Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,299)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,206)
- Primeira Turma Ordinária (16,161)
- Primeira Turma Ordinária (16,119)
- Segunda Turma Ordinária d (15,869)
- Segunda Turma Ordinária d (14,477)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,440)
- Segunda Turma Ordinária d (12,383)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,002)
- Terceira Câmara (67,587)
- Segunda Câmara (56,071)
- Primeira Câmara (20,360)
- 3ª SEÇÃO (16,206)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,675)
- Segunda Seção de Julgamen (114,657)
- Primeira Seção de Julgame (76,728)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,919)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- HELCIO LAFETA REIS (3,784)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- ROSALDO TREVISAN (3,230)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,753)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,578)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,732)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10675.001060/2007-45
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Ano-calendário: 2004 EXCLUSÃO DO SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. ÔNUS DA PROVA. Caracterizado que os valores creditados/depositados em conta de depósito em instituição financeira constituem receita omitida, nos termos da Lei n° 9.430/96, art. 42 e, constatado o auferimento de receita bruta no ano- calendário sob análise acima do limite legalmente estabelecido, conforme dispõe Lei n° 9.317/96, art. 9º, II, reputa-se correta a exclusão do SIMPLES. Cabe a contribuinte, quando for o caso, comprovar que o ingresso de tais numerários não constituem receita tributável.
Numero da decisão: 1802-001.110
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Gustavo Junqueira Carneiro Leão
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201201
ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Ano-calendário: 2004 EXCLUSÃO DO SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. ÔNUS DA PROVA. Caracterizado que os valores creditados/depositados em conta de depósito em instituição financeira constituem receita omitida, nos termos da Lei n° 9.430/96, art. 42 e, constatado o auferimento de receita bruta no ano- calendário sob análise acima do limite legalmente estabelecido, conforme dispõe Lei n° 9.317/96, art. 9º, II, reputa-se correta a exclusão do SIMPLES. Cabe a contribuinte, quando for o caso, comprovar que o ingresso de tais numerários não constituem receita tributável.
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 10675.001060/2007-45
conteudo_id_s : 5759484
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1802-001.110
nome_arquivo_s : Decisao_10675001060200745.pdf
nome_relator_s : Gustavo Junqueira Carneiro Leão
nome_arquivo_pdf_s : 10675001060200745_5759484.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
id : 6899119
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049469694509056
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1745; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 36 1 35 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10675.001060/200745 Recurso nº 504.621 Voluntário Acórdão nº 1802001.110 – 2ª Turma Especial Sessão de 31 de janeiro de 2012 Matéria SIMPLES EXCLUSÃO Recorrente AGRO MARTINS CARVALHO LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Anocalendário: 2004 EXCLUSÃO DO SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. ÔNUS DA PROVA. Caracterizado que os valores creditados/depositados em conta de depósito em instituição financeira constituem receita omitida, nos termos da Lei n° 9.430/96, art. 42 e, constatado o auferimento de receita bruta no ano calendário sob análise acima do limite legalmente estabelecido, conforme dispõe Lei n° 9.317/96, art. 9º, II, reputase correta a exclusão do SIMPLES. Cabe a contribuinte, quando for o caso, comprovar que o ingresso de tais numerários não constituem receita tributável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10675.001060/200745 Acórdão n.º 1802001.110 S1TE02 Fl. 37 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10675.001060/200745 Acórdão n.º 1802001.110 S1TE02 Fl. 38 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG), que considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte (fls. 06 / 67), mantendo o ADE n° 16/07 emitido pela DRF/Uberlândia/MG, que por sua vez a exclui do SIMPLES a partir de 01/01/2005. O ato foi motivado pela representação de fl. 01 que em conformidade com Lei n° 9.317/1996, art. 9º, II, que veda a permanência no regime dos contribuintes que auferem receita bruta em montante superior a R$ 1.200.000,00. “Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) II na condição de empresa de pequeno porte, que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais); (Redação dada pela Medida Provisória no 2.18949, de 2001)” Devidamente cientificada do ADE n° 16/07, a contribuinte, em 29/05/2007, protocolou manifestação de inconformidade contra o mesmo (fls. 10/19), onde alega, em síntese, que a simples existência de depósitos bancários em sua conta corrente não pode ser considerada renda tributável, porquanto deve ficar caracterizado o nexo causal entre o depósito e o fato que representa omissão de rendimentos, sendo imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, “evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que, por si só, depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto de renda pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos.” Assim, entende que “... o depósito bancário, mesmo após o advento da Lei n° 9.430/96, não constituise, por si só, fato gerador da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza, pois é necessária a prova cabal e robusta de que ele foi utilizado como renda consumida.” Para sustentar suas alegações, traz à colação tanto posicionamentos doutrinários quanto jurisprudenciais sobre o assunto. Por fim, relata que se deve observar que nos extratos apresentados, suas contas sempre ficaram com saldo negativo, justamente porque a maior parte dos recursos é proveniente de uma liberação de empréstimo (desconto de cheques) junto à instituição financeira e também recebimento de valores das indústrias que representa. E mais, toda a receita auferida pela impugnante fora devidamente escriturada, tendo o livro caixa sido apresentado à autoridade fiscal e, ainda, suscita pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário nos autos do processo de n° 10675.000906/200720. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10675.001060/200745 Acórdão n.º 1802001.110 S1TE02 Fl. 39 4 Ante o exposto, requer seja julgada procedente sua impugnação para rever o Ato Declaratório n° 16/07, mantendo, dessa forma, a contribuinte no SIMPLES, mesmo porque não existe decisão definitiva no Processo Administrativo n° 10675.000906/200720. É o relatório. A DRF de Uberlândia (MG) considerou procedente a exclusão do SIMPLES, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 EXCLUSÃO DO SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizado que os valores creditados/depositados em conta de depósito em instituição financeira constituem receita omitida, nos termos do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, e, constatado o auferimento de receita bruta no ano calendário sob análise acima do limite legalmente estabelecido, ou seja, superior a R$ 1.200.000,00, conforme dispõe o inciso II do artigo 9° da Lei n° 9.317/96, reputase correta a exclusão do Simples procedida junto à contribuinte em apreço. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 27/08/2009, a Contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 34 a 42, em 28/09/2009, reiterando as alegações da inicial. Este é o Relatório. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10675.001060/200745 Acórdão n.º 1802001.110 S1TE02 Fl. 40 5 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Primeiramente, cumpreme destacar que a análise de processos fiscais no âmbito administrativo obedece de forma irrestrita aos atos legais, de acordo com a norma prescrita na Lei nº 8.112/90, art. 116, III. “Art. 116. São deveres do servidor: (...) III observar as normas legais e regulamentares;” Sendo assim, sob a ótica das normas em vigor à época da ocorrência dos fatos, presumidamente legais e constitucionais enquanto sua validade não é afastada pelas instâncias competentes, independentemente de acórdãos do Conselho de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou, ainda, de decisões judiciais que não atendam aos requisitos do Decreto n°2.346, de 10/10/1997, que se procederá ao exame da presente lide. Assim, sobre posicionamentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos à colação pela recorrente para fundamentar seu entendimento, devese contrapor que são entendimentos/decisões cujos efeitos não são vinculantes, ante a inexistência de lei que lhes atribua eficácia normativa (art. 100 do CTN), podendo cada instância decidir com base no principio da livre convicção. A Recorrente alega que a matéria dos autos encontrase em discussão tratada no âmbito do Processo nº 10675.000906/200720. Em verdade o mencionado processo trata dos fundamentos para a expedição do ato declaratório executivo de exclusão do SIMPLES por omissão de receitas. Tal processo foi julgado na sessão de 30 de março de 2011, pela 1ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, abaixo ementado: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário:2004 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10675.001060/200745 Acórdão n.º 1802001.110 S1TE02 Fl. 41 6 Configuram omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.” Diante disso, não restou outra alternativa à RFB proceder à exclusão da empresa do SIMPLES, com efeitos a partir do primeiro dia de janeiro do anocalendário de 2005, exclusão esta procedida através do ADE n° 16, de 08 de maio de 2007, emitido pela DRF/Uberlândia/MG, justificada por ter a contribuinte excedido o limite máximo permitido da receita bruta para enquadramento no sistema, ou seja, receita bruta superior a R$ 1.200.000,00, conforme dispõe a Lei n° 9.317/96, artigo 9º, II, com alterações produzidas pela Lei n° 9.779/99. Ressaltese que não houve novos elementos nesse processo que justificassem a manutenção da contribuinte na sistemática do Simples, isto porque todas as matérias de mérito foram abordadas no processo anterior. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso da contribuinte, mantendo sua exclusão do SIMPLES nos termos do ADE n° 16/2007. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 49DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10183.001249/2004-27
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
IPI. COMPENSAÇÃO DE VALORES RECOLHIDOS A MAIOR EM UM PERÍODO COM O DEVIDO EM OUTRO. IMPOSSIBILIDADE DE REALIZAÇÃO DE OFÍCIO.
A compensação valores de IPI recolhidos a maior num período de apuração com o devido em outro não pode ser realizada de ofício, mas deve ser requerida na forma da legislação de regência.
Recurso Especial do Procurador provido.
Numero da decisão: 9303-005.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro Júlio César Alves Ramos na sessão anterior.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 IPI. COMPENSAÇÃO DE VALORES RECOLHIDOS A MAIOR EM UM PERÍODO COM O DEVIDO EM OUTRO. IMPOSSIBILIDADE DE REALIZAÇÃO DE OFÍCIO. A compensação valores de IPI recolhidos a maior num período de apuração com o devido em outro não pode ser realizada de ofício, mas deve ser requerida na forma da legislação de regência. Recurso Especial do Procurador provido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10183.001249/2004-27
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5757005
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-005.210
nome_arquivo_s : Decisao_10183001249200427.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10183001249200427_5757005.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro Júlio César Alves Ramos na sessão anterior. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
id : 6887264
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049469720723456
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1744; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 332 1 331 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10183.001249/200427 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.210 – 3ª Turma Sessão de 20 de junho de 2017 Matéria COFINS. COMPENSAÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado AMAGGI EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 IPI. COMPENSAÇÃO DE VALORES RECOLHIDOS A MAIOR EM UM PERÍODO COM O DEVIDO EM OUTRO. IMPOSSIBILIDADE DE REALIZAÇÃO DE OFÍCIO. A compensação valores de IPI recolhidos a maior num período de apuração com o devido em outro não pode ser realizada de ofício, mas deve ser requerida na forma da legislação de regência. Recurso Especial do Procurador provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro Júlio César Alves Ramos na sessão anterior. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 12 49 /2 00 4- 27 Fl. 332DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 330200.487, de 28/07/2010, proferido pela 2ª Turma da 3ª Câmara do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 RECOLHIMENTOS A MAIOR APROVEITAMENTO NO MESMO EXERCÍCIO No momento do lançamento do débito tributário, se forem localizados valores recolhidos a maior no mesmo exercício que forem apurados débitos, estes devem ser aproveitados de oficio pelo agente fiscal em favor do contribuinte. Claro que o crédito precisa existir e ser livre, ou seja, não ter sido aproveitado em outros procedimentos de compensação ou restituído. Apenas o saldo deste encontro de contas é que deve ser autuado. Recurso Voluntário Provido Parcialmente. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a PFN insurgese contra o aproveitamento do crédito referente ao recolhimento a maior em alguns meses do período fiscalizado. Alega divergência com relação ao que decidido no Acórdão nº 340100.359. A contribuinte apresentou as contrarrazões de fls. 273 e ss. Também apresentou recurso especial, o qual, todavia, não foi conhecido. É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto deve ser conhecido. Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10183.001249/200427 Acórdão n.º 9303005.210 CSRFT3 Fl. 333 3 O recurso especial apresentado pela PFN decorre do entendimento plasmado no acórdão recorrido, segundo o qual, no caso de serem localizados valores recolhidos a maior no mesmo exercício que forem apurados débitos, o Fisco deve aproveitálos de oficio em favor do contribuinte. Ao enfrentar a matéria, assim dispôs a relatora, sem qualquer consideração adicional: Por outro giro, no que se refere ao aproveitamento do crédito decorrente de recolhimento a maior em alguns meses do período fiscalizado, com razão a Recorrente. Realmente é permitido às autoridades de fiscalização proceder à compensação dos valores recolhidos a maior / menor no mesmo exercício, e este aproveitamento deve ser realizado de oficio no momento do lançamento. É direito da Recorrente ter o crédito destes seus recolhimentos utilizado para reduzir seu débito na mesma competência, razão pela qual defiro sua solicitação. Já no acórdão paradigma, a Câmara baixa concluiu que a compensação de créditos oriundos de pagamento indevido ou maior que o devido com débitos apurados no mesmo exercício demanda, sempre, atividade enunciativa inaugural do contribuinte, não cabendo à autoridade fiscal tomar a iniciativa em nome daquele. O dissídio, como se vê, está plenamente configurado. E deve ser dirimida em favor da tese encartada no recurso especial. No caso em exame, o auto de infração cobra a Cofins devida em vários meses de 1999 a 2003. Desde a sua impugnação, a contribuinte pleiteia a compensação de valores que alega terem sido recolhidos a maior num determinado período de apuração com débitos que o Fisco apurou noutros períodos, o que findou por ser autorizado no acórdão de julgamento do recurso voluntário. Todavia, a única compensação que a fiscalização está autorizada a fazer durante o procedimento fiscal é aquela que decorre da apuração não cumulativa de tributo, como é o caso do IPI: o encontro entre créditos e débitos dentro do mesmo período de apuração. A compensação que a contribuinte pleiteou, sabemos todos, é de sua própria iniciativa, e deve ser formulada pelo meio previsto em lei, ainda que se trate de mesmo tributo. Atualmente, através da apresentação de PER/Dcomp eletrônico (art. 74, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996). Notese, ademais, que, ao promover a compensação quando do julgamento do recurso voluntário, a Câmara baixa simplesmente aceitou realizála sem qualquer consideração sobre a ocorrência ou não da prescrição, como se, dentro de um mesmo processo, aquela pudesse ser efetuada a qualquer tempo. Mostrase, a toda evidência, equivocado o acórdão, na parte a que exclusivamente se refere o recurso especial. Ante o exposto, conheço e dou provimento ao recurso especial da PFN. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 334DF CARF MF 4 Charles Mayer de Castro Souza Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10183.001249/200427 Acórdão n.º 9303005.210 CSRFT3 Fl. 334 5 Declaração de Voto Declaração de Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Depreendendose da análise dos autos, peço vênia ao ilustre conselheiro Charles Mayer de Castro Souza para trazer o meu entendimento. Primeiramente, quanto ao conhecimento, após análise do Recurso Especial e do aresto indicado como paradigma, tenho que tal recurso não deva ser conhecido, eis que não comprovada a divergência jurisprudencial. Vêse que no acórdão recorrido, ficou consignado ser permitido às autoridades de fiscalização proceder à compensação dos valores recolhidos a maior/menor no mesmo exercício, e este aproveitamento deve ser realizado de ofício no momento do lançamento, evidenciando se tratar de um direito do sujeito passivo a utilização de tais créditos para redução de eventual débito apurado na mesma competência. Enquanto no acórdão indicado como paradigma, vêse que o cerne da lide era a pretensão de se compensar valores pagos indevidamente ou a maior em um período, com débitos apurados em períodos distintos (subsequentes). Resta claro que se tratam de situações fáticas diferentes, inclusive por ter sido a relatora do acórdão recorrido enfática nesse sentido, vêse ainda que o sujeito passivo havia trazido aos autos planilha demonstrando se tratar de mesmo período, invocando sejam compensados de ofícios pela autoridade fiscalizadora valores pagos indevidamente ou a maior no mesmo período objeto do lançamento de ofício. Fl. 336DF CARF MF 6 Em vista do exposto, haja vista não haver similitude fática entre os arestos, não conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Quanto ao mérito, recordo que o presente processo trata de Auto de Infração lavrado em 30/03/2004, para fim de constituir débito de COFINS relativos aos seguintes períodos: no ano de 1999 os meses fevereiro, março, maio, julho a outubro; no ano de 2000 os meses janeiro, fevereiro, abril a junho, setembro e dezembro; no ano de 2001 os meses janeiro e fevereiro, abril, julho, setembro, outubro e dezembro; no ano de 2002 os meses de janeiro a maio e julho a dezembro e o ano de 2003. Considerando que havia sido constatado valor recolhido a maior pelo sujeito passivo, o Colegiado do acórdão recorrido, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso, consignando a seguinte ementa: “ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 RECOLHIMENTOS A MAIOR APROVEITAMENTO NO MESMO EXERCÍCIO No momento do lançamento do débito tributário, se forem localizados valores recolhidos a maior no mesmo exercício que forem apurados débitos, estes devem ser aproveitados de oficio pelo agente fiscal em favor do contribuinte. Claro que o crédito precisa existir e ser livre, ou seja, não ter sido aproveitado em outros procedimentos de compensação ou restituído. Apenas o saldo deste encontro de contas é que deve ser autuado. ” Constou do voto do acórdão recorrido, entre outros: Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10183.001249/200427 Acórdão n.º 9303005.210 CSRFT3 Fl. 335 7 “ [...] é permitido às autoridades de fiscalização proceder à compensação dos valores recolhidos a maior / menor no mesmo exercício, e este aproveitamento deve ser realizado de oficio no momento do lançamento. É direito da Recorrente, ter o crédito destes seus recolhimentos utilizado para reduzir seu débito na mesma competência, razão pela qual defiro sua solicitação. Por fim, em relação à solicitação de aproveitamento do crédito não cumulativo de PIS com débitos de COFINS, acertada a decisão recorrida. O crédito é escritural, mas isso não significa que pode ser utilizado para outros tributos, é de se observar as regras da não cumulatividade e, neste caso, o aproveitamento é restrito aos débitos de PIS. Sendo assim, aquela turma considerou que somente aqueles valores recolhidos a maior de forma indevida é que deveriam ser passíveis de compensação de ofício – no momento do lançamento do débito tributário. É de se constatar também que havia sido demonstrado nos autos que: § A base de cálculo da contribuição, em junho de 1999, é de R$ 703.687,58 e não R$ 2.101.630,65 como apurado pelo auditor, tendo ocorrido um pagamento a maior relativamente a esse período de apuração de R$ 75.200,36; § No que tange ao ano de 2002, houve pagamento a maior relativo ao período de apuração junho, no valor de R$ 4.096,59; § Relativamente ao ano de 2003, houve pagamentos a maior ou indevidos nos períodos de apuração junho (R$ 165,73), setembro (R$ 795,08) e outubro (R$ 20.307,55). Nos autos do processo, o sujeito passivo demonstrou que possuía créditos decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior realizados no mesmo período objeto do Fl. 338DF CARF MF 8 lançamento de ofício e, pelos períodos de apuração descritos, não há que se falar que tais créditos estariam prescritos. O que, por conseguinte, entendo que deve ser mantida a decisão recorrida. Ora, tal procedimento deve considerar a inteligência do Decreto 2.138/97 – in verbis: “ Art. 1° É admitida a compensação de créditos do sujeito passivo perante a Secretaria da Receita Federal, decorrentes de restituição ou ressarcimento, com seus débitos tributários relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da mesma Secretaria, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. Parágrafo único. A compensação será efetuada pela Secretaria da Receita Federal, a requerimento do contribuinte ou de ofício, mediante procedimento interno, observado o disposto neste Decreto. Art. 2° O sujeito passivo, que pleitear a restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, pode requerer que a Secretaria da Receita Federal efetue a compensação do valor do seu crédito com débito de sua responsabilidade.“ Frisese tal entendimento com o manifestado pelo STJ (Grifos meus): “ PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO OU RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE JULGAMENTO ULTRA PETITA. RECONHECIMENTO DO DIREITO AO RESSARCIMENTO OU RESTITUIÇÃO E IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO VIA DCOMP. LEGALIDADE DA COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO PREVISTA NO ART. 7º, DO DECRETOLEI N. 2.287/86. (…) 2. Muito embora não tenha sido possível efetuar a compensação diretamente via PER/DCOMP por força da vedação estabelecida no art. 74, §3º, III, da Lei n. 9.430/96 (débitos já encaminhados à ProcuradoriaGeral Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10183.001249/200427 Acórdão n.º 9303005.210 CSRFT3 Fl. 336 9 da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União), reconhecido o direito do contribuinte à restituição ou ao ressarcimento decorrente do pedido efetuado, não pode ser afastado o procedimento de compensação de ofício previsto no art. 7º, do DecretoLei n. 2.287/86, cuja legalidade foi reconhecida em sede de recurso representativo da controvérsia REsp. Nº 1.213.082 PR, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 10.08.2011. 3. Recurso especial parcialmente provido”. (REsp 1309622/CE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 08/05/2012, DJe 14/05/2012) Em vista de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o meu voto. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 340DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000518/2008-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
COMPENSAÇÃO. SOBRESTAMENTO. DISCUSSÃO DE CRÉDITOS EM PROCESSO JUDICIAL. MEDIDA CAUTELAR CONCEDIDA LIMINARMENTE. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. LANÇAMENTO PARA EVITAR DECADÊNCIA. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO VERIFICADA. SAPLI. FUNDAMENTAÇÃO CORRETA. OMISSÃO INEXISTENTE
Efetua-se o lançamento do crédito tributário para evitar a decadência, à vista de cautelar concedida liminarmente para determinar a suspensão da exigibilidade da exação objeto de lançamento, até final julgamento de mérito.
Não há prejuízo quanto à certeza e à liquidez, em caso em que a discussão reporta-se tão somente a questionamentos relativos à base de cálculo objeto de lançamento
Inexistindo no acórdão recorrido discussão quanto ao cumprimento dos os requisitos de certeza e liquidez (arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96), não se verifica omissão nesse sentido. Ainda assim, qualquer conclusão com base em tais dispositivos legais, redundaria em inovação, não autorizada na legislação de regência.
Numero da decisão: 1302-002.310
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Luiz Tadeu Matosinho.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 COMPENSAÇÃO. SOBRESTAMENTO. DISCUSSÃO DE CRÉDITOS EM PROCESSO JUDICIAL. MEDIDA CAUTELAR CONCEDIDA LIMINARMENTE. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. LANÇAMENTO PARA EVITAR DECADÊNCIA. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO VERIFICADA. SAPLI. FUNDAMENTAÇÃO CORRETA. OMISSÃO INEXISTENTE Efetua-se o lançamento do crédito tributário para evitar a decadência, à vista de cautelar concedida liminarmente para determinar a suspensão da exigibilidade da exação objeto de lançamento, até final julgamento de mérito. Não há prejuízo quanto à certeza e à liquidez, em caso em que a discussão reporta-se tão somente a questionamentos relativos à base de cálculo objeto de lançamento Inexistindo no acórdão recorrido discussão quanto ao cumprimento dos os requisitos de certeza e liquidez (arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96), não se verifica omissão nesse sentido. Ainda assim, qualquer conclusão com base em tais dispositivos legais, redundaria em inovação, não autorizada na legislação de regência.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16327.000518/2008-66
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5782776
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1302-002.310
nome_arquivo_s : Decisao_16327000518200866.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ROGERIO APARECIDO GIL
nome_arquivo_pdf_s : 16327000518200866_5782776.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Luiz Tadeu Matosinho.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6966476
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:07:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049469724917760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1821; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.000518/200866 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1302002.310 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Matéria FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. DIREITOS CREDITÓRIOS. PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado ALVORADA CARTOES, CREDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S.A. (SUCESSOR: BANCO BRADESCO BERJ S.A.) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 COMPENSAÇÃO. SOBRESTAMENTO. DISCUSSÃO DE CRÉDITOS EM PROCESSO JUDICIAL. MEDIDA CAUTELAR CONCEDIDA LIMINARMENTE. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. LANÇAMENTO PARA EVITAR DECADÊNCIA. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO VERIFICADA. SAPLI. FUNDAMENTAÇÃO CORRETA. OMISSÃO INEXISTENTE Efetuase o lançamento do crédito tributário para evitar a decadência, à vista de cautelar concedida liminarmente para determinar a suspensão da exigibilidade da exação objeto de lançamento, até final julgamento de mérito. Não há prejuízo quanto à certeza e à liquidez, em caso em que a discussão reportase tão somente a questionamentos relativos à base de cálculo objeto de lançamento Inexistindo no acórdão recorrido discussão quanto ao cumprimento dos os requisitos de certeza e liquidez (arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96), não se verifica omissão nesse sentido. Ainda assim, qualquer conclusão com base em tais dispositivos legais, redundaria em inovação, não autorizada na legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 05 18 /2 00 8- 66 Fl. 2545DF CARF MF Processo nº 16327.000518/200866 Acórdão n.º 1302002.310 S1C3T2 Fl. 3 2 Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Luiz Tadeu Matosinho. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional ao Acórdão nº 1302001.9992 de 04 de outubro de 2016, desta 2ª Turma Ordinária, 3ª Câmara, 1ª Seção de Julgamento, sob a alegação de que teria havido omissão em sua fundamentação, pois não teria sido justificado o afastamento da aplicação dos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96 e art. 170 do Código Tributário Nacional CTN. A Embargante sustenta que, tais dispositivos estabelecem que a existência de crédito líquido e certo deve ser demonstrada desde o momento da apresentação da declaração de compensação (PER/DCOMP), sob pena de desrespeito à própria natureza do instituto da compensação. Defende que, a declaração de compensação apresentada sem que o respectivo crédito que a lastreie seja comprovado desde logo, vindo apenas a ocorrer em momento posterior, não pode ser aceita uma vez que constitui inovação à lide sendo situação nova que não estava em discussão quando da análise inicial da existência do crédito. Com base em tal entendimento sobre as disposições dos arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430/96 e do art. 170 do CTN, a Embargante assim concluiu: a) de acordo com o disposto na Lei n° 9.430/96, a compensação é considerada declarada, tendo como principal efeito a extinção dos débitos sob condição resolutória de posterior homologação. E, nos termos do art. 170, do CTN, a compensação de créditos tributários somente está autorizada com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Assim, a PER/DCOMP, no momento de sua transmissão, deve apontar créditos líquidos e certos, sob pena de nãohomologação da compensação declarada; b) a condição acima exposta não foi implementada no presente caso porque no momento da transmissão das PER/DCOMPs não havia créditos líquidos e certos, o que já imporia, por si só, independentemente de qualquer outra constatação, a nãohomologação das compensações pleiteadas; e Fl. 2546DF CARF MF Processo nº 16327.000518/200866 Acórdão n.º 1302002.310 S1C3T2 Fl. 4 3 c) ainda que sobrevenha decisão administrativa irrecorrível reconhecendo os créditos indicados na presente PER/DCOMP, discussão travada em outro processo, esse fato não tem o condão de convalidar de forma retroativa o declarado. Logo, seria necessária a transmissão de nova PER/DCOMP após o "trânsito em julgado" da decisão administrativa proferida no feito correlato, porque aí sim, os créditos gozariam, na proporção em que reconhecidos, dos atributos de certeza e liquidez demandados pela lei. Por fim, ressaltou a Embargante que, não pretendia alterar o entendimento do acórdão embargado, mas estaria buscando manifestação desse Colegiado sobre esse ponto específico. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Conforme despacho de admissibilidade os Embargos de Declaração da Fazenda Nacional são tempestivos. Na forma relatada, a Embargante alega que teria havido omissão na fundamentação contemplada no Acórdão em questão, pois não teria sido indicado o motivo pelo qual não teriam sido aplicadas ao caso as disposições dos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96 e art. 170 do Código Tributário Nacional CTN. Conforme consignado no voto do acórdão embargado, no que diz respeito à alegação de que as compensações realizadas de 2003 a 2006 estariam corretas e em conformidade com as informações constantes das DIPJs anexadas aos autos (fls. 291 a 800), resumidas em quadros demonstrativos (fls. 73, 74, 264 a 273), a recorrente sustentou que dos R$229.748.219,14 de prejuízos fiscais compensados, do período de 2004 a 2006, a autoridade teria glosado injustificadamente R$210.311.791,67, acolhendo apenas o montante de R$19.436.427,47. As bases negativas compensadas no período de 2003 a 2006, de R$222.324.632,54, teriam sido integralmente glosadas pela autoridade. Observase que, a DRJ verificou (Comparativo dos Registros dos Saldos de Prejuízos Fiscais Contribuinte e SAPLI, fl. 1.100) que a recorrente não deduziu as parcelas dos estoques de prejuízos fiscais consumidos nos lançamentos dos PAFs 16561.000003/200893 e 16327.002193/200775, além de não considerar os efeitos, nesses saldos, das cisões parciais ocorridas em 30/09/2000, 10/03/2004, 01/11/2005 e 01/06/2006. O acórdão embargado ainda registrou que este processo foi sobrestado a pedido da recorrente para aguardar o desfecho do PAF n. 16561.000003/200893, sob a alegação de que o lançamento objeto do presente processo dependia daquele. Esta informação foi confirmada pelo Termo de Verificação Fiscal, que assim consigna acerca do nexo de prejudicialidade entre os processos administrativos fiscais (fls. 49): Fl. 2547DF CARF MF Processo nº 16327.000518/200866 Acórdão n.º 1302002.310 S1C3T2 Fl. 5 4 O contribuinte teve alterado seus prejuízos fiscais e saldos negativos no ano base de 2002, em virtude do lançamento efetivado no Proc. 16561.000003/200893, em julgamento. Quando do julgamento da impugnação, a DRJ manifestouse da seguinte forma acerca da dependência dos processos administrativos (fls. 973/974). Quanto ao argumento de que, estando o presente processo, por decorrência, pendente do PAF 16561.000003/200893, como também dos PAFs 16561.000089/200692 e 16327.002193/200775, não poderia se dar a retificação de ofício antes dos seus encerramentos, há que se observar que, uma vez que a autoridade fiscal tenha apurado determinada infração fiscal que repercuta em fatos posteriores é impositivo que também proceda aos lançamentos correspondentes a esses fatos nos exercícios seguintes, sob pena de não estar exercendo seu dever de ofício de garantir os interesses da Fazenda Pública na sua integralidade. Isto porque o não lançamento tempestivo dos eventuais créditos tributários relativos aos fatos posteriores, pode implicar a decadência do direito de fazêlo, caso, ao final da discussão administrativa, o lançamento original seja considerado procedente. Caso o lançamento original seja tido como improcedente, não haverá desvantagem para o autuado, já que os prejuízos fiscais ou bases de cálculo negativas utilizados no lançamento original são devolvidos para aproveitamento em compensações futuras. No referido PAF n. 16561.000003/200893 houve tão somente o lançamento do crédito tributário para evitar a decadência, tendo em vista que o contribuinte dispõe de medida cautelar concedida liminarmente, a qual determinou a suspensão da exigibilidade da exação objeto de lançamento, até final julgamento de mérito. Assim, verificouse que a controvérsia daqueles autos residia tão somente em questionamentos relativos à base de cálculo objeto de lançamento. Verificase, portanto, que não foi objeto do acórdão da DRJ, o fato apresentado nos Embargos de Declaração da Fazenda Nacional, quanto à compensação declarada pela Embargada de créditos que à época não cumpriam os requisitos de certeza e liquidez (arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96). Da mesma forma, voltandose aos procedimentos de fiscalização, em momento algum questionouse à recorrente tal fato. Dessa forma, caso o acórdão embargado negasse provimento ao recurso voluntário, com base nos referidos arts. 73 e 74, incorreria em inovação. Destaquese, outrossim, que o art. 145 do CTN, que regula a hipótese de revisão do lançamento, admitea apenas quando houver impugnação do sujeito passivo, revisão de ofício ou por iniciativa da autoridade, esta nos casos previstos no art. 149 do mesmo Código, enquanto não extinto o direito da Fazenda Nacional. Admite o § 3.º do art. 18 do Dec. 70.235/1972 quando, “em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência”, seja “lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada”. Nesse sentido, com a devida vênia, entendo que, não caracteriza omissão no acórdão embargado a não justificativa pelo afastamento dos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. Fl. 2548DF CARF MF Processo nº 16327.000518/200866 Acórdão n.º 1302002.310 S1C3T2 Fl. 6 5 Isso porque, não cabe, nesse caso, negar a possibilidade de utilização de créditos, com base em tais dispositivos legais. Pois, como consignado no acórdão de impugnação, a matéria foi superada e, portanto, não haveria fundamento para tal enquadramento, sob pena de inovação. Pelo exposto, à vista da demonstração quanto à não ocorrência de omissão, voto no sentido de rejeitar os Embargos de Declaração da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 2549DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.723037/2013-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
PRODUÇÃO DE PROVAS. PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na defesa, salvo quando comprovado fato superveniente. A produção de prova pericial só é determinada quando imprescindível à solução da lide, constituindo uma faculdade da autoridade julgadora.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. Incabível a arguição de inconstitucionalidade na esfera administrativa que visa afastar obrigação tributária regularmente constituída, por transbordar os limites de competência deste Conselho (Súmula CARF nº 2).
