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Numero do processo: 10805.001021/2005-53
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Data do fato gerador: 30/09/2004 MULTA ISOLADA. DCOMP NÃO HOMOLOGADA. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. TIPO PENAL NÃO VIGENTE NA DATA DE TRANSMISSÃO DA DCOMP. Incabível a exigência de multa isolada por erro na descrição e qualificação jurídica dos fatos, em face de aplicação de novel legislação instituidora de tipo penal - compensação não declarada - não vigente na data da transmissão da DComp (Lei nº 10.833/2003, art. 18, § 4º), cuja incidência retroativa é vedada.
Numero da decisão: 1802-000.859
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Nelso Kichel
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DCOMP NÃO HOMOLOGADA. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. TIPO PENAL NÃO VIGENTE NA DATA DE TRANSMISSÃO DA DCOMP. Incabível a exigência de multa isolada por erro na descrição e qualificação jurídica dos fatos, em face de aplicação de novel legislação instituidora de tipo penal compensação não declarada não vigente na data da transmissão da DComp (Lei nº 10.833/2003, art. 18, § 4º), cuja incidência retroativa é vedada. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. Fl. 268DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 08/07/2011 por NELSO KICHEL, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, André Almeida Blanco, Gilberto Baptista, Nelso Kichel e Jose de Oliveira Ferraz Correa. Ausente momentaneamente o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls.102/121 contra decisão da 4ª Turma da DRJ/Campinas (fls. 74/77v) que julgou a impugnação improcendente, mantendo a exigência. A decisão recorrida tem a seguinte ementa (fl. 74): (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 30/09/2004 CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INSTAURAÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. O litígio administrativo se instaura com a apresentação de impugnação tempestiva. As matérias que não tenham sido especificamente impugnadas consideramse definitivamente constituídas na esfera administrativa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS E DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. A utilização de créditos de terceiros e de natureza não tributária em DCOMP justifica a aplicação de multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado. Lançamento Procedente (...) Quanto aos fatos, transcrevo as infrações imputadas no Auto de Infração da CSLL, de 26/06/2005 (fl. 27/33): (...) 001 FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL Valor apurado conforme expendido no termo de verificação e constatação fiscal. Fato Gerador Ocorrência Val. Tributável ou Contribuição Multa (%) Fl. 269DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 08/07/2011 por NELSO KICHEL, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10805.001021/200553 Acórdão n.º 180200.859 S1TE02 Fl. 2 3 30/09/2004 151.340,80 75,00 (...) 002 MULTAS ISOLADAS COMPENSAÇA0 INDEVIDA EFETUADA EM DECLARAÇÃO PRESTADA PELO SUJEITO PASSIVO O Contribuinte efetuou compensação indevida de valores em declaração prestada, conforme expendido no termo de verificação e constatação fiscal. Data Valor Multa Isolada 30/09/2004 R$ 113.505,60 ENQUADRAMENTO LEGAL Art. 18, paragrafo 4º da Lei n° 10.833/03. Artigo 74 da Lei 9430/96, paragrafo 12, Inciso II, alíneas "a" e "e". (...) Ainda, em complemento aos fatos, reproduzo a descrição constante do Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do lançamento fiscal (fls. 24/25), in verbis: (...) No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal, efetuamos as verificações relativas aos Processos Fiscais n°s 10805.720.011/200430 e 10805.720.012/200484 da empresa em epígrafe, processos estes, que tratam de COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO C/ DEBITO DE TERCEIROS (PER/DCOMP). Os referidos pleitos não foram homologados pelo SEORT/DRF/SANTO ANDRÉ, conforme apreciação de 09/12/2004, pelos motivos abaixo: a) O contribuinte informou não se tratar de compensação de débitos com crédito de terceiros, quando na verdade lançou mão de suposto crédito de terceiros; b) O referido crédito é de natureza não tributária, oriundo de Dívida Mobiliária Federal, (RESP n° 37.056); c) O suposto crédito não ficou devidamente comprovado, conforme documentos expedidos pelo Procurador da Fazenda Nacional Coordenador Geral da Representação Judicial da Fazenda Nacional nos quais alerta para não serem aceitos pedidos de compensação ou pagamento de tributos com fulcro no RESP n° 37.056. Acrescenta, ainda, que a União não é parte, nem nunca foi parte e nem poderá sêlo, no citado recurso especial, já que o mesmo transitou em julgado em 06/08/1999. (...) Fl. 270DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 08/07/2011 por NELSO KICHEL, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Relacionamos a seguir, os débitos que deveriam ser compensados nos processos em tela e que que não foram declarados em DCTFs: Período de apuração Tributo Valor do Principal (...) 3º TRIMESTRE 2004 CSLL R$ 151.340,80 (...) Em face da não homologação do pedido de compensação, por se tratar de créditos de terceiros e não se referir a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, a compensação é considerada não declarada, (artigo 74, parágrafo 12, inciso II, alíneas "a" e "e" da Lei n° 9430/96) sujeitandose a aplicação da multa isolada, conforme dispõe o artigo 18, parágrafo 4° da Lei 10833/2003. Caracterizado o fato imponível, efetuamos os lançamentos dos tributos, acrescidos de multa de ofício e juros de mora, e também da multa isolada, incidente sobre o principal dos tributos não declarados. (...) O crédito tributário controlado nos presentes autos, referese tãosomente à multa isolada aplicada no patamar de 75% sobre o débito da CSLL informado na declaração de compensação, a qual foi não homologada, em face da utilização, indevida, pela contribuinte de crédito não administrado pela RFB (crédito de terceiros e de natureza não tributária). Em relação à CSLL e à multa proporcional de 75%, a contribuinte deixou de impugnar essas matérias na primeira instância, conforme consta do voto condutor da decisão recorrida, in verbis: (...) Na impugnação interposta, afirma a requerente que procedeu normalmente às compensações dos tributos, que os débitos em questão foram confessados espontaneamente, em processo de parcelamento, e que a multa isolada é inexigível, porque não houve aproveitamento de crédito a maior. Inicialmente, importa destacar (...) o que se põe ao exame desta instância administrativa é o lançamento fiscal materializado no auto de infração de fls. 27/34. A irresignação quanto à inadmissibilidade das compensações deveria ser tratada no âmbito dos processos administrativos n° 10805.720011/200430 e 10805.720012/200484, tendo precluido o direito de a contribuinte opôla administrativamente. Ademais, a interessada ressalta que solicitou o parcelamento dos débitos objeto do lançamento (fls. 68/69) o que denota seu acatamento quanto ao débito principal. No entender da contribuinte, o pedido de parcelamento dos débitos exigidos no auto de infração (fls. 27/34), exceto a multa Fl. 271DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 08/07/2011 por NELSO KICHEL, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10805.001021/200553 Acórdão n.º 180200.859 S1TE02 Fl. 3 5 isolada, a seu ver, teria sido efetuado antes do inicio da ação fiscal, o que afastaria a exigência de oficio e revelaria a boafé da interessada. No entanto, embora a interessada afirme o contrário, o fato é que o pedido de parcelamento em foco foi apresentado após o inicio da ação fiscal especifica. Vejase que dos autos consta o Termo de Inicio de Fiscalização de fls. 10, do qual a interessada teve ciência em 02/05/2005, tendo por objeto verificações relacionadas aos processos administrativos n° 10805.720011/200430 e 10805.720012/200484. Ou seja, quando do protocolo do Pedido de Parcelamento, 27/07/2005, a contribuinte não mais estava ao abrigo da espontaneidade, pois o lançamento fiscal já havia sido efetivado, com a exigência, inclusive da multa de oficio e juros de mora. De qualquer forma, eventuais pagamentos vinculados ao presente lançamento devem ser considerados por ocasião da liquidação do valor devido ao final do trâmite administrativo. Notese ainda que a unidade de origem, conforme extrato de fls. 70/72, já transferiu as cifras relacionadas à exigência do principal e à multa de oficio vinculada, ao processo administrativo n° 13820.000645/200553, remanescendo sob controle dos presentes autos apenas a exigência a titulo de multa isolada. (...) Com relação à multa isolada, a interessada, na primeira instância, aduziu razões que estão, resumidas, assim no relatório do voto condutor da decisão atacada (fl. 76): (...) Inconformada com a exigência fiscal, da qual foi cientificada em 27/06/2005, conforme ciência aposta no auto de infração (fls. 27), a contribuinte, por seu procurador legalmente habilitado, interpôs, em 25/07/2005, impugnação de fls. 39/41, expondo em sua defesa as razões de fato e de direito a seguir sintetizadas: 1) a multa isolada é inexigível porque não houve aproveitamento de crédito a maior; 2) como preconiza o art. 18 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, não cabe a exigência de multa isolada para crédito de natureza tributária; 3) afirma que "o objeto da compensação se deu de forma transparente, atendendo os requisitos dos artigos 156 e 170, do CTN, ou seja, escritura de cessão de crédito e trânsito em julgado do Superior Tribunal de Justiça — RESP 37056 (cópia anexa)"; 4) assevera, ainda que "Além do mais, o débito em questão fora confessado espontaneamente, até antes da ação fiscal, sendo objeto de parcelamento em 27 de maio p.p., conforme Fl. 272DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 08/07/2011 por NELSO KICHEL, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 documentos ora juntados. Todavia, não se pode silenciar que jamais houve ilícito nem tampouco máfé da ora autuada. "; 5) requer, ao final, seja acolhida a impugnação, excluindose a multa exigida isoladamente, por ser totalmente descabida e arbitrária e pelo fato de não ter a contribuinte praticado quaisquer atos ilícitos que ensejassem a sua aplicação. (...) Irresignada com a decisão a quo que manteve a multa isolada, da qual tomou ciência 11/09/2009 (fl. 83), a recorrente apresentou Recurso Voluntário em 24/09/2009 de fls. 84/120, juntando os documentos de fls. 121/232, cujas razões, em síntese, são as seguintes: Quantos aos fatos: que não apresentou manifestação de inconformidade contra a decisão que não homologou a Declaração de Compensação n° 26274.64719.291004.1.3.570800 ("DComp"), cuja transmissão eletrônica deuse em 29/10/2004, no processo nº 10805.720011/200430; que, no que tange às exigências afeitas à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e à multa de ofício proporcional, reconhece que foram objeto do parcelamento ordinário consubstanciado no processo administrativo n° 13820.000645/200553; que se rebela contra a única matéria debatida neste processo administrativo, “Multa Isolada”, cuja imposição foi fundamentada, pela autoridade fiscal, com fulcro no artigo 18 da Lei n° 10.833/03, combinado com o artigo 74, § 12, inciso II, alíneas "a" e "e", da Lei n° 9.430/96; Preliminar de nulidade: que o Auto de Infração da multa isolada deve ser declarado nulo; foi lavrado em desobediência ao disposto no artigo 18 da Lei n° 10.833/03; não se limitou à imposição da multa isolada, consignando ainda valores referentes à CSLL e à multa proporcional; que o lançamento, por ser ato vinculado à lei, o art. 142 do CTN impõe ao agente público a obrigação de realizar tal atividade com obedidiência fiel aos comandos legais. Duplicidade de penalidade sobre a mesma base de cálculo: que deve ser cancelada a multa isolada ante a impossibilidade desta ser cumulada a com a multa de ofício. Carência de fundamento legal: que o artigo 18 da Lei n° 10.833/03, à época da transmissão da DComp, em 29/10/2004, ostentava a seguinte redação: "Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposicão legal, de o Fl. 273DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 08/07/2011 por NELSO KICHEL, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10805.001021/200553 Acórdão n.º 180200.859 S1TE02 Fl. 4 7 crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964.” que esse tipo penal foi revogado pel Lei nº 11.051, de 29/12/2004 (art. 25), surgindo no seu lugar, novo tipo penal, in verbis: Art.25. Os arts. 10, 18, 51 e 58 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: ................................................................................................ “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. ....................................................................................................... § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. ........................................................................................................ § 4º A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996” (NR) (...). que, muito embora a compensação de créditos não tributários fosse pressuposto de aplicação da multa isolada em 29/10/2004 (data de transmissão da DComp), o fato é que, na data de lavratura do Auto de Infração, esse tipo penal não mais existia (e nunca mais voltou a existir), tendose operado, desde 29/12/2004, os efeitos da retroatividade benigna. Por fim, com base nessas razões, a recorrente pediu a desconstituição integral da multa isolada. É o relatório Fl. 274DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 08/07/2011 por NELSO KICHEL, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. O objeto do recurso é o crédito tributário de R$ 113.505,60, controlado nos presentes autos, atinente à multa isolada de 75%, aplicada sobre o débito da CSLL informado na declaração de compensação, a qual foi não homologada. Os demais créditos do auto de infração da CSLL de fls. 27/28 foram transferidos para os autos do processo nº 13820000.645/200553, conforme Termo de Transferência de Crédito Tributário de 31/08/2005 (fl. 71). A irresignação da recorrente deve ser acolhida. Quantos aos fatos, consta dos autos que sua Declaração de Compensação – DComp, transmitida eletronicamente em 29/10/2003, utilizando créditos de natureza não tributária (e de terceiros) para quitação de débitos da CSLL do período de apuração 30/09/2003 foi não homologada, conforme decisão da DRF/Santo André de 09/12/2004 (fls. 05/06), in verbis: (...) Trata o presente de Declaração de Compensação de crédito oriundo de Ação Judicial, alegado pela interessada, no montante de R$ 1.000.000,00 (fls. 02), com débitos de IRPJ e Contribuição Social — CSLL relativos ao 3.° trimestre/2004 (fls. 03). (...) Analisando o PER/DCOMP n.° 26274.64719.291004.1.3.57 0800, a interessada informou tratarse de crédito oriundo de Dívida Mobiliária Federal com fulcro no RESP n.° 37.056 que transitou em julgado em 09/06/1999. (...) Pesquisando o sitio do STJ, verificase que a interessada acima não faz parte da referida Ação Judicial (fls. 06), portanto trata se de crédito de terceiros. (...) O crédito pleiteado pela interessada é de natureza não tributária, e o artigo 74 da Lei n.° 9.430/96 estabelece que o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF poderá utilizálo na compensação de débitos próprios também relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. Portanto, Fl. 275DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 08/07/2011 por NELSO KICHEL, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10805.001021/200553 Acórdão n.º 180200.859 S1TE02 Fl. 5 9 crédito de natureza não tributária não poderão ser utilizados para compensar com débitos tributários. (...) De acordo com o proposto. NÃO HOMOLOGO a compensação dos débitos de fls. 03. Á ARF/SÃO CAETANO DO SUL para prosseguimento na cobrança dos débitos compensados indevidamente, cientificar a interessada dessa decisão, facultandoselhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação de inconformidade junto à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas, além de encaminhamento ao SEFIS/DRF/SAE para cobrança da multa de ofício com base no artigo 18 da Lei 10.833/2003. (...) O crédito utilizado é de natureza não tributária, fato confirmado pela própria recorrente em petição dirigida à RFB em 07/12/2004 (fl. 13): (...) Em 29/10/2004, adquirimos créditos mobiliários contra a União pertencentes à empresa Ápice Consultoria Ltda, com o objetivo de utilizálos na compensação de tributos federais a recolher. Após a assinatura da competente escritura de cessão no valor de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), iniciamos o aproveitamento do referido crédito, com a transmissão em 29/10/2004, do PERDCOMP número 26274.64719.291004.1.3.570800 (cópia anexa), no valor global de R$ 543.808,63 visando a compensação do IRPJ trimestral e da CSSL. (...) Portanto, como demonstrado, os fatos tratam de compensação não homologada pela vedação de utilização de crédito de natureza não tributária (e de terceiros). A fiscalização, quando da lavratura do Auto de Infração em 14/06/2005 (fl. 27/31), além de exigir a CSLL com imposição de multa regulamentar de 75%, impôs, ainda, multa isolada, também, de 75%. A recorrente somente rebelase contra a imposição da multa isolada. Em relação a outras parcelas de crédito tributário ela acatou as exigências, já na primeira instância, cujos valores, como alhures mencionado, estão sendo controlados em autos apartados. A penalidade imputada – multa isolada não se refere à compensação não homologada , mas sim por compensação não declarada (utilização de crédito de terceiros e por se tratar de créditos não administrados pela RFB). Nesse ponto, reside o equívoco insanável da imputação da fiscalização. Diversamente da decisão da DRF/Santo André, de 09/12/2004, que trata de declaração de compensação não homologada (fls. 05/06), a fiscalização, inadvertidamente, Fl. 276DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 08/07/2011 por NELSO KICHEL, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 interpretando a situação, considerou a compensação não declarada, conforme Termo de Verificação e Constatação Fiscal, parte integrante do Auto de Infração (fl.25), in verbis: (...) Em face da não homologação do pedido de compensação, por se tratar de créditos de terceiros e não se referir a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, a compensação é considerada não declarada, (artigo 74, parágrafo 12, inciso II, alíneas "a" e "e" da Lei n° 9430/96) sujeitandose a aplicação da multa isolada, conforme dispõe o artigo 18, parágrafo 4° da Lei 10.833/2003. (...) (Grifei) Ora, na data de transmissão da DComp (29/10/2004) e na data da decisão da DRF/Santo André, que indeferiu a homologação da compensação (09/12/2004), não havia a figura da compensação não declarada, a qual foi introduzida pelo art. 25 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004, que, além de alterar a redação do caput do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, acrescentou o § 4º. Nesse sentido, transcrevo a redação do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, na data da transmissão da DComp, em 29/10/203: "Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposicão legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964.” Por sua vez, o art. 25 da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, em relação ao art. 18 da Lei nº 10.833/2003, promoveu as seguintes alterações: Art. 25 Os arts. 10, 18, 51 e 58 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: ................................................................................................ “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. ....................................................................................................... § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme Fl. 277DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 08/07/2011 por NELSO KICHEL, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10805.001021/200553 Acórdão n.º 180200.859 S1TE02 Fl. 6 11 o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. ........................................................................................................ § 4º A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996” (NR) (...). (Grifei) Quanto à alegação de que a Lei nº 11.051/2004 teria deixado de definir a hipótese de compensação com créditos de natureza não tributária como infração sujeita a multa isolada, não procede. A alteração promovida no caput do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, embora tendo eliminado do caput a menção do crédito tributário de natureza não tributária, subsistiu a mesma proibição na alíenea “e” do inciso II do § 12 do art. 74 da lei nº 9.430/96, porém com transmutação de sua natureza jurídica de compensação não homologada para compensação não declarada. Vejase, nessa parte, o art. 74 da Lei nº 9.430/96: Art. 74...................................................................... ................................................................................... § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses (redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004): ........................................................................................................ II – em que o crédito (incluído pela Lei nº 11.051, de 2004); a) seja de terceiros; (incluído pela Lei nº 11.051, de 2004); ......................................................................................................... e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal – SRF (incluído pela Lei nº 11.051, de 2004). Destarte, com as alterações e inclusões feitas pela Lei nº 11.051/2004 no texto do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, o camando que estava no caput passou a estar no § 4º, adotandose critérios distintos (passou de “não homologação” para “não declarada a compensação”). O novel disciplinamento legal não pode ser aplicado retroativamente, para abarcar declarações simplesmente não homologadas anteriores a 29/12/2004, por disciplinar compensação não declarada, que não é o caso. A autoridade lançadora deveria, no caso, ter aplicado a legislação ao tempo do fato (tempus regit actum), porém procedeu diversamente, como demonstrado. Fl. 278DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 08/07/2011 por NELSO KICHEL, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 12 Por conseguinte, incabível a exigência da multa isolada, pois decorreu de errônea ou equivocada descrição e qualificação jurídica dos fatos, pela aplicação de novel legislação instituidora de tipo penal não vigente na data da transmissão da DComp (Lei nº 10.833/2003, art. 18, § 4º), cuja incidência retroativa é vedada. Por tudo que foi exposto, voto para DAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 279DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 08/07/2011 por NELSO KICHEL, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10935.001265/2011-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
CRÉDITO PRESUMIDO. CONTRATOS DE PARCERIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. DESCABIMENTO.
O crédito presumido previsto no art. 8º da Lei 10.925, de 2004, somente pode ser apurado sobre a aquisição de bens, mas não de serviços.
Se o criador de aves, por contrato de parceria, não tem o direito de usar, gozar ou dispor da coisa, posto que não pode comercializar os animais que cria, mas apenas devolvê-los a quem lhe entregou, inclusive a sua (quota-parte), não há que se falar em aquisição de bens por parte da agroindústria, mas sim em prestação de serviço; não cabendo portanto crédito presumido à agroindústria.
Não se pode diferenciar a atividade exercida pelo criador por parceira com relação a sua quota-parte e os demais animais, ou produz ou presta serviço, na totalidade, indistintamente, sem segregá-los em "produtos" em relação à sua quota-parte e "serviços" em relação aos demais. Na espécie, temos caracterizada a prestação de serviço do criador para a agroindústria, inclusive em relação a cota-parte.
