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Numero do processo: 13851.902653/2016-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do Fato Gerador: 25/07/2014
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-005.923
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
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RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 26 53 /2 01 6- 21 Fl. 255DF CARF MF Processo nº 13851.902653/201621 Acórdão n.º 3402005.923 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER), indeferido em decorrência do crédito alegado não estar disponível, por se encontrar o valor do DARF recolhido vinculado a um débito declarado. Cientificada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade em que solicitou a revisão do despacho decisório, tendo em vista que retificou a DCTF do respectivo período de apuração. Alega que diversos pagamentos de PIS/Pasep e de Cofins “foram recolhidos indevidamente, de acordo com a Lei n° 10.925, de 2004, artigo 1o, inciso XVIII – Solução de Consulta Cosit de 29/06/2016, na qual determina a redução para zero das alíquotas incidentes”. Ato contínuo, a DRJCURITIBA (PR) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06058.396. Neste Recurso, a Empresa repisou os mesmos argumentos apresentados na sua Impugnação e juntou aos autos as notas fiscais eletrônicas de vendas. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.906, de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13851.902629/201692, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402005.906): "O recurso em análise não atende a todos os requisitos de admissibilidade, pois, no que se refere especificamente à tempestividade, quando da interposição do recurso, já havia transcorrido o prazo legal. Extraise do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), dentre outros comandos, que o prazo para a interposição de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias da ciência da decisão de 1ª instância. Segue transcrito os excertos normativos que importam ao presente exame: Fl. 256DF CARF MF Processo nº 13851.902653/201621 Acórdão n.º 3402005.923 S3C4T2 Fl. 4 3 (...) Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser aplicado o ato Art.23 Farseá a intimação:. (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelosujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº9.532/97) (...) §2º Considerase feita a intimação : (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº11.196/2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº11.196, de 2005) (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (...) Temse que a data ciência do acórdão por meio eletrônico foi realizada em 27/04/2017 (fls.26). No caso sob exame, segundo a legislação de regência anteriormente transcrita, o termo final do prazo em questão ocorreu em 27/05/2017 (sábado), que por não ser dia útil, transferese o prazo para o dia 29/05/2017. Na folha 27 é demonstrado que o Recurso Voluntário somente foi apresentado no dia 31/05/2017. Portanto, o presente recurso é extemporâneo, pois foi apresentado fora do prazo legal. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 13851.902653/201621 Acórdão n.º 3402005.923 S3C4T2 Fl. 5 4 Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, assim como no paradigma, a ciência do acórdão da DRJ e a interposição do Recurso Voluntário ocorreram, respectivamente, em 27/04/2017 e 31/05/2017. Desta sorte, por absoluta identidade fática e jurídica, a decisão lá esposada pode ser perfeitamente aqui aplicada. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 258DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.905921/2008-12
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/1999 a 30/06/1999
EMENTA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SERURIDADE SOCIAL - COFINS.
ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA.
A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, conclui-se que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS.
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
Numero da decisão: 3001-000.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em tomar conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/1999 a 30/06/1999 EMENTA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SERURIDADE SOCIAL - COFINS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA. A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, conclui-se que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em tomar conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
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PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. Recorrente SAVIPLAST INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/1999 a 30/06/1999 EMENTA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SERURIDADE SOCIAL COFINS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA. A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, concluise que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 59 21 /2 00 8- 12 Fl. 82DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em tomar conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Por bem resumir os fatos descritos nos autos, adoto, por transcrição, o sucinto relatório que lastreou a r. decisão recorrida, verbis. Trata o presente processo fiscal de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRFB jurisdicionante relativo à COntribl1Íçã0 para O PIS/P2lSep, em virtude de exame de declaração de compensação no qual Foi homologado o encontro de contas por ausência/insuficiênciade créditos oponíveis contra a Fazenda Pública. A interessada por sua vez, contesta o Parecer alegando em sede de preliminar sua nulidade. No mérito, alega que ao fazer levantamento de importâncias pagas a título de Pis e Cofins, conforme disposição Lei 9.718/98, da constatou valores pagos a maior, conforme seu entendimento e documentos que teriam sido apresentados no presente processo. Contesta 0 conceito de receita bruta e a tributação sobre a totalidade das receitas, instituído pela lei acima referida. Afirma que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável com base no disposto no art. 30, §2, inciso III, da Lei 9.718/1998, o que teria gerado indébitos compensáveis. Também é alegado que houve burla à lei pela falta de regulamentação do dispositivo retrocitado, o que geraria majoração indevida do tributo. A decisão recorrida desacolheu a manifestação de inconformidade da empresa alegando que a pretensão da impugnante de excluir da base de cálculo da contribuição valores que alega terem sido repassados a terceiros, por entender que a regra insculpida no inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.718/1998, teve a sua eficácia condicionada à regulamentação por parte do Poder Executivo, fato que nunca ocorreu até o advento de sua revogação por força do inciso IV, art. 47, da Medida Provisória nº 1.99119/2000. Argumentou, em defesa do seu entendimento, expressa disposição do Ato Declaratório SRF 56/2000, segundo o qual "não Fl. 83DF CARF MF Processo nº 11020.905921/200812 Acórdão n.º 3001000.628 S3C0T1 Fl. 3 3 produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1 ° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica". Regularmente cientificada do teor do recorrido, ingressou o contribuinte com Recurso Voluntário, reiterando suas razões impugnatórias constantes da Manifestação de Inconformidade, e alegando mais que a decisão recorrida foi proferida com ausência de fundamentação; desvio de finalidade; com prejuízo ao contraditório administrativo, à ampla defesa e ao devido processo legal; e sustentando que o crédito é passível de compensação; a legalidade da sua pretensão com fulcro nos incisos do § 2º, art. 3º, da citada Lei 9.718/1993; a compensabilidade dos créditos reconhecidos; a inaplicabilidade de norma inconstitucional ou ilegal por parte da administração tributária, e concluiu, verbis. Pelo exposto, requer a Recorrente seja provido o presente recurso a fim de que seja homologada a compensação declarada, reconhecendose a relevância dos fundamentos de fato e de direito ora encaminhados ao seu elevado crivo, com a conseqüente refonna do Acórdão DRJ/POA n° 1018.477, de 27 de fevereiro de 2009.. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. O contribuinte foi regularmente cientificada do teor do Acórdão recorrido e ingressou com Recurso Voluntário tempestivo através de procurador habilitado e preenchido os demais pressupostos legais, pelo que dele tomo conhecimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3001000.624, de 13.12.2018, de minha relatoria, proferido no julgamento do processo 11080.905942/2008 20, da mesma empresa SAVIPLAST INDUSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA., paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Nos termos regimentais, transcrevese aqui os argumentos que fundamentaram mencionado Acórdão que negou provimento ao apelo da parte. Data venia do hercúleo esforço do ilustre advogado da recorrente, entendo que não se sustentam juridicamente as preliminares sustentadas em sede recursal. Com efeito, embora sucinta, a decisão guerreada fundamentou de forma consistente e segura os argumentos que lastrearam sua decisão. Logo, não há falar em falta de fundamentação e/ou desvio de finalidade, tendo em vista que a jurisprudência dos Tribunais Superiores, deste Conselho e da própria Câmara Superior de Recursos Fiscais é firmes e reiterada quanto ao acerto da decisão recorrida. Ademais, incumbe a parte Fl. 84DF CARF MF 4 comprovar a existência do crédito, com liquidez e certeza, e todas as oportunidades foram oferecidas à empresa para tal demonstração. Todavia, a pretensão do recorrente esbarra na ilegalidade de sua pretensão, haja vista que o benefício que daria azo ao crédito pretendido dependia de regulamentação pelo Poder Executivo, o que nunca aconteceu. Tanto isto é verdade que foi editado o Ato Declaratório SRF nº 56/2000 disciplinando a inaplicabilidade do inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei nº 9.718/1993; e, posteriormente, foi editada a Medida Provisória nº 2.15835/2001, revogado o alegado benefício fiscal. Consequentemente, rejeito as preliminares suscitadas em sede de Recurso Voluntário. Nos aspectos de mérito, melhor sorte não socorre ao recorrente. Senão, vejamos. Como relatado, a discussão gira em torno de se aceitar (ou não) a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores que a empresa alega terem sido repassados a terceiros, por entender que a regra insculpida no inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.718/1998, teve a sua eficácia condicionada à regulamentação por parte do Poder Executivo, fato que nunca ocorreu até o advento de sua revogação por força do inciso IV, art. 47, da Medida Provisória nº 1.99119/2000. Argumentou a autoridade recorrida, em defesa do seu entendimento, expressa disposição do Ato Declaratório SRF 56/2000, segundo o qual "não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1 ° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica". Essa matéria, todavia, já é bem conhecida desse colegiado, inclusive dessa Turma Extraordinária que, através do Acórdão nº 3001000.409, de minha relatoria, proferido durante a sessão de 10 de julho próximo passado, consolidou a jurisprudência do CARF no sentido de que, por falta de regulamentação do Poder Executivo, não gerou eficácia aos contribuintes o benefício previsto no inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.718/1998, cujo voto transcrevo a seguir como fundamentos de decidir nestes autos, verbis. 'Como relatado, cuida o presente processo de pedido de compensação, no valor de R$ 6.755,07, mais devidas correções, pela não aplicação do art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.715/98. Demandase, assim, a autoexecutoriedade do artigo em comento e a compensação dos recolhimentos a maior do PIS e COFINS entre fevereiro de 1999 e agosto de 2000. Ambas as decisões recorridas (Despacho Decisório e Acórdão da DRJ/POA) entenderam pelo indeferimento total do pleito do requerente por considerar não ser autoaplicável o benefício constante do inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.715/1998, em virtude da expressão “observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo”, normas estas que nunca foram editadas, como expressamente reconhecido pelo Ato Declaratório 56/2000 e pela Instrução Normativa SRF 006/2000, Fl. 85DF CARF MF Processo nº 11020.905921/200812 Acórdão n.º 3001000.628 S3C0T1 Fl. 4 5 atos baixados pelo Secretário da Receita Federal do Brasil. Argumentouse mais, no v. Acórdão recorrido, que a documentação apresentada pelo contribuinte fora insuficiente para a comprovação dos pagamentos alegadamente efetuados pela impugnante, ora recorrente, e que a pretensão encontra óbice também nas disposições da IN/SRF nº 006/2000. ' Ao contrário do trazido pela parte tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário, não se trata da discussão do decreto ser norma secundária, não podendo, pois, regular o dispositivo em comento. De fato, a discussão sobre a aplicação ou não de algo literalmente previsto no dispositivo legal primário, como o art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/98, diz respeito à constitucionalidade ou não de tal previsão legal, o que não compete à seara administrativa. Para tanto, resta consolidado na Súmula nº 2 do CARF, determinando que o Colegiado “não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Além disso, especificamente sobre o dispositivo em questão, o Ato Declaratório SRF nº 56/2000, apresenta os mesmos fundamentos, no sentido de que o dispositivo não seria autoexecutório, in verbis: 'O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuções, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do §2º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998, condição resolutória para sua eficácia (...).' Nesse diapasão, mister é reproduzir trecho do acórdão produzido pela 2ª Turma da DRJ em Porto Alegre de nº 10 14.542, na página 33 do processo em questão, que ratifica esse escorreito posicionamento: 'Irrelevante, para esse caso, a premissa de que o regulamento não pode alterar o conteúdo da lei, haja vista que, tratandose de dispositivo normativo que não tinha o atributo da auto executoriedade (sic), obviamente, enquanto não expedido o ato regulamentador, embora vigente, não produza efeitos. De fato, foi o dispositivo expressamente revogado pelo inciso IV do art. 47 da Medida Provisória nº 1.88118/2000, sem que houvesse sido regulamentado, não tendo, assim, produzido efeitos no curso de sua vigência. O recorrente trouxe diversas jurisprudências vanguardistas do TRF4 no sentido de não precisar de norma regulamentadora, como o REAgR 378191/RJ, a AP em MS – 74550, proc. 200071070075522, UF: RS e ACAP – 480218, proc. 200170000022294, UF:PR, contidos nas folhas 5153. Contudo, tais jurisprudências não são de Tribunais Superiores e não autorizam a instância administrativa se manifestar sobre questões constitucionais, conforme previsto no Decreto Nº 2.346/1997, porquanto não há uma interpretação inequívoca e definitiva do texto constitucional. Dessarte, conforme o próprio requerente reconhece em seu Recurso (fsl. 50), não há consenso sobre a questão da norma em comento ser autoaplicável ou não. Fl. 86DF CARF MF 6 Por conseguinte, em face de todo o exposto, uma vez não reconhecido o direito do impetrante de recolher os PIS e COFINS nos moldes previstos no art. 3º, §2º, III da Lei 9718/98, conforme sustentado no apelo em julgamento (fls. 55), não há que se falar, também, em direito de efetuar a compensação do montante recolhido indevidamente, com parcelas vincendas dos próprios tributos na forma do art. 66 da Lei 8.383/91, como também sustentado pelo contribuinte em seu apelo, via pedido alternativo (fls. 55/65), partindo da alegada condição (fls. 55), de que a primeira parte do pedido seria provido, fato que não se confirma no caso concreto em exame.' Ademais, a matéria já foi objeto de debate e julgamento pela 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara deste Colegiado que, em sessão de 25 de maio de 2017, proferiu o Acórdão nº 3301.003.671, por unanimidade de votos, afastando a tese da autoaplicabilidade da norma insculpida no inciso III, § 2º, art. 3º, da citada Lei 9.715/1998 (Proc. 11065.910359/200903), pelos fundamentos sintetizados na seguinte ementa, verbis. 'EMENTA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SERURIDADE SOCIAL COFINS. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA. A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, concluise que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS.' 'COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Desta forma, voto no sentido de tomar conhecimento para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Diante do exposto, e coerente com o meu entendimento esposado quando do julgamento do Processo 11080.905912/200813, Fl. 87DF CARF MF Processo nº 11020.905921/200812 Acórdão n.º 3001000.628 S3C0T1 Fl. 5 7 tendo como recorrente a empresa Trefilaço Trefilação de Metais Ltda., que resultou no Acórdão nº 3001000.409, de 10.07.2018, também desta feita VOTO para tomar conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, para negar provimento ao apelo da recorrente. Diante da decisão paradigma proferida nos autos do processo número 11020.905942/200820, em que figura a mesma Recorrente,. da mesma empresa SAVIPLAST INDUSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA., conforme Acórdão nº 3001000.624, de 13 de dezembro de 2018, aplicável ao presente processo em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, também nesta oportunidade VOTO no sentido tomar conhecimento do apelo, rejeitar as preliminares e negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. (assinado digitalmente) Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.000922/2007-81
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Omissão de rendimentos pelo oferecimento parcial à tributação e aproveitamento das deduções de forma integral na declaração de ajuste anual de valores recebidos em ação trabalhista.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO E DE JUROS DE MORA. LEGALIDADE.
É cabível, por disposição legal, a incidência de multa de oficio no percentual de 75%, e juros de mora à taxa Selic sobre o valor do imposto apurado em procedimento de oficio, que são exigidos juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte.
Numero da decisão: 2001-000.993
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário restabelecendo-se a dedução das despesas médicas glosadas no valor de R$ 19.285,00, razão pela qual se faz imperioso o cancelamento da parte do Lançamento correspondente a essa glosa, mantida, porém, a parte correspondente à omissão de rendimentos no valor de R$ 32.280,09. Vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Omissão de rendimentos pelo oferecimento parcial à tributação e aproveitamento das deduções de forma integral na declaração de ajuste anual de valores recebidos em ação trabalhista. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO E DE JUROS DE MORA. LEGALIDADE. É cabível, por disposição legal, a incidência de multa de oficio no percentual de 75%, e juros de mora à taxa Selic sobre o valor do imposto apurado em procedimento de oficio, que são exigidos juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 09 22 /2 00 7- 81 Fl. 114DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário restabelecendose a dedução das despesas médicas glosadas no valor de R$ 19.285,00, razão pela qual se faz imperioso o cancelamento da parte do Lançamento correspondente a essa glosa, mantida, porém, a parte correspondente à omissão de rendimentos no valor de R$ 32.280,09. Vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas e Omissão de Rendimentos na DAA. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 6.355,56, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2004. A fundamentação do Lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura o fato de não ter sido apresentado recibos de despesas médicas com endereço do profissional e de não ter o Recorrente oferecido à tributação o valor total da ação trabalhista recebida. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na falta de endereço do prestador do serviço e na omissão de rendimentos recebidos pelo Contribuinte, como segue: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento na data de 17/04/2007 (fls. 25 e 27/28, frente e verso), referente ao exercício 2005, anocalendário 2004, por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil da DRF/Vitória. O crédito tributário apurado pela autoridade fiscal está assim constituído, em Reais: Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar 6.355,56. Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa no valor de R$ 19.285,00, por falta de comprovação ou de previsão legal para sua dedução. Foi glosada a despesa médica, pois o contribuinte intimado apresentou recibos de dentistas sem endereço do profissional e sem a descrição dos serviços médicos prestados. Omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, no valor de R$ 32.280,09 (contribuinte recebeu R$ Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11543.000922/200781 Acórdão n.