Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,326)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,173)
- Primeira Turma Ordinária (16,159)
- Segunda Turma Ordinária d (15,885)
- Segunda Turma Ordinária d (14,478)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,482)
- Segunda Turma Ordinária d (12,422)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,076)
- Terceira Câmara (67,622)
- Segunda Câmara (56,324)
- Primeira Câmara (20,556)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,303)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,160)
- Segunda Seção de Julgamen (114,852)
- Primeira Seção de Julgame (76,802)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,969)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,885)
- HELCIO LAFETA REIS (3,799)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,763)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,592)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (15,531)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13884.721844/2017-98
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA.
São isentos de imposto de renda em decorrência de moléstia grave os rendimentos decorrentes de proventos de aposentadoria, nos termos do artigo 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988
Numero da decisão: 2001-001.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. São isentos de imposto de renda em decorrência de moléstia grave os rendimentos decorrentes de proventos de aposentadoria, nos termos do artigo 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13884.721844/2017-98
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5975568
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2001-001.075
nome_arquivo_s : Decisao_13884721844201798.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JORGE HENRIQUE BACKES
nome_arquivo_pdf_s : 13884721844201798_5975568.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
id : 7665299
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661980663808
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1463; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13884.721844/201798 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001001.075 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 30 de janeiro de 2019 Matéria IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Recorrente CLAUDIO MITSUAKI ESSUMI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2014 MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. São isentos de imposto de renda em decorrência de moléstia grave os rendimentos decorrentes de proventos de aposentadoria, nos termos do artigo 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, isenção de rendimentos de portador de doença grave. O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 72 18 44 /2 01 7- 98 Fl. 163DF CARF MF 2 documentos que embasaram o voto do relator. Não se destacaram algumas dessas partes, pois tanto esse acórdão como o inteiro processo ficam disponíveis a todos os julgadores durante a sessão. A ementa do acórdão de impugnação foi dispensada. O acórdão de impugnação relatou assim a matéria: O lançamento decorreu da constatação das seguintes infrações: Rendimentos Indevidamente Considerados como Isentos por Moléstia Grave – Não Comprovação da Moléstia ou sua Condição de Aposentado, Pensionista ou Reformado – Fonte Pagadora: São Paulo Previdência (R$ 175.097,49 e IRRF de R$ 34.589,16). Tendo em vista que a isenção para os portadores de moléstia grave só se aplica sobre os rend de aposent, reforma ou pensão e considerando que a reforma do contribuinte – publ no DO do Estado de São Paulo de 26/05/2015 – se deu com efeitos a partir de 04/12/2014, é de se concluir que somente os rend de inatividade pagos pela SPPREV a partir de dez/2014 é que estão isentos do IR. Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte Sobre Rendimentos Declarados Como Isentos por Moléstia Grave ou Acidente em Serviço – Não Comprovação da Moléstia ou sua Condição de Aposentado, Pensionista ou Reformado ou não comprovação da retenção do Imposto de Renda na Fonte sobre rendimentos isentos – Fonte Pagadora: São Paulo Previdência IRRF Sobre Rendimentos Isentos Declarado (1) IRRF (R$ 37.471,53) IRRF 13º (R$ 2.882,37) Total Declarado de IRRF (R$ 40.353,90) IRRF Sobre Rendimentos Isentos Apurado (2) IRRF (R$ 2.882,37) IRRF 13º (R$ 2.883,37) Total de IRRF Apurado (R$ 5.764,74) Glosa de IRRF (Total Declarado Total Apurado) (1 2) (R$ 34.589,16) Como o contribuinte foi reformado a partir de 04/12/14, conforme consta do DO do Estado de São Paulo de 26/05/2015, somente o 13º e os rendimentos recebidos em dezembro é que estão isentos do imposto de renda. O enquadramento legal do lançamento encontrase na referida Notificação. Cientificado da exigência o sujeito passivo apresentou a impugnação acostada à fl. 2/5, alegando, em síntese, que: tem direito à isenção total dos rendimentos recebidos, por ser portador de moléstia grave irreversível e incapacitante com início comprovado em maio de 1997, conforme laudo pericial oficial para isenção de Imposto de Renda; Fl. 164DF CARF MF Processo nº 13884.721844/201798 Acórdão n.º 2001001.075 S2C0T1 Fl. 3 3 através de publicação no Diário Oficial do poder Executivo, em 17 de outubro de 1998 o impugnante, servidor militar, foi transferido para a reserva; sucessivamente, através de publicação no Diário Oficial do poder Executivo, em 26 de maio de 2015 o contribuinte passou a reforma, de ofício com início de em dezembro de 2014; tinha o direito de restituir o valor de R$ 40.353,90, porém, ante a indevida desconsideração da completa isenção legal, a restituição passou a ser no valor de R$ 10.377,12, solicita que o lançamento seja revisto; e solicita a aplicação no presente caso da súmula nº 43 do Carf. E no voto: Pois bem, da leitura do dispositivo legal retrotranscrito, infere se que para fazer jus à isenção pleiteada é necessário o preenchimento cumulativo dos requisitos legais a seguir enumerados: 1. Que os rendimentos percebidos por portador da moléstia grave prevista em lei sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma; 2. Que a moléstia grave, listada na legislação em vigor, contraída antes ou após a aposentadoria ou reforma, seja comprovada através de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Quanto ao requisito do laudo pericial, o documento acostado à fl. 9 (laudo pericial para isenção do imposto de renda), datado de 12 de julho de 2016, atesta que o contribuinte é portador de moléstia grave M544 paralisia irreversível e incapacitante, não passível de controle, desde maio de 1997. Portanto, comprovada a moléstia grave. No que tange à outra condição cumulativa, ou seja, à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria, pensão ou reforma, cumpre observar que o contribuinte acostou aos autos a cópia do Diário Oficial, de 26 de maio de 2015, que informa a transferência para a reforma apenas a partir de dezembro de 2014 (fls. 11/12). É importante destacar que o período da reserva remunerada não está abrangido pela isenção supracitada, só fazendo jus a essa a partir do momento em que foi reformado, nos exatos termos da disposição legal. Além disso, a Portaria MF nº 383, de 12 de julho de 2010 não atribuiu à Súmula CARF nº 43 efeito vinculante em relação à administração tributária federal. Portanto, a Receita Federal do Fl. 165DF CARF MF 4 Brasil não está vinculada ao entendimento sumulado (Súmula nº 43) do Carf. Recurso voluntário reitera alegações feitas na impugnação. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Tratase de isenção relativa à doença grave. No acórdão de impugnação consta a recusa à isenção por haver o entendimento que os rendimentos não seriam de aposentadoria, pois o contribuinte é militar transferido à reserva. O recorrente é portador de doença grave. Nesses casos, a legislação estabelece isenção para os rendimentos de aposentadoria. São isentos de imposto de renda em decorrência de moléstia grave os rendimentos decorrentes de proventos de aposentadoria, nos termos do artigo 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma. Foi recusada a qualificação de "rendimentos de aposentadoria" aos valores pagos, e portanto foi mantida a omissão de rendimentos. Discordamos da DRJ, pois entendemos que se trata de rendimentos de aposentadoria, além disso, é matéria exata de aplicação da Súmula CARF nº 43: Conclusão Fl. 166DF CARF MF Processo nº 13884.721844/201798 Acórdão n.º 2001001.075 S2C0T1 Fl. 4 5 Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16707.003360/2005-69
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. CONDUTA REITERADA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Os critérios de relevância (magnitude do que está em jogo) e de recorrência/ reiteração (repetição ao longo do tempo) da conduta são muito importantes para a aplicação da multa qualificada. Se pelas circunstâncias que remanesceram nos autos, não há como dizer que houve omissões relevantes de forma recorrente, também não há como restabelecer a multa qualificada, e nem como afastar a decadência.
Numero da decisão: 9101-004.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal De Araujo - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Demetrius Nichele Macei, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000 MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. CONDUTA REITERADA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Os critérios de relevância (magnitude do que está em jogo) e de recorrência/ reiteração (repetição ao longo do tempo) da conduta são muito importantes para a aplicação da multa qualificada. Se pelas circunstâncias que remanesceram nos autos, não há como dizer que houve omissões relevantes de forma recorrente, também não há como restabelecer a multa qualificada, e nem como afastar a decadência.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16707.003360/2005-69
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5994310
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9101-004.065
nome_arquivo_s : Decisao_16707003360200569.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 16707003360200569_5994310.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo - Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Demetrius Nichele Macei, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
id : 7707720
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661997441024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1763; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16707.003360/200569 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101004.065 – 1ª Turma Sessão de 12 de março de 2019 Matéria MULTA QUALIFICADA E DECADÊNCIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ORGANIZAÇÃO FARMACÊUTICA IRMÃ DULCE LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. CONDUTA REITERADA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Os critérios de relevância (magnitude do que está em jogo) e de recorrência/ reiteração (repetição ao longo do tempo) da conduta são muito importantes para a aplicação da multa qualificada. Se pelas circunstâncias que remanesceram nos autos, não há como dizer que houve omissões relevantes de forma recorrente, também não há como restabelecer a multa qualificada, e nem como afastar a decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Demetrius Nichele Macei, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) contra "decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 33 60 /2 00 5- 69 Fl. 926DF CARF MF Processo nº 16707.003360/200569 Acórdão n.º 9101004.065 CSRFT1 Fl. 3 2 evidência da prova", fundamentado no art. 7º, I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, c/c art. 4º da Portaria MF nº 256/2009 (RICARF/2009) e art. 3º da Portaria MF nº 343/2015, que aprova o atual Regimento Interno do CARF. A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 130100.026, de 12/03/2009, por meio do qual a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF decidiu, entre outras questões, por maioria de votos, "reduzir a multa de 150% para 75% e por conseqüência acolher a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até novembro de 2000". O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva transcritas abaixo: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Exercício: 2001 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL — O Mandado de Procedimento Fiscal representa mero instrumento de controle interno da Administração Tributária, e, em razão disso, eventuais irregularidades que se possa identificar na sua emissão ou prorrogação não podem dar causa a nulidade do feito fiscal. INCONSTITUCIONALIDADES — À autoridade administrativa cumpre, no exercício da atividade de lançamento, o fiel cumprimento da lei. Exorbita à competência das autoridades julgadoras a apreciação acerca de suposta inconstitucionalidade ou ilegalidade de ato integrante do ordenamento jurídico vigente a época da ocorrência dos fatos. JUROS SELIC — A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC para títulos federais. OMISSÃO DE RECEITA. SALDO CREDOR DE CAIXA — A aplicação de presunção legal de omissão de receitas impõe que o fato conhecido esteja devidamente comprovado. No caso vertente, em que os saldos credores decorrem de recomposição promovida com base em valor gravado de incerteza, os montantes submetidos à incidência tributária revelamse, da mesma forma, ilíquidos. OMISSÃO DE RECEITAS. TRANSFERÊNCIAS DE MERCADORIAS — As denominadas presunções hominis podem, sob certas circunstâncias, servir de suporte para tributação, porém, neste caso, tomase necessário que elas venham acompanhadas de elementos subsidiários que as tornem incontestáveis. MULTA QUALIFICADA — A falta de declaração ou a prestação de declaração inexata não autorizam, por si sós, a qualificação da multa de lançamento de oficio, que somente se justifica quando presente o evidente intuito de fraude, caracterizado pelo dolo específico, resultante da intenção criminosa e da vontade de obter o resultado da ação ou omissão delituosa, descrito na Lei n° 4.502/64. Fl. 927DF CARF MF Processo nº 16707.003360/200569 Acórdão n.º 9101004.065 CSRFT1 Fl. 4 3 DECADÊNCIA — LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO — Nos tributos submetidos ao denominado lançamento por homologação, expirado o prazo previsto no parágrafo 4° do art. 150 do CTN sem que a Administração Tributária se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO — À luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto n° 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei n° 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada. Decorre dai que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. COMPENSAÇÃO. DARF/SIMPLES — Para fins de determinação dos valores a serem lançados de oficio, a autoridade fiscal deve, antes, promover a subtração dos eventuais pagamentos efetuados pelo contribuinte no Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento. No mérito, DAR provimento PARCIAL para: 1) Por unanimidade de votos, EXCLUIR da tributação as omissões de receitas: a) decorrentes de saldos credores de caixa; b) decorrente da denominada receita não escriturada. 2) Por unanimidade de votos, DETERMINAR que sejam considerados os recolhimentos efetuados na sistemática do simples. 3) Por maioria de votos, REDUZIR a multa de 150% para 75% e por conseqüência acolher a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até novembro de 2000, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães (Relator) e Marcos Rodrigues de Mello. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento. A PGFN afirma que o acórdão recorrido configura decisão nãounânime e contrária à lei, no que toca à redução da multa e ao reconhecimento da decadência. Para o processamento do recurso, ela desenvolve os argumentos descritos abaixo: a decisão proferida (por maioria) pelo colegiado "a quo", com toda vênia é contrária à lei, pois afronta o art. 44, §1º, da Lei 9.430/96, o art. 71, I, da Lei nº 4.502/64, bem como o art. 173, I, do Código Tributário Nacional; versam os presentes autos sobre exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (SIMPLES), relativa ao anocalendário 2000. A autuação (fls. 17/24) decorre da constatação da fiscalização de que o contribuinte Organização Farmacêutica Irmã Dulce Ltda incorreu na prática de omissão de receitas, verificada por meio de divergências na escrituração (transferências entre a matriz da contribuinte e suas filiais), saldo credor de caixa não justificado, diferença de base de cálculo e insuficiência de recolhimento; Fl. 928DF CARF MF Processo nº 16707.003360/200569 Acórdão n.