IRPJ. CSLL. ASSOCIAÇÃO. ISENÇÃO. CONDIÇÕES.
Para o gozo da isenção, as associações civis devem prestar os serviços para os quais foram instituídas, colocando-os à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos, sob pena de suspensão dos benefícios fiscais.
Caracterizada simulação no negócio de transformação de sociedade limitada em associação filantrópica, correta a suspensão da isenção, bem como cabível o lançamento de tributos dissimulados.
GLOSA DE DESPESAS. NOTAS FISCAIS DE FAVOR. OPERAÇÃO SIMULADA
Os custos ou despesas operacionais somente serão dedutíveis na apuração do lucro real, desde que atendidas as condições gerais de dedutibilidade, tais como a necessidade e comprovação.
A escrituração somente faz prova em favor do contribuinte quando amparada por documentos hábeis e idôneos a comprovar os fatos nela registrados.
A demonstração de que a empresa se valeu de contratação de serviços simulados por pessoas jurídicas interpostas, é causa de glosa.
SIMULAÇÃO. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA PRESTADORA DE SERVIÇOS. TRIBUTOS PAGOS. REQUALIFICAÇÃO. ABATIMENTO. Considerando que a fiscalização requalificou a sujeição passiva em razão de caracterizar que houve transferência de receita por meio de operação simulada, necessária também a requalificação dos tributos já recolhidos na operação, os quais devem ser deduzidos dos tributos lançados.
LANÇAMENTO DE IR-FONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA. OMISSÃO NO RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO.
A peça recursal, assim como a impugnação, deve ser formalizada por escrito, incluindo todas as teses e provas de defesa, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções previstas nas normas legais. Não havendo questionamento específico para um dos itens do lançamento, considera-se preclusa a discussão deste item.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SIMULAÇÃO FRAUDULENTA. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Caracterizada que a transformação de sociedade limitada para associação foi simulada de forma fraudulenta, cabível a qualificação da multa de ofício.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. ART. 135, III DO CTN. MOTIVAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. PROCEDÊNCIA PARCIAL.
A mera qualificação como sócio e parente, desacompanhada de outra motivação ou prova, não é suficiente para imputar a responsabilidade solidária. Por outro lado, em relação aos sócios participantes ativamente na estrutura simulada, agindo de forma consciente para o engano, devem ser responsabilizados.
MULTA DE OFÍCIO DE 75%. A multa de ofício de 75% está prevista em lei, razão pela qual pode ser exigida.
TAXA SELIC. De acordo com a Súmula CARF n° 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso a que se dá provimento parcial.
IRPJ. REFLEXO NA CSLL. O decidido quanto ao IRPJ deve ser aplicado à tributação reflexa (CSLL) decorrente dos mesmos elementos e fatos.
Numero da decisão: 1201-001.856
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em a) negar provimento ao Recurso Voluntário interposto em face da decisão de primeira instância que manteve a suspensão da isenção prevista no Ato Declaratório Executivo DRF/BHE nº 13, de 2013 e b) DAR PROVIMENTO AOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS interpostos em face dos Autos de Infração pelos sujeitos passivos solidários LUCIANE VEIGA BORGES; ADRIANA GONÇALVES DER ASSIS ANDRADE; LEIDE LUIZA DE CASTRO MOREIRA ANDRADE; JOÃO BOSCO DRUMMOND DE ANDRADE; GILBERTO BATISTA DE ALMEIDA; e THALES BATISTA DE ALMEIDA. Acordam, ainda, por maioria de votos, em DAR PARCIAL PROVIMENTO AOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS interpostos em face dos Autos de Infração pelo sujeito passivo principal (SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL) e os solidários Srs. NILTON DE AQUINO ANDRADE, SINVAL DRUMMOND ANDRADE, NELSON BATISTA DE ALMEIDA, CLEIDE MARIA DE ALVARENGA ANDRADE e LUCIANE VEIGA BORGES, para que os tributos efetivamente pagos pelas empresas tidas como de fachada, incidentes sobre os rendimentos provenientes do SIM INSTITUTO referidos nos presentes lançamentos, sejam deduzidos dos tributos ora exigidos. Vencidos os Conselheiros Paulo Cezar e Roberto Caparroz que negavam provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
EDITADO EM: 28/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 PRODUÇÃO DE PROVAS. PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na defesa, salvo quando comprovado fato superveniente. A produção de prova pericial só é determinada quando imprescindível à solução da lide, constituindo uma faculdade da autoridade julgadora. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. Incabível a arguição de inconstitucionalidade na esfera administrativa que visa afastar obrigação tributária regularmente constituída, por transbordar os limites de competência deste Conselho (Súmula CARF nº 2). IRPJ. CSLL. ASSOCIAÇÃO. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. Para o gozo da isenção, as associações civis devem prestar os serviços para os quais foram instituídas, colocando-os à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos, sob pena de suspensão dos benefícios fiscais. Caracterizada simulação no negócio de transformação de sociedade limitada em associação filantrópica, correta a suspensão da isenção, bem como cabível o lançamento de tributos dissimulados. GLOSA DE DESPESAS. NOTAS FISCAIS DE FAVOR. OPERAÇÃO SIMULADA Os custos ou despesas operacionais somente serão dedutíveis na apuração do lucro real, desde que atendidas as condições gerais de dedutibilidade, tais como a necessidade e comprovação. A escrituração somente faz prova em favor do contribuinte quando amparada por documentos hábeis e idôneos a comprovar os fatos nela registrados. A demonstração de que a empresa se valeu de contratação de serviços simulados por pessoas jurídicas interpostas, é causa de glosa. SIMULAÇÃO. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA PRESTADORA DE SERVIÇOS. TRIBUTOS PAGOS. REQUALIFICAÇÃO. ABATIMENTO. Considerando que a fiscalização requalificou a sujeição passiva em razão de caracterizar que houve transferência de receita por meio de operação simulada, necessária também a requalificação dos tributos já recolhidos na operação, os quais devem ser deduzidos dos tributos lançados. LANÇAMENTO DE IR-FONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA. OMISSÃO NO RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. A peça recursal, assim como a impugnação, deve ser formalizada por escrito, incluindo todas as teses e provas de defesa, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções previstas nas normas legais. Não havendo questionamento específico para um dos itens do lançamento, considera-se preclusa a discussão deste item. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SIMULAÇÃO FRAUDULENTA. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Caracterizada que a transformação de sociedade limitada para associação foi simulada de forma fraudulenta, cabível a qualificação da multa de ofício. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. ART. 135, III DO CTN. MOTIVAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. PROCEDÊNCIA PARCIAL. A mera qualificação como sócio e parente, desacompanhada de outra motivação ou prova, não é suficiente para imputar a responsabilidade solidária. Por outro lado, em relação aos sócios participantes ativamente na estrutura simulada, agindo de forma consciente para o engano, devem ser responsabilizados. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. A multa de ofício de 75% está prevista em lei, razão pela qual pode ser exigida. TAXA SELIC. De acordo com a Súmula CARF n° 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso a que se dá provimento parcial. IRPJ. REFLEXO NA CSLL. O decidido quanto ao IRPJ deve ser aplicado à tributação reflexa (CSLL) decorrente dos mesmos elementos e fatos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 08 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 15504.723037/2013-39
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5766603
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1201-001.856
nome_arquivo_s : Decisao_15504723037201339.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
nome_arquivo_pdf_s : 15504723037201339_5766603.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em a) negar provimento ao Recurso Voluntário interposto em face da decisão de primeira instância que manteve a suspensão da isenção prevista no Ato Declaratório Executivo DRF/BHE nº 13, de 2013 e b) DAR PROVIMENTO AOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS interpostos em face dos Autos de Infração pelos sujeitos passivos solidários LUCIANE VEIGA BORGES; ADRIANA GONÇALVES DER ASSIS ANDRADE; LEIDE LUIZA DE CASTRO MOREIRA ANDRADE; JOÃO BOSCO DRUMMOND DE ANDRADE; GILBERTO BATISTA DE ALMEIDA; e THALES BATISTA DE ALMEIDA. Acordam, ainda, por maioria de votos, em DAR PARCIAL PROVIMENTO AOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS interpostos em face dos Autos de Infração pelo sujeito passivo principal (SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL) e os solidários Srs. NILTON DE AQUINO ANDRADE, SINVAL DRUMMOND ANDRADE, NELSON BATISTA DE ALMEIDA, CLEIDE MARIA DE ALVARENGA ANDRADE e LUCIANE VEIGA BORGES, para que os tributos efetivamente pagos pelas empresas tidas como de fachada, incidentes sobre os rendimentos provenientes do SIM INSTITUTO referidos nos presentes lançamentos, sejam deduzidos dos tributos ora exigidos. Vencidos os Conselheiros Paulo Cezar e Roberto Caparroz que negavam provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli - Relator. EDITADO EM: 28/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
id : 6922388
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049469751132160
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 53; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2002; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.723037/201339 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201001.856 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de agosto de 2017 Matéria IRPJ E REFLEXOS Recorrente SIM INSTITUTO DE GESTAO FISCAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 PRODUÇÃO DE PROVAS. PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na defesa, salvo quando comprovado fato superveniente. A produção de prova pericial só é determinada quando imprescindível à solução da lide, constituindo uma faculdade da autoridade julgadora. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. Incabível a arguição de inconstitucionalidade na esfera administrativa que visa afastar obrigação tributária regularmente constituída, por transbordar os limites de competência deste Conselho (Súmula CARF nº 2). IRPJ. CSLL. ASSOCIAÇÃO. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. Para o gozo da isenção, as associações civis devem prestar os serviços para os quais foram instituídas, colocandoos à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos, sob pena de suspensão dos benefícios fiscais. Caracterizada simulação no negócio de transformação de sociedade limitada em associação filantrópica, correta a suspensão da isenção, bem como cabível o lançamento de tributos dissimulados. GLOSA DE DESPESAS. NOTAS FISCAIS DE FAVOR. OPERAÇÃO SIMULADA Os custos ou despesas operacionais somente serão dedutíveis na apuração do lucro real, desde que atendidas as condições gerais de dedutibilidade, tais como a necessidade e comprovação. A escrituração somente faz prova em favor do contribuinte quando amparada por documentos hábeis e idôneos a comprovar os fatos nela registrados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 30 37 /2 01 3- 39 Fl. 2842DF CARF MF 2 A demonstração de que a empresa se valeu de contratação de serviços simulados por pessoas jurídicas interpostas, é causa de glosa. SIMULAÇÃO. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA PRESTADORA DE SERVIÇOS. TRIBUTOS PAGOS. REQUALIFICAÇÃO. ABATIMENTO. Considerando que a fiscalização requalificou a sujeição passiva em razão de caracterizar que houve transferência de receita por meio de operação simulada, necessária também a requalificação dos tributos já recolhidos na operação, os quais devem ser deduzidos dos tributos lançados. LANÇAMENTO DE IRFONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA. OMISSÃO NO RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. A peça recursal, assim como a impugnação, deve ser formalizada por escrito, incluindo todas as teses e provas de defesa, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções previstas nas normas legais. Não havendo questionamento específico para um dos itens do lançamento, considerase preclusa a discussão deste item. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SIMULAÇÃO FRAUDULENTA. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Caracterizada que a transformação de sociedade limitada para associação foi simulada de forma fraudulenta, cabível a qualificação da multa de ofício. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. ART. 135, III DO CTN. MOTIVAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. PROCEDÊNCIA PARCIAL. A mera qualificação como sócio e parente, desacompanhada de outra motivação ou prova, não é suficiente para imputar a responsabilidade solidária. Por outro lado, em relação aos sócios participantes ativamente na estrutura simulada, agindo de forma consciente para o engano, devem ser responsabilizados. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. A multa de ofício de 75% está prevista em lei, razão pela qual pode ser exigida. TAXA SELIC. De acordo com a Súmula CARF n° 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso a que se dá provimento parcial. IRPJ. REFLEXO NA CSLL. O decidido quanto ao IRPJ deve ser aplicado à tributação reflexa (CSLL) decorrente dos mesmos elementos e fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em a) negar provimento ao Recurso Voluntário interposto em face da decisão de primeira instância que manteve a suspensão da isenção prevista no Ato Declaratório Executivo DRF/BHE nº 13, de 2013 e b) DAR PROVIMENTO AOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS interpostos em face dos Autos de Infração pelos sujeitos passivos solidários LUCIANE VEIGA BORGES; ADRIANA GONÇALVES DER ASSIS ANDRADE; LEIDE LUIZA DE CASTRO MOREIRA ANDRADE; JOÃO BOSCO DRUMMOND DE ANDRADE; GILBERTO BATISTA DE Fl. 2843DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 3 3 ALMEIDA; e THALES BATISTA DE ALMEIDA. Acordam, ainda, por maioria de votos, em DAR PARCIAL PROVIMENTO AOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS interpostos em face dos Autos de Infração pelo sujeito passivo principal (SIM – INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL) e os solidários Srs. NILTON DE AQUINO ANDRADE, SINVAL DRUMMOND ANDRADE, NELSON BATISTA DE ALMEIDA, CLEIDE MARIA DE ALVARENGA ANDRADE e LUCIANE VEIGA BORGES, para que os tributos efetivamente pagos pelas empresas tidas “como de fachada”, incidentes sobre os rendimentos provenientes do SIM – INSTITUTO referidos nos presentes lançamentos, sejam deduzidos dos tributos ora exigidos. Vencidos os Conselheiros Paulo Cezar e Roberto Caparroz que negavam provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. EDITADO EM: 28/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Autos de Infração que exigem da contribuinte IRFonte (fls. 4/19), IRPJ (fls. 20/58) e CSLL (fls. 59/104), referentes aos anos calendários de 2008, 2009 e 2010, acrescidos de multa qualificada de 150% e juros. Os lançamentos em questão foram emitidos após a fiscalização declarar a suspensão dos benefícios de isenção de que trata o artigo 15 da Lei nº 9.532/97, o que ocorreu por meio do Ato Declaratório Executivo nº 13/2013 (fls. 1.933), objeto do processo administrativo nº 15504.731237/201284, que está apenso ao presente devido à conexão existente (cf. fls. 2.398) e de acordo com o que dispõe o art. 32, § 9º, da Lei 9.430/19961. Isso significa dizer que a presente discussão gira em torno, primeiramente, da procedência ou não da isenção em relação à contribuinte. Assim, caso a isenção seja reconhecida, os lançamentos devem ser cancelados por decorrência. Caso, porém, o ato declaratório suspensivo seja considerado correto, afastandose a aplicação da isenção, passase a verificar a procedência dos lançamentos dos créditos tributários constituídos. Suspensão da Isenção 1 § 9º Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente. Fl. 2844DF CARF MF 4 Por bem detalhar a controvérsia, reproduzo algumas passagens do Termo de Verificação Fiscal constante do processo conexo (fls. 2/30): 2. De acordo com seu estatuto, o SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL, é uma pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos. 3. Dados os objetivos a que se propõe, estaria enquadrada como uma das associações civis que prestam os serviços para os quais foram instituídas e os colocam à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos, de que trata o art. 15 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. 4 A empresa TECNICONTA LTDA ASSESSORIA E TÉCNICAS CONTÁBEIS, (CNPJ: 25.705.450/000100) conforme Contrato de Constituição da sociedade, assinado no dia 24/08/1989, foi criada com o objetivo de prestação de serviços na área de informática, serviços contábeis, organização de empresas e assistência fiscal, auditoria e perícia. Eram seus sócios: Nilton de Aquino Andrade (CPF: 276.717.47653), contador, Paulo Henrique Barbosa Ribeiro, (CPF: 345.301.18649) contador e a empresa Plano Informática Ltda (CNPJ: 23.366.974/000199), representada pelos sócios: Cláudio de Paula Pereira (CPF: 496.170.36649), analista de sistemas e Nelson Batista de Almeida (CPF:485.919.47649), analista de sistemas. 5. Após diversas alterações contratuais, a empresa passou a se chamar SIMSISTEMAS DE INFORMAÇÃO DE MUNICÍPIOS, tinha como sócios os Srs Nilton de Aquino Andrade, (CPF: 276.717.47653), Nelson Batista de Almeida (CPF: 485.919.47649) e Sinval Drummond Andrade (CPF: 216.239.88691) quando foi assinada em 21/05/2001 a nona alteração contratual que estabelecia que "a sociedade continua sendo sociedade civil de profissões regulamentadas por cotas de responsabilidade limitada, com fins lucrativos ,., com nome fantasia "GRUPO SIM", com sede à Av. Prudente de Morais, 287 4° andar em Belo Horizonte." E, ainda estabelecia em sua 2a clausula que: "o objeto da sociedade é a prestação de serviços especializados de contabilidade pública e congêneres," 6. Em 09 de dezembro de 2002, foi lavrada a Ata de transformação da empresa em SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL, com a finalidade de transformar a sociedade limitada em um instituto. Nesta Ata está registrado:"... o sócio Sr. Sinval abriu a reunião expondo as razões que o levaram a convocála que era a apresentação dos motivos para a transformação da empresa comercial em um instituto sem fins lucrativos. Informou haver contatado vários especialistas e chegado a conclusão que o melhor seria a transformação da atual SIMSISTEMAS DE INFORMAÇÃO DE MUNICÍPIOS em um instituto de pesquisa e desenvolvimento, mantido o mesmo escopo e objeto de prestação de serviços, e que seria bastante para isso, a criação e a aprovação do estatuto próprio. Completou informando que a transformação carregaria para o instituto toda a história da empresa além de todos os contratos em vigor evitando qualquer tipo de entrave burocrático ou legal para a continuidade da execução dos serviços contratados. Disse que a nova entidade Fl. 2845DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 4 5 sem fins lucrativos, levará, na transformação, além da história e dos contratos, todo o Ativo e Passivo da atual SIM." (destaque nosso) 7, Conforme esta mesma ata decidiuse como DiretorPresidente o Sr. Nilton de Aquino Andrade (CPF: 276.717.47653), como VicePresidente de Pesquisa e Desenvolvimento, o Sr Nelson Batista de Almeida (CPF: 485.919,47649) e como Vice Presidente de Administração e Finanças, o Sr. Sinval Drummond Andrade (CPF: 216.239.88691) E, ainda conforme relatado nesta mesma Ata, o Sr, Nilton tomou a palavra e passou a exercer a direção dos trabalhos na qualidade de Presidente, e declarou que: "agradeceu sua indicação e eleição e concitou todos para demandar o melhor de seus esforços em prol do Instituto que será, a partir do registro e publicação da ata de sua criação, a nova casa de todos presentes. Disse a todos que o Instituto, no entanto, não é uma entidade nova, mas sim e tão somente uma nova maneira, mais moderna e mais adequada para suportar o crescimento do mercado e atender às necessidades cada vez maiores dos clientes que previa o dia 01 de janeiro de 2003 para o início efetivo das atividades do novo Instituto." [...] CONCLUSÕES DA AUDITORIA FISCAL 24. A origem do Patrimônio da entidade SIM Instituto de Gestão Fiscal está definido no seu Estatuto Social, no art. 37, itens V e VI, que dispõe: "o patrimônio do Sim será constituído por "recebimento pela prestação de serviços a governos, órgãos ou entidades públicas" e "recebimento pela prestação de serviços a empresas, mediante contrato de parceria" (destacou se). Ora, tal expressão imediatamente remete à legislação comercial (Lei n° 6.404, de 115 de dezembro de 1976, art. 187, inciso I) e às normas de apuração do IRPJ (arts. 224, 279 e 519 do RIR/1999), a que se sujeitam as pessoas jurídicas com finalidade lucrativa. 25. O SIM Instituto de Gestão Fiscal exerce atividades de caráter essencialmente empresarial, cujo objetivo é estudar, pesquisar e difundir a contabilidade pública em todos os seus níveis e aspectos, na capacitação e preparação de profissionais a elas vinculados colocandoos à disposição dos que a remuneram para tal. 26. O SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL desenvolve atividade essencialmente econômica, qual seja, a prestação de serviços contábeis e congêneres, como se constata pelas notas fiscais, e contratos de prestação de serviços firmados com as prefeituras municipais, o que afasta as benesses fiscais concedidas às entidades sem fins lucrativos e coloca este estabelecimento no mundo das empresas em geral. [...] Fl. 2846DF CARF MF 6 29. Conforme estatuto de transformação os únicos sócios da empresa SIM SISTEMAS DE INFORMAÇÃO DE MUNICÍPIOS LTDA eram os Srs. NILTON DE AQUINO ANDRADE (CPF: 276.717.47653), NELSON BATISTA DE ALMEIDA (CPF: 485.919.47649) e SINVAL DRUMMOND ANDRADE (CPF: 216.239.88691), que passaram a ser os fundadores da nova entidade. E, ainda foram eleitos como presidente, vicepresidente de pesquisa e desenvolvimento e vice presidente de administração e finanças, respectivamente. 30. Conforme tabela abaixo, os associados fundadores do SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL tem participação nas empresas relacionadas, que prestam serviços quase exclusivamente à própria entidade SIM: [...] 36. Constatamos ainda que as empresas abaixo que tem alguma ligação com a "instituição" sob fiscalização: SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL, seja, mesmo endereço, sócios que são associados ou funcionários, e ainda ter grande parte da receita declarada em DIPJ recebida desta mesma "instituição": [...] 38. A tabela anterior, item 36, demonstra que a criação de empresas prestadoras de serviços que sobrevivem exclusivamente em função da "entidade" foi a forma encontrada para remunerar os associados/funcionários, através de distribuição de rendimentos isentos, cuja receita bruta da maior parte destas empresas prestadoras de serviços correspondem, em média a 80,00% da receita bruta, originária da SIM Instituto de Gestão Fiscal. 39. Para justificar despesas/custos na sua escrituração contábil, a fiscalizada utilizouse, em regra, de documentos emitidos por fornecedores criados dentro da sua própria empresa, ou seja, documentos de pessoas jurídicas que atuam no mesmo endereço dela, tem como sócios os associados fundadores da própria SIM ou seus familiares ou ainda, sócios que são funcionários da própria SIM. 40. Como a fiscalizada é uma associação e como tal não pode remunerar seus associados, foram criadas empresas que funcionam no mesmo endereço, tem como sócios os associados do SIM e que prestam serviços para ou exclusivamente ao SIM. 41. Estas empresas prestadoras de serviço, normalmente optantes pela apuração do IRPJ pelo sistema de lucro presumido, tem tributação de imposto de renda aplicável somente sobre o máximo de 32% de suas remunerações, distribuindo o restante (68%) sem tributação na pessoa física. 42. E, ainda estas pessoas jurídicas poderão distribuir valor (lucro contábil) superior ao limite do lucro presumido, 68% da receita se optante pelo lucro presumido se mantiver escrituração contábil com observância da Lei Comercial e apurar lucro em balanço. Fl. 2847DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 5 7 43. Ou seja, estas empresas distribuem lucros isentos para os Srs. Nilton de Aquino Andrade, Nelson Batista de Almeida e Sinval Drummond Andrade, associados fundadores do SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL, Sras. Cleide Maria de Alvarenga Andrade, esposa do Sr. Sinval e Sra. Leide Luiza de Castro Moreira Andrade, exesposa do Sr. Nilton de Aquino Andrade, João Bosco Drummond Andrade e Antônio de Pádua Drummond Andrade irmãos do Sr. Sinval e Thales Batista de Almeida irmão do Sr. Nelson. 44. Evitam a tributação desse valor na pessoa física e essa operação triangular implica, ainda, redução do "superávit" da fiscalizada, ao contabilizar estas notas fiscais como despesas. 45. As pessoas jurídicas de direito privado detentoras de isenção tributária, no caso, uma associação, têm o dever legal e ético de atuar no sentido de não lesar a Fazenda Pública, e de não permitir ou de não propiciar na sua atuação que terceiros deixem de cumprir a legislação tributária. 46. Porém, o gozo da isenção tributária que afasta a incidência de tributos sobre a totalidade de suas receitas, não tem sido suficiente para a fiscalizada, ela quer mais. E, para isto se vale da estratégia de contabilizar despesas amparadas por notas fiscais de empresas prestadoras de serviços que distribuem lucro com isenção para a pessoa física dos sócios que são os próprios associados do SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL ou seus familiares, carreando todos os recursos de uma associação isenta para a mesma família. 47. Por todo exposto, não se trata de elisão fiscal, mais sim de evasão fiscal (ato ilícito conluio fraude fiscal). Este "esquema" para burlar o fisco, foi efetuado entre pessoas vinculadas ou ligadas (RIR/99, art. 465), pois passou a distribuir rendimentos isentos a estas pessoas, sendo decisiva para essa operação triangular de sangria da União a participação da "associação, SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL". 48. No caso, a associação SIM, como já dito, envolveuse, deliberada e decisivamente, em operação triangular que implicou burla ao Fisco redução ou subtração à tributação pelo IRPF Imposto de Renda Pessoa Física, da maior parte dos rendimentos isentos auferidos pelos associados do SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL e seus familiares. 49. Essa situação caracterizase como distribuição disfarçada de lucros da associação, SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL para seus associados e familiares, (RIR/99, arts. 464, VI, e 465), configurando, também, violação ao Código Tributário Nacional, ou seja, distribuição de rendas a qualquer título (CTN, art. 14, I, com redação dada pela LC 104/01). 50. A incoerência nos leva a concluir que a questão maior vem a ser o valor dos serviços prestados pelas empresas citadas nos itens anteriores, que gravitam em torno da associação e não a necessidade dos serviços. [...] Fl. 2848DF CARF MF 8 51. A aplicação do citado inciso se justificaria por ser, pelo menos, os associados do SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL e seus familiares, pessoas ligadas, visto participar da composição acionária das empresas citadas e ao mesmo tempo associados. 52. Entendemos estar plenamente demonstrado o forte vínculo entre a fiscalizada, as empresas prestadoras de serviço citadas nos itens anteriores e os associados/familiares da associação SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL. 53. Este vínculo teria como principal objetivo reduzir drasticamente o "superávit" da fiscalizada, visto que faturou R$ 25.713.889,65 (em 2008) e RS 13.173.449,00 (em 2009). No mesmo período os custos para operacionalização da associação foram de R$ 24.661.358,47 e R$ 12.681.208,56, apurandose superávit de 4,21% e 3,74%, respectivamente de acordo com a FICHA 39 da DIPJ. Em 2010 o faturamento chegou a R$ 5.071.289,20 com custos de R$ 6.259.597,00 apurandose um déficit de R$ 1.188.307,80 conforme a contabilidade fornecida pelo instituto. [...] 61. Além de todos os fatos descritos anteriormente, não podemos deixar de ressaltar mais um dos motivos que levaram os responsáveis pela empresa prestadora de serviços a transformá la em uma associação. Ao se transformar em uma associação poderia celebrar todos os contratos de prestação de serviços com as prefeituras, pois estas estariam dispensadas de promover licitação para assinar tais contratos, de acordo com o inciso XXIV do art. 24 da Lei n. 8.666/93 alterado pela Lei n. 9.648, de 1998 de 21/06/1993. [...] 