º 2001000.993 S2C0T1 Fl. 115 3 119.601,69 (rendimentos brutos de R$ 135.679,58 descontados dos honorários advocatícios de R$ 16.077,89, segundo demonstrativo de cálculos do TRT da 17* Região) e declarou somente R$ 87.321,60), recebidos da Banco 'U.1(1 BBA S.A., conforme documentos apresentados pelo contribuinte. Após apresentar documentação solicitada no Termo de Intimação de fls. 26, o contribuinte foi autuado pelas infrações de Dedução Indevida de Despesas Médicas, no valor de R$ 19.285,00, e Omissão de Rendimentos, no valor de R$ 32.280,09. A glosa das despesas ocorreu porque os recibos apresentados não continham o endereço do profissional ou a descrição dos serviços prestados. A omissão foi apurada após a analise do demonstrativo de cálculos do TRT da 17a Região, apresentado pelo contribuinte, em que se constatou como rendimentos brutos o valor de R$ 135.679,58. Após a dedução dos honorários advocatícios no valor de R$ 16.077,89, os rendimentos tributáveis passaram a ser de R$ 119.601,69, os quais, subtraídos do valor declarado pelo contribuinte de R$ 87.321,60, levaram à omissão apurada de R$ 32.280,09. Dedução Indevida de Despesas Médicas. Manutenção da Glosa. Preliminarmente o interessado suscita o equívoco cometido pela autoridade lançadora ao descrever, mais de uma vez, como despesas médicas as despesas odontológicas prestadas (fls. 07 da impugnação e descrição dos fatos da Notificação de Lançamento às fls. 27). Tal falha, entretanto, não importa em qualquer prejuízo à defesa do requerente, podendo ser corrigida de ofício, por meio deste acórdão, observandose o disposto no art. 60 do Decreto n° 70.235/72, in verbis: (...) Assim, levandose em conta que o contribuinte compreendeu a infração que lhe foi imputada, a troca do termo "odontológico" por "médico" mostrouse totalmente inócua, não tendo comprometido qualquer aspecto da defesa do requerente. Ademais, o campo próprio para a dedução dessas despesas é o de despesas médicas. Isso posto, e antes de passarmos à análise das provas e argumentos trazidos pelo requerente, vejamos o que preceitua o Regulamento do Imposto de Renda — R1R/1999, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 1999, acerca das deduções pleiteadas: (...) Quanto ao argumento de que a Intimação não continha a explicação detalhada de que requisitos deveriam constar dos recibos, tal informação se faz absolutamente desnecessária. Isto porque já existe a previsão legal de que tais requisitos são obrigatórios, vide legislação acima transcrita, não podendo o requerente se valer da prerrogativa de desconhecimento para descumprilos. O próprio Código Tributário Nacional estabelece que a responsabilidade por infrações independe da intenção do agente, nos termos do seu art. 136. Fl. 116DF CARF MF 4 Conforme descrito no art. 73 do Decreto 3.000/99, as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Esta última fundamentou a glosa das despesas odontológicas pela falta de endereço dos prestadores dos serviços — item explícito no inciso III do § 1° do art. 80 — e na ausência da descrição dos serviços — item implícito nos incisos II e III do mesmo parágrafo do art. 80 e no caput do art. 73 do mesmo Decreto. Em outras palavras, a descrição dos serviços prestados deve conter o tipo de serviço odontológico (consulta, implante, limpeza de tártaro, radiografia, tratamento de canal, etc) bem como o paciente beneficiário destes serviços (o próprio impugnante ou um de seus dependentes). Isto se faz imprescindível, pois além dos serviços terem de ser pagos pelo contribuinte, o tratamento deve ser relativo a ele próprio ou seus dependentes, por força do inciso II. Assim, a descrição genérica "honorários odontológicos", contida nos recibos emitidos por ITAMAR EVALDE CHISTE (fls. 30/33), bem como a igualmente vaga descrição "tratamento odontológico", nos recibos emitidos por ELISA ALONSO FERREIRA (fls. 34/36), não se prestam para determinar com clareza que tipo de serviço foi prestado em quem. Esta razão, por si só, já seria forte o bastante para se manter a glosa das despesas odontológicas. Corrobora para a sua manutenção também o fato de ser o próprio contribuinte e não os profissionais emitentes dos recibos a informar seus endereços. Importa também deixar em relevo que o valor das despesas pleiteadas é deveras significativo, R$ 19.285,00, tornando ainda maior a importância de se observar todos os requisitos legais exigidos. Desse modo, considero que os argumentos e as provas apresentadas são suficientes para formar o convencimento de que a infração apurada deve ser mantida. Omissão de Rendimentos de Ação Trabalhista. Ausência de prova em contrário. Após ter analisado os documentos apresentados pelo contribuinte, referentes aos rendimentos recebidos em Ação Trabalhista movida contra o Banco BEMGE, a Autoridade Fiscal lançou a infração de omissão de rendimentos no valor de R$ 32.280,09. Para chegar a este valor, a referida autoridade reduziu dos rendimentos brutos constantes em Demonstrativo de Cálculo do TRT da 17 Região, a saber, R$ 135.679,58, o valor dos honorários advocatícios, R$ 16.077,89, chegando ao total tributável de R$ 119.601,69. Deste último total de rendimentos tributáveis apurados, chegouse à omissão apurada pela subtração do valor total declarado pelo contribuinte de R$ 87.321,60 (DIRPF às fls. 48/50). Em sede de impugnação, o contribuinte se insurge contra os valores apurados pela fiscalização baseandose, resumidamente, nas premissas equivocadas de que: 1) informou corretamente os rendimentos líquidos, no valor de R$ 87.321,60, em seu ajuste, uma vez que este foi o valor efetivamente recebido; 2) a autoridade lançadora deixou de considerar como dedução os honorários Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11543.000922/200781 Acórdão n.º 2001000.993 S2C0T1 Fl. 116 5 advocatícios de R$ 16.088,89, apesar de seu direito legal a deduzir tal valor; e 3) a autoridade fiscal glosou os valores de R$ 719,58, relativo ao INSS do reclamante, e de R$ 19.793,41, relativos ao lRRF pago em virtude do recebimento dos valores na ação. Primeiramente ressaltese que a incidência do imposto de renda dáse sobre o rendimento bruto auferido, conforme disposto no artigo 3°, em seu parágrafo 4°, da Lei n°7.713/88, in verbis: (...) Conforme disposto no artigo 8° da Lei 9.250, de 26/12/1995, a base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário (exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva) e as deduções previstas na legislação, sujeitas à comprovação ou justificação. Com relação ao argumento de que a Autoridade Revisora deixou de considerar os honorários advocatícios, tal alegação não procede, haja vista a descrição dos fatos constante da Notificação de Lançamento (fls. 27, verso) ser bastante clara quanto a isso. Do valor de rendimentos brutos informados no documento do Tribunal Regional do Trabalho apresentado à fiscalização, R$ 135.679,58, a autoridade deduziu o valor total dos honorários advocatícios, isto é, R$ 16.077,89, para chegar ao valor tributável de R$ 119.601,69. Tal dedução foi acatada com fulcro no art. 56 e seu parágrafo único do Decreto 3.000/99 e no art. 12 da Lei 7.713/88. Em que pese o referido documento não ter sido carreado aos autos pelo impugnante nesta instância, corroboram para demonstrar o rendimento bruto a carta precatória de fls. 38, cujo total bruto atualizado até 1°/08/2003 era de R$ 133.848,66 e o valor líquido dos descontos era de R$ 85.449,04. Considerando ainda que o recibo de fls. 43, assinado pelo contribuinte, demonstra que ele recebeu o valor líquido de R$ 87.321,60 em 02/06/2004 e que também o valor bruto foi atualizado até esta data, formo convencimento de que está correto o valor bruto apontado pela fiscalização de R$ 135.679,58, especialmente por estar fundamentado na memória de cálculo dos documentos judiciais apresentados na oportunidade. Com relação ao argumento de que a autoridade teria glosado valores de INSS do reclamante e do lRRF, tal alegação é totalmente desprovida de sentido e prova. Ao contrário, a única glosa efetuada pela autoridade fiscal se refere às despesas odontológicas, já discutidas neste Voto. Por outro lado, a observação do contribuinte aponta para a infração de dedução indevida de Contribuição à Previdência Oficial, não lançada pela autoridade revisora. Em sua Declaração de Ajuste (fls. 48/50) o contribuinte pleiteia e se beneficia de uma dedução com previdência oficial no valor de R$ 5.933,32, quando poderia deduzir Fl. 118DF CARF MF 6 apenas o valor de R$ 715,85 (correspondente à previdência oficial paga por ele) corrigido até agosto de 2003. Da análise dos cálculos atualizados até agosto de 2003 constantes da Carta Precatória de fls. 38, fica evidente que o contribuinte se beneficiou da dedução de parte da contribuição previdenciária paga pelo empregador, no valor de R$ 9.898,16 (atualizado até agosto de 2003), e que deveria compor integralmente a base de cálculo de seus rendimentos. Assim, não cabendo a esta autoridade julgadora inovar o lançamento primitivo, fica resguardado o direito da autoridade competente da DRF de origem efetuar o lançamento complementar referente a infração de dedução indevida a título de contribuição à previdência oficial, com fulcro no § 3° do art. 18 do PAF, observandose o prazo decadencial legalmente previsto. Desse modo, da análise minuciosa dos argumentos e documentos acostados pelo impugnante, e na ausência de qualquer prova que demonstrasse valores diferentes dos apurados pela fiscalização, chegase à conclusão de que também o lançamento relativo à infração de omissão de rendimentos no valor de R$ 32.280,09 está correto. Da multa de ofício e dos juros de mora. Declaração inexata. Previsão Legal. O requerente se insurge ainda contra a multa de oficio, argumentando, em síntese, que não se enquadra em nenhuma das hipóteses previstas no art. 44 da Lei 9.430196, e contra os juros de mora, face à toda a argumentação legal e documental que integra sua defesa (fls. 19 da impugnação). Relativamente à sua discordância quanto à multa de oficio e quanto aos juros de mora, não há como acatar o pleito para afastálos, pois, a exigência de ambos decorre de previsão legal. A multa de oficio de 75% tem como base o art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e é exigida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento apôs o vencimento do prazo, sem acréscimo de multa Moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, como é o caso dos autos. Com relação à incidência dos juros de mora, a sua exigência no Auto de Infração está sendo efetuada na forma da lei. O código Tributário Nacional outorgou à lei a faculdade de estipular os juros de mora aplicáveis sobre os créditos tributários não pagos no vencimento. O § 1° do art. 161 do CTN estabelece que,os juros serão calculados à taxa de 1%; Se outra não for fixada em lei. A partir de 10 de janeiro de 1996, os juros de mora passaram a refletir a variação da Taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC, conforme o disposto nos arts. 84, I, da Lei n° 8.991/95, 13 da Lei.9.065/95 e 61, § 3 0, da Lei n° 9.430/96, legislação que trata da exigência de juros de mora à taxa SELIC. Por último, esclarecese que quando notificado do lançamento em 20 de dezembro de 2006, o contribuinte tinha o prazo de prazo de 30 dias para impugnar ou recolher o imposto com a redução da multa de oficio em 50% (cinquenta por cento), conforme informado na Intimação da Notificação de Lançamento (fls. 25), e optou pela primeira alternativa. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 11543.000922/200781 Acórdão n.º 2001000.993 S2C0T1 Fl. 117 7 Ante o exposto e por tudo o que consta dos autos, voto pela IMPROCEDÊNCIA da impugnação, mantendose integralmente as infrações é, consequentemente, o crédito tributário exigido. Assim, conclui o Acórdão da DRJ pela improcedência da impugnação para manter a exigência do Lançamento em R$ 6.355,56, como imposto suplementar, mais acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: Atendendo aos termos DE INTIMAÇÃO FISCAL de n.2 2005/607158399031056, o contribuinte compareceu à ARF de Vila Velha em 27 de março de 2007, conforme expediente protocolado, para apresentar documentos e esclarecimentos relativos à sua declaração de Imposto de Renda Pessoa Física exercício 2005, ano 2004. Na ocasião apresentou todos os documentos requeridos. Tais documentos foram conferidos no ato da entrega. Mesmo com a documentação solicitada entregue, em 17 de abril de 2007, o contribuinte recebeu por AR NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA N.° 2005/607158399031056, com o devido demonstrativo do crédito tributário apurado em decorrência de enquadramento legal com base m dois fatos: 1. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS; 2. OMISSÃO DE RENDIMENTO DO TRABALHO COM VÍNCULO/OU SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. Sob a questão da omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, no valor de R$35.280,09, em sua impugnação, e com base nos documentos apresentados, o contribuinte esclarece o equívoco por parte da autoridade coatora, que não diminuiu de sua soma os valores não tributáveis. (...) Notese que o valor tributável à época do recebimento, era o valor principal, ou seja, R$85.449,04. Em sua declaração, depois de auferidos juros e correção monetária do auferido, o DF CARF MF Fl. 74 contribuinte declarou o que efetivamente recebeu, ou seja, o valor de R$87.321,60. Apresenta, como base, legislações pertinentes ao assunto, trazendo com a impugnação decisões e acórdão sobre o IRPF que corroboram com suas alegações. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS ODONTOLÓGICAS MANUTENÇÃO DA GLOSA. O R. Acórdão que os motivos que levarão à glosa de despesas odontológicas são baseados no fato de que os documentos Fl. 120DF CARF MF 8 apresentados não constituíam documento hábil e idôneo para que seja considerado com verdadeiro. Tal argumento não procede. (...) Ademais, em sua IMPUGNAÇÃO, o contribuinte apresenta os endereços que, a posteriore, tomou conhecimento de como deviam ter sido apresentados e que ora faz repetir: • Dr. Itamar Evalde Christe CRO/ES 1508, endereço: Av. Leitão da Silva, 765, Ed. Verona Center – Sala 502 Bairro Santa Lúcia Vitória ES • Dra. Elisa Alonso Ferreira CRO/ES 4358, endereço Rua José farias, 98, ED. Plena Center, sala 608, Bairro Vermelho, Vitória ES, CEP 25.045430. Dessa maneira, o contribuinte atendeu todo o teor do Art 82, inc. II alínea "a", §§ 2 e 3 da Lei 9.250/95, arts 43 a 48 IN SRF n.2 15/2001, arts 73, 80, e 83, inc. II do Decreto n.2 3.000/99 RIR/99. Tal decisão merece ser reviste e modificada. O contribuinte forneceu todos os dados exigidos pelo órgão, inclusive fornece documentos que comprovam o alegado. Em • sua declaração de ajuste anual, o contribuinte ainda faz a identificação de tais despesas, fornecendo nome e CPF dos prestadores do serviço odontológico. Sendo assim, o contribuinte reitera pela procedência do presente recurso, cancelando o débito fiscal reclamado. DA ALEGADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AÇÃO TRABALHISTA No acórdão foi mantida a infração de omissão de rendimentos pó não ter o contribuinte apresentado provas ao contrário do que corrobora com os documentos anexados ao lançamento. Tal argumento não deve prosperar por uma simples questão matemática. De acordo com Alvarás judiciais expedidos pela justiça do trabalho e recibo apresentado pelo sindicato dos bancários do Espírito Santo, o valor recebido pelo contribuinte é de R$87.321,60, exatamente o que foi declarado. Do valor, que ora entende sonegado, R$16.077,89 ê referente a honorários advocatícios dedutíveis da contribuição, com fulcro no art. 56 do decreto 3000/99 e noart. 12 da Lei 7713/88. Observase um equívoco por parte da autoridade lançadora. Pelo exposto, forçose se faz a retificação da glosa realizada, tendo como base o recibo emitido pelo sindicato dos estabelecimentos bancários do Espírito Santo, ajustando tal rendimento em R$87.321,60, como comprovam os alvarás em anexo (docs). Outro valor, referese ao INSS RTE que era de R$719,58 e de IRRF RTE R$19.793,41. Diante do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer o recorrente seja acolhido o presente Fl. 121DF CARF MF Processo nº 11543.000922/200781 Acórdão n.º 2001000.993 S2C0T1 Fl. 118 9 recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO E DE JUROS DE MORA LEGALIDADE. Ao cumprir com todas as exigências feitas pela RF, agiu dentro do princípio legal com fulcro no art. 56 e § único do decreto 3.000/99. Resta improcedente as razões do enquadramento aplicado e seu desdobramento, já que com a entrada em vigor da MP n. 2351 de 22/01/2007, o parágrafo 32 do art. 44 da Lei 9.430/96 foi suprimido. Considerando que o recorrente atendeu ao TERMO DE Intimação Fiscal, apresentando documentação comprobatória resta improcedente o enquadramento do recorrente no art. 44, inciso I e § 1 2 da Lei 9430/96, ALEGADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AÇÃO TRABALHISTA. À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA Improcedente a alegação de que indevida a aplicação da multa de ofício no percentual de 75%, porque prevista no inciso I, do art. 44, da Lei nº 9.430/96, e inciso I, do art. 957, do Decreto nº 3.000/99. Improcedente a contestação da aplicação da taxa SELIC como juros moratórios aplicáveis ao crédito tributário, porque prevista na legislação. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Conforme consta do Lançamento, no item “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” o Recorrente não ofereceu à tributação o valor integral da ação trabalhista por ele recebida, no seguinte texto: Fl. 122DF CARF MF 10 O contribuinte omitiu parte dos rendimentos tributáveis: rendimentos brutos R$ 135.679,58, honorários R$ 16.077,89 = R$ 119.601,69. (demonstrativo de cálculo do TRT/17ª Região conforme documento apresentado pelo contribuinte). De fato, o Recorrente omitiu rendimentos tendo em vista que ficou bem demostrado na sua Declaração de Ajuste Anual apresentada, fl. 53, em que se constata que o valor informado como rendimento bruto de R$ 87.321,60 é na verdade o valor líquido resultante das deduções realizadas por ocasião do recebimento da ação trabalhista. A partir deste procedimento o valor tributável ficou inferior àquele que deveria ser oferecido à tributação e, ainda, o Contribuinte deduziu na DAA o valor do IRRF de R$ 19.793,41, que compunha o valor bruto sujeito a tributação e que já havia sido deduzido e recolhido, além de outras despesas. O correto seria oferecer a tributação o valor bruto e deduzir o imposto retido na fonte porque já recolhido e as demais despesas permitidas legalmente. Assim, o correto teria sido informar na DAA o valor de R$ 119.601,69 como rendimento tributável e a partir dele fazer as deduções legalmente permitidas. Ao oferecer a tributação o valor líquido de R$ 87.321,60 o contribuinte incorreu em omissão de rendimentos no valor de R$ 32.280,09 (R$ 119.601,69 – R$ 87.321,60), razão do Lançamento lavrado com propriedade e mantido no julgamento de primeira instância administrativa pela DRJ, em voto bem estruturado e de forma exaustivamente argumentado, ao qual a condução deste voto se alinha, especificamente neste quesito da omissão de rendimentos. Neste sentido, improcedentes as alegações do Recorrente nesta parte da defesa recursal, razão porque se considera mantido o lançamento na parte referente à omissão de rendimentos. DESPESAS MÉDICAS A divergência no que ser refere à despesa médica é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia na contenda é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pelo contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: Fl. 123DF CARF MF Processo nº 11543.000922/200781 Acórdão n.º 2001000.993 S2C0T1 Fl. 119 11 a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Decreto nº 3.000/99 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifei) Fl. 124DF CARF MF 12 A exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, assim, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagadorrecebedor do valor da prestação de serviço. No caso, há que se considerar a presunção de idoneidade da comprovação apresentada em obediência ao que dispõe a legislação. Mais ainda, em razão da ausência da apresentação, por parte do fisco, de indícios que coloquem em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados pela Recorrente. Não basta a simples desconfiança do agente público incumbido da auditoria para que se obrigue o contribuinte a apresentar prova suplementar se não há elementos desabonadores da boa fé de quem usa a documentação especificada na lei para o exercício do direito à dedução na apuração do resultado tributário da pessoa física. Por juízo subjetivo ou simples desconfiança, sem sequer a indicação de indícios de inidoneidade da documentação, não pode a autoridade lançadora fazer exigências fora dos limites da lei. O procedimento fiscal busca amparo no que dispõe o art. 73 e seu § 1º, do Decreto nº 3.000/99, para posicionar o ônus da prova unicamente no contribuinte, nos termos em que a seguir se descreve: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (grifei) § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifei) A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. A origem do conteúdo do texto vem do período do DecretoLei acima, mais precisamente do ano de 1943, anterior, portanto, às quatro últimas Constituições do Brasil (1946, 1967, 1969 e 1988) e, muito distante do conceito atual de Direito do Contribuinte e do Estado de Direito. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento ex officio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de provo, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 11543.000922/200781 Acórdão n.º 2001000.993 S2C0T1 Fl. 120 13 O Novo Código de Processo Civil pode ser utilizado em apoio à interpretação aqui esposada, porque contém dispositivos pertinentes que devem ser trazidos à colação, de vez que transitam na mesma linha de entendimento que aborda a observância do direito do contribuinte de forma moderna e em consideração ao Estado de Direito. O Código avança no sentido de estabelecer o equilíbrio de forças das partes no processo de julgamento, como se vê na orientação do art. 7º, como segue: “Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório”. (grifei) Traz reforço ainda o CPC para esse entendimento quando suaviza o posicionamento anterior que atribuía ao contribuinte, de forma quase que exclusiva, o ônus da prova, e inaugura a possibilidade das partes atuarem em prol de uma instrução colaborativa, a fim de oferecer ao julgador melhores subsídios para proferir a decisão, sem que se faça uso da regra do ônus da prova de forma unilateral. Este novo procedimento está explicitado no § 1º, do art. 373, da seguinte forma: § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. De forma semelhante o art. 6º do CPC reforça este entendimento colaborativo ao dizer que “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”. A decisão de primeiro grau administrativa que manteve a glosa da dedução das despesas médicas tem como suporte o dizer do Agente Fiscal que assim se expressou na “descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Lançamento: Glosa do valor.de R$ 19.285,00, indevidamente deduzido a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Foi glosada a despesa médica, pois o contribuinte quando intimado apresentou recibo de dentistas que não consta o endereço do profissional nem a descrição dos serviços médicos prestados, conforme documentos apresentados pelo interessado. Deve ser acolhido todo o elemento de prova durante o processo administrativo fiscal visando o aclaramento da verdade material, o direito do contraditório e da ampla defesa para o atingimento de justa decisão da causa. No que se refere ao endereço dos profissionais prestadores dos serviços a falha formal foi corrigida pela informação prestada pelo próprio Recorrente. É válida complementação seja ela fornecida pelo emitente do recibo ou pelo próprio Contribuinte, cuja veracidade que pode ser facilmente comprovada pela Fiscalização por simples consulta nos meios de comunicação eletrônicos. Fl. 126DF CARF MF 14 O disposto no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95 e inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99, lista elementos de identificação do emitente do recibo como o nome, CPF ou CNPJ de quem recebeu o valor dos honorários, sendo o endereço uma das informações, mas não a mais importante, porque de todos é a menos permanente. As outras informações são de alguma forma imutáveis no tempo enquanto que o endereço de localização do profissional pode ser mudado até mesmo com facilidade/frequência. É de considerar também que o mesmo dispositivo legal permite que na falta do documento original a comprovação possa ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento, sendo de conhecimento geral que o cheque não traz o endereço do emitente, em qualquer caso, confirmação da secundarização da importância desta informação do emitente do recibo. A legislação não exige a identificação no recibo de pagamento do tipo de tratamento executado e nem a especificação do nome do beneficiário porque se entende que o recibo é dado ao ContribuintePaciente e somente é especificado o nome de outro paciente quando é o caso de atendimento a dependentes. No caso, constatase que os serviços prestados correspondem à especialidade técnica de profissional habilitado na área médica de acordo com as necessidades especificas do beneficiário e, com o fornecimento de comprovantes de pagamento dos serviços prestados, mediante recibos assinados pelo profissional habilitado. Legítima a dedução a título de despesas médicas/odontológica do valor pago pelo contribuinte e comprovado mediante apresentação de recibos, fls. 35 a 41, estes assinados por profissional habilitado, pois tais documentos guardam ao mesmo tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirma o seu pagamento. Desnecessária qualquer outra informação firmada pelo profissional prestador do serviço porque aqueles comprovantes já cumprem a função legalmente exigida. Assim, verificase que o Recorrente apresentou a documentação comprobatória da despesa médica realizada, correspondendo à comprovação do pagamento de profissionais e por isso a utilizou como dedutível na declaração de ajuste do imposto, razão porque se faz necessária a providência da exclusão da glosa das despesas médicas no valor de R$ 19.285,00. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO PARCIAL, restabelecendose a dedução das despesas médicas glosadas no valor de R$ 19.285,00, razão pela qual se faz imperioso o cancelamento da parte do Lançamento correspondente a essa glosa, mantida, porém, a parte correspondente à omissão de rendimentos no valor de R$ 32.280,09. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660267/2011-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/11/2003
RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. TRIBUTAÇÃO.
