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Numero do processo: 15868.720069/2013-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1201-000.244
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral o Dr. Daniel Maya, OAB 163.223/SP.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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Fez sustentação oral o Dr. Daniel Maya, OAB 163.223/SP. (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente. (assinado digitalmente) EVA MARIA LOS- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães Relatório Trata o processo dos autos de infração que exigem Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ no montante de R$12.832.307,26, devido à infração 001 - Despesas não comprovadas, fatos geradores em 31/03/2009, 30/06/2009 e 30/09/2009, apenadas com multa de ofício de 75%; infração 002 - Exclusões indevidas na apuração do Lucro Real, fatos geradores em 31/03/2009, 30/06/2009 e 30/09/2009, multa de 75%; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, R$5.790.936,48, relativa às mesmas infrações, multa de 75%, págs. 11.952/11.984 Termo de Verificação de Infração Fiscal de págs. 11.985/12.015. Fl. 12276DF CARF MF Processo nº 15868.720069/2013-53 Resolução nº 1201-000.244 S1-C2T1 Fl. 3 2 2. Cientificado, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva, que foi julgada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro I - DRJ/RJI no Acórdão nº 12-64.532, de 07 de abril de 2014, págs. 12.177/12.187, que considerou a impugnação improcedente e manteve o crédito tributário in totum. 3. Cientificado em 09/06/2014, pág. 12.193, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário de págs. 12.196/12.217, em 16/06/2014, tempestivo, resumido a seguir. 4. Advoga que Acórdão da DRJ/RJ é nulo, com base no art. 59, I do Decreto n° 70.235, de 1972, porque quem possui competência para apreciar impugnações envolvendo IRPJ e CSLL de contribuinte localizado no Município de São Paulo, Capital, é a DRJ de São Paulo, conforme estabelecido no Anexo I da Portaria SUTRI n° 658, de 21 de março de 2012. 5. Que o Acórdão da DRJ/RJI deve ser cancelado por ter indeferido, indevidamente, pedidos de diligência e perícia formulados; rechaça o argumento da DRJ de que competia à Recorrente trazer os documentos comprobatórios, dado que, como demonstrado na impugnação, pelo volume de documentos envolvidos não seria possível trazê-los na defesa, tendo até sido apresentados documentos exemplificativos visando demonstrar estar a empresa na posse de tais materiais, visando com isto a realização dos procedimentos solicitados. 6. Reitera a nulidade, com base no art. 31 e seguintes do Decreto nº 70.235, de 1972, por omissão em analisar os 12 (doze) itens que relaciona às págs. 12.200/12.201 e que são resumidos a seguir Advoga ainda que a decisão deve ser reformada pois os Auto não poderiam ter sido lavrado uma vez que todos os trabalhos fiscais que lhe deram origem foram realizados sem a observância dos limites previstos na Portaria SRRF08/GAB n° 21/2011, que criou um grupo especial de trabalho para fiscalização da Recorrente e da empresa JBS S/A, porém sem outorgar poderes de fiscalização e nem de lavratura de autos de infração; que o art. 13, III da Lei nº 9.784, de 1999, não autoriza a delegação de matérias de competência exclusiva do órgão ou autoridade; por isso, os autos são nulos. 7. Aduz ainda que os autos são nulos, por falta de competência, seja da DRF/Araçatuba, seja respectivos Auditores Fiscais para lavrarem os autos de infração, pois tal competência é privativa da DRF/São Paulo, que jurisdiciona o domicílio fiscal da Recorrente; que o art. 142 do CTN não autoriza a autuação dos servidores a ela vinculados fora dos limites de sua respectiva jurisdição e repartição. 8. Advoga a nulidade porque entende haver irregularidades do MPF, que demonstram que a fiscalização deveria ser realizada no Município de São Paulo, Capital e pela DRF/São Paulo com jurisdição em São Paulo, ou seja, nenhum procedimento poderia ser realizado no Município de Araçatuba e pela DRF/Araçatuba, como ocorreu, e essas circunstâncias ocasionam nulidade dos trabalhos fiscais por terem sido realizados sem a observância dos termos contidos no MPF-F, os quais traduzem os poderes de atuação e limitações a serem respeitadas pelos AFRFBs que atuaram nos trabalhos fiscais, como demonstra o artigo 7º da Portaria RFB n° 3.014, de 29 de junho de 2011. 9. No mérito, aponta inexistência de fundamentação jurídica aos lançamentos do IRPJ e da CSLL; 10. que não foram apontados nos autos de infração os dispositivos que estabelecessem que a recorrente é o sujeito passivo, assim como os relativos a base de cálculo e alíquotas utilizadas na apuração; que os dispositivos legais utilizados na fundamentação dos lançamentos Fl. 12277DF CARF MF Processo nº 15868.720069/2013-53 Resolução nº 1201-000.244 S1-C2T1 Fl. 4 3 não demonstram os elementos constitutivos da regra-matriz, conforme exige o Princípio da Legalidade; 11. que nas Planilhas 42, 43 e 44, a apuração do crédito tributário foi realizada em razão de uma reversão do prejuízo declarado e da base de cálculo negativa da CSLL, ou seja, a fundamentação dos Autos de Infração deveria estar baseada na indevida compensação de prejuízos e dedução da base de cálculo negativa algo inexistente conforme se depreende do texto do lançamento tributário; 12. desobediência ao Princípio da Publicidade, "(...) pois os administradores devem realizar os seus atos de forma que os administrados compreendam, de forma clara e precisa, a fundamentação legal utilizada, no caso a que garante a validade dos lançamentos do IRPJ e da CSLL exigidos da RECORRENTE - sujeito-passivo, alíquota e base de cálculo - sob pena de restar inexistente a publicidade do ato, ou seja, o seu conhecimento."; assim como o art. 5º, LV da CF de 1988, direito ao contraditório e à ampla defesa; arts. 3º, 142 e 144 do CRN; art. 10, IV do Decerto nº 70.235, de 1972; o que também acarreta a nulidade; 13. ressalta que sofreu cerceamento no direito de defesa por parte da fiscalização, que não lhe permitiu apresentar os documentos fiscais relacionados aos 2 (dois) itens da acusação fiscal, "(...), porque conforme se depreende das petições e demais atos realizados pela empresa a mesma sempre buscou atender à fiscalização e somente não entregou documentos em razão do curto tempo dado pela fiscalização e pelo volume de documentos disponíveis."; aduz que também sofreu cerceamento porque faltou a apresentação de cópia integral do Auto de Infração e seus Anexos, prejudicando-a na elaboração da impugnação (o que também implica em nulidade); 14. Afirma que o ônus da prova é da fiscalização; que os fiscais não provaram ter ocorrido o fato gerador do crédito tributário exigido; não provaram que os lançamentos contábeis são inexistentes ou irregulares, mas apenas se basearam em alegada falta de apresentação e glosaram e desconsideraram custos e despesas legítimos. 15. Diz que a acusação não tem relação com a infração, que houve erro de direito e erro de fato, porque "(...) considerando o conteúdo dos documentos nos Autos de Infração e suas fundamentações, a verdadeira e real infração que poderia ser imputada a IMPUGNANTE, caso existente, seria somente o registro irregular de custos e despesas e dedução do lucro liquido, nada mais do que isto, ocasionando uma acusação sem relação com a infração real e Erros de Direito e de Fato motivadores da improcedência da autuação."; reitera que a verdadeira infração estaria relacionada à indevida compensação de prejuízos e dedução da base de cálculo negativa da CSLL. 16. Argumenta que os autos devem ser cancelados, porque ocorreu a perda da eficácia do Termo de Início de Ação Fiscal, pois este, conforme art. 7º, § 2º do Decreto nº 70.235, de 1972, teve validade de apenas 60 (sessenta) dias, e que o art. 196, caput do CTN, determina a fixação do prazo máximo para conclusão dos trabalhos fiscais, que no caso foram os 60 dias, que a fiscalização extrapolou. 17. Também devem ser cancelados, porque "(...) a RECORRENTE não foi intimada previamente para se manifestar sobre o encerramento da fase instrutória os trabalhos fiscais que ao final culminaram na glosa de custos e não aceitação da dedução do lucro líquido como fundamentos do presente Auto de Infração, direito este previsto no art. 44 da Lei n° 9.784, de 1999, que exige a intimação do interessado do fim da fase instrutória do processo fiscal para Fl. 12278DF CARF MF Processo nº 15868.720069/2013-53 Resolução nº 1201-000.244 S1-C2T1 Fl. 5 4 fins de exercer o seu direito de se manifestar sobre o mesmo, no prazo de 10 (dez) dias (...)"Sobre a alegada não apresentação de documentos pela Recorrente, afirma que buscou apresentar para a fiscalização todos os documentos solicitados e justificativas de suas operações conforme se depreende dos autos; tanto que os próprios AFRFs reconheceram a entrega de vários documentos e arquivos digitais e, ao invés de analisá-los e solicitar novos esclarecimentos se fosse necessário, simplesmente lavraram o Auto de Infração baseados em omissões realizadas pela empresa, em procedimento irregular, porque considerando os termos do RIR (art. 928) e da legislação aplicável a fiscalização deveria ter intimado a Recorrente para apresentar seus esclarecimentos e eventualmente novos documentos; e tal intimação para apresentação de documentos e a concessão de prazos para o seu fornecimento deve realizada pela fiscalização sob pena de nulidade dos procedimentos fiscais; conclui reiterando sua intenção de apresentar todos os documentos fiscais (que se encontram à disposição no seu estabelecimento) e esclarecimentos necessários, para o que aguarda a aquiescência deste juízo. 18. Acusa de precário o levantamento fiscal, porque deveriam ter sido requisitados esclarecimentos e eventualmente novos documentos. 19. Invoca o Princípio da Verdade Material, dada a intenção da Recorrente de fornecer todos os documentos fiscais relacionados aos itens 001 e 002 do Auto de Infração, em caso contrário, aplica-se a nulidade. 20. Afirma que, na realidade, existiu um arbitramento irregular do tributo lançado, ofendendo o art. 148 do CTN, pois a fiscalização desconsiderou a necessária recomposição dos elementos necessários na apuração, simplesmente considerando como base de cálculo os custos, despesas e valores desconsiderados na dedução do lucro líquido. 21. Pleiteia a decadência porque, "conforme comprovam documentos juntados nestes autos, vários registros foram realizados antes de 5 (cinco) anos da data da intimação da RECORRENTE não podendo mais serem objeto de fiscalização e consideração para fins de constituição de crédito tributário por força do Artigo 150, §4° do CTN." 22. Que inexistiu infração e caso a fiscalização tivesse verificado os documentos fiscais, teria apurado serem legítimos os valores dos custos e despesas deduzidos. 23. Reclama serem improcedentes os Juros de Mora sobre a Multa, porque isto ofende o caput do artigo 161 do CTN , que somente permite a exigibilidade dos juros de mora sobre o valor do tributo devido, ou seja IRPJ e CSLL constituídos no lançamento, devendo ser observado o art. 146, III "a" da CF de 1988. 24. Reitera o requerimento de realização de perícia e diligências em seu estabelecimento porque, pelo volume de documentos existentes relacionados aos itens 0001 e 0002 do Auto de Infração não seria possível apresentá-los na presente Impugnação; indica o perito e relaciona os quesitos às págs. 12.216/12.217. 25. Requer o retorno dos autos à DRJ/SP, para a realização de um novo julgamento de 1ª instância. 26. E caso, admitida a competência da DRJ/RJ1 para julgamento em 1ª instância, retorno dos autos à mesma, a fim de sanar os vícios apontados, devido ao fato de "ter a Delegacia indeferido indevidamente os pedidos de realização de diligência e perícia, bem como Fl. 12279DF CARF MF Processo nº 15868.720069/2013-53 Resolução nº 1201-000.244 S1-C2T1 Fl. 6 5 deixado de apreciar importantes argumentos de defesa apresentados nas Impugnações interpostas contra os Autos de Infração conforme indicado no Tópico 11.1.2 deste Recurso." 27. Requer sustentação oral perante o CARF. Voto 28. Na sustentação oral, o Dr. Daniel Maya, que informou ter sido designado em substituição ao anterior representante, apontou elementos nos autos que indicariam que o autuante deixou de excluir da autuação, valores de despesas estornadas: Conta Contábil n° 911040000010304 - Despesas com Importações Data Conta Contábil Descrição D/C Valor Histórico do Lançamento Número 31/01/2009 n°911040000010304 DESPESAS COM IMPORTAÇÕES D 941.367,49 Não informado 131056676 Fl. 11746 dos autos (Anexo 1) 31/01/2009 n°911020000020505 DESP. DE IMPORTAÇÃO C 941.367,49 Não informado 131056676 31/01/2009 n°911040000010304 DESPESAS COM IMPORTAÇÕES D 2.121 762,78 VR. DESPESAS COM IMPORTAÇÕES 131056679 31/01/2009 n°911020000020855 DESPESA COM IMPORTAÇÕES C 2.121.762,78 VR. DESPESAS COM IMPORTAÇÕES 131056679 Registro: As despesas de importações glosadas pela fiscalização nos valores de R$ 941.367,49 e RS 2.121.762,78 foram devidamente estornadas através de lançamentos a crédito nas contas de resultado (contas contábeis n°s 911020000020505 e 911020000020855) e, portanto, não impactaram no resultado do 1 o trimestre/2009, ou seja, não são representativas de bases tributáveis no período. 29. Os registros reproduzidos supra constam da Planilha 36 = Razão Parcial da Conta Despesas com Importações (2009), págs. 11.746/11.749, e compõem os valores objetos da autuação. 30. À pág. 12.275, consta Termo de Anexação de Arquivo Não Paginável, que uma vez efetuado o download, apresenta a partir da página seguinte à de nº 14, os valores de despesas que constam como estornadas e que integraram a autuação, e os efeitos sobre os valores apurados na autuação. 31. Trata-se de informação nova, apontada na sustentação oral por ocasião da sessão de julgamento. 32. Haja vista tais anexos e a incorreção apontada constarem dos autos, a Turma deliberou que, em homenagem à verdade material, caberia requerer diligência, para averiguar os valores teriam sido considerados como despesas, mas que teriam sido estornados na contabilidade. Fl. 12280DF CARF MF Processo nº 15868.720069/2013-53 Resolução nº 1201-000.244 S1-C2T1 Fl. 7 6 33. À vista do exposto, deliberou-se converter o julgamento em diligência para: a. averiguar e confirmar os valores considerados como despesas, mas que teriam sido estornados na contabilidade; b. rever os cálculos de apuração do IRPJ e CSLL, excluindo os valores das despesas estornadas na contabilidade do contribuinte. c. cientificar a Recorrente das conclusões da Diligência, concedendo-lhe prazo para contestação, após o que, devolver os autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Relatora - Eva Maria Los Fl. 12281DF CARF MF
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Numero do processo: 14033.000208/2007-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
Ementa:
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO MATERIAL. POSSIBILIDADE. A retificação da DIPJ quando anterior à data de conclusão da fiscalização deve ser considera como válida à luz do princípio da verdade material. O contribuinte trouxe aos autos documentos para que fossem sanadas as falhas e omissões cometidas, afastando o fundamento que levou à negativa do pedido de compensação.
Numero da decisão: 1301-002.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator, vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa e Milene de Araújo Macedo, que negavam provimento.
