho decisório, não cabendo em processos da espécie a inversão do ônus da prova. 2 GRINOVER, Ada Pellegrini. “Interesse da União, preclusão. A preclusão e o órgão judicial”. In: A Marcha do Processo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000, p. 230/241. Disponível em: http://www.ambito juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 15 abr 2013. 3 RUBIN, Fernando. A prevalência da justiça estatal e a importância do fenômeno preclusivo. Disponível em: http://www.ambito_juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 16 abr 2013. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907747/201176 Acórdão n.º 3803005.178 S3TE03 Fl. 84 5 Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. Dessa forma, mesmo que preclusão não houvesse, não se poderia reconhecer o direito creditório pleiteado por total ausência de prova de sua existência. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 84DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 11831.002814/2007-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/11/2005
Ementa:: DECADÊNCIA PARCIAL
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO.
Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO - AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO.
Nas competências em que não houve recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida incidente sobre a remuneração paga pela empresa aos segurados a seu serviço, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN, pois trata-se de lançamento de ofício.
CONEXÃO.
Não há que se falar em conexão entre lançamentos de obrigação principal.
O julgamento do processo cujo objeto é o lançamento da contribuição devida ao SAT independe da análise de mérito dos processos que discutem a contribuição devida à Previdência Social, relativa à parte dos segurados e da empresa.
SALÁRIO INDIRETO - PRÊMIO - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO
O prêmio fornecido pela empresa a seus empregados a título de incentivo pelas vendas, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial.
REMUNERAÇÃO - CONCEITO
Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho.
HABITUALIDADE
O conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando implementada a condição para seu recebimento retira-lhe o caráter da eventualidade, tornando-o habitual.
PARCELAMENTO DE PARTE DO DÉBITO - DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO
O pedido de desistência formulado pelo contribuinte é direito potestativo, contra o qual não cabe oposição pelo julgador, sobretudo quando é condição imposta pela Lei 11.941/2009 para adesão ao parcelamento dos créditos tributários.
A renúncia à utilização da via administrativa por desistência, para inclusão de parte do débito lançado em parcelamento, ou para discussão judicial, é razão para não conhecimento do recurso interposto relativamente à essa parte, objeto da desistência ou da ação judicial.
MATÉRIA SUB JUDICE - CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RENÚNCIA
Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário.
MULTA
Como ocorre no presente caso, há de se reconhecer o direito do contribuinte à redução da multa incidente pelo não recolhimento da contribuição previdenciária para 20%, sendo a mesma aplicável a todos os períodos, uma vez que as multas aplicadas por infrações administrativas tributárias, devem seguir o princípio da retroatividade da lei mais benéfica ao contribuinte, com previsão legal no artigo 106, inciso II, "c" do CTN, reduzindo-se o valor da multa aplicada para o percentual de 20%, por aplicação retroativa da Lei nº 9.430/96.
Numero da decisão: 2301-003.700
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/2000, anteriores a 12/2000, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antônio de Souza Correa e Léo Meireles do Amaral, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em conhecer parcialmente do recurso, devido a desistência e concomitância com ação judicial, nos termos do voto da Relatora; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a)
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete De Oliveira Barros - Relator.
Wilson Antônio de Souza Correa - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leo Meirelles do Amaral
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/11/2005 Ementa:: DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN. LANÇAMENTO DE OFÍCIO - AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Nas competências em que não houve recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida incidente sobre a remuneração paga pela empresa aos segurados a seu serviço, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN, pois trata-se de lançamento de ofício. CONEXÃO. Não há que se falar em conexão entre lançamentos de obrigação principal. O julgamento do processo cujo objeto é o lançamento da contribuição devida ao SAT independe da análise de mérito dos processos que discutem a contribuição devida à Previdência Social, relativa à parte dos segurados e da empresa. SALÁRIO INDIRETO - PRÊMIO - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO O prêmio fornecido pela empresa a seus empregados a título de incentivo pelas vendas, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial. REMUNERAÇÃO - CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho. HABITUALIDADE O conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando implementada a condição para seu recebimento retira-lhe o caráter da eventualidade, tornando-o habitual. PARCELAMENTO DE PARTE DO DÉBITO - DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO O pedido de desistência formulado pelo contribuinte é direito potestativo, contra o qual não cabe oposição pelo julgador, sobretudo quando é condição imposta pela Lei 11.941/2009 para adesão ao parcelamento dos créditos tributários. A renúncia à utilização da via administrativa por desistência, para inclusão de parte do débito lançado em parcelamento, ou para discussão judicial, é razão para não conhecimento do recurso interposto relativamente à essa parte, objeto da desistência ou da ação judicial. MATÉRIA SUB JUDICE - CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RENÚNCIA Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário. MULTA Como ocorre no presente caso, há de se reconhecer o direito do contribuinte à redução da multa incidente pelo não recolhimento da contribuição previdenciária para 20%, sendo a mesma aplicável a todos os períodos, uma vez que as multas aplicadas por infrações administrativas tributárias, devem seguir o princípio da retroatividade da lei mais benéfica ao contribuinte, com previsão legal no artigo 106, inciso II, "c" do CTN, reduzindo-se o valor da multa aplicada para o percentual de 20%, por aplicação retroativa da Lei nº 9.430/96.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/2000, anteriores a 12/2000, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antônio de Souza Correa e Léo Meireles do Amaral, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em conhecer parcialmente do recurso, devido a desistência e concomitância com ação judicial, nos termos do voto da Relatora; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a) Marcelo Oliveira - Presidente. Bernadete De Oliveira Barros - Relator. Wilson Antônio de Souza Correa - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leo Meirelles do Amaral
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Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN. LANÇAMENTO DE OFÍCIO AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Nas competências em que não houve recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida incidente sobre a remuneração paga pela empresa aos segurados a seu serviço, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN, pois tratase de lançamento de ofício. CONEXÃO. Não há que se falar em conexão entre lançamentos de obrigação principal. O julgamento do processo cujo objeto é o lançamento da contribuição devida ao SAT independe da análise de mérito dos processos que discutem a contribuição devida à Previdência Social, relativa à parte dos segurados e da empresa. SALÁRIO INDIRETO PRÊMIO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 28 14 /2 00 7- 05 Fl. 250DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 2 O prêmio fornecido pela empresa a seus empregados a título de incentivo pelas vendas, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial. REMUNERAÇÃO CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho. HABITUALIDADE O conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando implementada a condição para seu recebimento retiralhe o caráter da eventualidade, tornandoo habitual. PARCELAMENTO DE PARTE DO DÉBITO DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO O pedido de desistência formulado pelo contribuinte é direito potestativo, contra o qual não cabe oposição pelo julgador, sobretudo quando é condição imposta pela Lei 11.941/2009 para adesão ao parcelamento dos créditos tributários. A renúncia à utilização da via administrativa por desistência, para inclusão de parte do débito lançado em parcelamento, ou para discussão judicial, é razão para não conhecimento do recurso interposto relativamente à essa parte, objeto da desistência ou da ação judicial. MATÉRIA SUB JUDICE CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL RENÚNCIA Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário. MULTA Como ocorre no presente caso, há de se reconhecer o direito do contribuinte à redução da multa incidente pelo não recolhimento da contribuição previdenciária para 20%, sendo a mesma aplicável a todos os períodos, uma vez que as multas aplicadas por infrações administrativas tributárias, devem seguir o princípio da retroatividade da lei mais benéfica ao contribuinte, com previsão legal no artigo 106, inciso II, "c" do CTN, reduzindose o valor da multa aplicada para o percentual de 20%, por aplicação retroativa da Lei nº 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/2000, anteriores a 12/2000, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antônio de Souza Correa e Léo Meireles do Amaral, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, Fl. 251DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11831.002814/200705 Acórdão n.º 2301003.700 S2C3T1 Fl. 246 3 para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em conhecer parcialmente do recurso, devido a desistência e concomitância com ação judicial, nos termos do voto da Relatora; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a) Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete De Oliveira Barros Relator. Wilson Antônio de Souza Correa Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leo Meirelles do Amaral Fl. 252DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 4 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à diferença de contribuição destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Consta do Relatório da NFLD (fls. 68) que o objeto do lançamento são as contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga aos segurados por meio de um sistema de premiação, que consiste no fornecimento de cartões de premiação, denominados FLEXCARD e TOP PREMIUM, fornecidos pela empresa administradora do programa INCENTIVE HOUSE S/A. A autoridade lançadora esclarece que os salários de contribuição foram apurados a partir das notas fiscais emitidas pela empresa administradora do programa, registradas nos livros contábeis da notificada, e que, apesar de solicitado por meio de TIAD, a empresa não apresentou a relação de todos os beneficiários do programa e nem os contratos com a Incentive House. Informa ainda que a falta da declaração em GFIP dos pagamentos realizados através de cartões eletrônicos, em tese, configura o CRIME DE SONEGAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA, previsto no artigo 337A, inciso I, do Código Penal, com redação dada pela Lei 9.983/2000, e que este fato será objeto de REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS, com comunicação à autoridade competente para providências cabíveis. Segundo ainda relato fiscal, o contribuinte ajuizou ação ordinária com o objetivo de obter a autorização para apurar o SAT de acordo com o efetivo grau de risco de cada um dos seus estabelecimentos, tendo sido deferida decisão por Tutela Antecipada, e que a empresa, para os estabelecimentos objeto desta notificação, com amparo na referida ação judicial, recolhia apenas 1% para o SAT. Explica que é objeto do presente lançamento o levantamento EI1, relativo à diferença de 2% ao SAT para aqueles estabelecimentos que vinham recolhendo à alíquota de 1%, e que é objeto de uma outra NFLD, a de Debcad.37.046.23195, o levantamento ST2, correspondente à contribuição de 1% ao SAT incidente sobre a mesma rubrica, prêmio incentivo. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da Decisão Notificação nº 21.003/0193/2007 (fls. 154), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo(fls. 182), alegando, em apertada síntese, o que se segue. Preliminarmente, alega decadência dos créditos constituídos anteriormente a 29/11/2001, pela regra do 150, §4o, do CTN, e cerceamento de defesa pelo prazo exíguo para apresentação de defesa. Insiste na conexão entre a presente NFLD com as de DEBCAD n°s 37.021.4617, 37.021.4625, 37.021.4633, 37.046.2327 e 37.046.2319, entendendo que todas Fl. 253DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11831.002814/200705 Acórdão n.