Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,326)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,173)
- Primeira Turma Ordinária (16,159)
- Segunda Turma Ordinária d (15,885)
- Segunda Turma Ordinária d (14,478)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,482)
- Segunda Turma Ordinária d (12,422)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,076)
- Terceira Câmara (67,622)
- Segunda Câmara (56,324)
- Primeira Câmara (20,556)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,303)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,160)
- Segunda Seção de Julgamen (114,852)
- Primeira Seção de Julgame (76,802)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,969)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,885)
- HELCIO LAFETA REIS (3,799)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,763)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,592)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (15,531)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10580.903618/2009-40
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni- Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni (presidente substituto), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva. Ausente o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
ementa_s :
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10580.903618/2009-40
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5974502
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1001-001.116
nome_arquivo_s : Decisao_10580903618200940.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10580903618200940_5974502.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni- Presidente Substituto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni (presidente substituto), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva. Ausente o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
id : 7660917
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661305380864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1541; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.903618/200940 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001001.116 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 12 de fevereiro de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSLL Recorrente CONSPLAN CONSTRUCAO PROJETO E PLANEJAMENTO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ANOCALENDÁRIO 2002 COMPENSAÇÃO A DCTF constitui confissão de dívida e sua retificação é requerimento essencial para o reconhecimento do débito ou crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Presidente Substituto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni (presidente substituto), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva. Ausente o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário, contra o acórdão número 15 029.860, da 2ª Turma da DRJ/SDR, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório que não homologou a compensação de débito declarada no PER/DCOMP de nº 20944.35168.290806.1.3.042387 (fls. 02/06), transmitido em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 36 18 /2 00 9- 40 Fl. 224DF CARF MF 2 29/08/2006, para a qual foi utilizado crédito decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLL código de receita: 2484), do período de apuração 31/10/2002, no valor original, na data da transmissão, de R$2.766,95. Transcrevo, a seguir o relatório: Por meio do despacho decisório de fl. 07 não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no PER/DCOMP acima mencionado, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em sua manifestação de inconformidade, a Contribuinte alega ter constado no PER/DCOMP que o crédito que deu origem ao pedido de compensação seria previamente de pagamento indevido ou a maior, quando referido crédito teria sido originário de saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), havendo, portanto, um erro no preenchimento, existindo de fato o crédito em seu favor. Cientificada em 18/09/2012 (fl 41), a recorrente apresentou o recurso voluntário em 18/10/2012 (fl 43) Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. Em seu recurso, a recorrente afirma que: · À época, as compensações entre débitos e créditos da mesma espécie tributária eram realizadas diretamente em DCTF pelo contribuinte, conforme art. 66 da Lei 8.383/91. Ou seja, ao declarar um débito como devido o contribuinte indicava como forma de pagamento uma compensação (de saldo negativo, por exemplo), cabendo à Fazenda Nacional fiscalizálo para verificar a existência e suficiência do crédito, e, quando for o caso, desconstituir a compensação via lançamento de ofício. · Ocorre que a compensação foi efetuada nos livros contábeis e evidenciada no LALUR, entretanto, não foi informada na DCTF, constando nesta como valor devido apenas o que foi recolhido. Sendo este recolhimento, como já sobejamente demonstrado, indevido. · A compensação do débito de CSLL referente ao mês de outubro de 2002, com o saldo negativo gerado durante o ano base de 1999, foi tacitamente homologada pela Receita Federal, por conseguinte não tem mais discussão em relação a este fato. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10580.903618/200940 Acórdão n.º 1001001.116 S1C0T1 Fl. 3 3 · A Turma Julgadora apresentou no seu decisório demonstrativo da composição do saldo de CSLL referente ao ano base de 2002, entretanto, neste demonstrativo não foi considerado o saldo credor originário de exercícios anteriores. A comprovação desta disponibilidade de crédito, oriundo de saldo negativo de exercícios anteriores, consta dos registros da Secretaria da Receita Federal, ou seja, está assentada nas Declarações de Imposto de Renda da Contribuinte. · A manifestação de inconformidade não foi acolhida sob o fundamento de que não existia direito creditório. Valendo, mais uma vez, afirmar que o crédito não foi reconhecido pela Turma Julgadora em razão da mesma não ter considerado, no demonstrativo, o saldo negativo advindo de exercícios anteriores. · Conforme já demonstrado nesta petição, a existência do credito é inquestionável, o que ocorreu foi erro de preenchimento de DCTF erro material , que pode ser sanado em qualquer grau de jurisdição administrativa ou judicial, desde que se tenha documentação suficiente para que fique esclarecido o erro. · Deve ser privilegiada, sempre que possível, a busca pela verdade material relativa à situação fiscal do contribuinte, uma vez que eventual preenchimento incorreto da PER/DCOMP ou da DCTF não retira, por si só, o direito de crédito do contribuinte. · Uma vez esclarecido que a Recorrente cometeu erro no preenchimento da DCTF, em relação ao valor devido da CSLL, bem como a forma de liquidação e considerando que a DIPJ, os DARF'S, o LALUR e os Livros Contábeis demonstram a saciedade a existência de crédito suficiente para liquidação do débito constante do PER/DCOMP, é de se acolher os presentes argumentos, suportados por documentação robusta, regular e idônea, para reformar o decidido pela Turma Julgadora e cancelar a cobrança de IRPJ, ora em discussão. Conclui, pedindo: · Por todo o exposto espera a Recorrente que este Egrégio Conselho de Contribuintes acolha o presente Recurso, julgando improcedente a cobrança do débito, ou, determine o retorno dos autos à Turma Julgadora, para que nova análise seja procedida e novo julgamento proferido. Anexa cópia de diversos documentos, tais como LALUR, recibos de entrega de declarações, termos de abertura e de encerramento de Livros etc. A DRJ, por sua vez, assim decidiu em relação à manifestação de inconformidade: A questão constante dos autos, por se tratar de suposto indébito tributário referente à estimativa mensal de CSLL, requer o exame dos artigos 220 a 232, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/ 99, e art. 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, transcritos a seguir: Fl. 226DF CARF MF 4 ... Conforme legislação acima, o contribuinte que optar pelo lucro real, apuração anual, deverá pagar mensalmente imposto devido por estimativa com base na receita bruta, com a aplicação de um percentual determinado. Poderá também suspender o pagamento desde que proceda aos balancetes mensais, demonstrando que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. No final do ano, o imposto apurado deve ser deduzido dos pagamentos recolhidos sob esta sistemática. Assim, os recolhimentos obrigatórios de estimativas mensais, efetuados de acordo com as determinações legais, somente serão passíveis de configurarem pagamento indevido ou a maior, ao final do anocalendário, caso o contribuinte apure saldo negativo do tributo, este sim passível de restituição ou compensação. No presente caso, a própria Contribuinte reconhece ser devido o pagamento da estimativa mensal de CSLL, do período de apuração 31/10/2002, efetuado por meio do DARF discriminado no PER/DCOMP objeto do Despacho Decisório em litígio, quando alega ter havido erro no preenchimento do PER/DCOMP, pois o crédito que pretendia utilizar seria originário de saldo negativo de CSLL, que de fato existiria. Nesse sentido, cumpre, primeiramente, esclarecer que, à luz da legislação fiscal, mais especificamente, o art. 77 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, transcrito a seguir, a Declaração de Compensação somente poderá ser retificada ou cancelada, pelo sujeito passivo, nas hipóteses em que admitidos, caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador gerado a partir do Programa PER/DCOMP. Art. 77. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 78 e 79 no que se refere à Declaração de Compensação Ademais, após a análise dos dados extraídos por meio de pesquisas feitas aos sistemas de controle da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), verificase que o resultado do ajuste anual do anocalendário de 2002 não seria saldo negativo de CSLL, no valor de R$1.898,69, conforme informado na Ficha 17 da DIPJ relativa ao exercício 2003, anocalendário 2002 (cópia à fl. 25), mas sim, saldo de CSLL a pagar, no montante de R$11.889,49 (onze mil, oitocentos e oitenta e nove reais e quarenta e nove centavos), senão vejamos: A Ficha 17 – Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da DIPJ/2003, apresenta a seguinte composição: (quadro à fl 38). Os valores declarados em DCTF, sob o código 2484 (totalmente vinculados a pagamentos), e os pagamentos efetivamente confirmados no sistema Sinal 05, sob o código 2484, são os demonstrados a seguir: (quadro à fl 38). Desta forma, o ajuste anual do anocalendário de 2002, tem a seguinte configuração: (quadro à fl 38). Ante o exposto, voto por julgar Improcedente a Manifestação de Inconformidade, confirmando o Despacho Decisório nº de rastreamento 824961027, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador, que não reconheceu o direito creditório, no valor original, na data da transmissão do PER/DCOMP, de R$2.766,95 (dois mil, setecentos e sessenta e seis reais e noventa Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10580.903618/200940 Acórdão n.º 1001001.116 S1C0T1 Fl. 4 5 e cinco centavos), referente ao pagamento efetuado por meio de Darf, ali discriminado, a título de estimativa mensal de CSLL, do período de apuração 31/10/2002, e não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP em análise, de nº 20944.35168.290806.1.3.042387 A recorrente, no caso, admite um erro no preenchimento da DCTF que é reconhecidamente, uma confissão de dívida. Portanto, somente com a sua retificação é que é possível à Receita Federal reconhecer o novo débito, se e quando for o caso. A alteração das informações prestadas na DCTF, nas hipóteses em que admitida, é efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração original, devendo dela constar não somente as informações retificadas, mas todas as informações que a compõem. A DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e serve para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados, conforme dispõe o artigo 9°, parágrafo 1°, da IN 255/2002 (vigente à época da ocorrência do fato gerador): Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Tal fato foi corroborado através do item 3 do Parecer Normativo COSIT n° 2/2015: 3 É possível o reconhecimento do crédito com base em provas ou indícios sem a retificação da DCTF? Não. A DCTF é confissão de dívida, portanto sua retificação é imprescindível para o reconhecimento do crédito. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento do pedido. Portanto, entendo como correta a decisão da DRJ, e peço a devida vênia para a ela aderir, com base no artigo 50, da Lei 9.784/99 e parágrafo 3°, ao artigo 57, do RICARF. Assim, nego provimento ao presente recurso. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 228DF CARF MF 6 Fl. 229DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.720865/2010-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2010 a 30/06/2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Cabem embargos de declaração quando no acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição. Embargos acolhidos em parte sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 3401-005.940
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e, no mérito, acolher os embargos opostos, sem efeitos dispositivos infringentes, unicamente para que se faça constar no relatório do acórdão embargado, de forma integrativa, o argumento novo respeitante à matéria preliminar "1.0 -NOVA PROVA OBTIDA DIRETAMENTE PELOS JULGADORES".
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 30/06/2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Cabem embargos de declaração quando no acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição. Embargos acolhidos em parte sem efeitos infringentes.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13005.720865/2010-78
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5992127
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3401-005.940
nome_arquivo_s : Decisao_13005720865201078.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
nome_arquivo_pdf_s : 13005720865201078_5992127.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e, no mérito, acolher os embargos opostos, sem efeitos dispositivos infringentes, unicamente para que se faça constar no relatório do acórdão embargado, de forma integrativa, o argumento novo respeitante à matéria preliminar "1.0 -NOVA PROVA OBTIDA DIRETAMENTE PELOS JULGADORES". (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
id : 7704940
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661330546688
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-04-16T16:45:10Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-04-16T16:45:10Z; Last-Modified: 2019-04-16T16:45:10Z; dcterms:modified: 2019-04-16T16:45:10Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:e26c4483-20f1-4e55-be41-f8bebd117cfa; Last-Save-Date: 2019-04-16T16:45:10Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-04-16T16:45:10Z; meta:save-date: 2019-04-16T16:45:10Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-04-16T16:45:10Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-04-16T16:45:10Z; created: 2019-04-16T16:45:10Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2019-04-16T16:45:10Z; pdf:charsPerPage: 1561; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-04-16T16:45:10Z | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 215 1 214 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13005.720865/201078 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3401005.940 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de fevereiro de 2019 Matéria IPI Embargante METALURGICA VENANCIO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 30/06/2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Cabem embargos de declaração quando no acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição. Embargos acolhidos em parte sem efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e, no mérito, acolher os embargos opostos, sem efeitos dispositivos infringentes, unicamente para que se faça constar no relatório do acórdão embargado, de forma integrativa, o argumento novo respeitante à matéria preliminar "1.0 NOVA PROVA OBTIDA DIRETAMENTE PELOS JULGADORES". (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 72 08 65 /2 01 0- 78 Fl. 215DF CARF MF Processo nº 13005.720865/201078 Acórdão n.º 3401005.940 S3C4T1 Fl. 216 2 1. Em 08/11/2018, foi proferido o seguinte despacho de admissibilidade de embargos de declaração opostos pela contribuinte contra a decisão recorrida, cuja íntegra abaixo se transcreve: O sujeito passivo interpôs Embargos de Declaração ao amparo do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 9 de junho de 2015, em face do Acórdão no 3401 005.206 (doc. fls. 244 a 257)1, da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, proferido em sessão de 25/07/2018. O acórdão embargado possui a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RESFRIADOR DE ÁGUA. CÓDIGO NCM Nº 8418.69.31. A mercadoria “resfriador de água”, como unidade fornecedora de água resfriada, deve ser classificada no Código NCM nº 8418.69.31, inteligência que decorre da aplicação das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGI/SH nº 01, nº 06, e da Regra Geral Complementar RGC/SH nº 01". A decisão foi assim registrada. " Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso". Os presentes Embargos de Declaração foram formalizados em decorrência da alegação de suposta ocorrência dos vícios de omissão e obscuridade. São estes os fatos. Passo ao exame dos pressupostos formais e materiais para a admissibilidade do presente remédio processual. PRESSUPOSTOS PRELIMINARES Tempestividade O recurso é tempestivo. O prazo para interposição de Embargos de Declaração é de 5 (cinco) dias da ciência do acórdão recorrido, conforme o § 1o do art. 65 do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 2015. O sujeito passivo foi formalmente cientificado da decisão proferida no julgamento de seu Recurso Voluntário em 29/08/2018, pela ciência do envio do Acórdão de Recurso Voluntário e dos demais documentos à sua Caixa Postal considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB, conforme se observa no Termo de Ciência por Abertura de Mensagem (doc. fls. 261). Os presentes Embargos de Declaração foram formalizados em 03/09/2018, como se observa no Termo de Solicitação de Juntada (doc. fls. 262), razão pela qual concluise que foram apresentados dentro do prazo legal. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 13005.720865/201078 Acórdão n.