CRÉDITO PRESUMIDO. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO E MERCADO INTERNO. NÃO DISCRIMINAÇÃO POR PRODUTO OU SETOR.
Aplica-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Não se discrimina o cálculo por produto ou setor.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.015
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. Recorrente COOPAVEL COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 CRÉDITO PRESUMIDO. CONTRATOS DE PARCERIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. DESCABIMENTO. O crédito presumido previsto no art. 8º da Lei 10.925, de 2004, somente pode ser apurado sobre a aquisição de bens, mas não de serviços. Se o criador de aves, por contrato de parceria, não tem o direito de usar, gozar ou dispor da coisa, posto que não pode comercializar os animais que cria, mas apenas devolvêlos a quem lhe entregou, inclusive a sua (quota parte), não há que se falar em aquisição de bens por parte da agroindústria, mas sim em prestação de serviço; não cabendo portanto crédito presumido à agroindústria. Não se pode diferenciar a atividade exercida pelo criador por parceira com relação a sua quotaparte e os demais animais, ou produz ou presta serviço, na totalidade, indistintamente, sem segregálos em "produtos" em relação à sua quotaparte e "serviços" em relação aos demais. Na espécie, temos caracterizada a prestação de serviço do criador para a agroindústria, inclusive em relação a cotaparte. CRÉDITO PRESUMIDO. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO E MERCADO INTERNO. NÃO DISCRIMINAÇÃO POR PRODUTO OU SETOR. Aplicase aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Não se discrimina o cálculo por produto ou setor. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 12 65 /2 01 1- 07 Fl. 2080DF CARF MF Processo nº 10935.001265/201107 Acórdão n.º 3301004.015 S3C3T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo do Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido de PIS nãocumulativo(a) Exportação, no qual a contribuinte sustenta, em síntese, que possui o direito ao ressarcimento/compensação do crédito presumido acima (apurado nos termos do artigo 8º da Lei nº 10.925, de 2004) em face da introdução do art. 56A na Lei 12.350, de 2010, realizada pelo art. 9º da Medida Provisória nº 517, de 2010. Por sua vez, a Seção de Orientação e Análise Tributária – SAORT da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel – PR, após a realização de uma auditoria fiscal, emitiu Despacho Decisório reconhecendo parcialmente o direito creditório solicitado, sem a incidência de atualização monetária ou de juros de mora. A contribuinte foi cientificada do mencionado despacho decisório, apresentando manifestação de inconformidade, cujo teor é resumido a seguir. Incialmente, após um breve relato dos fatos, no item “Do Indeferimento/Glosa dos Créditos Presumidos”, subitem “1) Do direito a apuração do crédito presumido sobre a aquisição da produção dos produtores rurais nos contratos de parceira avícola/suinícola”, a interessada sustenta que os contratos de parceria caracterizam juridicamente as operações realizadas como produção de bens e não como prestação de serviços. Diz que, como não existe (ainda) lei específica, os contratos de parceria rural estão sob a égide do art. 96 do Estatuto da Terra (Lei nº 4.504, de 1964, e do Decreto nº 59.566, de 1966. Sustenta que o produtor, ao final da realização do objeto do contrato, recebe uma parte da produção, e que “Apenas por força do contrato de parceria avícola/suinícola o produtor se obriga a comercializar a sua quotaparte da produção com a agroindústria (parceiro outorgante). Se a previsão contratual não existisse o produtor rural estaria livre para comercializar a sua quotaparte da produção conforme sua conveniência.” Alega que referido entendimento, de que, nos contratos de parceira rural, a parte da produção do produtor rural é considerada como sendo produção Fl. 2081DF CARF MF Processo nº 10935.001265/201107 Acórdão n.º 3301004.015 S3C3T1 Fl. 4 3 própria, é corroborado pela legislação do Funrural (art. 168 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009) e confirmado pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ. Argumenta, também, que a administração tributária, em face do que dispõe o art. 110 do Código Tributário Nacional – CTN, não pode alterar a definição de institutos privados, qualificando as operações como prestação de serviços para efeito da apuração do crédito presumido e como produção própria para efeito da incidência da contribuição para o Funrural. No subitem a seguir, denominado “2) Da alíquota para apuração do crédito presumido da produção de carnes”, a contribuinte defende a aplicação do percentual de 60% sobre a alíquota básica da contribuição (PIS 60% sobre alíquota de 1,65%, com alíquota efetiva de 0,99 % e Cofins 60% sobre a alíquota de 7,60%, com alíquota efetiva de 4,56%) para a apuração do crédito presumido relativo à produção de carnes. Alega que a legislação (art. 8º da Lei 10.925, de 2004) é clara ao definir que a alíquota é aplicada de acordo com os produtos fabricados e não conforme os insumos adquiridos. Diz que apurou o crédito presumido sobre os insumos adquiridos (aves/suínos e milho/ração) aplicando o percentual de 60%, mas que a autoridade fiscal, de forma diversa, apurou o crédito utilizando o percentual de 35% (sobre a alíquota básica da contribuição). Acrescenta que a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF corrobora o seu entendimento e que os seus produtos constam compreendidos no capítulo 2 da NCM, devendo ser aplicado, portanto, o percentual de 60 % (previsto no inciso I, § 3º, do mencionado art. 8º). Na sequencia, no subitem “3) Do índice de exportação para ressarcimento do crédito presumido”, a interessada defende a aplicação do método de rateio proporcional de forma setorial, de modo que sejam aplicados percentuais específicos para os setores de carne (receita de exportação carnes/receita bruta total carnes) e de óleo (receita de exportação óleo/receita bruta total óleo). Diz que o método aplicado pela fiscalização, de apuração de um índice único (receita de exportação/receita bruta total), com a inclusão de todas as receitas auferidas pela cooperativa no computo da receita bruta total, demonstrase ilegal e afronta os artigos 56A e 56B da Lei 10.350, de 2010, uma vez que o objetivo da inclusão do citados artigos foi o de permitir a conversão dos créditos acumulados em moeda (ativo financeiro). Argumenta que o método do rateio proporcional, previsto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, deve ser interpretado de modo que “o crédito presumido a ressarcir deve corresponder ao apurado sobre os bens adquiridos e utilizados na produção dos bens exportados com direito ao crédito presumido.” Sustenta que a interpretação da autoridade tributária ao diminuir o indíce do percentual de exportação, e consequentemente o valor do crédito presumido apurado, viola o princípio constitucional da isonomia, uma vez que diferencia empresas que mantém uma única atividade das que exercem diversas atividades econômicas. Logo a seguir, no item “Da Atualização Monetária dos Créditos Obstados Ilegalmente”, a contribuinte defende a atualização monetária dos créditos, por meio da aplicação da taxa Selic acumulada, desde a formalização dos pedidos administrativos. Alega que a correção monetária Fl. 2082DF CARF MF Processo nº 10935.001265/201107 Acórdão n.º 3301004.015 S3C3T1 Fl. 5 4 deve ser aplicada para manter a integralidade dos créditos e não para punir a mora da administração pública em ressarcilos e que a devolução dos créditos em valores originais representa um enriquecimento sem causa da União. Diz, também, que a aplicação da atualização aos pedidos de ressarcimento vem sendo reconhecida, conforme a jurisprudência administrativa (Conselho Administrivo de Recursos Fiscais – CARF) e judicial (Superior Tribunal de Justiça – STJ) que colaciona na manifestação. Em outro item, denominado “Da Suspensão da Exigibilidade da Multa Isolada Lançada de Ofício”, a interessada pugna pela suspensão da exigibilidade da multa isolada, lançada no percentual de 50% sobre o valor do crédito indeferido, por meio do auto de infração constante do processo administrativo nº 10935.722746/201311. Sustenta que a exigibilidade da referida multa deve restar suspensa com a apresentação da manifestação de inconformidade contra o indeferimento do pedido de ressarcimento a ela relativo, conforme prevê o § 18 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, inserido pelo art. 20 da Lei nº 12.844, de 2013. Por último, no item “Do Pedido”, a contribuinte solicita: (i) a suspensão da exigibilidade da multa isolada lançada no auto de infração constante do processo administrativo nº 10935.722746/201311; (ii) o acolhimento da manifestação apresentada para o fim de reformar o despacho decisório e acolher as razões e argumentos apresentados; (iii) proceder à devolução do crédito presumido solicitado com a atualização monetária, por meio da aplicação da taxa Selic acumulada, desde a formalização dos pedidos administrativos até a data do efetivo pagamento. Registrese, quanto ao pedido de suspensão da multa de ofício isolada (de 50%), que a contribuinte foi orientada pela autoridade a quo a apresentar impugnação específica para o processo administrativo nº 10935.722746/201311. Anotese, também, que a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade complementar, por meio da qual acrescenta argumentos a respeito do percentual a ser aplicado sobre as alíquotas básicas (de PIS e Cofins) para a apuração do crédito presumido sobre os insumos adquiridos, relativamente à produção de carnes. No caso, a interessada repisa o seu entendimento de que deve ser aplicado o percentual (de 60%), levandose em conta, portanto, a origem dos insumos adquiridos e não a dos produtos fabricados. Acrescenta, também, que a polêmica na aplicação do referido percentual foi resolvida com a edição do art. 33 da Lei nº 10.865, de 2013, que inseriu o § 10 ao art. 8º da Lei 10.925, de 2004, o qual dispôs nos seguintes termos: “Para efeito de interpretação do inciso I do 3º, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos.” Por fim, é de se ressaltar a existência do mandado de segurança nº 5005004.61.2013.404.7005/PR, o qual tem como objetivo, entre outros, o reconhecimento do direito à correção monetária pela taxa Selic do crédito reconhecido no presente processo (assim como em outros 23 processos de Fl. 2083DF CARF MF Processo nº 10935.001265/201107 Acórdão n.º 3301004.015 S3C3T1 Fl. 6 5 ressarcimento), acumulada a partir do protocolo dos pedidos de ressarcimento até o seu efetivo pagamento. A DRJ decidiu pela procedência parcial da manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 06050.186. Inconformada com os indeferimentos e glosas mantidos na decisão recorrida, a COOPAVEL defende a ilegalidade destas. Ao final, pugna pela inclusão das aquisições de produtos da quotaparte do produtor rural nos contratos de parceria avícola/suinícola na base de cálculo para a apuração do crédito presumido; e que, na apuração do crédito a ser ressarcido seja utilizado o índice de exportação aferido da relação percentual da receita bruta da exportação dos produtos do setor carnes e óleo de soja degomado com a receita bruta total destes produtos (índice setorial). É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.013, de 31 de agosto de 2017, proferido no julgamento do processo 10935.000742/201117, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.013):Relator "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. O Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido da Cofins da recorrente lastreiase no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, c/c os artigos 56A e 56B da Lei nº 12.350/2010, incluídos pela Lei nº 12.431/2011: Da Lei nº 10.925/2004: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e Fl. 2084DF CARF MF Processo nº 10935.001265/201107 Acórdão n.º 3301004.015 S3C3T1 Fl. 7 6 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Da Lei nº 12.350/2010: Art. 56A. O saldo de créditos presumidos apurados a partir do ano calendário de 2006 na forma do § 3º do art. 8º da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). [...] II ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). [...] § 2º O disposto neste artigo aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Art. 56B. A pessoa jurídica, inclusive cooperativa, que até o final de cada trimestrecalendário, não conseguir utilizar os créditos presumidos apurados na forma do inciso II do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, poderá: (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). [...] II solicitar seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Parágrafo único. O disposto no caput aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita auferida com a venda no mercado interno ou com a exportação de farelo de soja classificado na posição 23.04 da NCM, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Direito à apuração do crédito presumido sobre a alegada aquisição da produção dos criadores nos contratos de parceria avícola/suinícola Conforme relatado, a Delegacia de origem efetuou glosa relativa às entradas de frangos e suínos provenientes dos contratos de parceria, tendo em vista o entendimento de que essas operações não se qualificam como compra efetiva mas sim como pagamento de serviços prestados (mão de obra) para seus associados. Esta argumentou ter havido "uma simulação de compra de bens (aves/suínos) a qual representa o pagamento dos serviços prestados pelos produtores rurais com os cuidados no trato e criação dos lotes de aves ou suínos". Por consequencia, considerou não haver direito à apuração do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei 10.925, de 2004, entendendo Fl. 2085DF CARF MF Processo nº 10935.001265/201107 Acórdão n.º 3301004.015 S3C3T1 Fl. 8 7 que "referido crédito somente pode ser apurado sobre a aquisição de bens, mas não de serviços". De fato, o dito art. 8º fala em " calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003", estas que delimitam o creditamento da insumos no desenho da Pis/Pasep e da Cofins não cumulativas,"bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda"; restingindo o crédito presumido aos bens, excluindo os serviços. Se são bens e tratase de prestação de serviços, reproduzo a argumento da fiscalização: “Nestes contratos de parceria, fica evidente que as aves e animais já são de propriedade da cooperativa, apenas são remetidos às propriedades rurais dos associados para a contra prestação de serviços na sua criação e posterior devolução, devendo o parceiro, em resumo, seguir rígido sistema de manejo pré estabelecido, adotar na alimentação exclusivamente a ração e medicamentos fornecidos pela contratante e ao final do prazo estabelecido, devolver o lote completo de animais ou aves, recebendo como pagamento por seus serviços o resultado de um índice que mede o êxito do seu trabalhão (IEP – Índice de Eficiência Produtiva). Para subsidiar esta conclusão destacamos alguns fatos que traduzem por si o entendimento de que não há compra de mercadoria, mas pagamento de prestação de serviços: • A cooperativa não paga diretamente em espécie o resultado do trabalho do associado medido pelo IEP, usa o artifício de entregar simbolicamente seu equivalente valor em produto (aves/suínos), mas com uma cláusula de fidelidade nos contratos, obriga o parceiro a vender exclusivamente para a própria cooperativa tal parte, ou seja, faz um operação triangular, para ocultar o pagamento a título de serviços prestados, substituindo pelo imediato pagamento de uma suposta compra de produtos (que documentalmente já é de sua propriedade, ou seja, como pode comprar aquilo que já é seu?); • Sem entrar na seara tributária com o reflexo de tal procedimento equivocado, o fato é que representa uma distorção da realidade, onde o parceiro é investido na qualidade de proprietário das aves/suínos de forma virtual e apenas por alguns segundos, tempo suficiente para a emissão da nota fiscal de compra, instrumento que na pratica retrata o pagamento por seus serviços; • Ao término da criação, o transporte integral do lote de aves/suínos, da propriedade rural até o frigorífico é realizado pela Coopavel, para garantir que não haja desvio da produção. Somente no abate o parceiro/produtor rural tomará conhecimento do valor de seus serviços prestados, ocasião em que para recebelo aceita a emissão de uma nota fiscal simulando a venda de parte do lote, que não é seu, pois apenas detém a posse precária e não a propriedade; • Os contratos de parceria caracterizam o criador como fiel depositário das aves ou suínos; Fl. 2086DF CARF MF Processo nº 10935.001265/201107 Acórdão n.º 3301004.015 S3C3T1 Fl. 9 8 • Se os próprios contratos de parcerias definem que o criador receberá pelas suas tarefas/trabalhos para cada lote que concluir a criação, um valor pecuniário, logo, considerando não pertencer ao criador a propriedade dos animais e aves, ração e medicamentos utilizados no trato, é impróprio que este possa vender à cooperativa parte do lote (que não é seu), para mascarar o pagamento dos serviços prestados, dandolhe a versão de ‘aquisição de mercadorias’;” (Grifos deste relator). A recorrente defendo o contrário: "a operação realizada tem natureza jurídica de produção de bens da quotaparte do produtor rural nos contratos de parceria e não de prestação de serviços como se pretendeu na decisão recorrida"(Grifos deste relator). Traz o art. 96 do Estatuto da Terra (Lei nº 4.504/1964) que trata dos contratos de parceria rural. Diz que seu § 5º prevê que as regras dos contratos de parceria rural não se aplicam aos contratos de parceria agroindustrial para a criação de aves e suínos que possuirão legislação específica; mas que, como até então não foi publicada a lei específica, tem se mantido a aplicação das regras da parceria rural. Observa que esse artigo fora regulamentado pelo Decreto nº 59.566/1966, destacandose, para o presente caso, partes do seu art. 4º: Parceria rural é o contrato agrário pelo qual uma pessoa [...] lhe entrega (a outra pessoa) animais para cria, recria, invernagem, engorda [...] mediante partilha de riscos do caso fortuito e da força maior do empreendimento rural, e dos frutos, produtos ou lucros havidos nas proporções que estipularem, observados os limites percentuais da lei. (Grifos do original. Explicação entre parênteses, deste relator). E prossegue: Nos contratos de parceria avícola/suinícola o objeto do contrato é a criação de frangos/suínos para o abate. A agroindústria (parceiraoutorgante) se obriga ao fornecimento de pintos e suínos para cria, recria, medicamentos, ração, assistência técnica e transporte e o produtor rural (parceirooutorgado) se obriga ao alojamento em estrutura própria (aviário) e ao desenvolvimento desses animais até chegarem ao ponto ideal de abate, arcando com as despesas trabalhistas e previdenciárias da contratação de funcionários, energia elétrica, manutenção, etc. [...] A parte do produtor é caracterizada como produção rural própria e não prestação de serviços. Ao final da realização do objeto do contrato, o produtor recebe parte da produção e não por haver prestado serviços. Apenas por força do contrato de parceria avícola/suinícola o produtor se obriga a comercializar a sua quota parte da produção com a agroindústria (parceirooutorgante). Se a previsão contratual não existisse o produtor rural estaria livre para comercializar a sua quotaparte da produção conforme sua conveniência. Fl. 2087DF CARF MF Processo nº 10935.001265/201107 Acórdão n.º 3301004.015 S3C3T1 Fl. 10 9 O Código Civil estabelece o conceito de proprietário/ direito de propriedade como um conjunto de direitos: Art. 1.228. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavêla do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. Se o criador não tem o direito de usar, gozar, dispor da coisa; posto que não pode comercializar os animais que cria, mas apenas devolvêlos a quem lhe entregou; inclusive a sua, assimchamada, quotaparte; por força do contrato de parceria; não há que se falar em aquisição de bens por parte da agroindústria; mas sim em prestação de serviço por parte do criador; não sendo portanto cabível o pretendido direito ao crédito presumido. O animal, que se representa sua quotaparte é apenas um parâmetro, uma referência para sua remuneração. E mais, não se pode diferenciar a atividade exercida pelo criador com relação a sua quotaparte dos demais animais, como dizer que com relação a um animal produz e aos outros presta serviço. Traz a recorrente em seu favor, a Instrução Normativa RFB nº 971/2009: [...] no capítulo I do título III ao dispor das normas e procedimentos das atividades rural e agroindustrial, menciona nos incisos XI e XIV do artigo 165 sobre o contrato de parceria rural. Expressamente, o § único do artigo 168 da referida instrução normativa prescreve que a quotaparte do parceiro é considerada produção rural própria do produtor rural e base de incidência da contribuição previdenciária sobre a receita da comercialização da produção rural. [...] Parágrafo único. A parte da produção que na partilha couber ao parceiro outorgante é considerada produção própria." (Grifos do original). Este entendimento também é confirmado pelo Superior Tribunal de Justiça, que instado a se manifestar sobre a incidência da contribuição previdenciária (funrural) nos contratos de parceria avícola, concluiu pela incidência da contribuição sobre a receita auferida pelo produtor rural quando da comercialização da sua quotaparte na produção a empresa agroindustrial (parceiro outorgante). [...] O artigo 110 do Código Tributário Nacional (Lei n. 5.172/1966) veda a possibilidade do ente competente de alterar a definição de institutos de direito privado [...] De fato, tal Instrução Normativa ´considera a quotaparte do parceiro produção rural própria, mas para fins específicos de incidência da contribuição previdenciária. Não pode ela alterar o instituto da propriedade esculpido no Código Civil, por força do referido art. 110 do Código Tributário. Fl. 2088DF CARF MF Processo nº 10935.001265/201107 Acórdão n.º 3301004.015 S3C3T1 Fl. 11 10 Traz a recorrente jurisprudência deste CARF em seu socorro. Importante examinar os termos dos contratos de parceria que regulam as relações em pauta: “A retenção de frangos pelo CRIADOR em índice superior ao permitido, [...]caracterizará o furto, respondendo o mesmo penal e civilmente pelo ato praticado. “O CRIADOR. por cada lote criado, receberá pecuniariamente o valor apurado através da tabela referente ao Índice de Eficiência Produtiva IEP, observandose o seguinte: Peso Médio (X) Sobrevivência (X) 100 % (:) Conversão Alimentar (X) Idade dos Frangos.” “Facultase ao CRIADOR utilizar 0,15% (zero vírgula quinze por cento) do total de aves do lote em formação, para o seu próprio sustento. Não consumindo o total permitido, obrigase o CRIADOR a entregar todo o saldo de aves viáves e remanescentes não consumidas.” “O CRIADOR se obriga ainda: [...] “O CRIADOR por este instrumento constituise fiel depositário das aves postas em seu poder pela COOPAVEL, para que efetue a criação obejto deste instrumento, devendo respeitar orientações técnicas, zelando pela sua guarda e conservação, sendo que não o fazendo por ato de sua responsabilidade, responderá pelas penas de depositário infiel, nos termos da lei, especialmente se der causa ao desaparecimento de frangos não autorizados por este instrumento. As penas do depositário infiel serão de ordem civil e criminal.” (Grifos do original) O fato de ser constituído fiel depositários das aves (entendo, de todas elas) postas em seu poder pela COOPAVEL demonstra que, como já examinado, não são suas as aves, apenas presta serviço com relação a elas. Sua remuneração é pelo Índice de Eficiência Produtiva e não pela venda de animais. Se pode reter parte dos animais é para o seu sustento, não sendo estas devolvidas ao produtor, apenas se houver saldo. Situação semelhante ocorre com os contratos relativos aos suínos. Assim, nesse tema, nego provimento ao recurso voluntário. Do índice de exportação para ressarcimento do crédito presumido Consta do acórdão recorrido que a Delegacia de origem recalculou o crédito presumido (relativamente às aquisições comprovadas e não glosadas) aplicando um novo critério de rateio proporcional; desconsiderando a aplicação do índice setorial de exportação utilizado pela recorrente. Empregou a unidade índice de exportação calculado mediante a comparação das exportações realizadas (de carne e de óleo de soja degomado) com a receita bruta total da empresa no período: Fl. 2089DF CARF MF Processo nº 10935.001265/201107 Acórdão n.