Busca Facetada
Turma- PLENO DA CÂMARA SUPERIOR (788)
- Pleno (788)
- PIS - proc. que não vers (91)
- Finsocial -proc. que não (54)
- IRPF- restituição - rendi (18)
- PIS - ação fiscal (todas) (12)
- IRF- que ñ versem s/ exig (10)
- IRPJ - restituição e comp (8)
- Finsocial- ação fiscal (t (6)
- IRPJ - AF - lucro real (e (6)
- Cofins - ação fiscal (tod (4)
- IRF- ação fiscal - outros (4)
- II/IE/IPI- proc. que não (3)
- IRPJ - AF- omissão receit (3)
- Cofins- proc. que não ver (2)
- IPI- processos NT- créd.p (2)
- IRPF- ação fiscal - Ac.Pa (2)
- ELIAS SAMPAIO FREIRE (60)
- MARCELO OLIVEIRA (58)
- NANCI GAMA (56)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (56)
- LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA (55)
- RODRIGO CARDOZO MIRANDA (48)
- FRANCISCO DE SALES RIBEIR (40)
- MARIA HELENA COTTA CARDOZ (36)
- GUSTAVO LIAN HADDAD (32)
- ALBERTO PINTO SOUZA JUNIO (29)
- RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE (18)
- JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO (14)
- MANOEL COELHO ARRUDA JUNI (14)
- MARIA TERESA MARTINEZ LOP (12)
- HENRIQUE PINHEIRO TORRES (10)
- 2012 (485)
- 2014 (113)
- 2011 (52)
- 2016 (39)
- 2017 (20)
- 2013 (14)
- 2002 (12)
- 2004 (9)
- 2006 (8)
- 2018 (8)
- 2005 (7)
- 2003 (4)
- 2008 (4)
- 2007 (3)
- 2009 (3)
- do (788)
- os (788)
- membros (787)
- de (780)
- por (778)
- votos (769)
- acordam (750)
- recurso (748)
- da (718)
- e (718)
- unanimidade (714)
- provimento (710)
- ao (667)
- julgamento (659)
- conselheiros (656)
Numero do processo: 13888.000156/99-17
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/02/1990 a 30/09/1995
PIS DECRETOS-LEI NOS 2.445/88 E 2.449/88 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PRAZO.
Ressalvada a posição pessoal deste julgador com relação ao marco inicial do prazo decadencial de cinco anos para os pedidos de restituição de valores pagos a título de PIS com base nos Decretos-lei nºs 2.445/88 e 2.449/88, por força do artigo 62-A
do RICARF este Colegiado deve reproduzir, com relação à matéria, as decisões proferidas pelo Egrégio STJ nos autos do REsp
n° 1.002.932/SP e pelo Egrégio STF nos autos do RE n° 566.621/RS, ou seja, “... para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII,
e 168, I, do CTN.”.
O pedido de restituição em apreço foi protocolado em 10/02/1999, relativamente ao PIS dos períodos de apuração compreendidos entre 02/1990 e 09/1995.
Portanto, a decadência não atingiu o direito pleiteado pelo contribuinte.
Recurso extraordinário negado.
Numero da decisão: 9900-000.309
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201208
camara_s : Pleno
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1990 a 30/09/1995 PIS DECRETOS-LEI NOS 2.445/88 E 2.449/88 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PRAZO. Ressalvada a posição pessoal deste julgador com relação ao marco inicial do prazo decadencial de cinco anos para os pedidos de restituição de valores pagos a título de PIS com base nos Decretos-lei nºs 2.445/88 e 2.449/88, por força do artigo 62-A do RICARF este Colegiado deve reproduzir, com relação à matéria, as decisões proferidas pelo Egrégio STJ nos autos do REsp n° 1.002.932/SP e pelo Egrégio STF nos autos do RE n° 566.621/RS, ou seja, “... para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN.”. O pedido de restituição em apreço foi protocolado em 10/02/1999, relativamente ao PIS dos períodos de apuração compreendidos entre 02/1990 e 09/1995. Portanto, a decadência não atingiu o direito pleiteado pelo contribuinte. Recurso extraordinário negado.
turma_s : PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 13888.000156/99-17
conteudo_id_s : 5656892
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 16 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9900-000.309
nome_arquivo_s : Decisao_138880001569917.pdf
nome_relator_s : Gonçalo Bonet Allage
nome_arquivo_pdf_s : 138880001569917_5656892.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2012
id : 6564559
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:54:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048687371878400
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1973; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFPL Fl. 427 1 426 CSRFPL MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13888.000156/9917 Recurso nº Extraordinário Acórdão nº 9900000.309 – Pleno Sessão de 28 de agosto de 2012 Matéria PIS DECADÊNCIA RESTITUIÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida BACCHIN & POTECHE LTDA. ME ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1990 a 30/09/1995 PIS DECRETOSLEI NOS 2.445/88 E 2.449/88 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PRAZO. Ressalvada a posição pessoal deste julgador com relação ao marco inicial do prazo decadencial de cinco anos para os pedidos de restituição de valores pagos a título de PIS com base nos Decretoslei nos 2.445/88 e 2.449/88, por força do artigo 62A do RICARF este Colegiado deve reproduzir, com relação à matéria, as decisões proferidas pelo Egrégio STJ nos autos do REsp n° 1.002.932/SP e pelo Egrégio STF nos autos do RE n° 566.621/RS, ou seja, “... para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN.”. O pedido de restituição em apreço foi protocolado em 10/02/1999, relativamente ao PIS dos períodos de apuração compreendidos entre 02/1990 e 09/1995. Portanto, a decadência não atingiu o direito pleiteado pelo contribuinte. Recurso extraordinário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 01 56 /9 9- 17 Fl. 461DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1116.10144.4CB9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 21/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório A 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu o acórdão n° 0203.112 (fls. 384387, Volume II), cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1990 a 30/09/1995 PIS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. RESOLUÇÃO SF N° 49/1995. A contagem do prazo decadencial para pleitear a repetição de indevida incidência apenas se inicia a partir da data em que a norma foi declarada inconstitucional, vez que o sujeito passivo não poderia perder direito que não podia exercitar. Precedentes do STF. Recurso especial negado. A decisão recorrida afastou a decadência quanto ao pedido de restituição do PIS protocolado em 10/02/1999, pois os fatos geradores envolvidos no litígio estão compreendidos entre 02/1990 e 09/1995. Intimada em 10/07/2009, a Fazenda Nacional interpôs recurso extraordinário às fls. 392406, acompanhado dos documentos de fls. 407418 (Volume II), onde defendeu, fundamentalmente, que o prazo para restituição de indébito é de cinco anos contados dos pagamentos indevidos, nos termos do artigo 168 do Código Tributário Nacional, invocando como paradigmas os acórdãos nos CSRF/0105.858, CSRF/0105.773 e CSRF/0400.810. O recurso restou admitido (fls. 420421, Volume II) e a empresa não apresentou contrarrazões, conforme informou a repartição de origem. Fl. 462DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1116.10144.4CB9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13888.000156/9917 Acórdão n.º 9900000.309 CSRFPL Fl. 428 3 É o Relatório. Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage O Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. No caso, a empresa protocolou em 10/02/1999 pedido de restituição de valores pagos a título de PIS com base nos Decretoslei nos 2.445/88 e 2.449/88, relativamente a fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração compreendidos entre 02/1990 e 09/1995 (conforme planilha de fls. 9395). A matéria que chega à apreciação deste Colegiado está relacionada à decadência para tal pleito. A regra geral relativa ao prazo decadencial para pedido de restituição de indébito tributário resulta da interpretação dos artigos 165, inciso I e 168, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional – CTN, os quais estão assim dispostos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4° do art. 162, nos seguintes casos: I – cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I – nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário. Da conjugação desses dispositivos legais concluise que, como regra, o contribuinte tem 5 (cinco) anos, a contar da extinção do crédito tributário, para requerer a restituição de exação indevidamente recolhida. No entanto, na visão deste julgador (seguindo a jurisprudência amplamente majoritária dos Conselhos de Contribuintes e do CARF, por muitos e muitos anos), o dia 10/10/2005 – data de publicação da Resolução do Senado Federal n° 49 – marca o início do prazo decadencial para a busca da devolução dos valores recolhidos a título de PIS com base nos Decretoslei nos 2.445/88 e 2.449/88. Contudo, por força do que determina o artigo 62A do Regimento Interno do CARF, não posso deixar de reproduzir aqui o julgamento proferido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça – STJ nos autos do REsp n° 1.002.932/SP, cuja ementa tem o seguinte teor: Fl. 463DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1116.10144.4CB9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: [...] 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada." ). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. Fl. 464DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1116.10144.4CB9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13888.000156/9917 Acórdão n.º 9900000.309 CSRFPL Fl. 429 5 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (STJ, Primeira Seção, REsp n° 1.002.932/SP, Relator Ministro Luiz Fux, DJE de 18/12/2009) Portanto, de acordo com a decisão proferida pelo Egrégio STJ pelo rito do artigo 543C do Código de Processo Civil CPC, o prazo para requerer a restituição de indébito de tributo sujeito ao lançamento por homologação, com o advento da Lei Complementar n° 118, de 09/06/2005, contase da seguinte forma: 1) Recolhimentos efetuados antes de 09/06/2005 – Prazo de dez anos (tese dos cinco + cinco) a contar do fato gerador, limitado ao período máximo de cinco anos contados da vigência da lei nova; 2) Recolhimentos realizados após 09/06/2005 – Prazo de cinco anos a contar da data do pagamento indevido. Este posicionamento restou corroborado pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, que no julgamento do Recurso Extraordinário n° 566.621/RS, seguindo a sistemática do 543B do CPC, proferiu acórdão cuja ementa assim dispõe: DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO .VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA . NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Fl. 465DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1116.10144.4CB9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (STF, Pleno, RE n° 566.621/RS, Relatora Ministra Ellen Gracie, DJE de 11/10/2011) Tal decisão transitou em julgado em 17/11/2011. Fl. 466DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1116.10144.4CB9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13888.000156/9917 Acórdão n.º 9900000.309 CSRFPL Fl. 430 7 Por força do Regimento Interno do CARF, a matéria não comporta maiores digressões, sendo necessário reproduzir aqui o entendimento adotado pelos Egrégios STJ e STF. O pedido de restituição em apreço foi protocolado em 10/02/1999 (ou seja, antes do advento da Lei Complementar n° 118/2005), relativamente ao PIS dos períodos de apuração compreendidos entre 02/1990 e 09/1995. Assim, aplicase ao caso a tese dos cinco + cinco, de modo que a decadência não atingiu o direito pleiteado pelo contribuinte, tal qual concluiu o acórdão recorrido, que deve ser confirmado. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 467DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1116.10144.4CB9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por GONCALO BONET ALLAGE em 21/11/2012 11:39:34. Documento autenticado digitalmente por GONCALO BONET ALLAGE em 21/11/2012. Documento assinado digitalmente por: OTACILIO DANTAS CARTAXO em 21/01/2013 e GONCALO BONET ALLAGE em 21/11/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 16/11/2016. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP16.1116.10144.4CB9 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 138880001569917. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 16327.002287/00-51
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1995 DECADÊNCIA. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. FORMA DE CONTAGEM. HAPLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ, CONFORME RECURSO ESPECIAL Nº 973.733/SC SUBMETIDO AO REGIME DO ART. 543-C DO CPC. Por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, impõe-se a observância das decisões proferidas pelo STJ sob a sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil. No Recurso Especial nº 973.733/SC restou pacificado que a aplicação do prazo previsto no art. 150, §4º do CTN, está condicionada à realização do pagamento antecipado do tributo sujeito ao lançamento por homologação. Do contrário, aplica-se o prazo previsto no art. 173, I do CTN.
Recurso Extraordinário da Procuradoria da Fazenda Nacional Provido.
Numero da decisão: 9900-000.270
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso extraordinário da Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Jorge Celso Freire da Silva
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201112
camara_s : Pleno
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1995 DECADÊNCIA. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. FORMA DE CONTAGEM. HAPLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ, CONFORME RECURSO ESPECIAL Nº 973.733/SC SUBMETIDO AO REGIME DO ART. 543-C DO CPC. Por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, impõe-se a observância das decisões proferidas pelo STJ sob a sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil. No Recurso Especial nº 973.733/SC restou pacificado que a aplicação do prazo previsto no art. 150, §4º do CTN, está condicionada à realização do pagamento antecipado do tributo sujeito ao lançamento por homologação. Do contrário, aplica-se o prazo previsto no art. 173, I do CTN. Recurso Extraordinário da Procuradoria da Fazenda Nacional Provido.