º 3401005.940 S3C4T1 Fl. 217 3 Legitimidade do Embargante Os Embargos de Declaração foram formalizados pelo sujeito passivo, legitimo a opor este recurso, observando o que estabelece o § 1o do art. 65 do Anexo II, do RICARF, de sorte que podem ser conhecidos. EXAME DOS VÍCIOS ALEGADOS Na sua peça recursal de fls. 271 a 282, a embargante atribui à decisão transcrita a ocorrência de vícios. Nas razões da embargante, justificou a oposição dos presentes aclaratórios a ocorrência de omissões e obscuridades, as quais reclamariam apreciação da c. Turma. Nesses termos, demanda o saneamento dos pontos omissos e obscuros apontados, sendo "dado provimento integral, inclusive com efeitos modificados". A propósito dos vícios apontados na petição, importante desde já recorrer à doutrina de Moacyr Amaral dos Santos2 (1998, p. 146 a 148) para lembrar que se dá omissão quando o julgado não se pronuncia sobre ponto, ou questão, suscitado pelas partes, ou que os julgadores deveriam pronunciarse de ofício. Humberto Theodoro Junior3 (2004, p. 560), a seu turno, leciona que os Embargos de Declaração têm como pressuposto de admissibilidade a existência de obscuridade, contradição ou omissão na sentença produzida. E que, em qualquer caso, a substância da sentença será mantida, uma vez que tais embargos não visam a reforma do acórdão ou da sentença. Admitese a hipótese de alguma alteração no conteúdo do julgado, sem, entretanto, ocasionar um novo julgamento da causa, haja vista não ser esta a função desse remédio recursal. A jurisprudência não destoa: A omissão e a contradição que autorizam a oposição de embargos de declaração têm conotação precisa: a primeira ocorre quando, devendo se pronunciar sobre determinado ponto, o julgado deixa de fazêlo, e a segunda, quando o acórdão manifesta incoerência interna, prejudicandolhe a racionalidade. Não constitui omissão o modo como, do ponto de vista da parte, o acórdão deveria ter decidido, nem contradição o que, no julgado, lhe contraria os interesses.” [Edcl em REsp 56.201BA, Rel. Min. Ari Pargendler, DJU de 09.09.96, p. 32 346] A existência dos vícios de obscuridade, contradição ou omissão, pressupostos dos aclaratórios, deve ser cabalmente demonstrada pela parte quando avia esse remédio recursal, oportunizando ao próprio órgão julgador suprir deficiência no julgamento da causa, sob pena de ofensa ao dever da entrega da prestação jurisdicional a que todo o Juiz está obrigado diante da indeclinável função de dizer o direito. Detectado vício de intelecção no julgado, deve a parte lançar mão do remédio apropriado, obtendo do órgão jurisdicional esclarecimento, "(...) tornando claro aquilo que nele é obscuro, certo aquilo que nele se ressente de dúvida, desfaça a contradição nele existente, supra ponto omisso (...)" (SANTOS, p. 151). Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13005.720865/201078 Acórdão n.º 3401005.940 S3C4T1 Fl. 218 4 Com o norte desses ensinamentos, passo a examinar os vícios apontados. 1 Omissões 1.1 Omissão no Relatório sobre prova obtida diretamente pelos julgadores e recusa de provas sem fundamentação na decisão A embargante inicialmente acusa a ocorrência de omissão no Relatório da decisão embargada, arguindo estar incompleta a descrição de todos os temas postos em litígio. Segundo a empresa, esta parte da peça recursal "tem origem na necessidade de prequestionar pontos indicados nas peças processuais (art. 1.025 da Lei 13.105/2015CPC e CSRF Acórdão n. 920202.281)". Sustenta às fls. 272 que, no item no 5 do Relatório do Acórdão embargado, teria sido consignado somente que a então recorrente interpôs recurso voluntário, "no qual reiterou as razões de sua impugnação". Não obstante, assevera que "no Recurso Voluntário, folhas 206/208, também está expressa a matéria preliminar “1.0 – NOVA PROVA OBTIDA DIRETAMENTE PELOS JULGADORES” conforme texto completo a seguir", a qual estaria omissa no Relatório do Acórdão. Nesse sentido, requer "que esteja expressa de forma individual esta matéria preliminar no “Relatório” do acórdão CARF nº 340105.206". Entendo que a razão pode estar com a embargante. Vejo que na parte da decisão embargada dedicada ao Relatório, fls. 245 e 246, não está expressa a citação à mencionada arguição preliminar feita pela embargante às fls. 206 a 208 de seu Recurso Voluntário, transcrita pela empresa nos Embargos de Declaração. O Relatório tem por finalidade a descrição fidedigna e precisa dos fatos que envolvem a pretensão fiscal e sua contraposição, assim como os argumentos das partes carreados ao processo. Deve trazer ainda, de forma sintética, as alegações do interessado deduzidas perante a autoridade julgadora e os fundamentos da decisão recorrida, além dos argumentos contidos em sua peça recursal em face da própria decisão de primeiro grau. 1.2 Omissão no Voto sobre prova obtida diretamente pelos julgadores e recusa de provas sem fundamentação na decisão Dando continuidade a seu apelo, a embargante acusa omissão do julgado em relação à matéria abordada em seu Recurso Voluntário. Sustenta às fls. 275 que a decisão embargada também teria sido completamente silente em relação à matéria preliminar “1.0 – NOVA PROVA OBTIDA DIRETAMENTE PELOS JULGADORES" sendo omissa em não trazer qualquer decisão sobre o assunto no voto condutor. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13005.720865/201078 Acórdão n.º 3401005.940 S3C4T1 Fl. 219 5 De fato, como alega a embargante, o item “1.0 – NOVA PROVA OBTIDA DIRETAMENTE PELOS JULGADORES" foi trazido às fls. 206 a 208 do Recurso Voluntário, ao longo das quais a empresa aduz que os julgadores de primeira instância teriam atribuído a si próprios "a condição de autoridade lançadora, ao obterem diretamente e ilegalmente nova prova do tipo “catálogo virtual” no endereço eletrônico da empresa autuada, ora recorrente" extrapolando suas competências funcionais, o que caracterizaria, segundo defende, vício material. A empresa argumenta ainda que (fls. 277 grifos no original): "Verificase nas provas do presente processo, inclusive as provas de catálogo virtual encontrado no endereço eletrônico da empresa recorrente, obtidas por ato ilegal dos julgadores de primeira instância DRJ/BEL (julgadores de primeira instância atribuíramse a condição de autoridade lançadora), foram utilizadas, também, por estes julgadores do CARF na decisão sobre a matéria do erro de classificação fiscal. A seguir o item 22 do voto do acórdão CARF, à folha 255:" Com efeito, não se verifica no voto condutor do Acórdão embargado qualquer menção aos argumentos trazidos pela recorrente em relação à matéria preliminar mencionada, sendo o voto condutor silente em relação ao tema. A meu pensar, a omissão alegada também reclama a apreciação da Turma Julgadora, a quem caberá decidir quanto à necessidade de saneamento. Apresentase possível a ocorrência de vício passível de saneamento pelo colegiado, lastreada em argumentação específica e suficiente para a admissibilidade dos Embargos em relação a esse ponto. 2 Obscuridades 2.1 Obscuridade quanto à não aplicação do § 4º do art. 9º do Decreto 70.235/72 Na sequência, a embargante aponta a ocorrência de um terceiro vício, desta feita obscuridade, a qual, segundo a empresa, constaria do voto condutor do Acórdão embargado quando tratada a alegação de não aplicação do § 4o do art. 9o do Decreto 70.235/72 feita pela empresa. Sustenta que a decisão embargada teria sido obscura, ensejando "dificuldade da exata compreensão dos termos dos fundamentos da decisão", e ainda que "Também, existem manifestos deformados dos julgadores, por terem se baseado em premissas deturpadas e inexistentes da fiscalização. Partes da fundamentação são expostas de forma confusa. Logo, no âmbito dos esclarecimentos, os pontos a seguir não permitem entendimento no acórdão, de tal modo que geram dúvidas a encobrir uma hábil solução do litígio" (fls. 278). Por fim, complementa (fls. 280 grifos no original): "Não se pode fazer conceitos sem coisas. Não se pode dar sentido para além ou aquém da lei. Os sentidos de um texto Fl. 219DF CARF MF Processo nº 13005.720865/201078 Acórdão n.º 3401005.940 S3C4T1 Fl. 220 6 somente surgem na aplicação. Logo, qual é o sentido do § 4º do art. 9º do Decreto 70.235/1972 (art. 25 da Lei nº 11.941/2009)? Atribuindo determinado sentido, como esse dispositivo jurídico se aplica aos fatos? (...)No ano de 2010, época dos atos fiscais (Parecer DRF/SCS/SAORT nº 21/2010 e Despacho Decisório DRF/SCS/SAORT nº 207, de 22/04/2010), já era vigente o art. 25 da Lei nº 11.941/2009. Salientase o obrigatório efeito vinculante à legislação vigente pelos servidores públicos. Desta forma, requer que "esteja expressa de forma individual no “Voto” do acórdão CARF nº 340105.206 as respostas das perguntas formuladas anteriormente no sobre § 4º do art. 9º do Decreto 70.235/1972 (art. 25 da Lei nº 11.941/2009)". Não vejo obscuridade no julgado em relação à matéria. O excerto do voto condutor do Acórdão embargado transcrito a seguir (fls. 247), inclusa a parte acrescida da decisão da DRJ pelo i. Conselheiro Relator, externa de forma clara e direta sua manifestação acerca dos fundamentos da decisão na apreciação do ponto em questão (grifos no original): "Observese, a respeito desta alegação, ainda, que se procedeu à lavratura de auto de infração para a formalização da cobrança das diferenças de imposto apuradas em virtude do erro de classificação fiscal, discutido no Processo Administrativo nº 13005.720865/201078, igualmente pautado para a corrente sessão para fins de julgamento conjunto. Acrescemse a estas considerações aquelas oportunamente trazidas pela decisão recorrida: (...)Assim sendo, a autoridade fiscal exarou o Despacho Decisório em questão após cumprir todos os preceitos da legislação em vigor, especialmente a análise dos documentos comprobatórios do alegado direito creditório, inclusive arquivos fornecidos pelo contribuinte e realização de diligências fiscais a fim de ser verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas, tudo conforme preceitua a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que disciplinava a época a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo administrado pela RFB, dentre esses o ressarcimento e a compensação de créditos do IPI. Também não se constata nenhum vício de forma no lançamento, tendo sido observadas as prescrições contidas no Decreto nº 70.235, de 1972, estando cristalina e minuciosamente demonstrados no processo a fundamentação legal, a matéria tributável, os valores apurados e os fatos motivadores da autuação, permitindo à impugnante conhecer todos os elementos componentes da ação fiscal e, assim, propiciandolhe todos os meios para livre e plenamente manifestar suas razões de defesa" Nenhuma obscuridade há na decisão embargada, vício que se configuraria se o Fl. 220DF CARF MF Processo nº 13005.720865/201078 Acórdão n.º 3401005.940 S3C4T1 Fl. 221 7 posicionamento do julgador não fosse claro, inteligível e compreensível, o que não ocorreu. Com base nesses fundamentos, o voto deixa expresso o registro de que "não merece provimento o recurso voluntário neste particular" (fls. 248). 2.2 Obscuridade sobre a função de resfriar da máquina Por fim, a embargante advoga a ocorrência de nova obscuridade no julgado. Tal obscuridade constaria do item 22 (fls. 255) do voto condutor do Acórdão e, segundo a embargante, estaria nítido pela peça de impugnação que "a função da máquina é única: de resfriar a massa durante o amassamento (preparo) – NCM 8438.10.00". Argumenta a empresa que (fls. 281 grifos no original): "Verificase na afirmação da impugnação, na fl. 79, quanto ao “Resfriador Dosador de Água”, que é necessária certa quantidade de água para RESFRIAR durante o amassamento de certa quantidade de massa a ser produzida. No mesmo sentido, na afirmação da impugnação, na fl. 86, a adição de água RESFRIADA é para corrigir a temperatura no preparo da massa. As afirmações se referem a resfriar durante o amassamento da massa e resfriar a temperatura da massa durante o preparo (NCM 8438.10.00). Nítido, pela peça de impugnação a função da máquina é única: de resfriar a massa durante o amassamento (preparo) – NCM 8438.10.00. Em obscuridade, verificase na decisão dos julgadores do CARF que a função da máquina não é de resfriar a massa alimentícia (NCM 8438.10.00)". Relendo o voto condutor da decisão embargada, não detectei qualquer obstáculo que obnubilasse a sua perfeita intelecção. Ao contrário, a redação é clara, direta e manifesta o entendimento do julgador quanto às funções da máquina da qual se questiona a classificação fiscal e seu enquadramento no código NCM apontado pela fiscalização. O i. Conselheiro Relator, ao longo das fls. 248 a 256, discorre sobre seu entendimento acerca da correta classificação fiscal da mercadoria, a partir da aplicação das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGI/SH ao caso concreto, e chega à conclusão de que a mercadoria “RESFRIADOR DE ÁGUA” deve ser classificada no Código NCM no 8418.69.31. A própria narrativa da embargante, que articulou argumentos contrários as conclusões do decisum, o comprova. A embargante pode dela discordar, mas o fato é que a fundamentação do voto é clara e prescinde de qualquer esclarecimento. CONCLUSÕES Fl. 221DF CARF MF Processo nº 13005.720865/201078 Acórdão n.º 3401005.940 S3C4T1 Fl. 222 8 Com essas considerações, firme no § 7o do art. 65 do RICARF, com a redação que lhe foi dada pela Portaria MF nº 39, de 2016, DOU SEGUIMENTO PARCIAL aos embargos interpostos pela contribuinte, para que sejam apreciadas as alegações concernentes aos itens 1.1 e 1.2 descritos no texto acima. Este despacho é irrecorrível em relação à matéria rejeitada, itens 2.1 e 2.2, nos termos do § 3o do art. 65 do RICARF, uma vez que o vício apontado é improcedente. Encaminhese o presente processo ao i. Relator, Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, a fim de que indique o processo para pauta. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 2. Os embargos de declaração opostos são tempestivos e preenchem os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, deles tomo conhecimento. 3. Transcrevese, abaixo, com a finalidade de contextualização do debate aos demais integrantes deste colegiado, trecho do voto elaborado por este relator e acolhido à unanimidade na ocasião do julgamento do acórdão ora embargado: A embargante inicialmente acusa a ocorrência de omissão no Relatório da decisão embargada, arguindo estar incompleta a descrição de todos os temas postos em litígio. Segundo a empresa, esta parte da peça recursal "tem origem na necessidade de prequestionar pontos indicados nas peças processuais (art. 1.025 da Lei 13.105/2015CPC e CSRF Acórdão n. 920202.281)". Sustenta às fls. 272 que, no item no 5 do Relatório do Acórdão embargado, teria sido consignado somente que a então recorrente interpôs recurso voluntário, "no qual reiterou as razões de sua impugnação". Não obstante, assevera que "no Recurso Voluntário, folhas 206/208, também está expressa a matéria preliminar “1.0 – NOVA PROVA OBTIDA DIRETAMENTE PELOS JULGADORES” conforme texto completo a seguir", a qual estaria omissa no Relatório do Acórdão. Nesse sentido, requer "que esteja expressa de forma individual esta matéria preliminar no “Relatório” do acórdão CARF nº 340105.206". Entendo que a razão pode estar com Fl. 222DF CARF MF Processo nº 13005.720865/201078 Acórdão n.º 3401005.940 S3C4T1 Fl. 223 9 a embargante. Vejo que na parte da decisão embargada dedicada ao Relatório, fls. 245 e 246, não está expressa a citação à mencionada arguição preliminar feita pela embargante às fls. 206 a 208 de seu Recurso Voluntário, transcrita pela empresa nos Embargos de Declaração. O Relatório tem por finalidade a descrição fidedigna e precisa dos fatos que envolvem a pretensão fiscal e sua contraposição, assim como os argumentos das partes carreados ao processo. Deve trazer ainda, de forma sintética, as alegações do interessado deduzidas perante a autoridade julgadora e os fundamentos da decisão recorrida, além dos argumentos contidos em sua peça recursal em face da própria decisão de primeiro grau. 1.2 Omissão no Voto sobre prova obtida diretamente pelos julgadores e recusa de provas sem fundamentação na decisão Dando continuidade a seu apelo, a embargante acusa omissão do julgado em relação à matéria abordada em seu Recurso Voluntário. Sustenta às fls. 275 que a decisão embargada também teria sido completamente silente em relação à matéria preliminar “1.0 – NOVA PROVA OBTIDA DIRETAMENTE PELOS JULGADORES" sendo omissa em não trazer qualquer decisão sobre o assunto no voto condutor. De fato, como alega a embargante, o item “1.0 – NOVA PROVA OBTIDA DIRETAMENTE PELOS JULGADORES" foi trazido às fls. 206 a 208 do Recurso Voluntário, ao longo das quais a empresa aduz que os julgadores de primeira instância teriam atribuído a si próprios "a condição de autoridade lançadora, ao obterem diretamente e ilegalmente nova prova do tipo “catálogo virtual” no endereço eletrônico da empresa autuada, ora recorrente" extrapolando suas competências funcionais, o que caracterizaria, segundo defende, vício material. A empresa argumenta ainda que (fls. 277 grifos no original): "Verificase nas provas do presente processo, inclusive as provas de catálogo virtual encontrado no endereço eletrônico da empresa recorrente, obtidas por ato ilegal dos julgadores de primeira instância DRJ/BEL (julgadores de primeira instância atribuíramse a condição de autoridade lançadora), foram utilizadas, também, por estes julgadores do CARF na decisão sobre a matéria do erro de classificação fiscal. A seguir o item 22 do voto do acórdão CARF, à folha 255:" Com efeito, não se verifica no voto condutor do Acórdão embargado qualquer menção aos argumentos trazidos pela recorrente em relação à matéria preliminar mencionada, sendo o voto condutor silente em relação ao tema. A meu pensar, a omissão alegada também reclama a apreciação da Turma Julgadora, a quem caberá decidir quanto à necessidade de saneamento. Apresentase possível a ocorrência Fl. 223DF CARF MF Processo nº 13005.720865/201078 Acórdão n.º 3401005.940 S3C4T1 Fl. 224 10 de vício passível de saneamento pelo colegiado, lastreada em argumentação específica e suficiente para a admissibilidade dos Embargos em relação a esse ponto. 4. A contribuinte, ora embargante, insurgese contra as omissões acima referidas. De fato, como alega a embargante, o recurso voluntário ventila a alegação no sentido de que os julgadores de primeira instância teriam se investido da"condição de autoridade lançadora, ao obterem diretamente e ilegalmente nova prova do tipo “catálogo virtual” no endereço eletrônico da empresa autuada, ora recorrente" extrapolando suas competências funcionais, o que caracterizaria, segundo defende, vício material, bem como que o relatório teria se omitido quanto a este particular. 5. Em que pese a procedência da alegação em embargos quanto à omissão, uma vez que se trata de argumento autônomo que, sozinho, teria o potencial para infirmar, total ou parcialmente, a decisão recorrida, na apreciação do mérito o argumento não merece acolhida, uma vez que, em que pese de se tratar de elemento de formação da convicção do julgador a quo, não se tratou do único fundamento da decisão. Assim, ainda que expurgada a prova da decisão, seu conteúdo permanece hígido e inalterado, havendo substancial distância entre o excesso de diligência do julgador e a reputada ofensa ao contraditório e à ampla defesa insuflados pela contribuinte em suas razões recursais. 6. Merece, portanto, acolhida o argumento referente à omissão que, uma vez apreciado quanto ao mérito, deve ser rejeitado. 7. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, acolher os embargos opostos, sem efeitos dispositivos infringentes, unicamente para que se faça constar no relatório do acórdão embargado, de forma integrativa, o argumento novo respeitante à matéria preliminar “1.0 – NOVA PROVA OBTIDA DIRETAMENTE PELOS JULGADORES". (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 224DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.928466/2009-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Isto porque, com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, que cabe à Recorrente, autora do processo administrativo de restituição/compensação, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia.