º 9101004.065 CSRFT1 Fl. 5 4 diante do recurso voluntário interposto pelo contribuinte, a Terceira Câmara da Primeira Seção do CARF reformou, parcialmente, o acórdão proferido pela DRJ/PE (fls. 709), considerando insuficientes as provas de omissão de receitas (divergências na escrituração e saldo credor de caixa), e reconhecendo a prática das outras duas infrações (fls. 785); em relação à multa qualificada, houve divergência. De acordo com o voto vencedor (fls. 806), a conduta do contribuinte não revelou intenção de fraude ou sonegação, de modo que incidiria no caso apenas a multa de 75%, prevista no art. 44, I, Lei 9.430/96. Por outro lado, o voto vencido (fls. 802) reconhece o elemento doloso e julga correta a incidência da multa qualificada à espécie; a conduta do contribuinte consistiu na prestação de declarações inexatas, evidentemente divergentes, com claro escopo de pagar menos imposto. Os valores escriturados pelo contribuinte no Livro de Registro e Apuração do ICMS (fls. 98) a título de vendas de mercadorias são notoriamente superiores aos valores informados pelo próprio contribuinte em sua declaração (DIPJ2000); que não se diga tratarse de um fato esporádico ou isolado. Houve, sim, ação voluntária e consciente, finalisticamente orientada à sonegação, e que persistiu durante vários meses consecutivos, conforme sobejamente comprovado nos autos; o contribuinte procurou impedir/retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, a fim de reduzir o montante de tributo que devia ser recolhido; o dispositivo legal que fundamenta a multa agravada é o art. 44, II, §1º, da Lei 9.430/96, abaixo transcrito (com redação dada pelo art. 14 da MP 351/2007): [...]; a multa qualificada incide no caso de evidente intuito de fraude, que está definido nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Dentre os ilícitos dispostos nesses artigos, o que mais se aplica ao presente caso é a sonegação, prevista no art. 71, I, da Lei nº 4.502/64, verbis: [...]; não há a menor dúvida de que o contribuinte, ao distorcer as informações prestadas ao Fisco declaração receitas de vendas de mercadorias evidentemente inferiores às escrituradas no Livro de Apuração do ICMS procurou impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade tributária, da ocorrência do fato gerador do tributo. Tal fato restou provado nos autos, e, inclusive, havia sido reconhecido pela DRJPE (fls. 730), conforme demonstra o trecho seguinte: [...]; realmente, são as circunstâncias que denotam a intenção. E, no presente caso, não há argumentos do contribuinte que possam diminuir a veemência dos indícios; fosse realmente o caso de mero equívoco, de lapso manifesto, a incorreção das informações prestadas poderia ter sido prontamente sanada por meio de declaração retificadora. Não foi o caso, porém; é importante deixar claro que a decisão da Terceira Câmara da Primeira Seção de Contribuintes (fls. 785), no sentido de afastar as infrações de omissão de receita (divergências na escrituração e saldo credor de caixa não justificado) esteve fundamentada em suposta deficiência de subsunção do fato à norma, ou ainda, em insuficiência de provas (fls. Fl. 929DF CARF MF Processo nº 16707.003360/200569 Acórdão n.º 9101004.065 CSRFT1 Fl. 6 5 798/801). Esse fundamento convenhamos está muito distante de significar a lisura do procedimento do contribuinte, coerência de sua escrituração, ou mesmo sua boafé no adimplemento da obrigação tributária. A propósito, oportunas as palavras do conselheiro Wilson Fernandes Guimarães (voto vencido): "ainda que parcela significativa dos créditos tributários constituídos estejam sendo exonerados por parte da presente decisão, releva ressaltar que tal fato decorre única e exclusivamente da ausência de subsunção das situações descritas pela autoridade fiscal aos tipos previstos nas normas de regência, não se podendo negar que a Recorrente, movida pelo intuito de subtrair livremente parcela das suas rendas à tributação, prestou informações incorretas na declaração apresentada à Administração Tributária e escriturou livros com informações divergentes, servindose desses meios, como dissemos, para reduzir a incidência tributária sobre as rendas auferidas." (fls. 803) enfim, o evidente intuito corresponde ao dolo de sonegar, que existe quando o contribuinte omite, de forma voluntária e consciente, receitas, declarações e informações ao Fisco, mantendo em erro os Auditores da Secretaria da Receita Federal. No presente caso está provado que o Recorrente reiteradamente realizou declarações a menor de receitas, durante longo período. O intuito de fraude se torna mais notório diante de ações reiteradas; intimado para explicar o fato, não apresentou nenhuma justificativa hábil, e nem alegou erro ou lapso; o r. acórdão recorrido, com toda vênia, ofende o comando inserido no art. 44, §1°, Lei 9430/96 c/c o art. 71, I, da Lei 4502/64 (e ainda o art. 173, I, CTN), na medida em que nega aplicação a tais normas, mesmo diante da constatação da hipótese fática nelas descrita. Com efeito, identificado o evidente intuito de fraude, é de ser majorada a multa ao patamar de 150%, como havia feito, acertadamente, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Pernambuco; por via de conseqüência, a fraude repercute, direta e inevitavelmente, na contagem do prazo de decadência para constituição do crédito tributário. A contagem do prazo deixa de ser regida pelo art. 150, §4º, do CTN para seguir a regra do art. 173, I, do mesmo diploma legal; ora, considerando que fatos geradores remontam os meses de janeiro a novembro do anocalendário 2000, então o prazo decadencial teve seu curso iniciado em 1 de janeiro de 2001 (que é o primeiro dia do exercício seguinte, na forma do art. 173, I, CTN). No momento da ciência do auto de infração, 7 de dezembro de 2005, ainda estava em curso o prazo decadencial de cinco anos, o que torna inapropriado afirmar que houve decadência; face ao exposto, requer a Fazenda Nacional seja dado provimento ao presente recurso, e reformado o r. acórdão proferido, para restabelecer a aplicação da multa qualificada, na forma do art. 44, §1º, da Lei 9430/96. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 63/2001, exarado em 21/03/2011, deu seguimento ao recurso, nos seguintes termos: Fl. 930DF CARF MF Processo nº 16707.003360/200569 Acórdão n.º 9101004.065 CSRFT1 Fl. 7 6 Atendidos os pressupostos de tempestividade e legitimidade, previstos no art. 4º do Regimento Interno do CARF, e diante da indicação e demonstração, realizadas em tese, de que o acórdão recorrido teria contrariado as disposições constantes dos artigos 44 e 51, da Lei nº 9.430, de 1996, o art. 71, inciso I, da Lei n° 4.502, de 1964, bem como o art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, nos termos acima examinados, DOU SEGUIMENTO ao presente recurso especial. Em 21/05/2015, a contribuinte foi cientificada do Acórdão nº 130100.026, do recurso especial da PGFN e do despacho que deu seguimento a esse recurso, e ela não apresentou contrarrazões, nem recurso especial de sua autoria. É o relatório. Fl. 931DF CARF MF Processo nº 16707.003360/200569 Acórdão n.º 9101004.065 CSRFT1 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto lançamento de tributos no regime de tributação simplificada SIMPLES, com fatos geradores ocorridos ao longo do anocalendário de 2000. A autuação fiscal abrangeu 4 infrações: 1 omissão de receitas verificada por meio de divergências na escrituração (transferências entre matriz e filiais presunção de omissão de compras); 2 saldo credor de caixa; 3 diferença de base de cálculo (receita escriturada nos livros do ICMS maior que a receita declarada em DIPJ); e 4 insuficiência de recolhimento sobre a receita declarada. A Fiscalização aplicou a multa qualificada de 150% para as 3 primeiras infrações, e a multa de 75% para a última infração. A decisão de primeira instância manteve o lançamento. Já a decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido) cancelou as duas primeiras infrações, por unanimidade de votos. Além disso, por maioria de votos, reduziu a multa de 150% para 75% e, por conseqüência, acolheu a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até novembro de 2000. O recurso apresentado pela PGFN procura restabelecer a multa qualificada e afastar a decadência, pleito que alcança apenas a infração "3", já que as duas primeiras infrações foram canceladas em razão de seu próprio mérito, e a quarta infração foi submetida desde o início à multa normal de 75%. A questão sobre a decadência está diretamente vinculada à multa. É que no caso de ser comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplicase a regra de prazo decadencial prevista no art. 173, I, do CTN (e a decadência é afastada). Do contrário, aplicase a regra do art. 150, §4º, também do CTN (e a decadência é confirmada). Vale esclarecer, em relação à definição da regra de decadência, que não está em questão a existência de pagamento, ainda que parcial, porque a contribuinte apurou e confessou débitos de Simples para todos os meses de 2000 (efls. 191 do vol. 1), e o próprio acórdão recorrido determinou que fossem considerados os recolhimentos efetuados na sistemática do Simples. Nos termos do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, somente se admite a aplicação da multa no percentual de 150%, nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, que são os que contêm o termo subjetivo (evidente intuito de fraude) demandado pela norma. Seguem os dispositivos citados: Fl. 932DF CARF MF Processo nº 16707.003360/200569 Acórdão n.º 9101004.065 CSRFT1 Fl. 9 8 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Desse modo, a multa de 150% terá aplicação sempre que, em procedimento fiscal, a autoridade lançadora reunir elementos que a convençam da ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Vêse que, para enquadrar determinado ilícito fiscal nos dispositivos dessa lei, há necessidade de que esteja indicado o dolo. O dolo, que se relaciona com a consciência e a vontade, é pressuposto de todos os tipos penais de que trata a Lei nº 4.502/64, ou seja, a vontade de obtenção de um fim em desacordo com o ordenamento jurídico ao se praticar determinada conduta. Ou ainda, nos termos do inciso I do art. 18 do Código Penal (DecretoLei nº 2.848, de 7/12/1940), é o doloso o crime quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. Assim, a autoridade fiscal deve estar convencida e apresentar os motivos que a convenceram de que a conduta praticada teve o intuito consciente voltado ao fim de suprimir ou reduzir o pagamento do tributo ou contribuições devidos. O dolo é a intenção da prática de um ato ilícito. Sendo um aspecto interno ao agente, não se pode comprovar o dolo diretamente (a não ser por via da confissão ou, em países em que são aceitos, por meio de testes de medição da verdade), daí que o dolo deflue do conjunto de elementos a partir dos quais seja muito aceitável ter aquela sido a intenção do agente da prática e que seja pouquíssimo aceitável de que tenha sido outra a intenção. Ou ainda, sendo o dolo sempre comprovado indiretamente, a verdade é que comprovação indireta não é uma comprovação absoluta (não é possível comprovar absolutamente a intenção, que é um elemento subjetivo, interior ao agente), é sempre uma comprovação suficiente, ou seja, tratase de um convencimento de que houve comprovação. As expressões "inequivocamente comprovado", "minuciosamente comprovada", "certeza absoluta do dolo", "plena comprovação", utilizadas numa velha jurisprudência dos Antigos Conselhos de Contribuintes (que, depois, chegou a ser encampada por algumas das turmas de julgamento de primeira instância), equivalem, em termos literários Fl. 933DF CARF MF Processo nº 16707.003360/200569 Acórdão n.º 9101004.065 CSRFT1 Fl. 10 9 ao sonho de Tartarim1 de Tarascon, personagem do clássico francês escrito por Alphonse Daudet em 1872, sonho este que consistia em caçar leões pelos corredores da casa, onde, porventura, não há senão ratos e pouco mais; ou ainda, em termos populares, a enveredar na busca de um unicórnio sabendo da inexistência do mesmo. Assim, podese afirmar que a autoridade lançadora, ao qualificar a autuação, esteve convencida da intenção da prática do ilícito, ou seja, esteve convencida do dolo e da ocorrência da sonegação, o que a conduziu a aplicar a multa qualificada. Da mesma forma, o dolo estará suficientemente comprovado quando o julgador tiver firmado seu convencimento de que a conduta foi dolosa. Somente após os sucessivos convencimentos do aplicador (autoridade fiscal) e dos intérpretes (julgador/conselheiro/juiz) da lei quanto à correta subsunção dos fatos específicos à norma penal é que o dolo estará definitivamente comprovado. Portanto, a discussão deslocase para a aferição do que é aceitável/razoável, para fins de convencimento da intenção de agir. E, nesta aferição, são muito importantes critérios de relevância (magnitude do que está em jogo) e de recorrência/reiteração (repetição ao longo do tempo) da conduta. Por que esses critérios? Certamente é natural que se cometam erros até certo ponto e mesmo erros de razoável magnitude e, da mesma forma, é natural que se cometam erros durante um certo lapso de tempo. Não obstante, a medida que crescem a relevância e a duração da prática no tempo; decresce, na mesma medida, a probabilidade de algo ter sido fruto de mero erro (é o que se denomina de inversamente proporcional) e aumenta a probabilidade de ter sido premeditado ou intencional. São duas faces da mesma moeda: num lado está o erro, o equívoco; no outro a intenção (de fazer algo errado ou de deixar de fazer algo certo a que se estava obrigado), a vontade de obtenção de um fim ao se praticar uma conduta. A combinação desses critérios também pode ser determinante: podese errar pouco durante muito tempo, assim como errar muito num curto espaço de tempo; agora errar muito durante muito tempo é algo que desafia o bom senso do homem comum (e porque não dizer até do homem um pouco fora do desvio padrão). Faço todas essas considerações para evidenciar meu entendimento no sentido de que a chamada conduta reiterada pode perfeitamente justificar a aplicação da multa qualificada. Aliás, relativamente à conduta reiterada em omitir informações do Fisco, que se caracteriza como elemento para convencimento dos julgadores quanto ao dolo que conduz à qualificação da multa de ofício, não é de hoje que a jurisprudência desta Turma da Câmara Superior (bem como de outros colegiados do CARF) vem admitindoa, conforme se depreende dos precedentes abaixo: MULTA AGRAVADA CONDUTA REITERADA Nos termos da jurisprudência majoritária da CSRF, e das Câmaras da Primeira Seção do CARF, a prática reiterada de infrações à legislação tributária denota a intenção dolosa do contribuinte defraudar a aplicação da legislação tributária e lesar o Fisco. (Acórdão nº 9101 1 Homem que carrega “a alma de Dom Quixote” e “o corpo barrigudo e atarracado” de Sancho Pança, personagens imortalizados pelo castelhano Miguel de Cervantes num dos maiores clássicos da literatura universal: “Dom Quixote”. Fl. 934DF CARF MF Processo nº 16707.003360/200569 Acórdão n.º 9101004.065 CSRFT1 Fl. 11 10 00.140, sessão de 12/05/2009, da relatoria do Conselheiro Antônio Carlos Guidoni Filho). MULTA QUALIFICADA DE 150% A aplicação da multa qualificada pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude, nos termos do artigo 44, inciso II, da Lei 9430/96. O fato de o contribuinte ter apresentado Declaração de Rendimentos de forma reiterada e com valores significativamente menores do que o apurado, legitima a aplicação da multa qualificada. (Acórdão nº 910100.172, sessão de 15/06/2009, que teve por relatora a Conselheira Karem Jureidini Dias). MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA É aplicável a multa de oficio qualificada de 150% naqueles casos em que restar constatado o evidente intuito de fraude. A conduta ilícita reiterada ao longo do tempo, descaracteriza o caráter fortuito do procedimento, evidenciando o intuito doloso tendente à fraude. (Acórdão nº 9101 00.320, sessão de 25/08/2009, relator o Conselheiro Antônio Praga). MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível quando o Contribuinte presta declaração, em três anos consecutivos, com os valores zerados, não apresenta DCTF nem realiza qualquer pagamento. Este conjunto de fatos demonstra a materialidade da conduta, configurado o dolo especifico do agente evidenciando não somente a intenção mas também o seu objetivo. (Acórdão nº 910100.417, sessão de 03/11/2009, relatora a Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Moteiro). Contudo, em relação ao caso concreto, penso que o item remanescente do lançamento (infração "3") não traz evidências suficientes, para além de qualquer dúvida razoável, do dolo da contribuinte. O próprio voto vencido constante do acórdão recorrido (que defendeu a qualificadora) reconhece que parcela significativa dos créditos tributários constituídos foram por ele exonerados (em razão da não comprovação das infrações "1" e "2"). As infrações "1" e "2" realmente continham os valores mais significativos da autuação fiscal (efls. 20/26 do vol. 1), e referendavam a aplicação da multa qualificada. A tabela abaixo, que também consta à efl. 186 do vol. 2, evidencia os valores relativos à terceira infração: Mês Receita de Vendas Receita de Vendas Escriturada Declarada não Declarada Janeiro 77.376,52 64.713,90 12.662,62 Fevereiro 80.257,37 65.986,14 14.271,23 Março 88.715,56 65.781,45 22.934,11 Abril 86.626,29 77.121,93 9.504,36 Maio 104.977,86 106.840,15 0,00 Junho 155.782,86 125.628,92 30.153,94 Julho 140.714,75 125.217,59 15.497,16 Agosto 115.050,56 122.043,01 0,00 Setembro 142.298,43 107.753,77 34.544,66 Outubro 157.806,04 103.184,74 54.621,30 Novembro 171.693,09 79.278,00 92.415,09 Dezembro 318.071,11 109.842,70 208.228,41 Total 1.639.370,44 1.153.392,30 494.832,88 Fl. 935DF CARF MF Processo nº 16707.003360/200569 Acórdão n.º 9101004.065 CSRFT1 Fl. 12 11 Já que não subsistiram os itens de omissão de compras e de saldo credor de caixa (infrações "1" e "2", respectivamente), a primeira coluna passa a trazer a receita total que teria sido auferida pela contribuinte no decorrer no anocalendário. E a última coluna traz os valores que correspondem à diferença entre a receita escriturada nos livros do ICMS e a receita declarada em DIPJ (infração "3" efl. 24 do vol 1). Vêse que em dois dos doze meses autuados (maio e agosto), a receita declarada foi até maior que a receita escriturada. Vêse também que as diferenças mais significativas ocorreram de fato nos dois últimos meses do ano fiscalizado. Não há como dizer que houve omissões relevantes e de forma recorrente. Em dois meses nem chegou a ocorrer a infração, tendo havido inclusive excesso de receita declarada, e em alguns outros meses o valor da infração (receita não declarada) gira em torno de 10% ou de 15% da receita auferida (receita escriturada). Assim, pelas circunstâncias que remanesceram neste processo, não vejo como alterar o acórdão recorrido, para fins de restabelecer a multa qualificada e afastar a decadência. Desse modo, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da PGFN. Em síntese, voto em CONHECER do Recurso Especial e, no mérito, em NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 936DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10740.720030/2017-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Data do fato gerador: 01/07/2014
SIMPLES NACIONAL. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DE EXCLUSÃO. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO.
