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Numero do processo: 10580.010261/2007-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2002
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LANÇAMENTO POR
HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA.
Nos lançamentos por homologação, tendo sido antecipado o pagamento, estão extintos pela decadência os créditos tributários lançados para os quais já se tenha exaurido o lapso temporal de cinco anos contado da ocorrência do fato gerador.
PAGAMENTO ANTECIPADO. SÚMULA CARF Nº 99
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
Numero da decisão: 2201-003.449
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2002 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Nos lançamentos por homologação, tendo sido antecipado o pagamento, estão extintos pela decadência os créditos tributários lançados para os quais já se tenha exaurido o lapso temporal de cinco anos contado da ocorrência do fato gerador. PAGAMENTO ANTECIPADO. SÚMULA CARF Nº 99 Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Nos lançamentos por homologação, tendo sido antecipado o pagamento, estão extintos pela decadência os créditos tributários lançados para os quais já se tenha exaurido o lapso temporal de cinco anos contado da ocorrência do fato gerador. PAGAMENTO ANTECIPADO. SÚMULA CARF Nº 99 Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 24/02/2017 A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 05 80 .0 10 26 1/ 20 07 -9 2 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária vereiro de 2017 vereiro de 2017 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS COBRATEC SEGURANÇA INTEGRADA LTDA COBRATEC SEGURANÇA INTEGRADA LTDA FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 187DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório O presente processo trata de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, NFLD 37.071.879-8, fl. 2 a 52, referente às contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, Empregados, Empresa, inclusive para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais de trabalho, e Terceiros. Os valor originário lançado de R$ 171.082,86 é relativo ao período de apuração de janeiro de 1999 a março de 2002, sobre o qual incidiram multa e juros, que totalizaram o crédito tributário constituído de R$ 376.397,90, fl. 2. Ciente do lançamento em 26 de julho de 2007, conforme AR de fl. 89, inconformado, o contribuinte formalizou a impugnação de fl. 94, lastreada nas seguintes questões: II - DA PRELIMINAR - AUSÊNCIA DE CLAREZA DA NFLD - SUPRESSÃO DO DIREITO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO.(...) fl. 95 “Portanto, informações generalizadas e imprecisas, ausência da descrição pormenorizada da forma de calcular a atualização monetária, os juros de mora, e, ainda, a ausência de definição da natureza da dívida, por si só, já implicam em NULIDADE do lançamento fiscal realizado”, fl. 99. III - DO MÉRITO A) DA DECADÊNCIA .(...) fl. 100 “Considerando que a lavratura desta autuação só se deu em julho de 2007, e que o prazo decadencial inicia-se com a ocorrência do fato gerador, É INQUESTIONÁVEL A DECADÊNCIA DE TODO O PERÍODO LAVRADQ - 01/1999 a 03/2003 -, PELO QUE FULMINADAS DE TOTAL IMPROCEDÊNCIA”, fl 105. B) DA IMPOSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS SOBRE O AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO QUANDO HÁ DESCONTO EM FOLHA.(fl; 106) É que o referido auxílio prestado pela Impugnante se dá mediante o desconto em folha de pagamento, o que afasta a incidência das contribuições previdenciárias, consoante reiterada jurisprudência...”(...), fl. 106 Assim sendo, resta evidente que o auxílio prestado pela Impugnante não pode ser considerado como salário-de- contribuição e, via de conseqüência, não pode ser base de cálculo de contribuições sociais. fl. 112. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10580.010261/2007-92 Acórdão n.º 2201-003.449 S2-C2T1 Fl. 188 3 C) DA ILEGALIDADE E DA INCONSTITUCIONALIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES EXIGIDAS. fl. 112 C.l) DA CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. fl. 113 Ocorre que a exigência da contribuição sobre autônomos denota falta de qualquer suporte de juridicidade. Com efeito, após a edição da Lei 8.212/91 e posteriormente da Lei n° 9.528/97, as empresas em geral passaram a ser obrigadas a recolher 20% (vinte por cento) sobre o total dos valores pagos a qualquer título, aos segurados empregados, que lhe prestem serviços, inclusive em virtude da Lei Complementar n° 84/96, obrigadas a recolher 15% (quinze por cento) sobre o total dos valores pagos a trabalhadores autônomos. Tais dispositivos além de majorarem a alíquota aplicável criaram também um novo campo de incidência tributária, qual seja, a exação ora questionada. Todavia, incabível é tal exigência, por alguns motivos básicos e igualmente relevantes. A começar pelo fato dessa Contribuição ter sido criada para custear a chamada Seguridade Social, sendo, porém deteminado no art. 195, inciso I, da Constituição Federal, que a seguridade seria financiada através de contribuições dos empregadores incidentes sobre a folha de salário, o faturamento e o lucro. Óbvio, portanto, que os pagamentos efetivados aos autônomos não têm natureza salarial, posto que não se lhes pode atribuir vínculo de emprego, 0 que, em qualquer hipótese, estaria vedada a dupla incidência de gravame, conforme se depreende do disposto no art. 154, da Constituição Federal. C.2) SEGURO ACIDENTE DO TRABALHO - SAT, fl 114. (...) O inciso II do art. 22, da Lei n° 8.212/91, deixou de conceituar elementos essenciais para que a cobrança da Contribuição fosse possível, tais como: o que se deve entender por “atividade preponderante” e “risco de acidente do trabalho leve”, “médio” ou “grave”, tendo o Poder Executivo editado o Decreto n° 612/92, que, nos parágrafos do seu art. 26, conceituou tais elementos.(...) Em suma, a legalidade tributária não se conforma com a mera autorização da lei para a cobrança de tributos, requer-se que a própria lei defina todos os aspectos pertinentes ao fato gerador necessários à quantificação do tributo devido em cada situação concreta que venha a espelhar a situação hipotética descrita na 1ei, fl. 116" É, portanto, ilegal e inconstitucional a exigência da contribuição ao SAT da Impugnante, razão pela qual deve ser julgada improcedente o lançamento feito sobre esta rubrica, fl. 117. C.3) DA INCORREÇÃO NAS ALÍQUOTAS APLICADAS ÀS CONTRIBUIÇÕES PARA TERCEIROS, fl. 117 Fl. 189DF CARF MF 4 (...)somente poderiam ser imputados os valores referentes às rubricas:Salário-educação a 2,5%, INCRA a 0,2% e SEBRAE a 0,6%, totalizando uma alíquota de 3,3% sobre a folha de salários. A Impugnante não exerce atividade comercial, mas sim presta serviços de natureza eminentemente civil, razão pela qual devem ser afastadas da alíquota os 2,5% referentes ao SESC e ao SENAC. É, destarte, o que desde já se requer, fl. 120. D) SELIC - IMPOSSIBILIDADE DE SUA UTILIZAÇÃO COMO TAXA DE JUROS MORATÓRIOS, fl 120 À vista disto, resta nítido o deslize do Legislador Ordinário, que, ao invés de instituir a taxa de juros de natureza moratória como reza a lei complementar, quis equiparar a SELIC à taxa de juros moratórios, o que não é possível em face de sua condição estritamente remuneratória da SELIC, perfeitamente caracterizada pela lei que a criou. Neste sentido, ao estipular percentuais diversos daqueles permitidos pelo CTN, a Lei 9.065/95 fere frontalmente direitos básicos por ele garantidos já que é hierarquicamente inferior, não podendo contrariá-lo ou alterá-lo, , fl. 123. E) COBRANÇA DE MULTA COM CARÁTER CONFISCATÓRIO: AFRONTA ÀS GARANTIAS CONST1TUCIONA1S, fl. 125. Assim, deve se atentar ao fato de que, por mais que assuma caráter punitivo, a multa não pode gerar a incapacidade de agir economicamente, deveria ela ser antes proporcional e corresponder a um valor compatível com a realidade dos fatos, fl. 127. F) DA APLICAÇÃO DA NORMA CONSTITUCIONAL EM DETRIMENTO DA INCONSTITUCIONAL, fl. 127. Resta incontestável que pode e deve a autoridade administrativa deixar de aplicar lei ilegal e inconstitucional em caso concreto. Neste tocante, a NFLD ora combatida desconhece princípios constitucionais que corroboram o procedimento da Impugnante, devendo ser reformada, pois inconsistente com as normas legais que tratam da matéria, fl. 131. Na análise da impugnação, a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador/BA considerou procedente em parte o lançamento, promovendo a exclusão das alíquotas de 1,5% referente ao SESC, 1% referente ao Senac e 0,6% referente ao SEBRAE, o que importou em redução do valor originário para R$ 13.404,05, fl. 148/166. As conclusões do julgamento em 1ª instância podem ser assim resumidas: Preliminar de cerceamento de defesa (fl. 156): ao analisar os aspectos formais da NFLD em discussão, o Colegiado entendeu presentes todos os requisitos de sua validade; Decadência (fl. 157): pleito indeferido, já que sendo o art. 45 da Lei 45 da Lei 8.212/91 norma válida e eficaz, o prazo para lançamento é de dez anos contado da ocorrência do fato gerador. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10580.010261/2007-92 Acórdão n.º 2201-003.449 S2-C2T1 Fl. 189 5 Alimentação (fl. 158): a tributação de tal matéria foi objeto da NFLD 37.071.878-0, não tendo sido lançadas no presente contribuições sobre verbas dessa natureza; Ilegalidade e inconstitucionalidade (fl. 158): embora tenha consignado que não cabe ao órgão administrativo fazer juízo de ilegalidade ou inconstitucionalidade de ato normativo, o voto condutor entendeu que devem ser excluídas as alíquotas de: 1,5%, referente ao SESC, 1%, referente ao SENAC, e 0,6%, referente ao SEBRAE, permanecendo as alíquotas de: 2,5%, referente ao Salário-Educação, e 0,2%, referente ao INCRA, já que, em razão do Parecer CJ/MPAS nº 1.861/99, que fixou entendimento de que empresas prestadoras de serviço, por não serem empresas tipicamente comerciais, não estariam obrigadas a recolher contribuições para o SESC e SENAC. Ciente do Acórdão da DRJ em 11 de agosto de 2008, AR de fl. 168, ainda inconformado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fl. 170, em 10 de setembro de 2008, no qual discorre sobre as razões que, no seu entendimento, justificariam a reforma da decisão de 1ª instância. Tais razões foram detalhadamente expostas nos seguintes tópicos do Recurso, sendo, basicamente, a reafirmação dos mesmos tópicos já tratados na impugnação: A) Decadência das competências lançadas; B) Ilegalidade e inconstitucionalidade das contribuições ao Seguro Acidente do Trabalho - SAT; C) Cobrança de multa com caráter confiscatório e utilização da Selic como taxa de juros moratórios. Em seus pedidos, pleiteia o reconhecimento da decadência para o período fiscalizado e a total improcedência da NFLD em tela. Requer, ainda, caso não aceitas as alegações de mérito suscitadas, a revisão de multas e juros. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Em razão de ser tempestivo e por preencher demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. DA DECADÊNCIA DAS COMPETÊNCIAS LANÇADAS. Quanto ao tema, assim restou ementada a decisão recorrida, fl. 148: DECADÊNCIA. O direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos somente extingue-se após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, conforme art. 45 da Lei n° 8.212/91. Fl. 191DF CARF MF 6 Sobre o amparo legal da decisão recorrida no que se refere à decadência, o Supremo Tribunal Federal STF declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, editando a Súmula Vinculante n° 08, nos seguintes termos: Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Assim, resta evidente a inaplicabilidade do art. 45 da lei 8.212/91 para amparar o direito da fazenda pública em constituir o crédito tributário mediante lançamento, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições previdenciárias sujeitam-se aos artigos 150, § 4º, e 173 da Lei 5.172/66 (CTN), cujo teor merece destaque: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Grifou-se Para a aplicação da contagem do prazo decadencial, este Conselho adota o entendimento do STJ, no Recurso Especial nº 973.733/SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, e, portando, de observância obrigatória neste julgamento administrativo. Assim, o prazo decadencial inicia sua fluência com a ocorrência do fato gerador quando há antecipação do pagamento, conforme artigo 150, § 4º do CTN. Conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o contribuinte não antecipa o pagamento devido, ou ainda quando se verifica a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Em relação à verificação da ocorrência do pagamento, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou, uniforme e reiteradamente, tendo sido editada Súmula, de observância obrigatória nos termos do art. 72 do RICARF, cujo teor destaco abaixo: Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10580.010261/2007-92 Acórdão n.º 2201-003.449 S2-C2T1 Fl. 190 7 "Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração." Quanto à existência de antecipação de pagamentos para os períodos de apuração contemplados no lançamento em lide, o Relatório de Documentos Apresentados - RDA, fl. 37/39, não deixam dúvidas de que, em todos os meses compreendidos entre janeiro de 1999 e março de 2002, houve recolhimentos de contribuições, seja por meio de GPS no código 2100, seja por meio de retenções na fonte nos termos do art. 31 da lei 8.212/91. Desta forma, não tendo sido observada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, para todas as competência lançadas, o prazo decadencial inicia sua contagem a partir da ocorrência do fato gerador. Portanto, considerando que a ciência do lançamento ocorreu em 28 de julho de 2007, evidencia-se a decadência suscitada pela recorrente, a qual alcança todo o lançamento, já que o PA mais recente levantado na ação fiscal foi março de 2002, cujo prazo decadencial expirou em 31 de março de 2007. Conclusão: Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais acima expostos, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, dou-lhe provimento para considerar fulminados pela decadência todos o débitos contidos na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 37.071.879-8. Quanto às demais matérias questionadas pela recorrente, deixo de analisá-las, por restarem prejudicadas em razão da decadência reconhecida. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator Fl. 193DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.720105/2009-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 03 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-002.451
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), JOSÉ LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, CASSIO SCHAPPO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAÚJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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Data do fato gerador: 30/11/2004, 31/12/2004, 31/01/2005, 28/02/2005, 31/03/2005. NULIDADE. DESCRIÇÃO DOS FATOS NO AUTO DE INFRAÇÃO. A ausência de descrição dos fatos pode acarretar a nulidade do lançamento conforme Art. 142 do CTN e 59 do PAF (Decreto 70.235/72), assim como a presença da descrição dos fatos, ainda que breve e concisa, de forma inversamente proporcional não pode acarretar a nulidade do lançamento. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. COMÉRCIO ATACADISTA. INCIDÊNCIA DO IPI. O estabelecimento que revende e comercializa produtos importados ou produzidos por outra pessoa jurídica são equiparados a estabelecimento industrial para efeitos de incidência do IPI e, portanto, devem recolher e destacar o IPI nas notas fiscais de saída em conformidade com previsão expressa dos Art. 9º, §4º, do RIPI/2002 e Art. 24, inciso III. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 01 05 /2 00 9- 23 Fl. 360DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), JOSÉ LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, CASSIO SCHAPPO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAÚJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 325 em face da decisão de primeira instância deste procedimento administrativo fiscal, a DRJ/PA de fls. 310, que manteve parcialmente o lançamento de IPI (vide fls. 3 e 11) com juros e multa, em razão de produto saído do estabelecimento sem o lançamento do IPI. Como é de costume desta Turma de julgamento a transcrição do relatório do Acórdão de primeira instância, segue para apreciação conforme fls. 310 apontadas acima: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado pela DRF Recife/PE contra a empresa acima identificada, em que foi lançado crédito de IPI no valor total de R$ 59.898,62, incluídos multa proporcional e juros de mora. 2. Segundo a descrição dos fatos, a partir dos arquivos magnéticos, documentos e livros fiscais solicitados e fornecidos pela empresa, foi possível analisar a escrituração fiscal do contribuinte e a situação da apuração do imposto. 3. Foi verificado pela fiscalização que a impugnante é um centro de distribuição cujo objeto principal é o comércio atacadista de produtos fabricados por outros estabelecimentos da mesma empresa, equiparado, portanto, a estabelecimento industrial, com obrigação do lançamento do imposto nas saídas dos produtos, o que não foi feito. 4. A fiscalização ainda afirma: “Verificamos pela planilha “DEMONSTRATIVO DAS NOTAS FISCAIS DE ENTRADAS COM CRÉDITOS DO IPI”, anexa, que nas entradas dos referidos produtos ocorrem com crédito do IPI, conforme CFOP 1949, 2152, 2202, 2949, mas nas saídas dos referidos produtos, o sujeito passivo não fez o DEVIDO lançamento do IPI, ficando claro e evidente a falta de destaque do IPI.” 5. Cientificada em 16.04.2009 (AR fl. 13), a empresa apresentou, tempestivamente, em 20.05.2005, impugnação (fls. 245/259) na qual alega: a) Preliminarmente, requer a nulidade do lançamento por não haver a fiscalização descrito adequadamente os fatos que teriam conduzido à conclusão acerca da equiparação do estabelecimento. Argumenta: “Conforme se verá mais abaixo, para a ocorrência da referida equiparação se faz necessária a demonstração da natureza das Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10480.720105/200923 Acórdão n.º 3201002.451 S3C2T1 Fl. 361 3 operações de entradas, como, por exemplo, recebimento de produtos importados, industrializados ou mandados industrializar por outro estabelecimento do mesmo contribuinte. Porém, em parte alguma do Auto de Infração a d. fiscalização federal comprovou que o estabelecimento autuado da Impugnante efetivamente se enquadra como um estabelecimento equiparado a industrial. Nesse sentido, o Auto de Infração é desprovido de uma adequada ‘descrição do fato’ e indicação da correta ‘disposição legal infringida’. Diante de tal situação, somente é possível concluir que o Auto de Infração ora impugnado não respeitou os pressupostos legais estabelecidos nos arts. 10 e 11 do Decreto n°. 70.235/72, sendo, portanto, nulo (...)” b) Acrescenta que a fiscalização desprezou o princípio da verdade material, na medida que não trouxe qualquer elemento probante que pudesse embasar a exigência fiscal consubstanciada pelo Auto de Infração; c) “Em momento algum, a d. fiscalização se preocupou em demonstrar a origem dessas operações de saída, isto é, a d. fiscalização deveria para cada uma das operações listadas, enumerar as correspondentes operações de entradas no estabelecimento autuado.”; d) “Isto porque, sem a cautela dessa demonstração detalhada das operações de entradas, o argumento de que o estabelecimento autuado se equipara à industrial, por força de que exerce o comércio de produtos industrializado por outro estabelecimento de sua propriedade conforme prevê o art. 9º do RIPI/2002 , tornase mera ilação, haja vista que nada impede que os produtos sob os quais recai a autuação, tenham sido adquiridos de outra empresa do seu grupo econômico (inscrita sob outro CNPJ) ou mesmo de qualquer outro fornecedor, fabricante ou industrial.”; e) “O que a Impugnante pretende demonstrar, é que eventual levantamento das entradas dos produtos cujas saídas foram autuadas, acarretaria na demonstração de que tais produtos não tiveram, provavelmente, origem em industrializações de estabelecimento de sua propriedade recebidos em transferências para comercialização no atacado.”; f) Além dos argumentos acima, contesta as alíquotas utilizadas para reconstituição da escrita e lançamento do imposto, apontando que as mesmas já haviam sido reduzidas para zero pelo Decreto nº 5.282, de 2004, com efeitos a partir de 1º de novembro de 2004. g) Ao final, requer: “Em face de todo o exposto, requer a Impugnante que, seja acolhida sua arguição preliminar com a declaração da nulidade da peça acusatória, ou, à vista da clara incompatibilidade do Auto de Infração com os preceitos legais mencionados, seja o Fl. 362DF CARF MF 4 lançamento julgado inteiramente insubsistente, cancelandose a peça acusatória determinandose o seu arquivamento. Por fim, protesta a Impugnante pela posterior juntada de documentos que comprovem o quanto mais acima alegado.” Este Acórdão de primeira instância da DRJ/PA foi publicado com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 30/11/2004, 31/12/2004, 31/01/2005, 28/02/2005, 31/03/2005. ALÍQUOTA. SABÕES EM BARRA. Com a alteração feita na redação do ex 03 do código 3401.11.90 da Tipi, pelo Decreto nº 5.282, de 2004, o mesmo passou a referirse aos sabões em geral e não somente aos perfumados. Assim, a partir de 1o. de novembro de 2004 os produtos “sabão em barra” relacionados no auto, estavam sujeitos à alíquota zero de IPI. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2009 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Deixam de proceder as argüições de nulidade quando inexistem nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. IMPUGNAÇÃO COM PROVAS. O contribuinte possui o ônus de impugnar com provas, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que esteja enquadrado nas alíneas do § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte." O processo digital foi distribuído e pautado em acordo com o regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10480.720105/200923 Acórdão n.º 3201002.451 S3C2T1 Fl. 362 5 Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Com relação a solicitação preliminar do contribuinte pela anulação do lançamento em razão de suposta ausência de descrição dos fatos, realmente um lançamento pode ser considerado nulo se verificado que não está presente a descrição dos fatos, de forma que o contribuinte tenha sua defesa prejudicada por não saber em razão do que irá apresentar sua defesa. Esta garantia é prevista de forma clara no Art. 59 do PAF (decreto 70.235/72) e reforçada em razão do Art. 142 do CTB. Contudo, de forma logicamente inversa, se a descrição dos fatos é encontrada no lançamento, não há como anular o lançamento em razão de possível ausência da descrição dos fatos. Verificase nos autos que, apesar de solicitar a nulidade do lançamento, o próprio contribuinte reconhece que o lançamento considerou que o contribuinte atua como comércio atacadista e por isto é equiparado a industrial. Logo, não há como anular o lançamento em razão do fiscal não ter individualizado a origem dos produtos comercializados. Salientase que o contribuinte passou por uma fiscalização e em momento algum apresentou documentos que comprovem o contrário, documentos que comprovem que a origem dos produtos poderia alterar o lançamento de forma favorável. Portanto, a alegação preliminar do contribuinte não merece provimento. Já com relação à solicitação de mérito, verificase nos autos que a autoridade fiscal apurou de forma correta o IPI, inclusive porque considerou o saldo credor para quantificar o lançamento (fls 15) e também cruzou de forma correta as informações do "demonstrativo das NFs de entrada com crédito de IPI" com as saídas sem lançamento dos CFOPs 1949, 2152, 2202, 2949. A DRJ/PA acatou as certeiras alegações do contribuinte com relação à alíquota zero dos produtos de NCM 3401.1900, em respeito ao Decreto 5.282/04 e exonerou o lançamento com relação a tais produtos, exceto com relação ao produto "Vim Clorex". Dessa forma, subiu a este Conselho somente a lide a respeito deste produto, que não possui alíquota zero e continua sem o recolhimento do IPI. Logo, é necessária a análise da situação para verificar se existem condições e motivos necessários para concluir se o contribuinte é equiparado a industrial e, portanto, deveria ter recolhido o IPI referente às saídas dos produtos "Vim Clorex". Partindo então para esta análise, verificase que o Relatório Fiscal de fls. 15 afirmou que o contribuinte informou durante a fiscalização que seria somente um Centro de Distribuição, que não havia comprado nenhum produto no período e que não produziu. Por outro lado, o fiscal verificou as NFs de entrada assim como o objeto social do contribuinte e concluiu que sua atividade é o comércio atacadista. Em âmbito de impugnação o contribuinte não repetiu estas alegações. Fl. 364DF CARF MF 6 É importante considerar que o contribuinte é empresa conhecida e em razão dos produtos comercializados em questão, realmente faz sentido que a empresa seja comercial atacadista. Inclusive, o contribuinte não provou o contrário. Portanto, o lançamento partiu de uma constatação de fatos comerciais e documentos. Em sua impugnação de fls. 245, o contribuinte afirma que recebe o produto importado, que este é industrializado ou enviado para industrialização por outro CNPJ do contribuinte e que diante disto, o lançamento não teria comprovado ser o contribuinte um estabelecimento equiparado a industrial. Mas apesar das alegações, verificase que a defesa é genérica a não colaciona nenhuma prova a seu favor. A partir desta questão comercial, poderá ser verificado se o contribuinte se enquadra nas hipóteses de equiparação do Art. 9 do RIPI/2002, transcrito a seguir. "Art. 9º Equiparamse a estabelecimento industrial: I os estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira, que derem saída a esses produtos (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso I); II os estabelecimentos, ainda que varejistas, que receberem, para comercialização, diretamente da repartição que os liberou, produtos importados por outro estabelecimento da mesma firma; III as filiais e demais estabelecimentos que exercerem o comércio de produtos importados, industrializados ou mandados industrializar por outro estabelecimento do mesmo contribuinte, salvo se aqueles operarem exclusivamente na venda a varejo e não estiverem enquadrados na hipótese do inciso II (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso II, e § 2º, Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 1ª, e Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 37, inciso I); IV os estabelecimentos comerciais de produtos cuja industrialização haja sido realizada por outro estabelecimento da mesma firma ou de terceiro, mediante a remessa, por eles efetuada, de matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, recipientes, moldes, matrizes ou modelos (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso III, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 33ª); V os estabelecimentos comerciais de produtos do Capítulo 22 da TIPI, cuja industrialização tenha sido encomendada a estabelecimento industrial, sob marca ou nome de fantasia de propriedade do encomendante, de terceiro ou do próprio executor da encomenda (Decretolei nº 1.593, de 21 de dezembro de 1977, art. 23); VI os estabelecimentos comerciais atacadistas dos produtos classificados nas posições 71.01 a 71.16 da TIPI (Lei nº 4.502, de 1964, observações ao Capítulo 71 da Tabela); VII os estabelecimentos atacadistas e cooperativas de produtores que derem saída a bebidas alcoólicas e demais produtos, de produção nacional, classificados nas posições 22.04, 22.05, 22.06 e 22.08 da TIPI e acondicionados em recipientes de capacidade superior ao limite máximo permitido para venda a Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10480.720105/200923 Acórdão n.º 3201002.451 S3C2T1 Fl. 363 7 varejo, com destino aos seguintes estabelecimentos (Lei nº 9.493, de 1997, art. 3º): a) industriais que utilizarem os produtos mencionados como insumo na fabricação de bebidas; b) atacadistas e cooperativas de produtores; ou c) engarrafadores dos mesmos produtos. VIII – os estabelecimentos comerciais atacadistas que adquirirem de estabelecimentos importadores produtos de procedência estrangeira, classificados nas posições 33.03 a 33.07 da TIPI (Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, art. 39); IX os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, observado o disposto no § 2º ( Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 79); e X os estabelecimentos atacadistas dos produtos da posição 87.03 da TIPI (Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 12). § 1º Na hipótese do inciso IX, a Secretaria da Receita Federal – SRF poderá (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 80): I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; e II exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do adquirente. § 2º A operação de comércio exterior realizada nas condições previstas no inciso IX, quando utilizados recursos de terceiro, presumese por conta e ordem deste (Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, art. 29). § 3º No caso do inciso X, a equiparação aplicase, inclusive, ao estabelecimento fabricante dos produtos da posição 87.03 da TIPI, em relação aos produtos da mesma posição, produzidos por outro fabricante, ainda que domiciliado no exterior, que revender (Lei nº 9.779, de 1999, art. 12, parágrafo único). § 4º Os estabelecimentos industriais quando derem saída a MP, PI e ME , adquiridos de terceiros, com destino a outros estabelecimentos, para industrialização ou revenda, serão considerados estabelecimentos comerciais de bens de produção e obrigatoriamente equiparados a estabelecimento industrial em relação a essas operações (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso IV, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 1ª). Diante da ausência de provas a favor do contribuinte e diante do correto lançamento da autoridade fiscal, verificase que o contribuinte pode ser equiparado a industrial Fl. 366DF CARF MF 8 em razão do disposto no inciso III do Art. 9 do RIPI/2002. Ademais, nenhuma hipótese legal de exclusão da situação de equiparado a industrial foi apresentada e assim, diante de ausência de disposição expressa que permita não considerar o contribuinte como estabelecimento equiparado a industrial no presente processo, assim deve ser considerado. Os estabelecimentos equiparados a industrial, conforme previsto no artigo 24, inciso III do RIPI/2002, devem recolher o IPI em relação aos produtos que deles saírem: "Art. 24. São obrigados ao pagamento do imposto como contribuinte: III o estabelecimento equiparado a industrial, quanto ao fato gerador relativo aos produtos que dele saírem, bem assim quanto aos demais fatos geradores decorrentes de atos que praticar (Lei n° 4.502, de 1964, art. 35, inciso I, alínea a)." Em sendo estes os dispositivos legais que regem a matéria, mostrase correta a exigência do tributo em relação à saída dos produtos "Vim Clorex". Diante de todo exposto e, com fundamento nos Art. 9, III e 24, III do RIPI/2002, votase por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para negar a preliminar e negar o provimento ao mérito em razão de estar correta a decisão de primeira instância, mantendo a cobrança do IPI com juros e multa sobre os produtos "Vim Clorex". Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 367DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13807.004518/99-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2402-000.602
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 07 .0 04 51 8/ 99 -4 7 Fl. 150DF CARF MF Processo nº 13807.004518/9947 Resolução nº 2402000.602 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo – DRJ/SPO, que julgou procedente Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF (fls. 73/74), relativo ao ano calendário 1993, 1994 e 1995 / exercício 1994, 1995 e 1996. Consta do Auto de Infração, que o lançamento decorreu de omissões de rendimentos caracterizadas por i) acréscimo patrimonial a descoberto; e ii) ganhos de capital na alienação de bens e direitos. O lançamento resultou em imposto a pagar no valor de R$ 23.189,46, além de multa de ofício, R$ 17.392,10, e juros de mora calculados até 30/04/1999, R$ 18.904,60. Consta do Termo de Verificação Fiscal que, com base nos documentos trazidos aos autos, foram levantadas as seguintes situações: Exercício 1994 – AnoCalendário 1993 Declaração de valor superior ao efetivamente apurado na venda do imóvel situado à Rua Francisco de Vitória n° 8, Vila Mariana, São Paulo em 03/08/1993. O imóvel foi alienado por Cr$ 2.580.000,00, correspondentes a 60.294,46 UFIR, foi informado na declaração de bens, em 15/04/1993 por 156.673,81 UFIR; Procedida a análise de evolução patrimonial do ano calendário 1993, exercício 1994, apurouse acréscimo patrimonial a descoberto, no mês 12/1993, de 39.588,73 UFIR, não justificado ou comprovado por rendimentos tributáveis, isentos não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. Exercício 1995 – AnoCalendário 1994 Transmissão, a título de permuta, de imóvel situado à Rua Francisco de Vitória, nº 26, por imóvel situado à Rua Francisco de Vitória, n° 18, por R$ 28.500,00 (45.915,90 UFIR). Foi desconsiderada a venda do imóvel localizado na Rua Francisco de Vitória, nº 18, por R$ 80.000,00 (126.438,00 UFIR) em razão de a transação ter ocorrido no ano seguinte. Feita a análise de evolução patrimonial do ano calendário do anocalendário 1994, exercício 1995, apurouse acréscimo patrimonial a descoberto, nos meses 08 e 12/1994, de 19.906,50 UFIR e 46.543,14 UFIR, não justificado ou comprovado por rendimentos tributáveis, isentos ou não tributáveis e tributados exclusivamente na fonte. Exercício 1996 – AnoCalendário 1995 Venda do imóvel situado à na Rua Francisco de Vitória, nº 18, por R$ 60.000,00 (126.438,00 UFIR), discriminado equivocadamente na declaração de bens da Declaração de Rendimentos do exercício 1995, como alienado em 19/09/1994. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 13807.004518/9947 Resolução nº 2402000.602 S2C4T2 Fl. 4 3 Omissão de ganho de capital tributável de R$ 2.112,61 (custo de aquisição, R$ 45.915,90; alienação, R$ 60.000,00) Exercício 1998 – AnoCalendário 1997 Apurada irregularidade fiscal na empresa MESTOK INDUSTRIA E COMÉRCIO DE JÓIAS LTDA. e INTERBOX COMERCIO, IMPORTAÇAO E EXPORTAÇÃO LTDA., das quais o contribuinte é cotista. A irregularidade consistiu na verificação de “suprimento de caixa” não declarado em relação às referidas empresas. O lançamento levou em consideração o percentual de participação do sujeito passivo em cada uma das empresas (50% e 1/3, respectivamente). Como o contribuinte não apresentou os extratos mensais de sua movimentação financeira, a análise foi realizada com base na documentação disponível, o que inclui extratos anuais das contas correntes bancárias, poupança e aplicação financeira, considerandose, para efeito de análise de evolução patrimonial, apenas os saldos iniciais e finais das referidas contas. Foi desconsiderada para o exercício a alienação do veiculo Ford Royale GL 1.8, por falta de comprovação por meio de documentação idônea. Inconformado o sujeito passivo apresentou impugnação (fls. 78/80) alegando, em síntese, que: a) houve interpretação equivocada da documentação exibida, a qual resulta da dinâmica de sua atividade econômica; b) desenvolve muitas atividades que estão refletidas nas várias transações empreendidas; c) a documentação anexada aos autos demonstraria a inexistência de irregularidades; d) a transação do imóvel da Rua Francisco Vitória nº 18 estaria respaldada em um compromisso de compra e venda, restando desnaturada a omissão apontada; e) no instrumento particular de compromisso de venda exibido na impugnação constam os valores reais da negociação, devidamente corrigidos e transformados em UFIR; f) é irrepreensível a negociação envolvendo o imóvel da Rua Francisco Vitória nº 18, retratado no instrumento particular de compra e venda, datado de 19/09/1994, cujo o preço foi R$ 80.000,00, com três pagamentos ocorridos em 19/09/1994, 10/10/1994 e 25/10/1994 (com valor global correspondente ao informado na Declaração do Exercício 1995). Com base nos argumentos apresentados, pleiteia o acolhimento da impugnação para deferila integralmente, determinando o arquivamento do processo correspondente, atendidas as formalidades legais e apreciadas as provas carreadas ao feito. A 4ª Turma de Julgamento DRJ/SPO, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, conforme ementa do acórdão da decisão recorrida. Vejamos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Ano calendário:1993.1994. 1995 Ementa: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL DESCOBERTO. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM DE RECURSOS. Somente a apresentação de provas inequívocas é capaz de elidir uma Fl. 152DF CARF MF Processo nº 13807.004518/9947 Resolução nº 2402000.602 S2C4T2 Fl. 5 4 presunção legal de omissão de rendimentos invocada pela autoridade fiscal. Recibos e instrumentos particulares de compra e venda de imóvel sem registro público, desacompanhados da prova dos pagamentos nas datas e valores nele especificados, não são hábeis para afastar a fé pública dos documentos que embasaram o lançamento. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. Inalterados os dado relativos aos e data da alienação do imóvel objeto de tributação, confirmase o lançamento. Lançamento Procedente Por ocasião do recurso voluntário (fls. 137/143) o contribuinte alega, em resumo, que: a) Divergência nos dados relativos à alienação do imóvel situado na Rua Francisco de Vitória, 8 – Vila Mariana – SP: à época dos fatos, 1993, o país vivia uma onda inflacionária galopante que confundia até os funcionários do fisco, quem dirá os contribuintes, não obstante, o imóvel referenciado foi efetivamente alienado pelo valor declarado à fl. 5; a diferença substancial em relação aos valores declarados é a data em que a alienação foi levada a registro (a venda teria ocorrido em abril e registrada em agosto doc. de fl. 25); o contrato particular (fls. 101/111) e os recibos a ele referentes dão conta que a o ultimo recebimento teria ocorrido em 26/07/1993, sendo natural que somente então se lavrasse a escritura; b) anocalendário 1994: foi desconsiderada a alienação do imóvel situado na Rua Francisco de Vitória, 18 – Vila Mariana – SP, em virtude de a venda ter ocorrido em 18/08/1995, entretanto, os doc. de fls. 112/115 demonstrariam que esse imóvel foi vendido em 19/09/1994; o doc de fl. 35, somente corroboraria que o instrumento particular foi levado a registro na data nele constante e isso não poderia ser considerado como omissão de rendimento na apuração de acréscimo patrimonial a descoberto; c) anocalendário 1995 – apuração do ganho de capital na alienação do imóvel de Rua Francisco de Vitória, 18 – Vila Mariana – SP: teria sido demonstrado no item anterior que não houve equívoco quanto a esse ponto, pois a informação prestada na declaração de bens e direitos retratou os fatos efetivamente ocorridos; as decisões de segunda instância administrativas tem sido no sentido de que, uma vez comprovada, por meio de documentos apropriados, a disponibilidade financeira, impõese a exclusão da tributação. Reproduz excerto de acórdão que diz corroborar sua tese; d) anocalendário 1997 – suprimento de caixa não declarado: apresenta indagação em relação à informação consignada no Termo de Verificação Fiscal de que possui 1/3 do capital social da empresa Interbox Comércio, Importação e Exportação Ltda e assevera que a falta documento Fl. 153DF CARF MF Processo nº 13807.004518/9947 Resolução nº 2402000.602 S2C4T2 Fl. 6 5 nos autos aptos a lastrear tal informação tornaria o TVF imprestável neste ponto; no que tange ao suprimento de caixa da feito à empresa Mestok Indústria e comércio de jóias Ltda., deve ser caracterizado como empréstimo que foi reembolsado no mesmo exercício, não havendo acréscimo patrimonial e nem fato gerador do imposto; e) multa de ofício: a multa de ofício de 75% não se sustenta por inexistência de comprovação de fraude. Reproduz trecho de decisão administrativa que acredita sustentar sua tese. Reafirma os pedidos apresentados na impugnação ou, alternativamente, o afastamento da multa de ofício. É o relatório. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 13807.004518/9947 Resolução nº 2402000.602 S2C4T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto, dele conheço. Antes de analisarmos de forma exauriente as razões recursais, constatase que há questões que devem ser devidamente dirimidas pela autoridade administrativa competente (Fisco). Isso porque, examinando detidamente o presente Processo, verificase que, embora esteja consignado no Termo de Verificação Fiscal que o recorrente possui 1/3 do capital social da empresa INTERBOX COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, CNPJ nº 01.312.721/000108, inexistem documentos aptos a comprovar essa assertiva. Desse modo, entendeuse pela necessidade de se converter o julgamento em diligência, a fim de que sejam carreados aos autos os elementos que demonstrem, de forma inequívoca, a efetiva participação do recorrente no capital da referida empresa no ano calendário 1997. Após a elaboração da Informação (Parecer), o Fisco deverá dar ciência à recorrente desta decisão e do Parecer (Informação), com os demonstrativos e cópias que se fizerem necessários, e concederá prazo de 30 (trinta) dias, da ciência, para que o recorrente, caso deseje, apresente recurso complementar, o qual deverá versar, sob pena de não conhecimento, exclusivamente sobre o objeto da presente diligência. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para as providências solicitadas. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 155DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.916034/2009-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir, o qual deve ser exercido oportunamente e de forma materialmente suficiente à demonstração do direito pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.900
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do presente acórdão.
(Assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do presente acórdão. (Assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS. Aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir, o qual deve ser exercido oportunamente e de forma materialmente suficiente à demonstração do direito pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do presente acórdão. (Assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 60 34 /2 00 9- 58 Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10783.916034/200958 Acórdão n.º 3402003.900 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de compensação declarada em PER/DCOMP apresentada pelo contribuinte, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente, a título de COFINS, atinente ao período de apuração indicado na folha de rosto do acórdão. Por meio de Despacho Decisório eletrônico, negouse homologação à compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada improcedente pela DRJ sob os seguintes fundamentos: i) o contribuinte não indicou como apurou o crédito que alega possuir e indicado na Declaração de Compensação e ii) o contribuinte não juntou quaisquer provas do referido crédito. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual alega inauguralmente que a questão não necessitaria de produção de provas, por se tratar de incidência de COFINS sobre receitas financeiras, declarada inconstitucional pelo STF no RE nº 346.084. Ao final, solicita a realização de diligência. É o relatório. Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.885, de 28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10783.914970/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.885): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. O Despacho Decisório contestado nesse processo administrativo teve sua homologação negada sob fundamento do crédito alegado ter sido utilizado integralmente para quitar débitos da pessoa jurídica. Desde o início, o contribuinte não juntou qualquer documentação fiscal ou contábil que permita determinar o valor do crédito ou pelo menos um mínimo lastro probatório de sua existência. Menos ainda, sequer articulou argumento que sustentasse as razões para a Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10783.916034/200958 Acórdão n.º 3402003.900 S3C4T2 Fl. 4 3 manutenção do crédito pretendido, limitandose a afirmar a sua existência. O Decreto n° 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, é expresso no sentido de que o contribuinte deve trazer ao litígio todos os motivos de contrariedade, acompanhados dos elementos probatórios que fundamentem suas alegações. Senão vejamos: Art. 15 A impugnação, formalizado por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30(trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(inciso III com redação determinada pela Lei 8. 748/1993) §4. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razoes posteriormente trazidos aos autos. Como precisamente apontado na decisão a quo, aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir alegar e não provar é o mesmo que não alegar. Tampouco se vislumbra nos autos quaisquer das exceções previstas no art. 16, §4º do Decreto 70.235/72. Assim, operouse a preclusão acerca do direito do contribuinte de produzir quaisquer provas do seu crédito, o que nos permite seguramente corroborar as conclusões alcançadas pela DRJ. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte traz uma reconstrução da discussão que culminou na declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718, para afirmar que o crédito se refere a receitas financeiras que compuseram a base de cálculo, o que causou o pagamento indevido das contribuições sociais. Quanto a este argumento, além de encontrar óbice no art. 17 do Decreto 70.235/72 (Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.), não foi corroborado por qualquer prova nos autos, sequer existindo algum indício disto. Tratase de uma afirmação tão vazia quanto à afirmação do crédito na Manifestação de Inconformidade, não merecendo qualquer guarida deste Colegiado. Por fim, alega o Recorrente: Concluindo, o recolhimento a maior de parte do darf de RS 25.045,85 é decorrente do alargamento da base de cálculo do COFINS (código de receita 2172), a qual deu fundamento para a Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10783.916034/200958 Acórdão n.º 3402003.900 S3C4T2 Fl. 5 4 compensação ora não homologada, o que poderá ser comprovado por mera diligência fiscal. O autor simplesmente alega a necessidade de uma diligência fiscal, mas sem atender aos requisitos do art. 14, IV do Decreto 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. A despeito da falha do Recorrente em indicar os elementos necessários para a solicitação de uma diligência, ainda assim o Colegiado poderia propor a conversão do julgamento em diligência se entender necessária, nos termos do art. 18 do Decreto 70.235/72: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Todavia, a diligência não tem a função de, atuando em lugar do Contribuinte, atender a um ônus probatório que não foi observado por este, mas sim esclarecer fatos que foram aventados no processo. Desse modo, nego o pedido de diligência. Conclusão Forte no exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, por absoluta ausência de provas no processo." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao Recurso Voluntário, por absoluta ausência de provas no processo. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.004110/2008-78
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano calendário: 2003
OMISSÃO NA ENTREGA DA DCTF. OPÇÃO SIMPLES FEDERAL.
Comprovada a omissão na entrega da DCTF sujeitase
o contribuinte às penalidades da lei de regência, não confirmada a condição de optante pelo SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96).
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário:2003
PEDIDO DE INCLUSÃO RETROATIVA. NOVA DISCUSSÃO.
Não é possível nova apreciação das razões acerca do pedido de inclusão retroativa ao SIMPLES FEDERAL, quando o mérito da matéria já foi objeto de exame em processo específico definitivamente julgado no âmbito administrativo.
Numero da decisão: 1803-001.008
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano calendário: 2003 OMISSÃO NA ENTREGA DA DCTF. OPÇÃO SIMPLES FEDERAL. Comprovada a omissão na entrega da DCTF sujeitase o contribuinte às penalidades da lei de regência, não confirmada a condição de optante pelo SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário:2003 PEDIDO DE INCLUSÃO RETROATIVA. NOVA DISCUSSÃO. Não é possível nova apreciação das razões acerca do pedido de inclusão retroativa ao SIMPLES FEDERAL, quando o mérito da matéria já foi objeto de exame em processo específico definitivamente julgado no âmbito administrativo.
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OPÇÃO SIMPLES FEDERAL. Comprovada a omissão na entrega da DCTF sujeitase o contribuinte às penalidades da lei de regência, não confirmada a condição de optante pelo SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 PEDIDO DE INCLUSÃO RETROATIVA. NOVA DISCUSSÃO. Não é possível nova apreciação das razões acerca do pedido de inclusão retroativa ao SIMPLES FEDERAL, quando o mérito da matéria já foi objeto de exame em processo específico definitivamente julgado no âmbito administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira De Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Fl. 47DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10840.004110/200878 Acórdão n.º 18031.008 S1TE03 Fl. 42 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Meigan Sack Rodrigues. Relatório VIBROMAQ EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Versa o presente processo sobre notificação de lançamento (fl. 15), mediante a qual é exigido da contribuinte acima identificada crédito tributário relativo A multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF), relativa ao 2° trimestre do anocalendário de 2003, no valor de R$ 500,00. Ciente do lançamento, a contribuinte ingressou com impugnação (fls. 1/10) na qual solicita o cancelamento da exigência tributária, sob alegação de que não apresentou a referida declaração porque se encontrava devidamente inscrita no Simples, razão pela qual não fica obrigada a apresentação da referida declaração. Defendeu a legalidade de sua inclusão no Simples. A DRJ RIBEIRÃO PRETO/SP, através do acórdão 1426.477, de 15 de outubro de 2009 (fls. 19/20), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2003 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ciente da decisão em 25/11/2009, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 22v), apresentou o recurso voluntário em 17/12/2009 fls. 23/37, onde reitera os argumentos da inicial de que tem direito à inclusão retroativa no SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96) em virtude da atividade exercida, sendo inconstitucional a cobrança por ferir o princípio da irretroatividade da lei tributária. É o relatório. Fl. 48DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10840.004110/200878 Acórdão n.º 18031.008 S1TE03 Fl. 43 3 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de auto de infração emitido eletronicamente por atraso na entrega da DCTF do 2º Trimestre de 2003. Alega a recorrente em síntese: a) Que tem direito à inclusão retroativa, pois sua atividade não se assemelha à de engenheiro conforme equivocadamente foi considerada pela Receita Federal, sendo inconstitucional a cobrança por ferir o princípio da irretroatividade da lei tributária; b) Que se encontra pendente de decisão administrativa definitiva o processo que analisa o pedido de inclusão retroativa no qual demonstra que não realiza atividade vedada. Não assiste razão à interessada. Com efeito, conforme se observa dos elementos contidos nos autos, a empresa foi objeto de intimação para apresentação de DCTF’s de diversos períodos, ocasião em que formulou pedido para inclusão retroativa (fl. 39) desde a data de início de suas atividades – 18/05/2001. O pedido de inclusão retroativa foi formalizado no processo administrativo nº 10840.001896/200367 tendo sido rejeitado em todas as instâncias administrativas com fundamento no exercício de atividade vedada (assemelhada a engenheiro). No âmbito do então Terceiro Conselhos de Contribuintes, foi exarado o Acórdão 30238.460, de 28/02/2007 da 2ª Câmara, com o seguinte teor: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2001 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES. É vedada a opção pelo Simples para as pessoas jurídicas que prestam serviços de assistência técnica nas áreas de caldeiraria e mecânica industriais. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Conforme extrato do sistema COMPROT constante à fl. 18 deste processo, verificase que o processo administrativo contendo o pedido de inclusão retroativa já se encontra arquivado desde 18/04/2009, sendo, portanto definitiva a decisão. Fl. 49DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10840.004110/200878 Acórdão n.º 18031.008 S1TE03 Fl. 44 4 Destarte, sendo definitiva a decisão de não inclusão retroativa e sendo defeso nova apreciação por parte deste colegiado julgador, quanto ao mérito da negativa de ingresso no SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96), não há como acolher as alegações da recorrente. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 50DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/08/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH
score : 1.0
Numero do processo: 13888.723706/2012-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO ENTRE A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO RELATÓRIO FISCAL E DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPROVIDO.
Os argumentos e fundamentos utilizados no Relatório Fiscal servem, tão somente, para fundamentar o motivo que levou a fiscalização a lavratura do auto de infração. Assim, não há que se falar em cerceamento ao direito de ampla defesa do contribuinte, pois é justamente através desta fundamentação apresentada no Relatório Fiscal que lhe é permitido e garantido usufruir de tal direito com máxima eficiência.
PRELIMINAR. NULIDADE. LANÇAMENTO BASEADO EXCLUSIVAMENTE EM REGRAS CONTÁBEIS. IMPROVIDO.
Para uma situação de fato ser enquadrada nas normas fiscais e, consequentemente, apontar suas consequências tributárias, deve passar por um processo de interpretação e aplicação da norma ao caso concreto e, como é dever de qualquer autoridade administrativa, pela demonstração dos motivos que fundamentaram a sua decisão. Não há empecilho legal algum no sentido de desautorizar a utilização de fundamentos contábeis pela fiscalização para a demonstração da diferença entre a natureza das operações praticadas pelo contribuinte.
LIQUIDAÇÃO ANTECIPADA DE CONTRATOS NDF. MOTIVAÇÃO EXCLUSIVAMENTE FINANCEIRA. DESCARACTERIZAÇÃO DO HEDGE. INDEDUTIBILIDADE.
A opção de liquidar antecipadamente os contratos NDF com objetivo eminentemente financeiro de evitar aumento da perda já verificada pela valorização do Dólar, implica na descaracterização da função do hedge, que seria a de proteção contra oscilações da taxa de câmbio.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
IMPUTAÇÃO DE MULTAS PUNITIVAS A SUCESSORA. MESMO GRUPO ECONÔMICO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA PESSOALIDADE DA PENA. INAPLICABILIDADE.
Comprovado o controle comum e o pertencimento ao mesmo grupo econômico, há incidência da Súmula CARF nº 47, que prevê como "Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico". Afasta-se, portanto, a aplicação do princípio da pessoalidade de pena.
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. NOVA REDAÇÃO DADA PELA MP 351/2007. APLICÁVEL À FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS A PARTIR DA COMPETÊNCIA DE DEZEMBRO DE 2006.
A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma refere-se ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma.
