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Numero do processo: 13603.720972/2014-81
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
VALORES PAGOS POR ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR A TÍTULO DE COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA.
Os beneficiários que passaram a receber complementação de aposentadoria no período de 1º de janeiro de 2008 a 31 de dezembro de 2012, de que trata o art. 1º da IN RFB nº 1.343, de 05 de abril de 2013, submetidos à incidência do imposto sobre a renda, e que não tenham ação judicial em curso, versando sobre a mesma matéria, poderão pleitear o montante do imposto retido indevidamente.
Numero da decisão: 2001-001.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 VALORES PAGOS POR ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR A TÍTULO DE COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. Os beneficiários que passaram a receber complementação de aposentadoria no período de 1º de janeiro de 2008 a 31 de dezembro de 2012, de que trata o art. 1º da IN RFB nº 1.343, de 05 de abril de 2013, submetidos à incidência do imposto sobre a renda, e que não tenham ação judicial em curso, versando sobre a mesma matéria, poderão pleitear o montante do imposto retido indevidamente.
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Os beneficiários que passaram a receber complementação de aposentadoria no período de 1º de janeiro de 2008 a 31 de dezembro de 2012, de que trata o art. 1º da IN RFB nº 1.343, de 05 de abril de 2013, submetidos à incidência do imposto sobre a renda, e que não tenham ação judicial em curso, versando sobre a mesma matéria, poderão pleitear o montante do imposto retido indevidamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 09 72 /2 01 4- 81 Fl. 90DF CARF MF 2 Trata o presente processo de pedido de restituição relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte sobre 13º salário do exercício 2010 – anocalendário 2009. O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os demais documentos do processo. Não se destacaram algumas dessas partes, pois tanto o presente acórdão como o inteiro processo ficam disponíveis a todos os julgadores durante a sessão. A ementa do acórdão de manifestação de inconformidade foi a seguinte: Anocalendário: 2009 VALORES PAGOS POR ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR A TÍTULO DE COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. ISENTOS. Observado o prazo decadencial, os beneficiários que se aposentaram no período de 1º de janeiro de 2008 a 31 de dezembro de 2012, que receberam rendimentos de que trata o art. 1º da IN RFB nº 1.343, de 05 de abril de 2013, submetidos à incidência do imposto sobre a renda, e que não tenham ação judicial em curso, versando sobre a mesma matéria, poderão pleitear o montante do imposto retido indevidamente. Relatou assim a matéria o acórdão da DRJ: Trata o presente processo da manifestação de inconformidade apresentada pela interessada em 04/12/2014, às fls.28/30, contra o despacho decisório da DRF/Contagem nº 681, às fls.17/18, que indeferiu o pedido de restituição relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte sobre 13º salário do exercício 2010 – ano calendário 2009, às fls.02, nos seguintes termos: A IN RFB nº 1.343, de 05 de abril de 2013 dispõe sobre o tratamento tributário relativo à apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) aplicável aos valores pagos ou creditados por entidade de previdência complementar a título de complementação de aposentadoria, resgate e rateio de patrimônio, correspondente às contribuições efetuadas, exclusivamente pelo beneficiário, no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995. Em seu art. 2º a IN discorre sobre o tratamento a ser aplicado aos beneficiários que se aposentaram a partir de 1º de janeiro de 2013. Já no art. 3º, introduzido pela IN RFB 1.495/2014, a referida IN disciplina, para aqueles beneficiários que não tem Ação Judicial em curso: Art. 3º Os beneficiários que se aposentaram no período de 1º de janeiro de 2008 a 31 de dezembro de 2012, que receberam rendimentos de que trata o art. 1º submetidos à incidência do imposto sobre a renda, e que não tenham ação judicial em curso, versando sobre a matéria de que trata esta Instrução Normativa, poderão pleitear o montante do imposto retido indevidamente da Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13603.720972/201481 Acórdão n.º 2001001.167 S2C0T1 Fl. 3 3 seguinte forma: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.495, de 30 de setembro de 2014) Ou seja, a IN RFB nº 1.343 de 05 de abril de 2013, alterada pela IN RFB nº 1.495, de 30 de setembro de 2014, alcança somente beneficiários que tenham se aposentado a partir de 1º de janeiro de 2008. Considerando que a interessada tem como data de início da concessão de benefício de aposentadoria por tempo de serviço 03/08/2007, à mesma não se aplica a referida Instrução Normativa, diante do que INDEFIRO, por absoluta falta de previsão legal, o pedido de restituição formulado por SOLANGE DE LIMA CALDEIRA FIGUEIREDO – CPF 134.024.12691. Irresignada, a interessada alega na manifestação de inconformidade, em síntese, que: 1. O pedido de Restituição do 13º salário foi efetuado em decorrência da concessão do beneficio de complementação de aposentadoria a partir de 05 de agosto de 2008, ocasião em que foram completadas as carências necessárias para a obtenção do benefício pela Fundação BDMG de Seguridade Social DESBAN, entidade de previdência fechada. 2. A decisão da DRFContagem/MG teve como base consulta efetuada no Sistema CNIS Cadastro Nacional de Informações Sociais, que registra aposentaria por tempo de contribuição ao INSS Instituto Nacional de Serviço Social, em 03 de agosto de 2007. 3. Apesar de o início do recebimento de aposentaria pelo INSS ter ocorrido em data anterior, o recebimento da complementação de aposentadoria ocorreu a partir de 05 de agosto de 2008, portanto dentro do período estipulado pela Instrução Normativa 1.343, de 05 de abril de 2013. No voto da DRJ, o único fundamento para negar foi que a data da aposentadoria seria de 03/08/2007 e a IN RFB 1.343 dispõe sobre aposentadorias a partir de 01/01/2008. Há que se observar que o caput do art.3º, da Instrução Normativa RFB nº 1.343, de 5 de abril de 2013, com as alterações introduzidas pela Instrução Normativa RFB nº 1.495, de 30 de setembro de 2014, é claro ao se referir ao período em que os beneficiários se aposentaram, e não à data do recebimento da complementação da aposentadoria. No caso em tela, conforme demonstra a pesquisa ao sistema DATAPREV de fls.16, a data de início do benefício de aposentadoria por tempo de serviço ocorreu em 03/08/2007. Portanto, o despacho decisório não merece reparos, uma vez que não é a data do recebimento da complementação de Fl. 92DF CARF MF 4 aposentadoria que deve ser observada no caso concreto, mas sim a data de início da aposentadoria. O contribuinte reitera as alegações feitas na impugnação. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13603.720972/201481 Acórdão n.º 2001001.167 S2C0T1 Fl. 4 5 Tratase de discussão relativa a pedido de restituição. O litígio restringese à discussão da data da aposentadoria e aplicação do disposto no art. 3º da IN RFB 1.343/13, pois no voto da DRJ, o único fundamento para negar foi que a data da aposentadoria seria de 03/08/2007 e a IN RFB 1.343/13 disporia sobre aposentadorias a partir de 01/01/2008. A Instrução Normativa em questão trata de procedimentos para o contribuinte pleitear devolução de valores que teriam sofrido retenção na fonte que não era devida, pois seriam de contribuições previdenciárias já tributadas. O procedimento se refere a valores de complementação de aposentadoria, assim, compartilhamos o entendimento expresso no recurso de que a Instrução Normativa estabelece que os assistidos que iniciaram o percebimento de benefício de complementação de aposentadoria no período de janeiro de 2008 a dezembro de 2012, pleiteiem o montante de imposto retido indevidamente, conforme a Instrução Normativa. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19311.720268/2017-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2015
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE
Não há que se falar em nulidade quando a autuação se enquadra nos conceitos legais estabelecidos e não apresenta nenhum vício de nulidade elencado no artigo 59 do Decreto 70.235/1972, que regula o processo administrativo fiscal, mormente quando o autuado pode apresentar defesa contra todos os procedimentos e fundamentos legais envolvidos na autuação.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/Pasep
CONCEITO DE INSUMOS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE.
São insumos, para efeitos do inciso II do artigo 3º da lei nº 10.637/2002 (PIS/Pasep), todos os bens e serviços essenciais ao processo produtivo e á prestação de serviços para a obtenção da receita objeto da atividade econômica do seu adquirente, podendo ser empregados direta ou indiretamente no processo produtivo, cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica.
Desta forma, deve ser estabelecida a relação da essencialidade do insumo (considerando-se a imprescindibilidade e a relevância/importância de determinado bem ou serviço, dentro do processo produtivo, para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela pessoa jurídica) com o objeto social da empresa, para que se possa aferir se o dispêndio realizado pode ou não gerar créditos na sistemática da não cumulatividade,
Sendo esta a posição do STJ, externada no voto do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, ao julgar o RE nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo, ao qual está submetido este CARF, por força do § 2º do Artigo 62 do Regimento Interno do CARF.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. DESPESAS DE TAXA DE ADMINISTRAÇÃO DE CARTÕES DE CRÉDITO E DÉBITO.
Diante da atividade desenvolvia pela empresa (comércio varejista de computadores, equipamentos de informática, eletrônicos e eletrodomésticos), a utilização de cartões de crédito e débito não se constitui insumo essencial para a atividade da empresa, e sim uma despesa operacional para obtenção de seus resultados.
Não se caracteriza como essencial a despesa em função de que a sua ausência não paralisaria ou tornaria inviável a atividade econômica da empresa, pois existem outros meios de pagamento que a empresa poderia adotar e oferecer aos seus clientes, em função dessa alternatividade de meios de pagamento disponíveis, a despesa com taxas de administração de cartões de crédito e de débito não geram créditos para a atividade econômica desenvolvida pela empresa.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. DESPESAS COM PUBLICIDADE NA INTERNET E OUTRAS MÍDIAS .
As despesas com propaganda e publicidade não se caracterizam como essencial á atividade desenvolvida pela empresa, e sim como despesas operacionais, não passíveis de gerar crédito da não cumulatividade. Tais despesas, se deixarem de ser efetuadas, não acarretarão a inviabilidade das atividades da empresa, nem farão com que a empresa deixe de funcionar, pois outros meios existem para que a empresa divulgue seus produtos comercializados, diante de tal alternatividade disponível, a despesa com publicidade na Internet e outras mídias não gera créditos para a atividade econômica desenvolvida pela recorrente
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. DESPESAS COM LOCAÇÃO DE VEÍCULOS AUTOMOTORES
As despesas com locação de veículos para que os funcionários da empresa se desloquem para prestar serviços (oferecidos pela recorrente para estabelecer posição de destaque diante da concorrência existente no mercado em que se insere) de instalação de produtos na residência dos clientes se constituem em mera liberalidade da empresa, para estabelecer um diferencial dentro do mercado comercial em que atua. Tal despesa não é essencial á atividade da empresa, pois a sua ausência ( qual seja, a falta de despesa com locação de veículos com esse fim) não acarretaria de forma alguma a inviabilidade da atividade econômica da empresa, e muito menos a sua paralisação, não gerando, portanto, créditos na sistemática da não cumulatividade.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS, DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS
As despesas com fretes para o transporte de mercadorias entre establecimentos da mesma empresa, como entre o centro de distribuição e outro centro de distribuição ou o estabelecimento final (loja física), para posterior entregue ao comprador, gera direito ao crédito na sistemática da não cumulatividade
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
CONCEITO DE INSUMOS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE.
São insumos, para efeitos do inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003 (COFINS), todos os bens e serviços essenciais ao processo produtivo e á prestação de serviços para a obtenção da receita objeto da atividade econômica do seu adquirente, podendo ser empregados direta ou indiretamente no processo produtivo, cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica.
Desta forma, deve ser estabelecida a relação da essencialidade do insumo (considerando-se a imprescindibilidade e a relevância/importância de determinado bem ou serviço, dentro do processo produtivo, para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela pessoa jurídica) com o objeto social da empresa, para que se possa aferir se o dispêndio realizado pode ou não gerar créditos na sistemática da não cumulatividade,
Sendo esta a posição do STJ, externada no voto do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, ao julgar o RE nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo, ao qual está submetido este CARF, por força do § 2º do Artigo 62 do Regimento Interno do CARF.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. DESPESAS DE TAXA DE ADMINISTRAÇÃO DE CARTÕES DE CRÉDITO E DÉBITO.
Diante da atividade desenvolvia pela empresa (comércio varejista de computadores, equipamentos de informática, eletrônicos e eletrodomésticos), a utilização de cartões de crédito e débito não se constitui insumo essencial para a atividade da empresa, e sim uma despesa operacional para obtenção de seus resultados.
Não se caracteriza como essencial a despesa em função de que a sua ausência não paralisaria ou tornaria inviável a atividade econômica da empresa, pois existem outros meios de pagamento que a empresa poderia adotar e oferecer aos seus clientes, em função dessa alternatividade de meios de pagamento disponíveis, a despesa com taxas de administração de cartões de crédito e de débito não geram créditos para a atividade econômica desenvolvida pela empresa.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. DESPESAS COM PUBLICIDADE NA INTERNET E OUTRAS MÍDIAS .
As despesas com propaganda e publicidade não se caracterizam como essencial á atividade desenvolvida pela empresa, e sim como despesas operacionais, não passíveis de gerar crédito da não cumulatividade. Tais despesas, se deixarem de ser efetuadas, não acarretarão a inviabilidade das atividades da empresa, nem farão com que a empresa deixe de funcionar, pois outros meios existem para que a empresa divulgue seus produtos comercializados, diante de tal alternatividade disponível, a despesa com publicidade na Internet e outras mídias não gera créditos para a atividade econômica desenvolvida pela recorrente
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. DESPESAS COM LOCAÇÃO DE VEÍCULOS AUTOMOTORES
As despesas com locação de veículos para que os funcionários da empresa se desloquem para prestar serviços (oferecidos pela recorrente para estabelecer posição de destaque diante da concorrência existente no mercado em que se insere) de instalação de produtos na residência dos clientes se constituem em mera liberalidade da empresa, para estabelecer um diferencial dentro do mercado comercial em que atua. Tal despesa não é essencial á atividade da empresa, pois a sua ausência ( qual seja, a falta de despesa com locação de veículos com esse fim) não acarretaria de forma alguma a inviabilidade da atividade econômica da empresa, e muito menos a sua paralisação, não gerando, portanto, créditos na sistemática da não cumulatividade.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS, DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS
As despesas com fretes para o transporte de mercadorias entre establecimentos da mesma empresa, como entre o centro de distribuição e outro centro de distribuição ou o estabelecimento final (loja física), para posterior entregue ao comprador, gera direito ao crédito na sistemática da não cumulatividade
Numero da decisão: 3301-005.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento para reconhecer o direito de crédito referente as despesas com frete entre os estabelecimentos da recorrente. Vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira e Marco Antônio Marinho Nunes que votaram por negar provimento ao recurso voluntário. Os conselheiros Marcelo Costa Marques D´Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro votaram pelas conclusões.
assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Presidente.