º 2301003.700 S2C3T1 Fl. 247 5 devem ser juntadas para julgamento único, asseverando que, mesmo que fosse reconhecida a contribuição ora exigida, a mesma estaria vinculada à decisão de inclusão ou não das rubricas na base de cálculo, estando, portanto, suspensa a exigibilidade das contribuições objeto da presente NFLD, uma vez que depende de decisão final administrativa validando, ou não, a referida cobrança. No mérito, reafirma a não incidência de contribuição sobre os prêmios concedidos de forma não habitual aos funcionários de empresas terceirizadas que prestam serviços à recorrente, bem como a seus próprios funcionários, por meio dos cartões de premiação "FLEXCARD" e "PREMIUM CARD" fornecidos pela empresa Incentive House S/A, Frisa que a grande maioria dos valores pagos pela Recorrente à empresa Incentive House S/A são para que ela abasteça os cartões de premiações "FLEXCARD" e "TOP PREMIUM" de funcionários de empresas terceirizadas que prestam serviços à Recorrente e não para premiações de seus próprios empregados, (exceto os relacionados ao CNPJ n° 61.068.276/029501. Assevera que o órgão julgador de 1a o Instância não compreendeu a expressão "terceirizada” e enquadrou os funcionários de empresas que distribuem os produtos da Recorrente como sendo contribuintes individuais que lhe prestam serviços, defendendo que jamais competiria à Recorrente recolher os valores devidos à Previdência Social, e sim às empresas terceirizadas que prestam serviços a ela, uma vez que a Recorrente não é a empregadora desses funcionários com os quais ela não tem e, em momento algum manteve qualquer vínculo empregatício. Ressalta que a Recorrente jamais efetuou pagamento aos empregados de sua matriz, tendo havido somente a distribuição de prêmios, e de forma esporádica, não habitual, a alguns funcionários que trabalham na filial /029501, o que afasta a incidência de contribuições previdenciárias. Afirma que a Agente fiscal ignorou a natureza das verbas, incluindo no saláriodecontribuição diversos valores correspondentes a pagamentos realizados à Incentive House S/A correspondente a sua prestação de serviço de desenvolvimento de programas e campanhas, e que parte do crédito previdenciário ora lançado foi extraído de lançamentos feitos em diversas contas contábeis que não tem qualquer relação com o programa de premiação através de cartões "FLEXCARD" e "PREMIUM CARD". Reitera os argumentos apresentados na impugnação para tentar demonstrar que está correta a alíquota do SAT utilizada pela recorrente para os estabelecimentos apontados nos relatórios d notificação. Finaliza requerendo a extinção de parte do crédito pela decadência e o cancelamento integral do débito. Em contrarazões, a Secretaria da Receita Federal do Brasil manteve a decisão recorrida. Em 23/02/2010, a recorrente apresentou REQUERIMENTO DE DESISTÊNCIA OU IMPUGNAÇÃO DE RECURSO ADMINISTRATIVO, requerendo a desistência parcial do recurso, declarando a renúncia a quaisquer alegações de direito sobre as Fl. 254DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 6 quais se fundam a impugnação e o recurso em relação aos créditos lançados nas competências 11/01, 12/01, 11/02, 09/05 e 11/05. É o relatório. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11831.002814/200705 Acórdão n.º 2301003.700 S2C3T1 Fl. 248 7 Voto Vencido Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e os pressupostos de admissibilidade foram obedecidos. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue A recorrente alega, preliminarmente, decadência de parte do débito, requerendo a aplicação da regra do art. 150, § 4o, do CTN. Verificase que a fiscalização lavrou a NFLD discutida com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Fl. 256DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 8 Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” O STJ pacificou o entendimento de que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11831.002814/200705 Acórdão n.º 2301003.700 S2C3T1 Fl. 249 9 Entretanto, no caso em tela o fato gerador é o pagamento de parcela que a empresa entendia como não integrante da base de cálculo da contribuição, tratandose, portanto, de lançamento de ofício, para o qual não houve adiantamento do tributo, caso em que, no entendimento desta Relatora, se aplica o disposto no art. 173, do CTN, transcrito a seguir: Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Verificase, da análise dos autos, que a ciência da NFLD pelo contribuinte se deu em 30/11/2006, conforme folha 01 do processo, e o débito se refere às competências compreendidas no período de 01/1999 a 11/2005. Dessa forma, considerando o exposto acima, constatase que se operara a decadência do direito de constituição do crédito para as competências compreendidas entre 018/1999 a 11/2000, inclusive. Cumpre esclarecer que, para a competência 12/2000, o crédito tributário poderia ter sido lançado em 01/2001, iniciandose a contagem do prazo em 01/01/2002, que é o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos temos do dispositivo legal citado acima (art. 173, I, CTN). Portanto, acato parcialmente a preliminar de decadência. Com relação às competências não atingidas pela decadência, verificase que a recorrente apresentou petição, protocolada em 23/02/2010, desistindo parcialmente do recurso, ficando o objeto do presente processo restrito aos débitos relativos aos fatos geradores ocorridos anteriores a 11/2001. Dessa forma, não conheço do recurso em relação ao débito lançado a partir de 11/2001, inclusive, tendo em vista a perda de objeto por desistência. Em relação à parte do recurso relativo às competências não atingidas pela decadência e que não foram objeto de parcelamento, registro o que se segue. Preliminarmente, a notificada alega cerceamento de defesa pelo prazo exíguo para apresentação de defesa. O prazo concedido foi o previsto nas normas legais vigentes à época do lançamento, não havendo, nos normativos que tratam do processo administrativo fiscal, previsão legal para prorrogação do prazo de apresentação de defesa. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 10 Ademais, verificase dos autos que a notificação se deu em 29/11/2006 e a cientificação da DN em 05/06/2007. Ou seja, ao contrário do que alega, a recorrente teve mais seis meses para a juntada de elementos que comprovariam suas alegações. Portanto, não há que se falar em cerceamento de defesa. Constatase que a NFLD foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem o AI, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura do Auto e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à autuada A notificada alega existência de conexão entre a presente NFLD com as de DEBCAD n°s 37.021.4617, 37.021.4625, 37.021.4633, 37.046.2327 e 37.046.2319, entendendo que todas devem ser juntadas para julgamento único, e que deveria ser suspensa a exigibilidade das contribuições objeto da presente NFLD até a decisão final administrativa validando, ou não, a referida cobrança das contribuições sobre a rubrica em tela. Contudo, entendo que, no caso presente, não há que se falar em conexão, sendo que o julgamento desse recurso independe da análise de mérito dos processos que discutem a contribuição relativa à parte dos segurados, da empresa, e aquela devida às Terceiras Entidades. De fato, poderão haver decisões conflitantes, mas tal fato não justifica a conexão de todos os processos que discutem lançamentos de obrigações principais lavrados contra uma mesma empresa. Entendo que a conexão caberia nos casos de AIs lavrados por descumprimento de obrigação acessória, como, por exemplo, omissão de fato gerador em GFIPs, folhas ou contabilidade, e os lançamentos das contribuições decorrentes desses fatos geradores omissos. Isso porque, em diversos casos, as empresas deixam de informar remunerações em GFIP, folhas ou em títulos próprios da contabilidade por entender que tais valores não integram o salário de contribuição, mas a fiscalização, entendendo que as verbas pagas a outros títulos constituem remuneração indireta, lança a contribuição incidente sobre tais valores em instrumento próprio, quais sejam, NFLD/AIOP, e autua a empresa pelo descumprimento da obrigação acessória. Porém, muitas vezes, nos autos das NFLDs/AIOP, dependendo dos elementos de prova existentes, os julgadores, tanto de primeira ou os de segunda instância, chegam à conclusão de que as verbas não são remuneração, não integrando, portanto, o salário de contribuição, não existindo, dessa forma, a obrigatoriedade de informálas em GFIP/folhas, ou de registrálas em título próprio da contabilidade. Daí a necessidade de que, nos casos dos processos que discutem a obrigação acessória, os Autos de Infração sejam considerados conexos com os lançamentos da obrigação principal decorrente, e convertidos em diligência para o julgamento concomitante de todos os lançamentos correlatos. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11831.002814/200705 Acórdão n.º 2301003.700 S2C3T1 Fl. 250 11 Tal fato se deve à existência de uma nítida conexão entre os dois instrumentos de constituição de crédito, uma vez que, estabelecida a obrigação tributária principal, por força do levantamento dos fatos geradores e lançamento das respectivas contribuições previdenciárias, deparouse a fiscalização com a obrigação descumprida,.caracterizada por deixar de declarar os respectivos valores em GFIP/folhas/contabilidade. Contudo, esse não é o caso do processo ora discutido, que trata de lançamento de obrigação principal, motivo pelo qual rejeito a preliminar de conexão entre os instrumentos de constituição de crédito. No mérito, a recorrente tenta demonstrar que não incide contribuição sobre os prêmios concedidos de forma não habitual aos funcionários de empresas terceirizadas que prestam serviços à recorrente, bem como a seus próprios funcionários, por meio dos cartões de premiação "FLEXCARD" e "PREMIUM CARD" fornecidos pela empresa Incentive House S/A, Contudo, a Constituição Federal, preceitua, no § 4º do art. 201, renumerado para o § 11, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98, o seguinte: § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüentemente repercussão em benefícios, nos casos e na \forma da lei. (grifei) A Lei 8.212/91 consubstanciou o disposto na Constituição Federal, ao estabelecer, no inciso I, do art. 28 da Lei 8.212/91, que salário de contribuição é“...a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma,...” (grifei). Restou claro, nos autos, que o os pagamentos em tela não são eventuais e esporádicas, e sim habituais. Tais verbas possuem a natureza de prêmio. E, segundo Amauri Mascaro Nascimento: "A natureza jurídica do prêmio não sofre, praticamente, contestações. É uma forma de salário vinculado a um fator de ordem pessoal do empregado ou geral de muitos empregados, via de regra a sua produção. Daí falarse, também, em salário por rendimento ou salário por produção. Caracterizase, também, pelo seu aspecto condicional. Uma vez verificada a condição de que resultam, devem ser pagos". (In “Teoria Jurídica do Salário”, Editora LTR, 1994, pg. 256). Assim, prêmio é remuneração. Esse também é o entendimento do TST: “Prêmio é gratificação, e gratificação é salário, se ajustada expressa ou tacitamente, porque a CLT não exige o ajuste expresso" TST pleno ERR 1943/82 DJU 06/12/85 pág. 22644” . E a CLT discrimina as parcelas que compõem a remuneração do empregado, conforme seu art. 457: Fl. 260DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 12 Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1º Integram o salário, não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagem e abonos pagos pelo empregador. Dessa forma, as gratificações, que podem ser eventuais, integram a remuneração do empregado por expressa previsão legal. A fiscalização constatou que tais valores são pagos por meio de empresa interposta para premiar alguns de seus empregados. Conforme art. 176 do CTN, “a isenção, ainda que prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão...”. No presente caso, não resta dúvida que os prêmios concedidos por meio da empresa prestadora citada no Relatório Fiscal, não estão incluídos nas hipóteses legais de isenção previdenciária, previstas no § 9º, art. 28, da Lei 8.212/91. Resta claro que o pagamento feito pela recorrente a título de programa de incentivo em favor dos segurados que lhe prestam serviços não se trata de fornecimento de meio para que esses trabalhadores possam exercer suas funções, e sim uma vantagem que representa um acréscimo indireto à sua remuneração, devendo, portanto, sofrer incidência de contribuição previdenciária. É inegável, no caso presente, o acréscimo patrimonial do empregado ao receber as quantias correspondentes aos prêmios de incentivo. Em que pese o esforço argumentativo da recorrente, verificase que os pagamentos em tela realmente se a amoldam ao figurino legal que delimita a basedecálculo da contribuição previdenciária, como bem entendeu a fiscalização e o julgador de primeira instância. Cumpre esclarecer que a condição de se tratar ou não de salário não está vinculada ao interesse da fonte pagadora ou do empregador em, com aquele pagamento, assalariar ou não seu empregado. Ou seja, não é o nome do pagamento ou a vontade da empresa em si que vai determinar sua natureza jurídica. O que irá afastar a verba paga da incidência tributária é a estreita observância à legislação a que trata da matéria. Dessa forma, os valores recebidos pelos empregados da recorrente a título de prêmio integram o salário de contribuição, conforme inciso I, art 28, da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Medida Provisória nº 1.59614/1997, convertida na Lei 9.528/97. A recorrente traz um extenso arrazoado para tentar demonstrar que os pagamentos eventuais, sem habitualidade, não integram o salário de contribuição. Cumpre observar ainda que, no caso presente, não estamos diante de pagamentos eventuais, pois observase que, em vários anos, os pagamentos foram realizados por vários meses. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11831.002814/200705 Acórdão n.º 2301003.700 S2C3T1 Fl. 251 13 Dessa forma, não vislumbro a eventualidade em tais pagamentos. Ademais, constatase que não estamos diante de um pagamento eventual, como veementemente sustenta a recorrente, já que o ganho habitual passível de exação não é necessariamente aquele valor auferido mês a mês, trimestralmente ou mesmo bimestralmente etc. Há verbas pagas no decorrer do contrato de trabalho, ainda que não sejam auferidas nessas condições, e que não podem ser vistas como meramente eventuais. E o conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando implementada a condição para seu recebimento retiralhe o caráter da eventualidade, tornando o habitual. Há, portanto, uma expectativa criada que se sobrepõe ao fato de não ser seqüencial a continuidade a liberalidade; a continuidade existe por todo o tempo que perdurar o contrato, o recebimento é que depende acontecer a condição estabelecida pelo empregador, que concede o prêmio. A expectativa criada, o costume e a certeza do benefício em se caracterizando a situação prédefinida pela empresa empregadora gera a habitualidade, afasta por completo a eventualidade que poderia enquadrar o pagamento na hipótese de isenção prevista no § 9º da Lei 8.212/91. A recorrente insiste em afirma que parte desses valores foram pagos à empresas terceirizadas, e que jamais efetuou pagamento aos empregados de sua matriz, e ainda que a Agente fiscal ignorou a natureza das verbas, incluindo no saláriodecontribuição diversos valores correspondentes a pagamentos correspondente à prestação de serviço de desenvolvimento de programas e campanhas, e que parte do crédito previdenciário ora lançado foi extraído de lançamentos feitos em diversas contas contábeis que não tem qualquer relação com o programa de premiação através de cartões "FLEXCARD" e "PREMIUM CARD". Contudo, não comprova o alegado. A recorrente não trouxe, aos autos, documentos que comprovassem suas afirmações,. Ademais, a recorrente deixou de apresentar a documentação solicitada pela fiscalização por meio de TIAD, invertendo, dessa maneira, o ônus da prova. Relativamente às alegações de ilegalidade de cobrança de contribuição ao SAT, observese que tal matéria encontrase sub judice, não cabendo, por meio do presente processo administrativo de lançamento de débito, a discussão de matéria objeto de discussão judicial Tal possibilidade afigurase inexistente em razão do sistema de contencioso administrativo adotado no Brasil, onde as decisões judiciais sobrepõemse às decisões administrativas. Desse modo, se uma matéria foi submetida à apreciação judicial, não cabe mais a sua análise na esfera administrativa. E, nos termos do art. 126, § 3o, da Lei 8.213/91, houve renuncia ao contencioso administrativo em relação à exigibilidade das contribuições ao SAT, motivo pelo qual não conheço da parte do recurso que trata de tal matéria. Nesse sentido, Fl. 262DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 14 CONSIDERANDO tudo mais que dos autos consta; Voto no sentido de CONHECER PARCIALMENTE DO RECURSO VOLUNTÁRIO para, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO,. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Voto Vencedor Em que pese a sapiência da nobre Relatora, ao menos na questão da multa, peço vênia para dela descordar, nos termos abaixo e com suas razões. Há de se reconhecer o direito do contribuinte à redução da multa incidente pelo não recolhimento da contribuição previdenciária para 20%, sendo a mesma aplicável a todos os períodos, uma vez que as multas aplicadas por infrações administrativas tributárias, devem seguir o princípio da retroatividade da lei mais benéfica ao contribuinte, com previsão legal no artigo 106, inciso II, "c" do CTN, reduzindose o valor da multa aplicada para o percentual de 20%, por aplicação retroativa da Lei nº 9.430/96. O art. 106, II, "c", do Código Tributário Nacional prevê expressamente que a lei nova possa reger fatos geradores pretéritos, desde que se trate de ato não definitivamente julgado, por aplicação do princípio da retroatividade benéfica. Sendo assim, mister que tenhamos em mente que enquanto não preclusa a oportunidade para a oposição algum remédio processual e ou se estes não tiverem transitado em julgado, possível será a aplicação do dispositivo supramencionado, uma vez que não há nada definido juridicamente, ou seja, não há trânsito em julgado. De mais a mais, na lei não há distinção da multa moratória e a punitiva, e por isto mesmo o contribuinte faz jus à incidência da multa moratória mais benéfica, sendo cabível a aplicação retroativa do art. 61, da Lei nº 9.430/96, desde que, como alhures dito, o ato não se encontre definitivamente julgado, como é o caso em tela. Este pensar, da mesma forma vêm se posicionando nossos Tribunais, in verbis’: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COFINS. DCTF. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INTIMAÇÃO DA JUNTADA DO PROCESSO ADMINISTRATIVO E PROVA PERICIAL INDEFERIDA. MULTA MORATÓRIA. REDUÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 61, DA LEI Nº 9.430/96 A FATOS GERADORES ANTERIORES A 1997. POSSIBILIDADE. RETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. ART. 106, DO CTN. TAXA SELIC. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DECRETOLEI Nº 1.025/69. .... O Código Tributário Nacional, por ter natureza de lei complementar, prevalece sobre lei ordinária, facultando ao Fl. 263DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11831.002814/200705 Acórdão n.º 2301003.700 S2C3T1 Fl. 252 15 contribuinte, com base no art. 106, do referido diploma, a incidência da multa moratória mais benéfica, com a aplicação retroativa do art. 61, da Lei nº 9.430/96 a fatos anteriores a 1997. ... (STJ, REsp 653645/SC, 2a T., Rel. Min. Eliana Calmon, D.J 21/11/2005)" "EXECUÇÃO FISCAL. REDUÇÃO DE MULTA EM FACE DO DEL 2.471/1988. ART. 106, II, "c", CTN. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENIGNA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. 1. O ART. 106, do CTN admite a retroatividade, em favor do contribuinte da lei mais benigna, nos casos não definitivamente julgados. Sobrevindo, no curso da execução fiscal, o DL 2.471/1988, que reduziu a multa moratória de 100% para 20% e, sendo possível a reestruturação do cálculo de liquidação, é possível a aplicação da lei mais benigna, sem ofensa aos princípios gerais do direito tributária. Na execução fiscal, as decisões finais correspondem as fases de arrematação, da adjudicação ou remição, ainda não oportunizados, ou, de outra feita, com a extinção do processo, nos termos do art. 794, do CPC. (STJ, REsp 94511/PR, 1a T., Rel. Min. Demócrito Reinaldo, D.J.: 25/11/1996)" Assim, para valer a regra da retroatividade benéfica da lei, estampada no artigo 106 II, C do Código Tributário Nacional, no caso em tela a multa a ser aplicada é aquela que se encontra no artigo 61 da Lei 9.430/1996. Wilson Antônio de Souza Correa – Redator Fl. 264DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Numero do processo: 10680.721752/2010-30
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ABONOS ESPECIAIS. ENTENDIMENTO DE SINDICADO. IMPOSSIBILIDADE DE PREVALECER SOBRE TEXTO LEGISLADO. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA RETROTIVIDADE BENIGNA. LIMITAÇÃO EM 20%. CTN. ART. 106.
O entendimento de sindicatos de que não incidirá contribuições previdenciárias sobre abonos especiais não merece prosperar, tendo em vista a total contrariedade de tal previsão em face da lei de custeio.
In casu, correto o lançamento, bem como a decisão recorrida, porquanto a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme disposição contida no art. 142 do CTN.
No que diz respeito a incidência de contribuição previdenciária sobre valores relativos à assistência médica e odontológica, melhor sorte não terá o contribuinte, considerando que ele não conseguiu comprovar, de forma cabal, que o benefício atendia a regra disposta na alínea q do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91.
Em relação à multa, o posicionamento do contribuinte, está equivocado, devendo ser aplicada a do artigo 35, da Lei 8.212/91 limitada ao artigo 35 - A, da lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-002.695
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Eduardo de Oliveira. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Amilcar Barca Teixeira Junior quanto à multa.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ABONOS ESPECIAIS. ENTENDIMENTO DE SINDICADO. IMPOSSIBILIDADE DE PREVALECER SOBRE TEXTO LEGISLADO. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA RETROTIVIDADE BENIGNA. LIMITAÇÃO EM 20%. CTN. ART. 106. O entendimento de sindicatos de que não incidirá contribuições previdenciárias sobre abonos especiais não merece prosperar, tendo em vista a total contrariedade de tal previsão em face da lei de custeio. In casu, correto o lançamento, bem como a decisão recorrida, porquanto a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme disposição contida no art. 142 do CTN. No que diz respeito a incidência de contribuição previdenciária sobre valores relativos à assistência médica e odontológica, melhor sorte não terá o contribuinte, considerando que ele não conseguiu comprovar, de forma cabal, que o benefício atendia a regra disposta na alínea q do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Em relação à multa, o posicionamento do contribuinte, está equivocado, devendo ser aplicada a do artigo 35, da Lei 8.212/91 limitada ao artigo 35 - A, da lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Eduardo de Oliveira. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Amilcar Barca Teixeira Junior quanto à multa. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ABONOS ESPECIAIS. ENTENDIMENTO DE SINDICADO. IMPOSSIBILIDADE DE PREVALECER SOBRE TEXTO LEGISLADO. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA RETROTIVIDADE BENIGNA. LIMITAÇÃO EM 20%. CTN. ART. 106. 1. O entendimento de sindicatos de que não incidirá contribuições previdenciárias sobre abonos especiais não merece prosperar, tendo em vista a total contrariedade de tal previsão em face da lei de custeio. 2. In casu, correto o lançamento, bem como a decisão recorrida, porquanto a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme disposição contida no art. 142 do CTN. 3. No que diz respeito a incidência de contribuição previdenciária sobre valores relativos à assistência médica e odontológica, melhor sorte não terá o contribuinte, considerando que ele não conseguiu comprovar, de forma cabal, que o benefício atendia a regra disposta na alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. 4. Em relação à multa, o posicionamento do contribuinte, está equivocado, devendo ser aplicada a do artigo 35, da Lei 8.212/91 limitada ao artigo 35 A, da lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Eduardo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 17 52 /2 01 0- 30 Fl. 1504DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assina do digitalmente em 22/11/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10680.721752/201030 Acórdão n.º 2803002.695 S2TE03 Fl. 3 2 Oliveira. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Amilcar Barca Teixeira Junior quanto à multa. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira – Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 1505DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assina do digitalmente em 22/11/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10680.721752/201030 Acórdão n.º 2803002.695 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente a contribuições devidas á Seguridade Social, correspondente à parte dos segurados, nas competências de 01/2007 a 12/2007, não recolhidas em época própria. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 03 de maio de 2011 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 ABONO PREVISTO EM CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. O pagamento de abono a segurados empregados tem natureza salarial, integrando o saláriodecontribuição, por não estar desvinculado do salário nos termos previstos em lei. ASSINSTÊNCIA MÉDICA E ODONTOLÓGICA. REQUISITOS LEGAIS. NÃO INCIDÊNCIA. Para que os valores relativos à assistência médica e odontológica ofertada pela empresa entejam fora do alcance do campo de incidência das contribuições previdenciárias, deve a mesma ser oferecida à totalidade dos empregados e dirigentes. Inteligência do Art. 28, § 9º, “q”, da Lei 8.212/91 e alterações. Os valores pagos a título de assistência médica e odontológica aos dependentes dos trabalhadores têm natureza salarial e não estão abarcados na lista de verbas não incidentes de contribuição previdenciária do art. 28, § 9º, da Lei 8.212/91. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449, DE 03/12/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. Para cumprimento do princípio da retroatividade benigna, deve ser comparada a multa de mora da redação anterior do artigo 35, II, ‘a”, (24%) somada à multa punitiva pelo descumprimento da obrigação acessória do art. 32, inciso IV, parágrafo 5º, (CFL 68), com a multa de ofício do artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96 (75%). IMPUGNAÇÃO PARCIAL. Somente a parte impugnada deve ser submetida ao julgamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 1506DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assina do digitalmente em 22/11/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10680.721752/201030 Acórdão n.º 2803002.695 S2TE03 Fl. 5 4 Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Os fatos considerados pela Fiscalização como geradores das contribuições teriam ocorrido no decorrer de 2007, tendo sido assim identificados pela fiscalização no relatório fiscal que acompanha a autuação: a) pagamento de abonos pecuniários e prêmios por tempo de serviço firmados em convenções coletivas de trabalho; b) pagamento efetuado a título de participação nos lucros e resultados; c) fornecimento de alimentação em desacordo com o PAT; d) pagamentos efetuados a transportadores autônomos e não incluídos em folhas de pagamento ou GFIP (levantamento FF1); e) despesas com assistência médica e odontológica (levantamentos AM1 e AO1). Os valores relacionados aos três primeiros itens acima citados foram considerados de forma conjunta no levantamento “CS1 – Diferença de Contribuição dos Segurados”. A recorrente apresentou defesa apenas para questionar os lançamentos relacionados aos abonos pecuniários (também integrantes do levantamento CS1), bem como os valores gastos com auxílio médico e odontológico, que não podem ser considerados integrantes do salário de contribuição. Por outro lado, demonstrouse a não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de assistência médica e odontológica, em resumo, sob os seguintes fundamentos: (i) a assistência não é prestada a um grupo seleto de funcionários, sendo prevista sempre em convenções coletivas específicas a todos os funcionários dos estabelecimentos a elas vinculados; (ii) por força da autonomia dos estabelecimentos, a análise se o benefício é prestado a todos os funcionários e dirigentes deve ser efetuada separadamente em cada estabelecimento; (iii) o caráter assistencial do benefício, inclusive em razão dos descontos na folha dos empregados, comprova que a sua natureza é claramente indenizatória; (iv) subsidiariamente, demonstrouse a insubsistência do lançamento a partir de junho de 2007, momento em que todos os funcionários de todos os estabelecimentos se encontravam assistidos pela assistência médica e odontológica. Demonstrouse também a forma abusiva e ilegal com que a Fiscalização atuou ao aplicar multa de ofício de 75% do valor do crédito principal constituído, haja vista a necessidade de aplicação da penalidade mais benéfica, que é a multa de mora de 20% (art. 35, da lei nº 8.212/91, com redação dada pela MP nº 449/08). Não incide contribuições previdenciárias sobre os abonos pecuniários pagos pela recorrente. Não incide contribuições previdenciárias sobre os valores relacionados à assistência médica e odontológica. Demonstrouse na impugnação que, caso a parcela do lançamento impugnada não seja cancelada na íntegra, deve ser determinada a retificação da penalidade Fl. 1507DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assina do digitalmente em 22/11/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10680.721752/201030 Acórdão n.º 2803002.695 S2TE03 Fl. 6 5 aplicada, consubstanciada na multa de ofício de 75% prevista no art. 44 da lei nº 9.430/96, não aplicável às contribuições previdenciárias quando da ocorrência dos fatos geradores. Isso, haja vista a necessidade de aplicação da penalidade mais benéfica, que é a multa de mora de 20% (art. 35, da lei 8.212/91, com redação dada pela MP nº 449/08). Contudo, o r. acórdão recorrido afastou esse argumento, sob o fundamento de que a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.420/1996 se referiria a contribuições sociais não pagas dentro do prazo, de forma espontânea, antes de iniciado o procedimento sancionador fiscal, sendo inaplicável ao presente caso. Por todo o exposto, requerse a reforma do r. acórdão recorrido, para que: a) Seja cancelado o lançamento fiscal no que se refere à parcela do levantamento “CS1” (correspondente aos levantamentos “AB1”, AP1”, considerados no Auto de Infração nº 37.232.0090) bem como aos levantamentos “AM1” e “AO1”, haja vista se ter demonstrado que os valores relacionados não podem ser considerados como integrantes do salário de contribuição; b) Na improvável hipótese desse pedido principal não ser considerado procedente: i) Seja cancelado o lançamento referente aos levantamentos “AM1” e “AO1” do período de junho a dezembro de 2007, haja vista a demonstração de que todos os funcionários de todos os estabelecimentos da Recorrente eram assistidos; ii) Seja cancelada a multa de ofício, restando aplicada a penalidade mais benéfica, nos termos expostos no item “II.3”. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 1508DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assina do digitalmente em 22/11/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10680.721752/201030 Acórdão n.º 2803002.695 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Vencido Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Como restou demonstrado, a recorrente foi autuada por descumprir diversos procedimentos previstos em lei. Contudo, em sua peça impugnatória ela limitouse a discutir apenas quatro levantamentos. No ponto, eis os argumentos do próprio contribuinte, verbis: Da impugnação apresentada se depreende que a empresa não se defende das infrações relacionadas ao Levantamento FF1 e ao Levantamento CS1 no qual se refere ao prêmio por tempo de serviço, participação nos lucros ou resultados e no fornecimento de Alimentação. As matérias não expressamente contestadas não serão objeto de análise, uma vez que não se tornaram controvertidas, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235, na redação dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Tais rubricas, não impugnadas, foram objeto de pagamento, conforme documento de fls. 220. Neste contexto, cumpre tão somente verificar a pertinência dos Levantamentos AM1, AO1 e CS1 no que se refere ao Aboto CCT e ao Abono Pecuniário CCT. No que se refere aos abonos pecuniários a fiscalização entendeu que tais benefícios não estavam em conformidade com a legislação previdenciária, motivo pelo qual efetuou o lançamento. De igual modo, o acórdão recorrido também segue esse entendimento, in verbis: De acordo com os dispositivos acima transcritos, somente abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei não integram o saláriodecontribuição. Convenções Coletivas de trabalho não dispõem de força normativa capaz de alterar a definição de institutos próprios de Direito Previdenciário, não podendo estabelecer se sobre determinada verba incidirá ou não contribuição previdenciária. Não integram o saláriodecontribuição exclusivamente as parcelas previstas no § 9º do art. 28 da lei nº 8.212/91, combinado com o § 9º do art. 214 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Assim, o fato de Sindicatos entenderem que esse Abono Especial não se sujeita à incidência de nenhum encargo tributário, trabalhista ou previdenciário, não garante sua Fl. 1509DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assina do digitalmente em 22/11/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10680.721752/201030 Acórdão n.º 2803002.695 S2TE03 Fl. 8 7 exclusão do campo de incidência das contribuições ora exigidas. De fato, o entendimento de sindicatos de que não incidirá contribuições previdenciárias sobre abonos especiais não merece prosperar, tendo em vista a total contrariedade de tal previsão em face da lei de custeio. In casu, correto o lançamento, bem como a decisão recorrida, porquanto a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme disposição contida no art. 142 do CTN. De outra parte, no que diz respeito a incidência de contribuição previdenciária sobre valores relativos à assistência médica e odontológica, melhor sorte não terá o contribuinte, considerando que ele não conseguiu comprovar, de forma cabal, que o benefício atendia a regra disposta na alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. No ponto, veja como dispõe o acórdão recorrido, in verbis: A empresa argumenta que todos os cinco funcionários da filia 23.929.979/001235 também estavam devidamente assistidos, conforme pode ser verificado pelas GFIP juntadas no Anexo D, que discriminam os segurados vinculados a este estabelecimento, e pelas faturas online exemplificativas e geradas pela empresa Vitallis Saúde S.A, juntadas no Anexo C. Ocorre que essas faturas juntadas (Anexo C) não são suficientes para comprovar que esses funcionários eram beneficiários desse Plano Assistencial. A empresa deveria ter juntado outros documentos, como Folhas de Pagamento, onde constasse o desconto sofrido pelo segurado, demonstrando a sua inclusão nos Planos oferecidos pela empresa. A empresa reconhece que os benefícios assistenciais eram oferecidos apenas nos estabelecimentos vinculados aos Sindicatos que celebravam Convenções Coletivas de Trabalho que continham cláusulas expressas acerca de Planos de Saúde e Odontológicos. Como se pode observar, realmente o contribuinte não conseguiu demonstrar coerência em sua tese. Em relação às verbas relacionadas aos Planos de Saúde e Odontológico, o lançamento deverá ser mantido. Contudo, em relação à multa aplicada, entendo que razão assiste ao contribuinte. Sobre a multa de mora, Mauro José da Silva (in Contribuições Previdenciárias à Luz da Jurisprudência do CARF – São Paulo. MP Ed., 2012. p. 180 e 192), assim leciona: Fl. 1510DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assina do digitalmente em 22/11/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10680.721752/201030 Acórdão n.º 2803002.695 S2TE03 Fl. 9 8 A multa de mora deve ser limitada a 20%, tendo em vista a determinação da nova redação do art. 35 da lei 8.212/91 c/c o art. 61 da lei 9.430/96. Esta é a posição que tem prevalecido, por maioria, nos julgamentos da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Seção do CARF. No Poder Judiciário há algumas decisões nesse mesmo sentido. O art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 não pode ser aplicado, uma vez que a infração falta de recolhimento só passou a ser punida com a referida multa de ofício após o advento da novel legislação e sua aplicação encontraria óbice no art. 105 do CTN. Portanto, em relação à multa, correto o posicionamento do contribuinte, devendo ela ser limitada a 20% (vinte por cento), por se tratar de situação mais benéfica conforme dispõe a alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Voto Vencedor Conselheiro Eduardo de Oliveira. Peço vênia ao I. Relator para divergir de sua posição quanto à aplicação da multa de mora. Ficou demonstrado que o lançamento decorre do descumprimento por parte do contribuinte de suas obrigações fiscais/tributárias, bem como que o lançamento é o típico lançamento de ofício, ou seja, aquele feito pelo agente do fisco no desempenho de suas atribuições legais, bem como as contribuições não foram declaradas em GFIP. Deste modo, penso que a aplicação correta da legislação sobre a multa de ofício seja a que a seguir esclareço. A multa de setenta e cinco por cento só é aplicável a fatos geradores e lançamentos realizados a partir de 04/12/2008 data da entrada em vigor da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, uma vez que o lançamento regese pela legislação vigente na data da ocorrência do fato gerador, ainda, que posteriormente modificada, artigo 144, da Lei 5.172/66. Fl. 1511DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assina do digitalmente em 22/11/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Processo nº 10680.721752/201030 Acórdão n.º 2803002.695 S2TE03 Fl. 10 9 Assim sendo, até 03/12/2008 a multa a ser aplicada ao presente lançamento é a constante do artigo 35, da Lei 8.212/91 com a redação vigente antes da entrada em vigor da MP 449/2008, isto é, a multa variável de vinte e quatro a cem por cento (24% a 100%), sendo que se a multa chegar a oitenta por cento (80%), nos termos do artigo 35, III, “c”, da Lei 8.212/91, deverá ser ela limitada aos setenta e cinco (75%) instituída pelo artigo 35A, da Lei 8.212/91 introduzida pela Lei 11.941/2009, observada à época do pagamento, parcelamento ou execução. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por conhecer do recurso para, no mérito darlhe provimento parcial par aplicar a multa do artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação velha, limitada ao percentual da multa instituída pelo artigo 35A, da lei 8.212/91, introduzida pela Lei 11.941/2009. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 1512DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assina do digitalmente em 22/11/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10480.913581/2009-96
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Sat Jul 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2008
Somente são dedutíveis do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008.
Erro formal no preenchimento da perdcomp.Retificação admissibilidade.
Reconhecido mero erro de fato no preenchimento da declaração deve a verdade material prevalecer sobre a forma.
Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para se pronunciar sobre a existência do direito crédito reivindicado no PERDCOMP e sobre a homologação das compensações pleiteadas, nos termos do voto da relatora.