turma_s : PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 16327.002287/00-51
conteudo_id_s : 5657676
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 18 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9900-000.270
nome_arquivo_s : Decisao_163270022870051.pdf
nome_relator_s : Jorge Celso Freire da Silva
nome_arquivo_pdf_s : 163270022870051_5657676.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso extraordinário da Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2011
id : 6567514
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:54:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048689747951616
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2002; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFPL Fl. 2 1 1 CSRFPL MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16327.002287/0051 Recurso nº Extraordinário Acórdão nº 9900000.270 – Pleno Sessão de 7 de dezembro de 2011 Matéria DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO DA COFINS Recorrente PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL Recorrida ASSOCIACÃO BOVESPA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1995 DECADÊNCIA. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. FORMA DE CONTAGEM. HAPLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA STJ, CONFORME RECURSO ESPECIAL Nº 973.733/SC SUBMETIDO AO REGIME DO ART. 543C DO CPC. Por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, impõese a observância das decisões proferidas pelo STJ sob a sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil. No Recurso Especial nº 973.733/SC restou pacificado que a aplicação do prazo previsto no art. 150, §4º do CTN, está condicionada à realização do pagamento antecipado do tributo sujeito ao lançamento por homologação. Do contrário, aplicase o prazo previsto no art. 173, I do CTN. Recurso Extraordinário da Procuradoria da Fazenda Nacional Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso extraordinário da Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Susy Gomes Hoffmann, Manoel Coelho Arruda Júnior. Maria Teresa Fl. 624DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1116.13138.SKIY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.002287/0051 Acórdão n.º 9900000.270 CSRFPL Fl. 3 2 Martinez Lopez, Claudemir Rodrigues Malaquias, Nanci Gama, Marcelo Oliveira, Karem Jureidini dias, Júlio César Alves Ramos, João Carlos de Lima Júnior, Jose Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Júnior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire Valmir Sandri, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Possas. Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Francisco Assis de Oliveira Júnior, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Fabiola Cassiano Keramidas. Fl. 625DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1116.13138.SKIY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.002287/0051 Acórdão n.º 9900000.270 CSRFPL Fl. 4 3 Relatório A PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL, irresignada com o decidido no Acórdão CSRF/0203.976, proferido na sessão da CSRF de 04/07/2005, apresentou recurso extraordinário ao pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, com fulcro no artigo 9°. do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, vigente à época da aludida decisão. O recurso está sendo processado em observância ao art. 4°. da Portaria MF 256/2009, que aprovou o atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e assim dispõe (redação dada pela Portaria MF 446/2009): “Art. 4º os recursos com base no inciso I do art. 7º, no art. 8º e no art. 9º do regimento interno da câmara superior de recursos fiscais, aprovado pela portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do anexo ii desta portaria, serão processados de acordo com o rito previsto nos artigos 15 e 16, no art. 18 e nos artigos 43 e 44 daquele regimento. (NR)” A matéria recorrida referese à forma de contagem de prazo decadencial (termo de início), sendo que o acórdão recorrido firmou entendimento que por se tratar de lançamento por homologação (art. 150, § 4º do CTN), o prazo decadencial é contado do fato gerador, que ocorre a cada mês, tendo o fisco cinco anos, a partir dessa data, para efetuar o lançamento. A Recorrente pleiteia que o prazo decadencial seja contado na forma do artigo 173, I do CTN, conforme já decidido pela CSRF no acórdão 0103.125 de 2000, para afastar a decadência dos períodos de apuração de novembro/1995 (fl. 611 O recurso foi admitido conforme despacho do então presidente da CSRF às fls. 614, sendo que o contribuinte foi regularmente intimado a apresentar contrarrazões. É o que importa relatar. Fl. 626DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1116.13138.SKIY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.002287/0051 Acórdão n.º 9900000.270 CSRFPL Fl. 5 4 Voto Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva, Relator. O recurso extraordinário é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. De início cumpre lembrar que o escopo do Recurso Extraordinário (REX) ao Pleno da CSRF era dirimir divergências jurisprudencial no âmbito das turmas da própria CSRF, que deve ser comprovada pelo recorrente mediante apresentação de julgado de outra turma superior com decisão dispare. Logo, não se trata de mais uma instância administrativa, pelo descabe a apreciação de quaisquer outras matérias anteriormente tratadas no litígio, que não aquelas que ensejou o seguimento do REX. No presente caso, a matéria admitida referese à forma de contagem e o termo de inicio do prazo decadencial nos tributos lançados por homologação. Este Conselho tinha entendimento pacificado no sentido de que nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo qüinqüenal de decadência para constituição do crédito é a ocorrência do respectivo fato gerador, a teor do art. 150, § 4º do CTN, independentemente da realização (ou não) de pagamento antecipado do tributo pelo contribuinte. Vejase, a título ilustrativo, ementa de v. acórdão proferido pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, verbis: “ACÓRDÃO 910100.619 Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF 1a. Turma da 1a. Câmara. Matéria DECADÊNCIA DECADÊNCIA. O prazo decadencial deve ser computado a teor do previsto no parágrafo 4º do artigo 150 do CTN, pois o que se homologa é a atividade do contribuinte e não o pagamento do tributo.” (Processo no 10875.005130/200354, Sessão de 05 de julho de 2010;Recorrente FAZENDA NACIONAL, Interessado VALTRA DO BRASIL LTDA.) Contudo, em 21/12/2010, foi editada a Portaria n. 586/2010, pela qual foi alterado o regimento interno desta Corte Administrativa para, entre outras providências, determinar que “as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (RI/CARF, art. 62A). Em vista de referida regra regimental, impõese a observância in casu do entendimento firmado pelo E. Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, o qual estabelece que o prazo quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado somente nas hipóteses em que o contribuinte não realiza o pagamento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação. Verbis: Fl. 627DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1116.13138.SKIY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.002287/0051 Acórdão n.º 9900000.270 CSRFPL Fl. 6 5 “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (REsp 973.733/SC (2007/01769940), STJ, Primeira Seção, Relator Ministro LUIZ FUX, j. 12/08/2009, DJe 18/09/2009, RDTAPET vol. 24 p. 184). Fl. 628DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1116.13138.SKIY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.002287/0051 Acórdão n.º 9900000.270 CSRFPL Fl. 7 6 No que interessa ao presente julgamento, o acórdão acima, submetido ao regime do art. 543C, do CPC, pacificou o seguinte entendimento, verbis: (i) o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito; e No caso, não houve recolhimento antecipado da Cofins. Logo, em relação ao fato gerador de novembro/1995, a contagem do prazo decadencial iniciouse em 1/01/1996, findandose em 31/12/2000, sendo que a ciência do auto de infração ocorreu em 11/12/2000 (fl.94). Portanto, consideradas (i) as disposições Regimentais do CARF; (ii) a data de ocorrência do fato gerador do tributo; (iii) a data de ciência do lançamento; e (iv) a inexistência de recolhimento antecipado do tributo, impõese afastar o decurso do prazo decadencial em observância ao art. 173, I do CTN. Registrese que não se faz necessário novo julgamento em segunda instância haja vista que as demais matérias em litígio já foram apreciadas no acórdão competente, sendo que a decadência se deu em apenas parte dos períodos de apuração autuados. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, darlhe provimento tão somente para afastar a decadência do período de apuração de novembro/1995. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Fl. 629DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1116.13138.SKIY. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA em 02/04/2013 16:50:23. Documento autenticado digitalmente por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA em 03/04/2013. Documento assinado digitalmente por: OTACILIO DANTAS CARTAXO em 18/06/2013 e JORGE CELSO FREIRE DA SILVA em 03/04/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 18/11/2016. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP18.1116.13138.SKIY Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 163270022870051. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 10980.006079/00-78
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 28 00:00:00 UTC 2005
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Cabem embargos de declaração quando existir no acórdão obscuridade, dúvida ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a Câmara.
Embargos de Declaração rejeitados.
Numero da decisão: 301-30.919
Decisão: DECIDEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Valmar Fonseca de Menezes
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200501
camara_s : Pleno
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Cabem embargos de declaração quando existir no acórdão obscuridade, dúvida ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a Câmara. Embargos de Declaração rejeitados.
turma_s : PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10980.006079/00-78
conteudo_id_s : 5853368
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 301-30.919
nome_arquivo_s : Decisao_109800060790078.pdf
nome_relator_s : Valmar Fonseca de Menezes
nome_arquivo_pdf_s : 109800060790078_5853368.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : DECIDEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Fri Jan 28 00:00:00 UTC 2005
id : 7217204
ano_sessao_s : 2005
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-04-12T12:14:17Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 30130919_109800060790078_200501; xmp:CreatorTool: PDFCreator Version 1.4.2; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: 14675722172; dcterms:created: 2018-04-12T12:14:17Z; Last-Modified: 2018-04-12T12:14:17Z; dcterms:modified: 2018-04-12T12:14:17Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 30130919_109800060790078_200501; xmpMM:DocumentID: uuid:9ae27018-40a6-11e8-0000-30bd5caeaea1; Last-Save-Date: 2018-04-12T12:14:17Z; pdf:docinfo:creator_tool: PDFCreator Version 1.4.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2018-04-12T12:14:17Z; meta:save-date: 2018-04-12T12:14:17Z; pdf:encrypted: false; dc:title: 30130919_109800060790078_200501; modified: 2018-04-12T12:14:17Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: 14675722172; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: 14675722172; meta:author: 14675722172; dc:subject: ; meta:creation-date: 2018-04-12T12:14:17Z; created: 2018-04-12T12:14:17Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2018-04-12T12:14:17Z; pdf:charsPerPage: 0; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: 14675722172; producer: GPL Ghostscript 9.05; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: GPL Ghostscript 9.05; pdf:docinfo:created: 2018-04-12T12:14:17Z | Conteúdo =>
_version_ : 1713050011500019712
score : 1.0
Numero do processo: 10845.002535/99-22
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 15 00:00:00 UTC 2004
Ementa: EMBARGO DE DECLARAÇÃO - Retifica-se o Acórdão n° 301-30.773 cuja ementa passa a ter a seguinte redação:
COTA DE CONTRIBUIÇÃO NA EXPORTAÇÃO DE CAFÉ- PRELIMINAR E ANÁLISE DO MÉRITO - Acolhida a preliminar invocada para afastar a decadência do direito de pleitear a restituição. Recurso provido no sentido de acolher a preliminar e, quanto ao mérito, retomo do processo à DRJ/São Paulo para sua análise.
Embargos de Declaração Acolhidos
Numero da decisão: 301-30.773
Decisão: DECIDEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, acolher e dar provimento aos embargos de declaração, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
Nome do relator: Jose Lence Carluci
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200406
camara_s : Pleno
ementa_s : EMBARGO DE DECLARAÇÃO - Retifica-se o Acórdão n° 301-30.773 cuja ementa passa a ter a seguinte redação: COTA DE CONTRIBUIÇÃO NA EXPORTAÇÃO DE CAFÉ- PRELIMINAR E ANÁLISE DO MÉRITO - Acolhida a preliminar invocada para afastar a decadência do direito de pleitear a restituição. Recurso provido no sentido de acolher a preliminar e, quanto ao mérito, retomo do processo à DRJ/São Paulo para sua análise. Embargos de Declaração Acolhidos
turma_s : PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10845.002535/99-22
conteudo_id_s : 5774494
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 301-30.773
nome_arquivo_s : Decisao_108450025359922.pdf
nome_relator_s : Jose Lence Carluci
nome_arquivo_pdf_s : 108450025359922_5774494.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : DECIDEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, acolher e dar provimento aos embargos de declaração, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 15 00:00:00 UTC 2004
id : 6940611
ano_sessao_s : 2004
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049469295001600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 30130773_10845002535922_200406; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2017-09-25T15:31:01Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 30130773_10845002535922_200406; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: 30130773_10845002535922_200406; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:subject: ; meta:creation-date: 2017-09-25T15:31:01Z; created: 2017-09-25T15:31:01Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2017-09-25T15:31:01Z; pdf:charsPerPage: 1259; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2017-09-25T15:31:01Z | Conteúdo => '. • , V' MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N° 301-30.773 Processo N° 10845.002535/99-22 Recurso N° 123.997 Embargante PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL Embargada Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes EMBARGO DE DECLARAÇÃO - Retifica-se o Acórdão n° 301- 30.773 cuja ementa passa a ter a seguinte redação: COTA DE CONTRIBUIÇÃO NA EXPORTAÇÃO DE CAFÉ- PRELIMINAR E ANÁLISE DO MÉRITO - Acolhida a preliminar invocada para afastar a decadência do direito de pleitear a restituição. Recurso provido no sentido de acolher a preliminar e, quanto ao mérito, retomo do processo à DRJ/São Paulo para sua análise. Embargos de Declaração Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de embargos de declaração interpostos por: PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL. DECIDEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, acolher e dar provimento aos embargos de declaração, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Brasilia-DF, em 15 de junho de 2004 OTAC~IO~CARTAXO Presidente Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ROBERTA MARIA RIBEIRO ARAGÃO, ATALINA RODRIGUES ALVES, JOSÉ LUIZ NOVO ROSSARI, LUIZ ROBERTO DOMINGO, VALMAR FONSECA DE MENEZES e LISA MARINI VIEIRA FERREIRA DOS SANTOS (Suplente). Ausente o Conselheiro CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO. Esteve presente o Procurador da Fazenda NacionaL Rno/l • • MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA EMBARGOS DE DECLARAÇÃONO ACÓRDÃON° 301-30.773 Processo N° 10845.002535/99-22 Recurso N° 123.997 Embargante PROCURADORIA DA FAZENDANACIONAL Embargada Primeira Câmara do Terceiro Conselho do Contribuinte RELATÓRIO O Ilustre Procurador da Fazenda Nacional interpôs embargos de declaração com pedido de rerratificação do julgamento em face de obscuridade e contradição no acórdão proferido que conclui pela anulação da decisão de Primeira Instância no seIitidode afastar as preliminaresnela constantes. A contradição pode ser vislumbrada no seguinte trecho do voto- condutor, ad litteram: "O contribuinte recorreu da decisão da DRF/Santos contestando os argumentos relativos às preliminares (prazo decadencial e extensão dos efeitos da decisão judicial) nela ventilados, tendo sido indeferida a solicitação com base nos mesmos argumentos, e (...) Voto pelo provimento do recurso voluntàrio com conseqüente anulação da decisão de Primeira Instância, afastadas que estão as preliminaresnela constantes, (...)" Tendo em vista que a decisão de Primeira Instância apenas menciona uma preliminar, a decadência, e o voto vencedor afirma que foram afastadas as preliminares, devendo o processo retornar apenas para apreciar o mérito, nesse fato reside a contradição alegada. A obscuridade verificada pelo d. Procurador se constata no fato de o acórdão prolatado ter sido no sentido da anulação da decisão de Primeira Instância, quando o caso é de se dar provimento ao recurso voluntàrio. É o relatório. 2 I . • • • • MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N° 301-30.773 Processo N° 10845.002535/99-22 Recurso N° 123.997 VOTO Sem reparos os embargos de declaração interpostos pela ilustre autoridade embargante, pelo que, resolvo acolhê-los na integra. No que se refere à obscuridade verificada cumpre-me informar que é da forma proposta nestes embargos que tenho votado nos demais casos da espécie a mim distribuidos . Quanto à contradição constatada, procede a percuciente observação do r. representante da Fazenda Nacional eis que, de fato, ocorreu um equivoco por parte deste Conselheiro ao redigir o texto do voto, na forma descrita no relatório acima, motivado pelo fato de que, no paràgrafo que o antecedeu são mencionadas as duas preliminares, quais sejam, o prazo decadencial e a extensão dos efeitos da decisão judiciaL E, realmente, a decisão de Primeira Instância somente se refere a uma preliminar, a de decadência. Ocorre que, conforme se verifica no paràgrafo antecedente ao voto, as duas preliminares constaram da decisão da DRF/Santos e não da DRF/São Paulo, que, formalmente decidiu a única preliminar. E, no recurso, à folha 479 a recorrente afirma: "Assim sendo, a autoridade administrativa pode e deve, na esteira do decidido pelo Supremo Tribunal Federal, estender os efeitos da declaracão de inconstitucionalidade dada pelo excelso pretório e promover a restituicão do guantum indevidamente pago, em conformidade com os dispositivos acima transcritos do Parecer COSIT n° 58/98." Açodadamente este Conselheiro entendeu a afirmação acima como sendo uma preliminar, o que não se configura numa visão mais acurada. Isto porque, a decadência ocorrida é uma decorrência da extensão dos efeitos da decisão judicial de inconstitucionalidade dada pelo STF, ou seja, apenas uma preliminar foi invocada no recurso, eis que, na realidade, a essência, a razão de ser do pedido de restituição é da decadência não ocorrida em razão da extensão dos efeitos da referida decisão. Este fato foi, equivocadamente entendido com preliminar, quando na realidade constitui o fundamento da preliminar. 3 • • • • • MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃON° 301-30.773 Processo N° 10845.002535/99-22 Recurso N° 123.997 Dessa feita, voto no sentido de que seja retificado o Acórdão embargado, no tópico final de sua ementa e no texto da conclusão do voto (penúltimo parágrafo), que passam a ser assim redigidos. PRELIMINAR E ANÁLISE DO MÉRITO - Acolhida a preliminar invocada para afastar a decadência do direito de pleitear a restituição. Recurso provido no sentido de acolher a preliminar e quanto ao mérito, retorno do processo á DRJ/São Paulo para sua análise. Retifica-se a Acórdão nO301-30773. "Voto pelo provimento do recurso voluntário afastada a preliminar constante na decisão de Primeira Instância pelos seus fundamentos, devendo a mesma autoridade analisar o mérito quanto aos demais aspectos do pedido, no que tange á correção monetária dos valores, cálculos, pagamentos efetuados e documentos acostados aos autos. O montante a ser restituído/compensado deverá excluir os recolhimentos efetuados até a entrada em vigor da atual Constituição e aqueles não alcançados pela decadência contada a partir da data da decisão do STF no Recurso Extraordinário n° 191.044-5 - SP, publicado do DJU a 31/10/97." Dessa feita, acolho os embargos no sentido da retificação do Acórdão embargado, na forma do relatório e voto acima. É como voto . Sala das Sessões, em 15 de junho de 2004 '?Ge~~ ~NCE CARLUCI - Relator 4 00000001 00000002 00000003 00000004
score : 1.0
Numero do processo: 13807.003264/00-09
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1988 a 31/03/1992
REGIMENTO INTERNO CARF - DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ - ARTIGO 62, § 2º DO ANEXO II DO RICARF - Segundo o § 2º do artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO - PRAZO. Tendo em vista que o contribuinte protocolou o pedido de restituição até 09/06/2005, de se aplicar o entendimento anterior firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (tese dos 5 + 5), em sede de Recurso Representativo de Controvérsia (artigo 543-C, do Código de Processo Civil), no Recurso Especial nº 1.002.932, aplicado para as restituições apresentadas até 09/06/2005, conforme decisão proferida no Recurso Extraordinário nº 566.621, julgado pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática do artigo 543-B, do Código de Processo Civil. Ainda, segundo o Recurso Especial nº 1.110.578, julgado pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática do artigo 543-C, do Código de Processo Civil, a declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional, tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício.