assinado digitalmente
Ari Vendramini - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento para reconhecer o direito de crédito referente as despesas com frete entre os estabelecimentos da recorrente. Vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira e Marco Antônio Marinho Nunes que votaram por negar provimento ao recurso voluntário. Os conselheiros Marcelo Costa Marques D´Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro votaram pelas conclusões. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira - Presidente. assinado digitalmente Ari Vendramini - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2015 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE Não há que se falar em nulidade quando a autuação se enquadra nos conceitos legais estabelecidos e não apresenta nenhum vício de nulidade elencado no artigo 59 do Decreto 70.235/1972, que regula o processo administrativo fiscal, mormente quando o autuado pode apresentar defesa contra todos os procedimentos e fundamentos legais envolvidos na autuação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/Pasep CONCEITO DE INSUMOS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. São insumos, para efeitos do inciso II do artigo 3º da lei nº 10.637/2002 (PIS/Pasep), todos os bens e serviços essenciais ao processo produtivo e á prestação de serviços para a obtenção da receita objeto da atividade econômica do seu adquirente, podendo ser empregados direta ou indiretamente no processo produtivo, cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Desta forma, deve ser estabelecida a relação da essencialidade do insumo (considerando-se a imprescindibilidade e a relevância/importância de determinado bem ou serviço, dentro do processo produtivo, para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela pessoa jurídica) com o objeto social da empresa, para que se possa aferir se o dispêndio realizado pode ou não gerar créditos na sistemática da não cumulatividade, Sendo esta a posição do STJ, externada no voto do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, ao julgar o RE nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo, ao qual está submetido este CARF, por força do § 2º do Artigo 62 do Regimento Interno do CARF. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. DESPESAS DE TAXA DE ADMINISTRAÇÃO DE CARTÕES DE CRÉDITO E DÉBITO. Diante da atividade desenvolvia pela empresa (comércio varejista de computadores, equipamentos de informática, eletrônicos e eletrodomésticos), a utilização de cartões de crédito e débito não se constitui insumo essencial para a atividade da empresa, e sim uma despesa operacional para obtenção de seus resultados. Não se caracteriza como essencial a despesa em função de que a sua ausência não paralisaria ou tornaria inviável a atividade econômica da empresa, pois existem outros meios de pagamento que a empresa poderia adotar e oferecer aos seus clientes, em função dessa alternatividade de meios de pagamento disponíveis, a despesa com taxas de administração de cartões de crédito e de débito não geram créditos para a atividade econômica desenvolvida pela empresa. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. DESPESAS COM PUBLICIDADE NA INTERNET E OUTRAS MÍDIAS . As despesas com propaganda e publicidade não se caracterizam como essencial á atividade desenvolvida pela empresa, e sim como despesas operacionais, não passíveis de gerar crédito da não cumulatividade. Tais despesas, se deixarem de ser efetuadas, não acarretarão a inviabilidade das atividades da empresa, nem farão com que a empresa deixe de funcionar, pois outros meios existem para que a empresa divulgue seus produtos comercializados, diante de tal alternatividade disponível, a despesa com publicidade na Internet e outras mídias não gera créditos para a atividade econômica desenvolvida pela recorrente REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. DESPESAS COM LOCAÇÃO DE VEÍCULOS AUTOMOTORES As despesas com locação de veículos para que os funcionários da empresa se desloquem para prestar serviços (oferecidos pela recorrente para estabelecer posição de destaque diante da concorrência existente no mercado em que se insere) de instalação de produtos na residência dos clientes se constituem em mera liberalidade da empresa, para estabelecer um diferencial dentro do mercado comercial em que atua. Tal despesa não é essencial á atividade da empresa, pois a sua ausência ( qual seja, a falta de despesa com locação de veículos com esse fim) não acarretaria de forma alguma a inviabilidade da atividade econômica da empresa, e muito menos a sua paralisação, não gerando, portanto, créditos na sistemática da não cumulatividade. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS, DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS As despesas com fretes para o transporte de mercadorias entre establecimentos da mesma empresa, como entre o centro de distribuição e outro centro de distribuição ou o estabelecimento final (loja física), para posterior entregue ao comprador, gera direito ao crédito na sistemática da não cumulatividade ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS CONCEITO DE INSUMOS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. São insumos, para efeitos do inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003 (COFINS), todos os bens e serviços essenciais ao processo produtivo e á prestação de serviços para a obtenção da receita objeto da atividade econômica do seu adquirente, podendo ser empregados direta ou indiretamente no processo produtivo, cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Desta forma, deve ser estabelecida a relação da essencialidade do insumo (considerando-se a imprescindibilidade e a relevância/importância de determinado bem ou serviço, dentro do processo produtivo, para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela pessoa jurídica) com o objeto social da empresa, para que se possa aferir se o dispêndio realizado pode ou não gerar créditos na sistemática da não cumulatividade, Sendo esta a posição do STJ, externada no voto do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, ao julgar o RE nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo, ao qual está submetido este CARF, por força do § 2º do Artigo 62 do Regimento Interno do CARF. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. DESPESAS DE TAXA DE ADMINISTRAÇÃO DE CARTÕES DE CRÉDITO E DÉBITO. Diante da atividade desenvolvia pela empresa (comércio varejista de computadores, equipamentos de informática, eletrônicos e eletrodomésticos), a utilização de cartões de crédito e débito não se constitui insumo essencial para a atividade da empresa, e sim uma despesa operacional para obtenção de seus resultados. Não se caracteriza como essencial a despesa em função de que a sua ausência não paralisaria ou tornaria inviável a atividade econômica da empresa, pois existem outros meios de pagamento que a empresa poderia adotar e oferecer aos seus clientes, em função dessa alternatividade de meios de pagamento disponíveis, a despesa com taxas de administração de cartões de crédito e de débito não geram créditos para a atividade econômica desenvolvida pela empresa. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. DESPESAS COM PUBLICIDADE NA INTERNET E OUTRAS MÍDIAS . As despesas com propaganda e publicidade não se caracterizam como essencial á atividade desenvolvida pela empresa, e sim como despesas operacionais, não passíveis de gerar crédito da não cumulatividade. Tais despesas, se deixarem de ser efetuadas, não acarretarão a inviabilidade das atividades da empresa, nem farão com que a empresa deixe de funcionar, pois outros meios existem para que a empresa divulgue seus produtos comercializados, diante de tal alternatividade disponível, a despesa com publicidade na Internet e outras mídias não gera créditos para a atividade econômica desenvolvida pela recorrente REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. DESPESAS COM LOCAÇÃO DE VEÍCULOS AUTOMOTORES As despesas com locação de veículos para que os funcionários da empresa se desloquem para prestar serviços (oferecidos pela recorrente para estabelecer posição de destaque diante da concorrência existente no mercado em que se insere) de instalação de produtos na residência dos clientes se constituem em mera liberalidade da empresa, para estabelecer um diferencial dentro do mercado comercial em que atua. Tal despesa não é essencial á atividade da empresa, pois a sua ausência ( qual seja, a falta de despesa com locação de veículos com esse fim) não acarretaria de forma alguma a inviabilidade da atividade econômica da empresa, e muito menos a sua paralisação, não gerando, portanto, créditos na sistemática da não cumulatividade. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS, DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS As despesas com fretes para o transporte de mercadorias entre establecimentos da mesma empresa, como entre o centro de distribuição e outro centro de distribuição ou o estabelecimento final (loja física), para posterior entregue ao comprador, gera direito ao crédito na sistemática da não cumulatividade
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NULIDADE Não há que se falar em nulidade quando a autuação se enquadra nos conceitos legais estabelecidos e não apresenta nenhum vício de nulidade elencado no artigo 59 do Decreto 70.235/1972, que regula o processo administrativo fiscal, mormente quando o autuado pode apresentar defesa contra todos os procedimentos e fundamentos legais envolvidos na autuação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/Pasep CONCEITO DE INSUMOS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. São insumos, para efeitos do inciso II do artigo 3º da lei nº 10.637/2002 (PIS/Pasep), todos os bens e serviços essenciais ao processo produtivo e á prestação de serviços para a obtenção da receita objeto da atividade econômica do seu adquirente, podendo ser empregados direta ou indiretamente no processo produtivo, cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Desta forma, deve ser estabelecida a relação da essencialidade do insumo (considerandose a imprescindibilidade e a relevância/importância de determinado bem ou serviço, dentro do processo produtivo, para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela pessoa jurídica) com o objeto social da empresa, para que se possa aferir se o dispêndio realizado pode ou não gerar créditos na sistemática da não cumulatividade, Sendo esta a posição do STJ, externada no voto do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, ao julgar o RE nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo, ao qual está submetido este CARF, por força do § 2º do Artigo 62 do Regimento Interno do CARF. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. DESPESAS DE TAXA DE ADMINISTRAÇÃO DE CARTÕES DE CRÉDITO E DÉBITO. Diante da atividade desenvolvia pela empresa (comércio varejista de computadores, equipamentos de informática, eletrônicos e eletrodomésticos), a utilização de cartões de crédito e débito não se constitui insumo essencial para a atividade da empresa, e sim uma despesa operacional para obtenção de seus resultados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 02 68 /2 01 7- 32 Fl. 3106DF CARF MF 2 Não se caracteriza como essencial a despesa em função de que a sua ausência não paralisaria ou tornaria inviável a atividade econômica da empresa, pois existem outros meios de pagamento que a empresa poderia adotar e oferecer aos seus clientes, em função dessa alternatividade de meios de pagamento disponíveis, a despesa com taxas de administração de cartões de crédito e de débito não geram créditos para a atividade econômica desenvolvida pela empresa. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. DESPESAS COM PUBLICIDADE NA INTERNET E OUTRAS MÍDIAS . As despesas com propaganda e publicidade não se caracterizam como essencial á atividade desenvolvida pela empresa, e sim como despesas operacionais, não passíveis de gerar crédito da não cumulatividade. Tais despesas, se deixarem de ser efetuadas, não acarretarão a inviabilidade das atividades da empresa, nem farão com que a empresa deixe de funcionar, pois outros meios existem para que a empresa divulgue seus produtos comercializados, diante de tal alternatividade disponível, a despesa com publicidade na Internet e outras mídias não gera créditos para a atividade econômica desenvolvida pela recorrente REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. DESPESAS COM LOCAÇÃO DE VEÍCULOS AUTOMOTORES As despesas com locação de veículos para que os funcionários da empresa se desloquem para prestar serviços (oferecidos pela recorrente para estabelecer posição de destaque diante da concorrência existente no mercado em que se insere) de instalação de produtos na residência dos clientes se constituem em mera liberalidade da empresa, para estabelecer um diferencial dentro do mercado comercial em que atua. Tal despesa não é essencial á atividade da empresa, pois a sua ausência ( qual seja, a falta de despesa com locação de veículos com esse fim) não acarretaria de forma alguma a inviabilidade da atividade econômica da empresa, e muito menos a sua paralisação, não gerando, portanto, créditos na sistemática da não cumulatividade. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS, DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS As despesas com fretes para o transporte de mercadorias entre establecimentos da mesma empresa, como entre o centro de distribuição e outro centro de distribuição ou o estabelecimento final (loja física), para posterior entregue ao comprador, gera direito ao crédito na sistemática da não cumulatividade ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS CONCEITO DE INSUMOS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. São insumos, para efeitos do inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003 (COFINS), todos os bens e serviços essenciais ao processo produtivo e á prestação de serviços para a obtenção da receita objeto da atividade econômica do seu adquirente, podendo ser empregados direta ou indiretamente no processo produtivo, cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Desta forma, deve ser estabelecida a relação da essencialidade do insumo (considerandose a imprescindibilidade e a relevância/importância de determinado bem ou serviço, dentro do processo produtivo, para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela pessoa jurídica) com o objeto social da empresa, para que se possa aferir se o dispêndio realizado pode ou não gerar créditos na sistemática da não cumulatividade, Sendo esta a posição do STJ, externada no voto do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, ao julgar o RE nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo, ao qual está submetido este CARF, por força do § 2º do Artigo 62 do Regimento Interno do CARF. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. DESPESAS DE TAXA DE ADMINISTRAÇÃO DE CARTÕES DE CRÉDITO E DÉBITO. Fl. 3107DF CARF MF Processo nº 19311.720268/201732 Acórdão n.º 3301005.689 S3C3T1 Fl. 3.107 3 Diante da atividade desenvolvia pela empresa (comércio varejista de computadores, equipamentos de informática, eletrônicos e eletrodomésticos), a utilização de cartões de crédito e débito não se constitui insumo essencial para a atividade da empresa, e sim uma despesa operacional para obtenção de seus resultados. Não se caracteriza como essencial a despesa em função de que a sua ausência não paralisaria ou tornaria inviável a atividade econômica da empresa, pois existem outros meios de pagamento que a empresa poderia adotar e oferecer aos seus clientes, em função dessa alternatividade de meios de pagamento disponíveis, a despesa com taxas de administração de cartões de crédito e de débito não geram créditos para a atividade econômica desenvolvida pela empresa. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. DESPESAS COM PUBLICIDADE NA INTERNET E OUTRAS MÍDIAS . As despesas com propaganda e publicidade não se caracterizam como essencial á atividade desenvolvida pela empresa, e sim como despesas operacionais, não passíveis de gerar crédito da não cumulatividade. Tais despesas, se deixarem de ser efetuadas, não acarretarão a inviabilidade das atividades da empresa, nem farão com que a empresa deixe de funcionar, pois outros meios existem para que a empresa divulgue seus produtos comercializados, diante de tal alternatividade disponível, a despesa com publicidade na Internet e outras mídias não gera créditos para a atividade econômica desenvolvida pela recorrente REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. DESPESAS COM LOCAÇÃO DE VEÍCULOS AUTOMOTORES As despesas com locação de veículos para que os funcionários da empresa se desloquem para prestar serviços (oferecidos pela recorrente para estabelecer posição de destaque diante da concorrência existente no mercado em que se insere) de instalação de produtos na residência dos clientes se constituem em mera liberalidade da empresa, para estabelecer um diferencial dentro do mercado comercial em que atua. Tal despesa não é essencial á atividade da empresa, pois a sua ausência ( qual seja, a falta de despesa com locação de veículos com esse fim) não acarretaria de forma alguma a inviabilidade da atividade econômica da empresa, e muito menos a sua paralisação, não gerando, portanto, créditos na sistemática da não cumulatividade. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS, DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS As despesas com fretes para o transporte de mercadorias entre establecimentos da mesma empresa, como entre o centro de distribuição e outro centro de distribuição ou o estabelecimento final (loja física), para posterior entregue ao comprador, gera direito ao crédito na sistemática da não cumulatividade Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento para reconhecer o direito de crédito referente as despesas com frete entre os estabelecimentos da recorrente. Vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira e Marco Antônio Marinho Nunes que votaram por negar provimento ao recurso voluntário. Os conselheiros Marcelo Costa Marques D´Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro votaram pelas conclusões. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Presidente. Fl. 3108DF CARF MF 4 assinado digitalmente Ari Vendramini Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator) Relatório 1. Tratam os presentes autos de análise, por amostragem, dos documentos fiscais, da Escrituração Contábil Digital (ECD) e da Escrituração Fiscal Digital – EFD – Contribuições do contribuinte, com vistas à verificação da regularidade da apuração e declaração do PIS e da Cofins nos anoscalendário de 2014 e 2015, sendo que foram lavrados Auto de Infração de COFINS, no valor de R$ 22.254.890,71 (vinte e dois milhões, duzentos e cinquenta e quatro mil, oitocentos e noventa reais e setenta e um centavos), fls. 2953/2959 e Auto de Infração de PIS/PASEP, no valor de R$ 4.814.192,15 (quatro milhões, oitocentos e quatorze mil, cento e noventa e dois reais e quinze centavos). 2. Por economia processual,e por bem elaborado, adoto e transcrevo o relatório do Acórdão DRJ/PORTO ALEGRE : Conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 2936/2941), foram analisados por amostragem os documentos fiscais, a Escrituração Contábil Digital (ECD) e a Escrituração Fiscal Digital – EFD – Contribuições do contribuinte, com vistas à verificação da regularidade da apuração e declaração do PIS e da Cofins nos anoscalendário de 2014 e 2015. Constatouse que o contribuinte tem por atividade econômica o comércio varejista de computadores, equipamentos de informática, eletrônicos e eletrodomésticos. Apurouse, então, o Imposto de Renda Pessoa Jurídica para os anoscalendário em comento pelo Lucro Real. O legislador, para fins de utilização de crédito na modalidade da não cumulatividade, optou por listar de forma exaustiva os bens e serviços capazes de gerar crédito e os atrelou a determinada atividade. Assim, a aquisição de um bem ou serviço, mesmo que listado, poderá ou não gerar crédito a ser descontado da contribuição, dependendo da situação concreta do emprego ou aplicação do bem ou serviço na respectiva atividade econômica. Em relação à atividade econômica realizada pelo contribuinte, a legislação definiu que, além dos bens adquiridos para revenda, geram direito a crédito das contribuições os dispêndios com energia elétrica consumida em seus estabelecimentos, fretes e armazenagem de vendas, aluguéis de prédios ou de máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa, bem como encargos de depreciação sobre benfeitorias em imóveis de terceiros. No decorrer dos trabalhos de fiscalização, constatouse na Ficha 100 da Escrituração Fiscal Digital – EFD – Contribuições que o contribuinte descontou valores a título de créditos de PIS e da Cofins sobre taxa de administração de cartões de crédito, despesas com veiculação de publicidade Fl. 3109DF CARF MF Processo nº 19311.720268/201732 Acórdão n.