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Numero do processo: 10925.901237/2011-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO
Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.465
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente COMERCIAL PARISENTI LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP, apresentada pela contribuinte acima qualificada Em análise da compensação intentada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu não homologála em razão de que o valor recolhido via DARF, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 12 37 /2 01 1- 01 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10925.901237/201101 Acórdão n.º 3301003.465 S3C3T1 Fl. 3 2 indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para o pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados no PER/DCOMP. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual defende, inicialmente, que os débitos exigidos não compensados devem ficar com a exigibilidade suspensa em razão da apresentação da manifestação de inconformidade. Quanto ao mérito, a contribuinte alega, em síntese, que apurou créditos, passíveis de compensação, oriundos do recolhimento indevido de tributos, uma vez reconhecido seu direito de recolher as contribuições – PIS e Cofins – nos moldes previstos no artigo 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98. A DRJ em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 07030.863. O fundamento adotado foi o de que, quando a compensação declarada pelo sujeito passivo está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em que alega o seguinte: a) que o débito, cuja compensação não foi homologada, deve permanecer com a exigibilidade suspensa, em razão da apresentação do recurso voluntário; b) que não há dispositivo legal que vede a compensação de tributos, nos casos em que a DCTF retificadora, em que foi demonstrada a existência do pagamento indevido, tenha sido apresentada após a transmissão da Declaração de Compensação (DCOMP); e c) que a multa de ofício de 150% cobrada da Recorrente não se aplica a compensações indevidas e que não poderia ser superior a 20%, além de afrontar os princípios da proporcionalidade e finalidade dos atos da administração pública e a própria Consituição Federal, em razão de seu caráter confiscatório. Em relação à alegação mencionada na letra "c", cumpre destacar que o débito, cuja compensação não foi homologada, está sendo cobrado, acrescido de multa de mora de 20% e não de multa de ofício de 150%, além de juros Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.444, de Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10925.901237/201101 Acórdão n.º 3301003.465 S3C3T1 Fl. 4 3 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.901334/201276, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.444): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Tratase de Despacho Decisório que não homologou compensação pleiteada por meio de DCOMP, em razão de o alegado pagamento a maior não constar nos registros da Receita Federal do Brasil (RFB). Nos autos, encontramse a DCOMP, o Despacho Decisório e extratos da RFB, contendo detalhamento da compensação e histórico da transmissão da DCOMP. Não há cópias de Declarações de Débitos e Créditos Federais Tributários Federais (DCTF). Na manifestação de inconformidade, a Recorrente informou que efetuara pagamentos a maior e apresentou as bases legais que dariam suporte à compensação. Nada dispôs sobre a DCTF original, na qual teria sido incluído o DARF indicado na DCOMP como fonte do crédito (pagamento a maior), e tampouco se fora retificada. Também não carreou aos autos cópias de DCTF. A DRJ (fls. 37 a 40) ratificou o Despacho Decisório, sob a alegação de que na data da protocolização da DCOMP, a DCTF que constava no banco de dados da RFB não indicava a existência de crédito, consistente em pagamento a maior de tributo. E que uma DCTF retificadora somente pode suportar uma compensação, cuja DCOMP tenha sido apresentada na mesma data ou posteriormente. No recurso voluntário, foram apresentados os seguintes argumentos para sustentar a compensação: a) que o débito cuja compensação não foi homologada deve permanecer com a exigibilidade suspensa, em razão de apresentação do recurso voluntário; b) que não há dispositivo legal que vede a compensação de tributos, nos casos em que a DCTF retificadora, em que foi demonstrada a existência do pagamento indevido, tenha sido apresentada após a transmissão da Declaração de Compensação (DCOMP); e c) que a multa de ofício de 150% cobrada da Recorrente não se aplica a compensações indevidas e que não poderia ser superior a 20%, além de afrontar os princípios da proporcionalidade e finalidade dos atos da administração pública e a própria Constituição Federal, em razão de seu caráter confiscatório. Em relação à letra "a", nada há que se falar, pois nenhuma controvérsia há sobre a questão: o inc. III do art. 151 da Lei n° 5.172/66 (Código tributário Nacional CTN) dispõe que a apresentação de recurso, nos termos das normas que regulam o processo administrativo, suspende a exigibilidade do crédito tributário. O disposto na letra "c" também não merece comentários, haja vista que não houve lançamento de ofício e, por conseguinte, multa dele derivada. O débito originalmente compensado com o crédito não comprovado está sendo cobrado com o acréscimo de multa de mora de 20% e juros Selic. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10925.901237/201101 Acórdão n.º 3301003.465 S3C3T1 Fl. 5 4 Finalmente, sobre o tema central, a adequação ou não da compensação realizada, parcialmente tratada pela Recorrente na letra "b", voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Não resta dúvida acerca da possibilidade legal defendida pela Recorrente de compensar tributos pagos a maior com débitos tributários. Também não me oporia a legitimar a compensação pretendida, pelo simples fato de que a DCTF retificadora, com indicação do pagamento a maior, tivesse sido apresentada após a protocolização da DCOMP, desde que restasse comprovado que o crédito tributário já existia à época da liquidação do débito tributário. Com efeito, regra geral, a compensação é possível até mesmo se o crédito tiver surgido após o vencimento do débito, desde que a este sejam acrescidos os devidos encargos moratórios. Porém, no caso em tela, não se encontram os elementos probatórios essenciais à confirmação do crédito, quais sejam: a DCTF retificadora propriamente dita e a demonstração do cálculo do débito e sua comparação com o DARF pago, indicando o pagamento a maior. Temos apenas as alegações da Recorrente de que retificara a DCTF e que detinha o crédito. Alegações, contudo, desacompanhadas das devidas comprovações. Desta forma, não me resta alternativa que não a de negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não se encontram os elementos probatórios essenciais à confirmação do crédito, quais sejam: a DCTF retificadora propriamente dita e a demonstração do cálculo do débito e sua comparação com o DARF pago, indicando o pagamento a maior. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.721830/2014-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEDUTIBILIDADE. EXCEÇÃO AO REGIME DE COMPETÊNCIA.
Os juros de mora referentes a débitos tributários com exigibilidade suspensa não são dedutíveis de acordo com o regime de competência, estando correta sua dedutibilidade somente quando os tributos passarem a ser exigíveis, nos termos do § 1º do art. 41 da Lei nº 8.981, de 1995.
LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL.
Tratando-se da mesma matéria fática e não havendo questões de direito específicas a serem apreciadas, estende-se ao lançamento decorrente (CSLL) a decisão proferida em relação ao lançamento principal (IRPJ).
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. IMPROCEDÊNCIA.
A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I, do art. 124, do CTN, prescinde da demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendo-se como tal aquele que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação.
NULIDADE. MÉRITO FAVORÁVEL À RECORRENTE.
Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta.
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE ATRIBUÍDA A ADMINISTRADOR DA PESSOA JURÍDICA. ART. 135, III, DO CTN. MERO INADIMPLEMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sócio-gerente. Súmula STJ nº 430.
A simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade do sócio prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa. Matéria julgada sob a égide do disposto no art. 543-C do CPC/1973 no REsp 1.101.728/SP.
Numero da decisão: 1402-002.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, considerar prejudicada a apreciação do recurso de ofício, dar provimento aos recursos voluntários da pessoa jurídica e do coobrigado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEDUTIBILIDADE. EXCEÇÃO AO REGIME DE COMPETÊNCIA. Os juros de mora referentes a débitos tributários com exigibilidade suspensa não são dedutíveis de acordo com o regime de competência, estando correta sua dedutibilidade somente quando os tributos passarem a ser exigíveis, nos termos do § 1º do art. 41 da Lei nº 8.981, de 1995. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Tratando-se da mesma matéria fática e não havendo questões de direito específicas a serem apreciadas, estende-se ao lançamento decorrente (CSLL) a decisão proferida em relação ao lançamento principal (IRPJ). SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. IMPROCEDÊNCIA. A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I, do art. 124, do CTN, prescinde da demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendo-se como tal aquele que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação. NULIDADE. MÉRITO FAVORÁVEL À RECORRENTE. Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE ATRIBUÍDA A ADMINISTRADOR DA PESSOA JURÍDICA. ART. 135, III, DO CTN. MERO INADIMPLEMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sócio-gerente. Súmula STJ nº 430. A simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade do sócio prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa. Matéria julgada sob a égide do disposto no art. 543-C do CPC/1973 no REsp 1.101.728/SP.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, considerar prejudicada a apreciação do recurso de ofício, dar provimento aos recursos voluntários da pessoa jurídica e do coobrigado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1960; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2.921 1 2.920 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10805.721830/201476 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1402002.518 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de maio de 2017 Matéria IRPJ Recorrentes PROTEGE S.A. PROTEÇÃO E TRANSPORTE DE VALORES e MARCELO BAPTISTA DE OLIVEIRA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEDUTIBILIDADE. EXCEÇÃO AO REGIME DE COMPETÊNCIA. Os juros de mora referentes a débitos tributários com exigibilidade suspensa não são dedutíveis de acordo com o regime de competência, estando correta sua dedutibilidade somente quando os tributos passarem a ser exigíveis, nos termos do § 1º do art. 41 da Lei nº 8.981, de 1995. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Tratandose da mesma matéria fática e não havendo questões de direito específicas a serem apreciadas, estendese ao lançamento decorrente (CSLL) a decisão proferida em relação ao lançamento principal (IRPJ). SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. IMPROCEDÊNCIA. A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I, do art. 124, do CTN, prescinde da demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendose como tal aquele que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação. NULIDADE. MÉRITO FAVORÁVEL À RECORRENTE. Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE ATRIBUÍDA A ADMINISTRADOR DA PESSOA JURÍDICA. ART. 135, III, DO CTN. MERO INADIMPLEMENTO. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 18 30 /2 01 4- 76 Fl. 2921DF CARF MF Processo nº 10805.721830/201476 Acórdão n.º 1402002.518 S1C4T2 Fl. 2.922 2 O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente. Súmula STJ nº 430. A simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade do sócio prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa. Matéria julgada sob a égide do disposto no art. 543C do CPC/1973 no REsp 1.101.728/SP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, considerar prejudicada a apreciação do recurso de ofício, dar provimento aos recursos voluntários da pessoa jurídica e do coobrigado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 2922DF CARF MF Processo nº 10805.721830/201476 Acórdão n.º 1402002.518 S1C4T2 Fl. 2.923 3 Relatório PROTEGE S.A. PROTEÇÃO E TRANSPORTE DE VALORES e MARCELO BAPTISTA DE OLIVEIRA recorrem a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 1281.369 da 2ª Turma da Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro – DRJ/RJ1 que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada por PROTEGE S.A. PROTEÇÃO E TRANSPORTE DE VALORES e declarou a revelia em relação ao coobrigado MARCELO BAPTISTA DE OLIVEIRA. A turma julgadora entendeu por bem desqualificar a penalidade aplicada (redução da multa de ofício de 150% para 75%), bem como afastar a exigência concomitante de multa isolada por falta de recolhimentos de estimativas de IRPJ e de CSLL. O Presidente do colegiado a quo recorre de ofício a este Conselho, com fulcro no art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, c/c , art. 1º da Portaria MF nº 63, 03 de janeiro de 2008, haja vista o acórdão de origem ter exonerado o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 1.000.000,00. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Do lançamento O presente processo tem origem nos autos de infração, lavrados pela DRF Santo AndréSP e cientificados à interessada acima qualificada em 14/01/2015: de Imposto sobre a Renda de Pessoa JurídicaIRPJ, de fls. 2002/2010, no valor de R$ 3.650.061,32, e de Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL, de fls. 2011/2018, no valor de R$ 1.812.442,20, acrescidos da multa de ofício, no percentual majorado de 150%, e demais acréscimos moratórios; além de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ nos meses de janeiro a maio de 2010, no valor total de R$ 1.825.030,66, e de CSLL, nos meses de janeiro a julho de 2010, no valor total de R$ 906.221,11. A autuação, conforme a descrição dos fatos do auto de infração e o Termo de Verificação Fiscal de fls. 1980/1999, decorre de glosa de prejuízos fiscais, no valor de R$ 14.600.245,26, e de base de cálculo negativa de CSLL de períodos base anteriores, no valor de R$ 20.138.246,65, compensados indevidamente, uma vez que inexistentes no anocalendário de 2010, conforme Sistema de Acompanhamento de Prejuízo Fiscal e Lucro Inflacionário–SAPLI. Segundo o Termo de Verificação Fiscal, a insuficiência se origina nos anos calendário de 2000 e 2001, como segue: No anocalendário de 2000, a interessada havia declarado um prejuízo fiscal de R$ 43.081.430,53 e uma base de cálculo negativa da CSLL de R$ 48.050.270,48, que foi alterado no processo nº 10805.900681/200608 para um lucro de R$ 25.975.596,35. A 4ª Turma da DRJCampinas, através do acórdão Fl. 2923DF CARF MF Processo nº 10805.721830/201476 Acórdão n.º 1402002.518 S1C4T2 Fl. 2.924 4 0524.799 de 05/02/2009, confirmou a alteração, não tendo havido ainda julgamento definitivo no CARF. Porém, segundo o TVF, mesmo considerando que o CARF reverta o julgamento de primeira instância, ou seja, devolva à interessada o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL de 2000, ainda assim inexistiria saldo para as compensações do anocalendário de 2010, cuja glosa originou os autos de infração objeto do presente processo, em função da diferença no ano calendário de 2001. No anocalendário de 2001, a interessada em sua DIPJ declarou um lucro real de R$ 69.714,71 (ficha 09A) e uma base de cálculo negativa da CSLL de apenas R$ 104.959,82 (Ficha 17), mas considerou um prejuízo de R$ 56.019.793,70 e uma base de cálculo negativa da CSLL de R$ 56.145.667,93, fruto de exclusões naquele ano, no montante de R$ 56.040.708,11, referente a “Complem. Provisão Refis de março/2000”, que já foram considerados indedutíveis em processos anteriores. Intimada a apresentar documentação hábil e idônea que comprovasse o prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL naquele ano, ou ação judicial que o permita compensar tais valores diferentes do informado em sua DIPJ/2002, a interessada informou que não possuía ação judicial e que não localizou seus livros diário e razão porque a maioria foi queimada em incêndio ocorrido em arquivo externo gerido pela Interfile Gestão de Arquivos, segundo cópia de boletim de ocorrência e jornais que noticiaram o incêndio ocorrido em 04/07/2011. Assim, considerou a fiscalização para a presente autuação a existência de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL em 2000, mas não no ano calendário de 2001, resultando na inexistência de Prejuízos Fiscais e Base de Cálculo Negativa da CSLL em 01/01/2010 que motivou as autuações. A inexistência de Prejuízos Fiscais e Base de Cálculo Negativa da CSLL já resultaram na glosa de compensações nos anoscalendário de 2007, 2009 e 2008, objeto dos processos nºs 10805.722001/201249, 10805.721977/201202 e 10805.723349/201334, cujas impugnações foram julgadas improcedentes nesta instância administrativa pelos Acórdão nºs 0539.732 e 0539.731 da DRJ CampinasSP, em 10/01/2013, e 1264.319, desta 2ª Turma da DRJ/RJ, em 26/03/2014. O lançamento teve como enquadramento legal para IRPJ, o art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e Arts. 247, 250, inciso III, 251, 509 e 510 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999; e para a CSLL, os arts. 2º e 3º (com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei nº 8.034/1990 e art. 17 da Lei nº 11.727/2008) da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, e art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. A multa foi majorada para o percentual de 150% em função da conduta da interessada de, não tendo como comprovar seu prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de 2001, ter usado os mesmos para compensar lucros de 2010, caracterizando sua intenção de fraudar o Fisco, inserindo elementos inexatos em sua DIPJ, sendo tal conduta tipificada, em tese, como crime contra a ordem tributária, estabelecido no inciso II, do art. 2º, da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 2010. Fl. 2924DF CARF MF Processo nº 10805.721830/201476 Acórdão n.