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Numero do processo: 13053.000910/2008-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 19 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-002.224
Decisão:
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 Ementa: PIS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA 0%. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. No regime da não cumulatividade, não tem direito ao crédito o contribuinte que adquire insumos sujeitos à alíquota 0%, para utilização como insumo de produto cuja receita seja tributada à alíquota 0%. Posição com fundamento no Art. 2.º, da Lei n. 10.833/03 (redação da Lei n. 10.865/04). PIS NÃO CUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. PROVA SUFICIENTE. INDUMENTÁRIA. Compete ao contribuinte a comprovação da existência, pertinência e liquidez do direito alegado. Comprovados os requisitos, o contribuinte pode se creditar dos valores despendidos com a necessária e obrigatória indumentária do pessoal, aplicado à produção. PIS NÃO CUMULATIVA. FRETE INTERNACIONAL. TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO REPRESENTADO POR AGENTE MARÍTIMO SEDIADO NO PAÍS. DIREITO DE CRÉDITO INEXISTENTE. Sujeito passivo que contrata frete internacional junto a transportador marítimo domiciliado fora do País, é representado por agente marítimo estabelecido no Brasil. O agente marítimo atua na condição de mandatário profissional do armador. Direito de crédito inexistente. CRÉDITO PRESUMIDO.AGROINDÚSTRIA. LEI NO 10.925/04. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 53 .0 00 91 0/ 20 08 -8 4 Fl. 799DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 13053.000910/200884 Resolução nº 3201002.224 S3C2T1 Fl. 799 2 O crédito do presumido de que trata o artigo 8.º, da Lei no 10.925/04 corresponde a 60% em função da classificação do produto, contudo, o tema não é parte do litígio porque não foi objeto do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: a) por unanimidade de votos, mantevese a glosa de créditos quanto às aquisições de produtos com alíquota zero e reconheceramse o créditos quanto às aquisições de EPIs (jalecos, aventais etc.); b) por maioria de votos, mantevese a glosa dos créditos sobre os valores despendidos com o frete internacional. Vencido, nesta parte, o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Declarouse impedida a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o(a) advogado(a) Carlos Eduardo Amorim, OAB/RS n º 40881. (assinatura digital) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA PRESIDENTE. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA RELATOR. (assinatura digital) CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO REDATOR DESIGNADO. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D’amorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Schappo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face da decisão de primeira instância da DRJ/RS de fls. 229, que não reconheceu o direito creditório do contribuinte. Como de costume, transcrevo seu relatório e Ementa: "Trata o presente processo de verificação e controle de PER/DCOMP transmitido eletronicamente em 24/12/2008, relativo ao terceiro trimestre de 2008, contendo pedido de ressarcimento de valores de PIS nãocumulativo (exportação), conforme fls. 01/05. Ao processo foram anexados, ainda, demonstrativos de valores, tabela informativa e documentos de procuração e identificação. Fl. 800DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 13053.000910/200884 Resolução nº 3201002.224 S3C2T1 Fl. 800 3 A Fiscalização da DRF de origem juntou documentos, tendo diligenciado no sentido da confirmação do direito ao ressarcimento pleiteado e elaborado o Relatório de *do Fiscal de fls. 115/118, acompanhado dos demonstrativos e planilhas de fls. 119/145 donde, no que interessa diretamente a este julgado, se pode extrair: 2. Glosa de aquisições com direito ao crédito das contribuições. Nas aquisições informadas pelo contribuinte estão incluídas várias compras de materiais que não dão direito ao crédito. Em primeiro lugar temos produtos que são vendidos com alíquota zero e desta forma não dão direito ao creditamento, conforme o inciso .11 do parágrafo 2° do artigo 3° das Leis 10.637, de 2002 e 10.833 de 2003. (...) Em seguida as aquisições de folhagens da posição 0602.90.90 da TIPI, que não são insumos das mercadorias produzidas pela empresa, sendo utilizadas somente como decoração. Finalmente temos um terceiro grupo de mercadorias adquiridas que são os Equipamentos de Proteção Individual — EPI fornecidos aos funcionários. (...) (...) estes últimos não são elementos que se enquadrem ern nenhuma das hipóteses de crédito elencadas no artigo 3° da Lei 10.833, fa que estes elementos não foram adquiridos para revenda nem se consideram como insuinos, sendo sua inclusão feita sem base legal. (fls. 115/116) 3. Valor acumulado de fretes de exportação. (...) Examinando a documentação apresentada chegamos à conclusão de que, na amostra considerada, apenas em um caso o prestador do serviço de transporte internacional é empresa domiciliada no Brasil (e mesmo assim utilizando um navio de propriedade da controladora P&O Nedlloyd). Ao agentes marítimos, estes sim são empresas nacionais, mas eles são meros prepostos dos armadores, para gerir ou administrar seus negócios inclusive cobrando os respectivos .fretes, que são o pagamento cia Doux Frangosul pela prestação do serviço de transporte. (...) Em resumo: a) não geram créditos aquisições de serviços isentos; b) se gerassem, seriam somente aquisições feitas a empresas brasileiras, e tal não é o caso da listagem apresentada. (fl. 117). Fl. 801DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 13053.000910/200884 Resolução nº 3201002.224 S3C2T1 Fl. 801 4 4. Outras irregularidades que não afetam o valor a ser ressarcido. A empresa não fez o preenchimento correto das linhas 01, 02, 03 e 07, mas afora o glosado item 01 do presente relatório a soma do valor das quatro linhas está correto. O cálculo do crédito presumido agropecuário está com valores superiores aos encontrados pela fiscalização. Porém isto não impacta no valor a ser ressarcido uma vez que ainda assim o crédito do mercado interno é superior a COFINS devida, ficando o crédito referente ao mercado externo liberado para o ressarcimento. (fl. 118). Na fl. 146 esta anexado o Despacho Decisório DRF/SCS no 060/2009, de 11/02/2009, onde o Sr. Delegado Substituto da Receita Federal do Brasil em Santa Cruz do Sul (RS), considerando o Relatório produzido pela Fiscalização, que aprovou, resolveu: a) reconhecer o direito creditório da empresa frente à Fazenda Pública da União no montante de R$ 2.380.741,78, referente ao PIS nãocumulativo exportação do 3° trimestre de 2008. A contribuinte tomou ciência do decidido administrativamente em 11/02/2009 (fl. 146) e, não conformada com a decisão, apresentou em 12/03/2009, através de procurador, a manifestação de inconformidade cuja cópia esta nas fls. 149/167, onde aponta os seguintes argumentos:(...)". Em relatório, a DRJ traz todo os argumentos da manifestação do contribuinte, que em resumo, defendeu o direito aos créditos de Pis e Cofins de aquisição de produtos com alíquota zero, direito ao crédito na compra de EPIs, nos fretes de exportação e o direito ao crédito presumido agropecuário. Após apresentar os argumentos da Manifestação de Inconformidade, a DRJ/RS terminou seu relatório nos seguintes termos: "Após a manifestação de inconformidade estão anexados os documentos de fls. 168/204. Nas fls. 205 e 208 foram anexados Termo de Renumeração e Pesquisa de Débitos, constando autorização para emissão de Ordem Bancária 011. 0 Orgão de origem remeteu o processo a esta DRJ (fl. 209)." O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 ATOS ADMINISTRATIVOS. EXISTÊNCIA DE ILEGALIDADES. Fl. 802DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 13053.000910/200884 Resolução nº 3201002.224 S3C2T1 Fl. 802 5 A apreciação de ilegalidade de leis, normas ou atos administrativos está deferida ao Poder Judiciário, por força do próprio texto constitucional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 APURAÇÃO DE CRÉDITOS. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. AQUISIÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. Com o advento da Lei n° 10.865, de 2004, que deu nova redação ao art.3° da Lei n° 10.637, de 2002, não mais se poderá descontar créditos relativos ao PIS, decorrentes de aquisições de insumos com alíquota zero, utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. EPI. CRÉDITO NA AQUISIÇÃO. As aquisições de Equipamentos de Proteção Individual utilizados na prestação de serviços não geram direito a crédito na apuração do PIS nãocumulativo. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. FRETE INTERNACIONAL. AGENTE MARÍTIMO. Os gastos com fretes internacionais arcados pela vendedora, decorrentes de exportação de produtos com a cláusula CIF, somente dão direito a crédito para desconto dos valores devidos a titulo de PIS, na sistemática de não cumulatividade, se o transportador for pessoa jurídica domiciliada no Pais, independentemente de o agente do transportador ter domicilio no Pais, e desde que sejam atendidos os demais requisitos normativos e legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Regularmente cientificada da decisão da DRJ, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual reprisa os argumentos de sua manifestação de inconformidade." Em fls. 291, este Conselho converteu os autos em diligência nos seguintes termos: "(a) Laudo técnico descritivo de todo o processo produtivo da empresa, subscrito por profissional habilitado e com anotação de responsabilidade técnica do órgão regulador profissional, com a indicação individualizada dos insumos utilizados (apenas os insumos objeto do litígio) dentro de cada fase de produção, com a completa identificação dos insumos e sua descrição funcional dentro do processo produtivo; (b) Identifique cada insumo à respectiva exigência de órgão público, se assim for, descrevendo o tipo de controle ou exigência, e qual o órgão que exigiu, apresentando o respectivo Fl. 803DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 13053.000910/200884 Resolução nº 3201002.224 S3C2T1 Fl. 803 6 ato (Portaria, Resolução, Decisão, etc) do órgão público ou agência reguladora." Após o cumprimento de diligência, os autos retornaram para este Conselho. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Conforme as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno, apresento e relato o seguinte Voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte conforme fls 228 e 229 (Vol. 2). A questão central para o deslinde do litígio fiscal consiste na análise do acerto da glosa realizada pela fiscalização nos créditos realizados em face de aquisição de produtos com alíquota zero, equipamentos de proteção individual EPI, valor acumulado de fretes de exportação e direito ao crédito presumido agropecuário. Valor acumulado de fretes de venda de mercadorias para exportação: Com relação ao crédito aproveitado pela recorrente sobre o preço dos serviços de frete internacional, glosados pela instância de origem, destarte adentrarmos à discussão se a pessoa jurídica, domiciliada no Brasil, contratada pela recorrente, é a transportadora ou agente marítimo, entendo que no caso concreto não está justificado na glosa, ou provado, se os prestadores dos serviços de transporte internacional contratados pela recorrente são companhias sediadas no exterior ou não. A alegação da fiscalização entendeu por descaracterizar a despesa com frete uma vez que o pagamento foi realizado a agenciador que repassa a parcela do pagamento ao efetivo transportador. Assim, como o pagamento não foi realizado diretamente ao transportador, a glosa foi realizada. É inegável, entretanto, que dentro do valor do pagamento realizado pela prestação do serviço de agenciamento realizado, existe uma parcela que diz respeito ao frete internacional contratado. De outro giro, se o mencionado frete não fizesse parte do preço cobrado, a mercadoria não seria embarcada e exportada. Assim, resta saber se o pagamento do preço do agenciamento descaracteriza a aquisição de um serviço de frete, ainda que embutido. Não parece razoável que o agenciador Fl. 804DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 13053.000910/200884 Resolução nº 3201002.224 S3C2T1 Fl. 804 7 possa realizar negócios em nome de transportadora internacional neste país se não o representasse. Desta feita, o contribuinte contratou, efetivamente, um frete internacional por intermédio de um representante, um intermediário. O fato do pagamento ter sido realizado dentro do país a pessoa jurídica aqui domiciliada, relativamente a um serviço de frete, justifica o direito ao crédito, portanto, com a razão o contribuinte. Ademais, a vedação ao crédito prevista para os serviços isentos, como mencionado na decisão de primeira instância, não se aplica aos fretes da venda, pois aplicase apenas aos itens revendidos ou utilizados como insumos em operações isentas, sujeitas à alíquota zero ou que não sofram incidência das contribuições. Tratase de prévia e correta capitulação adequada aos fatos, configurando o cumprimento do Art. 3, §3, inciso IX, da Lei 10.833/03, que prevê o crédito sobre as despesas com vendas, frete e armazenagem na operação de venda. Os fatos cumprem os requisitos postulados em lei, seja o pagamento à empresa sediada no Brasil em moeda corrente sem que haja remessa de divisa em uma despesa de frete na venda. Não há duvida de que o contribuinte paga o frete e não há dúvida de que estas empresas responsáveis pelo frete, estão sediadas no Brasil conforme contratos sociais juntados pelo contribuinte. São despesas realizadas com vendas do produto, relativas à prestação de serviço contratada no Brasil. Assim, se o frete ocorre dentro do Brasil ou não, se a empresa contratada subcontratou outra empresa que realiza a exportação, tratase de posterior relação jurídica diversa, sem conexão com os autos. E para consolidar, não há provas de que os prestadores dos serviços de transporte contratados pela recorrente para realizar a venda das mercadorias, são companhias sediadas no exterior. A fiscalização fez uma análise de direito mas não de fato, razão pela qual se este Conselho reconhecer o direito, as questões de fato que poderiam se contestadas estão preclusas por parte da fiscalização. A exemplo, a fiscalização poderia ter individualizado as operações de frete para venda e analisado em confronto com as operações, quais das empresas eram sediadas no Brasil. Assim, mesmo que se trate de um universo de 24 mil exportações com fretes a serem considerados base de cálculo de crédito das contribuições, o crédito deve ser reconhecido. O contribuinte sim, trouxe aos autos provas das principais empresas que realizaram sua operações de frete e comprovou que são domiciliadas no Brasil, juntou autorizações de pagamentos, Bill of Lading, recibos em reais e comprovantes das operações. A exemplo, podese visualizar nas fls. 17 à 35 as provas das operações, das fls. 35 a 54 se encontra Bill of Lading, nas fls. 505 a 560 os Contratos Sociais das empresas sediadas no Brasil, e das fls. 572 a 797 o contribuinte juntou novamente recibos em reais, autorizações de depósito e comprovantes das operações. Os principais contratados são com as empresas CMA CGM do Brasil Agência Marítima (Contrato Social fls. 35 a 40 e 537, Bill of Lading fls. 36), Maersk Brasil Brasmar Ltda (Contrato Social fls. 41 a 47 e 509, Bill of Lading fls. 41) e MSC Mediterranean Shipping Company SA (Contrato Social fls. 51 a 54 e 522). Neste tópico, o Recurso Voluntário merece provimento. Fl. 805DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 13053.000910/200884 Resolução nº 3201002.224 S3C2T1 Fl. 805 8 Equipamentos de Proteção Individual EPI Luvas, jalecos, aventais, e toucas e outros: Este Conselho de Contribuintes vem decidindo que o conceito de insumo para recuperação de créditos de PIS e COFINS não é idêntico ao conceito atribuído ao IPI, assim, mesmo que os produtos não tenham desgaste ou sejam destruídos no processo produtivo, mas que sejam necessários ao desenvolvimento da atividade sujeita à contribuição, o crédito deve ser garantido. Assim, considerando que uma indústria do setor agropecuário não pode operar sem as devidas concessões da Anvisa e que os EPI´s são, inclusive, por ela exigidos, não há como vedar o direito ao crédito das contribuições sobre tais custos do contribuinte que são derivados de exigências legais. Em fls. 314 e 349 está o Laudo Técnico pós diligência, que confirma a necessidade dos EPIs no setor em que atua o contribuinte. Assim, havendo a estrita necessidade e intensa utilização dos EPIs nas atividade do contribuinte, caracterizam os EPIs no conceito de insumo adotado por este conselho, que à distância da legislação do IPI, encontra respaldo em diversos precedentes como o Acórdão 930301.741. Neste tópico, o Recurso Voluntário merece provimento. Aquisição de Produtos com Alíquota Zero Pintos de um dia, leite, queijo e folhas naturais: Relativamente aos créditos, estes são vedados no caso de sua aquisição estar sujeita à alíquota zero ou isenção e sua aplicação como insumo ou revenda resultar em produto também isento, alíquota zero ou sem incidência da contribuição. Esta é a redação do inciso II do parágrafo 2° do artigo 3° da Lei n° 10.637/2002. Confira: “§ 2o Não dará direito a crédito o valor: I de mãodeobra paga a pessoa física; e II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição.“ Logo, duas condições devem ser verificadas para a vedação ao crédito. A primeira é se a aquisição foi desonerada e a segunda é se a receita foi desonerada. Ausente alguma dessas condições, o mencionado dispositivo não se aplica. Assim, as aquisições do Fl. 806DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 13053.000910/200884 Resolução nº 3201002.224 S3C2T1 Fl. 806 9 contribuinte desoneradas que foram objeto de exportação, não devem ensejar direito ao crédito das contribuições ao PIS/COFINS. Em análise de forma contextualizada aos fatos dos autos, sendo a exportação isenta, caso os insumos também o sejam, o crédito é vedado. Caso contrário, se os insumos forem tributados, o crédito seria garantido. Neste tópico, o Recurso Voluntário não merece provimento. Credito Presumido Agropecuário: Pelo que consta dos autos, não persiste nenhuma dúvida de que o contribuinte tem direito ao crédito presumido agropecuário, contudo e conforme item 4 do Relatório de Ação Fiscal (fls. 122 dos autos), denominado "outras irregularidades que não afetam o valor a ser ressarcido", a fiscalização conclui que o "crédito presumido está com valores superiores aos encontrados pela fiscalização", mas não fundamenta legalmente os percentuais utilizados para os cálculos, somente junta planilha nas fls. 122 e seguintes sem demonstrar a origem da discórdia levantada. Por todas as provas juntadas aos autos, não é fato controverso que o contribuinte atua nos setor de produtos alimentares derivados de aves, suínos, bovinos e outros animais (fls. 180 com o Estatuto Social e lista anexa ao Recurso Voluntário). O percentual definido para a base de cálculo dos produtos de classificação fiscal 15.01 a 15.06 é 60% conforme disposição legal expressa no § 10.º, do Art. 8.º da Lei 10925/2004, em combinação com o §3.º, reproduzido a seguir: “Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Fl. 807DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 13053.000910/200884 Resolução nº 3201002.224 S3C2T1 Fl. 807 10 Comum do Mercosul (NCM); (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013) (Vide Lei nº 12.839, de 2013) I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no art. 2o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2, 3, 4, exceto leite in natura, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18;(Redação dada pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência)" A fiscalização não demonstra a razão pela qual questiona o cálculo, nem tampouco identifica as divergências encontradas. O crédito presumido de que trata o artigo 8.º, da Lei no 10.925/04 corresponde a 60% em função da classificação do produto, contudo, o tema não é parte do litígio porque não foi objeto do lançamento. Diante de todos os tópicos apresentados, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário do contribuinte. É como voto. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Inicialmente, destaco que a divergência da maioria dos membros desta Turma em relação ao voto do nobre relator restringese à glosa de créditos com despesas relacionadas Fl. 808DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 13053.000910/200884 Resolução nº 3201002.224 S3C2T1 Fl. 808 11 ao serviço de frete internacional. A fiscalização entendeu que tais despesas não geram direito a crédito devido a terem como contratado pessoa jurídica não domiciliada no território nacional. A recorrente sustenta ter contratado o serviço junto a pessoas jurídicas domiciliadas no País, condição que é imposta pela Lei nº 10.833/03 para a apropriação do crédito. A fiscalização, por seu turno, sustenta que a pessoa jurídica a quem se refere a recorrente não é o transportador, mas sim seu agente marítimo. Delimitada a lide, esclarecese que o agente marítimo tem por função exercer a representatividade do armador em uma determinada localidade. Sinteticamente, sua função, na condição de auxiliar da navegação, é o de colaborar com a empresa armadora nas tarefas da armação e do transporte marítimo, dentre as quais se destaca a angariação de carga para os espaços disponíveis do navio (slot charters) e o controle das operações portuárias de carga e descarga. A definição legal do agente marítimo, por sua vez, encontrase estampada no art. 1º, III, da Portaria 48/95 da Secretaria de Vigilância Sanitária, vinculada ao Ministério da saúde, a qual defineo como “pessoa qualificada para representar um transportador e por ele ou em seu nome, autorizar todas as formalidades relacionadas com a entrada e despacho de embarcação, tripulação, passageiro, carga e provisão de bordo”. O agente marítimo, portanto, é a pessoa jurídica que o armador nomeia como seu mandatário, encarregandoo de representálo comercialmente, perante os contratantes de seus serviços, e também perante as autoridades administrativas dos portos de partida e destino. Em relação a sua natureza jurídica, opera o agente marítimo sob a figura do artigo 658 do Código Civil de 2002, como mandatário profissional do armador, que é verdadeiro encarregado do serviço de transporte. O STJ se pronunciou nesse sentido, conforme voto proferido pela Ministra Eliana Calmon, do qual se extraiu o excerto abaixo transcrito: O agente marítimo, relata Danielle Machado Soares (SOARES, Danielle Machado. O agente marítimo e sua responsabilidade jurídica. In: Revista de Direito do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, n.º 63, abril/junho 2005, p. 52), surgiu como mero auxiliar dos capitães dos navios nos portos estrangeiros. Nessa função, apenas facilitava o trâmite e os despachos diante das autoridades locais e dos comerciantes. Com a evolução do comércio marítimo e o aumento da rotatividade das embarcações, passou a praticamente substituir os capitães no tocante às questões técnicas provenientes do negócio marítimo, tornandose seu representante para atuar em seu nome, por sua conta e nos seus interesses. Hoje, a expressão agente marítimo ou ship broker denomina: ... pessoas encarregadas pelos armadores, ou por quem as suas vezes faça em cada caso particular, temporária ou permanentemente, do mandato de realizar as operações comerciais que originalmente corresponderiam ao capitão ou armador, nos portos de carga ou Fl. 809DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 13053.000910/200884 Resolução nº 3201002.224 S3C2T1 Fl. 809 12 descarga, de ajudar o capitão em qualquer operação e de cuidar dos interesses do navio e da carga, não só perante as autoridades, mas também nas relações privadas (SOARES, Luiz Dantas de Souza Soares. Agente de navegação responsabilidade civil. In: Revista de direito mercantil, n.º 34, abril/junho 1979, p. 54). O agente marítimo comprometese a representar o navio em terra, praticando em nome do armador ou capitão os atos que esse teria de realizar pessoalmente. Valese, para isso, de contrato consensual, bilateral e oneroso que corresponde perfeitamente à idéia do mandato profissional, figura jurídica tratada no art. 658 do CC de 2002. (recurso especial no. 731.226, j. 20.09.2007) (grifo nosso) Em sendo esta a natureza contratual existente entre armador e agente marítimo, os valores pagos foram pela recorrente ao agente marítimo pelo frete internacional de cargas na condição de mandatárias das empresas transportadoras. Estes, os armadores, que efetivamente perceberam tais valores. Como consequência, em sendo o agente marítimo um mero representante da pessoa jurídica que efetivamente presta o serviço de transporte, atuando por meio de verba de representação paga pela empresa transportadora, devese verificar, para fins de atendimento da vedação prevista pelo artigo 3º, §3º, inciso I, da Lei no. 10.833/03, o domicilio da empresa que presta o serviço de transporte, e não de sua mandatária. Assim sendo, tendo em vista que os contratos de transporte foram firmados com pessoas jurídicas não domiciliadas no Brasil, mostrase correta a glosa promovida pela autoridade fiscal, devendo ser mantida a decisão recorrida neste ponto. (assinatura digital) Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Redator Designado. Fl. 810DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 17/09/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 12/08/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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Numero do processo: 15532.720006/2011-27
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL.
Não serve como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar Súmula do CARF ou decisão definitiva do Superior Tribunal de Justiça em sede de "recurso repetitivo".
Numero da decisão: 9101-002.368
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte.
(assinatura digital)
MARCOS AURELIO PEREIRA VALADÃO (Presidente em exercício)
(assinatura digital)
LUÍS FLÁVIO NETO - Relator.
EDITADO EM: 24/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAÚJO (Suplente convocado em substituição à conselheira Maria Teresa Martinez Lopez), ANDRE MENDES DE MOURA, ADRIANA GOMES REGO, RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), MARCOS AURELIO PEREIRA VALADÃO (Presidente em exercício), LUIS FLAVIO NETO, NATHALIA CORREIA POMPEU.
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. (assinatura digital) MARCOS AURELIO PEREIRA VALADÃO (Presidente em exercício) (assinatura digital) LUÍS FLÁVIO NETO - Relator. EDITADO EM: 24/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAÚJO (Suplente convocado em substituição à conselheira Maria Teresa Martinez Lopez), ANDRE MENDES DE MOURA, ADRIANA GOMES REGO, RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), MARCOS AURELIO PEREIRA VALADÃO (Presidente em exercício), LUIS FLAVIO NETO, NATHALIA CORREIA POMPEU.