63. Entendemos, portanto, que não se pode, de forma alguma, dizer que as atividades praticadas pela associação SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL são desenvolvidas em caráter não econômico, não lucrativo, não empresarial ou não explorativo. E, como agravante temos o fato da associação distribuir indiretamente lucros isentos a seus associados e familiares, através das empresas que prestam serviços a ela e ainda ao ter diversas empresas cujos sócios são os seus próprios funcionários, que recebem também lucros isentos, ou seja, na realidade se trata de remuneração indireta deixando a associação de ter o dever legal de recolher as obrigações sociais referentes aos salários destas pessoas físicas/funcionários/associados. Todos estes fatos a impedem de se beneficiar da isenção do imposto de renda. Cientificada da Notificação Fiscal, a pessoa jurídica interessada apresentou impugnação (fls. 903/914), alegando, em síntese: · a título preliminar, que houve nulidade em face da divulgação, pela autoridade fiscal, de dados sobre a situação econômica e financeira de terceiros, o que viola o art. 198 do Código Tributário Nacional; Fl. 2849DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 6 9 · que os artigos 12, §2º, 13 e 14 da Lei nº 9.532/97 não podem ser invocados como fundamentos legais da infração, posto que limitam a imunidade tributária prevista no artigo 146, inciso III da Constituição Federal; · que a origem do patrimônio da entidade seria aquela definida em seu Estatuto Social e que as receitas da associação são provenientes de atividades por ela realizadas conforme sua finalidade e seu objeto social; · que o instituto, por dedicarse à atividade de caráter de pesquisa, estudo e difusão da contabilidade pública em todos seus níveis, e por cobrar para implementação de seu desiderato associativo, jamais poderia ser tido como atividade empresarial; · que os discursos das partes no ato de transformação em instituto, bem como o fato de que os sócios da SIM Sistemas tenham sido os diretores nesse ato, não interferem no caráter associativo da entidade, nem altera sua natureza jurídica; · que o fato de os associados fundadores terem participação em empresas com fins lucrativos que prestaram serviços ao instituto não é suficiente para desenquadrálo como entidade imune; · que as despesas incorridas pelo instituto foram necessárias ao seu funcionamento e fizeram que ele cumprisse seu desiderato social; · que o valor pago pelos serviços prestados obedeceu ao valor de mercado e que as prestadoras de serviço sofreram tributação de suas receitas, declararam e recolheram seus tributos à Receita Federal do Brasil. · que foi demonstrado que o instituto utilizou todos seus recursos no país, que sempre manteve sua contabilidade de acordo com as normas legais e que jamais distribuiu lucros ou receitas a qualquer título; e · que sobre os valores pagos aos prestadores de serviços, havia retenção de tributos e contribuições na fonte que não poderiam ser desconsideradas. A impugnação foi julgada improcedente por meio do Despacho Decisório de n° 21, de 15/01/2013 (fls. 949/957), cuja ementa foi exarada nos seguintes termos: Ementa: A autoridade administrativa competente pode suspender a aplicação dos benefícios de isenção do imposto de renda da pessoa jurídica e da contribuição social sobre o lucro líquido, prevista no art. 15 da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, quando não atendidos os requisitos legais. Com fundamento nessa decisão, foi prolatado pela autoridade competente da DRF o ADE n° 13, de 15 de janeiro de 2013, suspendendo a isenção da pessoa jurídica SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL para os anos de 2008 a 2010, nos seguintes termos: ATO DECLARA TÓRIO EXECUTIVO N° 13, DE 15 DE JANEIRO DE 2013 Declara suspensa a aplicação dos benefícios de isenção de que trata o art. 15 da Lein°9.532, de 10/12/1997. Fl. 2850DF CARF MF 10 O DELEGADO SUBSTITUTO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM BELO HORIZONTE, no uso das atribuições que lhe são conferidas pelo art. 302, inciso VII, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 203, de 14/05/2012, publicado no Diário Oficial da União de 15/05/2012, e considerando o disposto nos arts. 9°, § 1°, e 14 da Lei n° 5.172 (CTN), de 25/10/1966, no art. 32 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, no art. 15 da Lei n° 9.532, de 10/12/1997, no art. 174 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR), aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26/03/1999, e o que consta no Despacho Decisório n° 21 DRF/BHE, de 15/01/2013, e no Termo de Constatação e Notificação Fiscal, expedido em 30/11/2012, constantes do processo administrativo n° 15504.731237/201284, declara: Art 1° SUSPENSA a aplicação dos benefícios de isenção do imposto de renda e da contribuição social sobre lucro líquido, previstos no art. 15 da Lei n° 9.532/1997, à pessoa jurídica SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL, inscrita no CNPJ sob n ° 25.705.450/000100. Art 2° Que o termo inicial da suspensão ora declarada é o dia 1° de janeiro de 2008 e o termo final é o dia 31 de dezembro de 2010. Art. 3° Que a entidade interessada poderá, no prazo de trinta dias contados da ciência deste Ato Declaratório Executivo, apresentar impugnação dirigida à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, sem efeito suspensivo, nos termos dispostos nos §§ 6°, inciso I, 7° e 8° do art. 32 da Lei n ° 9.430, de 27/12/1996. Cientificada em 21/01/2013 (AR de fls. 1.392), a interessada apresentou defesa (fls. 1.394/1.406), onde basicamente reiterou as alegações da contestação anteriormente apresentada. Em seguida o processo foi apensado aos presentes autos e remetido para julgamento pela DRJ. Lançamentos Como decorrência da suspensão da isenção, foram lavrados os Autos de Infração de IRPJ, CSLL e IRRF, em razão das seguintes irregularidades: (i) IRPJ e CSLL CUSTOS/DESPESAS OPERACIONAIS/ENCARGOS NÃO DEDUTÍVEIS Glosa de custo, em virtude da contabilização amparada por documentos emitidos por empresas que se diziam prestadora de serviços, sem comprovar a real necessidade, a efetiva prestação dos serviços e a capacidade de efetuar tais serviços, conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL. (i) IRPJ e CSLL INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Recolhimento a menor do que o devido, conforme relatório fiscal. (iii) IRFonte PAGAMENTO SEM CAUSA OU DE OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA Incidência sobre pagamentos efetuados a empresas que se diziam prestadoras de serviços sem comprovar a real necessidade, a efetiva prestação dos serviços e a Fl. 2851DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 7 11 capacidade de efetuar tais serviços, conforme descrito no TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL e demonstrativos. Foram emitidos, ainda, Termos de Sujeição Passiva (fls. 1.853/1928), atribuindose responsabilidade solidária às seguintes pessoas físicas: 1 Nilton de Aquino de Andrade; 2 Sinval Drummond Andrade; 3 Nelson Batista de Almeida; 4 Cleide Maria de Alvarenga; 5 Luciane Veiga Borges; 6 Adriana Gonçalves de Assis Andrade; 7 Leide Luiza de Castro Moreira Andrade; 8 João Bosco Drummond Andrade; 9 Gilberto Batista de Almeida; e 10 Thales Batista de Almeida. Por bem resumir a controvérsia instaurada, reproduzo o relatório da decisão de piso (fls. 2.399/2.495): As irregularidades foram contextualizadas no Termo de fls. 107/128, no qual inicia a Fiscalização descrevendo que: De acordo com seu estatuto, o SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL, considerase uma pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos; Dados os objetivos a que se propunha, estaria enquadrada como uma das associações civis que prestam os serviços para os quais foram instituídas e os colocam à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos, de que trata o art. 15 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997; De acordo com o artigo primeiro do estatuto social "o SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL é uma associação civil de caráter científico e cultural, sem quaisquer fins lucrativos, com prazo de duração indeterminado, com sede e foro na cidade de Belo Horizonte, constituída com a finalidade de promover a educação, o suporte técnico, científico, e cultural em apoio aos municípios na área de contabilidade pública e congêneres, em todo o território brasileiro". No parágrafo segundo está definido o objetivo: "A Associação tem por objeto estudar, pesquisar e difundir a contabilidade pública em todos os seus níveis e aspectos, nas áreas administrativas, econômico financeira, tributáriafiscal, tecnológica, ambiental, educacional e social, de capacitação e preparação de profissionais a elas vinculado... ". [...] Abordando a Ação Fiscal, os Autuantes descrevem constatações que redundaram na Suspensão da Isenção, como segue: pelo exame dos documentos apresentados pelo contribuinte (notas fiscais/contratos/comprovantes de pagamentos) constatamos que as atividades exercidas pelo SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL se restringiam à prestação de serviços na área de administração e contabilidade pública, não se caracterizando como "instituição", além do que, as atividades desenvolvidas pela empresa concorriam com aquelas desenvolvidas por empresas de prestação de serviço. Fl. 2852DF CARF MF 12 7. Não podemos deixar de ressaltar que ao se transformar em um instituto, isento de IRPJ e CSLL, poderia celebrar todos os contratos de prestação de serviços com as prefeituras, pois estas estariam dispensadas de promover licitação para assinar tais contratos, de acordo com o inciso XXIV do art. 24 da Lei n° 8.666/93 alterado pela Lei n° 9.648, de 1998 de 21/06/1993. 8. A título de amostragem intimamos a fiscalizada a apresentar os contratos/aditivos e documentos que comprovassem a efetiva prestação dos serviços firmados com prefeituras. Na resposta, a fiscalizada apresenta cópia dos contratos firmados, sendo que todos foram assinados na modalidade de dispensa de licitação conforme Lei Federal n° 8.666/93 e suas alterações posteriores. 9. Da criteriosa análise dos fatos e documentos, constatamos que o SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL apesar de se considerar uma entidade isenta, não preenchia todos os requisitos legais para se beneficiar da isenção do Imposto de Renda, porque a Lei n° 9.532/97 não estava sendo atendida na sua totalidade. [...] 13. Definida a suspensão da isenção do IMPOSTO DE RENDA e CSLL, perante a legislação tributária vigente, a empresa SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL tornouse uma pessoa jurídica em geral, prestadora de serviços, passando a estar sujeita à tributação das suas receitas com base no Lucro Real a partir de 01/01/2008 até 31/12/2010 e também ao recolhimento do PIS e da COFINS Não Cumulativos, pelo mesmo período. [...] 20. GLOSA DE DESPESAS/CUSTOS LANÇADAS NA CONTABILIDADE E RESPALDADAS POR NOTAS FISCAIS DE FAVOR 20.1. Neste item nos deparamos com um verdadeiro planejamento tributário executado pela fiscalizada a partir do período em que se "auto transformou" em uma entidade "isenta do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuições". 20.2. Nos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010 a fiscalizada, registrou em sua contabilidade diversas despesas/custos efetuados com prestação de serviços utilizados para a realização dos serviços contratados com as prefeituras. Algumas destas despesas/custos foram objeto de auditoria mais detalhada para averiguarmos a efetiva prestação dos serviços registrados nas notas fiscais dos fornecedores e o desembolso suportado pelo SIMINSTITUTO DE GESTÃO FISCAL. 20.3. Após análise dos documentos referentes às despesas/custos contabilizados pelo SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL relatados neste item, consideramos diversos registros de custo/despesa inexistentes, por lançamento contábil amparado em documento, nota fiscal de favor e pela não comprovação da efetiva prestação dos serviços. 20.4. É materialmente inidôneo o documento emitido por empresa que embora existente, mas que descreve operação que não houve e/ou não tinha condições de fornecer. Fl. 2853DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 8 13 20.5. Pelas razões expostas a seguir, as empresas relacionadas são consideradas como empresa de fachada, em face de não apresentar capacidade operacional necessária à realização do serviço descrito nas Notas Fiscais, que é a prestação de serviços. 20.6 A análise desta fiscalização partiu da constatação de que foram contabilizadas diversas despesas, de valores relevantes tendo como prestadoras de serviço empresas que tinham como endereço cadastrado na SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL RFB o mesmo da fiscalizada. Os sócios dessas empresas eram associados do SIMINSTITUTO DE GESTÃO FISCAL, seus parentes ou cônjuges, como a Sra. Cleide Maria de Alvarenga Andrade, a Sra.Luciane Veiga Borges de Almeida, e a Sra. Leide Luiza de Castro Moreira Andrade. A Sra. Cleide Maria de Alvarenga Andrade ainda era e é a responsável pela contabilidade do SIMINSTITUTO DE GESTÃO FISCAL, e de todas as empresas relacionadas que se diziam prestadoras de serviços. 20.7. Constatamos que a maioria dessas empresas prestadoras de serviços relacionadas tiveram suas receitas declaradas recebidas exclusivamente do SIMINSTITUTO DE GESTÃO FISCAL e distribuíram rendimentos a seus sócios, que coincidentemente, eram os associados do próprio SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL, a título de distribuição de lucros, cuja natureza era não tributável. 20.8 No ANEXO VII RELAÇÃO DAS EMPRESAS COM NOTAS FISCAIS GLOSADAS estão relacionadas as empresas cujos valores das notas fiscais foram glosadas. Das 7 (sete) empresas três delas tiveram suas atividades encerradas. 20.9 O negócio jurídico foi arquitetado e executado, com fim específico de simular eventos econômicos que, de fato, não tiveram existência real, visando, com a "auto transformação " em uma entidade isenta do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e contribuições, o benefício da suspensão de tributos e contribuições pela fiscalizada, prevista no art. 15, da Lei n° 9.532/1997 e com isto a desnecessária participação nas concorrências promovidas pelas prefeituras, clientes principais do SIMINSTITUTO DE GESTÃO FISCAL e ao final, a distribuição de rendimentos não tributados aos associados através das empresas ligadas, que se diziam prestadoras de serviços. 20.10. As pessoas jurídicas intermediárias, com existência jurídica, mas fictas enquanto agentes econômicos, posto não desempenharem nenhuma atividade finalística outra, senão, o papel de maquiarem, à vista da autoridade fiscal, situação de direito que de fato não ocorreu. 20.11 A necessária comprovação da efetiva prestação de serviços e do efetivo pagamento, de acordo com artigos 299 e §§ e 300 do RIR/99, estava amparada apenas na apresentação de cópia de notas fiscais emitidas pelas prestadoras de serviços. Os sócios responsáveis por tais empresas prestadoras de serviços Fl. 2854DF CARF MF 14 eram e são os próprios associados e/ou seus parentes e a contadora do SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL que se intitulava isento. 20.12. A cópia das notas fiscais emitidas por estas empresas, cujos valores foram glosados, que se diziam prestadoras de serviços, registrava como discriminação dos serviços, em sua grande maioria nos anos de 2008, 2009 e 2010 apenas "Prestação de serviços no mês.... ", e no ano seguinte, nas notas fiscais de 03 empresas, os serviços prestados foram de "Honorários contábeis" e em 02 empresas consta "Suporte técnico de informática, inclusive configuração, instalação e manutenção ". 20.13. Concluímos que não foram apresentados elementos suficientes que comprovassem a efetiva prestação dos serviços por essas empresas relacionadas e discriminadas neste Termo de Verificação e Constatação Fiscal. 20.14. Os documentos para comprovar o efetivo pagamento dos serviços são cópias de cheques emitidos por este mesmo instituto, assinados pela associada Luciane Veiga Borges de Almeida, CPF n° 001.485.43685 e que também era sócia da Editora SIM Ltda, da qual recebeu rendimentos isentos. Estes cheques eram nominais à própria entidade (SIM Instituto de Gestão Fiscal) e endossados no verso, podendo, portanto, serem sacados diretamente no caixa por qualquer pessoa. 20.15. Tais fatos confirmam que essas empresas foram criadas apenas como instrumento para transferir aos sócios, rendimentos que não foram tributados nos resultados do instituto "SIM" e nem na percepção dos mesmos pelas pessoas físicas. Criouse despesas artificiais, com objetivo final de reduzir de forma ilegal o superávit que fatalmente apuraria e que de acordo com legislação do IRPJ e contribuições pertinentes às entidades isentas, não poderiam ser distribuídos aos sócios. [...] 20.17. Ressaltamos que a simples contabilização das despesas não faz prova a favor do contribuinte. A contabilidade faz prova a seu favor quando se reveste das qualidades para tal, ou seja, quando a documentação comprobatória, os lançamentos contábeis, a coerência das datas, e o fluxo financeiro, em conjunto, estão em harmonia com o fato econômicocontábil. [...] Nos itens 20.25 a 20.31.12 descreve a Fiscalização constatações específicas acerca das empresas Editora SIM Ltda., Trajeto Ltda., Cinkin Serviços Ltda., Excelência Contábil Ltda., GSS Suporte e Manutenção em Equipamentos Ltda., Grupo SIM S/C Ltda, denominação alterada para Meta Fiscal Assessoria e Consultoria Ltda.,, 3D Participações Ltda., denominação alterada para AilAssessoria de Informática e Logística Ltda., para concluir que: todas as operações realizadas conforme acima descrito, tiveram o objetivo de distribuir o patrimônio da empresa SIM às pessoas físicas a ela ligadas, sem as amarras impostas pela legislação; Fl. 2855DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 9 15 20.33 É fundamental o registro das informações a respeito de cada empresa envolvida no que consideramos um verdadeiro "planejamento tributário " para fundamentarmos o entendimento de que todas estas empresas em algum momento ou durante todo o decorrer deste período tiveram como sócios e/ou responsável/contador, os associados/criadores do instituto. [...] 20.37 Entendemos, portanto, que se trata do fato da empresa SIMINSTITUTO DE GESTÃO FISCAL, distribuir indiretamente lucros não tributados a seus associados e familiares, por meio das empresas que emitiam notas fiscais de favor, que não tinham funcionários para executar tais serviços e ainda, cujos sócios eram os próprios associados/funcionários. Estes sócios recebiam também lucros não tributados, ou seja, na realidade se tratava de remuneração indireta deixando a associação de ter o dever legal de recolher as obrigações sociais referentes aos salários destas pessoas físicas/funcionários/associados. Todos estes fatos, aliado a não comprovação da efetiva prestação dos serviços e a comprovação da saída dos recursos do caixa/banco da fiscalizada, levou esta fiscalização a considerar as notas fiscais emitidas pelas empresas relacionadas como de favor. [...] [...] Reportase então a Fiscalização à formalização de lançamento Reflexo de IRRF, como segue: 27.1. De acordo com o artigo 674 do RIR/99, que repete o artigo 61 da Lei 8.981/95 e seus parágrafos, os pagamentos a prestadores de serviços descritos neste relatório são considerados pagamentos sem causa. Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. [...] Justifica, na sequência, a aplicação da multa qualificada, prevista no inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/96, com a redação vigente em 31/12/2004, tendo em vista a falta de apuração do Fl. 2856DF CARF MF 16 IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS devidos por meio da conduta reiterada ocorrida nos anos calendários de 2008, 2009 e 2010 de: [...] 30.8. Tais condutas configuram o descrito no inciso I do art. 71, art. 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, pois foram atos dolosos tendentes a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Consigna a Fiscalização, no item 32 de seu Termo, a inexistência de decadência por inaplicabilidade do art. 150, § 4° do CTN dada a ocorrência de dolo, em virtude de contabilização reiterada de despesa com base em nota fiscal de favor e sem a plena comprovação da efetiva prestação dos serviços, agravada pela saída de recursos para os fundadores/sócios. No item 33 de seu Termo aborda a Fiscalização a Sujeição Passiva, como segue: 33.1. Em vista dos fatos detalhados neste Termo de Verificação e Constatação Fiscal, parte integrante do Auto de Infração cabe consignar, primeiramente, que o artigo 121 do CTN (Código Tributário Nacional) elenca como sujeito passivo da obrigação principal, juntamente com o contribuinte, a figura do responsável. 33.2. Tratando também da sujeição passiva, o art. 124, inciso I do CTN estabelece que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. 33.3. E o artigo 135 do CTN, por sua vez determina que os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. 33.4. Nesse contexto, importa registrar os diversos atos praticados pelos sócios, que deixa evidente o interesse comum no fato gerador da obrigação principal: 33.5. Os sócios da empresa SIMSISTEMAS DE INFORMAÇÃO DE MUNICÍPIOS que se tornaram fundadores do instituto SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL se apropriaram indevidamente dos bens desta empresa antes de transformála em um instituto e ainda, do valor integralizado em moeda corrente, no ano de 2008, pela empresa TEVALI S/A que tem sede no Uruguai. 33.6. A "auto transformação " da empresa em instituto "isento de tributos e contribuições ", 33.7. A contabilização de despesas efetuadas com prestadoras de serviços cuja comprovação da efetiva prestação de serviços não ocorreu, mas que houve a efetiva transferência dos recursos, cujos sócios são associados do instituto. Fl. 2857DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 10 17 33.8. E, principalmente, a distribuição de rendimentos não tributados pelas fornecedoras dos serviços a estes mesmos sócios e/ou associados, em detrimento do recolhimento dos tributos devidos. 33.9. Esse interesse, aliás, reflete genericamente a própria lógica da atividade empresarial, uma vez que os sócios são os grandes interessados nas operações da empresa, em razão do resultado que elas produzem, que são os lucros a eles distribuídos. 33.10. Nestes termos, registrase que os sócios da fiscalizada, agora empresa SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL e/ou das outras empresas, "prestadoras dos serviços", pelo disposto nas normas legais mencionadas acima, são sujeitos passivos solidários relativos ao lançamento de ofício decorrentes das operações realizadas em nome da empresa: 33.10.01. Nilton de Aquino Andrade CPF: 276.717.47653, 33.10.02. Sinval Drummond Andrade CPF: 216.239.88691, 33.10.03. Nelson Batista de Almeida CPF: 485.919.47649, 33.10.04. Cleide Maria de Alvarenga Andrade, CPF: 643.250.59687, 33.10.05. Luciane Veiga Borges ,CPFn°: 001.485.43685, 33.10.06. Adriana Gonçalves de Assis Andrade, CPF n°: 894.510.23615, 33.10.07. Leide Luiza de Castro Moreira Andrade, CPFn°:503.23393691, 33.10.08. João Bosco Drummond Andrade, CPFn°: 387.250.37668, 33.10.09. Gilberto Batista de Almeida, CPF n°: 297.321.23672, 33.10.10. Thales Batista de Almeida, CPFn°: 495.218.10653. Após ciência das partes, o sujeito passivo e todos os solidários apresentaram defesas tempestivas (fls. 1939/2.335), reprisando os argumentos já invocados por ocasião da suspensão da isenção e acrescentando as alegações a seguir sintetizadas. Impugnação do devedor principal Pede a nulidade do ato declaratório suspensivo, uma vez que a contabilidade comprova a existência das despesas e seus efetivos pagamentos transitaram pelas contas bancárias do instituto. Sustenta, ainda, que: jamais houve remuneração aos dirigentes e todos os recursos foram usados na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; todas as pessoas jurídicas ou físicas que prestaram serviços à entidade recolheram seus tributos devidamente; Fl. 2858DF CARF MF 18 antes de ser instituto, a pessoa jurídica já era dispensada de licitação por inexigibilidade; não foi o fato de se tornar instituto que deu este garante à entidade, conforme comprovam os endossos de tribunais juntados; o fisco não comprovou a ocorrência de simulação, fato este que macula o lançamento. A fiscalização não esclareceu as razões pelas quais, por exemplo, não aceita que no quadro societário figure uma pessoa jurídica sediada no Uruguai; a prestação dos serviços foi equivocadamente considerada como inexistente, afinal eles ocorreram e eram necessários ao instituto para o cumprimento de seu desiderato social; a multa aplicada é confiscatória e inconstitucional, devendo ser reduzida para 20%; não há previsão legal para a Selic; Indica, no final, perito para apurar a verdade real tributária, relacionando os quesitos que entendem pertinentes. Impugnação das pessoas físicas Em linhas gerais, as defesas das pessoas físicas alegam: a nulidade da autuação em face da divulgação de dados econômicos e financeiros com violação do art. 198 do CTN; a inexistência de responsabilidade solidária à luz dos fatos reais e do direito positivo, assim como a não configuração de grupo econômico; o grau de parentesco, por si só, não é caso para aplicar a solidariedade; a presunção fiscal é presunção simples e, portanto, deve ser desconsiderada; de que o Instituto seria uma das reais proprietárias das empresas autuadas não têm qualquer sustentação e é facilmente ilidida através da vasta documentação acostada à presente impugnação; a simples vinculação entre pessoas jurídicas não é suficiente para a atribuição da sujeição passiva atinente à configuração de grupo econômico; não se pode aplicar o art. 124 isoladamente, este somente tem aplicação àquelas hipóteses em que a responsabilidade tributária esteja definida por lei, quer no próprio CTN quer em lei ordinária; inexiste responsabilidade das pessoas físicas mencionadas no Auto de Infração à luz do art. 135, III, do CTN e da atualizada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça; As defesas foram julgadas improcedentes em primeira instância, conforme atesta a respectiva ementa (fls. 2.399 e seguintes): Fl. 2859DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 11 19 NULIDADE. Rejeitamse as preliminares de nulidade, quando não demonstrado cerceamento do direito de defesa dos interessados, tendo sido obedecidos, tanto no procedimento de suspensão de isenção como no lançamento do imposto e da contribuição devidos, todos os requisitos legais inerentes a essas atividades. QUEBRA DE SIGILO FISCAL. INOCORRÊNCIA. Não se configura quebra do sigilo fiscal a utilização dos dados fiscais das pessoas jurídicas trazidas à auditoria por meio de pesquisas aos sistemas informatizados, quando evidenciado o vínculo e o interesse comum daquelas com a pessoa jurídica fiscalizada, mormente se demonstra a Fiscalização a existência de administração e/ou sócios em comum, muitos deles parentes entre si, bem como o objetivo de gerar documentos fiscais destinados à redução do resultado da pessoa jurídica objeto de auditoria. IMPUGNAÇÃO. A impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. Para o gozo da isenção de imposto e contribuição social, as associações civis devem prestar os serviços para os quais foram instituídas, colocandoos à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. Não faz jus a essa isenção a associação civil em relação à qual demonstrou a Fiscalização que se reveste formalmente de entidade isenta, sem fins lucrativos, mas efetivamente desenvolve atividade de sociedade empresária, prestando serviços remunerados e criando custos ou despesas inexistentes, no intuito de beneficiar os associados, seus cônjuges e parentes. SUSPENSÃO DE ISENÇÃO. IRPJ. CSLL. Suspensa a isenção do imposto de renda e da contribuição social, segundo os procedimentos estabelecidos em lei, é cabível o lançamento desses tributos para os respectivos períodos em que houve a suspensão. CUSTOS OU DESPESAS EFETIVOS. Os custos ou despesas operacionais somente serão dedutíveis na apuração do lucro real, desde que efetivos e se atendidas as condições gerais de dedutibilidade estabelecidas em lei, como necessidade, normalidade e comprovação por documentação hábil e idônea. A escrituração somente faz prova a favor do contribuinte quando amparada por documentos hábeis a comprovar os fatos nela registrados. A falta de apresentação de documentos que comprovem a efetiva prestação dos serviços e justifiquem registros contábeis e dispêndios incorridos a título de custos e despesas, inviabiliza a sua admissibilidade na apuração do resultado e justifica a correspondente glosa. Fl. 2860DF CARF MF 20 EXIGÊNCIA DA CSLL. O desatendimento das condições para ter o direito à isenção do IRPJ implica também a perda do direito à isenção da CSLL. Reputados não efetivos, os dispêndios configuramse indedutíveis também na determinação da base de cálculo da CSLL. Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento do IRPJ estendese à CSLL. PAGAMENTO SEM IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO E DA RESPECTIVA CAUSA DA OPERAÇÃO. É cabível a tributação exclusiva de fonte, à alíquota de 35%, para alcançar todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou sem causa. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Não afastada a imputação fiscal de prática de atos dolosos tendentes a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, mantémse a multa de ofício aplicada no percentual de 150%. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Nos termos da legislação em vigor, os juros serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais. RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. São pessoalmente responsáveis pelo crédito correspondente às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Após intimados, o sujeito passivo principal e as pessoas físicas Nilton de Aquino Andrade, Nelson Batista de Almeida e Sinval Drummond Andrade apresentaram recurso voluntário de fls. 2.659/2.682. Questionam o indeferimento do pedido de perícia. Pleiteiam nulidade por violação ao artigo 198 do CTN e pela ausência adequada de base legal para a suspensão da isenção. Insistem em argumentos de inconstitucionalidade e que os serviços glosados foram de fato executados a preço de mercado e as receitas daí proveniente foram devidamente tributadas pelas empresas prestadoras. Sustentam que a entidade cumpriu seus requisitos, bem como que a multa qualificada e a sujeição passiva teriam sido aplicadas incorretamente em face da falta de motivação e não cumprimento de seus pressupostos. Os solidários Thales Batista de Almeida e Luciane Veiga Borges de Almeida apresentaram o recurso voluntário de fls. 2.708/2.730. Imputam os fatos diretamente ao Instituto SIM. Alegam não possuir qualquer relação com o fato gerador; que os serviços foram Fl. 2861DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 12 21 de fato prestados; que não é caso de aplicação de responsabilidade do art. 135 do CTN e que a multa é abusiva. Nessa mesma linha é o recurso voluntário interposto por Adriana Gonçalves de Assis Andrade (fls. 2.733/2.755); o de Leide Luiza de Castro Moreira Andrade (fls. 2.758/2.780); o de João Bosco Drummond Andrade e Gilberto Batista de Almeida (fls. 2.783/2.804); e o de Cleide Maria de Alvarenga Andrade (fls. 2.808/2.830). É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli Os recursos são tempestivos e atendem os requisitos de admissibilidade. Deles, portanto, conheço. 