Numero da decisão: 9900-000.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, com retorno dos autos à unidade de origem, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Heitor de Souza Lima Junior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gerson Macedo Guerra, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício do CARF).
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201612
camara_s : Pleno
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1988 a 31/03/1992 REGIMENTO INTERNO CARF - DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ - ARTIGO 62, § 2º DO ANEXO II DO RICARF - Segundo o § 2º do artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO - PRAZO. Tendo em vista que o contribuinte protocolou o pedido de restituição até 09/06/2005, de se aplicar o entendimento anterior firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (tese dos 5 + 5), em sede de Recurso Representativo de Controvérsia (artigo 543-C, do Código de Processo Civil), no Recurso Especial nº 1.002.932, aplicado para as restituições apresentadas até 09/06/2005, conforme decisão proferida no Recurso Extraordinário nº 566.621, julgado pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática do artigo 543-B, do Código de Processo Civil. Ainda, segundo o Recurso Especial nº 1.110.578, julgado pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática do artigo 543-C, do Código de Processo Civil, a declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional, tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício.
turma_s : PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13807.003264/00-09
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5700366
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9900-000.975
nome_arquivo_s : Decisao_138070032640009.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
nome_arquivo_pdf_s : 138070032640009_5700366.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, com retorno dos autos à unidade de origem, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Heitor de Souza Lima Junior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gerson Macedo Guerra, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício do CARF).
dt_sessao_tdt : Thu Dec 15 00:00:00 UTC 2016
id : 6688625
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048946529533952
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2408; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFPL Fl. 2 1 1 CSRFPL MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13807.003264/0009 Recurso nº Extraordinário Acórdão nº 9900000.975 – Pleno Sessão de 15 de dezembro de 2016 Matéria FINSOCIAL RESTITUIÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida INDÚSTRIA DE PANIFICAÇÃO SAGRES DE GUARULHOS LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1988 a 31/03/1992 REGIMENTO INTERNO CARF DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ ARTIGO 62, § 2º DO ANEXO II DO RICARF Segundo o § 2º do artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PRAZO. Tendo em vista que o contribuinte protocolou o pedido de restituição até 09/06/2005, de se aplicar o entendimento anterior firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (“tese dos 5 + 5”), em sede de Recurso Representativo de Controvérsia (artigo 543C, do Código de Processo Civil), no Recurso Especial nº 1.002.932, aplicado para as restituições apresentadas até 09/06/2005, conforme decisão proferida no Recurso Extraordinário nº 566.621, julgado pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática do artigo 543B, do Código de Processo Civil. Ainda, segundo o Recurso Especial nº 1.110.578, julgado pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática do artigo 543C, do Código de Processo Civil, a declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional, tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento parcial, com retorno dos autos à unidade de origem, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 32 64 /0 0- 09 Fl. 271DF CARF MF Processo nº 13807.003264/0009 Acórdão n.º 9900000.975 CSRFPL Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Heitor de Souza Lima Junior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gerson Macedo Guerra, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício do CARF). Fl. 272DF CARF MF Processo nº 13807.003264/0009 Acórdão n.º 9900000.975 CSRFPL Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 0306.117 proferido pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (efls. 215/220), em sessão do dia 09 de setembro de 2008. Cuida o processo de pedido de restituição de valores pagos a maior a título da Contribuição para o Finsocial, protocolado em 10/04/2000. A partir do pedido foram interpostos diversos pedidos de compensações para aproveitamento dos referidos créditos. Os supostos créditos são referentes aos fatos geradores de jan/88 a out/91, cujos pagamentos ocorreram a partir de maio/88, conforme depreendese de cópias dos DARF juntadas às efls. 7/22. O pedido foi indeferido, por meio do Despacho Decisório nº 005/05 (efls. 65/67) da Delegacia da Receita Federal em Guarulhos. Decidiuse que o direito de pleitear a restituição/compensação se extingue em 5 anos contados da data do pagamento indevido ou a maior (art. 168, I do CTN). Apresentada a Manifestação de Inconformidade (efls. 72/85), a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em CampinasSP, proferiu o Acórdão nº 10.354, de 24/08/2005, efls. 90/95, por meio do qual manteve o indeferimento do pedido, conforme ementa: Ementa: FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. EXTINÇÃO DO DIREITO. AD SRF 96/99. VINCULAÇÃO. Consoante Ato Declaratório SRF 96/99, que vincula este órgão, o direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da data do pagamento, inclusive nos casos de tributos sujeito à homologação ou de declaração de inconstitucionalidade. O contribuinte, irresignado, interpôs Recurso Voluntário (efls. 100/114), reiterando seus argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade de que a contagem do prazo só se iniciaria a partir da edição da Medida Provisória nº 1.110/95, ou, na pior das hipóteses teria o prazo de dez anos para apresentar o seu pedido de restituição (tese dos 5+5). Ao julgar referido recurso, a Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, em sessão de 09/11/2006, proferiu o Acórdão nº 30333.762, efls. 119/147, com a seguinte ementa: FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE EXAME POR ESTE CONSELHO. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. INADMISSIBILIDADE. DIES A QUO. EDIÇÃO DE ATO Fl. 273DF CARF MF Processo nº 13807.003264/0009 Acórdão n.º 9900000.975 CSRFPL Fl. 5 4 NORMATIVO QUE DISPENSA A CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. Tal acórdão decidiu que o dies a quo para início do prazo para pedir a restituição do Finsocial, declarado inconstitucional, seria a data da publicação da Medida Provisória nº 1.110/95, qual seja em 31/08/95. Desta forma o contribuinte teria direito a ter prosseguimento na análise do seu pedido de restituição. Pelo que determinouse o retorno do processo à unidade de origem da Receita Federal para análise das demais questões de mérito relativas ao pedido de restituição. Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional, interpôs Recurso Especial de divergência, efls. 150/158. Recurso admitido por meio do despacho de efls. 186/188. Notificado do Recurso Especial da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou Contrarrazões ao Recurso Especial, efls. 194/212, em que argumentou que o prazo para pedir a compensação do Finsocial deve ser contado a partir da publicação da Medida Provisória nº 1.110/95. Sobreveio, então, o Acórdão nº 0306.117, efls. 215/220, proferido pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão do dia 09 de setembro de 2008, que, por maioria dos votos, negou provimento ao Recurso Especial da Procuradoria, entendendo que a contagem do prazo é de 5 anos a partir da publicação da Medida Provisória nº 1.110/95, a saber, a partir do dia 31/08/1995. A decisão restou assim ementada: FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO O direito de se pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Por esta via, o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da publicação da MP n°. 1.110 em 31/08/95 p. 013397, posto que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%. PRECEDENTES: AC. CSRF/0304.227, 301 31.406. 30131404 e 30131.321. Em face desse acórdão, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Extraordinário, efls. 224/246, alegando, em síntese, que deve ser afastado o entendimento do referido acórdão e restabelecer o entendimento de que seria aplicável ao caso o prazo previsto de 5 anos contados do pagamento indevido, nos termos previstos nos art. 165 e 168 do CTN. O Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional foi admitido por meio do despacho de efls. 257/258. O contribuinte, cientificado do referido recurso, apresentou suas contrarrazões, efls. 263/267, pedindo a manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 13807.003264/0009 Acórdão n.º 9900000.975 CSRFPL Fl. 6 5 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. O Recurso Extraordinário é tempestivo e atende aos demais pressupostos formais e materiais para o seu conhecimento. Importante, nesse momento a transcrição do art. 9º do anexo II da Portaria MF nº 147, de 25/06/2007, a qual aprovou o Regimento Interno da CSRF: Art. 9º Compete ao Pleno julgar recurso extraordinário de decisão de Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Turma ou o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Vejamos. O acórdão recorrido, proferido pela 3ª Turma da CSRF, aplicou a tese de que o prazo de restituição teve início com a publicação da Medida Provisória nº 1.110/95, que dispensou a Fazenda Pública de exigir o tributo. Por sua vez, o acórdão CSRF/0400.810, efls. 247/255, apresentado como paradigma, proferido pela 4ª Turma da CSRF, adotou a tese pleiteada pela Procuradoria de que o prazo para pleitear a restituição extinguese em cinco anos a contar do pagamento, segundo interpretação dos arts. 165 e 168 do Código Tributário Nacional, independente de declaração de inconstitucionalidade do tributo. Portanto, haja vista que a tese conclamada pelo acórdão recorrido diverge do decidido pelo acórdão apontado como paradigma no que tange ao início da contagem do prazo para o pleito de restituição, sendo certo que tanto no paradigma quanto no acórdão recorrido a matéria versa sobre restituição de tributo declarado inconstitucional, restou comprovada a divergência, pelo que deve ser conhecido o Recurso da Fazenda Nacional. Delimitando a lide, o Recurso Extraordinário versa sobre o prazo para pleitear a restituição da Contribuição ao Finsocial, pago a maior, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em controle difuso de constitucionalidade, e cuja constituição de créditos pelo fisco foi dispensada pela Medida Provisória nº 1.110/95, publicada em 31/08/1995, convertida na Lei nº 10.522/02. No mérito, de se verificar que no presente caso deve ser aplicado o § 2º do artigo 62 do anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 29/06/2015: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 275DF CARF MF Processo nº 13807.003264/0009 Acórdão n.º 9900000.975 CSRFPL Fl. 7 6 Com efeito, o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Representativo de Controvérsia (artigo 543C do Código de Processo Civil), no REsp nº 1.002.932, em conjunto com o entendimento do Supremo Tribunal Federal, proferido no RE nº 566.621 (nos termos do artigo 543B do Código de Processo Civil), é que, para as restituições requeridas até 09/06/2005, de se aplicar o entendimento anterior, qual seja, a tese dos cinco mais cinco anos. Já para as restituições apresentadas após 09/06/2005, de se aplicar o prazo de cinco anos a contar do pagamento. É bem verdade que no presente caso temse uma questão peculiar, qual seja, a inconstitucionalidade do tributo objeto de restituição. Cumpre verificar se tal questão é suficiente a afastar a aplicação do precedente judicial ou se tal questão foi apreciada também pelo Poder Judiciário, de forma definitiva. Analisando as decisões judiciais nos Recursos Representativos de Controvérsia, verifico que a questão foi apreciada pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, já que consta de seus fundamentos. Verifico a partir dos trechos abaixo reproduzidos que, no entender dos Tribunais Superiores (nas decisões ora mencionadas), o fato de um tributo ter sido declarado inconstitucional não altera a contagem do prazo para pleitear sua restituição. É o que se extrai do voto da Ministra Relatora, Ellen Gracie (RE nº 566.621): “ (...) Os poucos precedentes em sentido diverso, apontados pela União nas razões do recurso extraordinário com vista a descaracterizar a firmeza de posicionamento do STJ sobre a matéria, acabam, ao contrário, por confirmála. É que a União invoca precedentes relativos a questões específicas, como tributos retidos no regime de substituição tributária e tributos inconstitucionais, em que chegou a haver, é verdade, alguma dúvida quanto à aplicação da regra geral dos 10 anos, mas que não perdurou. Logo, aquela Corte firmou posição no sentido de que, também em tais situações de retenção e de reconhecimento do indébito em razão da inconstitucionalidade da lei instituidora, deverseia aplicar, sem ressalvas, a tese dos dez anos, conforme se vê dos EREsp 329.160/DF e EREsp 435.835/SC, julgados pela Primeira Seção daquela Corte. Aliás, nada melhor do que o próprio STJ para reconhecer que se tratava de jurisprudência consolidada. (Trecho do Voto da Ministra Ellen Gracie (PP. 10/11), que representa a posição vencedora no acórdão proferido no RE nº 566.621, julgado nos termos do artigo 543B do Código de Processo Civil) Tal conclusão também se extrai de um dos acórdãos que serviu de fundamento para a decisão do Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Representativo de Controvérsia, acórdão em que o caso que se apresenta é justamente de pedido de restituição de tributo declarado inconstitucional. Tal questão não impede a aplicação da tese dos 10 anos (quando para período anterior a 09/06/2005): Assim, tendo em vista que a extinção do crédito tributário, em regra, efetivase com a homologação tácita, que se ultima cinco Fl. 276DF CARF MF Processo nº 13807.003264/0009 Acórdão n.º 9900000.975 CSRFPL Fl. 8 7 anos após a ocorrência do fato jurídico tributário (artigo 150, § 4º, do CTN), o prazo prescricional para a repetição ou compensação dos tributos sujeitos a lançamento por homologação começa a fluir decorridos 05 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio computado desde o termo final do prazo atribuído ao Fisco para verificar o quantum devido a título de tributo. À guisa de exemplo, merece transcrição a ementa do seguinte julgado oriundo da Primeira Seção: "CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LEI Nº 7.787/89. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO PRAZO. PRECEDENTES. 1. Está uniforme na 1ª Seção do STJ que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicamse a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. 2. Não há que se falar em prazo prescricional a contar da declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. A pretensão foi formulada no prazo concebido pela jurisprudência desta Casa Julgadora como admissível, visto que a ação não está alcançada pela prescrição, nem o direito pela decadência. Aplicase, assim, o prazo prescricional nos moldes em que pacificado pelo STJ, esta corrente dos cinco mais cinco. 3. A ação foi ajuizada em 16/12/1999. Valores recolhidos, a título da exação discutida, em 09/1989. Transcorreu, entre o prazo do recolhimento (contado a partir de 12/1989) e o do ingresso da ação em juízo, o prazo de 10 (dez) anos. Inexiste prescrição sem que tenha havido homologação expressa da Fazenda, atinente ao prazo de 10 (dez) anos (5 + 5), a partir de cada fato gerador da exação tributária,c ontados para trás, a partir do ajuizamento da ação. 4. Precedentes desta Corte Superior. 5. Embargos de divergência rejeitados, nos termos do voto." (EREsp 435835/SC, Relator Ministro Francisco Peçanha Martins, Relator p/ Acórdão Ministro José Delgado, julgado em 24.03.2004, publicado no DJ de 04.06.2007) (...) (Trecho do voto condutor do Ministro Luiz Fux, no Resp nº 1.002.932, julgado nos termos do artigo 543C do Código de Processo Civil) Em suma, apesar de o Recurso Representativo de Controvérsia mencionado não tratar de situação em que o pedido de restituição reportase a tributo declarado inconstitucional, e que foi objeto de Resolução do Senado e/ou assim reconhecido pela própria Fl. 277DF CARF MF Processo nº 13807.003264/0009 Acórdão n.º 9900000.975 CSRFPL Fl. 9 8 Administração Pública, de se verificar que a mesma Corte decidiu que tal peculiaridade em nada altera o quanto decidido acerca do início do prazo para o pleito de restituição. Tal entendimento ficou assente no Recurso Especial Representativo de Controvérsia (julgado na sistemática do artigo 543C do CPC) 1.110.578/SP, julgado em 12/05/2010, cuja parte da ementa abaixo transcrevo: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO. (...) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) (...) Desta forma, de se aplicar o quanto decidido pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, que reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, e considerou válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Segue ementa do julgamento do RE 566.621RS, o qual foi julgado na sistemática do art. 543 B do CPC. DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos Fl. 278DF CARF MF Processo nº 13807.003264/0009 Acórdão n.º 9900000.975 CSRFPL Fl. 10 9 contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Assim, tendo em vista que o contribuinte protocolou o pedido de restituição em 10/04/2000 (efl. 2), portanto, antes da data fixada pelo Supremo Tribunal Federal para a vigência do “novo prazo de 5 anos”, de se aplicar o entendimento anterior, segundo o qual o prazo de 5 (cinco) anos para pleitear a restituição tem início apenas após transcorridos 5 anos do fato gerador, ou seja, com a homologação tácita (tese dos 5 + 5). Esse o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de Recurso Representativo de Controvérsia (artigo 543C do Código de Processo Civil), no REsp nº 1.002.932, aplicado para as restituições apresentadas até 09/06/2005, conforme firmado no Fl. 279DF CARF MF Processo nº 13807.003264/0009 Acórdão n.º 9900000.975 CSRFPL Fl. 11 10 RE nº 566.621, julgado pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática do artigo 543B, do Código de Processo Civil. Uma vez que o pedido de compensação, apresentado, em 10/04/2000, refere se ao Finsocial relativo aos fatos geradores de jan/88 a out/91, encontravamse prescritos os pedidos referentes a fatos geradores ocorridos antes de 10/04/1990. Para o presente caso estão prescritos os fatos geradores de jan/88 a mar/90. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso extraordinário apresentado pela Fazenda Nacional para reconhecer a ocorrência da prescrição do pedido de restituição para os períodos em que os fatos geradores do Finsocial tenha ocorrido antes de 10/04/1990. Tendo em vista que desde a origem do presente processo, não foi feita a análise do mérito do pedido de restituição, é necessário o seu retorno à unidade de origem para que verifique a existência de crédito líquido e certo em favor do contribuinte para o período não atingido pelo prazo prescricional já informado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 280DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13631.000163/2001-05
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999
CRÉDITOS ESCRITURAIS DE IPI. ATUALIZAÇÃO. SELIC. INAPLICABILIDADE. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. INEXISTÊNCIA.