É cabível a exclusão do regime simplificado quando ficar evidenciada a prática reiterada de infração ao disposto na Lei Complementar 123/2006, que consistiu em compensação de débitos com créditos inexistentes e apresentação de declaração com informações inverídicas para impedir ou retardar o conhecimento pela autoridade fiscal do fato gerador.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 01/07/2014
DELEGACIAS DE JULGAMENTO. COMPETÊNCIA TERRITORIAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento têm jurisdição nacional, independente da jurisdição do domicilio fiscal do contribuinte, o que afasta a nulidade da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 1302-003.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Lúcia Miceli - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregorio, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: MARIA LUCIA MICELI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Simples Nacional Data do fato gerador: 01/07/2014 SIMPLES NACIONAL. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DE EXCLUSÃO. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. É cabível a exclusão do regime simplificado quando ficar evidenciada a prática reiterada de infração ao disposto na Lei Complementar 123/2006, que consistiu em compensação de débitos com créditos inexistentes e apresentação de declaração com informações inverídicas para impedir ou retardar o conhecimento pela autoridade fiscal do fato gerador. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 01/07/2014 DELEGACIAS DE JULGAMENTO. COMPETÊNCIA TERRITORIAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento têm jurisdição nacional, independente da jurisdição do domicilio fiscal do contribuinte, o que afasta a nulidade da decisão de primeira instância.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10740.720030/2017-82
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5986080
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1302-003.431
nome_arquivo_s : Decisao_10740720030201782.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARIA LUCIA MICELI
nome_arquivo_pdf_s : 10740720030201782_5986080.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lúcia Miceli - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregorio, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
id : 7689159
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051662006878208
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-04-05T13:40:23Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-04-05T13:40:23Z; Last-Modified: 2019-04-05T13:40:23Z; dcterms:modified: 2019-04-05T13:40:23Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-04-05T13:40:23Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-04-05T13:40:23Z; meta:save-date: 2019-04-05T13:40:23Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-04-05T13:40:23Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-04-05T13:40:23Z; created: 2019-04-05T13:40:23Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2019-04-05T13:40:23Z; pdf:charsPerPage: 1673; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-04-05T13:40:23Z | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 584 1 583 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10740.720030/201782 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302003.431 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de março de 2019 Matéria EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL Recorrente CONSTRUSUL CONSTRUTORA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 01/07/2014 SIMPLES NACIONAL. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DE EXCLUSÃO. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. É cabível a exclusão do regime simplificado quando ficar evidenciada a prática reiterada de infração ao disposto na Lei Complementar 123/2006, que consistiu em compensação de débitos com créditos inexistentes e apresentação de declaração com informações inverídicas para impedir ou retardar o conhecimento pela autoridade fiscal do fato gerador. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/07/2014 DELEGACIAS DE JULGAMENTO. COMPETÊNCIA TERRITORIAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento têm jurisdição nacional, independente da jurisdição do domicilio fiscal do contribuinte, o que afasta a nulidade da decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 0. 72 00 30 /2 01 7- 82 Fl. 584DF CARF MF 2 Maria Lúcia Miceli Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregorio, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Trata o processo de exclusão do Simples Nacional, com efeitos a partir de primeiro de julho de 2014, e por um período de 10 (dez) anos, conforme Ato Declaratório de Exclusão DRF/VIT nº 42, de 01/06/2017, de fls. 39. A exclusão do Simples Nacional tem como motivo a prática reiterada de infração ao disposto na Lei Complementar nº 123/2006, com utilização de artifício, por força do artigo 29, inciso V c/c §2º do mesmo diploma legal. Em procedimento de fiscalização, foi constatada a compensação de débitos com suposto crédito oriundo de títulos da dívida pública junto à Secretaria do Tesouro Nacional (STN), com amparo na Lei nº 10.179/2001. Este procedimento foi considerado fraudulento, além de não encontrar amparado na LC nº 123/2006, conforme exposto a seguir. Como a compensação dos débitos foi indevida, e o contribuinte informou, no PGDAS, que as receitas seriam imunes, foi lavrado auto de infração para constituição dos créditos tributários relativos aos meses de maio e junho de 2014, com multa de ofício qualificada, formalizado no processo administrativo nº 10783.720209/201733. O início da ação fiscal se deu em 18/03/2016, quando o contribuinte teve ciência do Termo de Início de Fiscalização. No TVF constam os seguintes fatos: => a autuada, optante pelo Simples Nacional, apresentou PGDAS retificadoras, relativas ao período de 05 a 11/2014, indicando imunidade tributária das receitas auferidas como motivação para o não recolhimento dos valores devidos. => no anocalendário de 2015, apresentou DCTF com apuração pelo Lucro Presumido, não declarando/recolhendo IRPJ e CSLL. => em 23/04/2015, a RFB enviou ao contribuinte, por meio da Caixa Postal de seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), mensagem sob o título de Indício de Fraude: Quitação de Tributos com créditos fictos provenientes de operações no SIAFI, pela qual informou que: 1) A STN encaminhou à RFB informação acerca de seu requerimento de quitação de tributos federais com a utilização de créditos decorrentes de títulos públicos; 2) Que os aludidos títulos não se prestam à quitação de tributos e que essa tentativa constitui fraude; 3) Informa ainda que a empresa negociadora dos referidos títulos orienta não declarar os débitos no PGDASND, por conseguinte, orienta o contribuinte a não seguir tais orientações emanadas pela empresa negociadora, o que poderá sujeitar o contribuinte às penalidades da lei tributária e penal. Fl. 585DF CARF MF Processo nº 10740.720030/201782 Acórdão n.º 1302003.431 S1C3T2 Fl. 585 3 => informa que a referida mensagem eletrônica foi lida pelo contribuinte em 27/04/2015. =>intimada por meio de Carta Circular de 23/11/2015, a autuada esclareceu que compensou a quitação destes tributos se deu por créditos financeiros relativos a Título da Dívida Pública Externa, adquiridos da APPEX CONSULTORIA TRIBUTÁRIA LTDA, em procedimento administrativo junto à Secretaria do Tesouro Nacional. Anexou cópia de documentos de lavra da APPEX, por meio dos quais autoriza a STN a resgatar os aludidos créditos financeiros e a quitação dos débitos tributários da autuada. Anexou, ainda, Termo de Solicitação de Juntada dos referidos documentos ao PAF nº 13811.726457/201297. => A Secretaria do Tesouro Nacional (STN), por meio de Ofício nº 150/2016/CODIV/SUDIP/STN/MFDF, de 28/06/2016, informou que a APPEX e a ALPHA ONE se diziam detentoras de títulos públicos emitidos no início do século passado, em libras esterlinas, apresentando laudos periciais não reconhecidos pelo órgão, e cujos pleitos têm sido indeferidos por falta de amparo legal. => na resposta da STN consta ainda que: Uma avaliação conjunta da STN e da Receita Federal do Brasil concluiu que a APPEX e a ALPHA ONE, através de seus requerimentos, vem tentando praticar fraude tributária, ao vende ilusão a inúmeras empresas, fazendoas crer ser possível o pagamento de tributos federais mediante a utilização dos referidos títulos. Tanto a STN quanto as Delegacias Regionais da RFB tem sido procuradas pelas inúmeras empresas que acreditam nas facilidades oferecidas pela APPEX e pagaram pelo serviço oportunidade em que são informadas da impossibilidade de quitação dos tributos com uso do título detido pela APPEX e ALPHA ONE. A Receita Federal do Brasil está avaliando a forma de mover ação contra as referidas empresas, por tentativa de fraude tributária. => a inserção de informações falsas no PGDASD, indicando imunidade e impedindo o conhecimento pela autoridade fiscal da ocorrência do fato gerador, constituise em artifício fraudulento com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo e que a alegação de ausência de campo próprio para indicar determinada operação de quitação de tributos não pode referendar a inclusão de informação falsa no PGDASD, documento hábil e idôneo para a apuração e constituição do crédito tributário, conforme estabelecido no inciso I, do § 9º, do art. 2º, da Lei Complementar nº 123, de 2006, com alterações posteriores. = > além disso, a Lei Complementar nº 123/2006, em seu artigo 21, § 9º, estabelece de forma definitiva que é vedado o aproveitamento de créditos não apurados pelo Simples Nacional, inclusive de natureza não tributária, para extinção de débitos do Simples Nacional. => o artigo 29, inciso V da LC nº 123/2006 estabelece que a exclusão de ofício do Simples Nacional se dará quando constatada a reiterada prática de infração ao disposto nesta lei complementar. => já o § 9º do citado artigo 29 esclarece o conceito de prática reiterada, como a ocorrência, em 2 (dois) ou mais períodos de apuração, consecutivos ou alternados, de idênticas infrações, formalizadas por intermédio de auto de infração ou notificação de lançamento; ou ainda a segunda ocorrência de idênticas infrações, caso seja constatada a Fl. 586DF CARF MF 4 utilização de artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo. => com relação aos efeito da exclusão, o § 1º e 2º do mesmo artigo determina que serão produzidos a partir do mês em que incorridos, impedindo o contribuinte de opção pelo prazo de 3 (três) anoscalendário seguintes, elevado para 10 (dez) no caso de constatação de artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento. => não restam dúvidas que a autuada transgrediu a LC nº 123/2006 quando (1) deixou de efetuar o recolhimento mensal dos tributos devidos pelo Simples Nacional;(2) utilização de artifício para impedir o conhecimento da autoridade administrativa do fato gerador, ao retificar a PGDASD e informar receitas acobertadas pela imunidade e (3) infringir o artigo 21 § 9º, pela impossibilidade de extinção de débitos do Simples Nacional com créditos apurados fora desta sistemática. => deste modo, para fins de cumprimento ao disposto nos §§1º e 2º do art. 29, que tratam da produção de efeitos da exclusão e do prazo de impedimento para a nova opção pelo SIMPLES NACIONAL pela pessoa jurídica excluída, serão objeto de lançamento de ofício, em encerramento parcial desse procedimento fiscal, os fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração de 05 e 06/2014, necessários e suficientes para caracterizar a prática reiterada de infração à Lei Complementar nº 123, de 2006. => a reiteração se deu no período de apuração de 06/2014, dando início aos efeitos da exclusão do mês 07/2014. => foi proposta a EXCLUSÃO DE OFÍCIO do contribuinte CONSTRUSUL CONSTRUTORA LTDA EPP, CNPJ nº 31.281.652/000175, do SIMPLES NACIONAL, pelo período de 10 anos, a contar do período de apuração 07/2014, inclusive, na forma do §2º c/c o inciso V, ambos do art. 29, da LC nº 123, de 14 de dezembro de 2016. Em sessão do dia 23 de fevereiro de 2018, a 2ª Turma da DRJ/BSB julgou improcedente a manifestação de inconformidade, lavrando o Acórdão nº 0378.892, com a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2014 SIMPLES NACIONAL. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DE EXCLUSÃO. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. É cabível a exclusão do regime simplificado quando ficar evidenciada a prática reiterada de infração ao disposto na Lei Complementar 123/2006, que instituiu o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte. No presente caso, ficou demonstrada a prática reiterada de infração, pela segunda ocorrência de idêntica infração, caracterizada pela utilização de artifício que induziu a fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo. Fl. 587DF CARF MF Processo nº 10740.720030/201782 Acórdão n.º 1302003.431 S1C3T2 Fl. 586 5 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INDEPENDÊNCIA. Independe da constituição definitiva do crédito tributário constituído pelo lançamento para que se proceda de ofício a exclusão da empresa do SIMPLES Nacional. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 23/04/2018, conforme AR de fls. 565. Em 22/05/2018, o recurso voluntário foi apresentado com as seguintes alegações: Da incompetência territorial e material da DRJ de Brasília para o julgamento é arbitrário o julgamento em jurisdição diversa a que pertence o domicílio fiscal da recorrente, sendo o correto o julgamento pela DRJ/Rio de Janeiro, motivo pelo qual requer a nulidade do julgamento da DRJ/Brasília. Do mérito somente após a decisão definitiva do ato de Exclusão do Simples Nacional, que terá a sua eficácia vigente. se foi impugnado o Ato de Exclusão do Simples Nacional, o mesmo ainda situase no “campo hipotético”, até decisão final, sem possibilidades de reversão. é devido o sobrestamento ou até mesmo o reconhecimento da nulidade do Ato de Exclusão do Simples que fora “precipitado”, pois ainda existem decisões administrativas a percorrer quanto a matéria (Auto de Infração) que ensejou/originou este Ato de Exclusão que ora se recorre. requer que seja acatada a preliminar de incompetência da DRJ/Brasilia, e, caso ultrapassada, que a decisão a quo seja reformada para decretar a nulidade do ADE, até a decisão definitiva do Auto de Infração que legitimou a confecção do ADE. É o relatório. Voto Conselheira Maria Lúcia Miceli Relatora O recurso voluntário é tempestivo, e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele eu conheço. Em preliminar, requer a nulidade da decisão recorrida, alegando que a DRJ/Brasília não tem competência para julgar a impugnação, e que o correto seria a DBJ/Rio Fl. 588DF CARF MF 6 de Janeiro, conforme disciplina a Portaria RFB nº 1.006, de 24 de julho de 2013, que foi alterada pela Portaria RFB nº 403, de 12 de março de 2015. A alegação de incompetência da DRJ/Brasília não merece prosperar, pois o artigo 277 da Portaria RFB nº 430, de 09 de outubro de 2017, que aprova o Regimento Interno da Receita Federal do Brasil, estabelece que todas as Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento têm jurisdição nacional, ou seja, independe da jurisdição do domicilio fiscal do contribuinte. A título de esclarecimento, as portarias citadas na defesa já estavam revogadas à época da apresentação do recurso voluntário, e tratam somente da competência por matéria das DRJ. Pelo exposto, afasto a preliminar de nulidade da decisão ora atacada. A recorrente alega nulidade do Ato Declaratório, pois existe decisão pendente no processo administrativo do auto de infração que legitimou a exclusão. Não assiste razão à recorrente, pois, uma vez constatado um dos motivos para exclusão da sistemática do Simples Nacional, é poderdever do agente fiscal providenciar o seu ato declaratório. E, ainda que tenha sido apresentada a impugnação, esta somente tem o efeito de suspender a exigibilidade do crédito tributário, mas não tornar o lançamento improcedente de imediato. Consoante com este entendimento, a Portaria RFB nº 1.668, de 29 de novembro de 2016, que trata sobre a formalização de processos administrativos, determina que serão juntados por apensação os autos de exclusão do Simples Nacional e o do lançamento que constatou os motivos para o ADE, conforme artigo 3ª transcrito a seguir: Art. 3º Serão juntados por apensação os autos: (...) II – de exclusão Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), de exigência de crédito tributário relativo às infrações apuradas no Simples Nacional que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo da forma de pagamento simplificada; e de possíveis lançamentos de ofício de crédito tributário decorrente dessa exclusão do sujeito passivo em anoscalendário subsequentes que sejam constituídos contemporaneamente e pela mesma unidade administrativa; (...) Portanto, afasto a preliminar de nulidade do ADE nº 42/2017. Entretanto, importante consignar neste voto, por ter relação de causa e efeito, que este colegiado negou provimento ao recurso voluntário apresentado nos autos do processo administrativo do auto de infração, nº 10783.720209/201733, da relatoria desta conselheira, nesta mesma sessão de julgamento, com a lavra do Acórdão nº XXXXX. Quanto ao mérito, a recorrente alega que somente após a decisão definitiva do Ato Declaratório de Exclusão que a sua eficácia será vigente. Fl. 589DF CARF MF Processo nº 10740.720030/201782 Acórdão n.º 1302003.431 S1C3T2 Fl. 587 7 De fato, nos termos do artigo 75, § 3º da Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011, se impugnada, a exclusão se tornará efetiva quando a decisão for desfavorável ao contribuinte. Atualmente está vigente a Resolução CGSN nº 140, de 22 de maio de 2018, cujo artigo 83, § 3º, possui a mesma redação. Portanto, enquanto não definitiva a decisão administrativa, por certo que a exclusão ainda não produz seus efeitos. No mais, considerando que o lançamento para constituição dos créditos tributários referente aos meses de maio e junho de 2014, no processo administrativo nº 10783.720209/201733, foi mantido, e com multa de ofício qualificada, restou demonstrado a ocorrência dos motivos que ensejaram a exclusão do recorrente do Simples Nacional, ou seja, a reitarada prática de infração ao disposto na LC nº 123/2006 pelos seguintes motivos: (1) deixou de efetuar o recolhimento mensal dos tributos devidos pelo Simples Nacional; (2) utilização de artifício para impedir o conhecimento da autoridade administrativa do fato gerador, ao retificar a PGDASD e informar receitas acobertadas pela imunidade; e (3) inobservância do artigo 21 § 9º, da LC nº 123/2006, pela impossibilidade de extinção de débitos do Simples Nacional com créditos apurados fora desta sistemática. Logo, correta a exclusão de ofício do Simples Nacional, pelo período de 10 anos, a contar do período de 01/07/2014, inclusive, na forma do §2º c/c o inciso V, ambos do art. 29, da LC nº 123, de 14 de dezembro de 2016. CONCLUSÃO Por todo exposto, voto por afastar as preliminares de nulidade, e negar provimento ao recurso voluntário. Maria Lúcia Miceli Relatora Fl. 590DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12585.720022/2012-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. RETIFICAÇÃO. DISPOSITIVO DO ACÓRDÃO.
A contradição existente entre a fundamentação do Voto condutor e o dispositivo final do acórdão embargado é passível de saneamento por meio dos Embargos de Declaração.
No caso, para que o resultado do julgamento do Acórdão embargado fique em conformidade com o que foi decidido originalmente pelo Colegiado, deve ser retificado o seu dispositivo final para excluir do seu texto o item relativo à reversão de glosa que não havia sido efetivamente revertida pelo Colegiado.
Na oportunidade, nos termos do art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, e em referência aos princípios da eficiência, da verdade material e da concentração dos atos processuais, é pertinente fazer o saneamento completo na rubrica relativa à conta embargada, que, conforme se demonstrou, padece do mesmo vício apontado pela embargante.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 3402-006.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para retificar o dispositivo final do Acórdão embargado para excluir do seu texto o item "(a.3)".