A partir de 18/12/2000, as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus isentas da exigência do PIS e da Cofins são apenas as elencadas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-004.032
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/11/2003 RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. TRIBUTAÇÃO. A partir de 18/12/2000, as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus isentas da exigência do PIS e da Cofins são apenas as elencadas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 02 67 /2 01 1- 15 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10880.660267/201115 Acórdão n.º 3201004.032 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição de créditos da contribuição (Cofins/PIS), decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que os pagamentos declarados já haviam sido integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que o crédito pleiteado decorrera da apuração equivocada da contribuição sobre receitas auferidas em operações de venda à Zona Franca de Manual (ZFM), que em hipótese alguma deviam ser tributadas, tendo em vista que o art. 4º do Decreto nº 288/1967 equiparara as vendas de mercadorias para a Zona Franca de Manaus àquelas destinadas à exportação, imunes às contribuições por força do art. 149 da Constituição Federal. Alegou, ainda, que, mesmo diante da ausência de retificação das declarações (DCTF e DIPJ), o crédito deveria ser reconhecido, pois, uma vez constatada a existência de erro de fato conforme demonstrativo e documentos apresentados , era dever da Administração Pública proceder à revisão de ofício, em conformidade com os princípios da verdade material, da moralidade administrativa e da vedação ao enriquecimento ilícito. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 14053.245, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de que a isenção das contribuições, a partir de 18 de dezembro de 2000, alcançava exclusivamente as receitas de vendas efetuadas para as empresas comerciais exportadoras de que trata o Decretolei nº 1.248, de 1972, com fim específico de exportação, e para as empresas comerciais exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, estabelecidas na Zona Franca de Manaus. Segundo a DRJ, as vendas efetuadas às demais pessoas jurídicas, mesmo que localizadas na Zona Franca de Manaus, deviam ser tributadas normalmente. Afastou a DRJ o pedido alternativo de realização de diligência e as arguições de nulidade e de afronta a princípios constitucionais. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, a realização de diligência (caso necessária) e a intimação de seus advogados no endereço profissional deles, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10880.660267/201115 Acórdão n.º 3201004.032 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201004.013, de 23/07/2018, proferido no julgamento do processo nº 10880.660222/201132, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.013): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em março de 2003. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou ter incluído, na base de cálculo da contribuição, receitas auferidas em operações de venda à Zona Franca de Manaus – ZFM, que, no seu entendimento, não deviam ter sido tributadas. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório, DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos (sequer no recurso voluntário a apresentou). Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que fundamenta o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação do tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10880.660267/201115 Acórdão n.º 3201004.032 S3C2T1 Fl. 5 4 informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10880.660267/201115 Acórdão n.º 3201004.032 S3C2T1 Fl. 6 5 verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Por fim, o pedido para que Recorrente seja intimada no endereço profissional de seus advogados deve ser indeferido, uma vez que as intimações, por via postal, devem ser enviadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, em conformidade com o disposto no art. 23, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972. Cabe registrar, no entanto, que o entendimento que vimos de expor e consideramos suficiente para o deslinde do litígio não foi o mesmo adotado pelos demais integrantes da Turma, para os quais o indeferimento do pleito deve assentarse unicamente no fato de que as receitas de vendas à ZFM que estão isentas da exigência do PIS/Cofins são apenas as elencadas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Daí que passamos a reproduzir e adotar como razão de decidir, porque sobre o tema nada inovou o recurso voluntário, os fundamentos utilizados no acórdão recorrido: Quanto ao mérito verificase que a contestação do interessado se resume em alegar que o crédito existe e é oriundo de receitas de vendas destinadas à Zona Franca de Manaus e as mesmas são isentas ou não tributadas do PIS e COFINS, por força do artigo 4º do Decretolei nº 228, de 28 de fevereiro de 1967, nos seguintes termos: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. As normas dispondo sobre matéria de isenção das contribuições sociais – PIS/Pasep e Cofins – na época do fato gerador, estavam sintetizadas no art. 14 e seus parágrafos, da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Todavia, a evolução histórica dos dispositivos legais e regulamentares Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10880.660267/201115 Acórdão n.º 3201004.032 S3C2T1 Fl. 7 6 anteriores, em relação à matéria de isenção das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento, pode ser observada, conforme apresentado a seguir. Inicialmente, em relação à contribuição para o PIS/Pasep, verificase que com a edição da Lei nº 7.714, de 29 de dezembro de 1988 (art.5º), ficou autorizada a exclusão de receitas de exportação de produtos manufaturados nacionais da base de cálculo do PIS/Pasep, como segue: “Art. 5º Para efeito de cálculo da contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP e para o Programa de Integração Social PIS, de que trata o Decretolei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, o valor da receita de exportação de produtos manufaturados nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta” A Lei nº 9.004, de 16 de março de 1995, resultante da conversão da Medida Provisória nº 622, de 22 de setembro de 1994, e reedições, deu nova redação ao art. 5º da Lei nº 7.714, de 1988, adotandose restrições quanto às vendas efetuadas às empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, e em outras localidades, assim dispondo: “Art. 1º O art. 5º da Lei nº 7.714, de 29 de dezembro de 1986, acrescido dos §§ 1º e 2º, passa a vigorar com a seguinte alteração: Art. 5º Para efeito de determinação da base de cálculo das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), instituídas pelas Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, e 8, de 3 de dezembro de 1970, respectivamente, o valor da receita de exportação de mercadorias nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta. § 1º Serão consideradas exportadas, para efeito do disposto no caput deste artigo, as mercadorias vendidas a empresa comercial exportadora, de que trata o art. 1º do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972. § 2º A exclusão prevista neste artigo não alcança as vendas efetuadas: (Grifouse) a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; (Grifouse) b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; c) a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992; d) no mercado interno, às quais sejam atribuídos incentivos concedidos à exportação.” A Medida Provisória nº 1.212, de 29 de novembro de 1995, e reedições, convertida na Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, dispondo sobre a contribuição para o PIS/Pasep, de forma mais ampla, manteve o tratamento restritivo previsto na Lei nº 9.004, de 1995, ao tratar da matéria em seu art. 4º: “Art. 4º Observado o disposto na Lei nº 9.004, de 16 de março de 1995, na determinação da base de calculo da contribuição serão também excluídas as receitas correspondentes: (Grifouse) I aos serviços prestados a pessoa jurídica domiciliada no exterior, desde que não autorizada a funcionar no Brasil, cujo pagamento represente ingresso de divisas; II ao fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em trafego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; III ao transporte internacional de cargas ou passageiros.” No que se refere à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), em relação às receitas de exportação, a Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, estabeleceu em seu art. 7º: “Art. 7º É ainda isenta da contribuição a venda de mercadorias ou serviços destinados ao exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo.” Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10880.660267/201115 Acórdão n.º 3201004.032 S3C2T1 Fl. 8 7 O Decreto nº 1.030, de 29 de dezembro de 1993, que regulamentou o disposto no art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 1991, restringiu o tratamento isentivo para as empresas estabelecidas nas referidas localidades, assim disciplinando: “Art. 1º Na determinação da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), instituída pelo art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, serão excluídas as receitas decorrentes da exportação de mercadorias ou serviços, assim entendidas: I vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; e V fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível. Parágrafo único. A exclusão de que trata este artigo não alcança as vendas efetuadas: (Grifouse) a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; (Grifouse) b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; c) a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992; d) no mercado interno, às quais sejam atribuídos incentivos concedidos à exportação. (Grifouse) (...).”Por sua vez, a Lei Complementar nº 85, de 15 de fevereiro de 1996, alterando a redação do art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 1991, não tratou da restrição: “Art. 1º O art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo." Art. 2º Esta Lei Complementar entra em vigor na data de sua publicação, retroagindo seus efeitos a 1º de abril de 1992.” (Grifouse) A Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que teve por finalidade ampliar a base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, também não fez qualquer referência à exclusão de receitas de exportações ou à isenção das contribuições sobre tais receitas. Daí a necessidade de editarse novo dispositivo legal contemplando com isenção as receitas de exportação. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10880.660267/201115 Acórdão n.º 3201004.032 S3C2T1 Fl. 9 8 Diante da lacuna existente na Lei nº 9.718, de 1998, a Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, em seu art. 14 e seus parágrafos, adiante transcritos, redefiniu as regras de desoneração das contribuições em tela nas hipóteses especificadas e revogou todos os dispositivos legais relativos a exclusão de base de cálculo e isenção, existentes em 30 de junho de 1999: “Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da Cofins as receitas: (Grifouse) I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; (Grifouse) III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; (Grifouse) IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; (grifouse) (...) § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: (Grifouse) I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992.” Entretanto, cabe esclarecer que, somente, a partir da publicação no Diário Oficial da União da Medida Provisória nº 2.03725, em 22 de dezembro de 2000, ficou suprimida a expressão "na Zona Franca de Manaus" do inciso I do § 2º do art. 14, acima citado. Pela legislação mencionada nos itens 3, 4 e 5 acima, fica evidente que a intenção do legislador ao longo do tempo sempre foi a de não contemplar com isenção do PIS/Pasep e da Cofins, as receitas decorrentes das vendas realizadas para consumo, industrialização ou comercialização no mercado interno às empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, bem assim as receitas provenientes das vendas efetuadas para as empresas comerciais exportadoras localizadas na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental, em área de livre comércio, zona de processamento de exportação, como também para estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação. O argumento no sentido de se admitir, para fins de isenção do PIS/Pasep e da Cofins, que o art. 4º do Decretolei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, "equiparou a venda de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro à Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10880.660267/201115 Acórdão n.º 3201004.032 S3C2T1 Fl. 10 9 exportação brasileira para o exterior", não deve prosperar, de acordo com a inteligência do próprio dispositivo. Sobre essa questão a CoordenaçãoGeral de do Sistema de Tributação (Cosit) já se posicionou por meio da Solução de Divergência Cosit no 22, de 19 de agosto de 2002, publicada no Diário Oficial da União em 22/08/2002, da qual abaixo se transcreve trechos de sua fundamentação e conclusão final: 15. A argumentação no sentido de que, para fins de isenção do PIS/Pasep e da Cofins, teria o art. 4º do Decretolei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, equiparado a venda de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro à exportação brasileira para o exterior, não prospera, de acordo com a inteligência do próprio dispositivo, como pode ser observado de sua transcrição a seguir: “Art. 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) 16. Ressaltese que a expressão "constante da legislação em vigor" contida no texto do art. 4º do Decretolei nº 288, de 1967, pela sua incontestável clareza, já é suficiente para afastar qualquer dúvida quanto ao seu alcance no sentido temporal. Não se pode afirmar, portanto, que o referido dispositivo teria o condão de modificar a legislação superveniente que tenha instituído qualquer tributo ou contribuição social. Ao contrário, não resiste à menor análise, a afirmação de que as contribuições sociais – PIS/Pasep e Cofins instituídas em 1970 e 1991, teriam sido alcançadas pelos efeitos da citada equiparação. 16.1. Por outro lado, se o legislador pretendesse contemplar, indistintamente, com a isenção dessas contribuições, todas as receitas de vendas efetuadas para quaisquer empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, teria feito constar expressamente na legislação específica do PIS/Pasep e da Cofins. 16.2. Logo, é correto concluir que o próprio dispositivo legal (art. 4º do Decreto lei nº 288, de 1967) restringiu a aplicabilidade da equiparação mencionada, para os efeitos dos impostos e contribuições constantes da legislação vigente em 28 de fevereiro de 1967. Até porque não poderia projetar os efeitos da legislação isencional para o futuro indiscriminadamente. 16.3. A propósito das conclusões mencionadas nos itens anteriores sobre o alcance do dispositivo referido, deve ser ressaltada a restrição procedida pelo legislador ordinário, ao tratar inclusive de impostos já existentes à data de edição daquele Decretolei, evidenciando a intenção, no sentido de evitar que se acumulasse outras formas de incentivos, além da nele efetivamente prevista, nos termos constantes do art. 7º do Decretolei nº 1.435, de 17 de dezembro de 1975, in verbis: “Art. 7o A equiparação de que trata o artigo 4o do Decretolei no 288, de 28 de fevereiro de 1967, não compreende os incentivos fiscais previstos nos Decretos leis no s 491, de 5 de março de 1969; 1.158, de 16 de março de 1971; 1.189, de 24 de setembro de 1971; 1.219, de 15 de maio de 1972, e 1.248, de 29 de novembro de 1972, nem os decorrentes do regime de “draw back”.” 17. Por meio da Nota/Cosit/Cotex nº151, de 14 de maio de 2002, a Secretaria da Receita Federal (SRF) submeteu ao exame da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), o seu entendimento sobre essa matéria, para que fosse ratificado ou retificado. A PGFN, por intermédio do PARECER/PGFN/CAT/Nº 1.769, de 23 de maio de 2002, ratificou o entendimento da SRF referente ao assunto, inclusive quanto à manutenção da proibição das isenções para as receitas de vendas efetuadas a empresas estabelecidas nas localidades e Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10880.660267/201115 Acórdão n.º 3201004.032 S3C2T1 Fl. 11 10 estabelecimentos listados nos incisos I, II e III do § 2º do art. 14 da Medida Provisória no 2.15835, de 2001, mesmo que as receitas de vendas se enquadrem nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14, da citada Medida Provisória. Neste particular, a PGFN diz que é sabido que as pessoas jurídicas situadas nas áreas mencionadas, tradicionalmente, vêm sendo contempladas com toda a sorte de benefícios de natureza fiscal, há algumas décadas, o que faz crer ter sido a vontade do legislador deixálas de fora de mais esse benefício fiscal. CONCLUSÃO 18. Diante do exposto, solucionase a presente divergência respondendo à recorrente que a isenção da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória nº 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, e considerada a medida liminar deferida pelo STF, na ADIn nº 2.3489, publicada no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União de 18 de dezembro de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus” do inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 2000, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, para as receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo 14, ou seja: a) receitas do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; b) receitas auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações pré registradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; c) receitas de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras de que trata o Decretolei no 1.248, de 1972, destinada ao fim específico de exportação; e d) receitas de vendas efetuadas com fim específico de exportação para o exterior, às empresas comerciais exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. (realcei) 18.1. A isenção da Cofins não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1º de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições, até a Medida Provisória nº 2.03724, de 2000. 19. Somente a partir de 18 de dezembro de 2000, estão isentas do PIS/Pasep , as receitas de vendas relacionadas nas alíneas “a”, “b”, “c” e “d” do item 18, tendo em vista a medida liminar concedida pelo STF, na ADI no 2.3489, publicada no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União de 18 de dezembro de 2000, e edição da Medida Provisória no2.03725, de 2000, e reedições, atual Medida Provisória n o2.15835, de 2001. 20. Ressalvadas as hipóteses previstas nos itens 18 e 19, sujeitamse à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, sem o benefício da isenção, todas as demais receitas de vendas efetuadas às pessoas jurídicas, mesmo que estabelecidas na Zona Franca de Manaus, independentemente de sua destinação ou finalidade. (destaques do original) Pela leitura dessa Solução de Divergência, concluise que, a partir de 18/12/2000, as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus estão isentas da exigência do PIS e da Cofins, mas apenas em relação às receitas discriminadas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10880.660267/201115 Acórdão n.º 3201004.032 S3C2T1 Fl. 12 11 Como nos autos não há evidências de que as receitas lançadas correspondem àquelas citadas no ato, forçoso reconhecer que a pretensão da impugnante não pode prosperar,(...) Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 168DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10845.724311/2017-36
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
MOLÉSTIA GRAVE. COMPLEMENTAÇÃO DE PENSÃO.
Para que a complementação de aposentadoria, reforma ou pensão, recebida de entidade de previdência privada, Fundo de Aposentadoria Programada Individual (Fapi) ou Programa Gerador de Benefício Livre (PGBL) seja isenta é necessário o cumprimento dos requisitos e condições para a aposentadoria do regime oficial.
Numero da decisão: 2002-000.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil (relator) que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e redatora designada.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 MOLÉSTIA GRAVE. COMPLEMENTAÇÃO DE PENSÃO. Para que a complementação de aposentadoria, reforma ou pensão, recebida de entidade de previdência privada, Fundo de Aposentadoria Programada Individual (Fapi) ou Programa Gerador de Benefício Livre (PGBL) seja isenta é necessário o cumprimento dos requisitos e condições para a aposentadoria do regime oficial.
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COMPLEMENTAÇÃO DE PENSÃO. Para que a complementação de aposentadoria, reforma ou pensão, recebida de entidade de previdência privada, Fundo de Aposentadoria Programada Individual (Fapi) ou Programa Gerador de Benefício Livre (PGBL) seja isenta é necessário o cumprimento dos requisitos e condições para a aposentadoria do regime oficial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil (relator) que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e redatora designada. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 72 43 11 /2 01 7- 36 Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10845.724311/201736 Acórdão n.º 2002000.565 S2C0T2 Fl. 158 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 103/105) contra decisão de primeira instância (fls. 92/96), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: Exigese do(a) interessado(a) o pagamento do crédito tributário lançado... Tal crédito decorre de procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por informação inexata na Declaração do IRPF/2013, conforme Notificação de Lançamento de fls 05/08. Do procedimento fiscal – Descrição dos fatos No item “descrição dos fatos e enquadramento legal” da Notificação contestada... Com base nessas verificações e ajustes foi elaborado o Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido e lavrada a Notificação de lançamento. Da impugnação Cientificado(a) do lançamento, o(a) interessado(a) apresentou impugnação de fls. 02/03. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação e, juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Vencido Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. A contribuinte foi notificada em 29/12/2017 (fl. 127); Recurso Voluntário protocolado em 24/01/2018 (fl. 103), assinado pela própria contribuinte. Responde a contribuinte nestes autos pela seguinte infração: Rendimentos Indevidamente Considerados como Isentos por Moléstia Grave – Não Comprovação da Moléstia ou a sua Condição de Aposentado, Pensionista ou Reformado. A fonte pagadora é o Banesprev Fundo Banespa de Seguridade Social. A r. decisão revisanda, julgou improcedente a impugnação da contribuinte. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10845.724311/201736 Acórdão n.º 2002000.565 S2C0T2 Fl. 159 3 Irresignada, a contribuinte maneja recurso próprio, invocando matéria preliminar, combatendo o mérito e juntando novos documentos. A matéria trazida como preliminar, se confunde com o mérito e com ele será julgada. A contribuinte, alega que os valores recebidos pela fonte pagadora Banesprev Fundo Banespa de Seguridade Social, referese a “Complementação” de Pensão por morte de seu marido e que recebe desde 24/11/2000, quando ficou viúva. Verificando o documento de fl. 140, elaborado pelo Banespa, o participante é Eduardo Rodrigues Cruz, sendo sua representante Elisabeth de Almeida Robalo Cruz, que na verdade nada mais é que sua beneficiária. Na descrição do valor recebido, consta como “Complementação de Pensão”. Lamentavelmente, o Sr auditor fiscal, errou ao referirse como “rendimentos recebidos do Banesprev corresponde a previdência complementar, tais rendimentos recebidos pelo portador de doença grave listada nas leis de isenção somente serão isentos a partir do mês da concessão da aposentadoria pela previdência oficial, que no caso da contribuinte ocorreu em 2015”. Aqui não se trata de proventos de aposentadoria, mas sim de complementação de pensão. Pois bem, a carta de concessão do benefício é datada em 24/10/2000, o Laudo Pericial Oficial (fl. 154) diz que a recorrente é portadora de Moléstia Grave desde 17/05/2010, discutese nestes autos, lançamento do anocalendário 2012, portanto coberto pelo manto da isenção. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10845.724311/201736 Acórdão n.º 2002000.565 S2C0T2 Fl. 160 4 Voto Vencedor Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora designada Com a devida vênia, divirjo do conselheiro relator quanto à conclusão adotada em seu voto. Conforme consignado na decisão de piso, para que a complementação de aposentadoria, reforma ou pensão, recebida de entidade de previdência privada, seja isenta é necessário o cumprimento dos requisitos e condições para a aposentadoria do regime oficial, o que, no caso da recorrente, só ocorreu em janeiro de 2015. Assim, a complementação da pensão recebida pela recorrente no anocalendário sob exame não está isenta do IR. Dessa feita, não há reparos a se fazer à decisão de piso, a qual adoto. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 160DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.725604/2014-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-000.532
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa que votaram para dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Gasparello Lima - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa que votaram para dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
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Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa que votaram para dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Relatório A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJ1) julgou improcedente a impugnação administrativa da contribuinte, Sul América Serviços de Saúde S/A, conforme se observa da ementa do acórdão nº 1283.776: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 14 .7 25 60 4/ 20 14 -9 6 Fl. 933DF CARF MF Processo nº 10314.725604/201496 Resolução nº 1201000.532 S1C2T1 Fl. 934 2 OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. REDE REFERENCIADA.. RESPONSABILIDADE LEGAL DA OPERADORA PELA MANUTENÇÃO DA REDE. É responsabilidade legal da Operadora de plano de assistência à saúde a manutenção financeira da rede referenciada, integrada por hospitais, clínicas, laboratórios e profissionais, que prestam serviço aos beneficiários dos planos geridos pela Operadora. OPERADORA DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. SERVIÇO DE INTERMEDIAÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO. Considerando que é responsabilidade legal da Operadora de planos de assistência à saúde, esculpida no art. 1º, inciso I, da Lei n. 9656/98, o pagamento integral (ou parcial) aos serviços prestados pela rede referenciada, não se configura o caráter de trabalho por conta alheia, visto que a operadora deverá utilizar capital próprio para cumprir a determinação legal; afastando, nesse sentido, qualquer alegação de que exerce serviço de intermediação. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 FALTA DE COMPARECIMENTO PESSOAL AO DOMICÍLIO DO CONTRIBUINTE. PRESSUSPOSTO DE CORREÇÃO DO LANÇAMENTO. Inexiste pressuposto de comparecimento pessoal da autoridade fiscal ao domicílio do contribuinte para justificar a correção do lançamento de ofício. DIPJ. CÓDIGO DE ATIVIDADE 65.602/00PLANOS DE SAÚDE É compatível com as atividades inerentes a uma Operadora de plano de saúde declarar em DIPJ o código de atividade 65.602/00Planos de Saúde. IRPJ. CSLL. PIS/COFINS. OPERADORA DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. PLANOS DE MEDICINA DE GRUPO. NATUREZA DOS VALORES RECEBIDOS DAS EMPRESAS MANTENEDORAS, CLIENTES DA OPERADORA. EXPEDIÇÃO DE NOTA FISCAL. OBRIGATORIEDADE. PLANO DE CONTAS PADRÃO DAS OPERADORAS. Consoante estatui o plano de contas padrão, instituído pela Agência Nacional de SaúdeANS, atinente às Operadores de Planos de assistência à saúde, os valores recebidos pela prestação de serviços de planos de assistência à saúde, das empresas mantenedoras, pela Operadora, é considerado receita dessa última, assim como é considerado preço do serviço prestado, devendo integrar o faturamento da Operadora. Dessa forma, é legal e necessária a expedição de documento fiscal para lastrear os recebimentos oriundos das empresas mantenedoras. DILIGÊNCIA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS. PEDIDO CONSIDERADO NÃO FORMULADO. Fl. 934DF CARF MF Processo nº 10314.725604/201496 Resolução nº 1201000.532 S1C2T1 Fl. 935 3 Na conformidade do art. 16, IV, do Decreto 70.235/72, ausentes os quesitos referentes aos exames desejados, deve o pedido de diligência ser considerado não formulado, com base no §1º do art. 16 da citada norma. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005 CSLL. PIS/COFINS. OMISSÃO DE RECEITA. LANÇAMENTOS REFLEXOS. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, da Contribuição para o PIS/Pasep e das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Resumidamente, o acórdão recorrido narrou os fatos que proporcionaram a imposição fiscal: DO LANÇAMENTO Tratase de lançamento tributário relativo ao anocalendário 2010, efetuado sob a jurisdição da DELEXSP, pelo qual constituíramse créditos tributários, acrescidos de multa proporcional, e juros de mora calculados até 08/2014, com ciência do contribuinte pela via postal: DO TERMO DE VERIFICAÇÃO (fls. 298/311) E ANEXOS (fls. 312/328). VENDAS CANCELADAS INCOMPROVADAS 2. O auditorfiscal verificou que o contribuinte havia deduzido da Receita Bruta (conforme item 10 da ficha 07 A da DIPJ 2010/2011 – Demonstração do Resultado) o valor de R$ 126.489.092,53, a título de vendas canceladas (anexo I). 2.1 Em sede de fiscalização, o contribuinte apresentou notas fiscaisNF canceladas, que teriam sido obtidas no sítio da Sefaz São Paulo (pelo critério de incidência1), que comprovariam os lançamentos da conta contábil 3131191000000002, totalizando R$ 20.714.329,96 – fl. 298. 2.2 O auditor elaborou planilha com o valor das vendas canceladas, registrado em DIPJ, sem o suporte das NF apresentadas como canceladas: Fl. 935DF CARF MF Processo nº 10314.725604/201496 Resolução nº 1201000.532 S1C2T1 Fl. 936 4 2.3 O contribuinte explicou que a diferença apurada, de R$ 105.774.762,57, não se referia a NFcanceladas, mas ao cancelamento de valores cobrados das mantenedoras/estipulantes (clientes contratantes dos planos de saúde cuja comercialização ele intermedeia), sendo que, para esse valor não existem NF anteriores emitidas pois o cancelamento seria apenas dos boletos de cobrança. 2.4 O fisco alertou, entretanto, que o cancelamento de receita pressupõe a emissão de documento fiscal anterior, e o simples inadimplemento de documento de cobrança do cliente não pode se confundir com cancelamento de vendas – fl. 299. 