º 3301005.689 S3C3T1 Fl. 3.108 5 na internet e em outras mídias, fretes sobre transferência de mercadorias entre seus estabelecimentos, licença de uso e locação de veículos automotores, o que está em desacordo com o disposto no art. 3º da Lei nº 10.637/2002, no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e no art. 15, § 3º da Lei nº 10.865/2004, tendo em vista que tais dispêndios não se enquadram entre as despesas para as quais há previsão legal de apropriação de créditos. Os valores de créditos do PIS e da Cofins glosados pela fiscalização foram detalhados nos demonstrativos anexos ao Termo de Verificação Fiscal. Foram, então, lavrados Auto de Infração de COFINS, no valor de R$ 22.254.890,71 (vinte e dois milhões, duzentos e cinquenta e quatro mil, oitocentos e noventa reais e setenta e um centavos), fls. 2953/2959 e Auto de Infração de PIS/PASEP, no valor de R$ 4.814.192,15 (quatro milhões, oitocentos e quatorze mil, cento e noventa e dois reais e quinze centavos), fls. 2945/2951. O contribuinte foi devidamente intimado em 28/09/2017, conforme termo de ciência por abertura de mensagem, fls. 2968, tendo juntado a impugnação em 24/10/2017, conforme fls. 2971, com as seguintes alegações: PRELIMINARMENTE: Da nulidade do auto de infração: a) Aduz o impugnante que o auto de infração é nulo pois não poderia ter sido realizado por amostragem; b) Ficou demonstrado que o auto de infração do PIS e da COFINS tem bases de cálculos diferentes, que não há motivação/fundamentação lógica para tal fato. DO MÉRITO: Aduz que a interpretação do conceito de insumo de PIS e da COFINS deve abranger todo e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, discorrendo sobre os serviços que foram glosados pelo fiscal: taxa de administração de cartão de crédito; despesas com veiculação de publicidade na internet e outras mídias; fretes sobre transferência de mercadorias; locação de veículos automotores. PEDIDOS: Requerse seja acolhida a preliminar de nulidade e, no mérito, sejam reconhecidos os direitos creditórios da impugnante, para que lhe sejam permitidos os descontos de PIS e COFINS sobre todas as operações glosadas 2. Julgadas as razões de impugnação, assim restou ementado o Acórdão DRJ/POA : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2015 NULIDADE.INEXISTÊNCIA. É incabível de ser pronunciada a nulidade de Auto de Infração lavrado por autoridade competente, tendo em conta o art. 59 do Decreto 70.235/72, contra o qual se manifestou o contribuinte, traçando ele toda uma linha de idéias a ponto de crer ter provado o seu suposto direito. AMOSTRAGEM.LEGITIMIDADE. É legítima a verificação do cumprimento das obrigações tributárias por amostra de documentos, operações ou registros, o que não se confunde com o cálculo das contribuições em si mesmo por amostragem, conjectura, método Fl. 3110DF CARF MF 6 estatístico, presunção, arbitramento, indício, suposição ou estimativa. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. Entendese por insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado e sejam utilizadas na fabricação ou produção de bens destinados à venda e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na sua produção ou fabricação. DESPESAS FORA DO CONCEITO DE INSUMOS. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade. CERTEZA E LIQUIDEZ. A mera alegação da existência de crédito, desacompanhada de elementos de prova certeza e liquidez, não é suficiente para reformar a decisão da glosa de créditos. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. TAXA DE ADMINISTRAÇÃO DE CARTÃO DE CRÉDITO, DÉBITO E CONGÊNERES. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. O pagamento de taxas de administração para pessoas jurídicas administradoras de cartões de crédito ou débito não gera direito à apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), por ausência de previsão legal. CRÉDITO. DESPESAS COM PUBLICIDADE, PROPAGANDA, MARKETING E REPRESENTANTES COMERCIAIS. Despesas com representantes comerciais, publicidade, propaganda e marketing, não geram direito à apuração de créditos a serem descontados do PIS e da Cofins, calculados no regime não cumulativo, por não se caracterizarem como insumo. REGIME NÃOCUMULATIVO. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Observada a legislação de regência, a regra geral é que em se tratando de despesas com serviços de frete, somente dará direito à apuração de crédito o frete contratado relacionado a operações de venda, onde ocorra a entrega de bens/mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora. CRÉDITOS. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS. IMPOSSIBILIDADE. Valores pagos por locação de veículo não ensejam a constituição de créditos a serem descontados da Cofins apurada em regime não cumulativo, porquanto tais despesas não estão expressamente relacionadas no art. 3º da Lei nº 10.637/2002, e também não se enquadram em qualquer das hipóteses de creditamento previstas naquele dispositivo legal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2015 NULIDADE.INEXISTÊNCIA. É incabível de ser pronunciada a nulidade de Auto de Infração lavrado por autoridade competente, tendo em conta o art. 59 do Decreto 70.235/72, contra o qual se manifestou o contribuinte, traçando ele toda uma linha de idéias a ponto de crer ter provado o seu suposto direito. AMOSTRAGEM.LEGITIMIDADE. É legítima a verificação do cumprimento das obrigações tributárias por amostra de documentos, operações ou registros, o que não se confunde com o cálculo das contribuições em si mesmo por amostragem, conjectura, método Fl. 3111DF CARF MF Processo nº 19311.720268/201732 Acórdão n.º 3301005.689 S3C3T1 Fl. 3.109 7 estatístico, presunção, arbitramento, indício, suposição ou estimativa. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. Entendese por insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado e sejam utilizadas na fabricação ou produção de bens destinados à venda e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na sua produção ou fabricação. DESPESAS FORA DO CONCEITO DE INSUMOS. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade. CERTEZA E LIQUIDEZ. A mera alegação da existência de crédito, desacompanhada de elementos de prova certeza e liquidez, não é suficiente para reformar a decisão da glosa de créditos. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. TAXA DE ADMINISTRAÇÃO DE CARTÃO DE CRÉDITO, DÉBITO E CONGÊNERES. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. O pagamento de taxas de administração para pessoas jurídicas administradoras de cartões de crédito ou débito não gera direito à apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), por ausência de previsão legal. CRÉDITO. DESPESAS COM PUBLICIDADE, PROPAGANDA, MARKETING E REPRESENTANTES COMERCIAIS. Despesas com representantes comerciais, publicidade, propaganda e marketing, não geram direito à apuração de créditos a serem descontados do PIS e da Cofins, calculados no regime não cumulativo, por não se caracterizarem como insumo. REGIME NÃOCUMULATIVO. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Observada a legislação de regência, a regra geral é que em se tratando de despesas com serviços de frete, somente dará direito à apuração de crédito o frete contratado relacionado a operações de venda, onde ocorra a entrega de bens/mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora. CRÉDITOS. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS. IMPOSSIBILIDADE. Valores pagos por locação de veículo não ensejam a constituição de créditos a serem descontados da Cofins apurada em regime não cumulativo, porquanto tais despesas não estão expressamente relacionadas no art. 3º da Lei nº 10.637/2002, e também não se enquadram em qualquer das hipóteses de creditamento previstas naquele dispositivo legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 3. Irresignada com tal decisão, a autuada apresentou recurso voluntário, com as seguintes razões de defesa : 1. DOS FATOS a recorrente é nacionalmente conhecida como uma das mais importantes varejistas de eletrodomésticos, eletroeletrônicos, eletroportáteis, smartphones etc., possuindo vasta rede de lojas físicas e amplo canal de vendas pela internet. Fl. 3112DF CARF MF 8 destacase, ainda, que a atuação da recorrente não se limita à revenda de produtos, sendo uma diferenciação da empresa no mercado em que atua a prestação de diversos serviços, tais como, garantia estendida, seguro de roubo e furto, suporte de informática, instalação de produtos de eletrodomésticos e eletrônicos, e soluções de automação residencial e home theater. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA TEMPESTIVIDADE a recorrente informa que obteve ciência da decisão que julgou improcedente a impugnação em 12/03/2018 (Doc. 02), razão pela qual, nos termos do artigo 73 do Decreto nº 7.574/2011, a interposição do presente recurso voluntário na data estampada em sua página inaugural atende ao requisito temporal de admissibilidade. 2.2. DA NULIDADE DO LANÇAMENTO como é cediço, a verificação da ocorrência do fato gerador, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo são elementos fundamentais e intrínsecos ao lançamento, definido pelo art. 142 do CTN, logo, a inobservância de qualquer desses elementos importa em nulidade do lançamento. Isso porque, fere o direito à ampla defesa do autuado, como preceitua o art. 59 do Decreto 70.235/72, e digase mais: tratase de nulidade por vício material, já que o defeito atinge o lançamento em sua própria essência, diferentemente do vício formal, que atinge – como o próprio nome pressupõe – apenas a forma do ato. nesse contexto, vislumbrase que os lançamentos combatidos são evidentemente nulos, haja visto o erro no cálculo dos valores a serem glosados a título das contribuições. conforme se vislumbra do Termo de Verificação Fiscal – TVF, houve a glosa dos créditos apurados sobre taxas de administração de cartões eletrônicos de crédito e débito, dispêndios com veiculação de publicidade, frete entre estabelecimentos, licença de uso e locação de veículos automotores, sob o argumento genérico de que “tais dispêndios não se enquadram entre as despesas para as quais há previsão legal de apropriação de créditos as autuações se basearam, fundamentalmente, no entendimento de que não há direito à apuração de créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS sobre insumos, no caso de pessoa jurídica que exerce a atividade comercial. Todavia, deixou a d. autoridade fiscal de atentar que a atividade empresarial da Recorrente não se limita ao comércio varejista de produtos eletroeletrônicos, eletrodomésticos etc., envolvendo também a prestação de serviços de instalação, garantia estendida, dentre outros, e, ainda que se admitisse que os insumos da atividade de comércio não concedem o direito de a Recorrente apurar créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS, a glosa de créditos realizada deveria se limitar à parcela dos dispêndios com insumos que dizem respeito a essa atividade, sendo resguardado o direito de a empresa apurar créditos sobre os insumos da prestação de serviços. deixou a d. autoridade fiscal de atentar que a atividade empresarial da Recorrente não se limita ao comércio varejista de produtos eletroeletrônicos, eletrodomésticos etc., envolvendo também a prestação de serviços de instalação, garantia estendida, dentre outros, sendo que o equívoco em comento evidencia uma verdadeira incerteza quanto à apuração da matéria tributável, tornando nulos os Autos de Infração por vício material. 3. DO MÉRITO Fl. 3113DF CARF MF Processo nº 19311.720268/201732 Acórdão n.º 3301005.689 S3C3T1 Fl. 3.110 9 3.1. O Princípio da NãoCumulatividade da Contribuição ao PIS e da COFINS inicialmente, antes de tratar da improcedência de cada uma das glosas de créditos das contribuições perpetrada pela d. autoridade fiscal, oportuno tecer alguns comentários a respeito do princípio da não cumulatividade da Contribuição ao PIS e da COFINS e, esclarecido o alcance desse princípio, cuidar do que se entende como insumo dentro dessa sistemática. em outros termos, a nãocumulatividade das contribuições, com supedâneo na Constituição Federal, deve guardar relação com o seu campo de incidência, qual seja, a totalidade das receitas auferidas pela sociedade empresária, de modo que o legislador, no momento em que estabelece os setores econômicos sujeitos ao regime nãocumulativo da Contribuição ao PIS e da COFINS e dita o regramento desse sistema de tributação, deve pautarse no fato de que a nãocumulatividade das contribuições visa desonerar todas atividades econômicas de produção ou de prestação de serviço, realizadoras no figurino das leis de incidência de ditas contribuições, isto é, sobre a totalidade das receitas sujeitas à tributação, especialmente quanto à compreensão do que seriam insumos para efeitos de desconto de créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS. 3.2. A Técnica da Não Cumulatividade e o Conceito de Insumos as Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, quando elegeram os segmentos sujeitos à nãocumulatividade da Contribuição ao PIS e da COFINS, ditaram as hipóteses de apuração de créditos não obstante, ao fazêlo, deixaram as citadas leis de definir o que se entende como insumo para fins de apuração de créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS, o que foi então feito pelas Instruções Normativas – INs SRF nº 247/2002 e 404/2004 de forma sobremaneira restritiva, vêse, do artigo 8º, §4º, da IN SRF nº 404/2004, que o Fisco adotou, para fins de apuração de créditos das contribuições, o conceito previsto na legislação do IPI, exigindo o consumo do bem ou serviço em decorrência direta da atividade de produção de bens ou da atividade de prestação de serviços. Ocorre que, a materialidade do IPI difere completamente daquela que fundamenta a incidência das contribuições. nesse contexto, é indubitável que o conceito de insumo perseguido pela não cumulatividade das contribuições não pode (e não deve) se assemelhar àquele buscado pela legislação do IPI. exatamente em razão da distinção (clara) entre as materialidades do IPI e da Contribuição ao PIS e da COFINS é que os métodos aplicáveis à aferição da nãocumulatividade de um e de outro são diferentes: O IPI se vale do método crédito de imposto, segundo o qual o montante a ser descontado do imposto calculado a cadaoperação consiste exatamente no imposto que incidiu na etapa anterior sobre os insumos necessários à produção de bens (daí a alcunha que recebe “imposto contra imposto”); enquanto que a Contribuição ao PIS e a COFINS se valem do método subtrativo indireto, segundo o qual o direito ao crédito não leva em consideração o montante da carga tributária da etapa anterior, mas sim certas bases de créditos e débitos (daí ser chamado popularmente “base contra base”). destacase, ainda, que no Superior Tribunal de Justiça – STJ, a quem cabe, em última instância, dar à lei federal a sua efetiva interpretação, no Recurso Especial nº 1.221.170 – PR (2010/02091150), eleito como recurso representativo de controvérsia, decidiu quanto à ilegalidade das INs SRF nos Fl. 3114DF CARF MF 10 247/2002 e 404/2004, adotando o critério de relevância para fins de conceituação de insumos. 3.3. Do Crédito sobre Taxas de Cartão de Crédito/Débito cumpre observar que a atividade da Recorrente é desenvolvida tanto em suas lojas físicas, quanto por meio de seu site de vendas pela internet, sendo que o principal meio de pagamento utilizados por seus clientes é o cartão de crédito ou débito. destacase, por oportuno, que o uso de cartões de crédito permite aos clientes da Recorrente que a transação se dê de forma parcelada, o que é um de seus grandes atrativos no mercado atual extremamente competitivo e diante da crise econômica verificada nos últimos anos.No caso específico das vendas feitas pela internet, é oportuno dizer que o uso de cartões eletrônicos de crédito e débito é, senão o único (há a possibilidade de geração de boleto eletrônico, raramente utilizada), o primordial meio de pagamento pelos produtos e serviços comercializados pela Recorrente via web. dessa feita, é correto afirmar que a taxa paga pela Recorrente às administradoras de cartões eletrônicos de crédito e débito, que lhe permite oferecer esse meio de pagamento a seus clientes e, no caso específico do ecommerce, que lhe permite atuar nesse mercado, consiste em insumo de sua atividade varejista e de prestadora de serviços de instalação, garantia estendida etc. 3.4. Do Crédito sobre Veiculação de Publicidade na Internet e Outras Mídias foram objeto de questionamento pela d. autoridade fiscal também as despesas incorridas pela Recorrente com a veiculação de publicidade na internet e outras mídias. os gastos em comento são evidentes insumos da atividade da Recorrente, que atua em segmento de comércio extremamente competitivo, em que um varejista está sempre buscando cobrir o preço ofertado pelo outro, a fim de atrair a clientela a veiculação de publicidade na internet, com anúncios em sites de pesquisa, sites de comparação de preços, redes sociais, dentre outros meios, é, pois, um recurso sem o qual certamente uma empresa do segmento da Recorrente não sobreviveria. 3.5. Do Crédito sobre Fretes entre Estabelecimentos a Fiscalização glosou ainda créditos apropriados pela Recorrente sobre fretes de mercadorias entre estabelecimentos, sendo citada glosa mantida pela decisão recorrida sob a alegação de que apenas os fretes que se refiram única e exclusivamente ao transporte de mercadoria já vendida, ou seja, à movimentação do produto vendido entre o estabelecimento produtor e o estabelecimento do adquirente concede o direito a crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS. cumpre atentar para a atividade da Recorrente relativa ao comércio varejista de produtos por meio de inúmeras lojas físicas espalhadas pelo país e por meio da internet, sendo evidente que a Recorrente, varejista de grande porte, possui centros de distribuição espalhados pelo país, a partir dos quais, conforme demanda, as mercadorias são transferidas às lojas físicas, para concretização das vendas, ou ainda para outros centros de distribuição, de onde seguem para os locais de entrega indicados pelos adquirentes. 3.6. Do Crédito sobre Locação de Veículos Automotores cumpre tratar a respeito da indevida glosa de créditos apropriados pela Recorrente sobre locação de veículos automotores, que são utilizados pela empresa na prestação de serviços. Fl. 3115DF CARF MF Processo nº 19311.720268/201732 Acórdão n.º 3301005.689 S3C3T1 Fl. 3.111 11 esclareçase que a Recorrente, para realizar a prestação de serviços de instalação de produtos na residência de seus clientes, aluga veículos que são disponibilizados a seus funcionários para deslocamento até o local onde a instalação deve ocorrer. é evidente que os funcionários da Recorrente precisam se deslocar até a residência de seus clientes, para que então haja a instalação dos produtos, sendo a locação de veículos uma forma de viabilizar esse deslocamento, sem o qual não há como ser prestado o serviço. ademais, a possibilidade de a Recorrente apropriar créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS também se depreende dos artigos 3º, IV, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que dispõem que as pessoas jurídicas podem apurar créditos das contribuições sobre aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados na atividade da empresa. segundo a língua portuguesa, o vocábulo “equipamento” exprime o “ato ou efeito de equiparse”. Nesses termos, se os veículos locados equipam a Recorrente para o desempenho de suas atividades, na medida em que servem ao deslocamento dos funcionários que realizam os serviços de instalação nas residências dos clientes, verificase que tais veículos constituem, sim, equipamentos cujos aluguéis são passíveis de gerarem créditos à empresa O mesmo se diga quanto à conceituação semântica de “máquinas”, cujo significado é o de “qualquer equipamento que empregue força mecânica, composto de peças interligadas, cada qual com função específica, e em que o trabalho humano é substituído pela ação do mecanismo”. Ora, os veículos em geral também se enquadram na conceituação de máquinas, porquanto são compostos por peças interligadas e empregam força mecânica para substituir a ação humana de locomoção, em sendo assim, então se corrobora o entendimento de que o aluguel de veículos gera créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS, se utilizados nas atividades da empresa, devendo ser afastada a improcedente glosa dos créditos apurados pela Recorrente sobre locação de veículos. 4. DO PEDIDO diante do todo exposto, requer seja dado integral provimento ao presente recurso voluntário, a fim de que seja reformada a decisão recorrida, julgandose nulos os Autos de Infração ou, caso não sejam reconhecidas as nulidades suscitadas, quanto ao mérito, julgandose improcedentes os lançamentos. 4. Os autos vieram a mim para relatar. É o relatório. Voto Conselheiro Ari Vendramini 5. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 3116DF CARF MF 12 PRELIMINARES : NULIDADE 6. Diante da relevância e de se tratar de matéria de ordem pública, tratemos das razões que acusam a autuação de nulidade. 7. Alega a recorrente que o fato de a autoridade fiscal desconsiderar certos dispêndios como insumos e, consequentemente , desconsiderar os créditos deles oriundos, sem levar em conta a atividade da recorrente, tendo tal atitude levado a erro no cálculo dos valores a serem glosados a título das contribuições sendo que o equívoco em comento evidencia uma verdadeira incerteza quanto à apuração da matéria tributável, tornando nulos os Autos de Infração por vício material. 8. Há que se esclarecer que tal atitude da autoridade fiscal somente ocorreu em função da base legal que própria autoridade utilizou como fundamento para glosar despesas e créditos relativos á sistemática da não cumulatividade. 9. Quanto ao erro de cálculo alegado, salientese que, em sendo ônus da prova da parte que alega o erro, deveria a recorrente demonstrar tal erro alegado, o que não foi feito nesta fase recursal, uma vez que não há, no recurso voluntário, tal demonstração. 10. Portanto, não ocorreu erro de cálculo e sim glosa de créditos da não cumulatividade, como também não ocorreu cerceamento de defesa, uma vez que a recorrente tomou conhecimento de todo o procedimento fiscal e pôde apresentar razões de defesa contra tal procedimento e seus fundamentos legais e jurídicos. 11. Por pertinente, dispõe o Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente á autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 12. Já o Decreto nº 70.235/1972 que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal assim estabelece: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I A qualificação do autuado; II O local, a data e a hora da lavratura; III A descrição do fato; IV A disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V A determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI A assinatura do atuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. (...) Fl. 3117DF CARF MF Processo nº 19311.720268/201732 Acórdão n.