Ressarcimento de crédito ostenta natureza jurídica diversa da repetição de indébito, e, por conseguinte, a ele não se aplicam os juros compensatórios pela taxa Selic, previstos legalmente apenas para as hipóteses de restituição ou compensação de indébitos tributários. Tendo o crédito em questão sido deferido, não há que se falar em resistência ou vedação ao aproveitamento de créditos, por parte do fisco, não tendo aplicação alguma ao caso, portanto, o acórdão proferido pelo STJ no REsp nº 1.035.847-RS, submetido ao rito do art. 543-C do antigo CPC. Recurso Extraordinário do Procurador conhecido e provido.
Numero da decisão: 9900-000.996
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Gerson Macedo Guerra, Ana Paula Fernandes, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Demetrius Nichele Macei.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Possas - Presidente em Exercício do CARF
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Heitor de Souza Lima Junior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gerson Macedo Guerra, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício do CARF). Ausente a conselheira Patrícia Da Silva. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Daniele Souto Rodrigues Amadio.
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201612
camara_s : Pleno
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 CRÉDITOS ESCRITURAIS DE IPI. ATUALIZAÇÃO. SELIC. INAPLICABILIDADE. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. INEXISTÊNCIA. Ressarcimento de crédito ostenta natureza jurídica diversa da repetição de indébito, e, por conseguinte, a ele não se aplicam os juros compensatórios pela taxa Selic, previstos legalmente apenas para as hipóteses de restituição ou compensação de indébitos tributários. Tendo o crédito em questão sido deferido, não há que se falar em resistência ou vedação ao aproveitamento de créditos, por parte do fisco, não tendo aplicação alguma ao caso, portanto, o acórdão proferido pelo STJ no REsp nº 1.035.847-RS, submetido ao rito do art. 543-C do antigo CPC. Recurso Extraordinário do Procurador conhecido e provido.
turma_s : PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13631.000163/2001-05
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5700371
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9900-000.996
nome_arquivo_s : Decisao_13631000163200105.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
nome_arquivo_pdf_s : 13631000163200105_5700371.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Gerson Macedo Guerra, Ana Paula Fernandes, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Demetrius Nichele Macei. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Possas - Presidente em Exercício do CARF (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Heitor de Souza Lima Junior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gerson Macedo Guerra, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício do CARF). Ausente a conselheira Patrícia Da Silva. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Daniele Souto Rodrigues Amadio.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 15 00:00:00 UTC 2016
id : 6688630
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048948608860160
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1965; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFPL Fl. 348 1 347 CSRFPL MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13631.000163/200105 Recurso nº Extraordinário Acórdão nº 9900000.996 – Pleno Sessão de 15 de dezembro de 2016 Matéria IPI. RESSARCIMENTO Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida SABOR COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 CRÉDITOS ESCRITURAIS DE IPI. ATUALIZAÇÃO. SELIC. INAPLICABILIDADE. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. INEXISTÊNCIA. Ressarcimento de crédito ostenta natureza jurídica diversa da repetição de indébito, e, por conseguinte, a ele não se aplicam os juros compensatórios pela taxa Selic, previstos legalmente apenas para as hipóteses de restituição ou compensação de indébitos tributários. Tendo o crédito em questão sido deferido, não há que se falar em resistência ou vedação ao aproveitamento de créditos, por parte do fisco, não tendo aplicação alguma ao caso, portanto, o acórdão proferido pelo STJ no REsp nº 1.035.847RS, submetido ao rito do art. 543C do antigo CPC. Recurso Extraordinário do Procurador conhecido e provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Gerson Macedo Guerra, Ana Paula Fernandes, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Demetrius Nichele Macei. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 1. 00 01 63 /2 00 1- 05 Fl. 348DF CARF MF Processo nº 13631.000163/200105 Acórdão n.º 9900000.996 CSRFPL Fl. 349 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Possas Presidente em Exercício do CARF (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Heitor de Souza Lima Junior, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gerson Macedo Guerra, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício do CARF). Ausente a conselheira Patrícia Da Silva. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Daniele Souto Rodrigues Amadio. Relatório Tratase de recurso extraordinário do Procurador (efls. 298 a 316), admitido pelo despacho de efls. 317320, contra o Acórdão CSRF/0203.178, proferido pela 2ª Turma da CSRF na sessão de 06/05/2008 (efls. 280 a 285), e complementado pelo Acórdão 9303 002.196, proferido pela 3ª Turma da CSRF na sessão de 07/02/2013 (efls. 294 a 297). Por meio deste último foi retificado, em sede de embargos, o acórdão anterior, para esclarecer que nele fora efetivamente negado provimento ao recurso especial do Procurador, mantendose, portanto, os termos do Acórdão 20311.390, proferido pela Terceira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, “que decidiu, quanto à incidência da taxa Selic, admitila a partir da data de protocolização do respectivo pedido de ressarcimento”. Tratam os autos de pedido de ressarcimento de IPI, tendo por base legal o artigo 11 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, e o inciso II do parágrafo 2° do artigo 2° da Instrução Normativa SRF n° 33, de 04 de março de 1999, relativo ao primeiro trimestre de 1999, e apresentado pela interessada em 29/10/2001. O pleito foi deferido parcialmente pela Delegacia da Receita Federal em Governador ValadaresMG, por meio do Despacho Decisório de efls. 227 a 230, emitido em 05/10/2004, e cientificado à interessada em 11/10/2004 (efls. 232). Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, que foi julgada improcedente pela DRJ em 18/04/2005. Novamente inconformada, apresentou recurso voluntário, que foi então julgado parcialmente procedente, para reconhecer devida a atualização monetária pela taxa Selic, acumulada mensalmente, a partir da data de protocolização do respectivo pedido de ressarcimento. Contra esta decisão interpôs a Fazenda Nacional o recurso especial, ao qual foi negado provimento pela 2ª Turma da CSRF, e que motivou a interposição do presente recurso extraordinário. Uma vez que a ementa do Acórdão CSRF/0203.178 apresentavase incorreta, e a ementa do Acórdão 9303002.196 (de Embargos) apenas dispõe acerca da Fl. 349DF CARF MF Processo nº 13631.000163/200105 Acórdão n.º 9900000.996 CSRFPL Fl. 350 3 solução da contradição interna, transcrevese a seguir a ementa do Acórdão 20311.390, que representa o entendimento até o momento prestigiado pelo CARF, na parte que importa ao presente recurso extraordinário: “RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. A restituição é espécie do gênero ressarcimento. Havendo previsão legal para correção monetária, pela Taxa Selic no gênero (Ressarcimento), não há que se negar a mesma regra para a espécie (restituição). CORREÇÃO MONETÁRIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. DEFERIMENTO EX OFFICIO. Sendo a correção monetária questão de ordem pública, pode a Câmara deferir ex officio, sem a provocação da parte no Recurso Voluntário.” Em síntese, defende a Procuradoria que o ressarcimento de crédito possui natureza jurídica distinta da repetição de indébito, e que, por conseguinte, a ele não se aplica a atualização monetária pela taxa Selic. Como paradigmas de divergência, apresenta os Acórdãos CSRF/0203.718 e 930300.720, os quais possuem, no que interessa ao caso, as seguintes ementas: Acórdão CSRF/0203.718: “RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Incabível a atualização do ressarcimento pela taxa Selic, por se tratar de hipótese distinta da repetição de indébito.” Acórdão 930300.720: “TAXA SELIC. É imprestável como instrumento de correção monetária, não justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar concessão de um "plus", sem expressa previsão legal. O ressarcimento não é espécie do gênero restituição, portanto .inexiste previsão legal para atualização dos valores objeto deste instituto.” O contribuinte, por sua vez, em contrarrazões, defende a manutenção do acórdão recorrido, por seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator O recurso é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Conforme relatado, a matéria em discussão no presente recurso cingese exclusivamente à possibilidade de atualização monetária, com base na Selic, dos créditos de IPI solicitados em pedido de ressarcimento. A esse respeito, devese destacar, em primeiro lugar, a completa ausência de previsão legal específica para que os créditos escriturais de IPI sejam objeto de qualquer forma Fl. 350DF CARF MF Processo nº 13631.000163/200105 Acórdão n.º 9900000.996 CSRFPL Fl. 351 4 de atualização monetária, seja para fins de compensação, seja para fins de ressarcimento, como é o caso dos autos. Ao contrário, todas as disposições normativas acerca do ressarcimento de IPI sempre foram uníssonas no sentido de determinar que este deveria ser feito pelo valor original do crédito, sem atualização monetária alguma. Neste sentido, apenas a título de exemplo, transcrevese a seguir o pertinente artigo da atual Instrução Normativa RFB nº 1300, de 20 de novembro de 2012, sendo certo que dispositivos com redação semelhante já se encontravam em todas as versões anteriores da regulamentação normativa acerca da matéria: “Art. 83. (...) § 5º Não incidirão juros compensatórios de que trata o caput: I no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep, da Cofins e relativos ao Reintegra, bem como na compensação de referidos créditos;” Não se há de confundir ressarcimento com restituição e/ou compensação. Nestas últimas duas hipóteses, cediço que a lei expressamente prevê a incidência de juros Selic como forma de atualização dos créditos, consoante o disposto no art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/1995, que abaixo se transcreve: “Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada.” Vejase que o caput do dispositivo acima transcrito faz expressa referência a dispositivo legal que trata das hipóteses de “pagamento indevido ou a maior de tributos”, conceito este que, em absoluto, pode ser aplicado aos créditos de IPI, pois estes não resultam de qualquer recolhimento indevido, senão de um favor fiscal instituído por lei. A restituição resulta sempre de um recolhimento indevido ou a maior do que o devido, o que implica reconhecer que o sujeito passivo haja recolhido aos cofres públicos aquilo que não devia. No ressarcimento, ao contrário, o que ocorre é que a sociedade empresária, ao adquirir os insumos para a sua atividade, paga as contribuições PIS e Cofins que estão embutidas no preço das mercadorias, e o faz exatamente como determina a lei. Não há pagamento indevido algum. O que ocorre posteriormente nada mais é do que um favor fiscal, por meio do qual o contribuinte pode reaver esses tributos na forma de créditos de IPI. Por serem, portanto, institutos completamente distintos, não cabe estender aos pedidos de ressarcimento aquilo que a lei prevê somente aos pedidos de restituição/compensação por pagamento indevido ou a maior de tributos. Para que houvesse o Fl. 351DF CARF MF Processo nº 13631.000163/200105 Acórdão n.º 9900000.996 CSRFPL Fl. 352 5 direito à atualização monetária nos ressarcimentos, teria de haver determinação legal expressa a respeito, tal qual existe para os pedidos de restituição/compensação. Nem tampouco se pode alegar que a Lei nº 9.779/1999 — que modificou a sistemática de utilização dos créditos de IPI acumulados que o contribuinte não pudesse compensar com o IPI devido na saída de outros produtos — criando a possibilidade de sua utilização “em conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/1996”, teria equiparado, para todos os fins, o ressarcimento à restituição. Pelo contrário, os próprios dispositivos legais em questão utilizam expressamente ambos os termos em separado, confirase: “Art. 73. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002)” Despropositada, assim, a tese de que o ressarcimento seria espécie da qual a restituição seria gênero, assim como a tese de que seriam expressões sinônimas. Não é esta a dicção dos dispositivos legais acerca da matéria, e tampouco é esta a compreensão que se extrai de todo o ordenamento. Resta claro, portanto, que se trata de figuras que não se confundem. Em síntese e conclusão, por absoluta falta de previsão legal, não é possível aplicarse, aos créditos presumidos do IPI, objeto de ressarcimento ou compensação, a incidência de juros compensatórios com base na taxa Selic ou em qualquer outro índice, como forma de atualização monetária desses créditos. Nada obstante o acima exposto, há forte corrente jurisprudencial administrativa, com amparo em precedentes do STJ, que entendem ser devida a atualização monetária desses créditos quando configurada a injustificada resistência ou oposição estatal, por parte do fisco, ao aproveitamento dos créditos escriturais. Neste sentido, transcrevese a ementa do acórdão proferido pelo STJ no âmbito do REsp nº 1.035.847 RS (2008/00448972), processo este submetido ao rito do art. 543C do antigo CPC (processos repetitivos): "PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 13631.000163/200105 Acórdão n.º 9900000.996 CSRFPL Fl. 353 6 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR , Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS , Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR , Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR , Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS , Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS , Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." Estando os conselheiros, por força do disposto no art. 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015), obrigados a reproduzir, no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ em processos submetidos ao rito do art. 543C do antigo CPC, há que se delimitar, especificamente, qual o alcance da mencionada decisão, em face dos contornos específicos do caso concreto. Ora, o precedente em questão apenas declara a necessidade de se conceder a atualização monetária dos créditos escriturais de IPI quando houver “ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito”. A ementa menciona ainda a ocorrência de “vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário”. Estas observações são suficientes para que se verifique a total inaplicabilidade do precedente do STJ ao caso dos autos. Isto porque, no caso dos autos, nada disto ocorreu. Não houve qualquer ato estatal, administrativo ou normativo, que tenha impedido a utilização do direito de crédito. Ao contrário, o crédito sobre o qual ora se discute a possibilidade (ou não) de atualização monetária é aquele que foi reconhecido pela autoridade que sobre ele coube pronunciarse. De fato, tão logo foram cumpridos os procedimentos com vistas à verificação dos créditos apurados pelo contribuinte, foi expedido o despacho decisório que reconheceu parcialmente a procedência do pedido. O Despacho Decisório de efls. 227 a 230, foi emitido em 05/10/2004, e o documento de efls. 242, datado de 27/12/2004, informa que o valor do deferimento parcial já fora creditado em conta corrente da empresa. Assim, não há que se falar, no presente caso, em resistência injustificada, nem tampouco em vedação ao aproveitamento de créditos, pelo fisco, que pudesse dar ensejo ao suposto enriquecimento sem causa. Quando muito, se poderia falar acerca da “resistência” do fisco em reconhecer a outra parcela do crédito de IPI solicitado, ou seja, aquela parcela que não foi reconhecida por meio do citado Despacho Decisório. Contudo, esta parcela não mais se encontra em discussão, além do que, por todo o contido no presente processo, só se pode Fl. 353DF CARF MF Processo nº 13631.000163/200105 Acórdão n.º 9900000.996 CSRFPL Fl. 354 7 concluir que a mencionada “resistência” do fisco foi, no caso, perfeitamente justificada, uma vez que todos os recursos da contribuinte contra a negativa desta parcela (que tinha origem na aquisição de produtos objeto de mera revenda) foram negados, em todas as instâncias de julgamento, não se encontrando mais sequer em litígio no presente momento. Demonstrada, portanto, a inaplicabilidade do precedente do STJ ao caso dos autos, retomase o raciocínio originalmente exposto, para reafirmar a inexistência de previsão legal para atualização dos créditos escriturais de IPI, objeto de ressarcimento ou compensação, seja com base na taxa Selic, seja com base em qualquer outro índice, mormente porque na situação in casu não se caracterizou a denominada resistência injustificada da administração tributária em relação aos créditos passíveis de ressarcimento. Pelo exposto, dou provimento ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Conforme art. 63, §§ 6º e 7º do Anexo II do RICARF, tendo em vista que não foi apresentada no prazo regimental, considerase não formulada a declaração de voto. Fl. 354DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13883.000339/98-65
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/1989 a 30/09/1991
Ementa: FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos “cinco mais cinco” (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, PrimeiraSeção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009).