Numero da decisão: 1801-001.517
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário nos temos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana De Barros Fernandes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Guilherme De Medeiros Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria De Lourdes Ramirez, Claúdio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme De Medeiros Ferreira, Ana De Barros Fernandes
Nome do relator: LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2008 Somente são dedutíveis do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. Erro formal no preenchimento da perdcomp.Retificação admissibilidade. Reconhecido mero erro de fato no preenchimento da declaração deve a verdade material prevalecer sobre a forma. Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para se pronunciar sobre a existência do direito crédito reivindicado no PERDCOMP e sobre a homologação das compensações pleiteadas, nos termos do voto da relatora.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário nos temos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana De Barros Fernandes - Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Guilherme De Medeiros Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria De Lourdes Ramirez, Claúdio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme De Medeiros Ferreira, Ana De Barros Fernandes
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O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. ERRO FORMAL NO PREENCHIMENTO DA PERDCOMP.RETIFICAÇÃO ADMISSIBILIDADE. Reconhecido mero erro de fato no preenchimento da declaração deve a verdade material prevalecer sobre a forma. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para se pronunciar sobre a existência do direito crédito reivindicado no PERDCOMP e sobre a homologação das compensações pleiteadas, nos termos do voto da relatora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 35 81 /2 00 9- 96 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 07/11/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário nos temos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana De Barros Fernandes Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Guilherme De Medeiros Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria De Lourdes Ramirez, Claúdio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme De Medeiros Ferreira, Ana De Barros Fernandes Relatório Tratase de PERDCOMP pela qual o contribuinte pleiteia a compensação de crédito decorrente de pagamento a maior de Estimativa de IRPJ de 31/03/2008 com débito de CSLL de 15/06/2009. A decisão recorrida ao analisar a manifestação de inconformidade do contribuinte a julgou improcedente: “Pelo exposto, concluise que o valor de IRPJ pago por estimativa ao longo de 2008, se não for utilizado para o pagamento do IRPJ devido na apuração final do exercício, só se torna restituível/compensável quando compuser o saldo negativo de IRPJ. com base nos seguintes argumentos: Temse dessa forma como fundamento da decisão recorrida a impossibilidade de compensação de crédito de estimativa ao longo novo, devendose aguardar pela composição do saldo negativo ao final do ano. Regularmente intimado em 28/02/2011 o contribuinte apresenta Recurso Voluntário tempestivo em 30/03/2011, alegando, em síntese a inexistência de limitação legal para compensação de pagamento a maior de estimativa mensal ao longo do ano. Voto Conselheiro, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Relator. Conheço do Recurso Voluntário por tempestivo. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 07/11/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10480.913581/200996 Acórdão n.º 1801001.517 S1TE01 Fl. 3 3 No mérito merece provimento parcial o apelo, devendose realizar novo julgamento na DRJ. Com efeito, consiste entendimento consolidado dessa turma a possibilidade de compensação de crédito decorrente de pagamento a maior de estimativa ao longo do período de apuração, desde que referido pagamento a maior decorra de erro. Tal questão foi dirimida nesta Turma de julgamento, conforme trecho de voto extraído do Acórdão 180100.486, de relatoria da Ilustre Conselheira Maria de Lourdes Ramirez: “... Neste aspecto, relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim, as antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº. 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei Nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei Nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, Fl. 166DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 07/11/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. EVERARDO MACIEL Entretanto, a própria Receita Federal mudou seu entendimento, ao suprimir parte da redação do dispositivo, quando da edição da IN RFB nº. 900, de 2009, como se verifica a seguir: Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Não é por demais relembrar que o artigo 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, já previu, expressamente os casos em que é vedada a compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 07/11/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10480.913581/200996 Acórdão n.º 1801001.517 S1TE01 Fl. 4 5 É verdade que, pela Medida Provisória n° 449, de 3 de dezembro de 2008, se procurou acrescentar novas restrições à compensação, por meio da inserção dos incisos VII a IX, ao § 3° do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, dentre elas a compensação de indébitos de estimativas. Seria essa a redação: Art. 29. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Artigo 74. (...).....(...) (...).(...) § 3º (...)....(...)....(...) (...) VII os débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); VIII os débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 1988; e IX os débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL apurados na forma do art. 2º. (...) § 12. (...) (...) Entretanto, na conversão da referida MP 449, de 2008, na Lei no. 11.941, de 2009, não se manteve a alteração acima: Lei n°. 11.941, de 27 de maio de 2009 (fruto da conversão da MP 449/2008): Art. 30. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Artigo 74. (...) (...) § 12. (...) (...) Portanto, não foi da vontade do legislador vedar a compensação de indébitos de estimativas de IRPJ e de CSLL. É verdade que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei nº. 9.430/96, observase que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Fl. 168DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 07/11/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Normativa RFB nº. 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. De outro giro é possível interpretar, também, que a Lei nº. 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2o: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº. 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destacouse) Diante deste contexto, temse que as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual do IRPJ ou da CSLL – já que o recolhimento efetuado a maior não observou o regramento acima, uma vez que feito a maior que o devido e o crédito daí decorrente, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, evidentemente sem a dedução das parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês Fl. 169DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 07/11/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10480.913581/200996 Acórdão n.º 1801001.517 S1TE01 Fl. 5 7 subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, interpretandose que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluise que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. O art. 35 da Lei nº. 8.981, de 1995, referenciado no art. 2o da Lei nº. 9.430, de 1996, assim dispõe acerca dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução de estimativas: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF nº. 51, de 31 de outubro de 1995, especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso (art. 12), é Fl. 170DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 07/11/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo ano calendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo anocalendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: [...] § 1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 25 a 27. § 2º O disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao diferimento do lucro inflacionário não realizado do período em curso, observados os critérios para sua realização. § 3º Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação específica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". § 4º A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem física, ao final do anocalendário ou do encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do anocalendário. [...] Fl. 171DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 07/11/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10480.913581/200996 Acórdão n.º 1801001.517 S1TE01 Fl. 6 9 Art. 14. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 13, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: I a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário. II as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Destaquese, ainda, que não há indébitos quando, após efetuar recolhimentos estimados com base na receita bruta, o contribuinte passa a suspendêlos ou reduzi los por meio dos balancetes, demonstrando que o valor do imposto/contribuição já pago, ou o somatório dele com a estimativa do mês, supera o devido com base no lucro real (balancetes suspensão/redução). As únicas alternativas no curso do ano calendário são: pagar com base na receita bruta, reduzir esse valor com base no balancete ou suspender o pagamento com base também em balancete. Ou seja, se o valor pago no decorrer do período superar o devido com base em balancete de suspensão/redução, o máximo efeito que o contribuinte pode extrair dos referidos balancetes é deixar de pagar o tributo, até que ele se torne novamente devido, seja pela mera apuração da estimativa com base na receita bruta, seja com base no lucro acumulado em balancetes de redução. Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira Relator Fl. 172DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 07/11/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 07/11/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11070.722085/2011-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009
INTIMAÇÃO POR EDITAL. VALIDADE. ENDEREÇO CERTO E CONHECIDO.
Restando comprovado que a autoridade fiscal exauriu os meios ordinários de intimação (postal e pessoal), é válida a intimação por edital com vistas a cientificar o contribuinte do início da fiscalização, mesmo que o contribuinte alegue possuir endereço certo e conhecido.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA E AGRAVADA. MANUTENÇÃO.
Resta mantida a multa qualificada e agravada quando do conjunto probatório do processo se verifica que o contribuinte agiu com intuito de sonegar imposto, bem como se furtou a apresentar documentação à autoridade lançadora com o fito de frustrar o lançamento.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. DESCARACTERIZAÇÃO.
A responsabilidade solidária não é presumida, mas sim fundamentada e motivada em fatos. Não comprovada confusão patrimonial e interesse comum entre as pessoas não são solidários entre si para fins tributários.
Numero da decisão: 2201-002.193
Decisão: RO Negado e RV Negado.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao Recurso de Ofício, negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte Nilo Fedrigo e dar provimento ao Recurso Voluntário da Contribuinte Josefina Cesca Fedrigo, afastando-se sua responsabilidade solidária.
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Gustavo Lian Haddad, Camilo Balbi, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Nathália Mesquita Ceia e Heitor de Souza Lima Junior.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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VALIDADE. ENDEREÇO CERTO E CONHECIDO. Restando comprovado que a autoridade fiscal exauriu os meios ordinários de intimação (postal e pessoal), é válida a intimação por edital com vistas a cientificar o contribuinte do início da fiscalização, mesmo que o contribuinte alegue possuir endereço certo e conhecido. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA E AGRAVADA. MANUTENÇÃO. Resta mantida a multa qualificada e agravada quando do conjunto probatório do processo se verifica que o contribuinte agiu com intuito de sonegar imposto, bem como se furtou a apresentar documentação à autoridade lançadora com o fito de frustrar o lançamento. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. DESCARACTERIZAÇÃO. A responsabilidade solidária não é presumida, mas sim fundamentada e motivada em fatos. Não comprovada confusão patrimonial e interesse comum entre as pessoas não são solidários entre si para fins tributários. RO Negado e RV Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao Recurso de Ofício, negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte Nilo Fedrigo e dar provimento ao Recurso Voluntário da Contribuinte Josefina Cesca Fedrigo, afastandose sua responsabilidade solidária. MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 72 20 85 /2 01 1- 34 Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA 2 NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Gustavo Lian Haddad, Camilo Balbi, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Nathália Mesquita Ceia e Heitor de Souza Lima Junior. Relatório Trata o presente processo de auto de infração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física – IRPF no valor de R$ 804.890.42, multa de ofício de 225% e juros de mora calculados até janeiro de 2012, perfazendo o montante de R$ 2.985.791,32 (fls. 246). A fiscalização aponta que o Contribuinte utilizase de métodos artificiais para não pagar imposto de renda. De acordo com a fiscalização, os valores empenhados pelo Contribuinte e sua família não condizem com os rendimentos reportados na Declaração de Ajuste Anual, representando omissão de rendimentos com vistas a evitar o pagamento do IRPF (acréscimo patrimonial a descoberto). Ainda pontua que o Contribuinte omite rendimentos recebidos de pessoas físicas. A fiscalização encaminhou Termo de Início de Fiscalização ao Contribuinte em 23.12.2010, porém a correspondência não foi entregue “por ter sido recusada”, conforme termos dos Correios. A fiscalização conseguiu contato telefônico com o Contribuinte para que esse retirasse a correspondência na agência dos Correios, mas isso não foi feito. Não restou alternativa à fiscalização senão a intimação por edital. Foram afixados 02 editais: um em 07.02.2011, onde o Contribuinte considerarseia intimado a partir de 22.02.2011 e tendo em vista a ausência de resposta outro edital foi afixada na agência no município de domicílio do Contribuinte em 18.04.2011. Como não houve resposta, não restou alternativa à fiscalização e essa requereu junto a órgãos públicos que pudessem levantar documentação acerca do Contribuinte, como Tribunais de Justiça, DETRAN, assim como expediu mandados de diligência para terceiros que possuíam negócios com o Contribuinte. Em posse dessa documentação e em face do silêncio do Contribuinte, a fiscalização lavrou auto de infração sob a alegação de que o Contribuinte omitiu rendimentos que foram empenhados de diversas formas (aquisição de imóveis, compra de produtos agrícolas etc.). Por fim, por entender que a família (02 filhas, companheira e mãe) concorrem no estratagema de omitir rendimentos para evitar a tributação pelo IRPF e mantém interesse comum ao Contribuinte, com base no inciso I do artigo 124 do CTN, a fiscalização atribuiu responsabilidade solidária a Talita Dalmolin Fedrigo (filha), Taísa Dalmolin Fedrigo (filha), Cleria Maria Dalmolin (companheira) e Josefina Cesca Fedrigo (mãe). A cientificação do Auto de Infração foi recusada por meio dos Correios, sendo necessária a expedição de edital, o que ocorreu em 23.02.2012. Cientificado do lançamento, o Contribuinte apresentou tempestivamente Impugnação com pedido de improcedência do auto de infração, alegando em síntese os seguintes argumentos: Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA Processo nº 11070.722085/201134 Acórdão n.