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Numero do processo: 10380.905874/2015-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.827
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cynthia Elena de Campos - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente Convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Suplente convocado.
Nome do relator: CYNTHIA ELENA DE CAMPOS
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente Convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Suplente convocado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 05 87 4/ 20 15 -7 6 Fl. 1863DF CARF MF Processo nº 10380.905874/201576 Resolução nº 3402001.827 S3C4T2 Fl. 1.864 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 1476.163, proferido pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade interposta, conforme Ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2013 a 31/12/2013 MATERIAL DE EMBALAGEM. INSUMOS. A película para fardos, desde que não seja material retornável, se enquadra no conceito de insumos embalagem. Para referido conceito, não importa se a embalagem usada é para transporte ou se individual. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. Mantida parcialmente a glosa de crédito pelo auto de infração e não comprovado o saldo credor suficiente para a compensação pretendida, mantémse a cobrança dos débitos não pagos pela nãohomologação da compensação. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. IDENTIDADE DE MATÉRIAS COM O PROCESSO DE AUTO DE INFRAÇÃO. Diante da inexistência de expressa previsão normativa que determine o sobrestamento de processos, no âmbito do rito processual administrativo fiscal federal, em razão de identidade de matérias tratadas em outro processo, nada impede que haja continuidade dos mesmos em separado. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos, transcrevo parte do relatório da decisão recorrida: Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pela requerente ante Despacho da Delegacia da Receita Federal do Brasil que indeferiu o ressarcimento, no montante de R$ 3.113.536,42 solicitado no PER nº 15630.56923.250214.1.1.010966 e não homologou as compensações informadas nas DCOMP de 15895.01511.170414.1.7.010640, 27204.73134.170414.1.7.010600, 20032.57549.300414.1.3.017194, 01666.25454.260514.1.3.01 0928, 16887.88712.270614.1.3.018169, 35177.13390.100914.1.3.016840, 30889.84506.151014.1.3.011201, 30437.33109.010615.1.3.014786, Fl. 1864DF CARF MF Processo nº 10380.905874/201576 Resolução nº 3402001.827 S3C4T2 Fl. 1.865 3 16688.51139.250815.1.7.010069 e 11740.34474.201115.1.3.015600, fato que constou da cobrança do valor de R$ 3.113.536,42 mais acréscimos legais. Consta dos autos que o crédito que se pretendeu compensar diz respeito ao saldo credor do IPI apurado no 4º trimestre de 2013. Em 07/06/2016, foi emitido Despacho Decisório Eletrônico (Rastreamento nº 115288674) que reconheceu parcialmente o crédito, no montante de R$ 3.014.836,36 (três milhões quatorze mil oitocentos e trinta e seis reais e trinta e seis centavos), homologou as compensações declaradas nos documentos de nº 15895.01511.170414.1.7.010640, 27204.73134.170414.1.7.010600, 20032.57549.300414.1.3.017194, 01666.25454.260514.1.3.01 0928, 16887.88712.270614.1.3.018169, 35177.13390.100914.1.3.016840, 30889.84506.151014.1.3.011201, 30437.33109.010615.1.3.014786 e 16688.51139.250815.1.7.01 0069, homologou parcialmente as compensações informadas no documento nº 11740.34474.201115.1.3.015600, e indeferiu o pedido ressarcimento apresentado no documento nº 15630.56923.250214.1.1.010966. O indeferimento do pedido e a não homologação das compensações se deram em consequência de glosas de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. A empresa apresentou manifestação de inconformidade e por meio da Resolução nº 4.328, de 27/06/2017, esta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) converteu o julgamento da manifestação em diligência, tendo em vista que em procedimento fiscal diverso, efetuado em estabelecimento da mesma empresa CNPJ nº 07.196.033/002141 , restou evidente erro de classificação fiscal nas aquisições da Amazônia Ocidental tida como isenta e aproveitada pelo estabelecimento – processos administrativos PA 10380.730601/201642 e PA nº 10380.903208/201501. 4.2, nos quais a equipe fiscal constatou que todos os insumos identificados nas notas fiscais como "concentrados", fornecidos pela empresa RECOFARMA INDÚSTRIA DO AMAZONAS LTDA, CNPJ 61.454.393/000106, utilizados para a fabricação dos produtos finais da contribuinte, apresentamse fisicamente dissociados, em partes e embalagens distintas, que não se referem a concentrados, "extratos concentrados" ou "sabores concentrados", que dão materialidade textual aos "EX 01 e EX 02". Consta do processo nº 10384723.819/201791 o Relatório de Ação Fiscal onde ficou demonstrado erro de classificação fiscal na aquisição de insumos junto à fornecedora Recofarma Indústria do Amazonas Ltda (CNPJ nº 61.454.393/000106), não havendo créditos de IPI na entrada desses insumos, cujas glosas totalizaram os valores a seguir: R$ 701.965,92, R$ 901.835,08 e R$ 741.145,01, para os meses de outubro, novembro e dezembro de 2013, respectivamente. Verificouse, assim, que a maior parte dos créditos do IPI escriturados pela empresa foram oriundos de “kits” contendo preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas da posição 22.02, além de outros ingredientes acondicionados individualmente, adquiridos de RECOFARMA INDÚSTRIA DO AMAZONAS LTDA, CNPJ 61.454.393/0001 06, fornecedor localizado em Manaus/AM. A empresa RECOFARMA INDÚSTRIA DO AMAZONAS LTDA não destacou o IPI notas fiscais de saída dos kits, por entender que os produtos estariam isentos do imposto. E, a partir de janeiro de 2011, passou a registrar nas notas fiscais a classificação fiscal 2106.90.10, código Ex 01, que tem a seguinte descrição: preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas (Ex 01 Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado). Fl. 1865DF CARF MF Processo nº 10380.905874/201576 Resolução nº 3402001.827 S3C4T2 Fl. 1.866 4 A requerente, apesar de não efetuar pagamento do IPI nas aquisições dos insumos fornecidos por Recofarma, baseouse no artigo 237 do RIPI/2010 para escriturar no Livro Registro de Apuração do IPI créditos calculados mediante aplicação da alíquota prevista na TIPI para o Ex 01 do código 2106.90.10 sobre o valor dos kits. Até 30/09/2012, os produtos enquadrados no Ex 01 do código 2106.90.10 eram tributados à alíquota de 27% (Decreto nº 6.006, de 28/12/2006, e Decreto nº 7.660, de 23/12/2011). A partir de 01/10/2012, os produtos enquadrados no Ex 01 do código 2106.90.10 passaram a ser tributados à alíquota de 20% (Decreto nº 7742, de 31/05/2012). Ressaltese que somente a partir do mês abril/2015 a empresa passou a registrar em sua escrituração a NCM 2106.90.10 que consta das respectivas notas fiscais eletrônicas emitidas pela fornecedora, até então eram escriturados os códigos NCM: 9900.00.00 ou 2100.00.00. Além disso, na ação fiscal anteriormente executada, houve glosas de créditos em decorrência de os materiais adquiridos não se enquadrarem no conceito de insumos, nos termos do art. 164 do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/02), sendo: R$ 23.162,50, R$ 52.762,95 e R$ 22.774,61, para os meses de outubro, novembro e dezembro de 2013, respectivamente. No exame efetuado pela fiscalização foram encontrados materiais, empregados no processo produtivo do interessado, que não se enquadram no conceito de insumo, conforme enunciado no art. 164 do Decreto nº 4.544/02 (RIPI 2002), com a conformação que lhe foi dada pela ainda vigente interpretação contida no Parecer Normativo CST nº 65/79. Os materiais, que estão relacionados no demonstrativo “RELAÇÃO DE INSUMOS GLOSADOS” (de que fora cientificado o contribuinte quando da emissão do despacho decisório emitido em 08/10/2014), embora empregados no processo produtivo, não reúnem as condições necessárias para se enquadrar no conceito de insumo, ou seja, não se incorporaram aos produtos fabricados nem sofreram desgastes, danos ou perdas de suas propriedades físicas ou químicas em razão de ação exercida diretamente sobre àqueles. Além desses, desconsiderouse também materiais de embalagens empregados após a conclusão do processo produtivo, com a finalidade de acondicionar os produtos fabricados para transportes, desta feita, escapando da abrangência requerida no art. 164 acima citado, que é a de utilização no processo produtivo. Em decorrência dessas glosas, foi efetuada a reconstituição da escrita fiscal (conforme planilha anexada às fls. 1517/1527), tendo sido constatado que, ao invés de créditos de IPI passíveis de ressarcimento/compensação, houve apuração de saldos devedores, com a consequente emissão de auto de infração, conforme consta do processo nº 10384 723.819/201791. Regularmente cientificada do indeferimento de seu pleito, a empresa apresentou manifestação de inconformidade alegando, em suma, o que segue: Da necessária vinculação deste processo com o PAF 10384723.819/201791: O Despacho Decisório aqui impugnado, na verdade, é decorrência (e repetição) do Auto de Infração objeto do PAF n. 10384723.819/201791 Acontece que, utilizandose da faculdade prevista no art. 16 do Decreto n. 70.235/72, o aludido Auto de Infração foi Impugnado e sua exigibilidade está suspensa na forma do art. 151, III, do CTN. Fl. 1866DF CARF MF Processo nº 10380.905874/201576 Resolução nº 3402001.827 S3C4T2 Fl. 1.867 5 Portanto, a Inconformada requer, com vistas à economia processual e razoabilidade, e mesmo em nome de práticas tendentes à racionalização dos atos administrativos (invocando, neste particular, por analogia (CTN, art. 108, I), o disposto nos arts. 116 e 116A do Decreto n. 7.574/20111), a reunião deste processo com o PAF n. 10384723.819/201791, ou, quando menos, a suspensão do presente até que o primeiro seja concluído. Salientase que o pedido é de todo cabível na medida em que o indeferimento do crédito aqui discutido decorreu da reapuração do IPI efetivada nos autos do PAF nº 10384723.819/2017 91, de forma que àquele está vinculada. Se a Impugnação apresentada naquele PAF for acolhida, a premissa (isto é, o motivo determinante) que suporta o Despacho Decisório aqui impugnado será infirmada; sendo imperioso, ao final, o reconhecimento do direito creditório. Impossibilidade de revisão do Despacho Decisório anterior: Admitindose, por hipótese, a superação da questão prejudicial (isto é, o não acolhimento do pedido anterior, ou, sendo acolhido, que o Auto de Infração objeto do PAF n. 10384 723.819/201791 seja julgado procedente), temse, no mérito, a impossibilidade de revisão do Despacho Decisório anterior. Em valiosa lição, o saudoso Prof. Alberto Xavier ensina que: São três os fundamentos da revisão do lançamento: (i) a fraude ou falta funcional da autoridade que o praticou; (ii) a omissão de ato ou formalidade essencial; (iii) a existência de fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior. Pode, assim, dizerse que os vícios que suscitam a anulação ou reforma do ato administrativo de lançamento são a fraude, o vício de forma e o erro... O Parecer Normativo COSIT nº 08/2014, por sua vez dispõe que: 32.Do exposto, concluise que as hipóteses de revisão de ofício do lançamento são aquelas fixadas nos incisos I, VIII e IX do art. 149 do CTN, quais sejam, quando a lei assim o determine (como no caso do §7º do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; e o art. 53 da Lei nº 9.784, de 1999, neste incluídos o vício de legalidade e ofensa a matéria de ordem pública); erro de fato no lançamento; fraude ou falta funcional; e vício formal especial. São estes, portanto, os limites materiais em que é possível a revisão de ofício do lançamento, desde que estas questões não estejam (ou tenham sido) submetidas aos órgãos de julgamento administrativo. Logo, não há que se falar na justificativa de emissão de um novo despacho decisório unicamente em virtude de nova fiscalização superveniente ao ato administrativo anteriormente praticado. Tal não é possível. De outro lado, também não é o art. 53 da Lei nº. 9.784/1999 que justifica sua conduta em emitir um novo despacho decisório. Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. Vejam, Ilustres Julgadores, que o dispositivo em questão não trata em absoluto da hipótese em tela, sobre emitir um novo despacho. No presente caso não houve vício de legalidade que permitisse a DRF emitir um novo despacho decisório, houve apenas suposto erro nas premissas e fundamentos Fl. 1867DF CARF MF Processo nº 10380.905874/201576 Resolução nº 3402001.827 S3C4T2 Fl. 1.868 6 adotados no primeiro despacho (já que não foram observados os fatos observados em fiscalização posterior que deram origem ao PAF n. 10384723.819/201791). Ainda que se interprete que há presente algum vício de legalidade apto a anular o despacho anterior, não há legitimação alguma através no aludido dispositivo para a emissão de um novo despacho decisório alterando a fundamentação para negar o crédito pleiteado, tendo em vista o disposto no art. 146 do CTN: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. E não se diga que a Autoridade Administrativa tem tal discricionariedade dentro do prazo de cinco para homologar ou não a Declaração de Compensação, pois, como dispõe a legislação regente, essa possibilidade só existe nos casos em que os atos estão eivados de vício. Salientese que tal comando é corolário da Segurança Jurídica, constitucionalmente resguardada (CF, art. 5º, caput). No caso presente, não é hipótese de nulidade do primeiro despacho decisório a justificar a sua revisão com fins de, alterando o critério jurídico inicialmente adotado, estabelecer nova relação jurídica. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se posicionou pela impossibilidade de emissão de um novo despacho em caso bastante semelhante: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano calendário: 2006 IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. REVISÃO DE HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO PUBLICADA. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. NULIDADE DO SEGUNDO DESPACHO. Uma vez publicado um Despacho Decisório que homologa totalmente a compensação, extinguindo, portanto, o crédito tributário por inteiro, não é possível voltar atrás para publicar um novo Despacho Decisório que homologa apenas parte da compensação e extingue, então, apenas parcialmente o crédito tributário. Havendo publicação de homologação de compensação, extinto está o crédito e preclusa qualquer nova tentativa de examinálo, salvo no caso de nulidade do primeiro Despacho Decisório. É, portanto, nulo o segundo Despacho Decisório. (CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF Primeira Seção QUARTA CÂMARA PRIMEIRA TURMA RECURSO: RECURSO VOLUNTÁRIO MATÉRIA: CSLL ACÓRDÃO: 1401001.487) O já citado Parecer Normativo COSIT nº. 08/2014 traz a seguinte conclusão: REVISÃO DE OFÍCIO DO DESPACHO DECISÓRIO Revisão de ofício do despacho decisório que não homologou a declaração de compensação – Dcomp. (...) 81. Em face do exposto, concluise que: (...) c) a revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário Fl. 1868DF CARF MF Processo nº 10380.905874/201576 Resolução nº 3402001.827 S3C4T2 Fl. 1.869 7 não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a DCTF e mesmo a DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de IRPJ ou de CSLL), desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes; Desta forma, é preciso reconhecer a nulidade do Despacho Decisório ora impugnado haja vista a impossibilidade de revisão do Despacho Decisório anterior. Sobre as glosas e o crédito em si: Os fundamentos do Despacho Decisório para indeferir o direito creditório e não homologar as compensações declaradas partem, exclusivamente, da premissa de que os créditos que ensejariam o saldo credor a ser ressarcido foram glosados no Auto de Infração que deu origem ao PAF nº 10384723.819/201791. Com efeito, a discussão travada envolve, exclusivamente, a glosa perpetrada nos autos do PAF n. 10384723.819/201791. Como tal, nesta Manifestação a Inconformada junta, em sua defesa (doc. 01), a Impugnação apresentada ao Auto de Infração e reitera todos os seus termos, para que se considerem como se aqui estivessem transcritos. Do pedido: Ante o exposto, a Inconformada pede, de partida, que esta Manifestação de Inconformidade seja reunida ao PAF n. 10384723.819/201791 ou que o presente processo permaneça suspenso até o desfecho daquele. Sucessivamente requer que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade, seja para anular o Despacho Decisório impugnado, visto que não existe previsão para fosse proferido novo Despacho Decisório no caso presente, seja para reformálo e reconhecer o seu direito creditório referente ao Saldo Credor de IPI, homologando, assim, as compensações declaradas. Requer ainda que, na dúvida, seja conferida a interpretação mais favorável à Inconformada, na forma do art. 112 do CTN. Com relação às glosas de PI e ME efetuadas pelo Fisco, na primeira manifestação apresentada, a interessada, resumidamente, assim contestou: Considerando que a Fiscalização reclassificou os créditos referentes à segunda suposta irregularidade apontada, devolvendo os referidos créditos à escrita da Inconformada, só que corno "não ressarcíveis" e, de outro lado, considerando ainda que tais créditos não suplantaram os débitos referentes ao período em questão, tendo sido consumidos no próprio período, só a glosa dos créditos relativos à primeira infração produziu efeito no valor não homologado no despacho decisório, motivo peio qual esta defesa só se aterá e enfrentará este ponto. Em que pese o esforço do Fiscal Autuante, o fato é que os produtos adquiridos são produtos intermediários que estão vinculadas e são consumidos no processo produtivo da Inconformada, que não se enquadram nem como ativo fixo e nem como bens de uso e consumo pelas seguintes razões: Primeiro, porque estão de tal forma envolvidos na fabricação do produto explorado peia Inconformada, que sem o seu concurso é impossível obter o produto finai; Fl. 1869DF CARF MF Processo nº 10380.905874/201576 Resolução nº 3402001.827 S3C4T2 Fl. 1.870 8 Segundo, porque estão tão intrinsecamente relacionados ao produto finai, ainda que de forma indireta, que se pode avaliar, antecipadamente, a quantidade a ser consumida, eis que guarda estrita relação ou proporção com o volume produzido. Nessa condição, compõe o custo; e Terceiro, porque são consumidos e imprescindíveis ao processo de fabricação. Mesmo sem fisicamente integrar o produto finai, são intermediários de curta duração (porque os de longa duração são bens do ativo imobilizado). O fato é que os produtos adquiridos são produtos intermediários que estão vinculados e são consumidos no processo produtivo da Inconformada, que não se enquadram nem como ativo fixo e nem como bens de uso e consumo. Como já dito anteriormente, a Inconformada fabrica bebidas da marca Coca Cola. Além de estarse falando em produção de alimento (bebida), o que por si só justifica a utilização de produtos que garantam a limpeza em toda área de produção, devese ter em mente a própria imposição de rigores por parte da vigilância sanitária, em relação à limpeza e higienização de tudo que envolve a produção de gêneros alimentícios. Como já dito anteriormente, a Inconformada fabrica bebidas da marca Coca Cola. Além de estarse falando em produção de alimento (bebida), o que por si só justifica a utilização de produtos que garantam a limpeza em toda área de produção, devese ter em mente a própria imposição de rigores por parte da vigilância sanitária, em relação à limpeza e higienização de tudo que envolve a produção de gêneros alimentícios. Ademais, Ilustres Julgadores, a Inconformada chama atenção ao fato de que na mesma linha de produção na qual se fabrica a CocaCola, são fabricadas também as demais bebidas (Fanta, Kuat etc). Dessa feita, ao encerrar a produção de um tipo de bebida, toda a linha de produção é submetida a um rigoroso processo de limpeza e higienização, no intuito de retirar vestígios do produto anterior e preparar o maquinário para a próxima bebida. Há como se conceber a fabricação da Sprite logo após a fabricação da CocaCola sem antes efetuar uma completa higienização da linha de produção? Como se vê, os produtos adquiridos pela Inconformada são consumidos no cumprimento das etapas do processo industrial, conforme se depreende dos Manuais Técnicos e das Listas Técnicas dos fornecedores em anexo (doe. 06), sendo lógico que integram o custo da produção de refrigerantes e que sofrem a incidência do IPI quando da venda do produto final, razão pela qual, de acordo com o art. 226, inciso I, do Decreto n° 7.212 de junho de 2010, geram crédito. Eis o dispositivo: Para citar um exemplo da necessidade dos produtos na linha de produção da Inconformada, consoante Manuais ora anexados, vejase que dentre os muitos produtos glosados tem o Dicolub Lujob, que "e um produto concentrado à base de sabão destinado a limpeza e lubrificação de esteiras transportadoras de garrafas de vidro e latas de alumínio em indústrias de bebidas". Os outros produtos igualmente têm sua função específica no processo produtivo tal como documentado anexo. Quer dizer, os produtos adquiridos pela Inconformada são consumidos no cumprimento das etapas do processo industrial, inclusive para atender as determinações Fl. 1870DF CARF MF Processo nº 10380.905874/201576 Resolução nº 3402001.827 S3C4T2 Fl. 1.871 9 do Ministério da Saúde e Vigilância Sanitária (Portaria SVS/MS n° 326 de 30 de julho de 1997). Segue abaixo precedente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF que atesta a procedência do procedimento utilizado pela Inconformada, naquele caso defendido por outra fabricante de refrigerantes (Vonpar Refrescos S/A): Não bastasse, um fato relevante é que os produtos em questão compõem o custo de produção dos produtos industrializados pela Inconformada. Sendo assim, não se pode negar que compõem o preço do produto acabado que será tributado pelo IPI ao argumento de que o IPI está sujeito ao crédito físico. Por isso, negar o direito ao crédito viola a não cumulatividade consagrada na Constituição Federal, fazendo incidir duas vezes o IPI sobre o mesmo produto. Assim, em homenagem ao princípio da nãocumulatividade (art. 155, § 20 da CF/88 e art. 163 do Decreto n°. 4.544/02), concluise pelo direito ao uso do crédito fiscal do IPI pago na aquisição dos produtos destinados estritamente a integrar e viabilizar as etapas do processo de industrialização e produção de refrigerantes. Não havendo o uso dos produtos, a qualidade dos produtos fabricados será gravemente comprometida, podendo até a inutilizar o produto fabricado. Sendo assim, não há dúvidas de que a glosa realizada em relação aos produtos de higienização da linha de produção foi indevida, devendo ser reformado, portanto, o despacho decisório neste ponto. No aludido demonstrativo de "insumos" glosados, constante do TIF, constam diversos produtos (filme plástico, películas de strech etc.) que, ao seu entender, escapam da abrangência exigida pela legislação pertinente ao IPI, pois, teriam "a finalidade de acondicionar os produtos fabricados para transportes", não gerando direito a crédito, logo, não sendo possível o seu ressarcimento. Ora, Ilustres Julgadores, uma vez embaladas as bebidas em embalagem unitária (garrafa), tais embalagens são agrupadas numa base de Eucatex, empilhadas e envolvidas em um filme plástico, para finalizar a embalagem e disponibilização para transporte do produto. Materiais de embalagem de refrigerantes não podem ser entendidos, tão somente, como a "garrafa pet" que envolve o líquido, mas sim todas as outras embalagens que compõem a viabilidade do seu transporte para os adquirentes dos produtos, visto que o transporte pela unidade do produto inviabilizaria a sua comercialização. O CARF já se manifestou de forma positiva ao entendimento defendido pela Recorrente também nesse ponto: Ora doutos Julgadores, como dito anteriormente, data vênia, a Fiscalização equivocase ao entender que a embalagem dos produtos comercializados só contempla as latas e garrafas que transportam o líquido produzido. O que seria o plástico que envolve um pack de 12 latas de Coca Cola se não embalagem do produto? Como seria a operacionalização da venda de 2000 mil latas, por exemplo, se a Inconformada tivesse que vender aos revendedores todas as latas soltas? E isso acontece com as outras diversas formas de apresentação e tamanho dos produtos. Fl. 1871DF CARF MF Processo nº 10380.905874/201576 Resolução nº 3402001.827 S3C4T2 Fl. 1.872 10 A Contribuinte foi intimada do Acórdão nº 1476.163 por via eletrônica em data de 01/03/2018 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fls. 1.515). O Recurso Voluntário de fls. 1.521 a 1.546 foi interposto em data de 29/03/2018 (Termo de Análise de Solicitação de Juntada de fls. 1.520), pelo qual pede a reforma da decisão de primeira instância e, consequentemente, o cancelamento do auto de infração e extinção do crédito tributário exigido. Em síntese, o Recurso Voluntário está fundamentado nos seguintes argumentos: i) Em 25.02.201,4, 17.04.2014, 30.04.2014, 26.05.2014, 27.06.2014, 10.09.2014, 15.10.2014, 01.06.2015, 25.08.2015 e 20.11.2015, transmitiu (i) pedido de ressarcimento de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) relativo ao saldo credor desse imposto apurado no período de outubro de 2013 a dezembro de 2013 e (ii) declarações de compensação (PER/DCOMPs) para utilizar o referido saldo credor para quitar, por compensação, débitos de CIDE, PIS, COFINS, IOF, CSRE e IRRF; ii) Em 07.06.2016, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Teresina proferiu despacho decisório, no qual: a) homologou expressa e integralmente declaradas nas PER/DCOMPs nºs: 15895.01511.170414.1.7.010640, 27204.73134.170414.1.7.010600, 20032.57549.300414.1.3.017194, 01666.25454.260514.1.3.01 0928, 16887.88712.270614.1.3.018169, 35177.13390.100914.1.3.016840, 30889.84506.151014.1.3.011201, 30437.33109.010615.1.3.014786 e 16688.51139.250815.1.7.01 0069; b) homologou expressa e parcialmente a compensação declarada na PER/DCOMP no 1,17 40.34474.201115.1.3. 