º 1402002.518 S1C4T2 Fl. 2.925 5 Além disso foram lançadas multas isoladas pela falta de recolhimento de estimativas mensais, pela mesma razão de insuficiência de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL de períodosbase anteriores, que tiveram como enquadramento legal o art. 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Foi lavrado termo de sujeição passiva solidária contra o Sr. Marcelo Baptista de Oliveira, CPF nº 102.801.62634, fls. 2000/2001, diretorpresidente da autuada (cientificado em 14/01/2015, conforme Aviso de RecebimentoAR de fls. 2025), nos termos do art. 135, inciso III, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário NacionalCTN), de acordo com o Parecer PGFN CRJCAT nº 55/2009 e da jurisprudência do STF, tendo em vista infração à lei pela inserção de elementos inexatos na DIPJ 2011 com o intuito de fraudar a fiscalização tributária, com ocorrência, em tese, de dolo, que deu origem a representação fiscal para fins penais. Da Impugnação Inconformada com o lançamento, a interessada apresentou, em 13/02/2015, sua impugnação de fls. 2031/2083, na qual descreve a autuação, argui a tempestividade, e alega, em síntese: Que estaria decaído o direito da Fazenda Pública efetuar o lançamento, defendendo a tese de que não poderia a autoridade fiscal rever informações já atingidas pela homologação tácita, quando do lançamento relativo à parcela de prejuízos compensados em 2010 e proveniente do anocalendário de 2001. Nesse sentido, sustenta que se o Fisco discordasse do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL dos períodos pretéritos, deveria têlos contestado àquela época, dado que a decadência torna imutáveis os lançamentos feitos nos livros fiscais, não podendo mais ser alterados, quer pelo Fisco quer pelo contribuinte. Alega ainda que, transcorrido o prazo de que tem direito o Fisco de contestar o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa, o contribuinte passa a ter o direito à manutenção dos valores indicados a tais títulos, mesmo que tenham sido formados irregularmente, não podendo mais ser glosados pela fiscalização os valores então apurados há mais de cinco anos, sob pena de desrespeito ao artigo 150, parágrafo 4º, do CTN. Com relação às alegações da Fiscalização, constantes do TVF, alega que: 1. A decadência não se refere apenas ao dever de constituir o crédito tributário, tanto que o Fisco comumente procede a lançamentos de IRPJ e CSLL somente para redução do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL; 2. A homologação tácita se daria também para os valores de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativa da CSLL apurados, não somente aos créditos tributários recolhidos, uma vez que o art. 9º do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, Processo Administrativo FiscalPAF prevê a retificação de prejuízo fiscal por auto de infração, o que não ocorreu no presente caso quanto ao anocalendário de 2001; Fl. 2925DF CARF MF Processo nº 10805.721830/201476 Acórdão n.º 1402002.518 S1C4T2 Fl. 2.926 6 3. O prazo para fiscalizar os prejuízos seria de 5 anos, independente do contribuinte apurar prejuízos reais ou inventar prejuízos bilionários. Cita jurisprudência administrativa para ampliar seu raciocínio, acrescentando que o prazo decadencial não se inicia com o aproveitamento do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa, e, sim, da data da sua apuração, dispondo o Fisco de cinco anos a partir da apuração para verificar os critérios utilizados na quantificação dos valores e, eventualmente, glosálos. Protesta que as despesas com tributos incluídos no REFIS I constam do LALUR desde 2001, já apresentado ao Fisco em fiscalizações anteriores, jamais tendo sido contestadas. Discorre que em 2000 aderiu ao Programa de Recuperação FiscalREFIS, reconhecendo débito no montante de R$ 136.612.861,62, que, uma vez confessado, passou aí a ser dedutível, uma vez que antes se encontrava com exigibilidade suspensa, restando impedida sua dedução por força do § 1º do art. 41 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Por um lapso, apenas R$ 69.814.231,71 foram reconhecidos como despesa no ano de 2000, gerando um prejuízo fiscal de R$ 43.081.430,53 e base de cálculo negativa da CSLL de R$ 48.050.270,48, reconhecidos na DIPJ e lançados na parte “b” do Lalur. O valor remanescente de R$ 66.798.629,91 somente seria reconhecido no ano de 2001, na rubrica “Ajustes de Exercícios Anteriores”, procedimento que encontraria amparo legal e não ensejaria prejuízo ao Erário. De tal saldo de R$ 66.798.629,91, somente R$ 56.040.708,11 foi reconhecido como despesa dedutível, pois a diferença se referia a multas indedutíveis. Por equívoco, não escriturou tal montante na parte “a” do Lalur, mas diretamente em sua parte “b”, e por tal razão não declarou tal valor em sua DIPJ na linha 36 da ficha 09A e na linha 27 da ficha 17. Protesta que a não escrituração da despesa dedutível na parte “a” do Lalur e nem sua declaração na DIPJ não significa que o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL não existam, tendo o próprio Fisco reconhecido sua existência em processo anterior, apenas questionando sua dedutibilidade. Assim, tendo incorrido efetivamente em tais despesas, dois erros formais cometidos não poderiam prevalecer sobre a verdade material. Alega que o termo “provisão”, constante do histórico “Compl. Provisão REFIS março/2000” não afasta a natureza de despesa, conforme Pareceres que transcreve, afirmando que os débitos incluídos no REFIS I não seriam provisões, por possuírem alto grau de certeza, com prazo e valores determinados, não restando duvidas, portanto, de serem despesas dedutíveis. Protesta que os erros formais cometidos, como a não transcrição na parte “a” do LALUR e nas exclusões na DIPJ, não podem se sobrepor à correta apuração e quantificação da obrigação tributária decorrente do fato gerador, devendo prevalecer a verdade material, cancelandose a autuação, pois superados os erros formais cometidos, revelase existente o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL. Fl. 2926DF CARF MF Processo nº 10805.721830/201476 Acórdão n.º 1402002.518 S1C4T2 Fl. 2.927 7 Alega a existência de dois limites à produção das provas exigidas pelo Fisco: uma em função do incêndio na empresa Interfile com a perda de todos os livros do anocalendário de 2001, ocorrido em 04/07/2011, tendo agido de boa fé ao lavrar boletim de ocorrência e publicar o fato ocorrido, Além disso, já teria transcorrido o prazo para guarda de documentos relativos ao ano de 2000 e 2001, conforme art. 196 do CTN e 37 da Lei nº 9.430/1996, não só quando da requisição dos documentos, mas também quando de sua destruição no incêndio. Protesta que mesmo com tais limitações apresentou provas suficientes que demonstrariam os equívocos de ordem formal e a existência dos prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL. Protesta ainda que houve alteração no critério jurídico, violando o art. 146 do CTN, uma vez que no processo 10805.723349/201334 foi reconhecida a existência de despesas com tributos incluídos no REFIS 1 em 2001, mas glosada as compensações por serem tais despesas indedutíveis, uma vez que consideradas como provisões. Já no presente processo, as despesas foram consideradas inexistentes, por sua não comprovação. Assim, tais despesas foram ignoradas no presente auto de infração, quando já reconhecidas na autuação de 2013. Alega incoerência interna na autuação que desconsiderou autuação realizada para o anocalendário de 2000, uma vez que o processo que discute tais valores estaria pendente de decisão no CARF, não adotando o mesmo raciocínio quanto ao anocalendário de 2001, sujo processo também se encontra pendente de julgamento. Protesta ainda contra a majoração da multa para o percentual de 150% e sua cumulatividade com a multa isolada. Ao final, repete resumidamente os argumentos acima, protestando para que todas as intimações e notificações sejam enviadas aos seus procuradores e que sejam aceitos todos os meios de prova em Direito admitidos, notadamente a juntada de novos documentos e sustentação oral. Analisando as impugnações apresentadas, conforme já relatado, o colegiado a quo julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada por PROTEGE S.A. PROTEÇÃO E TRANSPORTE DE VALORES (desqualificando a penalidade aplicada redução da multa de ofício de 150% para 75% e afastando a exigência concomitante de multa isolada por falta de recolhimentos de estimativas de IRPJ e de CSLL). Em relação ao coobrigado MARCELO BAPTISTA DE OLIVEIRA, declarouse sua revelia em razão de suposta não apresentação de impugnação. “PROTEGE”, contribuinte, foi intimado da decisão em 16 de maio de 2016 (fl. 2571) apresentando em 15 de junho de 2016 (fl. 2572) recurso voluntário de fls. 2573 2541. A Recorrente reafirma os termos de sua impugnação, trazendo argumentos também em relação à decisão de primeira instância. Em apertado resumo, são essas as alegações contidas no recurso: Fl. 2927DF CARF MF Processo nº 10805.721830/201476 Acórdão n.º 1402002.518 S1C4T2 Fl. 2.928 8 PARTE 1: DECADÊNCIA As despesas com tributos incluídos no REFIS I constam do LALUR desde 2001, que já foi apresentado ao Fisco em fiscalizações anteriores, jamais tendo sido contestadas; PARTE 2: PROVA DO PREJUÍZO FISCAL E DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSL APURADOS NO ANOCALENDÁRIO DE 2001 A formação do prejuízo fiscal do IRPJ e da base de cálculo negativa da CSL do anocalendário de 2001 Irrelevância dos erros formais cometidos pela Recorrente: a necessária prevalência da verdade material Limitações para a produção da prova exigida pela D. Autoridade Fiscal: Incêndio e ausência do dever legal de guarda do documento Primeiro limite: o incêndio na empresa INTERFILE Segundo limite: inexistência do dever legal de guarda dos documentos em virtude do transcurso do prazo decadencial Os equívocos da decisão proferida pela DRJ PARTE 3: INOVAÇÕES TRAZIDAS PELO ACÓRDÃO DA DRJ A decisão de primeira instância inovou a acusação fiscal (alteração do critério jurídico do lançamento) O nome “provisão” não afasta a natureza de despesa – Pareceres dos I. ELISEU MARTINS e SANDRA MARIA FARONI Impossibilidade de deduzir as despesas nos períodos dos fatos geradores – Parecer de SANDRA MARIA FARONI Ausência de Prejuízo ao Erário – Parecer do I. Prof. ELISEU MARTINS As Glosas Foram Consideradas Equivocadas Pelo CARF PARTE 4: ARGUMENTOS SUBSIDIÁRIOS Alteração do critério jurídico aplicado nas despesas com tributos incluídos no REFIS I (anocalendário de 2001) – Violação ao art. 146 do CTN Incoerência interna da autuação. MARCELO BAPTISTA DE OLIVEIRA, coobrigado, apresentou em 15 de junho de 2016 (fl. 2827) recurso voluntário de fls. 28342918. Não identifiquei nos autos qualquer intimação dirigida ao coobrigado a respeito da decisão de primeira instância. Preliminarmente, argumenta a Recorrente não ser revel, tendo a turma julgadora de primeira instância se equivocado, pois teria havido apresentação impugnação tempestiva por parte do Fl. 2928DF CARF MF Processo nº 10805.721830/201476 Acórdão n.º 1402002.518 S1C4T2 Fl. 2.929 9 coobrigado, fato ignorado pela decisão recorrida. Quanto ao mérito da exigência, aborda exatamente os mesmos pontos atacados pelo contribuinte em seu recurso voluntário. No que atine à responsabilidade tributária, aduz que não cometeu qualquer ato que possibilite responsábilizálo pelo crédito tributário com base no art. 135, III, do CTN, argumentando ainda que a mesma infração já foi alvo de inúmeros lançamentos anteriores sem se apontar a ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte da pessoa jurídica ou de qualquer ato de administração com infração de lei, estatuto ou contrato social. Requer que seja reconhecido o erro da DRJ ao considerálo revel, mas deixese de pronunciar sobre a nulidade porque o mérito lhe seria favorável. É o relatório. Fl. 2929DF CARF MF Processo nº 10805.721830/201476 Acórdão n.º 1402002.518 S1C4T2 Fl. 2.930 10 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE Os recursos voluntários apresentados são tempestivos e assinados por procurador devidamente habilitado. Preenchidos os demais pressupostos admissibilidade de ambos, deles, portanto, tomo conhecimento. 2 DECADÊNCIA E MÉRITO A exigência diz respeito ao anocalendário de 2010, e decorre, basicamente, de glosa de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL em razão de suposta insuficiência de saldos a compensar referentes aos anoscalendário de 2000 e 2001. Segundo a decisão recorrida, tal insuficiência foi motivada em razão de ajustes nos anoscalendário de 2000 e 2001, que glosaram exclusões indevidas efetuadas pela interessada, resultado dos processos números 10805.000681/200608, 10805.000682/200644 e 10805.900686/200622. Foram lavrados autos de infração em relação a períodos de apuração anteriores aos fatos geradores objeto do lançamento referente ao presente litígio.Tais processos estão controlados nos autos números 10805.722001/201249, 10805.721977/201202 e 10805.723349/201334 (anoscalendário de 2007, 2009 e 2008). Em primeiro lugar, saliento que, em relação à prova dos valores escriturados, entendo que os elementos apresentados pelo contribuinte demonstram cabalmente que ao menos a escrituração de tais valores era incontroversa. É importante salientar que a Recorrente já houvera apresentado seu LALUR referente ao anocalendário de 2001 à fiscalização no decorrer de procedimento que culminou com a lavratura do auto de infração controlado no processo nº 10805.723349/201334 referente ao anocalendário de 2008, cujo fundamento da exigência também foi o suposto aproveitamento indevido do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSL apurados no anocalendário de 2001. Assim sendo, as informações atinentes às despesas com tributos incluídos no REFIS I já compunham o LALUR da Recorrente, não tendo sido questionada sua a existência pela Fiscalização. Tal despesa, em realidade, foi o que ensejou a apuração de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSL no anocalendário de 2001, tendo a autoridade fiscal responsável pelo lançamento a que se refere o processo nº 10805.723349/201334 questionado tão somente a dedutibilidade dessa despesa, e jamais sua existência. Fl. 2930DF CARF MF Processo nº 10805.721830/201476 Acórdão n.º 1402002.518 S1C4T2 Fl. 2.931 11 Somase ainda o fato da ocorrência de incêndio em empresa que arquivava os documentos e livros da Recorrente, evento esse devidamente informado à Receita Federal logo após o incidente. Diante de tantos elementos, não há como se contestar o registro do prejuízo fiscal e da base negativa de CSLL em questão. Superada a questão da comprovação documental, passo à análise da dedutibilidade das despesas questionadas pelo Fisco e que compunham os valores compensados pela Recorrente. Segundo o Termo de Verificação Fiscal, no anocalendário de 2000 a Interessada havia declarado um prejuízo fiscal de R$ 43.081.430,53 e uma base de cálculo negativa da CSLL de R$ 48.050.270,48, valores esses objeto de alteração no processo nº 10805.900681/200608, tendo sido identificado, em realidade, lucros tributáveis de R$ 25.975.596,35. Compulsando os autos, entendo assistir razão à Recorrente, e por diversas razões. Em primeiro lugar em razão da decadência. Este colegiado já firmou o entendimento de que a alteração de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL deve ser realizada por meio de lançamento. Embora em tal precedente tenhase utilizado tal argumento para afastar a decadência, os fundamentos utilizados no voto vencedor do Acórdão 1402 001.850, de minha lavra, demonstram o porquê de tal entendimento: Conforme relatado, "a questão a ser enfrentada, no processo em questão, é se em 2010 o Fisco podia retroagir aos anoscalendário de 1996 a 1999 para verificar inconsistências cometidas pelo contribuinte e revisar o saldo negativo daqueles períodos concluindo, a partir de tais fatos, que os valores das estimativas do ano calendário de 2005 foram satisfeitas com saldo inconsistente de exercícios anteriores". No entendimento do relator, o artigo 9°, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972, impõe o lançamento ainda que, tendo sido constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário, o que implicaria, por consequência, o início da contagem do prazo decadencial a partir da ocorrência do encerramento do período de apuração correspondente. É certo que a decadência opera no sentido do princípio da segurança jurídica e da estabilidade das relações jurídicas. Em consequência, em 2010 (caso dos autos) o Fisco não mais poderia formalizar lançamento para exigência de crédito tributário e impor penalidades quanto a infrações incorridas no ano calendário de 1999, ou seja, constituir exigências tributárias. Isso por disposição expressa dos artigos 150 e 173 do CTN. O “prazo de homologação tácita” alegado pelo contribuinte que seria de cinco anos corresponderia ao mesmo prazo decadencial para o lançamento (constituição da obrigação tributária), previsto no CTN. Não há dúvidas de que na modalidade de lançamento por homologação, cabe ao Fisco exercer o controle da legalidade do ato praticado (ou mesmo omitido) pelo Fl. 2931DF CARF MF Processo nº 10805.721830/201476 Acórdão n.