º 2201002.193 S2C2T1 Fl. 3 3 · pleiteia a nulidade da autuação, pois é viciada pela intimação ter sido feita por meio de edital. Alega o Contribuinte que a intimação por edital é inválida, pois não foram exauridos todos os métodos de cientificação do contribuinte. Pontua que seu endereço é certo e sabido pela fiscalização e complementa que essa não envidou todos os esforços para a intimação, especialmente porque o prédio que reside não possui porteiro e quando da intimação pessoal o Contribuinte se encontrava em uma curta viagem. · alega que a documentação foi entregue por 02 desafetos (Cláudio João Gorgen e Eugênio Fedrigo) e que estes agem em conluio para prejudicar o Contribuinte. Aponta na Impugnação que ambos possuem pendengas judiciais em face do Contribuinte, inclusive por falsidade ideológica e tentativa de homicídio. Pondera que os documentos os quais a fiscalização tomou como base para lavrar o auto de infração não são autenticados, fato que prejudica sua fidedignidade. · afirma que a autuação ocorreu em base de presunções e arbitragens, não sendo efetuada uma análise da realidade fática, o que acaba por macular o lançamento. · alega que o valor de R$ 1.000.000,00 que a fiscalização diz ter sido pago a Eugênio Fedrigo (irmão) em razão da dissolução da sociedade de fato não ocorreu. O contrato existe, mas o pagamento não foi efetuado e isso é comprovado em razão da existência de processo de execução na comarca de Serranópolis Goiás acerca desse valor. · defende que o pagamento pela compra de 50.000 sacas de soja ocorreu em 2005 e não em 2006 como afirmado pela fiscalização. Portanto, fora do alcance da fiscalização. · pondera que não recebeu rendimento oriundo de arrendamento de terra de pessoa física. Defende que seu irmão – Eugênio Fedrigo – falsifica sua assinatura para apenas ele receber o arrendamento, passandose pelo Contribuinte. Afirma já haver sentença com exame grafológico que o irmão falsifica sua assinatura. · alega que os cheques apresentados por Cláudio João Gorgen como pagamento da safra não condizem com a realidade. A um porque não há comprovação que tais cheques se refiram a esse fato e a dois porque o valor a ser obtido pela safra é muito inferior ao somatório dos cheques. · aduz que não recebeu rendimentos de frete de pessoas jurídicas, pois os veículos não eram mais de sua propriedade, apesar de ainda mantido o registro no DETRAN, os contratos de compra e venda comprovam que os mesmos foram alienados e terceiros que prestam tais serviços. · argumenta a inaplicabilidade da multa de ofício agravada e qualificada a um porque não houve dolo, mas simples ausência de pagamento de imposto e a dois porque diversos fatos tidos pela fiscalização como não pagamento de tributo, não representam a verdade dos fatos. · combate que os imóveis adquiridos pelas filhas foram devidamente reportados em sua declaração quando essas eram suas dependentes e quando deixaram de sêlas, houve pagamento de imposto sobre os imóveis adquiridos. Da mesma forma, no âmbito do presente processo, companheira e mãe apresentaram Impugnação em face da configuração da responsabilidade solidária defendendo em suma que houve cerceamento de defesa, pois não foram intimadas na fase de fiscalização, apenas quando da lavratura do auto de infração e também argumentam que não há interesse comum, nenhuma delas concorreu juntamente com o Contribuinte para consecução dos fatos apontados pela fiscalização como irregulares. Logo inaplicável o inciso I do artigo 124 do CTN. A 4ª Turma da DRJ/POA julgou parcialmente procedente o lançamento, consubstanciado sua decisão nos seguintes aspectos, conforme destacado da ementa do acórdão: · Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. · Frustrada a tentativa de intimação por via postal ou pessoal, é válida a intimação por edital. Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA 4 · São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. · É de se manter a tributação de rendimentos de aluguéis, a título de arrendamento rural, auferidos pelo contribuinte e não tributados na declaração de ajuste anual. · Tributamse os rendimentos omitidos pelo contribuinte do trabalho sem vínculo empregatício, verificado por meio de DIRF apresentada pela fonte pagadora, caso o contribuinte não consiga demonstrar, através de documentos hábeis, que tal omissão não ocorreu. · É solidária a responsabilidade pelo pagamento do crédito tributário quando ficar demonstrado o interesse comum na situação que constitui fato gerador da respectiva obrigação. · Restando provada a ocorrência da circunstância qualificadora, imprescindível para a aplicação da multa, cabível a aplicação da penalidade de 150%. · O agravamento em 50% no percentual da multa de lançamento de ofício é aplicado quando restar comprovado que o sujeito passivo não atendeu às intimações fiscais para a apresentação de informações relacionadas com as atividades do fiscalizado. Em razão de a DRJ ter exonerado parcela do crédito tributário constituído, o processo é recebido por esse Conselho não apenas em face de recurso voluntário apresentado pelo Contribuinte, mas também por força de recurso necessário. Intimados da decisão de primeira instância por meio de edital publicado em 13.08.2012, o Contribuinte e Sra. Josefina Fedrigo (mãe, responsável solidária) apresentaram Recurso Voluntário em 20/09/2012 , reiterando os argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. Conheço do recurso, pois é tempestivo e goza dos demais requisitos de admissibilidade. 1. Da Preliminar 1.1. Intimação por edital Validade O Contribuinte alega que há invalidade do lançamento pela intimação ter ocorrido por edital. De acordo com o suportado pelo Contribuinte, a autoridade fiscal apenas pode lançar mão da intimação editalícia após esgotados todos os meios de tentar se obter contato com o contribuinte e especialmente quando o endereço do contribuinte é incerto ou não sabido. De fato a intimação por edital é o último meio que a autoridade tributária deve se valer para intimar o contribuinte, pois é um meio bastante precário, devendo essa apenas ser utilizada em situações singulares quando restam infrutíferas a intimação pessoal e por correio. Agora, também é certo que não pode a autoridade tributária tentar intimar o contribuinte por correio ou pessoalmente ad eternum. Ou seja, há um limite do razoável que autoridade se utiliza para aferir quando pode se valer da intimação editalícia. Isso porque se sustentássemos que a autoridade fiscal deveria insistir por diversas vezes a intimação por correio ou pessoal, porseia em risco o prazo decadencial para Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA Processo nº 11070.722085/201134 Acórdão n.º 2201002.193 S2C2T1 Fl. 4 5 efetuar o lançamento tributário. Neste sentido, é certo que a autoridade fiscal deve se valer dos meios ordinários de intimação para cientificar o contribuinte. Porém, em encontrando recusa, a autoridade tem o dever de efetuar a intimação por edital com vistas a garantir que eventual lançamento seja efetuado dentro do prazo decadencial. No caso em questão, em face dos fatos apresentados assemelhase que a autoridade fiscal buscou cientificar o contribuinte por meio de correio e pessoalmente antes de se valer do edital. Além disso, quando da intimação por edital o publicou por duas vezes. Ademais, é muito contraditório o Contribuinte afirmar ter endereço certo e sabido, mas qualquer comunicação das autoridades fiscais que chegue em sua residência retorna sem o aviso de recebimento firmado. No caso de cientificação da decisão de 1ª instância houve a mesma conduta, o aviso de recebimento retornou sem assinatura, fato que ensejou a cientificação da decisão de 1ª instância por edital. Portanto, como a intimação editalícia é válida em sede de processo administrativo e a autoridade fiscal logrou em demonstrar que envidou seus melhores esforços para cientificar o contribuinte de outras formas, a intimação por edital no caso em questão não gera nulidade do auto de infração, não sendo acatada a preliminar de nulidade do auto de infração suscitada no recurso voluntário. 2. Do Recurso de Ofício Em face das provas apresentadas nos autos, a decisão da DRJ que excluiu parcela do crédito tributário deve ser mantida, pois se trata de matéria fática que fora devidamente comprovada pelo Contribuinte quando da apresentação de sua Impugnação. Desta forma, a decisão de 1ª instância deve ser mantida no sentido de: (i) cancelar o valor de acréscimo patrimonial a descoberto do mês de maio de 2006, por não ter sido pago o valor de R$ 1.000.000,00 referente à dissolução de sociedade de fato, (ii) cancelar o valor de R$ 313.162,04, em junho de 2006, por ter havido um equívoco material quando da confecção dos cálculos pela fiscalização que considerou duas vezes o mesmo valor e (iii) cancelar o valor de R$ 1.174,11, pois restou comprovado que a Bunge não efetuou pagamentos a veículo de propriedade do Contribuinte. Desta feita, nego provimento ao recurso de ofício. 3. Recurso Voluntário 3.1. Omissão de rendimentos de Pessoa Física Contrato de arrendamento O Contribuinte requer a invalidade da decisão de 1ª instância por essa não ter considerado argumentação no sentido que os cheques apresentados pelo Sr. Cláudio João Gorgen não guardam relação com o contrato de arrendamento firmado. Alega o Contribuinte que os cheques apresentam valores muito superiores àqueles correspondentes às safras que remuneram o contrato de arrendamento. De fato os valores dos cheques são superiores aos valores do contrato de arrendamento, mas como bem pontuado pela decisão da DRJ, o beneficiário do cheque é o Contribuinte. Logo, a par desses cheques estarem remunerando o contrato de arrendamento na sua integralidade ou não, é fato que o Contribuinte se beneficiou desse valor. Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA 6 Assim, como não logrou êxito em explicar o Contribuinte a que se refere esse montante que está sendo recebido, mas apenas alega que não guarda correlação perfeita com o contrato de arrendamento, resta caracterizado rendimentos para fins de tributação pelo IRPF. Logo, o crédito tributário deve ser mantido nesse tocante. 3.2. Aquisição de 50.000 sacas de 60 kg de soja. Anocalendário 2006 O Contribuinte firmou contrato com o Sr. Cláudio João Gorgen em 11 de julho de 2006 pelo qual o Contribuinte se obriga a comprar 50.000 sacas de 60 kg de soja referentes à safra de 2006/2007. O Contribuinte emitiu recibo em face da entrega da soja. Assim, a fiscalização considerou a cotação da soja e efetuou os cálculos para a compra da quantidade avençada e restou apurado o valor total de R$ 1.087.000,00 para pagamento da soja comprada. Como o Contribuinte não possui rendimentos reportados em sua declaração que justifiquem esse pagamento, a fiscalização considerou que se trata de acréscimo patrimonial a descoberto, exigindo o imposto sobre o valor. Em sua defesa, o Contribuinte alega que o pagamento dessas 50.000 sacas de 60kg de soja ocorreu no anocalendário de 2005, sendo que no anocalendário de 2006 apenas aconteceu a renovação do contrato, sem haver pagamento. Independente de haver pagamento no ano de 2005, esse não se refere ao contrato firmado no ano de 2006 referente à safra de 2006/2007. Isso porque o Contribuinte emitiu recibo confirmando o recebimento da soja com base no contrato “renovado” em 2006, portanto o contrato de 2006 foi aperfeiçoado. Assim, o pagamento do contrato de 2005 (safra 2005/2006) não deve ser confundido com o pagamento do contrato de 2006 (safra 2006/2007). Para esse último contrato há prova que o Contribuinte recebeu a soja mediante pagamento. Logo, resta comprovado o desembolso de R$ 1.087.000,00 pelo Contribuinte que não encontra lastro nos rendimentos reportados na sua declaração, caracterizando, portanto, acréscimo patrimonial a descoberto, passível de tributação. 3.3. Omissão de rendimentos de Pessoa Jurídica – Trabalho sem vínculo empregatício No tocante à alegação de que os veículos de placas IBM 2750 e KCJ 4680 não são mais de sua propriedade, o Contribuinte não logrou êxito em comprovar que não recebera o frete das empresas pagadoras. Ou seja, por mais que os veículos não mais pertencessem ao Contribuinte, os valores pagos a título de frete foram efetuados em seu benefício. Neste sentido, deve permanecer o lançamento tributário constituído sobre os valores atribuídos como frete recebidos dos veículos de placas IBM 2750 e KCJ 4680. 3.4. Multa de ofício qualificada e agravada Manutenção Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA Processo nº 11070.722085/201134 Acórdão n.º 2201002.193 S2C2T1 Fl. 5 7 O Contribuinte também pleiteia o afastamento da multa de ofício qualificada e agravada, sob a alegação de que não restou configurada a sonegação de tributos, pois a falta de pagamento de tributo por si só não deve gerar a qualificação da multa. É certo que o nãopagamento de tributos não gera a aplicação da multa qualificada ou agravada, mas apenas a penalidade da multa de ofício de 75%. Entretanto, quando resta comprovado que a conduta do contribuinte se orquestrou para a supressão do pagamento de tributo, a multa qualificada é aplicável. No tocante à multa agravada, temse a aplicação da legislação tributária de forma clara que prevê o agravamento da multa nos casos em que o contribuinte não forneceu documentação probatória durante o processo fiscalizatório com vistas a frustrar eventual autuação. Independente de o contribuinte agir com o intuito de frustrar a autuação ou não, a não entrega injustificada de documentação à fiscalização deve ser punida, pois prejudica a aferição de eventual quantum devido pela autoridade lançadora. Assim, em face dos fatos trazidos no presente processo, as multas de ofício qualificada e agravada devem ser mantidas. 3.5. Solidariedade A Sra. Josefina Fedrigo defende que não deve concorrer solidariamente com o Contribuinte nas acusações que lhes são imputados, pois não concorre diretamente com os fatos que ensejam as irregularidades tributárias e tampouco possui interesse nos fatos alegados pela fiscalização como ilícitos. A solidariedade não pode ser presumida e advém de mandamento legal. O Código Tributário Nacional (CTN) em algumas hipóteses autoriza a caracterização da solidariedade, especialmente quando houver confusão patrimonial e interesse comum entre as pessoas. Além disso, os Tribunais Superiores já se posicionaram que a solidariedade deve ser fundamente e motivada, não podendo decorrer de mera presunção. Assim, em análise aos fatos aduzidos no presente processo, apesar de a Sra. Josefina Fedrigo possuir pendências junto a Receita Federal do Brasil, não restou comprovado nos autos do processo que ela tenha agido conjuntamente com o Contribuinte com vistas à prática de atos que levaram a supressão do imposto aqui lançado. Neste sentido, por não restar motivado e fundamento a participação da Sra. Josefina Fedrigo nos atos aqui apresentados, a responsabilidade solidária deve ser afastada. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de: (i) dar provimento ao recurso voluntário da Sra. Josefina Fedrigo, com vistas a afastar a responsabilidade solidária. (ii) negar provimento à preliminar de cerceamento de defesa. (iii) negar provimento ao recurso de ofício. Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA 8 (iv) negar provimento ao recurso voluntário do Sr. Nilo Fedrigo. Nathália Mesquita Ceia – Relatora. Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA
score : 1.0
Numero do processo: 12155.000869/2008-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Exercício: 2008
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO POR DÉBITOS PENDENTES DE PAGAMENTO. REGULARIZAÇÃO TEMPESTIVA. ADMISSÃO DA PERMANÊNCIA.