015600; e c) não reconheceu valor a ser ressarcido no pedido de ressarcimento no 15630.56923.250214.L. 1. 010966. iii) Em 21.10.2011, a AUTORIDADE proferiu novo despacho decisório, reformando o anterior, para indeferir o pedido de ressarcimento e não homologar todas as declarações de compensação, por entender que: a) a RECORRENTE teria utilizado alíquota incorreta para cálculo dos créditos de IPI decorrentes da aquisição dos concentrados isentos para bebidas não alcoólicas, em razão de suposto equívoco de classificação fiscal dos referidos produtos; e b) a RECORRENTE teria se aproveitado indevidamente de cr6ditos de IPI decorrentes da aquisição de produtos e materiais de embalagem que não teriam sido utilizados no processo produtivo dos refrigerantes. iv) Configurase alteração do critério jurídico, pois a 8ª Turma da DR,J/RPO não mais poderia ter tratado da parte do saldo credor de IPI já definitivamente reconhecida e homologada, pois, como visto, a homologado expressa do saldo credor extingue, por compensação, o respectivo crédito tributário. v) É inaplicável o artigo 25 da IN/REB no 1.300/20L2 (vigente a 6poca das compensag6es e da apurado do saldo credor de IPI) 6 especifico para os casos em que o contribuinte apenas formula pedido de ressarcimento para receber a importância em espécie da época em que homologadas as declarações de compensação, objeto do Fl. 1872DF CARF MF Processo nº 10380.905874/201576 Resolução nº 3402001.827 S3C4T2 Fl. 1.873 11 presente processo (07.06.2016) , não havia sido lavrado qualquer auto de infração que tivesse glosado a alíquota utilizada para cálculo dos créditos de IPI. vi) Os produtos de limpeza utilizados para assepsia e sanitização integram o processo produtivo dos refrigerantes, pois são inerentes à produção e de uso obrigatório por exigências sanitárias, bem como os lubrificantes e materiais e embalagem são imprescindíveis ao processo produtivo. O creditamento pretendido atende aos requisitos estabelecidos pelo STJ em recurso repetitivo através do julgamento ao REsp nº 1.075.508/SC. vii) Tem o direito de utilizar referidos créditos de CIDE, PIS, COFINS, IOF, CSRE e IRRF. É o relatório. Voto Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora 1. Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório, verificase a tempestividade do recurso, bem como o preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. 2. Da necessidade de diligência para julgamento do recurso Como demonstrado em peça recursal, a decisão recorrida reconhece que as questões referentes a alíquota utilizada para calcular os créditos de IPI, discutidas no presente processo, estão concomitantemente sendo tratadas no PAF nº 10384723.819/201791, conforme dispositivo do Acórdão nº 1476.163, abaixo transcrito: Pelo exposto, voto pela procedência parcial da manifestação de inconformidade, para reverter a glosa efetuada com relação ao material de embalagem, mantendose a cobrança na forma como efetuada, no entanto. Observese que cópia do presente Acórdão deve ser apensa ao processo administrativo nº 10384723.819/201791, para que suas conclusões sejam analisadas na 2º instância administrativa, no caso de recurso voluntário. Ademais, importante proceder a juntada ao PAF nº 10384723.819/201791, para julgamento concomitante, conforme determina a Portaria RFB nº 1668, de 2016. Às fls. 1.517 foi proferido o Despacho de Encaminhamento nos seguintes termos: A análise neste processo é referente a uma manifestação de inconformidade apresentada contra a não homologação de compensações através de DCOMP. Por ser um assunto da competência Fl. 1873DF CARF MF Processo nº 10380.905874/201576 Resolução nº 3402001.827 S3C4T2 Fl. 1.874 12 da SAOR, proponho o encaminhamento do processo àquele setor, para que adote as providências de sua competência. Posteriormente ele deverá ser devolvido ao setor de cobrança da SACAT, onde será juntado ao processo 10384.723819/201791, conforme determinado na conclusão do Acórdão 1476.163. Ocorre que no PAF nº 10384.723819/201791, um dos fundamentos da defesa versa sobre o direito ao crédito de IPI decorrente da aquisição de concentrados para bebidas não alcoólicas por força de decisão transitada em julgado no Mandado de Segurança Individual nº 95.00094703. Em razão de tais argumentos e, para melhor análise deste Colegiado quanto ao objeto tratado na demanda judicial, o julgamento foi convertido em diligência para as seguintes providências: 1) Intimação da Recorrente para apresentar nos autos, no prazo de 30 (trinta) dias: i) Cópia Integral do Mandado de Segurança nº 95.00094703; ii) Certidão de trânsito em julgado; iii) Certidão de inteiro teor do referido processo (certidão de objeto e pé). 2) Apresentados os documentos solicitados em Item 1, que seja intimada a PGFN para manifestação que entender pertinente, no prazo de 30 (trinta) dias. Considerando a necessidade de análise conjunta, como requerido pela Contribuinte e reconhecido pela DRJ, voto pela conversão do julgamento em diligência para sobrestar o presente processo na 4ª Câmara desta Seção até cumprimento da Resolução nº 3401001.826 e retorno do PAF nº 10384.723819/201791 a este Colegiado. É a proposta de Resolução. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Fl. 1874DF CARF MF
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Numero do processo: 10384.002859/2010-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2009
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. HORA EXTRA. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS.
É devida a incidência da contribuição previdenciária sobre verbas pagas a título de horas extras e terço constitucional de férias.
Apenas as decisões definitivas de mérito exaradas na sistemática prevista pelos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
A comprovação do direito creditório compete a quem dele se aproveita, sendo dever do contribuinte apresentar elementos modificativos, impeditivos ou extintivos do direito de constituição do crédito tributário devidamente exercido pelo Fazenda Nacional.
Numero da decisão: 2201-005.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano Dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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HORA EXTRA. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. É devida a incidência da contribuição previdenciária sobre verbas pagas a título de horas extras e terço constitucional de férias. Apenas as decisões definitivas de mérito exaradas na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. A comprovação do direito creditório compete a quem dele se aproveita, sendo dever do contribuinte apresentar elementos modificativos, impeditivos ou extintivos do direito de constituição do crédito tributário devidamente exercido pelo Fazenda Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano Dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 28 59 /2 01 0- 20 Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10384.002859/201020 Acórdão n.º 2201005.073 S2C2T1 Fl. 202 2 Cartaxo Gomes (suplente convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório O presente processo trata de recurso voluntário impetrado em face do Acórdão 0259.561, de 18 de agosto de 2014, exarado pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (fl. 174 a 182), que assim relatou a lide administrativa: Tratase de crédito lançado contra o Município de Amarante – Secretaria Municipal de Educação que, de acordo com o relatório fiscal de fls. 10 a 16, referese à contribuição da empresa resultante de glosas por compensações indevidas, no período de 04/2009 a 10/2009, no valor de R$ 554.184,99, consolidado em 7/7/2010. As compensações foram realizadas pelo contribuinte sob o argumento de que foram incluídas na base de cálculo rubricas que não compõem o saláriodecontribuição, como horas extras, terço constitucional de férias, ajuda de custo e abono pecuniário de férias. Segundo a fiscalização a glosa da compensação realizada pelo autuado se deu em razão dos seguintes fatos: no período de 01/1999 a 13/2000, 08/2004 e 09/2004 os valores declarados em GFIP como devidos à previdência social foram superiores aos efetivamente recolhidos; não foi observado o prazo prescricional para proceder à compensação; as remunerações dos vereadores não foram declaradas em GFIP, assim, não integraram a base de cálculo das contribuições, no período de 02/1998 a 09/2004; a compensação, ainda que devida, somente poderia ser realizada pela própria Câmara Municipal de Amarante – PI; os valores pagos a título de horas extras, terço constitucional de férias, ajuda de custo e abono pecuniário integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias; não houve recolhimentos a Previdência Social no CNPJ da Secretaria de Educação do Município de Amarante – PI no período de 02/1998 a 06/2004. nos anos de 2008 e 2009, as remunerações dos segurados do RGPS declaradas em GFIP foram inferiores aos valores informados nas folhas de pagamento da Prefeitura. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10384.002859/201020 Acórdão n.º 2201005.073 S2C2T1 Fl. 203 3 O contribuinte teve ciência da autuação, em 30/72010, e apresentou impugnação em 30/82010, fls. 140 a 159, alegando em síntese: PRESCRIÇÃO DECENAL. CORRETA INTERPRETAÇÃO DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005 E DA SÚMULA VINCULANTE 08/STF. Alega que a prescrição para compensação ou restituição dos tributos sujeitos a lançamento por homologação indevidamente pagos antes da vigência da LC 118/2005 é de cinco anos, após o decurso de cinco anos do prazo para homologação tácita. Diz que as normas internas não podem contrariar disposições do CTN. Argumenta que o STJ considerou que os fatos geradores de tributos sujeitos a lançamento por homologação ocorridos antes da vigência da LC 118 ainda estariam sujeitos à antiga sistemática do 5+5, ou seja, o prazo para compensação ou restituição de tais tributos seria de 10 anos. CRÉDITO DOS AGENTES POLÍTICOS Informa que as compensações relativas ao período de 02/1998 a 09/2004 foram efetuadas com fundamentado em sentença judicial transitada em julgado, consubstanciada no acórdão STF – RE 351.717, cujos efeitos da declaração de inconstitucionalidade foram estendidos pela Resolução do Senado Federal 26/2005. Diz que possui um crédito a ser recuperado de R$ 613.997,89, conforme planilha de valores atualizados apresentada à fiscalização. CRÉDITO DAS PARCELAS INDENIZATÓRIAS. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. HORAS EXTRAS. AJUDA DE CUSTO. ABONO DE FÉRIAS Informa que seu crédito relativo às contribuições recolhidas sobre verbas indenizatórias alcança o valor de R$ 317.308,15, atualizado pela Selic. Alega que não há incidência de contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias, horas extras, ajuda de custo e abono de férias. Cita decisões judiciais. Argui que citadas verbas não incorporam o salário do contribuinte para fins de aposentadoria, assim, não devem compor a base de cálculo da contribuição previdenciária a ser recolhida pela empresa. Alega que a não incidência de contribuição sobre a ajuda de custo paga ao empregado para ressarcir gasto com transporte está albergado pelo inciso XII do § 9º do artigo 214 do Regulamento da Previdência Social, bem como no artigo 58, inciso XII, da Instrução Normativa RFB 971/2009. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10384.002859/201020 Acórdão n.º 2201005.073 S2C2T1 Fl. 204 4 Diz que a não incidência de contribuição sobre o abono pecuniário está positivada na mesma Instrução Normativa, artigo 58, inciso V, alínea “h”. PARCELAMENTOS REALIZADOS PELO MUNICÍPIO. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. Diz que não há impedimento legal para que o Município compense os valores regularmente pagos através de parcelamento. Alega que, caso os recolhimentos indevidos não sejam compensados pelo Município, somente seria possível a sua compensação de oficio pela Receita Federal. Entretanto, não se deve considerar o contribuinte em débito enquanto estiver suspensa a exigibilidade do crédito tributário. Diz que o artigo 74, § 3º, IV, da Lei 9.430/1996, com a redação dada pela Lei 10.637/2002, determina que não poderão ser objeto de compensação os débitos consolidados em qualquer modalidade de parcelamento, sendo claro que a IN SRF 600/2005 extrapolou os limites legais, pois a compensação de oficio só pode ser feita com débitos vencidos e exigíveis do contribuinte. Entende que deve ser afastada a aplicação do artigo 34, § 1º, da IN SRF 600/2005, porque o ato administrativo mais recente (IN SRF/SRP 629/2006) sequer fala em tal possibilidade relativa à hipótese de débitos parcelados. Aduz que é facultado ao contribuinte requerer o ressarcimento dos valores indevidamente incluídos em parcelamento especial ou a sua compensação com outros débitos, não sendo admitido que a própria RFB proceda à compensação de oficio. Alega que é legítima e que deve ser homologada a compensação objeto da presente autuação. PEDIDOS Requer: a) a aplicação das normas do CTN aos valores compensados, utilizandose da sistemática dos “5+5”, uma vez que os fatos geradores ocorreram em data anterior à vigência da LC 118/2005, em observância ao entendimento do STJ; b) a verificação do efetivo recolhimento das contribuições indevidas pelo Município; c) a retificação dos valores passíveis de compensação apresentados pela fiscalização, com a homologação do valor de R$ 432.353,61, compensados nas competências 04 a 10/2009, excluindose a multa e juros de mora aplicados. Debruçada sobre os termos da impugnação, a 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, exarou o Acórdão ora Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10384.002859/201020 Acórdão n.º 2201005.073 S2C2T1 Fl. 205 5 recorrido, em que julgou a impugnação improcedente, lastreada nas conclusões abaixo resumidas: CRÉDITO DOS AGENTES POLÍTICOS (...) ... Não é a simples suspensão da legislação por Resolução do Senado que faz nascer o crédito. Esta suspensão diz respeito ao reconhecimento da inconstitucionalidade da norma legal instituidora da cobrança. O crédito em si decorre do concreto recolhimento de valor que, posteriormente, tenha sido considerado indevido. PRESCRIÇÃO. (...) Não estando o Município albergado por decisão judicial, o prazo de prescrição a serlhe aplicado é o de cinco anos da data do pagamento, como previsto na Lei Complementar 118/2005, artigo 3º. Logo, ainda que se comprovasse o efetivo recolhimento indevido no período de 02/1998 a 09/2004 apenas os valores recolhidos a partir de 03/2004 poderiam ser objeto de compensação. VERBAS INDENIZATÓRIAS Para o segurado do RGPS, qualquer parcela destinada a retribuir o seu trabalho integra o salário de contribuição, conforme Lei 8.212/1991, artigo 28, inciso I: (...) Dessa forma, apenas as parcelas expressamente incluídas nessa relação estão fora da incidência das contribuições. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS A legislação previdenciária é clara quanto à incidência de contribuição sobre o terço constitucional de férias. HORAS EXTRAS O pagamento relativo à hora extra também não está na relação do art. 28, § 9º, sendo, portanto, parte integrante do salário de contribuição. AJUDA DE CUSTO (...) Todavia, o contribuinte nada apresenta que comprove a contratação, deslocamento e estadia de funcionário a serviço da prefeitura em localidade distante de sua residência ou em canteiro de obra de modo a justificar a compensação pretendida. ABONO DE FÉRIAS (...) Conforme relatório fiscal, foi verificado nas folhas de pagamento, onde consta a rubrica abono (e não abono de férias), que a parcela paga traduzse em verdadeira complementação salarial. Não houve observância do Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10384.002859/201020 Acórdão n.º 2201005.073 S2C2T1 Fl. 206 6 período máximo de conversão dos dias de férias em abono pecuniário e a referida parcela foi paga em meses em que o segurado não percebia verbas inerentes às férias, como no caso do terço constitucional de férias, além de ser o abono pago por meses consecutivos à mesma pessoa. O abono pago e constante das folhas de pagamento não se refere ao abono pecuniário de férias previsto nos art. 143 e 144 da CLT, mas tão somente a uma complementação salarial concedida aos empregados do Município, logo, seu montante deve integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias. COMPENSAÇÃO DE VALORES PARCELADOS (...) Em pesquisa realizada no sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil – plenus (tela de consulta, fl. 353/355) verificase que os parcelamentos existentes em nome do Município de Amarante são de datas posteriores à da presente autuação, exceto os realizados na forma da Lei 12.058, negociados em 27/10/2009. Contudo, citado parcelamento engloba tão somente competências do ano de 2007, fora, portanto, do período de recolhimento das contribuições tidas como indevidas pelo impugnante. COMPENSAÇÃO INDEVIDA (...) O Município de Amarante não comprovou o recolhimento indevido das contribuições objeto das compensações glosadas durante a ação fiscal nem na impugnação. Cabe salientar que as planilhas de cálculo dos créditos supostamente devidos, fls. 22/25 (agentes políticos), 26/28 (verbas de natureza indenizatória) apresentadas à fiscalização não são suficientes para comprovar o recolhimento indevido de contribuições previdenciárias e invalidar o lançamento fiscal. Também não foi comprovada a inclusão das referidas contribuições em parcelamento, não havendo que se falar em aplicação da Lei 9.430/1996 (art. 74, § 3º, IV) e IN SRF 600/2005 (art. 34, § 1º). CONCLUSÃO Do exposto, voto por julgar improcedente a impugnação e manter o crédito tributário exigido no auto de infração 37.243.0570. Ciente do Acórdão da DRJ em 23 de setembro de 2014, fl. 184, ainda inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fl. 186 a 197, em que limita seu descontentamento aos seguintes temas, os quais serão detalhados no curso do voto a seguir: Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10384.002859/201020 Acórdão n.º 2201005.073 S2C2T1 Fl. 207 7 1 Da natureza indenizatória do terço de férias e adicional de horas extras; 2 Da necessidade de sobrestamento do feito até pronunciamento do STF; 3 Das divergências entre valores declarados e recolhidos É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Relator Por ser tempestivo e por atender as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Inicialmente, cumpre destacar que a decisão recorrida se apresenta definitiva para todos os temas que não foram expressamente objeto do presente recurso voluntário. Após breve resumo dos fatos, a defesa inicia a explanação de seus argumentos de mérito na sequência enumerada no Relatório supra, a partir da qual entendo salutar iniciar a análise do seu segundo tópico, que se constitui matéria prejudicial de mérito, com o nítido propósito de suspender o curso do processo principal, aguardandose a sua solução em outro feito. Da necessidade de sobrestamento do feito até pronunciamento do STF. A defesa requer o sobrestamento do feito, nos termos do § 1º do art. 62A do Regimento interno deste Conselho, já que o Supremo Tribunal Federal sobrestou a análise da matéria nos autos do Recurso Extraordinário nº 593068, submetido à sistemática prevista nos art. 543B da Lei nº 5.869/73. Entretanto, não há amparo legal que justifique o deferimento do pleito. Na vigência do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que foi aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de julho de 2009, havia expressamente previsão para sobrestamento dos julgamentos dos recursos no âmbito do CARF, em situações semelhantes, como se vê abaixo: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10384.002859/201020 Acórdão n.º 2201005.073 S2C2T1 Fl. 208 8 Contudo, a Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, aprovou novo Regimento Interno que não previu tal possibilidade de sobrestamento, decerto para melhor compatibilizar os preceitos regimentais à Lei 5.172/66 (CTN) e ao Decreto 70.235/1972. O CTN, em seu art. 97, prevê que somente a lei pode estabelecer hipóteses de suspensão de tributo. Já o art. 151 do mesmo diploma estabelece que as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. No âmbito federal, o Decreto 70.235/1972, recepcionado com status de lei ordinária, regulamenta o processo administrativo fiscal e dispõe no seu art. 62: Art. 62. Durante a vigência de medida judicial que determinar a suspensão da cobrança, do tributo não será instaurado procedimento fiscal contra o sujeito passivo favorecido pela decisão, relativamente, à matéria sobre que versar a ordem de suspensão. Parágrafo único. Se a medida referirse a matéria objeto de processo fiscal, o curso deste não será suspenso, exceto quanto aos atos executórios. Portando, mesmo no caso de medida judicial que determine a suspensão da cobrança de um tributo, o curso administrativo do contencioso fiscal não se interrompe, exceto quanto aos seus atos executórios. Assim, no caso em tela, em que o sobrestamento do processo estaria vinculado a uma mera expectativa da existência futura de um indébito tributário, seja pela nova redação regimental que, a contrario sensu, já indicaria a inaplicabilidade do sobrestamento, seja pela previsão legal de não interrupção do curso da lide administrativa, o Colegiado deve se manifestar sobre o mérito da demanda, sem prejuízo de ajustes posteriores efetuados no exercício da autotutela administrativa pela unidade responsável pela administração do tributo. Assim, nada a prover. Da natureza indenizatória do terço de férias e adicional de horas extras; Afirma a defesa que, de acordo com a Constituição Federal, o atual regime previdenciário tem caráter contributivo, o que importa concluir que atos infraconstitucionais, em particular a lei 8.212/91 e a IN RFB 971/09, não podem se furtar ao princípio contributivo. Em apertada síntese, no que diz respeito ao adicional de horas extras, afirma a defesa que se trata de indenização pelo excesso na jornada de trabalho do trabalhador e pelo sacrifício suportado pelo exercício de seu mister durante período de descanso, concluindo que o mesmo raciocínio vale para o terço constitucional de férias. Para corroborar seus argumentos, cita doutrina e precedentes judiciais no mesmo sentido. Previstas no art. 195 da Constituição Federal, as Contribuições para a Seguridade Social em discussão foram regulamentadas pela Lei 8.212/91, e em seu art. 28 Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10384.002859/201020 Acórdão n.º 2201005.073 S2C2T1 Fl. 209 9 podese notar que a regra geral é a tributação dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) Entretanto, a leitura das inúmeras alíneas do § 9º acima evidencia que as horas extras e o terço de férias não estão entre os valores excluídos do campo de tributação previdenciária. A compatibilidade dos termos da Lei 8.212/91 com a Constituição Federal é matéria que não comete ao julgador administrativo e sobre ela este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou uniforme e reiteradamente, tendo, inclusive, emitido Súmula de observância obrigatória, nos termos do art. 72 de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, cujo conteúdo transcrevo abaixo: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por outro lado, a incidência das contribuições previdenciárias sobre as verbas pagas a título de horas extras foi objeto de apreciação do Superior Tribunal de Justiça, mediante voto do Ministro Herman Benhamim, no Recurso Especial nº 1.358.281, submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008, portanto, de observância obrigatória neste julgamento administrativo, o qual restou assim ementado: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C DO CPC E RESOLUÇÃO STJ 8/2008. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. BASE DE CÁLCULO. ADICIONAIS NOTURNO, DE PERICULOSIDADE E HORAS EXTRAS. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. SÍNTESE DA CONTROVÉRSIA 1. Cuidase de Recurso Especial submetido ao regime do art. 543C do CPC para definição do seguinte tema: "Incidência de contribuição previdenciária sobre as seguintes verbas trabalhistas: a)horas extras; b) adicional noturno; c) adicional de periculosidade". CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA E BASE DE Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10384.002859/201020 Acórdão n.º 2201005.073 S2C2T1 Fl. 210 10 CÁLCULO: NATUREZA REMUNERATÓRIA 2. Com base no quadro normativo que rege o tributo em questão, o STJ consolidou firme jurisprudência no sentido de que não devem sofrer a incidência de contribuição previdenciária "as importâncias pagas a título de indenização, que não correspondam a serviços prestados nem a tempo à disposição do empregador" (REsp 1.230.957/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe 18/3/2014,submetido ao art. 543C do CPC). 3. Por outro lado, se a verba possuir natureza remuneratória, destinandose a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, ela deve integrar a base de cálculo da contribuição. ADICIONAIS NOTURNO, DE PERICULOSIDADE, HORAS EXTRAS: INCIDÊNCIA 4. Os adicionais noturno e de periculosidade, as horas extras e seu respectivo adicional constituem verbas de natureza remuneratória, razão pela qual se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária (AgRg no REsp 1.222.246/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 17/12/2012; AgRg no AREsp 69.958/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 20/6/2012; REsp 1.149.071/SC, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/2010; Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 9/4/2013; REsp 1.098.102/SC, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 17/6/2009; AgRg no Ag 1.330.045/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 25/11/2010; AgRg no REsp 1.290.401/RS; REsp 486.697/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, DJ 17/12/2004, p. 420; AgRg nos EDcl no REsp 1.098.218/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 9/11/2009). [...] CONCLUSÃO 9. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008. (STJ REsp: 1358281 SP 2012/02615969, Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN, Data de Julgamento: 23/04/2014, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 05/12/2014) Já em relação ao terço constitucional de férias, vale ressaltar que o tema é objeto do REsp nº 1.230.957, em que já houve manifestação judicial pela não incidência de contribuições previdenciárias. Contudo, tal julgamento encontrase sobrestado em função do Recurso Extraordinário 593.068/SC. Ao analisar o que restou decidido no REsp nº 1.230.957, a Procuradoria da Fazenda Nacional exarou a Nota PGFN/CRJ nº 640/2014, que assim dispõe: "(...) 5. No presente caso, conforme se verá mais adiante, não obstante o RESP nº 1.230.957/RS ter sido parcialmente desfavorável à Fazenda Nacional, não é possível a inclusão dos temas na lista a que se refere o inciso V do art. 1º da Portaria nº 294/2010, em razão de se vislumbrar a possibilidade de reversão do entendimento no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF). Desse modo, a presente Nota Explicativa, além de delimitar o que ficou decidido no RESP nº 1.230.957/RS, tem apenas como intuito cumprir o disposto no art. 3º da Portaria Conjunta Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10384.002859/201020 Acórdão n.º 2201005.073 S2C2T1 Fl. 211 11 PGFN/RFB nº 01/2014, informando à RFB a nãoinclusão de temas em lista de dispensa de contestar e recorrer. 6. Os recursos especiais existentes nos autos do RESP 1.230.957, submetidos ao rito do art. 543C do CPC, tratavam, em essência, da incidência de contribuição previdenciária, a cargo da empresa, no contexto do Regime Geral da Previdência Social (RGPS), sobre as seguintes verbas: a) terço constitucional de férias; b) saláriomaternidade; c) saláriopaternidade; d) aviso prévio indenizado; e) importância paga nos quinze dias que antecedem o auxíliodoença. 7. Decidiuse pela incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas atinentes ao saláriomaternidade e ao salário paternidade. Quanto à incidência da contribuição sobre as demais verbas, prevaleceu entendimento desfavorável à Fazenda Nacional. Em face de tal posicionamento desfavorável, importa fazer algumas considerações para cada uma das exações, tendo em vista que se entende pela continuidade de impugnação das decisões que apliquem o entendimento do STJ firmado em desfavor à Fazenda Nacional. (...) IV Terço constitucional de férias 15. Ainda no RESP nº 1.230.957/RS, o STJ decidiu pela não incidência de contribuição previdenciária quanto ao adicional de um terço referido às férias indenizadas, bem como no caso das férias gozadas. Em relação às férias indenizadas, não há a exação, com base no art. 28, §9º, “d”, da Lei nº 8.212/91; já quanto às férias gozadas, o STJ, partindo da premissa de que o STF teria firmado a orientação de que o terço constitucional de férias possuiria natureza compensatória/indenizatória, a partir de precedentes do STF que se referiam a servidores sujeitos ao Regime Próprio dos Servidores Públicos (RPPS), não haveria ganho habitual a ensejar a tributação. 16. A Corte Superior considerou, assim, que a importância paga a título de terço constitucional de férias gozadas não se destina a retribuir serviços prestados, tampouco configura tempo à disposição do empregador, de modo que não se enquadraria no disposto no art. 22, I, “d” da Lei nº 8.212/1991, nem se amoldaria no conceito de saláriodecontribuição do empregado previsto no art. 28, I, da Lei nº 8212/1991. 17. Todavia, como o entendimento do STJ, em relação à contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias dos empregados, derivaria de orientação do STF relativamente à exação sobre o terço constitucional de férias dos servidores públicos e, tendo em vista que o RE nº 593.068 teve sua repercussão geral reconhecida, justamente para tratar dessa questão, verificase que a matéria ainda não está pacificada, de maneira que também não é possível a inclusão do tema na lista prevista no inciso V do art. 1º da Portaria PGFN nº 294/2010. (...)" Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10384.002859/201020 Acórdão n.º 2201005.073 S2C2T1 Fl. 212 12 Assim dispõe o art. 62 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Desta forma, inexistente decisão definitiva de mérito, estando ainda sobrestada a discussão judicial sobre a incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas pagas a título de terço constitucional de férias, não há que se falar em reprodução obrigatória pelos membros desta Corte. Assim, alinhandome à decisão recorrida, por não identificar as horas extras e o terço de férias dentre as exceções dispostas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91, entendo que sobre estas devem incidir a tributação previdenciária, restando, portanto, irretocável o lançamento e a decisão recorrida. Das divergências entre os valores declarados e recolhidos Alega o contribuinte que os sistemas da Receita Federal do Brasil, em particular o extrato CCORGFIP, relaciona os valores informados pelo contribuinte em GFIP com os efetivamente recolhidos, evidenciando prova incontestável Faz algumas considerações sobre recolhimentos e retenções no Fundo de participação dos Municípios levadas a termo no âmbito de parcelamentos especiais instituídos. Afirma que fazendo o comparativo entre o valor declarado e o recolhido, chegase ao montante compensável, não havendo de se falar em glosa do referidos valores, já que tais recolhimentos causaram forte desequilibro na contas municipais. Neste ponto, importante rememorar o motivo das glosas de compensação que levaram ao presente lançamento: Segundo a fiscalização a glosa da compensação realizada pelo autuado se deu em razão dos seguintes fatos: no período de 01/1999 a 13/2000, 08/2004 e 09/2004 os valores declarados em GFIP como devidos à previdência social foram superiores aos efetivamente recolhidos; não foi observado o prazo prescricional para proceder à compensação; Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10384.002859/201020 Acórdão n.º 2201005.073 S2C2T1 Fl. 213 13 as remunerações dos vereadores não foram declaradas em GFIP, assim, não integraram a base de cálculo das contribuições, no período de 02/1998 a 09/2004; a compensação, ainda que devida, somente poderia ser realizada pela própria Câmara Municipal de Amarante – PI; os valores pagos a título de horas extras, terço constitucional de férias, ajuda de custo e abono pecuniário integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias; nos anos de 2008 e 2009, as remunerações dos segurados do RGPS declaradas em GFIP foram inferiores aos valores informados nas folhas de pagamento da Prefeitura. Os únicos motivos para as glosas que estão relacionados a divergências entre valores declarados e recolhidos estão relacionados ao período de 01/1999 a 13/2000, 08/2004, 09/2004, 2008 e 2009, período para o qual a Decisão recorrida concluiu: COMPENSAÇÃO DE VALORES PARCELADOS O Município argui direito a compensar contribuições sociais incluídas em parcelamentos, sem, no entanto, apresentar qualquer prova de que tenha parcelado e pago contribuições sociais indevidas. Em pesquisa realizada no sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil – plenus (tela de consulta, fl. 353/355) verificase que os parcelamentos existentes em nome do Município de Amarante são de datas posteriores à da presente autuação, exceto os realizados na forma da Lei 12.058, negociados em 27/10/2009. Contudo, citado parcelamento engloba tão somente competências do ano de 2007, fora, portanto, do período de recolhimento das contribuições tidas como indevidas pelo impugnante. Não obstante, o contribuinte não contesta diretamente as afirmações do julgador de 1ª Instância, limitandose a alegar, de forma genérica, que o comparativo entre o valor declarado e o recolhido seria suficiente à identificação do montante compensável. Ora, não é momento de efetuarmos comparativos para chegar ao valor de um eventual crédito em favor do contribuinte. Tal montante deveria ter sido apurado antes de se proceder à compensação, já que esta só é possível se os créditos forem líquidos, certos e passíveis de restituição. Estamos diante do julgamento de argumentos da defesa em sede de 2ª Instância administrativa, fase em que os motivos que levaram à ação fiscal estão claramente delineados e devem ser apontados de forma objetiva e direta. Veja o que preceitua a Lei 13.105/2015 (Código de Processo Civil): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10384.002859/201020 Acórdão n.º 2201005.073 S2C2T1 Fl. 214 14 II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Assim, não tendo o contribuinte apresentado elementos inequívocos que pudessem apontar para o direito creditório alegado, há de se manter o lançamento e a decisão recorrida. Conclusão: Assim, tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais que integram do presente, voto por rejeitar a preliminar argüida e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 214DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.901404/2014-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. PN COSIT nº 02/2015.
São passíveis de restituição e compensação os créditos declarados em DCTF retificada apenas após a ciência de Despacho Decisório, desde que o equívoco esteja devidamente comprovado. Aplicação do Parecer Normativo Cosit nº 02 de 2015.
Numero da decisão: 1401-003.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restituir os autos à Unidade de Origem para que faça a análise da liquidez e certeza do crédito pretendido, verificando sua existência, suficiência e disponibilidade, considerando os documentos trazidos aos autos nesta fase recursal, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONÇALVES - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. PN COSIT nº 02/2015. São passíveis de restituição e compensação os créditos declarados em DCTF retificada apenas após a ciência de Despacho Decisório, desde que o equívoco esteja devidamente comprovado. Aplicação do Parecer Normativo Cosit nº 02 de 2015. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restituir os autos à Unidade de Origem para que faça a análise da liquidez e certeza do crédito pretendido, verificando sua existência, suficiência e disponibilidade, considerando os documentos trazidos aos autos nesta fase recursal, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONÇALVES Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 14 04 /2 01 4- 04 Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10580.901404/201404 Acórdão n.º 1401003.350 S1C4T1 Fl. 3 2 Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 58 a 127) interposto contra o Acórdão nº 1150.456, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE (fls. 47 a 53), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2011 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. Não são passíveis de restituição nem compensação os créditos sobre os quais não resta comprada sua liquidez e certeza. A simples retificação de DCTF posterior à ciência de Despacho Decisório não é prova da liquidez e certeza do crédito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "A interessada acima qualificada transmitiu o PER/Dcomp referido no Despacho Decisório, conforme excerto abaixo deste, no qual foi declarado “Valor Original do Crédito Inicial” no valor de R$ 19.751,38 e o mesmo valor como “Crédito Original na Data de Transmissão”. Após atualização do crédito e compensação dos débitos, informa que teriam restado R$ 6.400,18 como “Saldo do Crédito Original”, e, por fim, informa que tal crédito pleiteado teria origem no DARF de IRPJ, código 0220, período de apuração 31/12/2011, vencimento e arrecadação em 31/01/2012, cujo valor do principal foi de R$ 29.084,74, multa de R$ 0,00, juros de R$ 0,00 e total de R$ 29.084,74. (...) Cientificada do Despacho Decisório em 14/05/2014, conforme fl. 28, a contribuinte, em sua manifestação de inconformidade, fls. 02 a 03, apresentada em 06/06/2014, de acordo com o carimbo na fl. 2, argumenta que: 3.1. o(s) espelho(s) do(s) DARF(s) comprova(m) a existência do crédito a ser utilizado, os recibos de entrega das DCTF retificadas demonstram as alterações das Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10580.901404/201404 Acórdão n.º 1401003.350 S1C4T1 Fl. 4 3 informações para utilização dos créditos compensados, anexa planilha com nº de rastreamento, contendo o uso dos créditos, o recibo de entrega das DCTF retificadas, as DCTF do trimestre anterior e o espelho do(s) DARF(s) utilizado(s), e diante de todas essas informações solicita a homologação dos créditos compensados, conforme §§ 7o e 9o do art. 74 da Lei 9430/96." A decisão ora combatida lastreouse nos seguintes fundamentos: (i) a Contribuinte não apresentou qualquer documentação que demonstrassem as retenções nas fontes que teriam deixado de ser consideradas no momento da apuração e recolhimento dos tributos, e, consequentemente, dado azo ao crédito pleiteado; (ii) a Contribuinte teria, ainda, admitido que se equivocou inicialmente no valor do crédito preenchido em DCOMP, vez que considerou erroneamente os valores retidos na fonte a título de CSLL, PIS e COFINS, o que configuraria "pedido implícito de correção de PER/DCOMP", o que supostamente não seria competência da DRJ analisar; e (iii) por fim, a Contribuinte teria promovido as necessárias retificações da DCTF, para fazer constar o seu crédito, apenas após a ciência do Despacho Decisório e, a despeito da falta de espontaneidade, não haveria comprovado os equívocos na DCTF Original que justificassem a correção. Inconformada, a ora Recorrente apresentou o presente Recurvo Voluntário aduzindo os seguintes pontos: (i) por equívoco, na apuração do IRPJ a pagar teria se esquecido de deduzir os valores já retidos na fonte, valores esses que originariam o crédito utilizado na DCOMP em tela; (ii) igualmente, teria se equivocado ao somar às retenções supracitadas aquelas realizadas a título de CSLL, PIS e COFINS ao designar o crédito a que faria jus no momento da transmissão, contudo, ainda assim teria crédito suficiente para amparar a compensação pretendida; (iii) não haveria qualquer óbice à retificação da DCTF após despacho decisório, desde que ainda vigente o prazo regulamentar de 05 anos; e (iv) finalmente, entende que os documentos apresentados apenas nesta fase Recursal devem ser normalmente apreciados por este colegiado, em observância ao dever da autoridade julgadora administrativa em garantir formalidade moderada ao processo e perquirir a realidade dos fatos. É o relatório. Voto Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10580.901404/201404 Acórdão n.º 1401003.350 S1C4T1 Fl. 5 4 Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Primeiramente, o presente processo faz parte de um conjunto de 15 processos semelhantes da mesma Contribuinte que, assim como ocorreu na instância a quo, foram distribuídos para este mesmo Relator e julgados na mesma sessão. Tal conjunto se compõe dos seguintes Processos: 10580.901405/201441, 10580.901404/201404, 10580.901399/201421, 10580.901402/201415, 10580.901395/201443, 10580.901396/201498, 10580.901391/2014 65, 10580.901400/201418, 10580.901392/201418, 10580.901394/201407, 10580.901406/201495, 10580.901401/201462, 10580.901403/201451, 10580.901398/2014 87, 10580.901397/201432. Versam os presentes autos sobre a PER/DCOMP nº 17347.99170.140214.1.3.041406, que pretendia compensar débitos de CSLL e IRRF de Dezembro de 2013 e Janeiro de 2014 com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior no 4º Trimestre de 2011. Conforme já relatado, a compensação não foi homologada porquanto nos sistemas da RFB o recolhimento realizado já se encontrava completamente alocado nos débitos do próprio período correspondente. Apenas após o Despacho Decisório a Contribuinte promoveu a retificação da respectiva DCTF para fazer constar os valores recolhidos a título de IRRF e, assim, demonstrar o direito creditório que entende possuir. Em que pese as explicações dadas, a título de adendo posterior à entrega da Manifestação de Inconformidade, a DRJ de origem manteve a não homologação sob a fundamentação de que, além da extemporaneidade da retificação das declarações, não houve qualquer elemento nos autos trazidos por parte da Recorrente que corroborasse a materialidade de suas alegações. Pois bem, analisando as questões suscitadas no Recurso ora em análise, de plano, entendo que não há óbice algum à apresentação de novos documentos e esclarecimentos pertinentes às matérias já impugnadas em primeira instância. A decisão de piso ao comentar quanto ao momento oportuno para a produção probatória cita os ditames do art. 16 do Decreto 70.235/72, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10580.901404/201404 Acórdão n.º 1401003.350 S1C4T1 Fl. 6 5 V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (grifouse) Uma analise literal e isolada deste dispositivo permitiria concluir rigidamente que haveria a preclusão do direito à produção probatória após a apresentação da Impugnação, salvo nas hipóteses taxativas do §5º. Contudo, tal interpretação não deve ocorrer desta forma, vez que há outros elementos normativos atinentes a matéria que também devem ser considerados. A Constituição Federal, norma de maior hierarquia em nosso ordenamento, estabelece no inciso LV de ser art. 5º os princípios do contraditório e da ampla defesa, nos seguintes termos: LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Ao incluir o direito ao contraditório e a ampla defesa "com os meios e recursos a ela inerentes" no rol de direitos e garantias fundamentais, o legislador constituinte Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10580.901404/201404 Acórdão n.º 1401003.350 S1C4T1 Fl. 7 6 elevaos ao mais alto grau de importância dentro de nosso ordenamento, restando claro a preponderância que tais direitos devem ter. E, assim, devem ser observados e operacionalizados pelas demais normas infraconstitucionais. Não por acaso, tais princípios foram observados pela Lei 9.784/99, responsável por regular o Processo Administrativo Federal, que trouxe no bojo de seu art. 2º as seguintes disposições: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, e à produção de provas à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (...)(grifouse) Conforme se extrai, o legislador infraconstitucional não só incorporou expressamente os princípios constitucionais da legalidade, ampla defesa, contraditório e ouros, como elencou uma série de critérios a serem observados na regulamentação e condução dos processos administrativos. Desses critérios expressos acima, temse de forma bastante clara que as formalidades e restrições devem ser limitados ao estrito necessário para garantir a efetividade do processo em atender a finalidade pública. Ora, as regras processuais formais visam dar ordem ao processo, permitindo que este cumpra com seus objetivos de forma eficiente, isto é, dentro da moralidade e proporcionando segurança jurídica no cumprimento do interesse público. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10580.901404/201404 Acórdão n.º 1401003.350 S1C4T1 Fl. 8 7 Contudo, a norma processual não pode se sobrepor ao próprio objetivo do processo, qual seja, a promoção da legalidade. Por oportuno esclarecese que não se está a sugerir que as regras formais postas sejam mitigadas, mas sim que a interpretação do texto legal seja feita de forma a considerar a finalidade maior do processo, as regras formais não devem ser interpretadas de forma rigorosa a ponto de prejudicar o cumprimento de seu escopo. Ainda, cumpre trazer a colação os termos do art. 38 da mesma Lei 9.784/99, que trata especificamente da produção probatória nos Processos Administrativos Federais: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Notese que o texto legal diz expressamente que é permitido ao interessado apresentar ou requerer a produção de material probatório não só na fase instrutória, mas também antes da tomada da decisão. Outrossim estabelece taxativamente que a prova só poderá ser recusadas quando ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Pois bem, uma vez que as normas jurídicas devem ser interpretadas da forma mais harmônica possível, me parece que eventual interpretação restritiva do art. 16 do Decreto 70.235/72, para recusar de plano toda e qualquer prova apresentada pelo contribuinte após o protocolo da Impugnação/Manifestação de Inconformidade não se coaduna com as demais normativas já expostas. Em verdade, a aplicação tão restrita assim da norma, não só implicaria na frontal negativa de vigência aos disposto da mais moderna Lei 9.784/99, como destoa até mesmo dos objetivos maiores do Processo Administrativo Federal que é a revisão do ato administrativo fiscal e a garantia de que este se encontra dentro da legalidade. Alias, fazse oportuno lembrar que o Processo Administrativo Fiscal também se rege pelo princípio da busca pela verdade material, ou seja, a preponderância no interesse público é a solução jurídica mais adequada ao caso, independente dos excessos de formalidade. Assim, ao meu ver, a melhor interpretação extraída da conjugação dos disposto quanto ao tema na Constituição Federal, Lei. 9.784/99 e Decreto 70.235/702 é aquela que não impõe óbice na apresentação de provas junto ao Recurso Voluntário, ou até mesmo em momento posterior prévio ao julgamento, desde que as provas não sejam ilícitas ou manejadas de má fé. De forma semelhante tem decidido a 1ª Câmara Superior de Recursos Fiscais, em recentes julgados, conforme se colaciona: Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10580.901404/201404 Acórdão n.º 1401003.350 S1C4T1 Fl. 9 8 PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidenciase que não há óbice para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. (Processo: 10880.004637/9929. Rel. ANDRE MENDES DE MOURA. Data da Sessão: 14/09/2017) PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidenciase que não há óbice para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. (Processo: 16327.001227/200542. Rel. ADRIANA GOMES REGO. Data da Sessão: 08/08/2017) RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999. (Processo: 14098.000308/200974. Rel. GERSON MACEDO GUERRA. Data da Sessão: 19/06/2017 ) Para melhor ilustrar, peço vênia para transcrever a parte final da fundamentação do Voto deste último julgado colacionado, de autoria da ilustre Conselheira Cristiane Silva Costa, designada Redatora para o Voto Vencedor: "Os processos administrativos, portanto, devem atender a formalidade moderada, com a adequação entre meios e fins, Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10580.901404/201404 Acórdão n.