º 3301005.689 S3C3T1 Fl. 3.112 13 Art. 59. São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (....) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. 13. A autuação obedeceu ao ditames legais contidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional e no artigo 10 do Decreto nº 70.235/1972, as razões de nulidade do processo administrativo fiscal estão elencadas no artigo 59 do mesmo Decreto nº 70.235/1972 e, por nenhuma delas ter ocorrido nos presentes autos, não ha que se falar em nulidade da autuação. 14. Portanto, NEGO PROVIMENTO ao recurso, neste quesito. MÉRITO O CONCEITO DE INSUMOS NA SISTEMÁTICA DA NÃO CUMULATIVIDADE PARA A CONTRIBUIÇÃO AO PIS/PASEP E A COFINS 15. Tema polêmico que vem sendo enfrentado desde o surgimento do Princípio da Não Cumulatividade para as contribuições sociais, instituído no ordenamento jurídico pátrio pela Emenda Constitucional nº 42/2003, que adicionou o § 12 ao artigo 95 da Constituição Federal, onde se definiu que os setores de atividade econômica que seriam atingidos pela nova e atípica sistemática da não cumulatividade seriam definidos por legislação infraconstitucional, diferentemente da sistemática de não cumulatividade instituída pra os tributos IPI e ICMS, que já está definida no próprio texto constitucional. Portanto, a nova sistemática seria definida por legislação ordinária e não pelo texto constitucional, estabelecendo a Carta Magna que a regulamentação desta sistemática estaria a cargo do legislador ordinário. 16. Assim, a criação da sistemática da não cumulatividade para a Contribuição para o PIS/Pasep se deu pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, e na Medida Provisória nª , convertida na Lei nº 10.833/2003, onde o Inciso II do seu artigo 3º autoriza a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados á venda. Fl. 3118DF CARF MF 14 17. Mais tarde, muitos textos legais surgiram para instituir novos créditos, inclusive presumidos, para serem utilizados sob diversas formas : dedução do valor das contribuições devidas, apuradas ao final de determinado período, compensação do saldo acumulado de créditos com débitos titularizados pelo adquirente dos insumos e até ressarcimento, em, espécie, do valor do saldo acumulado de créditos, na impossibilidade ser utilizados nas formas anteriores. 18. Por ser o órgão governamental incubido da administração, arrecadação e fiscalização da Contribuição ao PIS/Pasep e da COFINS, a Secretaria da Receita Federal expediu a Instrução Normativa de nº 247/2002, onde informa o conceito de insumos passíveis de creditamento pela Contribuição ao PIS/Pasep, e, mais tarde a Instrução Normativa nº 404/2004, para a COFINS, sendo que a definição de insumos adotada pelos atos normativos foi considerada excessivamente restritiva, pois aproximouse do conceito de insumo utilizado pela sistemática da não cumulatividade do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no artigo 226 do Decreto nº 7.212/2010 – Regulamento do IPI , pois definia que o creditamento seria possível apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, sofrendo desgaste pelo contato com o produto a ser atingido ou com o próprio processo produtivo, ou seja, para que o bem seja considerado insumo ele deve ser matériaprima, produto intermediário, material de embalagem ou qualquer outro bem que sofra alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. 19. Consideramse, também, os insumos indiretos, que são aqueles não envolvidos diretamente no processo de produção e, embora frequentemente também sofram alterações durante o processo produtivo, jamais se agregam ao produto final, como é o caso dos combustíveis. 20. Mais tarde, evoluiuse no estudo do conceito de insumo, adotandose a definição de que se deveria adotar o parâmetro estabelecido pela legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, que tem como premissa os artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/1999 – Regulamento do Imposto de Renda, onde se poderia inserir como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens e serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. A doutrina e a jurisprudência concluíram que tal procedimento alargaria demais o conceito de insumo, equiparandoo ao conceito contábil de custos e despesas operacionais que envolve todos os custos e despesas que contribuem para atividade da empresa, e não apenas a sua produção, o que provocaria uma distorção na legislação instituidora da sistemática. 21. Reforçam estes argumentos na medida em que, ao se comparar a sistemática da não cumulatividade para o IPI e o ICMS e a sistemática para a Contribuição ao PIS/Pasep e para a COFINS, verificase que a primeira tem como condição básica o destaque do valor do tributo nas Notas Fiscais de aquisição dos insumos, o que permite o cotejo destes valores com os valores recolhidos na saída do produto ou mercadoria do estabelecimento adquirente dos insumos, tendose como resultado uma conta matemática de dedução dos valores recolhidos a saída do produto ou mercadoria contra os valores submetidos na entrada dos insumos, portanto os valores dos créditos estão claramente definidos na documentação fiscal dos envolvidos, adquirentes e vendedores. 22. Em contrapartida, a sistemática da não cumulatividade da Contribuição ao PIS/Pasep e da COFINS criou créditos, por intermédio de legislação ordinária, que tem alíquotas variáveis, assumindo diversos critérios, que, ao final se relacionam com a receita auferida e não com o processo produtivo em si, o que trouxe a discussão de que os créditos Fl. 3119DF CARF MF Processo nº 19311.720268/201732 Acórdão n.º 3301005.689 S3C3T1 Fl. 3.113 15 estariam vinculados ao processo de obtenção da receita, seja ela de produção, comercialização ou prestação de serviços, trazendo uma nova característica desta sistemática, a sua atipicidade, pois os créditos ou valor dos tributos sobre os quais se calculariam os créditos, não estariam destacados nas Notas Fiscais de aquisição de insumos, o que dificultaria a sua determinação. 23. Portanto, haveria que se estabelecer um critério para a conceituação de insumo, nesta sistemática atípica da não cumulatividade das contribuições sociais. 24. Há algum tempo vem o CARF pendendo para a idéia de que o conceito de insumo, para efeitos os Inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, deve ser interpretado com um critério próprio : o da essencialidade, ou seja, para a definição de insumo buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo, e a atividade realizada pelo seu adquirente. 25. Desta forma, para que se verifique se determinado bem ou serviço adquirido ou prestado possa ser caracterizado como insumo para fins de geração de crédito de PIS/Pasep, devem ser levados em consideração os seguintes aspectos : pertinência ao processo produtivo, ou seja, a aquisição do bem ou serviço para ser utilizado especificamente na produção do bem ou prestação do serviço ou, para tornálo viável. essencialidade ao processo produtivo, ou seja, a produção do bem ou a prestação do serviço depende diretamente de tal aquisição, pois, sem ela, o bem não seria produzido ou o serviço não seria prestado. possibilidade de emprego indireto no processo de produção, ou seja, não é necessário que o insumo seja consumido em contato direto com o bem produzido ou seu processo produtivo. 26. Por conclusão, para que determinado bem ou prestação de serviço seja definido como insumo gerador de crédito de PIS/Pasep e de COFINS, é indispensável a característica de essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, para obtenção da receita da atividade econômica do adquirente, direta ou indiretamente, sendo indispensável a comprovação de tal essencialidade em relação á obtenção da respectiva receita. 27. Pondo um fim á controvérsia, o Superior Tribunal de Justiça assumiu a mesma posição, refletido no voto do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, no julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170 PR, na sistemática de recursos repetitivos, que se tornou emblemático para a doutrina e a jurisprudência, ao definir insumo, na sistemática de não cumulatividade das contribuições sociais, sintetizando o conceito na ementa, assim redigida : TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). Fl. 3120DF CARF MF 16 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. 28. Aplicase ao tema o disposto no § 2º do artigo 62 do Regimento Interno do CARF – RICARF : § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei Nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 29. Assim, são insumos, para efeitos do inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços essenciais ao processo produtivo e á prestação de serviços para a obtenção da receita objeto da atividade econômica do seu adquirente, podendo ser empregados direta ou indiretamente no processo produtivo, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo ou da prestação do serviço, comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. 30. Desta forma, deve ser estabelecida a relação da essencialidade do insumo (considerandose a imprescindibilidade e a relevância/importância de determinado bem ou serviço, dentro do processo produtivo, para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela pessoa jurídica ) com o objeto social da empresa, para que se possa aferir se o dispêndio realizado pode ou não gerar créditos na sistemática da não cumulatividade da Contribuição ao PIS/Pasep OS CRÉDITOS DESCONSIDERADOS DESPESAS COM TAXA DE ADMINISTRAÇÃO DE CARTÕES DE CRÉDITO E DÉBITO Fl. 3121DF CARF MF Processo nº 19311.720268/201732 Acórdão n.º 3301005.689 S3C3T1 Fl. 3.114 17 31. Alega a recorrente que "a atividade da Recorrente é desenvolvida tanto em suas lojas físicas, quanto por meio de seu site de vendas pela internet, sendo que o principal meio de pagamento utilizado por seus clientes é o cartão de crédito ou débito, destacandose, por oportuno, que o uso de cartões de crédito permite aos clientes da Recorrente que a transação se dê de forma parcelada, o que é um de seus grandes atrativos no mercado atual extremamente competitivo e diante da crise econômica verificada nos últimos anos.No caso específico das vendas feitas pela internet, é oportuno dizer que o uso de cartões eletrônicos de crédito e débito é, senão o único (há a possibilidade de geração de boleto eletrônico, raramente utilizada), o primordial meio de pagamento pelos produtos e serviços comercializados pela Recorrente via web. Assim, é correto afirmar que a taxa paga pela Recorrente às administradoras de cartões eletrônicos de crédito e débito, que lhe permite oferecer esse meio de pagamento a seus clientes e, no caso específico do ecommerce, que lhe permite atuar nesse mercado, consiste em insumo de sua atividade varejista e de prestadora de serviços de instalação, garantia estendida etc". 32. Entendemos que, diante da atividade desenvolvia pela empresa (comércio varejista de computadores, equipamentos de informática, eletrônicos e eletrodomésticos), a utilização de cartões de crédito e débito não se constitui insumo essencial para a atividade da empresa, e sim uma despesa operacional para obtenção de seus resultados, ou ainda um instrumento facilitador dos recebimentos das transações comerciais. 33. Não se caracteriza como essencial a despesa em função de que a sua ausência não paralisaria ou tornaria inviável a atividade econômica da empresa, pois existem outros meios de pagamento que a empresa poderia adotar e oferecer aos seus clientes, em função dessa alternatividade de meios de pagamento disponíveis, a despesa com taxas de administração de cartões de crédito e de débito não geram créditos para a atividade econômica desenvolvida pela recorrente. 34. Aqui, por oportuno, adoto como fundamento, decisões proferidas pelo CARF em casos análogos, como também jurisprudência judicial correspondente, conforme precedentes a seguir transcritos: 1 "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2013 (...) NÃOCUMULATIVIDADE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. TAXA DE ADMINISTRAÇÃO DE CARTÕES DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos com taxas de administração de cartões de crédito não geram direito a crédito, por não se enquadrarem na definição de insumo estabelecida na legislação de regência. (...)" (Processo nº 19311.720294/201507; Acórdão n° 3301004.483; Relatora Conselheira Semíramis de Oliveira Duro; sessão de 22/03/2018) 2 = "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 PIS NÃO CUMULATIVIDADE.COMÉRCIO VAREJISTA. INSUMOS. CRÉDITOS. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE E NECESSIDADE. Fl. 3122DF CARF MF 18 A legislação do PIS e da COFINS não cumulativos estabelecem critérios próprios para a conceituação de insumos para fins de tomada de créditos, não se adotando os critérios do IPI e do IRPJ.Insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos é todo o custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda (critério da essencialidade), e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada segmento econômico. PIS NÃO CUMULATIVIDADE. COMÉRCIO VAREJISTA. INSUMOS. INCISO II DAS LEIS DE REGÊNCIA. CRÉDITOS INDEVIDOS. As leis de regência das contribuições (no 10.637/2002 e no 10.833/2003) tratam , em seus artigos terceiros, de créditos a diversos setores. Mas não o fazem especificamente nos incisos II dos arts. 3º, que versam restritivamente sobre produção/fabricação” e “prestação de serviços." (Processo nº 10805.724064/201582; Acórdão nº 3401004.379; Relator Conselheiro André Henrique Lemos; sessão 26/02/2018) 3 "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Ano calendário: 2009 (...) TAXA DE ADMINISTRAÇÃO DE CARTÕES DE CRÉDITO. VEDAÇÃO AO CÁLCULO DE CRÉDITOS DE PIS E COFINS Não há respaldo legal ao cálculo de créditos de PIS e COFINS sobre despesas com taxa de administração de cartões de crédito. (...)" (Processo nº 10580.730133/201315; Acórdão nº 3301002.978; Redator voto vencedor Conselheiro Marcelo Costa Marques D'Oliveira; sessão de 19/05/2016) 4 "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Ano calendário:2010, 2011 NÃO CUMULATIVIDADE.PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. TAXA DE ADMINISTRAÇÃO DE CARTÕES DE CRÉDITO E DÉBITO. Os custos com taxas de administração de cartões de crédito e débito não geram direito a crédito, por não se enquadrarem na definição de insumo estabelecida na legislação de regência, posta a atividade meramente comercial, distinta da produção e da prestação de serviço. (...)" (Processo n° 18050.720506/201412; Acórdão n° 3301003.874; Relator Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho; sessão de 28/06/2017) Do voto condutor destaco: Fl. 3123DF CARF MF Processo nº 19311.720268/201732 Acórdão n.º 3301005.689 S3C3T1 Fl. 3.115 19 "Ora, a regra geral de creditamento de valores de insumos vale considerar que a primeira parte do art. 3o, II, da Lei nº 10.637 prevê o desconto de créditos de " bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda [...] ", não havendo assim previsão de desconto de insumo em atividade meramente comercial, distinta da produção e da prestação de serviço." Comentando o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, no RESP n° 1.221.170/PR, Paulo Roberto Andrade e Marcos Tranchesi Ortiz, anotam: "Triunfou, portanto, no leading case, a referida exegese intermediária, que aceita como insumos bens e serviços “essenciais” ou “relevantes” — da dicção do próprio julgado —ao processo produtivo do contribuinte. Por mais importantes que possam ser à geração de receita e ao empreendimento globalmente considerado, os dispêndios desvinculados do segmento de produção — leiase, da etapa produtiva — do contribuinte não galgarão, nunca, a condição de insumos. É por isso, aliás, que apenas indústrias e prestadores de serviços estão referidos no inciso II do artigo 3º da Lei 10.833/03. Empreendimentos exclusivamente comerciais não apropriam insumos simplesmente porque nada produzem. (PIS/Cofins, conceito de insumos e despesas comerciais, Revista Consultor Jurídico) 35. Tal entendimento vem sido trilhado pelo Poder Judiciário. Do Tribunal Regional Federal da 4ª Região: "TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PRESCRIÇÃO. LC 118/05. PIS E COFINS. VALORES COBRADOS PELAS EMPRESAS ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITO E DÉBITO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. (...) Da análise das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, verificase que o conceito de insumos, para fins de creditamento no regime não cumulativo das contribuições PIS e COFINS por elas instituído, abrange os elementos que se relacionam diretamente à atividade fim da empresa, não abarcando todos os elementos da sua atividade. Não podem ser consideradas insumos as despesas com taxas e comissões pagas a administradoras de cartões de crédito." (TRF4, AC 500794592.2015.4.04.7205, SEGUNDA TURMA, Relatora CARLA EVELISE JUSTINO HENDGES, juntado aos autos em 26/11/2015) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2009 (...) Fl. 3124DF CARF MF 20 COFINS NÃOCUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. Excetuados os gastos com disposição legal específica, apenas os bens e serviços empregados no processo produtivo e que não se incluam no ativo permanente dão direito ao crédito sobre o valor de suas aquisições.Em razão de nada produzirem e de nada fabricarem, empresas dedicadas à atividade comercial não podem tomar créditos do regime não cumulativo sobre gastos com: iv) taxas pagas às administradoras de cartões de crédito." (Processo nº 13855.721049/201151; Acórdão nº 9303006.689; Relator Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal; sessão de 12/04/2018) 35. Do Tribunal Regional Federal da 1ª Região: "TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DAS TAXAS DE ADMINISTRAÇÃO DE CARTÕES DE CRÉDITO E/OU DÉBITO. CUSTO OPERACIONAL. IMPOSSIBILIDADE. CREDITAMENTO. NATUREZA DE INSUMO NÃO CONFIGURADA. PRECEDENTES. (...) 4. "Para fins de creditamento de PIS e COFINS (art. 3º, II, da Leis 10.637/02 e 10.833/03), a ideia de insumos, ainda que na sua acepção mais ampla, está relacionada com os elementos essenciais à realização da atividade fim da empresa. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.230.441/SC, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 18/09/2013" (AgRg no REsp 1.244.507/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/11/2013, DJe 29/11/2013). 5. Os valores pagos a título de taxas ou comissões às administradoras de cartões de crédito e de débito ainda que considerada a realidade atual das transações comerciais não podem ser entendidos como insumos, por não se caracterizarem como pressuposto ou condição para o exercício de suas atividades, mas mero instrumento facilitador do recebimento de seus pagamentos. Precedente: (AC 006116497.2011.4.01.3400/DF, Rel. DESEMBARGADORA FEDERAL MARIA DO CARMO CARDOSO, OITAVA TURMA, e DJF1de 08/07/2016) 6. Apelações não providas. A Turma, por unanimidade, negou provimento às apelações." (AC 008932952.2014.4.01.3400, DESEMBARGADORA FEDERAL ÂNGELA CATÃO, TRF1 SÉTIMA TURMA, e DJF1DATA:26/01/2018 PAGINA 31. 36. Desta forma, mantenho a glosa e NEGO PROVIMENTO ao recurso neste quesito. DESPESAS COM PUBLICIDADE NA INTERNET E OUTRAS MÍDIAS Fl. 3125DF CARF MF Processo nº 19311.720268/201732 Acórdão n.º 3301005.689 S3C3T1 Fl. 3.116 21 37. Defende a recorrente que "os gastos em comento são evidentes insumos da atividade da Recorrente, que atua em segmento de comércio extremamente competitivo, em que um varejista está sempre buscando cobrir o preço ofertado pelo outro, a fim de atrair a clientela e que a veiculação de publicidade na internet, com anúncios em sites de pesquisa, sites de comparação de preços, redes sociais, dentre outros meios, é, pois, um recurso sem o qual certamente uma empresa do segmento da Recorrente não sobreviveria." 38. Também entendemos não prosperar a intenção da recorrente, pois as despesas com propaganda e publicidade não se caracterizam como essencial á atividade desenvolvida pela empresa, e sim como despesas operacionais, não passíveis de gerar crédito da não cumulatividade. 39. Como no item anterior, tais despesas, se deixarem de ser efetuadas, não acarretarão a a inviabilidade das atividades da empresa, nem farão com a empresa deixe de funcionar, pois outros meios existem para que a empresa divulgue seus produtos comercializados, tal alternatividade disponível, tal despesa não gera créditos para a atividade econômica desenvolvida pela recorrente. 40. Portanto, mantenho a glosa e NEGO PROVIMENTO ao recurso neste quesito. DESPESAS COM LOCAÇÃO DE VEÍCULOS AUTOMOTORES 41. A recorrente traz as seguintes alegações : " para realizar a prestação de serviços de instalação de produtos na residência de seus clientes, aluga veículos que são disponibilizados a seus funcionários para deslocamento até o local onde a instalação deve ocorrer, destacandose que é evidente que os funcionários da Recorrente precisam se deslocar até a residência de seus clientes, para que então haja a instalação dos produtos, sendo a locação de veículos uma forma de viabilizar esse deslocamento, sem o qual não há como ser prestado o serviço." 42. Mais uma vez, entendemos não assistir razão á recorrente. 