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Numero do processo: 13710.001289/2006-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Verificada a existência de contradição no julgado é de se acolher os embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional.
Embargos acolhidos sem efeitos infringentes.
RECOLHIMENTO DO IRFONTE. ERRO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
Deve ser cancelada a exigência fiscal de dedução indevida de imposto de renda retido na fonte, quando restou comprovado que ocorreu um erro por parte do contribuinte fiscalizado que informou em sua Declaração de Ajuste Anual rendimentos que não existiram.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF. VALOR MÍNIMO.
Deve-se aplicar a multa por atraso na entrega da declaração no valor mínimo de R$165,74, quando não há imposto de renda devido no ano-calendário.
Acórdão rerratificado.
Numero da decisão: 2202-003.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para rerratificar o Acórdão nº 2202-002.756, de 13/08/2014, para dar provimento ao recurso, cancelando a exigência do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física e reduzindo a multa por atraso na entrega da declaração para o seu valor mínimo, R$ 165,74.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator
Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Verificada a existência de contradição no julgado é de se acolher os embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional. Embargos acolhidos sem efeitos infringentes. RECOLHIMENTO DO IRFONTE. ERRO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. Deve ser cancelada a exigência fiscal de dedução indevida de imposto de renda retido na fonte, quando restou comprovado que ocorreu um erro por parte do contribuinte fiscalizado que informou em sua Declaração de Ajuste Anual rendimentos que não existiram. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF. VALOR MÍNIMO. Devese aplicar a multa por atraso na entrega da declaração no valor mínimo de R$165,74, quando não há imposto de renda devido no anocalendário. Acórdão rerratificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para rerratificar o Acórdão nº 2202002.756, de 13/08/2014, para dar provimento ao recurso, cancelando a exigência do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física e reduzindo a multa por atraso na entrega da declaração para o seu valor mínimo, R$ 165,74. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 71 0. 00 12 89 /2 00 6- 13 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente e Relator Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13710.001289/200613 Acórdão n.º 2202003.173 S2C2T2 Fl. 183 3 Relatório Reproduzo o relatório do Acórdão de Recurso Voluntário, que descreve os fatos ocorridos até a decisão embargada, desta Turma do CARF. Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (fls.25 a 29), relativa ao anocalendário 1999, para apurar imposto de renda suplementar no valor de R$32.921,45, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora e multa por atraso na entrega da DIRPF no valor de R$6.584,29. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal foi apurada dedução indevida de imposto de renda retido na fonte fls. 27. Impugnou o lançamento alegando, consoante o relatório da decisão de primeira instância, o seguinte: · a peça defensória é tempestiva , uma vez que a informação prestada pelo CAC referente à data da ciência em 08/08/2005 não procede uma vez que não recebeu o auto de infração. Em relação à dedução indevida de imposto de renda retido na fonte afirma que os valores declarados pela fonte pagadora foram recebidos pelo espólio de Jorge Schnaider e declarados em sua DIRPF, ocasionando bitributação. A 2ª Turma DRJ/Rio de Janeiro II (RJ), conforme Acórdão 1327.164– de 17 de novembro de 2009 de fls. 62 e ss, julgou procedente o lançamento, nos termos das seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. Cabe manter a dedução indevida do IRRF consignado na declaração de ajuste anual , quando não comprovada a sua retenção por meio hábil de prova. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. A ciência de tal julgado se deu em 24/03/2011, consoante termo ciência pessoal de fls. 54. Cientificado da aludida decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 01/04/2011, fls. 60. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 Eis as alegações recursais: · Assevera que é um dos herdeiros do Espólio de Jorge Schnaider CPF 003.342.78791, o qual é proprietário do imóvel sito no Rio de Janeiro, na Rua do Catete n°s 78 e 80, o qual foi locado em 27 de abril de 1998 a Igreja Água Viva CNPJ 02.300.711/000107, por contrato daquela data, aditado em 1º de abril de 2003 (docs.1/4).de infração abrangido fatos geradores mensais do ano de 2001. Cita uma vasta jurisprudência visando fundamentar suas alegações. · No ano calendário de 1999, a locatária pagou ao locador alugueres no valor de R$ 143.423,46 (cento e quarenta e três mil), quatrocentos e vinte e três reais e quarenta e seis centavos), retendo na fonte Imposto de Renda do montante de R$ 35.121,48, como constante da Informação de Rendimentos Pagos, anexa (doc. 5). · Não obstante, o CPF constante desse Comprovante de Rendimentos foi o do inventariante do Espolio, Nelson Goldenstein (CPF 633.583.52749), e não o do Espóliolocador, como devido (doc. 5). · Entregue a um contador os documentos do espolio e de seus herdeiros para a elaboração de suas declarações de ajuste do Exercício de 2000, esse profissional, inexplicavelmente, fez constar na declaração do ora recorrente aqueles rendimentos da locação que foram do Espolio, e não seus e o valor do imposto retido. · Acresce que o equivocado procedimento da locatária quanto aos comprovantes de rendimentos pagos repetiuse nos anos calendário de 2000, 2001, 2003, 2004 e 2005, o que a levou a retificações das informações originariamente prestadas (docs. 6/13). · Também no exercício de 2001 o profissional encarregado de elaborar a declaração de ajuste do suplicante procedeu da mesma forma, o que deu causa a autuação fiscal e à instauração do processo fiscal n° 13710. 1290/200648, no qual ficou demonstrada a indevida inclusão de rendimentos de terceiros e do imposto retido sobre os mesmos rendimentos. Decisão, então proferida, deu acolhida a impugnação apresentada pelo ora recorrente (doc. 14) · Com a juntada da documentação agora acostada fica evidenciado que os alugueres no valor de R$ 143.423,46 foram efetivamente pagos ao Espólio de Jorge Schnaider, ao qual incumbiam, e a ele diz respeito a retenção de tributo na fonte no montante de R$ 35.121,48, tudo constante do Comprovante emitido pela Igreja de Nova Vida do Catete (CGC 02.300.711/000107), nova designação da Igreja Água Viva. · É de suporse que a nãoidentificação de tal recolhimento deveuse ao fato de ao que se infere do documento n° 5 ter sido o mesmo efetivado sob o CPF do inventariante. · O proprietário do imóvel locado à entidade religiosa é o Espólio de Jorge Schnaider, e não seu herdeiro Rui Goldenstein, e a ele, Espólio, e não ao herdeiro, foram pagos os alugueres correspondentes · A inépcia constrangedora com que agiram as partes envolvidas, à toda evidência, não cria rendimento que não existiu e, conseqüentemente há matéria econômica a tributar. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13710.001289/200613 Acórdão n.º 2202003.173 S2C2T2 Fl. 184 5 · Havendo pendência quanto ao exercício em questão, não é facultado ao contribuinte, no sistema da Receita Federal, retificar a declaração de ajuste correspondente, mas dos rendimentos declarados pelo suplicante, naquele documento, devem ser excluídos aqueles efetivamente percebidos por terceiro e, bem assim, o valor retido na fonte, que também não lhe é pertinente. QUANTO A MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO IRPF · O recorrente solicita que seja aplicado o valor mínimo É o relatório. Em petição entregue em 25 de agosto de 2011, o contribuinte, por meio de seu advogado, solicita a juntada de documento, emitido pela fonte pagadora, alegando que só lhe foi entregue recentemente (fls. 155 a 157). Em sessão de julgamento ocorrida em 13 de agosto de 2014, foi dado provimento ao recurso, cuja decisão, consubstanciada no acórdão 2202002.756, foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 Ementa: RECOLHIMENTO DO IRFONTE. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. Comprovada a devida retenção na fonte do imposto cuja suposta falta deu origem ao lançamento, cancelase a exigência. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF Devese reduzir a multa por atraso na entrega da declaração ao valor de R$165,74, quando o contribuinte comprova de forma inequívoca suas alegações. Recurso Voluntário Provido. A decisão foi assim resumida: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso e reduzir a multa por atraso na entrega da declaração para o valor de R$ 165,74. Cientificada da decisão, a Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) opôs embargos de declaração, alegando obscuridade e omissão em relação aos seguintes pontos: a) Alega a embargante que a Turma entendeu que o lançamento já havia sido revisto de ofício, contudo o despacho decisório que o Colegiado utilizou como razão de decidir diz respeito a outro processo administrativo do contribuinte (fls. 105 e 106). Assim, em face da falta de clareza no fundamento de decidir, requer que seja sanada a obscuridade apontada. b) a PFN sustenta que a DRJ entendeu que se encontrava preclusa a matéria relativa à multa por atraso na entrega da DIRPF (fls. 50 e 51), pois não houve impugnação quanto a esse ponto. Afirma que, no entanto, a questão da definitividade da decisão de primeira instância não foi objeto de análise do Colegiado, configurando omissão a ser apreciada. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 Tendo em vista que a relatora do Acórdão não mais compõe a Turma, fui designado pelo Presidente da Turma como relator ad hoc. No exame de admissibilidade, os embargos foram acolhidos para que sejam sanados os vícios revelados, conforme despacho às fls. 180 e 181. É o relatório. Voto Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Os embargos preenchem os pressupostos de admissibilidade e, portanto, devem ser conhecidos. Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), relativos ao Acórdão nº 2202002.756, de 13/08/2014. A Embargante afirma que no acórdão embargado a Turma entendeu que o lançamento já havia sido revisto de ofício, embora o despacho decisório que o Colegiado utilizou como razão de decidir seja relativo a outro processo administrativo do Contribuinte. Sustenta, ainda, a Embargante que na decisão de primeira instância se entendeu que a matéria relativa à multa por atraso na entrega da DIRPF se encontrava preclusa, pois não houve impugnação quanto a esse ponto, porém a questão da definitividade da decisão da DRJ não foi objeto de análise do Colegiado. Entendo que os embargos devem ser acolhidos para sanar os vícios apontados, posto que no acórdão embargado foi adotado como razão de decidir um despacho decisório referente a outro processo do contribuinte (fls. 105 e 106), assim como o Colegiado não se pronunciou a respeito da preclusão da matéria relativa à multa por atraso na entrega da DIRPF. O contribuinte fiscalizado, em seu recurso voluntário, alega que é um dos herdeiros do Espólio de Jorge Schnaider CPF 003.342.78791, o qual é proprietário do imóvel sito no Rio de Janeiro, na Rua do Catete n°s 78 e 80, o qual foi locado em 27/04/1998 à Igreja Água Viva CNPJ 02.300.711/000107. Afirma que, no ano calendário de 1999, a locatária pagou ao locador alugueres no valor de R$ 143.423,46, retendo na fonte Imposto de Renda do montante de R$ 35.121,48. Relata que a locatária informou indevidamente como beneficiário dos rendimentos o CPF do inventariante, Nelson Goldenstein (CPF 633.583.52749), e não o do Espóliolocador. Aduz que, em virtude de equívoco do contador, constam das suas declarações de ajuste dos exercícios 2000 a 2005, os rendimentos da referida locação, os quais, na realidade, são do espólio. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13710.001289/200613 Acórdão n.º 2202003.173 S2C2T2 Fl. 185 7 Informa que em relação ao exercício 2001, foi acolhida a impugnação, tendo sido reconhecida a indevida inclusão dos rendimentos do espólio e do imposto de renda retido na fonte. Após o recurso voluntário, o contribuinte apresentou um documento, emitido pela fonte pagadora, no qual consta que ela informou erroneamente o CPF do locador, tendo afirmado que efetuara a correção das cinco últimas DIRFs, porém não corrigira as DIRFs dos anoscalendário 1998 e 1999, por não estarem mais disponíveis para retificação. Entendo que deve ser acatado o documento acostado pelo contribuinte, embora entregue após o recurso voluntário. É que o referido documento vem corroborar as suas alegações, feitas tempestivamente, e somente lhe foi disponibilizado pela fonte pagadora posteriormente ao prazo recursal. Nesse caso, deve prevalecer o princípio da verdade material, além dos princípios da eficiência e da economia processual, posto que evita uma diligência a ser efetuada para buscar essa informação. Tendo em vista os documentos acostados aos autos, mais especificamente o contrato de locação (fls. 122 a 129), a Declaração de Ajuste Anual DAA do espólio de Jorge Schnaider dos anoscalendário 1999 a 2001 (fls. 130 a 132), o despacho decisório referente ao anocalendário posterior ano de 2000 (fls. 141 a 143) e a informação da fonte pagadora (fl. 156), entendo que restou comprovado que ocorreu um erro por parte do contribuinte fiscalizado que informou em sua DAA rendimentos de aluguéis, os quais, na realidade, são do espólio de Jorge Schnaider. Assim, deve ser cancelado o lançamento referente ao imposto sobre a renda da pessoa física do anocalendário 1999. Quanto à multa por atraso na entrega da declaração, entendo que deva ser reduzida para o seu valor mínimo, R$ 165,74, considerando que não há imposto de renda devido relativo a esse anocalendário. A PFN alega que a decisão de primeira instância foi no sentido de que se encontrava preclusa essa matéria, pois não houve impugnação específica relativa a essa questão. Entretanto, tratase de uma multa cujo lançamento teve como base de cálculo justamente o valor do imposto apurado no procedimento fiscal e lançado de ofício. Cancelar o lançamento de ofício relativo ao imposto de renda e manter a multa tendo como base de cálculo o valor cancelado é, no mínimo, contraditório. Se a base do lançamento da multa foi anulada, não há como subsistir o lançamento da própria multa fundamentada naquele valor exonerado. Na lição de Dinamarco: Não há no direito brasileiro, como no italiano (c.p.c., art. 336), uma norma que autorizasse estender a devolução recursal aos capítulos de mérito inatacados, quando eles forem necessariamente dependentes do que houver sido objeto do recurso (prejudicialidade: supra, n. 15). Mesmo sem norma expressa, todavia, essa devolução a maior deve ocorrer, porque seria incoerente reunir em um processo duas ou mais pretensões e dizer que isso é feito em nome da economia e da harmonia entre os julgados, para depois renunciar a essa harmonia e permitir que a causa prejudicada (dependente) ficasse afinal julgada de modo discrepante do julgamento da prejudicial (dominante). Assim como não é necessário pedir juros e Fl. 188DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 outros acréscimos na demanda inicial (os chamados pedidos implícitos CPC, art. 293), assim também se dispensam esses pedidos na apelação referente ao capítulo principal com a consequência de que eventual omissão do recorrente não impedirá a devolução no tocante ao capítulo referente a eles. Seria também inaceitável manter a procedência da demanda indenizatória proposta em cúmulo com a de reintegração de posse, nos casos em que, julgadas ambas procedentes em primeiro grau, o réu interpusesse apelação exclusivamente quanto ao capítulo alusivo à possessória, deixando inatacado o outro capítulo. Em casos assim, onde é muito intensa a relação de prejudicialidade entre os diversos capítulos, é imperioso estender ao capítulo portador do julgamento de uma pretensão prejudicada, quando irrecorrido, a devolução operada por força do recurso que impugna o capítulo que julgou a matéria prejudicial. (DINAMARCO, Cândido Rangel. Capítulos de sentença. 2ª ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 111112). (Os grifos são do original). Diante do exposto, acolho os embargos de declaração para rerratificar o Acórdão nº 2202002.756, de 13/08/2014, para DAR provimento ao recurso, cancelando a exigência do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física e reduzindo a multa por atraso na entrega da declaração para o seu valor mínimo, R$ 165,74. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Fl. 189DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 19515.003326/2009-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
TRANSFERÊNCIA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. POSSIBILIDADE.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a transferência do sigilo bancário às autoridades e agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
JUROS - TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC - para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Numero da decisão: 2202-003.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente e Relator
Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. TRANSFERÊNCIA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. POSSIBILIDADE. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a transferência do sigilo bancário às autoridades e agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃOCONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). JUROS TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 33 26 /2 00 9- 63 Fl. 410DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente e Relator Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA. Relatório Por bem sintetizar os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, reproduzo o relatório do Acórdão nº 1654.733, da 16ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) DRJ/SP1. Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima qualificado, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 247/253, acompanhado do Termo de Verificação Fiscal de fls. 242/246, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2006, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 6.493.284,45 (seis milhões, quatrocentos e noventa e três mil, duzentos e oitenta e quatro reais e quarenta e cinco centavos), sendo R$3.232.741,44 referentes ao imposto, R$ 2.424.556,08, à multa proporcional, e R$835.986,93, aos juros de mora (calculados até 31/08/2009). Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 251/252), o procedimento apurou a seguinte infração: Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem Não Comprovada. Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. O procedimento fiscal que resultou na constituição do crédito tributário acima referido encontrase relatado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 242/246). Cientificado da autuação em 02/10/2009 (fls. 257), o contribuinte protocolizou, em 3016/10/2010, a impugnação de fls. 265/277, alegando, em resumo, o que segue: Fl. 411DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.003326/200963 Acórdão n.