Comprovada a regularização fiscal em 30 dias contados da ciência da exclusão da empresa do Simples Nacional, é lícita a sua manutenção no aludido regime especial, com fulcro no art. 31, § 2º da LC 123/06.
Numero da decisão: 1302-001.232
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, CRISTIANE SILVA COSTA, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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EXCLUSÃO POR DÉBITOS PENDENTES DE PAGAMENTO. REGULARIZAÇÃO TEMPESTIVA. ADMISSÃO DA PERMANÊNCIA. Comprovada a regularização fiscal em 30 dias contados da ciência da exclusão da empresa do Simples Nacional, é lícita a sua manutenção no aludido regime especial, com fulcro no art. 31, § 2º da LC 123/06. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, CRISTIANE SILVA COSTA, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 15 5. 00 08 69 /2 00 8- 35 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 18/11/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário. A recorrente foi excluída do SIMPLES em 22/08/2008, por possuir os seguintes débitos em aberto: (i) relativos aos meses de janeiro a dezembro de 2004, abril de 2005, julho de 2006, (ii) débito inscrito na PGFN (2040400281813) e (iii) débito previdenciário (v. Ato Declaratório Executivo nº 275447, de 22/08/2008 fls. 97). A recorrente foi intimada do Ato Declaratório Executivo em 17/09/2008 (fls. 98). Na sequência, apresentou manifestação de inconformidade em 16/10/2008, acompanhada de comprovantes de pagamento de débitos referentes aos meses de janeiro, fevereiro e dezembro de 1997, requerendo sua manutenção no Simples Nacional (fls. 02/11). A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente nos termos do acórdão nº 0119.243 (fls. 100/103), proferido pela 2ª turma da DRJ/BEL, cuja ementa merece leitura (fls. 100/103): ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL. ANO CALENDÁRIO: 2008. EXCLUSÃO MANTIDA. PENDÊNCIAS NÃO SOLUCIONADAS. Constatando que a contribuinte não solucionou em tempo hábil, os débitos tributários e/ou previdenciários que motivaram sua exclusão do Simples Nacional, há que se manter a exclusão. Manifestação de inconformidade improcedente. Sem crédito em litígio. Intimada da decisão supratranscrita em 22/10/2010 (sextafeira fl. 107), a recorrente apresentou, então, recurso voluntário em 23/11/2010 (fl. 108 e ss.), no qual ventila as seguintes razões, em resumo: (i) Relativamente aos débitos de janeiro a dezembro de 2004, argumenta que apresentou declaração anual com receita bruta equivocada (a maior) em 30/05/2005, o que gerou um débito indevido em relação ao período; (ii) Afirma que foi notificada do ADE n. 275447 em 17/09/2008 e retificou a declaração em 24/09/2008 (dentro do prazo de 30 dias). Por fim, a recorrente alega que pagou todos os débitos devidos, consoante comprovam as guias DARF anexadas; (iii) Relativamente aos débitos de abril de 2005 e julho de 2006, afirma que foram pagos em 30/09/2008, ou seja, também dentro de 30 (trinta) dias da data de sua ciência de exclusão do simples (17/09/2008); (iv) Quanto ao débito previdenciário da IP nº 405215/2008, sustenta que este fora devidamente regularizado, consoante comprova o espelho de débitos fornecido pela Agência da Receita Federal em Ananindeua (fls. 153/186); Fl. 227DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 18/11/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12155.000869/200835 Acórdão n.º 1302001.232 S1C3T2 Fl. 227 3 (v) Por fim, defende que os débitos inscritos em dívida ativa (CDA nº 2040400281813) é indevido, pois a RFB não demonstra como foi determinado esse valor remanescente; ademias, a recorrente sustenta que já pagou esses valores. Subsidiariamente, sustenta que os débitos foram extintos por remissão (art. 14, da MP nº 449/2008), conforme comprovante apresentado aos autos (fls. 188/189). Na primeira oportunidade que este Conselho teve de apreciar o caso, foi determinada a conversão do julgamento em diligência (Res. 1302000.124, fl. 194), para que o AFRFB verificasse “se de fato os débitos desses anoscalendários de 2004, 2005 e 2006, que levaram à exclusão do SIMPLES em 2008, foram quitados até o dia 17/10/2008, quando se completaram 30 dias da ciência do ADE.” (fl.196). Após a manifestação, a Relatora ainda determinou que fosse dado ciência a recorrente e voltassem os autos a este Conselho. Em vista da conversão dos autos em diligência, o AFRFB exarou o despacho ARF/AND nº 37/2012, constatando que (fls. 221): (i) Houve retificação da DIPJ/2005 (anocalendário 2004) em 24/09/2008, alterando os valores devidos, tendo sido recolhida a diferença devida em 17/10/2008; (ii) Em relação aos períodos de apuração 04/2005 e 06/2006, verificouse que os valores devidos foram recolhidos em 30/09/2008; (iii) A divergência que resultou na Intimação para Pagamento nº 405215/2008, foi regularizada antes de 17/10/2008. (iv) Ao final, o próprio AFRFB atestou a regularidade fiscal da recorrente dentro do prazo de 30 (trinta) dias contados da intimação do Ato Declaratório Executivo nº 275447, de 22/08/2008, que se deu em 17/09/2008. É o relatório. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 18/11/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. Como registrado, o que motivou a exclusão da recorrente do Simples Nacional fora a ausência regularidade fiscal no adimplemento dos créditos referente aos períodos de janeiro a dezembro de 2004, abril de 2005 e julho de 2006, além da IP nº 4052152008 e do débito inscrito em Dívida Ativa sob nº 20.4.04.00281813. A exclusão se deu com base no art. 17, V, da Lei Complementar 123/2006 (fls. 97), que dispõe: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: […] V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Em relação à IP n. 405215/2008, a recorrente trouxe documentação idônea para comprovar a sua regularização tempestiva perante o fisco (fls. 153/186), devidamente ratificada pelo AFRFB quando da conversão do julgamento em diligência (fls. 221). Quanto à CDA n. 20.4.04.00281813, a recorrente demonstra que o débito encontrase devidamente baixado por remissão, conforme extrato acostado aos autos (fls. 188/189). Em relação aos demais débitos – janeiro a dezembro de 2004, abril/2005 e julho/2006 –, a recorrente demonstrou a sua regularização dentro do período de 30 (trinta) dias subsequente à sua intimação do Ato Declaratório Executivo (fls. 121/152), que se deu em 17/09/2008 (fls. 98). Em tempo, segundo dispõe o art. 31, § 2º, da LC nº 123/2006: Art. 31 […]. § 2º Na hipótese dos incisos V e XVI do caput do art. 17, será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional mediante a comprovação da regularização do débito ou do cadastro fiscal no prazo de até 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da comunicação da exclusão. Ao concluir as diligências determinadas por meio da Resolução 1302 000.124 (fl. 194), o AFRFB registrou o seguinte (fls. 221): Em análise da situação dos débitos do simples federal, conforme consultas feitas nos sistemas da RFB, foi verificado que o contribuinte apresentou DIPJ 2005, no anocalendário 2004, retificadora, em 24/09/2008, alterando os valores em cobrança, Fl. 229DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 18/11/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12155.000869/200835 Acórdão n.º 1302001.232 S1C3T2 Fl. 228 5 ajustandoos aos pagamentos que foram todos efetuados antes de 17/10/2008, com a regularização ainda dos saldos devedores dos períodos de apuração 04/2005 e 06/2006, que foram recolhidos em 30/09/2008. Tratandose da cobrança de contribuições previdenciárias formalizada na Intimação para Pagamento (IP) nº 4052152008, que também motivou a exclusão do simples, constatouse que o contribuinte regularizou, antes de 17/10/2008, todas as divergências relacionadas nessa IP, conforme telas do sistema, anexa aos autos deste processo. Portanto, fica caracterizada a regularização fiscal dos débitos administrados pela RFB, dentro do prazo estabelecido pelo Ato Declaratório Executivo DRF/BEL nº 275447, de 22 de agosto de 2008. (grifo não original). Considerando que ao término das diligências nos termos solicitados pela então Conselheira Relatora, o próprio AFRFB constatou a regularidade fiscal da recorrente dentro do período de 30 (trinta) dias a contar da ciência do ato de exclusão, resta dar provimento ao recurso voluntário para manter a recorrente no regime do Simples Nacional no anocalendário fiscalizado, se outro motivo não houver. Dessa forma, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para determinar o cancelamento do Ato Declaratório Executivo nº 275447, de 22/08/2008, que determinou a exclusão da recorrente do Simples Nacional, com fulcro no art. 31, § 2º, da LC nº 123/06. Conclusão Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Márcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 230DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 18/11/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13839.900649/2009-68
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2000 a 29/02/2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CREDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVAÇÃO
Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus da sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem trazer aos autos prova da origem e liquidez do mesmo.