(documento assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flavio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Marcelo Malagoli da Silva e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator, vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa e Milene de Araújo Macedo, que negavam provimento. (documento assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente. (documento assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flavio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Marcelo Malagoli da Silva e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1590; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 569 1 568 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14033.000208/200731 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.192 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2017 Matéria RESTITUIÇÃO/DIVERSOS Recorrente VIA ENGENHARIA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO MATERIAL. POSSIBILIDADE. A retificação da DIPJ quando anterior à data de conclusão da fiscalização deve ser considera como válida à luz do princípio da verdade material. O contribuinte trouxe aos autos documentos para que fossem sanadas as falhas e omissões cometidas, afastando o fundamento que levou à negativa do pedido de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator, vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa e Milene de Araújo Macedo, que negavam provimento. (documento assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente. (documento assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flavio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Marcelo Malagoli da Silva e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 03 3. 00 02 08 /2 00 7- 31 Fl. 569DF CARF MF Processo nº 14033.000208/200731 Acórdão n.º 1301002.192 S1C3T1 Fl. 570 2 Relatório Cuida o presente processo de não homologação das compensações tratadas no PER/DCOMP principal 20532.53647.120105.1.3.020835 (retificado pelos n° 41771.60350.130505.1.7.022401 e n° 36756.24402.140705.1.7.029363) (fls. 1/192) e outros PER/DCOMP originas e retificadores, os quais visam o aproveitamento de saldo negativo de IRPJ relativos a valores retidos na fonte referente ao anocalendário de 2004, no valor de R$ 707.924,43 (não atualizado). Nos termos do despacho decisório (fl. 352), a fiscalização não homologou as compensações em referência em face da divergência do regime de apuração, pois a contribuinte apresentou DIPJ e DCTF contendo regimes diferentes para a apuração do lucro, sendo que na primeira o regime informado foi do lucro real enquanto que na última foi o lucro presumido. Desse modo, a Fiscalização entendeu que a entrega espontânea da DCTF ou da Declaração de Compensação caracteriza tal opção, conquanto os débitos informados nos referidos instrumentos constituem confissão de dívida e são encaminhados para inscrição em Dívida Ativa da União, quando não pagos administrativamente. Menciona, ainda, que a opção pelo lucro presumido manifestada por meio do pagamento do imposto vincula a contribuinte em relação a todo anocalendário. Assim, concluiu que não há saldo negativo de IPRJ em favor da contribuinte, uma vez que o regime tributário para todo o anocalendário é o lucro presumido. Irresignada, a contribuinte ingressou com Manifestação de Inconformidade (fls. 364/389) alegando em síntese que os valores declarados na DCTF do 1° ao 4° trimestre sob o regime do lucro presumido pertencem às atividades da Sociedade em Conta de Participação (SCP), o que não se confunde com as operações decorrentes de toda operação da empresa. Nesse sentido, aduz que, por um lapso, deixou de informar no campo da DIPJ, mais precisamente no campo 15 da ficha 11, os valores de IRPJ pertencentes à SCP, podendo estes – escriturações das retenções – serem verificados às fls. 385/389. Dessa forma, alega que o fato dos pagamentos/compensações ocorridos nos quatro trimestres de 2004 serem efetivamente da SCP, não determinaria a opção pelo lucro presumido da empresa, pois assim a legislação a permite, bem como se os resultados fossem considerados na DIPJ ainda restaria saldo negativo apurado. Dessa forma, a contribuinte solicitou o reconhecimento do direito creditório ao saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário 2004. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela 2a Turma da DRJ/BSB, confirmando o entendimento da fiscalização. A decisão entendeu que apesar de ser possível a existência de dois regimes tributário, a opção pelo lucro real feita pela empresa, enquanto sócia ostensiva e a opção pelo lucro presumido feita pelo SCP não restou comprovado nos autos. Nesse sentido, a decisão não considerou como escrituração válida para fins fiscais os documentos às fls. 502/505, no sentido que tais valores refletidos na DCTF e nas Fl. 570DF CARF MF Processo nº 14033.000208/200731 Acórdão n.º 1301002.192 S1C3T1 Fl. 571 3 Declarações de Compensação sob a opção pelo lucro presumido não demonstram ter sido efetuados pela SCP. Desse modo, uma vez que foi definida a opção pelo lucro presumido por meio da manifestação do pagamento da primeira ou quota única do imposto esta será definitiva em relação a todo anocalendário, conforme o art. 26 da Lei 9430/1996. Assim, entendeu que a ausência de pagamento foi suprida pela opção constante na DCTF entregue pela contribuinte às fls. 359, conquanto os débitos constantes das respectivas declarações constituem confissão de dívida, e são encaminhados para a inscrição em dívida ativa, quando não pagos administrativamente. Contra esta decisão, foi interposto Recurso Voluntário (fls. 524/542), no qual reforça que as operações evidenciadas na DCTF não seriam as operações da empresa, e sim as atividades da SCP, alegando que a existência de declarações/quitações de débitos com o código “2089, referidos ao CNPJ do sujeito passivo, não constitui indício de que o sujeito passivo teria optada pelo regime do lucro real, em prejuízo da opção pelo do lucro real, manifestada na DIPJ. Ainda, traz às orientações presentes na IN SRF 179/1987 e na IN SRF 31/2001, que diz que o código “2089” pode ser utilizado tanto em operações próprias da empresa que opera com a colaboração de SCP, no papel de sócia ostensiva, como em operações próprias da SCP, desde que a empresa não se enquadre no regime do lucro presumido. Adicionalmente, aduz que a falta de documentação hábil de que as operações realizadas não eram da SCP não seria suficiente, já que não cabe ao sujeito passivo comprovar se estas seriam pertencentes à SCP. Além de que os códigos 20898 e 208908 não deixam dúvida de que as operações são próprias da SCP, e não da empresa. Por fim, alega que ocorreu erro material no exame dos documentos (DCTF e DCOMP) que culminou como prova de que a empresa teria optado pelo regime do lucro presumido. No entanto, entende que deve prevalecer a opção pelo lucro real conforme a DIPJ 2005/2004 Recibo de Entrega e na Ficha 01, da DIPJ (fls. 221 e 222) e por atender a requisitos legais que a enquadra nesse regime, com base nos argumentos a seguir (fl. 532): (a) A recorrente obteve “receita de prestação de serviços” no montante de R$ 99.136.265,00, conforme Ficha 06A, linha 08, à fl. 226. Esse montante supera o limite previsto no art. 14, I, da Lei 9.718/1998, a partir do qual a empresa se enquadra no regime do lucro real. (b) A recorrente valeuse da prerrogativa de “diferimento de lucros”, prevista no art. 409 do RIR/99, que é privativa de pessoa jurídica sujeita ao regime de lucro real, pela “exclusão” da importância de R$ 5.905.955,71, consignada na Linha 38 da Ficha 09A, à fl. 227, importância essa que foi discriminada no LALUR, Livro II, página 35 v (Anexo 04), cujo “Termo de Abertura” foi lavrado em 31.01.2001. (c) Em procedimento típico de empresa sujeita ao regime do lucro real, a recorrente, que operava mediante colaboração de SCP, fez a incorporação, na sua Demonstração de Resultados, de “resultados positivos em SCP”, no valor de R$ 4.520.766,35, consignado na Linha 27 da Ficha 06A da DIPJ2005/2004, à fl. 226. Ao final, a contribuinte requer o quanto segue: Fl. 571DF CARF MF Processo nº 14033.000208/200731 Acórdão n.º 1301002.192 S1C3T1 Fl. 572 4 (a) que seja reconhecido o seu direito creditório referente ao saldo negativo de IRPJ, apurado na DIPJ de 2005, anocalendário de 2004; (b) que sejam homologadas as declarações de compensação apresentadas, especificadas na Tabela 01 do Despacho Decisório, cujos débitos foram registrados no sistema PROFISC, as quais encontramse às fls. 16/23, 32/35, 44/47,60/63,72/75,100/105,114/117,130/135,144/147,156/159,164/167,177/180,185 /188,189/192; (c) que sejam baixados os débitos registrados no sistema PROFISC, às fls. 193/I97. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, portanto, dele conheço. Tratase de pedido de compensação referente a saldo negativo de IPRJ sob o regime do lucro real anual com base em balanço/balancete de suspensão/redução, em razão de excesso de tributo pago nas antecipações feitas a título de IPRJ retidos na fonte ao longo do anocalendário de 2004. Nessa ocasião, foram verificadas nas DCTF do 1º ao 4º trimestre de 2004 débito de IRPJ sob o regime de lucro presumido (código de receita 2089) às fls. 344/ 351 com os seguintes valores declarados: R$ 85.809,22, R$ 223.452,63, R$ 95.761,78. R$ 40.479,92. Para o 4° trimestre houve um pagamento no código 2089, no montante de R$ 43.014,67 (fl. 343), bem como outras compensações (fls. 350 e 351). Dessa maneira, o contribuinte ao declarar/pagar sob o código pertencente ao regime do lucro presumido, estaria obrigado a esta forma de apuração relativo a todo ano calendário de 2004, conforme os seguintes dispositivos legais: § l° do art. 26 da Lei 9.430/96 e no § l° do art. I3 da Lei 9.618/98 e Instrução Normativa SRF n" 695/2006.art. 11 e 12. Após o processo de fiscalização, em 24 de novembro de 2008, a fiscalização comunicou o contribuinte acerca da não homologação dos PER/DCOMP em face da divergência de regime de apuração, concluindo que a opção do contribuinte teria sido a do lucro presumido, em virtude da entrega espontânea da DCTF ou da Declaração de Compensação, pois os débitos informados nessas vias constituem confissão de dívida e são encaminhas para a inscrição da Dívida Ativa da União, quando não pagos administrativamente. A decisão da DRJ confirmou o entendimento acima, sobretudo por não ter identificado que os valores constantes na PER/DCOMP seriam relativos à SCP e os documentos probatórios apresentados não seriam por si só validos, deixando de reconhecer o direito creditório da requerente, em relação ao IRPJ. Fl. 572DF CARF MF Processo nº 14033.000208/200731 Acórdão n.º 1301002.192 S1C3T1 Fl. 573 5 A contribuinte, por sua vez, reforça que a opção foi feita quando da entrega da DIPJ e argumenta que estaria sujeita a dois regimes de tributação: o do lucro presumido, para as operações realizadas pela SCP, e do lucro real, para todas as outras as operações. Informa, ainda, que teria cometido o equívoco ao não informar na DlPJ, as informações atinentes à SCP, mas retificou a linha 27 da Ficha 06ª da DIPJ 2005/2005 para refletir os resultados positivos em SCP (fl. 226). O cerne da questão é saber se os valores constantes na DCTF (fls. 343/351) são, de fato, associáveis às atividades da SCP. Antes de adentrarmos a questão, importante trazer os aspectos de escrituração e forma de apuração da SCP. Preliminarmente vale destacar que os arts. 148 e 149 do Decreto 3000/1999 (RIR/99), equiparam a SCP às pessoas jurídicas, bem como a aplicação das mesmas normas no que toca à apuração de resultados e tributação dos lucros, com observação do art. 254 do referido regulamento. Desse modo, quando forem utilizados os livros do sócio ostensivo, os registros contábeis deverão ser feitos de forma a evidenciar os lançamentos referentes à SCP, de modo que os resultados correspondentes à SCP deverão ser apurados e demonstrados destacadamente do resultado do sócio ostensivo, ainda que a escrituração seja realizada nos mesmo livros. Os resultados positivos da SCP, juntamente com o IRPJ e CSLL, uma vez que esta não possui CNPJ, são informados e tributados em campo próprio, na mesma declaração de rendimentos do sócio ostensivo, utilizando inclusive o mesmo DARF, conforme o item 5 da Instrução Normativa 179/1987. Vale lembrar que a opção da SCP não vincula opção do sócio ostensivo ao mesmo regime de tributação, podendos estes possuírem regimes de tributação diversos um do outro, conforme o art. 1o §1 da IN nº 31/2001. Exauridos os aspectos legais relativos às SCP, verificase que o contribuinte entregou a DIPJ sem demonstrar os resultados positivos em SCP (Ficha 06A), bem como os impostos a ela declarados/pagos (Fichas 11 e 16), o que não permitiu a fiscalização realizar os cruzamentos com os valores apontados na DCTF e, portanto, constatar que são pertencentes à SCP em detrimento da empresa. No entanto, a empresa enviou DIPJ 2005/2004 retificada (Fl.221) à SERPRO no dia 13/08/08 e apresentou à Fiscalização em 14/08/08, imputando os resultados positivos em SCP na ficha 06A no valor de R$ 4.520.766,36. No entanto, deixou de retificar a Ficha 11 e a Ficha 16 para constar o valor do IRPJ e CSLL pagos de SCP. Nesse ponto, vale notar que a retificação da DIPJ foi anterior à data da conclusão da fiscalização, sendo que a comunicação do Despacho Decisório ao contribuinte ocorreu em 24.11.08. Desse modo, entendo que esta retificação deve ser considerada válida à luz do princípio da verdade material. Impende destacar que o processo administrativo fiscal regese pelo princípio da verdade material, segundo o qual fatos inexistentes ou erros evidentes não devem prosperar em detrimento da verdade material, inobstante a presunção de veracidade relativa dos atos Fl. 573DF CARF MF Processo nº 14033.000208/200731 Acórdão n.º 1301002.192 S1C3T1 Fl. 574 6 administrativos. Igualmente, em decorrência deste princípio, impõese sejam sanadas as falhas, omissões e enganos eventualmente cometidos pelo contribuinte. Além disso, o contribuinte trouxe aos autos os documentos contábeis que demonstram o cálculo do imposto pago/declarado (fls. 502/505), bem como o registro de Apuração do Lucro Real LALUR, livro II, página 35, cuja abertura ocorreu em 31/12/01(fls. 227 e 539/540). Diante a análise do conjunto da documentação fornecida pela contribuinte e presente nos autos, entendo que se trata de um erro material do contribuinte, que deve ser sanado. Portanto se faz mister, vez que afastado o fundamento que levou à negativa do pedido de compensação, o retorno dos autos à Delegacia de origem para análise da certeza e liquidez do direito creditório. Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, doulhe provimento para afastar a fundamentação adotada no despacho decisório e mantido pela DRJ, consequentemente, determinar o retorno dos autos à Delegacia de Origem a fim de que o crédito tributário possa prosseguir no exame pela DRF competente, verificandose sua certeza e liquidez. É como voto. (documento assinado digitalmente) Marcos Paulo leme Brisola Caseiro Relator Fl. 574DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11634.000457/2009-21
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2004 a 01/12/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.903
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2004 a 01/12/2007 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1650; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11634.000457/200921 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9202004.903 – 2ª Turma Sessão de 12 de dezembro de 2016 Matéria RETROATIVIDADE BENIGNA, NATUREZA DA MULTA NOS LANÇAMENTOS PREVIDENCIÁRIOS ANTERIORES A MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI 11.941/2009 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MUNICIPIO DE ARAPONGAS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2004 a 01/12/2007 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 04 57 /2 00 9- 21 Fl. 355DF CARF MF Processo nº 11634.000457/200921 Acórdão n.º 9202004.903 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 356DF CARF MF Processo nº 11634.000457/200921 Acórdão n.º 9202004.903 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 11634.000457/200921 Acórdão n.º 9202004.903 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 358DF CARF MF Processo nº 11634.000457/200921 Acórdão n.º 9202004.903 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 11634.000457/200921 Acórdão n.º 9202004.903 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 360DF CARF MF Processo nº 11634.000457/200921 Acórdão n.º 9202004.903 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 361DF CARF MF Processo nº 11634.000457/200921 Acórdão n.º 9202004.903 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 362DF CARF MF Processo nº 11634.000457/200921 Acórdão n.º 9202004.903 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 363DF CARF MF Processo nº 11634.000457/200921 Acórdão n.º 9202004.903 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 364DF CARF MF
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Numero do processo: 11613.000195/2008-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do Fato Gerador:14/09/2006, 27/12/2006,16/01/2007
A APLICAÇÃO DE PENALIDADE REQUER ESTRITA ADEQUAÇÃO ENTRE O FATO E A HIPÓTESE LEGAL DE INCIDÊNCIA.
A fundamentação do Auto de Infração para aplicação da penalidade, no caso, foi com base no descumprimento de prazo, estabelecido no art. 22, § 1º, da IN SRF nº 327/03, o que não constitui, por si só, fato tipificado como sujeito à exação imposta pelo parágrafo único, do art. 88, da MP 2.158-35/01. Recurso de Ofício a que se nega.
Numero da decisão: 3201-002.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso de ofício. Fez sustentação oral pela Embargada, a Advogada Marluzi A. C. Barros, OAB nº 896B/BA.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do Fato Gerador:14/09/2006, 27/12/2006,16/01/2007 A APLICAÇÃO DE PENALIDADE REQUER ESTRITA ADEQUAÇÃO ENTRE O FATO E A HIPÓTESE LEGAL DE INCIDÊNCIA. A fundamentação do Auto de Infração para aplicação da penalidade, no caso, foi com base no descumprimento de prazo, estabelecido no art. 22, § 1º, da IN SRF nº 327/03, o que não constitui, por si só, fato tipificado como sujeito à exação imposta pelo parágrafo único, do art. 88, da MP 2.158-35/01. Recurso de Ofício a que se nega.
