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Numero do processo: 13830.720776/2012-61
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2007 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - RECURSO INTEMPESTIVO
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2403-002.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em decorrência da sua intempestividade.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto e o Conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Não se toma conhecimento de recurso intempestivo Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em decorrência da sua intempestividade. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto e o Conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 07 76 /2 01 2- 61 Fl. 332DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente – PREFEITURA MUNICIPAL DE FLORINEA contra Acórdão nº 1440.106 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto SP, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigações principais AIOP nº 37.307.6428 e AIOP nº 37.307.6436. Conforme o Relatório da decisão de primeira instância: i) AIOP/DEBCAD nº 37.307.6428: Constitutivo de contribuições destinadas à Seguridade Social, quota correspondente à parcela patronal, decorrente de glosas de compensações efetuadas pelo contribuinte por estarem em desacordo com a legislação de regência, importando em crédito na monta de R$ 356.859,83 (Trezentos e cinqüenta e seis mil, oitocentos e cinqüenta e nova reais e oitenta e três centavos), valor consolidado em 22/03/2012 composto pelo valor atualizado das contribuições suprimidas e devidas, corrigido pelos juros e pela multa de mora ii) AIOP/DEBCAD nº 37.307.6436: Constitutivo de contribuições destinadas à Seguridade Social, quota correspondente à parcela patronal, decorrente de glosas de compensações efetuadas pelo contribuinte por estarem em desacordo com a legislação de regência, importando em crédito na monta de R$ 147.870,65 (Cento e quarenta e sete mil, oitocentos e setenta reais e sessenta e cinco centavos), valor consolidado em 22/03/2012 composto pelo valor atualizado das contribuições suprimidas e devidas, corrigido pelos juros e pela multa de mora; Em relação ao lançamento fiscal, informa o Relatório da decisão de primeira instância: De acordo com o relato fiscal, o contribuinte realizou compensações em suas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIPs sobre os recolhimentos decorrentes de pagamentos efetuados aos detentores de mandatos eletivos na vigência da Lei nº 9.506/97 (01 de fevereiro de 1998 a 18 de setembro de 2004), “... cujos créditos estão sob discussão judicial, com suspensão da exigibilidade, estando o sujeito passivo amparado somente por sentença favorável de primeira instância (...), restando pendente de julgamento o recurso do apelante, e portanto,ainda sem transito em julgado”. No entanto, a fiscalização detectou desconformidades com as normas específicas que autorizam a compensação, de sorte que constituiu nos mencionados autos as contribuições suprimidas (quota patronal) pelas glosas das compensações efetuadas com Fl. 333DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13830.720776/201261 Acórdão n.º 2403002.407 S2C4T3 Fl. 333 3 incorreções, sendo o primeiro Auto atinente às compensações da contribuição patronal e o segundo das compensações das contribuições dos segurados. Tais lançamentos estão constituídos em levantamentos distintos (papéis de trabalho) de maneira a contemplar o sujeito passivo com a penalidade mais favorável, em homenagem ao art. 106, II, ‘c’ do CTN e em atenção à mudança havida no ordenamento jurídico introduzida pela MP 449/2008. As desconformidades encontradas dãonos conta de que: i) o contribuinte não providenciou a prévia e integral retificação das GFIPs nas quais as remunerações dos agentes eletivos foram inicialmente informadas; ii) os valores pleiteados encontravam se parcialmente prescritos, considerandose o prazo de cinco anos a contar do pagamento indevido: tendo em vista o início das compensações na competência 08/2007 (vencimento da GPS em 10/09/2007) estariam prescritos todos os créditos decorrentes de recolhimentos indevidos promovidos até 08/2002. Conclui o relato fiscal dizendo que qualquer outro prazo prescricional diferente desse somente poderá ser utilizado após o transito em julgado de decisão judicial que lhe reconhecesse tal direito. Nesse compasso, o lançamento foi efetuado para prevenir a decadência, uma vez que o contribuinte possui ação judicial Processo Judicial nº 2007.61.08.0042693 – protocolizado em 10/05/2007 junto à Justiça Federal de Bauru (SP), amparado por sentença favorável de primeira instância, restando pendente de julgamento o recurso do apelante, portanto, sem transito em julgado, conforme já dito. A ciência do AIOP ocorreu em 28.03.2012, conforme Aviso de Recebimento AR às fls. 200. O período objeto do AIOP, conforme o Relatório Fiscal, é de 08/2007 a 12/2007. A Recorrente apresentou impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: O contribuinte apresentou impugnação na qual contesta o lançamento fiscal estribado nos seguintes argumentos, em síntese: i) Preliminarmente, afirma a existência de processo judicial tratando da matéria de maneira a suspender o eventual crédito tributário; ii) No mérito, argüi a inconstitucionalidade da contribuição em testilha, reconhecido pelo STF e cuja norma foi retirada do ordenamento jurídico por Resolução do Senado Federal, sendo pacífico o seu direito à compensação dos valores recolhidos; iii) Acresce que os Municípios são as pessoas jurídicas de direito interno aptas para o exercício desses direitos, tanto dos tributos recolhidos pelas Prefeituras quanto pelas Câmaras Municipais; Fl. 334DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 iv) Reafirma a inconstitucionalidade do dispositivo que sustentou as contribuições, reconhecida inclusive administrativamente – cita o Ato Declaratório do Executivo nº 60/2005, a Portaria nº 133 e a Instrução Normativa nº 15, ambas de 2006. Novamente, entende que a responsabilidade encontrase delegada ao ente federativo –Município – para proceder às compensações dos recolhimentos havidos tanto na Prefeitura quanto na Câmara Municipal. v) Ataca a limitação percentual imposta pela Lei nº 9.129/95 de 30% sobre os recolhimentos de cada competência e quaisquer outras exigências que não sejam os de créditos resultantes de pagamentos indevidos ou a maior e que tais pagamentos tenham sido efetuados a títulos de tributos da mesma espécie; entende que “ ... o direito à compensação em tela está legalmente estabelecido sem condicionamento nenhum, pode pois, o contribuinte exercitálo, sejam quais forem as datas de apuração dos créditos e independente do pedido à autoridade administrativa ...”. vi) Defende o prazo prescricional decenal conforme jurisprudência dominante do STF (tese dos 5 + 5) para o contribuinte efetuar a compensação ou repetir o indébito, mesmo após a LC nº 118/05 que alterou o art. 168 do CTN. vii) Defende que sejam adicionados ao crédito todos os acréscimos legais permitidos. viii) Afirma que a IN nº 15/06 extrapolou de sua competência criando exigências e restrições que a Lei não comporta, que deverão ser ignoradas. ix) Acrescenta que os valores descontados dos segurados têm natureza alimentar, de maneira que a não devolução dos valores recolhidos implica em enriquecimento ilícito, devendo o Município efetuar a compensação e devolução desses valores aos ocupantes de cargos eletivos. No mesmo sentido, análise a responsabilidade do servidor público para afirmar ferida a moralidade administrativa caso o ente federativo se abstenha ou procrastine a referida compensação, prejudicando os requerentes (exercentes de mandatos eletivos). x) Diz que os créditos foram apurados com base em relação de salários e recolhimentos fornecidos pela Câmara Municipal que foram atualizados de acordo com os critérios adotados pelo INSS, conforme pasta I – Dos Cálculos; já as leis que regem a matéria foram colacionadas na pasta II – Da fundamentação jurídica, bem como a documentação exigida pela IN nº 15 compõe a Pasta III. xi) Argumenta com a ocorrência da denúncia espontânea – hipótese prevista no art. 138 do CTN – de maneira a não incidir a multa de mora e os juros no crédito constituído. xii) Os valores atinentes a diferenças no recolhimento do RAT, temse que a Câmara Municipal não poderá ser considerada como de risco médio, uma vez que não tem nenhuma atividade no quadro de funcionários que assim o justifique; também, foi Fl. 335DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13830.720776/201261 Acórdão n.º 2403002.407 S2C4T3 Fl. 334 5 cobrado integralmente da Câmara, quando o deveria ser do Município. xiii) Alega inconstitucional a taxa SELIC, fato que determina a iliquidez do crédito. xiv) Afirma confiscatória a multa impingida, sendo a negação da gradação da penalidade, do princípio da razoabilidade e da proporcionalidade. Posto nesses argumentos, requer a nulidade do lançamento e a improcedência do Auto de infração. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1440.106 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto SP, Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2007 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. A compensação, na legislação tributária e previdenciária, é procedimento facultativo pelo qual o sujeito passivo pode se ressarcir de valores recolhidos indevidamente deduzindoos das contribuições devidas à Previdência Social, reservandose ao sujeito ativo o direito de conferir e homologar ou glosar e lançar os valores indevidamente compensados. Corresponde à hipótese de compensação indevida aquela formulada em desacordo com as normas que disciplinam a matéria. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. O prazo para o contribuinte pleitear a restituição ou compensar se do tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos contado da data da extinção do crédito tributário. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente ao lançamento com o mesmo objeto de demanda administrativa, importa em renúncia ou desistência de eventual recurso interposto em via administrativa. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 Quando diferentes os objetos do processo judicial do processo administrativo este último terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao julgador administrativo afastar a aplicação de norma vigente sob a alegação de inconstitucionalidades. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros da 7ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar IMPROCEDENTE a impugnação apresentada e manter integralmente os lançamentos aqui constituídos, conforme relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Cientifiquese o Contribuinte do teor do presente Acórdão, nos termos da legislação vigente. Sala de Sessões, em 30 de janeiro de 2013. O Prefeito do Município de Florínea (Dr. Rodrigo Siqueira da Silva) foi cientificado pessoalmente em 28.02.2013 do Acórdão nº 1440.106 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto SP conforme a Intimação nº 015/2013, às fls. 314. Foi lavrado em 03.04.2013 Termo de Perempção, às fls. 317: PROCESSO: 13830.720.776/201261 INTERESSADO: FLORÍNEA PREFEITURA CNPJ: 44.493.575/000169 TERMO DE PEREMPÇÃO Transcorrido o prazo regulamentar de 30(trinta) dias previsto no art. 33, do Decreto nº 70.235/72 e não tendo o interessado apresentado recurso voluntário à instância superior contra a decisão da autoridade de primeira instância, lavrase este Termo de Perempção na forma da legislação vigente. Esgotado o prazo da cobrança amigável sem que tenha sido cumprida a exigência fiscal, o processo será encaminhado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional para cobrança executiva, nos termos do § 3º, do art. 21, do Decreto nº 70.235/72. Assis, 03 de abril de 2013. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13830.720776/201261 Acórdão n.º 2403002.407 S2C4T3 Fl. 335 7 Foi interposto Recurso Voluntário, em 23.04.2013, às fls. 318, onde a Recorrente reitera o aduzido em sede de Impugnação e combate a decisão de primeira instância, em apertada síntese: (i) No processo judicial nº 2007.61.08.0042693, que tramita pelo r. Juízo da Justiça federal de Bauru, foi concedida segurança obstando a cobrança dos créditos que são objeto destes autos, e referido processo se encontra em fase recursal perante o Tribunal Regional Federal da 3ª Região. (ii) Da prescrição (iii) Da cobrança da multa e juros (iv) Da cobrança do RAT (v) Da multa confiscatória A Unidade da Receita Federal do Brasil encaminha o Recurso Voluntário ao CARF, observando que o Recurso foi apresentado intempestivamente, conforme o Termo de Perempção lavrado e os registros de intempestividade nos sistemas: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Tendo em vista Recurso Voluntário intempestivo apresentado pelo contribuinte (ciência pessoal às fls.314), propomos, nos termos do art. 35 do Decreto nº 70.235/72, o encaminhamento do presente processo à GEPAF/SECOJ/SECEX/CARF/MF/DF em Receber Processo/Triagem/Complementação para apreciação e prosseguimento. DATA DE EMISSÃO : 23/04/2013 É o Relatório. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Na verificação dos requisitos de admissibilidade, devese analisar a tempestividade do Recurso Voluntário. A ciência do AIOP ocorreu em 28.03.2012, conforme Aviso de Recebimento AR às fls. 200. O período objeto do AIOP, conforme o Relatório Fiscal, é de 08/2007 a 12/2007. A Recorrente apresentou impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1440.106 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto SP, O Prefeito do Município de Florínea (Dr. Rodrigo Siqueira da Silva) foi cientificado pessoalmente em 28.02.2013 do Acórdão nº 1440.106 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto SP conforme a Intimação nº 015/2013, às fls. 314, Foi lavrado em 03.04.2013 Termo de Perempção, às fls. 317: PROCESSO: 13830.720.776/201261 INTERESSADO: FLORÍNEA PREFEITURA CNPJ: 44.493.575/000169 TERMO DE PEREMPÇÃO Transcorrido o prazo regulamentar de 30(trinta) dias previsto no art. 33, do Decreto nº 70.235/72 e não tendo o interessado apresentado recurso voluntário à instância superior contra a decisão da autoridade de primeira instância, lavrase este Termo de Perempção na forma da legislação vigente. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13830.720776/201261 Acórdão n.º 2403002.407 S2C4T3 Fl. 336 9 Esgotado o prazo da cobrança amigável sem que tenha sido cumprida a exigência fiscal, o processo será encaminhado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional para cobrança executiva, nos termos do § 3º, do art. 21, do Decreto nº 70.235/72. Assis, 03 de abril de 2013. Foi interposto Recurso Voluntário, em 23.04.2013, às fls. 318, onde a Recorrente reitera o aduzido em sede de Impugnação e combate a decisão de primeira instância. A Unidade da Receita Federal do Brasil encaminha o Recurso Voluntário ao CARF, observando que o Recurso foi apresentado intempestivamente, conforme o Termo de Perempção lavrado e os registros de intempestividade nos sistemas: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Tendo em vista Recurso Voluntário intempestivo apresentado pelo contribuinte (ciência pessoal às fls.314), propomos, nos termos do art. 35 do Decreto nº 70.235/72, o encaminhamento do presente processo à GEPAF/SECOJ/SECEX/CARF/MF/DF em Receber Processo/Triagem/Complementação para apreciação e prosseguimento. DATA DE EMISSÃO : 23/04/2013 Deste modo, resta evidenciado que a Recorrente, cientificada do Acórdão nº 1440.106 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto SP em 28.02.2013, interpôs Recurso Voluntário apenas em 23.04.2013, portanto após o prazo de trinta dias estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Assim, o Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente foi intempestivo e, dessa forma, não foi cumprido requisito de admissibilidade o que impede o seu conhecimento. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 CONCLUSÃO Voto pelo NÃO CONHECIMENTO do Recurso Voluntário em face de sua intempestividade. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 341DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10215.000112/2006-01
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
PEDIDO DE PARCELAMENTO DO DÉBITO. DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
A existência de pedido de parcelamento implica confissão de dívida e configura renúncia do direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 2802-002.938
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO. A existência de pedido de parcelamento implica confissão de dívida e configura renúncia do direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 00 01 12 /2 00 6- 01 Fl. 194DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Trata o presente processo de Auto de Infração de fl. 75 a 81, exigindo o recolhimento do crédito tributário relativo ao imposto de renda pessoa física, relativamente ao ano calendário de 2001, em face da constatação de rendimentos declarados indevidamente como isentos e não tributáveis auferidos por portador de moléstia grave, por falta de comprovação da isenção. Examinando a impugnação apresentada, a DRJ em Belo Horizonte (MG) julgou procedente em parte o lançamento, proferindo o Acórdão no 0111.370, fls. 86 a 90, reconheceu a isenção pleiteada pelo contribuinte somente em relação ao à aposentadoria recebida Instituto Nacional do Seguro Social, pois o contribuinte não logrou provar que todos os seus rendimentos decorrem de aposentadoria, reforma e pensão. Cientificado do Acórdão de primeira instância, em 23/07/2008 (vide AR de fl. 94), o contribuinte apresentou, em 31/07/2008, tempestivamente, o recurso de fls. 95 a 101, no qual transcreve grande parte da legislação sobre a isenção dos rendimentos recebidos pelos portadores de moléstia grave, alegando, basicamente, que não foi observado o benefício concedido por lei. Por meio da Resolução nº 220200.258, de 10/07/2012, a 2ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, fls. 127 a 130, converteu o julgamento do presente processo em diligência “para que a autoridade preparadora intime o contribuinte a comprovar que os rendimentos recebidos da CAPAF e Superint. do Sist. Penal do Estado, cuja tributação foi mantida pela decisão recorrida, são oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão”. Em atendimento, a DRF em Santarém/PA encaminhou o Termo de Intimação nº 108/2013, datado de 25/07/2013, para o domicílio tributário do contribuinte, intimandoo nos termos solicitados pela citada Resolução, fls. 133. Em resposta, protocolizada em 20/08/2013, fls. fls. 189, o contribuinte informa que os documentos solicitados foram apresentados no início da fiscalização. Informa também que, em pesquisa junto ao sistema da RFB, o processo não foi identificado, fato que, presume o contribuinte, ter sido extinto por pagamento ou em parcelamento, correspondente à Lei nº 11.941. Diante disso, requer “pesquisa de profundidade para localizar o processo e do resultado informar ao peticionário para tomar decisão”. A autoridade preparadora, em despacho proferido às fls. 185/186, informa que: “Os extratos às fls. 141/184 demonstram que o presente processo foi consolidado no Parcelamento da Lei 11.941/09 por meio da prestação de informações necessárias à consolidação do contribuinte em 19 de maio de 2011, no sítio da Receita Federal do Brasil – RFB, nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 2, de 3 de fevereiro de 2011. O contribuinte manifestouse pela inclusão da totalidade dos débitos da PGFN e RFB em 7 de junho de 2010 (fl. 149). Essa Portaria, em seu art. 13, reabriu o prazo para a desistência de impugnação ou de recurso administrativo ou judicial até o último dia útil do mês subsequente à ciência do deferimento da respectiva modalidade de parcelamento ou da conclusão da consolidação de que trata o art. 28 da Portaria Conjunta PGFN/RFB n.º 6, de 22 de julho de 2009. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10215.000112/200601 Acórdão n.º 2802002.938 S2TE02 Fl. 195 3 Essa Portaria também previu, em seu art. 13, § 3º, a possibilidade de a autoridade administrativa dispensar as exigências contidas no caput e no § 3º do art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB n.º 6, de 22 de julho de 2009, quando o sujeito passivo efetuar a seleção do débito na forma do § 1º do art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 2, de 3 de fevereiro de 2011. (...)” É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso voluntário é tempestivo; porém, há que se examinar o preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e na Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com alterações posteriores, que aprovou o Regimento Interno do CARF. Do exame dos elementos que integram os presentes autos constatase que, de acordo com o despacho de fls. 139 e 185, o sistema de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil indica que presente processo está incluído no parcelamento da Lei 11.941, de 2009. Também de acordo com esses mesmos despachos, o contribuinte em 28/11/2009 manifestouse pela inclusão da totalidade de seus débitos existente RFB nessa modalidade de parcelamento. A existência do parcelamento implica confissão de dívida e configura renúncia do direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, consoante estabelecem os §§ 2º e 3º do art. 78, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 196DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 11060.000553/2010-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
IMUNIDADE. SUSPENSÃO. AUTOS DE INFRAÇÃO.
O descumprimento de condição imposta pela lei complementar para o gozo de imunidade legitima a suspensão do benefício fiscal e a lavratura de autos de infração para cobrança dos tributos devidos.
SUPERFATURAMENTO. GLOSA DE DESPESA COM A CONTRATAÇÃO DE EMPRESA TERCEIRIZADA.
Configurada a hipótese de superfaturamento, correta a glosa efetuada pela fiscalização em razão da falta de comprovação dos custos de serviços prestados pelas empresas.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO.
Cabível a exigência da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, afeta às condutas de sonegação, fraude e conluio, quando a conduta dolosa do agente restar comprovada nos autos.
RESPONSABILIDADE SOLIÁRIA. 124 CTN. INTERESSE COMUM NÃO CONFIGURADO.
Interesse comum deve ser entendido como interesse jurídico e se caracteriza pela existência de direitos e deveres iguais entre pessoas que ocupam o mesmo pólo da relação jurídica que consistiu o fato gerador do tributo.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.
As considerações e resultados aplicáveis ao IRPJ aplicam-se aos demais tributos no que for pertinente.
IRRF. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA.
A lei prevê a tributação exclusiva na fonte, à alíquota de 35%, incidente sobre a base reajustada decorrente de todo pagamento efetuado pela pessoa jurídica, quando não for identificado o seu beneficiário, aplicando-se também aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionista ou titular, contabilizado ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa.
Numero da decisão: 1402-001.351
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos recursos apresentados pelos coobrigados. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário da pessoa jurídica. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira que davam provimento parcial para cancelar a autuação do IRRF. Designado o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá Relator
(assinado digitalmente)
Frederico Augusto Gomes de Alencar Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros presentes LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Presidente), FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, LEONARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, CARLOS PELÁ.
Nome do relator: CARLOS PELA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 IMUNIDADE. SUSPENSÃO. AUTOS DE INFRAÇÃO. O descumprimento de condição imposta pela lei complementar para o gozo de imunidade legitima a suspensão do benefício fiscal e a lavratura de autos de infração para cobrança dos tributos devidos. SUPERFATURAMENTO. GLOSA DE DESPESA COM A CONTRATAÇÃO DE EMPRESA TERCEIRIZADA. Configurada a hipótese de superfaturamento, correta a glosa efetuada pela fiscalização em razão da falta de comprovação dos custos de serviços prestados pelas empresas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a exigência da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, afeta às condutas de sonegação, fraude e conluio, quando a conduta dolosa do agente restar comprovada nos autos. RESPONSABILIDADE SOLIÁRIA. 124 CTN. INTERESSE COMUM NÃO CONFIGURADO. Interesse comum deve ser entendido como interesse jurídico e se caracteriza pela existência de direitos e deveres iguais entre pessoas que ocupam o mesmo pólo da relação jurídica que consistiu o fato gerador do tributo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. As considerações e resultados aplicáveis ao IRPJ aplicam-se aos demais tributos no que for pertinente. IRRF. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA. A lei prevê a tributação exclusiva na fonte, à alíquota de 35%, incidente sobre a base reajustada decorrente de todo pagamento efetuado pela pessoa jurídica, quando não for identificado o seu beneficiário, aplicando-se também aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionista ou titular, contabilizado ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 46; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2167; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2.531 1 2.530 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11060.000553/201054 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402001.351 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de abril de 2013 Matéria IRPJ Recorrente FUNDAÇÃO EDUCACIONAL PARA O DESENVOLVIMENTO E APERFEIÇOAMENTO DO ENSINO FUNDAE Recorrida 5ª Turma da DRJ/POA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007 PERÍCIA. DESNECESSIDADE. A perícia é cabível nas situações em que a averiguação de fatos depende de conhecimentos especializados, sendo desnecessária, portanto, quando tais fatos podem ser comprovados documentalmente, mediante a apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 IMUNIDADE. SUSPENSÃO. AUTOS DE INFRAÇÃO. O descumprimento de condição imposta pela lei complementar para o gozo de imunidade legitima a suspensão do benefício fiscal e a lavratura de autos de infração para cobrança dos tributos devidos. SUPERFATURAMENTO. GLOSA DE DESPESA COM A CONTRATAÇÃO DE EMPRESA TERCEIRIZADA. Configurada a hipótese de superfaturamento, correta a glosa efetuada pela fiscalização em razão da falta de comprovação dos custos de serviços prestados pelas empresas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a exigência da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, afeta às condutas de sonegação, fraude e conluio, quando a conduta dolosa do agente restar comprovada nos autos. RESPONSABILIDADE SOLIÁRIA. 124 CTN. INTERESSE COMUM NÃO CONFIGURADO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 05 53 /2 01 0- 54 Fl. 2531DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.532 2 Interesse comum deve ser entendido como interesse jurídico e se caracteriza pela existência de direitos e deveres iguais entre pessoas que ocupam o mesmo pólo da relação jurídica que consistiu o fato gerador do tributo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. As considerações e resultados aplicáveis ao IRPJ aplicamse aos demais tributos no que for pertinente. IRRF. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA. A lei prevê a tributação exclusiva na fonte, à alíquota de 35%, incidente sobre a base reajustada decorrente de todo pagamento efetuado pela pessoa jurídica, quando não for identificado o seu beneficiário, aplicandose também aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionista ou titular, contabilizado ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos recursos apresentados pelos coobrigados. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário da pessoa jurídica. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira que davam provimento parcial para cancelar a autuação do IRRF. Designado o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá – Relator (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros presentes LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Presidente), FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, LEONARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, CARLOS PELÁ. Relatório A contribuinte (FUNDAE) é uma entidade jurídica de direito privado, de apoio às atividades de ensino, pesquisa e extensão da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), tendo apresentado DIPJ’s Exercícios 2006 a 2009 como imune de IRPJ e desobrigada de apuração da CSLL. Fl. 2532DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.533 3 O processo trata de ato declaratório de suspensão de sua imunidade tributária (fls. 953) e da lavratura de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IRRF (fls. 1350/1577), cumulados de juros e multa de ofício agravada (150%), calculados sob a sistemática do Lucro Real trimestral e referentes a fatos geradores dos anoscalendário de 2005 a 2009. Os autos de infração foram acompanhados dos Termos de Sujeição Passiva Solidária em nome das pessoas físicas: Helvio Debus Oliveira Souza, Ipojucan Seffrin Custódio, Rubem Höher e José Antonio Fernandes (fls. 1579/1586). O presente processo administrativo tem suas raízes em trabalho conjunto de investigação promovido pelo Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual, Polícia Federal e Secretaria da Receita Federal do Brasil em operação denominada “Rodin”. Os investigadores constataram diversos ilícitos penais, cíveis e tributários, os quais teriam como modelo e foco central uma fraude envolvendo a autarquia gaúcha Departamento Estadual de Trânsito (DETRAN/RS), a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e duas fundações vinculadas à universidade: a Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência (FATEC, ou Fateciens) e a Fundação Educacional e Cultural para o Desenvolvimento e o Aperfeiçoamento da Educação e da Cultura (FUNDAE). Segundo registrado, o DETRAN/RS contratava as fundações mediante suposta dispensa de licitação amparada pelo art. 24, XIII, da Lei nº. 8666/93 e no artigo 1º da Lei nº. 8958/94. Os fatos ocorridos encontramse pormenorizados no Relatório Fiscal relacionado ao ato declaratório de suspensão de imunidade tributária (fls. 920/952), no Relatório de Fiscalização integrante do Termo de Notificação Fiscal de suspensão do beneficio de imunidade tributária, cientificado a FUNDAE em 16/03/2010 e anexados às fls. 9/104 destes autos e no relatório fiscal relacionado aos autos de infração de fls. 1355/ 1411. Destaco, que em 26/05/2008, a Juíza Federal Simone Barbisna aceitou a denúncia encaminhada em 15/05/2008 pelo MPF, sendo que 40 dos 44 suspeitos se tornaram réus pela prática dos crimes de formação de quadrilha, corrupção passiva, corrupção ativa, falsidade ideológica, extorsão, peculato, desvio e supressão de documento (artigos 288, caput, 317, 333, 299, 158, § 1º, 312, caput e 305, caput do Código Penal), dos crimes de indevida dispensa de licitação e locupletamento em dispensa de licitação (artigos 89, caput e parágrafo único da Lei nº. 8.666/93) e crimes contra a ordem tributária (artigos 1º e 2° da Lei nº. 8.137/90). DA APURAÇÃO FISCAL A partir daqui, por razões de economia processual, adoto o relatório da DRJ que, invocando trechos do relatório da decisão que recebeu a denúncia da operação Rodin, resume de forma suficiente o apurado nas extensas investigações, fiscalizações e impugnações: (...). A fiscalização entendeu que a contratação da Fundae pelo Detran/RS teria ocorrido com burla à legislação (fl. 925): A dispensa de licitação promovida pelo artigo 1º da Lei nº. 8.958/94, nos termos do artigo 24, inciso XIII da Lei nº. 8.666/93, veio no sentido de viabilizar a mobilização mais facilitada de recursos públicos e privados destinados ao fomento e ao financiamento das atividades de pesquisa, ensino e extensão Fl. 2533DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.534 4 junto às universidades, regra que jamais poderia ser interpretada de maneira aberta, de modo a albergar situações fáticas não decorrentes, estritamente, das precípuas modalidades de “ensino, pesquisa e extensão”. Entretanto, através de um ajuste prévio, pessoas com grande influência política (lobistas) conseguiram fazer com que o DETRAN/RS contratasse a FATEC e a FUNDAE para a execução de serviços diversos, cuja realização acabou sendo atribuída a terceiros, aos quais era repassada em torno de 40% da remuneração percebida, uma vez que no preço dos serviços eram embutidos, além do próprio serviço, a “remuneração” dos lobistas, pela obtenção do contrato, bem como a “propina” destinada a corromper funcionários públicos. Segundo documentos juntados ao processo – inclusive a decisão judicial que recebeu denúncia contra diversas pessoas, na ação penal nº. 2007.71.02.0078728, promovida junto à 3ª Vara da Justiça Federal de Santa Maria (fls. 436/449) –, a Fundae subcontratava com terceiros a realização de diversas atividades, a quem repassava expressiva parcela da remuneração recebida, em contrapartida de serviços reputados como pífios, a indicar superfaturamento. Tais repasses beneficiavam os responsáveis pela contratação (titulares ou responsáveis pelos órgãos públicos) e pela subcontratação (integrantes das fundações de apoio), além dos lobistas que conseguiam captar os negócios. Os terceiros subcontratados eram sociedades empresariais, que receberam a alcunha de sistemistas. Destacamse entre eles: 1. Pensant Consultores Ltda.; 2. IGPL – Inteligência Em Gestão Pública Ltda.; 3. Doctus Consultores Ltda.; 4. GCPLAN – Gestão, Capacitação e Planejamento Ltda.; 5. Nachtigall Luz Advogados Associados; 6. S3 Contabilidade Consultoria e Assessoria Ltda.; 7. Casa Editorial Ltda.; 8. Barrionuevo Gestão de Imagem Ltda.; 9. Carlos Rosa Advogados Associados; e 10. Fadel Advogados Associados. A decisão que recebeu a denúncia contém relato conciso e elucidativo a respeito das operações relativas aos contratos de prestação de serviço da Fatec e da Fundae para o Detran/RS (fls. 435/449). Dela se extrai: A presente ação penal, resultado da denominada "Operação Rodin", tem como foco central supostos ilícitos penais Fl. 2534DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.535 5 verificados no âmbito das relações contratuais entabuladas entre a FATEC, e posteriormente a FUNDAE ambas fundações de apoio à UFSM, e o DETRAN/RS, para fins de prestação de serviços relacionados aos exames práticos e teóricos de direção veicular no Estado do Rio Grande do Sul. As condutas ilícitas verificadas giram em torno de uma fraude central, qual seja a da contratação, por órgãos públicos, mediante dispensa de licitação, das Fundações de Apoio vinculadas a Universidade Federal de Santa Maria, supostamente amparada no art. 24, XIII, da Lei 8.666, para a realização de atividades diversas, cuja realização, todavia, é incumbida a terceiros, aos quais se repassa praticamente toda a remuneração percebida (muitas vezes valores expressivos, em contrapartida por serviços pífios, a indicar superfaturamento), repasse este que beneficia financeiramente, de forma direta ou indireta, os próprios responsáveis pela contratação (titulares ou responsáveis pelos órgãos públicos) e subcontratação (integrantes das Fundações de Apoio) e, ainda, lobistas que conseguem obter o contrato. Em outras palavras, ocorre um ajuste prévio, no qual pessoas com grande influência política (lobistas) conseguem obter junto a órgãos públicos, para as Fundações de Apoio, contratos para prestação de determinados serviços. Contratadas, sem licitação, as Fundações subcontratam empresas e pessoas para realização dos serviços, superfaturados, de forma a beneficiar, primeiramente, os próprios lobistas, e, ainda, também os dirigentes do órgão contratador e das fundações. É evidente o mecanismo de burla à regra geral de licitação para as contratações a serem estabelecidas pelo Poder Público, especialmente quando se vê a criação de mecanismos de triangulação do dinheiro público obtido nas relações contratuais em questão de forma a acabar nas mãos dos próprios responsáveis pela mesma. Verificase que o "lobby" se vale do recurso à reputação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), irradiada sobre suas Fundações de Apoio, para obtenção dos contratos públicos, em cujo preço são embutidos, além do valor do próprio serviço, a "remuneração" dos lobistas, pela obtenção do contrato, e, em muitas situações, o superfaturamento, também destinado a corromper funcionários públicos. Notase, por outro lado, que após a contratação das fundações de apoio, e direcionamento da atividade para a subcontratação e empresas privadas, poucas eram as atividades por estas desempenhadas, não obstante absorvessem parcela substancial dos recursos. Há fortes indícios de que ditas empresas destinavam os recursos para a manutenção do esquema criminoso, com pagamento de valores a título de "propina" para servidores públicos estaduais e federais responsáveis pela efetivação e operacionalização do esquema, no âmbito do Fl. 2535DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.536 6 DETRAN/RS e da Universidade Federal de Santa Maria, bem como para o locupletamento ilícito dos demais envolvidos. Registrase, ainda, a grande ingerência das empresas subcontratadas dentro das próprias Fundações de Apoio, revelandose nítida sobreposição de interesses privados sobre o interesse público, chegando mesmo a ditar a forma de sua contratação e os valores de sua remuneração. A partir de tal ilicitude central (crimes contra licitações), diversas outras se irradiam, tangenciando especialmente crimes contra a administração pública e contra o patrimônio. A primeira fase da operação do esquema iniciase, assim, com a contratação, sem licitação, da Fatec para a prestação de serviços ao Detran/RS. Conforme deflui dos autos, até o ano de 2003, o Detran Rio Grande do Sul efetuava seus exames por intermédio da Fundação Getúlio Vargas (FGV), contratada para prestar serviços de "exames práticos e teóricos de direção veicular". Todavia, mesmo na iminência do término do contrato, e dispondo de tempo suficiente para licitar o serviços, a autarquia, na época presidida por Carlos Ubiratan dos Santos, e tendo como diretor administrativofinanceiro Hermínio Gomes Júnior, deixou de efetivar o devido procedimento licitatório. Foi contratada, então, sem licitação (com base no art. 24, IV, da Lei 8.666/93 “casos de emergência ou calamidade pública”), a Fatec (hoje Fateciens), fundação de apoio à UFSM, em cuja administração a Reitoria de tal instituição universitária tinha grande relevo, especialmente por intermédio de seu Reitor, na época Paulo Jorge Sarkis. Obtido o contrato, assume como seu coordenador, na FATEC, Dario de Almeida Trevisan, que desenvolveu o projeto intitulado “Trabalhando pela Vida”, junto à UFSM, que dá suporte ao Projeto Detran. Esgotado o prazo para a contratação emergencial, de 180 dias, foi firmado novo contrato entre o DETRAN e a FATEC, também com dispensa de licitação, desta vez amparada no art. 24, XIII da Lei 8.666, que a possibilita quando em favor de instituição brasileira incumbida regimental e estatutariamente da pesquisa, do ensino, ou do desenvolvimento institucional. Constam nos autos elementos que indicam que, por detrás dessa contratação, estaria desenhada a seguinte situação: 1) A família Fernandes (sob a liderança de José Antônio Fernandes, diretamente assessorado por seus filhos Ferdinando Francisco Fernandes, além da participação ativa de sua nora Denise Nachtigall Luz, esposa de Ferdinando, e ciência e participação de sua filha Francene Fernandes, de sua esposa Lenir Beatriz da Luz Fernandes), valendose de seus contatos políticos, oferecia vantagem ilícita a gestores públicos responsáveis pela contratação de serviços mediante dispensa de Fl. 2536DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.537 7 licitação, com a condição de que a contratação se realizasse em favor da fundação de apoio à UFSM. 2) Os contatos iniciais, para tanto, deramse com Lair Antônio Ferst, empresário lobista que tinha grande poder junto ao DETRAN/RS, por conta de sua vinculação a seu diretor presidente, Carlos Ubiratan dos Santos. Lair também mantinha vinculação com Carlos Dahlem da Rosa. 3) A proposta de contratação, nos moldes relatados, envolvia a subcontratação dos serviços das empresas vinculadas, direta ou indiretamente, aos envolvidos (que faziam parte da estrutura criminosa). 