º 1402002.518 S1C4T2 Fl. 2.932 12 contribuinte, a fim de determinar se foram obedecidas as diretrizes que determinam a apuração correta do resultado tributável do exercício. O controle de legalidade envolve a averiguação, entre outras coisas, do cômputo correto e adequado das receitas tributáveis, das despesas incorridas e do resultado final do exercício. Caso o Fisco detecte qualquer divergência na apuração do resultado tributável, a menor ou mesmo a maior que o correto, tem o dever de exigir que o contribuinte faça as correções necessárias. Se for o caso, deve providenciar o lançamento de ofício do tributo que eventualmente não foi apurado ou recolhido corretamente. Isso porque, em matéria de declaração de compensação, assim como o contribuinte está sujeito a datas e procedimentos determinados para realizar a tarefa prevista em lei, o Fisco também está sujeito a prazos e procedimentos para verificar se o contribuinte cumpriu o que a lei determina. Resta claro, que o Código Tributário Nacional se refere ao lançamento por homologação como a “atividade” exercida pelo contribuinte, que é realizada quando o objeto da “atividade” é um tributo que deve ser apurado e recolhido pelo próprio contribuinte, caso do IRPJ. Claro está de que no ordenamento pátrio existe prazo de caducidade aquisitiva. Todavia, tais prazos devem ser expressos. Ademais, não se pode transmutar uma disposição legal relativa a um prazo extintivo para um lapso aquisitivo. É ir muito além da possibilidade da interpretação, especialmente porque não haveria limites para o indébito tributário. No caso de homologação do pagamento ou da compensação, o direito está limitado ao próprio valor do crédito tributário que se pretende extinguir. Já a aquisição pura e simples de um valor monetário por decurso de prazo na verificação de informações redundaria na possibilidade de se consolidarem direitos contra a Fazenda Pública de montantes elevados. Ademais, os prazos extintivos visam à pacificação social, à consolidação pelo tempo de situações já estabelecidas. Em razão disso, há dois tipos de prazos em matéria tributária, ambos relativos à extinção de direitos do Fisco em face do particular: a decadência que fulmina o poder de constituir o crédito tributário, e a prescrição que elimina o direito de cobrar. Ambos os casos consolidam situações concretas que se perpetuaram no tempo, ou seja, como o sujeito passivo até então não pagou, então por inércia do Fisco continuará a não pagar. Assim, no contexto do procedimento de homologação das declarações de compensação, no qual deve ser atestada a existência e a suficiência do direito creditório (liquidez e certeza) invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação do Fisco é a que diz respeito ao prazo de cinco anos da data da protocolização ou apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos tacitamente, independentemente da existência dos créditos, a teor do art. 74, § 5º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. No mesmo sentido, assim concluiu a Solução de Consulta Interna Cosit nº 16, de 2012: 31.1. Após transcorrido o prazo decadencial, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN, assim como o prazo para homologação de compensação de que trata o art. 74, § 5°, da Lei n° 9.430, de 1996 (homologação tácita), há apenas a impossibilidade de lançamento de Fl. 2932DF CARF MF Processo nº 10805.721830/201476 Acórdão n.º 1402002.518 S1C4T2 Fl. 2.933 13 diferenças do imposto devido. Tal vedação não se aplica à compensação de débitos próprios vincendos que tenha sido homologada tacitamente, quando ainda não se tenha operado a decadência para o lançamento do crédito tributário. 31.2. Todavia, pode a Administração Tributária, dentro do lapso de que esta dispõe (art. 74, § 5°, da Lei n° 9.430, de 1996), não homologar a compensação declarada em momento posterior, em que se utilizem créditos de saldo negativo de IRPJ ou de CSLL, inclusive os oriundos de estimativas quitadas por meio de Dcomps homologadas tacitamente, se verificada a inexistência de liquidez e certeza desses créditos. A respeito dos argumentos específicos do ilustre Conselheiro Relator, passo a demonstrar de modo mais específico o porquê de minha divergência. De fato, constatada infração à legislação tributária, ainda que dela não implique exigência de crédito tributário, há de ser realizado o lançamento, conforme bem observado pelo Conselheiro Relator, a teor do que dispõe o § 4º do art. 9ª do Decreto nº 70.235/72. Ocorre que a necessidade de lançamento baseiase única e exclusivamente nas hipóteses em que se constatar divergências na apuração das bases de cálculos dos tributos em questão, ou ainda da correta alíquota aplicável. Vejase que na redação original do art. 9º do Decreto nº 70.235/72 falavase em lançamento para retificação de prejuízo fiscal, e a alteração trazida pela redação dada pela Lei nº 11.941/2009 somente veio adaptar tal aplicabilidade a novos tributos que também poderiam ter suas bases de cálculo alteradas, sem, contudo, haver exigência de crédito tributário, tais como o PIS e a Cofins em seus sistemas de apuração não cumulativos. Resta evidente que a necessidade de lançamento somente diz respeito, portanto, à aferição das bases de cálculo, e até mesmo alíquotas, dos tributos, ou seja, na quantificação do tributo devido, o qual terá como valor mínimo, zero, insuscetível, de per si, na caracterização de saldo negativo de IRPJ ou CSLL Com a devida vênia, acho que foi justamente nesse ponto que o Conselheiro Relator equivocouse, fazendo uso de tal dispositivo legal nas hipóteses em que se constata irregularidades após a definição do tributo devido, ou seja, nos valores eventualmente deduzidos em face de recolhimentos de estimativas, de retenções na fonte ou de compensações anteriores. Tais procedimentos referemse à definição de eventual tributo a recolher, ou, como no caso dos autos, justamente na formação do indébito pleiteado, e não a alterações no prejuízo fiscal do período. Sublinhese que sequer há necessidade de apuração de prejuízo fiscal ou saldo negativo de CSLL para se apurar indébito, bastandose que o valor do tributo devido seja menor que as retenções, recolhimentos de estimativas e compensações realizadas, ou seja, o tributo a recolher seja "negativo". No caso em exame, não houve qualquer alteração na base de cálculo ou de alíquota de forma a alterar o saldo de tributo devido. Caso houvesse discordância em relação à base de cálculo, ou no montante de tributo devido, sem dúvida, o prazo para o Fisco alterar os valores apurados pelo contribuinte seria de cinco anos, contados na forma do art. 150 ou 173, I, do CTN, a depender da existência de pagamentos antecipados e na ausência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 2933DF CARF MF Processo nº 10805.721830/201476 Acórdão n.º 1402002.518 S1C4T2 Fl. 2.934 14 Ocorre que, no caso concreto, o Fisco somente discordou do valor de estimativas recolhidas informado pelo contribuinte, o que, evidentemente, não pode se confundir com redução de prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL, tema jamais questionado pela autoridade fiscal. Em resumo, entendo que o Fisco possui o prazo de cinco anos para alterar a base de cálculo de um tributo ou para aplicar a correta alíquota, alteração essa que deve ser realizada mediante lançamento, ainda que não haja exigência de crédito tributário. Contudo, tratandose de divergências nos valores de recolhimentos de estimativas, retenções na fonte ou compensações, não há que se falar em lançamento. No máximo, pode vir a ocorrer a homologação tácita de eventual compensação. Portanto, no caso de alteração de base de cálculo, ou de tributo devido, o Fisco deve valerse de lançamento, sujeito ao prazo decadencial. Por outro lado, se a questão disser respeito a divergências entre valores de tributos extintos por recolhimentos anteriores ou retenções na fonte e que vieram a formar o indébito pleiteado, o Fisco pode retroagir tanto quanto for necessário, desde que o faça no prazo de cinco anos contados da transmissão da declaração de compensação. E, em relação a esse último prazo, o Fisco agiu dentro do interregno fixado em lei. [grifos não contidos no original] Ressalto que esse mesmo entendimento foi adotado no acórdão 1101001.037 (processo 10805.721977/201202 – relativo ao anocalendário de 2009, tendo como fundamento a insuficiência de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL também questionadas no presente processo). Por representar meu entendimento sobre o tema, destaco excerto da brilhante declaração de voto da Conselheira Edeli Pereira Bessa: Quanto à glosa de prejuízos fiscais e bases negativas compensados indevidamente, a autoridade fiscal valeuse de análises no âmbito do reconhecimento de direito creditório ao sujeito passivo no anocalendário 2000. Contudo, para impedir a utilização daqueles resultados negativos no anocalendário 2009, a autoridade fiscal deveria demonstrar que eles foram retificados antes do decurso do prazo decadencial. Isto porque, embora a lei autorize a revisão da compensação do saldo negativo apurado no anocalendário 2000 em até 5 (cinco) anos da entrega da DCOMP correspondente, e esta Conselheira entenda que, neste prazo, é possível, inclusive, a confirmação da base de cálculo do tributo, o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, na redação vigente no anocalendário 2000, previa o lançamento tributário como forma para redução de prejuízo fiscal, e este sujeitase a prazo decadencial na forma dos arts. 150 e 173 do CTN. Assim, embora este lançamento não seja necessário para o não reconhecimento do direito creditório, ele é essencial para posterior glosa da compensação futura daquele prejuízo ou base negativa, vez que a lei não estipula outro prazo para a confirmação dos valores assim utilizados. Ao contrário, define que a redução de prejuízo fiscal deve observar a mesma formalidade fixada para a exigência de crédito tributário. Por sua vez, embora o lançamento tributário não necessite, necessariamente, de documentos denominados “auto de infração” ou “notificação de lançamento” como veículos, admitindose como tal também atos formalizados por Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil contendo os requisitos expressos nos arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72, como por exemplo um despacho decisório, o fato é que esta formalização deve se verificar até o termo final do prazo decadencial. E, como se vê nos acórdãos de manifestação de inconformidade juntados às fls. 812/851, a análise dos saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados no anocalendário 2000, Fl. 2934DF CARF MF Processo nº 10805.721830/201476 Acórdão n.º 1402002.518 S1C4T2 Fl. 2.935 15 objeto dos processos administrativos nº 10805.900681/200608 e 10805.900682/200644, somente foi cientificada ao sujeito passivo em 18/07/2008, momento em que já ultrapassado até o mesmo o prazo decadencial mais alargado, previsto no art. 173, I do CTN. Assim, apesar de as compensações daqueles créditos serem passiveis de questionamento em até 5 (cinco) anos da entrega das DCOMP, as retificações no prejuízo fiscal e bases negativas ali promovidas sujeitavamse a prazos distintos para autorizar a glosa aqui promovida. Contudo, a fim de evitar um prolongamento do debate em face de posicionamentos divergentes de outros colegiados em relação à decadência em casos desse talante, ou ainda o colegiado ter que se pronunciar em relação ao mérito caso a prejudicial de decadência viesse a ser reformada na Câmara Superior, passo à análise do mérito da glosa em relação às despesas referentes ao “REFIS I”. O tema diz respeito à dedutibilidade de juros moratórios incidentes sobre tributos, em especial quanto ao momento de sua dedutibilidade nos casos em que há suspensão da exigibilidade do crédito tributário. O tema também não é novo neste colegiado. Cito como exemplo o Acórdão 1402001.495, também de minha lavra, transcrevendo trechos de interesse com os fundamentos de meu voto em relação à matéria: A infração objeto de recurso de ofício referese à exclusão de juros de mora sobre débitos incluídos no PAEX (Medida Provisória nº 303). No lançamento fiscal foram tributados os juros de mora no montante de R$ 6.731.031,36 relativos a exclusão realizada no LALUR no ano calendário de 2006 (fl. 392), juros estes incidentes sobre débitos de imposto de importação exigidos em lançamento de ofício e cujo mérito estava sendo discutido administrativamente até a edição da Medida Provisória nº 303, de 29 de julho de 2006, quando a interessada optou por desistir do litígio e solicitou adesão ao PAEX. De igual forma, foi glosada a despesa com juros sobre o PAEX excluída do LALUR no anocalendário de 2007 (fl. 398), no valor de R$ 7.812.496,84, relativa a juros por adequação/complementação do saldo. Entendeu a autoridade lançadora que, por se tratar de débitos com exigibilidade suspensa, incidiria exceção à dedutibilidade de juros pelo regime de competência prevista no art. 41, § 1º, da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 (base legal do art. 344, § 1º, do RIR de 1999), in verbis: “Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1º. O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1996, haja ou não depósito judicial.” A turma julgadora de primeira instância cancelou a exigência por entender que os valores incluídos em parcelamento não estariam excepcionados Fl. 2935DF CARF MF Processo nº 10805.721830/201476 Acórdão n.º 1402002.518 S1C4T2 Fl. 2.936 16 da regra geral de dedutibilidade dos tributos pelo regime de competência, assim fundamentando suas conclusões: Contudo, os débitos objetos de pedido de parcelamento, cuja suspensão da exigibilidade encontrase prevista no inciso VI do art. 151 do CTN, não foram alcançados pela vedação de dedutibilidade com base no regime de competência prevista no § 1º do art. 41 da Lei nº 8.981, de 1995, o qual diz respeito exclusivamente aos débitos cujo mérito se encontra sendo questionado na esfera administrativa ou na judicial, o que não é caso, cuja exigência é aceita pela contribuinte. Observese que os incisos V e VI desse artigo foram incluídos pelo art. 1º da Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001, após a edição da Lei nº 8.981, de 1996, mas o parcelamento poderia também estar enquadrada no inciso I (moratória) desse art. 151, que igualmente não foi alcançado pela restrição prevista no § 1º do art. 41 da Lei nº 8.981, de 1995. Acrescentese que o fato de a despesa com juros de mora ter sido excluída do LALUR apenas em 31/12/2006 (R$ 6.731.031,36) e 31/12/2007 (R$ 7.812.496,84), quando deveria ter sido escriturada em períodos de apuração anteriores, com base no regime de competência, não resultou em postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido, conforme previsto no art. 273 do RIR de 1999. A correição do julgado pode ser extraída de recente posicionamento da RFB sobre o tema. Por meio da Solução de Consulta Interna nº 9 – Cosit, de 09 de junho de 20121, a RFB fixou entendimento de que: Não é admissível a dedutibilidade do tributo, na hipótese de concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial (art. 151, inciso V, do CTN), pelo regime de competência, por se tratar de uma provisão. Na hipótese de parcelamento (art. 151, inciso VI, do CTN) a dedutibilidade do tributo ocorre pelo regime de competência. [...] Confrontando as situações de suspensão de exigibilidade do crédito tributário introduzidas no CTN pela Lei Complementar nº 2004, de 2001, com inteligência do art. 41 da Lei nº 8.981, de 1995, verificase que a proibição de dedução pelo regime de competência é aplicada a situações em 1 Disponível em: http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/Legislacao/SolucoesConsulta/2012/Cosit/SCICosit092012.pdf. Acesso em: 23 out 2013. Fl. 2936DF CARF MF Processo nº 10805.721830/201476 Acórdão n.º 1402002.518 S1C4T2 Fl. 2.937 17 que o contribuinte não reconhece a dívida. Ora, se o contribuinte entende que não deve aquele valor não pode aproveitar da redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Esta característica é encontrada nas situações elencadas nos incisos II a IV do art. 151 do CTN.