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. RETIFICAÇÃO. DISPOSITIVO DO ACÓRDÃO. A contradição existente entre a fundamentação do Voto condutor e o dispositivo final do acórdão embargado é passível de saneamento por meio dos Embargos de Declaração. No caso, para que o resultado do julgamento do Acórdão embargado fique em conformidade com o que foi decidido originalmente pelo Colegiado, deve ser retificado o seu dispositivo final para excluir do seu texto o item relativo à reversão de glosa que não havia sido efetivamente revertida pelo Colegiado. Na oportunidade, nos termos do art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, e em referência aos princípios da eficiência, da verdade material e da concentração dos atos processuais, é pertinente fazer o saneamento completo na rubrica relativa à conta embargada, que, conforme se demonstrou, padece do mesmo vício apontado pela embargante. Embargos Acolhidos
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 12585.720022/2012-97
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5974115
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-006.202
nome_arquivo_s : Decisao_12585720022201297.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
nome_arquivo_pdf_s : 12585720022201297_5974115.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para retificar o dispositivo final do Acórdão embargado para excluir do seu texto o item "(a.3)". (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
dt_sessao_tdt : Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
id : 7658810
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051662028898304
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1752; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 1.749 1 1.748 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12585.720022/201297 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3402006.202 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2019 Matéria CONTRADIÇÃO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado TAM LINHAS AÉREAS S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. RETIFICAÇÃO. DISPOSITIVO DO ACÓRDÃO. A contradição existente entre a fundamentação do Voto condutor e o dispositivo final do acórdão embargado é passível de saneamento por meio dos Embargos de Declaração. No caso, para que o resultado do julgamento do Acórdão embargado fique em conformidade com o que foi decidido originalmente pelo Colegiado, deve ser retificado o seu dispositivo final para excluir do seu texto o item relativo à reversão de glosa que não havia sido efetivamente revertida pelo Colegiado. Na oportunidade, nos termos do art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, e em referência aos princípios da eficiência, da verdade material e da concentração dos atos processuais, é pertinente fazer o saneamento completo na rubrica relativa à conta embargada, que, conforme se demonstrou, padece do mesmo vício apontado pela embargante. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para retificar o dispositivo final do Acórdão embargado para excluir do seu texto o item "(a.3)". (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 72 00 22 /2 01 2- 97 Fl. 1749DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional em face de contradição/obscuridade identificada entre o dispositivo do acórdão e a sua fundamentação nos Votos Vencido e Vencedor relativamente à reversão da glosa de créditos das contribuições relativos à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa". Os Embargos foram admitidos mediante despacho do Presidente do Colegiado, nos seguintes termos: Tratase de embargos de declaração manejados em desfavor do 3402005.324, de 20/06/2018, alegadamente maculado de contradição/obscuridade em relação à reversão da glosa de dispêndios contabilizados na conta “Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa", consignada na parte dispositiva do aresto, mas que não teria sido tratada no voto da relatora ou no voto da redatora designada. Os embargos são tempestivos: os autos foram encaminhados à Procuradoria da Fazenda Nacional em 30/07/2018 (doc. à efl. 1710 e devolvidos em 03/09/2018, conforme doc. à efl. 1718. Lembrar que de acordo com o disposto no art. 79 do Anexo II do Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016, os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados ao término do prazo de 30 (trinta) dias, contados da entrega dos autos à PFN. No caso dos autos, portanto, a ciência aperfeiçoouse 29/08/2018 e o agravo foi apresentado no prazo regimental de cinco dias. Importa consignar que o contribuinte obteve cópia dos autos por meio do “Portal ECAC” e igualmente apresentou seus embargos de declaração. Entretanto, considerando que, conforme será melhor esclarecido adiante, o aresto embargado será novamente submetido ao Colegiado, não é possível conhecer dos embargos do contribuinte antes da decisão que enfrentará os embargos da Fazenda Nacional, pois ainda não se sabe qual será a versão definitiva do aresto. Igualmente não cabe tomar conhecimento, no presente exame de admissibilidade, da petição apresentada pelo contribuinte por meio da qual apresenta contrarrazões aos embargos da Fazenda, embora não nomine sua petição nesses termos. Como é cediço, o direito processual pátrio adota a taxatividade quando disciplina as hipóteses de intervenção das partes e, na ausência de norma regimental que a preveja, a manifestação do contribuinte não pode ser enfrentada no presente despacho. (...) Tomando tais conceitos como referência, analisando as razões de embargo, juntamente com o acórdão embargado, forçoso é concluir que os embargos devem ser admitidos, pois, de fato, não é possível extrair dos votos da relatora (vencida exclusivamente no que se refere à glosa dos dispêndios com uniformes) ou da redatora designada quais seriam as razões para reversão da glosa dos créditos apurados a partir dos dispêndios contabilizados na conta intitulada “Gastos com Fl. 1750DF CARF MF Processo nº 12585.720022/201297 Acórdão n.º 3402006.202 S3C4T2 Fl. 1.750 3 combustíveis para equipamentos de rampa”, exposta na parte dispositiva nos seguintes termos: (...) Consta também nos autos a interposição de Embargos de Declaração pela contribuinte, os quais não foram objeto de despacho de admissibilidade. Os autos foram devolvidos a esta Conselheira Relatora para inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Os embargos de declaração interpostos pela contribuinte não foram submetidos a despacho de admissibilidade e, portanto, não podem ser incluídos nesta oportunidade em pauta de julgamento, nos termos do art. 65, §7º do Anexo II do Ricarf, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015. Os embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional são tempestivos e apontam, em verdade, o vício de "contradição entre a decisão e os seus fundamentos", razão pela qual devem ser conhecidos nos termos do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Alega a embargante que: (...) Ante a leitura da parte dispositiva, depreendese que o colegiado teria dado parcial provimento ao recurso voluntário para reverter as glosas de créditos de insumos relativos à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa". Entretanto, esta decisão não coincide com o disposto nos votos da relatora e da conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, designada para subscrever a tese vencedora, conforme se confere nos trechos a seguir transcritos, extraídos de ambos os votos: (...) Enquanto o dispositivo da decisão expressa a conclusão pelo provimento parcial para reverter as glosas de créditos de insumos relativos à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa", os votos vencido e vencedor não conferem o creditamento em relação à aludida rubrica. Verificase, portanto, descompasso entre a decisão e sua fundamentação. (...) Verificase que, de fato, ocorreu a contradição interna no acórdão embargado apontada pela embargante, como abaixo se demonstrará. No dispositivo do Acórdão, extraído da Ata de Julgamento, assim constou: Acordam os membros do Colegiado em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos para (a.1) (...) (a.3) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte Fl. 1751DF CARF MF 4 internacional de cargas, correspondentes às despesas relacionadas às aquisições de bens patrimoniais relativamente à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" e às parcelas relativas aos "serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial" ; (b) por maioria de votos para (...) (b.4) reverter a glosa para as despesas com os uniformes dos aeronautas na forma da Lei n.º 7.183/1994 relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros. (...) (c) pelo voto de qualidade, para manter as glosas das despesas de frete pagos após o desembaraço aduaneiro e os gastos com despachantes aduaneiros. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento ao Recurso neste ponto. A Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz irá apresentar declaração de voto neste ponto. [negritei e grifei] Como se observa acima, o dispositivo do Acórdão embargado foi redigido de forma a separar o resultado da votação do Colegiado em: a) unanimidade, b) maioria e c) voto de qualidade. Constatase também que: i) na parte do julgado em que houve votação por unanimidade, certamente que o resultado do julgamento deve equivaler à fundamentação dada pela Conselheira Relatora; ii) também no que concerne à votação por voto de qualidade, para a qual não consta a Relatora como vencida, não deve haver divergência entre o resultado final do julgamento e a fundamentação do Voto da Conselheira Relatora; e iii) relativamente à matéria julgada que saiu vencedora por maioria, a divergência da Conselheira Relatora em relação ao resultado final do julgamento deuse apenas em relação ao item (b.4) (despesas com os uniformes dos aeronautas relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros), matéria que foi fundamentada no "Voto Vencedor" da Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz; Em síntese, prevaleceu no resultado do julgamento do Acórdão embargado o provimento parcial do recurso voluntário em maior extensão do que aquele concedido no voto da Conselheira Relatora. Mais precisamente, o resultado final do julgamento equivale ao provimento parcial constante no "Voto Vencido" adicionado da reversão da glosa relativa ao item (b.4), cuja fundamentação constou no "Voto Vencedor". Dessa forma, a fundamentação da decisão final do julgamento deve ser encontrada em sua maior parte no "Voto Vencido", à exceção somente da glosa relativa ao item (b.4) do dispositivo do Acórdão, devidamente motivada no "Voto Vencedor". Com efeito, a parte controversa nos presentes Embargos de Declaração diz respeito somente à reversão da glosa sobre as despesas relacionadas às aquisições de bens patrimoniais relativamente à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" no montante relativo ao transporte internacional de cargas (item (a.3) no dispositivo acima), com indicação de votação unânime do Colegiado e, portanto, como dito, deveria encontrar fundamentação no Voto da Conselheira Relatora ("Voto Vencido"). No que concerne às "aquisições de bens patrimoniais", o "Voto Vencido" foi assim redigido: 4. Da glosa relacionada às aquisições de bens patrimoniais Sobre a matéria apurou a DRJ que, no caso do 3º trimestre de 2008, os bens glosados dizem respeito somente a quatro contas: “Despesa com Manutenção Predial”, “Gastos com Equipamentos Terrestres”, “Materiais de Manutenção em Fl. 1752DF CARF MF Processo nº 12585.720022/201297 Acórdão n.º 3402006.202 S3C4T2 Fl. 1.751 5 Equipamentos” e “Serviços de Manutenção em Equipamentos”, tendo assim decidido: Ocorre, todavia, que em 23 de junho de 2008, foi publicada a Lei n° 11.727 que alterou a redação do inciso IV do art. 28 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, determinando o seguinte: Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: ... IV – aeronaves classificadas na posição 88.02 da Tipi, suas partes, peças, ferramentais, componentes, insumos, fluidos hidráulicos, tintas, anticorrosivos, lubrificantes, equipamentos, serviços e matériasprimas a serem empregados na manutenção, conservação, modernização, reparo, revisão, conversão e industrialização das aeronaves, seus motores, partes, componentes, ferramentais e equipamentos; Por isso, os bens e serviços de manutenção relacionados nas contas supracitadas7 não geram o direito ao crédito da não cumulatividade, já que o inc. II do §2º do art. 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 impede o creditamento do valor “da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição”. Ressaltese que tal disposição entrou em vigor em 23/06/2008, conforme dispõe o caput do art. 41 da Lei n° 11.727/2008. Por tal razão, as glosas realizadas estão corretas. De outra parte, no recurso voluntário, a recorrente não acrescentou elemento modificativo ou extintivo à decisão da DRJ relativamente às “Despesas com Manutenção Predial” e manifestou concordância com relação às demais contas dessa rubrica, quais sejam, "Gastos com equipamentos terrestres", "Materiais de manutenção em equipamentos" e "Serviços de manutenção em equipamentos", razão pela qual a decisão recorrida há de ser mantida por seus próprios fundamentos. (...) Como se vê acima, especificamente no presente processo, dentro da rubrica "aquisições de bens patrimoniais" não houve sequer glosa da conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa", razão pela qual, obviamente, não poderia haver reversão de tal despesa no Acórdão embargado. Revendo os votos relativos aos 24 processos da mesma interessada julgados em sessão de junho de 2018, observase que o único processo em que foi tratada a glosa relativa à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" foi o de número 16692.720038/201314, no qual foi, inclusive, revertida essa glosa conforme Voto da Conselheira Relatora1. Assim, ao que parece, o equívoco na redação do dispositivo final do 1 Processo nº 16692.720038/201314 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.323 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2018 (...) VOTO VENCIDO (...) 3. Da glosa relacionada às aquisições de bens patrimoniais (...) Com relação "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" alega a recorrente que "é impossível a acessibilidade à aeronave sem a utilização de equipamentos de rampa, visto que este é o meio utilizado para o deslocamento da carga até o compartimento do avião e, consequentemente, esse equipamento depende de abastecimento (combustível) para seu funcionamento", o que se adequa ao conceito de insumo adotado neste voto. (...) Fl. 1753DF CARF MF 6 Acórdão ora embargado, deveuse à manutenção no texto de parte do resultado do outro processo julgado conjuntamente. O equívoco no resultado do julgamento não se restringe à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa", mas a toda rubrica relativa às "aquisições de bens patrimoniais", para a qual não houve, no presente processo, qualquer reversão de glosa, como se observa na redação do "Voto Vencido" do Acórdão embargado. Embora o equívoco em toda a rubrica "aquisições de bens patrimoniais" do resultado do Acórdão embargado não tenha sido apontado propriamente pela Embargante, que se restringiu ao vício em relação à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" dessa rubrica, entendo que o saneamento deve ser feito de forma completa, ou seja, também em relação também às contas não embargadas da rubrica. Tratase de inexatidão material, devida a lapso manifesto na proclamação do resultado do julgamento pelo Colegiado, reparável pelos embargos inominados, nos termos do art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. O saneamento em toda rubrica "aquisições de bens patrimoniais" é decorrente do correção do próprio erro apontado pela embargante. Ademais, o Colegiado não poderia manter formalmente a parte da decisão embargada que, de forma bem clara, não está de acordo com o que foi efetivamente decidido pelo Colegiado em junho de 2018. Assim, em referência aos princípios da eficiência, da verdade material e da concentração dos atos processuais, é pertinente fazer desde já o saneamento completo do feito. Portanto, para que o resultado do julgamento do Acórdão embargado fique em conformidade com o que foi decidido pelo Colegiado em junho de 2018, deve ser retificado o dispositivo final do Acórdão embargado para excluir do seu texto todo o item (a.3), que tratava da reversão da glosa relativa à rubrica "aquisições de bens patrimoniais", sem que o Colegiado tivesse decidido nesse sentido. Dessa forma, a retificação no dispositivo do Acórdão embargado, com a exclusão do item (a.3), será nos seguintes termos: De: "Acordam os membros do Colegiado em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos para (a.1) seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total; (a.2) manter as glosas de créditos de insumos correspondente aos gastos com equipamentos terrestres, ponto no qual os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes acompanharam a relatora pelas conclusões; (a.3) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte internacional de cargas, correspondentes às despesas relacionadas às aquisições de bens patrimoniais relativamente à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" e às parcelas relativas aos "serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial" ; (b) por maioria de votos para (b.1) reconhecer que as receitas originadas do transporte internacional de Assim, em resumo, revertese neste tópico a glosa relacionada às aquisições de bens patrimoniais relativamente: i) à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" no montante relativo ao transporte internacional de cargas e ao transporte internacional de cargas; e ii) às contas “Gastos com Equipamentos Terrestres”, “Materiais de Manutenção em Equipamentos” e “Serviços de Manutenção em Equipamentos” no montante pertinente ao transporte internacional de passageiros. (...) Fl. 1754DF CARF MF Processo nº 12585.720022/201297 Acórdão n.º 3402006.202 S3C4T2 Fl. 1.752 7 passageiros estão abrangidas pelo regime não cumulativo. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra; (b.2) (...)" Para: "Acordam os membros do Colegiado em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos para (a.1) seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total; (a.2) manter as glosas de créditos de insumos correspondente aos gastos com equipamentos terrestres, ponto no qual os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes acompanharam a relatora pelas conclusões; (b) por maioria de votos para (b.1) reconhecer que as receitas originadas do transporte internacional de passageiros estão abrangidas pelo regime não cumulativo. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra; (b.2) (...)" Assim, pelo exposto, voto no sentido de acolher os Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional, determinando a retificação do dispositivo final do Acórdão embargado para excluir do seu texto o item "(a.3)" na forma indicada acima. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 1755DF CARF MF 8 Fl. 1756DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.900109/2008-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
DCOMP. ERRO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DO CRÉDITO PELA AUTORIDADE DE ORIGEM.
Como a existência e quantificação do crédito correto (relativo a 2003, e não 2002), não foram objeto de análise, cabe a unidade de origem proceder tal verificação com a prolação de novo despacho decisório, retomando o rito processual desde seu início.