4) A atividade contava com a participação do então Reitor da Universidade Federal de Santa Maria, Paulo Jorge Sarkis, que apresentava a instituição como parceira da Fatec na prestação dos serviços, a garantirlhe assim credibilidade técnica para a contratação. 5) À frente da participação da Fatec, situavase seu Secretário Executivo, Silvestre Selhorst, que mantinha vinculação de amizade com Paulo Jorge Sarkis e José Antônio Fernandes, contando com o apoio dos servidores públicos da UFSM que atuaram, no período, como presidentes e diretores da fundação, Ronaldo Etchechury Morales e Luís Carlos de Pelegrini. Estabelecido o modus operandi, a efetivação do esquema criminoso, iniciada em meados do ano de 2003, teria envolvido a oferta, por José Antônio Fernandes, unido a Lair Ferst, de vantagem ilícita a Paulo Jorge Sarkis e Dario Trevisan de Almeida, para que praticassem atos administrativos necessários a que a UFSM pudesse dar suporte e participar da contratação da Fatec pelo Detran. Em seguimento, prometeram vantagem indevida a Carlos Ubiratan dos Santos e Hermínio Gomes Júnior, para a obtenção da contratação. Contratada a Fatec, em julho de 2003, a fundação terceirizou boa parte da execução do Projeto, subcontratando quatro empresas chamadas sistemistas, que juntas perceberam em torno de 40% dos valores brutos obtidos no contrato entabulado com o Detran, quais sejam: 1) A empresa Pensant Consultores, pertencente à família Fernandes, tendo como sócios José Antônio Fernandes e seus filhos Ferdinando Fernandes e Fernando Fernandes. Percebia 9,59% dos recursos. 2) A empresa Rio del Sur, que tem como sócias, dentre outros, Rosana Cristina Ferst e Cenira Maria Ferst Ferreira, irmãs de Lair Ferst. Percebia 9,45% dos recursos. 3) A empresa Newmark Tecnologia da Informação, Logística Marketing que tem dentre seus sócios Elci Terezinha Ferst, irmão de Lair Ferst, e Alfredo Pinto Telles, seu cunhado (companheiro de Elci). Percebia 13,77% dos recursos. Fl. 2537DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.538 8 4) A empresa Carlos Rosa Advogados Associados, que tem como sócio Carlos Dahlem da Rosa, e que tinha vinculação com Luiz Paulo R. Germano (conhecido como Buti), dentre outros (escritório de advocacia e pessoas que, como indicam os documentos e áudios, mantinham grande vinculação com o antigo diretor do Detran, Carlos Ubiratan dos Santos). Percebia 5,67% dos recursos. A despeito, todavia, da contratação das sistemistas para execução do contrato, sua efetiva operação foi atribuída à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), instituição com estrutura para suportar adequadamente o objeto do contrato. De fato, a Fatec contratou a UFSM para, por intermédio de um projeto institucional, vinculado à Reitoria, fornecer o suporte necessário para a realização de atividades que o Detran havia exigido na contratação (conforme dois contratos, contemporâneos ao primeiro contrato emergencial do Detran com a Fatec, em julho de 2003, e ao segundo, em dezembro de 2003). Relevante sinalar que valores expressivos foram revertidos, pela FATEC, às empresas sistemistas. Segundo dados fornecidos pela Receita Federal, entre os anos de 2002 a 2006, os valores foram os seguintes: SISTEMISTA REPASSE R$ NEW MARK TECNOLOGIA 10.083.905,75 PENSANT 8.996.867,12 RIO DEL SUR ENGENHARIA 8.241.975,67 CARLOS ROSA ADVOGADOS 4.146.626,67 Valores similares são apontados pela Informação Técnica MP/TC nº 74, onde constam tabelas descritivas dos valores pagos pela Fatec às sistemistas. Cabe destacar: 1) que todas as empresas sistemistas tiveram uma expressiva participação nos recursos vinculados à contratação em questão, sendo que entre 2003 e 2006 receberam, em conjunto, R$ 31 milhões. 2) a UFSM teria gastos, entre 01/2005 e 12/2008, da ordem de R$ 953.664,00 para desenvolver o projeto em questão, portanto valores extremamente menores que os percebidos pelas quatro sistemistas. 3) nada obstante tendo recebido muito menos que as sistemistas, as atribuições da UFSM eram sobremaneira mais importantes que as das primeiras (já que os serviços destas, de consultoria e supervisão, eram acessórios). Fl. 2538DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.539 9 Afigurase, pois, extremamente alta a probabilidade de que tais empresas somente tenham sido contratadas pela FATEC para a "execução" do Projeto DETRAN para alimentar um esquema de pagamentos aos lobistas (família Fernandes e Lair Ferst) e, ainda, de propinas (pela via do escritório de advocacia com vínculos com o então presidente do DETRAN, Carlos Ubiratan, e ainda por triangulação de valores cruzando por empresa sistemista). Nessa linha, segundo o Ministério Público Federal: 1) Os cerca de 10% destinados à Pensant Consultores Ltda. seriam destinados ao pagamento de José Antônio Fernandes e seus familiares, Ferdinando Francisco Fernandes, Denise Nachtigall Luz, Fernando Fernandes, Francene Fabrícia Fernandes Pedrozo e Lenir Beatriz da Luz Fernandes, bem como ao pagamento de vantagens indevidas a servidores públicos integrantes do quadro da UFSM, especialmente Paulo Jorge Sarkis. Nesse sentido, constatouse a contratação de empresas da família do então Reitor da UFSM, Paulo Jorge Sarkis, pela Pensant. Foi contratada a empresa de sua esposa e filhos (Sarkis Engenharia Estrutural), para a qual a Pensant repassou, nos anos de 2004 e 2005, cerca de R$ 74.000,00. Ademais, outra empresa da família Sarkis também vem possivelmente sendo beneficiária do esquema, recebendo recursos diretamente da FATEC, qual seja a World Travel Turismo Ltda. 2) Os cerca de 6% destinados ao escritório de advocacia Carlos Rosa Advogados Associados destinavase ao estabelecimento e manutenção da estrutura de distribuição de propina, tendo como contrapartida o enriquecimento ilícito de seu titular. 3) Os cerca de 10% destinados à Rio Del Sur Auditoria e Consultoria Ltda., teria visado, precipuamente, à remuneração indevida de Lair Ferst e seus familiares (Alfredo Pinto Telles, Elci Teresinha Ferst, Rosana Cristina Ferst e Cenira Maria Ferst Ferreira). 4) Os cerca de 14% destinados à Newmark Tecnologia da Informação, Logística e Marketing Ltda. teriam como destino o pagamento de "propina" para os dirigentes do Detran/RS, Carlos Ubiratan dos Santos e Hermínio Gomes Jr. Nesse sentido, importante frisar que indícios constantes nos autos indicam a possibilidade de que, para percepção dos valores, os dois dirigentes tenham criado empresas titularizadas por "laranjas", ambas contratadas pela Newmark Tecnologia da Informação, Logística e Marketing Ltda.: a) Carlos Ubiratan dos Santos teria se valido da empresa NT Pereira, cuja titular fictícia é Nilza Terezinha Pereira, amiga da família, mas efetivamente administrada por Patrícia Jonara Bado dos Santos, esposa de Ubiratan. Diversos elementos indicam que, na realidade, a empresa seria de Patrícia e de Fl. 2539DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.540 10 Carlos Ubiratan, existindo somente em proveito dos mesmos. Para sua criação, teriam tido participação Lair Ferst e Marco Aurélio da Rosa Trevizani, técnico contábil que prestava serviços para as empresas da família Ferst e que também o fazia para a NT Pereira. b) Hermínio Gomes Júnior teria se valido da empresa P.L.S. Azevedo, cujo titular fictício é Pedro Luís Saraiva de Azevedo, cunhado de Hermínio. Também aqui, para a constituição da empresa, teriam obrado Lair Ferst e Marco Aurélio da Rosa Trevizani. A "propina" seria, assim, repassada por meio de tais empresas, cuja propriedade, de fato, seria dos dirigentes do Detran, acima mencionados. Em seguimento, as firmas individuais NT Pereira e P.L.S. Azevedo, juntamente com a Newmark Tecnologia e com Alfredo Pinto Telles (cunhado de Lair Ferst), constituíram a Newmark Serviço da Inteligência e Informação Ltda., supostamente para evitar a tributação incidente sobre a "propina", que a partir de então darseia a título de "distribuição de lucros aos sócios". Vejase, a respeito, o episódio em que a NT Pereira, em 2006, efetivou um empréstimo, sem garantias, a Carlos Ubiratan dos Santos, no valor de R$ 500.000,00. Ao que tudo indica, o valor seria referente ao pagamento de propina com valores obtidos no contrato DETRAN, que teriam circulado por intermédio de uma das empresas sistemistas, a New Mark Tecnologia da Informação e Marketing, seguindo por empresairmã, a New Mark Serviços, cujos lucros foram distribuídos à NT Pereira, chegando finalmente às mãos do servidor público. Ao longo dos três anos de contratação da Fatec pelo Detran, outras empresas, vinculadas às mesmas pessoas, foram sendo inseridas no esquema, supostamente por força de novas exigências de vantagens indevidas formuladas por José Antônio Fernandes para a Fatec e para o coordenador do projeto Detran na UFSM, Dario Trevisan de Almeida. O percentual originariamente destinado aos subcontratados, na ordem de 40%, assim, foi sendo gradualmente ampliado, com o que a parcela destinada à efetiva operacionalização do contrato foi minguando, dificultando a efetiva prestação dos serviços. Foram subcontratadas outras 5 empresas: 1) escritório de advocacia de Régis Arnoldo Ferreti, do qual era integrante Denise Nachtigall Luz (esposa de Ferdinando Fernandes). Régis faleceu em 2006, com o que o contrato foi sucedido por Denise Nachtigall Luz, passando a ser de responsabilidade do escritório de advocacia Nachtigall Luz Advogados Associados, com remuneração mensal de R$ 12.000,00. 2) IGPL, vinculada à família Fernandes, recebendo R$ 80.000,00 mensais. Fl. 2540DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.541 11 3) GETPLAN, também vinculada à família Fernandes, recebendo R$ 10.000,00 mensais. 4) Doctus Consultores, integrada por Rubem Höher e por seu filho, Ricardo Höher, recebendo mensalmente R$ 10.000,00 para serviços de auditoria interna e contábil no projeto. Neste ponto, é de ser ressaltado que a empresa Rio Del Sur já era supostamente responsável por tais atividades. Outrossim, a Doctus Consultores também recebeu valores da própria Rio Del Sur pelos mesmos serviços, como indicam notas fiscais de prestação de serviços apreendidas na mesma. Em meados de 2005, teriam iniciado divergências no grupo, por conta da suposta inoperância das empresas vinculadas à Lair Ferst na prestação dos serviços, pelo que a família Fernandes, com grande peso no desenvolvimento do "Projeto Detran", deu início à represálias em face do primeiro, que só não teria sido excluído do esquema em razão de "cláusulas contratuais restritivas e de sua amizade com Carlos Ubiratan dos Santos". Em decorrência disso, tem início a segunda fase do esquema criminoso, a partir do ano de 2007, quando ocorre mudança na Diretoria do Detran, com a saída de Carlos Ubiratan dos Santos e a designação de Flávio Vaz Netto para o posto máximo na autarquia. Com isso, tornouse viável a pretendida exclusão de Lair Ferst. Com a assunção da Direção do Detran/RS por Flávio Vaz Netto, José Antônio Fernandes e seus familiares (especialmente Ferdinando Francisco Fernandes, Fernando Fernandes e Denise Nachtigall Luz), bem como Luiz Paulo Rosek Germano e Carlos Dahlem da Rosa mantiveram contato com este, no intuito de indicar a necessidade de excluir a Rio Del Sur e a Newmark Tecnologia da Informação, Logística e Marketing Ltda. – as empresas vinculadas a Lair Ferst – do contrato. Não havendo possibilidade de rescisão do contrato entre tais empresas e a Fatec, a opção foi a de romper o contrato originário, firmado entre o Detran e a Fatec. A FATEC argumentou, em face do DETRAN, ter havido aumento no custo para prestação dos serviços, postulando então aumento da remuneração, que é negada por "falta de fundamentação". Ato contínuo, o contrato foi encerrado e, já no dia seguinte é contratada a outra Fundação de Apoio à Universidade Federal de Santa Maria, qual seja a FUNDAE, que supostamente poderia prestar o serviço por preço menor, por se tratar de entidade filantrópica. Curiosamente, porém, a FUNDAE firmou contrato com a FATEC, para que esta continuasse a prestar parte desse serviços. Na FATEC, seguiu coordenando o projeto Dario Trevisan de Almeida, com o apoio de Silvestre Selhorst e Luiz Carlos de Pellegrini, como indicam os áudios. A família Fernandes, juntamente com Paulo Jorge Sarkis, já estariam preparando a Fundae para ser intermediária de Fl. 2541DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.542 12 contratos públicos que conseguissem celebrar, especialmente a partir do momento em que o segundo deixou a condição de Reitor da UFSM, perdendo assim seu poder de influência na Fatec. No desenrolar de tal intento, teriam sido corrompidos os servidores públicos federais Dario Trevisan de Almeida, e Luiz Carlos de Pellegrini. O esquema, a partir de então, teria assumido nova configuração. De um lado, Flávio Vaz Netto passa a agir, na condição de DiretorPresidente do Detran/RS, dando início ao procedimento administrativo e, por fim, efetivamente contratando a nova fundação, o que teria feito, conforme indícios nos autos, em contrapartida de recursos ilícitos que lhe eram entregues em dinheiro (“propina” que seria entregue, em uma “mala preta”, por intermédio de Rubem Höher, e com intermediação de Antônio Dornéu Cardoso Maciel, conforme elementos probatórios constantes nos autos). De outro, contratada pelo DETRAN a FUNDAE (fls. 4048 apenso III), esta assume a responsabilidade gerencial pelo projeto, sendo assim distribuídos os recursos mensalmente repassados pela autarquia: a) 33,90% para a Fundae, por conta da contratação de todos os examinadores de trânsito que antes tinham vínculo empregatício com a Fatec; b) 26,1% para a Fatec (incluindo a parcela institucional da UFSM); c) 40% restantes, exatamente o mesmo percentual anteriormente destinado às empresas sistemistas. Para apropriação de tais valores, foram contratados serviços de diversas empresas, quase todas vinculadas a José Antônio Fernandes e seus familiares, ou pessoas de sua confiança. Assume a condução do projeto, na fundação, Rubem Höher, sendo então excluídas as empresas vinculadas a Lair Ferst (New Mark e Rio Del Sur). O novo quadro de sistemistas passa a ser composto pelas seguintes empresas: 1. Pensant Consultores Ltda. recebia 14% sobre o valor do contrato Detran/Fundae, para supervisão e auditoria operacional, e auditoria de soluções de tecnologia da informação e comunicação. 2. IGPL contratada para: a) desenvolvimento de software (até agosto de 2007 o contrato era com a Fatec), por R$ 60.000,00 mensais; b) infraestrutura ao projeto Ensinando para a Vida, por R$ 105.000,000 mensais; c) arquivos e gestão de documentos, por R$ 15.000,00 mensais. Fl. 2542DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.543 13 3. Nachtigall Luz Advogados Associados contratada com honorários de R$ 66.000,00 mensais para prestar serviços de "assessoria jurídica". 4. GCPLAN contratada para gestão de recursos humanos, cm remuneração de R$ 75.000,00 mensais. 5. S3 Contabilidade Consultoria e Assessoria Ltda. contratada para atividade de assessoria contábil, fiscal, serviço de registro e de pessoal, por R$ 40.000,00 mensais. 6. Doctus Consultores contratada para “coordenaçãogerência e auditoria de documentos”, por R$ 88.000,00 mensais. Além disso, a Fatec manteve, até agosto de 2007, relações contratuais com três das antigas sistemistas: Carlos Rosa Advogados Associados; Nachtigall Luz Advogados Associados; IGPL. As duas últimas empresas recebiam honorários tanto da Fatec como da Fundae. Outrossim, constatamse, também, pagamentos à empresa Casa Editorial, também controlada pela família Fernandes. Há, nos autos, elementos (especialmente emails interceptados) que indicam que não haveria sinalização sobre que espécie de serviços as empresas acima apontadas efetivamente prestariam, embora auferissem já valores expressivos mensalmente. Por outro lado, há probabilidade de que haveria participação percentual, de cada uma dessas empresas, na manutenção do esquema criminoso, com valores destinados ao pagamento da “propina”, como acima já mencionado, entregue diretamente a Flávio Vaz Netto e/ou Antônio Dornéu Cardoso Maciel. Num terceiro momento, todavia, aparentemente em razão da representação do Ministério Público Especial junto ao Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul, bem como por conta das investigações acerca do funcionamento das fundações, e sobre os contratos em questão, por parte do Ministério Público Federal em Santa Maria, como indicam as interceptações telefônicas e telemáticas, os investigados demonstraram preocupação com o esquema, passando a tentar conferirlhe maior aparência de licitude. Foram realizadas reuniões, com novas adequações contratuais e, mesmo, trocas de linhas telefônicas (dada a preocupação flagrante com escutas). Diversos envolvidos estariam presentes em tais reuniões. Parece, a partir de então, ajustarse um afastamento formal da FATEC com a família Fernandes. Foram, assim rescindidos os contratos firmados pela FATEC com a IGPL e a Nachtigall, assim como com a Carlos Dahlem da Rosa. A IGPL firma novo Fl. 2543DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.544 14 contrato com a Fundae, e a Fatec contratou os serviços de Höher Cioccari Advogados S/A, e da Pakt Excelência em Projetos S/C. Para tanto, a empresa Pakt é constituída, tendo como sócios formais exfuncionários da própria Fatec e, aparentemente, como sócio de fato, Dario Trevisan de Almeida cujas sócias são funcionárias da FATEC. A Pakt, aparentemente, assumiu as funções das IGPL. Grave, no caso, é que Luciana Carneiro é Secretária Executiva do projeto Detran na FATEC, sendo exatamente quem faz a solicitação para que a fundação rompa com a IGPL, em relação aos mesmos serviços que, posteriormente, sua própria empresa vai prestar (conforme emails interceptados). Aliás, para conferir aparência de legalidade aos fatos, há indícios de que formalmente, depois do fato, outra funcionária passou à condição de Secretária Executiva. A Pakt passaria a receber R$ 131.000,00 mensais, supostamente para que seus sócios cumprissem as mesmas funções que anteriormente tinham como funcionários da Fatec, recebendo remunerações não superiores a R$ 5.000,00 mensais. Há indícios de que a empresa seja de "fachada", para repasse de valores para Dario Trevisan de Almeida. Por outro lado, do escritório de advocacia que teria sido contratado pela FATEC para prestação de serviços vinculada ao contrato DETRAN, o Höher & Cioccari Advogados, é sócio Rafael Höher, também filho de Rubem Höher. Contratada por R$ 110.000,00 mensais, há possibilidade de que a Höher & Cioccari Advogados tenha sido contratada para ser utilizada por Rubem Höher para justificar a celebração do contrato de onde provinham os recursos para pagamento de “propinas”. Outrossim, elementos indiciários obtidos pela interceptação telemática parecem apontar para que toda a documentação para contratação da Pakt, bem assim como também a possível contratação da Hoher & Cioccari Advogados, tenha sido elaborada na própria FATEC, em uma espécie de simulação/forja de documentos inexistentes. Em suma, também nessa nova configuração, a despeito da tentativa de conferirlhe aparência de licitude, restam verossimilhantes as irregularidades, que, inclusive, avançam: entram no esquema outros funcionários da FATEC, agora subcontratada, para auferirem benefícios financeiros do projeto DETRAN, que conduzem na própria fundação, e também, de outro lado, entra no esquema novo escritório de parente do coordenador do projeto junto à FUNDAE, Rubem Höher. Em 16/3/10, a fiscalização da DRF Santa Maria expediu termo de notificação fiscal e relatório de fiscalização (fls. 01/50), por meio dos quais descreve as irregularidades praticadas pela contribuinte que ensejariam suspensão da imunidade Fl. 2544DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.545 15 tributária nos períodos relativos de 2005 a 2009. Sustenta que a fundação teria descumprido os requisitos legais previstos no art. 150, VI, c, da Constituição Federal, para o gozo da imunidade, conforme resumido a seguir: (....). Em documento datado de 15/4/10, a interessada apresentou alegações e provas (fls. 575/634), conforme previsto no art. 32, § 2º, da Lei 9.430/96. Em 29/6/10, a DRF Santa Maria expediu o Ato Declaratório Executivo DRF/STM 74, pelo qual suspendeu o benefício da imunidade tributária da Fundae relativamente ao período de jan/2005 a dez/2009, por inobservância das disposições contidas no art. 14, I, II e III, combinado com o art. 9º, IV, c, do CTN e do art. 12, caput e § 3º, da Lei 9.532/97 (fl. 657). O ato baseouse em relatório da fiscalização, de mesma data (fls. 640/656), e foi cientificado à fundação no dia posterior (fl. 657). Em 30/7/10, a Fundae impugna o ato declaratório executivo (fls. 663/696), pedindo o restabelecimento da imunidade tributária e defendendo a inexistência de motivos fáticos e legais para sua suspensão. Eis um resumo de seus argumentos: a) a autoridade administrativa ultrapassou os limites da legalidade e desconsiderou a natureza vinculada da atividade fiscalizatória, utilizandose de juízo permeado de avaliações subjetivas e confundindo fatos ao trazer informações relativas à Fatec e induzir uma suposta ligação entre as fundações; b) a juíza federal Simone Barbisan Fortes concluiu pela inexistência de conduta típica em relação à Fundae e pela inocência do seu presidente Mario Franco Gaiger; portanto, inexistem elementos que justifiquem as imputações e o juízo de valor, trazidos pelos autuantes; c) o ato declaratório de suspensão da imunidade é ilegal, pois foi fundado em critérios subjetivos e meios de prova inidôneos ou insuficientes; d) a impugnante é associação civil sem fins lucrativos cujo objeto social está voltado à assistência social e à educação, sendo ambas atividades contempladas pela imunidade tipificada no art. 195, § 7º, da Constituição Federal; e) os objetivos institucionais da Fundae, previstos no art. 1º do seu estatuto, não proíbem a prestação de serviços para o setor público e/ou privado, mesmo em caráter permanente e sem qualquer tipo de discriminação; f) o estatuto da fundação não exige que as atividades desenvolvidas sejam gratuitas, até porque a remuneração na prestação de serviços é forma de obtenção de recursos financeiros necessários para o desenvolvimento das finalidades institucionais; g) a jurisprudência vem caminhando no sentido de permitir que a receita obtida com o desenvolvimento de atividades econômicas ou mesmo a exploração do patrimônio próprio, mesmo que não vinculados a suas finalidades institucionais, sejam albergados pelo benefício da imunidade, desde que os rendimentos se destinassem a viabilizar e custear a consecução das finalidades institucionais; Fl. 2545DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.546 16 h) não prospera a justificativa da suspensão da imunidade a partir de uma premissa que é resultado de uma confusão conceitual e interpretativa em torno dos institutos da imunidade e isenção; i) a aplicação das regras da imunidade exige interpretação ampliativa – não se pode justificar a suspensão do benefício invocando pura e simplesmente a interpretação literal prevista pelo art. 111 do CTN, válida para isenções; j) a imunidade tributária de entidade de fins não lucrativos não pressupõe a ausência de atividade econômica ou de remuneração dos serviços prestados, mas que os resultados positivos auferidos no desempenhos de suas finalidades essenciais não se destinem à distribuição de lucros; k) a exigência do art. 3º, VI, do Decreto 2.536/98 (hoje revogado pelo Decreto 7.237/10) ultrapassa os limites da legalidade pois somente a lei complementar pode estabelecer requisitos para o gozo do direito subjetivo à imunidade; l) a Constituição remete à lei ordinária a fixação de normas sobre a constituição e o funcionamento da entidade educacional ou assistencial; à lei complementar, os lindes da imunidade tributária quando suscetíveis de disciplina infraconstitucional; m) a tentativa de se fixar limitações à imunidade por meio de legislação infraconstitucional já foi objeto de manifestação do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou, em medida cautelar, a suspensão da vigência do § 1º e a alínea f do § 2º, ambos do art. 12, do caput do art. 13 e do art. 14 da Lei 9.532/97, até a decisão final da ação direta de inconstitucionalidade – ADI 1802, proposta pela Confederação Nacional de Saúde – Hospitais, Estabelecimentos e Serviços (CNS); n) em relação ao período cuja suspensão se pretende, a Fundae era portadora de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas), concedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, com validade até setembro de 2009, não há como desconsiderar seus efeitos enquanto ele não for anulado pelo órgão competente; o) a suspensão da imunidade fixada no ato declaratório deve estar assentada em situações objetivas, tipificadas em lei, as quais não podem ser alargadas por meio de presunções, ficções ou meros indícios; p) a autoridade administrativa não fez prova de pagamentos sem causa, de modo que não é possível afirmar que a impugnante tivesse deixado de aplicar as receitas decorrentes das atividades econômicas desenvolvidas nos seus objetivos institucionais; q) não há ilegalidade na terceirização de serviços (art. 129 da Lei 11.196/05); r) eventual irregularidade quanto às regras do certame licitatório, assim como questionamentos sobre a presença ou não de cessão de mão de obra ou sobre o valor dos serviços prestados devem ser resolvidos em instância própria, mas não podem determinar a suspensão do benefício da imunidade, sob a alegação de falta de aplicação das receitas decorrentes das atividades econômicas desenvolvidas nos seus objetivos institucionais; Fl. 2546DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.547 17 s) a autoridade administrativa não levou em conta que os serviços prestados para o Detran/RS e para o Projovem foram desenvolvidos anteriormente pela Fundação Carlos Chagas e pela Fatec com custos superiores; t) a autoridade administrativa não fez prova de irregularidades contábeis no pagamento das empresas sistemistas, muito menos de que os serviços deixaram de ser prestados; u) não houve cessão de mão de obra: a autoridade administrativa confunde a atividade econômica desenvolvida pela Fatec, que permite auferir os recursos para o cumprimento das finalidades institucionais, com a atividade institucional – razão que justifica sua própria existência; v) o art. 12, § 3º, da Lei 9.532/97 não impõe impedimento à obtenção de superávit, desde que sejam revertidos aos objetivos institucionais da entidade; w) o legislador estabeleceu que os recursos auferidos pela entidade fossem aplicados integralmente nos seus objetivos institucionais, mas não impôs que fossem revertidos ainda no mesmo exercício – os relatórios e as demonstrações contábeis, em especial as do exercício de 2009, evidenciam que as receitas das atividades institucionais foram mantidas em conta “reserva de aplicação em filantropia” (fls. 727/744); x) não foram apresentadas provas relativas à suposta utilização de notas frias e os argumentos pertinentes, trazidos pela autoridade administrativa, não têm lastro em prova convincente; e y) eventual irregularidade administrativa na concessão do empréstimo à Pensant não tem o condão de representar desrespeito às exigências do art. 14, incisos I e II, do CTN, pois o mútuo foi devidamente registrado nos assentos contábeis. Na mesma peça, a Fundae pede a realização de perícia para que seja verificado: a) se a contabilidade da interessada permitiria concluir que as empresas sistemistas deixaram de prestar os serviços para os quais foram contratadas, b) se houve superfaturamento, e c) se os registros contábeis são idôneos a respeito da reserva para aplicação em filantropia. A fiscalizada optou pela tributação do IRPJ e da CSLL com base no lucro real trimestral em relação aos anoscalendário 2005 a 2009 (fls. 658/659, 761 e 765/769). Os autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e IRRF, acompanhados do relatório de fiscalização, foram lavrados em 9/12/10 (fls. 916/1032). Os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins são exigidos por insuficiência de recolhimentos/declaração e o de IRRF por falta de recolhimento sobre pagamentos sem causa ou de operações não comprovadas. A fiscalização identificou a existência de fraude nas ações dos sujeitos passivos e, por isso, lavrou os autos de infração com a multa de 150%. Em 13/12/10, os autos de infração foram cientificados à Fundae (fls. 917, 990, 995, 1007 e 1017) e, em 16/12/10, José Antonio Fernandes, Rubem Höher, Helvio Fl. 2547DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.548 18 Debus Oliveira Souza e Ipojucan Seffrin Custódio foram intimados dos termos de sujeição solidária passiva (fls. 1034/1037 e 1043/1046). A imputação da responsabilidade aos terceiros corresponde ao período de 7/10/05 (data da assinatura do contrato entre a Fundae e a Prefeitura Municipal de Porto Alegre para a execução do programa Projovem) a 6/11/07 (data em que foi deflagrada a fase ostensiva da operação Rodin). Deveuse a suposto interesse comum nos resultados econômicos advindos dos ilícitos fiscais cometidos pela fundação: José Fernandes, atuando como lobista e principal operador do núcleo Pensant; os demais, por serem prepostos de José Fernandes e sócios de empresas sistemistas. Em sua defesa quanto à autuação, apresentada em 11/1/11 (fls. 1047/1089), a Fundae pede a improcedência dos autos de infração. Repisa os argumentos da impugnação à suspensão da imunidade e acrescenta, em síntese: a) a glosa das deduções dos custos dos serviços contratados pela impugnante deve ser afastada, uma vez que não foi comprovado que os custos correspondam a pagamentos sem causa ou a preços superfaturados e, ao contrário, os serviços foram efetivamente prestados, conforme prova documental; b) a prestação de serviços é de difícil evidenciação, uma vez que se exaure após a consumação – devem ser avaliadas circunstâncias materiais e formais que evidenciam se houve ou não a operação que justificou os pagamentos realizados; c) a execução dos serviços dos projetos Projovem e Detran/RS foi devidamente formalizada por meio de contratos, que estabelecem as condições para prestação, bem como especificam os serviços subcontratados; d) os serviços subcontratados foram necessários à execução dos projetos ajustados, tendo em vista o elevado volume de trabalhos a serem executados, tais como captação de recursos, supervisão e auditoria operacional, desenvolvimento de software, gerenciamento de arquivos, gerência de documentos, gestão de recursos humanos, assessoria jurídica e contábil e gestão de imagem; e) os valores dos serviços cobrados pelas empresas contratadas correspondem aos desembolsos financeiros da impugnante, que foram devidamente registrados pela contabilidade e utilizados na apuração dos tributos; f) é necessária a revisão dos percentuais aplicados na apuração do superfaturamento, cujos valores contabilizados foram desconsiderados, apesar de não ter sido desqualificada a escrita; g) não há demonstração nos autos de que o arbitramento dos valores dos serviços praticados no âmbito do Projovem decorresse da comparação com o valor de serviços semelhantes praticados no