PIS. COFINS. CONTRATO PREÇO PREDETERMINADO. CORREÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. PROVA. PAGAMENTOS INDEVIDOS. DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO.
O reajuste de preços efetuado nas condições descritas no artigo 27 da Lei n° 9.069/95, independentemente do índice utilizado não descaracteriza, necessariamente, a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98.
Havendo prova técnica que conclua que os ajustes de preços praticados nos contratos enquadram-se no conceito de "preço predeterminado" do artigo 10, inciso XI, alínea b da Lei n. 10.833/03 (ou seja, que a variação dos reajustes nos preços de energia dos contratos se deu em percentual inferior à variação dos custos totais no período a que se refere o crédito discutido), o contribuinte possui o direito de tributar a receita deles decorrente na sistemática cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS, e, havendo valores indevidamente recolhidos no período, porque erroneamente submetidos à não-cumulatividade das Contribuições, devem ser restituídos.
Numero da decisão: 3402-006.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito da Recorrente tributar as receitas decorrentes dos contratos indicados no voto da relatora no regime cumulativo das contribuições, determinando o retorno dos autos para que a DRF examine e profira decisão sobre os demais requisitos do crédito objeto do pedido de restituição/compensação formulado. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou a relatora pelas conclusões por entender aplicável o art. 3º, §3º da Instrução Normativa n.º 658/2006.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Isto porque, com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, que cabe à Recorrente, autora do processo administrativo de restituição/compensação, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia. PIS. COFINS. CONTRATO PREÇO PREDETERMINADO. CORREÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. PROVA. PAGAMENTOS INDEVIDOS. DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. O reajuste de preços efetuado nas condições descritas no artigo 27 da Lei n° 9.069/95, independentemente do índice utilizado não descaracteriza, necessariamente, a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98. Havendo prova técnica que conclua que os ajustes de preços praticados nos contratos enquadram-se no conceito de "preço predeterminado" do artigo 10, inciso XI, alínea b da Lei n. 10.833/03 (ou seja, que a variação dos reajustes nos preços de energia dos contratos se deu em percentual inferior à variação dos custos totais no período a que se refere o crédito discutido), o contribuinte possui o direito de tributar a receita deles decorrente na sistemática cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS, e, havendo valores indevidamente recolhidos no período, porque erroneamente submetidos à não-cumulatividade das Contribuições, devem ser restituídos.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11080.928466/2009-91
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5972876
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-006.296
nome_arquivo_s : Decisao_11080928466200991.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
nome_arquivo_pdf_s : 11080928466200991_5972876.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito da Recorrente tributar as receitas decorrentes dos contratos indicados no voto da relatora no regime cumulativo das contribuições, determinando o retorno dos autos para que a DRF examine e profira decisão sobre os demais requisitos do crédito objeto do pedido de restituição/compensação formulado. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou a relatora pelas conclusões por entender aplicável o art. 3º, §3º da Instrução Normativa n.º 658/2006. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
id : 7655713
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661346275328
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2214; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 111 1 110 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.928466/200991 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402006.296 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de fevereiro de 2019 Matéria PIS/COFINS Recorrente CERAN COMPANHIA ENERGÉTICA RIO DAS ANTAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Isto porque, com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, que cabe à Recorrente, autora do processo administrativo de restituição/compensação, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia. PIS. COFINS. CONTRATO PREÇO PREDETERMINADO. CORREÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. PROVA. PAGAMENTOS INDEVIDOS. DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. O reajuste de preços efetuado nas condições descritas no artigo 27 da Lei n° 9.069/95, independentemente do índice utilizado não descaracteriza, necessariamente, a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98. Havendo prova técnica que conclua que os ajustes de preços praticados nos contratos enquadramse no conceito de "preço predeterminado" do artigo 10, inciso XI, alínea “b” da Lei n. 10.833/03 (ou seja, que a variação dos reajustes nos preços de energia dos contratos se deu em percentual inferior à variação dos custos totais no período a que se refere o crédito discutido), o contribuinte possui o direito de tributar a receita deles decorrente na sistemática cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS, e, havendo valores indevidamente recolhidos no período, porque erroneamente submetidos à nãocumulatividade das Contribuições, devem ser restituídos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 84 66 /2 00 9- 91 Fl. 823DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito da Recorrente tributar as receitas decorrentes dos contratos indicados no voto da relatora no regime cumulativo das contribuições, determinando o retorno dos autos para que a DRF examine e profira decisão sobre os demais requisitos do crédito objeto do pedido de restituição/compensação formulado. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou a relatora pelas conclusões por entender aplicável o art. 3º, §3º da Instrução Normativa n.º 658/2006. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório O presente Processo Administrativo foi objeto da Resolução n. 3402000.275 depois de sua chegada ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”). Dessa forma, o caso já foi bem relatado pelo Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, antes de ser a mim redistribuído pelo fato de a Relator originário não mais integrar nenhum dos Colegiados da 3ª Seção. Desta feita, peço licença para tomar emprestadas as suas palavras sobre o histórico do processo: Tratase de processo de restituição/compensação em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que houve erro no preenchimento da DCTF e que esse erro já foi resolvido por meio de uma declaração retificadora. Nesta linha, afirma que possui direito à restituição de tributos, gerado por pagamentos indevidos e que as comprovações destes indébitos encontramse espelhadas nas retificações feitas nas DCTF. A DRJ de Porto Alegre julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que a restituição de indébito fiscal está condicionada à comprovação da certeza e Fl. 824DF CARF MF Processo nº 11080.928466/200991 Acórdão n.º 3402006.296 S3C4T2 Fl. 112 3 liquidez do respectivo indébito. Que a simples entrega de DCTF retificadora sem qualquer explicação a respeito da divergência na apuração do débito, não é elemento suficiente para comprovar o indébito apontado. Assim, a liquidez do direito há de ser comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, através da comprovação das bases de cálculo sobre as quais ocorreram os fatos geradores e o efetivo valor devido. Por fim assevera que...também é assente na doutrina que direito líquido e certo é aquele cujos aspectos de fato possam comprovarse documentalmente. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpõe recurso voluntário ao CARF, cujo teor, em síntese é o que se segue: A Recorrente identificou em sua contabilidade que parte de suas receitas decorriam de contratos de fornecimento a preço predeterminado, assinados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo de duração superior a um ano ( contratos de Compra e Venda de Energia Elétrica), receitas estas que estão submetidas sistemática de cobrança cumulativa do pagamento da COFINS, nos moldes da Lei n° 9.718/98, por força do que dispõe o artigo 10, inciso XI, alínea b, da Lei n° 10.833/2003. Além disso, vinha a Recorrente considerando como fato gerador da COFINS a efetiva emissão do documento fiscal, ocorrida sempre no primeiro dia do mês subsequente ao reconhecimento de suas receitas, reconhecimento este efetuado por competência. Considerando que o fato gerador não é a emissão física do documento representativo da receita, mas sim o seu reconhecimento quando de sua efetiva realização contábil (reconhecimento por competência), a Recorrente corrigiu também este equivoco, antecipando em um mês, para fins de cálculo retificador, as receitas anteriormente consideradas na base de cálculo das contribuições. Dessa forma, a Recorrente, verificando os equívocos por ela cometidos quando da apuração da COFINS, procedeu a retificação de seu cálculo, submetendo as receitas decorrentes de contratos de fornecimento a preço predeterminado, assinados anteriormente a 31 de outubro de 2003, anteriormente consideradas no regime não cumulativo da Cofins, ao regime cumulativo desse tributo, e considerando tais receitas como auferidas no mês anterior a emissão do documento fiscal. Em razão da diferença entre os valores e a alíquota aplicada da COFINS cumulativa (3%) para a alíquota da COFINS nãocumulativa (7,6%), resultou uma diferença a crédito para Recorrente. Essas são as razões jurídicas que embasam o pedido do recorrente. Com essas causas de pedir recursais, requer a procedência de seu pedido para fins de: Fl. 825DF CARF MF 4 a) Homologar integralmente a compensação apresentada nos autos; ou b) Determinar a realização de diligência; ou ainda c) Anular a decisão da DRJ Em julgamento datado de 31 de agosto de 2011 (Resolução n. 3402000.275), a 2ª Turma da 4ª Câmara por expressamente entender equivocado o procedimento adotado pela DRF e a solução dada pela DRJ, além de ponderar que os documentos trazidos aos autos poderiam sugerir a mutação de regime de apuração da exação e erro na aplicação do regime de competência determinou a conversão do julgamento em diligência, nos seguintes termos: Voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem verifique: a) Quais foram os contratos de compra e venda de energia elétrica firmados antes de 31/10/2003 e qual a receita auferida na execução destes contratos; b) Se todos os contratos firmados antes de 31/10/2003 tinham prazo de vigência superior a 1 (um) ano; c) Se o preço foi predeterminado; d) Quando houve a primeira alteração de preço decorrente da aplicação de cláusula contratual de reajuste periódico ou não; e) Quando houve a primeira alteração de preço decorrente da aplicação de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico/financeiro do contrato, nos termos dos artigos 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993; f) Se houve reajuste de preço, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou a variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 12 do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995; e g) Se houve equívoco na apuração da exação quando da apuração da base de cálculo da exação pelo regime de competência. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. As respostas pela repartição fiscal de origem foram acostadas aos autos em fls 562 a 573, concluindo que, apesar de não terem sido apresentados alguns documentos requeridos à Recorrente, localizou os pagamentos em questão no sistema da Receita Federal. Suas considerações conclusivas foram que: Com base no entendimento da Solução de Consulta nº 228, de 14/12/2009, acima exposto, verificase que as receitas auferidas no mês de junho de 2005, no total de R$ 4.889.638,25, na execução dos contratos CERCO/2002 211, CERCO/2002 212, CERPA/2002 209 e CERPI/2002 210, de 17/10/2002, e CER CEEE, de 11/11/2002, foram equivocadamente reconhecidas Fl. 826DF CARF MF Processo nº 11080.928466/200991 Acórdão n.º 3402006.296 S3C4T2 Fl. 113 5 como Receita da Venda no Mercado Interno no regime não cumulativo, na Dacon retificadora do 2º Trimestre de 2005, de nº 0000100200800010811, tendo em vista que nos reajustes nos percentuais de 14%, 12%, 14%, 12% e 31%, respectivamente, dos preços dos Valores de Referência ²VR² mensais inicialmente contratados em relação a cada MWh de energia, foram computas as variações do índice IGPM, descaracterizando o preço predeterminado previsto no artigo 10 da Lei nº 10.833/2003. Por sua vez, a Recorrente foi intimada do resultado da diligência, apresentando manifestação de fls 575 a 597, pela qual reforça que a própria autoridade fiscalizadora confirmou suas alegações de defesa e requer, novamente, o provimento de seu recurso voluntário, pois, no seu entendimento: i) a Fiscalização deveria ter comprovado que os reajustes dos preços dos Contratos foram superiores aos custo de produção da Requerente ii) da impossibilidade de retirar dos contratos firmados pela Requerente a característica de serem a preço predeterminado, uma vez que o mero reajuste de preço não seria condição suficiente para descaracterizar o preço predeterminado, conforme dispõe o artigo 3º, §3º da IN 658/2006 (o reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados não descaracteriza o preço predeterminado) iii) Contrato CERCEED, foi celebrado para harmonizar o conceito de valor de referência (VR) com o conceito de valor normativo (VN), estabelecido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL, Nota Técnica 23/2003). Assim, os reajustes promovidos configuram mera alteração nominal no preço. Não configurariam, dessarte, reajuste do preço contratado, mas sim mera recomposição do valor da moeda. iv) Sobre os Contratos CERCEEED, CERCO/2002 211, CERCO/2002 212, CER PA/2002 209 e CERPI/2002 210, lembra que a Lei n. 10.833/2003 não definiu o que seria “preço predeterminado”. Assim, por força do que determina o artigo 109 do CTN, deve ser observado o artigo 487 do Código Civil e, por conseguinte, convalidado que as partes podem contratar preço em função de índices, desde que estes sejam suscetíveis de determinação. Ou seja, a existência de cláusula que preveja índice determinado de reajuste de preço não retira sua característica de contato de preço (pre)determinado; v) o artigo 109 da Lei n. 11.196/2005, com aplicação retroativa a 1º de novembro de 2003 (cf. artigo 106, inciso I do CTN, por tratarse de lei meramente interpretativa), esclareceu que o reajuste de preço não pode ser considerado para fins de descaracterização de preço predeterminado a que se refere o artigo 10, inciso XI, alíneas “b” e “c” da Lei n. 10.833/2003. Ademais, o artigo 109 da Lei 11.196/2005, conjuntamente lido com o artigo 27, parágrafo único 1º, incido II da Lei n. 9.069/1995, levam à conclusão de que o contrato que tenha seu preço reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderado dos custos dos insumos utilizados não perde a característica de contrato a preço predeterminado. O IGMP constitui índice que reflete adequadamente a evolução dos preços das atividades produtivas, portanto enquadrandose nos Fl. 827DF CARF MF 6 dispositivos anteriormente citados, exatamente como expôs a Nota Técnica n. 224/2006 SFF/ANEEL e o Ofício n. 1.431/2006SFF/ANEEL vi) subsidiariamente, a Fiscalização deveria ter comprovado que os reajustes pelo IGPM superaram o percentual correspondente ao acréscimo dos custos de produção. Posteriormente, a Recorrente apresentou laudo formulado por auditoria independente a respeito da composição do preço dos contratos acostados aos autos, razão pela qual, em 26 de maio de 2017, tendo em vista o conteúdo do artigo 10 do Novo Código de Processo Civil (Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015),1 propus a abertura de vista à Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), para que se manifeste acerca do documento apresentado pela Recorrente, medida imperativa para submeter a documentação ao contraditório, tornandose, então, prova capaz de legitimamente influenciar o julgamento do caso. A manifestação da PFN veio ao processo em fls 628 a 638, no seguinte sentido: Concluise, portanto, à vista dos argumentos acima expostos, que, de todo modo, o pleito do contribuinte deve ser rechaçado: a) seja para encampar a conclusão exarada pela DRJ de origem, com base nos fundamentos ali expostos, ou seja, de que o fato de o contribuinte ter, posteriormente à ciência do Despacho Decisório, tratado de retificar formalmente a DCTF não tem o efeito de convalidar retroativamente a compensação instrumentada por DCOMP pois a existência do indébito só se aperfeiçoou depois. A razão pela qual não se pode acatar esta retroação de efeitos está associada ao fato de que como a apresentação da DCOMP serve à extinção imediata do débito do sujeito passivo (nos mesmos termos de um pagamento), só pode ela ser efetuada com base em créditos contra a Fazenda Nacional líquidos e certos (como o comanda o artigo 170 do Código Tributário Nacional). Nesse contexto, créditos relativos a valores confessados e não retificados antes de qualquer procedimento de ofício não têm existência jurídica válida (em termos tanto de liquidez quanto de certeza), em razão dos efeitos legais atribuídos à DCTF; b) seja para, não acatado o posicionamento acima, diante da análise da PER/DCOMP com base na DCTF retificada após proferido despachodecisório que não homologou a compensação (cuja possibilidade se admite apenas para argumentar), determinar o retorno dos autos à unidade de origem para verificar a liquidez, certeza, suficiência e legalidade da compensação pleiteada, de forma a apreciar os argumentos e elementos probatórios coligidos ao feito pelo interessado, dando concretude aos princípios do contraditório e da ampla defesa, sem suprimir instâncias. O caso veio para julgamento deste Colegiado em sua anterior composição, em 30 de agosto de 2017, gerando o Acórdão ementado da seguinte forma: 1 Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício. Fl. 828DF CARF MF Processo nº 11080.928466/200991 Acórdão n.