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Numero do processo: 13819.722800/2012-54
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
Numero da decisão: 2001-000.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 28 00 /2 01 2- 54 Fl. 127DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 6.237,14, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2010. A fundamentação do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura o fato de não ter sido apresentada comprovação complementar referente aos pagamentos de despesas médicas além dos recibos. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na comprovação da despesa, especialmente no que se refere a documentos suplementares aos recibos apresentados pelos serviços médicos prestados, como segue: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do IRPF 2011, ano calendário 2010, por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil da DRF/ São Bernardo do Campo. Foi apurado imposto suplementar no valor de R$ 6.237,14, acrescido de multa de ofício e juros de mora. O referido lançamento teve origem na constatação da(s) seguinte(s) infração(s): Dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 20.872,20. Glosados pagamentos diversos (fls. 08). A motivação detalhada das glosas encontrase às fls. 09. Dedução indevida com dependentes, no valor de R$ 1.808,28, por não ter apresentado certidão de casamento com Ana Maria Fontes Fujikake. (...) Do exposto, constatase que, para que as despesas médicas constituam dedução, fazse necessária a comprovação mediante documentação hábil e idônea da prestação dos serviços e da efetividade das despesas, limitandose a pagamentos especificados e comprovados. Para tanto, é necessário que o documento comprobatório da despesa contenha a indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de seu emitente, bem como a pessoa beneficiária e a discriminação do tipo de serviço prestado, nos termos do inciso III do art. 80 do RIR/99, citado linhas acima. Cumpre informar ainda que somente podem ser deduzidas despesas médicas com os profissionais elencados no caput do art. 80, Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13819.722800/201254 Acórdão n.º 2001000.745 S2C0T1 Fl. 128 3 anteriormente transcrito, razão pela qual o documento probatório deve apresentar o número do registro profissional de quem o emitiu. Por fim, vale destacar que, por força do art. 73 do Decreto 3.000/99, a autoridade lançadora poderá, se julgar necessário, intimar o contribuinte a comprovar o efetivo pagamento de determinadas despesas médicas informadas em sua declaração. Nesses casos, o sujeito passivo deve demonstrar de forma inequívoca a transferência de numerário ao profissional, apresentando para tanto, dentre outras provas, cópias de cheques, ordens de pagamento, transferências bancárias, comprovantes de depósito ou saques anteriores aos pagamentos, nos casos em que este último tenha sido efetuado em moeda corrente. Segundo a descrição dos fatos, os recibos apresentados relativos aos profissionais Sérgio Junior Seiti Fukuti e Thais Gusson Pilon não estavam revestidos das formalidades expressas na legislação tributária transcrita linhas acima. Nesta instância o impugnante acosta os recibos de fls. 16/33 com o fito de sanar essas falhas. Com efeito, os documentos de fls. 16/17 suprem as lacunas por ventura existentes no recibo apresentado anteriormente à fiscalização. Por essa razão, restabelecese a despesa correspondente no valor de R$ 5.000,00. Não obstante, os recibos de fls. 18/33, emitidos pela fisioterapeuta Thais Gusson Pilon, não informam o endereço da prestadora dos serviços, razão pela qual será mantida a glosa do correspondente valor. Com relação à glosa do plano de saúde, o requerente junta o comprovante de fls. 14, que demonstra os valores pagos discriminados por beneficiário, quais sejam, o contribuinte e sua esposa e dependente Ana Maria Fontes Fujikake. Contudo, o valor total comprovado é de R$ 5.717,90, quando o montante declarado a este título foi de R$ 5.872,20. Dessa forma, restabelecese sem ressalvas o valor demonstrado nos autos (R$ 5.717,90), mantendose a glosa do valor remanescente. São restabelecidas, por conseguinte, despesas médicas no valor total de R$ 10.717,90. Por fim, relativamente à glosa da dependente Ana Maria Fontes Fujikake, o requerente carreou ao processo a certidão de casamento de fls. 13, razão pela qual restou demonstrada a relação de dependência, devendose restabelecer a dedução à declaração do impugnante. Ante o exposto, voto pela PROCEDÊNCIA EM PARTE da impugnação, para restabelecer a dedução com dependentes no valor de R$ 1.808,28, bem como despesas médicas no montante de R$ 10.717,90, o que resultou na manutenção do imposto suplementar no Fl. 129DF CARF MF 4 valor de R$ 2.792,44, a ser acrescido da multa de ofício e dos juros de mora, nos termos da legislação tributária em vigor. Assim, conclui o acórdão vergastado pela procedência parcial da impugnação para manter a exigência do Lançamento em R$ 2.792,44, como imposto suplementar, mais acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) Não foram aceitas as despesas médicas apresentadas pelo declarante, do Dr. Sergio Junior Seiti Fukuti, Dra. Thais Gusson Pilon. As despesas realizadas com o Dr. Sergio Junior Seiti Fukuti, são referentes implantes por motivo da doença que tenho, PERIODONTAL, onde os dentes ficam moles devido a perda óssea do maxilar, venho fazendo este tratamento a vários anos. A minha esposa Ana Maria F. Fujikake, tem problemas na coluna, conforme exame datado de 09/09/2002, e exame datado de 04/03/2013, para provar que a paciente necessita os serviços de fisioterapia, por esta razão contratei os serviços da fisioterapeuta Autonoma Thais Gusson Pilon, onde as seções foram realizadas à domicílio, serviço este conhecido como HOME CARE. Pela impugnação dos recibos verifique que o recibo do Dr. Sergio Junior Seite Fukuti, faltava o carimbo na assinatura, estou substituindo, e da fisioterapeuta Thais Gusson Pilon faltava o endereço, a mesma não se encontra no país, porém o endereço da Fisioterapeuta é Rua Mario Fogaro, 556 CEP 09732530, São Bernardo do Campo, São Paulo, sendo que os pagamentos foram efetuados em moeda corrente conforme comprova o extrato bancário do Itau e Bradesco. Também estou enviando o extrato bancário do Itau e Bradesco do ano de 2010, para comprovar a retirada em dinheiro e emissão de cheques para pagamentos desses profissionais. A vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser cedido, cancelandose o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 13819.722800/201254 Acórdão n.º 2001000.745 S2C0T1 Fl. 129 5 Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A divergência no que ser refere à despesa médica é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia na contenda é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pelo contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; Fl. 131DF CARF MF 6 III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Decreto nº 3.000/99 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifei) A exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, assim, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do Fl. 132DF CARF MF Processo nº 13819.722800/201254 Acórdão n.º 2001000.745 S2C0T1 Fl. 130 7 CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagadorrecebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma. Descabe, assim, o rigor na exigência para a apresentação de comprovação suplementar sobre o contribuinte possuidor da documentação originária do pagamento nas condições em que a lei estabelece, especialmente porque a autoridade fiscalizadora pode obter informação de confirmação da outra parte. Razão não há para a dissociação de ambos os polos na relação e estabelecer exigência rigorosa de um e nada de outro, porque a operação é conjunta e correspondente, com reflexos constatáveis nas informações dos dois contribuintes. No caso, há que se considerar a presunção de idoneidade da comprovação apresentada em obediência ao que dispõe a legislação. Mais ainda, em razão da ausência da apresentação, por parte do fisco, de indícios que coloquem em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados pela Recorrente. Não basta a simples desconfiança do agente público incumbido da auditoria para que se obrigue o contribuinte a apresentar prova suplementar se não há elementos desabonadores da boa fé de quem usa a documentação especificada na lei para o exercício do direito à dedução na apuração do resultado tributário da pessoa física. O Código Civil, Lei nº 10.406/2002, em seu art. 219 diz que: “As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiros em relação aos signatários.” Neste sentido, os recibos em questão presumemse verdadeiros porque aceitos pelas partes contratantes identificadas no documento, de forma que não é razoável a decisão do Fisco de rejeitar os comprovantes como prova válida, sem a indicação de elementos que os desqualifiquem. Se os documentos são válidos para o prestador dos serviços oferecer os valores à tributação, os mesmos documentos deverão ser válidos também para a dedução legal de quem os recebe como comprovação de pagamentos. Por juízo subjetivo ou simples desconfiança, sem sequer a indicação de indícios de inidoneidade da documentação, não pode a autoridade lançadora fazer exigências fora dos limites da lei. O procedimento fiscal busca amparo no que dispõe o art. 73 e seu § 1º, do Decreto nº 3.000/99, para posicionar o ônus da prova unicamente no contribuinte, nos termos em que a seguir se descreve: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (grifei) § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, Fl. 133DF CARF MF 8 poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifei) No ordenamento jurídico brasileiro o decreto regulamentador é uma norma expedida pelo poder executivo que tem como função pormenorizar os preceitos fixados na lei, dentro dos limites nela insertos, sendo considerados, por isso, atos secundários. Seu alcance cingese aos limites da lei não podendo criar situações que obrigue ou limite direitos além daqueles constantes na lei que regulamenta. Neste quesito específico das deduções de despesas médicas temos o que dispõe a Lei nº 9.250/95, em seu art. 8º, § 2º, incisos II e III, que foi objetivamente regulamentado no Decreto 3.000/99, no art. 80, § 1º, incisos II e III. Assim, a regulamentação deste item de despesa dedutível aqui se esgota porque o objeto tratado foi abordado de forma direta e específica, não permitindo outras exigências porque a lei não concede extensões de procedimento fiscalizatório nem limitação quantitativa de direitos. Neste sentido descabe a utilização do art. 73 e seu § 1º, conforme citado no Lançamento, por se tratar de dispositivo genérico que aparece no Decreto Regulamentador no capítulo das Disposições Gerais de Deduções, vinculado ao longínquo DecretoLei nº 5.844 de 1943, muito distante no tempo e do contexto jurídico atual. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. A origem do conteúdo do texto vem do período do DecretoLei acima citado, mais precisamente do ano de 1943, anterior, portanto, às quatro últimas Constituições do Brasil (1946, 1967, 1969 e 1988) e, muito distante do conceito atual de Direito do Contribuinte e do Estado de Direito. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento ex officio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de provo, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. A Constituição Federal de 1988, em seu art. 5º, inciso II, diz que “ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Da mesma forma, o art. 150, inciso I, vai na mesma direção ao determinar que: “Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;”. A verdade posta é que ao reduzir ou limitar deduções a Autoridade Lançadora estaria aumentando tributo sem lei que estabeleça. Estamos sob a égide da Constituição Federal de 1988 e, quando a Carta Magna menciona o termo “lei” ela se refere aquele instrumento jurídico emanado do Poder Legislativo, como órgão de representação do povo, nascido do devido processo constitucional. O decretolei, por sua vez, constituíase numa espécie de ato normativo com origem no Poder Executivo em caso de urgência ou de interesse público relevante. Ou seja, um decreto que fazia às vezes de lei que vigorou até a Constituição Federal de 1988. A doutrina aceita que o decreto lei tenha valor vigorante enquanto não contrariar lei posterior. Contudo, o DecretoLei nº 5.844/1943, ao não constituirse em lei, contraria a Constituição vigente, nos dispositivos antes citados (inciso II, art. 5º e inciso I, art. 150 – CF/1988). Eventual desconfiança de que o profissional teria fornecido comprovação de serviço que não prestou caracterizaria conluio entre as partes contratantes, o que não foi apontado no histórico do Lançamento. Admitirse que os recibos não representam uma verdadeira prestação de serviço conduz à conclusão lógica de que teria ocorrido conluio entre profissional e paciente, ambos contribuintes do imposto, com o objetivo de lesar o fisco, e assim estariam enquadrados em multa qualificada, o que não foi o caso de apontamento no Lançamento. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 13819.722800/201254 Acórdão n.º 2001000.745 S2C0T1 Fl. 131 9 Em socorro ao posicionamento que busca resguardar o direito do contribuinte tomamse emprestados os termos da doutrina que trata da necessária clareza da motivação nos atos da administração pública, trazida pelo sempre bem citado Hely Lopes Meireles, quando descreve a necessidade da motivação do ato administrativo, que assim se posiciona: “Para se ter a certeza de que os agentes públicos exercem a sua função movidos apenas por motivos de interesse público da esfera de sua competência, leis e regulamentos recentes multiplicam os casos em que os funcionários, ao executarem um ato jurídico, devem expor expressamente os motivos que o determinaram. É a obrigação de motivar. O simples fato de não haver o agente público exposto os motivos de seu ato bastará para tornálo irregular; o ato não motivado, quando o devia ser, presumese não ter sido executado com toda a ponderação desejável, nem ter tido em vista um interesse público da esfera de sua competência funcional.” No mesmo sentido a Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, no seu art. 50, diz que: “os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; decidam processos administrativos de concurso ou seleção público; decidam recursos administrativos...”. O Novo Código de Processo Civil, embora posterior aos fatos da ocorrência do lançamento, pode ser utilizado em apoio à interpretação aqui esposada, porque mais benéfico à Recorrente, contém dispositivos pertinentes que devem ser trazidos à colação, de vez que transitam na mesma linha de entendimento que aborda a observância do direito do contribuinte de forma moderna e em consideração ao Estado de Direito. O Código avança no sentido de estabelecer o equilíbrio de forças das partes no processo de julgamento, como se vê na orientação do art. 7º, como segue: “Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório”. (grifei) Traz reforço ainda o CPC para esse entendimento quando suaviza o posicionamento anterior que atribuía ao contribuinte, de forma quase que exclusiva, o ônus da prova, e inaugura a possibilidade das partes atuarem em prol de uma instrução colaborativa, a fim de oferecer ao julgador melhores subsídios para proferir a decisão, sem que se faça uso da regra do ônus da prova de forma unilateral. Este novo procedimento está explicitado no § 1º, do art. 373, da seguinte forma: § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. Fl. 135DF CARF MF 10 De forma semelhante o art. 6º do CPC reforça este entendimento colaborativo ao dizer que “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”. CONCLUSÃO Legítima a dedução a título de despesas médicas do valor pago pelo contribuinte, comprovado mediante apresentação de recibo assinados por profissional habilitado, pois tais documentos guardam ao mesmo tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirma o seu pagamento. Desnecessária qualquer declaração posterior firmada pelo profissional prestador do serviço porque aqueles comprovantes já cumprem a função legalmente exigida. De considerar plenamente admissível que os comprovantes revestidos das formalidades legais sustentam a condição de valor probante, até prova em contrário, de sua inidoneidade. A contestação da Autoridade Fiscal sobre a validade da documentação comprobatória deve ser apresentada com indícios consistentes e não somente por simples dúvida ou desconfiança. Acolhese como verdadeira a prova apresentada que satisfaça os requisitos previstos na legislação pertinente e, para eventual convicção contrária da Autoridade Lançadora, esta deverá ser posta com fundamentos consistentes que a sustentem objetivamente. No caso, constatase que os serviços prestados correspondem à especialidade técnica de profissional habilitado na área médica, de acordo com as necessidades especificas do beneficiário e, com o fornecimento de comprovantes de pagamento dos serviços prestados, mediante recibos assinados por profissional habilitado. Assim que, verificase que o Recorrente apresentou a documentação comprobatória da despesa médica realizada, correspondendo à comprovação do pagamento do profissional, na forma exigida pela legislação, e por isso a utilizou como dedutível na declaração de ajuste do imposto, razão porque se faz necessária a providência da exclusão da glosa das despesas médicas, tendo sido cumpridas também as questões formais antes pendentes, como se vê na peça recursal, o que poderia ter sido feito por simples consulta por meios digitais via internet. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO, restabelecendose a dedução das despesas médicas glosadas, cancelandose o crédito tributário na sua totalidade. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.726325/2015-30
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS.
Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973.
Numero da decisão: 2001-000.856
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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REQUISITOS. Da legislação de regência, extraise que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 63 25 /2 01 5- 30 Fl. 73DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa a Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2013, anocalendário de 2012. De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, foi apurada a glosa sobre as deduções indevidamente realizadas pelo sujeito passivo, por falta de comprovação de pagamento, a título de Despesas Médicas, Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública e Contribuição à Previdência Privada e Fapi. Regularmente cientificado da Notificação, o contribuinte, em suma, discordou da glosa das deduções e juntou documentos diversos para comprovar suas despesas médicas e obrigação em pagar a pensão. Em razão do disposto na Instrução Normativa RFB nº 1.061/2010, foi lavrado o Termo Circunstanciado de fls. 24/25, aprovado pelo Despacho Decisório de fls. 26, o qual alterou o lançamento, com base nas seguintes constatações : o contribuinte comprovou o valor pleiteado como despesas médicas e relativamente à glosa do valor pleiteado a titulo de pagamento de pensão alimentícia judicial não teria sido apresentada a sentença judicial de prestação de alimentos a fim de comprovação de ter o contribuinte obrigação judicial deste pagamento, assim como a verificação dos prazos e percentuais judicialmente impostos. A DRJ Campo Grande, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que o contribuinte logrou êxito parcial em comprovar o seu direito posto que, nos autos, os documentos de fls. 33/40 comprovam a determinação judicial do desconto de 22% dos ganhos líquidos do contribuinte em favor de Lourdes Dias e Flávia Dias Fortes. Assim, e considerando que deverá ser observado o limite acima para fins de dedução com pensão alimentícia judicial, será revertida a glosa efetuada a esse título, no valor de R$19.368,71, correspondente a 22% dos rendimentos líquidos recebidos da pagadora Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão. Em sede de Recurso Voluntário, salienta o contribuinte que para o cálculo do percentual de 22% deve também ser considerado os vencimentos do INSS, e não somente os vencimentos da SEPLAG, conforme se verifica através dos documentos juntados ao processo. Sendo assim, o valor por ele deduzido a título de pensão alimentícia, estaria dentro do limite estabelecido na decisão judicial. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Pensão alimentícia Fl. 74DF CARF MF Processo nº 18470.726325/201530 Acórdão n.º 2001000.856 S2C0T1 Fl. 3 3 Como vimos, o presente lançamento decorre que glosa sobre deduções supostamente indevidas realizadas pelo sujeito passivo, por falta de comprovação de obrigatoriedade judicial no pagamento da Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública e Contribuição à Previdência Privada e Fapi. No entanto, a DRJ Campo Grande constatou que o contribuinte logrou êxito parcial em comprovar o seu direito posto que, nos autos, os documentos de fls. 42/49 comprovam a determinação judicial do desconto de 22% dos ganhos líquidos do contribuinte em favor de Lourdes Dias e Flávia Dias Fortes. Nesta senda, merece trazer a baila o que dispõe a legislação no que se refere à pensão alimentícia. Vejamos o que está previsto no art. 8º, II, “f”, da Lei nº 9.250/1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; Ressaltese que a alínea “f” do inciso II do artigo 8º da Lei nº 9.250, de 1995, passou a ter nova redação com o advento da Lei n.º 11.727, de 23 de junho de 2008, redação esta que, nos termos do art. 21 desta Lei, entrou em vigor na data da publicação da Lei nº 11.441, de 4 de janeiro de 2007. Eis a nova redação: f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou deescritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Conforme verificase da legislação acima transcrita, são requisitos para a dedução: a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; que o pagamento tenha a natureza de alimentos; que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do anocalendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. No caso em comento discutese apenas o limite de 22% estabelecido na sentença judicial. O cálculo feito pelo órgão a quo considerou apenas os vencimentos recebidos pela SEPLAG, quando na verdade precisa também ser feito o cálculo considerando os vencimentos recebidos pelo INSS, como muito bem colocado pelo contribuinte. Fl. 75DF CARF MF 4 Neste diapasão, verificando a boa fé, o respaldo em decisão judicial e os argumentos e documentos claros trazidos pelo contribuinte, além das efetivas provas da obrigação legal em pagar a pensão, entendo serem dedutíveis as despesas de pensão alimentícia incorridas pelo contribuinte e que deve ser feito o recálculo do limite considerando os vencimentos do INSS. Sendo assim, não irá mais ter nenhum saldo de crédito tributário devido pelo contribuinte, haja vista que toda a despesa lançada será dedutível, eis que dentro do limite de 22% estabelecido na sentença judicial retro mencionada. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para acatar integralmente a despesa de pensão alimentícia declarada pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.000525/2006-20
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. NÃO CONHECIMENTO.
A divergência na aplicação do direito, entre diferentes colegiados do CARF, condição para conhecimento do Recurso Especial, somente se estabelece no caso em que os colegiados, frente a situações fáticas semelhantes, aplicam o direito de forma diversa, gerando decisões divergentes. No caso, as situações fáticas enfrentadas pelos acórdãos paradigma eram diferentes daquela discutida no acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9303-007.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. NÃO CONHECIMENTO. A divergência na aplicação do direito, entre diferentes colegiados do CARF, condição para conhecimento do Recurso Especial, somente se estabelece no caso em que os colegiados, frente a situações fáticas semelhantes, aplicam o direito de forma diversa, gerando decisões divergentes. No caso, as situações fáticas enfrentadas pelos acórdãos paradigma eram diferentes daquela discutida no acórdão recorrido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. NÃO CONHECIMENTO. A divergência na aplicação do direito, entre diferentes colegiados do CARF, condição para conhecimento do Recurso Especial, somente se estabelece no caso em que os colegiados, frente a situações fáticas semelhantes, aplicam o direito de forma diversa, gerando decisões divergentes. No caso, as situações fáticas enfrentadas pelos acórdãos paradigma eram diferentes daquela discutida no acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 05 25 /2 00 6- 20 Fl. 664DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de ressarcimento de créditos de Cofins oriundos da incidência não cumulativa em operações do mercado interno, no montante originário de R$ 4.933.560,93, referente ao terceiro trimestre do ano de 2005, de acordo com o PER/DCOMP transmitido em 06/01/2006. Despacho Decisório SEORT DRF/CPS não reconheceu a integralidade do crédito, reconhecendo apenas o direito creditório de R$ 4.864.919,10, homologando as compensações declaradas até esse limite. Tal redução decorreu do não reconhecimento de despesas com manutenção predial corretiva e preventiva bem como de fretes de transferências de produtos entre estabelecimentos da contribuinte, nos valores que compõem a base de cálculo dos créditos relativos aos serviços utilizados como insumos. Intimada do despacho, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, para que fossem reformado o despacho decisório e reconhecido o direito creditório objeto do pedido de ressarcimento do presente processo, para que se homologue integralmente as compensações a ele vinculadas. Já a 4ª Turma da DRJ/FNS, no acórdão nº 07 23.583, considerou, por unanimidade, improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório em litígio. Intimada do acórdão da DRJ a contribuinte, interpôs recurso voluntário e, em apertado resumo, esgrimiu os seguintes argumentos: · decadência do direito de o fisco analisar a apuração do saldo credor de Cofins relativo ao terceiro trimestre de 2005, invocando o § 4º do art. 150 do CTN; · frete de transferência de produtos semielaborados entre estabelecimentos da recorrente é um verdadeiro insumo necessário à industrialização final, da mesma forma que os gastos com a manutenção de prédios e instalações fabris influenciam diretamente na produção, sendo igualmente insumos, todos eles servindo de base de cálculo para os créditos de Cofins; · os valores de estimativas de IRPJ e CSLL compensados, não poderiam ser exigidos, ainda que não homologados os créditos pleiteados, pois encerrado o anocalendário só restaria apurar o valor definitivo desses tributos, com redução do saldo negativo apenas; e · impossibilidade de imputação de multa de mora em face de denúncia espontânea, pois houve pagamento (compensação) com juros de mora, antes de qualquer atividade da fiscalização. O recurso voluntário foi foram apreciados pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento em 26/02/2015, resultando no acórdão nº 3801005.221, que tem as seguintes ementas: DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. NÃO APLICÁVEL. Fl. 665DF CARF MF Processo nº 10830.000525/200620 Acórdão n.º 9303007.514 CSRFT3 Fl. 665 3 Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do pedido de restituição ou ressarcimento no prazo de 5 anos. O Art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional CTN, dispõe sobre o prazo decadencial para a homologação do lançamento; o art. 173 do CTN trata de prazo para constituição de crédito tributário; o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação. Nenhum destes prazos se aplica à apreciação de pedidos de restituição ou ressarcimento. MANUTENÇÃO PEDIAL. CRÉDITO DA COFINS. IMPROCEDÊNCIA. A manutenção predial corretiva ou preventiva, não preenche a condição de insumo, aplicado direta ou indiretamente à produção de bem ou a prestação de serviço. FRETES DE TRANSFERÊNCIA. CRÉDITO DA COFINS. PROCEDÊNCIA. Confere direito ao crédito referente ao frete entre estabelecimentos do próprio contribuinte, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá custo de produção e funcionará como insumo da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea resta configurada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando o contribuinte ao efetuar a compensação, concomitantemente ou em ato posterior o declara, anteriormente a qualquer procedimento do Fisco. Art. 138 do CTN. (Súmula 360/STJ e RESP nº 1.149.022/SP). EXIGÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL ESTIMATIVA. Passíveis de sanções pelo inadimplemento da obrigação. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado: I) Pelo voto de qualidade, não acatar a tese de homologação tácita. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo (Relator) e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani; II) Por unanimidade de votos, manter a glosa referente aos créditos decorrentes de manutenção predial; III) Por maioria de votos, restabelecer os créditos decorrentes dos fretes de transferência nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes; IV) Por maioria de votos, reconhecer o instituto da denúncia espontânea nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes. V) Por unanimidade de votos, manter a possibilidade de cobrança dos débitos de estimativa de IRPJ e Fl. 666DF CARF MF 4 CSLL. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Daniel Borges Costa, OAB/SP 250.118. Recurso especial de Fazenda Intimada para ciência do acórdão a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência. Os acórdãos paradigmas de nº 3302002.025, nº 3302 01.166 e nº 220100.081 não admitem direito a crédito pelos valores das despesas com fretes contratados para transferência de produtos acabados ou em elaboração entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, diferentemente do acórdão recorrido, que vê tais serviços como insumos. O Presidente da 1ª Câmara de Terceira Seção de Julgamento do CARF, apreciou o recurso especial de divergência do Procurador, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, dandolhe seguimento. Contrarrazões da contribuinte A contribuinte foi intimada do acórdão de recurso voluntário, recurso especial de divergência e do despacho de sua admissibilidade em 13/04/2016 e apresentou contrarrazões em 28/04/2016. Inicia pleiteando que não se conheça do recurso especial do Procurador, pois não haveria similitude fática entre os paradigmas e o recorrido, pois neste estarseia tratando de frete para transferência de produtos semielaborados e naqueles de produtos acabados. No mérito, afirma que o fisco está a utilizar de conceito de insumo ligado à tributação do IPI, excessivamente restritiva no tocante ao PIS e Cofins que visam a abranger os custos e encargos imprescindíveis e essenciais para a consecução da atividade empresarial causando um alargamento da interpretação fiscal. Tal interpretação seria prestigiada pela doutrina e jurisprudência administrativa e judicial. No caso concreto, se trata de peças automotivas que são transportadas entre São Paulo e Camaçari na Bahia, para ali agregar outros componentes, finalizando sua produção. Em vista disso, haveria que se considerar o frete como despesa de insumo para o produto final. Recurso especial da contribuinte Na mesma data em que apresentou contrarrazões, a contribuinte interpôs recurso especial de divergência, no qual apresenta três matérias para as quais vê divergência: a) homologação das informações prestadas em DACON, para efeito de homologação de avaliação de pedido de ressarcimento ou restituição; b) apuração de créditos da não cumulatividade sobre manutenção predial; e c) impossibilidade de exigência de IRPJ e CSLL a título de estimativas em razão da apuração de prejuízo fiscal ao final do anocalendártio. Indica dois paradigmas para a última matéria e um para cada uma das duas primeiras. O Presidente da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, negou seguimento ao recurso especial de divergência para todas as matérias, pois, para Fl. 667DF CARF MF Processo nº 10830.000525/200620 Acórdão n.º 9303007.514 CSRFT3 Fl. 666 5 primeira matéria, paradigma e recorrido tratavam de declarações distintas, com efeitos decadenciais também distintos; na segunda há falta de similitude fática, pois o paradigma trata de manutenção de máquinas enquanto que no recorrido trata de manutenção predial; e por fim, quanto à terceira matéria, o recorrido referese à confissão dos valores devidos em DCOMP, que não poderiam ser afastados pela posterior apuração de saldo negativo ao final do ano calendário correspondente, enquanto que nos dois paradigmas indicados tratavase de lançamento de ofício, sem qualquer consideração acerca da possibilidade de reverse confissão efetuada em DCOMP. Inconformada, a contribuinte apresentou agravo ao despacho que denegou seu recurso especial de divergência relativamente às mesmas matérias recorridas. Em novo despacho, agora pelo Presidente do CARF, houve rejeição do agravo. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo. Conhecimento No tocante ao conhecimento do recurso há que se realizar análise preliminar em face de alegada não similitude fática entre os paradigmas e o recorrido, aduzido pela contribuinte em suas contrarrazões. A diferença, no entender da contribuinte residiria no fato de os paradigmas tratarem de produtos acabados e no caso do recorrido estarseia tratando de produtos semi elaborados, insumos sujeitos a processo produtivo final no destino. Os paradigmas sob análise seriam os de nº 3302002.025 e nº 330201.166, admitidos no despacho de admissibilidade, pela regra do § 7º do art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015. De início, há que se reconhecer que os julgados são definidos pelos seus dispositivos e não pelas razões de decidir postas no voto condutor. Justamente, o que está explicitado na parte dispositiva dos acórdãos é que faz a coisa julgada. No tocante à matéria aqui em litígio, o acórdão nº 3302002.025 tinha a seguinte redação: Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos seguintes termos: (...) 3 por maioria de votos, para negar o direito ao crédito nas despesas com fretes entre estabelecimentos da recorrente; (...) Fl. 668DF CARF MF 6 Até aqui não há referência quanto a se tratar de produtos acabados ou não. A ementa, por sua vez dispunha: CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados para as transferências de mercadorias (produtos acabados ou em elaboração) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a créditos da Cofins e da Contribuição ao PIS. (Negritei) Nesse ponto é que se centrou o Procurador para firmar a similitude fática. Contudo, ao observarmos o relatório do acórdão, encontramos a seguinte passagem: Entende a ora Impugnante que o direito aos créditos da Cofins e da Contribuição ao PIS decorrentes das despesas com fretes, quando da transferência de mercadorias (produtos acabados) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica encontra amparo no ordenamento jurídico, em vista da sistemática da nãocumulatividade, adotada para a Cofins e para a Contribuição ao PIS para impedir a “incidência em cascata” de tributos. Segundo a impugnante, a transferência de produtos entre estabelecimentos industriais se faz necessária para otimizar a logística de circulação de bens destinados à revenda e, portanto, o frete contratado pela Perdigão, por exemplo, é despesa indireta da subsequente venda e não poderia o direito ao crédito ser vedado quando de sua passagem por mais de um estabelecimento industrial, dentro da cadeia de vendas. (Negritei.) Aqui se observa, que realmente aquele acórdão tratava de produtos acabados e mais, no voto vencedor quanto a esta matéria estava transcrito: O frete é um serviço que, em regra, não ocorre durante o processo de industrialização, uma vez que a movimentação durante o ciclo é efetuada pela própria empresa. O frete entre estabelecimentos não diz respeito ao ciclo de produção e a legislação, conforme já ressaltada pelas instâncias pretéritas, somente admite o crédito relativo ao frete na operação de venda. As alegações da Interessada quanto às normas da Anvisa já foram analisadas em itens anteriores e raciocínio semelhante aplicase neste caso, destacandose que seria especial em relação ao processo de produção da Interessada a refrigeração, por exemplo, e não o frete propriamente dito. Vale dizer, é possível entender que a manutenção dos produtos em temperaturas baixas ou em outro estado exigido pela legislação represente etapa da produção, mas não é essa a Fl. 669DF CARF MF Processo nº 10830.000525/200620 Acórdão n.º 9303007.514 CSRFT3 Fl. 667 7 despesa que a Interessada alegou gerar o direito de crédito e, sim, o transporte. No caso, a refrigeração tornaria o transporte possível, que não é um procedimento da produção. Portanto, não se admite, neste caso, que o frete seja considerado insumo utilizado na produção. O sujeito passivo daquele processo industrializava produtos alimentícios sujeitos ao transporte refrigerado, ficando evidenciado que se tratava de produto acabado, para o qual o transporte ente estabelecimentos não visava à produção, mas à logística de circulação dos bens para revenda. No segundo acórdão admitido, de nº 330201.166, está indicado no relatório: Constatouse também que a empresa calculou créditos sobre valores escriturados nas contas "Fretes Transferências para Vendas". Esses fretes referemse à transferência de produtos acabados entre diversos estabelecimentos da empresa ou então para estabelecimentos de terceiros não clientes, caracterizando fretes não vinculados a operações de venda e, portanto, não geram créditos, por falta de previsão legal. Sendo assim, essa parcela foi glosada pela Fiscalização. (Negritei.) A ementa do paradigma, no tocante a matéria, dispunha: CRÉDITO. INSUMOS. Os gastos com frete de produtos entre estabelecimentos não geram direito ao crédito de PIS não cumulativo, eis que tal serviço não é utilizado como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda Recurso Voluntário Negado. (Negritei.) Já no voto se pode observar o seguinte entendimento: Tais gastos não têm amparo legal para o seu creditamento, por absoluta falta de previsão legal, eis que os fretes em apreço são despesas realizadas após a fase de produção, portanto não geram crédito visto que, conforme dispõe a lei, para que o frete gere direito ao creditamento é necessário que esse serviço seja utilizado como insumo ou na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou, ainda, se a despesa estiver ressalvada na relação taxativa de bens e serviços que geram direito ao crédito, o que não é o caso. (Negritei.) Fl. 670DF CARF MF 8 Aqui, mais uma vez, tratase de produto acabado. Ocorre ainda que o representante da contribuinte afirmou em sede de manifestação de inconformidade: 52. Ocorre que, o que se verifica, na realidade, não é a mera transferência de produtos entre estabelecimentos, mas, sim, de operação da seguinte forma concebida: o estabelecimento da Requerente, localizado em São Paulo, remete peças automotivas denominadas de "eixos traseiros", soldados e pintados, para seu outro estabelecimento, localizado em CamaçariBA, sendo que neste local serão agregados diversos outros componentes para finalização da industrialização do referido "eixo traseiro", transformandoo em "módulo de suspensão", produto final este que será vendido para a empresa automobilística "Ford", (doc. 06) 53. Como se vê, o frete realizado entre os estabelecimentos de São Paulo e Camaçari na realidade transfere de São Paulo um produto semielaborado ("eixo traseiro"), o qual será utilizado como INSUMO no próximo estabelecimento da cadeia da Requerente, tendo sua industrialização finalizada com a agregação de diversos outros componentes àquele produto em Camaçari, local este onde efetivamente se tem o produto acabado ("módulo de suspensão"), sendo que nesta etapa é que se tem o produto finalizado e que será repassado ao consumidor final. 54. Portanto, o que se pode verificar é que o frete utilizado pela Requerente para composição de seu saldo credor de COFINS é efetivamente o de um "serviço utilizado como insumo", haja vista que a transferência de um produto semielaborado para industrialização final em outro estabelecimento nada mais é senão um insumo na cadeia econômica da Requerente e assim deve ser considerado para fins de aproveitamento dos créditos. (Negritos do original, sublinhei.) Tais afirmações não foram contraditadas em momento posterior, em qualquer decisão, logo, admitese neste processo que seja esse o processo produtivo até a obtenção do produto a ser vendido. Dessa forma, não há como paragonar os acórdãos que tratam de fretes de produtos acabados com o aresto recorrido que se estabeleceu na análise de fretes dos insumos de produção entre estabelecimentos da contribuinte. Além disso, na própria discussão da matéria de direito, o Procurador afirma: Com efeito, o frete de mercadorias é um serviço utilizado na distribuição/reorganização das mercadorias, e não na produção delas. Por isso os referidos fretes não podem ser considerados insumos e gerar créditos com base no inciso II do artigo 3º das Leis 10637/02 e 10833/03. Os custos de distribuição de mercadorias não se subsumem ao conceito de insumo utilizado no processo produtivo. Ora, se o conceito de insumos utilizados na produção envolvesse também Fl. 671DF CARF MF Processo nº 10830.000525/200620 Acórdão n.º 9303007.514 CSRFT3 Fl. 668 9 os custos de distribuição da mercadoria, seria completamente desnecessária a previsão do inciso IX, que menciona custos específicos desta etapa, razão pela qual, repitase, o frete usado para a distribuição das mercadorias não está inserido na hipótese do inciso II. Tratandose, então, do inciso IX, mister registrar que ele também não alcança o valor do frete contratado para a realização de transferências de mercadorias dos estabelecimentos industriais aos estabelecimentos distribuidores, já que tais custos não integram a operação de venda a ser realizada posteriormente. Apenas daria direito ao crédito o frete contratado para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes. (Negritei.) Essas passagens evidenciam que o Procurador encarava os produtos como mercadorias a serem distribuídas, ou seja produtos acabados. Além disso, tratando a seguir de conclusões da Solução de Divergência COSIT nº 11, de 2007, pacificando a matéria, transcreve: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Cofins Apuração nãocumulativa. Créditos de despesas com fretes. Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados, ainda, que pagos ou creditados a pessoas jurídicas domiciliadas no país para realização de transferências de mercadorias (produtos acabados) dos estabelecimentos industriais para os estabelecimentos distribuidores da mesma pessoa jurídica, não geram direito a créditos a serem descontados da Cofins devida. (Destaquei.) Logo, os argumentos utilizados para sustentar a divergência, igualmente se apóiam em situação fática distinta daquela do recorrido. Tendo em vista essas observações, entendo que assiste razão à contribuinte, quando não vê similitude fática entre os acórdão paradigmas e o acórdão a quo. Por essas razões, voto por não conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional. CONCLUSÃO Em face do exposto, voto por não conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 672DF CARF MF 10 Fl. 673DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.721652/2017-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2014
IRPJ. CONTRIBUIÇÕES EXTRAORDINÁRIAS A PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. DESPESAS NECESSÁRIAS.