º 2202003.075 S2C2T2 Fl. 411 3 1. o procedimento de fiscalização que resultou no auto de infração que se impugna está eivado de nulidades, que demandam o seu cancelamento; 2. a primeira nulidade que macula o procedimento de fiscalização ocorreu no termo de início de fiscalização de 24/03/2009, que indicou incorretamente o período sob fiscalização, viciando todos os atos subseqüentes à sua lavratura; 3. o fato de constarem do referido termo informações conflitantes quanto ao período sob fiscalização (no primeiro parágrafo do termo constou "anocalendário de 2006", enquanto que na descrição dos valores movimentados nas contas bancárias mencionadas, constou "ANO 2005"), impossibilitou ao contribuinte o exercício pleno de sua defesa; 4. a supressão do prazo de vinte dias para a apresentação de esclarecimentos, previsto no caput do art. 844, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, constitui verdadeira ilegalidade, gerando a nulidade do ato em questão;o termo de inicio de fiscalização determinou ao contribuinte a prestação de esclarecimentos referentes às informações da movimentação bancária do ano de 2005; 5. o contribuinte cumpriu as exigências de apresentação de documentos no prazo de 10 dias, tendo sido concedido novo prazo, agora de 5 dias, para sua complementação, tendo sido apresentada vasta documentação que comprovava a origem das movimentações bancárias, como por exemplo, registros de propriedades, contratos de locação, livros diário, contrato social de pessoa jurídica da qual participa o contribuinte, entre outros; 6. entretanto, em razão do decurso de aproximadamente 4 anos, do vultuoso número de títulos creditados e do exíguo prazo, foi impossível a apresentação da microfilmagem de todos os cheques creditados nas contas bancárias do contribuinte no ano de 2005, exigida pelo auditor fiscal, que julgou insuficientes os documentos apresentados, devolvendoos em sua totalidade ao contribuinte ; 7. durante todo o procedimento de fiscalização, em especial no termo de início de fiscalização e no auto de infração, o auditor fiscal responsável não explicitou, analítica e especificamente, quais movimentações bancárias teriam sido objeto de omissão de rendimentos; 8. nas 3ª e 4ª folhas do Auto de Infração, vêse que o auditor fiscal relaciona valores que teriam sido omitidos para fins de apuração do imposto de renda, agrupandoos e descrevendoos indistintamente todo último dia de cada mês do ano de 2006, sem especificar quais movimentações bancárias somadas deram origem às respectivas quantias mensais, tornando impossível ao contribuinte identificar quais valores haviam sido levados em consideração para a apuração do imposto e quais valores foram julgados corretos quando da análise dos extratos bancários; 9. tal fato tornou impossível o exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte, em desrespeito ao art. 5º, LV, da Constituição Federal, deixando de ser observada também a legislação infraconstitucional, já que o art. 142 do CTN determina que a autoridade administrativa deve verificar de forma inequívoca "a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, (...)", o que não ocorreu no caso em tela; 10. também ocorreu a nulidade do procedimento administrativo, vez que o mesmo foi baseado em informações prestadas pelas instituições financeiras à SRF, sem o consentimento do contribuinte, o que constitui grave violação ao sigilo fiscal (art. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 38, da Lei nº 4.595/1964) e, conseqüentemente, à garantia constitucional à intimidade (art. 5º, X, da CF); 11. embora as multas administrativas busquem compensar o possível dano causado pelo contribuinte ao Estado com a prática da infração, se ela é fixada em valor excessivo, tal penalidade toma caráter de ato confiscatório e se desvia da sua finalidade, impondose a sua anulação; 12. como se verá a seguir, comprovou o contribuinte que a movimentação bancária analisada no procedimento de fiscalização não era renda passível de tributação, sendo, por exemplo, valores creditados em suas contas a titulo de empréstimos bancários e, por isso, a tributação desses valores, e a incidência de multa sobre eles, além de ilegal, por não caracterizar fato gerador de imposto de renda, constitui ato confiscatório, passível de argüição de nulidade, gerando a nulidade do próprio auto de infração e do respectivo lançamento, em face da violação frontal da Constituição Federal (art. 150, inciso IV); 13. o Auditor Fiscal não se desincumbiu satisfatoriamente do ônus da prova sobre a alegada omissão de rendimentos, previsto no art. 924 do Decreto n° 3.000, de 1999, limitandose a listar diversos valores que teriam sido creditados na contas bancárias do contribuinte sem a devida tributação, sem, contudo, demonstrar seus valores exatos, as datas dos aportes e qualquer indício de que seria um valor passível de tributação; 14. os contratos de locação, registros de propriedade e livros diário apresentados pelo contribuinte davam conta de que a maior parte dos valores sob apuração eram provenientes de aluguéis recebidos pela empresa da qual o contribuinte é sócio, valores esses já tributados pela pessoa jurídica, e que, por conseguinte, não poderiam ser objeto de nova tributação na pessoa física; 15. assim, o auto de infração lavrado contra o contribuinte tem outro gravíssimo vicio, a bitributação dos valores comprovadamente oriundos das locações de imóveis pertencentes à empresa da qual o contribuinte é sócio, porque já foram objeto de tributação pela pessoa jurídica, que é vedada pelo sistema pátrio (art. 154, I, da CF), e por isso vicia todo o auto de infração, que deverá ser cancelado; 16. os valores remanescentes também tiveram sua origem comprovada pelo contribuinte e referiamse a empréstimos tomados por ele junto a instituições financeiras, não se tratando verdadeiramente de "renda"; 17. verificase, ainda, a existência de diversas transferências entre contas do próprio contribuinte, bem como da pessoa jurídica da qual e sócio, fato que não é passível de tributação, por ser mera movimentação de recursos, sem caráter de rendimentos, havendo vedação expressa nesse sentido, no art. 849, §2°, I, do Decreto n° 3.000, de 1999; 18. os juros aplicados no auto de infração excedem os limites da razoabilidade, pois, se entre particulares, a taxa de juros não pode ser superior à taxa máxima de 1%, e se o Estado Democrático de Direito veda esta incidência em índices superiores a 12% ao ano, qual é o motivo para que justamente a Administração Pública Federal, pretenda incidir em seu favor juros que excedam tal índice?; 19. não obstante tenha sido implantada por uma lei, a regulamentação efetiva da SELIC, inclusive quanto a seus índices, ocorre através de Regulamento do Conselho Monetário Nacional e, assim, sua imputação extrapola e desrespeita o principio da legalidade esculpido no art. 150, I, da Constituição Federal; 20. neste sentido, a implantação da SELIC não corresponde às determinações constitucionais exigidas, uma vez que a lei não conferiu segurança jurídica quanto Fl. 413DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.003326/200963 Acórdão n.º 2202003.075 S2C2T2 Fl. 412 5 aos critérios utilizados, o que é feito através de mera resolução consubstanciada em ato administrativo que não proporciona os mínimos requisitos de segurança que a CF/88 exige, devendo eventual aplicação de juros ser restrita ao percentual de 1% ao mês; 21. ante o exposto, demonstrada a nulidade do procedimento de fiscalização, bem como a insubsistência e improcedência total do lançamento, requer que: i) seja acolhida a presente Impugnação, anulandose o procedimento de fiscalização e o respectivo auto de infração, ou cancelandoo, por ser ilegal e indevido; ii) todas as intimações e publicações sejam realizadas em nome do patrono Dr. Mikhael Chahine OAB/SP n° 51.142, no endereço de seu escritório, situado na Av. Damasceno Vieira, n° 871 Vila Mascote São Paulo/ SP cep: 04363040. A 16ª Turma da DRJ/SP1, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, tendo excluído da tributação alguns depósitos que tiveram origem em transferências de contacorrente de titularidade do próprio contribuinte. O acórdão foi ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 NULIDADE DO LANÇAMENTO. ERRO NO TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO. Não restando comprovada a incompetência do autuante nem a ocorrência de preterição do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. Eventuais erros no termo de início de fiscalização, devidamente sanados posteriormente, não inquinam de nulidade o lançamento efetuado. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. É de se rejeitar a alegação de cerceamento de defesa quando os fatos que ensejaram o lançamento se encontram corretamente descritos e tipificados no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal e estão presentes nos autos todos os elementos necessários à elaboração da impugnação, tendo sido oferecida ao litigante, seja durante o curso da ação fiscal, seja na fase de impugnação, ampla oportunidade de se manifestar e de apresentar provas que elidissem a autuação. NULIDADE. QUEBRA DE SIGILO. É lícito ao Fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, independentemente de autorização judicial, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. In casu, não houve quebra de sigilo bancário, haja vista que o próprio contribuinte forneceu à fiscalização os extratos bancários contendo sua movimentação financeira. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE. Uma vez comprovado que alguns depósitos bancários tiveram origem em transferências provenientes de contacorrente de titularidade do contribuinte e, Fl. 414DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 tendo a referida conta integrado o presente lançamento, cabe excluir do montante tributável tais valores. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO INDIVIDUALIZADA DA ORIGEM. A demonstração da origem dos depósitos deve se reportar a cada depósito, de forma individualizada, de modo a identificar a fonte do crédito, o valor, a data e a natureza da transação, se tributável ou não. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Por força de presunção legal, cabe ao contribuinte o ônus de provar as origens dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. MULTA DE OFÍCIO. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de multa de ofício, no percentual de 75%, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. ARGUIÇÃO DE EFEITO DE CONFISCO. A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. Os débitos, decorrentes de tributos, não pagos nos prazos previstos pela legislação específica, são acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês do pagamento. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE NORMAS LEGAIS. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, não podendo decidir, em âmbito administrativo, pela inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis ou atos normativos validamente editados. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O contribuinte foi cientificado da decisão em 17/03/2014, por via postal, (A.R. à fl. 329) e interpôs recurso voluntário em 16/04/2014 (fls. 331 a 405), por meio de procurador legalmente habilitado, no qual repisa os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator O recurso é tempestivo e às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.003326/200963 Acórdão n.º 2202003.075 S2C2T2 Fl. 413 7 Tratase de Auto de Infração que imputou ao contribuinte a infração de omissão de rendimentos caracterizado por depósitos bancários com origem não comprovada, cujo lançamento foi realizado com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos, determinando que estão sujeitos ao lançamento de ofício os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. A decisão de primeira instância julgou procedente em parte a impugnação e excluiu da tributação os créditos efetuados na contacorrente do Banco Sudameris que foram provenientes de transferência da contacorrente do Banco do Brasil, dada a coincidência de datas e valores dos lançamentos. Das preliminares de nulidade do Auto de Infração O Recorrente pugna pela nulidade do Auto de Infração, alegando que o AuditorFiscal cometeu um erro quanto à indicação do anocalendário objeto da fiscalização, o que prejudicou a sua defesa. Aduz que a supressão do prazo de vinte dias para a apresentação de esclarecimentos, previsto no caput do art. 844 do RIR/99, constitui verdadeira ilegalidade, maculando o lançamento. Argumenta que durante todo o procedimento fiscal, bem como no Auto de Infração, não foram explicitadas, analítica e especificamente, quais movimentações bancárias teriam sido objeto de omissão de rendimentos, o que prejudicou o exercício do contraditório e da ampla defesa. Afirma que o AuditorFiscal limitouse a agrupar os valores no último dia de cada mês no Auto de Infração, sem especificar quais lançamentos bancários somados deram origem a essas quantias. Não há que se falar em nulidade do lançamento, uma vez que se encontram preenchidos os preceitos estabelecidos no artigo 142 do CTN, assim como não se identificou violação das disposições contidas nos artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72. CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Decreto 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; Fl. 416DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. [...] Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) O equívoco cometido em relação ao anocalendário da fiscalização foi sanado ainda durante o procedimento fiscal, conforme o Termo de Constatação e Intimação Fiscal de fl. 16, não acarretando nenhum prejuízo à defesa do Recorrente, tanto que ele apresentou os extratos bancários solicitados. Sobre a alegação de que ocorreu supressão de prazo para apresentação dos documentos, esse fato também não lhe trouxe nenhum prejuízo, tendo ele solicitado prorrogações e atendido às intimações, conforme se verifica pelos termos de intimação e pelas suas respostas, acostados aos autos. Quanto à falta de especificação dos lançamentos bancários que foram objeto da autuação, também não lhe assiste razão, porquanto lhe foi dada oportunidade de apresentar as justificativas para os créditos realizados em suas contascorrentes, conforme Termo de Intimação Fiscal nº 2, de 30/06/2009 (fls. 144 a 151), o qual contém a discriminação individualizada de todos os lançamentos bancários que necessitavam de comprovação da origem. O próprio contribuinte elaborou um demonstrativo (fls. 152 a 154) onde se encontram discriminadas as movimentações bancárias solicitadas. Assim, era de conhecimento do Recorrente todos os créditos bancários que foram lançados por falta de comprovação da origem. Outrossim, por ocasião da impugnação e do recurso voluntário, o contribuinte insiste em alegar que os depósitos bancários são provenientes de aluguéis recebidos pela empresa da qual era sócio e de empréstimos tomados por ele junto a instituições financeiras, o que demonstra que ele teve pleno conhecimento da infração que lhe foi imputada. Concluise, portanto, que o Auto de Infração foi lavrado por servidor competente, o sujeito passivo foi devidamente qualificado, foram mencionados os dispositivos legais infringidos e as penalidades aplicáveis, foram discriminados os valores da exigência fiscal, assim como o conteúdo da autuação está especificado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 242 a 246). Em resumo, encontramse satisfeitos todos os requisitos legais. O Recorrente alega, ainda, que ocorreu ilegalidade na lavratura do auto de infração, pois ocorreu violação do seu sigilo bancário. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.003326/200963 Acórdão n.º 2202003.075 S2C2T2 Fl. 414 9 A Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, assim dispõe, em seu artigo 6º: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Em havendo procedimento fiscal em curso, é lícito às autoridades fiscais requisitar das instituições financeiras informações relativas a contas de depósitos e de aplicações financeiras do contribuinte sob fiscalização, sempre que estas forem indispensáveis. Assim, resta claro que a Receita Federal do Brasil possui permissão legal para acessar os dados bancários do contribuinte sob ação fiscal. Ressaltese que no presente caso o próprio o contribuinte apresentou seus extratos bancários. Dessa forma, não há nenhuma ilicitude nas provas obtidas mediante a apresentação dos extratos bancários pelo próprio contribuinte. Esse é o posicionamento que vem sendo acolhido pelas turmas do CARF, conforme abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. [...] (Acórdão nº 2202002.629, data de publicação: 03/06/2014, relator Rafael Pandolfo, redator designado Antonio Lopo Martinez). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 [...] REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. POSSIBILIDADE. Havendo procedimento fiscal em curso, os agentes fiscais tributários poderão requisitar das instituições financeiras registros e informações relativos a contas de depósitos e de investimentos do contribuinte sob fiscalização, sempre que essa providência seja considerada indispensável por autoridade administrativa competente. [...] (Acórdão nº 2102002.96, data de publicação: 28/05/2014, relatora Núbia Matos Moura). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 418DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 Anocalendário: 2005 MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. REQUISIÇÃO ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. HIPÓTESE. As informações, referentes à movimentação bancária do contribuinte, podem ser obtidas pelo Fisco junto às instituições financeiras, no âmbito de procedimento de fiscalização em curso, quando ocorrer, dentre outros, o não fornecimento, pelo sujeito passivo, de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando regularmente intimado. (Acórdão nº 2201002.291, data de publicação: 13/02/2014, relatora Nathalia Mesquita Ceia ). Por todas essas razões, rejeitamse as preliminares de nulidade do auto de infração apontadas pelo Recorrente. Da presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários O Recorrente alega que os documentos apresentados durante a ação fiscal (contratos de locação, registros de propriedade e livros diário) demonstraram que a maior parte dos créditos eram provenientes de aluguéis recebidos pela empresa da qual era sócio e de empréstimos tomados por ele junto a instituições financeiras. Aduz, ainda, que os valores oriundos de locações de imóveis pertencentes à empresa da qual é sócio já haviam sido objeto de tributação pela pessoa jurídica. A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1 os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Fl. 419DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.003326/200963 Acórdão n.º 2202003.075 S2C2T2 Fl. 415 11 II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Embora o contribuinte afirme que os valores movimentados em suas contas bancárias tiveram origem em aluguéis recebidos pela empresa da qual era sócio e em empréstimos tomados por ele junto a instituições financeiras, ele não logrou comprovar as suas alegações, mediante documentação hábil e idônea. Os documentos apresentados durante a ação fiscal não são hábeis a comprovar a origem dos depósitos, uma vez que não estão devidamente correlacionados aos créditos bancários. Não é possível fazer uma vinculação entre os depósitos e os documentos apresentados. É regra geral no Direito que o ônus da prova é uma conseqüência do ônus de afirmar e, portanto, cabe a quem alega. Nesse caso, o Recorrente apenas alegou e nada provou e, segundo brocardo jurídico por demais conhecido, "alegar e não provar é o mesmo que não alegar". O artigo 333 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece as regras gerais relativas ao ônus da prova, partindo da premissa básica de que cabe a quem alega provar a veracidade do fato. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. [...] Em relação às transferências bancárias, verificase que a decisão de primeira instância teve o cuidado de excluir da tributação todas as transferências efetuadas entre contas do próprio fiscalizado. Desse modo, está correta a decisão da DRJ em relação à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos com origem não identificada, pois o Recorrente não logrou comprovar a origem dos créditos em suas contas bancárias, os quais foram considerados como rendimentos omitidos. Da multa de ofício aplicada O Recorrente também se insurge contra a aplicação da multa de ofício, por ser excessiva e contrariar o princípio constitucional de vedação ao confisco, instituído no artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. A multa de ofício foi aplicada com base no disposto no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, assim redigido: Fl. 420DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 12 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). A alegação do Recorrente de ofensa aos princípios constitucionais não será apreciada, pois o exame da obediência das leis tributárias a esses princípios é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme se infere da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Juros de mora taxa Selic Por fim, quanto à improcedência da aplicação da taxa Selic como juros de mora, não lhe assiste razão, porquanto deve ser adotado o conteúdo da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Diante do exposto, voto no sentido de REJEITAR as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator Fl. 421DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10380.015085/2007-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004
Ementa:
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2202-003.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente e Relator
Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003, 2004 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente e Relator Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.