[grifos não contidos no original] Neste sentido, o mesmo tratamento deve ser aplicado a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial. A dedutibilidade do tributo não é autorizada pelo regime de competência por tratarse de provisão, ou seja, não há efetivamente o reconhecimento da dívida, ocorre apenas a contabilização de uma possível perda futura. Já a hipótese de parcelamento deve ter o mesmo tratamento dispensado à moratória porque o contribuinte efetivamente reconhece a dívida, existindo apenas a negociação do seu pagamento em prazo mais dilatado. [grifos não contidos no original] [...] A regra aplicada à dedutibilidade dos juros deve ser a mesma aplicada aos tributos sobre os quais incidem, dada sua natureza de acessório, que segue o principal. No silêncio do § 1º do art. 41 da Lei nº 8.981, de 1995, em relação à dedutibilidade dos acréscimos moratórios, consoante os princípio de direito tributário, estes devem seguir a regra de dedutibilidade do principal. Ademais, frisese que os juros de mora devidos em razão de débitos recolhidos com atraso são sempre dedutíveis como despesas financeiras (cf. Parecer Normativo CST nº 174/1974). Tratandose o Parcelamento Excepcional (Paex), instituído pela Medida Provisória nº 303, de 2006, de parcelamento (confissão irretratável da dívida) devidamente aprovado e oficializado pela administração tributária, seus juros moratórios, previstos no § 3º do art. 3º da referida Medida Provisória, em consequência, são dedutíveis na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, a título de despesas financeiras. A regra vigente desde a edição do art. 41 da Lei nº 8.981, de 1955, é a dedutibilidade pelo regime de competência. [grifos nossos] Pois bem, se os débitos objeto do parcelamento, até então, encontravamse com exigibilidade suspensa em razão de discussão administrativa ou judicial, não poderia o contribuinte deduzir não só os tributos, mas também os juros moratórios sobre eles, enquanto perdurasse tais demandas. Ao optar por incluir tais débitos no PAEX, o contribuinte passou a fazer jus a dedução dos juros correspondentes. Tratandose de valores referentes a períodos anteriores, procedeu o contribuinte a sua contabilização diretamente em conta de lucros acumulados a título de ajustes de exercícios anteriores, conforme determina o art. 186, I e § 1º, da Lei nº 6.404, de Fl. 2937DF CARF MF Processo nº 10805.721830/201476 Acórdão n.º 1402002.518 S1C4T2 Fl. 2.938 18 1976, ou seja, tais valores não transitaram por contas de resultado. Para que tais valores pudessem afetar seu resultado fiscal, procedeu a Recorrente à exclusão de tal montante diretamente na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. [grifos não contidos no original] Retornando ao caso concreto, no mesmo sentido desse último precedente foram julgados os recursos voluntários de dois dos três autos de infração lavrados anteriormente, referente a anoscalendário pretéritos aos tratados nos presentes autos (processos 10805.722001/201249 e 10805.721977/201202, respectivamente acórdãos 1201 001.185 e 1101001.037). Em relação ao caso concreto, é importante ainda frisar que a Recorrente conseguiu demonstrar, sem deixar qualquer dúvida, que preenchera incorretamente a DIPJ referente aos anoscalendário de 2000 e 2001. Isso porque embora no ano 2000 tenha incluído no REFIS I o montante de R$ 136.612.861,62 (somandose principal, multa e juros), conforme demonstra sua escrituração contábil, somente escriturou como despesa o total de R$ 69.814.231,71, apurando prejuízos fiscal de R$ 43.081.430,53 e base negativa de CSLL de R$ 48.050.270,48 (fichas 09A e 17 da DIPJ 2001, em consonância com o escriturado à folha 16 de seu LALUR – parte “B”). No ano seguinte (2001), a Recorrente, percebendo o equívoco do registro a menor das despesas efetivas incluídas no REFIS I, registrou diretamente em seu patrimônio líquido o valor remanescente de R$ 66.798.629,91 na conta “Ajuste de Exercícios Anteriores”, aliás, como desde sempre impunha a melhor técnica contábil, nos termos do § 1º do art. 186 da Lei nº 6.404/762 (há registro na ficha 40 da DIPJ 2002 no valor de R$ 72.397.469,08, em conformidade com o contido na pg. 3 do Livro Razão do anocalendário de 2001 – onde há exatamente o registro de R$ 66.798.629,91 com histórico “Complemento provisão REFIS mês 01/00 efetuado a menor indevidamente”, que, somado a outros ajustes também realizados e escriturados em seu Livro Razão compõe valor equivalente ao informado em sua DIPJ). Cumpre ressaltar que, em se tratando de despesa dedutível, mas não contabilizada em conta de resultado (já foi registrada diretamente em conta de patrimônio líquido), correto o procedimento de efetuar sua exclusão para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, aliás, conforme entendimento firmado pela própria RFB em suas famosas publicações de “Perguntas e Respostas”3. 2 Art. 186. [...] § 1º Como ajustes de exercícios anteriores serão considerados apenas os decorrentes de efeitos da mudança de critério contábil, ou da retificação de erro imputável a determinado exercício anterior, e que não possam ser atribuídos a fatos subseqüentes. 3 A esse respeito vejase resposta reiteradamente veiculada pela RFB ao longo dos anos. “052 Como a pessoa jurídica deverá proceder, no período em que foi efetuado o ajuste, com relação à dedutibilidade ou tributação das parcelas regularizadas decorrentes da inobservância do regime de competência, quando a legislação comercial determinar que a retificação seja considerada como ajustes de exercícios (períodos) anteriores? A regularização, como ajustes de exercícios (períodos) anteriores, não provoca qualquer reflexo no resultado do período em que for efetuada sua escrituração (não afeta o lucro líquido do período de apuração). Se, em decorrência da imputação a período de apuração anterior, resultar a apuração de saldo de imposto a pagar, ou inexistindo diferença de saldo de imposto a pagar, seus efeitos já terão sido considerados na apuração do lucro real daqueles períodos e, consequentemente, não poderão influenciar a apuração no exercício em que forem efetuados os lançamentos contábeis de regularização. Entretanto, no caso em que não ocorra postergação de pagamento do imposto para período posterior ao em que seria devido, ou redução indevida do lucro real em Fl. 2938DF CARF MF Processo nº 10805.721830/201476 Acórdão n.º 1402002.518 S1C4T2 Fl. 2.939 19 Em relação ao tema, há ainda duas observações que merecem ser ressalvadas: (i) embora a escrituração da Recorrente indique a informação de que se trata de “provisão”, a toda evidência se trata de despesa de tributo já incorrida, mas somente reconhecida no ano 2000, com a inclusão do débito em parcelamento, momento em que passou a ser dedutível, uma vez que antes se encontrava com exigibilidade suspensa, conforme já explanado neste voto; (ii) considerandose que a Recorrente houvera auferidos prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL tanto no anocalendário de 2000, como no anocalendário de 2001, não houve qualquer prejuízo ao Fisco na postergação do reconhecimento de parte da despesa em questão. Há de se salientar ainda que a Recorrente logrou êxito em comprovar o erro na escrituração da parte “A” de seu Lalur, demonstrando que embora não tenha registrado a exclusão na parte “A” do Lalur, registrou a parcela dedutível diretamente na parte “B” do Lalur (R$ 56.040.708,11)4. Tratase, à evidência, de mero erro formal que, diante da comprovação da existência das despesas dedutíveis, não pode trazer prejuízos de ordem material à Recorrente. E justamente em razão do erro na escrituração da parte “A” do Lalur, incorreu em novo o equívoco a Recorrente ao preencher a DIPJ 2002. Tendo em vista os registros contábeis realizados, não informou na ficha de demonstração de resultado a despesa referente aos débitos incluídos no REFIS I registrada a menor no ano de 2000 e escriturada contabilmente em 2001 (retratando fielmente o que se encontrava em sua contabilidade, já que registrou o valor da despesa diretamente em conta patrimonial “ajuste de exercícios anteriores”). E, reproduzindo sua parte “A” do Lalur (sem a exclusão da complementação de despesa com REFIS I) acabou também não informando as respectivas exclusões das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL nas fichas 09A e 17 (linhas 36 e 27, respectivamente da Demonstração do Lucro Real e Cálculo da CSLL exclusão a menor de R$ 56.040.708,11). Conforme já abordado, há fartos elementos probatórios que demonstram o erro no preenchimento da DIPJ. E a esse respeito, é importante ressaltar que a própria Receita Federal reconhece que, em se tratando de erro no preenchimento de declarações, a retificação de ofício de débito confessado em declaração pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 03 de setembro de 20145. qualquer período de apuração, e o contribuinte optar por efetuar a sua regularização em período posterior, contabilmente deve ser dado tratamento de ajuste de exercícios (períodos) anteriores. No aspecto fiscal, caso se trate de parcela correspondente a despesa dedutível ou receita tributável, para produzir efeito na determinação do lucro real, ela pode ser excluída ou deve ser adicionada ao lucro líquido do período de apuração respectivo, ou seja, aquele a que efetivamente se refere a despesa ou a receita.” (disponível em: <http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/perguntao/dipj2012/CapituloVIIEscrituracao2012.pdf>). 4 Somente foi reconhecida como dedutível a parcela de R$ 56.040.708,11, pois R$ 10.757.921,80 eram indedutíveis pois referiamse a multas (conforme doc. 4 da impugnação), nos termos do § 5º do art.. 41 da lei nº 8.981/95. 5 Disponível em: <http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=55808>. Acesso em 03 mai 2017. Fl. 2939DF CARF MF Processo nº 10805.721830/201476 Acórdão n.º 1402002.518 S1C4T2 Fl. 2.940 20 Entendo que tais motivos, independentemente da ocorrência da decadência, demonstram que não só os prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL não reconhecidas pela Fiscalização existiam, como, sob o enfoque da decisão de primeira instância, as despesas questionadas eram efetivamente dedutíveis e os valores pleiteados pelo contribuinte estão em total consonância com os valores escriturados, não havendo qualquer prejuízo à Fazenda Nacional quer pela postergação no registro das despesas relativas ao REFIS I, quer pelo erro no preenchimento da DIPJ 2002. Há ainda outra linha de argumento possível. Em relação ao processo nº 10805.723349/201334, proferiuse a Resolução nº 1301000.291 para que fosse distribuído ao mesmo Relator – Conselheiro Waldir Veiga Rocha o processo nº 10805.900686/200622, considerado prejudicial ao julgamento daquele (análise do saldo negativo do anocalendário de 2000 em que fora realizada a glosa em questão). O processo prejudicial (10805.900686/200622) foi julgado na sessão de 12 de abril de 2017, tendo sido proferido o Acórdão 1301002.401 no sentido de “dar provimento parcial ao recurso voluntário para admitir que a despesa operacional de R$ 67.543.076,11, anteriormente glosada, seja computada no cálculo do resultado tributável”. E tal despesa referese exatamente a despesas referentes à adesão ao REFIS I, com reflexo nos presentes autos. Frisese que antes da análise do mérito o julgamento fora convertido em diligência, concluindo assim o I. Conselheiro Relator Waldir Veiga Rocha, com a maestria que lhe é peculiar: Pois bem. Com a diligência, vieram aos autos documentos diversos, dos quais destaco a cópia de folha do livro Diário de 2000 (fl. 1281), na qual se constata que o valor de R$ 67.543.076,11 (REFIS) foi contabilizado no anocalendário 2000, e não em anos anteriores, confirmando documentalmente a hipótese acima. Efetivamente, apesar de se referir a tributos previdenciários da competência de anos anteriores, a exigibilidade (e, por decorrência, a possibilidade de dedução para fins fiscais) somente se efetivou no momento da adesão ao REFIS, em 2000. Desaparece, com isso, o fundamento para a desconsideração desse valor no cômputo do lucro líquido do anocalendário 2000. Quanto a esta infração, portanto, dou provimento ao recurso voluntário, devendo ser procedidos os cálculos considerandose a despesa aqui discutida de R$ 67.543.076,11. Conclusão. Em conclusão, por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para admitir que a despesa operacional de R$ 67.543.076,11, anteriormente glosada, seja computada no cálculo do resultado tributável. Portanto, além da tese de mérito convergente ao entendimento ora firmado, o decidido acaba por confirmar a existência do registro dos prejuízos fiscais e bases negativas, relativa ao anocalendário de 2000, em valores compatíveis com os discutidos nos presentes autos, conforme já explanado no início deste voto. Confirma ainda que os valores referentes ao REFIS I diziam respeito a tributos de competência relativa a períodos anteriores e que estavam com a exigibilidade suspensa, tendo sido somente registrados no anocalendário de 2000. Fl. 2940DF CARF MF Processo nº 10805.721830/201476 Acórdão n.º 1402002.518 S1C4T2 Fl. 2.941 21 Ante a todas essas ponderações e constatações, não vejo como não prover integralmente o recurso voluntário, inclusive no que atine à CSLL, uma vez não haver questões específicas em relação a essa exigência. Em razão de tal provimento, em seu mérito, resta prejudicada a análise das teses subsidiárias apresentadas pela Recorrente, bem como a exigência das multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas. De igual forma, embora o recurso de ofício tivesse que ser desprovido em razão de qualquer ato que implicasse dolo, fraude ou simulação de que tratam os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, consideroo prejudicado em razão do cancelamento da própria infração. Em relação ao recurso voluntário apresentado pelo coobrigado, ainda que o crédito tributário fosse mantido, imporseia o cancelamento da responsabilidade tributária que lhe foi atribuída. Em primeiro lugar, afastese a tese de revelia, pois consta nos autos impugnação de fls. 28342918 interposta tempestivamente. Por um lapso, a turma julgadora a quo não identificou a impugnação apresentada, o que imporia, em tese, a declaração de nulidade parcial da decisão de primeira instância para que fosse apreciada a defesa do coobrigado. Contudo, sendo o mérito favorável ao coobrigado, deixase de declarar a nulidade do julgamento, conforme possibilita o § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 19726. E o mérito é favorável à Recorrente não somente porque o crédito tributário foi extinto, mas também porque, ainda que o lançamento fosse mantido, tratarseia de mera infração tributária que não denotaria qualquer atitude dolosa por parte do representante legal da pessoa jurídica que pudesse ensejar lhe ensejar a responsabilidade tributária de que trata o art. 135, III, do CTN. Em relação à infração imputada pela autoridade fiscal, absolutamente desprovida de qualquer dolo, aplicase o enunciado nº 430 da Súmula do STJ: O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente. Mais recentemente, julgouse a matéria sob a égide do disposto no art. 543C do CPC/1973 (“recurso repetitivo”), sendo que a Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.101.728/SP, de Relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, consolidou entendimento segundo o qual “a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do 6 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 2941DF CARF MF Processo nº 10805.721830/201476 Acórdão n.º 1402002.518 S1C4T2 Fl. 2.942 22 CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa”. Saliento que o simples inadimplemento da obrigação não pode gerar, de per si, a responsabilidade do administrador da pessoa jurídica. Ao assim dispor, por outro lado, o STJ deixou transparecer que em hipóteses de um inadimplemento, digamos, “qualificado”, podese sim atribuir a responsabilidade de que trata o art. 135 do CTN. Com efeito, não comungo do entendimento daqueles que limitam a aplicação do caput do art. 135 do CTN às hipóteses de cometimento de infração à lei societária, excluindo infrações às leis tributárias. Não me parece ser crível que, em se tratando de uma norma tributária, excluase do rol de infrações, aptas a ensejar a corresponsabilidade, justamente as próprias leis aplicáveis aos tributos. Portanto, nas hipóteses em que se mostra correta a qualificação da penalidade com esteio no art. 44, inciso I, c/c § 1º, da Lei nº 9.430/96 e arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, incide, automaticamente, a responsabilidade tributária dos administradores da pessoa jurídica que, à época da ocorrência dos respectivos fatos geradores, também poderão vir a ser responsabilizados pelo cometimento de crimes contra a ordem tributária. No caso concreto, contudo, conforme já discorrido, ainda que a infração fosse mantida, a multa qualificada não se manteria, haja vista a ausência de qualquer ato doloso por parte da Recorrente. Aliás, em todos os lançamentos realizados anteriormente – a propósito, não decididos definitivamente antes da formalização da presente exigência – aplicouse a multa de 75%, não se falando também em qualquer imputação de responsabilidade ao administrador da pessoa jurídica. Não haveria qualquer razão adicional para tratamento distinto no presente caso. Desse modo, voto por cancelar a imputação de responsabilidade atribuída ao coobrigado. 3 CONCLUSÃO Isso posto, voto por considerar prejudicada a apreciação do recurso de ofício e dar provimento aos recursos voluntários da pessoa jurídica e do coobrigado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 2942DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.902187/2012-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/11/2007
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.609
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, que votavam pela conversão em diligência.
(Assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge DOliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, que votavam pela conversão em diligência. (Assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 90 21 87 /2 01 2- 20 Fl. 1066DF CARF MF Processo nº 10820.902187/201220 Acórdão n.º 3401003.609 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Tratase de Pedido de Restituição de crédito de COFINS, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior transmitido por meio do PER/Dcomp. 2. A Delegacia da Receita Federal (DRF) proferiu Despacho Decisório indeferindo o pedido formulado, uma vez que o pagamento indicado no PER/Dcomp em referência teria sido integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte. 3. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alegou, em síntese, que: (i) à época do fato gerador, como optante pelo regime do lucro presumido, submetiase à sistemática cumulativa de apuração da Cofins (à alíquota de 3%) e do PIS (à alíquota de 0,65%), havendo recolhido indevidamente tais contribuições calculadas sobre a saída de mercadorias que, por se tratarem de produtos farmacêuticos e cosméticos, já haviam sofrido incidência monofásica em etapa anterior da cadeia, nos termos da Lei nº 10.147/2000, e em conformidade com a Instrução Normativa SRF nº 594/2005; (ii) no momento em que se deu conta do equívoco cometido, procedeu à retificação da DACON respectiva. 4. Em data posterior ao protocolo da manifestação de inconformidade e anterior ao julgamento de primeira instância administrativa, requereu a contribuinte, mediante petição simples, a juntada dos livros de Registro de Entrada e Saída de Mercadorias e declarou, ainda, não ter logrado êxito em juntar as notas fiscais de compra das mercadorias, requerendo, nesta oportunidade, a realização de diligência para confirmação do crédito tributário pleiteado. 5. Foi proferido Acórdão DRJ julgando improcedente a manifestação de inconformidade interposta, de maneira a não reconhecer o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 30/11/2007 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DCTF. RETIFICAÇÃO. Retificada a DCTF após o despacho decisório que indeferiu a restituição, o direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. PRODUTOS FARMACÊUTICOS, DE PERFUMARIA, DE TOUCADOR OU DE HIGIENE PESSOAL. ALÍQUOTA. Os produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal sobre cuja receita de venda incidem o PIS e a COFINS com Fl. 1067DF CARF MF Processo nº 10820.902187/201220 Acórdão n.º 3401003.609 S3C4T1 Fl. 4 3 alíquota zero são apenas aqueles identificados na legislação de regência pelo seu código na TIPI. 6. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando as razões veiculadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.583, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10820.902161/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.583): "8. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 9. Entendeu o julgador de primeira instância administrativa, após minuciosa análise dos fatos e documentos que instruem o presente feito, pelo não conhecimento do documento juntado intempestivamente, correspondente aos Livros de Registro de Entrada e Saída de Mercadorias, com fundamento no Ato Declaratório Normativo (ADN) COSIT nº 15, de 12/07/1996. 10. Contudo, ainda que transposto obstáculo da preclusão consumativa, verificase, a partir da apreciação dos documentos não conhecidos pela decisão a quo, que tais livros não realizam a discriminação dos tipos de produtos, não sendo possível se afirmar com a necessária precisão se de fato atendem aos desígnios e requisitos da Lei nº 10.147/2000 e da Instrução Normativa SRF nº 594/2005, não se prestando, portanto, a comprovar o direito creditório pleiteado. 11. Aduz a decisão a quo que, na DCTF original, foi declarado débito em montante igual ao recolhido, motivo pelo qual não encontrou a autoridade fiscal saldo de pagamento disponível. A identidade entre valor declarado e recolhido se deve à crença da contribuinte, no momento da declaração e do pagamento respectivos, de que se tratava de operação tributada regularmente pelas contribuições em comento. 12. Apenas em momento posterior ao do despacho decisório que indeferiu o pedido formulado por inexistência de saldo é que a contribuinte, ora recorrente, procedeu à entrega da DCTF retificadora. Por conta desta sucessão de eventos, entendeu o julgador de primeiro piso que a retificação não teria produzido efeitos, pois, nos termos do inciso I do art. 7º do Decreto nº 70.235/1972, o procedimento fiscal já havia se iniciado e, portanto, pretendeu a contribuinte alterar débitos de contribuições de Fl. 1068DF CARF MF Processo nº 10820.902187/201220 Acórdão n.º 3401003.609 S3C4T1 Fl. 5 4 maneira indevida, nos termos do inciso II do § 2º e do § 3º da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010. 13. Entendemos que tais obstáculos procedimentais possam ser plenamente superáveis caso a recorrente comprove o erro que fundamenta a retificação da declaração, o que poderia ser feito mediante a apresentação de seus registros contábeis e fiscais, em conformidade com o art. 147 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 14. A aplicação do preceptivo normativo da Lei nº 10.147/2000 conduz à conclusão de que foram reduzidas a zero as alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos farmacêuticos e de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal classificados em determinadas posições da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001 às pessoas jurídicas não enquadradas como industrial ou importador e não optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), e de acordo com as normas necessárias para a aplicação da lei, implementadas pela edição da Instrução Normativa SRF nº 594/2005. 15. Depreendese, da análise dos documentos juntados pela contribuinte recorrente, não ser possível se apontar o código NCM dos produtos por ela comercializados, informação que seria passível de conferência a partir da análise das notas fiscais que comprovam a venda das mercadorias sujeitas à alíquota zero, não havendo como se validar a retificação da DCTF ou se perscrutar a existência do crédito almejado. 16. Observase que o julgador de primeiro piso chegou à minúcia de verificar que a contribuinte não consta no rol das empresas credenciadas para emitir nota fiscal eletrônica, de forma que, para fins de comprovação de seu pleito, tais documentos deveriam ter sido apresentados no momento do manejo da manifestação de inconformidade. 17. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato".1 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. Fl. 1069DF CARF MF Processo nº 10820.902187/201220 Acórdão n.º 3401003.609 S3C4T1 Fl. 6 5 18. Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 19. Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 1070DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.013432/2006-26
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Nov 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo, porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido, e, sendo assim, a obrigatoriedade de seu recolhimento não fica afastada pela apuração de prejuízo, e nem limitada ao valor do tributo apurado no final do ano. Pelo contrário, tal obrigatoriedade subsiste integralmente, e a sua não observância enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 44, § 1º, IV, da Lei 9.430/96, dispositivo legal que não impõe qualquer limite temporal para o lançamento da multa isolada, no sentido de que sua aplicação só caberia no ano em curso, tanto que o próprio texto prevê a multa ainda que a PJ “tenha apurado” prejuízo fiscal no final do período.
Numero da decisão: 1802-000.695
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da PRIMEIRA SEÇÃO DE
JULGAMENTO, por voto de qualidade, em NEGAR provimento ao recurso. Vencidos o Conselheiro relator Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e os Conselheiros Alfredo Henrique Rebello Brandão e João Francisco Bianco. Designado o Conselheiro José de Oliveira
Ferraz Corrêa para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo, porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido, e, sendo assim, a obrigatoriedade de seu recolhimento não fica afastada pela apuração de prejuízo, e nem limitada ao valor do tributo apurado no final do ano. Pelo contrário, tal obrigatoriedade subsiste integralmente, e a sua não observância enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 44, § 1º, IV, da Lei 9.430/96, dispositivo legal que não impõe qualquer limite temporal para o lançamento da multa isolada, no sentido de que sua aplicação só caberia no ano em curso, tanto que o próprio texto prevê a multa ainda que a PJ “tenha apurado” prejuízo fiscal no final do período.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo, porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido, e, sendo assim, a obrigatoriedade de seu recolhimento não fica afastada pela apuração de prejuízo, e nem limitada ao valor do tributo apurado no final do ano. Pelo contrário, tal obrigatoriedade subsiste integralmente, e a sua não observância enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 44, § 1º, IV, da Lei 9.430/96, dispositivo legal que não impõe qualquer limite temporal para o lançamento da multa isolada, no sentido de que sua aplicação só caberia no ano em curso, tanto que o próprio texto prevê a multa ainda que a PJ “tenha apurado” prejuízo fiscal no final do período. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por voto de qualidade, em NEGAR provimento ao recurso. Vencidos o Conselheiro relator Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e os Conselheiros Alfredo Henrique Rebello Brandão e João Francisco Bianco. Designado o Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa – Presidente. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior – Relator. Fl. 743DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 16/08/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.013432/200626 Acórdão n.º 180200.695 S1TE02 Fl. 371 2 (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, João Francisco Bianco, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Nelso Kichel e Alfredo Henrique Rebello Brandão. Fl. 744DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 16/08/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.013432/200626 Acórdão n.º 180200.695 S1TE02 Fl. 372 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima qualificada contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ de Belo Horizonte/MG. O processo em análise referese à lavratura de auto de infração (fls. 216 – 217) por meio do qual se formalizou a exigência de multa isolada. Assentou a Fiscalização que da análise da documentação da recorrente verificouse que as demonstrações do resultado do exercício, efetuadas mensalmente e constantes dos respectivos Livros Diários Mensais (folhas 81, 94 e 108) refletiam as informações contidas na DIPJ (fls. 11 e 12) para apuração do IRPJ devido por estimativa, assim, considerouse para efeito de lançamento de ofício da multa isolada, as apurações apresentadas na DIPJ para os meses de fevereiro a abril de 2006 e desta forma, pela omissão da informação de imposto de renda devido por estimativa na DCTF e o não recolhimento dos valores devidos, teria incorrido na infração prevista nos artigos 222, 843 e 957 do RIR/99 c/c art. 44, inciso II, alínea "b" da Lei n. 9.430/96, ficando sujeito à multa isolada correspondente a 75% do valor do imposto devido e não recolhido. Devidamente notificada (fl. 225), a recorrente apresentou Impugnação (fls. 228 – 234), alegando em síntese, a inexistência de imposto a pagar ao final dos meses de fevereiro a abril de 2002, porquanto encerrado o ano calendário, não haveria falar em estimativa já que o imposto devido é aquele apurado em 31 de dezembro. Afirmouse ainda, que no presente caso ante a acumulação de prejuízos nos meses autuados, optouse por suspender o imposto por estimativa, com fulcro no artigo 35 da Lei n° 8.981/95, sendo legítima a suspensão do pagamento por estimativa, fazendo com que nos meses autuados não houvesse imposto a pagar. Seguiu argumentando que não haveria razão para a autuação porquanto não inexistente qualquer omissão em DCTF, fato no qual se baseou o lançamento, asseverando inexistir saldo de imposto a pagar nos meses referidos e além disso, mesmo que houvesse divergência entre a DIPJ e outro documento fiscal, não haveria qualquer prejuízo ao Fisco, já que o documento apto a apurar o montante do imposto a pagar é a DIPJ, pois é esta declaração que deve veicular o montante apurado no fechamento do exercício conforme prevê o artigo 6° da Lei n° 9.430/96. No mais, sustentou a impossibilidade de aplicação de multa em razão da inexistência de obrigação principal, porquanto a acessoriedade e instrumentalidade da multa punitiva assim versariam. Citou entendimentos de Tribunais e sustentou que a multa tem como finalidade impedir o descumprimento de determinado dever e no caso em tela, não houve imposto a recolher nos meses autuados requerendo ao fim a improcedência da autuação. Conheceu da Impugnação a 4ª Turma da DRJ de Belo Horizonte que nos termos do acórdão e voto de folhas 306 a 311, julgou o lançamento parcialmente procedente, assentando para tanto, ser legítima a exigência de multa isolada, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda determinado sob base de cálculo estimada, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo no ano calendário correspondente. Fl. 745DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 16/08/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.013432/200626 Acórdão n.º 180200.695 S1TE02 Fl. 373 4 Sem prejuízo do entendimento acima relatado, a decisão recorrida considerou que o percentual da multa deveria ser reduzido em face do advento de lei nova que impôs penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência da infração, tendo em vista o disposto no artigo 106, inciso II, alínea "c", do Código Tributário Nacional, reduzindoa para 50%. Devidamente notificada (fl. 343), a contribuinte interpôs Recuso Voluntário (fls. 344 – 353), reiterando a inviabilidade da multa de ofício ante a inexistência de tributo a pagar ao final do exercício considerado, bem como insistindo não existir qualquer divergência a capaz de redundar em prejuízo ao Fisco. Cita repertório de precedentes desse Conselho e pugna por provimento do seu recurso. É o relatório. Fl. 746DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 16/08/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.013432/200626 Acórdão n.º 180200.695 S1TE02 Fl. 374 5 Voto Vencido Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Relator. O Recurso é tempestivo dotado dos pressupostos genéricos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Depreendese do relatório minudenciado acima que a questão colocada para análise desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais está relacionada à exigência de multa isolada pelo não recolhimento de algumas estimativas mensais do ano calendário 2002. A recorrente tem sustentado desde a primitiva Impugnação, que a autuação não prevaleceria na medida em que o não recolhimento das estimativas não representou impacto na sua tributação já que apurou Lucro Real negativo, ou seja, no encerramento do exercício não havia tributo a pagar o que impediria a exigência da multa isolada. Consigno num primeiro momento que a questão afeta à redução do patamar da indigitada multa isolada, por conta da inovação na legislação de regência foi cotejada com acerto pela decisão recorrida, que entendendo pela sua aplicabilidade houve por bem reduzir lhe o montante. Feitos esses esclarecimentos iniciais, restanos perquirir se de fato a legislação de regência e os precedentes desse Conselho suportam a aplicação da comentada multa, e nesse sentido já adianto que o Recurso Voluntário merece integral provimento. Com efeito, a questão está objetivamente posta e diz respeito à aplicabilidade da multa estatuída no artigo 44, da Lei n° 9.430/96 nos casos em que a Fiscalização e a aplicação da penalidade ocorreram depois de encerrado o período base de apuração do tributo, e mais, quando já encerrado o ano civil correspondente. Observase pontualmente, que o auto de infração foi levado à ciência da contribuinte em 07 de dezembro de 2006 (fl. 225) e o lançamento se relaciona às antecipações devidas nos meses de fevereiro e abril de 2002, cujos valores foram devidamente considerados na declaração anual de rendimentos (fls. 05 – 51). O caso apresentado comporta outra peculiaridade ao meu ver determinante, porquanto a declaração de rendimentos demonstra que ao final a recorrente não teve IRPJ a pagar e as antecipações representariam valor superior àquele correspondente ao tributo eventualmente devido. Dito isso, reiterando o entendimento que tenho adotado em diversos casos semelhantes, relembro que a linha de raciocínio desenvolvida por este Julgador, apresenta coincidência com os argumentos sustentado no Recurso Voluntário, segundo os quais, genericamente, entendese que as antecipações apresentam caráter transitório e têm, portanto, a precariedade de serem substituídas por um valor final apurado no livro de apuração e na declaração de rendimentos encerrada com cálculos definitivos anuais. Fl. 747DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 16/08/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.013432/200626 Acórdão n.º 180200.695 S1TE02 Fl. 375 6 Por essas razões, conheço do Recurso Voluntário e voto por DAR integral provimento afastando a multa isolada. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Fl. 748DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 16/08/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.013432/200626 Acórdão n.