As despesas incorridas pelo patrocinador a título de "contribuições extraordinárias" destinadas ao custeio de déficits de planos de previdência complementar, ocorridas nos termos de TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) homologado pela PREVIC, são necessárias e, portanto, dedutíveis, não estando sujeitas ao limite previsto no artigo 361 do RIR/99.
CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE.
Por se tratar de exigência reflexa, realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento de IRPJ aplica-se à CSLL.
Numero da decisão: 1201-002.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Ailton Neves da Silva, Eva Maria Los e Ester Marques Lins de Sousa que negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada), Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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CONTRIBUIÇÕES EXTRAORDINÁRIAS A PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. DESPESAS NECESSÁRIAS. As despesas incorridas pelo patrocinador a título de "contribuições extraordinárias" destinadas ao custeio de déficits de planos de previdência complementar, ocorridas nos termos de TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) homologado pela PREVIC, são necessárias e, portanto, dedutíveis, não estando sujeitas ao limite previsto no artigo 361 do RIR/99. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de exigência reflexa, realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento de IRPJ aplicase à CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Ailton Neves da Silva, Eva Maria Los e Ester Marques Lins de Sousa que negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 16 52 /2 01 7- 10 Fl. 685DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada), Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Autos de Infração (fls. 315/328) que exigem IRPJ e CSLL, referentes ao ano calendário de 2014, em razão de glosa de despesas. De acordo com o Relatório de Ação Fiscal de fls. 329/345: IV – Dos Fatos Constatados O Banco do Estado do Rio Grande do Sul S/A, na qualidade de patrocinador de planos de previdência complementar, no ano de 2014, além das suas contribuições patronais ordinárias, contribuiu também na reestruturação dos planos de benefícios da Fundação Banrisul de Seguridade Social FBSS, tendo uma despesa extraordinária de R$ 287,179 milhões que foi levada para a apuração de resultado do período de forma integral. No Relatório Anual da Fundação Banrisul de Seguridade Social de 2014 (extrato nas folhas 301 a 306), constam várias informações sobre o processo de migração de planos com informações dos patrocinadores, entre eles, o Banrisul. IV.1 – Do Relatório Anual 2014 Fundação Banrisul Seguridade Social Em 2014 foi implementado o processo de migração facultativa e incentivada do Plano Benefícios I para dois novos planos de benefícios (fl.301): i)Plano de Benefício Saldado PBSaldado e; ii) Plano de Benefícios FBPREV II, cujo prazo de opção se deu no período de 03/02 a 03/04/2014 e a transferência dos respectivos recursos garantidores na data de 30/05/2014. Notas Explicativas 1.7 Migração para Novos Planos – fl.303 As alterações propostas para o regulamento do Plano de Benefícios I (CNPB n° 1979.004765) foram aprovadas pela Portaria n° 718, da Superintendência Nacional de Previdência Complementar, de 20 de dezembro de 2013. A Portaria n° 718 Fl. 686DF CARF MF Processo nº 11080.721652/201710 Acórdão n.º 1201002.665 S1C2T1 Fl. 3 3 também aprovou a criação de dois novos planos, fixando o prazo de inicio de funcionamento dos mesmos, em 180 dias. Os novos planos foram os receptores das reservas de transferência decorrentes da migração facultativa do Plano de Benefícios I para um Plano de Benefícios Definido (Plano de Benefícios Saldado, CNPB n° 2013.002165) ou para um Plano de Contribuição Variável (Plano de Benefícios FBPREV II, CNPB n° 2013.002238). 1.7.3 Reservas de Transferência – fls.304/305 Em virtude da opção pela migração, os recursos garantidores foram transferidos aos novos Planos de Benefícios Saldado e FBPREV II, de acordo com os percentuais de transferência e as reservas de transferências apuradas de acordo com o Regulamento do Plano de Benefícios I e Nota Técnica Atuarial. O Percentual de Transferência consiste no percentual individualmente calculado, a partir da divisão, na data do cálculo, da reserva matemática do participante ou assistido que optou pela migração, já descontados os valores do serviço passado ainda não integralizado, do saldo do déficit equacionado de 2009 e do valor do déficit acumulado de 2013, pelo somatório das reservas matemáticas de todos os participantes e assistidos do plano, posicionados na data do cálculo, 28 de fevereiro de 2013, nos termos da Nota Técnica Atuarial do Plano. 1.7.5 Incentivo à Migração – página 108 do Relatório da Fundação – fl.305 Para os participantes e assistidos que optaram pela migração, os respectivos patrocinadores ofereceram incentivos previstos nos Regulamentos dos Planos de Benefícios Saldado e FBPREV II. Os valores totais desses incentivos recebidos dos patrocinadores em 30 de maio e 1º de junho de 2014 estão apresentados a seguir: Patrocinadores Planos – valores em R$ mil FBPREV II Saldado Soma Banrisul 114.221 140.843 255.064 [...] IV.2 – Do Termo de Ajuste de Conduta (TAC) – fls. 05/21 O Termo de Ajuste de Conduta foi publicado no DOU em maio de 2013 e firmado por representante da Fundação Banrisul de Seguridade Social e por representantes dos patrocinadores, entre eles o Banco do Estado do Rio Grande do Sul S/A Banrisul. Fl. 687DF CARF MF 4 O objeto da proposição do TAC se refere aos sucessivos déficits do Plano de Benefícios I – PBI, recorrentes desde a quitação, em setembro de 2008, do Contrato de Assunção de Dívida pelo Estado do Rio Grande do Sul. Os déficits são acumulados desde 2009. Assim, o TAC tem por objetivo a pactuação de plano proposto pela Fundação visando ao ajustamento das condutas apontadas em ofícios e relatórios de fiscalização da Previc. As medidas apresentadas à Previc foram debatidas por comissão tripartide, formada por representantes do patrocinador Banrisul, FBSS e Sindicato dos Bancários de Porto Alegre, FETRAFI (Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Instituições Financeiras e AFABAN (Associação dos Funcionários Aposentados do Banrisul. As medidas adotadas: a) ajustes no regulamento do PBI; b) criação de um Plano BD Saldado; c) criação de um plano de contribuição variável; d) incentivos à migração propostos pelos Patrocinadores – com o intuito de motivar a adesão ao processo de migração existe compromisso dos patrocinadores de aporte de incentivos, de forma a atingir as metas propostas, inclusive com aporte financeiro visando a migração dos participantes e assistidos. [...] IV.4 – Valores totais da migração e sua contabilização [...] Pela análise da ECF anocalendário 2014 (fls.156/157) foi identificado que o valor total de despesas realizado pelo Banrisul S/A no período relativos à migração dos planos e que impactou o resultado tributável foi de R$ 287.178.633,94, composto pelas seguintes rubricas contábeis: 2819990086202010Despesa Incentivos Migração Plano Fundação R$ 255.063.680,02 2819990086201657Outras Desp.OperacionaisEspecialDRH R$ 32.114.953,92 A primeira das contas acima recebeu o valor de incentivo que foi repassado para Fundação Banrisul de Seguridade Social para aporte direto nas contas nos planos de previdência: Saldado, no valor de R$140.842.214,06 e FBPREVII, R$114.221.165,96, conforme a ata do Conselho de Administração nº 560, de 03/06/2014, valor esse contabilizado de forma total em um único lançamento. Já a outra conta recebeu os valores de pagamento em espécie de 4 mil reais líquidos (R$4.377,72 valor bruto para incidência de imposto de renda na fonte) a quem optou pela migração de plano. Fl. 688DF CARF MF Processo nº 11080.721652/201710 Acórdão n.º 1201002.665 S1C2T1 Fl. 4 5 Assim, dos itens elencados pela fiscalizada, o número 1 foi contabilizado na rubrica 2819990086201657, sendo na forma de vários lançamentos ao longo do ano de 2014, conforme eram feitas as opções pela migração de planos; os itens 2 a 6 foram contabilizados na rubrica 2819990086202010 Despesa Incentivos Migração Plano Fundação R$ 255.063.680,02, em valor global na forma de um único lançamento. Em atendimento ao contato realizado pelo Semac (fls.149/154), o Banrisul defendeu a migração de planos como um processo fundamental para afastar os efeitos legais, bem assim os assumidos em Termo de Ajuste de Conduta, que seriam ainda mais negativos aos resultados futuros do Banco e ao ânimo do seu corpo funcional. Não fosse a migração, haveria a imposição de contribuições adicionais para cobertura de um déficit da ordem de R$ 1,2 bilhão. Por isso, essas despesas foram consideradas necessárias e foram deduzidas integralmente da apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL. Nesse mesmo expediente, a fiscalizada também defendeu a não aplicação da regra legal de limitação dos gastos com previdência complementar ao caso em questão (art.11, §2º da Lei 9.532/1997), por entender que essas despesas não se caracterizam como contribuição à plano de previdência complementar, defendendo que, para tal, deveriam estar presentes três critérios: i) da causalidade (inexistência de relação entre a despesa e o trabalho que prestam os empregados); ii) a obrigatoriedade (patrocinador não era obrigado a realizar o processo de repactuação incentivado); iii) da periodicidade (não se aplica a situações pontuais). No entanto, a lei não faz menção a qualquer um desses requisitos. Como pode ser vista nas transcrições abaixo. Lei 9.532/1997 Art.11. (...) § 2o Na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, o valor das despesas com contribuições para a previdência privada, a que se refere o inciso V do art. 13 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e para os Fundos de Aposentadoria Programada Individual Fapi, a que se refere a Lei no 9.477, de 24 de julho de 1997, cujo ônus seja da pessoa jurídica, não poderá exceder, em cada período de apuração, a 20% (vinte por cento) do total dos salários dos empregados e da remuneração dos dirigentes da empresa, vinculados ao referido plano. § 3 o O somatório das contribuições que exceder o valor a que se refere o § 2 o deste artigo deverá ser adicionado ao lucro líquido Fl. 689DF CARF MF 6 para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido. Lei 9.249/1995 Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: (...) V das contribuições não compulsórias, exceto as destinadas a custear seguros e planos de saúde, e benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica; (...) Diante disso, quando se tratar de pagamento destinado a custear plano de benefício complementar assemelhado aos da previdência social, instituído em favor dos empregados da interessada, independentemente da discussão sobre a sua necessidade, a despesa tem sua dedutibilidade sujeita à regra estabelecida no parágrafo 2º do artigo 11 da Lei nº 9.532/97, que dispõe sobre a limitação de 20% do valor total dos salários de empregados e da remuneração de dirigentes. A posição assumida pela fiscalizada é que a despesa total de 287 milhões reais não deve ser em nada adicionada ao lucro líquido tendo em vista que eram despesas necessárias à empresa e não se caracteriza em nada como contribuição previdenciária complementar, pois parte dos valores saldados eram déficits de períodos anteriores e não estariam presentes, a casualidade, obrigatoriedade e periodicidade típicas das contribuições a planos de previdência complementar. Cumpre um pequeno esclarecimento com relação à afirmação do Banrisul de que parte dos valores era relativa a déficits de períodos anteriores (2009 a 2013). Tais déficits só foram assumidos como obrigação pela fiscalizada quando da assinatura do TAC, cuja portaria da Previc de autorização da alteração do regulamento com a criação dos novos planos (que receberiam os aporte financeiros do Banrisul) só foi publicada em dezembro de 2013, cuja implementação se deu no ano de 2014, logo essas despesas não são de períodos anteriores. Se a fiscalização abraçasse a posição do contribuinte de que esses valores totais não são contribuições para planos de previdência complementar, então nada poderia ser despesa operacional e dedutível da apuração do lucro real, pois tais despesas seriam contribuições não compulsórias (art.249 do RIR/99), desnecessárias e não relacionadas às atividades da fiscalizada (art.299 do RIR/99). O valor de 287 milhões de reais de despesas denominado pela fiscalizada apenas como “incentivo à migração”, é formados por duas parcelas distintas, com contabilização segregada e com comportamentos e reflexos diferentes na contabilidade da Fundação Banrisul de Seguridade Social. Fl. 690DF CARF MF Processo nº 11080.721652/201710 Acórdão n.º 1201002.665 S1C2T1 Fl. 5 7 V.1 – Inobservância do Limite da Lei 9.532/1997 – parcela de R$ 255.063.680,02 Sendo o equacionamento do déficit dos planos de previdência complementar, conforme art.21 da Lei Complementar 109/01, uma obrigação do patrocinador (ainda que não exclusiva) e lhe parecendo mais vantajosa a opção pela migração de planos, as despesas para tal intento, se destinadas a planos de previdência complementar, seja qual for o nome que se dê, continuam caracterizandose como contribuições para a previdência privada. Além de que, conforme pode ser observando no inciso II do artigo 19 da mesma Lei, existem contribuições extraordinárias destinadas a custeio de déficits, serviço passado, entre outras. [...] Como pode ser visto, no balancete acima, e no razão abaixo, o valor de 255 milhões recebido do Banrisul S/A foi apropriado como uma adição na gestão previdencial e individualizado entre os dois novos planos criados, logo aportados diretamente nos planos como contribuição previdenciária extraordinária. [...] Para o cálculo do valor a ser dedutível ainda da base de cálculo da apuração do IRPJ e da CSLL, foram consideradas as informações sobre a folha de pagamento fornecidas pela fiscalizada (fl.133), conforme abaixo. Fl. 691DF CARF MF 8 V.2 – Da indedutibilidade da parcela de R$ 32.114.953,92 Como mencionado anteriormente neste Relatório, as despesas com migração de planos junto à Fundação Banrisul de Seguridade Social contabilizadas pelo Banco do Estado do Rio Grande do Sul, na qualidade de patrocinador de planos de previdência privada complementar foram realizadas em duas rubricas, 2819990086202010Despesa Incentivos Migração Plano Fundação, no valor de R$ 255.063.680,02 (razão já transcrito) e 2819990086201657Outras Desp.Operacionais EspecialDRH, R$ 32.114.953,92, extrato do razão abaixo. [...] Esse valor corresponde ao somatório das parcelas de incentivo individual no valor líquido de 4 mil reais (R$ 4.377,72, base incidência IRRF). Descrito pela fiscalizada “1. Incentivo linear de R$ 4 mil líquidos, em espécie, no ato da adesão, para os participantes e assistidos migrantes para um dos novos Planos de Benefícios”, cujos valores mensais informados pela fiscalizada estão na folha 140 do processo. Essa parcela sequer pode compor os valores sujeitos ao limite de 20%, de acordo com a legislação, posto que não são valores relativos a contribuições. O real objetivo desse pagamento foi “um empurrão”, um incentivo a mais, “um extra”, para que os Fl. 692DF CARF MF Processo nº 11080.721652/201710 Acórdão n.º 1201002.665 S1C2T1 Fl. 6 9 participantes e assistidos dos planos dos quais o Banrisul era o patrocinador, migrassem para os novos planos estabelecidos. Tais valores não foram aportados nos planos de previdência em nome dos participantes e assistidos, mas repassados à Fundação para que ela entregasse em moeda corrente nacional a cada um que optasse pela migração. A Fundação Banrisul de Seguridade Social foi mera intermediária, esses valores não foram aportados nos planos. Assim, NÃO podem ser considerados como contribuição à planos de previdência, mesmo que de forma extraordinária (art.21 da LC 109/2001), e muito menos podem ser uma despesa operacional, como defende a fiscalizada, já que não guarda nenhuma ligação com suas atividades necessárias e operacionais, de acordo com o art. 299 do RIR/99. [...] Ela se caracteriza como uma parcela voluntariamente assumida pelo Banrisul, nesse processo de migração de planos previdenciários complementares com vistas a saldamento de déficit de períodos anteriores e manutenção da saúde financeira futura, mas que não se constitui em contribuição aportada nos planos. O contribuinte apresentou impugnação às fls. 353/380. Alega que o plano apresentava resultados deficitários, o que levou a sua reestruturação. Além das crises econômicas e condições do mercado, as principais causas que impactaram no aumento das reservas e no incremento dos déficits do PB I foram a própria modalidade do plano, características do plano, ações judiciais visando a incorporação nos benefícios de parcelas não previstas em regulamento e desprovidas de custeio, redução da taxa real de juros, ajustes nas demais premissas atuariais. De 1977 até 31/12/2016 os assistidos ajuizaram 10.268 ações buscando a integração nos benefícios de parcelas não previstas no Regulamento, com impacto atuarial de 363 milhões. Os constantes desequilíbrios no PB I geraram uma atuação do órgão fiscalizador com a assinatura de um TAC – Termo de Ajustamento de Conduta – pela Fundação Banrisul, seus Administradores e Membros dos órgãos Estatutários, assim como pelos Patrocinadores, o qual contemplou o compromisso de todos os signatários de adotar soluções para as causas geradoras de déficit. Foi, então, previsto um plano de reestruturação com a criação de dois novos Planos de Benefícios, que receberiam as reservas matemáticas dos participantes e assistidos optantes pela quitação dos seus direitos perante o PB I e pela migração. Além da criação dos novos planos de benefícios, foram compromissadas no TAC outras condutas tais como efetuar o pagamento (os patrocinadores) das diferenças apuradas no recálculo do custeio do PB I no que tange à readequação da premissa de Fl. 693DF CARF MF 10 crescimento de salários para os anos de 2010 e 2011 e à equalização do défict de 2009 e aportar incentivos financeiros (os patrocinadores) com o intuito de motivar a adesão à migração. Ao final do processo 7.613 optaram por quitar os seus direitos perante o PB I e migrar suas reservas para os novos Planos de Benefício da FBSS. Como conseqüência, o Banco aportou o valor total de R$ 287 milhões a título de incentivos financeiros àqueles participantes e assistidos que optaram por quitar seus direitos perante o PB I e migrar suas reservas para um dos novos planos de benefícios criados pela FBSS, valor dividido, entre outros, nos seguintes: i) incentivo linear de R$ 4 mil, em espécie, líquido de impostos, no ato da adesão, para os participantes e assistidos migrantes para um dos novos Planos de Benefícios e que não detinham ações judiciais; ii) incentivo em montante equivalente à diferença das reservas matemáticas de transferência avaliadas com taxa de desconto de 5.5% aa e 4,85% aa; iii) incentivo em montante necessário à garantia de elevação, nos novos planos, do benefício mínimo de 10% para 15% do Salário Real de Benefício – com piso mínimo de R$ 400,00; iv) incentivo em montante necessário à garantia de alteração da cota de reversão em pensão por morte (100 % nos casos de benefício mínimo e 55% +5 por beneficiário para os demais casos); v) incentivo no montante necessário ao reconhecimento integral do tempo de serviço prestado às empresas incorporadas ao BANRISUL como tempo de contribuição para a FBSS para os participantes oriundos dessas empresas acompanhado do mesmo incentivo no item ii acima. Dentro desse valor está incluído, também, a parcela de responsabilidade do patrocinador referente aos déficits de 2009 e acumulado até 2013, considerada apenas a massa que migrou, como forma de viabilizar o processo de saldamento e migração. A necessidade do aporte do valor de R$ 287 milhões pelo patrocinador justificase não só em decorrência do compromisso assumido no TAC, mas, sobretudo, a partir da constatação da grandeza dos impactos negativos que a manutenção do status quo do PB I acarretaria no seu Balanço Patrimonial e nos seus resultados. O IASB (International Accouting Standards Board) revisou a norma de contabilização dos benefícios pósemprego IAS nº 19. A aplicação dessa norma no Banrisul gerou um impacto negativo no patrimônio líquido da instituição em 2013. Se não houvesse a alteração na situação do PB I, a integralidade do déficit acumulado em 2013 (R$ 1.200 milhões) teria que ser equacionada de imediato mediante a instituição de contribuições extraordinárias. Tamanho encargo sobre a remuneração dos empregados do Banco acarretaria forte impacto na sua motivação para o trabalho, refletindo de Fl. 694DF CARF MF Processo nº 11080.721652/201710 Acórdão n.º 1201002.665 S1C2T1 Fl. 7 11 forma altamente negativa na sua produtividade e, por conseguinte, nos próprios resultados futuros da instituição. Caracterizamse, portanto, como necessários referidos dispêndios já que era indispensável à manutenção da saúde financeira do Banco que o processo de repactuação e migração entre Planos de Benefícios fossem bem sucedidos, tamanhos e tais eram os impactos negativos dos resultados deficitários do PB I no seu Patrimônio Líquido e, mais ainda, na sua capacidade para a realização de negócios, em decorrência das limitações impostas pelo índice da Basiléia, podendo inviabilizar a Instituição Financeira Patrocinadora e, inclusive, levar a processo de liquidação. A necessidade da despesa sobressai, ainda, da circunstância de que o pagamento dos incentivos à migração, ao contrário de ter sido uma mera liberalidade, ocorreu em estrito comprimento de uma obrigação assumida pelo banco no TAC. Além disso, há evidente relação necessária entre as despesas e as atividades operacionais desempenhadas pelo Banrisul, pois, uma vez estabelecida a condição de patrocinador, as obrigações do Banco, enquanto tal, passam a estar relacionadas às suas atividades operacionais, sendo, portanto, dedutíveis. Não apenas em função do art. 21 da Lei nº 109/2001, mas também em função do Termo de Ajustamento de Conduta, o REcorrente estava obrigado a participar da equalização econômicofinanceira da Fundação. A despesa com incentivos à migração entre planos previdenciários não está enquadrada na limitação da dedutibilidade prevista no artigo 11, §2º da Lei nº 9.532/97, sendo, portanto, dedutível, pois a decomposição do referido dispositivo legal demonstra que a sua aplicação esta condicionada a verificação de três critérios: causalidade, obrigatoriedade e periodicidade. Em Sessão de 02 de agosto de 2017, a 12a Turma da DRJ/RJO, por unanimidade de votos, julgou a impugnação improcedente por meio de decisão (fls. 433/449) que recebeu a seguinte ementa: INCENTIVO. MIGRAÇÃO. DESPESA NECESSÁRIA. NÃO ENQUADRAMENTO O gasto com pagamento de um incentivo aos participantes e assistidos para migração de plano de previdência não pode ser considerada despesa necessária, uma vez que não está relacionada à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, que é uma instituição financeira, patrocinadora do plano. APORTE FINANCEIRO. DÉFICIT. PLANO PREVIDÊNCIA. COMPLEMENTAR. REPACTUAÇÃO. DESPESA. NECESSÁRIA. NÃO ENQUADRAMENTO O aporte financeiro destinado a equacionar o déficit dos planos de previdência complementar efetuado diretamente nos planos como incentivo a migração não pode ser considerada despesa necessária, uma vez que não está relacionada à atividade da empresa e à Fl. 695DF CARF MF 12 manutenção da respectiva fonte produtora, que é uma instituição financeira, patrocinadora do plano. RENEGOCIAÇÃO. PLANO. PREVIDÊNCIA. Qualquer processo de renegociação do plano de previdência complementar, com o objetivo de equilíbrio financeiro e de sustentabilidade do mesmo é uma necessidade da entidade de previdência complementar e não da patrocinadora. RESULTADO. DEFICITÁRIO. EQUACIONAMENTO. O resultado deficitário nos planos ou nas entidades fechadas será equacionado por patrocinadores, participantes e assistidos, na proporção existente entre as suas contribuições. APORTE FINANCEIRO. DÉFICIT. PLANO PREVIDÊNCIA. COMPLEMENTAR O aporte financeiro destinado a equacionar o déficit dos planos de previdência complementar efetuado diretamente nos planos como incentivo a migração, tem natureza de contribuição previdenciária complementar e são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. EFEITOS DA DECISÃO RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL (IRPJ). Em razão da vinculação entre o lançamento principal (IRPJ) e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação destes. Cientificada da decisão de primeira instância em 10/08/2017 (fls. 455), a empresa interpôs, em 05/09/2017, recurso voluntário (fls. 459/514). Reitera as alegações de defesa e, em suma, pede a insubsistência dos Auto de Infração por dois fundamentos: (a) a dedutibilidade dos pagamentos realizados como despesas operacionais, nos termos do art. 47 da Lei no 4.506/64 e artigo 299 do RIR/99; e (b) a inaplicabilidade do limite de dedutibilidade veiculado pelo parágrafo segundo do artigo 11 da Lei n. 9.532/97 aos pagamentos realizados, nos termos do artigo 13, V, da Lei n. 9.249/95. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade. Dele, portanto, conheço. A controvérsia diz respeito à dedutibilidade ou não das despesas incorridas pelo Banrisul no bojo da reestruturação de planos de previdência complementar que o Banco figura como patrocinador, despesas estas que ensejaram duas espécies de pagamentos: (i) aporte direto em razão da migração do plano original aos novos planos de previdência, efetuado em parcela única no mês de junho/2014 (R$ 255.063.680,02); e (ii) incentivo Fl. 696DF CARF MF Processo nº 11080.721652/201710 Acórdão n.º 1201002.665 S1C2T1 Fl. 8 13 financeiro individual para a migração dos assistidos e participantes aos novos planos, que totalizaram, no AC 2014, o montante de R$ 32.114.953,92. Aos olhos da fiscalização e da DRJ, o aporte não respeitou o limite legal de dedutibilidade para custeio de plano de benefício complementar, razão pela qual a diferença foi considerada parcela indedutível, ao passo que os incentivos financeiros constituiriam despesas desnecessárias, ensejando a sua glosa por desrespeito aos requisitos legais de dedutibilidade. A Recorrente, por sua vez, sustenta que os dois tipos de pagamentos foram necessários, caracterizando despesas operacionais e, portanto dedutíveis, não sendo aplicável o referido limite legal. Por questões de objetividade e clareza, o presente voto será desenvolvido em tópicos. 1. Da dedutibilidade de despesas Como se sabe, os requisitos para a dedutibilidade de despesas estão previstos no artigo 299 do RIR/99, in verbis: “Artigo 299 – São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias às atividades da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora”. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Esse dispositivo legal veicula norma geral que confere o direito à dedutibilidade de gastos operacionais, não incluídos no custo, com base em três regras básicas, de cunho substancial e formal. São elas: (i) necessidade a despesa é necessária quando contribui, direta ou indiretamente, para o desenvolvimento das atividades empresariais e formação do lucro. Nos termos do Parecer Normativo CST no 32/1981, o gasto é necessário quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos. Fl. 697DF CARF MF 14 (ii) usualidade ou normalidade a despesa é usual e normal quando os atos praticados que lhe dão causa são corriqueiros na execução das atividades econômicas da empresa. Como esclarecido no PN citado (32/1981), despesa normal é aquela que se verifica comumente no tipo de operação ou transação efetuada e que, na realização do negócio, se apresenta de forma usual, costumeira ou ordinária. O requisito de "usualidade" deve ser interpretado na acepção de habitual na espécie de negócio. Nesse ponto, vale destacar que a necessidade, usualidade e normalidade não estão restritas, ou melhor, não se caracterizam apenas em função do desenvolvimento do objeto social strictu sensu da pessoa jurídica, isto é, da atividadefim da fonte pagadora, mas podem se fazer presentes também a partir da pertinência do gasto com operações ou negócio subjacentes, cuja causa pode variar de acordo com o contexto em que esteja inserida. (iii) comprovação para serem admitidas para fins fiscais, as despesas devem ser registradas na contabilidade, a débito da conta de resultado e suportadas com base em prova que possa identificar a natureza da operação e individualizar as partes envolvidas. Embora não seja a única forma, a prova documental é o principal meio de comprovação, desde que sejam documentos idôneos e emitidos por terceiros, ou do qual terceiros façam parte juntamente com o próprio contribuinte (como é o caso dos contratos, por exemplo)1. Pois bem. Em que pese o conceito de necessidade, para fins de dedutibilidade do lucro real, dar margem para uma certa subjetividade, devendo sempre os fatos serem muito bem investigados para a análise, o fato é que há critérios legais objetivos que devem nortear o intérprete. Como visto acima, as despesas operacionais (dedutíveis, portanto) são aquelas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da fonte produtora. São, por assim dizer, os gastos incorridos, de forma direta ou indireta, para fins de proporcionar venda de produtos ou de serviços ou vinculados aos interesses da administração da empresa enquanto atos de gestão. Nesses termos, dispêndios para a captação de clientela, para apoio a novas atividades, para incentivar funcionários, para o desenvolvimento de negócios, para promover a marca empresarial, por exemplo, são perfeitamente enquadráveis como necessários e, portanto, passíveis de dedução fiscal. 