Numero da decisão: 1201-002.853
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Turma em conhecer e dar provimento parcial ao recurso voluntário, por maioria, para análise do crédito tributário do ano calendário 2002 e prolação de nova decisão pela DRF. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, que votou por negar provimento. Foi escolhido para redigir o voto vencedor o conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
(Assinado Digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 DCOMP. ERRO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DO CRÉDITO PELA AUTORIDADE DE ORIGEM. Como a existência e quantificação do crédito correto (relativo a 2003, e não 2002), não foram objeto de análise, cabe a unidade de origem proceder tal verificação com a prolação de novo despacho decisório, retomando o rito processual desde seu início.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10166.900109/2008-75
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5987255
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1201-002.853
nome_arquivo_s : Decisao_10166900109200875.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10166900109200875_5987255.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Turma em conhecer e dar provimento parcial ao recurso voluntário, por maioria, para análise do crédito tributário do ano calendário 2002 e prolação de nova decisão pela DRF. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, que votou por negar provimento. Foi escolhido para redigir o voto vencedor o conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. (Assinado Digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior
dt_sessao_tdt : Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
id : 7695479
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051662056161280
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1712; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 65 1 64 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.900109/200875 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.853 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de março de 2019 Matéria PERDCOMP Recorrente OCS INVESTIMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DCOMP. ERRO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DO CRÉDITO PELA AUTORIDADE DE ORIGEM. Como a existência e quantificação do crédito correto (relativo a 2003, e não 2002), não foram objeto de análise, cabe a unidade de origem proceder tal verificação com a prolação de novo despacho decisório, retomando o rito processual desde seu início. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Turma em conhecer e dar provimento parcial ao recurso voluntário, por maioria, para análise do crédito tributário do ano calendário 2002 e prolação de nova decisão pela DRF. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, que votou por negar provimento. Foi escolhido para redigir o voto vencedor o conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. (Assinado Digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 01 09 /2 00 8- 75 Fl. 65DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação n. 14809.20431.300304.1.3.027155 (efls. 21/25), na qual foi compensado suposto crédito (R$ 34.825,99) de saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/2002, com débito de IRRF PA 01/01/2004. O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório n° 749303902, de 07/03/2008 (efl. 20), que analisou as informações e constatou que na DIPJ/2003 a contribuinte apurou saldo negativo zero. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em que afirmou, basicamente, que no preenchimento do Per/Dcomp quando deveria informar saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2003 acabou informando equivocadamente saldo negativo do exercício de 2003 (anocalendário 2002); que não houve nenhuma notificação ou intimação, para que fosse regularizada a pendência e requereu que fosse retificado o erro ocorrido. A manifestação foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Ac 0344.006 4 ª Turma da DRJ/BSB, efls. 43/48), que dispôs em voto que o que a manifestante sustenta é que cometeu um equívoco ao preencher o PER/DCOMP, pois indicou um período que não correspondia ao do crédito que pleiteava, e que o recorrente requereu indevido direito de retificar a PERDCOMP via processo administrativo fiscal regulado pelo Decreto 70.235/72. Cientificada em 21/11/2011 (efl. 54), a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 16/11/2011 (efl. 55), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade. Voto Vencido Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. O contribuinte pretendeu, através de PERDCOMP, compensar débitos de sua responsabilidade com crédito proveniente de pagamento indicado como indevido referente a saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/2002. Concordo com o entendimento da decisão de primeira instância que na essência asseverou ser incabível compensar os débitos informados em declaração de compensação com valores referentes a créditos diversos daquele indicado no documento de compensação, os quais simplesmente não integraram originalmente seu conteúdo. No caso presente o que se pretendeu foi modificar, após a apreciação do direito à compensação (despacho decisório) a natureza do crédito. Tratase de outro pedido, e a retificação nesta condição é vedada pela legislação. Se há algum outro recolhimento indevido, cabe destacar que depois de proferida a decisão administrativa não se admite a retificação da declaração de compensação, conforme disposto no art. 77 da IN RFB n° 900, de 30/12/2008, in verbis: Art. 77. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10166.900109/200875 Acórdão n.º 1201002.853 S1C2T1 Fl. 66 3 pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 78 e 79 no que se refere à Declaração de Compensação. Constato que o recorrente repete os pleitos constantes na manifestação de inconformidade: que no preenchimento do Per/Dcomp quando deveria informar saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2003 acabou informando equivocadamente saldo negativo do exercício de 2003 (anocalendário 2002); que não houve nenhuma notificação ou intimação, para que fosse regularizada a pendência e requereu que fosse retificado o erro ocorrido. Por concordar integralmente com os argumentos da decisão de primeira instância que embasaram o indeferimento do pleito do recorrente, peço vênia para reproduzir estes argumentos: Quanto ao argumento de que não foi intimada para corrigir inconsistência do crédito utilizado no Per/Dcomp, antes da emissão do despacho decisório, não é motivo para se cancelar ou reformar o despacho decisório, formalizado pela a autoridade fiscal revisora com base nas informações prestadas pela própria contribuinte nas declarações (Per/Dcomp e DIPJ/2003) apresentadas a RFB. Nos termos do § 2º do art. 835 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n.º 3000, de 26/03/1999, a revisão será feita com elementos de que dispuser a repartição, esclarecimentos verbais ou escritos solicitados aos contribuintes ou por outros meios facultados neste Decreto (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 74, § 1º). No presente caso, não havia a necessidade de a autoridade fiscal revisora da declaração de compensação intimar a contribuinte para prestar esclarecimentos, pois as informações prestadas no Per/Dcomp e na DIPJ/2003, são suficientes para comprovar a inexistência do crédito utilizado na compensação realizada na Dcomp não homologada. Quanto à ilegalidade do ato e/ou da exigência do débito compensado indevidamente, não cabe aqui nos autos deste processo a discussão sobre a constituição do crédito tributário, com base nos artigos 142 do CTN e o artigo 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, por ser inapropriada para o deslinde da lide, haja vista o débito tributário compensado foi apurado pela contribuinte e confessado na declaração de compensação não homologada, que, nos termos do artigo 74, § 6º, da Lei nº 9.430, de 1996, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Na espécie, cabe examinar os argumentos de defesa relativos a existência do crédito referente ao saldo negativo de IRPJ utilizado na compensação realizada no Per/Dcomp transmitido em 30/03/2004, objeto do despacho decisório questionado. Segundo o qual a Dcomp transmitida em 30/03/2004, não foi homologada por inexistência do crédito, haja vista na DIPJ/2003 não possuir saldo negativo. A manifestante questiona a decisão alegando entre outros argumentos que o crédito existe. O que ocorreu foi erro material Fl. 67DF CARF MF 4 no preenchimento do Per/Dcomp e pede seja retificado. Todavia, não cabe este Órgão Julgador se manifestar a respeito, por falta de previsão legal. A competência para apreciar pedido de retificação/declaração retificadora apresentada tempestivamente, antes de qualquer procedimento de ofício, é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo, cujos procedimentos estão previstos nos artigos 76 a 79 da IN RFB nº 900, de 2008, verbis: (...) Neste momento processual, para comprovar o erro alegado, bem como a existência do crédito utilizado na compensação, a contribuinte deveria ter juntado aos autos sua escrituração contábil e fiscal acompanhado da documentação hábil, conforme determina o artigo 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1.972, c/c o artigo 9°, § 1º, do DL n° 1.598 de 1977, que respectivamente dispõem o seguinte: (...) Em se tratando de IRRF, consoante o artigo 55, § 2º, da Lei n° 7.450, de 1985, matriz legal do artigo 943, do RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99, abaixo transcrito, a contribuinte somente poderá deduzir o IRRF na sua declaração se possuir os comprovantes de retenção emitidos em seu nome pelas fontes pagadoras: (...) Vale registrar, por fim, ainda que se admita o erro alegado, a simples cópia de Ficha da DIPJ/2004 anexada aos autos, na qual a contribuinte deduziu IRRF sobre capital próprio, ao meu ver, não é prova suficiente para se considerar liquido e certo o crédito compensado no Per/Dcomp não homologado. Outro ponto que se deve levar em consideração é que na data (30/03/2004) de transmissão do referido Per/Dcomp, a contribuinte sequer havia entregue a DIPJ/2004, que só ocorreu em 28/06/2004. Desse modo, como a manifestante não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais acompanhados do comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, para infirmar a motivação que levou a autoridade fiscal competente à não reconhecer o crédito pleiteado e, em conseqüência, não homologar a declaração de compensação, não há reparo a ser feito no despacho decisório. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Voto Vencedor Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, redator designado. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10166.900109/200875 Acórdão n.º 1201002.853 S1C2T1 Fl. 67 5 Em que pesem as razões de decidir do ilustre relator, peço vênia para dele divergir quanto ao não provimento do recurso voluntário. No presente contencioso administrativo, o contribuinte, após ter recebido o despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada, alega que errou no preenchimento da DCOMP, mais precisamente na indicação do anocalendário do Saldo Negativo (AC 2003, e não 2002). Tratase de evidente erro, e não pedido de alteração da matéria objeto da DCOMP. Ou seja, o que se busca nesse contencioso, portanto, é o saneamento de equívoco de preenchimento, o que está longe de caracterizar mudança do pleito propriamente dito. Nesse contexto, entendo que há sinais suficientes para considerar que a vontade do declarante já quando da transmissão da DCOMP sempre foi de utilizar o saldo negativo do AC 2003, muito embora tenha, por algum lapso, informado o AC 2002. E, como se sabe, um mero erro de fato jamais pode prevalecer sobre a necessidade de busca pela verdade material, princípio este que norteia o contencioso administrativo. É justamente por isso que, nos autos desse processo administrativo, deve se considerar o crédito do ano calendário 2003, e não exercício 2003 como foi feito. Dessa forma, dou provimento parcial ao recurso voluntário, para análise do crédito tributário do ano calendário 2002 e prolação de nova decisão pela DRF. É como voto (Assinado Digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17883.000271/2005-92
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000
MULTA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO IRPF EM RAZÃO DA CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA DE RENDIMENTOS ISENTOS. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO CAUSADO POR INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73.
"O erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício."
Numero da decisão: 9202-007.540
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2000 MULTA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO IRPF EM RAZÃO DA CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA DE RENDIMENTOS ISENTOS. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO CAUSADO POR INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73. "O erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício."
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 17883.000271/2005-92
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5968570
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 08 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9202-007.540
nome_arquivo_s : Decisao_17883000271200592.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
nome_arquivo_pdf_s : 17883000271200592_5968570.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
id : 7638178
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051662059307008
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1421; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 17883.000271/200592 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.540 – 2ª Turma Sessão de 31 de janeiro de 2019 Matéria IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado OSMAR BARROS PENNA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000 MULTA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO IRPF EM RAZÃO DA CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA DE RENDIMENTOS ISENTOS. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO CAUSADO POR INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73. "O erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício." Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 02 71 /2 00 5- 92 Fl. 141DF CARF MF 2 Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva. Relatório Contra o Contribuinte foi lavrado Auto de Infração para cobrança complementar de Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2001, acrescidos de multa de ofício e juros de mora. Nos termos do apontado pela fiscalização, a autuação decorre da omissão de rendimentos de trabalho com vínculo empregatício, recebidos do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, considerado pelo Contribuinte em declaração retificadora como 'rendimentos isento e nãotributáveis'. A declaração retificadora teve como base informações prestadas pela própria fonte pagadora e fundadas na Resolução STF nº 245/2002. Após o trâmite processual, a então 4ª Turma Especial deu provimento parcial ao recurso voluntário apenas para excluir da exigência a multa de ofício, afinal o contribuinte foi induzido a erro pela fonte pagadora. O Acórdão 380400.051 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF EXERCÍCIO: 2001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL AUSÊNCIA DE RETENÇÃO RESPONSABILIDADE DO BENEFICIÁRIO. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula n° 12, do Primeiro Conselho de Contribuintes). REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. MULTA DE OFÍCIO JUROS DE MORA PEDIDO DE DISPENSA DO PAGAMENTO DE PENALIDADES Somente a lei pode estabelecer as hipóteses de dispensa ou redução de penalidades. MULTA DE OFÍCIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de ofício o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido. Contra decisão a Fazenda Nacional apresenta Recurso Especial ao qual foi dado seguimento. Citando como paradigma o acórdão 10245044 defende a recorrente que somente se poderia cogitar da inaplicabilidade da multa de ofício se o contribuinte tivesse recolhido o imposto devido. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 17883.000271/200592 Acórdão n.º 9202007.540 CSRFT2 Fl. 3 3 Intimado o Contribuinte apresenta contrarrazões pugnando pelo não provimento do recurso. Concomitantemente, apresentou recurso especial ao qual foi negado seguimento por ausência de cumprimento dos pressupostos de admissibilidade. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O recurso preenche os pressupostos para conhecimento, razão pela qual, ratifico o despacho de admissibilidade. A matéria abordada pela Recorrente está relacionada a exigência da multa de ofício sobre os valores lançados. Segundo entendimento do acórdão recorrido as declarações prestadas pela fonte pagadora no sentido de serem as verbas isentas do imposto induziram o Contribuinte ao erro. Neste cenário, e considerando que os valores foram informados na respectiva 'Declaração de Ajuste Anual', a turma a quo entendeu pelo cancelamento da multa. Em que pese o argumento apresentado pela Recorrente, após debates sobre o tema foi editada a Súmula CARF nº 73 que assim dispõe: Súmula CARF nº 73 Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Para melhor entendimento vale transcrever parte do voto proferido pela Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, redatora do voto vencedor no acórdão 280100.239, um dos eleitos como paradigma para aprovação da referida súmula e o qual apreciou lançamento em todo semelhante ao ora analisado: A recorrente, no entanto, não faz parte dos quadros da Magistratura Federal nem do Ministério Público da União. Portanto, em que pesem os argumentos da interessada e do nobre relator, filiome ao entendimento expresso na decisão recorrida (fis, 48): "Em momento algum, houve pronunciamento do STF ou do Ministro da Fazenda acerca das naturezas jurídica e tributária dos rendimentos recebidos com fulcro na Lei Estadual n°4.631, de .2005. Atribuir aos rendimentos em análise a mesma natureza do abono variável da Lei n" 10.477, de 2002, seria alargar as fronteiras da não incidência tributária sem previsão de Lei Federal para tanto. Não se pode olvidar que é defeso ao aplicados do Direito valer se da analogia para excluir rendimentos do campo de incidência Fl. 143DF CARF MF 4 tributária. As exceções fiscais devem verter expressamente do texto legal, em respeito ao princípio contido no art. 111, do CTN (...) Assim, descabe na hipótese em tela atribuir aos rendimentos recebidos pela Interessada a mesma natureza do abono variável pago aos membros do Poder Judiciário Federal, não havendo nisso nenhuma ofensa ao Princípio Constitucional da Isonomia (art. 150, II, da Constituição Federal), haja vista inexistir lei federal conferindo identidade de tratamento tributário entre essas importâncias." Afinal, o imposto em questão incide sempre que houver aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza. Sobre a matéria, assim dispõem os artigos 2°, .3° e 12 da Lei n° 7,713, de 1988: Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art, 3º (..) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensóes percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma ou título. (grifos acrescidos). Portanto, de acordo com a legislação vigente, que fundamenta a autuação, as verbas recebidas pela recorrente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro sujeitamse à tributação mensal — no mês em que forem percebidos — e na declaração de ajuste anual do exercício correspondente. A contribuinte pede a exclusão da multa de oficio sob o argumento de que confeccionou sua declaração de acordo com as informações recebidas da fonte pagadora. De fato, da análise dos autos, inferese que a contribuinte foi induzida a erro pela fonte pagadora, a qual fez constar no informe de rendimentos, como isentos ou não tributáveis, os valores aqui discutidos, o que a levou a declarálos como tal. Assim, como pleiteado, deve ser exigido da contribuinte tão somente o imposto e os encargos de mora, dispensandoa do recolhimento da multa de oficio, tendo em vista que o rendimento foi informado em sua declaração, ainda que de forma equivocada. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 17883.000271/200592 Acórdão n.º 9202007.540 CSRFT2 Fl. 4 5 Deste modo, com base na Súmula CARF nº 73, deve ser afastada a multa de ofício decorrente de erro no preenchimento da respectiva declaração sobre as verbas apuradas, uma vez que essas foram declaradas exatamente da forma como imputado pela respectiva fonte pagadora, o Tribunal de Justiça do Estado: 'rendimentos isentos e não tributados por força da Resolução 245 STF". Diante do exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15578.000809/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE CABIMENTO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
No caso julgado, há omissão a reclamar a correção do acórdão embargado.