º 3402006.296 S3C4T2 Fl. 114 7 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 COFINS. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU. NOVO JULGAMENTO PELA DRJ. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e crédito nela declarados. A sua apresentação após a não homologação de compensação, por ausência de saldo de créditos na DCTF original, tem como consequência a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Contudo, havendo no decorrer do processo tal verificação por parte autoridade fiscal de origem, que por sua vez gerou o devido direito à nova manifestação de inconformidade pelo sujeito passivo, cumpre devolver os autos para julgamento da Delegacia da Receita Federal competente, evitando a supressão de instância no processo administrativo (artigo 60 do Decreto 70.235/72). Recurso voluntário parcialmente provido. Aguardando nova decisão. Ou seja, considerando superada a questão da DCTF retificadora, e sendo que os créditos pleiteados já tinham sido avaliados pela autoridade fiscal certificadora e objeto de nova manifestação de inconformidade pela Contribuinte, decidiuse que os autos deveriam ensejar apreciação pela DRJ, porque a lide foi reformulada no decorrer do processo, dando efetividade ao duplo grau de jurisdição no âmbito administrativo. Assim, foi proferido novo julgamento pela DRJ de Porto Alegre, negando provimento à manifestação de inconformidade, por entender que, como não foi demonstrado que o reajuste dos contratos foram feitos com base nos custos de produção ou da variação de custos de insumos utilizados na produção da energia comercializada pela recorrente, a condição de preço predeterminado foi descumprida. Logo, a tributação da Contribuição ao PIS e da Cofins não poderiam ser feitas pelo regime cumulativo. Ato contínuo, foi trazido aos autos recurso voluntário combatendo esta última decisão, pelos seguintes fundamentos: i) primeiro, a análise da legislação de regência aplicável ao caso, a partir da qual se evidencia que a utilização do IGPM como índice de reajuste dos preços dos Contratos não descaracteriza o preço predeterminado, conforme entendimento que se verifica no âmbito deste Tribunal; e, ii) subsidiariamente que, no caso dos autos, foi apresentado Laudo, elaborado pela KPMG, que comprova que não houve descaracterização do preço predeterminado dos Contratos de fornecimento, na medida em que a variação dos reajustes nos preços de energia dos contratos analisados se deu em percentual inferior à variação dos custos totais da Recorrente no período que abrange aquele a que se refere o crédito discutido no presente Processo Administrativo. E, conforme jurisprudência pacífica do CARF — inclusive de sua c. CSRF —, havendo a comprovação mediante laudo, as receitas decorrentes de contratos de fornecimento devem ser submetidas ao regime cumulativo do PIS e da COFINS. Fl. 829DF CARF MF 8 É o relatório. Voto Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora Os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário já foram anteriormente reconhecidos por este Conselho, de modo que passo a apreciação do mérito. Como se depreende do relato acima, o presente processo, oriundo de pedido de restituição, tem como arcabouço jurídico a questão do preço predeterminado dos contratos acostados aos autos pela Recorrente e sua implicação quanto à (não)cumulatividade da Contribuição ao PIS e da COFINS. Nesse tipo de processo discutese a capacidade do índice de correção aplicado aos contratos de longo prazo alterar o preço predeterminado dos mesmos, e foi nesse sentido que caminhou a defesa da Recorrente, no intuito de demonstrar a legitimidade do crédito pleiteado. Tal tema já foi objeto de análise deste Conselho, inclusive de nosso Colegiado,2 em diversas oportunidades. Repisemos as suas origens, antes de adentrar no caso concreto. O artigo 10, inciso XI, alínea “b”, da Lei nº 10.833/2003 dispõe: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; De acordo com o dispositivo acima transcrito, as receitas decorrentes de contratos que atendam aos requisitos ali previstos permanecem sujeitas às normas da Contribuição ao PIS e da COFINS — a primeira em razão do disposto no artigo 15, inciso V, da Lei nº 10.833/2003 — vigentes anteriormente à Lei nº 10.833/2003. Ou seja, as referidas receitas ficariam sujeitas à sistemática de cobrança cumulativa da COFINS, nos termos da Lei nº 9.718/1998, e da Contribuição ao PIS, conforme a Lei nº 9.715/1998. Dissecando o dispositivo em comento, temse que os requisitos para que um contrato atenda ao previsto no artigo 10, inciso XI, alínea “b”, da Lei nº 10.833/2003 são: i) que seja firmado anteriormente a 31 de outubro de 2003; ii) que tenha prazo superior a 1 (um) ano; iii) que seja de fornecimento de bens ou serviços; e iv) que seja a preço predeterminado. 2 Acórdão nº 3402005.033, 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Terceira Seção de Julgamento, Rel. Cons. Diego Diniz Ribeiro, j. 22032018. 15 Acórdão nº 3402003.302, 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Terceira Seção de Julgamento, Rel. Cons. Carlos Augusto Daniel Neto, j. 28092016. Fl. 830DF CARF MF Processo nº 11080.928466/200991 Acórdão n.º 3402006.296 S3C4T2 Fl. 115 9 A lide, no pé em que hoje se encontra, instaurase com relação ao preenchimento do último requisito. Esta relatora particularmente entende, com base nos princípios de direito privado, que a atualização monetária, pelo IGPM, de valor fixado em título executivo não representa uma alteração do preço, mas a própria manutenção do valor predeterminado. Em outras palavras, o preço predeterminado não se descaracteriza pela aplicação de indexador, o qual constitui mera atualização monetária dos valores dos contratos e não torna o preço pactuado (predeterminado) para fornecimento de bens e serviços em preço indeterminado, sendo ilegal da exclusão promovida pela IN 468/04. Nesse sentido, compactuo com as considerações tecidas pelo Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, no Acórdão 3402003.302, aqui convocadas como razão de decidir, conforme permite o artigo 50, §1o da Lei n. 9.784/99. In verbis: O cerne da discussão nesse processo cingese ao conceito de "preço determinado", para fins de aplicação do art.10, XI da Lei 10.833/03, especialmente em relação à adoção do índice IGPM em cláusula contratual de reajuste de preços. A RFB entende que a adoção de tal índice não atende ao art.109 da Lei 11.196/2006, verbis: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Tal posição decorre da consideração de que o IGPM não reflete o custo de produção ou da variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069/95: Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: (...) II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; Por sua vez, a Recorrente frisa a impossibilidade de aplicação das Instruções Normativas da SRF nº 468/04 e 658/06, por Fl. 831DF CARF MF 10 estabelecerem obstáculo ao reajustamento dos preços não existentes no dispositivo mencionado da lei 10.833/03. Vejamos inicialmente o dispositivo que prevê a permanência no regime cumulativo: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; Da legislação depreendese imediatamente que os requisitos para que a receita permaneça na sistemática de cumulatividade das contribuições são: i) contrato anterior a 31/10/2003; ii) prazo de duração superior a 1 (um) ano; iii) de construção, empreitada ou fornecimento de bens ou serviços; iv) a preço predeterminado. A celeuma se dá em torno do que seria o preço predeterminado, reconhecendo o próprio Fisco a presença dos demais requisitos. A IN 658/2006, invocada pela Fazenda para fundamentar a pretensão arrecadatória, diz o seguinte: “Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. §2º Ressalvado o disposto no § 3º, caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I – de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II – de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico financeiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei 8.566, de 21 de junho de 1993. §3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado.” (...) A ilegalidade de tal instrução normativa é patente. Ao dar uma interpretação restritiva ao conceito de preço determinado, Fl. 832DF CARF MF Processo nº 11080.928466/200991 Acórdão n.º 3402006.296 S3C4T2 Fl. 116 11 através da aposição de diversos elementos de forma inovadora para a sua caracterização, a Administração Pública violou o art. 99 do Código Tributário Nacional, que restringe o alcance das normas infralegais àquilo que suas superioras hierárquicas determinem. A esse respeito, não faltam vozes na doutrina a denunciar tal ilegalidade: “Caracterização do preço predeterminado. “a) o Direito Civil fornece elementos suficientes para o hermenêutico encontrar a correta definição de “preço predeterminado”, não sendo passível às normas infralegais, promover a alteração de tais conceitos: b) a aplicação de cláusulas de reajuste não descaracteriza a predeterminação do preço, já que tais cláusulas visam, tãosomente, repor o valor originário da moeda acordada contratualmente; c) a aplicação de cláusula de revisão de preço em decorrência de eventos extraordinários igualmente não caracteriza a predeterminação do preço, tendo em vista que este tipo de cláusula busca a mera recomposição do preço, traduzindoo ao novo contexto fático e, assim, preservando sua equivalência original; d) as Instruções Normativas, na qualidade de ato infralegais, são normas complementares, não podendo inovar, modificar ou alterar a ordem jurídica vigente, como buscou fazer a Instrução Normativa nº 468/04. Referida Instrução Normativa é absolutamente ilegal, em razão de haver criado novos critérios para a definição de preço predeterminado, violando assim o princípio constitucional da legalidade; e) finalmente, ao buscar retroagir seus efeitos até fevereiro de 2004, mais uma vez a Instrução Normativa n. 468/04 afrontou um princípio constitucional, desta vez o da irretroatividade das leis, albergado pelo artigo 150, III, “a”, da Carta Maior. ”(Berndt, Marco Antônio; Panzarini Filho, Clóvis, PIS/Cofins – a ilegalidade da IN 468/04 ao conferir novo conceito de preço predeterminado nos contratos a longo prazo. RDDT 115/70, abr/05). A doutrina tem como certo que o preço predeterminado não se descaracteriza pela aplicação de indexador, afirma que trata de mera atualização monetária de valores contratos, e, não o torna o preço pactuado (predeterminado) para fornecimento de bens e serviços em “preço indeterminado, que esse fato não importa em novação de contrato firmado previamente, é o que extraí da lição Sacha Calmon Navarro. (COELHO, Sacha Calmon Navarro; DERZI, Misabel Abreu Machado. PIS/Cofins Regime Cumulativo x não cumulativo.Contratos de Longo Prazo, Reajuste pelo ICPM, Instruções Normativas 468/04 e 658/06, RDDT nº 145m out/07, p.148) Na mesma linha, a jurisprudência desse Conselho já reconheceu diversas vezes, e de forma expressa, a ilegalidade das instruções normativas e a possibilidade de reajuste dos preços pelo IGPM sem que isso desqualifique o requisito de "preço determinado". Fl. 833DF CARF MF 12 Inclusive, devese mencionar que o IGPM é o índice oficial dos contratos de fornecimento de energia, conforme Nota Técnica n 224/2006 SFF/ANEEL, que aponta o IGPM como índice de correção apto a refletir a variação de custos dos insumos, não descaracterizando o caráter de preço predeterminado dos contratos em análise. (...) Podese mencionar, por exemplo, o Acórdão 3403003.607, julgado em 26/02/2015, relatado pelo Cons. Domingos de Sá Filho, em turma presidida pelo Cons. Antonio Carlos Atulim, onde por unanimidade reconheceuse o que é dito aqui. Senão, vejamos a elucidativa ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/05/2004 PREÇO PREDETERMINADO. ILEGALIDADE DA IN Nº 468/2004 e 658/2006. O preço predeterminado não se descaracteriza pela aplicação de indexador, tratase de mera atualização monetária dos valores dos contratos, e, não torna o preço pactuado (predeterminado) para fornecimento de bens e serviços em preço indeterminado. A ilegalidade da exclusão promovida pela IN 468/04 dos contratos de fornecimento de bens e serviços, com prazo superior a 1(um) ano, celebrados antes de 31 de outubro de 2003, a preço determinado, prevista no art. 10, inc. XI alínea “b” da Lei 10.833/03. Recurso Provido. No mesmo sentido, vejase o Acórdão 3302001.659, julgado em 26 de Junho de 2012, com voto da Ilustre Conselheira Fabíola Keramidas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2007 CONTRATOS ANTERIORES A 31 DE OUTUBRO DE 2003. FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. OBRIGAÇÕES DE TRATO SUCESSIVO. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE. Somente a adoção de índice que represente reajuste acima ao dos custos de produção Lei nº. 11.196, de 2005, art. 109 implica a sujeição das receitas decorrentes de contrato de fornecimento de bens e serviços de trato sucessivo, ao regime nãocumulativo da contribuição. A não comprovação, pela fiscalização, de que o índice adotado pelas partes superou o valor referente aos custos de produção, torna aceitável o índice escolhido pelas partes. IGPM. CORREÇÃO MONETÁRIA. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. O reajuste de preços efetuado nas condições descritas no artigo 27 da Lei n° 9.069/95 independentemente do índice Fl. 834DF CARF MF Processo nº 11080.928466/200991 Acórdão n.º 3402006.296 S3C4T2 Fl. 117 13 utilizado não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98. Não consta na legislação impedimento à utilização do IGPM. CLÁUSULA DE REAJUSTE. CLÁUSULA DE REVISÃO. CONTRATO PREDETERMINADO. MANUTENÇÃO. A simples existência de cláusula de reajuste e revisão não é suficiente para que o contrato de prestação de serviços perca sua característica de contrato predeterminado, seria preciso comprovar que o valor referente ao aumento da carga tributária foi repassado ao preço do serviço contratado. Ademais, a existência das mencionadas cláusulas estão previstas na própria lei de licitações Lei nº 8.666/93, artigos 57, 58 e 65. Esta questão foi julgada pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial nº 1.089.998 – RJ, tendo aquele Tribunal concluído que a cláusula de correção monetária não altera o valor prédeterminado no contrato e que a Instrução Normativa em comento (IN 468/2004) extrapolou seu poder normativo, ocasionando o aumento da carga tributária sem ser por meio de lei, a saber: TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços" e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na Fl. 835DF CARF MF 14 regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômicofinanceiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação." (Fls. 335, grifo meu.) Mantenho o voto apresentado, no sentido de dar provimento ao recurso especial. (REsp 1089998/RJ, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/10/2011, DJe 30/11/2011) Não apenas a ilegalidade é patente, mas o absurdo de se tratar a aplicação de um índice de correção monetária como forma de acréscimo de valor do negócio se afigura contrária ao entendimento consolidado tanto pelo Supremo Tribunal Federal quanto pelo Superior Tribunal de Justiça: "(...) 3. União Federal. Pagamento de expurgos inflacionários. Admissibilidade. A correção monetária não se constitui em um plus, não é uma penalidade, mas mera reposição do valor real da moeda corroída pela inflação. Agravo regimental desprovido." (Supremo Tribunal Federal, Pleno, ACO nº 404 ExecuçãoAgR/ SP, Rel. Min.Maurício Correa, DJU 02/04/2004) "Tributário Parcelamento Transação Correção Monetária Sobrevindo nova ordem econômica no país, não ofende direito do devedor a atualização de parcelas vincendas da OTNs, até porque a atualização não constitui um plus mas simples critério de atualização na moeda em regime inflacionário. (...)" (Superior Tribunal de Justiça, Primeira Turma, REsp nº 12.006/RS, Rel. Min. Garcia Vieira, DJU 09/09/91). Para se desqualificar a aplicação do IGPM deveria a fiscalização ter demonstrado que tal índice corresponderia a percentuais de correção superiores ao custo de produção ou custo dos insumos, o que não aconteceu no caso em tela. Nesse caso, o fiscal autuou apenas por haver a previsão do ajuste pelo IGPM. (...). Contudo, a discussão na jurisprudência deste Conselho tomou contornos além daqueles expostos na passagem acima transcrita. Explico. Do disposto no artigo 109 da Lei nº 11.196/2005, combinado com o artigo 27, parágrafo 1º, inciso II, da Lei nº 9.069/1995, verificase que o contrato que tenha seu preço reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados não perde a característica de contrato a preço predeterminado, a que se refere o artigo 10, inciso XI, alínea “b”, da Lei nº 10.833/2003. Interpretando tais dispositivos, a Câmara Superior de Recursos Fiscais pacificou a controvérsia, pelo Acórdão n. 9303004.456, o qual restou assim ementado: Fl. 836DF CARF MF Processo nº 11080.928466/200991 Acórdão n.