1 O Parecer Normativo CST nº 10/1976 dispõe que: "[...] 3. A comprovação dessas despesas, qualquer que seja sua natureza, há de ser feita com os documentos de praxe, isto é, recibos, notas fiscais, canhotos de passagens, etc., desde que a lei não impõe forma especial. O importante é serem de idoneidade indiscutível. 4. Pode ocorrer, todavia, o fato de a despesa ser de pequeno valor e, ocasionalmente, de difícil comprovação. Nesse caso, essa despesa poderá ser tida como acessória, admissível ante a razoabilidade e comprovação das principais, a juízo da autoridade fiscal." Fl. 698DF CARF MF Processo nº 11080.721652/201710 Acórdão n.º 1201002.665 S1C2T1 Fl. 9 15 A jurisprudência deste E. Tribunal Administrativo tem caminhado no sentido de que despesas que se mostrem como mera liberalidade da empresa não configuram despesas necessárias, normais ou usuais. Nessa linha de raciocínio, para fazer jus à dedução é imprescindível observar não só a natureza da despesa e/ou a existência de obrigação legal ou contratual que demande o pagamento, mas principalmente a existência efetiva ou em potencial de contrapartida, direta ou indireta, para a empresa. A título ilustrativo, vejamse algumas ementas de julgados do CARF que aplicaram o critério "liberalidade" em sentido antagônico ao da "necessidade", para daí definir a natureza dedutível ou indedutível da despesa: “DESPESAS OPERACIONAIS. CORREÇÃO MONETÁRIA DE MULTA. LIBERALIDADE. A correção monetária do valor de penalidade não prevista em contrato comercial, por tratarse de mera liberalidade do pagador, é indedutível na apuração do lucro operacional.” (1º Conselho de Contribuintes 3ª Câmara, ACÓRDÃO 10323.488) “PAGAMENTOS A ENTIDADES DE CLASSE LIBERALIDADE DESPESAS INDEDUTÍVEIS Os pagamentos feitos pela pessoa jurídica a entidades de classe com a finalidade de regularização da situação profissional de seus empregados constituem liberalidade, posto que a obrigação é do profissional, e não de seu empregador. Tais despesas são, em decorrência, indedutíveis.” (1º Conselho de Contribuintes – 5ª Câmara, ACÓRDÃO 10517.220) “DESPESAS COM OBRAS DE CONTENÇÃO DE RESÍDUOS INDUSTRIAIS, NECESSIDADE. As despesas com obras e benfeitorias visando o cumprimento da legislação ambiental não tem caráter de liberalidade. Ao contrário, devem ser entendidas como necessárias e vinculadas ao objeto da pessoa jurídica, principalmente em relação àquelas que exercem atividade potencialmente impactante ao meio ambiente.” (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF 1ª Seção 1ª Turma da 3ª Câmara, ACÓRDÃO 130100.243) DEDUTIBILIDADE DE DESPESA. VASOS. A compra de vasos não são despesas normais, usuais e necessárias e, portanto, não são dedutíveis, conforme artigo 299 do RIR/99. DEDUTIBILIDADE DE DESPESA. FESTA DE CONFRATERNIZAÇÃO DE FIM DE ANO. As festas de confraternização de fim de ano, por contribuírem para a melhoria do ambiente de trabalho, humanizando o relacionamento empresa e empregados, aumentando a Fl. 699DF CARF MF 16 motivação para a consecução dos objetivos sociais e desde que em valores razoáveis, são despesas normais, usuais e necessárias e, por consequência, são dedutíveis, consoante artigo 299 do RIR/99. (ACÓRDÃO 1201001.429. Data de decisão: 04/05/2016) Podese, assim, dizer que: havendo obrigação ou existência de uma contrapartida, e desde que o pagamento esteja relacionado à atividade operacional ou de gestão da empresa, o gasto é necessário e pode ser deduzido fiscalmente. Por outro lado, ausentes esses pressupostos, isto é, sendo a origem do pagamento um ato de favor, sem relação com o objeto social ou gestão empresarial, o dispêndio é caracterizado como fruto de mera liberalidade patronal, sendo sua dedução fiscal não permitida. Uma vez definida a regra geral de dedutibilidade, notadamente ao da necessidade, é importante observar que existem, na legislação, regras próprias de dedutibilidade para determinadas despesas (gratificação a administradores, royalties, importação e exportação com empresas vinculadas etc.), regras estas que, em face do princípio da especificidade da norma, sobrepõe à regra geral. Em outras palavras, a utilização da norma geral de dedutibilidade só tem lugar quando não houver previsão legal especial à despesa, devendo esta, quando realmente aplicável ao caso concreto, prevalecer2. 2. Despesas com patrocínio de planos de benefícios previdenciários de caráter complementar Em primeiro lugar, vale assinalar que o patrocínio de planos de previdência complementar pelas empresas é incentivado pela própria Constituição Federal, de acordo com o que dispõe o artigo 202, verbis: Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar. § 1º A lei complementar de que trata este artigo assegurará ao participante de planos de benefícios de entidades de previdência privada o pleno acesso às informações relativas à gestão de seus respectivos planos. § 2º As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à 2 Tratase, aqui, da prevalência da norma especial sobre a norma geral, princípio legal oriundo do direito romano e que se expressa pela máxima "lex specialis derrogat lex generalis". Fl. 700DF CARF MF Processo nº 11080.721652/201710 Acórdão n.º 1201002.665 S1C2T1 Fl. 10 17 exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei. Coube à Lei Complementar no 109/2001 dispor sobre o Regime de Previdência Complementar, podendo estes serem organizados por entidades fechadas ou abertas. De acordo com as orientações trazidas na página eletrônica da PREVIC (Superintendência Nacional de Previdência Complementar): A previdência complementar fechada integra o sistema de previdência social brasileiro e constitui importante instrumento de proteção adicional ao trabalhador e mecanismo de formação de poupança interna de longo prazo, necessário para ampliar a capacidade de investimento do país e diversificar as fontes de financiamento do crescimento econômico. As entidades fechadas de previdência complementar (EFPC), conhecidas popularmente como fundos de pensão, são organizadas por empresas e associações com o objetivo de garantir a seus empregados ou associados uma complementação à aposentadoria oferecida pelo Regime Geral de Previdência Social (operacionalizado pelo Instituto Nacional de Seguridade Social – INSS), por meio da administração de planos de benefícios. Os planos de benefícios administrados por estas entidades podem garantir, além da complementação à aposentadoria, proteção contra eventos não programados como morte, doença, invalidez, dentre outros a depender do regulamento do plano. As EFPC são mantidas pelas contribuições do empregador e do empregado, que são vertidas aos respectivos planos de benefícios, para serem investidos e retornarem, na forma de renda, ao empregado no momento da aposentadoria. Quando os fundos são oferecidos por associações ou entidades de classe, o processo ocorre da mesma maneira, mas as contribuições serão feitas apenas pelos associados. Os planos nos quais há contribuição da empresa são denominados patrocinados, e a empresa, por sua vez, é chamada de patrocinadora. Já as associações e entidades de classe que oferecerem planos são chamadas Instituidoras. Especificamente sobre a classificação dos aportes feitos aos planos de previdência complementar, denominados de "contribuições", o artigo 19 prescreve que: Fl. 701DF CARF MF 18 Art. 19. As contribuições destinadas à constituição de reservas terão como finalidade prover o pagamento de benefícios de caráter previdenciário, observadas as especificidades previstas nesta Lei Complementar. Parágrafo único. As contribuições referidas no caput classificamse em: I normais, aquelas destinadas ao custeio dos benefícios previstos no respectivo plano; e II extraordinárias, aquelas destinadas ao custeio de déficits, serviço passado e outras finalidades não incluídas na contribuição normal. Do ponto de vista fiscal, há regra própria de dedutibilidade de despesas incorridas a título de contribuições não compulsórias destinadas a custear planos de benefícios complementares, prevista no artigo 361 do RIR/99 nos seguintes termos: Art. 361. São dedutíveis as contribuições não compulsórias destinadas a custear planos de benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso V). § 1º Para determinação do lucro real, a dedução deste artigo, somada às de que trata o art. 3633, cujo ônus seja da pessoa jurídica, não poderá exceder, em cada período de apuração, a vinte por cento do total dos salários dos empregados e da remuneração dos dirigentes da empresa, vinculados ao referido plano (Lei nº 9.532, de 1997, art. 11, § 2º). § 2º O somatório das contribuições que exceder o valor a que se refere o parágrafo anterior deverá ser adicionado ao lucro líquido para efeito de determinação do lucro real (Lei nº 9.532, de 1997, art. 11, § 3º). (grifei). Da interpretação sistemática desses dispositivos, verificase que a legislação regulamentar estabelece duas formas de contribuição: uma para custear o plano de benefício complementar propriamente dito (denominada de "contribuição normal"); e outra para custear, dentre outros, eventuais déficits (denominada de "contribuição extraordinária"). Já a legislação fiscal possui regra própria de limite de dedutibilidade para as contribuições não compulsórias destinadas ao custeio de planos de benefícios previdenciários complementares, ou seja, para as "contribuições normais", permanecendo silente quanto ao tratamento fiscal para as contribuições extraordinárias. 3. Da "causa" das despesas glosadas 3 FAPI Fundo de Aposentadoria Programada Individual. Fl. 702DF CARF MF Processo nº 11080.721652/201710 Acórdão n.º 1201002.665 S1C2T1 Fl. 11 19 Restou demonstrado que, no AC de 2014, houve reestruturação do Plano de Benefício I ("PB I"), mantido pela Fundação Banrisul de Seguridade Social e cujo principal patrocinador é a Recorrente, em razão de sucessivos resultados deficitários. Esse desequilíbrio atuarial motivou a intervenção da PREVIC, que exigiu medidas de controle, na linha do que determinam as Leis Complementares nos 108 e 109/2001. Para tanto, foi assinado Termo de Ajustamento de Conduta (TAC fls. 7/21), aprovado pelo PREVIC (Portaria 718/13), pelo qual os signatários dentre eles a Recorrente se obrigavam a solucionar as causas geradoras dos déficits. Conforme descrito no TVF: [...] por exigência do órgão regulador (Superintendência Nacional de Previdência ComplementarPREVIC), conforme a Resolução CGPC nº 26/2008, planos que apresentarem desequilíbrio precisam equacionar o déficit técnico e fazer o rateio entre participantes ativos, assistidos e patrocinadores (art. 29). Esse equacionamento se resolve: por meio de aumento do valor das contribuições; instituição de contribuição adicional; redução do valor dos benefícios a conceder; ou outras formas estipuladas no regulamento do plano de benefícios (art. 30). No caso concreto, a proposta encaminhada pela FBSS à Diretoria de Análise Técnica da PREVIC consistiu na reestruturação do Plano de Benefícios I (migração espontânea e incentivada dos participantes e assistidos para um plano de benefícios saldado ou plano de contribuição variável). A solução encontrada foi a formalização de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) contemplando a proposta encaminhada, fundamentado na faculdade prevista no §1º do art. 21 da LC nº 109/2001, combinado com o inciso IV do art. 30 da Resolução CGPC nº 26/2008. Ficou acertado ainda que o déficit remanescente relativo ao contingente de participantes e assistidos que não aderissem ao saldamento seria equacionado por meio de contribuições extraordinárias. Dessa passagem, verificase que própria autoridade fiscal responsável pelo lançamento reconhece a natureza de "contribuições extraordinárias" às despesas que glosou. Outro fato que chama atenção, e que foi noticiado ao fisco, é o de que a contribuinte participou ativamente do processo de reestruturação em comento, não apenas por figurar como principal patrocinadora, mas também porque o déficit então acumulado impactava o seu Patrimônio Líquido, afinal os patrocinadores qualificados como instituições financeiras caso da Recorrente , a partir de 2013, passaram a ter o dever de registrar as perdas atuariais em suas demonstrações contábeis. Nesse ponto, esclarece a Recorrente que: Fl. 703DF CARF MF 20 2.1.2.13 Com efeito, instituições que atuam junto ao Sistema Financeiro Nacional devem submeterse ao regramento disposto pelo Acordo de Basiléia, que estabelece limites à exposição de riscos em ativos em função do Patrimônio Líquido das Instituições Financeiras (Resolução do Banco Central do Brasil n° 4.193/2013). De acordo com informações disponibilizadas pelo Banco Central do Brasil, as principais disposições do referido Acordo recaem sobre a definição do Patrimônio de Referência, restringindo o reconhecimento de instrumentos financeiros que, em algumas situações, são incapazes de absorver perdas não esperadas das instituições. No Brasil, o Patrimônio de Referência PR deve ser de, no mínimo, 10,5% dos ativos ponderados pelo risco, podendo chegar a 13%. Assim, a Instituição Financeira deve elaborar Plano de Capital visando a manterse na regra de Basiléia nos próximos três anos, bem como acionar gatilhos de contingência se houver qualquer risco de descumprimento, tais como o aumento de capital ou a redução das suas atividades operacionais. 2.1.2.14 Conforme já referido, foi contabilizado no Banco, em 2013, R$ 323.000.000,00 em razão da implementação da nova disciplina legal para a contabilização de planos de benefícios. Caso a situação do PB I tivesse persistido sem qualquer alteração, esse impacto tenderia a agravarse, o que já não ocorre nos novos planos, nos quais são eliminados/minimizados os principais fatores de risco que ocasionaram os resultados deficitários recorrentes daquele Plano. Não obstante, e em conformidade com o projeto de reestruturação elaborado, dois planos de benefícios foram criados em substituição ao PB I: "BD Saldado" e "FBPREV II", justamente na tentativa de liquidar os déficits. Além disso, foi estipulado que os patrocinadores deveriam efetuar aportes de numerários em benefício das pessoas vinculadas ao plano anterior como contrapartida à migração para os novos planos. Nas palavras do TVF, esses pagamentos seriam “um empurrão” ou “um extra", para que as pessoas contempladas de fato migrassem para os novos planos estabelecidos. Nesse contexto, e com base na ECF do AC 2014 (fls.156/157), a fiscalização identificou que o valor total de despesas assumidas e deduzidas pela Recorrente, relativas à reestruturação do plano de previdência complementar, foi de R$ 287.178.633,94, sendo R$ 255.063.680,02 a título de aporte direito e de R$ 32.114.953,92 de incentivo à migração. 4. Da glosa dos aportes diretos nos novos planos de previdência (valor de R$ 255.063.680,02 conta contábil 2819990086202010) É incontroverso nos autos que a Recorrente efetuou o pagamento em questão para aporte direto nas contas dos planos de previdência complementar que substituíram o plano originário deficitário. Fl. 704DF CARF MF Processo nº 11080.721652/201710 Acórdão n.º 1201002.665 S1C2T1 Fl. 12 21 Após ajustamento de conduta celebrado de acordo com as normas que regulamentam o mercado de previdência complementar, a Recorrente, principal patrocinadora do benefício em apreço, assumiu uma "CONTRIBUIÇÃO EXTRAORDINÁRIA" de R$140.842.214,06 para o plano "BD Saldado" e o restante R$114.221.165,96 para o plano FBPREVII. Ressaltese, aqui, que a Recorrente figurou como patrocinadora, e não administradora do PB I, o que afasta qualquer ingerência de sua parte para a causa desses déficits. Ou seja, não há indícios ou alegação de que os resultados negativos tenham ocorrido por omissão ou má administração da Recorrente, digase de passagem. Tanto é assim que o referido TAC atesta que: Nesse contexto, foram estipuladas "contribuições extraordinárias", previstas expressamente no artigo 19, II, da LC 109/2001 acima transcrito, e que tem por finalidade justamente custear eventuais déficits apurados em planos de previdência complementar. Enquanto patrocinador de entidade de previdência complementar fechada atividade esta que, repitase, é incentivada pelo próprio texto constitucional as obrigações ou encargos assumidos por decisão negocial da administração da empresa, e nesse caso inclusive vinculadas por meio de TAC, são operacionais em razão de sua necessidade, conforme conceito definido anteriormente. Na condição de patrocinador, a Recorrente assume deveres, dentre os quais os previstos no artigo 21 da LC no 109/2001: Art. 21. O resultado deficitário nos planos ou nas entidades fechadas será equacionado por patrocinadores, participantes e assistidos, na proporção existente entre as suas contribuições, sem prejuízo de ação regressiva contra dirigentes ou terceiros que deram causa a dano ou prejuízo à entidade de previdência complementar. § 1o O equacionamento referido no caput poderá ser feito, dentre outras formas, por meio do aumento do valor das contribuições, instituição de contribuição adicional ou redução do valor dos Fl. 705DF CARF MF 22 benefícios a conceder, observadas as normas estabelecidas pelo órgão regulador e fiscalizador. Longe de caracterizar liberalidade, ou favor, os pagamentos das contribuições extraordinárias foram realizados na forma ajustada em termo de ajuste de conduta, homologado pelo órgão regulamentador competente, o que significa dizer que foi necessário à consecução das atividades da Recorrente enquanto patrocinador de plano beneficiário complementar. Mas, não é só. Nessa situação particular, a necessidade da despesa ainda se faz presente em face dos próprios efeitos de uma não repactuação do plano PB I nos resultados da Recorrente, que poderiam comprometer sua demonstração financeira e, como conseqüência, a concessão de crédito no mercado nacional, impactando a sua atividadefim. Isso significa dizer que o entendimento proferido pela decisão de primeiro grau no sentido de que a despesa em questão não teria relação com a atividade da Recorrente ou com a formação de seu lucro também não se sustenta, uma vez que ele simplesmente desconsidera os efeitos do déficit sobre as atividades financeiras exploradas pela contribuinte. Quanto à aplicação do limite, convém reiterar que os aportes possuem natureza de "contribuições extraordinárias", desvinculados de qualquer remuneração, e, portanto, não estão sujeitos ao limite legal de 20%, limite este que, conforme já exposto, é direcionado apenas às transferências habituais e periódicas, ou seja, às "contribuições normais", valendose aqui da terminologia e classificação adotadas pelo Legislador Complementar. Ora, considerando que o pagamento da "contribuição extraordinária" não foi realizado a título de "custeio de benefício complementar", mas sim como um aporte excepcional destinado a cobrir o resultado deficitário de plano de benefício, revelase incorreto afirmar que, para fins tributários, este pagamento deva ser enquadrado como despesa incorrida a título de contribuição ordinária destinada à previdência complementar ("contribuição normal"), esta sim sujeita ao limite de dedutibilidade. É curioso notar que a própria autoridade autuante reconhece que o aporte excepcional em questão corresponde a uma "contribuição extraordinária" (há, conforme visto, registro expresso nesse sentido), mas acaba concluindo que estaria sujeito à regra das "contribuições normais". Tratase, a meu ver, de um contradição que não tem como prevalecer também aos olhos da lógica, maculando a própria fundamentação dos Autos de Infração. Já a DRJ, no afã de manter a indedutibilidade, passa a sustentar a falta de relação entre o pagamento extraordinário com o objeto social da Recorrente, omitindose dos efeitos do déficit no balanço da Recorrente e, mais ainda, contrariando a jurisprudência e doutrina sobre a diferença entre "liberalidade" e "necessidade". Enfim, entendo que as despesas incorridas pela Recorrente a título de "contribuições extraordinárias" destinadas ao custeio de déficits de planos de previdência complementar que ela figura como principal patrocinadora, e ocorridas nos termos de TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) homologado pela PREVIC, são necessárias e, portanto, dedutíveis do Lucro Real, não estando sujeitas ao limite previsto no artigo 361 do RIR/99. Fl. 706DF CARF MF Processo nº 11080.721652/201710 Acórdão n.º 1201002.665 S1C2T1 Fl. 13 23 5. Da glosa dos "incentivos financeiros individuais" (valor de R$ 32.114.953,92 conta contábil 2819990086201657) Conforme verificado, a causa dos pagamentos em questão ocorreu no bojo da reestruturação dos plano de benefício complementar patrocinado pela Recorrente como meio de custear os déficits e consistiu, de acordo com o TAC, em "incentivo linear de R$ 4 mil reais líquidos, em espécie, no ato da adesão, para os participantes e assistidos migrantes para um dos novos Planos de Benefícios". Segundo a fiscalização e a DRJ, esses pagamentos teriam sido feitos por mera liberalidade, razão pela qual operouse a glosa das respectivas despesas. O que precisa ficar claro, porém, é que sem a migração de participantes e assistidos para os planos novos, o desequilíbrio atuarial do PB I permaneceria, restando infrutíferos os esforços para o equacionamento do déficit. O dispêndio em tela não pode ser desassociado do seu contexto, ou melhor, de sua causa jurídica, que é justamente a eliminação do déficit, caracterizando também contribuições extraordinárias. Ainda que esse segundo tipo de pagamento tenha sido destinado aos beneficiários dos planos, ele foi feito de forma compulsória e vinculado ao TAC justamente para garantir a finalidade de neutralização dos constantes resultados negativos no plano de origem. Cabível, então, afastar a glosa desse item pelas mesmas razões de decidir do item 4 acima. 6. Conclusão Pelo exposto, e uma vez afastadas as glosas, DOU PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 707DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.910556/2015-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 23/03/2012
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.
Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.264
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 23/03/2012 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 05 56 /2 01 5- 42 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10680.910556/201542 Acórdão n.º 3301005.264 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo pedido de restituição formalizado por meio de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, formalizado no sentido do indeferimento da restituição pretendida pela interessada, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse crédito. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva esclarecendo que durante procedimento de auditoria interna, realizada nas apurações dos tributos da companhia, foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores. Entende que a Per/Dcomp está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06058.457. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em síntese, trazendo argumento novo, de que o pagamento indevido seria da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva. É o relatório. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10680.910556/201542 Acórdão n.º 3301005.264 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.223, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.223): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido: Segundo a versão apresentada pela defesa, o crédito apontado (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS de 31/03/2010, conforme informado na DCTF retificadora apresentada em 06/11/2014. Constatouse que o despacho decisório foi emitido levando em conta as informações contidas na DCTF retificadora, transmitida em 06/11/2014, a qual, como se vê, tratase da DCTF retificadora que a contribuinte alega conter as informações corretas correspondente ao débito do período. Nessa DCTF, o débito de COFINS confessado do período de apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado por meio de vários pagamentos (DARF) que totalizam R$ 871.733,98 e compensações no valor de R$ 696,80 – restando, saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a tela extraída do sistema de controle de declarações: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10680.910556/201542 Acórdão n.º 3301005.264 S3C3T1 Fl. 5 4 Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015. No sistema de controle de arrecadação, verificouse que os pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de R$ 871.733,98 – foram validados e vinculados ao débito de Cofins do período (código 2172). No entanto, tendo em vista que os pagamentos validados foram insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência de outros pagamentos para o mesmo período de apuração, dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas copiadas a seguir: Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10680.910556/201542 Acórdão n.º 3301005.264 S3C3T1 Fl. 6 5 Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS de 31/03/2010, em face das informações prestadas pela própria contribuinte na DCTF retificadora apresentada à Receita Federal, não restando crédito para a restituição pretendida: [...] Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores, e de acordo com o disposto no DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984", tal declaração constituise em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A recorrente, alega que o pagamento indevido de R$275,20, seria provenientes e originário "de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta: O débito montante de R$ 1134352,27, declarado em DCTF, alberga valores devidos de Cofins de várias SCP’s que tem a Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias participantes. A título de lembrete sabese que os sócios ostensivos de SCP’s são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros, enquanto que os sócios participantes (antigos sócios ocultos), não têm essa obrigação. Em vista dessa situação, a Recorrente é responsável pelas obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de DCTF com os competentes recolhimentos tributários. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10680.910556/201542 Acórdão n.º 3301005.264 S3C3T1 Fl. 7 6 No caso em questão, o valor recolhido, R$ 275,2 é proveniente da atividade da SCP, "Laguna Beach" contrato anexo, Doc. 1, que recolheu este valor. Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia de R$ 0 Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita Federal acaba violando a individualidade de outra pessoa jurídica, uma vez que o crédito solicitado diz respeito a uma sociedade em conta de participação específica que tem a Recorrente como sócia ostensiva. O quadro abaixo, demonstra muito bem a composição deste crédito. Tanto que o código do imposto é o 217208, cujo dígito identifica ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação. Portanto, no caso da decisão ser mantida, permanecerseá uma verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (CARF, Recurso Voluntário Recurso de Ofício, PTA 15504.724276/201314, Acórdão 1402 002.208. Relator Dr. Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacouse) Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF. Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede de manifestação de inconformidade, precluindo o direto de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco, que não a DCTF retificada e o DARF dado como pago indevidamente. Tal Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10680.910556/201542 Acórdão n.º 3301005.264 S3C3T1 Fl. 8 7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 86DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.010909/99-62
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2003
Ementa: IRPJ — CORREÇÃO MONETÁRIA DAS DEMONSTRAÇÕES
FINANCEIRAS. É indevida a apropriação da despesa relativa às
parcelas do saldo devedor da diferença IPC/BTNF-1990, a partir
do exercício de 1993, quando o contribuinte já corrigira suas
demonstrações financeiras, no exercício de 1991, com base no
IPC, e deduzira a respectiva despesa. O recolhimento do tributo
correspondente, já atingido pela caducidade, com os benefícios
do art. 17 da Lei n° 9.779/99, com objetivo de infirmar o
lançamento sadio que glosou a apropriação das parcelas de que
trata o art. 3° da Lei n° 8.200/91, não pode prosperar.