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LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente e Relator Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 50 85 /2 00 7- 31 Fl. 413DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 Relatório Foi lavrado contra a contribuinte VERÔNICA MARTINS VENTORINI PONTES, Auto de Infração de Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), fls. 05/15, para cobrança do Imposto de Renda Suplementar, no valor de R$ 85.981,84, relativo ao exercício de 2003 (anocalendário 2002), e do Imposto de Renda Suplementar, no valor de R$ 59.470,21, relativo ao exercício de 2004 (anocalendário 2003). O total do crédito tributário lançado foi de R$ 346.666,31, incluídos multa de ofício e juros de mora calculados até 30/11/2007. O lançamento foi decorrente da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos com origem não comprovada, tendo em vista que a contribuinte fiscalizada não logrou comprovar, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos financeiros creditados em suas contas correntes no Bank Boston Banco Múltiplo S/A. A contribuinte era titular de uma conta individual (c/c 10.8376.75; ag. Fortaleza) e de uma conta em conjunto com o seu então cônjuge, Henrique Voss Pontes (c/c 96.5682.01; ag. Fortaleza). A Fiscalização, mediante análise dos extratos bancários fornecidos pelo Banco Bank Boston Banco Múltiplo S/A (Itaú), em atendimento à Requisição de Informação Sobre Movimentação Financeiras (RMF), intimou a contribuinte a comprovar a origem dos depósitos bancários nas suas contas (fls. 99/100 e fls. 264/274). O cotitular da conta conjunta, seu cônjuge, Henrique Voss Pontes, também foi intimado a comprovar a origem dos créditos, nos autos do processo nº 10380.015084/200797. Em resposta às intimações, a contribuinte informou que a movimentação financeira na conta corrente mantida no Banco Bank Boston Banco Múltiplo S/A em conjunto com seu cônjuge, Henrique Voss Pontes, relativamente aos anoscalendário de 2002 e 2003, foi proveniente da atividade da construtora H.V.P Projetos e Construções Ltda, na qual possuía participação societária (fls. 269/276). Houve apresentação de documentos da empresa, tais como: Recibos, DOC, Notas Fiscais, ART, e TED. Quanto à conta corrente individual, sobre a qual havia intimação para comprovação da origem de um depósito bancário no valor de R$ 125.000,00, não houve argumentação. Assim, esse depósito bancário foi tido como não comprovado pela autoridade fiscal. Em relação à conta conjunta, após a análise dos documentos da empresa, alguns depósitos bancários foram tidos por comprovados pela Fiscalização, que elaborou uma relação dos depósitos bancários, discriminando os depósitos bancários comprovados e os não comprovados (fls. 285/293). Para o anocalendário de 2002, os depósitos não comprovados totalizaram: a) conta individual (c/c 10.8376.75): R$ 125.000,00, relativo a um único depósito, efetuado no dia 17/07/2002; b) conta corrente mantida em conjunto (c/c 96.5682.01): R$ 409.565,37, relativos a diversos depósitos bancários. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10380.015085/200731 Acórdão n.º 2202003.074 S2C2T2 Fl. 414 3 Para o anocalendário de 2003, a soma dos valores não comprovados foi de R$ 466.754,68, relativo a diversos depósitos efetuados na conta corrente mantida em conjunto (c/c 96.5682.01). Quanto à conta corrente mantida em conjunto (c/c 96.5682.01), a autoridade fiscal efetuou o rateio entre a contribuinte e seu cônjuge, na proporção de 50% para cada um. Às fls. 362 a 379, encontrase cópia do Acórdão DRJ/FOR n° 20.345, de 28 de março de 2011, processo n° 10380.015084/200797, relativo a Henrique Voss Pontes, então cônjuge da contribuinte, cuja decisão foi pela improcedência da impugnação. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 301 a 303), em que alega, em síntese: a conta corrente do Banco Bank Boston Banco Múltiplo S/A, mantida em conjunto com o cônjuge, era usada para recebimento de valores pertencentes à construtora H.V.P. Projetos e Construções Ltda, na qual possuía participação societária. os depósitos ou os créditos correspondem a recebimentos de pessoas ou de empresas em virtude de contratos para execução de serviços feitos com a construtora, que, como remuneração, percebia um percentual, que variava de 10% a 15% dos valores recebidos; o crédito, via DOC, no valor de R$ 125.000,00, no dia 17/07/2002, feito na conta corrente do Banco Bank Boston Banco Múltiplo S/A, conta corrente individual, foi proveniente de uma alienação feita em 16/07/2002, de uma casa situada na Via Local 24, S/N, Mariuba, Lote 16, Quadra 39, Porto das Dunas II Etapa, conforme Registro do Imóvel no Cartório Florêncio 2º Oficio de Aquiraz, na qual o adquirente, Giuseppe Bosio, fez DOC nesse valor. Na impugnação, a contribuinte requereu que fosse solicitado ao Banco Central as microfilmagens de todos os depósitos efetuados na conta corrente do Banco Bank Boston S/A. Solicitou, ainda, diligência, e informou que novas provas seriam apresentadas até o julgamento da lide. Apresentou, em anexo, cópias de recibos emitidos pela construtora H.V.P. Projetos e Construções Ltda.; DOCs identificando o remetente; comprovantes de depósitos bancários; e Tabela de Custo Unitário Básico do mês de dezembro de 1997. A Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) DRJ/FOR julgou procedente em parte a impugnação, cuja decisão foi assim ementada (fls. 380/381): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada. ÔNUS DA PROVA. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe ele a prova da origem dos recursos para acobertar seus depósitos bancários, mormente se a movimentação bancária supera em muito o montante de rendimentos informados na Declaração de Ajuste Anual. DEPÓSITO BANCÁRIO. ARGUMENTAÇÃO DE QUE O CRÉDITO É PRODUTO DE UMA ALIENAÇÃO DE UM IMÓVEL. Temse por comprovado o crédito que corresponder a produto de uma alienação de imóvel, quando a operação de alienação está demonstrada, havendo cobrança do Imposto de Renda sobre o ganho de capital. DEPÓSITO BANCÁRIO. ARGUMENTAÇÃO DE QUE O DEPÓSITO BANCÁRIO É ORIGINADO DA ATIVIDADE DE EMPRESA. ARGUMENTAÇÃO DE QUE OS RECURSOS PERTENCEM À EMPRESA. No caso de argumentação de que a movimentação financeira na conta corrente é proveniente de empresa e de que a ela pertence, a comprovação da origem dos créditos bancários, para os efeitos do artigo 42 da Lei nº 9.430/96, darseá com apresentação de documentação contábil que demonstre a transferência de recurso do caixa da empresa para a conta corrente sob fiscalização. Exigese, também, a apresentação de documentação que demonstre débito na conta corrente que tenha sido destinado a pagamento de obrigação da empresa. CONTA CORRENTE EM CONJUNTO COM O CÔNJUGE Caracterizada a omissão de rendimentos decorrente de créditos em contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos dos titulares tenha sido apresentada em separado, o valor dos rendimentos é imputado a cada titular mediante divisão do total dos rendimentos pela quantidade de titulares. Assunto : Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2002, 2003 IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS DEPOIS DA APRESENTAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. Ressalvadas as ressalvas previstas na legislação de processo administrativo, a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. NÃO FORMULAÇÃO DO PEDIDO. A impugnação mencionará as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender a esses requisitos. Impugnação procedente em parte Crédito Tributário Mantido em parte A decisão de primeira instância entendeu como comprovada a origem do depósito de R$ 125.000,00, em 17/07/2002, tendo exonerado o crédito tributário correspondente, por considerar que ficou demonstrado que o crédito foi decorrente da alienação de um imóvel. Quanto ao restante dos depósitos/créditos, foi mantido o lançamento. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10380.015085/200731 Acórdão n.º 2202003.074 S2C2T2 Fl. 415 5 A contribuinte foi cientificada da decisão em 20/07/2011 (fl. 401) e interpôs recurso voluntário em 16/08/2011 (fls. 403 a 407), no qual argumenta, em resumo: como preliminar, suscita a nulidade do Auto de Infração, pois não há provas nos autos de que o cotitular da contacorrente mantida em conjunto foi intimado a comprovar a origem dos créditos. Cita a Súmula CARF nº 29; no mérito, afirma que apresentou todos os recibos emitidos pela Construtora H.V.P. Projetos e Construções, que suportam os depósitos da contacorrente mantida no Bank of Boston Banco Múltiplo S/A. Tais depósitos são de titularidade da empresa da qual ela e o exmarido eram sócios; não procede o argumento da decisão da DRJ que exige a prova de que a movimentação financeira transitou pela contabilidade da empresa e de que houve recolhimento de IRPJ, PIS e COFINS sobre a receita bruta correspondente aos depósitos bancários, uma vez que não é a empresa que está sendo fiscalizada e sim a pessoa física; a decisão recorrida afronta a Súmula 32 que dispõe: "A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros". Cita jurisprudência do CARF. a manutenção do lançamento em bases mensais fere a Súmula Vinculante CARF nº 38, que está assim redigida: "O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário". Ao final, requer que a decisão de primeira instância seja anulada ou, no mínimo, reformada para acatar os documentos comprobatórios apresentados. É o relatório. Voto Conselheiro MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminar de nulidade pela falta de intimação de cotitular da conta conjunta Preliminarmente, a Recorrente alega que o cotitular da contacorrente mantida em conjunto no Bank of Boston Banco Múltiplo S/A não foi intimado a comprovar a origem dos créditos, contrariando a Súmula nº 29, que dispõe: "Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento". Não lhe assiste razão, posto que o cotitular da contacorrente mantida em conjunto era o então cônjuge da contribuinte, Henrique Voss Pontes, tendo ele sido também Fl. 417DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 intimado em relação aos mesmos depósitos bancários. Ressaltese que ele também foi autuado, assim como a contribuinte, na proporção de 50%, conforme se verifica pela cópia do Acórdão DRJ/FOR n° 20.345, de 28 de março de 2011, processo n° 10380.015084/200797 (fls. 362 a 379). Consoante transcrição abaixo de trecho do relatório do referido Acórdão da DRJ/FOR (fl. 365), relativo ao cotitular Henrique Voss Pontes, ele foi intimado comprovar a origem dos depósitos bancários e em resposta, informou que a conta corrente mantida no Banco Bank Boston Banco Múltiplo S/A era em conjunto com seu cônjuge, Verônica Martins Ventorine Pontes e que a movimentação financeira, relativamente aos anoscalendário de 2002 e 2003, nessa conta corrente, era proveniente das atividades da empresa HVP Projetos e Construções Ltda, da qual era proprietário. A fiscalização, com base nos extratos bancários, fornecidos pelos bancos, preparou relação de depósito bancários e preparou intimação para o contribuinte comprovar a origem dos depósitos bancários, fls. 241/252. Em resposta às intimações, o contribuinte informou que a conta corrente mantida no Banco Bank Boston Banco Múltiplo S/A era em conjunto com seu cônjuge, Verônica Martins Ventorine Pontes, CPF n° 230.846.18372, e que a movimentação financeira, relativamente aos anos calendário de 2002 e 2003, nessa conta corrente foi proveniente da atividade da construtora HVP Projetos e Construções Ltda, da qual é proprietário, fls. 321/324. Dessa forma, rejeito a preliminar suscitada. Mérito A Recorrente alega que os depósitos efetuados na conta conjunta mantida no Bank of Boston Banco Múltiplo S/A, em conjunto com seu exesposo, eram referentes à empresa H.V.P. Projetos e Construções, da qual eram sócios. Destaca que apresentou todos os recibos emitidos pela Construtora H.V.P. Projetos e Construções que suportam os depósitos da contacorrente. É possível que os valores movimentados em sua contacorrente possam pertencer à empresa da qual era sócio juntamente com o então marido. Embora não seja a forma recomendada, existem casos em que as pessoas físicas acabam utilizando suas contas bancárias pessoais para movimentar valores das pessoa jurídicas das quais são sócias administradoras ou titulares. Entretanto, nesses casos, é primordial que adotem as devidas cautelas para registrar, de forma detalhada, tais movimentações. Ao misturar as movimentações bancárias de ordem pessoal com as relativas aos seus negócios comerciais, o contribuinte contraria a boa técnica e deve se cercar de todos os cuidados para que, quando instado pelo Fisco, possa demonstrar, de maneira cabal, a segregação das receitas. Ou seja, ele deverá ser capaz de identificar cada lançamento bancário, comprovando a sua origem com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores. Se assim não o fizer, terá de assumir as conseqüências, estando sujeito às penalidades legais. Nesse ponto, cabe observar que a documentação apresentada pela Recorrente no decorrer da ação fiscal foi parcialmente acatada pela Fiscalização, com base em uma relação com discriminação do depósito bancário, depositante e o documento que o comprova (fls. 277 a 280). Somente ocorreu a autuação em relação aos depósitos para os quais não houve comprovação da origem, mediante documentos hábeis e idôneos, conforme demonstrativo de fls. 285 a 293. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10380.015085/200731 Acórdão n.º 2202003.074 S2C2T2 Fl. 416 7 Notese que os recibos apresentados pela recorrente, por ocasião da impugnação, são de emissão do próprio sócio da empresa, seu exmarido, e não são hábeis a comprovar a origem dos depósitos, uma vez que não estão devidamente correlacionados aos créditos bancários. A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1 — os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II — no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. O contribuinte também não apresentou os livros contábeis da empresa que demonstrem as suas receitas e a sua movimentação bancária, nem apresentou notas fiscais de venda ou prestação de serviços. A alegação da Recorrente de que não é a empresa que está sendo fiscalizada não procede, pois é a própria recorrente quem afirmou que se tratava de recursos financeiros da empresa e, assim, tal alegação deve ser demonstrada com documentos e uma das provas seria a sua contabilidade regular. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 Desse modo, deve ser mantida a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos com origem não identificada, pois a Recorrente não logrou comprovar, de forma individualizada, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos créditos em suas contas bancárias e considerados como rendimentos omitidos no Auto de Infração. Quanto ao argumento da Recorrente de que a apuração do imposto de renda não poderia ser mensal, e sim anual, também não lhe assiste razão, porquanto os §§ 1º e 4º do artigo 42 da lei nº 9.430/96 assim dispõem a respeito. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. [...] § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator Fl. 420DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10630.720337/2008-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ASPECTO QUANTITATIVO DO LANÇAMENTO. CERTEZA E LIQUIDEZ DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
O artigo 142 do CTN dispõe que o ato de lançamento constitui-se na atividade privativa atinente à autoridade administrativa para: verificar a ocorrência do fato gerador e determinar a matéria tributável (antecedentes), calcular o montante devido e identificar o sujeito passivo (consequentes). Portanto, esses elementos constituem-se em aspectos da hipótese de incidência tributária.
Segundo Geraldo Ataliba, a base de cálculo ou base imponível é a "dimensão do aspecto material da hipótese de incidência" (Hipótese de Incidência Tributária, p. 97).