43. As despesas com locação de veículos para que os funcionários da recorrente se desloquem para prestar serviços (oferecidos pela recorrente para estabelecer posição de destaque diante da concorrência existente no mercado em que se insere) de instalação de produtos na residência dos clientes se constituem em mera liberalidade da empresa, para estabelecer um diferencial dentro do mercado comercial em que atua. 44. Claro está que tal despesa não é essencial á atividade da empresa, pois a sua ausência (qual seja, a falta de despesa com locação de veículos com esse fim) não acarretaria de forma alguma a inviabilidade da atividade econômica da empresa, e muito menos a sua paralisação, 45. Não estando presente o caráter de essencialidade para as atividades da empresa, tais despesas não geram crédito na sistemática da não cumulatividade. DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS Fl. 3126DF CARF MF 22 46. Traz a recorrente os seguintes argumentos : " a Fiscalização glosou ainda créditos apropriados pela Recorrente sobre fretes de mercadorias entre estabelecimentos, sendo citada glosa mantida pela decisão recorrida sob a alegação de que apenas os fretes que se refiram única e exclusivamente ao transporte de mercadoria já vendida, ou seja, à movimentação do produto vendido entre o estabelecimento produtor e o estabelecimento do adquirente concede o direito a crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, cumprindo atentar para a atividade da Recorrente relativa ao comércio varejista de produtos por meio de inúmeras lojas físicas espalhadas pelo país e por meio da internet, sendo evidente que a Recorrente, varejista de grande porte, possui centros de distribuição espalhados pelo país, a partir dos quais, conforme demanda, as mercadorias são transferidas às lojas físicas, para concretização das vendas, ou ainda para outros centros de distribuição, de onde seguem para os locais de entrega indicados pelos adquirentes " 47. O art. 3º, inciso IX (no caso do PIS, c/c o art. 15, inciso II) e da Lei n° 10.833, de 2003, no caso da COFINS, somente admite o desconto de crédito calculado em relação à armazenagem de mercadoria e ao frete na operação de venda, porém determina expressamente que, neste caso, tal apuração pode se dar apenas em relação aos bens referidos nos incisos I e II daquele mesmo art. 3º, quando o ônus for suportado pelo vendedor. 48 Podese dizer o mesmo em relação aos valores pagos por serviços, mesmo que direta ou indiretamente ligados à operação de venda, que não se refiram única e exclusivamente ao transporte da mercadoria já vendida, ou seja, à movimentação do mercadoria vendida entre o estabelecimento centro de distribuição e o estabelecimento do adquirente ou outro centro de distribuição. 49. Portanto : a) o frete na venda de mercadorias, quando o ônus for suportado pelo vendedor, gera direito a crédito das contribuições; b) o frete na aquisição de mercadorias, quando contratado com pessoa jurídica e suportado pela adquirente dos bens, gera créditos das contribuições, vez que, nessa situação, ele integra o valor de aquisição das mesmas. O crédito apurado sobre os valores pagos a título de frete nas aquisições decorre, no caso, de técnica contábil e fiscal que integram tais despesas ao custo de aquisição do bem. O frete integra o custo de aquisição de bens para revenda. O direito ao crédito sobre o frete tem como fundamento os mesmos dispositivos que respaldam os créditos sobre o produto, quais sejam, os incisos I e II do artigo. 3° da Lei n° 10.833/2003. E, em última análise, para atendimento ao princípio da não cumulatividade, que rege a Lei n° 10.833/2003. O frete, contudo, é tributável e, por isto, confere direito a crédito. 50. Conforme relatado pela própria impugnante: "os custos de frete são parte integrante do frete da venda, uma vez que é necessário que os bens, para serem vendidos sejam deslocados para centros de distribuição mais próximos dos consumidores finais". 51. Assim, quanto ás despesas de frete entre estabelecimentos da recorrente, podemos assim resumir a possibilidade de geração de créditos na sistemática da não cumulatividade : na compra de mercadorias para revenda, posto que integrantes do custo de aquisição (artigo 289 do Regulamento do Imposto de Renda Decreto n° 3.000/99) e, assim, ao amparo do inciso II do artigo. 3° da Lei n° 10.833/03; nas vendas de mercadorias, nos termos do inciso. IX do artigo. 3º da Lei nº 10.833/03; em deslocamentos de mercadorias entre estabelecimentos da recorrente, pois o frete pago na aquisição de insumos compõe o custo de aquisição e, como tal, pode ser computado na base de cálculo dos créditos. E, neste custo com frete, incluiuse o incorrido para que a mercadoria percorra todo o caminho entre os centros de distribuição e as lojas físicas, para concretização das Fl. 3127DF CARF MF Processo nº 19311.720268/201732 Acórdão n.º 3301005.689 S3C3T1 Fl. 3.117 23 vendas, ou ainda para outros centros de distribuição, de onde seguem para os locais de entrega indicados pelos adquirentes Muitas vezes, por razões de logística de armazenamento e distribuição, no caminho, a mercadoria acaba passando por mais de um estabelecimento pertencente a mesma empresa, até chegar ao seu destino final, 52. Corroborando tal entendimento, citamos o Acórdãos nº 340101.715, de 15/2/2012 : "FRETES. TRANSFERÊNCIA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. POSSIBILIDADE DE CRÉDITOS. AUSÊNCIA DE PROVAS. A norma introduzida pelo art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, segundo a qual os fretes prestados por pessoas jurídicas residentes no Brasil e suportados pela vendedora de mercadorias geram créditos a partir de 1º de fevereiro de 2004, é ampliativa em relação aos créditos previstos no inc. II do mesmo artigo. Com base neste inciso os fretes entre os estabelecimentos da pessoa jurídica, de insumos e mercadorias produzidas ou vendidas, também dão direito a créditos. Mas para tanto há necessidade de comprovação quanto aos bens transportados e aos percursos, sem a qual os créditos são negados." (Acórdão nº 340101.715) 53. Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário neste quesito, para reconhecer o direito de crédito referente ás despesas com frete entre os estabelecimentos da recorrente. Conclusão 54. Diante das razões aqui expostas, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário no seguintes termos : nego provimento quanto á preliminar de nulidade; negos provimento com relação ao direito de crédito com as despesas com taxas de administração de cartão de crédito e débito; nego provimento com relação ao direito de crédito com as despesas de publicidade na Internet e outras mídias; nego provimento com relação ao direito de crédito com as despesas de locação de veículos automotores; = dou provimento com relação ao direito de crédito com as despesas de frete entre os estabelecimentos da empresa recorrente. É o meu voto. assinado digitalmente Ari Vendramini Relator Fl. 3128DF CARF MF 24 Fl. 3129DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.901265/2017-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.636
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Recorrente IRMANDADE DA SANTA CASA DE MACATUBA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de pedido de Restituição de PIS. A DRF em Bauru/SP, mediante Despacho Decisório, indeferiu o pleito sob o fundamento de que o pagamento indicado no PER encontravase totalmente alocado/vinculado a débito declarado da contribuinte. Na manifestação apresentada a contribuinte afirma que a contribuição ao PIS é indevida porque no julgamento do RE nº 636.941/RS houve decisão do STF, com repercussão geral, no sentido de que as “entidades beneficentes de assistência social possuem imunidade tributária em relação à contribuição destinada ao Programa de Integração Social (PIS).” Informa que solicitou a extinção da dívida constante do processo de parcelamento nº 10825.722624/201615 com base na nota explicativa PGFN/CASTF 637/2014. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 25 .9 01 26 5/ 20 17 -3 3 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10825.901265/201733 Resolução nº 3201001.636 S3C2T1 Fl. 3 2 Esclarece ainda, que em razão dessa decisão retificou a DCTF e solicitou a restituição dos valores pagos. Informa que está anexando Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, Ata e Estatuto Social, solicitando o deferimento do pedido. Após exame da defesa apresentada a DRJ proferiu acórdão, cuja ementa se transcreve, na parte de interesse: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 636.941/RS. REQUISITOS. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o recurso extraordinário nº 636.941/RS, no rito do art. 543B da revogada Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 antigo Código de Processo Civil, decidiu que são imunes à Contribuição ao PIS/Pasep, inclusive quando incidente sobre a folha de salários, as entidades beneficentes de assistência social, desde que comprovem o atendimento aos requisitos legais, quais sejam, aqueles previstos nos artigos 9º e 14 do CTN, bem como no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991 (atualmente, art. 29 da Lei nº 12.101, de 2009). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão acima a contribuinte apresentou diversos documentos, que informa preencherem os requisitos dos artigos 9º e 14 do CTN. Apresentou Recurso Voluntário alegando, em síntese, que cumpriu todos os requisitos estabelecidos em lei para usufruir da imunidade em comento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3201001.598, de 29/01/2019, proferido no julgamento do processo 10825.901227/201781, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3201001.598): "O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10825.901265/201733 Resolução nº 3201001.636 S3C2T1 Fl. 4 3 Inicialmente verifico que o contribuinte apresentou parte dos documentos exigidos inicialmente pela DRF para demonstrar a imunidade. No entanto, foi indeferido o pleito por “porque o pagamento indicado para dar suporte ao pleito encontravase totalmente alocado/vinculado a débito da contribuinte.” Ainda o Contribuinte demonstrou que houve parcelamento do débito, sendo que a DRJ proferiu voto reconhecendo o parcelamento, porém, indeferindo o pedido por entender que o Contribuinte não tinha apresentado todos os documentos nos termos do art. 9º e 14 do CTN, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101. Contudo, após proferido Acórdão pela DRJ o Contribuinte apresentou os demais documentos necessários para concessão dos benefícios da imunidade, juntamente com o Recurso Voluntário. Nesse sentido, já se manifestou a 1ª Turma da CSRF: Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário:1999, 2000, 2001, 2002 RATEIO DE DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. É válida a adoção de método de aferição indireta de rateio de despesas quando o contribuinte não fornece à fiscalização os documentos necessários para ser aferido o cumprimento do critério de rateio convencionado. INGRESSOS DE VALORES RECEBIDOS POR CONSTITUIÇÃO DE USUFRUTO ONEROSO. Os ingressos oriundos da constituição de usufruto oneroso devem ser tributáveis ao longo do período de usufruto .Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário:1999, 2000, 2001, 2002 PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidenciase que não há óbice para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. Descabe falar em alteração de critério jurídico quando a decisão recorrida mantém o enquadramento legal e a interpretação dos fatos adotados pela Fiscalização, mas exonera parcela do crédito tributário por entender que alguns valores deveriam ser reconhecidos em outros períodos de apuração.Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário:1999, 2000, 2001, 2002 DECADÊNCIA. A decadência prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional somente ocorre quando há pagamento antecipado do tributo, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça ao julgar o Recurso Especial nº 973.733SC, representativo de controvérsia. 16327.001227/200542. Data da Sessão 08/08/2017. Adriana Gomes Rêgo Relatora. André Mendes de Moura Redator Designado. Acórdão 9101 003.003 Verificando que o Contribuinte sempre atendeu o pleito da fiscalização, converto o feito em julgamento para que a DRF , verifique os documentos juntados são hábeis e se em seu entender são preenchidos os requisitos do art. 9º e 14, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101. Verificando que o Contribuinte sempre atendeu o pleito da fiscalização, converto o feito em diligência para que a DRF, verifique os documentos juntados são hábeis e se em seu entender são preenchidos os requisitos do art. 9º e 14, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101. Ainda, podendo intimar o contribuinte que apresente outros documentos que ache necessário." Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10825.901265/201733 Resolução nº 3201001.636 S3C2T1 Fl. 5 4 Importante salientar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte também juntou declarações e documentos fiscais que embasam a alegação da imunidade que entende possuir direito. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência do paradigma, também a justificam nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado converteu o julgamento em diligência para que a DRF verifique se os documentos juntados são hábeis e se, em seu entender, são preenchidos os requisitos do art. 9º e 14, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101, podendo, ainda, intimar o contribuinte a apresentar outros documentos que ache necessários. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 138DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.917747/2009-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS.
A apresentação espontânea de DCTF retificadora antes da edição do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser considerada.
Numero da decisão: 3201-004.680
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que os autos retornem à unidade preparadora, a fim de que reexamine o pleito do PER/DCOMP, considerando-se a DCTF retificadora para análise e prolação de novo despacho decisório.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A apresentação espontânea de DCTF retificadora antes da edição do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser considerada.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que os autos retornem à unidade preparadora, a fim de que reexamine o pleito do PER/DCOMP, considerando-se a DCTF retificadora para análise e prolação de novo despacho decisório. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. Recorrente ADELBRAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ADESIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A apresentação espontânea de DCTF retificadora antes da edição do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser considerada. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que os autos retornem à unidade preparadora, a fim de que reexamine o pleito do PER/DCOMP, considerandose a DCTF retificadora para análise e prolação de novo despacho decisório. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 77 47 /2 00 9- 26 Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10830.917747/200926 Acórdão n.º 3201004.680 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG. Para bem relatar os fatos, transcrevese trechos do relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório (...) emitido eletronicamente (...), referente ao PER/DCOMP (...). O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS, (...). De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que a empresa tem por objeto social a fabricação de adesivos e selantes, bem como a fabricação de sabões e detergentes sintéticos, estando sujeita à apuração de IRPJ pelo lucro real e também enquadrada na sistemática não cumulativa do Pis e Cofins; que na apuração da COFINS, (...), a Manifestante incluiu errôneamente na base de cálculo dessa contribuição, créditos de IPI sobre a aquisição de insumos adquiridos e aplicados no processo produtivo, não sujeitos à tributação, [...]; que deixou de incluir receita financeira [...]; que em razão da inclusão indevida de créditos de IPI, bem como da nova apuração de COFINS (...) a Manifestante incorreu no pagamento indevido da contribuição (...); Fl. 366DF CARF MF Processo nº 10830.917747/200926 Acórdão n.º 3201004.680 S3C2T1 Fl. 4 3 que procedeu à retificação do Dacon, de modo a excluir as receitas provenientes dos créditos de IPI, ocasionando o pagamento indevido desta contribuição; que realizou também a retificação da DCTF, de modo a convalidar a retificação no Dacon; que as retificações procedidas geraram para a Manifestante o direito ao crédito, sendo passível de compensação com qualquer tributo administrado pela RF. A DRJ/Belo Horizonte julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não homologou a compensação declarada, nos termos do Acórdão 02 058.262, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário que visa a reforma da decisão recorrida para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a compensação declarada. Repisa o que suscitou em manifestação de inconformidade: que o pagamento a maior da Contribuição decorreu de inclusão indevida, na base de cálculo da Contribuição, de valores de crédito de IPI sobre a aquisição de insumos do processo produtivo e de receita financeira, não sujeitos à tributação. Reafirma que o despacho decisório não considerou em sua análise os valores reapurados da Contribuição informados em Dacon e DCTF retificadores. No Recurso Voluntário, alega apresentar a demonstração detalhada do erro cometido e aduz a certeza do direito, uma vez que, independentemente da retificação do Dacon, o saldo credor apurado era suficiente para a quitação dos débitos a serem compensados. Junta no recurso cópias de: extratos de Dacon e DCTF originais e retificadores, DARF, folhas do Razão, e Memória de Cálculo da Cofins. Roga pela realização de diligência para a apuração da higidez do crédito que é decorrente de erro no preenchimento de Dacon e DCTF. É o relatório. Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10830.917747/200926 Acórdão n.º 3201004.680 S3C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.674, de 29/01/2019, proferido no julgamento do processo 10830.920655/200923, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.674): "Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para defini lo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo. Feito tal esclarecimento, passase ao exame das razões de Recurso. Inferese do despacho decisório que a não homologação da compensação pleiteada decorreu da ausência de crédito para a quitação de débito vincendo/vencido no momento do encontro de contas o crédito decorrente de pagamento indevido em confronto com o débito confessado em DCTF. Consta no corpo do despacho decisório que o pagamento referente ao DARF indicado foi integralmente utilizado para quitação de débito, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na PER/DCOMP. Há razão à contribuinte no tocante ausência de análise da DCTF retificadora. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 10830.917747/200926 Acórdão n.º 3201004.680 S3C2T1 Fl. 6 5 À evidência do teor do despacho decisório, em sua análise automática no encontro de crédito e débito considerouse a DCTF original na qual consignada o débito de Cofins em março/2005 no valor de R$ 38.883,18. A DCTF foi retificada em 30/07/2009, declarando o valor de R$7.160,00 como devido para a Contribuição no mesmo período, e o despacho decisório emitido em 23/10/2009. Sabese que a DCTF retificadora válida e eficaz nos termos do art. 11 da IN RFB nº 903/20081 produz os mesmos efeitos da original. No caso dos autos, não ha incidência de nenhuma das hipóteses de inadmissibilidade da DCTF retificadora. Ademais, a retificação da DCTF em questão operouse ao abrigado da espontaneidade, porquanto efetuada antes de qualquer procedimento do Fisco. Nessas circunstâncias, a DCTF retificadora apresentada alterou eficazmente a situação jurídica anterior; contudo, os efeitos da retificação da DCTF foram desconsiderados no despacho decisório. Temse como premissa que a singela retificação de DCTF, isoladamente considerada, não ampara o direito à restituição de indébito, e de outra banda, também não pode, por si só, ser obstáculo à sua devolução. A nova realidade estampada na DCTF retificadora tem de ser devidamente avaliada pela Autoridade Fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a repetição e não homologada a compensação. Idêntica situação foi enfrentada por este Colegiado no julgamento do processo nº 10880.919993/200927, sessão de 25/07/2018, com a prolação do Acórdão nº 3201004.069, de relatoria do Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo, que por unanimidade de votos decidiu prover parcialmente o recurso voluntário para que os autos retornassem à unidade preparadora, a fim de que reexamine o pleito do PER/DCOMP, considerandose a DCTF retificadora como original para análise e prolação de novo despacho decisório: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 18/10/2004 COFINS. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A apresentação espontânea de DCTF retificadora antes da edição do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, 1 Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 10830.917747/200926 Acórdão n.º 3201004.680 S3C2T1 Fl. 7 6 substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser considerada. Por tudo ante exposto, voto para dar parcial provimento ao recurso voluntário para que os autos retornem à unidade preparadora, a fim de que reexamine o pleito do PER/DCOMP, considerandose a DCTF retificadora para análise e prolação de novo despacho decisório." Importante observar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a DCTF retificadora também foi transmitida pelo contribuinte antes da data de emissão do Despacho Decisório. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado deu parcial provimento ao recurso voluntário para que os autos retornem à unidade preparadora, a fim de que reexamine o pleito do PER/DCOMP, considerandose a DCTF retificadora para análise e prolação de novo despacho decisório. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 370DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720680/2013-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
DIREITO CREDITÓRIO - FALTA DE COMPROVAÇÃO - NÃO HOMOLOGAÇÃO.
A falta de comprovação do crédito líquido e certo, requisito necessário para o reconhecimento do direito creditório, conforme o previsto no art. 170 da Lei nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta o indeferimento do pedido e a não-homologação das compensações.