º 3402006.296 S3C4T2 Fl. 118 15 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 13/08/2004 PIS. COFINS. CONTRATO DE PREÇO PREDETERMINADO. APLICAÇÃO DO IGPM. REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. A utilização do IGPM, não descaracteriza o contrato como de preço predeterminado somente se ficar comprovado que a utilização do índice resultou em correção menor ou igual ao custo de produção ou à variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Recurso Especial do Procurador Provido. Cumpre realçar a necessidade de observância da decisão proferida pelo CARF no supra citado acórdão, uma vez que o Novo Código de Processo Civil, cuja aplicação subsidiária ao Processo Administrativo Fiscal agora é expressa (artigo 15),3 determina em seu artigo 926 que “os tribunais devem uniformizar sua jurisprudência e mantêla estável, íntegra e coerente.” Pois bem. Em suma, o referido julgado (Acórdão n. 9303004.456) previu que não ficam descaracterizados os contratos a preço predeterminado sempre que houver prova de que o índice de correção adotado nos contratos fiscalizados implica alteração de preço menor ou igual à variação ponderada dos custos de produção do contribuinte. Nesse ponto exsurge a questão do ônus da prova. Desde já saliento que não assiste razão à Recorrente quando afirma que, no presente caso, era ônus da Fiscalização comprovar que os preços praticados nos contratos seriam maiores do que variação ponderada dos custo de produção O ônus da prova é do contribuinte, uma vez que aqui tratamos de pedido de restituição (diferentemente do que ocorrera no Acórdão 3402003.302, cujo processo administrativo fundavase em auto de infração). Isto porque, com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, que cabe à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. 3 Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. Fl. 837DF CARF MF 16 Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. Pois bem. Apesar de guerrear pela indevida inversão do ônus da prova no presente processo, a Recorrente trouxe aos autos laudo técnico ( “Arquivo não paginável”) justamente no sentido de demonstrar seu direito. Assim, mesmo que subsidiariamente, a Recorrente desincumbiuse do seu ônus probatório. Neste trabalho (laudo técnico “Arquivo não paginável”), a auditoria independente concluiu que a variação dos reajustes nos preços de energia dos contratos analisados (CERCEEED, CERCO/2002 211, CERCO/2002 212, CERPA/2002 209 E CERPI/2002 210) se deu em percentual inferior à variação dos custos totais da Recorrente no período a que se refere o crédito discutido no presente Processo Administrativo, conforme se verifica na resposta apresentada ao quesito “g” (pp. 18 19 do Laudo). Diante de tal comprovação, não resta dúvida de que os Contratos CER CEEED, CERCO/2002 211, CERCO/2002 212, CERPA/2002 209 E CERPI/2002 210, firmados pela Recorrente, possuem a característica de preço predeterminado, e, portanto, de que as receitas deles decorrentes devem ser submetidas ao regime cumulativo da Contribuição ao PIS e da COFINS. Finalmente, cumpre destacar que não procede a colocação do Acórdão recorrido no sentido de que o laudo não se presta a comprovar o alegado pela Recorrente, uma vez que não trataria de seu custo de produção, mas sim da evolução dos custos de produção da energia elétrica, sem estar acompanhado dos elementos probatórios dos valores utilizados na apuração dos índices. Fl. 838DF CARF MF Processo nº 11080.928466/200991 Acórdão n.º 3402006.296 S3C4T2 Fl. 119 17 Ora, para responder às questões formuladas, a auditoria independente promoveu a análise minuciosa da evolução dos custos da Recorrente, bem como dos reajustes dos preços de energia dos Contratos em questão, sempre com base em documentação por ela requerida e apresentada pela Recorrente, que fundamentam as conclusões finais. Friso que a atividade da Recorrente é a produção de energia elétrica, conforme consta em seu estatuto social, e ao contrário da afirmação do r. Acórdão recorrido, é possível identificar que o laudo está embasado pelas Demonstrações Financeiras (DF) Publicadas e Auditadas, bem como pelas Demonstrações do Resultado do Exercício (DRE), que foram analisadas e apontadas como consistentes, conforme demonstram os trechos abaixo transcritos: "O escopo dos nossos trabalhos consistiu na demonstração das variações incorridas nos seus custos a partir das informações contábeis, respaldadas pelas regras contábeis aplicadas e referendadas pelo seu auditor independente, comparandoos com o índice de variação do seu preço a partir das informações obtidas nos contratos de fornecimento. (p. 7) (...) Metodologia aplicada Em consonância aos fatos supracitados, analisamos as informações disponibilizadas pela Sociedade, aplicando a seguinte metodologia: (i) Confronto entre as Demonstrações Financeiras Publicadas (DF) e as Demonstrações do Resultado do Exercício (DRE) Primeiramente, analisamos as DF' auditadas de 2002 a 2007 com a finalidade de verificamos a abertura dos custos de geração de energia elétrica registrados pela CERAN. A partir desta análise, concluímos que as informações constantes nas referidas DF apresentavamse de forma sintética, impossibilitando, assim, realizamos comparações necessárias para a conclusão de nosso trabalho, bem como a verificação individualizada dos gastos mais relevantes para fins de oferecer resposta às questões apresentadas. Desta forma, em um segundo momento, solicitamos à administração da CERAN, a abertura desses custos em um formato analítico. A nossa solicitação foi atendida mediante o fornecimento de Demonstrações do Resultado do Exercício (DRE) analíticas, as quais foram geradas a partir do sistema contábil da Sociedade. Após recebermos as DREs, efetuamos o confronto dos saldos dos custos de geração de energia entre essas bases (DF e DRE), onde concluímos que as informações estavam consistentes, ou seja, os valores dos custos de geração de energia das DRE (a qual oferece o desdobramento dos principais gastos) está de acordo com os valores das DF auditadas. Fl. 839DF CARF MF 18 (ii) Análise das variações dos custos de produção No que tange às variações anuais incorridas nos custos de produção, adotamos como procedimento, realizar o confronto entre os valores registrados (custo) nas DRE analíticas em cada ano calendário objeto de análise (2004 a 2007) tomando como base, o ano calendário imediatamente anterior. Para fins de leitura e análise dos números apresentados, efetuamos a conversão dos valores absolutos (em RS) para valores percentuais (%). Conversão esta, necessária para comparamos as variações incorridas entre cada ano calendário com os índices do lGPM, os quais são divulgados pela Fundação Getúlio Vargas FGV na forma de percentuais. Suplantado esse ponto, e diante da conclusão apresentada em laudo técnico pela Recorrente, concluise que os ajustes de preços praticados nos contratos enquadramse no conceito de "preço predeterminado" do artigo 10, inciso XI, alínea “b” da Lei n. 10.833/03. Por conseguinte, a Recorrente possui o direito de tributar a receita deles decorrente na sistemática cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS, e, havendo valores indevidamente recolhidos no período, porque erroneamente submetidos à nãocumulatividade das contribuições, devem ser a ela restituídos. Assim, uma vez superada a questão da descaracterização do preço predeterminado, razão adotada pela Fiscalizado para indeferir o pleito de restituição (fls 562 a 573), seus valores (liquidez e certeza dos créditos) devem ser avaliados pela autoridade fiscal certificadora. Dispositivo Ex positis, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo o direito da Recorrente tributar as receitas decorrentes dos Contratos CER CEEED, CERCO/ 2002 211, CERCO/2002 212, CERPA/2002 209 e CERPI/2002 210 no regime cumulativo da Contribuição ao PIS e da COFINS, e determinando o retorno dos autos para que a DRF examine e profira decisão sobre os demais requisitos do crédito objeto do pedido de restituição/compensação formulado. Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 840DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.917298/2009-64
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB.
Numero da decisão: 1003-000.458
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 08 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 15374.917298/2009-64
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5968782
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 08 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1003-000.458
nome_arquivo_s : Decisao_15374917298200964.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CARMEN FERREIRA SARAIVA
nome_arquivo_pdf_s : 15374917298200964_5968782.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
id : 7639614
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661353615360
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1499; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 320 1 319 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.917298/200964 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.458 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 13 de fevereiro de 2019 Matéria PER/DCOMP Recorrente XAVIER BERNARDES BRAGANÇA SOCIEDADE DE ADVOGADOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 22909.28987.140504.1.3.047048 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 72 98 /2 00 9- 64 Fl. 320DF CARF MF Processo nº 15374.917298/200964 Acórdão n.º 1003000.458 S1C0T3 Fl. 321 2 em 14.05.2004, fls. 0106, utilizandose do pagamento a maior de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), código 2089, do quarto trimestre do anocalendário de 2003 no valor de R$59.427,61, contido no DARF de R$373.240,01 arrecadado em 31.03.2004 para compensação dos débitos ali confessados. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 08, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento em parte do pedido: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 59.427,61 Valor do crédito original reconhecido: 7.763,39 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. [...] Diante do exposto, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada.. [...] Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 8ª Turma/DRJ/RJ1/RJ nº 1238.056, de 29.06.2011, fls. 119121: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Fazse mister que os créditos empregados em compensação de tributos gozem de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 15.07.2011, efl. 193, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 15.08.2011, efls. 195200, esclarecendo que: 11. A DERAT ao analisar o pedido de compensação da recorrente foi induzida em erro ela DCTF incorreta da recorrente do 4º trimestre de 2003 atrás referida, e como conseqüência, emitiu em 09 de abril de 2009, despacho decisório [...]. 12. Notese que tal despacho decisório foi proferido antes da retificação da DCTF do 4º trimestre de 2003, pelo que a DERAT não tinha conhecimento do pagamento efetuado pela recorrente em 31 de março de 2004 no valor de R$ 381.003,40 (trezentos e oitenta e um mil, e três reais e quarenta centavos), daí porque não pôde verificar a existência de crédito a compensar em favor da recorrente. 13. Contra tal despacho, a recorrente então apresentou manifestação de inconformidade, informando ter sanado o erro material constante da DCTF que havia impedido à verificação da existência do saldo credor [...] em seu favor. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 15374.917298/200964 Acórdão n.º 1003000.458 S1C0T3 Fl. 322 3 14. Ao examinar referida manifestação de inconformidade a 8a Turma da DRRJ/RJ1 no acórdão n° 12.38056, rejeitou os argumentos da recorrente exclusivamente por considerar que esta não apresentou prova dos fatos alegados. 15. De fato, a Recorrente deixou de juntar à sua manifestação de inconformidade os documentos comprobatórios dos fatos acima narrados, em razão dos mesmos se encontrarem à disposição da Autoridade Administrativa, uma vez que (i) todas as declarações foram enviadas eletronicamente à Secretaria da Receita Federal do Brasil ("SRFB") e, portanto, deveriam constar de sua base de dados; e (ii) todos os pagamentos informados foram efetuados em favor da SRFB. 16. A recorrente, contudo, vem através do presente recurso reiterar todos os fatos e as razões de direito pelas quais devem ser canceladas as exigências objeto dos Per/Dcomp's , apresentando a documentação que comprova os fatos alegados, em especial os recolhimentos relativos ao 4° trimestre de 2003, que totalizam R$ 952.041,57 (novecentos e cinqüenta e dois mil, quatrocentos e quarenta e um reais, e cinqüenta e sete centavos). 17. Desse modo, visto que os recolhimentos efetuados superam o valor devido a título de IRPJ no período do 4º trimestre de 2003, há de se reconhecer a extinção dos créditos tributários, nos termo do art. 156, I do CTN, pelo que qualquer nova cobrança [...] importará em bis in idem. [...] Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente e faz referência a entendimentos jurisprudenciais em seu favor. Concernente ao pedido expõe que: 19. Por todo o exposto, requer seja o presente recurso voluntário conhecido e provido para anular, in totum, o acórdão n° 12.38056, reconhecendose a extinção dos créditos tributários objeto do processo administrativo de crédito n° 15374.917.298/200964. 20. Outrossim, a Recorrente requer seja deferido prazo para apresentação das PerDcomp's que comprovam os fatos acima narrados. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente suscita comprovar a inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado a título de pagamento a maior de IRPJ, código 2089, no valor de R$51.664,22, apurado no quarto trimestre do anocalendário de 2003 e arrecadado em 31.03.2004. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 15374.917298/200964 Acórdão n.º 1003000.458 S1C0T3 Fl. 323 4 O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 1. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, a Recorrente deve detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 323DF CARF MF Processo nº 15374.917298/200964 Acórdão n.º 1003000.458 S1C0T3 Fl. 324 5 O conceito de erro material apenas abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos, não resultantes de entendimento jurídico, como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Por inexatidão material entendemse os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. Diferentemente o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria. Cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal 3. Conforme determinam os §§ 1º e 3º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, exceto nos casos em que a lei, por disposição especial, atribua a ele o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração. A Recorrente tem o ônus de instruir os autos com documentos hábeis e idôneos que justifiquem a retificação das informações retificadas. Nesse sentido também vale ressaltar o disposto no art. o art. 195 do Código Tributário Nacional e o art. 4º do DecretoLei nº 486, de 03 de março de 1969, que preveem, em última análise, "que os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram." Verificase que os dados presumidamente errados não podem ser considerados, pois não foram produzidos no processo elementos de prova que evidenciem as alegações da Recorrente (§ 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional e 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Logo, não foram carreados aos autos pela Recorrente os elementos essenciais a produzir um conjunto probatório robusto dos argumentos contidos no recurso voluntário. Consta no Acórdão da 8ª Turma/DRJ/RJ1/RJ nº 1238.056, de 29.06.2011, fls. 119121, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): No presente caso, somente após a ciência do despacho decisório que frustrou a compensação realizada é que a interessada promoveu a retificação do que disse ser um erro na DCTF, fazendoo sem demonstrar suas razões. Nenhum elemento de 3 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 324DF CARF MF Processo nº 15374.917298/200964 Acórdão n.º 1003000.458 S1C0T3 Fl. 325 6 prova em favor da defesa foi carreado aos autos, em que pese o fato de o ônus da prova incumbir a quem alega o direito. Certo é que alegar sem provar é o mesmo que não alegar. Além disso, ao crédito informado desta maneira faltam os atributos fundamentais para o seu emprego em compensação, quais sejam a liquidez e a certeza exigidas pelo art. 170 do CTN. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 325DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.976881/2012-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.845
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.976881/2012-79
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5986810
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-001.845
nome_arquivo_s : Decisao_10880976881201279.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARCELO GIOVANI VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10880976881201279_5986810.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