mercado; há somente comparação com valores praticados em épocas diferentes, com complexidade e volumes de trabalho diferenciados; h) não se pode comparar os valores obtidos nos projetos Projovem Gravataí e Viamão com o de Porto Alegre, pois aqueles apresentam volume de trabalho inferior ao deste; Fl. 2548DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.549 19 i) não havendo prova de que os serviços não tenham sido prestados, não incorreu hipótese do artigo 61, § 1º , da Lei 8.981/95 (não incide IRRF à alíquota de 35%); j) os pagamentos às empresas contratadas foram efetuados a beneficiários devidamente identificados e decorrem de serviços efetivamente prestados; k) o IRRF deve ser deduzido da base de cálculo do IRPJ e da CSLL; l) a impugnante tem o direito à isenção de COFINS sobre as receitas dos serviços prestados, inclusive relacionadas aos projetos Projovem e Detran/RS, com fundamento nos arts. 13 e 14, X, da Medida Provisória 2.158/01, combinados com o art. 15 da Lei 9.532/97, independentemente da restrição imposta pelo art. 47, § 2º, da IN/SRF 247/02, que extrapolou os limites legais; m) a qualificação da multa de ofício não se justifica diante da inexistência de conduta dolosa praticada pela impugnante, tipificada nas hipóteses dos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64; n) as condutas criminosas investigadas pela operação Rodin não podem ser atribuídas à impugnante; e o) os cálculos dos tributos apresentados no relatório fiscal devem ser revisados, conforme divergências identificadas no estudo feito pela Perfectum Auditoria Independente. A contribuinte também postula nesta impugnação a realização de perícia técnica. Os quesitos apresentados são praticamente coincidentes com os formulados na impugnação à suspensão da imunidade, com o acréscimo de item visando à identificação dos critérios adotados para apurar o percentual de superfaturamento de 84,06% nos projetos do Projovem e verificação do fundamento legal para a aplicação desses critérios. Helvio Debus Oliveira Souza apresentou sua impugnação em 18/1/11 (fls. 1215/1218). Alega que o termo de sujeição passiva solidária foi recebido por sua secretária em 16/12/10, mas que tomou ciência somente em 20/12/10, quando retornou de ausência. Faz um breve histórico sobre sua ligação com a Fundae, contrapõese às acusações impostas em relação aos contratos firmados pela fundação para prestação de serviços ao Projovem e ao Detran/RS e defendese das imputações relativas a superfaturamento e honorários, contidas no relatório fiscal. Por fim, pugna pela exclusão da sujeição passiva solidária. Ipojucan Seffrin Custódio apresentou sua impugnação em 17/1/11 (fls. 1220/1224), pedindo seja afastado do polo passivo da obrigação tributária. Relata suas experiências como administrador na iniciativa privada e pública, suas atividades na CGPLAN e sua situação econômicofinanceira, que, segundo sustenta, não lhe permitiria participar ou colaborar com o “esquema” de apropriação de recursos públicos. Informa que trabalhava para viabilizar os trabalhos de área operacional, cuidando da seleção e contratação de profissionais e locação de ambientes. Defende também que não haveria razão para a sua inclusão como devedor solidário, pois não era sócio majoritário da empresa GCPLAN e não exercia atividades de administração/gerência da empresa: suas Fl. 2549DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.550 20 tarefas eram unicamente técnicas, sem nenhum poder decisório ou influência sobre as contratações entre FUNDAE e empresas prestadoras de serviços. Rubem Höher apresentou sua impugnação em 18/1/11, afirmando têla entregue na forma legal e em tempo hábil (fls. 1239/1246). Pede a exclusão de sua inscrição no termo de sujeição solidária porque não teria sido provado que tivesse interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal, já que, em síntese, não teve função diretiva institucional na Fundae – mas tão somente a coordenação administrativa da execução do contrato com o Detran – e porque sua prestação de serviços à fundação restringiuse ao período de junho a outubro de 2007. José Antonio Fernandes apresentou sua impugnação em 17/1/11 (fls. 1248/1266). Defende sua exclusão como sujeito passivo solidário pelos argumentos a seguir sintetizados: a) é necessário que o processo administrativo fiscal seja suspenso até o trânsito em julgado da ação penal, pois ambos utilizaram os mesmos elementos e fundamentos, resultantes de investigação conjunta e integrada da Polícia Judiciária da União, da Secretaria da Receita Federal do Brasil e do Ministério Público estadual, mediante autorização judicial; b) o termo de sujeição passiva solidária é um claro préjulgamento, quando na verdade tais afirmações são oriundas de uma mera investigação que não possui outra finalidade senão buscar informações para a propositura de uma ação penal; c) a defesa na esfera administrativa poderá ser utilizada antecipadamente pelo próprio Ministério Público Federal, em uma total inversão do procedimento processual penal; d) o princípio da independência das instâncias administrativas e penal foi ignorado pela própria Delegacia da Receita Federal, na medida em que buscou elementos no processo criminal, reconhecidamente obtidos junto à Polícia Federal; e) o termo de sujeição passiva solidária fundamentouse em afirmações que poderão ser desconsideradas quando do julgamento do processo criminal; f) o procedimento é nulo por atingir, por via transversa, o devido processo legal e o princípio da motivação dos atos administrativos: para a construção de eventual solidariedade e do consequente crédito tributário, foram buscados elementos que estão sendo discutidos no processo penal; g) a DRF parte de afirmações colhidas sem o crivo do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal – instrumentos constitucionais a serem observados em todo e qualquer processo administrativo ou judicial; h) os autuantes extrapolam ao tecerem afirmações de forma conclusiva, quando estas pendem de julgamento, com a finalidade de buscarem uma inexistente solidariedade passiva; Fl. 2550DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.551 21 i) princípios e garantias constitucionais foram feridos, porquanto a Fundae pôde exercer ampla defesa administrativa por dois anos e ele somente pôde se manifestar sobre a solidariedade nos autos de infração no prazo exíguo de trinta dias; j) inexiste a solidariedade tributária passiva pois: • o impugnante jamais exerceu cargo diretivo ou com poder de mando junto à Fundae; • a relação entre a Fundae e a Pensant era estritamente contratual, bilateral, de prestação de serviços e nenhum benefício eventualmente auferido por aquela em razão do não pagamento de tributos pode ser estendido a esta; • houve procedimento fiscalizatório na Pensant entre março de 2008 e maio de 2009 e do qual não foram constatadas irregularidades; • o manifestante ou a empresa Pensant não receberam oportunidade para prestar esclarecimentos no procedimento fiscal; e • a Pensant não tinha outro interesse a não ser o de receber pelo valor dos serviços que foram prestados; k) o processo administrativo não pode abreviar ou restringir a possibilidade do exercício da mais ampla defesa e do contraditório, em estrita observância ao devido processo legal. José Fernandes requer ainda que lhe seja facultada a produção de prova pericial e documental, no intuito de preservarlhe a ampla defesa. Apresenta quesitos, indica perito e anexa documento intitulado Aspectos teórico técnicos na prestação de serviços com fornecimento de conhecimentos especializados (fls. 1269/1310). DA DECISÃO DA DRJ Conforme relatado acima, a pessoa jurídica impugnou o ato declaratório executivo (fls. 960/993) e o auto de infração às (fls.1602/1644) e da mesma foram, fizeram os sujeitos passivos solidários Helvio Debus Oliveira Souza (fls. 1771/1774), Ipojucan Seffrin Custódio (fls. 1776/ 1780), Rubem Höher (fls. 1797/1804) e José Antonio Fernandes (fls. 1806/1824). As razões de defesa estão detalhadas no relatório da DRJ transcrito acima. A 5ª Turma da DRJ/POA (fls. 1889/1952), afastou as preliminares de nulidade, indeferiu os pedidos de perícia e diligência e, no mérito, negou provimento à impugnação da contribuinte sobre a suspensão da imunidade e deu parcial provimento à impugnação da contribuinte aos autos de infração, reduzindo o IRPJ devido. Quanto às defesas dos sujeitos passivos solidários, a turma não conheceu as impugnações apresentadas por Helvio Debus Oliveira Souza e Rubem Höher e negou provimento às impugnações apresentadas por Ipojucan Seffrin Custódio e José Antonio Fernandes. DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS Fl. 2551DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.552 22 Irresignada com o resultado do julgamento, a pessoa jurídica apresentou recurso voluntário tempestivo às fls. 2330/2420 repisando os argumentos de sua peça impugnatória e combatendo o entendimento do julgador a quo. Da mesma forma fizeram, tempestivamente, os sujeitos passivos José Antonio Fernandes (fls. 2428/2502) e Ipojucan Seffrin Custódio (fls. 2523/2527). É o Relatório. Fl. 2552DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.553 23 Voto Vencido Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator Os recursos voluntários atendem a todos os pressupostos de admissibilidade e deles tomo conhecimento. Recurso Voluntário da Pessoa Jurídica Perícia Em resposta à intimação de 13/10/2009, a Recorrente informou que os serviços foram prestados, mas que a Fundação não tem como mensurar ou quantificar tais serviços, com exceção dos serviços prestados pela empresa S3, de acordo com o cálculo baseado na tabela de honorários do SESCON/RS. No entanto, em suas peças de defesa, repisa os pedidos de realização de prova pericial, com intuito de avaliar a efetiva ocorrência dos serviços prestados, bem assim como inocorrência de pagamentos superfaturados. Tenho me posicionado no sentido de que a perícia é cabível apenas para a averiguação de fatos que dependem de conhecimentos especializados para serem demonstrados, sendo desnecessária quando os fatos puderem ser comprovados documentalmente, como no caso de apresentação de relatórios, livros e documentos contábeis e fiscais. Sendo assim, deveria a Recorrente ter trazido aos autos os documentos que entende serem comprobatórios de que os serviços contratados das empresas sistemistas foram efetivamente contratados e que não houve superfaturamento. Da suspensão da imunidade tributária Inicialmente, sobre o tema da imunidade tributária aplicável às entidades de assistência social, transcrevo o esclarecedor relatório fiscal (fls. 10/15): A imunidade das instituições de educação e de assistência social está prevista no artigo 150, VI, alínea "e" da CF/88, o qual dispõe que, sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado A Unido, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, instituir impostos sobre o patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidade sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei. Preliminarmente, verificamos que imunidade disposta no artigo 150, VI, alínea "c" da CF/88, com as limitações previstas no seu § 4°, não é absoluta, uma vez que somente abrange impostos (não se aplica a taxas, contribuições sociais ou de melhoria) e Fl. 2553DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.554 24 está condicionada a determinados requisitos impostos pela própria CF/88, quais sejam: somente abriga o patrimônio, renda ou serviços, e desde que relacionados com as FINALIDADES ESSENCIAIS da instituição; as instituições não devem ter fins lucrativos; devem ser atendidos os REQUISITOS DA LEI. Neste aspecto, instaurase o debate sobre a questão de ser esta matéria regulada por lei ordinária ou lei complementar. Não obstante, pelo menos quanto aos requisitos estabelecidos em lei complementar, não há dúvidas quanto à necessidade de as instituições de educação e de assistência social cumprilos, os quais encontramse dispostos no artigo 9°, § 1° da Lei n°. 5.172, de 25/10/66 (Código Tributário Nacional CTN, recepcionado como lei complementar pela Carta Constitucional de 1967), qual seja, a atribuição, por lei, às entidades imunes, da condição de responsáveis pelos tributos que lhes caiba reter na fonte, e a lido dispensa da prática de atos, previstos em lei assecuratórios do cumprimento de obrigações tributárias por terceiros, bem como os REQUISITOS dispostos no artigo 14, incisos I a III do mesmo CTN, quais sejam: I não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer titulo (Redação dada pela Lei Complementar d. 104, de 10/01/2001); II aplicarem integralmente, no país, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e, despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Por sua vez, o artigo 12, caput da Lei nº. 9.532, de 10/12/1997, dispõe que, para efeito do disposto no artigo 150, inciso VI, alínea "c" da CF/88, considerase IMUNE a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar As atividades do Estado, sem fins lucrativos. Para o gozo da imunidade, as instituições de assistência social, tais como a FUNDAE, estão obrigadas a atender aos seguintes REQUISITOS, dispostos no artigo 12, § 2°, alíneas "a" a "h" da Lei nº. 9.532/97: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; Fl. 2554DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.555 25 d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que Venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim Cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda As condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos estabelecido em lei específica, relacionados com, o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. Como se vê, a restrição à remuneração A diretoria as entidades imunes disposta no artigo 12, § 2°, alínea "a" da Lei •n°. 9.532/97 não constava do CTN. Entretanto, o descumprimento de tal requisito pode ser considerado como, uma distribuição disfarçada de lucros, em afronta ao disposto no artigo 14, inciso I do CTN. Por sua vez, os requisitos previstos no artigo 12, § 2°, alíneas "h" e 10 "c" da Lei n°. 9.532/97 não trazem inovações em relação ao disposto no CTN. O artigo 12, § 3° da Lei d. 9.532/97, com a redação dada pela Lei nº. 9.718, de 27/11/1998, dispõe que considerase entidade SEM FINS LUCRATIVOS a que NÃO APRESENTE SUPERAVIT em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, INTEGRALMENTE, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. O artigo 13 da Lei n°. 9.532/97 dispõe que sem prejuízo das demais penalidades previstas na lei, a Secretaria da Receita Federal suspenderá o gozo da imunidade e da isenção a que se referem os artigos 12 e 15, relativamente aos anoscalendários em que a pessoa jurídica houver praticado ou, por qualquer forma, houver contribuído para a prática de ato que constitua infração a dispositivo da legislação tributária, especialmente no caso de informar ou declarar falsamente, omitir ou simular o recebimento de doações em bens ou em dinheiro, ou de qualquer forma cooperar para que terceiro sonegue tributos ou pratique ilícitos fiscais. Por sua vez, o artigo 14 dispõe que à suspensão do gozo da imunidade aplicase o disposto no .artigo 32 da Lei nº. 9.430, de 27/12/96. Fl. 2555DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.556 26 Finalmente, o artigo 15, § 3° dispõe que às instituições isentas aplicamse as disposições do artigo 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos artigos 13 e 14 da Lei n°. 9532/97. (...). Como o artigo 146, inciso II da CF/88 dispõe que cabe à lei complementar regular as limitações constitucionais ao poder de tributar e como a Lei Ordinária n°. 9.532/97 trata, em seus artigos 12 a 14, de requisitos impostos e da suspensão do gozo da IMUNIDADE TRIBUTARIA das instituições de educação ou de assistência social sem fins lucrativos, nos termos do artigo 150, inciso VI, alínea "c" da CF/88, o STF, através da ADIn n ° . 1.8023, entendeu que, por se tratar de limitação constitucional ao poder de tributar, a demarcação do objeto formal e material da imunidade das referidas instituições é matéria afeita à lei complementar, tendo declarado a INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL da alínea "f' do § 2° do artigo 12, o caput do artigo 13 e o artigo 14, bem como a inconstitucionalidade formal e material do § 1 ° do artigo 12 da Lei Ordinária n°. 9.532/97. A Ementa da ADIn n°. 1.8023 esclarece que o que a CF/88 remete à lei ordinária é a fixação de normas sobre a constituição e o funcionamento da entidade imune. Entretanto, o que diz respeito aos lindes (limites) da imunidade, quando suscetíveis de disciplina infraconstitucional, devem ser reservados à lei complementar. A luz desse critério distintivo, o artigo 12 e § 2°, salvo a alínea "f" e o § 3°, bem como o artigo 13, parágrafo único da Lei nº. 9.532/97 foram considerados como INCÓLUMES à inconstitucionalidade formal argüida. A Ementa do Acórdão 10321076 do 1° Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (1° CC do MF), publicado no DOU de 28/11/2002, dispõe que a ADIn nº. 1.802 3, que suspendeu liminarmente a vigência de dispositivos da Lei nº. 9.532/97, tem eficácia tãosomente à suspensão da imunidade que trata o artigo 32 da Lei nº 9.430/96, não tendo aplicabilidade ao instituto da isenção de tributos e contribuições federais. Por sua vez, os relatórios dos votos dos Acórdãos 101 94657 e 10195343 do 1° CC do MF, em sessões realizadas em 12/08/2004 e 25/01/2006 que tiveram como relatora a Conselheira SANDRA MARIA FARONI, dispõem que há quem entenda que o alcance da suspensão da eficácia do artigo 14 da Lei nº. 9.532/97 não se refere à adoção do procedimento nele previsto, mas em aplicar o procedimento nos casos de descumprimento dos requisitos para a imunidade acrescentados pela mesma lei e suspensos pelo STF. Entretanto, como as interpretações acima apresentadas ainda não são pacificas no âmbito do 1° CC do MF, entendemos que a suspensão da vigência de dispositivos da Lei nº. 9.532/97 operada pela ADIn no. 1.8023 tem eficácia tanto, em relação à suspensão da imunidade quanto em relação à suspensão da isenção, e que também não há como flexibilizar a suspensão imposta pelo STF. Fl. 2556DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.557 27 (...).Apesar de o rito para a suspensão da imunidade tributária previsto no artigo 32 da Lei nº. 9.430/96 referirse única e exclusivamente aos requisitos previstos na CF/88 e no CTN, o § 10 do referido artigo dispõe que os procedimentos estabelecidos nos §§ ao 9º aplicamse, também, às hipóteses de suspensão de isenções condicionadas, quando a entidade beneficiária estiver descumprindo as condições ou requisitos impostos pela legislação de regência, qual seja, a própria Lei nº. 9.532/97, ficando, assim, suprida a suspensão da vigência do artigo 14 da Lei n °. 9.532/97 pela ADIN n°. 1.802. Esclarecemos que o artigo 32, §§ 1º ao 10° da Lei nº 9.430/96 não estabelece limitações ao poder de tributar, mas, tão somente, discorre sobre procedimento de natureza administrativa. Neste caso, não há necessidade de lei complementar para regular a questão, bastando uma lei ordinária, no caso, a própria Lei n°. 9.430/96, uma vez que a essência instrumental das normas, sem direta ligação com o campo tratado na imunidade das entidades, está livre da reserva complementar. Ademais, a inconstitucionalidade do referido artigo não foi argüida na ADIn nº. 1.8023. Finalmente, salientamos que a Lei nº. 9.532/97 constituise na lei isentiva de que trata o artigo 176 do CTN relativamente às instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e cientifico e as associações civis, e a aplicabilidade de seu artigo 15, c/c o artigo 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° não foi afetada pela ADIN nº. 1.802, estando EM PLENO VIGOR. O artigo 195, § 7° da CF/88 dispõe que são isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Por sua vez, o artigo 55 da Lei nº. 8.212, de 24/07/1991, dispõe que a entidade beneficente de assistência social (EBAS) que atenda aos requisitos dispostos em seus incisos I a V, cumulativamente, fica isenta da contribuição previdenciária a cargo das empresas, de que trata o artigo 22, bem corno das contribuições sociais de que tratam o artigo 23 da referida Lei.(...). (grifouse). A partir da legislação citada no trecho acima, passo a analisar o presente caso. Os fatos ocorridos que levaram a fiscalização à expedir o ato declaratório de suspensão da imunidade tributária da Contribuinte encontramse pormenorizados no relatório fiscal às fls. 920/952 e fls. 9/104, e foram caracterizados pela fiscalização como infração ao artigo 14, incisos I, II e III do CTN, c/c o artigo 9°, inciso IV, alínea "c" do CTN, com redação dada pela Lei Complementar 104/01, e o artigo 12, caput e § 3° da Lei n°. 9.532/97, com redação dada pela Lei nº. 9.718/98. Em resumo, tais fatos destacados pela fiscalização são: Fl. 2557DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.558 28 1) A FUNDAE celebrou em 16/04/2007 o Contrato de nº. 09/2007 com o DETRAN/RS, bem como celebrou em 02/04/2007 contrato com a FATEC para a prestação de serviços relacionados aos exames práticos e teóricos de direção veicular no Estado do Rio Grande do Sul no período de 15/05/2007 a 14/11/2009, o que implicou na execução de atividades de natureza econômicofinanceira desvirtuadas de seu objeto social, em desacordo com o disposto no artigo 12, capuz da Lei n°. 9.532/97 e no artigo 14, inciso II do CTN; 2) A FUNDAE efetuou pagamentos às empresas sistemistas BARRIONUEVO, DOCTUS, FADEL, GCPLAN, IGPL, NACHTIGALL, PENSANT e S3 para a execução do contrato com o DETRAN/RS, que não foram suportados por documentos hábeis que confirmassem a sua destinação aos fins da entidade, tendo deixado de comprovar a aplicação integral de seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais no período de 06/2007 a 10/2007, em desacordo com o disposto no artigo 14, inciso II do CTN; 3) A FUNDAE efetuou pagamentos às empresas sistemistas BARRIONUEVO, CARLOS ROSA, CASA EDITORIAL, FADEL, GCPLAN, IGPL, NACHTIGALL, PENSANT e S3 para a execução do PROJOVEM, que não foram suportados por documentos hábeis que confirmassem a sua destinação aos fins de entidade, tendo deixado de comprovar a aplicação integral de seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais no período de 11/2005 a 06/2008, em desacordo com o disposto no artigo 14, inciso II do CTN; 4) A FUNDAE efetuou cessãodemão de obra como atividade principal e permanente à Prefeitura Municipal de Porto Alegre RS para a execução do PROJOVEM no período de 11/2005 a 06/2008, em desacordo com o disposto no Parecer MPS n°. 3.272104 e no artigo 12, caput da Lei n°. 9.532/97. 5) A FUNDAE apresentou em 31/12/2008 um superávit líquido de R$ 5.051.991,40 e um saldo de. caixa e equivalentes de R$ 7.970.719,54, bem como concedeu gratuidades no anocalendário de 2008, as quais representaram apenas 6,63% (4,71%, se considerado o regime de competência) da gratuidade mínima de 20%, em desacordo com o disposto no artigo 14, inciso II c/c o artigo 9°, inciso IV, alínea "c" do CTN e no artigo 12, § 3° da Lei n°. 9.532/97, com redação dada pela Lei n °. 9.718/98; 6) A FUNDAE destinou parcela ínfima dos recursos da instituição às suas finalidades essenciais, em desacordo com o disposto no artigo 150, inciso VI, alínea "c" da CF/88 e no artigo 14, inciso II, c/c o artigo 9°, inciso IV; alínea "c" do CTN; 7) A FUNDAE terceirizou as suas ações de assistência social, tendo deixado de aplicar seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais, em desacordo com o disposto no artigo 14, inciso II, c/c o artigo 9°, inciso IV, alínea "c" do CTN; 8) A FUNDAE utilizou os valores contabilizados a débito das contas de resultado de custos e despesas representativas de folha do pagamento, FGTS, Vales Transporte e PIS relativos aos contratos mantidos com as Prefeituras Municipais de Porto Alegre, Viamão e Gravataí RS para a execução da PROJOVEM no cálculo das gratuidades concedidas nos anoscalendário de 2005 a 2007, em desacordo com o disposto no artigo 14, inciso II, c/c o artigo 9°, inciso IV, alínea "c" do CTN; Fl. 2558DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.559 29 9) A FUNDAE contabilizou notas fiscais frias no período de 11/2005 a 06/2008, tendo deixado de manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurassem a respectiva exatidão, em desacordo com o artigo 14, inciso III do CTN; 10) A FUNDAE concedeu empréstimo gratuito à empresa PENSANT, em desacordo com o disposto no artigo 14, incisos I e II c/c o artigo 9°, inciso IV, alínea "c" do CTN. Merece razão a fiscalização quando afirma que as atividades descritas no contrato da Recorrente com o DETRAN/RS não estão de acordo com os objetivos sociais da Fundação, constantes do artigo 1°, § 2° de seu estatuto (fl. 128/138), já que seu objetivo básico, conforme disposto no artigo 1°, alíneas “a” a “n” é a promoção e o desenvolvimento da educação e da cultura, ações de cidadania, geração de renda e inclusão social, atividades incompatíveis com as obrigações contratuais da Recorrente perante o DETRAN/RS, tão somente vinculadas à prestação de serviços relacionados aos exames práticos e teóricos de direção veicular no Estado do Rio Grande do Sul. A leitura que a direção da Recorrente fez do artigo 1º, § 2°, afirmando tratar se de promoção de estudos, pesquisas e prestação de serviços para entidades públicas e privadas, não pode jamais ser feita de forma estanque ao que está disposto no artigo 1 °, alíneas “a” a “n” do estatuto social da Fundação, que aponta seus objetivos principais, quais sejam a promoção e o desenvolvimento da educação e da cultura, ações de cidadania, geração de renda e inclusão social, sob o risco de ser extrapolado seu objeto social, o que de fato acabou acontecendo, quando a Fundação assinou em 16/04/2007 o contrato com o DETRAN/RS. A Solução de Divergência COSIT nº. 9 de 16/07/03 admite que as associações civis sem fins lucrativos executem atividades comerciais ou econômicas sem a perda do gozo da isenção do IRPJ e da CSLL, desde que atendam aos requisitos do artigo 15, § 3 °, c/c § artigo 12, § 2° e o artigo 13, todos da Lei nº. 9.532/97, e desde que seus atos não extrapolem aos objetivos definidos em estatuto social, não concorram com organizações que não gozem do mesmo beneficio e que, quando apurarem superávit em suas contas, observem o disposto no artigo 12, § 3° da referida Lei. Ora, a prestação de serviços relacionados aos exames práticos e teóricos de direção veicular para o DETRAN/RS claramente extrapolou os objetivos definidos no artigo 1º, alíneas “a” a “n” do estatuto social da Fundação. Além disso, está claro que a prestação de tais serviços poderia ser realizada por quaisquer empresas privadas, mediante processo licitatório regular, evidenciando violação ao princípio constitucional da livre concorrência, disposto no artigo 170, inciso IV da Constituição Federal de 1988. Assim, concluise que a Recorrente executou, no período de 06/2007 a 10/2009, atividades de natureza econômicofinanceira desvirtuadas de seu objeto social, em desacordo com o disposto no artigo 12, caput da Lei nº. 9.532/97 e no artigo 14, inciso II do CTN, o que implica na suspensão do beneficio da imunidade tributária nos anoscalendário de 2007 a 2009. Outro ponto, dentre os enumerados pela fiscalização, que merece relevo para o deslinde da controvérsia é aquele relativo ao empréstimo gratuito realizado pela Recorrente à Pensant. Sobre o tema, conclui a fiscalização que (fl.78): Fl. 2559DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.560 30 Intimada em 30/09/2009 a esclarecer os fatos acima relatados, bem como a apresentar o contrato de mútuo firmado em 04/04/2007 com a empresa PENSANT (fls. 263 a 278), a FUNDAE informou em 13/10/2009 que tratase de contrato de mútuo, concedido pela Fundação à empresa PENSANT, que restou inadimplido, tendo informado também que não localizou a copia do referido contrato, o qual deve estar na documentação apreendida pela Policia Federal (fls. 279 a 289). 0 contrato de mútuo entre a FUNDAE (mutuante) e a empresa PENSANT (mutuaria), datado de 03/04/2007, foi localizado por essa fiscalização dentre os 25 DVDs entregues em face do Oficio à Cláusula Segunda dispõe que o prazo do contrato de mútuo deveria ser de 180 dias, a partir da assinatura do mesmo, em 03/04/2007, ou seja, deveria ter validade até 30/09/2007, enquanto que a Cláusula Quarta dispõe que o não cumprimento por parte da mutuária implicaria na rescisão do contrato, não dispondo sobre quaisquer cobrança de juros, o que o caracteriza como empréstimo gratuito (fls. 574). Entendemos que a FUNDAE poderia ter compensado suas obrigações perante a empresa PENSANT, quanto aos serviços que teriam sido prestados pela mesma à Fundação, com seu direito em relação ao empréstimo concedido. Entretanto, tal fato não ocorreu, apesar de a FUNDAE ter pago, o montante de R$ 1.429.637,07 no período de 19/06/2007 a 11/10/2007 pelos serviços que teriam sido prestados pela empresa PENSANT no âmbito do contrato com o DETRAN/RS, de acordo com o Anexo 1 (fls. 38 e 39). Se levarmos em conta seu momento e forma de concessão, onde não houve, por parte do tomador do empréstimo, a obrigação do pagamento de juros e sequer do valor principal, podemos dizer que o mesmo constituiu um "prêmio" à empresa PENSANT pela obtenção do contrato entre a FUNDAE e o DETRAN/RS, o que demonstra que a referida Fundação deixou de atender tanto o disposto no inciso I do artigo 14 do CTN quanto o disposto em seu inciso II, os quais estabelecem que para o gozo de imunidade fiscal, as instituições de assistência social lido podem distribuir qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer titulo, bem como devem aplicar integralmente, no país, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais, o que implica na perda do beneficio da imunidade tributária no anocalendário de 2007. Corroboro o entendimento, uma vez que o empréstimo não foi quitado, nem compensado, e não há provas de qualquer tipo de cobrança por parte da Recorrente. Com efeito, a distribuição de parcela gratuita de seu patrimônio à Pensant denota infração expressa ao inciso I do artigo 14 do CTN, justificando a suspensão da imunidade tributária da Recorrente. Não bastasse isso, corroboro a assertiva fiscal no sentido de que a atividade de prestação de serviços mediante cessãodemão de obra exercida pela FUNDAE, como Fl. 2560DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.561 31 atividade principal e não pontual, em desobediência às orientações do Parecer MPS n°. 3.272/04, representou um desvio de finalidade, tendo a Fundação infringido o disposto no artigo 12, caput da Lei n°. 9.532/97, justificando a suspensão de sua imunidade tributária nos anoscalendário de 2005 a 2008. De outro giro, considero incorreta a manutenção do superávit em conta de patrimônio liquido "Reserva p/ Filantropia Gratuidades a Conceder" (código 2920301), pois, conforme redação do artigo 14, inciso II do CTN, fazse necessária a aplicação INTEGRAL dos recursos da entidade imune na manutenção dos seus objetivos institucionais, e, conforme conceito de entidade sem fins lucrativos, disposto no artigo 12, § 3º da Lei n°. 9.532/97 (com redação dada pela Lei n °. 9.718/98), a entidade não pode apresentar superávit em suas contas e, caso o apresente em determinado exercício, deve destinar o referido resultado, integralmente à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Acrescentese, por oportuno, que, conforme exposto no relatório fiscal, “através de um ajuste prévio, pessoas com grande influência política (lobistas) conseguiram fazer com que o DETRAN/RS contratasse a FATEC e a FUNDAE para a execução de serviços diversos, cuja realização acabou sendo atribuída a terceiros, aos quais era repassada em torno de 40% da remuneração percebida, uma vez que no preço dos serviços eram embutidos, além do próprio serviço, a “remuneração” dos lobistas, pela obtenção do contrato, bem corno a “propina” destinada a corromper funcionários públicos” (fl. 22). A análise das questões relacionadas à legalidade do contrato firmado entre a Recorrente, o DETRAN e o Projovem, a manutenção do esquema criminoso mediante pagamento de propina pelas empresas sistemistas à terceiros, a influência do lobista José Fernandes e seus prepostos junto à Recorrente e demais empresas envolvidas no esquema, a exigência de propina por funcionários público do DETRAN para direcionamento da licitação, dentre outras não mencionas, não competem à esse órgão julgador ou são menos importantes do ponto de vista fiscal, razão pela qual não serão abordadas. Da mesma forma, a absolvição da conduta da Recorrente no juízo criminal (penal) não afasta a hipótese de infração à legislação tributária. Portanto, mantenho a suspensão da imunidade da tributária da Recorrente. Dos autos de infração lavrados Sobre o tema, alega a Recorrente, em breve síntese, que a glosa das deduções dos custos dos serviços contratados das empresas sistemistas não deve ser afastado, uma vez que não restou comprovado que os custos dos serviços estavam superfaturados. Nesse ponto, discordo da Recorrente. Sobre o tema, transcrevo trecho do relatório fiscal (fls.42/47): 3.2.8. Superfaturamento apurado por essa fiscalização quanto aos pagamentos efetuados pela FUNDAE em face dos serviços que teriam sido prestados pelas empresas sistemistas no âmbito do contrato com o DETRAN/RS Anexo 1 (fls. 38 e 39) apresenta a relação de NFs emitidas pelas empresas sistemistas BARRIONUEVO, Doctus, FADEL, Fl. 2561DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.562 32 GCPLAN, IGPL, NACHTIGALL, PENSANT e S3, subcontratadas pela FUNDAE para a execução dos serviços prestados ao DETRAN/RS no período de 06/2007 a 10/2007. As cópias de algumas das NFs emitidas pelas empresas sistemistas, bem como as cópias de NFs emitidas pela FUNDAE e FATEC e o demonstrativo de composição de custo com o Projeto DETRAN/RS são apresentadas à fls. 548 a 563. Dos montantes brutos de R$ 3.619.198,53 e R$ 1.381.824,24 apresentados no Anexo 1 (fls. 38 e 39) e contabilizados pela FUNDAE a débito das contas de resultado "Serviços Prestados por PJs Cto. Detran" e "Serviços Prestados por PJs (códigos 4110706 e 4210125) nos períodos de 06/2007 a 10/2007 e 01/2008 a 10/2009, respectivamente, somente .o montante R$ 305.191,43 referese a serviços que teriam sido prestados pelas empresas sistemistas após 06/11/2007, quando foi deflagrada a Operação RODIN, mesmo assim por apenas urna empresa, a empresa S3. De acordo com análise efetuada por essa fiscalização nos arquivos digitais de lançamentos contábeis entregues em 10/08/2009, 11/11/2009 e 28/01/2010, verificamos que a FUNDAE, contabilizou, no período de 01/2008 a 10/2009, o montante bruto de R$ 21.331.036,64 a débito das contas de resultado de custos e despesas acima mencionadas. Desse total, R$ 19.133.020,54 foram contabilizados quanto aos serviços prestados pela FATEC (26,1% da fatura do DETRAN/RS, de acordo com o contrato de 02/04/2007) e pelas empresas BLATI'ES ADVOGADOS ASSOCIADOS, CNPJ II°. 04.549.552/000104, NORTE REBELO ADVOGADOS ASSOCIADOS, CNPJ n°. 04.470.350/000172, PERFECTUM AUDITORIA INDEPENDENTE S/S, CNPJ n°. 01.681.852/0004 54, KARIN A. RIBEIRO & CIA LTDA., CNPJ n°. 