º 1401003.350 S1C4T1 Fl. 10 9 assegurandose aos contribuintes a produção de provas e, principalmente, resguardandose o cumprimento à estrita legalidade, para que só sejam mantidos lançamentos tributários que efetivamente atendam à exigência legal. (...) Ao tratar do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/1972, são as pertinentes considerações de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López: Ao se levar às últimas consequências, as regras atualmente vigentes para o Decreto nº 70.235/72, estarseia mitigando a aplicação de um dos princípios mais caros ao processo administrativo que é o da verdade material. (...) Assim, revela destacar que a depender da situação é possível flexibilizar a norma, desde que evidentemente, a prova apresentada seja inconteste e nesse sentido independa da análise de uma instância inferior, eis que a preclusão ligase ao princípio do impulso processual. (...) Na prática, quer nos parecer que, o direito à parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da justiça. (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª edição, Dialética, 2010, fls. 305 e 306.) Diante de tais razões, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte, determinando a baixa dos autos para que a Turma a quo aprecie os documentos apresentados pelo contribuinte." Destarte, diante de todos os argumentos expedindos, entendo que as provas apresentadas em momento posterior ao da Impugnação/Manifestação de Inconformidade, podem, e devem, ser conhecidas, desde que não acarretem qualquer prejuízo processual as partes ou ao bom trâmite processual. Nestes trilhos, reitero meu entendimento pelo regular conhecimento e apreciação dos documentos anexados ao Recurso Voluntário. Seguindo com a análise do Recurso, também não vejo razão para que a retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório impeça o usufruto de crédito eventualmente existente. A MP nº 2.18949 de 2001, em seu art. 18, estabelece o seguinte: Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10580.901404/201404 Acórdão n.º 1401003.350 S1C4T1 Fl. 11 10 originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Em consonância com tal dispositivo, a Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010 (vigente à época dos fatos), em seu art. 9º, assim dispunha: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10580.901404/201404 Acórdão n.º 1401003.350 S1C4T1 Fl. 12 11 § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. Do colacionado acima, temse que o prazo para a retificação da DCTF era de 05 anos, havendo restrições apenas para os casos em que a retificação reduza débito tributário já encaminhados á PGFN para cobrança, ou objeto de procedimento de fiscalização. Notese que não é o caso que se desenhou nos presentes autos, a Contribuinte não sofreu procedimento de fiscalização, tampouco se tratam os débitos alterados em sua DCTF de valores já encaminhados a PGFN. Tendo a Contribuinte promovido a retificação dentro do prazo de 05 anos, ainda que após o Despacho Decisório, não se percebe qualquer irregularidade, contanto que tal modificação reflita a realidade dos fatos e tal situação seja devidamente comprovada pela Recorrente. Em igual sentido a própria RFB, por meio de seu setor consultivo, já exarou o Parecer Normativo COSIT nº 02 de 2015, conforme transcrevo sa conclusões ali obtidas: 22. Por todo o exposto, concluise: a) as informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário; b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010; c) retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10580.901404/201404 Acórdão n.º 1401003.350 S1C4T1 Fl. 13 12 sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo; d) o procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP; e) a não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios; f) o valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996; e g) Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Do colacionado acima extraise que não há qualquer impedimento para que a DCTF seja retificada após o Despacho Decisório que deixou de homologar a compensação pleiteada, inclusive, estabelecendo a possibilidade da própria DRJ baixar o processo em diligência para que haja nova analise por parte da DRF face aos novos elementos. Ademais, bom repisar que o erro que ocasiona a necessidade de correção da DCTF deve ser efetivamente demonstrado e comprovado por meio de documentos idôneos, para que tal correção surta os efeitos pretendidos no caso em tela. Neste esteio, superamos estas questões processuais e procedimentais e adentramos no mérito do litígio. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10580.901404/201404 Acórdão n.º 1401003.350 S1C4T1 Fl. 14 13 Pois bem, conforme argui a Recorrente, o motivo que levou ao surgimento de seu Crédito foi a não observação por parte de sua equipe contábil, no momento de apuração do imposto a pagar, dos valores recolhidos ao longo do período a título de retenção na fonte. Como já dito, apenas nesta segunda instância a Interessada trouxe aos autos cópia de sua DIPJ, DIRFs, a DCTF Retificadora em questão, Demonstrativos de IRPJ, CSLL e Contribuições Previdenciárias Retidas na Fonte, Comprovante de Recolhimento, bem como planilha explicativa elaborada por ela própria (anexos do Recurso Voluntário). Em análise aos documentos supra citados, se evidência a existência de valores já recolhidos anteriormente a título de retenção na fonte que, a primeira vista, não teriam sido considerados no momento de apuração final do imposto a pagar no período, o que permitira o direito creditório pleiteado. Desta feita, conforme já exposto, tendo a Recorrente apresentado documentos que tendem a comprovar a veracidade de seu direito, estes só podem ser desconsiderados da análise do julgador após fundamentada a sua eventual falta de idoneidade ou de pertinência para com os fatos a serem provados. Por outro lado, fazse oportuno relembrar que tais documentos, por terem sido apresentados apenas nesta fase Recursal, não foram objetos de análise do Despacho Decisório. Assim, se faz por bem que tal procedimento não seja suprimido. É necessário que tais documentos, bem como os valores declarados, sejam conferidos pela equipe fiscal competente afim de se avaliar a correição e/ou eventual circunstância que desconstitua o direito pleiteado. Igualmente, tal medida oportuniza o regular contraditório do Fisco. Concluindo, diante do cenário exposto, VOTO por dar PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para restituir os autos à Unidade de Origem para que faça a análise da liquidez e certeza do crédito pretendido, verificando sua existência, suficiência e disponibilidade, considerando os documentos trazidos aos autos nesta fase recursal, em especial a DCTF retificadora. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10580.901404/201404 Acórdão n.º 1401003.350 S1C4T1 Fl. 15 14 Fl. 144DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.726136/2016-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantém-se a multa moratória imposta pela fiscalização
Numero da decisão: 3302-006.596
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantémse a multa moratória imposta pela fiscalização Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado). (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 61 36 /2 01 6- 80 Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10166.726136/201680 Acórdão n.º 3302006.596 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de análise da Declaração de Compensação (Dcomp), por intermédio da qual o contribuinte compensou débito(s) próprios, com suposto crédito de pagamento indevido ou a maior. Como resultado da análise foi proferido o Despacho Decisório, que reconheceu integralmente o direito creditório, porém homologou parcialmente a compensação declarada, vez que o crédito indicado revelouse insuficiente para quitar o(s) débito(s) confessado(s), tendo em vista que o contribuinte não considerou a multa de mora incidente em decorrência do atraso na quitação deste(s). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, onde argumentou, em síntese, o que segue: Não foi observada a denúncia espontânea estabelecida no art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Com a transmissão da Dcomp, antecipouse a qualquer procedimento fiscal, declarando e quitando débito não questionado pela Receita Federal, com acréscimo de juros moratórios. Transmitiu a DCTF retificadora onde declara o débito e o pagamento feito via Dcomp; Apresenta sentenças judiciais favoráveis aos Correios em casos análogos. Indica também jurisprudência dos tribunais onde não foi parte. Lista acórdãos das DRJs à época da transmissão da Dcomp, onde é aplicada a Nota Técnica (NT) Cosit nº 01, de 18/01/2012, vez que os Correios se enquadram na situação nela tratada. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 11057.641. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) Em que pese a controvérsia acerca da possibilidade ou não de restar configurada a denúncia espontânea quando a extinção do crédito tributário se dá por compensação, a Receita Federal do Brasil, através da Nota Técnica nº 1 COSIT de 18/01/2012, com fundamento no Ato Declaratório PGFN nº 4 de 2011 e Ato Declaratório PGFN nº 8 de 2011, reconheceu que a declaração de compensação, se atendidos os demais requisitos, poderia caracterizála. E isto porque a compensação ou quaisquer outras formas de adimplemento de obrigação são formas de pagamento que acarretam a extinção da obrigação. Sendo forma de pagamento, a compensação atende às exigências do artigo 138 do CTN; b) A denúncia espontânea exclui a responsabilidade pela infração tributária cometida pelo contribuinte, pressupondo a comunicação pertinente a fato desconhecido por parte do Fisco antes de qualquer iniciativa da Administração Tributária, devendo ser acompanhado do pagamento do tributo e dos juros de mora, se for o caso. A intenção do Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10166.726136/201680 Acórdão n.º 3302006.596 S3C3T2 Fl. 4 3 legislador ao editar a norma não fora outra senão estimular o contribuinte a regularizar a sua situação, recebendo em seu benefício o afastamento da responsabilidade pela infração à legislação tributária. Dessa forma, se o contribuinte antecipase a qualquer procedimento fiscalizatório da administração, efetuando o pagamento dos tributos em atraso e dos juros de mora, não lhe pode ser imposta multa de mora, seja ela punitiva ou moratória. Como os Correios anteciparamse à qualquer procedimento administrativo, fazem jus ao benefício da denúncia espontânea com os consectários do artigo 138, do CTN. Termina o recurso requerendo a vigência e a validade da Nota Técnica Cosit nº 01 ao período em que foi entregue a Dcomp, para fins de reconhecer a configuração da denúncia espontânea de forma que os valores indicados na Dcomp sejam considerados quitados. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.586, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10166.726132/201600, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.586): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. O cerne da questão está em definir se a compensação se equipara ao pagamento para fins de fruição do benefício da denúncia espontânea. Essa questão foi tratada de forma didática e precisa no Acórdão nº 1402003.600, da lavra do conselheiro Marco Rogério Borges, de forma que peço vênia para utilizar a ratio decidendi daquele acórdão para fundamentar esse, in verbis: Como de costume, o voto da ilustre Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio está muito bem fundamentado. Contudo, este colegiado, após ampla discussão, divergiu do seu entendimento, no tocante à equiparação de compensação à pagamento para fins de constatação de denúncia espontânea, e por consequência da não aplicação do alegado artigo 100 do CTN. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10166.726136/201680 Acórdão n.º 3302006.596 S3C3T2 Fl. 5 4 O art. 138 do CTN é taxativo na sua disposição que a denúncia espontânea deve ser acompanhada do pagamento do tributo. Não há condições de considerar a compensação como forma de pagamento por se tratar de uma extinção do crédito tributário, pois há outras modalidades de extinção elencados no art. 156 do CTN. Igualmente, não há, até o momento, nenhuma norma no âmbito do Ministério da Fazenda e nem precedente que vincule este Conselho para tal entendimento de se aceitar tal situação. Inclusive, há decisão do E. STJ do tema em sentido contrário ao pleiteado pela recorrente: "AgInt no REsp 1568857/PR AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL 2015/02977680 Relator: Ministro OG FERNANDES Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 16/05/2017 Data da Publicação: DJe 19/05/2017 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DEFICIÊNCIA NA ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE AO ART. 535 DO CPC/73. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CARACTERIZADA. 1. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 535 do CPC/73 se faz de forma genérica, sem a demonstração exata dos pontos pelos quais o acórdão incorreu em omissão, contradição ou obscuridade. Aplicase, na hipótese, o óbice da Súmula 284 do STF. 2. A compensação tributária não se equipara a pagamento de tributo para fins de aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea regido pelo art. 138 do CTN. Precedentes: EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 1.375.380/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe30/11/2016; AgRg no REsp 1.461.757/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17/9/2015; AgRg no AREsp 174.514/CE, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, Dje 10/9/2012. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (grifamos) ACÓRDÃO Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10166.726136/201680 Acórdão n.º 3302006.596 S3C3T2 Fl. 6 5 Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo interno, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (Presidente), Francisco Falcão e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator. REsp 1657437/RS RECURSO ESPECIAL 2017/00461010 Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 04/04/2017 Data da Publicação: DJe 25/04/2017 EMENTA: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1. Hipótese em que o Tribunal local consignou: "o instituto da denúncia espontânea é perfeitamente aplicável aos casos em que o pagamento do tributo é realizado através da compensação" (fl. 665, eSTJ). 2. A Segunda Turma do STJ no julgamento do REsp 1.461.757/RS, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, firmou o entendimento de que "a extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN". 3. Recurso Especial provido.(grifamos) Ou seja, tal decisão segue a linha que difere a situação de pagamento e compensação para fins de reconhecimento da denúncia espontânea. Neste sentido, deve haver a aplicação de multa de mora no caso concreto, o que acarretaria um crédito menor do que o débito declarado/confessado em PER/Dcomp. Seria um caso de imputação proporcional, que está perfeitamente legal, como já emanado no voto vencido do nobre relator. No que tange à eventual aplicação do artigo 100 do CTN ao caso, o caso in concretu apresentado não se configura como denúncia espontânea nos termos do artigo 138 do Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10166.726136/201680 Acórdão n.º 3302006.596 S3C3T2 Fl. 7 6 mesmo CTN, as evocadas Notas Técnicas (NTs), de caráter meramente interpretativo, como bem analisados na decisão a quo, não são aplicáveis. Quando da emissão da NT Cosit nº 01, de 18/01/2012, a qual a recorrente se baseia para ter adotado a postura pleiteada no presente processo, a mesma foi criada com objetivo de orientação internamente a Receita Federal do Brasil, e identificado a sua impropriedade, foi cancelara por meio da NT Cosit nº 19, de 12/06/2012, corrigindoa. Ao transmitir sua Per/Dcomp em 30/05/2012, entre a data de expedição de ambas NTs. não criou uma vinculação nos termos do artigo 100 do CTN, pois as NTs não são atos normativos, e, por consequência, nem houve a prática reiterada pela autoridade administrativa pois não foram direcionadas aos contribuintes, muito menos nem pessoalmente à recorrente. Como salienta a decisão a quo, as NTs não são publicadas no DOU, seja no site da Receita Federal, não tendo alcance para o público externo (no caso, contribuintes). Assim, não podem ser evocadas para a postura adotada pela recorrente. Com base no que fora exposto, entendo que não ocorreu a denúncia espontânea em relação aos débitos julho de 2008 e agosto de 2008, por não terem sido pagos e sim compensados." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 166DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.935079/2009-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
Ementa:
INDÉBITO. CARACTERIZAÇÃO. DIREITO À RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84
É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018).
Numero da decisão: 1302-003.328
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação de estimativas mensais e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº10880.935088/2009-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 Ementa: INDÉBITO. CARACTERIZAÇÃO. DIREITO À RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação de estimativas mensais e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº10880.935088/2009-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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ESTIMATIVA. PARADIGMA Recorrente NOVELIS DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 Ementa: INDÉBITO. CARACTERIZAÇÃO. DIREITO À RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação de estimativas mensais e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº10880.935088/200914, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 50 79 /2 00 9- 23 Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10880.935079/200923 Acórdão n.º 1302003.328 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face a acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, registrandose a seguinte ementa: PAGAMENTOS INDEVIDOS OU A MAIOR DE ESTIMATIVAS A edição da IN SRE n° 460/2004, publicada em 29/10/2004, determinou em seu art. 10 que os recolhimentos a maior ou indevidos de estimativas de IRPJ e CSLL deveriam ser utilizados na apuração anual dos tributos e apuração do saldo negativo correspondente, sendo vedada sua utilização em compensações como pagamentos a maior ou indevidos. A IN SRF n° 600/2005, publicada em 30/12/2005, reproduziu essa proibição no seu exato teor e no mesmo artigo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente apresentou Declaração de Compensação, indicando como crédito pagamento indevido ou a maior. A fiscalização concluiu pela improcedência do crédito, por tratarse de pagamento de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devidos, ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. As decisões foram fundamentadas nas disposições das IN SRF nº 460, de 18/10/2004 e IN SRF nº 600, de 28/12/2005. Apresentouse DARF para demonstrar a origem do crédito. A DCOMP não foi homologada e resultou em lançamento. A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário, tempestivamente. Defende que, a fiscalização e a DRJ se equivocaram. Pois, o valor compensado no mês subsequente ao do recolhimento, referese a valor que pagou além do valor apurado como sendo o valor devido de estimativa. Alega, assim, que "as antecipações devidas pelo contribuinte e posteriormente transformadas em crédito, por conta do IRPJ e/ou da CSLL apurados a menor, por ocasião do ajuste, somente podem ser compensadas a partir do mês de abril do ano subsequente, ao passo que as antecipações recolhidas indevidamente ou a maior pelo contribuinte, ou seja, aquelas recolhidas em valor maior que o apurado com base na estimativa, como ocorre no presente caso, configurariam créditos que poderiam ser compensados já no mês subsequente ao do recolhimento indevido." Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10880.935079/200923 Acórdão n.º 1302003.328 S1C3T2 Fl. 4 3 Fundamentou seu entendimento nas disposições dos arts. 2º e 6º, da Lei nº 9.430/96; art. 74 da Lei nº 9.430/96. Também colacionou ementas de julgados do CARF. Sustentou que o regramento contido no artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 460/2004, replicado na Instrução Normativa n° 600/2005, tratava apenas do recolhimento do que efetivamente devido a título de antecipação de IRPJ e CSLL, não abrangendo recolhimentos a maior ou indevidos. Do contrário, contrariaria o citado art. 74 da Lei n° 9.430/96. No intuito de demonstrar o valor devido estimado para recolhimento antecipado de IRPJ, a Recorrente apresentou a DCOMP, Darfs, DCTFs retificadoras. Não há informação sobre o motivo pelo qual a Recorrente teria apurado, no primeiro momento, o referido valor devido de IRPJ por estimativa e no momento seguinte retificou DCTF e DIPJ para indicar outro valor como sendo correto. A Recorrente não informou o erro ou o equívoco cometido. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.319, de 22/01/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.935088/2009 14, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.319): Conheço do Recurso Voluntário à vista de sua interposição tempestiva e do atendimento ao demais pressupostos de admissibilidade previstos no Dec. nº 70.235/72. A questão, portanto, reside em verificar se a Recorrente teria crédito de IRPJ e CSLL, relativo a pagamento, indevido ou a maior, além da estimativa, e se estaria autorizada a utilizar o suposto crédito, já no mês subsequente. Como visto, o acórdão recorrido ratificou o entendimento da fiscalização, no sentido de que, no caso (empresa optante pelo lucro real e estimativas mensais, com base em balancete de suspensão ou redução) somente no ajuste anual seria possível apurar pagamento de valor indevido ou a maior de estimativa mensal. Antes do ajuste anual, não haveria pagamento indevido ou a maior, nem mesmo a possibilidade de compensação no mês subsequente. Esse foi o entendimento que a fiscalização e a DRJ extraíram da IN SRF nº 460, de 18/10/2004 e IN SRF nº 600, de 28/12/2005. De outro modo, a Recorrente refuta tal entendimento, colacionando acórdãos do CARF, que concluíram pela possibilidade de se utilizar, para fins de Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10880.935079/200923 Acórdão n.º 1302003.328 S1C3T2 Fl. 5 4 compensação, já no mês subsequente, os recolhimentos realizados em valor superior à quantia regularmente apurada, como sendo a estimativa mensal devida. A controvérsia quanto à possibilidade de compensação de pagamentos indevidos ou a maior de estimativas foi solucionada pela Solução de Consulta Interna da Cosit SCI n° 19, de 05/12/2011, de cuja ementa se extrai: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja ela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF n° 460, de 2004, e IN SRF n° 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB n° 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1° de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF n° 460, de 2004, e IN SRF n° 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2° e 74; IN SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008. Este entendimento também foi consolidado na jurisprudência deste conselho por meio da Súmula CARF n° 84, verbis: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). Nesse ponto específico, portanto, assiste razão à recorrente. Não obstante, quanto ao mérito do reconhecimento do direito creditório pleiteado e da respectiva compensação, não é possível a este colegiado adentrar no seu exame, posto que a autoridade administrativa competente ainda não se pronunciou sobre tal matéria. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10880.935079/200923 Acórdão n.º 1302003.328 S1C3T2 Fl. 6 5 Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação de estimativas mensais e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação de estimativas mensais e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 105DF CARF MF
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Numero do processo: 10675.720026/2009-35
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO DA LEI Nº 10.276/2001. ADMITE-SE POR IDENTIDADE DE EXIGÊNCIA CONTIDA NA LEI Nº 9.363/96 E APLICAÇÃO DA DECISÃO VINCULANTE DO STJ.
Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG) na sistemática de recurso repetitivo, no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como os produtores rurais pessoas físicas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF). Mesmo que não haja a mesma vinculação quando a apuração se dá no regime da Lei nº 10.276/2001, considerando que nela há a mesma exigência da incidência das contribuições na aquisição do produtor rural pelo produtor-exportador, e que a interpretação vinculante do STJ de que as contribuições estão embutidas em etapas anteriores da cadeia produtiva está consignada em tese, admite-se também o creditamento no regime alternativo.
Recurso especial do Procurador negado.
Numero da decisão: 9303-008.513
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO DA LEI Nº 10.276/2001. ADMITE-SE POR IDENTIDADE DE EXIGÊNCIA CONTIDA NA LEI Nº 9.363/96 E APLICAÇÃO DA DECISÃO VINCULANTE DO STJ. Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG) na sistemática de recurso repetitivo, no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como os produtores rurais pessoas físicas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF). Mesmo que não haja a mesma vinculação quando a apuração se dá no regime da Lei nº 10.276/2001, considerando que nela há a mesma exigência da incidência das contribuições na aquisição do produtor rural pelo produtor-exportador, e que a interpretação vinculante do STJ de que as contribuições estão embutidas em etapas anteriores da cadeia produtiva está consignada em tese, admite-se também o creditamento no regime alternativo. Recurso especial do Procurador negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO DA LEI Nº 10.276/2001. ADMITESE POR IDENTIDADE DE EXIGÊNCIA CONTIDA NA LEI Nº 9.363/96 E APLICAÇÃO DA DECISÃO VINCULANTE DO STJ. Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG) na sistemática de recurso repetitivo, no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como os produtores rurais pessoas físicas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF). Mesmo que não haja a mesma vinculação quando a apuração se dá no regime da Lei nº 10.276/2001, considerando que nela há a mesma exigência da incidência das contribuições na aquisição do produtor rural pelo produtorexportador, e que a interpretação vinculante do STJ de que as contribuições estão embutidas em etapas anteriores da cadeia produtiva está consignada em tese, admitese também o creditamento no regime alternativo. Recurso especial do Procurador negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 72 00 26 /2 00 9- 35 Fl. 561DF CARF MF Processo nº 10675.720026/200935 Acórdão n.º 9303008.513 CSRFT3 Fl. 3 2 Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo Procurador (fls. 502/512), admitido pelo despacho de fls. 524/528, contra o Acórdão 3102002.149 (fls. 473/484), de 26/02/2014, integrado pelo Acórdão em embargos nº 3401004.353 (fls. 493/500), sem efeitos infringentes. O recorrido teve a seguinte ementa: Assunto: Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS JUNTO A PESSOAS FÍSICAS. As aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens de pessoas físicas. utilizadas na industrialização de produtos destinados exportação, devem compor a base de cálculo do crédito presumido de IPI previsto na Lei n° 9.363/96. CREDITO PRESUMIDO. BASE DE CALCULO. Somente podem ser considerados como matériaprima ou produto intermediário, além daqueles que se integram ao produto em fabricação, os bens que sofrem desgaste ou perda de propriedade, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida, e desde que no sejam bens do ativo permanente. Dessa maneira, os gastos com telecomunicações e as devoluções de vendas não se enquadram nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário (PN CST, n° 65, de 1979; Lei n°9.363, de 1996). Recurso Voluntário Provido em Parte. Alega a Fazenda não ser possível no regime alternativo de crédito presumido da Lei 10.276/2001 ser deferido aquele em relação às aquisições de MP, PI e ME de pessoas físicas. Aduz, no que toca à explicitação da forma de cálculo do crédito presumido de IPI, que há uma diferença substancial entre a regra vertida na Lei nº 9.363/96 e aquela prevista na Lei nº 10.276/2001. Entende que na Lei nº 9.393/96 não há regra expressa no sentido de que apenas geram direito ao crédito as aquisições de MP, PI e ME que tenham sofrido a incidência de PIS/COFINS. Diversamente, na Lei nº 10.276/2001 o comando legal é cristalino no sentido de que só dão direito ao crédito presumido de IPI os custos de aquisição de insumos sobre os quais incidiram as contribuições para o PIS/COFINS. Assim, conclui, tendo a disposição legal prevista no art. 1º, § 1º da Lei nº 10.276/2001 como parâmetro, não há dúvida de que as Fl. 562DF CARF MF Processo nº 10675.720026/200935 Acórdão n.º 9303008.513 CSRFT3 Fl. 4 3 aquisições de pessoas físicas e de cooperativas não geram direito ao crédito presumido de IPI, eis que não sofrem em suas operações comerciais a incidência de PIS/COFINS. O contribuinte contraarrazoou (fls. 535/550), postulando, em preliminar, o não conhecimento do recurso, pois apenas teriam sido transcritas as ementas dos acórdãos paradigmas, sem o devido cotejo analítico. No mérito, postula que seja negado provimento ao recurso, requerendo, ainda, a incidência de atualização monetária com base na taxa SELIC, tendo como termo inicial o protocolo do pedido de ressarcimento. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator A PGFN não se limita a transcrever as Ementas dos Acórdãos paradigmas, mas também excertos dos Votos condutores (com as devidas ponderações, ao final), sendo que o primeiro faz referência expressa ao REsp nº 993.164/MG, entendendo que não se aplica ao caso. Assim, tendo sido cumpridos os requisitos e respeitadas as formalidades previstas no RICARF para se admitir o Recurso Especial, dele conheço. Contudo, não se conhece da alegação do contribuinte em contrarrazões para incidência da taxa SELIC desde o protocolo do pedido, pois matéria de mérito, a qual deveria ter sido versada em recurso próprio, o que não ocorreu. Na questão de fundo, esta E. Câmara já se manifestou sobre a matéria em relação ao mesmo contribuinte em, igualmente, recurso da Fazenda. Cito a título de exemplo o acórdão 9303006.802, de 16/05/2018, de relatoria do i. Conselheiro Rodrigo Pôssas, o qual restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO DA LEI Nº 10.276/2001. ADMISSÃO, POR IDENTIDADE DE EXIGÊNCIA CONTIDA NA LEI Nº 9.363/96 E APLICAÇÃO ANÁLOGA, EM TESE, DE DECISÃO VINCULANTE DO STJ. Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96, originalmente regulada pela IN/SRF nº 23/97) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como os produtores rurais pessoas físicas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF). Mesmo que, a rigor, não haja a mesma vinculação quando a apuração se dá no regime da Lei nº 10.276/2001, originalmente regulada pela IN/SRF nº Fl. 563DF CARF MF Processo nº 10675.720026/200935 Acórdão n.º 9303008.513 CSRFT3 Fl. 5 4 69/2001, considerando que nela há a mesma exigência da incidência das contribuições na aquisição do produtor rural pelo produtorexportador, e que a interpretação vinculante do STJ de que as contribuições estão embutidas em etapas anteriores da cadeia produtiva está consignada em tese, admitese também o creditamento no regime alternativo. Valhome, em grande medida, do que lá esposado pelo relator para fundamentar este voto. Em caso, o Crédito Presumido foi apurado com base no regime da Lei nº 10.276/2001, abrindose aí a discussão, que, efetivamente, é o cerne da lide, se a jurisprudência vinculante do STJ, que faz somente referência à Lei nº 9.363/96 e às normas infralegais que a regulam, também seria aplicável ao regime alternativo. A PGFN alega que só a Lei nº 10.276/2001 traz referência expressa à exigência de que tenha havido a incidência das contribuições nas aquisições passiveis de inclusão na base de cálculo. Vejase que rezam os dois diplomas legais, na parte que interessa à discussão: Lei nº 9.363/96 Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Lei nº 10.276/2001 Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o Fl. 564DF CARF MF Processo nº 10675.720026/200935 Acórdão n.º 9303008.513 CSRFT3 Fl. 6 5 encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. Dessarte, a meu juízo, as leis trazem a mesma exigência no sentido de que haja incidência sobre os custos de produção admitidos na base de cálculo do crédito presumido. A Lei nº 10.276/2001 não criou um novo benefício, mas tãosomente: 1) passou a admitir a inclusão na base de cálculo, além dos insumos para industrialização, no conceito da legislação do IPI (MP, PI e ME), gastos com energia elétrica, combustíveis e serviços de industrialização por encomenda; e 2) alterou a forma de cálculo. Em nada essas mudanças afetaram a “essência” do benefício, cujo objetivo é desonerar as exportações dos tributos incidentes na cadeia produtiva (no caso, PIS/Cofins), ainda que de forma presumida (pois cada produto exportado tem uma cadeia distinta, na qual incidem as contribuições com menor ou maior reflexo no custo), para aumentar a competitividade dos produtos nacionais no mercado globalizado, ou, ao menos, diminuindo o chamado “Custo Brasil”. O que se discutiu no STJ foi a exigência da incidência na última etapa da cadeia produtiva, ou seja, na venda do fornecedor para o produtorexportador. No caso concreto, estamos tratando de gado bovino adquirido de pecuaristas pessoas físicas, para abate e processamento das carnes destinadas à exportação. Nestas aquisições não há incidência das contribuições. Se dermos às leis interpretação literal (aplicável àquelas que concedem benefícios fiscais, não podendo, portanto, ser diversa a regulamentação dada pelas instruções normativas da Receita Federal), sem dúvida não haveria o direito ao crédito se não há a incidência, mas o STJ a elasteceu, vislumbrando que há efetivamente incidência também em etapas anteriores, neste caso, na fase agrícola, como nas aquisições de ração e outros insumos utilizados na criação dos animais até estarem prontos para o abate. E a interpretação mais “elástica” dada pelo STJ, a que me refiro – ainda específica para os produtores rurais – está mais que clara nos trechos da Ementa do Acórdão no REsp nº 993.164/MG que transcrevo a seguir: 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes ...) 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; ... É bem verdade que a Súmula nº 497 é genérica, não especificando a norma atingida, mas, a rigor, não estamos vinculados quando o crédito é calculado pelo regime alternativo da Lei nº 10.276/2001, regulado, originalmente, pela IN/SRF nº 69/2001, ainda que traga dispositivo idêntico. Fl. 565DF CARF MF Processo nº 10675.720026/200935 Acórdão n.º 9303008.513 CSRFT3 Fl. 7 6 Entretanto, como já visto, apesar de haver uma sensível alteração de texto, havendo que se reconhecer que a norma insculpida na Lei nº 10.276/2001 é mais “explícita”, entendo que as normas legais dizem o mesmo no que tange à produção rural. Em conclusão, a interpretação vinculante do STJ, tomada a cadeia produtiva como um todo, é conceitual, daí que admito a “analogia” para fins de aplicação do decidido pelo STJ no julgamento REsp nº 993.464/MG, também quando o cálculo do valor do direito creditório é feito na forma alternativa da Lei nº 10.276/2001 Em consequência, sem reparos à r. decisão. DISPOSITIVO Ante o exposto, conheço do recurso do Procurador, mas negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 566DF CARF MF Processo nº 10675.720026/200935 Acórdão n.º 9303008.513 CSRFT3 Fl. 8 7 Fl. 567DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.900267/2013-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 31/03/2008
OMISSÃO. APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO. INOCORRÊNCIA.
Todas as medidas necessárias para se verificar a efetiva ocorrência do fato gerador do IRRF no presente caso, foram adotadas pela autoridade fiscal, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa, nem tampouco em nulidade. Na mesma esteira, não prospera a alegação de nulidade atribuída à DRJ por não ter se manifestado explicitamente sobre a alegação da Recorrente de que a I. Fiscalização deveria intimar os prestadores de serviços a apresentarem documentos que comprovassem o cancelamento da prestação dos serviços que geraram os recolhimentos indevidos de IRRF, tendo em vista que a decisão de piso deixou claro que compete ao Recorrente o ônus da prova para apresentar as notas fiscais eletrônicas canceladas. Essa foi a linha de entendimento adotada pela instância a quo; via de consequência, se o julgador entende que o ônus da prova para apresentação das notas fiscais eletrônicas canceladas é do Recorrente, despicienda, em face da convicção que já se formou, qualquer argumentação relacionada à necessidade da fiscalização em intimar os prestadores de serviço a apresentarem documentos que o julgador entende que é de obrigação do Recorrente apresentar; assim, o argumento da Recorrente não se tornou essencial à solução da lide, posto que o Relator adotou tese contrária à defendida pela empresa, não preterindo seu direito de defesa, apenas adotando entendimento contrário ao seus interesses. Conforme entendimento já consolidado pela Corte Superior de Justiça, o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO E RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. ÔNUS DA PROVA.
Ao contribuinte pertence o ônus da prova de comprovar os fatos, em sede de pleito de compensação ou restituição de tributos, a teor do que dispõe o art.333 do CPC c/c o art. 923 do Decreto nº 3.000/99. Em especial no caso concreto, quando se trata de desfazimento de negócios entre empresas representadas pelo mesmo diretor e/ou sócio e integrantes de mesmo grupo econômico de fato.
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. INOCORRÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO. ART.170 CTN.
Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. As meras declarações dos prestadores de serviços oriundas de mesmo signatário, que também é o mesmo diretor da Recorrente, sem nenhuma formalidade, além da produção unilateral, per si, não é documento hábil e idôneo a comprovar os fatos alegados. O artigo 170 do Código Tributário Nacional determina que só podem ser objeto de compensação, créditos líquidos e certos.
Numero da decisão: 2401-006.486
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
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Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 31/03/2008 OMISSÃO. APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO. INOCORRÊNCIA. Todas as medidas necessárias para se verificar a efetiva ocorrência do fato gerador do IRRF no presente caso, foram adotadas pela autoridade fiscal, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa, nem tampouco em nulidade. Na mesma esteira, não prospera a alegação de nulidade atribuída à DRJ por não ter se manifestado explicitamente sobre a alegação da Recorrente de que a I. Fiscalização deveria intimar os prestadores de serviços a apresentarem documentos que comprovassem o cancelamento da prestação dos serviços que geraram os recolhimentos indevidos de IRRF, tendo em vista que a decisão de piso deixou claro que compete ao Recorrente o ônus da prova para apresentar as notas fiscais eletrônicas canceladas. Essa foi a linha de entendimento adotada pela instância a quo; via de consequência, se o julgador entende que o ônus da prova para apresentação das notas fiscais eletrônicas canceladas é do Recorrente, despicienda, em face da convicção que já se formou, qualquer argumentação relacionada à necessidade da fiscalização em intimar os prestadores de serviço a apresentarem documentos que o julgador entende que é de obrigação do Recorrente apresentar; assim, o argumento da Recorrente não se tornou essencial à solução da lide, posto que o Relator adotou tese contrária à defendida pela empresa, não preterindo seu direito de defesa, apenas adotando entendimento contrário ao seus interesses. Conforme entendimento já consolidado pela Corte Superior de Justiça, o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO E RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. ÔNUS DA PROVA. Ao contribuinte pertence o ônus da prova de comprovar os fatos, em sede de pleito de compensação ou restituição de tributos, a teor do que dispõe o art.333 do CPC c/c o art. 923 do Decreto nº 3.000/99. Em especial no caso concreto, quando se trata de desfazimento de negócios entre empresas representadas pelo mesmo diretor e/ou sócio e integrantes de mesmo grupo econômico de fato. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. INOCORRÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO. ART.170 CTN. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. As meras declarações dos prestadores de serviços oriundas de mesmo signatário, que também é o mesmo diretor da Recorrente, sem nenhuma formalidade, além da produção unilateral, per si, não é documento hábil e idôneo a comprovar os fatos alegados. O artigo 170 do Código Tributário Nacional determina que só podem ser objeto de compensação, créditos líquidos e certos.