2.5 Os motivos mais freqüentes dos cancelamentos, informados pelo contribuinte teriam sido – fls. 258/259: (i) renegociação (avenças com os clientes na alteração da forma ou periodicidade de cobrança); (ii) erro no vencimento do boleto; e, (iii) agrupamento de valores (quando clientes de um conglomerado solicitam que as cobranças endereçadas a cada empresa sejam canceladas e substituídas por cobrança a uma delas, para posterior rateio); 2.6 O fisco alertou que o contribuinte se referiu aos antes denominados “mantenedores”, como “clientes”, por isso, não haveria motivo para alegar que faria apenas a intermediação de planos de saúde. 2.7 Atentou o fisco, também, que em DIPJ a Impugnante declarou o código de atividade 65.502/00Planos de Saúde e, junto à JUCESP, em seção de 05/09/2007, declarou para consulta pública, exercer desde então a atividade de Plano de Saúde. 2.8 Concluiu a autoridade fiscal que, para burlar a obrigatoriedade de emissão de NF, o contribuinte se definiu como intermediário na prestação de serviço, emitindo NF tão somente sobre a margem bruta, Fl. 936DF CARF MF Processo nº 10314.725604/201496 Resolução nº 1201000.532 S1C2T1 Fl. 937 5 querendo se passar por comissionado, quando na realidade operava por sua própria conta o sistema – fl. 300. 2.9 A Lei Federal nº 9.656/98, dispõe que se considera operadoras de planos privados de assistência à saúde toda e qualquer pessoa jurídicaPJ de direito privado, independente da forma jurídica de sua constituição, que ofereça tais planos mediante contraprestações pecuniárias, com atendimento em serviços próprios ou de terceiros. 2.10 Sobre a necessidade da emissão dos documentos fiscais, referiuse o fisco ao art. 82, do Decreto nº 50.896/2009 (que aprovou o Regulamento do ISS), bem como ao art. 1º, da Lei nº 8.846/94, bem como ao art. 249 do RIR/99 – fls. 301/303. 2.11 Foi apurada a BC omitida, sua recomposição considerando as declarações do contribuinte, bem como a compensação dos prejuízos fiscais de anos anteriores e a intimação do contribuinte para ajuste do LALUR e das Bases Negativas da CSLL– fls. 306/310. DA IMPUGNAÇÃO 3. O Interessado tomou ciência do Auto de InfraçãoAI em 26/08/2014 (fl. 356), apresentando em 16/09/2014 a Impugnação de fls. 359/394 e anexos de fls. 395/706, alegando, em síntese, o seguinte: 3.1 O lançamento não versa sobre omissão de receita, mas de valores contabilizados como receitas sem emissão de notas fiscais, estornados por motivos diversos (geralmente para serem substituídos por outros valores), por não refletirem as condições contratadas. A fiscalização recusouse a aceitar os estornos sob argumento de que, para anular a receita bruta, “o cancelamento de receita tem que ser comprovado com uma anterior emissão de documento fiscal [...]”. 3.2 Houve confusões conceituais (entre omissão de receita, indedutibilidade de despesa e estorno de lançamento de receita). Além disso, o servidor nunca compareceu ao domicílio da auditada para examinar documentos e entrevistarse com seus técnicos sobre as características do negócio (nos termos do art. 904, § 1º, do RIR/99). 3.3 A Impugnante expôs o funcionamento e as características da sua atividade, salientando que, embora integrante do Conglomerado Sul América, não é seguradora, mas, operadora de planos de saúde, registrada na ANS, na modalidade medicina de grupo (nos termos do inciso II e § 1º do art. 1º, da Lei nº 9.656/98, e dos art. 10 e 15 da RDC2, nº 39/2000 doc. 13). 3.4 A expressão Medicina de Grupo não possui definição própria, abarcando residualmente todas as operadoras de plano de saúde que não se enquadrem nas categorias especificamente definidas naquela RDC, quer (i) operem plano de prépagamento, com mensalidades fixas que independem do uso do serviço (com nas seguradoras), celebrando contratos de natureza aleatória (art. 458 do CC4); ou, (ii) operem plano de póspagamento, cujo pagamento se dará apenas após a utilização dos serviços médico hospitalares instituídos e mantidos por pessoas jurídicas (mantenedoras/estipulantes“mantenedoras”) em Fl. 937DF CARF MF Processo nº 10314.725604/201496 Resolução nº 1201000.532 S1C2T1 Fl. 938 6 favor de seus empregados ou associados dependentes econômicos (em consonância com os artigos 436 e 438 do CC). 3.5 O item ii é, exclusivamente, o caso da Impugnante, que coordena e gere planos dessa espécie, tendo como clientes as referidas empresas. 3.6 A título de exemplo, juntase os Contratos de Administração de Sistema de Assistência à Saúde e o Contrato de Serviços Não Técnicos (doc. 02 a 06 – já examinados pela fiscalização, assim como todos os outros). 3.7 Os contratos foram firmados originalmente com a Sul América Serviços Médicos S.A (SULAMED), sucedida por incorporação pela Impugnante, e, depois, com a própria Impugnante – fl.373. 3.8 De acordo com tais instrumentos, as empresas mantenedoras custeiam os planos de saúde aos beneficiários/consumidores “beneficiários” (pessoas físicas), para usufruirem dos serviços (médicohospitalares e laboratoriais), podendo contratar profissionais escolhidos (integrantes ou não da rede credenciada; se não integrantes, a despesa efetuada será reembolsada até o limite do valor que seria pago ao profissional credenciado). 3.9 De acordo com os contratos, a Impugnante credencia profissionais, clínicas, hospitais e laboratórios, e intemedeia o pagamento da remuneração e tributos incidentes, mas a responsabilidade do pagamento é exclusivamente da mantenedora– fl. 374. 3.10 Os pagamentos são efetuados com recursos antecipadamente recebidos das mantenedoras para esses fins, ou ressarcidos por essas à Impugnante a posteriori, tomando por base o relatório que essa última apresenta, dos serviços médicohospitalares ou laboratoriais consumidos pelos beneficiários. 3.11 A Impugnante recebe como contraprestação uma taxa de administração, multiplicada pela quantidade total e individualizada de contas a pagar no mês imediatamente anterior; além de outros serviços pelos quais possa ser especialmente contratada no âmbito do plano. 3.12 Os serviços da Impugnante resumemse em conceber, coordenar e gerir planos de saúde inteiramente custeados pela mantenedoras, remunerados unicamente pelas parcelas acima mencionadas, já que as demais não lhe pertencem, sendolhe entregues especificamente para serem repassadas aos prestadores de serviços de saúde. A Impugnante, assim, é depositária dessas quantias. 3.13 Quando recebidas, as quantias são escrituradas no passivo (a débito de caixa) até serem baixadas pelos pagamentos aos prestadores da rede, pois, perante a rede referenciada, a Impugnante operava, bem como ainda opera, por conta das mantenedoras – fl. 375. 3.14 No caso de pagamentos aos prestadores não suportados por adiantamentos prévios, a Impugnante debita os valores em conta de ativo, como um recebível – fl. 377. 3.15 Apresenta citação doutrinária sobre o tema (fl. 375/377), no sentido de que a Impugnante não é prestadora de serviços médicos, Fl. 938DF CARF MF Processo nº 10314.725604/201496 Resolução nº 1201000.532 S1C2T1 Fl. 939 7 odontológicos, hospitalares ou laboratoriais, pois não possui controle sobre o processo de escolha do profissional pelo beneficiário, ou a gestão sobre os procedimentos médicos, mas apenas intermedeia contratantes, consumidores e a rede referenciada (concebida e administrada por ela), pelo quê cobra sua comissão. 3.16 Finaliza, afirmando que nem os recursos recebidos dos adiantamentos nem os repasses efetuados podem ser considerados receitas ou despesas da Impugnante. 3.17 A ANS aprovou plano de contas padrão para todas as operadoras, obrigando a Impugnante a escriturar como receitas as citadas quantias. O mesmo plano prescreveu que os valores repassados aos integrantes da rede referenciada, ou os reembolsos efetuados, fossem escriturados como despesas. 3.18 Esse procedimento não traduz a melhor técnica contábil (fl. 378), mas está sendo cumprido pela Impugnante, até porque não afetou significativamente seu resultado, pois a escrituração inadequada das despesas anulam os efeitos da contabilização equivocada das receitas. 3.19 Ao contrário do que asseverou o fisco, no TVF, essa imperfeição técnica não interfere igualmente na BC do ISS, pois esse é calculado sobre o preço dos serviços prestados, no qual, não podem ser computadas as quantias recebidas das mantenedoras dos planos para repasse à rede referenciada, ou para o reembolso aos beneficiários. Os Municípios, inclusive, perceberam e adaptaram suas legislações para evitar que esse procedimento contábil induzisse em erro as autoridades administrativas, conforme as normas informadas como exemplo, constantes das notas de rodapé de fls. 379/380. 3.20 Logo, como a legislação somente determina que a Nota FiscalNF de serviço seja emitida para registrar os preços dos serviços prestados, a Impugnante indica como valor nesses documentos apenas os preços de serviços prestados (valores já citados acima). 3.21 No caso de prestadores não integrantes da rede, a Impugnante não emite NF, mas cartas de cobranças11, acompanhadas de boleto bancário, por não serem preços de serviços prestados, mas apenas valores a ela entregues, repitase, como mera depositária, para repasse. DA AUTUAÇÃO 3.22 Equivocadamente, os quatro lançamentos de ofício apuraram como BC todos os valores cancelados das notas e boletos de cobrança referentes às importâncias referidas nos itens 2.4, 2.4.1, 2.6, 2.6.1 e 2.7.312, no montante de R$ 105.774.762,57; No entanto, ao recusar todos sem exceção, está se assumindo como premissa o seguinte: (i) que a Impugnante cobrou tal valor dos seus clientes e não repassou aos legítimos titulares, convertendose em depositária infiel, sem que nem os clientes (mantenedoras) nem os prestadores de serviço tivessem reclamado; ou, Fl. 939DF CARF MF Processo nº 10314.725604/201496 Resolução nº 1201000.532 S1C2T1 Fl. 940 8 (ii) que tais recursos foram repassados mas a Impugnante fraudou sua escrituração para ocultar os repasses, não tendo o autuante aplicado multa de ofício agravada por bonomia franciscana. 3.23 Quaisquer dessas ocorrências, todavia, é inacreditável, por isso merecem prevalecer os esclarecimentos prestados pela Impugnante durante a ação fiscal, sobretudo porque o autor do feito: (i) jamais aceitou o convite de comparecer ao domicílio da Impugnante para conhecer sua escrituração, o funcionamento de seus sistemas ou seus procedimentos operacionais; (ii) jamais diligenciou junto às mantenedoras ou lhes enviou cartas de circularização (por amostragem) para saber se aqueles boletos bancários tinham sido recebidos, a que prestação de serviços correspondia, se tinham sido pagos e, em caso positivo, em que contas bancárias da Impugnante tinham sido creditados; (iii) esteve silente sobre a carta entregue em 24.07.2014, acompanhada de comprovantes de 25 exemplos de cancelamentos, constantes dos autos; e, (iv) afirmou o oposto do que se diz no acórdão invocado15, afirmando que o “cancelamento de receita pressupõe a emissão de documento fiscal anterior, sendo somente aceito quando houver a emissão de documento fiscal”, documento esse, todavia, que não é requerido para acobertar operações de mero repasse por conta alheia, como já se viu. 3.24 Em face da magnitude do valor envolvido, a Impugnante deve repisar os esclarecimentos já prestados e trazer novas evidências, até porque grande parte dos boletos e cartas e cobranças cancelados nem chegaram a ser enviados para o cliente, pois antes disso foram emitidos outros para substituílos, nos valores corretos, conforme contratado – fl. 382. 3.25 A Impugnante, em 23/01/2014 entregou ao autuante a planilha “apuração 2010”, demonstrando a composição das BC do PIS e COFINS em cada mês de 2010. Posteriormente, em resposta às dúvidas do autuante, apresentou em 22/05/2014 as planilhas “receita intermedeiação med hosp”, “receita intermedeiação cancelada”. 3.26 Em 24/07/2014 (fl. 268 e ss) reiterou suas informações correlacionando todos os documentos já apresentados, selecionando, a título de amostra representativa exemplos de cancelamentos, através do “Demonstrativo de Conciliação”, através dos arquivos denominados “receita intermedeiação méd hospitalar_analisado” e “Receita intermediação cancelada_analisado” idênticos aos já entregues mas com destaque para os 25 exemplos, nos quais era possível confirmar que os valores de receitas de intermediação cancelados foram, em sua grande maioria, recobrados poucos dias depois, lembrando que esclarecimentos poderiam ser certificados mediante carta de circularização aos clientes. 3.27 Mas, não houve circularização ou diligência nesse sentido, nem a presença do autuante no domicílio da Impugnante, não havendo aprofundamento da ação fiscal, nem apreciação dos exemplos mencionados no subitem 3.8.1. supra 3.28 O lançamento desconsidera Fl. 940DF CARF MF Processo nº 10314.725604/201496 Resolução nº 1201000.532 S1C2T1 Fl. 941 9 os registros de cancelamento de receita por entender que tal cancelamento tem que ser comprovada com uma anterior emissão de documento fiscal, escorandose no ilógico raciocínio de que o lançamento contábil de receita que não corresponda a documento fiscal emitido é válido, deve ser preservado e seu valor computado nas BC dos tributos federais, mas os lançamentos de cancelamento precisam ser repudiados porque não houve emissão de documento fiscal relativo ao lançamento de receita. 3.29 Os valores recebidos para repasse não são receitas, mas ainda que fossem as notas de cobrança canceladas não poderiam produzir efeito jurídico ou contábil algum, porque emitidas indevidamente. 3.30 Examinando os arquivos (magnéticos) de registros de cancelamento de notas de cobrança e dos boletos, veremos que tais eventos se deram com empresas pertencentes a 56 dos 64 grupos econômicos integrantes da carteira de clientes (mantenedoras). Esse elevado número é justificado porque a Impugnante é a única empresa operacional do Conglomerado Sul América que não tem atividade de seguro. Por isso, seu faturamente é pouco relevante no contexto do Conglomerado, não justificando utilizar sistemas de processamento eletrônico de dados específico, por isso usa os mesmos softwares de faturamento e contabilidade utilizados pelas demais integrantes do grupo – fl. 387. 3.31 As seguradoras, porém, embora lidem com grande volume de dados, possuem pouca flexibilidade quanto ao faturamento, possuindo datas rígidas para pagamentos de prêmios pelos segurados e, no caso de segurosaúde, pagamento da rede referenciada, ou reembolsos. 3.32 A Impugnante, contudo, como prestadora de serviços (administrando planos de saúde custeados por outras pessoas jurídicas em favor de seus empregados e dependentes) necessita, para manter seus contratos, adaptarse aos desejos de cada cliente. 3.33 Assim, embora divulgue periodicamente cronograma dos itens abaixo mencionados, invariavelmente os clientes condicionam a assinatura dos contratos à fixação de outros parâmetros que atendam aos seus interesses, o que é aceito: (i) momentos em que os profissionais e empresas da rede devem lhes enviar os formulários ou transmitir dados eletronicamente com relação aos atendimentos feitos; (ii) datas nas quais os clientes devem lhe transferir recursos para repasse a título de remuneração das empresas e profissionais da rede, que atenderam aos beneficiários; (iii) datas em que esses profissionais e empresas serão pagos; e, (iv) datas em que a Impugnante fará o reembolso das quantias pagas pelos beneficiários (reembolso) aos profissionais e empresas não integrantes da rede: 3.34 Os sistemas de processamento eletrônico de dados das seguradoras, utilizados pela Impugnante, entretanto, não admitem adaptações a essas exigências, de modo que, com grande freqüência, Fl. 941DF CARF MF Processo nº 10314.725604/201496 Resolução nº 1201000.532 S1C2T1 Fl. 942 10 as notas de cobrança e os boletos correspondentes são elaborados eletronicamente de acordo com critérios préestabelecidos quanto a data de vencimento e forma18, gerando lançamentos contábeis automáticos, dada a integração com os sistemas de contabilidade, mas, por força de condições particulares dos contratos, esses documentos e lançamentos precisam ser cancelados, estornados e substituídos por outros, elaborados manualmente e com emprego de planilhas eletrônicas, cujos dados são posteriormente reintegrados à contabilidade. 3.35 Os principais motivos desses cancelamentos (conforme resposta dada em 05/05/2014 ao fisco) são diversos. Para tornalos de mais fácil percepção, a Impugnante reordenou os dados e elaborou planilhas complementares (CD doc. 07, e doc. 08). 3.36 A primeira, denominada “motivos de cancelamento” arrola 18 situações (tabela às fls. 388/391). 3.37 A segunda, denominada “consolidado” mostra dentro de cada Grupo informações dos documentos cancelados, e dos novos documentos emitidos em substituição dos cancelados20, totalizados separadamente (documentos cancelados x documentos reemitidos) por ano. 3.38 A terceira planilha, denominada “resumo”, transcreve os totais anuais e por Grupo da planilha “consolidado”, permitindo verificar sinteticamente o que realmente ocorreu em termos de cancelamento e reemissão de cobranças. 3.39 Além disso, a diferença de R$ 769.058,10 (entre o somatório cancelado e o valor das cobranças feitas em substituição22) é facilmente decomposta por Grupos de clientes, podendo ser analisada com auxílio das planilhas a seguir comentadas. 3.40 Por último, elaborouse um conjunto de planilhas onde se informou, por mês, os totais de notas de cobrança e boletos bancários cancelados e emitidos em substituição, com indicação dos motivos dos cancelamentos e, quando foi o caso, das cobranças feitas em substituição das canceladas, de acordo com a tabela “motivos de cancelamento” – fl. 388/391, permitindose examinar cada situação para que o julgador forme a convicção sobre a veracidade das declarações prestadas pela Impugnante durante todo esse tempo – fl. 392. 3.41 Tomese por exemplo o Grupo MercedesBenz, no qual mais da metade dos valores glosados (R$ 56.734.382,56) corresponde às empresa desse grupo, no qual as notas de cobrança e boletos originalmente emitidos foram cancelados, tendo havido emissão posterior de outros documentos. O motivo dos cancelamentos foi sempre o mesmo23, tendo a Impugnante recebido dos integrantes da rede informações sobre os serviços prestados, indicando os beneficiários que os utilizaram. Os dados são processados gerando relatórios automáticos de cobrança, em nome do empregador, nos valores dos serviços consumidos, relacionado a cada beneficiário (empregado) e, por decorrência, seu dependente. Daí, resulta emissão Fl. 942DF CARF MF Processo nº 10314.725604/201496 Resolução nº 1201000.532 S1C2T1 Fl. 943 11 automática de boletos, bem como os lançamentos contábeis correspondentes. 3.42 Contudo, foi acordado com aquele Grupo cobrar o total das despesas apuradas por período, rateandoas entre as pessoas jurídicas que o integram na proporção e quantidade de vidas vinculadas (beneficiários) a cada uma delas, na vigência do contrato naquele período; aqueles boletos foram cancelados antes mesmo de serem enviados aos clientes, estornandose, ao mesmo tempo, os lançamentos contábeis e, paralelamente, elaboradas notas com uso de planilhas eletrônicas, fora do sistema e com observância do pactuado com esses clientes, cujos dados são utilizados para, agora sim, emissão e remessa desses documentos juntamente com os boletos, e registros contábeis corretos, integrados manualmente à escrituração. 3.43 Tudo isso era de conhecimento do autuante24 – fl. 393, o qual não teceu qualquer comentário sobre essa resposta ou seus comprovantes, preferindo lavrar o auto ilegítimo fundado no inaceitável argumento de que a Impugnante burla a obrigatoriedade de emissão de documento fiscal, apesar de ter sua atividade completamente regulada pelo Governo Federal – fl. 394. DO PEDIDO 3.44 Requer seja julgada procedente a presente Impugnação. 3.45 Caso se considere não estarem ainda reunidos os elementos necessários a formar convicção sobre a matéria controvertida, a Impugnante requer, com fulcro no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, seja designado AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil diferente do autuante, como recomenda o princípio da impessoalidade25, para realizar diligência na Escrituração Contábil Digital (integrante do SPED Contábil) dos clientes que escolher, indicados nas planilhas anexas, para dizer se os valores pagos à Impugnante no período autuado compreendem os boletos bancários cancelados, ou abrangem apenas os emitidos em substituição daqueles – fl. 394. Em 05 de dezembro de 2016 (fl. 811), a contribuinte foi cientificada do acórdão recorrido, interpondo seu recurso voluntário em 03 de janeiro de 2017 (fls. 812 a 898), reiterando os argumentos da impugnação administrativa e anexando documentos. A Fazenda Nacional contrarrazou esse recurso voluntário (fls. 904 a 915). Em 06 de dezembro de 2017, a Recorrente peticionou nos autos (fls. 920 a 921, arquivos não paginados), anexando documentos relacionados aos demais contratantes dos seus serviços, complementando as informações condizentes ao Grupo Mercedes Benz. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Gasparello Lima, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, havendo os demais pressupostos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 943DF CARF MF Processo nº 10314.725604/201496 Resolução nº 1201000.532 S1C2T1 Fl. 944 12 Em síntese, o acórdão recorrido concluiu que a Recorrente omitiu a receita pertinente sua atividade específica, concordando integralmente com lançamento de ofício, in verbis: 5.1 Preliminarmente, alegou a Impugnante, como um dos motivos fundantes de sua peça defensiva, que o auditorfiscal nunca teria comparecido ao domicílio da auditada para examinar documentos e entrevistarse com seus técnicos sobre as características do negócio; no entanto, verifiquei o seguinte: à fl. 215, a Impugnante solicitou audiência, tendo o fisco a intimado (e reintimado) a disponibilizar local para examinar fisicamente os comprovantes relacionado nas fls. 261/262 (concernentes à receitas de intermediação canceladas); a Impugnante, por sua vez, (fl. 266) pediu o cancelamento do referido termo, solicitando prorrogação de prazo, informando, porém, que estaria disponibilizando seus sistemas para a realização de testes (fl. 267). 5.2 Posteriormente, em outra resposta, elaborou demonstrativo de conciliação, tendo afirmado (e reafirmado em sua impugnação) que os valores teriam sido cancelados, mas posteriormente, recobrados das mantenedoras, para atender a pedido formalizado pelos clientes, e nada mencionando a respeito da solicitação de disponibilização de local de exame documental. 5.3 O fisco solicitou novamente que deixasse à disposição da fiscalização, em sua sede, os documentos comprobatórios de suas justificativas, para análise, consoante os Termos de intimação e reintimação de fls. 246, 249 e 261/262, todos, porém, sem atendimento. 5.4 Portanto, a meu ver, não há qualquer motivo que tenha impedido à Impugnante demonstrar o que alegou, por outro lado, tenta, nessa sede, criar um tipo de pressuposto, não amparado na legislação, da necessidade de comparecimento pessoal da autoridade fiscal ao seu domicílio, como se tal fosse imprescindível para justificar a correção ou a motivação para o lançamento de ofício, argumento que não merece guarida; mas, na prática, não agendou qualquer comparecimento no intuito de atender aos termos de intimação. 5.5 No mérito, afirmou que os valores recebidos das empresas mantenedoras para serem repassados aos profissionais de saúde, clínicas, hospitais e beneficiários dos planos e ao reembolso devidos a esses beneficiários, não possuem natureza contábil de receitas. Apesar de terem sido contabilizados como tal, isso ocorreu por determinação da ANS, mas que a contabilização desses valores não necessita ser amparada por emissão de NF, e sim por cartas de cobrança (acompanhadas de boleto), já que o valor destinavase ao repasse, por isso, o cancelamento das referidas cartas não deveria estar amparado por emissão anterior de documento fiscal. 5.6 Relembrese que o fisco, para afastar os argumentos da Impugnante de que apenas intermediaria planos de saúde (como gestora), ancorouse nos seguintes argumentos abaixo elencados: Fl. 944DF CARF MF Processo nº 10314.725604/201496 Resolução nº 1201000.532 S1C2T1 Fl. 945 13 (i) o contribuinte se referiu aos até então denominados “mantenedores” como “clientes”, e, por isso, não haveria motivo para alegar que faria apenas a intermediação de planos de saúde; (ii) em sua DIPJ, declarou o código de atividade 65.502/00Planos de Saúde; (iii) junto à JUCESP, em seção de 05/09/2007, declarou, para consulta pública, que exerce desde então, a atividade de Plano de Saúde. 5.7 No mérito de sua defesa, a Impugnante alegou que, nos termos do art. 15 da Resolução de Diretoria Colegiada – RDC nº 39, de 27/10/2000, a ANS26 (Seção V – da 26 Agência Nacional de Saúde. Medicina de Grupo), a expressão medicina de grupo, apesar de se referir às empresas ou entidades que operam Planos Privados de Assistência à Saúde, seu caso está excepcionado anexou à peça defensiva Contratos de Administração de Sistema de Assistência à Saúde e o Contrato de Serviços Não Técnicos (doc. 02 a 06 – sobre os quais afirmara já teriam sido examinados pela fiscalização, assim como todos os outros). 5.8 Passo a me manifestar: 5.9 Primeiramente, verificando os contratos anexados pela Impugnante (doc. 02 a 06 – fls. 406/607, constatei, em suma, as seguintes informações (sendo o contrato do Doc. 05 fls. 531/572 o único que não se encontra totalmente legível): Doc. 2, 3, 4 e 6 – tratamse de Contratos de Administração de Sistema de Assistência à Saúde Estipulado e Custeado por Empresa em Favor de seus Empregados, Administradores e Respectivos Dependentes, estando nominada a Impugnante como “Contratada”. Consta dos referidos contratos que a Impugnante atuaria como administradora de serviços de assistência médica, por meio de planos coletivos, sendo possuidora de rede referenciada de prestadores de serviços médicohospitalares e laboratoriais, que se comprometeriam, individualmente, a prestar seus serviços mediante preços preestabelecidos, a serem pagos por conta e ordem do consumidor (beneficiários). Mencionase, também, nos referidos contratos, que a rede referenciada seria integralmente custeada pela “Contratante” (isto é, pelas Empresas que estariam estipulando planos de saúde a seus empregados, administradores, e respectivos dependentes), mediante reembolso à Impugnante, para que essa última efetuasse o pagamento aos prestadores dos serviços médicohospitalares e laboratoriais, pela prestação de seus serviços aos beneficiários (pessoas físicas). Em suma, ficou estipulado que as empresas contratantes efetuariam pagamento à Administradora (Operadora) de determinado valor (a título de reembolso), pois essa estaria efetuando o pagamento aos profissionais, hospitais e laboratórios integrantes da rede referenciada que administra. Fl. 945DF CARF MF Processo nº 10314.725604/201496 Resolução nº 1201000.532 S1C2T1 Fl. 946 14 Expressase, também, nos contratos, que o plano coletivo é estipulado pela [empresa] contratante, sob a modalidade de Administração (fazendo alusão ao art. 1º, § 2º, c/c § 6º do art. 30, da Lei n. 9656/9827). A cláusula 7.1 afirma que a empresa mantenedora (contratante) será a custeadora integral das despesas com os serviços da rede, assim também em relação aos tributos incidentes sobres os serviços. 5.10 Verificadas as informações constantes dos contratos, passo a me manifestar, inicialmente, sobre os argumentos apresentados pelo fisco: 5.11 Quanto ao item “i”, verifiquei que o fisco referiuse à carta resposta, datada de 05/06/2014 (fl. 258), na qual a Impugnante reportouse às empresas mantenedoras como clientes, conforme letras “a” e “c” do item 2.4. Contudo, no meu entender, tal assertiva não é motivo, por si só, descaracterizador da afirmação da Impugnante de que exerce a atividade de intermediação de plano de saúde, visto que, por óbvio, tal atividade não pressupõe a inexistência de clientes, pelo contrário, para comercializar seus planos, deduz a necessidade de captação de clientes para oferecerlhes seu produto. 5.12 Há que ser ressaltado também, que há nos autos inúmeras outras afirmações da Impugnante de que seus (únicos) clientes seriam tais empresas mantenedoras dos planos (que atuam em favor de seus empregados ou associados e respectivos dependentes) – vide, nesse sentido, o item 1.3.1 da fl. 218, assim como o item 2.3 de fl. 373 (Impugnação). 5.13 Sem, no entanto, rechaçar de plano a afirmativa do fisco no item “i”, entendo que tal afirmativa deve ser analisada conjuntamente com os demais tópicos de que trataremos mais adiante. 5.14 No tocante ao item “ii” (afirmação do fisco de que a Impugnante declarou, em DIPJ, atividade econômica sob o CNAE fiscal 65.50 2/00Planos de Saúde conforme DIPJ de fl. 68), justificando assim, seu entendimento de que a Impugnante exerce atividade de Plano de Saúde, é preciso analisar conjuntamente tanto os argumentos da Impugnante, como os documentos que anexou aos autos, assim como o que consta junto aos sítios eletrônicos da ANS e IBGE, o que se verá a seguir. 5.15 Relembrese que a Impugnante afirmou integrar o Conglomerado Sul América, não como Seguradora, mas como Operadora de Plano de Saúde, tendo seu registro na ANS sob a modalidade medicina de grupo – doc. de fl. 229 (nos termos do inciso II e § 1º do art. 1º, da Lei nº 9.656/98, e dos art. 10 e 15 da RDC28, nº 39/2000 doc. 129), razão pela qual possui registro na ANS sob tal modalidade. (...) 5.54 Isto posto, é plenamente possível o entendimento de que o valor cobrado das mantenedoras integra o preço de serviço da Operadora e, por conseguinte, integra o seu faturamento. Fl. 946DF CARF MF Processo nº 10314.725604/201496 Resolução nº 1201000.532 S1C2T1 Fl. 947 15 5.55 Dessa forma, consoante disposição legal e tendo em vista instituição do plano de contas padrão relativo às empresas Operadoras de plano de saúde (não obstante a afirmativa da Impugnante em sentido contrário), tenho por firmar o entendimento de que é legal e, portanto, necessária, a expedição de documento fiscal para o recebimento dos valores oriundos das empresas mantenedoras, os quais estariam sendo cobrados mediante carta de cobrança e boletos. 5.56 Tendo havido, portanto, os alegados cancelamentos dessas cobranças (por força das alegadas condições particulares dos contratos), e uma nova cobrança posterior, entendo que esses fatos deveriam gerar, pelo que se concluiu nesse voto, o cancelamento dos documentos fiscais originais e a expedição de novos, visto que são documentos obrigatórios e de lastro do preço do serviço. 5.57 Nesse sentido, e para fins de verificação da prova do quantum que poderia ser deduzido dos valores considerados receita omitida, relembrese a alegação da Impugnante de que os Formulários de Contas Médicas são os únicos documentos hábeis a comprovar os repasses efetuados à rede, ponderando também que tais documentos, se transcritos para arquivos em formato “.xlsx” produziram planilhas Excel com aproximadamente 500.000 (quinhentas mil) linhas por mês, e que cada linha poderia corresponder a vários documentos (como de cirurgias e internações). Assim, cada item de mãodeobra, material empregado ou internação, geraria uma Conta Médica. Considerando, então, a hipótese de uma média de 04 (quatro) documentos por pessoa, seria seria preciso cerca de 24.000.000 (vinte e quatro milhões) de papéis a serem digitalizados, que, seguramente, não seriam examinados de maneira individual em face do volume. 