03.595.966/000107, CRS COMUNICAÇÃO INTEGRADA LTDA., CNPJ nº. 04.240.314/000112 e S3, nos montantes de R$ 17.751.196,30, R$ 405.000,00, R$ 540,000,00, R$ 82.964,81, R$ 9.668,00, R$ 9.000,00 e R$ 335.191,43, respectivamente. Ou seja, para cumprir as suas obrigações contratuais perante o DETRAN/RS, a FUNDAE deixou de contabilizar os serviços que teriam sido prestados pelas empresas sistemistas, tendo contabilizado apenas os serviços de consultoria e assessoria técnica e operacional em relação ao Contrato com o DETRAN/RS, prestados pela FATEC, serviços de assessoria jurídica, prestados pelos escritórios de advocacia BLATIES e NORTE REBELO, serviços de auditoria contábil, prestados pela PERFECTUM, serviços de comunicação social e de arquivo e controle de documentos, prestados pelas empresas CRS e KARIN, e serviços de contabilidade, prestados pela S3. Mesmo assim, os serviços de contabilidade, que antes de deflagrada a Operação RODIN eram contratados juntos à S3 por R$ 40.000,00 mensais, passaram a ser prestados pela mesma Fl. 2562DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.563 33 empresa por R$ 15.000,00 mensais, no período de 01/2008 a 10/2009, de acordo com o Anexo 1 (fls. 38 e 39). Em 30/09/2009, intimamos a FUNDAE a demonstrar para quais empresas foram atribuídos, após 06/11/2007, os serviços que teriam sido subcontratados as empresas BARRIONUEVO, CARLOS ROSA, CASA EDITORIAL, DOCTUS, FADEL, GCPLAN, IGPL, NACHTIGALL, PENSANT e S3 antes de deflagrada a fase ostensiva da Operação RODIN, bem como apresentar documentação comprobat6ria relativamente aos novos fornecedores de serviços (fls. 263 a 278). Em 13/10/2009, a FUNDAE apresentou planilha excel com a relação de pagamentos efetuados pelos serviços que teriam sido prestados pelas empresas acima mencionadas relativamente às obrigações, contratuais perante o DETRAN/RS (fls. 279 a 307). A FUNDAE também informou em 13/10/2009 que a mesma necessitou subcontratar outras empresas para atender a demanda dos serviços, tendo também aumentado seu quadro funcional, bem como informou que após 06/11/2007, o Conselho da Fundação reuniuse em diversas oportunidades para a definição do tratamento que seria dado às empresas que vinham até aquela data prestando serviços, uma vez que quase todas as empresas sistemistas tiveram os serviços descontinuados, com notificação de rescisão contratual, com exceção da empresa S3, quando foi proposta uma readequação de honorários, face a situação instável pela qual a Fundação passava, a qual foi aceita pela empresa S3, tendo sido elaborado um aditivo contratual com vigência retroativa aos serviços prestados a partir de 01/10/2007 até 31/12/2009 (fls. 279 a 289). Adicionalmente, a FUNDAE informou em 13/10/2009 que os serviços jurídicos de consultoria, advocacia geral e trabalhista, antes prestados pela empresa NACHTIGALL, foram assumidos pelas empresas BLAITES ADVOGADOS ASSOCIADOS e NORTE REBELO ADVOGADOS ASSOCIADOS, esta última com serviços especializados na área de direito administrativo (fls. 279 a 289). Os serviços de comunicação social, antes prestados pela empresa BARRIONUEVO, foram assumidos pela empresa CRS COMUNICAÇÃO INTEGRADA, enquanto que os serviços de arquivo e controle de documentos, antes prestados pela empresa IGPL, foram substituídos pelo projeto da empresa K.ARIN A. RIBEIRO & CIA, com implementação e manutenção do sistema através de contratação da arquivologista LÍDIA NASCIMENTO DE LIMA GUILHERME, CPF 999.766.25049, apoiada por outros funcionários administrativos. Os serviços de auditoria, de controles internos de contratos, projetos e convênios de legislação trabalhista e de contabilidade, antes prestados pela empresa DOCTUS e PENSANT, foram assumidos pela empresa PERFECTUM AUDITORIA INDEPENDENTE, enquanto que o serviço de Fl. 2563DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.564 34 coordenação do contrato com o DETRAN/RS, também prestado pela empresa DOCTUS, foi assumido pela contratação da psicóloga ALINE BAUMER, CPF n°. 888.376.53034. Finalmente, a FUNDAE informou em 13/10/2009 que o serviço de supervisão externa e controle de qualidade e segurança nos procedimentos do trabalho de examinadores de trânsito, antes prestados pela empresa PENSANT, passou a ser efetuado pela contratação do Sr. FRANCISCO JOSÉ WENDLING, CPF n°. 330.193.80006, enquanto que os serviços de recrutamento e seleção de pessoal, antes prestados pela empresa GCPLAN, passaram a ser feitos por duas psicólogas, contratadas com e sem vinculo empregatício (fls. 279 a 289). De acordo com contato telefônico (55 30284002) mantido em 30/10/2009 com o Sr. HÉLVIO DEBUS OLIVEIRA SOUZA, CPF n °. 387.636.21053, exSecretário Executivo da FUNDAE e ex sócio da empresa S3, as duas psicólogas mencionadas na Resposta de 13/10/2009 seriam as Sras ALINE BAUMER e FERNANDA ALTERMANN BATISTA, CPF no. 937.870.14004. Em consulta ao Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) e ao Sistema de Guias do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social (GFIP), verificamos que ALINE BAUMER, FRANCISCO JOSÉ WENDLING e LÍDIA NASCIMENTO DE LIMA GUILHERME constam como trabalhadores com vínculo empregatício relativamente à FUNDAE, com datas de admissão em 01/04/2008, 02/02/2009 e 01/04/2009, tendo recebido remuneração de R$ 63.904,75, R$ 22.850,00 e R$ 7.800,00 no período de 01/2008 a 10/2009, enquanto que FERNANDA ALTERMANN BATISTA consta como trabalhadora sem vinculo empregatício, tendo prestado serviços à FUNDAE nos meses de 02/2009 e 05/2009 a 08/2009 e 10/2009 pelo montante de R$ 4.625,00 (fls. 571 a 573), o que resultou no total de R$ 99.179,75 de serviços subcontratados a tais pessoas físicas para a execução dos serviços ao DETRAN/RS no período de 01/2008 a 10/2009. O Anexo 2 (fls. 39, verso e 40) apresenta o confronto entre as médias mensais de valores pagos pela FUNDAE pelos serviços que teriam sido prestados pelas empresas sistemistas BARRIONUEVO, DOCTUS, FADEL, GCPLAN, IGPL, NACHTIGALL, PENSANT e S3 no âmbito do contrato com o DETRAN/RS, e os valores pagos aos novos prestadores de serviços, às pessoas jurídicas BLAT1ES, NORTE REBELO, PERFECTUM, KARIN A. RIBEIRO e CRS, além da própria empresa S3, no período após 06/11/2007, bem como as pessoas físicas ALINE BAUMER, FRANCISCO JOSÉ WENDLING, LÍDIA NASCIMENTO DE LIMA GUILHERME e FERNANDA ALTERMANN BATISTA. O Anexo 2 (fls. 39, verso e. 40) apresenta também o confronto entre as médias mensais de valores pagos pela FUNDAE às empresas sistemistas e aos novos prestadores de serviços Fl. 2564DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.565 35 considerandose o tipo de serviço, de Auditoria, de controles internos de contratos, projetos e convênios, de legislação trabalhista e de contabilidade, de supervisão externa e controle de qualidade e segurança nos procedimentos do trabalho de examinadores de trânsito (1), serviços de arquivo e controle de documentos (2), serviços de comunicação social (3), serviços jurídicos de consultoria, Advocacia geral e trabalhista (4) e serviços de contabilidade (5). De acordo com o primeiro critério, sem considerarse o tipo de serviços, obtivemos médias mensais de valores pagos às empresas sistemistas e aos novos prestadores de serviços de R$ 723.839,71 e R$ 61.708,50 por períodos, de 05 e 24 meses, respectivamente, considerandose o regime de caixa, o que demonstra que a FUNDAE pagou aos novos prestadores de serviços apenas 8,53% do valor que era anteriormente pago pelos serviços que teriam sido prestados pelas empresas sistemistas, o que resultou em um percentual de superfaturamento de 91,47%, com um valor total superfaturado de R$ 3.310.656,03. De acordo com o segundo critério, considerandose os cinco tipos de serviços, verificamos que a FUNDAE pagou aos novos prestadores de serviços 1,68%, 0,41%, 37,50%, 52,77% e 34,92% dos valores que eram anteriormente pagos pelos mesmos cinco tipos de serviços que teriam sido prestados pelas empresas sistemistas, o que resultou em percentuais de superfaturamento de 98,32%, 99,59%, 62,50%, 47,23% e 65,08%, com o mesmo valor total superfaturado obtido a partir do primeiro critério. Tal fato demonstra que o percentual obtido a partir do primeiro critério serve como parâmetro para dimensionarmos em 91,47% o superfaturamento ocorrido, nos pagamentos efetuados pela FUNDAE quanto aos serviços que teriam sido prestados pelas empresas sistemistas no âmbito do contrato com o DETRAN/RS. O percentual de superfaturamento médio de 91,47% obtido por essa fiscalização no Anexo 2 (fls. 39, verso e 40) aproximase do percentual de superfaturamento médio de 84,08% obtido a partir da Informação Técnica MPE/TCE nº. 0075/2007, elaborada em 17/10/2007 pelo Ministério Público de Contas do Estado do Rio Grande do Sul, quanto à subcontratação das empresas sistemistas CARLOS ROSA, NEWMARK, PENSANT e RIO DEL SUR pela FATEC (fls. 538, verso e 539). E continua para dizer que da mesma forma ocorreu quanto ao Projovem (fl. 58): No Item 3.2.7 do presente Relatório de Fiscalização, utilizamos o critério de quantificarmos subcontratação efetuada pela FUNDAE para a execução do contrato com o DETRAN/RS antes e após a deflagração da fase ostensiva da Operação RODIN, em Fl. 2565DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.566 36 06/11/2007, no sentido de apurarmos o superfaturamento ocorrido quanto aos pagamentos efetuados pela Fundação em face dos serviços que teriam sido prestados pelas empresas sistemistas. O mesmo critério pode ser utilizado no âmbito do PROJOVEM, uma vez que a FUNDAE, apesar de ter encerrado os serviços prestados à Prefeitura Municipal de Porto Alegre RS em 11/2007, manteve os serviços prestados As Prefeituras Municipais de Viamão e Gravataí RS até 06/2008 e 11/2008, respectivamente. Se antes de deflagrada a Operação RODIN a FUNDAE utilizava fartamente os serviços subcontratados às empresas sistemistas BARRIONUEVO, CARLOS ROSA, CASA EDITORIAL, FADEL, GCPLAN, IGPL, NACHTIGALL, PENSANT e S3 para a execução do PROJOVEM junto às Prefeituras Municipais de Porto Alegre, Viamão e Gravataí RS, após 06/11/2007 a Fundação passou a subcontratar apenas as empresas sistemistas GCPLAN e S3, como mostra o Anexo 3 (fls. 41 e 42). Neste aspecto, o Anexo 5 (fls. 43, verso) apresenta o confronto entre as médias mensais de valores pagos pela FUNDAE pelos serviços que teriam sido prestados pelas empresas sistemistas GCPLAN, NACHTIGALL, PENSANT e S3 para a execução do PROJOVEM junto As Prefeituras Municipais de Viamão e Gravataí RS no período antes de 06/11/2007, e os valores pagos às empresas sistemistas GCPLAN e S3 no período após 06/11/2007. De acordo com o Anexo 5 (fls. 43, verso), obtivemos médias mensais de valores pagos às empresas sistemistas antes e após 06/11/2007 de R$ 39.995,45 e R$ 6.375,00 por períodos de 11 e 06 meses (antes) e 08 meses (após), considerandose o regime de caixa, o que demonstra que a FUNDAE pagou às empresas sistemistas GCPLAN e S3 apenas 15,94% do valor que era anteriormente pago pelos serviços que teriam sido prestados pelas empresas sistemistas para a execução do PROJOVEM junto As Prefeituras Municipais de Viamão e Gravataí — RS, o que resultou em um percentual de superfaturamento de S4,06%, com um valor total superfaturado de R$ 275.466,88. O percentual de superfaturamento médio de 84,06% obtido por essa fiscalização no Anexo 5 (fls. 43, verso) é idêntico ao percentual de superfaturamento médio de 84,08% obtido a partir da Informação Técnica MPE/TCE n o. 0075/2007, elaborada em 17/10/2007 pelo Ministério Público de Contas do Estado do Rio Grande do Sul, quanto A subcontratação das empresas sistemistas CARLOS ROSA, NEWMARK, PENSANT e RIO DEL SUR pela FATEC para a execução dos Contratos 34/2003 e 70/2003 com o DETRAN/RS (fls. 538, verso e 539). Fl. 2566DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.567 37 Nesse passo, correta a glosa efetuada pela fiscalização em razão da falta de comprovação dos custos de serviços prestados pelas empresas sistemistas no período de 29/11/2005 a 12/06/2008 no âmbito dos Projetos PROJOVEM e DETRAN/RS. IRRF Nesse ponto a Recorrente alega que sendo ilegal ou não a contratação dos serviços das empresas sistemistas, fato é que ela firmou os compromissos com o PROJOVEM e com o DETRAN e, apesar de supostos interesses de terceiros, estranhos à prestação dos serviços, a entidade desenvolveu os trabalhos a que se propôs, utilizando o serviço das empresas subcontratadas. Ressalta que (i) não há prova nos autos de que não ocorreu a efetiva prestação dos serviços pela empresas sistemistas, que (ii) a prova da efetiva contratação das empresas sistemistas está nos autos, (iii) a prova de que os serviços foram efetivamente prestados poderá ser obtida em procedimento pericial. Nada obstante, a DRJ preferiu concluir com base em provas indiciárias e invocando situações fáticas de contratos e operações realizadas pela FATEC que não envolvem a entidade. Assim, estaria claro que os pagamentos foram realizados às empresas sistemistas em virtude dos serviços contratados e efetivamente prestados, razão pela qual, não se pode admitir o lançamento de IRRF decorrente do suposto pagamento sem causa. Nesse ponto, merece razão a Recorrente. Ainda que existam irregularidades nos procedimentos licitatórios, que os pagamentos tenham sido superfatudrados e que tenha ocorrido o envolvimento de terceiros com obtenção de vantagens ilícitas, os pagamentos efetuados pela Recorrente às empresas sistemistas, a princípio, são referentes aos serviços contratados. É certo que a Recorrente não fez provas de que a prestação de serviços efetivamente ocorreu. No entanto, os contratos existem e os pagamentos estão devidamente registrados em sua contabilidade. Tais serviços são, em resumo, a execução dos serviços dos projetos Projovem e DETRAN/RS, formalizados em contrato que estabelecem as condições para a prestação e especificam os serviços subcontratados, tais como supervisão e auditoria operacional, desenvolvimento se software, gerenciamento de arquivos, gerência de documentos, gestão de recursos humanos, assessoria jurídica, contábil, etc. Além do que, antes disso, cabia à fiscalização comprovar que a prestação de serviços não existiu, o que não foi feito. A fiscalização pressupõe, a partir do depoimento de Rubem Höher (fl. 933/934) que os serviços não teriam sido realizados pelas empresas sistemistas, uma vez que a maior parte dos recursos pagos pela Recorrente à tais empresas foi utilizado “quase integralmente” para o pagamento de propinas. Sobre a fiscalização não ter comprovado a prestação de serviço, narra o relatório fiscal que: “a FUNDAE equivocouse, uma vez que foi a direção atual da FATEC quem informou em 30/06/2008, em decorrência de ação fiscal iniciada em 25/01/2008, em Fl. 2567DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.568 38 cumprimento ao MPF Fiscalização n°. 1010300.2008.00045; que não há documentação que especifique a natureza serviços prestados pelas empresas sistemistas, que a mesma não tem conhecimento de que tenha havido efetiva prestação de serviços mensuráveis ou necessários ou sequer úteis, tendo utilizado nas alegações entregues em 25/08/2008 o termo "serviços de papel" como referência ao escoamento de milhões de reais para o bolso de particulares, mediante condutas penalmente típicas e civilmente ilícitas, portanto, nulas de pleno direito e incapazes de gerar efeitos fiscais contra a Fundação” (fls.941). Com efeito, entendo que o depoimento de Rubem Höher e a declaração da FATEC não são suficientes para presumir que nenhum serviço foi prestado por nenhuma das empresas sistemistas e que os pagamentos não tinham causa. E, ainda nesse contexto, entendo que a evidência de superfaturamento, não interfere no fato de que a causa do pagamento está identificada. O fato de o pagamento ter sido superfaturado não implica na desconsideração de sua causa. Assim, afasto o lançamento de IRRF em sua totalidade. Da multa qualificada A Lei nº 9.430/96 determina a qualificação da multa proporcional de ofício, majorandoa de 75% para 150%, nas hipóteses em que a conduta evasiva do contribuinte tenha sido imbuída de sonegação e/ou fraude, remetendo às configurações hipotéticas de ambas as figuras definidas na Lei nº 4.502/64. Os respectivos textos são os seguintes: Lei nº 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Lei nº 4.502/64 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Fl. 2568DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.569 39 II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Como se percebe, o conluio não chega a ser uma terceira hipótese qualificadora autônoma. Para sua configuração como qualificadora, é necessário, portanto, que haja sonegação e/ou fraude orquestradas por meio de ajuste doloso entre duas ou mais pessoas (físicas ou jurídicas). Destarte, a qualificação da multa proporcional de ofício deve ser feita quando a autoridade fiscal identificar e comprovar a ocorrência de sonegação e/ou fraude. E apenas pode ser considerado sonegação ou fraude, para essa finalidade, aquilo que esteja conforme o preceito estabelecido pelos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64. Assim, para fins de qualificação da multa proporcional de ofício, analisando se as características textuais das definições empreendidas pelos artigos 71 e 72, temos que a sonegação e a fraude são condutas (ação ou omissão) dolosas. Com isso, para qualificar a multa proporcional de ofício, a autoridade fiscal deve identificar e comprovar a ocorrência da conduta dolosa do sujeito passivo. Noutra palavras, exigese convicção de que o sujeito passivo cometeu a conduta dolosa de sonegação e/ou fraude, por meio de um conjunto probatório suficiente. No presente caso, uma vez que (i) foi utilizada a estrutura formal da FUNDAE como entidade imune para a prática de atos econômicos destinados a desviar recursos de entidades públicas e repassálos a terceiros, sem o pagamento de impostos (ii) restou demonstrada a prática de superfaturamento; e (ii) que os contratos foram firmados com o propósito de desviar recursos do poder público, sem qualquer fundamento econômico ou capacidade para a prestação dos serviços contratados, conjunto probatório suficiente para a comprovação de que a Recorrente agiu efetiva e dolosamente com sonegação e/ou fraude em relação às receitas que cobrava. Logo, é de se manter a multa qualificada. Recurso Voluntário dos sujeitos passivos responsabilizados solidariamente com base no artigo 124 do CTN. Inicialmente, esclareçase, nesse ponto, que a solidariedade imputada aos senhores Helvio Debus Oliveira Souza, Ipojucan Seffrin Custódio, Rubem Höher e José Antonio Fernandes teve como fundamento, tão somente, o artigo 124, inciso I e parágrafo único do CTN. Assim, não há imputação de responsabilidade com fulcro no artigo 135 do CTN como afirmou a decisão recorrida. Fl. 2569DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.570 40 A partir daí, temos que, para a materialização da solidariedade tributária com escopo no artigo 124, I, do CTN, é preciso existir interesse comum entre os obrigados solidários. A doutrina critica o dispositivo pela vagueza da expressão “interesse comum” e converge no entendimento de que essa norma exclui do seu âmbito de incidência as hipóteses de negócios jurídicos em que os interesses são contrapostos, tais como a compra e venda, etc. Assim, a maioria dos autores entende que o interesse comum é fator decorrente da conduta lícita de ser copartícipe da realização do fato gerador tributário; ou seja, a solidariedade tributária fundada no art. 124, I do CTN só seria possível entre sujeitos que figurem no mesmo pólo da relação obrigacional. Nesse contexto, o dispositivo deverá ser aplicado aos casos em que o mesmo fato gerador é realizado conjuntamente por mais de uma pessoa. Havendo mais de uma pessoa enquadrada na definição legal de contribuinte (art. 121, parágrafo único, I), determina o art. 124, I que sejam eles solidariamente obrigados pela dívida tributária, independentemente de disposição expressa de lei. Também importa ressaltar que, esse interesse comum deve ser entendido como um interesse jurídico, não sendo relevantes para gerar a solidariedade tributária os interesses de ordem econômica, moral ou social. Em suma, esse interesse comum, entendido como interesse jurídico, se caracteriza pela existência de direitos e deveres iguais entre pessoas que ocupam o mesmo pólo da relação jurídica que consistiu o fato gerador do tributo. Vale citar a doutrina de Paulo de Barros Carvalho, corroborando o que foi dito até aqui: (...) o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art. 124 do Código. Vale, sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratandose, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas, em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalarse entre os sujeitos que estiverem no mesmo pólo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador. (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário Ed. Saraiva, 8ª edição, 1996, p. 220) Fl. 2570DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.571 41 Nesse contexto, o interesse financeiro de um terceiro em relação à prática de um fato gerador tributário por parte da pessoa jurídica não faz dele um obrigado solidário pelos tributos. A prática de atos jurídicos que são também fatos geradores de tributos interessam apenas economicamente aos sóciosadministradores das pessoas jurídicas e, não havendo interesse jurídico, não deve haver a imputação de responsabilidade solidária. Com efeito, no caso dos autos, os sujeitos passivos responsabilizados solidariamente não podem ser caracterizados como realizadores do fato gerador tributário, visto que eles não possuem interesse jurídico no fato gerador. Nesse contexto, o crédito tributário poderá ser exigido apenas dos sócios e administradores que tiverem praticado atos com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do artigo 135, III do CTN. Incorreta, portanto, a solidariedade passiva estendida a tais pessoas físicas, com base no art. 124, I do CTN. A responsabilidade de tais pessoas pelas conseqüências dos atos apurados na operação Rodin devem ser apuradas na Ação Penal Pública nº. 2007.71.02.0078728, uma vez que desinteressantes ao presente lançamento fiscal. Finalmente, as considerações e resultados aplicáveis ao IRPJ aplicamse aos demais tributos no que for pertinente. Conclusão Em razão do exposto, voto pela procedência parcial do recurso apresentado pela contribuinte pessoa jurídica e pela procedência total dos recursos apresentados pelos sujeitos passivos solidários. (assinado digitalmente) Carlos Pelá, relator Fl. 2571DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.572 42 Voto Vencedor Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar, Redator designado Com a devida vênia, ouso discordar do i.Conselheiro relator quanto ao lançamento consubstanciado no auto de infração de IRRF. Resumese a lide. Alega a Recorrente ter firmado os compromissos com o PROJOVEM e com o DETRAN e que efetivamente desenvolveu os trabalhos a que se propôs, utilizando o serviço das empresas subcontratadas. Ressalta que não há prova nos autos de que não ocorreu a efetiva prestação dos serviços pela empresas sistemistas e que a DRJ preferiu concluir com base em provas indiciárias pela manutenção do lançamento. Entende restar claro que os pagamentos foram realizados às empresas sistemistas em virtude dos serviços contratados e efetivamente prestados, pelo que conclui por inadmissível o lançamento de IRRF decorrente do suposto pagamento sem causa. Da análise dos autos é possível afirmar que, em que pesem a existência dos contratos e dos registros dos pagamentos em sua contabilidade, a Recorrente não fez provas de que a prestação de serviços efetivamente ocorreu. Ademais, não há como se exigir prova negativa, isto é, de que inexiste a efetiva prestação de serviços, por parte do fisco. Entendo, nesse sentido, que a fiscalização bem andou ao considerar comprovada a inexistência da prestação dos serviços com base em um feixe consistente de provas indiciárias. Sobre o tema, a decisão recorrida colaciona farta doutrina e jurisprudência, destacandose o vencedor do acórdão nº CSRF/0102.743, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que toma por base a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, in verbis. Indícios de omissão de receitas é que não faltam. A propósito, como relembra o preclaro mestre Hely Lopes Meirelles, o Egrégio Supremo Tribunal Federal já decidiu que “indícios vários e concordantes são prova”, com o que, de plano, este relator poderia dar o assunto por encerrado. (STF, RTJ 52/140 apud Hely Lopes Meirelles in Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo, Malheiros, 22ª ed., 1997, p. 97.) Nesse sentido, concordo com o decidido no aresto atacado de que “o fato de as provas para a constatação de que houve pagamento sem causa aos sistemistas fundaremse em presunções ou indícios não geraria qualquer problema”, já que tais indícios, ou fatos conhecidos, são as bases para caracterização da prova. Fl. 2572DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.573 43 Bastaria à fiscalização, portanto, demonstrar de forma inequívoca os fatos ocorridos, bem como a seriedade e consistência do vínculo com a infração. Tudo isso foi feito. Vejase, a seguir, excertos da análise da execução dos contratos com o Detran/RS e do Projovem, levado a efeito na decisão recorrida. 5.2.1 Execução do contrato com o Detran/RS O contrato celebrado com o Detran/RS registra como objeto a aplicação dos exames teóricos e práticos necessários à obtenção da carteira nacional de habilitação para condução de veículos automotores (fls. 125/133). O contrato com Detran/RS adquire relevo no campo tributário relativamente aos elementos fáticos que demonstram o descumprimento das condições legais para o gozo da imunidade tributária, para a verificação da incidência do imposto de renda na fonte sobre os valores transferidos às sistemistas e eventual fraude tributária cometida. Os pagamentos sem causa na execução do contrato com o Detran/RS são demonstrados cabalmente nas planilhas elaboradas pela DRF Santa Maria, comparando os custos dos serviços prestados por terceiros antes e depois de deflagrada a operação Rodin, cujo marco ocorreu em 6/11/07 (fls. 38/40). A significativa redução nos custos dos serviços prestados evidencia o superfaturamento praticado com as sistemistas na ordem de 91,47%. A prova da existência do superfaturamento passa também por todo um contexto de participação irregular da Fundae em dispensa de licitação do Detran/RS, conforme os critérios estabelecidos pelos tribunais de conta, principais órgãos de controle das contas estatais e responsáveis pelas diretrizes e orientações quanto à contratação pública. O Tribunal de Contas da União já assentou jurisprudência no sentido de que a dispensa de licitação exige, dentre outros requisitos, que a contratada seja capaz de executar o objeto contratual com estrutura própria e de acordo com sua competência e que os objetos licitados relacionemse claramente com a natureza e os objetivos da instituição. Eis alguns excertos de decisões nesse sentido: [...] Evidenciase, pois, a irregularidade da participação da Fundae na dispensa do processo licitatório do Detran/RS. Antes mesmo de assinado o contrato com o Detran/RS, a Fundae formalizou contratos com as empresas sistemistas, prevendo terceirização de serviços. Tal procedimento é incompatível com a dispensa da licitação. [...] A fundação sustenta que a irregularidade em processo licitatório e as questões envolvendo a cessão de mão de obra ou valores dos serviços prestados seriam de apreciação da esfera judicial e não poderiam afetar a imunidade tributária. Engana se. Essas ocorrências foram suficientemente demonstradas no processo, como depoimentos à Polícia Federal, escutas telefônicas autorizadas judicialmente e entrevistas concedidas à imprensa. Todo esse conjunto compõe a prova indiciária da utilização da entidade para fins diversos daqueles previstos para titular de imunidade Fl. 2573DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.574 44 tributária, inclusive propiciando distribuição irregular de rendas próprias ou aplicação de recursos em fins diversos dos estabelecidos estatutariamente. Há evidências suficientes no processo para se concluir que os serviços prestados pelos sistemistas não ocorreram de fato ou, se ocorreram, geraram resultados pífios e desconexos com os preços praticados. Não houve comprovação de sua efetividade. O esquema da participação de sistemistas no contrato da Fatec com o Detran/RS se repete na execução do contrato da Fundae com o mesmo órgão público, sendo, inclusive, coincidentes vários agentes. A semelhança da sistemática permite que sejam estendidas à operação da Fundae as constatações registradas nas informações técnicas do Ministério Público de Contas do Estado do Rio Grande do Sul, ao detalhar sobre os relatórios de serviços de quatro sistemistas no contrato da Fatec, revelando que os acordos produziram remunerações irreais, abusivas e desproporcionais e demonstrando que (fls. 530/536): · o contrato da Fatec com a Pensant Consultores previa a prestação de serviços técnicos de supervisão e gerência das obrigações decorrentes do contrato firmado entre o Detran/RS e a Fatec, mas os relatórios mensais do fornecimento dos serviços, que consistiam basicamente em reprodução das informações contidas nos relatórios de outros sistemistas e da equipe da Fatec responsável pela aplicação dos exames, sequer correspondiam efetivamente ao objeto contratual; sequer foram utilizados como ferramentas de apoio à gestão (fls. 531/533); · o contrato da Fatec com a Carlos Rosa Advogados previa a prestação de consultoria jurídica nas relações decorrentes do contrato firmado entre o Detran/RS e a Fatec; entretanto, os relatórios dos serviços e atividades prestados praticamente não tinham respaldo em documentação (fls. 535/536); · o contrato da Fatec com a Rio del Sur – Auditoria e Consultoria previa a prestação de auditoria das obrigações e procedimentos decorrentes do contrato firmado entre o Detran/RS e a Fatec revelou remuneração elevadíssima considerando que consistia basicamente em serviços contábeis (fls. 530/531); · o contrato da Fatec com a Newmark – Tecnologia da Informação, Logística e Marketing previa a prestação de serviços técnicos especializados de apoio às atividades de inteligência no âmbito dos o objetivo de obter e analisar informações para garantir integridade e segurança no desenvolvimento dos trabalhos de aplicação de provas práticas para a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação para condução de veículos automotores no Estado do Rio Grande do Sul de acordo com o contrato firmado entre o Detran/RS e a Fatec; inexplicavelmente sequer previa a periodicidade da realização dos trabalhos, que ficavam a critério exclusivo da prestadora (fls. 533/535). As mesmas informações do Ministério Público de Contas comentam que a Pensant questionou os serviços das outras três sistemistas em seus relatórios (fl. 532). Fl. 2574DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.575 45 Registrou a insuficiência de informações prestadas pela Carlos Rosa Advogados, concernentes aos meses de jan/07 a mar/07, e propôs a requisição de novo relatório, com as atividades efetivamente desenvolvidas e acompanhado da documentação comprobatória. Afirmou também que em determinado período não houve o cumprimento integral dos objetos relativos aos contratos da Rio del Sur e da Newmark, recomendando a retenção integral do valores a serem pagos. Do exposto, concluise pela existência de pagamentos sem causa às empresas sistemistas em razão da execução do contrato com o Detran/RS, no anocalendário 2007. 5.2.2 Execução do contrato do Projovem O Programa Nacional de Inclusão de Jovens (Projovem) é financiado por recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação e tem por objetivo promover a formação básica, a qualificação profissional e o envolvimento em ação comunitária de jovens com idade de 18 a 24 anos, com foco na elevação da escolaridade (fls. 364/375). A Fundae foi contratada pelas prefeituras municipais de Porto Alegre, Viamão e Gravataí para a execução do Projovem no âmbito de seus municípios. A impugnante alega que não haveria provas do superfaturamento na execução do Projovem. Sugere falta de base legal quanto aos critérios utilizados para quantificar o superfaturamento, dizendo, inclusive, que os custos do Projovem de Porto Alegre não poderiam ser comparados com os de Gravataí e Viamão, pois aqueles representariam volume de trabalho inferior aos destes. Sustenta que teria reduzido o volume dos serviços no período posterior ao início da operação Rodin, podendo ter obtido custos menores em vista da desmobilização decorrente do final próximo dos contratos. O comparativo dos custos dos serviços prestados por terceiros antes e depois de deflagrada a operação Rodin, baseado nos dados contábeis, é a prova básica dos pagamentos sem causa. Os valores estão demonstrados em planilhas elaboradas pela DRF Santa Maria (fls. 41/43). A significativa redução nos custos dos serviços prestados evidencia o superfaturamento praticado na ordem de 84,06%. Há muitas coincidências entre a prestação de serviços ao Detran/ RS e a prestação para o Projovem, as quais constituem indícios do superfaturamento no Projovem assim como se revelaram na execução do contrato com o Detran/RS. Destacamse entre elas: a associação do mesmo time de sistemistas, a participação dos mesmos lobistas e a surpreendente redução dos custos depois de deflagrada a operação Rodin. A legislação não estabelece um método para quantificar superfaturamento. O critério utilizado pelos autuantes seguiu o padrão adotado para o caso do Detran/RS. É razoável e adota ponderações lógicas e racionais. A DRF Santa Maria utilizou somente os dados do Projovem de Viamão e Gravataí para indicar o índice de superfaturamento no Projovem uma vez que não foi possível efetuar comparação entre os pagamentos de subcontratação anteriores e posteriores ao advento da operação Rodin no caso do Projovem de Porto Alegre – o contrato encerrou antes. O percentual utilizado supriu a lacuna e sua utilização é sensata. Parece, inclusive, mais benéfica à contribuinte, como se vê a seguir. Fl. 2575DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/201054 Acórdão n.º 1402001.351 S1C4T2 Fl. 2.576 46 A tabela que demonstra a relação entre as despesas com subcontratação e o faturamento da Fundae no Projovem (anexo 4, fl. 43) evidencia uma média mensal de receitas próxima a R$ 842 mil no Projovem de Porto Alegre (considerando 2 meses em 2005, 12 em 2006 e 10 em 2007), enquanto a média mensal das despesas com as sistemistas aproximase de R$ 195 mil (23%). Já o faturamento médio mensal no Projovem de Viamão (R$ 100 mil) e Gravataí (R$ 106 mil) alcança R$ 206 mil e as despesas com as sistemistas até o início da operação Rodin, R$ 34 mil (17%). Contatase que os percentuais de desembolso para os sistemistas em relação ao total faturado no Projovem Porto Alegre é maior que o dos demais. Nesse sentido, até seria racional suporse que o superfaturamento no Projovem de Porto Alegre seria maior. Percebese também que, para a execução do Projovem de Porto Alegre, participa um número maior de sistemistas: dez empresas, sendo quase todas citadas na ação penal como beneficiárias dos desvios no Detran/RS (fls. 41/42). Já no caso do Projovem de Viamão e Gravataí, enquanto quatro terceirizadas teriam supostamente produzido serviços antes do início da operação Rodin, apenas duas terceirizadas teriam sido capazes de executar a mesma espécie de serviços depois. Aqui mais um indício de que o superfaturamento de Porto Alegre pudesse ser maior. Segundo o brocardo jurídico de que os pactos devem ser respeitados (“pacta sunt servanda”), não faz sentido a alegação da contribuinte de que a redução do volume de serviços foi motivada pela redução dos custos no Projovem após o advento da operação Rodin, já que os acordos com as prefeituras de Viamão e Gravataí ainda estavam pendentes e deveriam ser cumpridos conforme o estabelecido. A desmobilização não poderia ser o motivo para renegociação dos valores. Concluise pela existência de pagamentos sem causa às empresas sistemistas, vinculados à execução do Projovem de Porto Alegre, Viamão e Gravataí, nos anos calendários 2005 a 2008. (destaquei.). De todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário também quanto a esse tópico, relativo ao lançamento de IRRF, o qual mantenho na íntegra. (assinado digitalmente) Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar, Redator designado Fl. 2576DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 11128.000246/2002-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 06/09/2001
LUPRANAT M20S. LAUDO PERICIAL. IDENTIFICAÇÃO. POLI (ISOCIANATO DE FENIL METILENO). NOTAS EXPLICATIVAS - NESH. APLICAÇÃO.