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APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO. INOCORRÊNCIA. Todas as medidas necessárias para se verificar a efetiva ocorrência do fato gerador do IRRF no presente caso, foram adotadas pela autoridade fiscal, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa, nem tampouco em nulidade. Na mesma esteira, não prospera a alegação de nulidade atribuída à DRJ por não ter se manifestado explicitamente sobre a alegação da Recorrente de que a I. Fiscalização deveria intimar os prestadores de serviços a apresentarem documentos que comprovassem o cancelamento da prestação dos serviços que geraram os recolhimentos indevidos de IRRF, tendo em vista que a decisão de piso deixou claro que compete ao Recorrente o ônus da prova para apresentar as notas fiscais eletrônicas canceladas. Essa foi a linha de entendimento adotada pela instância a quo; via de consequência, se o julgador entende que o ônus da prova para apresentação das notas fiscais eletrônicas canceladas é do Recorrente, despicienda, em face da convicção que já se formou, qualquer argumentação relacionada à necessidade da fiscalização em intimar os prestadores de serviço a apresentarem documentos que o julgador entende que é de obrigação do Recorrente apresentar; assim, o argumento da Recorrente não se tornou essencial à solução da lide, posto que o Relator adotou tese contrária à defendida pela empresa, não preterindo seu direito de defesa, apenas adotando entendimento contrário ao seus interesses. Conforme entendimento já consolidado pela Corte Superior de Justiça, o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO E RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. ÔNUS DA PROVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 02 67 /2 01 3- 36 Fl. 227DF CARF MF 2 Ao contribuinte pertence o ônus da prova de comprovar os fatos, em sede de pleito de compensação ou restituição de tributos, a teor do que dispõe o art.333 do CPC c/c o art. 923 do Decreto nº 3.000/99. Em especial no caso concreto, quando se trata de desfazimento de negócios entre empresas representadas pelo mesmo diretor e/ou sócio e integrantes de mesmo grupo econômico de fato. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. INOCORRÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO. ART.170 CTN. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. As meras declarações dos prestadores de serviços oriundas de mesmo signatário, que também é o mesmo diretor da Recorrente, sem nenhuma formalidade, além da produção unilateral, per si, não é documento hábil e idôneo a comprovar os fatos alegados. O artigo 170 do Código Tributário Nacional determina que só podem ser objeto de compensação, créditos líquidos e certos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. . Relatório Fl. 228DF CARF MF Processo nº 13896.900267/201336 Acórdão n.º 2401006.486 S2C4T1 Fl. 3 3 Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica – PER/DCOM P(PD) nºs. 36157.11694.130608.1.3.041348; 05172.32409.10709.1.7.046851; 14929.73687.100608.1.3.04 0092; e 02226.92219.190608.1.3.046398 (fls. 96 a 99) , pelo qual a Interessada pretende aproveitar um suposto crédito de Pagamento Indevido ou a Maior, no valor de R$ 85.019,38, na data de transmissão, utilizando o DARF, código de receita 1708 (IRRF), no valor de R$ 113.258,78,91, PA 31/03/2008, com vencimento em 10/04/2008, e pagamento feito em 27/05/2008. O Despacho Decisório de fls. 93, não homologou a compensação dos débitos informados no presente PER/DCOMP, porque o valor do crédito não foi reconhecido. A Recorrente apresentou os PER/DCOMP(PD) de números 14929.73687.100608.1.3.040092 (processo nº. 13896.900.184/201347), 05172.32409.10709.1.7.04 6851 (processo nº. 13896.900266/201391), 36157.11694.130608.1.3.041348 (processo nº.13896.900.267/201336), e 02226.92219.190608.1.3.046398 (processo nº. 13896.900.268/201381),onde pretende aproveitar supostos créditos de Pagamento Indevido ou a Maior, utilizando o mesmo DARF, código de receita 1708 (IRRF), no valor de R$ 113.258,78, PA 31/03/2008, com vencimento em 10/04/2008, e pagamento feito em 27/05/2008, objetivando quitar débitos Conforme consta dos autos, na conclusão do Relatório Fiscal de fls. 140/144, após a análise dos documentos apresentados, observouse que nenhuma das NFe constavam como canceladas no sítio da Prefeitura Municipal de São Paulo na internet. Por meio dos documentos apresentados, deuse a entender que os cancelamentos teriam ocorrido após o pagamento do ISS, o que , de acordo com a legislação municipal, faria com que os cancelamentos tivessem que ser solicitados via Processos Administrativos. Intimouse o contribuinte a apresentar cópias de tais processos, incluindo os despachos que teriam deferido os cancelamentos, o que não ocorreu. Diante desses fatos, e com base na legislação de regência, a fiscalização concluiu pela não homologação das compensações, em face da total falta de certeza e liquidez do direito creditório. Após intimação a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, sustentando a legalidade da compensação realizada, e argumentando que cabe ao emissor da nota o cancelamento das mesmas, e que ele não teria como deles exigir os documentos. Manifestou entendimento de que os lançamentos contábeis e as cartas entregues aos prestadores de serviço comunicando o cancelamento são provas suficientes para comproválos, o que também tornaria indevida a retenção na fonte. Alega ainda que, em obediência ao princípio da verdade material, a forma não deve prevalecer sobre o conteúdo, sendo irrelevante “o procedimento formal de cancelamento da notas perante o Município”. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 1283.152 da 9ª Turma da DRJ/RJ1, às fls. 169/181, julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade do Contribuinte. Inconformada, a empresa apresentou Recurso Voluntário às fls. 1892/21 alegando em síntese que: a) a insuficiência da fiscalização levada a cabo antes da prolação do r.despacho decisório eletrônico; Fl. 229DF CARF MF 4 b) cabe à I. Fiscalização intimar os prestadores de serviços a apresentar documentos que comprovassem o cancelamento da prestação dos serviços que geraram os recolhimentos indevidos de IRRF; c) aduz que tais documentos representariam a manifestação inconteste da outra parte da relação civil de prestação de serviços, que serviria como mais um documento a comprovar a existência do crédito, e que a I. Fiscalização poderia se valer do seu natural poder de polícia para intimar os prestadores de serviços a provar que os serviços de fato foram cancelados; d)o fato da Delegacia Regional de Julgamento (“DRJ”) não se dignar a combater tal insuficiência da fiscalização alegada na manifestação de inconformidade, macula de nulidade a r. decisão recorrida; e)em que pese constar do relatório do v. acórdão, em leitura atenta do r. julgado, não se nota qualquer passagem na fundamentação pela improcedência da manifestação de inconformidade em que a I. DRJ tenha apreciado os argumentos de insuficiência da fiscalização tecidos pela Recorrente; f)tal omissão, contudo, macula de nulidade o v. acórdão recorrido, nos termos do artigo 12, II, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011; g)na prática, referido direito de defesa resta mitigado especialmente porque, ainda que implicitamente se considere que o argumento de insuficiência da fiscalização não tenha sido acolhido pela I. DRJ pelo fato de ter julgado improcedente a manifestação de inconformidade, fato é que a Recorrente não sabe os motivos que levaram a I. DRJ a não acolher sua alegação formulada, cerceando seu direito de defesa; h)nesse contexto, resta claro o cerceamento do direito de defesa da Recorrente em relação ao argumento de insuficiência da fiscalização, cuja apreciação imediata por essa I. Corte Administrativa pode ensejar em supressão de instância, agravando ainda mais a preterição do direito de defesa da Recorrente, portanto, é de rigor seja reconhecida a nulidade do v. acórdão recorrido,com a consequente remessa dos autos à I. DRJ de origem, para que aprecie os; i)a I. Fiscalização não se dignou a adotar as medidas necessárias para se verificar a efetiva ocorrência do fato gerador do IRRF que se busca sustentar para glosar o crédito da Recorrente, tal postura, além de violar o artigo 142 do Código Tributário Nacional, viola também a busca pela verdade material, inerente a todo ato administrativo; j) ao se afirmar no relatório fiscal que “tampouco podem ser aceitas como provas, como pretende o contribuinte, meras cartas enviadas aos fornecedores, sem quaisquer respostas dos mesmos concordando com o que nelas é comunicado”, a I. Fiscalização poderia, ao menos, ter intimado a Recorrente a apresentar qualquer declaração dos prestadores dos serviços que comunicasse o cancelamento das notas. Tais documentos representariam a manifestação inconteste da outra parte da Fl. 230DF CARF MF Processo nº 13896.900267/201336 Acórdão n.º 2401006.486 S2C4T1 Fl. 4 5 relação cível de prestação de serviços, que serviria como mais um documento a comprovar a existência do crédito. k)a I. Fiscalização preferiu adotar a postura cômoda de simplesmente não homologar as compensações, mesmo não sendo possível afirmar que os serviços foram concluídos e que o IRRF recolhido era devido. A esse respeito, aliás, após intimada do r. despacho decisório, a Recorrente pleiteou, perante os prestadores dos serviços, que lhe fossem fornecidas declarações que atestassem o cancelamento das notas, o que foi de pronto atendido por três dos prestadores, conforme se nota das declarações acostadas aos autos (vide fls. 6264); l)Como se vê, referidas declarações poderiam ter sido providenciadas durante o procedimento fiscalizatório, caso o I. Agente Fiscal tivesse consignado sua insatisfação com a não comprovação do cancelamento das notas pelos prestadores dos serviços, o que veio a restar consignado apenas no relatório fiscal que instruiu o r.despacho decisório. Além disso, devese apontar que, somente no relatório final, a I.Fiscalização afirmou que as cópias dos espelhos do Livro Razão apresentados não seriam hábeis a comprovar os registros contábeis, por não ser possível verificar a autenticidade desses espelhos. Notase aí outra omissão que macula o procedimento fiscalizatório, haja vista que bastaria que a Recorrente fosse intimada novamente a apresentar o Livro Razão original onde constam as folhas apresentadas, ou, quando muito, apresentar as folhas devidamente autenticadas; m) Nesse aspecto, adicionalmente, afirma a I. Fiscalização, com base no Código de Processo Civil, que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo do seu direito. Contudo, é importante lembrar que, em se tratando de obrigação tributária, o lançamento é atividade administrativa plenamente vinculada, conforme previsto no artigo 3º do Código Tributário Nacional. Nessa qualidade, o lançamento é ato administrativo cuja verificação incumbe à Fiscalização, cabendo a ela, portanto o dever de provar a ocorrência do fato gerador. Por outra banda, também é fato, que, em se tratando de fiscalização de compensações declaradas pelo contribuinte, é dever do contribuinte possuir o respaldo de provas que estejam ao seu alcance para atestar a regularidade dessas compensações, tal como abordado no v. acórdão recorrido; n) Entretanto, o ônus da prova nesse caso se confunde com a obrigação da Fiscalização de comprovar a ocorrência o fato gerador, o que conduz à inconteste assertiva de que não há que se falar de ônus da prova exclusivo a uma das partes da obrigação tributária, como pretendeu a I. Fiscalização ao repassar tal responsabilidade à Recorrente, inclusive em relação a obrigações que seriam de responsabilidade exclusiva dos prestadores dos serviços cancelados; o)destaca uma vez mais, que a Recorrente apresentou todos os documentos que estavam ao seu alcance para comprovar a Fl. 231DF CARF MF 6 existência de crédito em seu favor suficiente à realização das compensações. Com efeito, a Recorrente apresentou a seguinte documentação: (i) DARFs de recolhimento do IRRF; (ii) DCTF retificadora que constituiu o crédito de recolhimento a maior; (iii) Planilha com a composição do crédito; (iv) Notas fiscais que vieram a ser canceladas; (v) Lançamentos contábeis em Livro Razão; (vi) Declarações apresentadas aos prestadores dos serviços para fins de atendimento ao artigo 166 do Código Tributário Nacional, que comunicam os cancelamentos extemporâneos das notas fiscais; (vii) Declarações dos prestadores dos serviços que atestam a não realização dos serviços. p)que não cabe à Recorrente, na qualidade de tomadora dos serviços, a tarefa de proceder ao cancelamento das notas fiscais analisadas, mas sim aos prestadores dos serviços. É o que se observa, aliás, do próprio dispositivo transcrito por pela I. Fiscalização no último Termo de Intimação expedido, de nº 1453/2012. Observe o conteúdo normativo transcrito a seguir: “Seção V – Do Cancelamento da NFe Art. 12. A NFe poderá ser cancelada pelo emitente, por meio do sistema, antes do pagamento do Imposto. Parágrafo único. Após o pagamento do Imposto, a NFe somente poderá ser cancelada por meio de processo administrativo.” q) No caso concreto, sendo a Recorrente apenas a tomadora dos serviços, não cabe, por consequência, exigir dela documentos relacionados aos cancelamentos, cuja incumbência, reiterase, é restrita aos prestadores.Aliás, também não cabe exigir que a Recorrente pressione os seus tomadores de serviços para que providenciem os respectivos cancelamentos formais das notas fiscais, uma vez que não possui poderes para tanto. Tal incumbência é restrita à Fiscalização, diante dos poderes coatores que viabilizam atingir a finalidade almejada.Nada mais justo, portanto, que a I. Fiscalização exerça sua parcela de ônus da prova e contate os prestadores dos serviços para que comprovem as formalidades exigidas para o reconhecimento do cancelamento das notas fiscais, uma vez que cogitarse a glosa dos créditos pela não comprovação do cancelamento formal é o mesmo que tributar fatos geradores que não ocorreram. r) Caso não se entenda pela nulidade supramencionada – o que se cogita apenas por argumentar – cumpre apontar que, no mérito, o v. acórdão recorrido também não merece prosperar, tendo em vista a inequívoca existência do crédito de IRRF utilizado na compensação não homologada devidamente comprovada nesses autos, não merecendo prosperar a Fl. 232DF CARF MF Processo nº 13896.900267/201336 Acórdão n.º 2401006.486 S2C4T1 Fl. 5 7 insuficiência de provas sustentada pelo I. Agente Fiscal e pela I. DRJ; s) Conforme brevemente exposto, para sustentar o crédito de IRRF utilizado na compensação, a I. Fiscalização afirmou que a Recorrente deveria comprovar a certeza e liquidez daquele.Nesse sentido, sendo o caso de retenção indevida, a Recorrente apresentou documentos que demonstram a inocorrência do fato gerador para fazer jus ao direito creditório. De fato, consoante brevemente exposto, o pagamento de IRRF é indevido em razão de serviços que jamais se realizaram, pois, não tendo ocorrida a prestação de serviços, há que se concluir que não houve a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária.In casu, os serviços que originaram as retenções indevidas estão relacionados a quatro notas fiscais que, por sua vez, estão relacionadas a serviços que não foram prestados; t) Deveras, tendo os serviços sido cancelados, procedeu a Recorrente aos (i)lançamentos contábeis, que identificam os débitos dos valores de IRRF na conta do passivo IRRF a Recolher – “IRRF P.J. 1708 a Rec” – referentes a essas notas, e os respectivos créditos da mesma conta – que representam os cancelamentos das notas e, consequentemente, o cancelamento dos valores a recolher, (ii) à retificação da DCTF apresentada, bem como, para fins de atendimento ao artigo 166 do Código Tributário Nacional, (iii) comunicou aos prestadores dos serviços os cancelamentos; u) De fato, tanto o relatório fiscal que acompanhou o r. despacho decisório eletrônico, quanto o v. acórdão recorrido apoiamse na inexistência de procedimentos de cancelamento das notas fiscais dos serviços não prestados perante a Prefeitura do Município de São Paulo, como também em supostas inconsistências das cartas de cancelamento dos serviços. De toda forma, ainda que se cogite pela responsabilidade da Recorrente em providenciar as comprovações necessárias do efetivo cancelamento das notas fiscais– o que se cogita apenas por argumentar – cumpre esclarecer que, relativamente às impropriedades e suspeitas destacadas no v. acórdão contidas das declarações apresentadas pelos prestadores de serviços, na verdade, não são suficientes a afastar o valor probatório de tais declarações. A esse respeito, afirmou a I. DRJ que as declarações foram “emitidas em uma mesma data (14/03/2013), com rubricas de assinaturas idênticas e sem identificação, apesar de serem de três empresas distintas, levando a crer que foram emitidas por um mesmo remetente”. Acontece que as assinaturas das Declarações são de fato oriundas do mesmo signatário. Isso porque, as três empresas possuem os mesmos sócios que assinaram as declarações, conforme se observa dos primeiros sócios mencionados no quadro de sócios dos cartões de CNPJ dos prestadores que ora se acosta (doc. j.).Pelo exposto, é incabível que a forma prevaleça sobre o conteúdo, sobre pena de a I. Fiscalização passar a cobrar valores despropositados, apenas em razão de alguma irregularidade formal não ter sido cumprida. (Cita o art. 112 do CC e art.4º do Fl. 233DF CARF MF 8 CTN, além de jurisprudências administrativas para reforcar sua tese); v) que a ordem cronológica dos fatos destacados pela I. Fiscalização em seu relatório, e reiterados pela I. DRJ no v.acórdão recorrido, não deve implicar na não homologação das compensações realizadas pela Recorrente. Ao traçar a ordem cronológica envolvendo o recolhimento do IRRF, a apresentação das DCTFs original e retificadora, a apresentação de PER/DCOMP e as declarações firmadas entre os prestadores dos serviços e a Recorrente, a I. Fiscalização procurou evidenciar erros de procedimento que ensejariam no não reconhecimento do crédito. Diante do elevado grau burocrático, é esperado que os contribuintesde grande porte, como é o caso do Recorrente, incorram em erros, havendo, inclusive, mecanismos para corrigilos. Referidos erros comumente são verificados somente por meio de auditorias, realizadas tempos após a ocorrência do ato.E a verificação do erro com a correspondente correção deve ser admitida para fins fiscais, tendo em vista que os mecanismos próprios para tanto estão previstos em lei. Nesse contexto, mister se faz afirmar que foi exatamente o que ocorreu no caso em tela, tendo originado a confusão cronológica dos atos que legitimaram a existência do crédito de IRRF. A DCTF do período foi devidamente retificada quando o procedimento de auditoria verificou a inconsistência. A mesma situação ocorreu com as declarações para fins de ISS apresentadas pela Recorrente aos prestadores dos serviços. Desta feita, não há que se falar de procedimentos suspeitos quando as retificações e providências foram realizadas nos termos da lei. Assim, uma vez provada a impossibilidade de constituição de crédito tributário por erro de declaração, é de rigor seja reformado o r. despacho decisório combatido para que restem homologadas as compensações realizadas pela Recorrente. x)Diante do exposto, requer a procedência do recurso voluntário para reconhecer a nulidade do v. acórdão recorrido, com a remessa dos autos à I. DRJ de origem, para que aprecie os argumentos de insuficiência da fiscalização prévia ao despacho decisório que não homologou as compensações, e reconheça a nulidade daquele despacho decisório. Subsidiariamente, caso não se entenda pelo reconhecimento da nulidade , requer a procedência do recurso para julgar a reforma do v. acórdão recorrido e, por conseguinte, homologar integralmente a compensação inicialmente declarada. É o relatório Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Fl. 234DF CARF MF Processo nº 13896.900267/201336 Acórdão n.º 2401006.486 S2C4T1 Fl. 6 9 DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. DA ADMISSIBILIDADE A Recorrente foi cientificada da r. decisão em debate no dia 10/02/2017 conforme Termo de Ciência às fls. 186, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 10/03/2017 (fl. 189/212), razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO VOLUNTÁRIO já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 1. DA PRELIMINAR a) nulidade A alegação de nulidade atribuída à DRJ por não ter se manifestado explicitamente sobre a alegação da Recorrente de que a I. Fiscalização deveria intimar os prestadores de serviços a apresentarem documentos que comprovassem o cancelamento da prestação dos serviços que geraram os recolhimentos indevidos de IRRF; não merece prosperar. Conforme entendimento já consolidado pela Corte Superior de Justiça, o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. A decisão ora atacada foi proferida dentro dos ditames delineados em lei, apresentando de forma clara e objetiva o motivo porque negou provimento à Manifestação de Inconformidade, para NÃO RECONHECER QUALQUER DIREITO CREDITÓRIO, referente a Pagamento Indevido ou a Maior, no valor de R$ 85.019,38, na data de transmissão, utilizando o DARF, código de receita 1708 (IRRF), no valor de R$ 113.258,78, PA 31/03/2008, com vencimento em 10/04/2008, e pagamento feito em 27/05/2008. Notese que no voto ora atacado a instância a quo, registra que: 14. Ressaltese que as Cartas enviadas aos prestadores de serviços, bem como as Declarações que serviram de resposta às respectivas Cartas, não podem ser aceitas como prova, sobretudo pelas incorreções destacadas, conforme demonstrado acima. 15. Registrese que, in casu, o cancelamento ou não das notas fiscais eletrônicas não é mero procedimento formal, uma vez que a Interessada alega que a prestação de serviços de quatro fornecedores, que emitiram as respectivas notas fiscais, de fato não ocorreram, de modo que a retenção e o recolhimento de IRRF, que houve, foi indevida. 16. Reforcese que as folhas do livro Razão Analítico apresentadas pela Interessada, onde constam lançamentos contábeis cancelando os pagamentos e a retenção dos serviços desamparados dos documentos que lhes dão suporte, por si só, não são suficientes para dirimir a questão em apreço, pois os Fl. 235DF CARF MF 10 fatos nelas registrados não foram comprovados por documentos hábeis, que seriam as notas fiscais eletrônicas canceladas. Entendo ser oportuno transcrever o disposto no Artigo 923, do Decreto 3000/99, in verbis: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). 17. Diante de todo o exposto, entendo que a Interessada não se desincumbiu do ônus de comprovar os fatos alegados, faltando, pois, certeza e liquidez ao crédito pleiteado. (g.n) Ou seja, a decisão de piso deixou claro que compete ao Recorrente o ônus da prova para apresentar as notas fiscais eletrônicas canceladas. Essa foi a linha de entendimento adotada pela instância a quo; via de consequência, se o julgador entende que o ônus da prova para apresentação das notas fiscais eletrônicas canceladas é do Recorrente, despicienda, em face da convicção que já se formou, qualquer argumentação relacionada à necessidade da fiscalização em intimar os prestadores de serviço a apresentarem documentos que o julgador entende que é de obrigação do Recorrente apresentar; assim, o argumento da Recorrente não se tornou essencial à solução da lide, posto que o Relator adotou tese contrária à defendida pela empresa, não preterindo seu direito de defesa, apenas adotando entendimento contrário ao seus interesses. Aliás, entendimento que esta Relatora também compartilha em sua integralidade, em especial no presente feito, pois além do respaldo legal constante no art. 333 do CPC c/c o artigo 923 do Decreto nº 3.000/99, somase ainda as circunstâncias fáticas peculiares ao presente caso, onde tanto a Interessada, ora Recorrente, como as três prestadoras de serviços que apresentaram as "Declarações de Não Prestação de Serviços", são representadas pelo mesmo socio/diretor, Sr. ROGÉRIO IGREJA BRECHA JR, conforme se verifica nos documentos abaixo: a) CPM BRAXIS TECNOLOGIA LTDA RECORRENTE.(fl. 42/44) ATA DE REUNIÃO DE SÓCIOS Diretor: ROGÉRIO IGREJA BRECHA JR; b) BRAXIS ERP SOFTWARE S.A (fls 214/215) DECLARAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS R$ 248.572,98 Diretor: ROGÉRIO IGREJA BRECHA JR; c) BRAXIS TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO S.A (fls. 216/218) DECLARAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS R$ 1.234.737,16 Sócio: ROGÉRIO IGREJA BRECHA JR; d) SBS SERVIÇOS DE INFORMÁTICA LTDA (fls. 219/224) DECLARAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS R$ 3.670,64 Diretor: ROGÉRIO IGREJA BRECHA JR; Dos fatos narrados e da documentação carreada aos autos, depreendese que a atuação das mencionadas empresas em alguns aspectos se assemelham a um Grupo Econômico de fato, pois possuem atividades complementares, propósito econômico comuns, formação do quadro societário com alguns indivíduos integrando todas as empresas, dentre outras características. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 13896.900267/201336 Acórdão n.º 2401006.486 S2C4T1 Fl. 7 11 Não há como prescindir da formalidade exigida por lei em relação ao cancelamento das notas fiscais eletrônicas, via processo administrativo, e acatar declarações unilaterais produzidas pelo mesmo representante de todas as empresas, tanto na condição de contratante como na condição de contratado. Não é possível atribuir qualquer critério de isenção e imparcialidade na produção das referidas declarações. Ou seja, o documento não é apto, apropriado, ao fim que se pretende destinar. Noutro giro, a posição que a Recorrente se coloca de mera tomadora de serviços, sem nenhum "poder" sobre as prestadoras para exigirlhes os referidos cancelamentos das notas fiscais, diante da representação comum exercida pelo Sr Rogério Igreja, referida alegação aproximase da má fé, já que como se observa, é uma prova que está inteiramente ao seu alcance e já deveria ter sido produzida desde a fase de Manifestação de Inconformidade, estando preclusa sua produção no momento presente. Assim, que fique consignado que o ônus da prova é inteiramente do Recorrente conforme já mencionado no Relatório Fiscal e Acórdão ora Recorrido, não havendo que se transferir para a fiscalização a obrigação legal do Recorrente de apresentar os documentos hábeis a demonstrar o direito que alega possuir, razão pela qual indefiro o retorno dos autos à DRJ, por entender que não houve cerceamento do direito de defesa do Contribuinte, nem tampouco que há embasamento legal para a inversão do ônus da prova por ele pretendido. Nesse diapasão, não há cerceamento de defesa em nenhuma fase do curso processual capaz de produzir qualquer tipo de nulidade ou óbice para que se avance na análise de mérito no presente feito. 