id : 7692816
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661371441152
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1372; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.976881/201279 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.845 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 27 de março de 2019 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente ATLÂNTIDA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Reproduzo o relatório da primeira instância administrativa: Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP, com base em suposto crédito de PIS oriundo de pagamento indevido ou a maior do período de apuração 12/2009, no valor de R$ 125.970,854 (Darf código 2172, valor total de R$ 125.970,84, recolhido em 22/01/2010). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 76 88 1/ 20 12 -7 9 Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10880.976881/201279 Resolução nº 3201001.845 S3C2T1 Fl. 3 2 A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando a compensação declarada, fundamentando: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 125.970,84. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. ... Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada desse Despacho em 13/11/2012, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 12/12/2012, alegando, em síntese e fundamentalmente, equívoco nas informações prestadas em DCTF e Dacon originais, em decorrência de alterações em seu sistema de informática utilizado para cálculo dos tributos. Informa que já procedeu a retificação dessas declarações. Requer aplicação do princípio da verdade material, citando jurisprudência administrativa em amparo ao seu entendimento. Apresenta cópia de declarações e planilha de memória de cálculo para comprovar suas alegações. A 14ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto/SP, por meio do Acórdão 1476.578, de 05/03/2018, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2009 a 31/12/2009 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, deve ser demonstrada a liquidez e certeza de crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. É do sujeito passivo o ônus de reunir e apresentar conjunto probatório capaz de demonstrar a liquidez e certeza do crédito pretendido. No Recurso Voluntário, a empresa informa que a origem do erro foi a apuração no RET, regime tributário especial relativo a patrimônio de afetação imobiliária (Lei 10.931/2004). Detalha as características do cálculo do indébito, apresentando balancetes assinados por contador, demonstrativo e Darf. Pede, subsidiariamente, por diligência, a fim de se aferir a verdade material do caso. Voto Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10880.976881/201279 Resolução nº 3201001.845 S3C2T1 Fl. 4 3 Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. A DCTF retificadora apresentada antes de qualquer procedimento de ofício tem o mesmo valor da original, e a substitui integralmente, porque a motivação da alteração é espontânea. Todavia, após qualquer procedimento de ofício, a retificação da DCTF incide em ausência de espontaneidade, caracterizando vício de motivação, e por isso, exige comprovação material. Vigia, então, a Instrução Normativa RFB 1110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10880.976881/201279 Resolução nº 3201001.845 S3C2T1 Fl. 5 4 atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. Assim, estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se possa retificálo, após os procedimentos de ofício, é necessária prova de sua inexatidão. É preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. A escrituração contábil/fiscal difere de meras planilhas quanto à confiabilidade, posto que possuem requisitos de registros e temporalidade. Além disso, a própria contabilidade não prescinde de ser lastreada em documentos do relacionamento da empresa com terceiros, tais como notas fiscais e contratos, a conferir veracidade ao registro. Esses aspectos da força probante dos documentos são tratados nos artigos 219 e 226 do Código Civil: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. (...) Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Parágrafo único. A prova resultante dos livros e fichas não é bastante nos casos em que a lei exige escritura pública, ou escrito particular revestido de requisitos especiais, e pode ser ilidida pela comprovação da falsidade ou inexatidão dos lançamentos. A obrigação de conservar os registros até que prescrevam os direitos reclamados com base neles, consta do Código Tributário Nacional, §único do artigo 195: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10880.976881/201279 Resolução nº 3201001.845 S3C2T1 Fl. 6 5 Temse ainda o DecretoLei 486/69, art. 4º: Art 4º O comerciante é ainda obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. Fechando o arcabouço legal pertinente, temse ainda que, em se tratando de pedido de restituição e consequente compensação, o ônus da prova é do contribuinte, conforme art. 36 da Lei 9.784/991, art. 373, I do CPC2. A decisão recorrida considerou que o documento trazido pela recorrente na Manifestação de Inconformidade, como mera planilha, não atende aos requisitos de prova. Não obstante, no Recurso Voluntário, a recorrente trouxe balancetes assinados. Nesse contexto, em que o Despacho Decisório não esclarece os elementos necessários para sua contradição e não examina o mérito do indébito, e que os elementos exigidos pela decisão recorrida foram trazidos, ao menos aparentemente, no Recurso Voluntário, entendo que há abrigo na dialética processual, artigo 16 do Decreto 70.235/72 PAF, para consideração das provas trazidas, atento ao princípio da verdade material. Além disso, a própria Receita Federal, por meio do Parecer Cosit 2/2015, orienta: 19. Dependendo do momento ou situação em que o PER é indeferido ou a DCOMP é apresentada ou a intimação para autorregularização é feita ou que a não homologação é decidida, é possível que o sujeito passivo não possa mais retificar sua DCTF por alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010. A autoridade administrativa ou julgadora, contudo, ao analisar o caso concreto, pode reconhecer ou não o crédito do sujeito passivo de acordo com as circunstâncias fáticas e/ou materiais contidas no processo. Assim, e com base no artigo 293, combinado com artigo 16, §§4º e 6º4, do PAF, e no princípio da verdade material, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que o Fisco tenha a oportunidade de aferir a idoneidade dos documentos apresentados no 1 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 3 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. 4 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10880.976881/201279 Resolução nº 3201001.845 S3C2T1 Fl. 7 6 Recurso Voluntário, em confronto com os respetcivos livros e lastros, conforme o Fisco entender necessário e/ou cabível, e produção de relatório conclusivo sobre a pretendia compensação. Após, a recorrente deve ser cientificada, com oportunidade para manifestação, e o processo deve retornar ao Carf para prosseguimento do julgamento. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 194DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16707.003109/2005-02
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2000 a 29/02/2000
DÉBITOS ANTERIORMENTE NÃO CONFESSADOS. DECLARAÇÃO ACOMPANHADA DO RESPECTIVO PAGAMENTO DO PRINCIPAL E DOS JUROS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBILIDADE. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. INOCORRÊNCIA.
Conforme o art. 138 do CTN, é possível a aplicação do instituto da denúncia espontânea para a exclusão da multa de mora, quando o sujeito passivo informa débitos não confessados anteriormente, desde que acompanhado do pagamento do principal e dos juros de mora. No caso concreto, verifica-se que não ocorreu o cumprimento de tais condições, pois os débitos foram quitados posteriormente a apresentação da DCTF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.644
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves. Ausente o conselheiro Alan Tavora Nem.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2000 a 29/02/2000 DÉBITOS ANTERIORMENTE NÃO CONFESSADOS. DECLARAÇÃO ACOMPANHADA DO RESPECTIVO PAGAMENTO DO PRINCIPAL E DOS JUROS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBILIDADE. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. INOCORRÊNCIA. Conforme o art. 138 do CTN, é possível a aplicação do instituto da denúncia espontânea para a exclusão da multa de mora, quando o sujeito passivo informa débitos não confessados anteriormente, desde que acompanhado do pagamento do principal e dos juros de mora. No caso concreto, verifica-se que não ocorreu o cumprimento de tais condições, pois os débitos foram quitados posteriormente a apresentação da DCTF. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16707.003109/2005-02
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5986058
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3002-000.644
nome_arquivo_s : Decisao_16707003109200502.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
nome_arquivo_pdf_s : 16707003109200502_5986058.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves. Ausente o conselheiro Alan Tavora Nem.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
id : 7689137
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661377732608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1467; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 113 1 112 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16707.003109/200502 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.644 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 20 de março de 2019 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO AUDITORIA INTERNA PIS Recorrente TRANSFLOR LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2000 a 29/02/2000 DÉBITOS ANTERIORMENTE NÃO CONFESSADOS. DECLARAÇÃO ACOMPANHADA DO RESPECTIVO PAGAMENTO DO PRINCIPAL E DOS JUROS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBILIDADE. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. INOCORRÊNCIA. Conforme o art. 138 do CTN, é possível a aplicação do instituto da denúncia espontânea para a exclusão da multa de mora, quando o sujeito passivo informa débitos não confessados anteriormente, desde que acompanhado do pagamento do principal e dos juros de mora. No caso concreto, verificase que não ocorreu o cumprimento de tais condições, pois os débitos foram quitados posteriormente a apresentação da DCTF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 31 09 /2 00 5- 02 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 16707.003109/200502 Acórdão n.º 3002000.644 S3C0T2 Fl. 114 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves. Ausente o conselheiro Alan Tavora Nem. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão 1121.756 da DRJ/REC, que manteve o Crédito Tributário lançado pelo Auto de Infração, que exige da contribuinte os valores da multa de mora, referentes a débitos de COFINS, que não foram pagos quando do recolhimento do principal. A partir desse ponto, transcrevo o relatório do Acórdão recorrido por bem retratar as vicissitudes do processo: "Contra a empresa já qualificada foi lavrado o Auto de Infração, a seguir especificado, para exigência de crédito tributário, referentes aos acréscimos legais não pagos ou pagos a menor calculados sobre a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), período de apuração de fevereiro de 2000, recolhida com atraso, no valor de R$ 1.490,08 (um mil, quatrocentos e noventa reais e oito centavos). 2. Por meio do relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal à fl. 19, o AFRFB autuante descreve o seguinte fato: falta ou insuficiência de pagamento dos acréscimos legais conforme demonstrativo de multa e/ou juros a pagar. • 3. Inconformada, a contribuinte, por seus procuradores, instrumento, de fl. 04, apresentou a pega impugnat6ria de fls. 01/03, afirmando, em síntese, que: 3.1 — o instituto de denúncia espontânea ilide a multa de oficio do Órgão fazendário, quando a denúncia é acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora a ele correspondentes, desde que o fato não ocorra após o inicio de qualquer procedimento da administração tendente â apuração da infração incorrida pelo contribuinte, art. 138 do CTN; 3.2 — o caso presente se amolda à formulação legal do instituto, para dizer que é improcedente a lavratura do auto de infração'Ora atacado; 3.3 — no presente caso, a Impugnante foi notificada da lavratura do auto de infração na data de 29.09.05, quando lhe chegou a copia do inteiro teor dos atos fiscalizatório, acompanhada do DARF para recolhimento da multa lavrada em Fl. 114DF CARF MF Processo nº 16707.003109/200502 Acórdão n.º 3002000.644 S3C0T2 Fl. 115 3 face de pagamento de tributo em atraso, sem o correspondente valor da multa pelo descumprimento do prazo de recolhimento; 3.4 — o tributo devido pela lmpugnante houvera sido pago, ainda que fora do prazo de vencimento, acrescidos dos juros de mora pelo atraso, como se pode verificar no documento anexo; 3.5 — do confronto entre os DARF anexados e os valores lançados, podese verificar que os valores cobrados no auto de infração são impertinentes, posto que se referem exclusivamente às multas ora vergastadas e não inclusas nos DARF; 3.6 — requer seja determinada a nulidade do auto de infração, para desonerar a lmpugnante de seu objeto." Analisando as argumentações da contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (DRJ/RCE) julgou a Impugnação improcedente, por Acórdão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2000 a 29/02/2000 PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando os atos administrativos, consubstanciadores do lançamento, revestidos de suas formalidades essenciais, não se ha que falar em nulidade do procedimento fiscal. MULTA DE MORA. Os débitos para com a União, de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora, calculada taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Lançamento Procedente Em seqüência, após ser cientificada dessa decisão, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário (90/98), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, em linhas gerais, repisando o argumento da aplicação do instituto da denúncia espontânea. É o relatório, em síntese. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 16707.003109/200502 Acórdão n.º 3002000.644 S3C0T2 Fl. 116 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O Crédito Tributário contestado no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão posta nos autos cingese na autuação fiscal por ter a ora recorrente realizado pagamentos a destempo de débitos de COFINS, referentes ao período de apuração de fevereiro de 2000, contudo, desacompanhados do pagamento da multa de mora. Passo, então, a análise dos argumentos trazidos pela ora recorrente. Como relatado anteriormente, em suma, a contribuinte alega em sua defesa que faz jus a aplicação do instituto da denúncia espontânea, pois o pagamento do débito, embora em atraso, teria ocorrido antes de qualquer procedimento de fiscalização. Primeiramente, devese esclarecer que ocorreu, ao longo do tempo, desde a prolação do Acórdão recorrido, uma mudança interpretativa sobre a possibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea em situações como a que se apresenta nos autos ora analisados. Com efeito, com base nesse instituto jurídico, atualmente, vislumbrase possível a exclusão da multa de mora para débitos não declarados anteriormente, antes do início de qualquer procedimento de fiscalização, desde que sejam efetivamente pagos, principal e juros, quando da apresentação da declaração correspondente. A esse teor reproduzse o art. 138 do Código Tributário Nacional CTN: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (grifo nosso) Fl. 116DF CARF MF Processo nº 16707.003109/200502 Acórdão n.º 3002000.644 S3C0T2 Fl. 117 5 No caso em tela, através dos documentos presentes nos autos, verificase que a ora recorrente efetuou os pagamentos da competência de fevereiro de 2000, respectivamente, em 07/07/2000 e em 31/10/2000, assim como que foram recolhidos o respectivo principal e os juros de mora devidos. Por outro lado, também se constata, pelo próprio Auto de Infração (fl. 34), que a DCTF referente ao 1º trimestre de 2000 foi entregue em 12/05/2000, ou seja, a declaração foi apresentada antes da realização dos pagamentos dos débitos. Dessa forma, tais documentos comprovam que a contribuinte não satisfez as condições necessárias ao aproveitamento do benefício da denúncia espontânea. Assim sendo, não há como negar que, não estando presentes os requisitos necessários para a aplicação do benefício da denúncia espontânea ao caso concreto, a multa de mora é devida e, portanto, o presente Auto de Infração merece prosperar. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo na integra o Crédito Tributário lançado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 117DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.905887/2012-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2011 a 28/02/2011
COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
O artigo 170 do CTN exige que a compensação seja lastreada com provas firmes que garantam a liquidez e certeza do indébito. Sem essa certeza e liquidez, a compensação não pode ser deferida.