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Não serve como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar Súmula do CARF ou decisão definitiva do Superior Tribunal de Justiça em sede de "recurso repetitivo". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. (assinatura digital) MARCOS AURELIO PEREIRA VALADÃO (Presidente em exercício) (assinatura digital) LUÍS FLÁVIO NETO Relator. EDITADO EM: 24/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAÚJO (Suplente convocado em substituição à conselheira Maria Teresa Martinez Lopez), ANDRE MENDES DE MOURA, ADRIANA GOMES REGO, RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), MARCOS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 53 2. 72 00 06 /2 01 1- 27 Fl. 3725DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 24/08/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 AURELIO PEREIRA VALADÃO (Presidente em exercício), LUIS FLAVIO NETO, NATHALIA CORREIA POMPEU. Relatório Conselheiro Luís Flávio Neto, relator. Tratase de recurso especial interposto por TERMOMACAÉ LTDA. (doravante “TERMOMACAÉ”, “contribuinte” ou “recorrente”), em que é parte a Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN” ou “recorrida”), em face do acórdão nº 1101000.940 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela 1a Turma Ordinária da 1a Câmara desta 1a Seção (doravante “Turma a quo”). A discussão original envolve a cobrança de débitos de IRPJ e CSLL, em razão das imputações a seguir sintetizadas: (i) registro escritural de estorno de receita realizada de forma ilícita e sem respaldo em documentos hábeis e idôneos, que teriam resultado na supressão do IRPJ devido para o anocalendário de 2005; (ii) omissão de receitas de vendas declaradas na DIPJ 2006 (decorrente do estorno mencionado acima) incorridas com o propósito de suprimir os valores devidos a título de IRPJ para o anocalendário 2005 e possibilitar, por outro lado, o reconhecimento de crédito inexistente de saldo negativo de IRPJ; e (iii) utilização de conteúdo falso no reconhecimento e aproveitamento de crédito inexistente de saldo negativo de IRPJ para se eximir, por meio de compensação, do pagamento dos débitos tributários declarados compensados. Ao analisar a impugnação administrativa apresentada pela contribuinte, a respectiva DRJ, por meio do acórdão 1244.835, julgoua improcedente, mantendo os lançamentos de IRPJ e CSLL e das multas isoladas, em sua integralidade. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 RECEITAS DE OBRIGAÇÃO CONTRATUAIS. OMISSÃO. Mantémse o lançamento se não elididos os pressupostos que lhe deram causa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal, em face da estreita relação de causa e efeito entre ambos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2007, 2008, 2009, 2010 DECADÊNCIA. PRAZO. CONTAGEM. FRAUDE. Fl. 3726DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 24/08/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 9101002.368 CSRFT1 Fl. 3.698 3 Na hipótese de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para o lançamento se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Incide multa isolada sobre os débitos compensados indevidamente. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. INFRAÇÕES DISTINTAS. CONCOMITÂNCIA. É cabível a aplicação simultânea da multa isolada sobre compensação indevida e da multa de ofício. Nesse seguir, foi interposto pela contribuinte recurso voluntário ao CARF (fls. 2.744 e seg. do eprocesso). Ao julgar o caso, a Turma a quo prolatou acórdão assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2005 DIFERIMENTO DE TRIBUTAÇÃO INCIDENTE SOBRE O LUCRO. RESULTADOS DECORRENTES DE CONTRATAÇÕES COM ÓRGÃOS GOVERNAMENTAIS. RECEITAS PAGAS. Não prospera a pretensão de diferir resultados se provado que os valores devidos pela entidade equiparada foram pagos no período de apuração. INEXISTÊNCIA DE CONTRATO DE FORNECIMENTO DE MATERIAIS OU SERVIÇOS. IMPOSSIBILIDADE. A lei tributária não prevê o diferimento da tributação de outros resultados que não os decorrentes das operações de empreitada ou fornecimento de bens vinculados a contratos firmados com entidades governamentais. A tributação das contribuições de contingências devidas por entidade equiparada para manutenção do equilíbrio de contrato de consórcio, observa o regime de competência. RESCISÃO CONTRATUAL. EFEITOS RETROATIVOS. ALTERAÇÃO DE BASE TRIBUTÁVEL JÁ DEFINITIVA. IMPOSSIBILIDADE. Inadmissível a alteração da base tributável em razão de fatos verificados após o encerramento do período de apuração. POSTERGAÇÃO. Afastada parcialmente a acusação fiscal, e admitindose os efeitos retroativos do acordo firmado entre as partes no anocalendário 2006, a exigência fiscal deve ficar limitada às parcelas não recolhidas até a formalização do lançamento. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Correta a aplicação da multa qualificada sobre o crédito tributário que o sujeito passivo intencionalmente não quis recolher, promovendo falso estorno de receitas no período de apuração. Considerados os efeitos da postergação, a multa qualificada deve incidir, apenas, sobre as parcelas não recolhidas até a formalização do lançamento. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Caracterizado o evidente intuito de fraude na falta de recolhimento do crédito tributário lançado, o prazo para sua constituição, por meio do lançamento, é regido pelo art. 173 do CTN. EXERCÍCIO. DEFINIÇÃO. Segundo as normas de direito financeiro, o exercício corresponde ao ano civil (de 1o de janeiro a 31 de dezembro). FORMA DE CONTAGEM DO PRAZO ESTIPULADO NO ART. 173, I DO CTN. O prazo decadencial previsto no art. 173, I do CTN tem início no primeiro dia do ano civil posterior ao ano civil no qual o lançamento do tributo devido pode ser efetuado, e o lançamento somente pode Fl. 3727DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 24/08/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 ser efetuado depois de encerrado o período de apuração do tributo correspondente. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE. MULTA. O art. 18 da Lei nº 10.833/2003, desde sua redação original, sempre autorizou a aplicação de multa por compensação indevida quando caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. Como se pode observar, a decisão a quo decidiu (1) rejeitar a arguição de decadência; (2) dar provimento parcial ao recurso no que diz respeito à exigência principal, para fins de “reduzir as exigências de IRPJ e CSLL em razão de eventuais recolhimentos postergados nos períodos de apuração anteriores à formalização do lançamento”; (3) negar provimento ao recurso relativamente à multa proporcional aplicada às exigências do ano calendário 2005, bem como, (4) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à multa isolada por compensação indevida. Intimada da referida decisão, a contribuinte opôs Embargos de Declaração, apontando a existência de omissão, obscuridade e contradição. Os referidos embargos foram rejeitados (fls. 3.238 do eprocesso). Ato contínuo, o contribuinte interpôs recurso especial (fls. 3.300 e seg. do e processo), arguindo a divergência em relação a outras decisões proferidas por diferentes Turmas do CARF com relação às seguintes questões: Divergência relacionada à necessidade de decisão líquida – nulidade do acórdão recorrido: Como paradigmas, a recorrente apresentou acórdãos que reconheceriam “a necessidade de que o Fisco comprove o prejuízo decorrente da postergação e a nulidade de decisões que não sejam líquidas”; Ocorrência de decadência: Como paradigmas, a recorrente apresentou acórdãos que reconheceriam a necessidade da antecipação do termo inicial do prazo decadencial ainda que aplicável o art. 173 do CTN, para o dia do recebimento da DIPJ quando a sua entrega ocorrer no ano seguinte ao da ocorrência dos fatos geradores ou, ainda, ou para o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato gerador; Depositos em contabancária: Como paradigmas, a recorrente apresentou acórdãos que reconheceriam que o mero ingresso de recursos em contabancária em caráter precário não seriam qualificados como receita e não expressa qualquer sinal de riqueza do contribuinte; Inexistência de fraude e aplicação do disposto no art. 112 do CTN para afastar a imposição de multa qualificada: Como paradigmas, a recorrente apresentou acórdãos que seriam divergentes quanto à caracterização de fraude; Inaplicabilidade de multa de ofício e multa isolada de forma concomitante: : Como paradigmas, a recorrente apresentou acórdão que corroboraria a não cumulação de multa isolada e multa de ofício. Em 18/05/2015, foi proferido despacho de admissibilidade do recurso especial (fls. 3.578 e seg. do eprocesso), no qual foi dado parcial seguimento ao recurso especial da contribuinte, para que seja apreciado pela CSRF exclusivamente a divergência Fl. 3728DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 24/08/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 9101002.368 CSRFT1 Fl. 3.699 5 entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas nº 9101001.403, nº 0106.081, nº 1402 0042 no que concerne à decadência com fulcro no art. 173, inciso I, do CTN. A respeito dessa matéria, argumenta o contribuinte que, como a DIPJ foi apresentada em 23.05.2006, o lançamento tributário, realizado em 29.11.2011, teria sido alcançado pela decadência. Após a sua regular intimação, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso especial (fls. 3.661 e seg. do eprocesso), arguindo, quanto ao tema da decadência, em síntese: que no caso em tela, o fato de a contribuinte não ter antecipado o pagamento do tributo afastaria a aplicação do art. 150 do CTN “independente de haver declarado débitos em sede de DIPJ”, sendo “por conta disto que se procedeu ao lançamento de ofício da exação, na linha preconizada pelo art. 173, I, do CTN(...)”; que o STJ, no julgamento do REsp nº 973.733/SC, sob o rito do art. 543C do CPC, pacificouse o entendimento de que, não se verificando recolhimento de exação e montante a homologar, o prazo decadencial para o lançamento dos tributos sujeitos a lançamento por homologação segue a disciplina normativa do art. 173 do CTN, logo é norma que deve ser observada pelo CARF. faz menção ao REsp 1061971 / SP, RESP 23706/RS, ERESP 101407/SP , ao parecer PGFN/CAT nº 1617/2008 e ao acórdão nº 1302 001.490, proferido pela Segunda Turma da Terceira Câmara da Primeira Seção do CARF. Concluise, com isso, o relatório. Voto Conselheiro Luís Flávio Neto, relator. CONHECIMENTO No presente caso, a única questão sob análise consiste na contagem do prazo decadencial. As demais questões suscitadas no recurso interposto pelo contribuinte não foram conhecidas pelo despacho de admissibilidade, com preclusão processual. Com relação à matéria atinente à norma aplicável para contagem do prazo decadencial, o despacho de admissibilidade corretamente aferiu a existência de divergência entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido: Enquanto os acórdãos paradigmas 9101001.403 e 0106.081, ambos da CSRF, compreenderiam que, na hipótese de apresentação de DIPJ pelo contribuinte, a contagem do prazo decadencial prevista no art. 173 do Fl. 3729DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 24/08/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 CTN deveria ser antecipado para o dia de apresentação desta, o acórdão recorrido compreendeu que, na hipótese de aplicação do art. 173 do CTN, o termo inicial do prazo decadencial seria o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Enquanto o acórdão paradigma 140200442 compreendeu que o termo inicial do prazo decadencial, conforme a norma do art. 173 do CTN, seria o primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, o acórdão recorrido compreendeu que, na hipótese de aplicação do art. 173 do CTN, o termo inicial do prazo decadencial seria o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Não obstante, os referidos acórdãos paradigmas encontramse superados pela Súmula n. 101 do CARF, o que impossibilita o conhecimento do recurso especial interposto. A referida Súmula segue transcrita: Súmula CARF nº 101: Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Embora a Súmula CARF n. 101 não trate nominalmente de ambas as teses suscitadas pela recorrente, compreendo que estas estão abrangidas pelo enunciado sumular, que é amplo. As súmulas do CARF assumem a feição de precedentes com “força necessária para servir como ratio decidendi para o juiz subsequente”1. Com a súmula, os fundamentos adotados nos acórdãos paradigmáticos que provocaram a sua enunciação passam a ser aplicados em todos os demais casos que vierem a ser submetidos ao CARF com a discussão de questões semelhantes. Portanto, a compreensão dos acórdãos paradigmas da Súmula n. 101 do CARF é fundamental para a correta aplicação desta. Entre estes, destacase o acórdão n. 9202 003.130, de 27/03/2014, assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Data do fato gerador: 20/05/2002 DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o pagamento não se concretiza (artigo 173, I do CTN); e da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado (artigo 150, § 4º, do CTN). DECADÊNCIA. APLICAÇÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. 1 À semelhança do que ocorre com os recursos repetitivos do STJ. A respeito destes, vide: MESQUITA, José Ignácio Botelho et al. A repercussão geral e os recursos repetitivos: economia, direito e política, In: Revista de Processo, São Paulo, v. 38, n. 220, p. 1332, jun. 2013, p. 29. Fl. 3730DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 24/08/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 9101002.368 CSRFT1 Fl. 3.700 7 Por força do art. 62A do anexo II do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. REMESSA DE JUROS AO EXTERIOR. INCIDÊNCIA DE IRF. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. Não se verificando pagamento de IRF relativo à remessa de juros cujo fato gerador ocorreu em 20/05/2002, aplicase o art. 173, inciso I, do CTN, considerandose como termo inicial do prazo decadencial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Recurso especial provido. Também merece destaque o acórdão n. 1102000.939, de 08/10/2013, assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003, 2004, 2005 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. DECADÊNCIA. Em face da decisão contida no REsp nº 973.333SC, decidido na sistemática dos recursos repetitivos, ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para o lançamento de ofício é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Neste caso, decidiuse: “Voltando ao caso do presente processo, foi constatado o dolo implícito na sonegação apontada para todos os períodos autuados. Portanto, relativamente aos lançamentos do SIMPLES FEDERAL, referentes ao anocalendário de 2003 (exceto o de dezembro), o início do prazo decadencial deve ser contado a partir de 1 de janeiro de 2004. Como a ciência foi efetivada em 05/11/2008, há que se concluir que não havia sido ainda concluído o referido prazo. Obviamente, o lançamento referente a dezembro de 2003, que teria sua contagem iniciada em 1 de janeiro de 2005, poderia menos ainda ser questionado. Por sua vez, quanto aos lançamentos com base no lucro arbitrado, há que se reconhecer sua periodicidade trimestral. Assim, o início do prazo decadencial dos lançamentos referentes ao primeiro, segundo e terceiro trimestres de 2004 tiveram o início do prazo decadencial em 1 de janeiro de 2005. Como a cien̂cia foi efetivada em 04/08/2009, há também que se concluir que não houve o decurso do referido prazo. Obviamente, a conclusão será a mesma para o terceiro trimestre de 2004 e todos os trimestres de 2005”. Nesse contexto, compreendo que ambas as teses suscitadas pelo acórdão recorrido encontramse abarcadas pela Súmula CARF n. 101: Tese 1: na hipótese de apresentação de DIPJ pelo contribuinte a contagem do prazo decadencial prevista no art. 173 do CTN deve ser antecipado para o dia de apresentação desta. Ao dispor que, na Fl. 3731DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 24/08/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, a Súmula, bem como os paradigmas que a inspiraram, afasta a antecipação do prazo em questão para a data da apresentação da DIPJ; Tese 2: o termo inicial do prazo decadencial, conforme a norma do art. 173 do CTN, seria o primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador. Ao dispor que, na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, a Súmula, bem como os paradigmas que a inspiraram, rejeitam a tese em questão. Cumpre ainda observar que, embora o STJ tenha proferido o acórdão REsp 973.733/SC pela sistemática dos recursos repetitivos, a posição daquele Tribunal quanto à contagem do prazo de decadência foi revisada no EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 674.497/PR, cuja ementa segue transcrita: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. (EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 674.497/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 09/02/2010, DJe 26/02/2010) O referido precedente também pode ser considerado aplicável ao caso, o que prejudica, igualmente, o conhecimento do recurso especial. Nesse seguir, voto por NÃO CONHECER o recurso especial interposto. (assinatura digital) Conselheiro Luís Flávio Neto Relator Fl. 3732DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 24/08/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15532.720006/201127 Acórdão n.º 9101002.368 CSRFT1 Fl. 3.701 9 Fl. 3733DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 24/08/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10469.905509/2009-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INCONTROVERSO.
É de se reconhecer o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte quando ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à diligência.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.267
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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DIREITO CREDITÓRIO INCONTROVERSO. É de se reconhecer o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte quando ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à diligência. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório A empresa em epígrafe enviou PER/DCOM, com base em crédito oriundo de suposto "pagamento indevido ou a maior". Foi exarado despacho decisório eletrônico que não homologou a compensação sob o fundamento de que só foram encontrados pagamentos, "mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 55 09 /2 00 9- 43 Fl. 3087DF CARF MF Processo nº 10469.905509/200943 Acórdão n.º 3402003.267 S3C4T2 Fl. 3 2 O contribuinte manifestou sua inconformidade contra esse despacho, alegando que havia calculado as contribuições PIS/COFINS sobre seu faturamento total, quando, na verdade, a grande maioria de suas vendas são de frutas e verduras, as quais têm sua alíquota reduzida a 0% quando destinadas ao mercado interno, conforme art. 28 da Lei 10.865/2004. Contudo, alega que recalculou os impostos mas não retificou a DCTF, pelo que a RFB não teria encontrado a existência de crédito. Informa que para corrigir a situação foi feita retificação na DCTF relativa ao período. A DRJ/Recife julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Contra essa decisão a empresa manejou recurso voluntário, no qual repisa o disposto em sua manifestação de inconformidade, juntando notas fiscais. A 2ª Turma Especial desta 3ª Seção, por meio da Resolução 3802000.036, converteu o julgamento em diligência nos seguintes termos: Assim, diante dos elementos constantes dos autos, voto para a conversão do presente julgamento em diligência a fim de que a unidade preparadora, frente à documentação anexa ao processo e demais documentos e esclarecimentos que julgar necessários indagar à suplicante, se manifeste sobre a COFINS efetivamente devida no período de que trata o pleito. Considerando que o presente é um dos 31 processos em nome da interessada que trata de aduzido direito creditório pelo pagamento indevido da COFINS nos anosbase de 2005 e de 2006, poderão ser elaborados, para fins de atendimento à presente diligência, relatório e, sendo o caso, planilha demonstrativa única, em que sejam discriminadas as bases de cálculo mensais, a COFINS efetivamente devida e a COFINS paga em cada um dos períodos correspondentes. Em seu Relatório de Diligência Fiscal, a DRF/Natal reconheceu o direito creditório do contribuinte, em montante suficiente para homologar a compensação declarada, assim concluindo: (...)Assim sendo, esta unidade preparadora oferece ao CARF parecer pugnando pelo provimento do Recurso Voluntário apresentado nos processos em epígrafe relacionados. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.260, de 27 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10469.903727/200943, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.260): Fl. 3088DF CARF MF Processo nº 10469.905509/200943 Acórdão n.º 3402003.267 S3C4T2 Fl. 4 3 "Emerge do relatado que a própria RFB entende que o contribuinte tem direito ao crédito utilizado na compensação declarada. Assim, diante do resultado da diligência fiscal, é de ser reconhecido o crédito utilizado na compensação declarada, cujo montante é suficiente para sua homologação. Diante do exposto, dou provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dáse provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório utilizado na compensação declarada. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 3089DF CARF MF
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Numero do processo: 19311.720394/2011-00
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
CONHECIMENTO. VALORAÇÃO DE PROVAS SUPOSTAMENTE DECORRENTES DA MESMA SITUAÇÃO FÁTICA.
Em se tratando do acórdão recorrido e do(s) paradigmas de mesma situação fática com caracterizada identidade probatória, é de se conhecer do feito, sob pena de se possibilitar a manutenção de decisões definitivas conflitantes em sede administrativa diante de idêntico suporte fático-probatório.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. AUSÊNCIA DE PROVAS. CONCESSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTE COLETIVO DE PASSAGEIROS. RETENÇÃO.
Nos contratos administrativos de concessão de serviço público de transporte coletivo de passageiros o particular executa em seu nome, por sua conta e risco, o serviço delegado. Assim, inexistindo provas de que a Administração Pública exercia qualquer interferência direta nos serviços desempenhados pelos trabalhadores contratados, descaracterizado está o conceito de cessão de mão-de-obra para fins de aplicação da retenção prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/91.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9202-004.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que não o conheceram, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Junior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (presidente em exercício). Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SÃO PAULO SECRETARIA MUNICIPAL DE TRANSPORTES ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2006, 2007, 2008 CONHECIMENTO. VALORAÇÃO DE PROVAS SUPOSTAMENTE DECORRENTES DA MESMA SITUAÇÃO FÁTICA. Em se tratando do acórdão recorrido e do(s) paradigmas de mesma situação fática com caracterizada identidade probatória, é de se conhecer do feito, sob pena de se possibilitar a manutenção de decisões definitivas conflitantes em sede administrativa diante de idêntico suporte fáticoprobatório. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CESSÃO DE MÃO DEOBRA. AUSÊNCIA DE PROVAS. CONCESSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTE COLETIVO DE PASSAGEIROS. RETENÇÃO. Nos contratos administrativos de concessão de serviço público de transporte coletivo de passageiros o particular executa em seu nome, por sua conta e risco, o serviço delegado. Assim, inexistindo provas de que a Administração Pública exercia qualquer interferência direta nos serviços desempenhados pelos trabalhadores contratados, descaracterizado está o conceito de cessão de mãodeobra para fins de aplicação da retenção prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/91. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que não o conheceram, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 03 94 /2 01 1- 00 Fl. 994DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Junior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (presidente em exercício). Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Fl. 995DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720394/201100 Acórdão n.º 9202004.396 CSRFT2 Fl. 995 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o Município de São Paulo, por meio do qual exigese o recolhimento da Contribuição Previdenciária prevista no art. 31, §3º da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 9.711/98, c/c o art. 219, §2º, inciso XIX do regulamento da Previdência, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, caracterizada pela retenção de 11% sobre o valor do documento fiscal emitido em razão da prestação de serviço de transporte público de passageiros. O entendimento do fiscal foi no sentido de os serviços prestados pelas empresas contratadas mediante contrato administrativo de concessão de serviço público, regido pelas Leis nº 8.666/93 e 8.987/95, caracterizam verdadeira cessão de mãodeobra em favor da municipalidade e como tal estariam sujeitos a retenção da citada contribuição. O lançamento foi lavrado também contra a concessionária prestadora do serviço, classificada como responsável solidária da obrigação tributária. Em sede de Impugnação a Prefeitura Municipal de São Paulo defende que no caso em tela inexiste cessão de mãodeobra. Estaríamos diante de prestação de serviço público de transporte à população por meio de concessionários, os quais recebem como contrapartida as tarifas pagas pelos usuários os verdadeiros tomadores do serviço, portanto não haveria fato gerador do tributo. Argumenta que se quer foi feita a verificação se houve o devido recolhimento da contribuição pela empresa prestadora do serviço. A empresa solidária, entre outros argumentos, reforça o entendimento de inexistir fato gerador ensejador da retenção, tece esclarecimentos acerca das diferenças de concessão de serviço público e mera prestação de serviço ao Poder Público, afirma ter efetuado o recolhimento da totalidade da Contribuição Previdenciária incidente sobre a folha de pagamento dos funcionários vinculados ao contrato administrativo, defende a inexistência de solidariedade e questiona a base de cálculo apurada. A Delegacia de Julgamento acolhendo os argumentos das Impugnantes julgou procedente as impugnações. Para o colegiado nos contratos de concessão de serviço publico nos moldes do ora discutido não há cessão de mãodeobra. Expôs, por meio de um verdadeiro tratado, que não tendo sido configurada a cessão de mãodeobra, assim entendida a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a sua atividade fim, não há que se falar em obrigação de reter e recolher à previdência social a importância correspondente a 11% do valor da nota fiscal ou fatura emitida pela empresa contratada. Afastou ainda, expressamente, ad argumentandum tantum, a solidariedade passiva. Em recurso de ofício o Colegiado a quo confirmou, sem qualquer ressalva a decisão da Delegacia de Julgamento. Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional citando acórdão paradigma que segundo ela trataria de situação fática exatamente idêntica a do acórdão recorrido, mudando apenas a empresa contratada. Naquela oportunidade o colegiado entendeu estar caracterizada a cessão de mão obra na prestação de serviço de transporte urbano de passageiros no Município de São Paulo. Fl. 996DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Foram apresentadas contrarrazões reiterando os argumentos da peça de impugnação e requerendo a manutenção da decisão recorrida por seus próprios fundamentos. É o relatório. Fl. 997DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720394/201100 Acórdão n.