º 180200.695 S1TE02 Fl. 376 7 Voto Vencedor José de Oliveira Ferraz Corrêa, Conselheiro designado Em que pesem as razões de decidir do eminente relator, peço vênia para dele divergir quanto à multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas mensais. A norma que estipula penalidade para o não recolhimento das estimativas está contida no art. 44 da Lei 9.430/1996, e ela deve ser aplicada ainda que tenha sido “apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente”, conforme prevê o inciso IV do §1º deste artigo: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I .......... II .......... III .......... IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; Não vislumbro outra interpretação possível para a parte final do texto acima transcrito, senão a de que a referida multa deve ser exigida da pessoa jurídica ainda que esta tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL. Com efeito, a clareza da redação não possibilita entendimento diverso, a menos que se admita o afastamento de norma legal vigente, tarefa que não compete à Administração Tributária. Fl. 749DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 16/08/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.013432/200626 Acórdão n.º 180200.695 S1TE02 Fl. 377 8 Além disso, a hermenêutica jurídica ensina que se deve preferir a inteligência dos textos que torne viável o seu objetivo, ao invés da que os reduza à inutilidade. Nesse caso, o entendimento contrário implicaria na supressão ou inutilidade de todo o adendo estabelecido pelo inciso IV acima. Também é importante destacar que o texto legal diz “ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ....” e não “ainda que venha a ser apurado prejuízo fiscal ...”, numa clara indicação de que a multa deve ser aplicada mesmo com o período já encerrado, e não apenas no ano em curso. Tudo isso que se disse até aqui serve para demonstrar que as estimativas mensais, de fato, configuram obrigações autônomas, que não se confundem com a obrigação tributária decorrente do fato gerador de 31 de dezembro. Sua natureza jurídica, inclusive, a faz destoar totalmente do padrão traçado pelo art. 113 do CTN (que trata das obrigações tributárias), pois ela é uma obrigação que surge antes da ocorrência do fato gerador do tributo. Seu pagamento, por outro lado, nada extingue, gerando apenas um registro contábil de crédito a favor do contribuinte, a ser aproveitado no futuro. Além disso, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/96, essa obrigação existe mesmo que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL. Ou seja, existe ainda que não haja tributo devido. Portanto, não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido), e, sendo assim, a obrigatoriedade de seu recolhimento não fica afastada em função de apuração de prejuízo, e nem limitada ao tributo devido no final do ano. Pelo contrário, tal obrigatoriedade subsiste integralmente, e a sua não observância enseja a aplicação da penalidade acima transcrita. Assim, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Redator designado Fl. 750DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 16/08/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 16327.905138/2010-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1683; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.905138/201034 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.377 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de abril de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 51 38 /2 01 0- 34 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 16327.905138/201034 Acórdão n.º 1301002.377 S1C3T1 Fl. 3 2 BANCO VOLKSWAGEN S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Trata a lide de Pedido de Restituição (PER/DCOMP), no qual o alegado direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Posteriormente, o contribuinte usou esse alegado direito creditório para a compensação com débito de sua titularidade, mediante a Declaração Eletrônica de Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008. Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instandoo à regularização. Não consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a interessada, inicialmente, junta comprovante de arrecadação obtido no sítio eletrônico da Receita Federal. Na sequência, esclarece: Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que ele dispunha de decisão judicial definitiva, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 89.00112058, que o exonerava do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997 (data do trânsito em julgado da decisão judicial). Nem se alegue que o pagamento foi efetuado após o trânsito em julgado da decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo em vista que, além desses fatos não servirem de fundamento para a negativa do pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita Federal, mesmo em face da decisão judicial favorável ao Recorrente, insistia na cobrança de tais valores, ao argumento de que os efeitos da decisão judicial alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989. Apenas com a decisão do 1º Conselho de Contribuintes (acórdão n° 101 93.610), proferida em 19/09/01, com acórdão formalizado em 11/12/01, que reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no Mandado de Segurança n° 89.00112058, de não recolher a CSLL, no período de 1990 a 1997, ou seja, desde a propositura da medida judicial até o trânsito em julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a comprovação de que também estava desobrigado do recolhimento da CSLL nesse período e que, portanto, tinha direito de reaver os montantes indevidamente recolhidos: "Ementa: IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial. Trânsito em Julgado. Efeitos. A sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º, da Lei n° 7689, de 1988, e, de consequência, desobrigando a pessoa jurídica do recolhimento da CSLL, irradia seus efeitos jurídicos até o período no qual tenha ocorrido seu trânsito em julgado. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 16327.905138/201034 Acórdão n.º 1301002.377 S1C3T1 Fl. 4 3 Recurso conhecido e provido. Trecho do Voto do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral — Relator: Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso: i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no sentido de desobrigála do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7689, de 1988, transitou em julgado em 02 de setembro de 1997, tal qual atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos autos às fls.; ii) O Mandado de Segurança interposto pela Recorrente, em 1989, objetivou a dispensa do recolhimento da referida Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido pela referida sentença transitada em julgado; iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende exigir da Recorrente a Contribuição Social relativa aos períodosbase de 1990 a 1994, portanto, anteriores ao trânsito em julgado da sentença judicial; só nos resta concluir que referidos períodos estão albergados pela 'coisa julgada', sendo defeso ao Fisco exigir a Contribuição em causa relativamente àqueles períodosbase." Assim, deve ser prontamente revisto o despachodecisório, ora recorrido, ante a comprovação do recolhimento indevido, a ensejar o direito à restituição, nos termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e indeferiu a solicitação. Ciente da decisão de primeira instância e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Acerca do prazo para pleitear o indébito, a recorrente se reporta ao Pedido Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do CTN. A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº 89.00112058, em que foi proferida a decisão transitada em julgado que a exonerava do recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma, anexa documentos que comprovam ser a recorrente a sucessora de Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. A interessada reitera, ainda, os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Fl. 162DF CARF MF Processo nº 16327.905138/201034 Acórdão n.º 1301002.377 S1C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.287, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.287): O recurso voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com declaração de compensação. No atual estágio da discussão administrativa, o alegado direito creditório não foi reconhecido por dois fundamentos autônomos, ou seja, cada um deles é suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório. O primeiro fundamento adotado pelo julgador de primeira instância, de caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito. Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido entre a data do recolhimento, em 1999, e a data do protocolo do pedido de restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata o art. 168, I, do CTN. Examinando a decisão recorrida, constatase que, efetivamente, houve um equívoco do julgador ao não considerar o pedido de restituição originalmente formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observase que somente em 2008 veio pleitear compensação do referido crédito, ou seja, cerca de sete anos após ‘obter a comprovação’, e nove após a extinção do débito, pelo pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reportase ao anterior pedido de restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão. Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos inicial e final para a contagem, já foram objeto de acirrados debates, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais. Finalmente, a questão foi pacificada pelo Poder Judiciário. De especial interesse, o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no regime do art. 543C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321, de 04/08/2011, proferido pelo STF no regime do art. 543B do mesmo diploma legal. A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação, em 09/12/2013, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da súmula CARF nº 91, a seguir reproduzida. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 16327.905138/201034 Acórdão n.º 1301002.377 S1C3T1 Fl. 6 5 As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da data limite prevista na súmula, aplicandose, portanto, o prazo prescricional de dez anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato gerador. O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição. Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição. Observese que a data do recolhimento não é considerada para este fim, muito menos a circunstância alegada pela interessada acerca do julgamento administrativo de um auto de infração no qual o sujeito passivo seria um dos litisconsortes na ação judicial. Não se vislumbra qual a relação entre aquele julgamento administrativo e o prazo para a formulação do pedido de restituição aqui discutido. A constatação que se impõe é de que o decurso do prazo prescricional impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer considerações de mérito, negandose provimento ao recurso voluntário. O segundo fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para o indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo: Observese que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça do processo judicial que afirma amparala, de forma a se poder verificar a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado acima, seria ônus da empresa. E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizandose do número de processo judicial fornecido pela Interessada, na opção “Consulta Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte, mas sim as seguintes empresas: Consórcio Nacional Ford Ltda., Autolatina S/A, Autolatina Financiadora S/A Crédito Financiamento e Investimentos e Ford Brasil S/A. Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do processo judicial, e documentos que, segundo ela, comprovariam ser a recorrente sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de Segurança nº 89.112058, constato que a impetrante foi Consórcio Nacional Ford Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A; (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos; e (iii) Ford Brasil S/A. Prosseguindo na análise, encontro Ata da AGE de 31/05/1996 de Banco Autolatina S.A., na qual se registra a cisão parcial dessa pessoa jurídica, com a versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão do patrimônio. No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da ação judicial. No documento datado de 17/02/2004, dirigido à DEINF/SP, a interessada se identifica como “BANCO VOLKSWAGEN S/A., atual denominação de BANCO AUTOLATINA S.A., anteriormente denominado AUTOLATINA Fl. 164DF CARF MF Processo nº 16327.905138/201034 Acórdão n.º 1301002.377 S1C3T1 Fl. 7 6 FINANCIADORA S.A., ...”. Mas tratase de mera afirmação, da qual não encontro prova documental nos autos. Apesar de saber que esse ponto foi um dos fundamentos adotado pelo julgador de primeira instância para negar seu pedido, a interessada apresentou apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando em rastrear e comprovar os eventos societários desde a litisconsorte na ação judicial (Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos) até a atual pessoa jurídica, nem os direitos que teriam sido transmitidos em cada um desses eventos. Em se tratando de pedido de restituição, é ônus de quem alega o direito creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa jurídica que efetuou o recolhimento seria a sucessora em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar nos autos essa comprovação, também por esse motivo o recurso voluntário há que ser negado. Os dois fundamentos autônomos anteriormente discutidos já seriam (e são) suficientes para que o recurso voluntário seja desprovido. Penso, entretanto, que uma consideração adicional há de ser feita. É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei nº 9.779/1999. Confirase seu teor (grifos não constam do original): Art.17.Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1oO disposto neste artigo estendese:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) Iaos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIa contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIaos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 165DF CARF MF Processo nº 16327.905138/201034 Acórdão n.º 1301002.377 S1C3T1 Fl. 8 7 §2oO pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIalcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §3oO pagamento referido neste artigo:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iimporta em confissão irretratável da dívida;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIconstitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] Insisto: os pagamentos nesses termos são confissão irretratável da dívida e confissão extrajudicial. Ou seja, ainda que pudessem ser superados os dois fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo inarredável na disposição expressa da lei acima transcrita. Supondose, como hipótese argumentativa, que a interessada fosse, como afirma, sucessora da litisconsorte na ação judicial, o fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do direito conquistado na ação judicial (possivelmente por vêlo ameaçado por reiteradas manifestações do STF no sentido da inconstitucionalidade da CSLL apenas para o primeiro ano de sua vigência) e parcelar o valor da contribuição para os anos subsequentes. A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto pelo sucesso obtido em ações rescisórias diversas propostas perante o Poder Judiciário, quanto por Pareceres da douta PGFN. Se a interessada tivesse plena convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e discutilo administrativa e judicialmente, nunca o de se antecipar, confessando a dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo. A recorrente reclama, ainda, que esse aspecto não teria sido fundamento para a negativa do pedido de restituição, pelo que não poderia, agora, ser abordado. Observese que a DEINF/SP originalmente negou o pedido porque o pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a interessada não se preocupou em trazer aos autos os esclarecimentos que Fl. 166DF CARF MF Processo nº 16327.905138/201034 Acórdão n.º 1301002.377 S1C3T1 Fl. 9 8 permitissem essa correta identificação. Essa questão foi plenamente superada em primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos, a saber, o prazo para pleitear o indébito e a comprovação do direito alegado. Quanto a este último aspecto, o julgador a quo se deteve na falta das peças do processo judicial e na falta de comprovação de que a interessada no processo administrativo fosse também uma das partes do processo judicial. Penso que as considerações aqui tecidas sobre esse ponto nada mais são do que um aprofundamento acerca da análise de mérito do pedido. Seriam, talvez, dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Fl. 167DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.012138/2003-70
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE E OMISSÃO - OCORRÊNCIA.
Constatada a ocorrência de contradição, obscuridade e omissão na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear tais incorreções.
ADMISSIBILIDADE DO RECURSO: DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA.
Situações fáticas/jurídicas diferentes, de per si, impossibilitam a caracterização do dissídio jurisprudencial, e, por conseguinte, retiram do recurso uma das condições de sua admissibilidade.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 9303-004.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, com efeitos infringentes, para, sanando a omissão, contradição e obscuridade apontadas, alterar o resultado do julgamento para "conhecer parcialmente do recurso e na parte conhecida, dar-lhe provimento".
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE E OMISSÃO - OCORRÊNCIA. Constatada a ocorrência de contradição, obscuridade e omissão na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear tais incorreções. ADMISSIBILIDADE DO RECURSO: DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. Situações fáticas/jurídicas diferentes, de per si, impossibilitam a caracterização do dissídio jurisprudencial, e, por conseguinte, retiram do recurso uma das condições de sua admissibilidade. Embargos Acolhidos.