1) Perícia No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a produção de prova pericial deve ser determinada quando imprescindível à solução da lide. Nesses termos dispõe o artigo 18 do Decreto nº 70.235/1972: "Artigo 18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis [...]". Como se nota, a realização de perícia constitui um expediente do qual as autoridades julgadoras podem se valer em prol de sua livre convicção acerca da lide. Tratase de pleito que se mostra cabível somente quando o Julgador entender essencial para a compreensão correta dos fatos e provas que compõem a demanda. Quando ausente esses requisitos, ou seja, na hipótese de inexistir dúvidas ou necessidade de esclarecimentos de questões fáticas e de direito tal como postas, o pedido deve ser indeferido. É importante frisar que o pedido de realização de perícia não pode ser confundido com o cumprimento do ônus da prova no âmbito do processo administrativo fiscal. Digo isso porque não raramente lidamos com situações nas quais fica evidente que o contribuinte opta pelo caminho simplista de requerer uma perícia, condicionando a prova que lhe compete produzir a evento futuro e incerto. Com efeito, as autoridades julgadoras devem apreciar as provas conforme produzidas no processo. E, como se sabe, a produção de provas documentais deve ser feita, como regra, em sede de impugnação, a não ser que isto seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. Fl. 2862DF CARF MF 22 A juntada de “novos documentos” aos autos é medida, portanto, excepcional e permitida nas situações contempladas nos dispositivos citados, os quais devem ser interpretados com cautelas em face do princípio da verdade material. Nesse contexto, entendo que as matérias de fato e direito envolvidas no presente caso são suficientes para a resolução da controvérsia instaurada, não gerando dúvidas ou necessidade que demandem a realização de uma perícia. Indefiro, portanto, o pedido de perícia e não vejo nessa negativa nenhum prejuízo ao contraditório e ampla defesa. 2) Artigo 198 do CTN A Recorrente alega nulidade do procedimento fiscal que suspendeu a isenção, alegando divulgação de dados econômicos e financeiros com violação do art. 198 do CTN. Razão não lhe assiste. Isso porque não se cogita, nessa situação particular, de quebra de sigilo com ofensa ao dispositivo apontado, uma vez que a análise em questão ocorreu no bojo de um procedimento de fiscalização instaurado regularmente. O artigo 195 do CTN, aliás, prescreve que para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Ademais, ainda no que se refere à obrigatoriedade de prestar informações ao fisco, dispõem os artigos 927 e 928 do RIR/99: Art. 927. Todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos AuditoresFiscais do Tesouro Nacional no exercício de suas funções, sendo as declarações tomadas por termo e assinadas pelo declarante. Art. 928. Nenhuma pessoa física ou jurídica, contribuinte ou não, poderá eximirse de fornecer, nos prazos marcados, as informações ou esclarecimentos solicitados pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 123, DecretoLei nº 1.718, de 27 de novembro de 1979, art. 2º, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 197). Notase, assim, que o fisco possui poderes para solicitar informações e documentos relativos à apuração de tributos das pessoas que entender vinculadas às operações que possam caracterizar fato gerador, não havendo n0o que se falar em ilícito. Nesse caso concreto, aliás, comprovouse que há identidade de pessoas nos quadros societários das empresas prestadoras de serviços e a fiscalizada, o que é de certo modo natural apurar os fatos em conjunto, cruzando informações e dados das empresas envolvidas. Afasto, contudo, a alegada nulidade. 3) Da fundamentação legal para a suspensão da isenção Fl. 2863DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 13 23 De plano, convém frisar que equivocase a Recorrente quando afirma que o SIM INSTITUTO seria entidade imune (fls. 2.668), razão pela qual a lei ordinária apontada como base legal dos lançamentos revelase inconstitucional. A discussão, na verdade, é da aplicação ou não da isenção de IRPJ e CSLL prevista no artigo 15, da Lei nº 9.532/1997, cujo § 3º condicionou o gozo ao cumprimento dos requisitos previstos no artigos 12, § 2º, “a” a “e” e § 3º e 13 e 14, in verbis: Art. 12 Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos§ 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; [...] § 3° Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais Art. 13. Sem prejuízo das demais penalidades previstas na lei, a Secretaria da Receita Federal suspenderá o gozo da imunidade a que se refere o artigo anterior, relativamente aos anos calendários em que a pessoa jurídica houver praticado ou, por qualquer forma, houver contribuído para a prática de ato que constitua infração a dispositivo da legislação tributária, especialmente no caso de informar ou declarar falsamente, omitir ou simular o recebimento de doações em bens ou em dinheiro, ou de qualquer forma cooperar para que terceiro sonegue tributos ou pratique ilícitos fiscais. Parágrafo único. Considerase, também, infração a dispositivo da legislação tributária o pagamento, pela instituição imune, em favor de seus associados ou dirigentes, ou, ainda, em favor de sócios, acionistas ou dirigentes de pessoa jurídica a ela associada por qualquer forma, de despesas consideradas indedutíveis na determinação da base de cálculo do imposto sobre a renda ou da contribuição social sobre o lucro líquido. Art. 14. À suspensão do gozo da imunidade aplicase o disposto no art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 2864DF CARF MF 24 Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. O ADE e o TVF indicam justamente o descumprimento das condições previstas nas alíneas "a" e "b" do parágrafo segundo acima transcrito. Os motivos para a suspensão da isenção, segundo a acusação fiscal, foram o não cumprimento das finalidades sociais, afinal a entidade teria continuado a praticar atividades econômicas, bem como que haveria distribuição de resultados o que é vedado através de pagamentos feitos por serviços considerados simulados e prestados por empresas constituídas por pessoas físicas ligadas ao negócio. Ambas as condições são válidas, vigentes e eficazes. Ao contrário do quanto afirmado pela Recorrente, e conforme restou demonstrado pela decisão de primeiro grau (fls. 2.445/2.446), as Ações Direta de Inconstitucionalidade nºs 1.8023 e 2.028 não possuem relação com este caso. Tal como foi estruturada, entendo que a suspensão da isenção do SIM – INSTITUTO observou corretamente os ritos e trâmites legais, não possuindo nenhum vício formal ou material que gere nulidade. 4) Inconstitucionalidade Atinente aos princípios e normas constitucionais que a Recorrente entende violados, cumpre frisar que este Conselho é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária, conforme Súmula CARF nº 22. Ademais, o Decreto nº 70.235/72 dispõe em seu art. 26A que: Artigo 26A No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal II – que fundamente crédito tributário objeto de 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 2865DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 14 25 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. Verificase, assim, que o afastamento da aplicação de norma legal, sob fundamento de inconstitucionalidade, somente é possível no âmbito do processo administrativo fiscal federal nas hipóteses acima elencadas, o que não é o caso presente. Falece ao presente julgador, portanto, competência para analisar os argumentos de cunho constitucional invocados pelos Recorrentes. 5) Da suspensão da isenção A partir das constatações fiscais e demais documentos anexados, restou evidenciado que: (i) o SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL foi constituído em decorrência de reorganização societária que transformou uma empresa até então com finalidade lucrativa, a SIMSISTEMAS DE INFORMAÇÃO DE MUNICÍPIOS, cuja razão social originária é TECNICONTA LTDA ASSESSORIA E TÉCNICAS CONTÁBEIS, criada em 24/08/1989 com o objetivo social de prestar serviços na área contábil, de informática, organização de empresas, assistência fiscal, auditoria e perícia. (ii) há registro na Ata da transformação da empresa em instituto, pelo sócio Sr. Sinval, que seria mantido o mesmo escopo e objeto de prestação de serviços, e que seria bastante para isso, a criação e a aprovação do estatuto próprio. Completou informando que a transformação carregaria para o instituto toda a história da empresa além de todos os contratos em vigor evitando qualquer tipo de entrave burocrático ou legal para a continuidade da execução dos serviços contratados. Disse que a nova entidade sem fins lucrativos, levará, na transformação, além da história e dos contratos, todo o Ativo e Passivo da atual SIM."; (iii) a ata é assinada como DiretorPresidente o Sr. Nilton de Aquino Andrade, como VicePresidente de Pesquisa e Desenvolvimento o Sr Nelson Batista de Almeida e como VicePresidente de Administração e Finanças, o Sr. Sinval Drummond Andrade, que eram os mesmos sócios da empresa SIM; (iv) nessa mesma Ata, o Sr. Nilton declarou que: "o Instituto, no entanto, não é uma entidade nova, mas sim e tão somente uma nova maneira, mais moderna e mais adequada para suportar o crescimento do mercado e atender às necessidades cada vez maiores dos clientes que previa o dia 01 de janeiro de 2003 para o início efetivo das atividades do novo Instituto."; (v) pouco tempo antes dessa alteração societária, a empresa SIMSistemas de Informação de Municípios integralizou o capital da empresa 3D Participações Ltda., CNPJ: 05.275.691/000150, utilizando todos os bens registrados no seu Ativo Permanente. Os sócios Fl. 2866DF CARF MF 26 da empresa 3D Participações Ltda. são os Srs. Nilton de Aquino Andrade, Nelson Batista de Almeida e Sinval Drummond Andrade. Ato contínuo, a empresa SIMSistemas de Informação de Municípios cede toda sua participação na empresa 3D Participações Ltda. aos sócios, pessoas físicas: Srs. Nilton de Aquino Andrade, Nelson Batista de Almeida e Sinval Drummond Andrade; (vi) o patrimônio da entidade, então, conforme descreve o próprio Estatuto Social, seria fruto de atividades nitidamente empresariais, quais sejam: "recebimento pela prestação de serviços a governos, órgãos ou entidades públicas" e "recebimento pela prestação de serviços a empresas, mediante contrato de parceria" (cf. art. 37, V e VI); (vii) a pessoa jurídica de fato continuou exercendo atividade econômica e empresarial, tendo celebrado diversos contratos de prestação de serviços contábeis e congêneres, especialmente com órgãos públicos, em especial prefeituras municipais; (viii) as principais despesas da entidade consistiam nas “subcontratações” ou “terceirizações” com empresas que prestavam serviços quase que exclusivamente ao Instituto, no mesmo endereço e cujos sócios eram os associados fundadores do Instituto, seus familiares ou funcionários da própria entidade; (ix) os valores dessas despesas reduziam o “superávit” da entidade em valores coincidentemente próximos; e (x) a contadora da entidade e de todas as demais empresas é a mesma, tendo figurada também como sócia em algumas dessas empresas prestadoras. Diante desses elementos, a autoridade julgadora concluiu que: 54. Dessa forma, observase que o fundamento para a inadmissibilidade do benefício, no caso de inversão de recursos da entidade para distribuir aos associados/familiares e pessoas ligadas, será o não cumprimento ao requisito básico legal previsto na alínea "b" do §2° do art. 12 da Lei n° 9.532/97. Segundo esse dispositivo legal, para gozo da isenção, as entidades beneficiárias deverão "aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos sociais". Assim, ao carrear recursos da entidade para distribuir aos associados/familiares e pessoas ligadas, a entidade isenta não os estará aplicando na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos sociais, descumprindo um dos requisitos básicos para o benefício fiscal, pois tornamse diversos o caráter dos recursos e as condições de sua obtenção. 55. E, ainda, outro fundamento para a perda do benefício fiscal é a percepção de receitas oriundas da prestação de serviços que correspondem a atos de natureza econômicofinanceira, de forma concorrente com organizações que não gozem de isenção, bem como a remuneração, por qualquer forma, de seus dirigentes pelos serviços prestados. 56. A percepção de receita pela prestação de serviços, de forma permanente, contrapõese ao que foi estabelecido no estatuto social, assim a renda proveniente da prestação dos serviços contratados nos remete à legislação comercial e às normas de apuração do IRPJ (arts. 224, 279 e 519 do RIR/1999), a que se sujeitam as pessoas jurídicas com finalidade lucrativa. Fl. 2867DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 15 27 Como se nota, a fiscalização e a decisão de piso concluíram que a Recorrente teria descumprido os requisitos da isenção, quais sejam: o desvio de sua finalidade institucional e a remuneração de dirigentes por meio de simulação. A meu ver tal conclusão foi embasada em uma fiscalização convincente, eficiente e que conseguiu reunir diversos indícios que, uma vez analisados em conjunto, são capazes de provar os fatos por ela narrados e, conseqüentemente, o acerto quanto à suspensão da isenção da Recorrente. Os elementos probatórios produzidos pelo fisco, ao contrário do quanto alega os Recorrentes, não constituem meras presunções simples incapazes de fazer prova. Segundo Fabiana Del Padre Tomé3: É corrente a distinção entre indício e prova em função do grau de convicção que o fato provado acarrete no julgador: seria prova quando levar à certeza, e indício se dele decorrer mera possibilidade. Só haverá certeza sobre a veracidade ou não de um fato, porém, se sua ocorrência for necessária ou impossível. Em todas as demais hipóteses, estaremos sempre diante de meras probabilidades, cuja força varia conforme o número de indícios favoráveis e contrários, firmandose, em nome da segurança jurídica, uma “certeza no direito”. A decisão do julgador é que determinará se ocorreu ou não determinado fato e essa será a verdade jurídica. Por tal razão, conclui Francesco Carnelutti que a certeza é também alcançada pelas presunções estabelecidas a partir de indícios: “se com certeza se designa a satisfação do juiz acerca do grau de verossimilitude, não cabe negar que se obtém inclusive com as fontes de presunção, posto que, se não a obtivesse, não poderia jamais considerar provado o juiz um fato por meio de presunções”; Até mesmo porque, como vimos em tópicos antecedentes, toda prova é indiciária, levando ao estabelecimento da verdade por meio de raciocínio presuntivo. De fato, nos casos que envolvem dolo, fraude ou simulação, a constituição de prova constitui tarefa complexa e de árdua produção, afinal as partes buscam intencionalmente esconder a verdadeira causa e finalidade do seu comportamento negocial. É justamente em cenários como o presente que devemos nos socorrer às provas ditas indiretas, figuras estas que, aliás, são admitidas no ordenamento jurídico como meio probatório hábil e idôneo e que cada vez mais ganham espaço no direito tributário brasileiro. Não é mais possível negar que a comprovação de situações que envolvem empresas interpostas, por exemplo, onde o que se busca é justamente a ocultação da verdadeira parte ou operação, requer e prescinde da utilização de indícios e presunções, que são provas admitidas no Direito. Sobre o tema, precisas são as palavras de Fábio Piovesan Bozza4: 3 A prova no direito tributário. São Paulo: Noeses. 2005. P. 138. 4 Planejamento tributário e autonomia privada. São Paulo: Quartier Latin. 2015. P. 191/193. Fl. 2868DF CARF MF 28 Por se tratar de prova indireta, a conclusão sobre a existência do fato principal desconhecido, a partir de indício, estará sujeita a diferentes graus de crença. Se o fato desconhecido pode ter multiplicidade de causa, ou ser causa de muitos efeitos, o indício isolado perde a força e impede o emprego da presunção. Por isso, o quadro de indícios deve ser: · preciso: o fato controvertido deve ter ligação direta com o fato conhecido, podendo dele extrair consequências claras e efetivamente possíveis, a ponto de rechaçar outras possíveis soluções; · grave: resultante de uma forte probabilidade e capacidade de induzir à persuasão. · harmônico: com os indícios concordantes entre si e não contraditórios, os quais convergem para a mesma solução, de modo a aumentar o grau de confirmação lógica sobre uma dada ilação. O que precisa ficar claro, nesse contexto, é que apenas a conjugação de indícios coerentes, precisos e que se convergem para uma presunção que gere confiança para o convencimento é que caracteriza a prova em favor do fisco. Nesse sentido também caminhou a jurisprudência administrativa deste E. Conselho, conforme atestam as ementas abaixo: PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária para referendar a identificação do sujeito passivo deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador. (Acórdão nº 10423.293. DOU 30/10/2008). PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é meio idôneo para referendar uma autuação, desde que ela resulte da soma de indícios convergentes. É o caso dos autos em resta patente a interposição de pessoa jurídica inexistente de fato. (Acórdão nº 10709.175. DOU 18/02/2009) ÔNUS DA PROVA INDÍCIOS CONVERGENTES O encargo de trazer prova aos autos é do contribuinte quando o Fisco reúne vários fatos conhecidos que representam indícios, os quais, reunidos e coordenados por processo lógico, resultam no fato até então desconhecido e considerado como omissão de receitas. (Acórdão nº 10807.991. DOU 01/12/2014) Nesse estado de coisas, entendo que, diante do conjunto de indícios colhidos, nenhum reparo cabe à decisão recorrida. A isenção de IRPJ e CSLL prevista no artigo 15 da Lei nº 9.532/97 pode ser usufruída por entidades que se qualifiquem como “instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico ou “associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos”. Ou seja, para a realização de atividades sociais específicas não lucrativas, é possível constituir entidades ditas do Terceiro Setor, tais como as associações e fundações Fl. 2869DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 16 29 filantrópicas. Ambas figuras societárias são entidades civis, diferenciandose pelo fato de que, enquanto as associações constituemse a partir da união de pessoas organizadas para a consecução de determinado fim, as fundações são formadas por um complexo de bens destinados a uma finalidade explicitada no estatuto social. Nas associações predomina o elemento pessoal, ao passo que nas fundações fazse essencial um patrimônio. De acordo com o art. 53 do Código Civil, constituemse as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos. O associativismo ou prática da associação advém da livre iniciativa de organização de pessoas (associados) para obtenção de finalidades comuns sem o intuito de lucro. A associação colocase à disposição dos associados para a prática de determinada atividade social em prol de um grupo. A essência da associação é atuar de forma suplementar ao Estado, oferecendo muitas vezes serviços comunitários ou ensinamentos técnicos a um público dirigido. Não raramente as autênticas associações são custeadas por meio de doações e contribuições dos próprios associados e demais colaboradores. Não negase, porém, que uma associação pode realizar determinadas atividades que gerem receitas, mas não enquanto atividade fim preponderante. A razão de ser de uma associação, pois, é explorar atividade de cunho não econômico. Eventual atividade empresarial que seja explorada em prol da sua atividade social deve representar apenas meio de fomento, isto é, mera subsistência para a causa jurídica da entidade. Afirmase, assim, que atividades paralelas ao fim da associação não podem prevalecer, sob pena de descaracterização da própria essência da entidade associativa. Como bem relatado pela DRJ, o tratamento fiscal privilegiado dispensado a essas entidades impede que elas venham a desvirtuar suas finalidades essenciais para as quais foram criadas pela prática não eventual de atos de natureza mercantil, violando, assim, o princípio da livre concorrência, na medida em que estariam, deslealmente, disputando o mercado privado com organizações não alcançadas pela situação privilegiada. No caso do SIM INSTITUTO, de acordo com seu Estatuto Social (Fls. 1.973 e seguintes): Art 1o O SIM Instituto de Gestão Fiscal, é uma sociedade civil, cientifica, sem intuitos lucrativos, constituida com a finalidade de oferecer.suporte técnico; científicocultura! em apoio aos municípios na área de contabilidade pública e congêneres em todo o território brasileiro. [...] CAPÍTULO II Do Objetivo Social Art 4o A sociedade tem por objeto estudar, pesquisar e difundir a contabilidade pública em todos os seus níveis e aspectos, nas áreas administrativa, econômicofinanceira, tributáriafiscal, tecnológica, ambiental, educacional e social, de capacitação e preparação de profissionais a elas vinculados, podendo, para atingir seus fins junto às entidades contratadas: Fl. 2870DF CARF MF 30 I promover atividades que visem o aprimoramento profissional e o desenvolvimento cultural e científico em contabilidade pública;' II implantar uma nova cultura concernente à contabilidade pública, voltada para a qualidade técnica e profissional, desenvolvendo ferramentas capazes de elevar o padrão dos processos de gestão, podendo inclusive disponibilizar equipamentos necessários à consecução dos objetivos indicados no capuí; III contribuir, através da elaboração de projetos" específicos, para o aprimoramento e a melhor capacitação dos recursos humanos nas diversas área da administração pública, objetivando a modernização administrativa e tecnológica das organizações; IV desenvolver projetos de contabilidade pública para ap«p à cultura e às artes em geral; V incentivar e promover a utilização de recursos de informática nas rotinas das diversas áreas de contabilidade pública; elaborar métodos e estudos para formar quadros capazes de agilizar processos e racionalizar métodos de execução, podendo, para tanto, disponibilizar sistemas contábeis e outros meios afins necessários VI promover estudos e pesquisas que visem â modernização e melhor funcionamento dos ambientes em que devam ser exercidas as funções meio e fins das áreas atendidas pelos serviços de contabilidade pública; VII promover programas e projetos que objetivem ò planejamento financeiro, orçamentário, contábil e tributário das organizações públicas, identificando economias fiscais e adotando ações administrativas e Judiciais necessárias a sua recuperação; VIII desenvolver estudos e pesquisas relacionados aos processos educacionais e organizacionais das áreas atendidas pelos serviços de.contabilidade pública, bem como, sempre que possível, promover a publicação dos mesmos Mais adiante, o Estatuto Social, no art. 37, registra que o patrimônio do SIM será constituído por recebimento pela prestação de serviços a governos, órgãos ou entidades públicas (inciso V) e recebimento pela prestação de serviços a empresas, mediante contrato de parceria (inciso VI). Na prática, porém, restou demonstrado que a causa do SIM INSTITUTO, na verdade, era continuar prestando os mesmos serviços até então prestados pela Sociedade Limitada que a antecedeu e outras ligadas ao grupo. É curioso notar que o próprio Estatuto reconhece a prestação desses serviços, mas conferelhe natureza apenas complementar à uma atividade pretensamente social, genericamente prevista no artigo 4, mas cuja existência fática as partes não conseguiram comprovar. Também os fundadores da entidade emitiram declarações acerca da continuidade de exploração de serviços em estrutura apenas mais moderna, não se preocupando muito em demonstrar o que de fato seria a finalidade filantrópica. Valendose, então, da reputação conquistada por longo período no mercado, o grupo SIM, podese assim dizer, transformouse em uma "associação" apenas aparente, pois Fl. 2871DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 17 31 continuou a exercer nítida atividade empresarial, em sentido oposto à razão de existir do benefício fiscal da isenção. Ao contrário do que sustentam os Recorrentes, a atividade fim praticada foi a de prestar serviços contábeis e congêneres, atividade esta que possui nítido caráter empresarial. Ocorre, porém, que uma vez qualificada enquanto entidade filantrópica, a Recorrente, além da isenção, estaria dispensada de licitações com seus principais clientes, conforme artigo 24, XIII, da Lei n. 8.666/93: Art. 24. É dispensável a licitação: ]...] XIII na contratação de instituição brasileira incumbida regimental ou estatutariamente da pesquisa, do ensino ou do desenvolvimento institucional, ou de instituição dedicada à recuperação social do preso, desde que a contratada detenha inquestionável reputação éticoprofissional e não tenha fins lucrativos; A Recorrente, nesse ponto, afirma que já estaria dispensada de licitações anteriormente (ou seja, antes de ser transformada em associação), mas deixa de apontar quais as razões concretas da alegada dispensa, não indica seu fundamento e, principalmente, não comprova tal afirmativa. A meu ver, é indiscutível que o grupo SIM, participando em licitações enquanto associação civil sem finalidade lucrativa, poderia se habilitar bem mais facilmente em licitações. Isso é inegável. No que concerne às decisões judiciais invocadas pela defesa e no recurso como provas, noto que dizem respeito à apreciação de denúncias formuladas pelo Ministério Público em face de Prefeitos Municipais e representantes da Recorrente, mas que não guardam relação direta com os fatos e circunstâncias objeto da presente lide. Concordo com a decisão de piso quando se manifestou sobre o tema. Veja: [...] divergências entre as partes contratantes (Prefeituras e Instituto), a circunstância de pedido de imputação de crime formulado em denúncia não prosperar por entender a autoridade judicial a existência de deficiência na peça acusatória ou a determinação de limites para bloqueios de bens em face da ação de improbidade em nada alteram os fatos descritos no presente processo administrativo e que justificam a suspensão da isenção e a formalização da exigência dos tributos lançados. Cabível consignar que a discussão sobre o reconhecimento da fraude civiltributária para o efeito de suspensão de isenção e formalização de lançamentos tributários com majoração da multa de ofício de 75% para 150% , não se confunde com a imputação de crime no âmbito penal. O desfecho de ações penais geradas em outros feitos, seja ele procedente ou improcedente, realmente em nada altera a suspensão da isenção e os lançamentos objeto dos processos administrativos ora em discussão. Muito pelo contrário, entendo que a existência de ações judiciais movidas para desqualificar contratos feitos pela entidade constitui mais um indício de irregularidade na sua atuação. Fl. 2872DF CARF MF 32 Foram apurados, a bem da verdade, diversos elementos de prova que, uma vez articulados e organizados, permitem ao presente Julgador criar uma convicção segura de que a Recorrente não cumpriu os requisitos previstos para gozo da referida isenção. Como bem resumiu a autoridade fiscal: 20.16. As operações estruturadas em sequência, com a transferência, no ano de 2002, de todos os bens do Ativo Permanente da empresa SIMINSTITUTO DE GESTÃO FISCAL para a empresa 3D Participações Ltda (atualmente AIL Assessoria de Informações e Logística Ltda) e posterior cessão de toda a participação no capital da 3D Participações Ltda aos sócios, mesmas pessoas físicas fundadoras do instituto. A transformação da forma de constituição da empresa SIM INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL, prestadora de serviços em um instituto, isento de tributos e contribuições, cuja receita era originária em contratos de prestação de serviços com prefeituras, tinha como objetivo primeiro a dispensa de participar de licitação para assinar tais contratos, de acordo com o inciso XXIV do art. 24 da Lei n° 8.666/93 alterado pela Lei n° 9.648, de 1998 de 21/06/1993. Em seguida, terceirizava os serviços a empresas "prestadoras de serviços" criadas anteriormente pelos próprios patrocinadores do "instituto", que tinha e tem como responsável pela contabilidade tanto do instituto como destas empresas contratadas, a mesma contadora, Sra. Cleide Maria de Alvarenga Andrade, esposa de um dos associados do instituto. Esta senhora ainda tem, em algumas destas empresas, a maior participação e maior retirada de rendimento isento (não tributado). Todas as empresas citadas registraram como endereço (mesmo prédio) coincidentemente do "instituto", que são as salas utilizadas para integralização do capital social da empresa 3D Participações Ltda, pela SIM cujas alterações contratuais estão relacionadas no item 20.31. Ocorreram atos sucessivos num curto espaço de tempo, que denotam a caracterização da operação como a de um "planejamento tributário ilícito", e que levam ao não oferecimento à tributação dos rendimentos auferidos pela empresa que se "auto transformou" em instituto. Nesse sentido, estou convencido de que a decisão para suspender a isenção está firmada em duas premissas sólidas e comprovadas: (i) a de que a Recorrente não praticou atividades típicas de entidade sem fim lucrativo, continuando a exercer atividade empresarial; e (ii) remunerou os “associados” ou sócios por meio de operações simuladas, conforme será visto mais adiante. Dessa forma, JULGO IMPROCEDENTE o RECURSO VOLUNTÁRIO, mantendo o Ato Declaratório Executivo DRF/BHE nº 13, de 2013, que suspendeu a isenção do SIM – INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL para os anos calendário de 2008, 2009 e 2010. 