Numero da decisão: 9900-000.851
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, determinando o retorno à unidade de origem para análise do direito creditório, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Gilson Macedo Rosenburg Filho - Redator designado.
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201312
camara_s : Pleno
ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/1989 a 30/09/1991 Ementa: FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos “cinco mais cinco” (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, PrimeiraSeção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009).
turma_s : PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 13883.000339/98-65
conteudo_id_s : 5556234
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9900-000.851
nome_arquivo_s : Decisao_138830003399865.pdf
nome_relator_s : Gilson Macedo Rosenburg Filho - Redator designado.
nome_arquivo_pdf_s : 138830003399865_5556234.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, determinando o retorno à unidade de origem para análise do direito creditório, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
id : 6243219
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048119303733248
conteudo_txt : Metadados => date: 2015-12-17T19:50:41Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2015-12-17T19:50:41Z; Last-Modified: 2015-12-17T19:50:41Z; dcterms:modified: 2015-12-17T19:50:41Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2015-12-17T19:50:41Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-12-17T19:50:41Z; meta:save-date: 2015-12-17T19:50:41Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-12-17T19:50:41Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2015-12-17T19:50:41Z; created: 2015-12-17T19:50:41Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2015-12-17T19:50:41Z; pdf:charsPerPage: 2248; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-12-17T19:50:41Z | Conteúdo => CSRF-PL Fl. 1 1 CSRF-PL MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13883.000339/98-65 Recurso nº Extraordinário Acórdão nº 9900-000.851 – Pleno Sessão de 09 de dezembro de 2013 Matéria FINSOCIAL Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida DOKAR VEÍCULOS PEÇAS E SERVIÇOS LTDA Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/1989 a 30/09/1991 Ementa: FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos “cinco mais cinco” (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, PrimeiraSeção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, determinando o retorno à unidade de origem para análise do direito creditório, nos termos do voto do Relator. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 7/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Gilson Macedo Rosenburg Filho - Redator designado. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente EDITADO EM: 17/12/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Cuida-se de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional (fls. 213 a 231) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 202 a 209) que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, determinando o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de origem para apreciação do mérito. A presente hipótese trata de pedido de restituição, formulado em 12/08/1998, de parcelas pagas a título de contribuição para o FINSOCIAL de setembro de 1989 a julho de 1991 (fls. 01 a 21). Referida solicitação foi indeferida, inicialmente, através do r. Despacho Decisório de fls. 67 a 69, tendo sido apontado como razão de decidir o transcurso do prazo previsto no artigo 168, inciso I, do CTN. A ementa do v. acórdão recorrido, impugnado através do presente recurso extraordinário, é a seguinte: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. É entendimento deste Colegiado que o prazo para pleitear a restituição dos valores pagos a título de Contribuição para o Finsocial com alíquotas superiores a 0,5% é de cinco anos contados da data da edição da MP n° 1.110, em 31/08/95. Ressalvada a posição desta Relatora, ao entender que somente os pleitos protocolados até a edição do Ato Declaratório SRF n° 96, em 30/11/99, que alterou o entendimento contido no Parecer COSIT n° 58, de 27/10/98, devem ser considerados tempestivos. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 7/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13883.000339/98-65 Acórdão n.º 9900-000.851 CSRF-PL Fl. 2 3 Recurso Especial do Procurador Negado. Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o já mencionado recurso extraordinário, apontando, em síntese, que o direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, prescreve com o recurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento a inconstitucionalidade ou simples erro. Para tanto, apresentou como paradigma v. acórdão proferido pela Colenda Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da relatoria da Ilustre Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. O recurso foi admitido através do r. despacho de fls. 234 a 236. Contrarrazões às fls. 243 a 256. É o relatório Voto Gilson Macedo Rosenburg Filho - Conselheiro Redator designado. Preliminarmente, ressalto que o conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda relator original não é mais conselheiro do CARF, porém deixou a minuta de voto, apenas não pode assiná-lo. Diante desse quadro, fui designado como redator ad hoc. Reproduzo as razões de decidir do relator original, verbis: Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. No tocante ao prazo para restituição de indébito, é de se destacar, inicialmente, que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 7/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominam-se leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I, I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT, para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo " os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inserida no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezá-la se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando Fl. 273DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 7/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13883.000339/98-65 Acórdão n.º 9900-000.851 CSRF-PL Fl. 3 5 caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração. (...)... SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando: "trata-se unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System des heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável. E, desde que a chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao n° 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitando-se- lhes os perigos. Compreende-se, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA (Teoria delta retroattività delle leggi, 3a ed., vol. 1o, 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storico-teorico- pratico di diritto civile francese ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachariæ, di Aubry e Rau, vol. 1o e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L'interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA (loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, deve-se, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligá-la com a lei interpretada, quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa." Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que: "Pouco importa que o legislador, para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito" (Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)." (Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho, in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a ed., págs. 294 a 296). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da Fl. 274DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 7/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada."). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurge-se o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal de Justiça a chamada tese dos “cinco mais cinco”. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62-A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 275DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 7/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13883.000339/98-65 Acórdão n.º 9900-000.851 CSRF-PL Fl. 4 7 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62-A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543-B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Verifica-se, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Conforme relatado acima, a presente hipótese trata de pedido de restituição, formulado em 12/08/1998, de parcelas pagas a título de contribuição para o FINSOCIAL de setembro de 1989 a julho de 1992 (fls. 01 a 21). Aplicando-se a tese dos “cinco mais cinco”, depreende-se que o termo final para a formulação do pedido de restituição seria em setembro de 1999 e julho de 2001, respectivamente. Como o pedido de restituição ora em apreço foi apresentado em 12/08/1998, considerando a tese dos “cinco mais cinco”, e tendo em vista especificamente as parcelas referentes a setembro de 1999 a julho de 1991, ele afigura-se tempestivo. Por conseguinte, em face de todo o exposto, e com arrimo no artigo 62-A do RICARF, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional, com retorno para os órgãos a quo para que seja proferida decisão quanto ao mérito do pedido de restituição e respectivas compensações. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 7/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 Foram esses os fundamentos jurídicos e legais utilizados pelo relator original para negar provimento ao recurso extraordinário. Gilson Macedo Rosenburg Filho - Redator designado Fl. 277DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 7/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 13605.000313/99-96
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1991 a 30/11/1998
PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRAZO TERMO INICIAL DO PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5). A partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado.
Recurso Extraordinário Negado
Numero da decisão: 9900-000.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
camara_s : Pleno
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1991 a 30/11/1998 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRAZO TERMO INICIAL DO PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5). A partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Recurso Extraordinário Negado
turma_s : PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13605.000313/99-96
anomes_publicacao_s : 201602
conteudo_id_s : 5566658
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9900-000.904
nome_arquivo_s : Decisao_136050003139996.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 136050003139996_5566658.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
dt_sessao_tdt : Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
id : 6272132
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:44:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048121962921984
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2037; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFPL Fl. 696 1 695 CSRFPL MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13605.000313/9996 Recurso nº Extraordinário Acórdão nº 9900000.904 – Pleno Sessão de 9 de dezembro de 2014 Matéria PIS/PASEP TERMO INICIAL DO PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida GERVÁSIO ENGENHARIA PROJETOS E CONSTRUÇÕES LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1991 a 30/11/1998 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRAZO TERMO INICIAL DO PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5). A partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Recurso Extraordinário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Henrique Pinheiro Torres Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 5. 00 03 13 /9 9- 96 Fl. 696DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13605.000313/9996 Acórdão n.º 9900000.904 CSRFPL Fl. 697 2 Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Relatório Nos termos do art. 17, III1, do RICARF, o Senhor Presidente deste Colegiado nomeoume redator ad hoc para formalizar o presente acórdão, tendo em vista que o relator originário, Manoel Coelho Arruda Júnior, deixou de ser conselheiro antes da formalização do acórdão. Cuidase de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão CSRF/0202.938, proferido pela Colenda Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que afastou a decadência do pedido de restituição e compensação dos valores recolhidos a título de PIS, referente ao período de apuração compreendido entre janeiro de 1991 e novembro de 1998, sob o argumento de que o termo a quo do prazo decadencial é a data da publicação da Resolução nº 49, do Senado Federal (10/10/1995) e não a data da extinção do crédito pelo pagamento. O extraordinário da Fazenda Nacional foi admitido, nos termos do despacho de fls. 345/346. Regularmente intimado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões ao recurso extraordinário às fls. 679/685. É o relatório. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou ñão mais componha o colegiado; Fl. 697DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13605.000313/9996 Acórdão n.º 9900000.904 CSRFPL Fl. 698 3 Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator ad hoc O recurso é tempestivo e demonstrou o dissídio jurisprudencial com decisões de outras turmas da CSRF, que decidiram a matéria de forma contrária à do acórdão recorrido. A teor do relatado, a matéria posta em debate cingese à questão do termo inicial da prescrição para repetição de indébito. Em seu extraordinário a Fazenda Nacional defende a aplicação do art. 168, I, do CTN, com a interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar 118/2005. De outro lado, em contrarrazões, o sujeito passivo pede a manutenção do acórdão recorrido por seus próprios fundamentos. Analisando os autos, verificase que o crédito pleiteado referese a períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 1991 e novembro de 1998, enquanto que o pedido de restituição/compensação foi protocolado em 24 de agosto de 1999. Feito esse esclarecimento, passemos, de imediato, ao enfrentamento da questão. Nesta matéria, já me pronunciei inúmeras vezes, entendendo que o termo inicial para repetir indébito é o previsto no artigo 168 do CTN, com a interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar 118/2005, ou seja, o da extinção do crédito pelo pagamento indevido. Esse entendimento vinha prevalecendo neste Colegiado, quando se resolveu sobrestar a matéria até que o Supremo Tribunal Federal se pronunciasse sobre a constitucionalidade do art. 4º da Lei Complementar suso mencionada, que determinava a aplicação retroativa da interpretação autêntica dada pelo citado artigo 3º. A decisão do STF foi no sentido de que o termo inicial do prazo para repetição de indébito, a partir de 09/06/2005, vigência da Lei Complementar 118/2005, era a data da extinção do crédito pelo pagamento; já para as ações de restituição ingressadas até a vigência dessa lei, deverseia aplicar o prazo dos 10 anos, consubstanciado na tese dos 5 mais 5 (cinco anos para homologar e mais 5 para repetir), prevalente no Superior Tribunal de Justiça. Para melhor clareza do aqui exposto, transcrevese a ementa do acórdão pretoriano que decidiu a questão. 04/08/2011 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 RIO GRANDE DO SUL. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA Fl. 698DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13605.000313/9996 Acórdão n.º 9900000.904 CSRFPL Fl. 699 4 VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, 1, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer Outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao Principio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vatatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. lnaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Fl. 699DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13605.000313/9996 Acórdão n.º 9900000.904 CSRFPL Fl. 700 5 Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Essa decisão não deixa margem a dúvida de que o artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 só produziram efeitos a partir de 9 de junho de 2005, com isso, quem ajuizou ação judicial de repetição de indébito, em período anterior a essa data, gozava do prazo decenal (tese dos 5 + 5) para repetição de indébito, contado a partir do fato gerador da obrigação tributária. Ademais, não se pode olvidar que a Constituição é aquilo que o Supremo Tribunal Federal diz que ela é, com isso, em matéria de controle de constitucionalidade, a última palavra é do STF, por conseguinte, devem todos os demais tribunais e órgãos administrativos observar suas decisões. D outro lado, não se alegue que predita decisão seria inaplicável ao CARF já que o acórdão do STF teria vedado a aplicação retroativa da lei aos casos de ação judicial impetradas até o início da vigência da lei interpretativa, pois o fundamento para declarar a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º acima citado, foi justamente a ofensa ao princípio da segurança jurídica e da confiança, o que se aplica, de igual modo, aos pedidos administrativos, não havendo qualquer motivo, nesse quesito – segurança jurídica – para diferenciálos dos pedidos judiciais. De todo o exposto, concluise que aos pedidos administrativos de repetição de indébito, formalizados até 8 de junho de 2005, aplicase o prazo decenal. Assim, no caso sob exame temse que os créditos pleiteados, na data em que protocolado o pedido de repetição de indébito (24/08/1999), ainda não haviam sido alcançados pela prescrição, posto que estes referemse a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1991, portanto, dentro do prazo decenal da tese dos 5 + 5. Com base nesses fundamentos, o Colegiado negou provimento ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional. Este o voto que me coube redigir. Henrique Pinheiro Torres Fl. 700DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10945.005512/2001-45
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1995
Ementa:
DECADÊNCIA
Nos casos de lançamento por homologação, ausente dolo, fraude ou simulação, a decadência se opera após o decurso do prazo de cinco anos, contado do fato gerador, independentemente da ocorrência de pagamento antecipado.
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR
O fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Física incidente sobre rendimentos sujeitos ao ajuste anual se considera ocorrido em 31 de dezembro do ano-calendário.
Recurso Extraordinário Negado.
Numero da decisão: 9900-000.277
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Extraordinário. Vencidos os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Karen Jureidini Dias, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco Assis de Oliveira Júnior, Elias Sampaio Freire, Henrique Pinheiro Torres, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Rodrigo da Costa Possas.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Redatora-Designada ad hoc.
EDITADO EM: 03/11/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Susy Gomes Hoffmann, Manoel Coelho Arruda Júnior, Maria Teresa Martinez Lopez, Claudemir Rodrigues Malaquias, Nanci Gama, Marcelo Oliveira, Karen Jureidini Dias, Julio Cesar Alves Ramos, João Carlos de Lima Júnior, José Ricardo da Silva (Relator), Alberto Pinto Souza Júnior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire, Valmir Sandri, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Francisco Assis de Oliveira Júnior, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Fabíola Cassiano Keramidas.