O Produto identificado pela Perícia Técnica como Poli (isocianato de fenil metileno), descrito na importação como Lupranat M20S, classifica-se na Posição 3909 e não na Posição 3824, pela aplicação das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias - NESH, Atualizações nºs 05 e 06, Instrução Normativa nº 509/05.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3102-002.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatorio e Voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 05/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Paulo Puiatti e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatorio e Voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator EDITADO EM: 05/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Paulo Puiatti e Andréa Medrado Darzé.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 06/09/2001 LUPRANAT M20S. LAUDO PERICIAL. IDENTIFICAÇÃO. POLI (ISOCIANATO DE FENIL METILENO). NOTAS EXPLICATIVAS NESH. APLICAÇÃO. O Produto identificado pela Perícia Técnica como Poli (isocianato de fenil metileno), descrito na importação como Lupranat M20S, classificase na Posição 3909 e não na Posição 3824, pela aplicação das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias NESH, Atualizações nºs 05 e 06, Instrução Normativa nº 509/05. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatorio e Voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 05/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Paulo Puiatti e Andréa Medrado Darzé. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 02 46 /2 00 2- 31 Fl. 494DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 2 Os fatos sobre os quais versa o litígio foram descritos no Relatório da decisão deste Colegiado, que determinou a conversão do Julgamento em diligência, Resolução nº 3102 000.250, e o foram nos mesmos termos do relato feito em primeira instância de julgamento, cujo teor mais uma vez reproduzo. A empresa acima qualificada submeteu a despacho através da Declaração de Importação 01/08894325, de 06/09/2001 (fls. 18/22), o produto descrito como “LUPRANAT M 20 S polimetileno polifenilisocianato teor nco: mínimo 20%, qualidade industrial, estado físico: líquido, utilizado na fabricação de sistemas de poliuretanos com uso final nas industrias de calçados, automotiva, refrigeração, construção civil, moveleira e elétrica.”, classificandoo no código 2929.10.90, como OUTROS ISOCIANATOS, com alíquota de 4,5% para o I.I. e de 0% (zero) para o IPI. Foi retirada amostra do produto para efeito de análise, sendo o resultado trazido aos autos através do Laudo Técnico nº 2411.01 (LAB 2521) do LABANA (flS. 35/37) que apresentou as seguintes informações técnicas em resposta aos quesitos apresentados: Quesito no. 01: Identificar o produto comparando com a descrição acima? “Não se trata de Outro Isocianato, de constituição química definida. Tratase de uma mistura de reação constituída à base de Isocianatos Aromáticos (Polimetileno Polifenil Poliisocianato), contendo 4,4´Diisocianato de Difenilmetano, um produto diverso das indústrias químicas, na forma líquida” Quesito no. 02 Tratase de produto de constituição química definida e isolada? “Não” Quesito no. 03 – Qual a aplicação ou finalidade do produto? “De acordo com a Literatura Técnica Específica (cópia anexa), a mercadoria é utilizada, principalmente, na fabricação de espumas de poliuretano.” Quesito no. 04 – Outras informações que julgar necessárias. “ISOCIANATOS POLIMÉRICOS OU PMDI são produtos obtidos a partir da reação de condensação 4,4’Metilenodianilina de baixa pureza, constituída de isômeros e oligômeros, misturada de reação proveniente da condensação de Anilina com Formaldeido e o produto resultante da sua reação com o Fosgênio, também é uma mistura de 4,4’Diisocianato de Difenilmetado, seus isômeros, trímeros e oligômeros de alto peso molecular, confirmada pela informação técnica específica da mercadoria LUPRANATE M 20S, que declara: Fórmula molecular: mistura. Ou seja, não apresenta uma relação constante entre seus elementos e não pode ser representado por um única fórmula molecular e/ou estrutural definida, como é o caso dos compostos orgânicos de constituição química definida, cujo exemplo é o 4,4’Diisocianato de Difenilmetado puro. ....... Conclusão: Tratase de uma mistura de reação à base de Isocianatos Aromáticos, contendo 4,4´Diisocianato de Difenilmetano, na forma sólida” Em decorrência da análise laboratorial, a Fiscalização rejeitou o enquadramento tarifário adotado pela empresa (código 2929.10.90, como OUTROS ISOCIANATOS), lavrandose os Autos de Infração (fls. 01/15), procedendose à reclassificação da mercadoria importada para o código NCM 3824.90.32 – preparações contendo outros isocianatos, com alíquotas de 16,5% para o I.I. e 10% para o IPI. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.000246/200231 Acórdão n.º 3102002.180 S3C1T2 Fl. 3 3 Assim, o contribuinte foi intimado a recolher ou a impugnar a diferença de tributos (II e IPI) que deixou de ser pago, juros de mora, multas previstas no art. 44, I da lei 9430/96 (sobre o I.I), no art. 80, inciso II da Lei 4.502/64, com a redação dada pelo art. 45 da Lei 9.430/1996 (sobre o I.P.I.) c/c art. 106, inciso II, alínea c da do DecretoLei 5.172/1966, e no artigo 526, II do Decreto 91.030/85 (falta de Licenciamento). A empresa regularmente cientificada da autuação, no dia 06/02/2002 (fl.51 – verso), apresentou tempestivamente a Impugnação, em 25/02/2002, onde alega em síntese que: O produto “LUPRANAT M 20S”, constituise de uma mistura de isômeros do 44diisocianato de difenilmetano, com fórmula geral C15H10N2O2; Solicitou parecer técnico ao IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas, a fim de que determinasse qual a posição tarifária correta para classificar o produto; De acordo com o parecer técnico nº 7071 (anexo, fls. 71 e ss.) passou a utilizar o código 2929.10.90, para classificação da mercadoria, conforme determinou o referido parecer; O fato de o LABANA ter definido o produto como uma mistura não descaracteriza a posição adotada pelo impugnante e, também, não corrobora com a desclassificação pretendida pelo Fisco, pois a Nota 1 “b” do Capítulo 29 assegura o enquadramento da mercadoria no referido Capítulo, por se tratar de uma mistura de isômeros de um mesmo composto orgânico (mesmo contendo impurezas); A posição pretendia pelo Fisco é subsidiária, não se aplicando ao presente caso, pois só se aplica aos produtos não especificados nem compreendidos em outras posições (posição 3824). Assim, consoante a Regra Interpretativa ao Sistema Harmonizado, Regra 3, a posição mais específica deve prevalecer sobre a mais genérica; Quanto à multa do imposto de importação deve ser aplicado o ADN COSIT 10/97 nos casos de classificação tarifária errônea, considerandose não poder atribuir máfé, ou dolo à Impugnante; Quanto à multa do art. 526, II do Decreto 91030/95 não pode ser admitida à medida que a Impugnante, através de sua declaração, não fez chegar ao país produto diverso daquele discriminado no referido documento. A descrição do produto fornecida pela Impugnante foi como se tratando de Lupranat M20S, isocianatos aromáticos, dominando o difenilmetano 4,4 diisocianato com teor de grupos NCO no mínimo de 33,6%. Assim, a Impugnante forneceu os dados e elementos necessários à identificação do produto. Não cabe a multa do IPI em razão de não se encaixar a situação no estabelecido no art. 80 da lei 4502/64, com alterações da lei 9430/96, uma vez que a Impugnante tem entendimento diversa da Fiscalização no que tange a classificação do produto, divergindo consequentemente no tocante à diferença de recolhimento de impostos; Os juros de mora não podem ser cobrados durante o procedimento administrativo, posto que o débito ainda está sendo discutido, conforme entendimento citado de um trecho de Acórdão do Conselho de Contribuintes; Fl. 496DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 4 A utilização da taxa SELIC, que possui natureza remuneratória, como índice de juros é inconstitucional; Junta laudo do IPT (fls. 71 e ss) que diz não se tratar de mistura de reação, mas sim de mistura de isômeros; Requer seja declarado insubsistente o Auto de Infração; Requer provar o alegado através de nova perícia ao INT – Instituto Nacional de Tecnologia. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou sua decisão na ementa correspondente. Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 06/09/2001 LUPRANAT M 20 S. O produto identificado como sendo uma mistura de reação constituída à base de Isocianatos Aromáticos (Polimetileno Polifenil Poliisocianato), contendo 4,4´ Diisocianato de Difenilmetano, deve ser classificação no código NCM 3824.90.32, conforme elementos de prova constantes dos autos, notadamente em Laudo Técnico emitido pelo Labana. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Preliminarmente, requereu a declaração de nulidade da decisão a quo por preterição ao direito de defesa ante a negativa ao pedido de realização de perícia no Instituto Nacional de Tecnologia, com vistas à confrontação dos resultados obtidos pelo laudo pericial do Labana, no qual baseouse a autuação fiscal. Reiterou necessidade de realização de diligência. No mérito, defendeu que o "LUPRANAT M 20S" é uma mistura de isômeros do 4,4diisocianato de difenilmetano, com fórmula geral C 1 All oN202, conforme Parecer Técnico emitido pelo Instituto de Pesquisa Tecnológica carreado aos autos que, inclusive, atesta a classificação escolhida. Que a conclusão do Laudo Labana de que o produto é uma mistura de reação à base de isocianatos aromáticos não desqualifica a classificação escolhida, conforme Nota 1, “b” do Capítulo 29. Por outro lado, considerou a classificação indicada pela Fiscalização Federal completamente despida de fundamento, por ser residual, utilizada apenas e tão somente para os casos onde não haja classificação especifica para o produto. Considerou, também, que milita em seu favor o disposto no artigo 112 do Código Tributário Nacional. Referiuse às modificações introduzidas pela Instrução Normativa nº 509 da Secretaria da Receita Federal que entende favoráveis à interpretação que defende, da mesma forma que a decisão tomada no processo administrativo n° 11128.005544/200137, acórdão 17 17.590, da 1ª Turma da DRJ/SPO II, de 08 de março de 2007. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.000246/200231 Acórdão n.º 3102002.180 S3C1T2 Fl. 4 5 Ainda mais, que a Fiscalização agiu em desacordo com o estabelecido no artigo 142 do Código. Assevera, E foi exatamente o que ocorreu no caso em questão, onde a autoridade fiscalizadora, mesmo ciente de que o produto em tela não comportava a classificação no capitulo 3824.9032, assim o classificou, afastandose dos ditames legais. Protestou, também, pela exclusão da multa ao Controle Administrativo das Importações. Defende que o documento de licenciamento existe e foi apresentado na importação e que não se pode admitir a aplicação da penalidade por mera analogia, para equiparar suposto erro de descrição à falta de guia de importação. Citou as disposições do Ato Declaratório Normativo n°. 12 de 21/01/97. Sobre o assunto concluiu: o LABANA em nenhum momento negou a presença de 4,4DIFENILMETILDIISOCIANATO e; portanto, nenhuma razão existe para que se mantenha a penalidade aplicada, que só deve ter lugar quando efetivamente o produto importado for fundamentalmente diferente do declarado. É forçoso reconhecer, portanto, que a multa em tela, por ter caráter administrativo e não tributário, exige, para que possa incidir, seja o produto importado substancialmente diverso do declarado, o que indubitavelmente não ocorre para o caso em tela. Com base nas razões defendidas, também considerou ser inaplicável a multa por classificação incorreta, se não pelo fato de a mercadoria não estar incorretamente classificada, por que uma “multa deste tipo jamais poderia ter sido instituída por intermédio de medida provisória, tendo em vista que ausentes se mostram os caracteres de relevância e urgência constitucionalmente exigidos para que determinada matéria seja tratada diretamente pelo Poder Executivo”. Pediu a exclusão da multa por declaração inexata/falta de pagamento, por força do disposto no Ato Declaratório Interpretativo nº. 13/2002. No que se refere à multa incidente sobre a diferença do Imposto sobre Produtos Industrializados vinculado à importação, advogou que a situação fática não se enquadra em nenhuma das hipóteses previstas no artigo 80 da Lei 4.502/64. Ao fim, contraditou a exigência dos juros de mora, exigíveis apenas depois de findarem os recursos administrativos possíveis. Também protestou contra a aplicação da Taxa Selic. Em junho de 2010 a Recorrente compareceu mais uma vez ao processo para informar decisão favorável a seu entendimento, proferida no processo administrativo 1128.004010/200355, no qual, segundo informa, também discutiase a classificação fiscal do produto LUPRANAT M20S. Por derradeiro, em agosto de 2012, aduziu novas considerações ao feito. Apresenta documentos que considera enquadraremse nas hipóteses do PAF como passíveis de apresentação depois da impugnação ao lançamento. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 6 Considerando que a requerente figura em outros processos judiciais e administrativos no qual se discute a mesma matéria, sobreveio nos autos do processo no 2001.61.00.0075870, que na lª. Vara Cível da Justiça Federal da Seção de São Paulo SP, LAUDO PERICIAL favorável à ora requerente, elaborado pelo Ilustre Sr. Miguel Tadeu Campos Morata em março de 2012, do IPT, constatandose novamente que sua tese esta de acordo com a norma em vigor. (...) O Anexo A — Relatório Técnico de Análise no 127 319205 emitido pelo Laboratório de Análises Químicas do IPT comprova após a análise da Amostra do produto Lupranat M2OS as fls. 6/7 que o produto é composto apenas por polimeros de 4,4 Diisocianato de difenilmetano, exatamente como argüiu a todo o momento a peticionaria. (...) A decisão tomada em 24 de abril de 2013, nesta Turma de Julgamento, determinou o retorno do Processo à Unidade de Origem para que o Laudo Técnico fosse complementado, com o esclarecimento acerca da possibilidade de que o produto importado pela Recorrente fosse definido como uma mistura de isômeros de um mesmo composto orgânico (mesmo contendo impurezas), que não fosse uma mistura de isômeros (exceto estereoisômeros) dos hidrocarbonetos acíclicos, saturados ou não, pelas razões e nos termos explicitados no Voto. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Embora fosse incontroverso que o produto importado não tinha e não tem constituição química definida, a Recorrente defendia sua inclusão no Capítulo 29 baseada no disposto na Nota 1, “b”, que inclui no Capítulo as misturas de isômeros de um mesmo composto orgânico, nos termo ali definidos1. Compulsando os autos, constatouse que tratavase de um aspecto sobre o qual não se tinha buscado esclarecimentos. Assim descrevi o que pude observar dos fundamentos da autuação e da decisão de primeira instância. A fundamentação informada no Auto de Infração para desclassificação do produto importado é a seguinte. Conforme resultado emitido através do Laudo 2411.01, emitido em 27/09/2001, ficou constatado, de acordo com a 1° Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado, que a mercadoria analisada "Tratase de Mistura de Reação à Base de Isocianatos Aromáticos, (Polimetileno Polifenil Poliisocianato), contendo 4,4'Diisocianato de Difenilmetano, um Produto Diverso das Indústrias Química, na forma liquida", suscitando sua classificação tarifária no código NCM 1 1. Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capítulo apenas compreendem: a) os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas; b) as misturas de isômeros de um mesmo composto orgânico (mesmo contendo impurezas), com exclusão das misturas de isômeros (exceto estereoisômeros) dos hidrocarbonetos acíclicos, saturados ou não (Capítulo 27); Fl. 499DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.000246/200231 Acórdão n.º 3102002.180 S3C1T2 Fl. 5 7 3824.9032 Preparações contendo outros isocianatos, com aliquotas de 16,5% para o Imposto de Importação e 10% para o Imposto sobre Produtos Industrializados, o que resulta em diferença de tributos a recolher com os devidos acréscimos legais. Ao longo do Relatório que serviu de base à decisão recorrida, o i. Relator do processo esclarece com mais detalhes as especificações técnicas do produto e as razões da atuação, com base nas respostas fornecidas pela Perícia, se não vejamos. Foi retirada amostra do produto para efeito de análise, sendo o resultado trazido aos autos através do Laudo Técnico n° 2411.01 (LAB 2521) do LABANA (flS. 35/37) que apresentou as seguintes informações técnicas em resposta aos quesitos apresentados: Quesito no. 01: Identificar o produto comparando com a descrição acima? "Não se trata de Outro Isocianato, de constituição química definida. Tratase de uma mistura de reação constituída à base de Isocianatos Aromáticos (Polimetileno Polifenil Poliisocianato), contendo 4,4'Diisocianato de Difenilmetano, um produto diverso das indústrias químicas, na forma liquida" Quesito no. 02 Tratase de produto de constituição química definida e isolada? "Não" Quesito no. 03 — Qual a aplicação ou finalidade do produto? "De acordo com a Literatura Técnica Especifica (cópia anexa), a mercadoria é utilizada, principalmente, na fabricação de espumas de poliuretano. Quesito no. 04 — Outras informações que julgar necessárias. "ISOCIANATOS POLIMÉRICOS OU PMDI são produtos obtidos a partir da reação de condensação 4,4'Metilenodianilina de baixa pureza, constituída de isômeros e oligômeros, misturada de reação proveniente da condensação de Anilina com Formaldeido e o produto resultante da sua reação com o Fosgênio, também é uma mistura de 4,4'Diisocianato de Difenilmetado, seus isômeros, trimeros e oligômeros de alto peso molecular, confirmada pela informação técnica especifica da mercadoria LUPRANATE M 20S, que declara: Fórmula molecular: mistura. Ou seja, não apresenta uma relação constante entre seus elementos e não pode ser representado por um única fórmula molecular e/ou estrutural definida, como é o caso dos compostos orgânicos de constituição química definida, cujo exemplo é o 4,4'Diisocianato de Difenilmetado puro ação de espumas de poliuretano." Foi por essa razão que o Processo retornou à Unidade de Origem, com a determinação de que o Laudo Pericial fosse complementado, nos seguintes termos, conforme consta na Resolução nº 3102000.250. Pelo exposto,VOTO pela CONVERSÃO do Julgamento em diligência, para que o Laudo do Labana seja complementado com o esclarecimento acerca da possibilidade de que o produto importado seja definido como uma mistura de isômeros de um mesmo composto orgânico (mesmo contendo impurezas), que não seja uma mistura de isômeros (exceto estereoisômeros) dos hidrocarbonetos acíclicos, saturados ou não. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 8 Uma vez atendida a demanda, a Fiscalização Federal poderá fazer constar no processo as considerações que julgar pertinentes a respeito do resultado obtido. Após, dêse ciência a interessada e prazo de dez dias para manifestação. Retorne o processo para decisão final da lide. Em resposta à solicitação deste Conselho, foi encaminhado expediente ao Laboratório de Analises, que emitiu o Laudo de Análise nº 2411.01 Funcamp – Aditamento, no qual prestaramse os seguintes esclarecimentos (folhas 402 a 404). Poli (lsocianato de Fenil Metileno), também denominado MDI polimérico ou polímero de 4,4' Diisocianato de Difenilmetano, de acordo com Reféncias Bibliográficas é um liquido castanho, com número de CAS 9016879, constituido de uma mistura de diisocianato de difenilmetano e homólogos de MDI. Esclarecemos que não se trata de mistura de isômeros. De acordo com Instrução Normativa n° 509 de 14 de fevereiro de 2005, temos: Página 443. Posição 29.29. Primeiro parágrafo. Item 1). Nova redação: "1)0s Isocianatos Este grupo de produtos químicos compreende os isocianatos mono e polifuncionais. Os isocianatos di ou polifuncionais, tais como o isocianato de difenilmetileno (MDI), o diisocianato de hexametileno (HD/), o diisocianato de tolueno (TD/), e o dímero de diisocian ato de tolueno, são bastante utilizados na fabricação de poliuretanos. Esta posição não compreende o poli (isocianato de fenil metileno), o MDI em bruto ou o MDI polimérico (posição 3909)." (grifo nosso). Ressaltamos, que segundo as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), posição 3909, temos: O Poli (lsocianato de Fenil Metileno) (que é frequentemente denominado"MDI em bruto" ou "MDI polimérico") apresentase na forma liquida, de aparência opaca, de uma cor que vai do castanho escuro ao castanho claro e sintetizase por reação de anilina e de formaldeido para constituir o poli (metileno fenilamina) que, reagindo em seguida com fosgênio e calor, dá as funções isocianato livres. É um polímero modificado quimicamente de anilina e formaldeido (uma resina aminica modificada quimicamente). O polímero dai resultante totaliza uma quantidade média de unidades monoméricas compreendida entre 4 e 5 e é um importante pré polímero utilizado na fabricação de poliuretanos." (grifo e destaque nosso). Segundo Resolução Camex N° 77, de 29 de outubro de 2012, a mercadoria de nome comercial Lupranat M20 tratase de MDI polimérico. Amostras de mercadorias com a denominação comercial LUPRANAT M20 S, já analisadas em nossos laboratórios, tratamse de Poli (lsocianato de Fenil Metileno). Considerandose as informações encontradas em Referências Bibliográficas e em Literaturas Técnicas, concluímos que a mercadoria não se trata de Diisocianato de Difenilmetano (MDI), um composto orgânico de constituição química definida e isolado e nem da mistura de isômeros de Diisocianato de Difenilmetano. Diante Fl. 501DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.000246/200231 Acórdão n.º 3102002.180 S3C1T2 Fl. 6 9 dessa constatação e sem a definição da Instrução Normativa n° 509, de 14 de fevereiro de 2005, a conclusão do Laudo 2411.03 de 27/09/2001 foi que a mercadoria se tratava de "Mistura de Reação base de Isocianatos Aromáticos, contendo 4,4'Diisocianato de Difenilmetano", definindo como um Produto Diverso das Indústrias Químicas. Hoje, é de conhecimento e aceitação geral que a mercadoria em epigrafe, tratase de Poli (lsocianato de Fenil Metano) (MDI polimérico), sem carga inorgânica, na forma liquida, Outra Resina Aminica, em forma primaria. Respostas aos Quesitos: I Considerandose as informações acima citadas e os resultados das análises da mercadoria, concluímos que tratase de Poli (lsocianato de Fenil Metileno). II Não se trata de composto de constituição química definida e isolada. Ill Não se trata de preparação. IV Tratase de Poli(lsocianato de Fenil Metano) (MDI polimérico), sem carga inorgânica, na forma liquida, Outra Resina Aminica, em forma primária. Intimada a manifestarse a respeito dos esclarecimentos prestados no Laudo de Análise Complementar, a Recorrente compareceu mais uma vez ao Processo, reafirmando seu entendimento de que a classificação tarifária informada na Declaração de Importação está correta e que a complementação do Laudo corrobora esses entendimento. A esse respeito, em que pesem os argumentos apresentados em sede de Recurso Voluntário e reiterados na recente manifestação do contribuinte em resposta ao resultado da diligência, entendo que não há como prosperar a leitura sugerida pela empresa. O Laudo de Análise Complementar nº 2411.01 Funcamp, conforme se pode facilmente extrair de seu conteúdo, é mais do que taxativo a respeito da impossibilidade de que o Produto sob análise se classifique em qualquer desdobramento da Posição 2929. Primeiro porque, em resposta ao questionamento veiculado na Resolução, afirma de maneira categórica que o Produto não se trata de mistura de isômeros. No entendimento do Colegiado e, particularmente, desse Relator, essa era a única lacuna nos esclarecimentos técnicos prestados pela Perícia, cuja reposta daria margem à possibilidade de inclusão do Produto no Capítulo 29. E para além disso, o Laudo Complementar, ainda que isso não tenha sido objeto de questionamento, foi bastante esclarecedor acerca do enquadramento da mercadoria nas especificações técnicas contidas nas NESH da Posição 3909. Com base nisso, descarto desde logo a possibilidade de classificação do Produto no Código indicado na Declaração de Importação. Resolvido isso, necessário que se ateste a classificação tarifária escolhida pela Fiscalização Aduaneira. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 10 Quanto a isso, embora seja de amplo conhecimento que a classificação tarifária não se constitui, para efeitos fiscais, esclarecimento de natureza técnica2, não há como evitar a observação de que a Posição indicada no Laudo Técnico não coincide com a escolhida pelo Fisco; respectivamente, 3909 e 3824. Abstraindose o fato de ter sido inserido no Laudo Pericial informação que não tem natureza técnica e que, por isso mesmo, não deve fundamentar a decisão que será tomada, o fato é que, independentemente de as NESH terem constado no corpo do Laudo, há nelas (NESH) informação de conteúdo jurídico de fundamental importância para o deslinde da controvérsia de que aqui nos ocupamos. Refirome à Nota Explicativa do Sistema Harmonizado da Posição 3909, que esclarece sua abrangência, incluindo, dentre outros, os Poli (lsocianato de Fenil Metileno), especificação técnica informada no Laudo Pericial que deu azo à desclassificação da mercadoria. Transcrevo mais uma vez o texto da Posição e a Nota Explicativa correspondente. 39.09 Resinas amínicas, resinas fenólicas e poliuretanos, em formas primárias. 3909.10 Resinas uréicas; resinas de tiouréia 3909.20 Resinas melamínicas 3909.30 Outras resinas amínicas 3909.40 Resinas fenólicas 3909.50 Poliuretanos Esta posição abrange: 1) As resinas amínicas (...) O poli (isocianato de fenil metileno) (que é freqüentemente denominado “MDI em bruto” ou “MDI polimérico”) apresentase na forma líquida, de aparência opaca, de uma cor que vai do castanho escuro ao castanho claro e sintetizase por reação de anilina e de formaldeído para constituir o poli (metileno fenilamina) que, reagindo em seguida com fosgênio e calor, dá as funções isocianato livres. É um polímero modificado quimicamente de anilina e de formaldeído (uma resina amínica modificada quimicamente). O polímero daí resultante totaliza uma quantidade média de unidades monoméricas compreendida entre 4 e 5 e é um importante prépolímero utilizado na fabricação de poliuretanos. Uma vez que incorreta a classificação tarifária escolhida pela Fiscalização Federal, resta comprometida a exigência fiscal consignada no Auto de Infração controvertido. Se a indicação da premissa elementar na definição do tratamento tributário e/ou administrativo (classificação fiscal) não foi precisa, todas as conclusões que dela se extraem terminam ficando comprometidas, e, como se sabe, é inaceitável que esse elemento seja revisto no curso do Processo Administrativo Fiscal. 2 Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. § 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. (...) Fl. 503DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.000246/200231 Acórdão n.º 3102002.180 S3C1T2 Fl. 7 11 Voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, 26 de março de 2014. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 504DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 15956.000379/2008-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2003 a 31/12/2004
PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
FALTA DE IMPUGNAÇÃO EXPRESSA. NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO EM RELAÇÃO À MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Não se instaura o contencioso fiscal em relação à matéria que não tenho sido expressamente impugnada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Não há necessidade de prévia suspensão da isenção para constituição do crédito relativo à cota patronal em entidade que já não gozava do benefício fiscal, em razão ato cancelatório de isenção com trânsito em julgado.