º 3301004.015 S3C3T1 Fl. 12 11 Em síntese, a autoridade fiscal, após determinar as aquisições de milho, soja, e animais realizadas de pessoas físicas que poderiam conceder o direito ao crédito presumido, aplicou: (i) o índice de exportação de carnes (frango e suíno), calculado por meio da divisão do total de exportações de carne pela receita bruta total, sobre as aquisições de animais (frango e suínos) e de milho com direito à crédito; e (ii) o índice de exportação de óleo degomado, calculado por meio da divisão do total das exportaçoes de óleo pela receita bruta total, sobre as aquisições de soja in natura com direito à crédito. No caso, a fiscalização partiu da premissa de que o milho foi empregado exclusivamente na fabricação da ração e a soja somente na industrialização do óleo de soja degomado, caracterizandose, portanto, a existência de consumo direto nos respectivos processos produtivos e de exportações de carne e de óleo de soja degomado. A contribuinte, por outro lado, aplicou e defende a aplicação das seguintes fórmulas: A recorrente alega ilegalidades na forma de apuração utilizada pelo Fisco, tendo em vista o disposto nos já citados artigos 56A e 56B da Lei nº 12.350/2010, os quais autorizam a compensação com débitos próprios ou o ressarcimento em dinheiro, respectivamente: a) de saldo de créditos presumidos apurados a partir do ano calendário de 2006 na forma do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, existentes à data de publicação da lei; e b) para a pessoa jurídica, inclusive cooperativa, que até o final de cada trimestrecalendário, não conseguir utilizar os créditos presumidos apurados na forma do inciso II do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004; remetendo o cálculo aos §s 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e §s 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Argumenta que, quanto à primeiro situação, a exposição de motivos da Medida Provisória nº 517/2010, na qual fora convertida a dita lei, traz que a finalidade da medida é monetizar o estoque de créditos presumidos vinculados às receitas de exportação, permitindo que as pessoas jurídicas consigam realizar estes ativos de modo a reduzir os custos de produção (grifos do original). Reproduzo, para análise mais detalhada, os disposições em pauta: Art. 3º. [...] § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. Fl. 2090DF CARF MF Processo nº 10935.001265/201107 Acórdão n.º 3301004.015 S3C3T1 Fl. 13 12 § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8o, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. (Grifos deste relator). A recorrente, optante pelo rateito proporcional, assim interpretou o respectivo dispositivo: [...] o crédito presumido a ressarcir vinculado a receita de exportação será apurado pela aplicação sobre os custos (bens adquiridos) da relação percentual da receita bruta da exportação dos produtos com direito ao crédito presumido em relação a receita bruta total dos produtos com direito ao crédito presumido, ou seja, obtido conforme a seguinte fórmula. Entendo pelo acerto da Delegacia de origem e da Delegacia de Julgamento: a disposição do 3o, § 8o , II, da Lei n. 10.833/2003 não deixa margem à interpretação da recorrente, posto que baseia o rateio na "relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total". Se é "receita bruta total" não é receita bruta total por produto (ou setor) carne e óleo de soja degomado como quer fazer crer a recorrente. A exposição de motivos que traz em seu favor não tem o poder de alterar o significado da lei, no máximo direcionar a seu interpretação quando houver margem para tanto. Ainda assim, também não ampara a fórmula defendida pela recorrente, por não discriminar produtos/ setores. Aduz a recorrente que o Receita Federal estaria a violar o princípio constitucional da isonomia, "diferenciado para empresas que investem e produzem através de diversas atividades em unidade filiais, das empresas que mantém uma única atividade e assim não tem que computar para Fl. 2091DF CARF MF Processo nº 10935.001265/201107 Acórdão n.º 3301004.015 S3C3T1 Fl. 14 13 cálculo de seu crédito receita de outras atividades. De plano, não compete a este Conselho se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Ainda assim, entendo que o legislador, ao estatuir a opção pelo método da apropriação direta, permite que a empresa compute operação a operação o seu crédito. Já na opção pelo rateio proporcional, o legislador elegeu um método mais geral e simplificado, para empresas com incidência nãocumulativa da COFINS, para apenas parte de suas receitas, sem o detalhamento por produto/ setor. Assim, nessa questão, nego provimento ao recurso voluntário. Conclusão Por todo o exposto, nego provimento os recurso voluntário da COOPAVEL." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, o Crédito Presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, c/c os artigos 56A e 56B da Lei nº 12.350/2010, incluídos pela Lei nº 12.431/2011, e o cálculo de rateio proporcional no regime da não cumulatividade se aplica tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 2092DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.904052/2014-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
CRÉDITOS DE PIS E COFINS. DEDUÇÃO.
A sistemática de apuração do lucro líquido, que após as adições e exclusões legais, resulta no lucro real e na base de cálculo da CSLL, já prevê a dedução dos créditos de PIS e Cofins apurados sobre os insumos consumidos pelo contribuinte; deduzir mais uma vez resultaria em duplicidade, sem previsão legal.
Numero da decisão: 1201-001.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima.
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DEDUÇÃO. A sistemática de apuração do lucro líquido, que após as adições e exclusões legais, resulta no lucro real e na base de cálculo da CSLL, já prevê a dedução dos créditos de PIS e Cofins apurados sobre os insumos consumidos pelo contribuinte; deduzir mais uma vez resultaria em duplicidade, sem previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 40 52 /2 01 4- 25 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10875.904052/201425 Acórdão n.º 1201001.795 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de Declaração de Compensação PER/DComp em que o contribuinte requer direito creditório, para compensar débitos. O Despacho Decisório não reconheceu o crédito e não homologou a compensação declarada, determinando o prosseguimento na cobrança dos débitos indevidamente compensados, acrescidos de multa e juros de mora. Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, que foi julgada improcedente. Cientificado, apresentou Recurso Voluntário tempestivo ao CARF, sintetizado a seguir. Informa que é contribuinte do Programa de Integração Social PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, instituídos pela Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002 e Lei nº 10.833, de 28 de dezembro de 2003, respectivamente. Afirma que a nãocumulatividade destas contribuições trazidas por estas legislações, criou uma nova materialidade tributária, qual seja a incidência do Imposto de Renda e da Contribuição Social Sobre o Lucro sobre os créditos de PIS e Cofins oriundos das aquisições de determinados bens e serviços. Que a base de cálculo de ambas contribuições é o total da receita bruta auferida de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, e as alíquotas são de 1,65% para o PIS e 7,6% para a Cofins; o contribuinte tem o direito de abater, do valor apurado, créditos gerados pelas aquisições de bens e serviços necessários à consecução do seu objeto social, definidos no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Apesar de rotulada de nãocumulativa, a sistemática guarda diferenças em relação à apuração de ICMS e IPI. Do ponto de vista contábil afirma que o §10 do art. 3º da Lei 10.833, de 2003, estabelece que o crédito apurado não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para a dedução do valor da contribuição; que o Ato Declaratório Interpretativo n° 3, de 2007, da SRFB, recomenda a contabilização dos créditos de PIS e Cofins como ativo fiscal, e expressa que em contrapartida não poderão ser contabilizados como receita; que, em assim sendo, alternativamente à contabilização dos créditos como receita, a pessoa jurídica optante pelo Lucro Real, e sujeita a sistemática nãocumulativa do PIS e Cofins, poderá adotar critério de Registro do crédito fiscal como redução do custo, isto é, créditos de PIS/Cofins terem o mesmo registro contábil que o aplicado aos de IPI e ICMS, ou seja, como redução do custo do bem adquirido (ou da despesa); diz que este procedimento foi inicialmente defendido pelo Parecer n.º 1/03 do Conselho Federal de na Interpretação Técnica nº 1, de 2004; e que procedimento técnico do reconhecimento dos créditos de PIS/ Cofins como redução do custo ou como receita, resultará no aumento do resultado contábil que, na apuração do Lucro Real e na Base de Cálculo, sofrerá a incidência do IRPJ e CSLL; cita a definição de receita bruta do art. 224 do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), para concluir que a contabilização de tais créditos, seja com receita, seja como Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10875.904052/201425 Acórdão n.º 1201001.795 S1C2T1 Fl. 4 3 redução de custo, resulta em aumento do Lucro Real, que sofrerá a incidência do IRPJ e da CSLL. Do ponto de vista jurídico, interpreta que o §10 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e por analogia também a Lei nº 10.637, de 2002, prevêem a possibilidade de exclusão dos créditos de PIS e Cofins da base de cálculo do IRPJ e CSLL, dado que os créditos oriundos da nãocumulatividade foram afastados do conceito de receita bruta; postula que a exclusão dos créditos da base de cálculo do IRPJ e CSLL se reveste da característica de "Subvenção de Investimento" e tais créditos não devem ser considerados para fins de tributação. Conclui pleiteando que os créditos da nãocumulatividade do PIS e da Cofins sejam excluídos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. É o Relatório. Voto Roberto Caparroz de Almeida, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201001.782, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10875.901028/201515, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201001.782): 12. A partir das Leis nº 10.637, de 2002, nº 10.833, de 2003, as empresas que optam, ou que são obrigada à tributação do IRPJ e CSLL pelo regime do lucro real, devem apurar os valores a recolher de PIS e Cofins, no regime de nãocumulatividade, que consiste, no seguinte cálculo: a. Débito PIS/Cofins, apurados mediante as alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente, sobre a receita bruta; b. Crédito PIS/Cofins, apurados mediante as alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente, sobre dispêndios relacionados no art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003; c. PIS/Cofins a recolher: Débito () Crédito 13. A apuração do lucro líquido, que após ajustes, é base de apuração de IRPJ e CSLL: a. Receita Bruta () Débito de PIS/Cofins isto é, a apuração do lucro líquido parte da receita bruto, da qual se deduz o valor total do Débito de PIS/Cofins, apurado conforme explicado no item precedente. b. resulta que o Crédito, embutido no valor do Débito, está deduzido, conforme pleiteia a Recorrente. 14. Para melhor esclarecer, apresentase exemplo numérico da apuração da contribuição a pagar pelo contribuinte: a. Receita bruta hipotética R$1.000,00 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10875.904052/201425 Acórdão n.º 1201001.795 S1C2T1 Fl. 5 4 b. Débito de PIS 1,65% x 1.000,00 = R$16,50 c. Insumos hipotéticos sobre os quais pode ser aproveitado crédito R$600,00 d. Crédito de PIS 1,65% x 600,00 = R$9,90 e. PIS a pagar 16,50 () 9,90 = R$6,60 15. Demonstrase a seguir a apuração, de forma simplificada, da base de cálculo de IRPJ e CSLL: Receita bruta 1.000 () débito de PIS 16,50 Lucro líquido 983,50 16. E em seguida, se demonstra que equivale a deduzir os créditos, bem como o valor que o contribuinte pagou: Receita bruta 1.000 () PIS pago 6,60 () crédito de PIS 9,90 Lucro líquido 983,50 17. No caso da Cofins, o procedimento é o mesmo, variando apenas a alíquota. 18. Fica evidente que o pleito do contribuinte seria de deduzir mais uma vez os créditos, ou seja, resulta em duplicidade de dedução, o que não está previsto na legislação. 19. Cabe esclarecer que o §10, do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e o ADI n° 3, de 2007, visaram esclarecer que o aproveitamento dos créditos de PIS e Cofins, não deve ser tratado como redução de custo ou como subvenção para custeio, dado que estes últimos são considerados receita tributável; o mesmo comentário se aplica à jurisprudência que a Recorrente colacionou. Conclusão Voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 97DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35368.002702/2006-47
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Aug 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/05/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO,
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado.
FALTA DE CLAREZA NOS MOTIVOS DO LANÇAMENTO, NULIDADE DO LANÇAMENTO, VÍCIO MATERIAL.
A fiscalização deve lavrar notificação de débito com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, sob pena de cerceamento de defesa e conseqüente nulidade devido a
ocorrência de vício material.
EMBARGOS ACOLHIDOS.
Numero da decisão: 2402-001.058
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
acolher os embargos propostos, para rerratificar o acórdão proferido, com a retificação do voto vencedor, a fim de anular, nas preliminares a autuação pela existência de vício material, nos
termos do voto do relator.
Nome do relator: Marcelo Oliveira
1.0 = *:*
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/05/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO, Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. FALTA DE CLAREZA NOS MOTIVOS DO LANÇAMENTO, NULIDADE DO LANÇAMENTO, VÍCIO MATERIAL. A fiscalização deve lavrar notificação de débito com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, sob pena de cerceamento de defesa e conseqüente nulidade devido a ocorrência de vício material. EMBARGOS ACOLHIDOS.
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VÍCIO MATERIAL. Ernbargante PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL Interessado METALÚRGICA NOVA AMERICANA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/05/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO, Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. FALTA DE CLAREZA NOS MOTIVOS DO LANÇAMENTO, NULIDADE DO LANÇAMENTO, VÍCIO MATERIAL. A fiscalização deve lavrar notificação de débito com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, sob pena de cerceamento de defesa e conseqüente nulidade devido a ocorrência de vício material. EMBARGOS ACOLHIDOS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos propostos, para rerratificar o acórdão proferido, com a retificação do voto vencedor, a fim de anular, nas_ ria iffrre-s-:;—"a"- ão pela existência de vício material, nos termos do voto do relator. VARCEL-rfOLIVEI Presidente e Relatar P Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Rogério de Lenis Pinto, Lourenço Ferreira do Prado e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente o Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, 2 Processo n" .35368.002702/2006-47 S2-C4T2 Acórdão n* 2402-01.058 Fl 294 Relatório Trata-se de embargos de declaração interposto pela PGFN, fls. 0218 a 0220, contra o Acórdão, fls. 0210 a 0214, sob a alegação de contradição na decisão. Aduz a embargante, em síntese, que houve contradição na decisão, pois na conceituação do vício como material por vezes o redator refere-se a falta de clareza nos motivos da autuação e em outras cita erro na identificação do sujeito passivo. Por fim, a recorrente solicita que os embargos sejam conhecidos e providos. É o relatório. 3 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Trata-se de embargos de declaração proposto contra o acórdão em tela, amparado na existência de contradição na decisão. O Regimento Interno deste Órgão Colegiado prevê, em seu art. 65 e seguintes, o manejo de embargos declaratódos contra seus julgados que restarem omissos, obscuros ou contraditórios em algum de seus termos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma, sendo estes os requisitos indeclináveis para o acatamento dos declarató rios. Analisando-se as alegações da embargante e contrastando-a com o Acórdão guerreado, há razão à peça recursal, na medida em que se afigura nítida contradição, pois o voto vencedor, no que tange à qualificação do vício como material, ora cita falta de clareza na ocorrência de descrição do fato gerador, ora cita erro na identificação do sujeito passivo. Destarte, acolho os embargos, pois necessária a correção, Conselheiro Marcelo Oliveira, Redator Designado VOTO VENCEDOR PRELIMINAR Com todo respeito ao excelente trabalho da Relatora, divido sobre o tipo de vicio existente na autuação. Sobre o vício praticado entendo ser o mesmo de natureza material. Nos atos administrativos, como o lançamento tributário por exemplo, é no Direito Administrativo que encontramos as regras especiais de validade dos atos praticados pela Administração Pública: competência, motivo, conteúdo, forma e finalidade. É formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento "fórum"; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro. 1 Segundo a mesma autora, o elemento "forma" comporta duas concepções: A) Restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: auto-de-infração); e B) Ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal), isto é, esta última confunde-se com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando a 1 DI METRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11" edição, páginas 187 a 192 consecução de determinado resultado final.consecução de determinado resultado final. Portanto, qualquer que seja a concepção, "forma" não se confunde corá o "conteúdo" material ou objeto, 4 Processo n° 35368 002702/2006-47 Acórdão n." 2402-01,058 S2-C4T2 Fl 225 Forma é requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz "exteriorização" devemos concebê-la como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Daí temos que conteúdo e forma não se confundem: um mesmo conteúdo pode ser veiculado através de vários instrumentos, mas somente será válido nas relações jurídicas entre a Administração Pública e os administrados aquele prescrito em lei. Sem se estender muito, nas relações de direito público a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. No caso do ato administrativo de lançamento, o auto-de-infração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. A sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regra-matriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento. Quando a descrição do fato não é suficiente para demonstrar clareza e precisão de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vicio material: "[...1RECURSO EX OFFICIO — NULIDADE DO LANÇAMENTO — VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos .formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou /unção e o número de matrícula, [.] " (7" Câmara do 1" Conselho de Contribuintes — Recurso n° 129,310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de .forma clara e precisa os .fatos/inativos que a levaram a lavrar a notificação fiscal dou auto de infração, Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. E ainda se procurou ao longo do tempo um critério objetivo para o Cfue venha a ser vício material. Daí, conforme recente acórdão, restará configurado o vício qiando há equívocos na construção do lançamento, artigo 142 do CTN: O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do ar I. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento 5 ÁRarC)--br[WEITa--- Relator quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vicio formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância deforma/idades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da nianeira de sua realização_ (Acórdão n° 192-00,015 'RPM de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) Ambos os vícios, formal e material, desde que comprovado o prejuízo à defesa, implicam nulidade do lançamento, mas é a diferença esclarecida acima que justifica a possibilidade de lançamento substitutivo a partir da decisão apenas quando o vício é formal, pois não há dúvidas no lançamento quanto a seu fato gerador existiu. O rigor da forma como requisito de validade gera um grande número de lançamentos anulados. Em função desse prejuízo para o interesse público é que se inseriu no Código Tributário Nacional (CTN) a regra de novo prazo para contagem de decadência a partir da decisão, a fim de realização de lançamento substitutivo ao anterior, quando anulado por simples vício na fonnalização. De fato, forma não pode ter a mesma relevância da certeza da existência do fato gerador. Ainda que anulado o ato por vício formal, pode-se assegurar que o fato gerador da obrigação existiu, diferentemente da nulidade por vício material. Não se duvida da forma como instrumento de proteção do particular; mas nem por isso ela se situa no mesmo plano de relevância do conteúdo. Por todo o exposto, entendo como material o vício presente no equivoco, na falta de clareza, na descrição do fato gerador. Destarte, acato a preliminar por ocorrência de vício material, ficando prejudicado o exame do mérito. CONCLUSÃO Pelos motivos expressos, voto acolher os embargos propostos, para renatificar o acórdão proferido, a fim de, nas preliminares, corrigir o voto vencedor, com a anulação da autuação, pela existência de vicio material, na forma do voto. Sala das Sess 1i 16 de agosto de 2010 6 Rl'ID,s /MINISTÉRIO DA FAZENDA• -2, -CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n": 35.368.002702/2006-47 -Recurso IV: 146.052 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3 0 do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de , junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão IV 2402-01,0.58 Brasília, Ade outubro de 2010 ELIAS SÃMPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ j Com Recurso Especial [ Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 10680.725177/2010-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DESCUMPRIMENTO. PENALIDADE. DECADÊNCIA.