º 9202004.396 CSRFT2 Fl. 996 5 Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Da delimitação da lide: Apenas à título de esclarecimento destaco que o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional insurgiuse apenas contra a parte da decisão que julgou o lançamento improcedente em razão da não caracterização da cessão de mãodeobra. Tanto a decisão da Delegacia de Julgamento quanto o acórdão recorrido, apesar de afastarem a ocorrência do fato gerador abordaram a questão da responsabilidade tributária e em ambas decisões concluise pela inaplicabilidade do instituto ao presente processo. Tal conclusão não foi objeto do recurso. Reforça as explicações acima o fato de o acórdão paradigma, apesar de ter concluído pela existência da cessão de mãodeobra, ter decido no sentido de inexistir solidariedade passiva entre a Prefeitura de São Paulo e a empresa cessionária do serviço de transporte. Também no entendimento daquele colegiado o "comando contido no inciso I do artigo 124 do CTN, que prevê a responsabilidade daqueles que têm interesse comum na ocorrência do fato gerador, não se aplica às hipóteses de contratação de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, pois a lei é clara ao delimitar a responsabilidade exclusiva do contratante (art. 31 c.c. art. 33, § 5°, da Lei n° 8.212/91)". Do conhecimento do recurso: Analisando o teor da decisão recorrida, do Recurso Especial e do acórdão apontado com paradigma, julgo pertinente haver uma reavaliação do juízo de admissibilidade da peça recursal. A Fazenda Nacional ao interpor seu recurso, afirma que a decisão recorrida, na parte em que considerou que os serviços de transporte coletivo público de passageiros noticiados nos autos não foram executados mediante cessão de mãodeobra, divergiu do entendimento dado ao Acórdão nº 2302003.083 da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária. Para a recorrente "a situação fática trazida no acórdão paradigma é exatamente idêntica à do acórdão recorrido, qual seja, caracterização de cessão de mãodeobra na prestação de serviço de transporte urbano de passageiros no Município de São Paulo, mudando apenas a empresa contratada". Lembramos que o recurso é baseado no art. 67, do Regimento Interno (RICARF), o qual define que caberá recurso especial de decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Fl. 998DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 No presente caso, ambas decisões recorrida e paradigma possuem o mesmo entendimento acerca da legislação, qual seja, é cabível a retenção de 11% sobre o valor do documento fiscal emitido em contratos administrativos que envolvem transporte coletivo de passageiros desde que fique configura cessão de mãodeobra. Percebese, portanto, que o objetivo do recurso interposto é na verdade a realização da revisão do juízo de valor exercido pelos julgadores da turma a quo, fato que conforme já me manifestei em outras ocasiões deveria ser suficiente para ensejar o não conhecimento do recurso. De toda forma, conhecendo o entendimento majoritário deste colegiado faço também outro apontamento que a meu ver nos leva a mesma conclusão. Segundo se depreende do relatório do acórdão paradigma o contrato objeto daquele lançamento, apesar de possuir traços semelhantes com o contrato ora discutido, possui uma especificidade: tratase de contrato de prestação de serviço, não submetido a processo de licitação e firmado única e exclusivamente para atender demanda emergencial da Municipalidade. E para chegar a minha conclusão cito parte do voto do Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, relator do acórdão paradigma: Compatibilidade entre Cessão de Mãodeobra e Concessão. Natureza Jurídica do Contrato. Nomen Iuris. Conceitos Doutrinários x Realidade dos Autos. Da análise dos autos, destacase, de largada, que importa muito pouco, para o presente voto, a forma de contratação dos serviços, se mediante delegação, nas suas formas de permissão e concessão; ou por intermédio de mero contrato administrativo de prestação de serviço. Importanos, muito mais, como, efetivamente, foram cumpridas as obrigações das partes, se mediante cessão de mão deobra ou não. (grifei) Ora, se nos dois processos estivéssemos diante de contratos administrativos de concessão de serviço público derivados do mesmo certame licitatório, poderíamos até supor que ambos seriam iguais, ou pelo menos semelhantes, não havendo qualquer variação substancial em suas cláusulas capaz de afastar o entendimento daquele colegiado caso o presente processo o fosse submetido. Ocorre que pelas circunstâncias fáticas que envolveram a celebração do contrato analisado pelo acórdão paradigma e a respectiva prestação do serviço (atendimento a uma situação emergencial), apesar da semelhança exposta pelo relatório, não tenho segurança em afirma que estamos diante de instrumentos com conteúdos análogos e cujos serviços foram prestados segundo as mesmas regras. Importante mencionar ainda o fato de (após o exame de admissibilidade) ter ocorrido a reforma do acórdão paradigma, tendo essa Câmara Superior em sua composição anterior e por unanimidade dos votos, concluído pela não configuração da "cessão de mãode obra determinada na Lei 8.212/1991 (colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços), mas sim a prestação de serviço determinado, em que o prestador assume o risco da atividade econômica, motivo do cancelamento do lançamento e do conseqüente provimento do recurso do contribuinte citado." Diante do exposto voto pelo não conhecimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 999DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720394/201100 Acórdão n.º 9202004.396 CSRFT2 Fl. 997 7 Do mérito: Vencida quanto ao conhecimento, passo a me manifestar quanto ao mérito do recurso o qual, conforme acima esclarecido, limitase a discutir se há nos autos elementos suficientes para caracterizar como cessão de mãodeobra a prestação de serviço público de transporte de passageiros contratado mediante contrato administrativo de concessão de serviço público. E neste aspecto comungo do entendimento externado pela decisão da Delegacia Fiscal e também do colegiado a quo para os quais inexiste provas quanto a ocorrência da cessão de mãodeobra haja vista a ausência de caracterização de um dos elementos essenciais: colocação do segurados empregados da contratada à disposição da contratante. A obrigação dos tomadores de serviços de cessão de mãodeobra de reterem 11% sobre as faturas e notas fiscais correspondentes está prevista no art. 31 da lei nº 8.212/91, com a seguinte redação: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mãodeobra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. § 1o O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. § 2o Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. § 4o Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 III empreitada de mãodeobra; IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. § 5o O cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante. § 6o Em se tratando de retenção e recolhimento realizados na forma do caput deste artigo, em nome de consórcio, de que tratam os arts. 278 e 279 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, aplicase o disposto em todo este artigo, observada a participação de cada uma das empresas consorciadas, na forma do respectivo ato constitutivo. No caso do serviços de transporte de passageiros a obrigatoriedade da retenção está prevista no art. 219, §2º, XIX do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99: Art.219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. §1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. §2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: ... XIX operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou subconcessão; ... A leitura dos dispositivos acima revelam que só estará obrigado à retenção aquele que contrata a cessão de mãodeobra. Assim, na prática, em cada contrato administrativo de prestação de serviços em favor do Poder Público, deve ser observado se há o elemento caracterizador da cessão de mãodeobra, qual seja, se os empregados do cedente são postos à disposição do tomador dos serviços, à semelhança do que ocorre em uma relação de emprego. Ora, como exaustivamente esclarecido na decisão de primeira instância e na decisão recorrida, estamos diante de contrato administrativo de concessão de serviço público de prestação de transporte coletivo de passageiros. Tal contrato é regido pelas leis 8.666/93 e 8.987/95 sendo que essa em seu art. 2º, II, conceitua concessão de serviço publico como sendo a delegação de funções essenciais do estado à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco e por prazo determinado: Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720394/201100 Acórdão n.º 9202004.396 CSRFT2 Fl. 998 9 O Doutrinador Hely Lopes Meirelles, na obra Direito Administrativo Brasileiro, 30ª edição, p. 370/371, esclarece que "serviços concedidos são todos aqueles que o particular executa em seu nome, por sua conta e risco, remunerados por tarifa, na forma regulamentar, mediante delegação contratual ou legal do Poder Público concedente. Serviço concedido é serviço do Poder Público, apenas executado por particular em razão da concessão". Os professores Roque Antonio Carrazza e Eduardo Domingos Bottallo (in Revista Dialética de Direito Tributária nº 169. p. 136), sintetizaram muito bem a diferença ora discutida: A cessão (ou locação) é espécie do gênero prestação de serviços e se configura quando esforço humano posto à disposição do contratante (tomador dos serviços) consiste na própria colocação da mãodeobra, para que este dela faça uso, segundo suas conveniências e necessidades. Por outro lado, pode haver a contratação de prestação de serviços mediante utilização de pessoal pertencente a quadro próprio do prestador, que se encarrega da respectiva execução, ou, em outras palavras, de dar cumprimento à assumida obrigação de fazer. Nestes casos, embora exista prestação de serviços, não há cessão de mãodeobra. Como vemos, o elemento diferenciador entre a prestação de serviço (gênero) e a cessão ou locação de mãodeobra (espécie) reside no seguinte: se não houver subordinação dos empregados ao contratante (tomador de serviços), não haverá cessão ou locação de mãodeobra, mas apenas prestação de serviço. Já pelo contrário, se a sujeição dos empregados às ordens do tomador do serviço for característica marcante do contrato, então, aí sim, haverá autêntica prestação de serviços mediante cessão ou locação de mãodeobra. Diante dessa premissa é possível afirmar com segurança que no caso concreto não houve cessão de mão de obra, afinal o objeto do contrato era exatamente a prestação de um serviço pelo particular e não a contratação de mão de obra pelo Município. Para Prefeitura de São Paulo não importava a forma como os segurados empregados da contratada iriam executar o serviço, esses trabalhavam sob a gerência da própria contratada, o que lhe importava era o produto final da prestação: transporte eficiente, contínuo e com segurança a todos os cidadãos. Na prática são poucos os contratos de concessão de serviço público celebrados pela Administração Pública em que esta interfere diretamente nos trabalhos desenvolvidos pelo particular contratado, na grande maioria dos casos o ente não exerce qualquer ato de coordenação direta sobre os trabalhos da empresa contratada. Em regra o Poder Público limitase a verificar o regular cumprimento do contrato nos termos em que fixado pelo edital e essa interferência indireta é decorrência lógica do fato de a concessão ser sempre feita no interesse da coletividade, e, assim sendo, o concessionário ter o dever de prestar o serviço em condições adequadas para o público. A própria Constituição Federal, art. 175, parágrafo único, prevê esse Poder Dever da Administração Pública de regulamentar e fiscalizar os contratos de concessão de serviços públicos, exigindo do legislador a edição de lei para dispor sobre (I) o regime das Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 empresas concessionárias e permissionárias de serviços públicos, o caráter especial de seu contrato e de sua prorrogação, bem como as condições de caducidade, fiscalização e rescisão da concessão ou permissão; (II) os direitos dos usuários; (III) política tarifária; e (IV) a obrigação de manter serviço adequado. E aqui estamos falando da já citada Lei nº 8.987/95, cujo art. 23 traz quais são as cláusulas essenciais que devem constar dos contratos administrativos de concessão de serviço público: Art. 23. São cláusulas essenciais do contrato de concessão as relativas: I ao objeto, à área e ao prazo da concessão; II ao modo, forma e condições de prestação do serviço; III aos critérios, indicadores, fórmulas e parâmetros definidores da qualidade do serviço; IV ao preço do serviço e aos critérios e procedimentos para o reajuste e a revisão das tarifas; V aos direitos, garantias e obrigações do poder concedente e da concessionária, inclusive os relacionados às previsíveis necessidades de futura alteração e expansão do serviço e conseqüente modernização, aperfeiçoamento e ampliação dos equipamentos e das instalações; VI aos direitos e deveres dos usuários para obtenção e utilização do serviço; VII à forma de fiscalização das instalações, dos equipamentos, dos métodos e práticas de execução do serviço, bem como a indicação dos órgãos competentes para exercêla; VIII às penalidades contratuais e administrativas a que se sujeita a concessionária e sua forma de aplicação; IX aos casos de extinção da concessão; X aos bens reversíveis; XI aos critérios para o cálculo e a forma de pagamento das indenizações devidas à concessionária, quando for o caso; XII às condições para prorrogação do contrato; XIII à obrigatoriedade, forma e periodicidade da prestação de contas da concessionária ao poder concedente; XIV à exigência da publicação de demonstrações financeiras periódicas da concessionária; e XV ao foro e ao modo amigável de solução das divergências contratuais. Mais uma vez tomando os ensinamentos do Administrativista Hely Lopes Meirelles (Direito Administrativo Brasileiro, 30ª edição p. 379/380) ressaltamos: a "fiscalização do serviço concedido cabe ao Poder Público concedente, que é o fiador da sua regularidade e boa execução perante os usuários. Já vimos que serviços públicos e serviços de Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720394/201100 Acórdão n.º 9202004.396 CSRFT2 Fl. 999 11 utilidade pública são sempre serviços para o público. Assim sendo, é dever do concedente exigir sua prestação em caráter geral, permanente, regular, eficiente e com tarifas módicas (art. 6º, §1º). Para assegurar esses requisitos, indispensáveis em todo serviço concedido, reconhecese à Administração Pública o direito de fiscalizar as empresas, com amplos poderes de verificação de sua administração, contabilidade, recursos técnicos, econômicos e financeiros, principalmente para conhecer a rentabilidade do serviço, fixar as tarifas e punir as infrações regulamentares e contratuais." A meu ver as cláusulas integrantes do contrato celebrado entre a Prefeitura de São Paulo, por meio de sua Secretaria Municipal de Transportes, e o particular prestador do serviço, que na visão da Fiscalização ajudaram a caracterizar a cessão de mão de obra, são cláusulas que visaram exclusivamente dar cumprimento a determinação legal. Vale citar: trajetos e horários das viagens, quantidade e qualidade dos recursos materiais e humanos empregados, forma de remuneração direta (tarifas) e indireta (receitas adicionais), entre outros. No mais, parece inexistir fundamento para a alegação de que teria ocorrido a cessão de mãodeobra pelo simples fato de que a empresa contratada deixou de contar com a força do labor dos profissionais 'cedidos', ou seja, esses não estariam disponíveis para realização de outro trabalho; por questão lógica uma mesma pessoa não pode, em um mesmo momento, desempenhar suas funções em dois locais distintos. Vale citar ainda, que inexistia no contrato qualquer cláusula de exclusividade de atuação de determinado funcionário. Portanto, não havia qualquer impedimento do trabalhador ser deslocado pelo particular para exercer outras funções, o que havia era o impedimento de que o serviço fosse interrompido, devendo a contratada diligenciar no sentido de haver a manutenção do número de funcionários suficientes para o seu fiel cumprimento do contrato. Destacase que entre cláusulas contratuais que tratavam de mãodeobra havia apenas a exigência de operar somente com pessoal devidamente capacitado e habilitado, mediante contratações regidas pelo direito provado e legislação trabalhista, assumindo todas as obrigações delas decorrentes, não se estabelecendo qualquer relação jurídica entre os terceiros contratados pelo operador e o Poder Público, e ainda a obrigação de apresentar, quando solicitado, a comprovação de regularidade das obrigações previdenciárias e para com o FGTS. O fato de haver previsão de serem estabelecidos critérios (cláusula 19.1.25) para realização dos descontos das parcelas da remuneração dos funcionários destinados ao pagamento do INSS, a meu ver, tratase de questões operacional necessária. Estamos diante de um mesmo serviço que visa atender usuários de todo o município, entretanto é prestado por pessoas jurídicas distintas. Para não haver tratamento desigual entre os funcionários contatados pelo particular, gerando conflitos que poderiam prejudicar a correta prestação do serviço em sua totalidade, era crível que se estabelecesse um tratamento padrão. No mais, importante citar que o art. 71 da Lei nº 8.666/93 deixa claro que a responsabilidade pelos 'encargos trabalhistas' é da empresa contratada, sendo o Poder Público solidário apenas nos casos do descumprimento das obrigações previdenciárias: Art. 71. O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato. Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 § 1o A inadimplência do contratado, com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento, nem poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificações, inclusive perante o Registro de Imóveis. § 2o A Administração Pública responde solidariamente com o contratado pelos encargos previdenciários resultantes da execução do contrato, nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. E aqui julgo pertinente fazer uma consideração sobre a remissão ao art. 31 da Lei nº 8.212/91. Por ora tenho dúvidas se a intenção do legislador foi a de exigir dos entes públicos a retenção dos 11% sobre a prestação do serviço. Isso porque a redação do art. 71 da Lei nº 8.666/93 foi dada pela Lei nº 9.032/95, sendo que nessa época a redação do art. 31 da Lei nº 8.212/95 não trazia qualquer previsão de retenção, na verdade apenas afirmava nos termos do parágrafo segundo que a Administração Pública era responsável solidária com os contratantes em relação aos débitos previdenciários. A obrigação da retenção surge a primeira vez apenas em 1998, com redação dada ao art. 31 pela Lei nº 9.711. Por fim, apesar de não ser esse o entendimento da maioria deste colegiado, manifestome que deve ser considerado o fato de que a retenção cobrada nada mais é do que uma antecipação do valor devido à título de contribuição correspondente aos 20% sobre a remuneração paga aos segurados. Assim, mesmo que tenha sido descumprida a obrigação e mesmo que haja a presunção de retenção nos termos do art. 33, §5º da Lei nº 8.212/91, a meu ver, essa regra não legitima a cobrança em duplicidade do crédito tributário, ou seja, havendo prova de que a empresa contratada pagou corretamente o débito (como ocorre nos autos), seria inviável exigirse o correlato crédito do Poder Público. Diante do exposto, ausente qualquer prova capaz de caracterizar cessão de mão de obra, nego provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720394/201100 Acórdão n.º 9202004.396 CSRFT2 Fl. 1000 13 Voto Vencedor Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao posicionamento esposado pela Relatora, ouso discordar quanto ao conhecimento do pleito. Inicialmente, admito já ter me posicionado no sentido de não estar contemplada na cognição desta instância a solução de divergências decorrentes de exclusiva divergente valoração probatória na instância ordinária, a qual deveria ser resolvida através do instituto processual da conexão entre feitos (vide, a propósito, Declaração de Voto no âmbito do Acórdão CSRF 9202004.252, de 22 de junho de 2016). Todavia, vislumbro necessidade de rever o referido posicionamento, especificamente no caso em que haja identidade fáticoprobatória nítida entre Acórdão recorrido e paradigma, de forma a que, uma vez também não mais se devendo declarar conexos os processos (recomendável somente a conexão até o momento da distribuição, agora, em meu entendimento), caso não se conheça do Recurso, possa se estar a referendar decisões definitivas conflitantes em termos de critério jurídico aplicado em casos com nítida identidade fático probatória. Explico melhor. Há casos em que, repitase, temse: a) Identidade fático probatória caracterizada entre os feitos recorrido e paradigma(s); b) As decisões de piso são conflitantes em termos do critério jurídico aplicado aos dois cenários fáticoprobatórios (idênticos para fins de aplicação da solução jurídica) e c) Não é mais recomendável que se declare, a esta altura, a conexão entre os feitos, visto que um deles ou ambos já foi objeto de distribuição, de forma a que, assim, reste priorizado por este Órgão o princípio do juiz natural e garantida, desta forma, a completa imparcialidade deste Conselho, objetivonúcleo de tal princípio. Em tal cenário (e somente neste cenário, onde presentes as três condições acima, de forma cumulativa) entendo que, a fim de evitar a insegurança jurídica que adviria da prolação, por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de duas soluções jurídicas distintas, de caráter definitivo, diante de idênticos arcabouços fáticoprobatórios, deva se debruçar também esta Câmara Superior, aqui, sobre o Recurso Especial admitido, buscandose, assim, que se tenha, no âmbito deste CARF, decisões jurídicas uniformes acerca de um mesmo tema, quando considerados idênticos cenários fáticoprobatórios. Feita tal digressão e atendome especificamente agora ao caso em concreto, novamente com a devida vênia ao entendimento esposado pela Relatora, vislumbro clara identidade entre as situações fáticas dos Acórdãos recorrido e paradigma e também entre os contratos utilizados para fins de contratação do transporte público de passageiros sob análise nos feitos recorrido e paradigmático, não interferindo, em meu entendimento, para fins de análise da caracterização ou não do instituto de cessão de mão de obra (cerne do caso em questão), nem o nomen juris do contrato e nem a modalidade sob o qual foi realizado (mesmo certame licitatório ou não), sendo relevante, sim, a meu ver, a coincidência entre as cláusulas contratuais de interesse para análise do instituto, de forma a ter restado caracterizada, assim, a identidade fáticoprobatória supramencionada. Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 14 Destarte, diante de tal cenário, em que pese meu entendimento anteriormente manifestado acerca do limite de cognição desta Turma estar limitada a solução de divergências de natureza exclusivamente interpretativa, curvome, aqui, uma vez, repitase, caracterizada as divergentes decisões de piso em cenários fáticoprobatórios idênticos para fins de caracterização do instituto de cessão de mão de obra, e, também repetindo, uma vez não mais recomendável a reunião dos feitos por conexão a esta altura (há feito distribuído já em julgamento), à necessidade de se conhecer do pleito fazendário, sob pena de se estar a promover grave insegurança jurídica pela possibilidade de manutenção, por este CARF, de decisões administrativas definitivas conflitantes, sem que se caracterize, entre os diferentes casos, dessemelhança suficiente, seja quanto à situação fática, seja quanto aos elementos de prova relevantes para a decisão do feito. Assim, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13748.720707/2013-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE.
Comprovado pelo contribuinte a efetividade dos pagamentos ao plano de saúde para despesas próprias e de sua beneficiária, deve ser afastada a glosa realizada pela autoridade fiscal.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.381
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. Comprovado pelo contribuinte a efetividade dos pagamentos ao plano de saúde para despesas próprias e de sua beneficiária, deve ser afastada a glosa realizada pela autoridade fiscal. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento. Maria Cleci Coti Martins - Presidente Carlos Alexandre Tortato - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira.
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PLANO DE SAÚDE. Comprovado pelo contribuinte a efetividade dos pagamentos ao plano de saúde para despesas próprias e de sua beneficiária, deve ser afastada a glosa realizada pela autoridade fiscal. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento. Maria Cleci Coti Martins Presidente Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 72 07 07 /2 01 3- 77 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº. 0251.834 (fls. 40/42), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), que julgou improcedente a impugnação (fl. 02) do contribuinte, conforme ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 DESPESAS MÉDICAS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considerase não impugnada a glosa de despesas médicas que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Matéria não discutida na peça impugnatória é atingida pela preclusão, não mais podendo ser debatida na fase recursal. PLANO DE SAÚDE. GLOSA. DISCRIMINAÇÃO POR TITULAR E BENEFICIÁRIOS. AUSÊNCIA DA PROVA. Mantémse a glosa de dedução quando o sujeito passivo é instado a discriminar o titular e beneficiários do plano de saúde e deixa de apresentar documentos aptos a fazêlo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Notificação de Lançamento de n° 2012/875401591370594 (fls.04/08) exigiu do contribuinte o recolhimento do crédito tributário no valor de R$ 1.087,15, referente a imposto sobre a renda de pessoa física. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 06/07) a fiscalização informa a glosa de R$ 8.369,17 correspondente à Dedução Indevida de Despesas Médicas, nos seguintes termos: Fl. 107DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 13748.720707/201377 Acórdão n.º 2401004.381 S2C4T1 Fl. 107 3 Para demonstrar a efetividade das despesas médicas, o contribuinte argumentou sua peça impugnatória (fl. 2), alegando, em síntese: a) Que não concorda com o valor de R$ 8.369,17 da infração, questionando o valor de R$ 7.969,17. b) Que o valor referese a despesas médicas do próprio contribuinte. Para a DRJ/BHE, a impugnação foi considerada improcedente, repisando, em suma, os argumentos da autoridade fiscal, quais sejam, os documentos acostados pelo contribuinte não faziam prova da efetiva prestação de serviço e do pagamento correspondente. Como o contribuinte não se opôs à glosa de despesas médicas no valor de R$ 400,00, relativa ao serviço de instrumentação cirúrgica prestada por Ana Paula Chaves Mineiro, considerouse a preclusão da matéria não impugnada. Intimado do acórdão da DRJ/BHE em 10/12/2013 (A.R. fl. 45), o recorrente apresentou o seu recurso voluntário (fl. 46) em 30/12/2013, onde, reitera as alegações já trazidas em sede de impugnação, e acosta ao recurso novos documentos a fim de provar que é contribuinte de plano de saúde Amil, declarando, portanto, que contribuiu para o referido plano no ano de 2011. É o relatório. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato – Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O fundamento legal a justificar as glosas, conforme a autoridade fiscal, foi a Declaração de Serviços Médicos – Dmed, instituída pela Instrução Normativa RFB n° 985 de 22 de dezembro de 2009, que assim dispõe: Art. 1º Fica instituída a Declaração de Serviços Médicos e de Saúde (Dmed), que deverá conter informações de pagamentos recebidos por pessoas jurídicas prestadoras de serviços de saúde e operadoras de planos privados de assistência à saude. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.055, de 13 de julho de 2010) Ainda, realizada consulta ao banco de dados da Administração tributária (Sistema Dmed), a DRJ/BHE informa não ter sido indicada a existência de pagamentos efetuados pelo contribuinte em benefício de operadores de plano de saúde, razão pela qual mantevese a glosa. Em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe ao processo administrativo uma série de documentos a fim de atestar que é titular do plano de saúde AMIL – plano empresa, sendo eles: Fl. 109DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 13748.720707/201377 Acórdão n.º 2401004.381 S2C4T1 Fl. 108 5 Trazidas as provas em comento pelo contribuinte, cabe cotejálas com as razões apontadas pelo AFRFB como suficientes para manter o crédito tributário exigido glosando as despesas declaradas pelo contribuinte. Pois bem. A consulta ao banco de dados – Sistema Dmed – não pode, por si só, ser considerada o único meio probatório válido, quando trazidos aos autos outras comprovações, por meio de documentos idôneos, que caracterizam ser o contribuinte titular de plano de saúde. Assim, muito embora na consulta realizada ao Sistema Dmed não tenha sido indicado a existência dos pagamentos recebidos, os documentos apresentados em sede de Recurso voluntário, especialmente o demonstrativo de pagamentos efetuados no ano de 2011, emitido pela empresa Amil (Fl. 52), configuram a veracidade da defesa do Sr. Antônio Jayme Aurora Filho. Nesse contexto, sintome confortável em afastar a glosa realizada pela autoridade fiscal, ante o contexto fático produzido pelo contribuinte, que dá força probante aos documentos trazidos aos autos e me permite afirmar, com tranquilidade, que as despesas foram de fato incorridas. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer as despesas médicas no valor de R$ 7.969,17 (sete mil, novecentos e sessenta e nove reais e dezessete centavos). É como voto. Carlos Alexandre Tortato. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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Numero do processo: 10882.900419/2009-85
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.991
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente SHERWINWILLIAMS DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 04 19 /2 00 9- 85 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900419/200985 Acórdão n.º 9303003.991 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3801004.957, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 168DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900419/200985 Acórdão n.º 9303003.991 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900419/200985 Acórdão n.º 9303003.991 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900419/200985 Acórdão n.º 9303003.991 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 171DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900419/200985 Acórdão n.º 9303003.991 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900419/200985 Acórdão n.º 9303003.991 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900419/200985 Acórdão n.º 9303003.991 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 174DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10580.726326/2009-87
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS.
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS.
Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, trata-se de juros tributáveis.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte
Numero da decisão: 9202-004.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida , inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López que lhe deram provimento integral.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator
EDITADO EM: 17/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, tratase de juros tributáveis. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 63 26 /2 00 9- 87 Fl. 316DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida , inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López que lhe deram provimento integral. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente e Relator EDITADO EM: 17/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10530.724190/200966. Tratase de Auto de infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe para cobrança de IRPF sobre rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça da Bahia, a título de valores indenizatórios de URV. Tais rendimentos decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor (URV) em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei 8.730/2003, do Estado da Bahia. Importante destacar, ainda que referida Lei dispôs serem de natureza indenizatória as verbas em questão. No entendimento da autoridade fiscal, as diferenças recebidas pelo contribuinte têm natureza salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, portanto, são tributáveis pelo IRPF, sendo irrelevante a denominação dada pela Lei do Estado da Bahia. Para a apuração do imposto devido foi considerado os valores das diferenças salariais, incluindo atualização e juros. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, que fora julgada totalmente improcedente. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726326/200987 Acórdão n.º 9202004.104 CSRFT2 Fl. 323 3 Ato seguinte, tempestivamente foi apresentado Recurso Voluntário, que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício. Inconformado com essa decisão o contribuinte, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, alegando, em resumo: a) Sobrestamento do feito dado que o STF reconheceu repercussão geral no que se refere aos rendimentos recebidos acumuladamente; b) Os rendimentos previstos na Lei Estadual 8.730/2003 tem a mesma natureza daqueles mencionados pela Lei Federal nº 10.477/2002, que trata do pagamento de diferenças de URV a membros do Ministério Público Federal; c) É aplicável ao caso a mesma interpretação dada pelo STF através da Resolução 245/2002, que reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV pagas aos membros da magistratura federal; d) Quebra da isonomia quando se dispensa tratamento tributário diverso em relação às diferenças de URV pagas aos membros da magistratura Federal e aos membros do MPF em relação aos membros do Ministério Público Estadual; e) Vicio material na formação da base de cálculo do IRPF, na medida em que não foi observado o regime de competência em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente; f) Não incidência do IRPF sobre juros moratórios Na análise de admissibilidade, foi dado parcial seguimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para que seja reapreciada a questão da não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e para que seja rediscutida a não incidência de Imposto de Renda sobre rendimentos correspondentes a juros de mora. Regularmente intimada o a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, alegando, em síntese: a) Em consonância ainda com o art. 16 da Lei nº 4.506/64, serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado, para fins de incidência do Imposto de Renda, todas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício de empregos, cargos ou funções. Logo, os valores recebidos a título de diferenças no cálculo da URV possuem natureza salarial e estão sujeitas ao imposto de renda. b) Não há Lei que isento do imposto de renda referidos rendimentos; Fl. 318DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 c) A Resolução STF nº 245/2002 é restrita ao abono variável aplicável aos membros da Magistratura da União, e, por determinação expressa do Parecer PGFN n° 923/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, está fora da incidência tributária do imposto de renda também para os membros do MPF. Atribuir aos rendimentos em análise a mesma natureza do abono variável das Leis n°s 10.477/2002 e 9.655/98 seria alargar as fronteiras da nãoincidência tributária sem previsão de Lei Federal para tanto. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.091, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10530.724190/200966, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.091): A solução do litígio será delineada através de itens que enfrentam de forma integral, os argumentos apresentados pela recorrente, respeitandose, ainda, a ordem dos quesitos apresentada, limitandose aqui, todavia, às matérias para as quais se deu seguimento ao pleito do contribuinte : a) Quanto à não incidência do IRPF pela natureza supostamente indenizatória das verbas recebidas, à aplicação da Lei Estadual no. 8.730, de 2003, e da Resolução STF no. 245, de 2002. Reitero aqui, inicialmente, considerações que teci quando do julgamento de feito semelhante no âmbito da 1a. Turma Ordinária 1a. Câmara da 2a. Seção deste CARF (Acórdão no. 2.101002.724), mantendo de forma integral meu posicionamento acerca do assunto, que assim se resume: a.1) Da natureza das verbas recebidas e da Lei Estadual 8.730, de 2003 Cumpre, primeiramente, salientar que os rendimentos de que trata o presente processo foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em atendimento ao disposto pela Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, a qual, dentre outras disposições, preceitua que a verba em questão é de natureza indenizatória. Para melhor entendimento, transcrevemos, a seguir, os artigos 4° e 5° da Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003: Fl. 319DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726326/200987 Acórdão n.º 9202004.104 CSRFT2 Fl. 324 5 Art. 4º As diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias n os. 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal, serão apuradas, mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de julho de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 4º desta Lei. Com efeito, da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, é possível concluir, tal como concluiu a parte recorrente, que foi atribuída, pelo Estado da Bahia, natureza indenizatória às diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração dos magistrados, de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária em questão. Todavia, do exame desses dispositivos isoladamente, é impertinente inferir que se tratam de rendimentos isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa física. Em primeiro lugar, a competência para legislar sobre o imposto sobre a renda é da União, e a lei acima transcrita é estadual, o que restringe a aplicação da referida Lei Estadual na seara de interesse. Todavia, notese que não se trata, aqui, quando da consequente conclusão de não aplicação da referida Lei, para fins de definição da natureza tributária das verbas sob análise e da incidência ou não do IRPF, de invasão de competência do STF pela União para declarar a inconstitucionalidade a referida Lei Estadual (o que caracterizaria a violação alegada à Súmula CARF no. 02 e ao art. 62 do Regimento Interno deste CARF então em vigor quando da propositura do recurso), mas, sim, de interpretar o diploma de acordo com a competência tributária constitucionalmente estabelecida, de forma que os efeitos da referida Lei, no que tange ao caráter indenizatório das verbas recebidas, se limitem a matérias cuja competência seja do Estado da Bahia, visto que, de outra forma, se estaria a validar a possibilidade de invasão de competência tributária da União por este mesmo Estado. Não se está a afastar, aqui, a constitucionalidade do dispositivo de forma a afastar sua aplicação, mas tão somente verificase sua impossibilidade de produção de efeitos na seara tributária, em se tratando de IRPF. Assim, imprescindível a análise da natureza dessas verbas, no contexto de todo o direito positivo aplicável ao tributo em questão, para se concluir pela sua tributação ou não pelo imposto sobre a renda. A propósito, chama a atenção o fato de que as diferenças de URV pagas ao contribuinte pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia não se destinam à recomposição de um prejuízo, ou dano material por ela sofrido. Diferentemente, as verbas recebidas pela contribuinte repõem a atualização monetária dos Fl. 320DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 salários do período considerado. Nesse sentido, observase que o artigo 4° da Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, deixa claro que se trata de diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. Desta forma, é incontornável a constatação que tais diferenças integram a remuneração mensal percebida pela contribuinte, em decorrência do seu trabalho, constituindo parte integrante de seus vencimentos. As verbas assim auferidas integram, portanto, a definição de renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. Por fim, de se reproduzir uma vez mais a jurisprudência do STJ, que sustenta tal posicionamento, no sentido de se rejeitar o caráter indenizatório das verbas em questão. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. (...) 5. Recurso especial parcialmente provido (REsp 383.309/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 07.04.06); Eram, portanto, as verbas em questão tributáveis, independentemente da denominação a elas conferida pela Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, conclusão em perfeita consonância e respaldada pelos dispositivos legais mencionados no auto de infração. a.2) Da Resolução n.° 245 do STF A recorrente traz à baila a Resolução n.° 245 do STF, que, uma vez estendida aos membros do Ministério Público da União, por força do artigo 2° da Lei n° 10.477, de 2002, de despacho do PGR no âmbito do Processo Administrativo 1.00.000.011735/2002 e Pareceres PGFN nos. 529 e 923, de 2003, aplicarseia também aos membros do Poder Judiciário dos Estados, de forma a que se afastasse a incidência do IRPF sobre as verbas em discussão. A respeito, verifico que a questão da aplicabilidade da Resolução n° 245 do STF aos valores recebidos a título de diferenças de URV foi exaustivamente analisada pelo Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no voto condutor da decisão proferida pela mesma 1a. Turma Ordinária da 1a Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, no Fl. 321DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726326/200987 Acórdão n.º 9202004.104 CSRFT2 Fl. 325 7 Acórdão n° 2101002.388, de 18 de fevereiro de 2014. Por se aplicar ao caso que aqui se analisa, e por refletir o entendimento deste Relator, adotase o quanto manifestado naquele voto. Veja se: “(...) Buscando reforçar o argumento, requer a contribuinte a aplicação da Resolução n.° 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pela Recorrente. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2° e parágrafos da Lei n.° 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1° trouxe a forma de cálculo deste abono: "I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei n° 10.474, de 2002 (Resolução STF n° 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)". A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: "Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)" (STJ, Recurso Especial n.° 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010)" E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.° 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: "Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução n° 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)" (STF, Recurso Extraordinário n.° 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010)" Adicionalmente, mesmo caso se tenha leitura diversa da Resolução STF no. 245, de 2002, entendo de se aceder, ainda, à argumentação de se cingirem os efeitos da referida Resolução e dos despachos PGR e Pareceres PGFN em questão aos membros das carreiras mencionadas no âmbito das Leis no. 10.474 e 10.477, ambas de 27 de julho de 2002 (às quais, ressaltese, não pertence, o recorrente), vedados: a) o estabelecimento de isenção por analogia a partir do disposto nos arts. 97, VI e 111, I e II do CTN e 150 §6o. da CRFB; b) o afastamento da hipótese de incidência, delineada pelos dispositivos legais constantes do auto de infração, por violação ao princípio constitucional da isonomia, uma vez que é expressamente vedado a este Conselho afastar a aplicação da lei tributária com base em argumentação de violação a preceitos constitucionais, consoante dispõe o art. 62 do Regimento já mencionado e Súmula CARF no. 02. Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pela Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional e dispositivos legais que fundamentaram o auto de infração, descartado o afastamento da incidência do IRPF seja pelo disposto na Lei do Estado da Bahia no. 8.730, de 2003, seja pelo teor da Resolução STF no. 245, de 2002. a.3) Quanto aos efeitos do decidido no âmbito do RE 614.406/RS ao feito Reitero, também aqui, com a devida vênia ao posicionamento diverso de alguns Conselheiros desta casa, meu entendimento, já manifestado também na instância ordinária, de desnecessidade de observância obrigatória do decidido pelo STJ no âmbito do REsp 1.118.429/SP no caso sob análise, uma vez se estar a tratar ali, da tributação de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente, situação fática notadamente diversa da dos presentes autos, onde não está a ser tratar de qualquer rubrica de benefício, mas sim de diferença remuneratória perceptível quando do servidor na ativa. Todavia, reconhecese aqui que a matéria sob litígio foi objeto de análise recente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro Fl. 323DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726326/200987 Acórdão n.º 9202004.104 CSRFT2 Fl. 326 9 de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2o. do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome a este último julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, de se ressaltar aqui também que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no. 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria eventualmente mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pela contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando a contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento esposado por alguns membros deste Conselho, entendo que, a esta altura, ao se defender a exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, note se, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Feita tal digressão, verifico porém, que, no caso em questão, a autoridade fiscal já optou por tributar os valores com base nas alíquotas vigentes nos períodos que apurados o rendimento percebido a menor regime de competência (os rendimentos percebidos a menor referemse aos períodos de abril de 1994 a agosto de 2001) Acerca das tabelas progressivas/alíquotas aplicáveis aos meses de referência, de se consultar o resumo que se segue, que respalda a tabela utilizada pela autoridade autuante: Todavia, ainda que se tenha utilizado as alíquotas corretas, não há como se garantir que estivesse o autuado na faixa superior de recebimentos mensais para cada um dos meses de competência, uma vez que, notese, não se retroagiu, no lançamento, o momento de incidência aos meses dos anoscalendário de 1994 a 2001, constantes do demonstrativo detalhado fornecido pelo contribuinte em resposta à intimação da autoridade fiscal. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726326/200987 Acórdão n.º 9202004.104 CSRFT2 Fl. 327 11 Assim, diante de tais motivos, voto no sentido de, nesta matéria, dar parcial provimento ao Recurso da Contribuinte, no sentido de determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação tanto das tabelas progressivas como das alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, tudo de acordo com o regime de competência. b) Quanto à incidência do IRPF sobre os juros de mora Para fins de solução do litígio quanto à esta matéria, de se perquirir a extensão dos efeitos da aplicação, ao presente feito, do decidido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, no âmbito do REsp 1.227.133/RS, quanto à incidência de juros de mora sobre rendimentos recebidos acumuladamente. Tratase, notese, também de decisum de aplicação obrigatória neste Conselho, consoante art. 62A do Anexo II do Regimento Interno deste CARF em vigor quando da prolação da decisão recorrida, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009 e, ainda, conforme o art. 62, §1o. do atual Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. A propósito, creio, em linha com o argumentado pela Fazenda Nacional em sede de contrarrazões, que o melhor esclarecimento da amplitude da decisão vinculante em questão (REsp 1.227.133/RS) pode ser obtido em outro feito daquele Egrégio Tribunal, a saber, no REsp 1.089.720/RS, cujo relator foi o Ministro Mauro Campbell Marques e cuja cristalina ementa decisória, datada de 10/10/12 e publicada em 16/10/12 estabelece: REsp 1.089.720/RS PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133/RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR (grifei), 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da Fl. 326DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp no 1.227.133RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel .p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). 4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale". (grifei) (...) 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido." Assim, com base no posicionamento constante do julgado acima, que adoto integralmente, uma vez entender que foi esse o julgado a sedimentar e esclarecer a correta forma de aplicação do julgado vinculante aqui discutido (REsp 1.227.133/RS), é de se perquirir, em cada caso concreto: 1) se os juros de mora foram auferidos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho e 2) se está diante de verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR. Somente no caso de resposta afirmativa a um dos dois questionamentos acima deve não incidir o IR sobre os juros de mora recebidos acumuladamente, de forma a que se obedeça o Fl. 327DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726326/200987 Acórdão n.º 9202004.104 CSRFT2 Fl. 328 13 julgado vinculante, restando incidente a tributação sobre os juros de mora nas demais situações. Aplicandose o acima disposto ao caso em questão: 1) Conforme já anteriormente delineado, entendo que não se está a tratar, aqui, de verba indenizatória, tendose concluído, no âmbito do presente voto, pela natureza remuneratória da verba principal de diferenças quando da conversão de Cruzeiro Real para URV sob análise, caracterizada, assim, a incidência do IRPF sobre tais verbas; 2) Verifico, também, que não se está a tratar de verbas recebidas no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho; Concluo, assim, pela incidência do Imposto de Renda sobre os juros de mora em questão quando da aplicação do decisum vinculante constante do REsp 1.227.133/RS, a partir de sua interpretação detalhadamente estabelecida no âmbito do REsp 1.089.720/RS e, desta forma, nego provimento ao Recurso Especial da contribuinte também quanto a esta matéria. Destarte, diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso do Contribuinte, para determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação à verba recebida (inclusive juros) tanto das tabelas progressivas como das alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência. É como voto. Em face do acima exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 328DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 14 Fl. 329DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10073.720829/2011-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 31 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, a turma resolveu converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Fez sustentação oral, pela Recorrente, a Advogada Bianca Xavier, OAB/RJ nº 121.112.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Schappo.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, a turma resolveu converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Fez sustentação oral, pela Recorrente, a Advogada Bianca Xavier, OAB/RJ nº 121.112. WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Schappo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1594; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 6.170 1 6.169 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.720829/201193 Recurso nº De Ofício e Voluntário Resolução nº 3201000.753 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 28 de setembro de 2016 Assunto IPI Recorrentes PEUGEOTCITROEN DO BRASIL AUTOMOVEIS LTDA FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, a turma resolveu converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Fez sustentação oral, pela Recorrente, a Advogada Bianca Xavier, OAB/RJ nº 121.112. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Schappo. Tratamse de Recursos de Ofício e Voluntário em face de acórdão proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, que assim relatou o feito: Em julgamento o auto de infração de fls.4144/4213, que exige da contribuinte o montante de R$ 127.012.319,16. A razão de existência pode ser assim resumida: Inicialmente vale ressaltar que esta análise restringiuse aos P.A's 01/2006 a 06/2008 tendo em vista que os P.A's 01/2005 a 12/2005 já RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 00 73 .7 20 82 9/ 20 11 -9 3 Fl. 6170DF CARF MF Processo nº 10073.720829/201193 Resolução nº 3201000.753 S3C2T1 Fl. 6.171 2 foram objeto de autuação através do Processo Administrativo n° 17883.000328/201011. Para a realização do presente trabalho, face ao grande volume de veículos envolvidos, a auditoria realizada foi consubstanciada nos arquivos magnéticos apresentados pelo contribuinte, juntamente com os Livros Registro de Entradas, Registro de Saídas e Registro de Apuração do IPI, assim como através da análise das Notas Fiscais de saídas, entradas e contratos de locação. Em 20/08/2008 foi desencadeada fiscalização no contribuinte motivada pelas informações recebidas do Escritório de Pesquisa e Investigação 9a. Região Fiscal, dando indicações de que estaria ocorrendo algum tipo de operação irregular quanto à venda de veículos novos, especialmente o modelo Peugeot 407, inclusive com a participação de terceiros como concessionárias. DOS FATOS APURADOS PELO ESPEI/09 Vários veículos da marca Peugeot modelos 407 sedan e SW, fabricados na França, foram importados pela subsidiária da fábrica PEUGEOTCITROEN DO BRASIL AUTOMÓVEIS LTDA (CNPJ 67.405.936/000416 da filial importadora e CNPJ 67.405.936/000173 da matriz estabelecida na Av. Renato Monteiro, s/n°, parte, Polo Urbo Agro Industrial, Porto Real RJ); Em seguida, na sua maioria, estes veículos importados foram contabilizados como integrantes do ativo imobilizado da própria indústria importadora, em operação atípica do ponto de vista comercial, pelo número expressivo de veículos que foram incorporados em relação ao menor número de veículos que seguiram seu curso de comercialização segundo padrões normais para o mercado brasileiro (em tese para a fábrica não debitarse do IPI que seria devido na comercialização do bem no mercado nacional, pela equiparação de importador a estabelecimento industrial); Tais específicos lotes de veículos, contabilmente incorporados ao patrimônio da indústria, foram então emplacados em primeiro emplacamento no município sede da empresa (Porto Real), através da apresentação ao DETRANRJ de Notas Fiscais de emissão da indústria, descrevendose serem bens a integrar o ativo imobilizado da mesma, assim, sem destaque do IPI. Qualquer venda posterior a terceiros somente não mais seria devido o IPI não lançado na entrada, se tal operação ocorresse após 5 (cinco) anos desta entrada; Provavelmente muitos ou quase a totalidade dos veículos enquadrados nestas operações contabilizadas como se fossem destinadas à incorporação, imediatamente, foram sendo, pela fábrica, disponibilizados para operações de oferta e de venda a consumidor final em concessionárias optantes ou participantes deste tipo de esquema, em tese fraudulento, uma delas^ao que se comprovou ser a OPECAR VEÍCULOS LTDA, CNPJ 05.793.769/000128; Assim, deduzse que, após as negociações com o consumidor final, ou enquanto estas já ocorriam em relação a determinados veículos, os mesmos foram sendo enviados pela fábrica àquelas concessionárias participantes (ou que se dispuseram a participar deste esquema em tese Fl. 6171DF CARF MF Processo nº 10073.720829/201193 Resolução nº 3201000.753 S3C2T1 Fl. 6.172 3 fraudulento), acobertandose a operação segundo os poucos dados obtidos em alguns Detrans ao que consta, de Notas Fiscais de saída de emissão da fábrica, referindose a "venda de bem do ativo imobilizado", destinado a determinadas concessionárias; Observouse de interesse para a investigação e fiscalização, em relação a estas Notas Fiscais de saída de emissão da PEUGEOT CITROEN DO BRASIL AUTOMÓVEIS (obtidas em arquivos de Detrans), o seguinte: inexistiu destaque do IPI, que seria devido na saída de um bem que foi importado e incorporado ao ativo imobilizado, antes de transcorrido o prazo de 5 (cinco) anos de sua entrada; e pelos dados lançados nestas Notas Fiscais há uma fácil indução a erro a qualquer autoridade quando se observa que a Nota Fiscal estaria acobertando não a venda de um carro zero quilômetro (que na verdade era o que estava ocorrendo), mas sim um usado, pois já emplacado em nome da fábrica, com destaque desta informação no campo discriminação, denotando em tese em ato simulado por parte da indústria emitente. Assim, na sequência, negociados os veículos, que de fato eram "zero quilômetro", num suposto conluio da fábrica e da concessionária intermediária com os clientes/compradores, sabedores de que o desconto era atípico e que não poderiam registrar momentaneamente os veículos em seus nomes, acordaram em contratar a comercialização do veículo, na confiança mútua regida por suposto contrato particular ideologicamente falso, o qual não se tem até o momento seu inteiro teor; Releva, ainda, acrescentar que em uma rápida visualização verificou se a grande possibilidade de que este esquema possa envolver outros modelos da própria Peugeot, assim como modelos da marca Citroen, já que pertencentes no Brasil à mesma subsidiária e, Com esta simulação, o esquema em tese perpetrado pela fábrica/importadora PEUGEOT CITROEN DO BRASIL com a conivência de concessionária e conluio do cliente/comprador estaria, além de falsidade ideológica e possível sonegação de tributos e contribuições estaduais e federais, praticando em tese concorrência desleal, por utilizarse de ardil para dissimular a operação real de venda, gerando um razoável desconto que na verdade estaria sendo arcado apenas pelas Fazendas Públicas, em benefício de adquirente de um veículo de altíssimo padrão e valor agregado. Mais uma vez vale ressaltar que os fatos acima descritos foram apurados pelo Escritório de Pesquisa e Investigação 9a. Região Fiscal. DA ATIVIDADE E FORMA DE TRIBUTAÇÃO DA EMPRESA A atividade do contribuinte é a importação, industrialização e comércio de veículos automotores, assim como suas peças e acessórios novos. Relevante registrar que a escrituração contábil regese pela Lei 6.404/76 e normas contábeis. A forma de apuração do Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, nos anos calendários da referida ação fiscal, foi o Lucro Real. Imperioso demonstrar que a contabilidade da empresa tem que seguir as normas contábeis e princípios fundamentais de contabilidade visto que um dos interessados nas informações nela registradas é o fisco. Tal Fl. 6172DF CARF MF Processo nº 10073.720829/201193 Resolução nº 3201000.753 S3C2T1 Fl. 6.173 4 informação é de suma importância visto que um dos propósitos da contabilidade é a demonstração de como são tratados os fatos e atos ocorridos, revelando decisões tomadas quanto aos registros contábeis. No caso em pauta, temos a contabilização de bens como ativo imobilizado, cuja composição do custo foram o preço do produto mais os impostos incidentes quando da aquisição, ICMS e IPI, e em alguns casos o II. Quando da venda, as contabilizações demonstraram claramente que os adquirentes dos veiculos alienados suportaram a carga dos impostos visto que os mesmos compuseram o custo dos bens, influenciando também na receita não operacional que ficou à menor. Fazemos este esclarecimento para demonstrar que o IPI foi na realidade transferido ao consumidor final, onde, mais à frente, será determinante quanto ao critério adotado em relação a ter ou não ter direito o contribuinte a créditos do IPI. DA HABITUALIDADE E DA INTENÇÃO Conforme explanação feita anteriormente no levantamento realizado pela ESPEI, em relação aos veículos Peugeot 407, constatamos que o contribuinte utilizouse do mesmo artifício em ativar e posteriormente vender outros modelos de veículos de forma reiterada e habitual (AC/2005 a AC/2008), em período inferior a cinco anos. Em alguns casos houve primeiramente a locação para posteriormente ocorrer a venda. O porte da empresa, inclusive com assessoria de auditoria externa, o corpo qualificado de pessoas ligadas aos negócios desta, afastam a idéia de desconhecimento ou interpretação equivocada da lei que a nosso ver é muito clara em mencionar quando da ocorrência do fato gerador dos veículos tidos como imobilizados, produzidos ou importados, e saídos do estabelecimento em prazo inferior a cinco anos, sem o devido lançamento do IPI. Constatamos que era prática do contribuinte em alocar veículos no ativo imobilizado e que, posteriormente, seriam alienados em prazo bem exíguo. Outros, antes da realização da venda, foram locados com a informação de outras saídas com suspensão, pois, quando das emissões das notas fiscais de remessa de veículos a título de locação, o contribuinte não destacou o IPI devido, anotando nos respectivos documentários fiscais como "SUSPENSÃO DO IPI CONF. ART. 40, INC XII, DO RIPI/98". Entretanto, afirmamos que o RIPI/98, instituído pelo Decreto no. 2.637, de 25 de junho de 1998, foi revogado pelo art. 524 do Decreto no. 4.544, de 26 de dezembro de 2002, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre Produtos Industrializados. Ademais, o artigo suscitado referese a estabelecimentos, remetente e recebedor, da mesma firma, o que não foi o caso. Notese que os bens constantes das notas fiscais tidas como locação (automóveis) não foram utilizados em processo industrial posterior, não foram dirigidos a outro estabelecimento do contribuinte, estando assim os referidos bens sujeitos ao IPI quando da respectiva locação. Conforme análise dos contratos apresentados, constatamos que os veículos tidos como locados saíram com uma quilometragem baixa, 10 KM. Esta locação está sujeita ao pagamento do IPI, consoante o artigo 37 do RIPI/2002, inciso II, alínea "a", pois, não tratou de saída do Fl. 6173DF CARF MF Processo nº 10073.720829/201193 Resolução nº 3201000.753 S3C2T1 Fl. 6.174 5 produto subseqüente à primeira saída, o que ensejaria a não ocorrência do fato gerador. Registrese a complexidade em se verificar e descobrir uma suspensão que era baseada em artigo totalmente à margem da real situação, descrita na nota fiscal, em um universo de milhares de documentos fiscais, haja vista que a empresa não comercializa só veículos e mantém filiais, podendo levar o