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Constatada a ocorrência de contradição, obscuridade e omissão na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear tais incorreções. ADMISSIBILIDADE DO RECURSO: DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. Situações fáticas/jurídicas diferentes, de per si, impossibilitam a caracterização do dissídio jurisprudencial, e, por conseguinte, retiram do recurso uma das condições de sua admissibilidade. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, com efeitos infringentes, para, sanando a omissão, contradição e obscuridade apontadas, alterar o resultado do julgamento para "conhecer parcialmente do recurso e na parte conhecida, darlhe provimento". (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 21 38 /2 00 3- 70 Fl. 452DF CARF MF Processo nº 10980.012138/200370 Acórdão n.º 9303004.934 CSRFT3 Fl. 453 2 Relatório Tratase de embargos de declaração apresentados contra o Acórdão n° 9303 00.947, da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que deu provimento ao recurso especial do contribuinte, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/03/1996 a 31/05/1998 PIS. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir crédito tributário é de cinco anos, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN, no caso de haver antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo. Recurso Especial do Contribuinte Provido. A embargante alegou contradição, obscuridade e omissão no referido acórdão. O recurso especial somente foi admitido quanto à matéria relativa à decadência, muito embora também tenha sido objeto de insurgência pelo contribuinte quanto à matéria referente à "imputação dos pagamentos postergados", relativamente às competências não atingidas pela decadência. Assim, não obstante não tivesse sido demonstrada quanto a essa segunda matéria, de forma fundamentada, a divergência jurisprudencial exigida para o conhecimento do recurso especial, estariam caracterizadas a contradição e a obscuridade, pois o resultado do julgamento não poderia ser pelo simples provimento do recurso interposto pelo contribuinte, uma vez que, conforme alinhavado acima, a referida peça de insurgência veicula mais de uma matéria. Alega ainda omissão quanto aos períodos considerados decaídos, nos quais considerou ter ocorrido efetiva antecipação de pagamento, nos termos da tese desenvolvida no julgado e sem fazer a ressalva de que a declaração da decadência é parcial e em relação a matéria não admitida na análise de admissibilidade do recurso especial do contribuinte, isto é, quanto à matéria referente à imputação dos pagamentos postergados. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Os embargos são tempestivos e apontam contradição, obscuridade e omissão, merecendo ser conhecidos. O exame de admissibilidade (fls. 450/451), que acolheu os embargos, constatou os vícios na decisão embargada. Nos termos do acórdão embargado, foram as seguintes as matérias submetidas a recurso: Fl. 453DF CARF MF Processo nº 10980.012138/200370 Acórdão n.º 9303004.934 CSRFT3 Fl. 454 3 A matéria devolvida a este Colegiado cingese ao prazo decadencial para se constituir crédito das contribuições. sociais, na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido. Como fundamento, constou o seguinte do voto condutor do acórdão: A matéria trazida a debate gira em torno de se decidirse se aplica o prazo decenal do art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991, ou os cinco anos do CTN, e ainda o termo inicial da contagem. No tocante à duração do prazo, a questão foi apascentada na Jurisprudência deste Colegiado, com a edição da Súmula Vinculante n° 8, do Supremo Tribunal Federal, que declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Com isso, o prazo de decadência de todos os tributos é de 5 anos, nos termos preconizados no CTN. Resta, então, decidir qual o termo de início, se o da data de ocorrência do fato gerador § 4° do art. 150 do CTN ou se o do primeiro dia do exercício seguinte, nos termos do inciso I do Código Tributário Nacional. Conforme se verifica dos autos, a autuação deveuse a diferenças havidas entre os valores pagos e outros encontrados nas DCTF, quando comparados com os constantes na DIPJ e nos livros contábeis.Isto é, houve pagamento. (...) Nesse caso, entendeu o legislador que o Fisco dispõe de 5 anos, contados da ocorrência do fato gerador para formalizar o lançamento ou homologar o pagamento efetuado, se não o fizer, nesse prazo considerase homologada a antecipação realizada pelo sujeito passivo, e definitivamente extinto o crédito tributário. Situação diferente é aquela em que o sujeito passivo não antecipa o pagamento do tributo devido. Neste caso, não há falarse em homologação. Com isso, o prazo decadencial tem como marco inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, conforme disposição expressa do art. 173, inciso I, do CTN. No caso dos autos, houve antecipação de pagamento, e não ficou constatado simulação, fraude ou dolo. Assim, o termo inicial é o do art. 150, § 4° do CTN. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso apresentado pelo sujeito O acórdão de recurso voluntário (fl. 297 e seguintes), segundo o resultado, afastou a preliminar de decadência, e, no mérito, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso. Fl. 454DF CARF MF Processo nº 10980.012138/200370 Acórdão n.º 9303004.934 CSRFT3 Fl. 455 4 No recurso especial, o Contribuinte contestou a matéria relativa à decadência e a imputação dos pagamentos postergados (fls. 315 a 331). No exame de admissibilidade (fl. 384 e seguintes), considerouse o seguinte: Com razão o recorrente, os acórdãos confrontados dissentem quanto à interpretação da norma jurídica que dispõe sobre o prazo decadencial de que se trata. Assim, bem caracterizado o dissídio jurisprudencial, no uso da competência conferida pelo artigo 33, inciso X do RICC, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, DOU SEGUIMENTO ao recurso interposto pelo sujeito passivo, tendo em vista que está demonstrada a divergência. Dessa forma, o exame de admissibilidade, de fato, omitiuse quanto à matéria referente à imputação dos pagamentos postergados, o que acarretou a contradição e obscuridade no acórdão embargado cujo resultado do julgamento não poderia ser pelo simples provimento do recurso interposto pelo contribuinte, uma vez que, conforme alinhavado acima, a referida peça de insurgência veicula mais de uma matéria, e a omissão quanto a matéria objeto do recurso especial e que não foi analisada no acórdão prolatado pela 3ª Turma da CSRF. Assim, fazse necessário revisitar o exame de admissibilidade quanto à matéria referente à imputação dos pagamentos postergados. Inicialmente, cabe ressaltar que a admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Compulsando o recurso voluntário constato que a matéria foi devidamente prequestionada, conforme exige o § 5° do art. 7° do RICSRF, aprovado pela Portaria nº. 147, de 25 de junho de 2007 e colacionados os acórdãos alegadamente divergentes. No entanto, em relação aos paradigma apresentados, que tratam de lançamento de IRPJ e CSLL e lançamentos reflexos, não há como admitir a existência de divergência, já que o fundamento jurídico é distinto daquele que orientou o acórdão recorrido. O acórdão recorrido trata de lançamento de diferenças de PIS/PasepFaturamento, tendo como base as Leis nºs 9.715 e 9.718, ambas de 1988. Já os paradigmas, compulsandose as ementas e inteiro teor, juntado aos autos pelo Contribuinte, verificase que dizem respeito à exigência de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido (CSLL) e a tributação reflexa, aplicável apenas tendo em vista a relação de causa e efeito entre as exigências decorrentes, com fundamento na Legislação do Imposto de Renda (RIR Regulamento do Imposto sobre a Renda) e no Parecer Normativo COSIT 2/96, que trata da postergação de pagamento do imposto de renda em virtude de inobservância do regime de competência na escrituração de receitas, custos ou despesas. Assim, não há que se falar em "dar interpretação divergente à lei tributária", quando estão em confronto legislações diversas, cada qual com suas nuances e especificidades. No presente caso, o seguimento do Recurso Especial demandaria a demonstração de interpretação divergente em relação à mesma lei tributária, o que efetivamente não é possível, quando são diferentes os fundamentos jurídicos que sustentam Fl. 455DF CARF MF Processo nº 10980.012138/200370 Acórdão n.º 9303004.934 CSRFT3 Fl. 456 5 cada um dos lançamentos em confronto. Repitase que a divergência jurisprudencial apta ao seguimento do apelo é aquela em que, partindose de fatos semelhantes, aplicase, de forma diversa, a mesma lei tributária, chegandose a conclusões diferentes. Destarte, não restou demonstrada a divergência interpretativa alegada quanto a imputação dos pagamentos postergados, portanto voto pelo não conhecimento do recurso especial em relação à matéria. Em relação à alegação de omissão quanto aos períodos considerados decaídos, o entendimento adotado no acórdão recorrido, tendo em vista que a autuação deveuse a diferenças havidas entre os valores pagos, isto é houve antecipação de pagamento pelo menos parcial nos períodos autuados, aplicase o prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir crédito tributário de cinco anos, nos termos do § 4° do art. 150 do CTN, cujo termo de início se dá na data de ocorrência do fato gerador. Tendo em vista que o Auto de Infração foi lavrado para a exigência do PIS/Pasep tido pelo fisco como recolhido a menor pela empresa nos períodos de apuração compreendidos entre março de 1996 a dezembro de 2002, com ciência em 16/12/2003, consideramse decaídos os períodos de apuração autuados cujos fatos geradores foram anteriores a dezembro de 1998. Com essas considerações, voto pelo não conhecimento do recurso da contribuinte quanto à matéria referente à imputação dos pagamentos postergados, por falta de comprovação de divergência jurisprudencial e pelo provimento ao recurso especial quanto a decadência para os períodos anteriores a dezembro de 1998. Em face do exposto, conheço parcialmente e dou provimento ao recurso especial da contribuinte no que tange à decadência para os períodos anteriores a dezembro de 1998. Esse passa a ser o novo resultado do julgamento do recurso especial interposto pelo Contribuinte. Portanto, acolho os embargos, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado, a fim de sanar a omissão/contradição/obscuridade apontada nos presentes embargos de declaração. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 456DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900343/2014-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 06/07/2012
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.716
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 06/07/2012 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
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CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 03 43 /2 01 4- 93 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13888.900343/201493 Acórdão n.º 3401003.716 S3C4T1 Fl. 3 2 Versam os autos sobre PER/DCOMP cujo direito creditório alegado seria oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado pela RFB. O despacho decisório não homologou a compensação em razão do recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, arguindo várias nulidades, mormente que o aludido Despacho não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa. Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 06/07/2012 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs tempestivamente o seu recurso voluntário, asseverando que a decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo que a Recorrente apresentasse defesa, bem como demonstrasse a existência do crédito, requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada. É o relatório. Voto Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.900343/201493 Acórdão n.º 3401003.716 S3C4T1 Fl. 4 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.652, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.652): Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a nulidade da decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, entendendo que esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa. Não merece prosperar as alegações da Recorrente. A uma, disse o Despacho Decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, mencionou expressamente a decisão de piso que a Recorrente não trouxe qualquer prova (DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI), indício ou justificativa que permitisse comprovar o alegado recolhimento indevido. A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator: Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório, devidamente assinado pela autoridade competente: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Com efeito, se há erro nos arquivos da Receita, bastaria o interessado juntar a idônea e hábil documentação contraditória (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em homenagem o princípio da verdade material tanto invocado, sendo que, se tratam de declarações e livros cuja boa guarda e apresentação imediata estão legalmente determinadas. A manifestação do interessado não traz qualquer prova, indício ou mesmo justificativa que permita comprovar o alegado Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.900343/201493 Acórdão n.º 3401003.716 S3C4T1 Fl. 5 4 recolhimento indevido, limitandose, tão somente a colecionar julgados e doutrinas sobre nulidades. Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF já foram utilizados para quitar outros débitos e nada o contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou anular, sendo que não se justifica a falta de apresentação de documentos que provassem seu direito creditório, na medida que a alegação de cerceamento da defesa não se sustenta. A três, vêse que a decisão fora motivada, embora cingiramse as assertivas da Recorrente apenas e tão somente na juntada da DCOMP, informando que detinha um crédito de IPI, oriundo de pagamento indevido, o qual seria compensado com débitos da COFINS. A quatro, temse que, sobrevindo a decisão da manifestação de inconformidade, deveria a Recorrente fazer prova deste suposto pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo 333 do CPC, vigente à época ademais, como ressalvada pela decisão da DRJ , porém, quedou silente a contribuinterecorrente. A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o Colegiado possa apreciálo, de modo que, diante da ausência de qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não merece reparos. Não maiores ilações a serem feitas e diante da ausência de provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.902766/2011-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL.
No regime não-cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, b, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003.
CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE.
A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.348
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques dOliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime não-cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, b, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Recurso Voluntário Negado.