5.58 Depreendese, pelo exposto acima que, considerando a vultosa quantidade relacionada aos Formulários de contas médicas, os efeitos de tal obrigação acessória (de confeccionar a DPS), poderia produzir efeitos perante essa esfera, para fins de análise probatória, uma vez que se trata de declaração onde os mesmos e exatos valores de que trata o presente processo são integralmente declarados àquele fisco municipal. Isso porque, não seria possível considerarmos útil à hipótese o conteúdo da Dmed, vez que a Operadora se resume a informar apenas o que consta do inciso II do art. 4º, a saber: Art. 4º A Dmed conterá as seguintes informações: [...]II das operadoras de plano privado de assistência à saúde: a) o número de inscrição no CPF e o nome completo do titular e dos dependentes; b) os valores recebidos de pessoa física, individualizados por beneficiário titular e dependentes. c) os valores reembolsados à pessoa física beneficiária do plano, individualizados por beneficiário titular ou dependente e por prestador de serviço; 5.59 Desta feita, pelo que foi visto nesses autos, e considerando as alegações da Impugnante quanto ao elevadíssimo conteúdo probatório Fl. 947DF CARF MF Processo nº 10314.725604/201496 Resolução nº 1201000.532 S1C2T1 Fl. 948 16 relacionado aos Formulários de Contas Médicas; bem como da conformidade do disposto no art. 923 do RIR/99, que reza que “A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (base legal constante do Decretolei nº 1.598/77, art. 9º, §1º; e, considerando também que a prova dos valores efetivamente pagos aos prestadores de serviço da rede referenciada são de fundamental importância no caso, pois que tais repasses devem estar lastreados, tanto em face da previsão da legislação federal quanto a Municipal (já mencionada), reputo correto reconhecer inexistir nestes autos a prova relativa aos valores dos mencionados repasses; da mesma forma que inexiste prova da relação contratual referentemente às transações dos valores do serviço recebido (das mantendoras face a ausência de documentos fiscais de lastro). 5.60 Dessa forma, do meu ponto de vista, não logrou a Impugnante viabilizar, nestes autos, a realização da exata apuração da BC na forma alegada, de modo que não há que se afastar a base de cálculo apurada pelo fisco, pelo quê, o lançamento tributário deve ser mantido. Por sua vez, a Fazenda Nacional impugnou o recurso voluntário, mediante as seguintes considerações: A alegação central da defesa da contribuinte é no sentido de que os valores recebidos das empresas mantenedoras para serem repassados aos profissionais de saúde, clínicas, hospitais e beneficiários dos planos e ao reembolso devidos a esses beneficiários, não possuem natureza contábil de receitas. Segundo sustenta a contribuinte, tais valores somente foram contabilizados como receitas por determinação da ANS e que não há necessidade de que sejam amparados por emissão de nota fiscal, bastando as cartas de cobrança acompanhadas de boleto, considerando que os valores se destinam ao repasse e, sendo assim, os cancelamentos das cartas de cobrança não deveriam estar amparados por uma anterior emissão de documentos fiscais. As alegações, no entanto, não procedem. Conforme bem entendeu a Fiscalização, (i) o contribuinte se referiu aos mantenedores como clientes, não havendo, por isso, motivo para sustentar que faria apenas a intermediação de planos de saúde; (ii) em sua DIPJ, o contribuinte declarou o código de atividade 65.502/00 Planos de Saúde; e (iii) junto à JUCESP, em seção de 05.09.2007, declarou, para consulta pública, que exerce, desde então, a atividade de Plano de Saúde. A contribuinte, por sua vez, no intuito de prova, trouxe aos autos Contratos de Administração de Sistema de Assistência à Saúde e o Contrato de Serviços Não Técnicos. Em tais documentos, a recorrente figura como administradora de serviços de assistência médica, por meio de planos coletivos, sendo possuidora de rede referenciada de prestadores de serviços médicohospitalares e laboratoriais, que se comprometeriam a prestar seus serviços mediante preços Fl. 948DF CARF MF Processo nº 10314.725604/201496 Resolução nº 1201000.532 S1C2T1 Fl. 949 17 preestabelecidos, a serem pagos por conta e ordem do consumidor (beneficiários). Os contratos informam, ainda, que a rede referenciada seria inteiramente custeada pelas empresas que estariam estipulando planos de saúde a seus empregados, administradores, e respectivos dependentes, mediante reembolso à autuada para que ela efetuasse o pagamento aos prestadores dos serviços médicohospitalares e laboratoriais, pela prestação de seus serviços aos beneficiários (pessoas físicas). Com base nisso, a recorrente entende ter provado sua condição de mera intermediadora, sendo o pagamento de exclusiva responsabilidade das mantenedoras, cabendolhe apenas a gestão dos planos e o repasse dos valores, na condição de operadora. Ainda que fosse possível classificar a recorrente como operadora de plano de saúde, e não como empresa de plano de saúde, as disposições contratuais por ela apresentadas não lhe retiram a responsabilidade legal pela manutenção financeira da rede referenciada. (...) Conforme bem examinou o acórdão recorrido, “a legislação esclarece que Operadoras são empresas que operam o produto ‘Plano de Saúde’, informação corroborada pela Resolução de Diretoria Colegiada – RDC n. 39/2000 (art. 1º)”. Por sua vez, o parágrafo único do referido art. 1º da mencionada resolução da ANS dispõe o seguinte: “Para efeito desta Resolução, definese operar como sendo as atividades de administração, comercialização ou disponibilização dos planos de que trata o caput deste artigo”. Assim, se na ótica da recorrente sua natureza é de operadora dos planos de saúde, devese atentar, como já indicado, para o que dispõe o inciso I do art. 1º da Lei nº 9.656/98: “I Plano Privado de Assistência à Saúde: prestação continuada de serviços ou cobertura de custos assistenciais a preço pré ou pós estabelecido, por prazo indeterminado, com a finalidade de garantir, sem limite financeiro, a assistência à saúde, pela faculdade de acesso e atendimento por profissionais ou serviços de saúde, livremente escolhidos, integrantes ou não de rede credenciada, contratada ou referenciada, visando a assistência médica, hospitalar e odontológica, a ser paga integral ou parcialmente às expensas da operadora contratada, mediante reembolso ou pagamento direto ao prestador, por conta e ordem do consumidor;” (grifouse) Ora, por determinação legal, a contribuinte é a responsável pelo pagamento e, nessa condição, é, por consequência, responsável pelos tributos incidentes. Conforme firmou o acórdão recorrido, “nesse ponto, há que se acordar também que os referidos planos (que são relacionados à Impugnante, pois que ela os opera) foram por ela comercializados, não fosse assim, não poderiam ser estipulados pelas empresas mantenedoras. Nesse sentido, podese vislumbrar que todas Fl. 949DF CARF MF Processo nº 10314.725604/201496 Resolução nº 1201000.532 S1C2T1 Fl. 950 18 as três atividades elencadas na lei estão sendo exercidas pela Impugnante, a qual, para justificar o quantum correto da base de cálculo a ser tributada, afirma exercer a intermediação (justificando assim as comissões recebidas), excluindo dessa forma os valores que percebe das empresas mantenedoras”. O voto condutor do referido acórdão ainda acrescenta: “esclareçase que o entendimento acerca da responsabilidade das Operadoras de plano de saúde encontrase expresso no próprio sítio da ANS, quando se afirma ali que a ‘Operadora responde junto à ANS e junto aos beneficiários em relação aos planos de saúde e aos serviços prestados, uma vez que cabe a ela garantir recursos e rede de serviços de saúde (hospitais, clínicas, laboratórios e profissionais), oferecendo às empresas os seus planos’.” Ou seja, há comercialização do plano pela operadora, sendo de responsabilidade dela manter financeiramente a rede referenciada. Não procede, portanto, a alegação da recorrente de que é mera intermediadora, pois o intermediador age por conta alheia, não é parte do negócio que intermedeia e não assume o seu risco, o que, como visto, não ocorre no caso. Novamente o acórdão recorrido foi preciso: “Está claro, ao menos até esse ponto, outro ponto de divergência com as afirmações da Impugnante pois que, na função de intermediação, não há aplicação de capital próprio no negócio por parte do intermediário, já que esse não pode assumir qualquer risco do negócio, fator que, obviamente, mostrase conflitante com a previsão legal, esculpida no inciso I do art. 1º da Lei n. 9.656/98, que determina ficar às expensas da Operadora o pagamento dos serviços prestados pela rede, como já visto. Ora, se a Operadora intermedeia o contrato entre prestadores de serviço e a(s) empresa(s) mantenedora(s), como poderia ser responsável por pagar aos prestadores da rede? Isso descaracterizaria, a meu ver, a alegada natureza de intermediação do trabalho da Operadora, pois que desnatura ser a operação por conta alheia”. Desse modo, a contribuinte, em verdade, presta serviços por sua própria conta, risco e responsabilidade, sendo a base de cálculo do tributo a sua receita bruta, consubstanciada no valor total contratado e faturado, ou seja, nos preços dos serviços prestados. Nesse sentido, as mantenedoras custeiam de fato, e não de direito, os serviços das empresas e profissionais da rede referenciada, e esse custeio se dá exatamente por força dos contratos que possuem com a operadora, de modo que esses documentos apresentados pela recorrente, apenas evidenciam esse funcionamento. O custeio de direito, por força legal (tratandose, na hipótese, de normas cogentes), cabe à operadora, e a existência de tais contratos não a exime de sua responsabilidade legal, nem desnatura suas receitas, que compõem a base de cálculo do tributo. Por isso, também, a determinação da ANS, exigindo que o contribuinte escriture como receita os valores recebidos das mantenedoras, está consentâneo com a realidade do negócio desempenhado pela autuada, ao contrário do que afirma em seu recurso. Fl. 950DF CARF MF Processo nº 10314.725604/201496 Resolução nº 1201000.532 S1C2T1 Fl. 951 19 Por consequência, era também obrigação da recorrente emitir regularmente as notas fiscais relacionadas aos serviços prestados, sendo correto o entendimento da Fiscalização de que o cancelamento de receita pressupõe a emissão de documento fiscal anterior, sendo que o simples inadimplemento de documento de cobrança do cliente não pode se confundir com cancelamento de vendas. A própria legislação do município de São Paulo, em relação ao ISS, elenca os serviços de saúde, assistência médica e congêneres, incluindo planos de saúde, até mesmo os “apenas pagos pelo operador do plano mediante indicação do beneficiário” (Lei Municipal nº 13.701, de 24 de dezembro de 2003), como serviços em razão dos quais incide o referido tributo. Assim, o valor cobrado das mantenedoras integra o preço de serviço da operadora e, consequentemente, integra o seu faturamento, pelo que lhe cabe a emissão das notas fiscais. Entretanto, a Recorrente argumenta que a receita omitida não significou, efetivamente, uma prestação de serviços, nem qualquer outro recebimento próprio de pagamento, configurando um mero estorno contábil. Assim sendo, diverge a contribuinte sobre a necessidade prévia da emissão de outro documento fiscal, com a finalidade de cancelamento da suposta receita. Não obstante, existiriam despesas vinculadas às mencionadas supostas receitas, com dedutibilidade permitida no artigo 299 do Regulamento de Imposto sobre a Renda (RIR), instituído pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, uma vez que "necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora". As diversas hipóteses de cancelamento do faturamento são compatíveis com a atividade exercida pela Recorrente, como exemplificado abaixo: Fl. 951DF CARF MF Processo nº 10314.725604/201496 Resolução nº 1201000.532 S1C2T1 Fl. 952 20 Fl. 952DF CARF MF Processo nº 10314.725604/201496 Resolução nº 1201000.532 S1C2T1 Fl. 953 21 Fl. 953DF CARF MF Processo nº 10314.725604/201496 Resolução nº 1201000.532 S1C2T1 Fl. 954 22 De acordo com esclarecimento em recurso voluntário: "(i) no ano se 2010 possuía em sua carteira de clientes (Mantenedoras/Estipulantes de planos de saúde por ela administrados) pessoas jurídicas integrantes de 64 grupos econômicos e (ii) examinado os arquivos magnéticos de registros de cancelamentos de notas de cobrança e boletos bancários, é possível constatar que esses eventos se deram, alternativa, ou repetidamente, com empresas pertencentes a 56 desses grupos." Desse modo, segundo a Recorrente, "Essa proporção, que à primeira vista parece elevada, é, todavia, justificada." Em 06 de dezembro de 2017, a Recorrente formalizou requerimento, constando em anexo os seguintes documentos (fls. 920 a 921, arquivo não paginável): a) Planilha de sua lavra conciliando as informações recebidas com os dados de sua contabilidade relativa ao citado Grupo MERCEDES BENZ (doc. 01); b) DECLARAÇÕES prestadas pelos Clientes: ANGLO AMERICAN NIQUEL BRASIL LTDA; COLGATE PALMOLIVE COMERCIAL LTDA.; MONTEIRO ARANHA S/A; DOMMO EMPREEND. IMOBILIÁRIOS S/A, TELEMAR INTERNET LTDA, PAGGO ACQUIRER GESTÃO MEIOS DE PAGAMENTO, TNL PCS S/A; TELEMAR NORTE LESTE S/A, TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A, WAY TV BELO HORIZONTE (essas últimas 6 integrantes do Grupo “OI/TELEMAR”); TOWERS WATSON CONSULTORIA LTDA. e TSYSTEMS DO BRASIL LTDA. acompanhadas de planilhas elaboradas por essas pessoas jurídicas, certificando que, de acordo com os Contratos de Prestação de Serviços com elas celebrados, os valores das notas de cobrança canceladas e os estornos dos lançamentos de receita a elas correspondentes, relacionados no TVF e nos autos de infração guerreados, nunca lhes foram cobrados, sendo devidas exclusivamente as quantias objeto das notas de cobrança substitutas, elaboradas manualmente (docs. 02 a 07); e c) correspondências eletrônicas e planilhas elaboradas pelos clientes do Grupo HSBC e Grupo IBM evidenciando as mesmas conclusões acima, bem como, caso V.Sas. não as considerem satisfatórios para o fim proposto, a necessidade de realização da diligência requerida desde a Impugnação (docs. 08 e 09). Fl. 954DF CARF MF Processo nº 10314.725604/201496 Resolução nº 1201000.532 S1C2T1 Fl. 955 23 Por oportuno, a RECORRENTE esclarece ter capeado cada um desses documentos com planilha de sua lavra conciliando as informações recebidas com os dados de sua contabilidade, demonstrando ainda que as diferenças remanescentes resultam, na maior parte das situações, de notas de débito reemitidas em 2010 e pagas somente em 2011 e de notas de débito reemitidas, mas objeto de novo cancelamento pela RECORRENTE, conforme comprovam os relatórios impressos das telas do seu Sistema Financeiro incluídas nos documentos citados nas letras “a “ e “ b” do parágrafo anterior. A prova documental, aparentemente, confirma a exposição da Recorrente, em especial, informações relacionadas ao Grupo Mercedes Benz, complementadas com outros documentos inerentes aos demais contratantes dos seus serviços (fls. 920 a 921, arquivo não paginável). Concernente ao Grupo Mercedes Benz, tal como noticiado no recurso voluntário, haveria comprovação de inexistência de mais da metade da eventual receita omitida (R$ 56.734.382,56) . A Recorrente requereu a produção de novas provas documentais. Todavia, a prova documental instruirá a impugnação "precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual", consoante o artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, exceto (i) demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (ii) refirase a fato ou a direito superveniente e; (iii) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Em virtude da complexidade e volume de documentos, concordo com o encaminhamento havido na recente petição (fls. 920 a 921, arquivo não paginável), principalmente, considerando que muitas informações eram de gestão das mantenedoras ou contratantes, inclusive suscetíveis de circularização através de Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD). Ressaltase a inexistência de qualquer argumento novo, reiterando a Recorrente os mesmos fundamentos explicitados durante o procedimento fiscal, sua impugnação e o recurso voluntário. Entendo que é indispensável a conversão do presente julgamento em diligência (artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972), privilegiando a verdade material, sobretudo, quando existe prova documental contrária à acusação fiscal de omissão de receita, indicando o cancelamento da eventual faturamento, conforme declarado pelas próprias tomadoras de serviço. Isto posto, voto pela conversão do julgamento em diligência, solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um Relatório Conclusivo sobre as informações e os documentos anexados na impugnação administrativa, no recurso voluntário e, principalmente, na última petição (fls. 920 a 921, arquivo não paginável), esclarecendo, por amostragem, o valor de receita cancelada e estornada, reduzindo ou exonerando o montante da receita omitida, considerando inclusive as declarações dos próprios contratantes (mantenedores). Caso necessário, a unidade de origem intimará a Recorrente sobre o início da diligência, requisitando documentos e/ou informações necessárias para sua conclusão. Finalizada esta diligência, ressalvo a necessidade de promover a ciência do contribuinte sobre o Relatório Conclusivo, fixando o prazo de 30 (trinta) dias para sua Fl. 955DF CARF MF Processo nº 10314.725604/201496 Resolução nº 1201000.532 S1C2T1 Fl. 956 24 manifestação, antes do retorno dos autos para novo julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator Fl. 956DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.003247/2007-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Presidente
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo-Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra –Presidente (assinado digitalmente) Pedro Sousa BispoRelator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. RELATÓRIO Por bem relatar os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido com os devidos acréscimos: O presente processo administrativo foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .0 03 24 7/ 20 07 -1 3 Fl. 2142DF CARF MF Processo nº 10850.003247/200713 Resolução nº 3402001.707 S3C4T2 Fl. 2.143 2 Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta pela contribuinte por meio de seus representantes legais, conforme instrumento de mandato a fl. 070/071, em face do Despacho Decisório resultante da apreciação do Pedido de Restituição em papel e não numerado (fls. 003), protocolado em 26/12/2007, por meio do qual a contribuinte pretende ter restituído o valor total de R$ 1.636,14. A solicitante esclarece em seu pedido que se utilizou do formulário em papel devido à impossibilidade de se utilizar do programa PER/DCOMP (art. 3º, §1º, da IN SRF nº 600/2005), por este não possuir os campos adequados. Conforme informado pela contribuinte em seu pedido, o valor a ser restituído seria correspondente à compensação a maior de valor de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins por meio da Declaração de Compensação original (fls. 005) entregue em 17/12/2002 utilizando crédito oriundo de restituição solicitada no processo nº 13804.000950/200110, que teria sido indevidamente apurado a maior sob o fundamento de inconstitucionalidade da parcela da receita que não se enquadra no conceito de faturamento incluída na base de cálculo. A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto, que, em 15/04/2009, emitiu Despacho Decisório em papel (fls. 052/058), no qual a autoridade competente indeferiu o Pedido de Restituição, com base nos seguintes fundamentos: não confirmação da existência do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior e impossibilidade de considerar exclusão da base de cálculo além das expressamente previstas nas normas aplicáveis, apenas em face de inconstitucionalidade não ampliável à contribuinte. Cientificada do Despacho Decisório, em 30/04/2009 (fl. 059), a contribuinte ingressou, em 01/06/2009, com a manifestação de inconformidade de fls. 060/069 e documentos anexos, na qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir. 1. Preliminarmente pede a suspensão do presente processo até o julgamento do processo administrativo nº 13804.000950/200110, cujo objeto é a compensação que daria causa à presente restituição. Esclarece que aquele processo já teve o indeferimento proferido em Despacho Decisório, e que tal indeferimento foi parcialmente revertido em resultado de manifestação de inconformidade julgada por DRJ e atualmente encontrase pendente de julgamento de recurso apresentado ao CARF. Em face dessa pendência de decisão definitiva em relação àquele processo, cuja matéria seria prejudicial em relação à presente, é que a contribuinte solicita a suspensão do presente processo, com fundamento no art. 265, inciso IV, alínea a, do Código de Processo Civil. Acrescenta ainda que não poderia aguardar o desfecho daquele processo para apresentar novo pedido de restituição, em virtude do prazo decadencial para apresentação desse novo pedido, estabelecido pela Lei Complementar nº 118, que seria de cinco anos a partir da extinção do crédito tributário. 2. Quanto ao mérito, sustenta que o art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, ampliou significativamente a base de cálculo da contribuição de forma inconstitucional, ao prescrever que nela fosse considerada a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, e não simplesmente seu faturamento, ofendendo frontalmente o art. 195, inciso I, da Constituição Federal, que se restringia somente ao faturamento, e o art. 110, do Código Tributário Nacional, que proíbe a alteração, pela lei tributária, da definição, do conteúdo e do alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal para definir ou limitar competências tributárias. Nesse sentido, referese à jurisprudência do STF, citando julgados, e à posição da 2ª instância administrativa, trazendo exemplos de decisões dessa instância, ressaltando em especial o entendimento daquele órgão de que a posição Fl. 2143DF CARF MF Processo nº 10850.003247/200713 Resolução nº 3402001.707 S3C4T2 Fl. 2.144 3 do STF nos recursos extraordinários deve ser aplicada pelas autoridades fazendárias em suas decisões. Argumenta, ainda, que a matéria já foi considerada pelo STF de repercussão geral e será objeto de súmula vinculante, conforme voto que transcreve. Em conseqüência, a base de cálculo da contribuição somente deveria incluir valores correspondentes ao faturamento. Portanto, no caso específico do presente processo, o débito total de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins apurado no período de novembro de 2002, no valor de R$ 5.683,34, conforme cópia da DCTF do 4ºT/2002 anexada aos autos, seria indevido o valor de R$ 1.636,14, que corresponde à parcela da contribuição calculada sobre receitas financeiras, conforme comprovado por cópias do balancete, do Livro Razão e de planilha de cálculos, o qual deve ser restituído. Conclui requerendo o acolhimento e provimento da presente manifestação de inconformidade, com o reconhecimento do direito da requerente à restituição da contribuição calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, informa que a matéria objeto da manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial e protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos. Ato contínuo, a DRJRIBEIRÃO PRETO (SP) julgou a Manifestação de Inconformidade do Contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 PAF. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste a figura do sobrestamento do processo administrativo. O princípio da oficialidade obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis e somente pode afastar as normas declaradas inconstitucionais nos casos expressamente previstos no ordenamento jurídico. RESTITUIÇÃO. QUITAÇÃO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTO ESSENCIAL. A préexistência inequívoca de quitação líquida e certa é pressuposto essencial à restituição do valor eventualmente quitado indevidamente ou a maior e a ausência ou incerteza dessa quitação torna improcedente o pedido nela fundado. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado tem seu valor totalmente vinculado à quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fl. 2144DF CARF MF Processo nº 10850.003247/200713 Resolução nº 3402001.707 S3C4T2 Fl. 2.145 4 à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Em seguida, devidamente notificada, a Empresa interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. No Recurso Voluntário, a Empresa suscitou as mesmas questões preliminares e de mérito, repetindo as argumentações apresentadas na manifestação de inconformidade. Este Colegiado, em sessão realizado no dia 21 de fevereiro de 2017, resolveu converter o julgamento em diligência por entender que o processo não se encontrava maduro para julgamento pois necessitava dos esclarecimentos quanto a natureza das receitas auferidas pela empresa, bem como que fosse informado quais delas deveriam ser excluídas da base de cálculo das contribuições por força do RE 585.235, julgado sob sistemática de Repercussão Geral. Cumprida a solicitação do Colegiado, o processo foi a mim distribuído por sorteio, tendo em vista que o Conselheiro Relator originário, (Carlos Daniel) neste ínterim, foi nomeado Conselheiro de outra Seção de julgamento do CARF. É o relatório. VOTO O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. A matéria aqui discutida é costumeira aqui neste Colegiado, visto que todos aqueles que recolheram contribuições sociais ao PIS e a COFINS com a base de cálculo ampliada pelo §1º do artigo 3º da Lei nº 9718/98 passaram a ingressar administrativamente, dentro do interregno legal do direito à restituição, buscando reaver os valores pagos indevidamente. Visando comprovar o seu direito creditório, o contribuinte juntou ao seu Recurso Voluntário planilhas que indicam, supostamente, a existência de receitas financeiras na apuração da base de cálculo das contribuições sociais. Este Colegiado, em sessão realizado no dia 21 de fevereiro de 2017, resolveu converter o julgamento em diligência por entender que o processo não se encontrava maduro para julgamento pois necessitava dos esclarecimentos a seguir indicados: I) Que a DRF intime o contribuinte a apresentar os livros contábeis e a documentação fiscal necessária à identificação da natureza das receitas que compuseram a base de cálculo das contribuições sociais do período cuja restituição pleiteia o Recorrente. II) Após o recebimento e análise da documentação a ser entregue pelo Recorrente, a autoridade fiscalizadora deverá elaborar relatório discriminando a parcela da base de cálculo correspondente às receitas Fl. 2145DF CARF MF Processo nº 10850.003247/200713 Resolução nº 3402001.707 S3C4T2 Fl. 2.146 5 excluídas por força do Recurso Extraordinário RE 585.235, julgado sob sistemática de Repercussão Geral, calculando o valor do tributo correspondente. A DRF de origem analisou detalhadamente cada rubrica contábil reivindicada pela Recorrente que supostamente não comporia a base de cálculo das contribuições por força da declaração de inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9718/98. Em suma, concluiu que dentre todas as rubricas analisadas, as referentes as contas contábeis 37201.00002 – ENTRADA DE PEÇAS P/ ESTOQUE, 37201.00003 – VENDA INTERNA, 3620100014 – REMUNERAÇÃO S/ CONSÓRCIO, 37201.00006 – RECEITAS DE INVEST. EM CONSÓRCIO e 37201.00007 – OUTRAS RECEITAS deveriam compor o faturamento para efeito de incidência das contribuições. Em seguida, foram refeitos os cálculos do período em análise, com base no demonstrativo e registros contábeis que lhes foram apresentados, incluindo na base de cálculo todas as receitas operacionais e excluindo as receitas financeiras, estranhas ao conceito de faturamento, onde apurouse Cofins a pagar do período de apuração de novembro/02 no valor de R$ 4.788,60, fls. 2011. Por fim, concluiu que houve compensação a maior no montante de R$ 894,74, fls.2.012 e 2.013, na comparação entre a Cofins a pagar apurada na diligência com a compensação apontada como pagamento a maior, no Pedido de Restituição em análise. No entanto, a Recorrente, em sua manifestação sobre os resultados da diligência fiscal, afirma que, por equívoco seu e da Fiscalização, não foram considerados na apuração da COFINS devida a dedução os custos dos veículos usados vendidos (planilha de apuração de apuração da COFINS, fls. 2.011), nos termos da IN SRF nº247/2002. Informa, ainda, que os documentos contábeis comprovantes dos custos de veículos usados foram juntados anteriormente ao processo. Como se sabe, a determinação da receita tributável na venda de veículos usados adquiridos para revenda se dá pela diferença entre o valor de venda e o valor de aquisição, de acordo com os §§ 4º e 5º do art.10, da IN SRF nº247/02, in verbis: Art.10. As pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, observado o disposto no art. 9º, têm como base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins o valor do faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas. (...) § 4º A pessoa jurídica que tenha como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores deve apurar o valor da base de cálculo nas operações de venda de veículos usados adquiridos para revenda, inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, segundo o regime aplicável às operações de consignação. § 5º Na determinação da base de cálculo de que trata o § 4º será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. Fl. 2146DF CARF MF Processo nº 10850.003247/200713 Resolução nº 3402001.707 S3C4T2 Fl. 2.147 6 Tendo em vista a legislação citada e uma vez que constam nos autos documentos que sugerem a existência do direito a dedução dos custos de veículos usados na apuração da COFINS devida, com reflexos no pedido de restituição ora analisado, entendo que há necessidade da conversão do processo em diligência para que a Autoridade Fiscal de origem confirme a procedência da dedução proposta na apuração da COFINS. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/721, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a Autoridade Fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto/SP) realize os seguintes procedimentos: I) Que a DRF analise a documentação contábil já juntada aos autos para verificar se é suficiente para comprovar os custos na aquisição de veículos usados revendidos. Caso a referida documentação não seja suficiente, intimar a empresa a apresentar outros elementos necessários a comprovação dos custos citados. II) Após a análise da documentação, a Autoridade Fiscalizadora deverá elaborar relatório e refazer as planilhas constantes das fls.2011 a 2013, levando em consideração a dedução do custo na aquisição dos veículos usados revendidos, por ventura apurados; e III) Elaborado o relatório, devese dar ciência ao contribuinte para manifestação sobre o teor do relatório da diligência, retornando então o processo a este Colegiado para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 2147DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.904972/2011-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 01/07/2000
CONEXÃO. PERÍODO DE APURAÇÃO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE.