A contagem do prazo decadencial para lançamento de obrigação tributária decorrente do descumprimento de obrigação acessória tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. COMPARATIVO DE MULTAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. No caso, se mais benéfico ao contribuinte, deverá ser adotada o disciplinado no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, exceto nas competências cuja obrigação principal foi atingida pela decadência, para as quais a multa ficará reduzida ao valor previsto no art. 32-A da Lei n° 8.212, de 1991.
Numero da decisão: 2201-003.799
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 25/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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DESCUMPRIMENTO. PENALIDADE. DECADÊNCIA. A contagem do prazo decadencial para lançamento de obrigação tributária decorrente do descumprimento de obrigação acessória tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. COMPARATIVO DE MULTAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. No caso, se mais benéfico ao contribuinte, deverá ser adotada o disciplinado no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, exceto nas competências cuja obrigação principal foi atingida pela decadência, para as quais a multa ficará reduzida ao valor previsto no art. 32A da Lei n° 8.212, de 1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 51 77 /2 01 0- 44 Fl. 378DF CARF MF 2 Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 25/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 353/372) apresentado em face do Acórdão nº 0255.421 (fls. 329/338), da 6ª Turma da DRJ/BHE, que negou provimento à impugnação (fls. 269/286) apresentada pelo sujeito passivo ao auto de infração (fl. 2) pelo qual se exige dele a multa de que trata o art. 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212, de 1991. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 74/80), foi lavrado auto de infração pela empresa ter apresentado Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social GFIP com incorreções e omissões nos dados relacionados aos fatos geradores, base de cálculo e valores devidos de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS. Nas competências entre 01/2005 a 13/2006, a empresa teria deixado de informar dados relacionados a valores devidos, pagos ou creditados aos segurados empregados e contribuintes individuais, pagamentos a cooperativas de trabalho e comercialização da produção rural com subrogação. A descrição desses fatos geradores e as exigência relativas a eles está no AI Debcad nº 37.296.5580, Processo nº 10680.725170/201022. No mesmo período, o sujeito passivo teria declarado em GFIP a alíquota de 1% para o Seguro Acidente de Trabalho e, em consequência, a contribuição destinada ao Gilrat foi inferior à devida (alíquota de 3%). Esta exigência também está no AI Debcad nº 37.296.5580. Nas competências 05/2005 e 08/2005 a 11/2005, a empresa teria deixado de informa dados relacionados a empregados e contribuintes individuais. No Relatório Fiscal da Aplicação da Multa AutodeInfração Debcad nº 37.296.5644 (fls 81/88), a fiscalização menciona as alterações promovidas pela Lei nº 11.941, de 2009, razão pela qual deve ser aplicada a legislação mais benéfica ao contribuinte. A partir do comparativo feito a fls. 258/259, concluiuse ser mais benéfica a conjugação das multas CFL 68 + CFL 69 + Multa de 24% nas competências 01/2005, 03 a 06/2005, 08 a 12/2005 e 01 a 12/2006. Em razão disso, neste auto de infração está sendo exigida a multa aplicada com base no critério previsto no art. 32, IV, § 5º da Lei nº 8.212, de 1991, regra anterior às alterações promovidas pela MP 449/Lei nº 11.941, de 2009. O Demonstrativo está nas fls. 83/86. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10680.725177/201044 Acórdão n.º 2201003.799 S2C2T1 Fl. 379 3 Tendo o auto de infração sido impugnado (fls. 269/286), a DRJ/BHE prolatou decisão que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 01/12/2006 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Tratandose de lançamento de ofício, a regra para a contagem do prazo de decadência é encontrada no I do art. 173 do CTN, ficando o seu termo inicial protraído para um momento posterior àquele em que o lançamento é possível, ou seja, para 1º de janeiro do ano seguinte àquele que ocorreu o fato gerador. GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias caracteriza infração à legislação previdenciária. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CABIMENTO. No Contencioso Administrativo Fiscal, é ociosa a argüição de ilegalidade/inconstitucionalidade de legislação vigente, nos termos do art. 26A do Decreto 70.235/72. COMPARATIVO DE MULTA MAIS BENÉFICA. FALTA DE RECOLHIMENTO CUMULADA COM DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Na hipótese de lançamento de ofício decorrente da ausência de recolhimento da contribuição previdenciária cumulada com a omissão/inexatidão das declarações em GFIP, como é o caso sob análise, a aferição da multa mais benéfica ao contribuinte deve ser feita cotejandose a soma das multas previstas nos revogados artigo 32, IV e parágrafos com o art. 35, II da Lei 8.212/91, em relação à sanção pecuniária do art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, eis que esta se destina a punir ambas as infrações referidas nos citados dispositivos da legislação pretérita, e que, agora, por força do art. 35A da Lei 8.212/91, acrescido pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, encontra aplicação no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 380DF CARF MF 4 A empresa autuada apresentou o Recurso Voluntário de fls. 353/372, cuja tempestividade foi atestada pela DRF/BH pelo documento de fl. 377. Em suas razões de recorrer, a interessada aduz, em síntese, que: Pela aplicação do art. 150, § 4º do CTN, os períodos até novembro de 2005 já haviam decaído quando houve o lançamento em 22 de dezembro de 2010; O auto de infração é nulo por erro na aplicação da multa mais benéfica, uma vez que considerou a multa de 75%, que não é aplicável às multas por descumprimento de obrigação acessória. Neste caso, seria possível a aplicação dessa multa apenas nas competências 05/2005 e 08 a 11/2005 que já estão abrangidas pela decadência; A multa aplicada pelo Fiscal, prevista no art. 32, § 5º já se encontra revogada; A penalidade aplicada não está expressa na Lei, mas sim no RPS, razão pela qual a multa é ilegal e inconstitucional. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Preliminar de mérito Decadência O primeiro argumento apresentado pela recorrente diz respeito à decadência. Segundo defende, pela aplicação da regra constante do art. 150, § 4º do CTN, tendo o lançamento sido cientificado ao sujeito passivo em 22 de dezembro de 2010, estariam fulminados pela decadências os fatos geradores relativos às competências compreendidas entre 01 e 11 de 2005. Não lhe assiste razão, entretanto. Neste processo estão sendo exigidos créditos tributários decorrentes da aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Esta modalidade de obrigação é constituída através de auto de infração, atividade privativa da autoridade fiscal, não havendo que se falar em lançamento por homologação. Em razão disso, não há espaço para aplicação das regras insculpidas no art. 150 do CTN, de forma que o prazo decadencial é regido pela regra geral, constante do art. 173, I desse mesmo código. Portanto, a contagem do prazo decadencial tem por termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, o que significa, em confronto com o caso concreto em análise, 1º de janeiro de 2006. Como decorrência disso, não há que se falar em decadência de qualquer dos créditos aqui lançados. Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10680.725177/201044 Acórdão n.º 2201003.799 S2C2T1 Fl. 380 5 Mérito Segundo alega a recorrente, o auto de infração é nulo por erro na aplicação da multa mais benéfica, uma vez que a multa de 75% não seria aplicável no descumprimento de obrigação acessória; a multa de ofício seria possível apenas nas competências 05/2005 e 08 a 11/2005 que já estariam abrangidas pela decadência; e a multa prevista no art. 32, § 5º já se encontraria revogada. Pelo Anexo de fls. 246/259, vêse que a fiscalização adotou o seguinte procedimento no cálculo da multa: 1. Calculou a multa por descumprimento de obrigação acessória com base no art. 32, IV, §5º da Lei nº 8.212, de 1991 (CFL 68); 2. Calculou a multa por descumprimento de obrigação acessória com base no art. 32, IV, §6º da Lei nº 8.212, de 1991 (CFL 69); 3. Calculou a multa por descumprimento de obrigação acessória com base no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991 (CFL 78); 4. Ao valor obtido pela somatória do CFL 68 e CFL 69 acrescentou a multa de 24% anteriormente prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, e assim obteve a penalidade que aplicável antes das alterações introduzidas pela Medida Provisória nº 449; 5. Ao valor da contribuição omitida, aplicou a multa de ofício de 75% e, à importância resultante deste cálculo, somou a multa CFL 78, obtendo assim a penalidade que seria aplicável após as alterações introduzidas pela Medida Provisória nº 449. 6. Comparou o valor obtido no item 5 com o item 4 e aplicou o que seria mais benéfico ao contribuinte. Em razão disso, neste processo está sendo cobrada a multa prevista no art. 32, IV, § 5º da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação anterior às alterações da MP 449/Lei nº 11.941, de 2009, apenas nas competências em que essas regras se mostraram mais benéficas ao contribuinte. Vejamos agora se esse procedimento está de acordo com o entendimento deste Conselho. Para tanto, transcrevo trecho do voto proferido pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, no Acórdão nº 9202004.499, cujos argumentos servem também para mostrar a impropriedade das alegações da recorrente quanto à ultratividade da regra que previa as penalidades na época de sua ocorrência e quanto à retroatividade da aplicação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996: Para que possamos definir a interpretação mais adequada no que tange ao cálculo da multa, para entender a natureza das multas aplicadas e por conseguinte como deve ser interpretada a norma, passemos a algumas considerações, tendo em vista que a citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP, introduzindo dois novos dispositivos legais, senão vejamos. Fl. 382DF CARF MF 6 Até a edição da MP 449, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação,a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10680.725177/201044 Acórdão n.º 2201003.799 S2C2T1 Fl. 381 7 “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Fl. 384DF CARF MF 8 Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, por sua vez, prevê o que segue: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10680.725177/201044 Acórdão n.º 2201003.799 S2C2T1 Fl. 382 9 b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. (...) Deve ser observado ainda o que dispõe a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 2009, pela qual o cálculo deverá ser refeito no momento do pagamento ou parcelamento. É o que determina, sem embargo, o seguinte dispositivo: Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Superada essa questão, é necessário que se faça uma ressalva considerando a realidade desse processo, em que o cálculo levou em consideração exigências em relação às quais houve o reconhecimento da decadência no âmbito do processo nº 10680.725170/201022. Nesse caso, devese adotar as providências que são discriminadas no seguinte voto, de lavra do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos no Acórdão nº 9202005.373: Para os períodos em que a obrigação principal estiver alcançada pela decadência (o que já foi reconhecido nas exações dos lançamentos de obrigação principal DEBCADs nº: 37.329.5472, 37.329.5480 e 37.329.5499), não havendo contribuição previdenciária exigível em algum período, não há se falar em somatório de multas e sua limitação a 75% nesses mesmos períodos, mas tão somente à multa por falta de informação em GFIP de valores que não ensejam a exigência de contribuições. Fl. 386DF CARF MF 10 Nesse sentido, cabe reproduzir a declaração de voto da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que didaticamente enfrenta o tema: Frente a evidente diferença entre as contagens dos prazos, temos, como regra geral o maior alcance de exclusão de fatos geradores nos AI de obrigação principal do que nos de acessória. É nesse ponto que a tese quanto ao somatório das multas para verificação do dispositivo legal mostrase frágil, devendo ser ajustada, de forma a refletir de forma mais acertada o alcance da legislação. Ou seja, para os meses em que mantido a autuação da multa pela omissão em GFIP, mas excluídos os fatos geradores da obrigação principal pela decadência, não há como fazer comparativo, posto que julgado improcedente o lançamento de ofício, o que leva a sua inexistência (pelo alcance da decadência a luz § 4º, do artigo 150, do CTN). Dessa forma, entendo mais acertado, que para os meses em que a multa pelo ausência de informação foi calcula com base em 100% da contribuição omitida, sem a manutenção da obrigação principal, deve o recálculo observar o valor contido no art. 32A, inciso I, da lei 8212/91, com redação dada pela MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, face o principio da retroatividade benigna. No caso, inaplicável o limite disposto no art. 44, I da lei 9430, conforme proposto pelo relator, posto que não há multa de ofício para se comparar. Portanto, cabe a aplicação da regra do art. 173, I, do CTN ao cálculo dos períodos alcançados pela decadência do lançamento da multa, para o lançamento de obrigação acessória do DEBCAD nº 37.303.1270, porém, para os períodos em que a correspondente obrigação principal estiver alcançada pela decadência, essa multa deverá ser reduzida ao valor contido no art. 32A, inciso I, da Lei n° 8.212, de 1991. Ou seja, nos períodos em que não houver valor de obrigação principal a ser exigido, a multa por descumprimento de obrigação acessória deverá ser reduzida ao valor contido no art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991. Como se percebe pelo acima explanado, a análise que se faz é quanto à interpretação e aplicação de regras extraídas de texto legal, e não de atos de inferior hierarquia como pretende a recorrente. Sob esse aspecto, não são acatados seus argumentos de que a penalidade aplicável não tem previsão em lei. Dessa forma, vêse que, no momento do pagamento ou parcelamento, o cálculo da penalidade mais benéfica deverá ser refeita pela fiscalização nos termos acima discriminados, ressaltandose que, para fins de cálculo, quando houver a aplicação da multa de 75%, não deve ser somada a ela qualquer outra penalidade por descumprimento de obrigação acessória, tanto para fins de comparação, quanto para fins de exigência. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer o recurso voluntário apresentado para, rejeitada a preliminar de decadência, no mérito lhe negar provimento e determinar que Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10680.725177/201044 Acórdão n.º 2201003.799 S2C2T1 Fl. 383 11 seja realizada análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica à contribuinte no momento do pagamento ou do parcelamento. Se mais benéfico, deverá ser adotada o disciplinado no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, exceto nas competências cuja obrigação principal foi atingida pela decadência, para as quais a multa ficará reduzida ao valor previsto no art. 32A da Lei n° 8.212, de 1991. (assinado digitalmente) Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 388DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.912000/2012-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 08/07/2010
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.740
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 08/07/2010 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 20 00 /2 01 2- 87 Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10830.912000/201287 Acórdão n.º 3301003.740 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.766, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10830.912000/201287 Acórdão n.º 3301003.740 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10830.912000/201287 Acórdão n.º 3301003.740 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10830.912000/201287 Acórdão n.º 3301003.740 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.912000/201287 Acórdão n.º 3301003.740 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.912000/201287 Acórdão n.º 3301003.740 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10830.912000/201287 Acórdão n.º 3301003.740 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10830.912000/201287 Acórdão n.º 3301003.740 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 199DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.725684/2011-69
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Aug 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006, 2007
MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO.
Havendo a omissão de receitas sido levada a efeito pelo sujeito passivo por diversos períodos consecutivos (recorrência), em montantes significativos quando comparados com a receita declarada (relevância), e dadas as demais circunstâncias do caso, não há como se admitir que a infração tenha sido fruto de mero erro contábil ou negligência. Nessas circunstâncias provado está, para além de qualquer dúvida razoável, o evidente intuito do agente em fraudar o Erário Público, sendo portanto cabível a qualificação da multa de ofício.