Numero da decisão: 2401-003.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas; e II) Por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir o levantamento CI7 - CONTRI IND DIRET RET A PARTIR 04/03. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que declarava nulidade por vício formal.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Leo Meirelles do Amaral, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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OBRIGAÇÃO DE RETER. A empresa está obrigada legalmente a reter a contribuição dos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviço e recolher o montante aos cofres da Seguridade Social, independentemente de usufruir da isenção da cota patronal. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. É improcedente o lançamento na parte em que o fisco não comprova a ocorrência dos fatos geradores. ENTIDADE COM ISENÇÃO CANCELADA POR ATO DO INSS. NECESSIDADE DE NOVO ATO DE SUSPENSÃO DA ISENÇÃO COMO CONDIÇÃO DE VALIDADE DO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Não há necessidade de prévia suspensão da isenção para constituição do crédito relativo à cota patronal em entidade que já não gozava do benefício fiscal, em razão ato cancelatório de isenção com trânsito em julgado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2003 a 31/12/2004 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. FALTA DE IMPUGNAÇÃO EXPRESSA. NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO EM RELAÇÃO À MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 03 79 /2 00 8- 00 Fl. 774DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Não se instaura o contencioso fiscal em relação à matéria que não tenho sido expressamente impugnada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas; e II) Por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir o levantamento CI7 CONTRI IND DIRET RET A PARTIR 04/03. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que declarava nulidade por vício formal. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Leo Meirelles do Amaral, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 775DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15956.000379/200800 Acórdão n.º 2401003.424 S2C4T1 Fl. 775 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 14 34.939 de lavra da 9.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.107.4031. O crédito diz respeito às contribuições dos segurados contribuintes individuais que supostamente prestaram serviços à autuada no período de 04/2003 a 12/2004. O relatório fiscal, fls. 30 e segs, inicialmente esclarece que o crédito constituído neste auto de infração foi efetuado em substituição àquele integrante originalmente da NFLD n. 35.502.6686, de 23/02/2006 tornada nula por erro formal, conforme DESPACHO DECISÓRIO — DD n. 21.431.4.0025.2006, de 08/08/2006, e desmembrada para NFLD n. 35.806.9076. Enfatiza que o crédito constituído através do presente auto de infração não faz parte do documento desmembrado. As remunerações supostamente pagas aos contribuintes individuais foram obtidas da escrita contábil, apresenta durante o desenvolvimento dos trabalhos fiscais. As bases de cálculo foram segregadas em dois levantamentos, a saber: a) CI6 – CONTRI IND RET A PARTIR 04/03: referese às contribuições dos segurados contribuintes individuais (pessoas físicas sem vínculo de emprego) que deveria obrigatoriamente ter sido retida pela empresa; b) CI7 CONTRI IND DIRET RET A PARTIR 04/03: referese a contribuições sobre remunerações indiretas recebidas pelos membros da diretoria, constantes nas contas contábeis: 4.0.11.01/Valor Locativo; 01.03.02.15.01/Benfeitorias em Imóveis Terc.; 01.03.02.40.11/Construções Reav.; 01.03.02.30.05/Reforma Piscina; 01.03.02.30.07/Reforma Quadra Poliesportiva; 01.03.02.30.08/Construção Capela; 02.02.03.02.01/mútuos/Bco.Econômico S/A e Caixa Econômica Federal — CEF/Brasil Grande S/A, conforme planilha anexa denominada de "Demonstrativo das vantagens da diretoria retenção de 11%". Afirmase que foi respeitado o teto legal do saláriodecontribuição. A entidade ofertou defesa, alegando inicialmente que a lavratura atacada decorreu de apuração anterior que resultou no lançamento da NFLD n. 35.502.6686. Depois afirma que o conhecimento dos fatos geradores foi obtido mediante documentos fornecidos pela então Delegacia da Receita Federal, os quais foram declarados ilícitos pelo STJ, no julgamento do RHC n. 16.414. Aduz possuir direito adquirido ao gozo da isenção da cota patronal relativa às contribuições previdenciárias, nos termos do art. 313 da Instrução Normativa IN SRP n° 03/2005, tendo alcançado a condição de entidade beneficente de assistência social sob a. égide da Lei n. 3.577/59. Fl. 776DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Alega não ser necessário o deferimento da imunidade pelos órgãos da administração, uma vez que este benefício previsto no § 7. do art. 195 da Constituição está vinculado apenas ao cumprimento dos requisitos do art. 14 do CTN, os quais são integralmente observados pela defendente. Sustenta que possui todos os títulos e certificações necessárias ao gozo da imunidade, além de participar do PROUNI, programa do governo federal destinado ao fornecimento de bolsas de estudo a estudantes carentes e que garante a desoneração das contribuições exigidas. Visando confirmar as suas alegações, menciona a existência de Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público Federal, bem como da ação popular proposta pela servidora do INSS, Maria Bernadete Lima dos Santos. em face da AERP, ambas com o objetivo de anular o certificado de entidade beneficente de assistência social. Advoga ainda que está amparada pelos efeitos da MP n. 446/2008 e argumenta a existência de incongruência no lançamento, uma .vez que, não obstante a imputação à AERP de empresa com fins econômicos, a fiscalização interpreta as vantagens indiretas da diretoria como remuneração e não como distribuição de lucro. O processo foi baixado em diligência para que fosse esclarecido se os documentos que embasaram a autuação decorrem do busca e apreensão. declarada ilícita pelo Superior Tribunal de Justiça. Em resposta à diligência solicitada a autoridade fiscal esclareceu que de acordo com o Termo de Inicio do Procedimento Fiscal de 24/11/2008 foi solicitado ao contribuinte a apresentação de documentos que comprovassem os recolhimentos referentes aos levantamentos C16 e CI7 constituídos originalmente na NFLD n. 35.502:6686, desmembrada para a NFLD n. 35.806.9076 e tornados nulo por erro formal. Asseverou que a contribuinte nada apresentou em relação aos questionamentos formulados. Concluiu que a presente autuação não se valeu de documentos obtidos mediante busca e apreensão declarada ilícita pelo STJ. Em manifestação acerca da diligência, a AERP asseverou que, mesmo se considerando que o presente credito tenha sido destacado da NFLD n. 35.502:6686, os fatos não o foram, sendo que os fatos relacionados ao credito tributário objeto do auto de infração em exame já foram devidamente analisados e refutados pelo Juízo Federal da 2.ª Vara da Subseção Judiciária de Ribeirão Preto. Alem disso, informa que a imunidade tributária da impugnante consta do acórdão proferido pela Egrégia 7.ª Turma do Tribunal Regional Federal da Região, nos autos do apelação cível n. 2005.3400.0277017 DF. A DRJ não acolheu as razões da impugnação e declarou procedentes as contribuições lançadas. Inconformada, a autuada interpôs recurso voluntário, o qual iniciou relatando os fatos processuais ocorridos e discorrendo sobre a sua atuação nas áreas de educação, saúde e assistência social. A seguir apresenta as razões abaixo explicitadas. Fl. 777DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15956.000379/200800 Acórdão n.º 2401003.424 S2C4T1 Fl. 776 5 Imunidade Tratandose de entidade imune não poderia remunerar seus diretores, então, equivocouse a DRJ ao afirmar que o eventual reconhecimento do direito da empresa à isenção não acarretaria em alteração dos valores contidos no presente AI. Afirma que é entidade reconhecida como de utilidade pública federal, além de ser certificada pelo Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS. Assevera que a sua imunidade resulta dos pressupostos inerentes à certificação que lhe foi concedida pelo CNAS e do cumprimento dos requisitos do art. 14 do CTN. Por essa razão, afirma, teve a sua condição de imune reconhecida pelo TRF 1.ª Região, consoante acórdão proferido nos autos da apelação civil n. 2005.34.00.0277017/DF. Argumenta que participa do Programa Universidade para Todos (PROUNI), o qual prevê a concessão de bolsas de estudos para alunos carentes e qualifica as instituições participantes como entidades beneficentes de assistência social. Assegura que disponibiliza as suas dependências clínicas para atendimento da população via Sistema Único de Saúde – SUS, sendo também por esse motivo considerada entidade beneficente de assistência social, a teor do § 5. do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991. Apresenta considerações feitas pelo Juízo da 5.ª Vara Federal de Ribeirão Preto nos autos da ação anulatória n. 2009.61.02.0058541, nas quais o magistrado reconhece a condição de imune da recorrente. Menciona a existência de Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público Federal, bem como a ação popular proposta pela servidora do INSS, Maria Bernadete Lima dos Santos. em face da AERP, ambas com o objetivo de anular o certificado de entidade beneficente de assistência social, o que comprova que efetivamente a recorrente mantém essa condição. Afirma que a seu enquadramento como entidade imune é garantido pelas normas da RFB. Defende a nulidade do AI, posto que o fisco deveria, antes de efetuar o lançamento, ter suspendido a fruição de sua imunidade, fato que não ocorreu. Afirma que tinha direito adquirido à imunidade, não se sujeitando à necessidade de requerer o reconhecimento deste direito. Assegura que a rejeição da MP n. 446/2008 não interfere nos efeitos decorrentes da obtenção do certificado pelo CNAS. Ilicitude das provas Argumenta que os fatos apresentados pelo fisco foram verificados mediante provas ilícitas, conforme reconhecido pelo Poder Judiciário. Por esse motivo, o lançamento deve ser nulificado. Fl. 778DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Assevera que o conhecimento antecipado do fato gerador tem explicação no uso de documentos obtidos ilicitamente pela então Delegacia da Receita Federal e repassados à Delegacia da Receita Previdenciária. Apresenta trechos do relatório fiscal do AI vinculado ao processo n. 10840.002934/200561, para comprovar suas assertivas. Assevera que o relatório fiscal complementar dá conta de que suas conclusões se basearam também em dados coletados em ação fiscal anterior que deu ensejo a NFLD n. 35.502.6686, a qual foi anulada pelo Judiciário, justamente pelo fato de terem sido utilizadas provas ilícitas. Afirma que o Auditor Fiscal não conseguiria extrair da sua contabilidade pagamentos em benefício dos dirigentes, posto que não havia registros neste sentido. Mútuo/assunção de dívida Apresenta excerto da decisão da mesma DRJ nos autos do processo n. 15956.000430/200956 (AI n. 37.230.0081), em que se afastou a mesma remuneração da base de cálculo, por entender que não restou demonstrada a natureza remuneratória da verba em comento. Incongruências do lançamento Assevera que é incongruente o lançamento no ponto em que interpreta as vantagens indiretas da diretoria como remuneração e não como distribuição de lucros, não obstante qualificar a recorrente como empresa com fins econômicos. Afirma que de fato não houve distribuição de lucro, mas que argumenta neste sentido apenas para demonstrar o quão contraditória é a ilação fiscal. Afirma que o supostos valores creditados aos sócios a título de aluguel diferem daqueles adotados no processo original. Defende que o fisco ignorou que as despesas com imóveis de terceiros, que foram consideradas como remuneração de dirigentes, formam o complexo esportivo da Universidade, além se prestarem às inúmeras atividades sociais que são desenvolvidas com a comunidade em geral, fato este de notório conhecimento público. Ao final, requereu o provimento do recurso com consequente cancelamento do AI. É o relatório. Fl. 779DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15956.000379/200800 Acórdão n.º 2401003.424 S2C4T1 Fl. 777 7 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Imunidade O processo em questão diz respeito à contribuição de responsabilidade dos contribuintes individuais, portanto, ainda que se considerasse a recorrente como entidade imune ao recolhimento da cota patronal, não haveria alteração na sua obrigação de reter e recolher as contribuições dos segurados contribuintes individuais aos quais pagou remuneração. A alegação recursal de discussão da imunidade tem relevância, posto que se fosse entidade imune não poderia pagar remuneração aos dirigentes não se sustenta. É que além da remuneração supostamente repassada aos dirigentes, há no presente AI a parte relativa aos trabalhadores sem vínculo de emprego que prestaram serviço à autuada no período do débito. Por outro lado, mesmo que o AI fosse apenas relativo à remuneração aos dirigentes à discussão sobre a imunidade não poderia ser tratada nos presentes autos, em razão desta questão está em discussão no Poder Judiciário, conforme veremos. Verificase dos autos que a recorrente requereu ao Instituto Nacional do Seguro, INSS a isenção da cota patronal em 30/08/2000, o pedido foi indeferido pela autoridade competente, em razão do não cumprimento das exigências estabelecidas nos incisos IV e. V do art. 55 da Lei n°8212/91. A entidade recorreu ao CRPS, que através do Ac6rdão n° 02/03265/2000, conheceu do recurso e lhe deu provimento no mérito. A referida decisão foi anulada pelo mesmo colegiado através do Acórdão n. 2.051/2003, em face do pedido de revisão apresentado o pela.Gerencia Executiva de Ribeirão Preto, ficando restabelecido assim o ato administrativo que indeferiu o pedido de isenção da Associação. A entidade requereu revisão deste último acórdão, todavia, não teve a sua pretensão acolhida. Percebese, portanto, que transitou em julgado administrativamente a decisão que cassou o direito à isenção da autuada. Esta, contudo, ajuizou ação ordinária na Seção Judiciário do Distrito Federal sob o n. 2005.34.00.027701.7, requerendo o reconhecimento da imunidade tributaria e a declaração da inexistência de relação jurídica que autoriza o INSS a exigir as contribuições da empresa (quota patronal), aquelas destinadas ao SAT e aos terceiros. Fl. 780DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 O pedido foi julgado improcedente na primeira instância, contudo, em sede de apelação, o TRF1 deu provimento ao recurso, reconhecendo o direito da autora à imunidade pretendida. O processo encontrase atualmente em análise de admissibilidade de recursos especial e extraordinário manejados pela Fazenda Nacional. Diante desses fatos não nos cabe discutir nesse processo as questões atinentes a imunidade da recorrente, posto que nos termos da Súmula CARF n. 01, a apresentação de ação judicial acarreta em renúncia ao contencioso administrativo. Eis o teor da Súmula: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Portanto, este julgamento ficará restrito às questões não tratadas na discussão judicial. Nulidade do lançamento Afirma o sujeito passivo que o lançamento é nulo em razão do fato do fisco não haver previamente promovido a suspensão de sua imunidade. Essa alegação não se sustenta. É que a não consideração da sua condição de imune decorreu de anterior ato cancelatório de isenção, que teve trânsito em julgado administrativo em desfavor do sujeito passivo, conforme relatei acima. Assim, não teria sentido suspender um benefício que a autuada já não gozava. A alegada adesão ao PRONI e a questão dos efeitos da MP n. 446/2008 em nada alteram o lançamento, posto que o período de apuração é anterior a esses fatos. Levantamento CI6 Os valores apurados sob esta denominação dizem respeito às contribuições dos segurados contribuintes individuais que prestaram serviços à autuada no período do débito, de cuja remuneração o sujeito passivo estava obrigado a reter e recolher a contribuição previdenciária. Observase do recurso e da defesa que o sujeito passivo não se insurgiu contra a apuração destes valores, devendo ser mantido o lançamento quanto ao levantamento CI6, uma vez que não se instaurou o contencioso em relação a essa parte não impugnada. Levantamento CI7 – remuneração da diretoria Ao julgarmos a pouco o recurso contra o AI n.º 37.230.0111 (processo n. 15956.000144/201024) afastamos a incidência de contribuições sobre os valores pagos pela autuada à Fundação Fernando Lee a título de locação de imóvel. Vale a pena trazer à colação as minhas considerações sobre essa questão No que tange aos valores pagos a titulo de locação de imóvel à Fundação Fernando Lee, pretende a autuada demonstrar a ocorrência de incongruência diante Fl. 781DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15956.000379/200800 Acórdão n.º 2401003.424 S2C4T1 Fl. 778 9 da existência do processo administrativo n. 15956.000567/200749, lavrado em nome de Evandro Alberto de Oliveira Bonini, no qual a fiscalização da Receita Federal procedeu ao lançamento do imposto de renda pessoa física por considerar como simulação a locação de imóveis recebidos em usufruto pela Fundação para a recorrente. De acordo com a Autoridade Lançadora a autuada vendeu imóveis para seus diretores ou cônjuges destes, os quais instituíram sobre os referidos imóveis usufruto gratuito em favor da Fundação Fernando Lee. Após passar à condição de usufrutuária destes imóveis, a Fundação Fernando Lee os aluga para a Associação de Ensino de Ribeirão Preto — AERP (antiga proprietária dos mesmos), com a finalidade exclusiva de servir as atividades educacionais da locatária, conforme contrato de locação firmado em 14/07/1997 (mesma data da instituição de usufruto), pelo valor mensal de RS 400.000,00 e pelo prazo de 20 (vinte) anos. Portanto, a partir de 14/07/1997, o valor mensal já mencionado sai do caixa da AERP e vai para o caixa da Fundação Fernando Eduardo Lee. Estes valores foram considerados pela fiscalização como vantagem indireta paga aos diretores da AERP, tributandoos como se fora remuneração paga a contribuintes individuais. Não posso deixar de dar razão à autuada. Não pode o fisco, mesmo que em ações fiscais distintas, tratar uma verba como aluguel e depois têla como se fora remuneração pelo trabalho. Se de fato ocorreu a irregularidade da autuada haver distribuído parcelas de seu patrimônio a seus dirigentes, essa situação poderia ensejar a perda da sua imunidade, mas não autoriza que se tribute tais verbas como remuneração por serviços prestados. Sequer o fisco conseguiu demonstrar que os valores relativos aos alugueis passaram ao patrimônio dos dirigentes da autuada, com a discriminação das quantias envolvidas. No meu sentir, mesmo que os valores fossem pagos diretamente aos proprietários dos imóveis, o fisco teria que demonstrar a existência de simulação na venda para os diretores, de modo a configurar que os pagamentos não seriam pela utilização dos imóveis, mas pela prestação de serviços dos diretores à entidade educacional. Entendo que nessa situação não foi cumprido o que determina o art. 142 do CTN, verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A Autoridade Lançadora não conseguiu demonstrar com precisão os fatos geradores referentes aos pagamentos de remuneração aos diretores via recebimento de aluguéis pela Fundação Fernando Lee. Não há nos autos qualquer prova de que os Fl. 782DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 valores foram direcionados aos diretores e muito menos quanto foi destinado a cada um deles. Nesse sentido, não vejo como manter o lançamento na parte relativa ao levantamento VD – VANTAGENS DE DIRETORES. Diante das conclusões acima não vejo como tratar essa verba de outro modo. No AI sob referência a falta de explicações do fisco é ainda mais grave, basta que analisemos os termos do relato fiscal, onde foram apenas indicadas as contas contábeis que originaram os valores de base de cálculo e apresentada planilha dividindo as quantias extraídas da contabilidade pelo número de diretores. Verificase que este procedimento inclusive representa aferição indireta da base de cálculo, posto que não há comprovação de que os segurados receberam os valores que lhes foram atribuídos pelo fisco. Notase que essa mesma situação se repete em relação às demais rubricas constantes do levantamento CI7. Contra essa parte da apuração, o sujeito passivo apresenta argumentos relativos a incongruências na apuração na base de cálculo e incorreção nas premissas adotadas pelo fisco na edificação do AI. Ao apontar apenas as bases de cálculo e as contas contábeis de onde estas foram extraídas, sem fazer considerações acerca da natureza remuneratória das verbas, a Autoridade Lançadora se descuidou do dever de descrever com precisão os fatos geradores, deixando de cumprir os ditames do art. 142 do CTN. Nem mesmo este Julgador tem como saber efetivamente a natureza dos valores apenas com base na descrição das contas contábeis das quais foram extraídas as supostas remunerações. O relatório, não tenho dúvida é lacunoso, não permitindo a completa compreensão dos fatos geradores. Mesmo se contatando que esse lançamento é substitutivo de outro anulado por vício formal, não está o fisco, por esse motivo, isento da obrigação de descrever os fatos geradores com clareza. Diante dessas considerações, meu entendimento é pela declaração de improcedência do levantamento CI7. Provas ilícitas Outra preliminar suscitada diz respeito à nulidade decorrente do fato do procedimento fiscal estar embasado em provas obtidas por mandado de busca e apreensão julgado ilícito pelo STJ quando apreciou RHC n. 16.414SP. Após a exclusão das contribuições relativas ao Levantamento CI7, restaram os fatos geradores relativos aos pagamentos efetuados aos trabalhadores sem vínculo de emprego, os autônomos. Conforme relatado, as bases de cálculo foram extraídas da escrita contábil, não se podendo, em absoluto, afirmar que decorreram de provas obtidas ilicitamente Parte das remunerações foi inclusive declarada na GFIP, não havendo também o que se falar em obtenção de informações contaminadas por ilicitude, uma vez que estes dados constam do banco de dados da Administração Tributária. Fl. 783DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15956.000379/200800 Acórdão n.º 2401003.424 S2C4T1 Fl. 779 11 Afasto, portanto, a suposta nulidade decorrente da utilização de provas ilícitas. Conclusão Voto por afastar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para excluir o levantamento CI7 CONTRI IND DIRET RET A PARTIR 04/03. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 784DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13971.720119/2008-22
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. EFEITOS.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1)
DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE.
Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-003.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à tutela do Poder Judiciário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Ausente momentaneamente o Conselheiro Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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PROPOSITURA. EFEITOS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1) DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à tutela do Poder Judiciário e, na parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 01 19 /2 00 8- 22 Fl. 856DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 2 Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Ausente momentaneamente o Conselheiro Ivan Allegretti. Relatório ROHDEN PORTAS E PAINÉIS LTDA transmitiu, em 23/08/2006, o Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER nº 32653.63294.230806.1.1.081060, de créditos da apuração não cumulativa de PISexportação, no valor de R$ 76.056,95, referente ao primeiro trimestre de 2006. A DRFBlumenauSC, por meio do Despacho Decisório Saort/DRF/BLU nº 198/2008, fls. 1.554 a 1.580, deferiu o pleito parcialmente, em R$ 40.636,71. A glosa no valor de R$ 35.420,24 deveuse às seguintes irregularidades constatadas na tomada de créditos: a) referentes a bens utilizados como insumos: i. aquisições de bens de pessoas físicas, por haver vedação expressa para tal creditamento; relata a autoridade fiscal que “por meio da análise dos arquivos digitais e da conferência física das notas fiscais de entrada”, evidenciouse que a requerente incluiu, entre as notas relacionadas para formação da base de cálculo, a nota de n 017531, no valor de R$930.000,00, emitida por pessoa física; ii. aquisição de bens com fim específico de exportação: a autoridade fiscal glosou os valores das aquisições de mercadorias com CFOP 6.501 (Remessa de Produção do Estabelecimento com Fim Específico de Exportação) por entender que tais mercadorias não consistiam de produtos com fim específico de exportação, mas de insumo incorporado ao produto da contribuinte, cujas entradas foram escrituradas pela requerente com o CFOP 2.101 (Compras para Industrialização), Diz a autoridade fiscal que “a intenção não é descaracterizar a qualidade de insumo para o produto “vidro” no processo produtivo da empresa”, e explica que o “problema é que a aquisição desse insumo se deu sem a devida tributação quando da saída do estabelecimento fornecedor, já que o mesmo alcançou a imunidade constitucional afeta às exportações para o exterior, por causa da emissão da nota de venda no CFOP 6.501”. Fundamenta a glosa realizada no art, 5 , III e art. 3 , §2 , ambos da Lei n 10.63 7/2002; iii. aquisições com adicional decorrente de venda à prazo: foi excluída da base de cálculo dos créditos as despesas financeiras decorrentes de financiamento, no caso o adicional de 2,6% decorrente de vendas a prazo, inclusive os valores relativos a majoração do ICMS incidente sobre tal adicional; iv. devolução de produtos que seriam utilizados como insumo: foi glosada da base de cálculo dos créditos a diferença ocorrida entre os valores registrados no livro de registro de saídas e o valor informado na memória de cálculo das operações com CFOP 5.201 e 6.201; b) referentes a serviços utilizados como insumo: i. serviços de transporte rodoviário de cargas na aquisição de insumos: relata a autoridade fiscal que o preenchimento de parcela relevante dos Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas (CTRC) não foi efetuado em conformidade com o exigido pela legislação do ICMS. Aponta como principais irregularidades: a emissão do CTRC posteriormente à prestação do serviço; o valor da nota fiscal informada no CTRC inferior ao nele informado; notas fiscais informadas nos CTRC não registradas no Livro de Registro de Entrada. Acrescenta que os “serviços de transporte muitas vezes superam o valor da própria Fl. 857DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720119/200822 Acórdão n.º 3403003.065 S3C4T3 Fl. 1.711 3 mercadoria transportada e que as distâncias percorridas entre a origem e o destino não são compatíveis com os valores médios de frete praticados no mercado”. Conclui que “em função das deficiências encontradas a aferição da idoneidade dos documentos fica completamente prejudicada” ii. serviços não especificados: foram glosados os serviços em relação aos quais a interessa, instada a apresentar a memória de cálculo para os créditos referente a linha três (Serviços Utilizados com Insumo), informou utilizar os CFOP 1.949 (Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada). Explica a autoridade fiscal que entradas com esse CFOP, “por referirse a outras entradas não previstas nos demais códigos, a principio, não correspondem a bens e serviços utilizados como insumo”; c) energia elétrica: foram glosados os valores incluídos nas faturas, e no cômputo do crédito, que não são passíveis do desconto legalmente previsto, quais sejam os valores referentes as doações ao Hospital Annegret Neitzke e ao pagamento de juros e multa de mora e correção monetária decorrentes de pagamentos extemporâneos; d) alugueis de prédios: foi glosado o valor indicado no contrato de locação como despesa de energia elétrica, por não integrar tal despesa o valor do aluguel contratado; e) locação de máquinas e equipamentos: a autoridade fiscal glosou os valores referentes as despesas com locação de caminhões e carrocerias reboques, de propriedade da empresa controladora, Rohden Artefatos de Madeiras Ltda, pois, de acordo com a NCM, “caminhão é espécie do gênero veículo e não do gênero máquina”, f) armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda: foram glosados da base de cálculo dos créditos os valores correspondentes a notas fiscais de serviços outros que não o de armazenagem e frete; g) bens do ativo imobilizado: a autoridade glosou os valores referentes à despesa que a contribuinte, em resposta a intimação fiscal, informou como sendo decorrente de exaustão de floresta, em razão de não haver previsão legal para tal creditamento. Relata a autoridade: que a contribuinte, instada para tanto, deixou de apresentar memória de cálculo e a relação dos bens incorporados ao ativo imobilizado que serviram de base para os valores informados na linha 09 (bens do ativo imobilizado com base nos encargos de depreciação); que indagada quanto ao não atendimento da intimação informou que “tais valores referese a exaustão de floresta que integram o ativo imobilizado pela aquisição por meio de contrato, sem trânsito pela escrita fiscal de madeira destinada a corte e à utilização futura e que foram derrubadas no trimestre em análise”; h) bens utilizados como insumo importação: foi o glosado valor de R$136,00 referente a um lançamento a maior no mês de maio. Em Manifestação de Inconformidade, fls. 1.587 a 1.597, controverteramse as seguintes glosas: a) Do valor de R$ 30.000,00, referente a insumo adquirido de pessoa física, com CFOP 1.101, alegando que a nota apesar de constar do LRE, entrada com CFOP 1.101, não compõe a base cálculo do crédito pleiteado, o que se pode verificar a partir da memória de cálculo juntada aos autos; nesse sentido esclarece que no valor de R$180.102,79, solicitado em relação ao mês de março de 2006, não está incluído o valor relativo a tal nota. Fl. 858DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 4 b) Quanto às aquisições de bens com fim específico de exportação, alegando que a própria nota fiscal, pelos dados lá postos, evidencia que não ocorreu uma venda com fim especifico para exportação, mas de produto aplicado em seu processo produtivo, em relação ao qual pagou o PIS e a Cofins que estavam embutidas no preço final. c) Em relação aos serviços de transporte rodoviário de cargas na aquisição de insumos, alegando que não existem os vícios formais que embasaram a glosa, mas, quando muito, meras irregularidades. Pede diligência para que se esclareça seu procedimento. d) Referentes às aquisições de serviços não especificados, argumentando que os valores das entradas com CFOP 1.949 foram incluídos corretamente na apuração do crédito, vez que se tratam de importâncias relativas a serviços de pessoa jurídica utilizados na extração de madeira e manutenção de máquinas, cujo direito ao crédito está previsto no art, 3 , II, da Lei 10.637/2002. Alega que, com o mesmo CFOP existem entradas com direito ao crédito e outras sem, e que a Autoridade Administrativa, antes de glosar todos os valores pleiteados, deveria ter intimado a recorrente para prestar as informações necessárias; desta feita, anexa aos autos as notas fiscais que diz comprovarem o direito pleiteado. e) Quanto à glosa dos valores relacionados à aquisição de florestas, informa que o “revestimento florestal” foi adquirido por meio de contratos de compra e venda de árvores de pinus em pé, firmados com a empresa Udo Beltramini Indústria e Comércio de Madeiras Ltda., no qual se obrigou a abater as árvores no máximo de 24 meses; que apesar de a contabilista responsável ter informado tratarse as despesas de exaustão, em verdade consistem de amortização, uma vez que a floresta foi adquirida por contrato com prazo determinado. Pede diligência para apuração do crédito. A 4ª Turma da DRJ/FNS julgou a Manifestação de Inconformidade parcialmente procedente para reverter a glosa dos créditos referentes às aquisições de bens da empresa Vidroforte Indústria e Comércio de Vidros LtdaO Acórdão nº 07020.574, de 23 de julho de 2010, fls. 1.665 a 1.681, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO! PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO., COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2006 RECONHECIMENTO DO DIREITO DE CREDITO. HIPÓTESE LEGAL. CFOP. REAL NATUREZA DA OPERAÇÃO, Para alem do CFOP consignado pelo vendedor na nota fiscal de venda ou utilizado pela adquirente em seus registros de entrada, o que efetivamente importa para o reconhecimento do direito de crédito pleiteado pelo adquirente de um bem, é a real operação realizada, devidamente comprovada pelo pleiteante, e se esta se Fl. 859DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720119/200822 Acórdão n.º 3403003.065 S3C4T3 Fl. 1.712 5 conforma com uma das hipóteses legais que lhe conferem o direito ao crédito pretendido. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM SERVIÇOS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Dão direito a crédito, no âmbito do regime da não cumulatividade, custos e despesas com bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 4ª Turma da DRJ/FNS. O arrazoado de fls. 1.691 a 1.706, após síntese dos fatos relacionados com a lide, discorre sobre o sistema de distribuição do ônus da prova no processo administrativo, articulandoo com o princípio da verdade material, para concluir que não se pode indeferir requerimento efetuado pelo contribuinte sob o argumento de que o mesmo não logrou êxito na comprovação de seu direito. No mérito, rechaça a vinculação da tomada de crédito por fretes pagos no transporte de insumo com a natureza do bem transportado. Invoca a Lei de Regência. Explica que para a árvore chegar até a indústria, é necessário que haja um meio de transporte que a leve ao local e que esta condução normalmente é feita pela própria a empresa contratada para 0 corte da árvore. Refere soluções em processos de consulta. Aduz que o fato de os transportes se referirem, em parte, a produtos adquiridos de pessoas físicas, não tem o condão de limitar ou excluir a possibilidade da percepção de créditos. Insiste na regularidade dos conhecimentos que ampararam o creditamento. Alternativamente, pede que se retornem os autos à DRJ para análise do crédito. Quanto à glosa de serviços não especificados, registrados sob o CFOP 1949 e 2949, pugna pela adoção do conceito econômico de insumo e se admita a tomada de crédito sobre os gastos com a extração de madeira, manutenção de máquinas e serviços de fumigação, haja vista que tais produtos são considerados como insumo, sendo, igualmente, integrado ou consumido no processo de produção de mercadorias industrializadas destinadas ao exterior. Destaca que seu processo industrial começa já no momento em que seus prestadores de serviços se dirigem até a localidade onde estão as árvores e realizam o corte da forma exigida pela recorrente. Da mesma forma, considerandose que as máquinas são empregadas na produção de bens da recorrente eis que indispensáveis à obtenção do resultado final a medida que se impõe é o deferimento do ressarcimento do crédito em relação às aquisições de peças e serviços empregados na manutenção das máquinas e veículos. Conclui, retomando a argumentação já exposta na MI para defender o direito ao crédito referente à amortização do valor dos contratos de aquisição de florestas. Os presentes autos foram encaminhados para julgamento em conjunto com os processos conexos de nºs 13971.720775/200914, 13971.720776/200951,13971.720778/2009 40 e 13971.720926/200764, na forma prevista no § 7º do art. 49 do Anexo II à Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, em razão do sorteio ocorrido em 28/05/2014. Fl. 860DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 6 O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração digitalmente estabelecida. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 1.691 a 1.706 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJFNS4ª Turma nº 07020.574, de 23 de julho de 2010. Devolvemse a esta Turma Recursal as discussões a respeito do ônus da prova nos processos de iniciativa do contribuinte; do direito à tomada de crédito sobre os fretes pagos no transporte de insumos, sobre os gastos com a extração de madeira, manutenção de máquinas e sobre as despesas de amortização do valor dos contratos de aquisição de florestas. Tenho notícia de que ROHDEN PORTAS E PAINÉIS LTDA, ora recorrente, ajuizou, em 30/09/2013, a Ação Ordinária nº 500358124.2013.404.7213, distribuída à 1ª Vara da Justiça Federal em Rio do SulSC, almejando que se declare o seu direito ao creditamento do PIS e da COFINS calculados sobre: a) aquisição de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumos; b) serviços de extração de madeira, baldeamento e manutenção de máquinas; c) serviços de armazenagem de mercadorias; d) depreciação de bens do ativo imobilizado – aquisição de florestas por meio de contrato de compra e venda; e) fretes utilizados para o transporte de mercadorias adquiridas de pessoas físicas, transporte de insumos utilizados na industrialização e transporte rodoviário de cargas. Requer, ainda, seja reconhecido o direito da autora aos créditos discutidos na presente peça exordial, os quais foram glosados pela autoridade fiscal nos processos administrativos nºs 13975.000463/200357, 13975.000464/200300, 13975.000496/200305, 13975.000018/2004 78, 13975.000217/200567, 13975.000215/200578, 13975.000213/2005 89, 13975.000212/200534, 13975.000210/2005 45, 13975.000199/200513, 13971.720021/200875, 13971.720022/200810, 13971.720023/200864, 13971.720024/2008 17, 13971.720025/200853, 13971.720026/200806, 13971.910941/201189, 13971.910944/201112, 13971.910945/2011 67, 13971.910950/201170, 13971.910958/2011 36, 13971.910959/201181, 13975.000218/200510, 13975.000216/2005 12, 13975.000214/200523, 13975.000224/200569, 13975.000209/200511, 13971.001997/2006 83, 13971.001996/2006 39, 13971.720016/200862, 13971.720017/200815, 13971.720018/200851, 13971.720019/200804, 13971.720020/2008 21, 13971.910942/2011 23, 13971.910943/201178, 13971.910946/201110, 13971.910949/201145, 13971.910960/2011 13, 13971.910955/201101, corrigidos monetariamente pela taxa referencial SELIC deste a data do protocolo dos pedidos administrativos. Como se vê, à exceção das primeira matéria, as demais foram submetidas à tutela do Poder Judiciário. Incide, no caso, a Súmula CARF nº 1 (DOU nº 244, de 22 de dezembro de 2009): Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o Fl. 861DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720119/200822 Acórdão n.º 3403003.065 S3C4T3 Fl. 1.713 7 mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em face da renúncia à discussão administrativa dessas matérias, só se conhecerá das alegações recursais atinentes ao ônus da prova nos processos administrativos de iniciativa do contribuinte. Ônus da prova nos processos de iniciativa do contribuinte Em que pese a dissertação da recorrente, comungo integralmente com as considerações sobre a distribuição do ônus probatório tecidas pela relatora da decisão recorrida, AFRFB Andréa Luiza Vasconcelos Mendes. Cabe ao contribuinte, até o momento processual da Manifestação de Inconformidade, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela Autoridade Fiscal para não acatar, ou acatar apenas parcialmente o pleito repetitório. Decerto, não basta ao contribuinte apenas alegar sem provar não basta, simplesmente vir aos autos discordado do entendimento do fiscal, afirmando que entende possuir o direito ao crédito o contribuinte deve ser capaz de comprovar cabalmente o direito ao crédito que pleiteia, demonstrando sua conformidade com os dispositivos legais de regência. Este é o princípio fundamental do sistema de distribuição do onus probandi adotado no processo administrativo federal, plasmado no art. 36 da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). Nesse sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO Fl. 862DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 8 COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) Aliás, este Colegiado já se pronunciou diversas vezes no sentido de que toca ao interessado a produção das provas do direito creditório alegado. Confirase: Fl. 863DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720119/200822 Acórdão n.º 3403003.065 S3C4T3 Fl. 1.714 9 “DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente.” (Acórdãos nº 3403002.469 a 477, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. (Acórdãos nº 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânime, sessão de 23.abr.2013) Conclusão Com essas considerações, voto por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário e, na parte conhecida, quanto ao ônus da prova nos processos administrativos de iniciativa do contribuinte, por negar provimento. Sala de sessões, em 22 de julho de 2014 Fl. 864DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 13005.000391/2006-68