RecursoVoluntário Negado
Numero da decisão: 3201-005.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2011 a 28/02/2011 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. O artigo 170 do CTN exige que a compensação seja lastreada com provas firmes que garantam a liquidez e certeza do indébito. Sem essa certeza e liquidez, a compensação não pode ser deferida. RecursoVoluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10865.905887/2012-50
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5986802
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-005.177
nome_arquivo_s : Decisao_10865905887201250.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARCELO GIOVANI VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10865905887201250_5986802.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
id : 7692800
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661412335616
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1378; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.905887/201250 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201005.177 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de março de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente CARGILL ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2011 a 28/02/2011 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. O artigo 170 do CTN exige que a compensação seja lastreada com provas firmes que garantam a liquidez e certeza do indébito. Sem essa certeza e liquidez, a compensação não pode ser deferida. RecursoVoluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 58 87 /2 01 2- 50 Fl. 110DF CARF MF 2 Reproduzo o relatório da primeira instância administrativa: Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito da contribuinção para o PIS do período de 01/02/2011 a 28/02/2011, conforme Dcomp 41005.60804.200911.1.3.048566, no valor de R$ 118.033,39. A DRF em Limeira, por meio de Despacho Decisório, não homologou a compensação declarada, em razão da inexistência de saldo do pagamento indicado no PER/DCOMP, o qual teria sido utilizado integralmente para quitar débito informado pela própria contribuinte em DCTF. Cientificada do despacho em 14/11/2012 (fl. 10), a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, alegando ter retificado sua DCTF em 30/11/2012. Na peça recursal reafirma a existência do crédito e pede a revisão do Despacho Decisório. A 4ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto/SP, por meio do Acórdão 1450.667, de 29/05/2014, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2011 a 28/02/2011 PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que verifiquem as exceções previstas em lei. No Recurso Voluntário, a empresa: Detalha a origem do crédito, advindo de alterações legais promovidas pela Lei 12.350/2010, a qual previa, por meio do seu artigo 54, a suspensão do pagamento de Pis incidente sobre a receita bruta, no mercado interno, de preparações (NCM 23.09.90) dos tipos utilizados na alimentação de animais vivos classificados nas posições 01.03 (suínos) e 01.05 (aves), suspensão não observada originalmente pela empresa; Apresenta detalhamento do cálculo; sustenta que a DCTF retificadora tem a mesma natureza da original; É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10865.905887/201250 Acórdão n.º 3201005.177 S3C2T1 Fl. 3 3 O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. A DCTF retificadora apresentada antes de qualquer procedimento de ofício tem o mesmo valor da original, e a substitui integralmente, porque a motivação da alteração é espontânea. Todavia, após qualquer procedimento de ofício, a retificação da DCTF incide em ausência de espontaneidade, caracterizando vício de motivação, e por isso, exige comprovação material. Vigia, então, a Instrução Normativa RFB 1110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao Fl. 112DF CARF MF 4 declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. No presente caso, a retificação da DCTF somente aconteceu após a ciência do Despacho Decisório que não homologou a compensação. Assim, estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se possa retificálo, após os procedimentos de ofício, é necessária prova de sua inexatidão. É preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/991, art. 373, I do CPC2). A escrituração contábil/fiscal difere de meras planilhas quanto à confiabilidade, posto que possuem requisitos de registros e temporalidade. Além disso, a própria contabilidade não prescinde de ser lastreada em documentos do relacionamento da empresa com terceiros, tais como notas fiscais e contratos, a conferir veracidade ao registro. Esses aspectos da força probante dos documentos são tratados nos artigos 219 e 226 do Código Civil: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. (...) Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Parágrafo único. A prova resultante dos livros e fichas não é bastante nos casos em que a lei exige escritura pública, ou escrito particular revestido de requisitos especiais, e pode ser ilidida pela comprovação da falsidade ou inexatidão dos lançamentos. A obrigação de conservar os registros até que prescrevam os direitos reclamados com base neles, consta do Código Tributário Nacional, §único do artigo 195: 1 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10865.905887/201250 Acórdão n.º 3201005.177 S3C2T1 Fl. 4 5 Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Temse ainda o DecretoLei 486/69, art. 4º: Art 4º O comerciante é ainda obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. Fechando o arcabouço legal pertinente, temse ainda que, em se tratando de pedido de restituição e consequente compensação, o ônus da prova é do contribuinte, conforme art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373, I do CPC4. Embora a recorrente, no Recurso Voluntário, apresente detalhada apuração e causa do alegado erro, tais informações tem apenas o valor de alegações, quando o caso somente pode ser resolvido por meio de prova, cf. art. 170 do CTN. Considerando que a recorrente não apresentou qualquer prova (livros contábeis, notas fiscais, contratos, isto é, lastros de suas alegações), não há como acatar sua pretensão. Não cabe agora à administração zelar por nova oportunidade para produção de provas que o contribuinte, maior interessado, não teve o zelo de produzir, desde o ínicio até a data deste julgamento. Portanto, ausente a certeza e liquidez do crédito, conforme exigível pelo artigo 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinatura digital) 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 114DF CARF MF 6 Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 115DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10907.001461/2007-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Nos termos do Decerto 70.235, somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997
A Lei n° 9430196, vigente a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu artigo 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento.
OMISSÃO DE RECEITA - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - LIMITE DE VALOR
Devem ser aplicadas as previsões do art. 42, § 3ª, inciso II da Lei 9.430/96 com a redação que lhe foi dada pelo artigo 4° da Lei n° 9.481/97, excluindo-se do lançamento o valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reias) Súmula CARF 61.
Numero da decisão: 2301-005.924
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antônio Savio Nastureles - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente), Thiago Duca Amoni, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e Antônio Savio Nastureles (Presidente), sendo que Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni, suplentes convocados, integraram o colegiado em substituição, respectivamente, aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Nos termos do Decerto 70.235, somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997 A Lei n° 9430196, vigente a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu artigo 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. OMISSÃO DE RECEITA - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - LIMITE DE VALOR Devem ser aplicadas as previsões do art. 42, § 3ª, inciso II da Lei 9.430/96 com a redação que lhe foi dada pelo artigo 4° da Lei n° 9.481/97, excluindo-se do lançamento o valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reias) Súmula CARF 61.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10907.001461/2007-24
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5985954
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2301-005.924
nome_arquivo_s : Decisao_10907001461200724.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
nome_arquivo_pdf_s : 10907001461200724_5985954.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antônio Savio Nastureles - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente), Thiago Duca Amoni, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e Antônio Savio Nastureles (Presidente), sendo que Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni, suplentes convocados, integraram o colegiado em substituição, respectivamente, aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto
dt_sessao_tdt : Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
id : 7689033
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661431209984
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1824; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 419 1 418 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10907.001461/200724 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.924 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de março de 2019 Matéria ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente ANANIAS LUIZ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Nos termos do Decerto 70.235, somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997 A Lei n° 9430196, vigente a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu artigo 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITOS BANCÁRIOS LIMITE DE VALOR Devem ser aplicadas as previsões do art. 42, § 3ª, inciso II da Lei 9.430/96 com a redação que lhe foi dada pelo artigo 4° da Lei n° 9.481/97, excluindo se do lançamento o valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reias) Súmula CARF 61. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 14 61 /2 00 7- 24 Fl. 419DF CARF MF 2 Antônio Savio Nastureles Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente), Thiago Duca Amoni, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e Antônio Savio Nastureles (Presidente), sendo que Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni, suplentes convocados, integraram o colegiado em substituição, respectivamente, aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado para cobrança de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário 2002; 2003; 2004 e 2005. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, houve omissões de rendimentos recebidos de Multitrans —Transportes e Armazéns Gerais Ltda (R$ 12.700,00) e Marcelo M. Ramos (R$ 7.200,00), no anocalendário de 2003, e de rendimentos de aluguéis recebidos de Barefame Instalações Industriais Ltda. (R$ 4.000,00), no anocalendário de 2002 e, ainda, omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito ou investimento, mantidos em Instituições Financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Após a impugnação a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) julgou procedente em parte a autuação e o contribuinte apresentou recurso onde alega em apertada síntese: Basicamente o recorrente se insurge com relação a dois valores lançados pela fiscalização, entendido pelo recorrente como devidamente comprovados, a saber: i) aos créditos bancários de R$ 200,00 e de R$ 7.000,00, dos dias 16/06/2003 e 20/06/2003 (fls. 160), que somam, portanto, R$ 7.200,00 e decorrem dos rendimentos recebidos das pessoas jurídicas Multitrans — Transportes e Az. Gerais Ltda., CNPJ n° 01.201.578/000179 e Multitrans — Trans. e Op. Portuárias Ltda., CNPJ n° 03.459.793/0001 08, pertencentes ao mesmo grupo econômico, no valor de R$ 3.600,00 cada uma, totalizando, assim, R$ 7.200,00, devidamente informados na declaração de ajuste anual do exercício 2004 (efls. 15 e 203); e ii) ao crédito bancário de R$ 12.000,00, efetivado em 12/03/2004 (fls. 161). Afirma, desde os trabalhos de fiscalização informou que tal depósito referese a honorários recebidos de Carlos Alberto Monteiro e resulta da soma de dois cheques, ambos de R$ 6.000,00, o primeiro "bom para" 20/02/2004 e o segundo "bom para" 22/03/2004. Fl. 420DF CARF MF Processo nº 10907.001461/200724 Acórdão n.º 2301005.924 S2C3T1 Fl. 420 3 Como o primeiro cheque, depositado em 25/02/2004 fora devolvido em 26/02/2004, o Sr. Carlos Alberto Monteiro autorizoume a depositálo novamente em 12/03/2004 (efls. 191), juntamente com o cheque que era para ser depositado em 22/03/2004, antecipando assim o último vencimento como contrapartida pelo atraso do primeiro pagamento. No verso dos dois cheques de R$ 6.000,00 (fls. 287 a 294), consta, inclusive, os dados da agência e da conta poupança fiscalizadas, quais sejam, agência 0118, conta poupança 153220/500. A cópia da ficha do caixa do dia 12/03/3004, obtida junto ao Banco Itaú e juntada aos autos ás efls. 367, demonstra que, efetivamente, o depósito de R$ 12.000,00, do dia 12/03/2004, tem origem nos cheques emitidos pelo Sr. Carlos Alberto Monteiro. Por fim, afirma que após a exclusão de parte dos valores pela decisão de primeira instância, as bases de cálculo do lançamento somam R$ 79.120,56, R$ 77.321,76 (R$ 86.081,76 — R$ 8.760,00) e R$ 51.461,46, respectivamente, para os anoscalendário 2003, 2004 e 2005, sendo que nenhum dos depósitos é superior a R$ 12.000,00. Desta forma devem ser aplicadas as previsões do art. 42, § 3ª, inciso II da Lei 9.430/96 com a redação que lhe foi dada pelo artigo 4° da Lei n° 9.481/97, aplicamse inteiramente ao caso em tela e justificam a reforma da decisão recorrida, com o cancelamento do crédito tributário ora questionado. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (.) §. 3°. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Grifei) artigo 4° da Lei n° 9.481/97, que assim dispõe: Art. 4 0. Os valores a que se refere o inciso II do § 3° do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser de R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. Requer o provimento do recurso para que sejam considerados como origem os dois valores acima mencionados e julgado improcedente do crédito apurado conforme dispositivo acima transcrito. É o Relatório. Fl. 421DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressuposto de admissibilidade. Como já dito no relatório acima transcrito, o contribuinte se insurge basicamente contra dois valores lançados a titulo de omissão de rendimento, tendo reconhecido os demais valores não excluídos pela decisão de primeira instância. Com relação ao valor de R$ 7.200,00 decorrentes de créditos bancários de R$ 200,00 e de R$ 7.000,00, dos dias 16/06/2003 e 20/06/2003 recebidos das pessoas jurídicas Multitrans — Transportes e Az. Gerais Ltda., CNPJ n° 01.201.578/000179 e Multitrans — Trans. e Op. Portuárias Ltda., CNPJ n° 03.459.793/000108, pertencentes ao mesmo grupo econômico, entendo caber razão ao recorrente, tendo sido inclusive devidamente informados na declaração de ajuste anual do exercício 2004; Já no que se refere ao valor de R$12.000,00 que alega ter recebido a título de honorários do Sr. de Carlos Alberto Monteiro, entendo que o documento efls. 367, demonstra que, efetivamente, o depósito do dia 12/03/2004, tem origem nos cheques mencionados pelo recorrente, porém, conforme observou a fiscalização, este valor não foi levado à tributação e não consta em sua Declaração de Renda, razão pela qual deve ser mantido. Já com relação a aplicação do art. 4º da Lei n° 9.481/97, entendo como equivocado o entendimento tido pelos ilustres julgadores de primeira instância. Ora, se a lei quis abrir mão de lançar tais valores, pra mim resta claro que está se referindo ao somatório dos valores omitidos e não de todos os valores que transitaram nas contas da pessoa física com as devidas origens apresentadas. Desta forma devem ser aplicadas as previsões do art. 42, § 3ª, inciso II da Lei 9.430/96 com a redação que lhe foi dada pelo artigo 4° da Lei n° 9.481/97, aplicamse inteiramente ao caso em tela e justificam a reforma da decisão recorrida, com o cancelamento do crédito tributário ora questionado, conforme Súmula CARF 61 Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Considerando que após a exclusão de parte dos valores pela decisão de primeira instância, as bases de cálculo do lançamento somam R$ 79.120,56, R$ 77.321,76 (R$ 86.081,76 — R$ 8.760,00) e R$ 51.461,46, respectivamente, para os anoscalendário 2003, 2004 e 2005, sendo que nenhum dos depósitos é superior a R$ 12.000,00 o lançamento não deve persistir. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Fl. 422DF CARF MF Processo nº 10907.001461/200724 Acórdão n.º 2301005.924 S2C3T1 Fl. 421 5 (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 423DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.903614/2009-61
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.111
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni- Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni (presidente substituto), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva. Ausente o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
ementa_s :
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10580.903614/2009-61
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5974498
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1001-001.111
nome_arquivo_s : Decisao_10580903614200961.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10580903614200961_5974498.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni- Presidente Substituto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni (presidente substituto), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva. Ausente o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
id : 7660909
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661434355712
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1216; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.903614/200961 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001001.111 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 12 de fevereiro de 2019 Matéria IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Recorrente CONSPLAN CONSTRUCAO PROJETO E PLANEJAMENTO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ANOCALENDÁRIO 2002 COMPENSAÇÃO A DCTF constitui confissão de dívida e sua retificação é requerimento essencial para o reconhecimento do débito ou crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Presidente Substituto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni (presidente substituto), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva. Ausente o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 36 14 /2 00 9- 61 Fl. 214DF CARF MF 2 Trata o presente processo de recurso voluntário, contra o acórdão número 1529.862, da 2ª Turma da DRJ/SDR, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório Eletrônico nº de rastreamento 824960993. Transcrevo, a seguir o relatório: Tratase de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório Eletrônico nº de rastreamento 824960993, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador, em 25/03/2009, que não homologou a compensação de débito declarada no PER/DCOMP de nº 26412.48701.290405.1.3.045025( fls. 02/06), transmitido em 29/04/2005, para a qual foi utilizado crédito decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ – código de receita: 2362), do período de apuração 31/12/2002, no valor original, na data da transmissão, de R$2.440,53. Por meio do despacho decisório de fl. 07 não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no PER/DCOMP acima mencionado, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em sua manifestação de inconformidade, a Contribuinte alega ter constado no PER/DCOMP que o crédito que deu origem ao pedido de compensação seria previamente de pagamento indevido ou a maior, quando referido crédito teria sido originário de saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, conforme constatase na DIPJ 2003/2002 (Ficha 12 A, pág. 12), havendo, portanto, um erro no preenchimento, existindo de fato o crédito em seu favor. Informa que anexou: 1) cópia da última Alteração Contratual da Consplan Construção, Projeto e Planejamento Ltda; 2) cópia do RG/CPF do Representante Legal; 3) cópia do Despacho Decisório nº 824960993; 4) cópia do PER/DCOMP nº 26412.48701.290405.1.3.045025, recibo e página de 01 a 05; 3) cópia da ficha 12 A da DIPJ e recibo de envio. Os citados documentos encontramse às fls. 13 a 26. Cientificada em 18/09/2012 (fl 35), a recorrente apresentou o recurso voluntário em 18/10/202 (fl 37). Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. Em seu recurso, a recorrente afirma que: Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10580.903614/200961 Acórdão n.º 1001001.111 S1C0T1 Fl. 3 3 · Requer que seja considerada improcedente a cobrança do débito. Anexa cópia de diversos documentos, tais como LALUR, recibos de entrega de declarações, termos de abertura e de encerramento de Livros etc. A DRJ, por sua vez, assim decidiu em relação à manifestação de inconformidade: A questão constante dos autos, por se tratar de suposto indébito tributário referente à estimativa mensal de IRPJ, requer o exame dos artigos 220 a 232, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/ 99, transcritos a seguir :... Conforme legislação acima, o contribuinte que optar pelo lucro real, apuração anual, deverá pagar mensalmente imposto devido por estimativa com base na receita bruta, com a aplicação de um percentual determinado. Poderá também suspender o pagamento desde que proceda aos balancetes mensais, demonstrando que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. No final do ano, o imposto apurado deve ser deduzido dos pagamentos recolhidos sob esta sistemática. Assim, os recolhimentos obrigatórios de estimativas mensais, efetuados de acordo com as determinações legais, somente serão passíveis de configurarem pagamento indevido ou a maior, ao final do anocalendário, caso o contribuinte apure saldo negativo do tributo, este sim passível de restituição ou compensação. No presente caso, a própria Contribuinte reconhece ser devido o pagamento da estimativa mensal de IRPJ, do período de apuração 31/12/2002, efetuado por meio do DARF discriminado no PER/DCOMP objeto do Despacho Decisório em litígio, quando alega ter havido erro no preenchimento do PER/DCOMP, pois o Fl. 216DF CARF MF 4 crédito que pretendia utilizar seria originário de saldo negativo de IRPJ, que de fato existiria. Nesse sentido, cumpre, primeiramente, esclarecer que, à luz da legislação fiscal, mais especificamente, o art. 77 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, transcrito a seguir, a Declaração de Compensação somente poderá ser retificada ou cancelada, pelo sujeito passivo, nas hipóteses em que admitidos, caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador gerado a partir do Programa PER/DCOMP. Art. 77. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 78 e 79 no que se refere à Declaração de Compensação Ademais, após a análise dos dados extraídos por meio de pesquisas feitas aos sistemas de controle da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), verifica seque o resultado do ajuste anual do anocalendário de 2002 não seria saldo negativo de IRPJ, no valor de R$16.594,59, conforme informado na Ficha 12 A da DIPJ relativa ao exercício 2003, anocalendário 2002 (cópia à fl. 20), mas sim, saldo de IRPJ a pagar, no montante de R$8.543,5(oito mil, quinhentos e quarenta e três reais e cinqüenta e oito centavos), senão vejamos: A Ficha 12 A – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, da DIPJ/2003, apresenta a seguinte composição (quadro fl 32). Os valores declarados em DCTF, sob o código 2362 (totalmente vinculados a pagamentos), e os pagamentos efetivamente confirmados no sistema Sinal 05, sob o código 2362, são os demonstrados a seguir: (quadro fl 32). O Imposto de Renda Retido na Fonte, durante o anocalendário de 2002, informado nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), entregues pelas fontes pagadoras, conforme informações constantes do Portal Dirf, da RFB, totaliza R$19.108,35. Desta forma, o ajuste anual do anocalendário de 2002, tem a seguinte configuração: (quadro fl 33) Ante o exposto, voto por julgar Improcedente a Manifestação de Inconformidade, confirmando o Despacho Decisório nº de rastreamento 824960993, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador, que não reconheceu o direito creditório, no valor original, na data da transmissão do PER/DCOMP, de R$2.440,53 (dois mil, quatrocentos e quarenta reais e cinqüenta e três centavos), referente ao pagamento efetuado por meio de Darf, ali discriminado, a título de estimativa mensal de IRPJ, do período de apuração 31/12//2002, e não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP em análise, de nº 26412.48701.290405.1.3.045025. A recorrente, no caso, admite um erro no preenchimento da DCTF que é reconhecidamente, uma confissão de dívida. Portanto, somente com a sua retificação é que é possível à Receita Federal reconhecer o novo débito, se e quando for o caso. A recorrente, em seu recurso, menciona o cancelamento da cobrança de CSLL, no entanto, tratase de IRPJ. Como são vários processos envolvendo esta recorrente, levaremos em consideração o equívoco. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10580.903614/200961 Acórdão n.º 1001001.111 S1C0T1 Fl. 4 5 A alteração das informações prestadas na DCTF, nas hipóteses em que admitida, é efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração original, devendo dela constar não somente as informações retificadas, mas todas as informações que a compõem. A DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e serve para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados, conforme dispõe o artigo 9°, parágrafo 1°, da IN 255/2002 (vigente à época da ocorrência do fato gerador): Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Tal fato foi corroborado através do item 3 do Parecer Normativo COSIT n° 2/2015: 3 É possível o reconhecimento do crédito com base em provas ou indícios sem a retificação da DCTF? Não. A DCTF é confissão de dívida, portanto sua retificação é imprescindível para o reconhecimento do crédito. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento do pedido. Portanto, entendo como correta a decisão da DRJ e peço a devida vênia para a ela aderir, com base no artigo 50, da Lei 9.784/99 e parágrafo 3°, ao artigo 57, do RICARF. Assim, nego provimento ao presente recurso. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 218DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.002948/2007-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 07/08/2007
MULTA. MERCADORIAS NÃO DISPONIBILIZADAS PARA CONFERÊNCIA FÍSICA. RESPONSABILIDADE DO OPERADOR
PORTUÁRIO.