6) Dos lançamentos de IRPJ e CSLL De início, cabe ressaltar que nenhum reparo cabe à metodologia de tributação que foi adotada para fins de IRPJ e CSLL. Isso porque a própria legislação fiscal estabelece Fl. 2873DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 18 33 como regra geral o período de apuração trimestral, conforme artigos 1º e 2º da Lei nº 9.430/19965. No tocante a menção à auditoria por amostragem, entendo que houve uma certa “descontextualização” do termo. Tal expediente análise por amostragem é usual e em nada desmerece o trabalho de fiscalização. Ao longo de sua narrativa sobre a ação fiscal, a fiscalização alega que teria se deparado, na verdade, com “planejamento tributário ilícito”, “empresas de fachada” e “simulação”, o que a levou a glosar as despesas com a prestação de serviços cujas notas fiscais foram consideradas "de favor", considerando, ademais, espécies de pagamentos sem causa. De fato, a simulação realmente permite ao fisco afastar os atos considerados inexistentes e descortinar aqueles efetivamente praticados. Tanto é assim que ela constitui, junto com as figuras do dolo e fraude, hipótese de revisão de ofício expressamente prevista no artigo 149, VII, do CTN, transcrito adiante. “Artigo 149 – O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: [...] VII – quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação. No contexto dos limites ao planejamento tributário, a figura da simulação cada vez mais merece destaque, afinal ela está inserida na fronteira do que pode e o que não pode fazer nesta seara. É a simulação uma espécie de divisor de águas. Havendo simulação, é caso de evasão fiscal, ilicitude que deve ser combatida, permitindo a requalificação jurídica. Afastada a simulação, tratase de elisão fiscal, isto é, planejamento fiscal lícito. É imprescindível, portanto, delinear os contornos doutrinários e normativos da simulação, para em seguida ponderar se estamos ou não diante de uma simulação implementada para contornar indevidamente as proibições inerentes ao gozo da isenção. As teses tradicionais sobre o conceito de simulação desenvolveram seus estudos dentro do âmbito do negócio jurídico, partindo da premissa de que a simulação corresponde a um defeito, um vício do negócio jurídico. Simular é tornar semelhante, dar aparência ao que não é verdadeiro; a simulação pode compararse a um fantasma, a dissimulação a uma máscara. É este o ponto de partida adotado na clássica obra de Francisco Ferrara6, civilista italiano que muito influenciou a doutrina brasileira. Adepto da teoria voluntarista, leciona que o negócio simulado implica a ocorrência de uma aparência diferente da realidade. Assim, a característica marcante do 5 Art. 1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. Art. 2o A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida mensalmente, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, observado o disposto nos §§ 1o e 2o do art. 29 e nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995. 6 A simulação dos negócios jurídicos. Trad. Dr. A. Bossa. São Paulo: Saraiva. 1939. P. 50 Fl. 2874DF CARF MF 34 negócio simulado seria a divergência intencional entre a vontade e a declaração, visando iludir terceiros. A crítica que se costuma fazer dessa teoria diz respeito à ausência da aludida divergência. Precisamente porque os simuladores declaram espontaneamente o que querem, não seria pertinente falar na existência de conflito entre a vontade e a declaração. É certo que não lhe querem os efeitos, mas querem a forma do negócio; a aparência desse negócio élhes indispensável por razões que as levam a simular7. Diante dessa crítica, a teoria declarativista – que possuiu menor influência que a teoria voluntarista , ainda conferindo enfoque subjetivista à simulação, passa a sustentar que a vontade interna não possui significado enquanto não seja declarada, razão pela qual a simulação deve ser vista como um conflito entre declarações. Desse modo, as partes emitiriam uma declaração dirigida ao público e uma contradeclaração para conhecimento restrito das partes (um “contrato de gaveta”, por exemplo), de modo que o efeito do negócio seria neutralizado. O negócio simulado, então, não seria um negócio inexistente, mas sim um negócio sem resultado jurídico. O principal argumento oposto à teoria declarativista consiste no fato de que o negócio simulado não seria neutralizado por um ato posterior, já que desde sua origem corresponde a um ato aparente. Desta forma, a contradeclaração não teria como revelar caráter modificativo, mas meramente declaratório. Ademais, a prerrogativa da nulidade advém do ordenamento jurídico, e não da autonomia da vontade8. As críticas às duas teorias subjetivas apontadas ensejaram o exame do instituto da “simulação” por um viés alternativo, o que deu azo às manifestações integradas na dita teoria objetivista (ou teoria causalista), a qual já dá sinais de prevalência na doutrina pátria acerca do tema. Francesco Carnelutti9 foi um dos que inaugurou a vertente teórica objetivista no campo de estudo da simulação, a qual para o autor é um incidente relacionado à inadequação da causa, decorrente da circunstância de um ato ser querido para o atendimento de interesse diverso ou incompatível com os seus respectivos efeitos jurídicos. Nesses termos, todo ato ou negócio jurídico tem uma causa, chamada de “causa jurídica” ou “função típica”, que corresponde aos efeitos jurídicos que se espera do negócio celebrado. Atentese que a causa corresponde às conseqüências jurídicas inerentes a cada tipo negocial. Como bem resume Orlando Gomes10, não é a causa antecedente, mas causa final, isto é, o fim que atua sobre a vontade para lhe determinar a atuação no sentido de celebrar certo contrato. Por isso mesmo, Heleno Tavares Torres11 expõe que: “Causa é a finalidade, a função, o fim que as partes pretendem alcançar com o ato que põem em execução, sob a forma de contrato, para adquirir relevância jurídica. Por isso, a causa é 7 Cf. Custódio da Piedade Ubaldino Miranda. A simulação no direito civil brasileiro. São Paulo: Saraiva, 1980, P. 37. 8 Cf. Fábio Piovesan Bozza. Planejamento tributário e autonomia privada. São Paulo: Quartier Latin. P. 158 9 Sistema del Diritto Processuale Civile, vol II. Pádua: CEDAM. 1938. 10 Contratos. Rio de Janeiro: Forense. 1987. P. 57. 11 Direito tributário e direito privado. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 2003. P. 141/142. Fl. 2875DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 19 35 elemento essencial do negócio, como fim de realizar uma operação apreciável economicamente, devendo ser sempre lícita e passível de tutela pelo direito positivo. E para cada contrato ou ato jurídico, somente uma causa. No contrato de venda e compra, a causa é o intuito de entregar um bem recebendo um preço correspondente. Caso seja um bem por outro, a causa já individualiza um outro contrato, o de permuta; e se não há intuito de obter o pagamento de preço, mas apenas atribui um bem a outrem, aumentando o patrimônio deste, a causa já impõe outra qualificação, o de um contrato de doação. Para Emílio Betti12, expoente da tese objetivista e muito citado pela doutrina brasileira, a simulação é o resultado de um conflito insanável entre o escopo típico e a causa. Ela expressa um abuso da função instrumental do negócio jurídico. Assim, o elemento fático, notadamente o comportamento negocial, deve participar diretamente da valoração dos vícios da causa. Haverá simulação se houver incompatibilidade entre a causa típica do negócio (causa abstrata) e a intenção prática concretamente procurada pelas partes (causa concreta). Com base, então, na teoria causalista (ou objetivista), a causa concreta atribui individualidade ao negócio jurídico. É a “porta de entrada” para interpretar o efetivo conteúdo negocial, definir a sua qualificação jurídica (se típico ou atípico) e, após isso, verificar sua compatibilidade ou não com o respectivo tipo (causa abstrata), a fim de aferir se o ato ou negócio é legítimo quando há esta compatibilidade; ou simulado quando não há tal compatibilidade. Dentre as classificações feitas no âmbito da simulação, a mais importante é aquela que se faz em função ao fim a que se presta. Assim, se é a própria simulação a relação jurídica estabelecida entre as partes, falase em simulação absoluta. Caso, porém, se tem por finalidade a celebração de um negócio para esconder outro, o dissimulado, estaremos diante da simulação relativa. Na simulação absoluta as partes criam um ato ou negócio que é meramente aparente, produzindo uma ilusão aos olhos de quem vê. Declaram algo que não ocorreu. Assim, por exemplo, determinada pessoa simula alienar imóvel com o objetivo de fraudar a partilha diante de uma dissolução de união estável. Já na simulação relativa as partes celebram um negócio para encobrir outro. Declaram que ocorreu uma coisa (doação, por exemplo) para encobrir coisa diferente, dissimulada (como uma compra e venda). Na fértil imaginação de alguns autores a simulação absoluta já foi chamada de simulação nua, corpo sem alma, ilusão externa, fantasma, negócio vazio e véu enganador; a simulação relativa, por sua vez, não raramente costuma ser referida como simulação vestida, máscara, roupagem, invólucro e túnica. E o intuito enganatório das partes, o acordo simulatório, costuma ser descrito como malícia, artimanha, artifício, astúcia, manha, dentre outros signos13. O Código Civil de 1916 disciplinava a simulação como causa de anulabilidade do negócio jurídico (art. 147, II). A simulação inocente, ou seja, aquela praticada 12 Teoria Geral do Negócio Jurídico. Campinas: Servanda. 2008. P. 562 e 578. 13 Exemplos extraídos da obra de Alberto Xavier. Tipicidade da tributação, simulação e norma antielisiva. São Paulo: Dialética. 2002. P. 55. Fl. 2876DF CARF MF 36 sem o objetivo de prejudicar terceiros ou disposição legal, não era considerada defeituosa (cf. art. 103), razão provável da prevalência, até então, da teoria voluntarista. Com o Código Civil de 2002, a simulação foi inserida no capítulo “Da Invalidade do Negócio Jurídico”, passando a ser causa de nulidade do negócio, nos termos do caput do artigo 167: “Artigo 167 É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. Ricardo Mariz de Oliveira, em texto publicado sobre a simulação no Código Tributário Nacional e na prática14, embora admita que a visão objetivista ou causalista de simulação passou a ganhar dimensão mais visível, buscou conciliar as correntes voluntarista e objetivista. Enquanto a teoria voluntarista enxerga a simulação pela desconformidade entre a vontade interna e o ato ostensivo, a teoria causalista a vê pela confrontação entre o ato externo e a respectiva causa, exatamente porque elas o utilizam tão somente para esconder outra realidade. Seriam diferentes enfoques compatíveis. Já Tércio Sampaio Ferraz Jr15 se manifestou como simpatizante da teoria causalista. Vejase: [...] a estrutura da mentira tem, no CC/2002 uma configuração diferente. [...] O novo Código altera o enquadramento da simulação. Não se trata, necessariamente, de um defeito (da vontade, maliciosa ou inocente), mas da presença de um requisito de validade aparentemente consistente com as regras de validade, mas, na verdade, inconsistente. [...] Como, então, as partes muitas vezes simulam (o negócio, portanto, é nulo), mas um fato (econômico), de algum modo acontece, o novo Código Civil (art. 167, par. 2º) ressalva os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado. Por exemplo, o Fisco. [...] Na comprovação da simulação, não caberia ao Fisco examinar a “real” intenção, mas visar ao uso inconsistente do meio (negócio típico) para atingir os resultados típicos, e, assim, mediante esses resultados, alcançar outros fins. [...] é indispensável examinar a ocorrência de “ações simuladoras”, isto é, ações que apenas simulam uma determinada consequência de fato. Ou seja, que as partes, ao eleger um negócio jurídico típico frustram suas consequências e, com isso, mostram que verdadeiramente não queriam o negócio que escolheram, mas outro. Com isso, o negócio jurídico e a sua execução econômica se mostram apartados. Finalmente, ainda convém informar que já existem manifestações que pretendem dar autonomia (tipicidade) ao negócio simulado. É o caso da obra de Luiz Carlos de Andrade Júnior, autor este que, após criticar a idéia tradicional de que a simulação consiste em um defeito no negócio jurídico, busca demonstrar, no negócio simulado, uma manifestação de autonomia privada típica pela qual as partes conjugam esforços para, através do engano, perseguirem um determinado resultado, e que é nula porque a lei assim estipula. Ao definir o 14 Revista de Direito Atual, v. 27. São Paulo: Dialética. P. 565. 15 Simulação e negócio jurídico indireto no direito tributário à Luz do novo código civil. Revista Fórum de Direito Tributário, v. 48. Belo Horizonte: Fórum, P. 10. Fl. 2877DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 20 37 conceito de simulação, leciona que “simulação é um programa de autonomia privada pelo qual as partes articulam ações e omissões com o objetivo de criar a ilusão negocial, assim entendido o erro coletivo, objetivamente aferível, relativo à interpretação e/ou à qualificação do negócio jurídico” 16. Delineadas as principais correntes doutrinárias acerca da matéria, passase a verificar as hipóteses de simulação positivadas no artigo 167, § 1º, do Código Civil: §1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados.” O primeiro inciso, quando se refere aos negócios jurídicos que aparentam conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se transmitem, compreende a simulação subjetiva. Tratase de hipótese de simulação relativa, afinal haverá dois negócios: o negócio simulado, nulo, e o dissimulado, pelo qual realmente se transmitem os direitos. Nesses casos de interposição de pessoas, cumpre observar que considerase simulada apenas a interposição fictícia, que é diferente da interposição real. Na interposição fictícia, o sujeito não quer aparecer no negócio, razão pela qual interpõe uma pessoa que concorda em substituílo para satisfazer a aparência. Não raramente a ação do interposto fictício limitase a “emprestar” seu nome nos documentos formais da operação negocial, sendo comumente chamado de testa de ferro, laranja, prestanome, dentre outros rótulos. O segundo inciso – simulação objetiva versa sobre declarações falsas (ou, com maior precisão semântica, declarações mentirosas). Nesta hipótese se enquadrariam mais facilmente os casos de simulação em face da divergência entre vontade e declaração, caso adotada a teoria voluntarista; os casos de negócio com vício de causa, para a teoria objetivista da simulação; e os casos de prática de negócio simulado enquanto contrato típico. A última hipótese (inciso III) – simulação de data – ocorre diante da presença de uma data não verdadeira. O negócio, assim, é simulado porque o aspecto temporal (isto é, o momento no qual foi de fato realizado) é aparente, ou melhor, simulado para o passado (antedatado) ou para o futuro (pós datado). Feitas essas considerações, e diante das teorias mais relevantes sobre a matéria, forçoso concluir que, em se tratando de reorganizações societárias ou qualquer outro negócio celebrado no âmbito do Direito Privado, haverá simulação apenas se (i) existir divergência entre a vontade e a declaração ou entre declarações; (ii) as consequências jurídicas verificadas na prática (causa concreta) não se prestarem ao seu tipo ou fins jurídicos (causa abstrata) ou (iii) quando as partes se valerem de um negócio simulado típico para criarem uma ilusão negocial aos olhos de quem vê. 16 A simulação no Direito Civil. São Paulo: Malheiros. 2016. P. 19. Fl. 2878DF CARF MF 38 No caso concreto, a fiscalização e a DRJ concluíram que houve simulação, uma vez que a Recorrente, sob a roupagem de associação filantrópica, praticou atividade econômica e teria remunerado dirigentes e funcionários por meio de empresas interpostas, dentro de um contexto de planejamento tributário ilícito. O exercício irregular de atividade econômica do SIM INSTITUTO é evidente, conforme já explanado. Também a simulação se faz presente na estrutura de contratação de supostas empresas prestadoras de serviços. Senão, vejamos. Os fundadores da entidade são sócios de empresa prestadora de serviços contábeis, de informática e assemelhados há anos. Resolvem transferir os ativos da empresa SIM para outra empresa de titularidade destes mesmos sócios. Logo em seguida, transformam a empresa em associação civil sem fins lucrativos, mas que, na prática, continua prestando serviços, mas agora não mais para efeitos de lucro, mas sim em prol de uma atividade social sabese lá exatamente qual, afinal nunca foi justificada e comprovada. Essa transformação em associação, a propósito, enseja mais facilidades na captação de clientela, órgão públicos, pois lhe traria uma dispensa legal direta de licitações. E no desempenho de suas atividades, a entidade filantrópica acaba assumindo despesas, em valores próximos ao superávit, a título de terceirização daqueles mesmos serviços, que passaram então a ser tomados de empresas prestadoras sem substância. As notas fiscais pelos serviços são descritas genericamente. Não há comprovação pontual da tarefa desempenhada, da composição do preço adotado ou da vinculação com algum contrato ou planilha. Há identidade quanto a contadora de todas as empresas fiscalizadas, que, aliás, é sócia de algumas das empresas e esposa do associado fundador. Os sócios das prestadoras de serviços, que possuem sede no mesmo prédio comercial, em salas aparentemente sem estrutura negocial, são os mesmos da entidade, além de familiares e funcionários do instituto. Quase que a totalidade da receita dos prestadores é proveniente de pagamentos provenientes do SIM INSTITUTO17. Ora, todos esses indícios somados, a meu ver, realmente constituem prova cabal de que estamos diante de uma estrutura simulada. Aquilo que foi declarado pelas partes não foi de fato realizado. O SIM – INSTITUTO, na verdade, figurou como associação e como contratante de serviços somente na aparência. É aqui que está justamente a divergência (ou contradição) entre a vontade das partes – prestar serviços pelo SIM e remunerar seus sócios e funcionários e os negócios por ela formalizados e divulgados ao público prestar serviços filantrópicos mediante subcontratação. Em face dessa divergência entre a “vontade real” e a “declaração das partes”, caracterizada está a simulação na corrente subjetivista. Os fatos apurados pelo fisco muito bem demonstram que os serviços cuja despesa foi glosada foram a maneira de camuflar a remuneração dos associados, que 17 A fim de comprovar tais pagamentos, houve apresentação de cópias de cheques emitidos pelo Instituto, assinados por uma associada que também era sócia de uma das prestadoras de serviços, nominais à própria entidade SIM e endossados no verso, de modo que poderiam ser sacados por qualquer pessoa. Fl. 2879DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 21 39 interpuseram pessoas jurídicas por eles constituídas, como meio de fraudar o impeditivo legal quanto à remuneração de dirigentes, familiares e funcionários de associações sem fins lucrativos. Na prática, a Recorrente jamais cumpriu sua finalidade jurídica de prestar atividades não econômicas típicas de uma associação. Não restam dúvidas, segundo penso, que a reorganização societária utilizada não serviu à sua causa. Tratase de negócio simulado também aos olhos da corrente objetivista, portanto. Analisando o filme (ou seja, o conjunto de atos feitos paralelamente e relacionados à operação), e não a foto (operações isoladamente consideradas), noto que ficou bem caracterizado que não houve a prestação de serviços descrita nas notas fiscais glosadas. Estas notas fiscais foram emitidas por pessoas jurídicas interpostas, na tentativa de dissimular pagamentos diretos de remunerações das pessoas físicas ligadas. A transformação da empresa para associação/instituto, diante do que foi exposto, constitui negócio simulado, razão pela qual é nulo de pleno direito. Em assim sendo, a fiscalização, dentro de sua competência funcional, corretamente requalificou os fatos para fins tributários. E nem se alegue que a contabilidade, por si só, faz prova em favor do contribuinte. Como bem fundamentou a decisão, em passagem que reproduzo abaixo e acolho, o contribuinte deve comprovar, com documentos hábeis e idôneos, os lançamentos que dão origem aos registros contábeis, o que jamais foi feito. Também alega a defesa que a prestação de serviços (a) de contabilidade para o instituto e (a.1) serviços de assessoria em contabilidade pública (b) edição de livros, (c) desenvolvimento de programas ligados à contabilidade, (d) de consultoria em tecnologia da informação ligadas à atividade do instituto e também à contabilidade pública, (e) de suporte técnico e manutenção em softwares, na medida em que o Instituto licencia um software para seus clientes, (f) o licenciamento e pagamento de royalties foi efetivamente necessário, pois com este software se realizava os serviços aos clientes do Instituto, ocorreu, seria real e que os serviços teriam sido pagos a valor de mercado. Contudo nenhuma prova documental hábil a comprovar a realização e efetivo recebimento dos serviços foi apresentada. Na defesa, o contribuinte, objetivamente, nada trouxe aos autos que pudesse elidir a acusação fiscal. Nenhuma contraprova foi apresentada no sentido de demonstrar que os serviços foram efetivamente executados, nem que atendem às condições de dedutibilidade por serem necessários, nem tampouco foram identificadas as causas dos correspondentes pagamentos contabilizados nem comprovadas as operações. Em função do que descrito nos itens 20.1 a 20.38, já reproduzidos no Relatório, entendeu, pois, o Fisco pelas glosas dessas despesas, tanto na determinação do IRPJ como da CSLL, demonstrando os motivos pelos quais entendeu que os correspondentes documentos fiscais não retratam nenhuma prestação de serviço, ou seja, tratase de uma inverdade, já que Fl. 2880DF CARF MF 40 emitidos de favor, para reduzir o “superávit” da suposta entidade isenta e distribuílo a pessoas ligadas (associados fundadores, cônjuges ou parentes). De longa data é entendimento do Conselho de Contribuinte, atual CARF, ser do contribuinte o ônus de comprovar a efetividade da prestação dos serviços, como refletem as ementas a seguir transcritas: “DESPESAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS – Para serem dedutíveis, é ônus da empresa provar que os serviços correspondentes às despesas contabilizadas foram efetivamente prestados em seu favor”. (Acórdão 10193.116, de 14/07/2000) “PROVA A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS – Somente são admitidas, como operacionais, as despesas com prestação de serviços quando efetivamente provada a sua realização, não bastando como elemento probante apenas a apresentação de contrato e notas fiscais que nada especificam.” (Ac. 1º CC 103 11.219/91 – DO 17/01/92) PROVA A PRESTAÇÃO DE SERVIÇO – Para se comprovar uma despesa, de modo a tornála dedutível, face à legislação do imposto de renda, não basta comprovar que ela foi assumida e que houve o desembolso. É indispensável, principalmente, comprovar que o dispêndio corresponde à contrapartida de algo recebido e que, por isso mesmo, torna o pagamento devido.” (Ac. 1º CC 1035.385/83 – Resenha Tributária, Seção 1.2, Ed. 14/84, pág 337). Também não são capazes de afastar as constatações fiscais, as alegações no sentido de inexistência de irregularidades na transformação da sociedade para instituto e nos demais atos societários realizados sob argumento de que seriam normais e estariam todos eles averbados na Junta Comercial. A regularidade das averbações de atos societários em órgão próprio não é hábil a validar a isenção pretendida nem afastar as exigências, sobretudo diante da utilização de notas fiscais consideradas de favor nas circunstâncias apuradas no procedimento fiscal. A simples contabilização das despesas, e eventuais atendimentos exclusivamente formais das operações isoladamente consideradas, não faz prova a favor do contribuinte. Os registros contábeis, pois, devem se revestir de documentos hábeis a comprovar sua efetiva origem e natureza, sob pena de serem desconsiderados. Feitas essas considerações, a minha opinião é a de que o comportamento das partes criou uma ilusão negocial acerca da atividade filantrópica da Recorrente. Sob este negócio aparente, operavase oculta a verdadeira intenção, qual seja, a de se valerem da forma de associação para fins fiscais e participação em licitações, quando, no mundo real, serviços de natureza econômica eram prestados pela entidade, sendo seus respectivos sócios e funcionários ("associados") normalmente remunerados. Correta, portanto, a glosa fiscal decorrente da falta de necessidade e comprovação dos referidos serviços. Fl. 2881DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 22 41 7) Dos tributos recolhidos pelas empresas interpostas A Recorrente alega que a decisão de primeiro grau "esqueceu" de explicar que sobre os valores pago a tais prestadores de serviços havia retenção de tributos e contribuições, bem como que as empresas recolheram tributos federais normalmente. Ora, a partir do momento no qual houve o reenquadramento jurídico do negócio praticado, isto é, reconhecido que não houve de fato a prestação dos serviços descritos nas notas fiscais emitidas pelas empresas interpostas, devese também requalificar os tributos pagos na operação, os quais devem ser deduzidos dos tributos lançados. Tal expediente, aliás, constitui prática que vem sendo adotada em algumas autuações ligadas ao tema de planejamento fiscal considerado ilícito, mas não a todas. Parece, então, que há uma divergência de interpretação dentro das próprias unidades de fiscalização tributária. Não obstante, a partir do momento em que o próprio fisco descortina dada operação caracterizada como simulação ou fraude, é mister aferir qual foi a economia ilícita obtida de fato, assim entendida como a diferença entre os tributos considerados devidos na operação dissimulada e os tributos que foram pagos a menor na operação simulada. É esta a diferença que é passível de cobrança, na linha do critério jurídico que foi empregado nos Autos de Infração. Não se trata, aqui, de uma compensação em sentido técnico, mas sim de apurar corretamente a base de cálculo, a qual deve estar em sintonia com a motivação dada à materialidade do lançamento. Ora, ao mesmo tempo em que devemse combater planejamentos tributários abusivos, também devese combater uma tributação formalizada em excesso. Nesse caso, a não dedução do que foi pago, além de contraditória com a tese acusatória, significa cobrar e penalizar o contribuinte em duplicidade. Vale dizer, a proibição quanto ao abatimento dos valores de tributos que já ingressaram nos cofres públicos, enseja um enriquecimento sem causa da Fazenda, em sentido contrário à moralidade administrativa e aos próprios fundamentos da autuação. Ressaltese, por oportuno, que essa C. Câmara, assim como a Câmara Superior de Recursos Fiscais, já se manifestaram favoravelmente ao abatimento em questão. Vejase: IMPOSTO PAGO PELA PESSOA FÍSICA. REQUALIFICAÇÃO. Requalificada juridicamente, por abusiva, a operação de alienação das ações da BM&F pela contribuinte a seu sócio majoritário S.A., devese requalificar também o imposto de renda efetivamente pago pela pessoa física do sócio naquela operação. (Acórdão nº 1201001.359. Sessão de 04/02/2016.) APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. Devem ser aproveitados na apuração de crédito tributário os valores arrecadados sob o código de tributos exigidos da pessoa jurídica cuja receita foi imputada à pessoa física, base de cálculo do lançamento de ofício. (Acórdão nº 9202002.451. Sessão de 23/11/2012). Fl. 2882DF CARF MF 42 APROVEITAMENTO PELA PESSOA JURÍDICA DO IMPOSTO PAGO PELA PESSOA FÍSICA NA REQUALIFICAÇÃO DOS FATOS Considerando que a fiscalização requalificou uma operação, deslocando o ganho de capital do sócio pessoa física, em função do qual havia recolhido o imposto, para a pessoa jurídica, devese tomar em conta os valores pagos por aquele, enquanto responsável solidário, na determinação do montante então apurado a título de IRPJ, não se estando diante de uma compensação, a qual naturalmente deveria seguir os ritos legais previstos para a espécie. (Acórdão nº 9101002.609. Sessão de 15/03/2017). Em consonância com a jurisprudência acima referida, entendo que os valores dos tributos efetivamente pagos pelas empresas tidas “como de fachada”, incidentes sobre os rendimentos provenientes do SIM – INSTITUTO referidos nos presentes lançamentos, devem ser deduzidos dos tributos que foram exigidos. 8) Do lançamento de IRFonte A decisão de piso (fls. 2.467) assim se manifestou sobre o lançamento a título de IRFonte: Acerca da apuração e dos valores lançados a título de IRRF, em que pese a formulação, no pedido de perícia, de quesito sugerindo a ocorrência de bis in idem – matéria apresentada e já apreciada e afastada nos autos do processo 15504.723875/201141 em que exarado Acórdão DRJ/BHE 02 37230 nada foi mencionado especificamente nas peças de defesa apresentadas nos processos ora em litígio, limitandose os interessados a defender a efetividade da prestação dos serviços e a questionar a glosa de custos/despesas. Recordese que a impugnação, nos termos do art. 16, inciso III, do Decreto n° 70.235/72 deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Nos recursos voluntários também não há questionamento dirigido ao lançamento do IRFonte, razão pela qual considero preclusa a matéria, nos termos dos artigos 16, 17 e 21 do Decreto nº 70.235/1972, que assim prescrevem: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. Fl. 2883DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 23 43 § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Art. 21. Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigável Da leitura desses dispositivos, verificase que, uma vez não apresentados os argumentos e provas documentais com a impugnação e com o recurso voluntário, preclui o direito do sujeito passivo. A peça recursal, assim como a impugnação, deve ser formalizada por escrito, incluindo todas as teses e provas de defesa, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções previstas nas normas legais. Não havendo questionamento específico para um dos itens do lançamento, considerase este não impugnado, ou seja, passível de cobrança imediata, nos termos do artigo 21 acima. Fl. 2884DF CARF MF 44 Ao tratar da preclusão, Antônio da Silva Cabral18 leciona que “o termo latino é muito feliz para indicar que a preclusão significa impossibilidade de se realizar um direito, quer porque a porta do tempo está fechada, quer porque o recinto onde esse direito poderia exercerse também está fechado. O titular do direito achase impedido de exercer o seu direito, assim como alguém está impedido de entrar num recinto porque a porta está fechada”. Adotandose esse racional, e tendo em vista que os recursos interpostos não atacam diretamente as exigências de IRFonte, considero preclusa a matéria deste item, devendo a exigência decorrente ser encaminhada para cobrança executiva. 