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A fundamentação do Auto de Infração para aplicação da penalidade, no caso, foi com base no descumprimento de prazo, estabelecido no art. 22, § 1º, da IN SRF nº 327/03, o que não constitui, por si só, fato tipificado como sujeito à exação imposta pelo parágrafo único, do art. 88, da MP 2.15835/01. Recurso de Ofício a que se nega. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso de ofício. Fez sustentação oral pela Embargada, a Advogada Marluzi A. C. Barros, OAB nº 896B/BA. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 3. 00 01 95 /2 00 8- 61 Fl. 129DF CARF MF 2 Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE. Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da impugnação, transcrevese o relatório da instância a quo, seguido da ementa da decisão recorrida e das razões do Recurso Voluntário ora examinado: Trata o presente processo de auto de infração de fls. 04/11, constituído para cobrança de R$ 8.031.351,14 (oito milhões, trinta e um mil, trezentos e cinquenta e um reais e quatorze centavos), referente à multa administrativa prevista no parágrafo único do art. 88, da Medida Provisória (MP) nº 2.158 35, de 24 de agosto de 2001, relacionada às operações processadas por meio das Declarações de Importação (DI) nº 06/11025900, 06/15748052 e 07/00675650, registradas no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), respectivamente, em 14/09/2006, 27/12/2006 e 16/01/2007. A autuação foi motivada pela constatação do não cumprimento do prazo estipulado no artigo 22, § 1º, da Instrução Normativa (IN) SRF nº 327, de 9 de maio de 2003, quando da solicitação pelo interessado de retificação das DI em tela. A descrição dos fatos feita pela fiscalização pode ser resumida conforme a seguir: os pedidos de retificação de DI do interessado decorrem, em alguns casos, de processos de importação de matériasprimas constituídas de minérios transportados a granel, em cuja composição constam, inclusive, alguns metais nobres; em razão da falta da informação no momento do desembaraço da real composição química do material importado, a fatura comercial instrutiva da DI é apresentada com dados provisórios, oriundos de estimativa com base no total de produto embarcado pelo fornecedor internacional, dados esses que são ajustados [quanto à composição e valor] por ocasião da subseqüente apresentação da fatura comercial definitiva, emitida com base em análises técnicas especializadas; a Instrução Normativa SRF nº 327/03 autoriza a retificação do valor aduaneiro de uma DI, quando esse não for definitivo. Estabelece, todavia, como requisitos para a alteração, que o importador informe a situação no campo Informações Complementares da DI e que as causas que deram incerteza ao valor sejam devidamente comprovadas. Determina, ainda, que o valor estimado deverá ser retificado pelo importador dentro de até noventa dias, permitindo a flexibilização desse prazo pela fiscalização, desde que o interessado faça prova da necessidade de um tempo mais dilatado, Fl. 130DF CARF MF Processo nº 11613.000195/200861 Acórdão n.º 3201002.431 S3C2T1 Fl. 130 3 ressalvando, ainda, como requisito para o deferimento, que a dilação tenha sido declarada por ocasião do registro da DI; segundo o mesmo artigo, o valor estimado será considerado como definitivamente declarado se findo o prazo de noventa dias ou outro regularmente requerido não tiver sido procedida a retificação da DI. nos Dados Complementares das DI foi informado que: PREÇO PROVISÓRIO SUJEITO A VARIAÇÃO DEVIDO A ANÁLISE QUÍMICA E PERÍODO COTACIONAL DOS METAIS". A possibilidade de variação, portanto, foi atendida quanto a esse item de informação da situação na própria DI. Não consta pedido para prorrogação do referido prazo; a fatura constante na DI era provisória e perderia sua validade em 90 dias; somente depois dos 90 dias foram apresentados, conforme cópias dos documentos protocolados em anexo, os requerimentos para as juntadas das faturas definitivas às DI e para as retificações cabíveis. Portanto, a interessada DEIXOU DE APRESENTAR AS FATURAS COMERCIAIS NO PRAZO REGULAMENTAR, COM OS RESPECTIVOS PEDIDOS DE RETIFICAÇÃO, configurando, com isso, a infração ora autuada [destaques do original]; o Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 17, de 17 de junho de 2004 tornou explícito o reconhecimento de que a aplicação da multa do inciso I, do art. 633, do Regulamento Aduaneiro [se refere ao Decreto nº 4.543/02] estava incondicionada à evidenciação da intenção do agente, erigindo, portanto, a caracterização do fato como condição suficiente à imposição da respectiva cominação; no momento em que o ADI SRF nº 17/2004 estabelece o entendimento de que a constatação de diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação é suficiente para a aplicação da multa administrativa de 100% da diferença entre ambos os preços, há de se entender que tal constatação exige a declaração de um preço que, subseqüentemente, se revela não corresponder àquele efetivamente praticado na importação; tal ocorre quando o importador apresenta preço provisório da mercadoria, requer prazo diferenciado para apresentar a retificação, deixa referido prazo transcorrer sem nenhuma justificativa formal e, depois de superado o prazo regulamentar, resolve apresentar os valores efetivamente praticados, quando o preço provisório, por força do decurso de prazo da IN SRF nº 327/03, já havia se tornado definitivo; a legislação não considera regular a retificação extemporânea, uma vez que torna definitiva a fatura provisória não retificada no prazo, incorrendo esses casos na hipótese de incidência da multa administrativa referida anteriormente. Da impugnação Fl. 131DF CARF MF 4 Inconformada quanto ao auto de infração, do qual foi cientificada em 08/09/08, a interessada apresentou em 07/10/08, a impugnação de fls. 43/62 onde alega, em síntese, que: considerando a variação ocorrida, foi realizada a retificação das DI quando do conhecimento do preço efetivo das matériasprimas importadas, que, como comprovadamente pôde demonstrar a Impugnante, foi diferente daquele consignado originariamente na DI antecipada; no momento do registro das DI, requereu que a retificação se efetivasse no prazo de 90 dias, mas por motivos alheios à sua vontade não pode cumprir o prazo informado inicialmente, apresentando o pleito de retificação e a fatura comercial alguns dias após tal prazo; sendo certo que, tal pleito foi apresentado anteriormente a autuação e que não se eximiu de suas obrigações acessórias perante a Receita; foi intimada da presente autuação em decorrência da extemporaneidade da retificação, porém sua conduta foi tipificada em norma diferente dos fatos ocorridos; o art. 88 e parágrafo único da MP n° 2.15835/01, regulamentado pelo art. 633, inciso I, do Decreto nº 4.543 de 26 de dezembro de 2002, trata de hipótese aplicável a conduta realizada por meio de fraude, sonegação ou conluio, portanto, totalmente diversa da sua conduta; “não incorreu em nenhum dos fatos acima descritos, e jamais poderia ter sido sua conduta elevada à categoria de grave, sujeita a penalidade tão excessiva. Melhor dizer, ter deixado, a Impugnante, de apresentar dentro do prazo informado na DI, a retificação dessa, não pode ser considerada hipótese típica. Mesmo porque, de forma alguma praticou a Impugnante tal ato, com a intenção de fraudar, sonegar ou agir em conluio”; não havia porque incorrer em tal prática, vez que, a importação da matériaprima em questão foi efetuada mediante regime de drawback, em que a maior parte dos tributos estava com sua exigibilidade suspensa, condicionada a observância dos requisitos do referido regime; a sua conduta, descrita na autuação, também não está enquadrada na hipótese delimitada no ADI 17/04, visto que não houve diferença entre o preço praticado e o declarado, o que ocorreu foi a entrega da retificação da DI em período imediatamente posterior ao que havia sido previamente informado; tanto não houve diferença entre o preço praticado e o declarado que o próprio importador foi quem apresentou antes da autuação a retificadora a esse órgão, visando declarar efetivamente o valor aduaneiro definitivo e o preço efetivamente praticado. Vêse que tal medida demonstra totalmente a boafé da impugnante. O impugnante ainda alega que na presente autuação não foram observados “os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade, do direito de propriedade, da vedação do efeito confiscatário das sanções e da proibição do excesso destas.” , e, por fim, requer: Fl. 132DF CARF MF Processo nº 11613.000195/200861 Acórdão n.º 3201002.431 S3C2T1 Fl. 131 5 a) Seja declarado nulo o auto de infração em comento, uma vez que não há relação entre a multa aplicada e os atos efetivamente praticados pela Impugnante e, ainda que assim não entenda o Ilustre Julgador, requer que seja declarada a nulidade da autuação por não haver norma sancionatória para a conduta da Impugnante, deflagrando a ilegalidade do presente ato. b) Por fim, caso as hipóteses acima descritas não sejam acatadas, requer que em razão da flagrante desproporcionalidade dos atos praticados pela lmpugnante e a multa imposta, caracterizado verdadeiro confisco, seja declarada nula a presente autuação, sendo conseqüentemente encaminhado para seu devido arquivamento. O pleito foi julgado procedente, no julgamento de primeira instância, nos termos do Acórdão DRJ/FOR no 0823.663, de 15/06/2012, proferido pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 14/09/2006, 27/12/2006, 16/01/2007 A APLICAÇÃO DE PENALIDADE REQUER ESTRITA ADEQUAÇÃO ENTRE O FATO E A HIPÓTESE LEGAL DE INCIDÊNCIA. O descumprimento do prazo estabelecido no art. 22, § 1º, da IN SRF nº 327/03, não constitui, por si só, fato tipificado como sujeito à exação imposta pelo parágrafo único, do art. 88, da MP 2.15835/01. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado. O julgamento de primeira instância concluiu, nos seguintes termos: Assim, concluo que, no presente caso, o descumprimento do prazo estabelecido no art. 22, § 1º, da IN SRF nº 327/03, não constitui, por si só, fato tipificado como sujeito à exação imposta pelo parágrafo único, do art. 88, da MP 2.15835/01, regulamentado à época pelo art. 633, inc. I, do Decreto nº 4.543/02, também não sendo aplicável ao caso, por consequência, o ADI SRF nº 17/04. Portanto, o julgamento foi no sentido de exonerar a autuada do crédito tributário exigido. Assim sendo, a DRJ/Fortaleza recorreu de ofício a este Conselho, nos termos do art. 34, do Decreto nº 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/97 e Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, por força do recurso necessário. Fl. 133DF CARF MF 6 O processo foi redistribuído a esta Conselheira, de forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso (de ofício) atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Registrese que PARANAPANEMA S/A é a sucessora por incorporação universal da CARAÍBA METAIS S/A. Versa o presente recurso de ofício onde se discute a multa administrativa prevista no parágrafo único do art. 88, da Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, relacionada às operações processadas por meio das Declarações de Importação (DI) nº 06/11025900, 06/15748052 e 07/00675650, registradas no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), respectivamente, em 14/09/2006, 27/12/2006 e 16/01/2007. Inicialmente, o AI contém, portanto, o seguinte enquadramento legal: MULTAS PASSÍVEIS DE REDUÇÃO Fatos Geradores a partir de 27/08/2001. 100,00% Art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória n° 2.15835/01, e regulamentado pelo art. 633, inciso I , do Decreto n° 4.543/02. Verificase na Descrição dos Fatos e Enquadramento Fiscal do respectivo Auto de Infração, os fatos para entendimento da situação: Os pedidos de retificação de Declarações de Importação do Interessado decorrem, em alguns casos, de processos de importação de matériasprimas constituídas de minérios transportados a granel, em cuja composição consta, inclusive, alguns metais nobres. A composição exata das matériasprimas só vem a ser conhecida após a chegada da mercadoria no Pais, com base em laudo de análise providenciada pelo exportador/vendedor. Tal documento, cuja apresentação na SRFB fica a cargo do importador, possibilita o real conhecimento da composição química do material importado, com a indicação do percentual de cada substância presente. 2. Em razão da falta dessa informação no momento do desembaraço, a fatura comercial apresentada para fins de compor os dados da DI é apresentada com dados provisórios, provenientes de estimativa com base no total de produto embarcado pelo fornecedor internacional, dados esses que são ajustados por ocasião da subseqüente apresentação da fatura comercial definitiva, que é emitida com base nas análises técnicas especializadas, onde consta a composição percentual definitiva dos diversos metais presentes no material importado, que por sua vez também causarão alteração no valor da Fl. 134DF CARF MF Processo nº 11613.000195/200861 Acórdão n.º 3201002.431 S3C2T1 Fl. 132 7 importação em função da oscilação na cotação internacional dos metais. A empresa é do ramo de metalurgia de minério de cobre, produto este, que quando do contrato de compra e venda, não há como ter conhecimento real do valor, somente, tendo noção, após verificação da cotação na bolsa (de Londres). Daí, se utilizar de uma fatura provisória (com prazo de 90 dias), num registro "antecipado" de DI e posterior complemento dessa DI. A fiscalização descreve: em razão da falta da informação no momento do desembaraço da real composição química do material importado, a fatura comercial instrutiva da DI é apresentada com dados provisórios, oriundos de estimativa com base no total de produto embarcado pelo fornecedor internacional, dados esses que são ajustados [quanto à composição e valor] por ocasião da subseqüente apresentação da fatura comercial definitiva, emitida com base em análises técnicas especializadas; a Instrução Normativa SRF nº 327/03 autoriza a retificação do valor aduaneiro de uma DI, quando esse não for definitivo. Estabelece, todavia, como requisitos para a alteração, que o importador informe a situação no campo Informações Complementares da DI e que as causas que deram incerteza ao valor sejam devidamente comprovadas. Determina, ainda, que o valor estimado deverá ser retificado pelo importador dentro de até noventa dias, permitindo a flexibilização desse prazo pela fiscalização, desde que o interessado faça prova da necessidade de um tempo mais dilatado, ressalvando, ainda, como requisito para o deferimento, que a dilação tenha sido declarada por ocasião do registro da DI; segundo o mesmo artigo, o valor estimado será considerado como definitivamente declarado se findo o prazo de noventa dias ou outro regularmente requerido não tiver sido procedida a retificação da DI. nos Dados Complementares das DI foi informado que: PREÇO PROVISÓRIO SUJEITO A VARIAÇÃO DEVIDO A ANÁLISE QUÍMICA E PERÍODO COTACIONAL DOS METAIS". A possibilidade de variação, portanto, foi atendida quanto a esse item de informação da situação na própria DI. Não consta pedido para prorrogação do referido prazo; a fatura constante na DI era provisória e perderia sua validade em 90 dias; somente depois dos 90 dias foram apresentados, conforme cópias dos documentos protocolados em anexo, os requerimentos para as juntadas das faturas definitivas às DI e para as retificações cabíveis. Portanto, a interessada DEIXOU DE APRESENTAR AS FATURAS COMERCIAIS NO PRAZO REGULAMENTAR, COM OS RESPECTIVOS PEDIDOS DE RETIFICAÇÃO, configurando, com isso, a infração ora autuada [destaques do original]; Fl. 135DF CARF MF 8 No entanto, verificase que a empresa argumenta que: considerando a variação ocorrida, foi realizada a retificação das DI quando do conhecimento do preço efetivo das matériasprimas importadas, que foi diferente na DI antecipada; e que no momento do registro das DI, requereu que a retificação se efetivasse no prazo de 90 dias, mas por motivos alheios à sua vontade não pode cumprir o prazo informado inicialmente, apresentando o pleito de retificação e a fatura comercial alguns dias após tal prazo. Enfim, são importações que se processaram com as prerrogativas inerentes às transações com cláusula de revisão de preços, cuja condição foi consignada no momento do registro das DI e as autoridades aduaneiras reconheceram que os valores apresentados naquele momento eram provisórios e seriam posteriormente alterados para os valores definitivos. O litígio ocorreu em virtude da aplicação da multa prevista no parágrafo único, do art. 88, da MP 2.15835/2001, regulamentado à época pelo art. 633, inc. I, do Decreto nº 4.543/02. O dispositivo legal em comento estabelece: Art.88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: [...] Parágrafo único.Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis. O art. 633, inc. I, do Decreto nº 4.543/02, dispõe: Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei no 37, de 1966, art. 169 e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o): I de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 88, parágrafo único); [...]. Com base no ADI SRF nº 17/2004, a fiscalização entendeu que a solicitação extemporânea de retificação das DI em tela, em desacordo com o prazo estipulado no § 1º, do art. 22, da IN SRF nº 327/03 configuraria a hipótese prevista no dispositivo legal. O artigo único do ADI nº 17/04 determina: A aplicação da multa prevista no inciso I do art. 633 do Decreto no 4.543, de 26 de dezembro de 2002 – Regulamento Aduaneiro, Fl. 136DF CARF MF Processo nº 11613.000195/200861 Acórdão n.º 3201002.431 S3C2T1 Fl. 133 9 independe da caracterização de fraude, sonegação ou conluio e alcança toda e qualquer situação em que seja constatada diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado. Por seu turno, a referida IN SRF nº 327/03, que estabelece normas e procedimentos para a declaração e o controle do valor aduaneiro de mercadoria importada, dispõe em seu art. 22 que: Art. 22. Quando o valor aduaneiro não for definitivo na data do registro da Declaração de Importação (DI), em virtude de o preço a pagar ou das informações necessárias à utilização do método do valor de transação dependerem de fatores a serem implementados após a importação, devidamente comprovados, o importador deverá informar essa situação no campo Informações Complementares da DI e declarar valor estimado. § 1º O valor estimado deverá ser retificado pelo importador no prazo de até noventa dias, salvo quando o importador comprovar que a implementação dos fatores referidos no caput deste artigo se dará em prazo superior, declarado por ocasião do registro da DI. § 2º O valor estimado será considerado como definitivamente declarado se, findo o prazo estabelecido conforme o § 1º deste artigo, não tiver sido procedida a retificação da DI. § 3º O pagamento da diferença de impostos, devido em razão da retificação de que trata o § 1º deste artigo, será efetuado com os acréscimos legais previstos para recolhimento espontâneo. § 4º No caso de apuração pela autoridade aduaneira, em procedimento de fiscalização, de diferença de impostos devida, decorrente do descumprimento do disposto neste artigo, serão aplicadas as penalidades previstas na legislação.