2. DO MÉRITO Em seu Recurso Voluntário o contribuinte se restringe a alegar, no mérito, que tendo os serviços sido cancelados, procedeu a Recorrente aos (i)lançamentos contábeis, que identificam os débitos dos valores de IRRF na conta do passivo IRRF a Recolher – “IRRF P.J. 1708 a Rec” – referentes a essas notas, e os respectivos créditos da mesma conta – que representam os cancelamentos das notas e, consequentemente, o cancelamento dos valores a recolher, (ii) à retificação da DCTF apresentada, bem como, para fins de atendimento ao artigo 166 do Código Tributário Nacional, (iii) comunicou aos prestadores dos serviços os cancelamentos. A) DA INEXISTÊNCIA DE PROCEDIMENTO DE CANCELAMENTO DAS NOTAS FISCAIS DE SERVIÇOS PERANTE A PREFEITURA DE SÃO PAULO E AS CARTAS DE CANCELAMENTO DOS SERVIÇOS O ponto controvertido que sobreveio à análise deste colegiado referese à falta de certeza e liquidez do direito creditório, seja pela inexistência de procedimentos de cancelamento das notas fiscais dos alegados serviços não prestados perante a Prefeitura do Município de São Paulo, sejam pelas inconsistências das cartas de cancelamento fornecidas pelos prestadores dos serviços, acostadas aos autos pela Recorrente. Fl. 237DF CARF MF 12 A instância a quo entendeu que as declarações foram “emitidas em uma mesma data (14/03/2013), com rubricas de assinaturas idênticas e sem identificação, apesar, de serem de três empresas distintas, levando a crer que foram emitidas por um mesmo remetente, afastando o valor probatório de tais declarações, além de não comprovar o cancelamento das notas fiscais. Em sede de Recurso Voluntário a Recorrente esclarece que as assinaturas das Declarações são de fato oriundas do mesmo signatário; isso porque, as três empresas possuem os mesmos sócios que assinaram as declarações, conforme se observa dos primeiros sócios mencionados no quadro de sócios dos cartões de CNPJ dos prestadores que acostou ao Recurso, concluindo assim que é incabível que a forma prevaleça sobre o conteúdo, sobre pena de a I. Fiscalização passar a cobrar valores despropositados, apenas em razão de alguma irregularidade formal não ter sido cumprida. (Cita o art. 112 do CC e art.4º do CTN, além de jurisprudências administrativas para reforçar sua tese). Todavia, razão não assiste à Recorrente, senão vejamos: Conforme já me posicionei no item referente à preliminar, pertence ao contribuinte o ônus da prova de comprovar os fatos, em sede de pleito de compensação ou restituição de tributos. O Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73), estabelece, em caráter geral, preceito nesse sentido: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.(g.n) Já o artigo 170 do Código Tributário Nacional determina que só podem ser objeto de compensação, créditos líquidos e certos, in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (g.n) E o Artigo 923, do Decreto 3000/99,dispõe que: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais.(g.n) A Recorrente trouxe aos autos as Notas Fiscais Eletrônicas objeto da questão, as folhas do Razão Analítico, as Cartas que teria enviado aos prestadores de serviço comunicando o cancelamento extemporâneo das notas fiscais, as Declarações fornecidas pelos prestadores de serviços visando atestar os cancelamentos das notas fiscais eletrônicas, bem como cartões de CNPJ dos três prestadores, para demonstrar que as referidas empresas possuem o mesmo sócio que assinou as declarações de que inexistiu a prestação dos referidos serviços. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 13896.900267/201336 Acórdão n.º 2401006.486 S2C4T1 Fl. 8 13 Ocorre que, como já lhe foi esclarecido pela instância a quo, o cancelamento das notas fiscais não é mero procedimento formal. O contribuinte alega que a prestação de serviços de quatro fornecedores ( embora só tenha apresentado declaração de três), que emitiram as respectivas notas fiscais, de fato não ocorreram, de modo que a retenção e recolhimento de IRRF, que houve, foi indevida. Para que seja deferido o pleito de restituição/compensação, é fundamental que esses fatos sejam comprovados, em obediência aos dispositivos legais citados acima. O que não ocorreu , já que não foram apresentadas as notas fiscais canceladas. Conforme o art. 923 do RIR/99 a escrituração contábil faz prova em favor do contribuinte, mas desde que os fatos nela registrados sejam comprovados por documentos hábeis. Assim, entendo que não podem ser aceitas como provas, como pretende o contribuinte, meras cartas enviadas por fornecedores, pertencentes ao que se assemelha a um mesmo grupo econômico de fato da Recorrente, inclusive assinada pelo mesmo diretor da Recorrente, Sr ROGÉRIO IGREJA BRECHA JR. Pois, como já fundamentado em minhas razões em sede de preliminar, não há como prescindir da formalidade exigida por lei em relação ao cancelamento das notas fiscais eletrônicas, via processo administrativo, e acatar declarações unilaterais produzidas pelo mesmo representante de todas as empresas, tanto na condição de contratante como na condição de contratado. Não é possível atribuir qualquer critério de isenção e imparcialidade na produção das referidas declarações. Ou seja, o documento não é apto, apropriado, ao fim que se pretende destinar. E também não é possível considerar a posição que a Recorrente pretende se colocar de mera tomadora de serviços, sem nenhum "poder" sobre as prestadoras para exigir lhes os referidos cancelamentos das notas fiscais, diante da representação comum exercida pelo Sr Rogério Igreja; referida alegação aproximase da má fé, já que como se observa, é uma prova que está inteiramente ao seu alcance e já deveria ter sido produzida desde a fase de Manifestação de Inconformidade, já que ele é sócio/diretor de todas as empresas envolvidas. Diante do exposto, entendo que o único documento hábil capaz de fazer prova e demonstrar que o crédito pretendido seria líquido e certo seria o cancelamento, via respectivo processo administrativo, das respectivas notas fiscais, o que, durante todo o curso processual não foi apresentado, e nem poderia pois conforme consulta realizada pela DRJ, as Notas Fiscais Eletrônicas NÃO CONSTAM COMO CANCELADAS no endereço virtual da Prefeitura do Município de São Paulo (https://nfe.prefeitura.sp.gov.br). E a Recorrente não apresentou qualquer comprovação da existência de processo administrativo objetivando o cancelamento das referidas notas fiscais eletrônicas, à luz das exigências previstas no Artigo 12, Parágrafo Único, do Decreto Nº 47.350, de 06/06/2006, da Prefeitura da Cidade de São Paulo Razão pela qual não há como se reconhecer qualquer direito creditório referente a pagamento indevido ou maior da Recorrente. B) ORDEM CRONOLÓGICA DOS FATOS . RECOLHIMENTO IRRF O Recorrente alega ainda em sede recursal que ao traçar a ordem cronológica envolvendo o recolhimento do IRRF, a apresentação das DCTFs original e retificadora, a apresentação de PER/DCOMP e as declarações firmadas entre os prestadores dos serviços e a Fl. 239DF CARF MF 14 Recorrente, a I. Fiscalização procurou evidenciar erros de procedimento que ensejariam no não reconhecimento do crédito. Todavia, diante do elevado grau burocrático, é esperado que os contribuintes de grande porte, como é o caso do Recorrente, incorram em erros, havendo, inclusive, mecanismos para corrigilos. Referidos erros comumente são verificados somente por meio de auditorias, realizadas tempos após a ocorrência do ato.E a verificação do erro com a correspondente correção deve ser admitida para fins fiscais, tendo em vista que os mecanismos próprios para tanto estão previstos em lei. Nesse contexto, mister se faz afirmar que foi exatamente o que ocorreu no caso em tela, tendo originado a confusão cronológica dos atos que legitimaram a existência do crédito de IRRF. A DCTF do período foi devidamente retificada quando o procedimento de auditoria verificou a inconsistência. A mesma situação ocorreu com as declarações para fins de ISS apresentadas pela Recorrente aos prestadores dos serviços. Desta feita, não há que se falar de procedimentos suspeitos quando as retificações e providências foram realizadas nos termos da lei. Assim, uma vez provada a impossibilidade de constituição de crédito tributário por erro de declaração, é de rigor seja reformado o r. despacho decisório combatido para que restem homologadas as compensações realizadas pela Recorrente. Novamente, não assiste razão ao Contribuinte, senão vejamos. Conforme relatado pela DRJ e pela I. Fiscalização a ordem cronológica em que os fatos ocorreram não corroboraram o reconhecimento de crédito do contribuinte; por óbvio que erros ocorrem, todavia os mecanismos de correção utilizados pelo Recorrente, não estavam aptos a serem admitidos para fins fiscais, nem tampouco a legitimar a existência de eventual crédito de IRRF, e, ao contrário do entendimento esposado pela Recorrente, após a análise dos presentes autos e das provas nele carreadas, verificouse que as retificações e providências não foram realizadas nos termos da lei, faltando demonstrar o principal, que é a certeza e liquidez dos créditos que se pretendia obter autorização para compensar. Assim, mantenho o entendimento esposado pela DRJ de que não há como se reconhecer qualquer direito creditório referente a pagamento indevido ou maior da Recorrente 3. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso rejeitar a preliminar e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pela falta de certeza e liquidez do direito creditório pleiteado nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 240DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.003838/2005-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2001
IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.
Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, corno o ITR, aplica-se o prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º, do CTN, ainda que não tenha havido pagamento antecipado.
Homologa-se no caso a atividade, o procedimento realizado pelo sujeito passivo, consistente em "verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo", inclusive quando tenha havido omissão no exercício daquela atividade.
A hipótese de que trata o artigo 149, V, do Código, é exceção à regra geral do artigo 173, L.
A interpretação do capta do artigo 150 deve ser feita em conjunto com os artigos 142, capta e parágrafo único, 149, V e VII, 150, §§1°, e 4°,, 156, V e VII, e 173, I, todos do CTN.
Decadência reconhecida de oficio.
Numero da decisão: 2101-000.606
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiada por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para declarar de oficio a decadência do direito da Fazenda Nacional em constituir o crédito tributário, nos termos do voto do Relator.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, corno o ITR, aplica-se o prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4 P., do CTN, ainda que não tenha havido pagamento antecipado. Homologa-se no caso a atividade, o procedimento realizado pelo sujeito passivo, consistente em "verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo", inclusive quando tenha havido omissão no exercício daquela atividade. A hipótese de que trata o artigo 149, V, do Código, é exceção à regra geral do artigo 173, L A interpretação do capta do artigo 150 deve ser feita em conjunto com os artigos 142, capta e parágrafo único, 149, V e VII, 150, §§1°, e 4°,, 156, V e VII, e 173, I, todos do CTN. Decadência reconhecida de oficio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiada por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para declarar de oficio a decadência do direito da Fazenda Nacional em constituir o crédito tributário, nos termos do voto do Relator. / CATO MARCOS CASDIDO - PreO - President 1, dlI Q.), .T ,,1ALE NDRE NAOKI NISH KA - Relator FORMALIZADO EM: 2,4 SEI aOM Participaram do julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Alexandre Naoki Nishioka, Ana Neyle Olímpio Holanda, José Raimundo Tosta Santos, Odrnir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 3451357) interposto, em 03 de novembro de 2008, contra o acórdão de fls. 327/337, do qual o Recorrente teve ciência em 10 de outubro de 2008 (fl. 342v), proferido pela l a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fis, 02/06, lavrado em 29 de dezembro de 2005 (ciência em 04 de janeiro de 2006, conforme fl. 03), em virtude da falta de recolhimento do imposto sobre a propriedade territorial rural, cujo fjttk.gç.EaiJLo_tMt 01de janeiro de 2001. Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 345/357, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para exonerar o crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheça. Inicialmente, entendo que é aplicável, no presente caso, o prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4°., do CTN, pois, à regra geral do artigo 173, 1, o Código estabeleceu justamente a exceção contida no artigo 149, V. É o que passo a demonstrar. Para tanto, necessário se faz transcrever alguns artigos do CTN que tratam do lançamento e da decadência. São eles: "Art. 142, Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e,sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, 2 Processo IV 10840.003838/2005-30 S2-C1 T1 Acórdão n.° 2101-00.606 Fl 360 Parágrafo único, A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcionar Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: V — quando se comprove omissão ou Lm:gigo, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VII — quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Art. 150.. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever tle antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa §1 0. O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extin,gue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento, §40. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se hontolo,gado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 156. Extinguem o crédito tributário: V — a prescrição e a decadência; VII — o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no art. 150 e seus §§ 1°. e 4°.; Art.. 17.3. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1 — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 3 Várias conclusões podem ser extraídas a partir da interpretação sistemática desses dispositivos do Código: (a) desde sua definição, o lançamento é considerado expressamente um procedimento administrativo (art. 142, eaput) ou uma atividade administrativa (art. 142, parágrafo único), inclusive o lançamento por homologação (art. 149, V, e 150, capta); (b) esse procedimento ou atividade consiste em "verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo" (art. 142, caixa), independentemente da modalidade de lançamento; (e) a diferença é que, no lançamento por homologação, praticamente toda essa atividade é realizada pelo contribuinte ou responsável, cabendo à autoridade administrativa homologá-la; (d) o artigo 149 trata das hipóteses que autorizam o lançamento de oficio, dentre as quais aquelas previstas nos incisos V e VII, ou seja, (d.1) "omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte" (lançamento por homologação) e (d,2) ação do sujeito passivo ou de terceiro em beneficio daquele "com dolo, fraude ou simulação"; (e) o lançamento por homologação está definido no artigo 150, sendo que "o dever de antecipar o pagamento", não o efetivo pagamento, faz parte do conceito legal daquele (art. 150, capta); (f) o pagamento antecipado é modalidade de extinção do crédito tributário, sob condição resolutiva da homologação do lançamento (150, §1°., c/c art. 156, VII); (g) no lançamento por homologação, homologa-se a atividade (art. 150, eaput, in fine) ou o procedimento (art. 150, §§ 1°. e 4°,, c/c art. 156, VII, in fine) realizado pelo sujeito passivo; (h) referida homologação pode ser tácita, com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da ocorrência do fato gerador (art. 150, §4°.); (i) se não homologado esse procedimento, necessário se faz o lançamento de oficio de que trata o artigo 149, V; (j) o artigo 156 distingue os casos de decadência (V), de pagamento antecipado e de homologação do lançamento (VII); (k) o prazo de decadência a que se refere o artigo 156, V, é o do artigo 173, I, do CTN, enquanto que a homologação do lançamento se dá na forma do §4 0. do artigo 150; (1) o artigo 150, §4°., é aplicável apenas ao lançamento de oficio previsto expressamente no inciso V do artigo 149, decorrente de "omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte" (lançamento por homologação), não alcançando os casos de ação do sujeito passivo ou de terceiro em beneficio daquele "com dolo, fraude ou simulação"; (m) "omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte" (lançamento por homologação) abrange tanto a falta de pagamento como o pagamento a menor de tributo; 4 Processo o' 10840.003838/2005-30 S2-C1TI Acórdão o.' 2101-00.606 Fl 361 (n) apenas as circunstâncias que não se encaixem na expressa previsão contida no artigo 149, V, estão sujeitas ao artigo 173, L A meu ver, essas constatações afastam a assertiva segundo a qual o artigo 173, 1, regula indistintamente o prazo decadencial relativo a todos os lançamentos de oficio. Como se viu, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, por força do artigo 149, V, o lançamento de oficio deve ser realizado pela autoridade administrativa tanto no caso de omissão como de inexatidão "por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte" (lançamento por homologação), o que significa dizer que quando houve falta de pagamento ou pagamento a menor, é obrigatório o lançamento de oficio. Para essas situações de ausência de pagamento ou de pagamento parcial de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o Código estabelece o prazo do §4". do artigo 150, ressalvando tão-somente aquelas em que se verifique "dolo, fraude ou simulação", que, nos termos do artigo 149, VII, também autorizaria o lançamento de oficio. Aliás, se o artigo 17.3, I, abrangesse todas as hipóteses de lançamento de oficio, a ressalva contida na parte final do artigo 150, §4"., seria absolutamente desnecessária, uma vez que a comprovação de "dolo, fraude ou simulação" também impõe o lançamento de oficio pela autoridade administrativa, a teor do artigo 149, VII. Se o legislador não usa palavras inúteis, o disposto na parte final do § 4°. do artigo 150 só pode significar que, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o único caso de lançamento de oficio que autoriza a incidência do artigo 173, I, é o de "dolo, fraude ou simulação". Muito difundida também tem sido a idéia de que o artigo 150, §4°., aplica-se apenas quando tenha sido feito pagamento antecipado pelo sujeito passivo, pois, não havendo tal pagamento, qualquer que seja seu valor, a autoridade não terá o que homologar, submetendo-se a hipótese ao regime do artigo 173, L Não obstante, conforme se procurou demonstrar, o Código exige expressamente, nas situações do artigo 150, a homologação de todo o procedimento, de toda a atividade de "lançamento", que consiste, na definição do artigo 142, em "verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo" (art. 142, capa), A antecipação do pagamento é referida apenas como modalidade de extinção do crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento de lançamento, ou seja, de toda atividade que culminou no pagamento a menor ou mesmo no não recolhimento do tributo. O que importa, para o Código, é que a legislação do tributo atribua ao contribuinte ou responsável "o dever de antecipar o pagamento" do tributo, independentemente deste ser realizado ou não. É dizer, a exigência tributária é que deve estar sujeita ao lançamento por homologação, não sendo condição necessária para a incidência do artigo 150, §4",, a realização de qualquer antecipação. 5 Até porque todas as vezes que o Código se referiu à homologação, nos artigos 150, capta e §§ I'. e 4°., e 156, VII, fez menção à atividade ou ao procedimento de lançamento, nunca ao pagamento antecipado. Se isso não bastasse, o CTN sempre distinguiu "pagamento antecipado" e "homologação do lançamento" (artigos 150, capta e §§1°. e 4°., e 156, VII), tendo utilizado essas expressões lado a lado, no mesmo dispositivo (artigo 150, §1°., e 156, VII), sem nunca se referir à homologação do pagamento antecipado. E não poderia ser de outra forma, pois, nos tributos sujeitos a essa espécie de lançamento, existem diversas situações que acarretam o não pagamento de determinada exação, como imunidades, isenções, não-incidências, alíquotas zero, créditos acumulados etc. Por vezes, o lançamento de oficio decorrente do não pagamento do tributo também tem origem em vício na qualificação dos fatos pelo sujeito passivo Em qualquer uma dessas hipóteses, a atividade do contribuinte ou responsável está sim sujeita à homologação pela autoridade administrativa, de acordo com o artigo 150. Um exemplo prático poderá ajudar a elucidar a questão: no caso do IRPF", tributo sujeito ao lançamento por homologação como o ITR, determinado contribuinte assalariado não paga o tributo sobre determinado rendimento, declarando ao final do exercício que aquele rendimento era isento ou não tributável. É correto dizer que, na hipótese, não se estaria sujeito ao prazo do artigo 150, §4°,, só porque não houve pagamento daquele específico rendimento? Seria possível desmembrar o fato gerador e considerar que apenas aquele rendimento não oferecido à tributação determinaria a aplicação do artigo 173, I, ainda que vários outros valores tenham sido recolhidos antecipadamente a título de IRPF ou mesmo IRRF? Outra pergunta se impõe: por que somente aqueles que não pagaram o imposto estão sujeitos ao prazo do artigo 173, I, enquanto que todos os que recolheram a menor (inclusive valores ínfimos) devem observar o prazo do artigo 150, §4°., quando se sabe que ambos os casos ensejam o lançamento de oficio, nos termos do mesmo artigo 149, V, do CTN? A propósito, deve-se ressaltar que o argumento segundo o qual o caput do artigo 150 determinaria a homologação do pagamento antecipado, já que a expressão "atividade assim exercida pelo obrigado" poderia referir-se à antecipação, é incompatível com o disposto no artigo 149, V, de acordo com o qual o lançamento de oficio deve ser efetuado pela autoridade administrativa "quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte". De fato, se a omissão ou a inexatidão mencionadas no artigo 149, V, dizem respeito ao "exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte", percebe-se que o pagamento em si não é requisito para que o tributo esteja sujeito ao lançamento por homologação. Homologa-se, isto sim, a atividade, o procedimento levado a efeito pelo sujeito passivo, não o pagamento propriamente dito, que pode ou não ocorrer. O que se quer deixar muito claro é que a interpretação do caput do artigo 150 não pode ser feita isoladamente, pois, como se diz, "o direito não se interpreta em tiras", Deve ser feita em conjunto com o artigo 149, V, e com todos os outros dispositivos do Código que tratam da matéria, especialmente os artigos 142, caput e parágrafo único, 149, V e VII, 150, §§1°, e 4°., 156, V e VII, e 173, I. 6 Processo n' 10840.00383812005-30 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00,606 El 362 Ainda que não nos caiba "psicanalisar os eminentes representantes da Nação", não me parece, outrossim, que tenha sido intenção do legislador sujeitar todos os casos de lançamento de oficio (art. 149) ao artigo 17.3, I, do CTN. Isto porque tanto o "Anteprojeto de autoria do Prof. Rubens Gomes de Sousa, que serviu de base aos trabalhos da Comissão Especial do Código Tributário Nacional", de 1954, como o projeto de lei encaminhado ao Presidente da República previam apenas o prazo decadencial de que trata o artigo 173, I, do nosso Código em vigor. O disposto no atual artigo 150, §4°., quanto à homologação tácita não constou nem do anteprojeto nem do projeto de lei, Foi incluído posteriormente, corno exceção ao nosso artigo 173, I, que seria aplicável indistintamente a todas as modalidades de lançamento. Assim, ao excepcionar o lançamento por homologação da regra geral até então projetada, o legislador pretendeu dar à hipótese prevista atualmente no artigo 149, V, tratamento diferenciado, consubstanciado no regime de que trata nosso artigo 150, §4°. Não se deve esquecer, ainda, que, além da interpretação sistemática dos dispositivos do CTN, no caso específico, tratando-se de exceção, deve-se interpretar' restritivamente os artigos 149, V, e 150, capta e §§1°. e 4°,, ou, nos dizeres do artigo 111 do Código, "literalmente". E a interpretação literal destes, como se viu, também nos permite concluir que tendo ou não havido pagamento antecipado, aplica-se aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação o prazo decadencial de 5 (cinco) anos, contado a partir da data da ocorrência do fato gerador. Nem se alegue ainda que o legislador pretendeu estabelecer um prazo menor de decadência apenas para os casos em que o contribuinte tenha feito algum pagamento antecipado, pois tal antecipação facilitaria o trabalho de investigação da autoridade administrativa, Isto porque tal propósito, mesmo que tivesse existido, não se manifestou no texto do Código; ao contrário, como se extrai da interpretação sistemática e gramatical dos artigos 142, caput e parágrafo único, 149, V e VII, 150, caput e §§ I', e 4°,, 156, V e VII, e 173, 1, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo do §4°, do artigo 150 é aplicável inclusive quando não houver pagamento. Lembro aqui a advertência feita pelo Ministro Aliamar Baleeiro: "Não inc cabe, Sr. Presidente, psicanalisar as eminentes representantes da Nação. Não entro, Sr. Presidente, na apreciação da justiça da lei Desde que aceitei um posto neste Supremo Tribunal Federal, com muita honra para mim lembrei-me de que na minha mocidade me tinham ensinado aquela regra sovadís,sima, de D'Argentré: não julgo a lei, julgo segundo a lei. Acho que os membros do Congresso, responsáveis pela política legislativa do Pais, podem exigir que apliquemos cegamente a 7 Sala das Sessões-DF, em 28 de julho de 2Q Alexandra Naoki Nishmka todas as leis que .forem constitucionais, boas ou ruins Quem se queixar da justiça da lei, que vá às eleições e substitua os Deputados e Senadores Nosso papel não é fazer leis, mas justiça segundo as leis constitucionais,." (STF, Tribunal Pleno, RE n." 62739-SP, Relatar Ministro Aliomar Baleeiro, j, em 23.&67, in RTJ 44/55-59) É por esses motivos que voto no sentido de declarar, de oficio, a decadência, considerando-se que, no caso especifico dos autos, o lançamento foi efetuado após o decurso do prazo de 5 (cinco) anos de que trata o §4°, do artigo 150 do CTN. 8
score : 1.0
Numero do processo: 10725.900421/2010-09
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2003
LUCRO PRESUMIDO. OPÇÃO. ALTERAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
A opção pela sistemática do lucro presumido é manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano-calendário, sendo definitiva para todo o ano, salvo exceção prevista na norma de regência, que não é o caso.