9) Da multa qualificada de 150% Restou demonstrado que a Recorrente se valeu de uma estrutura simulada (nunca foi uma fundação ou associação em sentido jurídico), de forma intencional, para fins de obter vantagens empresariais e fiscais. Também a interposição de empresas é fruto de operação simulada, implementada para esconder as remunerações aos “sócios associados”. O que se tem no caso, pois, é a formalização de uma entidade que deveria ter outras finalidades para induzir o público a erro. Declaravamse isentos os valores provenientes de atividades empresariais e distribuíase o superávit na forma de prestação de serviços simulados pelos mentores da operação. Tal procedimento, a meu ver, caracteriza conduta dolosa (simulação fraudulenta) de tentar lesar o fisco, razão pela qual correta a qualificação da multa, como prescreve o artigo 44, §1º, da Lei nº 9.430/96. Esse dispositivo, como se sabe, determina que o percentual de multa de 75% será duplicado nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Os artigos 71, 72 e 73, por sua vez, prescrevem que: Artigo 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Artigo 72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Artigo 73 Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. 18 Processo Administrativo Fiscal. São Paulo: Saraiva. 1993. P. 172. Fl. 2885DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 24 45 Segundo penso, o elemento doloso na simulação apontada é passível de enquadramento nos artigos 71, I e II, assim como no artigo 73, razão pela qual considero correta a exigência de multa qualificada. 10) Da responsabilidade atribuída às pessoas físicas A fundamentação legal para enquadramento das pessoas físicas arroladas como sujeitos passivos solidários, segundo o TVF (fls. 125/126), corresponde aos artigos 124, I e 135, III, ambos do CTN. Artigo 124, I, do CTN O artigo 124, I, do CTN, um dos fundamentos utilizados para imputar responsabilidade solidária, prescreve que: “Art. 124 São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal;” Notase, a partir desse dispositivo legal, que a solidariedade quanto à obrigação tributária principal é regida por uma norma própria que tem no núcleo de seu antecedente a existência de interesse comum das partes na situação jurídica que corresponde ao fato gerador tributário. Tendo isso em vista, a análise da procedência ou não do Termo de Sujeição Passiva Solidária depende da precisa delimitação do sentido jurídico da expressão “interesse comum”. Isto é importante porque o referido instituto jurídico não raramente é utilizado no “modo piloto automático” e como forma de buscar exercer um subjetivo “bom senso”, atropelando seus limites normativos. E como se verifica, a solidariedade foi tratada no Código Tributário Nacional de forma autônoma, ou seja, segregada do capítulo da responsabilidade tributária. No âmbito da responsabilidade tributária, terceiros são chamados a responder pela obrigação tributária, sempre que verificadas as condições postas pela legislação. Já a responsabilidade solidária, fundamentada no artigo 124, I, do CTN, não se dirige a terceiros, isto é, pessoas estranhas à relação jurídica que dá ensejo à obrigação tributária. Pelo contrário, a norma construída a partir do dispositivo legal em questão se dirige às pessoas que efetivamente participam do nascimento da obrigação de cunho tributário. Não custa lembrar que a redação do inciso I do artigo 124 é clara ao prescrever serem solidárias as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. É indispensável, portanto, para fins da correta aplicação da responsabilidade prevista no artigo 124, I, que as pessoas solidárias tenham participação no fato que constitui a hipótese de incidência tributária. As partes coobrigadas, contudo, devem participar de uma única relação jurídica, da qual em um dos polos apenas figuram as duas partes. Tratase de um pressuposto normativo que não admite restrições. Como já se posicionou o STJ: Fl. 2886DF CARF MF 46 [...] 7. Conquanto a expressão "interesse comum" encarte um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do referido dispositivo legal. Nesse diapasão, temse que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isto porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação (STJ REsp nº 884.845 – SC). A responsabilidade solidária constitui meio de graduar a responsabilidade daqueles sujeitos que compõem o polo passivo desde a origem da obrigação. Assim, por exemplo, ocorre com coproprietários de mercadorias que, vendidas, sujeitamse ao ICMS. Neste caso, existe a solidariedade, pois ambos estão no mesmo polo da relação (são vendedores). Na hipótese, porém, de faltar esta equivalência caso do usuário final que compra mercadoria com preço abaixo do mercado , não há que se falar em interesse jurídico e, conseqüentemente, imputar a responsabilidade por interesse comum. O interesse econômico, reconhecemos, até pode servir de indício para a caracterização de interesse comum, mas, isoladamente considerado, não constitui prova suficiente para aplicar a solidariedade. Também a utilização da responsabilidade solidária como espécie de “sanção” a determinada pessoa que teria “contribuído” com dada operação ou estrutura não é cabível do ponto de vista jurídico. É imprescindível existir, para que seja imputada a responsabilidade solidária, a participação efetiva do sujeito qualificado como solidário na ocorrência do fato gerador. Nesse sentido, o interesse comum de que trata o artigo 124, inciso I, do CTN é sempre jurídico, não devendo ser confundido com “interesse econômico”, “sanção”, “meio de justiça” etc. E também não é suficiente que a pessoa tenha tido participação furtiva como interveniente num negócio jurídico, ou mesmo que seja sócio ou administrador da empresa contribuinte, para que a solidariedade seja validamente estabelecida. Pelo contrário, é imprescindível a comprovação de que o sujeito tido por solidário teve interesse jurídico, o que se faz com a demonstração cabal da relação direta e pessoal dele com a prática do ato ou atos que deram azo à relação jurídico tributária. O ônus da prova acerca do interesse comum é do fisco, nos termos do artigo 142 do CTN, que determina que compete privativamente à autoridade administrativa identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Compete à fiscalização, portanto, a tarefa de reunir elementos probatórios acerca do interesse comum, podendo se valer, no cumprimento deste ônus, de todos os meios de prova admitidos no Direito. Do ponto de vista da jurisprudência administrativa, destacase a noção correlata entre interesse comum e confusão patrimonial. Nestes termos, quando restar caracterizada a confusão patrimonial entre os dois ou mais sujeitos, cabível a aplicação da responsabilidade solidária. A expressão “confusão patrimonial” é inerente a teoria da desconsideração da personalidade jurídica do direito provado. Assim dispõe o artigo 50 do Código Civil: Fl. 2887DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 25 47 “em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica”. Como o próprio nome revela, confundir consiste no ato ou efeito de enganar, de iludir, enfim, aparentar ser. Na prática, ocorre a confusão patrimonial quando não é possível uma segregação clara entre as atividades profissionais ou empresarias exercidas por mais de um sujeito. Tal fenômeno costuma se revelar quando os negócios dos sócios se confundem com os da pessoa jurídica; quando há abuso dentro de um mesmo grupo econômico; quando as partes se valem de pessoas interpostas etc. De acordo com Luiz Carlos de Andrade Júnior19: “a confusão patrimonial caracterizase pela impossibilidade de distinguir se o uso e a disposição de determinados bens dãose pela sociedade ou pelos seus membros; ou, melhor dizendo, se o patrimônio é empregado de modo a satisfazer interesses de uma ou de outros. Configurase, por exemplo, quando a sociedade utiliza imóveis pertencentes aos sócios, emprega veículos destes para o desempenho de suas atividades operacionais ou paga suas contas pessoais. A confusão patrimonial pode, ademais, relacionarse a uma situação de controle, especialmente nos grupos econômicos de subordinação, em que as sociedades controladas perdem grande parte de sua autonomia de gestão empresarial em razão da atuação “soberana” da sociedade holding”. A existência ou não de confusão patrimonial depende de cada situação fática, mas é possível identificar alguns indícios comuns que podem levar a esta constatação. São eles, sem prejuízos de eventuais outros: 1 a capacidade dos sócios; 2 a coincidência de administradores e/ou procuradores; 3 gestão única do negócio; 4 semelhança de atividades; 5 identidade de endereço; 6 empregados comuns; estrutura operacional dependente; 7 incapacidade econômica; 8 benefício financeiro; e 9 impacto da carga tributária. Apenas com a reunião de indícios precisos e convergentes, capazes de caracterizar a confusão patrimonial como um todo, é que estaremos no campo do interesse comum, em seu sentido jurídico e, conseqüentemente, da responsabilidade solidária. Delineadas as premissas para a responsabilidade solidária prevista no artigo 124, I do CTN, passamos agora ver aquela prevista no artigo 135, III, do CTN. Artigo 135, III, do CTN Dispõe o artigo 135, III, do CTN que: 19 A simulação no direito civil. São Paulo: Malheiros. 2016. P. 209. Fl. 2888DF CARF MF 48 Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. De uma rápida leitura do artigo 135, III, do CTN acima transcrito, percebese que a responsabilização pessoal de diretores, gerentes ou representantes depende de comprovação de conduta (i) com excesso de poderes ou (ii) infração de lei, contrato social ou estatuto. A responsabilidade de que trata o artigo 135, III, portanto, é composta por 2 (dois) elementos: o elemento pessoal, que diz respeito à pessoa que praticou a conduta, e o elemento fático, que diz respeito ao exercício de ato com excesso de poder ou com infração à lei, contrato social ou estatuto da empresa. Ainda segundo o CTN, a conduta que enseja a responsabilidade de terceiros deve estar intimamente ligada ao fato gerador do tributo, como prescreve o artigo 128 do CTN: Artigo 128 Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Dessa forma, o TVF deve demonstrar que a pessoa qualificada como responsável pessoal agiu em infração a lei, ou em contrariedade aos limites do desempenho de sua função de sócio administrador, e, mais ainda, que desta conduta é que teria resultado o ilícito. Quer a autoridade fiscal ver prevalecer o Termo de Sujeição Passiva Solidária, mister que ela comprove a participação direta e consciente do administrador na realização dos atos alegadamente simulados ou fraudulentos. Ressaltese, por oportuno, que já foi reconhecido e consolidado pelo STJ, por meio da súmula 430, que o inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente. O não pagamento do tributo pela sociedade, contudo, não é causa suficiente para que seus representantes se tornem responsáveis pelos débitos fiscais. Também a mera qualificação de sócio, diretor, gerente ou representante da empresa autuada, por si só, não é suficiente para ensejar a responsabilidade pessoal. Nesse ponto, vale assinalar que o STF julgou inconstitucional o artigo 13 da Lei nº 8.620/93, dispositivo este que pretendeu vincular à simples condição de sócio a obrigação por débitos previdenciários de sociedades limitadas. Transcrevo abaixo o seguinte trecho da ementa do referido julgado: 5. O art. 135, III, do CTN responsabiliza apenas aqueles que estejam na direção, gerência ou representação da pessoa Fl. 2889DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 26 49 jurídica e tãosomente quando pratiquem atos com excesso de poder ou infração à lei, contrato social ou estatutos. Desse modo, apenas o sócio com poderes de gestão ou representação da sociedade é que pode ser responsabilizado, o que resguarda a pessoalidade entre o ilícito (mal gestão ou representação) e a conseqüência de ter de responder pelo tributo devido pela sociedade. 6. O art. 13 da Lei 8.620/93 não se limitou a repetir ou detalhar a regra de responsabilidade constante do art. 135 do CTN, tampouco cuidou de uma nova hipótese específica e distinta. Ao vincular à simples condição de sócio a obrigação de responder solidariamente pelos débitos da sociedade limitada perante a Seguridade Social, tratou a mesma situação genérica regulada pelo art. 135, III, do CTN, mas de modo diverso, incorrendo em inconstitucionalidade por violação ao art. 146, III, da CF. [...] 8. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 13 da Lei 8.620/93 na parte em que determinou que os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada responderiam solidariamente, com seus bens pessoais, pelos débitos junto à Seguridade Social. (STF. RE 562.276. Plenário, 03/11/2010) O que buscamos demonstrar, a partir dessas decisões dos Tribunais Superiores, é que a responsabilização pessoal depende da comprovação (logo, não se presume) de que a pessoa praticou, por meio de ato doloso, conduta diretamente relacionada aos fatos reveladores do fato gerador. É o que se observa de recentes acórdãos do CARF. Vejase: “Os necessários elementos à caracterização da responsabilidade prevista no art. 135 do CTN são: a figura do administrador da sociedade, com poderes de gestão e as condutas reveladoras de excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, com a imprescindível demonstração do dolo” (Acórdão n. 3301003.160. Sessão de 25/01/17) “É imprescindível, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa. Porém, o autuante não imputou qualquer ato ilícito a cada um dos sócios, não individualizando as condutas, restando flagrante a ilegitimidade passiva pelo prisma desse dispositivo (135 do CTN)” (Acórdão n. 1401001.785. Sessão de 14/02/17) A atribuição de responsabilidade tributária, digase de passagem, não constitui expediente que possa ser utilizado “por atacado” ou “no automático”, uma vez que tal instituto exige a comprovação de que os fatos ou atos que geraram o descumprimento de normas tributárias tenham sido praticados conscientemente (isto é, com dolo) pela pessoa qualificada como responsável. Enquanto ato administrativo vinculado, o enquadramento do caso concreto à hipótese normativa deve ser motivado, permitindo o pleno conhecimento das circunstâncias fáticas e a devida compreensão das razões de direito que nortearam o lançamento por responsabilidade. Fl. 2890DF CARF MF 50 A mera indicação do dispositivo legal ou alegação genérica sem comprovação fática dos motivos que levaram a inclusão de determinada pessoa no polo passivo não é suficiente para ensejar a responsabilidade tributária em questão. Da situação concreta A motivação do tópico destinado à sujeição passiva consta dos itens 33.4 a 33.10 (fls. 126), a qual, resumidamente, imputa responsabilidade aos principais sócios 10 (dez) pessoas físicas , sem tecer considerações individualizadas específicas sobre comportamentos de cada um deles, além daquelas descritos de forma esparsa ao longo do termo de verificação. Da análise mais detalhada do TVF, é possível segregar dois grupos de pessoas. Vou chamar o primeiro grupo de participantes diretos, inserindo as pessoas para as quais há considerações apontadas de forma direta e com alusão a comportamentos que indicam que tinham conhecimento da referida estrutura simulada, a saber: NILTON DE AQUINO ANDRADE, SINVAL DRUMMOND ANDRADE, NELSON BATISTA DE ALMEIDA, CLEIDE MARIA DE ALVARENGA ANDRADE e LUCIANE VEIGA BORGES. Já o segundo grupo vou chamar de participantes indiretos, incluindo aqui as pessoas que foram incluídas no termo de sujeição passiva por possuírem vínculo familiar ou societário, bem como recebimento de dividendos enquanto sócios das empresas interpostas. São elas: ADRIANA GONÇALVES DER ASSIS ANDRADE; LEIDE LUIZA DE CASTRO MOREIRA ANDRADE; JOÃO BOSCO DRUMMONS DE ANDRADE; GILBERTO BATISTA DE ALMEIDA; e THALES BATISTA DE ALMEIDA. Afasto, de imediato, a sujeição passiva desse segundo grupo, doravante participantes indiretos, uma vez que os elementos constantes dos autos, segundo penso, são insuficientes para essa imputação. A mera qualificação como sócio e parente, e um pretenso benefício econômico, desacompanhada de outra motivação ou prova acerca de conduta dolosa praticada, não é suficiente para a responsabilidade solidária. Por outro lado, entendo correta a imputação de responsabilidade solidária aos sócios participantes diretos. Logo antes da transformação formal da empresa SIM – de sociedade limitada para associação sem fins lucrativos os sócios Srs. Nilton, Nelson e Sinval, após reorganizações societárias, absorveram os ativos desta empresa investida. No momento da lavratura da ata de transformação da empresa SIM (empresa limitada com fins lucrativos) para SIM – INSTITUTO, os sócios eram os mesmos, os Srs. Nilton, Nelson e Sinval, pessoas estas que fundaram tal entidade e que constam, respectivamente, como DiretorPresidente, VicePresidente de Pesquisa e Desenvolvimento e VicePresidente de Administração e Finanças. O sócio Sinval registra na Ata que “a transformação carregaria para o instituto toda a história da empresa além de todos os contratos em vigor evitando qualquer tipo de entrave burocrático ou legal para a continuidade da execução dos serviços contratados. Disse que a nova entidade sem fins lucrativos, levará, na transformação, além da história e dos contratos, todo o Ativo e Passivo da atual SIM." Já o Sr, Nilton registra na Ata que “que o Instituto, no entanto, não é uma entidade nova, mas sim e tão somente uma nova maneira, mais moderna e mais adequada para Fl. 2891DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 27 51 suportar o crescimento do mercado e atender às necessidades cada vez maiores dos clientes que previa o dia 01 de janeiro de 2003 para o início efetivo das atividades do novo Instituto." Essas três pessoas, que são os fundadores, atuaram ativamente na prestação de serviços oferecida pelo "grupo SIM", são os principais sócios das empresas interpostas e os que mais receberam dividendos daí provenientes. Já a Sra. Cleide Maria de Alvarenga Andrade, esposa do Sr. Sinval, coincidentemente era a responsável pela contabilidade do SIMINSTITUTO e de todas as empresas relacionadas que se diziam prestadoras de serviços. Além disso, foi apurado que esta senhora ainda tem, em algumas destas empresas, a maior participação e maior retirada de rendimento isento (não tributado). A parte operacional de pagamentos ocorria a cargo de Luciana Veiga Borges de Almeida, de acordo com o seguinte relato do TVF (Fls. 113): Os documentos para comprovar o efetivo pagamento dos serviços são cópias de cheques emitidos por este mesmo instituto, assinados pela associada Luciana Veiga Borges de Almeida, e que também era sócia de Editora SIM Ltda, da qual recebeu rendimentos isentos. Estes cheques eram nominais à própria entidade (SIM – Instituto de Gestão Fiscal) e endossados no verso, podendo, portanto, serem sacados diretamente no caixa por qualquer pessoa. (item 20.14). A meu ver esse conjunto probatório assegura que os participantes diretos tinham conhecimento pleno da simulação, bem como que todo o negócio foi implementado com interesse comum em todos os seus aspectos: administrativo, operacional e financeiro. Administrativo porque as ordens partiam dos fundadores, como sempre ocorreu com o negócio econômico explorado; operacional porque se valeram de estrutura antes já existente dentro do grupo; e financeiro, porque possuíam poder de controle e manipulação quanto à emissão das notas fiscais simuladas, definição dos valores e pagamento dos dividendos. Pelo exposto, procedente a imputação da responsabilidade solidária às seguintes pessoas físicas: NILTON DE AQUINO ANDRADE, SINVAL DRUMMOND ANDRADE, NELSON BATISTA DE ALMEIDA, CLEIDE MARIA DE ALVARENGA ANDRADE e LUCIANE VEIGA BORGES. Da multa de ofício de 75% e aplicação da Selic Por fim, alega o contribuinte que a multa de ofício de 75% é abusiva e a aplicação da taxa Selic é carente de validade. Quanto à incidência da multa de ofício, dispõe o artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96: “Artigo 44 Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata.” Fl. 2892DF CARF MF 52 A multa de ofício de 75%, conforme pode ser visto, tem previsão legal, razão pela qual foi corretamente exigida pela autoridade fiscal autuante. Quanto a seu caráter confiscatório, matéria de cunho constitucional, cumpre novamente ressaltar que, de acordo com a Súmula CARF n° 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Finalmente, em relação à aplicação da SELIC, a matéria já encontrase sumulada no CARF, nos seguintes termos: (Súmula CARF n° 4: a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.) O recurso voluntário, portanto, também não merece acolhimento nessa parte. Conclusão Por todo o exposto, voto por (i) NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO interposto em face da decisão de primeira instância que manteve a suspensão da isenção prevista no Ato Declaratório Executivo DRF/BHE nº 13, de 2013; (ii) DAR PARCIAL PROVIMENTO AOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS interpostos em face dos Autos de Infração pelo sujeito passivo principal (SIM – INSTITUTO DE GESTÃO FISCAL) e os solidários Srs. NILTON DE AQUINO ANDRADE, SINVAL DRUMMOND ANDRADE, NELSON BATISTA DE ALMEIDA, CLEIDE MARIA DE ALVARENGA ANDRADE e LUCIANE VEIGA BORGES, para que os tributos efetivamente pagos pelas empresas tidas “como de fachada”, incidentes sobre os rendimentos provenientes do SIM – INSTITUTO referidos nos presentes lançamentos, sejam deduzidos dos tributos ora exigidos; e (iii) DAR PROVIMENTO AOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS interpostos em face dos Autos de Infração pelos sujeitos passivos solidários ADRIANA GONÇALVES DER ASSIS ANDRADE; LEIDE LUIZA DE CASTRO MOREIRA ANDRADE; JOÃO BOSCO DRUMMONS DE ANDRADE; GILBERTO BATISTA DE ALMEIDA; e THALES BATISTA DE ALMEIDA É como voto (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 2893DF CARF MF Processo nº 15504.723037/201339 Acórdão n.º 1201001.856 S1C2T1 Fl. 28 53 Fl. 2894DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.001549/2007-01
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INTERPRETAÇÃO STJ. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. Nos casos em que o contribuinte recolhe o tributo, em atraso, mas antes de qualquer procedimento de ofício ou mesmo de apresentar/retificar a DCTF, a Corte Superior entende que pode se beneficiar do instituto da denúncia espontânea com o fim de eximir-se da exigência da multa moratória.
Numero da decisão: 1801-000.697
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201109
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INTERPRETAÇÃO STJ. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. Nos casos em que o contribuinte recolhe o tributo, em atraso, mas antes de qualquer procedimento de ofício ou mesmo de apresentar/retificar a DCTF, a Corte Superior entende que pode se beneficiar do instituto da denúncia espontânea com o fim de eximir-se da exigência da multa moratória.
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 13811.001549/2007-01
conteudo_id_s : 5785020
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 10 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1801-000.697
nome_arquivo_s : Decisao_13811001549200701.pdf
nome_relator_s : Ana de Barros Fernandes
nome_arquivo_pdf_s : 13811001549200701_5785020.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
dt_sessao_tdt : Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
id : 6973194
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:07:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049469771055104
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1682; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 135 1 134 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13811.001549/200701 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180100.697 – 1ª Turma Especial Sessão de 30 de setembro de 2011 Matéria CSLL Auto de Infração Multa de mora Recorrente AES TIETE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INTERPRETAÇÃO STJ. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. Nos casos em que o contribuinte recolhe o tributo, em atraso, mas antes de qualquer procedimento de ofício ou mesmo de apresentar/retificar a DCTF, a Corte Superior entende que pode se beneficiar do instituto da denúncia espontânea com o fim de eximirse da exigência da multa moratória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa em epígrafe apresentou a impugnação, fls. 01 a 10 ao lançamento tributário consubstanciado no Auto de Infração de fls. 46 e ss (procedimento de malha revisão Fl. 139DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 DCTF) lavrado para a exigência de multas de mora incidentes sobre tributos recolhidos em atraso, no caso CSLL relativas aos meses de janeiro, março, abril, maio, junho, outubro e novembro de 2004. A interessada, preliminarmente, concorda com a exigência tributária relativa ao mês de novembro de 2004 (vencimento em dezembro), já havendo recolhido a importância exigida no Auto de Infração no que concerne a este período – fls. 58. Todavia, argumenta que, com relação aos demais meses de 2004, recolheu os valores devidos em atraso, porém acompanhados dos juros moratórios e antes de qualquer procedimento fiscal ou da retificação das DCTF. Invoca o instituto da denúncia espontânea consagrado no artigo 138 do Código Tributário Nacional. Esclarece que, in verbis: i) efetuou o recolhimento do débito acrescido apenas de juros de mora, conforme comprova DARF anexo (Doc. 04); (ii) apresentou petição formalizando a denúncia espontânea (Doc. 05) e, por fim, (iii) retificou sua Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais ("DCTF"), na qual informou os valores efetivamente devidos e recolhidos a titulo de CSLL. A Décima Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo (I) exarou o Acórdão nº 1624.807/10, fls. 72 e ss, mantendo o lançamento tributário da multa de mora. Assim restou ementado o aresto: FALTA DE RECOLHIMENTO DA MULTA DE MORA. DESCABIMENTO DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A alegação de que o instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN) excluiria a exigência da multa de mora no pagamento espontâneo de tributo em atraso não possui base, quer no CTN, quer na legislação ordinária. Tempestivamente, a recorrente interpôs o Recurso de fls. 83 e ss, reprisando os termos da defesa exordial. É o suficiente para o relatório. Passo a analisar as razões recursais. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. A matéria ora discutida já foi objeto de decisão do Superior Tribunal de Justiça – STJ, na forma de recurso especial representativo de controvérsia, ao qual está adstrito o julgamento por este órgão colegiado, nos termos do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (Portaria MF nº 256/09 e alterações). Também tem sido objeto de julgamento por esta turma, pelo que extraio, por oportuno, trecho do voto da conselheira Carmen Ferreira Saraiva (Acórdão nº 180100.551): Fl. 140DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13811.001549/200701 Acórdão n.º 180100.697 S1TE01 Fl. 136 3 “Em relação à matéria, cabe mencionar a jurisprudência do STJ proferida em recurso especial representativo da controvérsia, cujo trânsito em julgado ocorreu em 01/09/20101 RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022 SP (2009/01341424) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : BANCO PECÚNIA S/A ADVOGADO : SERGIO FARINA FILHO E OUTRO(S) RECORRIDO : UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 1 https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=10649420&sReg=20090134142 4&sData=20100624&sTipo=5&formato=PDF Fl. 141DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Documento: 10649420 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 24/06/2010 Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Inferese que a denúncia espontânea afasta a aplicação da multa de mora no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação recolhido fora do prazo de vencimento, desde que este pagamento seja efetuado antes da declaração prévia pelo sujeito passivo e de qualquer procedimento de ofício. Este instituto também resta configurado no caso de o sujeito passivo, após efetuar a confissão parcial do débito tributário acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa, noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente.” (grifos não pertencem ao original) No caso em concreto verifico que o tributo em pauta é a CSLL relativas aos meses de janeiro, março, abril, maio, junho e outubro do anocalendário de 2004. Verifico, ainda, que o Auto de Infração eletrônico consignou a data entrega das DCTF, trimestrais, retificadoras, como efetuadas em 05/09/05 (fls. 46) e os DARF de recolhimentos dos referidos tributos acusam, todos, a data de 29/07/05 (fls. 59 a 64). O Auto de Infração foi emitido a posteriori em 14/03/2007. Forçoso, pois, reconhecer que se enquadra perfeitamente, segundo entendimento da Corte Superior, nos casos de exoneração da multa moratória, albergada pela denúncia espontânea, por prêmio à confissão e pagamento antecipados à qualquer procedimento de ofício, efetuados pelo contribuinte. Fl. 142DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13811.001549/200701 Acórdão n.º 180100.697 S1TE01 Fl. 137 5 Saliento que com relação à exigência relativa ao mês de novembro de 2004 não há litígio instaurado, havendo a recorrente concordado com a exigência fiscal. A autoridade que controla o crédito tributário deverá observar o DARF de fls. 58. Voto em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 143DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10410.720532/2010-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
ALIENAÇÃO IMÓVEIS. APLICAÇÃO PARCIAL DO PRODUTO DA VENDA AQUISIÇÃO DE OUTRO IMÓVEL.
A aplicação parcial do produto da venda de imóvel em aquisição de outro, no prazo de 180 dias, sujeita à tributação proporcional o ganho relativo ao valor da parcela não aplicada, conforme regra o § 2º do art. 39 da Lei nº 11.196/05.