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3201-000.178
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Mércia Helena Trajano D'Amorim
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UtA.. Judith Amaral Marcondes Arman o Presidente tejcia Helena Jano FORMALIZADO EM. 15 de outubro de 2010. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando, Luciano I,opes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Daniel Mariz Gudino ' relatora Process° n 13005.000391/2006-68 S3-C2T1 Resoinçao n.." 3201.00478 ri, 412 Relatório 0 interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento ern Santa Maria IRS Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, as fls. 281/286, que transcrevo, a seguir ''Contra a contribuinte fin lavrado auto de infração da Contribuição de intervenção no Dorninio .Econômico Remessas ao Exterior (fis 176 a 179), no valor de R$ .138.469,64, acrescida da multa de oficio de 75% e dos correspondentes juros de mora, por ,falta de recolhimento da contribuição incidente sobre os valores contabilizados como royalties devidos a beneficiários domiciliados no exterior. Segundo o Relatório da Ação Fiscal (fls. 180/188) a autuação deve-se, em síntese, aos seguintes . fatos.: A contribuinte possui contratos com pessoas jurídicas e . fisicas em que o obriga ao pagamento de royalties sobre as vendas de determinadas variedades de semente de fumo. Embora impossibilitado legalmente da remessa dos royalties, conforme .fis, 05/09 e 21/26, a contribuinte, a partir de julho de 2003, começou a provi sionar contabilmente, todo o mês, a parcela correspondente aos royalties devidos a cada benefi ciário no exterior. Nos valores contabilizados como obrigação/despesas estavam inclusos os valores relativos ao imposto de Renda Retido na [I'm& .MR.b' e a ODE devidos , embora não recolhidos, conforme demonstram as planilhas defis 67/122 Esses valores, registrados no passivo circulante, eram baixados na medida em que seu sócio majoritário (Profigen Inc.., situada nos EUA) efetuava o pagamento aos beneficiários diretamente no exterior — quando de seus vencimentos contratuais (its 08/09, 129, 130 150, 161 e 168) . Nesse momento a obrigação era transkrida do beneficiário dos royalties para uma conta de obrigação junto a Proligen A exigibilidade da ('IDE encontra fundamento nos artigos 2° e 3" da Lei n° 10.168, de 29 de dezembro de 2000, apheando-se subsidiariamente, no que couber, a legislação do imposto de renda, devendo se utilizar o conceito de royalty definido por essa legislação, que se encontra no art.. 22, da Lei n° 4..506, de 30 de novembro de 1964. Para verificar se os créditos efetuados a beneficiários estrangeiros estariam sujeitos ii incidência da C1DE, fin solicitado a contribuinte que apresentasse documentos que demonstrassem a natureza dos 1 negócios realizados, tendo sido disponibilizados os contratos . firmados entre ela e os beneficiários- dos royalties, contratos e..sses que versavam sobre o licenciamento para a produção e comercialização de diversas 2 Processo n"11005.000.391/2006-68 S3-C2 fl ResoWO° 320L00-178 1. 413 variedades de sementes de tabaco e a assistência técnica e orientações solve a correta condução da produção da semente PYI119. Com isso ficou demonstrado que os valores contabilizados se destinavam a remunerar essas pessoas pela exploração de direitos autorais por elas licenciados. Os valores creditados aos beneficiários no exterior a titulo de pagamento de royalties devem constituir a base de calculo da (IDE e estão discriminados no Demonstrativo n° I ('/is. 189 a 191), Os quais /brain extraídos das planilhas de cálculos utilizados pela fiscalização (fis, 67 a 122). As referidas planilhas serviram de base para que a fiscalizada fizesse a apropriação mensal desses valores, confirrine copias dos livros Razão (lh. 123 a 175). Como a lei determina que a CIDE incida sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos em cada mês, residentes ou domiciliados no exterior, a titulo das obrigações indicadas anteriormente, fin incluído na base de cálculo o valor do IRRE por ser parte integrante da remuneração devida aos beneficiários residente.s ou domiciliados no exterior.. As normas que disciplinam a C11)E, incidente sobre a remessa de royalties para o exterior, define o momento da ocorrência do jato gerador dessa exação como sendo o pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa de royalties a qualquer titulo a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, devendo ser descartada a suposição de que o termo creditarem, contido no art. 2°. § 2°,' da Lei n° 10..168, de 2000 refira-se a valores creditados em conta corrente bancaria do beneficiário. Orlando a legislação do imposto de renda localiza o . fato gerador ern um crédito, reftrência à aquisição da disponibilidade jurídica de renda (('TN, art 43). 0 crédito em conta bancaria, por sua vez assemelha-se a pagamento, gerando aquisição de disponibilidade econômica de renda. Portanto, credito deve ser entendido como lançamento contabil pelo qual o rendimento é colocado de firma incondicional à disposição de seus titulares. Acrescente-se que, entre as várias hipóteses crédito, pagamento, entrega, emprego ou remessa para o exterior ---- prevalece a que primeiro ocorrer (PN CST n°140, de 1973). Portanto, para o presente caso foi adotado como aspecto temporal do .fato gerador da contribuição o período ern que a . fiscalizada reconhecia contabilmenie em seu passivo a obrigação de pagamento dos royalties aos beneficiários, ou seja, normalmente o Ultimo dia de cada mês, a partir de julho de 2003.. Foram atribuidos à contribuinte os créditos previstos no art 4°, da Medida Provisória n° 2 159-69, de 27 de julho de 2001. A contribuinte impugnou o lançamento (fls. 198/2374), alegando, ern síntese, que: C7orrt a edição da Lei n" 9,456, de 25 de abril de 1997, teve inicio a implantação do Sistema Nacional de Sementes e Midas (SW) do 3 Processo n" 13005.000391/2006-68 S3-C2T1 Reso11100 n.°3201.011478 FJ. /11/1 Governo Federal, cujo propósito é controlar toda a produção e direitos de propriedade intelectual de cultivares no Pais.. 0 Decreto no 2.366, de 05 de novembro de 1997, regulou a matéria e a Lei n ° 10.711, de 05 de agosto de 2003, completou o arcabouço legislativo que rege o sistema de controle de cultivares no Pais. A autoridade maior do '''.N,S714. é o serviço Nacional de proteção de Cultivares (WPC), do Ministério da Agricultura, a quem compete publicar os descritores mínimos dos cultivares comercializadas no Pais, sem os quais não é possível certilicá-lcm receber e aprovar as inscrições de cultivares no Registro Nacional de Cultivares, nos termos da Lei n° .10.711, de 2003, e conceder o Certificado de Proteção de Cultivar, nos termos da Lei n"9..456, de 1997 A certificação de cultivares tem por objetivo proteger os direitos de propriedade intelectual do criador de cada cultivar certificada, principalmente no que tange ao recebimento e pagamento de royalties 0 pedido dc certificação ou proteção de um cultivar só é possível depois da publicação pelo SNPC do descritor mínimo da espécie, nos termos do artigo 4", § da Lei V 9.456, de .1997 Acontece que o tabaco, atualmente, não tem descritor mínimo publicado e não há previsão de que isso aconteça, pois não prioridade do governo e, portanto, não ha expectativa quanto à data de publicação do referido descritor minima Ciente dessa situação, iniciou junto ao Banco Central processo de consulta objetivando a obtenção de regime especial que permitisse remeter royalties ao exterior e cumprir todas as obrigações relacionadas a tais operações, não logrando êxito, pois o BACEN insistia que a remessa de royalties relativos a sementes de „film) somente poderia ser frita com o Certificado de Proteção de Cultivar. Entrou com recurso junto ao BACEN, requerendo autorização especial para a remessa ao exterior dos royalties sobre sementes de tabacos, tendo aquela autarquia informado que aceitaria as cópias de todos os contratos de transferência de sementes e expressa manifestação do SNPC quanto à não oposição daquele órgão à remessa dos royalties ao exterior.. Solicitou à SNP(' que firmasse a declaração requerida pelo BA ('EN, a qual negou-se a fornecer a declaração solicitada (does 03 e 04-- fls 275/278). Por essa razão, é totalmente infiendada a autuação, já que não se pode exigir CIDE sobre royalties que não . foram pagos e que, alias, sequer poderiam ter sido pagos. 0 mero crédito contábil (provisOo) não é jaw gerador da CILW pois efetivamente não pagou royalties ao exterior, eis que tal remessa não lhe é permitida. Na ausência de todos os eletnemos necessários à conformação da hipMese de incidência da CIDE, é imprescindível o recurso legislação do IRRE, conforme determina o art 3°, da Lei no 10..168, de 2000. 4 Processo 13003..000391/2006-68 S.3-C2T1 Resoluçao n.. 3201.09478 Fl 415 inequívoco que opt° gerador do IRE de não-residentes somente se dá no momento da percepção das rendimentos' pelo beneficiário, conforme prevê o artigo 682 do Regulamento do Imposto de Renda A "percepção" dos rendimentos corresponde a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda que se constitui no/ato gerador do Imposto de Renda em geral, enquanto modalidade de incidência do IR, deve atender, obrigatoriamente, o disposto no artigo 43 do CIN. O cálculo do IRE baseado nas provisões contábeis efetuadas aos beneficiários estrangeiros, afronta o artigo 43 do CM, pois e caracteristica básica das provisões o lino de os seus valores serem normalmente estimados ou serem apenas prováveis as perdas de valor ou obrigações a que se referent A motivação que a levou a constituição de uma provisão para pagamento dos royalties . foi, exatamente, a dúvida quanto ao momento que a remessa dos valores devidos poderia ser efetuada já que, corno demonstrado, esta impedida de remeter tais valores ao exterior, diante da Inexistência de autorização pelo RAVEN — e o valor a ser remetido, já que a obrigação fora contraída em dólares americanos, e passível de alteração. Os valores provisionados foram considerados indedutiveis para fins de apuração do IRRI e da CSLI„ em atendimento ao disposto no artigo 13, I, da Lei n' 9.249, de 26 de dezembro de 1995, que considera indedutíveis as provisões, salvo aquelas expressamente numeradas que, a rigor, sequer têm natureza de provisão.. Com o intuito de justificar o lançamento com base em mera provisão contábil dos valores devidos a titulo de royalties, o próprio APRP' afirmou que credito deve ser entendido como lançamento contábil pelo qual o rendimento é colocado de . forma incondicional er disposição de .seus titulares. Todavia, a alegada incondicionalidade e disponibilidade aos beneficiários estrangeiros não existe.. O autuante assumiu que a variação cambial apropriada pelo impugnante, pelo regime de competência, seria acréscimo patrimonial do beneficiário dos royalties no exterior, sujeito ao IRE, sem levar em conta que, por ocasião da efetiva remessa dos valores, tat variação pudesse ter sido anulada ou mesmo ler se tornado negativa em virtude de firtura desvalorização cambial. Se o mero registro contábil da variação cambial que, polencialmente reduz a obrigação assumida pelo devedor em moeda estrangeira, não pode ,ser considerado acréscimo patrimonial ate que se liquide a obrigação e se efetue o pagamento, igualmente não o pode a contabilização da provisão para pagamento, em data ,finura e incerta, de royalties, já que, também neste caso, esta-se diante de registro comábil que traduz evento provisório, não merecendo prosperar a exigência fiscal. A CIDE, prevista no art. 149 da constituição Federal (C19, é espécie de tributo vinculado, ou seja, aquele cu/cl constituição é preordenada consecução de urna certa finalidade, podendo ter a mesma base de Proixsso n" 13005 000391/2006-68 S3-C2T1 Resolnçao 0 32014)0178 FL 416 cálculo de impostos ou taros, pois o que importa é a finalidade para a qual ela se destina, compatíveis coin o disposto no art _170, da CE Além de uma destinação especilica, a contribuição deve guardar relação com uma determinada "área", on segmento econômico, não se sujeitando a ela as pessoas .juridicas que não possum relação direta com a área ern questão. Entretanto, a criação da (XV não atendeu a estes preceitos_ Além disso a base de cálculo sobre a qual ela incide esta em desconArmidade con) o prescrito no art 149, § inciso afinca "a", da C.11 A CIDE incidente sobre royalties é inconstitucional em virtude de haver incongruência entre a sua instituição e os .fundamentos da ordem econômica, previstos no art.. 170, da CF; por se tratar de verdadeiro adicional do imposto de renda, violando o art. 167, Inc 1V, da CF; por não haver uma vincula ção da sua arrecadação com um determinado segmento econômic o,. por não existir o Fundo Nacional de Desenvolvimento Tecnológico e Cientifica (ENDCT), criado pelo Decretolei n° 719, de 1969, mas extinto antes do seu restabdecimento pela Lei n ° 8.172, de 1991, em virtude das disposiçães do art. 36, do ADCT; por ter caráter perpétuo, quando deveria ser temporária; par possuir a mesma base de eálculo do IRRE: em contradição com o § do art. 149 da Cl acrescido pela Emenda Constitucional (EC) n ° 33, de 2001; e por violar o princípio da não-discriminação tributária no plano internacional, em virtude de ser incompatível sua cobrança após a instituição do PIS/Cofins sobre a importação criada pela Lei a' 10.865, de 2004, afrontando o art 30, do GATT (General Agreements on Trade and Tarifes AO calcular o valor da ODE supostamente devida, a fiscalização incluiu na sua base de cálculo o IRRF lançado no processo n" 13005.000393/2006-57, o que é indevido, porque a contribuinte não assumiu o emus do IRRF devida Os juros de mora foram calculados sobre a multa de oficio, com base na Portaria no 370, de 23 de dezembro de .1988, o que não é permitido.. Também não é permitida a atualização monetária do valor da multa Assim, a cobrança dos juros sobre a muita de oficio é ilegal. Requereu a impugnante que seja julgado totalmente improcedente auto de infração, ou, pelo menos, cancelada a exigência da UWE incidente sobre os valores de MP indevidamente inchados na base de cálculo. Pin qualquer caso, requer seja impedida a cobrança de juros de mom calculados sobre a multa de oficio consignado no auto de infração. Protestou a impugnante, ainda, pela posterior produção de .provas que se _fizerem necessárias para comprovar os argumentos apresentados, inclusive pert dais.. O impugnante fundamenta seus argumentos em doutrina e acórdãos judiciais e do Con velho de Contribuintes.. Juntamente com a impugnação foram apresentados os documentos que se encontram as fls. 239 a 278. 6 Processo n 13005.000391/2006-65 S3-C2T1 ResoluçAo n.. 3201.00-178 Fl, 417 A tempestividade da impugnação fifi atestada à../7. 279." 0 pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instancia, nos termos do acórdão DRYSTM n9 .18/10.012, de 0411212008, proferida pelos membros da 2' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santa Maria/RS, às fls.. 280/289, cuja ementa dispõe, verb's: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÓMICO Período de apuração: 01/07/2003 a 30/06/2005 ROY ALTIES. FAT() GERADOR,. 0 crédito contábil dos royalties, nominal ao beneficiário, cortligura fato gerador da ODE, ainda que a remessa dos valores se dê posteriormente.. PRELIMINAR.. INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de aspectos relacionados com a constitucionalidade de atos legais regularmente editados privativa do Poder Judiciário. LAWAMEN10 PROCEDENTE.." O julgamento foi no sentido de rejeitar a preliminar de inconstitucionalidade e dar provimento ao lançamento.. O Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatoria.. Ressalta, que o mero crédito contábil (provisão) não é fato gerador da C1DE. O processo foi distribuído a esta Conselheira.. E' o Relatório. 7 Process() 13005 000391/2006-68 S3-C2Tl Rcsolugdo n"32111.00478 Fl.. 418 Voto Conselheiro Mercia Helena Trajano D'Amorim, Relator O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento Versa o presente processo de auto de infração, pelo qual se exige o recolhimento de RS 138469,64 de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE, acrescida da multa de lançamento de oficio de 75%, além dos acréscimos legais A autuação ocorreu devido à falta de recolhimento da CIDE sobre a remessa de valores ao exterior, corn fatos geradores a partir de 01/07/2003 a 30/06/2005 As fls. 180/188, consta Relatório da Ação Fiscal, no qual o procedimento administrativo é detalhada Observa-se que hi descrição pela fiscalização: -A recorrente possui contratos com pessoas jurídicas e fisicas em que a. obriga ao pagamento de royalties sobre as vendas de determinadas variedades de semente de fumo (contratos corn a North Carolina State University (NCCSU), a Gold Leaf Seed Company Inc o Dr. Earl Wernsman); -Embora impossibilitada legalmente da remessa dos royalties, conforme fls 05/09 e 21/26, a empresa, a partir de julho de 2003, começou a provisionar contabilmente, todo o mês, a parcela correspondente aos royalties devidos a cada beneficiário no exterior; -Nos valores contabilizados como obrigação/despesas estavam inclusos os valores relativos ao Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF e a. C1DE devidos, embora não recolhidos, conforme demonstram as planilhas de fis 67/122; -Esses valores, registrados no passivo circulante, eiam baixados na medida em que seu sócio majoritário (Profigen Inc , situada nos EUA) efetuava o pagamento aos beneficiários - diretamente no exterior — quando de seus vencimentos contratuais (tis 08/09, 129, 130, 150, 161 e 168); e -quando nesse momento a obrigação era transferida do beneficiário dos royalties para uma conta de obrigação junto à Profigen Inc Para minha convicção, sugiro que baixe o processo em diligência para que a entidade preparadora informe os movimentos contábeis da conta onde é realizado o credito contábil dos royalties nominal ao beneficiário, para fins de verificação de eventual redução da referida conta Em havendo redução, deve ser informado quais os lançamentos realizados qual o destino do valor 8 Process() n" 13005.000391/2006-68 .S3-C2T1 Resotuyao "320L00-178 11. 419 Realizada a diligência, intime-se à recorrida para manifestar-se, se assim o desejar. Retornem .os autos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, devendo a secretaria providenciar a intimação da Procuradoria da Fazenda Nacional para se manifestar sobre o resultado da diligência realizada e a manifestação do contribuinte. (1, ércia Itelena -raj,. no D'Arriorim 9
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Numero do processo: 16327.001477/2008-25
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
IOF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTERIOR À ENTREGA DA DCTF. CARACTERIZAÇÃO. AFASTAMENTO DA MULTA MORATÓRIA.
A denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação, sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 do Código Tributário Nacional, é caracterizada sempre que o pagamento ocorre antes da apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), e afasta a exigência da multa de mora. Essa interpretação foi consolidada pelo STJ nos Recursos Especiais nº 886.462/RS (Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJe 28/10/2008) e (RESP 1.149.022/SP. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 24/06/2010), julgados no regime previsto no art. 543-C do Código de Processo Civil. Interpretação vinculante nos termos do art. 62-A do Regimento Interno do CARF.
Numero da decisão: 3802-003.381
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTERIOR À ENTREGA DA DCTF. CARACTERIZAÇÃO. AFASTAMENTO DA MULTA MORATÓRIA. A denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação, sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 do Código Tributário Nacional, é caracterizada sempre que o pagamento ocorre antes da apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), e afasta a exigência da multa de mora. Essa interpretação foi consolidada pelo STJ nos Recursos Especiais nº 886.462/RS (Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJe 28/10/2008) e (RESP 1.149.022/SP. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 24/06/2010), julgados no regime previsto no art. 543C do Código de Processo Civil. Interpretação vinculante nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 77 /2 00 8- 25 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/08/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra a decisão da 2a Turma da DRJ de Juiz de Fora (MG), a qual, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento formalizado contra a recorrente, nos termos do Acórdão nº 0948.206, acostado às fls. 80/82 dos autos. Por bem sintetizar os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Contra o interessado foi lavrado auto de infração de IOF no valor total de R$ 219.612,01 (fls. 02/12), em função das irregularidades que se encontram descritas no próprio auto. A empresa apresenta impugnação, na qual alega, em síntese, que usou o beneficio da denúncia espontânea; É o breve relatório. Os argumentos aduzidos pela Recorrente, no entanto, não foram acolhidos primeira instância de julgamento administrativo fiscal, cujo acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Ano calendário: 2007 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O que exclui a responsabilidade é a denúncia espontânea da infração, acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou seja, o pagamento sem o comunicado à administração tributária não caracteriza a previsão legal. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido Cientificada da referida decisão em 14/12/2013 (fl. 86), a interessada, em 24/12/2013 (fl. 88), apresentou o recurso voluntário de fls. 88/94, discordando da motivação do decisum de primeira instância, no qual argumenta, em síntese, que no caso em apreço o que houve foi a apuração do débito, o recolhimento da contribuição em atraso e, posteriormente, o envio da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. Ou seja, o pagamento tem que ser anterior ou concomitante à retificação da DCTF, pouco importando em que data foi realizada a retificação da DCTF. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/08/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.001477/200825 Acórdão n.º 3802003.381 S3TE02 Fl. 126 3 Reproduz jurisprudências administrativa e judicial, incluindo o Ato Declaratório PGFN nº 08/2011 e pugna pela reprodução do entendimento consignado no REsp nº 1.149.022/SP, submetido à sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do Código de Processo Civil), por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. Por fim, argumenta que os autos é típico caso de denúncia espontânea, já que não houve declaração anterior do tributo via DCTF, e o pagamento foi realizado antes de qualquer procedimento administrativo de apuração e lançamento do crédito tributário, conforme documentos juntados aos autos. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. O interessado efetuou, em 17/10/2007, pagamento de DARF no valor de R$ 987.673,41, relativo ao IOF Seguros, código 3467, do período de apuração agosto de 2007 e com vencimento em 05/09/2007. O débito não foi incluído na DCTF original, só o sendo na DCTF retificadora, apresentada antes do início do procedimento de ofício. O lançamento é decorrente de procedimento de auditoria interna em DCTF, em virtude do qual foi lavrado o presente auto de infração de fls. 2/12. O auto de infração foi lavrado em função do pagamento ter sido efetuado após a data do vencimento sem a inclusão da multa de moratória. Questões semelhante foram julgadas recentemente por esta Turma de julgamento, a qual, à unanimidade, seguiu o pertinente entendimento proferido pelo i. Conselheiro Solon Sehn nos autos do processo no 10680.000035/200775 (Acórdão no 3802 000.738, de 06/10/2011), cujas razões de decidir adoto para o presente caso: No mérito, cumpre destacar que a denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação, sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 do CTN, é caracterizada sempre que o pagamento ocorre antes da apresentação da Dctf. Essa interpretação, embora questionada por parte da doutrina e da jurisprudência, foi consolidada pelo STJ no Recurso Especial no 886.462/RS (Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJe 28/10/2008. Transitado em julgado em 01/12/2008). O afastamento da multa de mora na denúncia espontânea, por outro lado, restou pacificado no julgamento do REsp 1.149.022/SP: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA Fl. 128DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/08/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ. 1ª S. RESP 1.149.022/SP. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 24/06/2010, transitado em julgado em 30/08/2010). Referido recurso foi julgado nos moldes do regime previsto no art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), razão pela qual deve ser aplicado o art. 62A do Regimento Interno desse Conselho: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria Fl. 129DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/08/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.001477/200825 Acórdão n.º 3802003.381 S3TE02 Fl. 127 5 infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No caso em exame, o Recorrente apresentou (i) prova do pagamento do principal, acrescido de juros de mora (fls. 44 e ss); (ii) realizado no dia 1512/2003, antes de qualquer providência fiscalizatória (fls. 43); (iii) cópia das Dctfs originárias (fls. 57 e ss.) e retificadoras, de 06/06/2004 (fls. 72 e ss.). A comparação destes dois últimos documentos mostra que o pagamento foi anterior a ambos. Encontramse presentes, portanto, os pressupostos do art.138 do CTN: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Estando caracterizada a denúncia espontânea, não cabe a incidência de multa, punitiva ou moratória, inclusive porque, consoante destaca Robson Maia Lins, ambas têm a mesma configuração normativa: [...] embora com nomes distintos o pressuposto de ambas as multas é um descumprimento de um dever jurídico e o consequente é o pagamento de uma quantia em dinheiro. Não importa o nome: multa punitiva e multa moratória têm a mesma configuração normativa de sanção e por isso devem ser excluídas quando da denúncia espontânea (LINS, Robson Maia. A mora no direito tributário. Tese de Doutorado. Faculdade de Direito. PUC/SP. São Paulo, 2008, p. 245) 1. No mesmo sentido, destacamse os seguintes acórdãos do Carf: DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO. MULTA DE MORA. INAPLICABILIDADE. Se o débito é denunciado espontaneamente ao Fisco, acompanhado do correspondente pagamento do imposto corrigido e dos juros moratórios, é incabível a exigência de multa de mora, de vez que o art. 138 do CTN não estabelece distinção entre multa punitiva e multa moratórias. MULTA DE OFÍCIO. Em decorrência, é descabida a imposição da multa de ofício em face do pagamento do tributo desacompanhado da multa de mora. Recurso especial provido. (3ª T. Acórdão CSRF/0305.102. Rel. Anelise Daudt Prieto. Sessão de 06/11/2006). MULTAS DE OFÍCIO E DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA O contribuinte faz jus a tal beneficio de exclusão da multa, seja de oficio ou de mora, por haver recolhido o imposto mais os juros devidos antes do inicio qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso especial negado. (3ª T. Acórdão CSRF/0304.690. Rel. Carlos Henrique Klaser Filho. Sessão de 20/02/2006). DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO MULTA DE MORA INAPLICABILIDADE. 1 Disponível em: http://www.sapientia.pucsp.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=8261. Acesso: 12/05/2011. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/08/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Se o débito é denunciado espontaneamente ao Fisco, acompanhado do correspondente pagamento do imposto corrigido e dos juros moratórios, é incabível a exigência de multa de mora, de vez que o art. 138 do CTN não estabelece distinção entre multa punitiva e multa moratória. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO (3ª C. 3º CC. Acórdão 303 30.332. Rel. Zenaldo Loibman. Sessão de 10/07/2002). Votase, portanto, pelo conhecimento e provimento integral do recurso, afastandose a exigência da multa de mora. No caso em exame, a recorrente efetuou os pagamentos do IOF referente a débitos apurados no mês de agosto de 2007 (PA 31/08/2007, com vencimento em 05/09/2007), acrescidos dos juros de mora, em data de 17/10/2007 (DARF de fl. 108 e 117/124). A cópia da DCTF original nº 04122013000000001125749 e 0412201300000001130008, referente ao mês de agosto de 2007, onde consta a informação do referido débito, bem como o recibo de entrega à RFB em 03/10/2007 (fls. 106/107 e 117/124), ou seja, em data posterior aos pagamentos realizados. Por seu turno, a DCTF correspondente retificadora nº 04122013000000001130138 (fl. 109 e 117/124), referente ao mês de agosto 2007, só foram transmitidas em 29/09/2008. Revelam tais dados, que os pagamentos ocorreram antes da apresentação da DCTF, e ainda, antes da prática de qualquer ato de fiscalização por parte da Administração Tributária, sendo certo que o procedimento fiscal, que exigiu do contribuinte a multa de mora, somente teve seu início caracterizado com a ciência do lançamento, que se deu em 14/10/2008 (fls. 03/12). Assim, diante da documentação posta nos autos ora examinados, a Recorrente promoveu o pagamento da exação em atraso, mas antes da entrega da DCTF, adicionado dos juros moratórios correlatos, assistindolhe razão ao pugnar pela aplicação do art. 138 do Código Tributário Nacional, restando caracterizada a denúncia espontânea. E, diante da jurisprudência reiterada do STJ, inclusive em sede de recurso repetitivo, e Atos Normativos PGFN nº 04/2011 e 08/2011, bem como na Nota Técnica Cosit nº 1/2012, entendo estar correto o sujeito passivo, merecendo acolhida seu Recurso Voluntário. Aplicação do art. 62A do RICARF. Conclusão Por todo o exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, com o consequente afastamento da exigência da multa de mora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 131DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/08/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10920.003414/2007-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 18 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2009 a 31/07/2010
RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA.
A desistência de recurso, formulada mediante requerimento expresso do sujeito passivo coligido aos autos, implica o seu não conhecimento em razão da perda do objeto.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-002.979
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em razão da perda do objeto pela desistência expressa, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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DESISTÊNCIA. A desistência de recurso, formulada mediante requerimento expresso do sujeito passivo coligido aos autos, implica o seu não conhecimento em razão da perda do objeto. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em razão da perda do objeto pela desistência expressa, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 34 14 /2 00 7- 47 Fl. 591DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006 Data da lavratura da NFLD: 09/07/2007. Data da ciência da NFLD: 12/07/2007. Tratase de Recurso de Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC que julgou procedente em parte as impugnações oferecidas pelo sujeito passivo e pelos devedores solidários do crédito tributário lançado por intermédio da NFLD nº 37.109.2264, de 09 de julho de 2007. De acordo com o Relatório Fiscal a fls. 152/208, o crédito objeto da vertente notificação de lançamento tem por objeto as contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente às contribuições dos segurados empregados (parcelas não descontadas); contribuições a cargo da empresa sobre a remuneração de empregados, (parte patronal); para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho; e as destinadas aos terceiros SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE. Durante os procedimentos de fiscalização, do exame dos documentos apresentados, houvese por constatada a existência de grupo econômico de fato constituído pelas empresas Refratek Ind. Com. De Prod. Refratários ltda, Refracon Man. e Com. de Produtos Refratários Ltda ME (Mandado 09380893F00); Refrashell Ind. e Com. de Produtos para Fundição Ltda ME (Mandado 09380901 F00); ACJL Participações Ltda Mandado 09380885F00) e Refrashell Ind. Com. de Produtos para Fundição II Ltda ME (Mandado 09380891F00), as quais houveramse devidamente cientificadas do vertente lançamento, conforme se depreende dos Ofícios e Avisos de Recebimento a fls. 1556/1564. As obrigações tributárias objeto da vertente NFLD tem por origem os fatos geradores a seguir alinhados: 1. As remunerações pagas e/ou creditadas a diversos segurados empregados, formalmente registrados nas empresas, REFRACON MAN E COM DE PRODUTOS REFRATÁRIOS LTDA ME, CNPJ 72.108.145/000111; REFRASHELL IND COM DE PRODUTOS PARA FUNDIÇÃO LTDA me, CNPJ 85.213.973/000161 e REFRASHELL IND COM DE PRODUTOS PARA FUNDIÇÃO II LTDA ME, CNPJ 07.188.517/000103, que efetivamente laboraram na notificada, caracterizados pela fiscalização, para fins previdenciários, como segurados empregados da empresa REFRATEK INDÚSTRIA E COM DE PRODUTOS REFRATÁRIOS LTDA, CNPJ 82.153.3961000171, discriminadas em folhas de pagamento e GFIP daquelas empresas, no período de 01/1997 a 12/2006, cujos valores estão indicados no campo "Base de Cálculo 01 SC Empregados" do Discriminativo Analítico de Débito DAD, Fl. 592DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10920.003414/200747 Acórdão n.º 2302002.979 S2C3T2 Fl. 590 3 2. As remunerações pagas e/ou creditadas aos sócios gerentes formalmente considerados nas empresas REFRACON MAN E COM DE PRODUTOS REFRATÁRIOS LTDA ME, CNPJ 72.108.145/000111; REFRASHELL IND COM DE PRODUTOS PARA FUNDIÇÃO LTDA ME, CNPJ 85.213.973/000161 e REFRASHELL IND COM DE PRODUTOS PARA FUNDIÇÃO II LTDA ME, CNPJ 07.188.517/000103, que efetivamente laboraram na notificada, caracterizados pela fiscalização, para fins previdenciários, como segurados da empresa REFRATEK INDÚSTRIA E COM DE PRODUTOS REFRATÁRIOS LTDA, CNPJ 82.153.3961000171, discriminadas em folhas de pagamento e GFIP daquelas empresas, no período de 01/1997 a 1212006, cujos valores estão indicados no campo "Base de Cálculo 03 BC C Ind/Adm Aut; do Discriminativo Analítico de Débito DAD Os documentos examinados foram os seguintes: folhas de pagamentos, recibos de pagamentos de salários, GFIP, além da contabilidade, sendo o último Livro Diário da Refratek n° 24. As parcelas objetos de contribuições previdenciárias recolhidas relacionadas no RDA Relatório de Documentos Apresentados foram deduzidas das contribuições apuradas, nos parâmetros descritos no RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados. Devidamente cientificadas do lançamento, conforme Avisos de Recebimento a fls. 269/272, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 278/314. A Refrashell Ind. Com. de Produtos para Fundição ltda, por seu turno contestou o lançamento mediante bloqueio a fls. 354/357. Na mesma toada, a ACJL Participações ltda apresentou defesa a fls. 369/373. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0711.807 – 6ª Turma da DRJ/FNS, a fls.449/460, julgando procedente em parte o lançamento, para dele fazer excluir os levantamentos LO1 e L02 REFRASHELL (I); os levantamentos L04 e L05 — REFRACON; e os lançamentos efetuados na rubrica "03 BC C.Ind/Adm/Aut" do levantamento L03 — REFRASHELL II, retificando o crédito tributário na forma exposta no Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 401/448. Não se houve por interposto o Recurso de Oficio previsto no art. 366, I, do RPS, na redação dada pelo Decreto n° 6.224/2007, tendo em vista que o valor exonerado é inferior ao limite fixado no art. 1° da Portaria MF n° 3, de 03 de janeiro de 2008. O Sujeito Passivo e os demais devedores solidários foram cientificados da decisão de 1ª Instância no dia 07/11/2008, conforme Documento de Intimação e Avisos de Recebimento a fls. 463/481. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, a Refratek Ind. Com. de Prod. Refratários ltda interpôs recurso voluntário a fls. 485/557; respaldando sua resistência ao lançamento em argumentação desenvolvida nas alegações que se vos seguem: · Decadência parcial; Fl. 593DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 · Que as empresas Refrashel, Refrashel II, Refracon e Refratek não formam grupo econômico; · Que a fiscalização Previdenciária não possui competência para declarar a inexistência da relação laboral entre os empregados da empresa Refrashell II e a existência de vínculo laboral destes com a ora Refratek, eis que tal competência é exclusiva da Justiça Trabalhista; · Que a Fiscalização Tributária não possui competência para o desenquadramento de empresa do SIMPLES e lançamento fiscal contra empresas terceirizadas que são optantes por esse sistema simplificado. Aduz que a fiscalização ilegalmente optou em desprezar a situação e atos jurídicos perfeitos e acabados para declarar a inexistência de relação laboral efetiva e a pretensa existência de vinculo laboral direto com a ora Recorrente, exigindo o recolhimento das contribuições patronais em questão; · Que é impraticável a utilização da Taxa SELIC como índice de juros a serem aplicados na atualização de débitos tributários; Ao fim, requer a procedência do recurso. A Refrashell Ind. e Com. de Produtos para Fundição Ltda e a ACJL Participações Ltda ofereceram Recurso Voluntário a fls. 559/569 e 571/583, respectivamente, alegando, em síntese: · Que jamais houve confusão patrimonial entre as empresas; · Que não se trata de grupo econômico, pois não restam cumpridos os requisitos do artigo 748 da Instrução Normativa n° 03/2005, posto que as impugnantes não estão sob a direção, controle ou administração da REFRATEK. Em 29 de janeiro de 2014, todavia, houvese por protocolizado Requerimento de desistência dos Recursos Voluntários interpostos, a fl. 01, mediante o qual o Recorrente e os demais Devedores Solidários, expressamente, requerem a desistência dos recursos voluntários interpostos no presente Processo Administrativo Fiscal, em razão da adesão ao parcelamento especial trazido pela Lei nº 11.941/2009 – REFIS IV. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10920.003414/200747 Acórdão n.º 2302002.979 S2C3T2 Fl. 591 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo e os demais devedores solidários foram válida e eficazmente cientificados da decisão recorrida no dia 18/02/2008. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 18 de março do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 1.2. DA DESISTÊNCIA DO RECURSO. Após a interposição de Recurso Voluntário em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Florianópolis/SC, que julgou procedente em parte a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração nº NFLD nº 37.109.2264, de 09 de julho de 2007, o devedor principal Refratek Indústria e Comércio de Produtos Refratários ltda e os devedores solidários protocolizaram na DRF de Joinville/SC Requerimento de Desistência de Recurso Voluntário, a fl. 01, requerendo, expressamente, a desistência dos recursos voluntários interpostos no presente Processo Administrativo Fiscal, em razão da adesão ao parcelamento especial trazido pela Lei nº 11.941/2009 – REFIS IV. 2. CONCLUSÃO Nesse contexto, pugnamos pelo não conhecimento dos recursos voluntários interpostos, em razão de pedido expresso de desistência formulado pelos Recorrentes em petição formal a fls. 01. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Fl. 596DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 11030.000924/2005-98
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. CRÉDITOS. PRODUTOS NT.