Processos com a mesma matéria e períodos de apuração diversos não obrigam a reunião por conexão prevista pelo artigo 6º, §1º, I, Anexo II do RICARF.
FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA.
A falta de retificação da DCTF não impede a aplicação do Princípio da Verdade Material, tornando oportuna a averiguação da existência do crédito através de diligência.
INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718 DE 1998. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF.
O alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, previsto pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento ao Recurso Extraordinário nº 585.235/ MG, sob repercussão geral. Incidência do artigo 62, § 2º do RICARF.
FATURAMENTO. CONCEITO. RECEITAS OPERACIONAIS.
O faturamento, para fins de incidência dessas contribuições, corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-005.959
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório no limite da diligência fiscal.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(SUCESSORA DE BELÉM DIESEL S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 01/07/2000 CONEXÃO. PERÍODO DE APURAÇÃO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE. Processos com a mesma matéria e períodos de apuração diversos não obrigam a reunião por conexão prevista pelo artigo 6º, §1º, I, Anexo II do RICARF. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA. A falta de retificação da DCTF não impede a aplicação do Princípio da Verdade Material, tornando oportuna a averiguação da existência do crédito através de diligência. INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718 DE 1998. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. O alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, previsto pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento ao Recurso Extraordinário nº 585.235/ MG, sob repercussão geral. Incidência do artigo 62, § 2º do RICARF. FATURAMENTO. CONCEITO. RECEITAS OPERACIONAIS. O faturamento, para fins de incidência dessas contribuições, corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 49 72 /2 01 1- 91 Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10280.904972/201191 Acórdão n.º 3402005.959 S3C4T2 Fl. 0 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório no limite da diligência fiscal. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Versa o processo sobre pedido de restituição de crédito de contribuição não cumulativa, o qual foi indeferido pela DRF de origem, em razão de o recolhimento indicado ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pela contribuinte em outro PER/DCOMP. A interessada apresentou a manifestação de inconformidade, sustentando seu direito creditório na inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998 (RE nº 390.840/MG e RE nº 585.235, com repercussão geral). O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da interessada, consoante argumentos plasmados no Acórdão nº 14041.277 Inconformada com esta decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual defende o direito ao crédito pleiteado. Na apreciação deste recurso, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 3402001.067, para que a Unidade de Origem realizasse o seguinte levantamento: i) Apurar a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes; ii) Elaborando Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontá los com o recolhido; iii) Apurar, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10280.904972/201191 Acórdão n.º 3402005.959 S3C4T2 Fl. 0 3 Em cumprimento à Resolução foi apresentada a Informação Fiscal que concluiu pela existência de recolhimento a maior, sendo possível o reconhecimento parcial do crédito para a compensação requerida. Intimada a se manifestar sobre o resultado da diligência, a Recorrente argumentou que o raciocínio adotado pela fiscalização sobre a natureza dos valores escriturados em algumas das contas contábeis não merece prevalecer, fundamentando acerca da natureza das verbas recebidas a título de bonificações e recuperação de despesas com garantia, bem como pela impossibilidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre recuperação de custos e despesas e, com isso, reiterando o pedido de provimento do recurso voluntário interposto e reconhecimento integral do direito ao crédito postulado. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.949, de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10280.900097/201259, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402005.949): "Pressupostos legais de admissibilidade Como já observado pela Resolução nº 3402001.052, o Recurso Voluntário de fls. 73 a 90 é tempestivo, uma vez que a intimação do Acórdão nº 1441.254 ocorreu via postal na data de 11/06/2013 (fls. 71), com interposição da defesa em data de 08/07/2013 (Termo de Solicitação de Juntada de fls. 72). Por atender aos pressupostos legais de admissibilidade, o recurso deve ser conhecido por este Colegiado. Do pedido preliminar para reunião dos processos Preliminarmente a Recorrente argumenta que os seguintes processos têm o mesmo objeto do caso em análise, referente ao questionamento sobre a restituição de crédito decorrente do recolhimento indevido da COFINS, pautado na inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei nº 9.718/98: Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10280.904972/201191 Acórdão n.º 3402005.959 S3C4T2 Fl. 0 4 Considerando que não há fatos jurídicos tributários idênticos, uma vez que os processos têm períodos de apuração diversos, não há vinculação que torne obrigatória a aplicação do artigo 6º do RICARF. Ademais, o presente recurso foi distribuído como paradigma, seguindo a sistemática dos recursos repetitivos, conforme regulamentação do artigo 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Conforme informado em Termo de Intimação Fiscal nº 01 SAORT/DRFSJR de fls. 241 a 242, a diligência foi realizada em cumprimento às Resoluções de nºs 3402001.050 a 3402 001.067, proferidas por este Colegiado, resultando na análise do crédito pleiteado nos seguintes processos: 10280.900096/201212, 10280.900095/201260, 10280.900097/201259, 10280.900106/201210, 10280.904424/201161, 10280.904437/201130, 10280.904438/201184, 10280.904439/201129, 10280.904440/201153, 10280.904441/201106, 10280.904442/201142, 10280.904443/201197, 10280.904444/201131, 10280.904445/201186, 10280.904446/201121, 10280.904447/201175, 10280.904971/201146, 10280.904972/201191, 10280.904973/201135, 10280.904974/201180, 10280.905315/201161, 10280.905316/2011 13,10280.905317/201150, 10280.905318/201102, 10280.905319/201149, 10280.905320/201173, 10280.905321/201118, 10280.905322/201162, 10280.905323/201115, 10280.905325/201104, 10280.905326/201141, 10280.905328/201130, 10280.905329/201184, 10280.905330/201117, 10280.905331/201153, 10280.905332/201106, 10280.905333/201142, 10280.905334/201197, 10280.905781/201146, 10280.905782/201191, 10280.905784/201180, 10280.905785/201124, 10280.905786/201179, 10280.905787/201113, Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10280.904972/201191 Acórdão n.º 3402005.959 S3C4T2 Fl. 0 5 10280.905790/201137, 10280.905803/201178 e 10280.905804/201112. Portanto, resta prejudicada a preliminar invocada no Recurso Voluntário em análise. Do mérito Pede a Recorrente pelo reconhecimento do direito à restituição da Contribuição para o PIS/PASEP calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, explanando sobre a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 e necessária incidência do artigo 62. § 1º, inciso II e Alínea "b" do RICARF. Para tanto, pugna pela aplicação da Verdade Material, uma vez que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, configurando a decisão recorrida em formalismo exagerado. Pede, ainda, pela complementação da produção probatória necessária para lastrear a existência de seu crédito. Como já relatado, tanto o reconhecimento da inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 e aplicação do artigo 62, § 1º, inciso II e Alínea "b" do RICARF, bem como o pedido de produção de prova complementar, restaram superados através da Resolução nº 3402001.052 (fls. 234238), pela qual este Colegiado converteu o julgamento do recurso em diligência com a seguinte determinação: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. A matéria suscitada sobre declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 é questão decidida em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal através do RE 585.235/MG, resultando na aplicação do artigo 62, § 2do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10280.904972/201191 Acórdão n.º 3402005.959 S3C4T2 Fl. 0 6 Portanto, neste ponto dou provimento ao recurso, com a produção de prova já realizada através da diligência acima mencionada. Do resultado da diligência Em sequência, dando cumprimento ao artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011, a Recorrente manifestouse sobre o resultado da diligência às fls. 338351, sustentando sobre a natureza das verbas recebidas a título de bonificações e recuperação de despesas com garantia, bem como pela impossibilidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre recuperação de custos e despesas. Em síntese, alega a Recorrente que ".... as bonificações não são receitas da recorrente, mas apenas recuperação do custo de aquisição dos bens adquiridos por ela para revenda. Como a recuperação de custos realmente aumenta o lucro bruto da recorrente, eis que diminuem o custo da mercadoria vendida, mas, por outro lado, não interferem nas receitas da recorrente, eis que o valor das vendas não é alterado, não havendo qualquer interferência desses valores na receita da recorrente, passível de tributação pela contribuição ao PIS e pela COFINS." A questão atinente às verbas recebidas a título de bonificações e recuperação de despesas foi objeto de análise por esta Turma Ordinária no PAF nº 10280.900096/201212, de relatoria da Eminente Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula e cujo julgamento ocorreu em data de 25 de setembro de 2018. Com isso, como solução deste litígio, adoto o entendimento que prevaleceu no Acórdão nº 3402005.569, pelo qual foi aplicado o inciso III do art. 44 da Lei nº 4.506/19641, bem como as Soluções de Consulta Cosit nºs 291/20172 e 34/20133. 1 Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. 2 Solução de Consulta nº 291 Cosit Data 13 de junho de 2017 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP NÃO CUMULATIVIDADE. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. DOAÇÃO. VENDA. INCIDÊNCIA. Bonificações em mercadorias entregues gratuitamente, a título de mera liberalidade, sem vinculação a operação de venda, são consideradas receita de doação para a pessoa jurídica recebedora dos produtos (donatária), incidindo a Contribuição para o PIS/Pasep sobre o valor de mercado desses bens. A receita de vendas oriunda de bens recebidos a título de doação deve sofrer a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, na forma da legislação geral das referidas contribuições. Dispositivos Legais: Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), art. 538; Lei nº 10.637, de 2002, art. 1º e art. 3º, §2º, II; Parecer Normativo CST nº 113, de 1978. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10280.904972/201191 Acórdão n.º 3402005.959 S3C4T2 Fl. 0 7 Para tanto, transcrevo a fundamentação que embasa a decisão em referência, a qual cita trechos extraídos da respectiva Informação Fiscal, reproduzindo os mesmos termos constantes do resultado da diligência realizada neste processo, motivo pelo qual deve ser considerada como embasamento do presente voto: "Quanto ao mérito, valem aqui as considerações já expedidas na Resolução que determinou a conversão do julgamento em diligência, a seguir transcritas: Como se sabe, é obrigatória aos membros deste CARF a reprodução do conteúdo de decisão definitiva de mérito proferida pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil. Também não se desconhece que foi declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, tendo sido reconhecida a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal nesse sentido. Em consequência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins enquanto aplicável aquele ato legal. Assim, em face da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, relativamente ao alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, deve ser aplicado neste julgamento o entendimento do Supremo Tribunal Federal proferido em regime de repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 585.235/MG. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS NÃO CUMULATIVIDADE. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. DOAÇÃO. VENDA. INCIDÊNCIA. (...) Dispositivos Legais: Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), art. 538; Lei nº 10.833, de 2003, art. 1º e art. 3º, §2º, II; Parecer Normativo CST nº 113, de 1978. 3 Solução de Consulta nº 34 Cosit Data 21 de novembro de 2013 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ BASE DE CÁLCULO. DESCONTOS CONDICIONAIS E INCONDICIONAIS. Os descontos incondicionais consideramse parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos; esses descontos não se incluem na receita bruta da pessoa jurídica vendedora e, do ponto de vista da pessoa jurídica adquirente dos bens ou serviços, constituem redutor do custo de aquisição, não configurando receita. Os descontos condicionais são aqueles que dependem de evento posterior à emissão da nota fiscal, usualmente, do pagamento da compra dentro de certo prazo, e configuram despesa financeira para o vendedor e receita financeira para o comprador. Dispositivos Legais: Lei nº 8.981, de 1995, art. 31; Decreto nº 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999), arts. 373 e 374; Instrução Normativa SRF nº 51, de 1978, item 4.2. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10280.904972/201191 Acórdão n.º 3402005.959 S3C4T2 Fl. 0 8 Como bem esclareceu a fiscalização na diligência, devem ser excluídos do conceito de faturamento os aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa: 7. No anexo da Nota PGFN/CRJ nº 1.114, de 30/08/2012, está delimitado o julgado pelo STF no RE n° 585.235, nos seguintes termos: “DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: O PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/COFINS as receitas não operacionais. (...)” 8. A delimitação da matéria decidida é também fruto dos julgados do STF, que entendem que o conceito de faturamento abrange a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços das empresas, e todas as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Esta é a interpretação dada pelo RE n. 371.258 AgR (Segunda Turma, Rel. Min. Cezar Peluzo, julgado em 03.10,2006), pelo RE n. 400.4798/RJ ( Segunda Turma, Rel. Min. Cezar Peluzo, julgado em 10.10,2006) e pelo RE n 527.602/SP (Tribunal Pleno, Rel Min Eros Grau, Rel. p/ acórdão Min. Marco Aurélio, julgado em 05.08.2009), sendo que neste último ficou estabelecido que somente são excluídos do conceito de faturamento “os aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa”. Assim, o faturamento corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não. Com efeito, adotando tal entendimento, a fiscalização excluiu do faturamento, para fins de incidência das contribuições, as receitas que não se enquadravam como operacionais, resultando num recolhimento a maior, passível de reconhecimento de crédito para compensação no valor mencionado no relatório acima. Não obstante tenha sido devidamente intimada, a recorrente não se manifestou em face do resultado da diligência, pelo que se pressupõe que com ele concordou. Ademais, na diligência foram acolhidos, em grande parte, os demonstrativos/memórias de cálculo elaborados pela própria contribuinte em resposta à intimação da fiscalização, ressalvadas poucas divergências, quanto às receitas originadas das bonificações recebidas e das recuperações de despesas, como se vê nos seguintes trechos da Informação fiscal: 9. Concorda o contribuinte, conforme seus demonstrativos, que devem ser incluídas na base de cálculo da Cofins as seguintes receitas operacionais (líquidas das devoluções/deduções): vendas de veículos novos (de fev/03 e mar/03), vendas de veículos usados, instalação e vendas de peças e acessórios, instalação e vendas de Kits de conversão Gás, prestação de serviços da oficina, vendas de outras mercadorias e outras prestações de serviços (outras atividades). Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10280.904972/201191 Acórdão n.º 3402005.959 S3C4T2 Fl. 0 9 10. Também devem ser incluídas na base de cálculo da Cofins as bonificações recebidas das montadoras, mesmo que em mercadoria (contas 37201.00001 Bonificação MBB Veículos, 37201.00002 Bonificação MBB Sprinter e 37202.00001 Bonificação MBB Peças e Motores) e a recuperação de despesas com veículos e peças em garantias (contas 37202.00009 Recup. Desp. c/ Garantia e 37204.00009 Recup. Desp. c/ Garantia), pelo que segue. Nada há a reparar no entendimento da fiscalização no sentido de que as "recuperações de despesas também constituem receitas operacionais, conforme determina o inciso III do art. 44 da Lei nº 4.5061, de 30 de novembro de 1964, base legal do inciso II do art. 392 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999)", sobre as quais há a incidência do PIS/Pasep e da Cofins. Quanto às bonificações, embora em algumas situações específicas elas possam configurar descontos incondicionais, o que, se fosse o caso, poderia ensejar a exclusão de tais receitas do conceito de faturamento, nos termos das Soluções de Consulta Cosit nºs 291/2017 e 34/20132, não há qualquer argumentação da recorrente nesse sentido, no recurso voluntário ou na diligência do presente processo, razão pela qual deve ser mantido o resultado do direito creditório apurado na diligência com base na declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, que é o mérito do recurso voluntário e do pedido de restituição da interessada. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no montante certificado na diligência, determinando a homologação das compensações vinculadas na medida correspondente." Portanto, deve imperar o resultado da diligência que corretamente refez a apuração do PIS do período de Novembro de 2002, com base no demonstrativo e registros contábeis apresentados pela Contribuinte. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário e julgo parcialmente provido em razão da incidência do artigo 62, § 2 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, considerando a declaração da inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, devendo ser reconhecido o direito creditório no limite da diligência fiscal realizada nos autos." Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10280.904972/201191 Acórdão n.º 3402005.959 S3C4T2 Fl. 0 10 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado conheceu o Recurso Voluntário e julgouo parcialmente provido em razão da incidência do artigo 62, §2º do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, considerando a declaração da inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, devendo ser reconhecido o direito creditório no limite da diligência fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 334DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.721743/2015-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento na Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF até à decisão definitiva a ser proferida no processo nº 16682.720030/2015-39 e seus desmembramentos.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento na Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF até à decisão definitiva a ser proferida no processo nº 16682.720030/2015-39 e seus desmembramentos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento na Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF até à decisão definitiva a ser proferida no processo nº 16682.720030/201539 e seus desmembramentos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 74 3/ 20 15 -1 0 Fl. 292DF CARF MF Processo nº 16682.721743/201510 Resolução nº 3302000.806 S3C3T2 Fl. 293 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que passo a transcrever e grifar: "Trata o presente processo de auto de infração (fls. 30/33) de multa em decorrência de DCOMP não homologada, no valor de R$ 16.616.504,23. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fl. 34/35) a Declaração de Compensação nº 04102.45828.200411.1.3.047247 não foi homologada, conforme Despacho Decisório 0017/2015 exarado no Processo Administrativo nº 16682.720030/201539. A Declaração de Compensação nº 04102.45828.200411.1.3.047247 foi apresentada em 20/04/2011, portanto, após a publicação da Lei nº 12.249/10 em 14/06/2010, cujo art. 62 deu nova redação ao §17 do art. 74 da Lei 9.430/96. A MP 656/2014 e Lei nº 13.097/2015 alteraram a redação original do parágrafo citado. Antes da MP 656/14, a multa era calculada como 50% sobre o valor do crédito objeto da Declaração de Compensação não homologada. Depois da publicação da MP 656/14, a penalidade passou a ser calculada como 50% sobre o valor do débito objeto da Declaração de Compensação não homologada. Tendo em vista o art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, há que se aplicar a penalidade menos severa entre as duas redações acima. Como são aritmeticamente idênticas, tornase óbvio que o cálculo resulta igual, e, desse modo, enquadramos a infração no dispositivo referido, com a redação da Lei nº 12.249/2010. O contribuinte foi cientificado em 21/03/2016 (fl. 40) e apresentou impugnação (fl. 42/51) em 15/04/2016 alegando em síntese: Nulidade do auto de infração A aplicação da multa, no presente caso, não encontra motivação válida, uma vez que não restou demonstrado no auto de infração qualquer conduta ilícita ou abusiva por parte da impugnante. A interessada cita doutrina no sentido da necessidade de configuração da máfé do requerente para que se possa aplicar a multa isolada. Cita ainda decisões judiciais no mesmo sentido. Cumulação de multa configurando BIS IN IDEM Na eventualidade da não homologação da compensação, o débito já é penalizado com a cobrança do débito levado à compensação, acrescido com a multa de mora, cuja essência consiste, repisa se, em verdadeira penalidade. Posto isto, ao desconsiderar essa situação, a intenção de fazer incidir a multa isolada, sem qualquer evidência de ilicitude ou abusividade, configura verdadeiro bis in idem a ensejar o enriquecimento sem causa do erário, ao passo que em condições normais, como no caso em tela, já será recompensado pela incidência da multa de mora posto que a não homologação da compensação (à míngua de prova de ilicitude e má fé do contribuinte) se equipara, sob qualquer ângulo de análise, ao pagamento realizado a destempo. Da apensação A presente autuação consiste na cobrança de multa isolada, em virtude da não homologação do PER/DCOMP n º 04102.45828.200411.1.3.047247, constante do processo administrativo nº 16682.720030/201539. Este processo está aguardando julgamento do recurso voluntário. A Portaria RFB nº 354 de 2016 em seu art. 3º, inciso III exige que os autos sejam juntados por apensação. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 16682.721743/201510 Resolução nº 3302000.806 S3C3T2 Fl. 294 3 Assim, requer a apensação do presente processo ao PAF nº 16682.720030/201539. Suspensão do processo Na eventualidade de se superar o item anterior, resta de imediato a suspensão do presente processo, pautado nos seguintes fundamentos: A interessada recorreu da decisão de não homologação, portanto, não há que se falar em declaração de compensação não homologada, uma vez que o crédito ainda se encontra sob discussão administrativa e que, ante ao teor do recurso voluntário, tornase inconcebível, permissa vênia, outro resultado que não seja a homologação integral da DCOMP envolvida. Portanto, por imposição legal e havendo evidência do recurso voluntário, devese suspender o andamento do presente, especialmente ante a apensação requerida no item anterior, bem como da imperiosa necessidade de conclusão do PAF 16682.720030/201539, pois não parece crível a cobrança do acessório antes da definição final do processo principal. Ao final requer: a) seja anulado o presente auto de infração ante a inexistência de conduta ilícita ou abusiva do contribuinte a justificar a aplicação da penalidade prevista no art. 74 §§15 e 17, da Lei nº 9.430/96, na redação da Lei nº 12.249/2010; b) na eventualidade de superar os itens anteriores, que seja reconhecida a cobrança de multa em bis in idem, uma vez que a multa de mora, única devida no presente caso (na hipótese da manifestação de inconformidade não logre o êxito almejado pela contribuinte, fato que se admite pela necessidade de argumentação), não pode ser acrescida da multa isolada, uma vez que não houve qualquer comprovação de ilicitude ou abusividade a ensejar a sua incidência; e c) a apensação do presente processo o PAF 16682.720030/201539, por força do artigo 3º, inciso III da Portaria RFB 354 de 2016; d) uma vez demonstrado o caráter acessório da presente autuação com o PAF nº 16682.720030/201539 sua suspensão se mostra imperiosa, pois caso contrário acarretará a solução atabalhoada da autuação sem a definitiva conclusão do processo principal que, pela lógica processual, redundará em decisão teratológica, ou seja, verdadeiro processo de Kafka. e) que todas as intimações pertinentes a este processo sejam feitas ao procurador da requerente." A decisão de primeira instância, proferida em 16/05/2016 (fls. 250/260) foi no sentido de julgar procedente em parte a impugnação para manter o crédito tributário lançado e dar provimento ao pedido de apensação ao processo nº 16682.720030/201539: Após ciência ao acórdão de primeira instância (TERMO à fl. 266), em 25/05/2016, irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 268/278, em 20/06/2016, em essência, reprisando os argumentos trazidos na peça de impugnação, requerendo: a) a distribuição deste processo vinculada ao PAF nº 16682.720030/201539, por se tratar de processo conexo e decorrente do primeiro, nos termos do art. 6º do RICARF e sua imediata suspensão até o julgamento final daquele; e que b) seja dado provimento ao presente recurso, anulandose o presente auto de infração em sua totalidade. É o relatório. Fl. 294DF CARF MF Processo nº 16682.721743/201510 Resolução nº 3302000.806 S3C3T2 Fl. 295 4 Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida Relator O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Quanto à questão da suspensão, na verdade, sobrestamento do processo, quando depender de decisão de outro processo no âmbito do CARF, existe previsão específica no parágrafo único, do art. 12, da Portaria CARF Nº 34, de 31 de agosto de 2015: Art. 12. O processo sobrestado ficará aguardando condição de retorno a julgamento na Secam. Parágrafo único. O processo será sobrestado quando depender de decisão de outro processo no âmbito do CARF ou quando o motivo do sobrestamento não depender de providência da autoridade preparadora. (grifei) Ainda que corretamente negado o pedido de sobrestamento do julgamento do presente processo, na instância administrativa de julgamento a quo, por falta de previsão legal para tal procedimento, especificamente no âmbito do CARF, a Portaria CARF Nº 34/2015, abre essa possibilidade, existindo precedentes (Processo nº 16327.721542/201308), inclusive, dessa Turma (Resolução nº 3302000.702, de 20/03/2018 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária), aplicando o sobrestamento em caso semelhante, nos termos do voto condutor do Relator, abaixo transcrito e adotado como razão de decidir do presente processo: "Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento Relator. Segundo o delineado no relatório precedente, os presentes autos tratam de cobrança da multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) calculada sobre o valor do crédito informado nas Declarações de Compensação (DComp) não homologadas. O referenciado procedimento compensatório, que motivou a presente autuação, encontrase sob julgamento no âmbito do processo principal de nº 16327.720993/201239, ainda pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. Assim, uma vez configurada dependência do julgamento deste processo do desfecho final e definitivo do julgamento do processo principal, com respaldo no art. 6º, § 1º, II, do Regimento Interno deste Conselho (RICARF/2015), propõe o sobrestamento do julgamento dos presentes autos perante à 3ª Câmara desta Seção. E uma vez o concluído o julgamento do processo principal, com a prolação da decisão definitiva, a Câmara deverá providenciar o retorno dos presentes autos a este Colegiado, para o prosseguimento do julgamento." Fl. 295DF CARF MF Processo nº 16682.721743/201510 Resolução nº 3302000.806 S3C3T2 Fl. 296 5 Pelo exposto, proponho o sobrestamento do julgamento dos presentes autos, perante à Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, e, uma vez concluído o julgamento do processo principal nº 16682.720030/201539 e seus desmembramentos, com a prolação da decisão administrativa definitiva, deverá ser providenciado o retorno dos autos sobrestados a este Colegiado, para o prosseguimento do julgamento. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 296DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15540.720210/2014-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010
PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade quando o lançamento observa todos os requisitos previstos no artigo 142 do CTN e no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72.