Numero da decisão: 1302-003.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Lúcia Miceli - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: MARIA LUCIA MICELI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 DIREITO CREDITÓRIO - FALTA DE COMPROVAÇÃO - NÃO HOMOLOGAÇÃO. A falta de comprovação do crédito líquido e certo, requisito necessário para o reconhecimento do direito creditório, conforme o previsto no art. 170 da Lei nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta o indeferimento do pedido e a não-homologação das compensações.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lúcia Miceli - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1523; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 369 1 368 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.720680/201395 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302003.406 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de fevereiro de 2019 Matéria Declaração de Compensação Recorrente SOCIEDADE DE ABASTECIMENTO DE AGUA E SANEAMENTO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 DIREITO CREDITÓRIO FALTA DE COMPROVAÇÃO NÃO HOMOLOGAÇÃO. A falta de comprovação do crédito líquido e certo, requisito necessário para o reconhecimento do direito creditório, conforme o previsto no art. 170 da Lei Nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta o indeferimento do pedido e a nãohomologação das compensações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lúcia Miceli Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 06 80 /2 01 3- 95 Fl. 369DF CARF MF 2 Relatório A recorrente apresentou Declaração de Compensação nº 34938.42597.190209.1.7.023637 na qual pretende utilizar crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, no valor de R$ 618.918,28. Após análise, a DRF/Campinas não reconheceu o direito creditório, pois constatouse que, por meio do procedimento fiscal constante dos autos do processo administrativo nº 10830.003927/200686, com ajustes no lucro real, alterando o resultado de saldo negativo para IRPJ a pagar, conforme tabela a seguir: Em sessão de 26 de novembro de 2014, por meio do Acórdão nº 1148.505, a 3ª Turma da DRJ/REC julgou improcedente a manifestação de inconformidade da recorrente, com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2002 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A decisão recorrida não reconheceu o direito creditório diante da ausência de comprovação da certeza e liquidez do crédito, em razão da lavratura do auto de infração. A ciência da decisão ocorreu em 01/04/2015, conforme atesta o Termo de Ciência por Abertura de Mensagem, fls. 287. O recurso voluntário foi apresentado em 16/04/2015, fls. 289/294, com as seguintes alegações: relata que interpôs Recurso Especial em face da decisão do CARF, nos autos do processo administrativo nº 10830.003927/200686, mas que não logrou êxito, com o transitando em julgado com a condenação da recorrente ao pagamento de IRPJ e CSLL. em razão do trânsito em julgado não acolhendo a defesa da recorrente, a Receita Federal deixou de homologar a DCOMP nº 34938.42597.190209.1.7.023637, passando de um saldo negativo de R$ 618.918,28 para IRPJ a pagar de R$ 1.226.096,38. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10830.720680/201395 Acórdão n.º 1302003.406 S1C3T2 Fl. 370 3 inconformada com a autuação, ajuizou Ação Anulatória de Débito Fiscal com Pedido de Liminar, requerendo a nulidade do auto de infração, bem como, liminarmente, não seja cobrado o IRPJ no processo administrativo nº 10830.003927/200686, enquanto vigente a imunidade recíproca da recorrente, suspendendo a exigibilidade do referido crédito tributário, nos termos do artigo 151, inciso V do CTN. em 31/03/2015, a liminar foi deferida, com a suspensão da cobrança do IRPJ nos autos do processo administrativo nº 10830.003927/200686. ainda que o presente recurso voluntário seja julgado improcedente, a recorrente encontrase desobrigada a recolher impostos federais em razão do reconhecimento da imunidade recíproca na Ação Judicial nº 00186623.2008.4.03.6105, que se encontra pendente de julgamento de recurso de apelação no TRF da 3ª Região. finaliza requerendo que: 1) seja julgado insubsistente o despacho decisório; 2) seja reconhecido o direito creditório no valor de R$ 618.918,28, com a homologação das compensações; 3) seja acolhida a suspensão da exigibilidade do débito de IRPJ em questão, enquanto vigente a imunidade tributária recíproca, reconhecida nos autos do processo nº 00186623.2008.4.03.6105. É o relatório. Voto Conselheira Maria Lucia Miceli Relatora DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO E AÇÃO JUDICIAL O recurso voluntário é tempestivo, e apresentado pelas pessoas com os devidos poderes de representação. Mas, para verificar os demais requisitos, é necessário verificar qual o pedido da ação judicial de nº 00186623.2008.4.03.6105, na qual a recorrente informa que teria sido reconhecida a imunidade tributária recíproca, nos termos do artigo 150, VI, "a" da Constituição Federal. A peça inicial desta ação judicial está acostada aos autos às fls. 317/341, onde verificase que foi ajuizada em 14/11/2008, e tratase de AÇÃO DECLARATÓRIA C.C. REPETIÇÃO DE INDÉBITO COM PEDIDO DE TUTELA ANTECIPADA INITIO LITIS E INAUDITA ALTERA PARS. Abaixo, transcrevo o pedido da citada ação: Fl. 371DF CARF MF 4 (a) declarar a inconstitucionalidade da cobrança de impostos federais e contribuições sociais, por violação aos artigos 1º, 18 e 150, VI, "a" da Constituição de 1988, e; (b) condenar a Ré, com fundamento no artigo 165, I do Código Tributário Nacional, a restituirlhe as quantias que pagou indevidamente, no montante a ser apurado em liquidação de sentença, devidamente atualizados, pelos índices cabíveis, desde a data de cada pagamento, até a data da efetiva devolução, com juros e correção monetária, condenandoa, ainda, ao ônus da sucumbência. (grifei) Restou noticiado nos autos do processo administrativo nº 10830.723881/201263, da relatoria desta conselheira, que, com relação à ação judicial em questão, foi negado provimento à apelação da União e ao reexame necessário, com trânsito em julgado em 15/08/2018, sendo definitiva, portanto, decisão parcialmente favorável à autora, reconhecendo a condição de imune com relação aos impostos federais, nos termos do artigo 150, VI, "a" da Constituição Federal. A seguir, transcrevo a ementa e acórdão do TRF da 3ª Região: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. REEXAME NECESSÁRIO. RECURSO DE APELAÇÃO. IMUNIDADE RECÍPROCA. IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. ART. 150, VI, "A", CF/88. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. ATIVIDADE DE MONOPÓLIO ESTATAL. SERVIÇO PÚBLICO DE SANEAMENTO BÁSICO. ABASTECIMENTO DE ÁGUA E TRATAMENTO DE ESGOTO. CAPITAL PREDOMINANTEMENTE ESTATAL. FINALIDADE NÃO LUCRATIVA. COBRANÇA DE TARIFAS. NÃO DESCARACTERIZAÇÃO DA IMUNIDADE RECÍPROCA. EXTENSÃO DA IMUNIDADE. SOMENTE IMPOSTOS E APENAS QUANTO A BENS E SERVIÇOS USADOS NA SATISFAÇÃO DOS OBJETIVOS INSTITUCIONAIS DA ENTIDADE. ART. 150, § 2°, CF. APELAÇÃO E REEXAME NECESSÁRIO NÃO PROVIDOS. 1. A CF/88 retirou da competência dos entes tributantes a criação de impostos sobre renda, patrimônio e serviços uns dos outros e estendeu a imunidade às autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços vinculados a suas finalidades essenciais ou delas decorrentes. Art. 150, VI, "a" e §2° CF/88. 2. A doutrina e a jurisprudência pátria reconhecem que essa imunidade também é aplicável às sociedades de economia mista, desde que preenchidos os seguintes requisitos: i) ser delegatária de serviço público em regime de monopólio; ii) possuir capital predominantemente estatal; e iii) não ter finalidade preponderantemente lucrativa. 3. A SANASA é uma sociedade de economia mista constituída com a finalidade de prestar serviço público de abastecimento de água e tratamento de esgoto, com capital predominantemente estatal, e com finalidade não preponderantemente lucrativa. Leis Municipais 4.356/73 e 13.007/07 e o Decreto 4.437/74. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 10830.720680/201395 Acórdão n.º 1302003.406 S1C3T2 Fl. 371 5 4. A autora atende a todos os requisitos necessários para o reconhecimento da imunidade recíproca prevista no artigo 150, inciso VI, alínea "a", da Constituição Federal. 5. O fato de a prestadora de serviço de fornecimento de água e tratamento de esgoto cobrar tarifas dos usuários, por si só, não descaracteriza a imunidade recíproca prevista no artigo 150, VI, "a" da Constituição Federal. Precedentes do STF. 6. Ressalvase, contudo, que a imunidade tributária recíproca é aplicável somente às propriedades, bens e serviços utilizados na satisfação dos objetivos institucionais da sociedade de economia mista. RE 253.472 e ACO 2243. 7. A imunidade recíproca deve ter sua extensão limitada para abranger apenas os impostos, e não as contribuições sociais, nos exatos termos do artigo 150, VI, "a" da CF/88. 8. A repetição do indébito, todavia, deve ser realizada apenas em relação aos montantes recolhidos indevidamente nos cinco anos anteriores ao ajuizamento da ação, nos moldes preconizados pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 566.621. 9. Considerando a data do ajuizamento da ação, ademais, a compensação dos valores recolhidos indevidamente deverá ser realizada nos termos do artigo 74, da Lei n° 9.430/96 com as modificações perpetradas pela Lei n° 10.637/02. Precedente do STJ (REsp 1137738/SP, julgado pelo rito do art. 543C, CPC). 10. É aplicável a taxa SELIC como índice para a repetição do indébito, nos termos da jurisprudência do e. Superior Tribunal de Justiça, julgada sob o rito do artigo 543C, do Código de Processo Civil. .(grifei) 11. Apelação e reexame necessário não providos. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 3a Região, por unanimidade, negar provimento à apelação e ao reexame necessário, nos termos do relatório e voto que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Diante dos fatos acima narrados, verificase que a recorrente também pediu a restituição dos valores pagos indevidamente na ação judicial nº 001866 23.2008.4.03.6105, com fundamento no artigo 165, inciso I do CTN. O direito à restituição dos impostos federais pagos foi reconhecido, mas limitado àqueles recolhidos no prazo de cinco anos anterior ao ajuizamento da ação judicial, que ocorreu em 14/11/2008, conforme acórdão transitado em julgado. O crédito analisado neste processo é de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2002, período não abarcado no acórdão do TRF da 3ª Região, de forma que não há concomitância entre os pedidos na instância administrativa e judicial. Fl. 373DF CARF MF 6 Portanto, conheço do recurso voluntário. DO MÉRITO Como relatado, o direito creditório não foi reconhecido, pois foi lavrado auto de infração, objeto do processo administrativo nº 10830.003927/200686, resultando em ajuste no Lucro Real no anocalendário de 2002. A lide foi instaurada naquele processo, com decisão parcialmente favorável ao autuado, e já transitada em julgado na esfera administrativa. Nestes termos, o Lucro Real foi retificado de R$ 16.002.414,38 para R$ 23.382.472,88, fato que alterou a apuração de crédito de saldo negativo para IRPJ a pagar. Resumidamente, a defesa alega que ajuizou ação anulatória do lançamento, de nº 000522487.2015.403.6105, obtendo liminar para suspender a exigibilidade da cobrança, nos termos do artigo 151, inciso V do CTN. Além disso, alega que sua condição de imune aos impostos federais foi reconhecida na já citada Ação Judicial nº 00186623.2008.4.03.6105, devendo ser suspensa a exigibilidade da cobrança do IRPJ no valor de R$ 1.226.096,38. Antes de adentrar no mérito, é preciso esclarecer que a lide deste processo se limita ao reconhecimento do direito creditório de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002. Não há cobrança do IRPJ no valor de R$ 1.226.096,38. O demonstrativo constante no Despacho Decisório tem apenas o objetivo de demonstrar que não foi apurado crédito de saldo negativo. Os únicos débitos a serem cobrados são aqueles cuja compensação não foi homologada, discriminados na ficha da DCOMP DÉBITO IRPJ, de fls. 15, mas que se encontram com a exigibilidade suspensa pela apresentação do recurso voluntário. Quanto ao mérito, verificase que a decisão administrativa transitada em julgado, mantendo, ainda que parcialmente, o lançamento alterando a apuração do ano calendário de 2002 de crédito de saldo negativo para IRPJ a pagar, não foi afetada pelas decisões judiciais citadas. No site da Justiça Federal de São Paulo, verificase que a ação anulatória do lançamento nº 000522487.2015.403.6105 já teve sua decisão de primeira instância em 05/07/2016, que negou o pedido de anulação do lançamento. Foi interposta apelação, ainda pendente de julgamento no Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Ou seja, até o presente momento, esta ação anulatória em nada alterou o resultado no âmbito administrativo quanto ao julgamento do lançamento, sendo mantida a alteração do crédito de saldo negativo para IRPJ a pagar. E, quanto ao fato de a recorrente obter o reconhecimento de condição de imune aos impostos, também em sede de ação judicial nº 00186623.2008.4.03.6105, em nada afeta a condição de decisão transitada em julgado, na esfera administrativa, quanto ao auto de infração. De todo exposto, é fato que não houve modificação quanto aos motivos que levaram a não homologação da Declaração da Compensação, em razão da inexistência do crédito de saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2002, já que o resultado foi alterado para IRPJ a pagar, por meio de lançamento nos autos do processo administrativo nº 10830.003927/200686. Nestes termos, estão ausentes os requisitos necessários para o reconhecimento do direito creditório, ou seja, a certeza e liquidez do crédito, condição prevista no artigo 170 do CTN. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 10830.720680/201395 Acórdão n.º 1302003.406 S1C3T2 Fl. 372 7 CONCLUSÃO Por todo acima exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Maria Lucia Miceli Relatora Fl. 375DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.920379/2012-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.977
Decisão:
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de origem verifique a autenticidade dos documentos acostados aos autos no momento de interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
RELATÓRIO
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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(assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. RELATÓRIO Tratase de Pedido de Restituição enviado pela contribuinte que restou indeferido pela unidade de origem da RFB, em razão da inexistência do crédito pleiteado. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, tecendo comentários acerca da legislação de regência do PIS e da Cofins, sobre o conceito de receita, faturamento e renda, e enfatizando que o ICMS está embutido no preço das mercadorias, integrando a base de cálculo do imposto o próprio imposto e por isso constitui ônus fiscal e não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 20 37 9/ 20 12 -8 5 Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10980.920379/201285 Resolução nº 3302000.977 S3C3T2 Fl. 3 2 faturamento. Sendo assim, não se pode aceitar a incidência do PIS e da Cofins sobre outro imposto, no caso o ICMS, o que tornase alheio ao que deve ser o faturamento. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) Pela leitura da ratio decidendi do acórdão recorrido, o direito creditório não foi reconhecido, por inexistir pronunciamento definitivo da PGFN sobre a matéria que autorize as DRJ’s a aplicarem entendimento já consolidado pelo Poder Judiciário. Todavia, em sede de recurso voluntário, é imprescindível assinalar a determinação expressa do artigo 62, §1º, II, ‘b’ e do § 2º do Regimento Interno do CARF, prevê a possibilidade de ser afastada lei sob o fundamento de inconstitucionalidade por turmas daquele Órgão, desde que a matéria tenha sido tratada de forma definitiva pelo Supremo Tribunal Federal. Foi o que ocorreu no julgamento do RE nº 574.576, onde ficou decidido que o ICMS não integra a base de cálculo para incidência da contribuições ao PIS e à Cofins; b) Diante do princípio da verdade material, requer a juntada dos documentos que comprovarão a existência de créditos no período correspondente a PER/Dcomp apresentada, oriunda da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins. É o breve relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302000.967, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10980.920372/201263, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3302000.967): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. ICMS na Base de Cálculo das Contribuições. Conforme relatado, a matéria posta em debate cingese ao cabimento da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins. A discussão se encontra superada no âmbito do CARF, tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal já proferiu decisão acerca desta matéria, em sede de recurso com repercussão geral reconhecida, na sistemática prevista no art. 1.036 da Lei nº 13.105/2015. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10980.920379/201285 Resolução nº 3302000.977 S3C3T2 Fl. 4 3 Importante ressaltar que a decisão ainda não transitou em julgado, pois está pendente a análise de embargos opostos para decidir se o direito de exclusão será concedido em maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. Contudo, a decisão proferida pela Suprema Corte se tornou definitiva quanto ao direito do contribuinte de excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. No RE nº 574706 Tema 069 ficou consignado que o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins. RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe223 DIVULG 29092017 PUBLIC 02102017). Para fins de clarear a posição da RFB sobre o tema, trago à baila a Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018: Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10980.920379/201285 Resolução nº 3302000.977 S3C3T2 Fl. 5 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Contribuição para o PIS/Pasep, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Contribuição para o PIS/Pasep do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de cálculo mensal, conforme o Código de Situação tributária (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relacao percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa juridica estar dispensada da escrituracao do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.715, de 1998, art. 2o; Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.637, de 2002, arts. 1o, 2o e 8o; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10980.920379/201285 Resolução nº 3302000.977 S3C3T2 Fl. 6 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Cofins, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Cofins do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de calculo mensal, conforme o Código de Situação tributaria (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relação percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa jurídica estar dispensada da escrituração do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.833, de 2003, arts. 1o, 2o e 10; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10980.920379/201285 Resolução nº 3302000.977 S3C3T2 Fl. 7 6 Diante da obrigação de observar decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista no art. 1.036 da Lei nº 13.105/2015, me curvo ao entendimento de que o ICMS recolhido deve ser excluído da base de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins. Provas do Indébito Tributário. A instância a quo, utilizou, também, como razão de decidir a falta de provas do direito creditório, de acordo com trecho do voto condutor do acórdão recorrido, verbis: Não bastasse isso, é oportuno observar que não há nos autos prova do direito afirmado. Em outros termos, não basta indicar os argumentos jurídicos que seriam o fundamento legal do pagamento indevido, mas deve a interessada, adicionalmente, demonstrar contabilmente que o valor pleiteado corresponde ao valor da contribuição que foi paga sobre o ICMS que teria feito parte de sua base de cálculo. Isso porque, o direito deve ser demonstrado em documentos fiscais e contábeis. Por isso, ainda que houvesse a manifestação da Procuradoria acerca de julgado do STF declarando a inconstitucionalidade do ICMS na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, mesmo assim não seria possível lhe conceder o direito creditório postulado. Afinal, é obrigação da manifestante trazer aos autos o direito em que se fundamenta e as provas que possuir. É o que determina o art. 16, do inc. III, do Decretolei n° 70.235/72. Há que se destacar, ainda, que o Despacho Decisório foi emitido pela autoridade fiscal com fundamento nas informações prestadas em DCTF pela Manifestante, ou seja, em declaração válida a produzir efeitos na data da emissão do referido documento. Por tal motivo, o débito encontrase validamente constituído exatamente nos termos do Despacho Decisório proferido. Isso porque, a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme legislação de regência (art. 5º do Decretolei nº 2.124/84 e Instruções Normativas da RFB que dispõem sobre a DCTF). Sobre esta questão, importante destacar que o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966, não permite que depois de iniciado qualquer procedimento fiscal seja apresentada declaração retificadora quando esta vise a reduzir ou a excluir tributo, sendo apenas admissível mediante comprovação do erro em que se funde. Enfim, não basta a mera alegação do direito. Ele deve ser demonstrado em documentos fiscais e contábeis, na linha do que determina o art. 923 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n º 3.000, de 26 de março de 1999). O recorrente, em sede de recurso voluntário, apresentou alguns documentos para provar seu direito, quais sejam: memória de cálculo de apuração da COFINS e do consequente crédito pleiteado, a DIPJ Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10980.920379/201285 Resolução nº 3302000.977 S3C3T2 Fl. 8 7 referente ao período discutido, o comprovante do recolhimento da Cofins e o resumo de apuração do ICMS. Requer que esse Colegiado defira a juntada dos documentos, os analise e se posicione acerca de seu direito creditório. A questão que surge é se houve preclusão do direito à apresentação de provas, conforme prevê os artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72 ou se o recorrente tem o direito a apresentar documentos em qualquer momento processual em nome da verdade material. Posta assim a questão, passo a análise. Tratase de processo de restituição em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que o pedido de restituição se refere a créditos decorrentes de pagamentos a maior de Cofins, em razão da inclusão do ICMS na respectiva base de cálculo. A DRJ de Curitiba julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob os seguintes fundamentos: o ICMS deve compor a base de cálculo da exação e que o sujeito passivo não apresentou provas do direito alegado. Em sede de recurso voluntário, o sujeito passivo pleiteou a observância do RE nº 574706 e apresentou documentos que lastreariam o direito requerido. No procedimento de despacho eletrônico de pedido de restituição, o sujeito passivo não é intimado pela unidade preparadora para prestar informações jurídicas acerca do crédito requisitado. O primeiro momento que tem para se pronunciar sobre questões de direito é na manifestação de inconformidade. No caso em análise, é bem verdade que o sujeito passivo não apresentou documentos que comprovassem que houve recolhimento da Cofins tendo o ICMS em sua base de cálculo. Ocorre que, como mencionado, ao interpor o presente recurso voluntário, foram acostados aos autos a memória de cálculo de apuração da COFINS e do consequente crédito pleiteado, a DIPJ referente ao período discutido, o comprovante do recolhimento da Cofins e o resumo de apuração do ICMS. Esse documentos, caso autênticos, podem sugerir que houve a inclusão na base de cálculo da Cofins o valor do ICMS recolhido, gerando um indébito tributário. Não posso deixar de admitir que os fatos produzidos extemporaneamente geraram grande dúvida, o que impossibilita meu julgamento nesta assentada. Consoante noção cediça, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10980.920379/201285 Resolução nº 3302000.977 S3C3T2 Fl. 9 8 diligências que entender necessárias, é a literalidade do art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Assim, entendo que as alegações produzidas pelo recorrente devem ser analisadas com mais profundidade, para que possa afastar a fumaça que tomou conta de minha convicção, pois vejo verossimilhança nos fundamentos jurídicos acostados aos autos. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem verifique a autenticidade dos documentos acostados aos autos no momento de interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essa dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que o órgão de origem verifique a autenticidade dos documentos acostados aos autos no momento de interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essa dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 102DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.903935/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
A homologação tácita das compensações declaradas pelo contribuinte ocorrem após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da transmissão da Declaração de Compensação, e não do Pedido de Restituição.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO.
Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada.
Numero da decisão: 3201-004.778
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A homologação tácita das compensações declaradas pelo contribuinte ocorrem após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da transmissão da Declaração de Compensação, e não do Pedido de Restituição. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 39 35 /2 01 2- 19 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13819.903935/201219 Acórdão n.º 3201004.778 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP, com base em suposto crédito de PIS oriundo de pagamento indevido ou a maior, que restou não homologada pela DRF de origem face a inexistência do crédito. Cientificada desse despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: Em preliminar, defende a decadência para a análise do crédito tributário (CTF, art. 150, § 4º) em função de a ciência do despacho decisório ter ocorrido em prazo superior a 5 anos da data de transmissão do PerDcomp. Cita acórdão do Carf relativo à homologação tácita de declaração de compensação. Afirma que o crédito pleiteado referese à exclusão de outras receitas da base de calculo do Pis e da Cofins em função do trânsito em julgado com repercussão geral ocorreu em 2006. Cita acórdãos de DRJ e do Carf. Acrescenta que foi revogado o §1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998. Pede, se for o caso, a determinação das diligências necessárias para a apuração da exatidão do crédito tributário a que se refere o presente processo, em respeito ao primado da verdade material e da moralidade administrativa. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 02048.768. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.765, de 30 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 13819.903903/201213, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201004.765): "O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13819.903935/201219 Acórdão n.º 3201004.778 S3C2T1 Fl. 4 3 Conforme relato dos fatos, tratase de Pedido de Restituição e Compensação apresentado pelo Recorrente e que deixou de ser homologado em razão de "inexistência do crédito postulado". Inicialmente aduz o Recorrente a ocorrência de decadência do crédito tributário, nos termos do art. 150, §4ª do CTN, contados da transmissão do Pedido de Restituição. Todavia, não merece acolhida o pleito do contribuinte. O Pedido de Restituição tem o condão de interromper a prescrição do crédito tributário em face da Fazenda Nacional, contudo, inexiste hipótese de reconhecimento tácito de tal crédito, cujo reconhecimento demanda a análise material do direito creditório pela administração tributária. Lado outro, prevê a legislação a homologação tácita das pedidos de compensação apresentados pelos contribuinte, sendo este prazo de 5 (cinco) anos contados da transmissão da declaração de compensação. Desse modo, não merece qualquer reparo a decisão recorrida: A compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 74, § 2º). O mesmo artigo determina que o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação (§ 5º). Transcorrido esse prazo, o fisco não pode mais praticar ato de “não homologação” da compensação efetuada. Assim sendo, depois de cinco anos da transmissão do PerDcomp sem que o fisco tenha se manifestado, considerase definitivamente extinto o débito nele confessado, independentemente da confirmação do crédito utilizado. Por outro lado, o pedido de restituição não tem nenhum efeito imediato e necessita, essencialmente, da manifestação expressa da Administração negando ou concordando com o pedido. Por tratarse de um requerimento, de uma solicitação, de um pedido, necessita uma decisão explícita da Administração – nunca uma solução tácita (Lei nº 9.784, de 1999, art. 48). O prazo da Lei 9.740, de 1996, referese, exclusivamente, à declaração de compensação, não se aplicando a pedido de restituição. Não existe prazo preclusivo para a apreciação do pedido de restituição. Não cabe aplicar a ele o prazo da homologação tácita, dado que a compensação declarada está afeta a um regime declaratório (Declaração de Compensação), e a restituição está afeta a um regime de requerimento (Pedido de Restituição). Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13819.903935/201219 Acórdão n.º 3201004.778 S3C2T1 Fl. 5 4 Nesse mesmo sentido é a própria decisão colacionada pelo Contribuinte em Seu Recurso Voluntário: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. OCORRÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PRAZO. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da Declaração de Compensação, a teor das disposições do art. 74 e seu § 5° da Lei n° 9430, de 1996, com a redação dada pelo art. 17 da Lei n° 10.833, de 2003. Transcorridos mais de 5 (cinco) anos da data da protocolização da Declaração de Compensação, sem manifestação da autoridade administrativa competente, operase a homologação tácita extintiva do crédito tributário. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 120200.246 – Recurso nº 177.141Processo nº 11610.006196/200335 – 2ª Turma Ordinária Sessão de 9 de março de 2009) Vale ressaltar que, muito embora o Pedido de Restituição e o Pedido de Compensação possam ser apresentados por meio de um único instrumento (PER/DCOMP), estes não se confundem, pois representam atos jurídicos de conteúdo distinto. Quanto ao mérito, a questão controvertida consiste na existência ou não de provas acerca de erro incorrido pelo contribuinte na prestação de declarações à RFB. Alega a Recorrente que o crédito postulado por meio de PER/DCOMP decorre de pagamento indevido ou a maior em decorrência do inconstitucional alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, que deve ser reconhecida pela administração tributária. Não assiste razão, contudo, à Recorrente. Não se nega, a rigor, a necessidade de aplicação do quanto restou decidido pelo Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS (art. 3º da Lei nº 9.718/98). Não obstante, cabe ao Recorrente fazer prova do direito postulado, ou seja, indicar, por meio de seus documentos fiscais e contábeis, de que forma foi apurada originalmente a base de cálculo do tributo e qual seria a correta forma de apuração em face da inconstitucionalidade reconhecida, demonstrando, ainda, a correção da quantificação de tal montante. Na hipótese dos autos, não existe qualquer documentação hábil para a comprovação do erro alegado, mas apenas planilhas colacionadas à Manifestação de Inconformidade que não representam e não comprovam a contabilidade da empresa. Quanto ao pedido de diligência, cumpre esclarecer que esta não se presta à substituir o ônus de produção de prova pelo contribuinte. Esta deve ser utilizada quanto resta dúvida por parte dos julgadores acerca dos fatos e desde que o direito Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13819.903935/201219 Acórdão n.º 3201004.778 S3C2T1 Fl. 6 5 postulado esteja minimamente provado pelo contribuinte, o que não se verifica nos autos. Assim, também nesse aspecto, não merece qualquer reparo a decisão recorrida: Nenhum documento contábil ou fiscal acompanha os demonstrativos. Dessa forma, não podem ser aceitos como prova da existência do crédito e o contribuinte não logra comprovar sua vinculação com as teses que apresenta. No caso da exclusão do ICMS, ainda que fosse uma alegação válida, as provas seriam imprestáveis, não sendo suficientes para quantificar o crédito e, como já relatado, as diligências não se prestam a isso. O objetivo da diligência não é produzir provas que não foram apresentadas na impugnação, mas esclarecer dúvidas. Ademais, os valores não são coerentes. Em pesquisa aos sistemas de controle da RFB, verificouse que há incompatibilidade entre os valores declarados em DIPJ e o confessado em DCTF. (...) A apuração do tributo é consolidada na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). O valor apurado na declaração apresentada antes da ciência do Despacho Decisório, diverge do valor confessado na DCTF e não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DIPJ e na DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para confirmar o indeferimento da restituição. Pelo exposto, a Recorrente não logrou a devida comprovação por meio de documentos hábeis, razão pela qual não há como se reconhecer o direito creditório postulado. Assim, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13819.903935/201219 Acórdão n.º 3201004.778 S3C2T1 Fl. 7 6 Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.920106/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2004
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 2401-006.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.901416/2009-35, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
MIRIAM DENISE XAVIER - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
1.0 = *:*
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INTEMPESTIVIDADE. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.901416/200935, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) MIRIAM DENISE XAVIER Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 01 06 /2 00 9- 10 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10680.920106/200910 Acórdão n.º 2401006.043 S2C4T1 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401006.041, de 14 de fevereiro de 2019 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10680.901416/200935, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2401006.041 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso Voluntário. O contribuinte apresentou Declaração de Compensação Eletrônica (DCOMP) para a compensação de crédito de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) com débito de IRRF. Segundo o despacho, foi localizado o pagamento correspondente ao crédito alegado, mas este já havia sido parcialmente usado para a quitação de outros débitos, havendo reduzido saldo disponível para a compensação analisada. Na manifestação de inconformidade, o contribuinte sustentou: a) Correta a compensação do débito efetuada, tendo havido engano no preenchimento da DCTF. b) Após o recebimento do despacho decisório, a impugnante verificou equívoco na DCTF. Esse foi solucionado mediante a entrega de DCTF retificadora. c) Como a compensação de fato ocorreu dentro do prazo legal, data da transmissão da Dcomp, bem como de sua vinculação aos débitos por meio da DCTF pertinente, resta demonstrada a procedência da compensação. Do Acórdão de piso, em síntese, extraemse os seguintes fundamentos: a) Diante do despacho decisório, a DCTF foi retificada reduzindose o débito de IRRF do código 0561 originalmente declarado de tal forma que a diferença a menor entre o novo débito informado e o original é igual ao crédito alegado na declaração de compensação em causa. b) As declarações oportunamente apresentadas presumemse verdadeiras em relação ao declarante (art. 131 do CC e art. 368 do CPC). A presunção de veracidade obriga o declarante a provar o que alega e, na falta de prova, prevalece o teor do documento original. c) Em se tratando de IRRF do código 0561, deviam ter sido trazidos aos autos elementos da escrituração contábil e/ou outros documentos fiscais, trabalhistas e previdenciários a comprovar a remuneração efetivamente paga a seus empregados e quanto de fato lhes foi retido ou não de IRRF. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10680.920106/200910 Acórdão n.º 2401006.043 S2C4T1 Fl. 4 3 d) Não provado o erro, a retificadora não tem nenhuma força de convencimento, sobretudo porque apresentada após a ciência de despacho decisório. As normas da Receita Federal categoricamente estabelecem que a DCTF retificadora não produz efeito, tendo por objeto a alteração de débitos relativos à contribuições e a impostos, quando apresentada após a pessoa jurídica tiver sido intimada de início de procedimento fiscal (IN RFB n° 903, de 2008, art. 11, §§ 1° e 2°; em vigor na data de apresentação da DCTF retificadora). Intimada em 28/03/2011, a empresa interpôs em 04/05/2011 recurso voluntário, em síntese, alegando: a) Não se conformando com o Acórdão, apresenta, no prazo legal, sua manifestação ao CARF 1ª Seção. b) A empresa apresentou DARF e DCTF retificadora como prova por crer serem suficientes para comprovar a existência do crédito. c) Para a comprovação, anexa documentos. Acrescenta que, para fins de baixa, encerrou totalmente seu quadro de funcionários no ano de 2003, tendo em 2004/2005 acertado com seus fornecedores e paralisado suas atividades em 2006 para sanar débitos com órgãos públicos. d) Pede o acolhimento e a conclusão do processo de compensação. O órgão preparador ressaltou que o recurso interposto em 04/05/2011 e veicula preliminar de tempestividade. É o relatório." Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10680.920106/200910 Acórdão n.º 2401006.043 S2C4T1 Fl. 5 4 Voto Conselheira MIRIAM DENISE XAVIER Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2401006.041, de 14 de fevereiro de 2019 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10680.901416/200935, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401006.041, de 14 de fevereiro de 2019 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401006.041 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária "A empresa sustenta a apresentação do recurso voluntário no prazo legal. Considerandose a intimação postal em 28/03/2011 e a interposição em 04/05/2011, o recurso voluntário é intempestivo por extrapolar o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância (Decreto nº 70.235, de 1972, arts. 5° e 33). Isso posto, voto por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator" Isso posto, voto por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) MIRIAM DENISE XAVIER Presidente e Relatora Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19679.000737/2003-39
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 1999
MULTA ATRASO NA ENTREGA DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS (DCTF).
O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária, salvo nos casos expressamente previstos na legislação tributária.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA POR INFRAÇÕES. CARÁTER OBJETIVO. BOA-FÉ. IRRELEVÂNCIA.
É irrelevante a boa-fé do contribuinte para fins de determinar a sua responsabilidade por descumprimento de deveres instrumentais, nos termos do art. 136 do CTN.