(grifei) Notese que o art. 22, caput, traz uma regra excepcional que fornece ao importador a prerrogativa de informar valor provisório de importação na data do registro da DI quando “o preço a pagar ou as informações necessárias à utilização do método do valor de transação dependerem de fatores a serem implementados após a importação, devidamente comprovados”. Tal artigo representa a normatização, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), do tratamento a ser dispensado, quanto à valoração aduaneira, aos contratos que prevêem cláusula de revisão de preços, prática comercial lícita, segundo a qual o preço é fixado apenas provisoriamente, ficando o preço definitivo a pagar sujeito a certos fatores previstos no contrato. No caso, ao final da operação ocorre a convalidação do montante adquirido e do preço do minério de cobre apurado, havendo saldo positivo, sempre ocorrerá uma complementação da diferença, no prazo acima viso, para efeitos de controle. Fl. 137DF CARF MF 10 Por sua vez, a IN SRF nº 318, de 4 de abril de 2003, tendo em vista o disposto no Acordo de Valoração Aduaneira (AVA) determina em seu art. 1º que, na apuração do valor aduaneiro, serão observadas as Notas Explicativas, Comentários e Opiniões Consultivas emanados do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira, da Organização Mundial de Aduanas (OMA). Verificase que a questão aqui tratada foi analisada no Comentário 4.1, do qual são destacados os trechos abaixo, por pertinentes ao presente caso concreto: Na prática comercial, alguns contratos prevêem uma cláusula de revisão de preços, segundo a qual o preço é fixado apenas provisoriamente, ficando o preço definitivo a pagar sujeito a certos fatores previstos nas disposições do contrato. 2. A situação pode se apresentar de diferentes maneiras [...] [...] 4. Outra situação é aquela em que o preço das mercadorias tenha sido fixado provisoriamente, porém novamente de conformidade com as disposições do contrato de venda, o preço definitivo depende de um exame ou de uma análise no momento da entrega (por exemplo, do grau de acidez dos óleos vegetais, da proporção de metal nos minérios, do teor puro da lã etc.). 5. O valor de transação das mercadorias importadas, definido no artigo 1 do Acordo, baseiase no preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias. Segundo a Nota Interpretativa a este artigo, o preço efetivamente pago ou a pagar é o pagamento total efetuado ou a efetuar pelo comprador ao vendedor pelas mercadorias importadas. Por conseguinte, nos contratos com cláusulas de revisão de preços, o valor de transação das mercadorias importadas deve ser baseado no preço definitivo total pago ou a pagar de conformidade com as estipulações contratuais. Dado que o preço efetivamente a pagar pelas mercadorias importadas pode ser determinado com base nos dados especificados no contrato, as cláusulas de revisão de preços, dos tipos descritos neste comentário, não devem ser consideradas como uma condição ou contraprestação cujo valor não possa ser determinado (ver artigo 1, parágrafo 1 (b) do Acordo). 6. Na prática, quando as cláusulas de revisão de preços já tiverem produzido pleno efeito no momento da valoração, nenhum problema surge, posto que se conhece o preço efetivamente pago ou a pagar. A situação é diferente quando as cláusulas de revisão de preços dependem de variáveis que intervém algum tempo após a importação das mercadorias. 7. Entretanto, posto que o Acordo recomenda que a valoração aduaneira se baseie, na medida do possível, no valor de transação das mercadorias objeto de valoração, e dado que o artigo 13 prevê a possibilidade de retardar a determinação definitiva do valor aduaneiro, mesmo quando não seja sempre possível determinar o preço a pagar no momento da importação, as cláusulas de revisão de preços não deverão, por si só, impedir a determinação do valor das mercadorias segundo o artigo 1 do Acordo. (grifei) Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11613.000195/200861 Acórdão n.º 3201002.431 S3C2T1 Fl. 134 11 Destarte, com base no que estabelece o citado Comentário 4.1 acima visto, nos casos semelhantes ao que aqui se analisa, o preço definitivo a ser considerado, sob o qual o valor de transação das mercadorias importadas deverá ser baseado, é aquele obtido após um exame ou uma análise no momento da entrega (parágrafo 4). Portanto, nos casos de importações com cláusula de revisão de preços, em que essa condição tenha sido consignada no momento do registro da DI, as autoridades aduaneiras reconhecem que o valor apresentado naquele momento é provisório e será posteriormente alterado para o valor definitivo. A declaração definitiva do valor fica sob condição suspensiva (a que foi estabelecida no contrato e cuja veracidade foi comprovada às autoridades antes do desembaraço da DI). Então, nesses casos, não há que se falar, em princípio, em divergência entre o valor declarado (ainda não resolvido) e aquele efetivamente praticado na importação. Não obstante, o § 2º, do art. 22, da IN 327/03, que estabelece que o valor estimado será considerado como definitivamente declarado se, findo o prazo estabelecido conforme o § 1º deste artigo, não tiver sido procedida a retificação da DI. Como bem observa a decisão a quo: Devese atentar para o fato de que o entendimento do art. 22 deve ser contextualizado dentro da então nova sistemática de controle do valor aduaneiro no País, instituída pelo art. 31 da mesma IN, por meio do qual foi estabelecido que os procedimentos fiscais para verificação da conformidade do valor aduaneiro declarado às regras e disposições estabelecidas na legislação seriam realizados somente após o despacho aduaneiro de importação: Art. 31. Os procedimentos fiscais para verificação da conformidade do valor aduaneiro declarado às regras e disposições estabelecidas na legislação serão realizados após o despacho aduaneiro de importação, sob a responsabilidade da unidade da SRF com jurisdição sobre o domicílio fiscal do importador e que possua atribuição regimental para executar a fiscalização aduaneira. Então, o regramento do § 2º, do art. 22, é estabelecer um lapso temporal, dentro do qual o importador, mesmo que venha a ser submetido a procedimento fiscal no seu estabelecimento, esteja amparado para efetuar o pagamento da diferença de impostos, devido em razão da retificação de que trata o § 1º, apenas com os acréscimos legais previstos para recolhimento espontâneo. Logo, o caráter de definitivo que se estabelece para o valor, nos termos do § 2º deve ficar adstrito aos limites de aplicação dos seguintes §§ 3º e 4º, do mesmo artigo, que tratam da perda das condições inerentes ao recolhimento espontâneo em relação ao pagamento da diferença dos impostos, que venha a ser apurada pela autoridade aduaneira, em procedimento de fiscalização. Fl. 139DF CARF MF 12 Ou seja, a interpretação dos parágrafos do comentado art. 22 deve ter o seguinte alcance, como colocou a decisão de primeira instância: o pagamento da diferença de impostos, nas retificações dentro do prazo estabelecido no § 1º do artigo, será efetuado com os acréscimos legais previstos para recolhimento espontâneo, mesmo que no lapso temporal ali estabelecido o importador venha a ser submetido a procedimento de fiscalização (regra excepcional estabelecida pelo art. 22, para os contratos com cláusula de revisão de preço); findo o prazo estabelecido no § 1º, o importador que utilizou a regra excepcional do art. 22 equiparase a todos os outros e, na ocorrência de procedimento de fiscalização em que seja apurada pela autoridade aduaneira diferença de impostos devida, decorrente do descumprimento do disposto no artigo, serão aplicadas contra os importadores inadimplentes as penalidades previstas na legislação, conforme a regra geral. Assim, o art. 22, quando trata dos procedimentos fiscais, se refere àqueles realizados de ofício, após o despacho aduaneiro, não trazendo em seu cerne disposições acerca daqueles que devam ser seguidos em casos de solicitação de retificação de DI pelo importador, estes devem seguir os trâmites comuns estabelecidos no art. 45, inc. II, da IN SRF nº 680, de 2 de outubro de 2006, que disciplina o despacho aduaneiro de importação: Art. 45. A retificação da declaração após o desembaraço aduaneiro, qualquer que tenha sido o canal de conferência aduaneira ou o regime tributário pleiteado, será realizada: I [...] II mediante solicitação do importador, formalizada em processo e instruída com provas de suas alegações e, se for o caso, do pagamento dos tributos, direitos comerciais, acréscimos moratórios e multas, inclusive as relativas a infrações administrativas ao controle das importações, devidos, e do atendimento de eventuais controles específicos sobre a mercadoria, de competência de outros órgãos ou agências da administração pública federal. [...] Observese, ainda, que o § 5º, do mesmo artigo 45, da IN SRF nº 680/2006 estabelece que: [...] § 5º Ressalvadas as diferenças decorrentes de erro de expedição, as faltas ou acréscimos de mercadoria e as divergências que não tenham sido objeto de solicitação de retificação da declaração pelo importador, que venham a ser apurados em procedimento fiscal serão objeto, conforme o caso, de lançamento de ofício dos tributos incidentes e penalidades cabíveis ou de aplicação da pena de perdimento. O que o acima citado § 5º nos diz, em outras palavras, é que as “divergências da declaração que são objeto de solicitação de retificação pelo importador”, caso venham a Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11613.000195/200861 Acórdão n.º 3201002.431 S3C2T1 Fl. 135 13 ser apuradas em procedimento fiscal, não estarão, naquela fiscalização, sujeitas às exações ali elencadas. É que, como já referenciado, as solicitações de retificação da declaração feitas pelo importador são analisadas em processo administrativo específico, no qual, entre outros, devem ser observados os seguintes pontos, dentre elesnão se pode negar o direito de pedir retificação de DI, seja qual for o canal de verificação ou o regime tributário pleiteado; não há prazo limite para que o importador solicite a retificação da DI, visto que o art. 137 do Decretolei nº 37/66 que estabelecia esse prazo foi revogado pela Medida Provisória 135/2003, posteriormente convertida na Lei 10.833/2003; a solicitação de retificação de iniciativa do importador caracteriza a sua espontaneidade, nos termos do art. 138 do Código Tributário Nacional e do art. 102, do Decretolei nº 37/66; e que algumas ocorrências relativamente ao comércio exterior redundam na necessidade de se proceder retificações nos valores declarados das DI sem que isso, necessariamente, configure algum ilícito. Feitas as considerações anteriores, observese que, no presente caso concreto, a autoridade administrativa baseou sua autuação no parágrafo único, do art. 88, da MP 2.158 35/02 que estabelece: MP 2.15835/01 Art. 88. [...]. Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis. As importações em discussão (sulfeto de minério de cobre) se processaram com as prerrogativas inerentes às transações com cláusula de revisão de preços, essa condição foi consignada no momento do registro das DI e as autoridades aduaneiras reconheceram que os valores apresentados naquele momento eram provisórios e seriam posteriormente alterados para os valores definitivos. O deferimento dos pedidos de retificação das DI para os valores informados pelo importador, de acordo com as faturas definitivas apresentadas, significa o reconhecimento da autoridade administrativa de que os valores de transação definitivos, que se encontravam sob condição suspensiva, são os valores agora declarados pelo importador no momento da solicitação de alteração e que estes coincidem com os preços efetivamente pagos ou a pagar. Portanto, não há que se falar em “diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado”, sendo, neste caso, inaplicável a exação imposta à empresa, visto não haver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência, pois não ocorreu fraude, tampouco sonegação e sim uma impontualidade no prazo a ser observado. Em assim sendo, não há possibilidade de aplicação da multa acima mencionada por falta de subsunção da situação à norma, pois, devese aplicar a penalidade em caso de estrita adequação entre a situação fática e a hipótese legal de incidência. Fl. 141DF CARF MF 14 Indevida a aplicação da multa de 100%, prevista no § único do art. 88 da MP 2.15835/2001, que trata de fraude e sonegação. Por todo o exposto, não cabe a cobrança da multa aplicada, pelos motivos apresentados, portanto; não merece reparo o voto da decisão de primeira instância. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 142DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.907663/2009-14
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 9101-002.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário.
[assinado digitalmente]
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. [assinado digitalmente] Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 180100.984, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte acerca da possibilidade de compensação de créditos de pagamentos de estimativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 76 63 /2 00 9- 14 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10675.907663/200914 Acórdão n.º 9101002.644 CSRFT1 Fl. 3 2 O Acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, entendendo ser possível a compensação de créditos de pagamentos de estimativas. Em seguida, para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial de divergência, por entender que a decisão de reconhecer a possibilidade de compensação do valor indevidamente pago, ou pago a maior, de estimativa é fruto de interpretação da legislação tributária que conflita com a interpretação adotada no acórdão paradigma colacionado aos autos. O recurso foi admitido por meio do despacho do Presidente da Câmara. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.610, de 16/03/2017, proferido no julgamento do processo 10280.900603/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.610): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento, na forma como foi admitido. O contribuinte apresentou DCOMP apontando indébito oriundo de pagamento a maior de estimativa. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal não homologou a compensação, sob o fundamento de que o pagamento de estimativa não é passível de compensação, devendo compor a apuração anual do tributo. A decisão recorrida foi no sentido oposto, reconhecendo o direito de o contribuinte compensar o indébito de estimativa, devolvendo os autos para a unidade de origem, para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, vez que essa matéria ainda não sofreu apreciação pela Administração Tributária. O recurso especial veio para que esta Câmara Superior reforme a decisão recorrida, restabelecendo a declaração de impossibilidade de o contribuinte compensar crédito de estimativa, nos termos da legislação infralegal então em vigor. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10675.907663/200914 Acórdão n.º 9101002.644 CSRFT1 Fl. 4 3 Todavia, a IN RFB nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa. Esse entendimento é adotado pela própria Administração Tributária, exteriorizado por meio da Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 05/12/2011, assim ementada: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. No âmbito deste Tribunal Administrativo, a matéria foi pacificada por meio da Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, negolhe provimento, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. assinado digitalmente Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10675.907663/200914 Acórdão n.º 9101002.644 CSRFT1 Fl. 5 4 Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11242.000600/2009-98
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.886
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 24 2. 00 06 00 /2 00 9- 98 Fl. 256DF CARF MF Processo nº 11242.000600/200998 Acórdão n.º 9202004.886 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 11242.000600/200998 Acórdão n.º 9202004.886 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 258DF CARF MF Processo nº 11242.000600/200998 Acórdão n.º 9202004.886 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 259DF CARF MF Processo nº 11242.000600/200998 Acórdão n.º 9202004.886 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 11242.000600/200998 Acórdão n.º 9202004.886 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 261DF CARF MF Processo nº 11242.000600/200998 Acórdão n.º 9202004.886 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 11242.000600/200998 Acórdão n.º 9202004.886 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 263DF CARF MF Processo nº 11242.000600/200998 Acórdão n.º 9202004.886 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 11242.000600/200998 Acórdão n.º 9202004.886 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 265DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.720978/2012-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Exercício: 2008
Ementa:
OPERAÇÕES COMERCIAIS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS DE UM MESMO GRUPO ECONÔMICO. ANTECIPAÇÃO DE VALORES PARA AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS. IOF. NÃO INCIDÊNCIA
A Lei n. 9.779, em seu art. 13, definiu como fato gerador do IOF a operação de crédito em que figure como fornecedora do crédito pessoa jurídica não financeira, mas desde que essa operação corresponda a mútuo de recursos financeiros. Assim, o simples adiantamento de recursos à parte relacionada como pagamento por bem ou serviço a ser entregue futuramente não se encontra na hipótese de incidência do IOF.
SALDO MENSAL POSITIVO EM RELAÇÃO AOS VALORES ANTECIPADOS PARA AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS. REGISTRO NO ATIVO AO FINAL DE MÊS. RUBRICA RECLASSIFICADA COM PASSIVO NO MÊS SUBSEQUENTE. IOF. NÃO INCIDÊNCIA.
A existência de saldo positivo ao final de um mês em relação ao valores antecipados para aquisição de mercadorias implicará, como contrapartida contábil, o registro deste saldo no ativo da empresa, o que, por si só, não enseja a incidência do IOF, mormente quando referido ativo é reclassificado contabilmente como passivo da empresa para novamente servir como antecipação de valores para aquisição de mercadorias no mês subsequente.
CONTRATO DE MÚTUO. REPACTUAÇÃO DO INSTRUMENTO PARA ALTERAR A DATA DO VENCIMENTO DO MÚTUO. IOF. NÃO INCIDÊNCIA.