Numero da decisão: 9101-002.987
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cristiane Silva Costa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006, 2007 MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO. Havendo a omissão de receitas sido levada a efeito pelo sujeito passivo por diversos períodos consecutivos (recorrência), em montantes significativos quando comparados com a receita declarada (relevância), e dadas as demais circunstâncias do caso, não há como se admitir que a infração tenha sido fruto de mero erro contábil ou negligência. Nessas circunstâncias provado está, para além de qualquer dúvida razoável, o evidente intuito do agente em fraudar o Erário Público, sendo portanto cabível a qualificação da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cristiane Silva Costa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 56 84 /2 01 1- 69 Fl. 1269DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento nos arts. 67 e 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela portaria MF nº 256/2009. Alega a Fazenda Nacional que a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF, ao prolatar o acórdão nº 1201000.841, emprestou à lei tributária interpretação distinta daquela que foi acolhida por outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF, no que concerne à qualificação da multa de ofício, conforme trechos de seu recurso especial a seguir reproduzidos: II DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL (...) O Colegiado a quo, ao desqualificar a multa de ofício, deu à lei tributária interpretação diversa da conferida, em casos análogos, pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Cuidase de autuação para tributação de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS na qual se verificou omissão significativa de rendimentos de forma reiterada. A magnitude da diferença entre a receita apurada e a declarada afasta qualquer possibilidade de erro, revelando a conduta intencional do contribuinte de deixar de oferecer tal numerário à tributação e justifica a aplicação da multa qualificada. Não obstante tal situação, o Colegiado a quo, por maioria de votos, desqualificou a multa de ofício no que toca à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. (...) Diversamente, analisando caso concreto similar, em que o contribuinte omitiu parcela significativa de seus rendimentos de forma reiterada, já se manifestou pela manutenção da multa qualificada a Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, no âmbito do Acórdão nº 10196.446, paradigma ora suscitado para demonstrar a divergência de interpretação dada à lei tributária. (...) O acórdão paradigma acima evidenciado foi claro, em caso análogo ao presente, que tratava igualmente de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem Fl. 1270DF CARF MF Processo nº 10680.725684/201169 Acórdão n.º 9101002.987 CSRFT1 Fl. 3 3 não comprovada, em manter a multa de 150%, por aplicação do art. 44, II, da Lei n.º 9.430/96, uma vez constatado o evidente intuito de fraude, em face da omissão significativa de rendimentos de forma reiterada. No mesmo sentido, decidiu a Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes por ocasião da prolação do acórdão nº 10196.757. Entendeu o Colegiado que quando a divergência entre a verdade real e a verdade declarada é discrepante, a multa qualificada deve ser aplicada, senão vejamos o que diz a ementa e um pequeno trecho do voto condutor do acórdão: (...) Vêse, pois, que o caso dos autos em tudo se enluva aos paradigmas suscitados, o que demonstra estar perfeitamente adequada a autuação da auditoria fiscal. Considerando ter o contribuinte deixado de declarar parte significativa de seus rendimentos de forma reiterada, merece ser restabelecida a qualificação da multa. Notese, por relevante, que os paradigmas apresentados tratam, da mesma forma que os presentes autos, da hipótese de omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, apurada, portanto, com base na presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Assim, estando prequestionada a matéria, e demonstrada a divergência jurisprudencial diante dos acórdãos paradigmas em anexo, encontramse presentes os requisitos de admissibilidade do presente recurso especial. III DOS FUNDAMENTOS PARA A REFORMA DO R. ACÓRDÃO O v. acórdão recorrido, proferido pela colenda Primeira Turma da Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF desqualificou a multa de ofício, em contrariedade ao artigo 44, inciso II, da Lei nº. 9.430/1996 (atual art. 44, I, c/c § 1º, da Lei n.º 9.430/96, conforme nova redação conferida pela Lei n.º 11.488, de 15 de junho de 2007, resultante da conversão da MP n.º 351/2007), cujo teor é o seguinte: (...) No caso concreto, fazse mister examinar se a materialidade da conduta se ajusta à norma inserida nos artigos da Lei nº 4.502/66 a que remete a Lei nº 9.430/96 em seu artigo 44, inciso II (atual art. 44, I, c/c § 1º, da Lei n.º 9.430/96, conforme nova redação conferida pela Lei n.º 11.488, de 15 de junho de 2007, resultante da conversão da MP n.º 351/2007). Como visto, restou cristalina a atividade ilícita do autuado, observada a partir da conduta de deixar de declarar parcela significativa de seus rendimentos de forma reiterada, o que Fl. 1271DF CARF MF 4 revela evidente intuito fraudulento, apto a ensejar a incidência da multa qualificada. Destaquese que o total de rendimentos omitidos pelo contribuinte alcança o importe de R$ 14.992.317,57 no ano calendário de 2006 e de R$ 13.058.265,03 no anocalendário de 2007, tendo sido registrado na DIPJ valores ínfimos, conforme se extrai das planilhas constantes às fls. 7/10 do Termo de Verificação Fiscal. A propósito, transcrevese trecho do TVF que justifica a aplicação da multa em seu percentual qualificado: 5.2 Todos os fatos aqui descritos evidenciam a prática, por parte dos mandatários da empresa fiscalizada, de crime contra a ordem tributária, previsto nos artigos 1º, incisos I, II e III e 2º, inciso I da Lei n° 8.137 de 27 de dezembro de 1990 e no art. 2º. da Portaria RFB n°. 2.439/2010, pela prestação de informações falsas à autoridade fazendária e por fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos e omitindo operações em documentos e livros exigidos pela lei fiscal, em virtude da prática de se deixar à margem da escrituração, valores referentes as várias contascorrentes mantidas em diversas instituições financeiras (Depósitos Bancários de origens não comprovadas) e ainda de valores vultosos (R$ 45.000.000,00), que caracterizam sonegação e a fraude, previstos nos artigos 71 e 72 da Lei n°. 4.502 de 30 de novembro de 1964, s.m.j., tendo sido emitida concomitantemente a competente Representação Fiscal para Fins Penais, que encontrase anexa ao presente Auto de Infração. A magnitude da diferença entre a receita apurada e a declarada, aliada à reiteração por dois anoscalendário, afasta qualquer possibilidade de erro, revelando a conduta intencional do contribuinte de deixar de oferecer tal numerário à tributação e justifica a aplicação da multa qualificada. De fato, ao não declarar parte significativa de suas receitas reiteradamente, o contribuinte praticou omissão dolosa tendente a impedir o fisco de tomar conhecimento da ocorrência de fatos geradores, revelando, assim, sua intenção deliberada de se eximir do pagamento de imposto de renda. Não há como se acatar a tese de mero erro. Tratase, sim, de ato consciente direcionado a retardar o conhecimento, por parte da autoridade fiscal, das circunstâncias materiais da obrigação tributária, o que caracteriza evidente intuito de fraude. Destarte, o sujeito passivo, repitase, por sua ação firme, abusiva e sistemática, em burla ao cumprimento da obrigação fiscal, demonstrou conduta consciente em busca de enriquecimento sem causa. (...) Registrese, por fim, que o fato do lançamento realizarse com base na presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96 não afasta a possibilidade de qualificarse a multa caso Fl. 1272DF CARF MF Processo nº 10680.725684/201169 Acórdão n.º 9101002.987 CSRFT1 Fl. 4 5 observada alguma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/66. E, no presente caso, o intuito fraudulento restou comprovado pela atitude reiterada de omitir rendimentos significativos, com o claro objetivo de se furtar à tributação, motivo que autoriza a aplicação da multa no percentual de 150%. (...) Tudo considerado, concluise que o contribuinte: a) praticou atividade ilícita comprovada, detalhadamente descrita no auto de infração e confirmada no termo de verificação fiscal, observada a partir da apuração de omissão significativa de rendimentos de forma reiterada, motivo pelo qual foi aplicada e devidamente justificada pela fiscalização a multa de 150%; b) como resultado de sua conduta dolosa, havia diminuição do efetivo valor da obrigação tributária, com o conseqüente pagamento a menor do tributo devido, em evidente prejuízo ao erário; c) a conduta foi sempre resultado de sua vontade, livre e consciente, já que realizada de forma sistemática, objetivando impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal; d) a conduta demonstrou desprezo ao cumprimento da obrigação fiscal, ao princípio da solidariedade de matriz constitucional e ao dever legal de participação, indicando a intensidade do dolo. Por todos os motivos expostos, deve ser restabelecida a qualificação da multa, posto que amparada nos comandos legais aplicáveis e justificada pelo contexto probante que instrui os presentes autos. (...) O recurso especial da Fazenda foi admitido por despacho do Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF (efl. 1238 e ss.). Cientificado do recurso especial e do despacho que o admitiu (efl. 1246), o sujeito passivo deixou de oferecer contrarrazões. É o relatório. Fl. 1273DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O recurso especial da Fazenda Nacional atende aos pressupostos processuais estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e no Regimento Interno do CARF: tanto o recorrido como os paradigmas tratam de omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, apurada com base na presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996; ademais, tanto no recorrido quanto nos paradigmas se tratou da magnitude dos valores como de reiteração. Portanto, devese tomar conhecimento do recurso especial. A divergência ora questionada trata de matéria bastante conhecida desta 1ª Turma, qual seja, determinar se a recorrência da omissão de receitas e a relevância dos valores omitidos são elementos capazes de comprovar o evidente intuito de fraude, o qual, por sua vez, é pressuposto para qualificação da multa de ofício, conforme previsto no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Pois bem, sobre a qualificação da multa de ofício em caso de omissão de receitas o CARF, por meio de suas Súmulas nos 14 e 25, assim se pronunciou: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (g.n.) Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (g.n.) Assim, de acordo com as referidas Súmulas, a qualificação da multa de ofício em casos de omissão de receitas é juridicamente possível, desde que comprovado o evidente intuito de fraude, nos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Entretanto, como o "intuito" (seja de fradar a lei, ou de qualquer outra coisa, como por exemplo o "intuito" de fazer o bem) é um estado psíquico, não pode ele ser provado de maneira direta, mas apenas por meios indiretos. Referidos meios indiretos de prova são obtidos pela conjunção entre: (i) as características materiais da conduta efetivamente praticada, e; (ii) a observação daquilo que ordinariamente acontece (art. 375 do Código de Processo Civil). Por fim, é de se dizer que a qualificação da multa de ofício não exige apenas a comprovação do "intuito de fraude", e sim que esse "intuito de fraude" seja comprovado de maneira "evidente". Noutros termos, exige que o "intuito de fraude" seja comprovado "para além de qualquer dúvida razoável" (evidence beyond a reasonable doubt). É com base nesse cenário, em que se verifica (i) a reiteração da omissão de receitas e a relevância dos valores omitidos (características materiais da conduta efetivamente praticada), aliado ao (ii) conhecimento ordinário de que certos sujeitos passivos deixam de Fl. 1274DF CARF MF Processo nº 10680.725684/201169 Acórdão n.º 9101002.987 CSRFT1 Fl. 5 7 informar ao Fisco parte das receitas por eles auferidas, é que se torna possível afirmar que, em casos assim, (iii) resta comprovado o evidente intuito do agente em fraudar o Erário Público. Tal entendimento tem sido acolhido por esta 1ª Turma, conforme se observa, a título exemplificativo, no acórdão nº 9101002.403 (sessão de 16 de agosto de 2016), cuja ementa abaixo se transcreve: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 1999, 2000 MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO. Havendo a omissão de receitas sido levada a efeito pelo sujeito passivo por diversos períodos consecutivos (recorrência), em montantes significativos quando comparados com a receita declarada (relevância), e dadas as demais circunstâncias do caso, não há como se admitir que a infração tenha sido fruto de mero erro ou negligência contábil. Nessas circunstâncias provado está, para além de qualquer dúvida razoável, o evidente intuito do agente em fraudar o Erário Público, sendo portanto cabível a qualificação da multa de ofício. (...) Visto, portanto, que a reiteração da omissão de receitas e a relevância dos valores omitidos são características materiais da conduta hábeis a comprovar o evidente intuito de fraude, resta ainda verificar se nos presentes autos essas características estão, ou não, presentes. Para tanto tomo de empréstimo o seguinte trecho do voto vencido, contido no acórdão recorrido (efl. 1214): Os elementos indiretos de prova do dolo elencados pelo auditor são as contas correntes bancárias deixadas à margem da contabilidade e o vultoso montante dos depósitos nessas contas não escrituradas. Poderia acrescentar, ainda, a grande quantidade de depósitos realizada nessas contas ao longo dos anos de 2006 e 2007. No que concerne às contas correntes bancárias deixadas à margem da contabilidade, a meu juízo, esse fato, tomado isoladamente, não seria capaz de me convencer, para além de qualquer dúvida razoável, que a contribuinte agiu dolosamente. Não seria tão improvável a hipótese de a contribuinte haver se “esquecido” de registrálas em sua contabilidade (negligência) e, se assim fosse, o prejuízo aos Cofres Públicos teria sido causado por conduta culposa, e não dolosa. No entanto, o fato acima descrito, quando tomado em conjunto com o fato de que nessas contas foram realizados depósitos em montante aproximado de R$ 45.000.000,00 cuja origem a contribuinte não logrou êxito em comprovar, torna a hipótese do “esquecimento” pouquíssimo provável. Dito de outro modo, não Fl. 1275DF CARF MF 8 é razoável supor que alguém se esqueça de contabilizar tamanha quantia. Nessa hipótese, entendo, para além de qualquer dúvida razoável, que o prejuízo aos Cofres Públicos adveio de conduta dolosa da contribuinte, e não de conduta meramente culposa. Aliado aos dois fatos acima descritos, há ainda o fato de que foram mais de 1700 depósitos não escriturados ao longo de dois anos, algo que aumenta ainda mais o meu grau de convencimento acerca do dolo da contribuinte, já que seria bastante improvável que uma pessoa se “esquecesse” de registrar em sua contabilidade diversas contas correntes bancárias de sua titularidade, nas quais foram realizados mais de 1700 depósitos ao longo de dois anos e cujo somatório atingiu a expressiva cifra de R$ 45.000.000,00. (...) Ora, como se observa no trecho acima transcrito, houve reiteração da omissão de receitas por dois anos consecutivos, período em que o sujeito passivo, apesar de intimado para tanto, deixou de comprovar a origem de nada menos do que 1700 depósitos bancários, os quais totalizaram a expressiva quantia de cerca de R$ 45.000.000,00. Não foram, portanto, alguns poucos depósitos de origem não comprovada. Se assim o fosse (se tivesse sido uma quantidade insignificante de depósitos), embora caracterizada a omissão de receitas, a multa sobre os tributos devidos seria de 75%, e não de 150% (qualificada), haja vista que não estaria comprovado o evidente intuito de fraude, ou seja, não seria negligenciável a possibilidade de a conduta do sujeito passivo ter sido fruto de mero erro contábil ou de negligência. Da mesma forma, acaso o montante dos depósitos não contabilizados fosse pouco significante quando comparado com o montante da receita contabilizada, poderseia igualmente admitir que se tratasse de mero erro ou negligência, hipótese em que, novamente, os tributos seriam exigidos, mas com acréscimo da multa de 75%, sem qualificação. Ocorre que, como visto, no caso dos presentes autos houve, ao longo dos anos de 2006 e 2007, mais de 1700 depósitos cuja origem não foi comprovada, totalizando cerca de R$ 45.000.000,00. Nesse caso não é razoável supor que a omissão de receitas tenha sido fruto de mero erro contábil ou de negligência. Ao contrário, provado está, para além de qualquer dúvida razoável, o evidente intuito do sujeito passivo em fraudar o Erário Público. Tendo em vista todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 1276DF CARF MF Processo nº 10680.725684/201169 Acórdão n.º 9101002.987 CSRFT1 Fl. 6 9 Fl. 1277DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.906116/2014-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010
PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INEXIGIBILIDADE.
Ao tempo de sua existência, o mandado de procedimento fiscal não era exigível para fins de instauração do procedimento de compensação.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010
OFENSA À NORMA DE EXECUÇÃO CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA. IMPROCEDÊNCIA.
Eventual desrespeito à Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007 não constitui violação às garantias do contraditório e da ampla defesa.
DECISÃO RECORRIDA VICIADA. DÉFICIT DE TRANSPARÊNCIA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. COMPREENSÃO DO CRITÉRIO DO JULGADOR. IMPROCEDÊNCIA.
Inexiste o alegado déficit de transparência na decisão recorrida, que se baseara em razoável critério para o cálculo do direito de crédito da recorrente, quando esta explicita que pôde compreender o critério empregado pela instância a quo.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. VERIFICAÇÃO. DECADÊNCIA. CTN, ARTIGOS 150, § 4º, ou 173, I. IMPROCEDÊNCIA.
A certificação da certeza e liquidez do crédito decorrente de saldo negativo de CSLL não se submete às regras de decadência dos artigos 173, I, e 150, § 4º, do CTN.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DE CSLL/FONTE. CONSTATAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. CRITÉRIO DA PROPORCIONALIDADE.
Não se pode reconhecer o crédito decorrente das retenções de CSLL na fonte incidente sobre a totalidade da receita auferida, já que o cotejo de informações coligidas das fontes de receitas permitiu a conclusão de que parte desse total não foi tributado na declaração. Nessa situação, deve-se admitir o crédito decorrente da CSLL retida na fonte, na proporção das receitas tributadas na DIPJ, tendo em conta que a sonegação de receitas tributáveis na DIPJ reduz a CSLL devida e, por consequência, aumenta indevidamente o saldo negativo de CSLL.
Numero da decisão: 1301-002.548
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa, Jose Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araujo Macedo, Roberto Silva Junior e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INEXIGIBILIDADE. Ao tempo de sua existência, o mandado de procedimento fiscal não era exigível para fins de instauração do procedimento de compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 OFENSA À NORMA DE EXECUÇÃO CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA. IMPROCEDÊNCIA. Eventual desrespeito à Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007 não constitui violação às garantias do contraditório e da ampla defesa. DECISÃO RECORRIDA VICIADA. DÉFICIT DE TRANSPARÊNCIA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. COMPREENSÃO DO CRITÉRIO DO JULGADOR. IMPROCEDÊNCIA. Inexiste o alegado déficit de transparência na decisão recorrida, que se baseara em razoável critério para o cálculo do direito de crédito da recorrente, quando esta explicita que pôde compreender o critério empregado pela instância a quo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. VERIFICAÇÃO. DECADÊNCIA. CTN, ARTIGOS 150, § 4º, ou 173, I. IMPROCEDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 90 61 16 /2 01 4- 98 Fl. 1450DF CARF MF Processo nº 12448.906116/201498 Acórdão n.º 1301002.548 S1C3T1 Fl. 1.451 2 A certificação da certeza e liquidez do crédito decorrente de saldo negativo de CSLL não se submete às regras de decadência dos artigos 173, I, e 150, § 4º, do CTN. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DE CSLL/FONTE. CONSTATAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. CRITÉRIO DA PROPORCIONALIDADE. Não se pode reconhecer o crédito decorrente das retenções de CSLL na fonte incidente sobre a totalidade da receita auferida, já que o cotejo de informações coligidas das fontes de receitas permitiu a conclusão de que parte desse total não foi tributado na declaração. Nessa situação, devese admitir o crédito decorrente da CSLL retida na fonte, na proporção das receitas tributadas na DIPJ, tendo em conta que a sonegação de receitas tributáveis na DIPJ reduz a CSLL devida e, por consequência, aumenta indevidamente o saldo negativo de CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa, Jose Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araujo Macedo, Roberto Silva Junior e Bianca Felicia Rothschild. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório, que homologou parcialmente a compensação declarada pelo PER/DCOMP nº 38001.15581.200510.1.3.037510 e não homologou as compensações declaradas pelos PER/DCOMP nº 26946.28289.231112.1.3.036022, 01357.92539.250810.1.3.038528 e 41053.03871.191110.1.3.034810, com vistas à efetivação do encontro de contas entre débitos tributários e crédito decorrente de saldo negativo de CSLL do primeiro trimestre do ano calendário de 2010. Alega a recorrente que o saldo negativo supracitado é o total da CSLL retida na fonte, no valor de R$ 293.744,34, tendo em conta que a CSLL calculada na DIPJ é igual a zero, para o referido trimestre. Todavia, consta no Despacho Decisório, à fl. 11, que a Fl. 1451DF CARF MF Processo nº 12448.906116/201498 Acórdão n.º 1301002.548 S1C3T1 Fl. 1.452 3 autoridade fiscal só confirmou a importância de R$ 97.726,78, a título de CSLL retida na fonte. Assim, a autoridade fiscal apurou saldo negativo de CSLL do primeiro trimestre de 2010 igual a R$ 97.726,78, o que não bastou para compensar integralmente o débito de IRRF sobre remessas para o exterior referente ao mês de abril de 2010. Nesses termos, não restou saldo negativo de CSLL do primeiro trimestre de 2010 disponível para as compensações intentadas mediante os PER/DCOMP nº 26946.28289.231112.1.3.036022, 01357.92539.250810.1.3.03 8528 e 41053.03871.191110.1.3.034810. Com o julgamento da manifestação de inconformidade, proclamouse que o total de retenções na fonte alcançou a importância de R$ 184.145,40, por força do reconhecimento do crédito adicional de R$ 86.418,62, uma vez acolhidos “os valores informados em Dirfs das fontes pagadoras, mesmo que com códigos de arrecadação e CNPJs diversos dos indicados na manifestação e na Dcomp, desde que o código seja relativo ao tributo em tela e os CNPJs básicos sejam coincidentes.” Assim, deduzindose a CSLL devida no período (zero), determinouse que a recorrente dispunha de saldo negativo de CSLL, para o primeiro trimestre de 2010, no valor de R$ 184.145,40 (R$ 184.145,40 – zero). Decisão de primeira instância assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 SALDO NEGATIVO DE CSLL. RETENÇÃO NA FONTE. CRÉDITO. Tendo havido retenção na fonte de CSLL, o correspondente saldo negativo pode ser utilizado como crédito para fins de compensação com outros tributos.” Ciência da decisão recorrida no dia 18/09/2015, à fl. 964. Recurso a este Colegiado às fls. 967/991, com entrada na repartição de origem no dia 20/10/2015. Nessa oportunidade, aduz que é pessoa jurídica de direito privado, submetida ao regime de tributação com base no lucro real trimestral, e que apurou, no 1o trimestre de 2010, saldo negativo de CSLL, no valor de R$ 293.744,34, oriundo de retenções efetuadas pelas fontes pagadoras, no total de R$ R$ 293.744,34, de acordo com o indicado na DIPJ do exercício. Além disso, acrescenta o seguinte: 1) considerando aquele crédito, coubelhe transmitir, como de fato transmitiu, o PER/DCOMP n° 38001.15581.200510.1.3.037510, com objetivo de proceder ao encontro de contas necessário à extinção da dívida tributária; 2) não obstante a entrega regular do referido PER/DCOMP, tomou ciência de que o Despacho Decisório reconhecera parcialmente o crédito pleiteado, limitando o saldo negativo disponível de CSLL do 1º trimestre de 2010 ao valor de R$ 97.726,78 , sob a justificativa de que inexistia comprovação suficiente das retenções na fonte; 3) irresignada com o citado Despacho Decisório, apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade à primeira instância, perante a qual comprovou a efetiva existência do crédito informado no PER/DCOMP, mediante documentos hábeis e idôneos; Fl. 1452DF CARF MF Processo nº 12448.906116/201498 Acórdão n.