Numero da decisão: 1003-000.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 1999 MULTA ATRASO NA ENTREGA DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS (DCTF). O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária, salvo nos casos expressamente previstos na legislação tributária. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA POR INFRAÇÕES. CARÁTER OBJETIVO. BOA-FÉ. IRRELEVÂNCIA. É irrelevante a boa-fé do contribuinte para fins de determinar a sua responsabilidade por descumprimento de deveres instrumentais, nos termos do art. 136 do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
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O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária, salvo nos casos expressamente previstos na legislação tributária. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA POR INFRAÇÕES. CARÁTER OBJETIVO. BOAFÉ. IRRELEVÂNCIA. É irrelevante a boafé do contribuinte para fins de determinar a sua responsabilidade por descumprimento de deveres instrumentais, nos termos do art. 136 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 07 37 /2 00 3- 39 Fl. 103DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão 9.257 (1ª Turma da DRJ/SPOI, às fls 11/14), que julgou procedente o lançamento efetuado mediante o Auto de Infração1, fls. 02, relativo à multa por atraso na entrega de sua Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referentes ao 2°, 3° e 4° trimestres do anocalendário de 1999. Solicitando o cancelamento do mencionado lançamento, a Recorrente apresentou a impugnação de fl. 01, instruída com os documentos de fls. 02 a 05, sob a alegação de que estava dispensada da entrega de DCTF visto que sua receita mensal era bem inferior ao que determina o artigo 2°, inciso I, da IN n° 73/96 e que não houve dolo ou má fé na entrega extemporânea das DCTF´s em questão. Ao apreciar a referida manifestação de inconformidade, a 1ª Turma da DRJ/SPOI decidiu pela procedência do lançamento, cuja ementa transcrevese a seguir: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 1999 Ementa: DCTF. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. As pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, devem apresentar trimestralmente a Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), exceto se estejam enquadradas no Simples, sejam imunes ou isentas com valor mensal total de tributos a declarar inferior a R$ 10.000,00, estejam inativas ou sejam órgãos públicos, autarquias e fundações públicas. Lançamento Procedente Inconformada, a Recorrente apresentou o Recurso Voluntário, de fls. 19/23, basicamente, reproduzindo alegações elencadas na Manifestação de Inconformidade e requereu o cancelamento total da exigência fiscal, dada a sua boafé da Requerente, bem como, por conta de sua receita mensal e os impostos incidentes serem ”bem" inferiores do que determinava a exigência contida na IN SRF n° 73 de 1996, nos seguintes termos transcritos: 1 Enquadramento legal consta da descrição dos fatos como artigo 113, § 3° e 160 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN); artigo 11, do Decretolei n° 1.968, de 23 de novembro de 1982, com redação dada pelo artigo 10 do Decretolei n° 2.065, de 26 de outubro de 1983; artigo 30 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995; artigo 1° da Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal (IN/SRF) n° 18, de 24 de fevereiro de 2000; artigo 7° da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002 e artigo 5° da IN/SRF n° 255, de 11 de dezembro de 2002. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 19679.000737/200339 Acórdão n.º 1003000.430 S1C0T3 Fl. 3 3 "... No caso em tela, como o nosso "cartão do CNPJ", ou melhor, antigo "CGC" estava vencido, ao solicitar o mesmo junto à Receita Federal, tomamos conhecimento de que a "conta fiscal" estava em situação de irregularidade. Sinteticamente falando, foram apontadas ausências na entrega das DCTF's inerentes aos 2°, 3° e 4° trimestres de 1999, apesar da Requerente (na época) não estar no rol de empresas obrigadas a atender tal obrigação acessória, por força da então IN SRF n° 73, de 19/12/1996, especificamente em seu artigo 2°, item I (vigente na época). Em 25/10/2001, após uma série de visitas à Secretaria da Receita Federal (CAC Luz) fomos convencidos de que a melhor forma de resolver a pendência seria optando pela entrega das "DCTF´S". Note, ilustre julgador, que a Recorrente é uma empresa de cunho familiar, que se dedica ao ramo de Serviços de Despachos, atuando na preparação de documentos e apoio administrativo, conforme dispõe o Contrato Social vigente. Por conta desta situação, é evidente que a empresa não possui um "corpo jurídico”, ou até mesmo, um ”tributarista” atuando internamente, e desta forma, quem participa e decide tais situações são os seus respectivos sócios, que na "boafé" confiaram cegamente nos conselhos do atendente do "CAC Luz", fazendo a entrega das obrigações acessórias ora guerreadas em atraso (apesar de não haver obrigatoriedade), ocasionando multas por atraso, as quais foram objeto de "recurso administrativo" devidamente instruído pela Requerente em 15/08/2003. Somente "agora", no final do exercício de 2007 é que recebemos a resposta do Fisco, desprovida de cuidados especiais, e observamos que os julgadores não tiveram disposição em analisar os fatos que foram expostos pela Requerente. Desculpem pela insistência, mas não há como não discorrer pouco mais a respeito da predominante "boa fé” da Requerente, que cercada de cautelas de praxe, teve razões suficientes para acreditar que estava praticando um ato em conformidade com o Direito, mesmo que eventualmente tenha ignorado o fato de seu ato estar em descompasso com a legislação. Inclusive, nestes casos os Tribunais têm assegurado a devida proteção judiciária aos contribuintes de boa fé. ii) Posicionamento Jurídico Para que esta afirmação, ou melhor, "linha de raciocínio” atinja aos seus objetivos na situação ora guerreada, fizemos um apanhado de diversas situações que já foram apreciadas pelo Judiciário e decididas em favor do contribuinte que agiu de boa fé. Os casos que serão apresentados agrupamse em quatro categorias: (i) aqueles onde o contribuinte de boafé foi exonerado do pagamento do próprio tributo; (ii) aqueles onde foi assegurado ao contribuinte de boafé o aproveitamento de créditos tributários aos quais, em regra, não teria direito; (iii) aqueles em que foi cancelada a cobrança de multa do Fl. 105DF CARF MF 4 contribuinte de boafé que deixou de recolher o tributo devido e (iv) aqueles em que foi afastada a multa cobrada pelo descumprimento de obrigação acessória imposta pela legislação (situação equiparada ao caso em tela)". É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. Compulsando os autos, verifico que o recurso voluntário é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade previstos nas normas de regência, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciálo. Versa o presente processo sobre a aplicação de multa por atraso na entrega de DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF), referentes ao 2°, 3° e 4° trimestres do anocalendário de 1999. Afirma a Recorrente que o acórdão de piso merece ser reformado vez que estaria dispensada da entrega das DCTFs , com fulcro na Instrução Normativa n° 73/1996. Contudo, aludida Instrução Normativa, que segundo a Recorrente a dispensaria da entrega de DCTF, não vigia mais em 1999, pois foi tacitamente revogada pela Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal IN/SRF n° 126, de 30 de outubro de 1998, cujos artigos 2° e 3° disciplinavam a obrigatoriedade e a dispensa de apresentação da DCTF em 1999 e assim dispunham: "Art. 2º A partir do anocalendário de 1999, as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar, trimestralmente, a DCTF, deforma centralizada, pela matriz. § 1º Para efeito do disposto nesta Instrução Normativa, serão considerados os trimestres encerrados, respectivamente, em 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário. § 2º A DCTF deverá ser entregue na unidade da Secretaria da Receita Federal SRF da jurisdição fiscal da pessoa jurídica, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. § 3º No caso de encerramento de atividades, incorporação, fusão ou cisão, a DCTF deverá ser apresentada até o último dia útil do mês subseqüente à ocorrência do evento. Art. 3º Estão dispensadas da apresentação da DCTF, ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo: I as microempresas e empresas de pequeno porte enquadradas no regime do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; Fl. 106DF CARF MF Processo nº 19679.000737/200339 Acórdão n.º 1003000.430 S1C0T3 Fl. 4 5 II as pessoas jurídicas imunes e isentas, cujo valor mensal de impostos e contribuições a declarar na DCTF seja inferior a dez mil reais; III as pessoas jurídicas inativas, assim consideradas as que não realizaram qualquer atividade operacional, nãooperacional, financeira ou patrimonial, conforme disposto no art. 42 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 05 de março de 1998,' IV os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas. (...) Como se vê, a única dispensa de entrega de DCTF relacionada à limite de valor de tributo devido é a contida no inciso II do artigo 3°, que diz que as pessoas jurídicas imunes e isentas estariam dispensadas de entregar DCTF se o valor mensal dos tributos a declarar for inferior a R$ l0.000,00 (Dez mil reais). Ocorre que a Recorrente não comprovou que se enquadrava em tal caso, já que não era imune ou isenta, bem como em nenhuma outra hipótese de dispensa de apresentação de DCTF. Desta forma, a multa por apresentação em atraso da DCTF realmente deve ser imputada à Recorrente e prevalecer o lançamento contestado. Ademais, vale lembrar que, conforme previsto em nosso ordenamento jurídico, uma vez descumprido o dever instrumental, temse a hipótese de instituição de multa, conforme disposto no artigo 113 do Código Tributário Nacional: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2°A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. " Sobre o tema, ensina Leandro Paulsen2: "A impropriamente chamada conversão depende de previsão legal específica, estabelecendo pena pecuniária para o descumprimento da obrigação acessória. Ou seja, não há uma 2 (PAULSEN, Leandro. Constituição e Código Tributário comentados à luz da doutrina e da jurisprudência. 18 ed. São Paulo: Saraiva, 2017. p. 941.) Fl. 107DF CARF MF 6 conversão automática em obrigação principal. O que ocorre, sim, é que o descumprimento da obrigação acessória normalmente é previsto em lei como causa para a aplicação de multa, esta considerada obrigação principal nos termos do § 1º deste artigo". Ademais, não se pode perder de vista que os deveres instrumentais são impostos aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Isto porque, por meio do cumprimento daqueles, a fiscalização conseguira aferir se a obrigação principal também foi cumprida. Por outro lado, quanto ao argumento de que tratase de empresa de cunho familiar e que a Recorrente não agiu com dolo ou máfé quanto aos tributos que foram declarados, cabe observar o disposto no artigo 136 do Código Tributário Nacional, que assim reza: "Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. " Portanto, aludido dispositivo não deixa dúvidas de que a responsabilidade por infrações à legislação tributária é objetiva e independe da existência ou não de dolo ou má fé para que ocorra a lavratura do auto de infração. Ocorrendo o atraso na entrega, incide a norma que institui a multa. Assim, em se tratando de matéria tributária, não importa se o contribuinte cometeu a infração por puro descuido ou desconhecimento da legislação. De acordo com o art. 136 do CTN, antes mencionado, a responsabilidade por infrações da legislação tributária é objetiva, não dependendo da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Aqui, cabe trazer à baila os ensinamentos de Paulo de Barros Carvalho3: Também podem classificarse as infrações tributárias, consoante haja ou não referência à participação subjetiva do agente, na descrição hipotética da norma. Teremos, assim, as infrações subjetivas e objetivas. Infração subjetiva é aquela para cuja configuração exige a lei que o autor do ilícito tenha operado com dolo ou culpa (esta em qualquer de seus graus) [...] As infrações objetivas, de outra parte, são aquelas em que não é preciso apurarse a vontade do infrator. Havendo o resultado previsto na descrição normativa, qualquer que seja a intenção do agente, dáse por configurado o ilícito Em outras palavras, ainda que a Recorrente não tenha tido a intenção de infringir a lei tributária, é impossível afastar sua responsabilização pelos atos cometidos, em razão do que dispõe o mencionado dispositivo. 3 (Carvalho, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 23ª ed. São Paulo: Saraiva, 2011. p. 595) Fl. 108DF CARF MF Processo nº 19679.000737/200339 Acórdão n.º 1003000.430 S1C0T3 Fl. 5 7 Além disso, segundo o art. 142 do mesmo dispositivo legal, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, não cabendo discussão sobre a aplicabilidade ou não das determinações legais vigentes por parte das autoridades fiscais. As normas devem ser seguidas nos estritos limites do seu conteúdo, independentemente das razões de cunho pessoal apresentadas pelo interessado. Neste sentido, cito os seguintes precedentes deste Colegiado: DCTF. OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. (...) A alegação de boa fé do contribuinte na interpretação da legislação ou de que a apresentação extemporânea da DCTF não gerou prejuízo ao erário não tem o condão de elidir a aplicação da multa pelo atraso nessa entrega, face à ocorrência de responsabilidade objetiva, prevista no artigo 136 do CTN. (Acórdão nº 1002000.238, data de julgamento 07/06/2018). RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária é objetiva, não dependendo da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (Acórdão nº 2002000.509, data de julgamento 28/11/2018). RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES CULPOSAS. ART. 136 DO CTN. BOAFÉ DO INFRATOR. IRRELEVÂNCIA. A boa fé do contribuinte não impede a incidência de multa quando este comete sem dolo, mas culposamente uma infração tributária (...). (Acórdão nº 3403002.417, data de julgamento 20/08/2013). Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo integralmente o crédito tributário lançado (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 109DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.904018/2015-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.864
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o processo de Recurso Voluntário contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade em face da não homologação da compensação apresentada pela contribuinte. Segundo o despacho decisório, as compensações não foram homologadas em razão de não ter sido apurada a existência de direito creditório. Tais conclusões, ao que consta, encontram amparo no Termo de Verificação Fiscal carreado aos autos. No aludido TVF, emitido em decorrência da necessidade de análise das DCTF retificadoras apresentadas e, também, dos esclarecimentos que posteriormente foram prestados pela contribuinte, consta que “as receitas auferidas pela CATHO, decorrentes de sua atividade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 04 01 8/ 20 15 -8 1 Fl. 529DF CARF MF Processo nº 13896.904018/201581 Resolução nº 3201001.864 S3C2T1 Fl. 3 2 fim, não se enquadram na exceção prevista no inciso XXV do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, estando sujeitas, portanto, ao regime NÃO CUMULATIVO de apuração do PIS e do COFINS.” Consta, portanto, que as DCTF retificadoras não deveriam ser homologadas e que, por não existirem, os créditos não deveriam ser reconhecidos. Na manifestação de inconformidade apresentada, a contribuinte, após resumo dos fatos, esclarece que houve mudança no controle acionário da empresa e que, em razão disso, foi submetida a uma profunda revisão de políticas e procedimentos. Em decorrência, diz que teria identificado que suas atividades vinham sendo indevidamente qualificadas para fins de PIS e de Cofins, sendo necessário, portanto, a retificação das DCTF. A seguir, discorre sobre a sua atividade. Afirma que os serviços prestados não abrangem promessa de emprego ou obrigação presente ou futura de recolocação ou obtenção de emprego para seus clientes. Aduz, ainda, que o seu site na internet “é somente uma ferramenta online que permite ao assinante consultar vagas, enviar currículos e acessar demais conteúdos aí disponibilizados” sem “qualquer garantia de colocação profissional” nem “qualquer cobrança relacionada a essas atividades.” Em suma, conforme afirma, “simplesmente disponibiliza conteúdo na Internet aos Assinantes e não desenvolve qualquer atividade de intermediação.” Salienta que se qualifica como empresa de Internet, com atividade de portal ou empresa provedora de conteúdo e de informações, e que sua atividade vem descrita na Norma 004/95, aprovada pela Portaria nº 148, de 1995, item 3, letras ‘e’ e ‘f’ do Ministério das Comunicações. Objetivando o acesso às informações especializadas que são disponibilizadas, afirma que desenvolveu ferramenta própria (software), “cujo uso é liberado/cedido para seus clientes, os Assinantes.” Insiste que não promove a intermediação de contratação de mão de obra. Aduz que “sua tarefa se esgota em permitir o acesso à informação que integra seus bancos de dados: currículos e vagas.” Chama a atenção para o contido no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003 e diz que conforme Solução de Consulta nº 309, de 2011, “a RFB confirmou, expressamente, que, para o contribuinte aplicar o regime cumulativo dessas contribuições sociais, basta exercer apenas uma das atividades mencionadas no inciso XXV citado anteriormente.” Na seqüência, diz que se deve destacar “que a simples não homologação das declarações retificadoras não é fato que, por si só, é capaz de fundamentar a não homologação das compensações realizadas.” Diz ser incabível a revisão de ofício da homologação pois ela não teria ocorrido por erro “mas sim pelo correto enquadramento legal da situação ora analisada”. Se houve erro, aduz, ele teria ocorrido com a revisão. Reclama, ainda, que não existe base legal para a revisão de ofício. Insiste na necessidade de cancelamento do despacho decisório. Ao final, requer a reforma do despacho decisório e a homologação das compensações. Subsidiariamente requer o cancelamento do despacho decisório em face da Fl. 530DF CARF MF Processo nº 13896.904018/201581 Resolução nº 3201001.864 S3C2T1 Fl. 4 3 impossibilidade de revisão de ofício no caso de erro de direito. Protesta pelo direito de provar o alegado por todos os meios de prova e informa que “não está questionando judicialmente a matéria discutida nestes autos.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa mesmos argumentos pleiteados em manifestação de inconformidade para o deferimento integral dos valores que constam do pedido de restituição. Suscita em seu pedido: i. Seja declarada a nulidade do v. acórdão recorrido, com o retorno dos autos à origem, para que (a) nova decisão seja proferida, com adstrição aos limites objetivos da lide fixados no Termo de Verificação Fiscal e na manifestação de inconformidade; ou (b) subsidiariamente, para que seja devolvido à recorrente o prazo para manifestação, garantindo lhe o exercício do direito de defesa em relação aos pontos novos suscitados pelo v. acórdão, tudo sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 16, 17 e 18, parágrafo 3o, do Decreto n. 70.235, à luz do art. 5o, inciso LIV e LV, da Constituição de 1988; ii. Na eventualidade da superação da preliminar acima, seja reformado o v. acórdão, com o integral cancelamento das exigências fiscais, em razão da declaração: a. da nulidade do r. despacho decisório, por ter configurado revisão de ofício de lançamento, por erro de direito, com violação aos arts. 145 e 149 do CTN; b. da nulidade do r. despacho decisório, por carência de motivação, por ter se baseado em termo de verificação fiscal que não analisou o direito creditório discutido nestes autos, com violação ao art. 9o do Decreto n. 70,235; c. da improcedência do r. despacho decisório, tendo em vista a legitimidade da inclusão das receitas da recorrente no regime cumulativo de apuração da contribuição ao PIS e da COFINS, com a consequente homologação da declaração de compensação, sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 10, inciso XXV e 15, inciso V, da Lei n. 10.833; d. eventualmente, caso se entenda que a requerente se encontra submetida ao regime não cumulativo das contribuições, seja reconhecida a inexistência de crédito tributário passível de cobrança, sob pena de bis in idem. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº Fl. 531DF CARF MF Processo nº 13896.904018/201581 Resolução nº 3201001.864 S3C2T1 Fl. 5 4 3201001.853, de 26 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 13896.720975/201638, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.8539): "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para definilo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo. Feito tal esclarecimento, passase ao exame das razões de Recurso. A pretensão da contribuinte de requalificar a natureza jurídica de seus serviço, de intermediação para atividades de internet, enquadrando as receitas auferidas no regime cumulativo foi indeferido no despacho decisório proferido com base nas conclusões do TVF que consta do dossiê nº 10010.014822/021604, formalizado para análise das DCTFs retificadoras transmitidas para espelharem o procedimento de requalificação. De fato, concluiu o procedimento fiscal que os serviços prestados pelo contribuinte não poderiam ser qualificados como serviços de internet (art. 10, XXV e art. 15, V, da Lei nº 10.833/03), mas sim de intermediação, mantendoos no regime de apuração não cumulativo. Fl. 532DF CARF MF Processo nº 13896.904018/201581 Resolução nº 3201001.864 S3C2T1 Fl. 6 5 A principal matéria em litígio envolve a rejeição pela autoridade fiscal em sede de despacho decisório da requalificação das atividades da recorrente e a mudança para o regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS e para a Cofins. Os argumentos da fiscalização são no sentido de que o regime a que se submete as receitas das atividades desenvolvidas pela Catho para apuração e recolhimento continuava a ser o da não cumulatividade, pois não se tratam de serviços de informática (desenvolvimento de software ou de páginas eletrônicas) nos termos do art. 10, XXV, da Lei nº 10.833/03 uma vez que a atividade seria a prestação de serviços de intermediação ao profissional que busca se posicionar no mercado de trabalho. Nada obstante, o TVF assevera que para que a receita auferida subsumase à sistemática da apuração cumulativa devese comprovar que esta (receita) advenha da prestação de alguns dos serviços listados no referido dispositivo da Lei 10.833/03. Pois bem, compulsando os autos, em especial os termos e demais peças que constam do dossiê nº 10010.014822/021604 verificase que em momento algum a contribuinte fora intimada a comprovar a natureza de suas receitas. Ao contrário, a intimação limitouse a solicitar esclarecimentos e informações que resultaram na requalificação das receitas, como se vê: De ressaltar, contudo, que o fundamento para o indeferimento do pleito creditório é a natureza da receitas das atividades prestadas pela Catho conforme descritos nos autos, que não se qualificam como sujeitas à apuração cumulativa. O acórdão da DRJ trilha o mesmo fundamento de indeferimento e não homologação das compensações exarados no despacho decisório. Evidenciouse naquela decisão que o sítio da internet da Catho é uma mera ferramenta para quer o assinante consulte vagas de trabalho, envie currículos e acesse outros conteúdos. Poderseia concordar com os argumentos daqueles julgadores conquanto não trouxessem argumento subsidiário no qual reconhecem a possibilidade da contribuinte fazer prova de que determinadas atividades auferem receitas cuja apuração se dá no regime cumulativo. Vejase o excerto do voto condutor do acórdão recorrido: É possível concluir, portanto, que algumas de suas receitas podem estar sujeitas à apuração cumulativa das contribuições, ensejando, assim, a real possibilidade de enquadramento da empresa na modalidade de apuração mista das contribuições Fl. 533DF CARF MF Processo nº 13896.904018/201581 Resolução nº 3201001.864 S3C2T1 Fl. 7 6 (circunstância que, sendo eficazmente comprovada, pode evidenciar um possível erro no preenchimento da DCTF original). A forma como a existência de tal erro – que deve ser corrigido via DCTF retificadora – pode vir a ser acatado administrativamente irá depender da apresentação de provas (conforme estabelece o §1º do art. 147 do CTN), baseadas na escrituração contábil/fiscal do período analisado, ou seja, da apresentação de provas capazes de demonstrar, sem possibilidade de dúvida, quais receitas foram efetivamente auferidas nos períodos sob análise e a que tipo de serviço/atividade elas se vinculam. Ressaltese que, para fazer jus à apuração cumulativa, devese comprovar que as receitas advêm efetivamente da prestação de serviços, no caso, de informática (tal como listado no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, já transcrito). Evidentemente, as receitas assim enquadradas, devem ser passíveis de segregação, com vistas à correta tributação. Sem que tais comprovações existam nos autos, inviável será o deferimento do pleito. Resta claro que no mérito a decisão recorrida reconheceu a possibilidade do contribuinte fazer prova a seu favor, providência esta até então não determinada pela autoridade fiscal e se insere nas situações que o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 PAF prevê regra de exceção para a apresentação extemporânea de conjunto probatório após a impugnação (manifestação de inconformidade): Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 534DF CARF MF Processo nº 13896.904018/201581 Resolução nº 3201001.864 S3C2T1 Fl. 8 7 Assim, entendo que os autos devam retornar à unidade preparadora para apreciação do Laudo Técnico apresentado pela Recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 535DF CARF MF
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