Numero da decisão: 3201-004.911
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, conferindo à Embargante o direito ao crédito integral sobre as aquisições de café de cooperativas já submetido ao processo de produção descrito nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e aplicar, relativamente ao crédito presumido, o disposto no art. 23 da Lei 12.995, de 2014.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE CABIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. No caso julgado, há omissão a reclamar a correção do acórdão embargado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 15578.000809/2009-11
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5979870
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-004.911
nome_arquivo_s : Decisao_15578000809200911.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 15578000809200911_5979870.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, conferindo à Embargante o direito ao crédito integral sobre as aquisições de café de cooperativas já submetido ao processo de produção descrito nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e aplicar, relativamente ao crédito presumido, o disposto no art. 23 da Lei 12.995, de 2014. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
id : 7674858
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051662082375680
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1981; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15578.000809/200911 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3201004.911 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2019 Matéria EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Embargante TRISTÃO COMPANHIA DE COMÉRCIO EXTERIOR Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE CABIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. No caso julgado, há omissão a reclamar a correção do acórdão embargado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, conferindo à Embargante o direito ao crédito integral sobre as aquisições de café de cooperativas já submetido ao processo de produção descrito nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e aplicar, relativamente ao crédito presumido, o disposto no art. 23 da Lei 12.995, de 2014. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3201003.431, de 26/02/2018, assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 00 08 09 /2 00 9- 11 Fl. 1695DF CARF MF Processo nº 15578.000809/200911 Acórdão n.º 3201004.911 S3C2T1 Fl. 3 2 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PESSOA INTERPOSTA. COMPROVAÇÃO DE MÁFÉ. OPERAÇÕES TEMPO DE COLHEITA E BROCA. Restou comprovado nos autos que, no momento da aquisição do café, o Contribuinte encontravase ciente da abertura de pessoas jurídicas de fachada, criadas com o fim exclusivo de legitimar a tomada de créditos integrais de PIS e Cofins, caracterizando, assim, a má fé e tornando legítima a glosa dos créditos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Legítimo o Despacho Decisório que motiva e fundamenta a negativa de provimento em vícios existentes nos documentos apresentados pelo contribuinte, vícios esses impeditivos da análise de mérito do pedido. Recurso Voluntário Negado No exame de admissibilidade dos embargos admitiuse omitidas as seguintes matérias: a) apropriação indevida de crédito sobre nota fiscal emitida sem incidência de PIS/Cofins – fim específico de exportação; e b) possibilidade de aproveitamento de crédito presumido apurado pela fiscalização nos presentes autos, em conformidade com o que dispõe a Lei nº 12.995, de 20 de julho de 2014. É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.895, de 25/02/2019, proferido no julgamento do processo 15578.000790/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.895): "Com efeito, o acórdão embargado incorreu na segunda omissão – a possibilidade de aproveitamento de crédito presumido apurado pela fiscalização, em conformidade com o que dispõe a Lei nº 12.995, de 20 de julho de 2014 –, mas não quanto à primeira –a apropriação indevida de crédito sobre nota fiscal emitida sem incidência de PIS/Cofins, com o fim específico de exportação –, o que autoriza o manejo dos aclaratórios, em conformidade com o que dispõe o art. 65 do Anexo II do atual RICARF/2015. Fl. 1696DF CARF MF Processo nº 15578.000809/200911 Acórdão n.º 3201004.911 S3C2T1 Fl. 4 3 E isso porque a primeira não foi enfrentada na manifestação de inconformidade (portanto, não caberia apreciála no julgamento do recurso voluntário), como devidamente registrado no voto condutor do acórdão proferido pela 1ª instância e ressaltado no acórdão embargado: Decisão da DRJ: "Itens não contestados: A interessada não contesta, em sua Manifestação de Inconformidade, a glosa de crédito promovida pela autoridade fiscal em relação a aquisições efetuadas com o fim específico de exportação (item II.7.3 do Parecer Fiscal). Também não contesta o ajuste efetuado no saldo de crédito de meses anteriores sobre aquisições no mercado interno vinculado à receita de exportação (item II.7.4 (H) do Parecer Fiscal)." Acórdão embargado: "DA INOCORRÊNCIA DA PRECLUSÃO APONTADA PELA DECISÃO RECORRIDA. DO RESTABELECIMENTO INTEGRAL DOS CRÉDITOS INFORMADOS PELA RECORRENTE" Nesse tópico aduz a Recorrente que a decisão recorrida teria declarado uma preclusão inexistente. Contudo, nesse mesmo tópico, reconhece que deixou de impugnar determinadas glosas visando dar celeridade ao procedimento. Desse modo, não vejo como prover qualquer alteração no acórdão recorrido nesse sentido. A segunda omissão, porém, reclama melhor apreciação. Realmente, a Embargante apresentou petição, em 20/03/2014, não em 23/02/2015 (fls. 1793 e ss.), por meio da qual informa ter tomado conhecimento da Solução de Consulta CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) n° 65, de 10/03/2014 (não se falou da Lei nº 12.995, de 2014), que consolidara o seguinte entendimento: 3. Para aproveitamento de créditos decorrentes de aquisições junto a cooperativas devese observar as mesmas normas vigentes para a apuração de créditos em relação a aquisições junto a pessoas jurídicas em geral; somente existindo, portanto, vedação à apuração de créditos nas aquisições não sujeitas ao pagamento das referidas contribuições; e 4. Até dezembro de 2011, as pessoas jurídicas exportadoras de café submetidas ao regime de apuração não cumulativa do PIS e da COFINS tinham direito a apropriação de créditos integrais nas aquisições de café de cooperativas, quando submetido ao processo previsto nos §§ 6° e 7° do art. 8° da Lei n° 10.925 de 2004, tendo em vista que sobre a receita de venda do café submetido a este processo de produção não se aplicaria a suspensão das referidas contribuições prevista no art. 9°, § 1°, II, da Lei n° 10.295 de 2004. Daí requereu a sua juntada aos autos e a sua observância por ocasião do julgamento do recurso voluntário que interpôs. O acórdão embargado, contudo, não se pronunciou a respeito. A mesma matéria já foi enfrentada nos autos do processo administrativo nº 15578.000142/201090 (Acórdão nº 3301003.099, de 28/09/2016, da relatoria do il. conselheiro Valcir Gassen; citado nos Embargos), em que a Embargante figura como Fl. 1697DF CARF MF Processo nº 15578.000809/200911 Acórdão n.º 3201004.911 S3C2T1 Fl. 5 4 interessada. Por concordarmos com o entendimento nele exposto, passamos a reproduzilo, apenas na parte que se refere ao tema, e adotálo como razão de decidir: 1) Da aquisição de café cru em grão de sociedades cooperativas A respeito das aquisições de café cru em grão de sociedades cooperativas, o Contribuinte alega que “a glosa referese à atividade de comercialização e exportação do produto café e de rebeneficiamento do mesmo” (fl. 17.657), ou seja, o Contribuinte adquire os grãos crus do café de sociedades cooperativas de produção agroindustrial e beneficia os grãos por meio de diversas técnicas de aperfeiçoamento. Porém, destaca que este beneficiamento dos grãos não é a atividade preponderante do Contribuinte, mas sim a atividade de comércio. E aduz que (fl. 17.658): Em se tratando de compras de insumos de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil para posterior revenda, a Recorrente apurou créditos fiscais integrais da contribuição para a COFINS, na forma do artigo 3º, inciso I e II, da Lei nº 10.833, de 2003. Alega o Contribuinte em seu Recurso Voluntário que (fls. 17.651) Ademais, para a manutenção das glosas dos créditos integrais apurados pelo contribuinte oriundos da aquisição de sociedades cooperativas, a fiscalização alegou, em síntese, que: (a) o produto adquirido pela Recorrente está descrito nas notas fiscais de venda como “café cru em grão” ou “café beneficiado”, o que não evidencia a venda de produto já submetido a processo industrial; (b) afirmou ainda que o “café cru” é a semente beneficiada, e somente o exercício cumulativo das atividades citadas no § 6º do art. 8º da Lei nº 10.925/04 caracterizam a atividade agroindustrial; (c) entendeu que o processo de beneficiamento do café, executado de forma isolada pela cooperativa, não a descaracteriza como cooperativa de produção agropecuária; (d) destacou a Recorrente atende aos três requisitos da IN nº 660/2006 para que a venda se dê com a suspensão da incidência; e (e) afirmou por se tratar de aquisições de cooperativa de produção agropecuária, a Recorrente não provou que o café adquirido foi destinado a revenda, e não utilizado como insumo. O Acórdão ora recorrido se posicionou de forma que se deve respeitar os requisitos necessários para que se aplique os artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925/2004, conforme se verifica neste trecho (fl. 17.629): A interpretação sistemática dos dispositivos legais que disciplinam a aplicação do regime de incidência não cumulativa para o setor agroindustrial permite concluir que, para fins de determinação de crédito presumido relativo à aquisição de insumo, devem ser observadas as condições estabelecidas nos artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004, conjuntamente. Em outras palavras, somente a aquisição de insumos, efetuada de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e de cooperativa de produção agropecuária, com suspensão de exigibilidade das contribuições, assegura o direito à dedução do crédito presumido previsto no artigo 8º. E para a aplicação da suspensão, devem ser observados três requisitos quanto à pessoa jurídica adquirente, conforme previsto no artigo 4º da IN/SRF 660/2006. São eles: a) que o adquirente declare o imposto de renda pelo Lucro Real; b) que exerça atividade agroindustrial, conforme definição dada pelo artigo 6º da mesma Instrução Normativa e; c) que utilize o produto adquirido como insumo. Fl. 1698DF CARF MF Processo nº 15578.000809/200911 Acórdão n.º 3201004.911 S3C2T1 Fl. 6 5 Portanto, tratandose de venda efetuada por cooperativa de produção agropecuária, a pessoa jurídica que atenda os requisitos legais citados, aplicase obrigatoriamente a suspensão do PIS e da Cofins, independentemente de se tratar de venda de produto recebido pela cooperativa de seus associados ou de produto adquirido de produtores rurais não cooperados. Por outro lado, na hipótese de a cooperativa exercer atividade agroindustrial, na forma do § 6º do artigo 8º da Lei 10.925/2004, ou seja, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial, esta terá direito ao crédito presumido de PIS e Cofins calculado sobre os insumos utilizados em seu processo industrial e em relação a suas vendas não se aplicará a suspensão. Neste sentido o Contribuinte alega que houve, por parte da Fiscalização, a aplicação equivocada dos arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925/2004, nos seguintes termos: Segundo o Acórdão recorrido, uma interpretação sistemática dos referidos dispositivos legais em conjunto com os arts. 2º, IV, 3º, III e § 1º, III, e 4º a 8º da IN SRF 660/2006, leva à conclusão de que a tributação da contribuição para a COFINS, na saída do “café cru em grão”, das sociedades cooperativas fornecedoras, deveria ser obrigatoriamente suspensa. Assim, as aquisições pela Recorrente, de insumos “café cru em grão” das sociedades cooperativas fornecedoras, estariam sujeitas ao aproveitamento do crédito presumido (conforme artigos 5º, 7º e 8º IN SRF 660/2006) e não crédito fiscal integral (fls. 17.624 e SS. dos autos). O Contribuinte traz a conclusão deste tópico de forma detalhada o que pretende comprovar por meio do Recurso Voluntário, faço a citação visando a elucidação dos argumentos trazidos aos autos (fls. 17.680 e 17.681) ∙ As vendas de produto in natura pelas cerealistas e sociedades cooperativas de produção agropecuária (fornecedoras da 1ª etapa) saem com suspensão da incidência da contribuição para a COFINS/PIS, pois as sociedades cooperativas fornecedoras da Recorrente (adquirentes da 1ª etapa) apuram o Imposto de Renda com base no lucro real, exercem atividade agroindustrial na forma do §6º do artigo 8º, caput, da lei nº 10.925, de 2004, bem como utilizam os mesmos como insumos na produção de mercadoria classificada no Capitulo 9 da NCM (ou seja, o café deixa de ser in natura); ∙ As Sociedades Cooperativas que exercem atividade agroindustrial na forma do § 6º do artigo 8º, caput, da lei nº 10.925/2004, na 1ª ETAPA, adquirentes, na 2ª, fornecedoras – aproveitam o crédito presumido da contribuição para a COFINS/PIS, visto que exercem cumulativamente, as atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café. Nesta fase. O café in natura, adquiridos de pessoas físicas e jurídicas, é transformado em “café cru em grão”; ∙ Na 2ª ETAPA, não havendo suspensão, a receita bruta proveniente da venda de “café cru em grão” pelas sociedades cooperativas que exercem atividade agroindustrial na forma do § 6º do artigo 8º, caput, da Lei nº 10.925/2004 (fornecedoras na 2ª etapa), quando decorrente de ato não cooperativo, é tributada nessa saída a alíquota global de 9,25% da contribuição para o PIS e da COFINS. Nesse caso, a Recorrente (adquirente na 2ª ETAPA) tem direito ao aproveitamento do crédito integral da contribuição para a COFINS, a alíquota de 7,6% e de 1,65 Fl. 1699DF CARF MF Processo nº 15578.000809/200911 Acórdão n.º 3201004.911 S3C2T1 Fl. 7 6 de PIS; ∙ Na 2ª ETAPA, não havendo suspensão, a receita bruta proveniente da venda de “café cru em grão” pelas sociedades cooperativas de produção agropecuária e agroindustrial (fornecedoras na 2ª etapa), quando decorrente de ato cooperativo, também há o direito ao aproveitamento do crédito fiscal integral da contribuição para a COFINS/pis, à alíquota de 7,6% e 1,65, respectivamente. Isso porque, já a incidência dessas contribuições, ainda que a base de cálculo seja ajustada diante das hipóteses do artigo 11 da IN SRF nº. 635/2006. Hipóteses de exclusão de base de cálculo é instituto distinto de isenção, nãoincidência e alíquota zero. Tanto é verdade que as sociedades cooperativas não têm direito à manutenção e, consequentemente, à compensação e/ou ressarcimento em espécie dos créditos ordinários da contribuição à COFINS/PIS, previsto no artigo 16 da Lei nº 11.116, de 2005; ∙ Portanto, a sociedade cooperativa que exerce atividade agroindustrial na forma do §6º do artigo 8º caput, da Lei nº 10.925/2004, quando comercializar o produto “café cru em grão” no mercado interno para a Adquirente, ora Recorrente, transfere, na nota fiscal, o total do crédito fiscal da contribuição para a COFINS/PIS que não foi possível compensar e ressarcir em espécie nesta etapa da cadeia produtiva, em atendimento ao princípio constitucional da não cumulatividade previsto no art. 195, §12 da CF/88; ∙ O Acórdão recorrido desconsiderou completamente as etapas do processo produtivo do café, mais especificamente a 2ª ETAPA; ∙ Com fundamento na própria legislação tributária, não se pode admitir a hipótese de aproveitamento do crédito presumido da contribuição para a COFINS/PIS em duas etapas da cadeia produtiva do café. Em resposta ao pedido do Contribuinte a questão foi analisada pela CoordenaçãoGeral de tributação da Receita Federal que apresentou a Solução de Consulta nº 65 – Cosit (fls. 17.770 a 17.773), em 10 de março de 2014, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS DE COOPERATIVA. Pessoa jurídica, submetida ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, não está impedida de apurar créditos relativos às aquisições de produtos junto a cooperativas, observados os limites e condições previstos na legislação. Dispositivos Legais: Lei n. 10.637/2002, art. 32 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS DE COOPERATIVA. Pessoa jurídica, submetida ao regime de apuração não cumulativa da Cofins, não está impedida de apurar créditos relativos às aquisições de produtos junto a cooperativas, observados os limites e condições 'previstos na legislação. Dispositivos Legais: Lei n. 10.833/2003, art. 3°. Assim ficou ementado e cabe apresentar a conclusão expressa na Solução de Consulta nº 65 para melhor compreensão do objeto da lide: 13. Pelo exposto, concluise que: Fl. 1700DF CARF MF Processo nº 15578.000809/200911 Acórdão n.º 3201004.911 S3C2T1 Fl. 8 7 14. A aquisição de produtos junto a cooperativas não impede o aproveitamento de créditos no regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, observados os limites e condições previstos na legislação. 15. Até dezembro de 2011, a pessoa jurídica exportadora de café submetida ao regime de apuração não cumulativa tinha direito ao cálculo de créditos em relação às aquisições de café de cooperativas, observados os limites e condições legais. Não havia direito à apuração de créditos nas aquisições com suspensão previstas no art. 92, I e III, da Lei nº 10.925, de 2004, nem nas aquisições feitas por empresa comercial exportadora que tenha adquirido o produto com o fim especifico de exportação. 16. A partir de 2012, não é possível a apuração de créditos em relação às aquisições de café, tendo em vista a suspensão prevista no art. 42 da Lei nº 12.599, de 2012, e, posteriormente, a redução da alíquota a 0 (zero) prevista no art. 12, inciso XXI, da Lei n2 10.925, de 2004. Ressalvese as hipóteses de crédito presumido previstas nos arts. 52 e 62 da Lei n2 12.599, de 2012. Cito aqui o voto vencedor do Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, proferido no Acórdão nº 3102002.344, da 2ª Turma da 1ª Câmara da 3ª Seção, de 27 de janeiro de 2015, como fundamento para as razões de decidir: O ponto fundamental para a solução da lide é a configuração da aquisição de café de cooperativa, já submetida ao processo de produção descrito nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. Nesses casos, sobre a receita de venda do café submetido a esta operação, não se aplicava a suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Portanto, importanos avaliar se a operação anterior, realizada pela cooperativa, estava submetida ao processo de produção descrito nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Caso positivo, seria reconhecido o direito ao creditamento nas aquisições de café. Caso negativo, não seria possível o direito ao crédito, sendo aplicável a suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que trata o art.9º da Lei nº10.925/2004. O i.Relator entendeu que, embora exista nos autos fartos argumentos no sentido de justificar que as cooperativas fornecedoras do “café cru em grão” exerciam a atividade agroindustrial definida no preceito legal em destaque, a recorrente não teria trazido aos autos elementos de prova adequados e suficientes que confirmassem que as cooperativas vendedoras exerciam a atividade agroindustrial definida no citado preceito legal. Não é o nosso entendimento. Foram colacionadas aos autos, pela recorrente, ainda que por amostragem, notas fiscais de aquisição do produto “café em grão cru” ou “café beneficiado”, com a indicação da incidência da contribuição para o PIS e a COFINS. Segundo o entendimento da recorrente, a incidência das contribuições teria sido obrigatória, devido a submissão dos cafés adquiridos pelas cooperativas ao processo produtivo previsto no §6º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, fato esse impeditivo para a saída posterior suspensa na forma do art. 9º do inciso II da mesma lei. Entendo que o registro das referidas expressões nas notas fiscais, informando que operação estava sujeita a tributação normal das citadas contribuições, traz uma presunção de licitude das operações de Fl. 1701DF CARF MF Processo nº 15578.000809/200911 Acórdão n.º 3201004.911 S3C2T1 Fl. 9 8 aquisição de café de cooperativa, sujeitas ao recolhimento regular das contribuições. Afirmar que a operação devidamente escriturada teria, na verdade, forma diversa daquela exposta nos registros fiscais, conferindo efeito diverso daquele indicado, demandaria uma prova oposta por parte do fisco, inexistente no presente processo. A comprovação do fato jurídico tributário depende, em regra geral, de que o administrado apresente os documentos que a legislação fiscal o obriga a produzir e manter sob guarda, ou declare sua ocorrência em declaração prestada à autoridade pública. Uma vez que essa particularidade seja compreendida, há que se sublinhar que nada dispensa a Administração de laborar em busca das provas de que o fato ocorreu e de instruir o processo administrativo com elas. Como consta, a desconsideração das provas se deu porque, no entendimento do Fisco, a interessada limitouse a apresentar as notas fiscais de aquisição das mercadorias. Peço vênia para discordar dessas conclusões. Não me parece que a acusação de que a operação praticada pela recorrente não foi aquela por ela declarada e escriturada. Ainda que passível de dúvidas acerca da veracidade das operações, tais dúvidas deveriam ter sido esclarecidas durante o procedimento fiscal, de forma a contraproduzir elementos probantes para desconsiderar aquelas notas fiscais apresentada. Nada disso ocorreu. A comprovação de que as operações foram tributadas, ensejando o crédito à adquirente, foi feita pela recorrente. Caberia ao fisco comprovar que tais cooperativas não exerciam a atividade agroindustrial, o que não foi feito. Em suma, mediante as provas que constam nos autos, concluise que o “café cru em grão” ou “café beneficiado” foram adquiridos de cooperativa agropecuária de produção, e que a sociedade cooperativa vendedora realizou as operações descritas no do art. 8o, § 6o, da Lei 10.925/2004. Tendo em vista as informações trazidas aos autos entendo que neste ponto assiste razão ao Contribuinte, voto, portanto, em dar provimento ao Recuso Voluntário cancelando as glosas referente à aquisição de café cru em grão de sociedade cooperativas exceto os casos de notas fiscais com suspensão. No longo PARECER FISCAL GAB903/DRF/VIT/ES nº 001/2013, especificamente à fls. 1334/1336, concluise pela glosa dos "créditos integrais sobre tais aquisições e apurouse o crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004", ao fundamento de que: "..., a TRISTÃO preenche os requisitos estabelecidos para a aplicação da suspensão nas compras de café efetuadas com as cooperativas, a saber: a) apura IRPJ com base no lucro real; b) exerce atividade agroindustrial definida no art. 6°, II; e c) utiliza o café adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que trata o inciso I do art. 5°. Notese que, aqui, nada mais dispôs o Parecer supra. Vale dizer, não se desqualificaram as vendas das cooperativas, porque de algum modo fraudadas ou coisa Fl. 1702DF CARF MF Processo nº 15578.000809/200911 Acórdão n.º 3201004.911 S3C2T1 Fl. 10 9 parecida, mas apenas se disse que, em suas saídas com suspensão, não caberia o crédito glosado, mas tão só o presumido. Contudo, não sendo aplicável a suspensão, entendemos que, em consonância com a Solução de Consulta Cosit nº 65, de 2014, referida, como se viu, no voto condutor do Acórdão nº 3301003.099, de 28/09/2016, a Embargante faz jus ao crédito integral (aquisições das cooperativas), não ao crédito presumido. Todavia, sobre tais aquisições, a unidade preparadora deverá glosar o crédito presumido que já lhes atribuiu. Por fim, a Embargante trouxe nova petição aos autos, desta feita requerendo a aplicação da retroatividade benigna quanto ao disposto na Lei nº 12.995, de 2014: Art. 23. A Lei no12.599, de 23 de março de 2012, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 7oA: “Art. 7oA.O saldo do crédito presumido de que trata oart. 8oda Lei no10.925, de 23 de julho de 2004, apurado até 1ode janeiro de 2012 em relação à aquisição de café in natura poderá ser utilizado pela pessoa jurídica para: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria, inclusive quanto a prazos extintivos; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria, inclusive quanto a prazos extintivos.” A questão disciplinada pela norma trazida diz respeito à forma de ressarcimento do crédito, se por compensação com as próprias contribuições, ou se em espécie ou compensação com outros tributos. Embora tal questão não tenha sido tratada nos autos, em havendo compensações de crédito presumido com tributos de natureza distintas, deverão seguir o regramento da Lei nº 12.995/2014. Tais créditos presumidos, na hipótese dos autos, são aqueles decorrentes das aquisições realizadas de Pessoas Jurídicas tidas como fictícias e, por essa razão, foram convertidos em aquisições de Pessoas Físicas, da forma presumida (sobre tais operações, a fiscalização já conferiu o crédito presumido). Ante o exposto, acolho os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, conferindo à Embargante apenas o direito ao crédito integral sobre as aquisições de café de cooperativas já submetido ao processo de produção descrito nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e aplicar, relativamenmte ao crédito presumido, o dispósoto no art. 23 da Lei 12.995, de 2014. As ementas do acórdão embargado ficam acrescidas da seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 AQUISIÇÃO DE PRODUTOS DE COOPERATIVA. REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. As aquisições de café de cooperativas de produção agropecuária, sujeitas ao regime de tributação normal, são passíveis de crédito integral quando tais operações foram submetidas, comprovadamente, ao exercício cumulativo das atividades de (i) padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou (ii) separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial." Fl. 1703DF CARF MF Processo nº 15578.000809/200911 Acórdão n.º 3201004.911 S3C2T1 Fl. 11 10 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado acolheu os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, conferindo à Embargante apenas o direito ao crédito integral sobre as aquisições de café de cooperativas já submetido ao processo de produção descrito nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e aplicar, relativamente ao crédito presumido, o disposto no art. 23 da Lei 12.995, de 2014. As ementas do acórdão embargado ficam acrescidas da seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 AQUISIÇÃO DE PRODUTOS DE COOPERATIVA. REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. As aquisições de café de cooperativas de produção agropecuária, sujeitas ao regime de tributação normal, são passíveis de crédito integral quando tais operações foram submetidas, comprovadamente, ao exercício cumulativo das atividades de (i) padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou (ii) separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1704DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12326.004424/2010-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO CONSTATADO.