Quando provada a simples repactuação do vencimento do mútuo e, ainda, tendo sido apurado e pago o IOF quando da celebração do contrato original, não há que se falar em nova incidência de IOF no momento da repactuação.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3402-003.855
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para (i) excluir toda a exigência de IOF incidente sobre a operação de antecipação de aquisição de mercadorias perpetrada entre a recorrente e a Petróleo Brasileiro S.A e (ii) excluir o IOF exigido nas operações de mútuo com postos de gasolina em relação aos contratos 18618/18652, 18653, 12426, 13476/13570/14257, 25314, 40379, 26403, 23341 e 41946. Sustentou pela Petrobrás Distribuidora S/A, o Dr. Alexandre Portugal Paes, OAB/RJ 98.370, e pela Fazenda Nacional o Dr. Pedro Augusto Juger Cestari.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Exercício: 2008 Ementa: OPERAÇÕES COMERCIAIS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS DE UM MESMO GRUPO ECONÔMICO. ANTECIPAÇÃO DE VALORES PARA AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS. IOF. NÃO INCIDÊNCIA A Lei n. 9.779, em seu art. 13, definiu como fato gerador do IOF a operação de crédito em que figure como fornecedora do crédito pessoa jurídica não financeira, mas desde que essa operação corresponda a mútuo de recursos financeiros. Assim, o simples adiantamento de recursos à parte relacionada como pagamento por bem ou serviço a ser entregue futuramente não se encontra na hipótese de incidência do IOF. SALDO MENSAL POSITIVO EM RELAÇÃO AOS VALORES ANTECIPADOS PARA AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS. REGISTRO NO ATIVO AO FINAL DE MÊS. RUBRICA RECLASSIFICADA COM PASSIVO NO MÊS SUBSEQUENTE. IOF. NÃO INCIDÊNCIA. A existência de saldo positivo ao final de um mês em relação ao valores antecipados para aquisição de mercadorias implicará, como contrapartida contábil, o registro deste saldo no ativo da empresa, o que, por si só, não enseja a incidência do IOF, mormente quando referido ativo é reclassificado contabilmente como passivo da empresa para novamente servir como antecipação de valores para aquisição de mercadorias no mês subsequente. CONTRATO DE MÚTUO. REPACTUAÇÃO DO INSTRUMENTO PARA ALTERAR A DATA DO VENCIMENTO DO MÚTUO. IOF. NÃO INCIDÊNCIA. Quando provada a simples repactuação do vencimento do mútuo e, ainda, tendo sido apurado e pago o IOF quando da celebração do contrato original, não há que se falar em nova incidência de IOF no momento da repactuação. Recurso voluntário provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para (i) excluir toda a exigência de IOF incidente sobre a operação de antecipação de aquisição de mercadorias perpetrada entre a recorrente e a Petróleo Brasileiro S.A e (ii) excluir o IOF exigido nas operações de mútuo com postos de gasolina em relação aos contratos 18618/18652, 18653, 12426, 13476/13570/14257, 25314, 40379, 26403, 23341 e 41946. Sustentou pela Petrobrás Distribuidora S/A, o Dr. Alexandre Portugal Paes, OAB/RJ 98.370, e pela Fazenda Nacional o Dr. Pedro Augusto Juger Cestari. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Diego Diniz Ribeiro- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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ANTECIPAÇÃO DE VALORES PARA AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS. IOF. NÃO INCIDÊNCIA A Lei n. 9.779, em seu art. 13, definiu como fato gerador do IOF a operação de crédito em que figure como fornecedora do crédito pessoa jurídica não financeira, mas desde que essa operação corresponda a mútuo de recursos financeiros. Assim, o simples adiantamento de recursos à parte relacionada como pagamento por bem ou serviço a ser entregue futuramente não se encontra na hipótese de incidência do IOF. SALDO MENSAL POSITIVO EM RELAÇÃO AOS VALORES ANTECIPADOS PARA AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS. REGISTRO NO ATIVO AO FINAL DE MÊS. RUBRICA RECLASSIFICADA COM PASSIVO NO MÊS SUBSEQUENTE. IOF. NÃO INCIDÊNCIA. A existência de saldo positivo ao final de um mês em relação ao valores antecipados para aquisição de mercadorias implicará, como contrapartida contábil, o registro deste saldo no ativo da empresa, o que, por si só, não enseja a incidência do IOF, mormente quando referido ativo é reclassificado contabilmente como passivo da empresa para novamente servir como antecipação de valores para aquisição de mercadorias no mês subsequente. CONTRATO DE MÚTUO. REPACTUAÇÃO DO INSTRUMENTO PARA ALTERAR A DATA DO VENCIMENTO DO MÚTUO. IOF. NÃO INCIDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 09 78 /2 01 2- 41 Fl. 7354DF CARF MF 2 Quando provada a simples repactuação do vencimento do mútuo e, ainda, tendo sido apurado e pago o IOF quando da celebração do contrato original, não há que se falar em nova incidência de IOF no momento da repactuação. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para (i) excluir toda a exigência de IOF incidente sobre a operação de antecipação de aquisição de mercadorias perpetrada entre a recorrente e a Petróleo Brasileiro S.A e (ii) excluir o IOF exigido nas operações de mútuo com postos de gasolina em relação aos contratos 18618/18652, 18653, 12426, 13476/13570/14257, 25314, 40379, 26403, 23341 e 41946. Sustentou pela Petrobrás Distribuidora S/A, o Dr. Alexandre Portugal Paes, OAB/RJ 98.370, e pela Fazenda Nacional o Dr. Pedro Augusto Juger Cestari. Antonio Carlos Atulim Presidente. Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de Auto de Infração lavrado contra a recorrente para a exigência de Imposto sobre Operações Financeiras IOF referente ao exercício de 2008, por meio do qual foi originalmente exigido o importe de R$ 387.846.743,17, o qual compreende tributo, multa e juros. 2. Em suma, a acusação fiscal se divide em duas frentes, sendo elas: (i) a suposta realização de mútuos ao longo do ano de 2008 e que teriam sido realizados pela recorrente em favor da sua controladora, a Petróleo Brasileiro S.A.; e, ainda (ii) a realização de empréstimos para postos de combustíveis revendedores dos produtos Petrobrás, sem que houvesse a correlata retenção de IOF. 3. Uma vez intimada da sobredita autuação, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 4.944/4.971, oportunidade em que, em síntese, alegou o que segue: (i) em relação à primeira acusação, a recorrente alega que: (i.a) não houve mútuo, mas sim antecipação de pagamento de mercadorias (combustíveis e demais derivados do petróleo), mediante o registro contábil em conta própria (2202200003), de modo que o importe referente às mercadorias adquiridas era abatido do valor antecipado pela recorrente e efetivamente registrado na aludida conta contábil; Fl. 7355DF CARF MF Processo nº 16682.720978/201241 Acórdão n.º 3402003.855 S3C4T2 Fl. 3 3 (i.b) subsidiariamente, erro na base de cálculo eleita pela fiscalização para fins de lançamento, uma vez que a base apurada estaria em descompasso com o disposto nos art. 7o, inciso I, alínea "a" e §16 do Decreto 6.306/07. (ii) já no que diz respeito à segunda acusação, a recorrente assim aduz: (ii.a) que a fiscalização pretende tributar com IOF contratos de mútuos repactuados (os quais a recorrente chama de "reentrados"), ou seja, que já haviam sido objeto de retenção de IOF quando da sua contratação original. 4. Devidamente processada a impugnação foi julgada, por unanimidade, parcialmente procedente pela DRJRJ (acórdão n. 12054.634 fls. 5.640/5.676), nos termos da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2008 IOFCRÉDITO. CONTACORRENTE COM FORNECEDOR. ADIANTAMENTOS DE RECURSOS VINCULADOS À AQUISIÇÃO DE PRODUTOS. SALDOS RECLASSIFICADOS PARA CRÉDITOS A RECEBER POR OPERAÇÕES DE MÚTUO. A existência de um contacorrente entre empresas comerciais, onde um cliente adianta recursos continuamente ao seu fornecedor com vistas a futuras aquisições de produtos, não caracteriza, em princípio, operação de crédito sujeita à incidência de IOF. Nos casos, porém, em que o contacorrente é zerado ao final de cada mês, e os saldos positivos eventualmente apurados em favor do cliente são transferidos para uma conta de “créditos a receber por operações de mútuo”, já aí configurase uma autêntica linha de crédito rotativa, passível de tributação. A incidência do imposto, de todo modo, darseá não sobre o total dos adiantamentos, mas apenas sobre os valores dos saldos transferidos. IOFCRÉDITO. CONTRATOS DE MÚTUO. IMPOSTO APURADO A MENOR PELO SUJEITO PASSIVO. MATÉRIA NÃO LITIGIOSA. Reputarseá definitivamente constituída, na esfera administrativa, a parcela do crédito tributário relativa à matéria não contestada pelo sujeito passivo. IOFCRÉDITO. CONTRATOS DE MÚTUO. ABATIMENTO DOS VALORES CONFESSADOS EM DCTF. Verificandose que parte do imposto lançado já havia sido confessada em DCTF, cumpre retificar a exigência, a fim de evitar a duplicidade de cobrança. Impugnação Procedente em Parte. Fl. 7356DF CARF MF 4 Crédito Tributário Mantido em Parte. 5. Diante desta decisão, grande parte do crédito tributário em cobro foi exonerado, restando exigível um valor de R$ 31.150.548,37. 6. Tendo em vista o valor da exoneração ser superior ao de alçada, houve a interposição de recurso de ofício pela autoridade de 1a instância, nos termos do que prevê o art. 34, inciso I do Decreto 70.235/72. Não obstante, o contribuinte também interpôs o recurso voluntário de fls. 5.691/5.706, oportunidade em que repisou os fundamentos invocados na sua impugnação, bem como trouxe novos documentos para comprovar suas assertivas. 7. Uma vez distribuído o processo neste Tribunal, o então relator do caso, Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, acompanhado pela turma julgadora, baixou o presente caso para diligência (resolução n. 3402000.661 fls. 6.774/6.793) com o seguinte escopo: (...). Da análise, que seja produzido relatório conclusivo sobre a utilização dos saldos positivos das transferências da conta 2202200003 para a conta 1204200003 (código “AS”), se foram efetivamente para compra de combustíveis, e sobre a quitação do IOF devido nos contratos de mútuo listados na autuação. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência ao contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. (...). 8. Referida diligência foi cumprida pela instância fiscalizadora, resultando no relatório de diligência fiscal de fls. 7.006/7.020, a respeito do qual a recorrente se manifestou (fls. 7.026/7.033) tempestivamente. 9. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro 10. Os recursos interpostos (de ofício e voluntário) preenchem os pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual deles tomo conhecimento. 11. Para fins de uma melhor sistematização das ideias que serão aqui lançadas, o presente voto será dividido em duas partes. A primeira delas para tratar da incidência de IOF sobre suposta operação de mútuo celebrada entre a recorrente e a Petróleo Brasileiro S.A e a segunda parte para manifestarse a respeito da realização de empréstimos para postos de combustíveis revendedores dos produtos Petrobrás. PARTE I Da exigência de IOF nas supostas relações de mútuo entre a recorrente e a Petróleo Brasileiro S.A. (i.a) Da acusação fiscal Fl. 7357DF CARF MF Processo nº 16682.720978/201241 Acórdão n.º 3402003.855 S3C4T2 Fl. 4 5 12. Conforme se observa da presente autuação, a primeira acusação imposta em desfavor do contribuinte é no sentido de que, ao longo de 2008, a recorrente teria realizado mútuos em favor da sua controladora, a Petróleo Brasileiro S.A sem, todavia, submeter tais operações a incidência do IOF, o que estaria em descompasso com o que dispõe a lei n. 9.779/99 e o Decreto n. 6.306/2007, em especial ao que estabelece os seguintes dispositivos: Lei n. 9.779/99 Art. 13 As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. (...). § 2o Responsável pela cobrança e recolhimento do IOF de que trata este artigo é a pessoa jurídica que conceder o crédito. (...) (grifos nosso). Decreto n. 6.306/2007 Art. 2º O IOF incide sobre: I operações de crédito realizadas: (...). c) entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física; (...) (g.n.). Art. 3º O fato gerador do IOF é a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado (…) (...). §3º A expressão “operações de crédito” compreende as operações de: (...). III mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física (Lei no 9.779, de 1999, art. 13). (g.n.). Fl. 7358DF CARF MF 6 13. Com base em tais fundamentos e analisando a operação perpetrada pela recorrente com a sua controladora, a fiscalização conclui que haveria um mútuo1, passível, pois, de incidência do IOF, nos termos da legislação acima transcrita. É o que se observa dos seguintes trechos do TVF (fls. 4.899/4.918), in verbis: 14. Assim, segundo a acusação fiscal, haveria uma relação de mútuo entre a recorrente a Petróleo Brasileiro S.A. o que, por conseguinte, ensejaria a incidência do IOF lançado. Logo, para se alcançar uma solução adequada ao presente caso, mister se faz analisar as características do mútuo e as particularidades da operação aqui referida, de modo a aferir se tal operação se amolda ou não ao contrato de mútuo. (i.b) O mútuo e suas características 15. O mútuo é contrato típico e está devidamente capitulado no art. 586 do Código Civil, in verbis: Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. 16. A natureza jurídica do mútuo e suas características já foram objeto de deliberação por essa turma julgadora, quando do debate do acórdão n. 3402003.018, da lavra da Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Naquela oportunidade a então Relatora e o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto promoveram um riquíssimo debate a respeito do tema, o que, inclusive, suscitou a declaração de voto realizada pelo último citado. Em referida declaração de voto e com fundamento na doutrina de Waldirio Bulgarelli, o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto bem precisou as características do contrato de mútuo, o que fez nos seguintes termos: Tratando sobre as características do mútuo, Waldirio Bulgarelli (Ob. Cit., p.562) aponta que se trata de um contrato: I) Unilateral, pois uma vez aperfeiçoado, gera obrigações para apenas uma das partes, o mutuário, que deverá devolver a coisa, e se for o caso, acrescido de juros. II) Oneroso ou Gratuito, a depender da previsão de juros, os quais, quando o mútuo tenha fins econômicos, presumemse devidos, e também podem ser objeto de fixação contratual, desde que no limite legal (SELIC), além de ser permitida a capitalização anual (art. 406 e 591). 1 Embora em alguns trechos o fiscal se valha, equivodamente, de expressões como "conta corrente" e "caixa único". Fl. 7359DF CARF MF Processo nº 16682.720978/201241 Acórdão n.º 3402003.855 S3C4T2 Fl. 5 7 III) Temporário, pela necessidade de previsão temporal para a restituição da coisa emprestada. IV) Real, pois implica a entrega da coisa para o uso do mutuário, transferindose a sua propriedade. Por meio do contrato de mútuo, a propriedade dos bens é transferida ao mutuário. Na verdade, o mútuo, embora contratado, somente se aperfeiçoa se houver a efetiva entrega dos bens mutuados, sendo por isso classificado como contrato real. Após a transferência dos bens, o mutuário pode utilizálos como quiser, eis que, sendo proprietário, pode deles dispor, usando e gozando deles como lhe aprouver (Código Civil, art. 1228). Todavia, ele passa a ser responsável pelos prejuízos que os bens possam sofrer, exatamente porque fica com a propriedade daqueles que recebeu, mas, em contrapartida, tem a obrigação de devolver outros do mesmo gênero, da mesma qualidade e na mesma quantidade. (grifos constantes no original). 17. Com base em tais premissas, resta claro que o contrato de mútuo pressupõe o empréstimo de um bem fungível que, depois de um determinado lapso temporal, implicará ao mutuário o dever de devolver ao mutuante a coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. Nesse sentido, se o mutuante emprestou dinheiro ao mutuário, depois de um espaço de tempo este último deverá devolver dinheiro ao primeiro2. 18. Assim, quando o art. 3º, §3º, inciso III do Decreto n. 6.306/2007 estabelece que haverá incidência de IOF sobre o mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas, o signo "mútuo" é ali empregado nos termos do que fora desenhado pelo direito civil, exatamente como estabelece o art. 110 do Código Tributário Nacional3 Aliás, é do referido dispositivo do CTN que se extrai a ideia do direito tributário ser um direito de sobreposição, na medida em que ele (direito tributário) se vale de conceitos e institutos já estabelecidos por outros ramos do direito para então atuar, atuação essa que, por conseguinte, fica limitada por tais conceitos e institutos do direito privado. 19. Nesta senda e de forma sintética é possível concluir que o art. 110 do CTN estabelece que as definições e limites dessa competência (tributária), quando estatuídos à luz do direito privado, serão os deste, nem mais, nem menos4, de modo a evitar, portanto, que a modificação de um conceito de direito privado provoque uma indevida ampliação da competência tributária5. 