Numero da decisão: 1402-002.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Em relação ao recurso voluntário, negar-lhe provimento: i) por unanimidade quanto às arguições de nulidade, ao mérito da exigência e à cobrança da multa de ofício exigida junto com o tributo; e ii) por maioria de votos quanto à exigência da multa isolada. Vencidos nessa última parte os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella e Demetrius Nichele Macei que votaram por cancelar essa penalidade. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Goncalves e Fernando Brasil De Oliveira Pinto. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO ENTRE A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO RELATÓRIO FISCAL E DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPROVIDO. Os argumentos e fundamentos utilizados no Relatório Fiscal servem, tão somente, para fundamentar o motivo que levou a fiscalização a lavratura do auto de infração. Assim, não há que se falar em cerceamento ao direito de ampla defesa do contribuinte, pois é justamente através desta fundamentação apresentada no Relatório Fiscal que lhe é permitido e garantido usufruir de tal direito com máxima eficiência. PRELIMINAR. NULIDADE. LANÇAMENTO BASEADO EXCLUSIVAMENTE EM REGRAS CONTÁBEIS. IMPROVIDO. Para uma situação de fato ser enquadrada nas normas fiscais e, consequentemente, apontar suas consequências tributárias, deve passar por um processo de interpretação e aplicação da norma ao caso concreto e, como é dever de qualquer autoridade administrativa, pela demonstração dos motivos que fundamentaram a sua decisão. Não há empecilho legal algum no sentido de desautorizar a utilização de fundamentos contábeis pela fiscalização para a demonstração da diferença entre a natureza das operações praticadas pelo contribuinte. LIQUIDAÇÃO ANTECIPADA DE CONTRATOS NDF. MOTIVAÇÃO EXCLUSIVAMENTE FINANCEIRA. DESCARACTERIZAÇÃO DO HEDGE. INDEDUTIBILIDADE. A opção de liquidar antecipadamente os contratos NDF com objetivo eminentemente financeiro de evitar aumento da perda já verificada pela valorização do Dólar, implica na descaracterização da função do hedge, que seria a de proteção contra oscilações da taxa de câmbio. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 37 06 /2 01 2- 07 Fl. 3479DF CARF MF 2 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 IMPUTAÇÃO DE MULTAS PUNITIVAS A SUCESSORA. MESMO GRUPO ECONÔMICO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA PESSOALIDADE DA PENA. INAPLICABILIDADE. Comprovado o controle comum e o pertencimento ao mesmo grupo econômico, há incidência da Súmula CARF nº 47, que prevê como "Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico". Afastase, portanto, a aplicação do princípio da pessoalidade de pena. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. NOVA REDAÇÃO DADA PELA MP 351/2007. APLICÁVEL À FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS A PARTIR DA COMPETÊNCIA DE DEZEMBRO DE 2006. A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma referese ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Em relação ao recurso voluntário, negarlhe provimento: i) por unanimidade quanto às arguições de nulidade, ao mérito da exigência e à cobrança da multa de ofício exigida junto com o tributo; e ii) por maioria de votos quanto à exigência da multa isolada. Vencidos nessa última parte os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella e Demetrius Nichele Macei que votaram por cancelar essa penalidade. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Redator designado. Fl. 3480DF CARF MF Processo nº 13888.723706/201207 Acórdão n.º 1402002.415 S1C4T2 Fl. 3.480 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Goncalves e Fernando Brasil De Oliveira Pinto. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. Fl. 3481DF CARF MF 4 Relatório Adoto em sua integralidade o relatório do Acórdão de Impugnação nº 14 43.283 , da 1ª Turma da DRJ de Ribeiro Preto (SP), com a devida atualização, transcritos abaixo: Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado foi apurado que houve, para o anocalendário de 2009, dedução indevida na base de cálculo do IRPJ e da CSLL de despesas financeiras não dedutíveis. Também como consequência desse fato, o contribuinte deixou de recolher, para os meses de janeiro a março de 2009, valores devidos a título de estimativa mensal de IRPJ e de CSLL. Em virtude dessas constatações, foram lavrados os autos de infração de IRPJ (fls. 16461648) e de CSLL (fls. 16541656). Conforme descrito no "Relatório de Fiscalização" de fls. 16631683, o contribuinte deduziu indevidamente, na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL do anocalendário de 2009, perdas decorrentes da liquidação antecipada de instrumentos financeiros do tipo NonDeliverable Forward NDF, não qualificados como hedge, além do permitido legalmente para cada anocalendário, que limita a dedutibilidade até o limite dos ganhos auferidos, nos termos do art. 76, § 4°, da Lei n° 8.981/1995. Afirma a autoridade autuante que esses contratos foram liquidados antecipadamente e em tempo curto em relação a sua duração, além de não terem qualquer efetividade e de não derivaram de um item protegido, de modo que as operações realizadas são especulativas. Esclarece a autoridade autuante que a legislação fiscal caracteriza como hedge a operação realizada em bolsa de valores, de mercadoria e de futuros ou no mercado de balcão aquela destinada, exclusivamente, á proteção contra riscos inerentes às oscilações de preço ou de taxas, quando o objeto do contrato negociado a) estiver relacionado com as atividades operacionais da pessoa jurídica; ou b) destinarse á proteção de direitos ou obrigações da pessoa jurídica. Quanto à contabilização de operações de hedge, a autoridade autuante invoca a Resolução CFC n° 1.196/2009, que estabelece princípios para reconhecer e mensurar ativos financeiros, passivos financeiros e alguns contratos de compra e venda de itens não financeiros. Esclarece que a metodologia de hedge accounting, a despeito de não ser obrigatória, tem o objetivo de refletir a operação dentro de sua essência econômica, de maneira a resolver o problema da confrontação entre receitas/ganhos e despesas/perdas existente quando os derivativos são utilizados nessas operações. Para a aplicação do hedge accounting, o item 88 do CPC 38 prevê que as seguintes condições devem ser cumulativamente satisfeitas: (a) no início do hedge, existe designação e documentação formais da relação de hedge e do objetivo e estratégia da gestão de risco da entidade para levar a efeito o hedge. Essa documentação deve incluir a identificação do instrumento de hedge, a posição ou transação coberta, a natureza do risco a ser coberto e a forma como a entidade vai avaliar a eficácia do instrumento de hedge na compensação da exposição a alterações no valor justo ou nos fluxos de caixa do item coberto atribuíveis ao risco coberto; (b) esperase que o hedge seja altamente eficaz (ver o Apêndice A, itens AG105 a AG113) ao conseguir alterações de compensação no valor justo Fl. 3482DF CARF MF Processo nº 13888.723706/201207 Acórdão n.º 1402002.415 S1C4T2 Fl. 3.481 5 ou nos fluxos de caixa atribuíveis ao risco coberto, consistentemente com a estratégia de gestão de risco originalmente documentada para essa relação de hedge em particular; (c) quanto a hedge de fluxos de caixa, uma transação prevista que seja o objeto do hedge tem de ser altamente provável e tem de apresentar exposição a variações nos fluxos de caixa que poderiam em última análise afetar o resultado; (d) a eficácia do hedge pode ser confiavelmente medida, isto é, o valor justo ou os fluxos de caixa do item coberto que sejam atribuíveis ao risco coberto e ao valor justo do instrumento de hedge podem ser confiavelmente medidos (ver itens 46 e 47 e o Apêndice A, itens AG80 e AG81 para orientação sobre a determinação do valor justo); (e) o hedge é avaliado em base contínua e efetivamente determinado como tendo sido altamente eficaz durante todos os períodos das demonstrações contábeis para o qual o hedge foi designado. Intimado a esclarecer as razões que o levaram a firmar os contratos NDF e, especialmente, a liquidação antecipada de parte deles, o contribuinte apresentou as seguintes explicações: • tinham o intuito de "proteger parte dos recebíveis da empresa" fruto de exportações. • eram firmados em valores semelhantes aqueles que a Fiscalizada pretendia receber (conforme sua previsão interna de faturamento) dos seus cliente no exterior e tinham datas de vencimento próximas a estas previsões de recebimento. • os contratos firmados em setembro de 2008, com vencimento entre janeiro de 2009 e março de 2010, referemse a sua previsão de faturamento. • as vendas efetuadas em setembro de 2008 tinham prazo de recebimento médio de 90 dias, não sendo possível vincular os contratos de NDF com as respectivas vendas. • objetiva fixar um recebimento mínimo em reais, de maneira a garantir o pagamento de seus custo e despesas locais, mesmo em cenários de desvalorização do dólar, ou seja, no caso de desvalorização do dólar norteamericano, teria uma redução da sua receita de exportação em reais (perda cambial) que seria compensada com um ganho auferidos nas operações de NDF. • A liquidação antecipada deuse em decorrência da crise de 2008. A autoridade autuante afasta o argumento de que os contratos foram celebrados para proteção do fluxo de caixa, afirmando que eles foram firmados e liquidados, na maior parte dos casos, antes mesmo do pagamento de despesas com compra de matérias primas, quando então darseia início a seu ciclo de caixa. Esclarece a autoridade autuante que a "operação de hedge pressupõe a existência de uma relação contínua com um objeto a ser protegido, fato não associado aos contratos NDF em questão, pois todos foram liquidados em janeiro de 2009, isto é, muito antes do instrumento financeiro completar sua vida útil, conforme pode ser verificado na Tabela 1, que aponta contratos liquidados antecipadamente de 1 a 14 meses. Se fosse realmente uma operação de proteção dos recebíveis contra futura oscilação cambial, os contratos de NDF deveriam permanecer com a fiscalizada durante toda a sua duração, até haver o recebimento das receitas de exportação (item protegido)." (grifado no original) Fl. 3483DF CARF MF 6 A autoridade autuante faz, ainda, as seguintes observações acerca dos contratos de NDF liquidados antecipadamente pelo contribuinte: Os contratos de NDF em discussão não tinham no momento da celebração um ativo a proteger, mas apenas, de acordo com a fiscalizada, viriam a proteger recebimentos de vendas futuras esperadas para a data de seu vencimento. Ou seja, a posição de dólares vendidos não tinha uma relação oposta de dólares a receber, ficando a critério da fiscalizada apropriála no futuro, fato que não ocorreu ao liquidar os contratos sem a correspondente posição oposta associada, ficando caracterizado como operação de hedge especulativo. A partir da liquidação antecipada, os futuros direitos a receber ou aqueles direitos a receber já existentes ficaram a descoberto, passando, por conseguinte, a especular pela variação favorável da taxa de câmbio. Para caracterizar a operação como hedge como cobertura, a fiscalizada deveria manter a posição dos dólares vendidos até o recebimento das vendas futuras para o exterior relacionadas, sujeitandose à oscilação da taxa de câmbio com o passar do tempo, sucedendose por períodos de desvalorização e valorização da moeda nacional. No caso de hedges de fluxos de caixa não cumprirem o compromisso firme que a administração estabeleceu, quando contratou a operação, no momento do descumprimento, o resultado do derivativo deve ser revertido, imediatamente, para o resultado do exercício e a administração deve neste momento classificar o derivativo como sendo um instrumento de especulação.13 (grifamos) A relação de hedge não pode ser designada para uma parte somente do período de tempo da duração do instrumento de hedge (vide item 75 do Pronunciamento CPC 38). Não é permitida a utilização de um instrumento de hedge apenas durante uma parcela de sua vida útil (vide IAS 39). A norma contábil desqualifica a operação como sendo de hedge quando o instrumento do hedge é utilizado para apenas uma parte de sua duração, pois, evidentemente, ao liquidar o hedge antes do vencimento, no caso da fiscalizada, muitos meses antes do vencimento, passando de um ano em vários casos, deixou a posição oposta de recebíveis ou futuros recebíveis em dólar a descoberto, caracterizandose a operação como uma aplicação no mercado de renda variável e não de hedge de cobertura, ou em outras palavras, caracterizandose o hedge especulativo. (grifado no original) Quanto à efetividade dos contratos de NDF para proteção do fluxo de caixa do contribuinte, afirma a autoridade autuante que "após a liquidação antecipada dos contratos de NDF, deixou de existir qualquer correlação entre ganhos/perdas do instrumento de hedge e perdas/ganhos do objeto a ser protegido, isto é, demonstra que o hedge não foi efetivo e que o instrumento financeiro NDF não derivou de nenhum ativo/direito a ser protegido. Se não há contínua relação entre instrumento financeiro e um item protegido, quando da época da elaboração das demonstrações financeiras mensais, não existe correlação entre as variáveis nem hedge de cobertura." Afirma a autoridade autuante que, tendo em conta a impossibilidade de caracterização dos contratos de NDF liquidados antecipadamente como operações de hedge, aplicamse a eles as regras inscritas nos parágrafos 4° e 5° do art. 76 da Lei n° 8.981/1995, de modo que as perdas provenientes dessas operações são dedutíveis até o limite dos ganhos em operações realizadas no mercado de renda variável e a parcela das perdas adicionadas poderá, nos anoscalendário subsequentes, ser excluída na determinação do lucro real, até o limite correspondente á diferença positiva, apurada em cada ano, entre os ganhos e perdas decorrentes das operações realizadas no mercado de renda variável. Diante disso, das perdas com os contratos de NDF liquidados antecipadamente, no montante de R$ 45.784.691,73, a autoridade autuante deduziu os ganhos Fl. 3484DF CARF MF Processo nº 13888.723706/201207 Acórdão n.º 1402002.415 S1C4T2 Fl. 3.482 7 líquidos com operações no mercado de renda variável, no montante de R$ 43.532,65, remanescendo como despesa indedutível o valor de R$ 45.741.159,08. Esse valor foi adicionado à base de cálculo do IRPJ e da CSLL para o fato gerador ocorrido em 31/12/2009, resultando nos débitos apurados e lançados para esse fato gerador. Também foi lançada multa de ofício isolada por falta de recolhimento de estimativa de IRPJ e de CSLL para os três primeiros meses do ano de 2009, também como consequência da despesa indedutível apurada. Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 16961744, na qual deduz as alegações a seguir resumidamente discriminadas: A glosa das despesas com os contratos de NDF teve por fundamento três supostas irregularidades, quais sejam: a) inexistência de objeto patrimonial a ser protegido quando da época da liquidação dos NDF; b) não haver efetividade do hedge durante todo o transcurso do prazo de duração dos contratos de NDF questionados; c) inexistência de uma relação contínua do instrumento financeiro com um correspondente ativo. Nenhum desses fundamentos tem previsão legal, estando, inclusive, em dissonância com o disposto no art. 77, § 1°, da Lei n° 8.981/1995. Ademais, tais fundamentos estão lastreados apenas em regras contábeis que não se sobrepõem à legislação tributária. O IAS 39, o Pronunciamento Técnico CPC 14 e o Pronunciamento Técnico CPC 38 contemplam regras contábeis e não se caracterizam como normas legais hábeis a dar fundamento ao lançamento de crédito tributário, em observância ao princípio da legalidade, inscrito no art. 150, I, da Constituição Federal. O Pronunciamento Técnico n° 38, do Comitê de Pronunciamento Contábeis CPC, invocado pela autoridade autuante, foi aprovado pelo Conselho Federal de Contabilidade em 21/10/2009, por meio da Resolução CFC n° 1.196, dispondo este ato que a vigência do referido Pronunciamento se dará para os exercícios iniciados a partir de 1° de janeiro de 2010. Destarte, essas regras contábeis não se aplicam as fatos geradores ocorridos no transcurso do ano de 2009. A capitulação legal indicada no auto de infração consiste no art. 3° da Lei n° 9.249/1995, nos arts. 247, 248, 249, inciso I, 251, 277, 278, 299, 300 e 374 do RIR/1999 e no art. 76, §§ 4° e 5°, da Lei n° 8.981/1995. Porém, da leitura do "Relatório Fiscal" inferese que a imputação está fundada apenas em regras contábeis, mais especificamente no IAS 39, no Pronunciamento Técnico CPC 14 e, em sua maior parte, no Pronunciamento Técnico CPC 38, tendo todos eles o objetivo de estabelecer princípios para reconhecer e mensurar ativos financeiros, passivos financeiros e alguns contratos de compra e venda de itens não financeiros, não ensejando, portanto, qualquer efeito fiscal. Essas divergências de fundamentação suscitam dúvidas sobre a autuação fiscal que violam o direito ao contraditório e à ampla defesa e ferem o disposto no art. 10, IV, do Decreto n° 70.235/1972. De acordo com o histórico do faturamento da empresa, as operações de exportação representam cerca de 50% das receitas totais, de modo que parcela relevante dos ingressos é denominada em moeda estrangeira. Em consequência, há considerável exposição a riscos derivados da flutuação cambial. Diante disso, com base na política interna da empresa, foram firmados contratos de NDF junto a instituições financeiras brasileiras com o fim de proteger o fluxo de caixa proveniente de