Numero da decisão: 2402-005.969
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para fins de que seja recalculada a infração considerando-se apenas a parcela não aplicada na aquisição de imóvel residencial, no valor de R$ 50 mil recebidos em 20/7/2007.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 ALIENAÇÃO IMÓVEIS. APLICAÇÃO PARCIAL DO PRODUTO DA VENDA AQUISIÇÃO DE OUTRO IMÓVEL. A aplicação parcial do produto da venda de imóvel em aquisição de outro, no prazo de 180 dias, sujeita à tributação proporcional o ganho relativo ao valor da parcela não aplicada, conforme regra o § 2º do art. 39 da Lei nº 11.196/05.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10410.720532/2010-79
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5778517
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2402-005.969
nome_arquivo_s : Decisao_10410720532201079.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RONNIE SOARES ANDERSON
nome_arquivo_pdf_s : 10410720532201079_5778517.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para fins de que seja recalculada a infração considerando-se apenas a parcela não aplicada na aquisição de imóvel residencial, no valor de R$ 50 mil recebidos em 20/7/2007. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
id : 6952766
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049469773152256
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 899; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 601 1 600 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10410.720532/201079 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.969 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de setembro de 2017 Matéria IRPF Recorrente JAMES MAGALHÃES DE MEDEIROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 ALIENAÇÃO IMÓVEIS. APLICAÇÃO PARCIAL DO PRODUTO DA VENDA AQUISIÇÃO DE OUTRO IMÓVEL. A aplicação parcial do produto da venda de imóvel em aquisição de outro, no prazo de 180 dias, sujeita à tributação proporcional o ganho relativo ao valor da parcela não aplicada, conforme regra o § 2º do art. 39 da Lei nº 11.196/05. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 05 32 /2 01 0- 79 Fl. 175DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para fins de que seja recalculada a infração considerandose apenas a parcela não aplicada na aquisição de imóvel residencial, no valor de R$ 50 mil recebidos em 20/7/2007. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10410.720532/201079 Acórdão n.º 2402005.969 S2C4T2 Fl. 602 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife (PE) DRJ/REC, que julgou procedente Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) relativo ao exercício 2009 (fls. 2/13), face à apuração de omissão de ganhos de capital na alienação do imóvel sito à rua Projetada B, nº 38, Maceió/AL. No curso da fiscalização foram apresentados os documentos: cópia de escritura relativa à compra do imóvel, pelo valor de R$ 29 mil, lavrada em 4/10/1996 (fls. 33/34); cópia da escritura de venda do referido imóvel a Júnio César Gontijo e sua esposa Helen Kássia Coelho Gontijo, pelo valor de R$ 250 mil, lavrada em 16/1/2008 (fls. 38/39); cópia do instrumento particular de compra e venda e cessão de crédito em dação em pagamento, com data de 31/7/2007, relativa ao imóvel em questão, onde consta como comprador cedido Joanice Batista Coelho e, como cessionária credora, a empresa Construtora e Incorporadora Monte Cristo Ltda. (fls. 40/43). No intuito de justificar o não recolhimento do ganho de capital sobre tal venda, o contribuinte alegou ser beneficiário da isenção prevista no art. 39 da Lei 11.196/05, por ter aplicado o produto da venda do imóvel na compra do apartamento nº 403 da rua Palmeira nº 707, Maceió, por R$ 350 mil, qual seja, em menos de 180 dias, conforme documento que acostou, datado de 20/7/2007 (fls. 52 e ss). A autoridade lançadora notou não ter sido comprovada a aplicação de parte do valor recebido pela venda do imóvel, no montante de R$ 50 mil, na compra do apartamento, entendendo também não estar comprovado terem sido utilizados os cheques recebidos da venda, firmados aliás por pessoa alheia à transação, nessa compra. Considerando assim preponderar como data efetiva da venda do imóvel a data lançada no registro de imóveis, concluiu não ser aplicável a isenção postulada, decorrendo daí a lavratura do auto em apreço. Em sua impugnação (fls. 85/89), o contribuinte pleiteia o reconhecimento da isenção, afirmando ter ocorrido erro material no preenchimento da data do instrumento particular de compra e venda e cessão de crédito, o qual teria sido na verdade lavrado em 20/7/2007, e que resta comprovado que o produto da venda foi utilizado na aquisição de outro imóvel no prazo legal. Fl. 177DF CARF MF 4 Após o prazo de impugnação, o autuado apresentou petição demandando realização de diligência e perícia junto aos terceiros envolvidos para melhor esclarecer os fatos (fls. 108/113). Não obstante, a exigência foi mantida pela decisão de primeira instância (fls. 114/128), a qual não acatou o pedido de diligência por precluso. Nesse passo, foi interposto recurso voluntário em 21/10/2014 (fls. 133/169), repisando as razões da impugnação, e juntando documento contábil referente à transação em comento (fl. 146). É o relatório. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10410.720532/201079 Acórdão n.º 2402005.969 S2C4T2 Fl. 603 5 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Muito embora a compreensível cautela revelada pelo posicionamento da decisão vergastada, restam suficientemente consubstanciados os fatos examinados, de maneira a corroborar a versão do contribuinte, em linhas gerais. Em outros termos, conforme instrumento particular de fls. 40/43, temse que o referido alienou por R$ 250 mil o imóvel em tela em 31/7/2007 a Joanice Batista Coelho ("comprador cedente"), recebendo R$ 50 mil no ato e R$ 200 mil em quatro parcelas via cheque de terceiros. Porém esses cheques foram repassados à "cessionária credora" Construtora e Incorporadora Monte Cristo, visto que o contribuinte adquiriu, em simultâneo, apartamento junto a essa empresa em 20/7/2007 pelo valor de R$ 350 mil (fls. 52 e ss), constando nesse documento a devida referência e total discriminação dos cheques, em conformidade com o instrumento particular de venda da casa. Temse por efetivamente circunstanciada a ocorrência de erro material quanto à data constante no documento particular atinente à venda da casa, pois o depósito em dinheiro relativo a essa venda foi realizado em 20/7/2007, mesma data da compra do apartamento; além disso, os cheques mencionados em ambos os documentos são os mesmos, havendo coerência recíproca a evidenciar a existência de operação "casada". Anotese ser comum em transações imobiliárias, terceiro subrogarse nos direitos e obrigações do devedor, compreendendose assim a utilização de cheques de terceiros nas transações. Por outra via, a identificação do depositário dos R$ 50 mil queda prejudicada por tratarse de depósito em espécie. Acrescentese que o contribuinte colacionou documento contábil (folhas do Razão), aparentemente extraído da escrituração da Construtora, nos quais constam os registros do recebimento dos já referidos cheques. Vale frisar que, em que pese não tenha sido levado a efeito o registro dos instrumentos particulares das operações imobiliárias, como alerta a DRJ/REC com base nos arts. 221 e 1417 do Código Civil, é cediço que as promessas de compra e venda e documentos congêneres raramente são levados a registro formal, dado o elevado custo cartorário envolvido, dentre outros motivos. Não é demasiado lembrar, ainda, que o § 3º do art. 3º da Lei nº 7.713/88 considera apta a comprovar a alienação, para fins de apuração de ganho de capital, a promessa de compra e venda, ainda que não registrada, não sendo recomendável a adoção de pesos e medidas discrepantes frente a situações concretas similares. Ou seja, se para a incidência do imposto, a promessa de compra e venda é válida, também, é, ou deveria ser, para fins de aferir o direito a eventuais benefícios isentivos e/ou não incidência. Fl. 179DF CARF MF 6 Nessa linha, o fato do registro da venda da casa em 16/1/2008 ter sido efetuada em nome de adquirente diverso do original, na realidade seus parentes (irmã e cunhado), conforme alegado pelo recorrente, não afeta a conclusão de que a venda efetiva havia se dado em mo mento anterior, 20/7/2007, de acordo com os documentos já aludidos. Desse modo, ainda que os documentos colacionados possam ser questionados sob certos aspectos, constituem eles, se tomados conjuntamente, coerentes elementos de prova a respaldar a versão dos fatos tal como defendida pelo recorrente, e devidamente informada ao Fisco nas suas Declarações de Ajuste Anual (fls. 14/26). Há que se atentar, porém, que o contribuinte, apesar de devidamente intimado, não demonstrou ter aplicado os R$ 50 mil recebidos em espécie como parte da alienação da casa (fl. 67), na aquisição do apartamento. Incidem, por conseguinte, os termos do § 2º do art. 39 da Lei nº 11.196/05: Art. 39. Fica isento do imposto de renda o ganho auferido por pessoa física residente no País na venda de imóveis residenciais, desde que o alienante, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias contado da celebração do contrato, aplique o produto da venda na aquisição de imóveis residenciais localizados no País.(Vigência) § 1oNo caso de venda de mais de 1 (um) imóvel, o prazo referido neste artigo será contado a partir da data de celebração do contrato relativo à 1a(primeira) operação. § 2oA aplicação parcial do produto da venda implicará tributação do ganho proporcionalmente ao valor da parcela não aplicada. (...). Ou seja, não havendo aplicado integralmente, mas sim parcialmente, o produto da venda da casa à rua Projetada B, nº 38, na compra do apartamento nº 403 da rua Palmeira nº 707, ambos os imóveis situados em Maceió/AL, sujeitase o contribuinte à tributação do ganho proporcional à parcela não aplicada, no caso, no valor de R$ 50 mil. Ante o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para fins de que seja recalculada a infração considerandose apenas a parcela não aplicada na aquisição de imóvel residencial, no valor de R$ 50 mil recebidos em 20/7/2007. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 180DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13881.000166/2001-99
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 201-00.788
Decisão: RESOLVEM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencido o Conselheiro Walber José da Silva (Relator). Designado o Conselheiro José Antonio Francisco para redigir a resolução.
Nome do relator: Walber Jose da Silva
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200811
camara_s : 3ª SEÇÃO
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 13881.000166/2001-99
conteudo_id_s : 5759036
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 201-00.788
nome_arquivo_s : Decisao_13881000166200199.pdf
nome_relator_s : Walber Jose da Silva
nome_arquivo_pdf_s : 13881000166200199_5759036.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencido o Conselheiro Walber José da Silva (Relator). Designado o Conselheiro José Antonio Francisco para redigir a resolução.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2008
id : 6899105
ano_sessao_s : 2008
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049469821386752
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 131764_13881000166200199_200811; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2017-08-17T16:58:49Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 131764_13881000166200199_200811; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: 131764_13881000166200199_200811; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:subject: ; meta:creation-date: 2017-08-17T16:58:49Z; created: 2017-08-17T16:58:49Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2017-08-17T16:58:49Z; pdf:charsPerPage: 1028; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2017-08-17T16:58:49Z | Conteúdo => FI. 1732 CC02lCOl FI,. 864 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA Processo 0° 13881.000166/2001-99 Recurso 0° 131.764 Voluntário Assuoto Solicitação de Diligência Resolução 0° 201-00.788 Data 04 de novembro de 2008 Recorrente MAXION COMPONENTES ESTRUTURAIS LTDA. Recorrida DRJ em Ribeirão Preto - SP • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencido o Conselheiro Walber José da Silva (Relator). Designado o Conselheiro José Antonio Francisco para redigir a resolução. Presidente• fIL. J~ONIO FRANCISCO Relator-Designado Participaram, ainda, da presente resolução, os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Maurício Taveira e Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Alexandre Gomes e Gileno GUljão Barreto. . Doc.'umcnto de 55i Pô.'gina(s.) CQnfin~lado àigitalrtl.c.-"lte. P.ocle ser con.SLltiJdQ no endereço httP'&J;C<lv:rece;taJa)'er.lda.gOv.brieCAC/PUbliCOil~iSPX1 peki código de Iocali7ôção [P17.0B17, 135t39JjOFX, Cor'sulte a pág;na de autentiç"lçâo no "f'lnaldCSiG dOcLw~lcnh V" \ DF'CARF MF Processo n.' 13881.000166/2001-99 Resolução n.' 201-00.788 Relatório FI. 1714 CC02JCOI Fls. 865 ~ • • MAXION COMPONENTES ESTRUTURAIS LTDA., devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 314/429, contra o Acórdão n2 8.739, de 03/08/2005, prolatado pela 2~Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto - SP, fls. 300/311, que indeferiu solicitação de ressarcimento de IPI, relativamente ao 32trimestre de 2001, cumulado com pedido de compensação (fls. 24/25), protocolizados em 09/10/2001. Conforme Despacho Decisório de fls. 249/251, o pedido foi efetuado com base na Lei n29.863/99 e Portaria MF n" 38/97, sendo deferido parcialmente. Através do relatório de fls. 3021303, a autoridade julgadora de primeira instância resumiu, convenientemente, tanto as considerações constantes da Informação Fiscal como também as alegações da contribuinte na manifestação de inconformidade, que leio em sessão . A DRJ em Ribeirão Preto - SP indeferiu o pleito da interessada, nos termos do Acórdão DRJIRPO nO8.739, de 03/08/2005, cuja ementa apresenta o seguinte teor: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 Ementa: NULiDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Quando o contribuinte toma ciência de Despacho Decisório. não se pode exigir que o Poder Público lhe entregue fotocópias de todos os documentos existentes no processo, o qual fica a sua disposição para ter o devido acesso e realizar as reproduções que entender necessárias a sua contestação. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados -IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/0912001 Ementa: CRÉDITOS BÁSICOS DE IPI. RESSARCIMENTO. INSUMOS NA'OAPLiCADOS NA INDUSTRJALiZAÇA'O. De acordo com o ar/. 11 da Lei n° 9.779/99. somente os créditos decorrentes de aquisição de matéria-prima, produto intermediário e moterial de embalagem. aplicados na industrialização. podem ser objeto de ressarcimento. INSUMOS CONSUMIDOS OU UTILiZADOS NO PROCESSO DE PRODUÇA'O. DIREITO A CRÉDITO. Para que os insumos consumidos ou utilizados no processo de produção sejam caracterizados como matéria-prima ou produto íntermediário. faz-se necessário o consumo. o desgaste ou a alteração do insumo, em função de ação direta exercida sobre o produto em fabricação. Oll vice-versa. Entenda-se "consumo" como decorrência de um contato fisico exercido pelo insumo sobre o produto emfabricação ou deste sobre aquele. ~ OOCUlne~l~Ode 551 f)3(Jil1u(s)conílrmaôo dlgitalmen1._ de ser COt1sult.ado no (::nde~eçohitOS:jfc~;v.re(;€aa:r:'azend8,pov.br/eCAC!PUblíCo!I'~np:Q pelo código de localíz<lçáo CP !7.0817 .13569.60L' ,";ol1sulte ~l pa~Jinade autenJcação no finei! dr::ste dOCl,nl<21110. '» \ Df'CARF MF Processo n," 13881.000166/2001.99 Resolução n.O 201-00.788 CRÉDITO. PRESUMIDO. DE IPI. SISTEMA DE CUSTo.S INTEGRADO. Se a empresa não mantém um sistema de custos integrado com a escrituração comercial, deve, obrigatoriamente, calcular o crédito presumido de IPI com base nOmétodo estabelecido no parágrafo 7~do art. 3", da Portaria MF n" 38/97. Solicitação Indeferida ". Fl.1736 CC02/COI . Fls. 866 rP • • Inconformada, a contribuinte apresentou, em 31/10/2005, recurso voluntário de fls. 314/342, alegando, preliminarmente, que os indeferimentos relativos tanto ao encaminhamento das intimações ao escritório do advogado como também à produção de prova pericial configuram cerceamento do direito de defesa, ensejando nulidade da decisão. No mérito, aduziu as mesmas questões anteriormente apresentadas, requerendo seja reconhecido seu direito ao ressarcimento integral, acrescido de juros com base na taxa Selic, homologando-se as compensações realizadas e que as intimações sejam dirigidas ao escritório do advogado da recorrente. Por fim, requer seja reconhecido o direito ao ressarcimento do valor pleiteado, acrescido da taxa Selic, homologando-se as compensações realizadas. Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuido, conforme despacho exarado na última folha dos autos - fl. 862. É o RelatÓri7' ~ DF'CARF MF Processo 0,"13881.000166/2001.99 Resolução o." 201-00.788 FI. 1738 CC02/COI Fls, 867 ~ Voto Vencedor Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Relator-Designado Trata o presente processo de caso semelhante ao analisado no Recurso n2 130.763, cujo julgamento foi várias vezes convertido em diligência, a fim de verificar as alegações da interessada. • No presente caso, a interessada apresentou vários documentos com o recurso, no intuito de demonstrar suas alegações, dentre os quais "parecer técnico de natureza contábil", cópias do Registro de Entradas, de notas fiscais de compra, de fichas de controle do estoque, do manual do usuário de sistema de estoque etc. Posteriormente, apresentou retificação de parecer técnico (fls. 711 a 717) e anexos. À vista do que foi decidido na Resolução n2 201-00.749, voto por converter o julgamento em diligência . Documento de 551 pa9.ína(sJ. confirmaao digitalmente, Pode ser consuliado no endereço hHPs:!!cav_receita,fazeI1da,gOv,br!eC/\C!PUbliCO!lc~sP14 j)€lo códlrJo de localizaçao EP17,0817,135ô9.6m::X. Consulte a pá9ín8 ar.::zlIternicaç;1o r~o tinal deste documento. -......,{ 3) em relação às entradas para teste e semelhantes: a interessada a apresentar a relação dos produtos relativa ao item b. informar a quantidade de tais produtos a que se deu saída no período de apuração; 2) em relação aos atrasos na alimentação do sistema de controle de estoque: a.. intimar a interessada a apresentar relação dos produtos cuja estrutura fora incorretamente informada ao sistema, bem assim a demonstração do que foi alterado; c, demonstrar, a partir de tais informações, as diferenças sobre o saldo de estoque de insumos provocadas pelos erros apontados; e d. a partir daí, a Fiscalização deverá analisar a documentação apresentada pela interessada e apontar especificamente eventuais inconsistências; Para tanto, a Fiscalização deverá adolar o seguinte procedimento: I) em relação à estrutura dos produtos: b. a interessada ainda deverá demonstrar por documentos eventuais erros quanto às datas de alimentação das informações (conforme afirmado pela interessada, ela teria tais informações); e c. analisar especificamente a documentação apresentada e apontar inconsistências; a.intimar a interessada a apresentar as fichas relativas a três dias consecutivos do periodo de apuração, iniciando no último dia de mês que seja dia útil, indicando os dados incorretamente alimentados e apontando como ficaria o resultado depois da recomposição; a. intimar respectivo da autuação; • DF-CARF MF Processo n.• 13881.000166/2001-99 Resolução n.• 201-00.788 1"1. 1740 CC02lCOl FIS.~ /..-r I, I I I I • • b. a interessada ainda deverá demonstrar em que produtos foram os insumos empregados e a respectiva venda; e c. com base na documentação apresentada, a Fiscalização deverá verificar se houve a comprovação; e 4) em relação aos lançamentos contábeis efetuados à vista das inconsistências apuradas, a interessada deverá ser intimada a apresentar a relação dos lançamentos contábeis efetuados em face da apuração de inconsistências, quanto à sua inclusão na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. As análises a serem efetuadas pela Fiscalização deverão ser consolidadas em relatório, que deverá tratar apenas das questões objeto da diligência, do qual se dará ciência à interessada para manifestação no prazo de trinta dias. Sala das Sessões, em 04 de novembro de 2008 . JOS~~Ncrnco W- Documento de 551 pá9,íncíS) cont'írrnàdo digi!almerte, Pode ser consultado no ende,reço httPS:i!CiJv.receita,f3zenda.gov,btleC/\C!PllbliCO!I0«tn1sP:S pelo código de localização [P17.0817.13569.GOEX. Consulte a páq:na de autentcaçào no Ilna! deste documento. ~\ 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000008/2006-27
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Período de apuração: 07/01/2000 a 05/05/2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA.
Os Embargos de Declaração devem ser acolhidos somente quando houver, no acórdão embargado, obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. Não se configurando quaisquer dos vícios que autorizam o manejo dos aclaratórios, eles devem ser rejeitados.
Numero da decisão: 9303-005.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os Embargos de Declaração. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama, sem convocação de suplente para substituí-la.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF Período de apuração: 07/01/2000 a 05/05/2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. Os Embargos de Declaração devem ser acolhidos somente quando houver, no acórdão embargado, obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. Não se configurando quaisquer dos vícios que autorizam o manejo dos aclaratórios, eles devem ser rejeitados.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 06 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16327.000008/2006-27
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5784071
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 06 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-005.579
nome_arquivo_s : Decisao_16327000008200627.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : DEMES BRITO
nome_arquivo_pdf_s : 16327000008200627_5784071.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os Embargos de Declaração. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama, sem convocação de suplente para substituí-la. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
id : 6968489
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:07:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049469868572672
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1705; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 931 1 930 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16327.000008/200627 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9303005.579 – 3ª Turma Sessão de 17 de agosto de 2017 Matéria CPMF Aquisição de ativos e despesas Decadência Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO ITAÚ S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 07/01/2000 a 05/05/2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. Os Embargos de Declaração devem ser acolhidos somente quando houver, no acórdão embargado, obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Não se configurando quaisquer dos vícios que autorizam o manejo dos aclaratórios, eles devem ser rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os Embargos de Declaração. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama, sem convocação de suplente para substituíla. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 00 08 /2 00 6- 27 Fl. 931DF CARF MF Processo nº 16327.000008/200627 Acórdão n.º 9303005.579 CSRFT3 Fl. 932 2 Relatório Tratase de embargos de declaração, tempestivamente interpostos, pela Fazenda Nacional, fls. 371/375, contra Acórdão nº 930300.453, proferido pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgado na sessão de 19 de novembro de 2009, que decidiu declarar a decadência do direito da Fazenda Nacional constituir o crédito objeto dos presentes autos, em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 07/01/2000 a 05/05/2000 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. CINCO ANOS A CONTAR DO FATO GERADOR. SÚMULA VINCULANTE DO STF N° 8/2008. Editada a Súmula vinculante do STF n° 8/2008, segundo a qual é inconstitucional o art. 45 da Lei n° 8.212/91, o prazo para a Fazenda proceder ao' lançamento das contribuições sociais é de cinco anos, nos termos do Código Tributário Nacional. Recurso Especial do Contribuinte Provido. O acórdão embargado, adotou o paradigma trazido pelo contribuinte, deu provimento ao Recurso Especial, declarando a decadência do direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário objeto dos presentes autos. Por outro lado, a Embargante insurgese aos autos acusando o acórdão de conter vício de omissão de pronunciamento acerca da existência de pagamentos homologáveis, a fim de que possa ser aplicada a regra do § 4° do art. 150 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN, na contagem do prazo decadencial. É o relatório. Fl. 932DF CARF MF Processo nº 16327.000008/200627 Acórdão n.º 9303005.579 CSRFT3 Fl. 933 3 Voto Conselheiro Demes Brito Relator Os embargos de declaração são tempestivos, devendo ser conhecidos, nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Conforme acima relatado, o acórdão embargado adotando o paradigma trazido pela Contribuinte, deu provimento ao Recurso Especial, declarando a decadência do direito de a Fazenda constituir o crédito guerreado. Como se observa, o acórdão embargado entendeu que o termo inicial para contagem do prazo para fins de decadência restava prejudicado, tendo em vista que, no caso dos autos, independentemente da observância da regra do art. 173 ou. do art. 150, o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário tinha sido fulminado pelos efeitos da decadência, uma vez que o lançamento foi efetuado há mais de seis anos do fato gerador. Por outro lado, a embargante sustenta que o acórdão não se manifestou quanto a existência ou não do pagamento antecipado, logo estaria omisso. Em que pese o acórdão recorrido não ter se manifestado quanto a existência ou não de pagamento antecipado, entendo que não houve nenhuma omissão, considerando que o lançamento foi efetuado há mais de seis anos do fato gerador, além disso, a Contribuinte efetuou o pagamento antecipado, conforme consta nas fls. 404. Neste sentido, como houve pagamento antecipado, o prazo decadencial deve ser contado da ocorrência do fato gerador, nos termos do artigo 150, § 4º do CTN. Com essas considerações, rejeito os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 933DF CARF MF Processo nº 16327.000008/200627 Acórdão n.º 9303005.579 CSRFT3 Fl. 934 4 Fl. 934DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.979274/2009-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE PERÍCIA.
No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-001.709
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10880.979274/2009-65
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5758680
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1201-001.709
nome_arquivo_s : Decisao_10880979274200965.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
nome_arquivo_pdf_s : 10880979274200965_5758680.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
dt_sessao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
id : 6898614
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049469878009856
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1623; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.979274/200965 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1201001.709 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de maio de 2017 Matéria Compensação Recorrente TRANSPORTADORA GATÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 92 74 /2 00 9- 65 Fl. 30DF CARF MF Processo nº 10880.979274/200965 Acórdão n.º 1201001.709 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de pedido de compensação de crédito tributário com determinado débito de responsabilidade do próprio contribuinte. A DCOMP, após análise eletrônica, gerou a emissão de Despacho Decisório que não homologou o pleito do contribuinte, sob a alegação de inexistência de crédito. Segundo o despacho, o pagamento indicado pelo contribuinte não possuiria saldo disponível para compensação, uma vez que já foi integralmente utilizado para quitação de outro débito tributário apurado pelo contribuinte. Inconformada com a exigência, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o crédito é sim legítimo, pois decorrente de pagamento de tributo indevido. Tramitado o feito, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o entendimento de que a contribuinte não teria comprovado o seu direito creditório. Intimada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário. Reitera os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e pede perícia para verificar o crédito. É o relatório. Voto Roberto Caparroz de Almeida, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201001.692, de 17.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.691176/200907, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201001.692): De acordo com o despacho decisório, o crédito pleiteado pela Recorrente não existiria, uma vez que teria sido utilizado para quitar outros débitos de sua responsabilidade. Também por esse mesmo motivo, e adotada a premissa de que a Recorrente não comprovou o direito líquido e certo do direito creditório, a decisão de primeiro grau não homologou a compensação. Fl. 31DF CARF MF Processo nº 10880.979274/200965 Acórdão n.º 1201001.709 S1C2T1 Fl. 4 3 Por ocasião do recurso voluntário, a Recorrente não apresenta nenhum esclarecimento ou prova complementar ou adicional, requerendo que seja feita perícia a fim de comprovar a origem do crédito alegado. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a produção de prova pericial deve ser determinada pela autoridade julgadora quando imprescindível à solução da lide. Tratase de medida que busca esclarecer eventuais dúvidas dos julgadores, que possuem a faculdade, e não a obrigatoriedade, de se valerem ou não de tal expediente. Nessa situação particular, a solução da presente demanda não requer uma perícia em sentido técnico, limitando se a análise ou não do direito creditório na forma pela qual o processo está instruído. Isso porque as autoridades julgadoras devem apreciar as provas conforme produzidas no processo. E no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, como se sabe, a produção de provas documentais deve ser feita na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior”. Nesse sentido, entendo que o pedido de perícia requerido pela interessada não merece ser acolhido. A interessada, na verdade, ao requerer uma perícia, busca, de forma indevida, livrarse de seu ônus de prova o direito creditório alegado. Com efeito, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme prescreve o artigo 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Resta patente, portanto, que a Recorrente já deveria ter trazido aos autos os documentos comprobatórios do pretenso crédito Fl. 32DF CARF MF Processo nº 10880.979274/200965 Acórdão n.º 1201001.709 S1C2T1 Fl. 5 4 tributário, não podendo valerse de um pedido de perícia para afastar este ônus. Ademais, convém assinalar que alegações genéricas sobre a origem do direito creditório, desacompanhadas de documentos hábeis, são incapazes de fazer prova acerca da liquidez e certeza do crédito. Nesse caso concreto, a Recorrente não apresentou sua escrituração contábil, apurações fiscais, cópia de pedido de restituição, relatório de auditoria independente ou qualquer outra documentação pertinente a fazer prova do crédito que pleiteia. Pelo contrário, as alegações e documentos trazidos aos autos não são capazes de provar o direito creditório que o contribuinte busca ser reconhecido. O que se tem no caso, pois, é uma compensação cujo crédito não restou efetivamente comprovado, prejudicando o direito correlato de compensação. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF admite a possibilidade de compensação de indébito, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o que se verifica dos julgados abaixo: “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). Nesse sentido, e em face do que foi exposto, CONHEÇO do Recurso para NEGARLHE provimento. Fl. 33DF CARF MF Processo nº 10880.979274/200965 Acórdão n.º 1201001.709 S1C2T1 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 34DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.002586/2008-88
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2004 a 30/06/2005
CONFLITO DE COMPETÊNCIA. UNIÃO, ESTADOS E MUNICÍPIOS. IPI. PRINCÍPIO DA EFICÁCIA VINCULANTE DOS PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS.
Em respeito ao Princípio da Eficácia Vinculante dos Precedentes, emanado explicitamente pelo Novo Código de Processo Civil, cabe no processo administrativo, quando houver similitude fática dos casos tratados e jurisprudência pacificada, a observância dos precedentes jurisprudenciais fluidos pelos Tribunais, conforme arts. 15, 926 e 927 da Lei 13.105/15.
Ressurgindo à competência tributária trazida pela Constituição Federal, quando se tratar de atividades relacionadas aos serviços gráficos personalizados passíveis de tributação pelo ISS, é de se afastar a incidência de IPI, conforme inteligência promovida pelo art. 1º, § 2º, da LC 116/03.