GLOSA DE DESPESAS. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. INDEDUTIBILIDADE.
No lucro real, a dedutibilidade das despesas depende da sua comprovação. Documentos em língua estrangeira, ilegível, em nome de terceiros, ou qualquer outro desacompanhado da Nota Fiscal, não comprovam a despesa, sendo mantida a glosa na determinação do lucro real.
GLOSA DE DESPESAS. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. MEIOS DE PROVA DOCUMENTAL.
A dedutibilidade de custos ou despesas imprescinde da apresentação de notas fiscais se a atividade exercida pelo sujeito passivo demanda a contratação de serviços e fornecimentos que devem estar, necessariamente, vinculados à parcela que lhe cabe na atividade compartilhada com a empresa afretadora da embarcação. Não só a representatividade dos valores escriturados, como também as informações necessárias para identificação do gasto, influenciadas pelas características específicas dos serviços executados, não permitem a comprovação de custos ou despesas por meio, apenas, de ordens de compra, notas de débitos, recibos ou outros documentos distintos de nota fiscal emitida em nome da autuada.
GLOSA DE DESPESAS. DESPESAS DESNECESSÁRIAS. INDEDUTIBILIDADE.
No lucro real, a dedutibilidade das despesas depende da comprovação da sua necessidade à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. Neste sentido, devem ser glosados os custos e despesas não previstos em contrato de prestação de serviços, bem como aqueles que se referem a períodos anteriores, observando o regime de competência.
JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO - BASE LEGAL
A multa de ofício integra a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência dos juros de mora calculados com base na Taxa Selic.
LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL.
Aplica-se aos lançamentos reflexos o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1402-003.614
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Relator Leonardo Luis Pagano Gonçalves que dava parcial provimento e os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Junia Roberta Gouveia Sampaio que votavam pela conversão do julgamento em diligência. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa; por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010 PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade quando o lançamento observa todos os requisitos previstos no artigo 142 do CTN e no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. GLOSA DE DESPESAS. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. INDEDUTIBILIDADE. No lucro real, a dedutibilidade das despesas depende da sua comprovação. Documentos em língua estrangeira, ilegível, em nome de terceiros, ou qualquer outro desacompanhado da Nota Fiscal, não comprovam a despesa, sendo mantida a glosa na determinação do lucro real. GLOSA DE DESPESAS. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. MEIOS DE PROVA DOCUMENTAL. A dedutibilidade de custos ou despesas imprescinde da apresentação de notas fiscais se a atividade exercida pelo sujeito passivo demanda a contratação de serviços e fornecimentos que devem estar, necessariamente, vinculados à parcela que lhe cabe na atividade compartilhada com a empresa afretadora da embarcação. Não só a representatividade dos valores escriturados, como também as informações necessárias para identificação do gasto, influenciadas pelas características específicas dos serviços executados, não permitem a comprovação de custos ou despesas por meio, apenas, de ordens de compra, notas de débitos, recibos ou outros documentos distintos de nota fiscal emitida em nome da autuada. GLOSA DE DESPESAS. DESPESAS DESNECESSÁRIAS. INDEDUTIBILIDADE. No lucro real, a dedutibilidade das despesas depende da comprovação da sua necessidade à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. Neste sentido, devem ser glosados os custos e despesas não previstos em contrato de prestação de serviços, bem como aqueles que se referem a períodos anteriores, observando o regime de competência. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO - BASE LEGAL A multa de ofício integra a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência dos juros de mora calculados com base na Taxa Selic. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Aplica-se aos lançamentos reflexos o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e efeito que os vincula.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade quando o lançamento observa todos os requisitos previstos no artigo 142 do CTN e no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. GLOSA DE DESPESAS. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. INDEDUTIBILIDADE. No lucro real, a dedutibilidade das despesas depende da sua comprovação. Documentos em língua estrangeira, ilegível, em nome de terceiros, ou qualquer outro desacompanhado da Nota Fiscal, não comprovam a despesa, sendo mantida a glosa na determinação do lucro real. GLOSA DE DESPESAS. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. MEIOS DE PROVA DOCUMENTAL. A dedutibilidade de custos ou despesas imprescinde da apresentação de notas fiscais se a atividade exercida pelo sujeito passivo demanda a contratação de serviços e fornecimentos que devem estar, necessariamente, vinculados à parcela que lhe cabe na atividade compartilhada com a empresa afretadora da embarcação. Não só a representatividade dos valores escriturados, como também as informações necessárias para identificação do gasto, influenciadas pelas características específicas dos serviços executados, não permitem a comprovação de custos ou despesas por meio, apenas, de ordens de compra, notas de débitos, recibos ou outros documentos distintos de nota fiscal emitida em nome da autuada. GLOSA DE DESPESAS. DESPESAS DESNECESSÁRIAS. INDEDUTIBILIDADE. No lucro real, a dedutibilidade das despesas depende da comprovação da sua necessidade à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 02 10 /2 01 4- 91 Fl. 8703DF CARF MF Processo nº 15540.720210/201491 Acórdão n.º 1402003.614 S1C4T2 Fl. 216 2 produtora. Neste sentido, devem ser glosados os custos e despesas não previstos em contrato de prestação de serviços, bem como aqueles que se referem a períodos anteriores, observando o regime de competência. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO BASE LEGAL A multa de ofício integra a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência dos juros de mora calculados com base na Taxa Selic. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Aplicase aos lançamentos reflexos o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Relator Leonardo Luis Pagano Gonçalves que dava parcial provimento e os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Junia Roberta Gouveia Sampaio que votavam pela conversão do julgamento em diligência. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa; por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone. Relatório Tratase de julgamento de Recurso de Ofício e de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão que julgou parcialmente procedente a impugnação da Recorrente, conforme abaixo explanado: Fl. 8704DF CARF MF Processo nº 15540.720210/201491 Acórdão n.º 1402003.614 S1C4T2 Fl. 217 3 O auto de infração foi lavrado decorrente a glosa de despesas, com ciência pessoal em 06/08/2014, para cobrança do IRPJ no valor de R$ 14.421.927,27, e CSLL no valor de R$ 5.191.893,82, com multa de ofício de 75% e juros de mora, relativos aos anoscalendário de 2009 e 2010. De acordo com o Termo de Constatação Fiscal de fls. 7/30, o Auditor Fiscal verificou que a principal atividade operacional da Recorrente consiste em executar obras e serviços para instalação de campos de exploração de petróleo e gás natural, execução de serviços de engenharia submarina e construção civil, inclusive construção, instalação e assistência técnica de estruturas marítimas, podendo fabricar, montar e vender equipamentos destinados a estes serviços. Também constatou que o maior cliente da autuada é a Petrobrás, prestando seus serviços em embarcações de terceiros, sendo que em regra, são firmados dois contratos vinculados com a Petrobrás: 1 um de prestação de serviços com a autuada, e 2 outro de afretamento de embarcação com outra pessoa jurídica – empresa armadora, com sede no exterior. Segundo os contratos de afretamento, os custos/despesas da empresa armadora são os relacionados com a embarcação, tais como manutenção e reparo, incluindo de seus acessórios, abrangendo todas e quaisquer despesas, como portuárias, etc. É obrigação da empresa armadora que a embarcação esteja em perfeita condições, com todos os equipamentos e acessórios necessários à execução dos serviços a serem prestados. (contrato vinculado 2) Esclareçase que esta pessoa jurídica, proprietária da embarcação, é ligada à autuada, sendo empresas do mesmo grupo econômico. Este modelo contratual traz vantagens econômicas para o grupo, uma vez que a empresa domiciliada no Brasil arca com todos os custos, sendo transferido para o exterior o resultado obtido com a supressão dos tributos e contribuições federais do Brasil. Da mesma forma, as despesas/custos dedutíveis da autuada, necessários à obtenção de sua receita, são aqueles também previstos nos contratos de prestação de serviço (contrato vinculado 1). Diante deste contexto, por meio do Termo de Intimação de 14/05/2014, a autuada foi intimada a: 1) apresentar documentação comprovadora dos custos e despesas que geraram crédito de PIS e COFINS em 2009 e 2010. 2) apresentar documentação comprovadora dos custos e despesas que foram recuperadas em 2010. 3) apresentar documentação comprovadora e esclarecimentos de custos e despesas selecionados na contabilidade, referentes às seguintes rubricas: LUBRIFICANTES, COMBUSTÍVEL, OUTROS MATERIAIS CONSUMÍVEIS, MANUTENÇÃO E REPARO e PRATICAGEM/REBOCADORES. Fl. 8705DF CARF MF Processo nº 15540.720210/201491 Acórdão n.º 1402003.614 S1C4T2 Fl. 218 4 => demonstrar e comprovar que tais custos são necessários (exigidos contratualmente) à atividade da empresa. => para LUBRIFICANTES/COMBUSTÍVEL, identificar qual foi a embarcação/equipamento que utilizou o material. => para OUTROS MATERIAIS CONSUMÍVEIS, esclarecer a especificação técnica e a finalidade do material consumido, bem como a embarcação/equipamento que utilizou o material. => para MANUTENÇÃO E REPARO, esclarecer e comprovar a embarcação/equipamento em que o serviço foi aplicado, bem com a finalidade do serviço prestado. 4) em relação a custo/despesa, cuja documentação apresentada não foi suficiente para comprovar que seria de responsabilidade da autuada, esclarecer detalhadamente e comprovar: => qual foi o serviço prestado, o local em que foi aplicado (equipamento/embarcação) , a finalidade do mesmo e o centro de custo. => qual foi o material adquirido, o local em que foi aplicado (equipamento/embarcação) , a finalidade do mesmo e o centro de custo. => demonstrar e comprovar que trais despesas/custos são necessários (exigidas contratualmente) à atividade da empresa. Segundo a Fiscalização, após minucioso exame da documentação apresentada pela Recorrente, constatou que determinados lançamentos de despesas/custos não foram comprovados e/ou demonstrados como necessários à atividade da autuada e à manutenção de sua fonte produtora de rendimentos. Como conseqüência, foi lavrado o auto de infração com a glosa dos custos e despesas, em função das seguintes infrações tributárias: 1) NÃO COMPROVAÇÃO DE CUSTO: III.1.1.1 (2009) e III.1.2.1 (2010) Custos e despesas que geraram crédito de PIS e COFINS: não foram apresentadas as Notas Fiscais que comprovassem os custos/despesas que geraram crédito de PIS e COFINS. III.1.1.2 (2009) e III.1.2.2 (2010) Custos e despesas recuperadas no ano calendário de 2010: não foi apresentado qualquer documento que comprovasse ou esclarecesse os custos/despesas de terceiros, recuperados financeiramente no anocalendário de 2010 através de lançamento à conta de receita. A falta de documentação implica na não comprovação de que tais recursos tiveram natureza de reembolso, motivo pelo qual a despesa está sendo glosada e a receita mantida. Fl. 8706DF CARF MF Processo nº 15540.720210/201491 Acórdão n.º 1402003.614 S1C4T2 Fl. 219 5 III.1.1.3 (2009) e III.1.2.3 (2010) Custos e despesas selecionados contabilmente: a autuada não apresentou esclarecimentos ou documentação comprovadora dos custos/despesas selecionados na escrituração. 2) GLOSA DE CUSTO NÃO NECESSÁRIO III.2.3 Custos/despesas não comprovadamente necessários: não houve a comprovação da efetiva prestação dos serviços tomados, e a efetiva aplicação dos materiais adquiridos, no âmbito de sua atividade operacional contratada. Os documentos apresentados não foram suficientes para comprovar que custo/despesa seria de responsabilidade da autuada, sendo, portanto, indedutíveis. Em seguida, a Recorrente apresentou impugnação aos autos e juntou documentos que entende comprovar as despesas glosadas. A DRJ, considerando que foram apresentados diversos documentos juntamente com a impugnação, e por não se encontrarem nos autos todos os elementos necessários para formação da convicção desta autoridade julgadora, o processo foi convertido em diligência, conforme termo fls. 4420/4422, para que fosse verificada a validade das Notas Fiscais, intimando a autuada a esclarecer detalhadamente e comprovar: 1) Qual foi o serviço prestado, o local em que aplicado (equipamento/embarcação), a finalidade do mesmo e o centro de custo, devendo ser comprovado mediante apresentação da Ordem de Compra e do documento por ventura mencionado no referido comprovante (contrato, desenho, etc ...). 2) Qual foi o material adquirido, o local em que foi aplicado (equipamento/embarcação), a finalidade do mesmo e o centro de custo, devendo ser comprovado mediante apresentação da Ordem de Compra e do documento mencionado no referido comprovante (contrato, desenho, etc ...). 3) Demonstrar e comprovar que tais despesas/custos são necessários (exigidos contratualmente) à sua atividade de prestação de serviço, e qual contrato e dispositivo estaria vinculado, apresentando a cópia dos mesmos. Em resposta ao Termo de Intimação e Início de Diligência Fiscal, fls. 4424/4426, a autuada apresentou: 1) planilhas contendo relação de documentos de custos e despesas, com a informações solicitadas na diligência, acostadas aos autos às fls. 4431/4450; 2) cópias de documentos (Notas Fiscais, Notas de débito, duplicatas, correspondências, etc) e contratos vigentes à época dos fatos geradores, acostadas aos autos à fls. 4451/8447. Após análise minuciosa todos elementos apresentados, a autoridade diligenciadora elaborou Termo de Constatação e Encerramento de Diligência Fiscal, fls. 8.448/8.474, chegando às seguintes CONCLUSÕES: 1) Após examinar toda documentação juntada ao presente processo, ficou constatado que, a juízo da autoridade diligenciadora, parte da documentação fiscal permitiu Fl. 8707DF CARF MF Processo nº 15540.720210/201491 Acórdão n.º 1402003.614 S1C4T2 Fl. 220 6 formar convicção de que se referem a custos/despesas dedutíveis, necessários à manutenção da fonte produtora de rendimentos, relacionadas na planilha intitulada “Tabela 01 Anexa ao Termo de Constatação e Encerramento de Diligência Fiscal”, fls. 8.475/8.505. 2) Por outro lado, parte da documentação não foi suficiente para comprovar a dedutibilidade dos custos/despesas, pelos seguintes motivos: 2.1) não apresentação da documentação original, sob a alegação de que teria ocorrido alagamento em Macaé, fato não documentado através de registro de ocorrência de sinistro. 2.2) não apresentação de documentação hábil comprovadora, seja porque: não foi apresentado qualquer documento; o documento apresentado é ilegível; documento apresentado é Nota Fiscal em nome de terceiros, ou Nota de Débito, Ordem de Cobrança, Relatório, Recibo, Carta ou outro documento não hábil, desacompanhado da Nota Fiscal; não apresentação de contrato no vernáculo oficial brasileiro. 2.3) Custo/despesa não necessário à manutenção da fonte produtora de rendimentos, tendo por base a legislação tributária e as cláusulas contratuais. 3) Com relação aos contratos apresentados, foi possível classificálos segundo a sua forma, e identificar os critérios adotados para determinar se os custos com embarcações de terceiros são dedutíveis ou não, conforme abaixo: a) Contrato de Afretamento Único => Embarcação: SEAWAY SABIÁ (contrato nº 2050.0036789.07.2) O contrato prevê que as despesas com manutenção, reparo, conservação, etc, da embarcação SEAWAY SABIÁ estão intrinsecamente relacionadas com a produção ou comercialização de bens e serviços, sendo usuais, normais e necessárias à atividade da autuada, sendo comprovada a dedutibilidade. b) Contrato de Prestação de Serviços vinculado a um Contrato de Afretamento de Embarcação. Dos nove contratos apresentados, apenas dois há previsão contratual de que os custos com a embarcação afretada é parcialmente responsabilidade da autuada, a saber: b.1) embarcação POLAR QUEEN e, b.2) embarcação AGERCY HARRIER. Cabe ressaltar que as embarcações POLAR QUEEN e AGERCY HARRIER também participaram do projeto FRADE, para o qual não foi apresentado documentação hábil Fl. 8708DF CARF MF Processo nº 15540.720210/201491 Acórdão n.º 1402003.614 S1C4T2 Fl. 221 7 capaz de comprovar que os custos relacionados com tais embarcações seriam necessários à manutenção de sua fonte produtora de rendimentos. b.3) não restou comprovada a dedutibilidade das despesas com as seguintes embarcações: PERTINÁCIA, TOISA CONQUEROR, ACERGY CONDOR, SKANDI ACERGY, ACERGY DISCOVERY e SEAWAY CONDOR. c) Contrato de afretamento da embarcação TRACER => os custos/despesas são dedutíveis pois há comprovação de que esta embarcação foi afretada pela autuada. 4) Com relação ao Projeto Mexilhão, constatouse que os direitos e obrigações relativos ao afretamento de embarcações estrangeiras não foram cedidos para a autuada, permanecendo sob responsabilidade da ACERGY MS LTD. Sendo assim, os custos relacionados com as embarcações estrangeiras do Projeto Mexilhão são indedutíveis. Ressalta se que a autuada, após regularmente intimada, não esclareceu quais embarcações participaram do Projeto Mexilhão. 5) Com relação ao Projeto Frade, foi apresentado o contrato em língua estrangeira. Após intimação fiscal, a autuada não providenciou a tradução para o vernáculo oficial brasileiro. Tal fato impediu a análise dos custos necessários à manutenção da fonte produtora de rendimentos. 5.1) Uma pequena parte do contrato foi apresentada traduzida para o português. Nela foi identificado que a empresa ACERGY US Inc. firmou o contrato de afretamento das embarcações POLAR QUEEN, ACERGY HARRIER, ACERGY DISCOVERY e REBOCADOR não mencionado. 5.2) Neste caso, a vista dos documentos apresentados, os custos relacionados com tais embarcações não são necessários à autuada para a manutenção da fonte produtora de rendimentos: 6) Em relação aos custos das outras 10 (dez) embarcações estrangeiras, relacionadas abaixo, não há qualquer documento ou contrato que demonstre que tais custos são necessários à manutenção da fonte produtora de rendimentos da autuada: Normand Mermaid Toisa Independent Toisa Invincible Toisa Intreped TS Poderoso AHT Janus Acergy Piper PSV Hebert Tide Fl. 8709DF CARF MF Processo nº 15540.720210/201491 Acórdão n.º 1402003.614 S1C4T2 Fl. 222 8 Polar Bjorn AHT Northern ChaserAHT Beta Tendo por base as premissas acima, a autoridade diligenciadora elaborou planilha intitulada “Tabela 02 Anexa ao Termo de Constatação e Encerramento de Diligência Fiscal – Lançamento com Irregularidades”, fls. 8.506/8.522, onde discrimina, para cada infração apurada – (1) não comprovação de custos e despesas e (2) custos e despesas não necessários – quais valores seria mantida a glosa, indicando um dos fatos relacionados a seguir no campo OBSERVAÇÃO: 1) Contrato em língua inglesa. 2) Ilegível / Ilegível e não necessário. 3) Não necessária. 4) Sem documentação hábil. A autuada teve ciência pessoal em 31/05/2017, com prazo de 30 (trinta) dias para, caso entendesse necessário, se manifestar acerca do resultado da diligência, porém se manteve inerte. Após o retorno dos autos para a DRJ, foi proferido v. acórdão afastando a nulidade por vício de fundamentação na descrição do fato alegada sobre a infração III 2.3, relativa a glosa de custos de despesas não comprovadas como necessários e reconhecendo parcialmente a comprovação de parte das despesas glosadas de forma pouco diferente do que foi constatado na diligência. A Recorrente, por sua vez, inconformada com o v. acórdão interpôs Recurso Voluntário contestando as razões de decidir da DRJ e acostou aos autos mais documentos para comprovar as deduções glosadas. Os documentos são notas fiscais de prestação de serviços e de combustível/lubrificante, cópias de duplicatas referentes da serviços de fabricação e montagem, duplicatas de alugueis de tensores, recibos relativos a diversas atividades, cópia de v. acórdão que a Recorrente entende que tratou de caso muito parecido com a presente autuação. É o relatório. Voto Vencido Fl. 8710DF CARF MF Processo nº 15540.720210/201491 Acórdão n.