exportações futuras. O NDF é um instrumento financeiro derivativo, negociado diretamente com a instituição financeira, que não contempla entrega física do produto ou do ativo financeiro no final do contrato e sim o pagamento da diferença financeira entre o preço acordado e a cotação vigente na data de vencimento futura estipulada. Fl. 3485DF CARF MF 8 A operação de hedge tem por fim reduzir riscos decorrentes de variações, razão pela qual seu objetivo não é o lucro, mas apenas evitar que ocorram prejuízos em virtude de oscilações de taxas e preços. Para fins tributários, o conceito de hedge está previsto no § 1° do art. 77 da Lei n° 8.981/1995, sendo assim consideradas as operações destinadas exclusivamente à proteção contra riscos inerentes às oscilações de preços ou de taxas, quando o objeto do contrato negociado a) estiver relacionado com as atividades operacionais da pessoa jurídica; ou b) destinarse à proteção de direitos ou obrigações da pessoa jurídica. Uma vez preenchidas essas condições, as perdas com operações de hedge são integralmente dedutíveis, conforme estabelece o art. 77, V, da Lei n° 8.981/1995. As operações de hedge podem se destinar a proteger operações futuras contratadas com base em preços flutuantes. A partir de 2007, a moeda norteamericana vinha se desvalorizando mês a mês frente ao Real. Tendo em conta essa tendência, foram firmadas operações com NDF, na posição vendida, com o fim de proteger o fluxo de caixa decorrente das exportações relativamente às perdas decorrentes da flutuação cambial. Porém, com a crise econômica mundial iniciada em setembro de 2008, o dólar passou a valorizarse relativamente ao Real. Essa mudança de cenário, com projeção de valorização da moeda norteamericana, aumentaria as perdas decorrentes das operações com NDF. Diante disso, os administradores da empresa, atuando diligentemente, decidiram, a fim de evitar maiores perdas, liquidar de forma antecipada, em janeiro de 2009, os NDF contratados no período de novembro de 2007 a outubro de 2008. Os NDF liquidados antecipadamente em janeiro de 2009 foram contratados para proteger da variação cambial as receitas decorrentes de exportações realizadas e a serem realizadas, de modo que tais contratos estão intrinsecamente relacionados com a atividade operacional da empresa. Além disso, os NDF foram celebrados com o fim de proteger ativos da empresa, consubstanciados em receitas de exportação. Consoante a política de riscos determinada pela matriz, localizada no Japão, refletida nas atas de reunião de seu Comitê Executivo, poderia a empresa contratar derivativos até um limite percentual de suas exportações. A Política de Gerenciamento de Risco de Câmbio Externo do Grupo Ajinomoto, em seu item 3, dispõe acerca da proibição da contratação de instrumentos derivativos com a finalidade de especulação. Nos termos da ata de reunião do Comitê Executivo de 14 de setembro de 2007, que tratou de operações com vencimento no ano societário de 2008, a empresa poderia contratar derivativos com a finalidade de proteção para 25% de suas operações de exportação. Já para o ano societário de 2009, a empresa poderia contratar derivativos com a finalidade de proteção de até 40% de suas receitas de exportação. A despeito disso, os contratos efetivamente firmados nesse sentido representam percentual inferior ou praticamente no limite previsto pela política interna. As projeções de fluxo de caixa decorrente de exportações se efetivaram no percentual de 85%, revelando que foram apuradas com critérios corretos. Todos esses fatos demonstram que os NDF contratados estão em consonância com o art. 77 da Lei n° 8.981/1995, que define o conceito de hedge para fins tributários, razão pela qual é lícita e regular a dedução integral das percas incorridas em virtude dessas operações. É descabida a pretensão de transferir o momento da definição do conceito de hedge para a data de liquidação do contrato, pois esse critério não está previsto em lei e não condiz com o próprio conceito de hedge, que leva em consideração a vontade das partes na data da contratação. A finalidade de proteção do instrumento de hedge estará evidenciada desde que a pessoa jurídica mantenha evidências das condições que a levaram à contratação dos derivativos, que a projeção futura de exportações seja baseada em estudos, que os prazos e valores dos contratos de derivativos e os direitos que se pretendem proteger sejam equivalentes, de modo que não há que se exigir que se aguarde a liquidação do contrato para caracterizálo como especulativo. Fl. 3486DF CARF MF Processo nº 13888.723706/201207 Acórdão n.º 1402002.415 S1C4T2 Fl. 3.483 9 A liquidação antecipada não descaracteriza a operação como hedge, pois tal requisito não está previsto em lei. Ademais, ainda havia exportações futuras a proteger, sendo a liquidação antecipada uma opção da empresa ocorrida num contexto de crise econômica. A jurisprudência exige a evidenciação da posição de risco que está sendo protegida, não fazendo menção alguma à data da liquidação e à necessidade de haver correlação exata entre os contratos de derivativos e o objeto de proteção, tampouco entre ganhos e perdas. Parte dos valores das perdas com NDF liquidadas em janeiro de 2009, glosadas pela autoridade autuante, corresponde a contratos cujo vencimento efetivo se dava em janeiro de 2009, de modo que não houve liquidação antecipada dessas operações. Tais contratos representam U$ 9.500.000,00 e provocaram uma perda de R$ 4.139.615,00. As exportações com vencimento em janeiro de 2009 somam U$ 8.917.377,01, vale dizer, praticamente 94% dos contratos com vencimento em janeiro de 2009. Assim, tendo em conta os critérios adotados pela autoridade autuante, no sentido de que a efetividade do derivativo, para sua caracterização como hedge, deve ficar compreendida no intervalo de 80% a 125%, é forçoso concluir que tais contratos devem ser reputados operações de hedge, de modo que a perda deles decorrente é dedutível. O auto de infração foi lavrado em 10/10/2012, vale dizer, após a incorporação da empresa AJINOMOTO INTERAMERICANA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA pela AJINOMOTO DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA, que ocorreu em 28/05/2010. Nos termos do art. 132 do CTN, a responsabilidade por sucessão alcança apenas tributos, não se estendendo às multas, que devem ser excluídas da exigência formulada. A partir do encerramento do ano financeiro, não há mais que se falar na obrigação de antecipar os valores de IRPJ e de CSLL, muito menos em imputar ao contribuinte multa isolada por descumprimento do dever de recolher a estimativa desses tributos. A multa isolada somente pode ser aplicada quando a fiscalização ocorrer antes do término do exercício financeiro. Encerra do o exercício financeiro, surge a obrigação de apuração anual do tributo, não havendo mais o dever de recolher estimativa, momento em que poderá ser aplicada tão somente multa de ofício no caso de se verificar saldo de tributo a pagar ao final do exercício. A aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativa e de multa de ofício caracteriza dupla penalização de um mesmo fato jurídico, qual seja, ausência de recolhimento do IRPJ e da CSLL no anocalendário de 2009. Por fim, pede a decretação da nulidade do auto de infração, ou, quanto ao mérito, sua total improcedência, ou, sucessivamente, a dedutibilidade da perda no valor de R$ 4.139.615,00 referente aos NDF com vencimento em janeiro de 2009, bem como o cancelamento das multas de ofício e isolada. Passo, agora, a complementar este relatório. A 1ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto (SP), em julgamento da impugnação apresentada pela Recorrente, deu parcial provimento à mesma, exonerando em parte os créditos tributários originalmente constituídos, restando a decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2009, 28/02/2009, 31/03/2009, 31/12/2009 Fl. 3487DF CARF MF 10 DESPESAS FINANCEIRAS NONDELIVERABLE FORWARD DEDUTIBILIDADE HEDGE LIQUIDAÇÃO ANTECIPADA RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO PENALIDADE MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. A liquidação antecipada, a fim de estancar perdas financeiras, de contratos de nondeliverable forward impede a respectiva caracterização como hedge, por revelar que foram utilizados com finalidades outras que não a exclusiva proteção contra riscos inerentes às oscilações na taxa de câmbio. Como consequência da descaracterização com hedge, as perdas financeiras são dedutíveis apenas até o limite dos ganhos em operações da mesma natureza. A responsabilidade por sucessão não se limita aos tributos lançados quando a incorporação se deu entre empresas integrantes do mesmo grupo societário. É cabível a aplicação da multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas mensais do IRPJ, em concomitância com a aplicação da multa de ofício pela falta de pagamento/declaração das diferenças do imposto apuradas em procedimento fiscal, em razão de expressa disposição legal e em face das incidências ocorrerem em situações fáticas distintas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/01/2009, 28/02/2009, 31/03/2009, 31/12/2009 AUTO REFLEXO. Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada em parte com a decisão acima transcrita, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário dirigida a este Conselho, sem contrarrazões pela Fazenda Nacional. Tendo em vista que a DRJ exonerou parte do crédito tributário originalmente constituído, correspondente ao NDF cujo vencimento foi em Janeiro de 2009, em virtude de que também há Recurso de Ofício em relação ao mesmo. É o relatório Fl. 3488DF CARF MF Processo nº 13888.723706/201207 Acórdão n.º 1402002.415 S1C4T2 Fl. 3.484 11 Voto Vencido Conselheiro Demetrius NIchele Macei O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Em síntese, a questão de mérito posta pelo contribuinte em seu recurso voluntário cingese à afirmação de que os contratos NDF formalizados no período de novembro/07 a outubro/08 tinham o objetivo de hedge de cobertura, vinculados às receitas futuras da contribuinte, em dólar, em razão de suas expectativas de exportações para o período de janeiro/09 a março/10. Para os contratos firmados entre novembro/07 e março/08, a cobertura se estendia para os meses de janeiro/09 a março/09; para os contratos firmados a partir de setembro/08 e outubro/08, a cobertura se estenderia para os meses de janeiro/2009 a março/2010, conforme se vislumbra em planilha resumo de fl. 1687, inserta no Relatório Fiscal que fundamentou a constituição dos créditos tributários vinculados ao presente feito. Por entender se tratar de um hedge vinculado a sua atividade operacional, concluiu a contribuinte que as despesas incorridas na liquidação dos contratos seria dedutível na apuração do IRPJ e CSLL, nos termos do art. 77, da Lei 8.981/95. Antes de adentrar ao mérito propriamente dito, seguindo, na ordem, os argumentos dispostos pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário, passo à análise das preliminares suscitadas, conforme segue. 1. Da falta de correlação entre a fundamentação legal indicada na acusação fiscal e àquela que serviu como base efetiva para a lavratura do auto de infração combatido Para o contribuinte, “não restam dúvidas de que há total falta de correlação entre a fundamentação aduzida no “Relatório Fiscal”, que serviu de base efetiva para a acusação fiscal, e a fundamentação legal indicada no referido Auto de Infração, implicando claramente no cerceamento ao direito de defesa da Recorrente”. Seguindo em sua argumentação, o contribuinte afirma que a capitulação legal indicada no auto de infração para fundamentar a suposta infração em que teria incorrido está lastreada no art. 3º, da Lei nº 9.249/95, nos arts. 247, 248, 249, inciso I, 251, 277, 278, 299, 300 e 374 do RIR/99 e no art. 76, §§ 4º e 5º, da Lei nº 8.981/95, sintetizando que tais dispositivos legais dispõem sobre a forma de apuração do IRPJ devidos pelos contribuintes ao final do exercício, notadamente as despesas que poderão ser consideradas dedutíveis da base de cálculo do referido tributo. Em contrapartida, afirma o contribuinte que o Relatório Fiscal está fundamentado em regras contábeis, mais especificamente no IAS 39, no Pronunciamento Técnico CPC 14 e no Pronunciamento Técnico CPC 38, os quais têm por objetivo estabelecer princípios para reconhecer e mensurar ativos financeiros, passivos financeiros e alguns contratos de compra e venda de itens não financeiros. Fl. 3489DF CARF MF 12 Embora a contribuinte lance dúvidas sobre o trabalho de fiscalização na apuração dos fatos, em sua fundamentação e consequente lançamento tributário, fato é que o trabalho realizado está correto e não se verifica a falta de correlação apontada pelo contribuinte. Os tributos fiscalizados – IRPJ e CSLL, têm uma base de cálculo, para os contribuintes que optam ou são legalmente enquadrados na tributação com base no lucro real, complexa, uma vez que é necessário, primeiro, apurarse o lucro contábil da atividade e, posteriormente, ajustálo com adições e exclusões legais para a obtenção do lucro real, base para a incidência das alíquotas de ambos os tributos. No caso concreto, não há dúvidas que o contribuinte teve perdas/despesas na liquidação de seus contratos NDF. A questão é demonstrar se essas despesas são dedutíveis para fins de apuração da base de cálculo do lucro real, regime de tributação a que a Recorrente está sujeita, nos termos do art. 77, V e respectivos §§ 1º ao 3º da Lei 8.981/95, ou se as mesmas só podem ser consideradas na determinação do lucro real até o limite dos ganhos auferidos em operações financeiras, nos termos do art. 76, §§ 4º e 5º, da mesma Lei. Para a fiscalização, as perdas/despesas do contribuinte não são operacionais e, desta forma, deve ser observado o art. 76, §§ 4º e 5º, da Lei 8.981/95 e demais disposições do RIR/99 que fundamentaram a autuação. Os argumentos e fundamentos utilizados no Relatório Fiscal serviram, tão somente, para fundamentar o motivo que levou a fiscalização a essa conclusão, permitindo e garantindo, desta forma, o direito de ampla defesa da contribuinte, que passou a ter a motivação para a desconsideração das perdas/despesas como dedutíveis para fins operacionais e a consequente fundamentação legal para o tratamento a ser dado para as mesmas para fins fiscais. Não há, assim, a falta de correlação apontada pela contribuinte em seu Recurso Voluntário, razão pela qual rejeito esta preliminar. 2. Da falta de fundamentação legal da acusação fiscal imposta à Recorrente Para o contribuinte, em apertada síntese, “é muito claro que o lançamento em questão se baseou, única e exclusivamente, em regras contábeis” e que, em nenhum momento, “há qualquer indicação dos dispositivos acima indicados (art. 3º, da Lei nº 9.249/95, arts. 247, 248, 249, inciso I, 251, 277, 278, 299, 300 e 374 do RIR/99 e art. 76, §§ 4º e 5º, da Lei nº 8.981/95) na descrição das infrações imputadas à Recorrente (no Relatório Fiscal)”, concluindo que “demonstrado que o lançamento está lastreado tão somente em regras contábeis, há que se admitir a sua nulidade ante a falta de fundamentação legal”. Como já exposto no tópico anterior, a ocorrência de uma situação de fato – liquidação, pela contribuinte, de contratos de NDF em janeiro/09, para ser enquadrada nas normas fiscais e, desta forma, apontar suas consequências tributárias (despesa operacional dedutível ou não), passa por um processo de interpretação e aplicação da norma ao caso concreto e, como é dever de qualquer autoridade administrativa, pela demonstração dos motivos que fundamentaram a sua decisão. O Relatório Fiscal atacado pelo contribuinte apresentou, de forma correta, os motivos que levaram a fiscalização a concluir que as perdas/despesas incorridas pela Recorrente na liquidação de contratos NDF não tinham natureza operacional, mas apenas Fl. 3490DF CARF MF Processo nº 13888.723706/201207 Acórdão n.º 1402002.415 S1C4T2 Fl. 3.485 13 financeira e, para tanto, utilizaramse de fundamentos contábeis para demonstrar a diferença entre uma e outra. Determinada a natureza da operação como financeira, a decorrência natural foi o enquadramento na legislação fiscal que regula o tema e, consequentemente, a glosa da despesa utilizada pelo contribuinte na apuração do lucro real e a sua consideração, tão somente, nos moldes do já citado art. 76, §§ 4º e 5º, da Lei 8.981/95, que é, de fato, o fundamento legal da autuação e constituição dos créditos tributários de IRPJ e CSLL no caso concreto. Assim, não vislumbrando o alegado pelo contribuinte quanto à falta de fundamentação legal a embasar os autos de infração lavrados, afasto a preliminar. 