Somente são nulos os Autos quando constatada a ocorrência do Art. 59 do Decreto n. 70.235/1972. Não se vislumbra a ocorrência de quaisquer dessas hipóteses.
MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA CARF 63. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia grave deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Laudo oficial indica a data do início da moléstia, data da qual se inicia o gozo da isenção do IRPF pelo Contribuinte.
Numero da decisão: 2301-005.848
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, vencidos os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha e Marcelo Freitas de Souza Costa, que deram provimento ao recurso.
João Maurício Vital Presidente
(assinado digitalmente)
Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital (Presidente), Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Francisco Ibiapino Luz (Suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: JULIANA MARTELI FAIS FERIATO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO CONSTATADO. Somente são nulos os Autos quando constatada a ocorrência do Art. 59 do Decreto n. 70.235/1972. Não se vislumbra a ocorrência de quaisquer dessas hipóteses. MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA CARF 63. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia grave deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Laudo oficial indica a data do início da moléstia, data da qual se inicia o gozo da isenção do IRPF pelo Contribuinte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 12326.004424/2010-30
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5972830
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2301-005.848
nome_arquivo_s : Decisao_12326004424201030.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JULIANA MARTELI FAIS FERIATO
nome_arquivo_pdf_s : 12326004424201030_5972830.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, vencidos os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha e Marcelo Freitas de Souza Costa, que deram provimento ao recurso. João Maurício Vital Presidente (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital (Presidente), Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Francisco Ibiapino Luz (Suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
id : 7655513
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051662086569984
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1654; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 79 1 78 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12326.004424/201030 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.848 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de fevereiro de 2019 Matéria Omissão de Rendimentos de Pessoa Física Recorrente RODRIGO ALBUQUERQUE LOBO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO CONSTATADO. Somente são nulos os Autos quando constatada a ocorrência do Art. 59 do Decreto n. 70.235/1972. Não se vislumbra a ocorrência de quaisquer dessas hipóteses. MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA CARF 63. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia grave deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Laudo oficial indica a data do início da moléstia, data da qual se inicia o gozo da isenção do IRPF pelo Contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, vencidos os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha e Marcelo Freitas de Souza Costa, que deram provimento ao recurso. João Maurício Vital – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 32 6. 00 44 24 /2 01 0- 30 Fl. 79DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital (Presidente), Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Francisco Ibiapino Luz (Suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fl. 61/66) interposto em face da decisão da DRJ (fls. 50/54) proferida pela 19ª Turma da DRJ/RJ1, Acórdão 1254.228 de 26 de março de 2013, que julgou improcedente a impugnação, cuja Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO E/OU SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. Mantémse a infração de omissão de rendimentos comprovadamente recebidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos à tributação. Impugnação Improcedente Outros Valores Controlados Conforme se depreende da Notificação de Lançamento (fl. 16/21), o Contribuinte teve sua Declaração de Ajuste Anual revista pela Autoridade lançadora em que se constatou a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica com/sem vínculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$26.734,60, sendo que o saldo de imposto a restituir foi ajustado à R$5.061,71: Fl. 80DF CARF MF Processo nº 12326.004424/201030 Acórdão n.º 2301005.848 S2C3T1 Fl. 80 3 O contribuinte apresentou impugnação nas fls. 3/10, no qual afirma: · Que não houve qualquer omissão de receita, não podendo prosperar o lançamento, pois é portador de cardiopatia grave desde o ano de 2008 de forma que teve o reconhecimento da isenção dos rendimentos recebidos a título de aposentadoria ao Instituto Nacional da Seguridade Social INSS (doe. 4) e, consequentemente, junto à Receita Federal do Brasil – RFB; · Informou correntemente o total dos seus rendimentos de aposentadoria recebidos da Fundação Petrobrás de Seguridade Social – PETROS, como rendimentos isentos em sua Declaração de Ajuste Anual; · A previdência privada segue a mesma ideologia da previdência oficial, pois a isenção é concedida tanto aos portadores de moléstia grave que recebem aposentadoria pela previdência oficial quanto pela previdência privada, eis que o objetivo do benefício é reparálos em virtude de gastos extraordinários que estes passaram a ter em virtude do mal contraído em face de gastos adicionais com médicos e hospitais, maiores do que as pessoas sãs; · Requer seja recebida e julgada inteiramente procedente a presente Impugnação para o fim de restabelecer a declaração do Impugnante nos termos em que foi originalmente apresentada e anular os efeitos decorrentes das alterações nela realizadas na hipótese em exame Nas fls. 22/23 consta do relatório médico subscrito pelo médico José Guilherme de Faria Féres; nas fls. 25 consta da Perícia Oficial do INSS em 26/03/2010, no qual consta que o Contribuinte é portador de Doença com enquadramento na Lei de Isenção do LR. CID X 125.1 (miocardiopatia ateroscleróticacardiopatia grave); Na fl. 30 consta da DIRF e na 31 e ss. do DAA do Contribuinte. Fl. 81DF CARF MF 4 Na decisão da DRJ, a Turma entendeu pela improcedência do pedido, visto que: · A autoridade lançadora efetuou o Lançamento tendo por base a Perícia Médica nº 17.001.020.1 do INSS, processo nº 37216.001324/201020 realizada em 26/03/2010 (fl. 26), anexada pelo próprio Contribuinte, na qual o Perito aponta o início da doença do Contribuinte em 15/04/2008 (mês de abril); · O lançamento foi realizado considerando que o contribuinte auferiu rendimentos tributáveis recebidos de sua fonte pagadora (Fundação Petrobrás de Seguridade Social Petros CNPJ 34.053.942/000150) apenas nos quatro primeiros meses do ano calendário de 2008 (janeiro à abril), conforme os valores contidos na Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (fl. 49), emitida pela Fonte Pagadora. · Temos que: R$ 6.683,65 x 4 = R$ 26.734,60, ou seja, não há reparo a ser efetuado no Lançamento efetuado pelo Fisco. O contribuinte apresenta Recurso Voluntário (fl. 61/66), requerendo: · O Recorrente é portador de histórico familiar de cardiopatia grave, razão pela qual informou o total de seus rendimentos de aposentadoria recebidos da Fundação Petrobras de Seguridade Social (PETROS) como rendimento isento em sua DAA, com base na Lei 7.713/88, cujo objetivo do benefício é reparar o contribuinte em virtude de gastos extraordinários que passou a ter em virtude da moléstia grave; · Em 15/04/08 o Contribuinte foi hospitalizado após um infarto que eclodiu por consequência de sua cardiopatia grave, ou seja, o fato ocorrido em abril de 2008 não foi o início da doença, mas sim por já portar a moléstia grave, sofreu um infarto agudo nesta data, sendo que os gastos com a doença já existiam antes mesmo da internação; · Portanto, se a doença foi contraída anteriormente, para fins tributários, o Contribuinte já era isento antes do período apontado no laudo, razão pela qual requer a reforma do acórdão de 1ª instancia, para que seja julgado insubsistente o lançamento, visto que reconhecida a préexistência da doença grave da qual é portador, assim como a nulidade do lançamento. Este é o relatório. Voto Conselheira Relatora Juliana Marteli Fais Feriato Admissibilidade Fl. 82DF CARF MF Processo nº 12326.004424/201030 Acórdão n.º 2301005.848 S2C3T1 Fl. 81 5 Conforme consta da fl. 58 o Contribuinte tomou ciência da decisão em 24/10/2014, apresentando Recurso Voluntário em 19/11/2014 (fls. 61), portanto tempestivo. Sendo tempestivo e não havendo outras questões de admissibilidade a serem sanadas, conheço do Recurso Voluntário e passo à análise de seu mérito. Mérito Tratase de Recurso Voluntário do indeferimento da impugnação apresentada pelo Contribuinte referente à restituição de Imposto de Renda, diante da sua suposta isenção de recolhimento, por ser aposentado e ser portador de moléstia grave. Em suas razões recursais, o Contribuinte requer a nulidade do lançamento. Sobre este pedido, analisase a validade do lançamento e do Auto de Infração. Determina a legislação (Decreto nº 70.235, de 1972): Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 83DF CARF MF 6 Verificase que, no presente caso, não ocorreu quaisquer dos incisos dos artigos 10 ou 11 que ensejassem a nulidade do auto de infração, ou do artigo 59 que ensejasse a nulidade do procedimento. O auto foi lavrado por servidor competente, havendo a qualificação do autuado, o local, a data e a hora da lavratura, a descrição do fato, a disposição legal infringida e a penalidade aplicável, a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugná la no prazo legal, a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula, houve o correto respeito ao direito de defesa. Portanto, não se vislumbra qualquer nulidade no Auto de Infração. Indefere se o pedido de nulidade do lançamento. Sobre a matéria do lançamento, verificase que o Contribuinte requer a isenção do IRPF durante todo o ano calendário de 2008, pois, apesar de o Laudo Oficial do INSS informar que o início da doença se deu em 15/04/2008, segundo o mesmo, em abril de 2008 foi apenas a sua internação diante do infarto agudo sofrido, sendo que já se encontra acometido pela doença antes mesmo da ocorrência deste evento, razão pela qual necessária a concessão da isenção sobre todo o ano calendário. A DRJ entendeu que a isenção é devida apenas depois da data imposta pelo Laudo, ou seja, 15/04/2008, sendo devida a retenção de IRPF sobre janeiro – abril de 2008. Correta a análise do caso efetuado pela DRJ, não merecendo provimento o argumento do Contribuinte, visto que a legislação é clara neste assunto. Conforme constata a Legislação (Lei nº 7.713/88, art. 6º, XIV), as pessoas portadoras de doenças graves são isentas do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) desde que se enquadrem cumulativamente: os rendimentos sejam relativos a aposentadoria, pensão ou reforma E possuam alguma das seguintes doenças: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; No caso do Contribuinte, restou comprovada a moléstia grave (cardiopatia grave) e que os proventos eram de aposentadoria. Entretanto a discussão gira em torno do Laudo. A exigência da apresentação do Laudo Pericial advém do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, no art. 39, XXXIII e §4º que assim determina: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação Fl. 84DF CARF MF Processo nº 12326.004424/201030 Acórdão n.º 2301005.848 S2C3T1 Fl. 82 7 mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 5° As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: 1 do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. Sobre o tema, observase as Súmulas deste R. Conselho Administrativo: Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. O Laudo Oficial é necessário para constatar a data da qual a moléstia grave se iniciou e diante desta razão é que se considera esta data como sendo o termo inicial para a concessão da isenção do IRPF. O documento de fl. 26 é claro ao determinar o início da doença: Após análise do laudo médico do Dr.José Guilherme de Faria Feres, CRM 52.12.8792 professor adjunto de cardiologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro informando início da doença em 15 de abril de 2008 e demais documentos, apensados ao processo, concluise que o segurado E portador de Doença com enquadramento na Lei de Isenção do LR. CID X 125.1 (miocardiopatia aterosclerótica cardiopatia grave). Fl. 85DF CARF MF 8 Portanto, o Laudo é o documento fixa o início da Isenção da incidência do IRPF por moléstia grave. Se a doença que o contribuinte foi acometido tivesse iniciado anteriormente, o Laudo traria em seu conteúdo este fato, mas não o trouxe, visto que deixou claro e expresso que a doença teve início em 15/04/2008. Desta forma, sem razão o Contribuinte e correta aplicação da legislação tributária pela DRJ em seu acórdão. Conclusão Ante o exposto, voto conhecer do Recurso Voluntário, para que no mérito, seja negado provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato – Relatora. Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.907899/2016-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.906
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13896.907899/2016-73
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5993229
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-001.906
nome_arquivo_s : Decisao_13896907899201673.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 13896907899201673_5993229.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório
dt_sessao_tdt : Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
id : 7706120
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051662089715712
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1618; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.907899/201673 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.906 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 26 de março de 2019 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente CATHO ONLINE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o processo de Recurso Voluntário contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade em face da não homologação da compensação apresentada pela contribuinte. Segundo o despacho decisório, as compensações não foram homologadas em razão de não ter sido apurada a existência de direito creditório. Tais conclusões, ao que consta, encontram amparo no Termo de Verificação Fiscal carreado aos autos. No aludido TVF, emitido em decorrência da necessidade de análise das DCTF retificadoras apresentadas e, também, dos esclarecimentos que posteriormente foram prestados pela contribuinte, consta que “as receitas auferidas pela CATHO, decorrentes de sua atividade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 07 89 9/ 20 16 -7 3 Fl. 459DF CARF MF Processo nº 13896.907899/201673 Resolução nº 3201001.906 S3C2T1 Fl. 3 2 fim, não se enquadram na exceção prevista no inciso XXV do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, estando sujeitas, portanto, ao regime NÃO CUMULATIVO de apuração do PIS e do COFINS.” Consta, portanto, que as DCTF retificadoras não deveriam ser homologadas e que, por não existirem, os créditos não deveriam ser reconhecidos. Na manifestação de inconformidade apresentada, a contribuinte, após resumo dos fatos, esclarece que houve mudança no controle acionário da empresa e que, em razão disso, foi submetida a uma profunda revisão de políticas e procedimentos. Em decorrência, diz que teria identificado que suas atividades vinham sendo indevidamente qualificadas para fins de PIS e de Cofins, sendo necessário, portanto, a retificação das DCTF. A seguir, discorre sobre a sua atividade. Afirma que os serviços prestados não abrangem promessa de emprego ou obrigação presente ou futura de recolocação ou obtenção de emprego para seus clientes. Aduz, ainda, que o seu site na internet “é somente uma ferramenta online que permite ao assinante consultar vagas, enviar currículos e acessar demais conteúdos aí disponibilizados” sem “qualquer garantia de colocação profissional” nem “qualquer cobrança relacionada a essas atividades.” Em suma, conforme afirma, “simplesmente disponibiliza conteúdo na Internet aos Assinantes e não desenvolve qualquer atividade de intermediação.” Salienta que se qualifica como empresa de Internet, com atividade de portal ou empresa provedora de conteúdo e de informações, e que sua atividade vem descrita na Norma 004/95, aprovada pela Portaria nº 148, de 1995, item 3, letras ‘e’ e ‘f’ do Ministério das Comunicações. Objetivando o acesso às informações especializadas que são disponibilizadas, afirma que desenvolveu ferramenta própria (software), “cujo uso é liberado/cedido para seus clientes, os Assinantes.” Insiste que não promove a intermediação de contratação de mão de obra. Aduz que “sua tarefa se esgota em permitir o acesso à informação que integra seus bancos de dados: currículos e vagas.” Chama a atenção para o contido no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003 e diz que conforme Solução de Consulta nº 309, de 2011, “a RFB confirmou, expressamente, que, para o contribuinte aplicar o regime cumulativo dessas contribuições sociais, basta exercer apenas uma das atividades mencionadas no inciso XXV citado anteriormente.” Na seqüência, diz que se deve destacar “que a simples não homologação das declarações retificadoras não é fato que, por si só, é capaz de fundamentar a não homologação das compensações realizadas.” Diz ser incabível a revisão de ofício da homologação pois ela não teria ocorrido por erro “mas sim pelo correto enquadramento legal da situação ora analisada”. Se houve erro, aduz, ele teria ocorrido com a revisão. Reclama, ainda, que não existe base legal para a revisão de ofício. Insiste na necessidade de cancelamento do despacho decisório. Ao final, requer a reforma do despacho decisório e a homologação das compensações. Subsidiariamente requer o cancelamento do despacho decisório em face da Fl. 460DF CARF MF Processo nº 13896.907899/201673 Resolução nº 3201001.906 S3C2T1 Fl. 4 3 impossibilidade de revisão de ofício no caso de erro de direito. Protesta pelo direito de provar o alegado por todos os meios de prova e informa que “não está questionando judicialmente a matéria discutida nestes autos.