O operador portuário tem a responsabilidade, perante as autoridades aduaneiras, pelas mercadorias sujeitas a controle aduaneiras, no período em que essas lhe estejam confiadas, ou quando tenha controle ou uso exclusivo de área do porto onde se acham depositadas ou devam transitar, assim como pela movimentação das mercadorias e apresentação das mesmas para conferência física no prazo agendado pela a fiscalização. Sendo, por conseguinte, regular a aplicação da multa disposta no art. 107, inciso VII, alínea f, do Decreto-Lei 37/66.
Numero da decisão: 9303-008.392
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 07/08/2007 MULTA. MERCADORIAS NÃO DISPONIBILIZADAS PARA CONFERÊNCIA FÍSICA. RESPONSABILIDADE DO OPERADOR PORTUÁRIO. O operador portuário tem a responsabilidade, perante as autoridades aduaneiras, pelas mercadorias sujeitas a controle aduaneiras, no período em que essas lhe estejam confiadas, ou quando tenha controle ou uso exclusivo de área do porto onde se acham depositadas ou devam transitar, assim como pela movimentação das mercadorias e apresentação das mesmas para conferência física no prazo agendado pela a fiscalização. Sendo, por conseguinte, regular a aplicação da multa disposta no art. 107, inciso VII, alínea f, do Decreto-Lei 37/66.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10909.002948/2007-12
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5986780
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-008.392
nome_arquivo_s : Decisao_10909002948200712.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : TATIANA MIDORI MIGIYAMA
nome_arquivo_pdf_s : 10909002948200712_5986780.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
id : 7692752
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661436452864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1368; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10909.002948/200712 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303008.392 – 3ª Turma Sessão de 21 de março de 2019 Matéria MULTA ADUANEIRA Recorrente APM TERMINALS ITAJAI S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 07/08/2007 MULTA. MERCADORIAS NÃO DISPONIBILIZADAS PARA CONFERÊNCIA FÍSICA. RESPONSABILIDADE DO OPERADOR PORTUÁRIO. O operador portuário tem a responsabilidade, perante as autoridades aduaneiras, pelas mercadorias sujeitas a controle aduaneiras, no período em que essas lhe estejam confiadas, ou quando tenha controle ou uso exclusivo de área do porto onde se acham depositadas ou devam transitar, assim como pela movimentação das mercadorias e apresentação das mesmas para conferência física no prazo agendado pela a fiscalização. Sendo, por conseguinte, regular a aplicação da multa disposta no art. 107, inciso VII, alínea “f”, do DecretoLei 37/66. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 29 48 /2 00 7- 12 Fl. 267DF CARF MF 2 Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o acórdão nº 3202000.488, da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Data do fato gerador: 07/08/2007. MULTA. MERCADORIAS NÃO DISPONIBILIZADAS PARA CONFERÊNCIA FÍSICA. RESPONSABILIDADE DO OPERADOR PORTUÁRIO. O operador portuário tem a responsabilidade, perante as autoridades aduaneiras, pelas mercadorias sujeitas a controle aduaneiras, no período em que essas lhe estejam confiadas, ou quando tenha controle ou uso exclusivo de área do porto onde se acham depositadas ou devam transitar, assim como pela movimentação das mercadorias e apresentação das mesmas para conferência física no prazo agendado pela a fiscalização. ” Irresignado, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que: · O operador portuário qualificado pela Administração do Porto é responsável perante a autoridade aduaneira pelas mercadorias sujeitas a controle aduaneiro enquanto se achem depositadas sob seus cuidados; entretanto, quando estiverem armazenadas em área Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10909.002948/200712 Acórdão n.º 9303008.392 CSRFT3 Fl. 3 3 controlada pela Administração do Porto, é a Administração do Porto a responsável pelas mercadorias, bem como pela sua movimentação e posicionamento para vistoria aduaneira; · A recorrente, como operadora dos equipamentos necessários para a movimentação das cargas, por outro lado, é sempre avisada de todos os agendamentos de vistoria, embora só movimente as mercadorias que se encontrem nas dependências da Superintendência do Porto de Itajaí quando disponibilizadas para tanto, não possuindo autoridade para movimentálas sem autorização da SPI; · Ou seja, a recorrente não possui responsabilidade referente à questão objeto do presente processo com a Receita Federal, e sim responsabilidade para com a SPI, que se fosse o caso, poderia ser apurada em outra ação. Em Despacho às fls. 248 a 250, foi dado seguimento parcial ao recurso apenas em relação à matéria relacionada à responsabilidade pela prática da infração objeto da penalidade aplicada, mais especificamente quanto à responsabilidade da Superintendência do Porto de Itajaí pela disponibilização e posicionamento das cargas armazenadas nas dependências do porto. Em Despacho de Reexame de Admissibilidade às fls. 251 a 252, o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais em exercício à época decidiu por manter, na íntegra, o despacho do Presidente da Câmara. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pela Fazenda Nacional, manifestando ser imperiosa a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Fl. 269DF CARF MF 4 Conselheira Tatiana Midori Migiyama – Relatora. Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os requisitos constantes do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. O que, concordo com o exame de admissibilidade constante dos autos. Ventiladas tais considerações, relativamente a lide conhecida – qual seja, se o operador portuário tem responsabilidade, perante as autoridades aduaneiras, pelas mercadorias sujeitas a controle aduaneiras, no período em que essas lhe estejam confiadas, ou quando tenha controle ou uso exclusivo de área do porto onde se acham depositadas ou devam transitar, assim como pela movimentação das mercadorias e apresentação das mesmas para conferência física no prazo agendado pela a fiscalização e, por conseguinte, seria responsável por recolher a multa presente no art. 107, inciso VII, alínea “f”, do DecretoLei 37/66: “Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: [...] VII de R$ 1.000,00 (mil reais): [...] f) por dia, pelo descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para executar atividades de movimentação e armazenagem de mercadorias sob controle aduaneiro, e serviços conexos; e” Em análise dos autos, direcionome ao entendimento proferido no voto vencedor do acórdão recorrido do nobre exconselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri – o que peço licença para transcrever: “Como bem descrito pelo ilustre Conselheiro Relator, o litígio decorre de lançamento de ofício, veiculado através de Auto de Infração, para a cobrança da multa isolada prevista no artigo 107, inciso VII, alínea “f” do Decretolei n° 37, de 18.11.1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 29.12.2003, verbis: "Art. 107 Aplicamse as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 10.833, de 29.12.2003) (...) Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10909.002948/200712 Acórdão n.º 9303008.392 CSRFT3 Fl. 4 5 VII — de R$1.000,00 (mil reais): (Redação dada pela Lei n° 10.833, de 29.12.2003) (...) f) por dia, pelo descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para executar atividades de movimentação e armazenarem de mercadorias sob controle aduaneiro, e serviços conexos; e" (...) (grifamos) A norma operacional prevista no dispositivo legal acima citado foi estabelecida pela Portaria DRF/ITJ n.º 11/2004, de 30 de janeiro de 2004, que tratou dos procedimentos na verificação física das mercadorias e determinou os prazos para sua apresentação. No presente litígio não há contestação, por parte da Recorrente, quanto à ocorrência da infração (a não disponibilização das mercadorias para exame físico na data agendada pela SRF), como muito bem destacou o Conselheiro Relator. O motivo da controvérsia é a responsabilidade pela prática da infração. E neste ponto (a responsabilidade pela infração), discordamos das conclusões exaradas no voto do ilustre Relator. Não há como concordar com a Recorrente quando afirma que não é responsável pela movimentação e apresentação física da mercadoria ao Fisco, por entender que essa responsabilidade é da Superintendência do Porto de Itajaí. Neste sentido, vejamos o que dispõe a Lei n.° 8.630/1993 – “Lei dos Portos”, verbis: Art. 9° A préqualificação do operador portuário será efetuada junto à Administração do Porto, na forma de norma publicada pelo Conselho de Autoridade Portuária com exigências claras e objetivas. § 1° As normas de préqualificação referidas no caput deste artigo devem obedecer aos princípios da legalidade, moralidade e igualdade de oportunidade. § 2° A Administração do Porto terá trinta dias, contados do pedido do interessado, para decidir. § 3° Considerase préqualificada como operador a Administração do Porto. (...) Fl. 271DF CARF MF 6 Art. 12. O operador portuário é responsável, perante a autoridade aduaneira, pelas mercadorias sujeitas a controle aduaneiro, no período em que essas lhe estejam confiadas ou quando tenha controle ou uso exclusivo de área do porto onde se acham depositadas ou devam transitar. Art. 13. Quando as mercadorias a que se referem o inciso II do art. 11 e o artigo anterior desta lei estiverem em área controlada pela Administração do Porto e após o seu recebimento, conforme definido pelo regulamento de exploração do porto, a responsabilidade cabe à Administração do Porto. (negritamos) Nos termos do artigo 9º acima transcrito, a Superintendência do Porto de Itajaí exerce as funções de autoridade portuária e tem, portanto, a competência para préqualificar terceiros como operadores portuários (caput), assim como a própria Administração do Porto é considerada como operador (parágrafo 3°). Destarte, foi firmado contrato de arrendamento entre a Superintendência do Porto de Itajaí e a Teconvi (fls. 85/132 e Aditivo de fls. 133/148), para que esta pudesse exercer a função de operador portuário. O artigo 12 da Lei dos Portos, por sua vez, prescreve que o operador portuário é responsável, perante a autoridade aduaneira, pelas mercadorias sujeitas a controle aduaneiras, no período em que essas lhe estejam confiadas, ou quando tenha controle ou uso exclusivo de área do porto onde se acham depositadas ou devam transitar. A hipótese tratada no artigo 12, portanto, enquadrase perfeitamente ao caso concreto discutido nestes autos. A Recorrente tinha o controle da área do Porto onde as mercadorias estavam depositadas, conforme documento anexado à folha 16. Destaquese, por oportuno, que a hipótese tratada no artigo 13 referese aos casos em que o controle das mercadorias estiver em área controlada pela Administração do Porto e após o seu recebimento. A norma é clara no sentido de que a responsabilidade é de quem tiver o controle da mercadoria. No caso em tela, há esse controle em área exclusiva do Porto, pela Recorrente. Somente no caso de a mercadoria sair dessa área e ser entregue à Administração do Porto, e por esta recebida (tem que haver um recebimento formal, mediante assinatura confirmando esse recebimento), transfere se a responsabilidade, passando esta a ser da Administração portuária. Não existe nos autos prova do recebimento formal das mercadorias, por parte da Superintendência do Porto de Itajaí. O documento de fls. 15, citado no voto vencido, a meu entender, não faz prova da transferência da mercadoria da Teconvi à Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10909.002948/200712 Acórdão n.º 9303008.392 CSRFT3 Fl. 5 7 Superintendência do Porto de Itajaí, uma vez tratarse de mera comunicação emitida por uma comissária de despacho (Blucargo) dirigida à Teconvi e à Superintendência do Porto de Itajaí, informando o agendamento da vistoria da mercadoria. Registre se que não há ciência aposta neste documento, confirmando seu recebimento, por parte da Superintendência do Porto de Itajaí (consta, apenas, o carimbo e assinatura de recebimento por parte do preposto da Teconvi – sr. Igor Sergiejew Jr.) Quanto ao argumento de inexistência de infração porque a norma operacional não está prevista em lei, tratase de alegação inteiramente descabida, visto que normas operacionais não fazem parte das leis. No caso, o que o dispositivo da lei (artigo 107, inciso VII, alínea “f” do Decretolei n° 37, de 18.11.1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 29.12.2003) tipificou como infração foi justamente o descumprimento de norma operacional estabelecida pelas autoridades aduaneiras (ato da autoridade local Portaria DRF/ITJ n.° 11/2004), o que ficou devida e inequivocamente configurado. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário.” Entendo ser a TECONVI, como operador portuário, responsável, perante a autoridade aduaneira, pelas mercadorias sujeitas a controle aduaneiro, no período em que essas lhe estejam confiadas ou quando tenha controle ou uso exclusivo de área do porto onde se acham depositadas ou devam transitar, nos exatos termos do art. 12, da Lei nº 8.630/93, conhecida como a Lei de Modernização dos Portos. Em vista de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 273DF CARF MF 8 Fl. 274DF CARF MF
score : 1.0