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TOMADA DE CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. Recorrente COTRIL MOTORS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime nãocumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 27 66 /2 01 1- 89 Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10120.902766/201189 Acórdão n.º 3301003.348 S3C3T1 Fl. 3 2 Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, formulado através do programa PER/Dcomp, por intermédio do qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/Pasep NãoCumulativo – Mercado Interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado. A origem do direito creditório alegado seria o saldo credor acumulado em razão da aquisição de produtos monofásicos (veículos novos). A Recorrente tem como atividade comercial a compra e venda, no atacado e varejo, de veículos novos e peças em geral, relacionadas na Lei nº 10.485/02. A Lei nº 10.485/02, no art. 3º, § 2º, I e II, prescreve que os produtos nela relacionados têm as alíquotas de PIS e COFINS reduzidas a 0% relativamente à receita bruta auferida por comerciantes atacadistas e varejistas. A Recorrente alega que com a edição das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, os produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 compõem a sua receita bruta para efeito de apuração de PIS e COFINS sob o regime da nãocumulatividade e que a manutenção dos créditos decorrentes da aquisição desses produtos tem como fundamento legal o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 e o pedido de ressarcimento em espécie tem como fundamento legal o art. 16 da Lei n° 11.116/2005. Assim, com esse entendimento, os créditos de PIS/Pasep nãoCumulativo, objeto do ressarcimento deste processo fiscal pela Recorrente, têm origem exclusiva na aplicação direta das alíquotas previstas nas leis 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (COFINS), que introduziram a nova sistemática do regime da nãocumulatividade para ambas as Contribuições, sobre o valor de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), pois a alíquota da Contribuição nas saídas subsequentes desses produtos foi reduzida a 0%. Então, a controvérsia nestes autos é o direito ao creditamento, no regime não cumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), ou seja, crédito com origem nas aquisições de produtos com incidência monofásica. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06050.387. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que há vedação legal e normativa para o aproveitamento do crédito das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, nas vendas submetidas à incidência monofásica. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10120.902766/201189 Acórdão n.º 3301003.348 S3C3T1 Fl. 4 3 Tanto na manifestação de inconformidade, quanto em seu recurso voluntário, a Recorrente tece longo arrazoado para justificar o seu direito ao creditamento, para tanto interpreta a legislação federal e o princípio constitucional da nãocumulatividade. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.248, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.902719/201135, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.248): O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Não há direito ao creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), conforme se justifica a seguir. Os art. 1o e 3o da Lei n° 10.485/2002 prescrevem: Art. 1o.As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Art. 3o As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10120.902766/201189 Acórdão n.º 3301003.348 S3C3T1 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Assim, para os veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI e dos produtos relacionados nos Anexos I e II, a cobrança da COFINS terá incidência monofásica, com alíquotas diferenciadas para as pessoas jurídicas fabricantes e importadoras. O regime monofásico concentra a cobrança do tributo em uma etapa da cadeia produtiva, desonerando a etapa seguinte. E ainda, a referida lei reduziu a zero as alíquotas da COFINS incidentes sobre as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas ou varejistas com a venda desses mesmos produtos. O regime monofásico impõe que o fabricante ou importador dos produtos (monofásicos) recolham o PIS/COFINS em uma alíquota diferenciada e majorada, bem como a fixação de alíquota zero de PIS/COFINS sobre a receita auferida com a venda dos mesmos pelos demais participantes da cadeia produtiva (distribuidores, atacadistas e varejistas). Então, não se cogita do sistema de compensação entre créditos e débitos. Deste modo, a Lei nº 10.485/02 fixou a tributação devida ao PIS e à COFINS no início da cadeia produtiva, fabricantes e/ou importadores de veículos automotores e autopeças, estabelecendo alíquota mais elevada nesta etapa de comercialização, desonerando a fase em que se integram as concessionárias, mediante atribuição de alíquota zero, nos termos dos seus artigos 2º, § 2º, II; 3º, § 2º, I e II; e 5º, parágrafo único, esses dispositivos não foram revogadas pela Lei nº 10.833/03. A incidência monofásica das contribuições discutidas incorre na inviabilidade lógica e econômica do reconhecimento de crédito recuperável pelos comerciantes varejistas e atacadistas, pois inexistente cadeia tributária após a venda destinada ao consumidor final, razão pela qual o art. 17 da Lei nº 11.033/04, afigurase incompatível com este caso. Ademais, não há crédito em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485/2002 adquiridos para revenda, por vedação expressa dos art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.833/2003, verbis: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art.1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10120.902766/201189 Acórdão n.º 3301003.348 S3C3T1 Fl. 6 5 § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Logo, pela redação dos dispositivos supracitados, é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002, adquiridos para revenda. Alega a Recorrente que teria direito ao creditamento com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Esse dispositivo não se aplica ao caso em comento, pelas seguintes razões: 1 Referese a “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” nas operações de vendas com isenção, alíquota zero ou nãoincidência da COFINS, ou seja, tratase de créditos legalmente autorizados da COFINS (neste caso o crédito está proibido); 2 É regra geral que coexiste com vedação ao creditamento por norma específica e 3 Não revoga expressa ou tacitamente o inciso I, alínea “b”, do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Por fim, quanto a argumentos de inconstitucionalidade da vedação ao creditamento, por afronta ao princípio da nãocumulatividade, saliento que sobre esta matéria o CARF não pode se pronunciar, de acordo com a Súmula nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10120.902766/201189 Acórdão n.º 3301003.348 S3C3T1 Fl. 7 6 na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos) aplicase tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.902753/2010-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 27 53 /2 01 0- 99 Fl. 236DF CARF MF Processo nº 16327.902753/201099 Acórdão n.º 1301002.317 S1C3T1 Fl. 3 2 BANCO VOLKSWAGEN S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Trata a lide de Pedido de Restituição (PER/DCOMP), no qual o alegado direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Posteriormente, o contribuinte usou esse alegado direito creditório para a compensação com débito de sua titularidade, mediante a Declaração Eletrônica de Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008. Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instandoo à regularização. Não consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a interessada, inicialmente, junta comprovante de arrecadação obtido no sítio eletrônico da Receita Federal. Na sequência, esclarece: Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que ele dispunha de decisão judicial definitiva, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 89.00112058, que o exonerava do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997 (data do trânsito em julgado da decisão judicial). Nem se alegue que o pagamento foi efetuado após o trânsito em julgado da decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo em vista que, além desses fatos não servirem de fundamento para a negativa do pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita Federal, mesmo em face da decisão judicial favorável ao Recorrente, insistia na cobrança de tais valores, ao argumento de que os efeitos da decisão judicial alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989. Apenas com a decisão do 1º Conselho de Contribuintes (acórdão n° 101 93.610), proferida em 19/09/01, com acórdão formalizado em 11/12/01, que reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no Mandado de Segurança n° 89.00112058, de não recolher a CSLL, no período de 1990 a 1997, ou seja, desde a propositura da medida judicial até o trânsito em julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a comprovação de que também estava desobrigado do recolhimento da CSLL nesse período e que, portanto, tinha direito de reaver os montantes indevidamente recolhidos: "Ementa: IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial. Trânsito em Julgado. Efeitos. A sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º, da Lei n° 7689, de 1988, e, de consequência, desobrigando a pessoa jurídica do recolhimento da CSLL, irradia seus efeitos jurídicos até o período no qual tenha ocorrido seu trânsito em julgado. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 16327.902753/201099 Acórdão n.º 1301002.317 S1C3T1 Fl. 4 3 Recurso conhecido e provido. Trecho do Voto do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral — Relator: Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso: i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no sentido de desobrigála do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7689, de 1988, transitou em julgado em 02 de setembro de 1997, tal qual atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos autos às fls.; ii) O Mandado de Segurança interposto pela Recorrente, em 1989, objetivou a dispensa do recolhimento da referida Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido pela referida sentença transitada em julgado; iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende exigir da Recorrente a Contribuição Social relativa aos períodosbase de 1990 a 1994, portanto, anteriores ao trânsito em julgado da sentença judicial; só nos resta concluir que referidos períodos estão albergados pela 'coisa julgada', sendo defeso ao Fisco exigir a Contribuição em causa relativamente àqueles períodosbase." Assim, deve ser prontamente revisto o despachodecisório, ora recorrido, ante a comprovação do recolhimento indevido, a ensejar o direito à restituição, nos termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e indeferiu a solicitação. Ciente da decisão de primeira instância e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Acerca do prazo para pleitear o indébito, a recorrente se reporta ao Pedido Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do CTN. A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº 89.00112058, em que foi proferida a decisão transitada em julgado que a exonerava do recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma, anexa documentos que comprovam ser a recorrente a sucessora de Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. A interessada reitera, ainda, os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Fl. 238DF CARF MF Processo nº 16327.902753/201099 Acórdão n.º 1301002.317 S1C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.287, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.287): O recurso voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com declaração de compensação. No atual estágio da discussão administrativa, o alegado direito creditório não foi reconhecido por dois fundamentos autônomos, ou seja, cada um deles é suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório. O primeiro fundamento adotado pelo julgador de primeira instância, de caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito. Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido entre a data do recolhimento, em 1999, e a data do protocolo do pedido de restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata o art. 168, I, do CTN. Examinando a decisão recorrida, constatase que, efetivamente, houve um equívoco do julgador ao não considerar o pedido de restituição originalmente formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observase que somente em 2008 veio pleitear compensação do referido crédito, ou seja, cerca de sete anos após ‘obter a comprovação’, e nove após a extinção do débito, pelo pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reportase ao anterior pedido de restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão. Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos inicial e final para a contagem, já foram objeto de acirrados debates, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais. Finalmente, a questão foi pacificada pelo Poder Judiciário. De especial interesse, o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no regime do art. 543C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321, de 04/08/2011, proferido pelo STF no regime do art. 543B do mesmo diploma legal. A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação, em 09/12/2013, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da súmula CARF nº 91, a seguir reproduzida. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 16327.902753/201099 Acórdão n.º 1301002.317 S1C3T1 Fl. 6 5 As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da data limite prevista na súmula, aplicandose, portanto, o prazo prescricional de dez anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato gerador. O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição. Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição. Observese que a data do recolhimento não é considerada para este fim, muito menos a circunstância alegada pela interessada acerca do julgamento administrativo de um auto de infração no qual o sujeito passivo seria um dos litisconsortes na ação judicial. Não se vislumbra qual a relação entre aquele julgamento administrativo e o prazo para a formulação do pedido de restituição aqui discutido. A constatação que se impõe é de que o decurso do prazo prescricional impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer considerações de mérito, negandose provimento ao recurso voluntário. O segundo fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para o indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo: Observese que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça do processo judicial que afirma amparala, de forma a se poder verificar a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado acima, seria ônus da empresa. E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizandose do número de processo judicial fornecido pela Interessada, na opção “Consulta Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte, mas sim as seguintes empresas: Consórcio Nacional Ford Ltda., Autolatina S/A, Autolatina Financiadora S/A Crédito Financiamento e Investimentos e Ford Brasil S/A. Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do processo judicial, e documentos que, segundo ela, comprovariam ser a recorrente sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de Segurança nº 89.112058, constato que a impetrante foi Consórcio Nacional Ford Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A; (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos; e (iii) Ford Brasil S/A. Prosseguindo na análise, encontro Ata da AGE de 31/05/1996 de Banco Autolatina S.A., na qual se registra a cisão parcial dessa pessoa jurídica, com a versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão do patrimônio. No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da ação judicial. No documento datado de 17/02/2004, dirigido à DEINF/SP, a interessada se identifica como “BANCO VOLKSWAGEN S/A., atual denominação de BANCO AUTOLATINA S.A., anteriormente denominado AUTOLATINA Fl. 240DF CARF MF Processo nº 16327.902753/201099 Acórdão n.º 1301002.317 S1C3T1 Fl. 7 6 FINANCIADORA S.A., ...”. Mas tratase de mera afirmação, da qual não encontro prova documental nos autos. Apesar de saber que esse ponto foi um dos fundamentos adotado pelo julgador de primeira instância para negar seu pedido, a interessada apresentou apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando em rastrear e comprovar os eventos societários desde a litisconsorte na ação judicial (Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos) até a atual pessoa jurídica, nem os direitos que teriam sido transmitidos em cada um desses eventos. Em se tratando de pedido de restituição, é ônus de quem alega o direito creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa jurídica que efetuou o recolhimento seria a sucessora em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar nos autos essa comprovação, também por esse motivo o recurso voluntário há que ser negado. Os dois fundamentos autônomos anteriormente discutidos já seriam (e são) suficientes para que o recurso voluntário seja desprovido. Penso, entretanto, que uma consideração adicional há de ser feita. É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei nº 9.779/1999. Confirase seu teor (grifos não constam do original): Art.17.Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1oO disposto neste artigo estendese:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) Iaos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIa contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIaos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 241DF CARF MF Processo nº 16327.902753/201099 Acórdão n.º 1301002.317 S1C3T1 Fl. 8 7 §2oO pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIalcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §3oO pagamento referido neste artigo:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iimporta em confissão irretratável da dívida;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIconstitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] Insisto: os pagamentos nesses termos são confissão irretratável da dívida e confissão extrajudicial. Ou seja, ainda que pudessem ser superados os dois fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo inarredável na disposição expressa da lei acima transcrita. Supondose, como hipótese argumentativa, que a interessada fosse, como afirma, sucessora da litisconsorte na ação judicial, o fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do direito conquistado na ação judicial (possivelmente por vêlo ameaçado por reiteradas manifestações do STF no sentido da inconstitucionalidade da CSLL apenas para o primeiro ano de sua vigência) e parcelar o valor da contribuição para os anos subsequentes. A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto pelo sucesso obtido em ações rescisórias diversas propostas perante o Poder Judiciário, quanto por Pareceres da douta PGFN. Se a interessada tivesse plena convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e discutilo administrativa e judicialmente, nunca o de se antecipar, confessando a dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo. A recorrente reclama, ainda, que esse aspecto não teria sido fundamento para a negativa do pedido de restituição, pelo que não poderia, agora, ser abordado. Observese que a DEINF/SP originalmente negou o pedido porque o pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a interessada não se preocupou em trazer aos autos os esclarecimentos que Fl. 242DF CARF MF Processo nº 16327.902753/201099 Acórdão n.º 1301002.317 S1C3T1 Fl. 9 8 permitissem essa correta identificação. Essa questão foi plenamente superada em primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos, a saber, o prazo para pleitear o indébito e a comprovação do direito alegado. Quanto a este último aspecto, o julgador a quo se deteve na falta das peças do processo judicial e na falta de comprovação de que a interessada no processo administrativo fosse também uma das partes do processo judicial. Penso que as considerações aqui tecidas sobre esse ponto nada mais são do que um aprofundamento acerca da análise de mérito do pedido. Seriam, talvez, dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Fl. 243DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.034071/97-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.890
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE. Relatório. Tratase de Recurso Voluntário de fls 1296 em face de decisão da DRJ/SP de fls 1285 que decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade de fls 1197, restando o direito creditório de Finsocial reconhecido em parte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .0 34 07 1/ 97 -1 5 Fl. 1324DF CARF MF Processo nº 10880.034071/9715 Resolução nº 3201000.890 S3C2T1 Fl. 1.325 2 Como de costume desta Turma de julgamento, transcrevese o relatório e ementa do Acórdão da Delegacia de Julgamento de primeira instância: "1. PLANFILME MATERIAIS FOTOGRÁFICOS LTDA, empresa acima identificada, apresentou Pedido de Restituição (fl. 01) em 04/12/97, pleiteando a restituição de valores recolhidos indevidamente a titulo de FINSOCIAL, com aliquota superior a 0,5%, nos termos da decisão judicial prolatada nos autos do processo n° 92.0019480. 2. Em face deste suposto crédito, o contribuinte apresentou diversos Pedidos de Compensação, fls. 02/05, 70/71, 74/75, 77, 83, 86, 89/90, 95/97 e 102. 3. 0 processo apenso n° 10880.010733/200137 controla Pedido de Compensação de débito de terceiro com o crédito objeto dos autos em análise. 4. A DIORT/DERATSP proferiu Despacho Decisório de fls. 545/549, no qual reconheceu direito creditório no montante de R$ 29.415,87, homologando as compensações apresentadas até este valor. 5. 0 contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade de fls. 571/576, alegando em síntese: 5.1.no cálculo do montante a ser restituído, a Administração não considerou o expurgo inflacionário ocorrido no implemento do Plano Real. Assim, não foi considerada a efetiva inflação verificada no período de 16 a 30 de junho de 1994, bem como, os reflexos nos meses de julho, agosto e setembro do mesmo ano; 5.2.desistiu expressamente das compensações constantes dos autos. Os respectivos débitos foram confessado no PAES; 5.3.requer o provimento da Manifestação de Inconformidade. 6. 0 interessado foi intimado a recolher débitos, conforme Intimação de fl. 594. 7. Em resposta, o interessado afirmou que os débitos inclusive aqueles objeto de compensação controlados no presente processo foram incluídos no PAES (fls. 596/598). 8. Ao analisar a informação prestada pelo contribuinte, a DERATSP promoveu auditoria de cálculo e concluiu que o contribuinte havia ingressado com Pedido de Desistência dq Compensação antes da ciência do Despacho Decisório de fls. 545/549 e que os débitos controlados nos autos haviam sido parcelados no PAES, com exceção daquele constante do processo apenso no 10880.010733/200137 (fl. 629). 9. Desta forma, o órgão preparador promoveu a compensação do débito controlado no processo apenso n° 10880.010733/200137 com o credito deferido por intermédio do Despacho Decisório de fls. 545/549, restando um montante a ser restituído ao interessado. 10. Entretanto, esta restituição foi suspensa até a análise da Manifestação de Inconformidade por este órgão julgador. Fl. 1325DF CARF MF Processo nº 10880.034071/9715 Resolução nº 3201000.890 S3C2T1 Fl. 1.326 3 11. É o relatório." A Ementa deste Acórdão de primeira instância da DRJ/SP foi publicada da seguinte forma: "ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES. Anocalendário: 1989, 1990, 1991, 1994, 1995. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. 0 crédito a que faz jus o contribuinte reconhecido em pedido de restituição deve ser atualizado monetariamente segundo as normas de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido." O presente processo digitalizado foi distribuído e pautado conforme regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto. Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. No mérito, como já mencionado em relatório, remanesce litígio exclusivamente no que se refere à correção do valor a ser restituído, na medida em que a recorrente busca o reconhecimento de “expurgos” inflacionários do Plano Real. Apesar da Lei n.º 8.880/94 apontada pelo contribuinte realmente prever em seus Art. 2.º, 3.º e 38.º o expurgo inflacionário do Plano Real, existe entendimento jurisprudencial acerca da inexistência de expurgo inflacionário no período do Plano Real (julho e agosto de 1994), assunto pacífico no Superior Tribunal de Justiça, conforme se pode verificar os seguintes julgados: RESP 191.996, RESP 325.320, RESP 295.049, e no Agravo Regimental em Recurso Especial n°404.078, que segue transcrito em parte a seguir: Fl. 1326DF CARF MF Processo nº 10880.034071/9715 Resolução nº 3201000.890 S3C2T1 Fl. 1.327 4 "REPETIÇÃO DE INDÉBITO — CORREÇÃO MONETÁRIA — EXPURGOS INFLACIONÁRIOS — JULHO E AGOSTO DE 1994 — UFIR. O STJ já pacificou a tese de que, no Período do Plano Real, não houve expurgo inflacionário. Indevida a adoção do IGPM em julho e agosto de 1994." Assim, o cálculo do direito creditório reconhecido deve respeitar a determinação judicial, mas as peças, decisões e andamentos judiciais juntados aos autos não permitem qualquer conclusão a respeito. Deste modo, patente uma incerteza que dificulta a solução da lide, votase para que o julgamento seja CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA para permitir ao contribuinte que apresente em 30 dias, prorrogáveis uma vez por igual período, as principais peças, decisões e andamentos judiciais que envolvem esta lide administrativa, de forma precisa e organizada em ordem cronológica. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 1327DF CARF MF
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