3. Do mérito 3.1. Da natureza jurídica dos contratos NDF firmados pela Recorrente. Consequências fiscais em razão de sua liquidação antecipada Mesmo levantando preliminar de cerceamento de defesa, é fato que a Recorrente entendeu perfeitamente o motivo que levou a fiscalização a levar a termo a autuação objeto deste processo administrativo, que culminou com a constituição de créditos tributários de IRPJ e CSLL. Tanto é assim que, já na abertura de seus argumentos de mérito, sintetiza, de forma direta, que “o tema da autuação fiscal referese ao tratamento tributário que se deve dar às perdas incorridas pela Recorrente por ocasião da liquidação, em janeiro de 2009, dos contratos NDFs que possuía, isto é, se ditas perdas são integralmente dedutíveis, tal como estipula o artigo 77, inc. V, da Lei nº 8.981/95, ou apenas até o limite dos ganhos auferidos em operações de mesma natureza, conforme dicção do art. 76, § 4º, do mesmo Diploma Legal”. De fato, esse é o cerne da questão posta para análise e julgamento por este Conselho. Analisando e avaliando toda a informação produzida pelo contribuinte, inclusive com a apresentação de pareceres externos, denotase que, no momento em que o contribuinte firmou os contratos NDF, objetos deste processo administrativo, tinha, de fato, a intenção de protegerse da oscilação da moeda americana, uma vez que havia uma tendência de queda na cotação da referida moeda frente ao Real e era justo buscar proteção para garantir, em reais, faturamento suficiente e necessário para honrar seus compromissos e atingir as metas de lucro determinadas para o período abril/09 a março/10, ano societário seguido pelo contribuinte, uma vez que aproximadamente 50% (cinquenta por cento) de seu faturamento decorre de exportações. Provavelmente se não tivesse ocorrido a crise americana, no último trimestre de 2008, que mexeu com os mercados globais, afetando, como uma de suas muitas consequências, a cotação da moeda americana no Brasil, que inverteu uma tendência de baixa para uma forte tendência de alta em relação ao Real, o contribuinte teria levado seus contratos NDF até o vencimento, como certamente era o objetivo original no ato da contratação. A própria contribuinte traz, em seu Recurso Voluntário, o conceito dos contratos NDF – “instrumento financeiro derivativo, negociado diretamente com a instituição financeira, que não contempla a ‘entrega física do produto ou do ativo financeiro ao final do Fl. 3491DF CARF MF 14 contrato. O que troca de mãos é a diferença financeira entre o preço acordado e a cotação vigente na data de vencimento futura do contrato a termo’ ”, concluindo que o referido instrumento “permite a proteção (hedge) contra oscilações futuras de moedas, taxas ou preços, diminuindo ou eliminando riscos de perda de recursos financeiros, em uma determinada posição, em razão de oscilações indesejadas de mercado”. Para justificar o seu posicionamento quanto à dedutibilidade integral das perdas incorridas na liquidação de seus contratos NDF, o contribuinte afirma que o conceito de hedge está disposto no §1º do art. 77, da Lei 8.981/95, abaixo transcrito: “Art. 77. O regime de tributação previsto neste Capítulo não se aplica aos rendimentos ou ganhos líquidos: (...) V em operações de cobertura (hedge) realizadas em bolsa de valores, de mercadoria e de futuros ou no mercado de balcão. § 1º Para efeito do disposto no inciso V, consideramse de cobertura (hedge) as operações destinadas, exclusivamente, à proteção contra riscos inerentes às oscilações de preço ou de taxas, quando o objeto do contrato negociado: a) estiver relacionado com as atividades operacionais da pessoa jurídica; b) destinarse à proteção de direitos ou obrigações da pessoa jurídica. § 2º O Poder Executivo poderá definir requisitos adicionais para a caracterização das operações de que trata o parágrafo anterior, bem como estabelecer procedimentos para registro e apuração dos ajustes diários incorridos nessas operações. § 3º Os rendimentos e ganhos líquidos de que trata este artigo deverão compor a base de cálculo prevista nos arts. 28 ou 29 e o lucro real. (…).” (grifei) Conclui o contribuinte: “assim, o que o conceito normativo está a explicitar é que a proteção faz parte do caráter de uma operação de cobertura. Por outro lado essa proteção pressupõe a existência de um objeto a ser protegido”. Ato contínuo, passa o contribuinte a elencar as razões em que se pautou para enquadrar os fatos à norma acima transcrita, notadamente o cumprimento do disposto nas alíneas ‘a’ e ‘b’ do § 1º do art. 77, acima transcritas, de forma a justificar a dedutibilidade integral das perdas incorridas na liquidação dos seus contratos NDF. Para justificar o atendimento do disposto no alínea ‘a’, afirma o contribuinte que o derivativo foi contratado para proteger as exportações realizadas e a realizar da variação da taxa do dólar americano e, desta forma, “tal contratação está intrinsecamente relacionada com a atividade operacional da empresa”. No que se refere à alínea ‘b’, afirma que as NDFs “foram contratadas com o intuito de proteger as receitas de exportação atreladas à taxa do dólar, ou seja, proteger os ativos da empresa contratados em moeda norteamericana”. Citando diretamente Roque Carrazza, sustenta o contribuinte que “o hedge é, em última análise, um contrato de cobertura contra riscos decorrentes da normal variação de preços. Em termos técnicos, tem por finalidade ilidir riscos inerentes às operações de venda e compra, com execução diferida”. Fl. 3492DF CARF MF Processo nº 13888.723706/201207 Acórdão n.º 1402002.415 S1C4T2 Fl. 3.486 15 Como já dito acima, não há dúvidas de que, no momento de contratação dos contratos NDF, o contribuinte tivesse a intenção de uma proteção em face da variação cambial da moeda americana em face do Real e, mais do que isso, a intenção de liquidálos em seu vencimento. Esclarece, contudo, que “devido à crise econômica e financeira mundial ocorrida em 2008, (...), a Recorrente decidiu por liquidar seus contratos de NDF, de forma antecipada, visando evitar aumento da perda já verificada, uma vez que o Dólar estava valorizando dia a dia”. (sem grifos no original) Embora o contribuinte afirme que a liquidação antecipada dos contratos NDF não descaracteriza a operação de hedge, afirma também que a decisão de não manter tais derivativos é uma opção, a qual foi exercida pelo contribuinte dentro de um contexto de crise econômica exacerbada, no “cumprimento do dever de diligência que o administrador de uma companhia está obrigado a observar”. A situação concreta, naquele momento, era a existência, na carteira financeira do contribuinte, de derivativos que visavam protegêlo da desvalorização do dólar americano frente ao Real, que se esperava receber (dólares) em razão de exportações futuras. Como o intuito da proteção não é o ganho, mas prevenir a perda, em razão de variação, no caso, cambial, fato é que se o contribuinte tivesse levado seus contratos NDF até o vencimento, o eventual ganho no câmbio dos dólares decorrentes da exportação seria utilizado para cobrir as perdas decorrentes na liquidação do instrumento financeiro. Ao contribuinte estaria garantido, em reais, o faturamento que almejava no ato de contratação dos derivativos. A opção de liquidar antecipadamente os contratos NDF (todos do mês de janeiro/09), materializando, em um único mês, todas as perdas até então incorridas, teve objetivo eminentemente financeiro: evitar aumento da perda já verificada, uma vez que o Dólar estava valorizando dia a dia. Ora, a partir do momento que um instrumento financeiro derivativo é liquidado por razões exclusivamente financeiras, deixa o mesmo de cumprir a sua função de hedge, pois deixa de proteger contra oscilações da taxa de câmbio e, no caso concreto, de proteger receitas de exportação que sequer tinham sido concretizadas, ainda que esperadas. Ainda que não tenha sido a razão preponderante para a liquidação antecipada, não se pode negar que a mesma teve, de fato, o condão de materializar e estancar a perda financeira diária a que estava sujeito o contribuinte, uma vez que, na época, não se tinha possibilidade de antever qual o patamar cambial que o dólar iria se estabilizar, mas certamente maior do que o previsto nos contratos derivativos, mas, por outro lado, a projeção de recebimento, em reais, das futuras exportações do contribuinte, também seria majorada, podendo, inclusive, superar as perdas incorridas. Ou seja, ainda que a finalidade inicial do contribuinte tenha sido obter proteção com a contratação de derivativos, a decisão de encerrar tais contratos foi de natureza eminentemente financeira, descaracterizando a sua função de hedge e, desta forma, correta a interpretação da fiscalização em tratar tais perdas/despesas nos moldes do art. 76, §§ 4º e 5º, da Lei 8.981/95, reconhecendo a dedutibilidade das perdas apenas até o limite dos ganhos auferidos em operações de mesma natureza. Fl. 3493DF CARF MF 16 Pelas mesmas razões acima, corroboro o posicionamento da 1ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto (SP), de que a liquidação no vencimento dos contratos NDF no mês de janeiro/09 tem natureza operacional e, desta forma, as perdas decorrentes dos mesmos são dedutíveis integralmente. A conseqüência lógica desse entendimento revela o fundamento para julgar pela improcedencia do RECURSO DE OFÍCIO. 3.2. Impossibilidade de imputação das multas punitivas à Recorrente Em síntese, defende o contribuinte que, tendo em vista a lavratura do auto de infração em 10.10.2012 e que os fatos fiscalizados devem ser atribuídos à empresa incorporada Ajinomoto Interamericana Indústria e Comércio Ltda., CNPJ 46.377.636/000158, incorporada pela Recorrente em 28.05.2010, “é imperioso concluir que não se pode admitir a imputação das multas punitivas à ora Recorrente”, sob pena de afronta ao “princípio da pessoalidade da pena”, fundamentando sua argumentação no art. 132, do CTN, que prevê apenas a responsabilidade do sucessor pelos tributos devidos pelo sucedido, bem como colacionando precedente deste Conselho nesse sentido. Por concordar integralmente com o posicionamento disposto no acórdão recorrido, adoto as mesmas razões para afastar os argumentos trazidos pelo contribuinte: “A jurisprudência administrativa que enfrenta mais amiúde a questão tem mitigado a interpretação da palavra ‘tributo’ inscrita no art. 132 do CTN, sobretudo nas situações em que a sucessão se dá entre empresas integrantes do mesmo grupo societário. Nesse sentido, há inclusive Súmula do CARF com o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico.” No caso concreto, tanto a sucessora (fl. 1751) quanto a sucedida (fl. 1523), conforme contrato social e DIPJ que integram o presente processo administrativo, tinham/têm como sócia majoritária a Ajinomoto CO. INC., com 99,99% das quotas do capital social. Desta forma, comprovado o controle comum e o pertencimento ao mesmo grupo econômico, aplico a Súmula CARF nº 47 ao caso, mantendo a responsabilidade da Recorrente sobre as penalidades impostas. 3.3. Da necessidade de exclusão dos valores imputados a título de multa isolada – cobrança concomitante com multa de ofício A questão não é nova e, com a devida vênia dos que pensam diferente, de fato, não é possível admitirse a concomitância da multa de ofício com a multa isolada por falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre estimativas mensais, notadamente em razão da falta de recolhimento pelo contribuinte ter decorrido de glosa de despesas, que também afetaram a constituição do crédito tributário ao término do anocalendário. A norma contida no art. 44, II, alínea b, da Lei 9.430/96 (redação dada pela Lei nº 11.488/07) dirigese ao contribuinte do IRPJ e CSLL, sujeito ao regime de tributação com base no Lucro Real Anual, que deixar de promover a antecipação dos tributos devidos em Fl. 3494DF CARF MF Processo nº 13888.723706/201207 Acórdão n.º 1402002.415 S1C4T2 Fl. 3.487 17 razão de estimativas mensais positivas (base de cálculo) apuradas pelo contribuinte mensalmente. O parágrafo 3º, do citado art. 44, traz, textualmente, que “a pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano”, exceto nos casos de incorporação, fusão, cisão ou extinção da pessoa jurídica. Ou seja, os valores pagos mensalmente, com base em estimativas, são apenas uma antecipação do tributo, por opção do contribuinte, que será apurado, efetivamente, apenas no encerramento do anocalendário. Nesse contexto, até o encerramento do anocalendário o que se tem por tributo devido, a título de CSLL, é o apurado mensalmente sobre as estimativas; após o encerramento do anocalendário e apuração definitiva da CSLL pelo lucro real, não há dúvidas de que o montante do tributo devido é aquele definitivamente apurado, após adições, exclusões e compensações legais. Vale destacar a lição de Marco Aurélio Greco a respeito do tema, in verbis: “(...) mensalmente o que se dá é apenas o pagamento por imposto determinado sobre base de cálculo estimada (art. 2º, caput), mas a materialidade tributada é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano (§ 3º do art. 2º). Portanto, imposto e contribuição verdadeiramente devidos, são apenas aqueles apurados ao final do ano. O recolhimento mensal não resulta de outro fato gerador distinto do relativo período de apuração anual; ao contrário, corresponde a mera antecipação provisória de um recolhimento, em contemplação de um fato gerador e uma base de cálculo positiva que se estima venha ou possa vir a ocorrer no final do período. Tanto é provisória e em contemplação de evento futuro que se reputa em formação – e que dele não pode se distanciar que, mesmo durante o período de apuração, o contribuinte pode suspender o recolhimento se o valor acumulado pago exceder o valor calculado com base no lucro do período em curso (art. 35 da Lei nº 8.891/95)”.1 O que se observa, à vista da lição do mestre, é que um contribuinte pode, ao longo do anocalendário, ter bases positivas para a apuração de IRPJ e CSLL sobre estimativas, como prejuízo, em cada competência. Nas que houver prejuízo, não há base de cálculo para apuração e recolhimento antecipado; e, ainda que haja uma base positiva após um prejuízo, se aquela for menor que esta e, no acumulado do ano, o que já foi antecipado supera o devido, mesmo tendo a base positiva, não haverá o recolhimento da antecipação. Assim, se o lançamento é efetuado antes do fim do exercício, a base para a imposição da multa isolada é o valor devido a título de IRPJ e CSLL por antecipação até o momento do lançamento; após o encerramento do anocalendário, já haverá a apuração definitiva do tributo devido e este valor apurado passa a ser o limite quantitativo da imposição de multa isolada. Em outras palavras, o valor a ser antecipado pelo contribuinte pode, inclusive, ser suspenso ou reduzido, enquanto balanços ou balancetes mensais demonstrarem 1 In “Multa Agravada em Duplicidade”, São Paulo, Revista Dialética de Direito Tributário nº 76, p. 159. Fl. 3495DF CARF MF 18 que o valor acumulado, já pago, exceder o valor do imposto calculado com base no lucro real do período em curso (art. 39, § 2º, da Lei 8.383/91), demonstrando que não há, de fato, fatos jurídicos autônomos que justifique a imposição de duas penalidades distintas ao contribuinte, em concomitância. Pedese vênia para, neste ponto, transcreverse abaixo trecho do voto do i. Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, proferido no julgamento do processo administrativo nº 10480.720836/201355 pela 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, em conclusão lógica quanto ao acima exposto: “(...) Assim, a exegese que se extrai dos comandos legais contidos no artigo 44 da Lei nº 9.430/96, mesmo após as alterações inseridas pela Lei nº 11.488/07, é aquela segundo a qual o lançamento da multa isolada pode ser feito em duas hipóteses: (i) antes da apuração do tributo devido no balanço do final do anocalendário, quando a base para a imposição da multa observará um dos seguintes critérios: (i.1) o valor correspondente às antecipações não pagas calculadas a partir da margem setorial (o percentual definido em lei) da receita bruta acumulada; ou (i.2) o valor correspondente às antecipações não pagas calculadas a partir do balanço de redução ou suspensão (neste último caso, ainda que não tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL). (ii) após a apuração do tributo devido no balanço do final do anocalendário, somente se ficar constatado que houve parcela do tributo devido que deixou de ser paga na forma de antecipação (quando deveria ter sido paga nesta forma), mas foi paga no ajuste. A base para a imposição da multa corresponderá exatamente ao valor da mencionada parcela. Não se admite, por óbvio, que tal base supere o valor do tributo devido apurado. Assim, há que se verificar se os valores de estimativa a pagar foram deduzidos na apuração anual. Em caso positivo, isto significa que o tributo devido não foi recolhido nem como estimativa nem como resultado do ajuste, portanto, não se trata de cobrar multa isolada, mas, sim, de cobrar o tributo acompanhado da multa proporcional. Em caso negativo, isto significa que o tributo não foi recolhido como estimativa, mas foi recolhido como resultado do ajuste, portanto, é cabível a multa isolada. Contudo, a base para a imposição da multa deverá corresponder ao valor da estimativa não paga que deixou de ser deduzida na apuração anual do imposto devido. Não se admite, também, que essa base supere o valor do imposto devido calculado na apuração anual. Concluise, portanto, que impor sanção pelo não recolhimento de IRPJ e CSLL, apurada através de lançamento de ofício (2014) com o anocalendário já finalizado (2010), com a respectiva multa proporcional de 75%, e, ao mesmo tempo, impor multa isolada de 50% como sanção pelo não recolhimento de antecipações devidas nas competências de setembro a dezembro/2010, observandose que de IRPJ e CSLL em questão não foi recolhido nem por antecipação, nem como resultado do ajuste anual, é penalizar o contribuinte duas vezes pelo mesmo tributo e, neste caso, uma penalidade é excludente da outra, não se admitindo a concomitância. Afasto, desta forma, o lançamento da multa isolada no presente caso, mantendo, tão somente, a multa proporcional de 75%. Fl. 3496DF CARF MF Processo nº 13888.723706/201207 Acórdão n.º 1402002.415 S1C4T2 Fl. 3.488 19 Conforme já afirmei, em relação à NDF com vencimento em 15/01/2009, mês em que coincidentemente , a Recorrente antecipou o pagamento das NDFs relacionadas pela fiscalização, em virtude de não ter sido de fato antecipada, manteve sua natureza de Hedge, e portanto corroboro com o entendimento da primeira instancia julgadora no sentido de admitir sua dedução como despesa operacional. Por todo o exposto, nego provimento ao RECURSO DE OFÍCIO e dou provimento parcial ao RECURSO VOLUNTÁRIO, unicamente para afastar o lançamento da multa isolada. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius NIchele Macei Relator Fl. 3497DF CARF MF 20 Voto Vencedor Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Redator Designado. Com a devida vênia, pelo vênia para discordar do i. Conselheiro Relator somente em relação à exigência de multa isolada aplicada em razão da falta de recolhimento de estimativas. Em razão da infração principal, a autuada deixou de recolher valores a título de estimativas de IRPJ e CSLL, ensejando a exigência de multas isoladas. Há de separar a exigência em dois períodos distintos em razão da nova redação dada ao art. 44 da Lei nº 9.430/1996: o primeiro até o advento da Medida Provisória nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007) e o segundo após a edição de tal ato. DAS MULTAS ISOLADAS ATÉ O ADVENTO DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 351/2007 Em relação à aplicação da multa isolada de forma concomitante com a multa de ofício, em que pese meu entendimento pessoal sobre a matéria, recentemente foi aprovada súmula impedindo tal cobrança quando baseada no art. 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, conforme se observa do enunciado nº 105 da Súmula CARF: "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício." Considerandose que a Medida Provisória nº 351/2007 que em seu art. 14 deu nova redação ao art. 44 da Lei nº 9.430/1996 – foi editada em 22 de janeiro de 2007 (e posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007), as multas isoladas cujos recolhimentos deveriam ter sido realizados antes de tal data devem ser exoneradas. Assim sendo, como o vencimento para pagamento da estimativa é o último dia útil do mês subsequente, devemse exonerar as multas isoladas relativas às estimativas referentes ao período de janeiro a novembro de 2006, já que a estimativa referente ao mês de dezembro de 2006 deveria ter sido recolhida até o dia 31/01/2007, quando já vigia a nova redação do dispositivo legal em questão. No caso concreto, a exigência diz respeito ao anocalendário de 2009, ou seja, a fatos geradores que ocorreram após o advento da MP nº 351/2007 que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96 a que se refere Súmula CARF nº 105, ou seja, tal súmula é inaplicável ao caso concreto. Passo à análise desse novo dispositivo legal. DAS MULTAS ISOLADAS APÓS O ADVENTO DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 351/2007 Com a edição da Medida Provisória nº 351/2007 em 22/01/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007, a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL passou a ter novo regramento. Desse modo, a partir da estimativa devida referente ao mês de dezembro de 2006, cujo vencimento se deu em 31/01/2007, a penalidade isolada aplicada no lançamento de ofício encontrase prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, Fl. 3498DF CARF MF Processo nº 13888.723706/201207 Acórdão n.º 1402002.415 S1C4T2 Fl. 3.489 21 com a redação que lhe foi dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, não se aplicando, portanto, a Súmula CARF nº 105. Confirase a nova redação do dispositivo em questão: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. [....] As multas exigidas juntamente com o tributo ou isoladamente, como definidas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, vinculamse a infrações de natureza distinta. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 1º, estabeleceu como regra geral, a partir do mês de janeiro de 1997, a apuração do lucro real trimestral. Apenas por exceção a pessoa jurídica poderia optar pela apuração do lucro real anual, situação em que fica obrigada a efetuar os recolhimentos do IRPJ e da CSLL mensalmente, calculados por estimativa (artigo 2º). As bases de cálculo do IRPJ e da CSLL devidos mensalmente são determinadas por meio da aplicação, sobre a receita bruta do mês, de percentuais estabelecidos pelo artigo 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, de acordo com as atividades desenvolvidas pela pessoa jurídica. Consoante se verifica pela redação das normas transcritas, são essencialmente duas as penalidades previstas no art. 44 retrotranscrito (“serão aplicadas as seguintes multas”, “I...II”): uma, exigida juntamente com o tributo faltante, nas hipóteses de “de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata”. Essa penalidade está valorada em 75% “sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição”; outra, exigida de forma isolada, no percentual de 50%, na hipótese da falta recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e da CSLL. É pertinente esclarecer que os recolhimentos efetuados mensalmente a título de estimativas (art. 2º, §§ 3º e 4º, da Lei nº 9.430, de 1996) não são definitivos, porquanto a apuração definitiva do tributo devido se dará somente ao final de cada anocalendário. Esse o motivo pelo qual a penalidade pelo inadimplemento dessa obrigação é denominada multa isolada, uma vez que pode ser exigida independentemente de haver ou não tributo devido ao final do período de apuração. E também não há qualquer correlação entre o valor do tributo devido ao final de apuração e a multa isolada: sua base de cálculo é o valor do pagamento mensal (estimativa) de IRPJ ou CSLL que deixar de ser recolhido. Fl. 3499DF CARF MF 22 Diante dessas constatações, é imperioso concluir que as multas são distintas e autônomas. Isso decorre, acima de tudo, das evidentes diferenças que existem entre as hipóteses de incidência e os consequentes das normas punitivas. No IRPJ e na CSLL, observamos que os critérios material e temporal são completamente distintos. O tributo não pago, decorrente da existência de lucro apurado trimestralmente ou anualmente, submetese à multa do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430 de 1996, enquanto que a estimativa não recolhida, decorrente da existência de receita bruta mensal ou balanços de redução, submetese à multa do inciso II do dispositivo antes citado. No caso do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430 de 1996, a quantificação toma por base o tributo devido em função do lucro, fazendo incidir o percentual de 75% (regra geral passível de qualificação e agravamento §§ 1º e 2º do art. 44). No caso do inciso II, letra “b”, do dispositivo antes citado, a quantificação toma por base a estimativa apurada em função da receita bruta ou resultados mensais, fazendo incidir o percentual de 50% (regra geral não passível de qualificação ou agravamento). Como se pode observar, são duas normas distintas e autônomas, que punem, em diferentes graus, ilicitudes diversas. Alega a Recorrente que a aplicação da penalidade isolada, tal qual perpetrada no auto de infração, viola o princípio da legalidade. Aduz ainda que não se poderia aplicála após o encerramento do exercício, tampouco em concomitância com a multa de ofício de 75%. Cita diversos acórdãos do CARF que dariam guarida a sua tese. Não merecem prosperar os argumentos de defesa. Vejamos. Em primeiro lugar, conforme já transcrito, a penalidade isolada por ausência de recolhimento de estimativas mensais está prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430/96, não havendo que se falar em ofensa ao princípio da legalidade. Nesse sentido, também, não há ofensa ao art. 97, V, do CTN, uma vez que a multa em discussão foi instituída por lei. Em relação a não aplicabilidade das multas isoladas após o encerramento do exercício, implicaria ofensa à literalidade do art. 44, II, “b”, da Lei nº 9.430/96, dispositivo que prevê, de forma expressa, a aplicação da penalidade isolada “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente”. Ora, se a própria norma prevê sua aplicação ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL, pressupõese, por óbvio, que o exercício já tenha sido encerrado, sem o que não se poderia falar em apuração do resultado do exercício. Podese concluir que o ordenamento jurídico protege, com a multa isolada, o fluxo financeiro advindo do pagamento mensal das estimativas. Ora, inexistindo penalidade pelo seu não recolhimento não haveria como obrigar o contribuinte a antecipar o tributo, e o pagamento das estimativas acabaria por se tornar mera faculdade do contribuinte, retirando da norma a sua força cogente, o que não se mostra razoável. Em relação às decisões colacionadas pela Recorrente, frisese que se baseiam na redação anterior do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Em que pese minha particular discordância com a interpretação do referido dispositivo dada pelos acórdãos em questão, não se pode olvidar que os argumentos utilizados não se amoldam a novel redação dada ao dispositivo pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. Vejamos. Fl. 3500DF CARF MF Processo nº 13888.723706/201207 Acórdão n.º 1402002.415 S1C4T2 Fl. 3.490 23 Ao se comparar a alteração da redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, constatase que se buscou adequar o dispositivo à jurisprudência então dominante no CARF, mais precisamente a firmada em torno do entendimento do então Conselheiro e Presidente de Câmara José Clóvis Alves, que atacava a redação do caput do art. 44 da Lei nº 9.430/96 ("Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição..."), e também o fato da ocorrência de bis in idem, pois a "mesma" multa seria aplicada quando do lançamento de ofício do tributo (Acórdão CSRF 0105503 101134520). Na nova redação do citado artigo, o caput não mais faz referência à diferença de tributo (“Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas...”), sendo tal expressão utilizada somente no inciso I, que trata da multa de 75% aplicada sobre a diferença de tributo lançado de ofício. A referência à multa isolada agora é tratada em dispositivo específico (inciso II), com multa em percentual distinto da multa de ofício (esta é de 75%, e aquela de 50%). Vêse, assim, que a nova multa isolada é aplicada, em percentual próprio, sobre o valor do pagamento mensal que deixou de ser efetuado a título de estimativa, não mais se falando em diferença sobre tributo que deixou de ser recolhido. Em voto que a meu ver bem reflete a tese aqui exposta, o ilustre Conselheiro GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES foi preciso na análise do tema (Acórdão 10323.370, Sessão de 24/01/2008): [...] Nada obstante, as regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Fl. 3501DF CARF MF 24 Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível, no caso das extraordinárias, e certo, em relação às temporárias, a cessação de sua vigência, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. Desse modo, após o advento da MP nº 351/2007, entendo que as multas isoladas devem ser mantidas, ainda que aplicadas em concomitância com as multas de ofício pela ausência de recolhimento/pagamento de tributo apurado de forma definitiva. Tal conclusão decorre da constatação de se tratarem de penalidades distintas, com origem em fatos geradores e períodos de apuração diversos, e ainda aplicadas sobre bases de cálculos diferenciadas. A legislação, em nenhum momento, vedou a aplicação concomitante das penalidades em comento. Em complemento, e em especial em relação à suposta aplicação do princípio da consunção, transcrevo o entendimento firmado pelo Conselheiro Leonardo de Andrade Couto em seus votos sobre o tema em debate: Manifesteime em outras ocasiões pela aplicação ao caso do princípio da consunção, pelo qual prevalece a penalidade mais grave quando uma pluralidade de normas é violada no desenrolar de uma ação. De forma geral, o princípio da consunção determina que em face a um ou mais ilícitos penais denominados consuntos, que funcionam apenas como fases de preparação ou de execução de um outro, mais grave que o(s) primeiro(s), chamado consuntivo, ou tãosomente como condutas, anteriores ou posteriores, mas sempre intimamente interligado ou inerente, dependentemente, deste último, o sujeito ativo só deverá ser responsabilizado pelo ilícito mais grave.2. Vejase que a condição básica para aplicação do princípio é a íntima interligação entre os ilícitos. Pelo até aqui exposto, podese dizer que a intenção do legislador tributário foi justamente deixar clara a independência entre as irregularidades, inclusive alterando o texto da norma para ressaltar tal circunstância. 2 RAMOS, Guilherme da Rocha. Princípio da consunção: o problema conceitual do crime progressivo e da progressão criminosa. Jus Navigandi, Teresina, ano 5, n. 44, 1 ago. 2000. Disponível em: <http://jus.uol.com.br/revista/texto/996>. Acesso em: 6 dez. 2010. Fl. 3502DF CARF MF Processo nº 13888.723706/201207 Acórdão n.º 1402002.415 S1C4T2 Fl. 3.491 25 No voto paradigma que decidiu casos como o presente sob a ótica do princípio da consunção, o relator cita Miguel Reale Junior que discorre sobre o crime progressivo, situação típica de aplicação do princípio em comento. Pois bem. Doutrinariamente, existe crime progressivo quando o sujeito, para alcançar um resultado normativo (ofensa ou perigo de dano a um bem jurídico), necessariamente deverá passar por uma conduta inicial que produz outro evento normativo, menos grave que o primeiro. Noutros termos: para ofender um bem jurídico qualquer, o agente, indispensavelmente, terá de inicialmente ofender outro, de menor gravidade — passagem por um minus em direção a um plus. 3 (destaques acrescidos). Estaríamos diante de uma situação de conflito aparente de normas. Aparente porque o princípio da especialidade definiria a questão, com vistas a evitar a subsunção a dispositivos penais diversos e, por conseguinte, a confusão de efeitos penais e processuais. Aplicandose essa teoria às situações que envolvem a imputação da multa de ofício, a irregularidade que gera a multa aplicada em conjunto com o tributo não necessariamente é antecedida de ausência ou insuficiência de recolhimento do tributo devido a título de estimativas, suscetível de aplicação da multa isolada. Assim, não há como enquadrar o conceito da progressividade ao presente caso, motivo pelo qual tal linha de raciocínio seria injustificável para aplicação do princípio da consunção. Ainda seguindo a analogia com o direito penal, a grosso modo poderseia dizer que a situação sob exame representaria um concurso real de normas ou, mais especificamente, um concurso material: duas condutas delituosas causam dois resultados delituosos. Abstraindose das questões conceituais envolvendo aspectos do direito penal, a Lei nº 9.430/96, ao instituir a multa isolada sobre irregularidades no recolhimento do tributo devido a título de estimativas, não estabeleceu qualquer limitação quanto à imputação dessa penalidade juntamente com a multa exigida em conjunto com o tributo. Isso posto, voto por manter a exigência das multas isoladas. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Redator Designado 3 Idem, Idem Fl. 3503DF CARF MF 26 Fl. 3504DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.917354/2011-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.090
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 17 35 4/ 20 11 -5 4 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10480.917354/201154 Resolução nº 3401001.090 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.086. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10480.917354/201154 Resolução nº 3401001.090 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10480.917354/201154 Resolução nº 3401001.090 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 193DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35475.000847/2006-96
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-005.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 47 5. 00 08 47 /2 00 6- 96 Fl. 133DF CARF MF Processo nº 35475.000847/200696 Acórdão n.º 9202005.036 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 35475.000847/200696 Acórdão n.º 9202005.036 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 35475.000847/200696 Acórdão n.º 9202005.036 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 136DF CARF MF Processo nº 35475.000847/200696 Acórdão n.º 9202005.036 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 35475.000847/200696 Acórdão n.º 9202005.036 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 138DF CARF MF Processo nº 35475.000847/200696 Acórdão n.º 9202005.036 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 35475.000847/200696 Acórdão n.º 9202005.036 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 140DF CARF MF Processo nº 35475.000847/200696 Acórdão n.º 9202005.036 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 35475.000847/200696 Acórdão n.º 9202005.036 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 142DF CARF MF
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Numero do processo: 14041.720030/2013-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/01/2009 a 31/12/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. PROCEDIMENTO REFLEXO. IRPJ.
COMPETÊNCIA. PRIMEIRA SEÇÃO.
Compete à Primeira Seção do CARF o julgamento de recurso voluntário relativo a procedimento reflexo do IRPJ, formalizado com base nos mesmos elementos de prova (art. 2o, IV do Anexo II do RICARF).
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 31/01/2009 a 31/12/2009
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal.
TEMPESTIVIDADE
Considera feita a intimação na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo.
Numero da decisão: 1301-002.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NÃO CONHECER do recurso voluntário.