Quando há equívoco e insegurança na apuração do montante devido (aspecto quantitativo da hipótese de incidência) porque não se conseguiu efetivamente apurar quanto do rendimento pertencia ao contribuinte e quanto foi repassado a terceiros, o lançamento encontra-se viciado. A construção do lançamento é incorreta porque não identifica a quem pertenciam efetivamente os valores pagos pelo adquirente dos produtos, não existindo segurança quanto à base de cálculo adotada, nem tampouco quanto ao tributo cobrado, situação que enseja a nulidade.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e EDUARDO DE OLIVEIRA, que negaram provimento.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ASPECTO QUANTITATIVO DO LANÇAMENTO. CERTEZA E LIQUIDEZ DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O artigo 142 do CTN dispõe que o ato de lançamento constitui-se na atividade privativa atinente à autoridade administrativa para: verificar a ocorrência do fato gerador e determinar a matéria tributável (antecedentes), calcular o montante devido e identificar o sujeito passivo (consequentes). Portanto, esses elementos constituem-se em aspectos da hipótese de incidência tributária. Segundo Geraldo Ataliba, a base de cálculo ou base imponível é a "dimensão do aspecto material da hipótese de incidência" (Hipótese de Incidência Tributária, p. 97). Quando há equívoco e insegurança na apuração do montante devido (aspecto quantitativo da hipótese de incidência) porque não se conseguiu efetivamente apurar quanto do rendimento pertencia ao contribuinte e quanto foi repassado a terceiros, o lançamento encontra-se viciado. A construção do lançamento é incorreta porque não identifica a quem pertenciam efetivamente os valores pagos pelo adquirente dos produtos, não existindo segurança quanto à base de cálculo adotada, nem tampouco quanto ao tributo cobrado, situação que enseja a nulidade. Recurso Voluntário Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2184; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 234 1 233 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10630.720337/200830 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.151 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de fevereiro de 2016 Matéria IRPF Recorrente NORTON MAURÍCIO MUNIZ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ASPECTO QUANTITATIVO DO LANÇAMENTO. CERTEZA E LIQUIDEZ DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O artigo 142 do CTN dispõe que o ato de lançamento constituise na atividade privativa atinente à autoridade administrativa para: verificar a ocorrência do fato gerador e determinar a matéria tributável (antecedentes), calcular o montante devido e identificar o sujeito passivo (consequentes). Portanto, esses elementos constituemse em aspectos da hipótese de incidência tributária. Segundo Geraldo Ataliba, a base de cálculo ou base imponível é a "dimensão do aspecto material da hipótese de incidência" (Hipótese de Incidência Tributária, p. 97). Quando há equívoco e insegurança na apuração do montante devido (aspecto quantitativo da hipótese de incidência) porque não se conseguiu efetivamente apurar quanto do rendimento pertencia ao contribuinte e quanto foi repassado a terceiros, o lançamento encontrase viciado. A construção do lançamento é incorreta porque não identifica a quem pertenciam efetivamente os valores pagos pelo adquirente dos produtos, não existindo segurança quanto à base de cálculo adotada, nem tampouco quanto ao tributo cobrado, situação que enseja a nulidade. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 72 03 37 /2 00 8- 30 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10630.720337/200830 Acórdão n.º 2202003.151 S2C2T2 Fl. 235 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e EDUARDO DE OLIVEIRA, que negaram provimento. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele elaborado pela Autoridade Julgadora de 1ª instância (fl. 201/202), que bem descreve os fatos, complementandoo ao final: Em nome do contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls.01/12, com ciência pessoal do sujeito passivo em 17/11/2008. relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF exercício 2006, anocalendário 2005, sendo apurados os seguintes valores: Imposto 81.352,14 Multa de Ofício 7 5 % (passível de redução) 61.014,10 Juros de Mora calculados ate 11/2010 24.389,37 Total do crédito tributário apurado 166.755,61 Motivou o lançamento de ofício (Relatório de Auditoria Fiscal às fls. 13/20) a constatação de omissão de rendimentos da atividade rural, no valor total de R$ 1.498.094,54. Relata a autoridade lançadora ter sido o contribuinte intimado a prestar esclarecimentos sobre informações fornecidas à Receita Federal do Brasil RFB pela Cooperativa Central dos Produtores de Rurais de Minas Gerais (Itambé). que declarou ter recebido do contribuinte fiscalizado, no ano de 2005, mercadorias/insumos no valor de R$ 1.604.411,59. Em atendimento às intimações o contribuinte, para justificar tal recebimento, informou que somente uma parcela do leite comercializado no referido ano com a citada Cooperativa lhe pertencia, sendo o restante de propriedade de outros produtores Fl. 235DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10630.720337/200830 Acórdão n.º 2202003.151 S2C2T2 Fl. 236 3 rurais de sua região, a quem teriam sido repassados os valores devidos. Não tendo a Fiscalização considerado comprovado o argumento do interessado, por falta de provas, foi emitido o presente lançamento de omissão de rendimentos de R$ 1.498.094.54. consistente na diferença entre o apurado na ação fiscal com base em documentos apresentados pelo contribuinte e pela Cooperativa de Itambé, R$ 1.609.211.59 (R$ 4.800,00 de venda de gado e R$ 1.604.411,59 de venda de leite à Cooperativa) e o informado pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual DAA/2006, R$ 111.117,05, conforme planilha de fls. 11. Como não houve a apresentação de Livro Caixa da atividade rural, a base de cálculo foi arbitrada no percentual de 20%, resultando no valor de R$ 299.618,91 (fls. 12). Em 09/12/2008 o sujeito passivo apresentou a impugnação de fls. 168/176, por meio de procurador constituído, acompanhada dos documentos de fls. 177/186, alegando em síntese o que se segue. Reitera o argumento oferecido na fase preparatória do lançamento, reafirmando que o impugnante não auferiu para si o montante da receita apurada pela RFB, uma vez que fazia a entrega na cooperativa do leite de vários produtores rurais de sua região que não teriam como comercializar sua produção e, após o recebimento do concernente pagamento, repassava a cada produtor seu valor respectivo. Argumenta ser impossível auferir renda anual de venda de leite de R$ 1.604.411,59 explorando área de 50,10 hectares, relativa a duas propriedades rurais informadas em sua DAA/2006 (fls. 181). Alega que as declarações de alguns produtores rurais obtidas pela Fiscalização na fase preparatória do lançamento fazem prova em seu favor e não teriam sido consideradas na apuração, chamando a atenção para o depoimento de testemunha no sentido de que o procedimento de comercialização do leite que era realizado de forma improvisada hoje está formalizado com a criação da Associação dos Produtores Rurais de Engenheiro Caldas, tendo como presidente o impugnante. Combate o arbitramento da receita pela inexistência de Livro Caixa, que deveria gerar apenas penalidade pela falta de cumprimento de obrigação acessória. Prossegue requerendo que, caso não cancelado o Auto de Infração, seja reconhecida a ocorrência de cerceamento de direito de defesa, na medida em que o impugnante não foi intimado a participar de produção de prova (oitiva das testemunhas), que jamais poderia ter sido realizada sem sua presença, o que inclusive teria provocado intimidação aos produtores rurais. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10630.720337/200830 Acórdão n.º 2202003.151 S2C2T2 Fl. 237 4 Requer, por fim, que qualquer intimação/notificação seja feita na pessoa de seu procurador constituído. Ao julgar a Impugnação, a DRJ em Juiz de Fora/MG, em resumo assim dispôs: a venda de leite efetuada pelo impugnante à Cooperativa Central dos Produtores Rurais de Minas Gerais (Itambé) em 2005 enquadrase no conceito de receita bruta da atividade rural. Não tendo o contribuinte escriturado o Livro Caixa da atividade, a base de cálculo foi arbitrada no percentual de 20%, conforme prevê o Regulamento do Imposto de Renda. o Contribuinte não provou as alegações de que vendia em seu nome a produção de outros, para posterior recebimento e repasse de dinheiro. Houvesse coincidência entre saques constantes em extratos bancários, que não foram apresentados, com valores recebidos declarados pelos produtores, poderia ser considerada a existência de indício de que o impugnante recebeu valores de produção de terceiros, posteriormente repassados. alguns depoentes declararam que no ano de 2005 não forneceram leite para o fiscalizado e outros, embora tivessem confirmado a entrega de leite para o interessado, prestaram informações sobre a quantidade de leite produzida e valores recebidos pelo litro de leite com. divergência dos informados nas planilhas apresentadas pelo contribuinte, sem apresentarem qualquer documento ou recibo relativos às transações. fala de ônus da prova. trata da alegação de cerceamento de defesa e entende que não restou configurado. Concluiuse então que está correto o lançamento e decidiuse pela improcedência da Impugnação. Cientificado dessa decisão em 13/07/2011 (AR na folha 211), o Contribuinte apresentou recurso voluntário em 01/08/2011, com protocolo na folha 213. Em sede de recurso, repisa as questões da Impugnação e rebate pontualmente as disposições do Acórdão recorrido. Em suma trata da: a) análise das declarações dos produtores rurais que prestaramnas ao Contribuinte e ao Auditor Fiscal. Divergências apontadas e justificativas. Validade das mesmas como prova; b) falta de razoabilidade e adequação do arbitramento do rendimento obtido com a Atividade Rural; c) cerceamento de defesa por ter sido feita a oitiva de testemunhas sem a oportunidade de participação do Recorrente; d) intimação do Procurador para todos os atos do processo; e) ônus da prova, que, no caso, deveria ser do Fisco e não do Contribuinte. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10630.720337/200830 Acórdão n.º 2202003.151 S2C2T2 Fl. 238 5 Assim, REQUER a nulidade do Auto de Infração por cerceamento de defesa ou, alternativamente, insubsistência do feito fiscal por estar "distante do conjunto probatório" destes autos. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Diz o artigo 142, do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Colho na doutrina de Regina Helena Costa: Os aspectos pessoal e quantitativo compõem o chamado "consequente" da hipótese de incidência tributária, isto é, descrita a materialidade e indicadas as coordenadas espacial e temporal do fato no antecedente da norma, exsurge uma relação jurídica mediante a qual um sujeito possui o direito de exigir o tributo e outro sujeito o dever de pagálo (aspecto subjetivo), apontandose o valor da prestação correspondente (aspecto quantitativo).(COSTA. Regina Helena, Curso de Direito Tributário, 2ª ed. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 205) Isso porque o artigo 142 do CTN dispõe que o ato de lançamento constituise na atividade atinente à autoridade administrativa para: verificar a ocorrência do fato gerador e determinar a matéria tributável (antecedentes), calcular o montante devido e identificar o sujeito passivo (consequentes). Portanto, esses elementos constituemse em aspectos da hipótese de incidência tributária. Segundo Geraldo Ataliba, a base de cálculo ou base imponível é a "dimensão do aspecto material da hipótese de incidência" (Hipótese de Incidência Tributária, p. 97). Paulo de Barros Carvalho, didaticamente, identifica três funções da base de cálculo, segundo transcreve Regina Helena Costa: Fl. 238DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10630.720337/200830 Acórdão n.º 2202003.151 S2C2T2 Fl. 239 6 a) a função mensuradora, pois mede as reais proporções do fato; b)função objetiva, porque compõe a específica determinação da dívida, e c)função comparativa, posta em comparação com o critério material da hipótese, é capaz de confirmálo, infirmálo ou afirmar aquilo que consta do texto da lei, de modo obscuro. (Op. Cit p.229) Existe uma interminável discussão doutrinária sobre a natureza do lançamento. Kiyoshi Harada diz que "o legislador brasileiro ... fixouse na tese que ele tem efeito meramente declaratório da obrigação tributária, mas constitutivo do crédito tributário. (Direito Financeiro e Tributário, 24ª ed., p. 576). De qualquer forma, seja qual corrente se abrace, o lançamento deve tornar líquida, certa e exigível a obrigação que o pressupõe. Lembremonos que o artigo 139, do CTN diz que "o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta." Salvo algumas situações expressamente previstas em lei, como por exemplo o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que autoriza a Autoridade Administrativa a presumir a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários cuja origem não seja demonstrada com documentação hábil e idônea pelo contribuinte regularmente intimado, havendo uma patente inversão do ônus da prova, em outros casos o Fisco deve demonstrar o seu direito ao crédito e, mais, apurar de forma líquida e segura o seu valor. Explica Kiyoshi Harada: "é que o lançamento representa um título jurídico, que confere à Fazenda a exigibilidade do crédito" (Op. Cit, p. 576) Passemos então á análise destes autos. Com base no cruzamento de informações prestadas pela Cooperativa Itambé, em Minas Gerais, que informou em DIPJ ter comprado R$ 1.609.211.59 (R$ 4.800,00 de venda de gado e R$ 1.604.411,59 de venda de leite à Cooperativa) do Recorrente, o Fisco iniciou procedimento de apuração de omissão de receitas da Atividade Rural, uma vez que o Contribuinte declarara em sua DIRPF valor de rendimentos muito inferior. No bojo do procedimento, o Contribuinte disse que a receita não lhe pertencia toda, uma vez que transportava, armazenava e vendia leite de outros produtores rurais à Cooperativa, recebendo os valores e repassandoos posteriormente. Apresentou declarações firmadas por 25 produtores rurais com essas informações. Observo que de fato há elementos insólitos em tais declarações. Destaco as quantidades de litros informadas, por exemplo, "uma média de 6.968" (fl. 98), "uma média de 5.226" (fl. 99), "uma média de 12.046" (fl. 100) e assim por diante foram todas elas. Ora, o Recorrente afirma nos autos que os signatários são produtores rurais simples e de pouca instrução, que foram coagidos pelo Auditor Fiscal, que não se lembram exatamente do valor praticado por litro de leite, que não se preocuparam em efetuar e guardar qualquer registro das transações e que prestaram essa declarações em 2008, para tratar de fatos ocorridos em 2005. Mas lembramse até das unidades? Doze mil e quarenta e seis, cinco mil duzentos e vinte e seis, seis mil novecentos e sessenta e oito, etc... para referirse a uma média? Fl. 239DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10630.720337/200830 Acórdão n.º 2202003.151 S2C2T2 Fl. 240 7 Pareceme claro que as informações sobre quantidades que constam das declarações firmadas pelos produtores e apresentadas pelo Contribuinte estão totalmente desprovidas de validade, neste aspecto. Foi isso que também concluiu o Auditor Fiscal, ao intimar oito desses vinte e cinco produtores e colher o depoimento de seis deles, que efetivamente compareceram à Receita Federal. As quantidades informadas não conferem. A produção mensal de cada um deles era bem inferior, em 2005, e não poderiam ter entregue a Norton Maurício aqueles litros de leite todos, para que fossem comercializados em seu próprio nome, com a Cooperativa Itambé, sendolhes repassado valores, posteriormente. Mas o fato é que eles confirmaram a existência da operação, ou seja, de fato entregavam o seu produto ao Recorrente para a venda intermediada. Diz o Auditor Fiscal, em seu Relatório, fl. 17: ... todos os depoentes afirmaram não dispor de qualquer documento para comprovar essa comercialização. Apesar disso, esses depoentes, em sua maioria, confirmaram terem vendido leite, no ano de 2005, para o contribuinte fiscalizado só que em quantidades estimadas divergentes das informadas nas "Declarações" apresentadas a esta fiscalização. Com relação ao preço de venda do litro de leite praticado no ano de 2005, talvez por receio de que pudesse acarretar alguma implicação para si ou para o contribuinte fiscalizado, todos os depoentes disseram não recordar com precisão qual era esse valor. Em vista disso os valores do litro de leite comercializado no ano de 2005, informados pelos depoentes, foram bastante variados oscilando entre R$ 0,20 (vinte centavos) a R$ 0,45 (quarenta e cinco centavos).(sublinhei) Destaco ainda que o "em sua maioria" referese ao fato de que dos vinte e cinco produtores apontados pelo Contribuinte, tendo o Auditor intimado oito e comparecido seis, um apenas (Mario Tiago, fl. 148) disse que em 2005 não vendera leite para o Recorrente, o que se dera apenas a partir de 2007. Vejamse os Termos de Depoimentos, nas folhas 141 e seguintes. Bem, que existia uma comercialização entre os produtores e o Recorrente, no ano de 2005, para transporte, armazenagem e venda intermediada de leite à Cooperativa Itambé pareceme incontroverso. Mas quanto era vendido pelo Recorrente de sua produção própria e quanto era vendido de produção alheia e quanto era seu rendimento nessa última operação? Não conseguindo determinar essas respostas, a Fiscalização transferiu para o Contribuinte o ônus da prova, com a seguinte disposição, em seu Termo de Intimação Fiscal nº 02, fl. 151: ... fica o contribuinte acima qualificado INTIMADO a apresentar nesta seção de fiscalização, no prazo acima especificado, DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÔNEOS que comprovem, de forma insofismável, todos os repasses mensais de Fl. 240DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10630.720337/200830 Acórdão n.º 2202003.151 S2C2T2 Fl. 241 8 pagamentos que foram feitos no ano de 2005 para os seus fornecedores de leite. Devese esclarecer que a falta dessa comprovação, para fins do imposto de renda, obrigará a fiscalização considerar como sendo receita do contribuinte todos os pagamentos efetuados no ano de 2005, em seu nome, pela Cooperativa Central dos Produtores Rurais de MG relativos à compra de leite.(destaques originais)(sublinhei) Mas a quem compete privativamente apurar a matéria tributável e determinar o montante devido, conforme artigo 142 do CTN? O raciocínio empreendido, de atribuir ao contribuinte o ônus de provar que repassou o dinheiro, mesmo diante de todas as evidências, termos e depoimentos de que não vendera produção própria naquele montante informado pela Cooperativa Itambé, sob pena de considerarse que todo o rendimento fora seu, fere princípios e normas tributárias. Como disse no início, salvo disposição expressa de lei, os fatos tributários não se presumem e devem ser demonstrados e apurados com segurança, certeza e liquidez, na constituição do crédito, pelo lançamento. A construção do lançamento é incorreta porque não identifica a quem pertenciam efetivamente os valores creditados pela Cooperativa, não existindo segurança quanto à base de cálculo adotada, nem tampouco quanto ao tributo cobrado, situação que enseja a nulidade. No caso, não houve um arbitramento da receita, que em alguns casos é previsto em lei, mas uma arbitrariedade da fiscalização. Ora, se houve equívoco e insegurança na apuração do montante devido (aspecto quantitativo da hipótese de incidência) porque não se conseguiu efetivamente apurar quanto do rendimento pertencia ao contribuinte e quanto foi repassado a terceiros, o lançamento encontrase viciado. Não entendo que se trate de mero erro de forma, de inobservância de aspectos formais, mas que esteve ferida a própria substância do lançamento, na apuração do montante devido. Em face da conclusão a ser apresentada, deixo de apreciar a questão preliminar de cerceamento de defesa levantada, observando o § 3º do artigo 59 do Decreto nº 72.235, de 1972. CONCLUSÃO Dessa feita, VOTO por dar provimento ao recurso para declarar a nulidade do lançamento por vício material. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 241DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10630.720337/200830 Acórdão n.º 2202003.151 S2C2T2 Fl. 242 9 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.007795/2010-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2202-000.623
Decisão:
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência.