Numero da decisão: 3801-002.468
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
O Conselheiro Flavio de Castro Pontes votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, , Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu Sidney Eduardo Stahl, Relator
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2000 a 29/02/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CREDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVAÇÃO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus da sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem trazer aos autos prova da origem e liquidez do mesmo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2000 a 29/02/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CREDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVAÇÃO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus da sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem trazer aos autos prova da origem e liquidez do mesmo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Flavio de Castro Pontes votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, , Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu Sidney Eduardo Stahl, Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 06 49 /2 00 9- 68 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.900649/200968 Acórdão n.º 3801002.468 S3TE01 Fl. 265 2 Relatório A Contribuinte transmitiu em 13/01/2005 sua DCOMP compensando débito de PIS do período de apuração de dezembro/2004 com vencimento em 14/01/2005, com suposto crédito de PIS decorrente de pagamento indevido ou a maior, referente ao período de apuração de fevereiro/2000, vencido e arrecadado em 15/03/2000. Uma vez eletronicamente confrontadas as informações, o pleito foi indeferido por meio do Despacho Decisório de fls., sob alegação de que “foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do Contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.”. A Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que seus créditos teriam origem em pagamentos realizados à maior decorrentes do estreitamento da base de cálculo da PIS e da COFINS em vista da possibilidade de exclusão das receitas oriundas da venda de mercadorias para a Zona Franca de Manaus, uma vez reconhecida a inscontitucionalidade do artigo 14, § 2°, inciso 1º, da Medida Provisória n.º 2.03724, atual Medida Provisória n°. 2.15835, de 2001 em sede de liminar concedida nos autos da ADIN n°. 2.3489, acostando aos autos planilha demonstrativa dos valores pagos. A DRJ de origem julgou improcedente a defesa apresentada, com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2000 a 29/02/2000 PIS. VENDAS EFETUADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. DESCABIMENTO A isenção do PIS e da COFINS prevista no art. 14 da Medida Provisória nº 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, para vendas realizadas a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase somente às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Tal isenção não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1º de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999 e suas reedições até a Medida Provisória nº 2.03724, de 2000. Não existindo norma de desoneração aplicável, não se reconhece direito de crédito nela baseado e não se homologa a compensação que dele se aproveita. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 264DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.900649/200968 Acórdão n.º 3801002.468 S3TE01 Fl. 266 3 Irresignada com o indeferimento de seu pleito, apresenta a Recorrente o presente Recurso Voluntário, através do qual renova os argumentos utilizados em sede de Manifestação de Inconformidade, com as devidas atualizações legislativas concernentes ao tema e requerendo, por fim, a reforma da decisão recorrida e a homologação da compensação efetuada. É o que importa relatar. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.900649/200968 Acórdão n.º 3801002.468 S3TE01 Fl. 267 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O Recurso é tempestivo e comporta os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Já é de conhecimento dessa turma o meu posicionamento acerca da impossibilidade de se tributar as vendas para a Zona Franca de Manaus pelas contribuições para o PIS e a COFINS, enquanto não alterado o artigo 4º do Decretolei 288/1967 que as equiparou às exportações. Contudo, merece exame preliminar a questão final abordada pelo acórdão recorrido, que diz respeito à comprovação do direito creditório alegado, senão vejamos: Registrese que, ainda que se admitisse a tese da contribuinte, não existem neste processo provas de que as referidas operações foram, de fato, operações destinadas à Zona Franca de Manaus nem comprovação, suportada por documentação contábil fiscal, da inclusão das receitas decorrentes dessas operações na base de cálculo do pagamento formador do apontado indébito. A contribuinte, limitouse a trazer aos autos, às fls. 10, planilha com mera menção de valores que teriam sido indevidamente recolhidos a título de Cofins e a informar que as notas fiscais de venda para a Zona Franca de Manaus encontramse à inteira disposição da Fiscalização, nada provando. Em que pese o fato deste Conselheiro compactuar com a tese meritória, há que se reconhecer, no entanto, que estamos diante de um pedido de compensação e que caberia ao contribuinte, no mínimo, demonstrar satisfatoriamente a origem de seu crédito. Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo. No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não comprovou por meio de documentos o valor e a origem do seu crédito. No processo administrativo fiscal, temse como regra que cabe àquele que pleiteia o direito, provar os fatos, prevalecendo o princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Portanto, no caso em apreço, compete ao sujeito passivo. À ora Recorrente, a comprovação de que preenche os requisitos para fruição do ressarcimento, por intermédio da presente compensação. Ademais, do mesmo modo que o Decreto n.º 70.235/1972 estabelece, em seu artigo 9°, a obrigatoriedade da autoridade fiscal traduzir por provas os fundamentos do lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Em verdade, este dispositivo legal apenas transfere, para o processo administrativo fiscal, o sistema adotado pelo Código de Processo Fl. 266DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.900649/200968 Acórdão n.º 3801002.468 S3TE01 Fl. 268 5 Civil, que, em seu artigo 333, ao repartir o ônus probandi, o faz inadmitindo a mera alegação e a negação geral, a saber: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Assim, na hipótese da compensação pleiteada, recairia sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida, sendo imprescindível que as provas e argumentos tivessem sido carreadas aos autos. No caso em tela, a Recorrente limitouse a apresentar uma planilha indicativa dos supostos valores recolhidos à maior, sendo certo de que referida documentação não possui o condão de conferir a liquidez e a certeza necessárias ao deferimento da compensação. Não sendo apresentadas provas das alegações através de documentação hábil há que se negar o pedido realizado. Ante o acima exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator Fl. 267DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10880.977785/2009-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Dec 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2005
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO VINCULADO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROCESSO AUTÔNOMO.
Inobstante a possibilidade de realização de compensação administrativa de débito tributários com direitos creditórios objeto de discussão em processo de restituição autônomo, o pedido de compensação ficará vinculado ao quanto decidido no processo administrativo que aprecia o direito creditório.
Decidida, em caráter definitivo, a inexistência do direito creditório, há indissociável repercussão do julgado no pedido de compensação, pois ausente crédito para fazer frente à compensação requerida.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
Numero da decisão: 3101-001.527
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Luiz Roberto Domingo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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INDUSTRIAL COMERCIAL E IMPORTADORA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO VINCULADO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROCESSO AUTÔNOMO. Inobstante a possibilidade de realização de compensação administrativa de débito tributários com direitos creditórios objeto de discussão em processo de restituição autônomo, o pedido de compensação ficará vinculado ao quanto decidido no processo administrativo que aprecia o direito creditório. Decidida, em caráter definitivo, a inexistência do direito creditório, há indissociável repercussão do julgado no pedido de compensação, pois ausente crédito para fazer frente à compensação requerida. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Luiz Roberto Domingo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 77 85 /2 00 9- 42 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 27/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Relatório Tratase de pedido de compensação de débitos perante a Receita Federal com direitos créditórios decorrentes de obrigações do reaparelhamento econômico que a Recorrente entende ter direito. A manifestaão da inconformidade da Recorrente, em face do indeferimento do pedido motivado pela não confirmação da existência de crédito e pela não localização do DARF indicado no PER/DCOMP, foi a preciada pela DRJSão Paulo/SP, que manteve o indeferimento, com base nos fundamentos consubstanciados na seguinte ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO /PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR NÃO COMPROVADO Não se homologam as compensações em PER/DCOMP quando se comprova que além de o crédito tributário declarado não existir, a contribuinte ainda vincula a compensação a pedido de restituição que foi julgado não formulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Segundo o que consta da decisão recorrida, a Recorrente “ciente que não poderia declarar compensações com supostos créditos relativos a tributos não administrados pelo Fisco Federal, conforme determina a lei tributária, achou por bem declarar que a compensação seria feita com créditos de COFINS não cumulativa pagos a maior, preenchendo, inclusive, o código do tributo de COFINS não cumulativa (cód. 5856), para que a PER/DCOMP fosse transmitida, e os débitos declarados fossem considerados extintos até, posterior descoberta da manobra ou mesmo, homologação tácita, em caso de perda de prazo por parte do Fisco Federal”. Que o lastro dos créditos declarados é o PAF “n° 19679.013577/200550, onde pleiteia a restituição de supostos créditos decorrentes de Obrigações do Reaparelhamento Econômico, de que trata a Lei n° 1.474, de 26 de novembro de 1951, nada tendo a ver com pagamentos a maior de COF1NS não cumulativa”, entendendo que “a contribuinte patina perigosamente no terreno da máfé”. Esclarece que o pleito feito nos autos do PAF “n° 19679.013577/200550 foi imporcedente “por não ser tributo administrado pela RFB, cabendio manifestação de inconformidade”, e que “embora cientificada da decisão em 20/03/2009, de acordo com AR de fls. 192/verso daquele processo, a empresa não apresentou qualquer recurso dentro do prazo legal e, .26/06/2009 o processo foi arquivado (fls. 194 daquele processo).” Inconformada com a decisão de primeira instância, da qual foi intimada em 20/08/2010, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, em 22/09/2010, repisando os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, quanto à legitimidade de seu direito creditório. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 27/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10880.977785/200942 Acórdão n.º 3101001.527 S3C1T1 Fl. 101 3 É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Conheço do Recurso por atender aos requisitos de admissibilidade. Primeiramente, cabe ressaltar que, a par da informação contida no PER/DCOMP em relação à DARF que instrumentaliza o crédito oferecido à compensação, pela qual não foi localizado crédito em favor da Recorrente, o direito creditório que ampara o pedido de compensação transmitido é, na realidade, o crédito decorrente das obrigações do reaparelhamento econômico. Esse direito creditório, conforme consta do pedido e dos autos, foi objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 19679.013577/200550, julgado imporcedente “por não ser tributo administrado pela RFB, cabendio manifestação de inconformidade”. Conforme salientado pela decisão recorrida “embora cientificada da decisão em 20/03/2009, de acordo com AR de fls. 192/verso daquele processo, a empresa não apresentou qualquer recurso dentro do prazo legal e, .26/06/2009 o processo foi arquivado (fls. 194 daquele processo)”, de modo que concluo que tornouse definitiva a decisão administrativa que indeferiu o direito creditório ofertado nestes autos para compensação. Inobstante a possibilidade de realização de compensação administrativa de débito tributários com direitos creditórios objeto de discussão em processo administrativo autônomo (PAF nº 19679.013577/200550), o pedido de compensação ficará vinculado ao quanto decidido no processo que aprecia o direito creditório. Decidida, em caráter definitivo, a inexistência do direito creditório, há indissociável repercussão do julgado nos autos do PAF nº 19679.013577/200550, no pedido de compensação, pois o que se verifica é a ausência de crédito bastante e suficiente para fazer frente à compensação requerida pela Recorrente. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Luiz Roberto Domingo Relator Fl. 102DF CARF MF Impresso em 27/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 13982.000287/95-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/08/1993 a 31/08/1995
PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE JULGAMENTO CONTRADITÓRIO À DECISÃO JUDICIAL.
As esferas administrativas devem cumprir as decisões judiciais. Por essa razão, não cabe às esferas administrativas julgarem indevido o aproveitamento de crédito, cujo direito já foi reconhecido judicialmente.
Numero da decisão: 3401-002.476
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/08/1993 a 31/08/1995 PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE JULGAMENTO CONTRADITÓRIO À DECISÃO JUDICIAL. As esferas administrativas devem cumprir as decisões judiciais. Por essa razão, não cabe às esferas administrativas julgarem indevido o aproveitamento de crédito, cujo direito já foi reconhecido judicialmente.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1675; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 400 1 399 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13982.000287/9501 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 3401002.476 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de novembro de 2013 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO IPI Recorrente DRJ RIBEIRÃO PRETO/SP Interessado VONPAR REFRESCOS S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/08/1993 a 31/08/1995 PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE JULGAMENTO CONTRADITÓRIO À DECISÃO JUDICIAL. As esferas administrativas devem cumprir as decisões judiciais. Por essa razão, não cabe às esferas administrativas julgarem indevido o aproveitamento de crédito, cujo direito já foi reconhecido judicialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 02 87 /9 5- 01 Fl. 403DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 Relatório Tratase de recurso de ofício interposto pela DRJ em Ribeirão Preto/SP, em razão de ela ter cancelado o auto de infração (fls.03/43) lavrado em desfavor da Contribuinte, pelo qual se exigia o IPI, juros e multa, que totalizavam, no momento da lavratura, o valor de 1.953.760,13 UFIR mais R$ 738.273,77. O Acórdão da DRJ que cancelou o lançamento foi ementado da seguinte forma (fls. 394/396): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/08/1993 a 31/08/1995 TRÂNSITO EM JULGADO Constatado que a matéria discutida nos autos foi objeto de trânsito em julgado favorável ao sujeito passivo, fica superada a possibilidade de emissão de juízo administrativo adverso àquele formulado na esfera judicial”. Em razão do valor exonerado, a DRJ submeteu seu acórdão à apreciação do CARF. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 17/01/2013 (fl.398), mas não se manifestou. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso de ofício preenche os requisitos do art. 34, do Decreto nº 70.235/72 e do art. 1º, da Portaria do Ministério da Fazenda nº 3, de 3 de janeiro de 2008, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. Conforme descrição dos fatos (fl. 06), o auto de infração foi lavrado em razão de a autoridade fiscal entender que a Contribuinte aproveitou créditos indevidos na aquisição de produtos originados na Zona Franca de Manaus. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 13982.000287/9501 Acórdão n.º 3401002.476 S3C4T1 Fl. 401 3 Ocorre que a Contribuinte impetrou Mandado de Segurança pelo qual lhe foi reconhecido o direito de aproveitamento de crédito de IPI nas aquisições de produtos da Zona Franca de Manaus. O Mandado de Segurança transitou em julgado com resultado favorável à Contribuinte (fls.330/339). A União ingressou com ação rescisória, mas logrou êxito (fls. 343/360), de modo que prevaleceu o reconhecimento ao direito creditório da Contribuinte. Em outros julgados, este Conselheiro tem sustentado a obrigatoriedade de a Administração Pública obedecer às decisões judiciais e nesse caso não é diferente. A Contribuinte já conseguiu pela via judicial o reconhecimento do direito de aproveitamento de crédito do IPI na aquisição de produtos oriundos da Zona Franca de Manaus. Nessa linha, como bem afirmado no acórdão recorrido, não cabe às esferas administrativas julgarem de modo diverso. Logo, deve ser seguida a interpretação judicial, que reconhece o direito ao crédito, de modo que a conclusão óbvia é a de que o aproveitamento de crédito exercido pela Contribuinte não foi indevido e o a auto de infração é insubsistente. Portanto, não há reparos a serem feitos no acórdão ora apreciado. Ex positis¸ nego provimento ao recurso de ofício interposto, mantendo o acórdão da DRJ em sua integralidade. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 405DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
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