20. Delimitada a natureza jurídica e as características essenciais do mútuo, convém agora analisar se a operação realizada entre a recorrente e a empresa Petróleo Brasileiro S.A. constitui ou não relação jurídica de mútuo. 2 Eventualmente acrescido de juros, na hipótese de se tratar de um mútuo oneroso. 3 "Art. 110 – A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pela Lei Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias." 4 BALEEIRO, Aliomar. Direito tributário brasileiro. 11ª. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1999. p. 688. 5 Nesse sentido: COSTA, Regina Helena. Curso de direito tributário – Constituição e Código Tributário Nacional. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 162; CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de direito tributário. 22ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2010. p. 138. Fl. 7360DF CARF MF 8 (i.c) A operação fiscalizada em concreto 21. Antes de tratar da operação em si considerada, mister se faz, neste instante, dar um passo atrás para especificar as atividades desenvolvidas pela Petróleo Brasileiro S.A. e pela recorrente. 22. Neste diapasão, insta registrar que a Petróleo Brasileiro S.A. é responsável pela exploração e produção de petróleo e seus derivados no país. Uma vez produzido tais produtos, eles são adquiridos pelas empresas distribuidoras de petróleo e derivados, dentre as quais destacase a Petrobrás Distribuidora S.A., ora recorrente. Essa última, por seu turno, revende tais bens no varejo (postos de combustíveis e TRR's) que, por fim, farão com que tais produtos cheguem ao consumidor final. 23. Não obstante, também não é demais lembrar que a recorrente é uma empresa subsidiária da Petróleo Brasileiro S.A., havendo, por óbvio, uma enorme sinergia empresarial entre ambas. 24. Pois bem. Partindo de tais fatos, a operação realizada entre a recorrente e a empresa Petróleo Brasileiro S.A. se estruturava da seguinte forma: (i) mensalmente a recorrente registrava um significativo aporte de valores em uma contacontábil única registrada sob o n. 2202200003; (ii) por sua vez, também mensalmente, a Petróleo Brasileiro S.A. vendia combustíveis e derivados de petróleo para a recorrente, o que era devidamente retratado em notas fiscais e que decorre de contratos de fornecimento celebrados entre a recorrente e a Petróleo Brasileiro S.A. (contratos de fls. 5.022/5.083 e 5.084/5.145); (iii) uma vez recebidos pela recorrente os produtos produzidos pela Petróleo Brasileiro S.A., as faturas correlatas eram lançadas no "sistema geral de contabilidade" (SAP/R3) da recorrente e por ela pagas, o que não se dava por transferências bancárias, mas sim mediante a compensação com o crédito registrado pela Impugnante na contacontábil n. 2202200003. 25. Em suma, a operação contábil foi assim representada pela recorrente: Fl. 7361DF CARF MF Processo nº 16682.720978/201241 Acórdão n.º 3402003.855 S3C4T2 Fl. 6 9 26. A análise deste cenário jurídicocontábil já permite concluir que o que ocorreu no presente caso não configura uma relação de mútuo, mas sim uma antecipação de valores para a aquisição de mercadorias, ou seja, uma operação de natureza comercial, desenhada na forma aqui apresentada em razão da relação de subsidiariedade existente entre a recorrente e a Petróleo Brasileiro S.A. 27. Afastando, de vez, a hipótese de mútuo, não há qualquer prova no sentido de que a Petróleo Brasileiro S.A. teria devolvido dinheiro para a recorrente. Em verdade, o que restou provado pelos documentos contábeis e pelos contratos já aqui mencionados (os quais, inclusive, estabelecem uma galonagem/valores mínimos de aquisição/fornecimento por mês), é que a recorrente antecipava dinheiro para receber, em contrapartida, combustíveis e outros derivados de petróleo. Foi exatamente nesse sentido o teor da decisão da DRJRJ: (...). Muito bem. Analisando a movimentação da “conta única” existente entre a Interessada e a PETROBRAS — Conta 2202200003 (fls. 0005/4042) —, verifico que há dois tipos de lançamentos a débito. Um deles, identificado com o código de operação “ZT”, representa os repasses efetuados à PETROBRAS, tendo por contrapartida um lançamento a crédito da Conta 10001849 (“Fornecedor Petrobrás”); o outro tipo, identificado com o código “SA”, corresponde às transferências dos saldos positivos apurados ao fim de cada mês, tendo por contrapartida um lançamento a crédito da Conta 1204200003 (“Aplicações – Empresas Sistema – País”). Fl. 7362DF CARF MF 10 11. Com relação aos lançamentos classificados com o código “ZT”, a dúvida que se coloca é se os referidos repasses caracterizariam, efetivamente, adiantamentos para fins de aquisição de combustíveis. Segundo o entendimento da Fiscalização, “essas vultosas quantias repassadas à Petrobrás não possuem quaisquer contratos de compra de combustível a ele vinculados ou correspondentes a volumes específicos de combustível e/ou valores préajustados, ou seja, o que existe é um aporte financeiro indiscriminado por parte da BR Distribuidora à sua controladora (...)”. 12. Ora, em que pese a Interessada não tenha conseguido vincular cada um dos repasses efetuados à PETROBRAS a uma operação específica de compra e venda de combustível, é inegável que as duas empresas mantiveram, ao longo do ano de 2008, um acordo de fornecimento de gasolina e óleo diesel, conforme fazem prova os contratos anexados à impugnação, todos devidamente registrados na Agência Nacional do Petróleo (docs. fls. 5591/5638). 13. Diante de tais circunstâncias, pareceme razoável admitir que os aportes de recursos realizados em favor da PETROBRÁS, identificados com o código “ZT”, constituíram, de fato, adiantamentos vinculados à aquisição de combustíveis, não sujeitos, portanto, à incidência de IOF. (...). 28. Em caso análogo ao aqui tratado (antecipação de valores para aquisição de mercadorias), essa Turma julgadora, por unanimidade de votos, já resolveu pelo afastamento da incidência do IOF por inexistir o fato gerador do tributo. É o que se depreende do preciso acórdão n. 3402002.987, também da lavra da Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz e que restou assim ementado: Ementa(s) Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF Anocalendário: 2008 IOF. OPERAÇÕES COMERCIAIS ENTRE PESSOA JURÍDICA E PESSOAS FÍSICAS. EMPRESA NÃO FINANCEIRA. NÃO INCIDÊNCIA. A Lei 9.779, em seu art. 13, definiu como fato gerador do IOF a em que figure como fornecedora do crédito pessoa jurídica não financeira, mas desde que essa operação corresponda a mútuo de recursos financeiros. Assim, o simples adiantamento de recursos a parte relacionada, como pagamento por bem ou serviço a ser entregue futuramente, não se encontra na hipótese de incidência do IOF. Recurso de ofício negado. (g.n.). 29. No mesmo sentido é a decisão extraída do acórdão n. 340200.472, cuja ementa segue abaixo: Fl. 7363DF CARF MF Processo nº 16682.720978/201241 Acórdão n.º 3402003.855 S3C4T2 Fl. 7 11 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 31/07/1999 a 31/03/2000, 30/06/2000 a 30/06/2003 I0F. OPERAÇÃO DE CRÉDITO REALIZADA ENTRE EMPRESAS NÃO FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA. REQUISITOS. A Lei 9.779, em seu art. 13, definiu como fato gerador do IOF a operação de crédito em que figure como fornecedora do crédito pessoa jurídica não financeira, mas desde que essa operação configure mútuo de recursos financeiros. Não o é mero adiantamento de recursos a fornecedor de serviço regularmente contratado, a ser quitado por meio da execução do serviço. Recurso Provido. 30. Em seu voto, assim se manifestou o Relator do caso, o Conselheiro Julio Cesar Alves Ramos: Por isso, ainda que se possa entender que a operação consistente nos adiantamentos é diversa da contratação das obras, e assim também penso, o máximo que se pode considerá la é modalidade de financiamento pelo contratante. Como bem se sabe, distinguese tal modalidade daquela prevista na Lei n° 9.779 pelo fato de estar vinculada à elaboração de um bem ou realização de serviço, por meio da qual o adiantamento é pago. Já o mútuo, como citado no recurso, é modalidade diversa de crédito e tem expressa definição no Código Civil (art. 586). Nela a obrigação do mutuário é devolver, em quantidade determinada, coisa da mesma espécie e qualidade que lhe fora entregue pelo mutuante. A modalidade mais comum, por óbvio, é o mútuo de dinheiro, em que dinheiro, portanto, tem de ser devolvido. (g.n.). 31. A dúvida que remanesce, todavia, diz respeito aos saldos positivos na contacontábil n. 2202200003, identificados na escrituração contábil pela rubrica "SA". Segundo a decisão recorrida, tal saldo era zerado no passivo da recorrente no último dia de cada mês, o que redundava, como contrapartida contábil, no lançamento deste saldo no ativo da recorrente (contacontábil n. 1204200003). Assim, a decisão recorrida entendeu que este lançamento no ativo da recorrente era a comprovação de que, ao final do mês, parte do dinheiro aportado pela recorrente em favor da Petróleo Brasileiro S.A. para fins de aquisição de mercadorias era por ela devolvido (tanto que registrado no ativo da recorrente), o que, em tese, caracterizaria o mútuo. Daí a decisão recorrida ter mantido a exigência de IOF para esta parcela da operação em análise. 32. Divirjo, entretanto, desta conclusão alcançada pela instância recorrida. Em verdade, os registros contábeis aqui mencionados foram assim positivados com o fim único de cumprir com as exigências próprias do sistema contábil. Isso porque, ao final de um mês, uma conta de passivo não pode apresentar saldo devedor e, como tal saldo não pode Fl. 7364DF CARF MF 12 simplesmente desaparecer dos registros contábeis, deve ter ele a sua contrapartida registrada, o que implica o seu lançamento em uma conta de ativo. 33. Acontece que, no caso em concreto, ocorrida a virada do mês, esse registro no ativo da recorrente (contacontábil n. 1204200003) era reclassificado contabilmente para uma conta do passivo (a mesma contacontábil n. 2202200003 de onde este valor foi originalmente extraído). Percebese, pois, que o saldo positivo de um mês ("SA"), depois de ter sua contrapartida registrada no ativo da empresa, era reclassificado contabilmente e novamente lançado na contacontábil n. 2202200003, passando, pois, a ser utilizado para, no novo mês, liquidar as compras de combustíveis e derivados de petróleo adquiridos junto a sua controladora. E assim se sucedeu a longo de todo ano de 2008. 34. Nesse sentido, a planilha elaborada pela própria fiscalização em sede de diligência (fls. 6.798/6.803) é bem elucidativa: Fl. 7365DF CARF MF Processo nº 16682.720978/201241 Acórdão n.º 3402003.855 S3C4T2 Fl. 8 13 35. Conforme se observa da planilha referente ao mês de janeiro de 2008, a recorrente apurou um saldo disponível de R$ 1.295.690.504,03. ao final do mês, este saldo foi registrado como ativo na contacontábil n. 1204200003 e, já em fevereiro, reclassificado como passivo e novamente registrado na contacontábil n. 2202200003. É o que se observa da planilha de fevereiro, mais precisamente da última linha do "tipo SA". Neste campo há o registro contábil do exato valor de R$ 1.295.690.504,03. 36. Percebese, portanto, que o registro do saldo positivo mensal no ativo da recorrente foi um mecanismo utilizado pela recorrente para atender uma exigência contábil, qual seja, de que cada lançamento tem que ter a sua contrapartida. Tal fato, entretanto, não tem Fl. 7366DF CARF MF 14 o condão de criar uma realidade jurídica, já que a contabilidade deve limitarse a registrar fatos e não criálos, sob pena, inclusive, de se admitir indevidamente, digase de passagem que o fato gerador do IOF não seria a realizaçao de um mútuo, mas sim um registro contábil qualquer. 37. Logo, não há que se falar em negócio jurídico de mútuo também para o saldo positivo mensal, razão pela qual, no tópico aqui tratado, o recurso de ofício deve ser negado e o recurso voluntário integralmente provido. PARTE II Da exigência de IOF nas operações de empréstimos para postos de combustíveis revendedores dos produtos Petrobrás (ii.a) Da acusação fiscal e dos fatos apurados ao longo do processo administrativo 38. Segundo a acusação fiscal, em 2008 a recorrente celebrou inúmeros contratos de mútuo com postos de combustíveis (revendedores de produtos Petrobrás) sem, todavia, submeter a integralidade dessas operações à incidência do IOF. Esse é o teor do TVF (fls. 4.913/4.914): 39. Após minucioso trabalho desenvolvido pela unidade julgadora, oportunidade em que se analisou cada um dos contratos apresentados pelo contribuinte vis a vis dos lançamentos e pagamentos do IOF para o período fiscalizado, a DRJ exonerou parcela desta exigência fiscal ao fundamento que parte do IOF lançado já havia sido reconhecida e paga pelo contribuinte em momento oportuno. 40. Neste tópico em particular, parcela significativa da exigência fiscal que foi mantida decorre do fato do contribuinte não ter feito prova de que os chamados contratos de "reentrada" seriam, em verdade, uma repactuação quanto ao prazo de vencimento do mútuo originalmente firmado. Fl. 7367DF CARF MF Processo nº 16682.720978/201241 Acórdão n.º 3402003.855 S3C4T2 Fl. 9 15 41. Diante deste quadro, ao interpor o seu recurso voluntário, o contribuinte apresentou os sobreditos contratos de "reentrada" (fls. 5.728/5.805), o que, inclusive, também serviu de motivação para a realização da diligência indicada pelo antigo Relator do presente caso. 42. Em resposta a tal diligência e depois de examinar de forma minudente cada um desses contratos de "reentrada", a fiscalização concluiu que de fato não haveria incidência de IOF para alguns desses negócios jurídicos, na medida em que tais avenças configurariam simples ajustes contratuais no prazo originalmente fixado para a devolução do bem emprestado a título de mútuo. Nesse sentido, a diligência concluiu que não haveria incidência de IOF para os contatos registrados com os seguintes números: 18618/18652; 18653; 12426; 13476/13570/14257; 25314; 40379; 26403; 23341; e, por fim, 41946. 43. Exemplificativamente, transcrevo uma das apurações realizadas pela diligência fiscal: 44. De fato, analisando os aditivos anexados aos autos, é possível perceber que os contratos referidos na aludida diligência fiscal realmente configuram instrumentos que se limitaram a repactuar a data de vencimento de um contrato de mútuo já existente e cujo IOF havia sido apurado e pago em momento oportuno. 45. O mesmo, todavia, não acontece com os contratos registrados sob os n.s 12134; 15185, 12241, 12247, 10175 e 22471. Para tais negócios jurídicos, a recorrente não logrou êxito em provar que tratarseiam de simples repactuações quanto ao vencimento do mútuo nem o recolhimento do IOF em momento oportuno. É o que bem apurou a diligência fiscal sobredita, conforme se observa do seguinte exemplo abaixo colacionado: Fl. 7368DF CARF MF 16 46. Em suma, para a acusação fiscal particularmente tratada neste tópico do voto, a exigência de IOF exonerada e aquela mantida poderia ser assim representada: 47. Nesse sentido, decido por exonerar o IOF exigido para os contratos registrados sob os números 18618/18652, 18653, 12426, 13476/13570/14257, 25314, 40379, 26403, 23341 e 41946, bem como manter tal exigência para os instrumentos de números 12134; 15185, 12241, 12247, 10175 e 22471. Dispositivo 48. Diante do exposto, voto para negar provimento integral ao recurso de ofício e para parcialmente prover o recurso voluntário interposto pelo contribuinte nos seguintes termos: Fl. 7369DF CARF MF Processo nº 16682.720978/201241 Acórdão n.º 3402003.855 S3C4T2 Fl. 10 17 (i) excluir toda a exigência de IOF incidente sobre a operação de antecipação de aquisição de mercadorias perpetrada entre a recorrente e a Petróleo Brasileiro S.A.; exatamente como desenvolvido na "parte I" do presente voto e, ainda (ii) excluir o IOF exigido nas operações de mútuo com postos de gasolina em relação aos contratos 18618/18652, 18653, 12426, 13476/13570/14257, 25314, 40379, 26403, 23341 e 41946, nos termos em que prescrito na "parte II" desta decisão. 49. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator Fl. 7370DF CARF MF
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Numero do processo: 10979.000117/2002-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/1997 a 31/12/1997
COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO DO SUJEITO PASSIVO PARA EXTINGUIR O DÉBITO.
Não obstante o direito a restituir/compensar Finsocial pago a maior tenha sido integralmente reconhecido ("an debeatur"), os valores efetivamente apurados a título de crédito ("quantum debeatur") detido pelo sujeito passivo contra a Fazenda Pública se esgotaram com a compensação realizada no Processo nº 10980.006325/2003, nada restando a compensar no presente processo.
Numero da decisão: 3401-003.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado da Primeira Turma da Quarta Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
ROBSON BAYERL - Presidente.
LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rodolfo Tsuboi.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO DO SUJEITO PASSIVO PARA EXTINGUIR O DÉBITO. Não obstante o direito a restituir/compensar Finsocial pago a maior tenha sido integralmente reconhecido ("an debeatur"), os valores efetivamente apurados a título de crédito ("quantum debeatur") detido pelo sujeito passivo contra a Fazenda Pública se esgotaram com a compensação realizada no Processo nº 10980.006325/2003, nada restando a compensar no presente processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado da Primeira Turma da Quarta Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. ROBSON BAYERL Presidente. LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vicepresidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rodolfo Tsuboi. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 9. 00 01 17 /2 00 2- 60 Fl. 204DF CARF MF 2 Relatório 1. Tratase de Auto de Infração originário de auditoria das DCTFs do segundo ao quarto trimestres de 1997 em que se constatou, para o período de apuração de junho a dezembro de 1997, "falta de recolhimento ou pagamento do principal declaração inexata", no valor histórico de R$ 57.081,02 de Cofins e de R$ 42.810,77 de multa de ofício, além de acréscimos legais com fundamento nos arts. 1º a 4º da Lei Complementar n° 70/1991, no art. 1º da Lei n° 9.249/1995, no art. 57 da Lei n° 9.069/1995, e nos e arts. 56 e parágrafo único, 60 e 66 da Lei n° 9.430/1996: 2. Conforme Anexo I do auto de infração lavrado, denominado "Demonstrativo dos créditos vinculados não confirmados", constam valores informados nas DCTFs, a título de "Valor do Débito Apurado Declarado", cujos créditos vinculados não foram confirmados sob a ocorrência "Proc jud não comprova". 3. Tais créditos foram informados como decorrentes de "Comp s/ DARFOutrosPJU", com base no Processo "91119857" (junho), "91119857" (terceiro trimestre) e "91119857" (quarto trimestre): Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10979.000117/200260 Acórdão n.º 3401003.233 S3C4T1 Fl. 205 3 4. Chegou, assim, a autoridade fiscal, ao Anexo III do auto de infração, denominado "Demonstrativo do crédito tributário a pagar", totalizando R$ 57.081,02 de Cofins e R$ 42.810,77 de multa de ofício: 5. Em sua impugnação, a contribuinte argumenta que: (i) a auditoria promovida pela autoridade fiscal não confirmou a vinculação indicada na DCTF, mas os débitos teriam sido compensados mediante crédito apurado judicialmente; (ii) o processo judicial não localizado pela autoridade fiscal é o Mandado de Segurança n° 9100.119857, impetrado em litisconsórcio, junto à 7ª Vara da Justiça Federal em Curitiba/PR, referente a créditos decorrentes de recolhimento a maior do antigo Finsocial, que já transitou em julgado favoravelmente às impetrantes, tendo sido a compensação legalmente efetuada, não podendo a simples alegação de nãolocalização do processo judicial ser utilizada como justificativa para Fl. 206DF CARF MF 4 se lavrar o auto de infração; (iii) existiria pedido administrativo de compensação, objeto do Processo Administrativo n° 10980.009115/9850, protocolado em 16/07/1998, relativamente às competências de junho de 1997 a julho de 1998, e que nunca foi comunicada sobre óbice algum à compensação realizada, mesmo porque efetuada nos termos da decisão judicial e das normas de compensação vigentes, supondo não ter ocorrido irregularidade, mas homologação da compensação, e solicita, ao fim, neste sentido, que sua situação seja regularizada, para evitar autuação sobre competências relativas ao anocalendário de 1998; e (iv) a autuação seria nula por ausência de infração tipificada, uma vez que não houve falta de recolhimento do principal 6. O Acórdão DRJ nº 8.642, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal em Curitiba em sessão de 15 de junho de 2005 julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendose o lançamento de ofício, em conformidade com a seguinte ementa: "NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA DE PROVIMENTO. À falta de provimento judicial que ampare o procedimento de compensação adotado e alegado pela contribuinte, correto o lançamento de ofício. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO INDEFERIDO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A existência de processo administrativo de pedido de restituição/compensação indeferido, ainda que se encontre pendente de julgamento de recurso, não impede o lançamento de ofício dos valores cuja falta de recolhimento foi constatada". 7. Em sede de recurso voluntário, a contribuinte argumentou: (i) a necessidade da conexão para julgamento simultâneo do presente processo com o Processo Administrativo nº 10980.006325/2003, no qual se discute compensação dos débitos de Cofins com créditos de Finsocial pagos indevidamente; (ii) que realizou a compensação conforme autorizava o art. 66 da Lei nº 8.383/1991, independentemente de qualquer requerimento prévio dirigido à Receita Federal, consoante pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça; (iii) que, mesmo com o respaldo legal e jurisprudencial em referência, no sentido de colaborar com a administração fazendária, protocolou, em 16/07/1998, pedido de restituição de Finsocial e compensação da Cofins nos termos da Instrução Normativa SRF nº 21/1997 editada em virtude da edição da Lei nº 9.430/1996, "mesmo sem estar obrigada a fazêlo", iniciando, assim, o Processo Administrativo n° 10980.009115/9850, no qual teve seu pedido não homologado em razão de prescrição nos termos do Ato Declaratório SRF nº 96/1999. A contribuinte interpôs manifestação de inconformidade na qual alegou inocorrência da prescrição, pois, nos casos de lançamento por homologação, o prazo é de dez anos após o pagamento antecipado, já que inexistiu sua homologação tácita. A DRJ manteve a decisão recorrida e foi interposto recurso voluntário, então pendente de julgamento pela segunda instância administrativa. Requereu, portanto, o reconhecimento da conexão para julgamento conjunto dos pleitos administrativos (Processos n° 10979.000.117/200260; n° 10980.006325/200314; n° 10980.009115/9850), para evitar o risco da superveniência de decisões conflitantes e em homenagem ao princípio da economia processual. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10979.000117/200260 Acórdão n.º 3401003.233 S3C4T1 Fl. 206 5 8. Em 21/09/2007, o então Segundo Conselho de Contribuintes Resolução n° 20300.853 com o seguinte teor: "(...) Como relatado, a exigência é combatida mediante a argüição de duas compensações: uma específica e relativa a direito creditório reconhecido em ação judicial (MS n° 91.00.119857); e e outra compensação mais genérica, cujos créditos são da própria recorrente. Como o litígio sobre os créditos da cedente é objeto do Processo Administrativo n° 10980.009115/9850, atualmente em sede de recurso especial da Fazenda Nacional e para a Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Conselho de Contribuintes, e como a decisão final naquele deve ser levada em conta neste, convém que este processo seja julgado após aquele. Não há como proferir uma decisão em segunda e última instância num pleito envolvendo compensação quando a liquidez e certeza do crédito são discutidas em outro processo, que ainda não tem decisão definitiva. Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento do recurso em diligência, determinando que se aguarde a decisão final no Processo n° 1098.0009115/9850, atualmente em sede de recurso especial. Após o término daquele devem ser acostadas ao presente processo cópias das decisões lá proferidas, com retorno destes autos a esta Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, para apreciação" (seleção e grifos nossos). 9. Em 23/02/2006 foi proferido, no Processo n° 1098.0009115/9850, o Acórdão nº 30237.335 pela Segunda Câmara do 3º Conselho de Contribuintes, dando provimento ao recurso para afastar a decadência; em 17/06/2008 a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão CSRF nº 0305.753 negou provimento ao Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional; em 27/08/2012 o Acórdão nº 9900000.747 (Pleno) negou seguimento ao Recurso Extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, tendo prevalecido a decisão de dar provimento ao direito da contribuinte de pleitear a restituição/compensação de valores de Finsocial recolhidos a maior. É o relatório. Fl. 208DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco 10. Constatase, a partir da leitura dos documentos que instruem os presentes autos, que o Mandado de Segurança n° 91.00119857, o Processo n° 1098.0009115/9850, o Processo nº 10979.000117/200260, e o Processo nº 10980.006325/2003, todos de interesse da contribuinte, devem ser contextualizados para que se alcance a correta compreensão do presente caso, o que se passa a fazer nos parágrafos seguintes, que devem nortear a discussão. 11. Em 1991, a contribuinte impetrou o Mandado de Segurança n° 91.00119857, no qual obteve decisão favorável, reconhecendose o seu direito a "(...) recolher o FINSOCIAL a partir de 25 de setembro de 1991 (Lei nº 8.212/91), até a entrada em vigor da Lei Complementar n° 70/91, bem como assegurar (...) a incidência da alíquota de 2% efetivada pela Medida Provisória nº 279, convalidada pela Lei nº 8.147/90 somente após a data de 14/03/1991", advindo o trânsito em julgado do quanto decidido em 01/10/1997. 12. Em 16/07/1998, com base na decisão judicial favorável obtida, a contribuinte realizou pedido de compensação no montante de R$ 70.292,93 referentes a recolhimentos a maior de Finsocial efetuados entre 11/10/1989 e 15/07/1991, com débitos de Cofins relativamente às competências de junho de 1997 a julho de 1998, o que foi discutido no Processo n° 1098.0009115/9850, no qual também obteve êxito, afastandose a decadência de maneira a se "(...) reconhecer o direito de o contribuinte pleitear restituição/compensação, em 16/07/1998, de valores de Finsocial relativos aos períodos de setembro de 1989 a junho de 1991"1. 13. Enquanto pendente de julgamento o processo administrativo acima descrito, em 04/11/2001 foi lavrado auto de infração discutido no Processo nº 10979.000117/200260 no qual se exigem débitos no valor histórico de R$ 57.081,02 de Cofins (mais multa e juros) referentes ao período de apuração de junho a dezembro de 1997. 14. Em 15/07/2003 foi lavrado auto de infração discutido no Processo nº 10980.006325/2003 no qual se exigem débitos por compensação indevida no valor histórico de R$ 46.946,12 de Cofins (mais multa e juros) referentes ao período de apuração de março a julho de 1998. 15. Parecenos que, caso a conexão dos processos administrativos acima descritos houvesse sido reconhecida, como requereu a contribuinte em diversas oportunidades, conforme se demonstrou no relatório que precede o presente voto, maior clareza teria sido proporcionada para o deslinde da matéria, em benefício da própria Administração. 16. Por outro lado, correto o entendimento dos julgadores de primeira instância administrativa no sentido de que a autuação se refere à glosa de compensação que a contribuinte inseriu em suas DCTFs como amparadas em processo judicial. 17. A existência de tal processo de fato foi comprovada, mas ainda assim "(...) a autuação foi efetuada corretamente, haja vista que não consta ter tido a contribuinte provimento judicial, nos autos do Mandado de Segurança n° 91.00119857, autorizandoa a 1 Trecho dispositivo do Acórdão do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais nº 9900000.747, de relatoria da Conselheira Nanci Gama, proferido em sessão de 29/08/2012. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10979.000117/200260 Acórdão n.º 3401003.233 S3C4T1 Fl. 207 7 efetuar compensações. No processo judicial, aliás, sequer se cogitou haver recolhimentos indevidos a título de Finsocial" (grifos nossos). 18. Neste sentido, entendo como indevida a inserção em DCTF de compensação amparada em provimento judicial, uma vez que tal matéria seria estranha ao objeto do litígio do mandamus, tendo se limitado o mandado de segurança a tratar do "(...) reconhecimento incidental da inconstitucionalidade da legislação que majorou as alíquotas do Finsocial". 19. O Processo Administrativo n° 10980.009115/9850, por seu turno, protocolado em 16/07/1998, antes, portanto, da lavratura do auto de infração em debate, de 04/11/2001, versava "(...) sobre os efeitos da decisão judicial que lhe assegurara o direito de não recolher a contribuição para o Finsocial em alíquotas superiores a 0,5%" e no qual a contribuinte pugnava pela "utilização de pagamentos a maior para a compensação de débitos de Cofins de junho de 1997 a julho de 1998", ressaltando com precisão que "no tocante aos períodos de apuração de julho a dezembro de 1997, a pretensão envolve a compensação de débitos de Cofins coincidentes com a autuação ora discutida". 20. Logo, enquanto o Processo nº 10980.009115/9850 é relativo à possibilidade de aproveitamento por compensação de Finsocial pago a maior, os Processos nº 10979.000117/200260 e nº 10980.006325/2003, por sua vez, prestamse a formalizar de ofício crédito da Fazenda Nacional. 21. Assim, destacamos trecho do voto condutor do acórdão de primeira instância administrativa: "De fato, embora à época do lançamento não houvesse decisão administrativa cientificada à contribuinte no Processo n° 10980.009115/98 50, verificase (...) que o pedido administrativo foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal em Curitiba/PR, por meio de despacho decisório cientificado em 18/07/2003 (juntamente com a ciência de outro auto de infração) e que a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, em 18/08/2003, não foi provida por esta Terceira Turma de Julgamento, mediante o Acórdão n° 4.414, de 29 de agosto de 2003 (fls. 80/89). Atualmente, o referido processo encontrase no Terceiro Conselho de Contribuintes (fl. 90). Extraise, desses elementos, que não há reconhecimento administrativo que permita dar provimento à alegação de compensação, eis que no processo administrativo em que a contribuinte trouxe à Administração o conhecimento de sua pretensão os pedidos e reclamações não foram providos. Convém relembrar, para contextualizar essas considerações, que o lançamento foi efetuado em auditoria interna das informações que haviam sido inseridas nas DCTFs e que o Processo Administrativo n° 10980.009115/9850 sequer havia sido indicado pela contribuinte naquelas declarações como base para a compensação. Pelo exposto, a contribuinte, em face do lançamento de ofício, ou recolhe a contribuição devida ou, pelos meios cabíveis, obtém provimento suficiente no processo de restituição/compensação para contraporse à exigência da Fl. 210DF CARF MF 8 contribuição que deixou de recolher. Até o presente momento, como descrito, não há o reconhecimento administrativo do direito de compensação" (seleção e grifos nossos). 22. Pendente de decisão final do Processo nº 10980.009115/9850 (cujo objeto é o reconhecimento do crédito de Finsocial reconhecido em decisão judicial transitada em julgado), no momento do julgamento de primeira instância administrativa dos Processos nº 10979.000117/200260 e nº 10980.006325/2003 (cujo objeto é formalizar de ofício crédito da Fazenda Nacional), foram mantidos os respectivos autos de infração e, ao chegarem à segunda instância administrativa, sobrevieram resoluções para que se aguardasse a conclusão do primeiro processo administrativo. 23. Uma vez transitada em julgado decisão favorável à contribuinte no Processo nº 10980.009115/9850 no sentido de se reconhecer o seu direito de pleitear restituição/compensação de valores de Finsocial recolhidos a maior ("an debeatur"), o processo foi remetido à unidade local para se apurar o exato valor do crédito ("quantum debeatur"). 24. Em 20/04/2014 foi proferido despacho decisório pela unidade local reconhecendo o direito da contribuinte passível de compensação originado de recolhimentos indevidos de Finsocial no montante de R$ 69.459,01 a ser acrescido de taxa de juros Selic a partir de 01/01/1996. 25. Em seguida, a autoridade fiscal consignou que, com base em tal crédito, a contribuinte apresentou pedido de compensação com débitos que à época não haviam sido confessados em DCTF, tendo sido, portanto, lançados e discutidos no Processo Administrativo nº 10980.006325/2003. 26. No entanto, ao compulsar o encontro do crédito (apurado no Processo n° 1098.0009115/9850) com o débito (apurado apenas no Processo Administrativo nº 10980.006325/2003), verificou que "(...) o crédito não foi suficiente para proporcionar a homologação das compensações da totalidade dos débitos, havendo remanescido débito não compensado". 27. Considerando que o Processo n° 1098.0009115/9850 discute crédito de Finsocial a compensar com débitos de Cofins do período de junho de 1997 a julho de 1998, e que o Processo nº 10979.000117/200260 se refere a autuação por falta de recolhimento de Cofins de junho a dezembro de 1997 e o Processo nº 10980.006325/2003 se refere a autuação por falta de recolhimento de Cofins em virtude de compensação indevida de março a julho de 1998; e 28. Considerando que o despacho decisório de 20/04/2014 verificou que o crédito apurado sequer foi suficiente para compensar a totalidade dos débitos de Cofins apurados de março a julho de 1998 (Processo nº 10980.006325/2003), concluise não haver saldo de crédito para abater os débitos referentes a Cofins apurados de junho a dezembro de 1997, período discutido no presente voto. 29. Assim, inobstante o direito a restituir/compensar Finsocial pago a maior tenha sido reconhecido, os valores efetivamente apurados a título de crédito se esgotaram com a compensação realizada no Processo nº 10980.006325/2003, nada restando a compensar no presente processo, motivo pelo qual o auto de infração lavrado deve ser integralmente mantido. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10979.000117/200260 Acórdão n.º 3401003.233 S3C4T1 Fl. 208 9 Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 212DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.000872/2002-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999, 2000, 2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA DE DECADÊNCIA.
O direito de a Fazenda Pública da União constituir crédito tributário referente ao IRPF extingue-se em cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador, conforme o disposto no art. 150, §4º, do CTN, ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante o art. 173, inciso I, do mesmo diploma legal.
No caso concreto, não se identifica a decadência por qualquer dos critérios mencionados.
Numero da decisão: 2201-003.404
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente e rejeitar, na parte conhecida, os embargos interpostos.
Assinado digitalmente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 15/02/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ, DIONE JESABEL WASILEWSKI, MARCELO MILTON DA SILVA RISSO, CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA E RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999, 2000, 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA DE DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública da União constituir crédito tributário referente ao IRPF extingue-se em cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador, conforme o disposto no art. 150, §4º, do CTN, ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante o art. 173, inciso I, do mesmo diploma legal. No caso concreto, não se identifica a decadência por qualquer dos critérios mencionados.
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OMISSÃO. INEXISTÊNCIA DE DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública da União constituir crédito tributário referente ao IRPF extinguese em cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador, conforme o disposto no art. 150, §4º, do CTN, ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante o art. 173, inciso I, do mesmo diploma legal. No caso concreto, não se identifica a decadência por qualquer dos critérios mencionados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente e rejeitar, na parte conhecida, os embargos interpostos. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 15/02/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ, DIONE JESABEL WASILEWSKI, MARCELO MILTON DA SILVA RISSO, CARLOS ALBERTO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 08 72 /2 00 2- 40 Fl. 300DF CARF MF 2 DO AMARAL AZEREDO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA E RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM. Relatório Tratamse de Embargos de Declaração contra Acórdão de Recurso Voluntário no qual o colegiado entendeu, por unanimidade, rejeitar as preliminares suscitadas, indeferir o pedido de perícia e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para afastar a multa isolada, nos termos do voto do relator. Nesta oportunidade, utilizome do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Mediante Auto de infração, de fls. 121/140, exigese do contribuinte acima qualificado o recolhimento do imposto de renda pessoa física, acrescido de juros de mora, calculados até 31/05/2002, e multa proporcional, multa regulamentar e multa isolada no valor total de R$ 23.300,08, em virtude da constatação de irregularidades na declaração de ajuste anual referente aos exercícios de 1999, 2000, 2001, anos calendários de 1998, 1999 e 2000. A fiscalização informa às fls. 122/124 ter constatado omissão de rendimentos do trabalho recebidos de pessoa jurídica, omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas, acréscimo patrimonial a descoberto, falta de informação de bens da declaração de bens e direitos e falta de recolhimento de imposto de renda pessoa física devido a título de carnêleão. O contribuinte apresentou impugnação de fls. 159/162, a qual foi considerada tempestiva conforme manifestações de fls. 172, 177 e 199, com as seguintes alegações: a)Renúncia do litígio das infrações relativas à omissão de rendimentos do trabalho recebidos de pessoas jurídicas e omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas. Afirmou ter promovido o pagamento integral desta parte do imposto lançado com a redução de 50% da multa aplicada, mais os respectivos juros. b)Impugnação do item 3 – acréscimo patrimonial a descoberto, em razão do equívoco fiscal em presumir a omissão de rendimentos de março/1998 no valor de R$ 23.667,00 demonstrado no anexo 2. Afirmou que a disponibilidade gerada e declarada no patrimônio em 31 de dezembro do ano precedente (1997) e rendimento da venda de veículo em Março/1998. c)Impugnação dos itens 4 e 5 – multa regulamentar e multa isolada pelo fato de que o fisco somente poderá impor multa de ofício isolada se o fizer dentro do períodobase de apuração e pagamento e antes do contribuinte entregar sua declaração de ajuste anual. Adiante, disse que a multa de ofício e as multa formais não podem coexistir na mesma peça impositiva, Fl. 301DF CARF MF Processo nº 13005.000872/200240 Acórdão n.º 2201003.404 S2C2T1 Fl. 3 3 calculadas sobre idêntica base de cálculo, ou seja, não comporta a cobrança de multa isolada em lançamento de ofício, sob pena de dupla incidência de multa de ofício sobre a mesma infração. O acórdão recorrido restou consignado com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999, 2000, 2001 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Constituise rendimento tributável o valor correspondente ao acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos tributáveis declarados, não tributáveis, isentos, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Não sendo comprovada a suficiência de recursos há de se manter o lançamento tributário. MULTA ISOLADA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DO PAGAMENTO DO CARNÊ LEÃO. INCIDÊNCIA CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO VINCULADA AO IMPOSTO LANÇADO NO AJUSTE ANUAL. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada do carnê leão não pode ser cobrada concomitantemente com a multa de ofício sobre o imposto lançado no ajuste anual, esse em decorrência da colação no ajuste anual do rendimento que deveria ter sido submetido ao recolhimento mensal obrigatório, pois ambas têm a mesma base de cálculo. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA ADMINISTRATIVA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). JUROS DE MORA. COBRANÇA NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. E a razão é muito simples: como o devedor conhece a data em que a obrigação tributária deve ser cumprida, o inadimplemento ocorre no vencimento e os efeitos da mora a partir daí, de forma que a insurgência do sujeito passivo, em processo administrativo fiscal, não obsta a fluência dos juros incidentes sobre o crédito tributário constituído, sob pena de Fl. 302DF CARF MF 4 premiar os contribuintes que não honram seus débitos em época oportuna e utilizam o contencioso administrativo para procrastinar o pagamento de dívidas tributárias. (conforme Acórdão nº 2801003.544 1ª Turma Especial, de 14 de maio 2014) PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA Na apreciação das provas, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências ou perícia que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis. Pedido de Diligência/Perícia Indeferido. Preliminares Rejeitadas Recurso Voluntário Provido em Parte Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foram opostos embargos de declaração, nos quais o contribuinte sustenta, em síntese: a) omissão do relatório do acórdão quanto as matérias recursais relativas às preliminares (itens 1.1, 1.2 e 1.3, fls. 243 a 247); b) omissão sobre a decadência dos atos e prescrição da cobrança; c) omissão sobre a decadência da nulidade do ato da Procuradoria da Fazenda; d) omissão sobre a preclusão do direito de desarquivamento do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Ana Cecília Lustosa da Cruz Pela leitura do acórdão de recurso voluntário, observase que, embora o relator não tenha descrito no relatório os pontos suscitados como omissos pelo recorrente, houve apreciação parcial de tal alegações, pois a questão atinente à prescrição intercorrente foi devidamente refutada pelo julgador, de forma expressa, de modo que não restam omissos os seguintes pontos: prescrição da cobrança; nulidade do ato da procuradoria; e preclusão do direito de desarquivamento do processo. Corroborando o exposto, cabe citar os trechos do voto, fl. 270: Em PRELIMINAR, argui o Contribuinte Nulidade do Auto de Infração e Prescrição Intercorrente, não merecendo prosperar quais quer das alegações a saber: (i)Nulidade do Auto de Infração. O artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1.972, com as alterações introduzidas pela Lei nº Fl. 303DF CARF MF Processo nº 13005.000872/200240 Acórdão n.º 2201003.404 S2C2T1 Fl. 4 5 8.748, de 09 de dezembro de 1993, enumera os casos que acarretam a nulidade do lançamento: (...). (ii)Prescrição Intercorrente: não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF n.11). Súmula CARF n. 11. Não se aplica a prescrição Intercorrente no processo Administrativo Fiscal Preliminares rejeitadas Assim, observase que as preliminares suscitadas referemse à prescrição intercorrente, que foi objeto do acórdão recorrido, exceto no que se refere à decadência, matéria alegada, de forma geral, em sede de recurso voluntário, mas não ventilada pelo acórdão em questão. Portanto, conheço dos embargos de declaração apenas quanto à omissão relativa à decadência e passo a apreciar tal prejudicial de mérito. Compulsandose os autos, verificase que a ciência do contribuinte acerca da lavratura do Auto de Infração ocorreu em 28/06/2002, fl. 143; e a autuação referese aos anos calendário de 1998, 1999 e 2000. Notase, dessa forma, que seja por qualquer das regras (art. 150 ou art. 173, inciso I, do CTN) não transcorreu o prazo de cinco anos, de modo que não há a decadência alegada. Nesse contexto, conheço parcialmente os embargos opostos, no que se refere à decadência, e os rejeito. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 304DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001547/2005-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2000
PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS.