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) e Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente convocado).
Nome do relator: Não se aplica
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1371; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 22 1 21 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.007795/201048 Recurso nº 999.999Voluntário Resolução nº 2202000.623 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 10 de dezembro de 2015 Assunto CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente SOCIEDADE CAMPINEIRA DE EDUCAÇÃO E INSTRUÇÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência. Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) e Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente convocado). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 07 79 5/ 20 10 -4 8 Fl. 22DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.007795/201048 Resolução nº 2202000.623 S2C2T2 Fl. 23 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente contra Acórdão nº 0540.5049ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas SP que julgou procedente o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA nº. 37.273.1090 (CFL 68). Conforme o Relatório Fiscal, o contribuinte informou as Guias de Recolhimento ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com código do FPAS 639. Entretanto conforme o ATO CANCELATÓRIO DE RECONHECIMENTO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS o mesmo não faz jus à isenção da parcela patronal da contribuição previdenciária sendo, portanto, inadequada a utilização do referido código do FPAS. Ao utilizar o código do FPAS 639 na GFIP o contribuinte teve a intenção de iludir a autoridade fazendária com conduta sistemática durante o período fiscalizado, uma vez que o sistema deixa de calcular referida cota patronal de contribuição previdenciária constante dos incisos, I e II do art. 22 da Lei 8212/91, alterando os valores das contribuições devidas no período 06/2006 a 13/2007. Nos autos, às fls. 21, há o Termo de Apensação informando que o presente processo foi apensado ao processo 10830.007796/201092, em 30.06.2015: Nessa data, este processo foi juntado por apensação ao processo nº 10830.007796/201092 DATA DE EMISSÃO : 30/06/2015 O Relatório Fiscal destaca o fundamento do procedimento fiscal ensejador da autuação lavrada, que foi a expedição do Ato Cancelatório de reconhecimento de isenção de contribuições sociais: . isenção das contribuições de que trata os artigos 22 e 23 da Lei 8.212 de 24/07/91 concedida a Sociedade Campineira de Educação e Instrução, CNPJ: 46.020.301/000188 foi cancelada a partir de 01/01/1994 por não atender aos requisitos constantes nos Incisos IV e V do artigo 55~da Lei 8.212 de 24/07/91, Conforme ATO CANCELATÓRIO DE RECONHECIMENTO DE ISENÇAO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS n° 21.424.1/003/2004, datado de 10/11/2004 e mantido em última instância administrativa pelo Conselho de Recursos da Previdência Social Acórdão número 240 de 28/03/2006. Fl. 23DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.007795/201048 Resolução nº 2202000.623 S2C2T2 Fl. 24 3 O Relatório Fiscal apresenta os fatos geradores da autuação fiscal: 6.1 As remunerações pagas, devidas ou creditadas aos trabalhadores Contribuintes Individuais, código categoria 13 no período abrangido pelas competências 06/2006 a 12/2007, apuradas com base nos valores informados na GFIP no código inadequado lançadas sob código de levantamento "CI" e discriminadas no Relatório de Lançamentos RL; 6.2 As remunerações pagas, devidas ou creditadas aos trabalhadores empregados, código categoria 01 no período abrangido pelas competências 06/2006 a 13/2007, apuradas com base nos valores informados na GFIP no código inadequado lançadas sob código de levantamento “FP” e discriminadas no Relatório de Lançamentos RL; 6.3 As remunerações pagas, devidas ou creditadas aos trabalhadores empregados, código categoria 01 no período abrangido pelas competências 06/2006 a 13/2007, apuradas com base nos valores informados na GFIP no código inadequado com indicação no campo de ocorrência 4 ou 8 (exposição a agentes nocivos aposentadoria especial 25 anos de trabalho conforme previsto no Manual da GFIP) lançados ADICIONAL RAT sob código de levantamento “FR” e discriminadas no Relatório de Lançamentos ~ RL; V Obs: As bases de cálculo empregada na apuração das contribuições devidas nos Itens 6.1, 6.2 e 6.3 acima foram o total da remuneração informada em GFIP código inadequado FPAS 639 (ANEXO H). 6.4 Os valores relativos ao pagamento dos serviços que lhe foram prestados por cooperados, por intermédio das cooperativas de trabalho: a) UNIMED CAMPINAS, CNPJ 46.124.624/0001 11, no período de 06/2006 a 12/2007 e b) COOPNET, CNPJ 07.797.188/000190, n o período 05/2007 a 07/20047, cuja contribuição previdenciária está prevista no inciso IV do artigo 22 da Lei 8.212/91, lançados sob o código de levantamento "C0" e discriminados no ANEXO I; O período objeto do auto de infração, conforme os Relatórios Discriminativos de Débito DD, é de 06/2006 a 12/2007. O contribuinte teve ciência das Autuações em 15.06.2010, conforme os autos. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, na qual alega em síntese, conforme o apresentado resumidamente no Relatório da decisão de primeira instância, às fls. 2982 a 2989 do Volume XII do processo 10830.007796/201092: A autuada apresentou impugnação, em 15/07/2010, onde, alega que o presente deve ser anulado, uma vez que o Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais n° 21.424.1/003/2004, de 10/11/2004, foi expedido em desrespeito à segurança jurídica e de modo a lesar o particular. Fl. 24DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.007795/201048 Resolução nº 2202000.623 S2C2T2 Fl. 25 4 Afirma que: obteve, em 1975, sob a égide da Lei 3.577, de 04 de julho de 1959, o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, que não requer renovação, atestando que a entidade faz jus à citada isenção. Assegura que o parágrafo 1% artigo 55 da Lei 8.21/91 lhe assegura o direito à isenção continuada e que o seu Certificado de Entidade Filantrópica tem validade por prazo indeterminado. Infere que o STJ reconheceu a isenção veiculada pela Lei 3.577/59, ao apreciar o MS 9746, no qual se impugna o Ato cancelatório expedido nos autos dos processos n° • 44000.000943/200369 e 44006.004661/200094. Portanto, agiu corretamente ao informar o código 639 referente ao FPAS. Entende que, por se tratar de desoneração de tributos, o § 7% artigo 195 da CF/1988 deveria ter sido regulamentado por lei complementar, como determina o inciso II, artigo 146 da mesma Constituição e nesse sentido, até que se edite outra lei complementar, as entidades beneficentes deve atender aos disposto no artigo 14 do CTN. Para fazer valer tal entendimento cita a Medida Cautelar n° 1999.61.05.0063970 e Ação Ordinária 1999.61.05.0095167, que interpôs no intuito de não observar a alteração trazida pela Lei 9.732/98 à Lei 8.212/91. Alega que a remuneração paga ao Secretário e Assessor da Vice Presidência foi em decorrência à rescisão do contrato de trabalho e, portanto, não desatendeu disposto no inciso IV, artigo 55 da Lei 8.212/91 que foi um dos motivos que ensejou a fissão do Ato Cancelatório 2142410032004. Tão pouco desatendeu ao disposto no inciso V do mesmo artigo e lei, isto porque, a determinação do parágrafo 1% artigo 35 do Estatuto da SCEI sempre foi fiscalizada conforme prestação de contas a diversos órgãos públicos, que acompanham e referendam o desenvolvimento das atividades. Acrescenta que: A escrituração contábil do período de 1994 a 1996 foi regularmente feita, através de lançamentos no sistema interno de informática, e armazenada por 5 anos. Ocorre que, após esse prazo, a implantação de novo sistema não permitiu a recuperação dos dados anteriores. Por conta disso, a Impugnante submeteuse ao pagamento da multa, pela impossibilidade de atender alguns dos documentos solicitados pela fiscalização. Dessa forma a indicação do código 639 referente ao FPAS é correta, pois não há que se falar em dolo no preenchimento da GFIP, uma vez que o que se está discutindo é exatamente a isenção integral das contribuições previdenciárias devidas pela Impugnante. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 0540.5049ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Fl. 25DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.007795/201048 Resolução nº 2202000.623 S2C2T2 Fl. 26 5 Brasil de Julgamento em Campinas SP, conforme Ementa a seguir, às fls. 2974 a 2981 do Volume XII do processo 10830.007796/201092: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Deixar a empresa de informar mensalmente à Seguridade Social, através de Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, os dados correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias devidas, constitui infração punível na forma da Lei APLICAÇÃO DA MULTA A multa aplicada no momento do lançamento atende ao primado da retroatividade benigna. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recursos Voluntários, às fls. 3038 a 3066 do Volume XII do processo 10830.007796/2010 92, combatendo a decisão de primeira instância e reiterando os argumentos deduzidos em sede de Impugnação, em apertada síntese: (i) Da desnecessidade de observância da Lei 8.212/91 Ao contrário do quanto narrado no Acórdão ora guerreado, a Recorrente possui decisão judicial favorável garantindo o gozo da imunidade prevista no artigo 195, §7° da Constituição Federal à observância única e exclusiva dos requisitos do artigo 14 do Código Tributário Nacional. (...) Conforme salta aos olhos da leitura da decisão judicial favorável à Recorrente e acima transcrita, possui esta o direito de gozar da imunidade de que trata o artigo 195, §7° da Constituição Federal mediante a observância do artigo 14 do Código Tributário Nacional, fato que pratica conforme atesta o próprio Magistrado em sua decisão, e não mediante observância ao artigo 55 da Lei 8212/91. (ii) Da garantia constitucional de gozo da imunidade do artigo 195, §7° Para além da obrigatoriedade de obediência às citadas decisões judiciais, que claramente desobrigam a Recorrente da observância ao artigo 55 da lei 8.212/91, também a interpretação do texto Fl. 26DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.007795/201048 Resolução nº 2202000.623 S2C2T2 Fl. 27 6 constitucional, ao contrário do quanto narrado no Acórdão, conduz a esta conclusão. Vejamos: Argumentase, no Acórdão, que o diploma apto a tratar da imunidade prevista no artigo 195, §7° da Constituição Federal é a lei ordinária, e não a complementar. Para tanto, citase jurisprudência. Tanto no argumento como na jurisprudência trazida os argumentos são uníssonos: que imunidade é questão atinente a impostos, e não a contribuições previdenciárias, que possuem legislação própria; que a Constituição Federal não exige lei complementar para a disciplina do art. 195, 57% uma vez que quando demanda lei complementar a tratar de determinada matéria, o faz expressamente. (iii) Da ineficácia do Ato Cancelatório e conseqüente ineficácia do Auto de Infração É de se registrar que, conforme narrado em sede de Impugnação, o Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais (doc. 03), praticado em 2.004, não deve produzir efeitos jurídicos, fato que deve ser devidamente reconhecido pela Administração. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 27DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.007795/201048 Resolução nº 2202000.623 S2C2T2 Fl. 28 7 VOTO Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE O Recurso é tempestivo, conforme informação colhida dos autos. DO PROCEDIMENTO FISCAL O crédito tributário se refere à contribuições destinadas a outras entidades e fundos, denominadas “Terceiros”, quais sejam, Fundo Nacional de Desenvolvimento da 'Educação FNDE, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA, Serviço Social do Comércio SESC e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SEBRAE, arrecadadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos dos artigos 2° e 3° da L/ei 11.457 de 16/03/2007, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas pela empresa aos trabalhadores empregados no período de 06/2006 a 12/2007. O Relatório Fiscal destaca o fundamento do procedimento fiscal ensejador da autuação lavrada, que foi a expedição do Ato Cancelatório de reconhecimento de isenção de contribuições sociais: 2 — A isenção das contribuições de que trata os artigos 22 e 23 da Lei 8.212 de 24/07/91 concedida a Sociedade Campineira de Educação e Instrução, CNPJ: 46.020.301/000188 foi cancelada a partir de 01/01/1994 por não atender aos requisitos constantes nos Incisos IV e V do artigo 55 da Lei 8.212 de 24/07/91, conforme ATO CANCELATÓRIO DE RECONHECIMENTO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS n° 21.424.1/003/2004, datado de 10/11/2004 e mantido em última instância administrativa pelo • Conselho de Recursos da Previdência Social — Acórdão número 240 de 28/03/2006, razão pela qual o presente crédito está sendo constituído. O período objeto do auto de infração, conforme os Relatórios Discriminativos de Débito DD, é de 06/2006 a 12/2007. O contribuinte teve ciência das Autuações em 15.06.2010, conforme os autos. Fl. 28DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.007795/201048 Resolução nº 2202000.623 S2C2T2 Fl. 29 8 De início, é importante se observar do Relatório Fiscal que o Auto de Infração lavrado NÃO TEVE como fundamento a lavratura para se prevenir a decadência, nos termos do art. 86, do decreto 7.574/2011: Art.86.O lançamento para prevenir a decadência deverá ser efetuado nos casos em que existir a concessão de medida liminar em mandado de segurança ou de concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial (Lei no 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional, arts. 142, parágrafo único, e 151, incisos IV e V; Lei no 9.430, de 1996, art. 63, com a redação dada pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 70). §1oO lançamento de que trata o caput deve ser regularmente notificado ao sujeito passivo com o esclarecimento de que a exigibilidade do crédito tributário permanece suspensa, em face da medida liminar concedida (Lei nº 5.172, de 1966Código Tributário Nacional, arts. 145 e 151; Decreto no 70.235, de 1972, art. 7o). §2oO lançamento para prevenir a decadência deve seguir seu curso normal, com a prática dos atos administrativos que lhe são próprios, exceto quanto aos atos executórios, que aguardarão a sentença judicial, ou, se for o caso, a perda da eficácia da medida liminar concedida. Afastada a hipótese de lavratura dos Autos de Infração em função de prevenção da decadência, continuemos. Observase que no fundamento em que baseou o procedimento fiscal aparece nos autos controvérsias judiciais a respeito: Senão, vejamos. Em relação aos efeitos da expedição do Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção De Contribuições Sociais n° 21.424.1/003/2004. No conexo processo administrativo 10830.007796/201092, bem como no processo 10830.727646/201261, constam informações de medidas judiciais que discutes tal matéria acerca do Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção De Contribuições Sociais: (a) O Mandado de Segurança impetrado no STJ, MS n° 9476/DF (2003/0237.2012), na qual se reconhece o direito da impetrante à manutenção do CEBAS, anulandose o Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção De Contribuições Sociais n° 21.424.1/003/2004; (b) No processo 10830.727646/201261 às fls. 1984 da Impugnação, temse referência ao Agravo de Instrumento AI n° 2011.03.00.0249289 tirado do AO n° 000886440.2011.403.6105, impetrado no TRF da 3a Região, na qual se discute a exigência de contribuição previdenciária incidente sobre remunerações pagas a Fl. 29DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.007795/201048 Resolução nº 2202000.623 S2C2T2 Fl. 30 9 autônomos, onde a Recorrente informa que se reconheceu judicialmente a "imprestabilidade" dos fundamentos do Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção De Contribuições Sociais n° 21.424.1/003/2004, além de lhe garantir o direito adquirido ao certificado de entidade filantrópica sem prazo determinado com a isenção da cota patronal. Ou seja, a partir do trânsito em julgado e os efeitos no processo administrativo fiscal do MS n° 9476/DF (2003/0237.2012) e do AI n° 2011.03.00.0249289 tirado do AO n° 000886440.2011.403.6105, é que se poderá determinar, em sede Preliminar, se incorre em nulidade (total ou parcial, formal ou material), ou não, esta segunda fundamentação do procedimento fiscal que resultou na lavratura dos Autos de Infração. Em consulta ao AI n° 2011.03.00.0249289 tirado do AO n° 0008864 40.2011.403.6105), ao site do TRF da 3a Região (http://web.trf3.jus.br/consultas/Internet/ConsultaProcessual/Processo?NumeroProcesso=20110 3000249289), em 05.12.2015, constatase que, em 02.10.2004, a Sociedade Campineira de Educação e Instrução apresentou contrarrazões ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Em consulta ao MS n° 9476/DF (2003/0237.2012), ao site do STJ (https://ww2.stj.jus.br/processo/pesquisa/?tipoPesquisa=tipoPesquisaNumeroRegistro&termo= 200302372012&totalR), em 05.12.2015, constatase que a última movimentação ocorreu em 16.04.2010 com a certidão de objeto e pé. DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA FISCAL Desta forma, afastada a hipótese de lavratura dos Autos de Infração em função de prevenção da decadência, como prejudicial ao julgamento dos Autos de Infração temse, por óbvio, que se observar os seguintes trânsito em julgado e os efeitos neste processo administrativo fiscal: (i) da Ação Popular n° 000342140.2011.4.02.5102 1a Vara Federal de Niterói RJ (2011.51.02.0034217); (ii) do MS n° 9476/DF (2003/0237.2012), impetrado no STJ; e (iii) do AI n° 2011.03.00.0249289 tirado do AO n° 000886440.2011.403.6105, impetrado no TRF da 3a Região. Fl. 30DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.007795/201048 Resolução nº 2202000.623 S2C2T2 Fl. 31 10 CONCLUSÃO CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte informe (sendo que, após a conclusão das Diligências requeridas, a Unidade da Receita Federal do Brasil deverá intimar o contribuinte acerca do resultado das Diligências, abrindo o prazo de 30 dias para Manifestação com vistas ao contraditório e à ampla defesa): (i) o trânsito em julgado da Ação Popular n° 000342140.2011.4.02.5102 1a Vara Federal de Niterói RJ (2011.51.02.0034217); (ii) quais os efeitos nos Autos de Infração lavrados do trânsito em julgado da Ação Popular n° 000342140.2011.4.02.5102 1a Vara Federal de Niterói RJ (2011.51.02.0034217); (iii) o trânsito em julgado do MS n° 9476/DF (2003/0237.2012), impetrado no STJ; (iv) quais os efeitos nos Autos de Infração lavrados do trânsito em julgado do MS n° 9476/DF (2003/0237.2012); (v) o trânsito em julgado do AI n° 2011.03.00.0249289 tirado do AO n° 000886440.2011.403.6105, impetrado no TRF da 3a Região; (vi) quais os efeitos nos Autos de Infração lavrados do trânsito em julgado do AI n° 2011.03.00.0249289 tirado do AO n° 000886440.2011.403.6105; (vii) conclusivamente se, em função do resultado das diligências elencadas acima, a Recorrente possui direito à isenção de contribuições sociais previdenciárias no período 01/2008 a 12/2008; (viii) se há processo judicial na qual a Recorrente seja parte, por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do presente processo administrativotributário. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 31DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 30/12/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 13984.001298/2002-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998
DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTA CONJUNTA. FALTA DE INTIMAÇÃO DE TODOS OS CO-TITULARES. NULIDADE DO LANÇAMENTO.
Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Súmula CARF nº 29.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para declarar a nulidade do lançamento por vício material, vencido o Conselheiro EDUARDO DE OLIVEIRA, que declarou a nulidade por vício formal.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Wilson Antônio de Souza Correa, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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CONTA CONJUNTA. FALTA DE INTIMAÇÃO DE TODOS OS CO TITULARES. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Súmula CARF nº 29. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para declarar a nulidade do lançamento por vício material, vencido o Conselheiro EDUARDO DE OLIVEIRA, que declarou a nulidade por vício formal. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 00 12 98 /2 00 2- 61 Fl. 254DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13984.001298/200261 Acórdão n.º 2202003.061 S2C2T2 Fl. 255 2 Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Wilson Antônio de Souza Correa, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Em desfavor do contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, ano calendário de 1997, exercício 1998, em 24/04/2003, onde foi exigido o total de R$ 43.635,20 a título de imposto, acrescido de multa proporcional no percentual de 150%, e mais juros de mora calculados pela Selic. Narra a Autoridade Fiscal responsável pelo lançamento, em seu Termo de Verificação Fiscal, na fl. 64, que constatou a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada pelo contribuinte regularmente intimado, tendo ainda qualificado a multa de ofício em virtude de "considerar que houve evidente intuito de fraude", acrescentando que o lançamento relativo aos anos de 1998 a 2001 "estava em vias de ocorrer." O contribuinte apresentou Impugnação, que foi julgada improcedente pela DRJ em Florianópolis, decidindose pela manutenção do lançamento. Dessa decisão, o Recorrente foi cientificado em 11/09/2003 (AR na fl. 109) e apresentou recurso voluntário em 10/10/2003 (protocolo na folha 111). Argumentou a decadência do direito de lançar pelo Fisco e, no mérito, que depósitos bancários não se constituíam em "acúmulo de renda", mas em um "fluxo" que, portanto, não seria passível de tributação. Explicou ainda, repetindo a Impugnação, que a origem dos depósitos era o desconto de duplicatas mediante deságio de 4%, apontando uma lista de emitentes e destinatários. O recurso foi analisado pelo antigo Conselho de Contribuintes, que proferiu o Acórdão 10246.774, de 19 de maio de 2005, decidindose pela não aplicação da multa qualificada de 150% e pela não configuração de "fraude", o que levou à contagem do prazo decadencial na forma do artigo 150, § 4º do CTN e, conseqüentemente, pelo acolhimento da preliminar de decadência. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial, na forma do Regimento Interno da CSRF (Câmara Superior de Recursos Fiscais), aprovado pela Portaria nº 55, de 12/03/1998, defendendo a aplicação da multa qualificada, baseandose em "omissão dolosa" do contribuinte, e a não ocorrência da decadência, contando o prazo na forma do artigo 173, I do CTN. Admitido o recurso e apresentadas as contrarazões pelo contribuinte, houve o Acórdão 102138.381, de 04 de março de 2008, onde a 4ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais negou provimento ao recurso especial da PFN. Ainda inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional, com fundamento no Regimento Interno da CSRF, então aprovado pela Portaria nº 147, de 25/07/2007, interpôs Recurso Extraordinário ao Pleno da Câmara Superior. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13984.001298/200261 Acórdão n.º 2202003.061 S2C2T2 Fl. 256 3 Dessa feita, admitido e processado o recurso extraordinário, foi proferido o Acórdão CARF 9900000.269 Pleno, de 07 de dezembro de 2011, que, dandolhe provimento, decidiu por "afastar a decadência" para que o processo retornasse à Segunda Seção do Conselho para que fosse efetuado julgamento em relação às "demais matérias em litígio." É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Destaco que a razão apresentada pela Autoridade Fiscal responsável pelo lançamento, para a qualificação da multa, foi haver o contribuinte "omitir rendimentos em sucessivos anos", destacando que "o lançamento referente aos anoscalendário de 1998 a 2001 está em vias de ocorrer." Não é a reiteração de infração que autoriza a qualificação da multa e configura a fraude e o dolo. O contribuinte pode cometer, por exemplo, um erro por três ou quatro exercícios seguidos, até a ação do Fisco. A lei 4.502/64, art. 72, conceituou fraude como “toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento.” Já por dolo ou conduta dolosa entendese: “...a consciência e a vontade de realização dos elementos objetivos do tipo de injusto doloso... é saber e querer a realização do tipo objetivo de um delito. O dolo é, de certo modo, a imagem reflexa subjetiva do tipo objetivo da situação fática representada normativamente. A conduta dolosa é mais perigosa – e deve ser punida mais gravemente – do que a culposa.” (PRADO, Luiz Regis. Curso de Direito Penal Brasileiro, 6 ed. Rio de Janeiro: Revista dos Tribunais, 2006, p.113, Apud PAULSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p. 1062) Transcrevo o entendimento consolidado deste Conselho: Súmula CARF nº 14 A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13984.001298/200261 Acórdão n.º 2202003.061 S2C2T2 Fl. 257 4 Ademais, especialmente no caso da presunção legal estatuída no artigo 42 da lei nº 9.430, de 1996, a jurisprudência deste CARF já assentou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 25 A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Não vejo nos autos que a Fiscalização tenha logrado êxito ou mesmo empreendido esforço para demonstrar a ocorrência da fraude, baseandose apenas na "presunção legal de omissão de receita" para configurar esta infração e no "lançamento em vias de ocorrer" de exercícios subseqüentes, para dizer que o contribuinte omitira seguidamente rendimentos e, portanto, não estaria configurada a conduta necessária. Observo ainda que o Contribuinte apresentou justificativa de "desconto de duplicatas" para os valores depositados, com uma lista de notas fiscais, apresentando emitentes, datas e valores, que não foram analisadas individualizadamente pela Fiscalização, que assim se manifestou no Termo de Verificação Fiscal: O item 3 do Termo de Intimação Fiscal n° 2 intimava o contribuinte a comprovar a origem dos depósitos efetuados na conta bancária do mesmo. O contribuinte em resposta a esse item, alegou que descontava duplicatas e que os depósitos se referiam ao desconto de duplicatas, conforme fis.50/53. Porém, em relação aos depósitos especificados no Termo de Intimação Fiscal n° 2, o contribuinte nada esclareceu e, portanto, consideramos que o mesmo nada comprovou, com relação a esses depósitos. O Conselho de Contribuintes, por duas vezes, manifestou esse mesmo entendimento, nestes autos, para desqualificar a multa e entender pela decadência do direito de lançar. (Acórdão de recurso Voluntário e Acórdão de recurso Especial). Em sede do então admitido Recurso Extraordinário, a Procuradoria da Fazenda trouxe novo argumento. Não mais baseava a contagem do prazo decadência na forma do artigo 173, I, do CTN na ocorrência de fraude, mas na inexistência de "pagamento antecipado", tendose em conta o tributo sujeito a lançamento por homologação. Os fatos (depósitos bancários com origem não comprovada) ocorrerem em 1997, com fato gerador anual em 31/12/1997, a declaração foi apresentada em 30/04/1998 e o lançamento, conforme relatado, deuse em 24/04/2003. O Pleno da Câmara Superior acatou então tais alegações, citando o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, pelo STJ, sendo relator o Ministro Luiz Fux, em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (sistemática dos recursos "repetitivos"), assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O Fl. 257DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13984.001298/200261 Acórdão n.º 2202003.061 S2C2T2 Fl. 258 5 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13984.001298/200261 Acórdão n.º 2202003.061 S2C2T2 Fl. 259 6 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Chegase então às seguintes regras: inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, Art. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, Art. 150, § 4º). No caso, o contribuinte entregou a declaração de rendimentos (DIRPF/1998) cuja cópia consta da folha 55. Verifico que declarou rendimentos tributáveis recebidos exclusivamente de pessoas jurídicas, no valor de R$ 16.250,00. Feitas as deduções legais, apurou base de cálculo de R$ 10.359,00, inferior ao limite legal de isenção, que era de R$ 10.800,00. Não houve informação de imposto retido na fonte (K, M & O Informática Ltda, CNPJ 01.001.755/000173) Mas, enfim, tal matéria já foi apreciada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais e resta observar aquela decisão. MÉRITO Observo que nos extratos bancários que constam da folha 10 e seguintes, constam como clientes Luis Carlos Matias e Denisia Maria Zimerman Matias. Apesar do Termo de Intimação Fiscal para a comprovação da origem dos depósitos ter sido lavrado em 01/08/2002, o Auto de Infração só o foi em 24/04/2003, posteriormente à edição da Medida provisória nº 66, de 2002, que trouxe a seguinte regra, para o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996: § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 10.637, de 30/12/2002, produzindo efeitos a partir de 1/10/2002) Temos mais uma vez a jurisprudência consolidada deste CARF: Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.(sublinhei) Em um dos Acórdãos paradigmas que levaram à edição da Súmula acima transcrita, colho, na Ementa, o seguinte esclarecimento: Fl. 259DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13984.001298/200261 Acórdão n.º 2202003.061 S2C2T2 Fl. 260 7 Acórdão 10422049, de 09/11/2006 (...) DEPÓSITOS BANCÁRIOS CONTA CONJUNTA A partir da vigência da Medida Provisória nº. 66, de 2002, nos casos de conta corrente bancária com mais de um titular, os depósitos bancários de origem não comprovada deverão, necessariamente, ser imputados em proporções iguais entre os titulares, salvo quando estes apresentarem declaração em conjunto. É indispensável, para tanto, a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos depósitos bancários (jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes).(sublinhei) A DIRPF/1998 foi entregue "em conjunto" pelos cotitulares da conta, figurando Denísia Matias como dependente de Luiz Carlos Matias, então a apuração não poderia mesmo ser efetuada em separado, na proporção de 50% para cada um deles, mas o entendimento assentado na Súmula, de observância obrigatória, é que "na fase que precede ao lançamento, todos os cotitulares deveriam ser intimados para comprovar a origem dos depósitos, sob pena de nulidade do lançamento". A compreensão acolhida na Súmula CARF nº 29, com a advertência que a ausência de intimação de todos os cotitulares implica a nulidade do lançamento, não faz qualquer exceção à rega do art. 42, caput, da Lei 9.430/96, ou seja, não excetua a nulidade nos casos de contas bancárias cujos cotitulares sejam dependentes na DIRPF uns dos outros. Diferentemente do § 6º do art. 42, que determina o rateio dos valores entre os cotitulares que tenham apresentado declaração de rendimentos separadamente, a Súmula CARF aponta para a necessidade de intimação de todos sem distinção de casos entre aqueles que apresentaram declaração de IRPF individualmente e aqueles declarados como dependentes. Não verifico nos autos que a Fiscalização tenha observado tal comando, não constando intimação para a cotitular da conta corrente, resposta da mesma ou qualquer referência no Auto de Infração ou no Termo de Verificação. Adoto ainda, quanto à qualificação do vício que macula o lançamento, o seguinte entendimento, expresso no Acórdão do Conselho de Contribuintes nº 10248.844, de 05 de dezembro de 2007, e repetido no Acórdão CARF nº 2102003.161, de 04 de novembro de 2014: A ausência de intimação, nesta hipótese, vicia o lançamento por erro material em sua construção, vez que se passou a exigir tributo deste sujeito passivo sem qualquer segurança de que a base de cálculo esteja correta, em outras palavras, a construção do lançamento é incorreta porque não identifica a quem pertenciam efetivamente os valores creditados, não existindo segurança quanto à base de cálculo adotada, nem tampouco quanto ao tributo cobrado, situação que enseja a nulidade. Isso porque o artigo 142 do CTN dispõe que o ato de lançamento constituise na atividade atinente à autoridade administrativa para: verificar a ocorrência do fato gerador e determinar a matéria tributável (antecedentes), calcular o montante devido e identificar o sujeito passivo (consequentes). Portanto, esses elementos constituemse em aspectos da hipótese de incidência tributária. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13984.001298/200261 Acórdão n.º 2202003.061 S2C2T2 Fl. 261 8 Socorrendome na doutrina de Regina Helena Costa: Os aspectos pessoal e quantitativo compõem o chamado "consequente" da hipótese de incidência tributária, isto é, descrita a materialidade e indicadas as coordenadas espacial e temporal do fato no antecedente da norma, exsurge uma relação jurídica mediante a qual um sujeito possui o direito de exigir o tributo e outro sujeito o dever de pagálo (aspecto subjetivo), apontandose o valor da prestação correspondente (aspecto quantitativo).(COSTA. Regina Helena, Curso de Direito Tributário, 2ª ed. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 205) Ora, se houve equívoco e insegurança na apuração do montante devido (aspecto quantitativo da hipótese de incidência) porque não se intimou todos os cotitulares da conta corrente para a comprovação dos depósitos, o lançamento encontrase viciado e, para sanar o problema, necessário ser feito um novo lançamento. Não entendo que se trate de mero erro de forma, de inobservância de aspectos formais, mas que esteve ferida a própria substância do lançamento, na apuração do montante devido. CONCLUSÃO Dessa feita, VOTO por dar provimento ao recurso para declarar a nulidade do lançamento por vício material. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 261DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 11080.731161/2011-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009, 2010
SIMULAÇÃO. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO.
A simulação é a modalidade de ilícito tributário que, com maior freqüência, costuma ser confundida com elisão. Na simulação, a declaração recíproca das partes não corresponde à vontade efetiva e a causa da ocultação está sempre voltada para a obtenção de algum benefício que não poderia ser atingido pelas vias normais, o que demonstra tratar-se de um ato antecipadamente deliberado pelas partes envolvidas, que se volta para um fim específico, no caso contornar a tributação. Na simulação tem-se pactuado algo distinto daquilo que realmente se almeja, com o fito de obter alguma vantagem.
Reconhece-se a liberdade do contribuinte de agir antes do fato gerador e mediante atos lícitos, salvo simulação e outras patologias do negócio jurídico, como o abuso de direito e a fraude à lei, conforme ensina Marco Aurélio Greco. (Planejamento Tributário. 3ª ed. Dialética:2011, p.319)
No direito tributário, o conteúdo prevalece sobre a forma. Se o conteúdo fático não guarda qualquer simetria com a relação societária que se tentou desenhar, é caso de simulação. As Sociedades em Conta de Participação estão regidas pelas disposições específicas do Código Civil; dentre as quais há a proibição de os sócios participantes prestarem serviços em nome da Sociedade em Conta de Participação.
IRPF. REGIME DE ANTECIPAÇÃO. RESPONSABILIDADE. LIMITES.
Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extingue-se, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual.