Numero da decisão: CSRF/01-04.697
Decisão: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Maria Goretti de Bulhões Carvalho (Relatora), Remis Almeida Estol, José Carlos Passuello, Wilfrido Augusto Marques, Mário Junqueira Franco Júnior, Manoel Antonio Gadelha Dias e Edison Pereira Rodrigues. Designado para redigir o voto vencedor o
Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes
Nome do relator: Maria Goretti de Bulhões Carvalho
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Sessão de : 13 de outubro de 2003 Acórdão n° : CSRF/01- 04.697 IRPJ — CORREÇÃO MONETÁRIA DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS. É indevida a apropriação da despesa relativa às parcelas do saldo devedor da diferença IPC/BTNF-1990, a partir do exercício de 1993, quando o contribuinte já corrigira suas demonstrações financeiras, no exercício de 1991, com base no IPC, e deduzira a respectiva despesa. O recolhimento do tributo correspondente, já atingido pela caducidade, com os benefícios do art. 17 da Lei n° 9.779/99, com objetivo de infirmar o lançamento sadio que glosou a apropriação das parcelas de que trata o art. 3° da Lei n° 8.200/91, não pode prosperar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL, ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Maria Goretti de Bulhões Carvalho (Relatora), Remis Almeida Esto!, José Carlos Passuello, Wilfrido Augusto Marques, Mário Junqueira Franco Júnior, Manoel Antonio Gadelha Dias e Edison Pereira Rodrigues. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes. .DtSON PE- P141- -OD UES PRESIDENTE. if‘J, CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES RELATOR DESIGNADO FORMALIZADO EM: 05 MAR 2004 Processo n°11080.010909/99-62 Acórdão n° CSRF/01-04.697 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: CELSO ALVES FEITOSA, ANTONIO DE FREITAS DUTRA, MARIA GORETTI DE BULHÕES CARVALHO, CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, VICTOR LUÍS DE SALLES FREIRE, LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO, REMIS ALMEIDA ESTOL, DORIVAL PADOVAN, JOSÉ CARLOS PASSUELLO, JOSÉ RIBAMAR BARROS PENHA, WILFRIDO AUGUSTO MARQUES, JOSÉ CLÓVIS ALVES, MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS E MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR.,,i, 2 Processo n° :11080.010909/99-62 Acórdão n° : CSRF/01-04.697 RELATÓRIO A Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência a esta egrégia Câmara Superior em face do Acórdão 107-06.677, de 20 de junho de 2002, o qual se encontra assim ementado: "IRPJ — DEDUÇÃO DO SALDO DEVEDOR DA CORREÇÃO MONETÁRIA COMPLEMENTAR IPC/BTNF — LEI 8.200/91, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 8.692/93 — O saldo da correção monetária complementar das demonstrações financeiras pelo IPC, relativo ao período- base de 1990, poderia ser excluído, parceladamente, na determinação do lucro real a partir do ano-calendário de 1993. A irregularidade fiscal está na apropriação integral como despesa, em anos anteriores a 1993." A seqüência dos fatos que ensejaram o presente litígio pode ser assim resumida, inclusive conforme o relatório no Acórdão recorrido: 1- inicialmente, a contribuinte impetrou mandado de segurança, no qual obteve liminar, para ver assegurado seu direito à integral dedução do saldo devedor de correção monetária complementar IPC/BTNF no ano de 1990, tendo, portanto, reduzido seu lucro real neste montante. A liminar concedida foi posteriormente cassada, bem como denegada a segurança em sentença; 2- subseqüentemente, a contribuinte, em obediência ao disposto no artigo 3° da Lei 8.200/91, deduziu o saldo devedor IPC/BTNF nos anos-calendário de 1993 a 1998, sustentando que o litígio acerca da dedução integral no ano-calendário de 1990 ainda pendia a seu desfavor, e que o não aproveitamento de acordo com a Lei 8.200/91 poderia provocar a perda de seu direito. Alegou também ter ficado no aguardo do lançamento de oficio acerca da integral dedução no ano-calendário de 1990; 3- sobreveio o lançamento ex officio em maio de 1999, para glosar as deduções realizadas nos anos-calendário de 1993 a 1998, sob o fundamento de que havia duplicidade de exclusão, ainda que o procedimento objeto do lançamento fosse a exclusão realizada no compasso do artigo 3° da Lei 8.200/91, e não mais a dedução realizada em 1990, pois esta já se encontrava alcançada pela decadência; 4- mais adiante, em julho do mesmo ano, a contribuinte utilizou-se dos beneficios de redução de juros e multa, concedidos pela Lei 9.779/99, para quitar o montante devido em função da integral dedução do saldo devedor no ano-calendário de 1990, desistindo da demanda judicial que houvera iniciado. O acórdão recorrido, após analisar os fatos e argumentos apresentados concluiu que, "(t)omada isoladamente, a atitude da contribuinte a partir de 1993 não merece 3 Processo n° : 11080.010909/99-62 Acórdão n° : CSRF/01-04.697 censura, pois agiu conforme a Lei". Além disso, afirmou o nobre Conselheiro Luiz Valero em seu voto: "(o) único fio moral que prendia o lançamento, a inegável duplicidade de dedução da despesa, foi desfeito com o pagamento efetuado nos termos da Lei n° 9.779/99". Assim sendo, concedeu provimento ao recurso voluntário que fora interposto pelo sujeito passivo. Inconformada, interpõe a Fazenda Nacional o presente recurso de divergência, buscando paradigma para sua irresignação no Acórdão 101-93.801/2002, o qual, no que pertinente, está assim resumido por ementa: "IRPJ — CORREÇÃO MONETÁRIA DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS. SALDO DEVEDOR DA DIFERENÇA IPC/BTNF —90. Quando o sujeito passivo já apropriou o saldo devedor da correção monetária das demonstrações financeiras, no período-base de 1990, na declaração de rendimentos apresentada em 31/05/91, com base no IPC, para a determinação do lucro real, não cabe exclusão da diferença IPC/BTNF-90 do lucro real, parceladamente, nos anos de 1993 a 1998, na forma do artigo 3 0, da Lei n° 8.200, de 28/06/91". A douta Procuradoria traz como razão inicial de seu recurso o argumento de que inexistia parcela de saldo devedor a excluir a partir de 1993, pois a contribuinte já se teria aproveitado da dedução no ano de 1990. Adicionalmente, alega que a exclusão em 1990 é fato consumado, pois sobre o mesmo já havia incidido a decadência do direito de lançar, afirmando que o pagamento de algo indevido enseja repetição de indébito e concluindo não haver relação entre o pagamento realizado sob o amparo da Lei 9.779/99 e a presente exigência, a não ser para fins de imputação. O recurso foi admitido pelo despacho de 675. Contra-razões a fls. 680/691. É o relatório. 4 Processo n° :11080.010909/99-62 Acórdão n° : CSRF/01-04.697 VOTO VENCIDO Conselheira Maria Goretti de Bulhões Carvalho, relatora. O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, merecendo ser conhecido. Entretanto, concessa venia, creio merece maior reflexão à comprovação da divergência apontada e acolhida pelo despacho concessivo de seguimento. O Acórdão da colenda Sétima Câmara, conforme já destacado no relatório, possui dois fundamentos. O primeiro alicerça-se na perfeita adequação do procedimento adotado pelo sujeito passivo a partir do ano-calendário de 1993 com o disposto na Lei 8.200/91, especialmente o seu artigo 3 0 • Esse fundamento está realmente em conflito com o decidido pela colenda Primeira Câmara no acórdão paradigma, pois esta rechaçou a possibilidade de uma nova dedução, ainda que em compasso com a Lei, muito embora o descompasso com a norma se referisse a período anterior, no qual a dedução teria sido feita integralmente. O segundo fundamento do Acórdão recorrido está na eliminação de qualquer duplicidade de procedimentos, pelo fato do contribuinte ter recolhido, sob o amparo da Lei 9.779/99, a parcela referente ao ano-calendário de 1990, no qual deduziu integralmente o saldo devedor. Vale mais uma vez ressaltar o constante do voto condutor, da lavra do ilustre Conselheiro Luiz Valero: "O único fio moral que prendia o lançamento, a inegável duplicidade da dedução da despesa, foi desfeito com o pagamento efetuado nos temos da Lei n° 9.779/99. Com efeito, a recorrente junta às fls. 339, DARF no valor de R$ 1.056.343,69, quitado em 30.07.1999 com o Código de Receita 0220, relativo ao IRPJ". Prosseguiu ainda o nobre Conselheiro, ao fundamentar seu voto, com as transcrições do artigo 17 da Lei 9.779/99, do artigo 11 da Medida Provisória 1.858-8/99 e da IN SRF n° 26/99, no intuito de rechaçar afirmação da primeira instância de julgamento de que o recolhimento efetuado não se enquadrava nas normas concessivas dos benefícios. Dessa maneira, também pelo pagamento ao abrigo da Lei 9.779/99 é que o provimento foi concedido. Não há no acórdão paradigma qualquer menção a recolhimento dessa natureza. Não há, portanto, qualquer pronunciamento contrário a este segundo fundamento do 5 Processo n° : 11080.010909/99-62 Acórdão n° : CSRF/01-04.697 acórdão recorrido. Os fatos, assim tomados, não são idênticos, embora semelhantes, havendo importante distinção que descaracteriza a divergência apontada, qual seja: o recolhimento do devido em razão da dedução integral em 1990, independentemente de qualquer impedimento a lançamento de oficio sobre esta parcela. Não se pode afirmar com segurança jurídica que a colenda Primeira Câmara, tivesse sob sua análise hipótese idêntica à do acórdão recorrido, em que houvesse o recolhimento do devido no ano-calendário de 1990, iria manter a mesma decisão do paradigma, ou então traçar rumo distinto, semelhante ao percorrido pela câmara ora recorrida. A falta de identidade fática impede o surgimento da divergência na interpretação da lei tributária e, conseqüentemente, o conhecimento do presente recurso especial. Assim, com essas considerações, meu voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso formulado pela Fazenda Nacional. Porém se ultrapassada a preliminar de acolhimento do recurso de divergência interposto pela Fazenda Nacional, por determinação regimental, passo a apreciar o mérito. Em exame o procedimento do sujeito passivo de, concomitantemente a litígio judicial para dedução integral do saldo devedor e aproveitamento deste no ano de 1990, também excluir o mesmo valor da tributação, parceladamente, a partir do ano-calendário de 1993. Acredito correta a decisão da colenda Sétima Câmara. O procedimento adotado pelo contribuinte sob o comando da Lei 8.200/91 afigura-se legítimo, pois alicerçado em expressa disposição legal. A ilegalidade do procedimento de 1990 é que restou configurada. Aliás, faz-se necessário destacar que o Supremo Tribunal Federal, através do RE 201.465-MG, redator designado para o acórdão Ministro Nelson Jobim, manifestou-se, em sessão plenária, pela constitucionalidade do artigo 3° da Lei 8.200/91, exatamente o dispositivo que apóia o procedimento adotado pelo sujeito passivo a partir de 1993. Por isso é que o lançamento, se possível fosse, deveria reportar-se à integral dedução em 1990 e não ao correto procedimento de parceladamente, excluir-se da tributação, a partir de 1993, o saldo devedor de correção complementar IPC-BTNF. E não se diga que ao Fisco teria sempre impossível lançar a dedução integral em 1990. Nunca houve impedimento de se constituir o crédito tributário, até mesmo quando com eficácia a liminar concedida em mandado de segurança. Se operou a decadência com relação ao ano-calendário de 1990 tal situação só pode prejudicar ao próprio Fisco, que teria , deixado transcorrer o prazo a seu desfavor. Tf:2 6 Processo n° : 11080.010909/99-62 Acórdão n° : C SRF/01-04.697 Além disso, não pode aquele que foi inoperante, no caso o Fisco, aproveitar- se dessa sua omissão e alegar ilegalidade no procedimento posterior do sujeito passivo. Afirmar que, ao se consolidar a decadência em relação ao ano de 1990, a duplicidade de procedimentos restou caracterizada, é o mesmo que se dizer que ao Fisco seria possível escolher qualquer lançamento de oficio, tanto no ano-calendário de 1990 ou, em uma segunda chance, nos anos-calendário de 1993 a 1998. Indaga-se: se o Fisco tivesse percebido a situação ainda nos anos de 1993 a 1995, quando ainda não havia decadência para o ano-calendário de 1990, teria o mesmo a opção de lançar tanto a dedução em 1990 ou, alternativamente, as exclusões em 1993 e 1994? Por certo que não. O lançamento correto seria glosar a dedução integral feita em 1990, tão-somente. O resto seria tratado como procedimento estritamente legal. Assim é que a decadência do direito de lançar para o ano-calendário de 1990 não pode convalidar um lançamento de oficio sobre um procedimento subseqüente do sujeito passivo com arrimo na lei, como se o Fisco tivesse uma segunda oportunidade, já que a primeira esvaiu-se com sua própria omissão. A omissão do Fisco só a ele pode ser danosa, jamais convalidando lançamento em procedimentos futuros do contribuinte amparados em lei. A colenda Oitava Câmara também já decidiu esta matéria, e no mesmo sentido do câmara recorrida, conforme o Acórdão 108-06.978/2002, com voto da ilustre Conselheira Tânia Koetz, assim ementado: "IRPJ — CORREÇÃO MONETÁRIA COMPLEMENTAR — SALDO DEVEDOR RESULTANTE DA DIFERENÇA IPC/BTNF — LEI N° 8.200/91 — A parcela da correção monetária das demonstrações financeiras relativa ao período-base de 1990, correspondente à diferença entre a variação do IPC e do BTNF, poderia ser excluída na determinação do lucro real a partir do ano- calendário de 1993. Procedimento que se pautou nos estritos termos da lei não enseja a glosa fiscal." Por fim, para que se ponha pá de cal na questão, sobreveio pagamento relativo à dedução integral em 1990, eliminado qualquer duplicidade. 7 Processo n° : 11080.010909/99-62 Acórdão n° : CSRF/01 -04.697 Ora, aqueles que defendem, como a própria recorrente, o direito condicional do Fisco em lançar a exclusão com base na Lei 8.200/91, direito este que se teria consolidado com a impossibilidade, dada a decadência, de se lançar em primeiro lugar a dedução integral em 1990, hão de também concluir, data venia, pelo direito do sujeito passivo, também condicional, de eliminar a duplicidade de redução do lucro real, ao, mediante recolhimento à luz da lei 9.779/99, fazer prevalecer financeiramente apenas a dedução na forma preconizada pelo artigo 3° da Lei 8.200/91. Pelo exposto, entendo correto o decidido pela colenda Sétima Câmara, e voto pelo desprovimento do recurso da Fazenda Nacional. É o meu voto. Sala das Sessões - DF, em 13 de outubro de 2003. aff 4 MARIA gORETTI DE BULHÕES CARVALHO 8 Processo n° 11080.010909/99-62 Acórdão n° CSRF/01-04.697 VOTO VENCEDOR Conselheiro CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, Relator: Inicialmente, peço vênia à ilustre Relatora Sorteada, a quem tantas vêzes tive a honra de acompanhar pelo brilhantismo de suas proposições, para discordar do voto por ela proferida nesta assentada, tanto na preliminar de não conhecimento do recurso especial, como no mérito. E também peço vênia aos meus pares da Sétima Câmara por modificar o meu entendimento sobre o litígio que deu origem ao recurso ora sob exame da Câmara Superior de Recursos Fiscais. E isso porque, como relator do RP/108-128.918 (RD, mais precisamente), tive a oportunidade de melhor examinar a matéria em face dos novos argumentos que me foram trazidos ao conhecimento pelo acórdão paradigma e pelo recurso da Douta Procuradoria da Fazenda Nacional. O Recurso Especial de Divergência é tempestivo e tem fundamento no artigo 5°, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado no Anexo I da Portaria MF n° 55, de 16/03/98. O paradigma indicado em confronto com o aresto recorrido comprova a existência de dissídio jurisprudencial, como bem demonstrou o Despacho Pres. N° 107-157-02 (fls.675/676). Aliás, os fatos nem precisam ser idênticos, mas apenas semelhantes. E a simples leitura dos dois acórdãos, notadamente os votos dos relatores, demonstram ser manifesta a divergência entre eles. Os acórdãos em confronto estão assim ementados: Acórdão n° 107-06.677, de 20/06/2002: 9 Processo n° 11080.010909/99-62 Acórdão n° CSRF/01-04.697 "IRPJ - DEDUÇÃO DO SALDO DEVEDOR DA CORREÇÃO MONETÁRIA COMPLEMENTAR IPC/BTNF - LEI N° 8.200/91, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 8.692/93 - O saldo devedor da correção monetária complementar das demonstrações financeiras pelo IPC, relativo ao período-base de 1990, poderia ser excluído, parceladamente, na determinação do lucro real a partir do ano- calendário de 1993. A irregularidade fiscal está na apropriação integral como despesa, em anos anteriores a 1993. Recurso provido." O Ac. n° 101-93.801, de 17/04/2002, no que estabeleceu a divergência, tem a ementa seguinte: IRPJ. CORREÇÃO MONETÁRIA DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS. SALDO DEVEDOR DA DIFERENÇA IPC/BTNF-90. Quanto o sujeito passivo já apropriou o saldo devedor da correção monetária das demonstrações financeiras, no período-base de 1990, na declaração de rendimentos apresentada em 31/05/91, com base no IPC, para a determil loyão do louro real, não cabe a exclusão diferença IPC/BTNF-90 do lucro real, parceladamente, nos anos de 1993 a 1998, na forma do artigo 3°, da Lei n° 8.200, de 28/06/91". As contra-razões oferecidas pelo sujeito passivo têm fulcro no art. 8° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e foram apresentadas no prazo ali previsto. Tomo, pois, conhecimento do recurso da Douta Procuradoria da Fazenda Nacional, e das contra-razões do sujeito passivo. No mérito, a atividade fiscal de examinar livros e documentos, que o contribuinte é obrigado a conservar em boa ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, e retificar erros cometidos em seus cálculos, não está sujeito a prazo decadencial. O que o fisco não pode é lançar tributo já atingido pela decadência, o que não aconteceu no caso. Não há, portanto, nulidade a se proferir. (/? 10 Processo n° 11080.010909/99-62 Acórdão n° CSRF/01-04.697 Quando o fisco glosou as referidas deduções, em 31/05/99 (fls. 6/11), o quadro era o seguinte: O contribuinte havia corrigido suas demonstrações financeiras, no ano-calendário de 1990, exercício de 1991, com base no IPC, e vinha deduzindo as parcelas referentes à Lei 8.200/91, como se tivesse feito aquela correção pelo BTNF. Essa a primeira infração cometida pela recorrente, uma vez que infringiu o disposto no artigo 10 da Lei n° 7.799/89. A Lei n° 8.200/91 autorizou a dedução da parcela da diferença IPC/BTNF para as empresas que efetuaram suas correções com base no BTNF; jamais, para as que já o tinham feito com base no IPC. Essa a segunda infração cometida pela recorrente, uma vez que infringiu Lei 8.200/91. Vale dizer que a empresa violou a lei em duas oportunidades. A primeira, quando corrigiu suas demonstrações financeiras com base no IPC e não no BTNF, em desacordo portanto com o art. 10 da Lei n° 7.799/88; a segunda, quando efetuou as deduções previstas no artigo 3° da Lei n° 8200, de 28/06/91 (DOU de 29/06/91), com as alterações da Lei n° 8.682/93, benefício reservado para as empresas que efetuaram suas correções com base no BTNF; o que não era o seu caso. A primeira infração ficou protegida pelo manto da decadência. Daí terem razão o fisco e a Douta Procuradoria quando sustentam que, ocorrendo a decadência do direito de a Fazenda Nacional lançar o tributo referente ao exercício de 1991, tem-se como consolidada a situação jurídica constante da DRPJ-Ex 1991 da empresa. Ou seja, tem-se por indiscutível, e por isso correto o procedimento adotado pelo sujeito passivo naquele período. Logo, não poderia a empresa efetuar o pagamento de imposto indevido, como forma de infirmar a glosa das deduções previstas no artigo 3° da Lei n° 8200, de 28/06/91 (DOU de 29/06/91), com as alterações da Lei n° 8.682/93, deduções essas que o contribuinte indevidamente havia feito. Indevidamente, repita- se, porque já o fizera integralmente na declaração de 1991, ao corrigir suas demonstrações financeiras pelo IPC e não pelo BTNF, como determinava o artigo 10 11 Processo n° 11080.010909/99-62 Acórdão n° CSRF/01-04.697 da Lei n° 7.799/89. A Segunda infração ocorreu justamente porque a empresa não tinha mais direito material a exercer. Para habilitar-se ao tratamento da Lei n° 8.200/91, a empresa teria de retificar sua declaração de rendimentos de 1991 e pagar o imposto correspondente à diferença entre o IPC e o BTNF. Só então poderia iniciar as deduções autorizadas por esta lei. Se apostava na demora de a fiscalização agir, poderia, simplesmente, aguardar o decurso do tempo, pois ao fisco restaria apenas cobrar- lhe os efeitos da postergação, se também aí já não tivesse ocorrido a decadência. No entanto, quis o contribuinte ainda beneficiar-se da Lei n° 8.200/91, escudando-se no argumento de que se perdesse a ação judicial pagaria o imposto (fls.338 e 445/446) e que se não apropriasse as parcelas, perderia a oportunidade de fazê-lo, caso perdesse a ação. No entanto, o contribuinte poderia beneficiar-se do disposto no art. 17 da Lei n° 9.779, de 1999, alterado pelo art. 10 da Medida Provisória n° 1.807-1, de 28 de janeiro de 1999, e recolhido o imposto referente ao ano-calendário de 1990, sem multa e com os juros favorecidos, antes de passar a efetuar as deduções de que trata o artigo 3° da Lei n. 8200/91. No entanto, preferiu guardar esse trunfo (art. 17 da Lei n° 9.779/99) para a hipótese de ser autuada em razão das deduções parciais indevidas (indevidas, insista-se, porque já as fizera integralmente, em 1990), pois, se não fosse autuada, estaria beneficiada com a apropriação em dobro da diferença IPC/BTNF. Como foi autuada, recolheu o imposto caduco com o objetivo de infirmar o sadio lançamento corretivo. Tem razão também a Douta Procuradoria ao afirmar que o contribuinte não poderia optar pelo recolhimento do imposto devido no ano- calendário de 1990 para esquivar-se do lançamento referente às parcelas da diferença IPC/BTNF, uma vez que o tributo já fora atingido pela caducidade, e esse pagamento daria lugar à repetição, adiante. (//) 12 Processo n° 11080.010909/99-62 Acórdão n° CSRF/01-04.697 Assim, não me parece correto dizer que a infração estaria na utilização do IPC para correção monetária das demonstrações financeiras já no ano de 1990. Infração que estaria protegida pelo manto da caducidade, quando despertou o fisco. Só que, repito, quando despertou o fisco, o contribuinte cometia outra infração: a de apropriar duplamente despesas. Essa a infração que o fisco autuou, e que o sujeito passivo quis infirmar com o recolhimento do imposto caduco, ao suposto abrigo do art. 17 da Lei n° 9.779, de 1999, alterado pelo art. 10 da Medida Provisória n° 1.807-1, de 28 de janeiro de 1999. O art. 17 da Lei n° 9.779, de 1999, alterado pelo art. 10 da Medida Provisória n° 1.807-1, de 28 de janeiro de 1999, abrangia evidentemente créditos tributários constituídos e que tiveram suas exigibilidades suspensas (portanto, não atingidos pela decadência) e não como ocorreu na espécie, pois o pagamento de obrigação tributária cujo direito de lançar já fora atingido pela caducidade, como se disse, daria lugar à repetição. Interpretar a lei de modo diverso seria um absurdo, e não se pode dar à lei interpretação que a leve ao absurdo, e contrarie os objetivos sociais a que se destina. Ademais, a empresa não precisava de autorização legal para retificar a sua declaração e pagar o imposto devido, antes de ocorrer a decadência, referente ao período de 1990. O disposto no art. 17 da Lei n° 9.779/1999 serviu-lhe apenas de subterfúgio para, pagando aquele imposto sem a multa e com juros favorecidos, livrar-se da glosa por dupla dedução acrescida da multa de lançamento de ofício e dos juros normais devidos, que já haviam sido lançados. Como se vê às fls. 339, o contribuinte somente fez aquele recolhimento em 23/07/99, portanto, dois meses após autuada. Registre-se, por derradeiro, que a autoridade julgadora de primeira instância determinou ao Sistema de Arrecadação que o valor indevidamente 13 Processo n° 11080.010909/99-62 Acórdão n° CSRF/01-04.697 recolhido fosse imputado ao crédito tributário decorrente do atual processo, quando de sua cobrança. Em resumo: É indevida a apropriação da despesa relativa às parcelas do saldo devedor da diferença IPC/BTNF-1990, a partir do exercício de 1993, quando o contribuinte já corrigira suas demonstrações financeiras, no exercício de 1991, com base no IPC, e deduzira a respectiva despesa. O recolhimento do tributo correspondente, já atingido pela caducidade, com os benefícios do art. 17 da Lei n° 9.779/99, com objetivo de infirmar o lançamento sadio que glosou a apropriação das parcelas de que trata o art. 3° da Lei n° 8.200/91, não pode prosperar. Na esteira dessas considerações, rejeito a preliminar de não conhecimento do recurso da Fazenda Nacional e, no mérito, dou-lhe provimento. CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES 14 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1
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Numero do processo: 15956.720242/2016-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010, 2011
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO.
A decisão deve conter relatório resumido do processo, fundamentos legais,conclusão e ordem de intimação, devendo referir-se,expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências.O dispositivo deve abarcar todas as impugnações em julgamento
Numero da decisão: 2301-005.657
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, anular o acórdão da DRJ, para que seja proferida nova decisão, enfrentando, explicitamente, todas as impugnações. Vencidos os conselheiros Juliana Marteli Fais Feriato (relatora), Reginaldo Paixão Emos e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, que não reconheciam a nulidade. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Bellini Júnior.
João Bellini Júnior - Presidente e Redator designado.