º 1402003.614 S1C4T2 Fl. 223 9 Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Recurso Voluntário: O Recurso é tempestivo e preenche todos os requisitos previstos na legislação pertinente, motivo pelo qual, o admito. O v. acórdão manteve parcialmente a glosa das despesas/custos, por entender que: 1 os documentos estariam em língua estrangeira, 2 por serem ilegíveis, 3 que os documentos indicariam que os custos/despesas não são necessárias a atividade da Recorrente e 4 não seriam documentos hábeis a comprovar os referidos custos/despesas. Tanto a autuação, como a fundamentação legal do v. acórdão para manter a glosa das despesas, foram pautadas pela análise de as despesas operacionais serem ou não necessárias a atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora, nos termos do artigo 47 da Lei nº 4.506/64, base legal do artigo 299 do RIR/99. O v. acórdão admitiu como custo ou despesas operacionais dedutíveis na determinação do lucro real, os gastos com reparos e conservação de bens e instalações destinados tãosomente a mantêlos em condições eficientes de operações, e que não resultem em aumento da vida útil do bem prevista no ato de aquisição, sendo que somente foram permitidas despesas com reparos e conservação de bens móveis e imóveis quando estes forem intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços, por força do artigo 13 da Lei nº 9.249/1995. No presente lançamento, as despesas e custos foram glosados por serem indedutíveis, seja pela falta de sua comprovação (Infrações III.1.1.1, III.1.1.2, III.1.1.3, III.1.2.1, III.1.2.2 e III.1.2.3), ou por serem desnecessárias (Infração III.2.3). Cumpre registrar que a autuada é uma prestadora de serviços, que possui vários contratos com a Petrobrás. Em regra, são firmados dois contratos vinculados com a Petrobrás, um de prestação de serviços e outro de afretamento. A autuada figura como contratada no contrato de prestação de serviços, e é com base em suas cláusulas que as despesas/custos foram considerados necessários ou não para obtenção de sua receita. Assim, após a diligência para análise da documentação apresentada juntamente com a impugnação, a autoridade diligenciadora e a DRJ, tendo por base a legislação tributária já citada, mantiveram o entendimento da indedutibilidade de parte das despesas/custos, elencando os seguintes principais motivos: 1) Contrato em língua inglesa. 2) Ilegível / Ilegível e não necessário. 3) Não necessária. 4) Sem documentação hábil. Em relação aos documentos (contratos) em língua estrangeira, entendo que o v. acórdão deve ser mantido. Fl. 8711DF CARF MF Processo nº 15540.720210/201491 Acórdão n.º 1402003.614 S1C4T2 Fl. 224 10 Para estas despesas não comprovadas devido aos documentos estarem em língua inglesa (contratos), o v. acórdão acatou totalmente a resposta da diligência. Como a Recorrente não apresentou outros documentos em língua nacional para comprovar a dedutibilidade das despesas/custos, não resta alternativa senão manter a glosa em relação a estas despesas. Desta forma, entendo que nesta parte a decisão "a quo" deve ser mantida e utilizo os mesmos fundamentos para motivar meu voto. 1) Contrato em língua estrangeira Para fins de justificar as despesas, a autuada apresentou contratos firmados com empresas no exterior em língua estrangeira. Como bem ressaltado no relatório fiscal, os custos necessários, para obtenção da receita de prestação de serviços, são aqueles previstos nos contratos, seja no prestação de serviços, seja no contrato de afretamento que foi cedido à autuada. Assim, a apresentação dos contratos no vernáculo oficial brasileiro é indispensável como prova da dedutibilidade das despesas, além de ser obrigatória nos termos da legislação tributária. De fato, acerca da falta de tradução dos documentos, a Coordenação Geral de Tributação – COSIT, se manifestou por meio das Soluções de Consulta Interna COSIT n.º 21, de 20/07/2004, e n.º 33, de 21/10/2004. Na primeira SCI, a COSIT afirmou que “Para ter validade no processo administrativo fiscal, a prova obtida no exterior, em idioma estrangeiro, deve ser traduzida para o português por tradutor juramentado, seja ela produzida pelo sujeito passivo ou por agente da administração tributária”. Já na segunda SCI o entendimento foi relativizado: com base na idéia de que o destinatário da prova é o julgador e de que os fatos coletados na ação fiscal podem estar evidenciados por outros elementos de prova além dos documentos estrangeiros, afirmou a COSIT que a tradução juramentada não é condição indispensável, dado que o julgador pode, se entender necessário, demandar pela tradução posteriormente, por meio de diligência. No presente caso, constatase que todas as despesa glosadas pela apresentação do contrato em língua inglesa se referem ao Projeto Frade. Como já dito anteriormente, mesmo intimada, a autuada não providenciou a tradução para o vernáculo oficial brasileiro, o que impede a análise dos custos necessários à manutenção da fonte produtora de rendimentos. Além disso, ainda que cientificada do resultado da diligência, e que a falta de tradução dos contratos seria motivo para a manutenção glosa das despesas, a autuada não se manifestou. Fl. 8712DF CARF MF Processo nº 15540.720210/201491 Acórdão n.º 1402003.614 S1C4T2 Fl. 225 11 Logo, esta autoridade julgadora acata na totalidade o entendimento da autoridade diligenciadora, mantendo a glosa das despesas, conforme demonstrativo a seguir: Em relação aos documentos ilegíveis, acompanho o que foi decidido no v. acórdão recorrido que considerou comprovadas algumas despesas que não foram consideradas na resposta da diligência (fls. 8540 pagina 14 do v. acórdão), pois verificou que não existe obstáculos para leitura de alguns documentos que tinham sido juntados com a impugnação. Assim, acompanho o entendimento do v. acórdão que entendeu que as despesas atendem aos requisitos de dedutibilidade (fls.8540 pagina 14 do v. acórdão), devendo ser excluídas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Em relação as despesas não necessárias, vejamos. Em relação a este ponto, a Recorrente se apega à uma decisão proferida por esta C. Turma, com outra composição, onde restou vencedor o entendimento de que como a Fiscalização não cotejou adequadamente as cláusulas dos contratos firmados entre a Petrobrás, a empresa estrangeira contratada e a empresa nacional, não conseguindo indicar precisamente de quem é a responsabilidade do custo de manutenção das embarcações e, por tal motivo, entende que a glosa das despesas deve ser cancelada. Alega também que como nos contratos estão previstas cláusulas prevendo a responsabilidade solidária da Recorrente com a empresa estrangeira proprietárias das embarcações, entende que tem direito de deduzir os custos e gastos incorridos na manutenção das embarcações. Tais alegações da Recorrente não devem ser acolhidas, eis que conforme muito bem apontado no v. acórdão e no parecer da diligência, a manutenção da glosa foi em decorrência de: 1 não ter sido encontrado nos documentos apresentados pela Recorrente a indicação da embarcação relacionada a despesas/custos, 2 não este devidamente demonstrado a finalidade dos serviços e o local da prestação do serviço que ensejou determinado custo, 3 alguns contratos estavam em língua estrangeira; sendo motivos alheios e fora dos limites concernentes a responsabilidade solidária prevista em contrato. Ademais, tanto o Relatório de Diligência, como o v. acórdão da DRJ analisaram profundamente as cláusulas contratuais observando quais despesas eram vinculadas a atividade operacional da Recorrente ou não. Sendo assim, entendo que a glosa deve ser mantida, eis que não restaram devidamente comprovados outras informações necessárias (não dizem respeito a responsabilidade solidária prevista em contrato) que se relacionem aos custos. De resto, aproveito os fundamentos do v. acórdão recorrido para motivar meu voto. 3) Despesa não necessária. Fl. 8713DF CARF MF Processo nº 15540.720210/201491 Acórdão n.º 1402003.614 S1C4T2 Fl. 226 12 A autoridade diligenciadora, após análise detalhada dos documentos apresentados, concluiu por manter a glosa dos seguintes valores por serem despesas não necessárias. Além das justificativas apresentadas pela autoridade diligenciadora (coluna Observação Fiscal), é importante recordar que: 1) O contrato único de prestação de serviços e afretamento da embarcação SEAWAY SABIÁ comprova a dedutibilidade das despesas a ele vinculadas. 2) O contrato de afretamento da embarcação TRACER comprova a dedutibilidade das despesas a ele vinculadas. 3) Os contratos de afretamento das embarcações POLAR QUEEN E AGERCY HARRIER comprovam a dedutibilidade das despesas, EXCETO se relacionados ao projeto FRADE, que foi apresentado em língua estrangeira. 4) As despesas com as embarcações estrangeiras afretadas no âmbito do projeto MEXILHÃO não são de responsabilidade da autuada, sendo indedutíveis. A autuada também não esclareceu quais embarcações participaram do citado projeto. 5) Quanto ao projeto FRADE, o contrato foi apresentado em língua estrangeira, não sendo possível determinar a dedutibilidade ou não de suas despesas. 6) Considerando os contratos apresentados, as despesas com as seguintes embarcações não são necessárias: PERTINÁCIA, TOISA CONQUEROR, ACERGY CONDOR, SKANDI ACERGY, ACERGY DISCOVERY e SEAWAY CONDOR. Portanto, esta autoridade julgadora, concordando na totalidade com o resultado da diligência, vota pela manutenção da glosa das despesas cuja necessidade não foi comprovada, conforme planilhas a seguir: [...] fls. 8542/8544. Desta forma, nesta parte, assim como no v. acórdão recorrido, acolho o parecer da diligência que fez o devido cotejo da documentação e considerou não necessárias tais despesas indicadas às fls. 8542/8544. Das despesas não comprovadas por documentos hábeis. Em relação as despesas não comprovadas por documentos hábeis, o v. acórdão entendeu que as três notas fiscais listadas na fl. 18 do v. acórdão, que tinham sido juntadas na impugnação, comprovaram a dedutibilidade das despesas. Em relação ao restante dos documentos apresentados, tanto a dilgência, como o v. acórdão recorrido entenderam que a Recorrente apresentou documentos que não são hábeis para comprovar tais despesas, como nota fiscal em nome de terceiro, Nota de Débito, Ordem de compra, Relatórios, Recibos, Cartas, mas todos desacompanhados de Nota Fiscal, Fl. 8714DF CARF MF Processo nº 15540.720210/201491 Acórdão n.º 1402003.614 S1C4T2 Fl. 227 13 acompanhando a decisão recorrida o parecer da diligência no sentido de que não foi possível comprovar as despesas, eis que não foi apresentada documentação hábil. Pois bem. Após analise da documentação deste tópico, ouso divergir do entendimento do v. acórdão apenas em relação as despesas comprovadas por meio de Ordens de Compras, Nota de Débito e Recibos, eis que se analisados juntamente com os contratos de afretamento de embarcações, entendo que a respectiva despesa esta devidamente comprovada. Ou seja, entendo que no presente caso, além da nota fiscal, existem ouros meios de provas admitidas em direito passíveis de comprovar o direito a deduzir a despesa. Sendo assim, em relação as despesas listadas às fls. 19/22 do v. acórdão recorrido que foram albergadas por meio de Ordem de Compras, Notas de Débitos e Recibos, analisadas juntamente com os contratos, entendo que restaram comprovadas, devendo esta parte do lançamento ser afastado. Em relação ao restante das glosas tratadas neste tópico, entendo que devido a falta de prova por meio de documentação hábil, não resta alternativa senão manter esta parte o v. acórdão Recorrido. Quanto as glosas mantidas no entendimento da DRJ: Em relação a este ponto, entendo que o v. acórdão recorrido deve ser mantido, eis que os contratos e documentação apresentada pela Recorrente não indicam o projeto e utilização do material que foi utilizado na embarcação, ou os documentos apontam que a despesa é relativa ao anocalendário distinto ao do período a glosa deste auto de Infração. Desta forma, em relação a este tópico, voto por manter a glosa das despesas indicadas às fls. 23/24 do v. acórdão. Parte dispositiva do Recurso Voluntário: Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso Voluntário e dou parcial provimento para afastar a glosa de despesas indicadas às fls. 19/22 do v. acórdão, relativas ao tópico "4 Despesas sem comprovação por documento hábil" que foram comprovadas por meio de Ordem de Compra, Nota de Débito e Recibos. Recurso de Ofício: Tendo em vista que a matéria deste processo trata estritamente de provas e como a Recorrida conseguiu comprovar por meio de documentos hábeis a dedução das despesas, entendo que o que foi cancelado pelo v, acórdão deve ser mantido. Pelo exposto e por tudo que consta nos autos, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício. Fl. 8715DF CARF MF Processo nº 15540.720210/201491 Acórdão n.º 1402003.614 S1C4T2 Fl. 228 14 (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Voto Vencedor Conselheira Edeli Pereira Bessa Redatora designada A maioria do Colegiado discordou do acolhimento parcial do recurso voluntário expresso pelo Relator, por entender que não poderia ser admitida a comprovação das despesas por meio de Ordens de Compras e Recibos. Importa historiar, inicialmente, que, examinando as provas apresentadas durante o procedimento fiscal relativamente à efetividade e necessidade das despesas questionadas, além de identificar custos/despesas considerados não necessários (III.2.3), e afirmar a falta de comprovação de custos/despesas que geraram créditos de PIS e COFINS (itens III.1.1.1 e III.1.2.1), bem como a falta de prova da recuperação de custos/despesas de terceiros (III.1.1.2 e III.1.2.2), a autoridade lançadora reportou nos itens III.1.1.3 (2009) e III.1.2.3 (2010) a identificação de custos e despesas para os quais a autuada não apresentou esclarecimentos ou documentação comprovadora dos custos/despesas selecionados na escrituração, nos montantes de R$ 6.231.666,63 (2009) e R$ 5.355.292,72 (2010). Foram apresentados novos elementos em impugnação, motivando a conversão do julgamento de 1ª instância em diligência, na qual se constatou, relativamente à glosa de custos/despesas não comprovados, que: 1) Após examinar toda documentação juntada ao presente processo, ficou constatado que, a juízo da autoridade diligenciadora, parte da documentação fiscal permitiu formar convicção de que se referem a custos/despesas dedutíveis, necessários à manutenção da fonte produtora de rendimentos, relacionadas na planilha intitulada “Tabela 01 Anexa ao Termo de Constatação e Encerramento de Diligência Fiscal”, fls. 8.475/8.505. 2) Por outro lado, parte da documentação não foi suficiente para comprovar a dedutibilidade dos custos/despesas, pelos seguintes motivos: 2.1) não apresentação da documentação original, sob a alegação de que teria ocorrido alagamento em Macaé, fato não documentado através de registro de ocorrência de sinistro. 2.2) não apresentação de documentação hábil comprovadora, seja porque: o não foi apresentado qualquer documento; o o documento apresentado é ilegível; Fl. 8716DF CARF MF Processo nº 15540.720210/201491 Acórdão n.º 1402003.614 S1C4T2 Fl. 229 15 o documento apresentado é Nota Fiscal em nome de terceiros, ou Nota de Débito, Ordem de Cobrança, Relatório, Recibo, Carta ou outro documento não hábil, desacompanhado da Nota Fiscal; o não apresentação de contrato no vernáculo oficial brasileiro. [...] Tendo por base as premissas acima, a autoridade diligenciadora elaborou planilha intitulada “Tabela 02 Anexa ao Termo de Constatação e Encerramento de Diligência Fiscal – Lançamento com Irregularidades”, fls. 8.506/8.522, onde discrimina, para cada infração apurada – (1) não comprovação de custos e despesas e (2) custos e despesas não necessários – quais valores seria mantida a glosa, indicando um dos fatos relacionados a seguir no campo OBSERVAÇÃO: 1) Contrato em língua inglesa. 2) Ilegível / Ilegível e não necessário. 3) Não necessária. 4) Sem documentação hábil. A autoridade julgadora de 1ª instância acolheu parcialmente as conclusões da autoridade fiscal encarregada da diligência, afastando as glosas referentes aos itens 30, 44 e 89 do Anexo 2, por entendêlos comprovados por meio de notas fiscais, e manteve as demais glosas relacionadas a partir da página 19 da decisão recorrida. Observase, ainda, que complementando a análise documental realizada na diligência, a autoridade julgadora de 1ª instância identificou outras glosas que deveriam ser mantidas, dentre outros motivos, em razão da falta de apresentação de documentação hábil, conforme indicado nos quadros a partir da página 23 da decisão recorrida. Ao final da decisão recorrida, a autoridade julgadora assim totaliza as glosas mantidas por falta de documentação hábil: INFRAÇÃO 2009 Subtotal III 1 1 1 3.248.130,71 Subtotal III 1 1 2 341.897,79 Subtotal III 1 1 3 2.807.625,60 Subtotal III 2 3 1.228.317,24 TOTAL 7.625.971,34 INFRAÇÃO 2010 Subtotal III 1 2 1 943.571,90 Subtotal III 1 2 2 2.113.938,01 Subtotal III 1 2 3 1.598.719,17 Subtotal III 2 3 1.240.181,78 Fl. 8717DF CARF MF Processo nº 15540.720210/201491 Acórdão n.º 1402003.614 S1C4T2 Fl. 230 16 TOTAL 5.896.410,86 A recorrente assevera que as ordens de compra são meios válidos e legítimos de comprovar o seu direito, devendo ser considerado por V.Sas., em virtude do princípio da busca da verdade material, e cita exemplificativamente os documentos apresentados relativamente às Notas Fiscais nºs 2593, 734, 805, 110711091108, 465, 115, 2774, 24062, 73, 339, 4/2010 e 5/2010 indicadas nas tabelas acima destacadas, as quais a Recorrente apresenta mais uma vez nesses autos (doc. 6). O exame destes documentos, porém, apenas confirma a sua insuficiência como meios comprobatórios. Vejase o primeiro conjunto de documentos apresentados às fls. 8649/8651, vinculados ao item 19, escriturado sob a Nota Fiscal nº 73, de HYDRATIGHT EQUIP, no valor de R$ 10.860,00, mas que correspondem a ordens de compra e se traduzem em documentos de emissão da própria interessada, sem qualquer assinatura e sem referência, sequer, a reconhecimento de crédito pelo contratado. No mesmo sentido são os documentos de fls. 8652/8656), que se reportam aos fornecedores Atlam OffShore Ltda (R$ 26.105,46) e MM Serv. Ind. Com. de Equipamentos Ltda (R$ 37.870,75), muito embora as despesas estejam indicadas nos itens 54 e 45, como vinculadas às Notas Fiscais nº 24062 e 339, respectivamente. Já às fls. 8660/8664 constam as notas de débito nº 004/2010 e 005/2010 emitidas por Aquarius Agência Marítima e que reportam despesas por ela incorridas, mas atribuídas à autuada, a qual emite ordens de compra no mesmo valor, e assim escritura a despesa sem qualquer vinculação a nota fiscal (itens 13 e 14, nos valores de R$ 7.133,24 e 4.868,00). Ainda que a nota de débito 005/2010 esteja acompanhada de recibos de pescadores artesanais que teriam sido reembolsados por sinistros ocorridos, sem qualquer citação à interessada, a informalidade de tais evidências não permite admitir as despesas como comprovadas. Ressaltese que, consoante exposto pela autoridade lançadora na acusação original, custos/despesas da empresa prestadora dos serviços (fiscalizado) e da empresa afretadora da embarcação (armadora) são semelhantes, tornandose necessário verificar a documentação comprovadora de custo/despesa de modo a aferir se a mesma possui elementos de convicção suficientes para caracterizar que tratase de custo/despesa relacionado com o contrato de prestação de serviços (necessário à atividade da empresa e da manutenção da fonte produtora) ou com o contrato de afretamento de embarcação (neste caso indedutível para o contribuinte). Destaquese que as glosas alcançam despesas de valores significativos: R$ 650.267,33 (item 2), R$ 597.370,95 (item 21), R$ 600.956,77 (item 27), R$ 200.401,62 (item 28), R$ 215.094,00 (item 29), R$ 372.803,21 (item 58), R$ 320.403,03 (item 26), R$ 286.755,00 (item 50), R$ 578.093,02 (item 19), R$ 904.379,34 (item 52), R$ 509.461,00 (item 53), R$ 607.717,60 (item 67) e R$ 578.072,40 (item 36), algumas delas sequer sem referência a nota fiscal no momento da escrituração. Observese, ainda, a existência de despesas de menor valor, mas registradas em vários meses em favor de um mesmo fornecedor (Harrier/Condor), também sem referência a nota fiscal no momento da escrituração (itens 50 a 58, 89 a 97). Indispensável, também por este contexto, a apresentação de notas fiscais reconhecendo a prestação dos serviços ou o fornecimento de mercadorias. Acrescentese que tais circunstâncias em nada se assemelham à jurisprudência trazida pela recorrente, e que reportam a comprovação de despesas médicas incorridas por pessoa física, retratada em recibos idôneos e esclarecimentos acerca da Fl. 8718DF CARF MF Processo nº 15540.720210/201491 Acórdão n.º 1402003.614 S1C4T2 Fl. 231 17 efetividade dos serviços prestados, bem como de despesas de atividade rural incorridas por pessoa física, evidenciada por meio de nota fiscal sem a identificação do comprador, mas cuja efetividade é provada por outros meios. O mesmo se diga em relação à prova de crédito de IPI por meio da escrituração da nota fiscal de entrada no Livro Registro de Controle de Produção e do Estoque, ou no Livro de Registro de Entradas. Nenhum dos casos citados reflete a complexidade semelhante à decorrente das atividades exercidas pela autuada, nem cogitam de sua repercussão específica no conteúdo informativo dos documentos necessários para comprovação de custos ou despesas escriturados. Estas as razões, portanto, para manter a decisão de 1ª instância na parte em que exigiu a apresentação de notas fiscais, e rejeitou a comprovação por meio de documentos não hábeis, como Nota Fiscal em nome de terceiros, Nota de débito, Ordem de Compra, Relatório, Recibo, Carta, mas todos desacompanhados da Nota Fiscal. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Redatora designada. Fl. 8719DF CARF MF
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