º 1301002.548 S1C3T1 Fl. 1.453 4 4) contudo, a DRJ julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, reconhecendo um crédito adicional de R$ 86.418,62, o que implicou desprezar parte das retenções sofridas, por deixar de validar informações sobre a CSLL retida na fonte, em função da aplicação do limite percentual de 62,689 %, resultante da relação entre as receitas declaradas na DIPJ do anocalendário de 2010 e as receitas informadas em DIRF pelas fontes pagadoras, para o mesmo anocalendário; 5) não é cabível a análise dos valores de receitas tributáveis apresentadas na DIPJ do primeiro trimestre de 2010, a menos que se iniciasse novo procedimento administrativo para criticar a apuração; 6) não é admissível a adoção do percentual de 62,689 %, anteriormente citado, pois inexiste na legislação tributária disposição normativa que autorize o agente fiscal, com base em critério estimado, a limitar crédito proveniente de saldo negativo formado por retenções de tributo pela fonte pagadora de rendimentos, presumindo a inexistência de tributação na declaração; 7) a decisão recorrida valeuse da receita anual informada pelas DIRF, quando deveria ter considerado receitas e retenções relativas ao saldo negativo da CSLL do primeiro trimestre de 2010, em consonância com o regime de tributação trimestral adotado pela recorrente; 8) o acórdão recorrido criou metodologia de fiscalização não prevista em lei, ao tentar modificar a apuração da CSLL do primeiro trimestre de 2010 sem que tenha havido a emissão de mandado de procedimento fiscal específico, em respeito às regras do processo administrativo fiscal, nos termos do art. 142 do CTN; 9) qualquer questionamento a respeito do valor apurado no anocalendário de 2010, no que diz respeito aos elementos da formação da base de cálculo e das informações escrituradas na DIPJ correspondente, deveria observar o prazo decadencial de cinco anos, à luz do artigo 150, § 4o, CTN; 10) a autoridade julgadora jamais demonstrou como encontrara os valores que embasaram a decisão recorrida, pois simplesmente alegou que verificara, nas DIRF dos tomadores de serviços, que havia diferenças, embora, pelo exame das DIRF anexadas aos autos, seja inviável localizar os valores apresentados; 11) nas referidas DIRF, verificase que os valores indicados se referem ao total de impostos e contribuições retidos no anocalendário de 2010. Podese ver que não há como verificar os valores referentes ao primeiro trimestre do mesmo anocalendário; 12) impõese que se afaste o mencionado limitador, reconhecendose o crédito na integralidade, diante da ausência de fundamentação legal para a aplicação deste critério, até porque a recorrente comprova, por meio da documentação acostada, a existência do crédito relativo ao primeiro trimestre do anocalendário de 2010; 13) uma vez atribuída à fonte pagadora a responsabilidade pela retenção e recolhimento da CSLL, o contribuinte não fica obrigado ao recolhimento do tributo já retido pela fonte pagadora, podendo deduzir o valor da CSLL retida em sua declaração de rendimentos, em consonância com o entendimento exarado no Parecer Normativo nº 1/2002, com base no qual expediuse a Solução de Consulta Cosit nº 377/2014, a qual dispõe no Fl. 1453DF CARF MF Processo nº 12448.906116/201498 Acórdão n.º 1301002.548 S1C3T1 Fl. 1.454 5 sentido de que, “na hipótese de a compensação ser considerada não homologada ou não declarada, eventual cobrança do débito retido e não extinto recairá exclusivamente sobre a fonte pagadora”; 14) a glosa de parte do valor oferecido à compensação sob a premissa de não confirmação do tributo retido pelas fontes pagadoras anula o direito creditório em questão, já que equivale a cobrar a CSLL em dobro, considerando que esta já foi retida na forma de antecipação pelo responsável tributário (fonte pagadora); 15) não bastassem os documentos já juntados, como as notas fiscais correspondentes aos maiores tomadores de serviços, a recorrente anexa ao presente recurso os extratos bancários do mesmo período, a fim de comprovar definitivamente a integralidade do crédito pleiteado; 16) à luz do extrato da conta corrente, em anexo, o valor bruto da nota fiscal, descontando as retenções, equivale ao valor pago à recorrente, razão por que o Fisco Federal não pode, sob pena de enriquecimento sem causa, cobrar algo que foi retido pelas tomadoras de serviços e recolhidos ao Erário; 17) malgrado o reconhecimento do crédito adicional de R$ 86.418,62, em sede de primeira instância, a autoridade julgadora a quo não foi transparente na prolação da decisão recorrida, pois deixou de explicar o modo pelo qual apurou o valor do antedito adicional, já que se limitou a dizer que verificara, nas DIRF dos tomadores de serviços, que os valores retidos seriam diversos; 18) as DIRF juntadas aos autos pelo julgador denotam que os valores nelas indicados se referem ao total de impostos e contribuições retidos durante todo o ano calendário de 2010, por cada fonte pagadora, não sendo possível identificar os valores relativos, apenas, ao primeiro trimestre do anocalendário de 2010; 19) desse modo, resta efetivamente comprovado que a recorrente detém o montante de R$ 293.744,34, relativos à CSLL retida na fonte, no primeiro trimestre de 2010. Tais valores integram incontestavelmente a composição do saldo negativo de CSLL/2010, devendo as provas ora apresentadas se sobrepor a quaisquer discussões; 20) em casos análogos, a jurisprudência administrativa pátria tem reiterado que, uma vez demonstrado o erro no preenchimento de documentos fiscais e constatada a existência do crédito, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, reconhecendose o crédito e homologada a compensação declarada; 21) mesmo quando o CARF não homologa diretamente as compensações transmitidas com equívocos materiais, este órgão julgador determina o retorno dos autos à DRF de origem, para que seja reapreciado o crédito postulado em PER/DCOMP, levando em consideração o erro no preenchimento; 22) a Administração Tributária deve pautarse pela imparcialidade, buscando o conhecimento dos fatos, independentemente da forma pela qual foram exteriorizados, sempre que for necessário à formação de sua convicção; 23) caso o Colegiado entenda pela impossibilidade de apreciar o mérito, a recorrente deve ser chamada a demonstrar a legitimidade do crédito, porquanto a autoridade Fl. 1454DF CARF MF Processo nº 12448.906116/201498 Acórdão n.º 1301002.548 S1C3T1 Fl. 1.455 6 fiscal deixou de intimála para justificar as diferenças e apresentar documentos hábeis à comprovação de seu direito creditório, incorrendo em total violação ao princípio da verdade material, que rege o processo administrativo tributário; 24) não fosse assim, a Receita Federal do Brasil não teria editado a Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007, a qual, ao definir procedimentos relativos ao tratamento de pedidos de restituição, ressarcimento e declarações de compensação formalizadas mediante PER/DCOMP, determinou que, nas verificações de divergências relacionadas ao crédito tributário utilizado nas declarações, a Receita Federal do Brasil deve previamente intimar o contribuinte a demonstrar a regularidade do crédito; 25) tal entendimento é corroborado pela jurisprudência administrativa, em consonância com o que se depreende do acórdão n° 1239.074, pelo qual a 7a Turma da DRJ/Rio de Janeiro anulou despacho decisório proferido nos autos do processo administrativo n° 10725.900.095/200815, ao argumento de que a ausência de intimação do contribuinte para comprovar a regularidade do crédito utilizado em procedimento de compensação viola a Norma de Execução CODAC/COSIT/ COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007; 26) portanto, a expedição de Despacho Decisório sob o fundamento de que o crédito não seria suficiente, sem a prévia intimação ao contribuinte, ou mesmo a baixa dos autos para realização de diligência fiscal, incorre em nulidade, nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72 (Regulamento do Processo Administrativo Fiscal Federal reproduzido pelo art. 12, inciso II, do Decreto n° 7.574/11); 27) diante deste cenário, é preciso ressaltar que a autoridade fazendária deve obediência às regras positivadas, sejam elas estabelecidas por diplomas legais ou por atos normativos internos de conduta e execução, emanados dos órgãos da Administração Pública, como é o caso da Receita Federal do Brasil; 28) uma vez presentes os fatos acima expostos, não resta alternativa distinta da pronúncia de nulidade parcial da decisão recorrida, em face da violação aos princípios da verdade material, contraditório e ampla defesa, afora o descumprimento da Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007, motivos que impelem a conversão do julgamento em diligência para que a recorrente seja intimada a provar a legitimidade da parcela do crédito vindicado não reconhecida pelo acórdão recorrido; 29) por todo o exposto, a recorrente requer: (a) seja admitido, processado e julgado o presente recurso voluntário, produzindo os efeitos que lhe são próprios, com a suspensão da exigibilidade de todos os créditos tributários objeto de compensação com crédito de saldo negativo de CSLL do 1º trimestre de 2010, mormente aqueles dos processos de cobrança nº 12448.906291/201485, 12448.906612/201441 e 12448.906615/201485; (b) seja reconhecida a impossibilidade de utilização do limitador de 62,689% estimado e definido pelo julgador, reconhecendose integralmente o crédito proveniente de saldo negativo de CSLL do primeiro Fl. 1455DF CARF MF Processo nº 12448.906116/201498 Acórdão n.º 1301002.548 S1C3T1 Fl. 1.456 7 trimestre de 2010, homologandose as compensações vinculadas; (c) sejam acolhidas as razões ora aduzidas, a fim de que se reconheça o direito creditório ora discutido, homologandose integralmente a compensação declarada no PER/DCOMP nº 38001.15581.200510.1.3.037510, cancelandose os valores apontados como devidos no processo de cobrança nº 12448.906291/201485, 12448.906612/201441, 12448.906613/201496, 12448.906615/20148, sobb pena de violação aos princípios da confiança legítima, verdade material, legalidade, razoabilidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, eficiência e impossibilidade de enriquecimento sem causa, que regem o processo administrativo fiscal; e (d) caso se entenda pela impossibilidade de julgamento do mérito, seja determinado o retorno dos autos à DRJ para o efetivo exame dos documentos juntados aos presentes autos, relativamente à parcela do crédito não reconhecido pelo acórdão recorrido e, em cumprimento à Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/CACAJ/ COTEC Nº 6/ 2007, seja convertido em diligência o presente julgamento, de forma que haja intimação da recorrente para demonstrar a legitimidade dos créditos, declarandose parcialmente nulo o acórdão recorrido na parcela que não reconhece o direito do crédito da recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. Na interposição deste recurso, reuniramse os pressupostos de recorribilidade. Dele conheço. Primeiramente, a questão alusiva à decadência estabelecida no § 4º do artigo 150 do CTN, para "qualquer questionamento a respeito do valor apurado no ano calendário de 2010, bem como dos elementos da formação da base de cálculo e das informações escrituradas na DIPJ correspondente". Para o deslinde da questão, mostrase necessário descortinar que o PER/DCOMP nº 38001.15581.200510.1.3.037510 foi transmitido pela recorrente no dia 20/05/2010 (fl. 912), com vistas à compensação entre o alegado crédito decorrente do saldo negativo de CSLL do primeiro trimestre do anocalendário de 2010, no valor de R$ Fl. 1456DF CARF MF Processo nº 12448.906116/201498 Acórdão n.º 1301002.548 S1C3T1 Fl. 1.457 8 293.744,34, e débitos de IRRF sobre remessas para o exterior referente ao mês de abril de 2010, no valor de R$ 222.940,57. A diferença entre o crédito e o débito mencionados, de R$ 70.803,77 (R$ 293.744,34 – R$ 222.940,57), também foi objeto de compensação com débitos tributários informados nos PER/DCOMP nº 26946.28289.231112.1.3.036022, 01357.92539.250810.1.3.038528 e 41053.03871.191110.1.3.034810 A compensação veiculada por PER/DCOMP pode se tornar definitiva, por homologação tácita, após o intervalo de cinco anos, contados da data da transmissão do documento que a veicula, na forma do § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996: “Art. 74 ...... .................. 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.” Levandose em conta que a transmissão do PER/DCOMP nº 38001.15581.200510.1.3.037510 data de 20/05/2010, a homologação tácita da compensação por ele veiculada só poderia ocorrer em 20/05/2015. Entretanto, o Despacho Decisório, à fl. 09, data de 04/07/2014, cientificado à recorrente no dia 18/07/2014, à fl. 915. Nesses termos, revelase patente que não houve homologação tácita da compensação declarada, pois a autoridade fiscal agiu dentro do lapso temporal de que dispunha para revêla. E se podia revêla dentro desse interregno, podia averiguar a certeza e a liquidez do crédito oferecido ao encontro de contas. Porém, nada nos autos demonstra que a autoridade fiscal tenha alterado a base de cálculo do tributo, efetuando adição de receitas omitidas ou de despesas ou custos indedutíveis, como também não se vê recálculo do tributo devido, por ato de ofício, com a aplicação de alíquota ou coeficiente de apuração distinto daquele que fora empregado pela recorrente. Enfim, nada nos autos denota que houve lançamento tributário, como tal definido "o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível", nos termos do artigo 142 do CTN. Distintamente, o que se vê nos autos é a atuação da autoridade fiscal em busca da comprovação dos créditos que a recorrente registrou como antecipação do tributo devido apurado na DIPJ. Por conseguinte, é descabida a afirmação de que a autoridade fiscal burlou a regra decadencial do artigo 150, § 4º, do CTN, ou do artigo 173, inciso I, do mesmo Código. Tal argumento tem o objetivo de iludir o julgador, desviandoo para um tema que não diz respeito ao fenômeno jurídico ocorrido. Em face, pois, do exposto, proponho a rejeição da preliminar de decadência. Quanto ao tema seguinte, defende a recorrente que o acórdão recorrido criou metodologia de fiscalização não prevista em lei, ao tentar modificar a apuração da CSLL do primeiro trimestre de 2010, sem que tenha havido a emissão de mandado de procedimento fiscal específico, em respeito às regras do processo administrativo fiscal, nos termos do art. 142 do CTN. Antes de tudo, vale salientar que o mandado de procedimento fiscal (MPF), hoje extinto, foi instituído pelo artigo 2º do Decreto n° 3.724/2001, cuja redação, na época da expedição do Despacho Decisório, já havia sido alterada pelo Decreto nº 6.104/2007 (já revogado), verbis: Fl. 1457DF CARF MF Processo nº 12448.906116/201498 Acórdão n.º 1301002.548 S1C3T1 Fl. 1.458 9 “Art. 2o Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 2007)” Na ocasião, coube aos artigos 2º e 3º da Portaria RFB nº 3.014/2011 (revogada pela Portaria RFB nº 1.687/2014) a regulação das espécies de MPF e dos tipos de procedimentos fiscais sujeitos a controle mediante mandado: “Art. 2º Os procedimentos fiscais no âmbito da RFB serão instaurados com base em Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e deverão ser executados por AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, observada a emissão de: I Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização (MPFF), para instauração de procedimento de fiscalização; e II Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência (MPFD), para realização de diligência. Art. 3º Para fins desta Portaria, entendese por procedimento fiscal: I de fiscalização, as ações que objetivam a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo, relativas aos tributos administrados pela RFB, bem como da correta aplicação da legislação do comércio exterior, podendo resultar em lançamento de ofício com ou sem exigência de crédito tributário, apreensão de mercadorias, representações fiscais, aplicação de sanções administrativas ou exigências de direitos comerciais; e II de diligência, as ações destinadas a coletar informações ou outros elementos de interesse da administração tributária, inclusive para atender exigência de instrução processual. Parágrafo único. O procedimento fiscal poderá implicar a lavratura de auto de infração, a notificação de lançamento ou a apreensão de documentos, materiais, livros e assemelhados, inclusive por meio digital.' No que tange à natureza do MPF, consolidouse na jurisprudência administrativa o entendimento de que tal instrumento constituía mero meio de controle administrativo, despido, como tal, “de aptidão para interferir no procedimento fiscal regulado pelo Decreto nº 70.235/1972, como também carecia de força jurídica suficiente à subtração do poder de fiscalização conferido à autoridade fiscal por ato normativo aprovado pelo Parlamento, no curso de devido processo legislativo” (acórdão nº 1301002.102, 1ª TO/3ª CA/1ª SJ, relator Conselheiro Flávio Franco Corrêa). Quanto à aplicação do MPF, é preciso precedentemente distinguir que o procedimento de compensação abarca atos relacionados entre si e encadeados numa sequência lógica com vistas à extinção do crédito tributário já constituído, ao passo que o MPF se destinava ao controle dos designados: (i) procedimentos de fiscalização, assim considerados os trabalhos fiscais de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo, Fl. 1458DF CARF MF Processo nº 12448.906116/201498 Acórdão n.º 1301002.548 S1C3T1 Fl. 1.459 10 relativas aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), bem como da correta aplicação da legislação do comércio exterior. Essas verificações são aquelas que podem resultar em lançamento de ofício com ou sem exigência de crédito tributário, apreensão de mercadorias, representações fiscais, aplicação de sanções administrativas ou exigências de direitos comerciais (artigo 3º, inciso I, da Portaria RFB nº 3.014/2011); e (ii) procedimentos de diligência, assim chamadas os trabalhos fiscais voltados à coleta de informações ou outros elementos de interesse da administração tributária, inclusive para atender exigência de instrução processual (artigo 3º, inciso II, da Portaria RFB nº 3.014/2011). Destaquese do exposto que o procedimento de compensação não visa à constituição de crédito tributário, porque só os créditos tributários já constituídos podem ser compensados. Por outro lado, a lei estabelece que o sujeito passivo deve ser punido com a multa isolada, quando se comprove falsidade da declaração de compensação apresentada, na forma do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007. Logicamente, a multa em referência deve ser aplicada após a conclusão do procedimento de compensação. Ou seja, uma vez constatada a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, deve a autoridade fiscal, ao cabo do procedimento de compensação, determinar a abertura de procedimento de fiscalização para a imposição da multa isolada. Assim, é preciso salientar que o procedimento de compensação não resulta em lançamento de ofício, porque se esgota com a decisão sobre a compensação pretendida. Portanto, procedimento de compensação não se confunde com procedimento de fiscalização. Este pode decorrer daquele, quando for constatada a falsidade da declaração apresentada. Entretanto, não é de se estranhar que, no curso do procedimento de compensação, o sujeito passivo ou terceiros sejam intimados a prestar esclarecimentos. Nessas circunstâncias, o procedimento de compensação pode dar ensejo à abertura de procedimento de diligência para a obtenção de informações necessárias à conclusão do procedimento de compensação. Aí o que se vê é a instrumentalidade do procedimento de diligência, pois este, nessas situações, apenas se destina à conclusão do procedimento de compensação. Diante disso, realçase a improcedência do argumento de que o acórdão recorrido criou metodologia de fiscalização não prevista em lei, ao tentar modificar a apuração da CSLL do primeiro trimestre de 2010, sem que tenha havido a emissão de mandado de procedimento fiscal específico, em respeito às regras do processo administrativo fiscal, nos termos do art. 142, do CTN. Como adiantado, não houve procedimento de fiscalização, porque não se verificou o cumprimento da legislação tributária, nem se aplicou a precitada multa isolada, pois o Fisco apenas investigou se havia prova de retenções da CSLL na fonte em montante suficiente à formação do saldo negativo informado. E de modo algum alterouse a CSLL apurada na DIPJ. Tudo o que se fez não foi além de averiguar se as retenções de CSLL na fonte superavam, ou não, a CSLL que o próprio sujeito passivo apurou em sua DIPJ. Fl. 1459DF CARF MF Processo nº 12448.906116/201498 Acórdão n.º 1301002.548 S1C3T1 Fl. 1.460 11 Assim vistos os fatos, rejeitase a preliminar arguida. Na questão subsequente, a recorrente salienta que, malgrado o reconhecimento do crédito adicional de R$ 86.418,62 em sede de primeira instância, a autoridade julgadora a quo não foi transparente na prolação da decisão recorrida, pois se limitou a dizer que verificara, nas DIRF dos tomadores de serviços, que os valores retidos seriam diversos. A tal respeito, examinando a decisão recorrida, à fl.944, vislumbrase o seguinte trecho do voto onde o relator da instância a quo conecta os fatos apurados à decisão tomada em relação a cada uma das fontes pagadoras, registrando, no quadro anexo, o resultado da análise por ele efetuada: “Tendose (sic) em vista as “Parcelas Confirmadas Parcialmente ou Não Confirmadas” constantes do detalhamento da análise de crédito referido no parágrafo anterior e em face da manifestação, fezse a comparação dos valores nela indicados e que não foram confirmadas ou o foram parcialmente no despacho decisório, com as Dirfs apresentadas pelas fontes pagadoras informadas (fls. 924 a 941). O valor efetivamente comprovado, já deduzido do reconhecido parcialmente no despacho decisório (considerado o valor zero para o caso de valor reconhecido nesse despacho ser maior do que o confirmado em Dirf), consta na última coluna de quadro ao final deste voto (fls. 945 e 946). Conforme destacado no referido quadro, foram aceitos os valores informados em Dirfs das fontes pagadoras, mesmo que com códigos de arrecadação e CNPJs diversos dos indicados na manifestação e na Dcomp, desde que o código seja relativo ao tributo em tela e os CNPJs básicos sejam coincidentes. Ocorre que, pela comparação entre os valores das receitas declaradas em DIPJ e os rendimentos tributáveis informados pelas fontes pagadoras nas Dirfs, verificase uma diferença relevante. Na DIPJ foram declaradas receitas, nos quatro trimestres de 2010, de R$ 119.686.905,80 e nas Dirfs as receitas informadas foram de R$ 190.920.280,72. Dessa forma, o saldo negativo a ser reconhecido fica limitado ao percentual de 62,689% (relação entre receitas da DIPJ e nas Dirfs). Em face do exposto, muito embora tenha sido apurado um saldo negativo de CSLL de R$ 293.744,36 no primeiro trimestre de 2010 na DIPJ/2011, conforme consta no despacho decisório, o valor efetivo é de R$ 184.145,40, tendose em vista o percentual definido no parágrafo anterior. Em face, ainda, da concessão de R$ 97.726,78 como crédito no despacho decisório em tela, resta reconhecer como crédito o valor de R$ 86.418,62.” Com o trecho acima reproduzido, o relator da instância a quo expôs os critérios e a metodologia empregados na elaboração do quadro anexo ao acórdão recorrido, que apresenta a configuração abaixo: Fl. 1460DF CARF MF Processo nº 12448.906116/201498 Acórdão n.