trabalho de auditoria a imaginar que tais documentos poderiam sim tratar de transferência sujeitas, talvez, à suspensão, até porque a contabilidade e a DIPJ não revelaram receitas de locação de tais produtos, sendo que as mesmas foram inseridas na conta 70688500 RECEITA SOBRE VENDA VEÍCULOS FROTA. A escrituração nos livros fiscais de vendas dos bens como sendo isentos ou não tributáveis, quando na realidade eram tributáveis, a saída como locação de bens com capitulação legal totalmente inconcebível, a contabilização de locações como venda de bens, não revelando a correta classificação contábil, demonstraram a intenção de se ocultar a ocorrência de diversos fatos geradores, com informações falsas prestadas à Receita Federal do Brasil através das declarações do IRPJ e IPI, bem como emissão de documento fiscal ideologicamente falso, haja vista que a base legal da suspensão procurou ocultar a saída de veículos tidos como locados pela primeira vez que, em alguns casos, trataramse de venda e não locação. Neste contexto verificamos uma seqüência de atos demonstrando as irregularidades tais como: emissão de notas fiscais com informação em desacordo com o acontecimento real, como a suspensão do IPI na locação de veículos com base legal em total desacordo com a realidade; contabilização de locação como venda, impedindo o conhecimento, ainda que parcial, da ocorrência do fato gerador da primeira saída do bem locado; escrituração nos livros fiscais de fatos geradores do IPI como isentos ou não tributáveis, onde o contribuinte, implicitamente, considerou a venda dos veículos ativados como superiores a cinco anos, já que as notas fiscais emitidas, códigos 5551 e 6551 (Venda de Bens do Ativo Imobilizado), foram escrituradas como isentas e não tributáveis; prestação de informação falsa às autoridades fiscais quanto ao não fornecimento integral de veículos pertencentes ao seu ativo imobilizado; contratos de locação ideologicamente falsos, decorrentes de vendas de veículos com participação de terceiros (compradores); e declaração falsa prestada à RFB quanto ao IRPJ e ao IPI decorrentes dos fatos ocorridos. Não aceitar os argumentos baseados nos acontecimentos descritos como fraude, onde ficaram demonstradas ações que impediram ou retardaram os reais acontecimentos por parte do fisco, seria até razoável, não fosse ao grande volume de veículos envolvidos nas operações e o modus operandi, deixando claro a intenção dolosa em promover uma redução no pagamento do IPI e outros tributos, pois não foram seis, dez ou vinte, e sim, mais de oito mil carros envolvidos no levantamento (AC/2005 a AC/2008) Ressalvamos que faz parte deste procedimento os AC/2006, AC/2007 e AC/2008 (até JUN/08), sendo que o AC/2005 já foi objeto de lançamento, através do Processo Administrativo n° 17883.000328/201011. IV DO MODO DE OPERAÇÃO VENDA DO IMOBILIZADO Tais operações se resumiam ao seguinte procedimento: o contribuinte Fl. 6174DF CARF MF Processo nº 10073.720829/201193 Resolução nº 3201000.753 S3C2T1 Fl. 6.175 6 importava ou fabricava veículos de diversos modelos da marca PEUGEOTCITROEN, pagando IPI pela importação e pelos insumos empregados na fabricação (produção nacional), creditandose do IPI; posteriormente ele emitia Notas Fiscais de transposições, através das quais ele transferia alguns destes mesmos veículos para o seu Ativo Permanente, com o destaque do IPI (veículos nacionais). Já os importados, embora a relação apresentada demonstrasse estorno de créditos, verificamos nas notas de transposição, a inexistência dos mesmos. Há que se lembrar que os pagamentos realizados na importação eram feitos pelo estabelecimento situado na Rua General Gurjão, n° 2, parte RJ, e as notas de transposição, em sua grande maioria, foram emitidas para o estabelecimento industrial de Porto Real, sem a transferência/destaque do IPI (como por exemplo as Nota Fiscal n° 003177 Importação e Nota Fiscal n° 004355 Transposição); por último, antes de se completar 5 anos de sua incorporação, o contribuinte vendia os mesmos veículos com a emissão de Notas Fiscais de Vendas de Bens do Ativo Permanente, sem o destaque do IPI, e escriturando no LRAIPI como operações isentas/não tributáveis, considerando o IPI, ICMS e II como custo (como exemplo a Nota Fiscal n° 129302). LOCAÇÕES O contribuinte apresentou diversos contratos de locação onde estavam mencionadas locações a diversas pessoas físicas e jurídicas. Estas operações foram lastreadas com a emissão de diversas notas fiscais com a indicação de suspensão do IPI (por exemplo a Nota Fiscal n° 178228), como já explanado anteriormente, com classificação contábil que não demonstrou tais operações. Estas operações não foram informadas em DIPJ. Conforme planilhas apresentadas, muitos veículos foram locados e vendidos para o mesmo locatário. Como a efetividade das saídas dos veículos, por si só, já constitui fato gerador do IPI, tais contratos terão tratamento minucioso no sentido de se verificar se realmente houve a locação ou a venda disfarçada, com utilização de operação idêntica à ocorrida com os veículos Peugeot 407 descrita à frente. E certo que uma indústria ou, na situação presente, uma fábrica/importadora que importa centenas de veículos "top de linha" da sua marca (no caso o peugeot 407), diretamente de sua matriz na França, faça, para a grande maioria destes veículos, imediatamente após a operação de importação, a imediata colocação para revenda na sua rede de concessionárias, seguindo padrões normais de comércio no Brasil. Exceção a algumas operações de venda direta da fábrica, além de outras operações de incorporação de veículos para a própria frota da empresa. E, no presente caso, a grande maioria destes veículos importados, todos "top de linha", foi emplacada após o seu desembaraço aduaneiro diretamente em nome da matriz da indústria PEUGEOT (CNPJ 67.405.936/000173), como se aparentemente fossem incorporados ao patrimônio (Ativo da empresa), e não para revenda imediata, procedimento totalmente fora do comum e que poderia ser correto nos mínimos casos de incorporação para uso da empresa, mas que jamais o faria para a maioria dos veículos trazidos da Europa, justamente para serem comercializados. Fl. 6175DF CARF MF Processo nº 10073.720829/201193 Resolução nº 3201000.753 S3C2T1 Fl. 6.176 7 Assim, os veículos que foram emplacados em Porto Real tiveram o primeiro emplacamento feito com base em Notas Fiscais da fábrica (CNPJ 67.405.936/000173), ou seja, para incorporação ao Ativo Permanente da empresa, posteriormente, o contribuinte vendia estes veículos sem nenhum destaque ou lançamento a débito de IPI, tendo em vista dispositivo do Regulamento do IPI (Art. 37, incisos III do RIPI/2002). Frisese que tal benefício não alcança as operações das vendas apuradas, pois as alienações foram em prazo inferior a cinco anos devendo ter sido recolhido o IPI, conforme legislação de regência. Como passo seguinte, e tomandose como base a concessionária OPECAR de Londrina/PR, os veículos eram remetidos como se fossem para "test drive", acobertados por um Contrato de Locação, ideologicamente falso. E importante ressaltar ainda que a intenção de ambas as empresas em simular locações de veículos para "testdrive"(PEUGEOT 407) carece, inclusive, de bom senso, pois não há como se imaginar uma concessionária que adquiri mais de80 veículos de uma mesma marca/modelo para servir de "testedrive em um único ano. Na sequência os veículos foram sendo comercializados de fato por algumas concessionárias, dentre elas a OPECAR, MAS SEM ESTAREM DOCUMENTALMENTE TRANSFERIDOS PARA AS MESMAS COMO MERCADORIA. Esta comercialização se deu através de Instrumentos Particulares de Compra e Venda, através dos quais os compradores eram cientificados de que nos 3 (três) primeiros meses os veiculos continuariam registrados junto ao DETRAN em nome da PEUGEOT, e que, por conseguinte, não poderiam ser transferidos para os seus nomes. Assim, na medida em que as vendas dos veículos eram concretizadas, a "regularização" documental era feita transferindose os veículos já emplacados (como se veículos usados fossem), primeiro para as concessionárias, e depois destas para o clienteconsumidor final, que na verdade adquiriu como "primeiro comprador" de fato um carro Peugeot 407 sedan ou SW, ZERO QUILÔMETRO. Em relação aos veículos produzidos, alguns casos revelaram semelhança tais como locação de veículos para concessionárias com posterior aquisição pelas mesmas. Uma das finalidades desta operação realizada fora dos parâmetros normais de comercialização de veículos automotores no mercado nacional, segundo apurado nesta auditoria, era o não recolhimento do IPI e ICMS, o que, consequentemente, deixava o carro com um preço mais baixo (bastante competitivo), com descontos que eram repassados para os clientes/compradores, tudo as custas das Fazendas Públicas. V DOS CRIMES PRATICADOS PELO CONTRIBUINTE V.l DECLARAÇÃO FALSA PRESTADA PELO CONTRIBUINTE Fora as declarações prestadas à RFB, durante os trabalhos de auditoria realizados no contribuinte, foi constatada ainda uma outra omissão de informações, ou informação falsa prestada às autoridades fiscais, quando da apresentação dos arquivos magnéticos que deveriam conter a relação de todos os veículos pertencentes ao Ativo Permanente no Fl. 6176DF CARF MF Processo nº 10073.720829/201193 Resolução nº 3201000.753 S3C2T1 Fl. 6.177 8 AC/2005, arquivos estes apresentados em resposta ao Termo de Início do Procedimento Fiscal (20/08/2008). Acontece que ao se comparar as informações constantes na planilha apresentada pelo contribuinte em meio magnético, denominada "RESUMO TRANSPOSIÇÕES", com a sua escrituração digital, apresentada de acordo com Ato Declaratório Executivo COFIS n° 15 de 23/10/2001, constatamos que a empresa omitiu informações de venda de veículos no arquivo magnético apresentado (conforme planilha denominada "ANEXO II" em anexo a este termo), onde foram lavrados os termos de constatação datados de 23/02/2010, 10/05/2010 e 11/11/2010, mencionando tal ocorrência e aumentando a relação dos veículos pertencentes ao Ativo Imobilizado e vendidos em prazo inferior a 5 anos. Notese que, quando do Termo de Início, foi requerida a relação de todos os veículos existentes no imobilizado, a partir de janeiro de 2005. Diante dos fatos apresentados, em 23/02/2010, a fiscalização lavrou termo para configurar, dentre outras coisas, que na planilha apresentada pelo contribuinte, "RESUMO TRANSPOSIÇÃO", não constaram vendas realizadas em janeiro e fevereiro de 2005, de veículos do Ativo Imobilizado inferior a 5 anos. Nesta mesma oportunidade ficou relatado que o contribuinte considerou operações sem débito do IPI, com habitualidade e de forma contínua, no período de janeiro de 2005 a junho de 2008. Com argumentos que não se sustentam o contribuinte tentou justificar se da referida omissão de informações com a alegação de que entendeu que a relação de veículos deveria conter somente os veículos que foram ativados a partir de JAN/2005. Ora, vale ressaltar que é literal que o que foi solicitado foi a relação de todos os veículos "pertencentes" ao Ativo Permanente a partir de JAN/2005, ou seja, seu Ativo Permanente em 01/01/2005. A palavra entre aspas faz parte do Termo de Início datado de 20/08/2008. E, como forma de ratificar a omissão de informações por parte do contribuinte, através dos termos de constatação de 26/01/2011 e de 01/03/2011, foi dada ciência ao contribuinte de que, também em relação aos anos de 2006/2007/2008, existiram diversos veículos pertencentes ao ativo permanente que foram vendidos e também não foram informados no arquivo magnético denominado "RESUMO TRANSPOSIÇÕES". OU SEJA, TAMBÉM HOUVE OMISSÃO DE INFORMAÇÕES EM RELAÇÃO AOS ANOS DE 2006, 2007 E 2008. E com relação a estas omissões não há que se discutir o entendimento da palavra "pertencentes" que ficou limitado aos meses de JAN a MAR/2005. Ressaltase ainda que, ao contrário do que o contribuinte insiste em argumentar, várias foram as oportunidades que este teve para apresentar de forma correta a relação de todos os veículos pertencentes a seu Ativo Permanente relativo ao período 2005 a 2008. Já na primeira constatação relativa ao ano de 2005, não restaria qualquer dúvida quanto a apresentação dos bens ativados nos períodos de 2006, 2007 e 2008. A alegação do contribuinte em sua resposta datada de 10/03/2011, de que "não pode haver omissão do que não foi solicitado", não pode prevalecer. Primeiro, porque foi devidamente intimado quando do início do trabalho fiscal. Depois, porque foi dado Fl. 6177DF CARF MF Processo nº 10073.720829/201193 Resolução nº 3201000.753 S3C2T1 Fl. 6.178 9 mais de um termo de constatação, datados de 10/05/2010 e 11/11/2010, dando ciência ao contribuinte das omissões levantadas com a interpretação de que OÍ bens constantes de seu ativo imobilizado seriam a partir de 01/01/2005. A nosso ver, a palavra pertencente não delxi qualquer dúvida, como descrito em qualquer dicionário, "que pertence a alguém ou alguma coisa", no caso, ao Ativo Imobilizado a partir de 01/01/2005. Notese que não foram solicitados os veículos ativados a partir de março de 2005, ao contrário, a intimação foi clara, precisa e objetiva, em saber quais os veículos que constavam no Ativo Imobilizado a partir de 01/01/2005. Fato que encontrase comprovado tendo em vista que também em 2006/2007/2008 foram encontrados veículos ativados e que não constavam na planilha "RESUMO TRANSPOSIÇÃO". V.2 DA FALSIDADE IDEOLÓGICA, DA SIMULAÇÃO E DO CONLUIO A operação desencadeada pela PEUGEOTCITROEN, com a conivência de algumas concessionárias que se dispuseram a participar do engendrado esquema de sonegação fiscal, assim como com a concordância de diversos clientes/compradores finais, teve seu ápice no ano de 2007, porém, começou a ser realizada durante o ano de 2006. Durante o ano de 2006 foram analisados alguns contratos de locação de veículos fornecidos pelo contribuinte em questão. Através desta análise, feita por amostragem, juntamente com a auditoria realizada em sua escrituração digital, a princípio, constatouse que estes contratos não tiveram seus valores de aluguel mensal contabilizados em sua escrituração (só houve a escrituração da receita de venda quando da venda como bem do ativo imobilizado). E, ainda assim, nos poucos casos de escrituração destes valores, os mesmos não foram reconhecidos como receitas de locação, e sim como receitas de vendas (Ex. o valor de R$ 1.840,05 relativo ao valor do aluguel mensal do contrato n° 547 reconhecido como "RECEITA SOBRE VENDA VEÍCULOS FROTA" conta n° 3.01.01.01.01.05, tendo como contrapartida a conta "ADIANTAMENTO & PARCELA RECEBIDA VN/VO" n° 2.01.01.034), ou, o que é pior, em alguns casos sequer passaram por qualquer conta de resultado (Ex. o valor de R$ 2.024,20 relativo ao valor do aluguel mensal do contrato n° 589 que transitou em sua escrituração somente entre contas do ativo e passivo 1.01.01.24 Transf. Receb Banco ABN 8.704.5776 e 2.01.01.034 Adiantamento & Parcela Recebida VN/VO. Posteriormente, o contribuinte informou que os contratos de locação foram contabilizados na conta 70688500 (RECEITA SOBRE VENDA VEÍCULOS FROTA), dificultando o trabalho visto que a classificação contábil ou está equivocada, ou já reconhecia tais valores recebidos como antecipação de venda. Independentemente dos contratos enviados, a fiscalização tem como termo inicial para lançamento do IPI, os valores consignados nas notas fiscais relativas as primeiras saídas, ficando para uma análise posterior, em relação aos contratos apresentados e notas fiscais de saídas a título de locações, a perfeita identificação como venda do Ativo Circulante ou Permanente, ou seja, como já apurado pela ESPEI09, a existência de contratos ideologicamente falsos. Os fatos acima expostos, apurados e encaminhados pelo ESPEI 09, por si só, já são suficientes para caracterizar a SIMULAÇÃO de locação. Como exemplo estão sendo anexados ao processo os 2 (dois) contratos Fl. 6178DF CARF MF Processo nº 10073.720829/201193 Resolução nº 3201000.753 S3C2T1 Fl. 6.179 10 acima citados, além de alguns contratos de locação do Peugeot 407 efetuados entre a PEUGEOTCITROEN e as seguintes concessionárias (2006): PREFERENCE DISTRIBUIDORA AUT.LTDA; ORLEANS COMERCIAL LTDA; RAVEL VEIC. PECAS LTDA; e BORDEAUX VEIC. LTDA. Também está sendo anexada uma planilha denominada "ANALISE DE CONTRATOS APRESENTADOS INTIMAÇÃO 15/12/2010",com as ocorrências apuradas na análise de todos os contratos de 2006 fornecidos pelo contribuinte. Os fatos amplamente comentados, não só pelo trabalho fiscal, bem como pelo levantamento realizado pelo ESPEI 09, revelam a fraude ocorrida que só teve a proposição em enganar o fisco, trazendo grandes prejuízos aos cofres públicos. Exemplificando, temos a emissão de notas fiscais sem IPI, com fundamentação legal de suspensão, em total dissonância com a realidade que foi a locação de veículos, em alguns casos, a venda. Classificação contábil incoerente com operações tidas como de locação, impedindo e retardando o conhecimento dos respectivos fatos geradores (saída dos bens), inclusive omitindo os valores na DIPJ, tudo de acordo com o artigo 72 da Lei 4.502/1964 . VI DO CRÉDITO NA IMPORTAÇÃO E NA TRANSPOSIÇÃO Indagado a esclarecer de que forma foram baseados os valores de escrituração dos veículos em seu Ativo Permanente, conforme Termo de Intimação Fiscal de 13/05/2009, o contribuinte se pronunciou alegando que os valores considerados foram o custo de aquisição/importação mais os impostos incidentes (IPI e ICMS), ou seja, o IPI foi escriturado como custo de aquisição, fato este constatado pela fiscalização na contabilidade da empresa, onde, por amostragem, elaboramos uma planilha denominada de "PLANILHA DEMONSTRATIVA DE ATIVAÇÃO DO IPI E ICMS COMO CUSTO DOS VEÍCULOS VENDIDOS EXEMPLOS", em anexo a este termo, demonstrando que os impostos foram ativados junto com a aquisição dos veículos. Observamos que quando da venda, eram os referidos veículos baixados nos valores exatamente ativados, ou seja, aquisição do bem, mais IPI, mais ICMS e II, quando fosse o caso.. Deste fato destacamos, também, que não há que se falar em créditos oriundos da transposição e da importação, uma vez que os mesmos não estão contemplados no Regulamento do IPI, Dec. 4.544/02, melhor dizendo, não encontramos previsão legal para concessão dos créditos, extemporâneos, pela saída dos referidos bens com incorporação inferior a 5 anos. Entendemos que a legislação criou regra clara quanto à aquisição de bens para o Ativo Permanente, só permitindo o direito ao crédito se estes forem consumidos no processo de industrialização de produtos de sua fabricação, ou a eles se integrarem. E não contemplou a hipótese de crédito decorrente da venda de bens do ativo imobilizado em espaço de tempo inferior ao prazo de 5 anos após a sua aquisição. Até porque, imaginemos que um bem tenha sido imobilizado há quatro anos atrás e fosse alienado, "ressuscitando" o IP1 não creditado na época. Possivelmente o bem seria vendido por valor menor. Já haveria ocorrido os lançamentos de despesas como o de depreciação, inclusive sobre o próprio imposto na época, ativado Fl. 6179DF CARF MF Processo nº 10073.720829/201193 Resolução nº 3201000.753 S3C2T1 Fl. 6.180 11 por força da imobilização. E agora fosse ele aproveitado para abater o IPI decorrente da venda. Teríamos no presente caso um crédito, pois o IPI da venda seria menor do que o IPI gerado no momento da transposição e/ou importação. O contribuinte, ao fazer a transposição para seu imobilizado, já tinha como fato concreto a obrigatoriedade de não alienálo em período inferior a 5 anos, sem considerar este ato como fato gerador do IPI. O custo utilizado na transposição dos veículos incluiu, além de outros impostos, o IPI, ou seja, além da falta de previsão legal para concessão do crédito, na prática, seu valor já havia sido utilizado na ativação dos bens. E o legislador infraconstitucional foi sábio ao estabelecer a regra quanto à aquisição de bens para o Ativo Imobilizado: se não for consumido no processo produtivo, não há que se falar em crédito, e passará a ser considerado como fato gerador a sua alienação em prazo inferior a 5 anos, contados da data da aquisição, pois, em tese, a ativação concede ao contribuinte a diminuição da base de cálculo do IRPJ e CSSL, ao longo dos anos, com as despesas incorridas. E o lucro da venda da referida receita não operacional estaria menor, pois o bem estaria com valor da ativação maior. Além disso, a receita não operacional mencionada não constitui fato gerador para PIS E COFINS. Entendemos que o contribuinte utilizou os créditos de IPI na ativação dos bens, no caso os veículos, não mantendo uma conta específica, como seria de praxe, para, se fosse o caso, reaproveitálos no caso de uma venda no prazo inferior ao descrito como não constitutivo do fato gerador (inferior a 5 anos), tal como, IPI A RECUPERAR. A fiscalização se renderia em conceder os créditos contabilizados nesta conta, visto se tratar de um direito registrado na sua contabilidade. Porém, a logística utilizada pelo contribuinte revelou que era praxe a venda dos veículos em prazo inferior a cinco anos, seja os regularmente ativados ou não. VIII – CONCLUSÃO De tudo exposto concluise, salvo melhor juízo, que, em tese, era prática da PEUGEOTCITROEN ativar seus veículos, que tinham como destino algumas concessionárias participantes do esquema, dentre elas a OPECAR (PEUGEOT 407), enviando os veículos mediante uma simulação de locação. Mal esses veículos chegavam às concessionárias já tinham compradores dispostos a comprálos sem efetuar a transferência para seus nomes (prazo de 3 meses em média), mediante um desconto que era concedido pela concessionária. Este desconto era oriundo de um preço a menor que era oferecido pela própria PEUGEOT, no nosso caso, por conta do IPI que ela deixava de recolher. Ainda destacamos que as operações tentaram ocultar as supostas locações, visto que não constaram em conta própria em sua contabilidade, não foram declaradas em suas DIPJ's, e foram informadas nas notas fiscais com suspensão do IPI, em total desacordo com a legislação e os fatos, demonstrando a intenção do não pagamento do IPI. Como prova disto basta se comparar as duas Notas Fiscais que eram emitidas pela PEUGEOTCITROEN para dar a saída ao mesmo veículo: a Ia, para encobrir a saída pela Ia locação (com um valor bem mais alto), e que tinha como base legal o art. 40, inciso XII, do Fl. 6180DF CARF MF Processo nº 10073.720829/201193 Resolução nº 3201000.753 S3C2T1 Fl. 6.181 12 RIPI/98, o qual autoriza a saída de bens do Ativo Permanente de um estabelecimento industrial para outro estabelecimento da mesma firma, para ser utilizado no processo industrial do recebedor; e a 2a, quando da venda propriamente dita do veículo imobilizado (na maioria das vezes com um valor bem inferior), como por exemplo as Notas Fiscais n° 148449 locação (R$ 105.000,00) e n° 161888 Venda de Bem do Ativo Imobilizado (R$ 70.665,00). Insistimos em relatar que, com relação à base legal citada no parágrafo anterior, há que se ressaltar que o estabelecimentoremetente e o recebedor dos veículos não são da mesma firma, o recebedor não é estabelecimento industrial, e oautomóvel não é elemento que vá ser utilizado no processo industrial do recebedor (concessionárias). É importante ressaltar ainda que a intenção de ambas as empresas em simular locações de veículos para "testdrive" (PEUGEOT 407) carece, inclusive, de bom senso, pois não há como se imaginar uma concessionária que adquiri mais de 80 veículos de uma mesma marca/modelo para servir de "testedrive em um único ano. Em relação aos veículos considerados como imobilizados, verificamos que a logística utilizada para vendelos se fez com reiteradas ocorrências em ativar os mesmos, incluindo impostos incidentes, para, posteriormente, alienálos em prazo inferior a 05 anos, considerando tais transações como isentas e não tributáveis, em relação ao IPI. A empresa sequer mantém conta específica para recuperar o IPI pago, utilizando este, inclusive, na depreciação do bem, enquanto imobilizado. IX INFRAÇÕES APURADAS Após as considerações acima, identificamos a seguinte infração à legislação tributária federal: IX. 1 PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL IPI NÃO LANÇADO CARACTERIZAÇÃO DE INDUSTRIALIZAÇÃO O contribuinte recolheu a menor o Imposto sobre Produtos Industrializados (não houve o destaque do IPI nas Notas Fiscais), P.A's 01/2006 a 06/2008, utilizandose do artifício de incorporar ao seu Ativo Permanente veículos que, num momento posterior (antes de se completar 5 anos), foram vendidos a terceiros e, também, deu saída a veículos tidos como locados sem destacar o IPI devido quando da primeira saída. Ressalvamos que os fatos geradores estão descritos na planilha: "DEMONSTRATIVO BASE PARA LANÇAMENTO IPI NOTAS FISCAIS EMITIDAS", ficando claro que da referida ação fiscal ainda caberá o lançamento do PIS e COFINS de veículos tidos como imobilizados, onde na realidade eram pertencentes ao ativo circulante. Desde já, os veículos objeto do lançamento tiveram o IPI considerado como custo dos mesmos, sendo certo, SMJ, que estes não interferirão nos procedimentos seguintes. Ressalvamos que o AC/2005 já foi objeto de autuação através do Processo Administrativo n° 17883.000328/201011. No caso, o Regulamento do IPI é claro ao estabelecer que só não é fato gerador a venda de produtos incorporados ao Ativo Permanente com MAIS de 5 anos após sua incorporação, artigo 37, inciso III, do Dec. 4.544/2002 e, as saídas de produtos subseqüentes à primeira nos casos Fl. 6181DF CARF MF Processo nº 10073.720829/201193 Resolução nº 3201000.753 S3C2T1 Fl. 6.182 13 de locação ou arrendamento, salvo se o produto tiver sido submetido a nova industrialização artigo 37 inciso II, do Dec. 4.544/2002. Considerandose a falta de destaque e pagamento do IPI (Notas Fiscais de venda a terceiros) e as primeiras saídas decorrentes dos veículos tidos como locação, já explanados anteriormente, há que se lavrar o Auto de Infração para a constituição do crédito tributário, através do lançamento de ofício dos valores não recolhidos. No presente caso, por tratarse de lançamento de ofício dos valores não destacados e não declarados, onde ficou caracterizado o evidente intuito de fraudar o fisco, através de diversas simulações de locações e reiteradas vendas de veículos imobilizados em prazo inferior a 5 anos de suas incorporações (Notas Fiscais sem destaque do IPI), com indicação de isentos/não tributáveis em declarações prestadas ao fisco (RAIPI), e mais as locações que foram emitidas com notas fiscais em total descompasso com a realidade, tidas como saídas com suspensão, além da contabilização confusa em conta de venda de receita tida como locação, inclusive com omissão nas declarações da RFB e de bens pertencentes no ativo imobilizado a partir de janeiro de 2005 ,deve ser aplicada a multa de 150%, conforme embasamento legal descrito no Demonstrativo de Multas e Juros de Mora do Auto de Infração anexo. Ressaltamos que o lançamento é complementar ao lançamento já efetuado em relação ao ano calendário de 2005, através do Processo Administrativo n° 17883.000328/201011. O texto de insurgência foi assim construído em apertado resumo: DA OPERAÇÃO DE TRANSPOSIÇÃO DO ESTOQUE E DE VENDA DOS VEÍCULOS REALIZADA PELA IMPUGNANTE Inicialmente, faz se necessário registrar que a Impugnante se dedica à importação, industrialização e comércio de veículos automotores, bem como de peças e acessórios novos, sujeitandose ao pagamento de diversos tributos que geram grande impacto nos seus resultados financeiros. Para tanto, e conforme as práticas de mercado, utiliza seus automóveis, por diversas razões, para uso próprio, como propaganda ou deslocamento de seus funcionários, integrandoos ao seu ativo fixo. Assim, após a importação dos veículos ou de sua própria fabricação, a Impugnante integraliza alguns automóveis para seu ativo fixo, a fim de que estes possam cumprir papel crucial à empresa, qual seja: fomentar a logística industrial da Impugnante, bem como promover a sua marca no mercado pátrio, como, aliás, é prática usual de todos seus concorrentes. Desta forma, a transposição dos veículos do estoque da Impugnante para seu ativo fixo decorre de diversos fatores e necessidades, pelo que os veículos transpostos podem servir para diversas funções, quais sejam: (i)Veículos Funcionais disponibilizados para diretores egerentes da empresa; Fl. 6182DF CARF MF Processo nº 10073.720829/201193 Resolução nº 3201000.753 S3C2T1 Fl. 6.183 14 (ii)Veículos Garantia enviados às Concessionárias, emcaráter temporário, para fins de empréstimo a clientes noscasos de reparos de veículos em garantia; (iii)Veículos Pool destinados à locomoção dosfuncionários da empresa para fins de serviço; e (iv)Veículos de testdrive locados aos Concessionáriospara que os potenciais consumidores possam testar veículossimilares aos que pretendem adquirir; e (v)Veículos teste enviados ao setor técnico para efetuartestes mecânicos dos carros, assim como os veículos quesão remetidos a eventos patrocinados pela empresa, taiscomo: Rali, Expedições, Eventos publicitários etc. (iv)Veículos de testdrive locados aos Concessionáriospara que os potenciais consumidores possam testar veículossimilares aos que pretendem adquirir; e (v)Veículos teste enviados ao setor técnico para efetuartestes mecânicos dos carros, assim como os veículos quesão remetidos a eventos patrocinados pela empresa, tais como: Rali, Expedições, Eventos publicitários etc. (...)