(assinado digitalmente)
Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Junior (Presidente). Ausente justificadamente, o Conselheiro Antônio Sávio Nastureles e o Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa
Nome do relator: JULIANA MARTELI FAIS FERIATO
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NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. A decisão deve conter relatório resumido do processo, fundamentos legais,conclusão e ordem de intimação, devendo referirse,expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências.O dispositivo deve abarcar todas as impugnações em julgamento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, anular o acórdão da DRJ, para que seja proferida nova decisão, enfrentando, explicitamente, todas as impugnações. Vencidos os conselheiros Juliana Marteli Fais Feriato (relatora), Reginaldo Paixão Emos e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, que não reconheciam a nulidade. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Bellini Júnior. João Bellini Júnior Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato Relatora (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 72 02 42 /2 01 6- 77 Fl. 14342DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Junior (Presidente). Ausente justificadamente, o Conselheiro Antônio Sávio Nastureles e o Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relatório Tratase de três Recursos Voluntários (fls. 13947/13972; fls. 14123/14157 e fls. 14306/14332) interposto em face da decisão da DRJ (fls. 13911/13933) proferida pela 1ª Turma da DRJ/CGE, Acórdão 0443.370 de 26/07/2017, que julgou improcedente a Impugnação e manteve o crédito tributário lançado, cuja Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010, 2011 MATÉRIA DE NATUREZA CONSTITUCIONAL ANÁLISE EM SEDE ADMINISTRATIVA. A apreciação de matérias de natureza constitucional não pode ser feita em sede administrativa por expressa determinação das normas vigentes. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Os depósitos bancários sem comprovação de origem por si só são suficientes para a caracterização da omissão de rendimentos após a vigência da lei 9.430/96, que criou a presunção legal, independentemente do acréscimo patrimonial. CRÉDITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM PARA DESCARACTERIZAR A OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Os créditos bancários para não serem considerados omissão de rendimentos na forma da legislação vigente, deverão ser comprovados com documentos hábeis e idôneos com coincidência de datas e valores. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Conforme consta do Auto de Infração de fls. 7844/7864, contra o Contribuinte José Geraldo Martins Ferreira foi lançado Imposto de Renda de Pessoa Física Complementar, cujo fato gerador foi a omissão de recolhimento de IRPF de rendimentos derivados de atividades ilícitas; recebidos de pessoa jurídica, depósitos bancários de origem não comprovada e ganho de capital na alienação de bens e direitos, durante o período apurado consistente do AnoCalendário de 2010 e 2011, lançando o para pagamento de crédito tributário na importância correspondente a R$30.506.621,40 (trinta milhões quinhentos e seis Fl. 14343DF CARF MF Processo nº 15956.720242/201677 Acórdão n.º 2301005.657 S2C3T1 Fl. 14.343 3 mil seiscentos e vinte e um reais e quarenta centavos), composto em: R$10.000.657,78 de Imposto; R$5.504.976,96 de juros e R$15.000.986,66 de multa proporcional passível de redução. Segundo o Auto de Infração, atuaram conjuntamente com o Contribuinte, os Contribuintes Valéria Cristina Tamura Martins Franco Plens e Geraldo Minoru Tamura Martins, filhos e sócios do sujeito passivo principal, e, portanto, respondem pessoal e ilimitadamente pelo crédito tributário devido, nos termos do art. 124 do CTN. Segundo o termo de verificação fiscal que acompanha o Auto de Infração, juntado nas fls. 7597/7843, os auditores fiscais responsáveis pela autuação, impõem aos Contribuintes: · Que o contribuinte JOSÉ GERALDO MARTINS FERREIRA promoveu diversos atos de ocultação de seu patrimônio, mediante a constituição de um extenso rol de empresas de fachada/prateleira em nome de interpostas pessoas que integravam o quadro societário; · Que os filhos Geraldo Minoru Tamura Martins, Valéria Cristina Tamura Martins Franco Plens e o genro Lucas Franco Plens foram enfáticos ao consignar que o Contribuinte José Geraldo era o dono de fato de dezenas de empresas e que eles apenas cederam seus nomes para compor o quadro societário, nos seus depoimentos perante a Polícia Federal; · Em degravações realizadas pela Polícia Federal, no curso da Operação Paraíso Fiscal, o próprio Contribuinte José reconhece perante o seu interlocutor de nome André, conforme (DOC 41 – Processo Crime (1) fls. 5732/5733) à condição de sócio oculto na empresa LFB MÉDICOS ASSOCIADOS LTDA (LABOIMAGEM); · A mescla de recursos “lícitos” e ilícitos que se encontravam em empresas inexistentes de fato eram drenados através de estruturas empresariais que simulavam aparência de operacionalidade, tática essa também utilizada por JOSÉ GERALDO para dissimular a origem do dinheiro obtida de forma espúria; · Os imóveis adquiridos por JOSÉ GERALDO eram, quase na sua totalidade, registrados em nome de empresas de fachada/prateleira; · Em 10/03/2010, JOSÉ GERALDO atesta a motivação desta conduta ao responder a um questionamento feito por ELAINE, sua interposta pessoa na empresa OLLIN, numa troca de email, no qual afirma: “Preciso colocar o terreno no nome de uma empresa que não opera, não tem empregados e não está sujeita a impostos e ações trabalhistas. Se não, num futuro incerto, algum empregado poderá entrar com ação trabalhista ou algum procurador poderá cobrar imposto e hipotecar o imóvel”; · As provas coletadas no curso dessa fiscalização demonstram, de forma cabal, que JOSÉ GERALDO é de fato o detentor de todo Fl. 14344DF CARF MF 4 patrimônio distribuído em nome de diversas pessoas jurídicas, bem como utilizou dezenas de contas bancárias mantidas em nome dessas empresas; · Diversos emails enviados por José Geraldo demonstram a forma como faziam para maquiar os rendimentos recebidos para não ter que declara IRPF; · Conforme quadro de fls. 7605/7609, o Contribuinte operava através de 20 pessoas jurídicas, das quais grande maioria era de fachada, quase sempre sem movimentação financeira e sem funcionários, cuja relação com Contribuinte era como sócio ou sócio oculto, comprovado por diversos emails (mensagens constantes do DOC 01 ao DOC 25 comprovam que tudo era comandado por JOSÉ GERALDO, corroborando os depoimentos dos filhos e genro); · Todos os documentos que comprovam a vinculação foram fornecidos pela Superintendência da Polícia Federal, conforme despacho proferido pelo Excelentíssimo Juiz Marcio Ferro Catapani, datado de 03 de agosto de 2011, proveniente da Operação Paraíso Fiscal, do qual o Contribuinte foi apontado como um dos operantes e beneficiários do esquema de venda de fiscalizações, advocacia administrativa e fraudes no ressarcimento de tributos federais, tendo sido apreendidas moedas nacional e estrangeira em espécie, no montante equivalente a R$ 12,8 milhões – possivelmente recursos não declarados à receita federal, além de expressiva quantidade de documentos, inclusive arquivos digitais. · Em 04/08/2011, foram apreendidos pela Polícia Federal na residência de José Geraldo Martins Ferreira os documentos relacionados no “Auto de Apreensão”, no DOC 41 fls. 5881/5885 dos autos, inclusive moedas nacional e estrangeira em espécie, HD´s, recursos financeiros em nome de empresas, sendo que a decisão judicial prolatada nos autos do processo nº. 00752257.2011.403.6181, autoriza o compartilhamento com a Receita Federal do Brasil de todos os elementos colhidos no curso das investigações, inclusive dos dados obtidos com o afastamento do sigilo bancário, das interceptações telefônicas e telemáticas, e ainda de eventual material apreendido nas diligências de busca e apreensão; · O Contribuinte exercia na época da operação Paraíso Fiscal, a função de Supervisor de Fiscalização na Delegacia da Receita Federal em Osasco/SP, tendo seus aparelhos celulares interceptados pela Polícia Federal, que permitiu à Polícia Federal constatar que a atuação do investigado em diversas empresas – como sócio de fato – drenava recursos de origem não comprovada, possibilitando ocultar patrimônio lastreado em atividades espúrias e paralelas às de Auditor Fiscal e Supervisor de Grupo de Fiscalização, sendo tais operações de despiste desenvolvidas primordialmente nas cidades de Itapetininga e de Sorocaba, sendo que ficou claro e demonstrado para a Polícia Federal, que os negócios particulares de JOSÉ GERALDO, envolviam dezenas de empresas formalmente constituídas em nome de seus familiares e testasdeferro; Fl. 14345DF CARF MF Processo nº 15956.720242/201677 Acórdão n.º 2301005.657 S2C3T1 Fl. 14.344 5 · Outra forma de atuação pelo Auditor Fiscal Contribuinte era como gestor de interesses de alguns contribuintes junto à Receita Federal, como foi com a empresa ELECTRO PLASTIC S/A, que mais tarde revelou ter causado prejuízo ao Erário Público, cujo auxilio transbordou da mera advocacia administrativa para a construção fraudulenta de fatos com aparência de normalidade (simulação de mudança de domicilio fiscal com o fito de dar fim a vultuosos débitos tributários, entre outros); · Nas conversas apuradas feitas entre o Contribuinte e seu núcleo de pessoas que operavam no esquema demonstram que JOSÉ GERALDO agia em favor da empresa em prejuízo aos interesses da RFB e da Fazenda Nacional, ao mesmo tempo em que supervisionava a ação fiscal desenvolvida pelo AuditorFiscal Édson Eiji Azuma. · Todas as vinte empresas relacionadas no quadro foram intimadas em abril/2015 a apresentar a escrituração contábil, livro caixa e relação de bens imóveis relativos aos anoscalendários de 2009 a 2014, sendo que nenhum apresentou qualquer documento requisitado; Intimado, o Contribuinte José Geraldo apresentou impugnação nas fls. 7896/7934, alegando que: · Descabimento da solidariedade imposta ao mesmo, visto que a responsabilidade para pagamento dos tributos lançados é das empresas e não do sócio, que não possui participação nesta relação jurídica entre a sociedade e a fazenda pública; · Que o contribuinte não é sócio nem de direito nem de fato das empresas relacionadas no auto de infração, sendo que, mesmo que fosse sócio de fato não poderia ser responsabilizado com base no art. 24 CTN · Inadmissível a imputação direta da responsabilidade tributária ao impugnante, em que desconsiderou a personalidade jurídica de todas as empresas sem o devido processo legal; · Que a conduta da Autoridade Fiscal constitui aberração jurídica, devendo ser declarado nulo o auto de infração, pois, os fatos imputados diretamente ao impugnante deveriam ser precedidos do devido processo legal, oportunizando ao impugnante que sequer é sócio das empresas mencionadas no auto de infração; · Requer a decadência do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento, considerando que o fato gerador mais recente ocorreu em 31.12.2011, donde se conclui que a decadência ocorreu em 31.12.2016, sabendose que a ciência do contribuinte se deu apenas em 05.01.2017, conforme se esclarece no item da nulidade do Edital; Fl. 14346DF CARF MF 6 · Requer a aplicação do parágrafo único do artigo 173 do CTN, afirmando que a ação fiscal teve início em 04.08.2011, e, portanto, o lançamento ocorreu em 05.01.2017, mais de cinco anos após o início da fiscalização não obstante conste que o edital foi afixado no dia 13.12.2016, a ciência ocorreu em 05.01.2017, pois, no dia 03.01.2017 o impugnante compareceu à Agência da Receita em Itapetininga para solicitar cópia do processo, conforme faz certo a cópia de fls. 7892, e que teria tido ciência através do COMPROT e não do Edital. Que ao solicitar cópia do processo na Agência de Itapetininga, foi informado que o processo estaria na DRF de Ribeirão Preto, retornando no dia 04.01.2017 e para surpresa sua o impugnante foi informado de que o processo teria sido movimentado para aquela Agência, mas, que os sistemas informatizados da Agência não tinham capacidade para abrir os arquivos, tendo sido movimentado para a DRF Sorocaba, quando finalmente teve acesso no dia 05.01.2017; · Nulidade do Edital, fls. 7881, pois, foi assinado e afixado pelo mesmo servidor, sendo que a afixação e desafixação são de competência do Chefe da Agência, e, um servidor lotado na Delegacia de Ribeirão Preto não é competente para isso, nos termos do artigo 56 do decreto 70.235/72; · Indevido o uso de “emails” como prova, cuja autenticidade não restou comprovada, tendo essa questão sido abordada no processo criminal, e, até o presente momento não conseguiu a leitura dos mesmos na origem telemática, conforme faz prova a inclusa certidão expedida pelo cartório do Juízo Criminal transcrita, não sendo razoável nem admissível que seja usada como prova no processo tributário uma cópia em papel de um arquivo cuja origem não possa ser autenticada · A omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas derivados de atividades ilícitas ou percebidos com infração à lei, tratase de receita operacional da empresa FACERE, não constando dos autos comprovante algum de que essa empresa seja de José Geraldo como afirmam os auditores, nem que o impugnante tenha recebido esses valores; · A omissão de rendimentos oriunda de depósitos bancários sem comprovação de origem não encontra nos autos prova de que tais valores tenham pertencido ao impugnante ou tenham sido movimentados por ele, e, além disso, analisando a parte da planilha que se refere às contas do ora impugnante, notase que os auditores cometeram equívocos demonstrados na planilha juntada com a defesa, · A omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais não são operações realizadas pelo impugnante, além do que com base em demonstrativo de apuração de ganho de capital elaborado pelos auditores e constante dos autos, o fato gerador ocorreu em 19.07.2007, ou seja, mais de nove anos, estando consolidada a decadência; Fl. 14347DF CARF MF Processo nº 15956.720242/201677 Acórdão n.º 2301005.657 S2C3T1 Fl. 14.345 7 · A titularidade dos depósitos realizados nas contas das pessoas jurídicas indicadas pela fiscalização não é de titularidade do impugnante e sim de cada empresa titular de sua conta corrente bancária, não tendo a fiscalização em momento algum trazido provas de que tais movimentações não fossem das referidas empresas, citando a súmula CARF 32, que dispõe “A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idôneo o uso da conta por terceiros”; · Quanto à multa qualificada, requer aplicação da Súmula 14 do CARF, visto que não há nos autos uma só prova de conduta em que haja ocorrência de fraude, dolo ou simulação apta a ensejar a qualificação da multa de ofício; · A multa de 150% aplicada constitui um confisco tributário, vedado pelo inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal, afirmando que o STF · Requer a nulidade do procedimento administrativo, indicando o descumprimento da Portaria RFB 1687/2014 que preceitua que os procedimentos serão executados em 120 dias, que poderão ser prorrogados por igual período, afirmando que houve prorrogação irregular do procedimento fiscal, pois, o último mandado de procedimento fiscal deveria ser prorrogado até 01.10.2013, entretanto a próxima prorrogação foi em 15.07.2014, mais de oito meses após a data fatal, violando o artigo 11 Inciso I, parágrafo 1º da portaria RFB 1687 de 17 de setembro de 2014; A Contribuinte Valéria Cristina Tamura Martins Franco Plens apresentou impugnação nas fls. 7957/7986, alegando, em síntese, quase os mesmos termos da impugnação do responsável principal José Geraldo Martins Ferreira, com pequenas variações, em especial quanto aos pedidos e a responsabilidade solidária. Assim como responsável solidário Geraldo Minoru Tamura Martins apresentou sua impugnação nas fls. 8004/ 8085, afirmando ainda: · Que a investigação não logrou êxito em encontrar nenhum indício de crime e finaliza atribuindo rendimentos lícitos de pessoas jurídicas a um Contribuinte que é pessoa física, que nunca figurou como sócio administrador de nenhuma delas, tendo havido a desconsideração da personalidade jurídica; · Que é inadmissível atribuir aos filhos de José Geraldo a condição de sujeitos passivos solidários sobre o pagamento de impostos de rendimentos de pessoa física, supostamente obtidos pelo pai a legislação brasileira não permite, nesse caso, que dívidas dos pais passem para os filhos e a responsabilidade tributária segundo o CTN é pessoal e intransferível; Fl. 14348DF CARF MF 8 · Que Minoru é o administrador das pessoas jurídicas vinculadas à terceirização de recursos humanos, (Inovarhe, Rhealise Tokyowa, etc.), ficando claro e inequívoco o entendimento que José Geraldo não é administrador dessas empresas; · Com relação às empresas Inovarhe Cash e Transportadora Assunção, citadas nos autos e não autuadas, Minoru requer o reconhecimento da ilegitimidade passiva, pois, os artigos 1003, 1032, e 1057 do Código Civil preceituam que a responsabilidade do sócio retirante da sociedade é de dois anos, após averbada a modificação do contrato, tendo a retirada ocorrido em 21.03.2014 da INOVARHE CASH e 10.06.2010 da TRANSPORTADORA ASSUNÇÃO; · Apresenta um quadro relativo às administrações das empresas citadas no auto de infração, afirmando que no caso da Inovarhe Cash não é administrador nem sócio há mais de 02 anos, sem possibilidade, portanto, de assumir responsabilidades sobre as obrigações dessa empresa. Que está sendo imputado a Geraldo Minoru e Valéria Cristina a responsabilidade solidária de todos os rendimentos, sendo que não eram os administradores de todas as empresas nesse período, e, inexplicavelmente a fiscalização não incluiu outras empresas do grupo familiar que possuíam grande receita operacional, como venda de imóveis, prestação de serviços etc., dentre elas a CVE Empreendimentos e Meta Empreendimentos; · Apresenta uma planilha, fls. 8088 a 8099, compreendendo o período em que Geraldo Minoru e Valéria Cristina foram administradores dessas empresas e todas as origens para comprovar os depósitos nas contas. Foram utilizados documentos idôneos juntados pela própria fiscalização e por Geraldo Minoru e Valéria Cristina, havendo uma descrição em cada linha da origem do recurso, comprovando as origens de todos os depósitos no período de 01/2010 a 12/2011. Em anexo, à impugnação, fls. 8123 a 13907 apresenta uma infinidade de documentos, como notas fiscais, conhecimentos de transporte, extratos de débitos com a Fazenda Nacional contratos de locação, matrículas de imóveis, fls. de livro razão, cópias de cheques, comprovantes de depósitos, extratos bancários e recibos de pagamento; No julgamento das impugnações pelo Acórdão juntado nas fls. 13911/13933, a autoridade fiscal entendeu por unanimidade dos votos indeferir todas as impugnações, sendo que, com relação ao Contribuinte José Geraldo Martins Ferreira, a DRJ entendeu que: · Sobre a solidariedade, restou claro o interesse jurídico comum entre os obrigados, considerando que os responsáveis solidários são filhos do responsável principal que se utilizou deles em comum acordo para a constituição de empresas de fachadas, com o conhecimento dos objetivos do pai que constituía empresas para ocultação de patrimônio sendo sócio oculto, comprovado com conversa telefônica constante de fls. 5732 e 5733; · Em fls. 7605 a 7609 estão relacionadas 20 empresas com um breve relato dos objetivos, operações e intervenções praticadas por José Fl. 14349DF CARF MF Processo nº 15956.720242/201677 Acórdão n.º 2301005.657 S2C3T1 Fl. 14.346 9 Geraldo, com o objetivo de ocultar seu patrimônio, e, em fls. 7609 a 7613 o rol de pessoas físicas intervenientes nas operações do grupo formado por José Geraldo e suas respectivas atuações, observandose que as provas obtidas no âmbito da Justiça Federal em decorrência da Operação Paraíso Fiscal foram compartilhadas com autorização judicial em decisão prolatada pelo Sr. Juiz Marcio Ferro Catapani em 03.08.2011, destacando que as conversas gravadas do Contribuinte, o mesmo estava utilizando de dois celulares que estavam no nome das empresas Transtamar e Facere; · Os Coobrigados e filhos, Geraldo Minoru e Valéria Cristina, em depoimento à Polícia Federal fls. 125 a 127, 6154/6156 e 6160/6166 afirmam que as empresas na realidade pertencem ao seu pai, e registradas em nome deles para fazer sucessão do pai; · A responsabilidade contra o contribuinte é direta e não solidária, conforme se confirma no auto de infração de fls. 7847; · A possibilidade de desconsideração da personalidade jurídica é possível no processo administrativo fiscal, independentemente de determinação judicial, considerando que os artigos do Código Civil indicados na impugnação são aplicados em processo judicial onde o juiz é a autoridade competente, mas, no caso, a Autoridade Administrativa pode considerar tais empresas como interpostas pessoas quando constata pela utilização das empresas para movimentação de bens do impugnante conforme farta documentação acostada aos autos demonstra. Tratase de da constatação inequívoca de que tais empresas simplesmente prestaramse a ocultar patrimônio pertencente ao impugnante que foram consideradas de apenas oito e não a totalidade das empresas relacionadas com as demais operações; · Não ocorreu a decadência pleiteada, considerando que o fato gerador mais antigo, ou seja, 31.12.2010 e o início da contagem a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ser efetuado, considerando que o lançamento poderia ser efetuado em 2011, o primeiro dia do exercício seguinte 01.01.2012, a decadência somente se operaria em 31.12.2016, enquanto que o lançamento se concretizou em 29.12.2016, pois, o edital afixado em 14.12.2016 teve seu vencimento em 29.12.2016, portanto, dentro do prazo permitido para o lançamento, e, a argumentação de que a ciência deuse em 05.01.2017 não encontra amparo legal, levandose em conta que o inciso IV do parágrafo 2º do artigo 23 do decreto 70.235/72 determina que se considera intimado 15 dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado, combinado com o § 3º do mesmo artigo que prevê que os meios de intimação previstos nos incisos e caput do artigo 23 não estão sujeitos a ordem de preferência; · O indicado parágrafo único do artigo 173 do CTN para caracterizar a decadência, afirmando que a ação fiscal teve início em 04.08.2011 Fl. 14350DF CARF MF 10 não pode ser aplicado, porquanto, os casos de dolo, simulação ou fraude, é de aplicação do inciso I do artigo 173 do CTN; · A nulidade do Edital, fls.7881 não pode ser aceita pelo fato de que foi afixado e desafixado pelo mesmo servidor lotado na DRF Ribeirão Preto, por entender o impugnante ser de competência do Chefe da Agência, pois, o servidor designado para proceder à afixação e desafixação do edital é perfeitamente competente para sua realização e a afixação foi realizada por um Auditor Fiscal e a desafixação por Analista Tributário, ao contrário da afirmação do impugnante; · Quanto a afirmação de nulidade do edital que somente poderia ocorrer caso frustradas as intimações pessoal e postal nos termos do artigo 23, do decreto 70.235/72, esquecese que o parágrafo 3º do mesmo artigo que prevê que os meios de intimação previstos nos incisos e caput do artigo 23 não estão sujeitos a ordem de preferência; · A própria afirmação do filho Geraldo Minoru e Valéria em depoimento à Polícia Federal, fls. 6156 e 6160/6163, além do detalhado proceder em relação à empresa FACERE, fls. 7653 a 7660, demonstram cabalmente a utilização da empresa pelo impugnante, além de todo o conjunto da obra, como por exemplo a mensagem do impugnante à esposa e filhos em relação à compra de imóvel registrado em nome da empresa AFAEP, sob o controle deles, pedindo o sigilo sobre a identidade do proprietário, dentre outras provas constantes do Termo de Verificação Fiscal em mensagens de José Geraldo, em que se constata o verdadeiro administrador de todas as empresas; · A omissão de rendimentos oriunda de depósitos bancários sem comprovação de origem encontra respaldo no cruzamento de dados da planilha de fls. 7747 com mensagens obtidas nas dezenas de “emails” e os cotejou com as informações bancárias dos extratos das empresas ADIMERE, FACERE, TRANSPORTADORA ASSUNÇÃO E TRANSTAMAR, constatando a coincidência de datas e valores pertencentes e controlados por José Geraldo, conforme planilha de fls. 3025 e 3027, além de outros valores depositados diretamente na conta de terceiros, sempre atendendo a uma solicitação que Elaine Fiúza fazia à funcionária Edilane da Valcred, por ordem de José Geraldo. Foi preparado um relatório comparando os conteúdos dos “emails” com os extratos bancários das quatro empresas ADIMERE, FACERE, TRANSPORTADORA ASSUNÇÃO E TRANSTAMAR, conforme fls. 2915/2954, comprovando que as operações e valores apontados nos “emails” dizem respeito àqueles lançados a crédito das contas bancárias de titularidade de fato de José Geraldo, dentre outras planilhas, fls. 3025/3030, confrontando os dados apreendidos (planilha e mensagens eletrônicas e alegação de que o resultado da circularização foi no sentido de que as respostas foram no sentido de que se tratavam de atividades comerciais lícitas vai de encontro com as provas identificadas e detalhadas pela fiscalização, como por exemplo, em fls. 7799 a 7802, incluindose aí solicitação de recursos pelo filho a José Geraldo); Fl. 14351DF CARF MF Processo nº 15956.720242/201677 Acórdão n.º 2301005.657 S2C3T1 Fl. 14.347 11 · Embora a titularidade dos depósitos realizados nas contas das pessoas jurídicas indicadas pela fiscalização não fossem da titularidade do impugnante, indica a súmula CARF 32 que dispõe que “A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso de conta por terceiros”, que é exatamente o caso demonstrado com documentação farta, depoimentos e todos os demais elementos constantes do Termo de Verificação Fiscal lastreado em documentos juntados aos autos, que não se reproduz aqui por já constarem dos autos; Com relação aos argumentos trazidos na Impugnação apresentada pelo filho Geraldo Minoru, a DRJ especificamente determinou que: · O fato de nunca ter figurado como sócio das empresas não significa que não fosse o titular efetivo e não de direito das empresas utilizadas, como ele próprio, a outra responsável solidária Valéria e o marido desta afirmaram em depoimento à Polícia Federal, fls. 6155/6156 e 6160/6166, além de todo o conjunto probatório constante do Termo de Verificação Fiscal e documentos constantes dos autos. · A afirmação de que as empresas não foram autuadas, evidentemente foi pelo fato de que tais empresas foram utilizadas para atender aos interesses de José Geraldo que as manipulava segundo seus interesses pessoais, em especial para ocultar patrimônio. · O fato de que a fiscalização ocorreu de 2006 a 2011 e os lançamentos somente de 2010 e 2011, não foi porque as empresas não estariam irregulares antes de 2010, mas, porque já havia ocorrido a decadência do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN; · Não há verossimilhança da afirmação de que ele é o administrador das pessoas jurídicas vinculadas à terceirização de recursos humanos, Inovarhe, Rhealise, Tokyowa, etc., considerando que além do depoimento à Polícia Federal, verificase em comunicação com o pai por diversas vezes que o impugnante demonstra total dependência na administração das empresas, conforme se verifica em fls. 7801/7802; · Não se pode anular o edital por ter sido afixado em dois locais distintos, considerando, obviamente, que vale a data mais favorável ao contribuinte e que os dois editais foram afixados para que ele tivesse a oportunidade de tomar conhecimento, sendo um na repartição do lançamento e outro na Agência de residência do impugnante e o fato de ter sido afixado também na Agência de Itapetininga não trouxe qualquer prejuízo a ele; O Contribuinte José Geraldo apresentou seu Recurso Voluntário nas fls. Fl. 14123/14157, pedindo o cancelamento do lançamento ante às seguintes razões: Fl. 14352DF CARF MF 12 · Preliminarmente Decadência, nos termos do parágrafo único do art. 173: a fiscalização indicou em 04/08/2011, notificando o contribuinte do início da fiscalização, extinguindo o prazo decadencial para lançamento do imposto em 04/08/2016, sendo que o AI é datado de 12/12/2016 – dentre o início da fiscalização e o lançamento decorreram mais de cinco anos ocorreu decadência do direito à constituição do crédito pela Autoridade Lançadora, de forma que se mostra nulo; · Ausência de tipicidade ausência de individualização das atitudes pessoais, com a descrição dos fatos, das épocas e respectivas consequências, pois toda a atividade fiscalizadora foi direcionada ao suposto obrigado principal, o Recorrente, sendo estendida a obrigação aos seus filhos, apenas com a menção genérica a dispositivos de regência, que sem a análise de fatos imponíveis, identificandoos no tempo e com supedâneo em comprovação concreta, ou seja, apenas por ilação subjetiva foi considerada como pertencente ao Recorrente, desconsiderando a autonomia das personalidades jurídicas, escritas contábeis, etc. · Contra o Contribuinte foi imputadaa responsabilidade solidária do mesmo com as empresas listadas, por consideralo responsável tributário direto por todas as operações descritas (negócios jurídicos e operações financeiras) entre várias personalidades físicas e jurídicas em vários exercícios, desconsiderando as independências negociais, lançamentos contabilizados e períodos suscetíveis de apuração, bem como as titularidades responsáveis, porque seria “sócio de fato” de empresas e pessoas utilizadas para ocultar o patrimônio do Recorrente, a quem foi imputada obrigação objetiva por todos os negócios e operações, como responsável principal de suposta obrigação tributária, apurada e quantificada em desacordo com os dispositivos legais. Entretanto a responsabilidade tributaria não se presume. Se uma das empresas realizou prestação, como efetivamente ocorreu, emitiu nota fiscal e recebeu a contraprestação financeira, não poderia como não pode o depósito correspondente se considerado como sem origem e tributado como omissão de receita na pessoa física do Recorrente, com a alíquota de 27,5% (vinte e sete e meio por cento), o que é verdadeiramente teratológico; · Não havendo a constatação preliminar dos fatos imponíveis às respectivas hipóteses de incidência, ausentes a descrição pormenorizada da conduta do Recorrente ou benefício que auferiu nos respectivos eventos qualificados ilegitimamente, com base em presunções e ilações, incabíveis como forma de imposição de responsabilidade, quando a Lei exige comprovação efetiva inexistente nos autos, há que se declarar a insubsistência do Auto de Infração e respectivo Lançamento, não amparado nas hipóteses legais a ensejar a responsabilidade subjetiva pessoal do Recorrente, conforme comando cogente de regência; · Incorreta qualificação dos Fatos – apesar de vasta citação de leis e artigos no enquadramento legal, falta o principal, ou seja, qual o artigo se enquadra para a definição da tributação e arrecadação do Fl. 14353DF CARF MF Processo nº 15956.720242/201677 Acórdão n.