Numero da decisão: 1003-000.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2003 LUCRO PRESUMIDO. OPÇÃO. ALTERAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A opção pela sistemática do lucro presumido é manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário, sendo definitiva para todo o ano, salvo exceção prevista na norma de regência, que não é o caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 90 04 21 /2 01 0- 09 Fl. 45DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário contra Acórdão de 1241.247, proferido pela 1ª Turma da DRJ/RJ1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, por meio de Despacho Decisório, decidiu não homologar a compensação declarada, via transmissão de PER/DCOMP, ante a inexistência de crédito para tanto. Nas informações complementares do referido despacho decisório, assim constou: Cientificada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que para a compensação declarada, utilizou crédito decorrente de pagamento indevido, ante a apuração efetuada pelo Lucro Presumido, considerando que apresentou DIPJ pelo Lucro Real. Em 06 de outubro de 2011, a 1ª Turma da DRJ/RJ1 julgou improcedente a referida Manifestação de Inconformidade e prolatou acórdão, não reconhecendo qualquer direito creditório, cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário:2003 LUCRO REAL. LUCRO PRESUMIDO. OPÇÃO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Sendo a opção pela tributação com base no lucro presumido irretratável para todo a ano calendário, incabível a restituição/compensação de valores originados de pretendida mudança de opção de lucro presumido para lucro real. Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10725.900421/201009 Acórdão n.º 1003000.623 S1C0T3 Fl. 3 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a Recorrente apresentou recurso voluntário requerendo a reforma da decisão, e para tanto, reproduziu os argumentos já aduzidos na Manifestação de Inconformidade, ou seja, que utilizou crédito de pagamento indevido de CSLL, pelo Lucro Presumido, referente a setembro de 2003, considerando que apresentou DIPJ pelo Lucro Real. É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. Compulsando os autos, verifico que o recurso voluntário é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade previstos nas normas de regência, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciálo. A controvérsia principal do presente processo diz respeito em esclarecer se existe a possibilidade de alterar o regime de tributação do imposto de renda da pessoa jurídica, de lucro presumido para lucro real no decorrer do período. A respeito da apuração do lucro para fins de incidência do imposto de renda da pessoa jurídica, assim dispõe o art. 44 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário NacionalCTN: Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Prescreve, assim, o CTN que a base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas poderá ser o lucro real, presumido ou arbitrado. Já as leis, que regulamentaram o art. 44 do CTN, estipularam condições para que determinadas pessoas jurídicas possam tributar a renda com base em uma das formas previstas nesse artigo. Entre elas, está a Lei nº 9.718, de 1998, base legal do art. 516 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), aplicável à época da ocorrência do fato gerador, abaixo transcrito para melhor clareza: Fl. 47DF CARF MF 4 Art. 516. (...). § lº A opção pela tributação com base no lucro presumido será definitiva em relação a todo o anocalendário (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13, § lº ). (...) § 4º A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário (Lei nº 9.430, de 1996, art. 26, § lº). (negritei) Da análise das normas jurídicas, citase, ainda: : Da Lei nº 10.684/2003: Art 22. (...) Parágrafo único. A pessoa jurídica submetida ao lucro presumido poderá, excepcionalmente, em relação ao quarto trimestrecalendário de 2003, optar pelo lucro real, sendo definitiva a tributação pelo lucro presumido relativa aos três primeiros trimestres. (grifei) Da Lei nº 11.083/2004: Art. 8º A pessoa jurídica submetida ao lucro presumido poderá, excepcionalmente, em relação ao 3º (terceiro) e 4º (quarto) trimestrescalendários de 2004, apurar o Imposto de Renda com base no lucro real trimestral, sendo definitiva a tributação pelo lucro presumido relativa aos 2 (dois) primeiros trimestres, observadas as normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal. Destarte, partir da vigência da Lei nº 9.718/1998, a opção pela sistemática do lucro presumido (efetuada pelo darf do primeiro período de apuração pago por esta sistemática) é definitiva para todo o ano calendário. Exceção à regra geral, para o quarto trimestre do ano calendário de 2003 (e para os terceiro e quarto trimestres do ano calendário 2004) pode o contribuinte alterar o regime de tributação de lucro presumido para lucro real. Repisese: procedimento adotado pela Recorrente tão somente de apresentar a DIPJ referente ao anocalendário de 2003 com base no lucro real anual não tem o condão de mudar sua opção original pelo lucro presumido (feita com o pagamento do primeiro período de apuração), relativa aos três primeiros trimestres de 2003, que é definitiva para todo ano calendário. Temse que não é permitido Redarf para alterar o código de receita identificador da opção manifestada, ou seja, alteração de código de receita que corresponda à mudança no regime de tributação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, quando contrariar o disposto na legislação específica (inciso V do art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 672, de 30 de agosto de 2006, inciso V do art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 403, de 11 de março de 2004 e inciso V do art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 284, de 14 de janeiro de 2003). Por essa razão não pode fruir da excepcionalidade prevista no parágrafo único da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, com redação dada pelo art. 22 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10725.900421/201009 Acórdão n.º 1003000.623 S1C0T3 Fl. 4 5 Novamente, destaco que o procedimento adotado pela Recorrente ao apresentar a DIPJ com base no lucro real não muda sua opção (feita com o pagamento do primeiro período de apuração), relativa aos três primeiros trimestres de 2003. Ora, como na DIPJ/2004, a Recorrente indicou sua opção pelo lucro real anual, a troca de regime de tributação foi feita em desacordo com a legislação, não existindo, portanto, crédito (o crédito pretendido se refere ao período de apuração de 30/09/2003), conforme acórdão de piso que não merece reforma. Nessa linha. ficou claro a pretensão da Recorrente não encontra guarida em nosso ordenamento jurídico, posto que tendo formalizado a opção pela tributação com esteio na sistemática no lucro presumido, é inadmissível ulterior alteração do regime para fins de postulação de restituição/compensação dos valores de tributos recolhidos a maior, caso fosse adotado o regime do lucro real. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo o não reconhecimento do direito creditório em questão, e, por conseguinte, a não homologação da compensação pleiteada. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 49DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.908632/2012-46
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
CRÉDITOS BÁSICOS DE IPI. AQUISIÇÃO DE MATERIAL DE USO E CONSUMO. POSSIBILIDADE.
Faz jús ao aproveitamento de crédito de IPI a empresa que adquiri materiais para uso e consumo no processo industrial, tais como chapas, revelador e reforçador aplicados diretamente no processo produtivo de impressão off-set, por serem consumidos no processo de industrialização (ou que não o sejam integralmente consumidos se tornam imprestáveis para quaisquer outro processo industrial), nos termos do art. 164, I, do /decreto nº 4.544/2002 e do Parecer Normativo COSIT nº 65/1999.
Numero da decisão: 3001-000.769
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 CRÉDITOS BÁSICOS DE IPI. AQUISIÇÃO DE MATERIAL DE USO E CONSUMO. POSSIBILIDADE. Faz jús ao aproveitamento de crédito de IPI a empresa que adquiri materiais para uso e consumo no processo industrial, tais como chapas, revelador e reforçador aplicados diretamente no processo produtivo de impressão off-set, por serem consumidos no processo de industrialização (ou que não o sejam integralmente consumidos se tornam imprestáveis para quaisquer outro processo industrial), nos termos do art. 164, I, do /decreto nº 4.544/2002 e do Parecer Normativo COSIT nº 65/1999.
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CRÉDITO DE INSUMOS. RESTITUIÇÃO. Recorrente LOG & PRINT GRÁFICA E LOGÍSTICA S/A (SUCESSORA DE LOG & PRINT SERVIÇOS GRÁFICOS LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 CRÉDITOS BÁSICOS DE IPI. AQUISIÇÃO DE MATERIAL DE USO E CONSUMO. POSSIBILIDADE. Faz jús ao aproveitamento de crédito de IPI a empresa que adquiri materiais para uso e consumo no processo industrial, tais como chapas, revelador e reforçador aplicados diretamente no processo produtivo de impressão offset, por serem consumidos no processo de industrialização (ou que não o sejam integralmente consumidos se tornam imprestáveis para quaisquer outro processo industrial), nos termos do art. 164, I, do /decreto nº 4.544/2002 e do Parecer Normativo COSIT nº 65/1999. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 86 32 /2 01 2- 46 Fl. 213DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. Relatório Como se verifica da Manifestação de Inconformidade, a empresa TECNOCÓPIAS GRÁFICA E EDITORA LTDA., incorporada pela LOG & PRINT GRÁFICA E LOGÍSTICA S/A, submeteu à SRFB pedido de ressarcimento de crédito de IPI decorrentes da aquisição de insumos utilizados na fabricação de produtos acabados relativos ao 3º trimestre de 2009, com fundamento no art. 11, da Lei 9.779/1999, e inciso I, do art. 164, do Decreto 4.544/2002, no importe total de R$ 144.083,70 e, por intermédio das competentes Declarações de Compensação, pretendeu a compensação com débitos vincendos de sua responsabilidade. Do total solicitado o Fisco reconheceu R$ 111.542,28 e glosou o restante,, por entender que os produtos denominados CHAPA, REVELADOR e REFORÇADOR não eram insumo na dicção da legislação de regência, pelos fundamentos assim resumidos, verbis. Assim, embora consumidos no processo de industrialização, de serem insumos do ponto de vista econômico e de produção, não se subsumem na condição de matériaprima ou produto intermediário do ponto de vista jurídico (dar direito ao crédito do IPI) vez que as perdas de suas propriedades físicas ou químicas não se dá em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida. Consequentemente, mantevese o Despacho Decisório e, com espeque no art. 18 do Decreto 70.125/71, negou o pedido de pericia formulado alternativamente pela empresa contribuinte., nos termos do acódão 1052.972, da 3ª Turma da DRJ/POA, proferida em 28 de novembro de 2014 (fls. 220/225), e assim ementada, verbis. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 CRÉDITOS DE PRODUTOS QUE NÃO SE SUBSUMEM NO CONCEITO DE MATÉRIASPRIMAS OU PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE. Somente dão direito a créditos os insumos que se consumirem em decorrência de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10830.908632/201246 Acórdão n.º 3001000.769 S3C0T1 Fl. 3 3 Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de perícia. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEFINITIVIDADE. Considerase não impugnadas as glosas não expressamente contestadas, tornandose definitivas na esfera administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 05 de janeiro de 2015 o contribuinte formalizou seu Recurso Voluntário, reiterando suas razões impugnatórias, e arguindo (a) nulidade da decisão de 1ª instância por cerceamento do direito de defesa da parte; (b) insistindo que os produtos glosados (chapa, revelador e reforçador) se constituem sim como insumo, nos exatos termos do art. 164 do Decreto 4.544/2002, combinado com o art. 11 da Lei 9.779/1999, consoante reiteradas decisões dos nossos Tribunais no sentido de que o art. 164I, do Decreto 4.433/2002 (assim como o antigo 147I, do revogado Decreto 2.637/1998), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente". Prosseguindo, a empresa recorrente tece análise técnica sobre os produtos objeto da glosa; reportase a jurisprudência de nossos Tribunais Superiores e deste CARF, e fez juntada de um laudo pericial constante de ação judicial da mesma empresa, que tramitou perante a 6ª Vara Federal de CampinasSP (Processo 000064045.2013.403.6105), com sentença favorável e atualmente em grau de apelação da União perante TRF da 3ª Região, tendo como objeto os mesmos produtos de que cuida o presente processo administrativo fiscal, porém referente a outros períodos, onde se concluiu que as CHAPAS, REVELADOR e REFORÇADOR são produtos considerados como insumo, nos termos a que se refere o art. 164 do Decreto nº 4.544/2002. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades, pelo que dele tomo conhecimento. Como relatado, a discussão gira em torno de se definir se os produtos denominados CHAPA, REVELADOR e REFORÇADOR são considerados insumo na dicção da legislação de regência, para fins de aproveitamento de crédito e a sua consequente restituição. Fl. 215DF CARF MF 4 De acordo com o entendimento que fundamentou o v. acórdão recorrido, tais produtos não geram direito à pretendida restituição por não serem considerados insumos do ponto de vista jurídico, haja vista que, "embora consumidos no processo de industrialização, de serem insumos do ponto de vista econômico e de produção, não se subsumem na condição de matériaprima ou produto intermediário do ponto de vista jurídico (dar direito ao crédito do IPI) vez que as perdas de suas propriedades físicas ou químicas não se dá em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida". Sustenta o contribuinte, porém, que referida interpretaçao contraria a própria disposição do art. 164I, do Decreto 4.544/2002, "eis que os referidos insumos são integralmente consumidos em seu processo de industrialização ou, ainda, que não o sejam integralmente consumidos, se tornam imprestáveis para qualquer outro processo industrial". A controvérsia, pois, resumese em se saber se as CHAPA, REVELADOR e REFORÇADOR são considerados insumo na dicção da legislação de regência, para fins de aproveitamento de crédito e a sua consequente restituição, como sustenta a empresa; ou, ao contrário, nas palavras do v Acórdão recorrido tais produtos não se enquadram nos ditames da legislação que rege os conceitos de insumo para fins de aproveitamento dos créditos de IPI.. Como dito, a alegação básica da Recorrente é que, apesar de as chapas não integrarem o novo produto industrializado, devem ser inutilizadas quando encerrado o processo produtivo de impressão de cada revista. E, por isto mesmo, no seu entender, este processo assegura o direito de crédito nos termos do art. 164, I do Dec. 4.544/2002 e art. 226, I do Dec. 7.212/2010. Neste mesmo sentido assegura que as blanquetas são um componente crítico no processo de impressão offset empregada na transferência de imagens para o papel. Por fim, infere que os produtos químicos são indispensáveis na confecção do produto final, tais como a goma fixadora, o revelador para a chapa e o limpador de chapa. A DRJ/RPO julgou a manifestação de inconformidade improcedente entendendo que apesar de o material (chapas, revelador e reforçador também conhecidos como placas, blanquetas, limpadores de rolos e demais produtos químicos) ser consumido no processo industrial, esse consumo deve estar associado a um desgaste pelo contato direto com o produto final industrializado de forma a se enquadrar nos termos dispostos no Parecer Normativo COSIT no 65/79. Entendo ser plenamente correta a fundamentação adotada pela DRJ quando se utiliza das previsões normativas estabelecidas pelo inciso I do art. 164 do Dec. 4.544/2002 que prevê o alargamento do conceito de Matéria Prima (MP) ou Produto Intermediário (PI) stricto sensu, para admitir o que se convencionou chamar de insumo industrial lato sensu, juntamente com os termos explicitados pelo Parecer Normativo COSIT nº 65/1979. O Parecer estabelece ser possível o enquadramento como matériaprima ou produto intermediário determinados produtos utilizados no processo industrial, mesmo que não se integrem ao novo produto, para fins de creditamento nos termos da legislação do IPI. A determinação imposta é que o consumo deste produto seja mediante o desgaste, desbaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, por ação direta sobre o produto em fabricação, ou viceversa, no curso do processo de industrialização, salvo se compreendidos no conceito de bem do ativo permanente. É incontroverso que os produtos utilizados pela Recorrente, e cujos créditos foram objeto de glosa pela fiscalização, não integram o Ativo Permanente, visto que ambas afirmam se tratar de material de consumo. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10830.908632/201246 Acórdão n.º 3001000.769 S3C0T1 Fl. 4 5 Contudo, entendo ser necessário, para fins de se concluir se tais insumos podem gerar direito a créditos de IPI, avaliar se ocorreu o seu consumo diretamente no processo produtivo e, necessariamente, em decorrência de contato direto com o produto em fabricação, nos termos do próprio Parecer Normativo COSIT no 65/79. Portanto, passemos à análise individualizada dos itens objeto da presente controvérsia. Segundo análise do processo offset de impressão de revistas, conforme utilizado e descrito pela Recorrente, apresento a seguir a reprodução do funcionamento deste processo extraído da monografia “RETROFITTING EM IMPRESSÃO ROTATIVA OFFSET”: “A impressão offset é um processo planográfico cuja essência consiste em repulsão entre água e gordura (tinta gordurosa). O nome offset (fora do lugar), vem do fato da impressão ser indireta, ou seja, a tinta passar por um cilindro intermediário antes de atingir a superfície. Basicamente o processo consiste em 3 rolos: distribuidor de tinta, de chapas e da blanqueta. O rolo de tinta é o rolo responsável por distribuir a tinta sobre o rolo da chapa. Este por sua vez está com uma chapa gravada com o formato impresso. Como explanado logo acima, a tinta somente irá aderir às regiões que não repelem a tinta (processo repulsão da gordura). E o terceiro rolo é o responsável por transferir esta tinta ao papel, dando formato impresso. Este rolo é revestido com uma espécie de borracha chamado blanqueta. N figura 2 podese ver os rolos distribuidores de tinta, os rolos distribuidores de água, o cilindro de chapas e o cilindro de blanquetas”.1 Para melhor ilustrar a descrição acima, reproduzo imagem do referido processo de impressão: 1Dados extraídos do sítio www.ct.utfpr.edu.br/deptos/ceaut/monografias/RetrofittingemImpressora RotativaOffset.pdf, acessível em: 03/10/2018 Fl. 217DF CARF MF 6 Com estas informações, podese concluir que as Chapas de Impressão e as Blanquetas, utilizadas na produção de revistas, não podem ser reaproveitadas na produção de novas revistas (impressões) caracterizandoas como material de consumo, e que estão diretamente ligadas ao seu processo industrial. Portanto, entendo que este material deve ser considerado para fins de creditamento do IPI. Do mesmo modo, entendo que faz parte deste processo de impressão o emprego dos produtos químicos consumidos, tais como a goma fixadora, o revelador para a chapa e o limpador de chapa. Por fim, requer a Recorrente a realização de perícia técnica para análise dos créditos referentes aos insumos adquiridos e consumidos no processo produtivo, especialmente aqueles constantes da segunda controvérsia debatida alhures. Todavia, considero desnecessária a realização da perícia pretendida, seja tendo em vista as informações referentes ao processo de impressão offset acima reproduzido, seja porque o contribuinte fez juntada aos autos de um laudo pericial constante de ação judicial da mesma empresa, que tramitou perante a 6ª Vara Federal de CampinasSP (Processo 000064045.2013.403.6105), com sentença favorável e atualmente em grau de apelação da União perante TRF da 3ª Região, tendo como objeto os mesmos produtos de que cuida o presente processo administrativo fiscal, apenas referente a outros períodos, onde o Perito Judicial concluiu que as CHAPAS, REVELADOR e REFORÇADOR são produtos considerados como insumo, nos termos a que se refere o art. 164 do Decreto nº 4.544/2002, posto que "são integralmente consumidos em seu processo de industrialização ou... que não o sejam integralmente consumidos se tornam imprestáveis para quaisquer outro processo industrial". Em assim sendo, entendo que a chapa só pode ser utilizada uma única vez, significando dizer que, na prática, se consome no processo industrial, pois após usála fica a Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10830.908632/201246 Acórdão n.º 3001000.769 S3C0T1 Fl. 5 7 mesma imprestável para uso industrial. Pode se concluir também que, para usar a chapa nas impressões offset é necessário o revelador, e o reforçador também se torna indispensável para consumação do processo industrial, uma vez que funciona como uma espécie de fixador para melhorar a imagem da impressão. Diante do exposto, VOTO no sentido de tomar conhecimento para dar provimento ao Recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 219DF CARF MF
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