º 1301002.548 S1C3T1 Fl. 1.461 12 Fl. 1461DF CARF MF Processo nº 12448.906116/201498 Acórdão n.º 1301002.548 S1C3T1 Fl. 1.462 13 Está claro que o acórdão recorrido admitiu todos os valores declarados em DIRF, independentemente (i) do código de retenção e (ii) da distinção entre CNPJ da matriz e CNPJ de filial. Também não há dúvida de que, confirmandose a retenção em DIRF, o acórdão recorrido limitouse ao valor que fora aposto no PER/DCOMP, quando este era inferior ao valor confirmado em DIRF, o que está correto, pois o julgador não pode alterar o planejamento do contribuinte, aumentando, ex officio, o montante do crédito a ser compensado, cujo aproveitamento se submete a prazo prescricional. Percebase, nesses termos, a aglutinação de todas as retenções, independentemente de código, no que toca ao CNPJ com raiz nº 33.781.055, a traduzir um bloco de um mesmo CNPJ. Por todas essas razões, o acórdão recorrido teria autorizado o crédito de R$ 99.296,04 (R$ 51.541,25 + R$ 47.745,79), em relação a este CNPJ com raiz nº 33.781.055, não fosse o limitador de 62,689 % Fl. 1462DF CARF MF Processo nº 12448.906116/201498 Acórdão n.º 1301002.548 S1C3T1 Fl. 1.463 14 Não obstante o exposto acima, a apreciação do suscitado vício de transparência ainda reclama o exame de outros aspectos trazidos à baila, na peça recursal. Nessa toada, diz a recorrente que não é admissível a adoção do percentual de 62,689%, resultante da relação entre as receitas declaradas na DIPJ do anocalendário de 2010 (fls. 1012/1069) e as receitas informadas em DIRF pelas fontes pagadoras, para fins de aferir o crédito proveniente do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2010, pois inexiste na legislação tributária disposição normativa que autorize o agente fiscal a realizar tal inferência com base em estimativa. Também sustenta que, para proceder ao cálculo mencionado, a decisão recorrida valeuse da receita anual informada pelas DIRF, quando deveria ter considerado receitas e retenções relativas ao saldo negativo da CSLL do primeiro trimestre de 2010, em consonância com o regime de tributação trimestral adotado pela recorrente. Nesse contexto, assinala que a autoridade julgadora jamais demonstrou como encontrara os valores que embasaram a decisão recorrida, pois simplesmente alegou que verificara, nas DIRF dos tomadores de serviços, que havia diferenças, embora os valores indicados nessas DIRF se refiram ao total de impostos e contribuições retidos no anocalendário de 2010. Assim, não seria possível verificar os valores referentes ao primeiro trimestre do mesmo anocalendário, a acarretar o afastamento do mencionado limitador, reconhecendose o crédito na integralidade, diante da ausência de fundamentação legal para a aplicação deste critério, até porque haveria prova, por meio da documentação acostada, da existência do crédito relativo ao segundo trimestre do anocalendário de 2010. Nesse ponto, impõe que se dê atenção, por ora, apenas aos argumentos que evocam questões preliminares ao mérito. Tal perspectiva obsta, ainda que temporariamente, a discussão sobre a correção ou a incorreção do critério empregado pela Fiscalização, porquanto o que se quer saber se restringe à existência de clareza suficiente, na decisão recorrida, ao exercício do contraditório e da ampla defesa. Com efeito, podese ver que a instância a quo consignou que o percentual de 62,689 % decorre da relação entre o total das receitas declaradas em DIPJ, para os quatro trimestres de 2010, de R$ 119.686.905,80, e o total da receita anual informada em DIRF, de R$ 190.920.280,72. Portanto, não há o indigitado déficit de transparência que poderia comprometer a efetividade da defesa. A recorrente às claras referese a tal relação, à fl. 944, mencionando, inclusive, os valores relativos à receita total declarada em DIPJ e à receita total informada em DIRF. Diante disso, propõese a rejeição da nulidade suscitada. Avançando, no passo subsequente, à questão referente à suposta violação às garantias do contraditório e da ampla defesa, por desrespeito à Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007. A Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007 é é mera norma interna corporis que disciplina, no âmbito do órgão fiscal, a atuação de vários agentes que intervêm no procedimento de compensação. De modo algum podese acolher a tese de que o eventual desrespeito a tal disciplina administrativa reflita possível violação às garantias do contraditório e da ampla defesa. Como é cediço, no procedimento de compensação, o direito ao contraditório e à ampla defesa nasce apenas no momento em que a autoridade fiscal não homologa a compensação declarada pelo contribuinte, conforme § 9º do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, introduzido pela Lei nº 10.833/2003, verbis: “Art. 74 ....... Fl. 1463DF CARF MF Processo nº 12448.906116/201498 Acórdão n.º 1301002.548 S1C3T1 Fl. 1.464 15 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)" E mais: a teor do § 10 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, cabe recurso ao CARF da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Já por força do § 11 do citado artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, é lícito afirmar que o recurso voluntário ao CARF e a manifestação de inconformidade são espécies do recurso previsto no inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional, além de se submeterem ao rigor do Decreto nº 70.235/1972, verbis: "§ 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)" A linha diretiva que ressai dos §§ 9º a 11 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 está espelhada no artigo 119, caput e §§, do Decreto nº 7.574/2011: “Art. 119. É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no art. 110, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 9o, incluído pela Lei no 10.833, de 2003, art. 17). § 1o Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 10, incluído pela Lei no 10.833, de 2003, art. 17; Decreto no70.235, de 1972, art. 25, inciso II, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). § 2o A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam o caput e o § 1o obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 1972 (Título II deste Regulamento), e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 11, incluído pela Lei no 10.833, de 2003, art. 17). Como se vê, há um conjunto de regras jurídicas que instituiu, no plano legal, o esquema das garantias do contraditório e da ampla defesa plasmadas no texto constitucional, especificamente direcionadas à efetivação do diálogo entre o Estado Fiscal e o administrado, quando este manifesta que pretende compensar, na forma prevista em lei, débitos tributários e supostos créditos em face do mesmo Estado. Nesse esquema, o desenhista institucional estabeleceu que a decisão que não homologa, total ou parcialmente, a compensação declarada pode ser contestada, não os atos anteriores a ela. Portanto, é descabida a assertiva de que a ausência de intimação do contribuinte, destinada à comprovação da regularidade do crédito utilizado em procedimento de compensação, deve acarretar a pronúncia de invalidade da decisão recorrida, por cerceamento ao contraditório e à ampla defesa, tendo em conta que, no esquema legal de defesas do contribuinte, o direito à manifestação de inconformidade não surge antes da emissão da decisão não homologatória da compensação. Tal é o juízo a ser proferido com suporte nos aludidos preceitos normativos, embora exista outra perspectiva que Fl. 1464DF CARF MF Processo nº 12448.906116/201498 Acórdão n.º 1301002.548 S1C3T1 Fl. 1.465 16 também acena para idêntica conclusão. Reparese: as disposições normativas do artigo 74, caput e §§ 1º, 2º e 5º da Lei nº 9.430/1996 permitem asselar que a transmissão do PER/DCOMP é um ato material pelo qual o contribuinte manifesta a vontade consciente de efetuar a compensação entre débitos e créditos tributários, desde logo concretizada, tal a simultaneidade da execução do ato (transmissão do PER/DCOMP) com os efeitos compensatórios imediatamente gerados, embora a definitividade de tais efeitos esteja condicionada à homologação da compensação pela autoridade fiscal, que dispõe do lapso temporal de cinco anos para realizála, sob pena de homologação tácita. "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)" Por sua vez, a homologação é um ato administrativo mediante o qual a autoridade estatal examina a legalidade de um ato anterior. Nesse cenário, a homologação não tácita da compensação tributária declarada não dispensa a certificação, pela autoridade homologante, da existência e da suficiência do crédito alegado. Essa certificação implica verificação dos supostos fatos geradores do crédito, o que é executado ao longo de uma etapa logicamente antecedente à homologação. Como já foi dito, o direito ao contraditório e à ampla defesa surge apenas após a edição do ato administrativo que não homologa a compensação declarada. Logo, as verificações anteriores ao ato final da autoridade homologante, enquanto atos despidos de conteúdo decisório, não se submetem às determinações legais que fixaram o contraditório e a ampla defesa. Em outras palavras, antes do despacho decisório da autoridade com atribuição para a homologação da compensação declarada, o trabalho fiscal percorre uma fase administrativa de índole inquisitória, indispensável ao exame da legalidade do declarado encontro de contas. Assim, não procede a tese defensiva que advoga a prática de ato atentatório às garantias do contraditório e da ampla defesa, por desrespeito à Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007. Em face do exposto, rejeitamse as nulidades requeridas. Agora, passando ao exame do mérito, constatase que a decisão recorrida valeuse de um critério segundo o qual o crédito decorrente das retenções de CSLL na fonte não pode ultrapassar a relação percentual entre a receita anual declarada na DIPJ e a receita anual informada nas DIRF. No caso concreto, a receita anual declarada na DIPJ correspondeu a 62,689 % da receita anual informada em DIRF. Tal percentual foi aplicado pela instância Fl. 1465DF CARF MF Processo nº 12448.906116/201498 Acórdão n.º 1301002.548 S1C3T1 Fl. 1.466 17 julgadora a quo sobre o total das retenções da CSLL fonte declarado no PER/DCOMP nº 38001.15581.200510.1.3.037510, no valor de R$ 293.744,34, apurandose o crédito de saldo negativo de CSLL disponível para compensação, na importância de R$ 184.145,40. Segundo a recorrente, não é admissível a adoção do percentual de 62,689 %, anteriormente citado, pois inexiste na legislação tributária disposição normativa que autorize o agente fiscal, com base em critério estimado, a limitar o crédito proveniente de saldo negativo formado por retenções de tributo pela fonte pagadora de rendimentos, presumindo a inexistência de tributação na declaração. Além disso, a defesa destaca que a decisão recorrida balizouse pela receita anual, quando deveria ter considerado receitas e retenções relativas ao saldo negativo de CSLL do primeiro trimestre de 2010, em consonância com o regime de tributação trimestral adotado pela recorrente. A recorrente pleiteia o reconhecimento do crédito indicado no PER/DCOMP nº 38001.15581.200510.1.3.037510, escorandose nas provas documentais juntadas na impugnação e no recurso voluntário, a partir das quais alega que, como traduz o extrato da conta corrente, em anexo, o valor bruto das notas fiscais acostadas aos autos, descontando as retenções, equivale ao valor pago à recorrente, razão por que o Fisco Federal não pode, sob pena de enriquecimento sem causa, cobrar algo que já foi retido pelas tomadoras de serviços e recolhidos ao Erário, afinal a retenção da CSLL na fonte é forma de antecipação da CSLL devida ao final do trimestre. Nessas circunstâncias, assinala que as consequências da omissão das pessoas jurídicas tomadoras de serviço que não apresentaram DIRF devem ser imputadas às próprias fontes responsáveis pelos pagamentos efetuados em benefício da recorrente, jamais à beneficiária. Diante dos argumentos da recorrente, é necessário sublinhar os seguintes fatos, que devem ser levados em conta: 1) as cópias de notas fiscais reunidas na impugnação, às fls. 28/894, não estão acompanhadas dos respectivos lançamentos contábeis e de extratos bancários aptos a comprovar o recebimento do valor bruto do preço do serviço prestado, descontado da CSLL retida na fonte. Tal evidência afasta, por si só, a utilidade dessas notas fiscais para os fins esperados pela recorrente. Isso porque, ainda que as fontes pagadoras das receitas não tenham transmitido a DIRF, admitese a comprovação do tributo retido na fonte à vista dos registros contábeis acompanhados da nota fiscal (ou fatura) respectiva e do recebimento do valor líquido. Confirase: “RETENÇÕES DE IMPOSTO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. Na hipótese de a fonte pagadora não fornecer o comprovante anual de retenção, sua prova pode se dar por meio dos registros contábeis do beneficiário, acompanhados da nota fiscal ou fatura e da comprovação do valor líquido quitado pela fonte pagadora.” (Acórdão nº 1101000.988 – 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária – sessão de 10/10/2013, rel. Conselheira Edeli Pereira Bessa) Ressaltase do julgado selecionado a exigência de comprovação da entrada de divisas, o que não se revela factível sem o lastro de terceira pessoa, afinal “ninguém pode constituir título de prova a favor de si mesmo, porque é justificável a suspeita de que quem Fl. 1466DF CARF MF Processo nº 12448.906116/201498 Acórdão n.º 1301002.548 S1C3T1 Fl. 1.467 18 afirma, ou negue, um dado de fato o faça, ainda que contra a realidade, porém unicamente para favorecer seu próprio interesse”1; 2) já as cópias de notas fiscais inseridas nos autos no recurso voluntário, às fls. 1070/1435, não estão acompanhadas dos registros contábeis das receitas recebidas e do crédito decorrente da CSLL retida na fonte, o que é imprescindível para a demonstração da existência do crédito e da comprovação de que este decorre da retenção sobre receita contabilizada e submetida à tributação da CSLL na DIPJ. A CSLL retida na fonte poderá formar o saldo negativo a ser restituído ou compensado, sabendose que este saldo negativo é o excedente das deduções legais (nas quais se inclui a CSLL retida na fonte), em relação à CSLL devida, apurada na DIPJ. Ora, o cômputo, entre os créditos, da CSLL retida na fonte, que incidiu sobre rendimento sonegado à tributação da CSLL na DIPJ, aumenta indevidamente o saldo negativo. Por isso, surgidos os indícios do recolhimento de CSLL retida na fonte, a autoridade se depara com o pressuposto lógico da restituição/compensação da respectiva importância: a submissão da receita tributada na fonte à CSLL apurada na DIPJ, pois, não sendo assim, podese incorrer no erro de se deferir a compensação de CSLL incidente sobre receita não tributada na DIPJ. Aliás, tal questão é de ordem pública, já que, em nome do interesse público, impõese a necessária cautela, vedando se a restituição de qualquer valor a título de CSLL excedente, se não restar comprovado que ocorreu a tributação da receita na DIPJ. Consignese que esta Turma já registra precedente em sua jurisprudência, verbis: "RESTITUIÇÃO. IRRF.COMPROVAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO DO RENDIMENTO. Negase a restituição do imposto de renda retido na fonte se o requerente não comprovar que submeteu à tributação do IRPJ o rendimento sobre o qual incidiu a retenção." (Acórdão nº 1301002.075, relator Cons. Flávio Franco Corrêa) Tal entendimento está em sintonia com a Súmula Carf nº 80: “Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto.” Considerando, pois, todo o arcabouço probatório, não há necessidade de diligências. Estas só se justificam quando existe dúvida a ser solucionada, o que não se confunde com a carência de prova do alegado. Ademais, não há censura ao critério empregado pelo julgador de primeira instância, que se valeu da proporção entre a receita total anual, informada em DIRF pelas fontes retentoras da CSLL, e o total anual informado pela recorrente em sua DIPJ. Digase, a propósito, que esta Turma registra decisão recente compatível com a posição ora assumida: 1 MESSINEO apud SEIXAS FILHO, Aurélio Pitanga. Princípios Fundamentais do Direito Administrativo Tributário – Função Fiscal, 2ª ed.. Rio de Janeiro: Forense, 1996, p. 56. Fl. 1467DF CARF MF Processo nº 12448.906116/201498 Acórdão n.º 1301002.548 S1C3T1 Fl. 1.468 19 "IRRF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RENDIMENTOS PARCIALMENTE OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO. PROPORCIONALIDADE. É direito do sujeito passivo computar, no saldo negativo apurado ao final do exercício, o imposto retido as sobre as receitas de aplicação financeira efetivamente contabilizadas e reconhecidas na base de cálculo, pois o tributo não pode ser utilizado como sanção pela omissão parcial de receitas, nos termos do art. 3º do CTN, respeitado o princípio da proporcionalidade." (acórdão nº 1301002.483, relator Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza) Como já noticiado, aquela autoridade julgadora apurou o montante de R$ 190.920.280,72, correspondente à receita total acusada pelas fontes de retenção da CSLL, auferida pela recorrente no anocalendário de 2010, ao passo que a receita total declarada em DIPJ, referente ao mesmo anocalendário, alcançou a cifra de R$ 119.686.905,80. Em outras palavras, o cotejo entre os dados da DIPJ e das DIRF fez surgir o indício de receitas omitidas, na importância de R$ 71.233.374,92. Obviamente, não se pode reconhecer o crédito decorrente das retenções de CSLL na fonte incidente sobre a totalidade da receita auferida, já que o cotejo de informações permitiu a conclusão de que parte desse total não foi tributado na declaração. Nessa situação, devese admitir o crédito decorrente da CSLL retida na fonte, na proporção das receitas tributadas na DIPJ, tendo em conta que a sonegação de receitas tributáveis na DIPJ reduz a CSLL devida e, por consequência, aumenta indevidamente o saldo negativo de CSLL. Desse modo, o estabelecimento de um limite ao crédito derivado da CSLL retida na fonte, equivalente à proporção das receitas tributadas na DIPJ, obsta a dedução de parcela da CSLL retida na fonte incidente sobre as receitas sonegadas à tributação da CSLL na DIPJ Também não há incompatibilidade entre a aplicação de um redutor do crédito fundado na proporção da receita total anual e as retenções trimestrais de CSLL na fonte, desde que o anocalendário considerado no cálculo da proporção das receitas tributadas na DIPJ abarque o período trimestral das retenções objeto da compensação declarada. De acordo com essa linha de raciocínio, a recorrente deve fazer jus a um montante de crédito originário das retenções de CSLL na fonte na mesma proporção de 62,689 %, aplicado sobre o valor anual total das retenções comprovadas. Acontece, porém, que o total anual confirmado em DIRF das retenções de CSLL, segundo a instância julgadora a quo, é igual a R$ 144.801,09, conforme fls. 945/946. Tal montante compreende as retenções de CSLL na fonte sobre receitas tributadas na DIPJ, bem como as retenções de CSLL na fonte sobre as receitas sonegadas à tributação da CSLL na DIPJ. Logo, o crédito da recorrente, derivado das retenções de CSLL na fonte sobre as receitas submetidas à CSLL apurada na DIPJ, deve ser calculado na proporção de 62,689 %, resultando na quantia de R$ 90.744,35. Entretanto, o Despacho Decisório já reconheceu o crédito proveniente de retenção de CSLL na fonte na importância de R$ 97.726,78, enquanto a autoridade julgadora de primeira instância garantiu uma parcela de crédito adicional de R$ 86.418,62, totalizando o montante de R$ 184.145,40. Portanto, a recorrente já assegurou o reconhecimento de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2010 na importância de R$ 184.145,40, valor superior àquele que lhe seria devido, como resultado da aplicação do percentual de 62,689 % sobre o total das retenções de CSLL informadas em DIRF. Diante de tais conclusões, nego provimento ao recurso voluntário. Fl. 1468DF CARF MF Processo nº 12448.906116/201498 Acórdão n.º 1301002.548 S1C3T1 Fl. 1.469 20 É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 1469DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.910042/2011-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2001
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.577
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PIS/COFINS. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente AMCOR PACKAGING DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2001 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PERDCOMP) eletrônico por meio da qual a contribuinte objetivava quitar débitos tributários/solicitar restituição de valor utilizandose de créditos de PIS, que teria sido indevidamente recolhido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 91 00 42 /2 01 1- 49 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13819.910042/201149 Acórdão n.º 3302004.577 S3C3T2 Fl. 3 2 A justificativa apresentada pela autoridade fiscal para não homologar a compensação/indeferir o pedido de restituição foi que o DARF discriminado na PERDCOMP havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Cientificada sobre o teor do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que o pedido de compensação/restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela instância de origem, nos termos do Acórdão 02051.211. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que motivou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.500, de 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.900996/201183, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.500) 1: "Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir dos fundamentos e do resultado dado ao presente o processo administrativo. Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que os créditos são decorrentes de pagamentos a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.7852/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e, afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto e adoto como fundamento as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado no Acórdão paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13819.910042/201149 Acórdão n.º 3302004.577 S3C3T2 Fl. 4 3 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13819.910042/201149 Acórdão n.º 3302004.577 S3C3T2 Fl. 5 4 salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13819.910042/201149 Acórdão n.º 3302004.577 S3C3T2 Fl. 6 5 base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13819.910042/201149 Acórdão n.º 3302004.577 S3C3T2 Fl. 7 6 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13819.910042/201149 Acórdão n.º 3302004.577 S3C3T2 Fl. 8 7 observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito a créditos decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 110DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.720493/2014-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008, 2009, 2011
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES. INEXISTÊNCIA.