º 2301005.657 S2C3T1 Fl. 14.348 13 IRPF, sem falar na inconsequente citação de artigos sem ligação com o fato relatado – principalmente no que consiste a imputação dos valores recebidos ilicitamente pela Electro Plastic S/A; · Não existe nenhum documento ou qualquer informação objetiva que possa levar a conclusão de que o Recorrente tenha sido beneficiário, ou, como exige a legislação de regência a, tenha tido a disponibilidade econômica dos valores lançados que resultaram na exigência fiscal. Isso porque as datas e valores citados no Auto de Infração não se encontram nas centenas de páginas a que se refere em conclusão o Termo de Verificação Fiscal; · Com relação à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no Auto de Infração é relatado que a origem está assentada em: “conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal de 12/12/2016, que fica sendo parte integrante e indissociável deste Auto de Infração” (fls. 7850). Mesmo com leitura atenta e exame exaustivo, de todo o Termo de Verificação Fiscal citado, não se encontra ou é possível vislumbrar, sequer em tese, tanto nos fatos relacionados pela Fiscalização, como na correspondente documentação até porque efetivamente não foram descritos e relacionados como afirmado no Auto, à subsunção fática na Regra Matriz conforme comando regente impositivo; · Que os enquadramentos legais citados não estão corretos, o que prejudica os autuados na defesa, razão pela qual, inquestionável que os valores calculados para a exigência contida do Auto de Infração estão incorretos, incidindo, portanto, na afronta e negativa de vigência aos incisos: III; IV e V, do art. 10, do Decreto nº 70.235/72, e, por consequência, aos efeitos do art. 166, inciso IV, do Código Civil Brasileiro; · Não houve omissão de rendimentos, visto que todos os impostos foram pagos pelas Pessoas Jurídicas, não sendo devida a exigência contra o contribuinte; · Houve a incorreta presunção de titularidade das contas correntes, contrário à Súmula 32 do CARF que determina que a titularidade pertence às pessoas indicadas dos dados cadastrais; A Coresponsável Valéria apresentou seu Recurso Voluntário nas fls. Fl. 14306/ 14332, pugnando que: · Nulidade do procedimento, visto que o primeiro ato de oficio escrito, ou seja, o termo de início do procedimento fiscal, está inserido às folhas 6398 e 6399, datado de 04 de agosto de 2011, ou seja, o início do procedimento fiscal somente foi apresentado após 6397 documentos estarem juntados aos autos, em total desacordo com o estabelecido no art. 22 do Decreto nº 70.251/1972; Fl. 14354DF CARF MF 14 · Nulidade do procedimento – ausência de intimação da Coresponsável foi intimada para recolher os tributos sem nunca ter feito parte do procedimento fiscal. · Preliminarmente Decadência, nos termos do parágrafo único do art. 173: a fiscalização indicou em 04/08/2011, notificando o contribuinte do início da fiscalização, extinguindo o prazo decadencial para lançamento do imposto em 04/08/2016, sendo que o AI é datado de 12/12/2016 – dentre o início da fiscalização e o lançamento decorreram mais de cinco anos ocorreu decadência do direito à constituição do crédito pela Autoridade Lançadora, de forma que se mostra nulo; · A responsabilidade solidária prevista no art. 124, I, do Código Tributário Nacional é ampla e irrestrita, mas deve se ater aos seus precisos termos. Não é possível nem admissível se considerar os filhos como responsáveis solidários dos tributos devidos pelos pais. Nos casos aqui considerados como omissão de rendimentos por parte do genitor da Recorrente, não se constata nem foi descrito o “interesse comum na situação que gerou o fato gerador da obrigação”. · Ausência de tipicidade das condutas impostas ao devedor principal ausência de individualização das atitudes pessoais, com a descrição dos fatos, das épocas e respectivas consequências, pois toda a atividade fiscalizadora foi direcionada ao suposto obrigado principal, o Recorrente, sendo estendida a obrigação aos seus filhos, apenas com a menção genérica a dispositivos de regência, que sem a análise de fatos imponíveis, identificandoos no tempo e com supedâneo em comprovação concreta, ou seja, apenas por ilação subjetiva foi considerada como pertencente ao Recorrente, desconsiderando a autonomia das personalidades jurídicas, escritas contábeis, etc. · Não existe nenhum documento ou qualquer informação objetiva que possa levar a conclusão de que o devedor principal tenha sido beneficiário, ou, como exige a legislação de regência a, tenha tido a disponibilidade econômica dos valores lançados que resultaram na exigência fiscal. Isso porque as datas e valores citados no Auto de Infração não se encontram nas centenas de páginas a que se refere em conclusão o Termo de Verificação Fiscal; · Não houve omissão de rendimentos, visto que todos os impostos foram pagos pelas Pessoas Jurídicas, não sendo devida a exigência contra o contribuinte; · Houve a incorreta presunção de titularidade das contas correntes, contrário à Súmula 32 do CARF que determina que a titularidade pertence às pessoas indicadas dos dados cadastrais; O CoResponsável Geraldo apresentou seu Recurso Voluntário nas fls. Fl. 13947 / 13972, requerendo que: · Preliminarmente Decadência, nos termos do parágrafo único do art. 173: a fiscalização indicou em 04/08/2011, notificando o contribuinte Fl. 14355DF CARF MF Processo nº 15956.720242/201677 Acórdão n.º 2301005.657 S2C3T1 Fl. 14.349 15 do início da fiscalização, extinguindo o prazo decadencial para lançamento do imposto em 04/08/2016, sendo que o AI é datado de 12/12/2016 – dentre o início da fiscalização e o lançamento decorreram mais de cinco anos ocorreu decadência do direito à constituição do crédito pela Autoridade Lançadora, de forma que se mostra nulo; · Ausência de solidariedade A responsabilidade solidária prevista no art. 124, I, do Código Tributário Nacional é ampla e irrestrita, mas deve se ater aos seus precisos termos. Não é possível nem admissível se considerar os filhos como responsáveis solidários dos tributos devidos pelos pais. Nos casos aqui considerados como omissão de rendimentos por parte do genitor do Recorrente, não se constata nem foi descrito o “interesse comum na situação que gerou o fato gerador da obrigação”. · Ausência de tipicidade ausência de individualização das atitudes pessoais, com a descrição dos fatos, das épocas e respectivas consequências, pois toda a atividade fiscalizadora foi direcionada ao suposto obrigado principal, o pai Recorrente, sendo estendida a obrigação ao Recorrente, apenas com a menção genérica a dispositivos de regência, que sem a análise de fatos imponíveis, identificandoos no tempo e com supedâneo em comprovação concreta, ou seja, apenas por ilação subjetiva foi considerada como pertencente aos Recorrentes, desconsiderando a autonomia das personalidades jurídicas, escritas contábeis, etc. · Incorreta qualificação dos Fatos – apesar de vasta citação de leis e artigos no enquadramento legal, falta o principal, ou seja, qual o artigo se enquadra para a definição da tributação e arrecadação do IRPF, sem falar na inconsequente citação de artigos sem ligação com o fato relatado – principalmente no que consiste a imputação dos valores recebidos ilicitamente pela Electro Plastic S/A; · Não existe nenhum documento ou qualquer informação objetiva que possa levar a conclusão de que os Recorrentes tenham sido beneficiários, ou, como exige a legislação de regência a, tenha tido a disponibilidade econômica dos valores lançados que resultaram na exigência fiscal. Isso porque as datas e valores citados no Auto de Infração não se encontram nas centenas de páginas a que se refere em conclusão o Termo de Verificação Fiscal; · Com relação à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no Auto de Infração é relatado que a origem está assentada em: “conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal de 12/12/2016, que fica sendo parte integrante e indissociável deste Auto de Infração” (fls. 7850). Mesmo com leitura atenta e exame exaustivo, de todo o Termo de Verificação Fiscal citado, não se encontra ou é possível vislumbrar, sequer em tese, tanto nos fatos relacionados pela Fiscalização, como na correspondente documentação até porque Fl. 14356DF CARF MF 16 efetivamente não foram descritos e relacionados como afirmado no Auto, à subsunção fática na Regra Matriz conforme comando regente impositivo; · Que os enquadramentos legais citados não estão corretos, o que prejudica os autuados na defesa, razão pela qual, inquestionável que os valores calculados para a exigência contida do Auto de Infração estão incorretos, incidindo, portanto, na afronta e negativa de vigência aos incisos: III; IV e V, do art. 10, do Decreto nº 70.235/72, e, por consequência, aos efeitos do art. 166, inciso IV, do Código Civil Brasileiro; · Não houve omissão de rendimentos, visto que todos os impostos foram pagos pelas Pessoas Jurídicas, não sendo devida a exigência contra o contribuinte; · Houve a incorreta presunção de titularidade das contas correntes, contrário à Súmula 32 do CARF que determina que a titularidade pertence às pessoas indicadas dos dados cadastrais; Este é o relatório. Voto Vencido Conselheira Relatora Juliana Marteli Fais Feriato Admissibilidade O Contribuinte José Geraldo foi intimado da decisão da DRJ em 30/06/2017, conforme comprova a certidão de fl. 13941. Tendo em vista que apresentou seu Recurso Voluntário em 01/08/2017 (fl. 14121), o recurso é tempestivo. A Coresponsável Valéria foi intimada da decisão da DRJ em 13/07/2017 (fl. 13943), sendo que apresentou seu Recurso Voluntário em 14/08/2017 (fl. 14304). O recurso é tempestivo. O Coresponsável Geraldo deu ciência de intimação da decisão da DRJ em 28/06/2017 (fl. 13939). Tendo em vista que apresentou seu Recurso Voluntário em 27/07/2017 (fl. 13945), o recurso é tempestivo. Diante da tempestividade dos três recursos voluntários, conheço dos recursos e passo a análise do mérito. Mérito Tratase de Recurso Voluntário do indeferimento das impugnações apresentada pelo Contribuinte referente a revisão do seu Imposto de Renda, diante da omissão de rendimentos, provenientes de depósitos bancários sem origem, de atividades ilícitas e ganho Fl. 14357DF CARF MF Processo nº 15956.720242/201677 Acórdão n.º 2301005.657 S2C3T1 Fl. 14.350 17 de capital derivados da atuação de 20 empresas de fachada, lançando R$30.506.621,40 (trinta milhões quinhentos e seis mil seiscentos e vinte e um reais e quarenta centavos). Sobre os apontamentos dos Recursos Voluntários, passase à análise individualmente: DA DECADÊNCIA Requer a aplicação da decadência com base no parágrafo único do Art. 173 do CTN, tendo em vista que a atividade fiscal teve início em agosto de 2011, sendo consolidado em dezembro de 2016 e efetivamente lançado o tributo em 05/12/2017, quando da correta intimação do Contribuinte. Sem razão os contribuintes. Determina o CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Embora os Contribuinte requerem a aplicação do parágrafo único do art. 173, este conselho entende pela aplicação do inciso I do art. 173 do CTN todas as vezes que restar caracterizado o dolo/fraude/simulação: Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. O Contribuinte foi autuado justamente por omitir o recebimento de rendimentos através da atuação de empresas interpostas, o que enseja e comprova a ocorrência do dolo. Por esta razão, aplicase o inciso I do Art. 173 do CTN e, conseqüentemente, constatase que não ocorreu a decadência, pois, considerando que o fato gerador mais antigo ocorreu em 31.12.2010 e o início da contagem a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ser efetuado, considerando que o lançamento poderia ser efetuado em 2011, o primeiro dia do exercício seguinte 01.01.2012, a decadência somente se operaria em 31.12.2016, enquanto que o lançamento se concretizou em 29.12.2016, com a intimação dos Contribuintes, ocorrida por edital, afixado em 14.12.2016 e teve seu vencimento em 29.12.2016, portanto, dentro do prazo permitido para o lançamento. Fl. 14358DF CARF MF 18 Ante ao exposto, não se constata a ocorrência da decadência no caso em tela, razão pela qual indeferese o pedido. DA INTIMAÇÃO POR EDITAL E UTILIZAÇÃO CPC Os Contribuintes requerem a nulidade da intimação por edital, visto que não restou comprovada a tentativa de intimação postal antes da realização por edital. Sem razão novamente. O Decreto 70.235/72 determina em seu §3º do art. 23: § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência Além disto, há nos autos que houve a tentativa de intimação dos contribuintes em seus endereços fiscais, sendo informado no local que estavam em viagem, razão pela qual se procedeu o Edital. Também descabida a argumentação de que a ciência se deu em 05.01.2017 não encontra amparo legal, levandose em conta que o inciso IV do parágrafo 2º do artigo 23 do decreto 70.235/72 determina que se considera intimado 15 dias após a publicação do edital. O Auto de Infração é datado de 12/12/2016, os editais foram afixados no dia 14/12/2016, iniciando o prazo para intimação no dia 15 e encerrando no dia 29/12/2016. Não vislumbra qualquer ilegalidade com a intimação e não se aplica o novo CPC na contagem do prazo, visto que o CTN tem forma própria para isso: Art. 210. Os prazos fixados nesta Lei ou legislação tributária serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento Portanto, não vislumbro a ilegalidade da forma como se deu a intimação. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA A Autoridade Fiscal entendeu que os filhos do Contribuinte são responsáveis solidários e obrigados no presente Auto de infração diante do suposto interesse jurídico comum entre os obrigados, pois são filhos do responsável principal que se utilizou deles em comum acordo para a constituição de empresas de fachada como sócios dessas empresas, e, obviamente com o conhecimento dos objetivos do pai que constituía empresas para ocultação de patrimônio sendo sócio oculto na acepção da palavra, conforme se constata em uma das operações, em conversa telefônica constante de fls. 5732 e 5733. Sobre este fato, os Contribuintes Geraldo e Valéria recorreram, alegando a não comprovação do interesse comum. Neste ponto, com devida vênia, não concordo com a Autoridade Fiscal e provejo do Recurso Voluntário dos responsáveis solidários Geraldo e Valéria, tendo a Autoridade Fiscal ultrapassado o princípio da legalidade ao interpretar o Art. 124, I do CTN. Art. 124. São solidariamente obrigadas: Fl. 14359DF CARF MF Processo nº 15956.720242/201677 Acórdão n.º 2301005.657 S2C3T1 Fl. 14.351 19 I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Para ensejar a responsabilização solidária, necessário comprovar o interesse comum. Tratase de Imposto de Renda de Pessoa Física de uma pessoa maior, capaz. Os filhos não têm ligação com o IRPF dos pais. Se a autuação recaísse sobre as empresas de fachada e nesta autuação fossem responsabilizados todos os administradores e sócios, aí sim vislumbro a responsabilidade dos filhos do Contribuinte principal, José Geraldo. É de se estranhar o porquê de a Autoridade Fiscal acabar responsabilizando solidariamente apenas os filhos do Contribuinte? Por que não autuou a esposa? Ou os demais administradores “laranjas” das outras empresas? Diante do fato de não vislumbrar o interesse comum no fato gerador do IRPF do Contribuinte principal no presente caso, voto por dar provimento parcial aos recursos de Geraldo Minoru e Valéria, no sentido de retirar a responsabilidade solidária dos mesmos. REQUERIMENTO DE DILIGÊNCIA, DEMAIS NULIDADES E DAS PROVAS UTILIZADAS Sobre o pedido formulado na impugnação, em que houve a requisição da realização de diligência, constatase que cabe à autoridade fiscal avaliar a real necessidade da realização de diligência. No presente caso, não se vislumbra a ocorrência de quaisquer uma das hipóteses previstas no Art. 59 do Decreto n. 70.235/1972. Sobre o pedido de Diligência e Nulidade, verificase recente julgamento deste Conselho: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2009 DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. A diligência somente é cabível quando a convicção do julgador não está completamente desenvolvida. Não presente tal condição, impõese afastar o pedido de diligência. NULIDADE. INOCORRÊNCIA DAS HIPÓTESES DO ART. 59 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Não tendo ocorrido nenhuma das hipóteses do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, devese afastar o pedido de nulidade formulado pela parte. (...) Fl. 14360DF CARF MF 20 CARF. Acórdão 1401002.356. 4ªCâmara. 1ªTurmaOrdinária. 1ª Seção de Julgamento. Autos 13971.722141/201374. Sessão de 11/04/2018. Portanto, não se vislumbra a necessidade de realização de perícia pleiteada na impugnação e isto não nulifica o processo administrativo. Ademais, o processo conta com mais de 13 mil folhas de provas produzidas na investigação da Polícia Federal com a Operação Paraíso Fiscal, que demonstra documentalmente os fatos geradores impostos no auto de Infração contra o Contribuinte principal. Com relação à nulidade aduzida, determina a legislação (Decreto nº 70.235, de 1972): Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Sobre o tema este Conselho já se pronunciou: (...) NULIDADE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A nulidade de um lançamento fiscal pressupõe a existência de um ato administrativo lavrado por autoridade incompetente ou que não se franqueie à parte adversária o amplo direito de se defender. Caso isto não ocorra ou não se prove , impendese afastar o pedido de nulidade do lançamento. CARF. Autos 10935.723840/201622. Acórdão 1401002.354. 1ª Seção de Julgamento. 4ªCâmara/1ªTurmaOrdinária. Sessão 10/04/2018 Verificase que, no presente caso, não ocorreu quaisquer dos incisos do artigo 10 que ensejassem a nulidade do auto de infração, ou do artigo 59 que ensejassem a nulidade do procedimento. Fl. 14361DF CARF MF Processo nº 15956.720242/201677 Acórdão n.º 2301005.657 S2C3T1 Fl. 14.352 21 O auto foi lavrado por servidor competente, havendo a qualificação do autuado, o local, a data e a hora da lavratura, a descrição do fato, a disposição legal infringida e a penalidade aplicável, a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugná la no prazo legal, a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula, houve o correto respeito ao direito de defesa. Com relação às provas utilizadas, verificase que o Auto de Infração teve por base a utilização de toda a investigação criminal efetuada pela Polícia Federal na Operação Paraíso Fiscal, no qual constatou o recebimento, pelo Contribuinte, de rendimentos provenientes de operações ilícitas; assim como, rendimentos e ganho de capital proveniente de Pessoas Jurídicas constituídas de fachada. A investigação conta com extensa documentação comprobatória, sendo constituída na legalidade e, portanto, é prova idônea oriunda do procedimento criminal, que há presunção de veracidade. Não há como se desconsiderar toda esta documentação anexada aos autos de forma oficial, visto que aprovada pelo juízo daquela instância autorização judicial em decisão prolatada pelo Sr. Juiz Marcio Ferro Catapani em 03.08.2011. Portanto, não restou caracterizada todas as nulidades suscitadas pelos Contribuintes em seus Recursos Voluntários, sendo o Auto de Infração lançado hígido e toda a documentação utilizada idônea. DOS FATOS GERADORES E DA PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO As provas trazidas fornecidas pela Polícia Federal, proveniente da Operação Paraíso Fiscal possibilitou à Autoridade Fiscal a constatação dos Fatos Geradores. Os “e mails” utilizados, verificam, de forma incontestável, as concretizações das operações exatamente na forma como acertadas. Aliado a isto, o próprio depoimento dos filhos Geraldo Minoru e Valéria à Polícia Federal, fls. 6156 e 6160/6163 e o detalhado proceder em relação à empresa FACERE nas fls. 7653 a 7660, demonstram cabalmente a utilização das empresas de fachada pelo Contribuinte para auferir rendimentos pessoais, sem o pagamento de IRPF. Temse também as mensagens trocadas pelo Contribuinte com sua esposa e filhos em relação à compra de imóvel registrado em nome da empresa AFAEP, sob o controle deles, pedindo o sigilo sobre a identidade do proprietário. Sobre a omissão de rendimentos oriundas de depósitos bancários, a Lei nº 9.430/96 determina: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 14362DF CARF MF 22 Assim como, identificase perante este Conselho, as seguintes Súmulas sobre a matéria: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Da mesma forma, é o entendimento das Jurisprudências Consolidadas deste Conselho: DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM IDENTIFICAÇÃO DE ORIGEM. Caracterizamse como renda os créditos em conta bancária cuja origem não é comprovada pelo titular. A mera indicação de que haveria débitos relativos a pagamentos de pessoa jurídica não logra comprovar a origem de depósitos bancários. (Acórdão nº 9202003.738 28/01/2016) .................... Considerase como comprovação de origem, para valores creditados em conta de depósito, o oferecimento de valor equivalente ao fisco, em Declaração anual de Ajuste de IRPF, a título de Rendimentos Isentos ou não tributáveis ou ainda, sujeitos á tributação exclusiva na fonte, não tem o efeito de comprovação de origem desses valores, aplicandose a eles a presunção legal de omissão de rendimentos. (Acórdão nº 9202 003.902 3/04/2016) A omissão de rendimentos oriunda de depósitos bancários sem comprovação de origem encontra respaldo no cruzamento de dados da planilha de fls. 7747 com mensagens obtidas nas dezenas de “emails” e os cotejou com as informações bancárias dos extratos das empresas ADIMERE, FACERE, TRANSPORTADORA ASSUNÇÃO E TRANSTAMAR, constatando a coincidência de datas e valores pertencentes e controlados por José Geraldo, conforme planilha de fls. 3025 e 3027, além de outros valores depositados diretamente na conta de terceiros, sempre atendendo a uma solicitação que Elaine Fiúza fazia à funcionária Edilane da Valcred, por ordem de José Geraldo. Conforme se constata ainda no TVF, foi preparado um relatório comparando os conteúdos dos “emails” com os extratos bancários das quatro empresas ADIMERE, FACERE, TRANSPORTADORA ASSUNÇÃO E TRANSTAMAR, conforme fls. 2915/2954, comprovando que as operações e valores apontados nos “emails” dizem respeito àqueles lançados a crédito das contas bancárias de titularidade de fato de José Geraldo, dentre outras planilhas, fls. 3025/3030, confrontando os dados apreendidos (planilha e mensagens eletrônicas e alegação de que o resultado da circularização foi no sentido de que as respostas foram no sentido de que se tratavam de atividades comerciais lícitas vai de encontro com as provas identificadas e detalhadas pela fiscalização, como por exemplo, em fls. 7799 a 7802, incluindo se aí solicitação de recursos pelo filho a José Geraldo. Fl. 14363DF CARF MF Processo nº 15956.720242/201677 Acórdão n.º 2301005.657 S2C3T1 Fl. 14.353 23 Embora a titularidade dos depósitos realizados nas contas das pessoas jurídicas indicadas pela fiscalização não fosse da titularidade do Contribuinte, conforme visto acima, a súmula CARF 32 é cumprida, visto que restou demonstrado com documentação farta, depoimentos e todos os demais elementos constantes do Termo de Verificação Fiscal. Portanto, inúmeras são as provas constantes do Termo de Verificação Fiscal que comprovam que o Contribuinte é o verdadeiro administrador de todas as empresas listadas, o grande operador por trás da suposta legalidade destas pessoas jurídicas, utilizadas por duas finalidades: a) ocultar valores recebidos ilicitamente; b) ocultar rendimentos de pessoa física para sonegação do recolhimento de imposto de renda. Por esta razão, entendo ser devido o lançamento. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO, apenas para reconhecer a não caracterização da responsabilidade solidária dos Srs. Geraldo Minoru e Valéria, por não restar identificado o interesse comum no Fato Gerador. É como voto. Relatora Juliana Marteli Fais Feriato (assinado digitalmente) Voto Vencedor Conselheiro João Bellini Júnior, redator para o voto vencedor. Sem adentrar nas demais questões abordadas pela respeitada conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, penso que o acórdão recorrido deve ser anulado, em face da caracterização do cerceamento do direito de defesa (art. 59, II, do Decreto nº 70.235, de 1972). Ocorre que o dispositivo se limita a se manifestar sobre apenas um recurso voluntário, como se observa pela sua transcrição: Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de diligências,rejeitar as preliminares argüidas, e, no mérito, julgar improcedente a impugnação, nos termos do voto do relator. Porém, como está relatado no acórdão recorrido, há mais de uma impugnação, a saber: O impugnante principal José Geraldo Martins Ferreira apresentou sua impugnação, alegando em síntese o seguinte: Fl. 14364DF CARF MF 24 (...) A responsável solidária Valéria Cristina Tamura Martins Franco Plens apresentou impugnação alegando quase os mesmos termos da impugnação do responsável principal José Geraldo Martins Ferreira, com pequenas variações, em especial quanto aos pedidos, em quantidade menor e alguns argumentos não abordados por ela, mas que, a análise da impugnação do responsável principal e do outro responsável tributário abrange integralmente a impugnação dessa responsável solidária,valendo também para ela. O responsável solidário Geraldo Minoru Tamura Martins apresentou sua impugnação alegando em síntese o seguinte: (...) O voto, a seu turno, se limita a abordar as impugnações do Sr. José Geraldo Martins Ferreira e do Sr. Geraldo Minoru Martins, se omitindo em relação à Sra. Valéria Cristina Tamura Martins Franco Plens, mencionada somente no relatório fiscal. Vejamos: Em relação ao impugnante devedor principal José Geraldo Martins Ferreira temos as seguintes apreciações, na ordem da impugnação relatada acima (...) Em relação ao responsável solidário Geraldo Minoru Martins,da mesma forma não lhe assiste razão pelos motivos abaixo na ordem da impugnação relatada acima: Por sua vez, a conclusão do voto do relator menciona apenas uma impugnação: Pelos motivos acima voto no sentido de rejeitar as preliminares argüidas, indeferir o pedido de diligências, e, no mérito, julgar improcedente a impugnação, mantendose o crédito tributário apurado. De acordo com o art. 31 do Decreto nº 70.235, de 1972, decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo,fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse,expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). Como explica a Portaria SRF 1700, de 1998 (Anexo, Modelo 1, itens 12 e13): relatório “é a síntese do processo” e fundamentos legais é a “análise das questões e dos fundamentos de fato e de direito”. Claro está que relatório e fundamentos legais são institutos diversos, devendo ser analisados os fundamentos da decisão para verificação se as questões da impugnação ou Fl. 14365DF CARF MF Processo nº 15956.720242/201677 Acórdão n.º 2301005.657 S2C3T1 Fl. 14.354 25 recurso são enfrentadas pela turma julgadora, Por outro lado, deve haver voto do relator e decisão da turma de julgamento para cada impugnação. Pelos motivos expostos, voto por anular o acórdão recorrido, para que seja proferida nova decisão, enfrentando/fundamentando, explicitamente, todas as impugnações. (assinado digitalmente) Conselheiro João Bellini Júnior, redator para o voto vencedor. Fl. 14366DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.923462/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 21/02/2006 a 28/02/2006
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO INCOMPROVADO. NÃO-HOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. PROCEDÊNCIA.
A compensação, nos termos em que definida pelo artigo 170 do CTN só poderá ser homologada se o crédito do contribuinte em relação à Fazenda Pública estiver revestido dos atributos de liquidez e certeza.
Procede o despacho decisório que não-homologa a compensação de débitos com suposto direito creditório incomprovado pelo sujeito passivo.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO.
A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal, a exemplo da DCTF, constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco (Inteligência da Súmula STJ nº 436).
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 21/02/2006 a 28/02/2006
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Estando o ato administrativo revestido de suas formalidades essenciais e não tendo restado comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa ou de qualquer outra hipótese de nulidade prevista na legislação, não há que se decretá-la.
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVAS ADICIONAIS. PRECLUSÃO TEMPORAL.
Tendo em vista a superveniência da preclusão temporal, é rejeitado o pedido de apresentação de provas suplementares, documentais ou periciais, pois o momento propício para a defesa cabal é o da oferta da peça de defesa.
Numero da decisão: 3201-004.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 21/02/2006 a 28/02/2006 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO INCOMPROVADO. NÃO-HOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. PROCEDÊNCIA. A compensação, nos termos em que definida pelo artigo 170 do CTN só poderá ser homologada se o crédito do contribuinte em relação à Fazenda Pública estiver revestido dos atributos de liquidez e certeza. Procede o despacho decisório que não-homologa a compensação de débitos com suposto direito creditório incomprovado pelo sujeito passivo. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal, a exemplo da DCTF, constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco (Inteligência da Súmula STJ nº 436). Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 21/02/2006 a 28/02/2006 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Estando o ato administrativo revestido de suas formalidades essenciais e não tendo restado comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa ou de qualquer outra hipótese de nulidade prevista na legislação, não há que se decretá-la. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVAS ADICIONAIS. PRECLUSÃO TEMPORAL. Tendo em vista a superveniência da preclusão temporal, é rejeitado o pedido de apresentação de provas suplementares, documentais ou periciais, pois o momento propício para a defesa cabal é o da oferta da peça de defesa.