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa mesmos argumentos pleiteados em manifestação de inconformidade para o deferimento integral dos valores que constam do pedido de restituição. Suscita em seu pedido: i. Seja declarada a nulidade do v. acórdão recorrido, com o retorno dos autos à origem, para que (a) nova decisão seja proferida, com adstrição aos limites objetivos da lide fixados no Termo de Verificação Fiscal e na manifestação de inconformidade; ou (b) subsidiariamente, para que seja devolvido à recorrente o prazo para manifestação, garantindo lhe o exercício do direito de defesa em relação aos pontos novos suscitados pelo v. acórdão, tudo sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 16, 17 e 18, parágrafo 3o, do Decreto n. 70.235, à luz do art. 5o, inciso LIV e LV, da Constituição de 1988; ii. Na eventualidade da superação da preliminar acima, seja reformado o v. acórdão, com o integral cancelamento das exigências fiscais, em razão da declaração: a. da nulidade do r. despacho decisório, por ter configurado revisão de ofício de lançamento, por erro de direito, com violação aos arts. 145 e 149 do CTN; b. da nulidade do r. despacho decisório, por carência de motivação, por ter se baseado em termo de verificação fiscal que não analisou o direito creditório discutido nestes autos, com violação ao art. 9o do Decreto n. 70,235; c. da improcedência do r. despacho decisório, tendo em vista a legitimidade da inclusão das receitas da recorrente no regime cumulativo de apuração da contribuição ao PIS e da COFINS, com a consequente homologação da declaração de compensação, sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 10, inciso XXV e 15, inciso V, da Lei n. 10.833; d. eventualmente, caso se entenda que a requerente se encontra submetida ao regime não cumulativo das contribuições, seja reconhecida a inexistência de crédito tributário passível de cobrança, sob pena de bis in idem. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº Fl. 461DF CARF MF Processo nº 13896.907899/201673 Resolução nº 3201001.906 S3C2T1 Fl. 5 4 3201001.853, de 26 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 13896.720975/201638, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.8539): "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para definilo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo. Feito tal esclarecimento, passase ao exame das razões de Recurso. A pretensão da contribuinte de requalificar a natureza jurídica de seus serviço, de intermediação para atividades de internet, enquadrando as receitas auferidas no regime cumulativo foi indeferido no despacho decisório proferido com base nas conclusões do TVF que consta do dossiê nº 10010.014822/021604, formalizado para análise das DCTFs retificadoras transmitidas para espelharem o procedimento de requalificação. De fato, concluiu o procedimento fiscal que os serviços prestados pelo contribuinte não poderiam ser qualificados como serviços de internet (art. 10, XXV e art. 15, V, da Lei nº 10.833/03), mas sim de intermediação, mantendoos no regime de apuração não cumulativo. Fl. 462DF CARF MF Processo nº 13896.907899/201673 Resolução nº 3201001.906 S3C2T1 Fl. 6 5 A principal matéria em litígio envolve a rejeição pela autoridade fiscal em sede de despacho decisório da requalificação das atividades da recorrente e a mudança para o regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS e para a Cofins. Os argumentos da fiscalização são no sentido de que o regime a que se submete as receitas das atividades desenvolvidas pela Catho para apuração e recolhimento continuava a ser o da não cumulatividade, pois não se tratam de serviços de informática (desenvolvimento de software ou de páginas eletrônicas) nos termos do art. 10, XXV, da Lei nº 10.833/03 uma vez que a atividade seria a prestação de serviços de intermediação ao profissional que busca se posicionar no mercado de trabalho. Nada obstante, o TVF assevera que para que a receita auferida subsumase à sistemática da apuração cumulativa devese comprovar que esta (receita) advenha da prestação de alguns dos serviços listados no referido dispositivo da Lei 10.833/03. Pois bem, compulsando os autos, em especial os termos e demais peças que constam do dossiê nº 10010.014822/021604 verificase que em momento algum a contribuinte fora intimada a comprovar a natureza de suas receitas. Ao contrário, a intimação limitouse a solicitar esclarecimentos e informações que resultaram na requalificação das receitas, como se vê: De ressaltar, contudo, que o fundamento para o indeferimento do pleito creditório é a natureza da receitas das atividades prestadas pela Catho conforme descritos nos autos, que não se qualificam como sujeitas à apuração cumulativa. O acórdão da DRJ trilha o mesmo fundamento de indeferimento e não homologação das compensações exarados no despacho decisório. Evidenciouse naquela decisão que o sítio da internet da Catho é uma mera ferramenta para quer o assinante consulte vagas de trabalho, envie currículos e acesse outros conteúdos. Poderseia concordar com os argumentos daqueles julgadores conquanto não trouxessem argumento subsidiário no qual reconhecem a possibilidade da contribuinte fazer prova de que determinadas atividades auferem receitas cuja apuração se dá no regime cumulativo. Vejase o excerto do voto condutor do acórdão recorrido: É possível concluir, portanto, que algumas de suas receitas podem estar sujeitas à apuração cumulativa das contribuições, ensejando, assim, a real possibilidade de enquadramento da empresa na modalidade de apuração mista das contribuições Fl. 463DF CARF MF Processo nº 13896.907899/201673 Resolução nº 3201001.906 S3C2T1 Fl. 7 6 (circunstância que, sendo eficazmente comprovada, pode evidenciar um possível erro no preenchimento da DCTF original). A forma como a existência de tal erro – que deve ser corrigido via DCTF retificadora – pode vir a ser acatado administrativamente irá depender da apresentação de provas (conforme estabelece o §1º do art. 147 do CTN), baseadas na escrituração contábil/fiscal do período analisado, ou seja, da apresentação de provas capazes de demonstrar, sem possibilidade de dúvida, quais receitas foram efetivamente auferidas nos períodos sob análise e a que tipo de serviço/atividade elas se vinculam. Ressaltese que, para fazer jus à apuração cumulativa, devese comprovar que as receitas advêm efetivamente da prestação de serviços, no caso, de informática (tal como listado no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, já transcrito). Evidentemente, as receitas assim enquadradas, devem ser passíveis de segregação, com vistas à correta tributação. Sem que tais comprovações existam nos autos, inviável será o deferimento do pleito. Resta claro que no mérito a decisão recorrida reconheceu a possibilidade do contribuinte fazer prova a seu favor, providência esta até então não determinada pela autoridade fiscal e se insere nas situações que o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 PAF prevê regra de exceção para a apresentação extemporânea de conjunto probatório após a impugnação (manifestação de inconformidade): Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 464DF CARF MF Processo nº 13896.907899/201673 Resolução nº 3201001.906 S3C2T1 Fl. 8 7 Assim, entendo que os autos devam retornar à unidade preparadora para apreciação do Laudo Técnico apresentado pela Recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 465DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.908998/2008-15
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
PER/DCOMP. ERRO DE FATO.
Podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo.
Numero da decisão: 1003-000.542
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao Recurso Voluntário para reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF que jurisdiciona a Recorrente para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no PER/DCOMP de nº 06499.78438.181005.1.3.02-3870, (fls. 11-17) referente ao somatório dos saldos negativos dos quatro trimestres de 2000.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000 PER/DCOMP. ERRO DE FATO. Podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10980.908998/2008-15
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5983093
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1003-000.542
nome_arquivo_s : Decisao_10980908998200815.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
nome_arquivo_pdf_s : 10980908998200815_5983093.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao Recurso Voluntário para reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF que jurisdiciona a Recorrente para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no PER/DCOMP de nº 06499.78438.181005.1.3.02-3870, (fls. 11-17) referente ao somatório dos saldos negativos dos quatro trimestres de 2000. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
id : 7680308
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051662108590080
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1346; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 2 1 1 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.908998/200815 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.542 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 13 de março de 2019 Matéria PERDCOMP Recorrente N. B. PARTICIPAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 PER/DCOMP. ERRO DE FATO. Podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 89 98 /2 00 8- 15 Fl. 133DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao Recurso Voluntário para reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF que jurisdiciona a Recorrente para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no PER/DCOMP de nº 06499.78438.181005.1.3.023870, (fls. 1117) referente ao somatório dos saldos negativos dos quatro trimestres de 2000. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama. Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão de 0629.358, proferido pela 1ª Turma da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, não homologando a compensação declarada. Analisando os autos, verificase que a Recorrente em 18/10/2005 efetuou a transmissão do PER/DCOMP de nº 06499.78438.181005.1.3.023870, (fls. 1117), no qual informou a compensação efetuada, relativa a compensação de débitos com créditos relativos ao Saldo Negado de IRPJ do anocalendário de 2000. Na data de 09/11/2006 (fls. 64), foi entregue à Recorrente o Termo de Intimação , acostado às fls. 65, cientificandoa de que a forma de apuração do crédito detalhada no PER/DCOMP era diferente da informada na DIPJ e intimandoa a sanar as irregularidades ali apontadas. No acórdão de piso consta a informação de que a Recorrente não teria adotado nenhuma medida no sentido de atender à referida intimação. Porém, a Recorrente juntou aos autos (fls. 103/104) cópia da petição em que apresentou sua explicação para a divergência encontrada pela DRF, a qual não fora analisada. Assim sendo, é que as informações constantes no PER/DCOMP original foram analisadas e concluiuse pelo indeferimento do pedido, mediante o Despacho Decisório n° 781138607, exarado eletronicamente, em 12/08/2008 (fls. 01), em que constou: "FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Analisadas as Informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do saldo negativo, pois não foi identificado o período de apuração a que se refere o crédito informado, uma vez que a forma de apuração do lucro real indicada no PER/DCOMP difere da informada na Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10980.908998/200815 Acórdão n.º 1003000.542 S1C0T3 Fl. 3 3 Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) correspondente ao período de apuração do saldo negativo demonstrado no PER/DCOMP. Forma de apuração no PER/DCOMP: ANUAL Forma de apuração na DIPJ: TRIMESTRAL Valor original do Saldo negativo Informado no PER/DCOMP com demonstrativo de Crédito: R$ 53.234,79 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no PER/DCOMP acima Identificado". Irresignada, a Recorrente apresentou sua manifestação de inconformidade, (fls. 67), que cometera um erro ao preencher a DCOMP, nos seguintes termos: "(...) Foi informado erroneamente o total de créditos na referida PER/DCOMP, o total de R$ 53.234,79, onde deveria ser informado, conforme DIPJ 2001 ANO Calendário 2000, o valor do saldo negativo de IRPJ dos: 1° Trimestre : R$ 1.493,69, 2° Trimestre: R$ 8.399,39, 3° Trimestre: R$ 11.594,81, 4° Trimestre: R$ 0, perfazendo um total de R$ 21 .487,89. O valor total de débitos informado na PERDCOMP é de R$ 22.291,97. O crédito a ser informado em PERDCOMP retificada é de R$ 21.487,89, mais atualização monetária que suportam o valores de débitos informados.(...)" Por sua vez, a 2ª Turma da DRJ/CGE, ao apreciar referida manifestação de inconformidade, manteve o Despacho Decisório, cujo acórdão restou assim ementado: Assunto: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2000 COMPETÊNCIA PARA APRECIAR COMPENSAÇÃO. A competência para apreciar a compensação e emitir o despacho decisório homologandoa, ou não, é da DRF. Tendo esta, em face da discrepância entre a periodicidade de apuração informada na DIPJ e no PER/DCOMP, proferido despacho decisório não homologando a compensação, após haver, debalde, intimado a contribuinte para promover as retificações necessárias, falece competência a DRJ para apreciar originariamente a compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente, Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente interpôs Recurso Voluntário, de fls. 75/87, argumentando, em síntese, que tratase erro de erro material no preenchimento do PER/DCOMP e que tentou retificála, porém, o programa gerador impediu sua transmissão. Argumenta, ainda que, Fl. 135DF CARF MF 4 visando ao atendimento da intimação da DRF (fls. 65), protocolizou, em 28/11/06, pedido formal para retificação do PER/DCOMP e requer a reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. Compulsando os autos, verifico que o recurso voluntário é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade previstos nas normas de regência, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciálo. Alega a Recorrente, em síntese, que o erro cometido no preenchimento da DCOMP é mero erro de fato e que deve ser feita a alteração de ofício por parte da autoridade administrativa. O art. 170 do CTN, que rege a matéria, destaca como condição para realização da compensação a existência de direito líquido e certo, senão vejamos: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 destaca em seu artigo 74, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1oA compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2oA compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Vêse, conforme declaração da Recorrente, que a mesma errou quanto à informação inserida no PER/DCOMP no tocante à periodicidade de apuração do IRPJ. Na referida declaração, a Recorrente informou que a apuração era ANUAL e na DIPJ, fez constar que a apuração davase TRIMESTRALMENTE. Em que pese o argumento da Recorrente de se tratar de erro de fato, o equívoco apontado impediu a análise correta do crédito, já que a Declaração de Compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10980.908998/200815 Acórdão n.º 1003000.542 S1C0T3 Fl. 4 5 preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de débitos tributários. Afinal, o 170 do CTN e o art. 74 da Lei nº 9.430/96 deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação da Declaração de Compensação, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. A Recorrente tem o ônus de instruir os autos com documentos hábeis e idôneos que justifiquem a retificação das informações retificadas. Nesse sentido também vale ressaltar o disposto no art. o art. 195 do Código Tributário Nacional e o art. 4º do DecretoLei nº 486, de 03 de março de 1969, que preveem, em última análise, "que os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram." Por outro lado, em meu sentir, referido equívoco no preenchimento do PER/DCOMP, como alegado pela Recorrente, pode ser considerado mero erro de fato ou material, por se tratar de "discrepância entre a periodicidade de apuração informada na DIPJ e no PER/DCOMP". O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. O conceito de erro material apenas abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos, não resultantes de entendimento jurídico, como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional), o que não está caracterizado in casu. Por essa razão, entendo que se trata de erro material passível de correção de ofício e deve ser considerado como correto o direito creditório pleiteado no PER/DCOMP de nº 06499.78438.181005.1.3.023870, (fls. 1117) referente ao somatório dos saldos negativos dos quatro trimestres de 2000. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez Fl. 137DF CARF MF 6 superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO EM PARTE ao Recurso Voluntário para reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF que jurisdiciona a Recorrente para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no PER/DCOMP de nº 06499.78438.181005.1.3.023870, (fls. 1117) referente ao somatório dos saldos negativos dos quatro trimestres de 2000. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 138DF CARF MF
score : 1.0