A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, Lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-002.725
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora), Rodrigo Cardozo Miranda, Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Nanci Gama - Relatora
Rodrigo da Costa Pôssas - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: NANCI GAMA
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EPP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. CRÉDITOS. PRODUTOS NT. A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, Lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora), Rodrigo Cardozo Miranda, Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Nanci Gama Relatora Rodrigo da Costa Pôssas Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 09 24 /2 00 5- 98 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000924/200598 Acórdão n.º 9303002.725 CSRFT3 Fl. 197 2 Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional em face ao acórdão de número 3101000.783, proferido pela Primeira Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário (i) para reconhecer o direito ao ressarcimento do crédito presumido de IPI para os “produtos classificados no código 7103.10.00 da TIPI”, exportados sob a rubrica “NT”, eis que passaram por todo um processo de industrialização sobre a pedra denominada “ametista”; (ii) para reconhecer o direito ao ressarcimento do crédito presumido de IPI sobre os insumos adquiridos de pessoas físicas e de cooperativas e (iii) determinou o retorno dos autos ao órgão julgador de primeira instância para apreciar as demais questões de mérito, conforme ementa a seguir: “IPI RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO PISPASEP E COFINS. CONCEITO DE RECEITA DE EXPORTAÇÃO. A norma jurídica instituidora do benefício fiscal atribui ao Ministro de Estado da Fazenda a competência para definir “receita de exportação” e para o período pleiteado a receita deve corresponder a venda para o exterior de produtos industrializados, conforme fato gerador do IPI, não sendo confundidos com produtos “NT” que se encontram apenas fora do campo abrangido pela tributação do imposto. “IPI – CRÉDITO PRESUMIDO – RESSARCIMENTO – AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS – A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias primas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei 9.363/96). A lei citada referese a “valor total” e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas nºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei nº 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN nº 23/97), bem como que as matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN nº 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares Fl. 203DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000924/200598 Acórdão n.º 9303002.725 CSRFT3 Fl. 198 3 das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.” Inconformada com a parte do acórdão que reconheceu o direito do contribuinte ao ressarcimento de crédito presumido de IPI relacionado a produtos exportados sob a rúbrica de “NT”, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial suscitando que o acórdão recorrido teria sido divergente dos acórdãos de números 9303.01.743 e 380300.520, tendo, entretanto, apresentado, apenas, cópia parcial de outro acórdão, qual seja, o de nº 9303.00.743. Fundamentou o seu recurso especial, em síntese, na alegação de que “a Lei 9.363/96, ao criar o mecanismo do crédito presumido para reduzir o impacto econômico da incidência das contribuições para o PIS/PASEP e Cofins no valor agregado dos produtos exportados, o fez na seara do Imposto sobre Produtos Industrializados, de tal sorte que apenas os estabelecimentos industriais, contribuintes do IPI na forma da legislação pertinente, podem usufruir o incentivo fiscal”. Complementou, ainda, que a Recorrida não poderia ser considerada como estabelecimento industrial pelo fato de a mesma elaborar mercadorias não sujeitas ao IPI, tendo, para tanto, com base no artigo 3º, da Lei 4.502/64, aduzido que “se considera estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto, donde se conclui que, sob o ponto de vista exclusivamente fiscal, abstraindo conjecturas de caráter econômico, aqueles que elaboram mercadorias não sujeitas ao IPI não se enquadram no conceito de estabelecimento industrial”. No corpo do seu recurso, a Fazenda Nacional transcreve as ementas dos acórdãos de números 9303.01.743 e 380300.520, tendo, o primeiro, sido transcrito da seguinte forma: Acórdão nº 9303.01.743 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NT. A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, Lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Recurso Especial do Procurador Provido. O acórdão anexado aos autos como cópia parcial, entretanto, qual seja, o de número 9303.00.743, detém a seguinte ementa: Acórdão nº 9303.00.743 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 204DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000924/200598 Acórdão n.º 9303002.725 CSRFT3 Fl. 199 4 PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. TAXA SELIC. imprestável como instrumento de correção monetária, não justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar concessão de um "plus", sem expressa previsão legal. 0 ressarcimento não é espécie do gênero restituição, portanto inexiste previsão legal para atualização dos valores objeto deste instituto. Recurso Especial do Procurador Provido.” Em exame de admissibilidade, o i. Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional, tendo suscitado, sobre a diferença entre o acórdão utilizado para embasar a divergência no corpo do recurso (930301.743) e o acórdão cuja cópia parcial foi anexada aos autos (930300.743), o quanto segue: “Importante observar que a Recorrente citou o Acórdão 9303 00.743 como paradigma, quando, pela transcrição da ementa no corpo do especial, constatase que, em verdade, aquela ementa é relativa ao Acórdão 9303.01.743, de 09 de novembro de 2011. Ocorre que essa decisão paradigma utilizada pela Recorrente, foi, inicialmente, gerada com numeração errada (930300.743), sendo que, após constatado o equívoco, procedeuse à correção do número do Acórdão para 930301.743, cuja cópia da primeira folha está sendo juntada aos autos, para comprovação (fls. 124). Por causa desse equívoco a Recorrente juntou ao processo cópia de parte do acórdão indevido (930300.743), que não guarda a menor relação com a divergência suscitada.” Regularmente intimado, o contribuinte apresentou suas contrarrazões requerendo, apenas, fosse negado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, bem como fosse reconhecida a incidência da Taxa Selic desde o protocolo do pedido de ressarcimento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Nanci Gama, Relatora O recurso especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e passo a analisar a sua admissibilidade no que se refere à configuração da divergência. Conforme acima aduzido, a Fazenda Nacional apenas apresentou cópia de parte do acórdão de número 930300.743, o qual versou sobre a aplicação ou não de Taxa Selic em pedido de ressarcimento de IPI, tendo, entretanto, mencionado, no corpo do seu recurso, a Fl. 205DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000924/200598 Acórdão n.º 9303002.725 CSRFT3 Fl. 200 5 ementa do acórdão de número 930301.743, o qual versou sobre a possibilidade de aproveitamento de crédito presumido de IPI sobre produtos exportados sob a rúbrica de “NT”. Como se sabe, a questão da Taxa Selic não foi apreciada pelo acórdão da Primeira Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, tendo sido apreciadas apenas as questões afetas à possibilidade de aproveitamento de crédito presumido de IPI sobre produtos exportados sob a rúbrica “NT” e sobre insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas. Em uma primeira análise entendi que a divergência não estava demonstrada, eis que o fato de a Fazenda Nacional ter apresentado cópia parcial de acórdão que versa sobre incidência da Taxa Selic, ou seja, sobre matéria estranha a questionada em seu próprio recurso, afastava o cabimento do mesmo, em face da previsão contida no artigo 67, §7º, do atual Regimento Interno do CARF, o qual expressamente prevê o quanto segue: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 7° O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas.” Sucede que, como bem demonstrado pelos meus pares, desde que reproduzida a ementa do acórdão divergente no corpo do recurso, de que trata o parágrafo 7º acima transcrito, a instrução do recurso, de acordo com o previsto no parágrafo 9º do mesmo artigo, segundo o qual: “§ 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade, em seu texto oficial.” Assim, revi minha posição, e portanto conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Passo ao mérito do recurso. A controvérsia aduzida nessa parte do recurso especial consiste em definir se os insumos utilizados para a produção de produtos, classificados como não tributáveis –“NT” pela TIPI, integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI ao serem exportados. Primeiramente, vale considerar que o artigo 1º da lei nº 9.363/961, ao instituir o benefício do crédito presumido de IPI à “empresa produtora e exportadora de mercadorias 1 “Art. 1º. A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no Fl. 206DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000924/200598 Acórdão n.º 9303002.725 CSRFT3 Fl. 201 6 nacionais”, não o restringe apenas aos produtos industrializados, não cabendo ao intérprete administrativo fazer distinção onde a própria lei não o fez. Assim, tendo o benefício fiscal em tela sido dado ao gênero “mercadorias nacionais”, não cabe ao intérprete restringilo à espécie de “produtos industrializados”. Nesse sentido, peço venia para transcrever como meu, o voto proferido pelo i. Conselheiro DALTON CÉSAR CORDEIRO DE MIRANDA quando do julgamento do Recurso nº 202126.282, cujas razões passo a aduzir: “Não cabe ao intérprete da norma jurídica estabelecer distinção onde o legislador não o fez. Ao excluir as aquisições, cuja última operação não esteja sujeita à incidência das contribuições por haver um distanciamento do critério legal de apuração da carga de contribuições contida nos insumos, automaticamente estarse ia legitimando o pleito de um ressarcimento maior que o previsto em lei para os casos em que a carga de contribuições contida no valor das mercadorias fosse maior que o valor resultante da aplicação do critério previsto em lei, em razão do maior número de etapas que tenha percorrido. O erro da exigência da efetiva incidência das contribuições na última operação decorre, na minha opinião, de dois fatores. A tentativa da administração de barrar o benefício dado pela lei às empresas que adquiram produtos sem a incidência das contribuições, em razão do evidente ganho que auferem pela critérios contidos na lei. O outro é a decorrente da transferência indevida das regras vigentes na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI para a presente sistemática de apuração dos créditos de COFINS e PIS a serem ressarcidos. Como é sabido, a legislação do IPI, como regra geral, expressamente proíbe o registro do crédito do imposto, se a operação de aquisição não está sujeita à incidência do referido imposto. Em razão do nome “crédito presumido de IPI” a Secretaria da Receita Federal deu ao incentivo fiscal o tratamento de crédito de IPI (conforme fica evidenciado pelas diversas normas administrativas expedidas por aquele órgão), como é o caso das mercadorias classificadas como “Não Tributadas” (ou NT) na tabela de incidência do IPI, hipótese em que as considera fora do incentivo fiscal em tela. O crédito passível de registro nos livros fiscais do IPI foi apenas uma forma criada pelo legislador para o ressarcimento mais rápido das contribuições, e seu valor não pode ser confundido com o IPI. Por outro lado, a lei autoriza que se utilize os conceitos da legislação do IPI apenas no que se refere aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem (art. 3o., parágrafo único, da Lei nº 9.363/96). O fato de ser ressarcido mediante a compensação com créditos de IPI não lhe mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo.” (grifouse) Fl. 207DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000924/200598 Acórdão n.º 9303002.725 CSRFT3 Fl. 202 7 altera a natureza jurídica, que permanece sendo de contribuição para o PIS e COFINS. Finalmente, não cabe à autoridade administrativa tentar corrigir eventuais distorções contidas na lei, como é o caso do ressarcimento das contribuições nos casos em que não houve essa incidência na operação anterior por não ser praticada por contribuinte, como nos casos de pessoas físicas e cooperativas, entre outros. Da mesma forma como a lei beneficiou as empresas que adquirem mercadorias de não contribuintes do PIS e PASEP, ao estabelecer um critério uniforme de apuração do crédito a ser ressarcido para todas as situações, igualmente prejudicou aquelas, cujos produtos percorrem várias etapas, sendo oneradas pelas contribuições de forma mais intensa, pela cumulação da incidência tributária, lhes retirando a competitividade, especialmente no mercado internacional, onde a regra é a não exportação de tributos. Entendo que a lei deva ser aplicada da forma como foi concebida pelo legislador, e que somente a este compete aprimorála. Evidentemente, por todas razões expostas, sou da opinião de que as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, mesmo que adquiridos de não contribuintes do PIS e da COFINS, ou que, por outro motivo, essas contribuições não tenham incidido na aquisição dessas mercadorias, os valores correspondentes a essas operações devem compor a base de cálculo do incentivo fiscal em tela, sendo, portanto, incorreta a glosa aplicada pela fiscalização.” (...) “Como já por diversas vezes decidido na Câmara Superior de Recursos Fiscais, a finalidade da Lei nº 9.363/96 foi a de desonerar as exportações de mercadorias nacionais e, como conseqüência, melhorar o balanço de pagamentos. Aliás, tal entendimento está em linha com o que doutrinariamente defendido por José Erinaldo Dantas Filho, “O espírito do citado diploma legal foi o de incentivar a exportação de produtos nacionais, tentando diminuir o chamado ‘custo Brasil’ para os produtos pátrios, de maneira que sejam ‘exportados tributos para o exterior’. O legislador federal visualizou a extrema necessidade de desonerar a exagerada carga tributária para os produtos exportados, bem como visou a combater o acentuado déficit da balança comercial de nosso País, assim gerando mais empregos e maior arrecadação.”2. Diferente não é, aliás, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, conforme já consubstanciado no acórdão referente ao julgamento do já mencionado e citado Recurso Especial nº 586.392/RN3. 2 “Da impossibilidade de Restrições ao Crédito Presumido de IPI através de Normas Administrativas Complementares”, in Revista Dialética de Direito Tributário, volume 75, p. 77. 3 REsp 586.392/RN, Ministra relatora Eliana Calmon, Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, acórdão publicado no D.J.U., Seção I, de 6/12/2004 Fl. 208DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000924/200598 Acórdão n.º 9303002.725 CSRFT3 Fl. 203 8 Creio, ainda, abrindo aqui parênteses a bem ilustrar o debate, que do exame do Regulamento do IPI (Decreto nº 2.637/98), que trata dos conceitos de industrialização (transformação; beneficiamento; montagem; acondicionamento; e renovação e recondicionamento), entendo possível afirmar que as “mercadorias” exportadas pela recorrente (produtos de origem animal), são sim objeto ou resultante de um processo produtivo, mesmo que classificados como NT. Neste sentido, vale citar trechos de artigo de Júlio M. de Oliveira, intitulado “A Constituição, A Lei e o Regulamento do IPI – Hipóteses de Conflito”4:” (...) “Ao nosso ver, o objeto do imposto não consiste meramente no ato de produzir acima delineado, pelo contrário, a materialidade da hipótese de incidência reside no resultado final deste ato – o produto. Assim não fosse, estaríamos diante de um imposto sobre industrialização e não sobre o produto industrializado. Neste sentido, cabe lembrar as sempre lúcidas considerações do mestre Geraldo Ataliba, verbis: “... Pela sua utilização (desse conjunto de componentes) é que se obtém, afinal, um produto. Se, portanto, a produção ou industrialização for posta na materialidade da hipótese de incidência do imposto, já não se estará diante do IPI, mas de tributo diverso.” Porém, esgotarse na existência de produtos industrializados a materialidade da hipótese de incidência do IPI, em outras palavras, o mero surgimento de um produto industrializado é suficiente para caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto? Quer nos parecer que não.” (...) “E a propósito da discussão travada nestes autos, necessária se faz reafirmar que o benefício do crédito presumido está expressamente direcionado à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. O artigo de lei é abrangente, portanto, daí não ser possível restringir o debate entre a distinção entre “produto industrializado não tributado” e “produto industrializado 4 “IPI – Aspectos Jurídicos Relevantes – Coordenação Marcelo Magalhães Peixoto” – São Paulo: Quartier Latin, 2003, pp. 221 a 238 Fl. 209DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000924/200598 Acórdão n.º 9303002.725 CSRFT3 Fl. 204 9 tributado”, pois tanto um como outro são “mercadorias”5 e, conseqüentemente, abrangidos pela Lei nº 9.363/96.” Nesse sentido, restase evidente o entendimento de que, tendo o crédito presumido em análise o objetivo de ressarcir as contribuições incidentes sobre as etapas anteriores da cadeia produtiva, não é relevante se o produto é ou não tributado pelo IPI na sua saída final. Com efeito, conheço do recurso especial de divergência da Fazenda Nacional no que se refere à argüição referente à exportação de produto “NT” para, no mérito, negarlhe provimento. Nanci Gama 5 “Aquilo que é objeto de comércio; bem econômico destinado à venda; mercancia. ...” Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda. “Novo Aurélio Século XXI: o dicionário da língua portuguesa/3ª edição – Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 1999 Voto Vencedor Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Redator Designado Ouso discordar da nobre relatora em relação à matéria ora posta em julgamento. A matéria objeto da divergência apontada pelo sujeito passivo diz respeito à questão do direito ou não ao crédito presumido de IPI, como forma de ressarcimento do PIS e da COFINS nas exportações de produtos que constam da TIPI com a notação NT (não tributados). Realmente é uma matéria divergente como demonstrou o contribuinte em seu Recurso Especial. Assim, conheço o recurso e passo a análise do mérito. Visando incentivar as exportações de produtos industrializados, de alto valor agregado, a União criou o crédito presumido de IPI como uma forma de ressarcimento das contribuições sociais do PIS e COFINS, incidentes sobre as aquisições, no mercado interno (nacionais), de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo de bens exportados. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000924/200598 Acórdão n.º 9303002.725 CSRFT3 Fl. 205 10 Tal crédito presumido foi criado pela Lei 9.363/96, que adveio da MP 948/95 e reedições. Para o cumprimento do objetivo a lei criou o ressarcimento ao produtor e exportador do pagamento das contribuições PIS e COFINS, incidentes no processo de produção da mercadoria a ser exportada. Tal discussão tem resultado em interpretações divergentes no Poder Judiciário o no próprio CARF. A depender das composições dos tribunais, tanto administrativos quanto judiciais, o resultado dos julgamentos tem dado soluções divergentes, ora permitindo, ora negando, o direito ao creditamento previsto na referida lei. Isso causa uma insegurança jurídica nos contribuintes. Já é hora de tentar pacificar a questão, mesmo sabendo que não é uma tarefa fácil. Até porque os nossos tribunais superiores ainda não se manifestaram a respeito. Porém já percebemos uma certa tendência dos Tribunais Regionais Federais de negar o aproveitamento do créditos nos casos em que as mercadorias exportação não são consideradas industrializadas (NT). Podemos citar como exemplos de decisões que negaram o aproveitamento do crédito: TRF da 3ª Região, Apelação em MS 309.564/MS, Processo 2005.61.00.0013479, Rel. Juiz convocado Dês.Federal Roberto Jeuken, 3ª T., julg. 04/12/2008, DJ 20/01/2009. Apelação cível 1.245.945/MS, processo 1999.61.00.0019753, Rel. dês. Federal Cecília Marcondes, 3ª T.., julg. 27/11/2008, DJ 09/12/2008. TRF da 5ª Região, AMS 89.109/PE, Processo 000236988.2003.4.058308, Rel. Des. Federal Francisco Barros Dias, 2ª T., julg. 18/08/2009, DJ, 11/09/2009. Apelação em MS93782/PE, Processo 000992245.2005.4.05.8300/03, Rel. Des. Federal Rivaldo Costa, 3ª T., DJ 28/08/2007. Como já dissemos, os Tribunais Superiores ainda não se manifestaram diretamente sobre o tema. Para continuarmos a discorrer sobre o tema, é essencial ao deslinde da demanda, determinar se os produtos com a classificação “NT” na TIPI, que trata de produtos em que não há a incidência do IPI, por não serem industrializados e, portanto, não estarem no campo de incidência do imposto, podem se caracterizar como produtos originários de empresa produtora e exportadora descrita no art. 1º da Lei 9.363/96, transcrito abaixo. A lei, muita das vezes, apesar de não ser o meio ideal, deve dar definições aos institutos. Tal conduta do legislador serve para dar contornos precisos a alguns termos usados, como por exemplo o conceito de produto industrializado. A lei assim o faz. E mais. A Legislação complementar é de suma importância, quando traz a tabela TIPI com informações de quais produtos seriam NT e que tais produtos estariam forma do campo de incidência do IPI, não sendo considerados, portanto, produtos industrializados. O benefício fiscal chamado “Crédito Presumido de IPI Exportações” consiste em um crédito adicional de IPI para sociedades industriais que diretamente ou indiretamente exportam seus produtos industrializados ao mercado internacional. Tem como objetivo principal desonerar a cadeia produtiva dos produtos a serem exportados do custo Fl. 211DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000924/200598 Acórdão n.º 9303002.725 CSRFT3 Fl. 206 11 econômico da COFINS e do PIS, conforme podemos notar pelo texto do art. 1º da Lei 9.363/96: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo”. “Parágrafo Único O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior”. Considerandose, então, que o artigo 1° da Lei 9.363/96 autoriza a fruição do beneficio do crédito presumido do IPI às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições ser produtora e ser exportadora , não resta dúvida quanto à total impossibilidade de existência e aproveitamento de crédito do IPI para os estabelecimentos cujos produtos fabricados são classificados como NT na TIPI. Isso porque os estabelecimentos que produzem mercadorias NT não são considerados como produtor, para efeitos da legislação fiscal. Com efeito, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, ela não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições imposta pelo beneficio em análise, qual seja, o de ser produtora. Esta condição está intimamente relacionada à própria natureza do crédito presumido. Ser industrializado o produto exportado é característica essencial da finalidade da lei: estimulo às empresas para que destinem seus produtos com maior valor agregado à exportação, melhorando nossa balança comercial e reduzindo a taxa de desemprego. São justamente os produtos industrializados que agregam mais fatores de produção, sobretudo mãodeobra. São eles que possuem cadeia produtiva mais extensa e, portanto, de maior influência para o desenvolvimento econômico. Não é a exportação de produtos primários que se procurou estimular, já que esta sempre foi a vocação do país ao longo de toda a sua história. Com efeito, cabe aos intérpretes das leis, trazer o real e correto significado das normas nela contidas. Se a norma é dúbia cabe aos operadores do direito a sua correta interpretação, conforme as técnicas da ciência da Hermenêutica Jurídica, e não fazer a interpretação de modo aleatório e intuitivo. Nem mesmo uma interpretação literal do art. 1º da referida lei poderia levar concluir que a empresa produtora e exportadora também abarcaria àquelas que não são contribuintes do imposto. Porém, como já dito, esse seria o pretenso resultado de uma interpretação meramente literal. Esse tipo de análise somente pode ser feito quando a lei expressamente determinar. Pelo contrário, qualquer tipo de interpretação nos levaria ao mesmo resultado, como acontece com os texto legais bem elaborados. Deve, neste caso, fazer uma interpretação sistemática, que consiste em harmonizar a presente norma de um modo contextualizado com todo o texto da mesma lei e com o arcabouço legal pátrio, principalmente na área tributária. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000924/200598 Acórdão n.º 9303002.725 CSRFT3 Fl. 207 12 Teremos de fazer a nossa análise em conjunto com toda a legislação que rege o IPI. Em um estudo da lei incentivadora, nos artigos posteriores ao 1º, o legislador já deixa mais claro que a delimitação do benefício se daria somente em relação aos produtos industrializados. Isso nos remete à matriz legal do IPI. A Lei nº 4.502/64 é muito precisa na definição do que seja estabelecimento produtor quando preceitua em ser art. 3º que “considerase estabelecimento produtos todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto”. Assim fica claro que tanto na acepção econômica quanto jurídica, não há como se enquadrar empresas não sujeitas ao IPI como estabelecimento industrial ou estabelecimento produtor. É pacífico que os produtos classificados na TIPI como "NT" não estão incluídos no campo de incidência do IPI, conforme dispõe o parágrafo único do artigo 2° do RIPI/98. (Decreto 2.637, de 25/06/98). "Art. 2° Parágrafo Único O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação NT (nãotributado) (Lei n.° 9.493, de 10 de setembro de 1997, art. 13 )” Logo, quem produz esses produtos, ainda que sob uma das operações de industrialização previstas no artigo 4° do Regulamento do IPI não é considerado, à luz da legislação de regência desse imposto, como estabelecimento produtor ou industrial, de acordo com o artigo 8° do RIP1/98, que prescreve: Art. 8° Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4°, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei n.° 4.502, de 1964, art. 3°). Estabelecimento produtor ou industrial é aquele que executa qualquer das operações definidas na legislação do imposto como de industrialização; da qual, cumulativamente, resulte um produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. Ora, de fato, seu beneficiário necessariamente deve produzir industrializados sujeitos à incidência do PI e exportálos, diretamente ou através de empresa comercial exportadora, para que lhe seja reconhecido o direito ao crédito presumido, conforme a sistemática instituída pela Lei n° 9.363/96. Se o benefício fosse estendido a todas as empresas produtoras exportadoras, sem a delimitação de ser contribuinte do imposto algumas questões ficariam sem uma solução prevista na lei, como por exemplo, como se daria a escrituração dos créditos para a futura compensação? Não existe previsão de livro registro de apuração do IPI para não contribuintes. Todos sabemos que a apuração do imposto a pagar ou dos créditos devem ser escriturados no referido livro. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000924/200598 Acórdão n.º 9303002.725 CSRFT3 Fl. 208 13 Ademais a lei não contém palavra inúteis. Se fosse para abarcar os exportadores que não fossem produtores porque a lei traria e expressão “produtora e exportadora”. Bastaria o uso da palavra “exportadora”. Está claro, dessa forma, que há que se interpretar a linguagem legislativa contida no art. 1º da Lei 9.363/96 e cabe a nós, desse tribunal administrativo, elucidar e resolver o presente caso concreto ora apresentado a essa corte. È da interpretação que cuida a hermenêutica jurídica. Primeiramente cabe esclarecer o conceito de hermenêutica “que provém do latim hermeneutica (que interpreta ou explica), é empregado na técnica jurídica para assinalar o meio ou modo por que se devem interpretar as leis, a fim de que se tenha delas o exato ou o melhor sentido. Na hermenêutica jurídica, assim, estão encerrados todos os princípios e regras que devam ser judiciosamente utilizados para a interpretação do texto legal. E esta interpretação não se restringe ao esclarecimento de pontos obscuros, mas toda elucidação a respeito da exata compreensão da regra jurídica a ser aplicada aos fatos concretos. É o que faz a hermenêutica jurídica, interpreta as leis. Deixo claro também que não se trata de lacuna na lei. Caso assim fosse, teríamos que fazer uma integração legislativa e não a interpretação. Mais abaixo deixaremos claro que mesmo àqueles que consideram que a lei é omissa e que há que se fazer a integração,também chegaremos à mesma conclusão: A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Podemos concluir que tanto em uma análise econômica quanto jurídica não há como se interpretar o art. 1º da Lei 9.363/96, a ponto de considerar que a empresa produtora e exportadora ali mencionada abarcaria até mesmo àquelas não contribuintes do IPI, ou seja, somente os estabelecimentos industriais é que podem compensar os créditos presumidos de IPI nos casos de exportação. Economicamente falando, não há porque se incentivar, com desoneração tributária, a produção de produtos não industrializados, como por exemplo, as comodities, pois todos sabem que o Brasil tem expertise nesta área, sendo um dos maiores exportadores mundiais. Em se tratando de uma interpretação meramente jurídica, se fosse a intenção do legislador, a lei teria de ser muito clara, e não deixar nenhuma margem de dúvida quanto à extensão do benefício, conforme preceitua o CTN e várias outras leis tributárias e financeiras. Além do mais a lei que trata de qualquer tipo de exoneração tributária deve ter a sua interpretação restritiva, para abarcar somente os caso expressamente permitidos. É necessária a autorização legislativa para a concessão do beneficio em face do principio da legalidade. Como se sabe, o Princípio Constitucional da Legalidade impõe como dever aos agentes públicos que não somente proceda em consonância com as leis, mas também que somente atue quando autorizado pelo ordenamento jurídico. Melhor dizendo, não tem a liberdade de fazer o que lhe convém apenas pela ausência de norma proibitiva, mas somente fazer o que a lei autoriza ou determina. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000924/200598 Acórdão n.º 9303002.725 CSRFT3 Fl. 209 14 O princípio da legalidade vale tanto para a exação quanto para a isenção. Sabemos que o crédito presumido é um tipo de isenção parcial. É indiscutível que a lei que trata de isenção deve descrever, pormenorizadamente, todos os elementos da norma jurídica tributária. A descrição deve ser exaustiva para a própria segurança jurídica dos contribuintes. Não pode haver subjetivismos ou interpretações não jurídicas. O art. 1º da lei isentiva faz exatamente isso. Descreve minuciosamente os contornos de quem tem o direito ao crédito presumido para evitar que o intérprete ou aplicador da lei tenha entendimentos contraditórios, gerando incerteza e insegurança para o contribuinte. Com efeito não há outra conclusão que não a constatação que crédito presumido de IPI somente poderá ser efetuado pela empresa exportadora ou, no caso de exportação indireta, pelo fornecedor da comercial exportadora, levandose em conta apenas os insumos adquiridos no mercado interno utilizados na industrialização de bens destinados à exportação. Para corroborar e elucidar todo o exposto, por ser de uma precisão ímpar trago o Presidente Henrique Pinheiro Torres, no Acórdão nº 202.16.066: “A questão envolvendo o direito de crédito presumido de IPI no tocante às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens utilizados na confecção de produtos constantes da Tabela de Incidência do IPI com a notação NT (Não Tributado) destinados à exportação, longe de estar apascentada, tem gerado acirrados debates na doutrina e na jurisprudência. No Segundo Conselho de Contribuintes, ora prevalece a posição do Fisco, ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Câmaras. A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 1º da Lei 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque, os estabelecimentos processadores de produtos NT, não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do artigo 3º da Lei 4.502/1964, considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI com a notação NT (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000924/200598 Acórdão n.º 9303002.725 CSRFT3 Fl. 210 15 Ora, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtores exportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal benefício, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à alíquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto crédito prêmio de IPI conferido industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o benefício alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do artigo 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória nº 1.50816, consistente na inclusão de diversos produtos no campo de incidência do IPI, a exemplo dos frangos abatidos, cortados e embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios dos exportadores, que puderam, então, usufruir do crédito presumido de IPI nas exportações desses produtos. Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI”. Também, colaciono parte do voto do Conselheiro Gilson Rosemburg Filho, em voto recentemente proferido neste plenário: Por outra parte, é cediço que os produtos classificados na TIPI como “NT” não estão incluídos no campo de incidência do IPI. Logo, quem fabrica tais produtos, mesmo sob uma das operações de industrialização previstas no Regulamento do IPI (no caso, as operações dispostas no art. 3º, caput e incisos, do Regulamento aprovado pelo Decreto nº 87.981, de 23/12/1982 – RIPI/82), não é considerado, à luz da legislação de regência desse imposto, como estabelecimento industrial. Isso porque, de acordo como o art. 8º do RIPI/82 (abaixo transcrito), estabelecimento industrial Fl. 216DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000924/200598 Acórdão n.º 9303002.725 CSRFT3 Fl. 211 16 é o que industrializa produtos sujeitos à incidência do IPI, ou seja, é aquele estabelecimento que executa qualquer das operações definidas na legislação do imposto como “de industrialização”, da qual, cumulativamente, resulte um produto “tributado”, ainda que de alíquota zero ou isento. Ao contrário, não é estabelecimento industrial para fins de IPI aquele que elabora produtos classificados na TIPI como nãotributado (NT), bem como quem realiza operação excluída do conceito de industrialização dado pelo RIPI. “Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no artigo 3º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, art. 3º).” Neste diapasão, Raimundo Clóvis do Valle Cabral em “Tudo sobre o IPI”, 4ª edição, São Paulo, Ed. Aduaneiras, págs. 54/55 e 57, assim assevera: “Estabelecimento Industrial é o que industrializa produtos sujeitos à incidência do imposto, ou seja, aquele que executa operações definidas na legislação do IPI como de industrialização (transformação, beneficiamento, montagem, acondicionamento/reacondicionamento e renovação/recondicionamento) e da qual resulte um produto tributado, ainda que de alíquota zero, ou isento. Tem por base legal o artigo 3º da Lei nº 4.502, de 1964, alterado pelo artigo 12 do DL nº 34/66, que tem o seguinte texto: ‘Considerase estabelecimento industrial todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto’(art. 8º). As expressões ‘fábrica’ e ‘fabricante’ são equivalentes a ‘estabelecimento industrial’, como definido acima (art. 487II). Se o produto por ele industrializado corresponde uma alíquota positiva (diferente de zero) estará ele obrigado a destacar o imposto na nota fiscal emitida, observando as demais obrigações concernentes à escrituração fiscal e ao recolhimento do imposto, assumindo o real papel de contribuinte – sujeito passivo de obrigação principal, salvo se optante pela inscrição no Simples (art. 20I, 23II e 107). Se o produto industrializado estiver sujeito à alíquota zero, ou for isento, embora não haja imposto a ser destacado nem recolhido, ele estará obrigado a emitir nota fiscal e proceder às demais obrigações relativas à escrituração fiscal prevista no Ripi, pois está definido como sujeito passivo de obrigações acessórias (art. 21). Contrario sensu, chegase à conclusão de não ser estabelecimento industrial, para fins do IPI, aquele que elabora produtos classificados na Tipi como NT (nãotributados), bem assim os resultantes de operações excluídas do conceito de industrialização pelo artigo 5º do RIPI.” Fl. 217DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000924/200598 Acórdão n.º 9303002.725 CSRFT3 Fl. 212 17 O texto reproduzido acima traduz a essência da expressão “NT” aposta na TIPI ao lado dos produtos excluídos do campo de incidência do IPI, qual seja: o estabelecimento que dá saída a produtos nãotributados, não se classifica, nessas operações, para fins de incidência do imposto, como estabelecimento industrial, ou seja, como contribuinte do IPI. E o aproveitamento de créditos do IPI está intimamente ligado ao conceito do que seja estabelecimento industrial para a legislação desse imposto, no sentido de que não ser um estabelecimento de tal espécie implica o nãoreconhecimento da existência de créditos ou débitos de IPI, impossibilitando o aproveitamento dos primeiros (dos créditos) ou o surgimento da obrigação tributária principal decorrente dos segundos (dos débitos). Nessa linha, merece citar, especificamente no tocante ao crédito presumido do IPI objeto de análise no presente processo, o preceito do art. 1º combinado com o do parágrafo único do art. 3º, ambos da Lei nº 9.363/96: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus ao crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (...). Art. 3º (...). Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação (...) do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento (...) dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, (...).” Lógico que “produção” conformase na atividade do “produtor". E, nos termos da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, matriz legal de grande parte da legislação do IPI, “estabelecimento produtor” é aquele que industrializa produtos sujeitos ao imposto. Estabelece o art. 3º da aludida lei: “Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto.” Considerandose, então, que o art. 1º da Lei nº 9.363/96 autoriza a fruição do crédito presumido do IPI ao “estabelecimento produtor e exportador”, e que o art. 3º da Lei 4.502/64 é a matriz do Regulamento do Imposto de Produtos Industrializados, não resta dúvida quanto à total impossibilidade de existência e, conseqüentemente, de aproveitamento de crédito do IPI para os estabelecimentos cujos produtos fabricados são classificados como “NT” na TIPI. Pelos fundamentos expostos, é possível arrolar as seguintes conclusões: O estabelecimento industrial é aquele que industrializa produtos sujeitos à incidência do imposto, ou seja, aquele que executa as operações definidas na legislação do IPI como de industrialização e da qual resulta um produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. Portanto, os produtos exportados Fl. 218DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000924/200598 Acórdão n.º 9303002.725 CSRFT3 Fl. 213 18 que não se encontram no campo de incidência do IPI, por constar da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI; A legislação que trata do específico benefício do crédito presumido do IPI determina que as “mercadorias” devam decorrer de “estabelecimento produtor”, o qual, à luz da legislação do IPI, é somente o que industrializa produtos tributados por essa exação. Assim não há que se falar em questões fáticas, mas meramente jurídicas. Por isso toda a análise se absteve de ilações de fato, mas argumentações meramente jurídicas, como aliás devem ser todas as questões trazidas a interpretação pelos tribunais.. Também não há discussão acerca de os produtos que não tributados – NT, estarem, ou não, no campo de incidência do IPI. Senão teríamos de fazer uma longa explanação sobre outros institutos tributários como isenção, imunidade, não incidência, lançamento, fato gerador, dentre outros. Podemos concluir que tanto em uma análise econômica quanto jurídica não há como se interpretar o art. 1º da Lei 9.363/96, a ponto de considerar que a empresa produtora e exportadora ali mencionada abarcaria até mesmo àquelas não contribuintes do IPI, ou seja, somente os estabelecimentos industriais é que podem compensar os créditos presumidos de IPI nos casos de exportação. Economicamente falando, não há porque se incentivar, com desoneração tributária, a produção de produtos não industrializados, como por exemplo, as comodities, pois todos sabem que o Brasil tem expertise nesta área, sendo um dos maiores exportadores mundiais. Em se tratando de uma interpretação meramente jurídica, se fosse a intenção do legislador, a lei teria de ser muito clara, e não deixar nenhuma margem de dúvida quanto à extensão do benefício, conforme preceitua o CTN e várias outras leis tributárias e financeiras. Dessa forma, o crédito presumido de IPI somente poderá ser ressarcido pela empresa exportadora ou, no caso de exportação indireta, pelo fornecedor da comercial exportadora, levandose em conta apenas os insumos adquiridos no mercado interno, onerados pelo PIS e COFINS, e utilizados na industrialização de bens destinados à exportação. Mesmo para aqueles que entendem que existe omissão legal e que pretendem fazer a integração prevista no art. do CTN, In verbis: Interpretação e Integração da Legislação Tributária Art. 107. A legislação tributária será interpretada conforme o disposto neste Capítulo. Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; Fl. 219DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000924/200598 Acórdão n.º 9303002.725 CSRFT3 Fl. 214 19 III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade. § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. § 2º O emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. A ordem de integração é obrigatória, como determina a Lei. Podemos usar a analogia com o caso dos créditos básicos e assim chegarmos à conclusão que não geram direito ao crédito a exportação de produtos NT. Neste caso existe até uma súmula do CARF: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Porém podemos passar também para o segundo critério de integração. Trata se de usarmos os princípios gerais de Direito Tributário. O princípio mais específico em relação ao IPI é o princípio constitucional da não cumulatividade do IPI, transcrito abaixo: Art. 153, § 3º: “O imposto previsto no inciso IV: I – será seletivo, em função da essencialidade do produto; II – será não cumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores”. Fica claro aqui também que tem que haver tributo devido para que possamos aplicar o princípio. Se o produto final não é tributado, não há que se falar em aproveitamento de crédito. Obviamente a lei pode excepcionar e permitir o aproveitamento do crédito, já que não há óbice constitucional como ocorre com o ICMS. Mas, como dito acima a lei tem que ser clara ao permitir o creditamento nessas situações especiais o que não ocorre in casu. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000924/200598 Acórdão n.º 9303002.725 CSRFT3 Fl. 215 20 O próprio TRF da 3ª Região tem exarado decisões que vedam o direito ao incentivo da lei 9.363 quando não há o recolhimento do IPI na cadeia de industrialização da mercadoria a ser exportada. O Direito Pátrio não autoriza o aproveitamento do crédito presumido de IPI em relação a mercadorias exportadas que figurem como NT na tabela do IPI – TIPI. Essa é a única conclusão juridicamente aceitável ao interpretarmos, por todas as técnicas existentes, os diplomas legais do crédito presumido – Lei 9.363/96, em cotejo com as demais legislações do IPI. Àqueles que defendem que a lei instituidora do incentivo é lacunosa, podemos fazer a integração nos moldes permitidos pelo CTN e chegaremos à mesma conclusão acima exposta. Diante de todo o exposto, voto pelo provimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 221DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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