...no momento em que a Impugnante decidiu utilizar os veículos para atender suas necessidades internas, era imperiosa a alteração da classificação contábil desses bens, até então pertencentes ao estoque, para seu ativo imobilizado. Assim sendo, a transposição do estoque seguiu os ditames legais e contábeis, e, digase, era o único caminho a ser seguido pela Impugnante. Contudo, após a ativação dos carros e sua utilização, a Impugnante promoveu a venda desses bens, eis que, em se tratando de veículos, a vida útil desses bens é mais reduzida do que outros bens do ativo de outra natureza. Em outras palavras, os carros ativados sofreram desgaste relevante, tornandose inúteis para as finalidades que justificaram a ativação. Igualmente, é forçoso concluir pela impossibilidade de utilização, por cinco anos, dos veículos ativados para fins de Veículos Funcionais, VeículosGarantia, Veículos para Locação e Veículos Pool, ante a degradação natural dos automóveis, razão pela qual estes se tornam sobremodo inutilizáveis para os fins aos quais foram integralizados ao ativo fixo da Impugnante. Em seqüência a esse elenco e pelas razões anteriormente externadas, a Impugnante se viu obrigada a realizar a venda destes veículos já que imprestáveis aos fins para os quais foram integralizados ao seu ativo fixo. Por fim, é decisivo assinalar que todos os procedimentos que efetivaram as operações transcritas acima foram devidamente escriturados na contabilidade da empresa. DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM RAZÃO DE SUAS INCONGRUÊNCIAS Inicialmente, vale destacar que a autuação se alicerça em uma premissa absolutamente equivocada, porque não comprovada, qual seja: que a Impugnante teria adotado uma conduta Fl. 6183DF CARF MF Processo nº 10073.720829/201193 Resolução nº 3201000.753 S3C2T1 Fl. 6.184 15 fraudulenta quando da realização de venda de veículos pertencentes ao ativo imobilizado. Neste ponto, releva destacar que caberia aos agentes fiscais a comprovação de qualquer tipo de conduta fraudulenta, dolosa ou simulada por parte da Impugnante, o que não fora feito. De fato, o auto de infração ora impugnado parte de simples suposições por parte dos agentes fazendários. Nesse espeque, fazse necessário destacar que a ausência de motivação exsurge da falta de certeza das informações acerca dos fatos constantes no Termo de Verificação Fiscal. Bem por isso, cumpre à Impugnante registrar, de forma minuciosa, todas as incongruências contidas na autuação vergastada. Vejamos: 4) Provavelmente muitos ou quase a totalidade dos veículos enquadrados nestas operações contabilizadas como se fossem destinadas à incorporação, imediatamente, foram sendo, pela fábrica, disponibilizados para operações de oferta e de venda a consumidor final em concessionárias optantes ou participantes deste tipo de esquema, em tese fraudulento, uma delas ao que se comprovou ser a OPECAR VEÍCULOS LTDA, CNPJ 05.793.769/000128; (item 4 da página 1 do Termo de Verificação Fiscal)" Vêse da leitura do excerto do relatório fiscal destacado acima, que a os agentes fiscais em momento algum se preocuparam em aferir a real verdade dos fatos, utilizandose de premissas infundadas e sem qualquer tipo de comprovação que as suporte. (...)A própria fiscalização, quando da elaboração do referido Termo de Verificação Fiscal, foi cautelosa ao utilizar os termos "em tese" e "possível" uma vez que não possui qualquer prova de conduta fraudulenta, dolosa e simulada, praticada pela Impugnante, até porque tais condutas jamais existiram. É sobremodo importante assinalar o que dita o final do 4º parágrafo do item III do referido Termo de Verificação Fiscal (página 3), em textual: "Conforme análise dos contratos apresentados, constatamos que os veículos tidos como locados saíram com uma quilometragem baixa, 10 KM. Esta locação está sujeita ao pagamento do IPI, consoante o artigo 37 do RIPI/2002, inciso II, alínea "a", pois, não tratou de saída de produto subseqüente à primeira saída, o que ensejaria a não ocorrência do fato gerador." Como podemos perceber, a premissa fiscal novamente não condiz com a realidade, vez que as autoridades fiscais entenderam que a locação dos veículos da empresa configurou a primeira saída dos mesmos, razão pela qual as locações estariam sujeitas ao pagamento do IPI, por não se enquadrarem na hipótese do art. 37, II, a do RIPI/2002. Ocorre, todavia, que tanto as vendas quanto as locações realizadas configuram saídas do produto subseqüente à primeira saída, sendo certo que, no que tange às locações, enseja a não ocorrência do fato Fl. 6184DF CARF MF Processo nº 10073.720829/201193 Resolução nº 3201000.753 S3C2T1 Fl. 6.185 16 gerador do IPI. Tal assertiva fiscal será amplamente vergastada no item 11.3 da presente peça impugnatória. Com relação à afirmativa fiscal de que tais operações de vendas de ativo realizadas pela Impugnante foram realizadas com número expressivo de veículos (8.000), e em caráter atípico do ponto de vista comercial, também não merece prosperar tal assertiva. Vejamos. Da análise da planilha acostada à presente Impugnação (doe. 4), percebese que o total de vendas dos veículos pertencentes ao ativo imobilizado, em relação ao total de saídas promovidas pela Impugnante, representam, respectivamente às ínfimas proporções de 3,13% (2006), 2,53% (2007) e 1,77% (2008), absolutamente compatível com as suas atividades regulares. Ora, diante dessa comparação e da residual expressão destas saídas, não é possível conceber qualquer intuito mercantil, menos ainda, um volume supostamente significativo em tais operações. Não se pode imaginar a lógica que justificaria estratégia comercial de relevância tão irrisória para o conjunto das operações da Impugnante. O tom jocoso utilizado pela fiscalização {"não foram seis, dez ou vinte, e sim, mais de oito mil carros"), para tentar superlativar sua atividade e impressionar os incautos, não sobrevive à realidade da indústria automobilística nacional e ao fato de que a Impugnante juntamente com as suas concorrentes promovem a circulação diária, pelo país, de milhares de veículos em regime de testdrive. DA FALSIDADE IDEOLÓGICA, DA SIMULAÇÃO E DO CONLUIO “A operação desencadeada pela PEUGEOTCITROEN, com a conivência de algumas concessionárias que se dispuseram a participar do engendrado esquema de sonegação fiscal, assim como a concordância de diversos clientes/compradores finais, teve seu ápice no ano de 2007, porém, começou a ser realizada durante o ano de 2006.” Esclarece a Impugnante que no ano de 2007 foi adotada a política de locação de tais veículos às Concessionárias, razão que justifica o grande aumento das operações neste período. Ademais, com relação à assertiva fiscal destacada acima, cumpre registrar que caberia aos agentes fiscais o ônus da prova para que restasse configurados a Falsidade Ideológica, a Simulação e o Conluio. Todavia, assim não procederam os agentes fiscais, pois preferiram fazer acusações infundadas, sem quaisquer tipos de comprovação, de modo a não conseguirem imputar à Impugnante as condutas acima descritas. Entrementes, é importante destacar que tanto as premissas fiscais quanto as suas conclusões advém de meras suposições por parte dos agentes fazendários, eis que sem qualquer comprovação efetiva dos fatos por eles narrados, razão pela qual a fiscalização faz o uso constante de vocábulos como: "provavelmente", "e/n tese", "deduzse", Fl. 6185DF CARF MF Processo nº 10073.720829/201193 Resolução nº 3201000.753 S3C2T1 Fl. 6.186 17 "possível, "suposto"', "talvez", de modo a evidenciar a completa falta de motivação da autuação combatida. Em seqüência a esse elenco, vale registrar que as operações de locação, amplamente atacadas pela fiscalização na autuação combatida, referemse apenas a 10% das operações com ativo imobilizado realizadas pela Impugnante e glosadas pelo Fisco, conforme, inclusive, consta na planilha anexa ao Auto de Infração, elaboradas pelos limos. Agentes Fiscais autuantes. Assim sendo, os outros 90% das operações realizadas referemse às vendas de ativo fixo realizadas pela Impugnante, que, por sua vez, utilizou o CFOP correto quando das emissões das notas fiscais, não havendo que se falar em conduta fraudulenta, dolosa ou simulada. A bem da verdade, a autuação impugnada se afigura como ato meramente formal, destinado apenas a resguardar os interesses da RFB e das autoridades fiscais, despreocupado com inúmeros princípios que regem a atividade da Administração Pública, em especial os princípios da ampla defesa, do contraditório e da motivação. Isso porque, da análise do período autuado, se verifica que ocorreu a decadência parcial do direito do Fisco constituir o crédito tributário por força do que dispõe o art. 150, §4° do Código Tributário Nacional CTN, conforme adiante demonstrado. Bem por isso, ciente de que o direito de constituir o crédito tributário em favor da RFB já havia decaído, os agentes fiscais tentaram imputar à Impugnante uma conduta da qual a mesma jamais fez jus, sem qualquer tipo de comprovação ou motivação, de modo a tornar nulo o ato administrativo ora impugnado em virtude do que apregoam os arts. 2o e 50 da Lei Federal 9.784/99, que, por sua vez, norteiam o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. É de clareza meridiana a nulidade do Auto de Infração ora impugnado por ausência de motivação. A validade dos atos da Administração está intimamente ligada à idônea existência de motivação, tal como exigido de um Estado Democrático de Direito. Nesse sentido, convém destacar que não basta a indicação de sumária ou precária motivação para validar um ato administrativo, eis que as manifestações e pronunciamentos dos agentes administrativos devem estar fundamentados de forma adequada e suficiente. Isto significa dizer que a ausência de motivação ou a sua precariedade, contaminam, de modo irremediável o ato administrativo. Dessa forma, diante da preterição do direito de defesa, diante da ausência de motivação, o Auto de Infração em comento é NULO, nos termos do art. 59, II, do Decreto n° 70.235/72, verbis: "Art. 59. São nulos: (...)II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." Por estas razões, e fazendose mister reconhecer preliminarmente a nulidade da presente autuação, é que se requer desde já seja julgada Fl. 6186DF CARF MF Processo nº 10073.720829/201193 Resolução nº 3201000.753 S3C2T1 Fl. 6.187 18 procedente a Impugnação que ora se apresenta, determinandose sua anulação e a conseqüente desconstituição do crédito tributário exigido. DO ASPECTO TEMPORAL DO FATO GERADOR NAS OPERAÇÕES DE LOCAÇÃO ERRO DA AUTUAÇÃO NA INDICAÇÃO DO PERÍODO DE APURAÇÃO DO IPI Conforme amplamente demonstrado no decorrer da peça impugnatória, a operação realizada pela Impugnante é comum, usual e corriqueira no mercado de automóveis. Por certo, a ativação de veículos para uso próprio e, principalmente, a posterior venda desses veículos para seus funcionários e consumidores, constitui prática largamente utilizada no mercado por seus concorrentes há várias décadas. Da mesma forma, os contratos de locação de automóveis apresentaramse perfeitamente legítimos e compatíveis com os propósitos comerciais desenvolvidos pela Impugnante, conforme contratos anexos juntados por amostragem (doc. 13). Ademais, em momento algum a autuação impugnada consigna qualquer dispositivo que se refira à desconsideração das operações realizadas pela Impugnante, para considerálas sob outro enfoque. Do mesmo modo, as autoridades fiscais jamais desqualificaram a escrita fiscal e contábil da Recorrente, tampouco contestaram a idoneidade das Notas Fiscais de Locação consignadas na autuação combatida, menos ainda o Código Fiscal de Operações e Prestações CFOP nelas aposto pela Recorrente. Diante dessas premissas, conjugada com a completa ausência de elementos que descaracterizem o contrato de locação, é forçoso reconhecer o equívoco da fiscalização ao considerar a data da locação como marco temporal para a ocorrência do fato gerador do IPI, nos casos em que a venda do ativo foi precedida da operação de locação — 10% do total das operações autuadas. Em outras palavras, inexistindo provas para a descaracterização da locação, o IPI é devido apenas no momento da venda realizada ao consumidor final (3a operação) ... Assim sendo, parte dos valores autuados estão enquadrados em períodos que não representam os verdadeiros fatos geradores da operação objeto da glosa sendo, portanto, indevidos, vejamos: Ora, se o lançamento tributário tem como objetivo materializar o fato gerador de modo a identificar os elementos nele constantes, em especial o momento do fato gerador, verificase, de pronto, que o presente auto de infração não se prestou a esse papel, configurando, de forma completamente errada o momento da ocorrência dos fatos geradores do IPI nos casos de veículo locados. Ressaltese que o erro na indicação do período de apuração devido além de macular a própria essência do lançamento tributário, qual seja, de realizar a especificação do fato gerador, acarreta prejuízos no que se refere à ampla defesa e ao contraditório da Impugnante, e, muito pior, incrementa os juros de forma indevida na operação. Fl. 6187DF CARF MF Processo nº 10073.720829/201193 Resolução nº 3201000.753 S3C2T1 Fl. 6.188 19 Para se ter uma idéia, somente no ano de 2006, nos termos da planilha anexa ao Auto de Infração elaborada pela fiscalização, 8% (oito por cento) dos carros foram objeto de locação, e, portanto, 8% dos fatos gerados contidos no Al estão com a data equivocada, tudo conforme planilha acostada à presente Impugnação (doc. 13). DA INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO NAS OPERAÇÕES DE SAÍDA DE AUTOMÓVEIS DO ATIVO IMOBILIZADO DA DECADÊNCIA DA INAPLICABILIDADE DA MULTA AGRAVADA...após a importação dos veículos ou de sua própria fabricação, a Impugnante integraliza alguns automóveis para seu ativo fixo, a fim de que, estes possam cumprir papel crucial à empresa, qual seja: fomentar a logística industrial da Impugnante, bem como promover a sua marca no mercado pátrio, como, aliás, é prática usual dos seus concorrentes. Desta forma, a transposição dos veículos do estoque da Impugnante para seu ativo fixo decorre de diversos fatores e necessidades, pelo que os veículos ativados podem servir para diversas funções distintas, vejamos: Veículos Funcionais, Veículos Garantia, Veículos Pool, Veículos de testdrive, Veículos teste (fins mecânicos e publicitários. Frisese que no auto de infração combatido o fiscal autuante considerou para fins de fundamento da exação as operações de locação às concessionárias, na proporção de 10% (dez por cento), e as vendas de automóveis inseridos no ativo imobilizado diretamente ao consumidor final, no percentual de 90% (noventa por cento). Ressaltese que o primeiro emplacamento dos veículos imobilizados foi realizado em nome da Impugnante com o endereço de sua sede, localizada no Município de Porto Real, tendo sido apresentadas ao DETRAN/RJ notas Fiscais de emissão da indústria, com a correta ausência de destaque do IPI para a referida operação pois, conforme já informado, tais veículos integravam até o momento o ativo imobilizado da empresa. Nesta oportunidade, a Impugnante procedeu ainda ao estorno dos créditos do referido imposto recolhido quando da importação dos veículos. Frisese ainda que, conforme o art. 37, II, a do RIPI/2002, vigente à época da operação o IPI não seria devido caso a venda de ativo imobilizado tivesse ocorrido 5 (cinco) anos após a incorporação. Lapso temporal este que, como já exaustivamente admitido e documentado pela ora Impugnante não se fez presente nas operações que consubstanciam a autuação combatida, portanto o tributo não foi pago, mas tal inocorrência jamais foi realizada por expediente fraudulento. Passase então, à analise das operações de locação realizadas junto às concessionárias parceiras da Importadora Impugnante. Para a realização e efetivação do oferecimento dos veículos para teste dos potenciais futuros compradores, a Impugnante utilizase de parceria com inúmeras concessionárias, responsáveis pelo contato direto com os consumidores. Fl. 6188DF CARF MF Processo nº 10073.720829/201193 Resolução nº 3201000.753 S3C2T1 Fl. 6.189 20 Neste sentido, a Impugnante elabora, junto à concessionária contratos de locação dos veículos contabilizados em seu ativo imobilizado para que estas façam a seleção e contato com os clientes alvos. Tais contratos de locação pactuados entre a Impugnante e as concessionárias possuíram a validade de 3 (três) meses, com possibilidade de prorrogação por igual período nos quais o carro, de propriedade da importadora, foi disponibilizado para que potenciais clientes realizarem testes individuais por período determinado e viessem a conhecer o novo produto. Respeitando determinações legais, contábeis e fiscais, a Impugnante, com a boafé e o objetivo de adimplir com suas obrigações, emitiu para cada veículo remetido à locação às concessionárias, nota fiscal sem o destaque de IPI, consoante a previsão de suspensão do referido tributo constante no art. 40, II do Decreto n° 2.637/98 (RIPI/98) que, por sinal, foi em sua totalidade recepcionado pelo RIPI/2002, norma vigente à época dos fatos objeto da presente. Ocorre que, conforme será melhor demonstrado a seguir, por mero equívoco, a importadora fez constar do corpo das citadas notas fiscais para remessa o inciso XII, do mesmo art. 40 do Decreto n° 2.637/98 (RIPI/98). Ora, em que pese o pequeno erro formal na elaboração do referido documento, o direito substancial se faz presente, tendo em vista que o pretendido era a utilização do preceito legalmente previsto qual seja, o art. 40, II do Decreto n° 2.637/98. Neste sentido, a Impugnante, afirma que as operações de venda ao consumidor final, ou seja, a saída dos veículos, que outrora figuravam no ativo imobilizado da empresa, para a propriedade de seu cliente, ocorreram em lapso temporal inferior a 5 (cinco) anos, pelo que não faz tal operação jus à previsão de não ocorrência do fato gerador de IPI, constante do art. 37, do RIPI/2002. É mister ressaltar nesse ponto, a carência de motivação do auto de infração ora combatido pois, da simples análise do termo de verificação fiscal que o consubstancia, a Autoridade Autuante demonstra per si, não possuir plena convicção das acusações que realiza ao fazer uso constante de expressões como: "em tese", "provavelmente", "possíver, "talvez", "suposto" e "deduzse". Desta forma, é certo que não restou configurada ocorrência de dolo, fraude ou simulação nas operações de saída de automóveis do ativo imobilizado da Impugnante... (...)DA DECADÊNCIA No caso em tela, tratandose de tributo lançado por homologação em que o contribuinte apresentou suas declarações relativas ao IPI e pagou o tributo quando da importação dos veículos a regra decadencial aplicável é a prevista no art. 150, §4° do CTN17, cuja norma determina que seja considerada homologada a declaração do contribuinte no prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, acarretando, por conseqüência, a extinção do crédito tributário se a Fazenda Pública se quedar inerte durante o citado interregno legal, como ocorreu no caso sob comento. (...)DA NÃOCUMULATIVIDADE DO IPI No caso em tela, como já demonstrado, a empresa autuada realiza a importação ou fabricação Fl. 6189DF CARF MF Processo nº 10073.720829/201193 Resolução nº 3201000.753 S3C2T1 Fl. 6.190 21 de veículos, ativa os mesmos e, posteriormente, procede à sua venda ou locação. As etapas de produção que sofrem a incidência do IPI devem ter seu crédito reconhecido e compensado com os débitos nas operações posteriores, sob pena de afronta aos dispositivos constitucionais e infraconstitucionais acima transcritos. DO LANÇAMENTO DO IPI COMO CUSTO DE AQUISIÇÃO QUANDO DA IMPORTAÇÃO OU FABRICAÇÃO DOS VEÍCULOS Aduz a douta fiscalização que: "o contribuinte se pronunciou alegando que os valores considerados [como base de valores de escrituração de veículos em seu ativo permanente] foram o custo de aquisição/importação mais os impostos incidentes (IPI e ICMS, ou seja, o IPI foi escriturado como custo de aquisição)"1. Ora, ao demonstrar como era composto o custo das mercadorias da empresa, os auditores fiscais constataram que a Impugnante não se creditou do valor do IPI. Tal fato foi mencionado inclusive em passagem anterior do Auto de Infração no qual menciona a fiscalização que "já os importados, embora a relação apresentada demonstrasse estorno dos créditos, verificamos nas notas de transposição a inexistência dos mesmos". Assim, é evidente que a Impugnante não manteve os créditos originalmente escriturados, como bem reconheceu a douta fiscalização, sendo, portanto, legítimo que tais créditos sejam considerados para fins de determinação do quantum devido no auto de infração ora impugnado. A fiscalização afirma, ainda, que a Impugnante teria utilizado os créditos de IPI na ativação dos bens, não mantendo uma conta específica, como seria de praxe para, se fosse o caso, reaproveitálos no caso de uma venda no prazo inferior. Vale ressaltar, ainda, que não há qualquer indicação na legislação aplicável à escrituração fiscal do IPI que obrigue o contribuinte a manter uma conta específica designada ao "IPI A RECUPERAR". DO CREDITAMENTO DO IPI QUANDO DA TRANSPOSIÇÃO DE ESTOQUE PARA FINS DE IMOBILIZAÇÃO Ora, as operações de transposição de bens ao ativo foram feitas com produtos industrializados pela autuada, que remeteu alguns de seus veículos ao seu ativo para fins negociais, tendo sido realizado o competente estorno do crédito (doc. 5) eis que tais bens ficaram fora da cadeia econômica do IPI. Contudo, ao decidir alienálos, tais bens voltaram a pertencer a cadeia econômica do IPI e, portanto, a Impugnante faz jus ao aproveitamento dos créditos estornados. Assim, é inquestionável a possibilidade de creditamento do IPI neste caso, referentes à entrada dos veículos. Estes créditos devem ser compensados quando da saída dos bens nos termos do CTN e do RIPI. No que tange aos veículos importados, a manutenção dos créditos de IPI relativos à entrada destes é condicionada à subseqüente saída Fl. 6190DF CARF MF Processo nº 10073.720829/201193 Resolução nº 3201000.753 S3C2T1 Fl. 6.191 22 tributada destes veículos, como dispõe o art. 164, inciso VIII, do RIPI. O propósito comercial da imobilização destes veículos (utilizados como propaganda, entre outros) não afasta essa possibilidade de creditamento, quando ocorrida a posterior venda do bem, como amplamente exposto neste tópico. Caso não seja reconhecido o direito de crédito da Impugnante haverá evidente bis in idem, pois o IPI será tratado como custo final cumulativamente com a cobrança incidente sobre a venda dos referidos veículos. DA POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO, PELA SAÍDA DE BENS, COM INCORPORAÇÃO INFERIOR A 5 (CINCO) ANOS. Alegou a fiscalização que não encontrou previsão legal para a concessão dos créditos, extemporâneos, pela saída dos bens da empresa, com incorporação inferior a 5 anos. Contudo, tal entendimento está em descompasso com a legislação em vigor e com o próprio entendimento da RFB, pelo que insta traçar uma breve explicação acerca da possibilidade de creditamento do IPI na atividade da autuada. É evidente que somente incidirá o IPI sobre a venda de ativo permanente da empresa se o bem em questão estiver imobilizado há menos de 5 anos. Entretanto, a autuada faria jus ao respectivo crédito estornado quando da transposição dos veículos para seu ativo permanente, individualizadamente computado, em atendimento ao art. 49 do CTN, do art. 163, do RIPI/2002 e art. 153, §3°, inciso II, da CF, amplamente abordados quando demonstrada a nãocumulatividade do IPI. É de comum sabença, assim, que na ocasião da respectiva saída de um produto, haverá direito de crédito quanto ao imposto pago na época da entrada. Desta forma, não obstante expressa previsão legal, permitindo o creditamento do IPI na forma feita pela Impugnante, procede o fiscal de maneira contrária à dicção legal, afirmando que visava a Impugnante "ressuscitar" o IPI não creditado à época supostamente própria. Todavia, as operações realizadas pela autuada, objeto da presente impugnação, se enquadram perfeitamente no determinado pela legislação pátria no que se refere à possibilidade de creditamento do IPI. DA POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO, PELA SAÍDA DE BENS, COM INCORPORAÇÃO INFERIOR A 5 (CINCO) ANOS. Entretanto, a autuada faria jus ao respectivo crédito estornado quando da transposição dos veículos para seu ativo permanente, individualizadamente computado, em atendimento ao art. 49 do CTN, Fl. 6191DF CARF MF Processo nº 10073.720829/201193 Resolução nº 3201000.753 S3C2T1 Fl. 6.192 23 do art. 163, do RIPI/2002 e art. 153, §3°, inciso II, da CF, amplamente abordados quando demonstrada a nãocumulatividade do IPI. É de comum sabença, assim, que na ocasião da respectiva saída de um produto, haverá direito de crédito quanto ao imposto pago na época da entrada. Desta forma, não obstante expressa previsão legal, permitindo o creditamento do IPI na forma feita pela Impugnante, procede o fiscal de maneira contrária à dicção legal, afirmando que visava a Impugnante "ressuscitar" o IPI não creditado à época supostamente própria. Ademais, a possibilidade do creditamento na venda do ativo em prazo inferior aos cinco anos foi expressamente reconhecida, inclusive, pela própria RFB, através da Solução de Consulta n.° 53 proferida pela Região Fiscal da Impugnante, qual seja, a 7a Região Fiscal38, vejamos: Produto incorporado ao ativo fixo. Desafetação antes de cinco anos. Incidência. Creditamento. Possibilidade. Incide o imposto sobre o produto na hipótese de estabelecimento que o importou para uso no ativo fixo e que a ele tenha dado saída antes de cinco anos da incorporação do bem. Por via de conseqüência, na ocasião da respectiva saída, haverá direito de crédito quanto ao imposto pago na época da entrada. Pelo exposto, não há que se questionar a forma de operação da empresa, que se adequou a legislação, doutrina e jurisprudência pátria. DA PERÍCIA Desta feita, com o escopo de sanar quaisquer dúvidas ainda pendentes, a Impugnante requer a realização de perícia técnica, obrigatória e, principalmente, auxiliar, nos termos do art. 16, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72. Após exame da Impugnação apresentada pelo contribuinte, o lançamento foi julgado parcialmente procedente em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2008 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há de se falar em nulidade na ausência de agente incompetente ou de inequívoco cerceamento do direito de defesa. IPI. FRAUDE. SUBMISSÃO AO DISPOSTO NO ARTIGO 72 DA LEI 4.502/64. O tipo infracional atrelado a procedimento fraudulento tem seus contornos definidos no artigo 72 da Lei nº 4.502/64. Não há fraude para o IPI se inexiste impedimento ou retardamento de ocorrência do fato gerador ou alteração de suas características essenciais. IPI.VENDA DE IMOBILIZADO. ISENÇÃO. PRAZO. Fl. 6192DF CARF MF Processo nº 10073.720829/201193 Resolução nº 3201000.753 S3C2T1 Fl. 6.193 24 A alienação de bens do ativo imobilizado em prazo inferior a cinco anos da imobilização caracteriza a ocorrência do fato gerador do IPI nos termos do artigo 37, III, do RIPI/2002. IPI. LOCAÇÃO DE BENS INCORPORADOS AO ATIVO MOBILIZADO. FATO GERADOR DO IPI. OCORRÊNCIA. Nos casos de locação de produtos, constitui fato gerador do IPI a primeira saída do estabelecimento de acordo com o disposto no artigo 37, II, “a”, do RIPI/2002. PERÍCIA. SOLICITAÇÃO INDEFERIDA POR PRESCINDIBILIDADE. APLICAÇÃO DO ARTIGO 18 DO DECRETO 70.235/72. É de se indeferir a perícia por prescindibilidade se a convicção do julgador pode ser formada a partir dos elementos já constantes dos autos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em face do valor exonerado, foi interposto Recurso de Ofício pela DRJ. O contribuinte, após intimado, apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos da Impugnação no que se refere à parte mantida do crédito tributário. Os autos foram então remetidos à este CARF e a mim distribuídos por sorteio. Antes do exame do mérito relativo aos Recursos de Ofício e Voluntário, entendo que há questões prejudiciais a serem examinadas quanto ao item de Recurso Voluntário denominado "Erro de sujeição passiva". Grande parte da autuação diz respeito à veículos que foram importados pelo estabelecimento filial e, posteriormente transferidos à matriz. O estabelecimento filial, na condição de importador e, portanto, equiparado à industrial, recolheu o IPI devido nos termos do art. 37, III do RIPI/02. Posteriormente, esses veículos foram transferidos para a matriz. E foi no estabelecimento matriz que se concentrou a cobrança de IPI levada a efeito no Auto de Infração impugnado. Nesse ponto é que reside o argumento de erro na sujeição do sujeito passivo. É que, se o IPI foi recolhido no estabelecimento filial, na condição de equiparado a industrial, o estabelecimento matriz, que recebeu o produto pronto e acabado, não poderia ser considerado como contribuinte do IPI. Ainda que o estabelecimento matriz seja, de fato, um estabelecimento industrial, nessas operações em específico recebimento de bens prontos e acabados importados por estabelecimento diverso e posterior ativação não houve qualquer atividade de industrialização que possa ser tributada pelo IPI. Fl. 6193DF CARF MF Processo nº 10073.720829/201193 Resolução nº 3201000.753 S3C2T1 Fl. 6.194 25 Esse aspecto, sem adentrar ao exame do mérito exposto, foi trazido pela Contribuinte em sede de impugnação e também em sede de Recurso Voluntário e, portanto, deve ser objeto de apreciação por essa Turma Julgadora. Em razão da questão exposta, reputo necessário que a Autoridade Preparadora esclareça, para todos os lançamentos objeto da autuação, quais as cobranças decorrem de veículos produzidos ou importados pelo próprio estabelecimento matriz, e quais decorrem de veículos que foram importados pelo estabelecimento filial. Desse modo, proponho a CONVERSÃO DO FEITO EM DILIGÊNCIA para que a Autoridade Preparadora, esclareça, dentre os valores lançados, quais se referem a veículos produzidos ou importados pelo estabelecimento autuado (matriz) e quais se referem a veículos recebidos em transferência da filial importadora. Fica facultado à autoridade preparadora a formulação de demais quesitos que entenda necessário. Após, que a Autoridade se manifeste expressamente acerca dos dados apresentados pelo contribuinte, concedendolhe o prazo de 30 trinta dias, prorrogáveis por mais 30, para se manifestar acerca do resultado da diligência. Retornemse os autos para julgamento quando concluída a diligência. É como voto. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora Fl. 6194DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10245.720800/2014-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Nov 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012, 2013
Ementa:
MULTA QUALIFICADA
São as circunstâncias da conduta que caracterizam o aspecto subjetivo da prática ilícita. Os valores omitidos são de elevada monta e se perpetuam por dois anos, o que permite concluir que a conduta omissiva da autuada não decorreu de um mero desleixo na condução de seus negócios, mas sim de prática intencional para deixar de levar ao conhecimento da Fazenda a maior parte de suas operações.
OMISSÃO DE RECEITA. NOTA FISCAL DE VENDA DE MERCADORIA. VENDAS CANCELADAS
Omissão de receitas em razão de diferenças apurada com base em notas fiscais eletrônicas (NFe) de venda de mercadorias emitidas pela contribuinte em confronto com as declarações DIPJ e Dacon. Impossibilidade de considerar como omissão de receitas valores relativos à notas fiscais de vendas canceladas, quando comprovada que a venda não se efetivou.
Numero da decisão: 1401-001.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e, no que diz respeito ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER em parte do recurso, em relação à multa regulamentar; e, na parte conhecida, DAR provimento PARCIAL, nos seguintes termos: I) Por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO para excluir os valores referentes a vendas canceladas da base de cálculo dos créditos constituídos, nos termos do voto da Relatora; II) Por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO para manter a qualificação da multa no patamar de 150%. Vencidas as Conselheiras Aurora Tomazini de Carvallho (Relatora) e Luciana Yoshihara Zanin; III) Por maioria de votos, NÃO CONHECER da matéria levantada não recorrida e levantada de ofício pela Relatora (exclusão dos responsáveis tributários). Vencida a Conselheira Aurora Tomazini de Carvalho (Relatora) que conhecia e dava provimento para cancelar a atribuição de responsabilidade dos sócios-administradores; e IV) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento em relação às demais matérias. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor em relação aos itens II e III.
Documento assinado digitalmente.
Antônio Bezerra Neto- Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Aurora Tomazini de Carvalho - Relatora.
Documento assinado digitalmente.
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (presidente da turma), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguilar Villas Boas Luciana Yoshihara Arcangelo, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Julio Lima Souza Martins e Aurora Tomazini de Carvalho
Nome do relator: AURORA TOMAZINI DE CARVALHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012, 2013 Ementa: MULTA QUALIFICADA São as circunstâncias da conduta que caracterizam o aspecto subjetivo da prática ilícita. Os valores omitidos são de elevada monta e se perpetuam por dois anos, o que permite concluir que a conduta omissiva da autuada não decorreu de um mero desleixo na condução de seus negócios, mas sim de prática intencional para deixar de levar ao conhecimento da Fazenda a maior parte de suas operações. OMISSÃO DE RECEITA. NOTA FISCAL DE VENDA DE MERCADORIA. VENDAS CANCELADAS Omissão de receitas em razão de diferenças apurada com base em notas fiscais eletrônicas (NFe) de venda de mercadorias emitidas pela contribuinte em confronto com as declarações DIPJ e Dacon. Impossibilidade de considerar como omissão de receitas valores relativos à notas fiscais de vendas canceladas, quando comprovada que a venda não se efetivou.