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DIREITO CREDITÓRIO INCOMPROVADO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. PROCEDÊNCIA. A compensação, nos termos em que definida pelo artigo 170 do CTN só poderá ser homologada se o crédito do contribuinte em relação à Fazenda Pública estiver revestido dos atributos de liquidez e certeza. Procede o despacho decisório que nãohomologa a compensação de débitos com suposto direito creditório incomprovado pelo sujeito passivo. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal, a exemplo da DCTF, constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco (Inteligência da Súmula STJ nº 436). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 21/02/2006 a 28/02/2006 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Estando o ato administrativo revestido de suas formalidades essenciais e não tendo restado comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa ou de qualquer outra hipótese de nulidade prevista na legislação, não há que se decretála. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVAS ADICIONAIS. PRECLUSÃO TEMPORAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 34 62 /2 00 9- 19 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10980.923462/200919 Acórdão n.º 3201004.350 S3C2T1 Fl. 142 2 Tendo em vista a superveniência da preclusão temporal, é rejeitado o pedido de apresentação de provas suplementares, documentais ou periciais, pois o momento propício para a defesa cabal é o da oferta da peça de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitido em 15/08/2006, através do qual foi efetivada a compensação de débito do contribuinte acima identificado com suposto crédito de IPI indicado como sendo correspondente a pagamento indevido ou a maior, no valor original de R$ 120.011,32. A DRF/Curitiba, através de despacho decisório eletrônico (fl. 021), emitido em 19/04/2010, negou o direito creditório pleiteado e não homologou a compensação declarada, em virtude de o pagamento apontado (cód. Receita: 0668), correspondente ao terceiro decêndio de fevereiro de 2006, haver sido integralmente utilizado na quitação de débito da empresa. Devidamente cientificado, em 26/04/2010 (fl. 03), o interessado apresentou, tempestivamente, em 26/05/2010, manifestação de inconformidade (fls. 05/23) na qual, em síntese, apresenta as seguintes considerações: a) Preliminarmente, defende a nulidade da decisão denegatória, alegando que houve ausência de motivação no ato administrativo exarado, por não terem sido explicitados, em toda sua amplitude, os fundamentos que nortearam a citada decisão. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10980.923462/200919 Acórdão n.º 3201004.350 S3C2T1 Fl. 143 3 b) Prossegue, alegando, com base no princípio constitucional da ampla defesa, que não existe prova material nos autos em relação à suposta inexistência do crédito pleiteado. Nesse sentido, argumenta que no âmbito do procedimento administrativo tributário a prova haveria que ser feita em toda a sua extensão, consoante esquemas rígidos de aplicação das regras pertinentes. Fundamenta seus argumentos em transcrições doutrinárias e em ementa de Acórdão do Conselho de Contribuintes. c) No mérito, aduz haver cometido erro atinente ao valor do débito de IPI declarado e providenciado (após ciência do despacho decisório) a apresentação de DCTF retificadora. Assevera ainda que o valor do crédito originalmente utilizado (R$ 120.011,32), devidamente atualizado, seria suficiente para extinguir o débito indicado para compensação e que eventual equívoco no preenchimento da DCTF, tal qual o ocorrido, deveria ser superado pelas autoridades fiscais e a compensação declarada homologada. Mais uma vez, lança mão de excertos doutrinários e de decisão do Conselho de Contribuintes. d) Passa a sustentar que, mesmo que se admitisse a impossibilidade de “salvabilidade” dos dados informados nas compensações, restaria, ainda, o dever da Administração Pública de proceder à pesquisa de possíveis créditos anteriores que tivessem sido utilizados em outras compensações. Diz que, em não sendo respeitado esse pressuposto, estarseia frente a enriquecimento ilícito da Administração Pública, configurado pela dupla tributação, em vista de que não estariam sendo levadas em consideração compensações validamente efetivadas. Transcreve ementa de julgado do Conselho de Contribuintes e fragmento doutrinário. Por fim, requer o reconhecimento das preliminares arguidas, ou, alternativamente, que seja reformada a decisão proferida com a consequente homologação da compensação pleiteada, postulando ainda a produção de todas as provas em direito admitidas, especialmente a documental e pericial. É o que importa relatar. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE, por intermédio da 2ª Turma, no Acórdão nº 1140.315, sessão de 28/03/2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 21/02/2006 a 28/02/2006 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO INCOMPROVADO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. PROCEDÊNCIA. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10980.923462/200919 Acórdão n.º 3201004.350 S3C2T1 Fl. 144 4 A compensação, nos termos em que definida pelo artigo 170 do CTN só poderá ser homologada se o crédito do contribuinte em relação à Fazenda Pública estiver revestido dos atributos de liquidez e certeza. Procede o despacho decisório que nãohomologa a compensação de débitos com suposto direito creditório incomprovado pelo sujeito passivo. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal, a exemplo da DCTF, constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco (Inteligência da Súmula STJ nº 436). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 21/02/2006 a 28/02/2006 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Estando o ato administrativo revestido de suas formalidades essenciais e não tendo restado comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa ou de qualquer outra hipótese de nulidade prevista na legislação, não há que se decretála. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVAS ADICIONAIS. PRECLUSÃO TEMPORAL. Tendo em vista a superveniência da preclusão temporal, é rejeitado o pedido de apresentação de provas suplementares, documentais ou periciais, pois o momento propício para a defesa cabal é o da oferta da peça de defesa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A decisão a quo manteve a não homologação da compensação sob o fundamento de que a simples retificação da DCTF para diminuir débito confessado em declaração anterior, sem qualquer lastro probatório em documento ou escrita fiscal não é suficiente para caracterizar o pagamento indevido ou a maior que o devido. Deveria a contribuinte, além de retificar as informações prestadas, demonstrar que o pagamento foi, de fato, efetuado a maior ou indevidamente. Asseverou ainda o Relator que não as alterações da apuração do IPI efetuadas por meio de DCTF retificadora não torna irregular o despacho decisório proferido com base Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10980.923462/200919 Acórdão n.º 3201004.350 S3C2T1 Fl. 145 5 nas informações anteriormente prestadas pela contribuinte, em documento de confissão de dívida. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário repisando os argumentos suscitados, reproduzindo o mesmo texto. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Cumpre assinalar que em sede de segunda instância administrativa federal o objeto de julgamento é o recurso voluntário e não a impugnação ou manifestação de inconformidade. Assim, o que se enfrenta nesta instância é o inconformismo do contribuinte em face do que restou decidido na Delegacia Regional de Julgamento. No presente caso, a contribuinte combateu em sede de manifestação de inconformidade o despacho decisório que não homologou o PER/DCOMP.. Irresignouse contra a decisão de não homologação suscitando, em preliminar, a (i) nulidade do ato administrativo por ausência de motivação e (ii) a inexistência de prova material contra a contribuinte. No mérito, contesta (iii) a não homologação da Decomp à vista da retificação da DCTF na qual foi reduzido o valor de IPI devido no 2º decêndio de fevereiro/2006, e (iv) o dever da fiscalização de proceder as compensações de ofício quando da existência de créditos dos contribuintes. Verificase nos autos, que a contribuinte limitouse, em sede de Recurso Voluntário, a reescrever integralmente a impugnação apresentada no tocante às matérias versadas em manifestação de inconformidade, repisando os mesmos fundamentos e argumentos com a transcrição literal de seu texto. Dispõe o § 3º do art 57 do RICARF, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: [...] § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. [...] § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10980.923462/200919 Acórdão n.º 3201004.350 S3C2T1 Fl. 146 6 partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Dessa forma, diante da ausência de novas razões de defesa capazes de alterar meu entendimento quanto às matérias em litígio e por concordar plenamente com os fundamentos e posição dos julgadores da DRJ/Recife, proponho a confirmação e adoção da decisão exarada no Acórdão nº 1140.315, com fulcro no dispositivo acima transcrito. Transcrição da decisão no Acórdão nº 1140.315: Voto Inicialmente, impende contraditar a arguição do contribuinte quanto à vulneração do direito de defesa por falta de motivação do ato decisório fustigado. Consoante o disposto no art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72 (PAF), dúvidas não pairam de que o cerceamento do direito de defesa é sim causa de nulidade do ato administrativo. Todavia, é de se ressaltar que o referido cerceamento se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, circunstância que não se configurou na espécie. Com efeito, o Despacho Decisório de fl. 02, além de conter a fundamentação legal e os dados relativos ao DARF correspondente ao pagamento realizado, indica que o indeferimento ocorreu porque houve a constatação de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Tais informações, indubitavelmente, são suficientes para o interessado ter conhecimento de que forma o crédito foi utilizado e o motivo para a denegação do pleito formulado. Tanto é assim, que o reclamante, em 07/05/2010, após a ciência do Despacho Decisório, retificou sua DCTF com o intuito de corrigir o suposto equívoco que sustenta ter cometido e, dessa forma, justificar a compensação pleiteada. Evidentemente, não teria o contribuinte assim procedido se não houvesse percebido, com clareza, que sua compensação não foi homologada simplesmente porque todo o pagamento estava alocado a um débito por ele mesmo confessado. Tampouco, traria ao cerne da discussão de mérito a alegação de que eventual equívoco no preenchimento da DCTF não deveria ser considerado como obstáculo à homologação da compensação declarada. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10980.923462/200919 Acórdão n.º 3201004.350 S3C2T1 Fl. 147 7 Dessa forma, rejeitase a preliminar de nulidade do despacho decisório, em face da inexistência de ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Quanto às razões de mérito, cumpre consignar que o art. 142 do CTN, ao afirmar que o lançamento é de competência privativa da autoridade administrativa, não está atribuindo ao Fisco a exclusividade de constituir o crédito tributário, nem está erigindo o lançamento, nas suas diversas espécies, como única forma para a sua constituição. A exclusividade a que se refere o dispositivo diz respeito apenas ao lançamento, mas não à constituição do crédito. Ou seja: somente o Fisco pode promover o procedimento administrativo de lançar, o que não é o mesmo que atribuir ao Fisco a exclusividade de constituir o crédito ou de identificar no lançamento o único modo para constituílo. Nesse particular, é precisa a observação de Denise Lucena Cavalcante2, que escreveu: “Ao limitarse à análise restritiva do art. 142 do Código Tributário Nacional, poderseá cair no mesmo equívoco que muitos doutrinadores vêm repetindo ao afirmar que o crédito tributário sempre é constituído pelo lançamento. É preciso alertar que o art. 142 do Código Tributário Nacional referese tãosomente à constituição do crédito tributário pelo lançamento, e, sendo o lançamento uma categoria de direito positivo, não se discute, aqui, a literalidade do texto, que não permite outra interpretação que não seja a de que o lançamento é ato exclusivo da autoridade fazendária. Reconhecendo à base experimental, que é o ordenamento jurídico no seu sentido mais amplo, verseá que outros dispositivos legais determinam que o crédito tributário seja diretamente constituído pelo cidadãocontribuinte, não se contrapondo, assim, à situação do art. 142 do Código Tributário Nacional, que é somente uma das formas de constituição de crédito. (...) O fato de o cidadãocontribuinte não poder efetuar o lançamento não significa que ele não possa constituir o crédito tributário” Nessa esteira de raciocínio, vale destacar o entendimento do E. STJ que editou a Súmula nº 436, com a seguinte redação: “A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco.” No caso em análise, a constituição em comento deuse, portanto, por meio da apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF pela empresa, sendo esta declaração confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a cobrança imediata do Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10980.923462/200919 Acórdão n.º 3201004.350 S3C2T1 Fl. 148 8 débito confessado, nos termos do § 1º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 19843. Logo, a desconstituição do crédito tributário advindo da confissão de dívida ocorrida através da apresentação da DCTF passa a depender de comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que o débito confessado é inexistente. É que, para ilidir a presunção de legitimidade do crédito tributário nascido, não se mostra suficiente que o contribuinte limitese a alegar erros ou a retificar, após ciência de decisão administrativa denegatória, informações atinentes a débito confessado, fazendose necessário que demonstre de forma irrefutável que a obrigação tributária principal é indevida. Ocorre que o contribuinte não trouxe aos autos documentos de suporte capazes de indicar o quantum do tributo efetivamente devido, caracterizando o erro de haver confessado e pago um débito inexistente ou mesmo superior ao que afirma ser o real, resultando notória a impossibilidade de ser acolhida sua pretensão. Como cediço, a teor do que estabelece o art. 170 do CTN, a compensação só poderá ser homologada se o crédito do contribuinte em oposição à Fazenda Nacional estiver revestido dos atributos de liquidez e certeza. In casu, no momento em que requerida a compensação, o valor relativo ao direito creditório pleiteado, em conformidade com a correspondente DCTF, encontravase vinculado a um débito confessado, não atendendo aos requisitos da liquidez e certeza. Forçoso, portanto, reconhecerse que o ato administrativo da autoridade jurisdicionante foi legítimo e pautado em declaração formulada pelo próprio contribuinte. Por outro lado, as modificações efetuadas por meio da DCTF retificadora, quanto às informações antes prestadas, não têm o condão de tornar irregular a decisão administrativa que se pretende ver reformada. Com efeito, o suposto direito creditório do requerente, ainda que existisse, não se mostrava disponível na data de transmissão do PER/DCOMP, o que por si só é causa de não homologação da compensação porventura pleiteada. Acresçase ainda que eventuais créditos do sujeito passivo, ainda que comprovadamente líquidos e certos, não podem ser utilizados na compensação do débito cadastrado na DCOMP em litígio neste processo (objeto de compensação não homologada), Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10980.923462/200919 Acórdão n.º 3201004.350 S3C2T1 Fl. 149 9 mediante ato provocado pelo contribuinte, por expressa vedação legal. Confirase, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (...) § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (...) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) Como se observa, a utilização de créditos do sujeito passivo na compensação de débitos administrados pela RFB, em função da manifestação do contribuinte, somente pode ser protocolizada através de DCOMP. Na hipótese vertente (compensação não homologada), este procedimento é defeso pelo inciso V do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Por outro lado, na hipótese de “pedido de restituição” do indébito, pode ocorrer a compensação exoffício, que obedece à ordem própria, determinada pelo Código Tributário Nacional (CTN), em seu art. 163. Neste caso, o procedimento é executado pela autoridade administrativa competente, independentemente de provocação do sujeito passivo, que tãosomente é solicitado a manifestarse quanto à sua aquiescência. Por conseguinte, não há de fato como “salvar” o ato praticado pelo contribuinte, tampouco se falar em enriquecimento indevido por parte da Administração Pública. No que tange à postulação pela produção de provas, cumpre consignar que o processo administrativofiscal é informado pelo princípio da concentração das provas na contestação, com o condão de mitigar a aplicação do princípio da verdade material, ou seja, uma vez que não há a previsão para a realização de uma audiência de instrução, como ocorre no âmbito do processo civil, as provas de fato modificativo, impeditivo ou extintivo da pretensão fazendária e as alegações pertinentes à defesa devem ser oferecidas pelo sujeito passivo quando da apresentação da Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10980.923462/200919 Acórdão n.º 3201004.350 S3C2T1 Fl. 150 10 impugnação ou da manifestação de inconformidade, conforme o caso. Da seguinte maneira discorre o PAF, em seu artigo 16, acerca dos requisitos da impugnação, disposições aplicáveis também quando da formulação de manifestações de inconformidade, em face do que dispõe o § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/964: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamente, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748, de 09/12/93) (...) § 4.º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997)” Concluise que, apenas quando demonstrada a ocorrência das situações elencadas no parágrafo 4º acima transcrito, o que não se configurou no caso dos autos, é que existe a possibilidade de apresentação de provas em momento posterior, do contrário ocorre a preclusão temporal e o contribuinte não pode carrear aos autos provas ou alegações suplementares. O momento processual propício para a defesa cabal do sujeito passivo é o da apresentação da peça impugnatória. Portanto, pedidos genéricos e vagos ao final da impugnação pela produção de provas ou apresentação de documentos a posteriori, sem que tenham sido preenchidos os requisitos estabelecidos pela legislação, como visto, não têm como ser deferidos. Consequentemente, deve ser indeferido o pedido do contribuinte de dilação probatória documental e pericial. Em relação aos julgados administrativos aos quais se reporta a defesa, vale salientar que a autoridade julgadora de primeira instância não está vinculada ao entendimento emanado pelos Acórdãos proferidos pelo então Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF). Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10980.923462/200919 Acórdão n.º 3201004.350 S3C2T1 Fl. 151 11 Já no que concerne à jurisprudência do Poder Judiciário da qual também se socorreu o defendente, impende lembrar que as decisões judiciais, ainda que versem especificamente sobre a matéria dos autos, produzem efeitos restritos às partes litigantes e com estrita observância do conteúdo dos julgados, somente alcançando terceiros nas hipóteses previstas no Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, o que não se configurou na espécie. Por derradeiro, com relação aos excertos doutrinários trazidos à colação, registrese que, não obstante a manifesta importância da doutrina como fonte secundária do Direito, compete à autoridade administrativa tão somente a aplicação do direito tributário positivo, em face de sua atividade vinculada (art. 142 do CTN). Ante o exposto, VOTO pela improcedência da Manifestação de Inconformidade apresentada e pelo não reconhecimento do direito creditório pleiteado. Sala das Sessões/Recife – PE, 28 de março de 2013. (Assinado por certificação digital) Nelson Barbosa Caldas Junior Auditorfiscal Mat. 13.470" Conclusão 1. Inexiste nulidade do despacho decisório por vício de motivação pois há descrição das razões da não homologação integral das compensações. 2. Rejeitase a alegação de "inexistência de prova material para o indeferimento do pedido de restituição" pois é ônus da contribuinte fazer prova da certeza e liquidez de seu direito creditório. 3. A recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento indevido de IPI, fato que por si só impende negar provimento ao seu recurso. 4. É dever do contribuinte em procedimento de compensação demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito; incabível a inversão desse ônus. Diante do exposto, rejeito as preliminares de nulidade e, no mérito, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 151DF CARF MF
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Numero do processo: 15868.720185/2013-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTO. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. PROCEDÊNCIA. BASE DE CÁLCULO. PREVISÃO LEGAL. NÃO REPERCUSSÃO DA INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 1°. DA LEI 8.540/92.
A declaração de inconstitucionalidade do art. 1°. da Lei n. 8.540/1992 não repercute na cobrança da contribuição devida ao SENAR, vez que a base de cálculo do referido tributo é constitucional e encontra-se tipificada no art. 3º. da Lei n. 8.315/91; art. 2º. da Lei n. 8.540/92; e no art. 6°. da Lei n. 9.528/97, com a redação dada pela Lei n. 10.256/2001.
Numero da decisão: 2402-006.698
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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LANÇAMENTO. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. PROCEDÊNCIA. BASE DE CÁLCULO. PREVISÃO LEGAL. NÃO REPERCUSSÃO DA INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 1°. DA LEI 8.540/92. A declaração de inconstitucionalidade do art. 1°. da Lei n. 8.540/1992 não repercute na cobrança da contribuição devida ao SENAR, vez que a base de cálculo do referido tributo é constitucional e encontrase tipificada no art. 3º. da Lei n. 8.315/91; art. 2º. da Lei n. 8.540/92; e no art. 6°. da Lei n. 9.528/97, com a redação dada pela Lei n. 10.256/2001. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 01 85 /2 01 3- 72 Fl. 751DF CARF MF Processo nº 15868.720185/201372 Acórdão n.º 2402006.698 S2C4T2 Fl. 752 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 678/694) em face do Acórdão n. 03 076.884 5ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) DRJ/BSB (efls. 650/661) que julgou improcedente a impugnação (efls. 606/623) e manteve o lançamento constituído em 09/09/2013 (efl. 602) e consignado nos Autos de Infração de Obrigações Principais (AIOP): a) DEBCAD n. 51.037.3682 lavrado em 04/09/2013 valor total de R$ 4.838.770,31 (efls. 03/08); e b) DEBCAD n. 51.056.3690 lavrado em 04/09/2013 valor total de R$ 460.835,30 (efls. 09/14) P.A 01/10/2010 a 31/12/2010 com fulcro nas contribuições previdenciárias do produtor rural e as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural da pessoa física, por subrogação (DEBCAD n. 51.037.3682) e na contribuição para outras entidades e fundos Terceiros (SENAR) incidente sobre a receita proveniente da comercialização da produção rural da pessoa física, por subrogação (DEBCAD n. 51.037.3690). Irresignado com o lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação (e fls. 606/623) em 18/09/2013 (efl. 605), julgada improcedente pela DRJ/BSB, nos termos do Acórdão n. 03076.884 (650/661), com o entendimento sumarizado na ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010. EFEITOS DE DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APLICADA AO PROCESSO ADMINISTRATIVO. PREVALÊNCIA DO PROCESSO JUDICIAL. Os efeitos da decisão judicial transitada em julgado, seja anterior ou posterior ao término do contencioso administrativo, prevalecem sobre a decisão administrativa. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. SUBROGAÇÃO. INEXISTÊNCIA AÇÃO JUDICIAL. Com a vigência da Lei 10.256/2001, que deu nova redação ao art 25 da Lei nº 8.212/91, há amparo à cobrança da contribuição social destinada ao SENAR, incidente sobre a receita proveniente da comercialização da produção rural. A sub rogação da contribuição destinada ao SENAR na pessoa do adquirente de produtos de pessoas físicas tem amparo nos incisos III e IV do art. 30 da Lei 8.212/1991. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada do teor do Acórdão n. 03076.884 (650/661) em 03/10/2017 (e fl. 675), a impugnante, agora Recorrente, interpôs Recurso Voluntário (efls. 678/694) na data de 30/10/2017 (efl. 676), alegando, em apertada síntese: i) ausência de amparo legal para atribuirlhe responsabilidade por subrogação, em virtude da suspensão da validade do art. 30, IV, da Lei n. 8.212/1991 pela Resolução do Senado Federal n. 15/2017; ii) inconstitucionalidade da cobrança de contribuição previdenciária do produtor rural por inconstitucionalidade formal; iii) a inconstitucionalidade da contribuição devida ao FUNRURAL (2,0%), bem como do seu adicional RAT (0,1%); e iv) inconstitucionalidade da contribuição devida ao SENAR. Fl. 752DF CARF MF Processo nº 15868.720185/201372 Acórdão n.º 2402006.698 S2C4T2 Fl. 753 3 É informado nos autos (efls. 695/733; 743/744 e 749), que a Recorrente ajuizou ação ordinária n. 955565.2017.4.01.3400 data de autuação: 07/03/2017 com objeto idêntico a uma das matérias enfrentadas no Recurso Voluntário (efls. 678/694), qual seja, o afastamento, por inconstitucionalidade, da contribuição previdenciária nos moldes do art. 25 da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 10.256/2001 (FUNRURAL). Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. De plano, uma vez caracterizada a concomitância de instâncias (administrativa e judicial), vez que a Recorrente ajuizou ação ordinária n. 9555 65.2017.4.01.3400 data de autuação: 07/03/2017 com objeto idêntico a uma das matérias enfrentadas no Recurso Voluntário (efls. 678/694), qual seja, o afastamento, por inconstitucionalidade, da contribuição previdenciária nos moldes do art. 25 da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 10.256/2001 (FUNRURAL), conforme denunciado nos documentos de efls. 695/733; 743/744 e 749. Assim, não será objeto de apreciação a infração tipificada por não recolhimento das contribuições previdenciárias do produtor rural e as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural da pessoa física (segurado especial), por subrogação art. 25 da Lei n. 8.212/1991 período de apuração (P.A) 01/01/2010 a 31/12/2010 consignada no Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) DEBCAD n. 51.037.3682 (efls. 03/08), atraindo, destarte, o enunciado de Súmula CARF n. 1, verbis: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(grifos originais) De observar, entretanto, que a decisão recorrida já havia acusado a concomitância de instâncias administrativa e judicial com fulcro em outra ação judicial ajuizada pela Recorrente, na espécie, mandado de segurança autuado em 14/04/2010 sob n. 000194393.2010.4.03.6107 com o objetivo de afastar, por inconstitucionalidade, a contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física prevista no art. 25, I e II, da Lei n. 8.212/1991, que é idêntico ao objeto da impugnação (efls. 606/623) em face da infração tipificada no lançamento abrigado no DEBCAD n. 51.037.3682 (efls. 03/08): O Relatório Fiscal informa que o crédito foi constituído com o efeito de prevenir a decadência, nos termos do art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996, em face do Mandado de Segurança n° 000194393.2010.403.6107, impetrado pela empresa. Fl. 753DF CARF MF Processo nº 15868.720185/201372 Acórdão n.º 2402006.698 S2C4T2 Fl. 754 4 Conforme petição inicial (fls. 401/413), verificase que a empresa impetrou, em 14/04/2010, o Mandato de Segurança n° 000194393.2010.403.6107, com pedido de liminar objetivando [...] verem afastadas as contribuições previdenciárias, incidentes sobre a comercialização da produção rural adquirida pela Impetrante, a ser paga pela Adquirente da matéria prima, quando adquirida de produtores rurais pessoa física que não trabalham em regime de economia familiar, haja vista o disposto do Artigo 195, § 8º, da CRFB, no qual não encontrou suporte o Artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos Artigos 12, incisos V e VII; art. 25, incisos I e II; e 30, inciso IV, da Lei nº 8.21/91, com a redação atualizada até a lei 9.528/97, [...]. [...] Conforme consulta processual realizada, em 12/09/2017, no sítio do Supremo Tribunal Federal verificase que o processo encontrase com trânsito em julgado desde 10/11/2014, conforme extratos (fls. 639/646), cuja decisão teve o seguinte teor: Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a Presidência do Senhor Ministro Ricardo Lewandowski, na conformidade da ata de julgamentos e das notas taquigráficas, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, rejeitar os embargos de declaração. A partir das informações anteriormente citadas e pela análise das peças processuais acostadas, aos autos, verificase que a empresa objetivou com o Mandado de Segurança, que fosse suspensa a exigibilidade da contribuição previdenciária incidente sobre a aquisição de produtos rurais e fosse reconhecida a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII; art. 25, incisos I e II; e art. 30, inciso IV da Lei nº 8.21/91, de modo a considerar inconstitucional e ilegal a exigência da contribuição previdenciária objeto do presente lançamento (Debcad nº 51.037.3682). Há, portanto, identidade de objeto entre o processo judicial e o administrativo, pois, em ambos, o debate gira em torno dos mesmos dispositivos legais, causa de pedir e pedidos. A Fazenda Pública defende a incidência da contribuição previdenciária sobre a comercialização da produção rural de produtores rurais pessoas físicas, por subrogação (art. 25, incisos I e II c/c o art. 30, inciso IV da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela da Lei n° 10.256/2001). O contribuinte, na esfera judicial, sustenta a inconstitucionalidade e a ilegalidade dessas contribuições. [...] Diante desses fatos, concluise que todos os argumentos constantes da defesa a questionar a inconstitucionalidade e a ilegalidade da exigência da contribuição previdenciária objeto do presente lançamento (Debcad nº 51.037.3682) já foram minuciosamente analisadas no âmbito do processo judicial citado. Naquele processo judicial, já com trânsito em julgado desde 10/11/2014, restou decidido que a contribuição social incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, após a vigência da Lei 10.256/2001, é constitucional. Restou assentado que, com arrimo na alteração promovida pela Emenda Constitucional n° 20/98, foi editada a Lei n° 10.256/2001, que deu nova redação ao caput do art. 25 da Lei n° 8.212/91, substituindo as contribuições devidas pelo empregador rural pessoa natural incidente sobre a folha de salários e pelo segurado especial pela contribuição social incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, configurandose a procedência da exação. Fl. 754DF CARF MF Processo nº 15868.720185/201372 Acórdão n.º 2402006.698 S2C4T2 Fl. 755 5 Restando clara a identidade entre os pleitos nas esferas judicial e administrativa, como demonstrado, e com o trânsito em julgado da ação judicial na qual o impugnante não obteve êxito, temse a definitividade material imutável sobre as questões postuladas, impondose o reconhecimento da procedência da exação. Desse modo, considerandose que os efeitos da decisão judicial transitada em julgado, seja anterior ou posterior ao término do contencioso administrativo, prevalecem sobre a decisão administrativa, cabe aqui aplicálos para considerar procedente o lançamento, mantendose o crédito tributário exigido, declarandose o fim do litígio, no âmbito administrativo, relativamente ao crédito tributário consubstanciado no Auto de Infração Debcad nº 51.037.3682. [...] É dizer, o presente litígio encontrase delimitado pelo mandado de segurança autuado em 14/04/2010 sob n. 000194393.2010.4.03.6107, denunciado na decisão recorrida, bem assim pela ação ordinária n. 955565.2017.4.01.3400 autuada em 07/03/2017, informada nos documentos de efls. (efls. 03/08). Assim, remanesce no litígio apenas a infração tipificada por não recolhimento da contribuição para outras entidades e fundos Terceiros (SENAR) incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural da pessoa física (segurado especial), por subrogação, período de apuração (P.A) 01/01/2010 a 31/12/2010, consignada no Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) DEBCAD n. 51.037.3690 (efls. 09/14). Nessa perspectiva, o Recurso Voluntário (efls. 678/694), não obstante ser tempestivo e atender aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, é passível de conhecimento parcial, vez que a lide se restringe à matéria tratada no Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) DEBCAD n. 51.037.3690 (efls. 09/14). Ao enfrentar as alegações da impugnante em face da contribuição devida ao SENAR, a decisão recorrida, após colacionar os dispositivos legais referentes à contribuição em apreço, bem assim relevante jurisprudência do STF sobre o tema, conclui que: [...] após a vigência da Lei 10.256/2001, que deu nova redação ao art 25 da Lei n. 8.212/91, há amparo à cobrança da contribuição incidente sobre a receita proveniente da comercialização da produção rural e que não há decisão do STF declarando a inconstitucionalidade da contribuição social destinada ao SENAR. Nesse sentido, a exigência da contribuição ao SENAR está em perfeita consonância com a legislação de regência, havendo respaldo legal para a exigência da exação. Noutro giro, na peça recursal de efls. 678/694, a Recorrente, no que diz respeito à contribuição devida ao SENAR, desenvolve o seguinte raciocínio: A contribuição devida ao SENAR é acessória ao FUNRURAL e, por isso, segue a mesma sorte da principal que, como já dito supra, é inconstitucional. Nesse prumo, por ser indevido o FUNRURAL sobre a receita, a contribuição de terceiro SENAR também o será. É que embora a declaração de inconstitucionalidade debatida supra não tenha se pronunciado quanto à disposição contida no art. 2º da Lei n.º 8.540/1992, que trata da base do SENAR, não restam dúvidas que tal exação é igualmente inconstitucional. Fl. 755DF CARF MF Processo nº 15868.720185/201372 Acórdão n.º 2402006.698 S2C4T2 Fl. 756 6 Com efeito, o artigo 2.º da Lei nº 8.212/91 reportase à pessoa física de que trata alínea “a” do inciso V do artigo 12 da mesma lei, como sujeito passivo da obrigação tributária, ou seja, o produtorempregador rural. Portanto, a validade da norma contribuição destinada ao SENAR somente poderia subsistir se fosse válida a norma que elege o produtorempregador rural como contribuinte da contribuição previdenciária incidente sobre o resultado da comercialização da produção rural. Inobstante ao fato de que a contribuição destinada ao SENAR não é uma contribuição previdenciária, é preciso estar atento ao fato de que a eleição do sujeito passivo da contribuição destinada à referida entidade se deu por norma declarada inconstitucional. De sorte que, retirada do ordenamento jurídico, as normas inseridas pelo art. 1.º da Lei 8.540/1992, inexistirá sujeição passiva à referida obrigação tributária, vez que a base de cálculo foi declarada inconstitucional, não havendo sobre o que incidir o tributo. Em não sendo este o entendimento deste Douto Julgador, o que se admite somente para fins de argumentação, impende consignar que o SENAR não possui autorização Constitucional para incidir sobre outra base de cálculo que não seja a folha de salários, senão vejamos o art. 240 da CF/88 c/c art. 62 do ADCT. “Art. 240 Ficam ressalvadas do disposto no Art. 195 as atuais contribuições compulsórias dos empregadores sobre a folha de salários, destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical. (...) Art. 62 A lei criará o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) nos moldes da legislação relativa ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e ao Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio (SENAC), sem prejuízo das atribuições dos órgãos públicos que atuam na área.” A legislação que criou o tributo, na forma da autorização constitucional, assim procede: Lei nº 8.315/1991: Art. 3º Constituem rendas do Senar: I contribuição mensal compulsória, a ser recolhida à Previdência Social, de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o montante da remuneração paga a todos os empregados pelas pessoas jurídicas de direito privado, ou a elas equiparadas, que exerçam atividades: a) agroindustriais; b) agropecuárias; Duas ilações muito simples decorrem do apanhado legislativo exposto supra, quais sejam, a primeira é que a Constituição autoriza criar a contribuição sobre a folha de salários e não sobre a receita bruta, e a segunda é que a própria lei que cria o tributo o faz incidir sobre a folha de salário dos empregados das pessoas jurídicas e não daqueles contratados por pessoas físicas como é o caso em tela. Fl. 756DF CARF MF Processo nº 15868.720185/201372 Acórdão n.