Inexistindo de omissões no julgado é de se desacolher os embargos de declaração.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 2202-004.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os Embargos de Declaração.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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OMISSÕES. INEXISTÊNCIA. Inexistindo de omissões no julgado é de se desacolher os embargos de declaração. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 04 93 /2 01 4- 79 Fl. 1909DF CARF MF Processo nº 10980.720493/201479 Acórdão n.º 2202004.137 S2C2T2 Fl. 1.910 2 Relatório O Contribuinte foi cientificado do Acórdão nº 2202003.584, proferido em 21/09/2016, em 11/04/2017 (AR – fl. 1879) e opôs, em 17/04/2017, os Embargos de Declaração de fls. 1882/1891, com base no art. 65 da Portaria MF nº 343/2015. Em seus Embargos alega o suplicante que o aresto proferido incorre em erro material/omissão/obscuridade, a saber: III DO ERRO MATERIAL NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DA INDEVIDA UTILIZAÇÃO DE PRESUNÇÃO E AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO DOS MOTIVOS DA AUTUAÇÃO Ocorre que, o recurso apresentado pelo ora Embargante trata da nulidade do Auto de Infração, e não da nulidade da decisão de 1a instância. Além disso, NÃO é objeto do recurso o indeferimento do pedido de diligência formulado inicialmente pelo Embargante, mas SIM a utilização da presunção da ocorrência do fato gerador do IRPF, e da ausência de clara e escorreita fundamentação dos motivos que levaram a autoridade fiscal a lançar valores que não representam 'ganho de capital' ou 'omissão de rendimentos'. IV DAS OMISSÕES IV. 1 DA AUSÊNCIA DE ANÁLISE DA IMPOSSIBILIDADE DE AUTUAÇÃO PAUTADA EM MERAS PRESUNÇÕES Em que pese o Embargante, no mérito do seu recurso, demonstrar a fragilidade e inconsistência dos lançamentos realizados única e exclusivamente com base em extratos bancários e em meras presunções, o v. acórdão restou omisso quanto a este ponto. ] IV.2 DA AUSÊNCIA DE ANÁLISE DO VALOR ORIUNDO DA ALIENAÇÃO DE BEM IMÓVEL EM 2009 O Embargante demonstrou em seu Recurso Voluntário que, no ano de 2009, alienou bem imóvel de sua propriedade, e, ao declarar o valor de sua venda, lançou em sua Declaração de Imposto de Renda o valor de R$ 200.000,00, demonstrando a baixa do imóvel do seu patrimônio. Apenas a diferença entre o valor de venda e o valor declarado deve ser oferecido a tributação, visto que apenas a diferença é que representa o seu efetivo 'ganho de capital' (R$ 190.000,00). Não obstante, ao julgar o recurso, esta C. Turma não se manifestou sobre a alienação de bem imóvel do ano de 2009, noticiada pelo Embargante, tampouco sobre as provas apresentadas que comprovam o direito por ele pleiteado. Sendo assim, deve ser sanada a omissão apontada para que seja analisada a comprovada origem do valor de R$ 390.000,00, Fl. 1910DF CARF MF Processo nº 10980.720493/201479 Acórdão n.º 2202004.137 S2C2T2 Fl. 1.911 3 relacionado à alienação de bem imóvel no ano de 2009, bem como o valor que efetivamente deve ser oferecido à tributação do IRPF e sob qual alíquota. IV.3 DA AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO SOBRE A DEVOLUÇÃO AO RECORRENTE DE SINAL DE NEGÓCIO Em suas razões recursais o Embargante esclareceu que recebeu em sua conta corrente o valor de R$ 5.000,00 a título de devolução de sinal de negócio de compra de veículo, sendo que esse negócio acabou não sendo concretizado, o que resultou na devolução do sinal de negócio no valor de R$ 5.000,00, através do depósito de tal valor na sua conta corrente. Desta forma, tal valor não deve ser tributado. IV.4 DA AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO DE VALORES DE TITULARIDADE DE TERCEIROS Conforme elucidado nas razões recursais, o Embargante, ao negociar a intermediação da compra e venda de precatórios judiciais, recebia em sua conta bancária o valor do precatório negociado. Por sua vez, retinha seu pequeno percentual de comissão pelo serviço prestado (1% a 2%), e repassava o respectivo saldo para o vendedor do direito creditório. Tais alegações foram devidamente comprovadas com a apresentação de demonstrativo do cruzamento realizado entre o ingresso de valores na conta corrente fiscalizada (por meio dos extratos com numeração dos cheques Doe. 10 da peça impugnatória) e dos contratos de cessão de créditos (Doe.04 da peça impugnatória), os quais evidenciam que o Embargante atuou como mero intermediário das partes (procurador), sendo os ingressos decorrentes deste contrato de titularidade de terceiros. (...) Assim, mister que V.Sa. se manifeste sobre o serviço de intermediação de compra e venda de precatórios judiciais prestado pelo Embargante, e sobre a tributação de valores de titularidade de terceiros (proprietários do direito de crédito), de maneira a sopesar os fatos alegados e as provas apresentadas, a fim de que a omissão apontada reste devidamente sanada. O despacho de admissibilidade dos Embargos, de fls. 1998/1901, foi no seguinte teor: "Pois bem, quanto ao item “III”, não se verifica o alegado vício, já que o ponto suscitado em seu recurso, relativa à indevida utilização da presunção da ocorrência do fato gerador do IRPF, encontrase claramente tratado no corpo do voto à fl. 1845, bem como no quarto tópico da ementa à fl. 1825. Sobre a alegação de que o recurso voluntário suscita nulidade do Auto de Infração e o acórdão embargado discorre sobre nulidade da decisão de 1ª instância e indeferimento do pedido de Fl. 1911DF CARF MF Processo nº 10980.720493/201479 Acórdão n.º 2202004.137 S2C2T2 Fl. 1.912 4 diligência, compulsandose o apelo de fls. 1760/1812, verificase que de fato o Contribuinte se insurge contra o indeferimento do pedido de diligência, conforme trecho transcrito abaixo: Verificase, portanto, que tanto a DRF quanto a DRJ ignoraram, por completo, as operações praticadas pelo Recorrente (ora elucidadas), afastando, inclusive, o pedido de baixa dos autos para diligência, a fim de que fosse verificada a efetiva ocorrência do fato gerador do IRPF (e o correto montante devido), mantendo indevidamente parte do Auto de Infração em testilha, julgado este que deverá ser reformado por este E. Conselho, conforme será abaixo será demonstrado e comprovado. Dessarte, não se vislumbra no acórdão embargado o alegado vício. No que tange ao item “IV. 1” também não se verifica qualquer omissão, já que a questão relativa a "inconsistência dos lançamentos realizados única e exclusivamente com base em extratos bancários e em meras presunções", encontrase claramente tratada no corpo do voto à fl. 1845, bem como no quarto tópico da ementa à fl. 1825, conforme se extrai do item anterior. Sobre o item “IV.2”, analisando detidamente o Recurso Voluntário, verificase que o Contribuinte suscita no item V.3 "DA INDEVIDA EXIGÊNCIA DO IRPF SOBRE A INTEGRALIDADE DO VALOR ORIUNDO DA ALIENAÇÃO DE BEM IMÓVEL PELO RECORRENTE"; entretanto o acórdão embargado não se manifestou, expressamente, sobre esse ponto. Nesse passo, devese acolher, nessa parte, os aclaratórios. Quanto ao item “IV.3”, compulsandose o Recurso Voluntário, constatase que o Embargante suscita no item V.4 "DA DEVOLUÇÃO AO RECORRENTE DE SINAL DE NEGÓCIO AUSÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL APTO A SER TRIBUTADO"; no entanto o acórdão embargado não se manifestou, especificamente, sobre esse ponto. Assim, devese acolher, nessa parte, os aclaratórios. No que toca ao item “IV.4”, constatase que o Contribuinte em seu recurso se insurge contra esse ponto do lançamento alegando no item V.5 "DO SERVIÇO DE INTERMEDIAÇÃO DE COMPRA E VENDA DE PRECATÓRIOS JUDICIAIS IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO DE VALORES DE TITULARIDADE DE TERCEIROS (PROPRIETÁRIOS DO DIREITO DE CRÉDITO)"; todavia o acórdão embargado, ainda que não tenha identificado erro ou imprecisão nos valores de aquisição, venda e cálculo do ganho de capital, não se manifestou, especificamente, sobre o serviço de intermediação de compra e venda de precatórios judiciais, além da impossibilidade de tributação de valores de titularidade de terceiros (proprietários do direito de crédito). Portanto, devese acolher, nessa parte, os aclaratórios. Fl. 1912DF CARF MF Processo nº 10980.720493/201479 Acórdão n.º 2202004.137 S2C2T2 Fl. 1.913 5 Ante ao exposto, devese acolher parcialmente os Embargos de Declaração e, consequentemente, submeter os autos novamente à apreciação do Colegiado, com vistas a suprir as omissões apontadas pelo Contribuinte nos itens "IV.2, IV.3 e IV.4". É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto – Relator O Contribuinte foi cientificado do Acórdão nº 2202003.584, proferido em 21/09/2016, em 11/04/2017 (AR – fl. 1879) e opôs, em 17/04/2017, portanto, tempestivamente, os Embargos de Declaração de fls. 1882/1891, com base no art. 65 da Portaria MF nº 343/2015. Portanto, preenchidos os requisitos de admissibilidade dos Embargos de Declaração opostos, logo, dever ser estes conhecidos. Assim, sendo admitido os Embargos de Declaração pelo Despacho de admissibilidade em relação aos itens "IV.2, IV.3 e IV.4", passase, a seguir, a análise dos mesmos. 1. Da indevida exigência do IRPF sobre a integralidade do valor oriundo da alienação de bem imóvel pelo recorrente Item IV.2 dos Embargos. Sobre o item “IV.2”, analisando detidamente o Recurso Voluntário, verifica se que o Contribuinte suscita no item V.3 "DA INDEVIDA EXIGÊNCIA DO IRPF SOBRE A INTEGRALIDADE DO VALOR ORIUNDO DA ALIENAÇÃO DE BEM IMÓVEL PELO RECORRENTE"; entretanto o acórdão embargado não teria se manifestado expressamente sobre esse ponto. Sustenta o Embargante que demonstrou em seu Recurso Voluntário que, no ano de 2009, alienou bem imóvel de sua propriedade, e, ao declarar o valor de sua venda, lançou em sua Declaração de Imposto de Renda o valor de R$ 200.000,00, demonstrando a baixa do imóvel do seu patrimônio. Apenas a diferença entre o valor de venda e o valor declarado deve ser oferecido a tributação, visto que apenas a diferença é que representa o seu efetivo 'ganho de capital' (R$ 190.000,00), conforme sustenta o embargante. Verificase no presente caso que o contribuinte promoveu em sua DIRPF a baixa de imóvel: Fl. 1913DF CARF MF Processo nº 10980.720493/201479 Acórdão n.º 2202004.137 S2C2T2 Fl. 1.914 6 Alega que o valor que entrou na sua conta (R$ 389.282,00), seriam decorrentes da venda do referido imóvel. No entanto, não prova o contribuinte o que alega. Aliás, a DRJ já havia se posicionado neste sentido: "não restou demonstrada qualquer correspondência entre o crédito de R$ 389.282,00 e a venda do imóvel em questão.". Ora, o acórdão foi claro ao tratar desta matéria, tendo reconhecido um único depósito como origem comprovada, vejamos o voto do acórdão embargado, com grifos e negrito, de modo a demonstrar que a matéria foi abordada no acórdão: "2. Depósitos bancários O Auto de Infração em análise tributou créditos, elencados no Termo de Verificação Fiscal e Encerramento às fls. 1443 a 1446, ocorridos na conta corrente de nº 1574385, da agência nº 0107 do Banco HSBC, pertencente ao interessado, que após solicitação por parte da autoridade fiscal, não houve a comprovação de sua origem. A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Estabelece o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 que: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: Fl. 1914DF CARF MF Processo nº 10980.720493/201479 Acórdão n.º 2202004.137 S2C2T2 Fl. 1.915 7 1 os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Os documentos apresentados a fiscalização não são suficientes para provar de maneira inequívoca os valores que circularam em conta bancária da contribuinte já foram tributados. Ocorre que é necessário comprovar individualizadamente depósito por depósito, demonstrando a origem do recurso, de modo a comprovar, se for o caso, que os valores que ingressaram na conta do contribuinte possuem origem. E que a origem já foi tributada ou que, por alguma fundamentação, seria rendimento isento, não tributável ou sujeito a alguma tributação específica. Verifico que somente um único depósito pode ser considerado que teve a sua origem comprovada, vejamos abaixo o que a DRJ se manifestou sobre este: [...] Portanto, em relação ao depósito de R$ 450.000,00 ocorrido no dia 04/01/2010, entendo que deve ser excluído da base de cálculo do imposto de renda, pois comprovado que se tratou de retorno de recursos próprios para sua conta bancária. Desse modo, deve ser provido o recurso quanto a este pedido. Quanto aos demais depósitos, caberia ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Não tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, devendo ser mantido os demais lançamentos por omissão de rendimentos." Assim, compreendeuse que os documentos apresentados a fiscalização não são suficientes para provar de maneira inequívoca os valores que circularam em conta bancária da contribuinte já foram tributados. Ocorre que é necessário comprovar individualizadamente depósito por depósito, demonstrando a origem do recurso, de modo a comprovar, se for o caso, Fl. 1915DF CARF MF Processo nº 10980.720493/201479 Acórdão n.º 2202004.137 S2C2T2 Fl. 1.916 8 que os valores que ingressaram na conta do contribuinte possuem origem. E que a origem já foi tributada ou que, por alguma fundamentação, seria rendimento isento, não tributável ou sujeito a alguma tributação específica. Portanto, verificase que, aos demais depósitos (incluindose aqui o referido no item IV.2), caberia ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Assim, as alegações do contribuinte, no entender da Turma julgadora, não foram devidamente acompanhadas de provas suficientes para afastar o lançamento. Assim, pretende o contribuinte fazer dos aclaratórios uma terceira instância recursal, o que é incabível. Deste modo, entendo que carece de razão o Embargante em relação ao item IV.2. 2. Da devolução ao recorrente de sinal de negócio ausência de acréscimo patrimonial apto a ser tributado Item IV.3 dos Embargos Quanto ao item “IV.3”, compulsandose o Recurso Voluntário, constatase que o Embargante suscita no item V.4 "DA DEVOLUÇÃO AO RECORRENTE DE SINAL DE NEGÓCIO AUSÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL APTO A SER TRIBUTADO"; no entanto, o acórdão embargado, no entender do despacho de admissibilidade, não se manifestou, especificamente, sobre esse ponto. Em suas razões recursais o Embargante alega que recebeu em sua conta corrente o valor de R$ 5.000,00 a título de devolução de sinal de negócio de compra de veículo, sendo que esse negócio acabou não sendo concretizado, o que resultou na devolução do sinal de negócio no valor de R$ 5.000,00, através do depósito de tal valor na sua conta corrente. Desta forma, entende o contribuinte que tal valor não deve ser tributado. Não há omissão. O acórdão embargos é claro que somente um depósito teve origem comprovada (o depósito de R$ 450.000,00), pois é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Logo, o contribuinte deveria ter provado, conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, de forma individualizada a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Assim, compreendeuse que os documentos apresentados a fiscalização não são suficientes para provar de maneira inequívoca os valores que circularam em conta bancária da contribuinte já foram tributados. Ocorre que é necessário comprovar individualizadamente depósito por depósito, demonstrando a origem do recurso, de modo a comprovar, se for o caso, que os valores que ingressaram na conta do contribuinte possuem origem. E que a origem já foi tributada ou que, por alguma fundamentação, seria rendimento isento, não tributável ou sujeito a alguma tributação específica. Transcrevese, novamente, o voto do acórdão embargado, com grifos e negrito, de modo a demonstrar que a matéria foi abordada no acórdão: Fl. 1916DF CARF MF Processo nº 10980.720493/201479 Acórdão n.º 2202004.137 S2C2T2 Fl. 1.917 9 "2. Depósitos bancários O Auto de Infração em análise tributou créditos, elencados no Termo de Verificação Fiscal e Encerramento às fls. 1443 a 1446, ocorridos na conta corrente de nº 1574385, da agência nº 0107 do Banco HSBC, pertencente ao interessado, que após solicitação por parte da autoridade fiscal, não houve a comprovação de sua origem. A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Estabelece o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 que: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1 os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Fl. 1917DF CARF MF Processo nº 10980.720493/201479 Acórdão n.º 2202004.137 S2C2T2 Fl. 1.918 10 Tratase, portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Os documentos apresentados a fiscalização não são suficientes para provar de maneira inequívoca os valores que circularam em conta bancária da contribuinte já foram tributados. Ocorre que é necessário comprovar individualizadamente depósito por depósito, demonstrando a origem do recurso, de modo a comprovar, se for o caso, que os valores que ingressaram na conta do contribuinte possuem origem. E que a origem já foi tributada ou que, por alguma fundamentação, seria rendimento isento, não tributável ou sujeito a alguma tributação específica. Verifico que somente um único depósito pode ser considerado que teve a sua origem comprovada, vejamos abaixo o que a DRJ se manifestou sobre este: [...] Portanto, em relação ao depósito de R$ 450.000,00 ocorrido no dia 04/01/2010, entendo que deve ser excluído da base de cálculo do imposto de renda, pois comprovado que se tratou de retorno de recursos próprios para sua conta bancária. Desse modo, deve ser provido o recurso quanto a este pedido. Quanto aos demais depósitos, caberia ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Não tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, devendo ser mantido os demais lançamentos por omissão de rendimentos. Portanto, verificase que, aos demais depósitos (incluindose aqui o referido no item IV.3), caberia ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Assim, as alegações do contribuinte, no entender da Turma julgadora, não foram devidamente acompanhadas de provas suficientes para afastar o lançamento. Assim, pretende o contribuinte fazer dos aclaratórios uma terceira instância recursal, o que é incabível. Por tais razões, carece de razão o Embargante em relação ao item IV.3. 3. Do serviço de intermediação de compra e venda de precatórios judiciais impossibilidade de tributação de valores de titularidade de terceiros (proprietários do direito de crédito) Item IV.4 dos Embargos No que toca ao item “IV.4”, constatase que o Contribuinte em seu recurso se insurge contra esse ponto do lançamento alegando no item V.5 "DO SERVIÇO DE INTERMEDIAÇÃO DE COMPRA E VENDA DE PRECATÓRIOS JUDICIAIS IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO DE VALORES DE TITULARIDADE DE TERCEIROS (PROPRIETÁRIOS DO DIREITO DE CRÉDITO O despacho de admissibilidade foi no sentido de que, embora o acórdão embargado, ainda que não tenha identificado erro ou imprecisão nos valores de aquisição, venda e cálculo do ganho de capital, não se manifestou, especificamente, sobre o serviço de Fl. 1918DF CARF MF Processo nº 10980.720493/201479 Acórdão n.º 2202004.137 S2C2T2 Fl. 1.919 11 intermediação de compra e venda de precatórios judiciais, além da impossibilidade de tributação de valores de titularidade de terceiros (proprietários do direito de crédito). Conforme elucidado nas razões recursais, o Embargante, ao negociar a intermediação da compra e venda de precatórios judiciais, recebia em sua conta bancária o valor do precatório negociado. Por sua vez, retinha seu pequeno percentual de comissão pelo serviço prestado (1% a 2%), e repassava o respectivo saldo para o vendedor do direito creditório. Segundo o contribuinte, tais alegações foram devidamente comprovadas com a apresentação de demonstrativo do cruzamento realizado entre o ingresso de valores na conta corrente fiscalizada (por meio dos extratos com numeração dos cheques (Doc. 10 da peça impugnatória) e dos contratos de cessão de créditos (Doc. 04 da peça impugnatória), os quais evidenciariam que o Embargante atuou como mero intermediário das partes (procurador), sendo os ingressos decorrentes deste contrato de titularidade de terceiros. Verifico que o acórdão não possui a omissão alegada, consoante trecho do voto abaixo transcrito, com grifos: "Independentemente da tributação relativa aos depósitos bancários de origem não comprovada, previsto no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, o contribuinte demonstrou e o trabalho de fiscalização detalhou por meio de intimações a cartórios e às partes nas negociações dos precatórios, conforme documentos de fls. 402 a 1305, de fls. 1350 a 1370 e de fls. 1401 a 1420, que houve várias operações de alienação de direitos creditórios. O contribuinte, a este respeito, considera inquestionável que o IRPF incidente sobre operações de venda de direitos creditórios somente poderá incidir sobre eventual diferença no valor de aquisição pago por ele e o valor de revenda do título (variação positiva), conforme regra inserta nos arts. 2º e 3° da Instrução Normativa SRF n° 84/2001. Muito embora o interessado faça a alegação acima, não identificou em nenhuma das operações de venda de precatórios, tributada no presente, qualquer erro ou imprecisão nos valores de aquisição de venda utilizados ou, ainda, no cálculo do ganho de capital propriamente dito e na aplicação da alíquota correspondente. Assim, há que se manter o lançamento dos ganhos de capital na alienação de bens e direitos." Nos Embargos de Declaração apresentados, o contribuinte segue sem apresentar qualquer erro ou imprecisão nos valores de aquisição de venda utilizados ou, ainda, no cálculo do ganho de capital propriamente dito e na aplicação da alíquota correspondente, se limitando a fazer remissão ao Doc. 10 da peça impugnatória e aos contratos de cessão de créditos (Doc. 04 da peça impugnatória), os quais, no entender da Turma julgadora, não foram suficientes para afastar o lançamento. Portanto, não verifico omissão a ser sanada quanto ao item IV.4, haja vista ter sido claro o acórdão ao referir que o contribuinte não identificou em nenhuma das operações de venda de precatórios, tributada no presente, qualquer erro ou imprecisão nos valores de aquisição de venda utilizados ou, ainda, no cálculo do ganho de capital propriamente dito e na aplicação da alíquota correspondente. Fl. 1919DF CARF MF Processo nº 10980.720493/201479 Acórdão n.º 2202004.137 S2C2T2 Fl. 1.920 12 Assim, a mera alegação, desacompanhada de prova, não é suficiente para afastar o lançamento. 4. Conclusão Ante o exposto, voto por rejeitar os Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 1920DF CARF MF
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