Estão sujeitos à incidência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981/1995, os pagamentos efetuados ou os recursos entregues pela pessoa jurídica a terceiros quando não comprovado por documentos hábeis e idôneos os beneficiários e a operação ou a causa a que se referem.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Theodoro Vicente Agostinho (Suplente Convocado), que deram provimento integral ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rosemary Figueiroa Augusto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado).
Nome do relator: ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2000 PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS. Estão sujeitos à incidência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981/1995, os pagamentos efetuados ou os recursos entregues pela pessoa jurídica a terceiros quando não comprovado por documentos hábeis e idôneos os beneficiários e a operação ou a causa a que se referem. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1471; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 723 1 722 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.001547/200564 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.738 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de março de 2017 Matéria IRRF pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado Recorrente COBE INCORPORAÇÕES E PARTICIPAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2000 PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS. Estão sujeitos à incidência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981/1995, os pagamentos efetuados ou os recursos entregues pela pessoa jurídica a terceiros quando não comprovado por documentos hábeis e idôneos os beneficiários e a operação ou a causa a que se referem. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Theodoro Vicente Agostinho (Suplente Convocado), que deram provimento integral ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Rosemary Figueiroa Augusto Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 15 47 /2 00 5- 64 Fl. 723DF CARF MF Processo nº 18471.001547/200564 Acórdão n.º 2202003.738 S2C2T2 Fl. 724 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado). Relatório Tratase de retorno de processo da Câmara Superior de Recursos Fiscais, para análise das demais questões do recurso voluntário, não apreciadas nesta instância em face da decadência, a qual, posteriormente, foi afastada naquela corte administrativa. Conforme o auto de infração de fls. 207/213 e o Termo de Verificação Fiscal de fls. 203/206 e Demonstrativos de Cálculo de fls. 197/198, o lançamento contra o sujeito passivo, exigiu: (1) Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), no valor de R$ 279.999,71, mais juros e multa de 75%, em relação a pagamentos efetuados a beneficiários não identificados ou sem causa, constatados na comparação de escriturações efetuadas na conta contábil Caixa e Banco HSBC; (2) multa e (3) juros isolados, no valor de R$ 592.017,28, por falta de retenção e recolhimento do imposto de renda, em relação a rendimentos pagos à Parcom Participações S/A na liquidação de contrato de mútuo. Houve apresentação de impugnação às fls. 223/252, acompanhada dos documentos de fls. 253/399, contestando o lançamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ (DRJ/RJO), no Acórdão nº 1211.907 (fls. 406/423), julgou procedente em parte o lançamento para retificação do reajustamento da base para aplicação da multa isolada (relativa aos rendimentos da Parcom). Nesse julgamento foram afastadas as preliminares e alegação de decadência, mantendose a aplicação do art. 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN). O contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 429/453 e documentos de fls. 454/496. No Acórdão nº 10423.588 (fls. 510/524), a 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, considerando as datas dos saques que serviram de base para o lançamento de IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa, acolheu a arguição de decadência dos fatos geradores ocorridos até 17/10/2000 (nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), deixando, assim, de apreciar o mérito em relação ao IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa; e analisou o mérito quanto à multa e juros isolados por não retenção sobre pagamentos efetuados a Parcom Participações S/A na liquidação de contrato de mútuo, dando provimento ao recurso, conforme ementa a seguir: Fl. 724DF CARF MF Processo nº 18471.001547/200564 Acórdão n.º 2202003.738 S2C2T2 Fl. 725 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA I R P F Exercício: 2001 PAGAMENTO SEM CAUSA DECADÊNCIA. A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. O pagamento efetuado sem a comprovação da operação ou causa está sujeito à incidência na fonte, cuja apuração e recolhimento devemser realizados na ocorrência do pagamento. A incidência tem característica de tributo cuja legislação atribui ao sujeito passivo o, dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa e amoldase à sistemática de lançamento . denominado por homologação, onde a contagem do prazo decadencial deslocase da regra geral do artigo 173 do Código Tributário Nacional, para encontrar respaldo no § 4o do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. MÚTUO DE BENS FUNGÍVEIS. O empréstimo de ações cuja liquidação se efetive com a devolução do equivalente da mesma espécie de valor mobiliário, não constitui fato gerador do imposto de renda sobre ganho líquido. DIVIDENDOS E JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO REEMBOLSO. Não constituem rendimentos, os valores distribuídos pela companhia emissora das ações e repassados ao emprestador, durante o decurso do contrato de empréstimo. Arguição de decadência acolhida. Recurso provido. Em análise de recurso especial interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), no Acórdão nº às fls. 9202003.182, decidiu pela aplicação da regra decadencial do art. 173, I, do CTN, conforme abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 01/03/2000, 03/05/2000, 12/06/2000, 15/06/2000, 21/06/2000 DECADÊNCIA. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. ANTECIPAÇÃO DE RECOLHIMENTO. INEXISTÊNCIA. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com que a ordem do art. 150, §4º, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo Fl. 725DF CARF MF Processo nº 18471.001547/200564 Acórdão n.º 2202003.738 S2C2T2 Fl. 726 4 antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações. A antecipação do pagamento deve ser verificada para cada fato gerador ocorrido. No caso, o fato gerador é o pagamento do valor e não foi identificado recolhimento do tributo específico para os fatos geradores em questão. Recurso especial provido. O processo retornou para análise das demais questões não tratadas. Tendo em vista que as infrações relativas à (2) multa e aos (3) juros isolados sobre os rendimentos da Parcom Participações Ltda. já foram afastadas pelo Acórdão nº 104 23.588, da 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, especificase a seguir os fatos referentes ao (1) IRRF sobre pagamentos efetuados a beneficiários não identificados ou sem causa. O Termo de Verificação Fiscal, às fls. 203/204, expõe que: o contribuinte lançou a débito na conta 111.01.01 CAIXA GERAL, os valores a seguir relacionados, em decorrência de saques na conta corrente nº 08981448327 do Banco HSBC (fls. 98/111 e 114/126): Data nº Cheque Valor 01/03/2000 216628 75.000,00 03/05/2000 216676 95.000,00 12/06/2000 216715 100.000,00 15/06/2000 216715 150.000,00 21/06/2000 216718 100.000,00 o contribuinte realizou depósitos em cheques (fls. 129/137) na conta corrente nº 08981448327 do HSBC, nas datas e valores a seguir relacionados, efetuando lançamentos a débito do Banco e crédito da conta 111.01.01 CAIXA GERAL: Data dos depósito em cheque Valor 31/05/2000 75.000,00 16/05/2000 95.000.00 05/07/2000 350.000,00 considerando que os depósitos efetuados nesses dias tiveram cheques como origem, não se pode admitir como legítimo o crédito da conta Caixa nos dias 31/05, 16/05 e 05/07/2000, já que os recursos existentes na referida conta estavam representados por dinheiro; o sujeito passivo, intimado a comprovar a destinação dos recursos contabilizados à débito na conta Caixa nos dias 01/03, 03/05, 12/06, 15/06 e 21/06/2000, Fl. 726DF CARF MF Processo nº 18471.001547/200564 Acórdão n.º 2202003.738 S2C2T2 Fl. 727 5 informou que esses recursos sacados tinham como objetivo adquirir alguns imóveis para realizar nova incorporação imobiliária e procurou justificar que os recursos depositados na citada conta corrente do HSBC seriam aqueles que compunham o saldo da conta Caixa; não se pode aceitar que os depósitos em cheque no HSBC provêm do numerário existente em Caixa; os lançamentos a crédito na conta Caixa têm como objetivo apenas simular a saída de recursos dessas contas; apesar de intimado e reintimado o contribuinte não identifica as causas ou os beneficiários dos recursos que foram sacados para a conta Caixa; a falta de identificação dos beneficiários dos recursos existentes em CAIXA ou das operações que deram causa à saída do numerário, sujeita o contribuinte ao imposto de renda na fonte à alíquota de 35%, nos termos do art. 674, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR), Decreto nº 3000/99, cabendo o reajustamento das bases por se considerarem rendimentos líquidos, conforme dispõe o parágrafo 3º desse mesmo artigo; Os argumentos trazidos no recurso voluntário (fls. 429/453) quanto ao lançamento de IRRF sobre os pagamentos efetuados a beneficiários não identificados ou sem causa, ainda não analisados nesta instância administrativa, são os seguintes: não houve pagamento sem causa; a jurisprudência do CARF admite que um fato posterior ao pagamento elide a presunção de pagamento sem causa, conforme ementa citada. a posterior devolução dos recursos que supostamente saíram a título de pagamento sem causa demonstram a inexatidão da presunção fiscal; diz que em 2000, a recorrente, que tem entre seus objetos sociais a incorporação de imóveis, pretendida comprar um imóvel velho com o objetivo de pôlo abaixo para então construir outro no lugar; como tal imóvel era composto de unidades autônomas que pertenciam a pessoas diferentes, a recorrente optou por não fazer diretamente a oferta pelas unidades, e preferiu tentar comprálas por meio de intermediários, coisa absolutamente normal no mercado imobiliário, pois no momento em que vasa informação de que alguma construtora pretende comprar todo um prédio para demolir e construir outro, os proprietários de unidades autônomas em especial os que não precisam do dinheiro e deixam para vender por último tendem a pedir um preço muito superior ao de mercado, ou melhor, ao preço que seria pedido pela mesma unidade se fosse vendida à pessoa que quisesse nela morar, o que diminui, para a construtora, a lucratividade do empreendimento. Afirma que não há, nessa prática, ilegalidade de qualquer natureza, mas apenas a execução de uma estratégia comercial que nada tem de ilícita; para tal intermediação, escolheu duas pessoas que com ela se relacionavam e adiantou o dinheiro para que fossem feitas as ofertas. Pouco depois, por motivos comerciais alheios à presente discussão, as compras das unidades não foram feitas, e o dinheiro foi devolvido à recorrente pelos seus intermediários. Fl. 727DF CARF MF Processo nº 18471.001547/200564 Acórdão n.º 2202003.738 S2C2T2 Fl. 728 6 este fato foi descartado pela fiscalização e pelos julgadores de primeira instância, em razão da premissa equivocada de que fatos ocorridos em momentos posterior ao suposto pagamento sem causa são imprestáveis para o afastamento da presunção fiscal; cita ementa de acórdão do CARF que refuta essa tese; diz que não houve um verdadeiro pagamento, cuja noção supõe a extinção de uma obrigação, a existência de um devedor e de um credor, conforme as normas gerais do Código Civil, que colaciona no apelo; e que o legislador tributário pode dotar conceitos de direito privado, nos termos do art. 109, do CTN; e que os efeitos do pagamento também é previsto no CTN (arts. 156, I, 157 a 169) como extinção de crédito tributário. que a transferência de recursos da recorrente que depois lhe são restituídos não pode ser tratado como pagamento; cita ementas de julgados do CARF nesse sentido. pede que seja integralmente cancelado o auto de infração. Em 24/02/2017, o contribuinte trouxe aos autos manifestação e documentos de fls. 699/722, que diz comprovar a operação e a devolução dos recursos à empresa. É o relatório. Voto Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto, Relatora. A presente análise se restringe às questões não tratadas no Acórdão nº 104 23.588 (fls. 510/524), relativas ao lançamento do IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa, em face da decisão proferida pela 2ª Turma da CSRF no Acórdão nº 9202003.182 (fls. 680/689). Conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls. 203/204), a constatação da ocorrência de pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados se originou nos saques dos seguintes montantes da conta corrente da empresa, nº 08981448327, no Banco HSBC (fls. 98/111 e 114/126), escriturados a débito na conta contábil CAIXA GERAL: Data nº Cheque Valor 01/03/2000 216628 75.000,00 03/05/2000 216676 95.000,00 12/06/2000 216715 100.000,00 15/06/2000 216715 150.000,00 21/06/2000 216718 100.000,00 O contribuinte alega, em síntese, que não houve pagamento sem causa, visto esses recursos foram disponibilizados a terceiros com a finalidade de comprar imóveis para a Fl. 728DF CARF MF Processo nº 18471.001547/200564 Acórdão n.º 2202003.738 S2C2T2 Fl. 729 7 empresa. Mas, diz que essa operação não se concretizou e esses terceiros lhe restituíram as quantias por meio dos cheques depositados na conta do HSBC. Observase que no item 53 da impugnação (fls. 236) a recorrente alegou que as pessoas que escolheu para realizar a operação foram: (i) a Quatro de Janeiro Adninistração e Participações Ltda., empresa cujos sócios, à época, eram os mesmos da Impugnante; e (ii) o Sr. Licínio Ribeiro Diniz, que era um funcionário da Agenco Engenharia e Construções Ltda., sócia da Impugnante à época. Ocorre que nos documentos trazidos pela recorrente às fls. 283/297 não há nenhuma indicação de que os recursos foram repassados a essas pessoas. E nos documentos de fls. 299/304 e 306/308, também não há provas que os depósitos posteriores, feitos na conta da empresa no Banco HSBC, teriam sido realizados por tais pessoas. Notese que não foram apresentados os cheques microfilmados a que se referiu o contribuinte na impugnação, como ressaltou a decisão de primeira instância. Também não foram apresentados na impugnação documentos que comprovassem o suposto acordo com intermediários na compra de imóveis. Ademais, nenhuma dessas operações mencionadas pelo contribuinte foram escrituradas em seus livros contábeis. Dessa forma, não cabe discutir a tese da recorrente, trazida no recurso, quanto à impossibilidade de se considerar pagamento a transferência de recursos que depois lhe são restituídos, uma vez que a alegada operação não foi comprovada nos autos por meio de documentos hábeis e idôneos. Observase ainda que o contribuinte, após a colocação deste processo em pauta para julgamento, trouxe aos autos, em 24/02/2017, às fls. 699/722, documentos contendo declarações das pessoas que alegou envolvidas na intermediação e simulações de pagamentos bancários, que diz comprovarem a operação aventada e a titularidade dos depositantes. No entanto, além desses documentos não terem sido apresentados na impugnação, o que ocasiona a preclusão do direito de apresentálos em outro momento processual, nos termos do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, tais documentos também não são suficientes para afastar o lançamento, posto que as operações que intentam comprovar não estão corroboradas pela escrituração contábil da empresa. Logo, permanece sobre os recursos entregues a terceiros a incidência do imposto de renda na fonte, na alíquota de 35%, nos termos do art. 66, § 1º, da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, a seguir: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não Fl. 729DF CARF MF Processo nº 18471.001547/200564 Acórdão n.º 2202003.738 S2C2T2 Fl. 730 8 for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso voluntário na parte relativa ao lançamento do IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa e, no mérito, voto por NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Rosemary Figueiroa Augusto Relatora Fl. 730DF CARF MF
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