Diferentemente do regime no qual a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é "exclusiva" da fonte pagadora, no regime de retenção do imposto por antecipação, além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de renda seja efetuada pelo contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12)
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996). Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
É de ser analisada a situação particular, bem caracterizada pela Fiscalização, para entender que não houve um simples "erro no preenchimento" da declaração, neste caso, mas uma conduta deliberada entre os sócios da SCP.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-003.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros MARTIN DA SILVA GESTO e JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, que deram provimento.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. A simulação é a modalidade de ilícito tributário que, com maior freqüência, costuma ser confundida com elisão. Na simulação, a declaração recíproca das partes não corresponde à vontade efetiva e a causa da ocultação está sempre voltada para a obtenção de algum benefício que não poderia ser atingido pelas vias normais, o que demonstra tratarse de um ato antecipadamente deliberado pelas partes envolvidas, que se volta para um fim específico, no caso contornar a tributação. Na simulação temse pactuado algo distinto daquilo que realmente se almeja, com o fito de obter alguma vantagem. Reconhecese a liberdade do contribuinte de agir antes do fato gerador e mediante atos lícitos, salvo simulação e outras patologias do negócio jurídico, como o abuso de direito e a fraude à lei, conforme ensina Marco Aurélio Greco. (Planejamento Tributário. 3ª ed. Dialética:2011, p.319) No direito tributário, o conteúdo prevalece sobre a forma. Se o conteúdo fático não guarda qualquer simetria com a relação societária que se tentou desenhar, é caso de simulação. As Sociedades em Conta de Participação estão regidas pelas disposições específicas do Código Civil; dentre as quais há a proibição de os sócios participantes prestarem serviços em nome da Sociedade em Conta de Participação. IRPF. REGIME DE ANTECIPAÇÃO. RESPONSABILIDADE. LIMITES. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual. Diferentemente do regime no qual a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é "exclusiva" da fonte pagadora, no regime de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 11 61 /2 01 1- 83 Fl. 1757DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.731161/201183 Acórdão n.º 2202003.135 S2C2T2 Fl. 1.758 2 retenção do imposto por antecipação, além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de renda seja efetuada pelo contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12) MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobrase multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996). Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. É de ser analisada a situação particular, bem caracterizada pela Fiscalização, para entender que não houve um simples "erro no preenchimento" da declaração, neste caso, mas uma conduta deliberada entre os sócios da SCP. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros MARTIN DA SILVA GESTO e JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, que deram provimento. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4a.Turma da DRJ em Porto Alegre/RS. Por bem descrever os fatos, reproduzse, em parte, o Relatório da decisão recorrida (fl. 1698 e seguintes), complementandoo ao final: Fl. 1758DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.731161/201183 Acórdão n.º 2202003.135 S2C2T2 Fl. 1.759 3 Mediante Auto de Infração, fls. fls. 1618 a 1640, Demonstrativos e Relatório de Ação Fiscal, exigese do contribuinte acima qualificado o recolhimento da importância de R$ 101.843,34,calculados até 11/2011, a título de imposto de renda pessoa física suplementar e acréscimos, em virtude da infringência de dispositivos legais abaixo descritos. 1. A autoridade lançadora detectou Classificação Indevida, na declaração de ajuste anual, de Rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, correspondentes aos anos calendário de 2007, 2008 e 2009, nos valores respectivamente de R$ 61.025,57, R$ 41.635,45, R$ 30.051,17. Enquadramento Legal: art. 1º, inciso II e III, § único da Lei nº 11.482/2007, com redação dada pela lei 11.945/09, art.. 1º, inciso I , parágrafo único MP nº340/2006 e arts. 37 a 83 do Decreto nº 3.000/1999 – RIR/1999 (fl. 1630). O lançamento no contribuinte Dr. MARCELO WAINBERG RODRIGUES foi decorrente de procedimento fiscal junto à Associação dos Médicos do Hospital Mãe de Deus (AMEMD) Saúde Sociedade Simples LTDA, cujo resultado está no processo administrativo fiscal nº 11080.723457/201040, no qual a autoridade fiscal procurou demonstrar que os objetivos da celebração do negócio jurídico na constituição da Sociedade em Conta de Participação visava proporcionar a supressão do imposto de renda na fonte incidente no pagamento de serviços prestados pelos profissionais médicos, de forma que esses rendimentos ingressassem como isentos na DIRPF, a título de distribuição de Lucros. A autoridade Fiscal concluiu pela inexistência concreta de uma Sociedade em Conta de Participação e a prestação de serviços não era pelo sócio ostensivo e, sim, pelos profissionais médicos que efetivamente atendiam os pacientes, sendolhes repassado o valor relativo ao seu atendimento e, não, distribuição de lucros equivalente e proporcional ao número de sócios; entendendo, pois, ter havido simulação no negócio jurídico, na qual fez parte o contribuinte com o intuito de, fraudulentamente, diminuir a carga tributária à qual estava sujeito. (...) Em relação ao lançamento em seu nome, o contribuinte argumenta que a Autoridade Fiscal usou o mesmo fundamento sobre a autuação da AMEMD, a diferença reside no caso de que na sociedade não houve a retenção do imposto e no seu caso os rendimentos estavam informados como isentos, mas foram declarados por ele, contudo foilhe aplicada á multa de ofício de 150%. Contrapõese a esse percentual de 150% da multa de ofício, requerendo sua redução, por ausência de sonegação, fraude ou conluio, argumenta que não pode sofrer qualquer aplicação da penalidade de multa, pois não praticou qualquer conduta ilegal, tampouco deixou de recolher tributo devido. Fl. 1759DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.731161/201183 Acórdão n.º 2202003.135 S2C2T2 Fl. 1.760 4 A Impugnação apresentada, em resumo, foi assim tratada pelo Julgador a quo: 1 No mérito, destacou que o Auto de Infração lavrado contra a AMEMD já havia sido analisado por aquela instância, concluindo que acompanhava "em todos os fundamentos esposados no Acórdão retro referenciado, a Decisão desta DRJ de que os rendimentos dos sócios participantes da conta participação pela prestação de serviços têm a natureza jurídica de rendimentos “tributáveis”, e mantemos a cobrança do imposto de renda pessoa física objeto do presente lançamento"; 3 Em relação à multa de ofício aplicada, reduziua para 75%, por entender que não estava demonstrado o "evidente intuito de fraude" por parte da pessoa física aqui autuada, questionando se o profissional médico tinha consciência da estrutura econômico fiscal construída; Cientificado dessa decisão de 1a instância em 17/04/2012 (AR na folha 1707), o Contribuinte, representado por seu advogado, apresentou recurso voluntário, que sublinhou ser parcial, em 30/04/2012, com protocolo na folha 1710. Em sua defesa, argumentou, em síntese, o seguinte: a) É a AMEMD que, na condição de sócia ostensiva e substituta tributária, deve responder pelo pagamento do IRPF constante no Auto de Infração que deu origem ao procedimento fiscal, já que a mesma não realizou a retenção na fonte e o recolhimento devido; b) No caso, a fonte pagadora informou nos comprovantes de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte que os valores pagos ao Recorrente eram a título de "lucro", e, portanto, isentos e não tributáveis; c) Manifestase ainda contra a aplicação da multa de 75%, baseandose no fato de que "não mentiu, não falseou, não ocultou tal rendimento...". Faz distinção entre "falta de declaração" e "classificação indevida de rendimentos". REQUER que seja responsabilizada a AMEMD pelo tributo devido, ou, alternativamente, que seja excluída a aplicação da multa de 75%. É o Relatório Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro é a existente após a digitalização do processo, transformado em meio magnético. (arquivo .pdf) Não havendo a argüição de questões preliminares, vamos direto ao mérito da questão que gira em torno da Associação de médicos que se converteu numa Sociedade Limitada para constituir uma SCP. Diz o Relatório Fiscal (fl. 1619/20): Fl. 1760DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.731161/201183 Acórdão n.º 2202003.135 S2C2T2 Fl. 1.761 5 Em 15.01.2003 a AMEMD juntamente com médicos e empresas prestadoras de serviços médicos que anteriormente integraram o quadro de associados da ASSOCIAÇÃO atuou na celebração de negócio jurídico simulado.... A estrutura social do referido empreendimento foi fixada de modo que a própria AMEMD ocupou a posição de sócio ostensivo. No condição de sócios participantes, compareceram os mesmos médicos e empresas prestadoras de serviços médicos que, anteriormente, haviam integrado o quadro de associados da ASSOCIAÇÃO... A partir daí, a AMEMD passou a celebrar contratos para a prestação de serviços médicos com diversas instituições que administravam planos de saúde. Em razão desses contratos, a empresa, por meio de seu quadro social ou por meio de médicos ... se comprometia a prestar serviços médicos aos beneficiários dos planos de saúde. Em contrapartida, percebia a remuneração acordada nos contratos para cada modalidade de atendimento. No caso em questão, as pessoas físicas e jurídicas autorizadas a atender os beneficiários dos planos de saúde eram sempre sócios participantes da conta de participação onde a AMEMD aparecia como sócia ostensiva. Esta última, após receber a remuneração paga pelos tomadores de serviços, apurava e recolhia os tributos incidentes diretamente sobre suas receitas. Depois, efetuava a retenção de uma taxa administrativa e, então, pagava diretamente aos sócios participantes da SCP, de acordo com o volume e modalidade de serviços prestados...Este pagamento, entretanto, não era realizado a título de remuneração por serviços prestados para a própria AMEMD, mas sim, diretamente, como distribuição de lucros decorrentes da conta de participação.(grifo original) Assim sendo, o Contribuinte declarou os valores aqui em discussão, em suas DIRPF de 2008 a 2010, como "rendimentos isentos e não tributáveis", tendo a Fiscalização, reclassificandoos, realizado a autuação. Essa questão já foi analisada neste CARF (Acórdão 2102002.135– 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 20 de junho de 2012) porque a Receita Federal também autuou a AMEMD pela não retenção do imposto de renda na fonte, incidente sobre os rendimentos pagos a esses médicos participantes da SCP. Vejamos: Baseada em uma verdadeira engenharia jurídica, a RECORRENTE constituiu uma Sociedade em Conta de Participação, cujo objeto era a prestação de serviços médicos, com quase oitenta profissionais e pessoas jurídicas como sócios participantes, sendo ela a sócia ostensiva, prevendo que cada um deles (sócios participantes) entregavam serviços como “contribuição à sociedade” e eram “remunerados” (através de lucros) proporcionalmente aos serviços que emprestavam como sócios (como se fosse possível aos sócios participantes de uma Sociedade em Conta de Participação exercerem diretamente a atividade prevista no objeto social). No caso, entendo presente o abuso de forma da RECORRENTE, ao batizar Sociedade em Conta de Participação a relação que Fl. 1761DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.731161/201183 Acórdão n.º 2202003.135 S2C2T2 Fl. 1.762 6 detinha com pessoas físicas, quando essas em verdade lhe prestavam serviços, tentando assim dissimular o fato gerador da obrigação tributária para, concomitantemente, suprimir a retenção e o recolhimento do imposto que lhe era devido. No direito tributário, como cansadamente é repetido, o conteúdo prevalece sobre a forma. Isso não significa, contudo, que a forma dos negócios jurídicos não tenha elevada importância. E, no presente caso, o estudo da forma denota que o conteúdo não guarda qualquer simetria com a relação societária que se tentou desenhar entre prestadores de serviços e a RECORRENTE. Isso porque: as Sociedades em Conta de Participação estão regidas pelas disposições específicas do Código Civil; dentre as quais salta aos olhos a proibição de os sócios participantes prestarem serviços em nome da Sociedade em Conta de Participação; a conferir (...) Vale registrar ainda que, contrariamente ao que defende a RECORRENTE, ainda que seja possível aplicar à Sociedade em Conta de Participação, subsidiariamente e no que com ela for compatível, o disposto para a sociedade simples (art. 996 do Código Civil), é insuperável a proibição de os sócios participantes exercerem ou executarem o objeto social de uma Sociedade em Conta de Participação, por expressa vedação da lei civil. No caso dos autos, o contrato de constituição da Sociedade em Conta de Participação chega a estabelecer até a responsabilidade pessoal e direta dos sócios participantes pelos serviços que prestassem, em clara dissonância com o Código Civil. Julgo presente, portanto, a simulação perpetrada pela RECORRENTE, sendo devida a cobrança de multas e juros como responsável pelo IRRF que deixou de ser retido nos pagamentos realizados a pessoas físicas e jurídicas que lhe prestaram serviços.(destaquei) Ou seja, ao debruçarse sobre a questão, já concluiu a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara que na realidade havia uma contraprestação paga pela AMEMD às pessoas físicas envolvidas, por serviços prestados, conclusão essa com a qual concordo, à vista dos autos. Essa contraprestação, então, é rendimento tributável, à luz da legislação aplicável, não se apresentando nenhuma causa de isenção. Em qualquer caso, tenho sempre defendido a teoria da prevalência da substância sobre a forma e que a "verdade material" aplicase tanto a favor do Contribuinte, quanto a favor do Fisco. A doutrina italiana do Professor Francesco Tesauro aponta a diferença entre evasão e elisão (elusione) dizendo que os contribuintes, no propósito de um certo resultado econômico, são livres, no exercício de sua autonomia negocial, para escolher e seguir a estrada fiscalmente menos onerosa. Existe, entretanto, uma economia (lícita) de imposto e uma economia "elisiva". Fl. 1762DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.731161/201183 Acórdão n.º 2202003.135 S2C2T2 Fl. 1.763 7 A 'elusione' pode ser definida como uma forma de economia fiscal que está conforme a letra, mas não conforme a ratio da norma tributária. Um método de interpretação antielisivo reconhece máximo relevo aos elementos sistemáticos, valoriza a ratio do tributo, utiliza argumentos como "o espírito" (escopo) da lei, a "realidade" (a natureza) das coisas, etc... Outra técnica 'antielusiva' consiste em requalificar os negócios jurídicos de modo a fazer emergir, de sua aparência formal e exterior, o verdadeiro negócio posto adiante pelas partes. Neste caso, é operada uma "requalificação" dos negócios, ou mesmo uma "superação" da "forma" que os contratantes tenham dado ao contrato (princípio "substance over form"). Não esqueço que haja na legislação brasileira o parágrafo único do artigo 116 do CTN, que introduzido pela Lei Complementar nº 104, de 2001, trouxe a chamada "norma antielisiva" e teve sua constitucionalidade questionada no STF (ADIN 2.446). Mas mesmo para os que entendem pela sua não autoaplicabilidade por causa da remissão a observância de "procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária", destaco que ensina o Professor Tesauro que nos ordenamentos nos quais não exista uma disposição antielisiva que autorize expressamente a requalificação dos negócios, as administrações tributárias e os juízes recorrem igualmente à técnica supracitada, para possibilitar assim a tributação aos negócios "elisivos". Remete especialmente ao caso da experiência francesa, onde afirma que a jurisprudência tributária do Conselho de Estado expôs a noção de "abuso de direito" (tocante aos "atos simulados") às operações jurídicas realizadas cuja regularidade não é posta em dúvida, mas que têm, como único objetivo, perseguir um tratamento fiscal mais vantajoso. (TESAURO, Francesco. Istituzioni di Diritto Tributário. 1 parte, 9ª ed. Utet Giuridica. Milano. 2009. p. 248/250) Marco Aurélio Greco diz sobre o "planejamento tributário" que: "na primeira fase, predomina a liberdade do contribuinte de agir antes do fato gerador e mediante atos lícitos, salvo simulação; na segunda fase, ainda predomina a liberdade de agir antes do fato gerador e mediante atos lícitos, porém nela o planejamento é contaminado não apenas pela simulação, mas também pelas outras patologias do negócio jurídico, como o abuso de direito e a fraude à lei...."(GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. 3ª ed. Dialética:2011, p.319 apud PAULSEN, Op. Cit., p.925)(sublinhei) Quanto ao argumento de que a responsabilidade seria exclusiva da fonte pagadora, no caso, excluindose qualquer responsabilidade do Contribuinte, é preciso separar as coisas. A autuação que integra os autos 11080.723457/201040 trata de multa isolada e juros isolados pela falta de retenção ou recolhimento do IRRF, aplicada sobre a fonte pagadora. De forma alguma podese enxergála como "mesmo fato gerador" desta autuação aqui, que trata do imposto de renda decorrente da classificação indevida de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício. A multa é pelo descumprimento de outra obrigação, que não se confunde com essa obrigação principal de pagar o imposto, a cargo daquele que auferiu rendimentos tributáveis. Multa é uma coisa, tributo é outra. É de ser lembrado o Parecer Cosit nº 1, de 24 de setembro de 2002, no intuito de esclarecer e estabelecer sobre/os limites da responsabilidade para a fonte pagadora e para o Fl. 1763DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.731161/201183 Acórdão n.º 2202003.135 S2C2T2 Fl. 1.764 8 contribuinte beneficiário dos rendimentos, concentrandose especialmente na exigibilidade do imposto e não da multa. Diz o documento que tal responsabilidade da fonte pagadora extingue se na data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual da pessoa física e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última sujeitaa à exigência do imposto correspondente, em geral acrescido de multa de ofício e juros de mora, conforme abaixo transcrito: “... IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, e, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual.” (...) Retenção exclusiva na fonte 8. Na retenção exclusiva na fonte, o imposto devido é retido pela fonte pagadora que entrega o valor já líquido ao beneficiário. 9. Nesse regime, a fonte pagadora substitui o contribuinte desde logo, no momento em que surge a obrigação tributária. A sujeição passiva é exclusiva da fonte pagadora, embora quem arque economicamente com o ônus do imposto seja o contribuinte. ... Imposto retido como antecipação 11. Diferentemente do regime anterior, no qual a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é exclusiva da fonte pagadora, no regime de retenção do imposto por antecipação, além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de renda seja efetuada pelo contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual, ... (sublinhei) Cito, por oportuno jurisprudência deste CARF, destacando da Ementa e Voto do Acórdão nº 2202 002.519 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 19 de novembro de 2013: IRRF. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. A falta de retenção/recolhimento do IRRF incidente em pagamentos diversos enseja a aplicação da multa do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 1764DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.731161/201183 Acórdão n.º 2202003.135 S2C2T2 Fl. 1.765 9 Voto ... A multa exigida isoladamente no presente lançamento em razão da falta de retenção do IRRF tem como fundamento legal portanto no art. 9o da Lei no 10.426, de 24 de abril de 2002, c/c o art. 44, inciso I, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Na situação em cotejo, estamos verificando multa contra a fonte pagadora por não ter realizado a obrigação de reter na fonte os valores prescritos na lei. Deste modo não há que se mencionar que essa multa perde fundamento com o oferecimento a tributação do beneficiário. As obrigações são distintas, um de pagamento do tributo e outra a da necessidade de retenção. No caso concreto está se imputando a recorrente a multa por não ter retido, e não pela ausência de pagamento. Portanto, no caso de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, na declaração de rendimentos, diferentemente daqueles rendimentos sujeitos á tributação "exclusiva na fonte", como é o caso, por exemplo, do 13º salário, a responsabilidade da fonte pela antecipação e recolhimento extinguese, no caso das pessoas físicas, na data fixada para a entregada declaração anual de rendimentos que, a partir daí, respondem pelo tributo devido. Não há que se falar aqui em responsabilidade exclusiva da fonte. Temos a consolidada jurisprudência administrativa deste CARF, na Súmula nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. DA MULTA APLICADA. A Fiscalização, entendendo pela presença dos pressupostos legais, aplicara a multa qualificada de 150% sobre a infração constatada, o que foi reduzido pela DRJ para 75%, fundamentadamente. Portanto, não há mais que se discutir a qualificação. Entretanto, o Recorrente questiona mesmo a aplicação dessa multa de 75% , entendendo que declarou os rendimentos, ainda que indevidamente classificandoos como "isentos ou não tributáveis", na DIRPF, e que o fez a partir dos comprovantes de rendimentos fornecidos pela fonte pagadora, que encontramse anexados aos autos. Não esqueço que exista a Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Fl. 1765DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.731161/201183 Acórdão n.º 2202003.135 S2C2T2 Fl. 1.766 10 Contudo, é de ser analisada a situação particular, bem caracterizada pela Fiscalização, para entender que não houve um simples "erro no preenchimento" da declaração, neste caso, mas uma conduta deliberada entre os sócios da SCP. Discordo mesmo do entendimento da DRJ, que reduziu a multa de ofício, mas o processo veda a reformacio in pejus. Não obstante, entender que a declaração de rendimentos foi exclusivamente feita, ao informar os rendimentos como isentos, causado por "erro" de informação, transcenderia os limites do razoável e do inescusável desconhecimento da lei, por parte do declarante. Destaco o que disse o Acórdão 2102002.135– 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 20 de junho de 2012, já citado acima, referindose a AMEMD: Baseada em uma verdadeira engenharia jurídica, a RECORRENTE constituiu uma Sociedade em Conta de Participação, cujo objeto era a prestação de serviços médicos, com quase oitenta profissionais e pessoas jurídicas como sócios participantes, sendo ela a sócia ostensiva, prevendo que cada um deles (sócios participantes) entregavam serviços como “contribuição à sociedade” e eram “remunerados” (através de lucros) proporcionalmente aos serviços que emprestavam como sócios (como se fosse possível aos sócios participantes de uma Sociedade em Conta de Participação exercerem diretamente a atividade prevista no objeto social).(sublinhei) Assim sendo, importante frisar que a falta de antecipação/recolhimento do imposto constatada nos autos enseja sua exigência por meio de lançamento de ofício, com a aplicação da multa de ofício de 75%, prevista na Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 44. “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” Enfim, houve falta de tributação sobre os rendimentos em discussão, porque, tributáveis, o Contribuinte os declarou como isentos, ao efetuar a apuração anual. Portanto, a cobrança da multa lançada de 75% está devidamente amparada em dispositivo legal em vigor. Se o percentual estabelecido atende ou não à sistemática constitucional (vedação ao confisco), não é matéria a ser tratada em sede de julgamento administrativo, conforme artigo 26A do Decreto nº 70.235, de 1972 e importante lembrar da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONCLUSÃO Pelo todo acima exposto, VOTO no sentido de negar provimento ao recurso. Fl. 1766DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.731161/201183 Acórdão n.º 2202003.135 S2C2T2 Fl. 1.767 11 Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 1767DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10940.002688/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2102-000.132
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento deste recurso até que transite em julgado o acórdão do Recurso Extraordinário nº 614.406, nos termos do artigo 62A, do Anexo II, do RICARF.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho - Presidente em exercício e relator.