º 2402006.698 S2C4T2 Fl. 757 7 Em prosseguimento, ainda que houvesse lei autorizando a cobrança sobre faturamento, a pessoa física não seria atingida pela cobrança, já que somente pode incidir sobre pessoas jurídicas, como dito na própria lei. Ademais, no julgamento do RE 363.8521, o Ministro Eros Grau, em seu VotoVista, levantou questão relevante no sentido de que inexiste base de cálculo para incidência do tributo cobrado, nos seguintes termos: “22. A Lei n.º 8.212/91 não determina, no entanto, o fato gerador da obrigação tributária. Este elemento da regra matriz de incidência está descrito em textos normativos emanados do Poder Executivo, o que não se pode admitir visto que excede os limites da função regulamentar que lhe fora conferida pela lei. 23. Os arts. 241 a 244 da Instrução Normativa MSP/SRP n. 3, de 14 de julho de 2005, definem o fato gerador da contribuição: "Art. 241. O fato gerador das contribuições sociais ocorre na comercialização da produção rural: I de produtor rural pessoa física e de segurado especial realizada diretamente com:" a) adquirente domiciliado no exterior (exportação), observado o disposto no art. 245; c) consumidor pessoa física, no varejo; d) adquirente pessoa física, nãoprodutor rural, para venda no varejo a consumidor pessoa física; e) Outro produtor rural pessoa física; f) outro segurado especial; II de produtor rural pessoa jurídica, exceto daquele que, além da atividade rural, exerce atividade econômica autônoma do ramo comercial, industrial ou de serviços, observado o disposto nos §§ 4º e 5º do art. 250 ; III realizada pelo produtor rural pessoa física ou pelo segurado especial com empresa adquirente, consumidora, consignatária ou com cooperativa; IV própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não, pela agroindústria, exceto a de piscicultura, carcinicultura, suinocultura e a de avicultura, a partir de 1º de novembro de 2001." Parágrafo único. O recebimento de produção agropecuária oriunda de outro país, ainda que o remetente seja o próprio destinatário do produto, não configura fato gerador de contribuições sociais. [transcrevese os demais dispositivos da IN] [...] 24. Em matéria tributária – e dessa matéria cuidase nestes autos – a legalidade prevalece em termos absolutos. Não há espaço, no que concerne à obrigação tributária principal, para o exercício, pelo Poder Executivo, de qualquer parcela de função regulamentar. 25. Nenhum dos preceitos da Lei n. 8.212/91 autoriza ou poderia autorizar o Poder Executivo a determinar, por ato seu, no exercício de função de regulamentar, o fato gerador da contribuição social. O Código Tributário Nacional estabelece, em seu art. 97, III e 114, que somente a lei pode fixar o fato gerador de tributo. 26. Daí porque se torna impossível a exigência do tributo dos empregadores rurais pessoas físicas [...]” Fl. 757DF CARF MF Processo nº 15868.720185/201372 Acórdão n.º 2402006.698 S2C4T2 Fl. 758 8 A ausência de fato gerador previsto em lei, por si só é suficiente a afastar a exação, sob pena de ferir de morte preceitos cogentes previstos nos Artigos 97, III e 114 do Código Tributário Nacional, os quais preceituam que somente a lei pode fixar o fato gerador de tributo. Pelo exposto, refutase também a cobrança do SENAR, por absoluta falta de amparo legal.(grifos originais) Pois bem. Na espécie, a matéria controvertida é de extrema relevância jurídica, dada a sua complexidade, alcance dos seus efeitos e diferentes interpretações que suscita. De plano, é de se observar que a contribuição devida ao SENAR destinase ao financiamento do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), criado pela Lei n. 8.315/1991, em cumprimento ao art. 62 do ADCT da CF/88, e regulamentado pelo Decreto n. 566, de 10 de junho de 1992, e tem como objetivo organizar, administrar e executar, em todo o território nacional o ensino da formação profissional rural e a promoção social do trabalhador rural, em centros instalados e mantidos pela instituição ou sob forma de cooperação, dirigida aos trabalhadores rurais. A contribuição devida ao SENAR sobre a receita bruta da comercialização da produção, prevista no art. 3º. da Lei n. 8.315/91; art. 2º. da Lei n. 8.540/92; e no art. 6°. da Lei n. 9.528/97, com a redação dada pela Lei n. 10.256/2001, é obrigatória, e tem natureza jurídica, base de cálculo e finalidades totalmente distintas da contribuição ao FUNRURAL, esta declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito do RE 363.852/MG e do RE 596.177/RS, que lhe conferiu repercussão geral. Ou seja, é absolutamente improcedente qualquer ilação de que aquela seja acessória desta, vez que incomunicáveis. É dizer: qualquer ilação de que a contribuição ao SENAR seja acessória da contribuição ao FUNRURAL, estando assim a esta atrelada, é absolutamente improcedente. Entretanto, para uma melhor contextualização da presente lide, impõese a apreciação dos eventos jurídicos que a norteiam, vez que nela repercutem diretamente. É o que passo a fazer. O RE 363.852/SC declarou a inconstitucionalidade do art. 1°. da Lei n. 8.540/92, que deu nova redação aos arts. 12, V e VII; 25, I e II; e 30, IV, da Lei n. 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei n. 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n. 20/98, venha a instituir a contribuição. Posteriormente, o RE 596.177/RS, submetido ao regime da repercussão geral, reafirmou a inconstitucionalidade declarada no RE 363.852/SC. Por sua vez, o Senado Federal aprovou a Resolução n. 15/2017 suspendendo, nos termos do art. 52, X, da CF/88, a execução do inciso VII do art. 12 da Lei n. 8.212/91, e a execução do art. 1°. da Lei n. 8.540/92, que deu nova redação aos arts. 12, V e VII; 25, I e II; e 30, IV, da Lei n. 8.212/91, todos com a redação atualizada até a Lei n. 9.528/97, declarados inconstitucionais por decisão definitiva proferida pelo STF nos autos do RE 363.852/MG. Prima facie, a Resolução n. 15/2017 induz a um entendimento mais amplo que a declaração de inconstitucionalidade consignada no RE 363.852/MG e no RE 596.177/RS, no sentido de alcançar a contribuição do segurado especial e a contribuição do empregador rural pessoa física restabelecida com fundamento na Lei n. 10.256/2001, conforme reclama a Recorrente. Fl. 758DF CARF MF Processo nº 15868.720185/201372 Acórdão n.º 2402006.698 S2C4T2 Fl. 759 9 Na sua argumentação, a Recorrente reconhece que o RE 363.852/SC não se pronunciou sobre o art. 2°. da Lei n. 8.540/92, que trata exatamente da base de cálculo da contribuição da pessoa física para o SENAR, mas conclui que é igualmente inconstitucional, sob a alegação de que a referida contribuição só poderia subsistir se fosse válida a norma que elege o produtorempregador rural como contribuinte da contribuição previdenciária incidente sobre o resultado da comercialização da produção rural, vez que o retrocitado dispositivo legal reportase à pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 da Lei n. 8.212/91 como sujeito passivo da obrigação tributária, ou seja, o produtorempregador rural. Lei n. 8.540/1992: Art. 2° A contribuição da pessoa física de que trata a alínea a do inciso V do art. 12 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), criado pela Lei n° 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é de um décimo por cento incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção. Parágrafo único. As disposições contidas no inciso I do art. 3° da Lei n° 8.315, de 23 de dezembro de 1991, não se aplicam à pessoa física de que trata a alínea a do inciso V do art. 12 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991. É dizer, de forma transversa, a Recorrente busca impingir a pecha de inconstitucionalidade a dispositivo legal assim não declarado pelo próprio STF, estendendo o alcance do RE 363.852/SC, reafirmado pelo RE 596.177/RS, ao art. 2°. da Lei n. 8.540/92. Convenhamos, tal entendimento não parece razoável. De se observar que a matéria apreciada no âmbito do RE 363.852/SC diz respeito a dispositivos da Lei n. 8.212/91 com redações dadas por leis anteriores à Emenda Constitucional n. 20/98, que deu nova redação ao art. 195, § 8°., da CF/88 estabelecendo que o produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais e o pescador artesanal, bem como os respectivos cônjuges, que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, sem empregados permanentes, contribuirão para a seguridade social mediante a aplicação de uma alíquota sobre o resultado da comercialização de sua produção. É dizer, o RE 363.852/SC e o RE 596.177/RS não diz respeito à Lei n. 10.256/2001, que veio a vigorar após a promulgação da Emenda Constitucional n. 20/98. Nesse sentido, é bastante esclarecedor o Parecer PGFN/CRJ/ n. 1447/2017, verbis: 35. Para que se possa identificar o conteúdo sobre o qual incide a Resolução nº 15, de 2015, é indispensável perquirir acerca do exato alcance da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no tocante à contribuição social do empregador rural pessoa física. 36. De início, a matéria foi apreciada no RE nº 363.852/MG, ocasião em que restou assentado o seguinte: Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da Fl. 759DF CARF MF Processo nº 15868.720185/201372 Acórdão n.º 2402006.698 S2C4T2 Fl. 760 10 contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o Relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitada por maioria, vencida a Senhora Ministra Ellen Gracie. (...) 37. Cabe transcrever, ainda, a ementa do acórdão citado: RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO. Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações. (RE 363852, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 03/02/2010). 38. Posteriormente, a questão foi novamente examinada pelo STF no julgamento do RE nº 596.177/RS, desta vez sob o regime da repercussão geral, no qual a Corte reiterou a orientação no sentido da inconstitucionalidade da contribuição social do empregador rural pessoa física. Eis a ementa do julgado: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I – Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II – Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III – RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. 39. Contra esse último acórdão foram opostos embargos de declaração pela Fazenda Nacional, os quais restaram parcialmente acolhidos pela Excelsa Corte para fins de exclusão da referência à suposta inconstitucionalidade material da Fl. 760DF CARF MF Processo nº 15868.720185/201372 Acórdão n.º 2402006.698 S2C4T2 Fl. 761 11 contribuição do produtor rural empregador, já que tal fundamento desbordava dos limites da matéria submetida a julgamento em repercussão geral. Naquela oportunidade, o Plenário consignou expressamente não ter sido objeto de deliberação a constitucionalidade da Lei nº 10.256, de 2001, diploma que, após a edição da Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998, reinstituiu a contribuição social do empregador rural pessoa física na Lei nº 8.212, de 1991. Confirase a ementa do acórdão em comento: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTO NÃO ADMITIDO NO DESLINDE DA CAUSA DEVE SER EXCLUÍDO DA EMENTA DO ACÓRDÃO. IMPOSSIBILIDADE DA ANÁLISE DE MATÉRIA QUE NÃO FOI ADEQUADAMENTE ALEGADA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO NEM TEVE SUA REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. INEXISTÊNCIA DE OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO EM DECISÃO QUE CITA EXPRESSAMENTE O DISPOSITIVO LEGAL CONSIDERADO INCONSTITUCIONAL. I – Por não ter servido de fundamento para a conclusão do acórdão embargado, excluise da ementa a seguinte assertiva: “Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador” (fl. 260). II – A constitucionalidade da tributação com base na Lei 10.256/2001 não foi analisada nem teve repercussão geral reconhecida. III – Inexiste obscuridade, contradição ou omissão em decisão que indica expressamente os dispositivos considerados inconstitucionais. IV – Embargos parcialmente acolhidos, sem alteração do resultado. 40. Do exame dos julgados em questão, verificase que o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540, de 1992 (que deu nova redação aos arts. 12, V, 25, I e II e 30, IV, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528, de 1997), por vício exclusivamente formal e apenas no tocante à cobrança da contribuição social do empregador rural pessoa física. [...] 42. Além do reconhecimento do vício na seara estritamente formal, temse que a eiva de inconstitucionalidade declarada pelo STF não recaiu sobre os citados dispositivos legais quando disciplinam a tributação do segurado especial, mantendose, em relação a esse sujeito passivo, a incidência do tributo sobre alíquota e base de cálculo previstas nos incisos I e II do art. 25 da Lei 8.212, de 1991 (mesmo no período que antecede a Lei nº 10.256, de 2001). Registrese que a discussão quanto à constitucionalidade da contribuição social do segurado especial é objeto do Recurso Extraordinário nº 761.263/CS (sic) (tema 723 de repercussão geral12), ainda não julgado pela Corte Suprema. (grifos originais) Noutro giro, a i. Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira apud i. Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, no voto condutor do Acórdão n. 9202006.991 2ª. Turma CSRF Sessão de 20/06/2018 elucida os efeitos do RE n. 363.852/MG, em apreço, verbis: Ora, caros leitores, o fato de o art. 1º da Lei nº 8.540/92 ter sido declarado, na via difusa, inconstitucional, não implica ipso facto que todas as modificações legislativas por ele introduzidas sejam tidas por inconstitucionais. A pensar assim, seria inconstitucional a fragmentação da alínea ‘a’ do inciso V do art. 12 da Lei nº 8.212/91, nas alíneas ‘a’ e ‘b’ do mesmo dispositivo legal, sem qualquer Fl. 761DF CARF MF Processo nº 15868.720185/201372 Acórdão n.º 2402006.698 S2C4T2 Fl. 762 12 modificação em sua essência, assim como a renumeração das alíneas ‘b’, ‘c’ e ‘d’ do mesmo inciso V acima citado para ‘c’, ‘d’ e ‘e’, respectivamente, sem qualquer modificação de texto. (...) E o que falar, então, sobre a constitucionalidade do Inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212/91, o qual, embora citado pelo Sr. Min. Marco Aurélio, sequer se houve por tocado pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92. Seria, assim, o Inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212/91 inconstitucional simplesmente e tão somente porque fora citado pelo Min. Marco Aurélio em seu voto? Não nos parece ser essa a melhor exegese do caso em debate. (...) Aditese que o inciso IX do art. 93 da CF/88 determina, taxativamente, que todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário, aqui incluído por óbvio o STF, devem ser públicos, e fundamentadas todas as suas decisões, sob pena de nulidade. Ora ... No julgamento do RE 363.852/MG inexiste qualquer menção, ínfima que seja, a possíveis vícios de inconstitucionalidade na subrogação encartada no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91. Aliás, o vocábulo “subrogação” assim como a referência ao “inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91” somente são mencionados na conclusão do Acórdão, ocasião em que o Sr. Min. Relator desobriga os recorrentes do RE 363.852/MG da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, e que é declarada inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/92, o qual deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97. [...] Ainda acerca da matéria em tela, conclui a ilustre Conselheira: Ou seja, face aos argumentos colacionados pelo voto condutor no processo acima transcrito, concluo que deve ser julgado procedente o lançamento por subrrogação em relação a aquisição da produção rural do produtor rural pessoa física sob os seguintes aspectos.(sic) a) Primeiramente a não apreciação no RE 363.852/MG dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei 8212/2001; sendo que o fato de constar no resultado do julgamento “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97” não pode levar a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, considerando a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. b) Segundo, o próprio dispositivo do Acórdão do RE 363.852/MG que declarou a inconstitucionalidade fez constar: “até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição”. Ou seja, considerando que a lei 10.256/2001, cobriu de legitimidade a cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física, por derradeiro, não tendo o RE 363.852 declarado a inconstitucionalidade do art. 30, IV da lei 8212/91, a Fl. 762DF CARF MF Processo nº 15868.720185/201372 Acórdão n.º 2402006.698 S2C4T2 Fl. 763 13 subrrogação consubtanciada neste dispositivo encontrase também legitimada.(sic) Ademais a obrigação legal de arrecadar as contribuições descritas no art. 25 não encontra respaldo apenas no art. 30, IV da lei 8212/91, mas também na obrigação legal esculpida no inciso III do mesmo artigo: “III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o dia 2 do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) (grifos nossos) Quanto a utilização do inciso III do art. 30 da lei 8212/91, como fundamento para legitimação da sistemática de adoção da subrrogação, destacamos, que esse critério só precisa ser utilizado, caso se entendesse que realmente o art. 30, IV da lei 8212/91, tivesse sido declarado inconstitucional no RE 363.852, fato, que no meu entender restou superado, pelos argumentos trazidos anteriormente no presente voto. Especificamente em relação ao período posterior ao advento da Lei n. 10.256/2001, o RE 718.874/RS, sumarizado na ementa abaixo, é elucidativo: Ementa: TRIBUTÁRIO. EC 20/98. NOVA REDAÇÃO AO ARTIGO 195, I DA CF. POSSIBILIDADE DE EDIÇÃO DE LEI ORDINÁRIA PARA INSTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO DE EMPREGADORES RURAIS PESSOAS FÍSICAS INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. CONSTITUCIONALIDADE DA LEI 10.256/2001. 1.A declaração incidental de inconstitucionalidade no julgamento do RE 596.177 aplicase, por força do regime de repercussão geral, a todos os casos idênticos para aquela determinada situação, não retirando do ordenamento jurídico, entretanto, o texto legal do artigo 25, que, manteve vigência e eficácia para as demais hipóteses. 2.A Lei 10.256, de 9 de julho de 2001 alterou o artigo 25 da Lei 8.212/91, reintroduziu o empregador rural como sujeito passivo da contribuição, com a alíquota de 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; espécie da base de cálculo receita, autorizada pelo novo texto da EC 20/98. 3. Recurso extraordinário provido, com afirmação de tese segundo a qual É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/01, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. (grifei) No mesmo diapasão, o RE n. 585.684/RS: No julgamento do RE 363.852 (rel. min. Marco Aurélio, DJe de 23.04.2010), o Pleno desta Corte considerou inconstitucional o tributo cobrado nos termos dos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Assim, o acórdão recorrido divergiu dessa orientação. Ante o exposto, conheço do recurso extraordinário e doulhe parcial provimento, para proibir a cobrança da contribuição devida pelo produtor rural empregador pessoa física, cobrada com base na Lei 8.212/1991 e as que se seguiram até a Lei 10.256/2001. (RE 585684, Relator Min. JOAQUIM BARBOSA, julgado em 10/02/2011, publicado no DJe038 de 25/02/2011). (grifei) Fl. 763DF CARF MF Processo nº 15868.720185/201372 Acórdão n.º 2402006.698 S2C4T2 Fl. 764 14 Nessa perspectiva, não restam dúvidas de que com a entrada em vigor da Lei n. 10.256/2001, editada sob o manto constitucional inaugurado pela Emenda Constitucional n. 20/98, passam a ser devidas as contribuições sociais a cargo do empregador rural pessoa física, às alíquotas de 2% e 0,1% incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, nos termos assinalados no art. 25 da Lei n. 8.212/91, com a redação que lhe foi introduzida pela Lei n. 10.256/2001. Destarte, concluo pela improcedência da alegação da Recorrente no sentido de que a retirada do ordenamento jurídico das normas inseridas pelo art. 1°. da Lei n. 8.540/1992 implicou prejuízo à cobrança da contribuição devida ao SENAR, vez que a base de cálculo do referido tributo é constitucional e encontrase tipificada no art. 3º. da Lei n. 8.315/91; art. 2º. da Lei n. 8.540/92; e no art. 6°. da Lei n. 9.528/97, com a redação dada pela Lei n. 10.256/2001. Outrossim, a alegação da Recorrente de que a contribuição ao SENAR não possui autorização constitucional para incidir sobre outra base de cálculo que não seja a folha de salários não merece prosperar, vez que o art. 240 da CF/88, ao ressalvar do disposto no art. 195 as contribuições compulsórias dos empregadores sobre a folha de salários, destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical, é taxativo ao delimitar tal ressalva às atuais contribuições, ou seja, existentes na data da promulgação do texto constitucional, excluindose, portanto, as que foram posteriormente instituídas. É nesse sentido a doutrina de Leandro Paulsen (Contribuições no Sistema Tributário Brasileiro. In: Machado, Hugo de Brito. As Contribuições no Sistema Tributário Brasileiro. Dialética. Fortaleza: Instituto Cearense de Estudos Tributários ICET, 2003), verbis: O art. 240, por delimitação constante expressamente do seu próprio texto, como já frisado, aplicase às então 'atuais contribuições', já elencadas, de modo que não alcança as contribuições posteriormente criadas, quais sejam: o SENAR, SEBRAE, SEST, SENAT e SESCOOP. [...](grifei) Nesse contexto, a previsão do art. 62 do ADCT diz respeito tãosomente à identificação do SENAR com o formato organizacional e operacional do SENAI e SENAC. De qualquer sorte, ainda que restasse alguma sombra de inconstitucionalidade sobre a definição da base de cálculo da contribuição ao SENAR diversa da folha de salários, conforme prevista no art. 3º. da Lei n. 8.315/91; art. 2º. da Lei n. 8.540/92; e no art. 6°. da Lei n. 9.528/97, com a redação dada pela Lei n. 10.256/2001, tal discussão é incabível em sede administrativa, vez que falece competência ao CARF para pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário (efls. 678/694), para, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 764DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.917087/2012-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/11/2011 a 30/11/2011
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CABIMENTO.
Às declarações de compensação (PER/DCOMP) não se aplica a benesse da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN.
No art. 156 do CTN são descritas formas distintas de extinção do crédito tributário, sendo, prerrogativa somente do legislador, em situações expressamente especificadas, eventualmente conferir o mesmo tratamento jurídico a tais institutos. Contudo, esse não é o caso do art. 138 do CTN, no qual a referência tão somente ao termo "pagamento" quer dizer que a denúncia espontânea não se aplica às demais modalidades de extinção do crédito tributário.
COMPENSAÇÃO. TRANSMISSÃO. APÓS VENCIMENTO. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA.
Na compensação, a extinção do crédito tributário sob condição resolutória dá-se somente a partir da transmissão ou entrega da correspondente declaração, nos termos do art. 74, §§1º e 2º da Lei nº 9.430/96.
Não tendo sido os débitos fiscais pagos, nem compensados, antes do vencimento do tributo, estão sujeitos à multa de mora.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-005.999
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos, que davam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CABIMENTO. Às declarações de compensação (PER/DCOMP) não se aplica a benesse da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN. No art. 156 do CTN são descritas formas distintas de extinção do crédito tributário, sendo, prerrogativa somente do legislador, em situações expressamente especificadas, eventualmente conferir o mesmo tratamento jurídico a tais institutos. Contudo, esse não é o caso do art. 138 do CTN, no qual a referência tão somente ao termo "pagamento" quer dizer que a denúncia espontânea não se aplica às demais modalidades de extinção do crédito tributário. COMPENSAÇÃO. TRANSMISSÃO. APÓS VENCIMENTO. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. Na compensação, a extinção do crédito tributário sob condição resolutória dá se somente a partir da transmissão ou entrega da correspondente declaração, nos termos do art. 74, §§1º e 2º da Lei nº 9.430/96. Não tendo sido os débitos fiscais pagos, nem compensados, antes do vencimento do tributo, estão sujeitos à multa de mora. Recurso Voluntário negado Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos, que davam provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 70 87 /2 01 2- 71 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 11080.917087/201271 Acórdão n.º 3402005.999 S3C4T2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão nº 08030.909 da Delegacia de Julgamento em Fortaleza que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versam os autos sobre declaração de compensação, que objetiva compensar pagamento a maior de PIS/Pasep. O despacho decisório reconheceu a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, mas homologou apenas parcialmente a compensação declarada por entender que o direito creditório reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese: a) descabimento da aplicação da multa moratória em face da denúncia espontânea; e b) ausência de extemporaneidade no pagamento vez que o crédito e o débito objeto de compensação possuem mesmo vencimento e período de apuração. A Delegacia de Julgamento não acolheu os argumentos da manifestante, sob os seguintes fundamentos: O contribuinte teria até o dia do vencimento do tributo para pagar o tributo ou apresentar a devida declaração de compensação sem nenhuma penalidade. Na espécie, o administrado, optando pela compensação, ingressou com o PER/DCOMP após o vencimento do tributo, pelo que incorreu em multa moratória e juros Selic. O pagamento e a compensação são espécies de extinção do crédito tributário. O art. 138 do CTN dispõe que a denúncia espontânea deve ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido. No caso, o contribuinte informou o débito fiscal, mas não o pagou, tendo apenas compensadoo, o que não contempla o benefício da denúncia espontânea. A compensação só ocorre mediante a entrega da correspondente declaração pelo sujeito passivo, sendo que, antes disso, a parcela do pagamento ainda não alocada a débito físcal permanece indisponível ao Fisco. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 11080.917087/201271 Acórdão n.º 3402005.999 S3C4T2 Fl. 0 3 Cientificada, a interessada interpôs tempestivamente o recurso voluntário ora em apreço, repisando as alegações da manifestação de inconformidade acerca do cabimento da denúncia espontânea e da não incidência da multa de mora. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.981, de 29 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 11080.720383/201332, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402005.981) 1: "Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Nos termos do art. 156 do CTN, o pagamento (inciso I) e a compensação (inciso II) são modalidades de extinção do crédito tributário, sendo que, no caso da compensação, nos termos do art. 74, §2º da Lei nº 9.430/96, a extinção se dá sob condição resolutória da ulterior homologação da compensação declarada. Na hipótese de não ocorrer a homologação (tácita ou expressa) da compensação declarada, não há que se falar mais em extinção do crédito tributário, sendo cabível a cobrança dos débitos confessados. Na hipótese de lançamento por homologação, tratada separadamente no inciso VII do art. 156 do CTN, o pagamento antecipado somente extinguirá o crédito tributário se for acompanhado da homologação tácita ou expressa da norma individual e concreta posta pelo contribuinte. O Professor Paulo de Barros Carvalho2 bem diferencia o "pagamento" a que se refere o inciso I do art. 156 do CTN do "pagamento antecipado" de que trata o inciso VII, nos seguintes termos: Não obstante o pagamento antecipado seja uma forma de pagamento, a legislação aplicável requer que ele se conjugue ao ato homologatório a ser realizado (comissiva ou omissivamente) pela Administração Pública. Apenas 1 No processo paradigma houve apresentação de Declaração de Voto por parte da Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Como o entendimento esposada nesta declaração foi vencido, deixase de transcrevêlo nos presentes autos, que trazem apenas o entendimento que prevaleceu na decisão colegiada. Íntegra da declaração de voto pode ser consultada no processo paradimga nº 11080.720383/201332. 2 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 16. ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 490. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 11080.917087/201271 Acórdão n.º 3402005.999 S3C4T2 Fl. 0 4 dessa maneira darseá por dissolvido o vínculo, diferentemente do que ocorre nos casos de pagamento de débito tributário constituído por lançamento, em que a conduta prestacional do devedor tem o condão de por fim, desde logo, à obrigação tributária. No denominado "lançamento por homologação", quando ainda não ocorrida a homologação tácita ou expressa da norma individual e concreta posta pelo contribuinte, constatando o Fisco a inexatidão da atividade prévia por ele exercida, deverá apurar o montante suplementar do tributo devido e constituir o crédito tributário por lançamento de ofício supletivo, nos termos do art. 149 do CTN. Nessa hipótese, obviamente, a parcela do crédito tributário objeto do pagamento antecipado é considerada extinta por pagamento (parcial), vez que excluída do lançamento de ofício supletivo. Dessa maneira, nos incisos I, II e VII do art. 156 do CTN, são descritas três formas distintas de extinção do crédito tributário, sendo, prerrogativa somente do legislador, em situações expressamente especificadas, conferir eventualmente o mesmo tratamento jurídico a tais institutos. Contudo, esse não é o caso do art. 138 do CTN, no qual a referência tão somente ao termo "pagamento" está a dizer que a denúncia espontânea não se aplica às demais modalidades de extinção do crédito tributário. Nessa mesma linha, no voto vencedor do Redator Designado Fernando Brasil de Oliveira Pinto, no Acórdão nº 1402002.309 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 15 de setembro de 2016, restou esclarecido que às declarações de compensação (PER/DCOMP) não se aplica a benesse da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN, uma vez que a extinção do crédito tributário por pagamento (art. 156, I, do CTN) não se confunde com a extinção por meio de compensação (art. 156, II do CTN): (...) Portanto, embora pagamento e compensação extingam o crédito tributário, cada um o faz com suas características e consequências peculiares: enquanto no pagamento não mais se discute a extinção do crédito tributário, na compensação extinguese o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (art. 74, § 2º, da Lei nº 9.430/96), ou seja, a declaração de compensação pode ter seus efeitos revertidos pela autoridade administrativa. O art. 138 do CTN, ao dispor que a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, a meu ver, limitou a possibilidade de sua aplicação a uma das modalidades de extinção do crédito tributário, qual seja, o pagamento. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 11080.917087/201271 Acórdão n.º 3402005.999 S3C4T2 Fl. 0 5 Quisesse o legislador que outras hipóteses de extinção fossem aplicáveis para fins de denúncia espontânea, assim o teria feito expressamente. Conforme abordado pelo i. Conselheiro Relator, a posição do STJ sobre o tema não é unânime. Tanto assim que, posteriormente ao entendimento firmado no julgamento nos EDcl no AgRg no REsp 1375380/SP, sessão de 20/08/2015, citado no r. voto do i. Conselheiro Relator, a mesma Segunda Turma julgadora do STJ julgadora decidiu de modo divergente na apreciação do AgRg no REsp 1461757 / RS em sessão realizada no mês seguinte, dia 03/09/2015. Vejase sua ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2014/01481347 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (1141) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 03/09/2015 Data da Publicação/Fonte DJe 17/09/2015 Ementa: (...) 3. "A extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN". (AgRg no AREsp 174.514/CE, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/09/2012, DJe 10/09/2012) 4. Agravo regimental não provido. (...) No mesmo sentido, pronunciouse a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão nº 9303006.011– 3ª Turma, de 29 de novembro de 2017, sob voto condutor do Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, nestes termos: (...) Fl. 71DF CARF MF Processo nº 11080.917087/201271 Acórdão n.º 3402005.999 S3C4T2 Fl. 0 6 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito, Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (...) VOTO (...) A matéria a ser decidida neste julgamento, como já dito, é somente se compensação (via Declaração de Compensação) equivale ou não a pagamento, para fins de cabimento ou não da cobrança da multa moratória nos casos de transmissão da DCOMP a destempo, mas antes do início do procedimento fiscal. Para o pagamento, o tema não é mais passível de discussão no CARF (a teor do § 2º do art. 62 do seu Regimento Interno), haja vista que o Superior Tribunal de Justiça já decidiu a questão posta, no RE nº 1.149.022/SP (isto se o pagamento for realizado antes ou concomitantemente à confissão da dívida, conforme Súmula nº 360, também do STJ), em Acórdão submetido à sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11/01/73, antigo Código de Processo Civil. Já para a compensação, não existe decisão judicial ou súmula que vincule este Colegiado. Como bem colocou a PGFN, pagamento e compensação são formas distintas de extinção do crédito tributário, conforme estabelece o Código Tributário Nacional (art. 156, I e II, já transcritos), recepcionado como lei complementar, a única capaz de estabelecer normas gerais sobre crédito tributário, como reza a nossa Constituição Federal (grifei): (...) Alega o contribuinte, em suas Contrarrazões, que o pagamento, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação – como a própria denominação desta forma de constituição diz – também está sujeito à condição de sua ulterior homologação. Mas o CTN diz algo mais a respeito (grifei): Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio Fl. 72DF CARF MF Processo nº 11080.917087/201271 Acórdão n.º 3402005.999 S3C4T2 Fl. 0 7 exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. Assim, na compensação, é o valor confessado em DCOMP está sob condição resolutória de ulterior homologação, enquanto no pagamento, na realidade, é o que não foi quitado. Isto está claro na lei. O § 1º do art. 150 do CTN fala “sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento”, enquanto o § 2º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 fala em “sua ulterior homologação” Em termos simples: “pagou está pago”; se compensou, há cinco anos para a Administração decidir em que dimensão o crédito está extinto, até o limite compensado. Não se pode equiparar, então, homologação do lançamento com homologação da Declaração de Compensação. (...) São formas de extinção distintas, com conseqüências distintas. Não há dúvida. Assim, não se pode aplicar a mesma jurisprudência de uma para a outra – ainda que o STJ já tenha feito isto, mas em decisão não vinculante (Resp nº 1.136.372/RS, citado pelo contribuinte). (...) Ex positis, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (...) Melhor sorte não assiste à recorrente quanto ao argumento de que não teria ocorrido a "extemporaneidade no pagamento" do tributo devido, vez que os débitos e créditos Fl. 73DF CARF MF Processo nº 11080.917087/201271 Acórdão n.º 3402005.999 S3C4T2 Fl. 0 8 objeto de compensação referemse a tributos atinentes ao mesmo período de apuração e mesma data de vencimento. Ocorre que, na hipótese de compensação, a extinção do crédito tributário sob condição resolutória, dáse somente a partir da transmissão ou entrega da correspondente declaração, nos termos do art. 74, §§1º e 2º da Lei nº 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (...) Dessa forma, não tendo sido os débitos pagos no prazo da legislação específica, nem tampouco sido considerados extintos antes do vencimento do tributo pela transmissão da declaração de compensação tempestiva, estão sujeitos à multa de mora, nos termos do art. 61 e 74, §§1º, 2º e 14 da Lei nº 9.430/96 e do art. 28 da Instrução Normativa SRF nº 460/2004: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 51 e 52 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, Fl. 74DF CARF MF Processo nº 11080.917087/201271 Acórdão n.º 3402005.999 S3C4T2 Fl. 0 9 na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 75DF CARF MF
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