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201112
camara_s : Pleno
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1995 Ementa: DECADÊNCIA Nos casos de lançamento por homologação, ausente dolo, fraude ou simulação, a decadência se opera após o decurso do prazo de cinco anos, contado do fato gerador, independentemente da ocorrência de pagamento antecipado. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR O fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Física incidente sobre rendimentos sujeitos ao ajuste anual se considera ocorrido em 31 de dezembro do ano-calendário. Recurso Extraordinário Negado.
turma_s : PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 09 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10945.005512/2001-45
anomes_publicacao_s : 201511
conteudo_id_s : 5545649
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 09 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 9900-000.277
nome_arquivo_s : Decisao_10945005512200145.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : JOSE RICARDO DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10945005512200145_5545649.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Extraordinário. Vencidos os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Karen Jureidini Dias, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco Assis de Oliveira Júnior, Elias Sampaio Freire, Henrique Pinheiro Torres, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Rodrigo da Costa Possas. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. MARIA HELENA COTTA CARDOZO Redatora-Designada ad hoc. EDITADO EM: 03/11/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Susy Gomes Hoffmann, Manoel Coelho Arruda Júnior, Maria Teresa Martinez Lopez, Claudemir Rodrigues Malaquias, Nanci Gama, Marcelo Oliveira, Karen Jureidini Dias, Julio Cesar Alves Ramos, João Carlos de Lima Júnior, José Ricardo da Silva (Relator), Alberto Pinto Souza Júnior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire, Valmir Sandri, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Francisco Assis de Oliveira Júnior, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Fabíola Cassiano Keramidas.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2011
id : 6177123
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048125041541120
conteudo_txt : Metadados => date: 2015-11-03T18:56:24Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2015-11-03T18:56:24Z; Last-Modified: 2015-11-03T18:56:24Z; dcterms:modified: 2015-11-03T18:56:24Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:6190448b-4913-4651-8cf5-5a44d39d0f7b; Last-Save-Date: 2015-11-03T18:56:24Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-11-03T18:56:24Z; meta:save-date: 2015-11-03T18:56:24Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-11-03T18:56:24Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2015-11-03T18:56:24Z; created: 2015-11-03T18:56:24Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2015-11-03T18:56:24Z; pdf:charsPerPage: 1934; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-11-03T18:56:24Z | Conteúdo => CSRFPL Fl. 366 1 365 CSRFPL MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10945.005512/200145 Recurso nº Extraordinário Acórdão nº 9900000.277 – Pleno Sessão de 07 de dezembro de 2011 Matéria Normas Gerais de Direito Tributário Decadência Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida PAULO KIST ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1995 Ementa: DECADÊNCIA Nos casos de lançamento por homologação, ausente dolo, fraude ou simulação, a decadência se opera após o decurso do prazo de cinco anos, contado do fato gerador, independentemente da ocorrência de pagamento antecipado. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR O fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Física incidente sobre rendimentos sujeitos ao ajuste anual se considera ocorrido em 31 de dezembro do anocalendário. Recurso Extraordinário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Extraordinário. Vencidos os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Karen Jureidini Dias, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco Assis de Oliveira Júnior, Elias Sampaio Freire, Henrique Pinheiro Torres, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Rodrigo da Costa Possas. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. MARIA HELENA COTTA CARDOZO – RedatoraDesignada ad hoc. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 55 12 /2 00 1- 45 Fl. 366DF CARF MF Impresso em 09/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/1 1/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 2 EDITADO EM: 03/11/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Susy Gomes Hoffmann, Manoel Coelho Arruda Júnior, Maria Teresa Martinez Lopez, Claudemir Rodrigues Malaquias, Nanci Gama, Marcelo Oliveira, Karen Jureidini Dias, Julio Cesar Alves Ramos, João Carlos de Lima Júnior, José Ricardo da Silva (Relator), Alberto Pinto Souza Júnior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire, Valmir Sandri, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Francisco Assis de Oliveira Júnior, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Fabíola Cassiano Keramidas. Relatório Primeiramente, cabe esclarecer que apresento relatório, voto e ementa no presente acórdão, tendo em vista que o relator originário, Conselheiro José Ricardo da Silva, deixou o Colegiado sem promover a formalização da peça decisória (Despacho de Designação ad hoc de fls. 365). Tratase de Auto de Infração, tendo em vista a omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas e acréscimo patrimonial a descoberto, referentes aos anoscalendário de 1995 a 1999 (fls. 154 a 169. A ciência do lançamento ocorreu em 12/07/2001 (fls. 162). Em sessão plenária de 12/09/2005, a Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes julgou o Recurso Voluntário interpostos pelo Contribuinte, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão nº 10247.078 (fls. 263 a 271), assim ementado: “DECADÊNCIA AJUSTE ANUAL LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, hipótese em que o direito de a Fazenda nacional lançar decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada ano calendário questionado. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TRANSPORTE DE CARGAS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS CONDIÇÕES A tributação de quarenta por cento do rendimento proveniente de prestação de serviços de transporte de carga está condicionada a que o serviço seja executado somente pelo proprietário ou locatário do veículo, ainda que adquirido com reserva de domínio ou esteja sob alienação fiduciária. IRPF OMISSÃO DE RECEITAS RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA Na constância da sociedade conjugal os rendimentos próprios do cônjuge (salário) devem ser tributados e declarados por este na proporção de 100%, consoante prevêem os artigos 5 o e 6 o do RIR/94. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 09/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/1 1/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10945.005512/200145 Acórdão n.º 9900000.277 CSRFPL Fl. 367 3 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO APROVEITAMENTO DE RECURSOS PARA O EXERCÍCIO SEGUINTE COMPROVAÇÃO Somente pode ser aproveitado como fonte de recurso, em janeiro do exercício seguinte, o valor informado no campo de bens e direitos da correspondente Declaração de Ajuste Anual. IRPF GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS OU DIREITOS POR PESSOAS FÍSICAS Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição. Preliminar acolhida. Recurso negado.” A decisão foi assim registrada: “ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência suscitada pelo Conselheiro Relator, em relação ao anocalendário de 1995. Vencidos os Conselheiros Naury Fragoso Tanaka e José Oleskovicz que não acolhem a decadência. No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” Cientificada do acórdão, a Fazenda Nacional opôs os Embargos de Declaração de fls. 273 a 275, acolhidos conforme o Despacho nº 1020.270/2006 (fls. 276/277), prolatandose o Acórdão de Embargos nº 10248.448, de 25/04/2007, assim ementado: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1995, 1996, 1997, 1998, 1999 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Existindo omissão no voto condutor do acórdão, que deixou de abordar matéria enfrentada pela Câmara, cumpre ao colegiado ajustar a decisão. Embargos acolhidos.” A decisão foi assim resumida: “ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, ACOLHER os Embargos, para suprir a omissão apontada no voto condutor, e RERRATIFICAR o Acórdão n° 10247.078, de 12 de setembro de 2005, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” Fl. 368DF CARF MF Impresso em 09/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/1 1/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 4 Cientificada do acórdão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (fls. 287 a 291, julgado em 04/05/2009, prolatandose o Acórdão nº 930400.102, assim ementado: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1997 DECADÊNCIA IMPOSTO DE RENDA EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O acréscimo patrimonial a descoberto situase dentre as hipóteses de lançamento por homologação em que o fato gerador do imposto de renda se concretiza no dia 31 de cada anocalendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4o , do CTN). Recurso Especial Negado.” Intimada do acórdão, a Fazenda Nacional interpôs o Recurso Extraordinário de fls. 313 a 321, visando a revisão do julgado pelo Pleno. Ao Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 910000.492, de 14/01/2011 (fls. 322). Em seu Recurso Extraordinário, a Fazenda Nacional requer, em síntese, que seja aplicado o art. 173, inciso I, do CTN, tendo em vista que não teria sido efetuado pagamento antecipado. Nesse passo, quanto ao fato gerador ocorrido no anocalendário de 1995, o lançamento somente poderia ser efetuado em 1996, fazendo com que o início do prazo decadencial fosse para o dia 1º de janeiro de 1997, de sorte que, contandose cinco anos, temse que a decadência ocorreria em 31/12/2001. Como a ciência do auto se deu em julho de 2001 (fls. 162), o lançamento não teria ocorrido a destempo. Cientificado do acórdão recorrido e do Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional em 14/04/2011 (fls. 325), o Contribuinte ofereceu, em 29/04/2011, as Contrarrazões de fls. 327 a 330, pedindo a manutenção da aplicação do art 150, § 4º, do CTN, considerando se o anocalendário de 1995 fulminado pela decadência. Voto Conselheira MARIA HELENA COTTA CARDOZO, RedatoraDesignada had hoc Primeiramente, cabe esclarecer que apresento o voto a seguir, tendo em vista que o relator originário, Conselheiro José Ricardo da Silva, deixou o Colegiado sem promover a formalização da peça decisória (Despacho de Designação ad hoc de fls. 365). Assim, ressalvo que o presente voto não reflete o meu posicionamento sobre a matéria. O Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de Auto de Infração, tendo em vista a omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas e acréscimo patrimonial a Fl. 369DF CARF MF Impresso em 09/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/1 1/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10945.005512/200145 Acórdão n.º 9900000.277 CSRFPL Fl. 368 5 descoberto, referentes aos anoscalendário de 1995 a 1999 (fls. 154 a 169. A ciência do lançamento ocorreu em 12/07/2001 (fls. 162). O objeto do Recurso Extraordinário é a decadência, declarada em relação ao anocalendário de 1995. De plano, ressaltese que não há tributo cujo regime de lançamento seja o “de oficio”, originalmente. O lançamento de oficio é efetuado de forma residual, em relação a tributos cujo regime é “por declaração” ou “por homologação”, em que tenha havido irregularidade no mecanismo de apuração ou recolhimento por parte do contribuinte, demandando a intervenção da autoridade administrativa, no sentido de efetuar um lançamento complementar em relação ao período de apuração. Considerandose que o imposto de renda encontrase entre os tributos cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de apurar o montante devido e antecipar o pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, dito tributo amoldase à sistemática de lançamento por homologação, em que a contagem do prazo decadencial, salvo os casos de dolo, fraude e simulação, encontra respaldo no § 4º, do artigo 150, do CTN, hipótese na qual os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Assim, no caso dos autos, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação, portanto o prazo decadencial de cinco anos, para a constituição de eventual crédito pelo Fisco, deve ser contado de acordo com o disposto no artigo 150, § 4°, do CTN, ou seja, da ocorrência do fato gerador, independentemente da ocorrência ou não de pagamento antecipado. Destarte, considerandose que a ciência do lançamento ocorreu em 12/07/2001 (fl. 162), correto o acórdão recorrido, no ponto em que reconheceu a decadência em relação aos fatos geradores que se concretizaram em 31/12/1995. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. MARIA HELENA COTTA CARDOZO – RedatoraDesignada ad hoc Fl. 370DF CARF MF Impresso em 09/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/1 1/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/11/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 13827.000058/99-95
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 04/02/1991 a 29/07/1991
TAXA REFERENCIAL DIÁRIA (TRD). RESTITUIÇÃO.
À luz do entendimento emanado pelo Supremo Tribunal Federal (ADI 835, RE 218.290/RS e RE 409.994/PE), é cabível a exigência da TRD no período de 04/02/1991 a 29/07/1991.
Numero da decisão: 9900-001.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Ausentes, justificadamente, as conselheiras Adriana Gomes Rego e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201712
camara_s : Pleno
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 04/02/1991 a 29/07/1991 TAXA REFERENCIAL DIÁRIA (TRD). RESTITUIÇÃO. À luz do entendimento emanado pelo Supremo Tribunal Federal (ADI 835, RE 218.290/RS e RE 409.994/PE), é cabível a exigência da TRD no período de 04/02/1991 a 29/07/1991.
turma_s : PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 08 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13827.000058/99-95
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5828848
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 08 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9900-001.016
nome_arquivo_s : Decisao_138270000589995.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 138270000589995_5828848.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Ausentes, justificadamente, as conselheiras Adriana Gomes Rego e Érika Costa Camargos Autran.