EDITADO EM: 08/02/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rubens Mauricio Carvalho , Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura, Ewan Teles Aguiar, Francisco Marconi de Oliveira, Carlos André Rodrigues Pereira Lima .
Nome do relator: Não se aplica
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Numero do processo: 11543.000484/2001-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1996
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
Constitui-se rendimento tributável o valor correspondente ao acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos tributáveis declarados, não tributáveis, isentos, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA - FLUXO FINANCEIRO. BASE DE CALCULO APURAÇÃO MENSAL - ÔNUS DA PROVA
O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado, mensalmente, considerando-se todos os ingressos e dispêndios realizados no mês, pelo contribuinte. A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos, desde que a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatíveis com a renda declarada disponível (tributada, não tributada ou tributada exclusivamente na fonte).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do Conselheiro Relator.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Pedro Anan Junior.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Constituise rendimento tributável o valor correspondente ao acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos tributáveis declarados, não tributáveis, isentos, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA FLUXO FINANCEIRO. BASE DE CALCULO APURAÇÃO MENSAL ÔNUS DA PROVA O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado, mensalmente, considerandose todos os ingressos e dispêndios realizados no mês, pelo contribuinte. A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos, desde que a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatíveis com a renda declarada disponível (tributada, não tributada ou tributada exclusivamente na fonte). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 04 84 /2 00 1- 65 Fl. 788DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Pedro Anan Junior. Fl. 789DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11543.000484/200165 Acórdão n.º 2202002.671 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Contra o contribuinte, NATALINA FRANÇA DAHER, foi lavrado Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF. As infrações que ensejaram o lançamento e que estão detalhadamente descritas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 286/319 foram as seguintes: 1) Acréscimo patrimonial a descoberto, nos anoscalendário 1995 e 1996; 2) Omissão de rendimentos tendo em vista depósitos bancários de origem não comprovada, nos anoscalendário de 1997, 1998 e 1999; 3) Multa pelo atraso na entrega da declaração, referente aos exercícios de 1996,1997, 1998,1999 e 2000. A Contribuinte impugnou o lançamento, questionando os seguintes pontos: que a validade da intimação referente a entrega do auto de infração, pedindo a nulidade do ate e sua repetição; arguiu a nulidade do requerimento para apresentação dos extratos bancários, classificandoa de arbitraria e uma forma de coação, argumentando que não entregou os extratos livremente, mas em decorrência da intimação irregular e pede que sejam excluídos do processo os referidos documentos; arguiu também a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa, que estaria caracterizada pela falta de c1areza e pela incorreção na descrição das infrações, dificultando o pleno exercício da defesa. quanto ao mérito, questionou a legalidade do lançamento com base em extratos bancários. Argumentou que o lançamento com base exclusivamente em depósitos bancários e ilegal; que depósitos bancários não representam renda, não caracterizando a hipótese de incidência do imposto. Sobre a origem dos depósitos bancários disse que recebeu diversas quantias em adiantamento destinadas a efetivação de compras de objetos e adornos de decoração para seus clientes, no exercício de sua atividade de decoradora. Invocou a sumula n 182 do TFR. afirmou que foram incluídos na base de calculo varies depósitos referentes a cheques que haviam sido devolvidos por insuficiência de fundos, e mencionou como exemplo certos valores que constam as fls. 359. sobre a variação patrimonial, sustentou a ilegalidade do critério adotado que a apurou mensalmente, quando, segundo a legislação, a apuração do imposto deveria ser feita anualmente; que, considerando a variação anual, os débitos apurados seriam menores. Questionou também o fato de não terem sido excluídos valores relativos a venda de veículos automotores, acarretando a tributação indevida de mais de R$ 200.000,00. Disse que o Fisco considerou a aquisição dos veículos, os quais, entretanto, foram adquiridos por meio de troca ou com recursos provenientes da venda do veiculo usado. Pediu a produção de prova pericial para apuração desses valores. Fl. 790DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 por fim, insurgiuse contra a cobrança de juros calculados com base na taxa Selic e contra a multa de oficio que classificou de abusiva e confiscatória. A Delegacia de Julgamento considerou procedente em parte o lançamento apenas para reduzir a base de calculo nos anos calendário de 1997, 1998 e 1999, devido a exclusão de valores referentes a cheques devolvidos. A Contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instancia em 31/10/2002 (fls. 462) e, em 28/11/2002, interpôs o recurso de fls. 474, que ora se examina e no qual reproduz, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação. Em sessão plenária de 19/08/2009, foi julgado o Recurso Voluntário 134.398, exarandose o Acórdão 220100.380 (fls. 528 a 536), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 DECADÊNCIA IMPOSTO DE RENDA EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O fato gerador do IRPF se perfaz em 31 de dezembro de cada ano calendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4', do CTN). Decadência reconhecida em relação ao ano calendário de 1995. PAF CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA Não há cerceamento ao direito de defesa do contribuinte quando a ele foram conferidas todas as oportunidades de manifestação, tanto na fase de fiscalização, quanto na impugnatória e recursal, sempre com observância aos ditames normativos do Decreto n" 70,235, de 1972, DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS PRESUNÇÃO LEGAL Desde 1" de janeiro de 1997, caracterizamse omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nestas operações, IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO É. tributável, no ajuste anual, a quantia correspondente ao acréscimo patrimonial da pessoa física, caracterizado pelo excesso de aplicações sobre origens, apurado mensalmente por meio de fluxo de caixa, não justificado por rendimentos tributáveis, isentos, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva,. DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO MULTA DE MORA PELO ATRASO CONCOMITANTE COM A MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO IMPOSSIBILIDADE A penalidade prevista no artigo 88, inciso 1, da Lei n." 8,981, de 1995 incide na hipótese de falta de apresentação de declaração Fl. 791DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11543.000484/200165 Acórdão n.º 2202002.671 S2C2T2 Fl. 4 5 de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado. Em se tratando de lançamento 'formalizado segundo o disposto no artigo 889 do Regulamento do imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n." 1,041, de 1994 (lançamento de oficio), cabe tão somente a aplicação da multa específica para lançamento de oficio, Impossibilidade da simultânea incidência de ambos os gravames, Preliminar de decadência acolhida Preliminar rejeitada Recurso parcialmente provido. A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do Colegiado, por maioria, acolher a preliminar de decadência em relação ao ano calendário de 1995, suscitada de ofício pela Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator). Por unanimidade de votos, rejeitar as demais preliminares e, no mérito, dar parcial provimento para excluir o item 3 da autuação, que trata da multa pelo atraso na entrega da declaração. Designado para redigir o Voto Vencedor o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva.” Cientificada do acórdão, a Fazenda Nacional opôs os Embargos de Declaração de fls. 541 a 544, acolhidos pelo Colegiado, prolatando se o Acórdão. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Constatada omissão no acórdão embargado, que deixou de apreciar matéria em litígio, acolhese os embargos para sanar o vício, com o exame da matéria esquecida. Embargos acolhidos Acórdão rerratificado A decisão foi assim resumida: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, acolher os embargos declaratórios para, retificando o acórdão 2201.00.380, desqualificar a multa de ofício, mantendo os demais itens da decisão embargada. Cientificada do Acórdão de Embargos em 16/04/2011 (fls. 563), a Fazenda Nacional interpôs, em 18/04/2011, o Recurso Especial de fls. 565 a 574, visando a revisão do julgado relativamente à decadência dos créditos referentes ao ano calendário de 1995. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho 220000.224, de 29/04/2011 (fls. 584 a 590). Em seu Recurso Especial, a Fazenda Nacional alega, em síntese, que, por força do art. 62ª do RICARF, no que tange à decadência, deve ser reproduzido o entendimento esposado pelo STJ no Resp 973733/SC, julgado na forma do art. 543C, do CPC. Nesse passo, pede a aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, tendo em vista a inexistência de pagamento. Fl. 792DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 A CSRF em 29/01/2013, acordam por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise do mérito. É o relatório. Fl. 793DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11543.000484/200165 Acórdão n.º 2202002.671 S2C2T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O CARF já se pronunciou sobre o lançamento do ano calendário de 1996 a 1999. Por força da decisão da CSRF, cabe agora apreciar o lançamento no que toca a matéria que não teria sido apreciada naquele acórdão no que toca ao acréscimo patrimonial a descoberto, Item 01 do auto de infração, relativa ao ano calendário 1995 Cabe registrar que na omissão rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto, o meio utilizado, no caso, para provar a omissão de rendimentos é a presunção. É o meio de prova admitido em Direito Civil, consoante estabelecem os arts. 136, V, do Código Civil (Lei nº 3.071, de 01/01/1916) e 332 do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869, de 11/01/1973), e é também reconhecido no Processo Administrativo Fiscal e no Direito Tributário, conforme art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, e art. 148 do CTN. A autoridade recorrida ao apreciar a matéria apresentou o seguinte arrazoado, extraído do acórdão da DRJ: Não se identifica nos autos qualquer elemento que afaste o entendimento expresso pela DRJ, de modo que o acompanho no que toca ao acréscimo patrimonial a descoberto. Tendo sido evidenciado pelo fisco a aquisição de bens e/ou aplicações de recursos, cabe ao contribuinte a prova da origem dos recursos utilizados. Isto é, a prova ex ante, de iniciativa do Fisco, redundará no ônus da contraprova pelo contribuinte. A Lei nº 7.713/88 estabeleceu uma presunção legal ao definir que os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados constituem rendimentos omitidos e, portanto, sujeitos à tributação. De modo geral, toda presunção é a aceitação como verdadeiro de um fato provável. Na maioria das vezes, a presunção é simples ou relativa (praesumptio iuris tantum) e seu efeito é a inversão do ônus da prova, cabendo à Fl. 794DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 parte interessada a produção de prova contrária para afastar o presumido. É o que ocorre no presente caso. A presunção legal aqui enfocada é relativa, impondo ao agente público o lançamento de ofício do imposto correspondente sempre que o contribuinte não justifique, por meio de documentação hábil e idônea, o acréscimo patrimonial a descoberto. Deste modo deve a recorrente evidenciar a origem de recursos que possibilitem cobrir as aplicações apontadas. No caso concreto, a recorrente não logrou apresentar uma documentação que possibilite demonstrar de modo claro, como obteve os recurso para formalizar a realização de dispêndio tão expressivos, naquela época. Urge destacar que quanto aos demais itens do auto de infração, este Conselho já proferiu acórdão, que naquelas partes que não foram objeto de Recurso Especial, mantémse aquela decisão. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso no que toca ao acréscimo patrimonial a descoberto no ano calendário de 1995. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 795DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10540.720146/2007-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Verificada a existência de contradição no julgado é de se acolher os Embargos de Declaração apresentados pela autoridade executora.
Embargos acolhidos.
Acórdão rerratificado.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-002.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos para, rerratificando o acórdão embargado, corrigir a conclusão do voto condutor do acórdão Acórdão n.º 2202-001.504, de 29/11/2011, para "dar provimento ao recurso", alterando igualmente a decisão constante no dispositivo do acórdão embargado.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada).
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Embargos acolhidos. Acórdão rerratificado. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos para, rerratificando o acórdão embargado, corrigir a conclusão do voto condutor do acórdão Acórdão n.º 2202001.504, de 29/11/2011, para "dar provimento ao recurso", alterando igualmente a decisão constante no dispositivo do acórdão embargado. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 01 46 /2 00 7- 04 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 01/06/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração apresentado pela Autoridade Executora, relativo ao Acórdão nº 2202001.504, de 29/11/2011. Aduz a Embargante, que notase que o lançamento só tem uma infração a alteração do valor da terra nua, e o acórdão se manifesta só sobre esse ponto, sendo favorável ao contribuinte. Entretanto a conclusão é pelo provimento parcial do recurso, sendo assim nota se que não há manifestação quanto a parte não provida. São esses os fatos, em síntese, passo a examinálos. Registrese que o voto do acórdão embargado foi por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer o Valor da Terra Nua – VTN declarado pela Recorrente. O relator ao apreciar o embargo, propôs o acolhimento do embargo pelo fato da contradição ser evidente. A presidência da Câmara, solicitou que o processo fosse encaminhado ao Conselheiro para inclusão em pauta. É o relatório. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 01/06/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10540.720146/200704 Acórdão n.º 2202002.610 S2C2T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os presentes Embargos foram opostos objetivando a manifestação desta C. Câmara quanto a contradição no acórdão, pois a conclusão é pelo provimento parcial do recurso, sendo assim notase que não há manifestação quanto a parte não provida. São esses os fatos, em síntese, passo a examinálos. Assiste razão a Autoridade Executora, ocorreu a contradição apontada. A conclusão do voto condutor é no sentido de dar provimento, mas por lapso ficou consignado dar provimento parcial. Na verdade o acórdão dá provimento ao recurso restabelecendo o valor declarado pelo recorrente como valor da terra nua – VTN. Em razão de todo o exposto, voto no sentido de acolher os Embargos para, rerratificando o acórdão embargado, corrigir a conclusão do voto condutor do acórdão Acórdão n.º 2202001.504, de 29/11/2011, para "dar provimento ao recurso", alterando igualmente a decisão constante no dispositivo do acórdão embargado.. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 301DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 01/06/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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