Numero da decisão: 9303-005.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Pôssas.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 30/06/2005 CONFLITO DE COMPETÊNCIA. UNIÃO, ESTADOS E MUNICÍPIOS. IPI. PRINCÍPIO DA EFICÁCIA VINCULANTE DOS PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS. Em respeito ao Princípio da Eficácia Vinculante dos Precedentes, emanado explicitamente pelo Novo Código de Processo Civil, cabe no processo administrativo, quando houver similitude fática dos casos tratados e jurisprudência pacificada, a observância dos precedentes jurisprudenciais fluidos pelos Tribunais, conforme arts. 15, 926 e 927 da Lei 13.105/15. Ressurgindo à competência tributária trazida pela Constituição Federal, quando se tratar de atividades relacionadas aos serviços gráficos personalizados passíveis de tributação pelo ISS, é de se afastar a incidência de IPI, conforme inteligência promovida pelo art. 1º, § 2º, da LC 116/03.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10882.002586/2008-88
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5764317
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-005.428
nome_arquivo_s : Decisao_10882002586200888.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : TATIANA MIDORI MIGIYAMA
nome_arquivo_pdf_s : 10882002586200888_5764317.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Pôssas. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6911256
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049469917855744
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1617; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 980 1 979 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10882.002586/200888 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.428 – 3ª Turma Sessão de 25 de julho de 2017 Matéria IPI Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado DISKPAR LOGÍSTICA E AUTOMAÇÃO LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 30/06/2005 CONFLITO DE COMPETÊNCIA. UNIÃO, ESTADOS E MUNICÍPIOS. IPI. PRINCÍPIO DA EFICÁCIA VINCULANTE DOS PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS. Em respeito ao Princípio da Eficácia Vinculante dos Precedentes, emanado explicitamente pelo Novo Código de Processo Civil, cabe no processo administrativo, quando houver similitude fática dos casos tratados e jurisprudência pacificada, a observância dos precedentes jurisprudenciais fluidos pelos Tribunais, conforme arts. 15, 926 e 927 da Lei 13.105/15. Ressurgindo à competência tributária trazida pela Constituição Federal, quando se tratar de atividades relacionadas aos serviços gráficos personalizados passíveis de tributação pelo ISS, é de se afastar a incidência de IPI, conforme inteligência promovida pelo art. 1º, § 2º, da LC 116/03. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 25 86 /2 00 8- 88 Fl. 980DF CARF MF 2 convocado), que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Pôssas. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3201000.699, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por voto de qualidade, deu provimento ao recurso voluntário, consignando acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS I PI Período de apuração: 01/10/2004 a 30/06/2005 ISS. SERVIÇO GRÁFICO POR ENCOMENDA E PERSONALIZADO. A prestação de serviço gráfico, personalizado e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita unicamente ao 1SS, não estando sujeito à incidência do IPI. ” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão que trouxe o entendimento de que a prestação de serviço gráfico, personalizado e sob encomenda não se sujeita ao IPI. Fl. 981DF CARF MF Processo nº 10882.002586/200888 Acórdão n.º 9303005.428 CSRFT3 Fl. 981 3 Trouxe a Fazenda Nacional, entre outros, que: · O IPI é um imposto sobre a produção, enquanto que o ICM e o ISS incidem sobre a circulação (o primeiro sobre a circulação de mercadorias e o segundo sobre a de serviços); · Diferenciase o ICMS do ISS e do IPI, pois enquanto que, em relação àquele, não há atividade adicional alguma do contribuinte de que dependa a ocorrência do fato gerador (basta a venda ou revenda de mercadoria), no tocante ao IPI, a ocorrência do fato gerador depende de prévia industrialização (ou produção) e, no caso do ISS, incidência depende de urna prestação de serviço; · No âmbito das diferenças entre obrigações definidas no direito civil critério repelido pelo STF como único aplicável à solução da questão na ADI citada, hipótese de incidência do ISS depende de urna obrigação de fazer. Já o IPI depende de urna atividade de produção previa, enquanto que o ICMS depende apenas da circulação da mercadoria; · A conjugação das hipóteses de incidência do IPI e do ISS ocorreria quando obrigação de fazer comportasse uma atividade de industrialização não há lei complementar modalidade legal eleita pela Constituição para tratar de conflitos de competência que afaste a incidência de um ou de outro tributo e, para afastar a legislação do IPI que não restringe o conceito de produção ou de industrialização nos termos anteriormente expostos, seria preciso aplicar o princípio constitucional da capacidade contributiva para concluir que não poderiam incidir, no contexto exposto no parágrafo anterior, os dois impostos; · Para que urna operação esteja sujeita à incidência do IPI, basta que o estabelecimento industrialize um produto e a ele dê saída, não importando a que título jurídico decorra a saída do estabelecimento produtor (art. 22, §29, da Lei 4.502/64). Em Despacho às fls. 922 a 925, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 982DF CARF MF 4 Contrarrazões ao Recurso Especial foram apresentadas pelo sujeito passivo, que trouxe, entre outros, que: · As impressões são sempre relativas a logomarcas, cores padrão e condizentes com o próprio logotipo utilizado, eventuais mensagens específicas aos consumidores da encomendante, além de outros símbolos peculiares. De tal sorte que, indubitavelmente, as encomendas passam a integrar o ativo fixo dos encomendantes para seu uso exclusivo, não podendo, nem de longe, cogitarse acerca de seu eventual uso indiscriminado, já que imprestável seria para qualquer outra pessoa jurídica diferente da própria encomendante. · Isso sem contar que a especificidade do corte (largura) das bobinas, tem aplicação geralmente exclusiva ao terminal (PDV) ou equivalente da própria encomendante, sendo também inaplicável cogitarse de seu uso indiscriminado, como fazem crer as equivocadas razões do auditor fiscal em apreço. · Ademais, não há qualquer comercialização das bobinas personalizadas impressas quer pela Recorrida, quer pelos seus clientes (posto que inaplicáveis ao uso de terceiros, por não se tratar de um chamado "produto de prateleira"). · Pelas particularidades da encomenda, como, aliás, expressamente reconhecido pelo agente fiscalizador, temse, pois, como absolutamente descabida, do ponto de vista fático, para não dizer absurda, a aplicação de qualquer parecer desta d. Delegacia ou solução de consulta que possa ter, aparentemente, sob a ofuscada ótica da fiscalização, esgotado a matéria tão cristalinamente pacificada nos Tribunais do País; · Imperioso o respeito dos tribunais a jurisprudência pacificada do Superior Tribunal de Justiça; · Conforme vastamente demonstrado, resta límpido a pacificação da jurisprudência no Superior Tribunal de Justiça, em sentido favorável a Recorrida, do tema aqui debatido. É o relatório. Fl. 983DF CARF MF Processo nº 10882.002586/200888 Acórdão n.º 9303005.428 CSRFT3 Fl. 982 5 Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso, eis que a divergência jurisprudencial vem ao encontro dos termos definidos pelo artigo 67 do RICARF. O que concordo com o exame de admissibilidade constante do Despacho de Admissibilidade de Recurso Especial. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer sobre o cerne da lide, qual seja, se haveria a incidência de IPI no caso em comento, considerando a atividade prestada pelo sujeito passivo. Cabe, então, trazer a priori que o sujeito passivo tem por objeto a prestação de serviços gráficos “personalizados” “sob encomenda” dos seus clientes, com destaque para as atividades de impressão personalizadas – serviço de composição gráfica sujeito à incidência de ISS. O sujeito passivo oferece, além da emissão, a migração de tecnologias customizadas, com o intuito de atender diferentes demandas. Considerando se tratar por óbvio de prestação de serviço gráfico customizado e personalizado, para fins de atendimento da demanda de clientes específicos, para melhor elucidar os pontos aqui desenvolvidos, cabe trazer que que tais serviços, em síntese, são assim considerados por serem, quando de sua prestação, definidas estratégias para o desenvolvimento do produto demandado pelo cliente. Tais serviços são vistos pelos clientes como diferencial nas empresas de serviços, vez que podem proporcionar para o funcionamento de seu negócio a personalização de que necessitam. Fl. 984DF CARF MF 6 Ademais, cabe trazer que os serviços prestados pelo sujeito passivo não se confundem com a mera circulação de mercadorias/produtos, vez que tais serviços possuem como características a intangibilidade, perecibilidade, heterogeneidade e simultaneidade. Ora: · Perecibilidade, pois tais serviços não podem ser “armazenados/estocados” para a venda; · Intangibilidade, pois não podem ser vistos, provados ou sentidos; · Heterogeneidade, pois tais serviços sofrem variação para cada cliente, considerando a customização dedicada; · Simultaneidade, pois envolve a dinamicidade entre a produção e o consumo. O serviço customizado prestado pelo sujeito passivo abrange essas características, vez que: · Reflete um planejamento anterior para a busca do objeto alcançado, em observância a demanda específica exposta em contrato firmado entre o cliente e o prestador; · Não se trata de venda de produtos de prateleira padronizáveis; · Se diferenciam, de acordo com a demanda de cada cliente – considerados efetivamente, de per si, como pontuais e especiais. É de se considerar, ainda, que os serviços customizados envolve interação direta com o cliente uma vez que a personalização do produto é alcançada de forma colaborativa entre a parte contratante e o contratado. Vêse ainda que o serviço de impressão gráfica personalizada desenvolvido pelo sujeito passivo não integra um processo de industrialização. Ora, as impressões são sempre relativas a logomarcas, cores padrão e condizentes com o próprio logotipo utilizado, eventuais mensagens específicas aos Fl. 985DF CARF MF Processo nº 10882.002586/200888 Acórdão n.º 9303005.428 CSRFT3 Fl. 983 7 consumidores da encomendante, além de outros símbolos peculiares. O que, indubitavelmente, as encomendas passam a integrar o ativo fixo dos encomendantes para seu uso exclusivo, não podendo, nem de longe, cogitarse acerca de seu eventual uso indiscriminado, já que imprestável seria para qualquer outra pessoa jurídica diferente da própria encomendante. A especificidade do corte (largura) das bobinas, tem aplicação geralmente exclusiva ao terminal (PDV) ou equivalente da própria encomendante. Não há uso indiscriminado. E não há qualquer comercialização das bobinas personalizadas impressas quer pela Recorrida, quer pelos seus clientes (posto que inaplicáveis ao uso de terceiros, por não se tratar de um chamado "produto de prateleira"). Após breve elucidação e antes de se adentrar na discussão acerca da incidência do IPI, discorrendo sobre eventual conflito de competência. O que se torna impossível se ignorar esse tema, cabe trazer ainda que a atividade personalizada, que envolve sua customização para atendimento da necessidade de eventual cliente, inquestionável, que tal serviço seria passível de tributação pelo ISS. Por conseguinte, por se tratar de bem oriundo de serviço personalizado/customizado, inegável que tal bem não seria considerado como sendo de prateleira, disponível em sua padronização aos clientes potenciais. O que confere o entendimento dos tribunais de se afastar a tributação pelo ICMS. Não se coaduna, assim, tais serviços com o conceito de mercadoria. Tanto é assim, que os Tribunais empregam tais conceitos – produtos feitos por encomenda, personalizados e customizados – para afastar a incidência do ICMS e/ou IPI em operações que envolvam o fornecimento de bens oriundos desses serviços especializados e personalizados. Tanto é assim, que, no que tange às essas discussões envolvendo o ISS e o ICMS, é de se recordar que os Tribunais têm manifestado, em síntese, em relação aos serviços gráficos, que: Fl. 986DF CARF MF 8 · Se a atividade gráfica fosse exercida com certas limitações – acrescentando apenas utilidades a esse meio, com o intuito de se disponibilizar o produto indiscriminadamente a todos os clientes potenciais, sem viabilidade de personalização por cliente, configurarseia como produção em série – sendo evidente, nesse caso, que se trata de disponibilização de mercadorias, motivando assim a incidência de ICMS e de IPI, vez, que, em relação à esse último tributo, caracterizada estaria a industrialização dessa mercadoria (produzida padronizadamente em série); · Por sua vez, se fosse desenvolvida por encomenda de cliente, para atender suas necessidades específicas, visando o atendimento de sua demanda em particular estarseia diante de serviço alcançável pelo ISS. É de se expor que as mercadorias oriundas desses serviços não são disponibilizadas a terceiros. Para tal entendimento, é de se recordar o art. 1º, § 2º, da LC 116/03, in verbis (Grifos meus): “Art. 1º. O Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza, de competência dos Municípios e do Distrito Federal, tem como fato gerador a prestação de serviços constantes da lista anexa, ainda que esses não se constituam como atividade preponderantemente do prestador. [...] § 2º Ressalvadas as exceções expressas na lista anexa, os serviços nela mencionados não ficam sujeitos ao Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS, ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadorias. [...]” Com tal dispositivo, resta claro que os serviços constantes da lista de serviço da LC 116/03 não ficam sujeitos ao ICMS, apenas ao ISS. Fl. 987DF CARF MF Processo nº 10882.002586/200888 Acórdão n.º 9303005.428 CSRFT3 Fl. 984 9 Continuando, no que concerne à discussão acerca da incidência cumulativa envolvendo o ISS e o IPI, importante mencionar que o TRF já editou Súmula 143/83 (Grifos meus): “Súmula 143 – Os serviços de composição gráfica e impressão gráficas personalizadas previstos no artigo 8º, § 1º, do Decretolei n. 406, de 1968, com as alterações introduzidas pelo Decretolei n. 834, de 1969, estão sujeitos apenas ao ISS, não incidindo o IPI.” No mesmo sentido, o Superior Tribunal de Justiça, editou a Súmula 156: “Súmula 156 do STJ – A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva o fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS.” Frisese tal entendimento o disposto no 9º do DecretoLei 2471/88 que, por sua vez, estabelece que ficam cancelados os processos administrativos que trate da cobrança do IPI no fornecimento de produtos personalizados de serviços de composição gráfica e impressão gráfica: “Art. 9º. Ficam cancelados, arquivandose, conforme o caso, os respectivos processos administrativos, os débitos para com a Fazenda Nacional, inscritos ou não como Dívida Ativa da União, ajuizados ou não, que tenham tido origem na cobrança: [...] VI – do Imposto sobre Produtos Industrializados relativamente ao fornecimento de produtos personalizados, resultantes de serviços de composição e impressão gráficas; e [...]” Sendo assim, resta claro que os serviços gráficos personalizados e customizados com o intuito de atender determinada necessidade de cliente não seriam passíveis de tributação pelo IPI. Fl. 988DF CARF MF 10 Quanto à discussão sobre a impossibilidade da incidência concomitante do ISS e IPI sobre a mesma atividade, a instituição de tributos é extensivamente definida na Constituição, mediante a atribuição de competência – o que ressurjo o art. 146, inciso I, da CF/88: “Art. 146. Cabe à lei complementar: I dispor sobre conflitos de competência, em matéria tributária, entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; II regular as limitações constitucionais ao poder de tributar; [...]” Com tal enunciado, verificase que a Lei Complementar deve dispor sobre conflitos de competência em matéria tributária entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, bem como regular as limitações constitucionais ao poder de tributar. O que, por conseguinte, expresse, temse que se a LC 116/03 dispôs que as atividades gráficas discutidas no presente processo são fatos geradores do ISS, inconteste não haver que se falar em tributação pelo ICMS e IPI sobre tais serviços. Tanto é assim que, nesse sentido, notase que fluíram várias decisões favoráveis, afastando a tributação pelo IPI. Em pesquisa jurisprudencial, cabe trazer o julgamento do RESP 437.324 – RS envolvendo a American Bank Note Company Gráfica e Serviços Ltda, onde o STJ, através do ilustre Ministro Franciulli Netto, emitiu acórdão concedendo integramente a segurança pleiteada declarando que as referidas atividades envolvem típica prestação de serviço ao ISS, consignando a seguinte ementa (Grifos meus): “RECURSO ESPECIAL ALÍNEAS "A" E "C" TRIBUTÁRIO MANDADO DE SEGURANÇA PRELIMINAR DE PERDA DE OBJETO DA IMPETRAÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DE OFÍCIO DA QUESTÃO CONFECÇÃO DE CARTÕES MAGNÉTICOS E DE CRÉDITO SERVIÇO DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA SUJEITO UNICAMENTE AO ISS VIOLAÇÃO AO DISPOSTO NO § 1º DO Fl. 989DF CARF MF Processo nº 10882.002586/200888 Acórdão n.º 9303005.428 CSRFT3 Fl. 985 11 ARTIGO 8º DO DECRETOLEI N. 406/68 SÚMULA N. 156 DO STJ. Cumpre a este Sodalício examinar eventual afronta a dispositivos de lei federal, nos termos da letra "a" do permissivo constitucional, ou, pela letra "c", sanar possível dissenso pretoriano acerca de determinada questão. Assim, não prevalece o entendimento sustentado pela recorrente no sentido de que deve o Superior Tribunal de Justiça reconhecer de ofício a extinção do mandado de segurança preventivo. Embora prequestionada a questão da perda de objeto da impetração, que entendeu a Corte de origem não existir, pretendeu a recorrente, quanto a esse ponto, configurar o dissenso pretoriano com julgados deste Sodalício sem, contudo, realizar o indispensável cotejo analítico, vindo em desacordo com o estabelecido nos arts. 541, do CPC e 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ. A elaboração dos cartões com as características requeridas pelo destinatário, que é aquele que encomenda o serviço, tais como a logomarca, a cor, eventuais dados e símbolos, indica de pronto a prestação de um serviço de composição gráfica, enquadrado no item 77 da Lista de Serviços anexa ao Decretolei n. 406/68. Há, portanto, nítida violação ao disposto no § 1º do artigo 8º do DecretoLei n. 406/68, uma vez que a hipótese dos autos configura prestação de serviços de composição gráfica personalizados, sujeitos apenas à incidência do ISS (Súmulas ns. 156/STJ e 143 do extinto TFR). Considerada a circunstância de se tratar de serviço personalizado, destinados os cartões, de pronto, ao consumidor final, que neles inserirá os dados pertinentes e não raro sigilosos, concluise que a atividade não é fato gerador do IPI.” Cabe trazer que essa decisão transitou em julgado em 3.11.03. Fl. 990DF CARF MF 12 Outro precedente igualmente importante é o veiculado no julgamento do REsp 966.184RJ decorrente de ação ordinária ajuizada pela American Bqank Note Company Gráfica e Serviços Ltda também com o objetivo de que fosse declarada a não incidência do IPI sobre os cartões de crédito com tarja magnética confeccionados no período de junho/88 a junho/89, por se tratar de prestação de serviços personalizados sob encomenda. Tal REsp, após apreciação pelo STJ – relator Ministro Herman Benjamin, foi emitido acórdão com a seguinte ementa (Grifos meus): “EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IPI. CONFECÇÃO DE CARTÕES MAGNÉTICOS E DE CRÉDITO. NÃO INCIDÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA 156/STJ. 1. O Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que em casos como o dos autos, de empresa que produz cartões magnéticos personalizados, não há incidência de IPI. Aplicação, in casu, da Súmula 156/STJ: "a prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS." 2. Agravo Regimental não provido.” Cabe trazer que essa decisão também transitou em julgado. Em outro julgamento no STJ, especificamente quando da apreciação do Resp 103409/RS, ficou decidido que não é devido o ICMS sobre os serviços de composição gráfica, tal qual a impressão de cartões magnéticos personalizados e sob encomenda, conforme consignado em ementa: “TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA. CONFECÇÃO DE CARTÕES MAGNÉTICOS PERSONALIZADOS E SOB ENCOMENDA. NÃO INCIDÊNCIA DE ICMS. NÃO APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO DO STF NA MEDIDA CAUTELAR NA ADI 4389. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS. ANÁLISE DE DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. COMPETÊNCIA DO STF. Fl. 991DF CARF MF Processo nº 10882.002586/200888 Acórdão n.º 9303005.428 CSRFT3 Fl. 986 13 1. Nos termos do art. 535 do CPC, os embargos declaratórios somente são cabíveis para modificar o julgado que se apresentar omisso, contraditório ou obscuro, bem como para sanar possível erro material existente no acórdão, o que não aconteceu no caso dos autos. 2. No julgamento da medida cautelar na ADI 4389, o STF reconheceu a não incidência do ISS sobre operações de industrialização por encomenda de embalagens destinadas à integração ou utilização direta em processo subsequente de industrialização ou de circulação de mercadoria. 3. A incidência do ICMS só ocorrerá nos casos em que a produção de embalagens, etiquetas sob encomenda (personalizada) seja destinada a subsequente utilização em processo de industrialização ou posterior circulação de mercadoria, o que não é o caso dos autos. 4. In casu, tratase de produção de cartões magnéticos sob encomenda para uso próprio da empresa. No caso, a embargada atua como consumidora final, ou seja, tais cartões não irão fazer parte de futuro processo de industrialização ou comercialização. Incide, portanto, o ISS nos termos do que restou determinado pela Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.092.206/SP, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, sujeito ao rito dos recursos respetivos, nos termos do art. 543C do CPC e da Resolução 8/2008 do STJ. 5. Não cabe ao STJ analisar suposta violação de dispositivos constitucionais, mesmo a título de prequestionamento, sob pena de usurpação da competência do STF. Embargos de declaração rejeitados.” Proveitoso trazer ainda outros julgados do STJ: “PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE IRREGULARIDADES. SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA. INCIDÊNCIA, APENAS, DO ISS. Fl. 992DF CARF MF 14 SÚMULA Nº 156/STJ. ANÁLISE DE VIOLAÇÃO A DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. [...] 3. Decisão atacada que tomo com base a Súmula nº 156/STJ: “a prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS”[...] (Superior Tribunal de Justiça, rel. Min., José Delgado, EAREP 510940/SP, DJ de 17/11/2003) “AGRAVO REGIMENTAL – TRIBUTÁRIO – SERVIÇO GRÁFICO PERSONALIZADO E POR ENCOMENDA – ICMS – NÃO INCIDÊNCIA – ENTENDIMENTO CONSAGRADO – SÚMULA 156 DESTE SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. 1. Não incide ICMS sobre serviços de composição gráfica, a teor da Súmula 156 deste Superior Tribunal de Justiça, que preceitua: “A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS. 2. Agravo Regimental improvido. ” (Superior Tribunal de Justiça, rel. Min. Luiz Fux, AGRESP 331201/SP, DJU de 14.10.2002) “Tributário – ICMS e ISS – Incidência – DecretoLei nº 406/68 (art. 8º, § 2º). 1. Os serviços de composição gráfica, não distinguindo a lei entre os personalizados encomendados e os genéricos destinados ao público, sujeitamse à incidência do ISS. 2. Multifários precedentes jurisprudenciais. 3. Recurso sem provimento. ” (Superior Tribunal de Justiça re. Min. Luiz Pereira, RESP 142339/SP, DJU de 26/03/2001) Frisese esse entendimento a decisão dada pelo STF: “ISS. Serviço gráfico por encomenda e personalizado. Utilização em produtos vendidos a terceiros. Fl. 993DF CARF MF Processo nº 10882.002586/200888 Acórdão n.º 9303005.428 CSRFT3 Fl. 987 15 A feitura de rótulos, fitas, etiquetas adesivas e de identificação de produtos e mercadorias, sob encomenda e personalizadamente, é atividade da empresa gráfica sujeita ao ISS, o que não se desfigura por utilizálos, o cliente e encomendante, na embalagem de produtos por ele fabricados e vendidos a terceiro. Recurso extraordinário conhecido e provido. ” (Supremo Tribunal Federal, RE 109.0697/SP, Rel. Min. Rafael Mayer) Em vista de todo o exposto, vêse acertado o entendimento de que nessa atividade não há que se falar em tributação pelo IPI – eis que para o deslinde do conflito de competência, para se apurar a tributação sobre o consumo desses bens, nas hipóteses híbridas, em que há serviço agregado a um suporte físico, no caso, um produto industrializado, devese verificar qual prevalecerá, para efeitos de atrair a competência tributária. O que, por conseguinte, as disposições da LC 116/2003 § 2°, do art. 1°, traz que salvo exceções nela expressamente previstas, os serviços incluídos na lista ficam sujeitos apenas ao ISS, "ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadorias” em cumprimento ao desígnio determinado pelo art. 146, I da Constituição Federal, que prescreve que cabe à lei complementar dispor sobre conflitos de competência. Ademais, não há como se ignorar os precedentes favoráveis dos Tribunais, inclusive aqueles emanados de Recursos interpostos por empresas que foram adquiridas pelo sujeito passivo. Em tempos atuais, inclusive, o novo Código de Processo Civil – Lei 13.105/15 traz explicitamente o respeito à “Eficácia Vinculante dos Precedentes” em seus arts. 926 e 927, in verbis (Grifos meus): “Art. 926. Os tribunais devem uniformizar sua jurisprudência e mantêla estável, íntegra e coerente. Fl. 994DF CARF MF 16 § 1o Na forma estabelecida e segundo os pressupostos fixados no regimento interno, os tribunais editarão enunciados de súmula correspondentes a sua jurisprudência dominante. § 2o Ao editar enunciados de súmula, os tribunais devem aterse às circunstâncias fáticas dos precedentes que motivaram sua criação. Art. 927. Os juízes e os tribunais observarão: I as decisões do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade; II os enunciados de súmula vinculante; III os acórdãos em incidente de assunção de competência ou de resolução de demandas repetitivas e em julgamento de recursos extraordinário e especial repetitivos; IV os enunciados das súmulas do Supremo Tribunal Federal em matéria constitucional e do Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional; V a orientação do plenário ou do órgão especial aos quais estiverem vinculados. § 1o Os juízes e os tribunais observarão o disposto no art. 10 e no art. 489, § 1o, quando decidirem com fundamento neste artigo. § 2o A alteração de tese jurídica adotada em enunciado de súmula ou em julgamento de casos repetitivos poderá ser precedida de audiências públicas e da participação de pessoas, órgãos ou entidades que possam contribuir para a rediscussão da tese. § 3o Na hipótese de alteração de jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal e dos tribunais superiores ou daquela oriunda de julgamento de casos repetitivos, pode haver modulação dos efeitos da alteração no interesse social e no da segurança jurídica. § 4o A modificação de enunciado de súmula, de jurisprudência pacificada ou de tese adotada em julgamento de casos repetitivos observará a necessidade de fundamentação adequada e específica, considerando os princípios da segurança jurídica, da proteção da confiança e da isonomia. Fl. 995DF CARF MF Processo nº 10882.002586/200888 Acórdão n.º 9303005.428 CSRFT3 Fl. 988 17 § 5o Os tribunais darão publicidade a seus precedentes, organizandoos por questão jurídica decidida e divulgandoos, preferencialmente, na rede mundial de computadores.” Devese, assim, em respeito ao Princípio da Eficácia Vinculante dos Precedentes” – exposta “explicitamente” pelo Novo Código de Processo Civil NCPC, observar o entendimento emanado pelos tribunais. Nesse caso, o entendimento de que para os serviços gráficos personalizados devese afastar a incidência do IPI. Dizse Princípio, pois deve ser considerado, assim como os outros balizadores primordiais trazidos pelo nosso ordenamento, para se nortear/direcionar o julgador/juiz quando da apreciação da matéria em debate à solução jurídica mais equânime com as diretrizes emanadas pela Carta Magna e pela legislação vigente, garantindo o conforto e a segurança jurídica de que tanto busca a Administração Fazendária e o sujeito passivo. Não é demais lembrar que no processo administrativo há que se considerar e respeitar tais precedentes, conforme versa o art. 15 do NCPC “Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. ” O Brasil adota como estrutura jurídica o “Civil Law” – que adota fontes de direito, dentre as quais, considera, além da Lei, como fonte direta, os precedentes jurisprudenciais. Sendo assim, inquestionável, a valorização dos precedentes. Até mesmo como forma de se conceder a segurança jurídica que tanto procura a administração fazendária e os sujeitos passivo. Ora, tal cultura de valorização de precedentes, que torna a jurisprudência na Brasil fonte direta da estrutura jurídica adotada pelo Brasil “Civil Fl. 996DF CARF MF 18 Law” – traz irrefutavelmente segurança jurídica ao buscar o respeito à unicidade da interpretação quando as decisões possuem potencial para tanto. O que é o caso. As decisões emanadas pelos Tribunais consideraram a mesma atividade do sujeito passivo, não restando dúvida quanto à necessidade da aplicação dos fundamentos determinantes do precedente ao caso concreto. Sendo assim, até mesmo em respeito a celeridade do processo no judiciário que invoca o Novo Código de Processo Civil, eis que a jurisprudência nos Tribunais se encontra PACIFICADA, inclusive com Súmulas do TRF e STJ, é de se manter o decidido no acórdão recorrido. Ademais, é de se recordar que em recente julgamento ficou consignando em acórdão 9303004.394: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 CONFLITOS DE COMPETÊNCIA. UNIÃO, ESTADOS E MUNICÍPIOS. IPI. PRINCÍPIO DA EFICÁCIA VINCULANTE DOS PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS Em respeito ao Princípio da Eficácia Vinculante dos Precedentes, emanado explicitamente pelo Novo Código de Processo Civil, cabe no processo administrativo, quando houver similitude fática dos casos tratados e jurisprudência pacificada, a observância dos precedentes jurisprudenciais fluidos pelos Tribunais, conforme arts. 15, 926 e 927 da Lei 13.105/15. Ressurgindo à competência tributária trazida pela Constituição Federal, quando se tratar de atividades relacionadas aos serviços gráficos personalizados passíveis de tributação pelo ISS, é de se afastar a incidência de IPI, conforme inteligência promovida pelo art. art. 1º, § 2º, da LC 116/03" Fl. 997DF CARF MF Processo nº 10882.002586/200888 Acórdão n.º 9303005.428 CSRFT3 Fl. 989 19 Nesse julgamento, após pedido de vista do Conselheiro Júlio César Alves Ramos, foi apresentada Declaração de Voto, eis que foi pesquisada a ampla jurisprudência sobre o mesmo tema por esse conselheiro: "Conselheiro Júlio César Alves Ramos Julguei conveniente explicitar as razões pelas quais acompanhei a n. relatora dado que já proferi vários votos no sentido pretendido pela Fazenda Nacional. Minha posição sobre o assunto está nelas devidamente registrado, não tendo eu mudado de entendimento. Ocorre que, foi bem enfatizado pela n. relatora, a posição contrária aqui defendida pelo sujeito passivo parece mesmo consolidada no âmbito do STJ. Com efeito, naquele tribunal, podemse coligir decisões recentes1 que enfrentaram exatamente o mesmo objeto ora em discussão cartões magnéticos personalizados e entenderam que tal operação é a descrita na lista da Lei Complementar 116 (ou do Decreto 406) como "serviços gráficos personalizados", o que, no entender daquele Sodalício, afastaria a tributação pelo IPI. Algumas delas, inclusive, foram proferidas em processos de empresa sucedida pela autora deste. E, em respeito aos artigos 926 e 927 do novo CPC, decidi curvarme àquela jurisprudência, ainda que a entendendo equivocada. Registro, ao fim, que não vejo que tais artigos nos 1 Além do REsp 437.324, de relatoria do Ministro Herman Benjamin já citado pela relatora, e entre outros, cito: Resp 817.182, Ministro Luiz Fux AgRg no Resp 966.184, minstro Herman Benjamin AgRg no Resp 816.632, ministro Humberto Martins AgRg no Resp 1.369.577, ministro minstro Herman Benjamin AgRg no Resp 1.308.633, ministro Castro Meira Resp 213.594, ministro Mauro Campbell Vale acrescer que todas as decisões foram tomadas por unanimidade Fl. 998DF CARF MF 20 imponham a obrigatória aceitação, extensivamente, de decisões dos tribunais superiores. Quero dizer com isso que é preciso, em cada caso, checar, com rigor, se a matéria é a mesma e se a jurisprudência está mesmo consolidada. No caso presente, todas as decisões que cito se referem a cartões magnéticos personalizados. Mas há outras, tratando de produtos diversos, que asseguram a tributação pelo IPI, ao ressaltar a importância de analisar o que prevalece. Por isso, a elas me curvo apenas neste caso específico, resguardando, porém, meu entendimento pessoal de que não é a mera presença de um serviço ainda que tributável pelo ISS que impede a incidência do IPI. Nesses termos, votei pelo provimento do recurso do sujeito passivo, sendo essa a declaração que solicitei fazer. Conselheiro Júlio César Alves Ramos" Cabe ainda recordar que em vários Congressos Tributários realizados recentemente com a participação de vários juízes, desembargadores e ministros do STJ, foi invocada a importância da aplicação do Princípio da Eficácia Vinculante dos Precedentes no processo administrativo fiscal trazido pelo Novo Código de Processo Civil para se evitar a morosidade da resolução da lide, bem como o desembolso da parte contrária – quer seja, dependendo do caso, a Fazenda Nacional e/ou sujeito passivo de condenação dos honorários a serem pagos, no caso de perda junto ao judiciário, conforme prevê o art. 85 do NCPC. Proveitoso trazer parte dos dizeres do Parecer dado pelo nobre Professor Emérito e Titular da PUC/SP e da USP – Paulo de Barros Carvalho emitido à Diskpar Logística e Automação Ltda: “[...] 11) Qual o entendimento adotado pelos Tribunais Superiores a respeito dessa matéria? Observase, tanto, em meio às decisões do Supremo Tribunal Federal como do Superior Tribunal de Justiça, que situações Fl. 999DF CARF MF Processo nº 10882.002586/200888 Acórdão n.º 9303005.428 CSRFT3 Fl. 990 21 semelhantes às narradas pela Consulente estão sujeitas à incidência do ISS. A matéria foi até mesmo objeto de Súmula do STJ que, no enunciado 156, prescreve: “A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS” Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, negandolhe provimento. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 1000DF CARF MF
score : 1.0