dt_sessao_tdt : Mon Dec 11 00:00:00 UTC 2017
id : 7108667
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049733628428288
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1933; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFPL Fl. 2 1 1 CSRFPL MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13827.000058/9995 Recurso nº Extraordinário Acórdão nº 9900001.016 – Pleno Sessão de 11 de dezembro de 2017 Matéria REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRD Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida LABOR SERVICOS AGRICOLAS LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 04/02/1991 a 29/07/1991 TAXA REFERENCIAL DIÁRIA (TRD). RESTITUIÇÃO. À luz do entendimento emanado pelo Supremo Tribunal Federal (ADI 835, RE 218.290/RS e RE 409.994/PE), é cabível a exigência da TRD no período de 04/02/1991 a 29/07/1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 7. 00 00 58 /9 9- 95 Fl. 395DF CARF MF 2 Ausentes, justificadamente, as conselheiras Adriana Gomes Rego e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de recurso extraordinário apresentado pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN ao pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, com fulcro no artigo 9º do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, c/c artigo 3º do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, em que se alega divergência entre turmas da CSRF quanto ao que se decidiu sobre a possibilidade de repetição de indébito referente a pagamento de juros com base na Taxa Referencial Diária (TRD) no período compreendido entre 04/02/1991 e 29/07/1991. A PGFN insurgise contra o Acórdão nº 0203.025, de 05/05/2008, por meio do qual a 2a Turma da CSRF admitiu a repetição dos encargos relativos à TRD no período acima mencionado. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva abaixo transcritas: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 04/02/1991 a 29/07/1991 REPETIÇÃO DE ENCARGOS. TRD INCIDENTE EM PARCELAMENTO. A Administração Tributária reconheceu, por meio da IN SRF 032/97, a imprestabilidade da Taxa Referencial Diária, pertinente ao período compreendido entre 04/02/91 e 29/07/1991, para corrigir os débitos tributários. Inclusive, autorizou a exclusão, de oficio, do montante correspondente ao encargo da TRD, acumulado nesse período, do crédito tributário lançado de oficio. Predita exclusão deve ser estendida aos débitos parcelados, e os pagos devem ser repetidos. Recurso Especial Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. A PGFN afirma que o acórdão recorrido, exarado pela 2a Turma da CSRF, deu à lei tributária interpretação divergente da que foi dada por outra turma da CSRF, relativamente à matéria acima mencionada. Para o processamento de seu recurso extraordinário, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: DO CABIMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL no presente caso, há nítida divergência entre a decisão atacada e o paradigma declinado abaixo; Fl. 396DF CARF MF Processo nº 13827.000058/9995 Acórdão n.º 9900001.016 CSRFPL Fl. 3 3 o acórdão paradigma, mesmo analisando hipótese similar à ventilada no presente feito, concernente ao pedido de restituição de valores supostamente pagos indevidamente, no decorrer de parcelamento de créditos tributários, a título de Taxa Referencial Diária, no período compreendido entre 04/02/1991 a 29/07/1991, entendeu de forma diversa do acórdão recorrido; com efeito, a Primeira Turma da CSRF agasalhou a tese de que esses valores foram pagos de acordo com a legislação tributária, tendo em vista o próprio posicionamento da Corte Suprema. Vejase: Acórdão: CSRF/0105.880 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 1992 O Supremo Tribunal Federal, entendeu que a Lei n° 8.177, de 1°.03.91, já previa a incidência, a partir de fevereiro de 1991, da TRD sobre impostos, multas e demais obrigações fiscais e parafiscais. Assim, não se pode conceder restituição de valores cobrados legalmente, de acordo com aquela corte suprema. o acórdão paradigma, de fato, declinou que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário n° 218.290/RS assentou que a Medida Provisória n° 294, que resultou na Lei n° 8.177/1991 já previa a incidência, a partir de fevereiro de 1991, da Taxa Referencial Diária sobre impostos, multas e demais obrigações fiscais e parafiscais; em seu bojo, prossegue o órgão prolator, asseverando que o entendimento do Pretório Excelso subjaz no fundamento de que a Medida Provisória n° 297, de 28/06/1991, que alterou a redação do artigo 9º da Lei n° 8.177 e foi reeditada em 29/07/1991 sob o n° 298, sendo posteriormente convertida na Lei n° 8.218/91, que menciona a TRD como juros de mora e não mais como índice de correção monetária, nada mais é do que meramente interpretativa, retroagindo sem provocar qualquer lesão a direito, uma vez que a previsão da referida Taxa já remontava desde seu advento, como já mencionado acima; com espeque nesse entendimento, a Primeira Turma entendeu que não havia valores indevidamente recolhidos a restituir. Ademais, salientou que o pedido formulado naquele feito carecia de qualquer base legal, uma vez que a IN SRF n° 32, de 1997, mencionada como suposto fundamento para a solicitação de repetição de indébito, consistiu apenas em providência preventiva da Administração Tributária para evitar demandas judiciais sobre a matéria. Contudo, em nenhum momento, autorizando a restituição dos tributos supostamente pagos indevidamente; a fim de melhor aclarar a divergência, nos termos alhures alinhavada, cumpre trazer à lume alguns excertos do relatório e voto condutor do aresto: [...]; a decisão recorrida e o precedente invocado, em que pesem tratarem de questões fáticas similares, concederam à questão tratamento jurídico diverso, chegandose a conclusões distintas, resultados práticos e jurídicos diversos, requisitos estes verificados no recurso extraordinário por divergência manejado; dessa forma, indubitavelmente, a Primeira Turma adotou posicionamento divergente daquele exarado pela decisão ora recorrida, motivo pelo qual o presente recurso é plenamente cabível e merece ser conhecido; Fl. 397DF CARF MF 4 DA NECESSIDADE DE REFORMA DO ACÓRDÃO RECORRIDO trata o presente de pedido de restituição dos juros de mora incidentes sobre parcelamento com base na TRD, observando as disposições da Instrução Normativa (IN) SRF n° 32, de 1997, que determinou a exclusão daquela taxa no período de 04/02/1991 a 29/07/1991; no Despacho Decisório de fls. 104/106, a Delegacia da Receita Federal em Bauru indeferiu a solicitação, sob o argumento de que a IN SRF n° 32, de 1997, determinou a exclusão da TRD de créditos tributários ainda não extintos, em consonância com o Decreto n° 2.194, de 1997, arts. 1° e 2° e Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 77. Estando os créditos da requerente extintos por pagamento, não haveria possibilidade de exclusão da TRD e conseqüente restituição; o cerne da questão debatida no presente feito, nesse momento processual, é, portanto, distinguir se a exigência da TRD no período já citado é de fato indevida ou não e se a IN SRF n° 32/1997 por trazer prescrições preventivas, visando evitar demandas judiciais sobre a matéria reconheceu que os pagamentos a esse título também o são, e dessa forma autorizou a sua restituição; preliminarmente, cumpre assentar que a restituição só é possível na ocorrência de indébitos tributários, o que pressupõe terem sido os valores que originaram o suposto crédito pagos a maior ou de todo de forma indevida, o que não ocorreu no presente caso; aqui se faz necessário um breve escorço histórico para a melhor compreensão da questão; inicialmente, o artigo 9° da Lei n° 8.177/1991 determinou que se utilizasse a Taxa Referencial Diária como fator para correção monetária dos débitos tributários. Essa prescrição gerou inúmeras discussões e deu azo a contendas judiciais, culminando por fim com o pronunciamento da Corte Suprema, que reconheceu ser inadmissível a utilização da TRD como fator de atualização monetária; contudo, ao citado dispositivo legal, foi dada nova redação pela Medida Provisória n° 297, de 28/06/1991, reeditada em 29/07/1991 sob o n° 298 e, finalmente, convertida na Lei n° 8.218/91. Essa norma mencionou a TRD como juros de mora incidentes sobre os pagamentos em atraso e não mais como fator de correção monetária; nesse jaez, a norma contida na lei supra era meramente interpretativa, podendo retroagir, nos termos estipulados pelo artigo 106, inciso I, do CTN, sem provocar qualquer lesão a direito. Posição essa que foi confirmada pelo Pretório Excelso; assim, em face de decisão do Colendo Supremo Tribunal Federal que considerou constitucional a exigência da TRD no período em questão, a aplicação da Instrução Normativa encontrase prejudicada, mesmo para os casos de exclusão da referida taxa. São esses os termos do acórdão RE218.290 / RS (DJ de 28/04/2000): [...]; noutro giro, inobstante os valores pagos pelo requerente a título de TRD no período de 04/02/1991 a 29/07/1991 não poderem ser considerados como indevidos a ensejar a restituição pretendida, uma vez que indébito tributário não há, cabem outras digressões sobre a ausência de qualquer autorização no bojo da IN SRF n° 32, de 1997, para restituição desses valores; Fl. 398DF CARF MF Processo nº 13827.000058/9995 Acórdão n.º 9900001.016 CSRFPL Fl. 4 5 nos termos do Decreto n° 2.194/97 e do art. 77, da Lei n° 9.430/96, fica o Poder Executivo autorizado a disciplinar hipóteses relativas à não constituição do crédito tributário ou a revisão do lançamento com base em norma declarada inconstitucional pelo STF. Vejase a redação dos dispositivos mencionados: [...]; nessa esteira, sobreveio a Instrução Normativa n° 32/1997, na qual consta consentimento expresso para a subtração da aplicação da Taxa Referencial Diária, bem como a revisão de créditos constituídos, ainda que pagos em processo de parcelamento. É sua dicção: [...]; como mencionado pela autoridade fazendária, no Despacho de fls. 104/106, os dispositivos mencionados devem ser interpretados de forma restritiva: a norma determina revisão do crédito tãosomente quando se tratar de créditos tributários não extintos; a exegese deste dispositivo não conduz à conclusão de que estaria autorizada a restituição ou compensação. Com efeito, a norma em questão apenas evita que a Administração Tributária promova os atos tendentes à constituição do crédito e à inscrição em dívida ativa da União, tendo em vista toda a celeuma e a conseqüente discussão judicial travada em tomo da inteligência da norma; cotejandose o disposto na Instrução Normativa com as prescrições legais a respeito, Decreto n° 2.194/97 e Lei n° 9.430/96, devese entender que os atos administrativos, como normas complementares das leis não podem ter sua interpretação estendida além do que mira a própria lei. Nenhuma das normas autoriza o entendimento de que os créditos extintos pelo pagamento, baseados em lei então vigente, possam ser restituídos, uma vez que não houve seu afastamento do ordenamento jurídico por revogação, por Resolução do Senado Federal ou mesmo por decisão do Supremo Tribunal Federal, como alhures consignado; os mencionados diplomas nada mais representam, nesse contexto, do que medida preventiva, à vista da polêmica judicial instaurada acerca da constitucionalidade do dispositivo; o certo é que a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no RE 218.290/RS, sepultou de vez a referida controvérsia, repelindose a alegação de falta de previsão para a cobrança de encargos no período de fevereiro a julho de 1991, ao entender que a Medida Provisória n° 294, que resultou na Lei n° 8.177, de 1°103/91 já previa a incidência, a partir de fevereiro de 1991, da TRD sobre impostos, multas e demais obrigações fiscais e parafiscais; portanto, seja pela total ausência do pressuposto da restituição do indébito tributário, qual seja, serem os valores pagos considerados como pagos de forma indevida; seja por total ausência de fundamento legal, o pleito do contribuinte não merece guarida, devendo por isso ser reformado o acórdão recorrido; nesse jaez, além do acórdão declinado como paradigma, cabe atentar para outros acórdãos deste Eg. Conselho que agasalharam idêntico entendimento. In verbis: [...]; diante de todas as razões acima expostas, é forçoso concluir que o aresto ora atacado merece reforma; DO PEDIDO Fl. 399DF CARF MF 6 em face do exposto, tendo em vista o dissídio jurisprudencial apontado, requer a União (Fazenda Nacional) seja admitido o presente recurso, pugnando para que, no mérito, lhe seja dado provimento, a fim de indeferir o pedido de restituição formulado pelo contribuinte. Quando do exame de admissibilidade do recurso extraordinário da PGFN, o Presidente Substituto do CARF, por meio do Despacho nº 910000.605, exarado em 06/05/2011, reconheceu a existência da divergência suscitada e deu seguimento ao recurso, nos seguintes termos: [...] Pois bem, na análise da decisão e dos fundamentos dos arestos confrontados, verificase que a divergência está patente: Na decisão recorrida é assinalado que foi reconhecida, por meio da IN SRF 032/97, a imprestabilidade da Taxa Referencial Diária, pertinente ao período compreendido entre 04/02/91 e 29/07/1991, para corrigir os débitos tributários. Inclusive, autorizou a exclusão de ofício do montante correspondente a TRD nesse período, e o paradigma oferecido preconiza a incidência, a partir de fevereiro de 1991 da TRD sobre impostos multas e demais obrigações fiscais e parafiscais. Caracterizado o dissídio jurisprudencial, DOU seguimento ao recurso extraordinário, devendo ser assegurado ao sujeito passivo oferecer contrarrazões, no prazo de quinze dias da ciência deste Despacho Em 04/01/2012, a contribuinte foi intimada do despacho que deu seguimento ao recurso extraordinário da PGFN. Tempestivamente, em 16/01/2012, ela apresentou contrarrazões ao recurso, com os seguintes argumentos: DA MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO a TRD foi instituída pela Medida Provisória n° 294 e, posteriormente, convertida na Lei n° 8.177/1991, a qual em seu artigo 9° disciplinava: [...]; todavia, nova Medida Provisória foi aprovada (n° 298, convertida na Lei n° 8.218/1991), alterando a redação do artigo anterior para: [...]; ocorreu que, após inúmeras discussões judiciais, o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade da TRD, vedando a sua utilização. Diante disso, a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa n° 32/1997, a fim de pacificar o entendimento predominante em seus julgamentos; como é de amplo conhecimento, a determinação contida na indigitada IN 32/97 é clara e expressa no sentido de suspender a cobrança dos juros de mora com base na TRD dos créditos fiscais administrados pela Secretaria da Receita Federal, relativamente ao período de 04/02/1991 a 29/07/1991, excluindo tais acréscimos, inclusive, em relação àqueles que estejam sendo pagos parceladamente; razão pela qual a Recorrida formulou o pedido de restituição, pois, como esses acréscimos foram considerados pelo próprio Fisco indevidos, por serem ilegais, nada mais lógico e natural que se restitua o que foi indevidamente cobrado; o Código Tributário Nacional em seu artigo 165 trata do pagamento indevido, ipsis litteris: [...]; Fl. 400DF CARF MF Processo nº 13827.000058/9995 Acórdão n.º 9900001.016 CSRFPL Fl. 5 7 o pagamento indevido incide quando não há uma obrigação tributária e é diante dessa inexistência que o direito à restituição do indevidamente recolhido deve prevalecer; há de se mencionar o art. 167 do Código Tributário Nacional, o qual abrange a restituição dos juros de mora e das multas, demonstrando a aplicação dos princípios constitucionais da moralidade, legalidade e vedação ao enriquecimento sem causa; assim, por óbvio nada justifica a lamentável resistência até aqui operada pelo Fisco, que segue renitente em devolver o que ele mesmo considerou indevido, ocasionando, no mínimo, enriquecimento sem causa, sem considerar as ofensas diretas aos princípios da Administração Publica como a moralidade e legalidade; a determinação de não cobrança dos juros da TRD no período em questão, evidentemente, não constitui nenhuma anistia concedida pela Receita em favor de devedores faltosos — já que por óbvio somente poderia ser concedida por lei — mas sim no expresso reconhecimento do próprio órgão público de que a Lei não autorizava aquela cobrança; ora, Egrégia Câmara Superior, se a referida Instrução Normativa considerou indevida a cobrança de juros com base na TRD, nem precisaria mencionar que seria devida a restituição dos valores cobrados com base nessa taxa; e se fosse o caso, certamente, o aludido diploma legal conteria expressa vedação nesse sentido e, se não o fez, é de se concluir pela legitimidade do pedido restituitório; se não podem ser cobrados por serem indevidos, ilegais, evidentemente, não se pode atribuir de lícita e legal a retenção das importâncias relativas a esses acréscimos, que a própria Administração Pública reconhece não fazer jus; não se concebe esse diploma legal disciplinar uma mesma situação de duas formes distintas, ou seja, determinar a exclusão do indevido dos créditos constituídos ou que estejam sendo parcelados e não restituir o indevido daqueles créditos que já foram pagos; tanto numa situação quanto noutra, tratase de um pagamento indevido, assim considerado pela IN 32/97, e que não perde essa característica por ter sido extinto ou não; admitir que a IN 32/97 faz distinção entre os contribuintes, para se considerar indevido somente a cobrança de TRD em relação aos créditos constituídos, excluindose de seu alcance os créditos extintos pelo pagamento, é clara afronta ao principio da igualdade, pois concede tratamento desigual para os contribuintes que se encontram perante uma mesma situação; e da mesma forma, admitir essa inusitada situação, interpretandose deliberadamente o texto legal em favor da Fazenda em detrimento do contribuinte, é ostensivamente imoral, pois permite que o Fisco não restitua o valor cobrado e que ele mesmo considerou indevido; por outro lado, é de se ver também que o direito à restituição não se extingue instantaneamente com a extinção do crédito, mas sim com o decurso do prazo de 05 Fl. 401DF CARF MF 8 anos contado da extinção, que se operou, no presente caso, com o pagamento do parcelamento. É o disposto no artigo 168, inciso I do Código Tributário Nacional; por fim, nem se argumente que o posicionamento do Supremo Tribunal Federal mencionado no Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional repercutirá diretamente no caso vertente. Além da decisão ali proferida estender seus efeitos somente para as partes litigantes nos autos; outrossim, também se deve observar a garantia constitucional do ato jurídico perfeito, que se consolidou com a edição da IN 32/97; oportuno destacar que atualmente existem diversas jurisprudências emitidas pelo Egrégio Conselho de Contribuintes, no sentido de que, no período considerado, a TRD paga pelo contribuinte foi indevida, impondose a sua restituição. Confirase: [...]; DO PEDIDO por todo o exposto, a Recorrida espera e requer seja negado provimento ao Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional, mantendose na íntegra a decisão da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, para o fim de ser reconhecido o seu direito à restituição do que indevidamente lhe foi cobrado, nos termos acima articulados, como medida de inequívoca aplicação do Direito. É o relatório. Fl. 402DF CARF MF Processo nº 13827.000058/9995 Acórdão n.