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Os valores omitidos são de elevada monta e se perpetuam por dois anos, o que permite concluir que a conduta omissiva da autuada não decorreu de um mero desleixo na condução de seus negócios, mas sim de prática intencional para deixar de levar ao conhecimento da Fazenda a maior parte de suas operações. OMISSÃO DE RECEITA. NOTA FISCAL DE VENDA DE MERCADORIA. VENDAS CANCELADAS Omissão de receitas em razão de diferenças apurada com base em notas fiscais eletrônicas (NFe) de venda de mercadorias emitidas pela contribuinte em confronto com as declarações DIPJ e Dacon. Impossibilidade de considerar como omissão de receitas valores relativos à notas fiscais de vendas canceladas, quando comprovada que a venda não se efetivou. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e, no que diz respeito ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER em parte do recurso, em relação à multa regulamentar; e, na parte conhecida, DAR provimento PARCIAL, nos seguintes termos: I) Por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO para excluir os valores referentes a vendas canceladas da base de cálculo dos créditos constituídos, nos termos do voto da Relatora; II) Por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO para manter a qualificação da multa no patamar de 150%. Vencidas as Conselheiras Aurora Tomazini de Carvallho (Relatora) e Luciana Yoshihara Zanin; III) Por AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 72 08 00 /2 01 4- 35 Fl. 2605DF CARF MF 2 maioria de votos, NÃO CONHECER da matéria levantada não recorrida e levantada de ofício pela Relatora (exclusão dos responsáveis tributários). Vencida a Conselheira Aurora Tomazini de Carvalho (Relatora) que conhecia e dava provimento para cancelar a atribuição de responsabilidade dos sóciosadministradores; e IV) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento em relação às demais matérias. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor em relação aos itens II e III. Documento assinado digitalmente. Antônio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Aurora Tomazini de Carvalho Relatora. Documento assinado digitalmente. Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (presidente da turma), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguilar Villas Boas Luciana Yoshihara Arcangelo, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Julio Lima Souza Martins e Aurora Tomazini de Carvalho Relatório Tratase de processo administrativo originado com a lavratura de cinco autos de infração (fls. 05/94) para a constituição dos seguintes créditos tributários: (i) Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição ao PIS/Pasep e COFINS, acrescidos de multa no percentual de 150%; e (ii) Multa regulamentar no percentual de 0,02% por dia de atraso, calculada sobre a receita da pessoa jurídica no período, pelo não cumprimento do prazo estabelecido para a apresentação dos arquivos magnéticos e sistemas. As infrações tiveram como motivação a omissão de receitas em razão de diferenças apurada com base em notas fiscais eletrônicas (NFe) de venda de mercadorias emitidas pela contribuinte em confronto com as declarações DIPJ e Dacon, entregues nos anos calendário 2012 e 2013 pela mesma, somando mais de 4 milhões de reais que deixaram de ser declarados e recolhidos aos cofres públicos ao longo dos dois anoscalendário sob análise, nos moldes do exemplificado pela tabela anexa constante no Termo de Verificação Fiscal (fls. 2263/2290), onde as infrações foram pormenorizadamente descritas. Fl. 2606DF CARF MF Processo nº 10245.720800/201435 Acórdão n.º 1401001.660 S1C4T1 Fl. 2.606 3 Em síntese, verificase que a Fiscalização imputou a Recorrente uma omissão de receita apurada com base nas notas fiscais de venda de mercadorias emitidas pelo contribuinte em confronto com as declarações entregues nos anoscalendário 2012 e 2013. Sobre a receita omitida foram constituídos os créditos relativos ao IRPJ e reflexos. Ao principal foi acrescida multa no percentual de 150%, sob a alegação de que estaria configurada a conduta prevista no art. 71, I, da Lei nº 4.502/64 (sonegação), na medida em que "a conduta reiterada do contribuinte, a qual se mantém no decorrer de diversos períodos, demonstra de forma inequívoca sua intenção de não pagar a totalidade dos tributos devidos, impedindo ou retardando o conhecimento da ocorrência do fato gerador por parte do Fisco Federal". Além disso, foi imputada a Recorrente multa regulamentar por conta da não manutenção dos arquivos digitais contendo a escrituração fiscal, conforme exigido pelo art. 11 da Lei nº 8.218/91; e responsabilidade solidária aos sócios administradores da pessoa jurídica à época dos fatos com fundamento no art. 135, III, da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional). Em consonância com o que dispõe a legislação, tanto a Recorrente quanto os responsáveis solidários foram regularmente intimados da autuação, conforme comprovantes juntados às fls. 2317/2319 (Aviso de Recebimento AR). Porém, apenas a pessoa jurídica autuada apresentou impugnação aos Autos de Infração mencionados, na qual formulou as seguintes alegações: (i) As bases de cálculo dos tributos apurados pela fiscalização estão equivocadas, não refletindo o efetivo faturamento da empresa. Ademais, não foram abatidas as retenções na fonte sofridas pela Impugnante, o que indica que não há certeza e liquidez do crédito tributário apurado, inquinando de nulidade o lançamento. Para comprovar o alegado, alega ter apresentado cópias das notas fiscais dos anos de 2012 e 2013, bem como planilha com a apuração das bases de cálculo corretas e dos tributos efetivamente devidos; (ii) É ilegítima a imputação de responsabilidade solidária aos sócios da pessoa jurídica, uma vez que não foi comprovada a prática de quaisquer das condutas previstas no art. 135 do CTN; (iii) É, também, ilegítima a aplicação de multa no percentual de 150%, pois somente se poderia falar em sonegação se houvesse venda ou prestação de serviços sem a emissão de notas fiscais ou de qualquer registro contábil ou fiscal que possibilitasse ao auditor fiscal apurar os tributos Receita Bruta 2012 2013 DIPJ 3.440.245,22 0,00 Dacon 9.516.190,22 2.785.725,93 NFe 45.680.328,48 47.850.603,48 Fl. 2607DF CARF MF 4 devidos. Porém, tal fato não ocorreu no caso, uma vez que todas as operações foram acobertadas por notas fiscais eletrônicas, as quais, por sua vez, foram devidamente informadas à Secretaria da Receita Federal de Roraima. Ademais, não ficou comprovado o dolo ou máfé da Impugnante. Em sessão realizada no dia 16/04/2014, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife (PE) decidiu julgar procedente em parte a impugnação para excluir da base de cálculo dos tributos lançados valores relativos a notas fiscais de devolução de vendas ou referentes a mercadorias devolvidas, uma vez que as notas fiscais das vendas respectivas foram computadas anteriormente. Relativamente aos demais pontos, mantevese integralmente a autuação em todos os seus contornos. Por tratarse de decisão que exonerou, ainda que parcialmente, o sujeito passivo do pagamento do tributo e respectivos encargos, contra ela foi interposto recurso de ofício nos termos do art. 34, I, do Decreto nº 70.235/72. Regularmente intimada, a empresa autuada apresentou também recurso voluntário. Suas alegações podem ser assim resumidas: Da multa regulamentar (i) apesar de não ter sido questionada, na impugnação, a multa regulamentar aplicada pela fiscalização, nada impede que tal matéria seja questionada no recurso voluntário e até mesmo apreciada de ofício pelo órgão julgador. (ii) houve erro no cálculo da multa regulamentar, uma vez que a fiscalização considerou como termo inicial prazo diverso daquele previsto na Solução de Consulta nº 20, de 13 de setembro de 2013, qual seja, a partir da ultima intimação efetuada para apresentação dos arquivos magnéticos; (iii) relativamente ao período de 01/07/2013 a 31/12/2013, deveria ser aplicada a multa prevista no art. 980 do RIR. Do mérito (i) devem ser excluídas da autuação as notas fiscais relativas de devolução de vendas ou referentes a mercadorias devolvidas; (ii) a fiscalização, ao apurar a receita bruta, considerou apenas as diferenças positivas, ou seja, quando o valor do tributo a pagar excedida ao das retenções e pagamentos efetuados pela Recorrente, a DRJ lançava o tributo, mas quando acontecia o inverso, ou seja, quando o valor das retenções e pagamentos efetuados ultrapassava os valores devidos, ignorava os valores excedentes, não realizando qualquer compensação com os períodos subsequentes; Da multa de 150% (i) a fiscalização, além de não ter comprovado, inequivocamente, que a Recorrente tenha cometido ato doloso com o fim de sonegar, suas declarações mostram, inequivocamente, que não houve evidente intuito Fl. 2608DF CARF MF Processo nº 10245.720800/201435 Acórdão n.º 1401001.660 S1C4T1 Fl. 2.607 5 de fraude, uma vez que, conforme declararam, era de conhecimento as retenções de tributos incidentes sobre as notas fiscais emitidas e, comprovada em diligência, que foram retidas. É o relatório. Voto Vencido Aurora Tomazini de Carvalho Conselheira Relatora RECURSO DE OFÍCIO Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, devese ressaltar o teor do art. 34 do Decreto nº 70.235/72: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda; [...] § 1º. O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. A Portaria MF nº 03/2008, por sua vez, prescreve o seguinte: Art. 1º. O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Para que o recurso de ofício seja conhecido é indispensável, portanto, não somente a declaração na decisão da DRJ, mas também que o valor exonerado seja superior ao limite fixado na referida portaria. No caso em tela, ao somar os valores correspondentes a tributo e multa afastados em 1ª instância (fl. 2399/2405), verifico que superam o limite de um milhão de reais. Portanto, o recurso de oficio é cabível e dele conheço. Quanto ao mérito, verificase que a 4ª Turma da DRJ/REC deu parcial provimento à impugnação para excluir da base de cálculo dos tributos lançados valores relativos a notas fiscais de devolução de vendas ou referentes a mercadorias devolvidas, uma vez que as notas fiscais das vendas respectivas foram computadas anteriormente. Não faço reparos ao quanto decidido em primeira instância. Fl. 2609DF CARF MF 6 A legislação é clara ao dispor que os valores relativos a vendas canceladas não compõem a receita da pessoa jurídica: RIR/99 Art. 224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações por conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. [...] Art. 280. A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. Lei nº 10.637/02 Art. 1º. [...] § 3º. Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: V referentes a vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; Lei nº 10.833/03 Art. 1º. [...] § 3º. Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: V referentes a vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; Com efeito, restando comprovado nos autos que alguns dos valores considerados na apuração da base de cálculo do tributo referemse a vendas que não se efetivaram, ou seja, que não resultaram em ingresso de receita, impõese o cancelamento da autuação nestes pontos. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, pelo que deve ser conhecido. Examinado a peça recursal, verificase que três são as questões controversas: Fl. 2610DF CARF MF Processo nº 10245.720800/201435 Acórdão n.º 1401001.660 S1C4T1 Fl. 2.608 7 (i) legitimidade da multa regulamentar, nos termos em que foi imputada à Recorrente; (ii) existência ou não de omissão de receitas; e (iii) legitimidade da multa de ofício de 150%. Cada uma delas será examinada separadamente. 1) Da multa regulamentar Conforme exposto no relatório, foi imputada a Recorrente multa regulamentar por conta da não manutenção dos arquivos digitais contendo a escrituração fiscal, conforme exigido pelo art. 11 da Lei nº 8.218/91, em razão da não concordância em relação à aplicação da norma de multa, mais especificamente com o critério temporal (data) da sua incidência. A legitimidade da multa aplicada, no entanto, não foi questionada na peça impugnatória, conforme registrado no acórdão recorrido e reconhecido pela própria Recorrente em sua peça recursal. De acordo com a Recorrente, nada impede que esta matéria "venha a ser questionada no recurso Voluntário, e nem tampouco, ser apreciada de ofício, pois tal matéria representa violação literal ao dispositivo legal vigente, o que a pecha com a mácula de nulidade absoluta, que pode ser alegada a qualquer tempo e grau de jurisdição, e inclusive pode ser suscitada de ofício pelo julgador". Em outros termos: estando o lançamento em desacordo com o que dispõe a lei, poderia este vício ser alegado a qualquer momento e deveria ser reconhecido de ofício pelo julgador. Com efeito, é fato que a decretação da nulidade de um ato depende da identificação de um vício. Tratandose de um ato de constituição do crédito tributário (lançamento), o vicio poderá ser extrínseco ou intrínseco ao ato. O vício será extrínseco quando a ilegitimidade do ato decorrer não de uma incompatibilidade entre ele e a lei que o fundamenta, mas sim de um vício na própria lei. Significa dizer: ainda que o lançamento esteja totalmente de acordo com a norma que lhe serve de suporte (lei que institui o tributo, por exemplo), ele será viciado se a norma a ele superior for declarada inconstitucional, por exemplo. Intrínseco, em contrapartida, é o vício identificado a partir da comparação entre o ato de lançamento e a norma que o fundamenta. Ou seja, se verifica quando o ato de constituição do crédito é realizado em desacordo com a lei. Todo o vício intrínseco ao ato é, portanto, um vício de legalidade. Isso, contudo, não significa que pode ser conhecido de oficio. A possibilidade de manifestação de oficio sobre um determinado vício de legalidade surge apenas quando o defeito é tão grave que compromete os requisitos de existência do ato. Melhor dizendo: resulta da ausência ou da imperfeição de elementos constitutivos do ato. Assim, poderá ser declarada de oficio a nulidade do ato, quando faltarlhe um de seus requisitos de existência, por exemplo, a motivação. Existindo, porém, motivação Fl. 2611DF CARF MF 8 adequada, ainda que em desacordo com a legislação vigente, teremos um ato viciado, mas o reconhecimento do vicio somente poderá ocorrer mediante provocação, porque diz respeito a interpretação da norma aplicada e não a falta de requisitos de existência do ato. Transpondo tais considerações para o caso concreto, o que se percebe é que, em verdade, não há vício a ser conhecido de ofício, pelo menos no que diz respeito à aplicação da multa regulamentar. Ao examinar o trabalho fiscal, percebese que o ato foi devidamente motivado, com a explicitação de todas as normas que fundamentaram a aplicação desta penalidade, bem como com a exposição dos fatos que, no entender da fiscalização, se enquadram dentre os ilícitos supostamente praticados. O fato de a motivação do ato estar em desacordo com a lei, como alega a Recorrente, não seria suficiente, portanto, para justificar o exame de ofício deste vício ou sua alegação a qualquer tempo, por se tratar de uma inconformidade com relação à aplicação da norma e não a qualquer requisito de existência do ato. Relativamente a esta matéria operouse, portanto, a preclusão, conforme já decidido em diversas oportunidades por este E. Conselho: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 03/02/2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. VIOLAÇÃO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. INOCORRÊNCIA. OS VALORES E BASES DE CÁLCULO ESTÃO DISCRIMINADOS DE FORMA CLARA, SIMPLES E OBJETIVA, NO REFISC. DEMAIS RELATÓRIOS DESNECESSÁRIOS, POIS CUIDASE DE AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. INOVAÇÃO NA FASE RECURSAL. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA PRECLUSÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA E DO TANTUM DEVOLUTUM QUANTUM APELLATUM. INCONSTITUCIONALIDADE CONHECIMENTO NA ESFERA ADMINISTRATIVA VEDAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO INDIVIDUAL ABSOLUTO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITO CONSTITUÍDO. Recurso Voluntário Provido. (CARF, 2ª Seção, 2ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, ACÓRDÃO 2202003.177, julgado em 16/02/16) Por estas razões, não conheço do recurso neste ponto. 2) Da omissão de receitas Em síntese, verificase que a Fiscalização imputou a Recorrente uma omissão de receita apurada com base nas notas fiscais de venda de mercadorias emitidas pelo contribuinte em confronto com as declarações entregues nos anoscalendário 2012 e 2013. A decisão recorrida, como já mencionado, reduziu parcialmente a autuação neste ponto, pois foram consideradas como receita valores relativos a vendas canceladas. Alega a Recorrente, porém, que há outras notas, que foram consideradas pela fiscalização para fins de apuração da receita, e cuja autuação foi mantida em 1ª instância, que também devem ser excluídas da autuação, por se referirem também a vendas canceladas. Além disso, defende que a fiscalização, ao apurar a receita bruta, considerou apenas as diferenças positivas, ou seja, quando o valor do tributo a pagar excedia ao das retenções e pagamentos efetuados pela Recorrente, o tributo era lançado. No entanto, quando Fl. 2612DF CARF MF Processo nº 10245.720800/201435 Acórdão n.º 1401001.660 S1C4T1 Fl. 2.609 9 acontecia o inverso, ou seja, quando o valor das retenções e pagamentos efetuados ultrapassava os valores devidos, os valores excedentes eram ignorados, não realizando qualquer compensação com os períodos subsequentes; Ao examinar as notas fiscais a que se refere a Recorrente, verifico que os argumentos têm procedência. Assim, passo a analisar separadamente mês a mês as alegações da Recorrente: (i) Janeiro/2012: Três foram as notas fiscais consideradas para fins de apuração da receita da Recorrente: notas nº 28, 32 e 34. De acordo com a Recorrente, o valor descrito na Nota nº 34 (fl. 1624) não poderia ser considerado como receita, uma vez que tal venda foi cancelada, conforme Nota Fiscal de Devolução de Venda nº 266 (fl. 2209). Ao examinar a Nota Fiscal de Venda nº 34, bem como a Nota Fiscal de Devolução de Venda nº 266, verificase que ambas se referem exatamente aos mesmos produtos, com valores idênticos. Neste contexto, referida nota não poderia ser considerada para fins de apuração da receita auferida no mês de janeiro/2012. (ii) Fevereiro/2012: Foram consideradas as seguintes notas fiscais para fins de apuração da receita da Recorrente: notas nº 35, 36, 38, 39 e 40. De acordo com a Recorrente, o valor descrito nas Notas nºs 39 e 40 (fls.1631/1632) não poderia ser considerado como receita, uma vez que tais vendas foram canceladas, conforme Notas Fiscais de Devolução de Venda nºs 268 e 267, respectivamente (fl. 2210/2211). Ao examinar as Notas Fiscais de Venda nºs 39 e 40, bem como as Notas Fiscais de Devolução de Venda nºs 268 e 267, verificase que se referem exatamente aos mesmos produtos, com valores idênticos. Neste contexto, referidas notas não poderiam ser consideradas para fins de apuração da receita auferida no mês de fevereiro/2012. (iii) Abril/2012: Foram consideradas as seguintes notas fiscais para fins de apuração da receita da Recorrente: notas nº 47, 48, 49 e 50. De acordo com a Recorrente, o valor descrito nas Notas nºs 48 e 49 (fls.1643/1644) não poderia ser considerado como receita, uma vez que tais vendas foram canceladas, conforme Notas Fiscais de Devolução de Venda nºs 269 e 270, respectivamente (fl. 2210/2211). Fl. 2613DF CARF MF 10 Ao examinar as Notas Fiscais de Venda nºs 48 e 49, bem como as Notas Fiscais de Devolução de Venda nºs 269 e 270, verificase que se referem exatamente aos mesmos produtos, com valores idênticos. Neste contexto, referidas notas não poderiam ser consideradas para fins de apuração da receita auferida no mês de abril/2012. (iv) Maio/2012: Foram consideradas as seguintes notas fiscais para fins de apuração da receita da Recorrente: notas nº 51, 52, 54, 57, 56, 63, 64 e 65. De acordo com a Recorrente, o valor descrito nas Notas nºs 52, 54 e 65 (fls. 1650, 1651 e 1661) não poderia ser considerado como receita, uma vez que tais vendas foram canceladas, conforme Notas Fiscais de Devolução de Venda nºs 271, 272 e 273, respectivamente (fls. 2214/2216). Ao examinar as Notas Fiscais de Venda nºs 52, 54 e 65, bem como as Notas Fiscais de Devolução de Venda nºs 271, 272 e 273, verificase que se referem exatamente aos mesmos produtos, com valores idênticos. Neste contexto, referidas notas não poderiam ser consideradas para fins de apuração da receita auferida no mês de maio/2012. (v) Agosto/2012: Notas fiscais consideradas para fins de apuração da receita: 90, 92, 93, 95, 96, 97, 98 e 99. Nota fiscal 93 (fls. 1693/1695): alega o contribuinte que foi substituída pela nota fiscal nº 107 (fl.1536/1538), devendo ser considerada cancelada. Nota fiscal 95 (fls. 1696/1697): alega o contribuinte que foi substituída pela nota fiscal nº 109 (fls. 1540/1541). Nota fiscal 96 (fl. 1698): alega o contribuinte que foi substituída pela nota fiscal nº 108 (fl. 1539). Nota fiscal 97 (fls. 1699/1700): alega o contribuinte que foi substituída pela nota fiscal nº 110 (fls. 1542/1543). Ao examinar referidas notas fiscais, apesar de verificar que os valores não são idênticos em relação a certos produtos a diferença é pequena e pareceme provado que houve o cancelamento. Nota fiscal 98 (fls. 1701): alega o contribuinte que foi substituída pela nota fiscal nº 111 (fl. 1544). Ao examinar referidas notas fiscais, verificase que se referem exatamente aos mesmos produtos, com valores idênticos. Portanto, é possível concluir que a nota 98 foi cancelada pela nota 111. (vi) Setembro/2012: Fl. 2614DF CARF MF Processo nº 10245.720800/201435 Acórdão n.º 1401001.660 S1C4T1 Fl. 2.610 11 Notas fiscais consideradas para fins de apuração da receita: 100, 101, 102, 104, 105, 106, 107, 108, 109, 110, 111, 112, 115, 117, 118, 119, 120, 123, 124 e 125. De acordo com a Recorrente, o valor descrito nas Notas nºs 117 e 120 (fls. 1556/1558 e 1554) não poderia ser considerado como receita, uma vez que tais vendas foram canceladas, conforme Notas Fiscais de Devolução de Venda nºs 122 e 134, respectivamente (fls. 1556/1558 e 1576). Ao examinar as Notas Fiscais de Venda nºs 117 e 120 bem como as Notas Fiscais de Devolução de Venda nºs 122 e 134 verificase que se referem exatamente aos mesmos produtos, com valores idênticos. Neste contexto, referidas notas não poderiam ser consideradas para fins de apuração da receita auferida no mês de setembro/2012. No entanto, a nota 117 já foi desconsiderada pela decisão da DRJ. (vii) Outubro/2012: Notas fiscais consideradas para fins de apuração da receita: 126, 127, 128, 129, 130, 131, 132, 133, 136, 137, 138 e 139. De acordo com a Recorrente, o valor descrito nas Notas nºs 126, 139 e 136 (fls.1564 e 1578) não poderia ser considerado como receita, uma vez que tais vendas foram canceladas, conforme Notas Fiscais de Devolução de Venda nºs 135, 141 e 169, respectivamente (fls. 1577, 1583 e 1615). Ao examinar as Notas Fiscais de Venda nºs 126 e 136 bem como as Notas Fiscais de Devolução de Venda nºs 135 e 169 verificase que se referem exatamente aos mesmos produtos, com valores idênticos. Neste contexto, as notas 126 e 136 não poderiam ser consideradas para fins de apuração da receita auferida no mês de outubro/2012. No entanto, a nota 135 já foi desconsiderada pela decisão da DRJ (viii) Novembro/2012: Notas fiscais consideradas para fins de apuração da receita: 142, 140, 143, 144, 146, 147, 150, 151, 153, 152 e 154. De acordo com a Recorrente, o valor descrito na Nota nº 142 (fl. 1582) não poderia ser considerado como receita, uma vez que tal venda foi cancelada, conforme Nota Fiscal de Devolução de Venda nº 145 (fl. 1588). Ao examinar as notas mencionadas verificase que se referem exatamente aos mesmos produtos, com valores idênticos. Fl. 2615DF CARF MF 12 Neste contexto, a nota 142 não poderia ser considerada para fins de apuração da receita auferida no mês de novembro/2012. (ix) Fevereiro/2013: Notas fiscais consideradas para fins de apuração da receita: 182, 163, 183, 184, 185, 186, 187, 189 e 190. De acordo com a Recorrente, o valor descrito nas Notas nºs 190 e 182 (fls. 2121 e 2109) não poderia ser considerado como receita, uma vez que tais vendas foram cancelada, conforme Notas Fiscais de Devolução de Venda nºs 191 e 196 (fls. 2122 e 2127). Ao examinar as notas mencionadas verificase que se referem exatamente aos mesmos produtos, com valores idênticos. Neste contexto, as notas 190 e 182 não poderiam ser consideradas para fins de apuração da receita auferida no mês de fevereiro/2013. (x) Maio/2013: Notas fiscais consideradas para fins de apuração da receita: 238, 239, 240, 241, 243, 244, 245, 246, 247, 242, 249 e 250. De acordo com a Recorrente, o valor descrito nas Notas nºs 240 e 246 (fls. 2174 e 2181/2182) não poderia ser considerado como receita, uma vez que tais vendas foram canceladas, conforme Notas Fiscais de Devolução de Venda nºs 248 e 263 (fls. 2184 e 2205/2206). Alega, ainda, que a nota fiscal nº 243 (fl. 2177) se refere à devolução de venda, não à venda. Ao examinar as notas fiscais 240 e 246 e comparandoas com as notas 248 e 263, verificase que se referem exatamente aos mesmos produtos, com valores idênticos. Neste contexto, as notas 240 e 246 não poderiam ser consideradas para fins de apuração da receita auferida no mês de maio/2013. No entanto, a nota 240 já foi desconsiderada pela decisão da DRJ. Além disso, a nota fiscal 243 é, de fato, uma nota de devolução de venda, de modo que não poderia ser considerada para fins de apuração da receita. No entanto, a nota 243 já foi desconsiderada pela decisão da DRJ (xi) Junho/2013: Notas fiscais consideradas para fins de apuração da receita: 253, 254, 255, 256, 257, 252, 251, 258, 259, 260, 261, 262 e 264. De acordo com a Recorrente, o valor descrito nas Notas nºs 253, 254 e 255 (fls. 2191, 2192 e 2193) não poderia ser considerado como receita, Fl. 2616DF CARF MF Processo nº 10245.720800/201435 Acórdão n.º 1401001.660 S1C4T1 Fl. 2.611 13 uma vez que tais vendas foram canceladas, conforme Notas Fiscais de Devolução de Venda nºs 280, 282 e 286 (fls. 2222, 2224 e 2226). Ao examinar as notas fiscais 253, 254 e 255 e comparandoas com as notas 280, 282 e 286, verificase que se referem exatamente aos mesmos produtos, com valores idênticos. Neste contexto, as notas 253, 254 e 255 não poderiam ser consideradas para fins de apuração da receita auferida no mês de junho/2013. No, entanto, as notas 253, 254 e 255 já foram desconsideradas pela decisão da DRJ. Não resta dúvida de que procede a argumentação da Recorrente quanto a impossibilidade de considerar como omissão de receitas valores relativos às notas fiscais consideradas pela Fiscalização, quando comprovada que a venda não se efetivou. No entanto, da análise acima verificase que algumas notas que fundamentam o pedido da Recorrente em seu Recurso Voluntário, já foram excluídas da base tributária pela decisão da DRJ. Diante disso, voto em dar provimento ao recurso neste ponto para que sejam excluídos os valores das notas fiscais mencionadas pela Recorrente que efetivamente se refiram à vendas canceladas, desconsiderando as que já foram objeto de exclusão pela DRJ. Após o recálculo do tributo, impõese, também, sejam compensados eventuais valores recolhidos a maior. 3) Da legitimidade da multa no percentual de 150% No Termo de Verificação Fiscal, alega a fiscalização que, neste caso, seria cabível a aplicação de multa no percentual de 150% porque, no seu entender, houve prática de ação dolosa com o intuito de impedir o conhecimento, por parte da autoridade, de suas condições pessoais, o que caracteriza sonegação, nos termos do art. 71, I, da Lei nº 4.502/64: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; A prescrição legal determina que todo aquele que realizar atos dolosos, comissivos, com o propósito de evadirse da percussão tributária, cometerá sonegação, sujeitandose a lançamento de ofício, independente da validade comercial ou civil dos atos jurídicos celebrados. A referência ao dolo coloca em destaque o aspecto intrasubjetivo, ou seja, a inquestionável intenção de sonegar. De fato, conquanto o princípio geral, no campo das infrações tributárias, seja o da responsabilidade objetiva, o legislador não está tolhido de criar figuras típicas de ilícitos subjetivos, como é o caso da sonegação. Portanto, para que se configure esse tipo legal o Fl. 2617DF CARF MF 14 agente deve atuar de maneira dolosa, ou seja, com intenção de obter o resultado ou de assumir o risco de produzilo. Aplicando esses conceitos ao campo do direito tributário, concluise que se não ficar comprovado o objetivo de burlar o Fisco, de ocultar a ocorrência de fato jurídico tributário ou de fazer surgir vantagem indevida, não é possível a majoração da multa para o percentual de 150%. Neste sentido já se posicionou este E. Conselho: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2001, 2002 MULTA QUALIFICADA. Para que se possa preencher a definição do evidente intuito de fraude que autoriza a qualificação da multa, nos termos do artigo 44, II, da Lei 9.430/1996, é imprescindível identificar a conduta praticada: se sonegação, fraude ou conluio respectivamente, arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964. A mera imputação de simulação não é suficiente para a aplicação da multa de 150%, sendo necessário comprovar o dolo, em seus aspectos subjetivo (intenção) e objetivo (prática de um ilícito). (CARF, CSRF, 1ª Turma, ACÓRDÃO 9101002.189, julgado em 21/01/2016) A lição de Paulo de Barros Carvalho esclarece o papel da aplicação da multa qualificada: É a espécie de multa que tem por conteúdo a agravação de penalidade em decorrência de dolo, fraude ou simulação na prática do ato jurídico tributário. É aplicada quando a Administração Pública demonstra, por elementos seguros de prova, no Auto de Infração, a existência da intenção do sujeito infrator de atuar com dolo, fraudar ou simular situação perante o Fisco. Para caracterizar a multa agravada, é necessário, outrossim, a existência de fato doloso, fraudulento ou simulado, devidamente provado, para se produzir a correta subsunção do fato infracional à norma autorizadora do agravamento da penalidade. (Direito Tributário, Linguagem e Método. 