assinado digitalmente
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
assinado digitalmente
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/01/2009 a 31/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. PROCEDIMENTO REFLEXO. IRPJ. COMPETÊNCIA. PRIMEIRA SEÇÃO. Compete à Primeira Seção do CARF o julgamento de recurso voluntário relativo a procedimento reflexo do IRPJ, formalizado com base nos mesmos elementos de prova (art. 2o, IV do Anexo II do RICARF). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/01/2009 a 31/12/2009 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. TEMPESTIVIDADE Considera feita a intimação na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NÃO CONHECER do recurso voluntário. assinado digitalmente Waldir Veiga Rocha - Presidente. assinado digitalmente Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
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PROCEDIMENTO REFLEXO. IRPJ. COMPETÊNCIA. PRIMEIRA SEÇÃO. Compete à Primeira Seção do CARF o julgamento de recurso voluntário relativo a procedimento reflexo do IRPJ, formalizado com base nos mesmos elementos de prova (art. 2o, IV do Anexo II do RICARF). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2009 a 31/12/2009 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. TEMPESTIVIDADE Considera feita a intimação na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NÃO CONHECER do recurso voluntário. assinado digitalmente Waldir Veiga Rocha Presidente. assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 72 00 30 /2 01 3- 97 Fl. 802DF CARF MF Processo nº 14041.720030/201397 Acórdão n.º 1301002.265 S1C3T1 Fl. 803 2 Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Fl. 803DF CARF MF Processo nº 14041.720030/201397 Acórdão n.º 1301002.265 S1C3T1 Fl. 804 3 Relatório MEDICAL SHOP PRODUTOS HOSPITALARES LTDA, já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 2a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) DRJ/SPO, que, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, para manter o crédito tributário exigido de PIS e de COFINS de todos os meses do exercício de 2009, por insuficiência no recolhimento, no valor total de R$6.052.638,72 para a COFINS e de R$1.314.060,29 para o PIS. Do Lançamento Tratamse de autos de infração de PIS e de COFINS (fls. 557/574), cumulados de juros e multa de ofício, relativos a todos os meses do exercício de 2009, com ciência em 22/11/2013, lavrados contra a MEDICAL SHOP PRODUTOS HOSPITALARES LTDA, em razão de insuficiência de recolhimento das respectivas contribuições, com base no art. 1º da LC 70/91, art. 5º da Lei 10.833/09 e alterações, bem como pelo art. 3º da Lei 10.637/02 e alterações. Segundo o TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL PROCESSO ADMINISTRATIVO DE Nº 14041.720030/201397 (fls. 575 a 673), o procedimento fiscal foi aberto com o objetivo de se verificar possível omissão de receita em razão da incompatibilidade entre a movimentação financeira informada nas Declarações de Informações sobre Movimentação Financeira – Dimof, apresentadas por instituições financeiras mantenedoras de contas de titularidade da empresa, e a receita bruta informada na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, referente ao exercício de 2010 (anocalendário de 2009), apresentada pela pessoa jurídica, o que resultou no lançamento de IRPJ e CSLL, conforme processo 14041.720028/201318. Regularmente cientificado do lançamento, a autuada apresentou sua impugnação (fls. 678 a 714), na qual alega, em síntese: (i) preliminarmente, aponta a nulidade do lançamento, por ter sido lavrado por AuditorFiscal aposentado, e pela incompetência da autoridade que prorrogou o Mandado de Procedimento Fiscal; (ii) no mérito, contesta os critérios de determinação da exigência de IRPJ e CSLL; (iii) a utilização de critério ilegal e mais oneroso ao contribuinte na apuração do PIS e da COFINS; (iv) aponta erros materiais e postura tendenciosa na determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL; (v) contesta a aplicação da penalidade e dos juros de mora. Da decisão da DRJ Em julgamento realizado em 06 de maio de 2014, a 2ª Turma da DRJ/SPO, considerou improcedente a impugnação da contribuinte e prolatou o acórdão 1657.586, (fls. 722/746), assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 804DF CARF MF Processo nº 14041.720030/201397 Acórdão n.º 1301002.265 S1C3T1 Fl. 805 4 Data do fato gerador: 31/01/2009, 28/02/2009, 31/03/2009, 30/04/2009, 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009 APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. IMPUGNAÇÃO. Os documentos que fundamentam contestação a lançamento tributário devem ser apresentados juntamente com a impugnação administrativa. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE JURISDICIONAL. O controle de constitucionalidade de leis e atos normativos é da competência do Poder Judiciário, restringindose o julgador administrativo à análise do ato impugnado em face da legislação infraconstitucional. LANÇAMENTOS DECORRENTES. O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento da Cofins implica o lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep, também se aplica a este outro lançamento naquilo em que for cabível. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2009, 28/02/2009, 31/03/2009, 30/04/2009, 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009 BASE DE CÁLCULO. RECOMPOSIÇÃO. Pertinente a recomposição da base de cálculo, no regime nãocumulativo, com a glosa de créditos de Notas Fiscais de entrada contabilizadas nos Livros Fiscais Eletrônicos a maior (em valores superiores aos documentos que os ampararam), sem amparo em documentação comprobatória, sem correspondência à aquisição de bens para revenda e amparados em despesas financeiras. Os débitos devem ser calculados com base na receita bruta escriturada na contabilidade, acrescentandose a receita bruta omitida pela empresa. MULTA DE OFICIO. JUROS SELIC. PERCENTUAL. CONFISCO. O percentual da multa de ofício e dos Juros Selic aplicados está de acordo com a legislação de regência, sendo incabível à instância administrativa manifestarse a respeito de eventual alegação de afronta ao princípio da vedação ao confisco. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2009, 28/02/2009, 31/03/2009, 30/04/2009, 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA. 75%. Em lançamento de ofício é devida multa de 75%, no mínimo, calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago, recolhido ou declarado. Fl. 805DF CARF MF Processo nº 14041.720030/201397 Acórdão n.º 1301002.265 S1C3T1 Fl. 806 5 CRÉDITO VENCIDO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os créditos Tributários vencidos e ainda não pagos devem ser acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário A ora recorrente, devidamente cientificada do acórdão recorrido, apresentou recurso voluntário (fls. 756/793), onde sustenta os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade. 1) Dos Critérios da determinação da exigência nos Autos de Infração de Cofins e de PIS em razão dos regimes cumulativos e nãocumulativos por conta da pertinência do regime de apuração pelo lucro real no cálculo do IRPJ e da CSLL. 2) Da nulidade do Auto de Infração por descumprimento de regras procedimentais 3) Da Divergência de declarações do PIS e da Cofins 4) Da improcedência da autuação por erros materiais e postura tendenciosa na determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. 5) Do obrigatório lançamento com base no arbitramento de lucros. 6) Dos acréscimos legais: da penalidade pecuniária lançada de ofício dos juros de mora Do Acórdão de Recurso Voluntário Em 10 de dezembro de 2014, a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, decidiu por unanimidade de votos em não conhecer do Recurso Voluntário, para declinar a competência em favor da Primeira Seção de Julgamento do CARF, fls. 797/800, Acórdão 3101001.783, já que o lançamento efetuado nos presentes autos foram decorrentes de fiscalização de IRPJ e CSLL, culminando no lançamento de ofício de IRPJ e CSLL, processo 14041.720028/201318. Dessa forma, nos termos do art. 2º, inc. IV, do RICARF, por se tratar de exigência baseada em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ, o julgamento do recurso voluntário caberia a esta Seção de Julgamento. É o relatório. Fl. 806DF CARF MF Processo nº 14041.720030/201397 Acórdão n.º 1301002.265 S1C3T1 Fl. 807 6 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora Da Competência da 1a Seção de Julgamento do CARF A recorrente foi autuada em razão das seguintes infrações: a) insuficiência no recolhimento das contribuições PIS/PASEP e COFINS nãocumulativas dos meses de janeiro a dezembro de 2009. Em que pese o auto de infração tratarse de créditos tributários de PIS e de COFINS, nos termos do art. 2º, IV, do Anexo II do Regimento Interno do CARF atualmente vigente, à Primeira Seção de Julgamento cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (gn) Nos termos do voto condutor do acórdão nº 3101001.783, bem como de partes do relatório fiscal, analiso que as exigências do PIS e da COFINS estão lastreadas em fatos cuja apuração serviu para a prática de infração à legislação do IRPJ. Segundo o TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL PROCESSO ADMINISTRATIVO DE Nº 14041.720030/201397 (fls. 575 a 673), o procedimento fiscal foi aberto com o objetivo de se verificar possível omissão de receita em razão da incompatibilidade entre a movimentação financeira informada nas Declarações de Informações sobre Movimentação Financeira – Dimof, apresentadas por instituições financeiras mantenedoras de contas de titularidade da empresa, e a receita bruta informada na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, referente ao exercício de 2010 (anocalendário de 2009), apresentada pela pessoa jurídica, o que resultou no lançamento de IRPJ e CSLL, conforme processo 14041.720028/201318. Quanto ao referido processo nº 14041.720028/201318, relativo às exigências de IRPJ e CSLL, foi negado provimento ao recurso voluntário, tendo o acórdão nº1401 001.629, de 05/05/2016, recebido a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 Fl. 807DF CARF MF Processo nº 14041.720030/201397 Acórdão n.º 1301002.265 S1C3T1 Fl. 808 7 NULIDADE. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. ILEGALIDADE. Inexiste ilegalidade do feito fiscal, não caracterizando nulidade por preterição do direito de defesa, se a infração foi claramente descrita, os fatos alegados foram documentalmente comprovados e a fundamentação legal expressamente declarada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 ARBITRAMENTO DO LUCRO. EXCEÇÃO. A tributação pelo lucro arbitrado é uma exceção que só pode ser levada adiante no caso de impossibilidade de apuração do lucro real (regra geral) e, se for o caso, de irregular opção pelo lucro presumido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 INCONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. A autoridade administrativa não dispõe de competência para apreciar alegações de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. JUROS SOBRE MULTA. POSSIBILIDADE. Os juros moratórios são devidos à taxa SELIC e sobre o “crédito tributário”. Este decorre da obrigação principal que, por sua vez, inclui também a penalidade pecuniária. Recurso Voluntário Negado Atualmente, de acordo com informação extraída do sítio do CARF na internet, o referido processo aguarda análise do Recurso Especial interposto pelo contribuinte. Fixada a competência desta Primeira Seção de Julgamento, passo à análise dos requisitos de admissibilidade. RECURSO VOLUNTÁRIO A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/SPO e intimada ao recolhimento dos débitos de PIS e de COFINS em 27/06/2014 (fl. 753), na forma do art. 23, III, "a" e "b", e §2º, III, "b", do Decreto nº 70.235/72 e apresentou em 08/08/2014, recurso voluntário, juntados às fls. 756/793, no entanto, o prazo de 30 dias para recorrer expirou em 29/07/2014. A ciência eletrônica é regulamentada pelo art. 23 do Decreto n. 70.235/72, cujo inciso III, alínea “b” estabelece que se considera feita a intimação na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea "a”, cuja redação em vigor na data da intimação, segue: : Fl. 808DF CARF MF Processo nº 14041.720030/201397 Acórdão n.º 1301002.265 S1C3T1 Fl. 809 8 Art. 23. Farseá a intimação: III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. Pelos documentos, a ciência foi dada pela abertura dos arquivos de Intimação de Resultado de Julgamento e Acórdão de Impugnação no link Processo Digital, no Portal e CAC (fls. 753) no dia 27/06/2014, sextafeira, iniciandose a contagem no dia 30/06/2014 (segundafeira) e terminando no dia 29/07/2014 (terçafeira), não constando dos autos ou de calendário oficial que seja feriado no dia 27/06/2014 ou 29/07/2014. Em razão da apresentação do recurso no dia 08/08/2014, não pode o mesmo ser conhecido, por ser intempestivo. Nos termos do art. 33 do Decreto n. 70.235/72, do julgamento de primeira instância caberá recurso voluntário dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. De acordo com o parágrafo único art. 5º do Decreto nº 70.235, de 1972 – diploma que trata do contencioso administrativo fiscal no âmbito federal – os prazos para a interposição de recurso voluntário iniciamse e vencem em dia de expediente normal e são contados de forma contínua, excluindose da contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Vejamos: Art. 5º. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Ademais, no que tange à legitimidade, a petição de Recurso Voluntário foi acostada aos autos, porém nenhuma procuração foi outorgada pela Recorrente às pessoas que assinam o documento foi juntada aos autos. A única procuração que existe nos processos é para a Sra. Cintia Arantes de Lacerda, às fls.261 e ao Sr. Julio Cesar de Jesus, às fls.287/289. Dessa forma, a Recorrente não está regularmente representada. Seja pela intempestividade, seja pela falta de representação, não conheço do recurso interposto, tornase definitivo na esfera administrativa a matéria de mérito, nos termos do art. 42, I, do Decreto nº 70.235/72. Não há alegação de matéria que, em tese, possa ser conhecida de ofício. Dessa forma, impõese afirmar a ocorrência da intempestividade do Recurso apresentado, bem como da irregular representação da Recorrente, não devendo prosperar a análise das demais alegações. Fl. 809DF CARF MF Processo nº 14041.720030/201397 Acórdão n.º 1301002.265 S1C3T1 Fl. 810 9 CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário. assinado digitalmente Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora Fl. 810DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10074.001197/00-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Antonio Carlos Atulim - Presidente
Diego Diniz Ribeiro - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Antonio Carlos Atulim Presidente Diego Diniz Ribeiro Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de Auto de Infração lavrado contra a recorrente com o fito de ver exigido valores devidos a título de IPI, bem como seus consectários legais (multa e juros), o que se deu sob os seguintes fundamentos: (i) a recorrente estaria na posse de mercadoria estrangeira em situação irregular; e, ainda (ii) a recorrente teria dado saída de produtos de procedência estrangeira desacompanhadas da correlata documentação a atestar a regularidade das suas aquisições. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 00 74 .0 01 19 7/ 00 -3 1 Fl. 1778DF CARF MF Processo nº 10074.001197/0031 Resolução nº 3402000.999 S3C4T2 Fl. 1.779 2 2. Devidamente intimada, a recorrente apresentou a impugnação de fls. 735/744, oportunidade em que, em suma, alegou o que segue: (i) que os vendedores ou representantes das mercadorias adquiridas pela recorrente (Sony, Philips, Marantz, JBL, Jamo, Yamaha, Polk Audio, dentre outros) não comercializavam bens sem nota fiscal; e, ainda (ii) foram apresentadas notas fiscais de compra para justificar a posse das mercadorias existentes no estabelecimento, as quais teriam sido desconsideradas pela Fiscalização sob a alegação de que as empresas fornecedoras estavam inaptas para a prática comercial ou já não mais existiam em seus endereços. 3. Devidamente processada, a impugnação foi julgada improcedente pelo acórdão n. 80.275, da DRJ do Rio de Janeiro (fls. 843/851), nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 04/01/1999 a 07/08/2000 Ementa: MERCADORIAS DE ORIGEM ESTRANGEIRA NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS São consideradas inidôneas as notas fiscais emitidas, para fins de comprovação da regular introdução de mercadorias estrangeiras no País, quando não comprovada a ocorrência das respectivas transações comerciais. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE: A ausência de intenção não afasta o adquirente da responsabilidade por infração cometida na aquisição de mercadoria acobertada por documentação fiscal comprovadamente irregular. Lançamento Procedente. 4. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 872/877, oportunidade em que reiterou os fundamentos desenvolvidos em peça impugnatória. 5. Devidamente processado o recurso interposto, a então turma julgadora, por unanimidade de votos, baixou o caso em diligência nos termos do voto do então relator (resolução n. 3803000.167 fls. 783/790), Conselheiro Belchior Melo de Sousa, para que fossem tomadas as seguintes providências: (...). Vejo que o Colegiado a quo a considerar a procedência do lançamento arrimado no mesmo razoado erigido na ação fiscal, quanto à inexistência da empresa no local indicado no cadastro do CNPJ, da PACHECO e KASTRUP, da inidoneidade da emissão de notas fiscais pela MISURANO e de falta de comprovação do transporte dos produtos adquiridos da PROLINK, e de respectivos pagamentos. Entendo que tratandose de argumento demonstrado e acompanhado das notas fiscais que a Defesa ali indicou, não se pode passar ao largo desses elementos em prejuízo da melhor solução do conflito. Fl. 1779DF CARF MF Processo nº 10074.001197/0031 Resolução nº 3402000.999 S3C4T2 Fl. 1.780 3 O juízo correto reclama a apreciação ponto por ponto da contestação apresentada, uma vez que se trata de auto de infração que aponta diversidade de irregularidades em uma diversidade também de operações comerciais, e na medida em que cada transação indicada como regular, pela Recorrente, pode resultar na redução da exigência, tendo em foco que a Defesa referese a negócios feitos com pessoas jurídicas sobre as quais a peça de exigência fiscal não faz recair alguma mácula, tais sejam, e que constam do levantamento do estoque, pontuado de irregularidades: • KBT,CNPJ. 01.830.010/000117; • DISAC, CNPJ 01.397.852/000127; • VENTURA, CNPJ. 00.462.501/000190; • SONY, CNPJ. 43.447.044/000177; • MARANTZ CNPJ 04.182.861/000350; • GRADIENTE CNPJ 23.010.804/000177; • RARA CNPJ 02.424.555/0001–96; • PHILIPS do Brasil CNPJ 04.182.861/000150; • JOÃO SOM, CNPJ 45.235.6521000143; • CASA MUNDLOS, CNPJ 07.227.762/000155; e • ONTV, CNPJ 68.706.555/000359. Pelo exposto, considerando o contido no art. 18, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF – Portaria MF n° 256/2008, e tendo em vista o princípio da verdade material, decorrente do princípio da legalidade, proponho que se converta o julgamento em diligência, para que a IRF/Rio de Janeiro aprecie a regularidade das aquisições e das saídas indicadas pela Defendente em sua impugnação, em específico relativamente às pessoas jurídicas retro indicadas, e apure o efeito dessa avaliação nos valores lançados. A Interessada deverá ser cientificada do resultado da diligência e do prazo regulamentar para que sobre ele se pronuncie, devendo os autos, ao final, ser devolvidos a esta 3a Turma Especial da 3ª Seção do CARF, para julgamento. 6. Em resposta, a unidade preparadora apresentou o relatório de diligência fiscal de fls. 1.709/1.712, oportunidade em que, em síntese, assim afirmou: (...). Fl. 1780DF CARF MF Processo nº 10074.001197/0031 Resolução nº 3402000.999 S3C4T2 Fl. 1.781 4 (...). Fl. 1781DF CARF MF Processo nº 10074.001197/0031 Resolução nº 3402000.999 S3C4T2 Fl. 1.782 5 (...). Fl. 1782DF CARF MF Processo nº 10074.001197/0031 Resolução nº 3402000.999 S3C4T2 Fl. 1.783 6 7. Uma vez intimado do resultado da diligência, o contribuinte apresentou a manifestação de fls. 1.731/1.733. 8. É o relatório. Resolução 9. Conforme se observa dos autos e, mais precisamente, da fase fiscalizatória, as acusações aqui postas contra a recorrente tomaram corpo com base nas seguintes medidas: (i) análise do Livro de Registro de Entrada; (ii) análise de dois talonários de Notas Fiscais, de onde terseia verificado a existência de irregularidades nas NF's aqui tratadas; (iii) levantamento do estoque da Recorrente; (iv) informação acerca do transporte das mercadorias adquiridas pela recorrente e objeto da fiscalização; e, ainda (v) ausência de comprovação de pagamento das mercadorias. 10. Em resposta a diligência fiscal proposta por este Tribunal, a unidade preparadora afirmou que as notas fiscais para as operações realizadas no ano de 1998 estariam acobertadas pelo estoque da recorrente, o que teria sido levado em consideração pela fiscalização. Tal fato, per se, foi capaz de gerar dúvida neste Relator: se as NF's referentes ao ano de 1998 estavam albergadas pelos registros no estoque da recorrente, qual seria a irregularidade a justificar a manutenção da presente exigência fiscal, como defendido pela unidade preparadora em seu relatório de exigência fiscal? Fl. 1783DF CARF MF Processo nº 10074.001197/0031 Resolução nº 3402000.999 S3C4T2 Fl. 1.784 7 11. Ademais, insta destacar que após a intimação para manifestarse acerca do resultado de diligência, o contribuinte trouxe aos autos algumas microfilmagens de cheques que supostamente comprovariam os pagamentos das aquisições sob fiscalização. 12 Nesse sentido, para que não hajam dúvidas a macular o presente julgamento e, nos termos do prescreve o art. 6o do CPC/2015, aqui aplicado subsidiariamente, resolvo baixar o presente caso em diligência para que a unidade preparadora tome as seguintes providências: (i) intime novamente o contribuinte a apresentar outras microfilmagens de cheques que atestariam o pagamento das mercadorias obtidas e aqui questionadas; (ii) formule tabela analítica agrupando os revendedores dos bens adquiridos pela recorrente pelo nome e inscrição no CNPJ para, ato contínuo, indicar para cada um desses revendedores, (ii.i) quais as notas fiscais fiscalizadas (com indicação de número, data da operação e folha do eprocesso), bem como (ii.ii) qual ou quais seriam as pretensas infrações em relação a tais NF's (divergência no estoque (?), ausência de comprovação de pagamento (?), inidoneidade da NF (?), ausência de comprovação do transporte de tais bens (?), dentre outras. 13. Registrese, ainda, que para cada uma das supostas infrações (item "ii.''" acima), deverá a unidade preparadora indicar qual o documento que fundamenta sua assertiva, bem com a página em que ele está acostado no eprocesso. 14. Concluída a diligência, o Recorrente deverá ser intimado para eventual manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. 15. É a resolução. Diego Diniz Ribeiro Relator. Fl. 1784DF CARF MF
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