º 9900001.016 CSRFPL Fl. 6 9 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto pedido de restituição de juros de mora calculados com base na TRD, que incidiram sobre parcelamento de débitos da contribuinte. A divergência suscitada no recurso extraordinário da PGFN diz respeito à TRD no período compreendido entre 04/02/1991 e 29/07/1991. O acórdão recorrido admitiu a restituição dos encargos relativos à TRD no período acima mencionado, e a PGFN procura reverter essa decisão. A contribuinte, em sede de contrarrazões, defende que a decisão da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (acórdão recorrido) seja mantida na íntegra, para o fim de ser reconhecido o seu direito à restituição do que indevidamente lhe foi cobrado a título de TRD no processo de parcelamento de débitos. A incidência da TRD sobre créditos tributários no período compreendido entre 04/02/1991 e 29/07/1991 já suscitou grande controvérsia nos antigos Conselhos de Contribuintes, e depois no CARF. Toda a polêmica foi gerada em razão da redação original do art. 9º da Lei 8.177, de 01/03/1991, que foi posteriormente alterada pela Lei 8.218/1991, de 29/08/1991, nos seguintes termos: Lei 8.177/1991 redação original Art. 9° A partir de fevereiro de 1991, incidirá a TRD sobre os impostos, as multas, as demais obrigações fiscais e parafiscais, os débitos de qualquer natureza para com as Fazendas Nacional, Estadual, do Distrito Federal e dos Municípios, com o Fundo de Participação PISPasep e com o Fundo de Investimento Social, e sobre os passivos de empresas concordatárias em falência e de instituições em regime de liquidação extrajudicial, intervenção e administração especial temporária. Lei 8.177/1991 redação dada pela Lei 8.218/1991 Art. 9° A partir de fevereiro de 1991, incidirão juros de mora equivalentes à TRD sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, com a Seguridade Social, com o Fundo de Participação PISPasep, com o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e sobre os passivos de empresas concordatárias, em falência e de instituições em regime de liquidação extrajudicial, intervenção e administração especial temporária. (Redação dada pela Lei nº 8.218, de 1991) Fl. 403DF CARF MF 10 O acórdão recorrido, favorável à contribuinte, foi exarado pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em 05/05/2008. Ocorre que, pouco tempo depois, em 01/07/2008, em outro processo da própria "Usina da Barra S/A Açúcar e Álcool", essa mesma Segunda Turma da CSRF modificou sua linha de entendimento, adotando tese semelhante à contida no acórdão paradigma apresentado pela PGFN nestes autos (também referente à "Usina da Barra S/A Açúcar e Álcool", e exarado pela Primeira Turma da CSRF). Vale registrar os fundamentos dessa outra decisão exarada pela Segunda Turma da CSRF, nesse caso, desfavorável à contribuinte: Processo nº 13827.000064/9998 Acórdão nº 0203.845 Sessão de 1º de julho de 2008 Recorrente: Fazenda Nacional Interessado: USINA DA BARRA S/A AÇÚCAR E ÁLCOOL RESTITUIÇÃO TRD. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Extinto o crédito tributário pelo pagamento, a restituição dos juros moratórios calculados com base na TRD no período de 01/02/91 a 30/08/91, somente poderá ser consumada mediante autorização legal. Recurso Especial da Fazenda provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso especial. [...] VOTO Conselheiro ANTONIO PRAGA Recurso preenche condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A argumentação expendida no Especial é procedente. A matéria versada no Especial prendese ao cabimento ou não da restituição dos juros moratórios calculados com base na TRD do período de 01/02/91 a 30/08/91. O assunto merece uma breve contextualização. Inicialmente o art. 9º da Lei n° 8.177/91 determinou que se utilizasse a TRD como fator para correção monetária dos débitos tributários. Tal dispositivo legal foi amplamente debatido em inúmeras demandas judiciais, e "colocado em xeque" pela Corte Máxima, que reconheceu não ser admissível a utilização da TRD como fator de atualização monetária. Ao mencionado art. 9º da Lei n° 8.177, de 1991, foi dada nova redação pela Medida Provisória n° 297, de 28 de junho de 1991, reeditada, em 29 de julho de 1991, sob o n° 298 e, finalmente, convertida na Lei n° 8.218/91. Fl. 404DF CARF MF Processo nº 13827.000058/9995 Acórdão n.º 9900001.016 CSRFPL Fl. 7 11 Essa nova norma legal mencionou a TRD como juros de mora incidentes sobre os pagamentos em atraso e não mais como fator de correção monetária. Assim dispõe o preceptivo legal: Art. 9o — A partir de fevereiro de 1991. incidirão juros de mora equivalentes à TRD sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, com a Seguridade Social, com o Fundo de Participação PISPASEP, com o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço FGTS e sobre os passivos de empresas concordatárias, em falência e de instituições em regime de liquidação extrajudicial, intervenção e administração especial temporária. (grifei) Como se vê, a norma contida na lei supra era meramente interpretativa, retroagindo sem provocar qualquer lesão a direito, uma vez que a Lei n° 8.177, de 1991, já previa a incidência da TRD. Essa posição foi depois confirmada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE218.290/RS: PRETENSÃO CONSISTENTE EM AFASTAR A INCIDÊNCIA DE ENCARGOS, COM BASE NA TAXA REFERENCIAL DIÁRIA — TRD, SOBRE DÉBITO RELATIVO A PARCELAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA. ART. 30 DA LEI N° 8.218, DE 29.08.91, QUE ALTEROU O ART. 9º DA LEI N° 8.177, DE 1°.03.91. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. JUROS. ART 192, § 3º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. É de repelirse a alegação de falta de previsão para a cobrança de encargos no período de fevereiro a julho de 1991, porque os tributos federais permaneceram desindexados por força da Medida Provisória n" 294, convertida na Lei nº 8.177/91, e só veio a ser permitida a cobrança de juros de mora equivalentes à TRD pela Medida Provisória nº 298, de 29.07.91, convertida na Lei nº 8.218/91. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento da medida cautelar na ADI 835, em que se questionava a inconstitucionalidade do art. 30 da Lei nº 8.218, de 29.08.91, que alterou o art. 9º da Lei n° 8.177, de 1°.03.91, entendeu que a Medida Provisória nº 294, que resultou na Lei nº 8.177, de 1°.03.91, já previa a incidência, a partir de fevereiro de 1991, da TRD sobre impostos, multas e demais obrigações fiscais e parafiscais. Questão que, ademais, não prescinde de exame no campo infraconstitucional. Quanto à cobrança de juros acima do patamar constitucional de 12%, a decisão recorrida está em conformidade com a jurisprudência desta Corte, que proclama que a referida regra necessita de integração legislativa para sua concretização. Recurso não conhecido. (Grifei.) Assim, embora se admita que a Lei n° 8.177/91 foi "colocada em xeque" pelo Supremo Tribunal Federal, de outra banda a mesma foi "imunizada" pela Lei n° 8.218/91. E em relação à validade e vigência dessa última, cumpre destacar que foge a esse colegiado abrir polêmica sobre questões de direito que adentram no campo das discussões sobre Fl. 405DF CARF MF 12 constitucionalidade e legalidade do dispositivo que deu nova redação à Lei n° 8.177/91, de forma retroativa. Outrossim, o fato de a Instrução Normativa SRF n° 32, de 1997, para evitar futuras refregas, ter tomado a devida cautela de comandar a não constituição ou desconstituição de créditos tributários com a aplicação da TRD no indigitado período, não implica dizer que o direito à restituição estaria implicitamente admitido pela Administração, mesmo porque o crédito tributário, incluindo a TRD como juros de mora, foi extinto no momento do seu pagamento com o amparo de expressa previsão legal de norma válida e vigente no momento do lançamento. A Primeira Turma da CSRF no julgamento do recurso 108143708, em 23/06/2008, cuja interessada foi a própria recorrente, proferiu o acórdão n° CSRF70105.880, assim ementado: Ementa: O Supremo Tribunal Federal, entendeu que a Lei nº 8.177, de 1°.03.91, já previa a incidência, a partir de fevereiro de 1991, da TRD sobre impostos, multas e demais obrigações fiscais e parafiscais. Assim, não se pode conceder restituição de valores cobrados legalmente, de acordo com aquela corte suprema. Portanto, é incabível a restituição pleiteada por falta de amparo legal. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao Recurso Especial de Divergência da Fazenda Nacional. É assim como voto. Vale registrar ainda que esse colegiado Pleno da CSRF firmou em 28/08/2012, por unanimidade de votos, entendimento no sentido de que "é cabível a exigência da TRD no período de 04/02/1991 a 29/07/1991". Vale reproduzir trechos dessa decisão: Processo nº 13827.000314/9287 Acórdão nº 9900000.301– Pleno Sessão de 28 de agosto de 2012 Matéria RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO TRD Recorrente PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL Recorrida COMPANHIA AGRÍCOLA PEDRO OMETTO ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 04/02/1991 a 29/07/1991 TAXA REFERENCIAL DIÁRIA (TRD). RESTITUIÇÃO. À luz do entendimento definitivo, emanado pelo Supremo Tribunal Federal no RE nº 218.290/RS, é cabível a exigência da TRD no período de 04/02/1991 a 29/07/1991. Recurso Extraordinário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarouse impedido o Conselheiro João Carlos de Lima Júnior. [...] Fl. 406DF CARF MF Processo nº 13827.000058/9995 Acórdão n.º 9900001.016 CSRFPL Fl. 8 13 Voto Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva, Relator. O recurso extraordinário é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. O escopo do recurso extraordinário ao Pleno da CSRF era dirimir divergências jurisprudencial no âmbito das turmas da própria CSRF, que deve ser comprovada pelo recorrente mediante apresentação de julgado de outra turma superior com decisão dispare. No presente caso, a matéria recorrida referese a pedido de restituição da Taxa Referencial Diária, incidente de fevereiro a julho de 1991, que foi concedida no acórdão recorrido, conforme vinha sendo reiteradamente decido por este Conselho à época, amparado em inúmeras decisões judiciais, inclusive do egrégio Superior Tribunal de Justiça – STJ. Vejamos a ementa do Acórdão CSRF/0102.666, de 10/05/1999, um dos diversos arestos nesse sentido: TAXA REFERENCIAL DIÁRIA – TRD – É indevida a cobrança de juros de mora com base na TRD no período compreendido entre fevereiro e julho de 1.991. Recurso Negado. No voto condutor do aludido Acórdão destacamse os seguintes fundamentos quanto a matéria em comento: “A exigência de juros, calculados com base na variação da TRD, tem sido objeto de análise por parte deste Colegiado, o qual, em inúmeros julgados, de que é exemplo o Acórdão CSRF n° 0101.914/95, tem concluído pela improcedência de tal exigência, relativamente ao período anterior a 01 de agosto de 1991, por entenderem que a Medida Provisória n° 298, de 29.07.91 (DOU de 30.07.91), a qual viria a ser convertida na Lei n° 8.218, de 29.08.91, publicada no DOU de 30, seguinte, não poderia retroagir a 04 de fevereiro de 1991, pois feriria o princípio constitucional de irretroatividade da lei tributária, quando prejudicar o contribuinte. Estaria, portanto, o Fisco autorizado a cobrar os juros, calculados pela variação da TRD, apenas a partir do 01.08.91, como explicitado no acórdão referido. Esse pensamento também foi adotado pela douta Procuradoria da Fazenda Nacional em processo julgado por esta Câmara.” Ocorre que, conforme bem destacado nos fundamentos acima, datados de 1999, essa incidência decorria de disposição expressa da Lei 8.218/1991 (art. 30), cuja apreciação da constitucionalidade é de competência do Supremo Tribunal Federal (STF). Pois bem, somente no ano de 2006 a matéria foi definitivamente apreciada pelo STF, tendo a douta PFN apresentado a decisão daquela Corte no RE 409.9942, cujo voto condutor é da lavra do excelentíssimo Ministro Gilmar Mendes. Vejamos os fundamentos: "Indico decisões monocráticas prolatadas no RE 390429SC, DJ 29.06.06, relatado por Sepúlvida Pertence, bem como as decisões proferidas nos RR EE 431855MG e 435246RS, essas últimas da Fl. 407DF CARF MF 14 lavra de Joaquim Barbosa, DJ 21.11.05 e DJ 01.12.05, respectivamente. Em especial, na ADI 8358 DF, relatada por Carlos Velloso, este último prescreveu, como segue: “(...) mas o que acontece é que o art. 9°, da Lei 8.177, de 01.03.91, estabelecia, simplesmente, que incidiria TRD, a partir de fevereiro de 1991, sobre os débitos que indicava. A nova redação dada ao mencionado artigo 9°, da Lei 8.177/91, que, a partir de fevereiro de 1991 — não houve, portanto, alteração de data — incidirão juros de mora equivalentes à TRD sobre os débitos que indica. Na feição original do art. 9º, incidirá TRD; na nova redação, incidirão juros de mora equivalente à TRD. Não me parece ocorrer, pelo menos ao primeiro exame, com a nova redação do art. 9°, da Lei 8.177/91, violação ao princípio do ato jurídico perfeito, ou do direito adquirido, falandose em termos abstratos, ou que a nova redação do art. 9°, da Lei 8.177/91, violação ao princípio do ato jurídico perfeito, ou do direito adquirido, falandose em termos abstratos, ou que a nova redação do art. 9°, citado, alcança efeitos futuros de atos consumados anteriormente a 29.08.91, sendo, pois, retroativo (retroatividade mínima) porque vai interferir na causa, que é ato ou fato ocorrido no passado, consoante escólio consignado no acórdão pertinente à ADIn 4930DF (DJ de 04.09.92). Isto não me parece ocorrer, repito, porque sobre os débitos já se aplicava a TRD; com a nova redação, incidirão juros de mora equivalentes à TRD..." Cumpre ainda destacar, que o STF já decidiu que a Lei 8218/91, nessa parte, tem caráter interpretativo, devendo retroagir, sem que isso cause lesão a direitos dos contribuintes, uma vez que antes mesmo da sua entrada em vigor, a lei anterior já estabelecia a incidência da TRD. Aliás, esse entendimento foi confirmado pelo STF, na decisão proferida quando do julgamento do RE n° 218.290/RS, cuja ementa segue transcrita: EMENTA: PRETENSÃO CONSISTENTE EM AFASTAR A INCIDÊNCIA DE ENCARGOS, COM BASE NA TAXA REFERENCIAL DIÁRIA TRD, SOBRE DÉBITO RELATIVO A PARCELAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA. ART. 30 DA LEI N° 8.218, DE 29.08.91, QUE ALTEROU 0 ART. 9° DA LEI N° 8.177, DE 1°.03.91. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. JUROS. ART. 192, § 3°, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. É de repelirse a alegação de falta de previsão para a cobrança de encargos no período de fevereiro a julho de 1991, porque os tributos federais permaneceram desindexados por força da Medida Provisória n° 294, convertida na Lei n° 8.177/91, e só veio a ser permitida a cobrança de juros de mora equivalentes a TRD pela Medida Provisória n° 298, de 29.07.91, convertida na Lei n° 8.218/91. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento da medida cautelar na ADI 835, em que se questionava a inconstitucionalidade do art. 30 da Lei n° 8.218, de 29.08.91, que alterou o art. 9° da Lei n° 8.177, de 1°.03.91, entendeu que a Medida Provisória n° 294, que resultou na Lei n° 8.177, de 1°.03.91, já previa a incidência, a partir de fevereiro de 1991, TRD sobre impostos, multas e demais obrigações fiscais e parafiscais. Questão que, ademais, não prescinde de exame no campo infraconstitucional. Quanto à cobrança de juros acima do patamar constitucional de 12%, a decisão recorrida está em conformidade com a jurisprudência desta Corte, que proclama que a Fl. 408DF CARF MF Processo nº 13827.000058/9995 Acórdão n.º 9900001.016 CSRFPL Fl. 9 15 referida regra necessita de integração legislativa para sua concretização. Recurso não conhecido. (Grifei) Em seu voto no aludido RE, o Ministro limar Galvão asseverou: "(...) O Supremo Tribunal Federal, no julgamento da medida cautelar na ADI 835, em que se questionava a inconstitucionalidade do art. 30 da Lei n° 8.218, de 29.08.91, entendeu que a medida provisória n° 294, que resultou na Lei n° 8.177, de 1°.03.91, já previa a incidência, a partir de fevereiro de 1991, da TRD sobre impostos, multas e demais obrigações fiscais e parafiscais.(...)" No mesmo sentido, aliás, foi a decisão proferido pela Suprema Corte Brasileira nos autos da ADI No. 8358/ DF. Conclusão Verificase, pois, que a decisão do paradigma, Acórdão CSRF/01 05.880, de 23/06/2008, que aliás foi adotada no voto vencido do então presidente deste Conselho no acórdão CSRF/0306.205, de 08/12/2008, ora recorrido, deve mesmo prevalecer, haja vista que o STF julgou constitucional a incidência de juros de mora com base na TRD de fevereiro a julho/1991. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso, para determinar seja mantida a incidência da TRD de fevereiro a julho de 1991. A citada IN SRF nº 32/1997, editada no contexto das demandas judiciais questionando a incidência da TRD como fator de correção monetária (tendo em vista a redação original do art. 9º da Lei nº 8.177/1991), não se sustenta diante dos mencionados pronunciamentos do STF, que, ao tratar da Lei 8.218/1991 (que deu nova redação ao referido art. 9º), entendeu cabível a incidência da TRD como taxa de juros, a partir de fevereiro/1991. Desse modo, reafirmando decisão já proferida por este colegiado Pleno da CSRF relativamente à matéria em questão (conforme acima transcrito), voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso extraordinário da PGFN. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 409DF CARF MF 16 Fl. 410DF CARF MF
score : 1.0