6. Ed. São Paulo: Noeses, 2015, p. 894). Grifei. No presente caso, estou convencida, pelo exame dos autos, que não houve a comprovação de prática de ato tendente a retardar o conhecimento, pela autoridade, da infração apurada. Com efeito, alegou a fiscalização que a Recorrente, reiteradamente, informou valores menores que os devidos em suas declarações e, como consequência, sempre efetuou recolhimentos inferiores. Não resta dúvida de que as declarações prestadas não refletem as receitas auferidas no período. Contudo, é certo, também, que todas as operações realizadas pela Recorrente foram acobertadas por documentos fiscais idôneos. Tanto é que foram as informações ali prestadas que serviram de base para a autuação. Ora, se existisse, de fato, intenção de sonegar, certamente tais operações não teriam sido acompanhadas de notas fiscais eletrônicas. Afinal, é sabido que as informações ali constantes são compartilhadas entre os entes federados. Tal fato, por si só, já é suficiente para afastar o dolo alegado. Fl. 2618DF CARF MF Processo nº 10245.720800/201435 Acórdão n.º 1401001.660 S1C4T1 Fl. 2.612 15 Importante destacar, por fim, que é irrelevante o fato de a fiscalização ter apurado imposto a pagar somente por meio do referido procedimento. Se isso fosse indício de sonegação, todo auto de infração lavrado pela fiscalização seria, sempre, acompanhado de multa no percentual de 150%. Voto, assim, pela redução da multa para o percentual de 75%. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Conforme já mencionado, foi imputada, nos autos de infração em referência, responsabilidade solidária aos sócios administradores da pessoa jurídica à época dos fatos com fundamento no art. 135, III, da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional). Em sua impugnação, a Recorrente argumentou que não estariam presentes os requisitos necessários para a atribuição da responsabilidade solidária. Tal argumento, porém, não foi conhecido, acertadamente, uma vez que não lhe cabe defender direito de terceiro. Tanto isso é verdade que a matéria não foi sequer mencionada no Recurso Voluntário. Neste sentido, aliás, é o posicionamento deste E. Conselho: SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RECURSO INTERPOSTO PELO CONTRIBUINTE EM FAVOR DO RESPONSÁVEL. FALTA DE INTERESSE DE AGIR E DE LEGITIMIDADE DE PARTE. A pessoa jurídica, apontada no lançamento na qualidade de contribuinte, não possui interesse de agir nem legitimidade de parte para questionar a responsabilidade tributária solidária atribuída pelo Fisco a pessoas físicas. A falta de interesse de agir se evidencia porque, qualquer que fosse a decisão a ser tomada acerca dessa matéria, inexiste dano ou risco de dano aos interesses da pessoa jurídica. E, por não ter direitos ou interesses passíveis de serem afetados pela decisão a ser adotada quanto a esse ponto, não se qualifica como parte legítima, não podendo pleitear direito alheio em nome próprio. Não se há, portanto, de conhecer desse pedido. (...)(CARF, 1ª Seção, 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, ACÓRDÃO 1301001.930, julgado em 01/03/2016) É certo, por outro lado, que os sócios administradores aos quais foi imputada a responsabilidade pelos débitos constituídos não exerceram seu direito de defesa, não tendo apresentado qualquer defesa no âmbito administrativo. Ocorre que, ao examinar os Autos de Infração, bem como o Termo de Verificação Fiscal que os acompanham, verifiquei que, neste ponto, o lançamento carece de motivação. Tratase, portanto, de vício que pode ser conhecido de ofício. De fato, assinalei, linhas atrás, que os vícios relacionados aos elementos constitutivos do ato podem ser conhecidos de ofício pelo julgador. Dentre tais elementos se encontra justamente a motivação do ato, conforme previsto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: Fl. 2619DF CARF MF 16 [...] III a descrição do fato; Como se vê, o auto de infração deve, obrigatoriamente, conter a descrição dos fatos que motivaram a autuação (motivação), caracterizandose a subsunção e por consequência a aplicação da norma. Portanto, quando atribui responsabilidade dos sócios pelo crédito tributário, deve descrever, pormenorizadamente, os fatos que se enquadram na norma (constante na fundamentação do ato) capazes de ensejar a responsabilização em razão da sua aplicação. Vejamos, agora, o modo como foi fundamentada a responsabilização no presente caso, no Termo de Verificação Fiscal (fl. 2288): VI – RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Tendo em vista as condutas descritas acima, que configuram clara infração à lei, respondem solidariamente pelo crédito tributário constituído neste procedimento os sócios administradores da empresa à época dos fatos, com base no art. 135, III, da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional), cuja transcrição se segue: Lei nº 5.172/1966 “Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” Assim, conforme detalhamento constante dos Autos de Infração do qual este termo é parte indissociável, resta caracterizada a sujeição passiva solidária dos sócios administradores, Srs. Nubson Ney de Souza Padilha ,CPF n° 446.555.92249, e landerson da Silva Passos, CPF n° 600.109.75268, sendo ambos responsáveis pela administração da sociedade à época dos fatos. Verificase do trecho citado que a responsabilidade solidária foi atribuída aos sócios administradores da Recorrente à época com fundamento no art. 135, III, do CTN. Ocorre que, de acordo com esse dispositivo, o sócio administrador somente pode ser responsabilizado pelos débitos resultantes de atos por ele praticados com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos. Neste sentido, aliás, já se manifestou o Supremo Tribunal Federal, sob o rito da repercussão geral (RE 562276), 1 e o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento de um recurso repetitivo (REsp 1101728). 2 1 [...] O art. 135, III, do CTN responsabiliza apenas aqueles que estejam na direção, gerência ou representação da pessoa jurídica e tãosomente quando pratiquem atos com excesso de poder ou infração à lei, contrato social ou estatutos. Desse modo, apenas o sócio com poderes de gestão ou representação da sociedade é que pode ser responsabilizado, o que resguarda a pessoalidade entre o ilícito (mal gestão ou representação) e a conseqüência de ter de responder pelo tributo devido pela sociedade. (RE 562276, Rel. Min. Ellen Gracie, Tribunal Pleno, Repercussão geral, Julgado em 03/11/2010, DJe 09/02/2011) 2 [...] É igualmente pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa. (REsp 1101728/SP, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 11/03/2009, DJe 23/03/2009) Fl. 2620DF CARF MF Processo nº 10245.720800/201435 Acórdão n.º 1401001.660 S1C4T1 Fl. 2.613 17 Construindo a norma prescrita no art. 135 III do CTN temos a seguinte estrutura: H (hipótese) Se for a prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, por diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, deve ser C (consequência) a responsabilidade pessoal destes pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes de atos. Os contornos da hipótese de incidência da norma trás um critério pessoal no antecedende, indicando sujeitos especificos (diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado) cuja realização da conduta (praticar atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos) inplicará os efeitos jurídicos da responsabilidade. A incidência da norma exige que seja identificado o fato exatamente nos moldes do descrito na sua hipótese. Assim, para a caracterização da responsabilidade dos sócios, é necessário que seja possível identificar nos autos a realização da conduta específica pelos indivíduos delimitados na hipótese. As alegações não podem ser genéricas e nem imputadas a empresa tem que estar bem caracterizada e delimitada para que seja possível a subunção. Portanto, é indispensável, para atribuição da responsabilidade, com fundamento no art. 135, III do CTN, que a fiscalização identifique os atos praticados pelos sócios administradores que, no seu entender, se enquadram dentre os ilícitos previstos na legislação (hipótese) como aptos a ensejar a responsabilidade (consequência). Mesmo porque, como enuncia o artigo utilizado no auto para fundamentar a responsabilidade, esta é pessoal e correspondente às obrigações tributárias resultantes de tais atos. Este é o entendimento de Maria Rita Ferragut que também pontua a necessidade, para a imputação da responsabilidade tributária do art. 135 III do CTN, a identificação de fato doloso praticado pelo sócio (cit). No presente caso, contudo, isso não se verificou. Examinando o Termo de Verificação Fiscal, não é possível identificar uma única passagem na qual seja descrita conduta praticada pelos sócios que, no entender da fiscalização, configura ilícito praticado especificamente por cada um dos sócios administradores capazes de ensejar a responsabilidade pessoal dos mesmos, nos termos do art. 135, III do CTN. Em diversas oportunidades a fiscalização faz menção às condutas praticadas pela pessoa jurídica que, inclusive, entende se enquadrar no conceito de sonegação. Tratase, contudo, de ato imputado à pessoa jurídica, não aos sócios administradores. Mesmo nos trechos do TVF (fl. 2.286) citados pela DRJ (fls. 2385 e 2386) no relatório ao fazer referencia à responsabilidade e a falta de impugnação dos sócios, todas as condutas são imputadas à empresa contribuinte, de forma que não há identificação nos autos dos atos especificamente praticados de forma dolosa pelos sócios capazes de ensejar a incidência da norma de responsabilidade do art. 135 III do CTN. Pondo em ordem o que acabei de expor: as autuações são nulas, neste ponto, na medida em que não foi adequadamente fundamentada a imputação da responsabilidade aos sóciosadministradores. E, por tratarse de vício quanto a elemento constitutivo do ato (motivação), pode ser conhecido de ofício pelo julgador. Fl. 2621DF CARF MF 18 Por estas razões, conheço a matéria de ofício e voto pela improcedência da autuação, no que diz respeito à responsabilidade solidária dos sócios, em face da ausência de motivação. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso de Ofício e, no que diz respeito ao Recurso Voluntário, dele conheço em parte para, no mérito, darlhe PARCIAL PROVIMENTO para excluir os valores referentes a vendas canceladas da base de cálculo dos créditos constituídos, para retificar a penalidade aplicada, ajustandoa para o percentual de 75% e DE OFÍCIO excluir os responsáveis do polo passivo da relação jurídica tributária. Sala de Sessões, em 07 de junho de 2016. (assinado digitalmente) Aurora Tomazini de Carvalho Relatora Voto Vencedor Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Redator Designado Com a devida vênia à Conselheira Relatora, de longa data me posiciono pela possibilidade de aplicação da multa no patamar qualificado para condutas omissivas. Cito o Acórdão 10323.196, de 12/09/2007, em que fui julgador, e reproduzo a sua ementa na parte pertinente: MULTA EX OFFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE. Nos casos de comprovação de evidente intenção de fraude, caracterizada pela manutenção à margem da contabilidade da movimentação financeira de diversas contas bancárias, aplicase a multa qualificada nos termos do art. 44, II, da Lei nº 9.430/96. Naquela oportunidade, proferi o seguinte voto sobre o tema: Com relação à multa qualificada para o patamar de 150%, ela se perfaz pelo elemento subjetivo da prática delitiva, pela intenção, pelo querer praticála; seja a do tipo comissiva, seja a omissiva. É evidente que não é dada à condição sensorial humana a aptidão de penetrar a consciência alheia. A aferição de se um sujeito quis ou não praticar essa ou aquela conduta deve ser promovida pelas próprias circunstâncias. É razoável se acreditar que alguém possa ter matado outrem acidentalmente se houve apenas um disparo. No entanto, se foram promovidos vários tiros à "queima roupa", todos na cabeça da vítima, as circunstâncias da conduta levam à conclusão de que o agir foi intencional: o autor quis disparar e para matar! O mesmo se pode dizer aqui. A omissão de uns poucos valores de algumas contas ou até a omissão integral de uma delas pode ser Fl. 2622DF CARF MF Processo nº 10245.720800/201435 Acórdão n.º 1401001.660 S1C4T1 Fl. 2.614 19 comparada a um tiro acidental; quatro, não! A circunstância de se omitir tantas contas bancárias, em todos os períodos, só leva a uma conclusão: houve o querer de "não fazer" e com a clara motivação de se evadir. Aqui estamos diante das mesmas circunstâncias e a única diferença milita ainda mais a favor da Fazenda Pública. Afinal, a omissão é vultosa e significativa em face dos valores oferecidos à tributação e a prática foi reiterada, pois foi perpetrada ao longo de dois anos. Ademais, diferentemente do precedente acima transcrito, a omissão foi comprovada por prova direta e não por presunção, o que reforça a segurança para a aplicação do percentual punitivo. Também divirjo do entendimento da Ilustre Conselheira Relatora, quanto à questão da responsabilidade tributária. No seu entender, apesar de os responsáveis não terem recorrido, a questão deveria ser conhecida de ofício por ausência de fundamentação do lançamento. Ora, com todas as vênias, poderia até ser considerado, numa leitura mais rígida, que o fundamento apresentado pela autoridade fiscal não seria suficiente para promover a imputação de responsabilidade. Nada obstante, afirmar a inexistência de fundamento ou da descrição fática não condiz, sob qualquer ótica por mais estrita que seja, com o termo de verificação fiscal. A autoridade imputou a responsabilidade aos dois sócios administradores, porque são eles que conduzem a pessoa jurídica. Não há, pois, como suscitar qualquer nulidade da imputação de responsabilidade e que dê azo ao conhecimento de ofício da questão. Por todo o exposto, voto por não conhecer a questão suscitada de ofício pela Conselheira Relatora para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário quanto à qualificação do patamar da multa. No mais, sigo o voto da Ilustre Conselheira Relatora. Documento assinado digitalmente. Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Redator Designado Fl. 2623DF CARF MF
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Numero do processo: 10070.001394/2005-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/08/2005
INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO/CONTRADIÇÃO.
Devem ser rejeitados embargos declaratórios quando opostos no intuito de discutir os fundamentos constantes do acórdão recorrido.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3301-003.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, em rejeitar os embargos apresentados.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Giovani Vieira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Semíramis de Oliveira Duro, e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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Devem ser rejeitados embargos declaratórios quando opostos no intuito de discutir os fundamentos constantes do acórdão recorrido. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, em rejeitar os embargos apresentados. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Giovani Vieira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Semíramis de Oliveira Duro, e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 00 13 94 /2 00 5- 66 Fl. 538DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 21/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por LUI Z AUGUSTO DO COUTO CHAGAS 2 Relatório Por economia processual, adoto o relatório constante da decisão embargada, às fls. 477 e seguinte dos autos: Tratase de Recurso Voluntário interposto por BHP Billiton Metais S.A contra Acórdão n. 1340.250, de 08 de março de 2012 (fls. 321/328), proferido pela 5ª Turma da DRJ/RJ2, que manteve o indeferimento da solicitação do contribuinte, formalizado através da Declaração de Compensação de débitos de IRPJ, do período de apuração 30/09/2005, nos valores de R$ 1.746.833,26 e R$ 1.242.821,16 (com crédito oriundo da incidência nãocumulativa da COFINS dos períodos 07/2005 e 08/2005). A delegacia de origem (DRF1RJ), por meio do despacho decisório (fls. 199/201), indeferiu a solicitação do contribuinte, sob o argumento de não ter sido comprovado o pagamento a maior ou indevido das contribuições. Devidamente cientificada do despacho, a interessada apresentou, tempestivamente, em 04/10/2010 a Manifestação de Inconformidade (fls. 208/214), alegando em síntese que: “1. Cumpre salientar que, a apresentação unicamente da planilha, elaborada pelo consórcio do qual a Requerente e integrante, se deu pelo grande volume de notas fiscais e demais documentos que, embora não tivessem sido apresentados em tempo hábil a resposta a intimação recebida, já estão a disposição do Sr. Auditor Fiscal; 2. Por entender que a referida decisão deixou de atentar ao princípio do inquisitório e da verdade material, que regem o processo administrativo, a requerente apresenta sua manifestação de inconformidade a fim de que seja verificada a existência do direito creditório e consequente extinção dos débitos compensados; 3. Preliminarmente, nada obsta que essa Delegacia aprecie a documentação ora apresentada, uma vez que a mesma é necessária a comprovação da verdade material, sendo essa posição unânime da Câmara Superior de Recursos Fiscais; 4. Devese verificar que a nãohomologação da compensação ora em causa é consequência da postura da requerida, que deixou de cumprir com seu dever de oficio de realizar as diligências necessárias aos esclarecimentos dos fatos; 5. Contudo, a análise em questão em face do princípio inquisitório e ao princípio da verdade material que orientam o processo administrativo fiscal como corolários do princípio da legalidade aplicável ao Direito Tributário, há de se concluir pela homologação dos procedimentos realizados pelo contribuinte; 6. Apesar de possuir meios para identificar que a interessada possuía todos os créditos objeto da Declaração de Compensação realizada, a autoridade administrativa nada fez para esclarecer a origem dos créditos objeto da compensação, descumprindo com seu dever de investigação; Fl. 539DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 21/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por LUI Z AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 10070.001394/200566 Acórdão n.º 3301003.061 S3C3T1 Fl. 11 3 7. As decisões das Autoridades Administrativas devem sempre observar para com o seu encargo de prova e dever de investigação, realizandose todas as diligências necessárias a busca da verdade; 8. Desse modo, comprovada a origem e existência de créditos em montante suficiente é forçoso reconhecer a validade das compensações realizadas e, consequentemente, a extinção dos créditos tributários a que eles se referem; 9. E nem se diga que a existência do Acordão da DRJ/JFA deve ser aplicada ao presente caso, uma vez que o Consorcio Aluar, do qual a pessoa jurídica e integrante, possui todas as características necessárias para a constituição de um Consórcio, tais como (i) tem por objeto um empreendimento determinado; (ii) e um consórcio operacional para execução de negócios jurídicos relativos a atividade industrial determinada e (iii) há prazo de duração determinado; 10. Restando demonstrada a possibilidade da apuração dos créditos em causa e, estando documentalmente comprovada a sua apuração, deve ser inequivocadamente reconhecida à possibilidade da compensação realizada pela requerente nos autos o presente processo administrativo; 11. Ante o exposto, requer seja dado provimento ao presente recurso, para: 11.1. anular o despacho decisório, determinando seja proferida nova decisão que, mediante a apreciação de toda a prova digital constante dos autos, análise a suficiência dos créditos de Cofins NãoCumulativo e PIS Não Cumulativo para a realização das compensações pretendidas; ou 11.2. reformar o despacho decisório, reconhecendose – em face da prova acostada aos autos – a suficiência dos créditos de Cofins NãoCumulativo e PIS NãoCumulativo para a realização das compensações pretendidas e determinandose o cancelamento da cobrança ora recorrida. A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e manteve o indeferimento do direito pleiteado, conforme acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTARIO Período de apuração: 01/07/2005 a 31/08/2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. As diligências, passíveis de serem promovidas e sede de julgamento administrativo, não se destinam a suprir a omissão na produção da prova por parte daquele a quem tal ônus incumbia, mas apenas a dirimir dúvidas pontuais acerca dos elementos de prova trazidos aos autos. PROVA DOCUMENTAL A prova documental será apresentada na impugnação ou manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 21/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por LUI Z AUGUSTO DO COUTO CHAGAS 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimado do referido acórdão em 19 de marco de 2012 (fl. 351), o interessado apresentou Recurso Voluntário em 18 de abril de 2012 (fls. 355/ a 365), pleiteando a reforma do acórdão, reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ e juntando nova documentação comprobatória. Ao analisar o caso, este Conselho entendeu, conforme acórdão nº 3301 002.136, por negar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte, sob o fundamento de insuficiência de provas que fossem capazes de comprovar o seu direito creditório. É o que se extrai da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 31/08/2005 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. A despeito da possibilidade de análise posterior da documentação, deixou o contribuinte de fazer prova cabal do seu direito creditório. Recurso Voluntário Não Provido. Face à referida decisão, o contribuinte opôs embargos declaratórios, através dos quais alega que o acórdão recorrido teria incorrido nos seguintes vícios: (i) omissão apesar de ter sido expresso quanto à suposta "insuficiência de provas", o acórdão não teceria uma linha sequer sobre o teor dos documentos fiscais acostados aos autos; (ii) omissão deveria constar do acórdão o motivo pelo qual as provas não estariam "contextualizadas", sob pena de se incorrer em nulidade por carência de fundamentação; (iii) contradição se foram acolhidos os documentos carreados na ocasião do Recurso Voluntário, mas não foi possível relacionálos à planilha anteriormente apresentada, deveria ter sido determinada a baixa dos autos em diligência; (iv) omissão o acórdão embargado não traria o motivo legal que justificaria o indeferimento do pedido alternativo de diligência. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise dos referidos Embargos. É o breve relatório. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 21/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por LUI Z AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 10070.001394/200566 Acórdão n.º 3301003.061 S3C3T1 Fl. 12 5 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: Os Embargos Declaratórios opostos são tempestivos e reúnem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles conheço. Trataremos a seguir sobre cada um dos pontos indicados pela Embargante em seus embargos. 1. Omissão quanto aos documentos fiscais acostados aos autos De início, o contribuinte alega que seus embargos que o acórdão recorrido teria incorrido em omissão, visto que, apesar de ter sido expresso quanto à suposta "insuficiência de provas", o acórdão não teceria uma linha sequer sobre o teor dos documentos fiscais acostados aos autos. Entendo, contudo, que não há a omissão apontada. Isso porque, no caso em questão, não resta dúvidas que o acórdão recorrido analisou a documentação acostada pelo contribuinte aos autos, tanto que discorreu sobre a possibilidade de se apreciar documentos anexados somente quando da interposição do Recurso Voluntário. Concluiu no caso em análise, contudo, que a documentação apresentada seria insuficiente para comprovar o direito creditório pleiteado. E, para assim concluir, não precisaria tratar necessariamente sobre cada um dos documentos acostados aos autos pelo contribuinte. Os embargos declaratórios opostos pelo contribuinte visam, na verdade, discutir a correção ou não da decisão recorrida no que tange à análise dos documentos acostados, o que não cabe fazer por meio da análise de embargos declaratórios. Ainda que os julgadores desta Turma entendam que a documentação apresentada era suficiente para comprovar o direito creditório do contribuinte, não poderiam analisar tal ponto sob o fundamento de suposta omissão, inexistente no caso concreto. 2. Omissão quanto ao motivo pelo qual entendeu o relator que as provas não estaria "contextualizadas". Segue dispondo o contribuinte que o acórdão recorrido seria omisso, pois deveria constar do mesmo o motivo pelo qual as provas não estariam "contextualizadas", sob pena de se incorrer em nulidade por carência de fundamentação. Entendo que tampouco houve tal omissão. Isso porque, ainda que o contribuinte discorde das razões constantes da decisão embargada, há de reconhecer que o motivo consta do seu teor, ainda que de forma sucinta. É o que se extrai da passagem a seguir: Portanto, verificase que a empresa acostou aos autos, vários recibos (fls. 384/473) sem a devida correspondência entre as provas apresentadas até então. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 21/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por LUI Z AUGUSTO DO COUTO CHAGAS 6 Ou seja, entendeu a Turma Julgadora que as provas carreadas aos autos não estaria contextualizadas, visto que não fora indicado pelo contribuinte a correspondência entre os documentos acostados às fls. 384/473 dos autos com as provas apresentadas até aquele momento. Não há, pois, que se falar em omissão. 3. Contradição baixa dos autos em diligência. Alega também o Embargante que haveria contradição na decisão recorrida, uma vez que, se foram acolhidos os documentos carreados na ocasião do Recurso Voluntário, mas não foi possível relacionálos à planilha anteriormente apresentada, deveria ter sido determinada a baixa dos autos em diligência. Neste ponto, entendo que o acórdão embargado não incorreu em qualquer contradição. Ao contrário, da sua análise do seu teor, extraise que os fundamentos do acórdão são coerentes entre si. Apesar de terem sido acolhidos os documentos carreados na ocasião do Recurso Voluntário, a Turma entendeu que, justamente pela falta de correlação com a planilha anteriormente apresentada, não seria o caso de conversão dos autos em diligência, visto que o ônus da prova seria do contribuinte. Para que melhor se compreenda o que aqui se expõe, transcrevese passagem da decisão recorrida: Portanto, verificase que a empresa acostou aos autos, vários recibos (fls. 384/473) sem a devida correspondência entre as provas apresentadas até então. Não cabendo acatar o pedido alternativo, que era de baixar em diligência em caso de dúvida. (...) Concluise por negar provimento ao recurso voluntário, por insuficiência de provas que fossem capazes de comprovar o direito creditório do contribuinte. Reiterase que, não se pode usar as diligências como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pelas partes, também não se pode exigir que o julgador da questão controversa promova, ele próprio, a contextualização dos elementos de prova juntados ao processo. Logo, há de ser afastado o argumento do Embargante de contradição do acórdão recorrido, visto que esta não se apresentada no caso que ora se analisa. 4. Omissão quanto ao motivo que justificaria o indeferimento do pedido alternativo de diligência. Por fim, alega o Embargante que o acórdão recorrido teria incorrido em omissão, considerando que não teria trazido o motivo legal que justificaria o indeferimento do pedido alternativo de diligência. Verificase, portanto, que novamente não houve omissão do julgado. O Relator expôs de forma expressa o seu entendimento no sentido de que, na hipótese dos autos, deveria ser indeferido o pedido alternativo de baixa em diligência, visto que tal pedido seria cabível apenas em caso de dúvida, o que não seria o caso em análise, visto que o contribuinte teria acostado documentos sem a devida correspondência entre as provas apresentadas até então. Logo, da mesma forma que se entendeu nos itens anteriores, ainda que esta Turma não concorde com as razões da decisão recorrida, não poderá reformála sob o fundamento de omissão, visto que esta inexistiu no caso concreto analisado, não se admitindo o Fl. 543DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 21/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por LUI Z AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 10070.001394/200566 Acórdão n.º 3301003.061 S3C3T1 Fl. 13 7 acolhimento de embargos declaratórios quando tendentes a rediscutir o julgado outrora proferido. 5. Conclusão. Diante do acima exposto, entendo que os Embargos Declaratórios opostos pelo contribuinte deverão ser rejeitados. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 544DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 21/09/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por LUI Z AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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